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Numero do processo: 12963.720056/2016-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
TRIBUTOS. CONTRIBUIÇÕES. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEDUTIBILIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPUGNAÇÃO.
Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência, não se aplicando tal regra para aqueles com exigibilidade suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art.151 da Lei nº 5.172, de 1996 (CTN).
A existência de depósitos judiciais das exações questionadas não permite a dedutibilidade fiscal, pouco importando se já foram transferidos à União em face da legislação atual.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E CSLL SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA MENSAL.
A multa isolada, calculada sobre a totalidade ou diferença da antecipação do IRPJ e da CSLL, mensalmente devida e não recolhida, deve ser aplicada à pessoa jurídica, sujeita à tributação com base no lucro real, e optante pelo pagamento do IRPJ e da CSLL, em cada mês, determinados sobre bases de cálculo estimadas, por descumprimento da obrigação de antecipar o IRPJ ou a CSLL mensalmente devidos.
Multa de Ofício Isolada. Duplicidade de Incidência. Não Caracterização.
A multa de ofício exigida por falta de pagamento do IRPJ e da CSLL devidos na apuração anual, e a multa isolada por falta de recolhimento das antecipações mensais, calculadas sobre bases de cálculo estimadas, têm hipóteses de incidência e bases de cálculo distintas.
De acordo com as expressas disposições legais, a incidência de multa isolada por falta de recolhimento das antecipações mensais, calculadas sobre bases de cálculo estimadas, é completamente autônoma em relação à obrigação tributária principal a ser constituída, ou não, no final do período.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2011
LANÇAMENTO REFLEXO. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA.
A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ aplica-se à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL.
Numero da decisão: 1402-003.852
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: i) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário relativamente à glosa de tributos e contribuições com exigibilidade suspensa, e ii) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário relativamente à multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
Nome do relator: EVANDRO CORREA DIAS
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CONTRIBUIÇÕES. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEDUTIBILIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPUGNAÇÃO. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência, não se aplicando tal regra para aqueles com exigibilidade suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art.151 da Lei nº 5.172, de 1996 (CTN). A existência de depósitos judiciais das exações questionadas não permite a dedutibilidade fiscal, pouco importando se já foram transferidos à União em face da legislação atual. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E CSLL SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA MENSAL. A multa isolada, calculada sobre a totalidade ou diferença da antecipação do IRPJ e da CSLL, mensalmente devida e não recolhida, deve ser aplicada à pessoa jurídica, sujeita à tributação com base no lucro real, e optante pelo pagamento do IRPJ e da CSLL, em cada mês, determinados sobre bases de cálculo estimadas, por descumprimento da obrigação de antecipar o IRPJ ou a CSLL mensalmente devidos. Multa de Ofício Isolada. Duplicidade de Incidência. Não Caracterização. A multa de ofício exigida por falta de pagamento do IRPJ e da CSLL devidos na apuração anual, e a multa isolada por falta de recolhimento das antecipações mensais, calculadas sobre bases de cálculo estimadas, têm hipóteses de incidência e bases de cálculo distintas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 96 3. 72 00 56 /2 01 6- 51 Fl. 729DF CARF MF Processo nº 12963.720056/201651 Acórdão n.º 1402003.852 S1C4T2 Fl. 730 2 De acordo com as expressas disposições legais, a incidência de multa isolada por falta de recolhimento das antecipações mensais, calculadas sobre bases de cálculo estimadas, é completamente autônoma em relação à obrigação tributária principal a ser constituída, ou não, no final do período. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011 LANÇAMENTO REFLEXO. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ aplicase à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: i) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário relativamente à glosa de tributos e contribuições com exigibilidade suspensa, e ii) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário relativamente à multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Fl. 730DF CARF MF Processo nº 12963.720056/201651 Acórdão n.º 1402003.852 S1C4T2 Fl. 731 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (SC). Adoto, em sua integralidade, o relatório do Acórdão de Impugnação nº 07 41.493 6ª Turma da DRJ/FNS, complementandoo, ao final, com as pertinentes atualizações processuais. "Trata o presente processo de impugnação ao Auto de Infração de fls.628 a 636, o qual exige da Interessada o recolhimento da importância de R$ 685.744,21, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora, a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, correspondente ao ano calendário de 2011, além de Multa Exigida Isoladamente, da ordem de R$ 316.370,11 (Falta de recolhimento do IRPJ sobre base de cálculo estimado). Segundo consta no Auto de Infração de IRPJ, foi apurada a seguinte infração: ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL INFRAÇÃO: TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA Valor de tributo, cuja exigibilidade encontrase suspensa nos termos do inciso II a IV do art. 151 da Lei nº5.172/66, não adicionado ao Lucro Líquido do período, para a determinação do Lucro Real, conforme descrito no Relatório de Auditoria Fiscal, anexo. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 31/12/2011 2.742.976,88 75% Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2011 e 31/12/2011: Art. 41, § 1º da Lei nº 8.981/1995. Art. 3º da Lei nº 9.249/95. Arts. 247, 249, inciso I, e 344, § 1º, do RIR/99 MULTA OU JUROS ISOLADOS INFRAÇÃO: FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA Falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de cálculo estimada em função de balanços de suspensão ou redução, que foram reconstituídos em Fl. 731DF CARF MF Processo nº 12963.720056/201651 Acórdão n.º 1402003.852 S1C4T2 Fl. 732 4 decorrência da adição dos valores ajustados pela fiscalização, conforme descrito no Relatório de Auditoria Fiscal, anexo. [...] Auto de Infração CSLL (fls.637 a 644) Decorrente da infração apontada no Auto de IRPJ, foi efetuado o lançamento de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, conforme Auto de Infração de fls.637 a 644, da ordem de R$ 246.867,91, também acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, além de Multa Exigida Isoladamente de R$ 112.486,99, (Falta de recolhimento da CSLL sobre base de cálculo estimado). No Auto de Infração CSLL, como lançamento decorrente consta apurada a seguinte infração: FALTA/INSUFICIÊNCIA DE ADIÇÕES À BASE DE CÁLCULO AJUSTADA DA CSLL INFRAÇÃO: TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA Valor de tributo, cuja exigibilidade encontrase suspensa nos termos do inciso II a IV do art. 151 da Lei nº5.172/66, não adicionado ao Lucro Líquido do período, para a determinação do Lucro Real, conforme descrito no Relatório de Auditoria Fiscal, anexo. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 31/12/2011 2.742.976,88 75% Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2011 e 31/12/2011: Art. 2º da Lei nº 7.689/88 com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Lei nº 8.034/90 Art. 57 da Lei nº 8.981/95, com as alterações do art. 1º da Lei nº 9.065/95 Arts. 2º, 13 e 19 da Lei nº 9.249/95 Art. 1º da Lei nº 9.316/96; Art. 28 da Lei nº 9.430/96. Art. 28 da Lei nº 9.430/96. Art. 3º da Lei nº 7.689/88, com as alterações posteriores. Fl. 732DF CARF MF Processo nº 12963.720056/201651 Acórdão n.º 1402003.852 S1C4T2 Fl. 733 5 Art. 3º da Lei nº 7.689/88, com redação dada pelo art. 17 da Lei nº 11.727/08. MULTA OU JUROS ISOLADOS INFRAÇÃO: FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA Falta de pagamento da Contribuição Social, incidente sobre a base de cálculo estimada em função de balanços de suspensão ou redução, que foram reconstituídos em decorrência da adição dos valores ajustados pela fiscalização, conforme descrito no Relatório de Auditoria Fiscal, anexo. [...] Eis o que consta no RELATÓRIO DE AUDITORIA FISCAL (fls.621 a 627), peça integrante do Auto de Infração, onde se detalha a irregularidade apontada, de forma resumida (eventuais destaques são do original): 1. Relatório A fiscalizada está estabelecida no ramo industrial, tendo como objetivo social: a pesquisa e a lavra de minérios em geral, a fabricação e comercialização de materiais refratários e outros produtos cerâmicos, mecânica especializada e mineração. [...] Em relação à questão da informação em DCTF, por parte do fiscalizado, de tributos com exigibilidade suspensa, sem adicionálos ao lucro real, a fiscalização confirmou a existência desse erro com efeitos na apuração do IRPJ e CSLL, conforme será detalhado a seguir. Na resposta ao Termo de Intimação 01, fls. 5254, o contribuinte afirmou que as ações judiciais, cujos valores foram declarados como suspensos nas DCTF, tinham sido indeferidas em instâncias superiores e, por essa razão, não foram relacionadas nas DIPJ. Vejamos trecho da resposta, fls. 5762, do mesmo: “b) Relativo ao questionamento apontado de que a signatária não adicionou na apuração do lucro real os valores informados na DCTF como depositado judicialmente, temse a ponderar que com referência aos exercícios sociais de 2011 e 2012, o processo judicial de questionamento fora indeferido, em julgamento em câmara superior, o que justifica o motivo da não inclusão ao lucro real dos valores acobertados de depósitos judiciais, pois que, no caso, prevalece o abatimento dos impostos considerados como despesas. (grifamos).” A partir dessa resposta, a fiscalização foi levada a imaginar que estaria diante de uma questão também sem reflexo na apuração do imposto de renda e da contribuição social, no entanto, não Fl. 733DF CARF MF Processo nº 12963.720056/201651 Acórdão n.º 1402003.852 S1C4T2 Fl. 734 6 foram apresentados juntamente com a resposta documentos comprobatórios do que estava sendo alegado pelo contribuinte. Assim, o fiscalizado foi intimado a apresentar os comprovantes do indeferimento das referidas ações judiciais e também os Livros de Apuração do Lucro Real (LALUR), 2011 e 2012, para confirmação dos valores utilizados na apuração do Lucro Real no período. [...] O fiscalizado apresentou, então, o LALUR, em meio magnético, e, em relação às ações judiciais entregou apenas os depósitos judiciais, fls.97136, as planilhas de apuração dos valores suspensos, e as cópias das DCTF, fls.137533. Apesar de não ter mencionado em sua resposta, fls.9596, a questão da ação judicial, afirmou à fiscalização que essas ações judiciais ainda continuavam ativas e que não haviam sido denegadas pelas instâncias superiores. Portanto, esses valores de tributos com exigibilidade suspensa declarados nas DCTF do contribuinte foram adicionados de ofício pela fiscalização à apuração do lucro real, de acordo com a legislação do Imposto de Renda, sendo efetuados os lançamentos devidos de IRPJ e CSLL. [...] 1. Do Lançamento dos Créditos Tributários Devidos 1.1. Dos valores adicionados ao Lucro Real Os valores mensais dos tributos com suspensão foram obtidos a partir das DCTFSUSPENSÃO, fls. 534537. A demonstração da totalização desses valores mensais encontrase na planilha do do relatório. 1.2. Lançamento do IRPJ e CSLL Os valores dos tributos com exigibilidade suspensa foram integralmente adicionados na apuração reconstituída do IRPJ e CSLL, sendo efetuados os lançamentos, relativo ao ano calendário 2011, com a conseqüente multa de ofício e os acréscimos legais. Foram considerados no lançamento os débitos declarados em DCTF, fls.538541. As planilhas totalizadoras desses valores anuais que foram utilizados no auto de infração constam no ANEXO 01 do relatório. Ao receber o LALUR apresentado pelo contribuinte, fls.603620, a fiscalização constatou mais um erro em sua DIPJ, fls.542602, na qual é possível que houve registro errado de opção pelo cálculo da estimativa com base na receita bruta e acréscimos. No lançamento, a fiscalização utilizou a opção e os dados relativos às apurações mensais registrados no LALUR. Fl. 734DF CARF MF Processo nº 12963.720056/201651 Acórdão n.º 1402003.852 S1C4T2 Fl. 735 7 Em decorrência da adição, os resultados mensais escriturados pelo contribuinte foram ajustados, acarretando o surgimento de estimativas devidas, e não recolhidas, de IRPJ e CSLL. Assim, nos termos da legislação em vigor, efetuamos o lançamento da multa isolada, pela falta de pagamento dessas estimativas. Para determinação das multas isoladas utilizamos os valores apurados e registrados no LALUR. Essa apuração está demonstrada nas planilhas do ANEXO 02. [...] DA IMPUGNAÇÃO A seguir, a impugnação apresentada, resumidamente: Da Impugnação ao IRPJ (fls.651 a 665): A ADIÇÃO DOS TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA AO LUCRO REAL Neste tópico, a Impugnante afirma que a regra estabelecida no parágrafo primeiro do art.41 da Lei nº 8.981/95 “...prevalece e continua em vigor até a presente data, EXCETO NO QUE SE REFERE A ‘DEPÓSITO’ JUDICIAL DA EXAÇÃO CONTROVERTIDA.” Que com a publicação da Lei 9.703/98, “as exações “depositadas” judicialmente podem e devem ser deduzidas, para a apuração do lucro real.” Isto porque entende que, anteriormente a esta lei, os depósitos permaneciam na CEF até o fim da demanda judicial, ocasião em que os depósitos seriam levantados pelo contribuinte (se vencedor) ou convertidos em renda da União (se vencedora), de forma que tais depósitos não poderiam mesmo ser aproveitados como despesas. Que este cenário teria sido alterado com a entrada em vigor da Lei 9.703/98, uma vez que os depósitos não permaneceriam mais na CEF, sendo “IMEDIATAMENTE REPASSADOS PARA A UNIÃO E INTEGRAM A RENDA DO TESOURO NACIONAL.” Em suas palavras: Portanto, desde o advento da Lei 9.703/98, o contribuinte que “deposita” tributo para questionar sua legalidade/constitucionalidade, perde a disponibilidade dos valores “depositados”, os quais passam a integrar o patrimônio efetivo da União Federal. Por tal razão, o contribuinte passou a poder aproveitar, como despesa, o valor do tributo que já é vertido aos cofres federais. Fl. 735DF CARF MF Processo nº 12963.720056/201651 Acórdão n.º 1402003.852 S1C4T2 Fl. 736 8 No mais, discorre sobre a validade desta lei, mesmo que ainda em vigor a Lei 8.541/92, art.7º e/ou Lei 8.981, art.41, trazendo excertos doutrinários e decisões judiciais sobre o assunto em debate. B DA MULTA ISOLADA que a multa é ilegal, não sendo possível a sua cobrança cumulativa à multa de ofício, como pretendido no presente caso; a multa isolada, como o próprio nome diz, é aplicada ISOLADAMENTE, quando não existir tributo ou contribuição a ser paga, nos termos dos incisos II e III do artigo 44 da Lei 9430/96." O Acórdão de Impugnação nº 0741.493 6ª Turma da DRJ/FNS considerou a Impugnação Improcedente, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 Tributos. Contribuições. Exigibilidade Suspensa. Dedutibilidade. Lançamento de Ofício. Impugnação. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência, não se aplicando tal regra para aqueles com exigibilidade suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art.151 da Lei nº 5.172, de 1996 (CTN). A existência de depósitos judiciais das exações questionadas não permite a dedutibilidade fiscal, pouco importando se já foram transferidos à União em face da legislação atual. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 Multa Isolada. Falta de Recolhimento do IRPJ e CSLL sobre base de cálculo estimada mensal. A multa isolada, calculada sobre a totalidade ou diferença da antecipação do IRPJ e da CSLL, mensalmente devida e não recolhida, deve ser aplicada à pessoa jurídica, sujeita à tributação com base no lucro real, e optante pelo pagamento do IRPJ e da CSLL, em cada mês, determinados sobre bases de cálculo estimadas, por descumprimento da obrigação de antecipar o IRPJ ou a CSLL mensalmente devidos. Multa de Ofício Isolada. Duplicidade de Incidência. Não Caracterização. A multa de ofício exigida por falta de pagamento do IRPJ e da CSLL devidos na apuração anual, e a multa isolada por falta de recolhimento das antecipações mensais, calculadas sobre bases de cálculo estimadas, têm hipóteses de incidência e bases de cálculo distintas. De acordo com as expressas disposições legais, a incidência de multa isolada por falta de recolhimento das antecipações mensais, calculadas sobre bases de Fl. 736DF CARF MF Processo nº 12963.720056/201651 Acórdão n.º 1402003.852 S1C4T2 Fl. 737 9 cálculo estimadas, é completamente autônoma em relação à obrigação tributária principal a ser constituída, ou não, no final do período. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011 Lançamento Reflexo. Mesmos Eventos. Decorrência. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ aplicase à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Inconformada com a decisão a quo, a recorrente interpôs recurso voluntário, em que repisa os argumentos de fato e de direito trazidos em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende ao demais requisitos, motivo pelo qual dele conheço. Legalidade da adição ao lucro real dos tributos e contribuições com exigibilidade suspensas A primeira questão a ser discutida no presente processo trata da legalidade da adição ao lucro real dos tributos com exigibilidade suspensa. A Fiscalização observou que o Recorrente não adicionou na apuração do lucro real os tributos com exigibilidade suspensa, embora tivesse declarado em sua DCTF tributos nessa condição, logo procedeuse à apuração do lucro real com a adição de ofício dos referidos tributos, conforme Relatório de Auditoria Fiscal : O fiscalizado apresentou, então, o LALUR, em meio magnético, e, em relação às ações judiciais entregou apenas os depósitos judiciais, fls. 97136, as planilhas de apuração dos valores suspensos, e as cópias das DCTF, fls. 137533. Apesar de não ter mencionado em sua reposta, fls. 95/96 a questão da ação judicial, afirmou à fiscalização que essas ações judiciais ainda continuavam ativas e que não haviam sido denegadas pelas instâncias superiores. Portanto, esses valores de tributos com exigibilidade suspensa declarados nas DCTF do contribuinte foram adicionados de Fl. 737DF CARF MF Processo nº 12963.720056/201651 Acórdão n.º 1402003.852 S1C4T2 Fl. 738 10 ofício pela fiscalização à apuração do lucro real, do acordo com legislação do Imposto de Renda, sendo efetuados os lançamentos devidos de IRPJ e CSLL. [...] Os valores dos tributos com exigibilidade suspensa foram integralmente adicionados na apuração reconstituída do IRPJ e CSLL, sendo efetuados os lançamentos, relativo ao ano calendário 2011, com a conseqüente multa de ofício e os acréscimos legais. Foram considerados no lançamento os débitos declarados em DCTF, fls. 538541. O Recorrente alegou, em sua impugnação, que, com o advento da Lei 9703/98, os tributos com exigibilidade suspensa, desde que havendo o depósito judicial, poderiam ser deduzidos na apuração do lucro real. A Turma Julgadora a quo julgou improcedente a impugnação, pois entendeu que a existência de depósito judicial não altera a condição de indedutibilidade dos tributos sob exigibilidade suspensa: Notório que as exações questionadas (apuradas no Auto de Infração, neste item) encontramse com a sua exigibilidade suspensa, portanto, a rigor, não poderiam ser aproveitadas como redutoras (despesas) do lucro líquido ou, se o fossem, deveriam ser adicionadas na apuração do Lucro real. Entretanto, a Impugnante, conforme relatoriado, aposta suas fichas na Lei nº 9.703/98, cuja introdução no cenário jurídico nacional teria possibilitado, em seu entendimento, a dedução imediata dos valores depositados então judicialmente. Da leitura destes instrumentos legais, não se pode concluir que valores devidos de exações questionadas e devidamente depositadas junto ao Poder Judiciário, possam ser consideradas como despesas e sem qualquer ajuste (adição) na determinação do lucro real. O fato de a União Federal já poder dispor de imediato dos valores depositados judicialmente pelos contribuintes, não significa que tais depósitos, que representam tributos e/ou contribuições federais em discussão judicial, estejam livres para o registro contábil em conta de resultado (despesas), sem o necessário ajuste fiscal. Absolutamente, não há qualquer incompatibilidade entre as leis citadas pela Impugnante, sob o argumento de que os dispositivos pertinentes que se encontram nas Leis 8.541/92 (art.8º) e Lei 8.981/95 (art.41) teriam sido implicitamente revogados com a publicação da Lei 9.703, de 1998. O Recorrente, em seu recurso voluntário, repisa todos os argumentos de sua impugnação e acrescenta que, exclusivamente em relação aos depósitos judiciais, existiu derrogação dos artigos 8º da Lei 8541/92 e 41 da Lei 8981/95 pelo artigo 1º da Lei 9703/98: Fl. 738DF CARF MF Processo nº 12963.720056/201651 Acórdão n.º 1402003.852 S1C4T2 Fl. 739 11 No caso presente, a razão de ser, a "força e o poder", da regra prevista no artigo 41, parágrafo primeiro da Lei 8991/95, repetido no artigo 344 do RIR, é da indedutibilidade do DEPÓSITO judicial, porque, como consagrou o E. STJ na Jurisprudência anterior à Lei 9703 98, nos RRSP 129.665RS, STJ, ln TURMA, DJU 9 3/98 e no RESP ainda mais antigo, de número 217.562, NÃO HAVIA DISPONIBILIDADE, PARA A UNIÃO, DOS VAI ORES DEPOSITADOS, QUE PERMANECIAM em poder de terceiro, no caso, CEF, ainda vinculados ao contribuinte depositante, como previa o DL 1737/79; Com a mudança proporcionada pelo artigo 1º da Lei 9703/98, o que era DEPOSITO, o que era a guarda por terceiro de dinheiro que não lhe pertencia, DEIXOU DE EXISTIR. Os valores "depositados" são vertidos ao patrimônio do poder tributante, no mesmo prazo que também são vertidos os valores recolhidos, razão pela qual, a partir dai, seja no "depósito" seja no recolhimento normal ocorre a TRANSFERENCIA do dinheiro do contribuinte para a União, não havendo, pois, motivos para se discriminar as duas situações de resultados idênticos; Portanto, EXCLUSIVAMENTE EM RELAÇÃO AOS "DEPÓSITOS" JUDICIAIS, a partir da vigência da Lei 9703/98, existiu DERROGAÇÃO da regra anterior, dos artigos 8o da Lei 8541/92 e 41 da Lei 8981/95, pelo artigo 10 da Lei 9703/98; A derrevogação se deu pela INCOMPATIBILIDADE da Lei nova com as anteriores, como previsto no artigo 2o, parágrafo primeiro, da LINDB LEI DE INTRODUÇÃO ÀS NORMAS DO DIREITO BRASILEIRO, (DL 4657/42); A dedutibilidade dos tributos e contribuições para fins de apuração do lucro real é disciplinada nos arts. 7º e 8º da Lei 8.541 de 23 de dezembro de 1992, in verbis: Art. 7° As obrigações referentes a tributos ou contribuições somente serão dedutíveis, para fins de apuração do lucro real, quando pagas. § 1° Os valores das provisões, constituídas com base nas obrigações de que trata o caput deste artigo, registrados como despesas indedutíveis, serão adicionados ao lucro líquido, para efeito de apuração do lucro real, e excluído no períodobase em que a obrigação provisionada for efetivamente paga. § 2° Na determinação do lucro real, a pessoa jurídica não poderá deduzir como custo ou despesa o imposto sobre a renda de que for sujeito passivo como contribuinte ou como responsável em substituição ao contribuinte. § 3° A dedutibilidade, como custo ou despesa, de rendimentos pagos ou creditados a terceiros abrange o imposto sobre os rendimentos que o contribuinte, como fonte pagadora, tiver o Fl. 739DF CARF MF Processo nº 12963.720056/201651 Acórdão n.º 1402003.852 S1C4T2 Fl. 740 12 dever legal de reter e recolher, ainda que o contribuinte assuma o ônus do imposto. § 4° Os impostos pagos pela pessoa jurídica na aquisição de bens do ativo permanente poderão, a seu critério, ser registrados como custo de aquisição ou deduzidos como despesas operacionais, salvo os pagos na importação de bens que se acrescerão ao custo de aquisição. § 5° Não são dedutíveis como custo ou despesas operacionais as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. Art. 8° Serão consideradas como redução indevida do lucro real, de conformidade com as disposições contidas no art. 6°, § 5°, alínea b, do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, as importâncias contabilizadas como custo ou despesa, relativas a tributos ou contribuições, sua respectiva atualização monetária e as multas, juros e outros encargos, cuja exigibilidade esteja suspensa nos termos do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial em garantia. A dedutibilidade dos tributos e contribuições para fins de apuração do lucro real também é tratada no art. 41 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro do 1995, in verbis: Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial. (grifo nosso) § 2º Na determinação do lucro real, a pessoa jurídica não poderá deduzir como custo ou despesa o Imposto de Renda de que for sujeito passivo como contribuinte ou responsável em substituição ao contribuinte. § 3º A dedutibilidade, como custo ou despesa, de rendimentos pagos ou creditados a terceiros abrange o imposto sobre os rendimentos que o contribuinte, como fonte pagadora, tiver o dever legal de reter e recolher, ainda que assuma o ônus do imposto. § 4º Os impostos pagos pela pessoa jurídica na aquisição de bens do ativo permanente poderão, a seu critério, ser registrados como custo de aquisição ou deduzidos como despesas operacionais, salvo os pagos na importação de bens que se acrescerão ao custo de aquisição. § 5º Não são dedutíveis como custo ou despesas operacionais as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória Fl. 740DF CARF MF Processo nº 12963.720056/201651 Acórdão n.º 1402003.852 S1C4T2 Fl. 741 13 e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. § 6o As contribuições sociais incidentes sobre o faturamento ou receita bruta e sobre o valor das importações, pagas pela pessoa jurídica na aquisição de bens destinados ao ativo permanente, serão acrescidas ao custo de aquisição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) O Artigo 1º da lei nº 9.703, de 17 de novembro de 1998, dispõe sobre os depósitos judiciais e extrajudiciais de tributos e contribuições federais, in verbis: Art. 1o Os depósitos judiciais e extrajudiciais, em dinheiro, de valores referentes a tributos e contribuições federais, inclusive seus acessórios, administrados pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda, serão efetuados na Caixa Econômica Federal, mediante Documento de Arrecadação de Receitas Federais DARF, específico para essa finalidade. § 1o O disposto neste artigo aplicase, inclusive, aos débitos provenientes de tributos e contribuições inscritos em Dívida Ativa da União. § 2o Os depósitos serão repassados pela Caixa Econômica Federal para a Conta Única do Tesouro Nacional, independentemente de qualquer formalidade, no mesmo prazo fixado para recolhimento dos tributos e das contribuições federais. § 3o Mediante ordem da autoridade judicial ou, no caso de depósito extrajudicial, da autoridade administrativa competente, o valor do depósito, após o encerramento da lide ou do processo litigioso, será: I devolvido ao depositante pela Caixa Econômica Federal, no prazo máximo de vinte e quatro horas, quando a sentença lhe for favorável ou na proporção em que o for, acrescido de juros, na forma estabelecida pelo § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e alterações posteriores; ou II transformado em pagamento definitivo, proporcionalmente à exigência do correspondente tributo ou contribuição, inclusive seus acessórios, quando se tratar de sentença ou decisão favorável à Fazenda Nacional. § 4o Os valores devolvidos pela Caixa Econômica Federal serão debitados à Conta Única do Tesouro Nacional, em subconta de restituição. § 5o A Caixa Econômica Federal manterá controle dos valores depositados ou devolvidos. Fl. 741DF CARF MF Processo nº 12963.720056/201651 Acórdão n.º 1402003.852 S1C4T2 Fl. 742 14 Observase, conforme interpretação literal dos arts. 7º e 8º da Lei 8.541/92 e art. 41 da Lei nº 8.981/1995, que as obrigações referentes a tributos ou contribuições somente serão dedutíveis, para fins de apuração do lucro real, quando pagas, sendo que essa disposição não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial. O legislador deixou claro que aplicase a indedutibilidade dos tributos e contribuições, cuja exigibilidade esteja suspensa, independentemente da existência ou não do depósito judicial. A lei º 9.703, de 17 de novembro de 1998, dispôs que os depósitos serão repassados pela Caixa Econômica Federal para a Conta Única do Tesouro Nacional, independentemente de qualquer formalidade, no mesmo prazo fixado para recolhimento dos tributos e das contribuições federais, contudo, estabeleceu que o valor depósito será transformado em pagamento definitivo, proporcionalmente à exigência do correspondente tributo ou contribuição quando se tratar de sentença ou decisão favorável à Fazenda Nacional. Notase que o mero repasse dos depósitos pela Caixa Econômica Federal para a Conta Única do Tesouro Nacional não os transforma em pagamento, sendo necessário que ocorra a sentença ou decisão favorável à Fazenda Nacional. O Recorrente, embora tenha sido intimado, não trouxe elementos comprobatórios da existência de sentença ou decisão favorável à Fazenda Nacional. Portanto mostramse corretos os lançamentos efetuados através de auto de infração no presente processo e o Acórdão de Impugnação recorrido. Compulsando o artigo 1º da lei nº 9.703/98 com os arts. 7º e 8º da Lei 8.541/92 e art. 41 da Lei nº 8.981/1995, verificase que não há nem contradição nem derrogação dos referidos comandos legais. Logo rejeitase os argumentos trazidos pela recorrente pela dedutibilidade dos tributos e contribuições sob exigibilidade suspensa, mesmo havendo depósitos judiciais. Afastase ainda a alegação de derrogação dos artigos 8º da Lei 8541/92 e 41 da Lei 8981/95 pelo artigo 1º da Lei 9703/98. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO IMPOSTA AO FINAL DO ANOCALENDÁRIO POR FALTA DE PAGAMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS DO IRPJ E DO CSLL Conforme já relatado, os valores dos tributos com exigibilidade suspensa foram integralmente adicionados, de ofício, na apuração reconstituída do IRPJ e CSLL, sendo efetuados os lançamentos, relativo ao anocalendário 2011, com a conseqüente multa de ofício e os acréscimos legais. Em decorrência da adição, os resultados mensais escriturados pelo contribuinte foram ajustados, acarretando o surgimento de estimativas devidas, e não recolhidas, de IRPJ e CSLL. Assim, nos termos da legislação em vigor, efetuouse o lançamento da multa isolada, pela falta de pagamento dessas estimativas. Fl. 742DF CARF MF Processo nº 12963.720056/201651 Acórdão n.º 1402003.852 S1C4T2 Fl. 743 15 Por sua vez, o recorrente alega que não é possível a cobrança da multa isolada cumulativa à multa de ofício: A multa isolada, como o próprio nome diz, é aplicada ISOLADAMENTE, quando não existir tributo ou contribuição a ser paga, nos lermos dos incisos II e III do artigo 44 da Lei 9430/96; Portanto, como consta da letra da Lei, o artigo 44 da Lei 9430/96, na redação da Lei 11.488/07, com muito de indústria, "data venia", apenas PARCIALMENTE citada na R, decisão recorrida, SOMENTE SÃO NORMAS sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições, mediante Auto de Infração sem Tributo! No presente caso, tendo sido aplicada a multa sobre o tributo exigido, não cabe a penalidade isolada; O recorrente colaciona ao seu recurso a ementas de Acórdãos do Conselho de Contribuinte favoráveis à sua argumentação: "MULTA ISOLADA IMPOSSIBILIDADE DE SUA COBRANÇA COMA MULTA DE OFÍCIO NORMAL DEVE SER AFASTADA A APLICAÇÃO DA MULTA ISOLADA CONCOMITANTEMENTE COM A MULTA DE OFÍCIO NORMAL, INCIDENTES SOBRE O TRIBUTO OBJETO DO LANÇAMENTO" (E. CONSELHO DE CONTRIBUINTES, ACÓRDÃO 1024693). "MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA CONCOMITÂNCIA É INCABÍVEL, POR EXPRESSA DISPOSIÇÃO LEGAL, A APLICAÇÃO CONCOMITANTE DA MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO EXIGIDA COM TRIBUTO E CONTRIBUIÇÃO COM MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO EXIGIDA ISOLADAMENTE" (E. CC ACÓRDÃO 102.46375) "MULTA ISOLADA CUMULAT1VIDADE COM A MULTA DE OFICIO CONTENDO O ARTIGO 44, INCISO I DA LEI 9430/96, NORMA QUE ALBERGA A FALTA GENÉRICA DE PAGAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA, SUA APLICAÇÃO INIBE A EFICÁCIA SIMULTÂNEA DAQUELA CONTIDA NO PARÁGRAFO PRIMEIRO, INCISO III DESSE ARTIGO " (E. CC Acórdão 10421094). O Recorrente invoca a vigência da Súmula 105 desse CARF: SÚMULA CARF N° 105: A MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS, LANÇADA COM FUNDAMENTO NO ART. 44 § 1º, INCISO IV DA LEI N° 9.430, DE 1996, NÃO PODE SER EXIGIDA AO MESMO TEMPO DA MULTA DE OFÍCIO POR FALTA DE PAGAMENTO DE IRPJ E CSLL APURADO NO AJUSTE ANUAL, DEVENDO SUBSISTIR A MULTA DE OFÍCIO. Fl. 743DF CARF MF Processo nº 12963.720056/201651 Acórdão n.º 1402003.852 S1C4T2 Fl. 744 16 Por fim, defende, nos termos da Portaria MF 383/10, o efeito vinculante das súmulas do CARF à toda Administração Tributária Federal: Portaria MF nº 383, de 12 de julho de 2010 DOU de 14.7.2010 Atribuem as súmulas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF efeito vinculante em relação à administração tributária federal. O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso das atribuições previstas no art. 87, parágrafo único incisos I e II da Constituição Federal, e tendo em vista o disposto no art. 75 da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, resolve: Art. 1º Fica atribuído às sumulas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, relacionadas no Anexo Único desta Portaria, efeito vinculante em relação à administração tributária federal. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. A questão a ser dirimida diz respeito à possibilidade de serem aplicadas, simultaneamente, a multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas mensais, e a multa de ofício pela falta de recolhimento do tributo devido no ajuste anual. Em relação à possibilidade de aplicação cumulativa das multas de ofício e isolada cumpre salientar, preliminarmente, que não se aplica à espécie a Súmula CARF nº 105, segundo a qual “a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício”. Isso porque a cumulação entre as multas só é vedada pela referida súmula em relação às autuações relativas a períodos anteriores a 22 de janeiro de 2007, data da entrada em vigor da MP nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou significativamente o art. 44 da Lei nº 9.430/96, confirase: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 744DF CARF MF Processo nº 12963.720056/201651 Acórdão n.º 1402003.852 S1C4T2 Fl. 745 17 b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) Observase que o art. 44 da Lei nº 9.430/96 foi alterado pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, dandolhe nova redação, reduzindo a multa isolada para 50%; deixando claro que a referida multa isolada era cabível no caso de estimativa mensal não paga e não de tributo final não pago. Ressaltase que as bases de cálculo das citadas multas foram diferenciadas, afastandose, dessa forma, qualquer alegação de bis in idem. Com efeito, segundo texto dado pela Lei nº 11.488/2007, a base de cálculo da multa isolada pela falta de pagamento da estimativa consiste no valor do pagamento mensal, no percentual de 50%, enquanto a multa pelo lançamento de ofício incide sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, no percentual de 75%. Por fim, cabe registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais sinalizou ser possível a cobrança concomitante da multa de ofício com a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas após a entrada em vigor da MP nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007. Confirase, por oportuno, o que ficou registrado no Acórdão nº 910102.438: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário:2008, 2009 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, deixa clara a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que "serão aplicadas as seguintes multas". A lei ainda estabelece a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no anocalendário correspondente. No caso em apreço, não tem aplicação a Súmula CARF nº 105, eis que a penalidade isolada foi exigida após alterações promovidas pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Diante do exposto e considerando que restou plenamente configurado o desrespeito do recorrente ao disposto no art. 44, II, “b” da Lei nº 9.430/96 e, ainda, que o fato gerador do presente feito é posterior ao advento da MP nº 351/2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007), não há qualquer dúvida sobre a possibilidade/necessidade de cobrança da multa isolada, exigida em face do não pagamento do tributo devido pelo regime de estimativa. Fl. 745DF CARF MF Processo nº 12963.720056/201651 Acórdão n.º 1402003.852 S1C4T2 Fl. 746 18 Concluise que é possível a cumulação entre multa de ofício e multa isolada, pois são penalidades distintas que incidem sobre bases de cálculo diversas, mormente em face da alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351/2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007) na redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Dessa forma, devese manter a multa isolada sobre as estimativas não pagas de IRPJ e, também, da CSLL, com supedâneo no novo art. 44, II, “b”, da Lei nº 9.430/96. Da apuração reflexa da CSLL As presentes infrações apuradas para o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica geram reflexo na determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido CSLL, nos termos do art. 2º da Lei n° 7.689/88, combinado com o art. 28 da Lei n° 9.430/96. Assim sendo, por possuírem os mesmos fundamentos fáticos, a decisão prolatada com relação ao Auto de Infração do IRPJ aplicase à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 746DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.904955/2012-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente.
Numero da decisão: 3201-005.317
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício).
(assinatura digital)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza., substituído pelo conselheiro Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza., substituído pelo conselheiro Marcos Roberto da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 49 55 /2 01 2- 32 Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10183.904955/201232 Acórdão n.º 3201005.317 S3C2T1 Fl. 70 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 58 interposto em face da decisão de primeira instância da DRJ/MG de fls. 49, que deu provimento parcial à Manifestação de Inconformidade de fls. 12. O Despacho Decisório eletrônico de fls. 7, não homologou a compensação solicitada, em razão dos pagamentos encontrados terem sido integralmente utilizados para quitação de débitos. Como de costume desta Turma de julgamento, transcrevese o relatório da decisão de primeira instância: "DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório com número de rastreamento 40930018, emitido eletronicamente em 05/12/2012, referente ao PER/DCOMP nº 04163.73630.250112.1.3.046170. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 6912, no valor de R$42.480,00, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 23/01/2009. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O interessado apresentou manifestação de inconformidade, alegando que, no DACON não foram usados créditos vinculados à receita tributada no mercado interno dos períodos de apuração anteriores, gerando o crédito de R$42.480,00, usado na compensação desse processo. Pedese que seja realizada a compensação, considerando o valor de crédito informado no PER/DCOMP." Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10183.904955/201232 Acórdão n.º 3201005.317 S3C2T1 Fl. 71 3 A decisão de primeira instância da DRJ/MG foi publicada com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2008 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO COMPROVADO. O sujeito passivo que apurar crédito do qual tenha direito à restituição ou a ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos próprios. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte." Em Recurso Voluntário o contribuinte reforçou os argumentos da sua Manifestação de Inconformidade (denominada Impugnação nos autos). Após, os autos foram devidamente distribuídos e pautados, nos moldes do regimento interno. Relatório proferido. Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.º Seção de julgamento deste Conselho e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Ao longo de todo o procedimento administrativo fiscal, o contribuinte deixou de comprovar a origem, certeza e liquidez dos créditos solicitados A DRJ/MG analisou o caso de forma específica e apontou que a DCTF retificadora apresentada antes do Despacho Decisório comprovou parte dos créditos e em razão disto deu provimento parcial. Em Recurso Voluntário, se ateve somente à afirmar que possui o crédito no montante solicitado, de forma genérica. Este Conselho, não possui competência, por ausência de previsão legal, para, de ofício, adicionar ou subtrair razões de defesa ao recurso do contribuinte. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10183.904955/201232 Acórdão n.º 3201005.317 S3C2T1 Fl. 72 4 Portanto, a partir deste momento verificase que o contribuinte não cumpriu com os ditames estabelecidos nos Art. 16 e 17 do Decreto 70.235/72, que regula o PAF: "Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10183.904955/201232 Acórdão n.º 3201005.317 S3C2T1 Fl. 73 5 condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito)." É importante registrar que recai ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito ao crédito pleiteado, com documentos, motivos de fatos e de direito. Não realizado este procedimento nos ditames dos Art. 16 e 17 do Decreto 70.235/72 que regula o PAF, o recurso não merece prosperar. Diante do exposto, votase para que seja NEGADO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Voto proferido. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.901977/2015-67
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1002-000.072
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem verifique a liquidez e certeza dos créditos alegados referentes ao período a que se refere o Per/Dcomp em questão e elabore Relatório circunstanciado conclusivo sobre o resultado da verificação, bem como informe se o crédito objeto do pedido foi utilizado em outro processo de compensação.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem verifique a liquidez e certeza dos créditos alegados referentes ao período a que se refere o Per/Dcomp em questão e elabore Relatório circunstanciado conclusivo sobre o resultado da verificação, bem como informe se o crédito objeto do pedido foi utilizado em outro processo de compensação. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo. Relatório Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação da compensação, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/SPO: O interessado, supra qualificado, entregou por via eletrônica a Declaração de Compensação de fls. 2/6 (PER/DCOMP nº 10982.61166.310714.1.3.042286), transmitida em 31/07/2014, na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ (cód. receita 0220 – IRPJ PJ OBRIGADAS AO LUCRO REAL ENTIDADES NÃO FINANCEIRAS BALANÇO TRIMESTRAL) relativo à 3ª quota do período de apuração encerrado em 30/09/2009 (3º RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 01 97 7/ 20 15 -6 7 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10380.901977/201567 Resolução nº 1002000.072 S1C0T2 Fl. 82 2 TRIMESTRE/2009). O valor total do DARF pago em 30/12/2009 foi de R$ 94.629,64 Pelo Despacho Decisório de fls. 7/9 (nº rastreamento 098613291) o contribuinte foi cientificado, em 18/03/2015 (fl. 10), de que: O crédito analisado está limitado ao valor do 'crédito original na data de transmissão' informado no PER/DCOMP, correspondendo a 8.051,55 Valor do crédito original reconhecido: 0,00 A partir das características do(s) DARF discriminado(s) no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos sem saldo reconhecido para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página internet da Receita Federal, e integram este despacho. Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/03/2015. PER/DCOMP Despacho Decisório Análise de Crédito Informações Complementares da Análise de Crédito Data da Consulta: 27/4/2015 16:11:18 Nome/Nome Empresarial: LIMA TRANSPORTES LTDA CPF/CNPJ: 06.890.941/000124 PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: 10982.61166.310714.1.3.04 2286 Número do processo de crédito: 10380901.977/201567 Data de transmissão do PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: 31/07/2014 Tipo de Crédito: Pagamento Indevido ou a Maior Despacho Decisório (Nº de Rastreamento): 098613291 Crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 8.051,55 Crédito reconhecido em valor originário: 0,00 Justificativa: NÃO COMPROVADA A EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR Observação: DIVERGÊNCIA ENTRE DCTF E DIPJ. Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher os débitos indevidamente compensados (principal: R$ 9.346,33). Irresignado, o contribuinte apresentou em 17/04/2015 a Manifestação de Inconformidade, de fls. 11/16, alegando, em síntese: i) que efetivamente possui crédito de R$ 24.154,70 de IRPJ referente ao '3º SEM/2009', correspondendo a R$ 8.051,57 para cada uma das 3 (três) quotas em que foi dividido o total a pagar de R$ 255.098,63; ii) que o valor devido no '3º SEM/2009'de R$ 255.098,63, foi obtido a partir de declaração, na DIPJ/2010, do lucro real de R$ 1.081.690,34; iii) que o crédito pleiteado no presente processo, que se relaciona à PER/DCOMP nº 10982.61166.310714.1.3.042286, é o relativo ao DARF da 2ª quota; iv) que o crédito pleiteado existe, tendo ocorrido apenas um erro no preenchimento da DCTF de setembro/2009, onde foi omitido o valor do débito de IRPJ, 'informação que apenas constou na DCTF de dezembro/2009'; v) que,'8. Realmente, apesar do próprio despacho decisório reconhecer o pagamento feito através de DARF no Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10380.901977/201567 Resolução nº 1002000.072 S1C0T2 Fl. 83 3 valor de R$ 93.084,44, equivocadamente o sistema aponta a não utilização desse pagamento, o que se sabe não é verdade, uma vez que esse DARF foi utilizado para pagar uma das quotas do IRPJ (R$ 85.032,88), conforme consta na DCTF.Não é preciso muita matemática para perceber que tratase de um erro de sistema e que essa conta resulta no saldo creditório não utilizado de R$ 8.051,55 mas que equivocadamente não foi indicado pelo sistema em razão da divergência DIPJ x DCTF. Esse saldo de crédito original (R$ 8.051,55) foi justamente o valor utilizado na PER/DCOMP não homologada,..'; vi) que tentou retificar a DCTF de setembro/2009 mas não conseguiu, dado ao esgotamento do prazo decadencial para fazêlo; vii) cita dois acórdãos do CARF que estariam corroborando sua tese da prevalência da verdade material ante a erros cometidos; viii) ao final requer a homologação da compensação indicada na PER/DCOMP nº 10982.61166.310714.1.3.042286, e que as intimações/notificações do presente processo sejam feitas em nome de seu advogado, no endereço profissional do mesmo. O presente processo está sendo apreciado na mesma sessão em que os processos nºs 10380.901975/201578 e 10380.901976/201512 estão sendo julgados, tendo em vista o direito creditório discutido estar relacionado a supostos pagamentos indevidos ou a maior do mesmo débito (IRPJ 3º TRIM/2009 – código de receita 0220). A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/SPO, conforme acórdão n. 1678.976 (efl. 45), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/12/2009 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR Não é líquido e certo o crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se não há a devida correspondência deste indébito com as demais declarações oficiais (DCTF, DIPJ), e se a contribuinte não prova, com documentos e livros fiscais e contábeis, o alegado erro no pagamento e o valor correto do débito em questão. Irresignado, o Recorrente apresenta Recurso Voluntário (efls. 59), no qual oferece argumentos e fundamentos de fato e de direito abaixo sintetizados. Relata que "Como se pode ver das razões do voto condutor do acórdão que julgou a manifestação de inconformidade da recorrente improcedente, entendeuse que as retificações (DCTF e DIPJ) do período em questão, os DARFs pagos a maior, e demais elementos probatórios não foram capazes de demonstrar o real valor devido de IRPJ do 3º trimestre de 2009." Salienta que "...a divergência verificada nas declarações da recorrente tem razão de ser pelo fato de que, como se sabe, nos anos de 2007 a 2009 houve uma série de alterações nas normas contábeis, oriundas das Leis nº 11.638/2007 e 11.941/09, com o objetivo de correlacionar as normas contábeis brasileiras às normas internacionais" e que Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10380.901977/201567 Resolução nº 1002000.072 S1C0T2 Fl. 84 4 "Entre as alterações ocorridas que trouxeram impactos nos procedimentos e práticas contábeis destacouse o reconhecimento das operações de leasing ou arrendamento mercantil, através do Pronunciamento Técnico CPC nº 06 – Operações de Arrendamento Mercantil, que estabeleceu como as referidas operações passariam a ser reconhecidas e apresentadas contabilmente." Informa que "...com base nas novas normas, a sociedade passou a contabilizar os bens objeto de leasing financeiro no ativo imobilizado, e a contrapartida, no caso a dívida assumida e os juros incidentes conforme contrato foram registrados no passivo", que "Além disso foram contabilizadas no resultado a despesa de depreciação e a despesa financeira do passivo assumido" e que "Ainda em decorrência dos novos padrões adotados, passaram a ser contabilizados os créditos de PIS e COFINS sobre as contraprestações de arrendamento mercantil pagas, conforme art. 3º, inciso V, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03." Aduz que "Posteriormente, a Lei nº 11.941/09 estabeleceu em seu art. 16 que as alterações que modificassem o tratamento contábil empregado às demonstrações contábeis não teriam efeito fiscal para as empresas que aderissem ao RTT." Sustenta que "...foi necessário ajustar o lucro apurado contabilmente através do RTT, expurgandose os valores contabilizados a título de créditos de PIS e COFINS sobre arrendamento mercantil, a despesa de depreciação, e a despesa financeira, incluindose no resultado o valor da contraprestação paga, dedutível para fins de apuração do Lucro Real", que "Após revisão tributária realizada na empresa foi identificado que no 3º trimestre de 2009 o valor referente as contraprestações de leasing que não havia sido considerado como ajuste (exclusão RTT) na apuração do Lucro Real do referido trimestre" e que "Por essa razão é que foi necessário retificar a DIPJ do ano calendário de 2009 considerando o valor de R$1.446.520,87 (um milhão, quatrocentos e quarenta e seis mil, quinhentos e vinte reais e oitenta e sete centavos) referente as contraprestações leasing que não haviam sido consideradas como ajuste RTT no 3º trimestre/2009 na DIPJ original." Entende que "Os valores apontados são facilmente identificados no balancete contábil da empresa (doc. 01 – balancete – 3º trimestre de 2009), apresentados na coluna de Débitos referente aos pagamentos do leasing e encargos financeiros, e também apresentado na Parte A do Livro de Apuração do Lucro Real LALUR do 3º Trimestre/2009 (doc. 02 – Parte A do LALUR– 3º Trimestre de 2009)." Junta aos autos documentos contábeis/fiscais de efls. 73 a 77. É o relatório do necessário. Voto Embora seja tempestivo e atenda aos demais requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento parcial do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que não se encontra em condições de julgamento, conforme a seguir explicado. Vêse que a improcedência da Manifestação de Inconformidade teve como fundamento principal a falta de comprovação do crédito pretendido. Entretanto, o Recorrente Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10380.901977/201567 Resolução nº 1002000.072 S1C0T2 Fl. 85 5 juntou no Recurso Voluntário fichas isoladas de Balancete contábil e de Lalur, que, em princípio e em juízo de delibação, conferem verossimilhança a seus argumentos. A controvérsia, portanto, reduzse à questão da comprovação da liquidez e certeza do crédito vindicado mediante análise dos documentos juntados aos autos. Assim, para que seja possível a formação de juízo conclusivo a respeito da matéria e a conseqüente homologação da compensação, fazse necessária a conversão do julgamento do recurso em diligência para que a Unidade de Origem elucide se os documentos colacionados são suficientes para comprovação do alegado erro no preenchimento da DCTF. Para deslinde do caso, se necessário, a Unidade de Origem poderá intimar o Recorrente para juntar novos documentos ou prestar esclarecimentos adicionais com o objetivo de comprovar inequivocamente o direito ao crédito postulado. Diante do exposto, voto no sentido de remeter os autos em diligência à Unidade de Origem para que seja verificada a liquidez e certeza dos créditos alegados, referentes ao período a que se refere o Per/Dcomp em questão, devendo aquela Unidade: 1) elaborar Relatório circunstanciado conclusivo sobre o resultado da verificação; 2) informar se o crédito objeto do pedido de compensação foi utilizado em outro processo de compensação; Ao final a Unidade de Origem deverá dar ciência ao Recorrente do resultado da diligência, reabrindolhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestação quanto ao relatório produzido. É como voto. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 85DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.724804/2011-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.917
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que entendia pela desnecessidade da diligência. Os Conselheiros Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra acompanharam a diligência sem a indicação da cooperação sugerida pelo relator no item (iv) da diligência.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que entendia pela desnecessidade da diligência. Os Conselheiros Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra acompanharam a diligência sem a indicação da cooperação sugerida pelo relator no item (iv) da diligência. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório 1. Tratamse de Pedidos de Ressarcimento e Declarações de Compensação relativos a crédito de PIS/COFINS NãoCumulativa. 2. Em suma, estamos diante da conhecida discussão a respeito do conceito de insumo para fins de incidência de PIS e COFINS, a qual gravita em torno de uma postura mais restritiva por parte da Receita Federal do Brasil, o que se dá com fundamento nas INs n.s 247/02 e 404/04, bem como de uma visão mais ampla por parte dos contribuintes, que atrelam o conceito de insumo a idéia de despesa dedutível, nos termos da legislação do Imposto sobre a Renda. 3. Partindo do sobredito pressuposto, ou seja, de que insumo para fins de crédito de PIS e COFINS é aquele conceito estrito e aproximado da legislação do IPI (matériaprima, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 24 80 4/ 20 11 -3 2 Fl. 684DF CARF MF Processo nº 11080.724804/201132 Resolução nº 3402001.917 S3C4T2 Fl. 3 2 produto intermediário e material de embalagem) diretamente empregados na fase de industrialização, a fiscalização admitiu apenas parte dos créditos vindicados pela recorrente. 4. Devidamente intimado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, oportunidade em que, após discorrer acerca da metodologia que entende pertinente para o creditamento de PIS e COFINS, refutou as glosas perpetradas pela fiscalização. 5. Uma vez processada, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ de Ribeirão Preto, o que se deu nos termos da ementa abaixo transcrita: (...) MATÉRIA NÃO QUESTIONADA. CRÉDITO DE LOCAÇÃO E/OU ARMAZENAGEM (MÁQUINAS DE CAFÉ EXPRESSO). CRÉDITO NA DEVOLUÇÃO DE VENDAS (UTILIZAÇÃO INDEVIDA). Consolidase definitivamente na esfera administrativa a matéria que não tenha sido expressamente contestada na manifestação de inconformidade. PROVA. A prova documental deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, o que não se logrou atender no presente caso. DILIGÊNCIA. Indeferese o pedido de diligência quando se trata de matéria passível de prova documental a ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade, bem como quando presentes elementos suficientes para a formação da convicção da autoridade julgadora. NULIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. (...) INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a arguição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os artigos 96 e 100 do Código Tributário Nacional. Fl. 685DF CARF MF Processo nº 11080.724804/201132 Resolução nº 3402001.917 S3C4T2 Fl. 4 3 (...) CRÉDITO. Somente dão direito a apuração de créditos no regime de incidência nãocumulativa os gastos expressamente previstos na legislação de regência. CRÉDITO. INSUMOS. Os insumos utilizados no processo produtivo somente dão direito apuração de créditos no regime de incidência nãocumulativa se incorporados diretamente ao bem produzido ou se consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto, desde que não incorporados ao ativo imobilizado. CRÉDITO. LOCAÇÃO E/OU ARMAZENAGEM. Paletes e contentores correspondem a embalagem de transporte caracterizando dispêndio com acessórios utilizados em etapas posteriores à fabricação dos produtos destinados à venda, não se enquadrando como insumo e, portanto, não conferindo direito a crédito a título de armazenagem, nem como locação de máquinas e equipamentos. Veículos (empilhadeiras mulinhas) não se classificam como espécie de “máquinas ou equipamentos” para fins de admissão de créditos calculados sobre operações de aluguéis. CRÉDITO NA AQUISIÇÃO DE BENS À ALÍQUOTA ZERO E SUJEITOS A CRÉDITO PRESUMIDO. É incabível desconto de crédito em relação aos dispêndios com frete suportados pelo adquirente na compra de bens, pois tais dispêndios devem ser apropriados ao custo de aquisição dos bens. E a possibilidade de creditamento, quando cabível, deve ser aferida em relação aos correspondentes bens adquiridos. RATEIO PROPORCIONAL. Feita a opção pelo rateio proporcional, aplicamse aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. O rateio deve ser aplicado quando a pessoa jurídica auferir receita tributadas concomitantemente com receitas não tributadas no mercado interno e/ou com exportação, para se determinar quais são os créditos passíveis de ressarcimento ou compensados com outros tributos. (...) 6. Diante de tal situação, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em análise, oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em sede de manifestação de inconformidade. 7. É o relatório. Fl. 686DF CARF MF Processo nº 11080.724804/201132 Resolução nº 3402001.917 S3C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.915, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 11080.720182/201173. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, em parte, contrária ao meu entendimento pessoal, pois entendi desnecessário o encaminhamento do item "iv" da diligência. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3402001.915): "I. Preliminarmente: da reunião dos processos indicados pelo contribuinte 9. Conforme já destacado alhures, o contribuinte pede a reunião de vários processos com o aqui tratado para que sejam julgados conjuntamente, o que faz ao fundamento da conexão entre tais casos. Os processos que o contribuinte pretende ver julgados em conjunto são os seguintes: 10. Importante destacar que os processos acima listados já se encontram para julgamento desta Turma julgadora, por intermédio do mecanismo da repetitividade, capitulado no art. 47, § 1º do RICARF. Para ser mais preciso, foram formados 03 (três) lotes de paradigmas, tendo como recursos paradigmas o presente processo, bem como os autos n. 11080.001078/201003 e 11080.906181/201386. Este último processo está sob relatoria da I. Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, enquanto que os demais estão sob a minha relatoria. 11. Não obstante, conforme se observa da petição do contribuinte (fls. 686/689), o objetivo primordial com esta reunião seria o de evitar decisões material contraditórias para casos análogos, de modo a garantir uma unicidade de tratamento e, por conseguinte, uma segurança jurídica de índole material. Fl. 687DF CARF MF Processo nº 11080.724804/201132 Resolução nº 3402001.917 S3C4T2 Fl. 6 5 12. Nesse sentido, é possível afirmar que, como os 03 lotes de processo estão sujeitos ao julgamento da mesmíssima Turma julgadora, a pretensão do contribuinte, ainda que por uma via transversa, foi atingida, motivo pelo qual é desnecessária a reunião de tais processos paradigmáticos em face de um único Relator. II. Da conversão do presente julgamento em diligência 13. Conforme se observa dos autos, a questão não é nova neste Tribunal. Tratase de infindável discussão de creditamento de PIS e COFINS e do conceito legal de insumo. Durante muito tempo esta questão foi indevidamente discutida em um altiplano normativo, na medida em que a autoridade fiscal pautava suas manifestações com base no disposto na Instrução Normativa RFB nº 404, de 12 de março de 2004. Em suma, a autoridade fiscal e a Delegacia de Julgamento partem da premissa de que para serem considerados insumos os itens devem ser aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação do bem, aplicando, pois, conceito de insumo similar àquele desenvolvido no Parecer Normativo CST nº 65, de 30 de outubro de 1979. 14. Acontece que o conceito de insumo admitido por este Tribunal denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Neste mesmo diapasão foi o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, em recente julgado de caráter vinculante (REsp n. 1.221.170, julgado sob o rito de recursos repetitivos), cuja ementa segue abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o Fl. 688DF CARF MF Processo nº 11080.724804/201132 Resolução nº 3402001.917 S3C4T2 Fl. 7 6 retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. 15. Destacase o voto da Ministra Regina Helena Costa, que considerou os seguintes conceitos de essencialidade ou relevância da despesa, que deve ser seguido por este Conselho: Essencialidade – considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. 16. Diante deste quadro, é prudente que os processos administrativos envolvendo créditos referentes a nãocumulatividade do PIS ou da Cofins sejam analisados casuisticamente, considerando cada item relacionado como “insumos” e o seu envolvimento no processo produtivo (critério de pertinência), para então definir a possibilidade de aproveitamento ou não do crédito pretendido. 17. Assim, retornando aos autos, tenho que este processo não se encontra em condições de receber um justo julgamento, de forma que deve o mesmo retornar à autoridade preparadora para que intime o contribuinte a esclarecer o que segue, inclusive com a apresentação de laudo técnico a provar suas assertivas: (i) precisar a participação dos seguintes itens glosados e que foram objeto de recurso voluntário e que se entendeu não restar enquadrado no conceito de insumo para fins do processo produtivo da empresa: (a) combustíveis, lubrificantes e gás (fls. 136/212); (b) materiais auxiliares de consumo; (c) produtos de limpeza; (d) equipamentos de segurança e Fl. 689DF CARF MF Processo nº 11080.724804/201132 Resolução nº 3402001.917 S3C4T2 Fl. 8 7 uniformes, inclusive precisando a sua submissão a eventuais exigências trabalhistas ou sanitárias; e, por fim, (e) controle de pragas. 18. Ato contínuo, deverá a fiscalização (ii) efetuar descritivo minucioso do referido processo produtivo, a fim de que sejam constatados o emprego dos referidos bens e direitos, aquilatando sua participação em relação ao produto final. 19. Ao efetuar estas constatações, solicito que a autoridade preparadora (e exclusivamente ela) (iii) elabore um parecer conclusivo que possibilite identificar cada dispêndio elencados, para fins de uma análise jurídica deste Colegiado quanto à participação de cada bem ou direito no processo produtivo do contribuinte em questão. 20. O referido parecer deverá também ser elaborado na forma de uma planilha que segregue os bens considerados pela recorrente sob os seguintes critérios: (a) pertinência ou não ao processo produtivo da empresa; (b) vida útil estimada (consumo imediato, menos de um ano, mais de um ano); (c) contato direto com o produto em fabricação; (d) agregação ao produto final. 21. Por fim, antes ainda da devolução deste processo para este Tribunal, (iv) sugerese que o contribuinte e a Procuradoria da Fazenda Nacional promovam uma reunião, a luz do precedente repetitivo do STJ (REsp n. 1.221.170), e do laudo técnico que será preparado apresenatdo à unidade de origem e, ainda, em razão da Nota explicativa SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF1, para que cooperem2 com a atividade judicativa atipicamente exercida por este Tribunal indicando, por conseguinte, quais glosas que as partes entendem como adequadas ao conceito de insumo vinculado pelo STJ e, portanto, indevidas, bem como quais glosas entendem como devidas em razão de uma extrapolação deste conceito. 22. Concluída a diligência, 1 "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2" 2 Nos termos do que dispõe o art. 6o do CPC, "in verbis": "Art. 6o Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva." Fl. 690DF CARF MF Processo nº 11080.724804/201132 Resolução nº 3402001.917 S3C4T2 Fl. 9 8 (v) o recorrente deverá ser intimado para que facultativamente apresente manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. 23. Não obstante, independentemente da efetividade da reunião aqui e antes do retorno dos autos para este Tribunal, (vi) a Procuradoria da Fazenda Nacional deverá ser intimada a se manifestar a respeito da diligência perpetrada, bem como dos laudos acostados nos autos, isso em relação a eventuais glosas que permanecerão em discussão. 24. É a resolução." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por determinar a realização de diligência para que a Unidade de Origem intime o contribuinte a esclarecer o que segue, inclusive com a apresentação de laudo técnico a provar suas assertivas: (i) precisar a participação dos seguintes itens glosados e que foram objeto de recurso voluntário e que se entendeu não restar enquadrado no conceito de insumo para fins do processo produtivo da empresa: (a) combustíveis, lubrificantes e gás; (b) materiais auxiliares de consumo; (c) produtos de limpeza; (d) equipamentos de segurança e uniformes, inclusive precisando a sua submissão a eventuais exigências trabalhistas ou sanitárias; e, por fim, (e) controle de pragas. Ato contínuo, deverá a fiscalização (ii) efetuar descritivo minucioso do referido processo produtivo, a fim de que sejam constatados o emprego dos referidos bens e direitos, aquilatando sua participação em relação ao produto final. Ao efetuar estas constatações, solicito que a autoridade preparadora (e exclusivamente ela) (iii) elabore um parecer conclusivo que possibilite identificar cada dispêndio elencados, para fins de uma análise jurídica deste Colegiado quanto à participação de cada bem ou direito no processo produtivo do contribuinte em questão. O referido parecer deverá também ser elaborado na forma de uma planilha que segregue os bens considerados pela recorrente sob os seguintes critérios: (a) pertinência ou não ao processo produtivo da empresa; (b) vida útil estimada (consumo imediato, menos de um ano, mais de um ano); (c) contato direto com o produto em fabricação; Fl. 691DF CARF MF Processo nº 11080.724804/201132 Resolução nº 3402001.917 S3C4T2 Fl. 10 9 (d) agregação ao produto final. Por fim, antes ainda da devolução deste processo para este Tribunal, (iv) sugerese que o contribuinte e a Procuradoria da Fazenda Nacional promovam uma reunião, a luz do precedente repetitivo do STJ (REsp n. 1.221.170), e do laudo técnico que será preparado apresentado à unidade de origem e, ainda, em razão da Nota explicativa SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF3, para que cooperem com a atividade judicativa atipicamente exercida por este Tribunal indicando, por conseguinte, quais glosas que as partes entendem como adequadas ao conceito de insumo vinculado pelo STJ e, portanto, indevidas, bem como quais glosas entendem como devidas em razão de uma extrapolação deste conceito. Concluída a diligência, (v) o recorrente deverá ser intimado para que facultativamente apresente manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. Não obstante, independentemente da efetividade da reunião aqui e antes do retorno dos autos para este Tribunal, (vi) a Procuradoria da Fazenda Nacional deverá ser intimada a se manifestar a respeito da diligência perpetrada, bem como dos laudos acostados nos autos, isso em relação a eventuais glosas que permanecerão em discussão. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra 3 "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2" Fl. 692DF CARF MF
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Numero do processo: 10835.000404/00-90
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1995
CONHECIMENTO. TESE SUPERADA. RICARF VIGENTE AO TEMPO DA INTERPOSIÇÃO DO RECURSO E DO JULGAMENTO.
Sem que existisse restrição ao conhecimento de recurso por tese superada no Regimento Interno, vigente ao tempo da interposição do recurso, ou no atual RICARF (Portaria MF 343/2015), não se sustenta pedido de negativa de seguimento por tal fundamento.
ARTIGOS 43 E 44 DA LEI N° 8.541/1992. INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA.
Ao estabelecer, por meio dos art. 43 e 44 da Lei n° 8.541/92, a tributação em separado sobre a totalidade dos valores apurados a título de omissão de receita, tratou o legislador de definir quantitativamente a hipótese de incidência dos tributos. Não se tratando de cominação de penalidade, não há que se falar na aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, "c", do CTN ao caso.
Numero da decisão: 9101-004.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões, quanto ao conhecimento, a conselheira Lívia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Demetrius Nichele Macei, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado), Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ME ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1995 CONHECIMENTO. TESE SUPERADA. RICARF VIGENTE AO TEMPO DA INTERPOSIÇÃO DO RECURSO E DO JULGAMENTO. Sem que existisse restrição ao conhecimento de recurso por “tese superada” no Regimento Interno, vigente ao tempo da interposição do recurso, ou no atual RICARF (Portaria MF 343/2015), não se sustenta pedido de negativa de seguimento por tal fundamento. ARTIGOS 43 E 44 DA LEI N° 8.541/1992. INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. Ao estabelecer, por meio dos art. 43 e 44 da Lei n° 8.541/92, a tributação em separado sobre a totalidade dos valores apurados a título de omissão de receita, tratou o legislador de definir quantitativamente a hipótese de incidência dos tributos. Não se tratando de cominação de penalidade, não há que se falar na aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, "c", do CTN ao caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões, quanto ao conhecimento, a conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 00 04 04 /0 0- 90 Fl. 391DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Demetrius Nichele Macei, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado), Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de processo originado pela lavratura de Auto de Infração de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IRFonte, quanto ao período de 1995, acrescido de multa de 75% (fls. 192). O auditor fiscal fundamentou o lançamento de IRPJ nos artigos 523, §3º., 739 e 892, do RIR/1994. Extraise do Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 213) No caso Vertente a empresa exibiu o LIVRO CAIXA escriturado, desacompanhado do Livro Razão. Não detectamos suprimentos passíveis de tributação. Entretanto, constatamos que a fiscalizada deixou de escriturar pagamentos relativos a quitações de algumas duplicatas, nos meses de janeiro e fevereiro de 1995, discriminadas no Termo de Intimação que instrui os autos, fls. 151/159. Como conseqüência, resultou no SALDO CREDOR DE CAIXA, no dia 29 de junho de 1995, constatado por esta fiscalização, na quantia de CR$ 34.503,65 Isto posto, impõesenos, "ex vi” do artigo 12, parágrafo 2º, da Lei n.° 1.598/77; e, artigo 228, do Regulamento do Imposto de Renda IR/94 aprovado pelo Decreto n.° 1.041/94, aplicar neste procedimento a presunção legal para, considerar o valor correspondente ao aludido SALDO CREDOR DE CAIXA de R$ 34.503,44 como OMISSÃO DE RECEITA A Impugnação Administrativa foi apresentada pela contribuinte (fls. 219), decidindo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto pela manutenção do lançamento (fls. 241): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1995 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. A existência de saldo credor de caixa apurado em procedimento fiscal caracteriza omissão de receitas, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1995 Fl. 392DF CARF MF Processo nº 10835.000404/0090 Acórdão n.º 9101004.051 CSRFT1 Fl. 392 3 Ementa: LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS. COFINS. CSLL. IRRF. Tratandose da mesma matéria fática e não havendo questões de direito específicas a serem apreciadas, aplicase aos lançamentos decorrentes a decisão proferida no lançamento principal. Lançamento Procedente O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 275), ao qual a 8ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes deu parcial provimento (acórdão 10808.803, fls. 304). O acórdão restou assim ementado: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – INDEFERIMENTO DE DILIGÊNCIA – INOCORRÊNCIA DE NULIDADE – Não se justifica a realização de diligência quando a prova pretendida pelo contribuinte poderia ter sido produzida pelo mesmo nas fases anteriores do processo, inocorrendo, no caso, preterição do direito de defesa e, por conseguinte, qualquer tipo de nulidade. DECADÊNCIA – INOCORRÊNCIA – Quando os lançamentos são cientificados ao contribuinte antes do transcurso do prazo de 5 (cinco) anos do fato gerador, como previsto no CTN, resta comprovada a inocorrência da decadência. IRPJ/CS/IRF – LUCRO PRESUMIDO – OMISSÃO DE RECEITAS – ANO DE 1995 – TRIBUTAÇÃO APARTADA – REVOGAÇÃO DA LEGISLAÇÃO DE CARÁTER PENAL – EFEITOS DA RETROATIVIDADE BENIGNA – APERFEIÇOAMENTO DO LANÇAMENTO – IMPOSSIBILIDADE – Considerando que o regime da tributação apartada, introduzido pelos artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/92, com a redação modificada pelo art. 3° da Lei n° 9.064/95, foi revogado pelo art. 36, IV, da Lei n° 9.249/95 e tendo em vista o caráter penal da norma, esta foi alvo da retroatividade benigna prevista no artigo 106, II, "c" do CTN. Com as modificações citadas, a exação efetivamente devida passa a ser calculada pela aplicação, sobre a receita omitida no ano de 1995, dos coeficientes aplicáveis ao lucro presumido, na forma prevista no artigo 24 da Lei n° 9.249/95. Levandose em conta que o lançamento não pode ser refeito no julgamento, o procedimento apropriado ao caso é a exoneração integral das exigências do IRPJ, da CSL e do IRF. PIS/ COFINS – OMISSÃO DE RECEITAS – SALDO CREDOR DE CAIXA – PRESUNÇÃO LEGAL PROVA EM CONTRÁRIO – As considerações feitas para o regime de tributação apartada não influem nas exigências do PIS e da COFINS. No entanto, a presunção legal de omissão de receitas pela ocorrência de saldo credor de caixa não é absoluta, admitindo prova em contrário. Havendo concomitância de data e de valor entre o extrato do sócio da recorrente e o demonstrativo do Fisco, este deve ser retificado para reduzir o saldo credor de caixa no montante correspondente ao pagamento comprovado, devendo, portanto, ser excluído destas exigências. Fl. 393DF CARF MF 4 Os autos foram remetidos à Procuradoria por RM (Requisição de Movimentação) emitida em 09/11/2007, com recebimento pela PGFN em 09/11/2007 (fls. 316). Nesse contexto, a Procuradoria interpôs recurso especial em 14/11/2007 (fls. 318). Neste recurso, alega divergência na interpretação da lei tributária quanto à retroatividade benigna decorrente do artigo 106, do CTN, pela revogação dos artigos 43 e 44, da Lei nº 8.541/92. A divergência é referida quanto ao acórdão paradigma: 10320.564. O recurso especial da Procuradoria foi admitido pelo então Presidente da 8ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 328). O contribuinte, intimado quanto ao acórdão da Câmara a quo e quanto ao recurso da Procuradoria admitido pelo Presidente de Câmara, ofertou contrarrazões ao recurso (fls. 339), em síntese, alegando (i) que a tese sustentada pela Procuradoria estaria superada, conforme acórdãos CSRF 0105.518 e CSRF/0104.477 (ii) no mérito, pede manutenção do acórdão recorrido, diante da citada jurisprudência. Ademais, o contribuinte interpôs recurso especial (fls. 346), com alegação de divergência a respeito de decadência. O recurso do contribuinte não foi admitido pelo então Presidente da 2ª. Câmara da 1ª. Seção (fls. 355): Tendo em vista que a divergência não foi comprovada nos moldes exigidos regimentalmente, o seguimento ao recurso especial deve ser NEGADO, cabendo informar que não cabe pedido de reexame de admissibilidade de seu recurso (art. 4o do Anexo II da Portaria MF nº 256/2009; art. 17, § 2o , II, do Anexo II da Portaria MF nº 147/2007; art. 9º, §2o , II, do Anexo I da Portaria MF nº 55/98). (...) Tendo em vista que não foi comprovada a divergência de entendimentos alegada, NEGO SEGUIMENTO ao recurso especial da contribuinte. O contribuinte foi intimado quanto a esta decisão em 24/01/2014 (fls. 362), sem que tenha apresentado manifestação. Após tal intimação, o Presidente da 2ª Câmara vislumbrou equívoco na decisão de fls. 355 (fls. 376), confirmando a negativa de seguimento ao recurso do contribuinte, como também enviando o processo para análise pelo Presidente da CSRF. O Presidente da CSRF confirmou a negativa de seguimento ao recurso especial do contribuinte (fls. 384). O contribuinte foi devidamente intimado quanto a tais decisões em 24/06/2016. É o relatório. Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Conhecimento: O recurso especial da Procuradoria é tempestivo, tendo sido admitido pelo Presidente de Câmara. Fl. 394DF CARF MF Processo nº 10835.000404/0090 Acórdão n.º 9101004.051 CSRFT1 Fl. 393 5 O contribuinte, a despeito disso, questiona o conhecimento do recurso pois a tese estaria superada, conforme acórdãos CSRF 0105.518 e CSRF/0104.477 Passo à análise de tal alegação. Lembro que o recurso especial da Procuradoria foi interposto em 14/11/2007, quando vigente o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes e da CSRF, veiculado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007, que previa: Artigo 7º Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: I decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova; e II decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. § 1º No caso do inciso I, o recurso é privativo do Procurador da Fazenda Nacional; no caso do inciso II, sua interposição é facultada também ao sujeito passivo. § 2º Para efeito da aplicação do inciso II, entendese como outra Câmara as que integram a atual estrutura dos Conselhos de Contribuintes ou as que vierem a integrála. § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das Câmaras que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ou que na apreciação de matéria preliminar decida pela anulação da decisão de primeira instância. § 4º É cabível a interposição de recurso especial contra decisão que negar provimento a recurso de ofício. § 5º O recurso especial interposto pelo sujeito passivo somente terá seguimento quanto à matéria préquestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação das peças processuais. Ao tempo da interposição do recurso especial, portanto, inexistia restrição ao seu conhecimento relacionada à possível “superação” de tese, como pretende o contribuinte. Assim, rejeito sua alegação por não vislumbrar a possibilidade de restrição ao conhecimento do recurso, considerando que cumpridos os requisitos regimentais à ocasião de sua interposição. Acrescento que o RICARF/2009 (Portaria MF 256/09) previu a possibilidade de não conhecimento do recurso no caso de “tese superada”. No entanto, inaplicável o citado regramento, tanto por ter sido interposto recurso antes da edição do citado RICARF/2009, quanto porque, atualmente, não há restrição em tal sentido no RICARF/2015. Diante disso, entendo que não merece acolhimento o pleito do contribuinte para não conhecimento do recurso especial. Fl. 395DF CARF MF 6 Assim, conheço do recurso especial da Procuradoria, adotando, quanto aos demais requisitos regimentais, a decisão do Presidente de Câmara. Mérito: Passo ao exame do mérito. A Procuradoria pede a reforma do acórdão recorrido, que entendeu pela retroatividade benigna no caso dos autos. Reproduzse trecho da ementa a seguir: IRPJ/CS/IRF – LUCRO PRESUMIDO – OMISSÃO DE RECEITAS – ANO DE 1995 – TRIBUTAÇÃO APARTADA – REVOGAÇÃO DA LEGISLAÇÃO DE CARÁTER PENAL – EFEITOS DA RETROATIVIDADE BENIGNA – APERFEIÇOAMENTO DO LANÇAMENTO – IMPOSSIBILIDADE – Considerando que o regime da tributação apartada, introduzido pelos artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/92, com a redação modificada pelo art. 3° da Lei n° 9.064/95, foi revogado pelo art. 36, IV, da Lei n° 9.249/95 e tendo em vista o caráter penal da norma, esta foi alvo da retroatividade benigna prevista no artigo 106, II, "c" do CTN. Com as modificações citadas, a exação efetivamente devida passa a ser calculada pela aplicação, sobre a receita omitida no ano de 1995, dos coeficientes aplicáveis ao lucro presumido, na forma prevista no artigo 24 da Lei n° 9.249/95. Levandose em conta que o lançamento não pode ser refeito no julgamento, o procedimento apropriado ao caso é a exoneração integral das exigências do IRPJ, da CSL e do IRF. A retroatividade benigna aplicada pelo Colegiado a quo consta do Código Tributário Nacional, em seu artigo 106, II: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Todas as hipóteses, mencionadas pelas alíneas “a”. “b” e “c” tratam de infração e penalidade, portanto, não se aplicando no caso da mera alteração da forma de tributação, como é o caso dos autos. Com efeito, os artigos 43 e 44, da Lei nº 8.541/1992, previam a tributação da forma seguinte: Art. 43. Verificada omissão de receita, a autoridade tributária lançará o Imposto de Renda, à alíquota de 25%, de ofício, com os acréscimos e as penalidades de lei, considerando como base Fl. 396DF CARF MF Processo nº 10835.000404/0090 Acórdão n.º 9101004.051 CSRFT1 Fl. 394 7 de cálculo o valor da receita omitida. (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) § 1° O valor apurado nos termos deste artigo constituirá base de cálculo para lançamento, quando for o caso, das contribuições para a seguridade social. (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) § 2º O valor da receita omitida não comporá a determinação do lucro real e o imposto incidente sobre a omissão será definitivo. § 2º O valor da receita omitida não comporá a determinação do lucro real, presumido ou arbitrado, bem como a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, e o imposto e a contribuição incidentes sobre a omissão serão definitivos. (Redação dada pela Medida Provisória nº 1.003, de 1995) § 3º A base de cálculo de que trata este artigo será convertida em quantidade de Unidade Fiscal de Referência (Ufir) pelo valor desta do mês da omissão. (Incluído pela Medida Provisória nº 1.003, de 1995) § 4º Considerase vencido o imposto e as contribuições para a seguridade social na data da omissão. (Incluído pela Medida Provisória nº 1.003, de 1995) § 2º O valor da receita omitida não comporá a determinação do lucro real, presumido ou arbitrado, nem a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, e o imposto e a contribuição incidentes sobre a omissão serão definitivos. (Redação dada pela Lei nº 9.064, de 1995) (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) § 3º A base de cálculo de que trata este artigo será convertida em quantidade de Unidade Fiscal de Referência UFIR pelo valor desta fixado para o mês da omissão. (Incluído pela Lei nº 9.064, de 1995) (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) § 4º Consideramse vencidos o imposto e as contribuições para a seguridade social na data da omissão. (Incluído pela Lei nº 9.064, de 1995) (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) Art. 44. A receita omitida ou a diferença verificada na determinação dos resultados das pessoas jurídicas por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido será considerada automaticamente recebida pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual e tributada exclusivamente na fonte à alíquota de 25%, sem prejuízo da incidência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica. (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) § 1° O fato gerador do imposto de renda na fonte considerase ocorrido no mês da omissão ou da redução indevida. Fl. 397DF CARF MF 8 § 1º O fato gerador do Imposto de Renda na fonte considerase ocorrido no dia da omissão ou da redução indevida. (Redação dada pela Medida Provisória nº 1.003, de 1995) § 1º O fato gerador do imposto de renda na fonte considerase ocorrido no dia da omissão ou da redução indevida. (Redação dada pela Lei nº 9.064, de 1995) (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) § 2° O disposto neste artigo não se aplica a deduções indevidas que, por sua natureza, não autorizem presunção de transferência de recursos do patrimônio da pessoa jurídica para o dos seus sócios.(Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) Estes dispositivos foram revogados em 1995, pela Lei nº 9.249, mas esta revogação não produz efeitos retroativos, ao contrário do que decidiu o acórdão recorrido. Esta Turma da CSRF decidiu, em composição um pouco distinta, pela inaplicabilidade da retroatividade benigna (acórdão 9101002.410), verbis: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1995, 1996 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. DIVERGÊNCIA EM RELAÇÃO À SÚMULA. INADMISSIBILIDADE. O dissídio jurisprudencial necessário à admissibilidade do recurso especial de divergência de que trata o art. 67 do Anexo II do RICARF se estabelece entre acórdãos exarados por colegiados julgadores que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. Tendo a Recorrente indicado divergência em relação à súmula do CARF, não se pode admitir o recurso especial. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 1995, 1996 NATUREZA DOS ARTIGOS 43 E 44 DA LEI N° 8.541/1992. INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. Ao estabelecer, por meio dos art. 43 e 44 da Lei n° 8.541/92, a tributação em separado sobre a totalidade dos valores apurados a título de omissão de receita, tratou o legislador de definir quantitativamente a hipótese de incidência dos tributos. Não se tratando de cominação de penalidade, não há que se falar na aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, "c", do CTN ao caso. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Anocalendário: 1995, 1996 LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES. Fl. 398DF CARF MF Processo nº 10835.000404/0090 Acórdão n.º 9101004.051 CSRFT1 Fl. 395 9 Pela íntima relação de causa e efeito, aplicase o decidido ao lançamento principal ou matriz de IRPJ também ao lançamento reflexo ou decorrente de CSLL. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – IRRF Anocalendário: 1995, 1996 LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES. Pela íntima relação de causa e efeito, aplicase o decidido ao lançamento principal ou matriz de IRPJ também ao lançamento reflexo ou decorrente de IRRF. Recurso Especial do Contribuinte Negado Destaco primoroso voto da Conselheira Adriana Gomes Rêgo, atualmente nossa Presidente Como se vê nos autos de infração de IRPJ e CSLL (efls. 425 e ss.), o lançamento correspondente à infração de omissão de receitas relativa a fatos geradores ocorridos no anocalendário 1995 seguiu o comando do art. 43, §§ 2° e 4º, da Lei n° 8.541/1992, com a redação dada pelo art. 3º da Lei nº 9.064/1995, que estabelece a incidência da alíquota de 25% sobre a totalidade receita omitida, de forma direta e definitiva, sem que essa receita venha a compor a base de cálculo do imposto. No que se refere ao Imposto sobre a Renda na Fonte (autos de infração de às efls. 457 e ss.), o lançamento seguiu o comando do art. 44 da mesma Lei. Confiramse os dispositivos: (...) A revogação dos dispositivos em questão pelo art. 36, inciso IV, Lei n° 9.249/1995, levou alguns a entender, equivocadamente, que não mais se poderia aplicar a sistemática prevista nos dispositivos revogados mesmo para fatos anteriores à vigência da revogação (que se dá a partir de 1º de janeiro de 1996). O argumento era que os artigos revogados possuíam caráter de penalidade por estarem contidos no Título IV da Lei n° 8.541/92, referente a "Penalidades", atraindo a aplicação do princípio da retroatividade benigna insculpido no art. 106, inciso II, "c", do CTN. No entanto, tal tese se revela equivocada e não encontra eco nesse Colegiado desde há muito tempo. Com efeito, ao estabelecer, por meio do art. 43 e 44 da Lei n° 8.541/1992, a tributação em separado sobre 100% dos valores apurados a título de omissão de receita, tratou o legislador de definir quantitativamente a hipótese de incidência dos tributos. Ainda que gravosa tal incidência, não tem a natureza de penalidade. Entender diferente seria conceber que a definição da base de cálculo é uma definição de penalidade. Fl. 399DF CARF MF 10 Assim, não há falar na retroatividade benigna do art. 106, inciso II, "c", do CTN, vez que, como se viu, não se está diante de nova lei que comina penalidade menos severa. Portanto, dou provimento ao recurso especial da Procuradoria, reformando o acórdão recorrido e adotando as razões do precedente desta Turma acima reproduzido. Conclusão: Assim, voto por conhecer e dar provimento ao recurso especial da Procuradoria. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 400DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17883.000222/2008-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2003 a 31/10/2005
RECURSO VOLUNTÁRIO. MESMAS RAZÕES DE DEFESA. ACÓRDÃO RECORRIDO. ADOÇÃO DAS RAZOES DE DECIDIR.
Proposta no voto a confirmação e adoção da decisão recorrida e em não havendo novas razões de defesa perante a segunda instância é possibilitado ao Relator, a transcrição integral daquela decisão de primeira instância, a teor do § 3º do artigo 57 do RICARF.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. TERCEIROS. COBRANÇA DE DIVERGÊNCIAS. FP x GFIP x GPS. GFIP. BASE DE CÁLCULO.
As informações constantes da GFIP servirão como base de cálculo das contribuições devidas, bem como, constituir-se-ão em termo de confissão de dívida, na hipótese de não recolhimento do tributo.
Constatando-se o recolhimento a menor de contribuições sociais incidentes sobre remunerações creditadas a segurados empregados e contribuintes individuais, cujos fatos geradores foram declarados em Folha de Pagamento e GFIP, cabe à auditoria fiscal efetuar o lançamento do credito tributário correspondente.
Numero da decisão: 2402-007.229
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Sergio da Silva, Denny Medeiros da Silveira (presidente), João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Thiago Duca Amoni (suplemente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2003 a 31/10/2005 RECURSO VOLUNTÁRIO. MESMAS RAZÕES DE DEFESA. ACÓRDÃO RECORRIDO. ADOÇÃO DAS RAZOES DE DECIDIR. Proposta no voto a confirmação e adoção da decisão recorrida e em não havendo novas razões de defesa perante a segunda instância é possibilitado ao Relator, a transcrição integral daquela decisão de primeira instância, a teor do § 3º do artigo 57 do RICARF. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. TERCEIROS. COBRANÇA DE DIVERGÊNCIAS. FP x GFIP x GPS. GFIP. BASE DE CÁLCULO. As informações constantes da GFIP servirão como base de cálculo das contribuições devidas, bem como, constituir-se-ão em termo de confissão de dívida, na hipótese de não recolhimento do tributo. Constatando-se o recolhimento a menor de contribuições sociais incidentes sobre remunerações creditadas a segurados empregados e contribuintes individuais, cujos fatos geradores foram declarados em Folha de Pagamento e GFIP, cabe à auditoria fiscal efetuar o lançamento do credito tributário correspondente.
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MESMAS RAZÕES DE DEFESA. ACÓRDÃO RECORRIDO. ADOÇÃO DAS RAZOES DE DECIDIR. Proposta no voto a confirmação e adoção da decisão recorrida e em não havendo novas razões de defesa perante a segunda instância é possibilitado ao Relator, a transcrição integral daquela decisão de primeira instância, a teor do § 3º do artigo 57 do RICARF. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. TERCEIROS. COBRANÇA DE DIVERGÊNCIAS. FP x GFIP x GPS. GFIP. BASE DE CÁLCULO. As informações constantes da GFIP servirão como base de cálculo das contribuições devidas, bem como, constituirseão em termo de confissão de dívida, na hipótese de não recolhimento do tributo. Constatandose o recolhimento a menor de contribuições sociais incidentes sobre remunerações creditadas a segurados empregados e contribuintes individuais, cujos fatos geradores foram declarados em Folha de Pagamento e GFIP, cabe à auditoria fiscal efetuar o lançamento do credito tributário correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 02 22 /2 00 8- 01 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 17883.000222/200801 Acórdão n.º 2402007.229 S2C4T2 Fl. 91 2 (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Sergio da Silva, Denny Medeiros da Silveira (presidente), João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Thiago Duca Amoni (suplemente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do acórdão da DRJ/RJO I, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Por bem relatar o caso, valhome do relatório da decisão acima citada. Em sua impugnação, naquilo que interessa à lide, aduziu o contribuinte que: * A auditoria não poderia apurar as contribuições devidas à Previdência social, relativa aos segurados empregados e contribuintes individuais num mesmo auto de infração; * Em relação aos segurados empregados, entende que são devidas as contribuições previdenciárias, mas que esses valores deveriam ter a sua exigibilidade suspensa temporariamente, até que a questão do contribuinte individual seja de fato esclarecida, eis que os valores devidos como segurados contribuintes individuais são inferiores aos devidos como segurados empregados. Como já dito, o lançamento foi mantido pela primeira instância, por meio do acórdão a seguir ementado (fls. 75/80): Fl. 91DF CARF MF Processo nº 17883.000222/200801 Acórdão n.º 2402007.229 S2C4T2 Fl. 92 3 Em seu Recurso Voluntário de fls. 84/88, insistiu o recorrente que haveria controvérsia, tão somente, relativa ao enquadramento daqueles trabalhadores intitulados contribuintes individuais, sem, todavia, especificar qual seria o ponto de discussão quanto à materialidade da apuração a esse título. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator Conhecimento. O contribuinte tomou ciência do acórdão recorrido em 24.3.09, consoante se denota de fls. 83, e apresentou seu Recurso Voluntário em 24.4.09, conforme fl. 84. Em sua peça, no tópico atinente à "Tempestividade do Recurso", após admitir o término do prazo para sua interposição como sendo dia 23 de abril, sustentou que esse último dia seria ponto facultativo decretado junto às repartições públicas federais e estatuais, sem, todavia, mencionar o normativo em questão. Consultando a Portaria da Secretaria Executiva do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão nº 525, de 06 de novembro de 2008, por meio da qual foram divulgados os dias de feriado nacional e de ponto facultativo no ano de 2009, para cumprimento pelos órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta, autárquica e fundacional do Poder Executivo, não traz o dia 23 de abril de 2009 como sendo ponto facultativo como alegado pelo recorrente. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 17883.000222/200801 Acórdão n.º 2402007.229 S2C4T2 Fl. 93 4 Contudo, a Lei 5.198/2008, do Estado do Rio de Janeiro, instituiu como feriado estadual o dia 23 de abril, "Dia de São Jorge" Nesse ponto, assiste razão ao recorrente, no sentido de que teria até o dia 24/4/09 para a apresentação de sua defesa. Assim procedendo, passo a conhecer do recurso. Mérito. Como já mencionado, o lançamento em questão observou os seguintes procedimentos, a partir das GFIP apresentadas pelo contribuinte durante a ação fiscal: Comparouse os valores constantes das folhasdepagamento e GFIP, com os recolhimentos efetuados. (FOLHAPAG/GFIP x GPS) Comparouse os valores constantes das folhasdepagamento, não declarados em GFIP, com os recolhimentos efetuados (FOLHAPAG Ñ GFIP x GPS. Considerando que o recorrente não apresentou novas razões de defesa quando comparadas com aquelas já deduzidas em primeira instância, passo a adotar, in totum, os fundamentos e conclusão da decisão guerreada, eis que em que com eles concordo, com fulcro no § 3º do artigo 57 do RICARF. Confirase: Fl. 93DF CARF MF Processo nº 17883.000222/200801 Acórdão n.º 2402007.229 S2C4T2 Fl. 94 5 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 17883.000222/200801 Acórdão n.º 2402007.229 S2C4T2 Fl. 95 6 Face ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER do recurso para NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 95DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.004647/2010-58
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO.
Na Declaração de Ajuste Anual poderão ser deduzidas as despesas médicas, de hospitalização, e com plano de saúde referentes a tratamento do contribuinte, de seus dependentes e de seus alimentandos realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, desde que preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência.
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
Numero da decisão: 2002-000.955
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. Na Declaração de Ajuste Anual poderão ser deduzidas as despesas médicas, de hospitalização, e com plano de saúde referentes a tratamento do contribuinte, de seus dependentes e de seus alimentandos realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, desde que preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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DEDUÇÃO. Na Declaração de Ajuste Anual poderão ser deduzidas as despesas médicas, de hospitalização, e com plano de saúde referentes a tratamento do contribuinte, de seus dependentes e de seus alimentandos realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, desde que preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 46 47 /2 01 0- 58 Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10980.004647/201058 Acórdão n.º 2002000.955 S2C0T2 Fl. 87 2 (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (efls. 37/40) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2006 (efls. 30/33), onde se apurou: Dedução Indevida de Despesas Médicas. A contribuinte apresentou impugnação (efls. 02/14), cujas alegações foram resumidas no relatório do acórdão recorrido (efls. 52/53): com relação à AAA – Ortoclínica Clínica de Ortodontia, diz que o valor realmente pago foi R$ 816,00, e concorda, portanto, com a glosa de R$ 3.184,00; no tocante ao gasto com Organização Dentária e Psicológica André de Barros, aduz que o valor da despesa foi de R$ 3.000,00, e não R$ 8.000,00, como declarado, e defende que a nota fiscal emitida consiste em meio idôneo para sua comprovação; quanto ao pagamento à Clínica Dentária Curitiba, assevera que a despesa foi de R$ 9.000,00, e não R$ 4.000,00, como informado na Declaração, e que esse montante foi pago em espécie nas datas das notas fiscais; no que tange aos gastos com o profissional Fábio Alberto Dipp, aduz que se trata de pagamento relativo a serviços de fisioterapia prestados a ela, a seus pais e a sua filha, e que o montante pago é perfeitamente justificável; com relação a Simone Mattos Bley, afirma que o tratamento, de longa duração, foi destinado a sua filha, e que o número de sessões realizadas justifica o custo elevado; de outro lado, diz que os pagamentos a Unimed Paraná e Uniodonto Curitiba foram descontados em folha de pagamento. Defende que inexiste previsão legal para a exigência efetuada pelo AuditorFiscal e que o valor pago referente aos dependentes pode ser obtido por meio de ofício dirigido à empresa; Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10980.004647/201058 Acórdão n.º 2002000.955 S2C0T2 Fl. 88 3 acrescenta que a glosa dos recibos e notas fiscais pode ensejar uma tributação em dobro, na apuração do imposto devido pela declarante e do devido pelos profissionais de saúde, com consequente enriquecimento sem causa do Estado ou da União; argumenta ainda que os recibos e notas apresentadas cumprem os requisitos legais e que os pagamentos ao longo dos meses se deram em moeda corrente; cita, então, jurisprudência administrativa sobre o tema; por fim, consigna a anexação dos documentos probatórios correspondentes e requer o acolhimento da impugnação. A impugnação foi julgada improcedente pela 6ª Turma da DRJ/BSB (efls. 51/57), conforme decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DESPESAS MÉDICAS (PARTE). Considerase não impugnada, portanto não litigiosa, a matéria que não tenha sido expressamente contestada. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A dedução a título de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, e comprovados por documentos hábeis e idôneos, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Cientificada do acórdão de primeira instância em 16/10/2015 (efls. 59), a interessada ingressou com Recurso Voluntário em 13/11/2015 (efls. 61/72) com as razões a seguir sintetizadas. Reapresenta os argumentos constantes de sua impugnação e afirma que todos os recibos, em consonância com a legislação, já foram acostados em defesa anterior. Alega que o auditor entendeu de forma subjetiva que as provas carreadas não são suficientes para comprovar as efetivas prestações de serviço e defende que este deveria ter oficiado as pessoas envolvidas para que fossem ouvidas sobre a verossimilhança dos recibos apresentados. Acrescenta que se trata de quantias pequenas que qualquer pessoa poderia ter em casa em sua guarda. Voto Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10980.004647/201058 Acórdão n.º 2002000.955 S2C0T2 Fl. 89 4 Conselheira Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Extraise da Notificação de Lançamento que a autoridade fiscal glosou integralmente as despesas médicas declaradas pela contribuinte, conforme Complementação da Descrição dos Fatos abaixo reproduzida (efls. 31, 38): Em relação aos pagamentos declarados aos profissionais Fábio Alberto Dipp e Simone Mattos Bley e às clinicas Organização Dentária André de Barros Ltda, Clinica Dentária Curitiba S/C Ltda e AAA Ortoclinics Consultório Avançado de Ortodontia Ltda, contribuinte foi intimada a apresentar documentação hábil e idônea, coincidente em data e valores com os recibos e notas fiscais, que comprovasse o efetivo pagamento, juntando cópias de cheques, ordens de pagamento, transferências bancárias ou outros documentos probatórios dos pagamentos. Caso tivesse sido em espécie, deveria comprovar a disponibilidade do numerário através de extratos bancários, assinalando os saques e indicando o profissional ou clinica, ou outro meio em que o recurso se fez disponível. Não tendo atendido ao requisitado, glosamos estas deduções. Contribuinte foi intimada a apresentar comprovantes das despesas médicas declaradas junto à UNIODONTO e UNIMED/Curitiba com valores discriminados por beneficiário. Não tendo apresentado nenhum comprovante, glosamos estas deduções. O julgamento de primeira instância corroborou o entendimento do auditor e considerou a impugnação improcedente, mantendo a infração apurada no lançamento (efls. 51/57). Não há reparos a serem feitos na decisão recorrida. Cumpre esclarecer, inicialmente, que a dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está sujeita à comprovação por documentação hábil e idônea a juízo da autoridade lançadora, nos termos do art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99. Dessa forma, ainda que o contribuinte tenha apresentado recibos emitidos pelos profissionais e estabelecimentos, é licito a autoridade fiscal exigir, a seu critério, outros elementos de prova caso não fique convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Havendo questionamento acerca das despesas declaradas, cabe ao sujeito passivo o ônus de comprová las de maneira inequívoca, sem deixar margem a dúvidas. São nesse sentido as decisões indicadas a seguir, proferidas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF e pela 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10980.004647/201058 Acórdão n.º 2002000.955 S2C0T2 Fl. 90 5 para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) O contribuinte deve levar em consideração que o pagamento de despesas médicas não envolve apenas ele e o profissional, mas também o Fisco, caso haja intenção de se beneficiar da dedução correspondente em sua Declaração de Ajuste Anual. Por esse motivo, deve se acautelar na guarda de elementos de prova da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. É possível que o sujeito passivo tenha feito seus pagamentos em espécie, não havendo nada de ilegal neste procedimento. A legislação não impõe que se faça pagamentos de uma forma em detrimento de outra. Não obstante, ao optar por pagamento em dinheiro, o contribuinte abre mão da força probatória dos documentos bancários, restando prejudicada a sua demonstração. No caso concreto verificase que, apesar da exigência de comprovação do efetivo pagamento das despesas com Fábio Alberto Dipp, Simone Mattos Bley, Organização Dentária André de Barros Ltda, Clinica Dentária Curitiba S/C Ltda e AAA Ortoclinics Consultório Avançado de Ortodontia Ltda, a interessada não juntou à Impugnação ou ao Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10980.004647/201058 Acórdão n.º 2002000.955 S2C0T2 Fl. 91 6 Recurso Voluntário nenhum documento a fim de demonstrar a correspondência de datas e valores entre saques, transferências ou cheques compensados em sua conta corrente e os recibos por ela acostados, permanecendo a pendência apontada no lançamento. Importa salientar que não é o Fisco quem precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas o contribuinte quem deve apresentar as devidas comprovações quando solicitado. Isto porque, sendo a inclusão de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual nada mais do que um benefício concedido pela legislação, incumbe ao interessado provar que faz jus ao direito pleiteado. No que concerne às despesas com Unimed e Uniodonto, a recorrente alega que foram descontadas em folha de pagamento e junta à sua defesa o comprovante de rendimentos emitido pela fonte pagadora (efls. 28). Não obstante, verificase que o referido documento não discrimina os beneficiários do plano de saúde e não identifica como despesa médica o valor informado na declaração em exame para a Uniodonto, não cabendo o restabelecimento das deduções correspondentes. Notese que tal fato já havia sido apontado na decisão de piso, mas ainda assim nenhum outro elemento de prova foi trazido aos autos. Vale lembrar que apenas podem ser deduzidas na Declaração de Ajuste Anual as despesas médicas do contribuinte e de seus dependentes, nos termos do art. 80, §1º, II do RIR/99, e as despesas médicas de seus alimentandos realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, conforme art. 80, §5º, do RIR/99. Por esse motivo, tornase indispensável a discriminação dos valores pagos por beneficiário do plano de saúde. Em vista do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 91DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.002396/2004-75
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004
RECURSO ESPECIAL. CRÉDITOS. INSUMOS. IMPORTAÇÃO. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIDO.
Para que seja conhecido o recurso especial, imprescindível é a comprovação do dissenso interpretativo mediante a juntada de acórdão paradigma em que, na mesma situação fática, sobrevieram soluções jurídicas distintas, nos termos do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015.
Numero da decisão: 9303-008.233
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 RECURSO ESPECIAL. CRÉDITOS. INSUMOS. IMPORTAÇÃO. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIDO. Para que seja conhecido o recurso especial, imprescindível é a comprovação do dissenso interpretativo mediante a juntada de acórdão paradigma em que, na mesma situação fática, sobrevieram soluções jurídicas distintas, nos termos do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
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CRÉDITOS. INSUMOS. IMPORTAÇÃO. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIDO. Para que seja conhecido o recurso especial, imprescindível é a comprovação do dissenso interpretativo mediante a juntada de acórdão paradigma em que, na mesma situação fática, sobrevieram soluções jurídicas distintas, nos termos do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 23 96 /2 00 4- 75 Fl. 467DF CARF MF Processo nº 13888.002396/200475 Acórdão n.º 9303008.233 CSRFT3 Fl. 468 2 Tratase de recurso especial interposto tempestivamente pelo contribuinte contra o Acórdão nº 3302003.129, de 17/03/2016, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O Colegiado da Câmara Baixa, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário do contribuinte, nos termos da ementa, transcrita na parte que interessa ao litígio, nesta fase recursal: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS DECORRENTES DE OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO PREVISTOS NO ARTIGO 15 DA LEI Nº 10.865/2004. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO PARA COMPENSAÇÃO APENAS PARA SALDOS CREDORES GERADOS A PARTIR DE 9/08/2004 EM VIRTUDE DO DISPOSTO NO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. COMANDO DO ARTIGO 16 DA LEI Nº 11.116/2005. Somente os saldos credores gerados a partir de 9/08/2004, decorrentes de créditos apurados na forma do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 em virtude do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, podem ser objeto de compensação, podendo ser efetuada a partir de 19/05/2005" Intimado do acórdão, o contribuinte interpôs recurso especial, suscitando divergência, quanto ao direito de ele se ressarcir/compensar o saldo credor dos créditos da CofinsImportação, calculados sobre a importação de insumos, no período de maio de 2004. Alega, em síntese, que o direito aos créditos da contribuição incidente sobre os custos de aquisição de insumos, no mercado interno, está previsto no art. 3º, inciso II, c/c § 3º, inciso I, da Lei nº 10.833/2003; já o art. 6º, dessa mesma lei, diz que: a contribuição não incidirá sobre as receitas decorrentes de exportação de mercadorias para o exterior; e, os créditos apurados, na forma do art. 3º, poderão ser utilizados para dedução do valor da contribuição a recolher, sendo que o saldo credor trimestral poderá ser utilizado para a compensação com débitos próprios e, possível saldo remanescente, poderá ser objeto de pedido de ressarcimento; assim, a menção feita a esse dispositivo legal, pelo art. 15 da Lei nº 10.865/2004, seria suficiente para colocar os créditos da CofinsImportação, no âmbito do regime não cumulativo, permitindo o ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral dos créditos desta contribuição, sem a necessidade de se mencionar todos os preceitos normativos que tratam do aproveitamento de créditos, afastando a aplicação do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004. c/c o artigo 16 da lei nº 11.116/2005, que prevê a compensação/ressarcimento somente a partir de 9 de agosto de 2004. Por meio do Despacho de Admissibilidade às fls. 455e/457e, o Presidente da Terceira Câmara deu seguimento ao recurso especial do contribuinte. Fl. 468DF CARF MF Processo nº 13888.002396/200475 Acórdão n.º 9303008.233 CSRFT3 Fl. 469 3 Intimado do acórdão recorrido, do recurso especial do contribuinte e do despacho da sua admissibilidade, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões, pugnando pela manutenção do acórdão recorrido, pelos seus próprios fundamentos. Em síntese é o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. O recurso interposto pelo contribuinte não deve ser conhecido, por não atender aos requisitos essenciais de admissibilidade, nos termos do art. 67 do Anexo II do RICARF. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) assim dispõe, quanto ao recurso especial: "Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) (...). § 6º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até 2 (duas) decisões divergentes por matéria. (...). § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. (...)." A divergência suscitada pelo contribuinte, em seu recurso especial, foi quanto ao direito de ele se ressarcir/compensar o saldo credor dos créditos da CofinsImportação, para os fatos geradores ocorridos no período de maio de 2004. As decisões de primeira instância e de segunda instância, mantiveram o mesmo entendimento da autoridade administrativa, ou seja, não reconheceram o direito de o contribuinte se ressarcir/compensar do saldo credor da CofinsImportação, com fundamento no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, c/c o art. 17 da Lei nº 11.033/2004, e art. 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 469DF CARF MF Processo nº 13888.002396/200475 Acórdão n.º 9303008.233 CSRFT3 Fl. 470 4 Para comprovar a divergência, o contribuinte apresentou os acórdãos paradigmas nº 3102002.297 e nº 3401002.074, cujas ementas transcritas, na parte que interessa às matérias em discussão, assim dispõem: Acórdão nº 3102002.297: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 APURAÇÃO. SISTEMA NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. UTILIZAÇÃO. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. DEDUÇÃO. PRECEDÊNCIA. No Sistema Não Cumulativo de Apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, o valor dos créditos apurados, independentemente da qualificação da receita a que estejam vinculados e do fato de trataremse de gastos incorridos em aquisições no mercado interno ou externo, devem ser prioritariamente utilizados na dedução do valor das Contribuições a recolher para, depois, havendo saldo credor remanescente, ser objeto de pedido de compensação ou ressarcimento em dinheiro.Assunto: Processo Administrativo Fiscal. Recurso Voluntário Provido em Parte." Acórdão nº 3401002.074: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. COFINS IMPORTAÇÃO. CRÉDITO RELACIONADO TAMBÉM ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. POSSIBILIDADE. A Cofinsimportação, paga nos termos do art. 1º da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, pode ser relacionada às receitas de exportação para fins de apuração do montante do crédito a ser ressarcido a título de Cofinsexportação. Recurso Voluntário Provido em Parte." No entanto, esses acórdãos não servem para comprovar a suscitada divergência entre a decisão recorrida e a dos paradigmas. Consoante se verifica dos conteúdos das ementas dos paradigmas, transcritas acima, em ambos, os fatos geradores ocorreram nos períodos de 01/04/2005 a 30/06/2005 e 01/10/2005 a 31/12/2005, respectivamente, quando já vigia as Leis nº 11.033/2004, art. 17, e nº 11.116/2005, art. 16, que permitiam o ressarcimento/ compensação do saldo credor dessa contribuição. Já no acórdão recorrido, o fato gerador ocorreu no período de maio de 2004, quando não havia amparo legal para o ressarcimento/compensação do saldo credor dessa contribuição. De acordo com o acórdão Fl. 470DF CARF MF Processo nº 13888.002396/200475 Acórdão n.º 9303008.233 CSRFT3 Fl. 471 5 recorrido, o ressarcimento/compensação somente é possível para os fatos geradores ocorridos a partir de 9 de agosto de 2004. Portanto, demonstrado e provado que os paradigmas apresentados não servem para comprovar a divergência, em relação ao acórdão recorrido, o recurso especial não deve ser conhecido. Em face do exposto, NÃO CONHEÇO do recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 471DF CARF MF Processo nº 13888.002396/200475 Acórdão n.º 9303008.233 CSRFT3 Fl. 472 6 Fl. 472DF CARF MF
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Numero do processo: 10410.901843/2013-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Não existe previsão legal de homologação de crédito pleiteado em pedido de ressarcimento ou de restituição. O prazo de cinco anos para o pronunciamento da autoridade administrativa no sentido da homologação ou não da compensação diz respeito tão somente à declaração de compensação, e conta-se a partir da data de sua transmissão, consoante o § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS
O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da não-cumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) essencialidade ou relevância com/ao processo produtivo ou prestação de serviço; e sua (ii) aferição, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e a atividade desenvolvida pela empresa.
PROCESSO PRODUTIVO. PRODUÇÃO DE AÇÚCAR E ÁLCOOL. ETAPA AGRÍCOLA. CUSTOS. CRÉDITO
Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no cultivo da cana de açúcar guardam estreita relação de relevância e essencialidade com o processo produtivo das variadas formas e composição do álcool e do açúcar e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições não-cumulativas.
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS COM DIREITO A CRÉDITO. DIREITO À APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO NA DESPESA DE FRETE.
No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, a despesa com transporte de bens utilizado como insumos na produção/industrialização de bens destinados à venda, suportado pelo comprador, e devida à pessoa jurídica, propicia a dedução de crédito se incluído no custo de aquisição dos bens.
CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO.
Os serviços e bens utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos.
VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. UTILIZAÇÃO EM ETAPAS DO PROCESSO PRODUTIVO E DE INDUSTRIALIZAÇÃO.
A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação a veículos, máquinas e equipamentos adquiridos e utilizados em etapas pertinentes e essenciais à produção e à fabricação de produtos destinados à venda, conforme disciplinado pela Secretaria da Receita Federal em sua legislação (IN SRF nº 457/2004).
Numero da decisão: 3201-005.294
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para conceder o crédito das contribuições para o PIS/Cofins, revertendo-se as glosas efetuadas, atendidos os demais requisitos dos §§ 2º e 3º dos arts. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003 e legislação pertinente à matéria: I - Serviços utilizados como insumos na fase agrícola: (item 1.1) Serviços de Terceiros-Equipamentos Agrícolas: serviços de manutenção e solda em equipamentos agrícolas e de irrigação, e serviços de "lavagem de roupas-herbicidas"; (item 1.2) Manutenção e Reparo de Equipamentos Agrícolas: peças aplicadas por terceiros na manutenção de implementos agrícolas e irrigação; (item 1.3) Fretes de compra (apenas para os valores comprovados através da apresentação de Conhecimento de Carga); e (item 1.4) Transporte de cana (bens aplicados em veículos próprios, utilizados no transporte de cana); II - Bens utilizados como insumos na fase agrícola (item "1.2"): Óleo Diesel, Material Lubrificante, Pneus e Câmaras, Material de Manutenção, utilizados em veículos empregados especificamente na movimentação e transporte da cana-de-açúcar e nos centros de custos relacionados à fase agrícola, tais como: Adutoras, Pivôs, Carregadeiras, Grades, Fazendas, Tratores, Sulcador, Aplicação de Herbicidas, Produção de Mudas; III - Bens e serviços utilizados na fase industrial de fabricação de açúcar e álcool (itens "4.1" e "4.2") - transporte de resíduos industriais; serviços de dedetização, desde que nas instalações das atividades produtivas; produtos químicos, desde que utilizados na limpeza de instalações industriais; e produtos químicos específicos para tratamento de águas; IV - Encargos de depreciação de bens utilizados na fase agrícola: tratores, colheitadeiras, caminhões, reboques e outros bens utilizados na agricultura ou transporte da cana.
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisario, Laercio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Não existe previsão legal de homologação de crédito pleiteado em pedido de ressarcimento ou de restituição. O prazo de cinco anos para o pronunciamento da autoridade administrativa no sentido da homologação ou não da compensação diz respeito tão somente à declaração de compensação, e contase a partir da data de sua transmissão, consoante o § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da nãocumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) essencialidade ou relevância com/ao processo produtivo ou prestação de serviço; e sua (ii) aferição, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e a atividade desenvolvida pela empresa. PROCESSO PRODUTIVO. PRODUÇÃO DE AÇÚCAR E ÁLCOOL. ETAPA AGRÍCOLA. CUSTOS. CRÉDITO Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no cultivo da cana de açúcar guardam estreita relação de relevância e essencialidade com o processo produtivo das variadas formas e composição do álcool e do açúcar e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições nãocumulativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 90 18 43 /2 01 3- 80 Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10410.901843/201380 Acórdão n.º 3201005.294 S3C2T1 Fl. 384 2 REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS COM DIREITO A CRÉDITO. DIREITO À APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO NA DESPESA DE FRETE. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, a despesa com transporte de bens utilizado como insumos na produção/industrialização de bens destinados à venda, suportado pelo comprador, e devida à pessoa jurídica, propicia a dedução de crédito se incluído no custo de aquisição dos bens. CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃOCUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. Os serviços e bens utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos. VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. UTILIZAÇÃO EM ETAPAS DO PROCESSO PRODUTIVO E DE INDUSTRIALIZAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação a veículos, máquinas e equipamentos adquiridos e utilizados em etapas pertinentes e essenciais à produção e à fabricação de produtos destinados à venda, conforme disciplinado pela Secretaria da Receita Federal em sua legislação (IN SRF nº 457/2004). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para conceder o crédito das contribuições para o PIS/Cofins, revertendose as glosas efetuadas, atendidos os demais requisitos dos §§ 2º e 3º dos arts. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003 e legislação pertinente à matéria: I Serviços utilizados como insumos na fase agrícola: (item 1.1) Serviços de Terceiros Equipamentos Agrícolas: serviços de manutenção e solda em equipamentos agrícolas e de irrigação, e serviços de "lavagem de roupasherbicidas"; (item 1.2) Manutenção e Reparo de Equipamentos Agrícolas: peças aplicadas por terceiros na manutenção de implementos agrícolas e irrigação; (item 1.3) Fretes de compra (apenas para os valores comprovados através da apresentação de Conhecimento de Carga); e (item 1.4) Transporte de cana (bens aplicados em veículos próprios, utilizados no transporte de cana); II Bens utilizados como insumos na fase agrícola (item "1.2"): Óleo Diesel, Material Lubrificante, Pneus e Câmaras, Material de Manutenção, utilizados em veículos empregados especificamente na movimentação e transporte da canadeaçúcar e nos centros de custos relacionados à fase agrícola, tais como: Adutoras, Pivôs, Carregadeiras, Grades, Fazendas, Tratores, Sulcador, Aplicação de Herbicidas, Produção de Mudas; III Bens e serviços utilizados na fase industrial de fabricação de açúcar e álcool (itens "4.1" e "4.2") transporte de resíduos industriais; serviços de dedetização, desde que nas instalações das atividades produtivas; produtos químicos, desde que utilizados na limpeza de instalações industriais; e produtos químicos específicos para tratamento de águas; IV Encargos de depreciação de bens utilizados na fase agrícola: tratores, colheitadeiras, caminhões, reboques e outros bens utilizados na agricultura ou transporte da cana. Fl. 384DF CARF MF Processo nº 10410.901843/201380 Acórdão n.º 3201005.294 S3C2T1 Fl. 385 3 (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisario, Laercio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo no Acórdão nº 1461.818: Tratase de Pedido de Ressarcimento de créditos da Cofins não cumulativa do 4º Trimestre de 2008, relativos a despesas vinculadas a receitas de exportação, no importe de R$ 865.618,32, formalizado por meio do PER/DCOMP nº 27624.49566.170409.1.5.09 2529 (fls. 02/04), ao qual a contribuinte vinculou declarações de compensação nas quais procurou extinguir débitos próprios, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB. Analisada a pretensão, foi elaborado o Parecer Saort – DRFB/MAC nº 309/2014 (fls. 237/240) e foi emitido o Despacho Decisório de fls. 241/242, com reconhecimento parcial do direito creditório, homologação integral de três declarações de compensação, homologação parcial de uma, e não homologação das demais declarações de compensação vinculadas ao crédito pleiteado. Os fundamentos da decisão estão no Relatório Fiscal de fls. 207/236, no qual a autoridade fiscal se manifestou pelo deferimento parcial do pedido, e expôs os motivos de seu entendimento, conforme segue. Inicia esclarecendo que: a empresa dedicase à produção e comercialização de açúcar e álcool utilizando como matéria prima básica a canadeaçúcar obtida mediante produção própria ou adquirida de terceiros; como a maioria das empresas deste ramo, tem produção sazonal, normalmente ocorrendo o período de safra/produção entre os meses de setembro a março; a comercialização é feita tanto no mercado interno como no externo, sendo que o açúcar é predominantemente exportado e o álcool é majoritariamente comercializado no mercado interno. Passa a tratar dos créditos glosados informando inicialmente que o conceito de insumo, para fins de apuração de créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins está regido em legislação Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10410.901843/201380 Acórdão n.º 3201005.294 S3C2T1 Fl. 386 4 própria e não pode ser confundido nem interpretado à luz da legislação do IRPJ. Relata que em atendimento ao Termo de Início de Ação Fiscal, a contribuinte apresentou planilhas detalhadas em que demonstrava a memória de cálculo dos valores de crédito que informou no DACON e que embasaram seus Pedidos de Ressarcimento. Informa ainda que estas planilhas apresentavam os insumos “que foram utilizados para compor os créditos discriminados por utilização em AGRICULTURA ou INDÚSTRIA”. Diz ainda que, na AGRICULTURA, a contribuinte incluiu também “as despesas (serviços, fretes, peças de veículos...) com o transporte e movimentação de canadeaçúcar, tanto a cana adquirida de terceiros como também a cana produzida em suas diversas fazendas até a unidade fabril”. Ressalta (os destaques são do original): Ora, em relação aos gastos ocorridos na Agricultura, tais aquisições não poderiam gerar direito aos créditos pleiteados por tratarse de ciclos produtivos diferentes: um, a atividade rural de cultivo da canadeaçúcar e outro, a produção de álcool e açúcar. A contribuinte fabrica açúcar e álcool, e além disso, cultiva parte da canadeaçúcar que utiliza na própria atividade industrial. Entende a Receita Federal que a fabricação de açúcar e álcool e a produção de canadeaçúcar são dois processos diferentes e que não se confundem para fins de apuração de PIS e Cofins no regime nãocumulativo. Além disso, não representam gastos com insumos utilizados na produção de produtos destinados à venda e sim gastos/insumos utilizados na obtenção de matérias prima para o próprio consumo. Registra que este entendimento está expresso em diversas Soluções de Consulta, das quais transcreve trechos, e ainda, que o mesmo entendimento se aplica a outras atividades do segmento agroindustrial como, por exemplo, siderúrgicas com produção própria de carvão vegetal, indústria de papel com produção própria de eucaliptos, e acrescenta: E não é só. Mesmo na absurda hipótese de creditamento de bens e serviços aplicados na área agrícola, nem assim os supostos créditos seriam integrais, uma vez que a maioria das atividades agrícolas (entre as quais se inclui a produção de cana...), está sujeita a que parte dos seus custos com preparo e plantio seja imobilizada através da EXAUSTÃO e, ao contrário da depreciação e da amortização, não existe qualquer previsão legal para o creditamento de quotas de exaustão. (...) (destaques no original) Apresenta, em nota de rodapé, a seguinte observação: A empresa apresentou uma planilha denominada Serviços de TerceirosAgrícola na qual relacionava todos os serviços de manutenção, frete de cana, solda, diversos,....efetuados na área Fl. 386DF CARF MF Processo nº 10410.901843/201380 Acórdão n.º 3201005.294 S3C2T1 Fl. 387 5 agrícola. Para fins de melhor visualização, a ação fiscal "quebrou" esta planilha em várias outras de acordo com o tipo do serviço prestado: Frete de Cana, Serviços de Terceiros Manutenção e Solda de Equipamentos Agrícolas, Serviços Diversos e Serviços de TerceirosManutenção e Solda de Veículos e Equipamentos de Transporte. A mesma "quebra" foi efetuada na Planilha Manutenção e Reparos, que foi dividida em Equipamentos Agrícolas e Transporte. Convém acrescentar que a "quebra" não implicou alteração nos valores totais, que, de qualquer forma e independentemente da divisão adotada, seriam glosados, uma vez que referemse a atividades que não ensejam creditamento. Passa então a informar as glosas efetuadas, relativas a aquisições para a área agrícola: 1.1 SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS ÁREA AGRÍCOLA Do valor total de Serviços Utilizados como Insumos foram glosados os seguintes créditos referentes a agricultura: • Serviços de TerceirosEquipamentos Agrícolas: serviços de manutenção e solda em equipamentos agrícolas e de irrigação; • Serviços Diversos: outros créditos de serviços na área agrícola, de natureza indireta e administrativa, tais como Consultoria Agrícola, Consultoria em Meio Ambiente, Lavagem de Roupa Herbicidas e Manutenção de Programas de Computador. • Manutenção e Reparo de Equipamentos Agrícolas: peças aplicadas por terceiros na manutenção de implementos agrícolas e irrigação. Os valores glosados estão demonstrados abaixo e também nas Planilhas “Apuração dos Valores de Serviços utilizados como Insumos” e “Serviços de Terceiros Prestados na Agricultura Creditamentos Glosados”, Anexo 04. (...) 1. 2 BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS ÁREA AGRÍCOLA Conforme exposto anteriormente, em suas planilhas apresentadas a empresa englobou como “Agricultura” as despesas referentes à aquisição de bens utilizados em automóveis e veículos para a movimentação e transporte da cana de açúcar. Além disso, apresentou todas as aquisições em uma única planilha (“Bens Insumos”), sem separação por tipo ou natureza do bem. Com o objetivo de melhor apresentação e visualização dos créditos glosados, a ação fiscal separou os bens nas planilhas da empresa, utilizando a mesma classificação existente na Contabilidade (SPED ContábilReq. 1dffe5fa2f93 48db9308 3175c5a3a827, Anexo 01), ou seja, Óleo Diesel, Material Lubrificante, Pneus e Câmaras, Material de Manutenção. Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10410.901843/201380 Acórdão n.º 3201005.294 S3C2T1 Fl. 388 6 A seguir, a empresa foi intimada a identificar centros de custos (item 2 do Termo de Intimação n° 03) e, com base nas informações recebidas (Respostas Apresentadas pela Empresa Anexo 03) e com base nas informações contábeis que identificavam o centro de custo para o qual o material foi requisitado, foram separados aqueles gastos específicos da agricultura ( bens utilizados em tratores, colheitadeiras, equipamentos de irrigação,...) daqueles mais específicos do transporte (caminhões, automóveis, motos,..). Em Agricultura foram considerados centros de custos tais como, Adutoras, Pivôs, Carregadeiras, Grades, Fazendas, Tratores, Sulcador, Aplicação de Herbicidas, Produção de Mudas,.... Em Transportes foram classificados os centros de custos Toyota Hillux, Fiat Uno, Ford Cargo, Caminhão MBB, Moto Honda, Pajero TR4, Reboques,... Os valores contábeis foram separados por Agricultura e Transporte e os percentuais obtidos aplicados sobre as aquisições constantes nas planilhas da empresa: Óleo Diesel, Lubrificantes, Pneus e Câmaras e Material de Manutenção. Os valores glosados estão relacionados abaixo e também nas Planilhas da Ação Fiscal “Apuração do Rateio entre Bens Utilizados na Área Agrícola e no Transporte de Cana” e “Apuração dos Valores de Bens Utilizados como Insumos” (Anexo 05). 1. 3 OUTRAS GLOSAS DE CRÉDITOS EFETUADAS NA ÁREA AGRÍCOLA Outros créditos também foram glosados na área Agrícola, tais como o Frete de Compras, Transporte de Cana, Transporte de Pessoal e Aluguéis de Veículos, os quais se encontram apresentados em tópicos específicos, a seguir. Discorre então sobre os fretes de compras, salientando a inexistência de previsão legal para a apuração de créditos sobre tais despesas. Depois, justifica as glosas relativas a “Frete de Compras na Aquisição de Bens” e, a seguir, as glosas relativas a “Frete de Compras na Aquisição de CanadeAçúcar de Terceiros”. Na sequência, trata dos créditos glosados no transporte de cana: A empresa possui diversas fazendas onde planta canadeaçúcar que é utilizada para consumo próprio em sua unidade fabril. Uma vez colhida esta cana é transportada de seus estabelecimentos agrícolas até a sua unidade fabril. Neste processo de movimentação da matériaprima, a empresa tanto utiliza sua frota própria de caminhões e reboques como também pode utilizar serviços de terceiros. Nos dois casos tratase da mesma situação, que é o comumente chamado “frete interno”, ou seja, o transporte de matériaprima, produto em elaboração ou produtos acabados entre Fl. 388DF CARF MF Processo nº 10410.901843/201380 Acórdão n.º 3201005.294 S3C2T1 Fl. 389 7 estabelecimentos de uma mesma empresa. E o crédito para tal tipo de transporte é totalmente vedado pela legislação e por inúmeras Soluções de Consulta e Julgamento. Confiramse algumas: Cita soluções de consulta, bem como acórdãos de diversas DRJ, e conclui: Abaixo e também nas Planilhas “Apuração dos Valores de Bens Utilizados como Insumos” (Anexo 05) e “Apuração dos Valores de Serviços Utilizados como Insumos”, “Serviços com Creditamento Glosado” e “Detalhamento da Apuração das Glosas em Frete de Cana: Própria e Adquirida de Terceiros” (Anexo 04) estão demonstrados os valores glosados. Prossegue: Em Bens Aplicados em Equipamentos e Veículos de Transporte de Cana: Óleo Diesel, Lubrificantes, Pneus e Câmaras, Material de Manutenção, Os critérios utilizados na segregação destes créditos foram os já expostos no item 1.2 – Bens utilizados como Insumos – Área Agrícola. (...) Em Serviços Aplicados em Equipamentos e Veículos para o Transporte de Cana: Serviços de TerceirosCaminhões, Motos e Automóveis, Manutenção e Reparo de Veículos e Equipamentos de Transporte e Frete de Cana. (...) A seguir, o AuditorFiscal discorre sobre os créditos glosados na indústria. Sustenta (os destaques são do original): Como já exposto anteriormente, enseja o creditamento a utilização de insumos na atividade de “prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda” (lei 10.833/03, art. 3o, II), que, no caso da empresa, é a fabricação de açúcar e álcool. No entanto, no processo de análise dos bens e serviços que a empresa considerou em sua apuração, foram identificados diversos grupos de bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumo da legislação do PIS/COFINS. São eles: 4.1 SERVIÇOS DE DEDETIZAÇÃO E TRANSPORTE DE RESÍDUOS Foram glosados dispêndios com Dedetização e Transporte de Resíduos, abaixo demonstrados e também nas Planilhas “Apuração dos Valores de Serviços Utilizados como Insumos” e “Serviços com Creditamento Glosado” (Anexo 04). (...) Fl. 389DF CARF MF Processo nº 10410.901843/201380 Acórdão n.º 3201005.294 S3C2T1 Fl. 390 8 4.2 DESINCRUSTANTES E PRODUTOS DE LIMPEZA E TRATAMENTO DE ÁGUAS A empresa utiliza diversos produtos químicos na limpeza de suas instalações, com o objetivo de remover incrustações tais como a soda cáustica (desincrustante geral) e dispersolubizante (desincrustante para sistema de geração de vapor). São também utilizados produtos químicos específicos para tratamento de águas, tais como P70 e algicidas. Seguem abaixo trechos de algumas Soluções de Consulta sobre o assunto: (...) Os valores glosados estão abaixo demonstrados e também nas Planilhas “Apuração dos Valores de Bens Utilizados como Insumos” e “Bens com Creditamento Glosado” (Anexo 05). (...) 4.3 – BENS E SERVIÇOS C/NATUREZA DE ATIVO FIXO Na análise dos bens que compuseram o crédito pleiteado pela empresa, foi constatada a existência de bens de alto valor unitário e com nítida natureza de ativo fixo. De acordo com o art. 346 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR), deverão ser capitalizadas partes e peças, cuja substituição resultar aumento de vida útil superior a um ano da máquina ou equipamento ao qual serão integrados: “Art. 346. Serão admitidas, como custo ou despesa operacional, as despesas com reparos e conservação de bens e instalações destinadas a mantêlos em condições eficientes de operação (Lei nº 4.506, de 1964, art. 48). § 1º Se dos reparos, da conservação ou da substituição de partes e peças resultar aumento da vida útil prevista no ato de aquisição do respectivo bem, as despesas correspondentes, quando aquele aumento for superior a um ano, deverão ser capitalizadas, a fim de servirem de base a depreciações futuras (Lei nº 4.506, de 1964, art. 48, parágrafo único).” Sobre o assunto convém destacar parte da Solução de Consulta 204: (...) Ora, é evidente que, se tratando de partes e peças significativas em um equipamento, a sua substituição irá aumentar a vida útil deste equipamento. É o caso, por exemplo, da substituição ou retífica de um bloco de motor de automóvel ou de um rotor em uma bomba. Desta forma a ação fiscal buscou identificar bens de alto valor unitário, significativos e relevantes na máquina ou equipamento e que não tenham sido novamente requisitados pelo menos nos dois anos seguintes. Fl. 390DF CARF MF Processo nº 10410.901843/201380 Acórdão n.º 3201005.294 S3C2T1 Fl. 391 9 Os valores glosados estão abaixo demonstrados e também nas Planilhas “Apuração dos Valores de Bens Utilizados como Insumos” e “Bens com Creditamento Glosado” (Anexo 05). (...) 4.4 OUTROS BENS Foram também glosadas aquisições diversas, tais como lâmpadas, fechaduras para porta, peças para arcondicionado, ferramentas, graxa e outros. Em relação ao material de construção glosado, convém ressaltar que a legislação não veda seu creditamento desde que incorporado ao bem ou instalação, onde passa a ter seu credito efetuado indiretamente através da depreciação. Sobre a graxa, que representou a glosa mais significativa, segue abaixo parte do Acórdão DRJ 02 42.382 sobre o assunto: Acórdão DRJ N° 0242.382 de 04 de fevereiro de 2013. GASTOS COM GRAXA Assim, não procede a alegação de que estaria revisto o entendimento contido na Solução de Divergência COSIT n° 12/2007, com a publicação da Solução de Divergência COSIT nº 15/2008, uma vez que, conforme acima demonstrado, ambas tratam de questões específicas diversas e, portanto, convivem perfeitamente, sem nenhuma contradição entre si. Por conseguinte, a justificativa para enquadramento da graxa como insumo, para efeito de aproveitamento de crédito por se constituir produto indispensável à realização de suas atividades cai por terra, uma vez que a citada Solução de Divergência COSIT n° 12/2007 já abordou profundamente essa questão, conforme transcrito abaixo: 18.3) Em termos técnicos, as graxas são diferentes dos óleos lubrificantes, visto que elas são tidas como uma combinação de um fluido com um espessante, resultando em um produto homogêneo com qualidades lubrificantes. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), enquanto lubrificante ou óleo lubrificante é líquido obtido por destilação do petróleo bruto, utilizados para reduzir o atrito e o desgaste de engrenagens e peças, desde o delicado mecanismo de relógio até os pesados mancais de navios e máquinas industriais, a graxa é lubrificante fluido espessado por adição de outros agentes, formando uma consistência de 'gel' e tem a mesma função do óleo lubrificante, mas com consistência semisólida para reduzir a tendência do lubrificante a fluir ou vazar. Não fosse a disposição literal que se encontra no art. 3° Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003 (“bens utilizados como insumo ... na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes...”), as graxas com certeza poderiam ser aqui incluídas. Entretanto, Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10410.901843/201380 Acórdão n.º 3201005.294 S3C2T1 Fl. 392 10 o referido artigo não contém o termo graxa e, por isso, não se pode desonerar a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins. Tal ocorre porque: 18.3.1) Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre a exclusão do crédito tributário (art. 111 do CTN), de forma que o termo graxa deverá estar contemplado na lei; 18.5) Os combustíveis e lubrificantes geram direito ao creditamento não porque sejam insumos diretos de produção, mas apenas por disposição legal. (...) 19.2) Graxas. Tratase, mesmo no contexto produtivo da interessada, de insumo indireto de produção. Embora seja uma mercadoria com propriedades lubrificantes, difere dos lubrificantes, também ditos óleos lubrificantes e, por isso, deveriam constar literalmente da legislação em tela. Como tal não ocorre, também aqui se constata que não geram direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins; Os valores glosados estão abaixo demonstrados e também nas Planilhas “Apuração dos Valores de Bens Utilizados como Insumos” e “Bens com Creditamento Glosado” (Anexo 05). O Auditor Fiscal abre então um tópico intitulado “OUTROS VALORES GLOSADOS”, que divide em vários subitens, conforme segue: 5.1 – SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE PESSOAL A empresa contrata serviços de transporte tanto para os funcionários de sua área agrícola como também para funcionários da indústria. Apesar de ser um gasto de inegável alcance social e ser aceito na legislação do imposto de renda (evidentemente se não se revestir de liberalidade...), tal dispêndio não é considerado insumo para a legislação do PIS/COFINS, pelo fato de não se aplicar diretamente ao processo produtivo. Pese ainda o fato da maior parte deste dispêndio estar relacionada à área agrícola. Sobre o assunto convém destacar as seguintes Soluções de Divergência: (...) Foram os seguintes os valores glosados, também demonstrados nas Planilhas e também nas Planilhas “Apuração dos Valores de Serviços Utilizados como Insumos” e “Serviços com Creditamento Glosado” (Anexo 4): (...) 5.2 – ALUGUEL DE VEÍCULOS Fl. 392DF CARF MF Processo nº 10410.901843/201380 Acórdão n.º 3201005.294 S3C2T1 Fl. 393 11 A legislação permite o creditamento de Aluguéis de Prédios, Máquinas e Equipamentos, conforme Lei 10.833/03, art. 3º, IV: (...) Notese que neste caso a própria Lei usa o termo “atividades da empresa” ao contrário de outras disposições em que vincula o crédito à prestação de serviços e à produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Desta forma a ação fiscal aceitou todos os valores apresentados pela empresa em sua Planilha de Serviços/Aluguel de Máquinas e Equipamentos. Inclusive aqueles relacionados à Agricultura, uma vez que, repetimos, para este tipo de dispêndio a Lei não restringiu o creditamento à produção ou fabricação de produtos destinados à venda. No entanto, e embora tivesse sido englobado no valor dos Aluguéis de Prédios, Máquinas e Equipamentos informado no DACON, foram glosados os dispêndios com aluguel de automóveis e aeronaves, os quais, a própria empresa separou e discriminou em planilhas próprias e separadas das planilhas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos. Foram os seguintes os valores glosados, também demonstrados nas Planilhas “Apuração dos Valores de Aluguéis de Máquinas e Despesas de Armazenagem e Frete de Vendas” e Relatório Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas, Anexo 06: (...) 5.3 – ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO A legislação do PIS/COFINS vincula o direito ao creditamento de encargos de depreciação à utilização dos bens na prestação de serviços ou na produção de bens destinados à venda. Confirase o art. 3o da lei 10.833/03: (...) Desta forma encargos de depreciação de bens não utilizados na fabricação de produtos destinados à venda não ensejam aproveitamento de crédito. É o caso de tratores, colheitadeiras, caminhões, reboques e outros bens utilizados na agricultura ou transporte da cana, conforme já exposto em itens anteriores. Sobre o assunto, vejamos trechos de alguns Acórdãos e Soluções de Consulta: (...) Desta forma foram glosados os encargos de depreciação inerentes a bens utilizados na agricultura, transporte de cana e outras atividades que não se enquadram na fabricação de bens destinados à venda: (...) Fl. 393DF CARF MF Processo nº 10410.901843/201380 Acórdão n.º 3201005.294 S3C2T1 Fl. 394 12 O detalhamento dos itens glosados está demonstrado na Planilha “Apuração das Glosas em Depreciação” e “Apuração dos Valores de Encargos de Depreciação e Ajustes Negativos”, Anexo 06. 5.4. DUPLICIDADE NO APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS A empresa adquire partes e peças para uso normal em máquinas, equipamentos e instalações de seu processo produtivo. É o caso de fusíveis, parafusos, material elétrico, perfis, contatores, tubos, etc... Tais materiais ensejam direito a crédito e são normalmente creditados quando de sua aquisição. No entanto estas mesmas peças também podem ser requisitadas do Almoxarifado para o Ativo Imobilizado, geralmente em grandes reformas ou recuperações na conta 142010990002 Obras em Andamento. Ao se analisar os registros contábeis desta conta foram observadas inúmeras contabilizações de grupos de contas (Material Elétrico e Material de Manutenção) que tem seu crédito apropriado quando da aquisição. No Termo de Intimação n° 04 a empresa foi intimada a apresentar dados dos materiais requisitados para essa conta e constatouse que para os Grupos Material Elétrico e Material de Manutenção, a maioria dos materiais requisitados, constava nas Planilhas de BensInsumos apresentadas pela empresa, ou seja, tiveram seu crédito apropriado no momento da aquisição. O problema é que, quando termina a recuperação ou reforma, o valor registrado em Obras em Andamento é creditado e debitado à conta específica do bem no Ativo Imobilizado. E, a partir do momento em que a reforma ou instalação é ativada, a mesma peça que teve seu crédito apropriado quando de sua aquisição, passa a ser novamente creditada, através da depreciação do bem no qual foi empregada. Em resumo, uma clara (e ilegal) situação de duplicidade na apropriação de créditos. Como é muito difícil definir o destino de uma peça de uso geral, o procedimento correto seria o de apropriar a totalidade do crédito na aquisição, porém efetuando o estorno proporcional quando de uma eventual e posterior destinação ao Ativo Imobilizado. Para tal a empresa poderia ter utilizado a Linha do DACON de “Ajustes Negativos de Crédito”. No entanto os valores que a empresa registrou nesta linha referemse apenas a devoluções de compra. Desta forma, a ação fiscal com base na amostragem realizada, apurou os valores contábeis dos grupos Material Elétrico e Material de Manutenção requisitados para Obras em Andamento e os lançou como Ajustes Negativos de Créditos Abaixo e nas planilhas “Material Elétrico Requisitado para o Ativo FixoObras Fl. 394DF CARF MF Processo nº 10410.901843/201380 Acórdão n.º 3201005.294 S3C2T1 Fl. 395 13 em Andamento”, “Material de Manutenção Requisitado para o Ativo FixoObras em Andamento” e “Apuração dos Valores de Encargos de Depreciação e Ajustes Negativos”, Anexo 06, estão demonstrados os valores apurados: (...) O AuditorFiscal apresenta então um tópico intitulado “APURAÇÃO DOS VALORES DO CRÉDITO”, no qual esclarece: Como resultado das glosas efetuadas foram apurados novos valores de crédito, demonstrados na Planilha “Resumo da Apuração dos Créditos” e “Apuração dos Valores dos Créditos Passíveis de Ressarcimento”, Anexo 07. (...) O valor correto apurado para o Pedido de Ressarcimento em questão totalizou R$ 435.628,92 (quatrocentos e trinta e cinco mil seiscentos e vinte e oito reais e noventa e dois centavos). As glosas de crédito totalizaram R$ 429.989,40 (quatrocentos e vinte e nove mil novecentos e oitenta e nove reais e quarenta centavos) correspondente ao somatório dos valores indevidamente solicitados. Por fim, apresenta uma “Relação de Anexos”. Cientificada do Despacho Decisório em 16/06/2014, conforme o Termo de Intimação de fl. 243, no dia 15/07/2014 a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 258/264. Após breve resumo do objeto da manifestação de inconformidade, a contribuinte alega “decadência”. Neste sentido, transcreve o at. 74, caput, e § 5º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e sustenta: Conforme se infere do presente processo, o pedido eletrônico formulado pelo contribuinte foi protocolizado em 17.04.2009. A negativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, contudo, somente se deu em 16.06.2014, quando ultrapassado o qüinqüênio legal. Assim, resta claramente demonstrado que se operou a decadência do poder de não homologar o crédito, restando definitiva a compensação declarada pela contribuinte. Transcreve então o caput e o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e passa a contestar as glosas efetuadas. Sustenta: É claro o dispositivo em comento ao prever a possibilidade de utilização pelo contribuinte de créditos calculados sobre os bens e serviços utilizados como insumos da produção de bens. Fl. 395DF CARF MF Processo nº 10410.901843/201380 Acórdão n.º 3201005.294 S3C2T1 Fl. 396 14 No caso em questão, resta incontroverso que a Manifestante exerce atividade agroindustrial, consistente no cultivo da cana de açúcar e sua transformação em açúcar e álcool. Assim, os gastos com a aquisição de bens e as despesas incorridas no processo produtivo da Manifestante geram o direito à apropriação do crédito a título de COFINS não cumulativa. Analisandose o despacho decisório ora combatido, observase que a decisão combatida, ao glosar diversos créditos utilizados pela Manifestante, ignorou as especificidades da atividade agroindustrial por ela desenvolvidas, cindindo, de forma absurda, as atividades agrícolas e industriais, com o único propósito de impedir a plena fruição dos créditos que a legislação tributária assegura ao contribuinte. Com efeito, a grande controvérsia estabelecida no Despacho Decisório está em saber se a Manifestante poderia apropriarse de créditos a título de COFINS não cumulativa pelas despesas relacionadas a insumos pertinentes à etapa de cultivo da cana de açúcar que será utilizada como matéria prima no processo de industrialização. A resposta, por óbvio, só pode ser positiva. Mas não se consegue chegar à resposta sem a exata compreensão do que seja atividade agroindustrial. E foi esse o equívoco em que incorreu o despacho decisório aqui impugnado. Passa então a discorrer sobre “atividade agroindustrial”. Além de invocar, neste sentido, o art. 22A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e o art. 6º da Instrução Normativa SRF nº 660, de 17 de julho 2006, salienta que “a própria Receita Federal, em seus atos normativos, reconhece que a atividade desenvolvida pela Manifestante se enquadra na categoria de ‘agroindustrial’, não se confundindo com a atividade agropecuária nem com a atividade industrial em sentido estrito”. Prossegue (os destaques são do original): Resta demonstrado, portanto, que a pessoa jurídica, como sucede com a Manifestante, "cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros" enquadrase no conceito de agroindústria. Essa premissa é fundamental para que se compreenda o direito creditório da Manifestante, que foi absurdamente glosado no despacho decisório aqui impugnado. A atividade agroindustrial, por imposição da definição dada pelo art. 22A, caput, da Lei n° 8.212/91, abrange a industrialização da produção própria ou de terceiros. Portanto, tratandose de produção própria, as despesas incorridas na lavoura, plantio, conservação, aplicação de herbicidas, adubação, além de outras geram direito ao crédito da COFINS não cumulativa, de que trata o art. 3o da Lei n. 10.833/03. Fl. 396DF CARF MF Processo nº 10410.901843/201380 Acórdão n.º 3201005.294 S3C2T1 Fl. 397 15 Alega que o entendimento adotado pela fiscalização criaria uma situação antiisonômica, pois a aquisição de matéria prima, no caso, canadeaçúcar, de terceiros daria origem ao crédito presumido da Cofins, enquanto a produção da matériaprima pela própria industrializadora não seria beneficiada com o creditamento. Acrescenta: Assim, usinas de açúcar que predominantemente adquirissem canas de açúcar através de terceiros (fornecedores) gozariam de uma situação fiscal muito mais favorecida (em razão do crédito presumido gerado nessa aquisição) em relação às usinas que optassem por investir na produção própria da matériaprima (as quais não teriam direito ao crédito de insumos, segundo o despacho decisório ora questionado). Revelase, também por esse motivo, inaceitável a glosa efetuada no despacho decisório ora questionado. A subdivisão ilegal (porque colide frontalmente com o disposto no art. 22A, caput, da Lei n. 8.212/91) promovida pelo despacho decisório entre a fase agrícola e a fase industrial de uma agroindústria, como se pudessem ser seccionadas para fins de apropriação das despesas da Manifestante, gerou a glosa equivocada. Todas as despesas que integram a fase agrícola, envolvendo aí, mas não somente: o tratamento do solo, plantio, manejo e colheita representam insumos para o processo fabril do açúcar e do álcool. Não há como a empresa Manifestante produzir açúcar e álcool sem promover os tratos culturais, plantio e demais trabalhos sobre a lavoura da canadeaçúcar, que é sua matéria prima fundamental. Essas etapas integram o seu processo produtivo e não poderiam ser seccionadas, como equivocadamente o fizera o despacho decisório em questão, exclusivamente com o propósito de glosar os créditos fiscais que a Lei n. 10.833/03, em seu art. 3o, já assegura ao contribuinte. Depois a contribuinte passa a alegar o direito à apuração de créditos sobre todas as suas despesas incorridas na área agrícola, bem como com transporte de pessoal, transporte de matériaprima, etc, uma vez que se trata de atividades essenciais ao seu processo produtivo: O mesmo sucede em relação aos custos com frete, serviços de transporte de pessoal, serviços de dedetização, transporte de resíduos, serviços de manutenção e reparo dos equipamentos agrícolas, e todos os demais serviços utilizados como insumos na área agrícola pela empresa. De fato, seria inimaginável que a Manifestante cultivasse a matériaprima fundamental por ela produzida (canadeaçúcar) e deixasse de realizar o transporte do que foi colhido para as suas caldeiras, a fim de iniciar o processamento fabril. Fl. 397DF CARF MF Processo nº 10410.901843/201380 Acórdão n.º 3201005.294 S3C2T1 Fl. 398 16 As diversas despesas com transporte (aí incluindo o transporte dos trabalhadores que precisam ser deslocados entre as diversas fazendas onde se situam os canaviais, assim como o transporte do produto colhido do campo para a indústria) são essenciais ao processo produtivo e integram a base de cálculo do crédito previsto no art. 3o da Lei n. 10.833/03. Não se pode supor que esses custos seriam supostamente "indiretos", isto é, não integrariam o processo produtivo, pois, como visto, a premissa equivocada de que se partiu no despacho decisório para glosa dos créditos informados nas declarações de compensação foi a de que os custos incorridos na fase agrícola seriam desprezíveis. Afirma ainda: Como se demonstrou, o despacho decisório partiu da premissa de que a Manifestante exerceria atividade industrial, quando, na verdade, exerce atividade agroindustrial! A atividade do contribuinte deve ser vista como um todo único e indivisível, segundo a própria definição extraída do art. 22A, caput, da Lei n. 8.212/91. Notese que uma simples interpretação literal do art. 3o, II, da Lei n° 10.833/03, que alude a insumos aplicados na “produção ou fabricação” de bens e serviços destinados à venda, fica claro que a lei contemplou com o direito de crédito tanto a “produção” quanto a “fabricação”. Por fim, a contribuinte conclui: Diante das considerações acima aduzidas, vem a Manifestante, respeitosamente, à presença de V. Exa, requerer seja reformado o despacho decisório exarado nos autos do processo n. 10410.901.843/201380, reconhecendo em favor da Manifestante a totalidade dos créditos informados no PER 27624.49566.170409.1.05.092959(sic) e nas DCOMP’s a ele correspondentes. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP por intermédio da 11ª Turma, no Acórdão nº 1461.818, sessão de 07/07/2016, julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Não existe previsão legal de homologação de crédito pleiteado em pedido de ressarcimento ou de restituição. O prazo de cinco anos para o pronunciamento da autoridade Fl. 398DF CARF MF Processo nº 10410.901843/201380 Acórdão n.º 3201005.294 S3C2T1 Fl. 399 17 administrativa no sentido da homologação ou não da compensação diz respeito tão somente à declaração de compensação, e contase a partir da data de sua transmissão, e não de data anterior, ainda que vinculada a crédito anteriormente pleiteado em pedido de restituição ou de ressarcimento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. No cálculo da Cofins nãocumulativa somente podem ser descontados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado ou, ainda, sobre os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Bens e serviços empregados no cultivo de canadeaçúcar não se classificam como insumos na fabricação de álcool ou de açúcar, por se tratarem de processos produtivos diversos. As despesas com aqueles itens não geram direito à apuração de créditos na determinação da contribuição devida sobre as receitas auferidas com vendas de açúcar e de álcool produzidos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa os mesmos argumentos para pleitear o deferimento integral dos valores que constam do pedido de ressarcimento e homologação de todas as declarações de compensações. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Fl. 399DF CARF MF Processo nº 10410.901843/201380 Acórdão n.º 3201005.294 S3C2T1 Fl. 400 18 Preliminar de Decadência Suscita a recorrente a decadência para o Fisco não homologar a compensação declarada, uma vez que decorrido mais de 05 (cinco) anos entre a data do pedido eletrônico formulado em 17/04/2009 e a data da ciência no despacho decisório em 16/06/2014. O prazo a que se refere a contribuinte é de homologação de compensação e não de deferimento/indeferimento do pedido de ressarcimento, e se encontra previsto no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996: Art, 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com transito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. [...] §5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) ('grifouse,) Destarte, o prazo de cinco anos contase da data da entrega das declarações de compensação. No caso presente, constatase que as declarações de compensação foram transmitidas em 30/06/2009. Em razão do parágrafo 5º, acima transcrito, a autoridade administrativa teria o prazo até 29/06/2014 para proceder a homologação ou não das compensações declaradas. Como a interessada teve ciência do Despacho Decisório, que homologou parcialmente as compensações e até o limite do crédito reconhecido, em 16/06/2014, não se operou a homologação tácita das compensações tratadas no presente processo. Mérito Considerações Iniciais No mérito, consta dos autos que o litígio versa sobre o inconformismo do contribuinte em face do despacho decisório, mantido hígido na decisão a quo, que não concedeu o ressarcimento da integralidade de saldo credor da Contribuição nãocumulativa, apurado no trimestre em referência e vinculados às receitas de vendas para o mercado externo, em razão de glosa de créditos com bens e serviços não considerados insumos e outros dispêndios. A recorrente é uma agroindustrial que se dedica às atividades de plantio, cultivo e colheita de canadeaçúcar com fins à produção de álcool e açúcar, este destinado principalmente à exportação. Fl. 400DF CARF MF Processo nº 10410.901843/201380 Acórdão n.º 3201005.294 S3C2T1 Fl. 401 19 Dessa forma, consoante às Leis que instituíram a sistemática de apuração não cumulativa para o PIS/Pasep e para a Cofins é permitida à pessoa jurídica que se dedica à atividade industrial a tomada de créditos nas aquisições de bens e serviços considerados insumos na produção e prestação de serviços, e de despesas específicas, a teor do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. A autoridade julgadora de 1ª instância entendeu que a contribuinte limitouse apenas à contestação das glosas como um todo, sem apresentar nenhum questionamento quanto aos cálculos apresentados pela autoridade fiscal. De fato, na manifestação de inconformidade e agora em recurso voluntário, a contribuinte, no mérito, insurgese quanto ao procedimento fiscal que glosou os créditos apropriados com os dispêndios relacionados aos insumos da fase agrícola, e mais; para a recorrente, todas as despesas incorridas e sua atividade econômica geram crédito a serem descontados das contribuições. Não se trata de uma contestação genérica. A recorrente pretende o reconhecimento dos créditos de insumos na fase agrícola, tal como a fiscalização concedera na atividade de produção de açúcar/álcool (desde que obedecidos os requisitos legais). Outrossim, resta claro nos autos que se pretende créditos com todas as despesas incorridas no âmbito de sua atividade econômica. Assim, incumbe a este Colegiado decidir acerca da possibilidade da recorrente apropriarse dos créditos nas aquisições de bens e serviços vinculados à atividade agrícola plantio, cultivo e colheita da principal matériaprima (canadeaçúcar) dos produtos fabricados e destinados à venda. De outra banda, devese decidir no tocante à extensão dos dispêndios que a legislação de regência permite a apropriação dos créditos da não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. Os dispositivos dos incisos e parágrafos do art. 3º da Lei nºs 10.637/03 (PIS/Pasep) e da Lei 10.833/03 (Cofins) são suficientes para decidir o litígio. De ressaltar, contudo, que este voto devese ater apenas aos elementos que constam nos autos com fins à confrontação da descrição do dispêndio, sua correlação com o centro de custo relacionado à natureza da atividade e o motivo da glosa efetuada pela autoridade fiscal. Passemos às matérias em litígio. Conceito de insumos para créditos de PIS e Cofins Este Conselho, incluindo esta Turma, entende que o conceito de insumo é mais elástico que o adotado pela fiscalização e julgadores da DRJ nas suas Instruções Normativas n°s. 247/2002 e 404/2004, mas não alcança a amplitude de dedutibilidade utilizado pela legislação do Imposto de Renda, como requer a recorrente. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 10410.901843/201380 Acórdão n.º 3201005.294 S3C2T1 Fl. 402 20 Isto posto, há de se fixar os contornos jurídicos para delimitar os dispêndios (gastos) que são considerados insumos com direito ao crédito das contribuições sociais, quer no processo produtivo ou na prestação de serviço. Ressalto que este Relator vinha acolhendo e adotando o conceito estabelecido pelo Ministro do STJ Mauro Campbell Marques no voto condutor do REsp nº 1.246.317MG, no qual se firmara o entendimento no tripé de que (i) o bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos em síntese, tenha pertinência ao processo produtivo; (ii) a produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição a essencialidade ao processo produtivo; e (iii) não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto que exprime a possibilidade de emprego indireto no processo produtivo. Recentemente os Ministros do STJ reviram seu posicionamento mantendose a decisão intermediária para concessão do crédito considerandose a essencialidade ou relevância do bem ou serviço no processo produtivo, conforme o REsp nº 1.221.170/PR, julgamento de 22/02/2018, Relatoria do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, com a ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos [sic] realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. Fl. 402DF CARF MF Processo nº 10410.901843/201380 Acórdão n.º 3201005.294 S3C2T1 Fl. 403 21 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Este novo entendimento, que na verdade não conduz à divergência em relação à decisão no REsp indigitado, insere outros fundamentos para a delimitação dos elementos que geram crédito assentado na essencialidade ou relevância a ser aferida no cotejo (desses elementos) com o processo produtivo ou a atividade desenvolvida pela empresa. A seguir os excertos do voto vista proferido pela Ministra Regina Helena Costa que acabou por pautar o entendimento exarado no voto condutor do Ministro Relator que considero relevantes para demonstrar o entendimento daquele Tribunal e adotálos neste voto: [...] Nesse cenário, penso seja possível extrair das leis disciplinadoras dessas contribuições o conceito de insumo segundo os critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte, tal como já expressei, no TRF da 3ª Região, no julgamento das Apelações Cíveis em Mandado de Segurança ns. 001235252.2010.4.03.6100/SP e 0005469 26.2009.4.03.6100/SP, respectivamente em 15.12.2011 e 31.05.2012. [...] Marco Aurélio Greco, ao dissertar sobre a questão, pondera: De fato, serão as circunstâncias de cada atividade, de cada empreendimento e, mais, até mesmo de cada produto a ser vendido que determinarão a dimensão temporal dentro da qual reconhecer os bens e serviços utilizados como respectivos insumos [...] O critério a ser aplicado, portanto, apóiase na inerência do bem ou serviço à atividade econômica desenvolvida pelo contribuinte (por decisão sua e/ou por delineamento legal) e o grau de relevância que apresenta para ela. Se o bem adquirido integra o desempenho da atividade, ainda que em fase anterior à obtenção do produto final a ser vendido, e assume a importância de algo necessário à sua existência ou útil para que possua determinada qualidade, então o bem estará sendo utilizado como insumo daquela atividade (de produção, fabricação), pois desde o Fl. 403DF CARF MF Processo nº 10410.901843/201380 Acórdão n.º 3201005.294 S3C2T1 Fl. 404 22 momento de sua aquisição já se encontra em andamento a atividade econômica que – vista global e unitariamente – desembocará num produto final a ser vendido. (Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS , in Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, Belo Horizonte, n. 34, jul./ago. 2008, p. 6) [...] Demarcadas tais premissas, temse que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço.Desse modo, sob essa perspectiva, o critério da relevância revelase mais abrangente do que o da pertinência. [...] Como visto, consoante os critérios da essencialidade e relevância, acolhidos pela jurisprudência desta Corte e adotados pelo CARF, há que se analisar, casuisticamente, se o que se pretende seja considerado insumo é essencial ou de relevância para o processo produtivo ou à atividade desenvolvida pela empresa. Observandose essas premissas, penso que as despesas referentes ao pagamento de despesas com água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI, em princípio, inseremse no conceito de insumo para efeito de creditamento, assim compreendido num sistema de não cumulatividade cuja técnica há de ser a de "base sobre base". Todavia, a aferição da essencialidade ou da relevância daqueles elementos na cadeia produtiva impõe análise casuística, porquanto sensivelmente dependente de instrução probatória, providência essa, como sabido, incompatível com a via especial. Logo, mostrase necessário o retorno dos autos à origem, a fim de que a Corte a quo, observadas as balizas dogmáticas aqui delineadas, aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custos e despesas com:água, combustíveis e lubrificantes, materiais e Fl. 404DF CARF MF Processo nº 10410.901843/201380 Acórdão n.º 3201005.294 S3C2T1 Fl. 405 23 exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI. [...] Firmado nos fundamentos assentados, quanto ao alcance do conceito de insumo, segundo o regime da nãocumulatividade do PIS Pasep e da COFINS, entendo que a acepção correta é aquela em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de: 1. essencialidade ou relevância, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte; 2. aferição casuística da essencialidade ou relevância, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e o processo produtivo ou a atividade desenvolvida pela empresa; Assim, há de se verificar se o recorrente comprova a utilização dos insumos no contexto da atividade fabricação, produção ou prestação de serviço de forma a demonstrar que o gasto incorrido guarda relação de pertinência com o processo produtivo/prestação de serviço, mediante seu emprego, ainda que indireto, de forma que sua subtração implique ao menos redução da qualidade. Passo à análise da possibilidade de apropriação de créditos das contribuições nas despesas com bens e serviços na fase agrícola (plantio e cultivo), em que se inicia o processo industrial da agroindústria, como é o caso da contribuinte. Créditos com insumos na fase agrícola Na linha de raciocínio assentada, depreendese que o processo produtivo considera todo o ciclo de produção e compõe o objeto de uma única pessoa jurídica, sendo indevido interpretálo como etapas distintas que se completam, e o direito ao crédito é concedido àquela em que se pressupõe uma industrialização mais efetiva ou a que resulta no bem final destinado à venda. Não há fundamento para tal, sequer autorização nos textos legais. As leis que regem a não cumulatividade atribuem o direito de crédito em relação ao custo de bens e serviços aplicados na "produção ou fabricação" de bens destinados à venda, inexistindo amparo legal para secção do processo produtivo da sociedade empresária agroindustrial em cultivo de matériaprima para consumo próprio e em industrialização propriamente dita, a fim de expurgar do cálculo do crédito os custos incorridos na fase agrícola da produção. Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no plantio, cultivo e colheita da canadeaçúcar guardam estreita relação de emprego, relevância e essencialidade com o processo produtivo do açúcar e do álcool e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições nãocumulativas. Com base nesses fundamentos entendo pela possibilidade da contribuinte apropriarse dos créditos de PIS e Cofins decorrentes das despesas com bens e serviços Fl. 405DF CARF MF Processo nº 10410.901843/201380 Acórdão n.º 3201005.294 S3C2T1 Fl. 406 24 utilizados como insumos na etapa agrícola, do plantio à colheita da canadeaçúcar, aplicados no processo industrial da pessoa jurídica, e atendidos todos os demais requisitos da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003 pertinentes à matéria e que não incorram nas vedações previstas nos referidos textos. Análise das glosas na fase agrícola A fabricação de açúcar e álcool e a produção de canadeaçúcar são processos indissociáveis de forma que os custos e despesas com a cultura de canadeaçúcar e seu transporte até a unidade de fabricação do açúcar e do álcool enquadramse no conceito legal de insumo desta fabricação. A autoridade fiscal glosou créditos lançados pela contribuinte e relacionados ao cultivo da canadeaçúcar que, posteriormente, serviria à produção própria de açúcar e álcool. Segundo a autoridade fiscal, tais créditos foram apurados indevidamente por não terem sido, os bens e serviços, diretamente empregados na fabricação do açúcar e do álcool. Nenhum outro fundamento foi assentado para glosa. A posição adotada por este Colegiado para considerar custos e despesas geradoras do direito creditório como aquelas em que o bem/serviço participa do processo produtivo (fase agrícola) de forma essencial e necessária implica reconhecer os dispêndios com aquisições de bens e serviços, com a observação a seguir. Dessa forma revertemse as glosas de créditos com custos e/ou despesas nos itens a seguir relacionados, atendidos aos demais requisitos da legislação das Contribuições não cumulativas, em especial dos §§ 2º e 3º do art. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, com a observação adicional de que, em se tratando de bens/serviços cujos dispêndios são incorporados ao Ativo Imobilizado, os créditos concedidos limitamse ao valor da depreciação (e não de despesas), conforme as regras contábeis, e art. 3º, inciso VII do caput, e inciso III o §1º, das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002: Tópico "1.1 SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS ÁREA AGRÍCOLA" Serviços de TerceirosEquipamentos Agrícolas: serviços de manutenção e solda em equipamentos agrícolas e de irrigação. Serviços de Lavagem de RoupaHerbicidas Manutenção e Reparo de Equipamentos Agrícolas: peças aplicadas por terceiros na manutenção de implementos agrícolas e irrigação. Tópico "1. 2 BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS ÁREA AGRÍCOLA" Aquisição de bens (Óleo Diesel, Material Lubrificante, Pneus e Câmaras, Material de Manutenção) utilizados em veículos empregados especificamente na Fl. 406DF CARF MF Processo nº 10410.901843/201380 Acórdão n.º 3201005.294 S3C2T1 Fl. 407 25 movimentação e transporte da canadeaçúcar e nos centros de custos relacionados à fase agrícola, tais como Adutoras, Pivôs, Carregadeiras, Grades, Fazendas, Tratores, Sulcador, Aplicação de Herbicidas, Produção de Mudas Fretes na fase agrícola Na atividade industrial, conquanto não haja expressa previsão legal à tomada de crédito nas despesas com frete na aquisição de insumos, a interpretação que se dá ao art. 3º, I e § 1º, I das Leis 10.637/02 e 10.833/03 cumulada com o art. 290 do RIR/1999 possibilita o entendimento de que é legítima a apropriação dos créditos do PIS e das Cofins, calculados sobre o valor do frete relativo ao serviço de bens a serem utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Os textos legais: Lei 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, (...); (...) § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2ª desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; (...) Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, §1º): I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; (...) De acordo com os referidos preceitos legais, inferese que a parcela do valor do frete, relativo ao transporte de bens a serem utilizados como insumos de produção ou fabricação de bens destinados à venda, integra o custo de aquisição dos referidos bens e somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições. Assim, sendo o bem transportado um insumo com direito a credito, também o será o gasto com transporte, se suportado pelo adquirente e pago à pessoa jurídica. Fl. 407DF CARF MF Processo nº 10410.901843/201380 Acórdão n.º 3201005.294 S3C2T1 Fl. 408 26 Portanto, revertemse as glosas do Tópico "1. 3 OUTRAS GLOSAS DE CRÉDITOS EFETUADAS NA ÁREA AGRÍCOLA" relacionadas: Fretes de compra (apenas para os valores comprovados através da apresentação de Conhecimento de Carga); Transporte de cana (bens aplicados em veículos próprios, utilizados no transporte de cana). Análise das glosas na fase industrial (produção de açúcar e álcool) As glosas de gastos com bens e serviços descritos a partir do item "4.1" a "4.4" do Relatório Fiscal tiveram fundamento na ausência de enquadramento no conceito de insumo. Como relatado linhas acima, a contribuinte não questiona o conceito de insumo empregado pelo Fisco e tampouco asseverou seu próprio entendimento, apenas pretende crédito de todos os gastos incorridos em sua atividade empresarial. Nada obstante, a descrição de alguns dos dispêndios permite concluir pela sua essencialidade ou relevância face à atividade industrial desenvolvida. Dessa forma revertemse as glosas relativas a: Transporte de resíduo industriais Serviço de dedetização, desde que nas instalações da atividade produtiva; Produtos químicos, desde que utilizados na limpeza de instalações industriais; Produtos químicos específicos para tratamento de águas. Outros bens e serviços pretensamente utilizados nas atividades industriais carecem de comprovação, ônus do qual não se desincumbiu a recorrente. Glosas de Despesas Os dispêndios com serviços de transporte de pessoal carecem de previsão legal para o aproveitamento do crédito. Quanto aos automóveis e aeronaves alugados não se tem comprovação de uso como equipamento nas atividades da empresa, mantendose a glosa com base no art. 3º da Lei nº 10.833/03. Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10410.901843/201380 Acórdão n.º 3201005.294 S3C2T1 Fl. 409 27 Encargos de depreciação Os mesmos fundamentos para a reversão das glosas de gastos com bens utilizados na etapa agrícola são válidos para a manutenção do crédito com encargos de depreciação de tratores, colheitadeiras, caminhões, reboques e outros bens utilizados na agricultura ou transporte da cana Por fim, a ausência de refutação específica as todas os demais dispêndios (insumos ou despesas) glosados e mormente o afastamento da acusação fiscal de duplicidade no aproveitamento de créditos (item "5.4") mantémse as glosas efetivadas pela autoridade fiscal. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para conceder o crédito das contribuições para o PIS/Cofins, revertendose as glosas efetuadas, atendidas os demais requisitos dos §§ 2º e 3º dos arts. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003 e legislação pertinente à matéria, exclusivamente quanto a: 1. Serviços utilizados como insumos na fase agrícola (itens "1.1" e "1.3") 1.1 Serviços de TerceirosEquipamentos Agrícolas: serviços de manutenção e solda em equipamentos agrícolas e de irrigação, e serviços de lavagem “roupasHerbicidas”; 1.2 Manutenção e Reparo de Equipamentos Agrícolas: peças aplicadas por terceiros na manutenção de implementos agrícolas e irrigação; 1.3 Fretes de compras (apenas para os valores comprovados através da apresentação de Conhecimento de Carga); 1.4 Transporte de cana (bens aplicados em veículos próprios, utilizados no transporte de cana) 2. Bens utilizados como insumos na fase agrícola (item "1.2") 2.1 Óleo Diesel, Material Lubrificante, Pneus e Câmaras, Material de Manutenção, utilizados em veículos empregados especificamente na movimentação e transporte da canadeaçúcar e nos centros de custos relacionados à fase agrícola, tais como: Adutoras, Pivôs, Carregadeiras, Grades, Fazendas, Tratores, Sulcador, Aplicação de Herbicidas, Produção de Mudas. 3. Bens e serviços utilizados na fase industrial de fabricação de açúcar e álcool (itens "4.1" e "4.2") 3.1 Transporte de resíduos industriais; 3.2 Serviços de dedetização, desde que nas instalações da atividade produtiva; Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10410.901843/201380 Acórdão n.º 3201005.294 S3C2T1 Fl. 410 28 3.3 Produtos químicos, desde que utilizados na limpeza de instalações industriais; e 3.4 Produtos químicos específicos para tratamento de águas. 4. Encargos de depreciação de bens utilizados na fase agrícola: tratores, colheitadeiras, caminhões, reboques e outros bens utilizados na agricultura ou transporte da cana. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 410DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10600.720097/2016-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011, 2012, 2013
ÁGIO. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA-VEÍCULO PARA CANALIZAR O INVESTIMENTO ORIUNDO DO EXTERIOR. A utilização de empresa veículo não é verificada apenas pelo tempo de constituição da empresa. Confirmado o exíguo prazo entre o aporte dos recursos advindos do exterior e as operações societárias que deram origem ao ágio e à sua amortização fiscal, mostra-se correta a acusação fiscal de que o investidor de fato seria a sociedade remetente dos recursos do exterior. FUNDAMENTO ECONÔMICO. RENTABILIDADE COM BASE EM PREVISÃO DE RESULTADO NOS EXERCÍCIOS FUTUROS DA INVESTIDA. LAUDO TÉCNICO PRODUZIDO POSTERIORMENTE Á AQUISIÇÃO DO INVESTIMENTO. INEFICÁCIA. O laudo acostado aos autos, elaborado após a operação de aquisição dos investimentos, para amparar o registro contábil dos ágios com fundamento na previsão de resultado de exercícios futuros, não é contemporâneo aos fatos, e não fundamenta os ágios. A dedutibilidade do ágio com base em expectativa de rentabilidade futura exige que o valor de aquisição do investimento esteja lastreado em laudo prévio.
JUROS DE EMPRÉSTIMOS PAGOS A EMPRESAS LIGADAS DO EXTERIOR. DEDUTIBILIDADE.
Confirmada a acusação fiscal de que a real adquirente do investimento foi a controladora estrangeira que aportou os empréstimos dos quais decorrem os juros parcialmente glosados, não subsiste a exigência correspondente fundamentada, apenas, na inobservância dos limites estabelecidos nas regras de subcapitalização.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011, 2012, 2013
DECADÊNCIA. ABRANGÊNCIA
O prazo decadencial vincula-se direta e exclusivamente ao fato gerador objeto do lançamento tributário. O direito de o fisco constituir o crédito tributário implica no direito de examinar a legalidade de todos os elementos que compõem a base de cálculo do período, independentemente do tempo transcorrido entre a formação desses elementos e o seu aproveitamento.
CSLL. DECORRÊNCIA.
O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica-se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova.
Numero da decisão: 1402-003.869
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: i) por unanimidade de votos: i.i) rejeitar a preliminar de decadência do direito do Fisco de questionar os fundamentos relacionados à formação do ágio; i.ii) rejeitar a arguição de nulidade do auto de infração, por vício de fundamentação, votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa; i.iii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à glosa de amortização de ágio, votando pelas conclusões os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que negavam provimento em razão dos vícios no fundamento econômico do ágio; i.iv) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à exigência de CSLL, votando pelas conclusões os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa, cujas razões serão incorporadas ao voto do Relator; e ii) por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário relativamente à glosa de juros, vencido o Relator acompanhado pelos Conselheiros Marco Rogério Borges e Paulo Mateus Ciccone, sendo designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente e Redatora Designada
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
Nome do relator: EVANDRO CORREA DIAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011, 2012, 2013 ÁGIO. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA-VEÍCULO PARA CANALIZAR O INVESTIMENTO ORIUNDO DO EXTERIOR. A utilização de empresa veículo não é verificada apenas pelo tempo de constituição da empresa. Confirmado o exíguo prazo entre o aporte dos recursos advindos do exterior e as operações societárias que deram origem ao ágio e à sua amortização fiscal, mostra-se correta a acusação fiscal de que o investidor de fato seria a sociedade remetente dos recursos do exterior. FUNDAMENTO ECONÔMICO. RENTABILIDADE COM BASE EM PREVISÃO DE RESULTADO NOS EXERCÍCIOS FUTUROS DA INVESTIDA. LAUDO TÉCNICO PRODUZIDO POSTERIORMENTE Á AQUISIÇÃO DO INVESTIMENTO. INEFICÁCIA. O laudo acostado aos autos, elaborado após a operação de aquisição dos investimentos, para amparar o registro contábil dos ágios com fundamento na previsão de resultado de exercícios futuros, não é contemporâneo aos fatos, e não fundamenta os ágios. A dedutibilidade do ágio com base em expectativa de rentabilidade futura exige que o valor de aquisição do investimento esteja lastreado em laudo prévio. JUROS DE EMPRÉSTIMOS PAGOS A EMPRESAS LIGADAS DO EXTERIOR. DEDUTIBILIDADE. Confirmada a acusação fiscal de que a real adquirente do investimento foi a controladora estrangeira que aportou os empréstimos dos quais decorrem os juros parcialmente glosados, não subsiste a exigência correspondente fundamentada, apenas, na inobservância dos limites estabelecidos nas regras de subcapitalização. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011, 2012, 2013 DECADÊNCIA. ABRANGÊNCIA O prazo decadencial vincula-se direta e exclusivamente ao fato gerador objeto do lançamento tributário. O direito de o fisco constituir o crédito tributário implica no direito de examinar a legalidade de todos os elementos que compõem a base de cálculo do período, independentemente do tempo transcorrido entre a formação desses elementos e o seu aproveitamento. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica-se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova.
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UTILIZAÇÃO DE EMPRESAVEÍCULO PARA CANALIZAR O INVESTIMENTO ORIUNDO DO EXTERIOR. A utilização de empresa veículo não é verificada apenas pelo tempo de constituição da empresa. Confirmado o exíguo prazo entre o aporte dos recursos advindos do exterior e as operações societárias que deram origem ao ágio e à sua amortização fiscal, mostrase correta a acusação fiscal de que o investidor de fato seria a sociedade remetente dos recursos do exterior. FUNDAMENTO ECONÔMICO. RENTABILIDADE COM BASE EM PREVISÃO DE RESULTADO NOS EXERCÍCIOS FUTUROS DA INVESTIDA. LAUDO TÉCNICO PRODUZIDO POSTERIORMENTE Á AQUISIÇÃO DO INVESTIMENTO. INEFICÁCIA. O laudo acostado aos autos, elaborado após a operação de aquisição dos investimentos, para amparar o registro contábil dos ágios com fundamento na previsão de resultado de exercícios futuros, não é contemporâneo aos fatos, e não fundamenta os ágios. A dedutibilidade do ágio com base em expectativa de rentabilidade futura exige que o valor de aquisição do investimento esteja lastreado em laudo prévio. JUROS DE EMPRÉSTIMOS PAGOS A EMPRESAS LIGADAS DO EXTERIOR. DEDUTIBILIDADE. Confirmada a acusação fiscal de que a real adquirente do investimento foi a controladora estrangeira que aportou os empréstimos dos quais decorrem os juros parcialmente glosados, não subsiste a exigência correspondente fundamentada, apenas, na inobservância dos limites estabelecidos nas regras de subcapitalização. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011, 2012, 2013 DECADÊNCIA. ABRANGÊNCIA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 60 0. 72 00 97 /2 01 6- 31 Fl. 1356DF CARF MF Processo nº 10600.720097/201631 Acórdão n.º 1402003.869 S1C4T2 Fl. 1.357 2 O prazo decadencial vinculase direta e exclusivamente ao fato gerador objeto do lançamento tributário. O direito de o fisco constituir o crédito tributário implica no direito de examinar a legalidade de todos os elementos que compõem a base de cálculo do período, independentemente do tempo transcorrido entre a formação desses elementos e o seu aproveitamento. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: i) por unanimidade de votos: i.i) rejeitar a preliminar de decadência do direito do Fisco de questionar os fundamentos relacionados à formação do ágio; i.ii) rejeitar a arguição de nulidade do auto de infração, por vício de fundamentação, votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa; i.iii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à glosa de amortização de ágio, votando pelas conclusões os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que negavam provimento em razão dos vícios no fundamento econômico do ágio; i.iv) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à exigência de CSLL, votando pelas conclusões os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa, cujas razões serão incorporadas ao voto do Relator; e ii) por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário relativamente à glosa de juros, vencido o Relator acompanhado pelos Conselheiros Marco Rogério Borges e Paulo Mateus Ciccone, sendo designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente e Redatora Designada (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Fl. 1357DF CARF MF Processo nº 10600.720097/201631 Acórdão n.º 1402003.869 S1C4T2 Fl. 1.358 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR). Adoto, em sua integralidade, o relatório do Acórdão de Recurso Voluntário nº 0658.940 2ª Turma da DRJ/CTA, complementandoo, com as pertinentes atualizações processuais. "Dos autos de infração Em 16/12/2015, foram lavrados contra o contribuinte os Autos de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), em que foram apuradas as seguintes infrações que seguem discriminadas: Auto de Infração do IRPJ (fls. 1174/1183) Tributo Juros de Mora (calculados até 11/2016) Multa Proporcional (75%) Total R$ 11.308.179,80 R$ 4.996.000,82 R$ 8.481.134,84 R$ 24.785.315,46 Infrações AnoCalendário Enquadramento Legal 1 DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS EXCESSO DE JUROS 2 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO OPERACIONAL COM RESULTADO DA ATIVIDADE GERAL 3 AJUSTE DO RTT EFETUADO INDEVIDAMENTE – AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO 2011, 2012 e 2013 Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2011 e 31/12/2012: art. 3° da Lei n. 9.249/95. Arts. 247, 248, 249, inciso I, 251, 277, 278, 299 e 300 do RIR/99, Art 3º da Lei n° 9.249/95, Arts. 24 e 25 da Lei nc 12.249/10, Art. 47 da Lei n° 4.506/64. Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2012 e 31/12/2012: art 3º da Lei n. 9.249/95 Arte. 247 e 250, inciso III, 251, 509 e 510 do RTT. Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2011 e 31/12/2013: art. 3° da Lei n. 9.249/95. Arts. 15, 16 e 17 da Lei n° 11.941/09; art. 6o, § 5º, b do DecretoLei n° 1.598/77, Art. 7 da Lei n° 9.532/97, Arts 385, 386 e 391 do RIR/99, Arts. 6º, 20 e 25 do DecretoLei n° 1598/77. Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2011 e 31/12/2013: art. 3° da Lei nc 9.249/95. Arts. 15, 16 e 17 da Lei n° 11.941/09; art. 6o, § 5º, b do DecretoLei n° 1.598/77, Art. 7ce8cda Lei n° 9.532/97, Arts 385, 386 e 391 do RIR/99, Arts. 6º, 20 e 25 do DecretoLei n° 1598/77. Fl. 1358DF CARF MF Processo nº 10600.720097/201631 Acórdão n.º 1402003.869 S1C4T2 Fl. 1.359 4 Da impugnação 2. Cientificado pessoalmente dos autos de infração do IRPJ e da CSLL na data de 12/12/2016, conforme fls. 1.140/1.141, tempestivamente, em 11/01/2017, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1.144/1.177, que se resume a seguir: 2.1. Que o contexto fático em que situa a autuação é de extrema simplicidade. A SNCLavalin do Brasil Ltda era sociedade constituída no ano de 1997, conforme se infere da sua ficha cadastral completa, emitida pela Junta Comercial do Estado de São Paulo (JUCESP doc. 03), e tinha como objeto social a realização de atividades técnicas relacionadas à engenharia e à arquitetura. A SNCLavalin do Brasil fazia parte do grupo econômico da SNC Lavalin Inc., sociedade que era sua controladora e está sediada no Canadá. 2.2. Durante o curso de aproximadamente 10 anos, a SNCLavalin do Brasil teve atuação modesta no país, mas chegou a firmar contratos com diversos clientes, dentre eles a Petróleo Brasileiro S.A. – Petrobrás, sendo que com a expansão do mercado brasileiro, em especial do ramo de mineração, decidiu expandir sua atuação no país, o que se daria por meio da aquisição de outra sociedade que já tivesse posição consolidada no mercado. Auto de Infração da CSLL (fls. 1184/1192) Tributo Juros de Mora (calculados até 11/2016) Multa Proporcional (75%) Total R$ 2.476.652,05 R$ 1.089.399,04 R$ 1.857.489,03 R$ 5.423.540,12 Infrações AnoCalendário Enquadramento Legal 1 CUSTOS/DESPESAS OPERACIONAIS/ENCARGOS NÃO DETUTÍVEIS 2011, 2012 e 2013 Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2011 e 31/12/2011: Art. 2º da Lei n° 7.689/88 Art. 57 da Lei n° 8.981/95, Art. 1º da Lei n° 9.316/96; art. 28 da Lei n° 9.430/96 Art. 28 da Lei n° 9.430/96, Art. 3º da Lei n° 7.689/88, com redação dada pelo art. 17 da Lei n° 11.727/08. Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2012 e 31/12/2012: Art. 2º da Lei n° 7.689/88 com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Lei n° 8.034/90. Art. 57 da Lei n° 8.981/95, com as alterações do art. 1º da Lei n° 9.065/95 Art. 2º da Lei n° 9.249/95, Art. 1º da Lei n° 9.316/96; art. 28 da Lei n° 9.430/96, Art. 3º da Lei n° 7.689/88, com redação dada pelo art. 17 da Lei n° 11.727/08 Art. 28 da Lei n° 9.430/96. Art. 28 da Lei n° 9.430/96. Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2013 e 31/12/2013: Art. 2º da Lei n° 7.689/88, Art. 57 da Lei n° 8.981/95, Art. 2º da Lei n° 9.249/95, Art. 1º da Lei n° 9.316/96; art. 28 da Lei n° 9.430/96, Art. 3º da Lei n° 7.689/88, com redação dada pelo art. 17 da Lei n° 11.727/08, Art. 28 da Lei n° 9.430/96. Fl. 1359DF CARF MF Processo nº 10600.720097/201631 Acórdão n.º 1402003.869 S1C4T2 Fl. 1.360 5 2.3. Assim é que, no ano de 2007, a SNCLavalin do Brasil efetuou a aquisição da integralidade das quotas da Minerconsult Engenharia Ltda., mediante subscrição do capital social com ágio, e a fim de viabilizar a operação de aquisição da participação societária, a SNCLavalin do Brasil se viu obrigada a contrair empréstimo com sociedades do seu grupo econômico, inicialmente a SNCLavalin Miner LLC, domiciliada nos Estados Unidos e, posteriormente, a SNCLavalin Europe BV, domiciliada nos Países Baixos. 2.4. Após a aquisição das quotas, formalizada em 06/12/2007, a SNCLavalin do Brasil foi incorporada pela Minerconsult, de forma reversa, operação que ocorreu de acordo com o permissivo contido no art. 8° da Lei n° 9.532/1997. 2.5. Dessa forma, a Minerconsult, ora Impugnante, cuja denominação social foi posteriormente alterada para SNCLavalin Projetos Industriais Ltda., passou a efetuar a amortização fiscal do ágio, na forma do art. 7° da referida Lei n° 9.532/1997. 2.6. Ademais, em razão do empréstimo contraído com as duas sociedades situadas no exterior, a Impugnante passou a deduzir do lucro real as despesas incorridas com o pagamento dos juros. 2.7. Após, em sede preliminar, afirma que dentre as infrações imputadas pela fiscalização encontrase a de compensação indevida de prejuízo operacional com resultado da atividade geral, como se verifica do auto de infração, mas que a despeito dela não consta na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” qualquer menção à infração, sendo o relatório fiscal, absolutamente silente em relação a essa infração, de modo que ao contribuinte sequer é dada a chance de se defender, posto que inexistentes os motivos que levaram à aplicação da penalidade. 2.8. Nesse caso, verificada a ausência de fundamentação legal da infração, e ante a jurisprudência do CARF juntada, afirma que deve ser decretada a nulidade do lançamento. 2.9. Após, quanto a amortização fiscal do ágio, afirma que o ponto principal está na definição de que o ágio representa uma parcela do custo de aquisição do investimento, decorrente de valores existentes no patrimônio da investida, mas não contabilizados. Assim, do ponto de vista material, ágio é a parcela do custo que representa o direito da investidora de participar em valores não contabilizados pela investida. Do ponto de vista quantitativo, é a diferença entre o valor pago e o contabilizado (patrimônio líquido da investida). 2.10. Que, nos termos do art. 20 do DecretoLei 1.598/77, o ágio ou deságio contabilizado deve indicar o seu fundamento econômico, assim sendo: a. Mais Valia dos Ativos: a amortização da diferença entre o valor de mercado e o valor contábil dos bens do ativo da sociedade, Expectativa de Rentabilidade Futura: a amortização feita no prazo e na extensão das projeções que determinaram essa expectativa, ou quando houver baixa em decorrência de alienação ou de perecimento do investimento; Fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas: a amortização será feita no prazo estimado de utilização, de c. Fundo de comércio, intangíveis e outras Fl. 1360DF CARF MF Processo nº 10600.720097/201631 Acórdão n.º 1402003.869 S1C4T2 Fl. 1.361 6 razões econômicas: a amortização será feita no prazo estimado de utilização, de vigência ou de perda de substância ou quando houver baixa em decorrência de alienação ou de perecimento do investimento. 2.11. Via de regra, o ágio (ou o deságio) contabilizado na aquisição de investimentos não deve influenciar a apuração do lucro real, de modo que deve ser adicionado (ou excluído) via LALUR, nos termos do art. 25 do DecretoLei n° 1598/77. Esse panorama mudou com a edição da Lei n° 9.532/97, que passou a permitir o aproveitamento fiscal do ágio fundamentado na expectativa de rentabilidade futura incorrido pela investidora quando esta absorver o patrimônio de investida. 2.12. Assim, analisandose o disposto nos arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532/97, percebese a existência de uma norma de caráter claramente indutor, que estimula as incorporações societárias, outorgando às empresas o direito de recuperar parte do sobrepreço pago através da amortização do ágio na apuração do lucro real no prazo mínimo de 5 anos. E os requisitos nele previstos para fins de amortização fiscal do ágio são unicamente os seguintes: Que uma pessoa jurídica incorpore (ou seja cindida ou fundida com) outra pessoa jurídica na qual detenha investimentos adquiridos com ágio avaliados pelo método da equivalência patrimonial, e viceversa; e ii) Que o ágio adquirido tenha por fundamento a expectativa de geração de lucros futuros nos termos do art. 20, §2°, b, do Decreto Lei n° 1.598/1977. 2.13. Além desses requisitos, a jurisprudência mais restritiva do CARF tem adotado os seguintes critérios para considerar válida uma operação: i) Efetivo pagamento: para que o ágio seja legítimo é importante que ocorra o efetivo pagamento pela aquisição da participação societária que o gerou; ii) Partes independentes: uma vez que o ágio fiscal pressupõe uma diferença positiva entre o valor de mercado de uma empresa e o seu valor patrimonial contabilizado, é importante que a negociação do preço ocorra em condições normais de mercado; iii) Lisura na fundamentação documental do ágio: o valor do ágio e sua fundamentação na expectativa de rentabilidade futura deve ter base documental, de preferência em laudo técnico que utilize, destacando que todos os requisitos acima, foram cumpridos nos autos. 2.14. No entanto, após analisar a operação levada a cabo pela Impugnante, narrada acima, o Termo de Verificação Fiscal apresentou uma visão ainda mais restritiva quanto aos requisitos necessários para a amortização fiscal do ágio, calcado nos seguintes fundamentos: (i) apresentação intempestiva do laudo, elaborado após a aquisição das quotas da Minerconsult; (ii) utilização de empresaveículo para canalizar o investimento oriundo do exterior e para a realização de incorporação reversa, sendo que a amortização fiscal do ágio teria como requisito uma efetiva confusão patrimonial entre as empresas investidora e investida, o que não teria ocorrido no caso em apreço; (iii) a ausência de propósito negocial, já que a operação teria sido realizada com o único objetivo de tornar disponível benefício fiscal para pessoa jurídica não residente no Brasil que efetivamente suportou o ônus econômico da aquisição e que, de outra forma, não teria como fazer uso da amortização fiscal do ágio. Fl. 1361DF CARF MF Processo nº 10600.720097/201631 Acórdão n.º 1402003.869 S1C4T2 Fl. 1.362 7 2.15. Após, aduz ser decadente dois dos três fundamentos adotados para fundamentar a glosa, os quais se referem à formação do ágio, e não à sua dedutibilidade, ou seja, dois dos três fundamentos adotados para fundamentar a glosa, o direito da Receita Federal de questionálos está decaído, pois, como se demonstrará, eles se referem à formação do ágio, e não ao seu aproveitamento fiscal, portanto, deveriam ter sido alegados dentro do prazo decadencial contado dessa formação (anocalendário 2007). 2.16. Nesse sentido, que é à partir do momento em que o contribuinte informa esse crédito para a Receita Federal, que o Fisco dispõe dos elementos necessários para verificar a exatidão da composição do através de atos administrativos, influenciar a esfera patrimonial do contribuinte. E falase injustificadamente porque não há razões que justifiquem aguardar a efetiva utilização do crédito se desde a sua formação o Fisco já possuía exatamente elementos para glosálo. 2.17. Para tanto, afirma que o procedimento de dedutibilidade do ágio pode ser segregado em dois momentos distintos: (i) aquele em que o ágio é gerado, sendo contabilizado pela investidora (ou seja, no momento em que determinada pessoa jurídica adquire a participação societária de outra pagando um sobrepreço); e (ii) aquele em que o ágio passa a ser dedutível, quando ocorre a efetiva operação societária deflagradora do direito à amortização (fusão, cisão ou incorporação). Ou seja, no primeiro momento o ágio é formado. No segundo, tornase dedutível. E existem fundamentos que podem fulminar a própria formação do ágio e outros que podem impactar a sua dedutibilidade. 2.18. Portanto, em razão da argumentação exposta acima, os fundamentos que se referem à formação do ágio devem ser alegados pela Receita Federal a partir do momento de sua formação até o limite do prazo decadencial. 2.19. E a necessidade de o Fisco questionar a formação do ágio a partir do momento em que ele é contabilizado fica ainda mais evidente ao se considerar que o contribuinte dispõe somente de cinco anos para alterar as suas declarações, ou seja, o ágio declarado pelo contribuinte hoje, não pode ser aumentado ou reduzido por ele passados cinco anos. E sendo assim, não há porque autorizar que a Receita Federal o altere depois desse prazo. Transcorrido o prazo decadencial a relação se consolida e não pode mais ser alterada, em prol da segurança jurídica. 2.20. Desse modo, alega que no presente caso, o ágio em discussão foi formado e contabilizado em 2007 e considerandose o prazo previsto no art. 173, I, do CTN, o Fisco poderia ter questionado a formação desse ágio até o dia 31/12/2012. Como não o fez, não pode agora levantar argumentos que já poderiam ter sido levantados desde a época de sua constituição. 2.21. Após, que taxar a SNCLavalin do Brasil como empresaveículo mostrase completamente absurdo, tendo em vista que como visto em sua ficha cadastral completa, emitida pela JUCESP (fls..), a sociedade foi constituída em 1997, sendo que a aquisição de participação societária por ela efetuada ocorreu 10 anos depois, em 2007, — de modo que nada há de Fl. 1362DF CARF MF Processo nº 10600.720097/201631 Acórdão n.º 1402003.869 S1C4T2 Fl. 1.363 8 efêmero em sua existência. Com efeito, a empresa operou em pequena escala durante todo esse período, sendo que em nenhuma hipótese ela pode ser classificada como empresaveículo e dizer que "tão logo cumpriu a sua finalidade passou a não ter razão de existir' (fl. 19) demonstra que a fiscalização sequer chegou a analisar com um pouco mais de cuidado os documentos que lhe foram entregues, o que revela, por meio do auto de infração, mero inconformismo com a operação regularmente levada a cabo pela Impugnante. 2.22. Prosseguindo na análise do fundamento, segundo o Fisco, o art. 7° da Lei n° 9.532/97, ao prever a possibilidade de dedução do ágio, essa dedutibilidade estaria condicionada a um evento societário (incorporação, fusão ou cisão) que envolvesse necessariamente as partes investida e investidora. Para o Fisco somente tem direito a amortizar o ágio a pessoa jurídica que seguir, ela mesma, dois passos: (i) investir ou ser investida por outra empresa, através de aquisição de participação societária; e (ii) realizar alguma operação societária (incorporação, fusão ou cisão) com aquela pessoa específica em que houve o investimento. 2.23. No entanto, segundo a defesa não nada há nos arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532/1997 que vincule o aproveitamento fiscal ao adquirente ou ágio originais. 2.24. Cita, o Acórdão n° 1102000.873 (TIM Celular S.A.), onde restou assentada a possibilidade de utilização do ágio por outra empresa que não aquela que originariamente suportou o investimento. O voto vencedor segue a linha de destacar a função indutora dos arts. 7 e 8° da Lei n° 9.532/1997, sendo que o contribuinte apenas seguiu o incentivo e não poderia, neste momento, após ter pago o ágio na aquisição das ações, ter a sua confiança traída. Assim, concluiuse que se não houve o surgimento de "novo ágio ou economia de tributos distinta daquela prevista em lei", então não há razão para se desconsiderar a operação do contribuinte. 2.25. Ou seja, conforme se infere da jurisprudência do CARF, circunstância de a reorganização societária de que tratam os arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532, de 1997, ter sido realizada por meio de empresa veículo não prejudica o direito do contribuinte se dessa reorganização não surgiu novo ágio ou economia de tributos distinta daquela prevista em lei 2.26. Importa verificar, portanto, se a transação ocorreu originariamente entre partes independentes, se houve efetivo pagamento e lisura na fundamentação documental do ágio. 2.27. No caso dos autos, é fato incontroverso que a aquisição ocorreu originariamente entre partes independentes (SNCLavalin do Brasil e Minerconsult), com o efetivo pagamento (R$ 136 milhões de reais, pagos mediante empréstimo contraído com pessoas jurídicas pertencentes ao grupo e o restante do preço suportado diretamente pela sociedade brasileira), tudo em conformidade com laudo emitido por parte independente (Ernst & Young). Fl. 1363DF CARF MF Processo nº 10600.720097/201631 Acórdão n.º 1402003.869 S1C4T2 Fl. 1.364 9 2.28. No entato, a autuação ignorou tal fato e realizou uma regressão apenas até o momento em que a "investidora de fato" passa a ser uma sociedade estrangeira, com a clara intenção de desqualificar o ágio gerado no Brasil por uma sociedade brasileira. 2.29. De toda forma, vale destacar que o argumento adotado pelo Fisco é até mesmo economicamente equivocado. No contexto do Plano Nacional de Desestatização (PND), invocado pela Fiscalização, grande parte dos investimentos foi suportado, de fato, por sociedades estrangeiras, em regra, aquelas que detinham o capital e o conhecimento necessário para gerir as estatais brasileiras negociadas à época, em especial as empresas estatais de telefonia, ainda que o investimento tenha sido efetivado por meio de um "veículo brasileiro". 2.30. Ainda que não fosse essa a realidade, do ponto de vista econômico é mais interessante que o investimento tenha origem em recursos estrangeiros, atendidas, por óbvio, as restrições e limitações impostas a esse tipo de capital. É que aquisições suportadas por capital estrangeiro incrementam a riqueza nacional, o que é mais desejável que os efeitos permutativos decorrentes de mera realocação de recursos já investidos no Brasil. 2.31. Assim, mesmo que se considerasse que a SNCLavalin do Brasil fosse uma empresaveículo, como afirma o TVF o que não corresponde à realidade , a utilização de um veículo brasileiro de investimento (sociedade brasileira que recebe recursos estrangeiros para investimento direto em sociedade brasileira) está mais próxima do contexto da Lei n° 9.532/97. Traz ementa do CARF nesse sentido. 2.32. Sob outro aspecto, argumenta que não existe qualquer previsão legal de anterioridade do laudo técnico, mas que não se pode extrair tal requisito do art. 20, §3° do DecretoLei n° 1.598/1977, o qual cita. Traz ementa do CARF nesse sentido. 2.33. De acordo com a decisão, contemporaneidade significa fazer referência aos fatos ocorridos quando da aquisição, não que o laudo tenha que ser, necessariamente, anterior a ela, por absoluta ausência de previsão legal em tal sentido. Assim, o contribuinte saiu vitorioso em relação a este ponto, do que extrai que o laudo não deve, obrigatoriamente, ser anterior à aquisição das ações, mas se reportar aos fatos contemporâneos a ela. 2.34. Em outra ocasião, o tema foi bem resumido em voto da Conselheira Edeli Pereira Bessa, exarado no Acórdão 1101000.899, em sessão de 11 de junho de 2013, e ainda no CARF, no acórdão prolatado sob n° 1102001.018,— Relatoria do Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, a matéria foi enfocada. 2.35. A regra extraída da jurisprudência do CARF, portanto, é a de que não há exigência de que o laudo seja elaborado anteriormente à aquisição, mas que seja contemporâneo. E no caso dos autos, a contemporaneidade é inconteste: como reconhece o TVF, à fl. 16, "o laudo elaborado para tal fim está datado em Fevereiro de 2008 e cientificado pela contratante em Fl. 1364DF CARF MF Processo nº 10600.720097/201631 Acórdão n.º 1402003.869 S1C4T2 Fl. 1.365 10 24/03/2008. Ou seja, quase 03 meses após a aquisição da participação." Portanto, a "intempestividade" do laudo não pode ser apontada como vício suficiente a obstar a amortização fiscal do ágio. 2.36. Ademais, a alegação de que a elaboração de documentação posterior à operação abriria espaço para fraudes é completamente descabida. Isto porque, ao receber a participação societária avaliada pelo MEP, o contribuinte deverá desdobrar o custo de aquisição em valor de patrimônio líquido e ágio, de modo que o critério se mostra completamente subjetivo. 2.37. Por isso é que não se pode afirmar, como faz o TVF, que "o fundamento econômico de um ágio não será aquilo que realmente implicou o seu pagamento, mas sim o que a parte que o suportou quiser que o seja", se o contribuinte não puder manipular o valor de patrimônio líquido da empresa. 2.38. A única variável que o contribuinte tem a possibilidade de escolher é a do custo de aquisição. Assim, mostrase completamente absurdo afirmar que o contribuinte irá pagar um preço maior pelo investimento de modo a majorar o valor do ágio com o único objetivo de aumentar o valor passível de amortização, se apenas parte desse valor irá retornar para ele na forma de despesas dedutíveis. 2.39. O cálculo é simples: de todo o valor pago a maior na aquisição das 24 quotas, apenas 34% poderá ser apropriado como despesa dedutível. Os outros 66% não o serão. Assim, só é possível afirmar que o contribuinte majorará o custo de aquisição do investimento para aumentar o valor do ágio se, para tal, ele estiver disposto a se prejudicar, com a perda da maior parte do valor despedido. 2.40. Assim é que se afirma que não há espaço para fraude na eleição do valor do ágio, senão com prejuízo às próprias finanças do contribuinte, de modo que a afirmação feita no TVF mostrase completamente descabida a não ser, é claro, que se suponha que o contribuinte, no afã de fraudar a Fazenda Nacional, esteja disposto a se prejudicar por isso. 2.41. Portanto, pelas razões aqui expostas, também deve ser afastado o argumento de que o laudo técnico deve ser anterior à operação. 2.42. Dessa forma, afastados todos os vícios apontados pela fiscalização em relação à glosa das despesas com ágio, a infração correspondente deve ser cancelada. 2.43. Quanto a violação das regras contidas nos arts. 24 e 25 da Lei n° 12.249/2010, que dispõem sobre os limites objetivos dos montantes de juros que podem ser apropriados como despesas dedutíveis em empréstimos contraídos com pessoas vinculadas no exterior, afirma que tas dispositivos foram originariamente introduzidos no ordenamento jurídico brasileiro em 15/12/2009, quando da edição da Medida Provisória n° 472/2009, tendo sido o texto convertido na Lei n° 12.249/2010 apenas em 11/06/2010. Fl. 1365DF CARF MF Processo nº 10600.720097/201631 Acórdão n.º 1402003.869 S1C4T2 Fl. 1.366 11 2.44. Os dispositivos mencionados introduziram regras de subcapitalização de empresas ("Thin Capitalization Rules"), até então inexistentes em nosso ordenamento, aproximando o Direito Tributário Internacional brasileiro aos padrões internacionais. 2.45. O seu objetivo é claramente antielisivo: coibir a prática por meio da qual a empresa domiciliada no exterior financia a atuação no País por meio de empréstimos (dívida), ao invés de aportar diretamente o capital (investimento), no intuito de beneficiarse da dedutibilidade das despesas com juros e com vistas a manter a remuneração dos sócios mesmo em caso de prejuízo da controlada. 2.46. Assim, a regra cria um padrão absolutamente objetivo para a dedutibilidade com juros, de modo que mesmo em situações que atenderiam aos critérios legais para a autorização da dedutibilidade da despesa, são consideradas excessivas e, portanto, indedutíveis, por serem desarrazoadamente grandes. Notese que a regra não se volta contra a natureza da dedutibilidade em si, mas contra a sua quantidade, que ultrapassa um nível considerado razoável. 2.47. Tanto é que as autuações relativas ao assunto glosam as despesas com juros apenas no que excedem o limite previsto (financiamento duas vezes superior ao patrimônio líquido da sociedade), como é o caso dos autos. 2.48. Ocorre, contudo, que os arts. 24 e 25 da Lei n° 12.249/2010 entraram em vigor em momento posterior à realização das operações de empréstimo contra as quais se volta a presente autuação. 2.49. Inegavelmente, tais dispositivos implicam em majoração da incidência por meio do alargamento da base de cálculo dos tributos a que se aplicam, posto que limitam a dedutibilidade de uma despesa de juros que, de outro modo, atenderia aos requisitos do art. 299 do RIR/99. 2.50. ,evandose em conta que a MP n° 472/2009 apenas foi convertida em lei em 11/06/2010 e que o imposto de renda está submetido ao princípio da anterioridade, inscrito no art. 150, III, b) da Constituição, temse que os arts. 24 e 25 da Lei n° 12.249/2010 apenas entraram em vigor em 01/01/2011. 2.51. No caso dos autos, os empréstimos foram contraídos anteriormente à vigência da Lei n° 12.249/2010, como se infere dos contratos de mútuo celebrados (doc. 04), de modo que não se submetem às normas por ela introduzidas, portanto, tal infração adota como fundamento legal dispositivos que sequer estavam em vigor quando da realização dos negócios jurídicos a que ela se refere, de modo que o seu cancelamento é medida que se impõe. 2.52. Com efeito, a única possibilidade de que dispunha a fiscalização para fundamentar a glosa das despesas com juros seria infirmar a sua dedutibilidade com base no art. 299 do RIR/99, o que não foi feito. Pelo contrário, ao utilizar como enquadramento legal os arts. 24 e 25 da Lei n° 12.249/2010, a fiscalização termina por confirmar a natureza da sua dedutibilidade, voltandose apenas contra o seu excesso. Fl. 1366DF CARF MF Processo nº 10600.720097/201631 Acórdão n.º 1402003.869 S1C4T2 Fl. 1.367 12 2.53. Assim, não restam dúvidas de que as despesas com juros são dedutíveis e, conquanto possam ser tidas como excessivas pela legislação atualmente em vigor, não o eram quando da celebração dos contratos de empréstimo que ensejaram o pagamento de juros. 2.54. No cenário anterior à vigência da Lei n° 12.249/2010, a dedutibilidade integral dos juros contraídos com sociedades vinculadas no exterior era inconteste, exatamente em razão da ausência de regras de subcapitalização. 2.55. Em suma: diz a Fiscalização que haveria um "patrimônio contábil", cujo cálculo tem sido alterado em razão da convergência das normas contábeis brasileiras ao padrão internacional, e um "patrimônio fiscal", sendo que o cálculo deste, após a vigência do RTT, deveria ser feito com base nas regras vigentes em 31/12/2007. O raciocínio não poderia ser mais inadequado. 2.56. Isto porque, existe apenas um patrimônio líquido. A legislação tributária não preceitua a metodologia de cálculo do patrimônio. Isto é, há apenas um dado e ele é contábil. O que a legislação tributária faz é, a partir do dado contábil, preceituar ajustes para que seja aferida a base de cálculo do tributo. 2.57. Com efeito, a principal motivação da MP n° 449/08 foi, inegavelmente, regular a neutralidade tributária decorrente da adoção dos novos critérios contábeis, mas tal neutralidade não possui a abrangência que pretende ver a Fiscalização, já que o RTT abrange apenas as hipóteses de modificação de critérios de reconhecimento de receitas, custos e despesas. 2.58. E, a afirmativa da Fiscalização representa até mesmo um contrassenso ao se verificar que os arts. 24 e 25 da Lei n° 12.249/2010 entraram em vigor após 31/12/2007, de modo que o suposto cálculo de um patrimônio líquido com base nas regras vigentes nessa data não poderia levar em conta os dispositivos que a fiscalização aponta como violados. 2.59. Do exposto, conclui que o cálculo do patrimônio líquido deve ser feito com base nas regras da contabilidade societária vigentes à época da sua elaboração. 2.60. Assim é que se verifica que estando o cálculo do patrimônio líquido levado a cabo pelo contribuinte de acordo com a legislação de regência, a infração de excesso de juros apropriados não subsiste. 2.61. Por fim, pede pelo provimento da presente impugnação para que seja anulado o auto de infração em epígrafe, com a consequente extinção da multa exigida, nos termos do art. 156, IX, do CTN. É o Relatório." Fl. 1367DF CARF MF Processo nº 10600.720097/201631 Acórdão n.º 1402003.869 S1C4T2 Fl. 1.368 13 O Acórdão de Impugnação nº 0658.941 2ª Turma da DRJ/CTA considerou a Impugnação Procedente em Parte, cancelando somente a infração COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO OPERACIONAL COM RESULTADOS DA ATIVIDADE GERAL, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012, 2013 ÁGIO FUNDAMENTO ECONÔMICO. RENTABILIDADE COM BASE EM PREVISÃO DE RESULTADO NOS EXERCÍCIOS FUTUROS DA INVESTIDA. LAUDO TÉCNICO PRODUZIDO POSTERIORMENTE Á AQUISIÇÃO DO INVESTIMENTO. INEFICÁCIA. O laudo acostado aos autos, elaborado após a operação de aquisição dos investimentos, para amparar o registro contábil dos ágios com fundamento na previsão de resultado de exercícios futuros, não é contemporâneo aos fatos, e não fundamenta os ágios. A dedutibilidade do ágio com base em expectativa de rentabilidade futura exige que o valor de aquisição do investimento esteja lastreado em laudo prévio. JUROS DE EMPRÉSTIMOS PAGOS A EMPRESAS LIGADAS DO EXTERIOR. DEDUTIBILIDADE. A partir de 1º de janeiro de 2010, os juros pagos ou creditados por fonte situada no Brasil a pessoa física ou jurídica vinculada do exterior, não constituída em país ou dependência com tributação favorecida ou sob regime fiscal privilegiado, somente serão dedutíveis para a apuração do IRPJ quando constituírem despesa necessária à atividade da empresa e até os limites estabelecidos em lei. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. Cancelase a autuação de glosa de compensação de prejuízo fiscal motivada por insuficiência de saldo de prejuízo fiscal, quando a base de dados do SAPLI indica existência de saldo acumulado em valor suficiente para a compensação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011, 2012, 2013 DECADÊNCIA. ABRANGÊNCIA O prazo decadencial vinculase direta e exclusivamente ao fato gerador objeto do lançamento tributário. O direito de o fisco constituir o crédito tributário implica no direito de examinar a legalidade de todos os elementos que compõem a base de cálculo do período, independentemente do tempo transcorrido entre a formação desses elementos e o seu aproveitamento. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Fl. 1368DF CARF MF Processo nº 10600.720097/201631 Acórdão n.º 1402003.869 S1C4T2 Fl. 1.369 14 Inconformada com a decisão a quo, a recorrente interpôs recurso voluntário, em que repisa os argumentos de fato e de direito trazidos em sua impugnação, requerendo os seguintes pedidos: (a) preliminarmente: seja declarada a nulidade do auto de infração, por vício de fundamentação, em razão da contradição insanável existente entre a infração pela amortização indevida do ágio baseada no fundamento de que o "investidor de fato" seria estrangeiro e a infração pela dedução excessiva dos juros, tendo em vista que a segunda infração revela que o ônus da operação realizada mediante pagamento de ágio foi efetivamente suportado pela sociedade residente no Brasil; (b) preliminarmente: seja declarada a decadência do direito do Fisco de questionar os fundamentos relacionados à formação do ágio, quais sejam, a exigência de que o "investidor de fato" seja uma empresa brasileira e que o laudo técnico tenha sido elaborado anteriormente à aquisição da participação societária, cancelandose a infração pela amortização indevida do ágio; (c) no mérito: o cancelamento da glosa de despesas com amortização do ágio, tendo em vista a inexistência de previsão legal que determine a elaboração de laudo técnico anteriormente à aquisição de participação societária e o fato de que o investimento foi efetivamente suportado por sociedade residente no Brasil, não havendo qualquer óbice a que os recursos sejam oriundos do exterior; (d) no mérito, o cancelamento da glosa pela dedução excessiva de juros, tendo em vista que os empréstimos foram contraídos anteriormente à entrada em vigor dos arts. 24 e 25 da Lei n° 12.249/2010 e em razão do equivocado conceito de patrimônio líquido utilizado pela Fiscalização para mensurar a base de cálculo do tributo supostamente devido. É o relatório. Fl. 1369DF CARF MF Processo nº 10600.720097/201631 Acórdão n.º 1402003.869 S1C4T2 Fl. 1.370 15 Voto Vencido Admissibilidade Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende ao demais requisitos, motivo pelo quais dele conheço. Das operações em litígio Conforme relatado pela Autoridade Fiscal, o grupo canadense SNCLavalin passou a ser o sócio controlador da SNCLavalin Projetos Industriais Ltda (razão social atual da Minerconsult), sendo ainda beneficiário direto da dedução do ágio pago (e recebendo os juros do empréstimo feito), por meio das seguintes operações: · O início dos movimentos societários ocorre com a intenção do grupo canadense SNCLavalin em expandir sua participação no mercado brasileiro. Presente no Brasil, até 2007, por meio de uma empresa controlada, SNCLavalin do Brasil, CNPJ 02.373.984/000181, empresa com diminuto capital realizado e com poucos empregados. · Para conseguir seu intento, o grupo econômico concede um empréstimo de R$187 milhões para a controlada SNCLavalin no Brasil. · Com esses recursos é feita a aquisição das quotas da empresa brasileira Minerconsult Engenharia Ltda. Do total pago de R$167 milhões, grande parte referiase ao ágio. · Logo a seguir, a Minerconsult incorpora a SNCLavalin do Brasil (incorporação reversa) e começa a amortizar tal ágio (R$12,7 milhões por ano). Além disso, também passa a realizar os pagamentos dos juros e dos empréstimos obtidos para sua própria aquisição. Tais movimentações societárias estão documentadas nos seguintes atos: · 35ª alteração da Minerconsult Engenharia Ltda, de 06 de dezembro de 2007, que transfere as cotas dos antigos sócios da Minerconsult para a SNCLavalin do Brasil; Fl. 1370DF CARF MF Processo nº 10600.720097/201631 Acórdão n.º 1402003.869 S1C4T2 Fl. 1.371 16 · Protocolo e Justificação de Incorporação, de 31 de dezembro de 2007 e registrado em 13/02/2008, sendo Minerconsult Engenharia Ltda a Incorporadora e a empresa SNCLavalin do Brasil a Incorporada. Há ainda a redução do capital social da incorporadora; · 37ª alteração da Minerconsult Engenharia Ltda, de 31 de dezembro de 2007 e registrado em 13/02/2008, com a incorporação da SNCLavalin do Brasil, redução de capital e uso de marca mista no nome fantasia. · Ata Minerconsult, aprovando o Protocolo e Justificação de Incorporação da SNCLavalin do Brasil; · Ata SNCLavalin do Brasil, aprovando o Protocolo e Justificação de Incorporação da SNCLavalin do Brasil pela Minerconsult Engenharia; De forma sintética, observase estes fatos nos diagramas abaixo: Fl. 1371DF CARF MF Processo nº 10600.720097/201631 Acórdão n.º 1402003.869 S1C4T2 Fl. 1.372 17 O ágio contabilizado pela recorrente teria surgido em Dezembro de 2007, quando a empresa SNCLavalin do Brasil adquire as participações societárias na Minerconsult. Por esta aquisição, e em função das normas contábeis que tratam dos investimentos avaliados pelo valor do patrimônio líquido, haveria um ágio, após ajuste, no valor de R$127.640.973,00, valor este que a empresa passou a amortizar em 10 anos. Alguns dias depois, em 31 de dezembro de 2007, finalizando todo o planejamento, a SNCLavalin do Brasil é incorporada pela Minerconsult e o ágio integrante do ativo da SNCLavalin do Brasil é transferido para a Minerconsult como resultado da incorporação. Preliminares Foram alegadas as preliminares de decadência do direito do Fisco de questionar os fundamentos relacionados à formação do ágio e de nulidade do auto de infração, por vício de fundamentação, em razão da contradição insanável existente entre a infração pela amortização indevida do ágio e a infração pela dedução excessiva dos juros. Alegação de decadência A recorrente alega que, em relação aos fundamentos referentes à intempestividade do laudo técnico e à ausência de propósito negocial da operação, o direito da Receita Federal de questionálos está decaído, pois eles se referem à formação do ágio, e não ao seu aproveitamento fiscal, portanto, deveriam ter sido alegados dentro do prazo decadencial contado dessa formação (anocalendário 2007). Apresenta os seguintes argumentos: O procedimento de dedutibilidade do ágio pode ser segregado em dois momentos distintos: (i) aquele em que o ágio é gerado, sendo contabilizado pela investidora (ou seja, no momento em que determinada pessoa jurídica adquire a participação societária de outra pagando um sobrepreço); e (ii) aquele em que o ágio passa a ser dedutível, quando ocorre a efetiva operação societária deflagradora do direito à amortização (fusão, cisão ou incorporação). Fl. 1372DF CARF MF Processo nº 10600.720097/201631 Acórdão n.º 1402003.869 S1C4T2 Fl. 1.373 18 Ou seja, no primeiro momento o ágio é formado. No segundo, tornase dedutível. E existem fundamentos que podem fulminar a própria formação do ágio e outros que podem impactar a sua dedutibilidade. Portanto, em razão da argumentação exposta acima, os fundamentos que se referem à formação do ágio devem ser alegados pela Receita Federal a partir do momento de sua formação até o limite do prazo decadencial. E a necessidade de o Fisco questionar a formação do ágio a partir do momento em que ele é contabilizado fica ainda mais evidente ao se considerar que o contribuinte dispõe somente de cinco anos para alterar as suas declarações, ou seja, o ágio declarado pelo contribuinte hoje, não pode ser aumentado ou reduzido por ele passados cinco anos. E sendo assim, não há porque autorizar que a Receita Federal o altere depois desse prazo. Transcorrido o prazo decadencial a relação se consolida e não pode mais ser alterada, em prol da segurança jurídica. Os argumentos que atacam a dedutibilidade do ágio, estes sim só podem ser alegados a partir do momento que esse ágio tornase dedutível, ou seja, a partir do evento societário. Afinal, antes disso o Fisco não possui elementos suficientes para a glosa, pois tais elementos só se apresentam quando efetivamente o evento ocorre. No presente caso, o ágio em discussão foi formado e contabilizado em 2007. Considerandose o prazo previsto no art. 173, I, do CTN, o Fisco poderia ter questionado a formação desse ágio até o dia 31/12/2012. Como não o fez, não pode agora levantar argumentos que já poderiam ter sido levantados desde a época de sua constituição. Transcorridos mais de cinco anos do fato gerador sem que a autoridade fiscal tenha contestado a regularidade (ou suficiência) dos recolhimentos efetuados pelo contribuinte, considerase homologado o lançamento e operase a extinção do crédito tributário. Ressaltase que a discussão a respeito do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a glosa de amortização de ágio encontrase pacificado na âmbito da Administração Tributária Federal, devendose levar em conta o período de sua repercussão na apuração do tributo em cobrança, conforme Súmula CARF nº 116: Para fins de contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a glosa de amortização de ágio na forma dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, devese levar em conta o período de sua repercussão na apuração do tributo em cobrança. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Acórdãos Precedentes: Fl. 1373DF CARF MF Processo nº 10600.720097/201631 Acórdão n.º 1402003.869 S1C4T2 Fl. 1.374 19 1101000.961, de 08/10/2013; 1102001.104, de 07/05/2014; 1301000.999, de 07/08/2012; 1402001.337, de 06/03/2013; 1402001.460, de 08/10/2013; 9101002.804, de 10/05/2017; 9101003.131, de 03/10/2017. Considerando que a presente autuação alcança os fatos geradores ocorridos em 31/12/2011, 31/12/2012 e 31/12/2013, e os lançamentos efetuados foram cientificados à autuada em 16/12/2015 (fls. 350/351), não há de se falar em ocorrência da decadência no caso dos autos, sob quaisquer um dos fundamentos apontados pela recorrente. Por essas razões, rejeitase a preliminar de decadência. Alegação de nulidade do auto de infração por vício de fundamentação A recorrente alega a nulidade do auto de infração, por vício de fundamentação, em razão da contradição insanável existente entre a infração pela amortização indevida do ágio baseada no fundamento de que o "investidor de fato" seria estrangeiro e a infração pela dedução excessiva dos juros, tendo em vista que a segunda infração revela que o ônus da operação realizada mediante pagamento de ágio foi efetivamente suportado pela sociedade residente no Brasil. Explicase: Com efeito, o Fisco adota uma questionável interpretação econômica do Direito para glosar o ágio, sustentando que a amortização fiscal exigiria que aquele que suportou economicamente a operação fosse uma empresa brasileira. Como o "investidor de fato" no presente caso não era residente no País, o ágio seria indedutível. É que de um lado, um dos fundamentos utilizados para a glosa das despesas com ágio é o de que a empresa jurídica residente no exterior é que efetivamente suportou o ônus econômico da operação. De outro, a fiscalização aponta um excesso de juros apropriados como despesas dedutíveis, sendo certo que como se trata de um excesso, parte dele é, de fato, dedutível não se questiona a natureza da dedutibilidade, que é inconteste, mas a sua quantidade. Mas ora, se a sociedade sediada no Brasil paga juros a sociedades a ela vinculadas no exterior em decorrência de empréstimo para a aquisição das ações, isto não quer dizer que ela está efetivamente suportando o ônus econômico da operação? Caso a SNCLavalin Inc. tivesse suportado o ônus da operação, qual seria a necessidade de que a entidade brasileira pagasse juros a sociedades pertencentes ao mesmo grupo econômico no exterior? A contradição reside em que a própria existência de uma infração por excesso de despesas com juros já nega validade ao Fl. 1374DF CARF MF Processo nº 10600.720097/201631 Acórdão n.º 1402003.869 S1C4T2 Fl. 1.375 20 terceiro fundamento utilizado pela Fiscalização para glosar despesas com ágio. Tanto a entidade brasileira efetivamente suportou o ônus da aquisição que tem despesas financeiras com tal ato. Ora, a se adotar o argumento do Fisco, nenhuma sociedade que contraísse empréstimos para a aquisição de participação societária seria a real adquirente, o que contraria indubitavelmente a lógica capitalista de realização de investimentos. Aliás, efetivo adquirente é aquele gue assumiu os ônus jurídicos do negócio. E. no presente caso, quem se comprometeu frente aos sócios originários da Minerconsult foi a SNCLavalin do Brasil, e não a SNCLavalin Inc. A se adotar a ótica do Fisco e se considerar como efetivo adquirente a sociedade controladora, cairíamos numa situação em que seria impossível saber ao certo quem foi o efetivo adquirente de um negócio. Isso porque, o próprio capital da SNCLavalin Inc. tem origem em outras pessoas jurídicas e físicas, sendo que o capital destas pessoas jurídicas também tem origem em outras pessoas jurídicas e físicas e assim sucessivamente. A autuação ignora tal fato e realiza uma regressão apenas até o momento em que a "investidora de fato" passa a ser uma sociedade estrangeira, com a clara intenção de desqualificar o ágio gerado no Brasil por uma sociedade brasileira. Não se verifica contradição entre a infração amortização indevida do ágio e a infração excesso de juros pagos à pessoa jurídica vinculada do exterior, constituída em país ou dependência com tributação favorecida ou sob regime fiscal privilegiado. O fato da Fiscalização ter realizado a glosa somente do excesso de juros pagos, não invalida a alegação de que a pessoa jurídica residente no exterior é que efetivamente suportou o ônus econômico da operação, que foi um dos três argumentos utilizado para a glosa da amortização de ágio. Por essas razões, rejeitase a preliminar de nulidade do auto de infração por vício de fundamentação. Fl. 1375DF CARF MF Processo nº 10600.720097/201631 Acórdão n.º 1402003.869 S1C4T2 Fl. 1.376 21 Do Mérito Quanto ao mérito, observase que há duas matérias em discussão no presente caso, a amortização do ágio contabilizado e pagamento de juros apropriado dos empréstimos contraídos no exterior com empresas vinculadas. Da Glosa de Despesas com Amortização do Ágio Considerando que a autuação em litígio referese à amortização de ágio decorrente de participação societária adquirida por preço superior ao do patrimônio líquido da investida, cabe, primeiramente, uma análise da legislação que rege a matéria. Nos termos do art. 25 combinado com o art. 20 do Decretolei nº 1598, de 1977, que dão suporte aos artigos 385 e 391 do RIR/99, respectivamente , a regra geral é a indedutibilidade das contrapartidas da amortização de ágio: Decretolei nº 1.598/1977 “Art.20 – O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I – valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte, e II – ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. ” (...) “Art. 25 As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o artigo 20 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no artigo 33. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) (grifo nosso) Fl. 1376DF CARF MF Processo nº 10600.720097/201631 Acórdão n.º 1402003.869 S1C4T2 Fl. 1.377 22 Contudo, o inciso III do art. 7º da Lei nº 9.532, de 1997, que passou a produzir efeitos em 01/01/1998, autoriza o contribuinte que incorporou sociedade na qual detinha participação societária adquirida com ágio apurado segundo o disposto no art. 20 do Decretolei 1.598/77, cujo fundamento econômico seja o da expectativa de rentabilidade futura da investida, a amortizar referido ágio nos balanços correspondentes à apuração do lucro real levantados posteriormente à incorporação. O artigo 7º da Lei nº 9.532, de 1997, fundamento legal do art. 386 do RIR/99, assim dispõe: Art. 7° A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977: I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2° do art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2° do art. 20 do Decreto Lei n° 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (grifo meu) (...) A partir da legislação, a jurisprudência administrativa tem entendido que a dedutibilidade da despesa com amortização de ágio exige os seguintes aspectos: 1. Existência de laudo (ou documento equivalente), mantido sob arquivo como “demonstração” do ágio suportado; 2. Existência de efetivo pagamento pelo investimento adquirido, cujo ônus financeiro tenha de fato recaído sobre aquele (investidor) que se apresenta suportando o investimento; 3. Existência de documento onde esteja exposta a motivação que ensejara a combinação de negócios, a partir da qual se iniciara a amortização de ágio, inicialmente contabilizado por outra entidade; Fl. 1377DF CARF MF Processo nº 10600.720097/201631 Acórdão n.º 1402003.869 S1C4T2 Fl. 1.378 23 4. Existência de lapso temporal entre a constituição do ágio e a data da combinação de negócios (deflagradora de sua amortização); suficiente a empregar razoabilidade aos atos e eventos societários formalizados, frente à realidade negocial; 5. Existência de independência negocial entre as pessoas jurídicas envolvidas no ágio. 6. Efetivo propósito negocial na operação aventada. 7. A incorporação deve ocorrer entre a investidora e a investida, com consequente confusão patrimonial e extinção do investimento. Ou seja, o aproveitamento do ágio decorre de regras especiais e o respectivo cumprimento. Assim, a regra geral é que o ágio é indedutível não implementadas tais regras, não é possível a dedução. Do caso concreto A Autoridade fiscal alega que as operações societárias e financeiras foram planejadas e executadas visando única e exclusivamente à economia tributária da SNCLavalin, pois o aproveitamento e benefício fiscal foram oriundos de um ágio gerado na aquisição de participação da própria fiscalizada SNCLavalin Projetos Industriais Ltda. Os lançamento referentes à infração "Ajuste do RTT efetuado indevidamente Amortização do Ágio" foram realizados pelas seguintes razões: (i) apresentação intempestiva do laudo técnico, elaborado após a aquisição das quotas da Minerconsult; (ii) utilização de empresaveículo para canalizar o investimento oriundo do exterior; e (iii) a ausência de propósito negocial já que a operação teria sido realizada com o único objetivo de tornar disponível benefício fiscal para pessoa jurídica não residente no Brasil – que efetivamente teria suportado o ônus econômico da aquisição – e que, de outra forma, não teria como fazer uso da amortização fiscal do ágio. Quanto ao mérito da glosa de despesas com amortização do ágio, a recorrente apresenta as seguintes razões, em síntese, para o cancelamento do lançamento: (a) É incontroverso que a operação empreendida pela Recorrente não fez uso de empresaveículo, tal fundamento já foi afastado pela própria decisão recorrida, sendo, portanto, inconteste que a SNCLavalin do Brasil não era uma empresaveículo e que o ágio poderia ser deduzido pela Minnerconsult. (b) Não restam dúvidas de que o investimento foi suportado por sociedade brasileira, pelo que não subsiste a alegação de que a operação teria sido levada a cabo com o único objetivo de tornar disponível benefício fiscal a sociedade residente no exterior; Fl. 1378DF CARF MF Processo nº 10600.720097/201631 Acórdão n.º 1402003.869 S1C4T2 Fl. 1.379 24 (c) Os fundamentos remanescentes do lançamento, intempestividade do laudo técnico e a ausência de propósito negocial da operação, padecem de evidente decadência, posto que perfazem aspectos que se referem à formação do ágio, não ao seu aproveitamento; (d) Não existe qualquer previsão legal de anterioridade do laudo técnico, pois a literalidade da lei fala em "demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração", do que não decorre o requisito de anterioridade à aquisição. A partir dos argumentos de ambas as partes, faremos a análise dos fundamentos do auto de infração. Utilização de empresa veículo A recorrente relata que a DRJ houve por bem afastar o segundo fundamento utilizado no auto de infração (utilização de empresa veículo) para fundamentar a glosa de despesas com amortização do ágio, conforme seguinte excerto da decisão: 3.29. Após, quanto a conclusão da autoridade fiscal de que a SNCLavalin do Brasil, CNPJ 02.373.984/000181, foi utilizada como empresa veículo, para a finalidade de aproveitamento do ágio na aquisição da Minerconsult, não há, também, como concordar com essa conclusão, pois conforme justifica a impugnante, e comprova por meio da certidão da JUCESP juntada as fls. 1216/1221, a SNC Lavalin do Brasil foi constituída em 1997, e a aquisição da participação societária da MINERCONSULT, foi efetuada em 2007, ou seja, 10 anos depois, o que afasta o atributo da efemeridade atribuído pela fiscalização. 3.30. Na seqüência a fiscalização, argumenta que seria sem lógica a situação em que uma pessoa jurídica passa a deduzir integralmente dos seus próprios resultados a amortização de um ágio gerado na aquisição de suas próprias quotas, notadamente se este tinha como fundamento uma rentabilidade futura destes mesmos resultados, sendo inadmissível que o custo de aquisição possa ser deduzido na apuração do lucro da própria investida. 3.31. No entanto, o que se verifica, in casu, é a incorporação às avessas, figura expressamente permitida, a teor do artigo 8º da Lei n° 9.532, de 10/12/1997, ou seja, quando a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detenha a propriedade da participação societária. Conforme descrito pela Fiscalização o investimento foi realizado pela empresa canadense SNCLavalin a empresa SNCLavalin do Brasil teve uma existência efêmera como investidora. Fl. 1379DF CARF MF Processo nº 10600.720097/201631 Acórdão n.º 1402003.869 S1C4T2 Fl. 1.380 25 51. Ficou evidente a utilização da empresa SNCLavalin do Brasil como veículo para permitir que a posterior aquisição pela Merconsult resultasse na amortização do ágio, que de outra forma não seria possível. Quando se examina os lançamentos contábeis, constatase que o investimento, em realidade, foi realizado pela empresa canadense SNCLavalin, controladora residente no exterior. A controlada brasileira funcionou apenas como uma extensão do caixa, pois recebeu o empréstimo da controladora do exterior e, imediatamente, adquire as cotas da Merconsult. 0 investimento não foi realizado pela SNCLavalin do Brasil, que funcionou apenas como sociedade veículo, no qual o ágio foi contabilizado sem substância econômica. Ela teve apenas uma efêmera existência como investidora. Desse modo, podese resumir a atividade efetiva como investidora da SNC Lavalin do Brasil por meio de suas principais operações: o recebimento do empréstimo da controladora do exterior, a aquisição das cotas da fiscalizada com a geração de ágio e a sua incorporação pela fiscalizada. Nada mais. 54. Outro aspecto que chamou a atenção diz respeito ao "Contrato de Compra e Venda de Quota" (Doe 7.1), na verdade e originalmente "Quota Purchase Agreement" (Doe 5.10). O contrato celebrado entre a SNC Lavalin do Brasil para a compra das quotas da Minerconsult foi feito na língua inglesa e com a escolha da arbitragem do Canadá (cláusula 12.11.1) para a solução de litígio entre as partes referente aos fatos ocorridos até o fechamento do contrato. Tudo perfeitamente legal, porém não usual para negócios celebrados entre empresas brasileiras. Com a não apresentação da "carta de intenções" (cláusula 12.9), tudo leva a crer que, em realidade, a negociação foi toda efetuada entre uma empresa do exterior (SNC Lavalin Inc Canadá) e a empresa alvo Minerconsult. Foi a empresa estrangeira quem, de fato, negociou e adquiriu as cotas. Mas a aquisição direta não daria qualquer benefício fiscal. Assim, a coligada brasileira serviu somente como uma ponte, ou como muitos preferem, como uma empresa veículo. Conforme relatou a própria recorrente A SNCLavalin do Brasil Ltda fazia parte do grupo econômico da SNCLavalin Inc., sociedade que era sua controladora e está sediada no Canadá. Afirma que, durante o curso de aproximadamente 10 anos, a SNCLavalin do Brasil teve atuação modesta no país, mas chegou a firmar contratos com diversos clientes, dentre eles a Petróleo Brasileiro S.A. – Petrobras, contudo não colaciona ao autos os referidos contratos. Entendese que a utilização de empresa veículo não é verificada somente pelo tempo de constituição da empresa, pois devese considerar o prazo entre as operações societárias e qual sociedade, de fato, suportou os investimentos financeiros. Fl. 1380DF CARF MF Processo nº 10600.720097/201631 Acórdão n.º 1402003.869 S1C4T2 Fl. 1.381 26 Observase que o intervalo das operações societárias, entre a operação de incorporação da Minerconsult pela SNCLavalin do Brasil e a operação de incorporação reversa, foi inferior a 30 dias conforme alterações do contrato social: · 35ª alteração da Minerconsult Engenharia Ltda, de 06 de dezembro de 2007, que transfere as cotas dos antigos sócios da Minerconsult para a SNCLavalin do Brasil; · 37ª alteração da Minerconsult Engenharia Ltda, de 31 de dezembro de 2007 e registrado em 13/02/2008, com a incorporação da SNCLavalin do Brasil, redução de capital e uso de marca mista no nome fantasia. Analisando as operações financeiras e societárias, verificase, ainda, que os recursos financeiros para aquisição da MinerConsult tiverem como origem a empresa canadense SNC Lavalin. Os recursos financeiros transitaram pela SNCLavalin do Brasil, que os contabilizou como empréstimos. Pelas razões expostas discordase do entendimento do Acórdão de Impugnação, que afastou o fundamento de empresa veículo pelo tempo de constituição da empresa SNCLavalin. Ausência de propósito negocial A Fiscalização deduz que as operações societárias foram planejadas e executadas visando única e exclusivamente à economia tributária da SNCLavalin, pois o aproveitamento e benefício fiscal foram oriundos de um ágio gerado na aquisição de participação da própria fiscalizada SNCLavalin Projetos Industriais Ltda: 52. A formação de uma sociedade está adstrita ao ânimo do exercício de atividade econômica, inclusive, se for o caso, a participação em empresas. Este ânimo inexistindo, caracteriza se ausência de propósito societário, e, em última análise, de motivação para a própria celebração do contrato de sociedade. Sociedades não devem ter por finalidade única ou precípua serem veículo de coisa alguma, ao contrário, constituemse em meios legalmente estabelecidos para o exercício de atividade econômica. 53. É sem lógica a situação em que uma pessoa jurídica passa a deduzir integralmente dos seus próprios resultados a amortização de um ágio gerado na aquisição de suas próprias quotas, notadamente se este tinha como fundamento uma rentabilidade futura destes mesmos resultados. Inadmissível o custo de aquisição possa ser deduzido na apuração do lucro da própria investida. (grifo nosso) 55. Com a incorporação da empresa veículo pela investida, a propriedade da participação societária adquirida com ágio subsiste no patrimônio da investidora original, diversamente do que cogita a lei. Nessas condições, as amortizações promovidas Fl. 1381DF CARF MF Processo nº 10600.720097/201631 Acórdão n.º 1402003.869 S1C4T2 Fl. 1.382 27 pelas empresas brasileiras seriam, em verdade, despesas da investidora canadense. O único intuito da incorporação reversa foi de levar para a fiscalizada (empresa investida) o ágio pago. Dessa forma, o investidor de fato seria a sociedade remetente dos recursos do exterior para a coligada brasileira, o que levaria â conclusão de que não teria sido satisfeita a exigência de confusão patrimonial entre investidor e investida, conforme exigida pela Lei n° 9.532/97. Vêse que a SNC Lavalin Brasil era apenas uma extensão do caixa da real adquirente, a SNC Lavalin Inc Canadense. Verificase na decisão a quo, que a DRJ afastou a ausência de propósito negocial por entender que se verifica no presente caso a incorporação às avessas, operação permitida a teor do artigo 8º da Lei n° 9.532, de 10/12/1997: 3.30. Na seqüência a fiscalização, argumenta que seria sem lógica a situação em que uma pessoa jurídica passa a deduzir integralmente dos seus próprios resultados a amortização de um ágio gerado na aquisição de suas próprias quotas, notadamente se este tinha como fundamento uma rentabilidade futura destes mesmos resultados, sendo inadmissível que o custo de aquisição possa ser deduzido na apuração do lucro da própria investida. 3.31. No entanto, o que se verifica, in casu, é a incorporação às avessas, figura expressamente permitida, a teor do artigo 8º da Lei n° 9.532, de 10/12/1997, ou seja, quando a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detenha a propriedade da participação societária. A hipótese de incidência tributária da possibilidade de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, requer que participe da “confusão patrimonial” a pessoa jurídica investidora real, ou seja, aquela que efetivamente acreditou na “mais valia” do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição. No caso, a recorrente utilizouse da empresa veículo SNCLavalin do Brasil de forma que na incorporação às avessas pela MinerConsult houvesse a confusão patrimonial necessária para fazer jus à amortização do ágio. Tratase de procedimento arquitetado com o fim exclusivo de economia tributária. Não se opõe que a operação de incorporação às avessas seja legalmente permitida, contudo no presente caso deve ser vista dentro de um contexto mais amplo, em que utilizouse dessa operação com o único objetivo de obter benefício fiscal, ou seja propiciou a amortização do ágio, assumindo um caráter abusivo. Há de se concordar com o argumento de ausência de propósito negocial, pois as operações societárias e financeiras tiveram como objetivo tornar disponível benefício fiscal para pessoa jurídica não residente no Brasil – que efetivamente teria suportado o ônus Fl. 1382DF CARF MF Processo nº 10600.720097/201631 Acórdão n.º 1402003.869 S1C4T2 Fl. 1.383 28 econômico da aquisição – e que, de outra forma, não teria como fazer uso da amortização fiscal do ágio. Não ocorrência da decadência Como visto, na análise das preliminares, não há de se falar em ocorrência da decadência no caso dos autos, sob quaisquer um dos fundamentos apontados pela recorrente. Logo também não subsiste a alegação de os fundamentos do lançamento, intempestividade do laudo técnico e a ausência de propósito negocial da operação, padecem de evidente decadência. Intempestividade do estudo de avaliação A Recorrente alega que não existe qualquer previsão legal de anterioridade do laudo técnico. Não se pode extrair tal requisito do art. 20, §3º do DecretoLei n° 1.598/1977. Afirma que a literalidade da lei fala em “demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração”, do que não decorre o requisito de anterioridade à aquisição. Entendese que, conforme Termo de Verificação Fiscal e Acórdão de Impugnação, a necessidade da existência de um laudo de avaliação anterior à operação, decorre da própria disposição legal (art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977), in verbis: Art. 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Fl. 1383DF CARF MF Processo nº 10600.720097/201631 Acórdão n.º 1402003.869 S1C4T2 Fl. 1.384 29 § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Depreendese da leitura do art. 20 do DecretoLei nº 1.598/77, que na ocorrência de ágio oriundo de expectativa de resultados futuros, que poderia implicar na possibilidade de dedução de despesas de amortização da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, fazse necessário que os motivos e a apuração do valor do ágio estejam formalizados e embasados em estudo técnico, que deverá ser obrigatoriamente arquivado como comprovante da escrituração. Portanto se o lançamento do ágio com o fundamento em rentabilidade futura do investimento deve ser baseado em demonstração arquivada como comprovante da escrituração, não há como se admitir como válida a escrituração de ágio sem demonstração, e por conseguinte não poderia ser feito após as operações de aquisição dos investimentos. Destacase que as decisões administrativas colacionadas em sua defesa, por exemplo o Acórdão nº 1402002.336 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Relator Paulo Mateus Ciccone, a tese é que a lei não exige que a comprovação se dê por laudo, mas por qualquer forma de demonstração, contemporânea aos fatos, que indique por que se decidiu por pagar um sobrepreço pela expectativa de resultados futuros. Constatase, segundo os documentos apresentados pela recorrente e acostados aos autos, que o estudo elaborado para tal fim está datado em Fevereiro de 2008 e cientificado pela contratante em 24/03/2008, portanto, confeccionado quase 03 meses após a aquisição da participação. Verificase ainda a precariedade do relatório apresentado (fls 815 a 843), visto que nele não há qualquer assinatura, nem ao menos os nomes dos responsáveis pela elaboração do referido estudo, portanto, sem qualquer responsabilização pelas informações ali colocadas. Não há nem uma data específica no documento, mencionase genericamente "Fevereiro/2008". Conforme consta do documento intitulado Avaliação Econômico Financeira Premissas de Projeção (fls 815 a 843), os trabalho teve por objetivo auxiliar na amortização do eventual ágio gerado na aquisição da Minerconsult pela SNCLavalin do Brasil e as projeções foram baseados em informações da administração das referidas empresas: O escopo do presente trabalho é a Avaliação Econômico Financeira da Minerconsult Engenharia Ltda. ("Miner") baseada na metodologia do fluxo de caixa descontado. Este trabalho tem por objetivo básico auxiliar na amortização do eventual ágio gerado na aquisição de cem por cento da Miner pela SNC.Lavalin do Brasil Ltda. ("SNC. Brasil") atendendo as normas fiscais (art. 385do RIR — Decreto 3000/99) e contábeis (Instruções da CVM no 247/ 96 e 285/ 98) vigentes no Brasil. Esta apresentação contempla as premissas de projeção que envolveram o cálculo da estimativa/ expectativa de valor justo de mercado da Minar; Fl. 1384DF CARF MF Processo nº 10600.720097/201631 Acórdão n.º 1402003.869 S1C4T2 Fl. 1.385 30 As projeções foram baseadas em dados históricos (até Dezembro de 2007), demonstrativos financeiros e informações fornecidas pela administração da SNC e/ ou Miner; Algumas das premissas adotadas foram baseadas em dados de mercado,: impactando as projeções realizadas Vêse que o trabalho não foi no sentido de subsidiar a na aquisição da Minerconsult pela SNCLavalin, mas auxiliar na amortização do eventual ágio gerado na referida aquisição. Pelas razões expostas, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário quanto à glosa de despesas com amortização do ágio, pelos fundamentos trazidos no auto de infração. Da Glosa de Despesas Não Necessárias excesso de juros A recorrente alega que em razão da inexistência de regras de subcapitalização quando da ocorrência das operações de empréstimo que ensejaram as despesas com juros apropriadas nos anoscalendário de 2011 e 2012, a infração correspondente ao “Excesso de Juros pagos a Empresas Ligadas no Exterior” deve ser cancelada. Subsidiariamente, deduz que o cálculo do patrimônio líquido deve ser feito com base nas regras da contabilidade societária vigentes à época da sua elaboração. Assim é que se verifica que estando o cálculo do patrimônio líquido levado a cabo pelo contribuinte de acordo com a legislação de regência, a infração de excesso de juros apropriados não subsiste. Observase que os juros pagos ou creditados por fonte situada no Brasil a pessoa física ou jurídica vinculada do exterior, não constituída em país ou dependência com tributação favorecida ou sob regime fiscal privilegiado, somente serão dedutíveis para a apuração do IRPJ quando constituírem despesa necessária à atividade da empresa e até os limites estabelecidos nos artigos 24 e 25 da Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010: Art. 24. Sem prejuízo do disposto no art. 22 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, os juros pagos ou creditados por fonte situada no Brasil à pessoa física ou jurídica, vinculada nos termos do art. 23 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, residente ou domiciliada no exterior, não constituída em país ou dependência com tributação favorecida ou sob regime fiscal privilegiado, somente serão dedutíveis, para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, quando se verifique constituírem despesa necessária à atividade, conforme definido pelo art. 47 da Lei no 4.506, de 30 de novembro de 1964, no período de apuração, atendendo aos seguintes requisitos: I no caso de endividamento com pessoa jurídica vinculada no exterior que tenha participação societária na pessoa jurídica residente no Brasil, o valor do endividamento com a pessoa vinculada no exterior, verificado por ocasião da apropriação dos juros, não seja superior a 2 (duas) vezes o valor da Fl. 1385DF CARF MF Processo nº 10600.720097/201631 Acórdão n.º 1402003.869 S1C4T2 Fl. 1.386 31 participação da vinculada no patrimônio líquido da pessoa jurídica residente no Brasil; II no caso de endividamento com pessoa jurídica vinculada no exterior que não tenha participação societária na pessoa jurídica residente no Brasil, o valor do endividamento com a pessoa vinculada no exterior, verificado por ocasião da apropriação dos juros, não seja superior a 2 (duas) vezes o valor do patrimônio líquido da pessoa jurídica residente no Brasil; III em qualquer dos casos previstos nos incisos I e II, o valor do somatório dos endividamentos com pessoas vinculadas no exterior, verificado por ocasião da apropriação dos juros, não seja superior a 2 (duas) vezes o valor do somatório das participações de todas as vinculadas no patrimônio líquido da pessoa jurídica residente no Brasil. § 1o Para efeito do cálculo do total de endividamento a que se refere o caput deste artigo, serão consideradas todas as formas e prazos de financiamento, independentemente de registro do contrato no Banco Central do Brasil. § 2o Aplicase o disposto neste artigo às operações de endividamento de pessoa jurídica residente ou domiciliada no Brasil em que o avalista, fiador, procurador ou qualquer interveniente for pessoa vinculada. § 3o Verificandose excesso em relação aos limites fixados nos incisos I a III do caput deste artigo, o valor dos juros relativos ao excedente será considerado despesa não necessária à atividade da empresa, conforme definido pelo art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, e não dedutível para fins do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. § 4o Os valores do endividamento e da participação da vinculada no patrimônio líquido, a que se refere este artigo, serão apurados pela média ponderada mensal. § 5o O disposto no inciso III do caput deste artigo não se aplica no caso de endividamento exclusivamente com pessoas vinculadas no exterior que não tenham participação societária na pessoa jurídica residente no Brasil. § 6o Na hipótese a que se refere o § 5o deste artigo, o somatório dos valores de endividamento com todas as vinculadas sem participação no capital da entidade no Brasil, verificado por ocasião da apropriação dos juros, não poderá ser superior a 2 (duas) vezes o valor do patrimônio líquido da pessoa jurídica residente no Brasil. § 7o O disposto neste artigo não se aplica às operações de captação feitas no exterior por instituições de que trata o § 1o do art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, para recursos captados no exterior e utilizados em operações de repasse, nos termos definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Fl. 1386DF CARF MF Processo nº 10600.720097/201631 Acórdão n.º 1402003.869 S1C4T2 Fl. 1.387 32 Art. 25. Sem prejuízo do disposto no art. 22 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, os juros pagos ou creditados por fonte situada no Brasil à pessoa física ou jurídica residente, domiciliada ou constituída no exterior, em país ou dependência com tributação favorecida ou sob regime fiscal privilegiado, nos termos dos arts. 24 e 24A da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, somente serão dedutíveis, para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, quando se verifique constituírem despesa necessária à atividade, conforme definido pelo art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, no período de apuração, atendendo cumulativamente ao requisito de que o valor total do somatório dos endividamentos com todas as entidades situadas em país ou dependência com tributação favorecida ou sob regime fiscal privilegiado não seja superior a 30% (trinta por cento) do valor do patrimônio líquido da pessoa jurídica residente no Brasil. § 1o Para efeito do cálculo do total do endividamento a que se refere o caput deste artigo, serão consideradas todas as formas e prazos de financiamento, independentemente de registro do contrato no Banco Central do Brasil. § 2o Aplicase o disposto neste artigo às operações de endividamento de pessoa jurídica residente ou domiciliada no Brasil em que o avalista, fiador, procurador ou qualquer interveniente for residente ou constituído em país ou dependência com tributação favorecida ou sob regime fiscal privilegiado. § 3o Verificandose excesso em relação ao limite fixado no caput deste artigo, o valor dos juros relativos ao excedente será considerado despesa não necessária à atividade da empresa, conforme definido pelo art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, e não dedutível para fins do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. § 4o Os valores do endividamento e do patrimônio líquido a que se refere este artigo serão apurados pela média ponderada mensal. § 5o O disposto neste artigo não se aplica às operações de captação feitas no exterior por instituições de que trata o § 1o do art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, para recursos captados no exterior e utilizados em operações de repasse, nos termos definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Verificase que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei vigente, nos termos do art. 144 do Código Tributário Nacional CTN: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos Fl. 1387DF CARF MF Processo nº 10600.720097/201631 Acórdão n.º 1402003.869 S1C4T2 Fl. 1.388 33 critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. A vigência dos artigos 24 e 25 da Lei nº 12.249/2010 deuse a partir de 16 de dezembro de 2009, conforme art. 139 da referida lei: Art. 139. Esta Lei entra em vigor: I na data de sua publicação, produzindo efeitos: a) a partir da regulamentação e até 31 de dezembro de 2011, em relação ao disposto nos arts. 6o a 14; b) a partir de 1o de janeiro de 2010, em relação ao disposto nos arts. 15 a 17; c) a partir de 1o de abril de 2010, em relação aos arts. 28 e 59; e d) a partir de 16 de dezembro de 2009, em relação aos demais dispositivos; (grifo nosso) II em 1o de janeiro de 2010, produzindo efeitos a partir de 1o de abril de 2010, em relação ao disposto nos arts. 48 a 58. Os fatos gerados da glosa de despesas por excesso de juros referemse aos períodos de 31/01/2011 a 31/12/2012, portanto aplicável ao lançamento as regras de subcapitalização previstas nos artigos 24 e 25 da Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010. Constatase que os valores do patrimônio líquido foram obtidos tanto das DIPJ apresentadas pelo contribuinte como também por meio da contabilidade digital do SPED, conforme seguintes excertos do Termo de Verificação Fiscal: "A IN RFB 1154/11 regulamentou as regras da subcapitalização, especificou e detalhou a forma de apuração e cálculo do excesso de juros, que é o valor indedutível. As planilhas que demonstram os valores mensais do excesso das despesas com juros, bem como aquelas que consolidam os valores dos diversos endividamentos (principal + juros) apurados com base na média ponderada mensal (somatório do endividamento diário, dividido pelo número de dias do mês) encontramse anexas a este Termo de Verificação Fiscal e são partes integrantes e indissociáveis do presente Termo. Salientese que os valores do patrimônio líquido foram obtidos tanto das DIPJ´s apresentadas pelo contribuinte como também por meio da contabilidade digital do SPED.(grifo nosso) Fl. 1388DF CARF MF Processo nº 10600.720097/201631 Acórdão n.º 1402003.869 S1C4T2 Fl. 1.389 34 A decisão a quo entendeu que o cálculo do patrimônio líquido de que tratam os arts. 24 e 25 da Lei nº 12.249/10, a regra a ser utilizada é a vigente em 31/12/2007: 3.45. Mas, ao contrário do que entende a impugnante, o intuito da criação do RTT foi possibilitar a neutralidade tributária em face dos efeitos contábeis decorrentes da edição da Lei nº 11.638, de 28/12/2007, a qual foi introduzida com o objetivo de harmonizar o ordenamento normativocontábil brasileiro aos princípios e regras contábeis adotadas internacionalmente. Esses objetivos constam expressamente na Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 449, de 2008, itens 7 e 8: “7. No que concerne ao Regime Tributário de Transição RTT, objetivase neutralizar os impactos dos novos métodos e critérios contábeis introduzidos pela Lei nº 11.638, de 2007, na apuração das bases de cálculo de tributos federais nos anos de 2008 e 2009, bem como alterar a Lei nº 6.404, de 1976, no esforço de harmonização das normas contábeis adotadas no Brasil às normas contábeis internacionais 8. A Lei nº 11.638, de 2007, foi publicada no Diário Oficial da União de 28 de dezembro de 2007, e entrou em vigor no dia 1º de janeiro de 2008, sem a adequação concomitante da legislação tributária. Esta breve vacatio legis e a alta complexidade dos novos métodos e critérios contábeis instituídos pelo referido diploma legal muitos deles ainda não regulamentados têm causado insegurança jurídica aos contribuintes. Assim, fazse mister a adoção do RTT, conforme definido nos arts. 15 a 22 desta Medida Provisória, para neutralizar os efeitos tributários e remover a insegurança jurídica.” 3.46. Assim, os contribuintes que optaram pelo RTT deviam fazer os ajustes necessários para expurgar os efeitos tributários decorrentes das novas práticas contábeis, no período de vigência desse regime, que foi optativo nos anos calendários 2008 e 2009, passando a ser obrigatório à partir de 2010. 4.47. Em razão da necessidade desses ajustes, o preeenchimento da DIPJ, tanto nas fichas de demonstração de resultado, quanto nas de Contas Parimoniais, eram feitos de modo duplicado, um para “Critérios em 31/12/2007” e outro para “PJ em Geral”. 3.48. Pois bem, atentendo a tais disposições, na DIPJ, anos calendários 2011 e 2012, o valor do Patrimônio Líquido é informado pela empresa, tanto na Ficha 37A Passivo Balanço Patrimonial Ficha, quanto na ficha 37E Passivo Balanço Patrimonial Critérios em 31/12/2007 PJ em Geral, conforme quadro abaixo: AC Ficha 37A Ficha 37E 2011 R$ 47.238.758,50 20.475.727,99 2012 R$ 50.881.275,12 12.395.631,68 3.49. Assim, como bem explicou a fiscalização, com a edição da diretriz geral – neutralidade tributária, a Lei 12.973/2014, de Fl. 1389DF CARF MF Processo nº 10600.720097/201631 Acórdão n.º 1402003.869 S1C4T2 Fl. 1.390 35 forma parcial e opcional (arts 72 a 74), aceitou algumas exceções e permitiu utilizar as novas regras contábeis para: a) cálculo dos lucros e dividendos para fins de incidência do IRF, IR e CSLL (art. 72); b) determinação da base de cálculo dos Juros do Capital Próprio (art. 73); c) a avaliação dos investimentos pelo Método de Equivalência Patrimonial (art. 74). 3.50. Portanto, não houve qualquer menção para utilização das “novas” regras para a questão do cálculo do excesso de juros. Assim, para o cálculo do patrimônio líquido de que tratam os arts. 24 e 25 da Lei nº 12.249/10, a regra a ser utilizada é a vigente em 31/12/2007. A questão a ser solucionada é identificar qual o patrimônio líquido deve ser considerado para efeitos do cálculo do limite de juros dedutíveis para fins do lucro real e da base de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social da Recorrente. Adotase os fundamentos presentes na Solução de Consulta nº 159 Cosit, de 17 de junho de 2015: No caso de endividamento com pessoa jurídica vinculada no exterior que detenha participação societária na pessoa jurídica residente no Brasil, o inciso I do artigo transcrito fixa como limite para esse endividamento, a ser verificado no momento da apropriação dos juros, o montante de duas vezes o valor da participação da vinculada no patrimônio líquido (PL) da sociedade brasileira. O valor dos juros relativos ao excesso de endividamento em relação ao limite estabelecido será considerado despesa não necessária e, portanto, não dedutível, para fins de IRPJ e CSLL. Sendo assim, o PL da pessoa jurídica residente no Brasil (mais especificamente a participação da vinculada sediada no exterior nesse PL, quando existente) constitui o parâmetro eleito pela norma para o cálculo do montante de juros passíveis de serem deduzidos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007, ao modificar o art. 178 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, alterou os componentes do PL das sociedades, impactando, como decorrência, a base de cálculo desses tributos. Àquele grupo foi acrescida a conta de ajustes de avaliação patrimonial (onde são registradas inicialmente as contrapartidas de aumentos ou diminuições de valor atribuídos a elementos do ativo e do passivo, em decorrência da sua avaliação a valor justo) e suprimidas as reservas de reavaliação e a conta de lucros acumulados. Fl. 1390DF CARF MF Processo nº 10600.720097/201631 Acórdão n.º 1402003.869 S1C4T2 Fl. 1.391 36 Em relação às consequências tributárias ocasionadas por essa mudança na legislação societária, especialmente a introdução dos ajustes de avaliação patrimonial, que, conforme aduz a consulente, provocaram grande impacto no cômputo de seu PL, devese destacar, em primeiro lugar, o comando da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, conversão da Medida Provisória nº449, de 2008, que instituiu o Regime Tributário de Transição (RTT): “Art. 15. Fica instituído o Regime Tributário de Transição – RTT de apuração do lucro real, que trata dos ajustes tributários decorrentes dos novos métodos e critérios contábeis introduzidos pela Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007, e pelos arts. 37 e 38 desta Lei. § 1º O RTT vigerá até a entrada em vigor de lei que discipline os efeitos tributários dos novos métodos e critérios contábeis, buscando a neutralidade tributária. (...) Art. 16. As alterações introduzidas pela Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007, e pelos arts. 37 e 38 desta Lei que modifiquem o critério de reconhecimento de receitas, custos e despesas computadas na apuração do lucro líquido do exercício definido no art. 191 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, não terão efeitos para fins de apuração do lucro real da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. Parágrafo único. Aplicase o disposto no caput deste artigo às normas expedidaspela Comissão de Valores Mobiliários, com base na competência conferida pelo § 3º do art. 177 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e pelos demais órgãos reguladores que visem a alinhar a legislação específica com os padrões internacionais de contabilidade. Art. 17. Na ocorrência de disposições da lei tributária que conduzam ou incentivem a utilização de métodos ou critérios contábeis diferentes daqueles determinados pela Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, com as alterações da Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007, e dos arts. 37 e 38 desta Lei, e pelas normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários com base na competência conferida pelo § 3º do art. 177 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e demais órgãos reguladores, a pessoa jurídica sujeita ao RTT deverá realizar o seguinte procedimento: (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) (Vide Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I – utilizar os métodos e critérios definidos pela Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, para apurar o Fl. 1391DF CARF MF Processo nº 10600.720097/201631 Acórdão n.º 1402003.869 S1C4T2 Fl. 1.392 37 resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda, referido no inciso V do caput do art. 187 dessa Lei, deduzido das participações de que trata o inciso VI do caput do mesmo artigo, com a adoção: a) dos métodos e critérios introduzidos pela Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007, e pelos arts. 37 e 38 desta Lei; e b) das determinações constantes das normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários, com base na competência conferida pelo § 3º do art. 177 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, no caso de companhias abertas e outras que optem pela sua observância; II – realizar ajustes específicos ao lucro líquido do período, apurado nos termos do inciso I do caput deste artigo, no Livro de Apuração do Lucro Real, inclusive com observância do disposto no § 2º deste artigo, que revertam o efeito da utilização de métodos e critérios contábeis diferentes daqueles da legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, nos termos do art. 16 desta Lei; e III – realizar os demais ajustes, no Livro de Apuração do Lucro Real, de adição, exclusão e compensação, prescritos ou autorizados pela legislação tributária, para apuração da base de cálculo do imposto.” Os arts. 15, § 1º e 16 da Lei nº 11.941, de 2009, são claros ao preceituar que as alterações introduzidas pela Lei nº 11.638, de 2007, que modifiquem o critério de reconhecimento de receitas, custos e despesas computadas na apuração do lucro líquido do exercício não terão efeitos para fins de determinação do lucro real das pessoas jurídicas, enquanto vigente o RTT. A Nota Técnica Cosit nº 16, de 2012, e o Parecer PGFN nº 202, de 2013, discorrem acerca de parâmetros relevantes para fins de determinação do exato alcance almejado pelo RTT, motivo pelo qual extraemse trechos esclarecedores de ambos: Nota Técnica Cosit nº 16, de 2012: “ (...) 9. Assim, buscouse, através do RTT, neutralizar os efeitos tributários associados à adoção do conjunto de normas contábeis de convergência, tendo sido tal neutralidade normativa operacionalizada através do estabelecimento de uma espécie de ‘âncora’ no arcabouço contábil pregresso, fazendo com que, para fins de apuração do lucro real, permanecessem as pessoas jurídicas, quando sujeitas ao RTT, regidas pelos métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. (...) Fl. 1392DF CARF MF Processo nº 10600.720097/201631 Acórdão n.º 1402003.869 S1C4T2 Fl. 1.393 38 (...) 16. Dos dispositivos constantes acima reproduzidos, o que se pode entender por adoção legal da neutralidade é irretocável: Um montante de receita contábil gerado exclusivamente pelos novos métodos e critérios contábeis não deveria, sob qualquer hipótese, ser considerada para fins tributários. Analogamente, quaisquer custos e despesas decorrentes da adoção dos novos métodos e critérios contábeis não podem ser tributariamente considerados” (grifouse) Parecer PGFN nº 202, de 2013: “(...) 15. O RTT procurou, enfim, manter os procedimentos tributários utilizados antes do advento da Lei nº 11.638, de 2007. A partir dele, houve uma separação de mundos que até então tinham suporte comum. O RTT é o divisor de águas. A contabilidade societária tomou um rumo e a fiscal outro, sendo que tal Regime atingiu todas as disciplinas referentes à tributação. (...) (...) 16. Como se pode verificar, esse verdadeiro abismo criado pelas novas regras contábeis foi equacionado pela neutralidade trazida pelo Regime de Transição, o qual irradiou efeitos por toda legislação tributária. Nos termos do RTT instituído pela Lei nº 11.941, de 2009, para fins tributários, não se pode reconhecer resultado diferente do alcançável em 2007, segundo as normas anteriores à Lei nº 11.638, de 2007” A par das manifestações da RFB e da PGFN, considerada a neutralidade tributária, objetivada explicitamente pelo legislador como princípio fundamental quando da instituição do RTT, não se cogita da possibilidade de reconhecimento de quaisquer efeitos tributários em sede de IRPJ que sejam decorrentes da adoção dos novos métodos e critérios contábeis. Por conseguinte, com base neste paradigma explicitado pelo legislador, deve a despesa tributariamente dedutível pela consulente a título de juros pagos à pessoa jurídica, vinculada, domiciliada no exterior, na vigência do RTT, equivaler exatamente àquela obtida quando da aplicação dos métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, descartandose, assim, por exemplo, qualquer efeito decorrente do registro de ajustes de avaliação patrimonial no PL da consulente, uma vez não existente na data mencionada, ou de qualquer outro novo método ou critério contábil introduzido em virtude da convergência às normas internacionais. Nos termos do art. 17, II, da Lei nº 11.941, de 2009, impõese a necessidade legal de expurgo de qualquer efeito tributário eventualmente Fl. 1393DF CARF MF Processo nº 10600.720097/201631 Acórdão n.º 1402003.869 S1C4T2 Fl. 1.394 39 causado pela adoção de novos métodos ou critérios contábeis não existentes em 31 de dezembro de 2007. Portanto a resposta para a referida questão é que deve a despesa tributariamente dedutível pela consulente a título de juros pagos à pessoa jurídica, vinculada, domiciliada no exterior, na vigência do RTT, equivaler exatamente àquela obtida quando da aplicação dos métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, descartando se, assim, por exemplo, qualquer efeito decorrente do registro de ajustes de avaliação patrimonial no PL da recorrente, uma vez não existente na data mencionada, ou de qualquer outro novo método ou critério contábil introduzido em virtude da convergência às normas internacionais. Nos termos do art. 17, II, da Lei nº 11.941, de 2009, impõese a necessidade legal de expurgo de qualquer efeito tributário eventualmente causado pela adoção de novos métodos ou critérios contábeis não existentes em 31 de dezembro de 2007. (grifo nosso) Da apuração reflexa da CSLL As presentes infrações apuradas para o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica geram reflexo na determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido CSLL, nos termos do art. 2º da Lei n° 7.689/88, combinado com os arts. 28 da Lei n° 9.430/96 e 57 da Lei 8.981/95. Observase no caso concreto, em virtude do excesso de juros e do ágio ter ser considerado indedutível, a repercussão contábil e fiscal desse fato na apuração do exercício, conseqüentemente a adição da amortização do ágio e do excesso de juros à base de cálculo da CSLL. Assim, as infrações de falta de adição ao lucro líquido do excesso de juros e e a exclusão indevida da amortização do ágio também implicam em lançamento decorrente de CSLL. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 1394DF CARF MF Processo nº 10600.720097/201631 Acórdão n.º 1402003.869 S1C4T2 Fl. 1.395 40 Voto Vencedor Conselheira Edeli Pereira Bessa Redatora designada A maioria qualificada do Colegiado acompanhou o entendimento do I. Relator no sentido de que o ágio amortizado pela autuada decorria de investimento realizado pela empresa canadense SNCLavalin, restabelecendo a acusação fiscal de que a empresa SNCLavalin do Brasil teve uma existência efêmera como investidora. Isto porque, dentre outros aspectos, os recursos financeiros para aquisição da MinerConsult tiverem como origem a empresa canadense SNC Lavalin, apenas transitando pela SNCLavalin do Brasil, que os contabilizou como empréstimos. Ocorre que, firmada esta premissa, a maioria do Colegiado concluiu que, embora não caracterizada a nulidade arguida pelo sujeito passivo, o lançamento de glosa de juros não poderia subsistir por incompatibilidade da acusação fiscal, neste ponto, com as conclusões antes firmadas acerca da aquisição do investimento sob análise. Isto porque os valores aportados em SNCLavalin do Brasil a título de empréstimos pela real adquirente do investimento, situada no exterior, não poderiam ensejar qualquer despesa de juros na autuada, vez que não só o investimento adquirido é de titularidade da investidora estrangeira, como também não houve efetiva transferência financeira de recursos para aplicação na mutuária. Logo, descaberia avaliar a compatibilidade dos juros pagos com as regras de subcapitalização, mas sim glosar integralmente os juros apropriados por não representar despesa da autuada. Assim, tem parcial razão a recorrente quando argumenta: Ocorre que as infrações mantidas se revelam contraditórias entre si. É que, de um lado, o fundamento (i.c) utilizado para a glosa das despesas com ágio é o de que a pessoa jurídica residente no exterior é que efetivamente suportou o ônus econômico da operação. De outro lado, a fiscalização aponta um excesso de juros apropriados como despesas dedutíveis, sendo certo que como se trata de um excesso, parte dele é, de fato, dedutível – não se questiona a natureza da dedutibilidade, que é inconteste, mas a sua quantidade. Mas ora, se a sociedade sediada no Brasil paga principal e juros a sociedades a ela vinculadas no exterior em decorrência de empréstimo para a aquisição das ações, isto não quer dizer que ela está efetivamente suportando o ônus econômico da operação? Caso a sociedade controladora no exterior tivesse suportado o ônus da operação, qual seria a necessidade de que a sociedade brasileira pagasse o principal e os juros a sociedades pertencentes ao mesmo grupo econômico no exterior? (grifos do original) Fl. 1395DF CARF MF Processo nº 10600.720097/201631 Acórdão n.º 1402003.869 S1C4T2 Fl. 1.396 41 De fato, prevalecendo a acusação fiscal de que a sociedade controladora no exterior foi quem, de fato, suportou o ônus da operação, e efetivamente adquiriu o investimento cujo ágio foi amortizado com efeitos fiscais na fiscalizada, os juros contabilizados em razão dos empréstimos que transitaram de forma efêmera na investidora para darlhe a aparência de adquirente do investimento em questão, são integralmente desnecessários e indedutíveis na apuração do lucro tributável. Assim, se a glosa de juros repousa, apenas, na inobservância dos limites estabelecidos nos arts. 24 e 25 da Lei nº 12.249/2010, não é possível inovar a exigência neste momento para mantêla, ao menos nesta parte, sob o outro fundamento retro exposto. Isto porque, consoante disciplinado pelo art. 41 do Decreto nº 7.574/2011, ao regulamentar o processo administrativo fiscal previsto no Decreto nº 70.235/72, incorreções, omissões ou inexatidões, de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência devem ser veiculadas por meio de lançamento complementar, cientificado ao sujeito passivo para apresentação de impugnação no concernente à matéria modificada, providência esta que somente pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública, na forma do art. 149, parágrafo único do CTN, e que também encontra limites materiais no §1º do art. 41 do Decreto nº 7.574/2011: Art.41. Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões, de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será efetuado lançamento complementar por meio da lavratura de auto de infração complementar ou de emissão de notificação de lançamento complementar, específicos em relação à matéria modificada (Decreto no 70.235, de 1972, art. 18, § 3o, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). §1oO lançamento complementar será formalizado nos casos: I em que seja aferível, a partir da descrição dos fatos e dos demais documentos produzidos na ação fiscal, que o autuante, no momento da formalização da exigência: a) apurou incorretamente a base de cálculo do crédito tributário; ou b) não incluiu na determinação do crédito tributário matéria devidamente identificada; ou II em que forem constatados fatos novos, subtraídos ao conhecimento da autoridade lançadora quando da ação fiscal e relacionados aos fatos geradores objeto da autuação, que impliquem agravamento da exigência inicial. §2oO auto de infração ou a notificação de lançamento de que trata o caput terá o objetivo de: Icomplementar o lançamento original; ou IIsubstituir, total ou parcialmente, o lançamento original nos casos em que a apuração do quantum devido, em face da legislação tributária aplicável, não puder ser efetuada sem a inclusão da matéria anteriormente lançada. Fl. 1396DF CARF MF Processo nº 10600.720097/201631 Acórdão n.º 1402003.869 S1C4T2 Fl. 1.397 42 §3oSerá concedido prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência complementar, para a apresentação de impugnação apenas no concernente à matéria modificada. §4oO auto de infração ou a notificação de lançamento de que trata o caput devem ser objeto do mesmo processo em que for tratado o auto de infração ou a notificação de lançamento complementados. §5oO julgamento dos litígios instaurados no âmbito do processo referido no § 4o será objeto de um único acórdão. (negrejouse) Aliás, enquanto prevalecer o entendimento de que SNCLavalin do Brasil representou, apenas, empresa veículo para aquisição do investimento que originou o ágio amortizado, a glosa de juros deve ser afastada sem a necessidade de apreciação dos argumentos da recorrente acerca da inaplicabilidade das regras de subcapitalização às despesas decorrentes do empréstimo em questão. Por tais razões, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à glosa de juros promovida na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Redatora designada. Fl. 1397DF CARF MF
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