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Numero do processo: 19515.722766/2012-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Data do fato gerador: 31/03/2007
ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. GANHO DE CAPITAL. DECADÊNCIA.
O ganho de capital na alienação de bens está sujeito ao pagamento do imposto de renda de forma definitiva e exclusiva, traduzindo modalidade de tributo sujeito ao regime do lançamento por homologação, uma vez que a apuração do imposto é realizada pelo próprio contribuinte.
Uma vez não realizado recolhimento parcial do imposto incidente sobre a operação, deve ser aplicado o prazo decadencial de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme orientação do STJ no REsp nº 973.733, em julgamento sob rito do art. 543-C do CPC (recurso repetitivo).
GANHO DE CAPITAL NA ALENAÇÃO DE AÇOES. BASE DE CÁLCULO. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE
O princípio da legalidade dos tributos, impede a aplicação analógica para criar base de cálculo não prevista na legislação federal, utilizando leis municipais e estaduais do domicílio do contribuinte, toda vez que dela resulte na criação de um débito tributário.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-004.558
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado (a) por maioria de votos, não reconhecer a prejudicial de mérito da decadência, vencidos a relatora e os Conselheiros Marcelo Malagoli da Silva e Nathália Correia Pompeu, que votavam pela aplicação ao caso do art. 150, § 4º, do CTN, e (b), quanto às demais questões de mérito, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Na questão "b" votaram pelas conclusões os Conselheiros Luciana de Souza Espíndola Reis, Ivacir Julio de Souza e João Bellini Junior. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. Fez sustentação oral o Dr. José Henrique Longo, OAB/SP 86.904.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi Relatora.
(Assinado digitalmente)
Julio Cesar Vieira Gomes- Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Bellini Júnior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souzam Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Nathalia Correia Pompeu.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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GANHO DE CAPITAL. DECADÊNCIA. O ganho de capital na alienação de bens está sujeito ao pagamento do imposto de renda de forma definitiva e exclusiva, traduzindo modalidade de tributo sujeito ao regime do lançamento por homologação, uma vez que a apuração do imposto é realizada pelo próprio contribuinte. Uma vez não realizado recolhimento parcial do imposto incidente sobre a operação, deve ser aplicado o prazo decadencial de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme orientação do STJ no REsp nº 973.733, em julgamento sob rito do art. 543C do CPC (recurso repetitivo). GANHO DE CAPITAL NA ALENAÇÃO DE AÇOES. BASE DE CÁLCULO. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE O princípio da legalidade dos tributos, impede a aplicação analógica para criar base de cálculo não prevista na legislação federal, utilizando leis municipais e estaduais do domicílio do contribuinte, toda vez que dela resulte na criação de um débito tributário. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado (a) por maioria de votos, não reconhecer a prejudicial de mérito da decadência, vencidos a relatora e os Conselheiros Marcelo Malagoli da Silva e Nathália Correia Pompeu, que votavam pela aplicação ao caso do art. 150, § 4º, do CTN, e (b), quanto às demais questões de mérito, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Na questão "b" votaram pelas conclusões os Conselheiros Luciana de Souza Espíndola Reis, Ivacir Julio de Souza e João Bellini Junior. Designado para redigir o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 27 66 /2 01 2- 19 Fl. 784DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 voto vencedor o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. Fez sustentação oral o Dr. José Henrique Longo, OAB/SP 86.904. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi – Relatora. (Assinado digitalmente) Julio Cesar Vieira Gomes Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Bellini Júnior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souzam Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Nathalia Correia Pompeu. Fl. 785DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.722766/201219 Acórdão n.º 2301004.558 S2C3T1 Fl. 785 3 Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até a apresentação da impugnação pelo contribuinte, transcrevo excertos do Acórdão proferido pela 18ª Turma da DRJ/SP1, nº 1645.136, constante em fls. 611/654: O contribuinte em epígrafe insurgese contra o lançamento consubstanciado no Auto de Infração de fls. 323/326 e Demonstrativo de Apuração de fls. 321/322, referente ao imposto de renda pessoa física – Ganhos de Capital, fato gerador 31/03/2007, que lhe exige crédito tributário no montante de R$18.946.238,34, sendo R$6.178.255,51 de imposto (código 2904), R$9.267.383,26 de multa proporcional e R$3.500.599,57 de juros de mora (calculados até 30/11/2012). Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is) (fls. 325/326), foi(ram) apurada(s) a(s) infração(ões) abaixo descrita(s), aos dispositivos legais mencionados. 001 GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS – AÇÕES/QUOTAS NÃO NEGOCIADAS EM BOLSA Omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de participação societária (ações/quotas e respectivos direitos conexos), não negociada em Bolsa de Valores, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, o qual é parte integrante deste Auto de Infração. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto (R$) Multa (%) 31/03/2007 41.188.370,10 150,00 [...] Consta do Termo de Verificação Fiscal em fls. 329/367 o que segue: Com base na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física do Exercício 2008/AnoCalendário 2007, nos documentos e esclarecimentos apresentados pelo(a) contribuinte e dados do(a) mesmo(a), constantes nos Sistemas Informatizados da Reccita Federal do Brasil, analisouse elementos constitutivos dos rendimentos, e alterações de bens, direitos e obrigações do Sr. Sasson Dayan no anocalendário de 2007. Conforme será explanado nos itens a seguir, verificouse existência de ganho de capital, não oferecido à tributação, decorrente da subscrição c Fl. 786DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 integralização de ações da empresa Daycoval Holding Financeira S/A, CNPJ n° 08.693.834/000131, com a NUAPROPRIEPAPE de ações do Banco Daycoval S/A, CNPJ n° 62.232.889/000190, por um valor superior ao custo destes bens do banco. [...] Conforme será abordado nos itens adiante, verseá que no caso concreto ora analisado, foi constatada a hipótese de ocorrência de dolo, fraude e simulação, prevista no artigo 71 a 73 da Lei 4.502/64, e à luz do disposto no parágrafo 4o, do artigo 150 da Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN), a constatação de conduta fraudulenta, praticada pelo sujeito passivo, afasta a aplicação dessa regra, prevalecendo o disposto no artigo 173, inciso I, deste mesmo diploma legal, bem como na previsão contida no parágrafo 1o do artigo 44 da Lei 9.430/96. Cabe ressaltar que os fatos apurados na presente ação fiscal, de constituição da Daycoval Holding Financeira S/A, CNPJ n° 08.693.834/000131, e as alterações de participações societárias nesta empresa e no Banco Daycoval S/A, CNPJ n° 62.232.889/000190, ocorreram em um contexto de processo de abertura de capital, com início das negociações das ações do banco na bolsa de valores, BM&Fbovespa, conforme verificado em pesquisas na internet, e confirmado pelo procurador do(a) contribuinte, Sr José Roberto Mayer, CPF 531.278.03834, durante a fiscalização. [...] 4.1) Participação no capital social do Banco Daycoval S/A: Conforme declarado em sua DIRPF 2007/2008 (ND: 08/37.289.732), e registrado na Lista de Subscrição de Ações de Aumento de Capital, anexa à Ata de Assembleia Geral Extraordinária de 08/03/2007, do Banco Daycoval S/A, CNPJ n° 62.232.889/000190, registrada na JUCESP sob o n° 111.027/070, o(a) contribuinte detinha em 31/12/2006, 830.413 ações ON e 180.084 ações PN, totalizando 1.010.497 ações, pel i valor de R$ 52.325.375,97. 4.2) Aumento de Capital do Banco Daycoval S/A em 08/03/2007: Na Ata de Assembleia Geral Extraordinária de 08/03/2007, do Banco Daycoval S/A, CNPJ n° 62.232.889/000190, registrada na JUCESP sob o n° 111.027/070, consta a aprovação do aumento de capital, com emissão de novas ações, e a subscrição pelo(a) contribuinte de 8.933 ações, pelo valor de R$ 1.185.529,93, o qual foi integralizado com créditos oriundos da distribuição de juros sobre capital próprio do banco, aprovados na Ata de Assembleia Geral Extraordinária de 07/03/2007, registrada na JUCESP sob o n° 98.259/076. Referido procedimento está descrito na cartaprotocolo, assinada pelo(a) procurador(a) do(a) contribuinte, Sr José Roberto Mayer, CPF 531.278.03834, entregue em 30/05/2012, e does. 01 a 10, anexos a esta carta. Fl. 787DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.722766/201219 Acórdão n.º 2301004.558 S2C3T1 Fl. 786 5 Assim em 08/03/2007 a participação societária capitalizada do(a) contribuinte passou a ser a seguinte: Histórico de Eventos Quantidade de Ações Custo de Aquisição (R$) Saldo em Banco em 31/12/2006 1.010.497 52.325.375,97 Aumento de Capital – AGE de 08/03/2007 8.933 1.185.529,93 Saldo do Banco após a AGE de 08/03/2007 1.019.430 53.510.905,90 4.3; Aumento de Capital com Incorporação de Reservas em 09/03/2007: Na Ata de Assembleia Geral Extraordinária de 09/03/2007, do Banco Daycoval S/A, CNPJ n° 62.232.889/000190, registrada na JUCESP sob o n° 114.297/070, foi aprovado o aumento de capital, sem emissão de novas ações, com incorporação das reservas a seguir, no valor de R$ 230.278.670,07, passando o capital social do banco de R$ 192.458.391,40 para R$ 422.737.061,47, dividido em 3.351.016 ações nominativas, sem valor nominal, sendo 1.675.508 ações ordinárias e 1.675.508 ações preferenciais. Balanço Patrimonial do Banco de 31/12/2006 Reservas Valor (RS) Reserva de Capital • Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais • Outras Reservas de Capital 135.095,00 317.594,48 Reserva de Lucros • Reserva Legal 20.573.323,61 Lucros Acumulados 209.252.656,98 Total Incorporado 230.278.670,07 Referido procedimento está descrito na cartaprotocolo, assinada peio(a) procurador(a) do(a) contribuinte, Sr José Roberto Mayer, CPF 531.278.03834, entregue em 30/05/2012, e does. 11 a 14, anexos a esta carta. Dessa forma, considerando que o(a) contribuinte detinha, em 08/03/2007, 1.019.430 ações do Banco Daycoval S/A (item 4.2), e o total de ações do banco era de 3.351.016 ações, sua participação societária era de 30,4215% do capital social (= 1.019.430 / 3.351.016 ações). Assim, como o valor total da capitalização das reservas foi de RS 230.278.670,07, c que o(a) contribuinte detinha 30,4215% das ações do Banco Daycoval S/A a parcela do aumento da capitalização que coube ao(à) contribuinte foi de R$ 70.054.204,40 (= RS 230.278.670,07 x 30,4215%). Fl. 788DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 Com isso, a evolução dos custos das ações pertencentes ao(à) contribuinte no Banco Daycoval S/A passou a ser a seguinte, conforme demonstrada no quadro: Histórico de Eventos Quantidade de Ações Custo de Aquisição (R$) Saldo do Banco em 08/03/2007 1.019.430 53.510.905,90 Aumento de Capital AGE de 09/03/2007 0 70.054.204,40 Saldo do Banco após a AGE de 09/03/2007 1.019.430 123.565.110,30 4.4) Desdobramento de Ações de 1 para 50 em 09/03/2007: Na mesma Ata de Assembleia Geral Extraordinária de 09/03/2007, do Banco Daycoval S/A, CNPJ n° 62.232.889/000190, registrada na JUCESP sob o n° 114.297/070, foi deliberado o desdobramento das ações do banco na proporção de substituição de 1 (uma) ação por 50 (cinquenta) ações. Referido procedimento está descrito na cartaprotocolo, assinada pelo(a) procurador(a) do(a) contribuinte, Sr José Roberto Mayer, CPF 531.278.03834, entregue em 30/05/2012, e seu doc. 11 anexo. Como o(a) contribuinte possuía 1.019.430 ações pelo valor capitalizado de RS 123.565.110,30, após o desdobramento dessas ações ele(a) passou a deter 50.971.500 ações, pelo mesmo valor de custo integralizado. Histórico de Eventos Quantidade de Ações Custo de Aquisição (RS) Saldo do Banco em 08/03/2007 1.019.430 123.565.110,30 Desdobramento de Ações AGE de 09/03/2007 50.971.500 0 Saldo do Banco após a AGE de 09/03/2007 50.971.500 123.565.110,30 4.5 Integralização de Ações da Daycoval Holding Financeira S/A com a transferência da Nua Propriedade das Ações do Banco Daycoval S/A. em 19/03/2007: De acordo com a Ata de Assembleia Geral Extraordinária de 19/03/2007, da empresa Daycoval Holding Financeira S/A, CNPJ n° 08.693.834/000131, registrada na JUCESP sob o n° 110.884/073, foi aprovado o aumento de capital social da referida empresa, com emissão de novas ações, as quais foram integralizadas com a nuapropriedade de ações do Banco Daycoval S/A, CNPJ n° 62.232.889/000190. Cabe ressaltar que, em 01/03/2007, foi constituída a sociedade Daycoval Holding Financeira S/A, com capital social de RS 10.000,00, divididos em 5.000 ações ordinárias e 5.000 ações preferenciais, sem valor Fl. 789DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.722766/201219 Acórdão n.º 2301004.558 S2C3T1 Fl. 787 7 nominal, totalizando 10.000 ações nominativas, das quais o(a) contribuinte subscreveu e integralizou 3.042 ações, sendo 2.500 ações ordinárias e 542 ações preferenciais, pelo valor de RS 3.042,00. Referidos procedimentos estão descritos na cartaprotocolo, assinada pelo(a) procurador(a) do(a) contribuinte, Sr José Roberto Mayer, CPF 531.278.03834, entregue em 30/05/2012, e documentos 15 a 19 anexos a esta carta. Dessa forma, o(a) contribuinte cedeu a nuapropriedade de todas a suas 50.971.500 ações do Banco Daycoval S/A, das quais era titular, para a empresa Daycoval Holding Financeira S/A, pelo valor de alienação de R$ 123.565.100,30, e reservando para si o usufruto vitalício desses títulos mobiliários. Assim, segundo o(a) contribuinte, suas participações societárias no Banco Daycoval e na empresa Daycoval Holding Financeira S/A passaram a ser as seguintes: Banco Daycoval S/A Histórico de Eventos Quantidade de Ações Custo de Aquisição (RS) Saldo do Banco em 09/03/2007 50.971.500 123.565.110,30 Transferência da nuapropriedade das ações para a Daycoval Holding Financeira S/A AGE de 19/03/2007 da Holding (50.971.500) (123.565.110,30) Saldo do Banco após a AGE de 19/03/2007 da Holding 0 0 Daycoval Holding Financeira S/A Histórico de Eventos Quantidade de Ações Custo de Aquisição (RS) Saldo da Holding em 01/03/2007 AGC da Holding 3.042 3.042,00 Integralização das ações emitidas da Daycoval Holding Financeira S/A AGE de 19/03/2007 da Holding 50.971.500 123.565.110,30 Saldo da Holding após a AGE de 19/03/2007 da Holding 50.974.542 123.568.152,30 Do exposto, segundo o(a) contribuinte, após a Ata de Assembleia Geral Extraordinária de 19/03/2007, da empresa Daycoval Holding Financeira S/A, CNPJ n° 08.693.834/000131, registrada na JUCESP sob o n° 110.884/073, Fl. 790DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 a qual aprovou o aumento de capital social da referida empresa de R$ 10.000,00, para R$ 254.998.749,74, com emissão de 105.184.700 novas ações, totalizando 105.194.700 ações na holding, o(a) contribuinte, ao efetuar a subscrição e integralização de 50.971.500 ações, pelo valor de RS 123.565.110,30, passou a deter nesta sociedade 50.974.542 ações, pelo valor de RS 123.568.152,30, correspondentes a 48,45904% (= 50.974.542 / 105.194.700) do capital social da entidade. 4.6) Ganho de Capital na Integralização de Ações da Daycoval Holding Financeira S/A com a transferência da NuaPropriedade das Ações do Banco Daycoval S/A. em 19/03/2007 4.6.1) Integralização de Bens e Laudo de Avaliação Conforme descrito no item anterior, o(a) contribuinte integralizou a emissão de novas ações da empresa Daycoval Holding Financeira S/A, CNPJ n° 08.693.834/000131, com a transferência da nua propriedade de ações de sua titularidade do Banco Daycoval S/A, CNPJ n° 62.232.889/0001 90. Para fundamentar esta operação, o(a) contribuinte apresentou cópia da Ata de Assembleia Geral Extraordinária de 19/03/2007, da Daycoval Holding Financeira S/A, registrada na JUCESP sob o n° 110.884/073, anexa à carta protocolo, entregue em 30/05/2012, e Laudo de Avaliação do Patrimônio Líquido do Banco Daycoval S/A, anexo à cartaprotocolo, entregue em 16/02/2011. O capital social representa a totalidade expressa, ou o numerário, dos contingentes realizados ou prometidos pelos sócios para a constituição da sociedade, sendo a primeira das garantias oferecidas a terceiros, e caracterizandose, portanto, como o fundamento da entidade. [...] Assim, a lei 6.404/76, na seção II Formação, do Capítulo II Capital Social, estabelece o rito, as regras sobre a integralização do capital social da pessoa jurídica. Segundo esta lei, o capital social poderá ser formado com contribuições em dinheiro ou em qualquer espécie de bens suscetíveis de avaliação em dinheiro, e esta avaliação dos bens será feita por três peritos ou por empresa especializada, nomeados em assembleia geral dos subscritores, convocados pela empresa e presidida por um dos fundadores. Esses peritos deverão AVALIAR OS BENS A SEREM INCORPORADOS, e emitir um laudo fundamentado, com indicação dos critérios de avaliação e de elementos de comparação adotados e instruído com os documentos relativos AOS BENS AVALIADOS. Se os subscritores aceitarem o valor aprovado pela assembleia, os bens se incorporarão ao patrimônio da empresa, cabendo àqueles cumprirem as formalidades necessárias para serem efetuadas as respectivas transmissões. Ademais, estabelece o § 4o do artigo 8o que os bens não poderão ser incorporados ao patrimônio da empresa por valor acima do que lhes tiver dado o subscritor. Fl. 791DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.722766/201219 Acórdão n.º 2301004.558 S2C3T1 Fl. 788 9 No caso em tela, é incontroverso que a integralização de capital mencionada na Ata de Assembleia Geral Extraordinária de 19/03/2007, da Daycoval Holding Financeira S/A foi realizada com bens. Entretanto, ao se analisar referida Ata de Assembleia Geral Extraordinária, juntamente com o respectivo Laudo de Avaliação nela descrito, constatase que a avaliação exigida pelo artigo 8o da Lei 6.404/76 foi realizada para as ACÕES (PROPRIEDADE PLENA) do Banco Daycoval S/A e não para a NUAPROPRIEDADE desses títulos mobiliários. Ou seja, para fins de integralização de capital social, avaliouse um BEM X. mas foi integralizado outro BEM Y em seu lugar, configurando um grave vício nesse processo de integralização de capital. Com efeito, o(a) contribuinte ao transferir a titularidade da NUA PROPRIEDADE das ações do banco para a holding, automaticamente constituiu para si, como reserva, um usufruto vitalício dessas ações. Ademais, conforme expressamente disposto no item 4 da Ata de Assembleia Geral Extraordinária de 19/03/2007, da Daycoval Holding Financeira S/A, o(a) contribuinte reservou para si exclusivamente os direitos econômicos dessas ações, transferindo para a holding todos os demais direitos a elas relativos, tais como, direitos políticos, dc votação, de nomeação aos órgão da entidade, de gestão, de fiscalização, entre outros. [...] A. sim, ao se excluir os direitos econômicos dessas ações, no processo de integralização, criase um o bem Y, com valor depreciado em relação ao bem X, E NÃO AVALIADO NESSE PROCESSO. segundo as regras dos artigos 7o e 8o da lei 6.404/76. Para se ter uma idéia do potencial de depreciação ocorrido na integralização da NUA PROPRIEDADE. ao invés da PROPRIEDADE PLENA dessas ações, vale lembrar que se trata da exclusão dos direitos econômicos da propriedade das ações de um banco lucrativo, direitos estes que consistem em uma parcela significativa para aferição do valor dessas ações. Além disso, conforme anteriormente relatado, à época dessa integralização de capital, com a concomitante instituição de usufruto das ações do Banco Daycoval S/A, estava transcorrendo o processo de abertura de capital dessa instituição financeira, com início das negociações de suas ações na bolsa de valores, BM&Fbovespa, fato extremamente relevante a ser considerado em uma avaliação de nuapropriedade, com exclusão dos direitos econômicos, quando comparada a sua plena propriedade, em perspectivas futuras. No entanto, apesar de analisado e transcrito parcialmente em ata de assembleia, o laudo de avaliação da PROPRIEDADE PLENA das ações do Banco Daycoval S/A foi desconsiderado pelos acionistas, que procederam, à Fl. 792DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 revelia do referido laudo, a incorporação da NUAPROPRIEDADE. conforme demonstrado na parte final do item 3 da Ata da AGE de 19/03/2007 da holding. Ressaltase que no item 1 do Laudo de Avaliação do Patrimônio Líquido do Banco Daycoval S/A anexo à cartaprotocolo, entregue em 16/02/2011, está disposto expressamente que seu objeto é a avaliação das ações, para a finalidade de aumentar o capital social da Daycoval Holding Financeira S/A. Ou seja, o objetivo do laudo era a avaliação da PROPRIEDADE PLENA das ações e não da sua NUA PROPRIEDAPE. Em decorrência deste fato, por meio do Termo de Constatação c Intimação Fiscal 02/2012, em seu item 1, o(a) contribuinte foi intimado(a) a apresentar cópia do laudo de avaliação da NUAPROPRIEDADE das ações, do Banco Daycoval S/A citado na Ata de Assembléia Geral Extraordinária de 19/03/2007, registrado na JUCESP sob o n° 110.884/073, da Daycoval Holding Financeira S/A, utilizado no processo de integralização das ações desta S/A, indicando os critérios da referida avaliação. h.i resposta à referida intimação, o(a) contribuinte se limitou a juntar ao processo o mesmo laudo de avaliação, entregue em 16/02/2011, sem apresentar qualquer justificativa, quanto a apresentação de um laudo de avaliação sobre a NUAPROPRIEPAPE das ações do Banco Daycoval S/A. Constatase, portanto, que foi produzido UM laudo de avaliação de UM bem, no caso, as ações (PROPRIEDADE PLENA) do Banco Daycoval S/A apenas para atender formalmente à exigência do artigo 8o da lei 6.404/76, mas quando da efetivação da incorporação desse bem pela Daycoval Holding Financeira S/A, o que seria decorrência lógica do processo de integralização, o mesmo foi trocado, com inclusão expressa, no item 3 da Ata da AGE de 19/03/2007, pela NUAPROPRIEDADE dessas ações. Este fato é tão relevante, que macula não apenas o procedimento de avaliação, mas também vicia todo o processo de integralização de capital da empresa Daycoval Holding Financeira S/A, na determinação do real valor dos bens integralizados, pois com a transferência da nuapropriedade das ações, surge concomitantemente a reserva de usufruto vitalício, que é um contrato aleatório, dependendo da expectativa de vida do usufrutuário, e influenciando diretamente no valor da nua ropriedade das ações transferidas. Com efeito, por se tratar de uma aleatoriedade, consistente no tempo de duração do usufruto, que coincide com o restante de vida do usufrutuário, a fixação do preço da nuapropriedade possui algumas peculiaridades. Além dos elementos para a determinação do preço de uma ação, pelos critérios de valor capitalizado, de valor patrimonial, ou valor de mercado, com fundamentos diversos a serem abordados cm laudo de avaliação, o valor da nuapropriedade, no caso em exame, também levará em consideração a idade do usufrutuário, haja vista que a suspensão dos direitos de uso e gozo do bem, para o nuproprietário, enquanto durar o usufruto, será maior, por exemplo, para um usufrutuário de 30 anos do que para um de 80 anos, acarretando, consequentemente, uma depreciação proporcional no valor da Fl. 793DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.722766/201219 Acórdão n.º 2301004.558 S2C3T1 Fl. 789 11 nuapropriedade alienada, segundo a variável atuarial introduzida pela constituição de um usufruto vitalício. Assim, ao trocar a incorporação da propriedade plena das ações do Banco Daycoval S/A, pela incorporação da nuapropriedade destas, no processo de integralização de capital da empresa Daycoval Holding Financeira S/A, o(a) contribuinte e os demais 05 (cinco) acionistas criaram uma diferenciação de valor das nuaspropriedades em questão, conforme a idade de cada um deles, de tal maneira que um único bem suscetível de avaliação, segundo o artigo 7o da Lei 6.404/76, ação do banco, ou BEM X, foi transformado em 06 (seis) bens diferentes, BEM Y1, BEM Y2, BEM Y3, BEM Y4, BEM Y5 c BEM Y6. Ou seja, a ação do Banco Daycoval S/A, que foi avaliada no laudo de avaliação apresentado, seguindo um critério objetivo e uniforme para todos os 06 (seis) acionistas do banco, passou a sofrer a sujeição de um critério subjetivo, dependente de cada acionista, de acordo com sua expectativa de vida, em decorrência da conferência da nuapropriedade destas ações no processo de integralização de capital analisado, no lugar da incorporação da propriedade plena. Esse subjetivismo introduzido no processo de incorporação por si só invalida o mencionado laudo de avaliação como documento hábil e idôneo, demonstrando que tal documento contém a análise e avaliação de um bem diverso daqueles realmente integralizados na holding, os quais não foram submetidos a um laudo fundamentado, com a indicação dos critérios de avaliação e dos elementos de comparação exigidos pelo parágrafo 1o do artigo 8o da Lei 6.404/76. Deverseia realizar 06 (seis) laudos de avaliações diversos, um para cada acionista da sociedade, avaliando cada uma das nuaspropriedades em questão, BEM Yl, BEM Y2, BEM Y3, BEM Y4, BEM Y5 e BEM Y6, de forma a atender as exigências dos artigos 7o e 8o da lei 6.404/76, mesmo que ao final dessas análises fosse feita uma média de todas as 06 (seis) precificações das nuaspropriedades, para posterior integralização a um valor único, porém fundamentado e com critério expresso e estabelecido, o que não ocorreu, conforme exaustivamente já demonstrado neste Termo de Verificação Fiscal. [...] 4.6.2) Alienação da NuaPropriedade Conforme descrito nos itens anteriores, o(a) contribuinte integralizou a emissão de novas ações da empresa Daycoval Holding Financeira S/A, CNPJ n° 08.693.834/000131, com a transferência da nuapropriedade de ações do Banco Daycoval S/A CNPJ n° 62.232.889/000190, de sua titularidade. O(A) contribuinte ao transferir a nuapropriedade de suas ações do banco, na integralização de aumento de capital social subscrito da holding, efetivamente realiza uma alienação em sentido amplo, pois passa a ser Fl. 794DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 proprietário de títulos representativos deste capital, os quais foram integralizados com os bens ou direitos anteriormente possuídos, trocados como contrapartida pela aquisição dos ativos transmitidos pela empresa Daycoval Holding Financeira S/A. Não se trata, portanto, de transmissão gratuita da nuapropriedade das ações do Banco Daycoval S/A, haja vista que há por parte do(a) adquirente (holding) a entrega, ao(à) alienante (contribuinte), de ativos (ações integralizadas) de seu patrimônio, os quais se destinaram, exclusivamente, ao pagamento da nuapropriedade de ações do banco, usadas como bens suscetíveis de avaliação em dinheiro, no processo de integralização do aumento do capital social da Daycoval Holding Financeira S/A. Embora não tenha havido qualquer fluxo financeiro, o valor dessa operação, para cada acionista subscritor, é o valor da transmissão, constante nas tabelas dos itens 3 e 5 da Ata de Assembleia Geral Extraordinária de 19/03/2007, da Daycoval Holding Financeira S/A, registrada na JUCESP sob o n° 110.884/073, anexa à carta protocolo, entregue em 30/05/2012. Os valores constantes nas referidas tabelas representam os preços das operações que se liquidaram pelo pagamento na forma de instrumentos patrimoniais. Dessa forma, analisandose o item 3 da Ata da AGE de 19/03/2007, da Daycoval Holding Financeira S/A, verificase que o valor unitário de alienação da nuapropriedade das ações do Banco Daycoval S/A, foi de R$ 2,4242, equivalente ao valor unitário das novas ações emitidas pela holding, as quais foram integralmente transferidas ao(á) contribuinte na data da alienação, 19/03/2007, em caráter pro soluto, quitando totalmente a operação de integralização de capital supramencionada. Logo, a entrega ao(à) contribuinte das ações integralizadas da holding, como contrapartida daquele ter transferido a esta a nuapropriedade das ações do banco, apresenta caráter pro soluto, recebido como se dinheiro fosse, com efeito de pagamento à vista, servindo como ato jurídico que, efetivamente, salda, quita ou extingue a dívida ou obrigação, sem depender de qualquer evento posterior, pois a alienação é efetuada sob caráter irrevogável, considerandose que o preço pago foi recebido como se venda à vista o fosse. Assim, no processo em questão de integralização do aumento do capital social da empresa Daycoval Holding Financeira S/A, o(a) contribuinte alienou, em 19/03/2007, a NUAPROPRIEDADE de todas as suas 41.887.700 ações ON e 9.083.800 ações PN, totalizando 50.971.500 ações nominativas do Banco Daycoval 3/A, pelo valor total de RS 123.565.110.30. 4.6.3) Apuração do Ganho de Capital na Integralização de Bens Conforme demonstrado nos itens anteriores deste Termo de Verificação Fiscal, efetivamente o ato jurídico de integralização do caso em tela, encerra uma das espécies do gênero alienação, a qual pode gerar ganho ou perda de capital para o alienante, haja vista que se materializa a transmissão onerosa Fl. 795DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.722766/201219 Acórdão n.º 2301004.558 S2C3T1 Fl. 790 13 da propriedade de ativos, sempre passível de avaliação em termos de moeda corrente. [...] Como verificado na análise precedente, no caso em tela ocorre a subsunção dos fatos às normas transcritas, pois houve alienação, a título oneroso de integralização de capital, da NUAPROPRIEDADE de todas as ações do Banco Daycoval, de titularidade do(a) contribuinte, que foram transferidas, em caráter pro soluto. para a empresa Daycoval Holding Financeira S/A, em 19/03/2007. pelo valor total de RS 12. .565.110.30. Por outro lado, a determinação do custo da nuapropriedade das ações do Banco Daycoval S/A alienadas no processo de integralização não foi realizada pelo(a) contribuinte, apesar de regularmente intimado(a), no item 2 do Termo de Constatação e Intimação Fiscal 02/2012, a comprovar, mediante documentação hábil e idônea (documentos societários, laudos, relatórios, pareceres de auditoria, etc.), o custo das mesmas, indicando, inclusive, os critérios da referida avaliação, caso existisse. Em resposta ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal 02/2012, o(a) contribuinte alegou, por meio da cartaprotocolo datada de 03/09/2012, e respectivos anexos, que a comprovação do custo da nuapropriedade das ações do Banco Daycoval S/A estava discriminada nos itens 1.1, 1.2, e 1.3 da cartaprotocolo entregue em 30/05/2012, c analisada nos itens 4.1 a 4.4 deste Termo de Verificação Fiscal. Cabe ressaltar que o custo alegado pelo(a) contribuinte, em sua resposta ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal 02/2012, não se trata do custo da NUAPROPRIEDADE de suas ações do Banco Daycoval S/A, mas sim, do custo da PROPRIEDADE PLENA dessas ações, as quais, como já demonstrado, têm valor superior ao custo de uma nuapropriedade. [...] Constatase, portanto, que assim como não foi produzido um laudo de avaliação da NUAPROPRIEDADE das ações do Banco Daycoval S/A, para atender à exigência do artigo 8o da lei 6.404/76, também não houve qualquer preocupação, por parte do(a) contribuinte, em determinar o custo desta, e consequentemente, em se apurar o ganho de capital ocorrido na operação de integralização. Dessa forma, para se apurar o ganho de capital ocorrido no processo de integralização de capital da empresa Daycoval Holding Financeira S/A, é necessário que se determine o custo da nuapropriedade das ações integralizadas. Para isso, o artigo 16 da Lei 7.713/88 impõe como custo de aquisição dos bens e direitos alienados, para efeito de apuração do ganho de capital, o preço da aquisição, destacando que se poderá tomar por "preço da aquisição", o valor pago em situação de ter ocorrido fluxo financeiro e, vai mais além Fl. 796DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 14 para listar alternativas secundárias de determinação do custo de aquisição quando não for possível se ter o preço da aquisição. Art. 16. O custo de aquisição dos bens e direitos será o preço ou valor pago, e, na ausência deste, conforme o caso: I o valor atribuído para efeito de pagamento do imposto de transmissão; [...] § 3o No caso de participação societária resultante de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, (que tenham sido tributados na forma do art. 36 desta Lei), o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário. § 4o O custo é considerado igual a zero no caso das participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, no caso de partes beneficiárias adquiridas gratuitamente, assim como de qualquer bem cujo valor não vossa ser determinado nos termos previsto neste artigo. Logo, de acordo com o inciso I do artigo 16 da lei 7.713/88, o custo da nuapropriedade das ações supramencionadas poderá ser determinado pelo valor atribuído ao respectivo ativo mobiliário, para efeito de pagamento do imposto de transmissão, quando da aquisição desse bem. São dois os impostos sobre transmissão de bens c direitos previstos na CF/88: o Imposto sobre transmissão causa mortis e doação de quaisquer bens ou direitos ITCMD, de competência estadual (art. 155, I da CF/88), e o Imposto sobre transmissão "inter vivos", a qualquer título, por ato oneroso, de bens imóveis, por natureza ou acessão física, e de direitos reais sobre imóveis, exceto os de garantia, bem como cessão de direitos a sua aquisição ITBI, de competência municipal (art. 156, II da CF/88). Assim, considerando que o domicílio tributário do contribuinte era, à época dos fatos, e ainda é, a cidade de São Paulo/SP, bem como os fatos jurídicos analisados ocorreram nesta mesma localidade, o imposto de transmissão que serve de base para o cálculo do custo dos bens em questão, é o Imposto sobre transmissão causa mortis e doação de quaisquer bens ou direitos do Estado de São Paulo ITCMD/SP, regido pela Lei Estadual n° 10.705/2000,, com as alterações introduzidas pela Lei n° 10.992/2001. O § 2o do artigo 9o da Lei Estadual n° 10.705/2000, prescreve o seguinte: Art. 9o (...) § 2o Nos casos a seguir, a base de cálculo é equivalente a: 1. 1/3 (um terço) do valor do bem, na transmissão não onerosa do domínio útil; Fl. 797DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.722766/201219 Acórdão n.º 2301004.558 S2C3T1 Fl. 791 15 2. 2/3 (dois terços) do valor do bem, na transmissão não onerosa do domínio direto; 3. 1/3 (um terço) do valor do bem, na instituição do usufruto, por ato não oneroso; 4. 2/3 (dois terços) do valor do bem, na transmissão não onerosa da nuapropriedade. A legislação do ITB1/SP também prevê a base de cálculo para transações envolvendo a nuapropriedade de bens imóveis, no artigo 9o da municipal Lei n° 11.154/1991: Art. 9o. O valor mínimo fixado no artigo anterior será reduzido: I na instituição de usufruto e uso, para 1/3 (um terço); II na transmissão de nua propriedade, para 2/3 (dois terços); III na instituição de enfiteuse e de transmissão dos direitos do enfiteuta, para 80% (oitenta por cento); IV na transmissão de domínio direto, para 20% (vinte por cento). Parágrafo único. Consolidada a propriedade plena na pessoa do proprietário, o imposto será calculado sobre o valor do usufruto, uso ou enfiteuse. Dessa forma, na ausência do custo de aquisição da nuapropriedade das ações do Banco Daycoval S/A, POR MEIO DE DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. À ÉPOCA DOS FATOS, o valor desse custo será igual a 2/3 do valor do custo de aquisição da propriedade plena dessas ações, de acordo com as formas de cálculos previstas nos impostos de transmissão de bens e direitos, vigentes no direito tributário brasileiro, e prescrita no inciso I do artigo 16 da lei 7.713/88. [...] Em face das normas supramencionadas, e conforme demonstrado nos itens 4.1 a 4.4 deste Termo de Verificação Fiscal, o custo de aquisição da participação societária (propriedade plena) do(a) contribuinte, junto ao Banco Daycoval S/A, era, em 19/03/2007. de RS 123.565.110,30. Logo, o custo de aquisição da nuapropriedade dessas ações é igual a 2/3 (dois terços) do custo da propriedade plena, que era igual a RS 123.565.110,30, totalizando, assim, R$ 82.376.740,20. Ressaltase que o cálculo do custo da nuapropriedade das ações analisadas, de acordo com as prescrições do inciso I do artigo 16 da lei 7.713/88, é o procedimento mais equânime para o(a) contribuinte, e se coaduna com o artigo 108 do Código Tributário Nacional CTN, a seguir transcrito: Fl. 798DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 16 Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário: III os princípios gerais de direito público; IV a eqüidade. §Io O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. § 2o O emprego da eqüidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido. Dessa forma, apesar de no caso em tela, estarse diante de alienação, a título oneroso, de bens móveis, o que excluiria esse processo de integralização de capital do campo de incidência de tributação do 1TCMD e ITBI, respectivamente, a norma contida no inciso I do artigo 16 da lei 7.713/88, aplica, por analogia e eqüidade, o regramento de determinação de base de cálculo de nuapropriedade de bens, utilizadas nesses dois tributos, por não haver esta previsão expressa e direta na legislação do imposto de renda da pessoa física IRPF. O inciso I do artigo 16 da lei 7.713/88, combinado com artigo 108 do CTN, apenas interpreta e integra a legislação do imposto de renda para casos de ausência de custo de aquisição de bens e direitos, pois se assim não o fosse, deverseia aplicar, ao caso concreto, o § 4o desse artigo, atribuindose custo igual a zero como valor de aquisição da nuapropriedade das ações do Banco Daycoval S/A, fato este, que evidentemente seria muito mais prejudicial ao(à) contribuinte. Assim, o ganho de capital apurado nessa operação de integralização de capital é: Apuração do Ganho de Capital na Integralização de Capital da Daycoval Holding Financeira S/A NUAPROPRIEDADE DAS AÇOES VALOR EM R$ VALOR DA ALIENAÇAO 123.565.110,30 () CUSTO DA AQUISIÇAO ( ) 82.376.740,20 ( = ) GANHO DE CAPITAL 41.188.370,10 15 % DO IMPOSTO DE RENDA 6.178.255,51 [...] Referidas condutas, demonstram a intenção do(a) contribuinte em dissimular a integralização de capital da Daycoval Holding Financeira S/A, ocultando os ganhos de capital ocorridos nessa operação, com o objetivo de não recolher o tributo devido. Fl. 799DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.722766/201219 Acórdão n.º 2301004.558 S2C3T1 Fl. 792 17 Como se observa, na Declaração de Bens e Direitos da DIRPF 2007/2008 do(a) contribuinte em tela, simplesmente houve uma troca dos dados históricos da coluna “Discriminação”, dos bens avaliados em R$ 123.565.110,30, como se a propriedade plena das ações do Banco Daycoval S/A tivessem sido trocadas pelas ações integralizadas da empresa Daycoval Holding Financeira S/A, mantendo o mesmo valor histórico, apenas para enquadrar, forçosamente, referida operação à hipótese prevista no parágrafo Io do artigo 23 da Lei n° 9.249/95, e com isso, escapar da subsunção ao parágrafo 2o desse mesmo artigo, simulando uma não ocorrência de ganho de capital na referida operação. Por todo o exposto, conforme anteriormente demonstrado, foi apurado no processo de integralização de ações da empresa Daycoval Holding Financeira S/A, um ganho de capital no valor de RS 41.188.370,10, e um imposto de renda devido de RS 6.178.255.51. 4.7) Lançamento e Decadência O Imposto de Renda da Pessoa Física — IRPF obedece ao regime de caixa, sendo devido, à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, e o IRPF decorrente do ganho de capital apurado pelo(a) contribuinte não integra a base de cálculo do imposto na declaração de ajuste anual, sendo tributado em separado. [...] No caso presente, conforme descrito nos itens anteriores, havendo evidências de que tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação, com o objetivo de se ocultar o ganho de capital do processo de integralização em análise, não se aplica a regra geral para o prazo decadencial, prevista para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, qual seja, 05 (cinco) anos a contar da data da ocorrência do fato gerador (19/03/2007), mas sim a regra de contagem prevista no artigo 173,1, na qual o termo inicial do prazo de 05 (cinco) anos começa no primeiro dia do exercício seguinte em que o tributo deveria ser lançado, ou seja, 01/01/2008. [...] Ou seja, neste item 3, também ficou demonstrado que o(a) contribuinte, bem como os demais acionistas, tinham plena noção que o valor dos bens, suscetíveis de avaliação, no Banco Daycoval S/A, correspondente ao valor das novas ações emitidas pela holding era o VALOR DA PROPRIEDADE PLENA DAS ACÕES. E NÃO O VALOR DA NUAPROPRIEDADE DELAS. Dessa forma, a conduta dolosa adotada pelo(a) contribuinte, e demais acionistas da holding, tinha como objetivo fraudar a legislação tributária, por meio da burla à lei das sociedades anônimas, simulando um negócio jurídico de alienação de ações (propriedade plena) do Banco Daycoval S/A, na integralização das ações da empresa Daycoval Holding Financeira S/A, mas realizando um outro negócio jurídico, pela mudança do objeto da prestação, e Fl. 800DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 18 entregando à holding, ao invés da propriedade plena das ações (bem X), apenas a nua propriedade destes títulos mobiliários (bem Y), excluindo os direitos econômicos daqueles, no processo de transferência de titularidade, mas adotando o mesmo valor da propriedade plena. Por todo o exposto, e conforme relatado nos itens anteriores, durante o processo de integralização de capital da empresa Daycoval Holding Financeira S/A, o(a) contribuinte burlou os artigos 7o e 8o da Lei 6.404/76, os artigos 1o, 2o, 3o e 16 da Lei 7.713/88, e o artigo 23 da Lei n° 9.249/95, transferindo o bem Y, nuapropriedade, pelo valor do bem X, propriedade plena, dando baixa, em sua DIRPF 2007/2008, no valor histórico deste bem, e lançando na sua declaração de bens e direitos, as ações subscritas da holding, pelo mesmo valor dos bens simuladamente transferidos (as ações plenas do banco), mas que não foram, e entregando à Daycoval Holding Financeira S/A, somente a nuapropriedade das ações do banco. Sendo assim, comprovandose no caso em tela, pelos fatos expostos, a ocorrência de dolo, fraude e simulação, com a finalidade de se dissimular e ocultar o fato gerador do ganho de capital na alienação de nuapropriedade de ações, não se aplica o prazo decadencial de 05 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador (19/03/2007), mas sim o prazo previsto no artigo 173,1, no qual o termo inicial é de 05 (cinco) anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte em que o tributo deveria ser lançado, ou seja, 01/01/2008. O contribuinte foi cientificado do lançamento em 06/12/2012 (AR de fl. 368 e informação de fl. 441). Apresentou em 04/01/2013 a impugnação (fls. 372/430), instruída com os documentos (fls. 431/608), aduzindo, em síntese: que discorda da autuação, em face: II.a) Da Decadência; II.b) Da Legalidade do Procedimento do Requerente; II.c) Da Invenção da Base de Cálculo do IRPF e Erro quanto à Redução de Valor da NuaPropriedade, por inexistência de apuração do bem a valor de mercado e interpretação equivocada da Legislação de ITCMD/SP; II.d) da Inexistência de Acréscimo Patrimonial; II.e) Da Ilegalidade da Hipótese de Incidência e da Base de Cálculo, pela utilização da Lei Estadual do ITCMD e descabimento da utilização da analogia e da equidade; II.f) Do Desrespeito ao Princípio da Isonomia; II.g) Da inconsistência do arbitramento da base de cálculo do IRPF; II.h) Da Inexistência de Fraude, Dolo e Simulação; II.i) Da Não Incidência do Imposto de Renda da Pessoa Física – direito adquirido do Requerente (DL 1.510/1976); Fl. 801DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.722766/201219 Acórdão n.º 2301004.558 S2C3T1 Fl. 793 19 Ao final, postulou pelo cancelamento integral do lançamento, além das condenações dele advindas; e/ou cancelada a multa qualificada de 150%. A Turma de Primeira Instância, julgou improcedente a impugnação, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Data do fato gerador: 31/03/2007 DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude e simulação, com a finalidade de dissimular e ocultar o fato gerador do ganho de capital na alienação de bens e direitos, não se aplica o prazo decadencial de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, previsto no art. 150, § 4º, do CTN, deslocandose a contagem para a regra geral estatuída no art. 173, inciso I, do mesmo diploma legal. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. Considerase ganho de capital a diferença positiva entre o valor de alienação de bens ou direitos e o respectivo custo de aquisição. Se a transferência de bens e direitos, a título de integralização de capital, não se fizer pelo valor constante da declaração de bens, a diferença a maior é tributável como ganho de capital. GANHO DE CAPITAL. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ISENÇÃO. A isenção prevista no art. 4º do DecretoLei nº 1.510, de 1976, não se aplica a fato gerador ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989, por ter sido expressamente revogada pelo art. 58 da Lei nº 7.713, de 1988, mesmo depois de decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação. Não há que se falar em direito adquirido. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Configurada a ocorrência de dolo, fraude e simulação, impõese ao infrator a aplicação da multa qualificada prevista na legislação de regência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi cientificado do Acórdão n° 1645.136 da 18ª Turma da DRJ/SP1 em 18/06/2013 (fl. 658 pdf). Fl. 802DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 20 Sobreveio Recurso Voluntário em 17/07/2013 (fls. 659/727), no qual repisou os fundamentos da impugnação e argüiu principalmente quanto: a) Decadência: Alegou que a DRJ/SPO ignorou o fato de o AFRFB fazer a segunda intimação após mais de um ano da primeira intimação, deixou transcorrer o prazo de decadência, sendo que o suposto fato jurídico tributário ocorreu em marco/2007 e a segunda intimação ter ocorrido em abril/2012; que o desleixo do AFRFB justifica a necessidade de sustentar que houve "dissimulação", como forma de afastar a decadência; justifica que deve ser observada a regra geral de decadência, pois inexistiu qualquer tipo de dissimulação. Citou legislação e jurisprudência que embasam sua tese. b) Legalidade do Procedimento do Recorrente: Em síntese, sustenta que o procedimento adotado encontra amparo legal e" pela inexistência de norma que distinga a nuapropriedade da propriedade plena de ações para feito de integralização de capital, o Recorrente seguiu à risca os ditames da Lei nº 9.249/95 e utilizou o valor de custo ( ou de declaração) contido em sua DIRPF no momento da cessão da nuapropriedade das ações do Banco em favor da Holding, para efeito de aumento de seu capital social." c) A invenção da Base de Cálculo do IRPF e o Erro quanto à Redução de Valor da NuaPropriedade: Justificou sua defesa informando que o órgão julgador "a quo" não diz se foi apurado valor de mercado ou utilizado valor da declaração, apenas assente à posição verificado no TVF, que, a partir do valor histórico das ações do Banco, o AFRFB construiu um montante a título de ganho de capital (fls. 634) Asseverou que o Agente Fiscal partiu do custo das ações do Banco como parâmetro para reduzir o " custo da nuapropriedade", chegando numa quantia que ele entende como ganho de capital tributável. Informou que inexistiu apuração do valor de mercado do bem integralizado na Holding, motivo pelo qual, sob a égide da Lei nº 9.249/95, não se justifica a exigência de IRPF sobre ganho de capital. d) Inexistência de Acréscimo Patrimonial: Nesse ponto, aduz que a DRJ/SPO, não se manifesta quanto à existência de acréscimo patrimonial do recorrente, mas tão somente baliza seus fundamentos na ideia que de a propriedade tem valor diferente da nuapropriedade. Resumidamente, justifica que ao integralizar as ações do Banco na Holding com reserva de usufruto para si, não houve qualquer modificação positiva de ganho de acréscimo patrimonial ao recorrente que pudesse embasar a incidência de IRPF. e) A Ilegalidade da Hipótese de Incidência e da Base de Cálculo: Nesse ponto, asseverou que o AFRFB criou uma nova incidência do IRPF, dado que não foi apurado o valor de mercado e o montante tributável escapa à regra da utilização do montante de custo contido na DIRPF do Recorrente. Fl. 803DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.722766/201219 Acórdão n.º 2301004.558 S2C3T1 Fl. 794 21 Argumenta que foi utilizada base de cálculo para o IRPF que não encontra guarida na legislação federal. f) Desrespeito ao Princípio da Isonomia: Neste quesito, discorre acerca da isonomia prevista na Carta Magna. Entende que contribuintes na mesma situação, domiciliados em estados diferentes, teriam, pelo critério adotado pela fiscalização, bases de cálculo do IRPF completamente distintas, o que fere o principio constitucional. g) Inconsistência do arbitramento da base de cálculo do IRPF: O contribuinte/recorrente, alega que o Fiscal deixou de apurar o valor de mercado da nuapropriedade e ao mesmo tempo indicou que o montante de custo das aludidas ações descrito na DIRPF do recorrente seria inferior ao valor adotado na cessão. Informa que o arbitramento não foi pelo valor de mercado; que inexistiu laudo da Receita Federal e que foi aplicada apenas a legislação do ITCMD, que é regra geral. Rebate que o lançamento todo foi feito à margem da Lei e que o arbitramento feito pelo AFRFB não possui respaldo nenhum. h) A Inexistência de Fraude, Dolo e Simulação: O recorrente defende sua tese alegando que o lançamento foi efetuado, pois houve colaboração do contribuinte ao fornecer os documentos. Asseverou que para que houvesse fraude, deveria ter a intenção de esconder a ocorrência do fato jurídico tributário e que isso não aconteceu. Entende que o lançamento se deu por uma interpretação equivocada do direito, que discordou do montante que deveria ter sido baixado da DIRPF, utilizandose de regras estaduais que o Recorrente jamais teria consultado para compor sua declaração. Aduz que a fraude, dolo ou simulação devem ser minuciosamente comprovados e que, portanto, deve ser cancelada a multa qualificada e afastada para efeito da decadência, a aplicação do art. 173, do CTN. i) A Não Incidência do Imposto de Renda da Pessoa Física Direito Adquirido do Recorrente ( DL 1.510/76) Em apertada síntese, defendese alegando que "ainda que se considere a hipótese do AFRFB de que teria havido ganho de capital na integralização na Holding, o Recorrente possuiu o direito à nãoincidência do IRPF, dado que a participação societária foi adquirida anteriormente ao prazo de 5 anos a contar da vigência da Lei 7.713/88, nos termos do Decretolei 1.510/76, art. 4º, "d". Destaca jurisprudência. Ao final, requer cancelamento do lançamento em face da decadência ou pelas razões de mérito. Fl. 804DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 22 É o relatório. Passo a decidir. Fl. 805DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.722766/201219 Acórdão n.º 2301004.558 S2C3T1 Fl. 795 23 Voto Vencido Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado possui os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Inicialmente cabe analisar a prejudicial de mérito, isto é, a decadência. Assiste razão o recorrente quanto a alegação de decadência do lançamento, a um – porque no presente caso, evidentemente, o contribuinte não agiu com dolo, portanto não se aplica o art. 173, I do CTN, a dois tendo em vista que a tributação sobre o ganho de capital é definitiva, ou seja, não se sujeita a ajuste na declaração e independe de prévio exame da autoridade administrativa, de modo que o lançamento é por homologação (art. 150, § 4º do CTN), devendo o prazo decadencial ser contando da ocorrência do fato gerador. Neste sentido este E. Conselho vem decidindo sobre a matéria, conforme se constata nas decisões a seguir: Processo nº. : 13726.000510/200213 Recurso nº. : 137.781 Matéria : IRPF Ex(s): 1998 Recorrente : SÍLVIO COSTA DE CARVALHO Recorrida : 3ª TURMA/DRJ no RIO DE JANEIRO – RJ II Sessão de : 12 DE AGOSTO DE 2004 Acórdão nº. : 10614.144 IRPF GANHO DE CAPITAL DECADÊNCIA Sendo a tributação sobre o ganho de capital definitiva, não sujeita a ajuste na declaração e independente de prévio exame da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação (art. 150, § 4º do CTN), devendo o prazo decadencial ser contando da ocorrência do fato gerador. Decadência acolhida. Processo nº 11516.005320/200917 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801003.557 – 1ª Turma Especial Sessão de 15 de maio de 2014 Fl. 806DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 24 Matéria IRPF Recorrente ARMANDO LIRANI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÕES A PRAZO. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Nas alienações de bens a prazo, o fato gerador ocorre no momento da alienação e o ganho de capital deverá ser apurado como venda à vista, com vencimento do imposto, de forma proporcional, na medida em que os pagamentos forem sendo realizados. O recebimento de valores de forma parcelada não altera e nem fraciona a data da ocorrência do fato gerador referente ao ganho de capital. Recurso Voluntário Provido. Constatase, dessa forma, que o lançamento ocorreu passados mais de cinco anos da data do fato gerador do Imposto sobre a Renda incidente sobre ganhos de capital, tendo em vista que o fato gerador ocorreu em 31.03.2007 e o contribuinte fora cientificado do lançamento em 05.12.2012, conforme Carta A.R. fl. 368. Ainda que o Contribuinte seja obrigado a reportar tal ocorrência em sua declaração de rendimentos, é assente que tal não desvirtua o momento em que é devido o imposto, inclusive sujeito a cálculo em apartado. Cumpre esclarecer que no caso dos autos não se aplica a qualificação da multa. No Termo de Verificação Fiscal constante em fls. 329/367 o Auditor Fiscal autuante fundamenta a qualificação da multa aplicada discorrendo que no presente caso houve dolo do contribuinte em fraudar a legislação tributária e deixar de recolher os tributos lançados, conforme segue: "[...] a conduta dolosa adotada pelo(a) contribuinte, e demais acionistas da holding, tinha como objetivo fraudar a legislação tributária, por meio da burla à lei das sociedades anônimas, simulando um negócio jurídico de alienação de ações (propriedade plena) do Banco Daycoval S/A, na integralização das ações da empresa Daycoval Holding Financeira S/A, mas realizando um outro negócio jurídico, pela mudança do objeto da prestação, e entregando à holding, ao invés da propriedade plena das ações (bem X), apenas a nuapropriedade destes títulos mobiliários (bem Y), excluindo os direitos econômicos daqueles, no processo de transferência de titularidade, mas adotando o mesmo valor da propriedade plena." (grifei) [...] No caso presente, conforme descrito nos itens anteriores, havendo evidências de que tenha ocorrido dolo, fraude ou Fl. 807DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.722766/201219 Acórdão n.º 2301004.558 S2C3T1 Fl. 796 25 simulação, com o objetivo de se ocultar o ganho de capital do processo de integralização em análise, não se aplica a regra geral para o prazo decadencial, prevista para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, qual seja, 05 (cinco) anos a contar da data da ocorrência do fato gerador (19/03/2007), mas sim a regra de contagem prevista no artigo 173,1, na qual o termo inicial do prazo de 05 (cinco) anos começa no primeiro dia do exercício seguinte em que o tributo deveria ser lançado, ou seja, 01/01/2008. Na hipótese dos autos, não obstante o esforço do fiscal autuante, o mesmo se equivocou ao afirmar que o contribuinte agiu com dolo objetivando suprimir tributos, pois não há dolo no agir do contribuinte em alienar a nuapropriedade das ações pelo valor constante da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física, mantendo para si a reserva do usufruto, atribuindolhe valor zero, pois esta é, inclusive, a orientação da própria Receita Federal. Ademais, o contribuinte efetuou todos os registros necessários, bem como apresentou as respectivas alterações na sua declaração de ajuste anual. Este entendimento, aliás, encontrase sedimentado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 [...] MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. COMPROVAÇÃO. Ante à ausência de demonstração e comprovação de que o contribuinte agiu com evidente intuito de fraude, incabível a aplicação da multa de ofício qualificada. (Acórdão nº 2201002.223 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Processo nº 19515.002134/201073, Sessão de 15 de agosto de 2013) (grifei) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003, 2004, 2005 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO COMPROVADOS. SIMPLES CONDUTA REITERADA. IMPOSSIBILIDADE QUALIFICAÇÃO. De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condicionase à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera a qualificação da multa, sobretudo quando a autoridade lançadora utiliza como lastro à sua empreitada a simples reiteração da conduta do contribuinte, fundamento que, Fl. 808DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 26 isoladamente, não se presta à aludida imputação, consoante jurisprudência deste Colegiado. (Acórdão nº 9202003.195 – 2ª Turma da Câmera Superior de Recursos Fiscais, Processo nº 10215.720176/200885, Sessão de 08 de maio de 2014) (grifei) Ainda que superada a questão da decadência, verificase que no mérito também assiste razão ao recorrente em face do exame dos fundamentos constantes do Termo de Verificação Fiscal que levaram a fiscalização a concluir que o contribuinte omitiu ganho de capital. Extraíse do referido Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do Auto de Infração, que o contribuinte visou ocultar os ganhos de capital na integralização do capital social da empresa Daycoval Holding Financeira S/A com a transferência da nuapropriedade das 50.971.500 ações do Banco Daycoval S/A pelo valor total de R$ 123.565.100,30. Considerou o Auditor Fiscal que "o bem transferido do patrimônio da pessoa física para a pessoa jurídica não foi a propriedade plena (bem X) das ações, mas sim a nua propriedade dessas ações (bem Y), as quais foram transmitidas pelo mesmo valor daquelas e, portanto, por um valor histórico superior ao que efetivamente possuíam." Ainda, referiu o Auditor Fiscal que "em qualquer tempo a nuapropriedade sempre terá valor inferior a sua propriedade plena, por ser parte desta." Concluiu o Fisco que "Houve uma troca dos dados históricos da coluna "Discriminação", dos bens avaliados em R$ 123.565.110,30, como se a propriedade pela das ações do Banco Daycoval S/A tivessem sido trocadas pelas ações integralizadas da empresa Daycoval Holding Financeira S/A, mantendo o mesmo valor histórico, apenas para enquadrar, forçosamente, referida operação à hipótese prevista no parágrafo 1º do artigo 23 da Lei nº 9.249/95 [...]" A fiscalização intimou o contribuinte a informar o custo de aquisição da nua propriedade das ações para fins de verificar se houve ganho de capital e o contribuinte acostou o Laudo de Avaliação das ações, no qual o Auditor autuante entendeu que neste estava sendo avaliado a propriedade plena dessas ações, e por esta razão, utilizouse da analogia para criar uma hipótese de base de cálculo para a apuração do ganho de capital. Vejamos: "[...] Dessa forma, para se apurar o ganho de capital ocorrido no processo de integralização de capital da empresa Daycoval Holding Financeira S/A, é necessário que se determine o custo da nuapropriedade das ações integralizadas. Para isso, o artigo 16 da Lei 7.713/88 impõe como custo de aquisição dos bens e direitos alienados, para efeito de apuração do ganho de capital, o preço da aquisição, destacando que se poderá tomar por "preço da aquisição", o valor pago em situação de ter ocorrido fluxo financeiro e, vai mais além para listar alternativas secundárias de determinação do custo de aquisição quando não for possível se ter o preço da aquisição. Art. 16. O custo de aquisição dos bens e direitos será o preço ou valor pago, e, na ausência deste, conforme o caso: I o valor atribuído para efeito de pagamento do imposto de transmissão; Fl. 809DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.722766/201219 Acórdão n.º 2301004.558 S2C3T1 Fl. 797 27 [...] § 3o No caso de participação societária resultante de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, (que tenham sido tributados na forma do art. 36 desta Lei), o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário. § 4o O custo é considerado igual a zero no caso das participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, no caso de partes beneficiárias adquiridas gratuitamente, assim como de qualquer bem cujo valor não vossa ser determinado nos termos previsto neste artigo. Logo, de acordo com o inciso I do artigo 16 da lei 7.713/88, o custo da nuapropriedade das ações supramencionadas poderá ser determinado pelo valor atribuído ao respectivo ativo mobiliário, para efeito de pagamento do imposto de transmissão, quando da aquisição desse bem. São dois os impostos sobre transmissão de bens e direitos previstos na CF/88: o Imposto sobre transmissão causa mortis e doação de quaisquer bens ou direitos ITCMD, de competência estadual (art. 155, I da CF/88), e o Imposto sobre transmissão "inter vivos", a qualquer título, por ato oneroso, de bens imóveis, por natureza ou acessão física, e de direitos reais sobre imóveis, exceto os de garantia, bem como cessão de direitos a sua aquisição ITBI, de competência municipal (art. 156, II da CF/88). Assim, considerando que o domicílio tributário do contribuinte era, à época dos fatos, e ainda é, a cidade de São Paulo/SP, bem como os fatos jurídicos analisados ocorreram nesta mesma localidade, o imposto de transmissão que serve de base para o cálculo do custo dos bens em questão, é o Imposto sobre transmissão causa mortis e doação de quaisquer bens ou direitos do Estado de São Paulo ITCMD/SP, regido pela Lei Estadual n° 10.705/2000,, com as alterações introduzidas pela Lei n° 10.992/2001. O § 2o do artigo 9o da Lei Estadual n° 10.705/2000, prescreve o seguinte: Art. 9o (...) § 2o Nos casos a seguir, a base de cálculo é equivalente a: [..]; 4. 2/3 (dois terços) do valor do bem, na transmissão não onerosa da nuapropriedade. A legislação do ITBI/SP também prevê a base de cálculo para transações envolvendo a nuapropriedade de bens imóveis, no artigo 9o da municipal Lei n° 11.154/1991: Fl. 810DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 28 Art.9o. O valor mínimo fixado no artigo anterior será reduzido: [...] II na transmissão de nua propriedade, para 2/3 (dois terços); [...] Parágrafo único. Consolidada a propriedade plena na pessoa do proprietário, o imposto será calculado sobre o valor do usufruto, uso ou enfiteuse. Dessa forma, na ausência do custo de aquisição da nua propriedade das ações do Banco Daycoval S/A, POR MEIO DE DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. À ÉPOCA DOS FATOS, o valor desse custo será igual a 2/3 do valor do custo de aquisição da propriedade plena dessas ações, de acordo com as formas de cálculos previstas nos impostos de transmissão de bens e direitos, vigentes no direito tributário brasileiro, e prescrita no inciso I do artigo 16 da lei 7.713/88. [...] Em face das normas supramencionadas, e conforme demonstrado nos itens 4.1 a 4.4 deste Termo de Verificação Fiscal, o custo de aquisição da participação societária (propriedade plena) do(a) contribuinte, junto ao Banco Daycoval S/A, era, em 19/03/2007. de RS 123.565.110,30. Logo, o custo de aquisição da nuapropriedade dessas ações é igual a 2/3 (dois terços) do custo da propriedade plena, que era igual a RS$ 123.565.110,30, totalizando, assim, R$ 82.376.740,20. Ressaltase que o cálculo do custo da nuapropriedade das ações analisadas, de acordo com as prescrições do inciso I do artigo 16 da lei 7.713/88, é o procedimento mais equânime para o(a) contribuinte, e se coaduna com o artigo 108 do Código Tributário Nacional CTN, a seguir transcrito: Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário: III os princípios gerais de direito público; IV a eqüidade. §Io O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. § 2o O emprego da eqüidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido. Dessa forma, apesar de no caso em tela, estarse diante de alienação, a título oneroso, de bens móveis, o que excluiria esse processo de integralização de capital do campo de incidência de Fl. 811DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.722766/201219 Acórdão n.º 2301004.558 S2C3T1 Fl. 798 29 tributação do ICMD e ITBI, respectivamente, a norma contida no inciso I do artigo 16 da lei 7.713/88, aplica, por analogia e eqüidade, o regramento de determinação de base de cálculo de nuapropriedade de bens, utilizadas nesses dois tributos, por não haver esta previsão expressa e direta na legislação do imposto de renda da pessoa física IRPF. O inciso I do artigo 16 da lei 7.713/88, combinado com artigo 108 do CTN, apenas interpreta e integra a legislação do imposto de renda para casos de ausência de custo de aquisição de bens e direitos, pois se assim não o fosse, deverseia aplicar, ao caso concreto, o § 4o desse artigo, atribuindose custo igual a zero como valor de aquisição da nuapropriedade das ações do Banco Daycoval S/A, fato este, que evidentemente seria muito mais prejudicial ao (à) contribuinte. Não obstante tais fundamentos, não poderia o Auditor Fiscal utilizarse da analogia para criar uma base de cálculo inexistente para fins de cálculo do ganho de capital na alienação de ações, uma vez que é facultado ao contribuinte intregalizar o capital social com a transferência de ações pelo seu valor histórico, em consonância com a sua Declaração de Bens e Direitos, conforme fez o contribuinte, de acordo com o art. 23 da Lei 9.249/95. Art. 23. As pessoas físicas poderão transferir a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração de bens ou pelo valor de mercado. § 2º Se a transferência não se fizer pelo valor constante da declaração de bens, a diferença a maior será tributável como ganho de capital. Dá análise da fundamentação supratranscrita, verificase que o Auditor Fiscal utilizouse de presunções legais estabelecidas nas legislações do ITBI e do ITCMD do Estado de São Paulo para determinar o custo da aquisição da nuapropriedade. Referidas legislações presumem que o valor da nuapropriedade equivale à 2/3 (dois terços) do valor do bem, no entanto, esta base de cálculo não pode ser utilizada para fins de apuração de ganho de capital por falta de previsão legal específica. Isso porque, à título de exemplo, a legislação do Estado do Rio Grande do Sul, Lei nº 8.821/1989, utiliza como base de cálculo para o ITCD sempre o valor total do bem, independentemente se a transmissão é da propriedade plena ou da nuapropriedade (art. 7º, Inciso II e VI, e art. 12 ), portanto para o mesmo tributo federal, qual seja, Imposto de Renda sobre Ganhos de Capital, não haveria tratamento isonômico entre os contribuintes domiciliados no estado de São Paulo e aqueles domiciliados no estado do Rio Grande do Sul, o que é vedado pela Constituição Federal. Inclusive, repiso, é inaplicável ao caso, as legislações do Estado de São Paulo acerca do ITBI e ITCMD, uma vez que estas não guardam qualquer relação com o tributo lançado, o qual é de competência Federal, não podendo ter sua base de cálculo prevista, ainda que por analogia, em legislações Estaduais e Municipais. Verificase, ainda, que o usufruto não pode ser alienado, conforme art. 1.393 do Código Civil. Fl. 812DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 30 Art. 1.393. Não se pode transferir o usufruto por alienação, mas o seu exercício pode cederse por título gratuito ou oneroso. (grifei) Acerca da aplicação da analogia no direito tributário, cabe transcrever as palavras do Professor Leandro Paulsen: Analogia e interpretação extensiva: Não se pode confundir a analogia com a chamada interpretação extensiva. Na analogia, há a integração da legislação tributária mediante aplicação da lei a situação de fato nela não prevista [...] em homenagem ao princípio da legalidade dos tributos, cabe excluir a aplicação analógica da lei, toda vez que dela resulte a criação de um débito tributário. (PAULSEN, Leandro. Direito Tributário Constituição e Código Tributária à luz da doutrina e da jurisprudência, 13ª edição, 2011, p. 911/912) Desse modo, não poderia o Fisco utilizarse da analogia para criar uma base de cálculo que resulte em um débito tributário como sói ocorrer no presente caso. Inclusive, cabe salientar, que o agir do contribuinte encontrase respaldado nas orientações da própria RFB em 2007 (data do fato gerador) e em 2012 em suas "Perguntas e Respostas". Vejamos: Perguntas e Respostas 2007: "435 — Como declarar imóvel recebido em doação com cláusula de usufruto? a) o imóvel doado deve ser baixado da Declaração de Bens e Direitos do doador, informando na coluna Discriminação o nome e o CPF do beneficiário da doação; b) se ele permaneceu com o usufruto esta situação deve ser informada na coluna Discriminação, sem indicação de valor;" Perguntas e Respostas 2012: "447 — Como declarar imóvel recebido em doação com cláusula de usufruto? [...] Em ambos os casos, quando o doador permaneceu com o usufruto, esta situação deve ser informada em novo item da Declaração de Bens e Direitos, na coluna Discriminação, sem indicação de valor, salvo se foi atribuído valor ao usufruto no documento de transmissão, correspondente ao valor efetivamente pago como parte total da aquisição ou que deve ser calculado pela proporção relativa ao usufruto constante deste documento aplicada sobre o valor total declarado ou de aquisição do imóvel doado." Assim, o recorrente agiu conforme orientações da própria RFB. Portanto, sendo facultado pela Lei 9.249/1995, que trata do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, no seu art. 23, as pessoas físicas transferir às pessoas jurídicas, a Fl. 813DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.722766/201219 Acórdão n.º 2301004.558 S2C3T1 Fl. 799 31 titulo de integralização de capital social, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração de bens, e assim agindo o contribuinte, não há que se falar em Ganho de Capital. Ademais, ainda que o lançamento não estivesse decaído, o mesmo seria nulo, tendo em vista que houve erro no enquadramento legal, pois o Fisco utilizouse de legislações referentes ao ITBI e ITCMD do Estado de São Paulo, deixando de observar que referidas legislações tratam de impostos Municipais e Estaduais, cujas bases de cálculos não podem ser utilizadas, ainda que por analogia, na apuração do imposto de renda sobre o ganho de capital que é tributo de competência Federal. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso tanto na Prejudicial de Decadência, bem como no Mérito no qual resta comprovado não haver ganho de capital. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 814DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 32 Voto Vencedor Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes Com todas as vênias à conselheira relatora, apresento o voto divergente vencedor quanto à decadência. Em sentido contrário, entendo que o ganho de capital na alienação de bens ou ativos, embora sujeito a tributação definitiva e exclusiva, exige do contribuinte o recolhimento do imposto no prazo legal, que no caso seria realizado no mesmo anocalendário da ocorrência do fato gerador. Conforme decidiu o Superior Tribunal de Justiça STJ no Recurso Especial nº 973.733, julgado sob o rito do art. 543C do CPC (recurso repetitivo), nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação: ... 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Conforme dispõe o artigo 62A do Regimento Interno deste CARF, o entendimento do STJ em sede de recurso repetitivo é de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF, , verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. O recorrente pleiteia a aplicação do art. 150, §4º do CTN sob alegação de que os fatos geradores do imposto de renda sobre o ganho de capital em exame ocorreram no ano calendário e, assim, desde então já iniciara a contagem do prazo decadencial. Ocorre que o ganho de capital na alienação de bens ou ativos está sujeito ao pagamento do imposto de renda de forma definitiva e exclusiva, traduzindo modalidade de Fl. 815DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.722766/201219 Acórdão n.º 2301004.558 S2C3T1 Fl. 800 33 tributo sujeito ao regime do lançamento por homologação, uma vez que a apuração do imposto é realizada pelo próprio contribuinte. No caso concreto, não se tem notícia de recolhimento antecipado do imposto de renda sobre o ganho de capital, ainda que parcial. Aplicável, portanto, conforme a orientação do STJ, a regra do art. 173, I do CTN, cujo termo a quo é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou seja, 31 de janeiro do ano seguinte aos fatos geradores, anoexercício. De acordo com o §1º do artigo 52 da Lei nº 8.383, de 30/12/91, o contribuinte tem até o último dia útil do mês subseqüente àquele em que os ganhos foram auferidos para efetuar o pagamento do respectivo imposto; momento a partir do qual, e somente a partir do qual, poderia ser constituído o crédito tributário. Fica evidente assim que comparadas as respectivas datas trazidas pela ilustre relatora não ocorreu a decadência do direito de constituição do referido crédito tributário. Por tudo, voto por rejeitar a preliminar de decadência. Fl. 816DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 15504.725721/2014-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2011
DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 150, § 4º, DO CTN. O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 150, § 4º, do CTN, se, inexistindo dolo, fraude ou simulação, houver pagamento parcial.
CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. PRELIMINAR. DESCABIMENTO. 1. A parte deveria ter feito prova das suas alegações (art. 15 do Decreto nº 70.235/1972), sobretudo porque a fiscalização fez um relatório detalhado das divergências apuradas e porque tais divergências estão amparadas na vasta documentação que integra o auto de infração.
2. Não é cabível converter o julgamento em diligência, para viabilizar a produção da prova que a própria recorrente deveria ter produzido juntamente com a impugnação.
IMPUGNAÇÃO. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. POSSIBILIDADE EXCEPCIONAL DE RELATIVIZAÇÃO. INSTRUÇÃO PROBATÓRIA. POSSIBILIDADE DE DETERMINAÇÃO DE OFÍCIO. 1. De acordo com o art. 15 do Decreto nº 70.235/1972, a impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar. O § 4º do art. 16, por sua vez, estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual.
2. Excepcionalmente, deve ser atenuado o rigor legal, para, com base nos princípios da razoabilidade e da legalidade, alcançar-se a desejada verdade real.
3. O próprio julgador pode, de ofício, determinar a realização das provas que entender necessárias para a formação do seu convencimento.
FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. INEXISTÊNCIA DE CARÁTER REMUNERATÓRIO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. 1. O pagamento do aviso prévio indenizado não tem caráter remuneratório, vez que o empregado, nessa hipótese, não presta serviço para o empregador e nem está à sua disposição.
2. Não se trata de rendimento pago, devido ou creditado, destinado a retribuir o trabalho que não está sendo prestado.
3. A contribuição não pode incidir sobre o aviso prévio indenizado, devendo a autoridade executora excluir da base de cálculo do lançamento os valores comprovadamente pagos a esse título.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. INFRINGÊNCIA LEGAL. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES. POSSIBILIDADE. 1. O pagamento de participação nos lucros ou resultados em desacordo com a Lei nº 10.101/2000 viabiliza a incidência das contribuições devidas à Seguridade Social, das contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, bem como das contribuições destinadas a outras entidades ou fundos.
2. Em contrapartida, o pagamento em conformidade com a lei inviabiliza a incidência das contribuições, em função da imunidade (CF, art. 7º, inc. XI).
RO Negado e RV Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, I) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício; II) com relação ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recuso, para a exclusão dos valores decorrentes do aviso prévio indenizado; III) ainda com relação ao recurso voluntário, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para a exclusão da PLR 2010 e da sua Parcela Adicional. Vencido o Conselheiro Kleber que negava provimento com relação à Parcela Adicional do PLR 2010.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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Salário Indireto. Participação nos Lucros e Resultados (PLR) para empregados. Recorrentes CEMIG DISTRIBUICAO S.A. UNIÃO FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2011 DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 150, § 4º, DO CTN. O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 150, § 4º, do CTN, se, inexistindo dolo, fraude ou simulação, houver pagamento parcial. CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. PRELIMINAR. DESCABIMENTO. 1. A parte deveria ter feito prova das suas alegações (art. 15 do Decreto nº 70.235/1972), sobretudo porque a fiscalização fez um relatório detalhado das divergências apuradas e porque tais divergências estão amparadas na vasta documentação que integra o auto de infração. 2. Não é cabível converter o julgamento em diligência, para viabilizar a produção da prova que a própria recorrente deveria ter produzido juntamente com a impugnação. IMPUGNAÇÃO. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. POSSIBILIDADE EXCEPCIONAL DE RELATIVIZAÇÃO. INSTRUÇÃO PROBATÓRIA. POSSIBILIDADE DE DETERMINAÇÃO DE OFÍCIO. 1. De acordo com o art. 15 do Decreto nº 70.235/1972, a impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar. O § 4º do art. 16, por sua vez, estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. 2. Excepcionalmente, deve ser atenuado o rigor legal, para, com base nos princípios da razoabilidade e da legalidade, alcançarse a desejada verdade real. 3. O próprio julgador pode, de ofício, determinar a realização das provas que entender necessárias para a formação do seu convencimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 57 21 /2 01 4- 36 Fl. 6245DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. INEXISTÊNCIA DE CARÁTER REMUNERATÓRIO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. 1. O pagamento do aviso prévio indenizado não tem caráter remuneratório, vez que o empregado, nessa hipótese, não presta serviço para o empregador e nem está à sua disposição. 2. Não se trata de rendimento pago, devido ou creditado, destinado a retribuir o trabalho que não está sendo prestado. 3. A contribuição não pode incidir sobre o aviso prévio indenizado, devendo a autoridade executora excluir da base de cálculo do lançamento os valores comprovadamente pagos a esse título. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. INFRINGÊNCIA LEGAL. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES. POSSIBILIDADE. 1. O pagamento de participação nos lucros ou resultados em desacordo com a Lei nº 10.101/2000 viabiliza a incidência das contribuições devidas à Seguridade Social, das contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, bem como das contribuições destinadas a outras entidades ou fundos. 2. Em contrapartida, o pagamento em conformidade com a lei inviabiliza a incidência das contribuições, em função da imunidade (CF, art. 7º, inc. XI). RO Negado e RV Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, I) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício; II) com relação ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recuso, para a exclusão dos valores decorrentes do aviso prévio indenizado; III) ainda com relação ao recurso voluntário, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para a exclusão da PLR 2010 e da sua Parcela Adicional. Vencido o Conselheiro Kleber que negava provimento com relação à Parcela Adicional do PLR 2010. Ronaldo de Lima Macedo Presidente João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 6246DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15504.725721/201436 Acórdão n.º 2402005.262 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório 1 Da autuação A contribuinte sofreu Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) DEBCAD nº 51.052.3870, no valor total de R$ 28.759.045,27, no qual foram constituídos os créditos correspondentes às contribuições destinadas a outras entidades ou fundos (Salário Educação, Incra, Sebrae), incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados, parte da empresa. Através do AIOP DEBCAD nº 51.052.3854, integrante do PAF nº 15504.725513/201437, no valor total de R$ 198.398.211,37, foram constituídos os créditos correspondentes às: a) contribuições destinadas à Seguridade Social, parte da empresa, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados na categoria de empregados e contribuintes individuais; b) contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidente sobre a remuneração paga aos segurados na categoria de empregados. Segundo o Relatório Fiscal, os motivos que ensejaram o lançamento foram basicamente os seguintes: 1.1 VALORES REGISTRADOS EM FOLHAS DE PAGAMENTO SUPERIORES AOS DECLARADOS EM GFIP (PERÍODO DE 01/2010 A 13/2010) a) as diferenças são integrantes do conceito de salário de contribuição: 13º salário sobre aviso prévio indenizado, aviso prévio (rubrica 370), correção monetária e aviso prévio (rubrica 1775). 1.2 PAGAMENTO DE PLR EM DESACORDO COM A LEI Nº 10.101/00 (PERÍODO 01/2009 A 03/2011) b) o PLR 2009 teve suas regras estabelecidas apenas em 20/11/2009, ou seja, apenas no final do exercício em que os empregados deveriam, através de esforço adicional, contribuir para a lucratividade da empresa; c) o PLR 2010 distribuiu parcela adicional não prevista nas regras acordadas; d) a contribuinte não apresentou planilhas de controle comprobatórias de que os indicadores definidos nas cláusulas dos acordos coletivos foram efetivamente medidos e avaliados e que tais medições eram levadas ao conhecimento dos seus empregados. Também não apresentou planilhas demonstrativas de que os valores pagos foram fundamentados nas fórmulas acordadas e creditados de maneira individualizada; Fl. 6247DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 e) o PLR 2008 foi objeto de fiscalização pela RFB, que concluiu que tais pagamentos também foram efetuados em desacordo com a legislação previdenciária; f) os pagamentos efetuados pela contribuinte a título de PLR não se enquadram no art. 214, § 9º, inc. X, do RGPS, integrando, pois, o salário de contribuição; g) os valores correspondentes ao PLR foram apurados através da contabilidade, diante das inconsistências dos arquivos digitais e dos demonstrativos entregues; h) haja vista os históricos contábeis genéricos e a não apresentação de documentos solicitados, a fiscalização considerou como base todos os lançamentos encontrados na contabilidade do período fiscalizado, considerados até a competência março de 2011, quando ocorreu o pagamento da parcela final do PLR 2010. 2 Da impugnação Em sua impugnação, a contribuinte alegou: i) preliminar de decadência do direito de lançar os créditos tributários relativos ao período de 01/2009 a 07/2009, diante do transcurso do prazo de cinco anos entre a data da ocorrência dos fatos geradores e a data da ciência do auto; j) impossibilidade de exigência de contribuição sobre o aviso prévio indenizado, conforme jurisprudência do STJ e do CARF; k) impossibilidade de tributação dos valores pagos a título de PLR, diante da observância dos requisitos legais; l) impossibilidade de lançamento sobre pagamentos referentes aos PLRs 2007 e 2008. 3 Da decisão da DRJ A 5ª Turma da DRJ/FNS manifestouse pela procedência em parte da impugnação, para julgar: m) procedente o lançamento do valor principal de R$ 11.042.100,92, acrescido de juros moratórios e multa de ofício de 75%; n) exonerado do crédito tributário principal o valor de R$ 2.371.602,97, acrescido de juros moratórios e multa de ofício de 75%. Do ato, a DRJ recorreu de ofício a este Conselho. Segundo a DRJ: Fl. 6248DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15504.725721/201436 Acórdão n.º 2402005.262 S2C4T2 Fl. 4 5 3.1 DECADÊNCIA o) por força da decadência, as exigências contidas no Levantamento I PLR, referentes às competências 01/2009 a 07/2009, devem ser julgadas improcedentes. 3.2 VALORES REGISTRADOS EM FOLHAS DE PAGAMENTO SUPERIORES AOS DECLARADOS EM GFIP (PERÍODO DE 01/2010 A 13/2010) p) conforme nota PGFN/CRJ nº 640/2014, pende de julgamento no STF o RE nº 565.160/SC, com repercussão geral reconhecida, cuja decisão pode reverter o entendimento do STJ a respeito da não tributação do aviso prévio indenizado; q) a impugnante também não apresentou nenhuma prova de que todas as remunerações dos segurados empregados se referem a aviso prévio indenizado. 3.3 PLR r) o PLR 2009 teve suas regras estabelecidas apenas em 20/11/2009, ou seja, apenas no final do exercício; s) o PLR 2010, contrariando as suas próprias regras, distribuiu parcela adicional não prevista; t) com relação ao PLR 2009 e 2010, em nenhum desses dois exercícios foi apresentada documentação ou planilhas de controle comprobatórias de que os indicadores definidos nas cláusulas dos acordos coletivos foram efetivamente medidos e avaliados periodicamente e que tais medições eram levadas ao conhecimento dos seus empregados para direcionar o seu esforço adicional; u) quanto ao lançamento sobre pagamentos referentes aos PLRs 2007 e 2008, a planilha apresentada pela impugnante, desacompanhada de documentação que lhe dê suporte (folhas de pagamento, recibos de pagamento, escrita contábil), não comprova a alegação de que os pagamentos ali relacionados não se refiram ao PLR 2009. 3.4 PRODUÇÃO DE PROVAS v) não é cabível a concessão de novo prazo para juntada de documentos; w) prescindese de perícia nos casos em que os elementos de prova podem ser trazidos aos autos, sem que se necessite de parecer técnico complementar ou ainda no caso de matéria puramente jurídica. Fl. 6249DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 4 Do recurso voluntário A contribuinte foi intimada da decisão em 22/01/2015 e interpôs recurso voluntário em 20/02/2015 com base nos seguintes argumentos: 4.1 VALORES REGISTRADOS EM FOLHAS DE PAGAMENTO SUPERIORES AOS DECLARADOS EM GFIP (PERÍODO DE 01/2010 A 13/2010) x) conforme ressaltou a própria fiscalização, a diferença apontada entre os valores transitados em folhas de pagamentos e os valores das remunerações declaradas em GFIP diz respeito aos pagamentos feitos a título de aviso prévio indenizado; y) a contribuição previdenciária não incide sobre o aviso prévio indenizado, o qual tem natureza indenizatória, conforme jurisprudência do STJ, tomada sob a sistemática dos recursos repetitivos. 4.2 PLR z) segundo a CF, a participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa está desvinculada da remuneração; aa) o art. 28, § 9º, alínea j, da Lei nº 8.212/1991, estabeleceu que as remunerações pagas a título de PLR, quando pagas ou creditas de acordo com legislação específica, não integram o salário de contribuição; bb) a Lei nº 10.101/2000 expressamente estabeleceu que a participação nos lucros ou resultados não constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista; cc) os valores pagos a título de PLR observaram todas as exigências da Lei nº 10.101/2000; dd) o fato de o acordo coletivo do PLR 2009 ter sido assinado em novembro/2009 não desnatura o plano, eis que a Lei nº 10.101/2000 não traz qualquer limite temporal para a celebração dos acordos; ee) apenas para fins argumentativos, deveriam ser canceladas as exigências relativas ao mês de dezembro/2009, pois posterior à data da assinatura do acordo; ff) as metas para o ano de 2009 foram pactuadas como sendo aquelas definidas pelo Planejamento Estratégico Empresarial; gg) no PLR 2009, houve clara fixação de metas, com mecanismos de divulgação e informações pertinentes ao cumprimento do acordo; hh) os pagamentos feitos a título de PLR 2010 também foram realizados em consonância com a Lei nº 10.101/2000; ii) no tocante ao PLR 2010, houve negociação entre a empresa e seus empregados; houve a clara fixação de metas e indicadores, com mecanismos de divulgação e prestação de informações pertinentes; e a Fl. 6250DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15504.725721/201436 Acórdão n.º 2402005.262 S2C4T2 Fl. 5 7 base de cálculo e os critérios de pagamento consideraram o resultado da empresa e o percentual préestabelecido; jj) é descabido o entendimento acerca da ausência de medição por parte da recorrente dos indicadores utilizados no pagamento do PLR 2010; kk) o aditamento do PLR 2010, em dezembro/2010, com distribuição de parcela adicional não prevista nas regras iniciais, não desnatura o plano, eis que a Lei nº 10.101/2000 não traz qualquer limite temporal para a celebração dos acordos; ll) eventual descaracterização do PLR 2010 deveria eventualmente incidir sobre a parcela adicional, e não sobre todo o plano. É o relatório. Fl. 6251DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1. Conhecimento O recurso de ofício deve ser conhecido, visto que a decisão recorrida exonerou o sujeito passivo de crédito tributário superior a R$ 1.000.000,00. Nesse sentido, eis o teor do art. 1º da Portaria MF nº 03/2008: Art. 1º. O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2. Decadência A declaração de decadência das contribuições contidas no Levantamento I PLR, referentes às competências 01/2009 a 07/2009, implicou recurso de ofício. Deve ser mantida a decisão da DRJ, pois em nenhum momento a autoridade lançadora apontou a ocorrência de dolo, fraude ou simulação; e para estas competências consta recolhimento de contribuições; de tal forma que é aplicável a regra do § 4º do art. 150 do CTN. A contribuinte foi autuada em 14/08/2014, data em que já havia transcorrido mais de cinco anos desde as citadas competências e, consequentemente, quando já havia decaído o direito de lançamento suplementar das contribuições. 3. Da juntada de documentos no recurso Com base nos princípios da ampla defesa e da verdade material, a recorrente pede a juntada aos autos dos termos de rescisão de fls. 6228 e seguintes, os quais, no seu entender, demonstram que parte dos pagamentos realizados entre as competências 01/2009 a 10/2009 se referem aos PLRs de 2007 e 2008, corroborando os lançamentos constantes da planilha de fls. 5539 e seguintes. Tais documentos visam a derruir a seguinte conclusão da DRJ: [...] referida planilha, desacompanhada de documentação que lhe dê suporte (folhas de pagamento, recibos de pagamento, escrita contábil), não comprova a alegação de que os pagamentos ali relacionados não se refiram ao PLR(s) 2009 e sim a parcelas complementares dos PLR 2007 e 2008. (fl. 6109) Muito embora, num primeiro exame, possa parecer que não deve ser deferida a juntada, ex vi dos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972, a solução aqui é um pouco diversa. Fl. 6252DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15504.725721/201436 Acórdão n.º 2402005.262 S2C4T2 Fl. 6 9 Os termos de rescisão visam apenas a contrapor a decisão da DRJ, devendo, portanto, serem conhecidos. Excepcionalmente, deve ser atenuado o rigor legal, para, com base no princípio da razoabilidade, alcançarse a desejada verdade real, que, por sua vez, decorre do princípio da legalidade. Os termos de rescisão podem contribuir para o alcance da verdade dos fatos, impedindo (ou não) a tributação sobre fatos geradores não efetivamente ocorridos no mundo real. Embora os princípios da boafé e da lealdade processual obriguem a parte a agir com zelo, cuidado, cooperação e diligência (colaborando com a marcha processual), a razoabilidade e a legalidade permitem, em caráter excepcional, a juntada ulterior de documentos. O próprio julgador pode, de ofício, determinar a realização das provas que entender necessárias para a formação do seu convencimento. Logo, deve ser deferida a juntada dos termos de rescisão, a fim de que seja verificado se eles realmente corroboram a planilha de fls. 5539 e seguintes. 4. Valores registrados em folhas de pagamento superiores aos declarados em GFIP (período de 01/2010 a 13/2010) Conforme relatório fiscal, as diferenças são integrantes do conceito de salário de contribuição, a saber: 13º salário sobre aviso prévio indenizado (rubrica 336), aviso prévio (rubrica 370), correção monetária (1027) e aviso prévio (rubrica 1775). Segue abaixo quadro demonstrativo constante do item 17.5: No item 17.2 (fl. 19 do PAF), a autoridade lançadora afirmou o seguinte: A análise das diferenças encontradas apontava para a omissão de algumas rubricas com incidência de contribuições previdenciárias nas bases declaradas. Em especial, as rubricas relacionadas com o aviso prévio, ainda que outras rubricas também sinalizassem divergência, porém, em uma quantidade menor de ocorrências. (destacouse) Logo, ao contrário do que pretende fazer crer a recorrente, nem toda a diferença apontada entre os valores transitados em folhas de pagamentos e os valores das remunerações declaradas em GFIP diz respeito aos pagamentos feitos a título de aviso prévio indenizado, vislumbrandose também outras rubricas e eventual aviso prévio não indenizado. Com relação ao aviso prévio indenizado, contudo, a recorrente tem razão. Fl. 6253DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 O pagamento dessa verba em favor do empregado tem amparo no § 1º do art. 487 da CLT, segundo o qual "a falta do aviso prévio por parte do empregador dá ao empregado o direito aos salários correspondentes ao prazo do aviso, garantida sempre a integração desse período no seu tempo de serviço". Logo, o pagamento do aviso prévio indenizado não tem caráter remuneratório, vez que o empregado, nessa hipótese, não presta serviço para o empregador e nem está à sua disposição. Não se trata de rendimento pago, devido ou creditado, destinado a retribuir o trabalho que não está sendo prestado. Em se tratando de contrato de trabalho por prazo indeterminado, a parte que sem justo motivo pretender rescindilo, deverá comunicar a outra com a antecedência mínima prevista na CLT e na Lei nº 12.506/2011. Não o fazendo o empregador, nasce para o empregado o direito ao salário correspondente, independentemente de qualquer prestação, não se podendo cogitar, pois, de retribuição de trabalho. Há apenas o pagamento de uma indenização, a qual visa a reparar o empregado que não fora alertado em tempo hábil. O inc. I do art. 28 da Lei nº 8.212/1991 explicita que o salário de contribuição constitui uma remuneração destinada a retribuir o trabalho. Inexistindo o pagamento de remuneração, inexiste o núcleo do fato gerador da contribuição em referência, o que ocorre com o aviso prévio indenizado. A redação original da alínea e do § 9º do art. 28 foi alterada para excluir a menção do aviso prévio indenizado como não constitutivo do salário de contribuição. Contudo, essa modificação legislativa em nada alterou o núcleo do fato gerador da contribuição, que exige a remuneração paga, devida ou creditada, destinada a retribuir o trabalho. Expressandose de outra forma, a alteração legislativa não alterou a natureza da citada rubrica. Essa interpretação está em conformidade com a alínea a do inc. I do art. 195 da CF, segundo a qual as contribuições sociais incidem sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados à pessoa física que lhe preste serviço. É sabido que, ao instituir e partilhar competências tributárias, a Constituição prédefiniu o fato gerador e o sujeito passivo dos tributos. Como se vê, de toda forma, não se está declarando inconstitucionalidade, mas apenas declarando a não incidência da contribuição sobre o aviso prévio indenizado, com base no inc. I do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, não havendo qualquer ofensa à Súmula CARF nº 2. O REsp nº 1230957/RS está suspenso por Recurso Extraordinário com repercussão geral (Tema 163 265), mas o aviso prévio indenizado, por não ter caráter remuneratório, não é salário de contribuição. As conclusões constantes do citado REsp estão em harmonia com a legislação federal infraconstitucional, de modo que não há razão para alterálas. A título ilustrativo, segue a ementa do recurso: Fl. 6254DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15504.725721/201436 Acórdão n.º 2402005.262 S2C4T2 Fl. 7 11 PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. DISCUSSÃO A RESPEITO DA INCIDÊNCIA OU NÃO SOBRE AS SEGUINTES VERBAS: TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS; SALÁRIO MATERNIDADE; SALÁRIO PATERNIDADE; AVISO PRÉVIO INDENIZADO; IMPORTÂNCIA PAGA NOS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIODOENÇA. [...] 2.2 Aviso prévio indenizado. A despeito da atual moldura legislativa (Lei 9.528/97 e Decreto 6.727/2009), as importâncias pagas a título de indenização, que não correspondam a serviços prestados nem a tempo à disposição do empregador, não ensejam a incidência de contribuição previdenciária. A CLT estabelece que, em se tratando de contrato de trabalho por prazo indeterminado, a parte que, sem justo motivo, quiser a sua rescisão, deverá comunicar a outra a sua intenção com a devida antecedência. Não concedido o aviso prévio pelo empregador, nasce para o empregado o direito aos salários correspondentes ao prazo do aviso, garantida sempre a integração desse período no seu tempo de serviço (art. 487, § 1º, da CLT). Desse modo, o pagamento decorrente da falta de aviso prévio, isto é, o aviso prévio indenizado, visa a reparar o dano causado ao trabalhador que não fora alertado sobre a futura rescisão contratual com a antecedência mínima estipulada na Constituição Federal (atualmente regulamentada pela Lei 12.506/2011). Dessarte, não há como se conferir à referida verba o caráter remuneratório pretendido pela Fazenda Nacional, por não retribuir o trabalho, mas sim reparar um dano. Ressaltese que, "se o aviso prévio é indenizado, no período que lhe corresponderia o empregado não presta trabalho algum, nem fica à disposição do empregador. Assim, por ser ela estranha à hipótese de incidência, é irrelevante a circunstância de não haver previsão legal de isenção em relação a tal verba" (REsp 1.221.665/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 23.2.2011). A corroborar a tese sobre a natureza indenizatória do aviso prévio indenizado, destacamse, na doutrina, as lições de Maurício Godinho Delgado e Amauri Mascaro Nascimento. Precedentes: REsp 1.198.964/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 4.10.2010; REsp 1.213.133/SC, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 1º.12.2010; AgRg no REsp 1.205.593/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 4.2.2011; AgRg no REsp 1.218.883/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 22.2.2011; AgRg no REsp 1.220.119/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 29.11.2011. Fl. 6255DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 12 [...] Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. (REsp 1230957/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 26/02/2014, DJe 18/03/2014) No âmbito deste Conselho, vale citar o acórdão nº 2803004.204. Em suma, a contribuição não pode incidir sobre o aviso prévio indenizado, devendo a autoridade executora do presente julgado excluir da base de cálculo do lançamento os valores comprovadamente pagos a esse título, bem como eventuais verbas a ele acessórias. 5. PLR 2009: Lançamento sobre pagamentos referentes aos Programas de 2007 e 2008, pagos no ano de 2009 A recorrente afirma que devem ser excluídos os valores identificados nas planilhas constantes das fls. 5539 e seguintes, por se referirem aos PLRs 2007 e 2008, pagos entre as competências 01/2009 a 10/2009, em razão de rescisão do contrato de trabalho. Às fls. 6228 e seguintes, a recorrente juntou alguns termos de rescisão, que, no seu entender, comprovariam, por amostragem, a veracidade de suas alegações. É que a DRJ havia decidido que a planilha apresentada, desacompanhada de documentação que lhe dê suporte (folhas de pagamento, recibos de pagamento, escrita contábil), não comprova a alegação de que os pagamentos ali relacionados não se refiram ao PLR 2009. Em primeiro lugar, é questionável a realização de prova por amostragem, na medida em que o levantamento fiscal tomou por base cada uma das inconsistências apuradas no transcorrer da ação fiscal. Essas inconsistências foram aferidas e demonstradas competência por competência, de tal forma que a recorrente tinha o ônus de comprovar cabalmente as suas alegações, fazendoo levantamento por levantamento. Em segundo lugar, é inquestionável que a planilha deveria estar acompanhada de documentação comprobatória, até por se tratar de documento unilateral. Em terceiro lugar, dentre as citadas competências de 01/2009 a 10/2009, já houve exclusão, por força da decadência, das competências 01/2009 a 07/2009, tendo sobejado apenas aquelas de 08/2009 a 10/2009. Destas competências remanescentes, os únicos termos de rescisão que poderiam ser ligados às planilhas em nenhum campo registram que o pagamento de participação nos lucros ou resultados seria referente a 2007 ou 2008. Destarte, a recorrente não fez prova de suas alegações. 6. PLR 2009: formalização e negociação entre a empresa e seus empregados O lançamento ocorreu porque o PLR 2009 teve suas regras estabelecidas apenas em novembro/2009. Fl. 6256DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15504.725721/201436 Acórdão n.º 2402005.262 S2C4T2 Fl. 8 13 A recorrente defende a tese de que esse fato não desnatura o plano, eis que a Lei nº 10.101/2000 não traz qualquer limite temporal para a celebração dos acordos. Essa questão é extremamente controvertida neste Conselho, havendo posicionamentos muito bem fundamentados em ambos os sentidos. A não incidência das contribuições sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa é uma imunidade, vez que é uma norma de não tributação prevista na Constituição Federal (inc. XI do art. 7º). Ao estabelecer que tal verba está desvinculada da remuneração, a Lei Maior criou norma negativa de competência, impedindo o próprio exercício de atividade legislativa para criar imposição fiscal a ela atinente. Vejase: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; A participação do trabalhador nos lucros ou resultados da empresa não é apenas um instrumento de integração entre o capital e o trabalho, visando a incrementar a produtividade (como costumeiramente se diz), mas sobretudo um direito social do trabalhador. Tanto o caput do artigo, como o capítulo no qual ele está inserido (“DOS DIREITOS SOCIAIS”), não deixam margem para dúvidas. Essa circunstância tem passado despercebida às vezes, mormente porque a lei regulamentadora parece têla deixado em segundo plano, nem mesmo fazendo menção à expressão direitos sociais. Por outro lado, a norma constitucional é de eficácia limitada, pois atribuiu à lei (“conforme definido em lei”) a competência para estabelecer os pressupostos dessa não vinculação. No plano infraconstitucional, a regulamentação está na Lei nº 10.101/2000, que “dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências”. Em seu art. 2º, a lei prevê que a participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, através, conforme o caso, de comissão paritária escolhida pelas partes, convenção coletiva ou acordo coletivo. Logo, é inquestionável que a lei prevê que essa partipação será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados. Vejase: Art.2o. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (destacouse) Fl. 6257DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 14 Todavia, e diferentemente do que concluiu a autoridade autuante, bem como a própria DRJ, a lei realmente não estabeleceu uma data limite para a formalização dessa negociação. É compreensível que ela não o tenha feito, pois as normas de experiência comum demonstram que tais negociações não raramente levam meses para serem concluídas, sendo, por vezes, acirradas e conflituosas. No caso concreto, e como demonstrado pela recorrente, o acordo coletivo envolveu dez sindicatos diferentes, o que demonstra a plausibilidade da sua tese. E não compete ao aplicador da lei criar prérequisito não previsto na norma, sobretudo para reduzir a eficácia de regra jurídica constitucional. A interpretação criativa é vedada pela tripartição dos poderesdeveres prevista no art. 2º da Lei Maior, tripartição que se constitui em um verdadeiro princípio fundamental da República. Uma interpretação mais fiscalista, com criação de exigências não previstas legalmente, apenas tem o condão de dificultar a efetiva concretização do direito social do trabalhador à participação nos lucros ou resultados da empresa, em conflito com as finalidades constitucionais. Muito embora a lei regulamentadora pareça ter deixado em segundo plano a participação nos lucros ou resultados como um direito social, pois nem mesmo faz qualquer menção a esse respeito, fato é que a Constituição outorgou essa partipação como um efetivo direito daquela natureza, o que deve ser levado em consideração pelo aplicador da lei, na busca da máxima eficácia da norma constitucional. Os direitos sociais visam a criar as condições materiais necessárias ao alcance da igualdade real entre o dono do capital e o trabalhador. Segundo José Afonso da Silva, "são prestações positivas proporcionadas pelo Estado direta ou indiretamente, enunciadas em normas constitucionais, que possibilitam melhores condições de vida aos mais fracos, direitos que tendem a realizar a igualização de situações sociais desiguais" (Curso de Direito Constitucional Positivo, 12ª ed., rev., Malheiros Editores, 1996, p. 277, com destaques). Buscando igualar o empregador e o trabalhador, a Constituição outorgou a este o direito à participação nos lucros ou resultados e na própria gestão da empresa. Não fosse a Constituição e a consequente regra imunizante, é óbvio que o trabalhador não teria as condições materiais necessárias para participar dos lucros ou resultados, os quais, por consectário lógico, decorrem do capital do qual ele não é dono. Toda interpretação, portanto, deve ter como norte os direitos sociais. E diante de interpretações plausíveis e alternativas, o exegeta deve adotar aquela que se amolda à Lei Maior. O ministro Luís Roberto Barroso decompõe o princípio da interpretação conforme a Constituição nos seguintes termos: 1) Tratase da escolha de uma interpretação da norma legal que a mantenha em harmonia com a Constituição, em meio a outra ou outras possibilidades interpretativas que o preceito admita. 2) Tal interpretação busca encontrar um sentido possível para a norma, que não é o que mais evidentemente resulta da leitura de seu texto. Fl. 6258DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15504.725721/201436 Acórdão n.º 2402005.262 S2C4T2 Fl. 9 15 3) Além da eleição de uma linha de interpretação, procedese à exclusão expressa de outra ou outras interpretações possíveis, que conduziriam a resultado contrastante com a Constituição. 4) Por via de conseqüência, a interpretação conforme a Constituição não é mero preceito hermenêutico, mas, também, um mecanismo de controle de constitucionalidade pelo qual se declara ilegítima uma determinada leitura da norma legal. (Interpretação e aplicação da constituição : fundamentos de uma dogmática constitucional transformadora. 3. ed. Saraiva, p. 181 182, com destaques) Deve ser abandonado, pois, o rigor interpretativo, para compatibilizar a leitura da Lei nº 10.101/2000 com a Constituição, a qual, lembrese, visou a igualar materialmente o trabalhador e o empregador. Ainda que a compreensão mais óbvia da lei infraconstitucional possa sugerir que o acordo deve ser formalizado antes do início do período aquisitivo, como forma de incentivar a produtividade e o comprometimento dos trabalhadores, fato é que a Constituição trouxe como critério preponderante o direito social do lado mais fraco da relação empregatícia, e não o incremento da produtividade e do seu comprometimento. A interpretação de que o acordo deve ser formalizado antes do início do período aquisitivo, assim, embora possa ser a mais evidente diante da Lei nº 10.101/2000, não é a mais legítima. Cria, também, um requisito formal não previsto (pois a lei menciona apenas a necessidade de negociação – “será objeto de negociação”) e que está em descompasso com a realidade negocial, podendo até mesmo desestimular a concessão da participação nos lucros ou resultados e, por conseguinte, a realização dos direitos sociais. Essa interpretação não é apenas teleológica, mas sim criativa, pois insere um requisito formal não constante da norma encimada, e que, para piorar, não está em conformidade com a Constituição. Como se vê, não se está declarando a inconstitucionalidade da Lei nº 10.101/2000, e sim, dentre as várias interpretações possíveis, elegendose aquela mais adequada ao texto constitucional. Sendo assim, deve ser acatada a tese já esboçada pelo CSRF, no acórdão nº 9202003.370, cuja ementa segue abaixo, com destaques: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA PLR. IMUNIDADE. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. ACORDO PRÉVIO AO ANO BASE. DESNECESSIDADE. A Participação nos Lucros e Resultados PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo Fl. 6259DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 16 trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica, notadamente artigo 28, § 9º, alínea j, da Lei nº 8.212/91, bem como MP nº 794/1994 e reedições, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. A exigência de outros pressupostos, não inscritos objetivamente/literalmente na legislação de regência, como a necessidade de formalização de acordo prévio ao ano base, é de cunho subjetivo do aplicador/intérprete da lei, extrapolando os limites das normas específicas em total afronta à própria essência do benefício, o qual, na condição de verdadeira imunidade, deve ser interpretado de maneira ampla e não restritiva. Recurso especial negado. (CSRF, 2ª Turma, Relator(a) RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, sessão de 17 de setembro de 2014) (com destaques) Logo, o fato isolado de a formalização ter ocorrido em novembro não desnatura o PLR 2009, devendo ser analisados outros aspectos, conforme adiante se fará. A necessidade de comprovação da negociação entre a empresa e seus empregados, por exemplo, é um requisito imposto pela Lei nº 10.101/2000, que deve ser adequadamente observado. O plano não deve ser imposto pela empresa e deve realmente servir de instrumento de integração entre o capital e o trabalho. A recorrente afirma que, a despeito de a assinatura ter ocorrido em novembro, os seus empregados já vinham recebendo as diretrizes e as metas necessárias através do boletim mensal "Visão e Ação". Muito embora o recebimento das diretrizes e das metas não comprove a existência da negociação, mas sim da eventual divulgação das informações, o fato de o plano ter sido assinado perante dez sindicatos diferentes comprova efetivamente a existência prévia de discussões entre as partes interessadas. Um plano de tal importância e grandeza é sempre precedido de ajustes, como demonstram as regras de experiência comum. Nessa toada, o art. 275 do CPC preleciona que "o juiz aplicará as regras de experiência comum subministradas pela observação do que ordinariamente acontece". As disposições do Código são aplicáveis supletiva e subsidiariamente aos processos administrativos fiscais, como determina o seu art. 15. É necessário, assim, verificar se a recorrente cometeu as demais infringências relatadas no auto e acatadas pela DRJ. 7. PLR 2009 e 2010: Medição e divulgação dos indicadores A DRJ afirma que, com relação aos PLRs 2009 e 2010, não foram apresentados documentos ou planilhas de controle comprobatórios de que os indicadores definidos nas cláusulas dos acordos coletivos foram efetivamente medidos e avaliados periodicamente e que tais medições eram levadas ao conhecimento dos seus empregados para direcionar o seu esforço adicional. Fl. 6260DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15504.725721/201436 Acórdão n.º 2402005.262 S2C4T2 Fl. 10 17 A recorrente controverte afirmando que a disseminação das metas e regras era realizada por meio de instrumento próprio ("Visão e Ação"). Diz, igualmente, que todos os seus funcionários possuíam acesso aos relatórios mensais por meio da intranet. Especificamente no tocante ao PLR 2010, a recorrente afirma que os indicadores estabelecidos no acordo (Taxa de Frequência de Acidentados com Afastamento TFTp, despesas com Material, Serviços e Outros MSO, Resultado da Atividade, Número de Conjuntos DEC ou FEC violados, Indicador de Resultado Individual e Indicador de Agregação de Valor) foram regular e efetivamente medidos. Ao contrário do que alega a recorrente, no entanto, ela não comprovou a existência dos mecanismos de aferição das cláusulas do acordo coletivo referente ao PLR 2009. A sua Cláusula 1ª estabeleceu que "as metas e indicadores préestabelecidos para o ano de 2009 são, dentre outros, aqueles definidos pelo Planejamento Estratégico Empresarial, acompanhadas de BSC". Em primeiro lugar, a recorrente não demonstrou quais metas e indicadores teriam sido definidos, o que já prejudica a análise acerca da existência de mecanismos de sua aferição. Em segundo lugar, e de qualquer forma, os relatórios "Visão e Ação" não fazem qualquer menção ao PLR. Ficam corroboradas, portanto, as seguintes conclusões da fiscalização (item 19.30 do relatório fiscal), que se transcreve para evitar tautologia: Ocorre que tais cadernos apresentados não estão relacionados com o pagamento de PLR, aliás, não existe qualquer menção a PLR nos mesmos, são documentos utilizados no planejamento estratégico e na relação com os investidores da CEMIG e os indicadores ali detalhados não estão, pelo menos de forma direta, relacionados com aqueles descritos nas cláusulas dos acordos coletivos relacionadas com o pagamento de PLR e usados na apuração quantitativa do mesmo. No mesmo sentido, os boletins de fls. 5327 e seguintes. Como se depreende do documento intitulado "Visão e Ação", ele se destina à "disseminação de temas relativos à estratégia a todos os empregados". Além de "auxiliar na comunicação da estratégia [...], permite uma troca de informações e experiências entre os empregados, tornandose um importante meio de comunicação corporativa" (vide fl. 5327). Destarte, é indubitável que tal boletim está relacionado às atividades de planejamento e gestão da estratégia da recorrente, mas não ao PLR, conclusão esta reforçada pelo seguinte trecho do documento de fl. 5335: Neste Visão e Ação OnLine iremos abordar as atividades do planejamento e gestão da estratégia previstas para o ano de 2009. Para que não restem dúvidas, vale traçar a seguinte tabela: Fl. 6261DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 18 VISÃO E AÇÃO Mês/Ano Assunto Janeiro/2010 Leilões de energia elétrica Fevereiro/2010 Comercialização de energia no mercado livre e os clientes corporativos da Cemig Março/2010 Empresar em que a Cemig detém participação Abril/2010 Panorama do movimento mundial de fusões e aquisições do setor elétrico e gás A despeito da vasta documentação juntada pela recorrente, não há como afastar as seguintes conclusões da DRJ: Destarte, examinada essa documentação, chegase a mesma conclusão da autoridade lançadora, de que esses documentos, com efeito, demonstram o empenho da CEMIG em implementar metodologias de planejamento e gestão, todavia, os indicadores ali constantes não estão relacionados, diretamente, com aqueles descritos nas cláusulas dos acordos coletivos. Como frisado no relatório fiscal, o pagamento do PLR para os biênios 2009/2010 e 2010/2011 estava vinculado ao atingimento de metas preestabelecidas, metas essas que eram resultado da composição de indicadores operacionais, financeiros e funcionais. Temos então uma metodologia complexa estabelecida onde o pagamento das parcelas fixas e variáveis definidas para o PLR estava vinculado a parâmetros quantitativos e qualitativos que implicavam necessariamente em medições do desempenho corporativo em suas pontas operacional e financeira e também de parâmetros individuais de desempenho. Em terceiro lugar, a disponibilização de informações específicas do PLR 2009 através da intranet não foi comprovada. Logo, a recorrente não comprovou que divulgava aos seus empregados as informações atinentes ao atingimento das metas e dos indicadores necessários para a obtenção da participação nos lucros ou resultados de 2009. Essas informações são de suma importância para os trabalhadores, que devem ter conhecimento dos direitos substantivos da participação, das suas regras adjetivas e, ao longo do período aquisitivo, do cumprimento ou não das metas e indicadores estabelecidos no programa. A participação requer que os empregados tenham informações claras e objetivas desde a formalização do plano, durante o período de aquisição e até mesmo depois da distribuição dos lucros ou resultados. Fl. 6262DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15504.725721/201436 Acórdão n.º 2402005.262 S2C4T2 Fl. 11 19 Essas exigências constantes do § 2º do art. 2º da Lei são plenamente válidas, pois igualmente visam a concretizar os direitos sociais, os quais somente podem ser eficazmente exercidos se cumpridos os deveres de informação e transparência. Diante dessa ilegalidade, a qual é suficiente para se chegar ao resultado do julgamento, pois macula todo o plano de 2009, é prescindível examinar os demais fundamentos recursais. Expressandose de outra forma, e na dicção do inc. IV, do § 1º, do art. 489, do CPC, não é necessário enfrentar os demais argumentos deduzidos no processo, pois incapazes de infirmar a conclusão do julgado. No tocante ao PLR 2010, a conclusão é diversa. Através dos documentos de fls. 5765 e seguintes, a recorrente comprovou que aferia as metas e os indicadores estabelecidos no acordo. Como se vê na Cláusula 6ª do instrumento, as metas para a participação estavam diretamente vinculadas aos indicadores TFTp, número de conjuntos DEC ou FEC violados, MSO e indicador de resultado individual. O Relatório Anual 2010 contempla informações precisas acerca dos dados estatísticos dos acidentados com afastamento, dados estes relacionados ao indicador TFTp. A preocupação com esse indicador está igualmente estampada nos documentos que registram as reuniões presenciais e as videoconferências. Os indicadores DEC ou FEC estão retratados nos dados estatísticos de fls. 5917 e seguintes, observandose, ainda, que tais dados estão consolidados no próprio site da ANEEL (vide fl. 5916). Já aqueles dados relacionados ao MSO estão comprovados nos documentos de fls. 5915 e seguintes, extraídos do sistema de gestão da recorrente, o qual dá conta das despesas com material, serviços e outros. Destarte, e ao contrário do que ocorreu no tocante ao PLR 2009, a recorrente fez prova de que media e avaliava os indicadores e as metas estabelecidas no acordo relativo ao ano de 2010, dando conhecimento dessa avaliação aos seus empregados. Nesse sentido, deve ser validado o PLR 2010. 8. PLR 2010: Parcela Adicional Segundo a DRJ, o PLR 2010, contrariando as suas próprias regras, distribuiu parcela adicional não prevista. Já a recorrente afirma que o seu aditamento, em dezembro/2010, com distribuição de parcela adicional não prevista nas regras iniciais, não desnatura o plano, eis que a Lei nº 10.101/2000 não traz qualquer limite temporal para a celebração dos acordos. Como argumentado no tópico 6 desta decisão, ao qual apenas se remete para evitar tautologia, tem razão a recorrente. Fl. 6263DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 20 9. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de a) CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício; e b) CONHECER e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos da fundamentação. João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 6264DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 10805.722241/2011-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2007
ESCRITA FISCAL. PROVA. Para ser aceita como prova a favor do contribuinte, a escrita fiscal deve estar em conformidade com o art. 258 do Decreto 3000/1999.
PROVAS. PRECLUSÃO. Com ressalvas legais, o momento para a apresentação de provas para se contrapor aos fatos geradores lançados é na impugnação. (art. 16 Dec. 70235/1972)
DOLO. Estando o dolo comprovado nos autos aplica-se a qualificação da multa de ofício. Caso dos autos.
SOLIDARIEDADE. A responsabilidade solidária decorre de lei, conforme art. 124 da Lei 5.172-66, são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.
NULIDADE DE ATO ADMINISTRATIVO. O art. 59 do Decreto 70235/72 define as possibilidade de nulidade de ato administrativo, aos quais não se enquadram as decisões proferidas no âmbito deste processo.
PRECLUSÃO. Matéria não arguida na impugnação não pode ser objeto de questionamento em segunda instância.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.323
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, negando-lhe provimento de forma unânime na parte relativa ao lançamento de IRRF e, por voto de qualidade, quanto ao lançamento da multa e juros isolados. Vencidos na votação os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Theodoro Vicente Agostinho, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Maria Cleci Coti Martins
Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rosemary Figueiroa Augusto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2007 ESCRITA FISCAL. PROVA. Para ser aceita como prova a favor do contribuinte, a escrita fiscal deve estar em conformidade com o art. 258 do Decreto 3000/1999. PROVAS. PRECLUSÃO. Com ressalvas legais, o momento para a apresentação de provas para se contrapor aos fatos geradores lançados é na impugnação. (art. 16 Dec. 70235/1972) DOLO. Estando o dolo comprovado nos autos aplicase a qualificação da multa de ofício. Caso dos autos. SOLIDARIEDADE. A responsabilidade solidária decorre de lei, conforme art. 124 da Lei 5.17266, são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. NULIDADE DE ATO ADMINISTRATIVO. O art. 59 do Decreto 70235/72 define as possibilidade de nulidade de ato administrativo, aos quais não se enquadram as decisões proferidas no âmbito deste processo. PRECLUSÃO. Matéria não arguida na impugnação não pode ser objeto de questionamento em segunda instância. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 22 41 /2 01 1- 62 Fl. 2478DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 07/06/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, negandolhe provimento de forma unânime na parte relativa ao lançamento de IRRF e, por voto de qualidade, quanto ao lançamento da multa e juros isolados. Vencidos na votação os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Theodoro Vicente Agostinho, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Maria Cleci Coti Martins Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rosemary Figueiroa Augusto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 2479DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 07/06/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10805.722241/201162 Acórdão n.º 2401004.323 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Recurso Voluntário interposto em 16/08/2013, em face do Acórdão 05 40.9151a. Turma da DRJ/CPS, que considerou procedente em parte a impugnação do contribuinte relativamente ao crédito tributário lançado no processo, em decorrência de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, cumulado com multa de 150% tendo em vista a utilização de interposta pessoa, e ainda com responsabilização tributária solidária. A ciência da decisão guerreada ocorreu em 17/07/2013. A decisão a quo está assim ementada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 ILICITUDE DE PROVA. NULIDADE. SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira, fornecidas pelo próprio contribuinte, em atendimento à intimação da fiscalização, não caracteriza prova ilícita, não acarreta nulidade do lançamento resultante, nem configura violação de sigilo bancário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2007 PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO E/OU PAGAMENTO SEM CAUSA. NÃO CONFIRMAÇÃO DA CAUSA INFORMADA NA CONTABILIDADE. A pessoa jurídica que efetuar pagamento a beneficiário não identificado ou não comprovar a operação ou a causa do pagamento efetuado, sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%. Afastase, apenas, a parcela da exigência decorrente de pagamento considerado em duplicidade na apuração do crédito tributário. O recorrente aduz as seguintes razões. Confirma que algumas informações e documentos não restaram suficientemente esclarecidos para a autoridade fiscal. Assim, organizou e regularizou a documentação societária e contábil, recentemente finalizada. Dentre as informações retificadas, estão a indevida distribuição de lucros aos sócios à época em que sequer havia alguma receita operacional. Fl. 2480DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 07/06/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 A contabilidade atual ajustou os equívocos deixando claro que os pagamentos efetuados a terceiros ocorreram para quitação de mútuo realizado com a Palmital e do imóvel adquirido da Magno, conforme ajustado com os credores. Requer a possibilidade de apresentação do Balanço patrimonial, balancete, livro razão e demais documentações retificadas, referente ao ano calendário 2007, no intuito de comprovar as operações realizadas. Com base no princípio da verdade material, apela para a conversão do julgamento em diligência ou concessão de prazo para sua apresentação. Entende que o auto de infração é nulo por erro na tipificação da infração, que enquadrou de forma generalizada a autuação nos artigos 674 e 675 do RIR/99. Não teriam sido especificados os artigos relativos à cada infração: pagamento sem causa ou não for comprovada a operação, ou quando o beneficiário não é devidamente identificado. No caso, os beneficiários foram devidamente identificados. Mais ainda, a autoridade fiscal teria elencado o art. 675 do RIR/99 que sequer é abordado ao longo da autuação. Inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, conforme art. 5o. incisos X e XII da Constituição Federal. O argumento de que a quebra do sigilo estaria amparada pela LC 105/2001 não teria amparo uma vez que a constitucionalidade desta norma está sendo contestada pelo STF. Inexistência de fraude ou simulação e da devida identificação dos beneficiários e das causas dos pagamentos. Alega que a empresa existe e que a realização de parcerias e mútuos é prática corriqueira no mercado imobiliário brasileiro, tendo em vista viabilizar empreendimentos através da união de esforços. Dentre as parcerias, destaca o contrato de mútuo no início de 2007, no valor de R$ 2.000.000,00 com a empresa Palmital. O eng. Daniel Hornos recebera procuração pública para auxiliar na gestão da recorrente, cabendo a ele assinatura de cheques e representação da empresa perante terceiros. Dada a confiança entre as partes, não foi consignada garantia no contrato de mútuo. Explica que, após a realização do mútuo, foram envidados esforços para a aquisição de terreno para a concretização do objeto social. O terreno de propriedade da empresa Magno foi escolhido e pago arras. A proposta de opção de compra fora feita na ocasião do pagamento das arras, e o contrato de compra e venda só teria sido formalizado em abril 2008. Explica o motivo da não onerosidade pactuada com a empresa Goldfarb Incorporações e Construções S/A, dona do terreno e transmitente dos direitos, obrigações e responsabilidades pretéritas do imóvel. Em 2007, teria feito pagamentos com o dinheiro mutuado, para quitar o mútuo, as arras e para a aquisição do terreno. Alguns pagamentos teriam sido feitos a terceiros conforme previsto nos contratos. Discorda que a intenção seria a criação de uma empresa para ocultar o Eng. Daniel Hornos, pois a este fora outorgado poderes com procuração pública, para o conhecimento de qualquer interessado. Quanto ao imóvel localizado em Mauá, a escritura pública às fls. 19121918 consta que a aquisição do imóvel fora quitada. (doc. 2). Apesar do discurso excessivamente subjetivo por parte do fisco, todas as operações realizadas pela recorrente evidenciam que é uma sociedade real desde a sua constituição, em 2007. Assim, não há que se falar em fraude ou simulação. Tratase de empresa estabelecida no município de Mauá. O objetivo da empresa é de incorporação do Fl. 2481DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 07/06/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10805.722241/201162 Acórdão n.º 2401004.323 S2C4T1 Fl. 4 5 empreendimento imobiliário Condomínio Nações Unidas, que já está finalizado e as unidades autônomas integralmente comercializadas. Apresenta contratos de venda das unidades. Conforme a 5a. alteração contratual (doc.3), o capital da sociedade teria sido integralizado na 3a. alteração contratual, em 26/03/2010, quanto também foi acrescido o valor do mútuo. Indevida atribuição de responsabilidade solidária prevista no art. 135 do CTN. Considera que não houve conduta fraudulenta e, por isso, não há que se atribuir responsabilidade solidária. Não foram apresentados dados concretos da ocorrência de conluio e as conclusões da fiscalização são baseadas em critérios subjetivos. Analisa o instituto da desconsideração da personalidade jurídica, o que não é o caso. Entende que a responsabilidade tributária de sóciogerente, administrador, diretor ou equivalente só se caracteriza quando se comprovada infração à lei praticada pelo dirigente, o que não teria acontecido no presente caso. Para a responsabilização, há que se comprovar a atuação com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos. O simples fato de as sociedades terem pessoas em comum autorizadas para a movimentação de conta bancária não pode ser caracterizado como similitude de administração e gerência, e não são suficientes para a caracterização de grupo econômico. Afirma que as empresas Palmital e Magno somente firmaram parcerias e contratos entre si de mútuo e compra e venda, o que é comum na atividade empresarial. Mais ainda, a legislação tributária (art. 110 do CTN) não pode alterar o significado e alcance de conceitos e institutos de direito privado. Os objetos sociais são distintos, não há identidade de pessoas e o espaço geográfico ocupado pelas pessoas jurídicas não se repetem e não são comuns. Mais ainda, a responsabilização solidária é indevida porque as empresas não estão vinculadas ao fato gerador. Argumenta que ainda que se configurasse grupo econômico, inexiste solidariedade, que não pode ser presumida, apenas por pertencerem as empresas ao mesmo grupo econômico, conforme art. 124 do CTN. Cita jurisprudência. O IRRF regulamentado pelo art.674 do RIR/99 não encampa modalidade de substituição tributária como se verifica nos casos de retenção por antecipação. Considera abusivo o lançamento da multa de ofício no percentual de 150%, pois não teria ocorrido a caracterização de existência de fraude ou sonegação que justificasse tal gravame. É o relatório. Fl. 2482DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 07/06/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 Voto Conselheira Maria Cleci Coti Martins Relatora O recurso é tempestivo, atende aos requisitos legais e dele conheço. A recorrente informa que organizou e regularizou a documentação societária e contábil e requer a possibilidade de apresentação de documentos fiscais e contábeis esperando poder comprovar as operações realizadas e objeto do lançamento tributário. A apresentação de documentos e provas após a impugnação está regulada no Decreto 70235/72, conforme segue. Art. 16. A impugnação mencionará: ... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Analisandose os documentos juntados ao recurso, observase, por exemplo, o contrato de mútuo datado de 2010 (efl. 1906), que não tem o condão de validar valores depositados na conta do contribuinte em 2007. Ainda, os documentos comprobatórios dos depósitos não têm valor probante, pois o que se questiona é a origem/justificativa legal desses recursos. Mais ainda, o contribuinte teve aproximadamente 1(um) ano (de 24/08/2010 a 05/10/2011 efl.27) para apresentar a documentação solicitada pela autoridade fiscal para comprovar os pagamentos efetuados. Não se pode aceitar que agora, em sede de recurso voluntário, queria apresentar tal documentação. Ademais, os documentos que pretende apresentar carecem de idoneidade, pois foram produzidos após o final do procedimento fiscalizatório na tentativa de justificar a exoneração do crédito tributário lançado. A seguir transcrevo a determinação legal relativa à escrita contábil da empresa, conforme determina o art. 258 do Decreto 3000/1999. Art. 258. Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de Livro Diário, encadernado com folhas Fl. 2483DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 07/06/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10805.722241/201162 Acórdão n.º 2401004.323 S2C4T1 Fl. 5 7 numeradas seguidamente, em que serão lançados, dia a dia, diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da atividade, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial da pessoa jurídica (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º). § 1º Admitese a escrituração resumida no Diário, por totais que não excedam ao período de um mês, relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares para registro individuado e conservados os documentos que permitam sua perfeita verificação (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 3º). § 2º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, no transporte dos totais mensais dos livros auxiliares, para o Diário, deve ser feita referência às páginas em que as operações se encontram lançadas nos livros auxiliares devidamente registrados. § 3º A pessoa jurídica que empregar escrituração mecanizada poderá substituir o Diário e os livros facultativos ou auxiliares por fichas seguidamente numeradas, mecânica ou tipograficamente (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 1º). § 4º Os livros ou fichas do Diário, bem como os livros auxiliares referidos no § 1º, deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio, e, quando se tratar de sociedade civil, no Registro Civil de Pessoas Jurídicas ou no Cartório de Registro de Títulos e Documentos (Lei nº 3.470, de 1958, art. 71, e DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 2º). § 5º Os livros auxiliares, tais como Caixa e ContasCorrentes, que também poderão ser escriturados em fichas, terão dispensada sua autenticação quando as operações a que se reportarem tiverem sido lançadas, pormenorizadamente, em livros devidamente registrados. § 6º No caso de substituição do Livro Diário por fichas, a pessoa jurídica adotará livro próprio para inscrição do balanço e demais demonstrações financeiras, o qual será autenticado no órgão de registro competente.(grifei) Não há que se falar em nulidade do auto, pois conforme o art. 59 do Decreto 70235/72, a seguir transcrito, duas são as situações possíveis de decretação de nulidade do lançamento tributário, as quais não se enquadram nos argumentos levantados pelo recorrente. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Novamente a recorrente argumenta a inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário. Contudo, como já bem explicado na decisão a quo, a possibilidade de obtenção Fl. 2484DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 07/06/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 8 de informações sobre as contas bancárias de contribuintes desde que com procedimento fiscal em andamento está consolidada na Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2.001, que, ao dispor sobre o sigilo das operações de instituições financeiras, determinou: Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. O Supremo Tribunal Federal já se posicionou sobre o assunto concluindo, com rito de repercussão geral, pela constitucionalidade do art. 6 da LC 105/2001, conforme decisão proferida no Recurso Extraordinário 601314. O contribuinte alega a inexistência de grupo econômico para questionar a responsabilização solidária. Contudo, tal alegação não foi objeto da impugnação e, portanto, considero preclusa. O relatório fiscal, bem como os documentos anexados aos autos são suficientes para que se comprove que o sr. Daniel Hornos, apesar de não ser sócio da empresa fiscalizada à época, desempenhava todas as funções como se dono e administrador fosse. Mais ainda, foi constatado que o endereço da empresa é fictício, que participações na sociedade não foram efetivadas e teriam sido a título "gratuito", etc. O doc. efl. 2432 especifica a distribuição do capital entre os sócios da empresa, sendo que a sra. Maria Liliane Muniz detêm 99,86% do total, no valor de R$ 1.784.500,00. Contudo, o documento à efl. 2436 informa que as quotas de titularidade da sócia Maria Liliane e todos os recursos oriundos de quaisquer das quotas, e qualquer propriedade em que quaisquer das quotas sejam convertidas foi empenhada em favor de PALMITAL PATRIMONIAL E PARTICIPAÇÕES LTDA. Entendo, desta forma que a sra. Liliane, mesmo em 2013 (data da alteração contratual), não tinha disponibilidade sobre o patrimônio "investido" na empresa Housing Incorporações Imobiliárias Ltda. A empresa PALMITAL (no qual o sr. Daniel Hornos detinha usufruto e que de acordo o com o Termo de Verificação Fiscal à é quem possuía o direito sobre tais quotas. A recorrente apresentou documentos da sociedade relativos a fatos que ocorreram em 2008 para justificar procedimentos do ano calendário 2007, o que não se pode aceitar. A DIPJ 2008 (ac 2007) à efl.52, informa movimento de receitas e despesas e capital de R$ 50.000,00 realizado/integralizado. Sra. Maria Liliane Muniz detém 95% do capital social. O restante pertence ao sr. Julio Cesar Toledo Costa. O contrato social da Housing Incorporações. está à efl. 111 e seguintes, datado de 17/11/2006 e registrado na Junta Comercial em 28/12/2006. Apenas em 2008, conforme o documento acostado à efl. 2421, averbação 201 de 28/10/2008, a empresa GOLDFARB INCORPORAÇÕES E CONSTRUÇÕES S/A. cedeu e transferiu à Housing Incorporações Imobiliárias Ltda. todos os direitos e obrigações decorrentes da incorporação imobiliária objeto do R.2 daquela matrícula (n.30.028 ficha 63 Registro de Imóveis de Mauá SP), correspondente aos 24 blocos Fl. 2485DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 07/06/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10805.722241/201162 Acórdão n.º 2401004.323 S2C4T1 Fl. 6 9 remanescentes a serem edificados, que fariam parte da fase III do Condomínio Nações Unidas. Na mesma folha, consta o compromisso de venda pela MAGNO EMP. INC. LTDA. e compra pela HOUSING INC. IMOB. LTDA. de fração ideal de 48% do terreno em que seriam construídos os 24 blocos. O compromisso fora feito em 04/04/2008 e a venda efetiva, por R$ 800.000,00 ocorrera em 11/08/2011. Ora, se o negócio fora efetivado em 2008, não poderia justificar os pagamentos ocorridos em 2007. O relatório fiscal à efl. 18 resume a conclusão dos trabalhos da fiscalização, conforme segue: Ao longo dessa fiscalização demonstrouse que o sujeito passivo, de fato, não existe, sendo apenas um biombo atrás do qual se ocultam os interesses do sr. Daniel Hornos e o de suas empresas Palmital e Magno. Ficou, também, evidente que Maria Liliane e Fernando Cardoso, de fato, não administram qualquer empresa ou empreendimento, o grande articulador sempre foi o sr. Daniel Hornos que sempre possuiu amplos poderes de gestão dos recursos movimentados pelo sujeito passivo. Assim, entendo que o dolo está devidamente comprovado nos autos, importante para a análise relativa à qualificação da multa de ofício, definida nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/1964, transcrita a seguir. Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. O parágrafo 1o., art. 167 do Código Civil Brasileiro (Lei 10406/2002) define as situações de simulação no Direito pátrio conforme a seguir. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; Fl. 2486DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 07/06/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 10 III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados. O lançamento da multa de ofício é uma imposição legal para o lançamento tributário e a qual a autoridade fiscal está vinculada sob pena de responsabilização (art. 44 da Lei 9.430/96, a seguir transcrito). A qualificação da multa decorre das evidências e provas nos autos da existência de dolo no desenvolvimento dos negócios relativos aos fatos geradores do lançamento relatados, conforme artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/1964. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) ... § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Dado que ficou comprovado o dolo, a autoridade fiscal arrolou como responsáveis solidários pelo lançamento tributário todos os envolvidos nas operações que deram origem aos créditos tributários. Os sócios e administradores e também as empresas envolvidas, quer pelo mútuo não comprovado, quer por serem as transmissoras de direitos de propriedade de imóveis mencionados no processo e das quais, o procurador da fiscalizada é sócio administrador. Os diplomas legais mencionados a seguir são claros quanto a essa responsabilização solidária, que não se trata do instituto da desconsideração da personalidade jurídica. Art. 124, Lei 5.17266. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. ... Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: ... III os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes; ... Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos Fl. 2487DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 07/06/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10805.722241/201162 Acórdão n.º 2401004.323 S2C4T1 Fl. 7 11 praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. No caso deste lançamento fiscal (art.674 do RIR/99), observase que o valor lançado referese à alíquota de 35% dos pagamentos a beneficiário não identificado ou sem causa, considerando que tais valores seriam líquidos, devem então ter sua base de cálculo reajustadas para se chegar aos rendimentos brutos, sobre os quais recairá a tributação. Decreto 3000/1999 (RIR) Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). § 1º A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). § 2º Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 2º). § 3º O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 3º). Dado o exposto, voto por afastar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Maria Cleci Coti Martins. Fl. 2488DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 07/06/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
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Numero do processo: 10120.911719/2009-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1201-000.192
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Documento assinado digitalmente.
Marcelo Cuba Netto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Documento assinado digitalmente. Marcelo Cuba Netto - Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1611; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.911719/200910 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1201000.192 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 1 de março de 2016 Assunto DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA Recorrente NAVESA NACIONAL DE VEÍCULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Documento assinado digitalmente. Marcelo Cuba Netto Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por NAVESA NACIONAL DE VEÍCULOS LTDA, contra acórdão proferido pela 4ª Turma de Julgamento da DRJ/Brasília DF, cuja ementa a seguir se transcreve: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2003 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .9 11 71 9/ 20 09 -1 0 Fl. 200DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10120.911719/200910 Resolução nº 1201000.192 S1C2T1 Fl. 3 2 Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. INADMISSIBILIDADE DA MERA ALEGAÇÃO. As alegações de defesa devem vir acompanhadas de fundamentos de fato e de direito. Não se admitem, no processo administrativo fiscal, meras alegações desprovidas de fundamentos. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.” O caso foi assim relatado pela autoridade julgadora a quo: Tratam os autos da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 12660.87826.010908.1.3.046360, transmitida eletronicamente em 1/9/2008, com base em créditos relativos ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: A partir das características do DARF foi identificado que o referido pagamento havia sido utilizado integralmente, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada. Assim, em 7/10/2009, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 5), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 14.223,74. Cientificado dessa decisão em 20/10/2009, bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 19/11/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2 a 4, acrescida de documentação anexa. A contribuinte alega que, a DCTF original teria sido apresentada com o valor a pagar de estimativa equivocado. Tal fato teria sido constatado na apuração do imposto através do balancete de redução/suspensão, conforme estaria demonstrado na DIPJ do ano calendário 2003, ficha 11, linha 12 do mês outubro, que conteria informações comprovando que o crédito pleiteado não teria sido utilizado para compor a base de cálculo tributo. Solicita a retificação da DCTF para corrigir os valores originalmente informados. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10120.911719/200910 Resolução nº 1201000.192 S1C2T1 Fl. 4 3 Ao final, requer que a documentação acostada seja apreciada, a fim de que sejam consideradas comprovadas as informações presentes na DIPJ e DCTF, bem como que seja julgada procedente a presente manifestação de inconformidade e declarado homologada a declaração de compensação. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, pelos fundamentos sinteticamente expostos na ementa ao norte transcrita. Em síntese, entendeu a autoridade julgadora a quo que o contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia de demonstrar, por meio de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentos hábeis e idôneos, a redução do montante do débito de estimativa que entendia cabível, de forma a justificar a existência do alegado pagamento indevido ou a maior. Em sede de recurso, o contribuinte renova seus argumentos com vistas à obtenção da homologação da compensação pretendida, aduzindo em síntese, o seguinte: (i) nulidade do acórdão recorrido por cerceamento de defesa, em razão de sua fundamentação deficiente; (ii) efetiva existência do crédito (pagamento indevido de estimativa de IRPJ de outubro de 2003, não utilizado para compor o saldo negativo do período); (iii) mesmo que se entenda que tenha havido erro na transmissão das informações relativas ao crédito em questão, este não pode ser óbice ao reconhecimento do crédito e do direito da recorrente à sua fruição; (iv) possibilidade de juntada de documentos na fase recursal, com requerimento de análise dos documentos acostados com o recurso, bem como realização de perícia técnica contábil a fim de se confirmar a existência e liquidez do saldo negativo (sic) do contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Nulidade da decisão recorrida A recorrente requer a declaração de nulidade da decisão recorrida, por não propiciar à Recorrente os elementos concretos que formaram a sua convicção, mas apenas lançar mão de dispositivos de lei genéricos, que não permitem concluir quais os reais motivos do julgamento de improcedência da impugnação apresentada, o que caracteriza o cerceamento do direito de defesa. Sem razão a recorrente. A decisão recorrida explicitou as razões da não homologação da compensação pretendida. Neste sentido, transcrevo os seguintes excertos do voto condutor do acórdão recorrido: “No caso em análise, a contribuinte esclarece que teria cometido um engano quando informou os valores referentes ao imposto a pagar na DCTF original, fato que Fl. 202DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10120.911719/200910 Resolução nº 1201000.192 S1C2T1 Fl. 5 4 teria sido constatado na apuração do imposto através do balancete de redução/suspensão. Esclarece que os valores informados na DIPJ do período estariam corretos, o que demonstraria o erro cometido. Neste momento processual, no entanto, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração, principalmente se existirem declarações no banco de dados da RFB com informações divergentes. Neste caso, o ônus da prova recai sobre a contribuinte interessada, que deve trazer aos autos elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto ao fato questionado. Logo, não cabe ao Fisco obter provas de que a contribuinte teria informado débito a maior em sua declaração. A respeito do tema, dispõe o Código de Processo Civil, em seu art. 333: (...) Adicionalmente, mesmo que a contribuinte tivesse retificado a DCTF do período, a simples entrega da declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em sua Declaração de Compensação.” Sem qualquer procedência, portanto, o pleito de nulidade do acórdão recorrido por suposta fundamentação deficiente. A correção ou não da análise efetuada é que será analisada a seguir. Pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ. O acórdão recorrido, conforme visto, sustentou que o contribuinte fizera meras alegações, sem apresentar provas de que tivesse efetivamente havido recolhimento de estimativa de IRPJ de outubro de 2003 em valor superior ao que seria devido, e registrou a necessidade de que fossem apresentados elementos convincentes, neste sentido, da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, a tanto não bastando a mera apresentação de declaração retificadora. De fato, não se há de discordar, a priori, da afirmação de que a mera apresentação de declaração retificadora não é suficiente para comprovar o alegado erro no dimensionamento da quantia devida em outubro de 2003. Por outro lado, há que se considerar que, no caso, não houve nenhuma apresentação de declaração retificadora. Com relação à DCTF, considerandose o quanto exposto no voto condutor da autoridade julgadora a quo (“... mesmo que a contribuinte tivesse retificado a DCTF do período...”), inferese que não houve retificação da DCTF originalmente apresentada. E com relação à DIPJ, a julgar pela cópia acostada aos autos pela recorrente (fls. 108 e seguintes), tratase de declaração original, tempestivamente apresentada (26/06/2004), e a decisão recorrida nenhuma menção em contrário faz em seu voto. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10120.911719/200910 Resolução nº 1201000.192 S1C2T1 Fl. 6 5 Temse, assim, aparentemente, duas declarações originais com valores divergentes. Digo aparentemente porque, a rigor, a DCTF original sequer encontrase anexa aos autos, nada obstante, pelo teor da defesa apresentada em sede de manifestação de inconformidade (no recurso não foi reprisado o argumento a seguir), o valor do débito originalmente confessado referente ao mês de outubro efetivamente seria de R$ 14.000,00 (grifei): “Quando da apresentação original, a DCTF foi apresentada equivocadamente com o valor a pagar de R$ 14.000,00, no entanto, quando apuração do imposto através do balancete de redução/suspensão constatouse o pagamento indevido, conforme demonstrado na DIPJ do ano calendário 2003, conforme ficha 11, linha 12 do mês outubro.” A DIPJ, contudo, aponta a inexistência de estimativa devida no mês em questão. Nada obstante não haja dúvidas de que a DIPJ constitui declaração meramente informativa, enquanto que a DCTF constitui confissão de dívida, a simples existência de informações divergentes automaticamente conduz à óbvia conclusão de que uma das duas está incorreta. Se a declaração que está correta é a DIPJ, conforme alega a recorrente, é certo que deveria o contribuinte ter providenciado a retificação das correspondentes DCTF’s, o que, pelo visto, não fez. Mas também não vejo como, à vista desta mera constatação de divergência entre as declarações, se possa concluir que o erro estaria na DIPJ, e não nas DCTF apresentadas. Embora as alegações recursais não possam ser inteiramente confirmadas pelos elementos trazidos aos autos pela recorrente, as cópias dos documentos apresentados conferem alguma verossimilhança aos seus argumentos. Além da cópia integral do que seria a DIPJ apresentada, e do que seria uma página do LALUR que corrobora o quanto exposto na DIPJ, esta mesma DIPJ evidenciaria que o valor do saldo negativo apurado em 2003 não estaria impactado pelo valor da estimativa relativa ao mês de outubro, conforme, aliás, alegara o contribuinte desde a interposição da manifestação de inconformidade. Ou seja, o valor do saldo negativo apurado estaria composto apenas por recolhimentos feitos em outros meses do ano calendário. Ademais, trouxe o contribuinte aos autos cópia de uma DCOMP apresentada (fls. 89 e seguintes), na qual oferece como crédito exatamente o valor do saldo negativo apurado na referida DIPJ. Embora não conclusivos, estes elementos depõe em favor da tese recursal de que, por ocasião da apresentação da DIPJ, o contribuinte teria verificado que a estimativa recolhida em outubro seria totalmente indevida, motivo pelo qual não a teria incluído na apuração anual. Seu erro, no caso, seria tão somente, portanto, não ter providenciado a retificação da DCTF. Por outro lado, afora as declarações acima citadas, de fato nenhum outro elemento de prova foi trazido aos autos. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10120.911719/200910 Resolução nº 1201000.192 S1C2T1 Fl. 7 6 Contudo, entendo que, ao menos, logrou o contribuinte constituir um início de prova, suficiente para me fazer concluir pela necessidade da realização de uma diligência para firmar convicção. Neste sentido, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade administrativa tome as seguintes providências: 1) Intime o contribuinte a apresentar os balancetes de suspensão ou redução do imposto, relativos ao anocalendário 2003; 2) Verifique a consistência dos referidos balancetes, em confronto com a escrituração contábil e fiscal do contribuinte, que também deverá ser apresentada à fiscalização, no sentido de confirmar a sua efetividade para comprovar a suspensão ou redução da estimativa devida; 3) A partir dos elementos apresentados pelo contribuinte em atendimento à intimação, confirme se o valor da estimativa recolhida, cuja repetição aqui se pretende ver concretizada (por meio da compensação com outros débitos), efetivamente não integrou o valor do saldo negativo de 2003 que o contribuinte informou em DIPJ e em declaração de compensação de saldo negativo; 4) Informe o número do processo administrativo, se houver, relativo à restituição/compensação do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2003 acima referido, e/ou informe acerca dos desdobramentos envolvendo o reconhecimento ou não da existência do referido saldo e de sua eventual restituição/compensação. 5) Com base nos elementos acima citados, e outros que entenda pertinentes anexar aos autos, elabore parecer conclusivo no sentido de confirmar (ou não) a existência de valor recolhido a maior relativo à estimativa de IRPJ de outubro de 2003; 6) Deste parecer dê ciência ao contribuinte, para que, querendo, sobre ele se manifeste, no prazo de 30 dias. Após estas providências, retornem os autos para o competente julgamento. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 205DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 10980.000593/2002-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997
LANÇAMENTO. AUDITORIA DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS
EM DCTF.
Improcedente o lançamento de oficio de valores apurados em auditoria
de informações prestadas em DCTF, cuja extinção de crédito tributário,
por meio de compensação, restar comprovada.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3201-002.132
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Ausente justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Elias Fernandes Eufrásio, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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AUDITORIA DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS EM DCTF. Improcedente o lançamento de oficio de valores apurados em auditoria de informações prestadas em DCTF, cuja extinção de crédito tributário, por meio de compensação, restar comprovada. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Ausente justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Elias Fernandes Eufrásio, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 05 93 /2 00 2- 41 Fl. 398DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 14/05/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Relatório Trata o presente processo de Recurso de Ofício interposto pela 3ª turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba PR. Por bem descrever os fatos adoto o relatório da primeira instância que passo a descrever. Trata o presente processo do Auto de Infração n° 0002701, As fls. 08/17, decorrente de auditoria interna nas DCTF do ano calendário de 1997, em que, consoante descrição dos fatos, A fl. 11 e anexos, de fls. 12/15 são exigidos R$ 903.000,00 de Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, referente aos períodos de apuração 01/1997 a 12/1997, além dos correspondentes valores devidos a titulo de multa de oficio e juros de mora.: De acordo com o "DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS VINCULADOS NA° CONFIRMADOS" de fls. 12/15, constam valores informados na DCTF, a titulo de VALOR DO DÉBITO APURADO DECLARADO", cujos créditos vinculados, informados como "Comp s/DARF OutrosPJU , em face do Processo n° 9600123560, não foram confirmados, sob a ocorrência: "Proc jud não comprova". A fl. 241, consta o "ANEXO III DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A PAGAR". Cientificada da exigência fiscal em 11/12/2001 (fl. 243), a interessada, por intermédio do procurador (mandato A fl. 05), apresentou, em 07/01/2002, a impugnação de fls. 01/04, na qual sustenta que teria realizado a compensação do valor de PIS exigido no auto de infração com créditos advindos de indébitos de PIS, conforme teria sido reconhecido no âmbito da Ação Ordinária n.° 96.00123560, com decisão definitiva antes da autuação; em função disso pede o cancelamento do auto de infração. Foram trazidas aos autos, entre outros documentos que instruem a impugnação, cópias de peps e de decisões judiciais no âmbito da referida ação judicial (fls. 25/237). Posteriormente, juntaramse aos autos os documentos de fls. 245/249, referentes a extratos de acompanhamento processual dos eventos judiciais ligados A referida ação judicial, culminando com despacho de Ministro Relator no STJ, no qual consta a finalização da precitada ação judicial em 04/05/1999. Considerando a alegação da interessada e os documentos trazidos aos autos, foi determinada, As fls. 250/251, a realização de diligência fiscal, para que fosse averiguada a efetividade e legitimidade das compensações reclamadas, com base no Processo Judicial n° 96.00123560. Em resposta, conforme Informação Fiscal do Secat/DRF/Curitiba de fls. 384/385, instruída com os documentos de fls. 253/383, foi noticiado que os débitos em litígio foram extintos por compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento deu provimento a impugnação cancelando o lançamento. A decisão da DRJ foi assim ementada: Fl. 399DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 14/05/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10980.000593/200241 Acórdão n.º 3201002.132 S3C2T1 Fl. 399 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 LANÇAMENTO. AUDITORIA DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS EM DCTF. improcedente o lançamento de oficio de valores apurados em auditoria de informações prestadas em DCTF, cuja extinção de crédito tributário, por meio de compensação, restar comprovada. Lançamento Improcedente Sendo o valor exonerado superior ao valor de alçada, foi proposto o competente recurso de ofício. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A teor do relatado, a discussão que ora se apresenta trata de matéria de fato, qual seja a comprovação ou não de compensação declarada em DCTF. A unidade preparadora, em atendimento a diligência determinada pelo Delegacia de Julgamento, procedeu à verificação das compensações declaradas pelo contribuinte e em informação fiscal à fls. 386 e 387 concluiu pela improcedência da exigência fiscal, conforme pode ser verificado na conclusão do relatório fiscal. Diante do exposto, concluise que não são exigíveis os valores dos créditos tributários da contribuição para o PIS dos períodos de apuração de 01/1997 a 12/1997, objeto do auto de infração eletrônico no 0002701/2001, de modo que se propõe a devolução deste processo ao DRJCTASEC0JPR, com proposição de cancelamento da cobrança. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. Winderley Morais Pereira Fl. 400DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 14/05/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 Fl. 401DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 14/05/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720165/2012-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jul 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
LANÇAMENTO DE OFÍCIO DAS CONTRIBUIÇÕES. MULTA ISOLADA POR OMISSÃO NA GFIP. IMPOSSIBILIDADE.
Para as infrações decorrentes de omissões na GFIP ocorridas após as alterações legislativas promovidas pela Lei n.( 11.941/2009, não é cabível a imposição de multa isolada quando tenha havido o lançamento de ofício das contribuições devidas.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 LANÇAMENTO DE OFÍCIO DAS CONTRIBUIÇÕES. MULTA ISOLADA POR OMISSÃO NA GFIP. IMPOSSIBILIDADE. Para as infrações decorrentes de omissões na GFIP ocorridas após as alterações legislativas promovidas pela Lei n.( 11.941/2009, não é cabível a imposição de multa isolada quando tenha havido o lançamento de ofício das contribuições devidas. Recurso Voluntário Provido.
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MULTA ISOLADA POR OMISSÃO NA GFIP. IMPOSSIBILIDADE. Para as infrações decorrentes de omissões na GFIP ocorridas após as alterações legislativas promovidas pela Lei n.° 11.941/2009, não é cabível a imposição de multa isolada quando tenha havido o lançamento de ofício das contribuições devidas. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 01 65 /2 01 2- 71 Fl. 3674DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 3675DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 19515.720165/201271 Acórdão n.º 2402005.335 S2C4T2 Fl. 3.674 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo acima identificado contra decisão que declarou improcedente a sua impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração que integra o presente processo. A lavratura em questão diz respeito à imposição de multa decorrente do descumprimento da obrigação acessória de declarar todos os fatos geradores na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP. Segundo o relato do fisco, 3.023/3.026, a empresa deixou de declarar as aquisições de produtos rurais de produtores pessoas físicas. A multa foi aplicada com base no art. 32A da Lei n.° 8.212/1991, introduzido pela Lei n.° 11.941/2009, totalizando a multa o montante de R$ 6.000,00. Cientificado do lançamento em 31/01/2012 (fl. 3.016), o sujeito passivo apresentou impugnação, cujas alegações não foram acolhidas pelo órgão de primeira instância, que manteve integralmente o lançamento. Inconformada, a empresa interpôs recurso, fls. 3.238/3.273, no qual, em apertada síntese, alegou os pontos abaixo. A lavratura é nula, haja vista que a capitulação legal apresentada é confusa, pois ora trata da contribuição denominada Funrural, ora faz referência ao SENAR, lançando mão inclusive de dispositivos revogados. Nenhuma norma exposta na fundamentação do AI trata da subrogação que justifique a inclusão da recorrente no polo passivo. O resultado do julgamento está condicionado a procedência do AI n. 37.36.6637 (processo n. 19515.722148/201198),no qual é exigida a contribuição para o Funrural e do AI n. 37.365.6645 (processo n. 19515.720054/201265), este referente à contribuição ao SENAR. Seu direito de defesa restou cerceado, na medida em que o fisco não especificou precisamente qual seria incorreção/omissão a ensejar a lavratura. A recorrente não estaria obrigada a informar valores que entendia indevidos, além de que tinha decisão judicial lhe desonerando de reter e recolher as contribuições supostamente omitidas da GFIP. Não houve, portanto, a infração apontada. A multa aplicada a recorrente tomou como base legislação editada em 2009, a qual não poderia retroagir para alcançar fatos ocorridos em 2007. A planilha acostada pelo fisco apresenta dados de GFIP que não guardam relação com aquelas entregues pelo sujeito passivo no ano de 2010. Essas guias referemse a retificações para inserir valores recolhidos por terceiros, não havendo o que se falar em falta de apresentação das declarações obrigatórias. Fl. 3676DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 O próprio Manual da GFIP orienta os contribuintes que discutem judicialmente alguma obrigação, a somente declararem os valores que entendem devidos. A multa lançada para a competência 11/2007 encontrase fulminada pela decadência. Finalmente pede a nulidade da lavratura, a declaração de sua improcedência e o reconhecimento parcial da decadência. É o relatório. Fl. 3677DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 19515.720165/201271 Acórdão n.º 2402005.335 S2C4T2 Fl. 3.675 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo – Relator Admissibilidade O contribuinte tomou ciência da decisão recorrida em 26/09/2012 (fl. 3.237), tendo apresentado a peça recursal em 25/10/2012 (fl. 3.238), portanto, verificase a sua tempestividade. Por terem sido atendidos os demais requisitos legais, deve ser conhecido o recurso. Aplicação da multa Estraise do autos que os fatos geradores não declarados na GFIP são aqueles que deram ensejo à lavratura que foi objeto de julgamento a pouco, ou seja, houve o lançamento da obrigação principal e a imposição de multa por falta de declaração das aquisições de produtos rurais de pessoa física. A meu ver não caberia autuação isolada por descumprimento da obrigação acessória. Vejamos. Observase que com o advento da Medida Provisória MP n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, houve profunda alteração no cálculo das multas decorrentes de descumprimento das obrigações principais e acessórias relacionadas às contribuições previdenciárias. Na sistemática anterior, quando havia falta de recolhimento do tributo acompanhada da infração de omitir fatos geradores em GFIP, aplicavase a multa por inadimplemento da obrigação principal (art. 35 da Lei n.º 8.212/1991), cumulada com a penalidade decorrente do descumprimento da obrigação acessória, esta punida com a multa correspondente a 100% da contribuição não declarada, ficando a penalidade limita a um teto calculado em função do número de segurados da empresa (§ 5.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991). A multa aplicada sobre as contribuições lançadas variava de acordo com a fase processual do lançamento, ou seja, quanto mais cedo o contribuinte quitava o débito, menor era a multa imposta. Atualmente, de acordo com o art. 35A da Lei n.º 8.212/1991, introduzido pela MP n.º 449/2008, posteriormente convertida na Lei n.º 11.941/2009, ocorrendo o lançamento da obrigação principal, a penalidade decorrente do erro ou omissão na GFIP fica incluída na multa de ofício constante no crédito constituído. Deixa, assim, de haver cumulação de pena administrativa com a multa pela falta de pagamento do tributo , condensandose ambas em valor único. Vejam o diz o dispositivo: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 3678DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 É que o art. 44, I, da Lei n. 9.430/19961 prevê que, havendo declaração inexata ou omissa de tributo, acompanhado da falta de recolhimento do mesmo, devese aplicar a multa ali especificada. Como já exposto, nessas situações, a multa agora é una para ambas as infrações, descumprimento das obrigações principal e acessória. Assim, considerando que as GFIP foram entregues posteriormente à mencionada alteração legislativa, não poderia o fisco aplicar multa isolada pelo descumprimento da obrigação de declarar todos os fatos geradores em GFIP, haja vista que esta penalidade é atualmente incluída na multa por falta de recolhimento do tributo, a qual se encontra aplicada no AI n.° 37.365.6637 (PAF 19515.722148/201198). Nessa toada, deve a multa ser afastada, por falta de amparo legal para sua aplicação. Conclusão Voto por dar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. 1 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Fl. 3679DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10907.002525/2008-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO.
O litígio administrativo nasce com a impugnação válida. A ausência de impugnação determina a preclusão do direito instrumental de defesa administrativa do contribuinte, impedindo o conhecimento de recurso voluntário.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3201-002.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não se conhecer do recurso voluntário. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Charles Mayer de Castro Souza e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto - Presidente Substituto.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Elias Fernandes Eufrásio, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, José Luiz Feistauer de Oliveira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. O litígio administrativo nasce com a impugnação válida. A ausência de impugnação determina a preclusão do direito instrumental de defesa administrativa do contribuinte, impedindo o conhecimento de recurso voluntário. Recurso Voluntário Não Conhecido
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. O litígio administrativo nasce com a impugnação válida. A ausência de impugnação determina a preclusão do direito instrumental de defesa administrativa do contribuinte, impedindo o conhecimento de recurso voluntário. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não se conhecer do recurso voluntário. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Charles Mayer de Castro Souza e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Presidente Substituto. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Elias Fernandes Eufrásio, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, José Luiz Feistauer de Oliveira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 25 25 /2 00 8- 95 Fl. 2262DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/05/ 2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. Trata o presente processo de auto de infração pela suposta prática de interposição de pessoas. Valor total da autuação R$ 3.773.622,17. Seguem as alegações da fiscalização aduaneira. I. Em 20/01/2006, foi lavrado auto de infração constante no processo nº l0907.000129/200661 de apreensão de mercadorias importadas pela BSD Comercial Importadora (empresa autuada) por ocultação do sujeito passivo e real adquirente das mercadorias, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. O auto de infração foi julgado procedente, tomando definitiva a pena de perdimento. II. Parte das DIs que continham as mercadorias deste auto de infração foi liberada por ordem judicial, sem exigência de depósito. As mercadorias das DIS restantes foram liberadas com formalização de Terrno de Fiel Depositário, conforme decisão em agravo de instrumento. III. A empresa BSD teve a sua inscriçao declarada inapta a partir de 20/09/2002 mediante do Ato Declaratório n° 09/2005, sendo que este Ato Declaratório e conseqüência de representação para inaptidão do CNPJ, que iniciou processo cuja conclusão foi pela constituição da empresa para ocultação de terceiros ou interpostas pessoas, sendo que os sócios ostensivos Paulo Oscar Goldenstein e Michael Domingues não possuíam capacidade financeira sequer para o inicio das atividades empresariais. IV. Por infrutíferas vezes, o Fisco tentou reaver as mercadorias, conforme folhas 0406. A última foi a de 13/06/2008, em que se solicitou ao responsável legal Paulo Oscar para que fossem devolvidas ao depósito da Receita Federal as mercadorias das Dls elencadas no PAF n° l0907.000l29/200661. Em resposta, alegou a perda do objeto devido à lavratura do auto de infração, sendo que não há qualquer óbice formal ou material para a efetivação da pena de perdimento. V. O valor da autuação fiscal é o mesmo constante em planilha do processo anterior n° l0907.000l29/200661, acrescido do valor da DI n° 03/10769390 constante no processo anterior, mas cujo valor não havia sido incluído na planilha de valores. VI. Considerando o disposto no artigo 44 da Instrução Normativa (IN) SRF n° 200/2002, mantido pelos artigos 50 da IN SRF n° 568/2005 e 50 da IN RFB n° 748/2007, as conclusões do auto de infração PAF n° l0907.000l29/200661 e a sentença proferida na ação penal pública n° 2006.70.00.0122997, deverão ser responsabilizados tributariamente por serem de fato os reais controladores e verdadeiros proprietário da empresa BSD: Isidoro Rozenblum Trosman e Rolando Rozenblum Elpem. Fl. 2263DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/05/ 2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10907.002525/200895 Acórdão n.º 3201002.161 S3C2T1 Fl. 2.263 3 VI1. Tanto o auto de infração quanto a sentença da ação penal pública relacionam as _ seguintes pessoas, que também deverão ser responsabilizadas tributariamente: Noemi Elpem Kotliarevski de Rozenblum, Karina Rozenblum, Leon Knopfliolz, V Calmon Knopíholz. À folha 08, são listados os documentos em anexo ao auto de infração, que são Cópia parcial do PAF n° l0907.000l29/2006 91, Despacho decisório de perdimento das mercadorias, Termo de Intimação n° 48/2006, Ofício n° 2561179 encaminhado pela Justiça Federal e cópia da sentença da Ação Penal Pública n° 2006.70.00.0122997, Termo de Intimação n° 29/2008 com respectiva resposta, Planilha de avaliação do valor das mercadorias, Relação das DIs com data e valores e fichas cadastrais dos reais proprietários e beneficiários. Acompanhando o auto de infração de conversão da pena de perdimento, consta o Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal n° 0910700/ 16307/06 (PAF n” l0907.000l29/200661). Termos de Sujeição passiva solidárias às folhas 138144 em nome de Isidoro Rozenblum Trosman, Rolando Rozenblum Elpem, Noemi Elpem Kotliarevski de Rozenblum, Karina Rozenblum, Leon Knopfholz, Calmon Knoptholz e Paulo Oscar Goldestein. Intimação das pessoas físicas solidárias às folhas 145151, sendo que os Srs. Rolando, Isidoro e Calmon e as Sras. Noemi e Karina foram intimados mediante Edital de folha 151. I) Impugnação das Sras. Noemi Elpem Kotliarevski de Rozenblum e Karina Rozenblum Elpem e dos Srs Isidoro Rozenblum Trosman e Rolando Rozenblum Elpem às folhas 160 169. Seguem alegações. 1. A inclusão dos impugnantes na condição de responsáveis tributários é oriunda do que é debatido na ação penal n° 2006.70.00.0122997, sendo amplamente discutida na esfera criminal a questão da participação dos supostos interessados e beneficiários. Uma vez que a Ação Penal Pública é questão prejudicial e a responsabilidade tributária depende do procedimento criminal, solicitase a suspensão do processo até o trânsito em julgado da Ação Penal Pública, sendo que as Sras. Noemi e Karina foram absolvidas na instância criminal em decisão transitada em julgado. 2. Em razão do vínculo do auto de infração com a ação penal, solicitase que o teor das alegações finais em anexo seja considerado como parte integrante da impugnação. 3. Às folhas 195243 constam as alegações finais de Rolando Rozenblum Elpem. Segue resumo final: a) nulidade em decorrência de violação do principio do juiz natural uma vez que o Juízo competente é o foro do lugar em que se consumar a infração e pelo fato de o procedimento haver se iniciado em documento anônimo; b) nulidade em decorrência da instauração da investigação com base em documento apócrifo; c) nulidade por impedimento do Juízo; d) ilegalidade na quebra do sigilo bancário; e) nulidade da oitiva da testemunha Luciano Baldi; f) bis in idem quanto à imputação do artigo 288 do Código Penal Fl. 2264DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/05/ 2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 4 (quadrilha ou bando) com processo penal anterior do réu; g) aplicação da regra de crime continuado, desconsiderandose o puro critério temporal de um mês como limite; h) existência de conflito aparente entre o artigo 299 do CP e artigo 22 da Lei n° 7.492/86 e artigo 334 do CP; i) no mérito, reconhecimento da ausência de autoria e materializada quanto ao tipo do artigo 334 do CP. Alegase também que não há prova de qualquer ingerência do réu Rolando nas empresas, somente se podendo condenar com base em uma proscrita responsabilidade objetiva. 4. Por desconhecerem as operações tributárias da empresa BSD, não há como sustentar qualquer defesa de mérito. Dessa forma, solicita que eventual defesa da BSD seja aproveitada como argumento dos impugnantes. 5. Alega cerceamento de defesa pelo fato de as impugnantes pessoas físicas jamais terem sido intimadas do procedimento administrativo que antecedeu a lavratura do auto de infração. Pede a nulidade do processo administrativo por cerceamento de defesa. 6 Além dos pedidos já citados, solicita intimação em escritório do causídico. II) Impugnação do Sr. Leon Knopfliolz às folhas 310314. 1. Alega que no decorrer da ação penal ficou comprovado que nunca foi beneficiado diretamente pelos resultados da empresa BSD, fato que ensejou o reposicionamento do Ministério Público Federal em favor da absolvição. 2. Solicita a exclusão da responsabilidade solidária. Junta sentença do processo criminal. À folha 376, informase a tempestividade das impugnações de folhas 160 306 (Noemi, Rolando, Isidoro e Karina) e 310373 (Leon), encaminhando o processo a esta DRJ para julgamento. Às folhas 377392, há despachos da unidade de origem acerca de Dls e ações judiciais às folhas 377392. Tais despachos tratam de argumentação de Paulo Oscar Goldenstein acerca da perda de objeto do Termo de Fiel Depositário pela lavratura do presente auto de infração. Após rechaçar os argumentos da perda de objeto, a unidade de origem solicita a suspensão do processo. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento decidiu pela manutenção do lançamento (fls. (419 a 439). A decisão da DRJ foi assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO Convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias que foram importadas com recursos de origem, disponibilidade e transferência não comprovados e que não sejam localizadas ou que tenham sido consumidas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 2265DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/05/ 2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10907.002525/200895 Acórdão n.º 3201002.161 S3C2T1 Fl. 2.264 5 Inconformada com a decisão da primeira instância, a empresa BSD interpôs Recurso Voluntário (fls. 451 a 471), alegando em síntese: i) inicialmente informa que as mercadorias importadas foram liberadas por força de decisões judiciais, mediante Termo em que garantia a devolução das mercadorias, do mesmo gênero e na mesma quantidade, ou equivalente em dinheiro em um prazo de 48 (quarenta e oito) horas contados da decisão definitiva do processo. Continua afirmado que em razão de decisão judicial desfavorável entregou à Receita Federal do Brasil as mercadorias do mesmo gênero e na mesma quantidade daquelas liberadas, sendo indevida a conversão do perdimento em multa pela alegada impossibilidade de apreensão das mesmas; ii) a tempestividade do recurso, tendo em vista que a intimação do acórdão recorrido ocorreu em 14/12/2010 e o recurso foi protocolada em 13/01/2011. iii) a nulidade do Lançamento, por inexistência do pressuposto fático para a conversão do perdimento em multa em razão da devolução de mercadorias à RFB de mesmo gênero e quantidade daquelas importadas; iv) a nulidade do lançamento por ausência de dano ao erário; É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Inicialmente, por tratarse de questão preliminar, passo a análise dos requisitos de admissibilidade do recurso. A teor do relatado, a empresa BSD não apresentou impugnação ao lançamento fiscal, fato considerado no acórdão da primeira instância, conforme pode ser verificado no trecho abaixo, extraído do voto condutor daquela decisão. (fl. 423) Regularmente intimada à folha 01, a empresa autuada BSD Comercial não apresentou qualquer impugnação, o que a torna revel, o que toma aplicáveis os artigos 14 e 17 do Processo Administrativo Fiscal (Decreto n° 70.235/ 1972), com as alterações dadas pela Lei n° 9.532/1997. Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante. (Redação dada pela Lei n” 9.532, de 1997) Tal qual a empresa BSD Comercial, o Sr. Calmon Knopfholz é revel pela inexistência de impugnação ao presente auto de infração. Houve tentativa de intimação do Sr. Calmon por aviso de recebimento, sendo que tal tentativa restou infrutífera, procedendose a intimação por Edital de folha 151, nos termos Fl. 2266DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/05/ 2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 6 do artigo 23 do Processo Administrativo Fiscal (Decreto n° 70.235/72). Consultando o recurso, apresentado pela empresa BSD, não existe nenhum questionamento quanto a decisão de piso, que decidiu pela revelia em razão da falta de apresentação de impugnação. Considerando que o litígio administrativo nasce com a impugnação válida, a ausência da impugnação por parte do contribuinte determina a ausência de litígio administrativo. Destarte o recurso voluntário interposto não pode ser conhecido. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Fl. 2267DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/05/ 2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Numero do processo: 16682.721147/2011-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/02/2007 a 31/12/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. INFORMAÇÕES.
Constitui infração a empresa declarar, com omissões ou incorreções, à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
Numero da decisão: 2201-002.968
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
assinado digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Presidente Substituto
assinado digitalmente
IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO - Relatora.
EDITADO EM: 03/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
Nome do relator: IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. assinado digitalmente EDUARDO TADEU FARAH - Presidente Substituto assinado digitalmente IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO - Relatora. EDITADO EM: 03/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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GFIP. INFORMAÇÕES. Constitui infração a empresa declarar, com omissões ou incorreções, à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. assinado digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Presidente Substituto assinado digitalmente IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Relatora. EDITADO EM: 03/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 11 47 /2 01 1- 14 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 16682.721147/201114 Acórdão n.º 2201002.968 S2C2T1 Fl. 166 2 convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão proferida no acórdão 1268.280, da 13ª Turma da DRJ/RJ1, de 08 de setembro de 2014, fls.78/85, que manteve integralmente o lançamento constante do AIDEBCAD Nº51.014.8700, no valor de R$ 8.380,00. Transcrevo o relatório do voto condutor do acórdão recorrido, por bem definir o litígio: Tratase de Auto de Infração (DEBCAD nº. 51.014.8700) lavrado contra o sujeito passivo acima identificado com multa capitulada no art. 32A "caput", inciso I e §3º, II, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº11.941/2009, no valor de R$ 8.380,00. 2. Esclarece a autoridade autuante que a Autuada considerava se imune às contribuições sociais para o financiamento da seguridade social, até janeiro de 2007, com fulcro no § 1o. do art. 195 da Constituição Federal. No entanto, com o advento da Lei 11.096/2005, que estabeleceu o Programa Universidade para Todos (PROUNI) e incentivou as EBAS em gozo da isenção das contribuições para o financiamento da seguridade social (art.195, § 7o, Constituição Federal), mantenedoras de instituições de ensino superior, a adotarem as regras de seleção de estudantes bolsistas do Programa, através da transformação de sua natureza jurídica em sociedade de fins econômicos, a Autuada aderiu ao PROUNI. 3. A referida lei, em seu artigo 13, estabelecia determinava que as entidades que se enquadrassem nesta situação passariam a pagar a quota patronal para a previdência social de forma gradual, durante o prazo de cinco anos, na razão de 20% do valor devido a cada ano, cumulativamente, até atingir o valor integral das contribuições devidas. O incentivo traduzse na seguinte redução da quota patronal, a depender da data que adotar as regras do PROUNI e optar pela transformação em sociedade empresária: Até 01/2006 80% De 02/2006 a 01/2007 60% De 02/2007 a 01/2008 40% De 02/2008 a 01/2009 20% A partir de 02/2009 0% Fl. 166DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 16682.721147/201114 Acórdão n.º 2201002.968 S2C2T1 Fl. 167 3 4. Assim, em fevereiro de 2007, a Autuada mudou sua natureza jurídica para sociedade empresária de fins econômicos, passando a gozar do incentivo previsto no citado art. 13 da Lei 11.096/05. Logo, no período objeto deste lançamento, a Autuada desfrutava de redução de 40% da quota patronal para a previdência social, resultando ter de arcar com 60% desta, ou seja, à alíquota de 12% para a parte patronal, 0,6% referente ao SAT/RAT e 12% sobre a remuneração de segurados contribuintes individuais. Ressalvese que as contribuições para Outras Entidades (Terceiros) não se aproveitam da isenção do art. 13 da Lei 11.096/05, sendo devidas integralmente, posto que, embora arcadas pelas empresas e recolhidas na Guia de Recolhimento da Previdência Social (GPS), não se destinam a financiar a Previdência Social. 5. Entretanto, no curso da fiscalização, foram encontradas divergências que deram origem aos lançamentos ora em análise, a saber: 5.1. Deveria preencher o campo PERCENTUAL DE ISENÇÃO FILANTROPIA com 40 (quarenta), mas em vários CNPJ e competências, equivocadamente, pôs 100 (cem), deixando de calcular com isso a contribuição patronal previdenciária e para Terceiros; 5.2. quando preenchido corretamente o campo PERCENTUAL DE ISENÇÃO FILANTROPIA (com 100), na maior parte das vezes inseriu, erroneamente, o valor 0 (zero) no campo ALÍQUOTA RAT, quando deveria ser 1 (um), o que implicou erro no montante da contribuição patronal declarada; 5.3. quanto ao campo CÓDIGO DE OUTRAS ENTIDADES (TERCEIROS), deveria ser preenchido com 99 (noventa e nove), a fim de declarar as contribuições devidas para FNDE, INCRA, SESC e SEBRAE, ou, quando preencheu o campo com código 99, apôs o percentual de isenção como 100, o que resultou em deixar de calcular a contribuição para Terceiros. 6. As movimentações das GFIP encontramse discriminadas no “ANEXO A”, no qual se podem constatar os erros de preenchimento que acarretam a falta de declaração da contribuição patronal e para Terceiros. 7. As remunerações de cada segurado integram o “ANEXO B”, sendo que nos casos onde há divergência entre as informações de folha de pagamento, RAIS, DIRF e GFIP foram considerados os maiores valores. As contribuições devidas calculadas integram o “ANEXO C”, e as contribuições a cargo de cada segurado estão arroladas no “ANEXO D”. 8. Diante destes fatos, informar a Autoridade Fiscal que, a partir das informações integrantes do ANEXO B, procedeuse à análise dos segurados omitidos em GFIP ou com informação incorreta quanto à sua remuneração, o que resultou na elaboração dos ANEXOS E e F. Os erros de preenchimento no movimento da empresa em GFIP integram o ANEXO G. A consolidação de Fl. 167DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 16682.721147/201114 Acórdão n.º 2201002.968 S2C2T1 Fl. 168 4 todos os erros de preenchimento no documento declaratório foi feita no ANEXO H, o qual se encontra às fls. 5.172 do Processo COMPROT 16682.721106/201110, ao qual este se encontra apensado. 9. Esclarece que o cálculo da multa com base no inciso I do art. 32A, da Lei nº 8.212/91, sendo no valor de R$ 20,00 para cada grupo de até 10 informações incorretas, observandose o valor mínimo de R$ 500,00, por competência. Informa que as GFIP objeto da autuação foram entregues já na vigência da lei que determina esta modalidade de aplicação da multa, embora se refiram a competências anteriores à edição da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Da Impugnação 10. Notificada pessoalmente do Auto de Infração em 29/12/2011, a interessada apresentou impugnação, de fls. 18/25, assinadas por seu patrono, com a ressalva de que o substabelecimento foi recebido sem reconhecimento de firma, argumentando o que se segue: 10.1. Requer o sobrestamento do feito tendo em vista que a multa cominada no presente Auto de Infração somente será mantida caso sejam julgados procedentes os Autos de Infração relativos à obrigação principal. Para evitar decisões conflitantes, deverá ser julgado o presente AI após a decisão final a ser proferida nos Autos de Infração. 10.2. Alega que todos os fatos geradores foram corretamente declarados em GFIP, não existindo omissão em relação aos segurados empregados e nem inconsistências quanto à sua remuneração. O Auditor Fiscal se equivocou no cálculo das contribuições. 10.3. Assevera que a Fiscalização deve buscar a verdade real, com a prevalência do conteúdo dos fatos sobre a forma. Cita doutrina e jurisprudência. Conclui que a Fiscalização se baseou em premissa equivoca e requer seja julgada procedente a impugnação. 10.4. Requer seja realizada diligência para alcançar a veracidade dos fatos e arrola quesitos para tal. 10.5. O instrumento de subestabelecimento foi regularizado conforme fls. 11. Da Diligência 11.1. Após análise da Impugnação, bem como dos documentos contidos em mídia digital trazida aos autos do processo COMPROT 16682.721106/201110, esta Turma de Julgamento encaminhou os autos deste processo, em conjunto com o principal, em retorno à Fiscalização (fls.6242/6243), propondo a realização de diligência a fim de verificar a pertinência das alegações em relação aos descontos de segurados. Na mesma Fl. 168DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 16682.721147/201114 Acórdão n.º 2201002.968 S2C2T1 Fl. 169 5 diligência, solicitouse verificar os reflexos de eventual retificação dos valores lançados no Auto de Obrigação Principal, neste Auto de Infração de Obrigação Acessória. 11.2. Em resposta de fls. 6252/6255 no COMPROT 16682.721106/201110, a autoridade lançadora esclarece que são cabíveis retificações no citado processo, porém tais retificações não atingem o presente AI. 11.3. Cientificada pessoalmente do teor do Relatório Fiscal de diligência em 29/05/2014, a Defendente apresentou nova apenas para os DEBCAD contidos no COMPROT 16682.721106/2011 10. Ciência às fls.88/89, em 04 de novembro de 2014, interpõe recurso às fls.93/124.. Inicia apontando a tempestividade de suas razões, comenta que neste lançamento se exige multa pelo descumprimento da obrigação acessória, enquanto os débitos da obrigação principal, são exigidos por supostas infrações:(i) sobre a contagem equivocada do termo inicial do cálculo do escalonamento;(ii) inobservância do teto do salário de contribuição quanto do recolhimento das contribuições devidas dos segurados empregados e contribuintes individuais, e (iii) falta de recolhimento das contribuições devidas a outras entidades e fundos. Repisa que o fiscal não analisou corretamente a documenta oferecida, notadamente no tocante a questão de existirem empregados com mais de um vínculo e mais de uma empresa da recorrente, bem como a dedução a título de salário família e salário maternidade, impactando na exigência da obrigação acessória. Por todos esses motivos, em preliminar, argui a necessidade de sobrestamento do feito até julgamento dos processos onde se exige a obrigação principal . Porque a multa só caberá se comprovado que o escalonamento que entendeu cabível, em relação a Lei 11096/2005, não se confirmar. Discorre sobre a relação de causa e efeito entre os processos, transcreve ementa do acórdão CSRF/9202002.193, proferido no processo nº 35.434.000658/200608, para pedir o julgamento deste processo após o encerramento dos principais. No mérito, trata no item IV das razões: a quanto ao ESCALONAMENTO :TERMO INICIAL PARA CONTAGEM DO PRAZO PREVISTO NA LEI 11.096/2005, ART.13, afirma que o método de contagem do prazo inicial do chamado "escalonamento", instituído pela Lei 11.096/2005, deve levar em consideração a data da transformação societária da entidade e não o ano de edição da lei, como pretendeu a fiscalização. Assim, seu direito teve início em fevereiro de 2007, data da sua transformação societária, para sociedade empresária. Transcreve o artigo 13, e parágrafo único da Lei 11096/05, para dizer que este conferiu benefício fiscal/previdenciário às entidades filantrópicas que desejassem transformarse em sociedades empresárias. No seu entendimento o dispositivo permite usufruir o benefício quanto ao pagamento gradual da contribuição Previdenciária Patronal CPP à razão de 20% do valor devido ao ano, pelo período de 05 anos, quando atendessem aos requisitos ali constantes. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 16682.721147/201114 Acórdão n.º 2201002.968 S2C2T1 Fl. 170 6 Isto significou que em 2007, quando de sua transformação em sociedade empresária, sua contribuição previdenciária patronal seria de 20%, enquanto a fiscalização entendeu que a mesma seria na ordem de 60%. A diferença, gerou a exigência combatida. Repete as argumentações já expendidas e repisa que a parte final do parágrafo único do artigo 13 apenas especifica que "a partir do momento da opção se respeitará a gradação correspondente ao primeiro ano dos cinco de desconto da cota patronal". Destaca trechos da Exposição Interministerial nº 061/2004/MEC/MF, referente a medida provisória nº 213/2004, instrumento que gerou a Lei 11096/2005. item 10,11 e 15 para dizer que nesta exposição não se afirmou que o termo inicial da gradação prevista seria a data da publicação. O recolhimento progressivo da Contribuição Previdenciária, como previsto no artigo 13 da lei 11096/2005, revela, em verdade, situação de isenção parcial. Transcreve doutrina de Souto maior Borges, e assevera que para alterar sua instituição, só através de outra lei. Assim, diante de tudo que expusera, dúvidas não haveria sobre o acerto do seu procedimento. (b) No tocante às "CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS PELOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS" referente aos autos de infração 37.273.0230 e 37.273.0248, objeto da diligência e do provimento parcial concedido, diz que as diferenças são inexistentes. Informa que decorrem: (i) do fato de os respectivos funcionários estarem vinculados a outras fontes pagadoras ou a mais de um estabelecimento da própria empresa, hipótese em que a retenção deve considerar o montante recolhido da mesma competência para cada indivíduo e (ii) inobservância das deduções corretas que realizou no tocante ao salário maternidade e salário família. Reclama da ótica equivocada da ação nos dois momentos, pois a farta documentação acostada e as alegações expostas, com riqueza de detalhes, não comportaria diferenças. E mais, os argumentos usados pela autoridade diligenciante para manutenção da exigência, de que; (i) os recibos estavam ilegíveis e (ii) supostamente, não havia comprovação da existência de vínculo entre os segurados que prestam serviços a ela e às empresas e instituições de ensino, prevalecerem implicara em ferimento ao princípio da verdade material. Transcreve Hely Lopes Meireles e diz que se houve este fato deveria ter sido novamente intimada a apresentar nova versão dos documentos e/ou prestar novos esclarecimentos. Tal prática positivada no artigo 23 do Decreto 7574/2011. O erro no procedimento estaria evidenciando a partir do item 2.2 do novo relatório fiscal . Porque embora reconhecendo a existência dos indícios de que determinados segurados prestariam serviço a mais de uma empresa durante aquele período autuado (pilar de toda sua defesa), a falta de apresentação de contracheques seqüenciais justificou a manutenção da exigência fiscal , como se verifica desse trecho: "Para a segunda hipótese(letra "b") não havendo a comprovação de vínculo em alguma competência, embora presumida a permanência, não há como excluir o lançamento(...)" Comenta que ao reconhecer tais indícios, indispensável seria o aprofundamento da análise documental. No mínimo, ela deveria ter sido intimada, no curso da Fl. 170DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 16682.721147/201114 Acórdão n.º 2201002.968 S2C2T1 Fl. 171 7 diligência, a apresentar os documentos capazes de sanar as dúvidas, ou confirmar as presunções que surgissem durante a fiscalização. Pede a reforma do acórdão recorrido e cancelamento das exigências ali mantidas, porque teria recolhido tudo que cabia, respeitada a limitação do salário de contribuição para a época dos fatos geradores, ou, no mínimo, a realização de nova diligência , contando com sua participação. Continua para reclamar do relatório fiscal em relação a competência de dezembro de 2007, para todos os casos em que recolheu as contribuições previdenciárias no limite máximo previsto em lei, dizendo que foi lançada a diferença entre o valor calculado sobre a remuneração e o efetivamente recolhido Segue para dizer que embora acolhendo parte dos seus argumentos, o equívoco do mês de dezembro atingiu integralmente a apuração do crédito supostamente devido para esta competência, pelo que devem ser acolhidos os argumentos constantes da impugnação apresentada, reafirmados no presente recurso, devendo ser determinada a integral reforma ao acórdão ora combatido.e, por conseguinte, o cancelamento das autuações (c) Aqui trata da "INEXIGIBILIDADE DA CONTRIBUIÇÃO AO INCRA," exigida no auto de infração 37.273.0256 contribuições devidas a outras entidades e fundos (Terceiros):FNDE,INCRA,SESC e SEBRAE., repisa seus argumentos iniciais sobre a cobrança ser indevida. Faz estudo histórico da instituição, a partir da Lei nº 2.613/55, da qual transcreve o artigo 6º,§ 4º.e do Decretolei 1146/70, os artigo 1º,I e II e 3º, para comentar que houve a mudança de destinatário da contribuição, mas foi ressalvada a manutenção da alíquota. Expende longo estudo doutrinário Aponta a materialidade que integra a regramatriz de incidência da contribuição para o INCRA, prevista no artigo 195,I,"a" da Constituição Federal, que constitui fundamento de validade apenas para as contribuições dedicadas ao custeio da seguridade social. E que a base de cálculo deixou de ter matriz constitucional com a superveniência da Emenda Constitucional 33/2001, a partir de quando as contribuições de intervenção no domínio econômico somente podem ter alíquotas ad valorem se as bases de cálculo coincidirem com o faturamento, a receita bruta da pessoa jurídica ou o valor da operação. Pede o provimento as suas razões de recurso. Despacho de fls. 163 atesta a tempestividade do recurso e o encaminha ao CARF. Ás fls. 164 despacho de saneamento. É o Relatório Voto Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 16682.721147/201114 Acórdão n.º 2201002.968 S2C2T1 Fl. 172 8 O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e dele conheço. Este processo trata da obrigação acessória decorrente da exigência principal, constante do PAT 16.682.721.106/200110. Aqui se exige a multa decorrente da apresentação da GFIP com omissão de informações, com infração ao artigo 32, inciso IV da Lei nº 8.212/91, sendo aplicada a multa prevista no artigo 32A, I do mesmo diploma legal, na forma descrita abaixo, cujo dispositivo se reproduz: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (...) No Relatório Fiscal de fls. 7 há informação do período ao qual o crédito constituído se refere: competências 02/2007 a 13/2007, dos motivos do lançamento, a capitulação legal, e o número de segurados empregados que constam nas folhas de pagamento em comparação com a quantidade declarada em confissão de dívida fiscal, no caso, a GFIP. E a partir destes dados, demonstra ainda a quantidade de informações incorretas, por competência. Conforme bem apontado na decisão recorrida, no item 15.3. , nos autos do Processo Principal (COMPROT 16682.721106/201110), observase que o AuditorFiscal responsável pela autuação identificou, através da análise dos dados fornecidos pela própria Recorrente que houve a omissão de declaração de alguns segurados em GFIP (relacionados no ANEXO E, fls.5139/5144), incorreção na declaração do valor da remuneração de outros segurados (ANEXO F, fls. 5145/5151), bem como erros de preenchimento dos campos de movimentação da empresa (ANEXO G, fls. 5152/5171). Todos os campos preenchidos com erros foram consolidados, por competência, no ANEXO H (fl. 5172), o qual indica a quantidade de campos incorretos, discriminando ainda o valor da multa. E no processo principal ao qual este se encontra apensado, o Relatório Fiscal às fls.6254, assim consignou: Resta informar que as alterações promovidas no DEBCAD 37.273.0230, aqui explicitado, não geraram reflexos no auto de infração consubstanciado no DEBCAD 51.014.8700, COMPROT 16.682.721.147/201114, que constitui crédito relativo à multa por obrigação acessória descumprida. Com efeito, os documentos acostados pela impugnante tem o condão de simplesmente afastar a contribuição do segurado, exigida por responsabilidade tributária, não contestando as omissões ou incorreçõe dos registros em GEFIP, objeto da multa lavrada no DEBCAD 51.014.8700. As razões de recurso repetem os argumentos expendidos no processo principal sem qualquer questionamento especifico em relação à cobrança geradas a partir do Fl. 172DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 16682.721147/201114 Acórdão n.º 2201002.968 S2C2T1 Fl. 173 9 descumprimento das obrigações acessórias. E aqui , igualmente , repito os argumentos expendidos no processo principal. Da verdade material e da Produção de provas Alude a recorrente que a análise dos dados oferecidos se fizera de forma superficial, com notório desrespeito ao princípio da verdade material, o que apontaria para a nulidade do feito, ou, no mínimo, necessidade de realização de nova diligência. Aqui não cabe razão a recorrente, notese, por exemplo, os procedimentos adotados pela fiscalização, onde, através dos anexos 1 a 5 (fls.82/5188) vem, de forma sistemática, apontando os passos percorridos na ação fiscal. No tocante às diferenças havidas no mês de dezembro de 2007, a termo de diligência esclarece: 2.3 do Relatório Fiscal, Assiste parcial razão à impugnante quando alega que a contribuição do segurado foi calculada na competência 12/2007 sem atentar para o limite máximo do salário de contribuição, levandose em conta a remuneração da mão de obra. Mas o erro ocorreu para alguns, não para todos. Certamente resvalouse ao inserir uma formula na planilha utilizada para o cálculo da contribuição. De qualquer forma foram revistas todas as contribuições apuradas na competência 12/2007, de modo a respeitar o limite máximo do salário de contribuição. Vejase que neste item, referente especificamente ao mês de dezembro de 2007, esclareceu o autuante que o erro se deu em alguns funcionários e não em todos. E como dito, foi refeito o cálculo, sendo, inclusive, objeto de parte do provimento parcial. No item 3 do relatório fiscal, este apontou a forma de apuração, que utilizou e demonstrou, no anexo I, de fls.6256/6275. 3.Após analisar os recibos de pagamentos e declarações e proceder ao cálculo das contribuições ao cabo devidas, elaborouse o anexo 1, que demonstra o valor da contribuição a ser excluída do lançamento formalizado no AIDEBCAD 37.273.0230. A fim de que a 13ª Turma da DRJ/RJ1 possa efetuar a retificação do lançamento fiscal em apreço, foram consolidados no ANEXO 2, com CNPJ e competência, os valores a excluir do AIDEBCAD37.273.0230, indicando ainda os códigos de levantamento e de lançamento.. Cabe notar a inexistência de lançamento de contribuições a cargo do segurado em certas competências do AIDEBCAD 37.273.0230., isto porque as contribuições devidas foram absorvidas pelos créditos inseridos por meio das guias de recolhimento(GPS) e do lançamento de débito confessado (LDC).Noutras palavras, o somatório do crédito concedido nas GPS e no LDC superou o montante da contribuição a cargo do Fl. 173DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 16682.721147/201114 Acórdão n.º 2201002.968 S2C2T1 Fl. 174 10 segurado, o que implica a não constituição de crédito tributário relativo à contribuição do segurado nessas competências. O crédito não aproveitado no AIDEBCAD 37.273.0230.foi utilizado para abater valores devidos da contribuição previdenciária patronal, formalizado no AIDEBCAD 37.273.0221, conforme discriminado no ANEXO 3. São os anexos que demonstram os ajustes realizados. E a recorrente não aponta onde permaneceriam os erros a que ela se refere. Ao contrário, prefere transferir este ônus de prova para o fisco. O princípio da verdade material, no dizer de Marins(Direito processual tributário, 2002,pg.177/178): (...)corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico(fato imponível) e sua formalização através do lançamento tributário.A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais.Deve fiscalizar em busca da verdade material;deve apurar e lançar com base na verdade material. As faculdades fiscalizatórias da administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do processo administrativo. O dever de investigação da administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos Embora o processo administrativo fiscal também se reja pelo princípio do formalismo moderado não cabe a administração suprir falhas procedimentais do particular. Este tem o momento certo para instruir o processo e deve fazêlo de modo correto, com todas as provas que embasaram seu direito, como disciplina o artigo 16 do Decreto 70235/76. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 174DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 16682.721147/201114 Acórdão n.º 2201002.968 S2C2T1 Fl. 175 11 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. No dizer do Prof.Paulo de Barros Carvalho,(Direito Tributário Fundamentos jurídicos da incidência, p.97) Se os fatos são entidades lingüísticas, com pretensão veritativa, entendida esta cláusula como a utilização de uma linguagem competente para comprovar o consenso(Habermas), os fatos jurídicos serão aqueles enunciados que puderem sustentarse em face das provas em direito admitidas. Aqui, se ressalta que as alegações contrárias ao lançamento fiscal, não acompanhadas de prova inequívoca de sua procedência, são insuficiente para desconstituir a exigência . E verificase, por tudo que do processo consta, que a autoridade fiscal realizou o lançamento com base nos fatos e provas apresentados. Ainda, reviu o lançamento, durante a diligência solicitada e concedida, com extensa análise dos dados apresentados conforme anteriormente comentado. O lançamento encontrase perfeito. Obedece aos ditames legais, conforme o previsto no artigo 37 , caput, da Constituição de 1988, assim como respeitou todo rito do processo administrativo fiscal. Por todo exposto, mostrase prejudicado o pedido de diligência formulado nas razões de recurso. Pedido idêntico já foi atendido em sede de impugnação, conforme relatório de fls.77 e nenhum fato ou direito superveniente se encontra presente, nem há fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, que o justifique. No tocante a ilegalidade da cobrança para o INCRA, o recurso extraordinário invocado pela recorrente como bastante para o cancelamento desta exigência, ainda não teve a repercussão geral definitiva. A última movimentação, no STF: (RE 630898 RECURSO EXTRAORDINÁRIO, se deu no dia 08/05/2013, cujo andamento está "Concluso ao Relator".(http://www.stf.jus.br/portal/processo dia 16.01.2016 às 19.35). E mais, ao colegiado administrativo não cabe se pronunciar sobre inconstitucionalidade de Lei. Só ao Poder Judiciário é dado exercer o controle concentrado ou difuso, de caráter repressivo, da constitucionalidade das leis. O Decreto nº 70.235/1972, que trata do processo administrativo fiscal, em seu art. 26A, incluído pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, assim disciplina: Art. 26A. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 16682.721147/201114 Acórdão n.º 2201002.968 S2C2T1 Fl. 176 12 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Também no Colegiado Administrativo a matéria está sumulada: Súmula CARF nº 2 O Carf não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de Lei Tributária. Portanto, não há como atender as razões de recurso neste item. Do Percentual de Isenção Aplicado A recorrente pede a aplicação da isenção parcial do artigo 13 da Lei 11096/2005, por entender que a redução concedida na exigência combatida não teria observado o comando ali constante. No item 17 das razões de decidir do acórdão combatido consignou o julgador de primeiro grau que o procedimento não observara o comando do artigo 319 da INSRP nº 03 , de 14/07/2005, na ordem seguinte: (...) Art. 319 . A EBAS em gozo de isenção, mantenedora de instituição de ensino superior, que adotar as regras de seleção de estudantes bolsistas na forma do art. 11 da Lei nº 11.096, de 2005 e optar, a partir de 14 de janeiro de 2005, por transformar sua natureza jurídica em sociedade de fins econômicos, na forma facultada pelo art. 7ºA da Lei nº 9.131, de 24 de novembro de 1995, passará a pagar a cota patronal para a Previdência Social de forma gradual, durante o prazo de cinco anos, na razão de vinte por cento do valor devido a cada ano, cumulativamente, até atingir o valor integral das contribuições devidas, da seguinte forma: I até janeiro de 2006 vinte por cento da quota patronal devida à previdência social; II de fevereiro de 2006 a janeiro de 2007 quarenta por cento da quota patronal devida à previdência social; III de fevereiro de 2007 a janeiro de 2008 sessenta por cento da quota patronal devida à previdência social; IV de fevereiro de 2008 a janeiro de 2009 oitenta por cento da quota patronal devida à previdência social; e V a partir de fevereiro de 2010 cem por cento da quota patronal devida à previdência social. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 16682.721147/201114 Acórdão n.º 2201002.968 S2C2T1 Fl. 177 13 § 1º Para os fins do caput, entendese por cota patronal para a Previdência Social o conjunto das contribuições descritas no art. 86 desta IN. § 2º As contribuições destinadas à outras entidades ou fundos são devidas integralmente desde o primeiro mês, não se lhes aplicando a gradação a que se refere o caput. § 3º A pessoa jurídica de direito privado em gozo de isenção passará a pagar a contribuição previdenciária na forma estabelecida neste artigo a partir do primeiro dia do mês de realização da assembléia geral que autorizar a transformação da sua natureza jurídica em sociedade de fins econômicos, respeitada a gradação correspondente ao respectivo ano. § 4º A isenção concedida nos termos do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, usufruída pela entidade de que trata o caput, será cancelada, com conseqüente expedição de Ato Cancelatório, a partir do primeiro dia do mês de realização da assembléia geral que alterar a sua natureza jurídica. (destaques do acórdão recorrido) E adiante, no item 17.7. ele aponta que o referido artigo foi revogado pela IN RFB nº 1.071/2010, contudo fora válido e eficaz durante toda a vigência da isenção parcial instituída pela Lei 11.096/2005. Daí correto afirmar que ele apenas detalhara, de forma a não deixar margens de dúvida, o procedimento previsto em lei, sem nenhuma inovação ao sistema jurídico, sendo editado tão somente com caráter interpretativo do dispositivo legal. Portanto,descabida a afirmação de que a instrução normativa alterara o que a Lei estabelecera. Ele continuou, nos itens seguintes: 17.8. É também flagrante que a edição da norma complementar acima foi feita antes do início do período em que poderia ser usufruído o benefício fiscal, e, em assim sendo, as empresas interessadas no mesmo possuíam todas as informações adequadas a efetivar sua opção e o seu planejamento. 17.9. Importa, ainda, ressaltar que as instruções normativas, editadas para oferecer orientações à aplicação da lei tributária, têm status de norma complementar a teor do artigo 100 do Código Tributário Nacional, sendo, portanto, de observância obrigatória, não cabendo à Administração, como acima já exposto, a avaliação das alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade relativas às mesmas. Em que pese as bem fundamentadas razões, discordo da conclusão a que chegou a decisão recorrida.Vejase o teor do artigo 13 da Lei 11096/2005: Art. 13. As pessoas jurídicas de direito privado, mantenedoras de instituições de ensino superior, sem fins lucrativos, que adotarem Fl. 177DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 16682.721147/201114 Acórdão n.º 2201002.968 S2C2T1 Fl. 178 14 as regras de seleção de estudantes bolsistas a que se refere o art. 11 desta Lei e que estejam no gozo da isenção da contribuição para a seguridade social de que trata o § 7o do art. 195 da Constituição Federal, que optarem, a partir da data de publicação desta Lei, por transformar sua natureza jurídica em sociedade de fins econômicos, na forma facultada pelo art. 7oA da Lei no 9.131, de 24 de novembro de 1995, passarão a pagar a quota patronal para a previdência social de forma gradual, durante o prazo de 5 (cinco) anos, na razão de 20% (vinte por cento) do valor devido a cada ano, cumulativamente, até atingir o valor integral das contribuições devidas. Parágrafo único. A pessoa jurídica de direito privado transformada em sociedade de fins econômicos passará a pagar a contribuição previdenciária de que trata o caput deste artigo a partir do 1o dia do mês de realização da assembléia geral que autorizar a transformação da sua natureza jurídica, respeitada a gradação correspondente ao respectivo ano. Da leitura do artigo compreendo que cabe a interpretação dada nas razões de recurso oferecidas. Porque o dispositivo não fixa a data da publicação da lei para início da vigência do benefício. Por exemplo, quando o texto quis especificar um prazo definido, o faz em relação ao artigo 8º da Lei, que prevê em seu texto, a extensão do benefício: " (...)Art. 8o A instituição que aderir ao Prouni ficará isenta dos seguintes impostos e contribuições no período de vigência do termo de adesão: (Vide Lei nº 11.128, de 2005)". Também, o parágrafo único permite entender que a data é aquela onde a entidade formaliza o desejo de sua transformação, quando diz que sociedade de fins econômicos passará a pagar a contribuição previdenciária de que trata o caput deste artigo a partir do 1o dia do mês de realização da assembléia geral que autorizar a transformação da sua natureza jurídica, respeitada a gradação correspondente ao respectivo ano. Como dito na decisão recorrida, a autuação estava de acordo com a normatização estabelecida pelo artigo 319 da IN SRP nº 03, de 14/07/2005, o qual dispôs, nos seus incisos, sobre os percentuais aplicáveis. Também ali está consignado que o referido artigo foi revogado pela IN RFB nº 1.071/2010. No tocante ao termo de início do gozo do benefício, a matéria foi votada na 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, em 15 de abril de 2014 sendo objeto do acórdão 2401003.500, assim ementado : Assunto :CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/11/2011 ISENÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RECOLHIMENTO GRADATIVO DA QUOTA PATRONAL. Para fruição do benefício fiscal de que trata o art. 13 da Lei n. 11.096/2005, é necessário ser: i) entidade Fl. 178DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 16682.721147/201114 Acórdão n.º 2201002.968 S2C2T1 Fl. 179 15 beneficente mantenedora de instituição de ensino superior; ii) adotar as regras de seleção de bolsistas estabelecidas no programa Prouni;iii) estar em gozo da isenção da contribuição para a seguridade social, a partir da publicação da Lei n. 11.096/2005; e iv) optar pela alteração de sua natureza jurídica para sociedade de fins econômicos. Uma vez deferido o pedido de isenção apresentado pela Recorrente e retroagindo os seus efeitos à data do protocolo do pedido, restam atendidos todos os requisitos para o recolhimento gradativo da contribuição previdenciária, de que trata o artigo 13 da referida Lei. A Lei n. 11.096/2005 não exige que a entidade esteja no gozo da isenção na data da sua publicação (14/01/2005), mas apenas que esteja no gozo da isenção quando da alteração da sua natureza jurídica para aproveitamento do recolhimento gradual das contribuições previdenciárias. (...) É verdade que o litígio ali tratado não era idêntico ao que ora se analisa, contudo, no tocante ao termo inicial do gozo do benefício, o voto condutor é claro, quando assim versa: (...) A Lei n. 11.096/2005, em seu art. 13, concedeu às pessoas jurídicas de direito privado mantenedoras de instituição de ensino superior, no gozo do benefício de que trata o § º do art. 195, da CF/1988, o direito de, a qualquer tempo, a partir da publicação daquela lei, alterar sua natureza jurídica e passar a pagar a quota patronal para a previdência social de forma gradual. (...) Tanto é assim que a faculdade em debate já estava prevista no art. 12 da Medida Provisória nº 213, publicada em 27 de setembro de 2004:Art. 12. As pessoas jurídicas de direito privado, mantenedoras de instituições de ensino superior, sem fins lucrativos, que estejam no gozo da isenção da contribuição para a seguridade social de que trata o § 7º do art. 195 da Constituição Federal, que optarem, a partir da data de publicação desta Medida Provisória, por transformar sua natureza jurídica em sociedade de fins econômicos, na forma facultada pelo art. 7ºA da Lei nº 9.131, de 1995, passarão a pagar a quota patronal para a previdência social de forma gradual, durante o prazo de cinco anos, na razão de vinte por cento do valor devido a cada ano, cumulativamente, até atingir o valor integral das contribuições devidas. Nessa conformidade, entendo que o lançamento referente ao AI 37.273.0221,(cota patronal) deverá ter seus percentuais ajustados. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 16682.721147/201114 Acórdão n.º 2201002.968 S2C2T1 Fl. 180 16 (...) Todavia, o provimento parcial concedido no processo principal não tem reflexo neste processo, como anteriormente mencionado. Por isto, encaminho meu voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. assinado digitalmente Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH
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Numero do processo: 13971.000193/97-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 1996
NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO.
Não há que se cogitar de nulidade quando o acórdão preenche os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no CTN ou Decreto 70.235, de 1972.
JULGAMENTO POR DELEGADO SUBSTITUTO.
Cabe à recorrente provar que o Delegado substituto não poderia substituir o Delegado titular no julgamento realizado. Inocorrência.
CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT.
A elaboração e a exportação de produtos não tributados pelo IPI (NT) não dão direito ao crédito presumido instituído para compensar o ônus do PIS e da Cofins.
Súmula CARF Nº 20:
Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA DE EXPORTAÇÃO E RECEITA BRUTA OPERACIONAL. REVENDAS AO EXTERIOR.
As receitas de exportação de produtos NT, bem assim as de produtos adquiridos de terceiros e exportados, devem ser excluídas da receita de exportação e da receita operacional bruta para efeito de apuração da proporção entre insumos empregados em produtos exportados e o total dos insumos adquiridos.
INFORMAÇÃO INCORRETA DA RECEITA OPERACIONAL BRUTA.
A informação foi coletada pela fiscalização no balancete de verificação apresentado pela própria recorrente, sob intimação.
GLOSA DA RECEITA DE EXPORTAÇÃO DE AVES, SUÍNOS, FUBÁ E SOJA. GLOSA DA AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS SOB CFOP 1.12 e 2.12 E DEMAIS INSUMOS.
Há discrepâncias entre o que o contribuinte considera Matéria-Prima, Produto Intermediário e Material de Embalagem e o que foi efetivamente considerado, aos auspícios da legislação do IPI no relatório de diligência.
Devem prevalecer os exatos termos estabelecidos no relatório de diligência.
IPI. RESSARCIMENTO. ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. A energia elétrica e demais combustíveis consumidos no processo produtivo, não se caracterizam como produtos intermediários e como tal, seu consumo não poder ser incluído no cálculo do Crédito presumido.
Súmula CARF Nº 19:
Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário.
TAXA SELIC. Em se tratando de ressarcimento uma espécie do gênero restituição, a atualização dos créditos está devidamente reconhecida pelas normas legais e administrativas que regem a matéria.
Recurso Voluntário Provido em parte.
Numero da decisão: 3301-002.921
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Maria Eduarda que dava provimento parcial em maior extensão para acatar a taxa Selic desde a data do protocolo.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Paulo Roberto Duarte Moreira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Voluntário Acórdão nº 3301002.921 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de abril de 2016 Matéria Ressarcimento de IPI Recorrente BUNGE ALIMENTOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 1996 NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. Não há que se cogitar de nulidade quando o acórdão preenche os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no CTN ou Decreto 70.235, de 1972. JULGAMENTO POR DELEGADO SUBSTITUTO. Cabe à recorrente provar que o Delegado substituto não poderia substituir o Delegado titular no julgamento realizado. Inocorrência. CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. A elaboração e a exportação de produtos não tributados pelo IPI (NT) não dão direito ao crédito presumido instituído para compensar o ônus do PIS e da Cofins. Súmula CARF Nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA DE EXPORTAÇÃO E RECEITA BRUTA OPERACIONAL. REVENDAS AO EXTERIOR. As receitas de exportação de produtos NT, bem assim as de produtos adquiridos de terceiros e exportados, devem ser excluídas da receita de exportação e da receita operacional bruta para efeito de apuração da proporção entre insumos empregados em produtos exportados e o total dos insumos adquiridos. INFORMAÇÃO INCORRETA DA RECEITA OPERACIONAL BRUTA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 01 93 /9 7- 13 Fl. 989DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 13971.000193/9713 Acórdão n.º 3301002.921 S3C3T1 Fl. 1.403 2 A informação foi coletada pela fiscalização no balancete de verificação apresentado pela própria recorrente, sob intimação. GLOSA DA RECEITA DE EXPORTAÇÃO DE AVES, SUÍNOS, FUBÁ E SOJA. GLOSA DA AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS SOB CFOP 1.12 e 2.12 E DEMAIS INSUMOS. Há discrepâncias entre o que o contribuinte considera MatériaPrima, Produto Intermediário e Material de Embalagem e o que foi efetivamente considerado, aos auspícios da legislação do IPI no relatório de diligência. Devem prevalecer os exatos termos estabelecidos no relatório de diligência. IPI. RESSARCIMENTO. ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. A energia elétrica e demais combustíveis consumidos no processo produtivo, não se caracterizam como produtos intermediários e como tal, seu consumo não poder ser incluído no cálculo do Crédito presumido. Súmula CARF Nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. TAXA SELIC. Em se tratando de ressarcimento uma espécie do gênero restituição, a atualização dos créditos está devidamente reconhecida pelas normas legais e administrativas que regem a matéria. Recurso Voluntário Provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Maria Eduarda que dava provimento parcial em maior extensão para acatar a taxa Selic desde a data do protocolo. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Paulo Roberto Duarte Moreira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. Luiz Augusto do Couto Chagas Relator. Fl. 990DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 13971.000193/9713 Acórdão n.º 3301002.921 S3C3T1 Fl. 1.404 3 Relatório Tratase de pedido de ressarcimento do crédito presumido de IPI relativo ao período de apuração de 1996, de que trata Lei nº 9.363/96, como ressarcimento das Contribuições para o Programa de Integração Social PIS e para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, calculado com base nas aquisições no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no processo produtivo de bens destinados à exportação. Na análise do ressarcimento pela DRF de origem, foi emitido despacho decisório de fls. 280 a 281 reconhecendo em parte o direito da recorrente. A impugnação apresentada pela contribuinte contra o despacho decisório que reconheceu parcialmente seu alegado direito creditório foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento em Florianópolis SC, por acórdão que recebeu a seguinte ementa: SOLICITAÇÃO DE RESSARCIMENTO CRÉDITO PRESUMIDO DO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI), PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E COFINS. Período. 1996 APURAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO PIS/COFINS BENEFÍCIO FISCAL. O beneficio fiscal de que trata a Lei n° 9.363/96, restringese as aquisições, no mercado interno, de matériasprimas (MP), produtos intermediários (PI) e material de embalagem (ME) empregados na fabricação de produtos exportados para o exterior, onde tenha havido incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. RECEITA OPERACIONAL BRUTA Para fins de apuração do crédito presumido de IPI, a definição de Receita Operacional Bruta é a prevista no art. 31 da Lei n°8.981, de 1995. RECEITA DE EXPORTAÇÃO O valor das receitas de exportação de produtos não tributados (NT), deve ser excluído do total das exportações na apuração do crédito presumido — IPI. CUSTOS Energia elétrica e serviço de transporte são considerados custos da empresa na apuração do crédito presumido. SOLICITAÇÃO IMPROCEDENTE. Fl. 991DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 13971.000193/9713 Acórdão n.º 3301002.921 S3C3T1 Fl. 1.405 4 Inconformada, interpôs a contribuinte o recurso voluntário de fls. 278/301, no qual, em síntese, repisa suas razões de impugnação e seu direito ao ressarcimento pleiteado. Em sessão de 01 de dezembro de 2004, pela Resolução nº 220200.762, por unanimidade de votos, o julgamento do recurso foi convertido em Diligência para que a autoridade preparadora intimasse a recorrente a esclarecer, detalhadamente, os insumos que efetivamente integram o demonstrativo das aquisições: a) como são eles efetivamente utilizados no processo produtivo da recorrente; b) se eles integram fisicamente o produto final e, em caso negativo, como são consumidos na elaboração do produto acabado; e c) apresente laudo técnico, emitido pela Companhia de Energia competente, definindo a real utilização de energia elétrica no processo produtivo da recorrente, por meio de levantamento, medições e análises de cargas elétricas produtivas e não produtivas. Após receber as respostas dos quesitos acima, em prazo hábil que deverá ser concedido interessada, deve a Fiscalização elaborar relatório de diligência consignando eventuais discrepâncias entre as informações prestadas pela recorrente e o efetivamente verificado no processo produtivo da empresa, sem prejuízo dos esclarecimentos que entender útil ao deslinde da presente contenda. As fls 858/881, está o relatório de diligência elaborado pela Delegacia da Receita Federal em Blumenau SC, cujas conclusões transcrevo: (...) 9 Conclusões Ao apontarmos para a conclusão dos trabalhos, mister se faz que se relembre o seu objetivo, a saber o esclarecimento detalhado, pelo contribuinte, sobre como os insumos que integram o demonstrativo de aquisições são efetivamente utilizados no processo produtivo, e também se estes insumos integram ou não o produto final, sendo que em caso negativo deveria explicar como se consomem na elaboração do produto acabado. Forma o objetivo, também, a apresentação de laudos técnicos emitidos pela Companhia de Energia competente, definindo a real utilização de energia no processo produtivo da empresa. Neste contexto, após todas as intimações e respostas apresentadas pelo contribuinte, apresentaramse as seguintes discrepâncias entre o que o contribuinte considera MatériaPrima, Produto Intermediário e Material de Embalagem e o que foi efetivamente Fl. 992DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 13971.000193/9713 Acórdão n.º 3301002.921 S3C3T1 Fl. 1.406 5 considerado, aos auspícios da legislação do IPI, e em especial o Parecer CST nº65/79. Estas discrepâncias foram detalhadas ao longo deste relatório e estão apresentadas de forma condensada abaixo: Aquisições consideradas pelo contribuinte como Matéria Prima, Produto Intermediário ou Material de Embalagem utilizadas no seu processo produtivo e desconsideradas no curso deste procedimento : De Produtos Utilizados na Criação de Animais Frangos e Suínos (item 5.1) R$ 7.948.192,65 Rações, Med. e Demais Aditivos 5.2) R$ 49.947.781,03 Subtotal : R$ 57.895.973,68 De Produtos Utilizados Não Enquadrados no Conceito de MP, PI ou ME Produtos de Uso ou Consumo (6.1) R$ 12.990.957,98 Produtos Não MP,PI ou ME (6.2) R$ 9.339.062,34 Subtotal : R$ 22.330.020,32 Posteriormente, houve nova diligência para ciência do contribuinte do relatório de diligência. É o relatório. Fl. 993DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 13971.000193/9713 Acórdão n.º 3301002.921 S3C3T1 Fl. 1.407 6 Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator. Tratase de pedido de ressarcimento do crédito presumido de IPI no período de apuração de 1996, de que trata a Lei nº 9.363/96, como ressarcimento de PIS e da Cofins, calculado com base nas aquisições no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no processo produtivo de bens destinados à exportação. Os créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, escriturados na forma da legislação específica, poderão ser utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados. Os créditos do IPI que, ao final de um período de apuração, remanescerem da dedução, poderão ser mantidos na escrita fiscal do estabelecimento, para posterior dedução de débitos do IPI relativos a períodos subsequentes de apuração, ou serem transferidos a outro estabelecimento da pessoa jurídica, somente para dedução de débitos do IPI, caso se refiram a: 1. Créditos presumidos do IPI, como ressarcimento das contribuições para o Programa de Integração Social e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), previstos na Lei nº 9.363/1996, e na Lei nº 10.276/2001; 2. Créditos decorrentes de estímulos fiscais na área do IPI a que se refere o art.1 o da Portaria MF n o 134, de 18 de fevereiro de 1992; e 3. Créditos do IPI passíveis de transferência a filial atacadista nos termos do item 6 da IN SRF nº 87/1989. Remanescendo, ao final de cada trimestrecalendário, créditos do IPI passíveis de ressarcimento após efetuadas as deduções, o estabelecimento matriz da pessoa jurídica poderá requerer à RFB o ressarcimento de referidos créditos em nome do estabelecimento que os apurou, mediante a utilização do Programa PERDCOMP, bem como utilizálos na compensação de débitos, relativos aos tributos ou contribuições administrados pela RFB. No processo em tela, estamos tratando dos créditos presumidos do IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS e da Cofins, previstos na Lei nº 9.363/1996, e na Lei nº 10.276/2001. A recorrente traz 6 matérias a serem analisadas no recurso voluntário. Há matérias em que o relatório de diligência elaborado pela Delegacia da Receita Federal em Blumenau – SC não terá influência, pois a decisão se refere ao direito ao crédito e não à influência do insumo no processo produtivo e seus respectivos cálculos. Fl. 994DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 13971.000193/9713 Acórdão n.º 3301002.921 S3C3T1 Fl. 1.408 7 1) Da Nulidade do acórdão recorrido: A recorrente alega a nulidade da decisão de primeira instância, por ter sido proferida por autoridade incompetente para julgar a matéria questionada no presente processo. Alega que dispõe claramente o art. 25, inciso I, alínea "a", do Decreto n° 70.235/72, com a nova redação que lhe conferiu o art. 1° da Lei n° 8.748/93, que regulamenta o processo administrativofiscal, que o julgamento em primeira instância compete aos "DELEGADOS DA RECEITA FEDERAL, titulares de Delegacias especializadas nas atividades concernentes a julgamento de processos, quanto aos tributos e contribuiç6es administrados pela Secretaria da Receita Federal", o que é o caso do crédito presumido de IPI a titulo de ressarcimento do PIS/COFINS incidente na aquisição no mercado interno de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem utilizados nos produtos que exporta, objeto do pedido de ressarcimento que deu origem ao processo em questão. Alega que, como compete aos Delegados Titulares da Receita Federal julgar, em primeira instância, os processos que envolvam tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, claro está que não pode outra autoridade administrativa julgadora proferir decisão final, sob pena de desrespeitar de forma flagrante o dispositivo citado. Aduz que, no presente caso, a decisão de primeira instância não foi proferida por Delegado Titular da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, mas por Delegado Substituto, que, salvo melhor juízo, substitui o titular na sua ausência ou afastamento legal, fato que não restou demonstrado de forma cabal, razão pela qual é nula de pleno direito. Não concordo com a recorrente. Como bem disse o próprio recorrente, o delegado substituto substitui o titular na sua ausência ou afastamento legal. Isso foi feito. Caberia ao recorrente trazer provas de que, por algum motivo, essa substituição não deveria ter ocorrido. Isso não ocorreu. Portanto, entendo que não há a alegada nulidade. 2) Da Informação Incorreta da Receita Operacional Bruta: A recorrente alega que deixou expresso que já havia excluído as devoluções do faturamento do mercado interno, posto que as devoluções caracterizam a não consumação de uma venda, e por consequência não podem integrálo. Alega que bastaria que o Julgador passasse os olhos no próprio Balancete mencionado, que a recorrente anexa novamente as fls. 113 a 118 do processo, para confirmar que as devoluções estão informadas expressamente, mas foram simplesmente ignoradas. Em relação a essa matéria, o acórdão recorrido é bem ilustrativo, por isso, o transcrevo: Conforme descrito a fl. 218, os dados referentes a composição da Receita Operacional Bruta utilizados pela fiscalização foram os informados pela contribuinte no balancete de resultados — mercado externo R$ 764.659.920,16 e mercado interno R$ Fl. 995DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 13971.000193/9713 Acórdão n.º 3301002.921 S3C3T1 Fl. 1.409 8 1.075.271.259,62 (fl. 080verso e anverso), totalizando R$ 1.839.931.179,78. Embora a requerente diga que o valor das operações no mercado interno, seja o informado quando do pedido de ressarcimento (fl. 24), igual a R$ 1.050.763.090,36, o balancete consolidado apresentado sob intimação (fl. 79), com as especificações ali solicitadas, apresentou outro valor o qual deve ser considerado. Portanto, no momento da intimação, os balancetes apresentados pelo contribuinte foram exatamente os balancetes considerados pela fiscalização. Assim, principalmente, por estarmos tratando de pedido de ressarcimento do crédito presumido de IPI, deveria haver forte conteúdo probatório a sustentar a alteração do balancete apresentado sob intimação. Isso não ocorreu. Assim, não assiste razão à recorrente nessa matéria. 3) Dos Produtos Classificados como Não Tributados: Alega que não procede a interpretação do Julgador "a quo" no tocante a relação de dependência do crédito presumido com a exportação de produtos sujeitos a tributação pelo IPI. Para a recorrente, inexiste qualquer vedação em lei expressa ao ressarcimento do crédito do IPI incidente sobre os insumos utilizados nos produtos exportados classificados como "Não Tributado NT". Não assiste razão à recorrente. O CARF sedimentou entendimento acerca da presente matéria, conforme se extrai da Súmula nº 20. Confirase: Súmula 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. 4) Da Glosa da Receita de Exportação de Aves, Suínos, Fubá e Soja: A recorrente afirma que reviu seu entendimento, e concluiu que o art. 2° da Lei 9.363/96 não distinguiu ou restringiu a composição da receita de exportação, não procedendo a glosa levada a efeito. Por serem produtos N/T, o assunto já foi abordado em item próprio, sendo a matéria, inclusive sumulada pelo CARF. Fl. 996DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 13971.000193/9713 Acórdão n.º 3301002.921 S3C3T1 Fl. 1.410 9 5) Da Inclusão das aquisições de mercadorias sob os CFOP 1.12 e 2.12, aquisições de produtos de nãocontribuintes de PIS e Cofins e demais insumos que integram o demonstrativo de aquisições: Alega que o Julgador passou ao largo do pleito da recorrente no sentido de que se exclua do faturamento as aludidas aquisições glosadas — mercadorias sob os códigos CFOP 1.12 e 2.12. Informou que foi aplicado o disposto no art. 3°, § 15°, da Portaria n°38/97. Ressaltou que a Portaria não é lei, e portanto não pode vedar ou criar hipótese não prevista naquela. Aduz que deve se aplicar a exclusão do faturamento pleiteada caso a glosa às aquisições seja mantida. O Segundo Conselho de Contribuintes solicitou diligência para que houvesse o esclarecimento detalhado pelo contribuinte, sobre como os insumos que integram o demonstrativo de aquisições são efetivamente utilizados no processo produtivo, e também se estes insumos integram ou não o produto final, sendo que em caso negativo, o contribuinte deveria explicar como se consomem na elaboração do produto acabado. A diligência foi realizada e, de maneira bem detalhada, esclareceu as dúvidas. Assim, transcrevo trechos de interesse do relatório e das conclusões: (...) Exclusão das Aquisições de Produtos de NãoContribuintes de Pis e Cofins: Existem diversas aquisições de nãocontribuintes de PIS/COFINS. O anexo 02 mostra as aquisições mensais, com respectivas devoluções, por categoria de nãocontribuinte; o anexo 03 segrega as categorias com as respectivas aquisições mensais, bruta e líquida. Abaixo relacionamos os totais anuais adquiridos de cada categoria, deduzidos das respectivas devoluções. Pessoas Físicas: Total das Aquisições CFOP (1.11 e 2.11) – (5.31 e 6.31): R$ 331.977.083,78 Cooperativas: Total das Aquisições CFOP (1.11 e 2.11) – (5.31 e 6.31): R$ 152.572.088,96 Associações, Fundações e outras entidades não contribuintes de PIS/COFINS: Total das Aquisições CFOP (1.11 e 2.11) – (5.31 e 6.31): R$ 4.439.390,62 Fl. 997DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 13971.000193/9713 Acórdão n.º 3301002.921 S3C3T1 Fl. 1.411 10 Total de Aquisições de NãoContribuintes : R$ 488.988.563,36 (...) 9 – Conclusões: Ao apontarmos para a conclusão dos trabalhos, mister se faz que se relembre o seu objetivo, a saber, o esclarecimento detalhado, pelo contribuinte, sobre como os insumos que integram o demonstrativo de aquisições são efetivamente utilizados no processo produtivo, e também se estes insumos integram ou não o produto final, sendo que em caso negativo deveria explicar como se consomem na elaboração do produto acabado. Forma o objetivo, também, a apresentação de laudos técnicos emitidos pela Companhia de Energia competente, definindo a real utilização de energia no processo produtivo da empresa. Neste contexto, após todas as intimações e respostas apresentadas pelo contribuinte, apresentaramse as seguintes discrepâncias entre o que o contribuinte considera MatériaPrima, Produto Intermediário e Material de Embalagem e o que foi efetivamente considerado, aos auspícios da legislação do IPI, e em especial o Parecer CST nº65/79. Estas discrepâncias foram detalhadas ao longo deste relatório e estão apresentadas de forma condensada abaixo: Aquisições consideradas pelo contribuinte como Matéria Prima, Produto Intermediário ou Material de Embalagem utilizadas no seu processo produtivo e desconsideradas no curso deste procedimento : De Produtos Utilizados na Criação de Animais Frangos e Suínos (item 5.1) R$ 7.948.192,65 Rações, Med. e Demais Aditivos 5.2) R$ 49.947.781,03 Subtotal : R$ 57.895.973,68 De Produtos Utilizados Não Enquadrados no Conceito de MP, PI ou ME: Fl. 998DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 13971.000193/9713 Acórdão n.º 3301002.921 S3C3T1 Fl. 1.412 11 Produtos de Uso ou Consumo (6.1) R$ 12.990.957,98 Produtos Não MP,PI ou ME (6.2) R$ 9.339.062,34 Subtotal : R$ 22.330.020,32 Portanto, nessa matéria, considerando que houve discrepâncias entre o que o contribuinte considera MatériaPrima, Produto Intermediário e Material de Embalagem e o que foi efetivamente considerado, aos auspícios da legislação do IPI, entendo que a recorrente tem razão em parte em suas alegações e o acórdão deve ser executado nos exatos termos do que foi especificado no relatório de diligência. 6) Da Inclusão da Energia Elétrica e de Serviços de Transporte: A recorrente alega que não procede a afirmação da decisão recorrida de que a legislação concessiva de benefícios fiscais deve ser interpretada de conformidade com a letra de seu texto. Afirma que não é dado a autoridade administrativa ampliar seu entendimento. Entretanto, quanto à glosa de insumos como energia elétrica, combustíveis e lenha a matéria também se encontra sumulada pelo CARF. No Acórdão 9303002.913 (publicado em 27.06.2014), na qual decidiuse em relação ao crédito presumido da Lei nº 9.363/96 que “de acordo com o art. 3o da Lei 9.363/96, o alcance dos termos matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, deve ser buscado na legislação de regência do IPI. A regulamentação do IPI rege que somente dão direito a crédito os insumos que integrem o produto final ou que, em ação direta com aquele, forem consumidos ou tenham suas propriedades físicas e/ou químicas alteradas. Os produtos em análise não têm ação direita no processo produtivo, pelo que não podem ter seus valores de aquisição computados no cálculo do benefício fiscal”. Eis o seu enunciado, verbis: Súmula CARF Nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Portanto não assiste razão ao recorrente nessa matéria. Fl. 999DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 13971.000193/9713 Acórdão n.º 3301002.921 S3C3T1 Fl. 1.413 12 8) Selic: Oposição ilegítima Conclusão: Diante do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário para admitir a inclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI, os valores relativos às aquisições de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, na forma e valores apurados no relatório da diligência solicitada pelo CARF, com incidência da taxa Selic sobre os valores ressarcidos ou compensados, a partir do indeferimento do pedido. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Luiz Augusto do Couto Chagas Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL
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Numero do processo: 10715.008802/2009-10
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 11/01/2006 a 30/01/2006
ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.
Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito.
Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 11/01/2006 a 30/01/2006
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.793
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 11/01/2006 a 30/01/2006 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 88 02 /2 00 9- 10 Fl. 302DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.008802/200910 Acórdão n.º 9303003.793 CSRFT3 Fl. 303 2 advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente HENRIQUE PINHEIRO TORRES Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3803006.289, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa acima citada. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida e o sujeito passivo apresentou Contrarrazões. É o relatório, em síntese. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.008802/200910 Acórdão n.º 9303003.793 CSRFT3 Fl. 304 3 Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.553, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.000019/201033 , paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.553): "O recurso é tempestivo e, como será demonstrado linhas abaixo, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser conhecido. De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma nº 3802001.128, de 28/06/2012, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, são as mesmas, a saber: a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Mais uma vez, ressaltese que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Frisese que, tanto no paradigma quanto no recorrido, enfrentouse a aplicação da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras relativas ao descumprimento do Fl. 304DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.008802/200910 Acórdão n.º 9303003.793 CSRFT3 Fl. 305 4 prazo estabelecido para prestar as informações, a que alude o dispositivo legal acima transcrito, sendo que, no paradigma, afastouse a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea a esse tipo de infração. Para tanto, o Colegiado buscou arrimo no Código Tributário Nacional, desprezando, completamente, em seus fundamentos, a novel legislação. Já no acórdão recorrido, tanto o CTN quanto a nova redação do § 2º do art. 102 do Decreto Lei 37/1966 foram utilizados para arrazoar a decisão que aplicou a denúncia espontânea à infração aqui sob exame. Todavia, o fato de o paradigma não ter consignado, em seus fundamentos, a alteração do § 2º do DL 37/66, ocorrida em 2010, não impede a configuração do dissenso, pois não são os fundamentos adotados pelo colegiado que configuram a divergência. No caso, diante de uma mesma penalidade e de julgamentos com resultados opostos (do recorrido e do paradigma), ambos realizados na vigência dos mesmos dispositivos legais, entendo presentes os requisitos necessários à comprovação da divergência jurisprudencial. Atendidos, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.008802/200910 Acórdão n.º 9303003.793 CSRFT3 Fl. 306 5 O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 306DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.008802/200910 Acórdão n.º 9303003.793 CSRFT3 Fl. 307 6 e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 307DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.008802/200910 Acórdão n.º 9303003.793 CSRFT3 Fl. 308 7 infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá Fl. 308DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.008802/200910 Acórdão n.º 9303003.793 CSRFT3 Fl. 309 8 mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.008802/200910 Acórdão n.º 9303003.793 CSRFT3 Fl. 310 9 [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 310DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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