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Numero do processo: 19679.009861/2005-21
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-001.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Sergio Abelson- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Andréa Machado Millan.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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ANOCALENDÁRIO 2001 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração, consoante a Súmula CARF nº 49. Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sergio Abelson Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Andréa Machado Millan. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão n° 1610.888, da 5a Turma da DRJ/SPOI, que negou provimento à impugnação, apresentada pela ora recorrente, contra o Auto de Infração que exigiu o crédito tributário, relativamente a multa pelo atraso na entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 98 61 /2 00 5- 21 Fl. 32DF CARF MF 2 Resumo, a seguir o relatório: Por meio do Auto de Infração de fl. 02, o contribuinte acima identificado foi autuado e notificado a recolher o crédito tributário no valor de R$ 2.000,00, a título de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referente ao 1°, 2°, 3° e 4° trimestre do ano calendário de 2001. O enquadramento legal consta da descrição dos fatos como artigo 113, § 3° e 160 da Lei n° 5.172/1966 (CTN), artigo 4° combinado com o artigo 2° da Instrução Normativa SRF n° 73/98; artigo 2° e 5° da Instrução Normativa SRF n° 126/98 combinado com item I da Portaria MF n° 118/84; artigo 5° do DL 2124/84 e artigo 7° da MP n° 18/01 convertida na Lei n° 10.426/2002. Não se conformando com o lançamento acima descrito, a interessada apresentou a impugnação de fls. 01, na qual alega, em apertada síntese, que a(s) DCTF (s) em tela foram apresentadas antes de qualquer procedimento da administração. Conclui, que está albergada pelo instituto da denuncia espontânea previsto no artigo 138 do CTN. A recorrente foi cientificada da decisão em 13/12/2007 (fl 19) e apresentou o seu recurso voluntário em 14/01/2008 (fl 20). Voto Conselheiro Jose Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo (o dia 12/01/2008 foi um sábado), e que apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. A recorrente alega, basicamente, as mesmas razões apresentadas em sua impugnação requerendo que: Como consta da decisão foi mantida a multa, por ter entregue as DCTF com atraso, o que é uma aberração, pois o Código Tributário Nacional art. 138, diz que a denuncia espontânea da infração, cujos impostos foram recolhidos em seus prazos, não sofrerão autuação, e foi o que aconteceu, o contribuinte entregou as declarações espontaneamente, sendo que os referidos impostos que constam da DCTF , foram recolhidos em seus prazos legais, portanto a Receita Federal do Brasil, não teve qualquer prejuízo com os mesmos, e é por estes motivos que requer que os referidos Autos de Infração sejam anulados e arquivados para que se faça inteira, justiça. A DRJ proferiu o seu voto da seguinte forma: Versam os autos sobre a aplicação de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF prevista no artigo 7°, inciso II, da Lei n° 10.426/2002. Conforme relatado, a autuada pretende ver afastada a multa por atraso na entrega da DCTF, valendose do instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional (Lei n.° 5.172/1966) que assim dispõe, in verbís: “Art. 138. A responsabilidade e' excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do Fl. 33DF CARF MF Processo nº 19679.009861/200521 Acórdão n.º 1001001.150 S1C0T1 Fl. 3 3 pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração Da leitura da norma acima se depreende que o legislador está tratando de penalidade vinculada a tributo, prevendo uma situação em que a multa exofficio não pode ser aplicada. In casu, apenas está se impondo à contribuinte pagar a multa devida pelo atraso na entrega da DCTF. Ponderase, ainda, que, consoante o parágrafo único do artigo 142 do CTN, a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. E, por ser o lançamento ato privativo da autoridade administrativa é que a lei atribui à Administração o poder de impor, por meio da legislação tributária, ônus e deveres aos particulares, denominados, genericamente, "obrigações Acessórias% que têm por objeto as prestações, positivas ou negativas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (art. 113, § 2° do CTN). Quando a obrigação acessória não é cumprida, fica subordinada à multa específica (art. 113, § 3°, do CTN). Assim é que a Administração exige do particular diversos procedimentos. No caso, a obrigação acessória implicou não só o cumprimento do ato de entregar a declaração, como também, o dever de fazêlo no prazo previamente determinado, independentemente de qualquer procedimento fiscal. Portanto, havêla entregue, tão só, não exime o contribuinte da penalidade, posto que esta está claramente definida, tanto para a hipótese da não entrega, quanto para o caso de seu implemento fora do tempo determinado. Qualquer entendimento em contrário implicaria tornar letra morta os dispositivos legais em apreço, o que viria, inclusive, a desestimular o cumprimento da obrigação acessória no prazo legal. Cita jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e do extinto Conselho de Contribuintes, ao qual peço a devida vênia para não transcrevêlos (fl 18 dos autos). Conclui votando pela procedência do crédito tributário exigido. Adicionalmente ao correto arrazoado, apresentado no acórdão da DRJ, acrescento que a alegação da denúncia espontânea, prevista no artigo 138, do Código Tributário Nacional CTN, em casos de penalidade por atraso na entrega de declaração, já foi objeto de súmula por este CARF a n°49, como versa: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Assim, não assiste razão a recorrente e, portanto, nego provimento ao presente Recurso Voluntário e mantenho o crédito tributário apurado. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 34DF CARF MF 4 Fl. 35DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.908210/2013-66
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 03/07/2012 a 18/09/2012
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. EXIGÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INEXISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO.
A demonstração da divergência jurisprudencial pressupõe estar-se diante de situações fáticas semelhantes às quais, pela interpretação da legislação, sejam atribuídas soluções jurídicas diversas. Verificando-se ausente a necessária similitude fática, tendo em vista que no acórdão paradigma não houve o enfrentamento da mesma matéria presente no acórdão recorrido, não se pode estabelecer a decisão tida por paradigmática como parâmetro para reforma daquela recorrida.
Numero da decisão: 9303-008.420
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Locke Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 03/07/2012 a 18/09/2012 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. EXIGÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INEXISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. A demonstração da divergência jurisprudencial pressupõe estar-se diante de situações fáticas semelhantes às quais, pela interpretação da legislação, sejam atribuídas soluções jurídicas diversas. Verificando-se ausente a necessária similitude fática, tendo em vista que no acórdão paradigma não houve o enfrentamento da mesma matéria presente no acórdão recorrido, não se pode estabelecer a decisão tida por paradigmática como parâmetro para reforma daquela recorrida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Locke Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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PROVAS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado LOUIS DREYFUS COMPANY SUCOS S.A. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 03/07/2012 a 18/09/2012 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. EXIGÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INEXISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. A demonstração da divergência jurisprudencial pressupõe estarse diante de situações fáticas semelhantes às quais, pela interpretação da legislação, sejam atribuídas soluções jurídicas diversas. Verificandose ausente a necessária similitude fática, tendo em vista que no acórdão paradigma não houve o enfrentamento da mesma matéria presente no acórdão recorrido, não se pode estabelecer a decisão tida por paradigmática como parâmetro para reforma daquela recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Locke Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 82 10 /2 01 3- 66 Fl. 431DF CARF MF Processo nº 10880.908210/201366 Acórdão n.º 9303008.420 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão nº 3302004652, de 29/08/2017, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 03/07/2012 a 18/09/2012 REINTEGRA. BENEFÍCIO FISCAL. REQUISITOS. Para usufruir do benefício fiscal é necessário que todas as informações prestadas pelo contribuinte nos sistemas da Receita Federal estejam de acordo com a documentação comprobatória da operação de exportação. Eventuais inconsistências apontadas pela fiscalização deverão ser sanadas para fazer jus ao ressarcimento pleiteado. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999. A insurgência da Fazenda Nacional é quanto à possibilidade de se aceitar elementos probatórios apresentados somente no recurso voluntário. O recurso especial foi admitido por despacho do presidente da 3ª Seção de Julgamento. Em contrarrazões o contribuinte pede o não conhecimento do recurso especial e, caso conhecido, o seu improvimento. Às efls. 401/407, juntouse ao presente processo liminar concedida em Mandado de Segurança, datada de 11/03/2019, nos seguintes termos: Ante o exposto, DEFIRO PARCIALMENTE o pedido de liminar para determinar às autoridades coatoras que realizem o sorteio dos relatores nos PAFs nºs 10880.948972/201303 e 10880.953201/201320, para o próximo sorteio da 3ª Seção de julgamento (dias 26 a 28 de março, conforme consta das informações da impetrada fls. 142.). Em relação aos demais processos objeto desses autos (Processos n.'s 10880.945394/201345; 10880.657986/201221 e 10880.908210/201366), determino que sejam conclusos para julgamento no prazo máximo de 120 (cento e vinte) dias. É o relatório, em síntese. Fl. 432DF CARF MF Processo nº 10880.908210/201366 Acórdão n.º 9303008.420 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator. O recurso especial é tempestivo, restando porém averiguar, como alega o contribuinte em contrarrazões, se houve a comprovação da divergência jurisprudencial. Situação fática e jurídica do acórdão recorrido Observe como a DRJ decidiu sobre esta infração específica no acórdão de manifestação de inconformidade: (...) Em relação às glosas relacionadas às notas fiscais nº(s) 1.333, 1.351, 1.352, 1.370, 1.415, 1.416, 1.417, 1.419, 534, 535, 566, 1.253, 1.275, 1.276, 1.277, 1.303, 1.304, 1.356 e, 1.357, ao contrário do que menciona a interessada, a Inconsistência T – Produto informado não está discriminado em Nota Fiscal Válida – não foi corrigida por meio de cartas de correção eletrônicas (não encontramos quaisquer documentos que a demonstrasse); de outro lado, conforme asseverado pela autoridade fiscal à fl. 199, as cartas de correção em papel não eram mais permitidas a partir de 01/07/2012; ora, consoante fls. 95/113, a interessada apresentouas posteriormente a esta data, fato que nos leva, da mesma forma que a autoridade que proferiu o Despacho Decisório, a não considerálas como capazes de retificar o lapso relacionado à correta classificação da mercadoria no código NCM/TEC. (...) O contribuinte em manifestação de inconformidade havia corrigido as informações objeto da acusação fiscal, porém efetuou por meio de carta de correção em papel. Como visto, a autoridade julgadora de primeira instância, entendeu insuficientes, pois a correção deveria ter sido efetuada nos sistemas eletrônicos da Receita Federal. O contribuinte então apresentou as correções por meio dos registros eletrônicos e apresentou sua comprovação junto ao seu recurso voluntário. Estes documentos foram acatados pelo acórdão recorrido, nos seguintes termos: (...) Segundo a fiscalização e posteriormente a DRJ, mesmo ciente da inconsistência apontada nos documentos fiscais e declaração de exportação, a contribuinte não logrou êxito em demonstrar seu direito ao crédito, uma vez não ter Fl. 433DF CARF MF Processo nº 10880.908210/201366 Acórdão n.º 9303008.420 CSRFT3 Fl. 5 4 apresentado documentos idôneos para tanto (retificação de nota fiscal em papel), nem ser possível o atendimento da alegação de que para fruição do Reintegra, seria irrelevante a indicação do código NCM, por serem ambos beneficiários do regime. Em seu recurso voluntário a contribuinte entendendo ser válido seu direito ao crédito, novamente alegou que já teria realizado a retificação dos documentos (NFs), com a conseqüente troca dos NCMs, no entanto, para que não houvesse mais dúvidas sobre a retificação das informações, carreou aos autos prova de que as teria feito na forma eletrônica (fls. 302 a 322). Ainda no recurso voluntário a contribuinte trouxe a tese sobre a observância do principio da verdade material que deve permear o processo administrativo, colacionando diversos julgados sobre o tema que corroborariam a possibilidade de fruição de seu direito ao crédito. Pois bem. Por mais que tenhamos no presente processo a juntada, tardia de documentos pela contribuinte que teriam o condão de demonstrar seu direito ao crédito, trouxe a contribuinte com sua manifestação do inconformidade, a princípio, documentos que demonstram sua intenção em retificar o equívoco cometido, qual seja, a troca dos códigos de NCM. Dessa forma os documentos dispostos nas páginas 302 a 322 do processo, demonstram a efetiva alteração dos códigos, dentro do que lhe é permitido pela legislação vigente e, ao meu sentir, permitindo a fruição do benefício fiscal. (...) Assim, o relator transcreveu parte de um acórdão proferido pela 1ª Turma da CSRF, 9101002781, de relatoria da illustre conselheira Cristiane Silva Costa, no qual defende se a aplicação no processo administrativo da formalidade moderada, assegurando ao contribuinte a produção de provas em nome do princípio da verdade material. Sustenta a aplicação do art. 38 da Lei nº 9.784/99. Abaixo trecho do voto transcrito: (...) Assim, revela destacar que a depender da situação é possível flexibilizar a norma, desde que evidentemente, a prova apresentada seja inconteste e nesse sentido independa da análise de uma instância inferior, eis que a preclusão ligase ao princípio do impulso processual. (...) Situação fática e jurídica do acórdão paradigma nº 9101002.890 Neste acórdão, os documentos que estavam em discussão não foram apresentados junto com o recurso voluntário. Foram apresentados durante a sustentação oral do contribuinte, na sessão de julgamento que os acatou. O contribuinte alegou, que após intensa e incessantes buscas em seu arquivo morto, conseguiu localizálos. O acórdão paradigma em questão deu provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, inadimitindo o conhecimento das provas nesta fase processual. Vejam trechos do acórdão paradigma: Fl. 434DF CARF MF Processo nº 10880.908210/201366 Acórdão n.º 9303008.420 CSRFT3 Fl. 6 5 (...) Somente após a distribuição dos autos para elaboração do voto, marcada a data para a sessão de julgamento a ser realizada no CARF ocasião em que o relator já estava com o voto proferido pronto para ser julgado, cujo resultado não era favorável à defesa, é que a interessada, após pesquisas exaustivas, como afirmou, apresenta novos documentos que localizou em seus arquivos, como constou do relatório do acórdão recorrido: (...) Verificase, portanto, que é legalmente possível apresentar provas novas, após o prazo regulamentar para apresentação de impugnação, desde que estas se destinem a, por exemplo, contrapor fatos ou razões, posteriormente trazidos aos autos. Mas este não é o caso apresentado:não houve dedução, no acórdão da DRJ em São Paulo, de novos elementos de convicção do julgador. Volto a frisar: a acusação fiscal já estava posta desde a lavratura do Termo de Verificação Fiscal e restou mantida, sob a mesma fundamentação, pela DRJ em São Paulo/SPI e referiuse à impossibilidade de se admitir um laudo elaborado posteriormente à operação societária que deu origem ao ágio que o laudo pretendeu avaliar com base em expectativa de rentabilidade futura Tanto isso é verdade que o relator afirma, textualmente, que até o momento em que fora elaborada a primeira minuta do voto, consideravase sem comprovação a justificativa do ágio em face da ausência de documentos contemporâneos ao seu surgimento, como volto a reproduzir: (...) Portanto, constatase divergências fáticas entre o acórdão recorrido e o citado paradigma, suficientes para o não conhecimento do recurso especial. Penso até que citados acórdãos tomaram decisões no mesmo sentido, pois o acórdão paradigma até admite situações em que é possível o conhecimento de elementos de prova apresentados após a fase de impugnação. Situação fática e jurídica do acórdão paradigma nº 3403002.156 Neste acórdão, na verdade não são exatamente provas que não foram conhecidas. Foram planilhas apresentadas em sede de recurso voluntário inovando nas alegações que haviam sido apresentadas em sede de manifestação de inconformidade. Vejamos trechos do voto condutor: (...) No recurso voluntário, o interessado inova as explicações sobre a origem do direito creditório e aporta aos autos planilhas que, aparentemente, deduzem das bases declaradas os valores das receitas financeiras. Percebese que se trata, não de erro material, como fezse supor na Manifestação de Inconformidade, mas de verdadeira nova apuração da contribuição. Fl. 435DF CARF MF Processo nº 10880.908210/201366 Acórdão n.º 9303008.420 CSRFT3 Fl. 7 6 A possibilidade de conhecimento e apreciação dessas novas alegações e desses novos documentos não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF, verbis: (...) As alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. (...) A propósito dos documentos que instruem a peça recursal, devese sublinhar que os mesmos ainda não seriam suficientes para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na(s) compensação(ões) declaradas, principalmente porque encontramse desamparados da escrituração contábilfiscal, e demandariam a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo. (...) Observese que no acórdão recorrido, os documentos apresentados foram suficientes para a formação de convicção da turma julgadora. Com essas divergências fáticas apontadas, esse acórdão paradigma também não serve para comprovar a divergência jurisprudencial. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 436DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.902326/2008-17
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-001.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Sergio Abelson- Presidente
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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LAILA TUFFI HASSAN ARRUDA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL RETIFICAÇÃO DE DCTF PRAZO ANOCALENDÁRIO 2000 RETIFICAÇÃO DE DCTF. POSSIBILIDADE. PRAZO. Só é possível a retificação da DCTF enquanto ainda não homologados os lançamentos originais, ou seja, dentro do prazo de 05 anos contados da ocorrência do fato gerador ou do ano seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado, observado a existência ou não de pagamentos por parte do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sergio Abelson Presidente (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 23 26 /2 00 8- 17 Fl. 69DF CARF MF 2 Trata o presente processo de recurso voluntário, contra o acórdão número 15 21.956, da 1ª Turma da DRJ/SDR, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação feito através da Declaração de Compensação (PER/DCOMP). Transcrevo, a seguir, o relatório: Tratase de Despacho Decisório fls. 01, que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte em razão deste não os indébitos especificados na PER/DCOMP. Observa o referido despacho que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificados, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando Crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O DARF em referência tem como data de arrecadação 30/04/1999, valor de R$ 2.318,73 cuja apuração, para o código de receita 2089 se deu em 31/03/1999. Em Manifestação de Inconformidade apresentada em 28/05/2008, o contribuinte alega basicamente que: a) o débito da compensação no valor de R$ 4.124,04, correspondente ao 1° trimestre de 2004, não foi corretamente imputado, isto porque, posteriormente ao envio da DCOMP se constatou ter havido erro na imputação do percentual a identificação da base de cálculo do IRPJ, apurado na modalidade de Lucro Presumido, tendo com isso apurado um saldo a pagar e CSLL em valor inferior ao informado na referida DCOMP equivalente a R$ 193,07, resultando num, débito a ser compensado inferior. b) Que por um lapso ocorrido, não se atentou para retificar a respectiva DCOMP, bem como para providenciar a correspondente retificação da DCTF à época, o que somente se deu agora em razão da identificação da inconsistência verificada no despacho decisório em questão; C) Ressalta por fim, que a retificação da DIPJ e da DCTF se deu pelo fato da Requerente ter reconhecido o direito de se enquadrar no conceito de "serviços hospitalares" para os fins da apuração do IRPJ e da CSLL, utilizandose de forma retroativa os percentuais de 8% e 12%, respectivamente, ao invés do percentual de 32% originalmente imputado. d) Pede que seja admitida a retificação da DCTF para reduzir o valor do débito imputado incorretamente objeto do Despacho Decisório e o que seja homologada a compensação Cientificada em 08/03/2010 (fl 51), a recorrente apresentou o recurso voluntário em 18/03/2010 (fl 52). Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. Em seu recurso, a recorrente (resumidamente) argumenta que houve erro material ocorrido, qual seja: Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10580.902326/200817 Acórdão n.º 1001001.248 S1C0T1 Fl. 3 3 A DCTF retificadora enviada a posteriori foi devidamente recepcionada pela Receita Federal, ao passo em que nenhuma mensagem negativa fora gerada nesse' sentido, assim como ocorre quando é enviada uma DCOMP cujo direito ao crédito já decaiu, por ter passado os 05 (cinco)i anos da ocorrência do fato gerador. Ora, tendo sido devidamente recepcionada pela Receita Federal, há de ser admitida a retificação, ainda que já decorrido aquele prazo decadencial, que aqui não se discute. Por outro lado, ressaltese que o direito a compensação do indébito foi devidamente exercido dentro do prazo decadencial de 05 (cinco) anos. Mais adiante, alega o princípio da verdade material, cita doutrina. Cita jurisprudência de algumas DRJ e outra do CARF, que não lhe são favoráveis, mas que, de qualquer forma, não vinculantes. Culmina, requerendo: 1. Que seja admitida a retificação da DCTF por se tratar de evidente ERRO MATERIAL, devidamente demonstrado; 2. Que seja reformado o Acórdão ora recorrido para que sejam admitidas as respectivas compensações como devidamente homologadas. A DRJ, por sua vez, assim decidiu em relação à manifestação de inconformidade, a qual reproduzo, parcialmente: Observase que o Despacho Decisório deixou de homologar a compensação pleiteada pela Impugnante porque, efetivamente, não existia nenhum indébito tributário em favor do sujeito passivo. Visualizase da Manifestação de Inconformidade, que a impugnante tomando ciência do processo administrativo de consulta n° 10580.001100/200465, sentiuse no direito de compensar com débitos seus, a diferença existente entre o valor do lucro presumido apurado com base no percentual de 32% e os de 8% (IRPJ) e 12% (CSLL) passiveis para aqueles contribuintes que efetivamente se dedicam a atividades hospitalares, sendo que os fatos geradores ocorreram no anocalendário de 1999. Deste modo foi apresentada em 02/08/2006, DCOMP onde informa o valor de DARF de R$ 3.978,30, na condição de "pagamento indevido ou maior" sem contudo, haver efetuado a retificação do lançamento anterior que remonta ao ano calendário de 2000, pois, conforme afirmado na manifestação de inconformidade, somente agora, no ato de verificação da inconsistência observada no Despacho Decisório é que foi apresentada DCTF retificadora. Observese que o pretenso indébito corresponde ao anocalendário de 1999,.conforme consta do despacho decisório, sendo o período de apuração 31/12/1999, o código da receita 2089, valor de R$ 3.978,3 e que foi recolhido em 28/01/2000. Claro está, que no momento da apresentação do PER/DCOMP não existia nenhum indébito, posto que não foi feita a retificação da DCTF dos trimestres correspondentes ao suposto indébito no anocalendário de 1999, prevalecendo até então a tributação do IRPJ e da CSLL sobre o lucro presumido ao percentual de 32% (trinta e dois) por cento. Fl. 71DF CARF MF 4 Destarte, no momento da apreciação da compensação não existia de fato nem de direito qualquer indébito tributário. Somente após a ciência do despacho decisório e que o contribuinte tomou a iniciativa de retificar a sua DCTF, isto em 23 de maio de 2008. Neste momento, entretanto, já decaíra o direito da pessoa jurídica de retificar sua declaração em face de já estar tacitamente homologado o lançamento que ocorreu nos idos de 1999, e que somente poderia ser modificado até 31/12/2004. Ou pensam que só existe a homologação tácita em favor do sujeito passivo? Assim dispõe o CTN. Art. 150. O, lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação, atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, .operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4° Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Impossível assim a retificação de um crédito extinto. Neste adiantado de tempo, nem o Fisco pode modificar o lançamento original para cobrar mais tributo e nem a pessoa jurídica para diminuílo. .... Pela leitura de tais dispositivos do CTN podemos compreender que deveria estar caracterizado o indébito antes de completados 05 (cinco) anos do seu pagamento, ou seja, até 31/10/2004, entretanto o pedido só ocorreu em 2008. Então não há que se falar em questão formal, em possibilidade de o contribuinte possuir o crédito e não haver sido reconhecido apenas pelo que alguns entendem como formalismo do ato de retificação da DCTF, porque este direito efetivamente não nasceu. Atentese que não resta comprovado um erro formal, porquanto nem mesmo se pode asseverar que a Impugnante tem o direito de tributar se ao percentual de 8% e 12% respectivamente para o IRPJ e para a CSLL. No meu entendimento, o que se discute aqui é o direito de a recorrente efetuar a retificação do lançamento após ter ocorrido o prazo decadencial. A própria recorrente reconhece isso ao afirmar: Ora, tendo sido devidamente recepcionada pela Receita Federal, há de ser admitida a retificação, ainda que já decorrido aquele prazo decadencial, que aqui não se discute. (grifei). É que dispõe a IN SRF 1.110/2010, art. 9°, parágrafo 5°, a seguir: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10580.902326/200817 Acórdão n.º 1001001.248 S1C0T1 Fl. 4 5 de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. A retificação da DCTF é admitida no prazo decadencial. Vencido este, conforme analisado pela DRJ e já antes reproduzido, não há como ela produzir os efeitos pretendidos pela recorrente. A DCTF, desde a sua instituição, constitui em confissão de dívida e a sua retificação, quando permitida, o que não é o caso, é essencial para o reconhecimento do débito. Tal fato foi corroborado através do item 3 do Parecer Normativo COSIT n° 2/2015: 3 É possível o reconhecimento do crédito com base em provas ou indícios sem a retificação da DCTF? Não. A DCTF é confissão de dívida, portanto sua retificação é imprescindível para o reconhecimento do crédito. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento do pedido. (grifei). Portanto, concluo, repetindo as palavras da DRJ , acima reproduzidas: Então não há que se falar em questão formal, em possibilidade de o contribuinte possuir o crédito e não haver sido reconhecido apenas pelo que alguns entendem como formalismo do ato de retificação da DCTF, porque este direito efetivamente não nasceu. Assim, nego provimento ao presente recurso. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.727798/2016-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantém-se a multa moratória imposta pela fiscalização
Numero da decisão: 3302-006.650
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado).
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantém-se a multa moratória imposta pela fiscalização
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantémse a multa moratória imposta pela fiscalização Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado). (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 77 98 /2 01 6- 77 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10166.727798/201677 Acórdão n.º 3302006.650 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de análise da Declaração de Compensação (Dcomp), por intermédio da qual o contribuinte compensou débito(s) próprios, com suposto crédito de pagamento indevido ou a maior. Como resultado da análise foi proferido o Despacho Decisório, que reconheceu integralmente o direito creditório, porém homologou parcialmente a compensação declarada, vez que o crédito indicado revelouse insuficiente para quitar o(s) débito(s) confessado(s), tendo em vista que o contribuinte não considerou a multa de mora incidente em decorrência do atraso na quitação deste(s). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, onde argumentou, em síntese, o que segue: Não foi observada a denúncia espontânea estabelecida no art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Com a transmissão da Dcomp, antecipouse a qualquer procedimento fiscal, declarando e quitando débito não questionado pela Receita Federal, com acréscimo de juros moratórios. Transmitiu a DCTF retificadora onde declara o débito e o pagamento feito via Dcomp; Apresenta sentenças judiciais favoráveis aos Correios em casos análogos. Indica também jurisprudência dos tribunais onde não foi parte. Lista acórdãos das DRJs à época da transmissão da Dcomp, onde é aplicada a Nota Técnica (NT) Cosit nº 01, de 18/01/2012, vez que os Correios se enquadram na situação nela tratada. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 11057.695. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) Em que pese a controvérsia acerca da possibilidade ou não de restar configurada a denúncia espontânea quando a extinção do crédito tributário se dá por compensação, a Receita Federal do Brasil, através da Nota Técnica nº 1 COSIT de 18/01/2012, com fundamento no Ato Declaratório PGFN nº 4 de 2011 e Ato Declaratório PGFN nº 8 de 2011, reconheceu que a declaração de compensação, se atendidos os demais requisitos, poderia caracterizála. E isto porque a compensação ou quaisquer outras formas de adimplemento de obrigação são formas de pagamento que acarretam a extinção da obrigação. Sendo forma de pagamento, a compensação atende às exigências do artigo 138 do CTN; b) A denúncia espontânea exclui a responsabilidade pela infração tributária cometida pelo contribuinte, pressupondo a comunicação pertinente a fato desconhecido por parte do Fisco antes de qualquer iniciativa da Administração Tributária, devendo ser acompanhado do pagamento do tributo e dos juros de mora, se for o caso. A intenção do Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10166.727798/201677 Acórdão n.º 3302006.650 S3C3T2 Fl. 4 3 legislador ao editar a norma não fora outra senão estimular o contribuinte a regularizar a sua situação, recebendo em seu benefício o afastamento da responsabilidade pela infração à legislação tributária. Dessa forma, se o contribuinte antecipase a qualquer procedimento fiscalizatório da administração, efetuando o pagamento dos tributos em atraso e dos juros de mora, não lhe pode ser imposta multa de mora, seja ela punitiva ou moratória. Como os Correios anteciparamse à qualquer procedimento administrativo, fazem jus ao benefício da denúncia espontânea com os consectários do artigo 138, do CTN. Termina o recurso requerendo a vigência e a validade da Nota Técnica Cosit nº 01 ao período em que foi entregue a Dcomp, para fins de reconhecer a configuração da denúncia espontânea de forma que os valores indicados na Dcomp sejam considerados quitados. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.586, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10166.726132/201600, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.586): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. O cerne da questão está em definir se a compensação se equipara ao pagamento para fins de fruição do benefício da denúncia espontânea. Essa questão foi tratada de forma didática e precisa no Acórdão nº 1402003.600, da lavra do conselheiro Marco Rogério Borges, de forma que peço vênia para utilizar a ratio decidendi daquele acórdão para fundamentar esse, in verbis: Como de costume, o voto da ilustre Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio está muito bem fundamentado. Contudo, este colegiado, após ampla discussão, divergiu do seu entendimento, no tocante à equiparação de compensação à pagamento para fins de constatação de denúncia espontânea, e por consequência da não aplicação do alegado artigo 100 do CTN. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10166.727798/201677 Acórdão n.º 3302006.650 S3C3T2 Fl. 5 4 O art. 138 do CTN é taxativo na sua disposição que a denúncia espontânea deve ser acompanhada do pagamento do tributo. Não há condições de considerar a compensação como forma de pagamento por se tratar de uma extinção do crédito tributário, pois há outras modalidades de extinção elencados no art. 156 do CTN. Igualmente, não há, até o momento, nenhuma norma no âmbito do Ministério da Fazenda e nem precedente que vincule este Conselho para tal entendimento de se aceitar tal situação. Inclusive, há decisão do E. STJ do tema em sentido contrário ao pleiteado pela recorrente: "AgInt no REsp 1568857/PR AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL 2015/02977680 Relator: Ministro OG FERNANDES Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 16/05/2017 Data da Publicação: DJe 19/05/2017 EMENTA: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. DEFICIÊNCIA NA ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE AO ART. 535 DO CPC/73. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284/STF. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CARACTERIZADA. 1. É deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegação de ofensa ao art. 535 do CPC/73 se faz de forma genérica, sem a demonstração exata dos pontos pelos quais o acórdão incorreu em omissão, contradição ou obscuridade. Aplicase, na hipótese, o óbice da Súmula 284 do STF. 2. A compensação tributária não se equipara a pagamento de tributo para fins de aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea regido pelo art. 138 do CTN. Precedentes: EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 1.375.380/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe30/11/2016; AgRg no REsp 1.461.757/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17/9/2015; AgRg no AREsp 174.514/CE, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, Dje 10/9/2012. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (grifamos) ACÓRDÃO Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10166.727798/201677 Acórdão n.º 3302006.650 S3C3T2 Fl. 6 5 Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo interno, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (Presidente), Francisco Falcão e Herman Benjamin votaram com o Sr. Ministro Relator. REsp 1657437/RS RECURSO ESPECIAL 2017/00461010 Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 04/04/2017 Data da Publicação: DJe 25/04/2017 EMENTA: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. 1. Hipótese em que o Tribunal local consignou: "o instituto da denúncia espontânea é perfeitamente aplicável aos casos em que o pagamento do tributo é realizado através da compensação" (fl. 665, eSTJ). 2. A Segunda Turma do STJ no julgamento do REsp 1.461.757/RS, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, firmou o entendimento de que "a extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN". 3. Recurso Especial provido.(grifamos) Ou seja, tal decisão segue a linha que difere a situação de pagamento e compensação para fins de reconhecimento da denúncia espontânea. Neste sentido, deve haver a aplicação de multa de mora no caso concreto, o que acarretaria um crédito menor do que o débito declarado/confessado em PER/Dcomp. Seria um caso de imputação proporcional, que está perfeitamente legal, como já emanado no voto vencido do nobre relator. No que tange à eventual aplicação do artigo 100 do CTN ao caso, o caso in concretu apresentado não se configura como denúncia espontânea nos termos do artigo 138 do Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10166.727798/201677 Acórdão n.º 3302006.650 S3C3T2 Fl. 7 6 mesmo CTN, as evocadas Notas Técnicas (NTs), de caráter meramente interpretativo, como bem analisados na decisão a quo, não são aplicáveis. Quando da emissão da NT Cosit nº 01, de 18/01/2012, a qual a recorrente se baseia para ter adotado a postura pleiteada no presente processo, a mesma foi criada com objetivo de orientação internamente a Receita Federal do Brasil, e identificado a sua impropriedade, foi cancelara por meio da NT Cosit nº 19, de 12/06/2012, corrigindoa. Ao transmitir sua Per/Dcomp em 30/05/2012, entre a data de expedição de ambas NTs. não criou uma vinculação nos termos do artigo 100 do CTN, pois as NTs não são atos normativos, e, por consequência, nem houve a prática reiterada pela autoridade administrativa pois não foram direcionadas aos contribuintes, muito menos nem pessoalmente à recorrente. Como salienta a decisão a quo, as NTs não são publicadas no DOU, seja no site da Receita Federal, não tendo alcance para o público externo (no caso, contribuintes). Assim, não podem ser evocadas para a postura adotada pela recorrente. Com base no que fora exposto, entendo que não ocorreu a denúncia espontânea em relação aos débitos julho de 2008 e agosto de 2008, por não terem sido pagos e sim compensados." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 160DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.901979/2015-56
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1002-000.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem verifique a liquidez e certeza dos créditos alegados referentes ao período a que se refere o Per/Dcomp em questão e elabore Relatório circunstanciado conclusivo sobre o resultado da verificação, bem como informe se o crédito objeto do pedido foi utilizado em outro processo de compensação.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem verifique a liquidez e certeza dos créditos alegados referentes ao período a que se refere o Per/Dcomp em questão e elabore Relatório circunstanciado conclusivo sobre o resultado da verificação, bem como informe se o crédito objeto do pedido foi utilizado em outro processo de compensação. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo. Relatório Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação da compensação, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/SPO: O interessado, supra qualificado, entregou por via eletrônica a Declaração de Compensação de fls. 2/8 (PER/DCOMP nº 20410.80331.310714.1.3.048767), transmitida em 31/07/2014, na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ (cód. receita 0220 – IRPJ PJ OBRIGADAS AO LUCRO REAL ENTIDADES NÃO FINANCEIRAS BALANÇO TRIMESTRAL) relativo à 1ª quota do período de apuração encerrado em 30/09/2010 (3º RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 01 97 9/ 20 15 -5 6 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10380.901979/201556 Resolução nº 1002000.074 S1C0T2 Fl. 85 2 TRIMESTRE/2010). O valor total do DARF pago em 29/10/2010 foi de R$ 64.113,88. Pelo Despacho Decisório de fls. 9/11 (nº rastreamento 098613305) o contribuinte foi cientificado, em 18/03/2015 (fl. 12), de que: O crédito analisado está limitado ao valor do 'crédito original na data de transmissão' informado no PER/DCOMP, correspondendo a 16.227,86 Valor do crédito original reconhecido: 0,00 A partir das características do(s) DARF discriminado(s) no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos sem saldo reconhecido para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página internet da Receita Federal, e integram este despacho. Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/03/2015. PER/DCOMP Despacho Decisório Análise de Crédito Informações Complementares da Análise de Crédito Data da Consulta: 27/4/2015 15:56:34 Nome/Nome Empresarial: LIMA TRANSPORTES LTDA CPF/CNPJ: 06.890.941/000124 PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: 20410.80331.310714.1.3.048767 Número do processo de crédito: 10380901.979/201556 Data de transmissão do PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: 31/07/2014 Tipo de Crédito: Pagamento Indevido ou a Maior Despacho Decisório (Nº de Rastreamento): 098613305 Crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 16.227,86 Crédito reconhecido em valor originário: 0,00 Justificativa: NÃO COMPROVADA A EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR Observação: DIVERGÊNCIA ENTRE DCTF E DIPJ. Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher os débitos indevidamente compensados (principal: R$ 17.147,44). Irresignado, o contribuinte apresentou em 17/04/2015 a Manifestação de Inconformidade, de fls. 13/18, alegando, em síntese: i) que efetivamente possui crédito de R$ 32.455,62 de IRPJ referente ao '3º SEM/2010', correspondendo a R$ 16.227,83 para cada uma das 2 (duas) primeiras quotas, de um total de 3 (três) quotas, em que foi dividido o total a pagar de R$ 143.658,16; ii) que o valor devido no '3º SEM/2010' de R$ 143.658,16, foi obtido a partir de declaração, na DIPJ/2011, do lucro real de R$ 613.353,13; iii) que o crédito pleiteado no presente processo, que se relaciona à PER/DCOMP nº 20410.80331.310714.1.3.048767, é o relativo ao DARF da 1ª quota; iv) que o crédito pleiteado existe, tendo ocorrido apenas um erro no preenchimento da DCTF de setembro/2010, onde foi omitido o valor do débito de IRPJ, 'informação que apenas constou na DCTF de Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10380.901979/201556 Resolução nº 1002000.074 S1C0T2 Fl. 86 3 dezembro/2010'; v) que, '8. Realmente, o próprio despacho decisório reconhece o pagamento feito através de DARF no valor de R$ 64.113,88, bem como indica a utilização de apenas R$ 47.886,02.Não é preciso muita matemática para perceber que essa conta resulta no saldo creditório não utilizado de R$ 16.227,86, mas que equivocadamente não foi indicado pelo sistema em razão da divergência DIPJ x DCTF. Esse saldo de crédito original (R$ 16.227,86) foi justamente o valor utilizado na PER/DCOMP não homologada,..'; vi) que retificou a DCTF de setembro/2010 com os valores já informados em DIPJ; vii) cita dois acórdãos do CARF que estariam corroborando sua tese da prevalência da verdade material ante a erros cometidos; viii) ao final requer a homologação total da compensação indicada na PER/DCOMP nº 20410.80331.310714.1.3.048767, e que as intimações/notificações do presente processo sejam feitas em nome de seu advogado, no endereço profissional do mesmo. O presente processo está sendo apreciado na mesma sessão em que o processo nº 10380.901978/201510 está sendo julgado, tendo em vista o direito creditório discutido estar relacionado a supostos pagamentos indevidos ou a maior do mesmo débito (IRPJ 3º TRIM/2010 – código de receita 0220). A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/SPO, conforme acórdão n. 1678.978 (efl. 48), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 29/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR Não é líquido e certo o crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se a contribuinte não prova, com documentos e livros fiscais e contábeis, o alegado erro no pagamento e o valor correto do débito em questão. Irresignado, o Recorrente apresenta Recurso Voluntário (efls. 60), no qual oferece argumentos e fundamentos de fato e de direito abaixo sintetizados. Relata que "Como se pode ver das razões do voto condutor do acórdão que julgou a manifestação de inconformidade da recorrente improcedente, entendeuse que as retificações (DCTF e DIPJ) do período em questão, os DARFs pagos a maior, e demais elementos probatórios não foram capazes de demonstrar o real valor devido de IRPJ do 3º trimestre de 2010." Salienta que "...a divergência verificada nas declarações da recorrente tem razão de ser pelo fato de que, como se sabe, nos anos de 2007 a 2009 houve uma série de alterações nas normas contábeis, oriundas das Leis nº 11.638/2007 e 11.941/09, com o objetivo de correlacionar as normas contábeis brasileiras às normas internacionais" e que "Entre as alterações ocorridas que trouxeram impactos nos procedimentos e práticas contábeis destacouse o reconhecimento das operações de leasing ou arrendamento mercantil, através do Pronunciamento Técnico CPC nº 06 – Operações de Arrendamento Mercantil, que Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10380.901979/201556 Resolução nº 1002000.074 S1C0T2 Fl. 87 4 estabeleceu como as referidas operações passariam a ser reconhecidas e apresentadas contabilmente." Informa que "...com base nas novas normas, a sociedade passou a contabilizar os bens objeto de leasing financeiro no ativo imobilizado, e a contrapartida, no caso a dívida assumida e os juros incidentes conforme contrato foram registrados no passivo", que "Além disso foram contabilizadas no resultado a despesa de depreciação e a despesa financeira do passivo assumido" e que "Ainda em decorrência dos novos padrões adotados, passaram a ser contabilizados os créditos de PIS e COFINS sobre as contraprestações de arrendamento mercantil pagas, conforme art. 3º, inciso V, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03." Aduz que "Posteriormente, a Lei nº 11.941/09 estabeleceu em seu art. 16 que as alterações que modificassem o tratamento contábil empregado às demonstrações contábeis não teriam efeito fiscal para as empresas que aderissem ao RTT." Sustenta que "...foi necessário ajustar o lucro apurado contabilmente através do RTT, expurgandose os valores contabilizados a título de créditos de PIS e COFINS sobre arrendamento mercantil, a despesa de depreciação, e a despesa financeira, incluindose no resultado o valor da contraprestação paga, dedutível para fins de apuração do Lucro Real.", Afirma que "Para verificarse o alegado, basta verificar que a DIPJ original do ano calendário de 2010 estavam contemplados os valores do ajuste RTT referente as contraprestações de leasing e do PIS/COFINS sobre elas, porém, em 29/08/2011 foi feita uma retificação na DIPJ, onde equivocadamente foram excluídos os referidos valores referentes ao ajuste RTT das contraprestações leasing e o PIS/COFINS, respectivamente R$1.249.249,69 e R$115.555,59 (ajuste RTT líquido de R$1.133.694,10)." Consigna que "Após identificado o equívoco, foi feita uma nova retificação em 02/05/2012 para reparar o erro, voltando a constar o ajuste RTT que constava na DIPJ do ano calendário de 2010 original." Entende que "Os valores apontados são facilmente identificados no balancete contábil da empresa (doc. 01 – balancete – 3º trimestre de 2010), apresentados na coluna de Débitos referente aos pagamentos do leasing e encargos financeiros, e também apresentado na Parte A do Livro de Apuração do Lucro Real LALUR do 3º Trimestre/2010 (doc. 02 – Parte A do LALUR– 3º Trimestre de 2010)." Junta aos autos documentos contábeis/fiscais de efls. 74 a 78. É o relatório do necessário. Voto Embora seja tempestivo e atenda aos demais requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento parcial do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que não se encontra em condições de julgamento, conforme a seguir explicado. Vêse que a improcedência da Manifestação de Inconformidade teve como fundamento principal a falta de comprovação do crédito pretendido. Entretanto, o Recorrente Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10380.901979/201556 Resolução nº 1002000.074 S1C0T2 Fl. 88 5 juntou no Recurso Voluntário fichas isoladas de Balancete contábil e de Lalur, que, em princípio e em juízo de delibação, conferem verossimilhança a seus argumentos. A controvérsia, portanto, reduzse à questão da comprovação da liquidez e certeza do crédito vindicado mediante análise dos documentos juntados aos autos. Assim, para que seja possível a formação de juízo conclusivo a respeito da matéria e a conseqüente homologação da compensação, fazse necessária a conversão do julgamento do recurso em diligência para que a Unidade de Origem elucide se os documentos colacionados são suficientes para comprovação do alegado erro no preenchimento da DCTF. Para deslinde do caso, se necessário, a Unidade de Origem poderá intimar o Recorrente para juntar novos documentos ou prestar esclarecimentos adicionais com o objetivo de comprovar inequivocamente o direito de crédito postulado. Diante do exposto, voto no sentido de remeter os autos em diligência à Unidade de Origem para que seja verificada a liquidez e certeza dos créditos alegados, referentes ao período a que se refere o Per/Dcomp em questão, devendo aquela Unidade: 1) elaborar Relatório circunstanciado conclusivo sobre o resultado da verificação; 2) informar se o crédito objeto do pedido de compensação foi utilizado em outro processo de compensação; Ao final a Unidade de Origem deverá dar ciência ao Recorrente do resultado da diligência, reabrindolhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestação quanto ao relatório produzido. É como voto. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.909229/2012-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.937
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, que foi julgada improcedente, nos termos da ementa abaixo transcrita: (...) APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 09 22 9/ 20 12 -6 8 Fl. 371DF CARF MF Processo nº 13896.909229/201268 Resolução nº 3402001.937 S3C4T2 Fl. 3 2 débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, bem como cópias de livros contábeis, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Tendo em vista a aludida decisão, o contribuinte interpôs o recurso voluntário, acompanhado de documentos fiscais, oportunidade em que reiterou a alegação de retificação da sua DCTF original e que os documentos acostados com o recurso fariam prova da correição do quantum vindicado a título de crédito. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.925, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13896.908078/201221. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela resolução (Resolução nº 3402001.925): "5. Primeiramente, insta destacar que o despacho denegatório da compensação perpetrada (fl. 87) pautouse pelo fato do crédito utilizado pelo contribuinte ter sido supostamente utilizado para saldar outro débito apontado pelo próprio recorrente em DCTF. 6. Ciente deste despacho, o contribuinte retificou a DCTF sobredita, acostando documentos fiscais com sua manifestação de inconformidade e informando em suas razões que o débito para o qual o crédito foi originalmente utilizado era inexistente. 7. O acórdão recorrido, por seu turno, entendeu que o contribuinte não fez prova suficiente do seu direito, uma vez que a simples retificação da Fl. 372DF CARF MF Processo nº 13896.909229/201268 Resolução nº 3402001.937 S3C4T2 Fl. 4 3 DCTF não seria suficiente para atestar seu direito, a qual deveria ser acompanhada dos documentos fiscais aptos a demonstrar a devida apuração do pretenso crédito. 8. Assim, em sede de recurso voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópia de farta documentação fiscal (fls. 126/357) que comprovaria a correição do quantum vindicado a título de crédito. 9. Embora não se olvide do disposto no art. 16, §4o do Decreto n. 70.235/72, também não é demais frisar que no processo administrativo fiscal vige o princípio da verdade material1 que, por sua vez, reforça a existência de outro princípio que ganhou novo fôlego com o advento do CPC/2015: o princípio da primazia da decisão de mérito, que visa prestigiar a decisão que resolva definitivamente a lide posta para julgamento. 10. Assim, no presente caso, parecenos que a simples chancela da tecnicamente adequada decisão da DRJ de Brasília resultaria em um convite para que o contribuinte continuasse discutindo a presente demanda pelos mesmos fundamentos aqui expostos, só que agora em outro palco, i.e., no âmbito do Poder Judiciário. 11. Tal postura, pura e simples, implicaria em uma sobrecarga do já assoberbado Poder Judiciário, bem como da própria Procuradoria da Fazenda Nacional, além de poder redundar, em ultima ratio, em uma condenação da Fazenda Pública em honorários advocatícios que, diante do CPC/2015, pode ter impacto significativo aos cofres públicos em razão do disposto no art. 85, §3o da novel legislação2. Em suma, tal postura se demonstraria assaz afrontosa a ideia de interesse público primário3, bem como ao princípio da moralidade, que devem nortear a Administração Pública. Ademais, também conflitaria contra os 1 O princípio da verdade material é valor normativo que aqui se convoca não como uma ferramenta mágica, semelhante a uma "varinha de condão" dotada de aptidão para "validar" preclusões e atecnias e transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Com a devida vênia, este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar e, até mesmo, achincalhar esta importante norma. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer aqui exprimir é a possibilidade de reconstruir fatos sociais no universo jurídico por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá, preponderantemente, em razão da relevância do valor jurídico do fato social que se pretende provar juridicamente. Em outros termos, "verdade material" é sinônimo de uma maior flexibilização probante em sede de processos administrativos, o que, se for usado com a devida prudência à luz do caso decidendo, só tem a contribuir para a qualidade da prestação jurisdicional atipicamente prestada em tais processos. 2 "Art. 85. A sentença condenará o vencido a pagar honorários ao advogado do vencedor. (..). § 3o Nas causas em que a Fazenda Pública for parte, a fixação dos honorários observará os critérios estabelecidos nos incisos I a IV do § 2o e os seguintes percentuais: I mínimo de dez e máximo de vinte por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido até 200 (duzentos) saláriosmínimos; II mínimo de oito e máximo de dez por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de 200 (duzentos) saláriosmínimos até 2.000 (dois mil) saláriosmínimos; III mínimo de cinco e máximo de oito por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de 2.000 (dois mil) saláriosmínimos até 20.000 (vinte mil) saláriosmínimos; IV mínimo de três e máximo de cinco por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de 20.000 (vinte mil) saláriosmínimos até 100.000 (cem mil) saláriosmínimos; V mínimo de um e máximo de três por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de 100.000 (cem mil) saláriosmínimos." 3 O qual se configura como interesse de toda uma coletividade e não da Administração Pública enquanto parte (no caso, enquanto parte litigante). Fl. 373DF CARF MF Processo nº 13896.909229/201268 Resolução nº 3402001.937 S3C4T2 Fl. 5 4 desígnios da própria existência do processo administrativo, i.e., de promover um controle de legalidade do crédito tributário e evitar, sempre que possível,.a judicialização de demandas. 12. Diante de tais razões, entendo por bem converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora: (i) analise os documentos acostados aos autos e, sem prejuízo de outros que possam ser solicitados, verifique se o contribuinte faz ou não jus ao crédito vindicado, apresentando, inclusive, planilha analítica a fundamentar suas considerações. 13. Uma vez realizada a diligência acima (ii) o Recorrente deverá ser intimado para, facultativamente, manifestarse em 30 (trinta) dias a seu respeito, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. 14. É a resolução." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por determinar a realização de diligência para que a Unidade de Origem: (i) analise os documentos acostados aos autos e, sem prejuízo de outros que possam ser solicitados, verifique se o contribuinte faz ou não jus ao crédito vindicado, apresentando, inclusive, planilha analítica a fundamentar suas considerações. 13. Uma vez realizada a diligência acima (ii) o Recorrente deverá ser intimado para, facultativamente, manifestarse em 30 (trinta) dias a seu respeito, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 374DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.904487/2017-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2013 a 01/09/2014
CONCEITO DE INSUMOS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE.
São insumos, para efeitos do inciso II do artigo 3º da lei nº 10.637/2002, todos os bens e serviços essenciais ao processo produtivo e á prestação de serviços para a obtenção da receita objeto da atividade econômica do seu adquirente, podendo ser empregados direta ou indiretamente no processo produtivo, cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica.
Desta forma, deve ser estabelecida a relação da essencialidade do insumo (considerando-se a imprescindibilidade e a relevância/importância de determinado bem ou serviço, dentro do processo produtivo, para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela pessoa jurídica) com o objeto social da empresa, para que se possa aferir se o dispêndio realizado pode ou não gerar créditos na sistemática da não cumulatividade,
Sendo esta a posição do STJ, externada no voto do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, ao julgar o RE nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo, ao qual está submetido este CARF, por força do § 2º do Artigo 62 do Regimento Interno do CARF.
DISPÊNDIOS COM FRETE. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS E DE PRODUTOS EM ELABORAÇÃO OU SEMI ELABORADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA.
A transferência de minérios extraídos de minas para a usina onde será beneficiado para que seja obtido o produto final constitui-se em etapa essencial e imprescindível para a manutenção do processo produtivo, mormente quando se considera a distância que separa as unidades mineradoras da usina e a diversidade de locais onde se situam as minas.
Ademais, é característica da atividade da empresa a produção do próprio insumo, até mesmo como forma se certificar de que não haverá interrupção ou comprometimento do processo produtivo.
Assim, essencial e imprescindível a contratação de frete junto á terceira pessoa jurídica para transferência entre estabelecimentos da mesma empresa, frete este pago em decorrência do transporte de minerais das minas até a usina onde é obtido o produto final, no caso, minério de ferro beneficiado, caracterizando-se este dispêndio como insumo.
Portanto, em sendo insumos, os valores decorrentes da contratação de fretes de transporte de insumos (matérias-primas) e produtos em elaboração ou semi- elaborados entre estabelecimentos da mesma empresa geram créditos da Contribuição ao PIS/Pasep na sistemática não cumulativa.
DISPÊNDIOS COM FRETE. DE PRODUTOS ACABADOS - MINÉRIO DE FERRO JÁ BENEFICIADO DESTINADO Á EXPORTAÇÃO. FRETE NO TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA E ARMAZÉNS PARA ESTOQUE AGUARDANDO EXPORTAÇÃO E TERMINAIS PORTUÁRIOS PARA EXPORTAÇÃO.
Os dispêndios com frete de produtos já beneficiados e vendidos, ou seja, os minérios beneficiados, já vendidos, cujo transporte é feito para terminais portuários ou mesmo para armazéns com o objetivo de aguardar o embarque para o exterior caracterizam-se como produtos vendidos cujo frete é suportado pelo vendendor, onde o crédito é garantido por dispositivo legal, neste caso, o inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003.
USINA DE MINÉRIO DE FERRO. GASTOS COM INSUMOS NA FASE PRÉ BENEFICIAMENTO.
Diante da essencialidade dos gastos incorridos para pesquisa, preparação do terreno, escavação, extração para obtenção do minério, matéria prima básica da atividade da recorrente, tais gastos devem gerar créditos para a Contribuição do PIS/PASEP e COFINS no sistema da não cumulatividade, por serem essenciais para a obtenção da receita da atividade desenvolvida. Incluem-se nesta fase os gastos com manutenção da infra estrutura das minas.
MINÉRIO DE FERRO. GASTOS COM O BENEFICIAMENTO DO MINÉRIO .
Diante da essencialidade dos gastos incorridos para pesquisa, preparação do terreno, escavação, extração para obtenção do minério, matéria prima básica da atividade da recorrente, tais gastos devem gerar créditos para a Contribuição do PIS/PASEP e COFINS no sistema da não cumulatividade, por serem essenciais para a obtenção da receita da atividade desenvolvida
GASTOS COM INSUMOS POR OBRIGAÇÃO LEGAL
Incluem-se nesse conceito os gastos com consultoria ambiental (com o objetivo de obtenção de licenças ambientais, pesquisas e estudos técnicos são necessários), os gastos com prestação de consultoria e monitoramento de vibração das cavidades naturais existentes no terreno de lavra de minérios, gastos com prestação de serviços de execução e prospecção espeleológica. Não se enquadram nesse conceito os gastos com prestação de serviços de medicina do trabalho e segurança, por serem comuns a todas as empresas, portanto não essencial e relevante para obtenção da receita vinculada a atividade da recorrente
Numero da decisão: 3301-006.109
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento para reverter as glosas referentes: fretes de insumos e produtos semi elaborados entre estabelecimentos da empresa (unidade mineradora e complexo industrial de beneficiamento de minério - usina); fretes com transporte de produtos acabados/beneficiados já destinados à exportação; gastos com insumos na fase de pré-beneficiamento; gastos com o beneficiamento do minério; gastos com insumos por obrigação legal. Vencida a conselheira Liziane Angelotti Meira, que manteve a glosa de fretes entre estabelecimentos.
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Presidente.
Assinado digitalmente
Ari Vendramini - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator)
Nome do relator: ARI VENDRAMINI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2013 a 01/09/2014 CONCEITO DE INSUMOS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. São insumos, para efeitos do inciso II do artigo 3º da lei nº 10.637/2002, todos os bens e serviços essenciais ao processo produtivo e á prestação de serviços para a obtenção da receita objeto da atividade econômica do seu adquirente, podendo ser empregados direta ou indiretamente no processo produtivo, cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Desta forma, deve ser estabelecida a relação da essencialidade do insumo (considerando-se a imprescindibilidade e a relevância/importância de determinado bem ou serviço, dentro do processo produtivo, para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela pessoa jurídica) com o objeto social da empresa, para que se possa aferir se o dispêndio realizado pode ou não gerar créditos na sistemática da não cumulatividade, Sendo esta a posição do STJ, externada no voto do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, ao julgar o RE nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo, ao qual está submetido este CARF, por força do § 2º do Artigo 62 do Regimento Interno do CARF. DISPÊNDIOS COM FRETE. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS E DE PRODUTOS EM ELABORAÇÃO OU SEMI ELABORADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. A transferência de minérios extraídos de minas para a usina onde será beneficiado para que seja obtido o produto final constitui-se em etapa essencial e imprescindível para a manutenção do processo produtivo, mormente quando se considera a distância que separa as unidades mineradoras da usina e a diversidade de locais onde se situam as minas. Ademais, é característica da atividade da empresa a produção do próprio insumo, até mesmo como forma se certificar de que não haverá interrupção ou comprometimento do processo produtivo. Assim, essencial e imprescindível a contratação de frete junto á terceira pessoa jurídica para transferência entre estabelecimentos da mesma empresa, frete este pago em decorrência do transporte de minerais das minas até a usina onde é obtido o produto final, no caso, minério de ferro beneficiado, caracterizando-se este dispêndio como insumo. Portanto, em sendo insumos, os valores decorrentes da contratação de fretes de transporte de insumos (matérias-primas) e produtos em elaboração ou semi- elaborados entre estabelecimentos da mesma empresa geram créditos da Contribuição ao PIS/Pasep na sistemática não cumulativa. DISPÊNDIOS COM FRETE. DE PRODUTOS ACABADOS - MINÉRIO DE FERRO JÁ BENEFICIADO DESTINADO Á EXPORTAÇÃO. FRETE NO TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA E ARMAZÉNS PARA ESTOQUE AGUARDANDO EXPORTAÇÃO E TERMINAIS PORTUÁRIOS PARA EXPORTAÇÃO. Os dispêndios com frete de produtos já beneficiados e vendidos, ou seja, os minérios beneficiados, já vendidos, cujo transporte é feito para terminais portuários ou mesmo para armazéns com o objetivo de aguardar o embarque para o exterior caracterizam-se como produtos vendidos cujo frete é suportado pelo vendendor, onde o crédito é garantido por dispositivo legal, neste caso, o inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003. USINA DE MINÉRIO DE FERRO. GASTOS COM INSUMOS NA FASE PRÉ BENEFICIAMENTO. Diante da essencialidade dos gastos incorridos para pesquisa, preparação do terreno, escavação, extração para obtenção do minério, matéria prima básica da atividade da recorrente, tais gastos devem gerar créditos para a Contribuição do PIS/PASEP e COFINS no sistema da não cumulatividade, por serem essenciais para a obtenção da receita da atividade desenvolvida. Incluem-se nesta fase os gastos com manutenção da infra estrutura das minas. MINÉRIO DE FERRO. GASTOS COM O BENEFICIAMENTO DO MINÉRIO . Diante da essencialidade dos gastos incorridos para pesquisa, preparação do terreno, escavação, extração para obtenção do minério, matéria prima básica da atividade da recorrente, tais gastos devem gerar créditos para a Contribuição do PIS/PASEP e COFINS no sistema da não cumulatividade, por serem essenciais para a obtenção da receita da atividade desenvolvida GASTOS COM INSUMOS POR OBRIGAÇÃO LEGAL Incluem-se nesse conceito os gastos com consultoria ambiental (com o objetivo de obtenção de licenças ambientais, pesquisas e estudos técnicos são necessários), os gastos com prestação de consultoria e monitoramento de vibração das cavidades naturais existentes no terreno de lavra de minérios, gastos com prestação de serviços de execução e prospecção espeleológica. Não se enquadram nesse conceito os gastos com prestação de serviços de medicina do trabalho e segurança, por serem comuns a todas as empresas, portanto não essencial e relevante para obtenção da receita vinculada a atividade da recorrente
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REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. São insumos, para efeitos do inciso II do artigo 3º da lei nº 10.637/2002, todos os bens e serviços essenciais ao processo produtivo e á prestação de serviços para a obtenção da receita objeto da atividade econômica do seu adquirente, podendo ser empregados direta ou indiretamente no processo produtivo, cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Desta forma, deve ser estabelecida a relação da essencialidade do insumo (considerandose a imprescindibilidade e a relevância/importância de determinado bem ou serviço, dentro do processo produtivo, para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela pessoa jurídica) com o objeto social da empresa, para que se possa aferir se o dispêndio realizado pode ou não gerar créditos na sistemática da não cumulatividade, Sendo esta a posição do STJ, externada no voto do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, ao julgar o RE nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo, ao qual está submetido este CARF, por força do § 2º do Artigo 62 do Regimento Interno do CARF. DISPÊNDIOS COM FRETE. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS E DE PRODUTOS EM ELABORAÇÃO OU SEMI ELABORADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. A transferência de minérios extraídos de minas para a usina onde será beneficiado para que seja obtido o produto final constituise em etapa essencial e imprescindível para a manutenção do processo produtivo, mormente quando se considera a distância que separa as unidades mineradoras da usina e a diversidade de locais onde se situam as minas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 44 87 /2 01 7- 08 Fl. 1276DF CARF MF 2 Ademais, é característica da atividade da empresa a produção do próprio insumo, até mesmo como forma se certificar de que não haverá interrupção ou comprometimento do processo produtivo. Assim, essencial e imprescindível a contratação de frete junto á terceira pessoa jurídica para transferência entre estabelecimentos da mesma empresa, frete este pago em decorrência do transporte de minerais das minas até a usina onde é obtido o produto final, no caso, minério de ferro beneficiado, caracterizandose este dispêndio como insumo. Portanto, em sendo insumos, os valores decorrentes da contratação de fretes de transporte de insumos (matériasprimas) e produtos em elaboração ou semi elaborados entre estabelecimentos da mesma empresa geram créditos da Contribuição ao PIS/Pasep na sistemática não cumulativa. DISPÊNDIOS COM FRETE. DE PRODUTOS ACABADOS MINÉRIO DE FERRO JÁ BENEFICIADO DESTINADO Á EXPORTAÇÃO. FRETE NO TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA E ARMAZÉNS PARA ESTOQUE AGUARDANDO EXPORTAÇÃO E TERMINAIS PORTUÁRIOS PARA EXPORTAÇÃO. Os dispêndios com frete de produtos já beneficiados e vendidos, ou seja, os minérios beneficiados, já vendidos, cujo transporte é feito para terminais portuários ou mesmo para armazéns com o objetivo de aguardar o embarque para o exterior caracterizamse como produtos vendidos cujo frete é suportado pelo vendendor, onde o crédito é garantido por dispositivo legal, neste caso, o inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003. USINA DE MINÉRIO DE FERRO. GASTOS COM INSUMOS NA FASE PRÉ BENEFICIAMENTO. Diante da essencialidade dos gastos incorridos para pesquisa, preparação do terreno, escavação, extração para obtenção do minério, matéria prima básica da atividade da recorrente, tais gastos devem gerar créditos para a Contribuição do PIS/PASEP e COFINS no sistema da não cumulatividade, por serem essenciais para a obtenção da receita da atividade desenvolvida. Incluemse nesta fase os gastos com manutenção da infra estrutura das minas. MINÉRIO DE FERRO. GASTOS COM O BENEFICIAMENTO DO MINÉRIO . Diante da essencialidade dos gastos incorridos para pesquisa, preparação do terreno, escavação, extração para obtenção do minério, matéria prima básica da atividade da recorrente, tais gastos devem gerar créditos para a Contribuição do PIS/PASEP e COFINS no sistema da não cumulatividade, por serem essenciais para a obtenção da receita da atividade desenvolvida GASTOS COM INSUMOS POR OBRIGAÇÃO LEGAL Incluemse nesse conceito os gastos com consultoria ambiental (com o objetivo de obtenção de licenças ambientais, pesquisas e estudos técnicos são necessários), os gastos com prestação de consultoria e monitoramento de vibração das cavidades naturais existentes no terreno de lavra de minérios, gastos com prestação de serviços de execução e prospecção espeleológica. Não se enquadram nesse conceito os gastos com prestação de serviços de medicina do trabalho e segurança, por serem comuns a todas as empresas, portanto não essencial e relevante para obtenção da receita vinculada a atividade da recorrente Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1277DF CARF MF Processo nº 10680.904487/201708 Acórdão n.º 3301006.109 S3C3T1 Fl. 1.252 3 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento para reverter as glosas referentes: fretes de insumos e produtos semi elaborados entre estabelecimentos da empresa (unidade mineradora e complexo industrial de beneficiamento de minério usina); fretes com transporte de produtos acabados/beneficiados já destinados à exportação; gastos com insumos na fase de prébeneficiamento; gastos com o beneficiamento do minério; gastos com insumos por obrigação legal. Vencida a conselheira Liziane Angelotti Meira, que manteve a glosa de fretes entre estabelecimentos. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Presidente. Assinado digitalmente Ari Vendramini Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator) Relatório 1. Os presentes autos tiveram origem em procedimento de fiscalização para verificação dos créditos da não cumulatividade, relativos a receitas de exportação, objetos dos PER – PEDIDOS ELETRÔNICOS DE RESSARCIMENTO, aqui relacionados, da Contribuição para o PIS/PASEP NÃO CUMULATIVA e da COFINS NÃO CUMULATIVA. Vinculados a tais PER estavam Declarações de Compensação DCOMPs, também transmitidas eletronicamente pela ora recorrente, sendo que para cada PER foi vinculado um processo administrativo, como demonstrado na tabela. Nestes autos, a recorrente transmitiu a PER n° 414311358609121411190731, visando o ressarcimento de direito creditório, decorrente da/o Cofins não cumulativo exportação, do 3º TRIM 2014, no valor de R$ 1.290.543,03. PIS/PASEP NÃO CUMULATIVA PERÍODO DE APURAÇÃO PER Nº PROCESSO ADM Nº 1º TRIM 2013 07863.33572.140613.1.1.081944 10680.902569/201718 2º TRIM 2013 13539.58117.160813.1.1.082730 10680.902570/201734 1º TRIM 2014 17839.05923.270614.1.1.087016 10680.904482/201777 2º TRIM 2014 10601.11364.141014.1.1.080400 10680.904485/201719 3º TRIM 2014 23840.16224.091214.1.1.085643 10680.904486/201755 COFINS NÃO CUMULATIVA PERÍODO DE APURAÇÃO PER Nº PROCESSO ADM Nº 1º TRIM 2013 22860.92415.140613.1.1.090419 10680.902568/201765 2º TRIM 2013 27279.46428.160813.1.1.097390 10680.902571/201789 Fl. 1278DF CARF MF 4 1º TRIM 2014 38881.14812.270614.1.1.097662 10680.904483/201711 2º TRIM 2014 20115.88267.141014.1.1.094906 10680.904484/201766 3º TRIM 2014 41431.13586.091214.1.1.090731 10680.904487/201708 2. Dos trabalhos de fiscalização foram formalizados os lançamentos por autos de infração, por descumprimento da legislação de regência dos tributos, sendo glosados os créditos apurados, sob a fundamentação constante do Termo de Verificação Fiscal e tabelas anexas de fls. 89/116, constantes destes autos digitais. Estes autos de infração são o objeto dos presentes autos, tendo como reflexos os processos a estes apensados. 3. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adotamos o relatório do Acórdão da DRJ/JUIZ DE FORA, combatido nestes autos pela recorrente : Tratase de autos de infração lavrados contra a empresa acima identificada, em que foram lançados Cofins, no valor principal de R$ 6.483.588,64, e PIS, no valor principal de R$ 1.407.621,21, acompanhados de juros de mora (calculados até 06/2017) e multa de ofício 75%. O valor consolidado do crédito tributário corresponde a R$ 17.104.745,37. Na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, que acompanha os autos de infração, a infração apurada está assim discriminada: Foi emitido Termo de Verificação Fiscal (TVF) para um conjunto de PER, abaixo relacionados, em função de procedimento de fiscalização do cumprimento das obrigações tributárias, pelo contribuinte acima identificado, relativas aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS, pelo regime não cumulativo: O TVF traz que: // PROCEDIMENTOS INICIAIS DE FISCALIZAÇÃO (...) /// FUNDAMENTAÇÃO LEGAL UTILIZADA (...) IV DOS FATOS APURADOS (...) Com base nas informações prestadas pelo contribuinte, em cotejo com o seu processo produtivo, passamos a examinar os insumos empregados na produção. Desta análise, constatamos erro na adoção do conceito de insumos e, consequentemente, na amplitude da base de cálculo dos créditos com direito a dedução/ressarcimento na apuração de PIS e COFINS na modalidade não cumulativa. Como já descrito, a legislação de regência não assegura o direito de apurar crédito sobre todo e qualquer custo, despesa ou encargo, ainda que necessário à atividade da pessoa jurídica. Para serem considerados insumos, os bens e os serviços devem ser aplicados ou consumidos durante a fabricação do produto ou a prestação do serviço e, com relação aos serviços, prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no País. Concluise que a condição imposta para o aproveitamento dos créditos é a aplicação ou consumo, tanto de serviços quanto de bens, durante o processo produtivo de bem destinado à venda ou à prestação de serviços. Fl. 1279DF CARF MF Processo nº 10680.904487/201708 Acórdão n.º 3301006.109 S3C3T1 Fl. 1.253 5 Logo, o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gere custo/despesa, como pretendeu o contribuinte, mesmo que necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas somente o que efetivamente se aplicou ou consumiu diretamente na produção ou fabricação do produto destinado à venda. Assim, elaboramos planilhas:(Anexos I, II, III, IV e V), que passam a fazer parte integrante deste termo, para demonstrar todo procedimento adotado na presente ação fiscal e, sobretudo, elencar os bens ou serviços que, embora utilizados pelo contribuinte, devido às restrições impostas pela legislação de regência, não foram considerados como insumos e, portanto, tiveram os respectivos créditos glosados. Não obstante, citamos e fazemos referências ao conteúdo de cada anexo, conforme segue: Anexo I DEMONSTRATIVO FORNECEDORES E OPERAÇÕES OBJETO DE GLOSA. Planilha relacionando os fornecedores de produtos ou serviços, na primeira coluna, e a descrição dos produtos ou serviços, os quais foram desconsiderados por esta fiscalização para efeito de geração de crédito(GLOSA), na segunda coluna. Como pode ser constatado, na supramencionada planilha, são produtos ou serviços que não participam diretamente do processo produtivo do contribuinte: extração e processamento do minério de ferro. Minério de ferro que é o produto final, que é o objeto de venda e que enseja débito de PIS/COFINS, a ser compensado com os respectivos créditos. Em que pese serem produtos e serviços úteis, tais como: consultorias ambientais e outras, abertura e conservação de acessos, projetos, serviço de limpeza e apoio administrativo, serviço de despacho aduaneiro, obras de infra estrutura, movimentação interna de produtos e rejeitos e transporte em território nacional, de mercadoria destinada à exportação. Cabe destacar aqui, pela relevância, as operações de transporte ou remoção de produtos, subprodutos ou rejeitos. Tais operações são posteriores ao processo produtivo, afastando o conceito de insumos, necessário para considerálas como geradores de crédito. Quanto ao transporte de produtos acabados, ou seja, após o término do processo produtivo, independente se entre o local de produção até o estoque, bem como do estoque até o armazém portuário para futuro embarque, essas operações não estão contempladas como ensejadoras de crédito. Anexo II DEMONSTRATIVO BASE CÁLCULO GLOSAS Planilha com totalizações mensais de valores das operações e respectivos fornecedores, que foram objeto de glosa. Anexo III DEMONSTRATIVO CÁLCULO GLOSAS CRÉDITO Planilha que se inicia com os totais das bases de cálculo, demonstrados no anexo II, e que segue com o cálculo das contribuições (PIS/COFINS) glosadas, rateadas na proporção das receitas auferidas no mercado interno e mercado externo. Fl. 1280DF CARF MF 6 Anexo IV DEMONSTRATIVO APURAÇÃO, DEDUÇÕES E CONTROLE DO SALDO POSITIVO. Planilha com os cálculos dos débitos e créditos mensais bem como a demonstração das deduções e dos saldos dc cada contribuição. Anexo V DEMONSTRATIVO SALDOS NEGATIVOS DE CRÉDITO, LANÇADOS EM AUTO DE INFRAÇÃO. Demonstração do crédito apurado na fiscalização (coluna D), que foi o resultado entre o crédito apurado pelo contribuinte (coluna B) e os valores dos créditos glosados (coluna C), rateado na proporção das receitas do mercado interno e mercado externo (co!unas E a H). Finalmente foram discriminadas as deduções utilizadas pelo contribuinte (coluna I), para se chegar nos valores negativos de créditos, que foram objeto de lançamento por meio de lavratura de Auto de Infração(coluna J). Tais valores foram o resultado do crédito apurado pelo contribuinte, diminuído das glosas e das deduções efetuadas pelo contribuinte(B C 1 ). V— CONCLUSÃO Em função do presente trabalho e decorrente das glosas demonstradas, considerando as deduções já efetuadas, ao contrário da pretensão do contribuinte, restou saldo a recolher de PIS/COFINS, cujos valores foram objeto de lançamento por meio de Auto de Infração. Este relatório é comum às contribuições para o PIS e para a COFINS não cumulativas e aos Per/Dcomp do período fiscalizado, tendo em vista os mesmos elementos de prova e análise. A empresa apresenta impugnação, na qual alega que: II DOS FATOS (...) Nos termos autorizados pela legislação regente, a Manifestante acumula créditos de referida Contribuição, uma vez que realiza exportações do produto por ela explorado (minério de ferro) e, em virtude disto, regularmente apresenta, perante a Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte MG, Pedidos de Ressarcimento daquelas contribuições. (...) Entretanto, a Fiscalização não acatou os créditos apropriados pela Manifestante,digase desde já, por desconhecimento da atividade desenvolvida, em especial no que tange ao processo produtivo empregado para a consecução do seu objeto social. Neste ponto, importante esclarecer que, paralelamente a análise do PER/DCOMP em questão, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte MG levou a efeito procedimento de fiscalização em face da Manifestante que culminou na lavratura dos Autos de Infração assentados no Processo Administrativo Tributário de n° 15504.724.382/201713. Desta forma, naquela oportunidade, restaram constituídos créditos tributários da Contribuição ao PIS e da COFINS, referentes aos exercícios de 2013 e 2014 período de apuração que engloba o objeto do presente feito utilizandose para tanto, dos mesmos argumentos usados por este Fisco para a não homologação do Pedido de Ressarcimento em análise. Fl. 1281DF CARF MF Processo nº 10680.904487/201708 Acórdão n.º 3301006.109 S3C3T1 Fl. 1.254 7 Por conseguinte, necessário se faz o apensamento daquele processo administrativo (n° 15504,724.382/201713) ao presente feito, para que não haja o risco de serem prolatadas decisões divergentes para demandas que possuem o mesmo objeto. (...) II.1 DA ATIVIDADE DE EXTRAÇÃO E BENEFICIAMENTO DO MINÉRIO DE FERRO E DOS PRINCIPAIS INSUMOS UTILIZADOS, (...) Fase 01 Extração Nesta fase, é promovida a extração do minério de ferro na forma de material bruto, também chamado de minério "ROM" (run of mine) que será executada, principalmente, por meio de explosivos, retroescavadeiras e tratores. Logo após, é feito o carregamento dos caminhões que transportarão o minério (ROM) até a planta de beneficiamento (usina), uma vez que a área onde o minério é extraído encontra se distante do local onde ocorrem os processos de beneficiamento. Fase 02 Beneficiamento (...) 2.1 Britagem (...) 2.2 Concentração (...) Fase 03 Transporte Finalizado o tratamento na Usina, o minério de ferro será transportado até o Estoque de Produtos, de onde será levado por caminhões para o terminai ferroviário. No terminal, o minério será carregado em trens e levado até os portos via estrada férrea. Após chegar ao Porto, finalmente é embarcado em navios e exportado para o comprador destinatário. (...) III DO DIREITO DO REAL CONCEITO DE INSUMO (...) Contudo, a Fiscalização Federal, ao não reconhecer os créditos da Manifestante, restringiu a compreensão do conceito de insumo para fins da não cumulatividade da Contribuição ao PIS, deixando, assim, de homologar os créditos solicitados para ressarcimento no PER/DCOMP objeto deste processo administrativo. A bem da verdade, o que fez a Fiscalização foi estabelecer uma analogia direta entre o conceito de insumo para a sistemática da Contribuição ao PIS e da COFINS nãocumulativas com o conceito de insumo adotado para o IPI, cujo pressuposto de fato reside na industrialização de produtos, e cuja não cumulatividade em nada se assemelha à aplicada à Contribuição do PIS e da COFINS, que tem como pressuposto de fato a receita, isso porque, o conceito de insumo adotado pela Fiscalização admite como insumos geradores de crédito Fl. 1282DF CARF MF 8 apenas as despesas com matérias primas, materiais de embalagem e produtos intermediários que se incorporem ao produto final ou, pelo menos, desgastamse peio contato físico com o produto em fabricação,desconsiderando, inclusive, que o regime da não cumulatividade é voltado não apenas a produtores de bens, mas também prestadores de serviços, que não lidam com despesas dessa natureza. Porém, tal conceito é muito restrito para fins de preservar a não cumulatividade do PIS e da COFINS. É que, tratandose de tributo direto que incide sobre a totalidade das receitas auferidas pela empresa, impõese que se permita a apuração de créditos relativamente a todas as despesas realizadas junto a pessoas jurídicas sujeitas à Contribuição, necessárias à obtenção de receita. Assim, em matéria de PIS e COFINS não há como limitarse à idéia de crédito físico, porquanto essas contribuições não se baseiam nas despesas necessárias para a produção ou fabricação de um produto, mas sim nas despesas necessárias para a geração de receita. Discorre sobre o tema, trazendo acórdãos do CARF e decisões na esfera judicial e finaliza: Vêse, pois, que devem ser considerados como insumos que ensejam a apuração de créditos, os gastos relativos a serviços e bens, cuja aquisição configure dispêndio essencial à exploração da atividade da pessoa jurídica. (...) III2 DA EXISTÊNCIA DOS CRÉDITOS INFORMADOS PELA MANIFESTANTE. III2.1 DOS BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS Segundo as alegações da Fiscalização, a Manifestante não faz jus ao crédito de PIS sobre alguns bens e serviços utilizados como insumos, sob a alegação de que não foram consumidos diretamente na extração e produção do minério de ferro (lista em anexo). Citase, como exemplo, alguns bens e serviços glosados. • Transporte de minério de ferro dos terminais até o porto. • Transporte de minério de ferro dos terminais até o terminal ferroviário. • Serviço de remoção e transporte de finos de minério, produtos e rejeitos. • Obras de infraestrutura de mina (drenagem das minas e abertura de acessos) e operações com caminhão pipa, para captação e transporte de água. • Serviços de terraplanagem, bacias de sedimentação e drenagem, • Manutenção e limpeza manual e mecanizada das instalações industriais. • Consultoria ambiental. • Serviços de perícia técnica relacionados à segurança do trabalho. Na verdade, conforme já exposto em tópico específico, a Fiscalização entendeu por bem limitar o conceito de insumo para fins de observância à nãocumulativtdade da Contribuição ao PIS e da COFINS, considerando apenas o crédito físico, ou seja, apenas os bens e serviços que se exaurem no contato físico com o produto em fabricação. Fl. 1283DF CARF MF Processo nº 10680.904487/201708 Acórdão n.º 3301006.109 S3C3T1 Fl. 1.255 9 No entanto, sob pena de inviabilizar a nãocumulatividade eleita pelo legislador ordinário, o limite até aonde se pode considerar uma despesa como insumo é a capacidade do insumo em gerar receita para a empresa. Repisase: devem ser considerados como insumos que ensejam a apuração do crédito os gastos relativos a bens e serviços, cuja aquisição configure dispêndio essencial à exploração da atividade da pessoa jurídica. (...) III.2.2 DOS TRANSPORTES DO MINÉRIO DE FERRO. (...) Vêse que o inciso IX do dispositivo legal supracitado, admite expressamente o creditamento relativo aos custos com armazenagem de mercadorias e com fretes na operação de vendas contratados junto a pessoas jurídicas e desde que suportados pelo vendedor. Neste sentido, a interpretação sistemática da legislação é a que se impõe no caso, pois tratase de matéria a ser examinada sob a luz da nãocumulatividade da Contribuição ao PIS e da COFINS, e não propriamente sob a luz de exclusões de crédito tributário. Assim sendo, o referido inciso IX é extensivo aos bens e serviços previstos no inciso II do mesmo artigo, o qual prevê o direito ao crédito dos bens e serviços necessários à consecução das atividades da empresa. No caso das atividades desempenhadas pela Manifestante, é indispensável o transporte de minério de ferro bruto, retirado das suas minas, que é um produto ainda em elaboração, para a planta de beneficiamento, local em que o processo produtivo será concluído. Ainda, com relação ao serviço de transporte do produto acabado entre estabelecimentos ou centros de distribuição, também não há dúvidas quanto à sua essencialidade. Sem esses transportes, a Manifestante nunca conseguiria vender os seus produtos, independentemente se no mercado interno ou externo. (...) III.2.2.1 Toniolo Busnello S.A Túneis Terraplanagens e Pavimentação Conforme contratos anexados, a empresa Toniolo Busnello prestava à Manifestante o serviço de carregamento de minério "ROM" run of mine, que é o minério bruto recém retirado da mina, até a Usina em que era beneficiado. Sem este transporte inicial, não se poderia realizar o beneficiamento do minério, interrompendo sua cadeia produtiva logo no início e, assim, inviabilizando o objeto social da MMX Sudeste Mineração S/A, Destarte, é incontroverso que o transporte realizado pela Toniolo Busnello compõe a cadeia produtiva empreendida pela Manifestante, sendo considerado insumo nos termos da legislação que rege a Contribuição ao PIS e a COFINS no regime nãocumulativo.(...) III.2.2.2 Mecma No período entre 2011 e 2014, a Mecma Terraplanagem e Locação de Equipamentos foi responsável pelo transporte do minério já beneficiado até o Estoque, onde eram fechados os lotes a depender dos pedidos e especificações de cada cliente. (...) Fl. 1284DF CARF MF 10 III.2.2.3 Rodoreal Transportes Ltda ME A empresa Rodoreal Transportes Ltda ME realizava, às expensas da Manifestante, o transporte dos lotes de minério desde o Estoque até o terminal ferroviário. É que, após a separação do minério de ferro em lotes, de acordo com a especificação do produto, que se dá no Estoque, a Manifestante, para realizar a venda do produto, precisa transportálo até os terminais ferroviários, onde estão localizados os trens que irão escoar a sua produção até o porto. Neste ponto, importante salientar que o transporte realizado até o terminal ferroviário também se enquadra, como demonstrado, na hipótese descrita pelo inciso IX do art. 3o da Lei n° 10.833, de 2003, já que a operação realizada peia Rodoreal constitui, nas palavras da lei, "frete na operação de venda", cujo custo foi inteiramente suportado pela Manifestante, conforme contratos anexos. Por consequência, o valor do serviço deve gerar créditos da nãocumulatividade nos termos da legislação regente. III.2.2.4 Terminal Serra Azul Ltda. Conforme notas fiscais anexas (juntadas por amostragem), a empresa Terminal Serra Azul Ltda" era responsável pela armazenagem dos lotes de minério e, posteriormente, pelo carregamento dos trens que realizam o transporte do produto comercializado pela Manifestante até o Porto. Assim sendo, sua atividade compõe a cadeia de frete para venda, enquadrandose no conceito descrito peio inciso IX do art. 3o da Lei n° 10.833/03, gerando crédito da não cumulatividade a serem apropriados pela Manifestante. III.2.2.5 MRS Logística S/A Por sua vez, a empresa MRS Logística S/A era a responsável por transportar, via estrada de ferro, os lotes minerais, destinados à exportação, até o Porto onde seriam embarcados nos navios de carga. Da mesma forma que os estágios anteriores, esta fase compõe a cadeia contínua de frete para a venda, pois se fosse omitida, seria impossível que a Manifestante realizasse a venda ou exportação de sua produção. Mais uma vez, cumpre salientar que todo o custo deste transporte era suportado pela Manifestante, atraindo, sem dúvida, a incidência da regra do inciso IX do art. 3o da Lei n° 10.833, de 2003, que determina que os custos envolvidos na armazenagem e frete para venda gerem créditos, caso da Manifestante. (...) III.2.3 DOS SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE INFRAESTRUTURA DE MINA. (...) Ora, para que seja extraído o minério de ferro, é essencial que se tenha acesso às minas. Do contrário, a Manifestante sequer terá condições de iniciar suas atividades. (..) Por certo, é entendimento pacificado que a compreensão do conceito de insumo para a nãocumulatividade da Contribuição ao PIS e da COFINS deve ser mais abrangente, abarcando os serviços por sua essencialidade ao processo produtivo. Fl. 1285DF CARF MF Processo nº 10680.904487/201708 Acórdão n.º 3301006.109 S3C3T1 Fl. 1.256 11 (...) III.2.3.1 Transportes Sarzedo Ltda TSL Como fica claro nos contratos aqui anexos, a Transportes Sarzedo Ltda – TSL realizava obras de manutenção de infraestrutura, tais como limpeza e desassoreamento de barragens de rejeito de propriedade da Manifestante, (...) III.2.3.2 Toniolo Busnello S.A Túneis Terraplanagens e Pavimentação Em concomitância às atividades de transporte de minério "ROM", a Toniolo realizava, também, serviços de infraestrutura de barragens, como o alteamento de barragem (contrato anexo), que consiste no reforço das laterais e aumento da altura de uma determinada barragem de rejeitos. III.2.3.3 ~ Skavaminas Mineração, Construção e Transportes Ltda. A empresa Skavaminas operava as obras de manutenção e estruturação direta de minas, realizando, nos termos do contrato anexado, serviços como abertura e manutenção de acessos, a drenagem e a limpeza das minas. É o relatório 4. Decidindo a matéria impugnada, a DRJ/JUIZ DE FORA exarou o Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2013 a 01/09/2014 APENSAÇÃO DE PROCESSOS. A apensação de processos segue, no âmbito da RFB, as hipóteses previstas em norma administrativa específica, dentre elas: processo que analisa o ressarcimento do PIS/Cofins não cumulativo exportação com o processo referente ao lançamento de ofício dele decorrente. GLOSA DE CRÉDITOS. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. EXPORTAÇÃO Se a glosa de créditos efetivada pelo Fisco resulta em contribuição a pagar, mostrase correto o lançamento realizado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido 5. Inconformado com tal decisão, o requerente apresentou Recurso Voluntário, onde traz, como razões de defesa os mesmos fundamentos e argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade dirigida á DRJ, requerendo ao final que seja provido o recurso voluntário para que seja reformada a decisão combatida, cancelandose, por consequencia, na totalidade, o auto de infração constante destes autos e qualquer determinação dele decorrente. 6. Os autos foram então a mim distribuídos para relatar. É o relatório. Fl. 1286DF CARF MF 12 Voto Conselheiro Ari Vendramini 7. A contenda no presente caso gira em torno da possibilidade de serem considerados como insumos os dispêndios incorridos no processo produtivo da recorrente, em sendo considerados insumos, se estes podem originar créditos a serem utilizados como determina a legislação da Contribuição ao PIS/Pasep e da COFINS, na sistemática da não cumulatividade. DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS PELA RECORRENTE 8. No caso aqui em exame, tratase de empresa que desenvolve, como principal atividade econômica que engloba toda a cadeia de mineração, dentre outras atividades, sendo que ás fls. 153/174 dos autos digitais encontrase cópia de Ata de Assembleia Geral Extraordinária, realizada em 28/04/2016, onde se encontra o Estatuto Social da recorrente. No Artigo 3 do Capítulo I deste Estatuto está estabelecido o seu objeto social : Artigo 3º. A Companhia tem por objeto a indústria e comércio de minérios em geral, em todo o território nacional, compreendendo a pesquisa, lavra e beneficiamento; a prestação de serviços geológicos; a importação, exportação e comércio de produtos minerais, químicos e industriais; as atividades de transporte e de operação portuária de navegação; a comercialização de produtos primários e/ou industrializados (commodities), no mercado interno e externo; bem como a participação no capital de outras sociedades simples ou empresárias, qualquer que seja o objeto social. Para atender ao objeto social da Companhia, esta poderá constituir subsidiárias sob qualquer forma societária. 9. Os seguintes trechos extraídos do texto do Recurso Voluntário apresentado ajudam a delinear as atividades desenvolvidas pela recorrente : fls. 1.418 dos autos digitais : Assim sendo, para entender a essencialidade de cada bem ou serviço é imprescindível rememorar o processo produtivo empreendido pela Recorrente, processo este retratado no esquema fase a fase, a seguir: Fase 01 — Extração Nesta fase, é promovida a extração do minério de ferro na forma de material bruto, também chamado de minério "ROM" (run of mine) que será executada,principalmente, por meio de explosivos, retroescavadeiras e tratores. Logo após, é feito o carregamento dos caminhões que transportarão o minério (ROM) até a planta de beneficiamento (usina), uma vez que a área onde o minério é extraído encontrase distante do local onde ocorrem os processos de beneficiamento. Fase 02 — Beneficiamento Na Usina, ocorrem diversos processos de beneficiamento que podem sintetizar, grosseiramente, em: 2.1 — Britagem A britagem corresponde ao primeiro estágio mecânico de fragmentação de minérios. O controle da britagem é feito pelas operações de peneiramento. Isso significa que o minério que não Fl. 1287DF CARF MF Processo nº 10680.904487/201708 Acórdão n.º 3301006.109 S3C3T1 Fl. 1.257 13 atingiu o tamanho adequado deve retornar para ser fragmentado mais uma ou duas vezes. Em conjunto com a fragmentação,ocorre a classificação das partículas de minério por tamanho. 2.2— Concentração Tem como objetivo distinguir o minério valioso, chamado de concentrado, e o descartável, conhecido como rejeito. Através de diferentes processos de concentração como a "jigagem" ou a separação magnética, o minério é separado e classificado em lotes diferenciados de acordo com a demanda dos compradores, a depender do fim a que se destinam os lotes. Neste momento, são realizadas diversas análises para atestar a qualidade dos lotes. Fase 03 Transporte Finalizado o tratamento na Usina, o minério de ferro será transportado até o Estoque de Produtos, de onde será levado por caminhões para o terminal ferroviário. No terminal, o minério será carregado em trens e levado até os portos via estrada férrea. Após chegar ao Porto, finalmente é embarcado em navios e exportado para o comprador destinatário. O CONCEITO DE INSUMOS NA SISTEMÁTICA DA NÃO CUMULATIVIDADE PARA A CONTRIBUIÇÃO AO PIS/PASEP E A COFINS. 10. Tema polêmico que vem sendo enfrentado desde o surgimento do Princípio da Não Cumulatividade para as contribuições sociais, instituído no ordenamento jurídico pátrio pela Emenda Constitucional nº 42/2003, que adicionou o § 12 ao artigo 95 da Constituição Federal, onde se definiu que os setores de atividade econômica que seriam atingidos pela nova e atípica sistemática da não cumulatividade seriam definidos por legislação infraconstitucional, diferentemente da sistemática de não cumulatividade instituída para os tributos IPI e ICMS, que já está definida no próprio texto constitucional. Portanto, a nova sistemática seria definida por legislação ordinária e não pelo texto constitucional, estabelecendo a Carta Magna que a regulamentação desta sistemática estaria a cargo do legislador ordinário. 11. Assim, a criação da sistemática da não cumulatividade para a Contribuição para o PIS/Pasep se deu pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, onde o Inciso II do seu artigo 3º autoriza a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados á venda. 16. Mais tarde, muitos textos legais surgiram para instituir novos créditos, inclusive presumidos, para serem utilizados sob diversas formas : dedução do valor das contribuições devidas, apuradas ao final de determinado período, compensação do saldo acumulado de créditos com débitos titularizados pelo adquirente dos insumos e até ressarcimento, em, espécie, do valor do saldo acumulado de créditos, na impossibilidade ser utilizados nas formas anteriores. 17. Por ser o órgão governamental incubido da administração, arrecadação e fiscalização da Contribuição ao PIS/Pasep, a Secretaria da Receita Federal expediu a Instrução Normativa de nº 247/2002, onde informa o conceito de insumos passíveis de creditamento pela Contribuição ao PIS/Pasep, sendo que a definição de insumos adotada pelo ato normativo foi considerada excessivamente restritiva, pois aproximouse do conceito de insumo utilizado pela sistemática da não cumulatividade do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, Fl. 1288DF CARF MF 14 estabelecido no artigo 226 do Decreto nº 7.212/2010 – Regulamento do IPI , pois definia que o creditamento seria possível apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, sofrendo desgaste pelo contato com o produto a ser atingido ou com o próprio processo produtivo, ou seja, para que o bem seja considerado insumo ele deve ser matériaprima, produto intermediário, material de embalagem ou qualquer outro bem que sofra alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. 18. Consideramse, também, os insumos indiretos, que são aqueles não envolvidos diretamente no processo de produção e, embora frequentemente também sofram alterações durante o processo produtivo, jamais se agregam ao produto final, como é o caso dos combustíveis. 19. Mais tarde, evoluiuse no estudo do conceito de insumo, adotandose a definição de que se deveria adotar o parâmetro estabelecido pela legislação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, que tem como premissa os artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/1999 – Regulamento do Imposto de Renda, onde se poderia inserir como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens e serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. A doutrina e a jurisprudência concluíram que tal procedimento alargaria demais o conceito de insumo, equiparandoo ao conceito contábil de custos e despesas operacionais que envolve todos os custos e despesas que contribuem para atividade da empresa, e não apenas a sua produção, o que provocaria uma distorção na legislação instituidora da sistemática. 20. Reforçam estes argumentos na medida em que, ao se comparar a sistemática da não cumulatividade para o IPI e o ICMS e a sistemática para a Contribuição ao PIS/Pasep, verificase que a primeira tem como condição básica o destaque do valor do tributo nas Notas Fiscais de aquisição dos insumos, o que permite o cotejo destes valores com os valores recolhidos na saída do produto ou mercadoria do estabelecimento adquirente dos insumos, tendose como resultado uma conta matemática de dedução dos valores recolhidos a saída do produto ou mercadoria contra os valores submetidos na entrada dos insumos, portanto os valores dos créditos estão claramente definidos na documentação fiscal dos envolvidos, adquirentes e vendedores. 21. Em contrapartida, a sistemática da não cumulatividade da Contribuição ao PIS/Pasep criou créditos, por intermédio de legislação ordinária, que tem alíquotas variáveis, assumindo diversos critérios, que, ao final se relacionam com a receita auferida e não com o processo produtivo em si, o que trouxe a discussão de que os créditos estariam vinculados ao processo de obtenção da receita, seja ela de produção, comercialização ou prestação de serviços, trazendo uma nova característica desta sistemática, a sua atipicidade, pois os créditos ou valor dos tributos sobre os quais se calculariam os créditos, não estariam destacados nas Notas Fiscais de aquisição de insumos, o que dificultaria a sua determinação. 22. Portanto, haveria que se estabelecer um critério para a conceituação de insumo, nesta sistemática atípica da não cumulatividade das contribuições sociais. 23. Há algum tempo vem o CARF pendendo para a idéia de que o conceito de insumo, para efeitos os Inciso II do artigo 3º da lei nº 10.637/2002, deve ser interpretado com um critério próprio : o da essencialidade, ou seja, para a definição de insumo buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo, e a atividade realizada pelo seu adquirente. Fl. 1289DF CARF MF Processo nº 10680.904487/201708 Acórdão n.º 3301006.109 S3C3T1 Fl. 1.258 15 24. Desta forma, para que se verifique se determinado bem ou serviço adquirido ou prestado possa ser caracterizado como insumo para fins de geração de crédito de PIS/Pasep, devem ser levados em consideração os seguintes aspectos : pertinência ao processo produtivo, ou seja, a aquisição do bem ou serviço para ser utilizado especificamente na produção do bem ou prestação do serviço ou, para tornálo viável. essencialidade ao processo produtivo, ou seja, a produção do bem ou a prestação do serviço depende diretamente de tal aquisição, pois, sem ela, o bem não seria produzido ou o serviço não seria prestado. possibilidade de emprego indireto no processo de produção, ou seja, não é necessário que o insumo seja consumido em contato direto com o bem produzido ou seu processo produtivo. 25. Por conclusão, para que determinado bem ou prestação de serviço seja definido como insumo gerador de crédito de PIS/Pasep, é indispensável a característica de essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, para obtenção da receita da atividade econômica do adquirente, direta ou indiretamente, sendo indispensável a comprovação de tal essencialidade em relação á obtenção da respectiva receita. 26. Pondo um fim á controvérsia, o Superior Tribunal de Justiça assumiu a mesma posição, refletida no voto do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, no julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, que se tornou emblemático para a doutrina e a jurisprudência, ao definir insumo, na sistemática de não cumulatividade das contribuições sociais, sintetizando o conceito na ementa, assim redigida : TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de Fl. 1290DF CARF MF 16 creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. 28. Neste contexto histórico, a Secretaria da Receita Federal, vinculada a tal decisão por força do disposto no artigo 19 da lei nº 10.522/2002 e na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1/2014, expediu o Parecer Normativo COSIT/RFB nº 05/2018, tendo como objetivo analisar as principais repercussões decorrentes da definição de insumos adotada pelo STJ, e alinhar suas ações á nova realidade desenhada por tal decisão. 29. Interessante destacar alguns trechos do citado Parecer : 9. Do voto do ilustre Relator, Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, mostramse relevantes para este Parecer Normativo os seguintes excertos: “39. Em resumo, Senhores Ministros, a adequada compreensão de insumo, para efeito do creditamento relativo às contribuições usualmente denominadas PIS/COFINS, deve compreender todas as despesas diretas e indiretas do contribuinte, abrangendo, portanto, as que se referem à totalidade dos insumos, não sendo possível, no nível da produção, separar o que é essencial (por ser físico, por exemplo), do que seria acidental, em termos de produto final. 40. Talvez acidentais sejam apenas certas circunstâncias do modo de ser dos seres, tais como a sua cor, o tamanho, a quantidade ou o peso das coisas, mas a essencialidade, quando se trata de produtos, possivelmente será tudo o que participa da sua formação; deste modo, penso, respeitosamente, mas com segura convicção, que a definição restritiva proposta pelas Instruções Normativas 247/2002 e 404/2004, da SRF, efetivamente não se concilia e mesmo afronta e desrespeita o comando contido no art. 3º, II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que explicita rol exemplificativo, a meu modesto sentir'. 41. Todavia, após as ponderações sempre judiciosas da eminente Ministra REGINA HELENA COSTA, acompanho as suas razões, as quais passo a expor:(...)” (fls 24 a 26 do inteiro teor do acórdão) ………………………………….. 10. Por sua vez, do voto da Ministra Regina Helena Costa, que apresentou a tese acordada pela maioria dos Ministros ao final do julgamento, cumpre transcrever os seguintes trechos: “Conforme já tive oportunidade de assinalar, ao comentar o regime da nãocumulatividade no que tange aos impostos, a nãocumulatividade representa autêntica aplicação do princípio constitucional da capacidade contributiva (...) Em sendo assim, exsurge com clareza que, para a devida eficácia do sistema de nãocumulatividade, é fundamental a definição do conceito de insumo (...) (...) Nesse cenário, penso seja possível extrair das leis disciplinadoras dessas contribuições o conceito de insumo segundo os critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Fl. 1291DF CARF MF Processo nº 10680.904487/201708 Acórdão n.º 3301006.109 S3C3T1 Fl. 1.259 17 contribuinte (...) Demarcadas tais premissas, temse que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Desse modo, sob essa perspectiva, o critério da relevância revelase mais abrangente do que o da pertinência.” (fls 75, e 79 a 81 da íntegra do acórdão) ………………………. 11. De outra feita, do voto original proferido pelo Ministro Mauro Campbell, é interessante apresentar os seguintes excertos: “Ressaltase, ainda, que a nãocumulatividade do Pis e da Cofins não tem por objetivo eliminar o ônus destas contribuições apenas no processo fabril, visto que a incidência destas exações não se limita às pessoas jurídicas industriais, mas a todas as pessoas jurídicas que aufiram receitas, inclusive prestadoras de serviços (...), o que dá maior extensão ao contexto normativo desta contribuição do que aquele atribuído ao IPI. Não se trata, portanto, de desonerar a cadeia produtiva, mas sim o processo produtivo de um determinado produtor ou a atividadefim de determinado prestador de serviço. (...) Sendo assim, o que se extrai de nuclear da definição de "insumos" (...) é que: 1º O bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos (pertinência ao processo produtivo); 2º A produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição (essencialidade ao processo produtivo); e 3º Não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto (possibilidade de emprego indireto no processo produtivo). Ora, se a prestação do serviço ou produção depende da própria aquisição do bem ou serviço e do seu emprego, direta ou indiretamente, na prestação do serviço ou na produção, surge daí o conceito de essencialidade do bem ou serviço para fins de receber a qualificação legal de insumo. Vejase, não se trata da essencialidade em relação exclusiva ao produto e sua composição, mas essencialidade em relação ao próprio processo produtivo. Os combustíveis utilizados na maquinaria não são essenciais à composição do produto, mas são essenciais ao processo produtivo, pois sem eles as máquinas param. Do mesmo modo, a manutenção da maquinaria pertencente à linha de produção. Outrossim, não basta, que o bem ou serviço tenha alguma utilidade no processo produtivo ou na prestação de serviço: é preciso que ele seja essencial. É preciso que a sua subtração importe na impossibilidade Fl. 1292DF CARF MF 18 mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante. (...) Em resumo, é de se definir como insumos, para efeitos do art. 3°, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3°, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes.” (fls 50, 59, 61 e 62 do inteiro teor do acórdão) ……………………………………. 12. Já do segundo aditamento ao voto lançado pelo Ministro Mauro Campbell, insta transcrever os seguintes trechos: “Contudo, após ouvir atentamente ao voto da Min. Regina Helena, sensibilizeime com a tese de que a essencialidade e a pertinência ao processo produtivo não abarcariam as situações em que há imposição legal para a aquisição dos insumos (v.g., aquisição de equipamentos de proteção individual EPI). Nesse sentido, considero que deve aqui ser adicionado o critério da relevância para abarcar tais situações, isto porque se a empresa não adquirir determinados insumos, incidirá em infração à lei. Desse modo, incorporo ao meu as observações feitas no voto da Min. Regina Helena especificamente quanto ao ponto, realinhando o meu voto ao por ela proposto. Observo que isso em nada infirma o meu raciocínio de aplicação do "teste de subtração", até porque o descumprimento de uma obrigação legal obsta a própria atividade da empresa como ela deveria ser regularmente exercida. Registro que o "teste de subtração" é a própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte.” (fls 141 a 143 da íntegra do acórdão) ………………………………………………………………….. 13. De outra banda, do voto da Ministra Assusete Magalhães, interessam particularmente os seguintes excertos: “É esclarecedor o voto da Ministra REGINA HELENA COSTA, no sentido de que o critério da relevância revelase mais abrangente e apropriado do que o da pertinência, pois a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço.(...) Sendo esta a primeira oportunidade em que examino a matéria, convencime pedindo vênia aos que pensam em contrário da posição intermediária sobre o assunto, adotada pelos Ministros REGINA HELENA COSTA e MAURO CAMPBELL MARQUES, tendo o último e o Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO realinhado seus votos, para ajustarse ao da Ministra REGINA HELENA COSTA.” (fls 137, 139 e 140 da íntegra do acórdão) Fl. 1293DF CARF MF Processo nº 10680.904487/201708 Acórdão n.º 3301006.109 S3C3T1 Fl. 1.260 19 ……………………………………………... 19. Prosseguindo, verificase que a tese acordada pela maioria dos Ministros foi aquela apresentada inicialmente pela Ministra Regina Helena Costa, segundo a qual o conceito de insumos na legislação das contribuições deve ser identificado “segundo os critérios da essencialidade ou relevância”, explanados da seguinte maneira por ela própria (conforme transcrito acima): a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. 20. Portanto, a tese acordada afirma que são insumos bens e serviços que compõem o processo de produção de bem destinado à venda ou de prestação de serviço a terceiros, tanto os que são essenciais a tais atividades (elementos estruturais e inseparáveis do processo) quanto os que, mesmo não sendo essenciais, integram o processo por singularidades da cadeia ou por imposição legal. …………………………………………………………… 25. Por outro lado, a interpretação da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça acerca do conceito de insumos na legislação das contribuições afasta expressamente e por completo qualquer necessidade de contato físico, desgaste ou alteração química do bem insumo com o bem produzido para que se permita o creditamento, como preconizavam a Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002, e a Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004, em algumas hipóteses. ( grifos deste relator) 30. No âmbito deste colegiado, aplicase ao tema o disposto no § 2º do artigo 62 do Regimento Interno do CARF – RICARF : Artigo 62 (…...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei Nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 31. Assim, são insumos, para efeitos do inciso II do artigo 3º da lei nº 10.637/2002, todos os bens e serviços essenciais ao processo produtivo e á prestação de serviços para a obtenção da receita objeto da atividade econômica do seu adquirente, podendo ser empregados direta ou indiretamente no processo produtivo, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo ou da prestação do serviço, comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica Fl. 1294DF CARF MF 20 32. Desta forma, deve ser estabelecida a relação da essencialidade do insumo (considerandose a imprescindibilidade e a relevância/importância de determinado bem ou serviço, dentro do processo produtivo, para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela pessoa jurídica) com a atividade desenvolvida pela empresa, para que se possa aferir se o dispêndio realizado pode ou não gerar créditos na sistemática da não cumulatividade da Contribuição ao PIS/Pasep. A QUESTÃO DOS DISPÊNDIOS COM FRETES DE INSUMOS E PRODUTOS SEMI ELABORADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA ( UNIDADE MINERADORA E COMPLEXO INDUSTRIAL DE BENEFICIAMENTO DE MINÉRIO USINA) 30. Em exame nos presentes autos a possibilidade de serem considerados como insumo os dispêndios incorridos na contratação de fretes de matériasprimas entre estabelecimentos da mesma empresa e de fretes de insumos e de produtos em elaboração para transferência entre estabelecimentos da recorrente. 31. Conforme se verifica do objeto social da recorrente, dentre suas atividades temos a industrialização, a armazenagem, o comércio, a importação e a exportação de produtos químicos, fertilizantes e suas matériasprimas, para uso próprio ou de terceiros e a pesquisa, a lavra, o beneficiamento e a industrialização de minérios utilizados como matériaprima na fabricação de fertilizantes de uso próprio ou de terceiros, portanto, os minerais desempenham papel de principais insumos na produção de fertilizantes, que são extraídos de minas distantes do complexo industrial, havendo necessidade de seu transporte, envolvendo frete pago a terceira pessoa jurídica, até o local da industrialização e produção do fertilizante para consumo. 32. Neste diapasão, a recorrente sustenta desenvolver atividade econômica em toda a cadeia de produção de fertilizantes, sendo responsável não só pela fabricação, como pela extração dos minerais que o compõem, sendo ainda responsável pelo beneficiamento de parte dos insumos utilizados no processo produtivo, defendendo que as despesas com frete contratado na aquisição dos insumos e para as transferências de matériaprima das minas de extração para as unidades industrializadoras são essenciais para o processo produtivo e fabricação do produto final (fertilizante). 33. Verificase, nestes autos, que a extração de minerais ocorre em minas da própria recorrente, que é produtora dos fertilizantes, sendo que o principal insumo para a fabricação do seu produto são os minerais, sendo assim necessários, imprescindíveis e essenciais á atividade da empresa, ao processo produtivo e á obtenção da respectiva receita, porque para a movimentação da matériaprima até o estabelecimento produtor do fertilizante, é necessária a contratação de empresa para o transporte da matériaprima até o complexo industrial, o que envolve o dispêndio com o frete respectivo, tal frete, por estar direta e imprescindivelmente ligado ao processo produtivo como um todo, deve ser considerado como insumo. 34. Constatase, ainda, que a transferência de matériasprimas extraídas das minas para as fábricas constituise em etapa essencial do processo produtivo, ainda mais quando se considera a distância que separa as unidades mineradoras dos complexos industriais e a diversidade dos locais onde as minas estão situadas. 35. Por ser característica da atividade da recorrente a produção do próprio insumo, até mesmo como forma de ter a segurança de não interrupção do processo produtivo de fertilizante, ou seu comprometimento. Assim, desta forma, mostrase imprescindível a Fl. 1295DF CARF MF Processo nº 10680.904487/201708 Acórdão n.º 3301006.109 S3C3T1 Fl. 1.261 21 contratação de transporte junto á terceira pessoa jurídica para transferência entre estabelecimentos da mesma empresa, que envolve o pagamento de frete em decorrência deste transporte de insumos (minerais) e de produtos semi elaborados (minerais agregados a outros insumos) das minas até o complexo industrial onde é produzido o fertilizante, inserindose no conceito de insumo. 36. Em conclusão, os valores referentes a contratação de fretes de insumos (matériasprimas) e produtos semi elaborados entre estabelecimentos da própria empresa , por serem insumos, geram créditos da Contribuição ao PIS/Pasep na sistemática não cumulativa, pois se caracterizam como essenciais e imprescindíveis ao processo produtivo. B OS FRETES COM PRODUTOS ACABADOS/BENEFICIADOS JÁ DESTINADOS Á EXPORTAÇÃO 37. Quanto ao frete de produtos já beneficiados e vendidos, ou seja, os minérios beneficiados, já vendidos, cujo transporte é feito para terminais portuários ou mesmo para armazéns com o objetivo de aguardar o embarque para o exterior caracterizamse como produtos vendidos cujo frete é suportado pelo vendendor, onde o crédito é garantido por dispositivo legal, neste caso, o inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003 (do valo apurado a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor), portanto, somente resta reverter tais glosas, pois realizadas indevidamente. 38. A própria recorrente descreve esta fase : Fase 03 Transporte Finalizado o tratamento na Usina, o minério de ferro será transportado até o Estoque de Produtos, de onde será levado por caminhões para o terminai ferroviário. No terminal, o minério será carregado em trens e levado até os portos via estrada férrea. Após chegar ao Porto, finalmente é embarcado em navios e exportado para o comprador destinatário C OS GASTOS COM INSUMOS NA FASE PRÉ BENEFICIAMENTO 39. Outra discussão versa sobre a possibilidade de apuração de créditos das contribuições na modalidade aquisição de insumos em relação a dispêndios necessários à produção de um beminsumo utilizado na produção de bem destinado à venda ou na prestação de serviço a terceiros (insumo do insumo). Assim, uma das principais novidades plasmadas na decisão da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça em testilha foi a extensão do conceito de insumos a todo o processo de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços a terceiros 40. Encontramse embarcados neste conceito os gastos com a manutenção da infra estrutura da mina de minério, pois realmente os serviços de manutenção e melhoramento de infraestrutura de mina revelamse indispensáveis ao desempenho das funções da mineração, pois possibilitam que as minas de extração de ferro sejam efetivamente exploradas. Não se poderia obter minério sem a realização de escavações, lavra, manutenção dos acessos existentes e, vale lembrar, a retirada dos rejeitos e saneamento do local de extração Fl. 1296DF CARF MF 22 40 Por oportuno, reproduzo os dizeres do Parecer COSIT nº 5/2018 : Assim, tomandose como referência o processo de produção como um todo, é inexorável que a permissão de creditamento retroage no processo produtivo de cada pessoa jurídica para alcançar os insumos necessários à confecção do beminsumo utilizado na produção de bem destinado à venda ou na prestação de serviço a terceiros, beneficiando especialmente aquelas que produzem os próprios insumos (verticalização econômica). Isso porque o insumo do insumo constitui “elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”, cumprindo o critério da essencialidade para enquadramento no conceito de insumo. 41. A recorrente esclarece resumidamente tal fase do processo produtivo : Fase 01 — Extração Nesta fase, é promovida a extração do minério de ferro na forma de material bruto, também chamado de minério "ROM" (run of mine) que será executada,principalmente, por meio de explosivos, retroescavadeiras e tratores. Logo após, é feito o carregamento dos caminhões que transportarão o minério (ROM) até a planta de beneficiamento (usina), uma vez que a área onde o minério é extraído encontrase distante do local onde ocorrem os processos de beneficiamento 42. Inseremse, portanto, nessa fase os seguintes dispêndios como geradores de crédito Serviço de remoção e transporte de finos de minério, produtos e rejeitos. Obras de infraestrutura de mina (drenagem das minas e abertura de acessos) e operações com caminhão pipa, para captação e transporte de água. Serviços de terraplanagem, bacias de sedimentação e drenagem limpeza e desassoreamento de barragens de rejeito; serviços de alteamento da barragem de rejeitos serviços de abertura e manutenção de acessos, serviços de drenagem e limpeza das minas, serviços de terraplenagem e drenagem da planta industrial, serviços de limpeza e manutenção e conservaçao do maquinário pesado D GASTOS COM O BENEFICIAMENTO DO MINÉRIO 42. A letra do inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, permitem a apuração de créditos das contribuições “bens e serviços utilizados como insumo (...) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”. 42. Mais uma vez nos socorremos do Parcer COSIT nº 5/2018 : 31,A citação concomitante a “produção” e “fabricação” de “bens” ou “produtos” mostrase muito relevante na interpretação da abrangência da hipótese de creditamento das contribuições pela aquisição de insumos (ver também o § 13 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003). 32. Conquanto os termos “produção” e “fabricação” sejam utilizados como sinônimos em algumas normas da legislação tributária federal, no presente dispositivo diversos argumentos conduzem à conclusão de que não são sinônimos, restando a “fabricação de produtos” como hipótese específica e a “produção de bens” como hipótese geral. 33. Inexoravelmente, a “fabricação de produtos” a que alude o dispositivo Fl. 1297DF CARF MF Processo nº 10680.904487/201708 Acórdão n.º 3301006.109 S3C3T1 Fl. 1.262 23 em comento equivale ao conceito e às hipóteses de industrialização firmadas na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). 34. Já a “produção de bens” aludida no mencionado dispositivo referese às atividades que, conquanto não sejam consideradas industrialização, promovem a transformação material de insumo(s) em um bem novo destinado à venda ou o desenvolvimento de seres vivos até alcançarem condição de serem comercializados. 43. A recorrente traz em suas razões a descrição dets fase : Fase 02 — Beneficiamento Na Usina, ocorrem diversos processos de beneficiamento que podem sintetizar, grosseiramente, em: 2.1 — Britagem A britagem corresponde ao primeiro estágio mecânico de fragmentação de minérios. O controle da britagem é feito pelas operações de peneiramento. Isso significa que o minério que não atingiu o tamanho adequado deve retornar para ser fragmentado mais uma ou duas vezes. Em conjunto com a fragmentação,ocorre a classificação das partículas de minério por tamanho. 2.2— Concentração Tem como objetivo distinguir o minério valioso, chamado de concentrado, e o descartável, conhecido como rejeito. Através de diferentes processos de concentração como a "jigagem" ou a separação magnética, o minério é separado e classificado em lotes diferenciados de acordo com a demanda dos compradores, a depender do fim a que se destinam os lotes. Neste momento, são realizadas diversas análises para atestar a qualidade dos lotes. E OS GASTOS COM INSUMOS POR OBRIGAÇÃO LEGAL 44. A decisão do STJ incluiu no conceito de insumos geradores de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, em razão de sua relevância, os itens “cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção (...) por imposição legal”. 46 . Daí se constata que a inclusão dos itens exigidos da pessoa jurídica pela legislação no conceito de insumos deveuse mais a uma visão do sistema normativo do que à verificação de essencialidade ou pertinência de tais itens ao processo de produção de bens ou de prestação de serviços protagonizado pessoa jurídica. 47. Entretanto, por serem impeditivos ao funcionamento da atividade se descumpridos, os itens exigidos por legislação específica devem se rconsiderados, por analogia, como essenciais ao processo produtivo. 48. Assim, incluemse nesse conceito os gastos com consultoria ambiental (com o objetivo de obtenção de licenças ambientais, pesquisas e estudos técnicos são necessários), os gastos com prestação de consultoria e monitoramento de vibração das cavidades naturais existentes no terreno de lavra de minérios, gastos com prestação de serviços de execuçõ e prospecção espeleológica. Fl. 1298DF CARF MF 24 49. Não se enquadram nesse conceito os gastos com prestação de serviços de medicina do trabalho e segurança, por serem comuns a todas as empresas, portanto não essencial e relevante para obtenção da receita vinculada a atividade da recorrente. Conclusão 37. Por todo o exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário apresentado, para REVERTER.AS GLOSAS REFERENTES AOS SEGUINTES GASTOS, POR GERAREM DIREITO AOS CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE fretes de insumos e produtos semi elaborados entre establecimentos da empresa (unidade mineradora e complexo industrial de beneficiamento de minério usina) fretes com transporte de produtos acabados/beneficiados já destinados á exportação, pois o crédito referente a tais gastos são garantidos por texto legal; gastos com insumos na fase de prébeneficiamento gastos com o beneficiamento do minério gastos com insumos por obrigação legal MANTER AS GLOSAS REFERENTES AOS SEGUINTES GASTOS: serviços de medicina do trabalho e segurança consultoria, serviço de mãodeobra em posto de abastecimento consultoria em negociação de energia, prestação de serviço de despacho aduaneiro consultoria técnica transporte de equipe de trabalho mão de obra como motoristas, serviços de limpeza e manutenção elétrica não vinculados ao processo produtivo transportes em geral serviços de apoio administrativo treinamentos É o meu voto Assinado digitalmente Ari Vendramini Relator Fl. 1299DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.003674/2006-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Nos termos do Decerto 70.235/1972, somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
PEDIDOS DE PERÍCIA.
Devem ser indeferidos os pedidos de perícia, quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador.
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO - POSSIBILIDADE
A Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, no seu artigo 6°, regulamentada pelo Decreto 3.724, de 10 de janeiro de 2001, prevê a utilização dos dados bancários de contribuinte sob fiscalização.
DECADÊNCIA.
O direito de a Fazenda Pública da União constituir crédito tributário extingue-se em cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se aquele se der após esta data, conforme o disposto no art. 173, I, do CTN, conforme Súmula CARF nº 38.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
LAUDO PRODUZIDO POR ÓRGÃO OFICIAL SEM ASSINATURA DOS PERITOS. MERA IRREGULARIDADE.
O laudo emitido por perito criminal federal para atender finalidades de inquérito policial se reveste de caráter oficial. A simples falta de assinatura dos peritos oficiais constitui mera irregularidade formal se no laudo constar a identificação dos nomes e dos números de matrícula dos peritos responsáveis pela elaboração.
PROVAS. Constitui prova suficiente da titularidade de recursos no exterior o laudo emitido pela Policia Científica com base em mídia eletrônica proveniente de inquérito policial, onde consta o titular das remessas de numerário.
Numero da decisão: 2301-006.003
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, não acatar o pedido de perícia e não reconhecer a decadência; no mérito, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, vencidos o relator e os conselheiros Wesley Rocha e Virgílio Cansino Gil, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Antonio Sávio Nastureles.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator.
(assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Savio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
1.0 = *:*
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NULIDADE. Nos termos do Decerto 70.235/1972, somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. PEDIDOS DE PERÍCIA. Devem ser indeferidos os pedidos de perícia, quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO POSSIBILIDADE A Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, no seu artigo 6°, regulamentada pelo Decreto 3.724, de 10 de janeiro de 2001, prevê a utilização dos dados bancários de contribuinte sob fiscalização. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública da União constituir crédito tributário extinguese em cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se aquele se der após esta data, conforme o disposto no art. 173, I, do CTN, conforme Súmula CARF nº 38. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 36 74 /2 00 6- 62 Fl. 206DF CARF MF 2 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LAUDO PRODUZIDO POR ÓRGÃO OFICIAL SEM ASSINATURA DOS PERITOS. MERA IRREGULARIDADE. O laudo emitido por perito criminal federal para atender finalidades de inquérito policial se reveste de caráter oficial. A simples falta de assinatura dos peritos oficiais constitui mera irregularidade formal se no laudo constar a identificação dos nomes e dos números de matrícula dos peritos responsáveis pela elaboração. PROVAS. Constitui prova suficiente da titularidade de recursos no exterior o laudo emitido pela Policia Científica com base em mídia eletrônica proveniente de inquérito policial, onde consta o titular das remessas de numerário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, não acatar o pedido de perícia e não reconhecer a decadência; no mérito, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, vencidos o relator e os conselheiros Wesley Rocha e Virgílio Cansino Gil, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Antonio Sávio Nastureles. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. (assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Savio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra o contribuinte acima identificado para cobrança de crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2001. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10855.003674/200662 Acórdão n.º 2301006.003 S2C3T1 Fl. 207 3 De acordo com a fiscalização a presente autuação decorre de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Após a impugnação a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA) julgou procedente a autuação e o contribuinte apresentou recurso onde alega em apertada síntese: E sede preliminar alega, cerceamento do direito de defesa, decadência e a quebra de sigilo bancário sem autorização judicial Questiona a falta de provas da existência da conta bancária 41 1.150.979, bem como a titularidade em seu nome; Afirma que em nenhum dos documentos acostados aos autos constaria qualquer assinatura que atestasse sua participação nas transações; Defende ter sido violado o principio da irretroatividade tributária, tendo em vista que a Fiscalização teria utilizado o critério de conversão previsto na Instrução Normativa SRF n° 246/02 para fatos ocorridos em 2001. Suscita o pequeno valor probante do Laudo de Exame Financeiro alegando haver a possibilidade de alteração das informações obtidas com as autoridades estrangeiras; Ao fim requer; a) a intimação do Chefe do Setor de Fiscalização da Região Fiscal da RFB competente pela autuação dos pretensos “doleiros” mencionados . no Laudo de Exame EconômicoFinanceiro 137/05, ou quem lhe faça às vezes, para que informe se as operações contidas na autuação ora guerreada também foram objeto de autuação em face dos “doleiros” ou de “terceiros”; b) a apresentação de cópia autenticada da solicitação de informações e documentos emitida pelo Governo brasileiro ao Governo norte americano, referente às operações objeto do presente lançamento, bem como do documento emitido pelo Governo norteamericano, com os critérios ou restrições que referidas informações poderiam ser cumprimento dos arts. IV e VII do Decreto 3.810/01); e , c) o deferimento de realização de sustentação oral do presente recurso, intimandose, para tanto, o Recorrente acerca da data do julgamento do feito, sob pena de cerceamento do direito de defesa. d) O provimento do recurso para anular o auto de infração e a imposição da multa. É o relatório. Voto Vencido Fl. 208DF CARF MF 4 Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. DAS PRELIMINARES DE NULIDADE No tocante aos aspectos relativos à nulidade dos atos que compõem o processo fiscal, destaquese o estabelecido pelo artigo 59, do Decreto n" 70.235, de 6 de março de l972: Art. 59. São nulos. I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa Da leitura dos dispositivos acima transcritos, concluise que o Auto de Infração só poderá ser declarado nulo se lavrado por pessoa incompetente ou quando não constar, ou nele constar de modo errôneo, a descrição dos fatos ou o enquadramento legal de modo a consubstanciar preterição do direito de defesa. No caso em tela, observase que o auto de infração contém os elementos necessários e suficientes para o atendimento do art. l0 do Decreto n. 70.235/72, não ensejando declaração de nulidade. Desta forma, não merece prosperar a alegação de nulidade do auto de infração suscitada pelo recorrente. PEDIDO DE PERÍCIA Encaro o pedido de a intimação do Chefe do Setor de Fiscalização da Região Fiscal da RFB e de a apresentação de cópia autenticada da solicitação de informações e documentos emitida pelo Governo brasileiro ao Governo norte americano, como pedido de diligência para produção de prova pericial. A recorrente não atendeu os requisitos para concessão da perícia, constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto 70.235/72 e a autoridade recorrida formou sua convicção no sentido de manter o lançamento fiscal com base nos demais documentos constantes dos autos, não havendo a necessidade a produção de prova pericial. A produção de prova pericial se faz necessária quando indispensável ao deslinde da questão, não se prestando para fins protelatórios, o que impõe o seu indeferimento nos termos do artigo 38, § 2º da Lei nº 9.784/99 c/c o artigo 16, inciso IV, § 1º do Decreto 70.235/72, que assim dispõe: “Lei 9.784/99 Art. 38. [...]§ 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias.” “Decreto 70.235/72 Art. 16. [...]IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10855.003674/200662 Acórdão n.º 2301006.003 S2C3T1 Fl. 208 5 como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16.” Caberia a recorrente ao apresentar a impugnação, produzir a prova em contrário através de documentação hábil e idônea. Ao não fazêlo, deve ser mantido o lançamento, corroborado pela decisão de primeira instância. Ademais, assim como ocorreu durante o trâmite do presente processo administrativo, não foi apresentada nenhuma documentação capaz de comprovar que os valores lançados não condizem com a verdade e que seria indispensável a realização de perícia. DA QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO Inicialmente temos que Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, no seu artigo 6° trouxe a seguinte redação: Art. 6 As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Este dispositivo foi regulamentado pelo Decreto 3.724, de 10 de janeiro de 2001, conforme os seguintes dispositivos: Art. 1º Este Decreto dispõe, nos termos do art. 6° da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, sobre requisição, acesso e uso, pela Secretaria da Receita Federal e seus agentes, de informações referentes a operações e serviços das instituições financeiras e das entidades a elas equiparadas, em conformidade com o art. 12, §§12 e 22, da mencionada Lei, bem assim estabelece procedimentos para preservar o sigilo das informações obtidas. (..) §5º A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio de servidor ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, somente poderá examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. (.) Art.3°Os exames referidos no § 5º do art. 2º somente serão considerados indispensáveis nas seguintes hipóteses: Fl. 210DF CARF MF 6 (...) VII previstas no art. 33 da Lei n° 9.430, de 1996; 0 artigo 33 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, traz em seu inciso I a seguinte hipótese autorizadora de requisição da movimentação financeira do contribuinte: Art.33.A Secretaria da Receita Federal pode determinar regime especial para cumprimento de obrigações, pelo sujeito passivo, nas seguintes hipóteses: I embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos em que se assente a escrituração das atividades do sujeito passivo, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição do auxilio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966; Assim, não se vislumbra qualquer ilicitude nas provas obtidas, devendo ser rejeitada a preliminar arguída. DA DECADÊNCIA Sem razão ao recorrente a argumentação de ocorrência da decadência em relação aos períodos de janeiro e fevereiro de 2001. O fato gerador do imposto de renda, somente se completa ao final do ano calendário. Nesse sentido, cumpre citar a Súmula CARF n. 38 que dispõe que o fato gerador do imposto de renda relacionado a créditos bancários com origem não atestada acontece em 31 de dezembro, conforme observado abaixo: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Embora haja a individualização de cada uma das omissões havidas, a totalização dos créditos é feita no final do anocalendário, quando efetivamente se considera ocorrido o fato gerador do imposto. Assim, o resultado da adição dos valores omitidos mês a mês deverá ser exatamente igual à totalização geral aposta no dia 31/12, quando se considera ocorrido o fato gerador do imposto. Dessa forma, entendo que deve ser aplicada a regra decadencial na forma do 173, I, do CTN. Nesta situação, a contagem do qüinqüênio é feita a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em poderia o Lançamento ser efetuado. Assim, como o lançamento fora efetuado em124/2006 e referese a fatos geradores ocorridos no ano de 2001, não somente não ocorreu qualquer nulidade em relação à forma de apuração do imposto, mas também não há que se falar em decadência mensal. DO MÉRITO IRRETROATIVIDADE DA LEGISLAÇÃO Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10855.003674/200662 Acórdão n.º 2301006.003 S2C3T1 Fl. 209 7 Com relação a este questionamento transcrevo a fundamentação da decisão de primeira instância que muito bem abordou a questão: "Também alegou o contribuinte, em sua peça impugnatória, que teria sido violado o princípio da irretroatividade tributária, tendo em vista que a Fiscalização teria utilizado o critério de conversão previsto na Instrução Normativa SRF n° 246/02 para fatos ocorridos em 2001. Não lhe assiste razão. É que a NOTA/COSIT/COTIR/DIRPF N° 613, de 04/09/2000, já trazia a regra posteriormente explicitada pela Instrução Normativa SRF n° 246/02, conforme excerto a seguir transcrito:" Pergunta n° 5 Na hipótese do art. 42 da Lei 9.430, quando aplicada sobre depósitos existentes no exterior (se não comprovada a origem), qual deve ser o dólar/moeda de conversão aplicável? É de dólar/moeda de compra da data do depósito ou do último dia útil da 1ª quinzena do mês anterior? Resposta Deve ser utilizada a cotação de compra da data do depósito. Portanto correto o lançamento também neste aspecto. DA EXISTÊNCIA DA CONTA BANCÁRIA nº 411.150.97 Com relação à esta insurgência do recorrente, entendo lhe caber razão. Segundo consta no Termo de Constatação Fiscal de efls. 36 e seguintes, a autuação se deu por suposta movimentação de divisas no exterior durante o ano calendário 2001. Ainda de acordo com referido termo, estas movimentações teriam ocorrido na conta 411.150.97, que seria de titularidade do autuado junto ao MERCHANTS BANK. Vejamos a conclusão do Auditor Fiscal: "Concluo que foram creditadas na conta n° 411 150 97, ordens de pagamento efetuadas no banco Marchants Bank, tendo como beneficiário o contribuinte acima identificado.Os valores dessas ordens de pagamento, convertidos em reais e demonstrados no item 8.2, foram considerados como omissão de rendimentos, nos termos do artigo 42, da Lei 9.430/96, e lançados mediante o presente Auto de Infração." Após a impugnação do autuado, a Delegacia Da Receita Federal Do Brasil De Julgamento em Belém (PA), converteu o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal tomasse (dentre outras) as seguintes providências: a) Demonstrar os seguintes elementos: que a conta bancária n° 411.150.97 do Merchants Bank existe; que o contribuinte e' titular de referida conta bancária; que a conta bancária n° 411.150.97 está cadastrada junto ao Merchants Bank; Fl. 212DF CARF MF 8 identificação do endereço/cidade/país da agência do Merchants Bank na qual o contribuinte possui a citada conta. (...) e) Anexar aos autos o Laudo n” 137/05 INC do IPL n” 1345/2004/SR/DPF/PR, expedido pelso peritos do Instituto Nacional de Criminalística do Departamento de Polícia Federal BrasíliaDF, em 25/01/2005; f) Emitir parecer fundamentado sobre a presente diligência e sobre a manutenção ou não de cada um dos depósitos bancários como omissão de rendimentos; (...) omissis Em atendimento à diligência, foram juntados aos autos os documentos de efls 86 a 145 e a Informação Fiscal de efls 147 a 150. Com relação aos itens "a"; "e" e "f" a conclusão da diligência foi a seguinte: (...) item "a" :Conforme Laudo de Exame EconômicoFinanceiro n° 137/05 INC, de 25/01/2005, e páginas 1018/3047, 1079/3047 e 1139/3047, de seu Anexo III, e página 2351/2499 de seu Anexo VII, às folhas 128 a 143, e documentos às folhas 13 a 16, as Ordens de Crédito nos valores de US$66.375,00, US$54.798,14, US$30.602,00 e US$23.411,00 foram remetidas do banco , “THE BANK OF TÓKIO MITSUBISHI TRUST CO" d V Í Merchants Bank ao banco , com endereço , na “Av. Of América, 1251, New York NY USA", a crédito na Conta Bancária n° 411.150.979, pertencente ao Sr. Hiroyasu Hiragami. A conta bancária n° 411.150.979 não pertence ao Merchants Bank, o qual configurouse como Instituição Financeira remetente das citadas ordens de crédito. (...) item “e” Laudo de Exame EconômicoFinanceiro n° 137/05 INC, de 25/01/2005, juntado às folhas 128 a 143. item “f": Mediante Laudo de Exame EconômicoFinanceiro n° 137/05 INC, de 25/01/2005, e páginas 1018/3047, 1079/3047 e 1139/3047, de seu Anexo III, e página 2351/2499 de seu Anexo VII, às folhas 128 a 143, e documentos às folhas 13 a 16, e demais documentos juntados nos autos, comprovouse que o contribuinte, Sr. Hiroyasu Hiragami, CPF 214.541.59804 , foi beneficiário de Ordens de Crédito nos valores de US$66.375,00, US$54.798,14, US$30.602,00 e US$23.411,00, durante o ano calendário de 2001, as quais foram creditadas em sua conta bancária n° 411.150.979, junto ao banco "THE BANK OF TÓKIO MITSUBISHI TRUST CO”, com endereço na “Av. Of America, 1251, New York NY USA". As referidas ordens foram remetidas do banco “Merchants Bank”. Como o contribuinte, devidamente intimado, não comprovou a origem dos recursos utilizados nessas operações, os valores dessas ordens de crédito foram considerados omissão de rendimentos e os tributos calculados e exigidos mediante o Auto de Infração às folhas`40 e 41. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10855.003674/200662 Acórdão n.º 2301006.003 S2C3T1 Fl. 210 9 O autuado apresentou manifestação acerca da diligência e a DRF, por maioria de votos, julgou procedente a autuação. Inicialmente verifico que a decisão guerreada, quanto ao mérito, baseouse única e exclusivamente no Laudo de Exame EconômicoFinanceiro (efls. 130/141) e seu Anexo III (efls. 142/145) para firmar o entendimento de que restou demonstrada a ocorrência do fato gerador do imposto ora lançado. Entendeu ainda que a falta de assinatura em referido Laudo não o invalida pois, quem o teria juntado aos autos foi um AuditorFiscal da Receita Federal, o que daria a presunção de veracidade em relação ao ato administrativo por ele realizado. Ouso a discordar deste entendimento. Em primeiro lugar porque referida presunção não é absoluta. Tanto assim, que está sendo questionada desde a impugnação, da manifestação acerca da diligência e agora em sede de recurso a veracidade do referido documento. Notese que todos os documentos juntados pela fiscalização, ainda que cópias, contém as assinaturas de seus emitentes. Porque apenas esse Laudo está apócrifo? A fiscalização não justificou esse questionamento. Ademais, não encontro no Laudo nenhuma menção ao nome do autuado, bem como da conta bancária nº 411.150.97 que à ele foi imputada a titularidade. Apenas no Anexo III consta a menção desta conta. Aliás, esta era uma das determinações contidas na diligência solicitada pelo órgão julgador de primeira instância e que, a meu ver, não restou devidamente comprovada. Como dito mais acima, no TCF o auditor afirma que a conta nº 411.150.97 existia junto ao Marchants Bank. Após a diligência afirma que era junto ao THE BANK OF TÓKIO MITSUBISHI TRUST CO. O próprio relator de primeira instância identificou a fragilidade da autuação, porém restou vencido. Concordo com seu entendimento e transcrevo abaixo as razões que o levaram a votar pela improcedência da autuação: (...) " 9. Em sede diligência, a autoridade fiscal anexou, entre outros elementos, o “Laudo n° 137/05INC” (fls. 128/143). Nele consta como “Anexo III”, as fls. 140/143. 10. Ocorre que, em primeiro lugar, o referido Laudo não se encontra assinado, sem que tenha o agente fiscal justificado tal omissão. Outrossim, não é crível que um documento, conforme seus próprios termos, realizado “no interesse do IPL n° 1345/2004/SR/DPF/PR, a fim de ser atendida a solicitação da Delegada de Polícia Federal ERIKA MIALIK MARENA, " (Í1. 128), não se encontre firmado por seus autores na versão original. Um documento sem assinatura e, pior, sem garantia de autenticidade em relação ao seu conteúdo, não pode se converter em prova eficaz do fato jurídico tributário. 11. Obviamente, são perfeitamente possíveis em direito tributário a prova emprestada e sua documentação em mídia eletrônica, desde que fiquem garantidas a autoria e a autenticidade dos dados nele veiculados. Na espécie, em relação ao CDROM que resultou no Laudo n° 137/05INC e no Anexo III, não se assegurou a autenticidade do traslado a partir do supra:citado Fl. 214DF CARF MF 10 IPL para estes autos administrativos. Também não há como confirmar se o Anexo III de fls. 140/143 é o mesmo com código de autenticação “e44cf39b3bblec892e523a9a2bcib96e”, a que se refere o documento de fl. 138. E, por fim, repisese, o Laudo n° 137/05INC não se encontra assinado. 12. Demais disso, não se vislumbra nos autos, tampouco no Laudo n° 137/05 INC, a informação fiscal de fl. 147, no sentido de que a conta bancária do contribuinte pertenceria ao “The Bank of Tókío Mitsubishi Trust”, com endereço na “Av. Of America, 1251, New York, NY, USA”. 13. É verdade que a coleta de tais provas exigiria paciência da autoridade fiscal, porque requer trabalho conjunto com outros órgãos da Administração e ate' com entidades de outro Estado. 14. Por isso, relatei o presente processo para diligência, mediante resolução. No entanto, fiquei vencido em tal proposta, pelo fico obrigado a votar no mérito, na forma do artigo 17, parágrafo único, da Portaria MF n° 58/2006. 15. Muito embora o volume de divisas evadidas pelo esquema “Banestado”, segundo estimativas na ordem de US$ 30.000.000.000,00 (trinta bilhões de dólares americanos!), cause repugnância e indignação às pessoas de bem, o princípio da legalidade estrita e da segurança jurídica não podem ser mitigados, em função do disposto no artigo 142 do CTN e do artigo 9°, caput, do Decreto n° 70.235/ 1972, determinando que o auto de infração ‹: seus anexos devem demonstrar a ocorrência do fato gerador. 16. A Administração Fazendária foi provida de poderosas ferramentas de fiscalização, especialmente as presunções de omissão de receita, e, se ainda assim não conseguiu identificar com precisão o fato jurídico tributário e sua autoria, cabe infelizmente a resignação dos seus agentes, em prol da segurança das relações jurídicas. Por isso, a doutrina de forma pacífica amplia o significado do artigo 112 e seus incisos do Código Tributário Nacional, para que a lei tributária, não apenas a que define infrações, mas também a que imponha tributo, seja interpretada da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à autoria e à natureza ou às circunstâncias materiais do fato. É o princípio do “in dubio pro reo” em sua feição tributária. 17. É verdade que nunca se terá certeza absoluta sobre a ocorrência de determinado fato gerador. Isso porque seria necessário que a Administração Fazendária fiscalizasse “in loco” e no exato momento da ocorrência de tal fato jurídico, com câmeras filmadoras e demais equipamentos, o que tomaria o custo da fiscalização superior ao débito tributário envolvido. Mas, de outro lado, não se pode correr o risco de penalizar o contribuinte, sem que se tenha um razoável grau de probabilidade no sentido do acontecimento do fato tributário. 18. Assim, a Administração Tributária deve seguir a máxima da legalidade estrita, mesmo que isso eventualmente acarrete o êxito de algum sonegador. A contrapartida será a garantia de cidadania ao contribuinte, que não ficará sujeito a uma execução fiscal temerária. 19. Na espécie, não ficou provada a existência da conta bancaria n° 411.150.979, nem o endereço do banco no qual se localizaria a referida contacorrente, tampouco restaram demonstrados os depósitos bancários objeto do auto de infração. Logo, consubstanciado nas razões acima esposadas; Voto no sentido de Conhecer do Recurso, rejeitar as preliminares, não reconhecer a decadência e NO MÉRITO Dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10855.003674/200662 Acórdão n.º 2301006.003 S2C3T1 Fl. 211 11 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Sávio Nastureles Redator designado. 1. A despeito do entendimento professado pelo ilustre Conselheiro Relator, peço licença para manifestar posição divergente com relação a duas questões essenciais aventadas no presente recurso: a primeira, com pertinência à autenticidade e confiabilidade da documentação comprobatória anexada aos autos; a segunda, concernente à titularidade da conta nº 411 150 97. AAUUTTEENNTTIICCIIDDAADDEE EE CCOONNFFIIAABBIILLIIDDAADDEE DDOO ""LLAAUUDDOO NNºº 113377//0055 –– IINNCC"" EEXXPPEEDDIIDDOO EEMM 2255//0011//22000055 PPEELLOO IINNSSTTIITTUUTTOO NNAACCIIOONNAALL DDEE CCRRIIMMIINNAALLÍÍSSTTIICCAA DDOO DDEEPPAARRTTAAMMEENNTTOO DDEE PPOOLLÍÍCCIIAA FFEEDDEERRAALL.. 2. A questão sob exame tem pertinência com a autenticidade e confiabilidade do Laudo de Exame EconômicoFinanceiro produzido pelo Instituto Nacional de Criminalística do Departamento de Polícia Federal. 2.1. Ao tratar do assunto no tópico intitulado "Da Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários com Origem não Comprovada " itens 61 a 67 (efls 177), o voto vencedor inserto no acórdão recorrido perfaz análise criteriosa e conclui que o Laudo nº 137/051 e o Anexo III2 são elementos de prova aptos a demonstrar a ocorrência do fato gerador. 2.2. Por ocasião do julgamento em segunda instância, o Conselheiro Relator manifestou discordância, ao acolher a argumentação contida no voto vencido3 (efls 169/171), de que se pode destacar o trecho que se transcreve a seguir: 11. Obviamente, são perfeitamente possíveis em direito tributário a prova emprestada e sua documentação em mídia eletrônica, desde que fiquem garantidas a autoria e a autenticidade dos dados nele veiculados. Na espécie, em relação ao CDROM que resultou no Laudo n° 137/05INC e no Anexo III, não se assegurou a autenticidade do traslado a partir do supra:citado IPL para estes autos administrativos. Também não há como confirmar se o Anexo III de fls. 140/143 é o mesmo com código de autenticação “e44cf39b3bblec892e523a9a2bcib96e”, a que se refere o documento de fl. 138. E, por fim, repisese, o Laudo n° 137/05INC não se encontra assinado. 2.3. Prevaleceu, contudo, na decisão do Colegiado, entendimento favorável em reconhecer ao laudo produzido pelo Instituto Nacional de Criminalística do Departamento de Polícia Federal, as características de autenticidade e de confiabilidade, de maneira que a totalidade do conjunto documental (efls 130/145), se reveste de força probante, constituindo 1 Laudo nº 137/05, anexado às Fls. 128/143 (numeração em papel) guarda correspondência com o documento anexado às efls 130/145 (numeração eletrônica). 2 Anexo III, juntado às fls. 140/143 (numeração em papel) guarda correspondência com o documento anexado às efls 142/145 (numeração eletrônica). 3 Voto vencido inserto no Acórdão nº 0113.492 (efls. 169/178). Fl. 216DF CARF MF 12 se em elemento de prova hábil a demonstrar a movimentação de divisas ao exterior. E os motivos de tal decisão estão sintetizados nos subitens 2.4 e 2.5 infra. 2.4. No caso sob exame, constam ao final do capítulo conclusivo (efls 141) as identificações dos nomes e dos números de matrícula dos dois peritos criminais federais responsáveis pela elaboração do laudo, tendo o documento sido produzido para atender finalidades de Inquérito Policial devidamente instaurado (IPL nº 1345/2004/SR/DPF/PR), revestindose de caráter oficial. 2.5. A simples falta de assinatura dos peritos criminais constitui mera irregularidade formal sem ter a aptidão de desqualificar tal instrumento como pertencente à categoria "laudo" especificada no artigo 30 do Decreto 70.235/1972. 2.6. Ao reconhecer autenticidade e confiabilidade do laudo anexado aos autos, o Colegiado o considerou como elemento de prova hábil no presente processo administrativo fiscal. Esclareçase que tal conclusão diz respeito à totalidade do Laudo, com abrangência dos "Anexos em Mídia Computacional " referidos nos itens 26 a 29 (efls 140/141). LLaauuddoo ttrraazz aa ccoommpprroovvaaççããoo ddaa ttrraannssffeerrêênncciiaa ddee ddiivviissaass.. FFaattoo IInnccoonnttrroovveerrssoo.. 3. Superada a questão relacionada à autenticidade e confiabilidade do Laudo, é fato incontroverso que as informações dispostas nos documentos anexados às efls 142/145, extraídas do Anexo III do Laudo, trazem o detalhamento das ordens de remessa destinadas à conta nº 411 150 97, assim como a especificação dos elementos necessários à verificação do fato tributável. TTIITTUULLAARRIIDDAADDEE DDAA CCOONNTTAA NNºº 441111 115500 9977.. 4. Para se chegar à solução da lide tributária devolvida ao Colegiado é preciso prosseguir na questão concernente à titularidade da conta nº 411 150 97, tendo em vista alegação específica formulada sobre a identificação do beneficiário e/ou titular das remessas ao exterior. 4.1. A análise do conjunto probatório dos autos proporcionou plenas condições para a maioria dos integrantes do Colegiado formar convicção segura acerca da titularidade da referida conta e dirimir qualquer dúvida remanescente sobre o aspecto subjetivo do fato gerador. 4.2. Não há dúvida de que a pessoa do Recorrente, apontada como benefíciária dos recursos financeiros ao tempo do procedimento fiscal (efls 14/17) seja a titular das remessas de divisas destinadas à referida conta. Para conferir, basta o exame dos dados extraídos do Anexo III (efls 142/145), como bem acentuado no voto vencedor4 da decisão recorrida: 65. De acordo com o Anexo III, o nome do contribuinte aparece diversas vezes no campo “a4200_name”, o qual se refere ao beneficiário da remessa de divisas ao exterior (fl. 133). O campo “a4200_acc” é referente à conta do beneficiário no exterior, e o campo “a3400” representa o banco recebedor. (efls 177) 4 Voto vencedor inserto no Acórdão nº 0113.492 (efls 166/178). Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10855.003674/200662 Acórdão n.º 2301006.003 S2C3T1 Fl. 212 13 4.3. A título de esclarecimento, afigurase útil apresentar a transcrição de trecho da informação fiscal (efls 147/150), que se mostrou relevante ao deslinde da questão sobre a correta identificação do sujeito passivo. item “f": Mediante Laudo de Exame EconômicoFinanceiro n° 137/05 INC, de 25/01/2005, e páginas 1018/3047, 1079/3047 e 1139/3047, de seu Anexo III, e página 2351/2499 de seu Anexo VII, às folhas 128 a 143, e documentos às folhas 13 a 16, e demais documentos juntados nos autos, comprovouse que o contribuinte, Sr. Hiroyasu Hiragami, CPF 214.541.59804 , foi beneficiário de Ordens de Crédito nos valores de US$66.375,00, US$54.798,14, US$30.602,00 e US$23.411,00, durante o ano calendário de 2001, as quais foram creditadas em sua conta bancária n° 411.150.979, junto ao banco "THE BANK OF TÓKIO MITSUBISHI TRUST CO”, com endereço na “Av. Of América, 1251, New York NY USA". As referidas ordens foram remetidas do banco “Merchants Bank”. Como o contribuinte, devidamente intimado, não comprovou a origem dos recursos utilizados nessas operações, os valores dessas ordens de crédito foram considerados omissão de rendimentos e os tributos calculados e exigidos mediante o Auto de Infração às foIhas 40 e 41. (grifos nossos). 4.4. Considerouse, enfim, que o conjunto probatório dos autos se reveste da robustez necessária para estabelecer o liame inequívoco entre a pessoa do Recorrente e a conta nº 411 150 97, não havendo plausibilidade nas alegações formuladas quanto à falta de prova de titularidade da referida conta. CCoonncclluussããoo 5. Em vista das razões delineadas quanto à autenticidade e confiabilidade do laudo produzido pelo Instituto Nacional de Criminalística (item 2 supra), aliadas à constatação acerca da titularidade da conta nº 411 150 97 (item 4 supra), e respeitando os entendimentos contrários, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Redator Designado Fl. 218DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15868.000531/2009-16
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
MOLÉSTIA GRAVE.
A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. A patologia deve ser comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
Numero da decisão: 2002-000.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar a omissão de rendimentos recebidos da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. A patologia deve ser comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar a omissão de rendimentos recebidos da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 00 05 31 /2 00 9- 16 Fl. 207DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de Auto de Infração (efls. 03/11) lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF dos anos calendário 2004 a 2006. O lançamento decorre da apuração de Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoas Jurídicas, Dedução Indevida de Dependente, Dedução Indevida de Despesas Médicas e Omissão de Rendimentos, conforme detalhado no Termo de Constatação Fiscal (efls. 108/116). O contribuinte apresentou Impugnação (efls. 119/122) cujos argumentos foram resumidos no relatório do acórdão recorrido (efls. 166): Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação em 26.05.2009, fls. 110/149, alegando em breve síntese que: Não se beneficiou da isenção do imposto de renda relativa a moléstia grave, nos meses de Dezembro e 13° salário, no valor de R$ 23 .414,26, como “Imposto Isentos e não Tributáveis” e também do valor de R$ 35.121,51, referente aos meses de Setembro a Novembro de 2005, totalizando R$ 58.535,77, conforme holerites recebidos da Cia. Saneamento Básico do Estado de São Paulo em anexo; As despesas médicas glosadas, do ano de R$ 2006, no valor de R$ 7.814,86, foram indevidamente glosadas já que se referem a despesas do Impugnante, conforme recibos e extrato bancário e de depósito em nome do sócio proprietário; O valor de despesas médicas a ser deduzido é de R$ 5.000,00 e não de R$ 2.500,00. Foram pagos R$ 1.000,00 em espécie e RS 4.000,00 em depósito bancário em nome de Ricardo Baccaro Rossetti Sócio Proprietário, conforme recibos e extrato de depósito em anexo; No item 20 a 22 do Termo de Constatação Fiscal, apurou o Auditor Fiscal que o Impugnante se aposentou por moléstia grave em 01.09.2005, entretanto, segue em anexo carta de concessão de aposentadoria por tempo de serviço desde 30.04.1997; Requer, ante o exposto, a improcedência do presente lançamento. A Impugnação foi julgada improcedente pela 11ª Turma da DRJ/SPOII em decisão assim ementada (efls. 163/172): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICAIRPF Fl. 208DF CARF MF Processo nº 15868.000531/200916 Acórdão n.º 2002000.989 S2C0T2 Fl. 208 3 Anocalendário: 2004, 2005, 2006 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Comprovada a omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica, tais valores devem ser incluídos na base de cálculo do imposto a ser lançado de ofício. IRPF. DEDUÇÃO DE DEPENDENTES. Somente poderá ser aceita dedução com dependentes quando comprovada a relação de dependência e quando preenchidos os requisitos legais para a dedução. IRPF. DESPESAS MÉDICAS. Na falta de comprovação das despesas médicas efetuadas no montante pleiteado na declaração de ajuste, é de se manter o lançamento nos exatos termos em que efetuado. Cientificado do acórdão de primeira instância em 25/08/2009 (efls. 175), o interessado ingressou com Recurso Voluntário em 24/09/2009 (efls. 176/178) contestando parcialmente as infrações apuradas, conforme argumentos a seguir sintetizados. Alega que a fiscalização não verificou que os rendimentos recebidos da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo SABESP referemse a complemento de aposentadoria do INSS, como indicado nos demonstrativos de pagamento correspondentes. Defende que tais rendimentos são tributáveis apenas até 01/09/2005, data em que contraiu a moléstia grave conforme laudo médico pericial emitido pela Previdência Social. Contesta parte das despesas médicas glosadas reiterando as razões apontadas na Impugnação: "O valor das despesas médicas a ser deduzido é de R$ 5.000,00. Foram pagos ao Dr Ricardo Baccaro Rossetti. O Dr João Carlos Pereira é o médico que atendeu pela clínica emitiu seu recibo e a clinica do Dr Ricardo Baccaro Rossetti pelos serviços prestados emitiu a sua parte. Verificase que o endereço que consta no recibo e na fatura são os mesmos. Houve o pagamento inicial de R$ 1.000,00 em espécie.O saque de R$ 4.000,00 foi efetuado na data de 30/01/2006, Os extratos confirmam que o movimento é de 09.01.2006 até 05.03.2006. Quanto ao depósito feito na conta do Dr. Ricardo Baccaro Rossetti, tenho a esclarecer: a)consta como depósito em dinheiro em 30/01/2006, dentro da data das consultas; b)o depósito foi efetuado em caixa eletrônico onde é comum a prática de colocar no envelope como se fosse o próprio favorecido." Voto Conselheira Mônica Renata Mello Fereira Stoll O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 209DF CARF MF 4 O litígio a ser analisado por este Colegiado recai somente sobre a Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoas Jurídicas e parte da Dedução Indevida de Despesas Médicas. Relativamente à omissão de rendimentos contestada, verificase que o valor apurado no lançamento consiste na diferença entre o montante consignado no comprovante de rendimentos e na DIRF da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo Sabesp para o ano calendário 2005 e a importância informada na Declaração de Ajuste correspondente (efls. 05, 31, 101, 162). O recorrente alega a isenção por moléstia grave a partir de 09/2005 conforme documentos por ele anexados. Sobre o assunto, impõese observar o disposto no art. 39, XXXI e XXXIII, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); (...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); [...] § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; Fl. 210DF CARF MF Processo nº 15868.000531/200916 Acórdão n.º 2002000.989 S2C0T2 Fl. 209 5 II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. § 6º As isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII também se aplicam à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão. Depreendese dos dispositivos acima transcritos que há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção em comento. Um reportase à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, e o outro está relacionado com a existência de moléstia tipificada no texto legal, comprovada através de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. No caso concreto, constatase do exame dos Demonstrativos de Pagamento mensais emitidos pela Sabesp (efls. 137/139) que os rendimentos recebidos pelo recorrente de 09 a 11/2005 consistem, de fato, em complementação de aposentadoria, cuja isenção está prevista no art. 39, §6º, do RIR/99. Por outro lado, extraise do laudo médico pericial emitido pelo INSS em 19/10/2005 (efls. 76) que o sujeito passivo é portador de moléstia grave enquadrada nas leis de isenção do imposto de renda com data de início da incapacidade em 01/09/2005. Concluise, portanto, que o interessado fazia jus à isenção pleiteada desde 09/2005, nos termos do art. 39, §5º, III do RIR/99, sendo tributáveis apenas os rendimentos recebidos nos meses anteriores. Assim, tendo em vista o valor total informado em DIRF pela Sabesp para o período de 01 a 08/2005 (efls. 162) e considerando o montante oferecido à tributação na declaração em exame (efls. 101), é de se cancelar a omissão apurada no lançamento. No que concerne à dedução de despesas médicas, verificase que o recorrente contesta apenas a glosa do valor referente à DermCosmetic Hospitalar, trazendo os mesmos argumentos constantes de sua Impugnação. Extraise dos autos que a autoridade lançadora considerou indevida a dedução declarada para o referido estabelecimento no ano calendário 2006 por não ter o contribuinte, devidamente intimado, comprovado o seu efetivo pagamento (efls. 06, 106, 108). Cabe reproduzir nesse ponto trecho do acórdão de primeira instância com as razões de decidir do Colegiado a quo, o qual manteve a infração apurada (efls. 170/172): Em relação à DERM Cosmetic Hospitalar S/C Ltda, foram juntados aos autos, Recibo e Nota de prestação de Serviço em nome do contribuinte, no valor de R$ 2.500,00. [...] O Impugnante alega que o valor de despesas médicas a ser deduzido é de R$ 5.000,00 e não de RS 2.500,00, tendo em vista que foram pagos R$ 1.000,00 em espécie e R$ 4.000,00 em Fl. 211DF CARF MF 6 depósito bancário em nome de Ricardo Baccaro Rossetti Sócio Proprietário, conforme recibos e extrato de depósito em anexo. Da análise do documento de Depósito/Transferência para Conta Corrente, no valor de R$ 4.000,00, fls. 135, e do extrato de conta corrente do Impugnante, fls. 134, não se pode concluir que referido saque corresponde ao depósito apresentado urna vez que não consta a data do saque do valor de RS 4.000,00 e o depósito feito na conta de Ricardo Baccaro Rossetti tem como depositante o próprio favorecido. Devese ressaltar também que o valor da dedução pleiteada é de R$ 2.500,00, sendo este o valor constante da Nota Fiscal de Prestação de Serviço e do recibo emitido, sendo necessária portanto a comprovação do pagamento deste valor. Assim, pelo exposto, considero não comprovada a despesa médica pleiteada no valor de RS 2.500,00, devendo ser mantida a glosa deste valor. Em seu Recurso Voluntário o interessado não traz aos autos nenhum outro documento bancário a fim de demonstrar a correspondência de datas e valores entre os saques e cheques compensados em sua conta corrente e os recibos por ele acostados, não merecendo reforma a decisão recorrida. Cumpre esclarecer que a dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está sujeita à comprovação por documentação hábil e idônea a juízo da autoridade lançadora, nos termos do art. 73 do RIR/99, e que, ainda que o contribuinte tenha apresentado recibos/notas fiscais emitidos pelos profissionais/estabelecimentos, é licito a autoridade fiscal exigir, a seu critério, outros elementos de prova caso não fique convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Havendo questionamento acerca das despesas declaradas, cabe ao sujeito passivo o ônus de comproválas de maneira inequívoca, sem deixar margem a dúvidas. As decisões a seguir, proferidas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF e pela 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, corroboram esse entendimento: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 15868.000531/200916 Acórdão n.º 2002000.989 S2C0T2 Fl. 210 7 (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) O contribuinte deve levar em consideração que o pagamento de despesas médicas não envolve apenas ele e o profissional, mas também o Fisco, caso haja intenção de se beneficiar da dedução correspondente em sua Declaração de Ajuste Anual. Por esse motivo, deve se acautelar na guarda de elementos de prova da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. É possível que o sujeito passivo tenha feito parte de seus pagamentos em espécie, não havendo nada de ilegal neste procedimento. A legislação não impõe que se faça pagamentos de uma forma em detrimento de outra. Não obstante, verificase que, conforme exposto no acórdão de primeira instância, este não demonstrou a correspondência de datas e valores entre os saques efetuados em sua conta e os recibos apresentados, permanecendo sem comprovação o efetivo pagamento das despesas. Importa salientar que não é o Fisco que precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas o contribuinte que deve apresentar as devidas comprovações quando solicitadas. Isto porque, sendo a inclusão de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual nada mais do que um benefício concedido pela legislação, incumbe ao interessado provar que faz jus ao direito pleiteado. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, darlhe provimento parcial para afastar a omissão de rendimentos recebidos da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 213DF CARF MF 8 Fl. 214DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.000171/2009-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. RECÁLCULO. POSSIBILIDADE.
Deve ser aplicado o regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, no que se refere aos rendimentos recebidos acumuladamente, diante do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, conforme decidido em sede de recurso repetitivo pelo Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 9202-007.729
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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REGIME DE COMPETÊNCIA. RECÁLCULO. POSSIBILIDADE. Deve ser aplicado o regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, no que se refere aos rendimentos recebidos acumuladamente, diante do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, conforme decidido em sede de recurso repetitivo pelo Supremo Tribunal Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 01 71 /2 00 9- 11 Fl. 80DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2402005.734 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 4 de abril 2017, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 37: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JULGAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL. Nos casos de rendimentos recebidos acumuladamente, deve o imposto de renda ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em deveriam ter sido pagos, sob pena de violação dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, consoante assentado pelo STF no julgamento do RE nº 614.406 realizado sob o rito do art. 543B do CPC, não prosperando, assim, lançamento constituído em desacordo com tal entendimento. Quanto ao referido recurso especial, fls. 166 a 171, houve sua admissão, por meio do Despacho de fls. 184 a 187, para rediscutir a matéria no tocante à tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente (regime de caixa versus regime de competência). Em seu recurso, aduz a Fazenda, em síntese, que: a) não se verifica hipótese legal de nulidade, pois a autuação foi lavrada por autoridade competente, sem preterição do direito de defesa; b) considerando a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal em 23 de outubro de 2014 nos autos do RE 614.406/RS, restou sedimentado o entendimento quanto à aplicação do regime de competência à matéria objeto dos autos; c) autuação deve ser mantida, determinando o colegiado o retorno dos autos à DRF apenas para a retificação contábil relativa à alíquota incidente sobre os rendimentos recebidos a destempo; d) tal alteração não acarreta qualquer prejuízo ao contribuinte ou mácula ao lançamento, na medida em que impõe tão somente o recálculo do montante devido, sem majoração da exigência tributária; Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13819.000171/200911 Acórdão n.º 9202007.729 CSRFT2 Fl. 3 3 e) inexiste irregularidade que fundamente o cancelamento da exigência, mostrandose adequada sua manutenção com a realização das retificações cabíveis. Intimado, o Contribuinte não apresentou contrarrazões, consoante despacho de fls. 78. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade. Consoante narrado, a controvérsia suscitada tem como objeto a discussão acerca da manutenção do lançamento referente à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, em decorrência do regime contábil aplicado ao lançamento, que teve reconhecida sua inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, o qual foi submetido à sistemática da repercussão geral prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil. Muito se discute, neste Colegiado, sobre os efeitos da decisão proferida no mencionado RE, que tratou da aplicação do regime de cobrança do imposto de renda incidente "sobre as verbas recebidas, de forma acumulada, em ação judicial", se regime de caixa, previsto no art. 12 da Lei 7.713/88 ou de competência (posteriormente positivado pelo art. 12 A do mesmo diploma legal). Com o reconhecimento da inconstitucionalidade parcial sem redução de texto do art. 12 da Lei 7.713/88, o que determinou a orientação para aplicação do regime de competência, para alguns Conselheiros, os lançamentos relativos aos períodos anteriores à MP 497/2010, que alterou a redação do art. 12A da Lei 7.713/88, devem ser desconstituídos em sua integralidade, pois eivado de vício material, em razão da utilização de critério jurídico equivocado (regime de caixa, quando deveria ser regime de competência). Por outro lado, há entendimento diverso no sentido da manutenção parcial do lançamento com a adequação do lançamento ao regime de competência, pois não há que se falar em vício, mas sim em procedência parcial do lançamento. Compulsandose o RE 614.406, temse que a inconstitucionalidade reconhecida foi parcial e sem redução de texto, em uma interpretação conforme a constituição, como se extrai do trecho abaixo da ementa do Acórdão do TRF4: 3. Afastado o regime de caixa, no caso concreto, situação excepcional a justificar a adoção da técnica de declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto ou interpretação Fl. 82DF CARF MF 4 conforme a constituição, diante da presunção de legitimidade e constitucionalidade dos atos emanados do Poder Legislativo e porque casos símeis a este não possuem espectro de abrangência universal. (...). Segundo ensina Pedro Lenza, o STF pode determinar que a mácula da inconstitucionalidade reside em determinada aplicação da lei, ou em dado sentido interpretativo. Neste último caso, o STF indica qual seria a interpretação conforme, pela qual não se configura a inconstitucionalidade. Cabe destacar que não foi declarada a inconstitucionalidade do artigo de lei, razão pela qual não se poderia considerar a nulidade do dispositivo, mas sim a aplicação de uma interpretação conforme, o que afasta a existência de tal nulidade. Corroborando o exposto, cabe mencionar o art. 97 da CF que estabelece a cláusula de reserva de plenário, de modo que "somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público". Destacase a existência de mitigação da mencionada cláusula, dentre outras, quando o Tribunal utilizar a técnica de interpretação conforme a Constituição, pois não haverá declaração de inconstitucionalidade propriamente dita. Portanto, restou decidida, na ocasião do julgamento do RE em comento, a aplicação do regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, diante exercício do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, sendo mantida a exação, naquele caso, em razão da interpretação atribuída. Ademais, não se vislumbra a existência de prejuízo ao contribuinte, tendo em vista que o recálculo a ser aplicado se mostra mais benéfico que o originário, motivo pelo qual deve ser reformada a decisão recorrida. Assim, entendo inexistente vício insanável apto a macular o lançamento, sendo imperiosa apenas a aplicação do regime de competência, a fim de atender a interpretação conforme a constituição decorrente da análise do RE 614.406. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13819.000171/200911 Acórdão n.º 9202007.729 CSRFT2 Fl. 4 5 Fl. 84DF CARF MF
score : 1.0
