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Numero do processo: 11080.918953/2012-41
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 25/02/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 25/02/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado.
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DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 89 53 /2 01 2- 41 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918953/201241 Acórdão n.º 3801005.136 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918953/201241 Acórdão n.º 3801005.136 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Na manifestação apresentada, a contribuinte argúi em preliminar a nulidade do Despacho Decisório, alegando o não atendimento ao requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios de ampla defesa, contraditório e do devido processo legal, estando, outrossim, revestido de desvio de finalidade. Expõe que o ato administrativo resumiuse a informar a não homologação da compensação declarada com o parco fundamento da inexistência de crédito disponível; entende que o procedimento correto da fiscalização seria o de intimar a contribuinte para que prestasse informações sobre a origem do crédito, bem como do fundamento de validade; e ressalta a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. Alega que o Despacho Decisório não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que carente de fundamentação, restando prejudicado o seu direito de defesa, e que também extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada. Diz que a autoridade preparadora deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações, apreensão de documentos, diligências, dentre outros expedientes. Sob o tema “Do Mérito”, discorre especificamente sobre o princípio da verdade material, citando diversos doutrinadores. Mas nada aduz sobre o origem do suposto crédito, apenas alegando a posterior juntada de documentos que comprovariam as ‘alegações trazidas na presente manifestação’, eis que o direito creditório, diz, pode ser comprovado a qualquer tempo. Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade da multa de mora em face do princípio constitucional de não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “ASSUNTO: ... Data do Fato Gerador: ... CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918953/201241 Acórdão n.º 3801005.136 S3TE01 Fl. 5 4 A ausência de pedido de esclarecimentos ou realização de diligência na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. 1PIS/PASEP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório pleiteado. MULTA E JUROS DE MORA. DÉBITOS NÃO HOMOLOGADOS. Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência de multa e juros de mora, nos percentuais determinados pela legislação, calculados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento da contribuição até o dia em que se efetivar o seu pagamento, uma vez que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. 1 Nos processos em que o crédito alegado se refere à Cofins, consta COFINS. Nos processos em que o crédito seria originado de Contribuição para o PIS/Pasep, consta PIS/PASEP. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918953/201241 Acórdão n.º 3801005.136 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918953/201241 Acórdão n.º 3801005.136 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918953/201241 Acórdão n.º 3801005.136 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918953/201241 Acórdão n.º 3801005.136 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918953/201241 Acórdão n.º 3801005.136 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13962.000069/2002-87
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jun 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997
DÉBITO DE COFINS. DCTF. COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO JUDICIAL CONFERINDO O DIREITO COMPENSATÓRIO. CRÉDITOS DE PIS - INCONSTITUCIONALIDADE DOS DECRETOS 2.445/88 E 2.449/88. CRITÉRIOS FIXADOS NO PROVIMENTO JUDICIAL. POSTERIOR APURAÇÃO QUE NÃO RESULTOU EM SALDO CREDOR. LIMITES PARA COMPENSAÇÃO - CONTRIBUIÇÕES DA MESMA ESPÉCIE.
O contribuinte que pretende compensar, apoiado em decisão judicial, créditos decorrente de recolhimento indevido ou a maior, deve demonstrar a efetiva existência e origem deste saldo credor perante a administração tributária, nos estritos critérios de apuração fixados no provimento, bem como respeitado os limites balizados.
Numero da decisão: 3803-006.889
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso.
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
Paulo Renato Mothes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Carolina Gladyer Rabelo, Paulo Renato Mothes e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: PAULO RENATO MOTHES DE MORAES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997 DÉBITO DE COFINS. DCTF. COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO JUDICIAL CONFERINDO O DIREITO COMPENSATÓRIO. CRÉDITOS DE PIS INCONSTITUCIONALIDADE DOS DECRETOS 2.445/88 E 2.449/88. CRITÉRIOS FIXADOS NO PROVIMENTO JUDICIAL. POSTERIOR APURAÇÃO QUE NÃO RESULTOU EM SALDO CREDOR. LIMITES PARA COMPENSAÇÃO CONTRIBUIÇÕES DA MESMA ESPÉCIE. O contribuinte que pretende compensar, apoiado em decisão judicial, créditos decorrente de recolhimento indevido ou a maior, deve demonstrar a efetiva existência e origem deste saldo credor perante a administração tributária, nos estritos critérios de apuração fixados no provimento, bem como respeitado os limites balizados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso. Corintho Oliveira Machado Presidente. Paulo Renato Mothes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Carolina Gladyer Rabelo, Paulo Renato Mothes e Samuel Luiz Manzotti Riemma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 2. 00 00 69 /2 00 2- 87 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO RENATO MOTHES DE MORAES, Assinado digitalmente em 1 9/02/2015 por PAULO RENATO MOTHES DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEI RA MACHADO 2 Relatório Tratase de auto de infração decorrente do não pagamento de COFINS referente aos períodos 1º e 2º trimestres de 1997, acrescido de multa de ofício de 75% e dos juros de mora. Intimada, a empresa autuada apresentou impugnação alegando tão somente que os débitos exigidos não seriam devidos em função de compensações procedidas com créditos provenientes de decisão judicial com trânsito em julgado. Segundo se apura, os créditos apontados pela Recorrente decorem da ação judicial n.º 96.200.124371, que tramitou perante a 1ª Vara Federal de BlumenauSC, cujo objeto era o pedido de declaração à compensação de créditos de PIS, com contribuições da mesma espécie, indicando entre as possíveis, o próprio PIS, a COFINS e a CSLL. A decisão judicial reconhece o direito compensatório buscado pela Recorrente em função da inconstitucionalidade dos Decretos 2.445/88 e 2.449/88, contudo estabeleceu critérios e limites a serem observados no momento do encontro de contas. Em sucessivos trâmites no âmbito da Delegacia da Receita Federal local se perquiriu identificar a validade dos créditos apontados pela contribuinte. Em despacho de encaminhamento de fls. 156/157, a RFB indica em que não existem saldos de pagamento de PIS a serem usados na compensação, sendo a mesma indevida. Segundo informa a Fiscalização, este resultado se deu pelo fato de que a apuração dos débitos, nos termos da LC 07/70 (naquilo que não tinha sido alterada, qual seja, a alíquota de 0,75% e a base de cálculo faturamento), considerando a correção monetária da base de cálculo dentro do regime da semestralidade (conforme interpretação da decisão judicial), implicou numa majoração de alíquota não compensada com correspondente redução da base de cálculo (as receitas operacionais não divergem significativamente do faturamento). Deste despacho, a Recorrente foi intimada para se manifestar, todavia silenciou. No âmbito da DRJ/FNS foi mantida a autuação, nos termos do despacho de encaminhamento de fls. 156/157. Acrescentou que o contribuinte não se manifestou em sentido contrário, mesmo após regular intimação a respeito da inexistência do crédito. Em sede de recurso voluntário, a empresa recorrente cingese a dizer que o fato de ter permanecido silente em relação ao despacho de fls. 156/157 não significa concordância tácita. Que houve sim impugnação à integralidade da autuação, sendo tal insurgência suficiente para afastar qualquer concordância tácita, sendo incabível a extensão do artigo 17 do Decreto 70.235/1972. Este é o relatório. Voto Fl. 199DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO RENATO MOTHES DE MORAES, Assinado digitalmente em 1 9/02/2015 por PAULO RENATO MOTHES DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEI RA MACHADO Processo nº 13962.000069/200287 Acórdão n.º 3803006.889 S3TE03 Fl. 3 3 Conselheiro Paulo Renato Mothes Preenchidos os requisitos formais de admissibilidade e conhecimento do Recurso Voluntário procedese ao julgamento. Entendo que as razões recursais são insuficientes para infirmar a decisão da DRJ/FNS. Explico. Tanto a autuação quanto o julgamento da DRJ/FNS se fundaram na inexistência do crédito por conta de que na prática, mesmo que a contribuinte tenha se sagrado vencedora na ação judicial, não se evidenciou crédito quando da apuração, pois nos termos da LC 07/70 (naquilo que não tinha sido alterada, qual seja, a alíquota de 0,75% e a base de cálculo faturamento), considerando a correção monetária da base de cálculo dentro do regime da semestralidade (conforme interpretação da decisão judicial), implicou numa majoração de alíquota não compensada com correspondente redução da base de cálculo (as receitas operacionais não divergem significativamente do faturamento). Este é o fundamento central e único. A DRJ/FNS, a mero título obiter dictum, registrou que desta assertiva revelada no curso do processo administrativo em questão, a Recorrente quedouse inerte. Ora, está claro que este não é o fundamento e sim a efetiva inexistência de crédito. Ademais, verifico que embora a Recorrente tenha vencido a ação judicial, no âmbito do STJ (fl. 33), foi imposto limite à compensação, qual seja, que os recolhimentos a maior ou indevidos a título de PIS, em função da inconstitucionalidade dos decretos 2.445/88 e 2.449/88, somente poderiam ser compensados apenas com o próprio PIS. No entanto, verificase que o auto de infração presente trata de débitos de COFINS, sendo que os créditos apontados pela Recorrente não se prestariam para a pretendida compensação. Por fim, vale ressaltar que o Decreto 70.235/1972, que regula o processo administrativo fiscal no âmbito federal, prevê a necessidade de o contribuinte trazer as provas necessárias para a comprovação do direito que alega, conforme atestam os artigos 15 e 16: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos Fl. 200DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO RENATO MOTHES DE MORAES, Assinado digitalmente em 1 9/02/2015 por PAULO RENATO MOTHES DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEI RA MACHADO 4 referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Por tais razões, entendo que as justificativas apresentadas pela empresa contribuinte não podem prosperar diante da completa ausência de prova acerca da existência do crédito de PIS utilizado para a compensação com débitos de COFINS, sem falar na impossibilidade de compensação de diferentes contribuições, na forma posta no provimento judicial. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo na íntegra a exigência fiscal. É como penso. É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Renato Mothes Relator Fl. 201DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO RENATO MOTHES DE MORAES, Assinado digitalmente em 1 9/02/2015 por PAULO RENATO MOTHES DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEI RA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10783.000472/90-95
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri May 20 00:00:00 UTC 1994
Ementa: PROCESSUAL - SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA
Agravada a exigência na decisão de 1° grau, o contribuinte tem direito a impugnar a parcela agravada, sob pena de cerceamento do direito de defesa e respeito ao principio de duplo grau de jurisdição que rege o processo administrativo fiscal.
Numero da decisão: 102-29.097
Decisão: ACORDAM 0s Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho
de Contribuinte, por unanimidade de voto, devolver 0s autos para autoridade julgadora de Primeiro Grau para que a petição de fls 40/41 ,seja julgada como impugnação.
Nome do relator: Kazuki Shiobara
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-06T00:08:05Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-06T00:08:05Z; Last-Modified: 2009-07-06T00:08:05Z; dcterms:modified: 2009-07-06T00:08:05Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-06T00:08:05Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-06T00:08:05Z; meta:save-date: 2009-07-06T00:08:05Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-06T00:08:05Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-06T00:08:05Z; created: 2009-07-06T00:08:05Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2009-07-06T00:08:05Z; pdf:charsPerPage: 1225; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-06T00:08:05Z | Conteúdo => 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N2 10783.000472190-95 Sessão de 20 de maio de 1994 Acórdão 112 102-29.097 , Recurso n2: 75.815 - IRPF - EX: DE 1989 Recorrente: ESTANISLAU KOSTKA STEIN Recorrida DRF EM VITORIA(ES) PROCESSUAL - SUPRESSA() DE INSTANCIA Agravada a exigência na decisão de 12 grau, o contribuinte tem direito a impugnar a parcela agravada, sob pena de cerceamento do direito de „ defesa e respeito ao principio de duplo grau de jurisdição que rege o processo administrativo fiscal. Ví4to4, nelatado4 e dí4cutído4 04 pte4ente4 auto4 de Aecu)Zl 40 íntetpo4to pot ESTANISLAU KOSTKA STEIN. ACORDAM 04 Membto4 da Segunda Câmata do Ptímeíto Con,Yetho de Conttíbuínte4, pot unanímídade de voto4, devolvet 04 aLL04 pata auto- n tídade julgadota de Ptímeíto Gtau pana que a petíCão de “4. 40/41 ,4ejal julgada como ímpugnação. Sak, da4 Se4 õe4, em 20 de mo de 1994 WALP,EAN A V SJEOLIVEIRA - VICE-PRESIDENTE KAZU SHI - -4TOR VISTO EM FRAN(ISCO TARGINO DA ROCHA NETTO PROCURADOR -DA FAZENDA] SESSÃO DE: 7 NACIONAL 17 JUN 1994 Pattícípatam, aínda, do ptuente ju/gamento 04 4egaLn.te4 Con4elheíto4: Ut4u/a Hcouen, FtancjAco de Pau/a Cottea Catneíto Gí“oní, Jalío C-e4at Gome4 da Sílva e Matía Cl jlía de Andtade Fígueítedo. I i , 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES , PROCESSO N2 10793.000472/90-95 RECURSO N2: 75.815 ACORDA() N2: 102-29.097 RECORRENTE: ESTANISLAU KOSTKA STEIN RELATORI 0 O contribuinte ESTANISLAU KOSTKA STEIN inscrito no Ca- dastro de Pessoas Físicas sob n2 364.792.097-53, inconformado com a decisão de 12 grau proferida pelo Chefe da Divisão de Tributa- ção por delegação de competância do Delegado da Receita Federal em Vitória(ES), apresenta recurso voluntário a este Primeiro Con- selho de Contribuintes e nova impugnação ao nesmo Delegado rela- tivamente a parcela agravada naquela decisão administrativa. A exigância teve origem na Notificação de Lançamento de fl. 06 através da qual foi reclassificado como rendimento tribu- tável, os seguintes rendimentos percebidos pelo contribuinte a Câmara Municipal de Vitória(ES) e declarados como não tributável: - Sessão Extra Cz$ 0,77 - Outras Vantagens Cz$ 1.952,74 - Gratificação de Representação Cz$ 230,97 Na impugnação de fls. 01/04, o contribuinte argumenta que a Câmara Municipal de Vitória(ES), no Informe de Rendimentos e Retenção do Imposto de Renda na Fonte, declarou que aqueles rendimentos não eram tributáveis e com isso assumiu a responsabi- lidade pelo tributo correspondente. Argumentou mais que, ainda que fosse tributável, a Fa- zenda Pública da União não teria qualquer prejuízo, tendo em vis- ta que o imposto de renda retido na fonte e servidores municipais incorporam a receita municipal e acrescenta mais que seja aplica- do ao caso vertente, a prática reiterada pela administração fi - cal no sentido de se admitir como se retido fosse o imposto, pira o cálculo do imposto a recolher na declaração de rendimentos. .5 / _ , 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N9 10783.000472190-95 Acórdão n2 102-29.097 Na decisão de 12 grau, de fls. 35/38 foi excluida da tributação a parcela de Cz$ 0,77, por se tratar de parte variável de subsídios e equiparada a diárias e, ainda, no mesmo julgamento houve por bem, incluir na base de cálculo a parcela de Cz$ 16,02, tendo em vista que a rubrica "Ajuda de Custo" só pode ser consi- derado não tributável quando refere-se a indenização de mudança de residência para outro município. A inclusão da parcela de Cz$ 16,02 na base de cálculo constitui agravamento da exigência e, como tal, a autoridade jul- gadora facultou ao contribuinte, o direito a apresentação de nova impugnação. As fls. 40/41, o contribuinte apresenta impugnação da parcela agravada e às fls. 42/43, apresenta recurso voluntário ao Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes sobre as demais parce- las incluidas na base de ‘c lculo do Imposto sobre a Renda. É o relatório. L ' I , 1 , 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N2 10783.000472/90-95 Acórdão n9 102-29.097 VOTO Conselheiro KAZUKI SHIOBARA - Relatar 4 h O recurso voluntário dirigido a este Primeiro Conselho h de Contribuinte não pode ser julgado, ainda, tendo em vista que h na decisão de 12 grau a exigência foi agravada e a autoridade julgadora singular reabriu o prazo para apresentação da impugna- ção sobre a parcela agravada. I h O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 40/41 ao Delegado da Receita Federal em Vitória(ES) mas por um lapso da autoridade preparadora do processo fiscal, o processo foi encami- nhado a este Conselho, em vez de submeter-se ao nova julgamento da autoridade monocrática. Desta forma e para evitar o cerceamento do direito de defesa e salvaguarda do principio de duplo grau de jurisdição que rege o processo administrativo fiscal, o processo deve retornar a repartição de origem para que a impugnação seja regularmente [ julgado. De todo o exposto, voto no sentido de devolver os autos para a autoridade julgadora de 12 grau para tomar conhecimento da impugnação de fls. 40/41 e proferido o competente julgamento de 12 grau. h Brasflia(DF), 40 d(4 maio de 1994 \ \ ' KAZ ,I 'S RA Relatar h h h h Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 13629.004392/2008-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 29 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1301-000.147
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os Membros deste Colegiado, por maioria de votos, SOBRESTAR o julgamento dos presentes autos, nos termos do disposto nos parágrafos 1º e 2º do art. 62-A do Regimento Interno, conforme o relatório e voto proferidos pelo relator. Vencido o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes.
(Assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Carlos Augusto de Andrade Jenier, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimaraes, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior.
Nome do relator: Não se aplica
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1501; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13629.004392/200814 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1301000.147 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 06 de agosto de 2013 Assunto Sobrestamento Recorrente BRASIL DOIS TURISMO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os Membros deste Colegiado, por maioria de votos, SOBRESTAR o julgamento dos presentes autos, nos termos do disposto nos parágrafos 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno, conforme o relatório e voto proferidos pelo relator. Vencido o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Carlos Augusto de Andrade Jenier, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimaraes, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 29 .0 04 39 2/ 20 08 -1 4 Fl. 2011DF CARF MF Impresso em 29/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 13629.004392/200814 Resolução nº 1301000.147 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Adotando o termos do relatório apresentado pela r. decisão de origem, destaco: Contra a contribuinte acima identificada foram lavrados os autos de infração de fls. 25/126, que lhe exigem um crédito tributário assim discriminado, com juros de mora calculados até 28/11/2008: Segundo o Relatório Fiscal de fls. 02/22, anexo aos autos de infração, foi apurada omissão de receita nos anoscalendário de 2003 e 2004, com fundamento no art. 4o da Lei n.° 9.430/96, em virtude da existência de depósitos bancários não escriturados, cuja origem dos recursos não foi comprovada. Dessa omissão decorreram os lançamentos com base no Simples, regime de apuração a que a contribuinte estava submetida no anocalendário de 2003, e com base em arbitramento no anocalendário de 2004. A exclusão do Simples a partir do anocalendário de 2004 foi efetuada pelo Ato Declaratório DRF/CFN n.° 13/2008, com fundamento no art. 9°, incisos I e II, da Lei n.° 9.317/96, tendo em vista a apuração de receita bruta acima do limite permitido para o Simples no ano de 2003. Foi ainda lançada a multa regulamentar por descumprimento da obrigação acessória de comunicar à Receita Federal do Brasil RFB a exclusão do Simples (arts. 13 c/c 21 da Lei n.° 9.317/96). Sobre o imposto e as contribuições exigidos em face da omissão de receita foi aplicada a multa qualificada no percentual de 150%, com fundamento legal no art. 44, § 1% da Lei n.° 9.430/96. Já sobre o imposto e as contribuições exigidos pelo Simples decorrentes da insuficiência de recolhimento, ocorrida em virtude da alteração das alíquotas do Simples quando computadas as receitas omitidas, foi aplicada a multa no percentual de 75%. Foi ainda formalizada representação fiscal para fins penais por meio do processo n.° 13629.004393/200851. Por meio de seus procuradores a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade contra o ADE de exclusão do Simples, na qual, de acordo com os argumentos ali aduzidos, ao final pediu (fls. 759/770): Fl. 2012DF CARF MF Impresso em 29/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 13629.004392/200814 Resolução nº 1301000.147 S1C3T1 Fl. 4 3 Face ao exposto, requer seja cancelado o Ato Declaratório Executivo n. 13, de 0111212008, haja vista que a receita auferida no anocalendário de 2003, vale mencionar, R$ 246.448,57 é compatível com a sistemática do Simples. Caso assim não entenda, requer, ao menos, que sejam suspensos/sobrestadas os efeitos do ADE n. 13, ora guerreado, até a decisão fanal transitada em julgado do processo administrativo n° 13629.0043921200814, quando o mesmo deverá ser anulado se comprovado que no ano calendário de 2003 o contribuinte auferiu receita bruta compatível com a sistemática do Simples Federal. Contra os lançamentos efetuados foram apresentadas as impugnações às fls. 787/1.641 (volumes V a VIII), pelas quais, em resumo, foi pedido o seguinte (vide impugnação constante do volume VIII): Diante do exposto, resta totalmente impugnado o lançamento fiscal, pelo que se REQUER : a) seja cancelado o Auto de Infração por existência de vícios insanáveis, vale dizer, consubstanciado em prova insuficiente e na inconstitucional quebra de sigilo bancário do contribuinte, b) seja cancelado o Auto de Representação para fins Penais já que baseado em Auto de infração nulo; Caso assim não se entenda, ESPERA a revisão do lançamento para que: c) sejam excluídas as parcelas lançadas mais de uma vez como créditos / omissão de receitas; d) seja suspensa a Representação Fiscal para fins penais até o julgamento definitivo do presente Auto de Infração, já que dele depende e haja vista a latente necessidade de prova pericial definitiva nos autos; e) sejam excluídas os valores relativos a pagamentos a serem repassados a outras instituições (agências de turismo parceiras, hotéis, companhias aéreas, ele), e por conseguinte, apurado eventual saldo de tributo a pagar com base nas receitas efetivamente auferidas, vale mencionar, nas comissões; f) seja aplicada a correta alíquota nos meses pertinentes (máxima de 12,6910 e não 15,12%; g) seja desqualificada e desagravada a multa aplicada, reduzindoa para 75% do valor relativo ao tributo; h) seja rechaçada a aplicação da Taxa Selic, aplicandose os juros legais —1 % ao mês. Finalmente, REQUER com base no Decreto 70.235172, atendidos os requisitos do art. 16, IV e face à imperiosidade da verdade material, a produção de prova pericial e ajuntada de novos documentos, para que seja comprovada a parte dos Fl. 2013DF CARF MF Impresso em 29/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 13629.004392/200814 Resolução nº 1301000.147 S1C3T1 Fl. 5 4 valores creditados em contascorrentes do contribuinte que não podem ser caracterizadas como rendimentos (repasse a terceiros e custódia de cheques). Analisando as razões aduzidas, por outra via, entendeu a douta 1a Turma da DRJ de Juiz de Fora (MG) pela procedência do lançamento, destacando, nas conclusões do acórdão, os seguintes fundamentos constantes de sua ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 PROVAS. SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente pela autoridade fiscal não caracteriza violação de sigilo bancário. REQUISIÇÃO E UTILIZAÇÃO DE DADOS BANCÁRIOS. A requisição às instituições financeiras de dados relativos a terceiros, com fulcro na Lei Complementar n.° 105/2001, constitui simples transferência à RFB e não quebra de sigilo bancário dos contribuintes, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações. OMISSSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizamse como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA. DOLO. ELEMENTO VOLITIVO. A falta de escrituração de vultosas quantias depositadas em contas bancárias, cujas provas trazidas aos autos demonstram a conexão com atividades ilegais e não incluídas no objeto da sociedade, subsome ao conceito de sonegação contido no art. 71 da Lei n.° 4.502/64 e justifica a aplicação da multa qualificada de que trata o art. 44, § 1% da Lei n.° 9.430/96. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004 PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Dever ser indeferido o pedido de diligência quando esse procedimento mostrarse prescindível para a solução da lide. CONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. Falece competência à autoridade julgadora de instância administrativa para a apreciação de aspectos relacionados com a constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias, tarefa privativa do Poder Judiciário. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Na falta de novos fatos ou argumentos que possam alterar os lançamentos reflexos do IRPJ, em face de possuírem o mesmo suporte fático, aplicase a esses o já decidido em relação ao lançamento matriz. Lançamento Procedente Fl. 2014DF CARF MF Impresso em 29/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 13629.004392/200814 Resolução nº 1301000.147 S1C3T1 Fl. 6 5 Intimada a contribuinte do inteiro teor da decisão proferida em 06/05/2009, foi por ela então interposto o seu competente Recurso Voluntário, protocolado no dia 25/05/2009, redargüindo os temas abordados em sua impugnação e, ao final, pretendendo a reforma da r. decisão de primeira instância e, por conseqüência, a desconstituição integral do lançamento efetivado. Esse é o relatório. Fl. 2015DF CARF MF Impresso em 29/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 13629.004392/200814 Resolução nº 1301000.147 S1C3T1 Fl. 7 6 Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER – Relator. Sendo tempestivo o recurso interposto, dele conheço. A questão tratada nos autos, conforme aqui então devidamente apontado, refere se à efetivação de lançamentos fiscais contra a contribuinte, em decorrência da suposta omissão de receita verificada a partir da constatação da inexistência de inclusão em sua contabilidade de diversos créditos recebidos em suas contas bancárias, conforme informações obtidas a partir da emissão de RMF’s – Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, expedidos contra diversos bancos, nos termos determinados pelas disposições do Art. 6o da Lei Complementar no 105/2001. Em que pese todas as matérias discutidas nos autos, verificase que, antes de sua regular apreciação, surge como de relevante destaque a discussão a respeito da validade do procedimento adotado para a informação das referidas informações, tema que, indubitavelmente, tangencia a constitucionalidade das disposições da apontada norma de regência. Apesar de não se mostrar admissível, per se, a discussão em sede administrativa – a respeito da (in)constitucionalidade de específicos atos legislativos, conforme, inclusive, expressamente contido nas disposições da Súmula CARF no 2 (“O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”), verificase que, recentemente, a matéria fora destacada como de “Repercussão Geral” pelo SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, quando, em 20/11/2009, ao examinar o Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, relatado pelo Ministro Ricardo Lewandowski, fora reconhecida a existência de repercussão geral, nos termos do artigo 543B, do Código de Processo Civil. Observese a ementa da decisão: RE 601314 REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Classe: RE Procedência: SÃO PAULO Relator: MIN. RICARDO LEWANDOWSKI Partes RECTE.(S) MARCIO HOLCMAN ADV.(A/S) RICARDO LACAZ MARTINS RECDO.(A/S) UNIÃO ADV.(A/S) PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL Matéria: DIREITO ADMINISTRATIVO E OUTRAS MATÉRIAS DE DIREITO PÚBLICO | Garantias Constitucionais | Proteção da Intimidade e Sigilo de Dados EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. existência de repercussão geral. DATA DE PUBLICAÇÃO DJE 20/11/2009 ATA Nº 26/2009 DJE nº 218, divulgado em 19/11/2009 Fl. 2016DF CARF MF Impresso em 29/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 13629.004392/200814 Resolução nº 1301000.147 S1C3T1 Fl. 8 7 A partir dessas informações, verificase que a discussão travada nestes autos possui inteira relação com a matéria contida e discutida nos autos do mencionado RE 601314, atraindo, assim, especificamente, a aplicação das disposições contidas no Art. 62A do Regimento Interno deste CARF que, inclusive, assim expressamente aponta: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. O art. 543B do CPC, por sua vez, assim especificamente aponta a respeito do procedimento a ser observado ao tratamento dos feitos respectivos: Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 1o Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 2o Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 3o Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 4o Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 5o O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). Da leitura dessas disposições, verificase que, a rigor, para que a decisão que reconhece a “repercussão geral” pelo Supremo Tribunal Federal possa acarretar a imediata suspensão do julgamento de todos os processos que tratem da mesma matéria neste Conselho, necessária seria, a princípio, que fosse expressamente determinada também pelo relator a suspensão de todos os demais processos que tratassem da mesma matéria, o que, a rigor, efetivamente não se verifica no caso apontado.. Ocorre que, considerando que a expressa disposição do caput do dispositivo colhido do codex processual indica a possibilidade/necessidade de regulamentação do procedimento de reconhecimento da repercussão geral e da suspensão dos demais recursos pelo Regimento Interno daquele próprio Supremo Tribunal Federal, que, por sua vez, em relação ao procedimento a ser observado em relação aos recursos que tiverem reconhecida a repercussão geral, assim especificamente aponta: Fl. 2017DF CARF MF Impresso em 29/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 13629.004392/200814 Resolução nº 1301000.147 S1C3T1 Fl. 9 8 Art. 322 . O Tribunal recusará recurso extraordinário cuja questão constitucional não oferecer repercussão geral, nos termos deste capítulo. Parágrafo único. Para efeito da repercussão geral, será considerada a existência, ou não, de questões que, relevantes do ponto de vista econômico, político, social ou jurídico, ultrapassem os interesses subjetivos das partes. (...) Art. 325. O(A) Relator(a) juntará cópia das manifestações aos autos, quando não se tratar de processo informatizado, e, uma vez definida a existência da repercussão geral, julgará o recurso ou pedirá dia para seu julgamento, após vista ao ProcuradorGeral, se necessária; negada a existência, formalizará e subscreverá decisão de recusa do recurso. Parágrafo único. O teor da decisão preliminar sobre a existência da repercussão geral, que deve integrar a decisão monocrática ou o acórdão, constará sempre das publicações dos julgamentos no Diário Oficial, com menção clara à matéria do recurso. Art. 325A . Reconhecida a repercussão geral, serão distribuídos ou redistribuí dos ao Relator do recurso paradigma, por prevenção, os processos relacionados ao mesmo tema. A partir dessas disposições, colhidas do Regimento Interno do Colendo STF, verificase que aquela Corte, como regra, não promove a suspensão de seus próprios feitos, sendo a ‘prevenção’ do Ministro Relator a conseqüência própria e direta, decorrente do simples reconhecimento da apontada repercussão geral. Nesses termos, interpretando as disposições do Art. 62A do RICARF em consonância com as disposições do Art. 543B do CPC e, ainda, com as disposições próprias do Regimento Interno do Colendo STF, verificase que o simples e direto reconhecimento da repercussão geral do Recurso Extraordinário específico já impõe, per se, a impossibilidade de julgamento de todos os demais recursos existentes na Corte e, eventualmente, posteriormente recebidos, sendo, portanto, forçosa a conclusão de que, o simples reconhecimento da repercussão geral já seja perfeitamente suficiente para a aplicação daquelas disposições, e, portanto, a necessidade de sobrestamento do feito, nos termos ali então especificamente apontados. Diante dessas considerações, tendo vem vista que, conforme apontado, sendo a matéria discutidas nestes autos (regularidade da quebra de sigilo bancário promovida pelos agentes da Receita Federal com espeque nas disposições do Art. 6o da LC 105/2001) aquela mesma contida na discussão apontada do RE 601314 (Relator: MIN. RICARDO LEWANDOWSKI) aqui supra referenciado, perfeitamente aplicáveis se verificam, no caso, as disposições do Art. 62A do RICARF, importando, portanto, na necessidade de sobrestamento do feito até a ulterior apreciação do assunto por aquela suprema Corte, com a imposição, inclusive, da ulterior obrigatoriedade de reprodução de seus termos, conforme aqui, então, especificamente apontado. Em face dessas considerações, encaminho o meu voto no sentido de reconhecer, no caso, a perfeita aplicabilidade das disposições contidas no Art. 62A do Regimento Interno deste CARF ao presente caso, tendo em vista o reconhecimento da repercussão geral da matéria reconhecida pelo SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL nos autos do RE 601314 (Relator: MIN. RICARDO LEWANDOWSKI), determinando, assim, o sobrestamento do feito até a ulterior decisão a ser proferida naqueles autos, a ser aqui, então, ao final, especificamente reproduzida. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 2018DF CARF MF Impresso em 29/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 13629.004392/200814 Resolução nº 1301000.147 S1C3T1 Fl. 10 9 Fl. 2019DF CARF MF Impresso em 29/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 11080.918962/2012-32
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 25/05/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 89 62 /2 01 2- 32 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918962/201232 Acórdão n.º 3801005.140 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918962/201232 Acórdão n.º 3801005.140 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Na manifestação apresentada, a contribuinte argúi em preliminar a nulidade do Despacho Decisório, alegando o não atendimento ao requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios de ampla defesa, contraditório e do devido processo legal, estando, outrossim, revestido de desvio de finalidade. Expõe que o ato administrativo resumiuse a informar a não homologação da compensação declarada com o parco fundamento da inexistência de crédito disponível; entende que o procedimento correto da fiscalização seria o de intimar a contribuinte para que prestasse informações sobre a origem do crédito, bem como do fundamento de validade; e ressalta a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. Alega que o Despacho Decisório não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que carente de fundamentação, restando prejudicado o seu direito de defesa, e que também extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada. Diz que a autoridade preparadora deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações, apreensão de documentos, diligências, dentre outros expedientes. Sob o tema “Do Mérito”, discorre especificamente sobre o princípio da verdade material, citando diversos doutrinadores. Mas nada aduz sobre o origem do suposto crédito, apenas alegando a posterior juntada de documentos que comprovariam as ‘alegações trazidas na presente manifestação’, eis que o direito creditório, diz, pode ser comprovado a qualquer tempo. Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade da multa de mora em face do princípio constitucional de não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “ASSUNTO: ... Data do Fato Gerador: ... CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918962/201232 Acórdão n.º 3801005.140 S3TE01 Fl. 5 4 A ausência de pedido de esclarecimentos ou realização de diligência na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. 1PIS/PASEP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório pleiteado. MULTA E JUROS DE MORA. DÉBITOS NÃO HOMOLOGADOS. Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência de multa e juros de mora, nos percentuais determinados pela legislação, calculados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento da contribuição até o dia em que se efetivar o seu pagamento, uma vez que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. 1 Nos processos em que o crédito alegado se refere à Cofins, consta COFINS. Nos processos em que o crédito seria originado de Contribuição para o PIS/Pasep, consta PIS/PASEP. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918962/201232 Acórdão n.º 3801005.140 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918962/201232 Acórdão n.º 3801005.140 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918962/201232 Acórdão n.º 3801005.140 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918962/201232 Acórdão n.º 3801005.140 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918962/201232 Acórdão n.º 3801005.140 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10783.725317/2011-15
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
PREVIDENCIÁRIO. AUXILIO ALIMENTAÇÃO
O pagamento do auxílio-alimentação mediante Vale Refeição é legal e tem previsão na forma da orientação do item III do Portal do Ministério do Trabalho - http://portal.mte.gov.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.798
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (relator), e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente e Relator
Ivacir Julio de Souza Redator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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AUXILIO ALIMENTAÇÃO O pagamento do auxílioalimentação mediante Vale Refeição é legal e tem previsão na forma da orientação do item III do Portal do Ministério do Trabalho http://portal.mte.gov. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 53 17 /2 01 1- 15 Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 06/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (relator), e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Ivacir Julio de Souza – Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim. Fl. 1263DF CARF MF Impresso em 06/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10783.725317/201115 Acórdão n.º 2403001.798 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, Acórdão 12045.105 da 14ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: O presente processo identificado no sistema COMPROT com o nº 10783.725317/201115, abrange os lançamentos identificados pelos DEBCAD nº 51.005.3556 (concernente ao levantamento AL ALIMENTAÇÃO SERVIDORES) e 51.005.3564 (concernente ao levantamento FPFOLHA DE PAGAMENTO). 2. Conforme esclarece o relatório fiscal de fls. 25/32: (...) 3. Este Relatório Fiscal integra o PROCESSO – COMPROT nº 10783.725317/201115, relativo aos Autos de Infração abaixo relacionados: Auto de Infração AIOP/ DEBCAD nº 51.005.3556, lavrado por descumprimento de obrigação principal. Referese às contribuições previdenciárias, incidentes sobre os valores do benefício Vale Alimentação fornecido aos servidores municipais regidos pelo Regime Geral de Previdência Social – RGPS, em desacordo com a legislação previdenciária. Auto de Infração – AIOP/DEBCAD nº 51.005.3564, lavrado por descumprimento de obrigação principal. Referese às contribuições previdenciárias, incidentes sobre diferenças de remunerações pagas ou creditadas a servidores municipais regidos pelo Regime Geral de Previdência Social – RGPS. (...) 5. Dos Autos de Infração que compõem o processo administrativo fiscal: Auto de Infração – AIOP/DEBCAD nº 37.295.6874 O Município de Viana deixou de recolher, em épocas próprias, as contribuições previdenciárias, previstas no artigo 22, inciso I e II, da Lei nº 8.212/91, combinado com os artigos 201, inciso I e 202, do RPS, incidentes sobre as remunerações relativas ao benefício Vale Alimentação, não declaradas em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, fornecido a Fl. 1264DF CARF MF Impresso em 06/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA 4 servidores municipais regidos pelo RGPS, em desacordo com a legislação previdenciária. (...) O lançamento do débito referese ao período de jan/2009 a dez/2009, envolvendo o seguinte levantamento no Discriminativo do Débito – DD: AL – ALIMENTAÇÃO – SERVIDORES: referese a benefício fornecido a servidores municipais a título de ALIMENTAÇÃO em desacordo com a Lei nº 6.321, de 14/04/1976, e não considerado pelo contribuinte como salário de contribuição. Para que essa parcela “in natura” não integre o salário de contribuição, esta deve ser fornecida de acordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador –PAT, sendo irrelavante se o benefício é concedido a título gratuito ou a preço subsidiado. O PAT é um programa instituído pela Lei nº 6.321, de 14/04/1976, destinado a melhorar o estado nutricional do trabalhador visando, antes de tudo, a promover a saúde e prevenir as doenças profissionais, decorrentes de uma alimentação deficiente, sendo necessário que a empresa beneficiária do programa esteja inscrita no mesmo.... O contribuinte adquiriu vales alimentação da empresa Sodexo Pass do Brasil Serviços e Comércio S.A. – CNPJ: 69.034.668/000156 e distribuiu a servidores municipais Os valores dos vales alimentação fornecidos aos servidores municipais constam em relações fornecidas pelo contribuinte, juntadas por amostragem no presente relatório, tendo sido anexados também registros contábeis relativos aos empenhos pagos/liquidados, relativos ao benefício fornecido.... Auto de Infração – AIOP/DEBCAD nº 51.005.3564 O município de Viana deixou de recolher, em épocas próprias, contribuições previdenciárias patronais, previstas no artigo 22, inciso I e II, da Lei nº 8.212/91, combinado com os artigos 201, inciso I e 202, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999, incidentes sobre as remunerações, não declaradas ou declaradas a menor em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, pagas ou creditadas a servidores municipais sujeitos ao RGPS. (...) O lançamento do débito referese ao período de fev/2009 a dez/2009, inclusive décimo terceiro salário, envolvendo o seguinte levantamento no Discriminativo do Débito – DD. FP – FOLHA DE PAGAMENTO Fl. 1265DF CARF MF Impresso em 06/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10783.725317/201115 Acórdão n.º 2403001.798 S2C4T3 Fl. 4 5 A diferença do salário de contribuição sobre o qual incide as contribuições previdenciárias foi apurado com base em valores constantes em folhas de pagamentos apresentadas em arquivos digitais pelo contribuinte, confrontados com os valores declarados em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. Constituem fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas as remunerações pagas ou creditadas a servidores municipais que prestaram serviços ao município de Viana, não declaradas ou declaradas a menor em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. O valor originário do débito corresponde, assim, em cada competência, ao montante das contribuições previdenciárias incidentes sobre o salário de contribuição apurado sobre os fatos geradores acima citados, abatido deste, os valores recolhidos através de Guias da Previdência Social – GPS. (...) As bases de cálculo e as respectivas contribuições previdenciárias apuradas em cada competência constam em planilhas anexas. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: · Nulidade. Ausência de fundamentação clara e precisa dos fatos e subsunção destes aos dispositivos legais. · Formatação confusa do auto de infração. · Município recolheu a totalidade das contribuições incidentes sobre a folha. · Auxílio alimentação é verba indenizatória, não sujeita à incidência. · Autuação contemplou a totalidade dos servidores, inclusive os vinculados a regime próprio (alimentação). · A inscrição no PAT é mero ato administrativo, não serve para mudar a natureza indenizatória do auxílio alimentação. É o relatório Fl. 1266DF CARF MF Impresso em 06/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA 6 Voto Vencido Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA A recorrente pleiteia pela nulidade alegando ausência de fundamentação clara e precisa dos fatos e subsunção destes aos dispositivos legais. Entendo não procedente tal pleito. Inicialmente, a nulidade depende de prejuízo causado à parte. Não constato a presença de prejuízo. Lendo o Relatório Fiscal e o os relatórios Fundamentos Legais dos Débitos, entendo bem descrita a situação fática inclusive com um conjunto de planilhas contendo batimento entre folha e GFIP, discriminação dos valores não declarados em GFIP por servidor, salário maternidade e salário família, valores relativos à alimentação discriminado por servidor, apropriação dos documentos apresentados,etc. Também entendi correta a fundamentação legal do lançamento apresentada. Exemplificando, transcrevo trecho do Relatório Fiscal onde fica claro que o Auto de Infração AIOP/ DEBCAD nº 51.005.3556 foi lavrado por descumprimento de obrigação principal. incidente sobre os valores do benefício Vale Alimentação fornecido aos servidores municipais regidos pelo Regime Geral de Previdência Social – RGPS, em desacordo com a legislação previdenciária e o Auto de Infração – AIOP/DEBCAD nº 51.005.3564, foi lavrado por descumprimento de obrigação principal incidente sobre diferenças de remunerações pagas ou creditadas a servidores municipais regidos pelo Regime Geral de Previdência Social – RGPS. 3. Este Relatório Fiscal integra o PROCESSO – COMPROT nº 10783.725317/201115, relativo aos Autos de Infração abaixo relacionados: Auto de Infração AIOP/ DEBCAD nº 51.005.3556, lavrado por descumprimento de obrigação principal. Referese às contribuições previdenciárias, incidentes sobre os valores do benefício Vale Alimentação fornecido aos servidores municipais regidos pelo Regime Geral de Previdência Social – RGPS, em desacordo com a legislação previdenciária. Auto de Infração – AIOP/DEBCAD nº 51.005.3564, lavrado por descumprimento de obrigação principal. Referese às contribuições previdenciárias, incidentes sobre diferenças de remunerações pagas ou creditadas a servidores municipais regidos pelo Regime Geral de Previdência Social – RGPS. Fl. 1267DF CARF MF Impresso em 06/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10783.725317/201115 Acórdão n.º 2403001.798 S2C4T3 Fl. 5 7 RECOLHIMENTO DA TOTALIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES Alega a recorrente que recolheu a totalidade das contribuições incidentes sobre a folha. Tal alegação vem desacompanhada de provas. Conforme citado acima, um dos relatórios apresentados no lançamento foi o Relatório de Apropriação dos Documentos Apresentados, que demonstra como as guias de recolhimento ou parcelamentos apresentados para a fiscalização foram apropriadas. Pelo contido no processo, entendo correto o lançamento. TRIBUTAÇÃO DA ALIMENTAÇÃO Alega a recorrente que o auxílio alimentação é verba indenizatória, não sujeita à incidência, que a autuação contemplou a totalidade dos servidores, inclusive os vinculados a regime próprio e que a inscrição no PAT é mero ato administrativo, não serve para mudar a natureza indenizatória do auxílio alimentação. Entendo que não cabe razão à recorrente pelas razões abaixo. A regra geral é a tributação da totalidade dos rendimentos do trabalhador, inclusive os ganhos sob a forma de utilidades. O inciso I do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991, assim dispõe sobre o saláriode contribuição: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). O art. 458 da CLT assevera a natureza salarial do benefício. Logo, uma vez que se subsume ao conceito de saláriodecontribuição, somente outro dispositivo legal seria idôneo para o excluir da base de cálculo da contribuição: Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações “in natura” que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. (...)Grifamos Fl. 1268DF CARF MF Impresso em 06/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA 8 Assim o fez a Lei nº 8.212/91 em sua alínea “c”, do §9º do artigo 28; no entanto, somente para as parcelas in natura e para as empresas inscritas no Programa de Alimentação do Trabalhador: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; No caso sob exame, conforme descrito no Relatório Fiscal, o pagamento foi feito por meio de vales alimentação, o que fere a condição estabelecida para a não incidência que é ser in natura. O contribuinte adquiriu vales alimentação da empresa Sodexo Pass do Brasil Serviços e Comércio S.A. – CNPJ: 69.034.668/000156 e distribuiu a servidores municipais Os valores dos vales alimentação fornecidos aos servidores municipais constam em relações fornecidas pelo contribuinte, juntadas por amostragem no presente relatório, tendo sido anexados também registros contábeis relativos aos empenhos pagos/liquidados, relativos ao benefício fornecido. Para a questão de o lançamento incluir servidores regidos por regime previdenciário próprio do município, novamente constato a falta de comprovação. A planilha relativa à alimentação discrimina os valores por servidor, o que permitiria identificar os regidos por regime próprio e comprovar o erro alegado. Além disso, o Relatório Fiscal, quando cita a que se refere o lançamento especifica que abrange apenas os servidores municipais regidos pelo Regime Geral de Previdência Social – RGPS. Auto de Infração AIOP/ DEBCAD nº 51.005.3556, lavrado por descumprimento de obrigação principal. Referese às contribuições previdenciárias, incidentes sobre os valores do benefício Vale Alimentação fornecido aos servidores municipais regidos pelo Regime Geral de Previdência Social – RGPS, em desacordo com a legislação previdenciária. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 1269DF CARF MF Impresso em 06/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10783.725317/201115 Acórdão n.º 2403001.798 S2C4T3 Fl. 6 9 Voto Vencedor Conselheiro Ivacir Julio de Souza – Redator Designado Com elevado respeito às considerações tecidos pelo i. Conselheiro Relator do voto vencido, ouso divergir pelas razões a seguir expostas: Extraído da condução do voto vencido, eis que o texto abaixo transcrito traduz a síntese da motivação que produziu o convencimento do Relator para negar provimento: "No caso sob exame, conforme descrito no Relatório Fiscal, o pagamento foi feito por meio de vales alimentação, o que fere a condição estabelecida para a não incidência que é ser in natura. O contribuinte adquiriu vales alimentação da empresa Sodexo Pass do Brasil Serviços e Comércio S.A. – CNPJ: 69.034.668/000156 e distribuiu a servidores municipais Os valores dos vales alimentação fornecidos aos servidores municipais constam em relações fornecidas pelo contribuinte, juntadas por amostragem no presente relatório, tendo sido anexados também registros contábeis relativos aos empenhos pagos/liquidados, relativos ao benefício fornecido" No Portal do Ministério do Trabalho http://portal.mte.gov.br encontram se, entre outros , os esclarecimentos abaixo transcritos: "III. Prestação de serviço de alimentação coletiva: o empregador contrata empresa terceira registrada no PAT para operar o sistema de documentos de legitimação (tíquetes, vales, cupons, 7 cheques, cartões eletrônicos), nos seguintes modos: a) refeiçãoconvênio ou valerefeição, no qual os documentos de legitimação podem ser utilizados apenas para a compra de refeições prontas na rede de estabelecimentos credenciados (restaurantes e similares); b) alimentaçãoconvênio ou vale alimentação, no qual os documentos de legitimação podem ser utilizados apenas para a compra de gêneros alimentícios na rede de estabelecimentos credenciados (supermercados e similares). " Não obstante o encimado, muito embora já tenha me expressado de forma diferente noutros julgados, evoluí e entendo que o auxílio alimentação pago aos empregados segurados não perde a sua natureza jurídica pelo simples fato da ausência de a inscrição da empresa recorrente no PAT e, por conta disso, não deve haver incidência de contribuição previdenciária sobre estas rubricas. De fato, não há que se falar em incidência de contribuições previdenciárias sobre o valor pago, a título de auxílioalimentação fornecido com a finalidade de subsidiar a refeição do empregado, independentemente de inscrição da empresa ao Programa de Alimentação ao Trabalhador – PAT, por possuir natureza indenizatória. Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 06/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA 10 Os acórdãos abaixo, julgados neste egrégio Conselho corroboram tal entendimento: 2302002.294, 2803002.569, 2803002.311, 2401003.122, 2403001.753 , 2403001.938 , 2402003.591 e 2402002.671. Em reforço a tudo que fora dito aduz que no Ato Declaratório Nº 3/2011, também a PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL, desiste de litigar em sentido oposto, verbis; “ ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Brasília, 20 de dezembro de 2011. ” Traduzida à letra, a expressão in natura quer dizer apenas «na natureza». No entanto, os contextos em que é habitualmente utilizada autorizam e requerem traduções mais amplas: «no estado que se encontra na natureza», «no seu estado natural», «não transformado». No caso em tela a expressão ficou mitigada pelo conteúdo do Portal do Ministério do Trabalho http://portal.mte.gov.br quando flexibilizou o pagamento mediante tíquetes, vales, cupons, 7 cheques, cartões eletrônicos. "III. Prestação de serviço de alimentação coletiva: o empregador contrata empresa terceira registrada no PAT para operar o sistema de documentos de legitimação (tíquetes, vales, cupons, 7 cheques, cartões eletrônicos), nos seguintes modos: a) refeiçãoconvênio ou valerefeição, no qual os documentos de legitimação podem ser utilizados apenas para a compra de refeições prontas na rede de estabelecimentos credenciados (restaurantes e similares); b) alimentaçãoconvênio ou vale alimentação, no qual os documentos de legitimação podem ser utilizados apenas para a compra de gêneros alimentícios na rede de estabelecimentos credenciados (supermercados e similares). " Em razão de tudo que foi exposto, os créditos constituídos pelo DEBCAD nº 51.005.3556 (concernente ao levantamento AL ALIMENTAÇÃO SERVIDORES ), devem ser excluídos da tributação. CONCLUSÃO Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 06/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10783.725317/201115 Acórdão n.º 2403001.798 S2C4T3 Fl. 7 11 Divergindo do i. Conselheiro Relator, dou provimento as alegações da Recorrente para excluir do lançamento os créditos constituídos pelo DEBCAD nº 51.005.3556 (concernente ao levantamento AL ALIMENTAÇÃO SERVIDORES). É como voto. Ivacir Júlio de Souza Fl. 1272DF CARF MF Impresso em 06/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA
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Numero do processo: 15504.731239/2012-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
DIFERIMENTO DO LUCRO DAS PARCELAS NÃO RECEBIDAS DE ÓRGÃOS PÚBLICOS. ARTIGO 409 DO RIR/99.
O fornecedor de bens/serviços em virtude de contratos com entes públicos pode reconhecer, pelo regime de caixa, as receitas decorrentes desses contratos de longo prazo. Aplicação do disposto no artigo 409 do RIR/99.
Recurso de ofício conhecido e não provido.
Numero da decisão: 1201-001.120
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL CORREIA FUSO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e André Almeida Blanco.
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
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ARTIGO 409 DO RIR/99. O fornecedor de bens/serviços em virtude de contratos com entes públicos pode reconhecer, pelo regime de caixa, as receitas decorrentes desses contratos de longo prazo. Aplicação do disposto no artigo 409 do RIR/99. Recurso de ofício conhecido e não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO Presidente. (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e André Almeida Blanco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 73 12 39 /2 01 2- 73 Fl. 4502DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 2 Relatório Tratase de Auto de Infração que cobra da contribuinte Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, no valor de R$10.746.146,68, cumulado com multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora, bem como Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, no valor de R$4.560.708,25, cumulado com multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, no valor de R$3.040.679,74, cumulada com multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora. A tributação está fundada na desconsideração efetuada pela Fiscalização de Sociedades em Conta de Participação – SCP, utilizadas pelo Contribuinte, Construtora Aterpa, que na qualidade de sócio ostensivo se valeu de tais sociedades para diminuir ou reduzir os montantes do imposto e da contribuição a pagar, nos períodos de 2007 e 2008. Nas palavras do Fisco, aconteceu um “regime híbrido de Lucro Real e Lucro Presumido”, que beneficiou a Construtora Aterpa, obrigada à apuração do lucro real, pois sua receita excede ao limite legal de R$48.000.000,00. Houve, pois, a recomposição do lucro real e base de cálculo da CSLL, pela adição dos resultados das SCPs em questão. Já em relação ao IRRF, foram considerados pagamentos sem causa os valores entregues à empresa Alicerce como se distribuição de lucros fossem decorrentes de supostas SCPs (Obras 193 e 196). As multas de ofício foram qualificadas, no percentual de 150%, porque a Fiscalização entendeu que a conduta do contribuinte valendose de SCPs inexistentes ou formalmente criadas sem propósito negocial, o que se traduziu em regime híbrido de tributação, misto de lucro real com presumido, e recolhimento a menor do IRPJ e da CSLL que seriam devidos caso tal engenharia tributária não fosse perpetrada (apuração normal do lucro real para a totalidade das suas operações), caracterizou o evidente intuito de fraude, como definido na Lei nº 4.502, de 1964, arts. 71 a 73. Vejamos as descrições dos fatos detalhados segundo o relatório da DRJ: Na descrição dos fatos, a Fiscalização fez as anotações abaixo transcritas: “LANÇAMENTO DO IRPJ Comprovado que as SCPs irregulares não tiveram existência real, devemse verificar os efeitos tributários dos fatos observados. Desconsiderando o resultado da SCP como sociedade, devese adicionar seu resultado na empresa ostensiva: ATERPA. Operase a adição da receita da SCP ao Lucro Real da ostensiva e excluemse as despesas. Observase que não se equivale à glosa da exclusão do resultado em SCP no LALUR relativa a esta SCP, pois todo o resultado deve ser adicionado e não apenas a suposta participação percentual na SCP. Os valores recolhidos como se fossem da SCP (pelo lucro presumido) serão compensados do valor apurado. Tudo conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal e Fl. 4503DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 15504.731239/201273 Acórdão n.º 1201001.120 S1C2T1 Fl. 3 3 demonstrativos anexos, que fazem parte integrante deste auto de infração. (...) LANÇAMENTO DO IRRF Constatouse o não recolhimento do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre pagamentos sem causa, relativos aos valores entregues à empresa ALICERCE como se distribuição de lucro fossem. Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, que faz parte integrante deste auto de infração, a SCP não teve existência real, portanto deve se verificar os efeitos tributários dos fatos observados. Uma vez desconsiderados os resultados os resultados da SCP como sociedade, verificouse que os pagamentos efetuados pela ATERPA à ALICERCE se revestiram de pagamentos sem causa, incidindo o IR na Fonte, nos termos do § 1º do art. 61, da Lei nº 8.961, de 1995.” I.2 DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL – TVF (FLS. 23/45). Eis os principais pontos abordados pela Fiscalização. 1 – INTRODUÇÃO A CONSTRUTORA ATERPA é uma sociedade anônima fechada e tem por objetivo a prestação dos serviços de construção civil, industrial, rodoviária e ferroviária; serviços gerais em área de exploração de jazida de minério, incluindo escavação, carga e transporte de material; empreendimentos imobiliários; participação em concessões de serviços públicos e urbanização e o saneamento, alcançando este a coleta de lixo, o aterro sanitário e quaisquer outros serviços de limpeza urbana e industrial; a locação e exploração de áreas para estacionamento de veículos; a participação societária; podendo importar e exportar. (ver estatuto e alterações às fls. 2277). Para o anocalendário de 2007 e 2008 a empresa apurou o IRPJ pelo Lucro Real Anual, sendo que formou diversas Sociedades em Conta de Participação – SCPs as quais foram tributadas pelo Lucro Presumido (DIPJ às fls. 2382/2467). 2 – DOS FATOS Constatouse que a empresa utilizouse da criação fictícia de Sociedades em Conta de Participação – SCP com a participação de sócio interdependente, com o único objetivo de economia fiscal, transformando parte significante de seu faturamento em Lucro Presumido, o que seria vedado à empresa ostensiva. E de outro lado, por meio de associação com terceiros efetuar pagamentos em causa revestidos de distribuição de lucro. Os fatos apresentados irão compor o conjunto de evidências que se inferirão nas provas do artificialismo do negócio. Serão Fl. 4504DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 4 demonstradas as fragilidades dos documentos societários, ausência de propósito negocial sério, descompassado entre o preço e a participação adquirida, ausência de pagamento relevante, falta de execução material do contrato pelos sócios ocultos, a utilização de empresa veículo com participação de empresa do mesmo grupo, com interdependência entre as partes envolvidas, tempo reduzido entre o aporte e a distribuição de lucros (obras 193 e 196), cláusulas e documentos alterados para neutralizar os efeitos indesejáveis do negócio indireto, entre outras. 2.1. ANÁLISE DAS OBRAS 193 E 196 A ATERPA foi intimada (fls. 104) a apresentar eventuais participações das sócias ocultas que não fossem apenas os aportes realizados (participações que não fossem meramente de capital). Para tanto foi solicitada a apresentação de possíveis ARTs/CREA bem como outros documentos e comprovantes de participação nas obras das duas outras sócias ocultas: da sócia CVA CONSTRUTORA VALE DO AÇO LTDA (hoje incorporada pela própria ATERPA) e da sócia ALICERCE EMPREENDIMENTOS LTDA nas obras 193 e 196. Não houve nenhuma resposta da ATERPA. Foi lavrado o Termo de Constatação Fiscal nº 12, com ciência por AR em 07/0/2012 (fls. 148), para consubstanciar a negativa de prestação de informação por parte da intimada. Diante da negativa de informação por parte da sócia ostensiva, foi aberta uma diligência na sócia oculta ALICERCE. Não foi aberta igual diligência na sócia oculta CVA porque esta foi incorporada pela própria sócia ostensiva, portanto não se obteria resposta diferente. Em resposta, a ALICERCE alegou que não prestou nenhum serviço de engenharia em favor das SCPs. Alega ter sido apenas sócia participante e não participou como prestadora de serviço (fls. 112). Tal afirmativa demonstra a fragilidade do contrato que estipulava (fls. 2124): “CLÁUSULA QUARTA – APORTES E PARTICIPAÇÕES As sócias dividirão o resultado da obra proporcionalmente as suas participações, sendo que as partes terão ainda as seguintes obrigações: (i) a sócia participante ALICERCE, será responsável pelo acompanhamento técnico dos trabalhos, pelo oferecimento das garantias financeiras exigidas, pelo levantamento topográfico e pelo acompanhamento da qualidade e produtividade na execução dos serviços, além da fiscalização do cumprimento do cronograma físicofinanceiro da obra:”. A ALICERCE se declarou ser apenas uma sócia capitalista, que investe uma importância em um empreendimento no intuito de obtenção de lucro ao final. Os fatos, entretanto, levam a conclusão de que houve uma simulação de sociedade para ocultar um pagamento cuja causa não foi possível apurar no desenvolver do procedimento fiscal, haja vista que a intenção Fl. 4505DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 15504.731239/201273 Acórdão n.º 1201001.120 S1C2T1 Fl. 4 5 real foi ofuscada por um contrato fictício que aqui se pretende demonstrar. 2.2. DO CONTRATO DE CONSTITUIÇÃO DAS SCPs E SUAS INCONSISTÊNCIAS – OBRAS 193 e 196 2.2.1 SCP ITAJUBÁ – OBRA 193 ATERPA CVA E ALICERCE Para esta SCP foram constituídos dois instrumentos de contrato diferentes, ambos datados de 02/02/2007, com o mesmo objeto e cláusulas semelhante, divergindo apenas na Cláusula Quarta: “Aportes e Participações”, cujo parágrafo único apresentado pela ATERPA e pela ALICERCE possuem as seguintes composições: Participação Apresent. ATERPA Apresent. ALICERCE ALICERCE 45% 22,261% ATERPA 53% 75,739% CVA 2% 2% Tudo indica que o contrato apresentado pela ALICERCE foi elaborado em um segundo momento, visando alterar o documento original para se neutralizar os efeitos indesejáveis do negócio indireto. Tanto assim que a única outra discrepância constante nos instrumentos de contratos é que no primeiro (apresentado pela ATERPA) consta a assinatura do Sr. Wanderly Aparecido Siqueira como testemunha, já no segundo (apresentado pela ALICERCE) tal assinatura é omitida. Resta a dúvida se o Sr. Wanderly, que é contador CRC/MG 086712/07, não foi encontrado ou não quis assinar este segundo contrato refeito (fls. 119 e 2126). O Fisco constatou outra inconsistência. As partes concordaram que a participação nos lucros seria proporcional aos aportes, sendo que a ALICERCE, em declaração apresentada, afirma ter realizado apenas um aporte no valor de R$30.000,00 no dia 30/11/2007 e recebeu em menos de quatro meses uma distribuição de lucro no valor de R$1.250.000,00 e mais R$612.900,00 logo em seguida no dia 18/04/2008 (fls. 112 e 113). Ou seja, com um investimento ínfimo de 30 mil obteve no prazo médio de quatro meses um retorno de 1,86 milhões, ou 62,1 vezes o capital aplicado. Não se concebe que qualquer aplicação, por mais especulativo e arriscado que seja o mercado, dê vultuoso retorno, nem em agiotagem se consegue tal margem. O tempo reduzido entre o aporte e a distribuição de lucros é visivelmente irregular, sendo o período entre o aporte (30/11/2007) e a distribuição do lucro (13/03/2008) de pouco mais de três meses, enquanto a obra começou em fevereiro de 2007 e se estendeu até agosto de 2008. Fl. 4506DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 6 A conclusão a que se chega é que na época do aporte de 30 mil e do saque logo em seguida de R$1.250.000,00 (final de 2007 e início de 2008), ainda não havia uma previsão certa do resultado final. Uma vez apurado o lucro e lavrado o Termo de Encerramento e Quitação de Obrigações Societária em novembro de 2008 (fls. 120), constataram que o valor anteriormente pago estaria menor do que o devido pela participação de 45%. Desta forma, refezse o contrato com a participação proporcional ao valor que se pretendia pagar a ALICERCE. Tratase de uma conta de chegada inversa partindo do resultado para se obter a participação proporcional. Percebese que no segundo contrato os valores são fracionados até o terceiro dígito, visando fechar a conta em valores exatos. A proporcionalidade, ou não proporcionalidade, nos aportes é outra inconsistência do contrato (ver fls. 117 e razão fls. 440 e 592). O Fisco resumiu os aportes no quadro a seguir: % contratual Aportes realizados R$ Participação efetiva ALICERCE 45% ou 22,61% 30.000,00 0,15% ATERPA 53% ou 75,739% 20.211.714,88 98,22% CVA 2% 3 36.912,50 1,63% 20.578.627,38 100,00% Constatouse aqui a fragilidade dos documentos societários, ausência de propósito negocial sério, tempo reduzido entre o aporte e a distribuição de lucros, descompasso entre o preço e a participação adquirida, ausência de pagamento relevante e falta de execução material do contrato pelos sócios ocultos. Conclui se que tal contrato é meramente um instrumento de planejamento tributário, visando conferir aparente legalidade para um pagamento sem causa, como se fosse distribuição de lucro. 2.2.2 SCP EMERGÊNCIA BR 040 – OBRA 196 ATERPA CVA E ALICERCE Não se constatou duplicidade de contrato, sendo que as participações tiveram as seguintes composições (fls. 122 e 2130): Participação Apresentado por ambas ALICERCE 45% ATERPA 53% CVA 2% A inconsistência novamente se refere à participação nos aportes previstos nesta mesma cláusula. As partes concordaram que a participação nos lucros seria proporcional aos aportes, sendo que a ALICERCE, em declaração apresentada (fls. 112 e 113), afirma ter realizado apenas um aporte no valor de R$15.000,00 no dia 30/11/2007 e recebeu no decurso de ONZE Fl. 4507DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 15504.731239/201273 Acórdão n.º 1201001.120 S1C2T1 Fl. 5 7 DIAS (dia 11/12/2007) uma distribuição de lucro no valor de R$978.055,00 e mais R$2.045,26 em 30/02/2008 somando R$980.100,26. Ou seja, com um investimento ínfimo de 15 mil obteve no prazo de 11 dias um retorno de 980 mil, numa taxa de 65,3 vezes o capital aplicado. A obra começou em abril de 2007 e se estendeu até março de 2008. Neste caso não houve a necessidade de ajuste final, pois o aporte de 15 mil realizado em 30/11/2007 e distribuição do lucro de 2007 se deram concomitantes com o final da obra, conforme se verifica no DRE e no Razão 2008. Desta feita não foi necessário confeccionar outro contrato para se fechar a conta, mas foi preciso outra manobra: no lançamento contábil de distribuição de lucros no histórico consta uma justificativa para o pagamento diferente do previsto no contrato: “pelo resultado da apurado da SCP desconsiderando o valor da depreciação como encargo só da Construtora Aterpa” (fls. 629 e 632). A seguir são demonstrados os valores contratuais e os valores ajustados: (...) A não proporcionalidade nos aportes, mais uma vez, é outro indício da inconsistência do contrato. Ressaltese que no suposto contrato há uma cláusula afirmando que a distribuição do lucro seria proporcional ao aporte. % contratual Aportes realizados Participação efetiva ALICERCE 45 15.000,00 1,059% ATERPA 53 1.401.785,28 98,941% CVA 2 1.340,00 0,095% 1.416.785,28 100,00% Concluise que tal contrato é meramente um instrumento de planejamento tributário, visando conferir aparente legalidade para um pagamento sem causa, como se fosse distribuição de lucro, além de propiciar a tributação pelo Lucro Presumido o faturamento desta obra ostensiva. 2.3. SALDO DEVEDOR DA CONTA DE APORTE – (Todas SCPs). Outro indício que tais SCPs não se revestem de realidade pode ser observado pela análise da própria conta de aportes. Este fato é nítido nas SCPs 193 e 196, mas igualmente presente nas demais analisadas neste trabalho fiscal. Nas contas de capital código “2.5.1 Aportes de Capital SCP” são lançados os valores das participações, mas ao receber uma Fl. 4508DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 8 Fatura/Nota Fiscal a ATERPA retém o valor em seu disponível (na contabilidade da ostensiva) e lança a débito na Conta de Capital. Há uma confusão patrimonial a tal ponto que em determinados momentos a conta se torna devedora, o que não é possível pelas normas contábeis. 2.4. ANÁLISE DAS DEMAIS SCPs IRREGULARES FORMADAS COM A SÓCIA INTERDEPENDENTE CVA. A ATERPA utilizouse da criação fictícia de SCPs, com participação social insignificante da empresa ligada CVA, para transformar grande parte de seu faturamento em Lucro Presumido, no coeficiente de presunção de apenas 8%. E de outro lado manteve na apuração da ostensiva as receitas suficientes para absorver a maioria dos custos e despesas, projetando um faturamento suficiente apenas para não gerar prejuízo. Este planejamento leva a empresa ostensiva, optante pelo Lucro Real, a selecionar apenas as obras menos rentáveis, de forma a reduzir ao máximo sua base de cálculo, ou absorver a maior parte dos custos/despesas indiretos na própria ostensiva, tais como Juros sobre o Capital Próprio, Despesas Administrativas e outros. Abaixo vemos o quadro demonstrando a proporção de receita e lucro da parte do L. Real (ostensiva) e L. Presumido (SCPs). 2 0 0 7 2 0 0 8 Receita Lucro % Receita Lucro % 69.655.714,89 3.090.074,13 4% 120.226.263,36 1.220.222,73 1% 47.952.591,94 17.046.013,95 36% 26.080.597,92 5.684.042,67 22% Obs: o lucro da ostensiva está expurgado o resultado das SCPs. A memória de cálculo para a geração da tabela acima se encontra em anexo (fls. 46 a 71). O resultado contábil médio das SCPs analisada foi de mais de 20% sendo tributadas no coeficiente de presunção de lucro de 8%, enquanto as obras que permaneceram com a ostensiva junto com os custos/despesas gerais resultaram em lucro líquido (excluindo as participações em SCPs) de 4% em 2007 ou apenas 1% em 2008. A formação de SCPs pressupõe a criação de uma joint venture, em que há um compartilhamento de tecnologia ou de investimentos. Um modelo típico de joint venture seria a transação entre o proprietário de um terreno de excelente localização e uma empresa de construção civil, interessada em levantar um prédio sobre o local. No caso das obras de construção civil que são objeto das SCPs analisadas, verificase que são projetos cuja licitação já fora vencida pela ATERPA, a tecnologia e o próprio (knowhow) é todo da ATERPA, o capital utilizado, mão de obra e maquinário também é todo da ATERPA, a empresa sócia CVA é totalmente dispensável. Fl. 4509DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 15504.731239/201273 Acórdão n.º 1201001.120 S1C2T1 Fl. 6 9 Ao compor contratos combinados entre partes interdependentes foi possível a criação artificial de sociedades sem nenhum propósito negocial, cujo único objetivo é a diminuição da tributação. A empresa pode optar indevidamente pelo Lucro Presumido contrariando a norma cogente proibitiva, além de ferir o princípio constitucional da Capacidade Contributiva. Vale destacar que CVA – Construtora Vale do Aço Ltda era uma empresa cujos sócios eram vinculados à ATERPA, como demonstra a participação societária em 2006. E em 2009 a própria ATERPA se torna sócia da CVA (fls. 2754). Outra evidencia que a CVA era empresa ligada a ATERPA foi a constatação da existência de mútuo entre elas, em que a CVA era credora de mais de 12 milhões da ATERPA, mas nenhuma das duas escriturou eventuais juros passivos ou ativos. Ou seja, o contrato era gracioso e não havia busca de lucro interno do grupo, o que corrobora para o entendimento que os aportes realizados nas SCPs pela CVA não revestiam de verdadeiro interesse societário, pois esta emprestava vultosas quantias sem juros para sua empresa mãe. O investimento em eventual SCP como sócia capitalista minoritária era irrelevante. 2.5. DAS INCONSISTÊNCIAS DOS APORTES E PARTICIPAÇÕES SCPs nº 158, 179, 186, 191, 192 E 197. Mais uma vez, pela análise dos fatos contábeis registrados na escrita das SCPs conseguese obter as provas indiciárias suficientes para se concluir que ocorreu a simulação do negócio celebrado. Nas contas contábeis de aportes das citadas SCPs (conta 2.5.1 “Aportes de Capital SCP”) constatase substancial presença de inconsistências, como descrito a seguir em cada SCP. 2.5.1 SCP Aterpa – CVA – Obra 158 O instrumento de constituição da SCP assim discrimina (fls. 2136): (...) Como se verifica o contrato previa uma obra cuja licitação foi vencedora a ATERPA. O valor estimado era de R$2.618.350,00, sendo que efetivamente gerou receitas no total de R$ 14.458.582,50 e lucro escriturado de R$6.088.220,40. Para tanto a CVA deveria receber R$304.411,02. Abaixo demonstrase a inconsistência dos aportes previstos e realizados (fls. 1560, 1612 e 1673): Aportes Previstos CVA 5% ATERPA 95% Realizado em 2006 30.660,00 1.704.783,12 Realizado em 2007 43.025,00 2.109.313,10 Realizado em 2008 36.165,00 7.175.905,57 Fl. 4510DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 10 Total 109.250,00 10.990.001,79 Aporte Realizado 1,0% 99% O aporte da CVA foi de apenas 1%, valor insignificante, desproporcional e dispensável. 2.5.2 SCP Aterpa – CVA – Obra 179 No contrato (fls. 2142), obtiveramse receitas no total de R$14.714.831,75 e lucro escriturado de R$5.181.016,32. Para tanto a CVA deveria receber 2% ou R$103.620,33. Até 2007 sua participação era apenas 1,46% (fls. 798 e 1734). Entretanto em 2008 no encerramento da SCP são realizados ajustes para fechamento da conta (fls. 1759). Constatase que a licitação fora vencida pela ATERPA e que a participação insignificante da CVA seria dispensável, tratando se de um negócio inusual. A contabilidade foi ajustada para neutralizar os efeitos indesejáveis do negócio indireto. 2.5.3 SCP Aterpa – CVA – Obra 186 Florestal Conforme Demonstrativo de Resultado do Exercício – DRE do Período de 01/05/2006 a 26/08/2008 (contrato às fls. 2145 e DRE fls. 165), neste contrato obtevese receitas no total de R$ 25.221.061,03 e lucro escriturado de R$6.875.092,17. Para tanto a CVA deveria receber 2% ou R$137.501,84. Os aportes foram (Razão fls. 1921, 2069 e 1790): Aporte Previsto CVA 2% ATERPA 98% Realizado em 2006 149.704,00 8.972.402,08 Realizado em 2007 136.132,00 7.444.278,84 Realizado em 2008 5.040,00 7.205.254,89 Total 290.876,00 23.621.935,81 Realizado 1,2% 98,8% Outra obra cuja licitação foi vencida pela ATERPA. Verificase que mesmo estipulando uma participação insignificante da CVA, de modo servir apenas para possibilitar que a ATERPA possa tributar esta receita no lucro presumido, a participação escriturada da CVA foi ao final de apenas 1,2%, contrariando o próprio contrato, mesmo sendo este uma ficção. Verificase, igualmente, a confusão patrimonial com a conta de capital 2.5.1 com saldo devedor. 2.5.4 SCP 191 – ATERPA – CVA Conforme DRE do Período de 01 a 31/12/2007 (DRE fls. 166 e contrato fls. 2145), neste contrato obtevese receitas no total de R$1.021.944,35 e lucro escriturado de R$328.168,09. Para tanto a CVA deveria receber 5% ou R$16.408,40. Os aportes foram (Razão fls. 201, 213 e 225): Aporte Previsto CVA 5% ATERPA 95% Fl. 4511DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 15504.731239/201273 Acórdão n.º 1201001.120 S1C2T1 Fl. 7 11 Realizado em 2006 0,00 63.783,67 Realizado em 2007 18.055,00 927.525,13 Total 18.055,00 991.308,80 Realizado (%) 1,8% 98,2% Neste, a CVA fez aportes apenas em 2007, de R$18.055,00 ou 1,8%, e não reconheceu lucro, só devolução do capital social conforme a contabilidade da CVA. Esta devolução foi apenas escritural, pois não houve a devolução em espécie (Razão da CVA fls. 2573). Já na contabilidade da SCP há o reconhecimento do lucro na proporção de 5% e reconhecimento do aporte a ser devolvido (fls. 214). Mais uma vez, os aportes não foram como estipulado em contrato, não representando um investimento real da CVA em uma SCP, em busca de resultados. Sua participação nas SCP só se justifica com a necessidade da ATERPA poder tributar as receitas na sistemática do Lucro Presumido. Não há propósito negocial na sua constituição, apenas visa à economia fiscal. 2.5.5 SCP 192 – ATERPA – CVA Conforme DRE do Período de 01/01/2007 a 26/08/2008 (DRE fls. 167 e contrato fls. 2169), neste contrato obtevese receitas no total de R$1.527.147,92 e lucro escriturado de R$277.515,44. Para tanto a CVA deveria receber 5% ou R$13.875,77. Os aportes foram (Razão fls. 226, 252 e 269): Aporte Previsto CVA 5% ATERPA 95% Realizado em 2006 0,00 14.743,00 Realizado em 2007 14.635,00 806.401,02 Realizado em 2008 0,00 253.562,21 Total 14.635,00 821.144,02 Realizado % 1,8% 98,2% Na contabilidade da CVA foi contabilizado o lucro na proporção de 5%, mesmo tendo participado apenas com 1,8% de aporte. O Resultado não foi disponibilizado nem o aporte devolvido, ficou apenas o direito (fls. 2574). Como dito anteriormente, tais investimentos são apenas aparentes, pois a confusão patrimonial entre as empresas é fragrante, e a ATERPA não necessitaria destes aportes para realizar a obra. O único intento da formação da sociedade é a economia fiscal, propiciando a tributação pelo lucro presumido, como anteriormente explicado. 2.5.6 SCP ATERPA – CVA Obra 197 – TranscolES Fl. 4512DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 12 Conforme DRE do Período de 01/06/2007 a 26/08/2008 (DRE fls. 170 e contrato fls. 2173), neste contrato obtevese receitas no total de R$10.090.508,42 e lucro escriturado de R$1.548.927,88. Para tanto a CVA deveria receber 5% ou R$77.446,39. Demonstrativo dos aportes (Razão fls. 226, 252 e 269): Aporte Previsto CVA 5% ATERPA 95% Realizado em 2006 0,00 629.557,86 Realizado em 2007 3.600,00 2.319.819,77 Realizado em 2008 128.150,00 5.260.738,60 Total 131.750,00 8.210.116,23 Realizado % 1,6% 98,4% Semelhante aos casos anteriores, na contabilidade da CVA foi contabilizado o lucro na proporção de 5%, mesmo tendo participado apenas com 1,6% de aporte. O resultado não foi disponibilizado nem o aporte devolvido, ficou apenas o direito. Mais uma prova a corroborar que tais investimentos são apenas aparentes, confirmando que a ATERPA não necessitaria destes aportes para realizar a obra. Lembrando que a CVA emprestou 12 milhões à ATERPA sem juros. A empresa, conjuntamente com sua interdependente, adotou uma forma de negócio jurídico inusual. No caso, não se vislumbrou um real propósito negocial, sendo que o único intento da formação da sociedade foi reduzir artificialmente a carga tributária, pela adoção do lucro presumido para parte de seu faturamento, o que seria vedado à empresa mãe, como cabalmente demonstrado. 3 – DO DIREITO Os fatos descritos levam a conclusão de que as SCPs objeto de trabalho fiscal foram constituídas sem propósito negocial, pois só existiram no papel, com o único objetivo de diminuir a tributação da empresa. Não se identificou uma causa econômica (além da economia fiscal) para formação das SCPs. Com este subterfúgio, a empresa conseguiria a façanha de optar pelo regime híbrido de Lucro Real e Lucro Presumido. Salientese que a ATERPA não poderia optar pelo lucro presumido, pois sua receita excede o limite de R$48.000.000,00. Entretanto, ao criar artificialmente as SCPs, possibilitou não só a opção pelo lucro presumido, como também a seleção do que iria compor tal Base de Cálculo, além de diluir o Adicional do IR por diversas SCPs, ferindo o princípio constitucional da capacidade contributiva. (...) No caso das obras de construção civil que são objeto das SCPs analisadas, verificase que são projetos cuja licitação já fora vencida pela ATERPA. A tecnologia e o projeto (knowhow) é Fl. 4513DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 15504.731239/201273 Acórdão n.º 1201001.120 S1C2T1 Fl. 8 13 todo da ATERPA, o capital utilizado, mão de obra e maquinário também são todos da ATERPA, a empresa sócia CVA é totalmente dispensável. Ressaltese que as obras em si foram realizadas, o que não estava presente foi a formação de uma sociedade visando à execução da obra. Não houve participação efetiva por parte dos sócios ocultos e os recursos financeiros entregues foram insignificantes, desnecessários e desproporcionais. Salientese aqui que a CVA era uma empresa ligada a ATERPA e que foi incorporada por esta como também, a CVA era credora de mais de 12 milhões da ATERPA, mas sem cobrarlhe juros. Ou seja, o contrato era gracioso e não havia busca de lucro interno do grupo, o que corrobora para o entendimento que os aportes realizados nas SCPs não revestiam de verdadeiro interesse societário, pois se a CVA emprestava sem juros para sua empresa mãe, a aplicação em eventual SCP como sócia capitalista minoritária era irrelevante e não visava o lucro da CVA e sim economia fiscal da ATERPA. A fragilidade dos documentos societários, ausência de propósito negocial sério, descompasso entre o preço e a participação adquirida, ausência de pagamento relevante, falta de execução material do contrato pelos sócios ocultos, a utilização de empresa veículo com participação de empresa do mesmo grupo, com interdependência entre as partes envolvidas, tempo reduzido entre o aporte e a distribuição de lucros (obras 193 e 196), cláusulas e documentos alterados para neutralizar os efeitos indesejáveis do negócio indireto, entre outras são provas da artificialidade das sociedades. (...) Acórdão recente reafirma a necessidade de identificar a causa do negócio jurídico. Se a intenção era a formação de uma sociedade, seus elementos deveriam estar presentes. Caso contrário devese verificar a real intenção das partes, e que sociedade sem substância não é sociedade, devendo ser abandonada, como já decidido pelo CARF. Com substrato no voto da Conselheira Sandra Faroni no Ac. 10194.986, podese concluir que: “Se o negócio lícito, embora inusual, se apoiar em causas reais, em legítimos propósitos negociais, contra ele o Fisco nada pode objetar. Todavia se adotada uma forma de negócio jurídico inusual, sem um real propósito negocial, mas visando apenas reduzir artificialmente a carga tributária, o Fisco a ele pode se opor”. 4 – DO LANÇAMENTO. 4.1. DA ADIÇÃO DO RESULTADO DE SCPs NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL Fl. 4514DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 14 Comprovado que a SCP, enquanto sociedade, não teve existência real, devemse verificar os efeitos tributários dos fatos observados. Desconsiderando o resultado da SCP como sociedade, devese adicionar seu resultado na empresa ostensiva: ATERPA. Operase a adição da receita da SCP ao lucro real da ostensiva e excluemse as despesas alocadas. Observase que não se equivale à glosa da exclusão do resultado em SCP no LALUR relativa a esta SCP, pois todo o resultado deve ser adicionado e não apenas a suposta participação percentual na SCP. O resultado de cada SCP foi obtido da documentação apresentada, considerando os Demonstrativos de Resultado do Exercício DRE de cada SCP nos casos em que este foi apresentado dividido por exercício. Em algumas SCP o DRE apresentado englobava mais de um exercício e foi necessário a análise das contas de resultados dos razões ou o cálculo pela diferença. A memória de cálculo se encontra em anexo (fls. 46 a 71). Os valores recolhidos pelo lucro presumido das SCPs irregulares serão compensados do valor apurado, como abaixo demonstrado: (...) 4.2. DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTOS SEM CAUSA Verificouse o não recolhimento do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre pagamentos sem causa, relativos aos valores entregues à empresa ALICERCE como se distribuição de lucros fossem. Conforme já descrito em item anterior, a SCP não teve existência real, portanto deve se verificar os efeitos tributários dos fatos observados. Uma vez desconsiderados os resultados das pretensas SCPs: Obras 193 e 196 como sociedade, verificou se que os pagamentos efetuados pela ATERPA à ALICERCE se revestiram de pagamentos sem causa, incidindo o IR na Fonte, nos termos do § 1º do art. 61, da Lei nº 8.981, de 1995. Os valores desembolsados constam do extrato do Razão entregue pela fiscalizada (fls. 628, 633, 533 e 535). Corroborado pela informação apresentada pela ALICERCE, inclusive extrato bancário (fls. 113 e 114). Conforme o § 3º do diploma legal acima, o pagamento foi considerado líquido, sendo a base de cálculo ajustada. 5 – DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Diante do até então exposto, resta claro que a multa a ser aplicada de ofício é de 150% prevista no art. 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996. Após ser intimada do lançamento fiscal, a contribuinte interpôs impugnação alegando em síntese que: PRELIMINARES DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Tributação Integral de todo o Lucro das SCPs Fl. 4515DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 15504.731239/201273 Acórdão n.º 1201001.120 S1C2T1 Fl. 9 15 Conforme afirma a fiscalização, todo o lucro apurado pelas sociedades em Conta de Participação foi imputado à Aterpa e nela tributado, com a dedução do IRPJ e CSLL pagos por elas. Ora, se a Fiscalização tem todos os elementos de identificação das receitas e despesas, portanto, o lucro; se tem em mãos os contratos de constituição das SCPs, portanto a parcela deste lucro que deve ser imputada a cada uma das sociedades componentes da SCP, evidentemente que devem ser a elas imputadas os resultados correspondentes às suas participações em cada SCP, e não todo o resultado imputado à sócia ostensiva – Aterpa. Motivo pelo qual o critério eleito pela Fiscalização é falho e não apura, com exatidão, a base de cálculo dos tributos exigidos neste processo, o que resulta na nulidade material dos autos de infração. Ausência de Dedução do Imposto de Renda e CSLL Pagos no ano de 2008 Outra irregularidade contida no auto de infração e que certamente determina sua nulidade, é a ausência da dedução dos tributos pagos pelas SCPs no anobase de 2008. É que, neste anobase, mesmo tendo a Fiscalização efetuado uma adição ao lucro real da Impugnante do lucro por ela (fiscalização) apurado nas SCPs de R$6.097.843,29, remanesceu prejuízo fiscal de R$1.826.768,27. Ocorre que, neste mesmo anobase, as SCPs efetuaram recolhimentos de IRPJ e CSLL nos valores respectivos de R$423.117,48 e R$260.091,72 (fls. 21/23 do TVF), totalizando recolhimentos de R$683.209,20 e a Fiscalização solenemente silenciou em ralação a estes recolhimentos. Ora, como foram apurados pelo Fisco tributos no anobase de 2007, evidentemente que estes valores recolhidos, indevidamente segundo a própria Fiscalização, têm que ser abatidos do que foi ali apurado, reduzindose a exigência fiscal neste ano de 2007. Impossibilidade de Opção a ser Exercida pelo Impugnante de Diferir a Tributação dos Resultados das Obras das SCPs para o Período do Efetivo Recebimento Observase pelas folhas do LALUR (fls. 2186 a 2195) que, em todos os anosbase, o contribuinte exercia a faculdade de diferir a tributação sobre o lucro contido nas parcelas a receber das obras que realizava com o Poder Público. Tal faculdade decorre do art. 409 do RIR/1999. Ora, o contribuinte manifestou sua intenção de diferir a tributação sobre os resultados cujos créditos ainda se encontravam pendentes de liquidação, isto fazendo especificamente ao preencher seu LALUR nos anos de 2007 e 2008, seguinte seqüência: Fl. 4516DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 16 AnoBase Diferimento Realização 2007 1.633.006,00 2.584.433,79 2008 9.921.552,00 1.633.006,00 E nem se diga que no refazimento do lucro real do contribuinte em razão da fiscalização ele perderia o direito de diferir a tributação sobre o lucro contido nas parcelas não recebidas das obras realizadas pelas SCPs. Evidentemente que ele tinha e tem este direito. Ocorre que a Fiscalização, durante seus trabalhos não dirigiu uma só sequer comunicação, não fez qualquer intimação no sentido de o contribuinte se manifestar sobre se queria ou não usar a faculdade de diferir a tributação sobre os resultados das SCPs, tal como procedeu em relação às obras em que agiu isoladamente, sem concurso das SCPs. Este procedimento também trouxe prejuízo irreparável ao contribuinte o que acarreta a nulidade material dos autos de infração. MÉRITO Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição Social sobre o Lucro e Imposto de Renda Retido na Fonte Da ilegitimidade do lançamento em relação às obras 193 e 196 Essas obras foram realizadas por meio de Sociedades em Conta de Participação formadas entre a Alicerce Empreendimentos Ltda, a CVA – Construtora Vale do Aço Ltda e a Construtora Aterpa S/A, sendo que cabia a esta última o papel de sócia ostensiva. Ocorre que essas SCPs foram desconsideradas pela Fiscalização que atribuiu diretamente à Aterpa os resultados auferidos em tais empreendimentos. Ademais, o Fisco reputou como “pagamentos sem causa” a distribuição de lucros feita à sócia oculta Alicerce. Todavia, não merece prevalecer o entendimento fiscal. Alega, nos termos do art. 992 do Código Civil, a Sociedade em Conta de Participação decorre de simples consenso existente entre os sócios, o qual independe de qualquer formalidade específica. A rigor, a questão há muito se encontra pacificada pelo Supremo Tribunal Federal que já manifestou que “a existência de sociedade em conta de participação não depende de contrato escrito e pode ser provada por qualquer meio admitido em direito”. (RE 18832) No presente caso, a análise da contabilidade da sócia ostensiva, ora autuada, deixa clara a existência das Sociedades em Conta de Participação, eis que toda a movimentação e os resultados relativos a estas sociedades foram objeto de Fl. 4517DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 15504.731239/201273 Acórdão n.º 1201001.120 S1C2T1 Fl. 10 17 contabilização em conta específica, bem como foram devidamente declarados nas DIPJ’s apresentadas pela Autuada. De fato, ao promover os registros contábeis das SCP’s, a Autuada observou todos os requisitos obrigatórios, previstos no art. 254 do RIR/1999. Dessa forma, ao contrário do alegado pela Fiscalização, o fato de supostamente não se ter observado, ao longo da relação societária, o inicialmente disposto nos contratos de constituição das SCP’s não representa argumento válido para a desconsideração das Sociedades em Conta de Participação, tendo em vista a sua existência fática, devidamente comprovada pelas demonstrações contábeis da sócia ostensiva. Salienta, a existência das SCP’s prescinde da observância de aspectos formais. Da mesma forma, as alterações nas avencas inicialmente feitas entre os sócios independem de formalização, de modo que o contrato inicialmente escrito não necessariamente reflete a real vontade dos sócios que prevaleceu ao final da relação societária. Portanto, não é lícito ao Fisco realizar o lançamento com fulcro na inobservância dos termos previstos nos contratos iniciais das SCP’s, em detrimento de outros elementos que atestam a existência das sociedades em conta de participação. Ainda que a Autuada seja a executora dos serviços contratados, e obriguese perante terceiros, é certo que pode contar com a participação de sócios ocultos para diluição dos riscos e orientação em serviços que demandam know how específico. Ora, no presente caso, a própria sócia oculta Alicerce, em declaração acostada às fls. 111/113 dos autos, atesta sua função de orientação técnica e suporte nos empreendimentos em que consta como sócia ostensiva a Autuada. Tal papel da sócia participante resta claro quando esta informa que realizava as análise das medições da Aterpa e do cumprimento do cronograma, entre outras atividades. Ao contrário do exposto no TVF, ao afirmar que não atuou “como prestadora de serviço” a Alicerce tão somente explicou o fato de que não prestou serviços diretamente ao contratante (DNIT). Pela própria natureza do tipo societário em questão, somente a aterpa, sócia ostensiva, poderia obrigarse perante o contratante (DNIT), cabendo às sócias participantes a contribuição mediante aposição de capital e a prestação de apoio técnico, como efetivamente se deu, por meio do “setor de engenharia da Alicerce”. Assim, não há dúvidas de que a Alicerce realizou orientação técnica, contribuindo para o sucesso das empreitadas levadas a cabo pelas SCP’s. Fl. 4518DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 18 Resta também afastada a alegação fiscal de que as SCP’s em tela teriam sido criadas de forma simulada como veículos de pagamentos sem causa feitos à Alicerce, uma vez que o valor pago a título de distribuição de lucros a esta empresa teria sido muito desproporcional ao capital aplicado. A participação da Alicerce nas SCP’s não se resumiu ao aporte de capital, envolvendo também análise e orientação técnica dos serviços prestados ao DNIT. Assim, justificase o montante pago à alicerce a título de distribuição de lucros, eis que referido montante representa um retorno não só do capital aplicado, mas também (e principalmente) de todo o know how e expertise da alicerce empregados na orientação técnica dos trabalhos, que foram fundamentais ao sucesso dos empreendimentos. Ante todo o exposto, não há como prevalecer a desconsideração das SCP’s perpetradas pelo Fisco em relação às obras 193 e 196, merecendo ser cancelado o Auto de Infração também quanto a este ponto. Inexistência de Sociedades Interdependentes Alega que a CVA e a ATERPA não tinham sócios comuns. Logo, não existia relação alguma de interdependência quando da constituição e operação das SCPs que a Fiscalização tenta desconsiderar. Diz, a Fiscalização afirma que, em 2009, a própria Aterpa se torna sócia da CVA e, finalmente, em 30/06/2010, a CVA foi incorporada pela Aterpa. Ora, do relato acima se verifica, sem sombras de dúvidas que as empresas e sócios sempre agiram com claro affectio societatis ou com animus contrahendi societatis, que nada mais é que a firma disposição em participar de uma sociedade, contribuindo, todos e de forma ativa, na realização de um objetivo e buscando lucro. Somente isso já justifica plenamente, em um primeiro momento, a criação de Sociedades em Conta de Participação; em segundo momento, a efetiva participação de uma no capital social da outra e; como último ato, a incorporação de uma sociedade por outra passando todos os sócios a comporem o quadro societário de uma só empresa – a ATERPA. Logo, sob este aspecto também não se justifica a argumentação contida no TVF. Quanto à existência de mútuos entre as empresas cuja devedora era a Aterpa, deveria a Fiscalização, ao invés de criticar a ausência de cobrança de juros, ai sim, ter calculados os juros e considerar a DESPESA correspondente no lucro real da Aterpa, mas como tal procedimento iria reduzir os tributos exigidos nos autos de infração sob defesa, isso ele não fez. Portanto, tal argumento também não socorre os autos de infração. Fl. 4519DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 15504.731239/201273 Acórdão n.º 1201001.120 S1C2T1 Fl. 11 19 Inexistência de Inconsistência nos Aportes Segundo relata o TVF em todas as SCPs os aportes a que se obrigaram as sociedades componentes – Aterpa e CVA não condizem com o pactuado no contrato e que, por isso, deveriam tais contratos se desconsiderados. Todavia, não é isso que se extrai dos dados contábeis contidos nos registros específicos dos aportes, conforme se demonstrará. A Fiscalização utilizouse do Razão Analítico das contas relativas às SCPs e considerou como aportes todos os valores ali lançados a crédito, sem qualquer preocupação de identificar a natureza dos lançamentos. Ocorre que nestas mesmas contas eram lançados, além dos aportes destinados à formação do fundo social de acordo com os contratos de SCP, valores outros que com eles não se relacionavam, p. exemplo: i) contas correntes entre SCP e sócios; ii) distribuição de lucros e iii) estornos contábeis etc. Prova da absoluta ausência de preocupação da Fiscalização com os valores que afirmou se tratar de aportes são os saldos das contas do razão com as quais ela trabalhou. Veja, por exemplo, fls. 1613, relativa ao Razão da SCP Aterpa CVA – Obra 158. Ali o saldo da conta é sempre Devedor evidentemente porque valores outros diferentes dos aportes eram ali lançados, conforme antes explanado. SCP Aterpa CVA – Obra 158 O contrato de SCP previa participações 95% e % para Aterpa e CVA, respectivamente. Para a Fiscalização, os aportes foram de 99% e 1%. Ocorre que o grande equívoco da Fiscalização foi considerar que todos os lançamentos efetuados no documento que analisou referiamse a APORTES da sociedade participante SCP. O Contribuinte dissecou a conta que abrigou os lançamentos da SCP dela extraindo apenas os valores relativos a verdadeiros aportes e enfeixou os documentos em um conjunto denominado SCP AterpaCVA/Obra 158 – Comparativo Fiscalização/Contribuinte dos Aportes Realizados. De plano, verificase um erro da Fiscalização relativamente aos valores lançados para a Aterpa no ano de 2007. Ela considerou neste ano valores imputados à Aterpa como sendo o total de R$2.109.313,10, quando o correto é de R$2.375.514,70 conforme se comprova pelo Razão da conta SCP AterpaCVA Obra 158BR 222/MA (fls. 1613 do processo) novamente ora anexada. Sanado o engano do Fisco, verificase que os valores efetivamente considerados como créditos são os seguintes: Obra 158 Aterpa CVA Fl. 4520DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 20 2006 1.704.783,12 30.060,00 2007 2.375.514,79 43.025,00 2008 7.175.905,57 36.165,00 Totais 11.256.203,48 109.250,00 Apurados corretamente os valores lançados a crédito das sócias da SCP relativa à obra 158, foram os lançamentos que totalizam tais valores separados por suas naturezas, desta forma: a) Contribuições para o Fundo Social: Ano Aterpa CVA 2006 1.140,00 60 2007 817.475,00 43.025,00 2008 592.135,00 31.165,00 Totais 1.410.750,00 74.250,00 O que representa, exatamente os percentuais de realização de aporte pactuados no contrato da SCP. b) Lançamentos relativos às Contas Corrente entre as sócias e a SCP: (...) c) Alem dos valores acima, foi também lançado a crédito da Aterpa o valor de R$4.998.984,62 a título de distribuição de lucros da SCP para a Sócia Ostensiva. Pelo que, sem nenhuma razão a Fiscalização, posto que os aportes foram realizados exatamente conforme previsto em contrato. SCP Aterpa CVA – Obra 179 Aqui o mesmo procedimento se repete. O contrato de SCP previa a participação de 98% para a Aterpa e de 2% para CVA e segundo os cálculos da Fiscalização os aportes efetivos de cada sócio foram de 98,54% e 1,46%, respectivamente. Da mesma forma do item anterior, o Contribuinte dissecou a conta que abrigou os lançamentos da SCP dela extraindo apenas os valores relativos a verdadeiros aportes e enfeixou os documentos em um conjunto denominado SCP AterpaCVA/Obra 179 – Comparativo Fiscalização/Contribuinte dos Aportes Realizados. E também do mesmo modo do item anterior não assiste razão a Fiscalização. SCP Aterpa CVA – Obra 186 Florestal Fl. 4521DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 15504.731239/201273 Acórdão n.º 1201001.120 S1C2T1 Fl. 12 21 Aqui também se repete o mesmo procedimento anterior. O contrato de SCP previa a participação de 98% para a Aterpa e de 2% para CVA e segundo os cálculos da Fiscalização os aportes efetivos de cada sócio foram de 98,8% e 1,2%, respectivamente. Da mesma forma do item anterior, o Contribuinte dissecou a conta que abrigou os lançamentos da SCP dela extraindo apenas os valores relativos a verdadeiros aportes e enfeixou os documentos em um conjunto denominado SCP AterpaCVA/Obra 186 – Comparativo Fiscalização/Contribuinte dos Aportes Realizados. Oportunidade em que apurou os seguintes valores que efetivamente devem ser considerados como aportes relativamente aos anos de 2.006, 2.007 e 2.008: FUNDO SOCIAL Anos Aterpa CVA 2006 7.335.494,00 149.704,00 2007 5.775.924,00 117.876,00 2008 246.960,00 5.040,00 Totais 13.358.378,00 272.620,00 Números que representam exatamente os percentuais de aporte contratados na SCP. SCP Aterpa CVA – Obra 191 Aqui também se repete o mesmíssimo procedimento anterior. O contrato de SCP previa a participação de 95% para a Aterpa e de 5% para CVA e segundo os cálculos da Fiscalização os aportes efetivos de cada sócio foram de 98,2% e 1,8%, respectivamente. Da mesma forma do item anterior, o Contribuinte dissecou a conta que abrigou os lançamentos da SCP dela extraindo apenas os valores relativos a verdadeiros aportes e enfeixou os documentos em um conjunto denominado SCP AterpaCVA/Obra 191 – Comparativo Fiscalização/Contribuinte dos Aportes Realizados. Oportunidade em que apurou os seguintes valores que efetivamente devem ser considerados como aportes em 2.007: (...) Números que representam exatamente os percentuais de aporte contratados na SCP. SCP Aterpa CVA – Obra 192 Aqui também se repetem os mesmos erros anteriores. O contrato de SCP previa a participação de 95% para a Aterpa e de 5% para CVA e segundo os cálculos da Fiscalização os Fl. 4522DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 22 aportes efetivos de cada sócio foram de 98,2% e 1,8%, respectivamente. Neste ponto e antes de qualquer análise devese sanar erros da Fiscalização: i) o valor de R$253.562,21 está errado e não corresponde com o documento com o qual o Fisco trabalhou, posto que ali a soma monta a R$276.387,08 (fls. 269), e ii) na soma dos valores aportados pela Aterpa, além do erro anterior, não está considerado o valor por ele mesmo (Fisco) lançado em 2008 que é de R$253.562,00. Da mesma forma do item anterior, após sanados os erros de soma do Fisco antes apontados, o Contribuinte dissecou a conta que abrigou os lançamentos da SCP dela extraindo apenas os valores relativos a verdadeiros aportes e enfeixou os documentos em um conjunto denominado SCP AterpaCVA/Obra 192 – Comparativo Fiscalização/Contribuinte dos Aportes Realizados. Oportunidade em que apurou os seguintes valores que efetivamente devem ser considerados como aportes em 2.007: (...) Números que representam exatamente os percentuais de aporte contratados na SCP. SCP Aterpa CVA – Obra 197 Novamente a história se repete. O contrato de SCP previa a participação de 95% para a Aterpa e de 5% para CVA e segundo os cálculos da Fiscalização os aportes efetivos de cada sócio foram de 98,4% e 1,6%, respectivamente. Aqui, cabe um pequeno reparo nos trabalhos da Fiscalização. É que o valor de R$629.557,86 que ela considera como lançado no ano de 2006, na verdade referese a lançamento do 1º semestre de 1997. Mais uma vez o Contribuinte dissecou a conta que abrigou os lançamentos da SCP dela extraindo apenas os valores relativos a verdadeiros aportes e enfeixou os documentos em um conjunto denominado SCP AterpaCVA/Obra 197 – Comparativo Fiscalização/Contribuinte dos Aportes Realizados. Oportunidade em que apurou os seguintes valores que efetivamente devem ser considerados como aportes: FUNDO SOCIAL Anos Aterpa CVA 2007 68.400,00 3.600,00 2008 2.434.850,00 128.150,00 Totais 2.503.250,00 131.750,00 Números que representam exatamente os percentuais de aporte contratados na SCP. Pagamento a Maior de Tributos no Lucro Presumido – Planejamento Tributário às Avessas Fl. 4523DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 15504.731239/201273 Acórdão n.º 1201001.120 S1C2T1 Fl. 13 23 Insiste a Fiscalização em dar o caráter de mero planejamento fiscal, com absoluta ausência de propósito negocial, as contratações das SCPs e que elas foram constituídas com o único e exclusivo propósito de diminuir o recolhimento dos tributos. Todavia, neste planejamento tributário chama a atenção um fato inusitado neste tipo de procedimento. Senão vejamos. Observase que a obra 184, cuja realização também se deu por intermédio de uma SCP contratada com a CVA, com participações de 5% para esta e de 95% para a Aterpa, no ano de 2007 deu um lucro de R$547.837,24, antes dos tributos apurados no sistema de lucro presumido, sendo eles de R$317.882,43 e de R$184.587,55 de IRPJ e CSLL, respectivamente. Ocorre que este mesmo resultado, no Lucro Real, resultaria em tributação de IRPJ de R$136.959,31 e R$49.305,35, resultando em pagamento a maior de tributos da ordem de R$316.205,32. Esta mesma obra e SCP, no anobase de 2008, resultou em prejuízo de R$241.361,20, tendo sido pago IRPJ e CSLL, no sistema do Lucro Presumido, nos valores respectivos de R$12.403,66 e R$11.163,29. Apurandose o crédito de IRPJ e da CSLL sobre o valor do prejuízo do ano da SCP que resulta em R$60.340,30 e R$21.722,51, apurase pagamento de tributos a maior de R$105.629,76. Por outro lado, vejam o que se deu em decorrência do planejamento fiscal com todas as SCPs no anobase de 2008. Neste ano, a Impugnante apresentou um prejuízo fiscal da ordem de R$7.924.611,56 e, mesmo a Fiscalização adicionando os lucros totais das SCPs no montante de R$6.097.843,29, o resultado fiscal ainda resultou em prejuízo de R$1.826.768,27. Havendo o pagamento de R$423.117,48 e R$260.091,72 de IRPJ e CSLL, respectivamente, pagou a mais, em decorrência do “planejamento fiscal” o valor de R$683.209,20. Tudo isso pode ser comprovado pelo próprio TVF conforme ali relatado em fls. 20 e 21/23. Alega, o que se quer aqui bem marcar é a enorme contradição havida entre as afirmações da Fiscalização de que a contratação das SCPs somente tinha o propósito de reduzir o pagamento dos tributos e os números apresentados neste item levam para a direção diametralmente oposta, ou seja, pagouse mais tributos na operação e no período aqui demonstrado. Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Ausência de Dedução do Imposto de Renda e CSLL Pagos no ano de 2008 Ocorre que, consoante exposto anteriormente, no ano de 2008, as SCPs efetuaram recolhimentos de IRPJ e CSLL, totalizando Fl. 4524DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 24 R$683.209,90, e a Fiscalização é silente em relação a estes recolhimentos. Ora, como foi apurado pelo Fisco tributos no anobase de 2007, evidentemente que estes valores recolhidos, indevidamente segundo a própria Fiscalização, têm que ser abatidos do que foi ali apurado, reduzindo a exigência fiscal apurada em 2007. Fica, pois, requerida a dedução do saldo dos tributos eventualmente remanescentes nestes autos de infração do valor pago indevidamente no anobase de 2008 e no valor de R$683.209,20. Diferimento do Lucro não Realizado em Obras de Longo Prazo Contratada com Órgãos Governamentais Consoante se afirmou e comprovou em preliminar, o Contribuinte manifestou, em seu LALUR e suas declarações de rendimentos firme propósito de se utilizar do diferimento do lucro contido nas parcelas não recebidas derivadas de obras contratadas com o Poder Público. Sem embargo da preliminar de nulidade do auto em razão da ausência de notificação do Fisco ao contribuinte para se manifestar no sentido de se utilizar do diferimento, demonstrar seá, de agora em diante, os valores que devem obrigatoriamente ser excluídos da tributação no ano de 2007 em virtude de tal diferimento. O contribuinte anexa o Balanço encerrado em 31 de dezembro de 2007 de todas as SCPs, demonstrando o saldo da conta de clientes derivados dos créditos relativos a obras contratadas com órgãos governamentais, indicando, pois, a base sobre qual será aplicado o percentual do diferimento. Passo seguinte, extrai dos trabalhos da Fiscalização a receita, o custo e o lucro de cada obra/SCP, demonstrando, em seguida, o valor a ser excluído da tributação neste anobase de 2007. Com base nestes dados o contribuinte elaborou o quadro abaixo: (...) Pelo exposto, fica requerida a exclusão do valor de R$4.393.354,30 do lucro real neste ano de 2007 e o recalculo dos tributos. Imposto de Renda Retido na Fonte Quanto ao IRRF verificase que é vedado à Fiscalização constituir concomitantemente crédito tributário de IRRF, de IRPJ e CSLL, conforme deixou claro o CARF, em entendimento consubstanciado nos seguintes acórdãos, (...). Ainda o pagamento tem causa declarada na contabilidade da empresa, ou seja, pagamento por lucros distribuídos, e o beneficiário perfeitamente identificado. Assim, não há falar em pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. Fl. 4525DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 15504.731239/201273 Acórdão n.º 1201001.120 S1C2T1 Fl. 14 25 Multa Qualificada Impropriedade Aqui cabem três abordagens: A primeira é a tentativa de aplicação de multa qualificada com a aplicação d dispositivo legal já revogado. A segunda se liga ao fato de a Fiscalização não se preocupar em caracterizar qualificadora fazendo apenas abordagens genéricas sobre a definição dos crimes de fraude e conluio. É vedado ao Fisco, sem fazer a prova contundente e cabal da suposta conduta fraudulenta, impor sanções qualificadas. A terceira se liga à total ausência de dolo nas contratações das SCPs. Ora, no caso dos autos, onde existe o dolo, ou seja, a vontade firma, deliberada, livre e consciente de praticar sonegação, fraude ou conluio? Como se pode afirmar que existiu o dolo tendo a Impugnante atendido a todas as solicitações do Fisco, os atos societários elaborados com total critério encontramse registrados nas contabilidades das empresas, e o cumprimento das formalidades acessórias junto à Receita Federal, principalmente nas DIPJs e DCTF onde se declaram as existências de todas as SCPs, tendo, cada uma delas, contabilidade regular nas quais se baseou a Fiscalização para o lançamento do crédito tributário? Sustenta, mesmo que se verifique a ausência de propósito negocial, ou abuso de formas, não se autoriza a qualificação da multa de ofício. OS PEDIDOS FINAIS Requer seja declarada a nulidade ou a improcedência total da ação fiscal e o cancelamento do auto de infração; ratifica os pedidos anteriores; e pede e espera o deferimento. A DRJ julgou a impugnação parcialmente procedente, conforme ementa e resultado do julgamento abaixo transcritos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. DESCONSIDERAÇÃO DE SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. Revestese de legalidade a ação do Fisco, sendo cabível o lançamento do imposto que deixou de ser recolhido, uma vez evidenciado robustamente em procedimento fiscal a existência de planejamento tributário com fraude à lei fiscal, visando diminuir ou suprimir o recolhimento do Fl. 4526DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 26 imposto de renda, via criação artificial de Sociedade em Conta de Partição, gerada formalmente, com a aparente ocorrência de sociedade. CONTRATOS COM ENTIDADES GOVERNAMENTAIS. DIFERIMENTO DO LUCRO. A pessoa jurídica que presta serviços a entidades governamentais, seja por contratos de longo ou curto prazo, por empreitada ou de fornecimento, a preço pré determinado, de bens ou serviços a serem produzidos, poderá diferir a tributação do lucro relativamente à parcela da receita não recebida. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Por decorrência, o mesmo procedimento aplicase à CSLL. PAGAMENTO SEM IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO E DA RESPECTIVA CAUSA DA OPERAÇÃO. É cabível a tributação exclusiva de fonte, à alíquota de 35%, para alcançar todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ou sem causa. MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício será qualificada, no percentual de 150%, conforme estabelece a lei, sempre que houver o intuito de fraude, devidamente caracterizado em procedimento fiscal, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 6. DA CONCLUSÃO. Ante o exposto e o contido nos autos, voto no sentido de considerar PROCEDENTE EM PARTE A IMPUGNAÇÃO, para: REJEITAR as preliminares de nulidade invocadas pela defesa. MANTER o IRPJ, no valor total de R$2.570.131,52, acrescido de multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e dos juros de mora cabíveis. MANTER a CSLL, no valor total de R$621.990,20, acrescida de multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e dos juros de mora cabíveis. Fl. 4527DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 15504.731239/201273 Acórdão n.º 1201001.120 S1C2T1 Fl. 15 27 MANTER integralmente a exigência do IRRF, com multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e dos juros de mora cabíveis. Finalmente, em razão da exoneração de crédito tributário acima do limite de alçada, cumpre ressaltar que cabe recurso de ofício. A contribuinte foi intimada da decisão da DRJ e não apresentou Recurso Voluntário, incluindo os débitos que foram mantidos pela decisão de primeira instância no Refis. Cumprenos apenas analisar o Recurso de Ofício. Este é o relatório! Voto Conselheiro Rafael Correia Fuso O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. A decisão da DRJ não merece reparos! A única questão que foi decidida de forma favorável à contribuinte foi o diferimento do lucro auferido nas parcelas não recebidas derivadas de obras contratadas com o Poder Público para o ano calendário de 2007, aplicando a DRJ o disposto no artigo 407 do RIR/99. Como bem narrado e decidido pela DRJ, a fiscalização foi omissa quanto ao referido diferimento: “Primeiramente, cumpre anotar que a Fiscalização realmente foi omissa quanto a tal possibilidade, tendo em vista que ela própria anotou no TVF que: “No caso das obras de construção civil que são objeto das SCPs analisadas, verificase que são projetos cuja licitação já fora vencida pela ATERPA. Destacase, como analisado pela DRJ, que os contratos das SCPs, em sua maioria, foram realizados com o Poder Público, e consta nas DIPJs: Nos contratos das SCPs analisadas na presente ação fiscal constantes dos autos (fls. 2123/2175), verificase que a maioria das obras realizadas foi contratada com o Poder Público (no caso, o Departamento Nacional de InfraEstrutura – DNIT, o DERTS e o DER/ES), e consta nas DIPJs, anoscalendário de 2006 a 2008 (fls. 2403, 2428 e 2458), na “Ficha 54 – Demonstrativo do Imposto de Renda e CSLL Retidos na Fonte”, retenções De Órgãos Públicos, como por exemplo, do DNIT, no Código de Receita “6147”. (...) Fl. 4528DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 28 Como se vê da legislação acima transcrita, a pessoa jurídica que presta serviços a entidades governamentais, seja por contratos de longo ou curto prazo, por empreitada ou de fornecimento, a preço prédeterminado, de bens ou serviços a serem produzidos, poderá diferir a tributação do lucro relativamente à parcela da receita não recebida. Para tanto, deve levantar os resultados com base na legislação comercial ou fiscal, observado o regime de competência na apropriação das receitas. No entanto, a parcela do lucro da empreitada ou fornecimento, correspondente à receita não recebida, pode ser excluída do lucro líquido, para efeito de determinar o lucro real, devendo ser adicionada no resultado do período base em que a receita for recebida. Na defesa a Impugnante apresentou demonstrativo que trata do resultado de cada obra a ser diferido, que somados perfazem R$ 4.393.354,30, conforma saldo da conta de clientes constante no Balaço encerrado em 31/12/2007, conforme documentos às fls. 4294 – 4319. Com isso, a DRJ acolheu as provas trazidas pela contribuinte nos autos e aplicou o diferimento para o lucro de 2007, para fins de cálculo do IRPJ e da CSLL: Então, considerando as provas constantes dos autos, a permissão legal prevista no art. 409 do RIR/1999 (acima transcrito), o fato que a Construtora Aterpa adotava na apuração do seu lucro real a aludida permissão legal (diferir o lucro contido nas parcelas não recebidas de órgãos públicos) e que a Fiscalização não se manifestou acerca do diferimento do lucro contido nas parcelas não recebidas de receitas auferidas em razão de contratos com órgãos públicos, acatase o pedido da Impugnante, devendo ser decotado das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL o valor de R$4.393.354,30. Enfim, ficam mantidos os lançamentos do IRPJ e da CSLL, ajustadas as bases de cálculo apuradas no anocalendário de 2007, no montante acima indicado e recalculados os valores do imposto e contribuição, adiante demonstrados em quadro de determinação do crédito tributário mantido. Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso de Ofício, e no mérito, NEGO LHE provimento, mantendo a decisão da DRJ que aplicou o diferimento dos tributos para o ano de 2007, visto que o direito da contribuinte encontra amparo nos artigos 407 a 409 do RIR/99 e estão devidamente demonstrados e apurados nos autos. É como voto! (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator Fl. 4529DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 15504.731239/201273 Acórdão n.º 1201001.120 S1C2T1 Fl. 16 29 Fl. 4530DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO
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Numero do processo: 10920.000092/2006-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3302-000.134
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Israel Berns, OAB/SC 29.083.
Nome do relator: ALAN FIALHO GANDRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Israel Berns, OAB/SC 29.083. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra – Relator. EDITADO EM: 09/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra e Alexandre Gomes. Ausente o conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Relatório A empresa Fábio Perini Indústria e Comércio de Máquinas Ltda. apresentou Pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido de IPI, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.779/99, relativo ao 3º trimestre de 2005. Tal pedido foi indeferido pela DRF de sua jurisdição. Fl. 89DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 10920.000092/200601 Resolução n.º 330200.134 S3C3T2 Fl. 5.82 2 Inconformada com o indeferimento, apresentou suas razões e argumentos em manifestação de inconformidade, a qual foi apreciada por colegiado de primeira instância que negou o direito creditório, em acórdão com a seguinte ementa: “RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. A falta de apresentação de dados ou documentos solicitados ao interessado, indispensáveis para a escorreita apreciação de pedido formulado, implica o indeferimento do pleito. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido”. Cientificada do acórdão, a interessada insurgese contra seus termos interpondo recurso voluntário a este Eg. Conselho, sustentando que faz jus integralmente ao crédito presumido do IPI denegado. Aduz, em suma, os seguintes argumentos: i) apresentou todos os documentos, dados e arquivos magnéticos à fiscalização, bem como prontamente reapresentou os arquivos magnéticos adaptados ao modelo estabelecido pela Portaria DRF/JOI nº 37/04, os quais tiveram a regularidade atestada, conforme informação do Auditor Fiscal, através de e mail; ii) necessidade da realização de diligência fiscal a fim de buscar a verdade material dos fatos argumentados e com isto garantir o pleno exercício dos princípios constitucionais que circundam a análise do processo administrativo fiscal. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Alan Fialho Gandra, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Conforme se verifica nos autos, o motivo determinante para o indeferimento do ressarcimento em apreço foi a apresentação dos arquivos digitais das operações informadas no livro Registro de Entradas (LRE) e das operações informadas no livro Registro de Saídas (LRS) em desacordo com o modelo estabelecido na Portaria DRF/JOI nº 37/04. Verificase, também, que consta (às fls. 44) cópia do email do Auditor Fiscal Luiz Antonio de Azevedo Araújo atestando a validação dos referidos arquivos. Diante disso e primando pelo princípio da verdade material, entendo que o processo deve retornar a repartição de origem para dar a Recorrente a oportunidade de demonstrar seu direito creditório. Fl. 90DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 10920.000092/200601 Resolução n.º 330200.134 S3C3T2 Fl. 6.82 3 Pelo exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem para as seguintes providências: 1 intimar a Recorrente a demonstrar e provar, com documentos hábeis e idôneos, o total do crédito a que julga ter direito, relativos ao 3º trimestre calendário de 2005; bem como a apresentar os respectivos dados e arquivos; 2 manifestarse sobre a legitimidade do montante do crédito pleiteado pela recorrente, a que se refere o item 1; 3 prestar os esclarecimentos e as informações que julgar necessários para o deslinde da questão; 4 elaborar relatório circunstanciado da diligência. 5 dar ciência à Recorrente desta resolução e do relatório da diligência, abrindo lhe prazo para, querendo, manifestarse. 6 Concluso, retorne os autos ao CARF. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Fl. 91DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA
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Numero do processo: 11080.918914/2012-44
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 25/06/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.097
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 89 14 /2 01 2- 44 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918914/201244 Acórdão n.º 3801005.097 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918914/201244 Acórdão n.º 3801005.097 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Na manifestação apresentada, a contribuinte argúi em preliminar a nulidade do Despacho Decisório, alegando o não atendimento ao requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios de ampla defesa, contraditório e do devido processo legal, estando, outrossim, revestido de desvio de finalidade. Expõe que o ato administrativo resumiuse a informar a não homologação da compensação declarada com o parco fundamento da inexistência de crédito disponível; entende que o procedimento correto da fiscalização seria o de intimar a contribuinte para que prestasse informações sobre a origem do crédito, bem como do fundamento de validade; e ressalta a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. Alega que o Despacho Decisório não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que carente de fundamentação, restando prejudicado o seu direito de defesa, e que também extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada. Diz que a autoridade preparadora deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações, apreensão de documentos, diligências, dentre outros expedientes. Sob o tema “Do Mérito”, discorre especificamente sobre o princípio da verdade material, citando diversos doutrinadores. Mas nada aduz sobre o origem do suposto crédito, apenas alegando a posterior juntada de documentos que comprovariam as ‘alegações trazidas na presente manifestação’, eis que o direito creditório, diz, pode ser comprovado a qualquer tempo. Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade da multa de mora em face do princípio constitucional de não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “ASSUNTO: ... Data do Fato Gerador: ... CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918914/201244 Acórdão n.º 3801005.097 S3TE01 Fl. 5 4 A ausência de pedido de esclarecimentos ou realização de diligência na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. 1PIS/PASEP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório pleiteado. MULTA E JUROS DE MORA. DÉBITOS NÃO HOMOLOGADOS. Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência de multa e juros de mora, nos percentuais determinados pela legislação, calculados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento da contribuição até o dia em que se efetivar o seu pagamento, uma vez que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. 1 Nos processos em que o crédito alegado se refere à Cofins, consta COFINS. Nos processos em que o crédito seria originado de Contribuição para o PIS/Pasep, consta PIS/PASEP. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918914/201244 Acórdão n.º 3801005.097 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918914/201244 Acórdão n.º 3801005.097 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918914/201244 Acórdão n.º 3801005.097 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918914/201244 Acórdão n.º 3801005.097 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918914/201244 Acórdão n.º 3801005.097 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10814.006401/2005-75
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 14/09/2000
ISENÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO. EXIGÊNCIAS.
Na vigência da Lei n° 9.069, de 1995, o reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Não comprovada tal regularidade, afasta-se o beneficio.
MOMENTO DO RECONHECIMENTO
Em consonância com o art. 179 do CTN, a isenção em caráter especial é reconhecida a cada fato gerador, mediante aquiescência da autoridade tributária competente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.013
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Wilson Sampaio Sahade Filho e Nanci Gama, que davam provimento.
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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EXIGÊNCIAS. Na vigência da Lei n° 9.069, de 1995, o reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Não comprovada tal regularidade, afastase o beneficio. MOMENTO DO RECONHECIMENTO Em consonância com o art. 179 do CTN, a isenção em caráter especial é reconhecida a cada fato gerador, mediante aquiescência da autoridade tributária competente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Wilson Sampaio Sahade Filho e Nanci Gama, que davam provimento. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Paulo Sergio Celani, Wilson Sampaio Sahade Filho, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Ausente o Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente processo de pedido de restituição de Imposto de Importação alegadamente recolhido a maior, pago através de débito automático em contacorrente bancária na data do registro da DI nº 00/08723898, em 14/09/2000 (fls. 6/9), no valor de R$ 3.321,67 (Três mil, trezentos e vinte e um reais e sessenta e sete centavos). O pleito de reconhecimento de direito creditório está cumulado com o de compensação de tributos, conforme PER / DCOMP de nº 22840.42568.120805.1.3.04 0557, cujo extrato está anexado às fls. 142/143 dos autos, transmitida em 12/08/2005. Seguese um breve histórico dos fatos, conforme documentos nos autos. Alega o interessado ter direito ao benefício fiscal concedido pelo art. 5º das Medidas Provisórias nºs. 193924 (de 06/01/00), 206837 (de 27/12/00) e 206838 (de 25/01/01), convertidas em Lei nº 10.182, de 12 de fevereiro de 2001. Tal benefício consiste na redução de 40 % (quarenta por cento) do imposto de importação, para empresas devidamente habilitadas quanto ao mesmo no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, referindose especificamente à importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semiacabados, e pneumáticos, destinadas aos processos produtivos das empresas e dos fabricantes de produtos relacionados no art. 5º, § 1º I a X (veículos leves: automóveis e comerciais leves, ônibus, caminhões, etc). Por entender que não se beneficiou de isenção a que fazia jus, tendo, portanto, recolhido tributos a maior que o devido, vinculou ao pleito de restituição o de compensação do mesmo com tributos diversos. Voltemos à síntese dos fatos: PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Em 14/09/2000 o interessado submeteu a despacho aduaneiro mercadorias beneficiárias da mencionada redução, pela Declaração de Importação nº 00/08723898, tendo deixado de pleitear o benefício em questão, e recolhido integralmente o Imposto de Importação. Em 11/08/2005, por requerimento de fls. 1/2, pleiteou a restituição do valor que entende recolhido a maior, no total de R$ 3.321,67 (Três mil, trezentos e vinte e um reais e sessenta e sete centavos), pelo Pedido de Restituição de fls. 1/2 e Pedido de Cancelamento de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito Creditório de fls. 3/4. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10814.006401/200575 Acórdão n.º 3102001.013 S3C1T2 Fl. 2 3 Anexou às fls. 21 documento comprobatório fornecido pelo DECEX, segundo o qual a empresa está habilitada a fruir o benefício da Lei 10.182/2001 desde 18/01/2000. O processo tramitou pela Inspetoria da Receita Federal em São Paulo – (IRFSP), para revisão aduaneira e eventual retificação de Declaração de Importação. Dentro do procedimento de análise da retificação prevista no art. 45 da IN SRF nº 680/2006, o contribuinte em tela foi intimado a apresentar as certidões negativas de débito (CND, FGTS e Dívida Ativa da União) abrangendo as datas de registro da DI. Em atendimento ao termo em questão o contribuinte apresentou tempestivamente resposta onde se manifestou pelo não cabimento da exigência de certidões negativas no caso em tela e também que caberia à administração verificar internamente se a empresa estaria ou não em regularidade com os tributos administrados pela União. Tendo em vista o previsto no artigo 134 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 05/03/85, combinado com o artigo 60 da Lei 9.069, de 29/06/1995, entendeu a autoridade aduaneira que, da combinação dos dois dispositivo legais, fica caracterizado que a exigência de prova de quitação se renova a cada despacho objeto de redução pretendida e que a comprovação em questão deve ser feita pelo contribuinte, não se aplicando aqui o disposto no art. 37, da Lei 9.784/99. Em decorrência do exposto, foi indeferido o pedido de retificação da Declaração de Importação (fls. 57/58). Em 04/10/2007 foi proferido despacho indeferindo a retificação da Declaração de Importação (v. fls. 57/58). PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO DE DESPACHO DENEGATÓRIO DA RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Ciente da decisão denegatória de seu pleito (retificação da DI), o interessado apresentou seu pedido de reconsideração de despacho. Apresentou, tempestivamente, seu pedido de reconsideração de despacho para ser encaminhada ao Sr. InspetorChefe, nos termos do § 4º, art. 45 da IN SRF nº 680/2006. Em seu pedido de reconsideração o impetrante manteve posição pelo não cabimento da exigência de certidão negativa no caso em tela. 01 Argumentou que a Lei nº 10.182 não exige a apresentação de CND para fruição da redução do imposto, porém a Notícia Siscomex nº 21, de 23/07/2001 não deixa qualquer dúvida quanto a aplicabilidade do disposto no art. 60 da Lei nº 9.069, Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 de 29/06/1995, para as retificações constantes no processo em tela. 02 Reapresentou jurisprudência das 1ª e 2ª Turmas do STJ, que, conforme já mencionado, não valem para o caso em tela, por tratarem de benefícios referentes a mercadorias beneficiadas por drawback, benefício este de caráter objetivo, e não à redução ora discutida, que é um benefício condicional do tipo objetivosubjetivo ou misto (vinculado à qualidade do importador e à destinação do bem). Diante do exposto, e levandose em conta o previsto no artigo 134 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 05/03/85, combinado com o artigo 60 da Lei 9.069, de 29/06/1995, foi mantido o indeferimento do pleito. O despacho denegatório do pleito encontrase às fls. 108/112– Despacho Decisório IRF/SPO nº 027/2009, de 12 de fevereiro de 2009. Tendo o interessado colocado diversos questionamentos quanto ao esgotamento administrativo de seu pedido de retificação de Declaração de Importação, após recurso ao Chefe da Unidade que o indeferiu inicialmente, foi solicitado o Parecer/DIANA/SRRF08 nº 027/09 (fls. 113/114), cujo texto segue parcialmente transcrito: “O rito processual para o caso específico de recurso contra decisão que denega pedido de retificação de declaração de importação encontrase na IN SRF nº 680/06, em seu artigo 45: Art. 45. A retificação de declaração após o desembaraço aduaneiro, qualquer que tenha sido o canal de conferência aduaneira ou o regime tributário pleiteado, será realizada: I – de ofício, na unidade da SRF onde for apurada (...) II – mediante solicitação do importador, formalizada em processo (...) § 4º Do indeferimento do pleito de retificação caberá recurso, interposto no prazo de trinta dias, dirigido ao chefe da unidade da SRF onde foi proferida a decisão, nos termos dos artigos 56 a 65 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999.” PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO – INDEFERIMENTO Tendo o interessado tomado ciência do despacho decisório que manteve o indeferimento, e esgotado administrativamente o pedido de retificação, os autos foram enviados para a ALF/Aeroporto Internacional em São Paulo – Guarulhos SP, para prosseguimento, nos termos do artigo 58 da IN RFB nº 900/2008, ou seja, apreciação relativa ao reconhecimento ou não do direito creditório e a restituição de crédito relativo ao tributo administrado pela RFB, (no caso em estudo, o imposto de importação). Com base na mesma argumentação que servira de base ao indeferimento de seu pedido de retificação de DI (posteriormente Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10814.006401/200575 Acórdão n.º 3102001.013 S3C1T2 Fl. 3 5 objeto de pedido de reconsideração), e levando em conta o referido indeferimento, que implicou em não ficar caracterizado terem os recolhimentos sido feitos a maior que o devido, foi indeferido também o pedido de reconhecimento de direito creditório. (fls. 88/103). COMPENSAÇÃO VINCULADA AO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO – NÃO HOMOLOGADA. O pleito de compensação de tributos consubstanciado na PER / DCOMP nº 22840.42568.120805.1.3.040557, cujo extrato encontrase anexado às às 142/143 dos autos, também foi indeferido, já que estava vinculado ao reconhecimento do direito creditório aqui discutido, o que não ocorreu. A nãohomologação da compensação foi objeto do Despacho Decisório nº 32/2010,de 11 de fevereiro de 2010 (fls. 146/148). Inconformado com o indeferimento de seus pleitos (reconhecimento de direito creditório e compensação de débitos), o interessado apresentou sua Manifestação de Inconformidade, tempestivamente. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Analisandose a Manifestação de Inconformidade de fls. 121/135 – 150/164, constatase que são os seguintes os principais argumentos do recorrente: 01 – A Lei 10.182/01, que instituiu o benefício da redução de 40% do II na importação de determinados produtos, para empresas montadoras e dos fabricantes do setor automotivo não exige a apresentação de CND para a fruição da redução do imposto (comprovação já feita quando de sua habilitação ao regime, feita junto ao SECEX). 02 – Entende que não se aplica ao caso o art. 60 da Lei 9.069/95, que condiciona à apresentação de CND apenas a concessão ou reconhecimento de benefício fiscal. Entende que o dispositivo legal prevê a apresentação em somente uma das ocasiões, e ele já apresentara as CND’s quando da habilitação do benefício. 03 – Alega que, pela doutrina, lei posterior derroga lei anterior e lei especial derroga lei geral. Portanto, a Lei 10182/2001 teria prevalência sobre a Lei 9.069/1995, já que lei posterior derroga a anterior. Também a derrogaria por ser a Lei 9.069/1995 geral, e a lei 10182/2001 especial. 04 – Considera que caberia à Receita Federal aferir a regularidade fiscal do interessado, pela simples verificação de seus sistemas informatizados, conforme art. 37 da Lei nº 9.784/99; 05 – Reapresenta jurisprudência administrativa e judicial, que entende reforçar seu ponto de vista. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 06 – Entende que, sendo legítimo seu pleito quanto ao reconhecimento do direito creditório referido, isso dá legitimidade a seu pleito a ele vinculado, de compensação de débitos diversos. Resumindose os fatos, o indeferimento do pleito quanto à retificação da DI e do reconhecimento do direito creditório prendeuse basicamente à não apresentação das CNDs (Certidões Negativas de Débito) à época do fato gerador, e a Manifestação de Inconformidade de fls. 121/135 – 150/164 também foca o mesmo assunto, ou seja, a pretendida inadmissibilidade de exigência de CNDs (Certidões Negativas de Débito) a cada despacho aduaneiro de importação onde seja pleiteado benefício de redução ou isenção de tributo. O não reconhecimento do direito creditório pleiteado pelo interessado, tira a legitimidade de seu pleito de compensação de débitos.. Ponderando as razões aduzidas pela recorrente, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pelo indeferimento do pedido, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/09/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ALEGAÇÃO DE RECOLHIMENTO A MAIOR POR NÃO UTILIZAÇÃO DA REDUÇÃO PREVISTA NA LEI 10.182/2001 (REGIME AUTOMOTIVO). NÃO RECONHECIDO O DIREITO CREDITÓRIO TENDO EM VISTA A NÃO COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE QUANTO AOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS À ÉPOCA DO FATO GERADOR. COMPENSAÇÃO VINCULADA AO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Conforme art. 165 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), cabe restituição de tributos recolhidos indevidamente ou a maior que o devido. Não caracterizado o recolhimento como indevido ou a maior que o devido, não cabe a restituição do mesmo ao sujeito passivo. Também não cabe compensar débitos oriundos de tributos diversos com direito creditório nãoreconhecido, o que implica na nãohomologação do pleito de compensação. APRESENTAÇÃO DE CNDs POR OCASIÃO DO DESPACHO ADUANEIRO DE MERCADORIA BENEFICIADA POR ISENÇÃO / REDUÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO OU MISTO. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal de caráter subjetivo (vinculado à qualidade do importador) ou misto (vinculado tanto à qualidade e destinação da mercadoria quanto à qualidade do importador), relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais, sendo cabível o disposto no artigo 60 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995.. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10814.006401/200575 Acórdão n.º 3102001.013 S3C1T2 Fl. 4 7 Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a autuada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. É o Relatório Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção O ponto fulcral do litígio, como se percebe da leitura da ementa da decisão recorrida, é definir se, no momento do reconhecimento da isenção, o sujeito passivo reunia as condições exigidas pela legislação de regência. Para se chegar a tal definição é necessário que se responda a duas indagações: se o art. 60 da Lei nº 9.069/951 incide sobre a modalidade de isenção debatida e, caso incida, em qual momento se dá o reconhecimento da isenção de caráter subjetivo. Definido tal momento, definese, por consequência, quando o sujeito passivo deverá comprovar a quitação dos tributos federais. A redução em litígio encontrase prevista no art. 5º da Lei nº 10.181, de 2001, que criou o que se convencionou denominar “Novo Regime Automotivo”, em substituição àquele disciplinado pela Lei nº 9.449, de 1997, transcrevoos: Art. 5º Fica reduzido em quarenta por cento o imposto de importação incidente na importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semi acabados, e pneumáticos. §1oO disposto no caput aplicase exclusivamente às importações destinadas aos processos produtivos das empresas montadoras e dos fabricantes de: (...) X autopeças, componentes, conjuntos e subconjuntos necessários à produção dos veículos listados nos incisos I a IX, incluídos os destinados ao mercado de reposição. §2o O disposto nos arts. 17 e 18 do DecretoLei no 37, de 18 de novembro de 1966, e no DecretoLei no 666, de 2 de julho de 1969, não se aplica aos produtos importados nos termos deste artigo, objeto de declarações de importações registradas a partir de 7 de janeiro de 2000. 1 Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 8 O parágrafo 2º acima transcrito, a meu ver, enumera taxativamente quais são as condições de caráter geral excepcionadas pela norma que disciplina especificamente os benefícios do Novo Regime Automotivo: exame de similaridade (art. 17 e 18 do DL nº 37/66)2 e transporte em navio de bandeira brasileira (art. 2º do DL nº 666/69) 3: Como é possível verificar, o dispositivo é silente quanto às demais exigências de caráter geral, dentre as quais, evidentemente, está a comprovação da regularidade no pagamento dos tributos e contribuições, o que leva à conclusão de que tal exigência não foi afastada. Por outro lado, não vejo como aplicar a regra geral do art. 37 da Lei nº 9.784, de 19994 em detrimento da específica do art. 60 da Lei nº 9.069, de 1995, categórico ao determinar que o ônus de fazer prova da quitação de tributos federais é do Administrado. Subsistiria, portanto, dúvida acerca do momento em que o benefício é reconhecido, máxime em razão de que, a lei que o instituiu prevê a realização de um procedimento de habilitação prévia do importador, disciplinada no do seu art. 6º, que reza: (os grifos não constam do original) Art.6º A fruição da redução do imposto de importação de que trata esta Lei depende de habilitação específica no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX. Parágrafo único.A solicitação de habilitação será feita mediante petição dirigida à Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, contendo: Icomprovação de regularidade com o pagamento de todos os tributos e contribuições sociais federais; II cópia autenticada do cartão de inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica; III comprovação, exclusivamente para as empresas fabricantes dos produtos relacionados no inciso X do § 1o do artigo anterior, de que mais de cinqüenta por cento do seu faturamento líquido anual é decorrente da venda desses produtos, destinados à montagem e fabricação dos produtos relacionados nos incisos I a X do citado § 1o e ao mercado de reposição. 2 Art. 17 A isenção do impôsto de importação somente beneficia produto sem similar nacional, em condições de substituir o importado. Art. 18 O Conselho de Política Aduaneira formulará critérios, gerais ou específicos, para julgamento da similaridade, à vista das condições de oferta do produto nacional, e observadas as seguintes normas básicas: 3 Art 2º Será feito, obrigatoriamente, em navios de bandeira brasileira, respeitado o princípio da reciprocidade, o transporte de mercadorias importadas por qualquer Órgão da administração pública federal, estadual e municipal, direta ou indireta inclusive emprêsas públicas e sociedades de economia mista, bem como as importadas com quaisquer favores governamentais e, ainda, as adquiridas com financiamento, total ou parcial, de estabelecimento oficial de crédito, assim também com financiamento externos, concedidos a órgãos da administração pública federal, direta ou indireta. 4 Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10814.006401/200575 Acórdão n.º 3102001.013 S3C1T2 Fl. 5 9 Diferentemente do que se tem invocado, não vejo como reconhecer que a comprovação levada a efeito no momento da habilitação ao regime dispense a importadora de comprovar a regularidade fiscal no momento do fato gerador. Para entender os efeitos da conclusão do procedimento realizado pela Secex, mais relevante do que o nome que lhe foi atribuído (habilitação) é preciso lembrar do que diz o art. 179 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/66): Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. § 1º Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. Com efeito, como é possível concluir, a partir da leitura conjunta dos dois dispositivos, o procedimento de habilitação constituise mais uma exigência para reconhecimento da isenção e, não o próprio reconhecimento do benefício. Em primeiro lugar, a leitura do caput do art. 179, lido conjuntamente com seu parágrafo 1º, deixa claro que a autoridade competente para reconhecimento do benefício deve ser manifestar a cada fato gerador ou, tratandose de tributo lançado por período certo, antes do encerramento de cada período. Ora, como é cediço, nos termos do art. 23 do DL 37/665, para efeito de cálculo do imposto de importação incidente sobre mercadoria despachada para consumo, considerase ocorrido o fato gerador na data do registro da correspondente DI. Assim, ainda que se admita que a Secretaria de Comércio Exterior possuísse competência para conceder isenção, certamente a habilitação não preencheria a exigência do dispositivo insculpido no art. 179 do CTN. Como se percebe, a habilitação ocorre uma única vez. Finalmente, mesmo se superada a exigência de manifestação prévia, equiparando a habilitação ao despacho da autoridade competente, não haveria como reconhecer a definitividade dessa manifestação. Cabe relembrar o que dizem o parágrafo 2º do art. 179 e o art. 155 do CTN: § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as 5 Art. 23 Quando se tratar de mercadoria despachada para consumo, considerase ocorrido o fato gerador na data do registro, na repartição aduaneira, da declaração a que se refere o artigo 44. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 10 condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: Ou seja, ainda que se considerasse que a isenção teria sido previamente concedida, verificado que a recorrente deixara de atender um dos requisitos para a sua concessão, revogado estaria o benefício. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 5 de maio de 2011 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 10DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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