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Numero do processo: 13854.000313/2003-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DESNECESSIDADE DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A Primeira Seção do STJ, em sede de recurso especial repetitivo (art. 543-C do CPC), de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF (art. 62-A do Ricarf), consolidou o entendimento de que, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS - GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é suficiente para a cobrança dos valores nela declarados, dispensando-se qualquer outra providência por parte do Fisco. REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, julgado em 22/10/2008, DJe 28/10/2008. PROPORCIONALIZAÇÃO. RECEITAS. EXPORTAÇÃO/MERCADO INTERNO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. As receitas financeiras de variações cambiais ativas decorrentes de exportações de mercadorias não integram o total destas receitas para efeito de cálculo dos créditos do PIS passíveis de dedução da contribuição apurada mensalmente. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. As receitas financeiras de variações cambiais ativas decorrentes de exportações integram a base de cálculo do PIS com incidência cumulativa. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-001.842
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto vencedor do redator designado, conselheiro José Adão Vitorino de Morais. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Maria Teresa Martínez López e Bernardo Motta Moreira. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Bruno Fajersztajn, OAB-SP 206899. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Possas - Presidente. (assinado digitalmente) Antônio Lisboa Cardoso - Relator. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DESNECESSIDADE DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A Primeira Seção do STJ, em sede de recurso especial repetitivo (art. 543-C do CPC), de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF (art. 62-A do Ricarf), consolidou o entendimento de que, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS - GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é suficiente para a cobrança dos valores nela declarados, dispensando-se qualquer outra providência por parte do Fisco. REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, julgado em 22/10/2008, DJe 28/10/2008. PROPORCIONALIZAÇÃO. RECEITAS. EXPORTAÇÃO/MERCADO INTERNO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. As receitas financeiras de variações cambiais ativas decorrentes de exportações de mercadorias não integram o total destas receitas para efeito de cálculo dos créditos do PIS passíveis de dedução da contribuição apurada mensalmente. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. As receitas financeiras de variações cambiais ativas decorrentes de exportações integram a base de cálculo do PIS com incidência cumulativa. Recurso Voluntário Negado

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS     2 Acordam  os  membros  do  colegiado,  pelo  voto  de  qualidade,  em  negar  provimento  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  voto  vencedor  do  redator  designado,  conselheiro José Adão Vitorino de Morais. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso,  Maria Teresa Martínez López e Bernardo Motta Moreira. Fez sustentação oral pela recorrente o  advogado Bruno Fajersztajn, OAB­SP 206899.  (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Possas ­ Presidente.  (assinado digitalmente)  Antônio Lisboa Cardoso ­ Relator.  (assinado digitalmente)  José Adão Vitorino de Morais – Redator designado.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Rodrigo  da  Costa  Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso,  Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira.  Relatório  Conforme relatado na decisão recorrida, o presente processo teve início com  a Declaração de Compensação (DCOMP) de fl. 01, protocolada em 13/11/2003, por meio da  qual  a contribuinte declarou a  compensação de débito da Cofins  (2172),  no montante de R$  34.887,46, vencido em 14/11/2003, com créditos de PIS não­cumulativo, apurados no mês de  dezembro  de  2002  (R$52.099,33,  fl.  02).  Posteriormente,  em  12/12/2003,  protocolou  nova  DCOMP (fl. 10), para declarar a compensação do saldo restante dos créditos com outro débito  de Cofins, no montante de R$ 17.211,87, vencido em 15/12/2003.  Na  sequência  a  DRF  de  Ribeirão  Preto  glosou  integralmente  os  créditos  compensados pelos seguintes motivos descritos na informação fiscal de fls. 254/260:  Através  da  observação  do  "DEMONSTRATIVO  DE  APURAÇÃO  DOS  CRÉDITOS DO PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO – linha 34 (fls. 252), verifica­se  que  a  contribuinte  apurou  no mês  de  dezembro/2002,  saldos  finais  de  créditos de  PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO, em valores de R$ 5.072,93 e R$ 47.026,40, para  o mercado interno e externo respectivamente, após deduzir o seu débito apurado de  PIS/PASEP  em  valor  total  de  R$  95.336,98  conforme  indicado  na  linha  27  do  "DEMONSTRATIVO  DE  APURAÇÃO  DA  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO" (fls. 251).  No entanto, devido ao efeito da redução de receitas de exportação (exclusão  da variação cambial e receitas de exportação na condição de "Trading Company" e  acréscimos  de  receitas  financeiras,  na  base  de  cálculo  da  contribuição,  esta  fiscalização apurou para o mês de dezembro à  título de débito de PIS/PASEP não  cumulativo antes das deduções, o valor total de R$ 209.280,66.  Apurou, para o mês de dezembro/2002, créditos totais  (linha 30 —fls. 252),  de  R$145.799,16  (R$  12.473,41  +  R$  133.325,75),  os  quais  foram  totalmente  utilizados,  restante  ainda  valor  de  PIS/PASEP  não  cumulativo  a  pagar  de  R$  63.487,50 (linha 18, fls. 253).  Fl. 380DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 13854.000313/2003­10  Acórdão n.º 3301­001.842  S3­C3T1  Fl. 380          3 Portanto, da análise dos demonstrativos às fls. 251, 252 e 253, conclui­se que  a contribuinte não possuía saldo credor de PIS/PASEP não cumulativo, para efetuar  as  compensações  solicitadas  nas  declarações  de  compensações  apresentadas  pela  contribuinte às fls. 01 e 10.  Propomos, portanto, que o valor pleiteado a  título de crédito de PIS/PASEP  não cumulativo, no valor de R$ 52.099,33, seja integralmente glosado.  Na  manifestação  de  inconformidade  a  Recorrente  alega,  em  síntese,  o  seguinte (fls. 271/280):  a)  a  glosa  decorreu  do  entendimento  da  fiscalização  de  que  a  apuração dos  seus  créditos  "deveria  estar  vinculada  às  receitas  decorrentes  de  exportação.  Em  outras palavras, o montante do crédito passível de compensação deveria observar o  percentual  entre  o  valor  das  receitas  de  exportação  (inclusive  indiretas)  e  o  valor  total  das  receitas  auferidas  pela  requerente".  Além  deste  aspecto,  a  fiscalização  também apurou que suas  receitas de exportação deveriam ser consideradas  sem os  acréscimos  da  variação  cambial,  que  devem  ser  considerados  como  receitas  financeiras, sobre as quais deve incidir a contribuição";  b) quanto ao primeiro aspecto, deve ser considerado que à época do protocolo  das  DCOMPs  "a  legislação  de  regência  não  previa  sequer  a  obrigatoriedade  de  realizar a referida proporcionalização", que só foi instituída com a Lei n° 10.865, de  2004, que alterou a redação do art. 15, inc. III, da Lei n° 10.833, de 2003, aplicando­ se  as  regras  da  Cofins  não­cumulativa  ao  PIS  não­cumulativo.  Valendo­se  da  interpretação  histórica,  conclui­se  que  referida  regra  não  existia  antes  de  ter  sido  criada  pelo  novo  dispositivo  legal  (cuja  vigência  iniciôu­se  em  01/05/2004),  conforme  pacificado  na  doutrina  e  jurisprudência.  Assim  sendo,  "não  faz  sentido  discutir  se  uma  ou  outra  receita  deve  ser  considerada  ou  'não  na  apuração  do  percentual de rateio das receitas, quando o próprio critério de proporcionalização do  crédito  de  PIS  segundo  as  receitas  de  exportação  não  era  exigido  pela  legislação  então vigente";  c) quanto ao segundo aspecto, "a alegada omissão de receitas está sendo feita:  (a)  fora  do  prazo  decadencial  de  constituição  do  crédito  tributário;  (b)  fora  do  expediente  administrativo  apropriado,  já  que  o  presente  processo  trata  de  homologação de declarações de compensação; e (c) o conteúdo dessa exigência, que  somente  coteja  as  receitas  de  variação  cambial  e  desconsidera  as  correspondentes  despesas, ofende a capacidade contributiva e a lógica do sistema tributário";  d) quanto ao prazo decadencial, há que se aplicar à espécie as disposições do  art. 150, § 4º, do CTN, como já consolidado pela doutrina e jurisprudência, devendo  ser considerado escoado referido prazo porquanto os fatos geradores reportam­se ao  mês de dezembro de 2002 e a ciência do despacho decisório ocorreu em 27/10/2008.  E mesmo que fosse aplicado ao caso o prazo prescrito no art. 173, inc. I, do CTN,  como  entendem  alguns,  também  já  teria  decaído  o  direito  de  o  Fisco  lançar  a  diferença que entende ser devida. Ademais, a Súmula Vinculante n° 8/2008, do STF,  já  decretou  a  inconstitucionalidade  do  prazo  decadencial  de  10  anos,  que  vinha  sendo considerado ­ para o lançamento das contribuições;  e) quanto ao "expediente administrativo adequado", a fiscalização não • pode  ajustar a base de cálculo do PIS "em sede de procedimento administrativo tendente a  homologar  declarações  de  compensação,  na  medida  em  que  seria  obrigatório  a  formalização  de  lançamento  de  ofício",  como  já  decidiu  o  Conselho  de  Contribuintes, conforme ementas de decisões trazidas à colação;  Fl. 381DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS     4 f)  finalmente, quanto ao "conteúdo da exigência", a  fiscalização; como dito,  não  considerou  as  correspondentes  despesas  financeiras  em  decorrência  das  oscilações  do  câmbio.  Ademais,  neste  caso,  "o  que  estará  sendo  tributado  serão  meras contrapartidas contábeis de atualizações que não correspondem a receitas —  definitivas e reais — da requerente". E que, "com a introdução do regime de câmbio  flutuante,  que  coincidiu  com  o  advento  da  Lei  n°  9.718,  os  efeitos  das  variações  cambiais  sucessivas  —  ora  para  mais,  ora  para  menos  —  não  podem  ser  considerados  isoladamente,  haja  vista  que  o  reflexo  das  variações  cambiais  nos  direitos  e  obrigações  das  pessoas  jurídicas  nem  sempre  representam  um  ganho  cambial  efetivo  e,  consequentemente,  uma  receita.  Assim,  ao  desconsiderar  as  incidências, no período, das despesas relativas às variações cambiais, não se chegará  com segurança à conclusão de que o que está sendo tributado é de fato uma receita,  ou meros ajustes contábeis transitórios";  A decisão recorrida, encontra­se sintetizada nos seguintes termos:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002  MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.  Considera­se  definitiva,  na  esfera  administrativa,  a  exigência  relativa à matéria que não tenha sido expressamente contestada.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002  COMPENSAÇÃO.  CRÉDITOS  PASSÍVEIS  DE  RESSARCIMENTO. CRITÉRIO DE PROPORCIONALIZAÇÃO.  Correta  a  apuração  levada  a  efeito  pela  fiscalização,  que  considerou o critério de proporcionalização de receitas para fins  de  apuração  dos  créditos  passíveis  de  ressarcimento,  implicitamente contido na legislação vigente à época dos fatos.  HOMOLOGAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  PROCEDIMENTO  FISCAL.  SISTEMÁTICA  DE  NÃO­CUMULATIVIDADE.  LANÇAMENTO DE DÉBITOS. DESNECESSIDADE.  Na sistemática da não­cumulatividade, o procedimento fiscal que  visa  apurar  eventual  saldo  credor  compensável  deve  descontar  dos créditos os valores devidos a título débito, não havendo que  se cogitar da necessidade do seu lançamento de ofício.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  DESPESAS  FINANCEIRAS.  VARIAÇÕES  CAMBIAIS  PASSIVAS.  CRÉDITOS.  PREVISÃO  LEGAL. INEXISTÊNCIA.  Na  sistemática  da  não­cumulatividade  não  há  previsão  legal  para  a  apuração  de  créditos  relativos  a  despesas  financeiras  decorrentes de variações cambiais passivas.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002  HOMOLOGAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  PRAZO.  DISPOSIÇÃO LEGAL APLICÁVEL.  Fl. 382DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 13854.000313/2003­10  Acórdão n.º 3301­001.842  S3­C3T1  Fl. 381          5 Conforme dispõe o art. 74, § 5° da Lei n° 9.430/96, o prazo para  o  Fisco  homologar  compensação  declarada  por  meio  de  DCOMP exaure­se após 5 anos do seu protocolo.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido.  Cientificada em 05/07/2010  (fl. 313),  foi  interposto o  recurso voluntário de  fls. 314 e seguintes, em 03/08/2010, alegando, em síntese que, ao contrário do que entendeu a  Delegacia  de  Julgamento,  todos  os  argumentos  adotados  pela  fiscalização,  que  deram  azo  à  redução  do  crédito  de  contribuição  ao  PIS  apurado  pela  recorrente  e  questionado  neste  processo, foram contestados por meio da manifestação de inconformidade  Aduz que na manifestação de inconformidade a ora Recorrente demonstrou,  preliminarmente,  que havia decaído o direito do  fisco de  alterar os  aspectos quantitativos da  base de cálculo da contribuição para o PIS relativa ao mês de dezembro de 2002, além de que  tal  procedimento  não  poderia  ter  sido  adotado  em  sede  de  apreciação  de  declaração  de  compensação.  No  caso  deste  processo  administrativo,  o  despacho  decisório  ocorreu  em  27.10.2008,  diz  respeito  à  contribuição  para  o  PIS  relativa  a  fato  gerador  supostamente  ocorrido no mês de dezembro de 2002.  No  entanto,  diante  do  parágrafo  4°  do  art.  150  do  Código  Tributário  Nacional,  o  trabalho  fiscal  não  poderia  alcançar  a  contribuição  cujos  fatos  geradores  supostamente  se  concretizaram  antes  de  27.10.2003,  ou  seja,  depois  de  expirado  o  prazo  de  cinco anos, previsto nesse dispositivo legal.  Destarte, não procedem os ajustes da base de cálculo da contribuição ao PIS  relativa  ao  mês  de  dezembro  de  2002,  haja  vista  que  se  referem  a  período  que  lá  estava  decaído.  Alega a impossibilidade de aumentar­se a base de cálculo da contribuição ao  PIS em pedidos de restituição/compensação, conforme entendimento expressado nos acórdãos  n. 203­12912, 203­12913, 203­12914 e 203­12915:  "NÃO  CUMULATIVIDADE.  RESSARCIMENTO  DE  SALDO  CREDOR.  ALTERAÇÃO  NA  PARCELA  DO  DÉBITO  SEM  LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBL IDADE.  Não  existe  dispositivo  legal  na  novel  sistemática  de  ressarcimento  do PIS/Pasep Não Cumulativo  que  desobrigue  a  autoridade  fiscal  de  seguir  a  determinação  do  artigo  149  do  Código  Tributário  Nacional,  qual  seja,  a  de  proceder  ao  lançamento  de  oficio  para  constituir  crédito  tributário  correspondente à diferença da contribuição devida ao PIS/Pasep  quando depare com inconsistências na sua apuração.  Assim,  do  valor  da  parcela  do  crédito  reconhecido,  não  pode  simplesmente  ser  deduzida  escrituralmente  a  parcela  de  débito  do  PIS/Pasep  correspondente  a  receitas  que  deixaram  de  ser  consideradas  na  sua  base  de  cálculo,  no  caso,  receitas  com  a  cessão de créditos de ICMS." (grifos da recorrente)  Fl. 383DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS     6 Como se vê, pelo bem fundamentado voto do Conselheiro Odassi Guerzoni  Filho,  em  sede  de  pedido  de  restituição  e  declaração  de  compensação  do  saldo  credor  da  contribuição  ao  PIS,  apurado  no  regime  não­cumulativo,  a  fiscalização  pode  questionar  os  créditos, calculados de acordo com o art. 3° da Lei n. 10637/02. Porém, quaisquer alterações na  base de  cálculo  dessa  contribuição,  definida  no  parágrafo  2°  do  art.  10  dessa  lei,  devem  ser  procedidas  por  meio  de  lançamento  de  ofício,  seguindo  as  diretrizes  do  Código  Tributário  Nacional.  O cálculo dos créditos vinculados à receita de exportação e à receita auferida  nas operações realizadas no mercado interno.  O  v.  acórdão  recorrido  julgou  procedentes  os  ajustes  realizados  pela  fiscalização no montante do crédito da contribuição ao PIS, passível de ser compensado com  outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, por entender que a  norma  legal  consubstanciada  no  parágrafo  3°  do  art.  6°  da  Lei  n.  10833,  de  29.12.2003,  aplicável à contribuição social em foco, por força do inciso III do art. 15 dessa mesma lei, seria  interpretativa   A receita de exportação  Diante das manifestações do Ministério da Fazenda e da Secretaria da Receita  Federal do Brasil, acima expostas, quando se  trata do momento do registro e da apuração da  receita de exportação, para fins do imposto de renda da pessoa jurídica (IRPJ), não se discute  que  as  receitas  oriundas  de  vendas  ao  exterior  devem  ser  determinadas  pela  conversão  da  moeda estrangeira à taxa de câmbio vigente na data do embarque das mercadorias e, por essa  razão, outro não é o momento de reconhecimento dessas receitas, que não a data do embarque.  Com base nessa conclusão, pode­se afirmar que a variação cambial verificada  entre a saída da mercadoria do estabelecimento da empresa e o seu embarque, que consta em  nota  fiscal  complementar,  representa  simples  ajuste  para  adequar  o  valor  declarado  na  nota  fiscal  de  saída  às  determinações  fiscais,  que  não  pode  ser  desconsiderado  como  receita  de  exportação  jurisprudência  do  2°  Conselho.de  Contribuintes  reconhece  que  a  receita  de  exportação  deve  ser  determinada  na data  de  embarque das mercadorias  para  o  exterior,  com  base na  taxa de câmbio em vigor nesta data, conforme se verifica pela análise do acórdão n.  202­16676, de 8.11.2005, "in verbis":  "VARIAÇÃO CAMBIAL.  Integra  o  valor  das  exportações  a  ser  utilizado  no  cálculo  do  incentivo a  variação cambial ocorrida  entre a data de  emissão  da nota fiscal e o fechamento do contrato de câmbio, quando a  variação  cambial  engloba  o  preço  produto  exportado,  sendo,  inclusive,  emitida  nota  fiscal  complementar."  (grifos  da  recorrente)  Por fim, não merecem prosperar os ajustes na base de cálculo da contribuição  para o PIS, realizados pela fiscalização, relativos a supostas receitas financeiras que teriam sido  auferidas pela requerente, no mês de dezembro de 2002, uma vez que ela computou apenas as  receitas derivadas das variações cambiais, sem considerar as correspondentes despesas também  oriundas das oscilações de câmbio, referentes aos mesmos meses.  É o relatório.  Fl. 384DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 13854.000313/2003­10  Acórdão n.º 3301­001.842  S3­C3T1  Fl. 382          7 Voto Vencido  Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator  O recurso é tempestivo e revestido das demais formalidades legais, devendo  ser conhecido.  O recurso voluntário contesta a glosa das compensações levada a efeito pela  fiscalização  e  mantida  pela  decisão  recorrida,  por  entender  que  a  apuração  do  respectivo  crédito deveria estar vinculada às receitas decorrentes de exportação, de forma que o montante  do crédito passível de compensação deveria observar o percentual entre o valor das receitas de  exportação e o valor total das receitas auferidas pela requerente.  Consta  ainda,  que  a  decisão  recorrida,  não  considerou  como  receita  de  exportação  os  acréscimos  decorrentes  de  variação  cambial  nas  operações  efetuadas  pela  Recorrente  na  condição  de  empresa  comercial  exportadora  ("trading  company")  e  nas  exportações diretas de produtos de fabricação própria, visto que tais valores não poderiam ser  considerados  na  apuração  do  mencionado  percentual  de  rateio.  Isso  porque  a  natureza  da  receita  de  variação  cambial  não  seria  propriamente  receita  de  exportação,  mas  receita  financeira.  Em relação ao crédito de PIS/PASEP, glosado pela Fiscalização, em razão de  tratar­se  do  período  de  apuração  de  12/2002,  a  Recorrente  alega  que  o mesmo  não  poderia  sofrer qualquer alteração, em razão de ter transcorrido lapso temporal superior a cinco anos de  sua  ocorrência,  especialmente  pelo  fato  do  despacho  decisório  ter  ocorrido  em  27/10/2008,  pelo que qualquer diferença eventualmente existente estaria afetada pela decadência.  Entretanto, a Primeira Seção do STJ, em sede de recurso especial repetitivo  (art. 543­C do CPC), consolidou o entendimento de que, nos tributos sujeitos a lançamento por  homologação,  a  apresentação  de  Declaração  de  Débitos  e  Créditos  Tributários  Federais  –  DCTF,  de  Guia  de  Informação  e  Apuração  do  ICMS  –  GIA,  ou  de  outra  declaração  dessa  natureza,  prevista  em  lei,  é  suficiente  para  a  cobrança  dos  valores  nela  declarados,  dispensando­se qualquer outra providência por parte do Fisco. REsp 962.379/RS, Rel. Ministro  Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, julgado em 22/10/2008, DJe 28/10/2008.  Assim sendo, como a Recorrente apresentou as declarações de compensação  em  13/11/2003  e  complementada  em  12/12/2003,  claro  está  que  o  Fisco  poderia  exigir  o  crédito tributário confessado sem necessidade de sua constituição.  Ademais disto, o que está sendo exigido da Recorrente não é a diferença de  PIS/PASEP (crédito), mas sim a diferença da Cofins (out/2003) que não pode ser compensada,  conforme permite dizer o seguinte trecho do voto condutor do acórdão recorrido (fls. 306):  Com  efeito,  como  se  viu,  a  fiscalização  apurou  débitos  superiores aos créditos que a contribuinte tinha direito, de forma  que restou um saldo devedor da contribuição no montante de R$  63.487,50. Não há  notícias  neste  processo acerca  da  exigência  deste saldo devedor por meio de lançamento de ofício. Caso isto  tenha  ocorrido,  em  outro  processo,  é  lá  que  o  sujeito  passivo  Fl. 385DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS     8 deve protestar pelo reconhecimento da decadência do direito do  Fisco lançar este saldo.  Desta  forma,  deve  ser  afastado  o  pleito  de  decadência  reclamado  pela  Recorrente.  Passo a analisar o mérito do recurso,  inicialmente em relação ao critério de  proporcionalização de receitas de exportação e decorrentes de vendas no mercado interno, que  a decisão recorrida considerou como já “implicitamente contido na legislação vigente” à época  dos fatos, conforme descreve os seguintes trechos da decisão recorrida:  Com  efeito,  o  critério  de  proporcionalização  dos  créditos  em  relação  às  receitas  de  exportação  foi  mesmo  instituído  pela  Lei  n°  10.833,  de  2003,  por  meio  de  seu  art.6°, § 3°, reproduzido pela recorrente, e que segue transcrito, in verbis:  Art. 6°A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das  operações de:  I ­ exportação de mercadorias para o exterior;  II  ­  prestação  de  serviços  para  pessoa  fisica  ou  jurídica  domiciliada no exterior, com pagamento em moeda conversível;  III  ­  vendas  a  empresa  comercial  exportadora  com  o  fim  específico de exportação.  §  1°  Na  hipótese  deste  artigo,  a  pessoa  jurídica  vendedora  poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins  de:  I ­ dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das  demais operações no mercado interno;  II  ­ compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos,  relativos  a  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica  aplicável à matéria.  § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano  civil,  não  conseguir  utilizar  o  crédito  por  qualquer  das  formas  previstas  no  §  1º  poderá  solicitar  o  seu  ressarcimento  em  dinheiro, observada a legislação especifica aplicável à matéria.  §  3° O  disposto  nos  §§  1°  e  2°aplica­se  somente  aos  créditos  apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados  à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do  art. 3º.  (­)  E, como bem pontuou a recorrente, estas disposições passaram também a ser  aplicadas ao PIS/PASEP não­cumulativo, por força do que dispôs o art. 15 da mesma lei (já na  sua redação original), verbis:  Art.  15.  Aplica­se  à  contribuição  para  o  PIS/PASEP  não­ cumulativa de que trata a Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de  2002, o disposto nos incisos I e II do § 3º do art. 1°, nos incisos  VI, VII e IX do caput e nos §§ 1°, incisos II e III, 10 e 11 do art.  Fl. 386DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 13854.000313/2003­10  Acórdão n.º 3301­001.842  S3­C3T1  Fl. 383          9 3º, nos §§ 3°e 4º do art. 6°,  e nos arts. 7°, 8°, 10,  incisos XI a  XIV, e 13.  Ao contrário  do  entendimento  defendido  pela  recorrente,  penso  que  a nova  disposição legal pode ser aplicada retroativamente porquanto não representa norma inovadora e  sim norma  interpretativa.  Isto porque a própria Lei n° 10.637, de 2002,  já estabeleceu que o  direito à compensação dos créditos não­cumulativos com débitos de outros tributos federais só  poderia  ser  exercido  na  hipótese  de  não­incidência  da  contribuição  estabelecidas  no  seu  art.5° (que coincidem com aquelas prescritas no art. 6° da Lei n° 10.833/2003, já transcrito.  Portanto, apenas em relação àquelas hipóteses é que os créditos poderiam ser  utilizados  para  fins  da  compensação  com  débitos  de  outros  tributos  federais.  E  a  operacionalização  desta  disposição  legal,  no  caso  de  empresa  que  aufere  receitas  sujeitas  à  contribuição  (mercado  interno) e  também sujeitas à não­incidência da contribuição  (mercado  externo), só pode se dar pelo critério de proporcionalidade destas receitas. Ou seja, o disposto  no  art.  6°,  §  3°,  da  Lei  n°  10.833,  de  2003,  só  veio  explicitar  aquilo  que  já  se  encontrava  implícito na Lei n° 10.637, de 2002.  Correta, assim, a apuração levada a efeito pela fiscalização, que considerou o  critério  de  proporcionalização  de  receitas  para  fins  de  apuração  dos  créditos  passíveis  de  compensação,  como  também  fez  a  contribuinte,  conforme  se  constata  no  seu  "Demonstrativo dos Créditos da Contribuição para o PIS­PASEP", entregue em atenção  à intimação fiscal (fl. 217).  Ocorre,  porém,  que  tanto  a  Lei  nº  10.833/2003,  quanto  às  inovações  introduzidas pela Lei nº10.865, de 30.04.2004, não podem ser aplicados aos fatos que deram  origem  ao  presente  processo,  vez  que  as  compensações  foram  declaradas  em  13/11/2003  e  12/12/2003, pelo que a restrição para a utilização de créditos apurados somente em relação aos  custos e encargos vinculados à  receita de exportação, não pode ser aplicado  retroativamente,  vez que a Lei nº 10.637/2002, não trouxe essa restrição em sua redação original.  Somente com o advento da Lei n. 10.833/03, o direito da pessoa jurídica, que  realiza exportações diretas ou indiretas, de utilizar o saldo de seus créditos dessa contribuição,  apurados na sistemática não­cumulativa, foi limitado ao montante desses créditos relativos aos  custos, despesas e encargos vinculados à sua receita exportação.  Em relação às receitas de exportação, sustenta a fiscalização que a receita de  exportação, que deve ser excluída na determinação da base de cálculo da contribuição ao PIS,  corresponde  apenas  ao  valor  da  nota  fiscal  de  saída  das  mercadorias  exportadas,  não  abrangendo  a  variação  cambial  verificada  entre  a  emissão  deste  documento  e  o  efetivo  embarque dessas mercadorias, registrada em notas fiscais complementares.  Segundo a Recorrente, o momento de contabilização da receita de exportação  é a data do embarque da mercadoria, com base na taxa de câmbio em vigor nesta data. Por essa  razão, estaria correto o procedimento por ela adotado para considerar, no cálculo de sua receita  de exportação, a variação cambial ocorrida entre a data de saída da mercadoria exportada de  seu estabelecimento e o momento de seu efetivo embarque.  De  fato,  esse  entendimento  se  encontra  de  acordo  com  a  jurisprudência  dominante  deste  colendo  CARF,  conforme  pode  ser  conferido  pelas  ementas  abaixo  reproduzidas:  Fl. 387DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS     10 Ementa  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  ­  IPI  Período  de  apuração:  01/01/2002  a  31/03/2002  Ementa:  RECEITA DE  EXPORTAÇÃO.  VARIAÇÃO  CAMBIAL.  A  variação  cambial  integra  a  receita  bruta  de  exportação,  conforme  Portaria  No.  356  DE  05  /12  /1988,  do  MINISTÉRIO  DA  FAZENDA  PUBLICADO NO DOU EM 07  /12 /1988. Considera­se receita  de  exportação  o  valor  relativo  à  data  do  efetivo  embarque.  Recurso  Voluntário  Provido.  (AC.  3401­001.928,  processo  nº  13866.000134/2002­62,  julgado  em  21/08/2012,  rel.  Cons.  ANGELA SARTORI)  No mesmo sentido:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 COFINS  NÃO­CUMULATIVA.  CRÉDITO.  RESSARCIMENTO.  A  inclusão  no  conceito  de  insumos  das  despesas  com  serviços  contratados  pela  pessoa  jurídica  e  com  as  aquisições  de  combustíveis e de lubrificantes denota que o legislador não quis  restringir  o  creditamento  da Cofins  às  aquisições  de matérias­ primas,  produtos  intermediários  e  ou  material  de  embalagens  (alcance  de  insumos  na  legislação  do  IPI)  utilizados,  diretamente,  na  produção  industrial,  ao  contrário,  ampliou  de  modo a considerar  insumos como sendo os gastos gerais que a  pessoa  jurídica  precisa  incorrer  na  produção  de  bens  ou  serviços por ela realizada. COFINS NÃO­CUMULATIVA. BASE  DE  CÁLCULO.  EXPORTAÇÃO.  VARIAÇÕES  CAMBIAIS  POSITIVAS.  NÃO­INCIDÊNCIA.  Estão  fora  do  campo  de  incidência da contribuição as receitas decorrentes de vendas de  mercadorias para o mercado externo, nelas incluídas a variação  cambial positiva em face do contrato de câmbio firmado entre a  sociedade  empresária  exportadora  e  instituição  financeira  reconhecida  pelo  Banco  Central  do  Brasil,  mecanismo  financeiro  indispensável  para  o  recebimento  dos  valores  correspondentes  à  exportação  de  mercadorias.  Precedentes  do  STJ.  COFINS  NÃO­CUMULATIVA.  RESSARCIMENTO.  ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Diferentemente da  restituição,  não  há  se  falar  em  atualização  monetária  nem  incidência  de  juros  moratórios  sobre  créditos  da  Cofins  nos  ressarcimentos  decorrentes  do  regime  da  não­cumulatividade:  antes da vigência da Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003, não  havia  previsão  legal;  na  vigência  na  vigência  dessa  norma  jurídica,  o  artigo  13  c/c  artigo  15,  inciso  VI,  vedam  expressamente  tais majorações. Recurso  voluntário  provido  em  parte.(AC. nº 3101­001.109, processo nº 16366.000413/2006­89,  julgado  em  26/04/2012,  rel.  Cons.  TARASIO  CAMPELO  BORGES )  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE  SOCIAL  COFINS  Anocalendário:  2006  CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMOS. Devem ser considerados  insumos  todos  os  bens  e  serviços  empregados  direta  ou  indiretamente  na  fabricação do  bem e  na  prestação do  serviço  cuja  subtração  importe  na  impossibilidade  da  prestação  do  serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obste a atividade  da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do  produto  ou  serviço  daí  resultantes.  INSUMOS.  DISPÊNDIOS  ORIUNDOS  DE  REFLORESTAMENTO.  O  reflorestamento  é  Fl. 388DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 13854.000313/2003­10  Acórdão n.º 3301­001.842  S3­C3T1  Fl. 384          11 atividade  independente  exercida  pela  empresa,  cujo  produto  final é a floresta formada, para fins de exploração econômica, de  tal forma que os dispêndios oriundos de reflorestamento não se  caracterizam  como  insumo  utilizado  no  processo  produtivo  da  celulose. Os custos com a formação de florestas plantadas para  extração de madeira destinada à produção de celulose compõem  valor  do  ativo  imobilizado  da  pessoa  jurídica  e  não  geram  direito  a  créditos  da  Cofins.  COFINS  NÃOCUMULATIVA.  INSUMOS.  DIESEL  E  LUBRIFICANTES.  NECESSIDADE  DE  COMPROVAÇÃO.  Restando  inviabilizada  a  apuração,  em  separado,  dos  insumos  (diesel  e  lubrificantes)  que  foram  utilizados nos dispêndios que geram crédito da Cofins daqueles  que  não  geram  crédito,  não  há  como  se  conceder  o  crédito  pleiteado,  apurado  em  simples  cálculo  do  percentual médio  de  gastos,  sem  que  se  tenha  robustamente  comprovados  os  percentuais alegados. COFINS NÃOCUMULATIVA. VARIAÇÃO  CAMBIAL. INCLUSÃO NA RECEITA DE EXPORTAÇÃO. Para  efeito  de  cálculo  de  créditos  da  Cofins,  por  expressa  determinação de norma  legal, a receita de exportação deve ser  apurada  segundo  o  câmbio  vigente  na  data  do  embarque.  JUROS  COMPENSATÓRIOS.  RESSARCIMENTO.  De  acordo  com  o  art.  13  da  Lei  nº.  10.833/2003,  o  aproveitamento  de  créditos da Cofins, na forma do §2º do art. 6º da mesma lei, não  enseja atualização monetária nem  incidência de  juros. Recurso  Voluntário  negado.  (AC.  nº  3202­000.554  ,  Processo  nº10235.720080/2008­89,  julgado  em  22/08/2012,  rel.  Cons.  IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES).  Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso.  Sala das Sessões, em 21 de maio de 2013  Antônio Lisboa Cardoso  Fl. 389DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS     12 Voto Vencedor  Conselheiro José Adão Vitorino de Morais  Discordo da Ilustre Relatora apenas quanto ao direito de a recorrente excluir  as  receitas  financeiras  de  variações  cambiais  ativas  decorrentes  de  exportação  da  base  de  cálculo do PIS com incidência não cumulativa e de incluir no total da receita de exportação de  mercadorias, para apuração dos créditos dessa contribuição aquelas receitas financeiras.  A Lei nº 10.637, de 30/12/2007, que  institui a contribuição para o PIS com  incidência não cumulativa, assim dispõe:  “Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador  o  faturamento  mensal,  assim  entendido  o  total  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  independentemente  de  sua  denominação ou classificação contábil.  §  1º  Para  efeito  do  disposto  neste  artigo,  o  total  das  receitas  compreende  a  receita  bruta  da  venda  de  bens  e  serviços  nas  operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas  auferidas pela pessoa jurídica.  §  2º  A  base  de  cálculo  da  contribuição  para  o  PIS/Pasep  é  o  valor do faturamento, conforme definido no caput.  § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo,  as receitas:  I  ­  decorrentes  de  saídas  isentas  da  contribuição  ou  sujeitas  à  alíquota zero;  II – (VETADO)  III ­ auferidas pela pessoa  jurídica revendedora, na revenda de  mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da  empresa vendedora, na condição de substituta tributária;  [...]  IV ­ de venda dos produtos de que tratam as Leis nº 9.990, de 21  de  julho  de  2000,  nº  10.147,  de21  de  dezembro  de  2000,  e  nº  10.485, de 3 de julho de 2002, ou quaisquer outras submetidas à  incidência monofásica da contribuição  V ­ referentes a:  a)  vendas  canceladas  e  aos  descontos  incondicionais  concedidos;  b)  reversões  de  provisões  e  recuperações  de  créditos  baixados  como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o  resultado  positivo  da  avaliação  de  investimentos  pelo  valor  do  patrimônio  líquido  e  os  lucros  e  dividendos  derivados  de  investimentos  avaliados  pelo  custo  de  aquisição,  que  tenham  sido computados como receita.  VI–não operacionais, decorrentes da venda de ativo imobilizado.  Fl. 390DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 13854.000313/2003­10  Acórdão n.º 3301­001.842  S3­C3T1  Fl. 385          13 Art.  2º  Para  determinação  do  valor  da  contribuição  para  o  PIS/Pasep  aplicar­se­á,  sobre  a  base  de  cálculo  apurada  conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e  sessenta e cinco centésimos por cento).  [...}.”  Ora, segundo estes dispositivos legais, base de cálculo do PIS com incidência  não  cumulativa  é  composta  pelo  incluiu  o  total  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  independentemente de sua denominação ou classificação contábil.  Assim, no cálculo da contribuição para o PIS não cumulativo, incidente sobre  o  faturamento  mensal,  deve  ser  incluídas  as  receitas  de  variações  cambiais  ativas  e,  posteriormente,  deduzir  os  créditos  sobre  os  custos  incorridos  com  insumos  utilizados  na  industrialização dos produtos vendidos.  Já  em  relação  à  apuração  dos  créditos  decorrentes  de  exportação  de  mercadorias aquela lei assim dispõe:  “Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as  receitas decorrentes das operações de:  I ­ exportação de mercadorias para o exterior;  [...].  §  1º  Na  hipótese  deste  artigo,  a  pessoa  jurídica  vendedora  poderá utilizar o crédito apurado na  forma do art. 3º para  fins  de:  I ­ dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das  demais operações no mercado interno;  II  ­ compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos,  relativos  a  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica  aplicável à matéria.  [...}.”  Conforme consta literalmente do inciso I do art. 5º, citado e transcrito acima,  a  contribuição  para  o  PIS  não  incide  sobre  as  receitas  de  exportação  de mercadorias  para  o  exterior.  Já a Lei a Lei nº 8.383, de 29/12/2003, que instituiu a Cofins com incidência  não cumulativa estabelece:  “Art.  6º  A  COFINS  não  incidirá  sobre  as  receitas  decorrentes  das operações de:   I ­ exportação de mercadorias para o exterior;  [...].  Fl. 391DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS     14 §  1º  Na  hipótese  deste  artigo,  a  pessoa  jurídica  vendedora  poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins  de:  I ­ dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das  demais operações no mercado interno;  II  ­ compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos,  relativos  a  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica  aplicável à matéria.  [...].  §  3º  O  disposto  nos  §§  1º  e  2º  aplica­se  somente  aos  créditos  apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à  receita  de  exportação,  observado  o  disposto  nos  §§  8º  e  9º  do  art. 3º  [...].  Art.  15.  Aplica­se  à  contribuição  para  o  PIS/PASEP  não­ cumulativa de que  trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de  2002, o disposto nos incisos I e II do § 3o do art. 1º, nos incisos  VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º, incisos II e III, 10 e 11 do art.  3º, nos §§ 3º e 4º do art. 6º,  e nos arts. 7º, 8º, 10,  incisos XI a  XIV, e 13.”  Embora,  na  lei  de  instituição  do  PIS  com  incidência  não  cumulativa  não  tenha  constado  expressamente  que  os  créditos  decorrentes  de  exportações  de  mercadorias  devem ser apurados somente sobre os custos, despesas e encargos vinculados a exportação, que  veio ocorrer literalmente com a decretação e sanção da Lei nº 10833, de 2003, é obvio que a  apuração deveria e deve ser sobre aqueles custos com a produção das mercadorias exportadas.  As  pessoas  jurídicas  que  produzem  mercadorias  e  vendem  no  mercado  interno  e  externo,  em  relação  aos  custos,  despesas  e  encargos  vinculados  às  receitas  de  exportação, a seu critério, para apurar os respectivos, podem utilizar o método direto, mediante  sistema  de  contabilidade  de  custos  integrada  e  coordenada  com  a  escrituração;  ou  o  rateio  proporcional,  aplicando­se  aos  custos,  despesas  e  encargos  comuns  a  relação  percentual  existente entre a receita bruta operacional e a receita total de exportação.  Na  utilização  do  rateio  proporcional,  segundo  os  arts.  5º  e  6º,  citados  e  transcritos anteriormente,  somente devem consideradas  a  receita operacional bruta de vendas  de mercadorias e a receita de exportação de mercadorias. Inexiste amparo legal e lógica para se  incluir receitas financeiras, no caso de variações cambiais, ainda que decorrente de exportação,  no cálculo dos créditos do PIS passíveis de dedução da contribuição devida mensalmente e/ ou  de ressarcimento/compensação.  Dessa  forma,  correta  a  glosa  dos  créditos  e  não  homologação  das  compensações declaradas efetuadas pela autoridade administrativa competente e mantidas pela  autoridade julgadora de primeira instância.  Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Antônio Lisboa Cardoso – Relator Designado.  Fl. 392DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 13854.000313/2003­10  Acórdão n.º 3301­001.842  S3­C3T1  Fl. 386          15                 Fl. 393DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS

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Numero do processo: 11128.006872/2006-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 27/02/2002 MULTA REGULAMENTAR PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. INFRAÇÃO QUE INDEPENDE DE DOLO OU MÁ-FÉ. A aplicação da multa prevista no art. 84 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, independe de dolo ou má-fé por parte do sujeito passivo, reclamando apenas o erro de classificação fiscal. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. LICENCIAMENTO. EFEITOS. O exclusivo erro na indicação da classificação fiscal, ainda que acompanhado de falha na descrição da mercadoria, não é suficiente para imposição da multa por falta de licença de importação. É indispensável que a falha na indicação da classificação caracterize prejuízo ao controle administrativo das importações. MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). PRODUTO DISPENSADO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO E DE LICENCIAMENTO. INAPLICABILIDADE. É condição necessária para a prática da infração administrativa ao controle das importações por falta de Licença de Importação (LI) que produto importado esteja sujeito ao controle administrativo e ao licenciamento, previamente ao embarque no exterior ou ao despacho aduaneiro, conforme o caso. Nos presentes autos, inaplicável a multa por falta de LI, pois os produtos importados estavam dispensados de controle administrativo e de licenciamento. Recurso Voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 3202-000.857
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres e Luís Eduardo Garrossino Barbieri, que negavam provimento ao recurso. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres (presidente), Octávio Carneiro Silva Correa, Charles Mayer de Castro Souza, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 27/02/2002 MULTA REGULAMENTAR PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. INFRAÇÃO QUE INDEPENDE DE DOLO OU MÁ-FÉ. A aplicação da multa prevista no art. 84 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, independe de dolo ou má-fé por parte do sujeito passivo, reclamando apenas o erro de classificação fiscal. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. LICENCIAMENTO. EFEITOS. O exclusivo erro na indicação da classificação fiscal, ainda que acompanhado de falha na descrição da mercadoria, não é suficiente para imposição da multa por falta de licença de importação. É indispensável que a falha na indicação da classificação caracterize prejuízo ao controle administrativo das importações. MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). PRODUTO DISPENSADO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO E DE LICENCIAMENTO. INAPLICABILIDADE. É condição necessária para a prática da infração administrativa ao controle das importações por falta de Licença de Importação (LI) que produto importado esteja sujeito ao controle administrativo e ao licenciamento, previamente ao embarque no exterior ou ao despacho aduaneiro, conforme o caso. Nos presentes autos, inaplicável a multa por falta de LI, pois os produtos importados estavam dispensados de controle administrativo e de licenciamento. Recurso Voluntário parcialmente provido.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES     2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento  parcial ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres e Luís  Eduardo Garrossino Barbieri, que negavam provimento ao recurso. O Conselheiro Gilberto de  Castro Moreira Junior declarou­se impedido.     Irene Souza da Trindade Torres – Presidente  Charles Mayer de Castro Souza – Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Irene  Souza  da  Trindade Torres (presidente), Octávio Carneiro Silva Correa, Charles Mayer de Castro Souza,  Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Thiago Moura de Albuquerque Alves.  Relatório  Trata o presente processo de autos de infração lavrados contra a contribuinte  acima identificada, constituindo crédito decorrente do Imposto de Importação ­ II e do Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  –  IPI,  acrescidos  de  juros  de  mora,  multa  de  ofício  proporcional e multa de controle administrativo.  Por  bem  retratar  os  fatos  constatados  nos  autos,  transcrevo  o  Relatório  da  decisão de primeira instância administrativa, in verbis:  Trata  o  presente  processo  de  auto  de  infração,  lavrado  em  19/10/2006, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a  exigência  de  Imposto  de  Importação  e  Imposto  de  Produtos  Industrializados  acrescidos  de  juros  de  mora,  multa  proporcional,  multa  do  controle  administrativo  e  multa  proporcional ao valor aduaneiro no valor de R$ 49.146,76, em  face dos fatos a seguir descritos.  • A empresa acima qualificada submeteu a despacho aduaneiro,  mediante  Declaração  de  Importação  No.  02/0782983­1,  de  27/02/2002, diversos produtos declarados em 17 adições;  •  Em  ato  de  conferência  física,  foram  retiradas  amostras  de  todos  os  produtos  para  análise  laboratorial,  sendo  emitidos  os  Laudo  de  Assistência  Técnica  No.  0801.01  a  0801.27,  em  22/04/2003;  • Pela análise dos Laudo de Assistência Técnica, a fiscalização  apurou as seguintes divergências:  ­  Adição  002:  Trata­se  de  n­Octilamina,  outra  Monoamina  Aciclica, composto da função amina, com classificação fiscal no  Código  NCM  2921.19.99  com  incidência  das  aliquotas  0%  (nihil)  para  o  Imposto  de  Importação  e  para  o  Imposto  sobre  Produtos Industrializados;  ­ Adição 006: Trata­se de preparação constituída de derivado de  Alquenil­Oxazolinametanol  e  óleo  mineral,  um  aditivo  do  tipo  dispersante sem cinzas.  Preparado  com  óleo  de  Petróleo,  com  classificação  fiscal  no  Código  NCM  3811.21.30  com  incidência  das  aliquotas  15,5%  Fl. 354DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.006872/2006­65  Acórdão n.º 3202­000.857  S3­C2T2  Fl. 354          3 para  o  Imposto  de  Importação  e  8%  para  o  Imposto  sobre  Produtos Industrializados;  ­  Adição  007:  Trata­se  de  mistura  de  reação  constituída  de  Fosfato  de  Cresila  e  Fenila,  produto  A.  base  de  compostos  orgânicos,  um  produto  diverso  das  indústrias  químicas,  não  especificado  nem  compreendido  em  outras  posições,  com  classificação fiscal no Código NCM 3824.90.89, com incidência  das aliquotas 15,5% para o Imposto de Importação e 10% para  o Imposto sobre Produtos Industrializados;  ­  Adição  008:  Trata­se  de  4,4­di­terc­Octildifenilamina,  contendo  impurezas  do  processo  de  fabricação,  um  outro  derivado  da  Difenilamina,  com  classificação  fiscal  no  Código  NCM  2921.44.29,  com  incidência  das  aliquotas  3,5%  para  o  Imposto  de  Importação  e  0%  para  o  Imposto  sobre  Prodtos  Industrializados;  ­  Adição  011:  Trata­se  de  Óleo  de Canola  refinado,  um  outro  Óleo Vegetal refinado, com classificação fiscal no Código NCM  1515.90.90, com incidência das aliquotas 3,5% para o  Imposto  de  Importação  e  15%  para  o  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados;  ­ Adição 012: Trata­se de preparação constituída de substancia  inorgânica  de  Bissulfato  de  Milobideno,  Composto  Orgânico  com  grupamento  de  Éster,  com  classificação  fiscal  no  Código  NCM  3811.21.90,  com  incidência  das  aliquotas  15,5%  para  o  Imposto  de  Importação  e  15%  para  o  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados;  ­  Adição  013  item  1:  Trata­se  de  preparação  constituída  de  Composto Orgânico com grupamento de Éestr em Oleo Mineral,  com  classificação  fiscal  no  Código  NCM  3811.21.90,  com  incidência das alíquotas 15,5% para o Imposto de Importação e  15% para o Imposto sobre Produtos Industrializados;  ­  Adição  013  item  2:  Trata­se  de  preparação  constituída  de  Composto  Orgânico  com  grupamento  de  Éster  e  Sal  do  Acido  Dialquilditiofosfórico em Óleo Mineral, corn classificação fiscal  no  Código  NCM  3811.21.20,  com  incidência  das  alíquotas  15,5%  para  o  Imposto  de  Importação  e  15%  para  o  Imposto  sobre Produtos Industrializados;  ­  Adição  013  item  3:  Trata­se  de  preparação  constituída  de  Sabão  Metálico  Oleo  Mineral  e  substâncias  inorgânicas,  com  classificação fiscal no Código NCM 3403.91.90, com incidência  das aliquotas 15,5% para o Imposto de Importação e 15% para  o Imposto sobre Produtos Industrializados;  ­ Adição 015 item 2: Trata­se de preparação constituída de Sal  do  Acido  Alquilditiofosfórico  e  Composto  Fenólico  em  Óleo  Mineral,  com  classificação  fiscal  no  Código  NCM  3811.21.20,  com  incidência  das  aliquotas  15,5%  para  o  Imposto  de  Importação  e  15%  para  o  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados;  Fl. 355DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES     4 ­  Adição  015  item  3:  Trata­se  de  preparação  constituída  de  grupamento  de  Alquil  Sufonato  de  Bário  e  Cálcio  em  Óleo  Mineral,  com  classificação  fiscal  no  Código  NCM  3811.21.40,  com  incidência  das  aliquotas  15,5%  para  o  Imposto  de  Importação  e  8%  para  o  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados;  ­  Adição  016  item  1:  Trata­se  de  preparação  constituída  de  grupamento  de  Alquil  Tiadizol  em  Óleo  Mineral,  com  classificação fiscal no Código NCM 3811.21.90, com incidência  das aliquotas 3,5% para o Imposto de Importação e 8% para o  Imposto sobre Produtos Industrializados;  ­  Adição  016  item  2:  Trata­se  de  preparação  constituída  de  grupamento  de  Poliisobutileno  em  Oleo  Mineral,  com  classificação fiscal no Código NCM 3811.29.90, com incidência  das aliquotas 15,5% para o Imposto de Importação e 8% para o  Imposto sobre Produtos Industrializados;  ­ Adição 017: Trata­se de preparação aquosa de Poliisoloxano  modificado com grupamento Etoxilado, com classificação  fiscal  no  Código  NCM  3402.13.00,  com  incidência  das  aliquotas  15,5% para o Imposto de Importação e 8% para o Imposto sobre  Produtos Industrializados;  •  A  descrição  das  mercadorias  relacionadas  não  fornece  os  elementos necessários para seu correto enquadramento;  Cientificado  do  auto  de  infração,  o  contribuinte  protocolizou  impugnação, tempestivamente, na forma do artigo 15 do Decreto  70.235/72, em 28/12/2006, de fls. 212 236, instaurando assim a  fase litigiosa do procedimento.  Na  forma  do  artigo  16  do  Decreto  70.235/72  a  impugnante  informou que:  • A impugnante não teve acesso ao conteúdo técnico dos Laudos  de Assistência Técnica, só tomando ciência dos resultados;  •  PRELIMINARMENTE,  alega  o  cerceamento  do  direito  de  defesa,  por  não  tomar  conhecimento  expresso  da  causa  e  do  fundamento que ampara o lançamento tributário;  •  Nos  casos  em  que  a  situação  fática  é  complexa,  a  fundamentação deve ser detalhada;  •  A  ausência  de  aspectos  técnicos  dos  Laudos  de  Assistência  Técnica emitido pelo LABANA, impede que o impugnante tenha  acesso aos fundamentos da ação fiscal;  • Incongruente a aplicação da multa do controle administrativo e  a  multa  proporcional  ao  valor  aduaneiro  uma  vez  que  a  descrição dos produtos permite sua perfeita identificação. Só em  dois  casos  ocorreu  erro  de  digitação  e mesmo  assim  um  deles  resultou  em  classificação  fiscal  atribuida  pela  fiscalização  de  gravame tributário menor;  Adição  002  —  item  2:  A  fiscalização  não  prestou  a  devida  atenção  ao  mencionar  a  descrição  do  produto  feita  pela  impugnante.  A  descrição  do  produto  permite  sua  perfeita  Fl. 356DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.006872/2006­65  Acórdão n.º 3202­000.857  S3­C2T2  Fl. 355          5 identificação pelo fato de se tratar de uma substância da classe  amina, denominada OCTILAMINA, que é exatamente tida como  correta pela ação fiscal;  Adição  006  —  A  impugnante  menciona  em  sua  descrição  a  principal  substância  de  que  é  composto  o  produto,  a  OXAZOLINA que é a substância mencionada pela fiscalização;  Adição  007  —  0  impugnante  descreveu  o  produto  como  DI­ FENIL­CRESIL  FOSFATO,  sendo  tal  descrição  idêntica  a  da  fiscalização;  Adição  008  —  A  impugnante  menciona  novamente  em  sua  descrição a principal substância de que é composto o produto, a  DIFENILAMINA OCTILADA. A única diferença diz respeito ao  fato  de  que  a  fiscalização  utilizou  da  forma  contraída  para  descrever  a  substância,  enquanto  a  impugnante  usou  a  forma  completa;  Adição 011 — Faltou a fiscalização atenção para perceber que  COLZA  e  CANOLA  são  a  mesma  coisa.  CANOLA  é  uma  variação da COLZA cultivada no Canadá.  Adição 012 — Em sua descrição a impugnante utilizou a mesma  expressão indicada pela fiscalização.  Adição  013  item  01  —  A  impugnante  cometeu  um  erro  de  digitação  ao  descrever  o  produto  como  ALUIL  SUCRINATO,  substância que não existe.  Mesmo  assim,  o  gravame  tributário  referente  a  nova  classificação  fiscal  atribuída  pela  fiscalização  é  mais  benéfico  ao impugnante, não havendo qualquer prejuízo ao Fisco.  Adição  013  item  02  —  As  descrição  da  fiscalização  e  da  impugnante  dizem  a  mesma  coisa,  com  a  diferença  de  que  a  descrição  da  impugnante  indica  as  quantidades  da  mistura,  sendo esta a mais adequadsa;  Adição  013  item  03  —  A  descrição  da  impugnante  é  mais  especifica  e  detalhada  do  que  a  fiscalização,  permitindo  sua  correta identificação;  Adição  015  item  02  —  A  impugnante  cometeu  um  erro  de  digitação  "DUALQUIL  DIFIO  ".  Todavia,  o  restante  da  descrição cumpre sua função de identificar a função principal do  produto (anticorrosivo) e o restante de sua fórmula;  Adição  015  item  03  —  A  impugnante  indica  que  se  trata  exatamente  do  mesmo  produto  mencionado  pela  fiscalização  SULFONATO  DE  BARI°,  indicando  ainda  que  o  produto  está  disperso  em  óleo  mineral  e  que  se  trata  de  aditivo  para  óleo  lubrificante.  A  descrição  da  impugnante  é  idêntica  a  sugerida  pela fiscalização;  Fl. 357DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES     6 Adição  016  item  01  —  0  principal  atributo  do  produto  foi  mencionado,  sendo  que  a  descrição  da  impugnante  é  mais  especifica. São descrições quase idênticas;  Adição  016  item  02  —  Não  há  qualquer  discrepância  entre  a  descrição  do  impugnante  e  aquela  sugerida  pela  fiscalização,  sendo absolutamente idênticas.  Adição  017  —  Existem  apenas  diferenças  meramente  terminológicas  entre  as  duas  descrições,  porque  ambas  descrevem a mesma coisa com palavras diferentes.  •  Em  face  da  correta  descrição  dos  produtos  e  do  fato  do  impugnante  agir  de  boa  fé,  incabível  a  multa  proporcional  ao  valor  aduaneiro.  Para  tanto  junta  textos  da  jurisprudência  administrativa;  •  0  Ato  Declaratório  Normativo  COSIT  No.  12/97  vem  corroborar com este entendimento;  •  0  Imposto  de  Importação  e  o  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  são  indevidos,  pois  ainda  que  procedente  a  reclassificação  fiscal  proposta,  a maioria  dos  caos  implica  em  gravame tributário menor;  Pugna a anulação do Auto de Infração.  É o Relatório.    A  1ª  Turma  da Delegacia  da Receita  Federal  de  Julgamento  em São  Paulo  II  julgou procedente em parte a  impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/SP2 n.º 07­18.953, de  16/6/2010 (fls. 302/321), assim ementado:  ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS  Data do fato gerador: 19/09/2002  Importação de diversos produtos declarados em 17 adições.  Retiradas  amostras  de  todos  os  produtos  para  análise  laboratorial, apurou­se divergências na classificação fiscal.  Classificação  (sic)  fiscais  indicadas  pela  fiscalização  corretas,  em  função  da  Regra  No.  1  das  Regras  Gerais  do  Sistema  Harmonizado.  Multa do controle administrativo exonerada em parte, produtos  corretamente descritos.  Impugnação Procedente em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte    Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls.  331/348, por meio do qual alega, em síntese, depois de descrever os fatos:  Preliminar de cerceamento ao direito de defesa  Fl. 358DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.006872/2006­65  Acórdão n.º 3202­000.857  S3­C2T2  Fl. 356          7 Somente  poderá  exercer  apropriada  e  adequadamente  seu  direito  natural  e  constitucional  ao  contraditório  e  à  ampla  defesa  se  e  somente  se  anteriormente  tomar  conhecimento  expresso  da  causa  e  do  fundamento  que  ampara  a  emissão  do  lançamento  tributário. Para a elaboração de defesa, o contribuinte deve ter conhecimento de todos os fatos  que serviram de base para a exigência formulada.  É  evidente  a  necessidade  de  disponibilizar­se  o  laudo  técnico  preparado  pelo  LABANA, uma  vez  que  a  exigência materializada  no  auto  de  infração  se  refere  a  termos  e  nomenclaturas  técnicas,  razão  pela  qual  somente  a partir  de  tal  laudo  poder­se­ia  verificar  a  adequação do auto de infração contra si lavrado. A simples análise do auto de infração já basta  para se reconhecer a complexidade dos produtos importados.  Ao lavrar a autuação inaugural, o agente fiscal houve por bem apenas mencionar  as conclusões obtidas no laudo técnico expedido pelo LABANA, mas não o forneceu. Por sua  vez, não teve acesso ao inteiro teor das informações nele consignadas. Não chegou a ter ciência  do procedimento  efetuado e dos detalhes  abordados pelo  laudo elaborado, de modo que não  pode constatar a veracidade, bem como a equivalência entre o que nele está contido e o que  esta no auto de infração.  Teve seu direito ao contraditório e à ampla defesa violado. Como seria possível  se  defender  satisfatoriamente  se  sequer  teve  conhecimento  dos  aspectos  técnicos  e  dos  fundamentos que justificaram a conclusão do LABANA?  Não pôde exercer plenamente seu direito de defesa, já que não teve condições de  combater todas as conclusões apontadas no referido laudo técnico. Ao deixar de anexar o laudo  à  autuação,  tanto  o  agente  fiscal  quanto  a  Turma  Julgadora  da  DRJ/SP  ignoraram  outro  principio básico que pauta a atuação da Administração Pública, o da fundamentação do ato  administrativo.  Mérito  A fiscalização aplicou a pesada multa (prevista no artigo 169, I, b, do Decreto­ lei  37/1966)  de  30% do  valor  aduaneiro  das mercadorias  importadas,  em  relação  a  diversas  adições da DI n° 02/0782983­1, sob o pretexto de que ela teria preenchido a documentação de  importação  omitindo  elementos  essenciais  à  perfeita  identificação  dos  produtos,  o  que  teria  levado à reclassificação tarifária e também à ilógica presunção de que os produtos teriam sido  importados ao desamparo da cabível documentação de importação. Além disso, foi aplicada a  multa prevista no artigo 84, I, da Medida Provisória n° 2158­35/2001, correspondente a 1% do  valor  aduaneiro  dos  produtos  importados,  em  função  da  suposta  utilização  de  classificação  fiscal errada. Apresentada a impugnação, a DRJ houve por bem julgá­la procedente apenas em  parte, de modo que exonerou as multas de controle administrativo relativas às Adições "002 —  item 2", "013 — item 3" e "015 — itens 2 e 3", mantendo as demais exigências formuladas.  A aplicação das multas no presente caso é absolutamente descabida, porque em  relação  à  esmagadora  maioria  dos  dez  produtos  remanescentes  depois  do  julgamento  de  primeira  instância  a  descrição  que  foi  efetuada  nos  documentos  de  importação  permite  a  perfeita  identificação  de  gênero  e  espécie  dos  produtos  importados,  tendo  havido,  neste  universo de dez somente dois casos em que houve erro de digitação por parte da pessoa que  preencheu a documentação e, ainda assim, em um desses casos, a reclassificação tarifária feita  pela  fiscalização  resultou  na  aplicação  de  carga  tributária  muito  menos  onerosa  do  que  a  originalmente utilizada pela empresa, o que significa que prejuízo algum houve para o Fisco.  Verificando  e  comparando  cada  um  dos  casos  levantados  pela  fiscalização  e  posteriormente analisados e fundamentados pelo v. acórdão, ficará claro que a descrição usada  Fl. 359DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES     8 nos documentos de  importação e a descrição que a  fiscalização entende  ser mais correta  são  bastante semelhantes e, por vezes,  idênticas  (passa a  tecer comentários sobre as adições 006,  007, 008, 011, 012, 013 – itens 1 e 2, 016, itens 1 e 2, e 017).  Também não se justifica a aplicação da multa do artigo 84 da MP 2158­35/2001.  Em  primeiro  lugar,  pelo  fato  de  que  a  perfeita  descrição  dos  produtos  na  documentação  de  importação  acaba  suprindo  qualquer  eventual  indicação  de  código  de  classificação  fiscal  errado, como reconhecem diversas decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais  (CARF). Em segundo lugar, porque ficou claro que a Recorrente agiu inteiramente de boa­fé e  não teve nenhuma intenção de lesar o fisco, o que, de resto, fica mais evidente ao se considerar  que o tratamento tributário dado pela empresa nas importações acabou sendo mais gravoso do  que  o  proposto  pelo  fisco  na  maioria  dos  casos  em  que  foi  feita  a  reclassificação.  A  jurisprudência do CARF, inclusive de sua Câmara Superior, tem reconhecido maciçamente que  não se aplicam penalidades nos casos em que a descrição feita na documentação de importação  permite que se identifique com clareza de qual produto se trata e qual é sua aplicação principal.  O Ato Declaratório Normativo nº 12/97 da COSIT, que expressa oficialmente a opinião de que  a mera  indicação  de  classificação  fiscal  errada  nos  documentos  de  importação,  não  enseja  a  aplicação  de multa,  se  a  descrição  do  produto  contiver  todos  os  elementos  necessários  para  identificá­lo.  O  processo  digitalizado  foi  distribuído  a  este  Conselheiro  Relator,  na  forma  regimental.   É o relatório.  Voto             Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator.  O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão  pela qual dele se conhece.  O  cerne  da  questão  diz  com  erros  que  teriam  sido  cometidos  na  classificação  fiscal de produtos  importados pela Recorrente, bem como na  falta de declaração de  todos os  elementos necessários a sua correta classificação, o que teria acarretado a cobrança do imposto  de importação, do imposto sobre produtos industrializados, de juros e multas, proporcional e de  controle administrativo.  Preliminarmente,  alega  a Recorrente  cerceio  o  seu  direito  de  defesa,  uma  vez  que  a  fiscalização não  teria  fornecido o  laudo  técnico que  fundamentou o  lançamento  e  fora  referido  na  descrição  dos  fatos  dos  autos  de  infração,  destinado,  portanto,  a  subsidiar  a  classificação  fiscal  dos  produtos  na  fase  inquisitiva  do  procedimento,  de  forma  que  não  foi  cientificado sobre a sua elaboração e sobre os detalhes nele abordados, informações que seriam  necessárias para que pudesse constatar a sua veracidade e a equivalência entre o que contido no  laudo e o registrado nos autos de infração.  Não há como acordar com alegação da Recorrente.  Primeiro, porque os autos de infração trazem, ao seu final, a informação de que  os  integram todos os  termos, demonstrativos, anexos e documentos nele mencionados, o que  inclui, por óbvio, o laudo técnico expressamente citado na descrição dos fatos e faz presumir,  salvo prova em contrário, tenham sido remetidos à Recorrente.  Segundo,  e  mais  importante,  porque  a  Recorrente  obteve  cópia  de  todo  o  processo antes da apresentação de sua impugnação, conforme comprova a Solicitação de Cópia  de Documentos, datada de 18/12/2006 e acostada à fl. 213. Assim, ainda que não lhe tenha sido  remetido  o  laudo  técnico,  teve  acesso  ao  Pedido  de  Exame  Laboratorial  de  fl.  65,  no  qual  Fl. 360DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.006872/2006­65  Acórdão n.º 3202­000.857  S3­C2T2  Fl. 357          9 elencados os quesitos formulados pela fiscalização e, a partir da fl. 72, as respostas fornecidas  pelo  laboratório,  que  informou,  ademais,  por  quais meios  se  deu  a  identificação  do material  posto  em  análise  (identificação  química,  identificação  por  infravermelho,  Ressonância  Magnética Nuclear Protímica e de Carbono­13 etc.).  A leitura da descrição dos motivos de fato e de direito que levaram à autuação  também  comprova  a  validade  do  lançamento,  posto  que  muito  bem  delineados  no  campo  próprio dos autos de infração, tanto que nenhum empeço teve a Recorrente de os contestar, na  instância de origem ou mesmo neste Colegiado.  Rejeitada a preliminar de nulidade, passo ao exame de mérito do lançamento. E,  ao fazê­lo, entendo não assistir, no todo, direito à Recorrente.  Com  efeito,  a  instância  a  quo  já  comentou,  de  forma  cristalina,  em  relação  a  cada  umas  das  adições  que  compõem a Declaração  de  Importação,  os  erros  que  teriam  sido  cometidos  pela  Recorrente,  ora  apenas  quanto  à  classificação  fiscal,  ora  quanto  à  falta  de  elementos  necessários  à  perfeita  identificação  do  produto  importado.  Depois  da  análise  realizada, exonerou parcialmente a multa do controle administrativo apenas quanto às adições  002 ­ item 2, 013 — item 3 e 015 ­ item 3.   Contra a manutenção das demais exigências, afirma a Recorrente afigurar­se a  aplicação das multas absolutamente descabida, porque, em relação à esmagadora maioria dos  produtos,  a  descrição  que  fora  efetuada  nos  documentos  de  importação  permitiria  a  perfeita  identificação de gênero e espécie dos produtos importados. Sustenta, ademais, que apenas em  dois casos houve erro de digitação por parte da pessoa que preencheu a documentação e, ainda  assim,  em  um  desses  casos,  a  reclassificação  tarifária  feita  resultou  na  aplicação  de  carga  tributária muito menos onerosa.  Embora não pelos motivos levantados pela Recorrente, a multa prevista no art.  169, I, “b”, do Decreto­lei n.º 37, de 1966, não é de ser aplicada no caso ora em julgamento.  Como  já  enfrentado  noutras  oportunidades  pelo CARF,  o  erro  na  indicação  da  classificação  fiscal,  ainda  que  acompanhado  de  falha  na  descrição  da  mercadoria,  não  é  suficiente  para  imposição  da multa  por  falta  de  licença  de  importação,  sendo  indispensável  que  a  falha  na  indicação da classificação caracterize prejuízo ao controle administrativo das importações.  Por comungar com esse mesmo entendimento, transcrevo e adoto como razão de  decidir,  na  parte  a  ele  referente,  o  voto  proferido  pelo  Conselheiro  José  Fernandes  do  Nascimento  nos  autos  do  processo  administrativo  n.º  11128.006503/2005­91  (Acórdão  CARF/1ª Câmara/2ª Turma Ordinária n.º 3102­00.757, sessão de 27/08/2010):    Da multa por falta de licenciamento.  Inicialmente, é oportuno esclarecer que a multa sancionadora da  infração  administrativa  ao  controle  das  importações,  por  falta  de  Licença  de  Importação  (LI),  que  substituiu  a  Guia  de  Importação (GI), encontra­se prevista na alínea “b” do inciso I  do art. 169 do Decreto­lei nº 37, de 1966, com a redação dada  pelo art. 2º da Lei nº 6.562/78, com os seguinte dizeres:  Art.169  ­ Constituem  infrações  administrativas  ao  controle  das  importações:  I ­ importar mercadorias do exterior:  Fl. 361DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES     10 (...)  b) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não  implique  a  falta  de  depósito  ou  a  falta  de  pagamento  de  quaisquer  ônus  financeiros  ou  cambiais:  (Incluída  pela  Lei  nº  6.562, de 1978)  Pena: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria.  (...) (grifos não originais).  Na  data  em  ocorreu  a  operação  de  importação  objeto  da  presente autuação já estava em operação o Sistema Integrado do  Comércio Exterior (Siscomex) – Módulo Importação, no âmbito  do  qual  passou  a  ser  realizado  todo  o  controle  aduaneiro,  administrativo e cambial das importações brasileiras.  Nos  termos  do  §  1º  do  art.  6º1  do  Decreto  nº  660,  de  25  de  setembro de 1992, a GI  foi  substituída pela LI,  passando a  ser  este  o  novo  documento  base  do  controle  administrativo  das  importações.  De acordo com a nova sistemática, as operações de importação  passaram  a  ser  submetidas  a  duas  modalidades  de  licenciamento:  o  licenciamento  automático  e  o  licenciamento  não automático. O que diferencia uma modalidade da outra é a  necessidade  ou  não  do  controle  administrativo  prévio  ao  embarque  da  mercadoria  no  exterior  ou  antes  do  início  do  despacho aduaneiro, conforme o caso.  Na  primeira  modalidade  é  dispensável  a  anuência  prévia  dos  Órgãos  intervenientes  no  comércio  exterior,  enquanto  que  na  segunda,  a  autorização  prévia  dos  referidos  Órgãos  é  sempre  exigida. Nessa última modalidade, sem a autorização prévia do  respectivo órgão anuente, o Decex fica impedido de emitir a LI,  acarretando  o  cometimento  da  infração  administrativa  ao  controle  das  importações  por  falta  de  LI,  sancionada  com  a  penalidade  fixada  na  alínea  “b”  do  inciso  I  do  art.  169  do  Decreto­lei nº 37, de 1966.  Em complementação ao  disposto  na  legislação de  regência,  na  época em que ocorreram as operações de importação objeto da  presente  autuação,  o  assunto  encontrava­se  disciplinado  na  Portaria Secex nº 21, de 1996, especificamente nos dispositivos a  seguir transcritos:                                                              1 "Art. 6° As informações relativas às operações de comércio exterior,  necessárias  ao  exercício  das  atividades  referidas  no  art.  2°,  serão  processadas exclusivamente por intermédio do SISCOMEX, a partir da  data de sua implantação.  § 1° Para todos os fins e efeitos legais, os registros informatizados das  operações de exportação ou de importação no SISCOMEX, equivalem  à  Guia  de  Exportação,  à  Declaração  de  Exportação,  ao  Documento  Especial  de  Exportação,  à  Guia  de  Importação  e  à  Declaração  de  Importação.  (...)"    Fl. 362DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.006872/2006­65  Acórdão n.º 3202­000.857  S3­C2T2  Fl. 358          11 Art.  7º  O  licenciamento  das  importações  ocorrerá  de  forma  automática  e  não  automática  e  será  efetuado  por  meio  do  SISCOMEX.  § 1° As informações de natureza comercial, financeira, cambial  e  fiscal  a  serem  prestadas  para  fins  de  licenciamento  estão  contidas  no  Anexo  II  da  Portaria  Interministerial  MF/MICT  n°291, de 12 de dezembro de 1996.  §  2°  As  informações  de  que  trata  o  parágrafo  anterior  caracterizam  a  operação  de  importação  e  definem  o  seu  enquadramento.  (...)  Art. 8º Nos casos de  licenciamento automático, as  informações  de que trata o artigo anterior deverão ser prestadas no Sistema  em conjunto com as informações exigidas para a formulação da  declaração para fins de despacho aduaneiro da mercadoria.  Art.  9º  Nas  importações  sujeitas  a  licenciamento  não  automático,  o  importador  deverá  prestar  no  Sistema  as  informações a que se refere o art. 8º, previamente ao embarque  da  mercadoria  no  exterior  ou  antes  do  despacho  aduaneiro,  conforme o caso.  (...)  Art.  14.  A  descrição  da  mercadoria  deverá  conter  o  maior  número  de  características  identificadoras  possíveis,  tais  como:  marca,  tipo,  cor,  acessórios  e  outras  informações  relativas  ao  produto.  Essa  sistemática  de  licenciamento  vigorou  até  02  /12  /2003,  quando  entrou  em  vigor  a  Portaria  Secex  nº  17,  de  1º  de  dezembro  de  2003,  que  introduziu  nova  denominação  para  os  procedimentos  de  licenciamento  das  importações,  dividido  em  três modalidades: a) importações dispensadas de licenciamento;  b)  importações  sujeitas  a  licenciamento  automático;  e  c)  importações sujeitas a licenciamento não automático.  De acordo com a nova sistemática, a regra geral passou a ser a  dispensa  de  licenciamento  das  importações  (art.  7º2).  O  licenciamento  automático  apenas  passou  a  ser  exigido  nas  operações  de  drawback  e  para  os  produtos  relacionados  no  Tratamento  Administrativo  do  Siscomex  (art.  8º3).  Por  fim,  o                                                              2  "Art.  7º  Como  regra  geral,  as  importações  brasileiras  estão  dispensadas  de  licenciamento,  devendo  os  importadores tão­somente providenciar o registro da Declaração de Importação ­ DI no Siscomex, com o objetivo  de dar início aos procedimentos de Despacho Aduaneiro junto à unidade local da Secretaria da Receita Federal ­  SRF".    3 "Art. 8º Estão sujeitas a Licenciamento Automático as seguintes importações:  I  ­  de  produtos  relacionados  no  Tratamento  Administrativo  do  Siscomex,  também  disponíveis  no  endereço  eletrônico do Mdic;  II ­ as efetuadas nas situações abaixo relacionadas:  a) amparo do regime aduaneiro especial de ' drawback'"  Fl. 363DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES     12 licenciamento não automático foi estabelecido para os produtos  relacionados  no  Tratamento  Administrativo  do  Siscomex  e  nas  operações  de  importações  definidas  no  art.  9º  da  referida  Portaria, a seguir transcrito:  Art.  9º  Estão  sujeitas  a  Licenciamento  Não  Automático  as  seguintes importações:  I ­ de produtos relacionados no Tratamento Administrativo do  Siscomex e também disponíveis no endereço eletrônico do Mdic;  onde estão indicados os órgãos responsáveis pelo exame prévio  do licenciamento não automático, por produto;  II ­ as efetuadas nas situações abaixo relacionadas:  a) sujeitas à obtenção de cotas tarifária e não tarifária;   b) ao amparo dos benefícios da Zona Franca de Manaus e das  Áreas de Livre Comércio;  c) sujeitas à anuência do Conselho Nacional de Desenvolvimento  Científico e Tecnológico ­ CNPq;  d) sujeitas ao exame de similaridade;  e) de material usado;  f) originárias de países com restrições constantes de Resoluções  da ONU;  g) sem cobertura cambial nos casos previstos nesta Portaria.  (grifos não originais)  No  novo  modelo,  em  relação  às  importações  dispensadas  de  licenciamento,  os  importadores  estão  obrigados  tão­somente  a  providenciar  o  registro  da  operação  na  Declaração  de  Importação ­ DI no Siscomex, com o objetivo de dar início aos  procedimentos de Despacho Aduaneiro junto à unidade local da  RFB.  Nas  outras  duas  modalidades  (licenciamento  automático  ou  não), o importador deverá prestar, no Siscomex, as informações  da  operação  de  importação  previamente  ao  embarque  da  mercadoria  no  exterior,  para  os  produtos  relacionados  no  Tratamento  Administrativo  no  Siscomex,  ou  anteriormente  ao  início do despacho aduaneiro, para as operações definidas no §  1º do art. 10 da nova Portaria, a seguir transcrito:  Art. 10. Nas importações sujeitas aos licenciamentos automático  e não automático, o importador deverá prestar, no Siscomex, as  informações  a  que  se  refere  o  Anexo  II  da  Portaria  Interministerial  MF/Mict  nº  291,  de  12  de  dezembro  de  1996,  previamente ao embarque da mercadoria no exterior.  § 1º Nas situações abaixo indicadas, o licenciamento poderá ser  efetuado  após  o  embarque  da  mercadoria  no  exterior,  mas  anteriormente ao despacho aduaneiro, exceto para os produtos                                                                                                                                                                                             Fl. 364DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.006872/2006­65  Acórdão n.º 3202­000.857  S3­C2T2  Fl. 359          13 sujeitos a controles previstos no Tratamento Administrativo no  Siscomex:  I  ­  importações  ao  amparo  do  regime  aduaneiro  especial  de  "drawback" ;  II  ­  importações  ao  amparo  dos  benefícios  da Zona Franca  de  Manaus e das Áreas de Livre Comércio, exceto para os produtos  sujeitos a licenciamento;  III  ­  sujeitas  à  anuência  do  Conselho  Nacional  de  Desenvolvimento  Científico  e  Tecnológico  ­  CNPq.  (grifos  não  originais).  Fazendo  um  paralelo,  entre  as  duas  sistemáticas  introduzidas  pelas Portaria Secex nº 21, de 1996 (revogada) e nº 17, de 2003,  observa­se  que,  regra  geral,  os  procedimentos  que  passaram a  ser  adotados  para  as  operações  dispensadas  de  licenciamento  eram  aqueles  aplicáveis  às  operações  sujeitas  à  licenciamento  automático  na  nova  sistemática  anterior,  com  exceção  dos  produtos  sujeitos  a  condições  ou  procedimentos  especiais,  previsto  no  art.  10  4  da  Portaria  Secex  nº  21,  de  1996,  e  relacionados no Anexo II do Comunicado Decex nº 37, de 17 de  dezembro de 1997, com as alterações posteriores.  Assim, comparando as duas sistemáticas de licenciamento tem­se  o seguinte quadro comparativo:    Port.  Secex  nº  21,  de 1996 (arts. 7º a  10)  Port.  Secex  nº171,  de 2003 (arts. 6º a  10)  Licenciamento  Automático  (LA)  –  regra geral  Dispensado  de  Licenciamento  LA  –  produtos  sujeitos  a  procedimentos  especiais  Licenciamento  Automático  Licenciamento  Não Automático  Licenciamento  Não Automático    Em suma, as operações de importações sujeitas a licenciamento  automático  da  antiga  sistemática,  com  exceção  dos  produtos  sujeitos  a  procedimentos  especiais,  estavam  dispensados  de                                                              4 "Art. 10. A SECEX/DECEX, tendo em vista o exame das condições gerais de comercialização, divulgará, por  meio  de  Comunicado  público,  as  operações  e  produtos  sujeitos  a  condições  ou  procedimentos  especiais  que  deverão ser observados nos casos de licenciamento automático ou não automático".    Fl. 365DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES     14 controle  administrativo,  da mesma  forma  que  também  estão  as  operações  dispensadas  de  licenciamento  no  novel  regime  de  licenciamento.  Por  outro  lado,  os  produtos  previstos  no  tratamento administrativo no Siscomex, ainda que  integrando a  sistemática  de  licenciamento  automático,  estavam  sujeitos  a  controle administrativo, portanto, necessitavam de anuência e de  licenciamento previamente ao embarque no exterior ou ao início  do despacho aduaneiro, conforme o caso. (grifos do original).    Assim  sendo,  tendo  a  importação  se  realizado  em  27/02/2002,  absolutamente  ilegal, no caso ora em julgamento, a aplicação da multa prevista no art. 169, I, “b”, do Decreto­ lei n.º 37, de 1966, porque ausente um dos pressupostos fáticos necessários a sua aplicação.  O mesmo entendimento, contudo, não se estende, à míngua de equivalência entre  as situações, à multa de um por cento prevista no art. 84 da MP n.º 2158­35/2001, pois a sua  incidência  apenas  reclama  a  mera  classificação  incorreta  na  Nomenclatura  Comum  do  Mercosul,  nas  nomenclaturas  complementares  ou  em outros  detalhamentos  instituídos  para  a  identificação  da  mercadoria  ou,  alternativamente,  a  quantificação  incorreta  na  unidade  de  medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal.  Assim, basta para a aplicação da penalidade prevista no art. 84 da MP n.º 2158­ 35/2001 a errônea classificação fiscal do produto importado (fato inequívoco nos autos), sendo  de  todo  impertinente  alegar,  como  motivo  para  a  sua  não  exigência,  o  fato  de  o  reenquadramento  realizado  pela  fiscalização  ter  acarretado  a  redução  dos  valores  a  serem  recolhidos em virtude da importação ou a ausência de má­fé por parte do importador.  Em conclusão, devem ser mantidos os tributos não recolhidos em razão do erro  de classificação fiscal, mas acrescidos de juros de mora, da multa de um por cento sobre o valor  aduaneiro e da multa proporcional de 75%.  Ante  o  exposto,  voto  por  rejeitar  a  preliminar  de  nulidade  e,  no mérito, DAR  PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para exonerar apenas a multa de controle  administrativo prevista no art. 169, I, “b”, do Decreto­lei n.º 37, de 1966.  É como voto.  Charles Mayer de Castro Souza  Fl. 366DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.006872/2006­65  Acórdão n.º 3202­000.857  S3­C2T2  Fl. 360          15                           Fl. 367DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES

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Numero do processo: 19647.012886/2007-41
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2002 a 31/03/2006 PREVIDENCIÁRIO. RESTITUIÇÃO. FALHA DE REPRESENTAÇÃO. O requerimento de restituição de restituição de retenção de contribuições sociais somente pode ser feito pelo titular do crédito ou pessoa que legalmente o represente, sob pena de indeferimento, sem análise de mérito. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-002.164
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos o relator Marcelo Magalhães Peixoto, e os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Marcelo Freitas de Souza Costa. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto- Relator Ivacir Julio de Souza - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Julio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1769; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T3  Fl. 2          1 1  S2­C4T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19647.012886/2007­41  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2403­002.164  –  4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   Sessão de  17 de julho de 2013  Matéria  CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA  Recorrente  MERCANTIL METAIS E MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO LTDA (EX ­  JOTA CANEVASSI LTDA)  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/11/2002 a 31/03/2006  PREVIDENCIÁRIO. RESTITUIÇÃO. FALHA DE REPRESENTAÇÃO.  O  requerimento  de  restituição  de  restituição  de  retenção  de  contribuições  sociais  somente  pode  ser  feito  pelo  titular  do  crédito  ou  pessoa  que  legalmente o represente, sob pena de indeferimento, sem análise de mérito.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  pelo  voto  de  qualidade,  negar  provimento ao recurso. Vencidos o relator Marcelo Magalhães Peixoto, e os conselheiros Paulo  Maurício Pinheiro Monteiro e Marcelo Freitas de Souza Costa. Designado para redigir o voto  vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza.    Carlos Alberto Mees Stringari ­ Presidente    Marcelo Magalhães Peixoto­ Relator    Ivacir Julio de Souza ­ Redator designado     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 28 86 /2 00 7- 41 Fl. 1666DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 24/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA     2    Participaram do  presente  julgamento  os Conselheiros: Carlos Alberto Mees  Stringari,  Ivacir  Julio  de  Souza,  Paulo  Maurício  Pinheiro  Monteiro,  Marcelo  Magalhães  Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.  Fl. 1667DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 24/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 19647.012886/2007­41  Acórdão n.º 2403­002.164  S2­C4T3  Fl. 3          3   Relatório    Cuida­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  em  face  do  Acórdão  proferido  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  em  Recife/PE,  a  qual  julgou  improcedente  a  Manifestação  de  Inconformidade  apresentada,  mantendo­se  o  indeferimento  da  restituição  requerida por falha de representação processual.  O  Senhor  José  Otávio  Canevassi  apresentou  pedido  de  restituição  em  13/11/2007,  fls.  02/07  e  31/33,  em  nome  de  JOTA  CANEVASSI  LTDA.,  CNPJ  02.164.637/0001­49,  com  esteio  no  art.  31,  parágrafo  2º  da  Lei  8.212/91,  por  supostos  recolhimentos indevidamente retidos à maior nas notas fiscais de serviços por ela prestados.  Ocorre  que,  o  requerente  apresentou  procuração  com  vigência  já  expirada antes mesmo do pleito ressarcitório.  A  empresa  JOTA  CANEVASSI  teve  sua  razão  social  alterada  para  MERCANTIL  METAIS  E  MATERIAIS  DE  CONSTRUÇÃO  LTDA.,  e  mudou  de  representantes  legais,  tendo o requerente, senhor  José Antônio Canevassi deixado os quadros  da empresa em 07/07/2005, conforme extrato de informações emitidos pela RFB, na fl. 1570.  A  procuração  que  acompanhou  o  pedido  de  restituição  foi  uma  procuração  pública, lavrada no 8º Ofício de Notas do Recife – Tabelião Ivanildo de Figueiredo Andrede de  Oliveira Filho, protocolado sob o n. 026554, datada de 20 (vinte) de abril de 2006, com prazo  determinado de 06 (seis) meses a contar desta data.  Por  ter apresentado o requerimento em novembro de 2007,  restou patente a  intempestividade da procuração pública. Tal motivo levou o Serviço de Orientação e Análise  Tributária  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  em  Recife  a  emitir  Parecer  Fiscal,  fl.  1586,  a  qual  constata  que  o  direito  de  restituição  não  está  prescrito  e  que,  no  entanto,  o  requerimento  foi  assinado  por  pessoa  que  foi  retirada  da  sociedade  em  07/07/2005,  não  possuindo  legitimidade  jurídica  para  requerer  em  nome  da  empresa. O  parecer  foi  aprovado  pelo Despacho Decisório  n.  371/2010,  fl.  1587,  que manteve  o  indeferimento  do  pedido  de  restituição, sem mesmo adentrar ao mérito da questão.  DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE  Inconformada  com  o  indeferimento,  a  empresa  contestou  o  Despacho  Decisório  por  meio  do  instrumento  de  fl.1590,  em  24/01/2011,  requerendo  a  reforma  do  despacho em razão de haver procuração.  Na fl. 1574, há protocolo por parte da empresa, de nova procuração pública  da  empresa  para  o  requerente  do  ressarcimento  e  ex­sócio  da  empresa,  assim  como,  em  ato  contínuo, um substabelecimento para o advogado peticionante, fls. 1581/1584.  Fl. 1668DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 24/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA     4  DA DECISÃO DA DRJ  Após  analisar  os  argumentos  da manifestante,  a  7ª  Turma  da Delegacia  da  Receita do Brasil de Julgamento em Recife/PE, DRJ/REC, prolatou o Acórdão n° 11­34.245,  fls. 1595/1597, julgando a Manifestação, não reconhecendo o direito creditório.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  PREVIDENCIÁRIAS.   Período de apuração: 01/11/2002 a 31/03/2006  RESTITUIÇÃO. FALHA DE REPRESENTAÇÃO.  O  requerimento  de  restituição  de  retenção  de  contribuições  sociais somente pode ser  feito pelo titular do crédito ou pessoa  que  legalmente  o  represente,  sob  pena  de  indeferimento,  sem  análise de mérito.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  DO RECURSO  Irresignado,  o  contribuinte  interpôs  Recurso  Voluntário,  fls.2616/2621,  afirmando  em  síntese,  que  em  tempo  algum  a  empresa  contribuinte  teve  oportunizada  a  possibilidade de sanear a irregularidade identificada pelas autoridades fazendária e que o erro é  meramente  formal,  não  se  referindo  ao  mérito  do  crédito,  devendo  serem  observados  os  princípios do informalismo e da verdade material.  É o relatório.  Fl. 1669DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 24/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 19647.012886/2007­41  Acórdão n.º 2403­002.164  S2­C4T3  Fl. 4          5   Voto Vencido  Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator  DA TEMPESTIVIDADE  Conforme registro de fl. 1638, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos  de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento.  DO MÉRITO  O processo administrativo  federal  é  regido, dentre outros, pelo princípio da  (in)formalidade  moderada,  conforme  expressa  previsão  da  Lei  Geral  de  Processo  Administrativo,  Lei  9.784/99,  conforme  redação  de  dois  de  seus  artigos  que  seguem  abaixo  colacionados:  Art.  2o A  Administração  Pública  obedecerá,  dentre  outros,  aos  princípios  da  legalidade,  finalidade,  motivação,  razoabilidade,  proporcionalidade,  moralidade,  ampla  defesa,  contraditório,  segurança jurídica, interesse público e eficiência.  Parágrafo  único.  Nos  processos  administrativos  serão  observados, entre outros, os critérios de:  (...)  IX  ­  adoção  de  formas  simples,  suficientes  para  propiciar  adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos  administrados;  (...)  ****************************************************  Art.  22.  Os  atos  do  processo  administrativo  não  dependem  de  forma determinada senão quando a lei expressamente a exigir.  § 1o Os atos do processo devem ser produzidos por escrito,  em  vernáculo, com a data e o local de sua realização e a assinatura  da autoridade responsável.  (...)  No  mesmo  sentido  é  o  Decreto  70.235/72  que  rege  especificamente  o  processo administrativo tributário federal, in verbis:  Art.  2º  Os  atos  e  termos  processuais,  quando  a  lei  não  prescrever forma determinada, conterão somente o indispensável  à  sua  finalidade,  sem  espaço  em  branco,  e  sem  entrelinhas,  rasuras ou emendas não ressalvadas.  Fl. 1670DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 24/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA     6  Ao  constatar  a  falha  perpetrada  pelo  requerente  da  restituição,  deveria  a  autoridade administrativa intimar o contribuinte a se manifestar com relação à regularidade do  requerimento, bem como de seu interesse, de modo a cumprir com a busca da verdade material.  O princípio ao qual o recorrente se vale para requerer a reforma do acórdão  de primeira instância administrativa é bem comentado por James Marins, in verbis:  O formalismo moderado tem duas vertentes de funcionalidade: a  primeira  revestida  sob  a  forma  de  informalismo  a  favor  do  administrado,  que  tem  pó  escopo  facilitar  a  atuação  do  particular de modo a que excessos formais não prejudiquem sua  colaboração no procedimento ou defesa no processo; a segunda  vertente relaciona­se com a celeridade e economia que se espera  do atuar administrativo fiscal. Nesse último sentido a eliminação  de  formalidades  desnecessárias  concorre  positivamente  para  a  celeridade  e  a  economia  administrativa  e  contribui  para  o  primado  da  eficiência,  consagrado  constitucionalmente  no  art.  37  da  Constituição  Federal  de  1988.  (Direito  Processual  Tributário  Brasileiro  [administrativo  e  judicial]  5  ed.,  São  Paulo: Dialética, 2010, p. 165)  O  ato  do  indeferimento  sem  oportunizar  o  saneamento  do  processo  fere  o  postulado da razoabilidade, uma vez que não poderá mais o contribuinte pleitear a restituição  de seu crédito face o alcançar da prescrição decorrente do iter procedimental administrativo.  Outrossim,  cumpre  observar  que  se  aplica  ao  Processo  Administrativo,  subsidiariamente,  o  Código  de  Processo  Civil,  por  força  do  disposto  no  art.  4º  da  Lei  de  Introdução  às  Normas  de  Direito  Brasileiro,  e  dispõe  que:  quando  a  lei  for  omissa,  o  juiz  decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito. Da  mesma forma, o art. 126 do CPC: O juiz não se exime de sentenciar ou despachar alegando lacuna  ou obscuridade da  lei. No  julgamento da  lide caber­lhe­á aplicar as normas  legais; não as havendo,  recorrerá à analogia, aos costumes e aos princípios gerais de direito. Da mesma forma é o art. 108  do Código Tributário Nacional.  O CPC possui dispositivo não replicado nas leis de processo administrativos  acima expostas, qual seja, o art. 13, que trás o seguinte texto:  Art.  13.  Verificando  a  incapacidade  processual  ou  a  irregularidade da representação das partes, o juiz, suspendendo  o processo, marcará prazo razoável para ser sanado o defeito.  Não  sendo  cumprido  o  despacho  dentro  do  prazo,  se  a  providência couber:  I ­ ao autor, o juiz decretará a nulidade do processo;  II ­ ao réu, reputar­se­á revel;  III ­ ao terceiro, será excluído do processo.  Dessa mesma forma já foi julgado por este tribunal administrativo, conforme  se percebe dos precedentes abaixo trazidos à lume:  REPRESENTAÇÃO  PROCESSUAL  –  FALTA/PARTE  ILEGÍTIMA – Falta de instrumento de procuração – Duplo grau  de  jurisdição  administrativa.  O  próprio  sujeito  passivo,  em  processo  administrativo,  ao  contrário  do  judicial,  pode  Fl. 1671DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 24/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 19647.012886/2007­41  Acórdão n.º 2403­002.164  S2­C4T3  Fl. 5          7 subscrever  impugnações  e  recursos.  O  fazendo  através  de  Advogado, deverá ser anexado instrumento de procuração. Não  estando o processo devidamente instruído com a mesma, deverá  a autoridade julgadora a quo saneando o processo nos termos  do  art.  13  do  CPC,  intimar  o  contribuinte  para  anexá­la.  Decisão que não conheça do recurso por falta de  instrumento  de procuração, sem antes intimá­lo nos termos supra, será nula  por afetar o direito de defesa do contribuinte. Não sendo válida  a decisão a quo, será nula a decisão de órgão julgador recursal  enquanto  pendente  aquela,  pois  seria  suprimida  uma  instância  julgadora,  o  que  feriria  o  princípio  do  devido  processo  legal.  Processo  anulado  a  partir  da  decisão  de  primeira  instância,  inclusive  para  que  outra  seja  prolatada  atacando  o  mérito.  (Segundo  Conselho  de  Contribuintes.  Primeira  Câmara  de  Julgamento,  Processo  10183.004823/91­41,  Sessão  de  16/04/1997,  Relator(a)  Jorge  Freire,  Acórdão  n.º  201­70.652,  DOU de 22/09/1997)   Da  análise  do  caso  concreto,  percebe­se  que  a  pessoa  que  requereu  o  ressarcimento é um dos ex­sócios da pessoa jurídica, que até hoje se encontra vinculado a ela,  conforme demonstra  as  reiteradas procurações públicas  firmadas  e  trazidas nestes  autos,  não  sendo, portanto, pessoa estranha ao contribuinte.  A constituição de procuração ao requerente e substabelecimento ao advogado  que representa a empresa nesta causa, demonstra a sua aquiescência no procedimento, devendo  portanto,  ser  declarado  nulo  o  despacho  decisório  n.  371/2010,  fl.  1587,  devendo  os  autos  retornarem à DRF para análise da materialidade do crédito.  CONCLUSÃO  Ante todo o exposto, voto pelo provimento do recurso, para declarar nulo o  despacho  decisório  n.  371/2010,  determinando  o  retorno  dos  autos  à  DRF  de  origem  para  análise da materialidade dos créditos objeto do presente processo.    Marcelo Magalhães Peixoto – Relator  Fl. 1672DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 24/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA     8    Voto Vencedor  Conselheiro Ivacir Julio de Souza – Redator Designado  Designado ara  redigir  o voto vencedor,  ressaltando o  respeito pelo  trabalho  apresentado no voto do I. Relator, cumpre divergir pelas razões a seguir expostas:  De plano, relevante ressaltar que o Exmo Senhor Dr. Juiz federal da 12ª Vara  Da Seção Judiciária de Pernambuco concedeu liminar para que o Recurso fosse apreciado com  brevidade  por  este  Conselho,  entretanto  destacou  que  se  observasse  presentes  os  pressupostos de admissibilidade posto que fizera análise perfunctória desses elementos:  “  Neste  exame  perfunctório,  próprio  das  medidas  urgentes,  penso  restarem atendidos os mencionados requisitos....”   Isto considerado, da ação ordinária com pedido de antecipação dos efeitos da  tutela destaquei e transcrevo a íntegra do PEDIDO E DA DECISÃO com realce para a abertura  e fecho desta:  Do pedido.  A concessão de decisão antecipatória dos efeitos da tutela para  determinar  que  a  União,  por  intermédio  de  seu  órgão  fazendário,  afaste  os  efeitos  da  decisão  prolatada  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Recife  nos  autos  do  processo  administrativo  nº  19647.012886/2007­41,  conheça  do  pedido  de  restituição, ultrapassando  a  preliminar  suscitada  de  vício  de  representação,  posto  que  já  superado,  aprecie o mérito e emita decisão acerca da existência e devida  quantificação do pleito,  restituído à Autora,  se  for o caso,  seus  créditos devidos em prazo não superior à 30 dias.  Da decisão  Trata­se de ação de  rito ordinário,  com pedido de antecipação  de  tutela,  proposta  por  Mercantil  Metais  e  Materiais  de  Construção Ltda., em face da União Federal, através da qual se  pleiteia  determinação  judicial  para  que  seja  julgado  recurso  administrativo  interposto perante o Conselho Administrativo de  Recursos Fiscais (CARF).  (..)  Ante  o  exposto,  defiro  o  pedido  de  antecipação  dos  efeitos  da  tutela, para determinar que a ré, se presentes os pressupostos de  admissibilidade,  proceda  de  imediato  à  análise  do  mérito  do  recurso voluntário interposto pelo demandante perante a CARF,  referente  aos  pedidos  de  restituição  objeto  do  Processo  Administrativo registrado na Receita Federal do Brasil sob o nº  19647.012886/2007­41  e,  caso  deferido  o  pedido,  proceda  à  restituição  pleiteada,  no  prazo  de  30  (trinta)  dias.”  (  grifos  de  minha autoria)  Fl. 1673DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 24/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 19647.012886/2007­41  Acórdão n.º 2403­002.164  S2­C4T3  Fl. 6          9 É de se notar que embora o pedido incluísse uma gama de supostos direitos  tais quais “de vício de representação, posto que  já superado” a decisão limitou­se a enfrentar  parte do pedido e ainda assim com restrições dado que concedeu tutela somente para apreciar  a hipótese de admitir o recurso ressalvando confirmar os pressupostos de admissibilidade.  DO CONHECIMENTO DO RECURSO  Em atenção a sobredita decisão, o recurso foi apreciado, aceito e ao fazer o  voto vencedor descabe,  portanto,  “  reformatio  in pejus  ”  . Entretanto,  por  relevante,  cumpre  revelar  que  acessando  o  sistema  “  e­processo”,  ali  consta  registrado  que  sob  o  n°10010.006791/0212­86 o Recurso voluntário  em comento  foi o efetivamente protocolado  em 15/02/2102 e apensado na mesma data ao presente.   DA FORMA DE IMPUGNAR  Consoante  os  arts.  14  e  15  do  Decreto  70.235/72  vigente  à  época  da  interposição  do  Recurso  e  obedecido  pelo  contribuinte  quando  da  interposição  de  suas  alegações em sede impugnação mediante manifestação de inconformidade A IMPUGNAÇÃO  deveria  ter  sido  formalizada  por  escrito  e  juntada  aos  autos  e  não  apensada  eletronicamente  mediante abertura de novo processo:   ‘ Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do  procedimento.   Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com  os  documentos  em  que  se  fundamentar,  será  apresentada  ao  órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em  que for feita a intimação da exigência.”  Aduz  que  analisando  o  documento  apensado  ,  na  peça  Recursal  a  Recorrente  alega  que  fora  cientificada  do  acórdão  n°  11­34.245,  lavrado  pela  7a  Turma  da  Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife, em 03.01.2012.   Cumpre  destacar  que  na  peça  analisada,  alguém  cujo  nome  foi  aposto,  sem  identificação  de  cargo  ou  função,  sem  observar  as  formalidades  usualmente  praticadas  quando  da  recepção  de  documentos  do  gênero,  sem  sequer  acusar  que  estaria  efetuando  o  recebimento  do  documento,  meramente  registra  data,  25/01/2012,  que  ,  ressalte­se  ,  anterior ao protocolo, se baseia a Recorrente para afirmar tempestivo o Recurso.  Exortando os princípios da  informalidade  e celeridade processuais  , mesmo  aceitando a irregular forma de impugnar , utilizado­se a data do protocolo e não o mero registro  assente  no  conteúdo  do  documento  protocolizado,  cabe  desnaturar  as  alegações  da  recorrente  de  que  interpusera  o  Recurso  tempestivamente  posto  que  nestes  termos  teria  ocorrido preclusão temporal.  Com  efeito,  a  data  acórdão  , 29/06/2011,  e  do Recurso Voluntário  alegado  pela Recorrente em 25/01/2012, passados  , 7  ( sete  ) meses do  julgado, denota anormalidade  procedimental na intimação.  DAS TENTATIVAS DE INTIMAR SOBRE ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTANCIA  Fl. 1674DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 24/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA     10  Às fls. 1.515, o despacho datado de 21/11/2010, abaixo transcrito já revelara  que no endereço fornecido pela recorrente nada se relacionava com a empresa:  “INFORMAÇÃO FISCAL  Informo que atendendo determinação da Chefia,  compareci,  no  dia 21/11/2010,  na  rua Alcântara,  245,  Tejipio  e  constatei  que  neste  endereço  encontra­se  uma  casa  fechada,  onde  antes,  funcionou  um  comitê  eleitoral  conforme  placas  que  existe  na  porta. Nada relacionado com a empresa MERCANTIL METAIS  E CONSTRUÇÕES LTDA”    Pesquisei no sítio da RFB e consta o mesmo sobredito endereço não encontrado:    LOGRADOURO   R ALCANTARA     NÚMERO  245     COMPLEMENTO      CEP   50.920­620     BAIRRO/DISTRITO   TEJIPIO     MUNICÍPIO   RECIFE     UF   PE     DA IMPOSSIBILIDADE DE A EMPRESA TER SIDO NOTIFICADA EM 03/01/2102.  Na forma dos despachos abaixo, estes teriam sido realizados em 04/01/2012.  “SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL  DELEGACIA  DA  RECEITA  FEDERAL  DO  BRASIL  NO  RECIFE  SERVIÇO DE ORIENTAÇÃO E ANÁLISE TRIBUTÁRIA ­ SEORT  COMUNICADO SEORT/DRF/RECIFE/PE  SRRF : 4a. RF  01) JURISDIÇÃO FISCAL  Unidade Local: DRF/RECIFE/PE  Endereço: Av Alfredo Lisboa, 1152  Bairro : Bairro do Recife  Município: Recife  CEP : 50.030­150  UF: PE  Fone: (81)3797.5242 Fax : (81)    02) CONTRIBUINTE:  Nome: ALEXANDRE AGUIAR OLIVEIRA (SOCIO) | CPF n°: 012.545.894­06  Endereço: AV. FERNANDO SIMOES BARBOSA, 602, AP 601  Bairro/Distrito: BOA VIAGEM  Município: Recife  CEP: 51.021­060 UF: PE  Fone :  Fax:  Contato/Cargo:  Fone:  Fax:  Fl. 1675DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 24/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 19647.012886/2007­41  Acórdão n.º 2403­002.164  S2­C4T3  Fl. 7          11 03) COMUNICADO S/N  Ref. proc. n° 19647.012886/2007­41  Empresa:  MERCANTIL  METAIS  E  MATERIAIS  DE  CONSTRUÇÃO  LTDA CNPJ n°: 02.164.637/0001­49  Comunicamos a V. Sa. que a manifestação de inconformidade contra a decisão que indeferiu o  pedido  de  restituição  objeto  do  processo  n°  19647.012886/2007­41,  foi  julgada  IMPROCEDENTE pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, nos termos do  Acórdão 11­34.245 em anexo.  Informamos ainda que, é facultado ao sujeito passivo, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da  data da ciência, apresentar recurso contra a decisão que julgou improcedente a manifestação de  inconformidade, segundo previsão do art. 66, § 3o, da Instrução Normativa RFB n° 900/2008.  SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL  DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL NO RECIFE SERVIÇO  DE ORIENTAÇÃO E ANÁLISE TRIBUTÁRIA ­ SEORT  COMUNICADO SEORT/DRF/RECIFE/PE  01) JURISDIÇÃO FISCAL  Nome.  MERCANTIL  METAIS  E  MATERIAIS  DE  CONSTRUÇÃO LTDA   CNPJ n°: 02.164.637/0001­49  Comunicamos  que  a manifestação  de  inconformidade  contra  a  decisão  que  indeferiu  o  pedido  de  restituição  objeto  do  processo  n°  19647.012886/2007­41,  foi  julgada  IMPROCEDENTE  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento,  nos  termos do Acórdão 11­34.245 em anexo.  Informamos ainda que, é facultado ao sujeito passivo, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da  data da ciência, apresentar recurso contra a decisão que julgou improcedente a manifestação de  inconformidade, segundo previsão do art. 66, § 3o, da Instrução Normativa RFB n° 900/2008.  Recife, 04 de janeiro de 2012.  Alexandre/Luiz  do  Nascimento  Buarque  Audito/Fiscal ­ Matrícula: 1368504  Os despachos acima tratando das intimações da Recorrente sobre o Acórdão  11­34.245  em  tela,  datado  de  04/01/  2012,  na  oportunidade  ainda  não  expedido  ,  caracteriza  impossibilidade  temporal  de  a  empresa  ter  sido  notificada  em  03/01/2012  conforme afirma em seu Recurso Voluntário para garantir tempestividade.  Extraído  íntegra  da  introdução  da  peça  recursal  eis  que  o  contribuinte  confirma ter sido intimado em 03/01/2012 e reitera o endereço não encontrado:  “Processo n.° 19647.012886/2007­41  MERCANTIL  METAIS  E  MATERIAIS  DE  CONSTRUÇÃO  LTDA,  devidamente  inscrita  no  CNPJ/MF  sob  o  n°  02.164.637/0001  ­  49,  com  endereço  na  Rua  Alcântara,  245,  Tejipió,  Recife/PE,  por  seu  representante  legal,  não  se  Fl. 1676DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 24/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA     12  conformando  com  o  acórdão  n°  11­34.245,  lavrado  pela  7a  Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento  em  Recife,  da  qual  foi  cientificada  em  03.01.2012,  vem,  respeitosamente,  no  prazo  legal,  com  amparo  no  que  dispõe  o  art.  33  do  Decreto  n°  70.235/72,  apresentar  seu  RECURSO  VOLUNTÁRIO, pelos motivos que se seguem”  Colacionada  nos  autos,  consta  ação  judiciária  em  cuja  decisão  o  Exmo  Senhor Dr. Juiz federal da 12ª Vara Da Seção Judiciária De Pernambuco, ressaltou que :  “  Neste  exame  perfunctório,  próprio  das  medidas  urgentes,  penso restarem atendidos os mencionados requisitos.  (..)  A ré alega que o recurso foi formalizado como dossiê, de modo  que  não  foi  apensado  ao  processo  original,  sem  gerar  mensagem de solicitação de juntada de documentos, de sorte que  o  processo  administrativo  estava  sendo  encaminhado  para  arquivo,  tendo  sido  direcionado  para  o  CARF  somente  em  01.02.2013  (cf.  Documento  de  Comprovação  intitulado  “Andamento  ­ Processo Administrativo  ­ CARF”,  em anexo  no  PJe).  (...)  Ante  o  exposto,  defiro  o  pedido  de  antecipação  dos  efeitos  da  tutela, para determinar que a ré, se presentes os pressupostos de  admissibilidade,  proceda  de  imediato  à  análise  do  mérito  do  recurso voluntário interposto pelo demandante perante a CARF,  referente  aos  pedidos  de  restituição  objeto  do  Processo  Administrativo registrado na Receita Federal do Brasil sob o nº  19647.012886/2007­41  e,  caso  deferido  o  pedido,  proceda  à  restituição  pleiteada,  no  prazo  de  30  (trinta)  dias.)”(grifos  de  minha autoria.)  Assim,  como  adiante  se  verificará,  os  pressupostos  de  admissibilidade  não  teriam sido confirmados.  DOS AR’s DEVOLVIDOS E DO EDITAL DE INTIMAÇÃO  Constam  colacionados  nos  autos  que  tentativas  de  intimar  tanto  a  empresa  quanto o seu sócio majoritário resultaram infrutíferas com o retorno dos respectivos Avisos de  Recebimento – AR’s em 06/01/2012 motivo pelo qual procederam­se a notificação por edital  n° 139/2012, também colacionado, afixado no local de costume em 08/08/2012, desafixado em  24/08/2012,  fazendo  a  partir  daí  correr  o  prazo  de  30  dias  para  interposição  de  recurso  voluntário:      SECRETARIA  DA  RECEITA  FEDERAL  DO  BRASIL  DELEGACIA  DA  RECEITA  FEDERAL  DO  BRASIL  DE  RECIFE  SERVIÇO  DE  ORIENTAÇÃO  E  ANÁLISE  TRIBUTÁRIA  EDITAL N° 139/2012    Fl. 1677DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 24/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 19647.012886/2007­41  Acórdão n.º 2403­002.164  S2­C4T3  Fl. 8          13 Pelo presente EDITAL, por se encontrar em lugar incerto e  ignorado,  fica(m)  intimado(s)  o(s)  contribuinte(s)  abaixo  relacionado(s)  a  tomar  ciência  da  Intimação  no(s)  processo(s) abaixo discriminado(s) no 16° dia da data de  afixação  deste,  que  se  encontra  nesta  Repartição  no  Serviço  de  Orientação  e  Análise  Tributária  ­  SEORT,  situada na Av. Alfredo Lisboa, n°. 1152, 5° andar. ”  Isto exposto, a empresa fora considerada notificada na forma do sobredito edital e não conforme alega sua peça  recursal  que  tendo  sido efetivamente protocolado em 15/02/2012 sob o n 10010.006791/0212­86 e  apensado na mesma data ao presente, ainda que se louve na data 25/01/2012  , como fizera, a  notificação por edital datada de 08/08/2102 põe por terra seus argumentos.    DA TEMPESTIVIDADE  Ao  interpor  o Recurso  na  forma  como o  fez  ,  a  empresa  provocou passar  desapercebido  pelo  I.  Julgador  e  pela  Turma os sobreditos fatos e assim a TEMPESTIVIDADE não foi motivo de apreciação da Turma no julgado.  DO MÉRITO  Na condução do voto, o I. Conselheiro, corroborando as reiteradas alegações  da  Recorrente,  exortou  que  :  “  O  ato  do  indeferimento  sem  oportunizar  o  saneamento  do  processo  fere  o  postulado  da  razoabilidade,  uma  vez  que  não  poderá  mais  o  contribuinte  pleitear  a  restituição  de  seu  crédito  face  o  alcançar  da  prescrição  decorrente  do  iter  procedimental administrativo”   Registrou  ainda  que  :  “A  constituição  de  procuração  ao  requerente  e  substabelecimento  ao  advogado  que  representa  a  empresa  nesta  causa,  demonstra  a  sua  aquiescência no procedimento, devendo portanto,  ser declarado nulo o despacho decisório n.  371/2010,  fl.1587,  devendo  os  autos  retornarem  à  DRF  para  análise  da  materialidade  do  crédito”   DA RETROSPECTIVA  O  Requerimento  de  Restituição  de  Retenção  ­  RRR,  às  fls.  01/19,  foi  protocolizado  pelo  senhor  José  Otávio  Canevassi,  junto  à  DRF  /  REC,  em  13/11/2007  requerendo em nome de JOTA CANEVASSI LTDA.  Às  fls.  1.515,  datado  de  21/11/2010,  o  despacho  em  fase  de  pesquisa  cadastral  abaixo transcrito registra que a empresa não fora encontrada no endereço por ela fornecido que consta  até os dias de hoje no sítio da Receita federa do Brasil conforme pesquisa que fiz:  “Informo que atendendo determinação da Chefia, compareci, no  dia  21/11/2010,  na  rua  Alcântara,  245,  Tejipi  e  constatei  que  neste  endereço  encontra­se  uma  casa  fechada,  onde  antes,  funcionou  um  comitê  eleitoral  conforme  placas  que  existe  na  porta. Nada relacionado com a empresa MERCANTIL METAIS  E CONSTRUÇÕES LTDA.”  Às  fls.  1.538,  analisando  o  processo  consta  o  Parecer  Fiscal  do  Auditor  Parecerista abaixo transcrito:  Fl. 1678DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 24/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA     14  “ PARECER FISCAL  DO REQUERIMENTO  1.  Trata­se de pedido de restituição de retenção com alegação  do  Valor  retido  através  de  serviços  prestados  a  empresas  diversas nas competências 08/2005 a 03/2006, serem totalmente  indevidos.  2.  Inicialmente, verificamos que não está prescrito o direito à  restituição,  visto  que  o  pedido  foi  protocolizado  em  prazo  inferior  aos  cinco  (05)  anos  previstos  no  art.  253  do  Regulamento  da  Previdência  Social,  aprovado  pelo  Decreto  3.048/99. Através da análise detalhada do processo, verificamos  que:  O  requerimento  inicial  foi  assinado  pelo  Sr.  JOSÉ  OTÁVIO  CANEVASSI  conforme  fls.06,  do7.  autos,  representando  a  empresa.  De acordo com o constante nos arquivos da Receita Federal , o  assinante  requerente  retirou­se  da  sociedade  em  07/07/2005,  conforme  consta  no  documento  anexo  de  fl.  1.523  dos  autos,  portanto o mesmo não tem legitimidade  jurídica para requerer  em nome da empresa da empresa;  Considerando o impedimento legal acima citado, opinamos pelo  indeferimento do pleito.  Recife, 22 de novembro de 2010.”  Às fls. 1.539, em 05/01/2011, o requerimento foi indeferido na forma abaixo.  Note­se que não  se  tratou de  intimar para  trocar procuração posto que a motivação não  fora  PROCURAÇÃO INVÁLIDA mas sim por falta de legitimidade para requer:  “ DESPACHO DECISÓRIO n°371/2010  RESTITUIÇÃO  DE  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS  ­ Contribuinte: JOTA CANEVASSI LTDA  CNPJ n°: 02.164.637/0001­49  Processo n°: 19647.012886/2007­41  1.  No uso da competência definida pelos artigos 280, Inciso VI  e 285, Inciso II, do Regimento Interno da Secretaria da Receita  Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n° 125, de 04 de  março  de  2009,  e  concordando  com  os  fundamentos  expostos  no parecer fiscal, que passa a integrar este ato, conforme o art.  5°,  §  1°,  da  Lei  9.784/99,  INDEFIRO  o  pedido  de  restituição  relativo  ao  processo  supra, pelos motivos  expostos  no  parecer  fiscal que faz parte integrante desta Decisão.  2.  Ao setor de Restituição de Contribuições Previdenciárias do  SEORT/DRF/Recife, para cientificar a interessada.”  Como  se  vê,  o  requerente  não  houvera  sequer  colacionado  procuração  quando  do  pedido  e  não  fora  encontrado  no  endereço  fornecido  gerando  total  Fl. 1679DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 24/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 19647.012886/2007­41  Acórdão n.º 2403­002.164  S2­C4T3  Fl. 9          15 impossibilidade  de  manter  comunicação  na  hipótese  de  eventualmente  se  proceder  intimações.  Às fls. 1.540, consta que em 10/01/2011, o Despacho Decisório teria sido entregue  em mãos de um certo procurador:  “INTIMAÇÃO SEORT/DRF/REC/PE  1)  JURISDIÇÃO FISCAL:  SRRF : 4a RF Unidade Local : DRF/RECIFE/PE  Endereço: Av Alfredo Lisboa, 1152  Bairro : Bairro do Recife I Município: Recife  CEP : 50.030­150 I UF : PE I Fone: (81) 37975242 I Fax : (81)  2)  CONTRIBUINTE:  Nome : JOTA CANEVASSI LTDA. CNPJ n° 02.164.637/0001­49  Endereço: EM MÃOS ATRAVÉS DE PROCURADOR ”  Às fls. 1.542, o patrono da Recorrente JOTA CANEVASSI LTDA, interpôs  MANIFESTAÇÃO DE  INCONFORMIDADE  colacionando procuração pública datada de  20 de abril de 2006 a qual, segundo afirmara, conferiria direitos legítimos ao requerente:   “JOTA CANEVASSI LTDA, pessoa jurídica de direito privado,  já  qualificada  nos  autos  do  processo  em  epígrafe,  vem,  em  virtude da intimação SEORT/DRF/REC/PE relativa ao despacho  decisório n° 371/2010, expor e requerer o que segue:  0 pedido de restituição tombado sob o número em referência foi  indeferido  pela  ilustre  autoridade  fiscalizadora  sob  O  fundamento  de  que  o  signatário  do  pedido  de  restituição  não  teria  poderes  de  representação  haja  vista  ter  se  desligado  do  contrato social em 07/07/2005.  Ocorre  que,  conforme  se  verifica  do  instrumento  público  de  procuração  ora  em  anexo,  o  signatário,  mesmo  não  mais  pertencendo ao contrato societário, continuava com poderes de  representação,  desta  feita  consubstanciados  na  procuração  pública datada de 20 de abril de 2006 que confere ao signatário  ­  JOSE  OTAVIO  CANEVASSI  ­  plenos  poderes  para  gerir  e  administrar  a  empresa  contribuinte,  inclusive  representando  junto à Receita Federal do Brasil.  Diante de  todo o exposto, ante a comprovação da regularidade  da representação da empresa, requer a revogação do despacho  decisório  supra  indicado  com  o  prosseguimento  do  pedido  de  restituição  em  seus  ulteriores  termos  com  a  restituição  dos  valores retidos a maior da empresa.”  A  sobredita  procuração  foi  colacionada  às  fls.  1.543  e  trata­se  de  procuração  pública,  lavrada  no  8o  Ofício  de  Notas  do  Recife,  onde  se  observa  que  a  empresa  MERCANTIL,  METAIS E MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO LTDA, sucessora de José Otávio Canevassi Ltda, por  Fl. 1680DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 24/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA     16  intermédio do sócio Alexandre C/liveira, conferiu a José Otávio Canevassi, poderes, dentre outros, para  representá­la perante órgãos e repartições públicas administrativas.   Tendo sido OPORTUNIZADO SANEAR o fez com instrumento inválido.  Tal  qual  afirmara  o  patrono  da  Recorrente,  de  fato,  a  referida  procuração  foi  concedida em 20/04/2006, entretanto omitiu ou não reparou que fora outorgada por prazo determinado,  a saber: 06 (seis) meses. Isto posto, na ocasião do requerimento, em13/11/2007, já havia expirado o  prazo de referida procuração, razão pela qual , em 24/01/2011 nas CONTRA­RAZÕES de fls. 1.544  não se promoveu à re­análise requerida.  .  CONTRA­ RAZÕES DO RECURSO  “ O contribuinte acima identificado ingressou com Manifestação  de  Inconformidade  contra  o  Despacho Decisório  DRF/RCE  n°  371/2010  proferido  nos  autos  do  processo  n°  19647.012886/2007­41, que indeferiu o pedido de restituição de  contribuições  previdenciárias  incidentes  sobre  o  percentual  de  11%  (onze  por  cento)  descontados  por  tomadores  de  serviços  prestados  pelo  requerente,  por  ilegitimidade  jurídica  do  signatário do pedido de restituição.  De acordo com o documento de fls. 01 dos autos, de 13/11/2007,  requer  em  nome  da.  JOSÉ OTAVIO CANEVASSI. Ocorre  que,  conforme o documento de fls. 1.523, este signatário retirou­se da  sociedade  da empresa  em 07/07/2005  e mesmo  tendo o mesmo  retirado  da  sociedade  lhe  foi  concedida  procuração  per  instrumento público com todo, os poderes legais, em 20 de abril  de  2006,  veja­se,  doc,  de  fls.  1.543  pelo  prazo  de  06  ,(seis)  meses...”   Cumpre  ressaltar  que  no  sítio  da  RFB  se  reitera  instruções  contemporâneas  ao  pedido orientando o contribuinte que para requerer Restituição de Valores Indevidos Relativos a  Contribuição  Previdenciária,  é  necessário  a  apresentação  por  seu  requerente  ou  por  seu  representante; procuração por  instrumento particular, com firma reconhecida… do pedido de  restituição.  III  ­  procuração  por  instrumento  particular,  conforme  modelo  ,  com  firma  reconhecida  em  cartório,  ou  por  instrumento  público,  destacando  que  se  o  formulário  for  assinado por PROCURADOR, este deverá apresentar cópia, autenticada ou acompanhada  do original, de procuração.  Aduz que  a  cópia  em  comento,  além de  imprestável, não  continha o  registro de  autenticação  ou  confirmação  do  servidor  atestando  que  o  documento  CONFERE  COM  O  ORIGINAL.  Às  fls.  1.546,  na  Delegada  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  no  Recife – (PE) , a 7ª Turma exarou o Acórdão de n 11­34.245 em 29 de junho de 2011 negando  provimento  aos  argumentos  apresentados  na  manifestação  de  inconformidade  resumindo  na  ementa os motivos pelos quais negou provimento:  “0  requerimento  de  restituição  de  retenção  de  contribuições  sociais somente pode ser feito pelo titular do crédito ou pessoa  que  legalmente  o  represente,  sob  pena  de  indeferimento,  sem  análise de mérito.”  Em  grau  de  recurso  ,  muito  embora  como  visto  alhures  lhe  tenha  sido  oportunizado,  a  Recorrente  reiterou  argumentos  de  que  não  lhe  fora  concedido  sanear  a  irregularidade :  Fl. 1681DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 24/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 19647.012886/2007­41  Acórdão n.º 2403­002.164  S2­C4T3  Fl. 10          17 “Note­se  que  em  tempo  algum  a  empresa  contribuinte  ora  recorrente  teve  oportunizada  a  possibilidade  de  sanear  a  irregularidade  identificada  pelas  autoridades  fazendárias  que,  observe­se,  tem  natureza  meramente  formal,  em  nada  se  referindo ao mérito do requerimento de restituição, qual seja, a  existência e legitimidade do crédito objeto da restituição.  Desse modo, é patente que os competentes órgãos de julgamento  administrativos  de  julgamento  incorreram  em  manifesto  equívoco  ao  indeferir  o  pleito  de  restituição  sem  a  análise  de  mérito  e  sem,  igualmente,  intimar  a  empresa  contribuinte  a  regularizar a representação.  Nesse  esteio  revela­se  inconteste  o  direito  inequívoco  da  empresa  Recorrente  em  ver  reformada  decisão  prolatada  para  permitir  o  saneamento  do  processo  com  a  juntada  de  instrumento  de  procuração  válido  e  a  análise  do  mérito  do  pleito de restituição.  Uma  vez  que  a  Ilustre  Autoridade  Fiscal  não  intimou  a  contribuinte,  ora  Recorrente,  para  sanear  a  ausência  de  instrumento  de  procuração,  não  resta  outra  alternativa,  mormente  como  requisito  de  regularidade  do  presente  recurso,  senão  acostar,  neste  momento  processual  o  instrumento  de  procuração,  como  forma  de  sanear  de  uma  vez  por  todas  a  irregularidade apontada.”  Os  fatos trazidos alhures, demonstram que ao contrário do que  afirma  a  empresa  ,  esta  teve  sim  oportunidade  de  sanear  o  processo e na ocasião apresentou documento imprestável, dado  que com prazo vencido. ”  DA LEGITIMIDADE PARA PEDIR  Os argumentos sobre o significado de uma procuração trazidos à colação pela  Recorrente,  justificam  o  procedimento  da  recorrente  quanto  a  não  observar  a  validade  das  procurações  juntadas  no  processo  “ab  initio”.  Suas  alegações denotam  profundo  desprezo  quanto ao cumprimento de formalidades  legais estabelecidas para a exigência do documento.  Sendo o representante da Recorrente operador de direito, presume­se conhecer da necessidade  basilar de uma procuração para agir em nome de terceiros. Uma procuração não se trata pois  de  instrumento  de  natureza  meramente  formal  como  resumiu  de  modo  singelo  e  simplificado a recorrente. Está em questão a legitimidade de pedir restituição de valores não  podendo a administração declinar de cumprir  formalidade obrigatória sob pena de o servidor  displicente  responder  administrativamente,  civil  e penalmente por não observar  tal  exigência  legal.  Relevante  destacar  que  curiosamente,  ao  final  dos  argumentos  da  peça  recursal em apreço, quem assina e pede deferimento P/P na também extemporânea data de 16  DE JANEIRO DE 2011, é senhor José Otávio Canevassi, muito embora o timbre Advocacia  Chaves e Câmara revele tratar­se de uma petição produzida pelo referido Escritório.  O confronto das assinaturas às fls. 02, aposta no documento de requerimento  e a sobredita no Recurso Voluntário, permite afirma que foram praticadas pelo mesmo punho e  confere  identidade a  ambas por  semelhança. Destaque­se que o Redator  tem habilidade para  Fl. 1682DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 24/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA     18  proceder ao realce em razão de possuir certificado de curso de grafoscopia e praticado ao longo  de sua experiência como empregado em renomado estabelecimento bancário.  Abaixo,  trago  a  íntegra  do Recurso Voluntário  interposto  onde  se  verifica  que  a  empresa  não  trouxe  à  colação  e  tampouco  faz  referencia  à  nenhum elemento ou  documento novo que pudesse eventualmente motivar re­análise do requerimento em comento:  “CHAVES  ã<  CÂMARA.,.Advogados  Associados  A  SEGUNDA  SEÇÃO  DO  CONSELHO  ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  Processo n.° 19647.012886/2007­41  MERCANTIL  METAIS  E  MATERIAIS  DE  CONSTRUÇÃO  LTDA,  devidamente  inscrita  no  CNPJ/MF  sob  o  n°  02.164.637/0001  ­  49,  com  endereço  na Rua  Alcântara,  245,  Tejipió, Recife/PE,  por seu representante legal, não se conformando com  o  acórdão  n°  11­34.245,  lavrado  pela  7a  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Recife,  da  qual  foi  cientificada  em  03.01.2012,  vem,  respeitosamente,  no  prazo  legal,  com  amparo  no  que  dispõe  o  art.  33  do  Decreto  n°  70.235/72, apresentar seu RECURSO VOLUNTÁRIO,  pelos motivos que se seguem.  DOS FATOS  Cuidam  os  autos  de  processo  de  restituição  administrativa de contribuição previdenciária retida na  fonte  nos  termos  do  art.  31  da  lei  8212/91  com  as  alterações da lei 9711/98.  No  curso  de  suas  atividades  empresariais  a  Recorrente  suportei  retenções  da  contribuição  previdenciária  no  percentual  de  11%  sobre  suas  faturas e notas fiscais em montante em muito superior  ao  valor  efetivamente.1  devido  razão  pela  qual  a  Recorrente  formulou,  conforme  art.  31,  §  2o  da  lei  8212/91.  O  requerimento  de  restituição  foi  formulado  através  de Requerimento de Restituição de Retenção ­ RRR,  nos  termos  na  IN/RFB  002/2007  então  vigente  quando da formulação do pedido.  Ocorre  que  quando  da  formulação  do  requerimento  de  restituição  EI  empresa  contribuinte  olvidou  de  acostar ao processo o instrumento de procuração que  outorgava  poderes  ao  signatário  do  referido  requerimento.  Fl. 1683DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 24/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 19647.012886/2007­41  Acórdão n.º 2403­002.164  S2­C4T3  Fl. 11          19 Quando da análise do pedido de  restituição o  ilustre  em virtude da ausência do instrumento de procuração  que  outorgasse  poderes  ao  signatário  do  requerimento.auditor  fiscal  entendeu  por  indeferir  o  pedido de restituição   Em  virtude  do  despacho  decisório  proferido  pela  autoridade  fazendária  foi  apresentada  Manifestação  de  Inconformidade  acostando­se  procuração  pública  que  outorgava  poderes  ao  signatário  do  Requerimento de Restituição com o intuito de sanear  a irregularidade detectada.  Contudo ao  tentar  sanear a  irregularidade apontada,  o  contribuinte!  acostou  instrumento  público  de  procuração cujo prazo  já havia se expirado de  forma  que  a  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  decidiu pelo indeferi nento da Impugnação.  Note­se que em tempo algum a empresa contribuinte  ora  recorrente  :eve  oportunizada  a  possibilidade  de  sanear a irregularidade identificada pelas autoridades  fazendárias  que,  observe­se,  tem  natureza  meramente formal, em nada se referindo ao mérito do  requerimento de  restituição, qual seja, a existência e  legitimidade do crédito objeto da restituição.  Desse modo,  é  patente  que  os  competentes  órgãos  de  julgamento  administrativos  de  julgamento  incorreram  em  manifesto  equívoco  ao  indeferir  o  pleito  de  restituição  sem a  análise  de mérito  e  sem,  igualmente,  intimar  a  empresa  contribuinte  a  regularizar a representação.  Nesse esteio revela­se inconteste o direito inequívoco  da  empresa  Recorrente  em  ver  reformada  decisão  prolatada  para  permitir  o  saneamento  do  processo  com a juntada de instrumento de procuração válido e  a análise do mérito do pleito de restituição.  Uma vez que a Ilustre Autoridade Fiscal não intimou a  contribuinte, ora Recorrente, para sanear a ausência  de  instrumento  de  procuração,  não  resta  outra  alternativa, mormente como requisito de regularidade  do  presente  recurso,  senão  acostar,  neste momento  processual o instrumento de procuração, como forma  de  sanear  de  uma  vez  por  todas  a  irregularidade  apontada.  Sendo assim, espera a Recorrente sejam os pedidos  adianto  formulados  julgados  procedentes  para  determinar  a  anulação  da  decisão  proferida  pela  7a  Fl. 1684DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 24/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA     20  Turma da DRJ/Recife e determinar o processamento  e análise da restituição pretendida.  DO DIREITO  Importa  destacar  sempre  que  o  processo  administrativo  é  informado  pelo  principio  do  informalismo  de  sorte  que  pequenos  vícios  formais  devem  ser  a  todo  tempo  saneados  em  busca  da  verdade  material,  verdadeiro  objetivo  do  processo  administrativo.  O  princípio  do  informalismo  significa,  no  processo  administrativo,  a  adoção  de  formas  simples,  suficientes para propiciar adequado grau de certeza,  segurança e  respeito aos direitos dos administrados,  de maneira que o conteúdo  deve  prevalecer  sobre  o  formalismo  extremo,  respeitadas as formalidades essenciais à garantia dos  direitos dos administrados  Art  2o  A  Administração  Pública  obedecerá,  dentre  outros,  aos  princípios  da  legalidade,  finalidade,  motivação,  razoabilidade,  proporcionalidade,  moralidade,  ampla  defesa,  contraditório,  segurança  jurídica, interesse público e eficiência.  Parágrafo único. Nos processos administrativos serão  observados, entre outros, os critérios de:  ­ observância das formalidades essenciais à garantia  dos direitos dos administrados;  ­ adoção de formas simples, suficientes para propiciar  adequada grau de certeza, segurança e respeito aos  direitos dos administrados  No  processo  administrativo,  não  deve  imperar  a  sacralidade das formas, mas sim a instrumentalidade  delas,  de  sorte  que  os  atos  processuais  produzem  efeitos  jurídicos  regulares  se,  apesar  de  não  observada  certa  procedimentalidade,  a  finalidade  a  que destinados tenha sido alcançada.  Sobre o assunto é extremamente relevante a posição  de  Odete  Medauar  para  quem:  “O  princípio  do  formalismo  moderado  se  traduz  na  exigência  de  interpretação  flexível  e  razoável  quanto  a  formas,  para evitar que estas sejam vistas como um fim em si  mesmas,  desligadas  das  verdadeiras  finalidades  do  processo.”1                                                                Fl. 1685DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 24/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 19647.012886/2007­41  Acórdão n.º 2403­002.164  S2­C4T3  Fl. 12          21 Para Hely Lopes Meireles “o princípio do informalismo  dispensa  ritos  sacramentais  e  formas  rígidas  para  o  processo  administrativo,  principalmente!  para  atos  e  cargo  do  particular.  Bastam  as  formalidades  estritamente  necessárias  à  obtenção  da  certeza  jurídica e à segurança procedimental.”2  Como  se  vê,  ante  a  transcrição  da  legislação  aplicável,  bem  como  dos  entendimentos  doutrinários  destacados,  o  processo  administrativo  é  informada  pelo  princípio  do  informalismo,  ou  do  formalismo  moderado,  razão  pela  qual  o  vicio  formal  apontado  pela  autoridade  fiscal  não  pode  prejudicar  o  mérito  discutido  nos  autos  impondo­se  oportunizar  ao  contribuinte a possibilidade de sanear a irregularidade  identificada.  A  decisão  recorrida  infringiu  ainda,  além  do  informalismo,  outro  dos  mais  do  processo  adminir­ trativo, o princípio da verdade material.  Em obediência ao princípio da verdade material deve  o  julgador  administrativo  direcionar  sua  atuação  instrutória  na  busca  dos  fatos  aduzidos;  tanto  pelo  contribuinte  quanto  pela  autoridade  fiscalizadora,  evitando  que  eventuais  vi  ;issitudes  procedimentais  interfiram em seu trabalho.  O  que  se  busca  no  processo  administrativo  é  a  verdade material. Intfc. ? , a à  Administração que seja  apurada a verdade  real dos  fatos ocorridos  (verdade  material), e não apenas a verdade que é, a principio,  trazida aos autos; ielc partes (verdade formal) de sorte  que  não  deve  o  Administrador  furtar­se  a  analisar  a  matéria  de  mérito  posta  a  apreciação  sob  o  argumento de não Jpreenchimento de requisitos formais  sem  antes  intimar  o  contribuinte  a  preencher  tais  requisitos.  Conforme  lição  de  Leandro  Paulsen,  o  processo  administrativo  é  regido  pelo  princípio  da  verdade  material,  segundo  o  qual  a  autoridade  julgadora  deverá  buscar  a  realidade  dos  fatos,  conforme  ocorrida, e para tal, ao formar sua livre convicção na  apreciação  dos  fatos,  poderá  julgar  conveniente  a  realização de diligência que considere necessárias à  complementação  da  prova  ou  ao  esclarecimento  de  dúvida  relativa  aos  fatos  trazidos  no  processo.Neste  ponto,  cumpre  observar  que  o  artigo  18  do  Decreto                                                                  Fl. 1686DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 24/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA     22  70.235/72 SEI coloca em consonância com o princípio  da verdade material, in verbis:  Art.  18. A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  eterminará,  de  ofício  ou  a  requerimento  do  impugnante,  a  realização  de  diligências  ou  perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo  as  que  considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando  o disposto no art. 28 in fine.  Sobre  o  tema  é  imprescindível  transcrever  os  entendimentos já  emanados por este eminente Conselho Administrativo  de  Recursos  Fiscais  sobre  as  matérias  postas  em  julgamento.  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA  .  IRPJ  Exercício:  2003  IMPUGNAÇÃO.  CAPACIDADE”:  POSTULATÓRIA.  APRECIAÇÃO. A simples ausência  de apresentação  de  cópia  de  documento  que  possibilite  ao  órgão  julgador  confirmar  que  os  signatários  da  peça  impugnatória  são  os  indicados  em  instrumento  de  mandato,  não  pode  servir  de  fundamento  para  impedir  o  exercício  do  contraditório  por  parte  do  contribuinte,  mormente  na  situação  em  que  a  capacidade  postulatória  objeto  dequestionamento  resta  comprovada  no  curso  do  mesmo  processo  administrativo  COFINS.  Em  face  do  princípio  do  informalismo  moderado  que  devo  reger  o  procedimento  administrativo  fiscal, a  falta de assinatura do patrono  da contribuinte é vício sanável, devendo­se  intimar a  parto paru sanar tal irregularidade. Processo anulado  ASSUNTO:  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCALAno­calendário:  2000,2001  BUSCA  DA  VERDADE  MATERIAL  No  processo  administrativo  predomina o princípio da verdade material, no sentido  de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou  não  o  fato  gerador  e  se  a  obrigação  teve  seu  nascimento  e  regular  constituição.  Nesse  contexto,  devem ser superados os erros de procedimentos dos  contribuintes  ou  da  fiscalização  que  não  impliquem  em  prejuízo  às;  partes  e,  por  conseqüência,  ao  processo.SALDOS  NEGATIVOS  DE:  RECOLHIMENTO  DO  IRPJ.  PRAZO  PARA  PLEITEAR  A  RESTITUIÇÃO  E  PARA  EFETUAR  VERIFICAÇÕES  FISCAIS.  O  prazo  para  pleitear  a  restituição  do  saldo  negativo  de  IRPJ,  acumulado,  devidamente  apurado  e  escriturado,  é  de  5  anos  contados  do  período  que  a  contribuinte  ficar  Fl. 1687DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 24/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 19647.012886/2007­41  Acórdão n.º 2403­002.164  S2­C4T3  Fl. 13          23 impossibilitada  de  aproveitar  esses  créditos,  mormente pela mudança de modalidade de apuração  dos  tributos  ou  pelo  encerramento  de  atividades.RECURSO  PARCIALMENTE  PROVI  DO.  Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  IRPJ  ­  PREJUÍZO  FISCAL  ­  IRRF  ­  RESTITUIÇÃO  DE  SALDO  NEGATIVO  ­  ERRO  DE  FATO  NO  PREENCHIMENTO  DA  DIPJ  •  PREVALÊNCIA  DA  VERDADE  MATERIAL  ­  Não  procede  o  não  reconhecimento  de  direito  creditório  relativo  a  IRRF  que  compõe  saldo  negativo  de  IRPJ,  quando  comprovado  que  a  receita  correspondento  foi  oferecida  à  tributação,  ainda  que  em  campo  inadequado da declaração. Recurso provido7  Importa ainda destacar que não se pode alegar que o  presente recurso não representa momento adequado  a  apresentação  do  instrumento  de  procuração  ou  ainda  à  suscitar  a  necessidade  de  intimação  do  contribuinte  para  regularizar  a  representação  posto  que, nos termos do acórdão n° 303­34310 do próprio  CARF  é  plenamente  possível,  ainda  em  atenção  à  verdade  material,  a  juntada  de  documentos  e  o  saneamento processual após a impugnação.  Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do  fato  gerador:  31/12/1999  Ementa:  EMENTA:  JUNTADA  DE  DOCUMENTAÇÃO  DEPOIS  DO  PRAZO  IMPUGNATÓRIO.  POSSIBILIDADE.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO.  INFORMALISMO.  A  Lei  n.  9784/99,  em  seu  art.  69,  autoriza  a  juntada  de  documentos e pareceres em toda a fase instrutória do  processo  administrativo.  JUNTADA  DE  DOCUMENTOS  PELAS  RECORRENTES.  INDEFERIMENTO.  ÒÜPOSTA  IRRELEVÂNCIA.  CERCEAMENTO  DE  DEFESA  CARACTERIZADA.  Não  é defeso à autoridade administrativa  fazer  juízo  de  valor  acerca  de  quais  documentos  são  ou  não  relevantes ao pleno exercício do direito constitucional  à  ampla  defesa, mormente  quando  tais  documentos  permaneceram  em  poder  do  fisco  por  longo  lapso  temporal  e  embasaram  a  autuação  em  escopo.  Recurso voluntário julgado procedente, para que seja  anulada a decisão recorrida, e reaberto o prazo para  que  as  recorrentes  promovam  a  juntada  dos  documentos  que  julguem  necessários  ao  exercício  pleno da sua defesa  Diante de tudo o que foi exposto, resta demonstrado,  à toda evidência,  Fl. 1688DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 24/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA     24  o direito que milita  em  favor da  empresa Recorrente  no  sentido  de  ter  a  r.  decisão  prolatada  pela  ilustre  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Recife reformada em sua totalidade para determinar a  remessa  dos  autos  novamente  à  Delegacia  da  Receita  Federal  em  Recife  para  o  regular  processamento  e  análise  do  mérito  da  restituição  requerida.  DO PEDIDO  À  vista  de  todo  o  exposto,  demonstrada  a  insubsistência  eimprocedência  da  decisão  recorrida,  bem  como  regularizada  a  representação  através  da  juntada  de  instrumento  procuratório  válido,  espera  e  requer a Recorrente seja acolhido o presente recurso  para o fim de anular o acórdão n” 11­34.245, proferido  pela  7a  turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Recife  e  determinar  que  sejam  os  autos do processo 19647.012886/2007­41 devolvidos  à  Delegacia  da  Receita  Federal  em  Recife  para  o  regular processamento do requerimento de restituição  formulado pela Recorrente.  Termos em que pede deferimento   Recife 16 de janeiro 2011  MERCANTIL  METAIS  E  MATERIAIS  DE  CONSTRUÇÃO  LTDA P/P JOSÉ OTÁVIO CANEVASSI  CONCLUSÃO  Diante  de  tudo  que  foi  exposto,  entendo  que  se  deva  NEGAR  PROVIMENTO às alegações da Recorrente.   É como voto.    Ivacir Julio de Souza.                Fl. 1689DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 24/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA

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Numero do processo: 11065.100419/2009-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 DESPACHO DECISÓRIO QUE DESCONSIDEROU NEGÓCIO JURÍDICO PRATICADO PELO CONTRIBUINTE. FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. NULIDADE. É nulo o despacho decisório que desconsidera negócio jurídico praticado pelo contribuinte sem apontar o fundamento legal.
Numero da decisão: 3401-002.264
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento para anular o processo a partir do despacho decisório, inclusive. Vencidos os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis e Robson José Bayerl (Suplente). JÚLIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Suplente), Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 22 /07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS     2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Júlio  César  Alves  Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Suplente), Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel  Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori.    Relatório  Trata  o  presente  processo  de  pedido  de  ressarcimento  da  COFINS  não­ cumulativa do segundo trimestre de 2009 (fls.1/4), com fundamento no §1o, do art. 6o, da Lei nº  10.833/03, recebida pela RFB em 23/07/2009.  Na  análise,  a  autoridade  fiscal  glosou  o  crédito  relativo  à  mão­de­obra  fornecida  pelas  empresas  Adão  Acker  e  Solange  Regia  Moraes  Matte.  A  autoridade  fiscal  relatou que o fornecimento desse serviço de mão­obra poderia ter sido utilizado como insumo,  contudo, entendeu que essas empresas, apesar de serem formalmente empresas independentes,  na verdade são do mesmo grupo econômico da Lótus Calçados Ltda (pleiteante do crédito) e  que a separação dessas empresa é simulada (fls.61/68).  A  Contribuição  apresentou  manifestação  de  inconformidade  (fls.  88/101),  mas  a DRJ  em Porto Alegra/RS manteve  as  glosas,  ao  prolatar  acórdão  (fls.129/139)  com a  seguinte ementa:    “PRESTAÇÃO  DE  SERVIÇO  ­  INEXISTÊNCIA  MATERIAL  E  FACTUAL DE SEPARAÇÃO ENTRE A ENCOMENDANTE E A  PRESTADORA  DE  SERVIÇOS  –  SIMULAÇÃO  DESCARACTERIZAÇÃO  DA  OPERAÇÃO  ­  GLOSA  DOS  CRÉDITOS FAVORÁVEIS À CONTRIBUINTE.  A  realização  de  prestação  de  serviços  quando  a  empresa  encomendante  e  as  empresas  prestadoras  de  serviços  são  separadas  formalmente,  no  papel,  mas  na  realidade,  de  fato,  inexiste separação, pois, materialmente, são e atuam como uma  única entidade, caracteriza simulação de atos visando benefícios  tributários,  acarretando  a  ilegalidade  da  operação.  Por  conseguinte, a simulação gera a descaracterização da prestação  de  serviços  por  encomenda  e  a  conseqüente  glosa  dos  créditos  favoráveis  ao  contribuinte  gerados  pela  operação  realizada  de  forma ilegal.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido”.    A  Contribuinte  foi  intimada  do  acórdão  da  DRJ  em  06/07/2011  (fl.141)  e  interpôs Recurso Voluntário 04/08/2011 (fls.142/160), com as alegações resumidas abaixo:    1­  O despacho decisório é nulo em razão do cerceamento de  defesa,  vez  que  a  autoridade  fiscal  não  apontou  os  Fl. 160DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 22 /07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11065.100419/2009­79  Acórdão n.º 3401­002.264  S3­C4T1  Fl. 160          3 fundamentos  legais  que  levaram  à  desconsideração  do  negócio  realizado  entre  a Recorrente  e  as  terceirizadas.  Além  disso,  a  DRJ,  para  manter  o  indeferimento,  utilizou­se  de  normas  não  apontadas  no  despacho  decisório;  2­  As  três  empresas  foram  constituídas  regulamente  e  recolhem todos os seus tributos;  3­  Foram  vários  ateliers  de  calçados  terceirizados  que  prestaram  serviço  à  empresa  Recorrente,  bem  como  a  empresa Adão Acker prestou serviços a outras empresas,  conforme  demonstrados  nos  documentos  anexos  à  manifestação de  inconformidade, o que descaracteriza a  alegação  do  fisco  de  que  as  terceirizadas  prestavam  serviços com exclusividade à Recorrente;  4­  O  fato  de  Solange Matte,  dona  da  empresa  de  mesmo  nome,  ser  esposa  de  Lauro  Henrique  Matte,  sócio­ administrador  da  Recorrente,  como  relatado  pela  autoridade  fiscal,  não  descaracteriza  a  independência  e  autonomia das duas empresas;  5­  O desmembramento da  empresa para que uma cuide de  parte específica da produção, além de necessária para o  aprimoramento  da  produção,  é  utilizada  como  planejamento  tributário,  elisão  fiscal,  não  havendo  proibição legal;  6­  Para se seja aplicada a desconsideração dos atos jurídicos  praticados,  prevista  no  art.  116,  Parágrafo  Único,  do  CTN, deve ser provada a ocorrência da simulação ou da  dissimulação;  Ao fim, a Recorrente pediu que seja acolhida a preliminar de cerceamento de  defesa por falta de fundamento legal e, caso assim não se entenda, sejam as glosas efetuadas  declaradas ilegais e se reconheça o direito creditório.  É o Relatório.      Voto             Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça  O Recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade,  razão pela qual dele tomo conhecimento.  Fl. 161DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 22 /07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS     4 A  Recorrente  pediu  o  ressarcimento  da  COFINS  do  segundo  trimestre  de  2009,  mas  parte  do  crédito  foi  glosada  em  razão  de  a  autoridade  fiscal  entender  que  as  empresas que prestavam serviço de fornecimento de mão­de­obra eram, na verdade, do mesmo  grupo empresarial.  O cerne da questão é saber se as operações da Recorrente com as empresas  Adão Acker e Solange Regia Moraes Matte consiste na prestação de serviço de fornecimento  de  mão­de­obra  ou  se,  na  realidade,  trata­se  de  grupo  econômico,  cuja  separação  é  uma  simulação.  Mas,  antes  da  análise  dessa  questão,  deve  ser  analisada  a  questão  de  nulidade  arguida pela Recorrente.    1.  Da nulidade do despacho decisório  A  Recorrente  alega  que  o  despacho  decisório  é  nulo,  pois  não  utilizou  qualquer fundamento legal para glosar os créditos.  Nesse  ponto,  tem  razão  a  Recorrente.  Realmente,  tanto  no  relatório  fiscal,  denominado nesses  autos  como “auto de  infração”  (fls.61/69),  quanto no despacho decisório  propriamente dito (fl.78), a autoridade fiscal apontou somente o fundamento legal que dispõe  que o pagamento de mão­de­obra à pessoa  física não gera crédito da COFINS  (art.  3o,  § 2o,  inciso I, da Lei nº 10.833/03).  Todavia, os pagamentos pela mão­de­obra foram realizados às terceirizadas.  Esse negócio  jurídico  a  autoridade  fiscal  desconsiderou, por entender  ser  simulado, mas não  apontou qual o fundamento legal que autoriza essa desconsideração.  Nesse caso, a falta de indicação do fundamento legal gera o cerceamento de  defesa,  haja  vista  que  a  Recorrente  não  sabe  de  qual  norma  a  autoridade  fiscal  estava  se  apoiando para desconsiderar o negócio jurídico.  O cerceamento de defesa ficou ainda mais evidenciado, quando a Recorrente  optou por se defender do Parágrafo Único, do art. 116, do CTN, que autoriza a desconsideração  dos  negócios  jurídicos  praticados  com  intuito  de  dissimulação  (fls.  92/99),  mas  a  DRJ  considerou que no caso não se aplica o Parágrafo Único, do art. 116, do CTN, mas sim o art.  149, inciso VII, também do CTN (fl. 136/137). Esse fato demonstra claramente que a falta de  fundamento  para  a  desconsideração  do  negócio  jurídico  entre  a  Recorrente  e  a  terceirizada  prejudicou na defesa da Recorrente.  Além disso,  a  falta  de  fundamentação  no  despacho decisório  e  no  relatório  fiscal faz com que qualquer fundamentação legal utilizada nos julgamentos posteriores (DRJ e  CARF)  configurem  inovação  de  fundamento,  por  utilização  de  norma  não  ventilada  pela  delegacia de origem, como ocorreu, no presente caso, quando a DRJ utilizou o art. 149, inciso  VII, do CTN, para fundamentar a desconsideração do negócio jurídico.  Com isso, por estar presente o cerceamento de defesa, devem ser declarados  nulos  os  atos  praticados  desde  o  relatório  fiscal,  para  que  os  autos  retornem  à  delegacia  de  origem, para retificação da fundamentação da delegacia de origem, para que ela aponte em qual  norma  se  apóia para descaracterizar os negócios  jurídicos praticados  entre  a Recorrente  e  as  empresas Adão Acker e Solange Regia Moraes Matte  Ex positis,  dou  provimento  ao Recurso Voluntário  interposto,  para  declarar  nulo o relatório fiscal, nestes autos denominado de “auto de infração”, o despacho decisório e o  Fl. 162DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 22 /07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11065.100419/2009­79  Acórdão n.º 3401­002.264  S3­C4T1  Fl. 161          5 acórdão da DRJ, devendo os autos  retornarem à delegacia de origem para elaboração de um  novo  relatório  fiscal  e  despacho  decisório,  apontando­se  a  norma  legal  na  qual  se  apóia  a  desconsideração do negócio praticado entre a Recorrente e as empresas terceirizadas.  É como voto.    Jean  Cleuter  Simões  Mendonça  ­  Relator                               Fl. 163DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 22 /07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS

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Numero do processo: 16004.001666/2008-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2002 a 28/02/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO. SUB-ROGAÇÃO. É devida a contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea ‘a’ do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei no 8.212/91, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural - SENAR, à alíquota de 0,2% incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural. As contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta oriunda da comercialização da produção são devidas pelo produtor rural, sendo a atribuída à empresa adquirente, consumidora, consignatária ou à cooperativa, a responsabilidade pelo desconto e recolhimento, na condição de sub-rogada nas obrigações do empregador rural pessoa física e do segurado especial. Possuindo a lei presunção iuris tantum de constitucionalidade, não tendo sido as normas tributárias que regem a contribuição para o SENAR abraçadas expressamente pelo Pretório Excelso na declaração de inconstitucionalidade aviada no RE 363.852/MG, conclui-se que a contribuição social em foco permanece sendo devida pelas empresas a que se refere o art. 3º da lei nº 8.315/91, sem qualquer solução de continuidade. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AIOP. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Todas as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores apurados pela fiscalização houveram por ocorridas em período ainda não vitimado pelo decurso do prazo decadencial. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL, JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. LIVRE CONVENCIMENTO. O julgador não é obrigado a manifestar-se sobre todas as alegações das partes, nem a ater-se aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. Cabe a ele decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizando-se dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FASE PREPARATÓRIA DO LANÇAMENTO. NATUREZA INQUISITIVA. CONTRADITÓRIO INEXISTENTE. O procedimento administrativo do lançamento é inaugurado por uma fase preliminar, oficiosa, de natureza eminentemente inquisitiva, na qual a autoridade fiscal promove a coleta de dados e informações, examina documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária aplicando-lhe a legislação tributária. Dada à sua natureza inquisitorial, tal fase de investigação não se submete ao crivo do contraditório nem da ampla defesa, direito reservados ao sujeito passivo somente após a ciência do lançamento, com o oferecimento de impugnação, quando então se instaura a fase contenciosa do procedimento fiscal. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA SOLIDÁRIA. São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, segundo prevê o art. 124, I, do CTN. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor desta presunção. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. LEI Nº 10.256/2001. A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PESSOAS FÍSICAS. VERDADEIROS DONOS DA PESSOA JURÍDICA CONSTITUIDA EM NOME DE TERCEIROS. Comprovado nos autos os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertados por terceiras pessoas (“laranjas”) que apenas emprestavam o nome para que eles realizassem operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contas correntes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art. 124, I, do Código Tributário Nacional, pelo interesse jurídico comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. AIOP. AFERIÇÃO INDIRETA. ÔNUS DA PROVA. IMPUGNAÇÃO SEM ESTEIO EM PROVAS MATERIAIS. A recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, assim como a constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento de que a contabilidade da empresa não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, constituem-se motivo justo, bastante, suficiente e determinante para Fisco lance de ofício, mesmo que por aferição indireta de sua base de cálculo, a contribuição previdenciária que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. O Recurso pautado unicamente em alegações verbais, sem o amparo de indício de prova material, não desincumbe o Recorrente do ônus probatório imposto pelos §§ 3º e 6º, in fine, do art. 33 da Lei nº 8.212/91, eis que alegar sem provar é o mesmo que nada alegar. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.456
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Juliana Campos de Carvalho Cruz e Manoel Coelho Arruda Junior, que votaram pelo provimento do recurso. O conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior apresentará Declaração de Voto. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2002 a 28/02/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO. SUB-ROGAÇÃO. É devida a contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea ‘a’ do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei no 8.212/91, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural - SENAR, à alíquota de 0,2% incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural. As contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta oriunda da comercialização da produção são devidas pelo produtor rural, sendo a atribuída à empresa adquirente, consumidora, consignatária ou à cooperativa, a responsabilidade pelo desconto e recolhimento, na condição de sub-rogada nas obrigações do empregador rural pessoa física e do segurado especial. Possuindo a lei presunção iuris tantum de constitucionalidade, não tendo sido as normas tributárias que regem a contribuição para o SENAR abraçadas expressamente pelo Pretório Excelso na declaração de inconstitucionalidade aviada no RE 363.852/MG, conclui-se que a contribuição social em foco permanece sendo devida pelas empresas a que se refere o art. 3º da lei nº 8.315/91, sem qualquer solução de continuidade. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AIOP. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Todas as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores apurados pela fiscalização houveram por ocorridas em período ainda não vitimado pelo decurso do prazo decadencial. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL, JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. LIVRE CONVENCIMENTO. O julgador não é obrigado a manifestar-se sobre todas as alegações das partes, nem a ater-se aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. Cabe a ele decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizando-se dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FASE PREPARATÓRIA DO LANÇAMENTO. NATUREZA INQUISITIVA. CONTRADITÓRIO INEXISTENTE. O procedimento administrativo do lançamento é inaugurado por uma fase preliminar, oficiosa, de natureza eminentemente inquisitiva, na qual a autoridade fiscal promove a coleta de dados e informações, examina documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária aplicando-lhe a legislação tributária. Dada à sua natureza inquisitorial, tal fase de investigação não se submete ao crivo do contraditório nem da ampla defesa, direito reservados ao sujeito passivo somente após a ciência do lançamento, com o oferecimento de impugnação, quando então se instaura a fase contenciosa do procedimento fiscal. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA SOLIDÁRIA. São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, segundo prevê o art. 124, I, do CTN. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor desta presunção. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. LEI Nº 10.256/2001. A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PESSOAS FÍSICAS. VERDADEIROS DONOS DA PESSOA JURÍDICA CONSTITUIDA EM NOME DE TERCEIROS. Comprovado nos autos os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertados por terceiras pessoas (“laranjas”) que apenas emprestavam o nome para que eles realizassem operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contas correntes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art. 124, I, do Código Tributário Nacional, pelo interesse jurídico comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. AIOP. AFERIÇÃO INDIRETA. ÔNUS DA PROVA. IMPUGNAÇÃO SEM ESTEIO EM PROVAS MATERIAIS. A recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, assim como a constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento de que a contabilidade da empresa não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, constituem-se motivo justo, bastante, suficiente e determinante para Fisco lance de ofício, mesmo que por aferição indireta de sua base de cálculo, a contribuição previdenciária que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. O Recurso pautado unicamente em alegações verbais, sem o amparo de indício de prova material, não desincumbe o Recorrente do ônus probatório imposto pelos §§ 3º e 6º, in fine, do art. 33 da Lei nº 8.212/91, eis que alegar sem provar é o mesmo que nada alegar. Recurso Voluntário Negado

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     2 O  Supremo  Tribunal  Federal,  conforme  entendimento  exarado  na  Súmula  Vinculante  nº  8,  no  julgamento  proferido  em  12  de  junho  de  2008,  reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91.  Incidência  do preceito inscrito no art. 173, I do CTN.  Todas  as  obrigações  tributárias  relativas  aos  fatos  geradores  apurados  pela  fiscalização  houveram  por  ocorridas  em  período  ainda  não  vitimado  pelo  decurso do prazo decadencial.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL,  JULGAMENTO  ADMINISTRATIVO. LIVRE CONVENCIMENTO.  O  julgador  não  é  obrigado  a  manifestar­se  sobre  todas  as  alegações  das  partes, nem a ater­se aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um  a  um,  a  todos  os  seus  argumentos,  quando  já  encontrou  motivo  suficiente  para fundamentar a decisão. Cabe a ele decidir a questão de acordo com o seu  livre  convencimento,  utilizando­se  dos  fatos,  das  provas,  da  jurisprudência,  dos  aspectos  pertinentes  ao  tema  e  da  legislação  que  entender  aplicável  ao  caso concreto.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  FASE  PREPARATÓRIA  DO  LANÇAMENTO.  NATUREZA  INQUISITIVA.  CONTRADITÓRIO  INEXISTENTE.  O  procedimento  administrativo  do  lançamento  é  inaugurado  por  uma  fase  preliminar,  oficiosa,  de  natureza  eminentemente  inquisitiva,  na  qual  a  autoridade  fiscal  promove  a  coleta  de  dados  e  informações,  examina  documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a  ocorrência  ou  não  de  fato  gerador  de  obrigação  tributária  aplicando­lhe  a  legislação tributária.   Dada à sua natureza inquisitorial, tal fase de investigação não se submete ao  crivo  do  contraditório  nem  da  ampla  defesa,  direito  reservados  ao  sujeito  passivo  somente  após  a  ciência  do  lançamento,  com  o  oferecimento  de  impugnação,  quando  então  se  instaura  a  fase  contenciosa  do  procedimento  fiscal.  PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.   A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a  prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do  seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo­ lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis.  GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA  PASSIVA SOLIDÁRIA.   São  solidariamente  obrigadas  pelo  crédito  tributário  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua  o  fato  gerador  da  obrigação  principal, segundo prevê o art. 124, I, do CTN.   LANÇAMENTO  TRIBUTÁRIO.  ATO  ADMINISTRATIVO.  PRESUNÇÃO  DE  VERACIDADE  E  LEGALIDADE.  INVERSÃO  DO  ÔNUS DA PROVA.  Tendo  em  vista  o  consagrado  atributo  da  presunção  de  veracidade  que  caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é  espécie,  opera­se  a  inversão  do  encargo  probatório,  repousando  sobre  o  notificado  o  ônus  de  desconstituir  o  lançamento  ora  em  consumação.  Havendo  um  documento  público  com  presunção  de  veracidade  não  Fl. 2989DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.331          3 impugnado eficazmente pela parte  contrária, o desfecho há de ser em favor  desta presunção.  PRODUTOR  RURAL  PESSOA  FÍSICA.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS  INCIDENTES  SOBRE  A  RECEITA  DA  COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. LEI Nº 10.256/2001.  A  contribuição  do  empregador  rural  pessoa  física  e  do  segurado  especial  referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art.  12  desta  Lei,  destinada  à  Seguridade  Social  e  ao  financiamento  das  prestações  por  acidente  do  trabalho,  é  de  2%  e  0,1%  da  receita  bruta  proveniente  da  comercialização  da  sua  produção,  respectivamente,  nos  termos  do  art.  25  da  Lei  nº  8.212/91,  com  a  redação  dada  pela  Lei  nº  10.256/2001.   RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA.  PESSOAS  FÍSICAS.  VERDADEIROS  DONOS  DA  PESSOA  JURÍDICA  CONSTITUIDA  EM  NOME DE TERCEIROS.  Comprovado  nos  autos  os  verdadeiros  sócios  da  pessoa  jurídica,  pessoas  físicas,  acobertados  por  terceiras  pessoas  (“laranjas”)  que  apenas  emprestavam  o  nome  para  que  eles  realizassem  operações  em  nome  da  pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e  suas contas correntes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art.  124,  I,  do  Código  Tributário  Nacional,  pelo  interesse  jurídico  comum  na  situação que constitui o fato gerador da obrigação principal.   AIOP. AFERIÇÃO INDIRETA. ÔNUS DA PROVA. IMPUGNAÇÃO SEM  ESTEIO EM PROVAS MATERIAIS.   A  recusa  ou  sonegação  de  qualquer  documento  ou  informação,  ou  sua  apresentação  deficiente,  assim  como  a  constatação,  pelo  exame  da  escrituração contábil ou de qualquer outro documento de que a contabilidade  da empresa não registra o movimento real das remunerações dos segurados a  seu serviço, do faturamento e do lucro, constituem­se motivo justo, bastante,  suficiente e determinante para Fisco lance de ofício, mesmo que por aferição  indireta  de  sua  base  de  cálculo,  a  contribuição  previdenciária  que  reputar  devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. O Recurso pautado  unicamente em alegações verbais, sem o amparo de indício de prova material,  não desincumbe o Recorrente do ônus probatório imposto pelos §§ 3º e 6º, in  fine, do art. 33 da Lei nº 8.212/91, eis que alegar sem provar é o mesmo que  nada alegar.   Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF,  por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e  voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Juliana Campos de Carvalho  Cruz e Manoel Coelho Arruda Junior, que votaram pelo provimento do recurso. O conselheiro  Manoel Coelho Arruda Junior apresentará Declaração de Voto.    Fl. 2990DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     4 Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta.     Arlindo da Costa e Silva ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Liége  Lacroix  Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice­presidente de  turma), André Luis Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho  Cruz e Arlindo da Costa e Silva.       Relatório  Período de apuração: 01/12/2002 a 28/02/2005  Data da lavratura do AIOP: 03/12/2008.  Data da Ciência do AIOP: 24/12/2008.    Trata­se de  crédito  tributário  lançado em desfavor da  empresa  em epígrafe,  consistente  em  contribuições  previdenciárias  a  cargo  da  empresa,  destinadas  A  Outras  Entidades e Fundos, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados  empregados e sobre a comercialização da produção rural adquirida de pessoa física, devida por  sub­rogação, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 92/118 e anexos.  O lançamento é constituído pelos seguintes levantamentos  FP1  ­  FOLHA  DE  PAGAMENTO  ­  FORA  DA  GFIP:  contribuições  da  empresa  destinadas  a  Outras  Entidades  e  Fundos  incidentes  sobre as  remunerações pagas aos  segurados  empregados ­ declaradas pela empresa na GFIP, em virtude da  exclusão  da  empresa  do  regime  tributário  do  Simples,  cujos  valores constam de planilhas anexas;  PR1  ­  PROD RURAL PEREIRA,  PEREIRA LTDA:  valores  das  operações  de  aquisição  de  gado  de  produtores  rurais  pessoas  físicas  realizadas  pela  empresa  Frigo  Vale,  utilizando­se  de  notas  vendidas  pela  "noteira"  Pereira,  Pereira  Comércio  de  Carnes e Derivados Ltda, constando como local de abate "Frigo  Vale".   PR2  ­  PROD  RURAL  DISTRIBUIDORA  SÃO  PAULO  LTDA:  nesta  rubrica  estão  discriminados  os  valores  das  operações  de  aquisição  de  gado  de  produtores  rurais  pessoas  físicas  realizadas  pela  empresa  Frigo  Vale,  utilizando­se  de  notas  vendidas  pela  "noteira"  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados  São Paulo Ltda, constando como local de abate "Frigo Vale".     Informa  a  Fiscalização  que  a  empresa  FRIGO  VALE  INDÚSTRIA  E  COMÉRCIO  DE  CARNES  LTDA  ME  houve­se  por  constituída,  em  23/03/1998,  pelos  Fl. 2991DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.332          5 "sócios" Carlos Roberto Alves  (cunhado do Sr. Nivaldo Fortes Peres)  e Hypólito Rodrigues  Júnior, o qual foi substituído na empresa, em 04/06/2004, pela Sra. Nilce Fortes Peres Alves,  irmã do Sr. Nivaldo Fortes Peres.   Extrai­se dos Autos que a Frigo Vale adquire gado de pecuaristas e passam  para  as  empresas  “noteiras”  (Pereira,  Pereira  Comércio  de  Carnes  e  Derivados  Ltda  e  Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda) a relação do abate, que consiste no total  de gado que será abatido no mesmo dia. As “noteiras” emitem a nota  fiscal de remessa para  abate  e  passam  o  número  da  remessa  da  nota  para  que  sejam  feitas  as  devoluções,  isto  é,  emitidas as notas fiscais de simples devolução da Frigo Vale para a Noteira.  Em seguida, a Frigo Vale envia o faturamento à Noteira, isto é, a relação de  venda da carne resultante do abate. O funcionário do frigorífico vai à empresa Noteira buscar  as notas fiscais de venda emitidas pela Noteira em nome dos clientes da Frigo Vale, que são  açougues e supermercados.   Ato  seguinte,  um  funcionário  da Frigo Vale  se  dirige  à  empresa  “Noteira”  levando  as  notas  fiscais  de  retorno  originais  e  as  notas  fiscais  do  produtor  rural.  Com  base  nestas notas, são emitidas as notas fiscais de entrada de produtor.    O  Relatório  Fiscal  lista  as  pessoas  físicas  e  jurídicas  solidariamente  responsáveis  pelos  tributos  lançados,  integrantes  do  grupo  econômico  de  fato  denominado  "Grupo Nivaldo", discorrendo na sequência acerca da "Operação Grandes Lagos", deflagrada  pela  Polícia  Federal  por  solicitação  da Receita  Federal,  com  vistas  à  apuração  de  fraudes  à  administração  tributária,  havendo  sido  constatada  a participação do Sr. Nivaldo Fortes Peres  (CPF 785.735.998­04)  como "cabeça" do grupo  ("Grupo Nivaldo"),  responsável pela criação  de diversas empresas paralelas em nome de interpostas pessoas ("laranjas") com o objetivo de  desviar o faturamento das empresas lícitas do grupo.  A empresa autuada, Frigo Vale Indústria e Comércio de Carnes Ltda – ME,  houve­se  por  excluída  do  SIMPLES,  conforme Ato Declaratório  Executivo  nº  07,  de  17  de  janeiro de 2008, com efeitos a partir de 01/01/2003.  De acordo  com o Relatório Fiscal,  também estão  à  frente  na  condução  dos  negócios do "Grupo Nivaldo" os Srs. Luciano da Silva Peres (CPF 217.280.068­64), Rodrigo  da Silva Peres (CPF 276.282.428­12), Maria Helena La Retondo (CPF 029.175.818­59), José  Roberto  Giglio  (CPF  070.679.248­39),  Pedro  Giglio  Sobrinho  (CPF  085.082.218­19)  e  Antonio Giglio Sobrinho (CPF 075.677.458­60).  Consoante  relato  da  fiscalização,  integram  o  "Grupo Nivaldo"  as  seguintes  pessoas  jurídicas:  Sebo  Sol  Indústria  de  Sub  Produtos  de  Bovinos  Ltda  EPP  (CNPJ  07.330.898/0001­05),  Agro  Rio  Preto  Representações  Comerciais  Ltda  (CNPJ  03.577.919/0001­30),  Rio  Preto  Abatedouro  de  Bovinos  Ltda  (CNPJ  05.038.080/0001­98),  Comercial  de Carnes  e Derivados Valentim Gentil  Ltda  (CNPJ  01.996.600/0001­96),  Fortes  Empreendimentos Rio Preto Ltda (CNPJ 00.588.243/0001­92), Sol Importadora e Exportadora  de  Couros  Ltda  (CNPJ  03.577.891/0001­31),  C  M  G  Transportes  Rio  Preto  Ltda  (CNPJ  05.750.774/0001­53),  FEISP  Ltda  (CNPJ  04.519.455/0001­79),  Viena  Empreendimentos  Imobiliários  Rio  Preto  Ltda  (CNPJ  59.638.999/0001­41),  R  P  M  C  Comércio  de  Carnes  e  Derivados  Ltda  (CNPJ  62.067.129/0005­06),  Sol  Empreendimentos  Imobiliários  Rio  Preto  Ltda  (CNPJ  60.006.251/0001­05),  América  Industrial  e  Comercial  Ltda  (CNPJ  04.305.053/0001­71), Agroalto  Industrialização  e Distribuição Ltda  (CNPJ 04.816.026/0001­ Fl. 2992DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     6 63),  Mega  Distribuidora  de  Gorduras  Ltda  (CNPJ  06.204.954/0001­00),  Valentim  Gentil  Abatedouros de Bovinos e Suínos Ltda (CNPJ 06.951.738/0001­10).   Constatado  o  interesse  comum na  situação  que  constitui  o  fato  gerador das  obrigações  tributárias  ora  lançadas,  o  crédito  tributário  ora  em  constituição  houve­se  por  lançado, por  solidariedade, em nome dos  integrantes do grupo econômico em  tela,  conforme  descrito  nos  parágrafos  precedentes,  com  fundamento  no  art.  124,  I  do CTN,  sendo,  por  tal  razão, lavrados os Termos de Sujeição Passiva Solidária em relação a todas as pessoas jurídicas  e  físicas  acima  referidas,  as  quais  se  houveram  por  devidamente  notificadas  do  vertente  lançamento.  Irresignados com a autuação, ofereceram impugnação administrativa a Fortes  Empreendimentos Imobiliários São Paulo Ltda, a fls. 123/140; Frigo Vale Indústria e Comércio  de  Carnes  Ltda  ­  ME,  a  fls.  185/195;  Maria  Helena  La  Retondo,  a  fls.  198/215,  Sol  Importadora e Exportadora de Couros Ltda, a fls. 251/256; CMG Transportes Rio Preto Ltda, a  fls.  258/271;  José  Roberto  Giglio,  a  fls.  326/354;  Sebo  Sol  Indústria  de  Sub  Produtos  de  Bovinos  Ltda  – EPP;  a  fls.  355/362; Antonio Giglio  Sobrinho,  a  fls.  365/396;  Pedro Giglio  Sobrinho, a fls. 747/774; Luciano da Silva Peres, a fls. 775/793, Rodrigo da Silva Peres, a fls.  834/852;  Sol  Empreendimentos  Imobiliários  Rio  Preto  ltda,  a  fls.  893/921  e Nivaldo  Fortes  Peres, a fls. 922/940.  Os demais devedores solidários não se manifestaram nos autos do processo.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Ribeirão  Preto/SP  lavrou  decisão  administrativa  textualizada  no  Acórdão  a  fls.  1100/1124,  julgando  procedente o lançamento fiscal em debate e mantendo o crédito tributário em sua integralidade.  Devidamente  cientificados  da  decisão  de  1ª  Instância,  conforme Termos  de  Intimação, Editais e Avisos de Recebimento a fls. 1125/1172, e inconformados com a decisão  exarada pelo órgão administrativo  julgador a quo,  apresentaram Recurso Voluntário a Fortes  Empreendimentos  Imobiliários São Paulo Ltda, a fls. 1173/1202; Maria Helena la Retondo, a  fls.  1319/1331;  Rodrigo  da  Silva  Peres,  a  fls.  1487/1517;  Luciano  da  Silva  Peres,  a  fls.  1343/1372;  Nivaldo  Fortes  Peres,  a  fls.  1634/1663;  Sebo  Sol  Indústria  de  subprodutos  de  Bovinos ltda, a fls. 1780/1787; Pedro Giglio Sobrinho, a fls. 1789/1818; Rio Preto Abatedouro  de  Bovinos  ltda,  a  fls.  1884/1897;  Sol  Empreendimentos  Imobiliários  Rio  Preto  ltda,  a  fls.  1851/1882; José Roberto Giglio, a fls. 1819/1849; Antonio Giglio Sobrinho, a fls. 1971/2220 e  Frigo  Vale  Indústria  e  Comércio  de  Carnes  ltda  – ME,  a  fls.  2309/2327,  respaldando  suas  inconformidades em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos:  · Decadência parcial das obrigações tributárias;   · Que dos fatos narrados não se chega à conclusão de que a Frigo Vale é o  sujeito  passivo  da  obrigação,  não  havendo  nexo,  nem  provas,  entre  os  fatos  narrados  e  a  conclusão  de  que  esta  teria  cometido  as  infrações  descritas;   · Que  a  Frigo  Vale,  em  nenhum  momento,  foi  incluída  no  Mandado  de  Procedimento  Fiscal,  não  foi  cientificada  em  qualquer  fase  do  procedimento, somente vindo a ter conhecimento do procedimento com a  notificação do Auto;   · Que  o  Relatório  Fiscal  carece  de  elementos  caracterizadores  de  grupo  econômico e, consequentemente, do instituto da solidariedade;   Fl. 2993DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.333          7 · Que a fiscalização acusa a Frigo Vale de ter se utilizado de "notas fiscais  frias", "emitidas por empresas de fachadas", "em nome de laranjas", mas  não  faz prova de  tais acusações. Aduz que prestava serviços de abate de  gado para terceiros e não comercialização dos produtos;   · Nulidade do Acórdão, por preterição do direito de defesa, em razão de não  ter sido deferida produção de prova pericial;   · Nulidade  do  processo,  por  impedimento  da  autoridade  administrativa,  porque antes da ação fiscal, em 08/10/2008, os Srs. Luciano da Silva Peres  e  Rodrigo  da  Silva  Peres,  filhos  do  recorrente,  representaram  à  Corregedoria­Geral  da  Receita  Federal  pela  instauração  de  sindicância  contra  os  AFRFB  Jeferson  de  Lima  Garcia,  Paulo  César  Martinasso  e  Valmir da Cruz, com o objetivo de apurar supostas infrações disciplinares;   · Que  o  Auto  de  Infração  foi  lavrado  por  servidores  desprovidos  de  competência  para  fiscalizar  o  Recorrente,  pois  o  auditor  fiscal  só  pode  utilizar  as  suas  prerrogativas  de  fiscalizar  e  de  praticar  o  lançamento  de  ofício,  quando  instaurado  procedimento  fiscal  regular,  o  qual  se  dá  por  meio de mandado de procedimento fiscal;   · Que  não  havendo  procedimento  que  confira  à  autoridade  administrativa  poderes para desconsiderar os negócios jurídicos praticados pelo referido  contribuinte, o PAF é nulo de pleno direito;   · Que  as  provas  reunidas  pela  fiscalização  não  demonstram  o  interesse  comum do Recorrente com os fatos geradores dos tributos lançados;   · Nulidade  das  provas.  Aduz  que  as  informações  obtidas  pela  autoridade  administrativa com fundamento nos MPF­D n° 081.0700­2008­00444­0 e  MPF­F  n°  081.9000­2008­04691­2  devem  ser  excluídas  do  auto  de  infração;   · Que a Autoridade administrativa não possui competência para determinar  a  quebra  de  sigilo  bancário.  Apenas  a  autoridade  judiciária  competente  pode proferir tal decisão;   · Que a base de cálculo foi apurada incorretamente,  tomando como base o  valor  integral das notas  fiscais,  adquiridas destas empresas  terceiras, que  não se presta à aferição direta do tributo;   · Nulidade do Auto de Infração por erro na identificação do sujeito passivo.  Aduz  inexistir  correlação  entre  a  autuada  e  a  Sebo  Sol  Indústria  Subprodutos  de  bovinos  ltda,  não  havendo  que  se  cogitar  de  interesse  comum entre elas;   · Que,  por  se  tratar  de  obrigação  acessória,  onde  o  caráter  subjetivo  em  relação  ao  fato  gerador  do  tributo  lançado  é  indissociável,  deve  estar  evidenciado o dolo do agente para a imputação da solidariedade;   Fl. 2994DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     8 · Que parte das contribuições lançadas refere­se ao FUNRURAL, declarado  inconstitucional pelo Colendo Supremo Tribunal Federal;   · Que não há motivação para a  imputação de solidariedade a Pedro Giglio  Sobrinho, fato que eiva de ilegalidade o procedimento fiscal;   · Que  inexiste  na  legislação  tributária  qualquer  dispositivo  que  atribua  responsabilidade  direta  a  pessoas  que  não  tenham  qualquer  participação  societária ou gerencial na empresa;   · Que  se  houvesse vinculação  entre  o  devedor  solidário  e  o  principal,  por  interesse  comum  na  situação  que  constitui  o  fato  gerador  da  obrigação  tributária, esta deveria ser provada pela fiscalização e não apenas aduzida;   · Que o Recorrente não  foi  incluído no Mandado de Procedimento Fiscal,  não  foi  cientificado em qualquer  fase do procedimento,  somente vindo a  ter  conhecimento  do  procedimento  com  a  cientificação  do  Termo  de  Sujeição Passiva. Aduz não ter tido a chance de carrear aos autos qualquer  prova  que  pudesse  afastar  a  imputação  de  responsabilidade  pelas  obrigações tributárias da empresa autuada;   · Que  a  imputação  de  solidariedade  passiva  a  Rio  Preto  Abatedouro  de  Bovinos ltda baseia­se em suposições, ante a inexistência de provas;   · Que o Auto de Infração, no aspecto da responsabilidade do Recorrente, é  inconsistente e baseia­se em prova ilícita, nula de pleno direito, posto que  não foi submetida ao crivo do contraditório e da ampla defesa, bem como  viola o princípio da presunção de inocência, além do órgão autuador não  ter produzido prova da responsabilidade na fase administrativa, ônus que  lhe competia;   · Que  não  há  motivação  para  a  imputação  de  solidariedade  a  Sol  Empreendimentos Imobiliários Rio Preto ltda, fato que eiva de ilegalidade  o procedimento fiscal;   · Cerceamento de defesa, pois a fiscalização somente deu conhecimento do  procedimento  ao  Recorrente  com  a  notificação  do  Termo  de  Sujeição  Passiva Solidária já concluído, após o encerramento de todos os trabalhos  fiscais  de  apuração  e  lançamento,  consubstanciado  no Auto  de  Infração  lavrado contra a empresa fiscalizada;   · Que  a  empresa  Sol  Empreendimentos  Imobiliários  Rio  Preto  Ltda  nada  tem a ver com a empresa autuada, não participa de seu capital social, sua  atividade  é  completamente  diferente,  os  sócios  das  duas  não  são  os  mesmos  e  que  a  sua  responsabilização  tributária  solidária  pelos  débitos  lançados  contra  a  empresa  autuada  é  absurda. Aduz  não  haver  qualquer  interesse comum na situação que constitua o fato que constitui a obrigação  tributária;   · Que não há provas a revelarem o interesse comum de José Roberto Giglio  na  situação  que  constituiu  o  fato  gerador  da  obrigação  tributária  cuja  responsabilidade  lhe  foi  atribuída  por  solidariedade,  fato  que  eiva  de  ilegalidade o procedimento fiscal. Aduz que o Recorrente não tem vínculo  Fl. 2995DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.334          9 com  a  Autuada,  nem  sequer  era  seu  mandatário,  não  tendo  nenhum  interesse  nos  resultados  das  vendas  efetuadas  pela  empresa,  inexistindo  hipótese de enquadramento no dispositivo do art. 124, I do CTN;   · Que a decisão recorrida não apreciou as preliminares arguidas por Antonio  Giglio  em  sua  impugnação,  nem  houve  a  consideração  dos  elementos  probatórios produzidos pelo Recorrente;   · Que o Sr. Antonio Giglio é parte ilegítima para figurar como responsável  solidário da obrigação tributária em foco, pois jamais foi sócio de fato ou  "laranja", seja da empresa autuada, seja das demais empresas, "grupos" ou  pessoas a elas ligadas;   · Que  não  pode  prevalecer  o  agravamento  da  multa  em  relação  ao  Sr.  Antonio Giglio;   · Que é inaplicável a inserção de juros sobre a multa, posto que a lei é clara  ao determinar que os juros só incidem sobre o principal;     Os  demais  devedores  solidários  não  ofereceram  recurso  voluntário  em  face  da decisão de 1ª Instância.  Relatados sumariamente os fatos relevantes.    Voto             Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator.    1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE   1.1.  DA TEMPESTIVIDADE  A intimação definitiva consumou­se em 14 de junho de 2011. Havendo sido  os  instrumentos  de  recurso  voluntário  apresentados  em  data  anterior  à  data  de  expiração  do  prazo normativo, há que se reconhecer suas tempestividades.    1.2.   DO CONHECIMENTO DO RECURSO.  Alega  o  Recorrente  haver  nulidade  das  provas  obtidas  pela  autoridade  administrativa com fundamento nos MPF­D n° 081.0700­2008­00444­0 e MPF­F n° 081.9000­ 2008­04691­2, sendo requerido que tais informações sejam excluídas do auto de infração.  Fl. 2996DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     10 Argumenta  ainda  o  Recorrente  ter  havido  cerceamento  do  seu  direito  de  defesa, em razão de lhe estarem sendo cobrados valores sem a correspondente informação do  índice de juros e multa praticados.  Houve­se ainda por alegado que a imputação de solidariedade passiva a Rio  Preto Abatedouro de Bovinos ltda, CNPJ nº 05.038.080/001­98, baseou­se em suposições, ante  a inexistência de provas.    Tais alegações, todavia, não poderão ser objeto de deliberação por esta Corte  Administrativa eis que as matérias nelas aventadas não foram oferecidas à apreciação do Órgão  Julgador de 1ª Instância, não integrando, por tal motivo, a decisão ora guerreada.  Com  efeito,  compulsando  as  Peças  Impugnatórias  ao Auto  de  Infração  em  julgamento,  verificamos  que  as  alegações  acima postadas  inovam o Processo Administrativo  Fiscal ora em apreciação. Tais matérias não foram, nem mesmo indiretamente, abordadas pelo  Impugnante  em  sede  de  defesa  administrativa  em  face  do  lançamento  tributário  que  ora  se  discute.  Os  alicerces  do  Processo  Administrativo  Fiscal  encontram­se  fincados  no  Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16, III estipula que a impugnação deve mencionar os motivos  de  fato e de direito em que se  fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as  razões  e  provas que possuir. Em plena sintonia com tal preceito normativo processual, o art. 17 dispõe  de forma hialina que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante  será considerada legalmente como não impugnada.  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972   Art. 16. A impugnação mencionará:  (...)  III  ­  os motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta,  os  pontos  de  discordância  e  as  razões  e  provas  que  possuir;  (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)  (...)  §4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)  a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação  oportuna,  por  motivo  de  força  maior;(Incluído  pela  Lei  nº  9.532, de 1997)  b)  refira­se  a  fato  ou  a  direito  superveniente;(Incluído  pela  Lei nº 9.532, de 1997)  c)  destine­se  a  contrapor  fatos  ou  razões  posteriormente  trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)    Art.  17.  Considerar­se­á  não  impugnada  a  matéria  que  não  tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação  dada pela Lei nº 9.532, de 1997)    As  disposições  inscritas  no  art.  17  do  Dec.  nº  70.235/72  espelham,  no  Processo Administrativo Fiscal, o princípio processual da impugnação específica retratado no  art. 302 do Código de Processo Civil, assim redigido:  Fl. 2997DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.335          11 Código de Processo Civil   Art. 302. Cabe também ao réu manifestar­se precisamente sobre  os  fatos  narrados  na  petição  inicial.  Presumem­se  verdadeiros  os fatos não impugnados, salvo:  I ­ se não for admissível, a seu respeito, a confissão;  II ­ se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento  público que a lei considerar da substância do ato;  III ­ se estiverem em contradição com a defesa, considerada em  seu conjunto.  Parágrafo  único.  Esta  regra,  quanto  ao  ônus  da  impugnação  especificada  dos  fatos,  não  se  aplica  ao  advogado  dativo,  ao  curador especial e ao órgão do Ministério Público.    Deflui  da  normatividade  jurídica  inserida  pelos  comandos  insculpidos  no  Decreto nº 70.235/72 e no Código de Processo Civil, na interpretação conjunta autorizada pelo  art.  108  do  CTN,  que  o  impugnante  carrega  como  fardo  processual  o  ônus  da  impugnação  específica, a ser levada a efeito no momento processual apropriado, in casu, no prazo de defesa  assinalado  expressamente  no  Auto  de  Infração,  observadas  as  condições  de  contorno  assentadas no relatório intitulado IPC – Instruções para o Contribuinte.  Nessa  perspectiva,  a  matéria  específica  não  expressamente  impugnada  em  sede de defesa administrativa será considerada como verdadeira, precluindo processualmente a  oportunidade de impugnação ulterior, não podendo ser alegada em grau de recurso.  Saliente­se  que  as  diretivas  ora  enunciadas  não  conflitam  com  as  normas  perfiladas no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário,  a qual exclui das partes a faculdade discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a  cujo respeito já se operou a preclusão.   De  outro  eito,  cumpre  esclarecer,  eis  que  pertinente,  que  o  Recurso  Voluntário consubstancia­se num instituto processual a ser manejado para expressar, no curso  do  processo,  a  inconformidade  do  sucumbente  em  face  de  decisão  proferida  pelo  órgão  julgador a quo que lhe tenha sido desfavorável, buscando reformá­la. Não exige o dispêndio de  energias  intelectuais  no  exame  da  legislação  em  abstrato  a  conclusão  de  que  o  recurso  pressupõe a  existência de uma decisão precedente, dimanada por um órgão  julgador postado  em posição processual hierarquicamente inferior.  Não se mostra despiciendo frisar, eis que pertinente, que o efeito devolutivo  do recurso não implica a revisão integral do lançamento à instância revisora, mas, tão somente,  a  devolução  da  decisão  proferida  pelo  órgão  a  quo,  a  qual  será  revisada  pelo Colegiado  ad  quem.  Assim,  não  havendo  a  decisão  vergastada  se  manifestado  sob  determinada  questão do lançamento, eis que não expressamente impugnada pelo sujeito passivo, não há que  se falar em reforma do julgado em relação a tal questão, eis que a respeito dela nada consta no  acórdão hostilizado. É gravitar em torno do nada.  Fl. 2998DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     12 Nesse  contexto,  à  luz  do  que  emana,  com  extrema  clareza,  do  Direito  Positivo, permeado pelos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, que  todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad  quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e  violação ao devido processo legal.  Além disso, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, as matérias não  expressamente  contestadas  pelo  impugnante  em  sede  de defesa  ao  lançamento  tributário  são  juridicamente  consideradas  como  não  impugnadas,  não  se  instaurando  qualquer  litígio  em  relação a elas, sendo processualmente inaceitável que o Recorrente as resgate das cinzas para  inaugurar, em segunda instância, um novo front de inconformismo em face do lançamento que  se opera.  O conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao conhecimento  do  Órgão  Julgador  Primário,  representaria,  por  parte  desta  Corte,  negativa  de  vigência  ao  preceito insculpido no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, provimento este que somente poderia  emergir do Poder Judiciário.  Por tais razões, as matérias abordadas nos primeiros parágrafos deste tópico  não poderão ser conhecidas por este Colegiado.  Presentes  os  demais  requisitos  de  admissibilidade do  recurso,  dele  conheço  parcialmente.    2.  DAS PRELIMINARES  2.1.  DAS CONSIDERAÇÕES INICIAIS  2.1.1.  DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO DO JULGADOR  De início, não se mostra verborrágico enfatizar que, consoante jurisprudência  assente  nos  tribunais  superiores,  o  julgador  não  é  obrigado  a  manifestar­se  sobre  todas  as  alegações das partes, nem a ater­se aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a  um,  a  todos  os  seus  argumentos,  quando  já  encontrou motivo  suficiente  para  fundamentar  a  decisão, o que de fato ocorreu no caso presente.  Por outro viés, a leitura das razões de fato e de direito dispostas no processo  não se presta a satisfazer a tese defendida pelo contribuinte ou pela sua ótica, tampouco àquelas  esposadas pelo Fisco,  sendo  imperioso, outrossim, que o  julgador  se atenha à mens  lege,  tão  somente.  Nesse sentido:  O Tribunal de origem não precisaria refutar, um a um, todos os  argumentos  elencados  pela  parte  ora  agravante,  mas  apenas  decidir  as  questões  postas.  Portanto,  ainda  que  não  tenha  se  referido  expressamente  a  todas  as  teses  de  defesa,  as matérias  que  foram  devolvidas  à  apreciação  da  Corte  a  quo  estão  devidamente apreciadas.  É  cediço, no STJ, que o  juiz não  fica obrigado a manifestar­se  sobre  todas  as  alegações  das  partes,  nem  a  ater­se  aos  fundamentos  indicados  por  elas  ou  a  responder,  um  a  um,  a  Fl. 2999DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.336          13 todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente  para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu.  Ressalte­se, ainda, que cabe ao magistrado decidir a questão de  acordo  com  o  seu  livre  convencimento,  utilizando­se  dos  fatos,  das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema  e da legislação que entender aplicável ao caso concreto.   Nessa  linha de raciocínio, o disposto no art. 131 do Código de  Processo Civil: "Art. 131. O  juiz apreciará  livremente a prova,  atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda  que não alegados pelas partes; mas deverá indicar, na sentença,  os motivos que lhe formaram o convencimento." (AgRg no REsp  nº 1.130.754, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 13.04.2010).    Ou ainda:   "o magistrado  não  é  obrigado  a  responder  todas  as  alegações  das  partes  se  já  tiver  encontrado  motivo  suficiente  para  fundamentar  a  decisão,  nem  é  obrigado  a  ater­se  aos  fundamentos  por  elas  indicados  "  (REsp  684.311/RS, Rel. Min.  Castro Meira, DJ 18.4.2006).    Tais  considerações  esvaziam  completamente  a  alegação  de  que  a  decisão  recorrida não teria apreciado as preliminares arguidas por Antonio Giglio em sua impugnação,  nem teria havido a consideração dos elementos probatórios produzidos pelo Recorrente.    2.1.2.  DA PROVA PERICIAL  Cumpre  de  plano  ressaltar,  de  molde  a  nocautear  qualquer  dúvida,  que  a  perícia  tem,  como  destinatária  final,  a  autoridade  julgadora,  a  qual  possui  a  prerrogativa  de  avaliar a pertinência de sua realização para a solução da controvérsia objeto do litígio.   Nesse  panorama,  a  produção  de  prova  pericial  revela­se  apropriada  e  útil  somente  nos  casos  em que  a verdade material  não  puder  ser  alcançada  de  outra  forma mais  célere  e  simples.  Por  tal  razão,  as  autoridades  a  quem  incumbe  o  julgamento  do  feito  frequentemente  indeferem solicitações de diligência ou perícias  sob o  fundamento de que  as  informações  requeridas  pelo  contribuinte  não  serem  necessárias  à  solução  do  litígio  ou  já  estarem elucidadas, por outros meios, nos documentos acostados aos autos.   Estatisticamente,  constata­se  que  grande  parte  dos  requerimentos  de  perícia  aviados no processo administrativo fiscal versa sobre o exame de assentamentos registrados em  documentos e/ou na escrita fiscal do sujeito passivo, cujo teor já é do conhecimento do auditor  fiscal  no  momento  da  formalização  do  lançamento,  eis  que  sindicado  e  esclarecido  durante  todo  o  curso  da  ação  fiscal.  Diante  desse  quadro,  o  reexame  de  tais  informações  por  outro  especialista  somente  se  revelaria  necessário  se  ainda  perdurassem  dúvidas  quanto  ao  convencimento  da  autoridade  julgadora  quanto  às matérias  de  fato  a  serem  consideradas  no  julgamento do processo.   Fl. 3000DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     14 Por  óbvio,  nada  impede  que  o  contribuinte  venha  aos  autos  demonstrar  a  questão que se queira discutir no levantamento fiscal, e o motivo pelo qual a prova não possa  ser trazida diretamente aos autos, já que os julgadores administrativos têm, como requisito para  o  exercício  de  suas  funções,  o  conhecimento  da matéria  tributária. Nada  obstante,  a  palavra  final  acerca  da  conveniência  e  oportunidade  da  produção  da  prova  pericial  caberá  sempre  à  autoridade julgadora, a teor do preceito inscrito caput do art. 18 do Decreto nº 70.235/72.  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972   Art.  18.  A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  determinará,  de  ofício  ou  a  requerimento  do  impugnante,  a  realização  de  diligências  ou  perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo  as  que  considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis,  observando  o  disposto  no  art.  28,  in  fine.  (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos)     Nesse contexto, simples pedidos de perícia da documentação contábil e fiscal  do contribuinte desacompanhados da devida justificativa de sua imprescindibilidade são tidos,  via de regra, como meramente protelatórios.  Cabe enfatizar que, no que tange à apreciação da prova, o Direito Processual  Brasileiro  adotou,  à  exceção  do  Tribunal  do  Júri,  o  sistema  da  persuasão  racional  do  juiz,  também designado por sistema do livre convencimento motivado do Julgador, o qual detém a  prerrogativa  de  livremente  apreciar  a  prova,  atendendo  aos  fatos  e  circunstâncias  constantes  dos autos, ainda que não alegados pelas partes, mas deverá indicar, na decisão, os motivos que  lhe formaram o convencimento.  No  caso  vertente,  o  julgador  de  1ª  Instância  entendeu  que  “os  elementos  apresentados  são  suficientes  à  formação  da  convicção  necessária  ao  presente  julgamento,  motivo pelo qual, voto pelo indeferimento do pleito”.  Em  sua  fundamentação,  considerou  o  Julgado  a  quo  que  “para  a  caracterização  do  grupo  econômico,  a  fiscalização  trouxe  aos  autos  inúmeros  elementos  consistentes e suficientes para a formação da convicção que possibilita a prolação do presente  Voto.  A  identificação  de  todos  os  lançamentos  bancários  por  perícia  na  forma  pretendida  pelos impugnantes é prescindível, vez que a fiscalização já analisou tais elementos e os trouxe  aos autos de forma individualizada e com a devida valoração quanto às operações relevantes  para  a  realização  do  lançamento  fiscal  na  forma  como  o mesmo  se  deu,  tudo  conforme  se  discorrerá nos tópicos adiante”.  Corroborando o entendimento acima esposado, igualmente não vislumbramos  a  necessidade  de  perícia. O  processo  encontra­se  instruído  com  todos  os  elemento  de  prova  necessários para a formação da convicção da Autoridade Julgadora.  Chamamos a atenção para o fato de o Auditor Fiscal da Secretaria da Receita  Federal  do Brasil  ser,  por  força de  lei,  a  autoridade pública  competente para  apreciar  toda  a  documentação do sujeito passivo, aqui inserida sua escrita contábil, movimentação financeira,  conjuntura  cadastral,  etc.  ,  e  dela  extrair  eventuais  débitos  previdenciários  não  devidamente  adimplidos  em suas  épocas próprias,  circunstância que mostra ser despicienda a chamada de  eventual perito, para auditar, em paralelo à autoridade em foco, o objeto do seu dever de ofício.  A fiscalização, em conjunto com a Policia Federal, demonstrou e comprovou  a  existência  de  organização  criminosa  constituída  para  fraudar  a  administração  tributária,  a  configuração de grupo econômico de fato  e a ocorrência de fatos geradores de contribuições  Fl. 3001DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.337          15 previdenciárias  cujo montante  tributário  não  se  houve por  recolhido  aos  cofres  públicos  nos  prazos e forma fixadas na legislação.  Por  tais  razões,  considero  ser  desnecessária  a  instauração  da  perícia  pretendida pelo Recorrente  ,com fulcro no preceito  inscrito no art. 18,  in  fine, do Decreto nº  70.235/72.    2.1.3.  DA FASE OFICIOSA DO LANÇAMENTO  Também se revela à calva de fundamentação o argumento de que o Auto de  Infração não foi submetido ao crivo do contraditório e da ampla defesa.  Cabível neste ponto o esclarecimento de que o processo administrativo fiscal  é precedido de uma fase inquisitiva, na qual a autoridade fiscal pratica todos os atos de ofício  de sua competência, aplicando a legislação tributária à situação de fato, cujo resultado pode ou  não desaguar na formalização de lançamento tributário. Nessa fase preliminar, conhecida como  oficiosa  ou  não  contenciosa,  a  autoridade  administrativa  procede  à  coleta  de  informações,  dados e elementos de prova, ao exame de documentos, à auditagem dos registros contábeis e  fiscais,  tendentes  ao  apuro  de  eventual  ocorrência  de  fatos  geradores  de  obrigação  tributária  principal e/ou acessória.  Sublinhe­se  que,  tanto  as  provas  coletadas  diretamente  pela  fiscalização  quanto  àquelas  obtidas  por  intermédio  dos  trabalhos  complementares  de  investigação  não  se  submetem,  nesta  fase  do  procedimento,  ao  crivo  do  contraditório  e  da  ampla  defesa,  direito  constitucional este que se abrirá ao sujeito passivo com a notificação do lançamento, momento  processual próprio em que o Notificado, desejando, pode impugnar os termos do lançamento,  oportunidade  em  que  se  instaura  a  fase  contenciosa  do  Processo Administrativo  Fiscal,  nos  termos  do  art.  14  do  Decreto  nº  70.235/72,  quando  então  o  contribuinte  tem  ao  seu  inteiro  dispor o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa.  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972   Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do  procedimento.    Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com  os  documentos  em  que  se  fundamentar,  será  apresentada  ao  órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em  que for feita a intimação da exigência.    Tal  compreensão  é  corroborada  pelos  termos  consignados  no  inciso LV do  art.  5º  da  Constituição  Federal  que  assegura  aos  litigantes,  nos  processos  judiciais  e  administrativos, o contraditório e a ampla defesa, sendo certo que só se há que falar em litígio  após a impugnação do lançamento, se assim desejar o Autuado, uma vez que, ao tomar ciência  de eventual lançamento tributário, o notificado tem a faculdade de nada contestar, anuindo com  a exigência fiscal, vindo a pagar ou a parcelar o que lhe está sendo exigido (caso em que não é  instaurada  a  fase  contraditória)  ou,  exercendo  o  direito  de  defesa  e  do  exercício  do  contraditório,  poderá  impugnar  o  lançamento,  instaurando  assim  a  fase  litigiosa  do  procedimento fiscal.  Fl. 3002DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     16 Constituição Federal de 1988   Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer  natureza,  garantindo­se  aos  brasileiros  e  aos  estrangeiros  residentes  no  País  a  inviolabilidade  do  direito  à  vida,  à  liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos  seguintes:  (...)  LV ­ aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos  acusados  em  geral  são  assegurados  o  contraditório  e  ampla  defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; (grifos nossos)     Como  visto,  verifica­se  que  o  Auto  de  Infração  em  relevo  foi  lavrado  em  harmonia com os dispositivos  legais e normativos que disciplinam a matéria,  tendo o agente  fiscal  demonstrado,  de  forma  clara  e  precisa,  os  fatos  geradores  das  contribuições  previdenciárias devidas e os períodos a que se referem, constando ainda no Auto de Infração  em relevo, a qualificação do Autuado e seu CNPJ, o local, a data e a hora da sua lavratura, a  descrição do fato jurígeno tributário, as disposições legais infringidas e a penalidade aplicada, a  determinação da exigência e a intimação para cumpri­la ou impugná­la no prazo de trinta dias,  bem  como  a  assinatura  da Autoridade  Lançadora  e  a  indicação  de  seu  cargo  ou  função  e  o  número de matrícula.  Não  se  pode  perder  de  vista,  igualmente,  que  os  procedimentos  de  investigação levados a efeito na operação Grandes Lagos foram conduzidos em conjunto pela  Polícia Federal, pela Secretaria da Receita Previdenciária e pela Secretaria da Fazenda Estadual  em São José do Rio Preto/SP, sob os olhares da Justiça Federal – 1ª Vara Federal de Jales ­ 24ª  subseção Judiciária de São Paulo, que deferiu a quebra do sigilo bancário das pessoas físicas e  jurídicas envolvidas, no período de 2002 a 2006, expediu mandados de busca e apreensão de  documentos  e  expediu  ofícios  requisitórios  à Secretaria  da Receita  Federal  e  à Secretaria  da  Receita  Previdenciária  para  fiscalizar  os  contribuintes  ­  as  pessoas  jurídicas  e  físicas  ­  envolvidas no esquema de sonegação, dando origem aos procedimentos de busca e retenção de  documentos  e  arquivos  magnéticos  com  informações  contábeis  e  fiscais,  trabalhistas  e  previdenciárias,  necessárias  à  constituição  dos  créditos,  tudo  em  fiel  consonância  com  as  disposições inscritas no art. 198 do CTN.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art.  198.  Sem  prejuízo  do  disposto  na  legislação  criminal,  é  vedada a divulgação, por parte da Fazenda Pública ou de seus  servidores,  de  informação  obtida  em  razão  do  ofício  sobre  a  situação  econômica  ou  financeira  do  sujeito  passivo  ou  de  terceiros  e  sobre  a  natureza  e  o  estado  de  seus  negócios  ou  atividades. (Redação dada pela Lcp nº 104/2001)  §1o  Excetuam­se  do  disposto  neste  artigo,  além  dos  casos  previstos no art. 199, os  seguintes:  (Redação dada pela Lcp nº  104/2001)  I  –  requisição  de autoridade  judiciária  no  interesse da  justiça;  (Incluído pela Lcp nº 104/2001)  II  –  solicitações  de  autoridade  administrativa  no  interesse  da  Administração  Pública,  desde  que  seja  comprovada  a  instauração regular de processo administrativo, no órgão ou na  entidade  respectiva,  com  o  objetivo  de  investigar  o  sujeito  passivo  a  que  se  refere  a  informação,  por  prática  de  infração  administrativa. (Incluído pela Lcp nº 104/2001)  Fl. 3003DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.338          17 §2o  O  intercâmbio  de  informação  sigilosa,  no  âmbito  da  Administração  Pública,  será  realizado  mediante  processo  regularmente  instaurado,  e a  entrega será  feita pessoalmente à  autoridade  solicitante,  mediante  recibo,  que  formalize  a  transferência e assegure a preservação do sigilo. (Incluído pela  Lcp nº 104/2001)  §3o  Não  é  vedada  a  divulgação  de  informações  relativas  a:  (Incluído pela Lcp nº 104/2001)  I – representações fiscais para fins penais; (Incluído pela Lcp nº  104/2001)  II  –  inscrições  na Dívida  Ativa  da  Fazenda  Pública;  (Incluído  pela Lcp nº 104/2001)  III  –  parcelamento  ou  moratória.  (Incluído  pela  Lcp  nº  104/2001)    Daí  a  improcedência  da  alegação  dos  devedores  solidários  de  não  haverem  sido  incluídos  no  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  e  de  não  terem  sido  cientificados  de  qualquer  fase  do  procedimento,  somente  vindo  a  ter  conhecimento  do  procedimento  com  a  cientificação do Termo de Sujeição Passiva.   O  contribuinte  do  tributo  –  devedor  principal  –  houve­se  devidamente  cientificado  do  início  da  ação  fiscal  e  de  todos  os  procedimentos  levados  a  efeito  pela  autoridade fazendária durante o desenvolvimento regular da fiscalização.  De acordo com o rito do Processo Administrativo Fiscal, fixado no Decreto  nº 70.235/72, a partir da notificação do lançamento abre­se ao sujeito passivo a oportunidade  de  contestar  a  exigência  fiscal  e,  nesse  caso,  instaurar  a  fase  contenciosa  do  procedimento,  momento esse dedicado pela Lei para o exercício do direito constitucional ao contraditório e à  ampla defesa.  Nesse cenário, improcedente também se mostra a alegação de não ter tido a  chance  de  carrear  aos  autos  qualquer  prova  que  pudesse  afastar  a  imputação  de  responsabilidade pelas obrigações tributárias da empresa autuada.  Como não?   Todos  os  devedores  solidários  foram  devidamente  cientificados  do  lançamento,  tendo a partir  de então, no  rito do devido processo  legal,  a  oportunidade de,  no  prazo  normativo,  impugná­lo,  mediante  defesa  formalizada  por  escrito  e  instruída  com  os  documentos em que se fundamentar, a teor do art. 15 do Decreto nº 70.235/72.  Inexiste, pois, qualquer vício na formalização do débito a amparar a alegação  de nulidade tão veementemente erguida pelo Recorrente.    2.2.   DA DECADÊNCIA   Fl. 3004DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     18 O  Supremo  Tribunal  Federal,  conforme  entendimento  exarado  na  Súmula  Vinculante  nº  8,  em  julgamento  realizado  em  12  de  junho  de  2008,  reconheceu  a  inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212/91, nos termos que se vos seguem:  Súmula  Vinculante  nº  8  ­  “São  inconstitucionais  o  parágrafo  único do artigo 5º do Decreto­lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da  Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito  tributário”.    Conforme  estatuído  no  art.  103­A  da  Constituição  Federal,  a  Súmula  Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela  Administração Pública, devendo este Colegiado aplicá­la de imediato.  Constituição Federal de 1988   Art.  103­A.  O  Supremo  Tribunal  Federal  poderá,  de  ofício  ou  por  provocação,  mediante  decisão  de  dois  terços  dos  seus  membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional,  aprovar  súmula  que,  a  partir  de  sua  publicação  na  imprensa  oficial,  terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do  Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas  esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua  revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.    Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos  45 e 46 da Lei nº 8.212/91, urgem serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo  inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência.   O  instituto  da  decadência  no  Direito  Tributário,  malgrado  respeitadas  posições  em  sentido  diverso,  encontra­se  regulamentado  no  art.  173  do  Código  Tributário  Nacional ­ CTN, que reza ipsis litteris:  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art.  173.  O  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:  I  ­  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado;  II  ­  da  data  em  que  se  tornar  definitiva  a  decisão  que  houver  anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.  Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue­se  definitivamente  com  o  decurso  do  prazo  nele  previsto,  contado  da  data  em  que  tenha  sido  iniciada  a  constituição  do  crédito  tributário  pela  notificação,  ao  sujeito  passivo,  de  qualquer  medida preparatória indispensável ao lançamento.    Conforme detalhadamente explicitado e fundamentado no Acórdão nº 2302­ 01.387  proferido  nesta  2ª  TO/3ª  CÂMARA/2ª  SEJUL/CARF/MF/DF,  na  Sessão  de  26  de  outubro de 2011, nos autos do Processo nº 10240.000230/2008­65, convicto encontra­se este  Conselheiro  de  que,  após  a  implementação  do  sistema  GFIP/SEFIP,  o  lançamento  das  Fl. 3005DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.339          19 contribuições  previdenciárias  não  mais  se  enquadra  na  sistemática  de  lançamento  por  homologação, mas, sim, na de lançamento por declaração, nos termos do art. 147 do CTN.  De outro eito, mas vinho de outra pipa, pelas razões expendidas nos autos do  Processo Administrativo Fiscal  referido nos parágrafos  anteriores,  entende este  relator que o  lançamento tributário encontra­se perfeito e acabado na data de sua lavratura, representada pela  assinatura da Autoridade Fiscal lançadora, figurando a ciência do contribuinte como atributo de  publicidade do ato e condição de eficácia do lançamento perante o sujeito passivo, mas, não,  atributo de sua existência. Nada obstante, o entendimento dominante nesta 2ª Turma Ordinária,  em sua composição permanente, esposa a concepção de que a data de ciência do contribuinte  produz, como um de seus efeitos, a demarcação temporal do dies a quo do prazo decadencial.  Ocorre,  todavia,  que  o  entendimento majoritário  desta  2ª  Turma Ordinária,  em  sua  escalação  titular,  se  inclina  à  tese  de  que  ao  lançamento  de  contribuições  previdenciárias cujos fatos geradores somente poderiam ter sido apurados mediante ação fiscal,  aplicar­se­ia o regime da decadência assentado no art. 173 do CTN. Nenhum outro.  Por outro viés,  consoante o entendimento prevalecente neste Colegiado, em  relação às rubricas em que reste comprovada a existência de recolhimentos antecipados, deve  ser  aplicado  o  preceito  inscrito  no  parágrafo  4º  do  art.  150  do CTN,  excluindo­se  o  crédito  tributário não pela decadência, mas, sim, pela homologação tácita.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos  tributos  cuja  legislação  atribua  ao  sujeito  passivo  o  dever  de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa, opera­se pelo ato em que a referida autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado, expressamente a homologa.  §1º  O  pagamento  antecipado  pelo  obrigado  nos  termos  deste  artigo  extingue  o  crédito,  sob  condição  resolutória  da  ulterior  homologação ao lançamento.  §2º  Não  influem  sobre  a  obrigação  tributária  quaisquer  atos  anteriores  à  homologação,  praticados  pelo  sujeito  passivo  ou  por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito.  §3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém,  considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o  caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação.  §4º  Se  a  lei  não  fixar  prazo  a  homologação,  será  ele  de  cinco  anos,  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação.    Diante de tal cenário, o entendimento deste que vos relata mostra­se isolado  neste Colegiado. Dessarte, em atenção aos clamores da eficiência exigida pela Lex Excelsior,  curvo­me ao entendimento majoritário desta Corte Administrativa, em respeito à opinio  iuris  dos demais Conselheiros.   Fl. 3006DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     20 No caso presente, relata a Autoridade Lançadora que o presente lançamento  refere­se a contribuições da Empresa, destinadas ao financiamento da Seguridade Social e ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho,  relativas  a  fatos  geradores  não  declarados  em GFIP, em virtude de  sua exclusão do  regime  tributário do Simples através do  Ato  Declaratório  Executivo  nº  7/2008,  bem  como  as  contribuições  sobre  remunerações  dos  sócios  administradores,  e  ainda  contribuições  sobre  a  receita  bruta  proveniente  da  comercialização  da  produção  rural  de  pessoas  físicas,  cujas  contribuições  são  sub­rogadas  à  pessoa jurídica adquirente.  Dessai  dos  autos  que  os  fatos  geradores  objeto  do  vertente  lançamento  somente poderiam  ter  sido  apurados mediante  ação  fiscal,  eis que  a  empresa  se  apresentava,  formalmente,  como optante do SIMPLES,  camuflando com  tal  artifício  toda  a  sorte de  fatos  geradores  apurados  pela  fiscalização,  circunstância  que  implica  a  incidência  do  preceito  inscrito no inciso I do art. 173 do CTN.  Por  outro  viés,  a  ação  fiscal  houve­se  por  realizada  em  decorrência  da  denominada  "Operação  Grandes  Lagos",  deflagrada  pela  polícia  federal,  por  solicitação  da  Receita  Federal,  que  desbaratou  uma  organização  criminosa  criada  para  fraudar  a  administração tributária, utilizando­se das mais variadas formas, máxime mediante a criação de  empresas  paralelas,  constituídas  em  nome  de  laranjas,  e  pela  aquisição  de  notas  frias,  adquiridas de um grupo de “noteiros”, que constituiu uma metodologia própria de sonegação,  qual seja, constituíam empresas, em destaque a Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo  ltda, apenas para fornecer documentos fiscais para acobertar as operações de compra de gado  para  abate,  venda de  carne,  transporte de  carne  e bovinos para  abate. Essas vendas  de notas  fiscais  eram  feitas  tanto  para  pessoas  físicas  (Taxistas)  como  para  pessoas  jurídicas,  que  se  utilizavam dessas notas transferindo dessa maneira todos os encargos referentes às operações  para as empresas Noteiras.  Tal condição de fraude, conforme comprovado pela operação Grandes Lagos,  afasta peremptoriamente a incidência, ao caso, do normativo assentado no §4º do art. 150 do  CTN em razão da comprovada ocorrência de dolo de sonegação, fraude e simulação.  Nessas condições, somente com a deflagração de procedimento de auditoria  fiscal  nas  dependências  da  empresa  é  que  tais  contribuições  previdenciárias  poderiam  ser  apuradas, conjuntura fática que atrai ao caso a incidência do preceito inscrito no art. 173, I do  CTN.  Cumpre focalizar, neste comenos, a questão pertinente ao dies a quo do prazo  decadencial relativo à competência dezembro de cada ano calendário.  O art. 37 da Lei Orgânica da Seguridade Social prevê o lançamento de ofício  de contribuições previdenciárias sempre que a fiscalização constatar o atraso total ou parcial no  recolhimento das exações em apreço.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de  contribuições  tratadas  nesta  Lei,  ou  em  caso  de  falta  de  pagamento  de  benefício  reembolsado,  a  fiscalização  lavrará  notificação  de  débito,  com  discriminação  clara  e  precisa  dos  fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que  se referem, conforme dispuser o regulamento.  Fl. 3007DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.340          21 Parágrafo único. Recebida a notificação do débito, a empresa ou  segurado  terá  o  prazo  de  15  (quinze)  dias  para  apresentar  defesa, observado o disposto em regulamento.    De  outro  canto,  o  art.  30  do mesmo Diploma  Legal,  na  redação  vigente  à  época da ocorrência dos fatos geradores, estabelece como obrigação da empresa de recolher as  contribuições previdenciárias a seu encargo e aquelas descontadas dos segurados obrigatórios  do RGPS a seu serviço até o dia 02 do mês seguinte ao da competência.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991  Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de  outras  importâncias  devidas  à  Seguridade  Social  obedecem  às  seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93)   I ­ a empresa é obrigada a:   a)  arrecadar  as  contribuições  dos  segurados  empregados  e  trabalhadores  avulsos  a  seu  serviço,  descontando­as  da  respectiva remuneração;     b) recolher o produto arrecadado na forma da alínea anterior, a  contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, assim como  as  contribuições a  seu  cargo  incidentes  sobre as  remunerações  pagas,  devidas  ou  creditadas,  a  qualquer  título,  aos  segurados  empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a  seu serviço, até o dia dois do mês seguinte ao da competência;  (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).    No  caso  da  competência  dezembro,  até  que  se  expire  o  prazo  para  o  recolhimento,  diga­se,  o  dia  02  de  janeiro  do  ano  seguinte,  não  pode  a  autoridade  administrativa  proceder  ao  lançamento  de  oficio,  eis  que  o  sujeito  passivo  ainda  não  se  encontra em atraso com o adimplemento da obrigação principal. Trata­se de concepção análoga  ao  o  princípio  da  actio  nata,  impondo­se  que  o  prazo  decadencial  para  o  exercício  de  um  direito potestativo somente começa a fluir a contar da data em que o sujeito ativo dele detentor  pode, efetivamente, exerce­lo. Dessarte, a deflagração do aludido lançamento, referente ao mês  de dezembro, somente pode ser perpetrada a contar do dia 03 de janeiro do ano seguinte.   Nesse  contexto,  a  contagem do  prazo  decadencial  assentado  no  inciso  I  do  art. 173 do CTN relativo à competência dezembro do ano xx somente terá início a partir de 1º  de janeiro do ano xx + 2.  Pacificando o entendimento acerca do assunto em realce, o Superior Tribunal  de  Justiça  assentou  em  sua  jurisprudência  a  interpretação  que  deve  prevalecer,  espancando  definitivamente  qualquer  controvérsia  ainda  renitente,  conforme  dessai  em  cores  vivas  do  julgado dos Embargos de Declaração nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no  Recurso Especial nº 674.497, assim ementado:  PROCESSUAL  CIVIL.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.  RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS.  Fl. 3008DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     22 ART.  173,  I,  DO  CTN.  DECADÊNCIA.  ERRO  MATERIAL.  OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS.  EXCEPCIONALIDADE.  1.  Trata­se  de  embargos  de  declaração  opostos  pela  Fazenda  Nacional  objetivando  afastar  a  decadência  de  créditos  tributários  referentes a  fatos geradores ocorridos em dezembro  de 1993.   2.  Na  espécie,  os  fatos  geradores  do  tributo  em  questão  são  relativos  ao  período  de  1º  a  31.12.1993,  ou  seja,  a  exação  só  poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo  assim, na forma do art. 173, I do CTN, o prazo decadencial teve  início  somente  em  1º.1.1995,  expirando­se  em  1º.1.2000.  Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999,  tem­se por não consumada a decadência, in casu.   3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos,  para dar parcial provimento ao recurso especial.    No  caso  vertente,  o  prazo  decadencial  relativo  às  obrigações  tributárias  nascidas na competência dezembro de 2002 tem seu dies a quo assentado no dia 1º de janeiro  de  2004,  o  que  implica  dizer  que  a  constituição  do  crédito  tributário  referente  aos  fatos  geradores  ocorridos  nessa  competência  poderia  ser  objeto  de  lançamento  até  o  dia  31  de  dezembro de 2008, inclusive.  Diante de tal cenário, tendo sido a ciência da NFLD em debate realizada aos  24 dias do mês de dezembro de 2008, os efeitos o lançamento em questão alcançariam com a  mesma eficácia constitutiva todas as obrigações tributárias exigíveis a contar da competência  dezembro/2002,  inclusive,  nos  termos  do  art.  173,  I  do  CTN,  excluídos  os  fatos  geradores  relativos ao 13º salário desse mesmo ano.  Pelo  exposto,  consoante  o  entendimento  majoritário  deste  Sodalício,  não  demanda áurea mestria concluir que as obrigações  tributárias objeto do presente  lançamento,  em  sua  integralidade,  não  se  houveram  ainda  por  finadas  pela  algozaria  do  instituto  da  decadência tributária.    2.3.   DO PROCEDIMENTO FISCAL  A  denominada  "Operação Grandes  Lagos",  deflagrada  pela  polícia  federal,  por solicitação da Receita Federal, desbaratou uma organização criminosa criada para fraudar a  administração  tributária, que vinha atuando na região de São José do Rio Preto havia muitos  anos, tendo em vista que seria praticamente impossível para a Receita Federal identificar todas  as pessoas  físicas e  jurídicas envolvidas,  sem um  trabalho de  inteligência da Polícia Federal,  inclusive com interceptações telefônicas. Decorridos meses de investigação, a Polícia Federal,  com autorização da Justiça Federal, efetuou mais de uma centena de prisões e procedeu à busca  e apreensão de documentos nas empresas envolvidas na fraude.  Após a deflagração da operação Grandes Lagos, houve determinação judicial  para  que  todas  as  pessoas  físicas  e  jurídicas  envolvidas  no  caso  fossem  fiscalizadas  pela  Receita  Federal  do Brasil, motivo  pelo  qual  houve­se  por  instituída  uma  equipe  especial  de  fiscalização  pela  Superintendência  Regional  da  Receita  Federal  da  8ª  Região  Fiscal  para  conduzir os trabalhos relativos à citada operação.  Fl. 3009DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.341          23 Inaugurando o procedimento administrativo no âmbito da RFB, foi expedido  Mandado de Procedimento Fiscal N° 09376899F00 a fl. 49, nomeando a equipe fiscal acima  aludida  para  proceder  na  empresa  Frigo Vale  Indústria  e Comércio  de Carnes  ltda  auditoria  fiscal  previdenciária  visando  à  verificação  do  cumprimento  das  obrigações  previdenciárias  e  para  outras  entidades  e  fundos  sobre:  rendimentos  pagos,  devidos  ou  creditados  a  todos  os  segurados,  comercialização  de  produtos  rurais,  contribuição  devidas  por  adquirente  na  condição  de  sub­rogado,  verificação  do  cumprimento  das  obrigações  previdenciárias  sobre  GFIP,  tomador de  serviços  terceirizados  ­  retenção na cessão de mão­de­ obra e empreitada,  tomador  de  serviços  terceirizados,  responsabilidade  solidária,  prestador  de  serviços  terceirizados,  retenção na  cessão de mão­de­obra  e empreitada,  assim como a verificação de  informações econômico­fiscais do contribuinte.  Na  sequência  do  procedimento,  houve­se  por  expedido  o  Mandado  de  Procedimento Fiscal N° 09426531F00, a fl. 55, determinando à equipe fiscal nele assinalada a  verificação  do  cumprimento  das  obrigações  relativas  às  Contribuições  Sociais  administradas  pela RFB, conforme determina o art. 2º da Lei n° 11.457/2007, e àquelas relativas a terceiros,  conforme determina o  artigo 3° da mesma  lei;  a verificação do cumprimento das obrigações  previdenciárias e para outras entidades e fundos ­ rendimentos pagos, devidos ou creditados a  segurados  empregados; A verificação do  cumprimento das obrigações previdenciárias  e para  outras entidades e fundos ­ rendimentos pagos, devidos ou creditados a segurados contribuintes  individuais;  A  verificação  do  cumprimento  das  obrigações  previdenciárias  e  para  outras  entidades  e  fundos  ­  conciliação  GFIP;  A  verificação  do  cumprimento  das  obrigações  previdenciárias  e  para  outras  entidades  e  fundos  ­  comercialização  de  produtos  rurais  ­  contribuições  devidas  por  adquirente  na  condição  de  sub­rogado;  A  verificação  do  cumprimento das obrigações previdenciárias e para outras entidades e fundos ­ comercialização  de  produção  ­  contribuições  próprias  e  a  verificação  de  informações  econômico­fiscais  do  contribuinte,  por  determinação  Judicial  através  do  Ofício  078/2006­GAB­JCS­Processo  2006.61.24.001666­2 da 1ª Vara Federal de Jales.    Os  MPF  suso  citados  foram  recebidos  pela  Sra.  Nilce  Fortes  Peres,  sócia  proprietária, em 15/02/2007 e 11/10/2007, respectivamente, o que torna teratológica a alegação  de que a Frigo Vale, em nenhum momento, foi incluída no Mandado de Procedimento Fiscal,  não foi cientificada em qualquer fase do procedimento, somente vindo a ter conhecimento do  procedimento com a notificação do Auto, deixando­nos a impressão de que o patrono da causa  sequer passou os olhos pelo processo de que ora se cuida.  Também  se  revela  carente  de  fundamento  a  alegação  de  que  o  Auto  de  Infração  foi  lavrado por  servidores desprovidos  de  competência para  fiscalizar o Recorrente,  sendo alegado que o auditor  fiscal  só poderia utilizar as  suas prerrogativas de  fiscalizar e de  praticar o  lançamento de ofício, quando  instaurado procedimento  fiscal  regular, o qual  se dá  por meio de mandado de procedimento fiscal.  Serviriam os MPF a fls. 49 e 55 e prorrogações posteriores?    2.4.  DA QUEBRA DE SIGILO BANCARIO  Fl. 3010DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     24 Sustenta  o  Recorrente  que  a  Autoridade  administrativa  não  possui  competência  para  determinar  a  quebra  de  sigilo  bancário.  Apenas  a  autoridade  judiciária  competente pode proferir tal decisão.  ...  e  o  Recorrente  está  coberto  de  razão.  Com  efeito,  a  determinação  de  quebra de  sigilo bancário efetuada  isoladamente pela Autoridade Administrativa  já nasce, ab  ovo, com o estigma da nulidade.  Ocorre, todavia, que no presente caso, a quebra de sigilo bancário não se deu  por determinação de autoridade administrativa, mas, sim, por determinação da Justiça Federal,  conforme consignado no Relatório Fiscal:  Em 2006, a Polícia Federal instaurou Inquérito Policial para investigação dos  fatos  que  chegaram  ao  seu  conhecimento  sobre  organizações  criminosas  estabelecidas  na  região de Jales ­ SP para a prática de crimes contra a ordem tributária, apropriação indébita e  sonegação fiscal previdenciária e estelionato contra a Fazenda Pública.   Após  exaustiva  investigação,  houve­se  por  constituído  o  processo  judicial,  procedendo­se à representação ao Poder Judiciário para a expedição dos mandados de busca e  apreensão  em  locais  suspeitos  com  o  intuito  de  obter  provas  dos  ilícitos  praticados,  deflagrando­se  a  operação  denominada  "GRANDES  LAGOS",  executada  pela  autoridade  policial federal, que apurou a existência de núcleos de empresa e pessoas físicas constituídos  com o objetivo de  sonegar  tributos  e  evitar demanda  judicial  de natureza  fiscal  e  trabalhista  mediante a criação de empresas "de fachada”, cujos sócios eram arregimentados para serem, no  jargão policial, "laranjas”, de modo a proteger de sequestros nas execuções fiscais o patrimônio  dos verdadeiros  sócios e das empresas  lícitas em seu nome (plantas e  instalações  frigoríficas  em São José do Rio Preto, Fernandópolis­SP e Campina Verde­MG), com uso de dissimulados  e precários contratos de arrendamento.   Em seguida, o Poder Judiciário Federal em Jales expediu ofícios requisitórios  ao fisco (Receita Federal e Receita Previdenciária) para fiscalizar os contribuintes ­ as pessoas  jurídicas e físicas ­ envolvidas no esquema de sonegação, dando origem aos procedimentos de  busca e  retenção de documentos e arquivos magnéticos com  informações contábeis  e fiscais;  trabalhistas e previdenciárias, necessárias à constituição dos créditos.   A  fiscalização  previdenciária,  à  época,  ligada  à  Secretaria  da  Receita  Previdenciária, procedeu à retenção dos elementos colhidos na sede das empresas fiscalizadas,  através da lavratura de Auto de Apreensão, Guarda e Devolução de Documentos ­ AGD.   Posteriormente, atendendo a solicitação do fisco federal, a Justiça Federal em  Jales expediu novos mandados de busca e apreensão, os quais foram executados em 2007. Na  sequência,  a  Justiça  Federal  –  24ª  Subseção  Judiciária  do  Estado  de  São  Paulo  ­  deferiu  a  quebra  do  sigilo  bancário  das  pessoas  físicas  e  jurídicas,  do  período  de  2002  a  2006,  determinando  às  instituições  financeiras  o  fornecimento  de  documentos  e  informações  solicitados pela Delegacia da Receita Federal em São José do Rio Preto.   Portanto,  os  procedimentos  de  investigação  levados  a  efeito  na  operação  Grandes Lagos foram conduzidos em conjunto pela Polícia Federal, pela Secretaria da Receita  Previdenciária  e  pela  Secretaria  da  Fazenda  Estadual  em  São  José  do  Rio  Preto/SP,  sob  os  olhares da Justiça Federal – 1ª Vara Federal de Jales  ­ 24ª subseção Judiciária de São Paulo,  que deferiu a quebra do sigilo bancário das pessoas físicas e jurídicas envolvidas, no período de  2002  a  2006,  expediu  mandados  de  busca  e  apreensão  de  documentos  e  expediu  ofícios  requisitórios  à  Secretaria  da  Receita  Federal  e  à  Secretaria  da  Receita  Previdenciária  para  fiscalizar  os  contribuintes  ­  as  pessoas  jurídicas  e  físicas  ­  envolvidas  no  esquema  de  sonegação,  dando  origem  aos  procedimentos  de  busca  e  retenção  de  documentos  e  arquivos  Fl. 3011DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.342          25 magnéticos  com  informações  contábeis  e  fiscais,  trabalhistas  e previdenciárias,  necessárias  à  constituição dos créditos, tudo em fiel consonância com as disposições inscritas no art. 198 do  CTN.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art.  198.  Sem  prejuízo  do  disposto  na  legislação  criminal,  é  vedada a divulgação, por parte da Fazenda Pública ou de seus  servidores,  de  informação  obtida  em  razão  do  ofício  sobre  a  situação  econômica  ou  financeira  do  sujeito  passivo  ou  de  terceiros  e  sobre  a  natureza  e  o  estado  de  seus  negócios  ou  atividades. (Redação dada pela Lcp nº 104/2001)  §1o  Excetuam­se  do  disposto  neste  artigo,  além  dos  casos  previstos no art. 199, os  seguintes:  (Redação dada pela Lcp nº  104/2001)  I  –  requisição  de autoridade  judiciária  no  interesse da  justiça;  (Incluído pela Lcp nº 104/2001)  II  –  solicitações  de  autoridade  administrativa  no  interesse  da  Administração  Pública,  desde  que  seja  comprovada  a  instauração regular de processo administrativo, no órgão ou na  entidade  respectiva,  com  o  objetivo  de  investigar  o  sujeito  passivo  a  que  se  refere  a  informação,  por  prática  de  infração  administrativa. (Incluído pela Lcp nº 104/2001)  §2o  O  intercâmbio  de  informação  sigilosa,  no  âmbito  da  Administração  Pública,  será  realizado  mediante  processo  regularmente  instaurado,  e a  entrega será  feita pessoalmente à  autoridade  solicitante,  mediante  recibo,  que  formalize  a  transferência e assegure a preservação do sigilo. (Incluído pela  Lcp nº 104/2001)  §3o  Não  é  vedada  a  divulgação  de  informações  relativas  a:  (Incluído pela Lcp nº 104/2001)  I – representações fiscais para fins penais; (Incluído pela Lcp nº  104/2001)  II  –  inscrições  na Dívida  Ativa  da  Fazenda  Pública;  (Incluído  pela Lcp nº 104/2001)  III  –  parcelamento  ou  moratória.  (Incluído  pela  Lcp  nº  104/2001)    Quanto à alegação de que a Vara Federal de Jales não possuía competência  para determinar a quebra de  sigilo bancário do Autuado, cumpre alertar ao Recorrente que a  instância  administrativa  não  possui  competência  para  apreciar  e  julgar  os  conflitos  de  competência  dos  órgãos  judiciários,  matéria  essa  que  deve  ser  arguida  ao  próprio  Poder  Judiciário competente, de acordo com a distribuição de competências consignada na CF/88 e  nas leis que regem a matéria em debate.  Afinal, com fundamento em qual dispositivo legal/constitucional poderia este  Colegiado  declarar,  com  eficácia  jurídica,  a  incompetência  da  Vara  Federal  de  Jales?  O  Recorrente saberia responder?    Fl. 3012DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     26 2.5.  DAS DEMAIS ALEGAÇÕES DE NULIDADE  Alega­se  em  sede  de  Recurso  Voluntário  a  nulidade  do  processo,  por  impedimento da autoridade administrativa, porque antes da ação fiscal, em 08/10/2008, os Srs.  Luciano  da  Silva  Peres  e  Rodrigo  da  Silva  Peres  representaram  à  Corregedoria­Geral  da  Receita  Federal  pela  instauração  de  sindicância  contra  os  AFRFB  Jeferson  de  Lima Garcia,  Paulo  César  Martinasso  e  Valmir  da  Cruz,  com  o  objetivo  de  apurar  supostas  infrações  disciplinares.  Mais uma vez ressobra a impressão de que o patrono do Recorrente não leu  os autos do processo.  Em primeiro lugar, a aludida representação à Corregedoria Geral da Receita  Federal deu­se em 08/10/2008, enquanto que a ação fiscal na empresa autuada teve seu início  em 15/02/2007, mediante a entrega e ciência do MPF N° 09376899F00 a fl. 49, ou seja, quase  20  meses  antes  da  aventada  Representação,  e  não  depois  como  assim  expõe  o  calendário  utilizado pelo Recorrente.  Em segundo lugar, a mencionada Representação pugnava pela instauração de  sindicância contra os AFRFB Jeferson de Lima Garcia, Paulo César Martinasso e Valmir da  Cruz, com o objetivo de apurar supostas infrações disciplinares. Ocorre que tais servidores não  integravam  a  equipe  fiscal  que  desenvolveu  os  procedimentos  de  fiscalização  na  empresa  autuada, a qual era constituída pelos AFRFB Denize Berguerand Xavier, Jorge Luiz Miranda,  Lima,  Sidney  Antonio  Tinti  e  Valdir  Mariano  Oliveira,  não  havendo  que  se  falar  em  impedimento destes.  Em  terceiro  lugar,  alerte­se  que  a  mera  entrega  à  Corregedoria  de  representação  não  implica,  ipso  facto,  impedimento  do  representado.  Para que  isso  ocorra,  é  necessário que a Corregedoria Geral  acolha a  representação  formula e  instaure o competente  processo  administrativo  em  desfavor  do  Representado  para  a  devida  apuração  dos  fatos,  circunstância essa não comprovada pelo Recorrente.    Inexiste, pois, qualquer vício na formalização do débito a amparar a alegação  de nulidade tão veementemente erguida pelo Recorrente.    Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito.    3.   DO MÉRITO  Cumpre  de  plano  assentar  que  não  serão  objeto  de  apreciação  por  este  Colegiado  as  matérias  não  expressamente  impugnadas  pelo  Recorrente,  as  quais  serão  consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª  instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu  instrumento de Recurso  Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela parte.  Também  não  serão  objeto  de  apreciação  por  esta  Corte  Administrativa  as  matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo  Fl. 3013DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.343          27 de  que  ora  se  cuida,  não  se  houve  por  instaurado  qualquer  litigio  a  ser  dirimido  por  este  Conselho.    3.1.  DA CONSTITUCIONALIDADE DA EXAÇÃO  Argumenta  o  Autuado  que  parte  das  contribuições  lançadas  refere­se  ao  FUNRURAL,  declarado  inconstitucional  pelo  Colendo  Supremo  Tribunal  Federal,  devendo  assim também ser declarado, incidentalmente, pelo CARF.  Razão não lhe assiste    Inauguramos  este  tópico  com  a  lembrança  de  um  princípio  de  Direito  simples,  mas  de  fundamental  importância:  Toda  lei  nasce  com  a  presunção  iuris  tantum  de  constitucionalidade,  produzindo  os  efeitos  erga  omnes  que  lhe  forem  típicos,  até  ser  expressamente declarada inconstitucional pelo STF.    3.1.1.  DO ORDENAMENTO JURÍDICO  Entende­se por Ordenamento Jurídico Positivo o conjunto de regras e normas  de conduta, caracterizadas pela coercitividade e imperatividade, oriundas das diversas estirpes  de diplomas normativos adotados pelo Estado, visando a regular a vida em sociedade.  O Ordenamento Jurídico, portanto, é formado por um complexo de normas de  conduta, as quais  lhe são introduzidas por  intermédio de um leque de diplomas normativos –  Constituição,  Leis,  Decretos,  Instruções  Normativas,  etc.  ­,  produzidos  pelos  Poderes  competentes, consoante opção política de cada Nação.  Todavia, a norma jurídica não se confunde com o instrumento normativo que  lhe  introduziu  no  Ordenamento.  Tratam­se  de  institutos  jurídicos  totalmente  distintos.  Para  ilustrar tal raciocínio, tomemos exemplificativamente a lei ordinária. No caso brasileiro, ao ser  promulgada e  sancionada,  ao  cabo do processo  legislativo desenhado nos  artigos 59  a 69 da  CF/88, a lei cumpre e  realiza sua primazia que é a de introduzir no Ordenamento Jurídico as  normas  em  si  encartadas,  as  quais  se  desprendem,  então,  do  texto  legal  passando  a  ter  existência própria ­ um ser etéreo e imaterial ­, figurando o texto legal apenas como uma fonte  de interpretação e de referência da norma nele carreada.  Uma  vez  inserida  no  ordenamento  jurídico,  a  norma  passa  a  impor  ao  seu  público alvo um dever ser, uma conduta devida a ser observada pelo grupo de pessoas sob sua  égide,  até  que  uma  outra  norma  de  mesmo  pedigree  a  retire  do  Sistema  Jurídico  mediante  revogação expressa, ou de maneira tácita, por dispor de forma distinta sobre a mesma matéria.    3.1.2.   DA CONTRIBUIÇÃO DO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA  Fl. 3014DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     28 A  norma  jurídica  encartada  no  art.  25  da  Lei  nº  8.212/91,  em  sua  redação  originária,  estatuiu  a  contribuição  previdenciária,  à  alíquota  de  3%  incidente  sobre  a  receita  bruta proveniente da comercialização de sua produção rural, do segurado especial referido no  inciso VII do art. 12 desse mesmo Diploma legal, assim compreendidos o produtor rural, o  parceiro rural, o meeiro rural e o arrendatário rural, o pescador artesanal e o assemelhado, que  exerçam essas atividades individualmente ou em regime de economia familiar, ainda que  com  auxílio  eventual  de  terceiros,  bem  como  seus  respectivos  cônjuges  ou  companheiros  e  filhos  maiores  de  quatorze  anos  ou  a  eles  equiparados,  desde  que  trabalhem,  comprovadamente, com o grupo familiar respectivo.  Ao  mesmo  tempo,  os  incisos  III  e  IV  da  suso  citada  Lei  de  Custeio  da  Seguridade  Social  instituíram  como  obrigação  acessória  da  empresa  adquirente  ou  consignatária  da  produção  rural  do  segurado  especial  ou  a  cooperativa  a  reter,  mediante  desconto, em razão de sub­rogação, e a recolher aos cofres públicos a contribuição referida no  aludido art. 25 da Lei nº 8.212/91.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art.  12.  São  segurados  obrigatórios  da  Previdência  Social  as  seguintes pessoas físicas:   (...)  VII ­ como segurado especial: o produtor, o parceiro, o meeiro e  o  arrendatário  rurais,  o  garimpeiro,  o  pescador  artesanal  e  o  assemelhado, que exerçam essas atividades  individualmente ou  em regime de economia familiar, ainda que com auxílio eventual  de  terceiros,  bem  como  seus  respectivos  cônjuges  ou  companheiros  e  filhos  maiores  de  quatorze  anos  ou  a  eles  equiparados,  desde  que  trabalhem,  comprovadamente,  com  o  grupo familiar respectivo.   §1º  Entende­se  como  regime  de  economia  familiar  a  atividade  em  que  o  trabalho  dos  membros  da  família  é  indispensável  à  própria  subsistência  e  é  exercido  em  condições  de  mútua  dependência e colaboração, sem a utilização de empregados.     Art.  25.  Contribui  com  3%  (três  por  cento)  da  receita  bruta  proveniente  da  comercialização  da  sua  produção  o  segurado  especial referido no inciso VII do art. 12.    Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de  outras  importâncias  devidas  à  Seguridade  Social  obedecem  às  seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93)   III  –  O  adquirente,  o  consignatário  ou  a  cooperativa  são  obrigados a recolher a contribuição de que trata o art. 25, até o  5º  dia  útil  do  mês  seguinte  ao  da  operação  de  venda  ou  consignação  da  produção,  ou  no  dia  imediatamente  anterior  caso  não  haja  expediente  bancário  naquele  dia,  na  forma  estabelecida em regulamento;  IV – O adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam sub­ rogadas nas obrigações do segurado especial pelo cumprimento  das  obrigações  do  art.  25,  exceto  no  caso  do  inciso  X  deste  artigo, na forma estabelecida em regulamento;    Fl. 3015DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.344          29 Conforme  detalhadamente  demonstrado,  a  norma  inserida  no  ordenamento  jurídico pela Lei nº 8.212/91  instituiu  a  contribuição previdenciária do produtor  rural  pessoa  física,  que  laborasse  individualmente  ou  em  regime  de  economia  familiar  sem  empregados, à alíquota de 3% incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização  de sua produção rural, e transferiu para o adquirente, consignatário ou à cooperativa, mediante  sub­rogação, a responsabilidade pelo recolhimento de tal contribuição.  Ainda  sob  a  égide  da CF/88,  em  sua  redação  originária,  a  Lei  nº  8.540/92  revogou tacitamente as normas jurídicas representadas pelos artigos 12, V, ‘a’ , 25 e 30, IV da  Lei nº 8.212/91, dentre outras, fazendo excluir do conceito de segurado equiparado a autônomo  a pessoa física que explorasse a extração mineral. Criou  também a contribuição destinada ao  custeio  da  Seguridade  Social  a  cargo  da  pessoa  física  produtora  rural  que  se  utilizasse  de  empregados,  incidente  sob  a  receita  bruta  proveniente  da  comercialização  de  sua  produção  rural  à  alíquota  de  2%  ,  além  de  reduzir  de  3%  para  2%  a  contribuição  social  do  segurado  especial, aqui incluído o produtor rural pessoa física que não se utilizasse de empregados.  A citada lei nº 8.540/92 fez inserir no ordenamento pátrio norma jurídica que  criou a contribuição, a cargo do empregador rural pessoa física e do segurado especial, à ordem  de  0,1%  da  receita  bruta  proveniente  da  comercialização  das  suas  produções,  para  financiamento das prestações por acidente do trabalho, além de elastecer a responsabilidade e a  sub­rogação  do  adquirente,  consignatário  e  da  cooperativa  previstas,  respectivamente,  nos  incisos  III  e  IV  do  art.  30  da  Lei  de  Custeio  da  Seguridade  Social,  fazendo­a  alcançar  as  operações  de  mesma  natureza  realizadas  com  as  pessoas  físicas  produtoras  rurais  que  se  utilizassem de empregados.  Constituição Federal de 1988   Art.  195.  A  seguridade  social  será  financiada  por  toda  a  sociedade,  de  forma  direta  e  indireta,  nos  termos  da  lei,  mediante  recursos  provenientes  dos  orçamentos  da União,  dos  Estados,  do Distrito Federal  e  dos Municípios,  e  das  seguintes  contribuições sociais:   I  ­  dos  empregadores,  incidente  sobre  a  folha  de  salários,  o  faturamento e o lucro;   II ­ dos trabalhadores;    Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art.  12.  São  segurados  obrigatórios  da  Previdência  Social  as  seguintes pessoas físicas:   (...)  V  ­  como  equiparado a  trabalhador  autônomo, além dos  casos  previstos em legislação específica:   a)  a  pessoa  física,  proprietária  ou  não,  que  explora  atividade  agropecuária  ou  pesqueira,  em  caráter  permanente  ou  temporário,  diretamente  ou  por  intermédio  de  prepostos  e  com  auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de  forma  não  contínua;  (Redação  dada  pela  Lei  n°  8.540,  de  22.12.92);    Art. 25. A contribuição da pessoa física e do segurado especial  referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso  Fl. 3016DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     30 VII  do  art.  12  desta  Lei,  destinada  a  Seguridade  Social,  é  de:  (Redação dada pela Lei nº 8.540, de 22/12/92)  I  ­ 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua  produção; (Redação dada pela Lei nº 8.540, de 22/12/92)  II  –  um  décimo  por  cento  da  receita  bruta  proveniente  da  comercialização  da  sua  produção  para  o  financiamento  das  prestações  por  acidente  do  trabalho.  (inciso  acrescentado  pela  Lei nº 8.540, de 22/12/92)    Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de  outras  importâncias  devidas  à  Seguridade  Social  obedecem  às  seguintes normas:  (...)  IV ­ O adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam sub­ rogadas  nas  obrigações  da  pessoa  física  de  que  trata  a  alínea  "a"  do  inciso  V  do  art.  12  e  do  segurado  especial  pelo  cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, exceto no caso  do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento;  (Redação dada pela Lei nº 8.540, de 22/12/92)    A  lei  nº  9.528/97,  fruto  da  conversão  da Medida  Provisória  nº  1.523­9,  de  27/06/97, e de reedições subsequentes, sem lhe modificar o conteúdo e a essência do revisitado  art. 25 da Lei nº 8.212/91, alterou­lhe a redação anterior, nos seguintes termos:  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física e do  segurado  especial  referidos,  respectivamente,  na  alínea  "a"  do  inciso  V  e  no  inciso  VII  do  art.  12  desta  Lei,  destinada  a  Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 9.528/97)  I  ­ 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua  produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528/97)  II ­ 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua  produção para o  financiamento das prestações por acidente do  trabalho. (Redação dada pela Lei nº 9.528/97)    Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de  outras  importâncias  devidas  à  Seguridade  Social  obedecem  às  seguintes normas:  (...)  IV ­ a empresa adquirente,  consumidora ou consignatária ou a  cooperativa  ficam sub­rogadas  nas obrigações da pessoa  física  de que  trata a alínea "a" do  inciso V do art. 12 e do segurado  especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei,  independentemente  de  as  operações  de  venda  ou  consignação  terem  sido  realizadas  diretamente  com  o  produtor  ou  com  intermediário  pessoa  física,  exceto  no  caso  do  inciso  X  deste  artigo,  na  forma  estabelecida  em  regulamento;  (Redação  dada  pela Lei nº 9.528/97)    Mas  não  parou  por  aí  a  lei  nº  9.528/97.  Fez  mais.  Na  mesma  tacada  legiferante,  o  legislador  ordinário,  por  intermédio  do  art.  6º  do  documento  legal  em  realce,  instituiu  a  contribuição  social  a  cargo  do  empregador  rural  pessoa  física  e  a  do  segurado  Fl. 3017DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.345          31 especial, referidos, respectivamente, na alínea ‘a’ do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei  nº 8.212/91, destinada  ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural  ­ SENAR,  à  alíquota de  0,1% incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural,  in  verbis.  Lei nº 9.528, de 10 de dezembro de 1997.  Art.  6º  A  contribuição  do  empregador  rural  pessoa  física  e  do  segurado  especial  referidos,  respectivamente,  na  alínea  "a"  do  inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei n° 8.212, de 1991, para  o  Serviço  Nacional  de  Aprendizagem  Rural  ­  SENAR,  criado  pela  Lei  n°  8.315,  de  23  de  dezembro  de  1991,  é  de  0,1%  incidente  sobre a  receita bruta proveniente da  comercialização  de sua produção rural.    3.1.3.  DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE  Ocorre que, em 03/02/2010, o Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, e  nos  termos  do  voto  do  Relator,  Ministro  Marco  Aurélio,  deu  provimento  ao  Recurso  Extraordinário nº 363.852 / MG para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento  da  contribuição  social  ou  do  seu  recolhimento  por  sub­rogação  sobre  a  Receita  Bruta  proveniente  da  comercialização  da  produção  rural  de  empregadores,  pessoas  naturais,  fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº  8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, V e VII, 25, I e II e 30, IV da Lei nº 8.212/91,  com a redação atualizada pela Lei nº 9.5287/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda  Constitucional nº 20/98 viesse a instituir a contribuição em foco.  Em seu voto condutor, salientou o ministro nas palavras que se vos seguem:   “A regra, dada à previsão da alínea ‘’b’’ do inciso I do referido  artigo  195,  é  a  incidência  da  contribuição  social  sobre  o  faturamento,  para  financiar  a  seguridade  social  instituída  pela  Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, a obrigar  não  só  as  pessoas  jurídicas,  como  também  aquelas  a  ela  equiparadas pela legislação do imposto sobre a renda ­ artigo 1º  da citada lei complementar. Já aqui surge duplicidade contrária  à Carta da Republica, no que, conforme o artigo 25, incisos I e  II,  da  Lei  nº  8.212,  de  24  de  julho  de  1991,  o  produtor  rural  passou  a  estar  compelido  a  duplo  recolhimento,  com  a mesma  destinação,  ou  seja,  o  financiamento  da  seguridade  social  ­  recolhe, a partir do disposto no artigo 195, inciso I, alínea ‘’b’’,  a COFINS e a contribuição prevista no referido artigo 25. Vale  frisar que, no artigo 195, tem­se contemplada situação única em  que  o  produtor  rural  contribui  para  a  seguridade  social  mediante  a  aplicação  de  alíquota  sobre  o  resultado  de  comercialização da produção, ante o disposto no §8º do citado  artigo 195 ­ a revelar que, em se tratando de produtor, parceiro,  meeiro  e  arrendatários  rurais  e  pescador  artesanal  bem  como  dos  respectivos  cônjuges  que  exerçam atividades  em  regime de  economia  familiar,  sem  empregados  permanentes,  dá­se  a  contribuição para a seguridade social por meio de aplicação de  alíquota  sobre  o  resultado  da  comercialização  da  produção.  A  razão do preceito é única: não se ter, quanto aos nele referidos,  Fl. 3018DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     32 a base para a contribuição estabelecida na alínea ‘’a’’ do inciso  I  do  artigo  195  da  Carta,  isto  é,  a  folha  de  salários.  Daí  a  cláusula  contida  no  §8º  em  análise  ‘...  sem  empregados  permanentes...’.  Forçoso  é  concluir  que,  no  caso  de  produtor  rural,  embora  pessoa natural, que tenha empregados, incide a previsão relativa  ao  recolhimento  sobre  o  valor  da  folha  de  salários.  É  de  ressaltar  que  a  Lei  nº  8.212/91  define  empresa  como  a  firma  individual  ou  sociedade  que  assume  o  risco  de  atividade  econômica  urbana  ou  rural,  com  fins  lucrativos,  ou  não,  bem  como  os  órgãos  e  entidades  da  administração  pública  direta,  indireta e fundacional ­ inciso I do artigo 15. Então, o produtor  rural, pessoa natural, fica compelido a satisfazer, de um lado, a  contribuição  sobre  a  folha  de  salários  e,  de  outro,  a COFINS,  não  havendo  lugar  para  ter­se  novo  ônus,  relativamente  ao  financiamento  da  seguridade  social,  isso  a  partir  de  valor  alusivo à venda de bovinos. Cumpre ter presente, até mesmo, a  regra do inciso II do artigo 150 da Constituição Federal, no que  veda  instituir  tratamento  desigual  entre  contribuintes  que  se  encontrem em situação equivalente. De acordo com o artigo 195,  §8º, do Diploma Maior,  se  o  produtor  não  possui  empregados,  fica compelido, inexistente a base de incidência da contribuição  ­ a folha de salários ­ a recolher percentual sobre o resultado da  comercialização  da  produção.  Se,  ao  contrário,  conta  com  empregados,  estará  obrigado  não  só  ao  recolhimento  sobre  a  folha  de  salários,  como  também,  levando  em  conta  o  faturamento,  da  Contribuição  Social  para  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  COFINS  e  da  prevista  ­  tomada  a  mesma  base de incidência, o valor comercializado ­ no artigo 25 da Lei  n.  8.212/91.  Assim,  não  fosse  suficiente  a  duplicidade,  considerado  o  faturamento,  tem­se,  ainda,  a  quebra  da  isonomia.   O tema ora em discussão por pouco não foi objeto de julgamento  quando  apreciada  a  Ação  Direta  de  Inconstitucionalidade  nº  1.103­1/DF.  O  Tribunal  deixou  de  adentrar  a  questão  ante  a  falta  de  pertinência  temática,  porque  ajuizada  a  ação  pela  Confederação  Nacional  da  Indústria.  Todavia,  foi  adiante  quanto  ao  §  2º  do  artigo  25  da  Lei  nº  8.870/94,  que  tinha  a  seguinte redação:  (...)   Pois  bem,  concluiu­se  pelo  surgimento  de  uma  nova  base  de  cálculo, ficando assim redigida a ementa:  (...)  Assentou o Plenário que o §2º do artigo 25 da Lei nº 8.870/94  fulminado ensejara  fonte de custeio sem observância do §4º do  artigo 195 da Constituição Federal, ou seja, sem a vinda à balha  de lei complementar.  O  enfoque  serve,  sob  o  ângulo  da  exigência  desta  última,  no  tocante  à  disposição  do  artigo  25  da  Lei  nº  8.212/91.  É  que,  mediante  lei  ordinária,  versou­se  a  incidência  da  contribuição  sobre a proveniente da comercialização pelo empregador rural,  pessoa natural. Ora, como salientado no artigo de Hugo de Brito  Machado  e  Hugo  de  Brito  Machado  Segundo,  houvesse  Fl. 3019DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.346          33 confusão, houvesse sinonímia entre o faturamento e o resultado  da  comercialização  da  produção,  não  haveria  razão  para  a  norma do §8º do artigo 195 da Constituição Federal relativa ao  produtor que não conta com empregados e exerça atividades em  regime  de  economia  familiar.  Já  estava  ele  alcançado  pela  previsão  imediatamente  anterior  do  inciso  I  do  artigo  195  da  Constituição. Também sob esse prisma, procede a irresignação,  entendendo­se que comercialização da produção é algo diverso  de faturamento e este não se confunde com receita,  tanto assim  que  a  Emenda  Constitucional  nº  20/98  inseriu,  ao  lado  do  vocábulo  "faturamento",  no  inciso  I  do  artigo  195,  o  vocábulo  "receita".  Então,  não  há  como  deixar  de  assentar  que  a  nova  fonte deveria estar estabelecida em lei complementar. O mesmo  enfoque serve a rechaçar a óptica daqueles que vislumbram, no  artigo  25,  incisos  I  e  II,  da  Lei  nº  8.212/91,  a  majoração  da  alíquota  alusiva  à  citada contribuição  que  está prevista  na Lei  Complementar nº 70/91.  Ante esses aspectos, conheço e provejo o recurso interposto para  desobrigar  os  recorrentes  da  retenção  e  do  recolhimento  da  contribuição  social  ou  do  seu  recolhimento  por  sub­rogação  sobre  a  “receita  bruta  proveniente  da  comercialização  da  produção  rural”  de  empregadores,  pessoas  naturais,  fornecedores  de  bovinos  para  abate,  declarando  a  inconstitucionalidade  do  artigo  1º  da  Lei  nº  8.540/92,  que  deu  nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e  30,  inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a  Lei  nº  9.528/97, até  que  legislação  nova,  arrimada na Emenda  Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na  forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência.    Dessai  do  voto  condutor  do  Min.  Marco  Aurélio  que  os  vícios  de  constitucionalidade  presentes  na  legislação  guerreada  consistiram  na  quebra  da  isonomia  entre o produtor rural pessoa física que utilizasse mão de obra assalariada e aquele que não se  utilizasse de empregados, e na duplicidade de recolhimento sobre o faturamento a que estaria  sujeito o empregador rural pessoa física, já que a Norma Constitucional insculpida no art. 195,  I  da  CF/88,  em  sua  regulamentação  inata,  apenas  previa  a  criação  de  contribuições  previdenciárias a incidir sobre a folha de salário, sobre o faturamento e sobre o lucro.  Ponderou  o  Ministro  Relator  que  o  empregador  rural  pessoa  física  estaria  sujeito a triplo recolhimento, a saber, a contribuição sobre a folha de salários (art. 22 da Lei nº  8.212/91), sobre o faturamento (COFINS – Lei Complementar nº 70/91) e sobre a receita bruta  da comercialização da produção rural (art. 25 da Lei nº 8.212/91) enquanto que o produtor rural  pessoa física estaria sujeito, apenas, às duas últimas.  O  voto  condutor  em  destaque  fundamentou­se  na  concepção  adotada  pelo  Eminente  Relator,  um  pouco  hesitante,  é  certo,  de  que  o  conceito  de  faturamento  não  se  confundiria com o de receita bruta da comercialização,  tampouco um se encontraria inserido  no  outro.  Concluiu  então  o  Ministro  que  “comercialização  da  produção  é  algo  diverso  de  faturamento e este não se confunde com receita, tanto assim que a Emenda Constitucional nº  20/98  inseriu,  ao  lado  do  vocábulo  "faturamento",  no  inciso  I  do  artigo  195,  o  vocábulo  Fl. 3020DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     34 "receita". Então, não há como deixar de assentar que a nova fonte deveria estar estabelecida  em lei complementar”.  Nesse  contexto,  a Suprema Corte  conheceu  e  proveu  o  “recurso  interposto  para desobrigar os  recorrentes da  retenção e do  recolhimento da  contribuição  social ou do  seu  recolhimento  por  sub­rogação  sobre  a  receita  bruta  proveniente  da  comercialização da  produção rural de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate”. Para  tanto, houve­se por declarada a “inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu  nova redação aos artigos 12, 12, incisos V e VII1, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº  8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na  Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição”.  Não escapa do conhecimento daqueles que militam no Ramo do Direito que  em  15  de  dezembro  de  1998  foi  promulgada  pelo  Congresso  Nacional  a  Emenda  Constitucional  nº  20  que,  dentre  outras  providências,  fez  introduzir  no  Sistema  Jurídico  Brasileiro  novo  regramento  constitucional  relativo  ao  Sistema  de  Previdência  Social,  promovendo profundas modificações nas normas antes referenciadas ao art. 195 da CF/88, ad  litteris et verbis:  Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988   Art.  195.  A  seguridade  social  será  financiada  por  toda  a  sociedade,  de  forma  direta  e  indireta,  nos  termos  da  lei,  mediante  recursos  provenientes  dos  orçamentos  da União,  dos  Estados,  do Distrito Federal  e  dos Municípios,  e  das  seguintes  contribuições sociais:   I ­ do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada  na  forma da  lei,  incidentes sobre:  (Redação dada pela Emenda  Constitucional nº 20, de 1998)  a) a  folha de  salários  e demais  rendimentos do  trabalho pagos  ou  creditados,  a  qualquer  título,  à  pessoa  física  que  lhe  preste  serviço,  mesmo  sem  vínculo  empregatício;  (Incluído  pela  Emenda Constitucional nº 20, de 1998)  b)  a  receita  ou  o  faturamento;  (Incluído  pela  Emenda  Constitucional nº 20, de 1998)  c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)  II  ­  do  trabalhador  e  dos  demais  segurados  da  previdência  social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão  concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata  o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de  1998)    Em  razão  das  modificações  estruturais  promovidas  pela  EC  n°  20/98,  o  legislador  ordinário  costurou  novo  modelito  legal  consubstanciado  na  Lei  nº  10.256/2001,  ajustando  a  legislação  previdenciária  ao  novel  manequim  constitucional,  fazendo  inserir  no  ordenamento  pátrio  normas  de  caráter  cogente  disciplinando  a  contribuição  previdenciária  a  cargo do segurado especial assim como a do empregador rural pessoa física.   Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art.  25.  A  contribuição  do  empregador  rural  pessoa  física,  em  substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art.  22,  e  a  do  segurado  especial,  referidos,  respectivamente,  na                                                              1 Em realidade, a Lei nº 8.540/92 não promoveu qualquer modificação no inciso VII do art. 12  da Lei nº 8.212/91, mas, tão somente, no inciso V desse mesmo dispositivo legal.  Fl. 3021DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.347          35 alínea  ‘a’  do  inciso  V  e  no  inciso  VII  do  art.  12  desta  Lei,  destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº  10.256, de 2001).  I  ­ 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua  produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).   II ­ 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua  produção  para  financiamento  das  prestações  por  acidente  do  trabalho. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).    Em  suma,  honrou  a  norma  legal  acima  referida  instituir  as  contribuições  a  cargo  do  empregador  rural  pessoa  física,  em  substituição  à  contribuição  de  que  tratam  os  incisos  I  e  II  do  art.  22  da  Lei  nº  8.212/91,  e  a  cargo  do  segurado  especial,  referidos,  respectivamente,  na  alínea  ‘a’  do  inciso V  e  no  inciso VII  do  art.  12  desse mesmo diploma  legal,  às  alíquotas  de  2%  e  0,1%  incidentes  sobre  a  receita  bruta  proveniente  da  comercialização  da  sua  produção,  destinadas  à  Seguridade  Social  e  ao  financiamento  das  prestações por acidente do trabalho, respectivamente.  Mostra­se alvissareiro salientar, de molde a afugentar qualquer  resquício de  dúvida,  que  a  inserção  no  ordenamento  jurídico  da  norma  legal  referida  nos  parágrafos  precedentes poderia ter sido realizada de dois modos distintos: (a) Pela regulamentação integral  no próprio corpo da Lei nº 10.256/2001; (b) Pela alteração do texto legal atualizado da lei de  regência da matéria, diga­se, art. 25 da Lei nº 8.212/91.  Insuflado pelos ventos da consolidação que dimanam do art. 13, caput e §1º  da Lei Complementar nº  95/98,  a qual  dispõe  sobre  a  elaboração,  a  redação,  a  alteração  e  a  consolidação  das  leis,  conforme  determina  o  parágrafo  único  do  art.  59  da  Constituição  Federal, pautou­se o legislador infraconstitucional pela integração de todas as normas atinentes  à  matéria  em  debate  num  único  diploma  legal,  optando  assim  pela  introdução  da  norma  tributária no ordenamento mediante  a  alteração parcial  do  texto vigente do  art.  25 da Lei nº  8.212/91,  à  época  com  as  modificações  decorrentes  da  Lei  nº  9.528/97,  conforme  expressamente previsto no art. 12, III da suso comentada LC nº 95/98.  Lei Complementar nº 95, de 26 de fevereiro de 1998  Art. 12. A alteração da lei será feita:  I ­ mediante reprodução integral em novo texto, quando se tratar  de alteração considerável;  II  –  mediante  revogação  parcial;  (Redação  dada  pela  Lei  Complementar nº 107, de 26.4.2001)  III  ­  nos  demais  casos,  por  meio  de  substituição,  no  próprio  texto, do dispositivo alterado, ou acréscimo de dispositivo novo,  observadas as seguintes regras:  (...)    Art.  13.  As  leis  federais  serão  reunidas  em  codificações  e  consolidações,  integradas  por  volumes  contendo  matérias  conexas  ou  afins,  constituindo  em  seu  todo  a Consolidação  da  Legislação  Federal.  (Redação  dada  pela  Lei  Complementar  nº  107, de 26.4.2001)  Fl. 3022DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     36 §1o  A  consolidação  consistirá  na  integração  de  todas  as  leis  pertinentes  a  determinada  matéria  num  único  diploma  legal,  revogando­se formalmente as leis  incorporadas à consolidação,  sem modificação do alcance nem interrupção da força normativa  dos  dispositivos  consolidados.  (Parágrafo  incluído  pela  Lei  Complementar nº 107, de 26.4.2001)    Nesse cenário, ao promover a Lei nº 10.256/2001 as alterações necessárias ao  texto  do  art.  25  da  Lei  nº  8.212/91,  e  mantendo  inalterado  o  texto  dos  dispositivos  da  lei  anterior que seriam repetidos pela norma posterior, in casu, os incisos I e II do mesmo art. 25  em  tela,  fez  o  Congresso  Nacional,  com  a  anuência  do  Presidente  da  República,  inserir  no  Sistema  Jurídico  Nacional  norma  de  estirpe  legal  que,  ao  mesmo  tempo  em  que  revogou  tacitamente, por dispor de forma diversa, a exação tributária introduzida pela Lei nº 9.528/97,  instituiu  as  contribuições  a  cargo  do  empregador  rural  pessoa  física  e  a  cargo  do  segurado  especial,  às  alíquotas  de  2%  e  0,1%  incidentes  sobre  a  receita  bruta  proveniente  da  comercialização  da  sua  produção,  destinadas  à  Seguridade  Social  e  ao  financiamento  das  prestações  por  acidente  do  trabalho,  respectivamente,  norma  essa  que  se  mantém  vigente  e  eficaz até a data presente, não tendo ela sofrido qualquer sequela decorrente de declaração de  inconstitucionalidade promovida em sede controle concentrado, exclusivo do STF.  Teve  a  virtude  a  norma  ora  em  comento  de  sanear  todos  os  vícios  de  inconstitucionalidade apontados pelo Pretório Excelso no RE 363.852/MG.  1­  A isonomia houve­se por restabelecida eis que a norma aviada no art. 25  da  Lei  nº  8.212/91  instituiu  a  contribuição  do  empregador  rural  pessoa  física  incidente  receita  bruta  proveniente  da  comercialização  da  sua  produção, em substituição à contribuição de que  tratam os  incisos  I e  II  do art. 22 do pergaminho legal em trato. Assim, tanto o empregador rural  pessoa  física  quanto  o  segurado  especial  não  se  encontram  sujeitos  à  contribuição previdenciária sobre a folha de salários.  2­  A alínea ‘a’ do inciso I do art. 195, com a redação dada pela EC n° 20/98  passa  a  prever  a  contribuição  social  do  empregador  incidente  sobre  a  receita.  3­  Estando a fonte de custeio compreendida na hipótese genérica e abstrata  encartada no  inciso  I do art. 195 da CF/88, na  redação dada pela EC nº  20/88,  as  contribuições  para  a  seguridade  social  podem  ser  instituídas  mediante  lei  ordinária,  in  casu,  a Lei nº 10.256/2001, não  se  aplicando,  aqui o disposto no art. 154, I da Constituição da República. Tal questão já  foi  bater  às  portas  da  Suprema  Corte  Constitucional  que  pacificou  o  entendimento  em  torno  da  matéria  em  debate,  conforme  dessai  dos  seguintes julgados assim ementados:  “CONFORME  JÁ  ASSENTOU  O  STF  (RREE  146733  E  138284),  AS  CONTRIBUIÇÕES  PARA  A  SEGURIDADE  SOCIAL  PODEM  SER  INSTITUÍDAS  POR  LEI  ORDINÁRIA,  QUANDO  COMPREENDIDAS  NAS  HIPÓTESES DO ART. 195,  I, CF, SÓ SE EXIGINDO LEI  COMPLEMENTAR,  QUANDO  SE  CUIDAR  DE  CRIAR  NOVAS  FONTES  DE  FINANCIAMENTO  DO  SISTEMA  (CF,  ART.  195,  PAR.  4º)”  (RE  150.755,  Redator  para  o  acórdão o Ministro Sepúlveda Pertence, Tribunal Pleno, DJ  20.8.1993).  Fl. 3023DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.348          37   “AS  CONTRIBUIÇÕES  DO  ART.  195,  I,  II,  III,  DA  CONSTITUIÇÃO,  NÃO  EXIGEM,  PARA  A  SUA  INSTITUIÇÃO,  LEI  COMPLEMENTAR.  APENAS  A  CONTRIBUIÇÃO  DO  §4º  DO  MESMO  ART.  195  É  QUE  EXIGE,  PARA  A  SUA  INSTITUIÇÃO,  LEI  COMPLEMENTAR,  DADO  QUE  ESSA  INSTITUIÇÃO  DEVERÁ  OBSERVAR  A  TÉCNICA  DA  COMPETÊNCIA  RESIDUAL DA UNIÃO  (C.F.,  ART.  195,  §.  4º; C.F.,  ART.  154,  I)”  (RE  138.284,  Rel.  Min.  Carlos  Velloso,  Tribunal  Pleno, DJ 28.8.1992)    Assim,  a  contar  da  vigência  da  Lei  nº  10.256/2001,  editada  sob  o  manto  constitucional  aberto  pela  Emenda  Constitucional  nº  20/98,  passam  a  ser  devidas  as  contribuições  sociais  a  cargo  do  empregador  rural  pessoa  física,  às  alíquotas  de  2% e  0,1%  incidentes  sobre a  receita bruta proveniente da  comercialização da  sua produção, nos  termos  assinalados no art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação que  lhe  foi  introduzida pela Lei nº  10.256/2001.  No  caso  presente,  o  período  de  apuração  situa­se  de  01/12/2002  a  28/02/2005, ou  seja,  em período  integralmente  coberto pela  regência da Lei nº 10.256/2001,  não havendo que se falar em inconstitucionalidade da exação, pois esta decorre diretamente da  norma tributária inserida no ordenamento pelo diploma legal suso referido, e não pelas regras  consignadas nas leis nº 8.540/92 e 9.528/97, estas, sim, declaradas inconstitucionais pelo STF.     3.1.4.   DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O SENAR  O  Serviço Nacional  de  Aprendizagem Rural  ­  SENAR  foi  criado  pela  Lei  8.315,  de  23  de  dezembro  de  1991,  nos  termos  do  Artigo  62  do  Ato  das  Disposições  Constitucionais  Transitórias,  que  determinou  sua  criação  nos  moldes  do  SENAI  e  SENAC,  sendo,  posteriormente,  regulamentado  pelo  Decreto  nº  566,  de  10  de  junho  de  1992,  com  alterações introduzidas pelo Decreto 790/93, e pelas Leis 9.528/97, e 10.256/2001.  Trata­se  o  SENAR  de  uma  Instituição  de  direito  privado,  paraestatal,  vinculada à Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil  ­ CNA, mantida com recursos  provenientes  da  contribuição  compulsória  sobre  a  comercialização  de  produtos  agrossilvipastoris,  nos  termos  do  art.  3º  da  Lei  nº  8.315/91,  e  tem  como  objetivo  organizar,  administrar e executar em todo território nacional, o ensino da formação profissional rural e a  promoção social dos trabalhadores rurais.  Lei nº 8.315, de 23 de dezembro de 1991  Art. 3º Constituem rendas do SENAR:  I  ­  contribuição  mensal  compulsória,  a  ser  recolhida  à  Previdência  Social,  de  2,5%  (dois  e  meio  por  cento)  sobre  o  montante  da  remuneração  paga  a  todos  os  empregados  pelas  pessoas jurídicas de direito privado, ou a elas equiparadas, que  exerçam atividades:  Fl. 3024DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     38 a) agroindustriais;  b) agropecuárias;  c) extrativistas vegetais e animais;  d) cooperativistas rurais;  e) sindicais patronais rurais.  II ­ doações e legados;  III ­ subvenções da União, Estados e Municípios;  IV  ­  multas  arrecadadas  por  infração  de  dispositivos,  regulamentos e regimentos oriundos esta Lei;  V ­ rendas oriundas de prestação de serviços e da alienação ou  locação de seus bens;  VI ­ receitas operacionais;  VII ­ contribuição prevista no artigo 1º do Decreto­Lei nº 1.989,  de  28  de  dezembro  de  1982,  combinando  com  o  artigo  5º  do  Decreto­Lei  nº  1.146,  de  31  de  dezembro  de  1970,  que  continuará  sendo  recolhida  pelo  Instituto  Nacional  de  Colonização  e  Reforma  Agrária  ­  INCRA,  VIII  ­  rendas  eventuais;  §1º A incidência da contribuição a que se refere o inciso I deste  artigo não será cumulativa com as contribuições destinadas ao  Serviço  Nacional  de  Aprendizagem  Industrial  ­  SENAI  e  ao  Serviço  Nacional  de  Aprendizagem  Comercial  ­  SENAC,  prevalecendo em favor daquele ao qual os seus empregados são  beneficiários diretos.  §2º  As  pessoas  jurídicas  ou  a  elas  equiparadas,  que  exerçam  concomitantemente outras atividades não relacionadas no inciso  I  deste  artigo,  permanecerão  contribuindo  para  as  outras  entidades  de  formação  profissional  nas  atividades  que  lhes  correspondam especificamente.  §3º A arrecadação da contribuição será feita juntamente com a  da Previdência Social e o seu produto será posto, de imediato, à  disposição  do  SENAR,  para  aplicação  proporcional  nas  diferentes  Unidades  da  Federação,  de  acordo  com  a  correspondente  arrecadação,  deduzida  a  cota  necessária  às  despesas de caráter geral.  §4º  A  contribuição  definida  na  alínea  "a",  do  inciso  I,  deste  artigo,  incidirá  sobre  o  montante  da  remuneração  paga  aos  empregados  da  agroindústria  que  atuem  exclusivamente  na  produção primária de origem animal e vegetal.    A  lei  9.528/97,  mediante  seu  art.  6º,  modificou  o  regramento  legal  da  contribuição  em  apreço,  passando  a  instituir,  a  contar  de  sua  vigência,  a  contribuição  do  empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a"  do  inciso  V  e  no  inciso  VII  do  art.  12  da  Lei  n°  8.212/91,  para  o  Serviço  Nacional  de  Aprendizagem Rural – SENAR, à alíquota de 0,1% incidente sobre a receita bruta proveniente  da comercialização de sua produção rural.  Posteriormente,  em  julho  de  2001  foi  promulgada  a  Lei  nº  10.256/2001  a  qual,  por  dispor  de  forma  diversa,  revogou  tacitamente  a  norma  explicitada  no  parágrafo  anterior, fazendo criar, a contar da data de sua publicação, a contribuição do empregador rural  pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no  Fl. 3025DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.349          39 inciso VII do art. 12 da Lei n° 8.212/91, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural –  SENAR, à alíquota de 0,2% incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de  sua produção rural.  Lei nº 10.256/2001, de 09 de julho de 2001  Art.  3o O  art.  6o  da  Lei  no  9.528,  de  10  de  dezembro  de  1997,  passa a vigorar com a seguinte redação:  "Art. 6o A contribuição do empregador rural pessoa física e a do  segurado  especial,  referidos,  respectivamente,  na  alínea  a  do  inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei no 8.212, de 24 de julho  de  1991,  para  o  Serviço  Nacional  de  Aprendizagem  Rural  (SENAR), criado pela Lei no 8.315, de 23 de dezembro de 1991, é  de  zero  vírgula  dois  por  cento,  incidente  sobre  a  receita  bruta  proveniente da comercialização de sua produção rural." (NR)    Mostra­se conveniente esclarecer que mesmo a receita oriunda da exportação  constitui base de cálculo dessa contribuição, posto não ter natureza de contribuição social ou de  intervenção  no  domínio  econômico,  mas,  sim,  de  interesse  das  categorias  profissionais  ou  econômicas,  espécie  de  contribuição  social  que  não  se  inclui  na  hipótese  de  não  incidência  qualificada  prevista  no  inciso  I  do  §2°  do  art.  149  da  Constituição  Federal,  acrescido  pela  Emenda Constitucional 33/2001.   Constituição Federal   Art.  149.  Compete  exclusivamente  à  União  instituir  contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de  interesse  das  categorias  profissionais  ou  econômicas,  como  instrumento de  sua atuação nas  respectivas áreas, observado o  disposto  nos  arts.  146,  III,  e  150,  I  e  III,  e  sem  prejuízo  do  previsto  no  art.  195,  §6º,  relativamente  às  contribuições  a  que  alude o dispositivo.  §1º Os  Estados,  o Distrito  Federal  e  os Municípios  instituirão  contribuição,  cobrada  de  seus  servidores,  para  o  custeio,  em  benefício destes, do regime previdenciário de que trata o art. 40,  cuja alíquota não será inferior à da contribuição dos servidores  titulares  de  cargos  efetivos  da  União.  (Redação  dada  pela  Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)  §2º  As  contribuições  sociais  e  de  intervenção  no  domínio  econômico  de  que  trata  o  caput  deste  artigo:  (Incluído  pela  Emenda Constitucional nº 33, de 2001)  I  ­ não  incidirão  sobre  as  receitas  decorrentes  de  exportação;  (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001)  II  ­  incidirão  também  sobre  a  importação  de  produtos  estrangeiros  ou  serviços;  (Redação  dada  pela  Emenda  Constitucional nº 42, de 19.12.2003)    Fl. 3026DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     40 Com efeito, a Emenda Constitucional nº 33/2001 introduziu no ordenamento  um  novo  regramento  de  imunidade  visando  a  diminuir  a  carga  tributária  incidente  sobre  receitas  decorrentes  de  exportações, mediante  a  inclusão  do  §2º  ao  art.  149  da Constituição  Federal.  A identificação da natureza jurídica das contribuições tributárias tem grande  importância prática, pois determina o seu regime jurídico. De acordo com o caput do art. 149,  são três as espécies de contribuições:  a) Contribuições sociais – com finalidade de custeio da seguridade social;  b)  Contribuições  de  interesse  de  categorias  profissionais  e  econômicas  ­  ligadas  a  órgãos  representativos  de  categorias  profissionais  ou  econômicas;  c) Contribuições de intervenção no domínio econômico ­ através das quais o  Estado  intervém na econômica, controlando­a e  incrementando­a com tal  tributação.    Assim,  apesar  de  o  caput  do  dispositivo  constitucional  em  realce  prever  a  existência de três espécies distintas de contribuições ­ as sociais, as de intervenção no domínio  econômico  e  as  de  interesse  das  categorias  profissionais  e  econômicas  ­,  a  regra  da  não  incidência  tributária  perfilada  em  seu  §2°  abraçou,  tão  somente,  as  duas  primeiras,  não  incluindo  no  campo  da  renuncia  fiscal  em  voga  as  contribuições  de  interesse  das  categorias  profissionais e econômicas, como é o caso do SENAR.  Tal  compreensão  não  discrepa  do  entendimento  adotado  no  Parecer  PFE­ INSS/CGMT/DCMT  16/2004  e  Nota  COSIT  312/2007,  o  que  vem  a  consolidar  o  entendimento sobre tal matéria no âmbito administrativo tributário.   Revela­se improcedente, portanto, alegação recursal de inconstitucionalidade  da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural e seus acessórios, devidas  pelos produtores  rurais pessoas físicas, a que os  frigoríficos estão obrigados por sub­rogação  legal.  A  uma,  porque  os  fatos  geradores  que  constituem  o  presente  lançamento  houveram por ocorridos já sob a égide da Lei nº 10.256/2001, a qual não foi sequer arranhada  pela  declaração  de  inconstitucionalidade  veiculada  no  RE  363.852/MG,  conforme  exaustivamente demonstrado.  A  duas,  por  que  o  STF  apenas  desobrigou  as  empresas  da  retenção  e  do  recolhimento da contribuição previdenciária ou do seu  recolhimento por sub­rogação sobre a  receita  bruta  proveniente  da  comercialização  da  produção  rural  de  empregadores,  pessoas  naturais, mediante a declaração de inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540/92, que deu  nova redação aos artigos 12, 12, incisos V e VII2, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº  8.212/91,  com  redação  atualizada  até  a  Lei  nº  9.528/97,  sem  realizar  qualquer  menção  ao  SENAR, ou mesmo à Lei nº 8.315/91.                                                              2 Em realidade, a Lei nº 8.540/92 não promoveu qualquer modificação no inciso VII do art. 12  da Lei nº 8.212/91, mas, tão somente, no inciso V desse mesmo dispositivo legal.  Fl. 3027DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.350          41 Assim,  possuindo  a  lei  presunção  iuris  tantum  de  constitucionalidade,  não  sendo as normas tributárias que regem a contribuição para o SENAR abraçadas expressamente  pelo  Pretório  Excelso,  na  declaração  de  inconstitucionalidade  em  apreço,  conclui­se  que  a  contribuição social em apreço permanece sendo devida pelo Recorrente, sem qualquer solução  de continuidade.  A  três,  porque  as  contribuições  para  o  SENAR  são  completamente  independentes e autônomas em relação às contribuições previdenciárias. Compete­nos enfatizar  que  inexiste  qualquer  conexão  jurídica  interligando  a  contribuição  para  o  SENAR  e  a  contribuição  previdenciária,  tampouco  esta  se  revela  principal  em  relação  àquela.  As  duas  contribuições são totalmente autônomas, distintas e independentes; ostentam natureza jurídica  diversa;  possuem  destinação  constitucional  bastante  divisa  uma  em  relação  à  outra;  foram  criadas  e  disciplinadas  por  documentos  legislativos  próprios  e  diversos,  além  de  os  beneficiários de tais contribuições serem pessoas jurídicas diferentes.   A lei apenas atribuiu à Secretaria da Receita Federal do Brasil a competência  para planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, fiscalização,  arrecadação,  cobrança  e  o  recolhimento  das  contribuições  sociais  devidas  a  terceiros,  assim  entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicando­se em relação  a  essas  contribuições,  no  que  couber,  as  disposições  legais  referentes  às  contribuições  previdenciárias.  Frize­se que, nos  termos do §3º do art. 3º da  lei nº 8.315/91, a arrecadação  das contribuições destinadas ao SENAR deve ser realizada pelos seus contribuintes legais aos  cofres  públicos  juntamente  com  as  contribuições  previdenciárias  destinadas  ao  custeio  da  seguridade  social,  devendo  ser  observadas  todas  as  regras  atinentes  a  prazos,  período  de  arrecadação,  acréscimos  legais  decorrente  de  atraso  no  recolhimento,  etc.  Além  disso,  a  fiscalização da regularidade de seu recolhimento e a competência para efetuar o lançamento de  ofício  também  foram  atribuídas  ao  órgão  fazendário  responsável  pela  fiscalização  das  contribuições  destinadas  ao  custeio  da  Seguridade  Social.  Apesar  disso,  a  contribuição  em  relevo se revela totalmente autônoma em relação às contribuições previdenciárias em questão,  muito embora a matéria tributável lhes seja idêntica.    3.1.5.  DA SUB­ROGAÇÃO  Por  derradeiro,  mas  não  menos  importante,  resta­nos  apreciar  a  questão  atávica à sub­rogação do adquirente, do consignatário ou da cooperativa pelo cumprimento das  obrigações do empregador rural pessoa física e do segurado especial assentadas no art. 25 da  Lei nº 8.212/91.  Verifica­se no voto condutor acima revisitado, que a matéria atinente à sub­ rogação em momento algum foi discutida no julgamento do Supremo Sodalício. Com efeito, o  Supremo não se pronunciou acerca de nenhum vício de inconstitucionalidade a macular a sub­ rogação, até porque esta foi expressamente prevista na própria Lex Excelsior.   Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988   Art.  150.  Sem  prejuízo  de  outras  garantias  asseguradas  ao  contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal  e aos Municípios:  Fl. 3028DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     42 (...)  §7º  A  lei  poderá  atribuir  a  sujeito  passivo  de  obrigação  tributária a condição de responsável pelo pagamento de imposto  ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente,  assegurada  a  imediata  e  preferencial  restituição  da  quantia  paga,  caso  não  se  realize  o  fato  gerador  presumido.  (Incluído  pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993)    Assim proclamou o Min. Marco Aurélio, ad litteris et verbis:  “Ante  esses  aspectos,  conheço  e  provejo  o  recurso  interposto  para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da  contribuição  social  ou  do  seu  recolhimento  por  sub­rogação  sobre  a  “receita  bruta  proveniente  da  comercialização  da  produção  rural”  de  empregadores,  pessoas  naturais,  fornecedores  de  bovinos  para  abate,  declarando  a  inconstitucionalidade  do  artigo  1º  da  Lei  nº  8.540/92,  que  deu  nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e  30,  inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a  Lei  nº  9.528/97, até  que  legislação  nova,  arrimada na Emenda  Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na  forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência.”    Olhando  com  os  olhos  de  ver,  o  Min.  Marco  Aurélio  não  declarou  a  inconstitucionalidade  do  inciso  IV  do  art.  30  da  Lei  nº  8.212/91,  mas,  tão  somente,  a  inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540/92, o qual, dentre outras  tantas providências,  “deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº  8.212/91”.  Lei nº 8.540, de 22 de dezembro de 1992  Art. 1º A Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passa a vigorar  com alterações nos seguintes dispositivos:  Art. 12. ...................................................  V ­.............................................  a)  a  pessoa  física,  proprietária  ou  não,  que  explora  atividade  agropecuária  ou  pesqueira,  em  caráter  permanente  ou  temporário,  diretamente  ou  por  intermédio  de  prepostos  e  com  auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de  forma não contínua;  b) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade de  extração  mineral  ­  garimpo  ­,  em  caráter  permanente  ou  temporário,  diretamente  ou  por  intermédio  de  prepostos  e  com  auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de  forma não contínua;  c) o ministro de confissão religiosa e o membro de  instituto de  vida  consagrada e de  congregação ou de ordem religiosa,  este  quando  por  ela  mantido,  salvo  se  filiado  obrigatoriamente  à  Previdência  Social  em  razão  de  outra  atividade,  ou  a  outro  sistema previdenciário, militar  ou  civil,  ainda  que  na  condição  de inativo;  Fl. 3029DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.351          43 d)  o  empregado  de  organismo  oficial  internacional  ou  estrangeiro  em  funcionamento  no Brasil,  salvo  quando  coberto  por sistema próprio de previdência social;  e)  o  brasileiro  civil  que  trabalha  no  exterior  para  organismo  oficial  internacional  do  qual  o  Brasil  é  membro  efetivo,  ainda  que  lá  domiciliado  e  contratado,  salvo  quando  coberto  por  sistema de previdência social do país do domicílio;    Art. 22. .......................................................................  §5º O disposto neste artigo não se aplica à pessoa física de que  trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 desta Lei.    Art. 25. A contribuição da pessoa física e do segurado especial  referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso  VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de:  I  ­  dois  por  cento  da  receita  bruta  proveniente  da  comercialização da sua produção;  II  ­  um  décimo  por  cento  da  receita  bruta  proveniente  da  comercialização  da  sua  produção  para  financiamento  de  complementação das prestações por acidente de trabalho.  §1º  O  segurado  especial  de  que  trata  este  artigo,  além  da  contribuição obrigatória referida no "caput", poderá contribuir,  facultativamente, na forma do art. 21 desta Lei.  §2º A pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art.  12,  contribui,  também,  obrigatoriamente,  na  forma  do  art.  21  desta Lei.  §3º  Integram  a  produção,  para  os  efeitos  deste  artigo,  os  produtos  de  origem  animal  ou  vegetal,  em  estado  natural  ou  submetidos  a  processos  de  beneficiamento  ou  industrialização  rudimentar, assim compreendidos, entre outros, os processos de  lavagem,  limpeza,  descaroçamento,  pilagem,  descascamento,  lenhamento, pasteurização, resfriamento, secagem, fermentação,  embalagem,  cristalização,  fundição,  carvoejamento,  cozimento,  destilação, moagem,  torrefação, bem como os subprodutos e os  resíduos obtidos através desses processos.  §4º Não integra a base de cálculo dessa contribuição a produção  rural  destinada  ao  plantio  ou  reflorescimento,  nem  sobre  o  produto animal destinado a reprodução ou criação pecuária ou  granjeira  e  a  utilização  como  cobaias  para  fins  de  pesquisas  científicas,  quando  vendido  pelo  próprio  produtor  e  quem  a  utilize diretamente com essas  finalidades, e no caso de produto  vegetal, por pessoa ou entidade que, registrada no Ministério da  Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, se dedique  ao comércio de sementes e mudas no País.   § 5º (VETADO)  (...)  Art. 30. ....................................................  IV  ­  o adquirente,  o  consignatário ou a  cooperativa  ficam sub­ rogados  nas  obrigações  da  pessoa  física  de  que  trata  a  alínea  "a"  do  inciso  V  do  art.  12  e  do  segurado  especial  pelo  Fl. 3030DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     44 cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, exceto no caso  do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento;  X ­ a pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art.  12  e  o  segurado  especial  são  obrigados  a  recolher  a  contribuição  de  que  trata  o  art.  25  desta  Lei  no  prazo  estabelecido no inciso III deste artigo, caso comercializem a sua  produção  no  exterior  ou,  diretamente,  no  varejo,  ao  consumidor.”    Ora, caros leitores, o fato de o art. 1º da Lei nº 8.540/92 ter sido declarado, na  via difusa,  inconstitucional, não implica  ipso facto que todas as modificações legislativas por  ele  introduzidas  sejam  tidas  por  inconstitucionais.  A  pensar  assim,  seria  inconstitucional  a  fragmentação da alínea ‘a’ do inciso V do art. 12 da Lei nº 8.212/91, nas alíneas ‘a’ e ‘b’ do  mesmo  dispositivo  legal,  sem  qualquer  modificação  em  sua  essência,  assim  como  a  renumeração  das  alíneas  ‘b’,  ‘c’  e  ‘d’  do mesmo  inciso  V  acima  citado  para  ‘c’,  ‘d’  e  ‘e’,  respectivamente, sem qualquer modificação de texto.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art.  12.  São  segurados  obrigatórios  da  Previdência  Social  as  seguintes pessoas físicas:  (...)  V  ­  como  equiparado a  trabalhador  autônomo, além dos  casos  previstos em legislação específica: (Vide Lei nº 8.540, de 1992).  a) a pessoa física, proprietária ou não, que explora a atividade  agropecuária, pesqueira ou de extração mineral ­­ garimpeiro ­  em  caráter  permanente  ou  temporário,  diretamente  ou  por  intermédio de prepostos e com auxílio de empregados, utilizados  a  qualquer  título,  ainda  que  de  forma  não  contínua;  (Redação  dada pela Lei nº 8.398/92).  b) o ministro de confissão religiosa e o membro de  instituto de  vida  consagrada e de  congregação ou de ordem religiosa,  este  quando  por  ela  mantido,  salvo  se  filiado  obrigatoriamente  à  Previdência  Social  em  razão  de  outra  atividade,  ou  a  outro  sistema previdenciário, militar  ou  civil,  ainda  que  na  condição  de inativo;  c)  o  empregado  de  organismo  oficial  internacional  ou  estrangeiro  em  funcionamento  no Brasil,  salvo  quando  coberto  por sistema próprio de previdência social;  d)  o  brasileiro  civil  que  trabalha  no  exterior  para  organismo  oficial  internacional  do  qual  o  Brasil  é  membro  efetivo,  ainda  que  lá  domiciliado  e  contratado,  salvo  quando  coberto  por  sistema de previdência social do país do domicílio;  a)  a  pessoa  física,  proprietária  ou  não,  que  explora  atividade  agropecuária  ou  pesqueira,  em  caráter  permanente  ou  temporário,  diretamente  ou  por  intermédio  de  prepostos  e  com  auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de  forma não contínua; (Redação dada pela Lei nº 8.540, de 1992).  b) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade de  extração  mineral  garimpo,  em  caráter  permanente  ou  temporário,  diretamente  ou  por  intermédio  de  prepostos  e  com  auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de  forma não contínua; (Redação dada pela Lei nº 8.540, de 1992).  Fl. 3031DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.352          45 c) o ministro de confissão religiosa e o membro de  instituto de  vida  consagrada e de  congregação ou de ordem religiosa,  este  quando  por  ela  mantido,  salvo  se  filiado  obrigatoriamente  à  Previdência  Social  em  razão  de  outra  atividade,  ou  a  outro  sistema previdenciário, militar  ou  civil,  ainda  que  na  condição  de inativo; (Redação dada pela Lei nº 8.540, de 1992).  d)  o  empregado  de  organismo  oficial  internacional  ou  estrangeiro  em  funcionamento  no Brasil,  salvo  quando  coberto  por  sistema próprio de previdência social;  (Redação dada pela  Lei nº 8.540, de 1992).  e)  o  brasileiro  civil  que  trabalha  no  exterior  para  organismo  oficial  internacional  do  qual  o  Brasil  é  membro  efetivo,  ainda  que  lá  domiciliado  e  contratado,  salvo  quando  coberto  por  sistema  de  previdência  social  do  país  do  domicílio;  (Incluído  pela Lei nº 8.540, de 1992).    ... E o que falar, então, sobre a constitucionalidade do Inciso VII do art. 12 da  Lei  nº  8.212/91,  o  qual,  embora  citado  pelo  Sr.  Min.  Marco  Aurélio,  sequer  se  houve  por  tocado pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92. Seria, assim, o Inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212/91  inconstitucional simplesmente e  tão somente porque fora citado pelo Min. Marco Aurélio em  seu voto? Não nos parece ser essa a melhor exegese do caso em debate.  Venhamos e convenhamos !  Adite­se que o inciso IX do art. 93 da CF/88 determina,  taxativamente, que  todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário, aqui incluído por óbvio o STF, devem ser  públicos, e fundamentadas todas as suas decisões, sob pena de nulidade. Ora ... No julgamento  do  RE  363.852/MG  inexiste  qualquer  menção,  ínfima  que  seja,  a  possíveis  vícios  de  inconstitucionalidade na sub­rogação encartada no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91.   Constituição Federal de 1988   Art.  93.  Lei  complementar,  de  iniciativa  do  Supremo  Tribunal  Federal,  disporá  sobre o Estatuto da Magistratura, observados  os seguintes princípios:  (...)  IX­  todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão  públicos,  e  fundamentadas  todas  as  decisões,  sob  pena  de  nulidade,  podendo  a  lei  limitar  a  presença,  em  determinados  atos, às próprias partes e a seus advogados, ou somente a estes,  em  casos  nos  quais  a  preservação  do  direito  à  intimidade  do  interessado  no  sigilo  não  prejudique  o  interesse  público  à  informação;  (Redação  dada  pela  Emenda  Constitucional  nº  45/2004)    Aliás, o vocábulo “sub­rogação” assim como a  referência  ao “inciso  IV do  art. 30 da Lei nº 8.212/91”  somente são mencionados na conclusão do Acórdão, ocasião em  que  o  Sr.  Min.  Relator  desobriga  os  recorrentes  do  RE  363.852/MG  da  retenção  e  do  recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por sub­rogação sobre a “receita  bruta  proveniente  da  comercialização  da produção  rural”  de  empregadores,  pessoas  naturais,  Fl. 3032DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     46 fornecedores de bovinos para abate, e que é declarada inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº  8.540/92, o qual deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso  IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97.  “Ante  esses  aspectos,  conheço  e  provejo  o  recurso  interposto  para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da  contribuição  social  ou  do  seu  recolhimento  por  sub­rogação  sobre  a  “receita  bruta  proveniente  da  comercialização  da  produção  rural”  de  empregadores,  pessoas  naturais,  fornecedores  de  bovinos  para  abate,  declarando  a  inconstitucionalidade  do  artigo  1º  da  Lei  nº  8.540/92,  que  deu  nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e  30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a  Lei  nº  9.528/97, até  que  legislação  nova,  arrimada na Emenda  Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na  forma  do  pedido  inicial,  invertidos  os  ônus  da  sucumbência.”   (grifos nossos)     Nessa  vertente,  não  havendo  no  Acórdão  do  RE  363.852/MG  qualquer  referibilidade, a mínima que seja, a eventuais vícios de constitucionalidade atávicos ao instituto  da sub­rogação ora em foco, forçoso reconhecer que, ou o julgamento acima tratado é nulo, por  falta  de  fundamentação,  com  fulcro  no  art.  93,  IX  da CF/88,  ou  naquele  julgamento  não  se  houve por declarado qualquer vício de inconstitucionalidade na sub­rogação estatuída no inciso  IV do art.  30 da Lei nº  8.212/91, mas,  tão  somente, mera menção no  texto da conclusão do  Acórdão  em  tela.  Se  nos  antolha  ser  esta  última  a  melhor  interpretação  do  dispositivo  do  Acórdão do RE 363.852/MG.  A uma, porque não foi apontado qualquer vício de  inconstitucionalidade no  instituto da sub­rogação em relevo.  A duas, porque se a sub­rogação em tela fosse considerada inconstitucional,  também teria que ser declarado inconstitucional o inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91 em  sua redação originária, que também trata da sub­rogação do adquirente, do consignatário ou da  cooperativa nas obrigações do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25  da Lei nº 8.212/91.  Decerto, se partíssemos de uma interpretação literal do dispositivo do voto do  Ministro Relator, haveríamos de concluir que a sub­rogação em relação ao segurado especial  ainda  permaneceria  de  observância  obrigatória  pelo  adquirente,  pelo  consignatário  e  pela  cooperativa, eis que tal obrigação houve­se por estatuída diretamente pela Lei nº 8.212/91, em  sua  redação  de  origem,  não  tendo  sido  atingida  pela  declaração  de  inconstitucionalidade  em  realce.  A três, porque o art. 128 do CTN estatui, de maneira isenta de dúvidas, que a  lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa,  vinculada  ao  fato  gerador  da  respectiva  obrigação,  excluindo  a  responsabilidade  do  contribuinte  ou  atribuindo­a  a  este  em  caráter  supletivo  do  cumprimento  total  ou  parcial  da  referida obrigação.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art.  128.  Sem  prejuízo  do  disposto  neste  capítulo,  a  lei  pode  atribuir  de  modo  expresso  a  responsabilidade  pelo  crédito  tributário  a  terceira  pessoa,  vinculada  ao  fato  gerador  da  Fl. 3033DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.353          47 respectiva  obrigação,  excluindo  a  responsabilidade  do  contribuinte  ou  atribuindo­a  a  este  em  caráter  supletivo  do  cumprimento total ou parcial da referida obrigação.    A quatro, porque a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições de  que  trata  o  art.  25  da  Lei  nº  8.212/91  foi  determinada  ao  adquirente,  ao  consignatário  e  à  cooperativa,  expressamente,  pelo  inciso  III  do  art.  30  da  Lei  nº  8.212/91,  o  qual  não  foi  igualmente  atingido,  sequer de  raspão, pelos petardos  da declaração de  inconstitucionalidade  aviada  no RE nº  363.852/MG,  permanecendo  tal  obrigação  tributária  ainda  vigente  e  eficaz,  mesmo em relação ao empregador rural pessoa física após a publicação da Lei nº 10.256/2001,  produzindo todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art.  25.  A  contribuição  do  empregador  rural  pessoa  física,  em  substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art.  22,  e  a  do  segurado  especial,  referidos,  respectivamente,  na  alínea  a  do  inciso  V  e  no  inciso  VII  do  art.  12  desta  Lei,  destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº  10.256/2001).  I  ­ 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua  produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528/97).   II ­ 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua  produção  para  financiamento  das  prestações  por  acidente  do  trabalho. (Redação dada pela Lei nº 9.528/97).    Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de  outras  importâncias  devidas  à  Seguridade  Social  obedecem  às  seguintes normas, observado o disposto em regulamento:  (...)  III  ­ a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a  cooperativa  são  obrigadas  a  recolher  a  contribuição  de  que  trata o art. 25, até o dia 2 do mês subsequente ao da operação de  venda ou consignação da produção, independentemente de estas  operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou  com  intermediário  pessoa  física,  na  forma  estabelecida  em  regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528/97)  IV ­ a empresa adquirente,  consumidora ou consignatária ou a  cooperativa  ficam sub­rogadas  nas obrigações da pessoa  física  de que  trata a alínea "a" do  inciso V do art. 12 e do segurado  especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei,  independentemente  de  as  operações  de  venda  ou  consignação  terem  sido  realizadas  diretamente  com  o  produtor  ou  com  intermediário  pessoa  física,  exceto  no  caso  do  inciso  X  deste  artigo,  na  forma  estabelecida  em  regulamento;  (Redação  dada  pela Lei 9.528/97)    É  certo  que  o  disposto  no  inciso  IV  do  art.  30  da  Lei  nº  8.212/91  já  seria  bastante e suficiente para impingir ao adquirente, consumidor, consignatário e à cooperativa o  Fl. 3034DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     48 dever  jurídico  de  recolher  as  contribuições  incidentes  sobre  a  comercialização  de  produção  rural.  Mas o Legislador Ordinário foi mais seletivo:  a)  Isolou,  propositadamente,  no  inciso  III  do  art.  30  da Lei  de Custeio  da  Seguridade Social,  a obrigação  tributária do  adquirente,  do  consumidor,  do consignatário e da cooperativa de recolher a contribuição de que trata  o art. 25 dessa mesma lei, no prazo normativo, independentemente de as  operações  de  venda  ou  consignação  terem  sido  realizadas  diretamente  com  o  produtor  ou  com  intermediário  pessoa  física,  outorgando  ao  Regulamento  da  Previdência  Social  a  competência  para  dispor  sobre  a  forma de efetivação de tal obrigação acessória.   b)  Acomodou  no  inciso  IV  do  art.  30  da  Lei  nº  8.212/91,  de  maneira  genérica, a sub­rogação do adquirente, do consumidor, do consignatário e  da cooperativa nas demais obrigações, de qualquer naipe, do empregador  rural  pessoa  física  e  do  segurado  especial  decorrentes  do  art.  25  desse  Diploma  Legal,  independentemente  de  as  operações  de  venda  ou  consignação  terem  sido  realizadas  diretamente  com  o  produtor  ou  com  intermediário pessoa física.    Da  análise  dos  dispositivos  legais  acima  selecionados,  restou  visível  que  a  obrigação  da  empresa  adquirente,  consumidora,  consignatária  e  a  cooperativa  pelo  recolhimento das contribuições previstas no art. 25 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela  Lei nº 10.256/2001, decorre não da norma inscrita no inciso IV do art. 30 da Lei de Custeio da  Seguridade Social, mas, sim, do preceito assentado no inciso III desse mesmo dispositivo legal,  em atenção ao princípio jurídico da especialidade na solução dos conflitos aparentes de normas  jurídicas,  que  faz  com  que  a  norma  específica  prevaleça  sobre  aquela  editada  de  maneira  genérica, princípio eternizado no brocardo latino “lex specialis derogat generali”.  A  cinco,  porque  o  próprio  dispositivo  do  Acórdão  do  RE  363.852/MG  declara a  “inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova  redação aos  artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação  atualizada  até  a  Lei  nº  9.528/97,  até  que  legislação  nova,  arrimada  na  Emenda  Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial”.   Salta  aos  olhos  que  a  sanatória  da  inconstitucionalidade  vislumbrada  pela  Suprema Corte depende, tão somente, da promulgação de legislação nova, arrimada na EC n°  20/98,  que  institua  a  contribuição  então  viciada.  Tais  exigências  houveram­se  por  integralmente supridas com a promulgação da Lei nº 10.256, de 09 de julho de 2001, sob cuja  égide ocorreram todos os fatos geradores contidos no presente lançamento tributário.  Não há,  portanto,  qualquer  exigência  de  legislação  nova para  instituir  nova  hipótese de sub­rogação, tampouco para adequá­la a este ou aquele preceito constitucional. O  dispositivo  em  foco  restringe­se,  apenas,  à  contribuição  social  viciada.  Ou  seja,  tudo  em  perfeita  sintonia  com  a  fundamentação  do Acórdão  em  debate,  o  qual  versou,  tão  somente,  sobre os vícios de  inconstitucionalidade da contribuição social em si considerada,  ignorando,  completamente, a sub­rogação em tela.  Fl. 3035DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.354          49 Avulta, de todo o exposto, que o provimento permeado no Acórdão do STF  em tela visou a desobrigar o recorrente do RE 363.852/MG da retenção e do recolhimento da  contribuição social sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de  empregadores, pessoas naturais,  fornecedores de bovinos para  abate, ou do seu  recolhimento  por sub­rogação, não por defeito  jurídico no  instituto da sub­rogação, mas, sim, por vício de  inconstitucionalidade da própria exação em si considerada.  Nessa vertente, sendo a contribuição em xeque considerada pelo STF como  inconstitucional,  na  via  difusa,  esta  não  poderia  ser  exigida  do Recorrente  naquela  demanda  judicial nem diretamente nem por sub­rogação.    Por  outro  viés, mas  trigo  de  outra  safra,  conforme muito  bem  interpretado  pelo  Mestre  Fabio  Zambitte  Ibrahim,  citado  pelo  Min.  Carlos  Veloso  no  julgamento  do  Recurso  Extraordinário  RE  393.946/MG  –  Informativo  STF  nº  368,  de  outubro  de  2004,  a  obrigação de retenção e recolhimento de  tributo “é um facere,  isto é, uma prestação positiva  imposta a determinada pessoa, no interesse da arrecadação de exações devidas”.   Nesse sentido salientou o Relator, no julgamento ora no placar:  “A  Constituição  autoriza  coisa  maior:  a  lei  poderá  atribuir  a  sujeito  passivo  de  obrigação  tributária  a  condição  de  responsável  pelo  pagamento  de  imposto  ou  contribuição,  cujo  fato  gerador  deva  ocorrer  posteriormente,  assegurada  a  imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se  realize o fato gerador presumido. C.F., art. 150, §7º. E o Código  Tributário Nacional,  art.  128,  prescreve  que,  "Sem prejuízo  do  disposto  neste  Capítulo  (Capítulo  V  ­  Responsabilidade  Tributária),  a  lei  pode  atribuir  de  modo  expresso  a  responsabilidade  pelo  crédito  tributário  a  terceira  pessoa,  vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a  responsabilidade  do  contribuinte  ou  atribuindo­a  a  este  em  caráter  supletivo  do  cumprimento  total  ou  parcial  da  referida  obrigação."    Ora,  tratando­se de obrigação  tributária  acessória,  assim  entendidas  aquelas  que  têm  por  objeto  prestações,  positivas  ou  negativas,  nela  previstas  no  interesse  da  arrecadação ou da fiscalização dos tributos, nos termos do art. 113, II do CTN, estas podem ser  validamente  instituídas  mediante  qualquer  documento  normativo  que  integre  o  conjunto  denominado Legislação Tributária, do qual  são espécies  as  leis, os  tratados e as convenções  internacionais,  os  decretos  e  as  normas  complementares  que  versem,  no  todo  ou  em  parte,  sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, estando enquadrada nesse rol as Instruções  Normativas expedidas pelos órgãos competentes, a teor dos artigos 96 e 100 do CTN.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis,  os  tratados  e  as  convenções  internacionais,  os  decretos  e  as  normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre  tributos e relações jurídicas a eles pertinentes.    Fl. 3036DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     50 Art.  100.  São  normas  complementares  das  leis,  dos  tratados  e  das convenções internacionais e dos decretos:  I  ­  os  atos  normativos  expedidos  pelas  autoridades  administrativas;  II ­ as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição  administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa;  III  ­  as  práticas  reiteradamente  observadas  pelas  autoridades  administrativas;  IV ­ os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o  Distrito Federal e os Municípios.  Parágrafo  único.  A  observância  das  normas  referidas  neste  artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de  mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do  tributo.    Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória.  §1º  A  obrigação  principal  surge  com  a  ocorrência  do  fato  gerador,  tem por  objeto  o  pagamento  de  tributo  ou penalidade  pecuniária  e  extingue­se  juntamente  com  o  crédito  dela  decorrente.  §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem  por  objeto as  prestações,  positivas ou  negativas,  nela  previstas  no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos.  §3º  A  obrigação  acessória,  pelo  simples  fato  da  sua  inobservância, converte­se em obrigação principal relativamente  à penalidade pecuniária.    Imerso  nessa  Ordem  Constitucional  e  Legal,  em  06  de  maio  de  1999,  o  Presidente da República,  no  uso  das  atribuições  que  lhe  conferem o  inciso  IV do  art.  84  da  Constituição Federal e o  Inciso III do art. 30 da Lei nº 8.212/91, e de acordo com a Emenda  Constitucional  no  20/98,  fez  editar  o  Decreto  nº  3.048/1999,  aprovando  o  Regulamento  da  Previdência Social, ainda hoje em vigor, cujos artigos 200, 200­A e 216 instituíram a obrigação  acessória da empresa adquirente, consumidora, consignatária ou da cooperativa, na condição de  sub­rogada,  a  arrecadar,  mediante  desconto  e  a  recolher  as  contribuições  sociais  incidentes  sobre  a  receita  bruta  oriunda  da  comercialização  da  produção  devidas  pelo  produtor  rural  pessoa física e pelo segurado especial.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de  outras  importâncias  devidas  à  Seguridade  Social  obedecem  às  seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620/93)   I ­ a empresa é obrigada a:   (...)  III  ­ a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a  cooperativa  são  obrigadas  a  recolher  a  contribuição  de  que  trata o art. 25, até o dia 2 do mês subsequente ao da operação de  venda ou consignação da produção, independentemente de estas  operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou  com  intermediário  pessoa  física,  na  forma  estabelecida  em  regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528/97) (grifos nossos)     Fl. 3037DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.355          51 Regulamento  da  Previdência  Social,  aprovado  pelo  Dec.  nº  3.048/99   Art. 200. A contribuição do empregador rural pessoa física, em  substituição à contribuição de que tratam o inciso I do art. 201 e  o  art.  202,  e  a  do  segurado  especial,  incidente  sobre  a  receita  bruta  da  comercialização  da  produção  rural,  é  de:  (Redação  dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001)  I­ dois por cento para a seguridade social; e   II­  zero  vírgula  um  por  cento  para  o  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho.  (...)  §4º  Considera­se  receita  bruta  o  valor  recebido  ou  creditado  pela comercialização da produção, assim entendida a operação  de venda ou consignação.  §5º  Integram  a  produção,  para  os  efeitos  dos  incisos  I  e  II  do  caput,  os  produtos  de  origem  animal  ou  vegetal,  em  estado  natural  ou  submetidos  a  processos  de  beneficiamento  ou  industrialização rudimentar, assim compreendidos, entre outros,  os  processos  de  lavagem,  limpeza,  descaroçamento,  pilagem,  descascamento,  lenhamento,  pasteurização,  resfriamento,  secagem,  socagem,  fermentação,  embalagem,  cristalização,  fundição,  carvoejamento,  cozimento,  destilação,  moagem  e  torrefação,  bem  como  os  subprodutos  e  os  resíduos  obtidos  através desses processos.  (...)  §7º A contribuição de que trata este artigo será recolhida:  I­ Pela empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou  a  cooperativa,  que  ficam  sub­rogadas  no  cumprimento  das  obrigações do produtor rural pessoa física de que trata a alínea  "a"  do  inciso  V  do  caput  do  art.  9º  e  do  segurado  especial,  independentemente  de  as  operações  de  venda  ou  consignação  terem  sido  realizadas  diretamente  com  estes  ou  com  intermediário  pessoa  física,  exceto  nos  casos  do  inciso  III;  (grifos nossos)   II­ pela pessoa física não produtor rural, que fica sub­rogada no  cumprimento das obrigações do produtor rural pessoa física de  que  trata  a  alínea  "a"  do  inciso  V  do  caput  do  art.  9º  e  do  segurado  especial,  quando  adquire  produção  para  venda,  no  varejo, a consumidor pessoa física; ou   III­  pela  pessoa  física  de  que  trata  alínea  "a"  do  inciso  V  do  caput  do  art.  9º  e  pelo  segurado  especial,  caso  comercializem  sua  produção  com  adquirente  domiciliado  no  exterior,  diretamente,  no  varejo,  a  consumidor  pessoa  física,  a  outro  produtor rural pessoa física ou a outro segurado especial.  §8º  O  produtor  rural  pessoa  física  continua  obrigado  a  arrecadar  e  recolher  ao  Instituto Nacional  do  Seguro  Social  a  contribuição do segurado empregado e do trabalhador avulso a  seu  serviço,  descontando­a  da  respectiva  remuneração,  nos  Fl. 3038DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     52 mesmos  prazos  e  segundo  as  mesmas  normas  aplicadas  às  empresas em geral.    Art.  200­A.  Equipara­se  ao  empregador  rural  pessoa  física  o  consórcio simplificado de produtores rurais, formado pela união  de  produtores  rurais  pessoas  físicas,  que  outorgar  a  um  deles  poderes para contratar, gerir e demitir trabalhadores rurais, na  condição  de  empregados,  para  prestação  de  serviços,  exclusivamente,  aos  seus  integrantes,  mediante  documento  registrado  em  cartório  de  títulos  e  documentos.  (Incluído  pelo  Decreto nº 4.032/2001)  §1º  O  documento  de  que  trata  o  caput  deverá  conter  a  identificação de cada produtor, seu endereço pessoal e o de sua  propriedade  rural,  bem  como  o  respectivo  registro  no  Instituto  Nacional  de  Colonização  e  Reforma  Agrária  ou  informações  relativas à parceria, arrendamento ou equivalente e à matrícula  no  INSS  de  cada  um  dos  produtores  rurais.  (Incluído  pelo  Decreto nº 4.032/2001)  §2º O consórcio deverá ser matriculado no INSS, na  forma por  este  estabelecida,  em nome do  empregador  a  quem hajam  sido  outorgados  os  mencionados  poderes.(Incluído  pelo  Decreto  nº  4.032/2001)  Art. 200­B. As contribuições de que tratam o inciso I do art. 201  e o art. 202, bem como a devida ao Serviço Nacional Rural, são  substituídas,  em  relação  à  remuneração  paga,  devida  ou  creditada  ao  trabalhador  rural  contratado  pelo  consórcio  simplificado de produtores rurais de que trata o art. 200­A, pela  contribuição  dos  respectivos  produtores  rurais.  (Incluído  pelo  Decreto nº 4.032/2001)    Art. 216. A arrecadação e o recolhimento das contribuições e de  outras  importâncias  devidas  à  seguridade  social,  observado  o  que a respeito dispuserem o Instituto Nacional do Seguro Social  e  a  Secretaria  da  Receita  Federal,  obedecem  às  seguintes  normas gerais:  I ­ A empresa é obrigada a:  (...)  III­ a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a  cooperativa  são  obrigadas  a  recolher  a  contribuição  de  que  trata o art. 200 no prazo referido na alínea "b" do inciso I, no  mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da  produção  rural,  independentemente  de  estas  operações  terem  sido  realizadas  diretamente  com  o  produtor  ou  com  o  intermediário pessoa física; (grifos nossos)   IV­  o  produtor  rural  pessoa  física  e  o  segurado  especial  são  obrigados a  recolher a contribuição de que  trata o art. 200 no  prazo referido na alínea "b" do inciso I, no mês subsequente ao  da operação de venda, caso comercializem a sua produção com  adquirente  domiciliado  no  exterior,  diretamente,  no  varejo,  a  consumidor pessoa física, a outro produtor rural pessoa física ou  a outro segurado especial;  Fl. 3039DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.356          53 V­  o  produtor  rural  pessoa  física  é  obrigado  a  recolher  a  contribuição  de  que  trata  o  inciso  II  do  caput  do  art.  201  no  prazo referido na alínea "b" do inciso I; (Revogado pelo Decreto  nº 3.452/2000)  (...)  §5º  O  desconto  da  contribuição  e  da  consignação  legalmente  determinado  sempre  se  presumirá  feito,  oportuna  e  regularmente,  pela  empresa,  pelo  empregador  doméstico,  pelo  adquirente,  consignatário  e  cooperativa  a  isso  obrigados,  não  lhes  sendo  lícito  alegarem  qualquer  omissão  para  se  eximirem  do  recolhimento,  ficando  os  mesmos  diretamente  responsáveis  pelas  importâncias  que  deixarem  de  descontar  ou  tiverem  descontado em desacordo com este Regulamento.    Sintonizado nessa mesma frequência, a Suprema Lei reservou aos Ministros  de Estado a competência para expedir  instruções expedir  instruções para a execução das leis,  decretos e regulamentos.  Constituição Federal de 1988   Art.  87.  Os  Ministros  de  Estado  serão  escolhidos  dentre  brasileiros  maiores  de  vinte  e  um  anos  e  no  exercício  dos  direitos políticos.  Parágrafo  único.  Compete  ao  Ministro  de  Estado,  além  de  outras atribuições estabelecidas nesta Constituição e na lei:  I ­ exercer a orientação, coordenação e supervisão dos órgãos e  entidades da administração federal na área de sua competência  e  referendar  os  atos  e  decretos  assinados  pelo  Presidente  da  República;  II  ­  expedir  instruções  para  a  execução  das  leis,  decretos  e  regulamentos; (grifos nossos)   III  ­  apresentar  ao Presidente  da República  relatório  anual  de  sua gestão no Ministério;  IV  ­  praticar  os  atos  pertinentes  às  atribuições  que  lhe  forem  outorgadas ou delegadas pelo Presidente da República.    Art. 3o As atribuições de que tratam os arts. 1o e 2o desta Lei se  estendem  às  contribuições  devidas  a  terceiros,  na  forma  da  legislação  em  vigor,  aplicando­se  em  relação  a  essas  contribuições, no que couber, as disposições desta Lei.    Nessa  prumada,  almejando  conferir  o  detalhamento  necessário  à  obrigação  tributária ora em foco, em 14 de  julho de 2005, a então Secretaria da Receita Previdenciária  editou  a  Instrução Normativa SRP nº 3/2005,  cujos  artigos 92, V e 259  deram contornos  de  executoriedade  à  obrigação  acessória  da  empresa  adquirente,  inclusive  se  agroindustrial,  consumidora,  consignatária  ou  da  cooperativa,  na  condição  de  sub­rogada,  para  arrecadar,  mediante desconto e recolher as contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta oriunda  da  comercialização  da  produção  devidas  pelo  produtor  rural  pessoa  física  e  pelo  segurado  especial.  Fl. 3040DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     54 Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005   Art. 92. A empresa é responsável:  (...)  V ­ pela arrecadação, mediante desconto, e pelo recolhimento da  contribuição  do  produtor  rural  pessoa  física  e  do  segurado  especial incidente sobre a comercialização da produção, quando  adquirir  ou  comercializar  o  produto  rural  recebido  em  consignação,  independentemente  dessas  operações  terem  sido  realizadas diretamente com o produtor ou  com o  intermediário  pessoa física, conforme disposto no art. 259;     Art.  259.  As  contribuições  sociais  incidentes  sobre  a  receita  bruta oriunda da comercialização da produção são devidas pelo  produtor rural, sendo a responsabilidade pelo recolhimento:   I  ­  do  produtor  rural,  pessoa  física,  e  do  segurado  especial,  quando  comercializarem  a  produção  diretamente  com  adquirente domiciliado no exterior, observado o disposto no art.  245, com outro produtor rural pessoa física, com outro segurado  especial ou com consumidor pessoa física, no varejo;  II  ­  do  produtor  rural  pessoa  jurídica,  quando  comercializar  a  própria produção rural;  III  ­  da  agroindústria,  exceto  a  de  piscicultura,  carcinicultura,  suinocultura e a de avicultura, quando comercializar a produção  própria  e  a  adquirida  de  terceiros,  industrializada  ou  não,  a  partir de 1º de novembro de 2001;  IV  ­  da  empresa  adquirente,  inclusive  se  agroindustrial,  consumidora,  consignatária ou da  cooperativa,  na  condição de  sub­rogada nas obrigações do produtor rural, pessoa física, e do  segurado especial;   V ­ dos órgãos públicos da administração direta, das autarquias  e  das  fundações  de  direito  público  que  ficam  sub­rogados  nas  obrigações  do  produtor  rural  pessoa  física  e  do  segurado  especial,  quando adquirirem a  produção  rural,  ainda  que  para  consumo,  ou  comercializarem  a  recebida  em  consignação,  diretamente dessas pessoas ou por intermediário pessoa física;   VI  ­  da  pessoa  física  adquirente  não­produtora  rural,  na  condição  de  sub­rogada  no  cumprimento  das  obrigações  do  produtor  rural  pessoa  física  e  do  segurado  especial,  quando  adquirir  produção  para  venda  no  varejo,  a  consumidor  pessoa  física.  (...)  § 3º A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a  cooperativa  deverá  exigir  do  produtor  rural  pessoa  jurídica  a  comprovação de sua inscrição no CNPJ.  §  4º  A  falta  de  comprovação  da  inscrição  de  que  trata  o  §3º  deste artigo acarreta a presunção de que a empresa adquirente,  consumidora,  consignatária  ou  a  cooperativa  tenha  comercializado a produção com produtor rural pessoa física ou  com  segurado  especial,  ficando  a  adquirente,  consumidora,  consignatária  ou  cooperativa  sub­rogadas  na  respectiva  obrigação, conforme previsto no inciso IV do caput, cabendo­lhe  o ônus da prova em contrário.  §5º A responsabilidade da empresa adquirente, consumidora ou  consignatária  ou  da  cooperativa  prevalece  quando  a  Fl. 3041DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.357          55 comercialização envolver produção rural de pessoa física ou de  segurado  especial,  qualquer  que  seja  a  quantidade,  independentemente  de  ter  sido  realizada  diretamente  com  o  produtor ou com o  intermediário,  pessoa  física,  exceto no  caso  previsto no inciso I do caput.   §6º A entidade beneficente de assistência social, ainda que isenta  das  contribuições  patronais,  na  condição  de  adquirente,  consumidora  ou  de  consignatária,  sub­roga­se  nas  obrigações  do produtor rural pessoa física e do segurado especial.  §7º O desconto da contribuição legalmente autorizado sempre se  presumirá  feito,  oportuna  e  regularmente,  pela  empresa  adquirente,  consumidora ou consignatária ou pela cooperativa,  a  isso  obrigada,  não  lhe  sendo  lícito  alegar  qualquer  omissão  para  se  eximir  do  recolhimento,  ficando  ela  diretamente  responsável  pela  importância  que  eventualmente  deixar  de  descontar ou que tiver descontado em desacordo com as normas  vigentes.     E  não  se  desdenhe  do  poder  normativo  do  Regulamento  da  Previdência  Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Atente­se que os Incisos II, IV e VI, ‘a’ do art. 84 da  Constituição  da República  afloram  como  fontes  jurídicas  de  onde  dimana  a  competência  do  Presidente  da  República  para  o  exercício  da  direção  superior  da  Administração  Pública  Federal,  com  o  auxílio  dos  Ministros  de  Estado,  e  o  poder  presidencial  para  sancionar,  promulgar  e  fazer  publicar  as  leis,  bem  como  expedir  decretos  e  regulamentos  para  sua  fiel  execução,  bem  assim  como  dispor  sobre  a  organização  e  o  funcionamento  da  máquina  do  Executivo Federal.  Constituição Federal de 1988   Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:  II  ­  exercer,  com  o  auxílio  dos Ministros  de Estado,  a  direção  superior da administração federal;  (...)  IV  ­  sancionar,  promulgar  e  fazer  publicar  as  leis,  bem  como  expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução;  (...)  VI  ­  dispor,  mediante  decreto,  sobre:  (Redação  dada  pela  Emenda Constitucional nº 32/2001)  a) organização e funcionamento da administração federal,  quando não implicar aumento de despesa nem criação ou  extinção de órgãos públicos;    Depreende­se  do  exposto  que  o  Regulamento  da  Previdência  Social,  aprovado  pelo  Dec.  nº  3.048/99,  decorre  da  competência  constitucional  do  Presidente  da  República  ­ agente político da mais elevada estatura  ­ ocupante do arquétipo fundamental de  Poder, o qual, nestas circunstâncias, exerce o seu poder constitucional para formar a vontade  superior do Estado, na ordenação estrutural do Poder Executivo Federal.  Assentado que o Regulamento da Previdência Social  encontra­se dotado de  normatividade  em grau  necessário  e  suficiente  à  partilha  interna  corporis  das  atribuições  do  Fl. 3042DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     56 Ministério da Previdência Social, deflui daí que, de acordo com as normas administrativas em  realce, as empresas adquirentes, consumidoras ou consignatárias ou as cooperativas encontram­ se  agrilhoadas  às  obrigações  tributárias  de  arrecadar,  mediante  desconto,  e  de  recolher  aos  cofres  públicos  a  contribuição  do  empregador  rural  pessoa  física  e  do  segurado  especial  incidente  sobre  a  comercialização  da  produção,  quando  adquirir  ou  comercializar  o  produto  rural recebido em consignação, independentemente de essas operações haverem sido realizadas  diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física.    3.1.6.  DA REPERCUSSÃO GERAL  Adentrando  o  epílogo  desta  narrativa,  mostra­se  oportuno  descortinar  a  questão atinente à repercussão geral pertinente à matéria.  O  art.  62­A  do CARF,  aprovado  pela  Portaria  nº  256/2009  do Ministro  de  Estado  da  Fazenda,  é  dirigente  no  sentido  de  que,  nos  julgamentos  dos  recursos  no  âmbito  desse Conselho, os membros do Colegiado devem reproduzir as decisões definitivas de mérito  proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática prevista no art. 543­B do Código de  Processo Civil, o qual trata da análise da repercussão geral.  Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de  22 de junho de 2009, do Ministro de Estado da Fazenda.   Art.  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.   §1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que  o  STF  também  sobrestar  o  julgamento  dos  recursos  extraordinários  da  mesma  matéria,  até  que  seja  proferida  decisão nos termos do art. 543­B.   §2º O sobrestamento de que trata o §1º será feito de ofício pelo  relator ou por provocação das partes.     Código de Processo Civil   Art.  543­B.  Quando  houver  multiplicidade  de  recursos  com  fundamento  em idêntica  controvérsia, a análise da  repercussão  geral  será  processada  nos  termos  do  Regimento  Interno  do  Supremo  Tribunal  Federal,  observado  o  disposto  neste  artigo.  (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006).  §1o  Caberá  ao  Tribunal  de  origem  selecionar  um  ou  mais  recursos  representativos  da  controvérsia  e  encaminhá­los  ao  Supremo  Tribunal  Federal,  sobrestando  os  demais  até  o  pronunciamento  definitivo  da  Corte.  (Incluído  pela  Lei  nº  11.418, de 2006).  §2º  Negada  a  existência  de  repercussão  geral,  os  recursos  sobrestados  considerar­se­ão  automaticamente  não  admitidos.  (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006).  §3o  Julgado  o  mérito  do  recurso  extraordinário,  os  recursos  sobrestados  serão  apreciados  pelos  Tribunais,  Turmas  de  Fl. 3043DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.358          57 Uniformização  ou  Turmas  Recursais,  que  poderão  declará­los  prejudicados  ou  retratar­se.  (Incluído  pela  Lei  nº  11.418,  de  2006).  §4o Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo  Tribunal  Federal,  nos  termos  do Regimento  Interno,  cassar  ou  reformar,  liminarmente,  o  acórdão  contrário  à  orientação  firmada. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006).  §5o O Regimento  Interno do Supremo Tribunal Federal disporá  sobre  as  atribuições  dos  Ministros,  das  Turmas  e  de  outros  órgãos,  na  análise  da  repercussão  geral.  (Incluído  pela  Lei  nº  11.418, de 2006).    Realmente, no caso presente, a Suprema Corte Constitucional, no julgamento  da  Repercussão  Geral  no  Recurso  Extraordinário  RE  596.177  RG/RS,  reconheceu  a  existência  de  Repercussão  Geral  relativa  à  contribuição  social  previdenciária  a  cargo  do  empregador rural pessoa física, incidente sobre a comercialização da sua produção, nos termos  do art. 25 da Lei nº 8.212/91, na redação dada a partir da lei nº 8.540/92, cuja ementa se vos  segue.  RE 596.177 RG/RS ­ RIO GRANDE DO SUL  REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO  Relator: Min. RICARDO LEWANDOWSKI  Julgamento: 17/09/2009   Publicação DJe­191 PUBLIC 09­10­2009     EMENTA:  CONSTITUCIONAL.  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR  RURAL  PESSOA  FÍSICA.  INCIDÊNCIA  SOBRE  A  COMERCIALIZAÇÃO  DA  PRODUÇÃO.  ART.  25  DA  LEI  8.212/91,  NA  REDAÇÃO DADA  A  PARTIR  DA  LEI  8.540/92.  RE  363.852/MG, REL. MIN. MARCO AURÉLIO, QUE  TRATA  DA  MESMA  MATÉRIA  E  CUJO  JULGAMENTO  JÁ  FOI  INICIADO  PELO  PLENÁRIO.  EXISTÊNCIA  DE  REPERCUSSÃO GERAL.    Decisão:  O  Tribunal  reconheceu  a  existência  de  repercussão  geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram  os Ministros  Cármen Lúcia, Cezar  Peluso,  Joaquim Barbosa  e  Menezes Direito.     Avulta de forma hialina do julgamento aludido no parágrafo precedente que a  matéria  objeto  da  repercussão  geral  refere­se,  única  e  exclusivamente,  à  contribuição  social  previdenciária a cargo do empregador rural pessoa física, incidente sobre a comercialização da  sua  produção,  nos  termos  do  art.  25  da  Lei  nº  8.212/91,  na  redação  dada  a  partir  da  lei  nº  8.540/92, não portando o julgado acima transcrito qualquer referibilidade, a mínima que seja, à  matéria atávica à sub­rogação abordada neste tópico.  Considerando que os efeitos do julgamento do RE 363.852/MG, referido no  RE  596.177  RG/RS,  proferido  sob  o  rito  do  controle  difuso  de  constitucionalidade,  Fl. 3044DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     58 circunscrevem­se  às  partes  vinculadas  à  demanda  judicial,  deflui  que  os  dispositivos  supostamente  contaminados  permanecem  vigentes  e  eficazes  no  ordenamento  jurídico,  produzindo, em relação às partes estranhas ao Recurso Extraordinário nº 363.852/MG, todos os  efeitos jurídicos que lhe são típicos.  Assim,  não  se  houve  por  riscada,  de  maneira  alguma,  a  sub­rogação  do  adquirente, do consignatário ou da cooperativa nas obrigações do produtor rural pessoa física e  do segurado especial pelo cumprimento das obrigações fixadas no art. 25 da Lei nº 8.212/91.  Tal sub­rogação permanece vigente e eficaz.   Dessarte,  considerando  que  os  Conselheiros  desta  Turma,  por  força  do  Regimento Interno do CARF, devem reproduzir a decisão do STF proferida na sistemática da  repercussão  geral,  e  considerando  que  a  questão  impregnada  de  repercussão  geral  não  ultrapassou os limites da análise da constitucionalidade da exação previdenciária em foco, não  abarcando  a  questão  da  sub­rogação,  exsurge  não  poderem  os  membros  desta  Corte  Administrativa afastar a aplicação ou deixar de observar as disposições do art. 30, IV da Lei nº  8.212/91, mesmo na redação lhe foi outorgada pela Lei nº 9.528/97, uma vez que o dogma da  sub­rogação foi mantido em apartado da questão  levada à  repercussão geral, não vinculando,  por conseguinte, o julgamento deste Colegiado.  Regimento Interno do CARF   Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do  CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade.  Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de  tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:  I  ­  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  plenária  definitiva  do  Supremo  Tribunal  Federal;  ou  II  ­  que  fundamente crédito tributário objeto de:  a)  dispensa  legal  de  constituição  ou  de  ato  declaratório  do  Procurador­Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e  19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002;  b) súmula da Advocacia­Geral da União, na forma do art. 43 da  Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado­ Geral  da  União  aprovado  pelo  Presidente  da  República,  na  forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993.    Nessas  circunstâncias,  cai  por  terra  qualquer  alegação  ainda  renitente,  porventura, de inconstitucionalidade da sub­rogação em foco.    3.1.7.  DAS CONSIDERAÇÕES FINAIS  Vencidas  tais  digressões,  revela­se  auspicioso  expender  algumas  ressalvas  necessárias  acerca  do  julgamento  do  Recurso  Extraordinário  nº  363.852  /  MG  acima  comentado:  a)  Equivocou­se  o  Min.  Marco  Aurélio,  no  que  foi  acompanhado  por  unanimidade,  ao  assentar no voto  condutor,  em  aposto,  que o  art.  1º  da  Lei nº 8.540/92 ­ declarado inconstitucional ­ teria dado nova redação ao  Fl. 3045DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.359          59 inciso  VII  do  art.  12  da  Lei  nº  8.212/91,  o  qual  trata  do  segurado  especial. Em realidade, tanto a Lei nº 8.540/92 quanto a Lei nº 9.528/97  não promoveram qualquer modificação na disciplina  jurídica relativa ao  segurado  especial,  cujo  regramento  permanece,  sem  solução  de  continuidade, regido pela regra jurídica inserida pelo art. 12, VII da Lei nº  8.212/91, o qual não sofreu qualquer sequela de inconstitucionalidade.  Repise­se que, a inconstitucionalidade declarada ateve­se ao art. 1º da Lei  nº 8.540/92, e não ao art. 12, VII da Lei nº 8.212/91.  b)  Os vilões da novela ora em exibição foram protagonizados pela quebra da  isonomia entre o produtor rural pessoa física que utilizasse mão de obra  assalariada  e  aquele  que  não  se  utilizasse  de  empregados,  e  pela  duplicidade de  recolhimento sobre o  faturamento a que estaria  sujeito o  empregador  rural  pessoa  física.  A  norma  relativa  à  sub­rogação  em  momento  algum  foi  abordada  no  julgamento,  desempenhando  papel  de  figurante  na  trama  em  tela,  havendo  sido  declarada  a  sua  inconstitucionalidade por  arraste,  eis que  incluída no  texto do  art.  1º  da  Lei nº 8.540/92, este sim, declarado inconstitucional pelo STF.  Todavia,  tratando­se  de  obrigação  tributária  acessória,  o  dever  instrumental  de  reter  e  recolher  as  contribuições  devidas  pelos  empregadores rurais pessoas físicas pode ser instituído mediante qualquer  espécie normativa  encartada no  conceito de  legislação  tributária,  o que  de  fato veio a  se  suceder com a edição da  IN SRP nº 3/2005, mediante  seus artigos 92 e 259.   Por outro  lado, a matéria objeto da repercussão geral  referiu­se, única e  exclusivamente,  à  contribuição  social  previdenciária  a  cargo  do  empregador rural pessoa física, incidente sobre a comercialização da sua  produção,  nos  termos  do  art.  25  da  Lei  nº  8.212/91,  na  redação  dada  a  partir da  lei nº 8.540/92, não portando qualquer  referibilidade à questão  pertinente à sub­rogação. Assim, havendo sido a inconstitucionalidade em  apreço  declarada  na  sistemática  do  controle  difuso,  os  dispositivos  inquinados permanecem vigentes e eficazes no ordenamento jurídico não  podendo este Colegiado negar­lhe vigência.  c)  A  obrigação  da  empresa  adquirente,  consumidora,  consignatária  ou  da  cooperativa  pelo  recolhimento  da  contribuição  previdenciária  do  empregador  rural  pessoa  física  não  foi  atacada  pela  declaração  de  inconstitucionalidade  veiculada  no  RE  nº  363.852/MG,  permanecendo  vigente e eficaz, produzindo todos os efeitos que lhe são típicos.  d)  A  inconstitucionalidade  declarada  pela  Suprema  Corte  atingiu,  tão  somente, as normas infraconstitucionais assentadas no inciso V do art. 12,  incisos I e II do art. 25 e inciso IV do art. 30, todos da Lei nº 8.212/91,  introduzidas  no  ordenamento  jurídico  pelo  art.  1º  da  Lei  nº  8.540/92,  assim bem como  as  normas  legais  aviadas  na Lei  nº  9.528/97  as  quais,  revogando  tacitamente  os  dispositivos  insculpidos  nos  incisos  I  e  II  do  art. 25 e inciso IV do art. 30, todos Lei nº 8.212/91, lhe conferiram nova  postura legislativa.  Fl. 3046DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     60 Assim,  considerando  que  a  declaração  não  modulada  de  inconstitucionalidade varre do ordenamento jurídico, operando ex tunc, os  efeitos  produzidos  pela  norma  declarada  inconstitucional,  ter­se­á  que  reconhecer que os dispositivos da lei nº 8.212/91  tacitamente  revogados  pelas  duas  leis  supervenientes  acima  atacadas  jamais  perderam  seu  assento  na  plateia  normativa  pátria,  eis  que  a  suposta  revogação  ora  aludida não se houve por confirmada.   Registre­se,  por  relevante,  que  em  relação  aos  dispositivos  em  apreço,  tanto  a  Lei  nº  8.540/92,  como  a  Lei  nº  9.528/97,  apenas  revogam  as  disposições em sentido contrário. Assim, não mais existindo disposições  contrárias,  permanecem  vigentes  e  eficazes  as  normas  introduzidas  no  ordenamento jurídico pelos aludidos dispositivos da Lei nº 8.212/91.  e)  A  regra  tributária  carreada pela Lei nº 10.256/2001  saneou os vícios de  inconstitucionalidade apontados pelo STF no RE 363.852/MG. Ademais,  tal  norma  não  se  houve  por  alcançada  pela  inconstitucionalidade  declarada  no  RE  nº  363.852/MG,  permanecendo  vigente  e  eficaz,  produzindo todos os efeitos de estilo, de molde que, a contar da data de  sua  vigência,  passam  a  ser  devidas  as  contribuições  previdenciárias  a  cargo do empregador rural pessoa física, nos termos assentados no art. 25  da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001.  f)  Possuindo a lei presunção iuris tantum de constitucionalidade, não sendo  as normas tributárias que regem a contribuição para o SENAR abraçadas  expressamente  pelo  Pretório  Excelso  na  declaração  de  inconstitucionalidade  aviada  no  RE  363.852/MG,  conclui­se  que  a  contribuição  social  em  foco  permanece  sendo  devida  pelas  empresas  a  que  se  refere  o  art.  3º  da  lei  nº  8.315/91,  sem  qualquer  solução  de  continuidade.    Assim, temos que:   1)  No  horizonte  temporal  compreendido  entre  23/12/92  ­  data  da  publicação da Lei nº 8.540/92 ­ até 29/11/99 – data da publicação da  Lei nº 9.876/99 – o produtor rural pessoa física, proprietário ou não,  que  explora  atividade  agropecuária  ou  pesqueira,  em  caráter  permanente  ou  temporário,  diretamente  ou  por  intermédio  de  prepostos e com auxílio de empregados, utilizados a qualquer título,  ainda  que  de  forma  não  contínua,  manteve­se  regulamentado  pela  norma  inscrita no art. 12, V,  ‘a’ da Lei nº 8.212/91, em sua redação  originária, na qualidade de equiparado a trabalhador autônomo.  2)  O segurado especial, aqui incluído o produtor rural pessoa física que  opera sem empregados, permanece regido ab initio pelo inciso VII do  art. 12 da Lei nº 8.212/91.  3)  No período compreendido entre 23/12/92 ­ data da publicação da Lei  nº 8.540/92 ­ até 01/11/2001 ­ data da vigência da Lei nº 10.256/2001,  a  contribuição  previdenciária  do  segurado  especial  manteve­se  regulamentada  pelo  art.  25  da  Lei  nº  8.212/91,  em  sua  redação  de  Fl. 3047DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.360          61 berço, à alíquota de 3% (três por cento) incidente sobre a receita bruta  proveniente da comercialização da sua produção.  4)  A contar de 01/11/2001  ­ data da vigência da Lei nº 10.256/2001,  a  contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física e a do  segurado especial passaram a ser devidas às alíquotas de 2% e 0,1%  incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua  produção,  destinadas  à  Seguridade  Social  e  ao  financiamento  das  prestações  por  acidente  do  trabalho,  respectivamente,  nos  termos  assinalados  no  art.  25  da  Lei  nº  8.212/91,  na  redação  que  lhe  foi  conferida pela Lei nº 10.256/2001;  5)  Permanecem  sendo  devidas  as  contribuições  para  o  SENAR,  sem  qualquer  solução  de  continuidade,  nos  termos  da  Lei  nº  8.315/91  e  alterações posteriores;  6)  A sub­rogação e a responsabilidade pelo desconto e recolhimento das  contribuições previdenciárias devidas pela pessoa física de que trata a  alínea "a" do inciso V do art. 12 e pelo segurado especial permanece  de  observância  obrigatória  pela  empresa  adquirente,  consumidora,  consignatária ou da cooperativa.    Revela­se  improcedente,  portanto,  a  alegação  de  inconstitucionalidade  arguida pelo Recorrente, uma vez que a contribuição para o SENAR não se houve por abraçada  pela  declaração  de  inconstitucionalidade  veiculada  no  RE  363.852/MG.  Ademais,  os  fatos  geradores que constituem o presente lançamento houveram por ocorridos já sob a égide da Lei  nº  10.256/2001,  a  qual  não  foi  sequer  arranhada  pela  declaração  de  inconstitucionalidade  veiculada no RE 363.852/MG, conforme exaustivamente demonstrado.    3.2.   DO GRUPO ECONÔMICO   Mostra­se  alvissareiro  reprisar,  a  fim  de  nocautear  qualquer  dúvida  ainda  renitente,  que  a  responsabilidade  direta  pelas  obrigações  decorrentes  do  vertente  Auto  de  Infração  é  da  empresa  autuada  e  que  a  responsabilidade  solidária  das  pessoas  arroladas  no  presente Auto de Infração decorreu, única e exclusivamente, da constatação pela  fiscalização  da existência de grupo econômico de fato.  Com  efeito,  no  capítulo  reservado  ao  Sistema Tributário Nacional,  a  Carta  Constitucional outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em  matéria de legislação tributária, especialmente sobre as obrigações tributárias, dentre outras.  Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988   Art. 146. Cabe à lei complementar:  (...)  III  ­  estabelecer  normas  gerais  em  matéria  de  legislação  tributária, especialmente sobre:  Fl. 3048DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     62 (...)  b)  obrigação,  lançamento,  crédito,  prescrição  e  decadência  tributários;    Nessa  vertente,  no  exercício  da  competência  que  lhe  foi  outorgada  pelo  Constituinte Originário, ao tratar da responsabilidade tributária, o CTN honrou prescrever, com  propriedade,  que  a  lei  pode  atribuir  a  terceira  pessoa  vinculada  ao  fato  gerador  a  responsabilidade pelo crédito tributário, ad litteris et verbis:   Código Tributário Nacional ­ CTN   Art.  128.  Sem  prejuízo  do  disposto  neste  capítulo,  a  lei  pode  atribuir  de  modo  expresso  a  responsabilidade  pelo  crédito  tributário  a  terceira  pessoa,  vinculada  ao  fato  gerador  da  respectiva  obrigação,  excluindo  a  responsabilidade  do  contribuinte  ou  atribuindo­a  a  este  em  caráter  supletivo  do  cumprimento total ou parcial da referida obrigação.    No  ramo  do  Direito  Tributário,  o  instituto  da  solidariedade  alicerçou  suas  escoras  no  art.  124  do  CTN,  o  qual  reconheceu  a  existências  de  duas  modalidades  de  solidariedade aplicáveis ao direito tributário, a saber, a solidariedade de fato, verificada entre as  pessoas  que  tenham  interesse  comum na  situação  que  constitua  o  fato  gerador  da  obrigação  principal, e a solidariedade legal, a qual se avulta nas hipóteses taxativamente previstas na lei.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art. 124. São solidariamente obrigadas:  I  ­  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum na  situação  que  constitua  o  fato gerador da obrigação principal;  II ­ as pessoas expressamente designadas por lei.  Parágrafo  único.  A  solidariedade  referida  neste  artigo  não  comporta  benefício de ordem.    Em ambos os casos acima ponteados, o CTN honrou estatuir que o instituto  da  solidariedade  tributária  não  se  confunde  com  o  da  subsidiariedade,  eis  que  excluiu  expressamente, de maneira peremptória, o beneficio de ordem.  Como é cediço, a solidariedade não se presume. Ela decorre da vontade das  partes, ou diretamente de disposição legal, como é o presente caso.  Nesse  viés,  com  fundamento  de  validade  nos  dispositivos  constitucional  e  legal  revisitados,  o  legislador  ordinário  honrou  dispor  no  inciso  IX  do  art.  30  da  Lei  nº  8.212/91 que as  empresas  integrantes de grupo econômico, de qualquer natureza,  respondem  entre si, solidariamente, pelas obrigações tributárias inseridas na Lei de Custeio da Seguridade  Social.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 30 ...  IX  ­  as  empresas  que  integram  grupo  econômico  de  qualquer  natureza  respondem  entre  si,  solidariamente,  pelas  obrigações  decorrentes desta Lei; (grifos nossos)     Fl. 3049DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.361          63 Nesse sentido, assim dispõe a Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho  de 2005, sob cuja égide se deu a autuação em exame:  Instrução Normativa SRP N° 03, de 14/07/2005:  Art. 748. Caracteriza­se grupo econômico quando duas ou mais  empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração  de  uma  delas,  compondo  grupo  industrial,  comercial  ou  de  qualquer outra atividade econômica.    Art.  749.  Quando  do  lançamento  de  crédito  previdenciário  de  responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as  demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo  cumprimento  das  obrigações  previdenciárias  na  forma  do  art.  30,  inciso  IX,  da Lei  n°  8.212,  de  1991,  serão  cientificadas  da  ocorrência.  §1°  Na  cientificação  a  que  se  refere  o  caput,  constará  a  identificação  da  empresa  do  grupo  e  do  responsável,  ou  representante  legal,  que  recebeu  a  cópia  dos  documentos  constitutivos  do  crédito,  bem  como  a  relação  dos  créditos  constituídos.  §2°  É  assegurado  às  empresas  do  grupo  econômico,  cientificadas  na  forma  do  §1°  deste  artigo,  vista  do  processo  administrativo fiscal.    Tal  regulamentação  não  discrepa  das  disposições  encartadas  na  Instrução  Normativa INSS/DC nº 100/2003, sendo, aliás, desta, mero espelho normativo.  Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18/12/2003  Art. 778. Caracteriza­se grupo econômico quando duas ou mais  empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração  de  uma  delas,  compondo  grupo  industrial,  comercial  ou  de  qualquer outra atividade econômica.    Art.  779.  Quando  do  lançamento  de  crédito  previdenciário  de  responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as  demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo  cumprimento  das  obrigações  previdenciárias  na  forma  do  art.  30,  inciso  IX,  da  Lei  nº  8.212,  de  1991,  serão  cientificadas  da  ocorrência.  §1º  Na  cientificação  a  que  se  refere  o  caput,  constará  a  identificação  da  empresa  do  grupo  e  do  responsável,  ou  representante  legal,  que  recebeu  a  cópia  dos  documentos  constitutivos  do  crédito,  bem  como  a  relação  dos  créditos  constituídos.  §2º É assegurado às empresas do grupo econômico, cientificadas  na  forma do § 1º deste artigo, vista do processo administrativo  fiscal.    Fl. 3050DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     64 A caracterização  do  grupo  econômico  legal  decorre  da  conformação  fixada  no §2º do art. 2º do Decreto­Lei n° 5.452/43 ­ CLT.  Consolidação das Leis do Trabalho ­ CLT  Art.  2º  ­  Considera­se  empregador  a  empresa,  individual  ou  coletiva,  que,  assumindo  os  riscos  da  atividade  econômica,  admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço.  (...)  §2º  ­  Sempre  que  uma ou mais  empresas,  tendo,  embora,  cada  uma  delas,  personalidade  jurídica  própria,  estiverem  sob  a  direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo  industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica,  serão,  para  os  efeitos  da  relação  de  emprego,  solidariamente  responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas.  (grifos nossos)     Registre­se,  por  relevante,  que  a  jurisprudência  pátria,  hodiernamente,  evoluiu  de  uma  interpretação  meramente  gramatical  do  §2°  do  art.  2°  da  CLT  para  o  reconhecimento  do  grupo  econômico,  ainda  que  não  haja  subordinação  a  uma  empresa  controladora  principal.  Admite,  portanto,  mesmo  nas  ordens  do  Poder  Judiciário,  a  configuração  de  grupo  econômico  de  fato,  também  denominado  "grupo  composto  por  coordenação",  em  que  as  empresas  atuam  horizontalmente,  no  mesmo  plano,  participando  todas  do  mesmo  empreendimento  independente  do  controle  jurídico,  com  base  apenas  na  organização comum da atividade econômica, conforme dessai dos julgados a seguir ementados,  perfeitamente aplicáveis ao caso em apreciação:  GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO.   Consoante  a  melhor  doutrina,  a  personalidade  jurídica  é  o  substrato  da  autonomia  dos  sujeitos  plúrimos  que  constituem o  grupo empresário, podendo­se dizer que a autonomia é uma das  facetas  do  grupo  econômico,  o  que,  antes  de  caracterizá­lo,  constitui­se em nota marcante de sua definição.   Quanto  à  exigência  de  controle  pelo  acionista  majoritário,  tal  entendimento  encontra­se  superado  pela  doutrina  e  jurisprudência. Admite­se, hoje, a existência de grupo econômico  independente do  controle e  fiscalização pela  chamada empresa  líder.   Evoluiu­se de uma interpretação meramente literal do artigo 2º,  §2º, da CLT, para o reconhecimento do grupo econômico, ainda  que  não  haja  subordinação  a  uma  empresa  controladora  principal. É  o  denominado  "grupo  composto  por  coordenação"  em  que  as  empresas  atuam  horizontalmente,  no  mesmo  plano,  participando todas do mesmo empreendimento.   No  direito  do  Trabalho  impõe­se,  com  maior  razão,  uma  interpretação  mais  elastecida  da  configuração  do  grupo  econômico,  devendo­se  atentar  para  a  finalidade  de  tutela  ao  empregado  perseguido  pela  norma  consolidada  (artigo  2º,  §2º,  da  CLT).  Grupo  Econômico  ­  Caracterização.  (TRT­RO­ 19827/97  ­  4ª  T.  ­  Rel.  Juiz  Ronan  Neves  Cury  ­  Publ.  MG  22.07.98).    GRUPO ECONÔMICO.  Fl. 3051DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.362          65 Empresas  que  embora  tenham  situação  jurídica  distinta,  são  dirigidas  pelas  mesmas  pessoas,  exercem  suas  atividades  no  mesmo  endereço  e  uma  delas  presta  serviços  somente  à  outra,  formam  um  grupo  econômico,  a  teor  das  disposições  trabalhistas,  sendo  solidariamente  responsáveis  pelos  legais  direitos do empregado de qualquer delas. (TRT 3ª Região. 2T—  RO/1551/86 Rel. Juiz Édson Antônio Fiúza Gouthier).    GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CARACTERIZAÇÃO.  O §2.° do art. 2° da CLT deve ser aplicado de forma mais ampla  do que seu texto sugere, considerando­se a finalidade da norma,  e a evolução das  relações econômicas nos quase sessenta anos  de  sua  vigência.  Apesar  da  literalidade  do  preceito,  podem  ocorrer, na prática situações em que a direção, o controle ou a  administração  não  estejam  exatamente  nas  mãos  de  uma  empresa,  pessoa  jurídica.  Pode  não  existir  uma  coordenação,  horizontal,  entre  as  empresas,  submetidas  a  um  controle geral,  exercido por pessoas  jurídicas ou  físicas,  nem sempre  revelado  nos seus atos constitutivos, notadamente quando a configuração  do grupo quer ser dissimulada. Provados fartamente, o controle  e  a  direção  por  determinadas  pessoas  físicas  que,  de  fato,  mantém a administração das empresas, sob um comando único,  configurado  está  o  grupo  econômico,  incidindo  a  responsabilidade  solidária.  (TRT/15ª  REGIÃO.  Decisão  N°  061975/2005­PATR.,  Relatora: MARIANE  KHAYAT,  publicado  em 19/12/2005)    O  grupo  econômico  de  fato  se  caracteriza,  portanto,  pela  reunião  de  várias  pessoas,  físicas ou  jurídicas,  cada uma com personalidade  jurídica e patrimônio formalmente  distintos  e  próprios,  que  combinam  efetivamente  recursos  ou  esforços  para  a  realização  dos  respectivos  objetos,  ou  para participar de  atividades  ou  empreendimentos  comuns,  conforme  assim preconizado no inciso I do art. 124 do CTN.  No caso da responsabilidade solidária de fato prevista no inciso I do art. 124  do  CTN,  assentado  que  a  expressão  interesse  comum  utilizada  pelo  legislador  acomoda  um  conceito  jurídico  indeterminado,  mostra­se  alvissareiro  procedermos  a  uma  exegese  mais  atenta  do  texto  legal  de  molde  a  se  determinar  o  real  conteúdo  e  o  alcance  da  norma  in  abstrato.  Autores  de  nomeada  de  há  muito  prelecionam  que  o  interesse  comum  na  situação  que  constitua  o  fato  gerador  da  obrigação  principal  implica  que  as  pessoas  solidariamente obrigadas sejam os “sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do  fato imponível”.   A  respeito  do  tema,  o  eminente  Paulo  de  Barros  Carvalho  (in  Curso  de  Direito Tributário, Ed. Saraiva, 8ª ed., 1996, p. 220) fez verter sucintas palavras, não obstante  profícuas, conforme se vos seguem: “... o interesse comum dos participantes no acontecimento  factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em  nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes  do  fato,  o  que  ratifica  a  precariedade  do  método  preconizado  pelo  inc.  I  do  art.  124  do  Fl. 3052DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     66 Código. Vale  sim,  para  situações  em que  não  haja  bilateralidade no  seio  do  fato  tributado,  como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do  mesmo  imóvel.  Tratando­se,  porém,  de  ocorrências  em  que  o  fato  se  consubstancie  pela  presença de pessoas em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai  instalar­se entre sujeitos que estiveram no mesmo polo da relação, se e somente se for esse o  lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. É o que se dá no imposto de  transmissão de imóveis, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois  ou  mais  forem  os  comerciantes  vendedores;  no  ISS,  toda  vez  que  dois  ou  mais  sujeitos  prestarem um único serviço ao mesmo tomador”.   Na mesma  linha  de  raciocínio  segue  o  escólio  de Rubens Gomes  de Sousa  sobre  a  matéria,  em  sua  renomada  obra  Compêndio  de  Legislação  Tributária,  Edições  Financeiras, 3ª ed., pag. 67, in verbis: “São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as  pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação  principal, segundo prevê o art. 124, I, do CTN. O interesse comum das pessoas não é revelado  pelo interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador  da obrigação principal, mas pelo  interesse jurídico, que diz  respeito à realização comum ou  conjunta  da  situação  que  constitui  o  fato  gerador.  É  solidária  a  pessoa  que  realiza  conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui o fato gerador, ou que,  em comum com outras pessoas, esteja em relação econômica com o ato, fato ou negócio que  dá origem a tributação".  O  entendimento  acima  esposado  não  se  atrita  com  o magistério  do mestre  Hugo de Brito Machado (in Curso de Direito Tributário, Ed. Melhoramentos, 27ª edição, 2006,  p.165),  que  preleciona: “...  o  interesse  comum  na  situação  que  constitua  o  fato  gerador  da  obrigação, cuja presença cria a solidariedade, não é um interesse meramente de fato, e sim um  interesse jurídico. Interesse que decorre de uma situação jurídica”   No caso vertente, os fatos concretos e documentos que caracterizam o Grupo  Econômico ora em debate encontram­se descritos, de maneira bem detalhada, nos Anexos que  integram  o Auto  de  Infração  nº  37.128.801­0,  lavrado  na mesma  ação  fiscal,  compondo  um  conjunto de mais de 30 volumes, formados por mais de 9.000 (nove mil) páginas de relatórios,  depoimentos e documentos comprobatórios.  Conforme consignado no Termo de Descrição dos Fatos a fls. 9340/9342 do  Processo Administrativo Fiscal nº 16004.001665/2008­04,  a denominada  "Operação Grandes  Lagos"  foi  deflagrada  pela  polícia  federal,  por  solicitação  da  Receita  Federal,  visando  a  desbaratar uma organização criminosa criada para fraudar a administração tributária que vinha  atuando  na  região  de  São  José  do  Rio  Preto  havia  muitos  anos,  tendo  em  vista  que  seria  praticamente impossível para a Receita Federal  identificar todas as pessoas físicas e jurídicas  envolvidas, sem um trabalho de  inteligência da Polícia Federal,  inclusive com interceptações  telefônicas. Após meses de investigação, a Polícia Federal, com autorização da justiça, efetuou  mais de cem prisões e procedeu à busca e apreensão de documentos nas empresas envolvidas  na fraude, conforme excerto do relatório da Polícia Federal adiante transcrito:  “Desde pelo menos o ano de 2001, a Receita Federal e o INSS  vêm  recebendo  denúncias  de  um  mega­esquema  de  sonegação  fiscal  envolvendo  frigoríficos  estabelecidos  na  região  dos  Grandes Lagos, no  interior do Estado de São Paulo,  sobretudo  nos municípios de Jales e Fernandópolis. Segundo as denúncias,  o grupo atuaria na região há pelo menos quinze anos.   A partir destas denúncias,  a Receita e o  INSS  iniciaram vários  procedimentos  fiscais  contra  várias  empresas  e  pessoas  físicas  ligadas  ao  esquema.  Finalizadas  as  fiscalizações,  foram  Fl. 3053DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.363          67 lançados os tributos, que atingem centenas de milhões de reais.  No entanto, invariavelmente, quando a Fazenda Pública buscava  cobrar  os  tributos  devidos,  verificava  quem  nem  as  empresas,  nem  seus  sócios,  possuíam  qualquer  patrimônio  em  seu  nome  para honrá­las. No curso dos  trabalhos de fiscalização,  tanto a  Receita Federal quanto o INSS se depararam com evidências de  que  as  pessoas  que  constavam  do  quadro  societário  destas  empresas eram apenas "laranjas", que se reportavam a um nível  hierárquico superior. Os auditores suspeitaram que as empresas  fiscalizadas haviam sido constituídas com a única finalidade de  sonegar tributos.   Diante  da  dificuldade  de  comprovar  o  vínculo  entre  os  verdadeiros sócios e as empresas abertas em nome de "laranjas"  para a prática de crimes contra a ordem tributária, e dadas as  evidências  da  existência  de  uma  verdadeira  organização  criminosa por  trás destas empresas,  no  final do ano de 2005 a  Receita  Federal  solicitou  formalmente  o  apoio  da  Polícia  Federal  em  Jales/SP,  para  que  as  investigações  fossem  aprofundadas,  de  modo  a  se  identificar  com  precisão  todo  o  esquema, para que os nomes dos infratores pudesse ser levado à  julgamento pela Justiça”.    Conforme demonstrado no Termo de Descrição dos Fatos,  a  fls. 9339/9531  do Processo Administrativo Fiscal nº 16004.001665/2008­04, o grupo Nivaldo, de propriedade  dos empresários Nivaldo Fortes Peres, Luciano da Silva Peres, Rodrigo da Silva Peres, Maria  Helena La Retondo, José Roberto Giglio, Pedro Giglio Sobrinho e Antônio Giglio Sobrinho,  estruturou uma organização criando diversas empresas em nome de "laranjas" para movimentar  parte do seu faturamento, e utilizando­se dos "serviços" de diversos profissionais (advogados,  contadores,  gerentes  de Bancos,  etc.)  para viabilizar  e  ou  ocultar  as  operações  necessárias  à  obtenção do fim almejado: a sonegação dos tributos em proveito de seus sócios de fato.    Conforme  descrito  no  item  10.1  do  Relatório  Fiscal  do  vertente  Auto  de  Infração, a identificação das Empresas ostensivas e paralelas, dos sócios de direito, interpostas  pessoas (laranjas) em cada uma delas, bem como dos Sócios de Fato, além de identificados nos  relatórios  mencionados  no  item  10.1,  se  encontram  no  Termo  de  Conclusão  Fiscal  e  documentos,  no  ANEXO  I  (Processo  n°  16004.001550/2008­04),  bem  como  nos  demais  relatórios  que  integram  o  Processo  Administrativo  Fiscal  nº  16004.001665/2008­04,  com  especial  destaque  ao  Termo  de  Descrição  dos  Fatos,  a  fls.  9339/9531,  que  reúne  todas  as  provas e evidências da existência do Grupo Econômico de fato doravante denominado GRUPO  NIVALDO,  que  discrimina  todos  os  documentos  produzidos  e  anexados  a  este  Processo  Administrativo Fiscal.  O item 10.2 do Relatório Fiscal, a fls. 102 e seguintes, replica os itens 4.2.18,  4.2.19 e 4.5.10 do Termo de Conclusão Fiscal do ANEXO I (Processo n° 16004.001550/2008­ 04), demonstrando, não somente a existência de interesse comum entre as empresas e pessoas  físicas  envolvidas  (sócios  de  fato),  como  também  o  mecanismo  com  que  as  fraudes  eram  cometidas.  O Sr. Carlos Roberto Alves é cunhado de Nivaldo Fortes Peres, havendo sido  utilizado como "laranja" na empresa Frigo Vale Indústria e Comércio de Carnes Ltda. Possui  Fl. 3054DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     68 movimentação  financeira  incompatível  com  os  rendimentos  declarados,  tendo  sido  autuado  pela Receita Federal relativamente ao exercício de 2002, consoante dossiê a fls. 4160/4174 do  Processo Administrativo Fiscal nº 16004.001665/2008­04.   A  fiscalização  apurou  que,  nos  anos­calendário  de  2003  a  2005,  a  movimentação em suas contas bancárias pertenceu, de fato, ao Frigorífico Frigo Vale, havendo  sido verificada uma intensa transferência de recursos de suas contas bancárias para as contas da  Frigo Vale, conforme demonstrativo a fl. 296 do Relatório Fiscal e cópias de documentos a fls.  4175/4237 do Processo Administrativo Fiscal nº 16004.001665/2008­04.  Apurou­se  que  volumes  consideráveis  de  recursos  financeiros  foram  depositados nas suas contas bancárias, os quais foram supridos pelas empresas integrantes do  grupo Nivaldo, mormente a Rio Preto Abatedouro de Bovinos Ltda e a Distribuidora de Carnes  e Derivados São Paulo Ltda, conforme cópias dos cheques e fitas do caixa a fls. 4086/4159 do  Processo Administrativo Fiscal nº 16004.001665/2008­04.  Foram  também comprovados  que diversos depósitos  supridos pela  conta n°  4.100­9, da Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo,  e pela conta n° 7.303­2, da Rio  Preto  Abatedouro  de  Bovinos  Ltda,  foram  creditados  nas  contas  bancárias  da  Frigo  Vale,  conforme demonstrativo a fl. 103/104 do Relatório Fiscal e cópias a fls. 4175/4237 do Processo  Administrativo Fiscal nº 16004.001665/2008­04.    Tais  constatações  demonstram  que  recursos  financeiros  migravam  entre  as  contas dos integrantes do grupo Nivaldo, muitas vezes por intermédio de contas de titularidade  de “laranjas”.  O emprego de Laranjas na titularidade fictícia de empresa do Grupo Nivaldo  se mostra  presente  na Rio  Preto Abatedouro  de  Bovinos  ltda,  cujos  sócios  Elizeu Machado  Filho  e  Gilberto  Soriano  Lopes  não  possuíam  recursos  financeiros  que  justificassem  a  titularidade  de  uma  empresa  que  movimentou  mais  de  233  milhões  de  reais  nos  anos  calendários de 2003 a 2006.  O Sr. Elizeu Machado, detentor de 95% das cotas, sequer sabia os clientes de  sua empresa, ou os bancos em que possuía conta, o faturamento mensal e o lucro da empresa, a  origem  e  qualificação  do  seu  sócio,  etc.,  demonstrando  não  possuir  conhecimento  técnico  e  gerencial para administrar uma empresa de tamanho porte.  Quanto  à  integralização  do  capital  da  empresa,  digam­se,  irrisórios  R$  47.500,00  (95%  do  capital),  o  cheque  por  ele  emitido  jamais  se  houve  por  compensado,  restando  comprovado  que  ele  não  possuía  recursos  suficientes  para  a  integralização  de  sua  cota­parte, eis que movimentou, em todo o ano de 2002, a quantia de R$ 37.696,81.  Para a integralização do capital da Rio Preto, os recursos depositados foram  supridos  por  outra  empresa  do Grupo Nivaldo,  Comercial  de  Carnes  e  Derivados  Valentim  Gentil Ltda.  O  próprio  sócio  minoritário  declara  que  emprestou  seu  nome  para  a  constituição  do  frigorífico  Rio  Preto  Abatedouro  em  troca  de  emprego  de  encarregado  do  Departamento  Pessoal,  e  que  não  possuía  recursos  financeiros  para  a  integralização  de  sua  cota­parte  (R$  2.500,00),  os  quais  foram  supridos,  igualmente,  pela  empresa  Comercial  de  Carnes e Derivados Valentim Gentil ltda, conforme demonstrado no Termo de Descrição dos  Fatos a fls. 9341/9345 do Processo Administrativo Fiscal nº 16004.001665/2008­04.  Fl. 3055DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.364          69 .  E diga o depoimento prestado pelo Sr. Gilberto Soriano Lopes à fiscalização:  “Que  nunca  integralizou  nenhum  recurso  na  Rio  Preto  Abatedouro,  mormente  o  recurso  de  R$  2.500,00  citado  no  Contrato  Social  da  empresa.  Esclarece  o  declarante  que  não  tinha  condições  financeiras  para  gerir,  administrar  ou  ser  proprietário  de  qualquer  empresa.  Para  emprestar  seu  nome  à  Rio Preto Abatedouro  recebia  como  recompensa  o  emprego de  encarregado do departamento pessoal. Informa que nunca viu a  sua  DIRPF,  não  sabendo  informar  o  que  foi  declarado,  nem  quem  fez  suas  declarações.  O  declarante  afirma,  peremptoriamente,  que  nunca  prestou  serviços  a  quaisquer  pessoas  físicas,  sendo  que  sua  única  fonte  de  renda  era  a  prestação de  serviços  feitas à Norte Riopretense  (até março de  2002) e ao Rio Preto Abatedouro de Bovinos Ltda (após maio de  2002). Após mostrar as DIRPF relativas aos anos calendário de  2002  e  2003,  o  declarante  confirma  que  não  são  corretas  as  informações  contidas nas  referidas declarações,  tendo em vista  que nunca recebeu rendimentos de pessoa física.”    Concluiu a fiscalização: “No depoimento prestado pelo Sr. Elizeu ficou claro  o modus operandi do grupo: deslocar o faturamento das demais empresas paralelas do grupo  (Sol Importadora e Exportadora de Couros Ltda, que beneficiava o couro, e Sebo Sol Indústria  de  Sub  Produtos  de  Bovinos  Ltda,  responsável  pela  industrialização  do  sebo  e  farinha  de  osso/carne) para o Rio Preto Abatedouro, mediante a simulação de contratos de prestação de  serviços. Como a empresa Rio Preto Abatedouro (e  também os seus "laranjas") não possuía  patrimônio  para  honrar  os  seus  débitos  tributários,  não  havia  risco  em  assumir  qualquer  receita  tributária,  já  que  não  iriam  pagar mesmo,  pois  não  havia  o  risco  de  constrição  de  qualquer bem”.    Com  efeito,  a  fiscalização  apurou  que  a Rio  Preto Abatedouro  de Bovinos  Ltda  movimentou,  ao  longo  dos  anos­calendário  de  2003  a  2006,  o  montante  de  R$  233.338.957,87 através de 16 (dezesseis) contas bancárias, de 5 (cinco) instituições financeiras  diferentes,  11  (onze)  das  quais  foram  movimentadas  por  procuração.  Apesar  de  toda  essa  movimentação financeira a Rio Preto Abatedouro recolheu à Fazenda cerca de R$ 500.000,00  de  tributos,  cifra  que  correspondem  a  apenas  0,21%  dos  valores  movimentados.  Daí  a  incompatibilidade  entre  a  movimentação  financeira  apurada  e  os  valores  dos  tributos  recolhidos  Verificou  a  fiscalização  que  tal  empresa  houve­se  por  constituída  com  o  objetivo  principal  de  fraudar  a  administração  tributária,  já  que  tanto  ela  (capital  social  integralizado  de  R$  50.000,00),  como  os  seus  sócios  “laranjas”  não  possuíam  patrimônio  necessário e suficiente para recolher os tributos incidentes nas operações comerciais praticadas.  Constatou a fiscalização que a maioria dos recursos do grupo Nivaldo passou  por esta empresa, tida pela fiscalização como sendo o grande caixa do grupo, e que dela saiu  grande parte dos  recursos utilizados  na aquisição de  imóveis de propriedade do Sr. Nivaldo,  Fl. 3056DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     70 conforme demonstrado no  item 7.2.1. do Termo de Descrição dos Fatos,  a  fls. 9423/9442 do  Processo Administrativo Fiscal nº 16004.001665/2008­04.  A  fiscalização  verificou  que  a  contabilidade  do  Rio  Preto  Abatedouro  era  imprestável,  tendo  em  vista  que  os  lançamentos  efetuados  na  conta  "Bancos"  foram  escriturados  por  partidas  mensais  e  o  frigorífico  não  apresentou  os  Livros  Auxiliares  que  identificassem  e  individualizassem  os  lançamentos,  conforme  item  10.1.2.  do  Termo  de  Descrição dos Fatos a fl. 9519 do Processo Administrativo Fiscal nº 16004.001665/2008­04.  Além disso, muitas contas bancárias não foram contabilizadas (item 10.1.3., a  fls. 9519/9521 do Processo Administrativo Fiscal nº 16004.001665/2008­04), cabendo ressaltar  que  a  contabilidade  das  empresas  integrantes  do  grupo  apresentam  vícios  que  impedem  a  verificação das operações internas efetuadas. Ademais, cite­se que muitas empresas integrantes  do grupo Nivaldo já informaram que não possuem os livros Diário e Razão relativos aos anos­ calendário de 2003 a 2006.  Quanto  aos  titulares  de  fato,  a  fiscalização  fez  coligir  aos  autos  robusto  conteúdo  probatório  que  apontam  o  Sr.  Nivaldo  Fortes  Peres  como  o  cabeça  do  grupo,  responsável  direto  pelas  operações  nucleares  e  vitais  de  um  conglomerado  de  empresas,  algumas  em nome de  laranjas,  e  imóveis  rurais estimados em mais de cinquenta milhões de  reais,  conforme  documentação  a  fls.  3430/3461  do  Processo  Administrativo  Fiscal  nº  16004.001665/2008­04, grupo esse que apresenta movimentação financeira incompatível com  os  rendimentos  declarados  nas  DIRPF,  consoante  se  extrai  do  item  7.2.7.  do  Termo  de  Descrição dos Fatos a fls. 9463/9464 do mesmo Processo Administrativo Fiscal antes citado.  Luciano da Silva Peres e Rodrigo da Silva Peres são filhos do Sr. Nivaldo e  com  este  atuam  na  condução  das  operações  do  grupo,  mas  em  posição  hierarquicamente  inferior.  Realizaram  diversas  operações  imobiliárias  com  o  Sr.  Nivaldo  (supridas  pelas  empresas "paralelas"), bem como diversas operações societárias com as empresas ostensivas do  grupo  (FEISP  Ltda,  Viena  Empreendimentos  Imobiliários  Rio  Preto  Ltda,  Sol  Empreendimentos Imobiliários Rio Preto Ltda, Fortes Empreendimentos Rio Preto Ltda).  Luciano é sócio proprietário das empresas Feisp Ltda e Sol Empreendimentos  Imobiliários  Rio  Preto  Ltda,  conforme  documentos  a  fls.  3462/3480  do  Processo  Administrativo  Fiscal  nº  16004.001665/2008­04. Conforme  destacado  no  item  7.2.1.3.  a  fls.  9425/9430 do citado Processo, adquiriu o imóvel rural denominado Fazenda Guará utilizando  recursos oriundos das empresas paralelas Sol Importadora e Exportadora de Couros Ltda (R$  567.500,00) e Rio Preto Abatedouro de Bovinos ltda (R$ 200.000,00), mediante a simulação de  operação  de  distribuição  de  lucros  da  empresa Sol  Empreendimentos  Imobiliários Rio  Preto  Ltda,  que  foi  a  justificativa  utilizada,  em  sua  DIRPF/2006,  para  comprovar  a  origem  dos  recursos utilizados na compra do imóvel. Não bastasse o fato de os recursos terem origem na  empresa paralela do grupo, o valor declarado da operação  também foi  subfaturado, eis que o  valor informado foi inferior a 1/3 do valor efetivo de mercado.  O Sr. Rodrigo da Silva Peres é sócio proprietário das empresas Portal Brasil  Participações e Administração Ltda, Sol Empreendimentos Imobiliários Rio Preto Ltda e Feisp  Ltda.  Também  apresenta  movimentação  financeira  incompatível  com  os  rendimentos  declarados  na  DCPMF  a  fls.  3482/3486  do  Processo  Administrativo  Fiscal  nº  16004.001665/2008­04  e  na  declaração  de  ajuste  anual  a  fls.  3487/3509  do  processo  ora  referido.  Conforme  relatado  no  item  anterior,  adquiriu  imóvel  rural  com  recursos  da  empresa paralela (Sol Importadora e Exportadora de Couros Ltda), bem como efetuou diversas  operações imobiliárias e societárias com integrantes do grupo.  Fl. 3057DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.365          71 A  Sra.  Maria  Helena  la  Retondo  foi  admitida  como  funcionária  da  Sol  Empreendimentos Imobiliários Rio Preto ltda em out/1989 e é hoje cônjuge do Sr. Nivaldo.   A  fiscalização  constatou  que  diversos  imóveis  urbanos  e  rurais  de  propriedade  do  Sr. Nivaldo  foram  transferidos,  em  2004  e  2005,  para  a  Sra. Maria Helena,  sendo que tais bens não foram pagos pela adquirente. O Sr. Nivaldo apenas declara o crédito  que  dela  tem  a  receber,  conforme  fls.  3513/3527  do  Processo  Administrativo  Fiscal  nº  16004.001665/2008­04.  Note­se que  consoante Declaração de Ajuste Anual,  o  total  de  rendimentos  em 2004 foi da ordem de R$ 45.524,00 enquanto que o volume de bens adquiridos no mesmo  período  ultrapassou  a  casa  de  R$  180.000,00,  e  no  exercício  de  2005,  avançou  mais  R$  130.000,00,  sendo  que  o  rendimento  por  ela  auferido  no mesmo  período  não  passou  de R$  33.00,00.  Por outro viés, o débito com o Sr. Nivaldo que em dezembro/2003 era nulo,  em dezembro/2004 subiu para R$ 171.500,00 e em dezembro/2005 passou a R$ 301.500,00,  assim permanecendo em dezembro/2006.    O  Sr.  Sílvio  Giglio  foi  o  fundador  da  empresa  Sebo  Sol  Ltda,  antiga  denominação da empresa Sol Empreendimentos Imobiliários Rio Preto Ltda, e era o patrão do  Sr. Nivaldo, na época, contador da empresa em apreço.  A  fiscalização  apurou  a  existência  de  sociedade  de  direito  e  de  fato  na  empresa Sol Empreendimentos Imobiliários Rio Preto Ltda, entre as famílias PERES (Nivaldo  e seus filhos) e GIGLIO (José Roberto, Cláudia Maria, Pedro Giglio Sobrinho e Antônio Giglio  Sobrinho) sendo que este último, atualmente, não faz mais parte da sociedade.  O Sr.  Jose Roberto Giglio  é um dos  filhos do Sr. Sílvio Giglio,  e participa  ativamente de todas as operações praticadas pelo grupo Nivaldo, sendo uma espécie de "braço  direito" do Sr. Nivaldo na condução da empresa Sol Empreendimentos Imobiliários Rio Preto  Ltda,  tendo realizado diversas operações de compra e venda de veículos, bem como diversas  operações  societárias  com  as  empresas  ostensivas  e  paralelas  do  grupo  Nivaldo,  as  quais  também se revelaram, em sua maioria, operações simuladas.  Verificou a fiscalização que o Sr. José Roberto Giglio, em sociedade com seu  irmão  Sr.  Pedro  Giglio  Sobrinho,  adquiriu  da  empresa  FEISP  Ltda  os  imóveis  rurais  localizados em Votuporanga/SP com recursos decorrentes de suposta distribuição de lucros da  empresa Sol Empreendimentos Imobiliários Rio Preto Ltda.   Isso é que é negócio da China ... Adquire­se, em 2002, 418 mil cotas de uma  empresa  por  534 mil  reais  (para  pagamento  em  31/12/2004)  e  em  2005  recebe­se  um  lucro  distribuído, por essas mesmas cotas, de mais de 670 mil reais, sem haver sido pago qualquer  centavo pela sua aquisição. Cite­se que o valor de aquisição das citadas cotas, que deveria ser  quitado em dez/2004, somente em 2005 sofreu uma redução de R$ 12.500,00, e mesmo assim,  decorrente de compensação de um suposto crédito cedido por Pedro Giglio.   Entretanto, a fiscalização demonstrou que os recursos utilizados na aquisição  da Fazenda São Pedro (R$ 3.000.000,00) originaram­se da venda da Fazenda Boa Sorte, que a  empresa  Sol  Empreendimentos  Imobiliários  Rio  Preto  Ltda  efetuou  à  empresa  Malibu  Fl. 3058DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     72 Confinamento  de  Bovinos  Ltda.  Ou  seja,  os  R$  3.000.000,00  não  tiveram  como  origem  a  alegada distribuição de lucros.  Há mais. Conforme assinalado a fls. 3528/3568 do Processo Administrativo  Fiscal  nº  16004.001665/2008­04,  o  Sr.  José Roberto Giglio  possui movimentação  financeira  incompatível  com  os  rendimentos  declarados  nas  Declarações  do  Imposto  de Renda  Pessoa  Física ­ DIRPF ­ fls. 3528/3568 do citado PAF.  Os bens mobiliários e imobiliários circulam entre os membros da família, em  contrapartida de dívidas impossíveis de serem pagas se forem considerados os rendimentos dos  adquirentes. O patrimônio do Sr. Jose Roberto elevou­se em mais de 553 mil  reais em 2002,  por  conta  da  aquisição  das  cotas  de  capital  da  empresa  Sebo  Sol  ltda  e  da  empresa  Viena  Empreendimentos  imobiliários  Rio  Preto  ltda  de  Claudia  Maria  Giglio,  enquanto  que  os  rendimentos  auferidos  nesse  mesmo  ano  foram  da  ordem  de  12  mil  reais.  Como  pagar  tal  despesa?  Pedro  Giglio  Sobrinho,  por  seu  turno,  faz  parte  do  contrato  social  das  empresas Sol Empreendimentos Imobiliários Rio Preto Ltda, Fabril Paulista Perfumaria Ltda e  Giglio S A Indústria e Comércio.   Apresenta  movimentação  financeira  incompatível  com  os  rendimentos  declarados  nas Declarações  do  Imposto  de Renda Pessoa  Física  ­ DIRPF,  nos  exercícios  de  2002 e 2003, conforme documentos a fls. 3569/3579 e fls. 653/663 e 3623/3645 do Processo  Administrativo Fiscal nº 16004.001665/2008­04.  A  fiscalização  constatou  o  recebimento  de  vultosos  recursos  oriundos  de  contas bancárias da Mega Distribuidora de Gorduras Ltda (contas nos 13979, ag. 2298, Banco  Bradesco;  e 1042375,  ag.  773, Banco Unibanco),  conforme documentos  a  fls.  3580/3619 do  Processo Administrativo Fiscal nº 16004.001665/2008­04.    Antônio  Giglio  Sobrinho,  apesar  de  não  figurar  como  sócio  de  nenhuma  empresa  ostensiva  do  grupo  Nivaldo,  eis  que  vendeu  a  sua  participação  na  Sol  Empreendimentos  Imobiliários  Rio  Preto  Ltda,  também  recebeu  recursos  supridos  pela  empresa Mega Distribuidora  de  Gorduras  Ltda,  conforme  demonstrado  a  fls.  3692/3733  do  Processo Administrativo Fiscal nº 16004.001665/2008­04, além de ter realizado movimentação  financeira  e  possuírem  bens  incompatíveis  com  os  rendimentos  declarados,  como  assim  demonstram a DCPMF e Declarações de Ajuste Anual do Imposto de Renda a fls. 3734/3761  processo fiscal acima citado.  Sob  esta  óptica,  podem  ser  extraídos  dos  trabalhos  fiscais  inúmeras  constatações: A fiscalização constatou o repasse à Frigo Vale de valores da conta bancária do  Sr.  Nivaldo,  conforme  demonstrado  a  fls.  8998/9001  do  Processo  Administrativo  Fiscal  nº  16004.001665/2008­04.  Os  procedimentos  fiscais  demonstraram  a  existência  de  trabalhadores  registrados  em  nome  da  Distribuidora  São  Paulo  ­  empresa  "noteira"  com  estreito  relacionamento com o Grupo Nivaldo ­ que efetivamente eram empregados da Frigo Vale.    Mas não é só, há mais:  A  apreensão  nas  dependências  da  Sebo  Sol  Indústria  de  Subprodutos  de  Bovinos  ltda  de  documentos  como  talões  de  cheque  com  folhas  em  branco,  recibos  de  Fl. 3059DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.366          73 pagamento e bloquetos de cobrança de outras empresas participantes do esquema como a Sol  Empreendimentos Imobiliários, CMG, Sol Importadora e Exportadora e Mega Distribuidora de  Gorduras,  conforme  auto  de  deslacração,  constatação,  análise  e  relacração  de  material  apreendido,  a  fls.  4865/4892  do  Processo  Administrativo  Fiscal  nº  16004.001665/2008­04,  revela a ligação entre as diversas pessoas jurídicas, corroborando a constatação fiscal de que se  trata de um grupo econômico de fato.    A empresa Sol  Importadora e Exportadora teve seu "sócio de direito" Paulo  Bueno de Camargo,  remunerado mensalmente com recursos provenientes de outras empresas  do  grupo,  notadamente  a  Rio  Preto  Abatedouro  (inclusive  mediante  a  utilização  de  conta  corrente da "noteira" Distribuidora São Paulo), conforme planilha relacionada pela fiscalização  às  fls. 6.272/6.273 do Anexo  I do Processo Administrativo Fiscal nº 16004.001665/2008­04,  tendo sido constatado, ainda, o recebimento pela Sol Importadora e Exportadora de recursos do  próprio Sr. Nivaldo, provenientes de operações  realizadas com  terceiros,  conforme  fls. 6.292  do aludido Anexo I.  Conforme  Detalhado  no  item  4.5.6.  a  fls.  9378  do  Processo  Fiscal  nº  16004.001665/2008­04, a empresa Mega Distribuidora de Gorduras ltda movimento, nos anos­ calendário  de  2004  a  2006,  R$  29.483.861,64  e  declarou  neste  período  o  total  de  R$  287.560,41.  Ou  seja,  movimentou  102  vezes  o  valor  declarado,  tendo  recolhido  aos  cofres  Públicos valores irrisórios.  A empresa Mega Distribuidora de Gorduras remunera, mensalmente, os Srs.  Pedro  e Antonio Giglio Sobrinho,  conforme delineado nos  itens 4.1.6.  e  4.1.7.  do Termo de  Descrição dos Fatos.  Quanto  a  este  particular,  o  Sr.  Antonio  Giglio  Sobrinho  afirma  que  o  recebimento de recursos provenientes da empresa Mega Distribuidora de Gorduras se deu em  virtude  do  mesmo  ser  sócio  da  Fabril  Paulista  Perfumaria  e  tais  valores  representaram  pagamentos com recursos de terceiros, de adiantamentos mensais de dividendos ou distribuição  de  lucros desta empresa. Todavia, não promoveu o Sr. Antonio Giglio a  juntada de qualquer  indício  de  prova  material  de  tais  alegações,  tal  como  a  contabilidade  da  Fabril  Paulista  Perfumaria,  com a  escrituração da mencionada distribuição de  lucros,  capaz de comprovar  a  alegada origem de tais recursos.  Além disso, o Sr. Antonio Giglio Sobrinho não incluiu tais rendimentos em  suas declarações do Imposto de Renda Pessoa Física.  Consta  nas  fichas  cadastrais  da  Mega,  como  referências  bancárias,  as  empresas  Giglio  S.A  Indústria  e  Comércio  e  Fabril  Paulista  Perfumaria  S.A,  ambas  de  propriedade da família GIGLIO, e das quais fazem parte os Srs. Pedro Giglio e Antônio Giglio  Sobrinho,  havendo  sido  apurado  diversos  depósitos  efetuados  pela  Mega  nestas  empresas,  conforme documentos a fls. 3646/3691 do PAF nº 16004.001665/2008­04.  Verificou­se, ainda, que em algumas fichas cadastrais da Mega Distribuidora  de Gorduras consta como endereço comercial o mesmo endereço da Fabril Paulista Perfumaria  Ltda.  Fl. 3060DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     74 Aliado a tais constatações, durante o procedimento de busca e apreensão na  empresa  Sebo  Sol,  houveram­se  por  apreendidos  diversos  boletos  de  cobrança  tendo  como  cedente a empresa Mega Distribuidora de Gorduras Ltda.  Mas  não  acaba  aqui.  Houve­se  por  constatado  que  a  Mega  foi  também  utilizada pela família Peres,  já que os recursos sacados de suas contas, após a deflagração da  operação  Grandes  Lagos  foram  depositados  em  contas  de  empresas  “paralelas”  ou  foram  utilizados nas liquidações de obrigações do grupo Nivaldo, conforme perfilado no item 7.3.8.  do Termo de Descrição dos Fatos, a fls. 9490/9500 do Processo Fiscal nº 16004.001665/2008­ 04.    Verifica­se do exame dos comprovantes de depósito a  fls. 6336 e  seguintes  do PAF nº 16004.001665/2008­04 uma  intensa  transferência de  recursos  financeiros entre as  empresas do grupo:   A empresa Sol Empreendimentos Imobiliários recebeu o repasse de recursos  de outras integrantes do grupo ­ Sol Importadora e Exportadora, Agro Rio Preto, CMG e Sebo  Sol;  A  empresa  FEISP  adquiriu  imóvel  rural  com  recursos  provenientes  das  empresas  Rio  Preto Abatedouro de bovinos  ltda e Sol Importadora e Exportadora e  teve tributos liquidados  com recursos da Companhia de Carnes Valentim Gentil;   Por  sua vez, a Sol  Importadora e Exportadora  forneceu  recursos para que a  Sol Empreendimentos Imobiliários adquirisse imóvel rural. Verificou­se que o Sr. Paulo Bueno  de Camargo prestava serviços à Sol  Importadora e Exportadora, mas recebia remuneração da  Rio Preto Abatedouro.  Já  a  Sol  Importadora  e  Exportadora  recebia  recursos  provenientes  da  Rio  Preto Abatedouro e da CMG, a Agro Rio Preto da Rio Preto Abatedouro e a CMG da Agro Rio  Preto e da Rio Preto Abatedouro.    Do exame de fichas cadastrais de instituições bancárias, fl. 9396 do Processo  nº 16004.001665/2008­04, verificou­se que os Srs. João Francisco Fernandes (sócio de direito  da Sebo Sol), Carlos Alberto Ortega Marques (sócio de direito da CMG), José Roberto Giglio,  Gilberto Giraldo R. J. Gouveia (sócio de direito da Agro Rio Preto) e as empresas CMG, Agro  Rio Preto, Sol Empreendimentos Imobiliários e Cia de Carnes Valentim Gentil, dentre outros,  indicaram o mesmo número  telefônico, a saber,  (17) 3224­6477,  reforçando a constatação da  ligação entre todos eles.  Verificou­se  que  de  09  a  12  de  março  de  1998  diversas  pessoas  físicas  e  jurídicas com participação no grupo abriram contas na mesma agência bancária ­ agência 2825  ­  do  Banco  Bradesco.  Posteriormente  alguns  destes  contribuintes  foram  utilizados  como  interpostas  pessoas,  tendo  sido  abertas,  em  seus  nomes,  empresas  "paralelas",  conforme  elencado no  item 6.3.2. do Termo de Descrição dos Fatos a  fl. 9399 e  item 6.3.3. a  fl. 9400  todos do Processo nº 16004.001665/2008­04.  Verificou­se  a  realização  de  numerosas  operações  bancárias  envolvendo  várias pessoas físicas e jurídicas participantes do grupo em datas coincidentes, no mesmo caixa  e  em  curtos  intervalos  de  tempo,  muitas  vezes  sequenciais,  conforme  demonstrado  no  item  7.3.1. a  fls. 9464/9474 do Processo nº 16004.001665/2008­04,  sufragando a compreensão de  vinculação existente entre elas.  Fl. 3061DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.367          75 Verificou­se  o  pagamento  de  despesas  pessoais  dos  Srs.  Pedro  Giglio  Sobrinho,  José Roberto Giglio  e  de  sócios  na  condição  de  interpostas  pessoas  das  empresas  Agro  Rio  Preto  (Edemir  Egídio)  e  Sebo  Sol  (João  Francisco  Fernandes)  com  recursos  provenientes da Rio Preto Abatedouro, consoante demonstrativo a fls. 9487/9488 do PAF do  PAF nº 16004.001665/2008­04.  A fiscalização apurou que recursos sacados da conta bancária do Sr. Nivaldo  foram utilizados para pagamento de despesas das empresas FEISP e Viena Empreendimentos,  quando o Sr. Nivaldo já não era mais sócio desta, conforme fls. 9505 e seguintes do Processo  Fiscal  nº  16004.001665/2008­04.  Viu­se,  também,  que  parte  do  saque  de  R$  161.000,00  efetuado junto à conta bancária do Sr. Nivaldo (c/c n° 28.477­7) foi utilizada na aquisição do  cheque administrativo n° 006350 (valor  igual a R$ 40.000,000) depositado na conta da Frigo  vale ­ fls. 8998/9011 do PAF nº 16004.001665/2008­04.  Verificou­se  que  o  Sr.  Rodrigo  da  Silva  Peres  adquiriu  gado  bovino  com  recursos oriundos da Rio Preto Abatedouro,  junto  a Sra.  Ireni Luiz Barcelos,  conforme  item  7.3.10.6 a fl. 9508 da PAF acima referido.  Constatou­se  também  intensa migração  entre  os  trabalhadores  das  diversas  empresas  do  grupo, movimentando­se  das  empresas  ostensivas  para  aquelas  constituídas  em  nome de interpostas pessoas (item 6.4. a fls. 9401/9404 do processo em remessa), bem como a  coincidência de endereços  entre diversas dessas  empresas,  conforme  ilustrado no  item 6.5.  a  fls. 9404/9405 do PAF sempre citado.  Apurou­se  que  o  Sr.  Luciano  da  Silva  Peres  firmou  instrumento  contratual  declarando­se proprietário de imóvel formalmente pertencente a Elizeu Machado Filho, sócio  de  direito  da  Rio  Preto  Abatedouro,  conforme  consignado  a  fl.  9433  do  Processo  Administrativo Fiscal nº 16004.001665/2008­04.  Foi apreendida na Distribuidora São Paulo, empresa "noteira", fls. 4751/4783  do Processo nº 16004.001665/2008­04, agenda na qual constam inúmeras ligações de "Nivaldo  (Sebo Sol)" para "Macaúba",  inclusive com o registro de que o Sr. Nivaldo, havia procurado  por Macaúba pessoalmente, o que revela não só a ligação do Sr. Nivaldo com a pessoa jurídica  constituída em nome de interpostas pessoas (nesse caso a Sebo Sol), mas principalmente, deste  com o Sr. "Macaúba", que como se verifica nos autos, se trata da principal figura no esquema  de venda de notas fiscais frias utilizadas para lastrear operações realizadas por outras pessoas  físicas e jurídicas, por intermédio de empresas que tinham como atividade a venda dessas notas  e por isso foram qualificadas como "noteiras".  A Sra. Ana Cláudia Valente Fioravante,  responsável  pela  emissão  de  notas  fiscais na empresa Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo ltda, afirmou em Termo de  Declarações  a  fls.  4242/42454  do  PAF  em  referência  que  o  Sr.  Nivaldo  é  o  verdadeiro  proprietário da Rio Preto Abatedouro:  “Com relação ao código 16, o cliente era pessoa do sr. Nivaldo,  proprietário  do  frigorífico  Rio  Preto  Abatedouro,  também  conhecido  como  frigorífico  Viena.  Neste  caso,  a  declarante  preenchia todas as notas (entradas, saídas e remessa pra abate)  na própria Distribuidora São Paulo”.    Fl. 3062DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     76 Também  no  Auto  de  Qualificação  e  Interrogatório  a  fls.  4245/4248  do  Processo Administrativo Fiscal nº 16004.001665/2008­04, a Sra. Ana Fioravante assevera que  “QUE as firmas de NIVALDO também são clientes. São elas, SEBO SOL e a SOL COUROS;  QUE a RIOPRETO também tira nota com a distribuidora São Paulo, sendo certo que era de  propriedade de Nivaldo, não sabendo informar a quem pertence atualmente”;  A Sra. Monique de Medeiros Vendas, que também trabalhou na Distribuidora  São Paulo, desde 2002, no Auto de Qualificação e Interrogatório a fls. 4249/4254 do processo  acima mencionado,  revela a  relação entre o Sr. Nivaldo e as  empresas Sebo Sol  e Rio Preto  Abatedouro, nos termos que se vos seguem:  “Questionada se entrava em contato com o frigorífico Rio Preto  Abatedouro,  respondeu  que  entrava  em  contato  com  a  Renata,  sabendo afirmar que quem  fazia as notas  (faturista) era Neto e  Lien, sendo que quando 'Macaúba' pedia para ligar e entrar em  contato  com  Nivaldo,  ele  não  estando,  entrava  em  contato  diretamente  com  a  Renata.  Questionada  se  o  frigorífico  Rio  Preto  Abatedouro  é  o  antigo  frigorifico  Viena,  respondeu  que  sim."     Também  Maria  dos  Santos  Medeiros,  no  Auto  de  Qualificação  e  Interrogatório,  a  fls.  4255/4259  do  processo  nº  16004.001665/2008­04,  desvenda  o  modus  operandi do esquema de fraudes ora em debate, nesses termos:  “Questionada  se  a  Distribuidora  São  Paulo  vende  as  notas  fiscais que emite a empresas e pessoas físicas, respondeu que a  distribuidora cobra uma "taxa" pela emissão de notas fiscais que  embasam operações de terceiros, isso ocorre da seguinte forma:  os  frigoríficos  que  são  "clientes"  da  Distribuidora  São  Paulo  adquirem gado de pecuaristas. Quando um frigorífico adquire o  gado  do  produtor,  "é  passado  para  a  distribuidora  relação  do  abate", que consiste no total de gado que será abatido no mesmo  dia,  A Distribuidora  São Paulo  emite  a  nota  fiscal  de  remessa  para abate e passa o número da remessa ou/o fax da nota para  que sejam feitas as devoluções", isto é, emitidas as notas fiscais  de  simples/devolução  do  frigorífico  para  a  Distribuidora  São  Paulo. Em seguida,  já à  tarde, o frigorífico envia, em geral via  fax,  o  faturamento  à  Distribuidora,  isto  é,  a  venda  da  carne  resultante  do  abate.  O  funcionário  do  frigorífico  vai  à  distribuidora São Paulo "buscar o faturamento", isto é, as notas  fiscais de venda emitidas pela Distribuidora São Paulo em nome  dos clientes dos frigoríficos, que são açougues e supermercados.  No  dia  seguinte,  um  funcionário  do  frigorífico  se  dirige  à  Distribuidora  São  Paulo  levando  as  notas  fiscais  de  retorno  originais e as notas  fiscais do produtor rural. Com base nestas  notas, Ana Cláudia Valente Fioravante emite as notas fiscais de  entrada de produtor.  (...)  Neste  momento  a  autoridade  policial  exibe  à  interroganda  o  fluxograma  que  consta  da  fl.  130  dos  autos.  Após  examiná­lo  detidamente  em  conjunto  com  o  seu  advogado,  a  interroganda  afirma  que  ele  Ilustra  com  precisão  o  processo  que  ocorre  em  sua  empresa,  pois  o  açougue  ou  supermercado  que  adquire  a  carne  do  frigorífico  paga  ao  próprio  frigorifico  pelo  produto,  apesar de a nota fiscal de venda ser emitida peia Distribuidora  Fl. 3063DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.368          77 São Paulo. O mesmo ocorre com relação ao produtor rural, que  recebe o pagamento do frigorífico que adquiriu as reses, apesar  de  as  notas  do  produtor  e  a  nota  de  entrada  do  gado  serem  emitidas pela Distribuidora São Paulo.  (...)  Questionada  se  a  Distribuidora  São  Paulo  exerce  controle  acerca do que os frigoríficos dizem abater e vender, respondeu  que não, que a Distribuidora São Paulo emite as notas fiscais de  acordo com as informações que são passadas por fax, mas não  se  confere  se  o  gado  abatido,  de  fato,  corresponde  ao  que  é  informado, "o que é passado para Ana Cláudia ela faz".   (...)  Questionada sobre o que a Distribuidora São Paulo faz, se não  abate  gado,  nem  distribui  carne,  respondeu  que  ela  apenas  "emite notas".  (...)  Questionada  sobre  o  envio  de  notas  fiscais  em  branco  da  Distribuidora São Paulo a outras empresas, respondeu que isso  é feito "para facilitar o faturamento porque o frigorífico é longe,  fora  de  Rio  Preto".  Todas  estas  notas  são  registradas  posteriormente,  no  final  do  mês.  A  empresa  que  as  emite  as  registra  num  sistema  e  gera  um  arquivo  computacional,  que  é  enviado à interroganda por e­mail, que, por sua vez, "mistura o  arquivo" da empresa com o da Distribuidora São Paulo,  "para  fazer um arquivo  só".  São enviadas  notas  fiscais  em branco às  empresas  Paulo Manzini,  de  Campinas,  são  enviadas  algumas  notas  para  o  Rio  Preto  Abatedouro,  apesar  de  este  ficar  localizado em São  José  do Rio Preto,  porque  às  vezes  o  couro  sai de madrugada da empresa, e a Distribuidora São Paulo não  está em aberto.  (...)  Questionada sobre qual a relação de Macaúba com as pessoas a  seguir  relacionadas,  respondeu:  [...]  b)  Nivaldo  Fortes  Peres,  tem  relacionamento  com Macaúba  pois  é  o  dono  do Rio Preto  Abatedouro/Frigorífico  Viena,  e,  nesta  condição,  é  um  dos  principais clientes da Distribuidora São Paulo, adquirindo notas  fiscais da empresa;   (...)  Questionada sobre as empresas relacionadas adiante e seu papel  no  esquema,  respondeu:  [...]  c)  Sebo  Sol  é  uma  empresa  de  Nivaldo  Fortes  Peres  que  já  adquiriu  notas  fiscais  da  Distribuidora São Paulo”.     A Sra. Medeiros  afirma que  também a Frigo Vale  indústria  e Comércio de  Carnes ltda adquire notas fiscais da Distribuidora São Paulo.    A  prova  dos  autos  não  deixa  dúvidas  de  que  diversas  empresas  do  grupo  tinham como sócios pessoas que não tinham sequer condições financeiras para tanto, tampouco  Fl. 3064DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     78 conhecimento técnico para administrá­las. Eram, na realidade, pessoas colocadas a frente das  empresas, com o objetivo de manter seus verdadeiros donos no anonimato.  Também  as  empresas  criadas  para  figurar  como  contribuintes  de  direito,  concentrando  a  responsabilidade  tributária  direta  por  toda  a  sorte  de  fatos  geradores  de  contribuições previdenciárias, foram constituídas com capital social irrisório (R$ 10.000,00, no  caso  da  Frigo  Vale),  se  comparado  com  o  volume  de  operações  do  grupo,  de maneira  que  qualquer eventual execução fiscal resultaria improfícua, como murros n’água, ante a ausência  total de patrimônio próprio.  Os depoimentos  tomados pela  fiscalização, bem como pela Policia Federal,  bem demonstram isso.  As  provas  constantes  dos  autos  são  eloquentes,  precisas  e  convergentes.  Eloquentes, porque  revelam, de maneira detalhada,  todo o mecanismo arquitetado pelos  seus  idealizadores  para  a  consecução  dos  fins  pretendidos,  consubstanciados  no  proveito  das  pessoas ora arroladas, em detrimento da arrecadação tributária; Precisas, porque delas avulta,  de maneira inequívoca, a participação intensiva e essencial dos integrantes das famílias Giglio  e  Peres  na  condução  das  operações  representativas  de  fatos  geradores  de  contribuições  previdenciárias  e  na  direção  das  empresas  interpostas,  como  seus  verdadeiros  donos,  acobertados  por  “laranjas”;  e  são  convergentes  porque  todas  a  provas  documentais,  depoimentos e indícios conduzem a essa mesma ilação.  Do exame da documentação coligida aos autos pela  fiscalização, ante  todos  os  elementos  de  prova  então  presentes,  avulta  existir  entre  a  empresa  autuada  e  os  demais  devedores  solidários  não  apenas  um  mero  interesse  econômico,  mas,  com  precisão,  um  interesse jurídico, haja vista que todas as pessoas físicas e jurídicas arroladas pela fiscalização  envidaram esforços significativos na atividade empresarial comum do grupo, e na realização da  situação jurídica que constitui o fato gerador da obrigação principal objeto deste  lançamento,  de onde se extrai a solidariedade entre eles, por força do preceito inscrito no inciso I do art. 124  do CTN.  Nessas  circunstâncias,  são  solidárias  as  pessoas  que  realizaram  conjuntamente  a  situação  que  constitui  o  fato  gerador,  ou  as  que,  em  comum  com  outras  pessoas, possuam relação econômica com o ato, fato ou negócio que deu origem à tributação, a  teor do inciso I do art. 124 do CTN.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art. 124. São solidariamente obrigadas:  I  ­  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua o fato gerador da obrigação principal;  II ­ as pessoas expressamente designadas por lei.   Parágrafo  único.  A  solidariedade  referida  neste  artigo  não  comporta benefício de ordem.    Pintado nessas cores o quadro fático em questão, concluiu a fiscalização, com  acerto, que a situação assim retratada caracterizava­se grupo econômico de fato, em razão da  existência de interesse comum na construção e situação que constituiu os fatos geradores das  contribuições  previdenciárias  patronais  em  destaque,  sendo  então  o  lançamento  lavrado  não  somente  em  nome  do  Frigo  Vale  indústria  e  Comércio  de  Carnes  ltda,  mas,  também,  por  solidariedade  passiva  tributária,  em  nome  das  demais  pessoas  consignadas  nos  Termos  de  Sujeição Passiva Solidária constantes destes autos.    Fl. 3065DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.369          79 Com acerto, a responsabilidade pelo crédito tributário ora lançado alcança as  pessoas físicas arroladas pela fiscalização, eis que figuram como as principais interessadas no  sucesso  do  negócio  e  no  proveito  econômico  das  operações  realizadas  e,  efetivamente,  figuravam  os  verdadeiros  donos  das  pessoas  jurídicas  constituídas  em  nome  de  interpostas  pessoas  ("laranjas"),  atuando  de  forma  intensiva  e  ostensiva  na  condução  dos  negócios  realizados pelas empresas em análise.  A  questão  ora  em  pauta  já  exigiu  o  pronunciamento  do  Conselho  de  Contribuintes,  que  se  manifestou  de  forma  contundente  pelo  responsabilidade  solidária  das  pessoas físicas na condição de verdadeiras sócias da pessoa jurídica, com fundamento no artigo  124, I do CTN, conforme se extrai do seguinte julgado.  Processo nº : 13603.002869/2003­01  Recurso nº : 148917  Sessão de : 16 DE AGOSTO DE 2006  Acórdão nº : 107­08692  Ementa:  (...)  RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ­ Comprovado nos autos os  verdadeiros  sócios  da  pessoa  jurídica,  pessoas  físicas,  acobertados  por  terceiras  pessoas  (laranjas)  que  apenas  emprestavam  o  nome  para  que  eles  realizassem  operações  em  nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para  gerir  seus  negócios  e  suas  contas­correntes  bancárias,  fica  caracterizada  a  hipótese  prevista  no  art.  124,  I  do  Código  Tributário  Nacional,  pelo  interesse  comum  na  situação  que  constituía o fato gerador da obrigação principal.  (...)    Pelas razões ora expendidas, podemos asselar categoricamente que a pessoa  física, que embora não constante do quadro societário da empresa, efetivamente se apresente  como sua proprietária, e a pessoa jurídica que mantenha interesse jurídico capaz de caracterizar  o grupo econômico de fato, respondem solidariamente por possuir interesse comum na situação  que constitui o fato gerador da obrigação tributária aqui em debate.  Uma vez verificada nos autos a situação descrita no parágrafo anterior, resta  escorreito  o  procedimento  fiscal  que  desaguou  nos  "Termos  de  Sujeição  Passiva  Solidária"  lavrados.  Em conclusão, a prerrogativa da fiscalização ­ albergada no sistema jurídico  vigente ­ de desconsiderar atos ou negócios jurídicos formalmente constituídos em desacordo  com a realidade, somada ao farto conjunto fático e probatório amealhado pelos trabalhos fiscais  com a demonstração robusta da ocorrência da situação descrita no Relatório Fiscal ­ em que se  verifica a relação dos impugnantes com as atividades desenvolvidas pela empresa Frigo Vale ­  o  qual  não  foi  elidido,  legitimam  os  procedimentos  fiscais  e  o  consequente  lançamento  do  crédito tributário na forma como verificado.  Dessarte,  ante  os  fatos  e  conexões  comprovados  à  farta  e  de  forma  contundente  pela  fiscalização,  vislumbra­se de maneira  insofismável  o  interesse  jurídico  dos  devedores solidários na situação concreta que constitui o  fato gerador da obrigação  tributária  ora exigida, cuja presença ostensiva faz nascer, por força do preceito insculpido no art. 124 do  Fl. 3066DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     80 CTN, a responsabilidade solidária pelo cumprimento da obrigação principal objeto do vertente  lançamento.    3.3.  DOS JUROS E DA MULTA DE MORA  Ponderou o Sr. Antonio Giglio que, em relação a ele, não pode prevalecer o  agravamento da multa.  ... E ele está corretíssimo. Não há razão para que a multa seja agravada.    Ocorre que no presente lançamento não houve agravamento de multa.   Com  efeito,  a  multa  de  mora  impingida  ao  sujeito  passivo  pelo  não  recolhimento, no prazo e na forma fixados na legislação tributária, obedeceu criteriosamente à  memória de cálculo estabelecida no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº  9.876/99, conforme demonstrado na folha de rosto do Auto de Infração a fl. 02 e no relatório  Instruções para o Contribuinte, a fl. 03.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art.  35.  Sobre  as  contribuições  sociais  em atraso, arrecadadas  pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada,  nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).  I­ para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída  em notificação fiscal de lançamento:   a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação;  (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).  b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela  Lei nº 9.876/99).  c)  vinte  por  cento,  a  partir  do  segundo mês  seguinte  ao  do  vencimento  da  obrigação;  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876/99).  II­  Para  pagamento  de  créditos  incluídos  em  notificação  fiscal  de lançamento:  a)  vinte  e  quatro  por  cento,  em  até  quinze  dias  do  recebimento  da  notificação;  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876/99).  b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento  da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).  c)  quarenta  por  cento,  após  apresentação  de  recurso  desde  que  antecedido  de  defesa,  sendo  ambos  tempestivos,  até  quinze  dias  da  ciência  da decisão do Conselho  de Recursos  da  Previdência  Social  ­  CRPS;  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876/99).  d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência  da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social ­  CRPS,  enquanto  não  inscrito  em  Dívida  Ativa;  (Redação  dada pela Lei nº 9.876/99).  III ­ para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa:   a)  sessenta  por  cento,  quando  não  tenha  sido  objeto  de  parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).  Fl. 3067DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.370          81 b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada  pela Lei nº 9.876/99).  c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução  fiscal,  mesmo  que  o  devedor  ainda  não  tenha  sido  citado,  se  o  crédito não foi objeto de parcelamento;  (Redação dada pela  Lei nº 9.876/99).  d)  cem  por  cento,  após  o  ajuizamento  da  execução  fiscal,  mesmo  que  o  devedor  ainda  não  tenha  sido  citado,  se  o  crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº  9.876/99).    Quanto à alegação de  ser  inaplicável a  inserção de  juros  sobre  a multa,  em  razão de a lei determinar que os juros devem incidir somente sobre o principal, a razão, mais  uma vez, acompanha o Recorrente.  De  fato,  a  lei  somente  autoriza  a  incidência  de  juros  moratórios  sobre  o  montante  da  obrigação  principal,  jamais  sobre  a  parcela  correspondente  à  penalidade  pecuniária de cunho moratório.  Ocorre  que,  no  caso  presente,  os  juros moratórios  incluídos  no  lançamento  foram  computados,  tão  somente,  sobre  o  montante  consolidado  da  obrigação  principal,  de  acordo com o mecanismo assinalado no art.  34 da Lei nº 8.212/91, mas não  sobre  a parcela  correspondente à multa moratória, como assim demonstrou ter calculado o Recorrente.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art.  34.  As  contribuições  sociais  e  outras  importâncias  arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de  lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento,  ficam  sujeitas  aos  juros  equivalentes  à  taxa  referencial  do  Sistema Especial de Liquidação e de Custódia ­ SELIC, a que se  refere  o  art.  13  da  Lei  nº  9.065,  de  20  de  junho  de  1995,  incidentes  sobre  o  valor  atualizado,  e multa  de mora,  todos  de  caráter irrelevável.   Parágrafo  único.  O  percentual  dos  juros  moratórios  relativos  aos  meses  de  vencimentos  ou  pagamentos  das  contribuições  corresponderá a um por cento.     3.4.  DA NATUREZA DA OBRIGAÇÃO  Argumenta  o  Recorrente  que,  por  se  tratar  de  obrigação  acessória,  onde  o  caráter  subjetivo  em  relação  ao  fato  gerador  do  tributo  lançado  é  indissociável,  deve  estar  evidenciado o dolo do agente para a imputação da solidariedade.  Razão não lhe assiste.  A uma, porque não  se  trata de obrigação acessória, mas,  sim, de obrigação  principal, qual seja, gênero tributo, espécie contribuição previdenciária.  A duas, porque a imputação de responsabilidade solidária in casu decorreu da  caracterização objetiva de grupo econômico de fato. Nesse viés, restando caracterizado o grupo  Fl. 3068DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     82 econômico de qualquer natureza, as pessoas físicas e jurídicas que o integram respondem entre  si,  solidariamente,  pelas  obrigações  principais  e  acessórias  previstas  na  Lei  de  Custeio  da  Seguridade Social, nos termos do art. 30, IX da Lei nº 8.212/91.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991  Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de  outras  importâncias  devidas  à  Seguridade  Social  obedecem  às  seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620/93)   (...)  IX  ­  as  empresas  que  integram  grupo  econômico  de  qualquer  natureza  respondem  entre  si,  solidariamente,  pelas  obrigações  decorrentes desta Lei;     A  três,  porque  a  fiscalização  demonstrou  e  comprovou  a  existência  de  participação  efetiva  e  interesse  econômico  e  jurídico  comum  das  pessoas  físicas  e  jurídicas  arroladas  no  Auto  de  Infração  em  estudo  nas  operações  configurativas  dos  fatos  geradores  objeto  do  presente  lançamento,  circunstância  que  importa  na  imputação  de  responsabilidade  solidária entre elas, com fulcro no preceito inscrito no inciso I do art. 124 do CTN.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art. 124. São solidariamente obrigadas:  I  ­  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua o fato gerador da obrigação principal;  II ­ as pessoas expressamente designadas por lei.  Parágrafo  único.  A  solidariedade  referida  neste  artigo  não  comporta benefício de ordem.    3.5.  DA BASE DE CÁLCULO   Argumentou­se que  a base  de  cálculo  foi  apurada  incorretamente,  tomando  como base o valor  integral das notas fiscais, adquiridas destas empresas terceiras, que não se  presta à aferição direta do tributo.  A razão, no entanto, caminha em sentido contrário.  No capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, a Carta Constitucional  outorgou  à  Lei  Complementar  a  competência  para  estabelecer  normas  gerais  em matéria  de  legislação tributária, especialmente sobre as obrigações tributárias, dentre outras.  Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988   Art. 146. Cabe à lei complementar:  (...)  III  ­  estabelecer  normas  gerais  em  matéria  de  legislação  tributária, especialmente sobre:  (...)  b)  obrigação,  lançamento,  crédito,  prescrição  e  decadência  tributários;    Fl. 3069DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.371          83 Nessa  vertente,  no  exercício  da  competência  que  lhe  foi  outorgada  pelo  Constituinte Originário, o CTN honrou prescrever, com propriedade, a distinção entre as duas  modalidades de obrigações tributárias, ad litteris et verbis:   Código Tributário Nacional ­ CTN   Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória.  §1º  A  obrigação  principal  surge  com  a  ocorrência  do  fato  gerador,  tem por  objeto  o  pagamento  de  tributo  ou penalidade  pecuniária  e  extingue­se  juntamente  com  o  crédito  dela  decorrente.  §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem  por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas  no  interesse  da  arrecadação  ou  da  fiscalização  dos  tributos.  (grifos nossos)   §3º  A  obrigação  acessória,  pelo  simples  fato  da  sua  inobservância,  converte­se  em  obrigação  principal  relativamente à penalidade pecuniária. (grifos nossos)     As  obrigações  acessórias,  consoante  os  termos  do  Diploma  Tributário,  consubstanciam­se deveres de natureza  instrumental,  consistentes  em um  fazer,  não  fazer ou  permitir,  fixados na  legislação  tributária,  na  abrangência do  art.  96 do CTN,  em proveito do  interesse da administração fiscal no que tange à arrecadação e à fiscalização de tributos.  No plano infraconstitucional, no que pertine às contribuições previdenciárias,  a disciplina da matéria em relevo ficou a cargo da Lei nº 8.212/91, a qual fez inserir na Ordem  Jurídica  Nacional  uma  diversidade  de  obrigações  acessórias,  criadas  no  interesse  da  arrecadação  ou  da  fiscalização  das  contribuições  previdenciárias,  sem  transpor  os  umbrais  limitativos erguidos pelo CTN.   Com efeito, a estrutura normativa dos tributos em geral aponta no sentido de  que a sua base de cálculo, em princípio, deve ser apurada com base em documentos do Sujeito  Passivo  que  registrem,  de  forma  precisa,  os  montantes  pecuniários  correspondentes  a  cada  hipótese de incidência prevista nas leis de regência correspondentes. Para tanto, exige o art. 32  da  Lei  de  Custeio  da  Seguridade  Social  que  a  empresa,  mensalmente,  elabore  folhas  de  pagamento,  lance  em  títulos  próprios  de  sua  contabilidade  todos  os  fatos  geradores  de  contribuições previdenciárias, informe ao Fisco Federal, mediante GFIP, todos os citados fatos  geradores e outras informações de interesse do INSS, etc.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 32. A empresa é também obrigada a:   I  ­  preparar  folhas  de  pagamento  das  remunerações  pagas  ou  creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os  padrões  e  normas  estabelecidos  pelo  órgão  competente  da  Seguridade Social;   II ­ lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade,  de  forma  discriminada,  os  fatos  geradores  de  todas  as  contribuições,  o  montante  das  quantias  descontadas,  as  contribuições da empresa e os totais recolhidos;  Fl. 3070DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     84 IV­  informar  mensalmente  ao  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social­INSS,  por  intermédio  de  documento  a  ser  definido  em  regulamento,  dados  relacionados  aos  fatos  geradores  de  contribuição previdenciária e outras informações de interesse do  INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)    No  que  pertine  à  elaboração  das  folhas  de  pagamento,  ouvimos  em  alto  e  bom som das normas assentadas no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº  3.048/99  que  a  folha  de  pagamento  deve  ser  elaborada mensalmente,  de  forma  coletiva  por  estabelecimento  da  empresa,  por  obra  de  construção  civil  e  por  tomador  de  serviços,  com  a  correspondente  totalização,  devendo,  necessariamente,  discriminar  o  nome  dos  segurados,  indicando  cargo,  função  ou  serviço  prestado;  agrupar  os  segurados  por  categoria,  assim  entendido: segurado empregado,  trabalhador avulso, contribuinte  individual; destacar o nome  das  seguradas  em  gozo  de  salário­maternidade;  destacar  as  parcelas  integrantes  e  não  integrantes  da  remuneração  e  os  descontos  legais  e  indicar  o  número  de  quotas  de  salário­ família atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso.  Cite­se  que  tal  documento  deve  ser mantido  pela  empresa  à  disposição  da  fiscalização,  observadas  as  normas  estabelecidas  pelos  órgãos  competentes,  até que  ocorra  a  decadência das obrigações tributárias a eles associadas ou deles decorrentes.  De  outro  canto,  mas  ária  de  outra  ópera,  a  lei  ordena  que  sejam  lançados  mensalmente  em  títulos  próprios  da  contabilidade,  de  forma  discriminada,  todos  os  fatos  geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da  empresa e os totais recolhidos.  Mostra­se  auspicioso  destacar  que  a  contabilidade  tem  como  uma  de  suas  finalidades assegurar o controle do patrimônio e fornecer as informações sobre a composição e  variações patrimoniais, bem como o resultado das atividades econômicas envolvidas, visando a  atender,  de  forma  uniforme,  às  exigências  das  leis  e  regulamentos  dos  órgãos  públicos.  Na  atualidade  ela  cumpre,  igualmente,  o  papel  de  instrumento  gerencial,  que  se  utiliza  de  um  sistema  de  informações  para  registrar  as  operações  da  organização,  elaborar  e  interpretar  relatórios  que  mensurem  os  resultados,  e  fornecer  informações  necessárias  à  tomada  de  decisões no processo de gestão, planejamento, execução e controle.  Contudo,  a  razão  maior  para  a  uniformização  dos  princípios  gerais  da  contabilidade  é  a  configuração  de  um  sistema  de  informações  tributárias,  através  do  qual  o  fisco  possa  sindicar  os  fatos  geradores  ocorridos  e  apurar  os  tributos  devidos,  fiscalizar  a  regularidade do seu recolhimento, para, assim, traçar as diretrizes da política tributária.  Registre­se,  por  relevante,  que  os  registros  contábeis  devem  ser  feitos  de  modo  preciso,  com  esteio  em  documentação  idônea,  a  qual  deve  ser  conservada  em  ordem,  enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, bem como a escrituração,  correspondência e demais papéis  relativos à atividade, ou que se refiram a atos ou operações  que  modifiquem  ou  possam  vir  a  modificar  sua  situação  patrimonial,  a  teor  do  art.  4º  do  Decreto­Lei nº 486, de 3 de março de 1969.   Engana­se  aquele  que  acredita  serem  os  livros  contábeis  exigíveis  apenas  pela  legislação  comercial.  A  legislação  Tributária  é  aquela  que  mais  impõe  modulações  e  padrões aos  lançamentos contábeis e à estruturação e  formalização dos  livros, não sendo por  outro motivo também conhecidos como “Livros Fiscais”. No tocante à escrituração contábil, a  não observância das  formalidades exigidas pela  legislação  tributária  sujeita o contribuinte ao  Fl. 3071DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.372          85 pagamento de penalidades pecuniárias a  lhe  serem  impostas mediante o  competente Auto de  Infração.  Quanto as GFIP, exige a lei, taxativamente, que nela sejam declarados todos  os fatos geradores de contribuições previdenciárias além de outras informações de interesse da  autarquia  previdenciária  federal,  haja  vista  que  as  informações  constantes  nesse  documento  servirão  como  base  de  cálculo  das  contribuições  devidas  ao  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social­INSS,  bem  como  comporão  a  base  de  dados  para  fins  de  cálculo  e  concessão  dos  benefícios previdenciários.  A legislação tributária determina, igualmente, que as operações de compra e  venda  de mercadorias,  assim  como  a  prestação  de  serviços,  sejam  fielmente  registradas  em  notas fiscais, devendo tais documentos ser mantido à disposição da fiscalização, até que ocorra  a decadência das obrigações tributárias a eles associadas ou deles decorrentes.  No  âmbito  das  contribuições  sociais  previdenciárias,  a  Lei  nº  8.212/91  atribuiu  à  fiscalização  previdenciária  a  prerrogativa  de  examinar  toda  a  contabilidade  da  empresa,  não  podendo  lhe  ser  oposta  qualquer  disposição  legal  excludente  ou  limitativa  do  direito de examinar os livros, arquivos, documentos ou papéis comerciais ou fiscais.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art.  33.  Ao  Instituto Nacional  do  Seguro  Social  –  INSS  compete  arrecadar,  fiscalizar,  lançar  e  normatizar  o  recolhimento  das  contribuições  sociais  previstas nas alíneas a,  b  e  c do parágrafo  único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de  substituição;  e  à  Secretaria  da  Receita  Federal  –  SRF  compete  arrecadar,  fiscalizar,  lançar  e  normatizar  o  recolhimento  das  contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e  ‘e’ do parágrafo  único  do  art.  11,  cabendo  a  ambos  os  órgãos,  na  esfera  de  sua  competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções  previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001).    §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro Social­INSS  e  do  Departamento  da  Receita  Federal­DRF  o  exame  da  contabilidade  da  empresa,  não  prevalecendo  para  esse  efeito  o  disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados  a  empresa  e  o  segurado  a  prestar  todos  os  esclarecimentos  e  informações solicitados. (grifos nossos)   §2º A  empresa,  o  servidor  de  órgãos  públicos  da  administração  direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário  da  Justiça,  o  síndico  ou  seu  representante,  o  comissário  e  o  liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são  obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com  as contribuições previstas nesta Lei.  §3º  Ocorrendo  recusa  ou  sonegação  de  qualquer  documento  ou  informação,  ou  sua  apresentação  deficiente,  o  Instituto Nacional  do Seguro Social­INSS e o Departamento da Receita Federal­DRF  podem,  sem  prejuízo  da  penalidade  cabível,  inscrever  de  ofício  importância  que  reputarem  devida,  cabendo  à  empresa  ou  ao  segurado o ônus da prova em contrário.    Fl. 3072DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     86 Saliente­se que as diretivas ora enunciadas não discrepam dos mandamentos  encartados no Código Tributário Nacional ­ CTN, cujo art. 195 aponta, inflexivelmente, para o  mesmo norte.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art.  195.  Para  os  efeitos  da  legislação  tributária,  não  têm  aplicação quaisquer disposições  legais  excludentes ou  limitativas  do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos,  papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais  ou produtores, ou da obrigação destes de exibi­los.  Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial  e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão  conservados até que ocorra a prescrição dos  créditos  tributários  decorrentes das operações a que se refiram.    Avulta nesse panorama que as prestações  adjetivas ordenadas na  legislação  tributária  têm  por  finalidade  precípua  permitir  à  fiscalização  a  sindicância  ágil,  segura  e  integral dos fatos jurígenos tributários ocorridos nas dependências jurídicas do sujeito passivo,  motivo pelo qual se exige que a escrituração de tais documentos seja:  a)  Mensal,  em  razão  do  critério  de  apuração  das  contribuições  previdenciárias ser por competência.  b)  Em  títulos  próprios,  que  propicie  uma  fácil  e  rápida  identificação  pelos  agentes  fiscais  das  contas  contábeis  onde  se  encontram  registrados  os  fatos geradores de contribuições previdenciárias.  c)  De forma discriminada, de molde a se identificar as  rubricas  integrantes  da  base  de  incidência das  contribuições  previdenciárias,  eis  que,  a  cada  uma delas corresponde uma alíquota própria a ser empregada no cômputo  da contribuição devida.  d)  Que individualize o montante das quantias descontadas dos segurados, as  contribuições a cargo da empresa, bem como os totais por esta recolhidos,  de  maneira  que  a  fiscalização  possa  verificar  a  correcção  das  importâncias descontadas dos segurados e os montantes a cargo destes e  os devidos pela empresa vertidos aos cofres públicos.    Não  se  mostra  demasiado  enaltecer  que  o  registro  dessas  informações  na  contabilidade,  nas  folhas  de  pagamento,  nas  GFIP  e  nas  notas  fiscais/faturas  não  é  uma  faculdade  da  empresa, mas,  sim,  uma obrigação  tributária  a  ela  imposta  diretamente,  com  a  força de império da lei formal, gerada nas Conchas Opostas do Congresso Nacional, segundo o  trâmite gestacional plasmado nos artigos 61 a 69 da nossa Lei Soberana.  Não se deve perder de vista, igualmente, que as folhas de pagamento, a GFIP  e  os  livros  contábeis  equiparam­se  a  documentos  públicos  e  que  o  seu  preenchimento  com  informações incorretas ou omissas constitui­se crime de falsidade ideológica, na forma prevista  no Decreto­Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Brasileiro.  Decreto­Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal  Falsificação de documento público  Fl. 3073DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.373          87 Art. 297 ­ Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou  alterar documento público verdadeiro:  Pena ­ reclusão, de dois a seis anos, e multa.  §1º  ­  Se  o  agente  é  funcionário  público,  e  comete  o  crime  prevalecendo­se do cargo, aumenta­se a pena de sexta parte.  §2º ­ Para os efeitos penais, equiparam­se a documento público o  emanado  de  entidade  paraestatal,  o  título  ao  portador  ou  transmissível  por  endosso,  as  ações  de  sociedade  comercial,  os  livros mercantis e o testamento particular. (grifos nossos)   §3º  Nas  mesmas  penas  incorre  quem  insere  ou  faz  inserir:  (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)  I  ­  na  folha de pagamento ou  em documento de  informações que  seja destinado a fazer prova perante a previdência social, pessoa  que  não  possua  a  qualidade  de  segurado  obrigatório;(Incluído  pela Lei nº 9.983, de 2000)  II  ­  na Carteira de Trabalho e Previdência Social do  empregado  ou em documento que deva produzir efeito perante a previdência  social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita;  (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)  III  ­  em  documento  contábil  ou  em  qualquer  outro  documento  relacionado com as obrigações da empresa perante a previdência  social,  declaração  falsa ou diversa  da  que deveria  ter  constado.  (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) (grifos nossos)   §4º  Nas  mesmas  penas  incorre  quem  omite,  nos  documentos  mencionados no §3º, nome do segurado e seus dados pessoais, a  remuneração, a vigência do contrato de trabalho ou de prestação  de serviços.(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) (grifos nossos)     Falsidade ideológica  Art.  299  ­  Omitir,  em  documento  público  ou  particular,  declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir  declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de  prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato  juridicamente relevante: (grifos nossos)   Pena  ­  reclusão, de um a  cinco anos,  e multa,  se o documento  é  público, e reclusão de um a  três anos, e multa, se o documento é  particular.  Parágrafo único  ­  Se o agente  é  funcionário público,  e  comete o  crime prevalecendo­se do cargo, ou se a falsificação ou alteração  é  de  assentamento  de  registro  civil,  aumenta­se  a  pena  de  sexta  parte.    Excepcionalmente,  nas  ocasiões  em  que  o  conhecimento  fiel  dos  fatos  geradores ocorridos na empresa, pelo exame dos documentos acima referidos, não for viável, o  ordenamento jurídico admite o emprego meios indiretos para a apuração da base de cálculo das  contribuições sociais devidas.  No  caso  em  exame,  dentre  muitas  outras  irregularidades  apontadas  pela  fiscalização, a empresa não incluiu nas suas folhas de pagamento todas as remunerações pagas  Fl. 3074DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     88 ou creditadas a todos os segurados a seu serviço; não lançou, mês a mês, em títulos próprios de  sua  contabilidade,  de  forma  discriminada,  os  fatos  geradores  de  todas  as  contribuições  previdenciárias, tampouco declarou nas GFIP correspondentes todos os dados relacionados aos  fatos  geradores  de  contribuição  previdenciária  ocorridos  sob  sua  responsabilidade  tributária,  ciou  empresas  de  fachada,  em  nome  de  terceiros  “laranjas”,  com  capital  social  ínfimo  para  suportar toda a carga tributária que lhe era, irregularmente, atribuída; Promoveu a aquisição de  notas  fiscais  frias,  de  empresas “noteiras”,  para ocultar operações  reais  com animais para  o  abate;  Ocultou  receita  visando  a  se  enquadrar  na  condição  de  empresa  optante  do  Sistema  Integrado de Pagamento de  Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de  Pequeno Porte, etc.  A  não  observância  das  obrigações  tributárias  exigidas  pela  legislação  de  regência  frustrou  os  objetivos  da  lei,  prejudicando  a  atuação  ágil  e  eficiente  dos  agentes  do  fisco, que se viram impelidos a despender uma energia investigatória suplementar na apuração  dos fatos geradores em realce, não somente nos documentos suso destacados, mas, igualmente,  em outras fontes de informação, tais como as notas fiscais adquiridas das empresas “noteiras”  Pereira  e Pereira Comércio de Carnes  ltda  e Distribuidora de Carnes  e Derivados São Paulo  ltda, etc.  Nessas  circunstâncias,  a  apresentação  deficiente  de  qualquer  documento  ou  informação  assim  como  a  constatação,  pelo  exame  da  escrituração  contábil  ou  de  qualquer  outro  documento  da  empresa,  de  que  a  contabilidade  não  registra  o  movimento  real  das  remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é motivo justo, bastante,  suficiente  e  determinante  para  que  a  fiscalização  inscreva  de  ofício  a  importância  reputada  como devida, mesmo que mediante  a  apuração  de  sua base  de  cálculo  por  aferição  indireta,  cabendo à empresa autuada o ônus da prova em contrário, a teor do permissivo legal encartado  nos parágrafos 3º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/91.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991  Art.  33.  Ao  Instituto Nacional  do  Seguro  Social  –  INSS  compete  arrecadar,  fiscalizar,  lançar  e  normatizar  o  recolhimento  das  contribuições  sociais  previstas  nas  alíneas  ‘a’,  ‘b’  e  ‘c’  do  parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes  a  título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF  compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento  das  contribuições  sociais  previstas  nas  alíneas  ‘d’  e  ‘e’  do  parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera  de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as  sanções previstas  legalmente.  (Redação dada pela Lei nº 10.256,  de 2001).  §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro Social­INSS e  do  Departamento  da  Receita  Federal­DRF  o  exame  da  contabilidade  da  empresa,  não  prevalecendo  para  esse  efeito  o  disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados  a  empresa  e  o  segurado  a  prestar  todos  os  esclarecimentos  e  informações solicitados.  (...)  §3º Ocorrendo  recusa  ou  sonegação  de qualquer  documento  ou  informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional  do Seguro Social­INSS e o Departamento da Receita Federal­DRF  podem,  sem  prejuízo  da  penalidade  cabível,  inscrever  de  ofício  importância  que  reputarem  devida,  cabendo  à  empresa  ou  ao  segurado o ônus da prova em contrário. (grifos nossos)   Fl. 3075DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.374          89 (...)  §6º  Se,  no  exame  da  escrituração  contábil  e  de  qualquer  outro  documento  da  empresa,  a  fiscalização  constatar  que  a  contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos  segurados  a  seu  serviço,  do  faturamento  e  do  lucro,  serão  apuradas,  por  aferição  indireta,  as  contribuições  efetivamente  devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (grifos  nossos)     Saliente­se que as diretivas ora enunciadas não discrepam dos mandamentos  encartados no Código Tributário Nacional ­ CTN, cujo art. 148 aponta, inflexivelmente, para o  mesmo norte.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art. 148. Quando o cálculo do  tributo tenha por base, ou  tome  em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços  ou  atos  jurídicos,  a  autoridade  lançadora,  mediante  processo  regular,  arbitrará  aquele  valor  ou  preço,  sempre  que  sejam  omissos  ou  não  mereçam  fé  as  declarações  ou  os  esclarecimentos  prestados,  ou  os  documentos  expedidos  pelo  sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada,  em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa  ou judicial.    Tivesse  a  empresa  cumprido,  com  o  devido  rigor,  as  obrigações  acessórias  impostas  pela  legislação,  os  fatos  geradores  teriam  sido  apurados  diretamente  nas  folhas  de  pagamento, nas GFIP, na escrituração contábil ou nas notas fiscais. Mas assim não ocorreu. A  não  observância  das  formalidades  exigidas  pela  legislação  tributária  quebrou  o  mecanismo  idealizado  pelo  legislador  ordinário  para  a  apuração  ágil  e  precisa  dos  fatos  geradores  de  contribuições previdenciárias, obrigando os agentes fiscais a investigar uma miríade de outros  documentos e títulos diversos e genéricos da contabilidade, para a captação dos fatos jurígenos  tributários de sua competência, no cumprimento efetivo do seu dever de ofício.  Cite­se por relevante que no procedimento de apuração da matéria tributável  por  arbitramento,  vale­se  a  Autoridade  Fiscal  de  outros  elementos  de  sindicância  que  não  aqueles  documentos  assinalados  pela  lei  como  adequados  ao  registro  lapidado  dos  fatos  geradores  de  contribuições  previdenciárias,  tais  como  as  folhas  de  pagamento,  GFIP  e  os  Livros Fiscais.  Tais elementos podem ser os mais diversos. Alguns dos critérios de aferição  indireta a serem empregados pela fiscalização nas hipóteses autorizadas pela lei encontram­se  positivados  na  legislação  previdenciária,  ostentando  natureza  meramente  procedimental  interna, não interferindo, de maneira alguma, extra muros, eis que não vinculam nem impõem  obrigações, de qualquer espécie, aos contribuintes. A abrangência de seus comandos, advirta­ se,  restringe­se,  tão  somente,  ao  critério  de  apuração  indireta  das  bases  de  cálculo  de  contribuições previdenciárias, nada mais.  Fl. 3076DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     90 Em  outros  casos,  como  se  deu  ocorrer  no  presente,  a  fiscalização  tem  que  buscar  outros  parâmetros  de  aferição  os  mais  diversos  imagináveis,  de  molde  a  construir  hipoteticamente o arcabouço substancial da matéria tributável, tendo por alicerce, tão somente,  o principio da razoabilidade.   No  caso  de  que  ora  se  cuida,  a  autoridade  fiscal  procedeu  à  apuração  dos  fatos  geradores  com  base  nas  declarações  prestadas  pelo  Autuado  em  suas  GFIP  (levantamentos FP1 e CI1),  nos valores  registrados nas notas  fiscais vendidas pela  "noteira"  Pereira, Pereira Comercio de Carnes e Derivados Ltda, nas quais constava como local de abate  "Frigo  Vale"  (levantamento  PR1)  e  nos  valores  registrados  nas  notas  fiscais  vendidas  pela  "noteira" Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda, em que constava como local de  abate "Frigo Vale" (Levantamento PR2).  Nessa  perspectiva,  conforme  expressamente  estatuído  na  lei,  não  concordando o  sujeito passivo com o valor aferido pela Autoridade Lançadora, compete­lhe,  ante  a  refigurada  distribuição  do  ônus  da  prova,  que  lhe  é  avesso,  demonstrar  por  meios  idôneos que tais montantes não são condizentes com a realidade.  Mostra­se zeloso, neste momento, trazer a lume que os atos administrativos,  assim como seu conteúdo, gozam de presunção legal iuris tantum de legalidade, legitimidade e  veracidade.  Na arguta visão de Maria Sylvia Zanella Di Pietro, a presunção de veracidade  e  legitimidade  consiste  na  "conformidade  do  ato  à  lei.  Em  decorrência  desse  atributo,  presumem­se,  até  prova  em  contrário,  que  os  atos  administrativos  foram  emitidos  com  observância  da  lei"  (Direito Administrativo,  18ª  Edição,  2005, Atlas,  São  Paulo).  Ainda  de  acordo com a citada autora, "A presunção de veracidade diz respeito aos fatos. Em decorrência  desse atributo, presumem­se verdadeiros os fatos alegados pela Administração." (op. cit. pág.  191). Dessarte,  a  aplicação  da  presunção  de  veracidade  tem o  condão  de  inverter o  ônus  da  prova, cabendo ao particular comprovar de forma cabal a inocorrência dos fatos descritos pelo  agente  público,  ou  circunstância  que  exima  sua  responsabilidade  administrativa,  nos  termos  dos art. 333, inciso I do Código de Processo Civil.  Deflui  da  interpretação  sistemática  dos  dispositivos  encartados  nos  artigos  19,  II  da CF/88  e  364  do CPC que  os  fatos  consignados  em documentos  públicos  carregam  consigo  a  presunção  de  veracidade  atávica  aos  atos  administrativos,  ostentando  estes  fé  pública, a qual não pode ser recusada pela Administração Pública, devendo ser admitidos como  verdadeiros até que se produza prova válida em contrário.  Constituição Federal de 1988   Art.  19. É  vedado à União,  aos Estados,  ao Distrito Federal  e  aos Municípios:  (...)  II ­ recusar fé aos documentos públicos;  (...)      Código de Processo Civil   Art.  364.  O  documento  público  faz  prova  não  só  da  sua  formação, mas também dos fatos que o escrivão, o tabelião, ou o  funcionário declarar que ocorreram em sua presença.    Fl. 3077DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.375          91 A Suprema Corte de Justiça já  irradiou sem em seus arestos a  interpretação  que  deve  prevalecer  na  pacificação  do  debate  em  torno  do  assunto,  sendo  extremamente  convergente  a  jurisprudência  dela  promanada,  como  se  pode  verificar  nos  julgados  a  seguir  alinhados, cujas ementas rogamos vênia para transcrevê­las.  AgRg no RMS 19918 / SP  Relator(a) Ministro OG FERNANDES  Órgão Julgador T6 ­ SEXTA TURMA  Data da Publicação/Fonte: DJe 31/08/2009  MANDADO  DE  SEGURANÇA  IMPETRADO  CONTRA  ATO  ADMINISTRATIVO  CASSATÓRIO  DE  APOSENTADORIA.  CERTIDÃO  DE  TEMPO  DE  SERVIÇO  SOBRE  A  QUAL  PENDE  INCERTEZA  NÃO  RECEPCIONADA  PELO  TRIBUNAL DE CONTAS DO MUNICÍPIO.  EXTINÇÃO  DO  MANDAMUS  DECRETADO  POR  MAIORIA.  VÍNCULO  FUNCIONAL.  IMPOSSIBILIDADE  DE  COMPROVAÇÃO  ATRAVÉS  DOS  ARQUIVOS  DA  PREFEITURA.  MOTIVO  DE  FORÇA  MAIOR.  INCÊNDIO.  EXISTÊNCIA  DE  CERTIDÃO  DE  TEMPO  DE  SERVIÇO  EXPEDIDA  PELA  PREFEITURA  ANTES  DO  SINISTRO.  DOCUMENTO PÚBLICO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE.  1.  Esta Corte  Superior  de  Justiça  possui  entendimento  firmado  no sentido de que o documento público merece fé até prova em  contrário. No  caso,  o  recorrente  apresentou  certidão  de  tempo  de serviço expedida pela Prefeitura do Município de Itobi/SP ­ a  qual comprova o trecho temporal de 12 anos, 3 meses e 25 dias  relativos ao serviço público prestado à referida Prefeitura entre  10/3/66 a 10/2/78 ­ que teve firma do então Prefeito e Chefe do  Departamento Pessoal e foi reconhecida pelo tabelião local.  2.  Ademais,  é  incontroverso  que  ocorreu  um  incêndio  na  Prefeitura Municipal Itobi/SP em dezembro de 1992.  3.  Desse  modo,  a  certidão  expedida  pela  Prefeitura  de  Itobi,  antes do incêndio, deve ser considerada como documento hábil a  comprovar  o  tempo  de  serviço  prestado  pelo  recorrente  no  período de 10/3/66 a 10/2/78, seja por possuir fé pública ­ uma  vez que não foi apurada qualquer falsidade na referida certidão  ­,  seja  porque,  em  virtude  do  motivo  de  força  maior  acima  mencionado,  não  há  como  saber  se  os  registros  do  recorrente  foram realmente destruídos no referido sinistro.  4. Agravo regimental a que se nega provimento.    EREsp 265552 / RN  Relator(a) Ministro JOSÉ ARNALDO DA FONSECA  Órgão Julgador S3 ­ TERCEIRA SEÇÃO  Data da Publicação/Fonte: DJ 18/06/2001 p. 113  EMBARGOS  DE  DIVERGÊNCIA.  PREVIDENCIÁRIO.  REVISÃO  DE  BENEFÍCIO.  LIQUIDAÇÃO  DA  SENTENÇA.  PLANILHA  APRESENTADA  PELO  INSS  EM  QUE  CONSTA  PAGAMENTO  ADMINISTRATIVO  DAS  DIFERENÇAS  RECLAMADAS. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE.  Fl. 3078DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     92 "As  planilhas  de  pagamento  da  DATAPREV  assinadas  por  funcionário  autárquico  constituem  documento  público,  cuja  veracidade é presumida." (REsp 183.669)  O documento público merece fé até prova em contrário. Recurso  que merece ser conhecido e provido para excluir da liquidação  as parcelas constantes da planilha, apresentada pelo INSS e não  impugnada  eficazmente  pela  parte  ex­adversa,  prosseguindo  a  execução por eventual saldo remanescente.  Embargos conhecidos e acolhidos.    Nessa  prumada,  existindo  no  mundo  jurídico  um  ato  administrativo  comprovado por documento público, passa a militar em favor do ente público a presunção de  legitimidade  e  veracidade  das  informações  nele  assentadas.  Como  prerrogativa  inerente  ao  Poder Público, presente em todos os atos de Estado, a presunção de veracidade subsistirá no  processo administrativo  fiscal como meio de prova hábil  a comprovar as alegações do órgão  tributário,  cabendo  à  parte  adversa  demonstrar,  ante  a  sua  natureza  relativa,  por  meio  de  documentos idôneos, a desconformidade com a realidade dos assentamentos em realce.   Configurando­se  o  Auto  de  Infração  como  um  documento  público  representativo  de  Ato  Administrativo  formado  a  partir  da  manifestação  da  Administração  Tributária, levada a efeito através de agentes públicos, não há como se negar a veracidade do  conteúdo.  Registre­se que, de acordo com os princípios basilares do direito processual,  incumbe  ao  autor  o  ônus  de  comprovar  os  fatos  constitutivos  do Direito  por  si  alegado,  e  à  parte adversa, a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.   No  caso  em  foco,  encontra­se  o  direito  creditório  do  fisco  plenamente  consignado,  com  todos  os  seus  elementos,  no  Relatório  Fiscal  do  Auto  de  Infração  e  nos  demais relatórios e documentos que integram o lançamento em pauta. A fiscalização apurou a  ocorrência de infração a obrigações tributárias principais e acessórias fixadas expressamente na  Lei de Custeio da Seguridade Social e constatou, demonstrando por intermédio de documentos  apresentados  pela  própria  empresa  fiscalizada  ou  decorrentes  da  operação  Grandes  Lagos,  autorizada  pela  Justiça  Federal,  a  configuração  de  grupo  econômico  de  fato  e  de  esquema  criminoso  constituído  com  o  desiderato  único  de  fraudar  a  administração  tributária  e  a  arrecadação  de  tributos,  circunstâncias  que  motivaram  a  lavratura  do  presente  Auto  de  Infração, por responsabilidade solidária, em nome de todas as empresas integrantes do grupo.  Dessarte,  fulguram  os  assentamentos  consignados  no  lançamento  como  bastantes  e  suficientes  para  fazer  prova  do  fato  afirmado  pela  fiscalização,  em  razão  da  debatida presunção de veracidade dos Atos Administrativos.  O  Órgão  Julgador  de  1ª  Instância  já  havia  asserido  no  aresto  recorrido  o  reconhecimento da existência do Grupo Econômico de fato apontado pela fiscalização, assim  como  a  ocorrência  de  fatos  geradores  de  contribuições  previdenciárias  não  registrados  na  documentação da empresa ou dissimulados, cujas argumentações  impugnatórias houveram­se  por rejeitadas em virtude da não comprovação material dos fatos alegados pelos Impugnantes.  Nada obstante,  retornam a carga os Recorrentes para  infirmar,  tão  somente,  que não integram o grupo econômico em questão, sem, no entanto, ornamentar  tal afirmativa  com qualquer alicerce demonstrativo ou meio de prova apto a contrapor a pletora documental  Fl. 3079DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.376          93 acostada pelo Fisco, não logrando sucesso, assim, em ilidir a  imputação de solidariedade que  lhe fora infligida pela Fiscalização.   A  defesa  por  negativa  geral  não  se  apruma  com  a  dinâmica  do  Processo  Administrativo Fiscal cujo mecanismo de contradita às autuações do fisco exige que o sujeito  passivo instrua o instrumento de bloqueio à imputação fiscal com todos os motivos de fato e de  direito em que se fundamentar a defesa, os pontos de discordância, as razões e as provas que  possuir. Mas não pára por aí:  Impõe ao  impugnante o ônus de rechear a peça de defesa com  todas as provas documentais garantidoras de seu direito, sob pena de preclusão do direito de  fazê­lo  em  momento  futuro,  ressalvadas,  excepcionalmente,  as  hipóteses  taxativamente  arroladas em lei.  Saliente­se  que  as  diretivas  ora  enunciadas  não  conflitam  com  as  normas  perfiladas  no  art.  302  do  CPC,  que  não  admite  a  contestação  pela  simples  negativa  geral,  ressalvados o  curador  especial,  ao  advogado dativo  e ao Ministério Público,  entendendo que  impugnação  assim  formulada  equivaleria  a  uma  não  contestação,  ensejando  a  revelia  e  seus  efeitos.  O  ordenamento  jurídico  pátrio  impõe  ao  sujeito  passivo  o  ônus  de  manifestar­se  precisamente sobre cada um dos fatos alegados, pois aqueles não refutados serão considerados  como verdadeiros, passando a ser fato incontroverso.  Nesse  contexto,  mesmo  ciente  de  que  suas  impugnações  houveram  sido  refutadas pela Autoridade Julgadora a quo em razão da carência da comprovação material do  Direito alegado, os Recorrentes quedaram­se inertes no sentido de suprir a falta em destaque,  não fazendo acostar aos autos as demonstrações documentais e os elementos de prova aptos a  contrapor  o  conjunto  probatório  trazido  à  balha  pela  fiscalização,  apoiando­se  única  e  exclusivamente na substancialidade etérea das palavras, em eloquente exercício de retórica, tão  somente, gravitando ao redor dos reais motivos ensejadores do lançamento tributário que ora se  opera, não logrando se desincumbir, dessarte, do ônus que lhe era avesso.  Assim,  havendo  um  documento  público  devidamente  fundamentado  e  com  presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser  em  favor  dessa  presunção.  Ostentando,  todavia,  tal  presunção  eficácia  relativa,  esta  admite  prova  em  sentido  contrário  a  ônus  da  parte  interessada,  encargo  este  não  adimplido  pelos  Recorrentes, que não lograram afastar a fidedignidade do teor do Auto de Infração em debate.   Nesse  sentido  remansa  a  Jurisprudência  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  conforme se depreende dos seguintes julgados:  MS 12756 / DF  Relator(a) Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA   S3 ­ TERCEIRA SEÇÃO  Data da Publicação/Fonte: DJe 08/05/2008  MANDADO  DE  SEGURANÇA.  ADMINISTRATIVO.  PROCURADOR  FEDERAL.  PROMOÇÃO.  PRESUNÇÃO  DE  VERACIDADE  DOS  CONTRACHEQUES  E  FOLHA  DO  SISTEMA SIAPE. RETIFICAÇÃO DOS ATOS DE PROMOÇÃO  DO IMPETRANTE. EFEITOS RETROATIVOS DESDE A DATA  EM  QUE  DEVERIA  SER  PROMOVIDO  NAS  CATEGORIAS  APROPRIADAS.  1.  Têm  presunção  de  veracidade  contracheques  e  folha  do  Sistema  SIAPE  apresentados  por  procurador  federal  que  Fl. 3080DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     94 pretende  ser  promovido  com base  no  enquadramento  funcional  previsto  naqueles  documentos  públicos.  Ausência  de  apresentação  de  prova,  pelo  impetrado,  que  afastasse  a  fé  pública dos referidos documentos.   2.  Segurança  concedida.  Retroativos  a  partir  da  data  em  que  deveriam ter ocorrido as promoções do impetrante.      REsp 1059007 / SC  Relator(a) Ministro FRANCISCO FALCÃO  Órgão Julgador T1 ­ PRIMEIRA TURMA  Data da Publicação/Fonte: DJe 20/10/2008  ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. ARTIGO 258  DA  LEI  Nº  8.069/90.  AUTO  INFRACIONAL  LAVRADO  POR  COMISSÁRIO  DE  INFÂNCIA.  DOCUMENTO  PÚBLICO.  FÉ  PÚBLICA.  ATO  ADMINISTRATIVO.  PRESUNÇÃO  IURIS  TANTUM. ÔNUS DA PROVA DO ADMINISTRADO.  I  ­ O auto de  infração  lavrado por Comissário da  Infância, em  decorrência  do  descumprimento  do  artigo  258  da  Lei  nº  8.069/90,  constitui­se  em  documento  público,  merecendo  fé  pública até prova em contrário.  II  ­  O  ato  administrativo  goza  de  presunção  iuris  tantum,  cabendo  ao  administrado  o  ônus  de  provar  a  maioridade  da  pessoa  que  se  encontrava  no  estabelecimento  comercial  recorrido, haja vista a legitimidade do auto infracional.  III ­ Recurso especial provido.    Dada à reconfiguração do ônus probante imposta pelo §§ 3º e 6º, in fine, do  art. 33 da Lei nº 8.212/91,  tem o Recorrente que demonstrar e comprovar ou o recolhimento  das contribuições devidas ou que os fatos imputados pela fiscalização não se configuram como  fatos geradores de contribuições previdenciárias ou que estes escapam à sua responsabilidade  tributária.  Diante  desse  quadro,  não  se  revela  possível  a  esta  Corte  Administrativa  o  provimento  do  pleito  ora  requerido  pela  empresa  em  epígrafe,  em  razão  da  carência  de  conjunto probatório robusto que dê esteio ao direito por si alegado. Alegar sem nada provar é o  mesmo que nada alegar.  Nesse contexto, não havendo o sujeito passivo produzido qualquer indício de  prova material com pujança bélica poderosa o suficiente a desintegrar os sólidos fundamentos  do presente lançamento, este há de ser mantido.      4.   CONCLUSÃO:  Pelos  motivos  expendidos,  CONHEÇO  PARCIALMENTE  do  recurso  voluntário para, no mérito, NEGAR­LHE PROVIMENTO.  Fl. 3081DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.377          95   É como voto.    Arlindo da Costa e Silva                 Declaração de Voto  Após a leitura do voto prolatado pelo i. Relator, pedi vista do processo para  melhor  analisar  a  matéria  objeto  do  lançamento  e  os  argumentos  manifestados  pelo  sujeito  passivo.  Conforme  apontado  no  relatório,  trata­se  de  crédito  tributário  lançado  em  desfavor  da  empresa  em  epígrafe,  consistente  em  contribuições  previdenciárias  a  cargo  da  empresa,  destinadas  ao  custeio  da  Seguridade  Social  e  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão do grau de  incidência de  incapacidade  laborativa decorrente dos  riscos  ambientais  do  trabalho,  incidentes  sobre  as  remunerações  pagas,  devidas  ou  creditadas  a  segurados  empregados  e  segurados  contribuintes  individuais,  e  sobre  a  comercialização  da  produção  rural  adquirida  de  pessoa  física,  devida  por  sub­rogação,  conforme  descrito  no  Relatório Fiscal a fls. 283/307 e anexos:  [...]  Informa  a  Fiscalização  que  a  empresa  FRIGO  VALE  INDÚSTRIA  E  COMÉRCIO  DE  CARNES  LTDA ME  houve­se  por  constituída,  em  23/03/1998,  pelos  "sócios"  Carlos  Roberto  Alves  (cunhado  do  Sr.  Nivaldo  Fortes  Peres)  e  Hypólito  Rodrigues  Júnior,  o  qual  foi  substituído  na  empresa,  em  04/06/2004,  pela  Sra.  Nilce  Fortes  Peres  Alves,  irmã  do  Sr.  Nivaldo Fortes Peres.   Extrai­se  dos  Autos  que  a  Frigo  Vale  adquire  gado  de  pecuaristas  e  passam  para  as  empresas  “noteiras”  (Pereira,  Pereira Comércio  de Carnes  e Derivados Ltda  e Distribuidora  de Carnes e Derivados São Paulo Ltda) a relação do abate, que  consiste  no  total  de  gado  que  será  abatido  no  mesmo  dia.  As  “noteiras” emitem a nota fiscal de remessa para abate e passam  o  número  da  remessa  da  nota  para  que  sejam  feitas  as  devoluções, isto é, emitidas as notas fiscais de simples devolução  da Frigo Vale para a Noteira.  Em seguida, a Frigo Vale envia o faturamento à Noteira, isto é,  a relação de venda da carne resultante do abate. O funcionário  do  frigorífico  vai à  empresa Noteira buscar as notas  fiscais de  venda emitidas pela Noteira em nome dos clientes da Frigo Vale,  que são açougues e supermercados.   Ato seguinte, um funcionário da Frigo Vale se dirige à empresa  “Noteira”  levando  as  notas  fiscais  de  retorno  originais  e  as  Fl. 3082DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     96 notas  fiscais  do  produtor  rural.  Com  base  nestas  notas,  são  emitidas as notas fiscais de entrada de produtor.  O  Relatório  Fiscal  lista  as  pessoas  físicas  e  jurídicas  solidariamente responsáveis pelos tributos lançados, integrantes  do  grupo  econômico  de  fato  denominado  "Grupo  Nivaldo",  discorrendo na sequência acerca da "Operação Grandes Lagos",  deflagrada  pela  Polícia  Federal  por  solicitação  da  Receita  Federal  com  vistas  à  apuração  de  fraudes  à  administração  tributária,  havendo  sido  constatada  a  participação  do  Sr.  Nivaldo Fortes Peres  (CPF 785.735.998­04) como "cabeça" do  grupo  ("Grupo Nivaldo"), responsável pela criação de diversas  empresas paralelas em nome de interpostas pessoas ("laranjas")  com o objetivo de desviar o faturamento das empresas lícitas do  grupo.  A empresa autuada, Frigo Vale Indústria e Comércio de Carnes  Ltda  – ME,  houve­se  por  excluída  do  SIMPLES,  conforme Ato  Declaratório  Executivo  nº  07,  de  17  de  janeiro  de  2008,  a  fl.  11.469, com efeitos a partir de 01/01/2003.  De  acordo  com  o  Relatório  Fiscal,  também  estão  à  frente  na  condução dos negócios do "Grupo Nivaldo" os Srs. Luciano da  Silva Peres (CPF 217.280.068­64), Rodrigo da Silva Peres (CPF  276.282.428­12), Maria Helena La Retondo (CPF 029.175.818­ 59),  José  Roberto  Giglio  (CPF  070.679.248­39),  Pedro  Giglio  Sobrinho  (CPF  085.082.218­19)  e  Antonio  Giglio  Sobrinho  (CPF 075.677.458­60).  Consoante  relato  da  fiscalização,  integram  o  "Grupo  Nivaldo"  as  seguintes  pessoas  jurídicas:  Sebo  Sol  Indústria  de  Sub  Produtos  de  Bovinos  Ltda  EPP  (CNPJ  07.330.898/0001­05),  Agro  Rio  Preto  Representações  Comerciais  Ltda  (CNPJ  03.577.919/0001­30),  Rio  Preto  Abatedouro  de  Bovinos  Ltda  (CNPJ 05.038.080/0001­98), Comercial de Carnes e Derivados  Valentim  Gentil  Ltda  (CNPJ  01.996.600/0001­96),  Fortes  Empreendimentos  Rio  Preto  Ltda  (CNPJ  00.588.243/0001­92),  Sol  Importadora  e  Exportadora  de  Couros  Ltda  (CNPJ  03.577.891/0001­31), C M G Transportes Rio Preto Ltda (CNPJ  05.750.774/0001­53),  FEISP  Ltda  (CNPJ  04.519.455/0001­79),  Viena  Empreendimentos  Imobiliários  Rio  Preto  Ltda  (CNPJ  59.638.999/0001­41), R P M C Comércio de Carnes e Derivados  Ltda  (CNPJ  62.067.129/0005­06),  Sol  Empreendimentos  Imobiliários  Rio  Preto  Ltda  (CNPJ  60.006.251/0001­05),  América  Industrial  e  Comercial  Ltda  (CNPJ  04.305.053/0001­ 71),  Agroalto  Industrialização  e  Distribuição  Ltda  (CNPJ  04.816.026/0001­63),  Mega  Distribuidora  de  Gorduras  Ltda  (CNPJ  06.204.954/0001­00),  Valentim  Gentil  Abatedouros  de  Bovinos e Suínos Ltda (CNPJ 06.951.738/0001­10).   Constatado  o  interesse  comum na  situação que  constitui  o  fato  gerador  das  obrigações  tributárias  ora  lançadas,  o  crédito  tributário  ora  em  constituição  houve­se  por  lançado,  por  solidariedade, em nome dos integrantes do grupo econômico em  tela,  conforme  descrito  nos  parágrafos  precedentes,  com  fundamento no art. 124, I do CTN, sendo, por tal razão, lavrados  os Termos de Sujeição Passiva Solidária em relação a todas as  pessoas jurídicas e físicas acima referidas, as quais se houveram  por devidamente notificadas do vertente  lançamento, de acordo  com os documentos a fls. 308/471.  Fl. 3083DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.378          97 Irresignados  com  a  autuação,  ofereceram  impugnação  administrativa  a  Fortes  Empreendimentos  Imobiliários  São  Paulo Ltda, a fls. 478/495; Frigo Vale Indústria e Comércio de  Carnes Ltda ­ ME, a fls. 540/550; Maria Helena La Retondo, a  fls. 551/568, Sol  Importadora e Exportadora de Couros Ltda, a  fls.  604/609; CMG Transportes Rio Preto Ltda,  a  fls.  611/624;  José Roberto Giglio,  a  fls.  681/709;  Sebo  Sol  Indústria  de  Sub  Produtos de Bovinos Ltda – EPP; a fls. 710/717; Antonio Giglio  Sobrinho,  a  fls.  720/751;  Pedro  Giglio  Sobrinho,  a  fls.  1097/1124; Luciano da Silva Peres, a fls. 1125/1143, Rodrigo da  Silva Peres, a fls. 1186/1204; Sol Empreendimentos Imobiliários  Rio  Preto  ltda,  a  fls.  1245/1271  e  Nivaldo  Fortes  Peres,  a  fls.  1272/1285.    Considerando  os  argumentos  dispostos  no  recurso  voluntário  interposto  e  aqueles colacionados pelo sujeito passivo nos 03 [três] memoriais, aduz, em resumo:    (i)  A autoridade administrativa acusa os recorrentes de  terem  interesse  comum  com  os  fatos  geradores  dos  tributos  devidos  pela  empresa  FRIGOVALE  Indústria  e  Comércio  de  Carnes  Ltda,  razão  porque  lhes  foi  imputada  a  responsabilidade  solidária  pelo  PAF,  com  fundamento no art. 124, inc. I, CTN. A defesa foi, então,  rejeitada pela DRJ/Ribeirão Preto, mediante argumentos  que  revelam  uma  arbitrariedade  semelhante  à  empregada  na  lavratura  do  PAF.  Todavia,  a  análise  imparcial  do  que  foi  amealhado  pela  autoridade  administrativa  e  das  provas  produzidas  pelos  recorrentes  convence  de  que  eles  nunca  tiveram  envolvimento de qualquer  tipo com essa empresa. Mais  do  que  isso,  que  o  i.  acórdão  e  o  PAF  está  eivado  de  nulidades  diversas,  de  modo  que,  data  venia,  ele  não  deve, e não pode, ser mantido;  (ii)  Conexão  com  o  processo  n.  16004.001597/2008­7  e  prevenção  da  1ª  Turma,  da  4ª  Câmara,  da  Segunda  Seção,  em atenção ao art. 6º,  do Regimento  Interno do  CARF;  (iii)  ‘BIS  IN  IDEM’:  Às  fls.  167/278,  consta  apenas  uma  planilha, na qual se afirma que a fonte são“documentos  e arquivos magnéticos apreendidos pela Polícia Federal  e  Receita  Federal”.  (sic)  Não  foi  juntada  uma  única  Nota  Fiscal  do  produtor,  que  vincule  a  empresa  FRIGOVALE à aquisição de produção rural. Caso esse  vício  não  seja  óbice  suficiente  à  nulidade  desse  lançamento,  o  recorrente  faz  prova  cabal  de  que  essa  contribuição  foi  lançada  em  bis  in  idem.  Simples  consulta ao COMPROT revela a variedade de autos de  infração lançados em desfavor da empresa Distribuidora  de Carnes  e Derivados São Paulo Ltda. E, dentre  eles,  merecem  especial  atenção  25  (vinte  e  cinco)  autos  de  Fl. 3084DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     98 infração  e  lançamento  de  débito  confessado. Destes  25  (vinte  e  cinco),  22  (vinte  e  dois)  foram  lavrados  entre  agosto  de  outubro  de  2008,  isto  é,  no  período  imediatamente  anterior  ao  presente  PAF.  Requer,  por  fim, que, provado o bis in idem, seja excluída do PAD a  contribuição  do produtor  rural,  referente  à mercadoria  consignada  da  empresa  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados São Paulo Ltda;  (iv)  Decadência parcial das obrigações tributárias;   (v)  Que dos fatos narrados não se chega à conclusão de que a  FrigoVale é o sujeito passivo da obrigação, não havendo  nexo, nem provas, entre os fatos narrados e a conclusão  de que esta teria cometido as infrações descritas;   (vi)  Que  a  FrigoVale,  em  nenhum  momento,  foi  incluída  no  Mandado  de  Procedimento  Fiscal,  não  foi  cientificada  em qualquer  fase do procedimento, somente vindo a  ter  conhecimento  do  procedimento  com  a  notificação  do  Auto;   (vii) Que  o  Relatório  Fiscal  carece  de  elementos  caracterizadores  de  grupo  econômico  e,  consequentemente, do instituto da solidariedade;   (viii)  Que a fiscalização acusa a Frigo Vale de ter se utilizado  de  "notas  fiscais  frias",  "emitidas  por  empresas  de  fachadas", "em nome de laranjas", mas não faz prova de  tais acusações. Aduz que prestava  serviços de abate de  gado  para  terceiros  e  não  comercialização  dos  produtos;   (ix)  Nulidade  do Acórdão,  por  preterição do  direito  de defesa,  em  razão  de  não  ter  sido  deferida  produção  de  prova  pericial;   (x)  Nulidade  do  processo,  por  impedimento  da  autoridade  administrativa,  porque  antes  da  ação  fiscal,  em  08/10/2008, os Srs. Luciano da Silva Peres e Rodrigo da  Silva  Peres,  filhos  do  recorrente,  representaram  à  Corregedoria­Geral  da  Receita  Federal  pela  instauração de sindicância contra os AFRFB Jeferson de  Lima Garcia, Paulo César Martinasso e Valmir da Cruz,  com  o  objetivo  de  apurar  supostas  infrações  disciplinares;   (xi)  Que  o  Auto  de  Infração  foi  lavrado  por  servidores  desprovidos  de  competência  para  fiscalizar  o  Recorrente, pois o auditor fiscal só pode utilizar as suas  prerrogativas de fiscalizar e de praticar o lançamento de  ofício, quando instaurado procedimento fiscal regular, o  qual se dá por meio de mandado de procedimento fiscal;   (xii) Que  não  havendo  procedimento  que  confira  à  autoridade  administrativa  poderes  para  desconsiderar  os  negócios  jurídicos praticados pelo referido contribuinte, o PAF é  nulo de pleno direito;   (xiii)  Que  as  provas  reunidas  pela  fiscalização  não  demonstram  o  interesse  comum  do  Recorrente  com  os  fatos geradores dos tributos lançados;   (xiv) Nulidade das provas. Aduz que as informações obtidas pela  autoridade  administrativa  com  fundamento nos MPF­D  Fl. 3085DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.379          99 n° 081.0700­2008­00444­0 e MPF­F n° 081.9000­2008­ 04691­2 devem ser excluídas do auto de infração;   (xv) Que  a  Autoridade  administrativa  não  possui  competência  para determinar a quebra de  sigilo bancário. Apenas a  autoridade  judiciária  competente  pode  proferir  tal  decisão;   (xvi) Que a base de cálculo foi apurada incorretamente, tomando  como base o valor integral das notas fiscais, adquiridas  destas empresas  terceiras, que não se presta à aferição  direta do tributo;   (xvii)  Nulidade do Auto de Infração por erro na identificação  do  sujeito  passivo.  Aduz  inexistir  correlação  entre  a  autuada e a Sebo Sol Indústria Subprodutos de bovinos  ltda,  não  havendo  que  se  cogitar  de  interesse  comum  entre elas;   (xviii)  Que,  por  se  tratar  de  obrigação  acessória,  onde  o  caráter subjetivo em relação ao fato gerador do tributo  lançado  é  indissociável,  deve  estar  evidenciado  o  dolo  do agente para a imputação da solidariedade;   (xix) Que  parte  das  contribuições  lançadas  refere­se  ao  FUNRURAL,  declarado  inconstitucional  pelo  Colendo  Supremo Tribunal Federal;   (xx) Que não há motivação para a imputação de solidariedade a  Pedro  Giglio  Sobrinho,  fato  que  eiva  de  ilegalidade  o  procedimento fiscal;   (xxi) Que  inexiste  na  legislação  tributária  qualquer  dispositivo  que  atribua  responsabilidade  direta  a  pessoas  que  não  tenham qualquer participação societária ou gerencial na  empresa;   (xxii)  Que se houvesse vinculação entre o devedor solidário e  o  principal,  por  interesse  comum  na  situação  que  constitui  o  fato  gerador  da  obrigação  tributária,  esta  deveria  ser  provada  pela  fiscalização  e  não  apenas  aduzida;   (xxiii)  Que  o  Recorrente  não  foi  incluído  no  Mandado  de  Procedimento  Fiscal,  não  foi  cientificado  em  qualquer  fase do procedimento, somente vindo a ter conhecimento  do  procedimento  com  a  cientificação  do  Termo  de  Sujeição Passiva. Aduz não ter tido a chance de carrear  aos  autos  qualquer  prova  que  pudesse  afastar  a  imputação  de  responsabilidade  pelas  obrigações  tributárias da empresa autuada;   (xxiv)  Que  a  imputação de  solidariedade  passiva  a Rio Preto  Abatedouro  de  Bovinos  ltda  baseia­se  em  suposições,  ante a inexistência de provas;   (xxv)  Que o Auto de Infração, no aspecto da responsabilidade  do  Recorrente,  é  inconsistente  e  baseia­se  em  prova  ilícita, nula de pleno direito, posto que não foi submetida  ao crivo do contraditório e da ampla defesa, bem como  viola  o  princípio  da  presunção  de  inocência,  além  do  órgão  autuador  não  ter  produzido  prova  da  Fl. 3086DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     100 responsabilidade  na  fase  administrativa,  ônus  que  lhe  competia;   (xxvi)  Que  não  há  motivação  para  a  imputação  de  solidariedade  a  Sol  Empreendimentos  Imobiliários  Rio  Preto  ltda,  fato que eiva de  ilegalidade o procedimento  fiscal;   (xxvii)  Cerceamento de defesa, pois a fiscalização somente deu  conhecimento  do  procedimento  ao  Recorrente  com  a  notificação  do  Termo  de  Sujeição  Passiva  Solidária  já  concluído,  após  o  encerramento  de  todos  os  trabalhos  fiscais  de  apuração  e  lançamento,  consubstanciado  no  Auto de Infração lavrado contra a empresa fiscalizada;   (xxviii)  Que  a  empresa  Sol  Empreendimentos  Imobiliários  Rio  Preto Ltda nada tem a ver com a empresa autuada, não  participa  de  seu  capital  social,  sua  atividade  é  completamente diferente, os sócios das duas não são os  mesmos  e  que  a  sua  responsabilização  tributária  solidária  pelos  débitos  lançados  contra  a  empresa  autuada  é  absurda.  Aduz  não  haver  qualquer  interesse  comum na situação que constitua o fato que constitui a  obrigação tributária;   (xxix)  Que  não  há  provas  a  revelarem  o  interesse  comum  de  José  Roberto  Giglio  na  situação  que  constituiu  o  fato  gerador  da  obrigação  tributária  cuja  responsabilidade  lhe  foi  atribuída  por  solidariedade,  fato  que  eiva  de  ilegalidade  o  procedimento  fiscal.  Aduz  que  o  Recorrente não tem vínculo com a Autuada, nem sequer  era  seu  mandatário,  não  tendo  nenhum  interesse  nos  resultados  das  vendas  efetuadas  pela  empresa,  inexistindo hipótese de enquadramento no dispositivo do  art. 124, I do CTN;   (xxx)  Que  a  decisão  recorrida  não  apreciou  as  preliminares  arguidas  por  Antonio  Giglio  em  sua  impugnação,  nem  houve  a  consideração  dos  elementos  probatórios  produzidos pelo Recorrente;   (xxxi)  Que o Sr. Antonio Giglio é parte ilegítima para figurar  como  responsável  solidário  da  obrigação  tributária  em  foco, pois jamais foi sócio de fato ou "laranja", seja da  empresa  autuada,  seja  das  demais  empresas,  "grupos"  ou pessoas a elas ligadas;   (xxxii)  Que  não  pode  prevalecer  o  agravamento  da  multa  em  relação ao Sr. Antonio Giglio;   (xxxiii)  Que  é  inaplicável  a  inserção  de  juros  sobre  a  multa,  posto  que  a  lei  é  clara  ao  determinar  que  os  juros  só  incidem sobre o principal;    Feito  o  registro,  peço  vênia  ao  i.  Relator  para  divergir,  em  atenção  aos  argumentos que serão a seguir colacionados.    I.  BIS IN IDEM – NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA  Fl. 3087DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.380          101 O Recorrente  afirmou que o objeto do  lançamento  realizado  já  foi  incluído  em autos de infração lavrados em face da Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda.,  existindo, no caso, bis in idem:    [...]  Às  fls.  167/278,  consta  apenas  uma  planilha,  na  qual  se  afirma  que  a  fonte  é  “documentos  e  arquivos  magnéticos  apreendidos  pela Polícia Federal  e Receita  Federal”.  (sic)  Não  foi  juntada  uma  única Nota Fiscal  do  produtor,  que  vincule  a  empresa  FRIGOVALE  à  aquisição  de  produção  rural.  Caso  esse  vício  não  seja  óbice  suficiente  à  nulidade  desse  lançamento,  o  recorrente faz prova cabal de que essa contribuição foi  lançada em bis in idem. Simples consulta ao COMPROT  revela  a  variedade  de  autos  de  infração  lançados  em  desfavor  da  empresa  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados  São  Paulo  Ltda.  E,  dentre  eles,  merecem  especial  atenção 25  (vinte  e  cinco)  autos de  infração  e  lançamento  de  débito  confessado.  Destes  25  (vinte  e  cinco), 22 (vinte e dois) foram lavrados entre agosto de  outubro  de  2008,  isto  é,  no  período  imediatamente  anterior ao presente PAF. Requer, por fim, que, provado  o  bis  in  idem,  seja  excluída  do PAD a  contribuição do  produtor  rural,  referente  à  mercadoria  consignada  da  empresa Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo  Ltda;    Da  análise  das  informações  apresentadas  entendo  que  a  matéria  merece  melhor  análise,  pois  este  Julgador  tem  sérias  dúvidas  em  relação  ao  objeto  do  lançamento  lavrados em desfavor da Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda. e a possibilidade  da ocorrência do bis in idem.  Dito  isso, opino pela conversão do  julgamento  em diligência, para que seja  juntada ao presente a cópia do relatório fiscal dos autos de infração relacionados pelo sujeito  passivo.  Caso seja vencido, passo à análise dos demais pontos.    II.  DECADÊNCIA  Já manifestei meu entendimento em diversas oportunidades segundo o qual a  Contribuição  Previdenciária  é  tributo  sujeito  ao  lançamento  por  homologação,  sendo  que  o  prazo decadencial para efetuar o lançamento de tal tributo seria, em regra, o do art.150, §4º do  CTN. Dessa forma, o prazo decadencial para o lançamento seria de cinco anos a contar do fato  gerador.  No  tocante  à  decadência  é  mister  analisarmos  o  instituto  à  luz  da  Súmula  Vinculante  nº  8,  do  Supremo  Tribunal  Federal,  publicada  no  Diário  Oficial  da  União,  de  Fl. 3088DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     102 20/06/2008,  em  consonância  com  as  disposições  do  art.  103­A  da  Constituição  Federal,  in  verbis:  Súmula  Vinculante  nº  8  –  São  inconstitucionais  o  parágrafo  único do artigo 5º do Decreto­Lei nº 1.569­1997 e os artigos 45  e  46  da  Lei  nº  8.212/1991,  que  tratam  de  prescrição  e  decadência de crédito tributário.  Art.  103­A.  O  Supremo  Tribunal  Federal  poderá,  de  ofício  ou  por  provocação,  mediante  decisão  de  dois  terços  dos  seus  membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional,  aprovar  súmula  que,  a  partir  de  sua  publicação  na  imprensa  oficial,  terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do  Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas  esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua  revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído  pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) (Vide Lei nº 11.417,  de 2006).  O  art.  2º  da  Lei  nº  11.417,  de  19/12/2006,  que  regulamenta  o  dispositivo  constitucional supratranscrito, assim dispõe sobre os efeitos da Súmula Vinculante editada pelo  Supremo Tribunal Federal:  Art.  2o O  Supremo  Tribunal  Federal  poderá,  de  ofício  ou  por  provocação,  após  reiteradas  decisões  sobre  matéria  constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua  publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação  aos  demais  órgãos  do  Poder  Judiciário  e  à  administração  pública  direta  e  indireta,  nas  esferas  federal,  estadual  e  municipal, bem como proceder à  sua  revisão ou cancelamento,  na forma prevista nesta Lei.    Quanto  ao  teor  da  Súmula  Vinculante  editada,  esta  declarou  a  inconstitucionalidade  dos  artigos  45  e  46  da  Lei  8.212/91,  que  previam,  respectivamente,  prazos  decadencial  e  prescricional  de  10  anos  para  as  contribuições  devidas  à  Seguridade  Social.  O  fundamento  da  decisão  foi  que  lei  ordinária  não  pode  dispor  sobre  prazos  de  decadência e prescrição de tributo, questões reservadas à lei complementar (artigo 146, III, “b”,  da Constituição Federal).  Além  do  entendimento  manifesto  pelo  Supremo  Tribunal  Federal,  para  deslinde  da  questão  há  de  ser  considerada  também  a  previsão  contida  no  art.  62­A  do  Regimento  Interno  do Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais,  aprovado  pela  Portaria  MF nº 256, de 22/06/2009, alterado pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, abaixo transcrito:  “62­A  –  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infracontitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.    Fl. 3089DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.381          103 Dessa forma, no tocante à matéria prazo decadencial, o Superior Tribunal de  Justiça,  julgando os  recursos  submetidos  à  sistemática de  repetitivos,  proferiu  o Acórdão  no  Resp 973733, pacificando a matéria, cujo ementa transcrevo:  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN.  IMPOSSIBILIDADE.   1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento  antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes  da Primeira  Seção: Resp  766.050/PR, Rel.  Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP,  Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).   2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).   3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Fl. 3090DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     104 Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed.,  Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).     Nesse  sentido,  considerando  a  existência  de  decisão  emanada  do  egrégio  Tribunal, em sede de Recursos Repetitivos, passo a análise do caso concreto.  Note­se,  inicialmente  que,  diferente  da  tese  dominante  nesse  Conselho  em  relação ao fato de que a atividade desenvolvida pelo sujeito passivo tendente a praticar as ações  previstas no art. 142 do CTN, independente de pagamento, seria o objeto da homologação pela  autoridade tributária, verifica­se que a teor da decisão do STJ, o que deve ser homologado é o  pagamento eventualmente antecipado pelo sujeito passivo.  Feitas essas considerações, para solução da lide ora proposta, resta dirimir se  houve ou não recolhimento da parte do contribuinte.   Dessa forma, com o advento da decisão acima referida, tem­se que nos casos  em que não houve antecipação de pagamento deve­se aplicar a regra do art. 173, I, do CTN, ou  seja, contar­se o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que  o lançamento poderia ter sido efetuado. Nos casos em que há recolhimento, ainda que parcial,  aplica­se a regra do art. 150, § 4º do CTN, ou seja, o prazo inicia­se na data do fato gerador.  Considerando  que  Recorrente  foi  cientificada  em  24/12/2008  e  que  houve  recolhimento,  aplico  o  art.  150,  §4º  do  CTN,  restando,  por  conseguinte,  fulminadas  pela  decadência as competências anteriores a 12/2003.    III.  DA INCONSTITUCIONALIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O FUNRURAL   Conforme  descrito  no  relatório  fiscal,  a  autuação  reporta­se  ­  além  das  contribuições  incidentes  sobre  as  remunerações  dos  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais  ­  às  contribuições  do  produtor  rural  pessoa  física  e  do  segurado  especial,  respaldadas  no  artigo  25  da  Lei  8.212/91,  cuja  obrigação  de  recolhimento  fica  a  cargo  da  empresa  adquirente,  por  sub­rogação,  nos  termos  da  citada  Lei  conforme  redação  vigente  à  época da ocorrência dos fatos geradores   A decisão de primeira instância considerou improcedente a impugnação, sob  os  argumentos  de  que,  em  regra,  é  vedado  à  autoridade  administrativa  reconhecer  tese  de  ilegalidade e inconstitucionalidade de lei. De fato, razão lhe assiste   No  entanto,  entendo  que  em  cumprimento  ao  princípio  da  economia  processual e em prol da unificação dos julgados, a esfera administrativa pode, em determinadas  circunstâncias, seguir o entendimento do Judiciário no que diz respeito às matérias as quais já  consolidou seu posicionamento, isso para que se evite a situação de o contribuinte, ao final da  demanda administrativa tenha que recorrer ao judiciário para ver a lide satisfeita.   Assim, apesar de estar ciente que as decisões judiciais possuem efeitos  inter  partes,  entendo  que  é  necessário  se  valorizar  a  jurisprudência  consolidada  pelos  tribunais  superiores,  in  casu,  cumpre  atentar  para  o  posicionamento  adotado  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  (STF)  ao  enfrentar  a  matéria  sob  análise.  Até  porque,  o  processo  administrativo  tributário  adota  essa  premissa, mormente  o Decreto  n.  70.235/72  e  o  Regimento  Interno  do  CARF aprovado pela Portaria MF n. 256/2009:  Fl. 3091DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.382          105 Decreto n. 70.235/72    Art.  26­A.  No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica  vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº  11.941, de 2009)  [...]  § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  ato  normativo: (Incluído  pela Lei nº 11.941, de 2009)  I  –  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;    RI­CARF  Art. 62. Fica vedado aos membros dão turmas de julgamento do  CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade.  Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos  de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:  I  ­  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou  Com efeito, a corte constitucional no julgamento do Recurso Extraordinário –  RE n.º 363.852, já se manifestou sobre a questão e, por entender que a contribuição representa  uma dupla  tributação,  declarou  a  inconstitucionalidade  do  artigo  1º  da Lei  n.º  8.540/92,  que  deu nova redação aos artigos 12, inciso V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n.º  8.212/91, nos termos abaixo:  “O  Tribunal,  por  unanimidade  e  nos  termos  do  voto  do  Relator,conheceu  e  deu  provimento  ao  recurso  extraordinário  para desobrigar os  recorrentes  da  retenção e  do  recolhimento  da contribuição social ou do seu recolhimento por subrrogação  sobre  a  ‘receita  bruta  proveniente  da  comercialização  da  produção  rural’  de  empregadores,  pessoas  naturais,  fornecedores  de  bovinos  para  abate,  declarando  a  inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei n.º 8.540/92, que deu  nova redação aos artigos 12, inci)sas V e VII, 25, incisos I e II,  30, inciso IV, da Lei n.º 8.212/91, com a redação atualização até  a Lei n.º 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda  Constitucional  n.º  20/98,  venha  a  instituir  a  contribuição,  tudo  na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência.  Em seguida, o Relator apresentou petição da União no  sentido  de modular os efeitos da decisão, que foi rejeitada por maioria,  vencida  a  Senhora Ministro  Ellen Gracie.  Votou  o  Presidente,  Ministro  Gilmar  Mendes.  Ausentes,  licenciado,  o  Senhor  Ministro Celso de Mello e, neste julgamento, o Senhor Ministro  Joaquim Barbosa, com voto proferido na assentada anterior.  Plenário, 03.02.2010.” Fl. 3092DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     106   Em  exame  posterior  da  matéria,  em  sessão  plenária  (17/03/2011),  o  STF  ratificou o seu posicionamento e manteve seu entendimento sobre a inconstitucionalidade dos  dispositivos legais supramencionados ao rejeitar os embargos de declaração da União Federal  no RE n.º 363.852.  Os embargos foram apresentados com o objetivo de que se declarasse que a  Lei  n.º  10.256/2001,  que  alterou  parte  do  artigo  25,  da  Lei  n.º  8.212/91,  havia  sanado  a  inconstitucionalidade.  Porém,  o  posicionamento  do ministro  relator, Marco Aurélio Mello,  foi  no  sentido  de  que  como  a  referida  lei  somente  modificou  o  caput  do  artigo  25,  mantendo  a  alíquota  e  a  base  de  cálculo  da  contribuição,  não  houve  alteração  no  que  se  refere  à  inconstitucionalidade da cobrança do Funrural.  Além  disso,  cabe  registrar  que  o  Supremo  Tribunal  Federal  reconheceu  a  existência de repercussão geral da matéria  relativa à contribuição social do empregador  rural  pessoa  física  incidente  sobre  a  comercialização  da  produção  rural,  no  bojo  do  Recurso  Extraordinário  nº  596177/RS,  de  relatoria  do  Ministro  RICARDO  LEWANDOWSKI,  em  17/09/2009, DJe de 08­10­2009, a saber:  “EMENTA:  CONSTITUCIONAL.  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR  RURAL  PESSOA  FÍSICA.  INCIDÊNCIA  SOBRE  A  COMERCIALIZAÇÃO  DA  PRODUÇÃO.  ART.  25  DA  LEI  8.212/91,  NA  REDAÇÃO DADA  A  PARTIR  DA  LEI  8.540/92.  RE  363.852/MG, REL. MIN. MARCO AURÉLIO, QUE  TRATA  DA  MESMA  MATÉRIA  E  CUJO  JULGAMENTO  JÁ  FOI  INICIADO  PELO  PLENÁRIO.  EXISTÊNCIA  DE  REPERCUSSÃO GERAL.    Decisão:  O  Tribunal  reconheceu  a  existência  de  repercussão  geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram  os Ministros  Cármen Lúcia, Cezar  Peluso,  Joaquim Barbosa  e  Menezes Direito. Ministro RICARDO LEWANDOWSKI  Nesta  esteira,  a  excelentíssima  Ministra  Carmen  Lúcia  decidiu  monocraticamente o RE nº 425330/MG, em 09/04/2010, e o RE nº 613433/RS, em 20/05/2010,  a saber:  DECISÃO  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO.  CONSTITUCIONAL  E  PREVIDENCIÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  AO  FUNRURAL  INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO  RURAL:  INCONSTITUCIONALIDADE.  PRECEDENTE.  RECURSO EXTRAORDINÁRIO PROVIDO.  Relatório  (...)  4.  Por  decisão  de  fls.  235­236,  determinou­se  a  devolução dos  autos à origem para que fosse observado o art. 543­B do Código  Fl. 3093DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.383          107 de  Processo  Civil  em  decorrência  do  reconhecimento  de  repercussão geral do tema no Recurso Extraordinário 596.177.  (...)  6. Inicialmente, cumpre ressaltar que a decisão que determinou  o retorno dos autos à origem foi publicada em 4.2.2010 (fl. 237),  nos termos do art. 543­B do Código de Processo Civil (fls. 235­ 236).  O  tema objeto  do  recurso  extraordinário  foi  julgado na  sessão  plenária do Supremo Tribunal Federal de 3.2.2010, no Recurso  Extraordinário 363.852.  Assim, por estarem os autos no Supremo Tribunal Federal e por  já  ter  sido  julgado  o  tema  constitucional  contido  no  recurso  extraordinário interposto, torno sem efeito a decisão de fls. 235­ 236 e passo a análise das razões do recurso extraordinário.  (...)  Dessa orientação jurisprudencial divergiu o acórdão recorrido.  8. Pelo exposto, dou provimento ao recurso extraordinário (art.  557,  §  1º­A,  do  Código  de  Processo  Civil  e  art.  21,  §  2º,  do  Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal) para afastar a  contribuição ao Funrural  incidente  sobre a comercialização da  produção rural de empregadores pessoas naturais.  (...)  (RE  425330/MG,  Rel.  Min.  CARMEM  LÚCIA,  decisão  monocrática de 09/04/2010, DJe de 29/04/2010)    DECISÃO  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO.  CONSTITUCIONAL  E  PREVIDENCIÁRIO.  1.  CONTRIBUIÇÃO  AO  FUNRURAL  INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO  RURAL:  INCONSTITUCIONALIDADE.  PRECEDENTE.  2.  COMPENSAÇÃO.  E  CORREÇÃO  MONETÁRIA.  MATÉRIAS  INFRACONSTITUCIONAIS.  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO  PARCIALMENTE PROVIDO.  Relatório  (...)  2. Os Recorrentes alegam que o Tribunal a quo teria contrariado  os  arts.  146,  150,  inc.  I,  154  e  195,  inc.  I,  §§  4º  e  8º,  da  Constituição da República.  (...)  Requerem  o  provimento  do  recurso  extraordinário,  para  reformar o acórdão recorrido e declarar a inconstitucionalidade  dos arts. 25, inc. I e II, da Lei 8.212/91, 3º e 6º da Lei 9.528/97,  "com as modificações dadas pelas Leis 10.256/2001, 8.540/1992,  8.861/1994 e 9.528/1997" (fl. 195).  (...)  4. No julgamento do Recurso Extraordinário 363.852, Relator o  Ministro  Marco  Aurélio,  o  Plenário  do  Supremo  Tribunal  Federal  deu  provimento  ao  recurso  para  desobrigar  os  recorrentes  da  retenção  e  do  recolhimento  da  contribuição  social ou do seu recolhimento por sub­rogação sobre "a receita  Fl. 3094DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     108 bruta  proveniente  da  comercialização  da  produção  rural"  de  empregadores,  pessoas  naturais,  fornecedores  de  bovinos  para  abate.  Naquela assentada, foi declarada a inconstitucionalidade do art.  1º da Lei 8.540/92, que alterou os artigos 12, V e VII, 25, I e II, e  30, IV, da Lei 8.212/91, assim como as alterações feitas até a Lei  9.528/97,  até  que  nova  legislação,  com  base  na  Emenda  Constitucional 20/98, venha a instituir a contribuição.  (...)  Dessa orientação jurisprudencial divergiu o acórdão recorrido.  (...)  6.  Pelo  exposto,  dou  parcial  provimento  ao  recurso  extraordinário (art. 557, § 1º­A, do Código de Processo Civil e  art.  21,  §  2º,  do  Regimento  Interno  do  Supremo  Tribunal  Federal)  para  afastar  a  contribuição  ao  Funrural  incidente  sobre  a  comercialização  da  produção  rural  de  empregadores  pessoas  naturais,  nos  termos  da  jurisprudência  deste  Supremo  Tribunal Federal.  (...).  (RE  613433/MG,  Rel.  Min.  CARMEN  LÚCIA,  decisão  monocrática de 20/05/2010, DJe de 07/06/2010)  Posteriormente,  em  01/08/2011,  o  Pleno  do  STF  reconhecer  a  inconstitucionalidade  do  art.  1º  da  Lei  8.540/1992,  aplicando­se  aos  casos  semelhantes  o  disposto no art. 543­B do CPC:    CONSTITUCIONAL.  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA.  INCIDÊNCIA  SOBRE  A  COMERCIALIZAÇÃO  DA  PRODUÇÃO.  ART.  25  DA  LEI  8.212/1991,  NA  REDAÇÃO  DADA  PELO  ART.  1º  DA  LEI  8.540/1992.  INCONSTITUCIONALIDADE. I – Ofensa ao art. 150, II, da CF  em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor  rural seja empregador.   II – Necessidade de lei complementar para a instituição de nova  fonte de custeio para a seguridade social.   III  –  RE  conhecido  e  provido  para  reconhecer  a  inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/1992, aplicando­se  aos casos semelhantes o disposto no art. 543­B do CPC.  (RE  596177,  Relator(a):  Min.  RICARDO  LEWANDOWSKI,  Tribunal  Pleno,  julgado  em  01/08/2011,  REPERCUSSÃO  GERAL  ­ MÉRITO DJe­165 DIVULG 26­08­2011 PUBLIC 29­ 08­2011  EMENT  VOL­02575­02  PP­00211  RT  v.  101,  n.  916,  2012, p. 653­662)     Apesar  disso,  o  r.  acórdão  não  pode  ser  reproduzido  ainda  por  este  Conselheiro [art. 62­A, do RI­CARF], haja vista a oposição de embargos de declaração ainda  não julgados:  Fl. 3095DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.384          109   Art.  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.    Oportuno mencionar que a 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 2ª Seção de  Julgamento do CARF ao julgar  tais argumentos apresentados pelas pessoas jurídicas tidas no  mesmo  grupo  econômico  [16004.001597/2008­75,  autuada:  Rio  Preto  Abatedouro  de  Bovinos Ltda. e outros], deu provimento ao recurso voluntário interposto, por unanimidade,  para afastar a exigibilidade do crédito tributário referente à omissão dos valores da receita bruta  proveniente da comercialização da produção rural, conforme ementa que transcrevo abaixo:  ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Período de apuração: 01/01/2003 a 31/10/2006  IMPROCEDÊNCIA  DA  AUTUAÇÃO  PARA  EXIGÊNCIA  DA  OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. INEXIGIBILIDADE DA CONDUTA  DE DECLARAR AS CONTRIBUIÇÕES NA GFIP.  Não  se  pode  exigir  a  declaração  de  contribuições  na  GFIP,  quando  o  crédito  para  exigência  das  mesmas  foi  julgado  improcedente.  Recurso Voluntário Provido.    Ainda  que  se  admita  que  o  Funrural,  em  tese,  deve  ser  cobrado  de  algum  contribuinte a partir de 2001, em desrespeito a decisão do STF, ainda assim, tenho inviável que  a  cobrança  se  dê  neste  processo,  em  razão  de  falhas  na maneira  de  constituição  do  crédito  tributário.  Chego  a  tais  conclusões  atento  à  questão  da  viabilidade  da  sub­rogação  da  empresa  Frigovale  nas  obrigações  pelo  recolhimento  do  Funrural,  dada  a  não  inclusão  das  empresas  que  formalizaram  com  seus  documentos  e  em  sua  escrita  fiscal  as  operações  de  compra de gado de produtores rurais no auto de infração sob julgamento.  Segundo o suposto esquema descrito no relatório da Polícia Federal  ­ que é  repetido na acusação do auto de infração, notas fiscais da Distribuidora de Carnes e Derivados  São Paulo e da Pereira, Pereira Comércio de Carnes e Derivados Ltda seriam utilizadas para  acobertar operações com mercadorias que, de fato, pertenceriam a terceiros.  Nas figuras da Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo e da Pereira,  Pereira,  residiriam, pois, aqueles que, ao menos na aparência, adquiriram gado de produtores  rurais, encomendando o abate do gado e comercializando posteriormente a carne.  Assim, parece­me evidente que as denominadas “noteiras” são, sem qualquer  margem de dúvidas,  responsáveis pelo  recolhimento do Funrural,  calculado, na  forma da  lei,  em percentual sobre o valor de aquisição do gado.   Fl. 3096DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     110 Da circunstância de ser o Funrural devido pelas Distribuidoras que, ao menos  formalmente,  praticaram  a  aquisição  do  gado,  decorrem  três  consequências  jurídicas  importantes.  A  primeira  delas  é  de  que,  sem  examinar  a  escrita  fiscal  e  o  conjunto  de  recolhimentos de tributos efetuados pela Distribuidora São Paulo e pela Pereira Pereira, não há  como se  afirmar, com a devida certeza que o Funrural  exigido no presente auto de  infração,  tenha sido, de fato, sonegado.   A segunda, na mesma linha da primeira, é a de que não há como, sem saber  se  existem  autos  de  infração  lavrados  contra  tais  distribuidoras  ou  terceiros  com  elas  envolvidos, concluir se a constituição da exigência do Funrural nestes autos não representa bis  in  idem. Vale notar que,  como  todas  as  empresas  que se  relacionaram com as distribuidoras  possivelmente  foram  autuadas  na  “operação  Grandes  Lagos”,  a  chance  de  exigência  em  duplicidade  do  Funrural  referente  aos  mesmos  bovinos  é,  mais  do  que  possível,  uma  circunstância provável na espécie.  A  terceira é a de que a  sub­rogação da Frigovale nos débitos do Funrural é  fragilíssima, visto que não há prova de que foi a autuada deste processo quem adquiriu gado de  produtores rurais. Ainda que participasse de um esquema de fraudes, seu papel ostensivo era de  abatedora  de  bovinos,  somente  descaracterizável  de  maneira  válida  caso,  responsabilizadas  solidariamente  no  presente  processo,  as  distribuidoras  “noteiras”  tivessem  peremptoriamente  buscado  a  exclusão  de  sua  própria  responsabilidade  afirmando  que  era  a  Frigovale  quem  adquiriu o gado de produtores, não se limitando a abatê­lo. O fato de a acusação saltar um grau  de responsabilidade, excluindo do polo passivo, por omissão, as distribuidoras, inviabilizou em  concreto a sub­rogação da Frigovale na obrigação de recolher o Funrural, visto que não se pode  afirmar com certeza que esta adquiriu gado em todas as vezes que recebeu bovinos para abate  com notas das distribuidoras.  Assim, excluo a responsabilidade da empresa Frigovale pelo Funrural exigido  no auto de infração, visto que as provas dos autos: i) não permitem concluir com certeza que  este tenha sido sonegado; ii) lançam suspeitas sobre sua provável exigência em duplicidade e,  iii) não pode haver sub­rogação da autuada na responsabilidade pelo Funrural visto que não era  esta,  peremptoriamente,  caracterizada  na  acusação  como  adquirente  de  gado  de  produtores  rurais.  Feitas tais considerações sobre o mérito das exigências, abordo a questão da  responsabilização solidária no auto de infração.  IV.  DA INEXISTÊNCIA DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA  A  palavra  responsabilidade  tem  muitos  significados,  mas  todos  complementares.  Ora  se  fala  de  responsabilidade  como  a  capacidade  de  uma  pessoa  para  responder por seus atos, ora com o sentido de estar obrigado a algo ou ainda com o sentido de  oferecer garantia e também com o sentido de dar resposta reparadora de um dano de modo a  estabelecer o equilíbrio quebrado. Efetivamente, todos esses significados estão presentes desde  a etimologia da palavra, derivada do latim respondere, passando por suas aplicações religiosas  e filosóficas até chgar ao campo jurídico.  No  direito  espanhol  já  está  bem  desenvolvido  o  entendimento  de  que  a  responsabilidade  tributária  envolve  necessariamente  a  concorrência  de  dois  pressupostos  de  fato  autônomos:  o  pressuposto  de  fato  do  tributo  (fato  gerador)  e  o  pressuposto  de  fato  da  Fl. 3097DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.385          111 responsabilidade tributária. Ou seja, a responsabilidade exige tanto a ocorrência do fato gerador  da  obrigação  do  contribuinte  de  pagar  o  tributo  como  a  do  fato  que  vincula  à  infração  de  deveres  formais  pelo  terceiro  à  assunção,  por  este,  da  posição  de  garante  pelo  cumprimento  daquela obrigação.  Para  que  ocorra  a  cobrança  do  tributo  do  responsável,  portanto,  é  indispensável  que  seja  verificada  a  ocorrência  dos  dois  pressupostos  de  fato.  Em  geral,  o  lançamento  envolve  somente  a  verificação  do  fato  imponível,  com  a  notificação  do  contribuinte para  fazer o pagamento em período voluntário ou para impugnar. Por isso que o  desvio da cobrança para o responsável depende do ato de declaração de responsabilidade e seu  respectivo procedimento de derivação.  A  Constituição,  ao  delimitar  o  fato  tributável  pela  descrição  de  uma  materialidade, já indica, por decorrência, a pessoa a ela relacionada e que, conseqüentemente,  deve suportar o encargo do tributo, chamado por Geraldo Ataliba, com apoio em Villegas, de  “destinatário constitucional tributário”3.  Isso  decorre  da  estrutura  constitucional  de  cada  espécie  tributária.  Nos  impostos, deve suportar o encargo tributário a pessoa que revela a capacidade econômica (CF;  art. 145, §1°) na medida em que realiza o fato gerador, dele tirando proveito econômico6.  Nas  taxas,  em  razão  do  princípio  da  retributividade  ou  ressarcimento,  é  necessária  a  “referibilidade  entre  a  atuação  estatal  e  o  obrigado”,  pois,  “é  essencial  à  definição  da  taxa  a  referibilidade  (direta)  da  atuação ao  obrigado”.  Logo,  apenas  a  pessoa  que “utiliza  o  serviço  (público,  específico  e  divisível)  ou  recebe  o  ato  ‘de  polícia’  pode  ser  sujeito passivo de taxa”.  Já  nas  contribuições,  apenas  as  pessoas  indiretamente  ligadas  à  atuação  estatal,  dela  obtendo  benefício,  é  que  devem  suportar  o  encargo  da exação,  quais  sejam,  os  proprietários  de  imóveis  valorizados  por  obra  pública  na  contribuição  de  melhoria;  os  empregados amparados pela previdência social na contribuição previdenciária; os agentes que  atuam  em  determinado  domínio  econômico  no  nas  contribuições  interventivas  e  os  profissionais de determinada categoria no caso das contribuições corporativas. Quando essas pessoas têm o dever de pagar o tributo, são qualificadas como  contribuintes, nos termos do art. 121, parágrafo único, I, do CTN.  Para que outra pessoa seja eleita como sujeito passivo da obrigação, a quem o  CTN chama de responsável (art. 121, parágrafo único, II), deve haver respeito a esta imposição  constitucional do encargo tributário decorrente das próprias regras de competência, bem como  à legalidade expressa (CF; art. 150, I e CTN; art. 97, III).  São esses os limites impostos ao legislador para que desloque validamente o  dever  de  pagar  o  tributo  do  contribuinte  para  o  responsável  tributário,  e  que  se  encontram  especificados no art. 128 do CTN: Art.  128.  Sem  prejuízo  do  disposto  neste  capítulo,  a  lei  pode  atribuir  de  modo  expresso  a  responsabilidade  pelo  crédito  tributário  a  terceira  pessoa,  vinculada  ao  fato  gerador  da  respectiva  obrigação,  excluindo  a  responsabilidade  do                                                              3 Hipótese de incidência tributária.  6. ed.  São Paulo: Malheiros, 2004, p. 86 e ss.  Fl. 3098DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     112 contribuinte  ou  atribuindo­a  a  este  em  caráter  supletivo  do  cumprimento total ou parcial da referida obrigação.    Quanto  à  legalidade,  ela  é  necessária  na  medida  em  que  o  responsável  tributário não decorre diretamente da materialidade descrita. Dessa forma, torna­se ainda mais  imperioso que a lei eleja expressamente o responsável, pois ele não realiza o fato gerador. Em  suma, a exigência de lei expressa remete­se aos princípios da segurança jurídica e da vedação  de discricionariedade na atividade tributária.  Já a vinculação ao fato gerador instrumentaliza a imposição constitucional do  encargo tributário, preservando­a.    Fato é que a própria lei pode impedir diretamente a oneração do responsável.  É o que faz o CTN na responsabilidade dos sucessores causa mortis, prevista em seu art. 131,  II, no qual a responsabilidade fica limitada às forças da herança ou legado, preservando, assim,  o patrimônio que era próprio do sucessor.  O  conceito  de  interesse  comum  na  situação  que  constitua  o  fato  gerador  é  extraído do contexto do CTN, que repele qualquer concepção econômica ou finalística (arts. 4°,  109,  110,  114,  e  118,  II).  Logo,  interesses  econômicos  no  fato  gerador  ou  interesses  nas  conseqüências advindas da realização do fato gerador são irrelevantes para a configuração da  solidariedade.  Retomando  a  lição  da  Professora  Misabel  Derzi,  o  inciso  I  do  art.  124  também  deve  ser  compreendido  como  regra  de  graduação  do  dever  tributário.  Dessa  vez,  porém,  ao  contrário  do  inciso  II,  não  estamos  falando  da  previsão  de  solidariedade  para  responsáveis  tributários  validamente  eleitos  pela  lei  segundo  os  parâmetros  do  art.  128  do  CTN.  O  art.  124,  I  do CTN  aplica­se  aos  casos  em  que  o mesmo  fato  gerador  é  realizado  conjuntamente  por  mais  de  uma  pessoa,  ou  seja,  havendo  mais  de  uma  pessoa  enquadrada na  definição  legal  de  contribuinte  (art.  121, parágrafo único,  I),  determina o  art.  124,  I  que  sejam  eles  solidariamente  obrigados  pela  dívida  tributária,  independentemente  de  disposição expressa de lei. Logo, ao contrário do inciso II, que alude à graduação do dever do  responsável  tributário,  o  inciso  I  gradua  o  dever  dos  contribuintes  pelo  fato  gerador  co­ realizado, impondo diretamente a solidariedade entre eles pela respectiva obrigação tributária.  É  importante  que  se  assegure  ao  responsável  a  discussão  de  tudo  o  que  justifica  sua obrigação:  a  existência da obrigação do contribuinte e da  sua própria obrigação  relativamente a ela.  Inadmissível é que se execute o  responsável  sem que haja procedimento  prévio  de  derivação  de  responsabilidade  respeitado  seu  direito  à  ampla  defesa  já  na  esfera  administrativa.  No  entanto,  caso  a  preservação  do  responsável  não  decorra  diretamente  da  lei,  deve ela  eleger  como  responsável  aquela pessoa que,  embora não  realize o  fato gerador,  participe da sua ocorrência. Essa vinculação ao fato gerador é exigida expressamente pelo art.  128  do  CTN  para  que  o  responsável  tenha  condições,  alternativamente:  a)  de  se  abster  de  realizar a situação prevista pela lei como hipótese de imputação da responsabilidade ou b) de  fazer  com  que  o  encargo  tributário  seja  suportado  pelo  destinatário  constitucional  tributário,  possibilitando o regresso imediato da quantia a ser por ele desembolsada. Nesse último caso o  Fl. 3099DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.386          113 fato gerador é  a  situação que coloca contribuinte  e  responsável  em  relação que permita com  que  este  faça  recair  o  encargo  tributário  sobre  o  patrimônio  daquele,  ressarcindo­se  imediatamente.  Portanto, a lei só será válida se previr imputação de responsabilidade a pessoa  que, vinculada ao fato gerador, tenha controle da situação para impedir de imediato sua própria  oneração. Caso contrário, a invalidade do dispositivo decorre de sua incompatibilidade com os  princípios especificados no art. 128 do CTN.  Os limites acima devem ser respeitados pela lei em qualquer hipótese, ainda  que se pretenda atribuir responsabilidade solidária, nos termos do art. 124, II do CTN.  Primeiro porque  interpretação contrária afronta os princípios constitucionais  especificados  no  art.  128  do  CTN  enquanto  diretriz  geral  para  a  imputação  válida  de  responsabilidade tributária, conforme visto acima. Portanto, o art. 124, II do CTN não autoriza  a responsabilização sem vinculação ao fato gerador. Eis a lição de Paulo de Barros Carvalho: “(...) propositadamente, deixamos para o final a menção ao inc.  II do art. 124, que declara solidariamente obrigadas as pessoas  expressamente  designadas  por  lei.  Ajeita­se  aqui  uma  advertência sutil, mas de capitular relevo. O território de eleição  do sujeito passivo das obrigações  tributárias e, bem assim, das  pessoas  que  devam  responder  solidariamente  pela  dívida,  está  circunscrito ao âmbito da situação factual contida na outorga de  competência  impositiva,  cravada  no  texto  da  Constituição.  A  lembrança desse obstáculo sobranceiro impede que o legislador  ordinário, ao expedir a regra­matriz de incidência do tributo que  cria,  traga  para  o  tópico  de  devedor,  ainda  que  solidário,  alguém  que  não  tenha  participado  do  fato  típico.  Falta  a  ele,  legislador, competência constitucional para fazer recair a carga  jurídica  do  tributo  sobre  pessoa  alheia  ao  acontecimento  gravado pela incidência."4  Nesse contexto, compreende­se que “a solidariedade não é forma de eleição  de responsável tributário”, nos dizeres de Misabel Derzi, que assim explica o dispositivo:  “A  solidariedade  não  é  espécie  de  sujeição  passiva  por  responsabilidade  indireta,  como  querem  alguns.  O  Código  Tributário  Nacional,  corretamente,  disciplina  a  matéria  em  seção  própria,  estranha  ao  Capítulo  V,  referente  à  responsabilidade.  É  que  a  solidariedade  é  simples  forma  de  garantia, a mais ampla das fidejussórias.  Quando  houver  mais  de  um  obrigado  no  pólo  passivo  da  obrigação  tributária  (mais  de  um  contribuinte,  ou  um  contribuinte  e  responsável,  ou  apenas  uma  pluralidade  de  responsáveis),  o  legislador  terá  de  definir  as  relações  entre  os  coobrigados.  Se  são  eles  solidariamente  obrigados,  ou  subsidiariamente,  com  benefício  de  ordem  ou  não,  etc.  A  solidariedade não é, assim, forma de inclusão de um terceiro no  pólo passivo da obrigação tributária, apenas forma de graduar a                                                              4 Curso de Direito Tributário. 8ª ed.  São Paulo: Saraiva, 1996, p. 216­7.c  Fl. 3100DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     114 responsabilidade  daqueles  sujeitos  que  já  compõem  o  pólo  passivo.5    Com  efeito,  o  art.  124  do  CTN  diz  textualmente  que  “são  solidariamente  obrigados”,  não  se  utilizando  da  terminologia  própria  da  sujeição  passiva  tributária,  não  aludindo à figura do responsável.  O que o art. 124, II do CTN permite é que a lei, respeitando o disposto no art.  128 do CTN, gradue a responsabilidade tributária de forma ampla, pela solidariedade, fazendo  com  que  o  sujeito  passivo  responda,  em  conjunto  com  o  contribuinte  ou  responsável,  pela  integralidade da dívida, sem benefício de ordem.  Já  o  art.  124,  I  do  CTN  tem  dinâmica  normativa  distinta  do  inciso  II  do  mesmo dispositivo. Determina o inciso I que serão solidariamente obrigadas “as pessoas que  tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal”.  A  doutrina  critica  o  dispositivo  por  sua  vagueza,  dada  a  dificuldade  de  se  definir  o  que  é  interesse  comum13.  Sendo  assim,  a  maioria  dos  autores,  após  tecer  considerações sobre o dispositivo, exclui do âmbito de sua incidência as hipóteses de negócios  jurídicos  em  que  os  interesses  são  contrapostos14  (compra  e  venda,  p.  ex.),  e  passa  a  citar  exemplos  em  que  haveria  o  interesse  comum,  sendo  os  mais  comuns  os  casos  de  co­  proprietários no IPTU15, ou de comerciantes co­proprietários de mercadoria vendida no ICMS.   Analisando  toda  a  descrição  relativa  à  operação  do  denominado  “Grupo  Nivaldo” e abstraindo­me de analisar todas as supostas relações entre empresas, concentro­me  nas menções explícitas à operação da Frigovale, de modo a amparar minha convicção pessoal  de que evidências senão circunstanciais ligariam tal empresa a outras pessoas físicas e jurídicas  integrantes do chamado Grupo Nivaldo.   Observo  no  relato  da  acusação  do  presente  processo  que  somente  duas  circunstanciais  evidências  ligariam  diretamente  a  empresa  Frigovale  ao  suposto  “Grupo  Nivaldo”, sendo elas: i) o fato de que o sócio de direito da Frigovale de nome Carlos Roberto  Alves era  cunhado do Sr. Nivaldo e  ii)  a de que  foram  identificados  “consideráveis  recursos  financeiros”  depositados  nas  contas  da  Frigovale  que  teriam  sido  supridos  por  empresas  integrantes  da  empresa  Rio  Preto  Abatedouro  de  Bovinos  que  pertenceria,  por  sua  vez,  ao  “grupo Nivaldo”.  Analiso cada uma dessas circunstâncias que ligariam a Frigovale aos demais  responsabilizados solidariamente no auto de infração.   Quanto  à primeira – o  fato de  ser o Sr. Carlos Alves  cunhado Sr.. Nivaldo  Peres – não creio decorrer daí nenhuma  segura  relação que  autorize que  a  responsabilização  tributária exorbite as pessoas da própria Frigovale e de seus sócios administradores. O simples  fato de ser casado com a irmã do Sr. Nivaldo não pode fazer, com a necessária certeza jurídica  que deve acompanhar uma acusação de tal gravidade, concluir que o Sr. Carlos fosse um dos  “laranjas” do grupo Nivaldo, pois, ainda que se cogite que o Sr. Carlos não estava preparado  técnica ou financeiramente para empreender à frente dos negócios da Frigovale, não há como  se concluir, a partir da relação familiar por casamento, que fosse pessoa colocada na empresa  pelo Sr. Nivaldo.                                                               5 Notas de atualização à obra de BALEEIRO, Aliomar.  Fl. 3101DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.387          115 Com  relação  à  segunda  circunstância  que  ligaria  a  pessoa  da  Frigovale  ao  “grupo  Nivaldo”,  observo  que,  embora  mencione  a  circulação  de  vultosos  recursos  entre  empresas,  a  fiscalização  somente  apontou  objetivamente  a  existência,  no  período  de  cinco  anos,  de  cinco  depósitos  da  empresa  Rio  Preto  Abatedouro  de  Bovinos  Ltda.  créditados  à  empresa Frigovale, somando pouco mais de R$87.000,00.   Nenhuma  outra  empresa  do  “grupo  Nivaldo”  movimentou  diretamente  recursos  para  a  Frigovale  e  nenhuma  das  pessoas  do  denominado  “Grupo Nivaldo”  recebeu  recursos diretamente da Frigovale.   Considerada  a  pequena  quantidade  de  depósitos  da  empresa  Rio  Preto  Abatedouro  de  Bovinos  Ltda.  para  a  Frigovale,  não  consigo,  com  a  necessária  certeza  que  exige a grave acusação imputada, concluir que a empresa Frigovale mantenha intensa relação  comercial com o Grupo Nivaldo, o que já infirmaria a exigência fiscal por solidariedade.   Com  mais  razão,  pela  pequena  representatividade  financeira  dos  depósitos  (pouco mais de oitenta e sete mil reais em cinco anos), não consigo concluir que os recursos do  “Grupo Nivaldo” tenham viabilizado a operação da Frigovale ou a provido de força financeira  para operar vigorosamente na realização de fraudes vultosas.   Convenço­me,  assim,  que  há  razoável  dúvida  de  que,  caso  seja  interposta  pessoa  de  algum  grupo  econômico  orientado  à  sonegação  fiscal,  seja  a  Frigovale  operada  e  financiada por empresas ou pessoas ligadas ao Sr. Nivaldo Fortes Peres.  De  outra  mão  e  ainda  com  mais  convicção,  observo  que  a  solidariedade  pretendida  na  espécie  seria  convincentemente  provada  não  pela  evidenciação  de  fluxos  financeiros do “grupo Nivaldo” para Frigovale, mas, por fluxos financeiros da Frigovale para o  grupo Nivaldo. Isso porque, de acordo com o relato da acusação, os montantes angariados com  a prática  criminosa  financiariam a  constituição de patrimônio das pessoas  físicas  e  empresas  imobiliárias ligadas ao Sr. Nivaldo, de onde se pode extrair que a acusação teria força caso se  comprovasse que o dinheiro ingressado na Frigovale foi destinado ao “Grupo Nivaldo”, o que  não consigo extrair do relato acusatório ou das provas trazidas aos autos.  Além da  fragilidade das  evidências de  ligação  entre o  “grupo Nivaldo”  e  a  Frigovale  trazidas  pela  acusação,  observo  dos  autos  que,  conforme  descrito,  no  esquema  sonegatório da qual a Frigovale faria parte, poderia perfeitamente ter a autuada principal deste  processo agido como longa manus, por exemplo, da Distribuidora de Carnes e Derivados São  Paulo,  empresa  acusada  de  fraudadora,  com  quem  mantinha  intensa  relação  de  natureza  comercial, com cujas “notas” fraudulentas teria operado e de quem recebeu também depósitos  financeiros.   Poderia, ainda, agir como interposta pessoa da empresa denominada Pereira,  Pereira Comércio  de Carnes  e Derivados  Ltda.,  também  listada  como  “noteira”  no  esquema  descrito no relatório da Operação Grandes Lagos.   Finalmente,  poderia  agir  no  interesse  de  comerciantes  de  gado  que  se  utilizavam de notas da Distribuidora São Paulo para acobertar o abate de seu gado ou, ainda, de  qualquer outras das centenas de pessoas presas e indiciadas na grandiosa operação deflagrada  pela Polícia Federal.  Fl. 3102DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     116 Note­se que parte dessas incertezas poderiam ser dirimidas no processo caso  na  autuação  figurassem  como  solidários  devedores  as  pessoas  do  Sr.  Carlos  Alves  e  do  Sr.  Hyppolito, sócios de direito da Frigovale e responsáveis por atos de sua administração, cujas  versões dos fatos, infelizmente, não serão dadas ao conhecimento dos i. Colegas, vez que, no  meu modo de ver, inexplicavelmente, não figuram no pólo passivo do auto de infração.  Assim,  também por  concluir  pela  fragilidade  das  provas  de  ligação  entre  a  Frigovale  e  o  “grupo  Nivaldo”  e  considerando  o  fato  de  que  os  sócios  de  direito  e  administradores ostensivos da Frigovale não figuram entre os responsabilizados solidários no  auto de infração, cancelo a imputação de responsabilidade solidária nele contida.  V.   DA INEXISTÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO  Para  caracterização  do  grupo  econômico  não  é  necessária  a  existência  de  atividades  próximas,  idênticas  ou  complementares  exercidas  pelos  entes  agrupados,  pois  conforme dito acima, os grupos societários modernos não se moldam às fórmulas tradicionais  de  concentração  empresarial  (vertical  ou  horizontal),  podendo  adotar  formas  diagonais  ou  conglomerado, cuja característica básica é a diversificação de produtos, atividades e inclusive  localização geográfica. Em resumo, são inúmeras as formas, sendo difícil, senão praticamente  impossível,  reduzir  a  realidade  fática  e econômica  a uma  tipologia  eficiente,  tendo em vista,  inclusive, o seu dinamismo6.   Em  adição,  podemos  dizer  que  o  que  caracteriza  um  grupo  econômico  é  o  fato de existirem diversas sociedades juridicamente independentes, com personalidade jurídica  e  patrimônio  próprios,  contudo  economicamente  unidas7  mediante  controle  ou  direção  unitários, provenientes da empresa­mãe, ou simplesmente controladora.  Importante  notar  que  os  argumentos  que  seriam  utilizados  exatamente  para  afastar  a  caracterização  do  grupo  econômico  –  ou  seja,  patrimônio  distinto  e  personalidade  jurídica  própria  –  não  são  suficientes  para  tanto,  pois  a  individualidade  das  empresas  permanece intacta nos grupos societários,  como  já visto, sendo necessária atuação no âmbito  fático para comprovação do controle e confusão patrimonial, certamente existente.  Neste ponto, é importante destacar a lição de COMPARATO, para o qual há  distinção  entre  direção  e  controle.  De  acordo  com  o  autor,  ao  contrário  do  que  se  pensa,  a  melhor  doutrina  é  a  que  considera  a  "unidade  de  direção"  como  o  melhor  identificador  de  grupos econômicos, muito embora a unidade de controle seja, faticamente, mais importante.8  Deste  modo,  segundo  o  autor  existem  os  grupos  econômicos  por  coordenação,  onde  há  unidade  de  direção,  e  os  grupos  econômicos  de  subordinação,  onde  ocorre  a  unidade  de  controle.  Nos  primeiros,  existe  a  direção  unitária  para  harmonizar  o  interesse  de  todo  o  grupo  empresarial,  sem  subordinação  dos  interesses  de  uma  empresa                                                              6 BULGARELLI, Waldírio. Manual das sociedades anônimas. 13 ed. São Paulo: Atlas, 2001, p. 299.  7 MIRANDA, Maria Bernadete. Curso teórico e prático de direito societário. Rio de Janeiro: Forense, 2008, p.  146.  8 COMPARATO, Fabio Konder. FILHO, Calixto Salomão. O poder de controle na sociedade anônima. Rio de  Janeiro: Forense, 2008, p. 43.      Fl. 3103DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.388          117 agrupada ao de outra(s) ou ao do grupo, enquanto nos segundos há o controle de uma empresa  sobre as outras, integrantes do mesmo grupo, as quais servem aos interesses da controladora.  Importante salientar que o controle exercido por uma empresa sobre a outra  não se resume apenas à posse da maioria das ações ou capital social da controlada, pois pode  existir controle mesmo quando a controladora possui uma pequena margem de ações, seja por  razões já declinadas (aguda dependência externa) ou até mesmo pela dispersão ou absenteísmo  dos acionistas9.   Nos  termos  da  legislação  do  anonimato,  mais  precisamente  no  §2º  do  art.  243,  considera­se  controlada  a  sociedade  na  qual  a  controladora,  diretamente  ou  através  de  outras  controladas,  é  titular  de  direitos  de  sócio  que  lhe  assegurem,  de  modo  permanente,  preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores.  Neste  ponto,  ressalto  as  recentes modificações  na  legislação  do  anonimato  levadas a efeito pela Lei 11.941/09, a qual conferiu redação ao §1º do art. 243 no sentido de  que são coligadas as sociedades nas quais a investidora tenha influência significativa, ou seja,  quando  a  investidora  detém  ou  exerce  o  poder  de  participar  nas  decisões  das  políticas  financeira  ou  operacional  da  investida,  sem  controlá­la  (§4º).  No  parágrafo  5º,  a  legislação  presume que existe influência significativa quando a investidora (coligada) for titular de 20%  ou mais do capital votante, também sem controlá­la. Ora, de acordo com o que já expusemos, é  possível que uma pessoa  jurídica  com  influência  significativa  seja não  apenas  coligada, mas  sim controladora, a depender da análise  fática, o que desde  já caracteriza ofensa à  legislação  societária, tendo em vista o controle oculto.  Portanto,  no  estudo  dos  grupos  societários  pode­se  conjugar  duas  características  antagônicas:  unidade  e  diversidade.  A  primeira  refere­se  à  organização  econômica  e  ao  centro decisório unificado, por  controle ou direção,  ao passo que  a  segunda  relaciona­se com a autonomia jurídica, ou seja, a personalidade jurídica de cada sociedade que  forma o grupo, acrescentando,  também na diversidade, o fato dos patrimônios permanecerem  também  independentes, muito  embora  a  confusão  patrimonial  seja  inerente  à  idéia  de  grupo  societário e enseje árduo trabalho probatório.  Conceituado o fenômeno, acrescentamos que a doutrina divide o estudo dos  grupos econômicos em grupos de fato e de direito. A legislação do anonimato brasileira, Lei  6.404/76,  adotou  este  modelo,  chamado  de  "dual",  com  inspiração  no  modelo  alemão.  É  importante consignar, desde  já, que a doutrina  critica o ordenamento  jurídico brasileiro, pois  não  há  regulamento  para  os  grupos  econômicos  não  acionários,  que  são  uma  realidade  no  mundo  empresarial,  até  porque,  conforme  já  se  explicitou,  é  possível  o  controle  por  outros  meios que não a participação acionária. 10  A  Lei  6.404/76  regula,  em  seu  capítulo  XX,  as  sociedades  coligadas,  controladas e controladoras, enquanto no capítulo XXI há disciplina para os grupos de direito,                                                              9 BULGARELLI, Waldírio. Ob. cit.  10  FRANCO, Vera Helena  de Melo. Particularidades  da  "affectio  societatis"  no  grupo  econômico.  Revista  de  Direito Mercantil, n. 89, p. 48.      Fl. 3104DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     118 constituídos mediante convenção grupal. Portanto, no capítulo XX há o regulamento para o que  a doutrina rotula de grupos econômicos de fato e, no XXI, para os grupos de direito.  Os  grupos  de  direito  são  constituídos  mediante  convenção  grupal  firmada  pelas  pessoas  jurídicas  que  o  integrarão,  enquanto  os  grupos  de  fato  decorrem  do  mero  exercício  do  poder  de  controle,  direta  ou  indiretamente,  pela  empresa  controladora  sobre  as  controladas 11. Neste último caso, conforme já se explanou acima, as sociedades participantes  conservam suas personalidades jurídicas e são tratadas juridicamente como autônomas.  Os  grupos  societários  de  fato  possuem  extrema  variabilidade  nas  suas  manifestações,  sendo  impossível  estabelecer  um  rol  exaustivo  de  exemplos,  ficando  a  caracterização sob o manto do domínio do fato (domaine du fait).  A  Lei  6.404/76  disciplina  os  grupos  econômicos  de  fato  (controladoras,  controladas  e  coligadas)  nos  termos  do  art.  243  e  seguintes.  Nos  parágrafos  1º,  2º,  4º  e  5º,  encontramos  a  definição  legal  do  que  se  entende  por  sociedades  coligadas  e  controladas,  conforme já expusemos acima e abaixo transcrevemos:  §1º  São  coligadas  as  sociedades  nas  quais  a  investidora  tenha  influência significativa.  §2º  Considera­se  controlada  a  sociedade  na  qual  a  controladora,  diretamente  ou  através  de  outras  controladas,  é  titular  de  direitos  de  sócio  que  lhe  assegurem,  de  modo  permanente, preponderância nas deliberações sociais e o poder  de eleger a maioria dos administradores.  (...)  §4º  Considera­se  que  há  influência  significativa  quando  a  investidora detém ou exerce o poder de participar nas decisões  das  políticas  financeira  ou  operacional  da  investida,  sem  controlá­la.  §5º É presumida influência significativa quando a investidora for  titular  de  20%  (vinte  por  cento) ou mais  do  capital  votante  da  investida, sem controlá­la  Neste  ponto,  é  importante  salientar  que  a  Lei  permite  a  subordinação  dos  interesses de uma sociedade aos de outra ou aos do grupo apenas nos agrupamentos de direito  (convencionais),  e no  limite do convencionado. É, portanto, o que COMPARATO chama de  controle, diferente de direção, sendo possível apenas nos grupos de direito, nos termos da Lei,  sob pena de aplicação do art. 246 da Lei do anonimato à sociedade controladora.  Quanto  ao  parágrafo  2º  transcrito  acima,  deve­se  salientar  que  a  menção  legislativa à titularidade de direitos de sócios limita o conceito, pois conforme já mencionamos  por diversas vezes, o poder/controle poderá derivar de situações diversas, fáticas ou até mesmo  pessoais, não tendo necessariamente que passar pela questão acionária. Neste ponto, como em  muitos outros, a legislação não acompanhou a rica dinâmica dos grupos econômicos.  Há na doutrina quem sustente que nos grupos econômicos formais (de fato)  existe  apenas  uma  empresa  e  várias  pessoas  jurídicas  atuando  como  empresárias,  formando  uma espécie de "sociedade em comum" de pessoas jurídicas.                                                              11 PRADO, Viviane Muller. Grupos societários: análise do modelo da Lei 6.404/1976. Revista DireitoGV, V. 1,  n. 2, p. 5.      Fl. 3105DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.389          119 Quanto  aos  grupos  econômicos  de  direito,  a  disciplina  é  encontrada  nos  artigos 265 e seguintes. Este primeiro dispositivo já nos traz o reconhecimento legal dos grupos  de direito, senão vejamos:  "Art.  265. A  sociedade  controladora  e  suas  controladas  podem  constituir,  nos  termos  deste  Capítulo,  grupo  de  sociedades,  mediante convenção pela qual se obriguem a combinar recursos  ou  esforços  para  a  realização  dos  respectivos  objetos,  ou  a  participar de atividades ou empreendimentos comuns".    O artigo 266  ressalta a obrigatoriedade de determinados  itens constarem da  convenção do grupo econômico de direito, tais como coordenação ou subordinação (permitida  nos grupos de direito, conforme visto acima), e a conservação do patrimônio de cada empresa  agrupada, in verbis:  "Art.  266.  As  relações  entre  as  sociedades,  a  estrutura  administrativa  do grupo  e a  coordenação ou  subordinação dos  administradores  das  sociedades  filiadas  serão  estabelecidas  na  convenção  do  grupo,  mas  cada  sociedade  conservará  personalidade e patrimônios distintos".    Além  da  existência  da  convenção,  o  ponto  mais  interessante  para  fins  de  distinção  dos  grupos  econômicos  de  direito  dos  de  fato  é  a  necessidade  de  registro  da  convenção grupal, nos termos do art. 271 e seguintes, apenas considerando­se existente o grupo  após  o  cumprimento  do  disposto  na  legislação.  É  importante  salientar  que  tal  registro  não  confere personalidade jurídica ao grupo, muito menos retira a autonomia jurídica e patrimonial  das empresas componentes do agrupamento.  Todavia,  ainda  que  a  legislação  saliente  a  conservação  da  personalidade  e  patrimônio distintos, a intercomunicação (confusão) patrimonial é prevista e legalizada, sendo,  na  prática,  quase  impossível  a  existência  de  um  grupo  econômico  sem  um  mínimo  de  comunicação  patrimonial,  permitida  e  incentivada  pela  Lei  das  Sociedades  Anônimas  (6.404/76).  Acerca  do  arcabouço  legislativo  acima  exposto,  é  possível  concluir  que  os  grupos econômicos de fato não são suficientemente regulados, ficando a sua disciplina, salvo  regras  excepcionais,  a  cargo  das  regras  atinentes  às  sociedades  isoladas. Quanto  aos  grupos  societários  de  direito,  o  regramento  da  Lei  6.404/76  é  satisfatório,  todavia,  conforme  já  exposto, os grupos econômicos de direito são quase inexistentes no Brasil, tornando o esforço  legislativo escrito, mas não aplicado.   Ainda em relação aos grupos econômicos de fato, a legislação é lacunosa no  que  tange  à  sua  caracterização  no  mundo  dos  fatos  quando  as  sociedades  agrupadas  não  possuem  participação  societária.  A  doutrina  explica  que,  nestes  casos,  a  identificação  dos  grupos de fato só pode provir de indícios e presunções, e não de regras fixas e imutáveis, tendo  em vista a extrema variabilidade,  já apontada acima. Deste modo, observa­se que enquanto a  participação societária entre as empresas do grupo de fato é reconhecida legalmente, o poder de  controle exercido de forma pura e simples é uma situação fática, juridicamente atípica.   Fl. 3106DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     120 A validade dessa responsabilização, a partir da previsão legislativa do art. 30,  IX  da  Lei  8.212/91,  está  submetida  à  fundamentação,  lastreada  em  provas,  cujo  ônus  é  da  Fazenda  Pública  (CTN;  arts.  142  e  149),  de  que  o  centro  decisório  (órgão  do  grupo  ou  sociedade  controladora)  atuou  concretamente  na  realização  do  fato  gerador  e  no  descumprimento  da  obrigação  tributária,  vinculando­se  assim  ao  fato  gerador  da  obrigação  tributária (art. 128 do CTN).  Além disso, não há, entre sociedades do mesmo grupo econômico, interesse  comum a  justificar a solidariedade com fulcro no art. 124,  I do CTN, relativamente a  todo e  qualquer  fato  gerador  realizado.  Pelas  relações  entre  as  sociedades  integrantes  de  um  grupo  delineadas  acima,  não  há  co­realização  de  fatos  geradores  que  lhes  qualifique  como  contribuintes  por  esses  fatos, mas  sim  relações  de  subordinação  dessas  sociedades  ao  centro  decisório.  É  certo  que  “manter  relações  societárias”,  “participar  no  capital  de  outra  sociedade”,  “controlar  sociedades”,  “coordenar  sociedades”  e  outros  fatos  similares  não  constituem  fatos  geradores  de  obrigações  tributárias.  Logo,  o  simples  fato  de  pertencer  ao  mesmo grupo econômico não revela co­realização de fatos geradores. Tais fatos podem revelar  apenas  um  interesse  de  uma  sociedade  nas  conseqüências  econômicas  dos  fatos  geradores  realizados por outras sociedades do grupo.  Por exemplo: há o interesse em que se obtenha mais faturamento, mais lucro,  que  se  vendam  mais  mercadorias  e  serviços,  mas  isso  porque  certamente  tais  fatos  terão  conseqüências  econômicas  favoráveis,  aumentando  os  valores  a  serem  distribuídos  entre  as  sociedades do grupo.  A efetiva decisão pela realização de alguns desses fatos pela direção unitária  é que pode servir como hipótese de responsabilidade tributária, desde que a lei assim disponha,  pois uma decisão dessa espécie vincula a(s) sociedade(s) que compõem o centro decisório ao  fato gerador realizado pela sociedade contribuinte (subordinada). Contudo, isso não vincula as  outras  sociedades do grupo à  situação que  constitua  fato gerador  como  se  todas  fossem dele  contribuintes,  consistindo  em mero  interesse  econômico  nas  suas  conseqüências,  que  não  é  apto a impor a solidariedade passiva tributária com base no art. 124, I do CTN.  Rechaçando a  tese da  relevância do  interesse de uma  sociedade nos  efeitos  econômicos  advindos  da  realização  do  fato  gerador  por  outra  do  mesmo  grupo  econômico,  assim julgou o TRF da 4a Região:  TRIBUTÁRIO.  INVESTIMENTO  RELEVANTE  EM  SOCIEDADE  COLIGADA.  SOLIDARIEDADE  NO  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO  DESTA.  INEXISTÊNCIA.  1.  São  solidariamente  obrigadas  pelo  crédito  tributário  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua  o  fato  gerador  da  obrigação  principal,  segundo  prevê  o  art.  124,  I,  do  CTN.  O  interesse  comum  das  pessoas  não  é  revelado  pelo  interesse  econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui  o  fato  gerador  da  obrigação  principal,  mas  pelo  interesse  jurídico,  que  diz  respeito  à  realização  comum  ou  conjunta  da  situação que constitui o  fato gerador. É solidária a pessoa que  realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação  que  constitui  o  fato  gerador,  ou  que,  em  comum  com  outras,  esteja em relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá  origem  à  tributação;  por  outras  palavras,  (...)  pessoa  que  tira  uma  vantagem  econômica  do  ato,  fato  ou  negócio  tributado  (Rubens Gomes de Sousa, Compêndio de Legislação Tributária,  Fl. 3107DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.390          121 3a ed., Rio de Janeiro, Edições Financeiras, 1964, p. 67). 2. A  sociedade que participa do capital de outra, ainda que de forma  relevante,  não é  solidariamente obrigada pela dívida  tributária  referente ao imposto de renda desta última, pois, embora tenha  interesse  econômico  no  lucro,  não  tem  o  necessário  interesse  comum, na acepção que lhe dá o art. 124 do CTN, que pressupõe  a participação comum na realização do lucro. Na configuração  da solidariedade é relevante que haja a participação comum na  realização  do  lucro,  e  não  a mera  participação  nos  resultados  representados  pelo  lucro. 3. Apelação a  que  se  dá  provimento,  para  a  exclusão  do  nome  da  apelante  do  rol  dos  devedores  solidários.  (TRF  4a  Região.  2a  Turma,  AMS  94.04.55046­9,  Relator Zuudi Sakakihara, DJ 27/10/1999)    Fundando­se nessas mesmas premissas, o STJ repele a responsabilização de  sociedades  pertencentes  ao mesmo  grupo  econômico  com  base  no  suposto  interesse  comum  previsto  no  art.  124,  I  do  CTN.  Eis  trecho  da  ementa  do  acórdão  proferido  no  REsp  859.616/RS:  "(...) a situação que evidencia a solidariedade, quanto ao ISS, é  a existência de duas ou mais pessoas na condição de prestadoras  de apenas um único serviço para o mesmo tomador, integrando,  desse  modo,  o  pólo  passivo  da  relação.  Forçoso  concluir,  portanto,  que  o  interesse  qualificado  pela  lei  não  há  de  ser  o  interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que  constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse  jurídico,  vinculado  à  atuação  comum  ou  conjunta  da  situação  que constitui o fato imponível".  (STJ,  1a  Turma,  REsp  859.616/RS,  Rel.  Ministro  Luiz  Fux,  julgado  em  18.09.2007,  DJ  15.10.2007,  p.  240.  No  mesmo  sentido  o  acórdão  proferido  no  REsp  1001450/RS  (STJ,  2a  Turma, Rel. Ministro Castro Meira, julgado em 11.03.2008, DJe  27.03.2008).    O  entendimento  da  Delegacia  de  Julgamento  da  Receita  Federal  de  Belo  Horizonte/MG é o de afastar a responsabilidade solidária quando conclui que “não foi trazido  aos autos um conjunto fático probatório que demonstrasse de forma manifesta que as empresas  envolvidas combinam recursos e esforços para a consecução de objetivos comuns, sob direção  única e coordenada, atuam economicamente como um grupo, e assim devem ser consideradas”.  Entende  corretamente  aquele  órgão  julgador  que,  sem  essa  prova  pela Fazenda  Pública,  não  resta  “demonstrada  uma  estreita  ligação  de  interesses  entre  as  empresas  envolvidas,  que  transbordasse uma mera  relação comercial”. Exemplo desse entendimento é a ementa abaixo  transcrita:  PREVIDENCIÁRIO. DESCUMPRIMENTO  DE  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA. NÃO EXIBIÇÃO DE LIVRO OU DOCUMENTO À  FISCALIZAÇÃO.   Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa  de exibir à Fiscalização documento e/ou livro relacionados com  as  contribuições previdenciárias. GRUPO ECONÔMICO. Para  Fl. 3108DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     122 a  configuração  de  grupo  econômico  há  necessidade  de  convergência  de  vários  indícios  e  elementos  fáticos.  A  mera  participação  societária  majoritária  de  uma  empresa  em  outra  não  é  capaz,  por  si  só,  de  ensejar  a  constituição  do  grupo.  A  partir  do  exame  da  documentação  contida  nos  autos,  insubsistente  a  configuração  de  grupo  econômico  e  conseqüentemente,  a  responsabilização  da  entidade  arrolada  como solidária, excluindo­a do pólo passivo do lançamento.  (DRJ/BHE, 9a Turma. Acórdão no 02­23813 de 21 de Setembro  de 2009).    No  caso  específico  do  art.  30,  IX  da  Lei  8.212/91,  a  única  forma  de  interpretá­lo  validamente  é  compreendê­lo  segundo  os  parâmetros  acima  fixados.  O  pertencimento ao grupo econômico, por si só, não é critério válido de eleição de uma sociedade  como responsável solidária.  Logo, o art. 30,  IX da Lei 8.212/91 apenas pode ser utilizado para  impor a  responsabilidade tributária solidária à sociedade controladora ou ao órgão de direção do grupo,  com fundamento no art. 124, II e 128 do CTN, quando constatado, mediante provas concretas a  cargo  do  Fisco,  que  elas  atuaram  concretamente  junto  à  sociedade  contribuinte  de  forma  a  determinar  a  realização  do  fato  gerador  e  decidir  pelo  (des)cumprimento  das  obrigações  tributárias.  Preconiza­se  assim  a  interpretação  do  art.  30,  IX  da  Lei  8.212/91  em  conformidade com as normas constitucionais de imposição do encargo tributário e com o CTN  (art.  124,  II  c/c  art.  128),  para  admitir  que  esse  dispositivo  legal  imputa  responsabilidade  solidária  apenas  às  sociedades  de  um  mesmo  grupo  que  concretamente  participaram  da  ocorrência do fato gerador e do cumprimento das respectivas obrigações tributárias, por meio  de  determinações  concretas  junto  à  sociedade  contribuinte  tomadas  na  qualidade  de  centro  decisório, não bastando, para tanto, a atuação meramente diretiva e indicativa dos objetivos do  grupo sem interferência direta na administração das sociedades integrantes.  A  acusação  fiscal  sustenta  que  as  empresas  e  pessoas  listadas  no  relatório  fiscal  (preâmbulo  –  itens  01­22)  formam um grupo  econômico  e  que  por  conta  disso,  todos  seriam solidariamente responsáveis pela obrigação previdenciária.  No  entanto,  partindo­se  das  premissas  apresentadas,  como  adiante  demonstrará,  referido  grupo  econômico  não  foi  comprovado  pelo  Fisco  razão  pela  qual  a  imputação da responsabilidade solidária por sua configuração deve ser desconstituída.  Em atenção às alegações recursais, parte significativa da acusação de que os  recorrentes  são  responsáveis  solidários  se  sustenta  no  cruzamento  de  dados  bancários  qu  resultaram em planilhas que, supostamente,  identificam pagamentos do “Grupo Nivaldo” por  um empresa, a Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo.  Em atenção às  informações apresentadas pelos Recorrente, similar acusação  fiscal foi reproduzida pela fiscalização do Estado de São Paulo. Segundo relato do Recorrente,  todos os autos de infração foram julgados improcedentes pelo Tribunal de Impostos e Taxas do  Estado de São Paulo,  tendo  sido  excluída  a  responsabilidade solidária do Sr. Nivaldo Fortes  Peres, eis que não havia sido provado seu interesse comum com os fatos geradores dos tributos  devidos  pela  empresa Rio Preto Abatedouro  de Bovinos Ltda,  conforme  se  observa do  voto  condutor, exarado pelo Juiz André Kapritchkoff e pelo Juiz Fábio Castilho:  Fl. 3109DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.391          123 (...)  Sem  me  alongar  muito  nas  considerações  a  respeito  do  Recurso  Ordinário  oferecido  pelo  responsável  solidário,  Sr.  NIVALDO  FORTES  PERES,  isso  em  razão  do  desfecho  do  julgamento  que  adotei  em  relação  aos  presentes  autos,  deixo  registrado meu  entendimento  que,  ante  as  pesas  que  compõem  todo o  processado  e  principalmente  em  razão  da  postura  fazenciária adotada em relação à  matéria,  não  hi  como  configurar com efetividade a  sua participação, na condição em  que foi colocado pela Fiscalização, como responsável solidário.  Nos  autos,  ainda  que  as  informações  passadas  no  Relatório  Fiscal  de  Atividades  apontem  o  seu  envolvimento  em  procedimentos fiscais que objetivam a sonegação d impostos, há  que  se  convir  que  não  há  qualquer  documento  oficial  que  confirme  participação  na  gerência  ou  na  administração  do  estabelecimento  autuado,  muito  menos  que  tenha  obtido  qualquer  vantagem  com  as  operações  que  foram  objeto  da  autuação nestes autos. (...)    14.  Finalmente  e  também  avaliando  em  concreto  a  autuação,  percebo que a questão da responsabilidade solidária é definida  no caso, centralmente, em função da aparente incompatibilidade  dos  rendimentos  declarados  pelo  Sr.  Nivaldo  Fortes  Peres  ern  suas  declarações  de  renda  e  o  valor  de  seu  patrimônio,  esbarrando,  contudo,  no  problema  de  considerar  a  base  de  cálculo  dos  rendimentos  oriundos  da  atividade  rural  (20%  do  total)  como  os  próprios  e  totais  rendimentos  obtidos  por  essa  pes­soa na exploração de sua atividade  rural. Como  já afirmei  no  julgamento  do  DRT  08  ­840468­08,  que  envolve  o  mesmo  grupo acusado:  'a prova acerca da responsabilidade solidária é muito frágil na  espécie.  A  pessoa  (Nivaldo),  tida  como  "cabeça  de  uma  organização  criminosa",  não  se  liga,  pelo  conjunto  probatório,  aos atos de administração das empresas autuadas, sendo muito  frágeis  as  evidencias  que  buscam  demonstrar  que  seria  o  real  proprietário e beneficiário  de  um  esquema  de  sonegação.  Trouxe  o responsabilizado solidário Nivaldo, sobretudo em  sua  complementação  de  defesa,  documentação  que  busca  demonstrar  sua  evolução  patrimonial  regular  e  evidenciar  que  as conclusões policiais  (posteriormente repetidas nos relatórios  fiscais)  no  sentido  de  que  a  movimentação  financeira  em  sua  pessoa  física  era  incompatível  com  sua  receita  declarada  ao  imposto de renda, foram provenientes de um erro consistente em  se tomar como receitas totais  tributiveis  da  atividade  rural" e não as próprias receitas totais da atividade (informadas  nas  mesmas  declarações  de  renda  da  pessoa  física,  utilizados  pela  autoridade  policial  para  embasar  suas  conclusões).  Ademais, a defesa do Sr. Nivaldo esclarece o teor das autuações  havidas  no  âmbito  tributário  federal,  demonstrando  que  as  autoridades  federais  tributárias  não  consideraram  sua  movimentação  financeira  incompatível  com  sua  receita  declarada  e  não  impugnaram  sua  evolução  patrimonial,  o  que  parece  corroborar  que  as  iniciais  conclusões  do  relatório  policial,  no  sentido  de  que  sua  receita  e  sua  renda  eram  Fl. 3110DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     124 incompatíveis entre si, realmente decorreram de erro consistence  em  se  tomar  como  receita  total  da  atividade  rural  a  receita  tributável da atividade.'.  15.  Vale,  ainda  notar  ­  o  que  não  é  razão  central  de  decidir  ­  noticia do arquivamento de procedimentos tendentes i apuração  de  responsabilidades  penais  do  Sr.  Nivaldo  Fortes  Peres,  justamente  porque  não  se  prestou  a  descrição  em  tese  de  um  esquema  sonegatório  a  permitir  a  individualização  de  responsabilidades  e acusações.  (...) Não merece, pois, a solidariedade na autuação, de igual, ser  mantida.    Por  fim,  o  Ilustre  Juiz  Cesar  Eduardo  Temer  Zalaf,  da  Col.  4ª.  Camara  Efetiva, decidiu:  Nenhuma  prova  documental  ou  material  consta  dos  autos  que  possa alga­lo a tal condição. Percebe­se que o trabalho fiscal foi  realizado com extremo critério e diligencia e que nenhum indicio  se  nota  no  sentido  de  caracterizar  a  pessoa  de Nivaldo Fortes  Peres  como  sendo  o  responsável  de  fato  pelas  operações  atribuidas empresa autuada.    Tais julgamentos, assevaram a negativa de participação do Sr. Nivaldo Fortes  nas empresas autuadas.  Para  reforçar  tal  entendimento,  peço  licença  aos  i.  Conselheiros  para  transcrever trecho da petição juntada aos autos no dia 28 de fevereiro de 2013, que demonstra o  arquivamento dos Inquéritos e Ações Penais:    [...] Os requerentes entendem ser muito relevante o depoimento  prestado  pelo  sr.  Elizeu  Machado  Filho  no  PAF  16004.001550/2008­10. (doc. n.o 03)  O  Sr.  é  o  verdadeiro  proprietário  da  empresa  Rio  Preto  Abatedouro  de  Bovinos  Ltda.  Levianamente  acusado  de  ser  "laranja" pela autoridade policial,  o  sr. Elizeu Machado Filho  fez juntar no mencionado processo vários documentos pessoais.  Neste  depoimento,  o  Sr.  Elizeu  descreve  a  origem  de  seus  negócios;  os  vários  negócios  praticados  e,  seu  extenso  e  incontroverso conhecimento no comércio de gado.  Aduz  que  sempre  negociou  grande  volume  de  gado;  que  foi  politico  respeitado  na  regido  do  triângulo  mineiro  e  que,  inclusive,  recebia  em  sua  residência  diversas  personalidades  e  autoridades de Minas Gerais.  Sustenta que ao contrário do que alega a fiscalização, tinha sim  condições  de  constituir  e  manter  a  empresa  Rio  Preto  Abatedouro  de  Bovinos  Ltda.  que,  como  dito,  foi  por  ele  constituída, sob sua conta e risco.  Comprova  em  referido  processo  que  antes  de  empreender  no  abate  de  bovinos,  teve  loteamento  em Frutal — MG, Fazendas  em Minas Gerais  e Goiás; muito, muito gado.  As atividades exercidas pelo Sr. Elizeu antes da constituição da  empresa  Rio  Preto  Abatedouro  atestam  a  condição  não  só  Fl. 3111DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16004.001666/2008­41  Acórdão n.º 2302­002.456  S2­C3T2  Fl. 2.392          125 financeira, mas também negocial, de constituir, manter e gerir a  empresa no ramo de frigorifico.  A  validade  probatória  dessa  declaração  decorre  do  art.  368,  CPC, pelos documentos que acompanham a manifestação, temos  que está cabalmente demonstrado que  o  Sr.  Elizeu  Machado Filho era o sócio de  fato e de direito de empresa Rio  Preto Abatedouro de Bovinos Ltda.  e que,  ao  contrário do que  alega  a  fiscalização  sem  provas,  tinha  sim  condições  de  se  empreender no ramo de abate de gado.  2.4.  Arquivamento dos Inquéritos Policiais. Foi adiantado que a  presente acusação é reproduzida para 7 pessoas jurídicas, razão  porque  a  autoridade  policial,  em  Sao  Jose  do  Rio  Preto,  determinou a instauração de 4 inquéritos policiais, a saber:    Como  provam  as  certidões  anexas  (doc.  n.o  04),  todos  os  inquéritos policiais estão, hoje, arquivados.  Especial  atenção  merece  o  IP  n.°  0002584­84.2010.403.6106,  instaurado pela Policia Federal de São José de Rio Preto (SP)  para apurar a conduta da empresa Frigo Vale Indústria  e  Comercio  de  Carnes  LTDA­ME,  e  de  NIVALDO  FORTES  PERES,  LUCIANO  DA  SILVA  PERES,  RODRIGO  DA  SILVA  PERES,  CARLOS  ROBERTO  ALVES  e  HYPPOLLTO  RODRIGUES  JUNIOR  na  prática  de  crimes  suscitados  pela  Fiscalização, no auto de infração aqui impugnado.  Depois de realizada a investigação, ouvidos todos os acusados,  decidiu  o  Ministério  Público  Federal  requerer  o  arquivamento  do  inquérito  por  entender  que  havia  falta  de  fundamento para denúncia. E o que consta da certidão de pé e  objeto:  "Trata­se de procedimentos criminais diversos instaurados a fim  de  apurar  eventual  conduta  por  parte  dos  sócios  de  fato  e  de  direito  da  empresa Frigo Vale  Indústria  e Comércio  de  carnes   LTDA­ME,  NIVALDO  FORTES  PERES,  LUCIANO  DA  SILVA  PERES,  RODRIGO  DA  SILVA  PERES,  CARLOS  ROBERTO ALVES  e  HYPPOLLTO  RODRIGUES  JÚNIOR  em  praticar crimes contra a ordem  tributária, previstos nos arts. 1  ao 3 da Lei n.° 8.137/90 e art. 1 da Lei n.° 4.729/65, do Código  Penal.  CERTIFICA,  mais,  que  os  autos  foram  arquivados  a  requerimento  do  Ministério  Público  Federal,  considerando  a  falta de base ou fundamento para a denúncia.".  No  inquérito,  os  sócios  de  fato  e  de  direito  da  FRIGOVALE  sustentaram  suas  responsabilidades  pelo  empreendimento  e,  negaram, veementemente,  o interesse do solidário NIVALDO e  seus  filhos  nos  negócios  desta,  como  também  que  tivessem  qualquer envolvimento na administração e gerência da empresa.  Está  evidente,  pois,  que  a  autoridade  policial  não  logrou  êxito  em  reunir  qualquer  indicio  de  qualquer  conduta  criminosa  praticada,  supostamente,  pelos  recorrentes,  mesmo  diante  das  acusações do Fisco federal.  2.5.  Arquivamento da ação penal n.° 2006.61.24.001873­7.  Fl. 3112DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     126  Relevante,  igualmente, a r. Sentença proferida na referida ação  penal.   (doc. 05)  Nela, fica evidente que a ação penal nunca teve justa causa para  sua  propositura,  tampouco  foi  evidenciado  qualquer  indicio  da  participação  dos  recorrentes  com  qualquer  conduta  criminosa,  razão porque mereceu ter decretado o seu arquivamento!  2.6.  Arquivamento da ação penal n.° 2006.61.24.00000363­1.   A  operação  policial  "Grandes  Lagos"  foi  deflagrada,  inicialmente,  na  Subseção  Judiciária  de  Jales.  O  inquérito  policial  foi,  então,  desdobrado para  São  Jose  do Rio Preto.  E,  assim,  como  a  ação  penal  de  Rio  Preto,  a  ação  penal  n.°  2006.61.24.00000363­1 (doc. 06)  foi  arquivada,  sem  a  condenação de nenhum dos acusados.    Dito  isso e considerando as premissas alhures apresentadas, entendo que os  indícios  colacionados  no  Relatório  Fiscal  não  me  convencem  da  existência  de  grupo  empresarial.    DISPOSITIVO    Pelo exposto, voto pelo provimento do recurso voluntário interposto.    É o voto.    Manoel Coelho Arruda Júnior  Conselheiro     Fl. 3113DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, As sinado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR

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Numero do processo: 10680.720711/2009-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2006 ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17-O, §1º, da Lei n.º 6.938/81. A partir do exercício de 2.002, a localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental competente, observando-se a função social da propriedade e os critérios previstos no §4º do art. 16 do Código Florestal. A averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel é, regra geral, necessária para sua exclusão da base de cálculo do imposto. A jurisprudência do CARF tem entendido que documentos emitidos por órgãos ambientais e a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel suprem referida exigência. Hipótese em que a Recorrente não apresentou o ADA, tampouco averbou as áreas na matrícula do imóvel, não comprovando, portanto, a área de reserva legal. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL - ADA A partir da Lei n.º 10.165, de 2000, para a exclusão da área de preservação permanente da área total do imóvel rural, no cômputo do ITR, exige-se Ato Declaratório Ambiental - ADA protocolado junto ao Ibama. Tempestivamente protocolado, o ADA tem o condão de comprovar, por presunção legal, que a área de preservação permanente nele declarada pelo titular do imóvel rural é reconhecida pelo Ibama. Na falta de protocolização tempestiva do ADA, a área de preservação permanente deve ser atestada pelo órgão ambiental. Na hipótese, a área de preservação permanente não foi suficientemente comprovada. ITR. RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL. RECONHECIMENTO. Para efeitos de exclusão da área da base de cálculo do ITR, a reserva particular do patrimônio natural (RPPN) tem de ser reconhecida por órgão ambiental oficial. No caso dos autos, restou comprovado o reconhecimento, pelo Instituto Estadual de Florestas, da área declarada como sendo de RPPN, corroborado por registro na matrícula do imóvel. Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2101-002.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento em parte ao recurso para restabelecer a área de RPPN de 175,33 ha. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka e Eivanice Canário da Silva, que deram provimento em parte ao recurso em maior extensão, para restabelecer também a área de preservação permanente de 34 ha. Redatora designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Celia Maria de Souza Murphy. (assinado digitalmente) CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Presidente substituta e redatora designada (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Celia Maria de Souza Murphy (Presidente substituta), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Francisco Marconi de Oliveira e Eivanice Canário da Silva. Ausentes justificadamente os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Gonçalo Bonet Allage.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento em parte ao recurso para restabelecer a área de RPPN de 175,33 ha. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka e Eivanice Canário da Silva, que deram provimento em parte ao recurso em maior extensão, para restabelecer também a área de preservação permanente de 34 ha. Redatora designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Celia Maria de Souza Murphy. (assinado digitalmente) CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Presidente substituta e redatora designada (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Celia Maria de Souza Murphy (Presidente substituta), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Francisco Marconi de Oliveira e Eivanice Canário da Silva. Ausentes justificadamente os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Gonçalo Bonet Allage.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY Processo nº 10680.720711/2009­92  Acórdão n.º 2101­002.217  S2­C1T1  Fl. 185          2 Tempestivamente  protocolado,  o  ADA  tem  o  condão  de  comprovar,  por  presunção  legal,  que  a  área  de  preservação  permanente  nele  declarada  pelo  titular do imóvel rural é reconhecida pelo Ibama.   Na  falta  de  protocolização  tempestiva  do  ADA,  a  área  de  preservação  permanente deve ser atestada pelo órgão ambiental.  Na  hipótese,  a  área  de  preservação  permanente  não  foi  suficientemente  comprovada.  ITR.  RESERVA  PARTICULAR  DO  PATRIMÔNIO  NATURAL.  RECONHECIMENTO.  Para  efeitos  de  exclusão  da  área  da  base  de  cálculo  do  ITR,  a  reserva  particular  do  patrimônio  natural  (RPPN)  tem  de  ser  reconhecida  por  órgão  ambiental oficial.  No  caso  dos  autos,  restou  comprovado  o  reconhecimento,  pelo  Instituto  Estadual de Florestas, da área declarada como sendo de RPPN, corroborado  por registro na matrícula do imóvel.  Recurso provido em parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  Membros  do  Colegiado,  por  voto  de  qualidade,  em  dar  provimento em parte ao recurso para restabelecer a área de RPPN de 175,33 ha. Vencidos os  Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka e Eivanice Canário da Silva, que deram provimento  em  parte  ao  recurso  em  maior  extensão,  para  restabelecer  também  a  área  de  preservação  permanente  de  34  ha.  Redatora  designada  para  redigir  o  voto  vencedor  a  Conselheira  Celia  Maria de Souza Murphy.    (assinado digitalmente)  CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY  Presidente substituta e redatora designada    (assinado digitalmente)  ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA  Relator    Participaram do  julgamento os Conselheiros Celia Maria de Souza Murphy  (Presidente substituta), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Francisco Marconi de Oliveira e  Fl. 186DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY Processo nº 10680.720711/2009­92  Acórdão n.º 2101­002.217  S2­C1T1  Fl. 186          3 Eivanice  Canário  da  Silva.  Ausentes  justificadamente  os  Conselheiros  Luiz  Eduardo  de  Oliveira Santos e Gonçalo Bonet Allage.    Relatório  Trata­se de recurso voluntário  (fls. 165/176)  interposto em 09 de novembro  de 2011 contra o acórdão de fls. 134/152, do qual a Recorrente teve ciência em 11 de outubro  de 2011  (fls. 163/164), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de  Julgamento  em Brasília (DF), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento de  fls.  01/05,  lavrado  em 06  de  abril  de 2009,  em  virtude  da  falta  de  recolhimento  do  imposto  sobre a propriedade territorial rural, verificada no exercício de 2006.  O acórdão teve a seguinte ementa:  “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR  Exercício: 2006  DA PRELIMINAR DE NULIDADE ­ DO CERCEAMENTO DO DIREITO  DE DEFESA.  Tendo  em  vista  que  o  procedimento  fiscal  foi  instaurado  em  conformidade  com  os  princípios  constitucionais  vigentes,  possibilitando  ao  contribuinte  exercer  plenamente  o  contraditório,  por  meio  da  entrega  tempestiva  de  sua  impugnação,  momento oportuno para rebater as acusações e apresentar os documentos de provas  respectivos, não há que se falar em cerceamento de direito de defesa.  DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.  As áreas de preservação permanente, para fins de exclusão do ITR, cabem ser  reconhecidas  como  de  interesse  ambiental  pelo  IBAMA ou,  pelo menos,  que  seja  comprovada  a  protocolização,  em  tempo  hábil,  do  requerimento  do  competente  ADA.  ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL ­ APA.  Para efeito de exclusão do ITR, não serão aceitas como de interesse ecológico  as áreas comprovadamente situadas dentro dos limites de uma APA, mas apenas as  áreas  assim  declaradas,  em  caráter  específico,  para  determinadas  áreas  da  propriedade  particular.  Além  do  ato  específico  do  órgão  competente  federal  ou  estadual  reconhecendo  tais  áreas  como  sendo de  interesse  ecológico,  exige­se  que  seja comprovada a protocolização, em  tempo hábil, do competente ADA, junto ao  IBAMA.  DAS  ÁREAS  DE  UTILIZAÇÃO  LIMITADA  ­  PARTICULAR  DO  PATRIMÔNIO NATURAL.  As áreas de Reserva Particular do Patrimônio Natural, para fins de exclusão  da  tributação  do  ITR,  além  de  incluídas  no  ADA,  protocolado  tempestivamente  junto  ao  IBAMA,  devem  estar  averbadas  à  margem  do  registro  imobiliário  do  imóvel, à época do respectivo fato gerador.  Fl. 187DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY Processo nº 10680.720711/2009­92  Acórdão n.º 2101­002.217  S2­C1T1  Fl. 187          4 DA REVISÃO DO VTN ARBITRADO PELA FISCALIZAÇÃO.  Cabe  restabelecer  a  tributação  do  imóvel  com  base  no  VTN  Declarado,  quando  restar  afastada  a  hipótese  de  subavaliação,  mediante  a  apresentação  de  "Laudo de Avaliação" elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente  anotada no CREA, em consonância com as normas da ABNT.  Impugnação Procedente em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte” (fls. 134/135).  Não  se  conformando,  a  Recorrente  interpôs  o  recurso  voluntário  de  fls.  165/176,  pedindo  a  reforma  do  acórdão  recorrido,  para  exonerar  o  crédito  tributário  remanescente.  É o relatório.    Voto Vencido  Conselheiro ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Relator  O  recurso preenche os  requisitos de  admissibilidade, motivo pelo qual dele  conheço.  A Recorrente aduz, basicamente,  em seu  recurso voluntário, que devem ser  excluídas  da  base  de  cálculo  do  ITR  as  áreas  de  preservação  permanente,  reserva  legal  e  Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN).  Sendo  recorrente  a  matéria  no  âmbito  deste  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (CARF),  cumpre  tecer  alguns  breves  esclarecimentos  antes  de  adentrar  na  questão especificamente debatida nestes autos.  De  fato,  como  é  cediço,  o  imposto  sobre  a  propriedade  territorial  rural,  de  competência da União, na forma do art. 153, VI, da Constituição, incide nas hipóteses previstas  no art. 29 do Código Tributário Nacional, ora trazido à baila, in verbis:  “Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural  tem  como  fato  gerador  a  propriedade,  o  domínio  útil  ou  a  posse  de  imóvel  por  natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município.”  À guisa do disposto pelo Código Tributário Nacional, a União promulgou a  Lei Federal n.º 9.393/96, que, na esteira do estatuído pelo art. 29 do CTN, instituiu, em seu art.  1º, como hipótese de incidência do tributo, a “propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel  por natureza, localizado fora da zona urbana do município”.  Sem adentrar especificamente na discussão a respeito da eventual ampliação  do  conceito  de  propriedade  albergado  pela  Constituição  Federal  pelo  disposto  nos  artigos  citados, ao incluírem como fato gerador do ITR o domínio útil e a posse (cum animus domini),  tema que não releva na análise do presente recurso, verifica­se que não há qualquer discussão a  Fl. 188DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY Processo nº 10680.720711/2009­92  Acórdão n.º 2101­002.217  S2­C1T1  Fl. 188          5 respeito da incidência do tributo no que toca às áreas de preservação permanente ou de reserva  florestal legal.  Com  efeito,  muito  embora  em  tais  áreas  a  utilização  da  propriedade  deva  observar  a  regulamentação  ambiental  específica,  disso  não  decorre  a  consideração  de  que  referida parcela do imóvel estaria fora da hipótese de incidência do ITR. Isso porque, como se  sabe, o direito de propriedade, expressamente garantido no inciso XXII do art. 5º da CF, possui  limitação constitucional assentada em sua função social (art. 5º, XIII, da CF).   Nesse sentido, consoante salienta Gilmar Mendes (et. al.), possui o legislador  uma  relativa  liberdade  para  conformação  do  direito  de  propriedade,  devendo  preservar,  contudo, “o núcleo essencial do direito de propriedade, constituído pela utilidade privada e,  fundamentalmente, pelo poder de disposição. A vinculação social da propriedade, que legitima  a imposição de restrições, não pode ir ao ponto de colocá­la, única e exclusivamente, a serviço  do  Estado  ou  da  comunidade.”  (MENDES,  Gilmar  Ferreira  (et.  al.).  Curso  de  direito  constitucional. 4ª ed. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 483).  No que atine à regulação ambiental, deste modo, verifica­se que a legislação,  muito  embora  restrinja  o  uso  do  imóvel  em  virtude  do  interesse  na  preservação  do  meio  ambiente  ecologicamente  equilibrado,  na  forma  como  estabelecido  pela  Constituição  da  República, não elimina as faculdades de usar, gozar e dispor do bem, tal como previstas pela  legislação cível.  Com fundamento no exposto, não versando os autos sobre hipótese de não­ incidência do tributo, mas, sim, de autêntica isenção ou, como querem alguns, redução da base  de cálculo do ITR, dispôs a Lei Federal n.º 9.393/96, em seu art. 10, o seguinte:  “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte,  independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e  condições  estabelecidos  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  sujeitando­se  a  homologação posterior.  § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerar­se­á:  [...]  II ­ área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas:  a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771,  de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de  1989” (grifei).  Havendo  referido  dispositivo  legal  feito  expressa  referência  a  conceitos  desenvolvidos em outro ramo do Direito, mais especificamente no que toca à seara ambiental,  oportuno  se  faz  recorrer  ao  arcabouço  legislativo  desenvolvido  neste  campo  específico,  na  forma indicada pelo art. 109 do CTN, para o fim de compreender, satisfatoriamente, o que se  entende por áreas de preservação permanente e de reserva legal, estabelecidas como hipótese  de isenção do ITR (redução do correspondente aspecto quantitativo).  A  respeito  especificamente  da  chamada  “área  de  preservação  permanente”  (APP),  assim  dispunha  o  anterior  Código  Florestal,  Lei  n.º  4.771/65  (revogado  pela  Lei  n.º  12.651/2012), o seguinte:  Fl. 189DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY Processo nº 10680.720711/2009­92  Acórdão n.º 2101­002.217  S2­C1T1  Fl. 189          6 “Art. 2° Consideram­se de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei,  as florestas e demais formas de vegetação natural situadas:  a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto  em faixa marginal cuja largura mínima será:   1 ­ de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de  largura;   2 ­ de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a  50 (cinquenta) metros de largura;   3 ­ de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a  200 (duzentos) metros de largura;  4  ­  de  200  (duzentos)  metros  para  os  cursos  d'água  que  tenham  de  200  (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura;   5  ­  de  500  (quinhentos)  metros  para  os  cursos  d'água  que  tenham  largura  superior a 600 (seiscentos) metros;   b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais;  c)  nas  nascentes,  ainda  que  intermitentes  e  nos  chamados  "olhos  d'água",  qualquer  que  seja  a  sua  situação  topográfica,  num  raio mínimo  de  50  (cinquenta)  metros de largura;   d) no topo de morros, montes, montanhas e serras;  e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a  100% na linha de maior declive;  f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues;  g)  nas  bordas  dos  tabuleiros  ou  chapadas,  a  partir  da  linha  de  ruptura  do  relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais;   h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a  vegetação.   Parágrafo  único.  No  caso  de  áreas  urbanas,  assim  entendidas  as  compreendidas  nos  perímetros  urbanos  definidos  por  lei  municipal,  e  nas  regiões  metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, observar­se­ á  o disposto  nos  respectivos  planos  diretores  e  leis de  uso  do  solo,  respeitados  os  princípios e limites a que se refere este artigo.   Art.  3º  Consideram­se,  ainda,  de  preservação  permanente,  quando  assim  declaradas  por  ato  do  Poder  Público,  as  florestas  e  demais  formas  de  vegetação  natural destinadas:  a) a atenuar a erosão das terras;  b) a fixar as dunas;  c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias;  d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares;  e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico;  Fl. 190DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY Processo nº 10680.720711/2009­92  Acórdão n.º 2101­002.217  S2­C1T1  Fl. 190          7 f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção;  g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas;  h) a assegurar condições de bem­estar público.  § 1° A supressão  total ou parcial de  florestas de preservação permanente só  será  admitida  com  prévia  autorização  do  Poder  Executivo  Federal,  quando  for  necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública  ou interesse social.  § 2º As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujeitas ao regime  de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei.”  Verifica­se, à luz do que se extrai dos artigos em referência, que a legislação  considera  como  área de  preservação permanente,  trazendo à baila  a  lição de Edis Milaré,  as  “florestas e demais formas de vegetação que não podem ser removidas, tendo em vista a sua  localização  e  a  sua  função  ecológica”  (MILARÉ,  Edis.  Direito  do  ambiente:  doutrina,  jurisprudência, glossário. 5ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007. p. 691).  Vale  notar,  nesse  sentido,  que  nas  áreas  de  preservação  permanente,  consoante esclarecia o disposto pelo §1º do art. 3º, citado supra, não há qualquer possibilidade  de supressão das florestas, apenas excetuada tal regra nos casos de execução de obras, planos,  atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social (previsão mantida nos artigos 7º  e 8º do novo Código Florestal, Lei 12.651/2012).  Não  se  confunde  com  a  área  de  preservação  permanente,  no  entanto,  a  chamada  área  de  reserva  legal,  ou  reserva  florestal  legal,  cujos  contornos  eram  assim  estabelecidos pelo antigo Código Florestal, mais especificamente em seu art. 16, com a redação  que lhe foi dada pela MP 2.166­67/2001:   “Art. 16.  As  florestas  e  outras  formas  de  vegetação  nativa,  ressalvadas  as  situadas  em  área  de  preservação  permanente,  assim  como  aquelas  não  sujeitas  ao  regime de utilização  limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de  supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo:   I ­ oitenta  por  cento,  na  propriedade  rural  situada  em  área  de  floresta  localizada na Amazônia Legal;   II ­ trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado  localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e  quinze  por  cento  na  forma  de  compensação  em  outra  área,  desde  que  esteja  localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo;   III ­ vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras  formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e   IV ­ vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada  em qualquer região do País.  § 1o O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e  cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e  II deste artigo.   § 2o A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser  utilizada  sob  regime  de  manejo  florestal  sustentável,  de  acordo  com  princípios  e  Fl. 191DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY Processo nº 10680.720711/2009­92  Acórdão n.º 2101­002.217  S2­C1T1  Fl. 191          8 critérios  técnicos  e  científicos  estabelecidos  no  regulamento,  ressalvadas  as  hipóteses  previstas  no  §  3o  deste  artigo,  sem  prejuízo  das  demais  legislações  específicas.   § 3o  Para  cumprimento  da  manutenção  ou  compensação  da  área  de  reserva  legal  em  pequena  propriedade  ou  posse  rural  familiar,  podem  ser  computados  os  plantios  de  árvores  frutíferas  ornamentais  ou  industriais,  compostos  por  espécies  exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas.   § 4o A  localização  da  reserva  legal  deve  ser  aprovada  pelo  órgão  ambiental  estadual  competente  ou,  mediante  convênio,  pelo  órgão  ambiental  municipal  ou  outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de  aprovação, a  função social da propriedade, e os  seguintes critérios e  instrumentos,  quando houver:   I ­ o plano de bacia hidrográfica;   II ­ o plano diretor municipal;  III ­ o zoneamento ecológico­econômico;   IV ­ outras categorias de zoneamento ambiental; e   V ­ a  proximidade  com  outra  Reserva  Legal,  Área  de  Preservação  Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida.   § 5o  O  Poder  Executivo,  se  for  indicado  pelo  Zoneamento  Ecológico  Econômico ­ ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério  do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá:   I ­ reduzir,  para  fins  de  recomposição,  a  reserva  legal,  na  Amazônia  Legal,  para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas  de  Preservação  Permanente,  os  ecótonos,  os  sítios  e  ecossistemas  especialmente  protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e   II ­ ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices  previstos neste Código, em todo o território nacional.  § 6o  Será  admitido,  pelo  órgão  ambiental  competente,  o  cômputo  das  áreas  relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo  do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas  para  o  uso  alternativo  do  solo,  e  quando  a  soma  da  vegetação  nativa  em  área  de  preservação permanente e reserva legal exceder a:   I ­ oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal;   II ­ cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do  País; e  III ­ vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b"  e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o.  § 7o  O  regime  de  uso  da  área  de  preservação  permanente  não  se  altera  na  hipótese prevista no § 6o.   § 8o  A  área  de  reserva  legal  deve  ser  averbada  à  margem  da  inscrição  de  matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de  Fl. 192DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY Processo nº 10680.720711/2009­92  Acórdão n.º 2101­002.217  S2­C1T1  Fl. 192          9 sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou  de retificação da área, com as exceções previstas neste Código.   § 9o  A  averbação  da  reserva  legal  da  pequena  propriedade  ou  posse  rural  familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando  necessário.   § 10. Na  posse,  a  reserva  legal  é  assegurada  por Termo  de Ajustamento  de  Conduta,  firmado  pelo  possuidor  com  o  órgão  ambiental  estadual  ou  federal  competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da  reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de  sua vegetação, aplicando­se, no que couber, as mesmas disposições previstas neste  Código para a propriedade rural.   § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais  de  uma  propriedade,  respeitado  o  percentual  legal  em  relação  a  cada  imóvel,  mediante  a  aprovação  do  órgão  ambiental  estadual  competente  e  as  devidas  averbações referentes a todos os imóveis envolvidos.  (...)  Art. 44.  O  proprietário  ou  possuidor  de  imóvel  rural  com  área  de  floresta  nativa,  natural,  primitiva  ou  regenerada  ou  outra  forma  de  vegetação  nativa  em  extensão inferior ao estabelecido nos incisos  I,  II,  III e  IV do art. 16,  ressalvado o  disposto  nos  seus  §§  5o  e  6o,  deve  adotar  as  seguintes  alternativas,  isoladas  ou  conjuntamente:   I ­ recompor a reserva legal de sua propriedade mediante o plantio, a cada três  anos,  de  no  mínimo  1/10  da  área  total  necessária  à  sua  complementação,  com  espécies  nativas,  de  acordo  com  critérios  estabelecidos  pelo  órgão  ambiental  estadual competente;   II ­ conduzir a regeneração natural da reserva legal; e   III ­ compensar  a  reserva  legal  por  outra  área  equivalente  em  importância  ecológica e extensão, desde que pertença ao mesmo ecossistema e esteja localizada  na mesma microbacia, conforme critérios estabelecidos em regulamento.   § 1o  Na  recomposição  de  que  trata  o  inciso  I,  o  órgão  ambiental  estadual  competente deve apoiar tecnicamente a pequena propriedade ou posse rural familiar.   § 2o  A  recomposição  de  que  trata  o  inciso  I  pode  ser  realizada mediante  o  plantio  temporário  de  espécies  exóticas  como  pioneiras,  visando  a  restauração  do  ecossistema  original,  de  acordo  com  critérios  técnicos  gerais  estabelecidos  pelo  CONAMA.   § 3o  A  regeneração  de  que  trata  o  inciso  II  será  autorizada,  pelo  órgão  ambiental  estadual  competente,  quando  sua  viabilidade  for  comprovada  por  laudo  técnico, podendo ser exigido o isolamento da área.   § 4o Na  impossibilidade  de  compensação  da  reserva  legal  dentro  da mesma  micro­bacia  hidrográfica,  deve  o  órgão  ambiental  estadual  competente  aplicar  o  critério  de  maior  proximidade  possível  entre  a  propriedade  desprovida  de  reserva  legal e a área escolhida para compensação, desde que na mesma bacia hidrográfica e  no  mesmo  Estado,  atendido,  quando  houver,  o  respectivo  Plano  de  Bacia  Hidrográfica, e respeitadas as demais condicionantes estabelecidas no inciso III.   Fl. 193DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY Processo nº 10680.720711/2009­92  Acórdão n.º 2101­002.217  S2­C1T1  Fl. 193          10 § 5o  A  compensação  de  que  trata  o  inciso  III  deste  artigo,  deverá  ser  submetida  à  aprovação  pelo  órgão  ambiental  estadual  competente,  e  pode  ser  implementada mediante o arrendamento de área sob regime de servidão florestal ou  reserva legal, ou aquisição de cotas de que trata o art. 44­B. (...)”  A reserva florestal  legal, portanto, sendo um percentual determinado por lei  para a preservação da vegetação nativa do imóvel rural, constitui, como afirma Paulo de Bessa  Antunes,  “uma  obrigação  que  recai  diretamente  sobre  o  proprietário  do  imóvel,  independentemente  de  sua  pessoa  ou  da  forma  pela  qual  tenha  adquirido  a  propriedade”,  estando,  assim,  “umbilicalmente  ligada  à  própria  coisa,  permanecendo  aderida  ao  bem”  (ANTUNES, Paulo de Bessa. Poder Judiciário e reserva legal: análise de recentes decisões do  Superior Tribunal de Justiça. In: Revista de Direito Ambiental n.º 21. São Paulo: Revista dos  Tribunais, 2001, p. 120).  À luz do exposto, verifica­se que as restrições ambientais, tanto nos casos de  áreas  de  preservação  permanente,  como  naqueles  em  que  há  reserva  legal,  decorrem,  explicitamente, da ocorrência ou verificação,  in  loco, dos pressupostos  legais apontados pela  legislação,  inexistindo,  portanto,  qualquer  discricionariedade  por  parte  do  proprietário  ou  agente público.  Nesse passo, consoante se extrai da legislação ambiental trazida à baila, não  há a exigência, para o cumprimento das normas relativas às áreas de preservação permanente,  de  qualquer  ato  público  que  as  constitua,  mas,  apenas  e  tão­somente,  da  ocorrência  das  hipóteses  legais  previstas  pelo  Código  Florestal,  bem  como  pelos  demais  atos  normativos  primários que disponham sobre o tema.   Em relação à reserva legal, entendo que a averbação à margem da matrícula  do  imóvel,  com  a  devida  vênia  daqueles  que  entendem  de  forma  diversa,  não  tem  natureza  constitutiva,  mas  simplesmente  declaratória,  tendo  em  vista  que,  excetuadas  as  hipóteses  especificamente mencionadas na  legislação, a observância do percentual de 20% previsto em  lei independe de qualquer averbação, estando apenas sujeita à aprovação da sua localização  por órgão ambiental estadual competente após o exercício de 2002, ou, mediante convênio,  pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, na forma do §4º  do art. 16 da antiga Lei n.º 4.771/65 (tendo em vista a redação dada pela Medida Provisória nº  2.166­67, de 2001) e previsão do §1º do artigo 14 do novo Código Florestal, Lei 12.651/2012.   Nesse  sentido,  oportuno  afirmar  que,  muito  embora  a  legislação  preveja  a  necessidade de averbação da reserva legal, de acordo com o que dispunha o §8º do art. 16 da  Lei  n.º  4.771/65  e  do  que  dispõe  atualmente  o  §4º  do  art.  18  da  Lei  12.651/12,  a  sanção  decorrente da falta de averbação da área de reserva legal, prevista pelo art. 55 do Decreto n.º  6.514/2008,  foi  prorrogada  para  junho  de  2012,  de  acordo  com  o  que  estatui  o  Decreto  n.º  7.719/2012, razão pela qual se infere que a legislação concedeu um período de adaptação aos  proprietários,  a  fim  de  que  pudessem  cumprir  referida  determinação  legal,  deixando  de  cominar­lhes qualquer penalidade em decorrência da falta de averbação de referida área.  Por tais razões, especialmente por entender que a observância dos percentuais  fixados  em  lei  para  exploração  de  área  rural  decorre  de  normas  de  ordem  pública,  que  não  podem ser afastadas pelo contribuinte pelo simples fato de que não procedeu este à competente  averbação,  tenho  para  mim  que  esta  última  possui  caráter  nitidamente  declaratório,  sendo  necessária  para  conferir  publicidade  ao  gravame  fixado  que,  como  já  se  verberou  oportunamente, decorre diretamente da legislação ambiental.  Fl. 194DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY Processo nº 10680.720711/2009­92  Acórdão n.º 2101­002.217  S2­C1T1  Fl. 194          11 Além da desnecessidade de averbação, para o fim específico de constituir as  áreas  de  reserva  florestal  legal,  igualmente  não  havia,  até  o  exercício  de  2000,  qualquer  fundamento legal para a exigência da entrega do Ato Declaratório Ambiental (ADA) para o fim  de reduzir a base de cálculo do ITR. Nesse sentido, aliás, dispunha o art. 17­O, da Lei Federal  n.º 6.938/81, com a redação que lhe foi conferida pela Lei n. 9.960/2000, o seguinte:  "Art. 17­O. Os proprietários rurais, que se beneficiarem com redução do valor  do  Imposto  sobre  a  Propriedade  Territorial  Rural  ­  ITR,  com  base  em  Ato  Declaratório Ambiental ­ ADA, deverão recolher ao Ibama 10% (dez por cento) do  valor  auferido  como  redução  do  referido  Imposto,  a  título  de  preço  público  pela  prestação de serviços técnicos de vistoria." (AC)  "§ 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é  opcional."  Por esta razão, portanto, isto é, por inexistir qualquer fundamento legal para a  entrega  tempestiva  do  ADA,  como  requisito  para  a  fruição  da  redução  da  base  de  cálculo  prevista pela legislação atinente ao ITR, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais  aprovou a seguinte súmula, extraída do texto da Portaria n.º 106/2009:  “A  não  apresentação  do  Ato  Declaratório  Ambiental  (ADA)  emitido  pelo  IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a  fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.”  Pois  bem.  Muito  embora  inexistisse,  até  o  exercício  de  2000,  qualquer  fundamento para a exigência da entrega do ADA como requisito para a fruição da isenção, com  o advento da Lei Federal n.º 10.165/2000 alterou­se a redação do §1º do art. 17­O da Lei n.º  6.938/81, que passou a vigorar da seguinte forma:  “Art. 17­O.   (...)   § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR  é obrigatória.”  Assim,  a  partir  do  exercício  de  2001,  a  exigência  do  ADA  passou  a  ter  previsão legal com a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17­O,  §1º,  da  Lei  n.º  6.938/81,  para  a  fruição  da  redução  da  base  de  cálculo  do  Imposto  sobre  a  Propriedade Territorial Rural.   Entendo tal alteração na legislação da seguinte forma: o ADA, apresentado  tempestivamente, tem a função de inverter o ônus da prova, passando este a ser do Fisco a  partir da sua entrega. Caso não ocorra a entrega do ADA, pode o contribuinte se valer de outros  meios de prova visando à fruição da redução da base de cálculo.  Nesse sentido, no que toca à demonstração da existência efetiva das áreas em  referência, o próprio “Manual de Perguntas e Respostas” editado pelo IBAMA, em resposta à  pergunta n. 40 (“Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das áreas de  interesse ambiental?”), estabelece a possibilidade de apresentação dos seguintes documentos:  “●  Ato  Declaratório  Ambiental  –  ADA  e  o  comprovante  da  entrega  do  mesmo;  Fl. 195DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY Processo nº 10680.720711/2009­92  Acórdão n.º 2101­002.217  S2­C1T1  Fl. 195          12 ● Ato do Poder Público declarando as florestas e demais formas de vegetação  natural como Área de Preservação Permanente, conforme dispõe o Código Florestal  em seu artigo 3.;  ● Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado  da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que especifique e discrimine as  Áreas  de  Interesse Ambiental  (Área  de Preservação Permanente; Área  de Reserva  Legal;  Reserva  Particular  do  Patrimônio  Natural;  Área  de  Declarado  Interesse  Ecológico; Área  de Servidão Florestal  ou Ambiental; Áreas Cobertas  por Floresta  Nativa;  Áreas  Alagadas  para  fins  de  Constituição  de  Reservatório  de  Usinas  Hidrelétricas);  ● Laudo de vistoria técnica do Ibama relativo à área de interesse ambiental;  ●  Certidão  do  Ibama  ou  de  outro  órgão  de  preservação  ambiental  (órgão  ambiental  estadual)  referente  às Áreas de Preservação Permanente  e de Utilização  Limitada;  ●  Certidão  de  registro  ou  cópia  da matrícula  do  imóvel  com  averbação  da  Área de Reserva Legal;  ●  Termo  de  Responsabilidade  de  Averbação  da  Área  de  Reserva  Legal  (TRARL) ou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC);  ● Declaração de interesse ecológico de área imprestável, bem como, de áreas  de proteção dos ecossistemas (Ato do Órgão competente, federal ou estadual – Ato  do Poder Público – para áreas de declarado interesse ecológico): Se houver uma área  no imóvel rural que sirva para a proteção dos ecossistemas e que não seja útil para  a  agricultura  ou  pecuária,  pode  ser  solicitada  ao  órgão  ambiental  federal  ou  estadual a vistoria e a declaração daquela como uma Área de Interesse Ecológico.  ●  Certidão  de  registro  ou  cópia  da matrícula  do  imóvel  com  averbação  da  Área de Servidão Florestal;  ●  Portaria  do  Ibama  de  reconhecimento  da  Área  de  Reserva  Particular  do  Patrimônio Natural (RPPN).”  Pode­se  concluir,  portanto,  que  a  própria  Administração  Pública,  que  não  pode venire contra factum proprium, entende que tanto o ADA como a averbação da reserva  legal têm efeito meramente declaratório, não sendo os únicos documentos comprobatórios das  áreas de preservação permanente e de  reserva  legal, o que  remete a solução da controvérsia,  nas  hipóteses  em  que  ausentes  a  apresentação  do  referido  ADA  ou  a  averbação  da  reserva  legal, à análise de cada caso concreto.  Em  relação  à  reserva  legal,  esta  está  sujeita  à  aprovação  da  sua  localização  por  órgão  ambiental  estadual  competente  após  o  exercício  de  2002,  ou,  mediante  convênio,  pelo  órgão  ambiental  municipal  ou  outra  instituição  devidamente  habilitada, na forma do §4º do art. 16 da Lei n.º 4.771/65 (tendo em vista a redação dada pela  Medida Provisória nº 2.166­67, de 2001).  No presente caso, à luz do entendimento que ora se sustenta, verifica­se que a  contribuinte  não  apresentou  o  ADA.  Dessa  forma,  o  ônus  passou  a  ser  seu  acerca  da  comprovação da efetiva existência das áreas alegadas.  Da área de preservação permanente  Fl. 196DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY Processo nº 10680.720711/2009­92  Acórdão n.º 2101­002.217  S2­C1T1  Fl. 196          13 Consoante já visto, a área de preservação permanente decorre somente de sua  existência,  conforme previsão  legal,  e a Recorrente comprovou a  existência de 34 ha. a esse  título, por meio do Laudo de fls. 16/22, com ART (fls. 32/33), os quais devem ser excluídos da  área tributável.  Nesse  sentido,  cumpre  esclarecer  que  o  mesmo  laudo  apresentado  pela  Recorrente foi aceito pela Recorrida para acolher o VTN por meio dele apurado, justificando­ se assim, da mesma forma, seja este aceito para efeitos de comprovação da área de preservação  permanente.  Da área de reserva legal  No que se refere à área de reserva legal, tenho entendido que ainda que não  seja necessária a averbação, a partir de 2002 a legislação exige a aprovação da reserva legal  pelo órgão ambiental competente.   In  casu,  não  houve  qualquer  prova  da  existência  da  área  de  reserva  legal  declarada  (131,1 há.) nem da aprovação do órgão ambiental competente, motivo pelo qual o  recurso deve ser improvido quanto a este aspecto.  Da área de reserva particular do patrimônio natural (RPPN)  A  área  de  reserva  particular  do  patrimônio  natural,  por  sua  vez,  está  disciplinada no art. 21 da Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, in verbis:  “Art.  21.  A  Reserva  Particular  do  Patrimônio  Natural  é  uma  área  privada,  gravada com perpetuidade, com o objetivo de conservar a diversidade biológica.  § 1º. O gravame de que  trata este artigo constará de  termo de compromisso  assinado perante o órgão ambiental, que verificará a existência de interesse público,  e será averbado à margem da inscrição no Registro Público de Imóveis.  § 2º. Só poderá  ser permitida,  na Reserva Particular do Patrimônio Natural,  conforme se dispuser em regulamento:   I ­ a pesquisa científica;  II ­ a visitação com objetivos turísticos, recreativos e educacionais”.  Para  que  uma  área  seja  caracterizada  como  de  reserva  particular  do  patrimônio natural, integral ou parcialmente, o proprietário do imóvel rural deve manifestar seu  interesse para tanto perante o Poder Público, nos termos do art. 1º do Decreto n.º 1.922/96, que  ora se transcreve:  “Art. 1° Reserva Particular do Patrimônio Natural ­ RPPN é área de domínio  privado a  ser especialmente protegida,  por  iniciativa de  seu proprietário, mediante  reconhecimento do Poder Público, por ser considerada de relevante importância pela  sua  biodiversidade,  ou  pelo  seu  aspecto  paisagístico,  ou  ainda  por  suas  características ambientais que justifiquem ações de recuperação.”  Percebe­se,  portanto,  que  foi  conferida  uma  faculdade  ao  particular  proprietário de áreas com biodiversidade de interesse relevante de gravar sua propriedade rural  para  fins de proteger os  recursos  ambientais  representativos da  região  (art. 2º do Decreto n.º  Fl. 197DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY Processo nº 10680.720711/2009­92  Acórdão n.º 2101­002.217  S2­C1T1  Fl. 197          14 1.922/93), cujo requerimento necessita de análise do Poder Público, a teor do que prescreve o  art. 6º do mencionado Decreto n.º 1.922/93:  “Art.  6°  O  órgão  responsável  pelo  reconhecimento  da  RPPN,  no  prazo  de  sessenta dias, contados da data de protocolização do requerimento, deverá:   I ­ emitir laudo de vistoria do imóvel, com descrição da área, compreendendo  a tipologia vegetal, a hidrologia, os atributos naturais que se destacam, o estado de  conservação  da  área  proposta,  indicando  as  eventuais  pressões  potencialmente  degradadoras  do  ambiente,  relacionando  as  principais  atividades  desenvolvidas  na  propriedade;   II  ­  emitir  parecer,  incluindo  a  análise  da  documentação  apresentada  e,  se  favorável, solicitar ao proprietário providências no sentido de firmar, em duas vias, o  termo de compromisso, de acordo com o modelo anexo a este Decreto;   III ­ homologar o pedido por meio da autoridade competente;   IV ­ publicar no Diário Oficial ato de reconhecimento da área como RPPN.”  No  presente  caso,  a  Recorrente  comprovou  efetivamente  que  houve  o  reconhecimento  de  parte  de  sua  propriedade  como  RPPN  (175,33  ha.)  por  meio  de  ato  administrativo do Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais, por meio da Deliberação n.º  1284 de 31 de maio de 2004 e pela Portaria n.º 082, de 18 de junho de 2004 (fls. 88/94).   Ainda,  referido  reconhecimento  restou  averbado  à matrícula  do  imóvel  (fl.  15) não havendo dúvidas quanto ao reconhecimento da isenção do ITR sobre a área pleiteada,  merecendo provimento o  recurso neste ponto, para  reconhecer a área de 175,33 ha. como de  RPPN.   Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento EM PARTE  ao recurso para restabelecer a área de preservação permanente de 34 ha. e a área de RPPN de  175,33 ha.    (assinado digitalmente)  ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA ­ Relator    Voto Vencedor  Conselheira Celia Maria de Souza Murphy  Em  que  pese  aos  fundamentos  declinados  pelo  i.  Conselheiro  Alexandre  Naoki Nishioka, peço vênia para divergir do seu entendimento quanto à comprovação da área  de preservação permanente, para o fim de isenção do Imposto sobre a Propriedade Territorial  Rural, pelas razões a seguir deduzidas.  Fl. 198DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY Processo nº 10680.720711/2009­92  Acórdão n.º 2101­002.217  S2­C1T1  Fl. 198          15 A Lei n.º 10.165, de 2000, ao alterar a redação do § 1.º do artigo 17­O da Lei  n.° 6.938, de 1981,  tornou obrigatória a apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA  para efeito da isenção do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR. Vejamos:  Art.  17­O.  Os  proprietários  rurais  que  se  beneficiarem  com  redução  do  valor  do  Imposto  sobre  a  Propriedade  Territorial  Rural  –  ITR,  com base  em Ato Declaratório Ambiental  ­ ADA,  deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11  do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título  de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000)  [...]   §  1o  A  utilização  do  ADA  para  efeito  de  redução  do  valor  a  pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de  2000)  [...] (g.n.)  Com  isso,  após  o  advento  da  Lei  n.°  10.165,  de  2000,  o  Ato Declaratório  Ambiental  ­  ADA,  protocolizado  junto  ao  Instituto  Brasileiro  do  Meio  Ambiente  e  dos  Recursos Naturais Renováveis ­ Ibama, passou a ser exigível para que se possa excluir, da base  de cálculo do ITR, as áreas isentas, dentre as quais a área de preservação permanente, objeto da  divergência no julgamento presente processo.   De acordo com o texto legal, o Ibama, órgão de controle do meio ambiente,  deve  ser  informado  sobre  as  áreas  de  preservação  permanente  existentes  dentro  das  propriedades  rurais,  por meio  do ADA,  eis  que,  com base  nas  informações  constantes  desse  documento,  os  proprietários  rurais  podem  gozar  da  isenção  do  Imposto  sobre  a  Propriedade  Territorial Rural – ITR.   Ficou assim fixada uma presunção  legal em favor do contribuinte: uma vez  apresentado o ADA, no qual estejam declaradas áreas isentas, comprovadas ficam essas áreas  para fins de isenção do ITR. No entanto, a lei não tratou de uma presunção absoluta.  Com efeito, o Decreto n.º 4.382, de 2002, que regulamentou a  tributação, a  fiscalização, a arrecadação e a administração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural­ ITR, previu que, com base no Ato Declaratório Ambiental devidamente protocolizado, o Ibama  pode  realizar  vistoria  por  amostragem  nos  imóveis  rurais,  para  a  exclusão  da  área  de  preservação  permanente  da  área  tributável  do  imóvel  rural  e,  caso  a  área  declarada  pelo  proprietário não coincida com aquelas levantadas por seus técnicos, novo ADA será lavrado e  encaminhado à Secretaria da Receita Federal do Brasil. Confira­se:  Art.10.  Área  tributável  é  a  área  total  do  imóvel,  excluídas  as  áreas (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, §1º, inciso II):   I­de preservação permanente  (Lei nº 4.771, de 15 de  setembro  de 1965­Código Florestal, arts. 2º e 3º, com a redação dada pela  Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989, art. 1º);  [...]  §3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel  rural a que se refere o caput deverão:  Fl. 199DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY Processo nº 10680.720711/2009­92  Acórdão n.º 2101­002.217  S2­C1T1  Fl. 199          16  I­ser  obrigatoriamente  informadas  em  Ato  Declaratório  Ambiental­ADA,  protocolado  pelo  sujeito  passivo  no  Instituto  Brasileiro  do  Meio  Ambiente  e  dos  Recursos  Naturais  Renováveis­IBAMA,  nos  prazos  e  condições  fixados  em  ato  normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17­O, §5º,  com  a  redação  dada  pelo  art.  1º  da  Lei  nº  10.165,  de  27  de  dezembro de 2000); e   II­estar enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos I a VI  em 1º de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do ITR.   §4º  O  IBAMA  realizará  vistoria  por  amostragem  nos  imóveis  rurais que tenham utilizado o ADA para os efeitos previstos no  §3º  e,  caso  os  dados  constantes  no  Ato  não  coincidam  com  os  efetivamente  levantados  por  seus  técnicos,  estes  lavrarão,  de  ofício,  novo  ADA,  contendo  os  dados  reais,  o  qual  será  encaminhado  à  Secretaria  da  Receita  Federal,  que  apurará  o  ITR  efetivamente  devido  e  efetuará,  de  ofício,  o  lançamento  da  diferença de  imposto com os acréscimos  legais cabíveis  (Lei nº  6.938, de 1981, art. 17­O, §5º, com a redação dada pelo art. 1º  da Lei nº 10.165, de 2000).  É, portanto, o ADA, protocolizado  junto a ao  Ibama, documento hábil  para  comprovar  a  existência  e  a  regularidade  da  área  de  preservação  permanente  existente  no  interior  do  imóvel  rural.  Sua  entrega  naquele  Instituto  permite  presumir  que  as  informações  nele  prestadas  são  verdadeiras,  até  que  o  órgão  ambiental  promova  (ou  não)  a  vistoria  nos  imóveis rurais que tenham utilizado o ADA para os efeitos da isenção do ITR. Porém, uma vez  realizada  a  vistoria  e  apurado,  pelo  órgão  ambiental,  que  os  dados  constantes  no  Ato  não  coincidem com os efetivamente levantados por seus  técnicos, o  Ibama deve lavrar, de ofício,  novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal  do Brasil.  Caracteriza­se aqui, como visto, uma presunção legal relativa, na qual o fato  indiciário é a entrega do ADA ao órgão ambiental; o fato indiciado é que as áreas declaradas  coincidem  com  aquelas  constantes  dos  levantamentos  do  Ibama,  ficando,  portanto,  comprovadas  pela  só  protocolização  do Ato.  Por  essa  razão,  não  é  possível  entender  que  a  apresentação  de  laudo  técnico  junto  à Secretaria  da Receita Federal  do Brasil  poderia  servir  para  a mesma  finalidade,  isto  é,  comprovar  a  área  de  preservação  permanente,  eis  que  a  lei  exige que a declaração dessas áreas seja feita junto ao órgão ambiental competente.  Nesse  diapasão,  caso  o  contribuinte  tenha  protocolizado  ADA  junto  ao  Ibama,  comprovada  está,  por  presunção  legal,  a  área  de  preservação  permanente  nele  declarada,  até  que,  em  vistoria,  o  órgão  ambiental  comprove  a  imprecisão  das  informações  prestadas pelo proprietário (e tome as providências necessárias).   No entanto, na hipótese de o contribuinte não ter entregue o ADA ao órgão  ambiental  até  o  início  da  fiscalização,  tal  presunção  não  se  estabelece,  vez  que  não  terá  ocorrido o fato indiciário, consubstanciado na protocolização do ADA, que daria ensejo ao fato  indiciado, de que as áreas de preservação permanente estão comprovadas, por coincidirem com  aquelas efetivamente levantadas pelo Ibama. E, não se estabelecendo esta presunção em favor  do contribuinte, impõe­se a prova de que a área de preservação permanente declarada coincide,  efetivamente, com aquela levantada pelo órgão ambiental.  Fl. 200DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY Processo nº 10680.720711/2009­92  Acórdão n.º 2101­002.217  S2­C1T1  Fl. 200          17 Não  se  estabelecendo  a  presunção,  em  razão  de  não  ter  o  contribuinte  cumprido  a  exigência  legal  de  apresentar  o  ADA  ao  Ibama,  antes  do  início  da  ação  fiscal,  torna­se necessário que o órgão de controle ambiental  se manifeste,  atestando a precisão das  áreas  de  preservação  permanente  declaradas  pelo  contribuinte,  para  que,  com  base  nessa  manifestação, possa ser conferida a isenção do ITR.  Esta é a situação configurada no presente processo. A parte  interessada não  protocolizou o Ato Declaratório Ambiental junto ao Ibama em data anterior à do início da ação  fiscal  e,  por  esse  motivo,  não  pode  se  beneficiar  da  presunção  legal,  eis  que  esta  não  se  estabeleceu. Por esse motivo, para que possa ter a isenção do ITR sobre a área de preservação  permanente,  é  necessário  que  o  Ibama  ateste  que  a  área  declarada  pelo  contribuinte  efetivamente  coincide  com  a  área  de  preservação  permanente  apurada  nos  levantamentos  daquele órgão.  Sendo assim, no caso sob análise, não estamos a questionar a confiabilidade e  a precisão dos documentos apresentados pelo contribuinte com o intuito de comprovar a área  de preservação permanente.   Também  não  estamos  afirmando  que  o  Ato  Declaratório  Ambiental  meramente  protocolado  junto  ao  Ibama  seria  mais  preciso  ou  mais  confiável  que  esses  documentos,  emitidos  por  profissional  habilitado  e  até  mesmo  aceitos  pelo  próprio  órgão  ambiental na comprovação da área de preservação permanente, tal como se pode constatar da  resposta à pergunta n.º 40 (“Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência  das áreas de interesse ambiental?”), do “Manual de Perguntas e Respostas” editado pelo Ibama,  já citado no voto do Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka.  Nosso  entendimento  é  que,  não  tendo  sido  apresentado  ao  Ibama  o  ADA  tempestivo,  de  modo  a  constituir  a  presunção  de  regularidade  dessa  área  em  favor  do  contribuinte,  impõe­se  a  comprovação  de  que  a  área  de  preservação  permanente  declarada  coincide com as áreas assim classificadas pelo Ibama, em levantamentos feitos pelo Instituto.  Desse modo, não  tendo havido entrega do ADA ao órgão  ambiental,  assim  como ocorreu  na hipótese,  caso  o  interessado  tivesse  a  intenção,  tal  como  ficou  patente  nos  autos,  de  comprovar  a  área  de  preservação  permanente  por  meio  de  laudo  técnico,  esse  documento  deveria  ter  sido  submetido  ao  crivo  Ibama,  para  que  este,  comparando  as  áreas  descritas  no  referido  laudo  com  aquelas  constantes  de  seus  levantamentos,  pudesse  se  manifestar sobre elas, de modo a fazer prova inequívoca no processo administrativo fiscal.  Sendo assim, não se trata de vincular a isenção do ITR à apresentação de um  determinado  documento,  no  caso,  o  ADA,  nem  de  impossibilitar  a  produção  da  prova  da  existência e regularidade da área de preservação permanente nos casos em que referida prova  não tenha sido providenciada antes de determinado marco temporal.   Caso  o  órgão  ambiental  não  tenha  sido  informado  da  área  de  preservação  permanente tempestivamente, por meio do documento próprio (ADA), uma vez iniciada a ação  fiscal,  na  qual  tal  área  é  questionada  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  torna­se  necessário que se comprove que o órgão de controle ambiental atestou a coincidência da área  de  preservação  permanente  declarada  pelo  contribuinte  com  aquela  constante  em  seus  levantamentos, eis que não se estabeleceu a presunção legal em favor do contribuinte.  Fl. 201DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY Processo nº 10680.720711/2009­92  Acórdão n.º 2101­002.217  S2­C1T1  Fl. 201          18 Conforme  adrede  explicitado,  o  ADA  entregue  tempestivamente  ao  órgão  ambiental  constitui  uma  presunção  de  que  a  área  de  preservação  permanente  nele  declarada  está  corretamente  informada.  Todavia,  nas  circunstâncias  em  que  tal  condição  não  foi  cumprida,  isto  é,  se  o  contribuinte  não  entregou  esse  documento  ao  órgão  ambiental,  a  presunção  não  opera  em  seu  favor,  e  fica  o  contribuinte  com  o  ônus  de  comprovar  que  mencionadas áreas efetivamente coincidem com as áreas de preservação permanente constantes  dos levantamentos do órgão regulador do meio ambiente.  Na  hipótese  dos  autos,  o  contribuinte,  que  não  protocolou  ADA  junto  ao  órgão regulador do meio ambiente, pretende, para o fim de obter  isenção do Imposto sobre a  Propriedade Territorial Rural, comprovar a área de preservação permanente do seu imóvel rural  mediante  a  apresentação  de  laudo  técnico  no  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal.  Todavia, conforme visto anteriormente, este documento não é suficiente para comprovar que as  áreas  de  preservação  permanente  declaradas  pelo  contribuinte  coincidem  com  aquelas  constantes de levantamento do órgão de controle ambiental.  Diante das  razões colocadas,  tendo em vista que:  (i) não  ficou comprovado  nos  autos  que,  por  meio  de  ADA,  a  área  de  preservação  permanente  que  o  contribuinte  pretende seja declarada isenta foi tempestivamente informada ao Ibama a fim de permitir que  aquele órgão ambiental promovesse (ou não) a vistoria à qual se refere o § 4.º do artigo 10 do  Decreto n.º 4.382, de 2002, estabelecendo a presunção legal que as áreas estão de acordo com  as áreas de preservação permanente constantes dos levantamentos do Ibama; e (ii) também não  ficou  comprovado  que,  na  falta  de  cumprimento  da  exigência  legal,  o  órgão  de  controle  do  meio ambiente tenha reconhecido a área de preservação permanente que o laudo técnico aponta  existir na propriedade rural sob análise porque tal área coincide com aquela que consta de seus  levantamentos, não há como reconhecer a isenção das áreas declaradas, mesmo que constantes  de laudo técnico.  Sendo  assim,  os  documentos  acostados  não  comprovam  o  reconhecimento,  pelo órgão ambiental, da área indicada como de preservação permanente para o fim de excluí­ la da apuração do ITR do exercício 2006. Por esse motivo, não é possível excluir, da área total  do imóvel rural, a área declarada a esse título, para o cômputo do ITR 2006.   Conclusão  Ante  todo  o  exposto,  voto  por  dar  provimento  em  parte  ao  recurso  para  restabelecer a área de RPPN de 175,33 ha.    (assinado digitalmente)  CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY  Redatora designada                Fl. 202DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY

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Numero do processo: 19515.721154/2011-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2008 DEBCAD’S NÃO IMPUGNADOS Quano da impugnação não há expressa manifestação contra lançamento realizado em Auto de Infração há de se reconhecer a aceitação tácita. No presente caso, na impugnação vê-se que dois AIOA´s DEBCAD´s, não foram relacionados e tão pouco houve defesa expresa. O Decreto 70.235 de 1972 artigo ** menciona que matéria não impunada tempestivamente é questão consolidada. ii) DO ERRO FORMAL QUE VICÍA O FEITO Não sendo localizado a ocorrência do mencionado erro formal, não há de ser conhecida a matéria. No presente caso alega a Recorrente que houve erro formal onde o RDA verificou documentos diverso do período fiscalizado. Todavia, tal fato não foi verificado, já que todos os lançamentos foram devidamente relacionados e de conformidade com os documentos apresentados. DA DELICADA SITUAÇÃO FINANCEIRA QUE ENVOLVE A RECORRENTE Alega a Recorrente que se encontra e situação financeira difícil, e, confessa que não recolheu as contribuições previdenciárias apontadas. Todavia, não procurou assegurar-se de comportamentos legais para eximir-se de responsabilidades, tais como confissão expontânea, pedido de concordata, falência e outros. Mas, como nada disto foi providenciado o crime previdenciário está configurado. DA AUSÊNCIA DE MÁ-FÉ - DESCUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Comportamento oriundo de vontade subjetiva de impossível comprovação, não tráz ao julgador convencimento, mas, o que esclarece e dá razão ao seu ‘decisum’ são as peças frias dos autos e a determinação da norma. Diz a Recorrente que não usou de má-fé para preencher as GFIP’s, contumazmente, erradas, sendo isto capaz de desfigurar a má-fé, e, portnato o dever de cumprimento das obrigações. DO DESRESPEITO AO PRINCÍPIO DO FORMALISMO MODERADO Necessidade de ocorência do formalismo moderado em proveito e respeito ao administrato. No caso em tela a Recorrente quer que o princípio do formalismo moderado ou informalismo seja declarado a favor do administrado, já que ele vem expresso na Lei 9.784 de 1999. Diz que o erro no preenchimento das GFIP’s tratou-se apenas de erros formais, sem intenção de fraudar a Previdência. Todavia, mais um quesito sem razão, isto porque a Leigislação é clara ao tratar da espécie de erro, impondo-lhe sanções. DAS GFIPS - PREENCHIMENTO EQUIVOCADO. INCAPAZ DE GERAR OBRIGAÇÃO Erros e equívocos existentes, ainda que sem sem intenção de fraudar o Fisco, está previsto em lei com a devida repercução. Em havendo erro no preenchimento, face ao princípio da legalidade, onde há previsão para sanção para este tipo de ‘equívoco’ correto está a autuação. DAS CONTAS PARTICULARES DOS SÓCIOS A legislação é clara, e, na clareza da lei, cessa sua interpretação. E assim, vê-se que de acordo com a Lei n.º 8212/91 - artigo 28, todo valor recebido pelo contribuinte individual - sócio, integra o salário de contribuição para fins previdenciários. Inclusive valores das despesas pessoais e particulares das pessoas físicas dos sócios. E mais, ‘vide’ o artigo 22 da Lei n.º 8212/91 onde está definida a contribuição da empresa sobre a remuneração do contribuinte individual: DOS VALORES RETIRADOS E UTILIZADOS PELOS SÓCIOS Todo o sócio tem direito a fazr retirada, conforme disposto no artigo 1.007 do CC e toda retirada tem que recolher a contribuição previdenciária, conforme dispoõe o artigo 5º, inciso II, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, na redação do Decreto nº 4.729/2003, onde, são tributáveis os valores totais pagos ou creditados aos sócios, ainda que a título de antecipação de lucro da pessoa jurídica, quando não houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social, ou quando se trata de adiantamento de resultado ainda não apurado por meio de demonstração de resultados do exercício. MULTA. Multa não é matéria de ‘Ordem Pública’, razão pela qual somente deverá ser julgada se houver expressa indignação da Recorrente com relação a multa aplicada pela Fiscalização e Julgada pela DRJ de origem. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-003.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por voto de qualidade\; a) em negar provimento ao recurso, na questão da retificação da multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em retificar a multa; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Declaração de voto: Mauro José Silva. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Adriando Gonzales Silvério, Mauro José Silva, Wilson Antonio de Souza Correa e Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por voto de qualidade\; a) em negar provimento ao recurso, na questão da retificação da multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em retificar a multa; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Declaração de voto: Mauro José Silva. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Adriando Gonzales Silvério, Mauro José Silva, Wilson Antonio de Souza Correa e Leonardo Henrique Pires Lopes.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2180; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T1  Fl. 2          1 1  S2­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19515.721154/2011­28  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2301­003.274  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  23 de janeiro de 2013  Matéria  CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA  Recorrente  BASSO COMPONENTES AUTOMOTIVOS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2008  DEBCAD’S NÃO IMPUGNADOS  Quano  da  impugnação  não  há  expressa  manifestação  contra  lançamento  realizado em Auto de Infração há de se reconhecer a aceitação tácita.  No presente  caso,  na  impugnação  vê­se  que  dois AIOA´s DEBCAD´s,  não  foram relacionados e tão pouco houve defesa expresa.  O Decreto  70.235  de  1972  artigo  ** menciona  que matéria  não  impunada  tempestivamente é questão consolidada.  ii) DO ERRO FORMAL QUE VICÍA O FEITO  Não sendo localizado a ocorrência do mencionado erro formal, não há de ser  conhecida a matéria.  No  presente  caso  alega  a  Recorrente  que  houve  erro  formal  onde  o  RDA  verificou documentos diverso do período fiscalizado.  Todavia,  tal  fato  não  foi  verificado,  já  que  todos  os  lançamentos  foram  devidamente  relacionados  e  de  conformidade  com  os  documentos  apresentados.  DA  DELICADA  SITUAÇÃO  FINANCEIRA  QUE  ENVOLVE  A  RECORRENTE  Alega a Recorrente que se encontra e situação financeira difícil, e, confessa  que não recolheu as contribuições previdenciárias apontadas.  Todavia, não procurou assegurar­se de comportamentos legais para eximir­se  de responsabilidades, tais como confissão expontânea, pedido de concordata,  falência e outros.  Mas,  como  nada  disto  foi  providenciado  o  crime  previdenciário  está  configurado.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 11 54 /2 01 1- 28 Fl. 979DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 09/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA     2 DA AUSÊNCIA DE MÁ­FÉ ­ DESCUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES  ACESSÓRIAS  Comportamento  oriundo  de  vontade  subjetiva  de  impossível  comprovação,  não tráz ao julgador convencimento, mas, o que esclarece e dá razão ao seu  ‘decisum’ são as peças frias dos autos e a determinação da norma.  Diz  a  Recorrente  que  não  usou  de  má­fé  para  preencher  as  GFIP’s,  contumazmente, erradas, sendo isto capaz de desfigurar a má­fé, e, portnato o  dever de cumprimento das obrigações.  DO DESRESPEITO AO PRINCÍPIO DO FORMALISMO MODERADO  Necessidade de ocorência do formalismo moderado em proveito e respeito ao  administrato.  No caso em tela a Recorrente quer que o princípio do formalismo moderado  ou  informalismo  seja  declarado  a  favor  do  administrado,  já  que  ele  vem  expresso na Lei 9.784 de 1999.  Diz  que  o  erro  no  preenchimento  das  GFIP’s  tratou­se  apenas  de  erros  formais, sem intenção de fraudar a Previdência.  Todavia, mais  um  quesito  sem  razão,  isto  porque  a  Leigislação  é  clara  ao  tratar da espécie de erro, impondo­lhe sanções.  DAS  GFIPS  ­  PREENCHIMENTO  EQUIVOCADO.  INCAPAZ  DE  GERAR OBRIGAÇÃO  Erros e equívocos existentes, ainda que sem sem intenção de fraudar o Fisco,  está previsto em lei com a devida repercução.  Em havendo erro no preenchimento, face ao princípio da legalidade, onde há  previsão para sanção para este tipo de ‘equívoco’ correto está a autuação.  DAS CONTAS PARTICULARES DOS SÓCIOS  A legislação é clara, e, na clareza da lei, cessa sua interpretação. E assim, vê­ se que de acordo com a Lei n.º 8212/91 ­ artigo 28, todo valor recebido pelo  contribuinte  individual  ­  sócio,  integra  o  salário  de  contribuição  para  fins  previdenciários.  Inclusive  valores  das  despesas  pessoais  e  particulares  das  pessoas físicas dos sócios.  E  mais,  ‘vide’  o  artigo  22  da  Lei  n.º  8212/91  onde  está  definida  a  contribuição da empresa sobre a remuneração do contribuinte individual:  DOS VALORES RETIRADOS E UTILIZADOS PELOS SÓCIOS  Todo o sócio tem direito a fazr retirada, conforme disposto no artigo 1.007 do  CC e toda retirada tem que recolher a contribuição previdenciária, conforme  dispoõe o artigo 5º, inciso II, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, na  redação  do  Decreto  nº  4.729/2003,  onde,  são  tributáveis  os  valores  totais  pagos ou creditados aos sócios, ainda que a título de antecipação de lucro da  pessoa  jurídica,  quando  não  houver  discriminação  entre  a  remuneração  decorrente do trabalho e a proveniente do capital social, ou quando se trata de  adiantamento de resultado ainda não apurado por meio de demonstração de  resultados do exercício.  MULTA.  Fl. 980DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 09/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 19515.721154/2011­28  Acórdão n.º 2301­003.274  S2­C3T1  Fl. 3          3 Multa não é matéria de ‘Ordem Pública’, razão pela qual somente deverá ser  julgada  se  houver  expressa  indignação  da  Recorrente  com  relação  a multa  aplicada pela Fiscalização e Julgada pela DRJ de origem.  Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por voto de qualidade\; a) em negar provimento ao  recurso, na questão da retificação da multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os  Conselheiros Mauro José Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes e Adriano Gonzáles Silvério,  que votaram em retificar a multa; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao  Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Declaração  de voto: Mauro José Silva.      (assinado digitalmente)  MARCELO OLIVEIRA  (assinado digitalmente)  WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcelo  Oliveira,  Bernadete de Oliveira Barros, Adriando Gonzales Silvério, Mauro José Silva, Wilson Antonio  de Souza Correa e Leonardo Henrique Pires Lopes.   Fl. 981DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 09/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA     4 Relatório  Trata­se os  autos do presente processo  administrativo de Autos de  Infração  (AI´s) a seguir descritos, formalizados com base nos mesmos elementos de prova:  AIOP DEBCAD nº  51.007.6645, Auto  de  Infração  de Obrigação Principal,  relativo  às  contribuições  dos  segurados  empregados,  destinadas  à  Seguridade  Social,  arrecadadas  através  de  desconto  e  não  recolhidas,  no  montante  de  R$  175.903,18  (cento  e  setenta  e  cinco  mil  e  novecentos  e  três  reais  e  dezoito  centavos),  incluindo  juros  e  multa,  abrangendo as competências 01/2009 a 03/2009, consolidado em 05/09/2011;  AIOP DEBCAD nº  51.007.6653, Auto  de  Infração  de Obrigação Principal,  referente  às  contribuições  devidas  à  Seguridade  Social,  da  parte  da  empresa,  e  para  o  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrentes  dos  riscos  ambientais  do  trabalho  (GILRAT),  incidentes  sobre  as  remunerações  pagas  a  segurados  empregados,  no montante  de R$  578.710,65  (quinhentos  e  setenta e oito mil e setecentos e dez reais e sessenta e cinco centavos), incluindo juros e multa,  abrangendo as competências 01/2009 a 04/2009, consolidado em 05/09/2011;  AIOP DEBCAD nº  51.007.6661: Auto  de  Infração  de Obrigação Principal,  relativo às contribuições destinadas às Outras Entidades e Fundos – Terceiros, incidentes sobre  as  remunerações  pagas  a  segurados  empregados,  no  montante  de  R$  152.886,72  (cento  e  cinqüenta  e  dois mil  e  oitocentos  e  oitenta  e  seis  reais  e  setenta  e  dois  centavos),  incluindo  juros e multa, abrangendo as competências 01/2009 a 04/2009, consolidado em 05/09/2011;  AIOP DEBCAD nº  51.007.6670: Auto  de  Infração  de Obrigação Principal,  relativo às contribuições dos contribuintes individuais sócios, destinadas à Seguridade Social,  não arrecadadas e não recolhidas, no montante de R$ 8.339,42 (oito mil e trezentos e trinta e  nove  reais  e quarenta e dois  centavos),  incluindo  juros e multa,  abrangendo as competências  01/2009 a 04/2009, consolidado em 05/09/2011;  AIOP DEBCAD nº  51.007.6688: Auto  de  Infração  de Obrigação Principal,  referente às contribuições devidas à Seguridade Social, da parte da empresa, incidentes sobre o  total  das  remunerações  pagas,  devidas,  ou  creditadas,  no  decorrer  do  mês,  aos  sócios  (pro  labore), no montante de R$ 104.792,77 (cento e quatro mil e setecentos e noventa e dois reais e  setenta  e  sete  centavos),  incluindo  juros  e  multa,  abrangendo  as  competências  01/2009  a  04/2009, consolidado em 05/09/2011;  AIOA DEBCAD nº 51.007.6629: Auto de Infração de Obrigação Acessória,  lavrado por infração ao artigo 4º, caput, da Lei nº 10666/2003, e artigo 216, inciso I, alínea “a”,  do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3048/99, código de  fundamento legal 59, no montante de R$ 1.524,43 (um mil e quinhentos e vinte e quatro reais e  quarenta e três centavos), consolidado em 05/09/2011;  AIOA DEBCAD nº 51.007.6637: Auto de Infração de Obrigação Acessória,  lavrado  por  infração  ao  artigo  32,  inciso  I,  da  Lei  nº  8212/91,  c/c  o  artigo  225,  inciso  I,  e  parágrafo 9º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3048/99,  código de fundamento  legal 30, no montante de R$ 1.524,43 (um mil e quinhentos e vinte e  quatro reais e quarenta e três centavos), consolidado em 05/09/2011;  Fl. 982DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 09/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 19515.721154/2011­28  Acórdão n.º 2301­003.274  S2­C3T1  Fl. 4          5 O Relatório Fiscal, comum a todos os AI’s, noticia que: i) Os fatos geradores  das  contribuições  previdenciárias  e  de Terceiros  constam  da  contabilidade  da  empresa  e  em  Folhas  de  Pagamento,  e  não  foram  devidamente  declarados  em GFIP;  ii) A  empresa  se  fez  contumaz  em  substituir  as  suas GFIP´s,  omitindo  as  contribuições  previdenciárias  de  todo  o  conjunto de seus segurados empregados e contribuintes individuais – sócios; iii) No período de  06/2008 a 04/2009 a empresa entregou as GFIP´s, inclusive as retificadoras, com informações  não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, e, ao mesmo  tempo,  não  recolheu  a  integralidade  das  contribuições  devidas;  iv)  Foi  emitida  RFFP  –  Representação  Fiscal  para  Fins  Penais,  em  razão  da  configuração,  em  tese,  dos  crimes  de  Sonegação de Contribuição Previdenciária tipificado no artigo 337A, inciso I. do Código Penal  – Decreto  nº  2848/40,  e  o  crime  de Apropriação  Indébita  Previdenciária,  previsto  no  artigo  168A, inciso I, do Código Penal, com a redação da Lei nº 9983/2000; v) Não foram declarados  em GFIP os  valores  pagos  aos Contribuintes  Individuais Sócios,  período  junho 2008  a  abril  2009,  lançados  na  Conta  ATIVO  01.02.01.04.01  CRÉDITOS  COM  PESSOAS  LIGADAS  1783 Felício Basso, 1784 Marcos Basso, 1785 Mauricio Basso: "Ref. Movto Contas a Pagar",  em vez de ter sido constituído em título próprio PróLabore ­ DESPESAS, pagos praticamente  semanalmente,  sempre  estabelecidos  com  valor  de  R$  5.000,00  (cinco  mil  reais),  mas  há  valores  superiores,  contra  Bancos.  Existem  também  pagamentos  diversos  que  representam  despesas estritamente particulares e pessoais dos Sócios, como "INSS SITIO SÃO PAULO DA  ILHA  DO  SUL,  TRIBUTOS  FELÍCIO  INSS,  SITIO  SÃO  PAULO/  PATRICIA,  IPTU  SOROCABA,  MARIANA  RODRIGUES  PET,  HERIBERTO,  CASA  DA  D.  LEILA,  PREFEITURA, ROMILDO J DOS SANTOS FILHO/MAURICIO, REEMBOLSO IPTU"; vi)  Para referendar que se trata de PróLabore não declarado na contabilidade, houve lançamentos  confessos e constituídos nestas mesmas contas com a denominação contábil "PROLABORE",  tanto  para  FELÍCIO BASSO, MARCOS BASSO,  e MAURICIO BASSO,  em  novembro  de  2009,  como  se  fosse  repetição  de  valores  anteriormente  lançados  (cópia  impressa  do Razão  2008 e 2009, em anexo); vii) Existem contradições nos  lançamentos contábeis, na DIPJ Ano  Base 2008 e 2009, na DEMONSTRAÇÃO DOS LUCROS E PREJUÍZOS ACUMULADOS, e  na DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO.  Noticiada  dos  AI’s  supra,  tempestivamente  interpôs  Impugnação  com  suas  razões, cuja qual foi julgada improcedente pela DRJ1­SP.  Em  23  de  abril  de  2012  recebeu  a  DN  e  em  21  de  maio  do  mesmo  ano  interpôs  o  Presente  Recurso  Voluntário,  alegando:  i)  Que  todos  DEBCAD’s  foram  impugnados;  ii)  Do  erro  formal  que  vicía  a  feito;  iii)  Da  delicada  situação  financeira  que  envolve a Recorrente; iv) Da ausência de má­fé – descumprimento das obrigações acessórias;  v) Do desrespeito ao princípio do formalismo moderado; vi) Que as GFIP’s forma devidamente  preenchidas;  vii)  Das  contas  particulares  dos  sócios;  viii)  Dos  valores  retirados  e  utilizados  pelos sócios. Pede ao final provimento do presente Recurso.  Eis em apertada síntese o relato.  Fl. 983DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 09/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA     6 Voto             Conselheiro Wilson Antônio de Souza Côrrea ­ Relator  Sendo tempestivo e acudindo todas as demais exigências processuais, merece  ser acolhido o presente recurso aviado, passando­se à sua análise.  i) QUE TODOS DEBCAD’S FORAM IMPUGNADOS  Segundo  a  Recorrente  na  peça  de  impugnação  todos  os  AI’s  foram  impugnados.  Entretanto, numa análise percuciente da  impugnação vê­se que os Autos de  Infração  lavrados  por  descumprimento  de  obrigação  acessória  AIOA´s  DEBCAD´s  nº  51.007.6629 (não arrecadação, mediante desconto das remunerações, das contribuições de seus  contribuintes  individuais  sócios),  e nº 51.007.6637  (não preparação das  folhas de pagamento  das remunerações pagas ou creditadas a todos os seus segurados a seu serviço, inclusive seus  contribuintes individuais sócios), não foram relacionados e tão pouco houve defesa expresa.  O Decreto  70.235  de  1972  artigo  ** menciona  que matéria  não  impunada  tempestivamente é questão consolidada.  Diante disto,  tenho que não houve a defesa  específica da matéria  constante  nos mencionados AI’s, razão pela qual não há razão a Recorrente.   ii) DO ERRO FORMAL QUE VICÍA O FEITO  Alega  a  Recorrente  que  no  Relatório  de  Documentos  Apresentados  RDA,  ocorreu  erro  formal,  isto  porque  consta  de  parcelas  que  foram  deduzidas  das  contribuições  apuradas, constituídas de recolhimento, mas de período diverso.  Todavia, mais uma vez não assiste razão a Recorrente, uma vez que tal fato  não  foi  verificado,  já  que  todos  os  lançamentos  foram  devidamente  relacionados  e  de  conformidade com os documentos apresentados.  Portanto, não há razão a Recorrente, neste quesito.  iii)  DA  DELICADA  SITUAÇÃO  FINANCEIRA  QUE  ENVOLVE  A  RECORRENTE  Confessa que  não  recolheu  as  contribuições  previdenciárias  apontadas, mas  não por vontade própria, porém, por conta de dificuldade financeira que vem sendo assolada a  um longo período de tempo, razão assaz para desconfigurar crime.  Esta  situação  é  um  tanto  quanto  delicada,  haja  vista  que  envolve  comportamentos oriundos de intenção subjetiva de difícil, talvez impossível comprovação.  Todavia,  ao  que  parece  realmente  havia  a  cries  financeira  instalada  na  Recorrente, mas, isto não a isenta de responsabilidades inerentes de uma empresa.  Fl. 984DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 09/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 19515.721154/2011­28  Acórdão n.º 2301­003.274  S2­C3T1  Fl. 5          7 Ademais,  há  meios  idôneos  e  Jurídicos  capazes  de  a  eximir  de  qualquer  responsabilidade criminal se tomados em tempos oportunos, tais como insolvência, falência e  outros.  Mas,  como  nada  disto  foi  providenciado,  tenho  que  o  crime  previdenciário  está configurado.  iv)  DA  AUSÊNCIA  DE  MÁ­FÉ  –  DESCUMPRIMENTO  DAS  OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Da  mesma  forma  do  item  anterior  a  Recorrente  alega  atos  oriundos  de  vontades subjetivos de, como alhures  tido, difícil,  senão  impossível comprovação,  razão pela  qual não há de ser feito uma análise com segurança, até porque, nos autos do processo não se  vê nada atrelado ao alegado, e, para o julgador, o que esclarece e dá razão ao seu ‘decisum’ são  as peças frias dos autos e a determinação da norma.  Diante  de  tal  fato,  ainda  que  não  tenha  ocorrido  a  alegada má­fé,  firmo  o  decidir nas peças que compoem os autos e a clareza da lei.  Portanto,  o  que  importa  é  que  houve  afronta  a  legislação  com  o  descumprimento  das  obrigações  tanto  principal  como  acessória,  tipificada  na  legislação  específica, mormente a Lei 8.212 de 1991.  v) DO DESRESPEITO AO PRINCÍPIO DO FORMALISMO MODERADO  Diz a Recorrente que o princípio do formalismo moderado ou informalismo a  favor  do  administrado  vem  expresso  na  Lei  9.784  de  1999,  ao  prescrever  a  necessidade  de  formas simples de modo a facilitar o entendimento do administrado.  Colaciona doutrina ejurisprudência a favor de seu enunciado.  Diz  que  o  erro  no  preenchimento  das  GFIP’s  tratou­se  apenas  de  erros  formais, sem intenção de fraudar a Previdência.  Todavia, mais  um  quesito  sem  razão,  isto  porque  a  Leigislação  é  clara  ao  tratar da espécie de erro, impondo­lhe sanções.  Por  fim,  insta  lembrar  que  a  autuação  constatou  que  se  trata  de  fatos  geradores  das  contribuições  previdenciárias  e  de  terceiros  que  não  foram  devidamente  declarados em GFIP, contumazmente.  Portanto, também nesta questão, sem razão a Recorrente.  vi) DAS GFIPS  Alega mais  uma  vez  que  o  que  ocorreu  foi  apenas  um  equívoco,  um  erro  formal  sem  intenção  de  fraudar  o  Fisco,  pois  “ao  formalizar  a  rescisão  de  um  empregado,  inseria  apenas  o  funcionário  da  rescisão  com o Código O,  sem  saber  que  este procedimento  acarretava  na  substituição  dos  valores  informados  sempre  que  enviava  a  SEFIP  retificadora,  restando apenas os saldos da última retificação, não ficando em conformidadecom o valor real  da folha completa”. Deste modo, não seria correta a afirmação de que a empresa não declarou  da forma devida em GFIP à época do fato gerador, omitindo contribuições previdenciárias de  Fl. 985DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 09/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA     8 todo o conjunto de seus segurados empregados e contribuintes individuais. A empresa jamais  omitiu ou não declarou em sua contabilidade.  No  entanto  há  provas  sub  stanciais  nos  autos  que  demonstram  a  lesão  perpetrada, inclusive com GFIP retificadora errada.  Então,  em havendo erro no preenchimento,  face  ao princípio da  legalidade,  onde há previsão para  sanção para  este  tipo de  ‘equívoco’  como alega  a Recorrente,  correto  está a autuação.  Sem razão a Recorrente neste sentido.   vii) DAS CONTAS PARTICULARES DOS SÓCIOS  Novamente  trata  da  situação  financeira  de  difícil  grau  porq  que  passava  a  Recorrente,  razão pela qual os  sócios  resolveram pagar  suas contas particulares por conta da  empresa.  Todavia,  não  se  trata  de  procedimento  ilegal,  ao  contrário,  trata­se  de  procedimento que é capaz de gerar a contribuição previdenciária.  Neste sentido a legislação é clara, e, na clareza da lei, cessa sua interpretação.  E  assim,  vê­se  que  de  acordo  com  a  Lei  n.º  8212/91,  todo  valor  recebido  pelo  contribuinte  individual – sócio, integra o salário de contribuição para fins previdenciários. Inclusive valores  das despesas pessoais e particulares das pessoas físicas dos sócios.  Art. 28. Entende­sepor saláriodecontribuição:  (...)  III  parao  contribuinte  individual:  a  remuneração  auferida  em  uma ou mais  empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria,  durante o mês,observado o limite máximo a que se refere o § 5o;  (Redação dada pela Lei nº9.876, de 1999).  E  mais,  ‘vide’  o  artigo  22  da  Lei  n.º  8212/91  onde  está  definida  a  contribuição da empresa sobre a remuneração do contribuinte individual:  Art.  22.  A  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à  Seguridade Social, alémdo disposto no art. 23, é de:  (...)  III  vinte  por  cento  sobre  o  total  das  remunerações  pagas  ou  creditadas a  qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes  individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876,  de 1999).  E conforme o artigo 4º da Lei nº 10.666/03, a empresa é obrigada a arrecadar  e recolher a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço:  Art. 4º Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do  segurado  Fl. 986DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 09/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 19515.721154/2011­28  Acórdão n.º 2301­003.274  S2­C3T1  Fl. 6          9 contribuinte  individual  a  seu  serviço,  descontando­a  da  respectiva  remuneração,  e  a  recolher  o  valor  arrecadado  juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia dois do mês  seguinte ao da competência.  (...)  Então, também neste quesito, sem razão a Recorrente.  viii) DOS VALORES RETIRADOS E UTILIZADOS PELOS SÓCIOS  Diz  que  houve  distribuição  de  lucros  de  conformidade  com  a  legislação  oriunda do CC, artigo 1.007.  O que lhe assite razão.  Mas,  mais  razão  tem  a  Fiscalização  ao  seguir  a  legislação  previdenciária,  pois, conforme o artigo 5º, inciso II, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, na redação do  Decreto nº 4.729/2003, são tributáveis os valores totais pagos ou creditados aos sócios, ainda  que a título de antecipação de lucro da pessoa jurídica, quando não houver discriminação entre  a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social, ou quando se trata de  adiantamento  de  resultado  ainda  não  apurado  por  meio  de  demonstração  de  resultados  do  exercício.  Assim, também neste quesito, sem razão a Recorrente.  MULTA  A Recorrente não se insurgiu espontaneamente contra a multa aplicada.  Antes  pensava  esse  singelo  Julgador  que  a  multa  era  matéria  de  Ordem  Pública,  e,  diante  de  tal  pensamento,  ainda  que  não  houvesse  expressamente  indignação  expressa pelo Recorrente quanto a aplicação multa, dela havia pronúncia.  Todavia, hodiernamente, evoluo o meu voto, no sentido que a multa não é de  Ordem Pública,  caindo, portanto,  na vala das matérias  comuns, pois,  quanto  as matérias não  suscitadas em sua defesa penso não constituir matéria de ordem pública,  já que estas normas  (ordem  pública)  são  aquelas  de  aplicação  imperativa  que  visam  diretamente  a  tutela  de  interesses da sociedade, o que não é o caso.  Neste diapasão tenho que a ‘Ordem Pública’ significa dizer do desejo social  de justiça, assim caracterizado porque há de se resguardar os valores fundamentais e essenciais,  para  construção  de  um  ordenamento  jurídico  ‘JUSTO’,  tutelando  o  estado  democrático  de  direito.  Por  outro  lado,  julgar matéria  não  questionada  e  que não  trate do  interesse  público é decisão ‘extra petita’, como são os casos da aplicação de multas não anatematizadas  pelos recorrentes, e que antes tinham o meu pronunciamento, independente de se objurgada em  peça recursiva ou não, mas que amadureço pela razão acima, haja vista não considerar a multa  matéria de ordem pública.    Fl. 987DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 09/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA     10 CONCLUSÃO  Diante  do  acima  exposto,  como  o  presente  Recurso  Voluntário  atende  os  pressupostos  de  admissibilidade,  tenho  que  o  mesmo  deve  ser  conhecido,  para  no  mérito  NEGAR­LHE PROVIMENTO, já que não houve imperfeição no lançamento.  É o voto.   (assinado digitalmente)  Wilson Antonio de Souza Corrêa – Relator                Fl. 988DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 09/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 19515.721154/2011­28  Acórdão n.º 2301­003.274  S2­C3T1  Fl. 7          11 Declaração de Voto  Conselheiro Mauro José Silva,     Apresentamos  nossas  considerações  sobre  a  noção  de  ordem  pública  e  sua  aplicação ao caso.  O  Relator  concluiu  que  a  aplicação  da  multa  mais  benéfica  não  deve  ser  apreciada de ofício, pois não se trata de questão de ordem pública, porém, com a devida vênia,  divergimos de tal entendimento.  Ordem Pública é referida na doutrina como conceito indeterminado, uma vez  constatado  que  “pode  ser  verificada  sobre  diferentes  enfoques,  em  distintas  disciplinas  jurídicas”.1  Ricardo  de  Carvalho  Aprigliano2  encontrou  alguns  elementos  comuns  na  doutrina e na jurisprudência que podem nos ajudar a identificar as questões de ordem púbica:  (i)  os  valores  que  informam  a  norma,  de  interesse  da  coletividade,  que  se  revelam  particularmente  sensíveis,  de  repercussão  acima  e  além  do  mero  interesse  das  partes  desta  mesma relação, seja por  razões de ordem social, ética econômica ou cultural, e  (ii) o  fato de  cuidarem de relações jurídicas indisponíveis, ressalvada a expressão meramente econômica de  tais  direitos,  que  são  sempre  disponíveis,  elementos  que,  somados,  compõem  o  espectro  do  'interesse público'.  Para Fábio Ramazzini Bechara, a ordem pública é a “expressão da situação  de tranqüilidade e normalidade que o Estado assegura – ou deve assegurar – às instituições e  a todos os membros da sociedade, consoante as normas jurídicas legalmente estabelecidas”. 3  O mesmo autor4 assevera que, a característica de conceito indeterminado que  acomete  a  ordem  pública  passa  a  exigir  um  esforço  maior  do  aplicador  da  lei  para  que  o  resultado  da  interpretação  gere  um  resultado  mais  próximo  da  realidade  contextualizada.  Vejamos nas palavras do autos:  “A  ordem  pública  enquanto  conceito  indeterminado,  caracterizado  pela  falta  de  precisão  e  ausência  de  determinismo  em  seu  conteúdo,  mas  que  apresenta  ampla  generalidade  e  abstração,  põe­se  no  sistema  como  inequívoco  princípio  geral,  cuja  aplicabilidade  manifesta­se  nas  mais  variadas  ramificações  das  ciências  em  geral,  notadamente  no  direito,                                                    1 Cf.  APRIGLIANO,  Ricardo  de  Carvalho.  Ordem  pública  e  processo  –  o  tratamento  das  questões  de  ordem  pública no direito processual civil. São Paulo, Atlas, 2011, p. 5.  2  Cf.  APRIGLIANO,  Ricardo  de  Carvalho.  Ordem  pública  e  processo  –  o  tratamento  das  questões  de  ordem  pública no direito processual civil. São Paulo, Atlas, 2011, p. 30­1.  3 Cf. BECHARA, Fábio Ramazzini. Prisão Cautelar. São Paulo: Malheiros, 2005, 97­100.  4 Cf. BECHARA, Fábio Ramazzini. Prisão Cautelar. São Paulo: Malheiros, 2005, 97­100.    Fl. 989DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 09/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA     12 preservado,  todavia, o  sentido genuinamente  concebido. A  indeterminação  do conteúdo da expressão  faz  com que a  função do  intérprete assuma um  papel  significativo  no  ajuste  do  termo.  Considerando  o  sistema  vigente  como um  sistema aberto  de  normas,  que  se  assenta  fundamentalmente  em  conceitos  indeterminados,  ao  mesmo  tempo  em  que  se  reconhece  a  necessidade de um esforço  interpretativo muito mais árduo e acentuado, é  inegável  que  o  processo  de  interpretação  gera  um  resultado  social  mais  aceitável  e  próximo  da  realidade  contextualizada.  Se,  por  um  lado,  a  indeterminação do conceito  sugere uma aparente  insegurança  jurídica em  razão da maior liberdade de argumentação deferida ao intérprete, de outro  lado  é,  pois,  evidente,  a  eficiência  e  o  perfeito  ajuste  à  historicidade  dos  fatos considerada.”    Apesar da dificuldade de conceituação do que seja ordem pública, a doutrina  e  a  jurisprudência,  entretanto  convergem  quanto  às  características  típicas  que  se  costuma  conferir  à  questões  de  ordem  pública  de  direito  processual:  (i)  a  possibilidade  de  exame  de  ofício, (ii) a ausência de preclusão da matéria e (iii) a possibilidade de seu exame em qualquer  tempo ou grau de jurisdição.5  Os Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais  (CARF),  realizando os esforços interpretativos a que se referiu Fábio Ramazzini Bechara6, têm decidido  quais questões podem ser consideradas de ordem pública no âmbito do processo administrativo  fiscal,  sem  contudo  adotar  uma  definição,  partindo,  portanto,  para  uma  especificação  casuística.  No que se refere à aplicação das penalidades, temos decisões do CARF que  concordam com a inclusão desta questão entre o rol das matérias de ordem pública que podem  ser conhecidas de ofício. Vejamos dois exemplos:    Conselho Administrativo  de Recursos Fiscais.  1ª  Seção  de  Julgamento.  4ª  Câmara. 2ª Turma Ordinária  Acórdão nº 140200246 do Processo 13502000775200670  04/08/2010  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  ANO­CALENDÁRIO: 2008  MATÉRIA  DE ORDEM PÚBLICA.  APLICAÇÃO  DA MULTA DE PENALIDADE. APRECIAÇÃO DE OFICIO.  AS  MATÉRIAS  DE ORDEM PÚBLICA PODEM  SER  SUSCITADAS  PELO  COLEGIADO  E  APRECIADAS DE OFÍCIO,  OU  SEJA,  MESMO  QUE  NÃO  TENHA  SIDO  OBJETO  DO  RECURSO  VOLUNTÁRIO.  ISSO  SE  APLICA  À  EXIGÊNCIA  DE  PENALIDADES,  DENTRE  ELAS  A MULTA DE OFICIO ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DO  TRIBUTO  POR  ESTIMATIVA,  QUE  FOI  LANÇADA  EM  CONCOMITÂNCIA  COM  A MULTA  DE OFICIO PROPORCIONAL  SOBRE  O  TRIBUTO  DEVIDO  NO  ANO­CALENDÁRIO.EMBARGOS  CONHECIDOS E REJEITADOS.(...)      Conselho Administrativo  de Recursos Fiscais.  3ª  Seção  de  Julgamento.  4ª  Câmara. 3ª Turma Ordinária                                                    5  Cf.  APRIGLIANO,  Ricardo  de  Carvalho.  Ordem  pública  e  processo  –  o  tratamento  das  questões  de  ordem  pública no direito processual civil. São Paulo, Atlas, 2011, p. 7.  6 Cf. BECHARA, Fábio Ramazzini. Prisão Cautelar. São Paulo: Malheiros, 2005, 97­100.  Fl. 990DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 09/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 19515.721154/2011­28  Acórdão n.º 2301­003.274  S2­C3T1  Fl. 8          13 Acórdão nº 340300307 do Processo 10880003371200471  28/04/2010  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI  Período de apuração: 01/08/2003 a 01/02/2004  DIF­BEBIDAS,  ENTREGA  INTEMPESTIVA.  INTERPRETAÇÃO  MAIS  BENÉFICA  DA  NORMA  SANCIONATÓRIA,  ART.  112,  DO  CTN,  CONHECIMENTO DE OFÍCIO.De  acordo  com  o  artigo  112,  do  Código  Tributário  Nacional,  normas  que  estabeleçam  infrações  e  lhes  cominem  penalidades se interpretam da maneira mais  favorável ao acusado, no que  concerne,  por  exemplo,  à  natureza  ou  aos  efeitos  do  ilícito.  Trata­se  de  norma de ordem pública, passível, portanto, de conhecimento de oficio, que  orienta  a  exegese  acerca  do  artigo  57,  da MP  nº  2.158­35/2001,  no  que  prescreve  pena  pecuniária  pelo  cumprimento  tardio  de  obrigações  acessórias, aplicável à DIF­Bebidas.Recurso Provido em Parte.(...)      Por outro lado,encontramos a decisão que reproduzimos a seguir, que rejeita  o conhecimento de ofício da discussão sobre as multas:    Primeiro Conselho de Contribuintes. 7ª Câmara. Turma Ordinária  Acórdão nº 10707181 do Processo 104100039419931   11/06/2003  (...). MULTA ISOLADA ­ NÃO PAGAMENTO DE IRPJ POR ESTIMATIVA  ­  CABIMENTO.  Em  decorrência  da  descaracterização  da  compensação  integral dos prejuízos  fiscais, o  IRPJ gerado deve ser pago por estimativa  se, apesar de não ter sido efetuado o pagamento caracterizador da opção, o  contribuinte manifestou,  em  diversos  atos,  a  intenção  de  apurar  o  tributo  dessa  forma.  Devida,  portanto,  a  multa  isolada,  até  porque,  ainda  que  concomitantemente com a multa de mora, contra tal situação o contribuinte  não se insurgiu, não sendo matéria passível de conhecimento de ofício    De nossa  parte,  adotamos  a noção  de  questão  ordem pública  como  aquela  matéria  voltada  para  o  interesse  da  coletividade  e  a  concretização  da  moralidade  administrativa, sem, contudo, ignorar que o processo administrativo fiscal não tem natureza de  instância simplesmente revisional do lançamento, mas guarda algumas características próprias  de  jurisdição.  Assim,  entendendo  serem  restritas  as  matérias  que  podem  ser  conhecidas  de  ofício,  e  acompanhando  a  maioria  da  jurisprudência  deste  Colegiado,  reconhecemos  na  aplicação  de  penalidades  as  características  que  permitem  seja  incluída  entre  as  matérias  de  ordem pública que autorizam o conhecimento de ofício na ocasião do julgamento de segunda  instância.  A seguir, apresentamos nosso posicionamento sobre a multa a ser aplicada,  considerando que opinamos pelo conhecimento de ofício da matéria.      Fl. 991DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 09/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA     14   Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009.    Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal  questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratar­se de questão  de ordem pública.  Antes  da  MP  449,  se  a  fiscalização  das  contribuições  previdenciárias  constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas  da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que  esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o  inciso  II do art. 35 da Lei 8.212/91.  Além disso,  a  fiscalização  lançava  as multas dos §§4º,  5º  e 6º do  art.  32 por  incorreções ou  omissões  na  GFIP.  O  §4º  tratava  da  não  apresentação  da  GFIP,  o  §5º  da  apresentação  do  documento  com  dados  não  correspondentes  aos  fatos  geradores  e  o  §6º  referia­se  a  apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos  geradores. ­  Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32­A da Lei 8.212/91 que  trata  da  falta  de  apresentação  da  GFIP,  bem  como  trata  da  apresentação  com  omissões  ou  incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35­A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96  para os casos de lançamento de ofício. Interessa­nos o inciso I do referido dispositivo no qual  temos  a multa  de  75%  sobre  a  totalidade  do  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata.   Tais  inovações  legislativas  associadas  ao  fato  de  a  fiscalização  realizar  lançamento  que  abrangem  os  últimos  cinco  anos  e  de  existirem  lançamentos  pendentes  de  definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocam­nos  diante de duas situações:  · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos  geradores posteriores a esta;  · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém  ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa.    Vamos analisar individualmente cada uma das situações.    Lançamentos  realizados  após  a  edição  da  MP  449  e  referentes  a  fatos  geradores posteriores a esta    Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos  geradores  posteriores  a  esta,  o  procedimento  de  ofício  está  previsto  no  art.  35­A  da  Lei  8.212/91,  o  que  resulta  na  aplicação  do  art.  44  da  Lei  9.430/96  e  na  impossibilidade  de  aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91.  Fl. 992DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 09/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 19515.721154/2011­28  Acórdão n.º 2301­003.274  S2­C3T1  Fl. 9          15 Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio  tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta  de  recolhimento,  falta  de  declaração  ou  declaração  inexata.  A  falta  de  recolhimento  é  uma  hipótese nova de  infração que, portanto,  só pode atingir os  fatos geradores posteriores  a MP  449.  Por  outro  lado,  com  relação  às  contribuições  previdenciárias,  a  falta  de  declaração  e  a  declaração inexata referem­se a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A  falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era  punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não  (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões.  É  certo que,  a princípio,  podemos vislumbrar duas normas punitivas para a  não  apresentação  e  a  apresentação  inexata  da  GFIP  relacionada  a  fatos  geradores  de  contribuições: o art. 32­A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em  conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada  com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar.   Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96  seria  aplicável para os  casos  relacionados  à existência de diferença de contribuição ao passo  que o art. 32­A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de  contribuição.  No  entanto,  tal  conclusão  não  se  sustenta  se  analisarmos  mais  detidamente  o  conteúdo do  art.  32­A da Lei  8.212/91. No  inciso  II,  temos  a previsão  da multa  de “de 2%  (dois por cento) ao mês­calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições  informadas,  ainda  que  integralmente  pagas,  no  caso  de  falta  de  entrega  da  declaração  ou  entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável  quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for  apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplica­se  também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal  conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos  casos  de  omissão  de  declaração  com  ocorrência  de  fatos  geradores  de  contribuição  previdenciária.  Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos,  tanto o art. 44,  inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32­A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de  declaração  ou  declaração  inexata de GFIP quando  for  apurada  diferença  de  contribuição  em  procedimento  de  ofício.  Temos,  então,  configurado  um  aparente  conflito  de  normas  que  demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são  normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério  da especialidade e critério hierárquico.  O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não  nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei  9.430/96  e  a  inclusão  do  art.  32­A  da  Lei  8.212/91  foram  veiculados  pela  mesma  Lei  11.941/2009.  O  critério  hierárquico  também  não  soluciona  a  antinomia,  posto  que  são  normas de igual hierarquia.  Resta­nos o critério da especialidade.   Observamos  que  o  art.  44,  inciso  I  da  Lei  9.430/86  refere­se,  de  maneira  genérica,  a  uma  falta  de  declaração  ou  declaração  inexata,  sem  especificar  qual  seria  a  Fl. 993DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 09/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA     16 declaração. Diversamente, o art. 32­A faz menção específica em seu caput à GFIP no  trecho  em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do  caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da  Lei 9.430/96 e o art. 32­A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e,  seguindo  o  critério  da  especialidade,  deve  ter  reconhecida  a  prevalência  de  sua  força  vinculante.  Em adição, a aplicação do art. 32­A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo  nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32­A assume, facilitando , no futuro, o cálculo  do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32­A estimular a apresentação da GFIP  na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de  qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da  declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido  em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a  favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art.  29  da  Lei  8.213/91,  “serão  considerados  para  cálculo  do  salário­de­benefício  os  ganhos  habituais  do  segurado  empregado,  a  qualquer  título,  sob  forma  de  moeda  corrente  ou  de  utilidades,  sobre  os  quais  tenha  incidido  contribuições  previdenciárias,  exceto  o  décimo­ terceiro  salário  (gratificação  natalina).”  Se  o  cálculo  do  salário­de­benefício  considerará  a  base  de  cálculo  das  contribuições,  certamente  a  GFIP  é  um  importante  meio  de  prova  dos  valores  sobre os quais  incidiram as  contribuições. Se  aplicássemos o  art.  44,  inciso  I  da Lei  9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP.  Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença  das  contribuições  sem  que  a  apresentação  da  GFIP  pudesse  alterar  tal  valor. O  empregador  poderia  simplesmente  pagar  a  multa  e  continuar  omisso  em  relação  à  GFIP,  deixando  o  empregado sem este  importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria.  Assim,  a  hermenêutica  sistemática  considerando  o  regime  jurídico  previdenciário  reforça  a  necessidade de prevalência do art. 32­A.  Portanto,  seja  pela  aplicação  do  critério  da  especialidade  ou  pela  hermenêutica  sistemática  considerando  o  regime  jurídico  previdenciário,  temos  justificada  a  aplicação do art. 32­A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com  informações inexatas.  Acrescentamos  que  não  há  no  regime  jurídico  do  procedimento  de  ofício  previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de  ter  ocorrido  atraso  no  recolhimento.  Trata­se  de  infração  –  o  atraso  no  recolhimento  ­  que  deixou  de  ser  punida  por meio  de  procedimento  de  ofício.  Outra  infração  similar,  mas  não  idêntica,  foi  eleita  pela  lei:  a  falta  de  recolhimento.  Apesar  de  mantermos  nossa  posição  a  respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos  de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões  do Colegiado  no  sentido  de manter  a multa  de mora  que  registraram  nossa  posição  isolada.  Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a  aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20%  com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96.  Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008:  · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%;  · A multa de ofício de 75% é aplicada pela  falta de recolhimento  da  contribuição,  podendo  ser  majorada  para  150%  em  conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos  Fl. 994DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 09/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 19515.721154/2011­28  Acórdão n.º 2301­003.274  S2­C3T1  Fl. 10          17 casos  em  que  existam  provas  de  atuação  dolosa  de  sonegação,  fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de  não  atendimento  de  intimação  no  prazo marcado,  conforme §2º  do art. 44 da Lei 9.430/96;  · A  multa  pela  falta  de  apresentação  da  GFIP  ou  apresentação  deficiente desta é aquela prevista no art. 32­A da Lei 8.212/91.  Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em  lançamento  de  ofício  das  contribuições  previdenciárias  previsto  pela MP  449,  convertida  na  Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP.  Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda  não definitivamente julgados na esfera administrativa.    Com  base  nesse  novo  regime  jurídico  vamos  determinar  a  penalidade  aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores  anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa.  Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com  o art. :   Art. 144. O lançamento reporta­se à data da ocorrência do fato  gerador da obrigação e rege­se pela lei então vigente, ainda que  posteriormente modificada ou revogada.   § 1º Aplica­se ao lançamento a legislação que, posteriormente à  ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos  critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os  poderes  de  investigação  das  autoridades  administrativas,  ou  outorgado  ao  crédito  maiores  garantias  ou  privilégios,  exceto,  neste  último  caso,  para  o  efeito  de  atribuir  responsabilidade  tributária a terceiros.   § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados  por  períodos  certos  de  tempo,  desde  que  a  respectiva  lei  fixe  expressamente  a  data  em  que  o  fato  gerador  se  considera  ocorrido.   Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:    I ­ em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa,  excluída  a  aplicação de  penalidade  à  infração dos dispositivos  interpretados;    II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:   a) quando deixe de defini­lo como infração;   b)  quando  deixe  de  tratá­lo  como  contrário  a  qualquer  exigência  de  ação  ou  omissão,  desde  que  não  tenha  sido  fraudulento  e  não  tenha  implicado  em  falta  de  pagamento  de  tributo;  Fl. 995DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 09/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA     18  c)  quando  lhe  comine penalidade menos  severa que a prevista  na lei vigente ao tempo da sua prática.    A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que  devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência  dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver  deixado de definir um fato como infração.  O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da  penalidade  mais  benéfica  por  infração  e  não  em  um  conjunto.  Assim,  cada  infração  e  sua  respectiva penalidade deve ser analisada.  Para  os  lançamentos  referentes  a  fatos  geradores  anteriores  a MP  449,  de  plano  devemos  afastar  a  incidência  da  multa  de  mora,  pois  a  novo  regime  jurídico  do  lançamento de ofício deixou de punir  a  infração por  atraso no  recolhimento. O novo  regime  pune  a  falta  de  recolhimento  que,  apesar  de  similar,  não  pode  ser  tomada  como  idêntica  ao  atraso.  O  atraso  é  graduado  no  tempo,  ao  passo  que  a  falta  de  recolhimento  é  infração  instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de  12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e  pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício.  Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no  princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo,  tem a mesma estrutura de pessoal e de  remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório  contábil para tratar de sua vida fiscal.   A  empresa  A  foi  fiscalizada  em  2007  com  relação  aos  fatos  geradores  de  2006  e  teve  contra  si  lançada  a  contribuição,  a multa  de mora  e  a multa por  incorreções  na  GFIP  prevista  no  art.  32,  §5º  da  Lei  8.212/91.  Quando  do  julgamento  de  seu  processo,  considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve  o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa  do 32­A da Lei 8.212/91.  A  empresa  B  foi  fiscalizada  em  2009  com  relação  aos  fatos  geradores  de  2006 e teve contra si  lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela  declaração inexata da GFIP com base no art. 32­A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º  da Lei 8.212/91, o que  lhe for mais  favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B  responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora.  Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora  no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e  B.  Conforme  já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a  respeito da  inexistência  de  multa  de  mora  no  novo  regime  do  procedimento  de  ofício,  deixamos  de  apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do  Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim,  nosso  voto  é  no  sentido  de,  acompanhando  os  demais  membros  do  Colegiado,  manter  a  aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20%  com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96.  No  tocante  às  penalidades  relacionadas  com  a  GFIP,  deve  ser  feito  o  cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32­A para as infrações relacionadas com a  Fl. 996DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 09/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 19515.721154/2011­28  Acórdão n.º 2301­003.274  S2­C3T1  Fl. 11          19 GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei  8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106,  inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplica­se, inclusive, para a multa de ofício aplicada com  fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração  inexata.  Passamos a  resumir nossa posição sobre o  regime  jurídico de aplicação das  multas para fatos geradores até 11/2008.  A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato  pretérito considerado como infração no lançamento de modo que até 11/2008:    · As  multas  por  infrações  relacionadas  a  GFIP  (falta  de  apresentação  ou  apresentação  deficiente),  previstas  nos  parágrafos  do  art.  32  da  Lei  8.212/91,  devem  ser  comparadas  com  a multa  do  art.  32­A  da  Lei  8.212/91,  devendo  prevalecer  aquela que for mais benéfica ao contribuinte;  · Nas  competências  nas  quais  a  fiscalização  aplicou  somente  a  penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, esta  deve ser mantida, mas limitada a 20%;  · Nas  competências  nas  quais  a  fiscalização  aplicou  a penalidade  de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar  da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da  multa  de  mora  e  da  multa  por  infrações  relacionadas  a  GFIP,  deve ser mantida  a penalidade  equivalente  à  soma de: multa de  mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a  multa do art. 32 com a multa do art. 32­A da Lei 8.212/91.      (assinado digitalmente)  Mauro José Silva      Fl. 997DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 09/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA

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Numero do processo: 11030.900265/2008-34
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. INEXATIDÃO MATERIAL. A retificação de valores informados em Per/Dcomp só procede nos casos de inexatidões materiais, comprovadas pelo contribuinte de forma inequívoca, com exibição de contabilidade e documentos pertinentes. RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp - Pedido de Restituição e Declaração de Compensação é do contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indefere-se o pedido e não homologa-se a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.
Numero da decisão: 1801-001.546
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1922; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE01  Fl. 2          1 1  S1­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11030.900265/2008­34  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1801­001.546  –  1ª Turma Especial   Sessão de  06 de agosto de 2013  Matéria  Compensação ­ Pagamento indevido ou a maior ­ CSLL  Recorrente  COOPERATIVA DE CRÉDITO DE LIVRE ADMISSÃO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Ano­calendário: 2003  PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.  RETIFICAÇÃO.  INEXATIDÃO MATERIAL.  A retificação de valores informados em Per/Dcomp só procede nos casos de  inexatidões materiais,  comprovadas  pelo  contribuinte  de  forma  inequívoca,  com exibição de contabilidade e documentos pertinentes.  RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS.  O ônus  da prova  do  crédito  tributário  pleiteado  no Per/Dcomp  ­  Pedido  de  Restituição e Declaração de Compensação é do contribuinte (artigo 333, I, do  CPC). Não sendo produzida nos autos, indefere­se o pedido e não homologa­ se a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.   (assinado digitalmente)  Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora  Participaram  da  sessão  de  julgamento,  os  Conselheiros:  Maria  de  Lourdes  Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen  Ferreira Saraiva,  Leonardo Mendonça  Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.  Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 02 65 /2 00 8- 34 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES     2 A empresa recorre do Acórdão nº 12­36.820/11 exarado pela Décima Quinta  Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJ 1, fls. 62 a 67, que julgou improcedente  o  direito  creditório  pleiteado  pela  contribuinte,  bem  como  não  homologar  as  pertinentes  compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de  restituição e declaração de compensação) – fls. 01 a 03.  Aproveito  trechos do  relatório e voto do aresto vergastado para historiar os  fatos:  “Trata­se de DCOMP Eletrônica n° 03209.03218.060204.1.3.04­5816,  apresentada  em  06/02/2004,  onde  a  interessada  declara,  resumidamente,  a  compensação  utilizando o seguinte crédito:  Crédito ­ Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL  Data de Arrecadação : 15/01/2004  Valor Original do Crédito Inicial: R$ 4.572,06  Crédito Original da Data da Transmissão : R$ 4.211,55  Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 4.211,55  A  DCOMP  foi  analisada  em  procedimentos  informatizados,  resultando  em  HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DA COMPENSAÇÃO. De acordo com o Despacho  Decisório  de  fl.  04,  n°  de  rastreamento  757816529,  o  julgamento  teve  a  seguinte  fundamentação:  "Limite do  crédito analisado,  correspondente ao valor do  crédito original na  data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 4.211,55.  Valor do crédito reconhecido: 540,51.  A  partir  das  características  do  DARF  discriminado  no  PER/DCOMP  acima  identificado,  foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados,  mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando  saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação  dos débitos informados no PER/DCOMP. "   [...]  Inconformada,  a  interessada  apresentou,  em  02/06/2008,  a  manifestação  de  inconformidade de fls. 07/10, onde alega resumidamente que:  ­ apurou o valor de R$ 4.211,55 a título de CSLL (Código 2030), referente ao  4o  trimestre de 2003, conforme demonstra o razão analítico contábil do período de  01/12/2003 a 31/12/2003 (Anexo I ­ fl. 11) e a DIPJ (Anexo II ­ fl. 12);  ­  porém,  ao  efetuar  o  pagamento  do  tributo  por  meio  de  DARF,  acabou  recolhendo o valor de R$ 4.752,06, conforme demonstra a DCTF do 4o trimestre de  2003 (Anexo III ­ fl. 13) e o DARF (Anexo IV ­ fl. 14), como segue:    Competência  Tributo  Valor Devido (R$)  Valor recolhido (R$)  Valor passível de compens. (RS)  4o trimestre de 2003  CSLL  4.211,55  4.752,06  540,51  ­ claramente efetuou um recolhimento a maior no montante de R$ 540,51, que  fazia jus à compensação, conforme reconhecido no próprio Despacho Decisório n°.  757816529 (fl. 04);  ­ identificado o pagamento a maior, ao apurar o CSLL (Código 2030) no 1o   trimestre de 2004, compensou o valor recolhido, como segue:    Fl. 120DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11030.900265/2008­34  Acórdão n.º 1801­001.546  S1­TE01  Fl. 3          3 Competência  Tributo  Valor Devido (R$)  Valor Compensado (R$)  Valor recolhido (R$)  1° trimestre de 2004  CSLL(2030)  2.285,33  540,51  1.744,82  ­ efetuou a compensação através de um PER/DCOMP (Anexo V ­ fls. 16/20),  mas o preencheu de forma equivocada;  ­  o  valor  devido  fica  demonstrado  no  razão  analítico  contábil  referente  ao  período de apuração de 01/03/2004 a 31/03/2004 (Anexo VI ­ fl. 20), bem como o  valor que foi recolhido consta no DARF (Anexo VII ­ fl. 21);  ­  ocorre  que,  a  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  por  meio  de  sua  Delegacia de Passo Fundo ­ RS homologou parcialmente o PER/DCOMP, conforme  Despacho Decisório n°. 757816529;  ­ em face do exposto, vem apresentar a presente peça para demonstrar que faz  jus a tal compensação, bem como que se trata apenas de um erro formal;  [...]  Voto  [...]  O contribuinte alega possuir direito creditório suficiente para a compensação por ter  efetuado pagamento indevido ou a maior de CSLL, no valor de R$ 540,51, recolhido  através de DARF em 15/01/2004 (fl. 14).  De início cabe destacar que a DRF/PASSO FUNDO/RS, homologou parcialmente a  compensação pleiteada  e  reconheceu direito creditório no montante de R$ 540,51,  conforme consta no despacho decisório de fl. 04.  Apesar do reconhecimento do direito creditório, ocorre que, a nosso juízo, este não  se encontra comprovado, pelas razões a seguir.  Segundo informa o contribuinte, devia a título de CSLL (Código 2030), referente ao  período de apuração do 4o trimestre de 2003, o montante de R$ 4.211,55, conforme  demonstraria o razão analítico contábil do período de 01/12/2003 a 31/12/2003 (fl.  11).  Ocorre  que,  quanto  ao  ano  calendário  de  2003,  o  contribuinte  entregou  duas  DIPJ/2004. A primeira (n° 1151927 ­ fl. 58) foi entregue em 30/06/2004, constando  débito  a  título  de  CSLL,  relativa  ao  4o  trimestre  de  2.003,  no  montante  de  R$  4.359,63, que não guarda correspondência com o valor de R$ 4.211,55, indicado no  Razão  Analítico  de  fl.  11.  Já  a  segunda  (n°  1321304­99  ­  fl.  59),  que  substituiu  integralmente a declaração original,  foi entregue em entregue em 30/05/2008, nela  constando  débito  de CSLL  relativo  ao mesmo  período  no  valor  de R$  33.813,24,  conforme  inclusive  informa o  contribuinte  à  fl.12. Ou  seja,  em nenhuma das duas  declarações o valor coincide com o indicado no razão analítico (fl. 11).  Uma vez que a declaração retificadora substitui integralmente a declaração original,  o  valor  devido  a  título  de  CSLL,  conforme  declarado  pelo  contribuinte  é  R$  33.813,24 (fls 12 e 59). Como recolheu a importância de R$ 4.752,06, como consta  à  fl.  14,  descaberia  o  reconhecimento  de  qualquer  reconhecimento  de  direito  creditório.  Entretanto,  a  Delegacia  da  Receita  Federal  de  PASSO  FUNDO/RS,  reconheceu  direito  creditório  no  montante  de  R$  540,51,  tendo  homologado  parcialmente a compensação pleiteada pelo contribuinte.  Fl. 121DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES     4 Com  base  na  DIPJ/2004  retificadora,  caberia  apurar  o  valor  da  CSLL  devida  e  efetuar  a  cobrança  da  diferença,  nos  termos  do  artigo  142  do CTN. Entretanto,  o  julgador  não  pode  agravar  o  despacho  decisório,  porque  não  seria  admissível,  em  sede  de  julgamento,  alterar  a  exigência  tributária,  pois  tal  se  constituiria  em  inovação, o que violaria o princípio da legalidade. Neste sentido, cabe citar a autora  Mary Elbe Gomes Queiroz Maia, no Livro Do Lançamento Tributário ­ Execução e  Controle, Ed. Dialética, São Paulo, 1999, p.163:  [...]  Importa  destacar  que  o  contribuinte  não  presta  qualquer  informação  referente  à  retificação da declaração, na qual foi alterado o valor da CSLL devida, juntando aos  autos documentos pertinentes ao valor originalmente apurado, o que poderia levar o  julgador  ao  entendimento  equivocado  da  situação,  procedimento  que  causa  estranheza, já que a manifestação de inconformidade foi entregue em 02/06/2008, ou  seja, após o envio da DIPJ/2004 retificadora, em 30/05/2008.”  A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de e­fls. 104 a 116 , reiterando os  termos  da  defesa  exordial  e  esclarecendo  que  nas  suas  DIPJ/04  entregues,  original  e  retificadora,  incorreu em erro de  informação referente ao valor devido de CSLL, relativo ao 4º  trimestre de 2003,  devendo ser considerado o valor de R$ 4.211,55.  É o suficiente para o relatório. Passo ao voto.                                                                1 AR – 24/08/11, fls 69; Recurso – 19/09/11, e­fls. 104   Voto             Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora  Conheço do recurso interposto, por tempestivo.  Preliminarmente,  cumpre  salientar  sobre  as  informações  inseridas  no  Per/Dcomp  objeto  deste  processo,  fls.  01  a  03.  A  recorrente  informa,  em  06/02/2004,  que  efetuou um pagamento a maior, por Darf, de CSLL, no valor de R$ 4.752,06, para o período de  01/12 a 31/12/2003; e  informa como débito  a CSLL no valor de R$ 4.211,55,  relativa ao 4º  trimestre de 2003.  A autoridade competente verifica, pelos sistemas informatizados, que o valor  de R$ 4.211,55 foi devidamente alocado com a CSLL devida e informada pela empresa, e que,  por  conseguinte,  resta  apenas  um  crédito  de  R$  540,51.  Este  crédito  foi  reconhecido  e  homologado o débito (CSLL/4º trimestre/2003) até este limite, cobrando­se a diferença.  Na  manifestação  de  inconformidade,  a  recorrente  argúi  que  errou  ao  preencher  o  Per/Dcomp. Na verdade,  explica  que  os R$  540,51  ,  recolhidos  a maior,  foram  utilizados  para  quitar,  em  parte,  a  CSLL  relativa  ao  1º  trimestre  de  2004,  no  valor  de  R$  2.285,33.  Para comprovar o alegado, junta fls. do Razão Analítico e cópias parciais das  DCTF entregues (sem o recibo de entrega) relativas ao 4º trimestre de 2003 e ao 1º trimestre de  2004,  bem  como  cópia  parcial  da  DIPJ/04  retificadora,  esclarecendo  que  o  valor  da  CSLL  Fl. 122DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11030.900265/2008­34  Acórdão n.º 1801­001.546  S1­TE01  Fl. 4          5 devida,  relativo  ao  4º  trimestre  de  2003,  foi  preenchido  equivocadamente  no  valor  de  R$  33.813,24,  quando  deveria  constar  R$  4.211,55.  Esclarece,  ainda,  que  na  DIPJ/04  original  também informou o valor indevido de R$ 4.359,63 a título deste mesmo tributo.  A  prova  juntada  pela  recorrente,  como  registrado  no  acórdão  combatido,  é  insuficiente para comprovar o alegado pela recorrente. A exibição da contabilidade parcial pela  recorrente,  fl.  isolada  do  Razão,  demonstra­se  insatisfatória  para  justificar  a  alteração  ora  requerida do valor de R$ 33.813,24 para R$ 4.211,55. Na referida fl. de registro contábil está  registrado que o período a que se refere é entre 01/12/2003 a 31/12/03. Faz mais sentido que  seja a CSLL calculada sobre a receita de dezembro de 2003 e não sobre o total da receita do  trimestre.  Explico.  Na  DIPJ/04  retificadora,  a  recorrente  informou  o  valor  de  R$  377.348,05 como lucro líquido, base de cálculo para a CSLL, do 4º trimestre de 2003 (grifei).  A  legislação  tributária,  à  época,  estabelecia  a  alíquota  de 9% para  a CSLL  devida pelas pessoas jurídicas, consoante art. 37 da Lei nº 10.637/02, a seguir reproduzido:  Art. 37. Relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir de  1o de janeiro de 2003, a alíquota da Contribuição Social sobre o  Lucro  Líquido  (CSLL),  instituída  pela  Lei  no  7.689,  de  15  de  dezembro de 1988, será de 9% (nove por cento).  (grifos não pertencem ao original)  Por  conseguinte,  aplicando­se  a  alíquota  devida  –  9%  ­  sobre  a  base  de  cálculo informada, R$ 377.348,05, para o 4º trimestre, apura­se o valor exato de R$ 33.961,32,  o  qual  deduzido  o  valor  de  R$148,08  (CSLL  retida  na  fonte),  encontra­se  o  valor  de  R$  33.813,24, estando corretos os valores informados na DIPJ/04 retificadora.   Correto, pois, o raciocínio esposado no acórdão recorrido. Se houve erro no  Per/Dcomp, foi ao informar o valor da CSLL para o 4º trimestre de 2003 e declarar somente R$  4.211,55  (referente  ao  mês  de  dezembro  de  2003)  e  não  o  valor  correto  que  perfaz  R$  33.813,24. Assim, sem a contabilidade completa do 4º trimestre de 2003, sobretudo, as cópias  dos balancetes mensais  registradas no Livro Diário, nos quais estão demonstradas as  receitas  auferidas  no  trimestre  de  2003  –  de  01/10/03  a  31/12/03  –,  a  recorrente  não  comprova  os  “erros” cometidos.  Ademais,  a  retificação  do  Per/Dcomp  pretendida  pela  recorrente  é  inadmissível, pois pretende, segundo suas defesas, alterar os seguintes valores:   ­  crédito,  de  R$  4.752,06,  para  R$  540,51  (diferença  recolhida  a  maior  relativa  a  dezembro  de  2003,  reconhecida  neste  processo,  o  que  só  seria  possível  com  a  apresentação do presente Per/Dcomp, conforme preenchido);  ­ débito, de R$ 4.211,55, para R$ 2.285,33;  ­  período  do  tributo  (CSLL),  de  4º  trimestre  de  2003  para  1º  trimestre  de  2004, e dos conseqüentes vencimentos.  Fl. 123DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES     6 Em  outras  palavras,  a  recorrente  requer,  com  o  presente  Per/Dcomp,  acrescentar nova declaração de compensação, o que é vedado pela legislação tributária, por não  se tratar, neste caso, de correção de inexatidões materiais.  A  vedação  está  inserida  nas  Instruções  Normativas  editadas  pela  Receita  Federal do Brasil (RFB) no sentido de não serem admitidas retificações das Per/Dcomp após o  contribuinte  tomar  ciência  da  decisão  que  denegou  total  ou  parcialmente  a  restituição/compensação.  E, neste caso, não há que se invocar o princípio da verdade material, sem que  a recorrente imbuísse a sua argumentação com provas contundentes dos erros alegados.  A  Instrução  Normativa  SRF  nº  360,  de  24  de  setembro  de  2003,  em  seus  artigos 7º e 8º, determinava:  Art.  7ºA  retificação  de  Declaração  de  Compensação  gerada  a  partir  do  Programa  PER/DCOMP  1.1  (ou  versão  anterior)  ou  elaborada mediante utilização dos formulários a que se refere o  art.  3º  somente  será  admitida  na  hipótese  de  inexatidões  materiais verificadas no preenchimento de referido documento e,  ainda, da não­ocorrência da hipótese prevista no art. 8º.  Art.  8ºA  retificação  de  Declaração  de  Compensação  gerada  a  partir  do  Programa  PER/DCOMP  1.1  (ou  versão  anterior)  ou  elaborada mediante utilização dos formulários a que se refere o  art. 3º não será admitida quanto tiver por objeto a inclusão de  novo  débito  ou  o  aumento  do  valor  do  débito  compensado  mediante  a  apresentação  de  referida  Declaração  de  Compensação à SRF.  Parágrafo único. Na hipótese prevista no caput, o sujeito passivo  que  desejar  compensar  o  novo  débito  ou  a  diferença  de  débito  deverá apresentar à SRF nova Declaração de Compensação.  (grifos não pertencem ao original)  E as disposições normativas editadas pela RFB no concernente às restituições  e  compensações  tributárias  não  objetivam  os  aspectos meramente  formais  dos  pedidos, mas  disciplinam  o  exercício  deste  direito  do  contribuinte  de  forma material,  pelo  que  devem  ser  observadas estritamente, por sua força legal.  Lei nº 5.172/66 ­ CTN  Art.  100.  São  normas  complementares  das  leis,  dos  tratados  e  das convenções internacionais e dos decretos:  I  ­  os  atos  normativos  expedidos  pelas  autoridades  administrativas;  II ­ as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição  administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa;  III  ­  as  práticas  reiteradamente  observadas  pelas  autoridades  administrativas;  IV ­ os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o  Distrito Federal e os Municípios.  Fl. 124DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11030.900265/2008­34  Acórdão n.º 1801­001.546  S1­TE01  Fl. 5          7 Parágrafo  único.  A  observância  das  normas  referidas  neste  artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de  mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do  tributo.  Por todo o exposto, não é possível a inclusão de outros valores e período de  tributo no Per/Dcomp, objeto deste  litígio, bem como o valor a ser reconhecido como direito  creditório da  recorrente,  neste processo, é,  com efeito, R$ 540, 51  (supostamente  relativo ao  mês de dezembro de 2003) e já foi concedido no Despacho Decisório de fls. 04 e homologada a  compensação pleiteada até o limite deste valor.  Voto em negar provimento ao recurso voluntário.     (assinado digitalmente)  Ana de Barros Fernandes                                  Fl. 125DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES

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Numero do processo: 10380.020167/2008-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2002, 2003 DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE (DIRF). CONDOMÍNIO DE EDIFÍCIOS. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. MULTA PELA FALTA DE APRESENTAÇÃO DA DIRF. Os condomínios de edifícios estão obrigados a apresentar a DIRF quando tiverem pago ou creditado rendimentos que tenham sofrido a retenção na fonte, informando a natureza das respectivas importâncias, o nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ, das pessoas que o receberam, bem como o valor imposto de renda retido na fonte. A falta de apresentação da DIRF no prazo legal estipulado autoriza a aplicação da multa por atraso na entrega da referida declaração.
Numero da decisão: 2202-002.358
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga – Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Fábio Brun Goldschmidt, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza (suplente convocado), Jimir Doniak Junior (suplente convocado) e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Pedro Anan Junior e Rafael Pandolfo.
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1824; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T2  Fl. 29          1 28  S2­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10380.020167/2008­89  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2202­002.358  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  16 de julho de 2013  Matéria  Multa por Atraso na entrega da DIRF  Recorrente  CONDOMÍNIO EDIFÍCIO BOUGAINVILLE  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Ano­calendário: 2002, 2003  DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE (DIRF).  CONDOMÍNIO  DE  EDIFÍCIOS.  OBRIGATORIEDADE  DE  APRESENTAÇÃO.  MULTA  PELA  FALTA  DE  APRESENTAÇÃO  DA  DIRF.  Os  condomínios  de  edifícios  estão  obrigados  a  apresentar  a  DIRF  quando  tiverem  pago  ou  creditado  rendimentos  que  tenham  sofrido  a  retenção  na  fonte, informando a natureza das respectivas importâncias, o nome, endereço  e  número  de  inscrição  no CPF  ou  no CNPJ,  das  pessoas  que  o  receberam,  bem como o valor imposto de renda retido na fonte.  A  falta  de  apresentação  da  DIRF  no  prazo  legal  estipulado  autoriza  a  aplicação da multa por atraso na entrega da referida declaração.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso.   (Assinado digitalmente)  Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente  (Assinado digitalmente)  Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga – Relatora        AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 02 01 67 /2 00 8- 89 Fl. 29DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10380.020167/2008­89  Acórdão n.º 2202­002.358  S2­C2T2  Fl. 30          2 Composição  do  colegiado:  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Maria  Lúcia  Moniz  de  Aragão  Calomino  Astorga,  Fábio  Brun  Goldschmidt,  Antonio  Lopo Martinez,  Guilherme  Barranco  de  Souza  (suplente  convocado),  Jimir Doniak  Junior  (suplente  convocado)  e  Pedro  Paulo  Pereira  Barbosa.  Ausentes,  justificadamente,  os  Conselheiros Pedro Anan Junior e Rafael Pandolfo.  Fl. 30DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10380.020167/2008­89  Acórdão n.º 2202­002.358  S2­C2T2  Fl. 31          3 Relatório  Por meio dos Autos de Infração de fls. 7 e 8, foram exigidas do contribuinte  acima qualificado a importância de R$ 500,00 (quinhentos reais), devida a título de Multa por  Falta  de Entrega  da Declaração  do  Imposto  de Renda Retido  na Fonte  –DIRF,  relativas  aos  anos­calendário de 2002 e 2003.  DA IMPUGNAÇÃO  Irresignado, o contribuinte apresentou a  impugnação de  fl. 1,  instruída com  os documentos de fls. 2 a 8, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 15 verso):  Inconformado  com  a  exigência,  o  defendente  impugnou  o  lançamento  ao  interpor a petição de fls. 01, na qual alega que:  • é um condomínio sem natureza jurídica bem definida (art. 147, do Decreto  n° 3.000/99) e que não está obrigado à entrega da declaração de impostos;  •  as  pequenas  empresas  pagam  valores  menores  em  casos  de  multa  até  31/12/2008,  sendo  que  a  multa  a  que  se  refere  o  art.  7°  da  Lei  n°  10.426/2002,  quando  aplicada  a  associação  sem  fins  lucrativos  fica  reduzida  a R$ 20,00  ou R$  50,00;  • o Governo Federal está divulgando uma "Mensagem" que promove a anistia  para dividas de até R$ 10.000,00 para com a União.  Por  fim,  requer  o  cancelamento  ou  redução  do  débito  para  que  seja  "compatível com uma empresa sem fins lucrativos".  DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA  Apreciando a  impugnação apresentada, a 3ª Turma da Delegacia da Receita  Federal  de  Julgamento  de  Fotaleza  (CE) manteve  integralmente  o  lançamento,  proferindo  o  Acórdão no 08­18.175 (fls. 15 e 16), de 17/06/2010, assim ementado:  ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ASSESSÓRIAS  Ano­calendário: 2002, 2003   MULTA  POR  FALTA  DE  ENTREGA  DA  DECLARAÇÃO  DE  IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE   Devem apresentar a Declaração do Imposto de Renda Retido na  Fonte (Dirf) as pessoas jurídicas, que tenham pago ou creditado  rendimentos  que  tenham  sofrido  retenção  do  imposto  de  renda  na fonte, ainda que em um único mês do ano­calendário a que se  referir a declaração.       Fl. 31DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10380.020167/2008­89  Acórdão n.º 2202­002.358  S2­C2T2  Fl. 32          4 DO RECURSO  Cientificado do Acórdão de primeira instância, em 13/08/2010 (vide AR de  fl.  21),  o  contribuinte  apresentou,  em  10/09/2010,  tempestivamente,  o  recurso  de  fl.  22,  no  qual,  reitera  os  argumentos  de  sua  impugnação  e  aduz  que  não  “  fizemos  declaração  para  1997, 1998, 1999, 2000 nem 2001 e jamais houve cobrança.”  DA DISTRIBUIÇÃO  Processo  que  compôs  o  Lote  no  01,  distribuído  para  esta  Conselheira  na  sessão  pública  da  Segunda  Turma  Ordinária  da  Segunda  Câmara  da  Segunda  Seção  do  Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 07/02/2012, veio digitalizado até à fl. 281.                                                              1 Processo digital. Numeração do e­processo. O processo físico foi numerado até a  fl. 24 (fl. 27 da digitalização).  Fl. 32DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10380.020167/2008­89  Acórdão n.º 2202­002.358  S2­C2T2  Fl. 33          5 Voto             Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora.  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  às  demais  condições  de  admissibilidade,  portanto merece ser conhecido.  Os argumentos do contribuinte podem ser assim resumidos: (a) por se tratar  de  um  condomínio,  sem  natureza  jurídica  bem  definida,  não  estaria  obrigado  a  entrega  da  declaração;  (b)  alternativamente,  pugna  pela  aplicação  do  valor  mínimo  da  multa  (até  31/12/2008),  aplicada  às  associações  sem  fins  lucrativos;  (c)  o  governo  teria  anistiado  as  dívidas de até R$ 10.000,00 para com a União;  e  (d) não entregou declaração para nos anos  anteriores e não foi penalizado por isso.  De se analisar a questão.  As obrigações tributárias acessórias “tem por objeto as prestações, positivas  ou negativas, nela previstas no  interesse da arrecadação ou da  fiscalização dos  tributos” e,  “pelo simples fato da sua inobservância, converte­se em obrigação principal, relativamente à  penalidade  pecuniária”  (art.  113,  §§2o  e  3o,  do  Código  Tributário  Nacional  –  CTN),  autorizando o fisco a aplicar penalidade pelo seu descumprimento.  A Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, entre outros atos legais ao longo do  tempo,  tratou de  reafirmar a exigência da multa pela  falta ou pelo  atraso na apresentação da  DIRF, conforme disposto em seu art. 7o (redação vigente à época dos fatos):  Art.7oO sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de  Informações  Econômico­Fiscais  da  Pessoa  Jurídica  (DIPJ),  Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF),  Declaração  Simplificada  da  Pessoa  Jurídica  e  Declaração  de  Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), nos prazos fixados, ou  que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a  apresentar  declaração  original,  no  caso  de  não­apresentação,  ou  a  prestar  esclarecimentos,  nos  demais  casos,  no  prazo  estipulado pela Secretaria da Receita Federal, e sujeitar­se­á às  seguintes multas:   [...]  II­  de  dois  por  cento  ao  mês­calendário  ou  fração,  incidente  sobre  o  montante  dos  tributos  e  contribuições  informados  na  DCTF,  na  Declaração  Simplificada  da  Pessoa  Jurídica  ou  na  Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega  destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por  cento, observado o disposto no § 3º;  III­  de  R$  20,00  (vinte  reais)  para  cada  grupo  de  dez  informações incorretas ou omitidas.  Fl. 33DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10380.020167/2008­89  Acórdão n.º 2202­002.358  S2­C2T2  Fl. 34          6 §1o Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I e  II do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte  ao  término  do  prazo  originalmente  fixado  para  a  entrega  da  declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no  caso de não­apresentação, da lavratura do auto de infração.  § 2o Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas:  I­ à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo,  mas antes de qualquer procedimento de ofício;  II­  a  setenta  e  cinco  por  cento,  se  houver  a  apresentação  da  declaração no prazo fixado em intimação.  § 3o A multa mínima a ser aplicada será de  I­R$  200,00  (duzentos  reais),  tratando­se  de  pessoa  física,  pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de  tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996;  II­R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos.  [...]  Por sua vez, a Instrução Normativa no 269, de 26 de dezembro de 2002, que  consolida as regras para apresentação da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte –  DIRF,  para o  ano­calendário  2002,  assim dispôs  sobre  a  obrigatoriedade  de  apresentação  da  referida declaração (grifei):  Da Obrigatoriedade da Apresentação   Art.  1o  Devem  apresentar  a  Declaração  do  Imposto  de  Renda  Retido  na Fonte  (Dirf)  as  seguintes  pessoas  jurídicas  e  físicas,  que  tenham pago ou creditado rendimentos que  tenham sofrido  retenção do imposto de renda na fonte, ainda que em um único  mês do ano­calendário a que se referir a declaração, por si ou  como representantes de terceiros:   I  ­  estabelecimentos  matrizes  de  pessoas  jurídicas  de  direito  privado domiciliadas no Brasil, inclusive as imunes ou isentas;   II ­ pessoas jurídicas de direito público;   III ­ filiais, sucursais ou representações de pessoas jurídicas com  sede no exterior;   IV ­ empresas individuais;   V ­ caixas, associações e organizações sindicais de empregados  e empregadores;   VI ­ titulares de serviços notariais e de registro;   VII ­ condomínios;   VIII ­ pessoas físicas;   Fl. 34DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10380.020167/2008­89  Acórdão n.º 2202­002.358  S2­C2T2  Fl. 35          7 IX  ­  instituições  administradoras  de  fundos  ou  clubes  de  investimentos; e   X ­ órgãos gestores de mão­de­obra do trabalho portuário.   Na  Instrução Normativa  SRF  no  380,  de  30  de  dezembro  de  2003,  vigente  para  o  ano­calendário  2003,  foi  reproduzido  dispositivo  semelhante,  mantendo  a  obrigatoriedade de apresentação da DIRF no caso dos condomínios.  No  caso  em  questão,  o  próprio  contribuinte  admite  em  seu  recurso  que  efetuou  as  retenções  obrigatórias  e  cobrou  da  empresa  que  tomava  conta  das  obrigações  de  pessoal e contábil a apresentação dos respectivos comprovantes e, portanto, estava obrigado a  apresentar a DIRF.  Demonstrada, assim, a legitimidade da multa aplicada (item “a”).  Quanto à redução da multa mínima (item “b”), cabe trascrever o art. 30 da  Lei no 11.727, de 23 de junho de 2008:  Art. 30. Até 31 de dezembro de 2008, a multa a que se refere o  §3o do art. 7o da Lei no 10.426, de 24 de abril de 2002, quando  aplicada a associação sem fins lucrativos que tenha observado o  disposto  em  um  dos  incisos  do  §2o  do  mesmo  artigo,  será  reduzida a 10% (dez por cento)  Como  bem  ressaltou  o  julgador  a  quo,  a  redução  prevista  no  artigo  acima  transcreve  aplica­se  somente  às  associações  sem  fins  lucrativos  e,  ainda  assim,  para  àquelas  que entregaram a declaração, o que não ocorreu no caso em concreto.  Quanto  à  alegação  de  que  o  governo  teria  anistiado  as  dívidas  de  até  R$10.000,00 para com a União (item “c”), convém lembrar que a remissão encontra­se prevista  no  art.  172  do  Código  Tributário  Nacional  –  CTN,  sendo  uma  das  formas  de  extinção  do  crédito tributário, nos termos do art. 156, inciso IV, do mesmo código.   Como se sabe, este Colegiado não tem competência para apreciar pedidos de  remissão, sendo essa atribuição da Delegacia da Receita Federal do Brasil da circunscrição do  domicílio  fiscal do contribuinte, visto que é a ela que compete as atividades de arrecadação,  controle  e  recuperação  do  crédito  tributário,  em  especial,  “controlar  os  valores  relativos  à  constituição, suspensão, extinção e exclusão de créditos tributários” (art. 224, XI, da Portaria  Ministério da Fazenda no 203, de 14 de maio de 2012).  Caso existisse alguma possibilidade do crédito tributário do presente processo  estar remido, seria oportuno consultar a unidade de origem, porém não é este o caso dos autos.   O art. 14 da Lei no 11.941, de 27 de maio de 2009, assim dispõe (grifei):  Art.  14.  Ficam  remitidos  os  débitos  com  a  Fazenda  Nacional,  inclusive  aqueles  com  exigibilidade  suspensa  que,  em  31  de  dezembro de 2007, estejam vencidos há 5 (cinco) anos ou mais e  cujo  valor  total  consolidado,  nessa  mesma  data,  seja  igual  ou  inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais).   Fl. 35DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10380.020167/2008­89  Acórdão n.º 2202­002.358  S2­C2T2  Fl. 36          8 § 1o O limite previsto no caput deste artigo deve ser considerado  por sujeito passivo e, separadamente, em relação:   I – aos débitos inscritos em Dívida Ativa da União, no âmbito da  Procuradoria­Geral  da  Fazenda  Nacional,  decorrentes  das  contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo  único  do  art.  11  da  Lei  nº  8.212,  de  24  de  julho  de  1991,  das  contribuições  instituídas  a  título  de  substituição  e  das  contribuições  devidas  a  terceiros,  assim  entendidas  outras  entidades e fundos;   II – aos demais débitos inscritos em Dívida Ativa da União, no  âmbito da Procuradoria­Geral da Fazenda Nacional;   III – aos débitos decorrentes das contribuições sociais previstas  nas  alíneas  a,  b  e  c  do  parágrafo  único  do  art.  11  da  Lei  nº  8.212,  de  24  de  julho  de  1991,  das  contribuições  instituídas  a  título  de  substituição  e  das  contribuições  devidas  a  terceiros,  assim entendidas outras entidades e  fundos, administrados pela  Secretaria da Receita Federal do Brasil; e   IV  –  aos  demais  débitos  administrados  pela  Secretaria  da  Receita Federal do Brasil.   §  2o  Na  hipótese  do  IPI,  o  valor  de  que  trata  este  artigo  será  apurado  considerando  a  totalidade  dos  estabelecimentos  da  pessoa jurídica.  § 3o O disposto neste artigo não implica restituição de quantias  pagas.  § 4o Aplica­se o disposto neste artigo aos débitos originários de  operações de  crédito  rural  e do Programa Especial de Crédito  para  a  Reforma Agrária  –  PROCERA  transferidas  ao  Tesouro  Nacional,  renegociadas  ou  não  com  amparo  em  legislação  específica,  inscritas na dívida ativa da União,  inclusive aquelas  adquiridas  ou  desoneradas  de  risco  pela  União  por  força  da  Medida Provisória no 2.196­3, de 24 de agosto de 2001.  Assim, além de o valor consolidado ser  igual ou  inferior a R$ 10.000,00, o  dispositivo legal acima transcrito estabelece claramente que os débitos devem estar vencidos a  mais de cinco anos em 31/12/2007, o que não ocorre no caso em concreto, uma vez que trata­se  de lançamentos formalizados no ano­calendário 2008.  Por  fim,  quanto  ao  fato  de  o  contribuinte  não  ter  sido  penalizado  em  exercícios anteriores (item “d”) nada impede que ele seja autuado em exercício diverso, desde  que não tenha transcorrido o prazo decadencial.  Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso.  (Assinado digitalmente)   Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga  Fl. 36DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10380.020167/2008­89  Acórdão n.º 2202­002.358  S2­C2T2  Fl. 37          9                               Fl. 37DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA

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Numero do processo: 10930.720299/2011-36
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2403-000.137
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10930.720299/2011­36  Resolução nº  2403­000.137  S2­C4T3  Fl. 163          2     RELATÓRIO     Trata­se  de Recurso Voluntário,  interposto  pela Recorrente  contra Acórdão  nº  06.33­930 ­ 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba que  julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de  Obrigação  Principal  –  AIOP  nº.  37.301.531­3  (parte  patronal)  e  também  o  AIOP  nº  37.301.532­1 (Terceiros).  Conforme o Relatório da decisão de primeira instância:  O  presente  foi  instruído  após  a  lavratura  dos  Autos  de  Infração  de  Obrigação Principal AIOP (DEBCAD acima citados) em que se exige  da  contribuinte acima  identificada os créditos  tributários  relativos às  contribuições  previdenciárias  da  empresa,  parte  patronal,  incidentes  sobre remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes  individuais, bem como ao financiamento dos benefícios concedidos em  razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos  riscos ambientais do trabalho e a outras entidades e fundos (terceiros):  1.  Referente  à  parte  patronal,  foi  constituído  o  valor  total  de  R$  424.095,30,  sendo  R$  181.242,63  de  Contribuições  Previdenciárias  devidas pela empresa, R$ 47.964,95 de juros de mora e R$ 194.887,72  de  multa  de  ofício,  conforme  discriminado  no  demonstrativo  Discriminativo do Débito DD, às  fls.  135/167,  relativo ao período de  01/2006 a 12/2009.  2.  Referente  às  entidades  e  fundos  denominados  “terceiros”,  foi  constituído  o  valor  total  de  R$  48.876,74,  sendo  R$  7.923,75  de  Contribuições  Previdenciárias  devidas  pela  empresa,  R$  2.918,88  de  juros  de  mora  e  R$  27.574,73  de  multa  de  ofício,  conforme  discriminado  no  demonstrativo  Discriminativo  do  Débito  DD,  às  fls.  181/190, relativo ao período de 01/2006 a 12/2009.  Os  créditos  tributários  foram  constituídos  em  virtude  da  exclusão  da  ora  impugnante  da  sistemática  do  Simples  Federal,  bem  como  do  Simples Nacional, por meio dos Atos Declaratórios Executivos  (ADE)  nº 14 e 15, de 18/03/2011, de emissão do Delegado da Receita Federal  em  MaringáPR,  com  efeitos  a  partir  de  09/03/2000  e  01/07/2007,  respectivamente.    Conforme o Relatório Fiscal de fls. 109 a 131:  1. A empresa estava inscrita no Simples Federal desde 09/03/2000, e a  partir  de  01/07/2007,  no  Simples  Nacional;  2.  No  entanto,  ficou  demonstrado que a impugnante era constituída por interpostas pessoas,  Fl. 293DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10930.720299/2011­36  Resolução nº  2403­000.137  S2­C4T3  Fl. 164          3 ocultando  o  sócio  de  fato,  conforme  amplamente  demonstrado  na  Representação  Fiscal  que  embasou  a  decisão  de  exclusão  do  Simples/Simples Nacional;  3.  Tal  situação  é  impeditiva  para  a  opção  por  este  sistema  diferenciado  de  tributação,  constituindo  afronta  ao  disposto  no  inciso  IV  do  artigo  14  da  Lei  nº  9.317,  de  1996  e,  Lei  Complementar nº 123, de 2006, artigo 16 e artigo 29, incisos IV; 4. A  empresa,  indevidamente  inscrita  no  Simples/Simples  Nacional,  não  efetuava  os  recolhimentos  previdenciários  da  parte  patronal  e  de  outras entidades e fundos (terceiros) e, como conseqüência, foi lavrado  o  respectivo  auto  de  infração  para  os  lançamentos  dos  tributos  devidos;  5.  quanto  ao  recolhimento  de  contribuições  previdenciárias  descontadas  dos  segurados  sob  responsabilidade  do  sujeito  passivo,  estas foram declaradas em GFIP com o código de empresa pertencente  ao  Simples  e  Simples Nacional,  ensejando  a  incidência  de multa  por  descumprimento  de  obrigação  acessória;  6.  comparandose  as  multas  incidentes às  competências 01/2006 a 11/2008, onde  foram entregues  as GFIP com omissão de fatos geradores, aplicouse a mais benéfica ao  contribuinte, que é, no caso, de 75%, prevista no inciso I do art. 44 da  Lei n° 9.430/96 (Anexo IV planilha comparativa);  7. Havendo elementos de prova suficientes do  intuito  sonegador  e da  evidente intenção de fraude, conforme representação fiscal que é parte  integrante  dos  autos  de  infração,  nas  competências  com  créditos  tributários  a  partir  de  12/2008,  a  multa  de  75%  foi  duplicada,  totalizando 150%, conforme determinações contidas no Inciso I e § 1°  do art. 44 da Lei n° 9.430/96; 8. em virtude das ocorrências verificadas  durante o procedimento fiscal, restou caracterizada a sujeição passiva  solidária,  nos  termos dos art.  124, 134 e 135 do CTN,  resultando na  lavratura  de Termos  de  Sujeição  passiva  Solidária  em nome de  João  Roberto Viotto e Ângela Fernandes Viotto.    O  Relatório  Fiscal,  informa  que  o  sujeito  passivo  foi  excluído  do  SIMPLES  FEDERAL bem como do SIMPLES NACIONAL pelos Atos Declaratórios Executivo nº 14 e  15, de 18/03/2011, com efeitos a partir de 09/03/2000 e 01/07/2007, respectivamente.  Em relação ao cálculo da multa, informa o Relatório Fiscal, que foi realizado o  comparativo  de multas,  conforme  as  alterações  advindas  da MP  449/2008  convertida na Lei  11.941/2009, com a incidência da mais benéfica ao contribuinte:  O período objeto do auto de infração conforme o Relatório Fiscal é de 01/2006 a  12/2009.  A Recorrente  teve ciência do auto de  infração em 24.03.2011,, via Aviso de  Recebimento, conforme o relatório da decisão de primeira instância.  A  Recorrente  apresentou  Impugnação,  com  as  seguintes  alegações,  principalmente a de que o processo administrativo nº 10930.720.282/2011­89, de exclusão do  SIMPLES encontra­se em fase de Recurso no âmbito do CARF:  Em 24/03/2011, o contribuinte  foi cientificado do  lançamento por via  postal vindo a impugná­lo em 05/04/2011, alegando, em síntese, que a  empresa  foi  excluída  do  regime  diferenciado  de  tributação  –  Fl. 294DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10930.720299/2011­36  Resolução nº  2403­000.137  S2­C4T3  Fl. 165          4 Simples/Simples Nacional – e, por conseqüência, mediante lançamento  de  ofício  foi  exigida  a  diferença  de  Contribuições  Previdenciárias  e  demais reflexas.  Informa que não há possibilidade de se constituir o crédito  tributário  enquanto não  julgado o processo de exclusão do regime diferenciado  de tributação, pois, caso a impugnante saia vencedora da situação em  litígio,  cairá  por  terra  o  lançamento  de  ofício  e  seus  argumentos;  Alega,  ainda,  a  interessada,  a  nulidade  da  exclusão  por  ausência  de  provas quanto às  situações  jurídicas descritas  e,  por  inaplicabilidade  dos  dispositivos  legais  mencionados,  sendo  que  a  autoridade  fiscal  intentou  uma  sanha  desenfreada  contra  as  empresas  onde  João  Roberto  Viotto  e  Ângela  Fernandes  Viotto  são  procuradores  mandatários.  Sustenta que ao fisco cabe provar a ocorrência dos fatos que afirma e  que a outorga de procurações para que gerissem as diversas empresas  do  grupo  não  traduzem,  nem  induzem  a  interposição  de  pessoas.  Argumenta  que  a  conclusão  da  autoridade  fiscal  é  desarrazoada  e  paradoxal  já  que  inexiste  impedimento  à  outorga  do  mandato,  não  havendo que se alegar acerca de interposição de pessoas; que não se  pode  esquecer  que  a  interposição  de  pessoas  somente  se  descortina  quanto à  finalidade, cujos efeitos recaem na supressão do pagamento  de impostos, fato não caracterizado no presente caso.  Afirma que no caso em análise não restou caracterizada a omissão de  receitas  e  que  o  fato  de  outros  gerirem a  empresa  não  caracteriza  a  participação  societária  indireta  ou  oculta,  pois  os  atos  praticados  representam  mera  gestão  de  negócios,  o  que  encontra  respaldo  no  artigo 653 do Código Civil Brasileiro de 2002.  Fala  na  transferência  da  responsabilização  solidária  (art.135,II  do  CTN) e sustenta ter o fisco pecado ao transferir a responsabilidade aos  procuradores a fim de excluir a pessoa jurídica do Simples, posto que  não  restou  configurada  eventual  omissão  de  receitas  e  que,  os  fatos  relatados  constituem  situações  factuais  não  passíveis  de  sujeição  tributária;  que  os  desígnios  traçados  pelo  legislador  foi  responsabilizar fatos jurídicos e não meramente econômicos; o que os  procuradores fizeram foi dar fiel cumprimento ao mandato que lhes foi  outorgado; que é inconcebível imputar a responsabilidade subsidiária  a terceiro para alcançar o intento expropriatório.  Transcreve  vasta  manifestação  jurisprudencial  e  doutrinária  sobre  prova  na  responsabilidade  de  terceiros  com  base  no  artigo  135  do  Código  Tributário  Nacional.  Na  seqüência,  procede  à  análise  da  responsabilidade tributária espelhada no artigo 124 do mesmo diploma  legal,  também  acompanhada  de  jurisprudência  e  doutrina  e,  conclui  que a exclusão da requerente ao Simples desprezou as balizas traçadas  para  desferir  a  titularidade  plurisubjetiva  de  contribuintes,  onde  a  eleição coparticipativa é natimorta na sua essência, uma vez que não  houve  o  cometimento  do  dolo,  fraude  ou  simulação  na  constituição  empresarial,  inexistindo  qualquer  interposição  de  pessoas  (sócios  ocultos),  mas  tão  somente  outorga  representativa  de  mandado,  conforme as  leis civis, não havendo espaço  jurídico para a aplicação  do artigo 124,  I do Código Tributário Nacional,  tampouco os artigos  Fl. 295DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10930.720299/2011­36  Resolução nº  2403­000.137  S2­C4T3  Fl. 166          5 14,  inciso  IV  da Lei  nº  9.317,  de  1996 e,  artigo  29,  inciso  IV  da Lei  Complementar nº 123, de 2006.  Impugna a qualificação da multa, haja vista não terem sido detectadas  ou  vislumbradas  quaisquer  omissões  de  receitas  tributáveis,  especialmente, as situações descritas no art. 957 do RIR/99. Justifica a  afirmação dizendo que o lançamento versou apenas sobre as diferenças  de  valores  das  contribuições  previdenciárias  relativas  à  exclusão  da  impugnante  do  regime  do  Simples,  e  isto,  por  si  só,  não  autoriza  a  qualificação da multa.    A  Recorrida  analisou  a  autuação  e  a  impugnação,  julgando  procedente  a  autuação, nos termos do Acórdão nº 06.33­930 ­ 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do  Brasil de Julgamento de Curitiba, conforme Ementa a seguir:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS   Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009   AIOP 37.301.5313 Patronal    AIOP 37.301.5321 Terceiros  EXCLUSÃO  DO  SIMPLES  E  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  LANÇAMENTO  CONCOMITANTE.  NULIDADE  Efeito  imediato  da  exclusão  da  empresa  do  SIMPLES  é  sua  tributação  pelas  regras  aplicáveis  às  empresas  em  geral,  de  maneira  que  ao  Fisco,  tendo  conhecimento  da  exclusão  e  da  existência  de  créditos  tributários  não  constituídos, resta obrigatória a sua constituição pelo lançamento.  MULTA QUALIFICADA. DOLO.  Os elementos de prova que constam nos autos da intenção de ocultar a  real situação do sujeito passivo perante o Fisco a fim de se beneficiar  de regime de  tributação diferenciado são suficientes para demonstrar  fato que evidencia sonegação e implica qualificação da multa de ofício.  DESCONSIDERAÇÃO  DOS  ATOS  OU  NEGÓCIOS  JURÍDICOS  PRATICADOS.  A  autoridade  administrativa  possui  a  prerrogativa  de  desconsiderar  atos  ou  negócios  jurídicos  eivados  de  vícios,  sendo  tal  poder  da  própria  essência  da  atividade  fiscalizadora,  consagrando  o  princípio  da substância sobre a forma.  SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA.  É  solidariamente  obrigada  a  pessoa  que  tenha  interesse  comum  na  situação que constitua o fato gerador   Impugnação Improcedente   Crédito Tributário Mantido    Fl. 296DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10930.720299/2011­36  Resolução nº  2403­000.137  S2­C4T3  Fl. 167          6  Inconformada  com  a  decisão  de  1ª  instância,  a  Recorrente  apresentou  Recurso  Voluntário,  onde  combate  fundamentadamente  a  decisão  de  primeira  instância  e  reitera as argumentações deduzidas em sede de Impugnação.    Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão.    É o Relatório.    Fl. 297DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10930.720299/2011­36  Resolução nº  2403­000.137  S2­C4T3  Fl. 168          7  VOTO     Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator     PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE   O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos.     DAS PRELIMINARES     DA AUTUAÇÃO FISCAL   Trata­se  de Recurso Voluntário,  interposto  pela Recorrente  contra Acórdão  nº  06.33­930 ­ 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba que  julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de  Obrigação  Principal  –  AIOP  nº.  37.301.531­3  (parte  patronal)  e  também  o  AIOP  nº  37.301.532­1 (Terceiros).  Conforme o Relatório da decisão de primeira instância:  O  presente  foi  instruído  após  a  lavratura  dos  Autos  de  Infração  de  Obrigação Principal AIOP (DEBCAD acima citados) em que se exige  da  contribuinte acima  identificada os créditos  tributários  relativos às  contribuições  previdenciárias  da  empresa,  parte  patronal,  incidentes  sobre remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes  individuais, bem como ao financiamento dos benefícios concedidos em  razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos  riscos ambientais do trabalho e a outras entidades e fundos (terceiros):  1.  Referente  à  parte  patronal,  foi  constituído  o  valor  total  de  R$  424.095,30,  sendo  R$  181.242,63  de  Contribuições  Previdenciárias  devidas pela empresa, R$ 47.964,95 de juros de mora e R$ 194.887,72  de  multa  de  ofício,  conforme  discriminado  no  demonstrativo  Discriminativo do Débito DD, às  fls.  135/167,  relativo ao período de  01/2006 a 12/2009.  2.  Referente  às  entidades  e  fundos  denominados  “terceiros”,  foi  constituído  o  valor  total  de  R$  48.876,74,  sendo  R$  7.923,75  de  Contribuições  Previdenciárias  devidas  pela  empresa,  R$  2.918,88  de  juros  de  mora  e  R$  27.574,73  de  multa  de  ofício,  conforme  discriminado  no  demonstrativo  Discriminativo  do  Débito  DD,  às  fls.  181/190, relativo ao período de 01/2006 a 12/2009.  Os  créditos  tributários  foram  constituídos  em  virtude  da  exclusão  da  ora  impugnante  da  sistemática  do  Simples  Federal,  bem  como  do  Simples Nacional, por meio dos Atos Declaratórios Executivos  (ADE)  Fl. 298DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10930.720299/2011­36  Resolução nº  2403­000.137  S2­C4T3  Fl. 169          8 nº 14 e 15, de 18/03/2011, de emissão do Delegado da Receita Federal  em  MaringáPR,  com  efeitos  a  partir  de  09/03/2000  e  01/07/2007,  respectivamente.  O  Relatório  Fiscal,  informa  que  o  sujeito  passivo  foi  excluído  do  SIMPLES  FEDERAL bem como do SIMPLES NACIONAL pelos Atos Declaratórios Executivo nº 14 e  15, de 18/03/2011, com efeitos a partir de 09/03/2000 e 01/07/2007, respectivamente.  Outrossim, A Recorrente apresentou tanto em sede de Impugnação quanto  em  sede  de  Recurso  Voluntário,  dentre  outros  argumentos,  o  de  que  o  processo  administrativo  nº  10930.720.282/2011­89,  de  exclusão  do  SIMPLES  encontra­se  em  fase  de  Recurso no âmbito do CARF.    DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA FISCAL   Desta  forma,  considerando­se  os  princípios  da  celeridade,  efetividade  e  segurança jurídica, surge a prejudicial de se determinar o resultado do julgamento do processo  administrativo  nº  10930.720.282/2011­89,  de  exclusão  do  SIMPLES,  posto  que  tal  processo  produz efeitos diretamente no presente processo nº 10930.720299/2011­36.  Anote­se ainda que a competência para o julgamento de processo de exclusão do  SIMPLES  é  da  1ª  Seção  de  Julgamento  do CARF,  conforme  se  depreende  do  art.  2º, V,  do  Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF:  Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e  voluntário  de  decisão  de  primeira  instância  que  versem  sobre  aplicação da legislação de:  I ­ Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ);  II ­ Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL);  III  ­  Imposto  de Renda Retido  na Fonte  (IRRF),  quando  se  tratar  de  antecipação do IRPJ;  IV  ­  demais  tributos  e  o  Imposto  de  Renda  Retido  na  Fonte  (IRRF),  quando  procedimentos  conexos,  decorrentes  ou  reflexos,  assim  compreendidos os  referentes às  exigências que  estejam  lastreadas  em  fatos  cuja  apuração  serviu  para  configurar  a  prática  de  infração  à  legislação pertinente à tributação do IRPJ; {2} V ­ exclusão, inclusão e  exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente  ao Sistema  Integrado de Pagamento de  Impostos e Contribuições das  Microempresas  e  das  Empresas  de  Pequeno  Porte  (SIMPLES)  e  ao  tratamento  diferenciado  e  favorecido  a  ser  dispensado  às  microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da  União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração  e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do  Distrito  Federal  e  dos  Municípios,  mediante  regime  único  de  arrecadação (SIMPLES­Nacional);  VI ­ penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas  pessoas jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo; e  Fl. 299DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10930.720299/2011­36  Resolução nº  2403­000.137  S2­C4T3  Fl. 170          9 VII  ­  tributos,  empréstimos  compulsórios  e  matéria  correlata  não  incluídos na competência julgadora das demais Seções.         CONCLUSÃO     CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da  Receita Federal do Brasil de jurisdição do Recorrente informe o resultado final do julgamento  do processo  administrativo nº 10930.720.282/2011­89, de  exclusão do SIMPLES, no  âmbito  do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, bem como, também informe se há  processo judicial na qual a Recorrente seja parte, por qualquer modalidade processual, com o  mesmo objeto do presente processo administrativo­tributário.      É como voto.    Paulo Maurício Pinheiro Monteiro     Fl. 300DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI

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