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Numero do processo: 10730.733157/2012-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011.
IMPOSTO DE RENDA. PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. TABELA PROGRESSIVA. ALÍQUOTA. REGIME DE COMPETÊNCIA. RE Nº 614.406/RS.
No julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, concluído em 23 de outubro de 2014, conduzido sob o regime dos recursos repetitivos assentado no art. 543-B do Código de Processo Civil, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, sem declarar a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88, reconheceu que o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente - RRA adotado pelo suso citado art. 12, representava transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva do Contribuinte, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda.
A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PENSÃO. RENDIMENTOS.
São tributáveis as pensões, civis ou militares, na forma de rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de ação na Justiça Federal conforme regra do art. 56 do Regulamento do Imposto de Renda.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-004.270
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, por voto de qualidade, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros RAYD SANTANA FERREIRA, THEODORO VICENTE AGOSTINHO, LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA e CARLOS ALEXANDRE TORTATO, que davam provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a nulidade do lançamento, por vício material, ante a inobservância do AFRFB da legislação aplicável ao lançamento e a consequente adoção equivocada da base de cálculo e alíquota do lançamento.
André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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IMPOSTO DE RENDA. PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. TABELA PROGRESSIVA. ALÍQUOTA. REGIME DE COMPETÊNCIA. RE Nº 614.406/RS. No julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, concluído em 23 de outubro de 2014, conduzido sob o regime dos recursos repetitivos assentado no art. 543B do Código de Processo Civil, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, sem declarar a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88, reconheceu que o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente RRA adotado pelo suso citado art. 12, representava transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva do Contribuinte, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PENSÃO. RENDIMENTOS. São tributáveis as pensões, civis ou militares, na forma de rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de ação na Justiça Federal conforme regra do art. 56 do Regulamento do Imposto de Renda. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, por voto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 73 31 57 /2 01 2- 76 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 2 de qualidade, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros RAYD SANTANA FERREIRA, THEODORO VICENTE AGOSTINHO, LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA e CARLOS ALEXANDRE TORTATO, que davam provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a nulidade do lançamento, por vício material, ante a inobservância do AFRFB da legislação aplicável ao lançamento e a consequente adoção equivocada da base de cálculo e alíquota do lançamento. André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10730.733157/201276 Acórdão n.º 2401004.270 S2‐C4T1 Fl. 102 3 Relatório Exercício: 2011. Anocalendário: 2010. Data da Notificação de Lançamento: 08/10/2012. Data da Ciência da Notificação de Lançamento: 25/10/2012. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a impugnação interposta pelo Sujeito Passivo do Crédito Tributário formalizado mediante a Notificação de Lançamento nº 2011/585127086690943, a fls. 07/11, consistente em Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza da Pessoa Física (IRPF) relativo ao exercício de 2011, anocalendário de 2010, em razão de Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, decorrentes de Ação ajuizada na Justiça do Trabalho. De acordo com a citada Notificação de Lançamento, o confronto entre o valor dos rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas (Banco do Brasil) declarados e o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte –DIRF, para o titular ou dependente, revelou omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva no montante de R$ 386.958,31. Na apuração do imposto devido, houvese por compensado o Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 11.608,74. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 02/05. Em razão de o Contribuinte, regularmente intimado, não ter atendido a Intimação no prazo normativo, procedeuse ao Lançamento de Ofício. Considerando que o crédito tributário apurado não foi pago e nem parcelado, procedeuse à análise, pela autoridade lançadora, dos documentos apresentados e das questões de fato alegadas, conforme previsto no art. 6ºA da Instrução Normativa nº 958/2009. O processo foi devolvido à DRF de origem para revisão do lançamento, tendo a autoridade fiscal lavrado Termo Circunstanciado, a fls. 28/29, pugnando pela manutenção integral do lançamento, ratificado, na sequência, pelo Despacho Decisório a fl. 30. Devidamente intimado, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, a fls. 51/52, carreando os mesmos argumentos da Impugnação, anexando, porém, Declaração de Ajuste Anual retificada, a fls. 53/58 (não transmitida) alterando a declaração entregue em 16/04/2011, alegando, em ádito, que o saldo do imposto a pagar devido seria de R$ 47.426,88, sendo que R$ 5.270,59 já foram recolhidos, restando o saldo de R$ 42.156,29, e não o valor lançado na Notificação de Lançamento, digase, R$ 94.804,80. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 4 O Órgão de Origem, Delegacia da Receita Federal do Brasil em Niterói, com base no valor R$ 42.156,29, imposto reconhecido como devido pela contribuinte (matéria não impugnada), fez a transferência do referido montante para o processo nº 10730.731402/2013 91, a fls. 59/61, restando para julgamento o saldo de R$ 52.648,51 = R$ 94.804,80 – R$ 42.156,29. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 0253.249 9ª Turma da DRJ/BHE, a fls. 66/70, julgando procedente o lançamento, e mantendo o Crédito Tributário na totalidade do tributo levado a julgamento. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 13/05/2014, conforme Aviso de Recebimento a fl. 72 Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 75/76, respaldando seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: · Que anexou à Manifestação de Inconformidade datada de 30/10/2013, Declaração Retificadora do Imposto de Renda Ano Base 2010, Exercício 2011, lançando o valor recebido em Rendimentos Recebidos Acumuladamente, demonstrando o valor apurado na declaração a Recolher de R$ 47.426, 88, sendo R$ 5.270,59 já recolhidos conforme a declaração original apresentada, restando o valor a recolher de R$ 42.156,29, já parcelados conforme pedido de parcelamento da reabertura da Lei nº 11.941/2009, em 18/12/2013, com n° de recebimento 00097787249923609720; · Requer que a tributação do valor recebido acumuladamente do INSS referente à ação ordinária para restabelecimento de aposentadoria de seu falecido marido no processo nº 42/085.514.5564 seja realizada de acordo com o disposto no parágrafo 7° do artigo 12A da Lei nº 7.713/88, alterado pelo artigo 44 da Lei nº 12.350/2010, pelo fato de o recebimento ter ocorrido no mês de abril de 2010; Ao fim, requer o cancelamento da diferença do crédito fiscal reclamado. É o que importa relatar. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10730.733157/201276 Acórdão n.º 2401004.270 S2‐C4T1 Fl. 103 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 13/05/2014. Havendo sido o Recurso Voluntário postado na Agência dos Correios no dia 12/06/2014, há que se reconhecer a sua tempestividade. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 2.1. DA OPÇÃO PELO REGIME DO ART. 12A DA LEI Nº 7.713/88. A Recorrente alega ter apresentado Manifestação de Inconformidade, datada de 30/10/2013, à qual anexou Declaração Retificadora do Imposto de Renda Ano Base 2010, Exercício 2011, lançando o valor recebido em Rendimentos Recebidos Acumuladamente, demonstrando o valor apurado na declaração a Recolher de R$ 47.426, 88, sendo R$ 5.270,59 já recolhidos conforme a declaração original apresentada, restando o valor a recolher de R$ Fl. 105DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 6 42.156,29, já parcelados conforme pedido de parcelamento da reabertura da Lei nº 11.941/2009, em 18/12/2013, com n° de recebimento 00097787249923609720. Assim, requer que a tributação do valor recebido acumuladamente do INSS referente à ação ordinária para restabelecimento de aposentadoria de seu falecido marido no processo nº 42/085.514.5564 seja realizada de acordo com o disposto no parágrafo 7° do artigo 12A da Lei nº 7.713/88, alterado pelo artigo 44 da Lei nº 12.350/2010, pelo fato de o recebimento ter ocorrido no mês de abril de 2010. Urge, de plano, ser destacado que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144, caput, do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O caso em tela, os rendimentos do trabalho e os provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma recebidos acumuladamente anteriores a 28/07/2010 sujeitamse à tributação do Imposto de Renda segundo o regime jurídico estatuído pelo art. 12 da Lei nº 7.713/88, incidindo o tributo sobre o total dos rendimentos auferidos, no mês do recebimento ou do crédito. Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Nesse sentido, assim dispõe o art. 56 do Regulamento do Imposto de Renda. Regulamento do Imposto de Renda Art. 56. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos Fl. 106DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10730.733157/201276 Acórdão n.º 2401004.270 S2‐C4T1 Fl. 104 7 rendimentos, inclusive juros e atualização monetária (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12). Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, poderá ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12). Ocorre que em 21 de dezembro de 2010 houvese por publicada a Lei nº 12.350/2010, cujo art. 44 fez inserir na Lei nº 7.713/88 o art. 12A, restando disposto em seu caput que os rendimentos do trabalho e os provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando correspondentes a anoscalendários anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. Nessa esteira, o §7º do suso citado Dispositivo Legal estabeleceu que os rendimentos de que trata o caput desse mesmo artigo de lei, recebidos entre 1o de janeiro de 2010 e o dia anterior ao de publicação da Lei nº 12.350/2010, poderiam ser tributados na forma do mencionado artigo 12A, acima aludido, devendo ser informados na Declaração de Ajuste Anual referente ao anocalendário de 2010. Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 Art. 12A. Os rendimentos recebidos acumuladamente e submetidos à incidência do imposto sobre a renda com base na tabela progressiva, quando correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. (Redação dada pela Lei nº 13.149/2015) §1o O imposto será retido pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento ou pela instituição financeira depositária do crédito e calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. (Incluído pela Lei nº 12.350/2010) §2o Poderão ser excluídas as despesas, relativas ao montante dos rendimentos tributáveis, com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. (Incluído pela Lei nº 12.350/2010) §3o A base de cálculo será determinada mediante a dedução das seguintes despesas relativas ao montante dos rendimentos tributáveis: (Incluído pela Lei nº 12.350/2010) I – importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, de acordo Fl. 107DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 8 homologado judicialmente ou de separação ou divórcio consensual realizado por escritura pública; e (Incluído pela Lei nº 12.350/2010) II – contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios(Incluído pela Lei nº 12.350/2010) §4o Não se aplica ao disposto neste artigo o constante no art. 27 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, salvo o previsto nos seus §§ 1o e 3o. (Incluído pela Lei nº 12.350/2010) §5o O total dos rendimentos de que trata o caput, observado o disposto no §2o, poderá integrar a base de cálculo do Imposto sobre a Renda na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário do recebimento, à opção irretratável do contribuinte. (Incluído pela Lei nº 12.350/2010) §6o Na hipótese do § 5o, o Imposto sobre a Renda Retido na Fonte será considerado antecipação do imposto devido apurado na Declaração de Ajuste Anual. (Incluído pela Lei nº 12.350/2010) §7o Os rendimentos de que trata o caput, recebidos entre 1o de janeiro de 2010 e o dia anterior ao de publicação da Lei resultante da conversão da Medida Provisória no 497, de 27 de julho de 2010, poderão ser tributados na forma deste artigo, devendo ser informados na Declaração de Ajuste Anual referente ao anocalendário de 2010. (Incluído pela Lei nº 12.350/2010) (grifos nossos) §8o (VETADO) §9o A Secretaria da Receita Federal do Brasil disciplinará o disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 12.350/2010) Notese que, na dicção do revisitado §7º do art. 12A da Lei nº 7.713/88, na redação dada pela Lei nº 12.350/2010, em relação aos fatos geradores ocorridos no ano calendário 2010, a opção pelo regime previsto no caput do art. 12A em foco depende da informação dos rendimentos na Declaração de Ajuste Anual referente ao anocalendário de 2010. No caso em exame, a Recorrente fez acostar a fls. 53/58 cópia de alegada Declaração Retificadora do Imposto de Renda Ano Base 2010, Exercício 2011, lançando o valor recebido em Rendimentos Recebidos Acumuladamente (R$ 375.359,57), resultando num Saldo de Imposto a Pagar de R$ 47.426,88, sendo que, conforme alegado pela Recorrente, R$ 5.270,59 já teriam sido recolhidos conforme a declaração original apresentada, restando o valor a recolher de R$ 42.156,29, já parcelados conforme pedido de parcelamento da reabertura da Lei nº 11.941/2009, em 18/12/2013, com n° de recebimento 00097787249923609720. Não consta dos autos, todavia, qualquer indício de prova material de que tal declaração tenha sido efetivamente transmitida pela Recorrente à RFB. Aliás, o próprio Órgão Julgador de 1ª Instância atestou que DAA retificadora acima citada não se houve por transmitida à Receita Federal. Acórdão nº 0253.249 9ª Turma da DRJ/BHE “Do resultado da revisão do lançamento foi dada ciência à contribuinte que se manifestou, às fls. 51/52, com os mesmos argumentos da inicial, acrescentando que anexa Declaração de Ajuste anual retificada, às fls. 53/58 (não transmitida) alterando Fl. 108DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10730.733157/201276 Acórdão n.º 2401004.270 S2‐C4T1 Fl. 105 9 a declaração entregue em 16/04/2011, onde fica demonstrado o saldo do imposto a pagar devido de R$ 47.426,88, sendo que R$ 5.270,59 já foram recolhidos, restando o saldo de R$ 42.156,29, e não o valor lançado na Notificação de Lançamento (R$ 94.804,80)”. (grifos nossos) Nesse contexto, tendo sido a importância em xeque recebida no mês de abril de 2010; Considerando que a legislação tributária vigente à data do fato gerador determinava que os rendimentos recebidos acumuladamente deveriam ser somados aos rendimentos tributáveis auferidos no mesmo anocalendário de 2010 e oferecidos à tributação na Declaração de Ajuste Anual do exercício 2011, e submetendose à aplicação das alíquotas constantes da tabela progressiva anual; Considerando que em relação aos fatos geradores ocorridos no ano calendário 2010, a opção pelo regime previsto no caput do art. 12A da Lei nº 7.713/88, na redação dada pela Lei nº 12.350/2010, depende da informação dos rendimentos na Declaração de Ajuste Anual referente ao anocalendário de 2010, e considerando que tal informação efetivamente não ocorreu, não há como, à luz da legislação então vigente e eficaz, acatar a alegação de que deveria ser aplicado o disposto no parágrafo 7° do artigo 12A da Lei nº 7.713/88, incluído pelo artigo 44 da Lei nº 12.350/2010. 2.2. DO REGIME JURÍDICO APLICÁVEL AO CÁLCULO DO TRIBUTO Malgrado não haja sido suscitada pela Recorrente em sua impugnação, tampouco em seu Recurso Voluntário, o comando imperativo assentado no §2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, impõe aos conselheiros, no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, a reprodução das decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista nos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869/73 Código de Processo Civil. Com efeito, no julgamento concluído em 23 de outubro de 2014, conduzido sob o regime assentado no art. 543B do Código de Processo Civil, o Plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu, por maioria, pela improcedência do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, interposto pela União, em razão de a Corte Suprema, sem declarar a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88, por ter reconhecido que o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente – RRA adotado pelo há pouco citado art. 12, representava transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva do Contribuinte, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda. No caso paradigma, o Sodalício Maior acordou, por maioria, que o imposto de renda, mesmo que incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente, deveria ser apurado levandose em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nos meses a que se referirem cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada pelo autor, consoante Acórdão que se vos segue: Recurso Extraordinário nº 614.406/RS Relatora: Min. Rosa Weber. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 10 Redator do acórdão: Min. Marco Aurélio. Julgamento: 23/10/2014. IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Nessa perspectiva, o fato de o julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS haver sido realizado conforme a Sistemática dos Recursos Repetitivos, prevista no art. 543B do CPC, atrai ao feito a incidência do disposto no §2º do Art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Regimento Interno do CARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543 C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (grifos nossos) De outra via, configurandose o Julgamento Plenário do RE nº 614.406/RS um fato juridicamente relevante, não conhecido na ocasião do lançamento ora em debate, abre se ao Fisco a prerrogativa de rever o lançamento, de maneira que possa aplicar no cálculo do tributo devido o critério adotado pelo STF no julgamento acima indicado, a teor do art. 149, VIII, do CTN. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10730.733157/201276 Acórdão n.º 2401004.270 S2‐C4T1 Fl. 106 11 Código Tributário Nacional Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; (grifos nossos) IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Nessa vertente, em atenção ao disposto no art. 62, §2º, do RICARF e no art. 149, VIII, do CTN, considerando a decisão proferida no Julgamento do RE nº 614.406/RS, conduzido sob a sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 543B do CPC, voto no sentido de conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, darlhe provimento parcial, para que o cálculo do tributo devido relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente pelo Contribuinte seja realizado levandose em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada pelo Recorrente, reproduzindose, assim, a decisão definitiva de mérito, proferida pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário acima mencionado. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que o cálculo do tributo devido relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente pelo Contribuinte seja realizado levandose em Fl. 111DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 12 consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada pelo Recorrente, reproduzindose, assim, a decisão definitiva de mérito, proferida pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, em atenção ao disposto no art. 62, §2º, do RICARF. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
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Numero do processo: 10980.720458/2011-15
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/1998 a 30/06/2001
COFINS. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. AÇÃO RESCISÓRIA. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO.
Decisão passada em julgado extingue o crédito tributário nos termos do art. 156, X, do CTN. O ajuizamento de ação rescisória pela União não impede o lançamento do tributo. Homologação tácita.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-003.464
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. AÇÃO RESCISÓRIA. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. Decisão passada em julgado extingue o crédito tributário nos termos do art. 156, X, do CTN. O ajuizamento de ação rescisória pela União não impede o lançamento do tributo. Homologação tácita. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 04 58 /2 01 1- 15 Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por VALCIR GASSEN Processo nº 10980.720458/201115 Acórdão n.º 9303003.464 CSRFT3 Fl. 1.107 2 Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra a decisão consubstanciada no Acórdão n° 3201000.986, de 23 de maio de 2012 (fls. 961971), proferida pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, que, por maioria de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário da Contribuinte conforme se verifica da sua ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/1998 a 30/06/2001 COFINS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. É cabível a formalização, para prevenir a decadência, de crédito tributário que, albergado por decisão judicial transitada em julgado, é objeto de ação rescisória proposta pela Fazenda Pública. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Salientase que em relação ao acórdão objeto do recurso especial, ora em exame, foram opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em 30 de julho de 2012, Embargos de Declaração (fls. 973977). Esses restaram rejeitados por unanimidade, em 27 de novembro de 2012, pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, como é possível verificar no teor da ementa do Acórdão 3201001.142: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/1998 a 30/06/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DISCUSSÃO DE MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE Não cabem embargos de declaração para reabrir discussão do mérito dos fundamentos utilizados no acórdão. Apenas cabem os embargos em caso de omissão, contradição ou obscuridade do acórdão. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. Em 24 de setembro de 2012 foram interposto embargos de declaração por parte da contribuinte (fls. 982983) e em seguida, em 24 de setembro de 2012, as contrarrazões aos embargos de declaração da Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 984988). No que tange aos embargos de declaração por parte da Contribuinte, entendeuse pela não admissibilidade no Despacho s/n de 25 de junho de 2015 (fls. 1.028 1.029) no entender que “ (...) no presente caso, a embargante limitase a pleitear a reapreciação do mérito já decidido pela turma, sem demonstrar qual teria sido a omissão, contradição ou obscuridade que estariam contidas na decisão embargada.” Já o exame de admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em 8 de maio de 2013 (fls. 995.1020), foi apreciado e, Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por VALCIR GASSEN Processo nº 10980.720458/201115 Acórdão n.º 9303003.464 CSRFT3 Fl. 1.108 3 pelo Despacho S/N° 2ª Câmara, em 29 de maio de 2015 (fls. 1.023 a 1.026), admitiuse sua procedência. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen, Relator PRELIMINAR Diante da tempestividade e do atendimento dos requisitos de admissibilidade do Recurso Especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional, externo, para conhecimento, parte do despacho de admissibilidade nestes termos: “Para comprovar o dissenso, foi colacionado pela Recorrente, como paradigma no recurso, o Acórdão nº 3102001.585. Vejamos a sua ementa, transcrita na parte que interessa à presente análise (grifo nosso): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/1995 a 31/12/1996 (...) COFINS. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. DECADÊNCIA. AÇÃO RESCISÓRIA. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário de créditos tributários, cuja cobrança estava afastada por força de sentença rescindida em ação rescisória extinguise em 5 (cinco) anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte, àquele em que transitou em julgado a ação rescisória que tornou possível o lançamento, nos termos do inciso I, do art. 173 do CTN. COFINS. JUROS DE MORA. AÇÃO RESCISÓRIA. Nos termos da Lei, sobre os débitos decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal incidem juros de mora. Por força dos artigos 468 e 489 do Código do Processo Civil, a sentença proferida em juízo faz lei entre as partes, o que somente se modifica se, interposta ação rescisória, houver trânsito em julgado favorável à rescisão. Se o acórdão rescindendo determinava a não incidência das Contribuições, somente após sua reforma consideramse os valores devidos, acrescidos, a partir dai, de juros de mora. (...) Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por VALCIR GASSEN Processo nº 10980.720458/201115 Acórdão n.º 9303003.464 CSRFT3 Fl. 1.109 4 Neste ponto, transcrevo trechos do voto condutor do acórdão recorrido para melhor demonstrar o entendimento da turma (grifei): (...) A Fazenda tem cinco anos, a contar do fato gerador do tributo, nos casos de pagamento a menor, para realizar e cientificar o contribuinte daquele lançamento, sob pena de decadência, forte no art. 150, § 4º do CTN. (...) Assim, o prazo para a decadência ocorrer cinco anos da ocorrência do fato gerador, em face da citação do contribuinte. No presente caso, a citação do contribuinte se deu em 24/01/2011 e o período lançado abarca os anos de 1998 a 2001, resta cristalina a ocorrência da decadência. Ressalto que não consta dos autos qualquer decisão judicial que impedisse o lançamento destas parcelas quando do ingresso da primeira demanda pela recorrente ou da segunda, feita pela Fazenda. Assim, a Fazenda não estava impedida de fazer o referido lançamento a qualquer momento. Tendo o feito a destempo, ocorreu a decadência. Ademais, a ação rescisória foi ingressada ainda no ano de 2000, ou seja, na pior das hipóteses, o lançamento deveria ter sido feito nesta data. (...) Transcrevo agora fragmento do voto condutor do paradigma (grifei): (...) Com estes esclarecimentos, considero que o prazo de 5 (cinco) anos para lançamento das contribuições e dos acréscimos moratórios, contarseia a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu o transito em julgado da ação rescisória, conforme previsto no art. 173, inciso I do CTN. (...) Diante destes fatos, para resolver a lide, entendo que o melhor caminho é trabalhar a ação rescisória, que apesar de na sua aparência externa tratar da desconsideração de ato jurídico transitado em julgado, tem como inteligência, a discussão a incidência da COFINS sobre as receitas referentes ao fornecimento de energia elétrica. (...) Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por VALCIR GASSEN Processo nº 10980.720458/201115 Acórdão n.º 9303003.464 CSRFT3 Fl. 1.110 5 Pelo antes exposto, o contraste das ementas e do teor dos votos transcritos é suficiente para evidenciar a divergência quanto à decadência do lançamento, em face dos fatos narrados. Primeiramente, deve ser destacada a completa identidade fática entre os arestos confrontados, já que ambos envolveram o mesmo contribuinte e trataram da mesma matéria relativa à exigência da COFINS sobre receitas oriundas do fornecimento de energia elétrica. No caso, os acórdãos apenas trataram de diferentes períodos de apuração, pois ambos abordaram também a mesma ação rescisória, interposta pela União para desconstituir o julgado que havia afastado a incidência da COFINS sobre receitas oriundas do fornecimento de energia elétrica. A decisão recorrida acatou a preliminar de decadência argüida pelo Sujeito Passivo, sob o fundamento de que o prazo de cinco anos deve ser contado sempre da ocorrência do fato gerador, neste sentido, considerou que o lançamento teria sido feito a destempo, portanto deu provimento ao recurso voluntário para afastar o lançamento. Por sua vez, o paradigma citado firma entendimento diverso, no sentido de que o prazo de 5 (cinco) anos para o lançamento das contribuições e dos acréscimos moratórios, contarseia a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu o transito em julgado da ação rescisória. Logo, foi rejeitada a prejudicial de decadência do lançamento, o qual, da mesma forma como ocorre no presente processo, também ocorreu após o trânsito em julgado da ação rescisória.” Com o exposto, em que pese os argumentos pela inadmissibilidade expressos pela Recorrida nas contrarrazões ao Recurso Especial (fl. 1.051), considero ter sido comprovada a divergência jurisprudencial apontada pela Recorrente, portanto, pela admissibilidade. MÉRITO A Companhia Paranaense de Energia COPEL – ingressou em 1995 com ação judicial (mandado de segurança MS), processo n° 1995.00110377, discutindo a tributação das receitas decorrentes da venda de energia elétrica, considerando a imunidade de que tratava o art. 155, § 3º, da Constituição Federal, na redação anterior à Emenda Constitucional n° 33/2001. Esta demanda foi julgada procedente e transitou em julgado em 18 de agosto de 1998. A União ingressou com ação rescisória, processo n° 2000.04.01.1002669, em 04 de agosto de 2000, a qual foi julgada procedente e transitou em julgado em 30 de agosto de 2010. Diante desta decisão, foi lançada a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e cientificada a COPEL em 24 de janeiro de 2011. Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por VALCIR GASSEN Processo nº 10980.720458/201115 Acórdão n.º 9303003.464 CSRFT3 Fl. 1.111 6 Contra referido ato, insurgiuse a Contribuinte por meio de impugnação ao auto de infração na qual alegou a impossibilidade de a Fazenda Pública promover referido lançamento uma vez que teria ocorrido a decadência referente a tais períodos. Expõe a Procuradoria da Fazenda Nacional em seu Recurso Especial, em síntese, que os fundamentos para reforma do acórdão recorrido são os seguintes: a) da não consumação da decadência (fls. 1.0021.011); b) dos efeitos ex tunc da ação rescisória (fls. 1.0111.016); c) inaplicabilidade do artigo 150, § 4° do CTN para receitas que, na época própria, o fisco estava impedido de lançar (fls. 1.0161.017); d) da incidência dos juros de mora (fls. 1.0171.018); e, e) lançamento de multa de ofício pela falta de pagamento (fls. 1.0181.020). A manutenção do lançamento contraria diretamente o disposto no art. 156, X, do Código Tributário Nacional que estabelece que a decisão judicial passada em julgado extingue o crédito tributário. O trânsito em julgado do Mandado de Segurança ocorreu de forma inconteste em 18 de agosto de 1998 e período de apuração é de 01/10/1998 a 30/06/2001. A Fazenda Nacional não estava legalmente impedida de fazer o lançamento, pois não consta dos autos qualquer decisão judicial que impedisse o lançamento. O fato de ter ingressado com a ação rescisória em 04 de agosto de 2000 demonstra, inclusive, que se a pretensão da Fazenda foi de questionar a existência da imunidade, esta por seu turno deveria ter procedido o lançamento. A rescisória foi julgada procedente e transitou em julgado em 30 de agosto de 2010 e somente foi feito o lançamento, com a ciência da Contribuinte, em 24 de janeiro de 2011, sobre o período de apuração de 01/10/1998 a 30/06/2001. Neste caso ocorreu a homologação tácita com a aplicação do disposto no art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. Atentese, ainda, que como o crédito tributário estava extinto pelo trânsito em julgado, não há que se aventar em possibilidade de lançamento, visto que se extinto o crédito tributário ele é inexigível. De todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. Valcir Gassen Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por VALCIR GASSEN
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Numero do processo: 10530.726805/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2008, 2009
GLOSA EM BLOCO. NULIDADE DOS LANÇAMENTOS. INOCORRÊNCIA.
Do exame dos autos, se constata que algumas despesas foram integralmente glosadas, diante do entendimento do Fisco de que seriam indedutíveis. Em outros casos, as glosas foram parciais, diante da documentação apresentada que comprovava somente parte dos lançamentos contábeis. Em todas as hipóteses, a contribuinte compreendeu perfeitamente as infrações que lhe foram imputadas e delas pode se defender. Inexiste nulidade a ser reconhecida.
DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. ALEGAÇÃO DE FALTA DE EXAME. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA.
Do exame dos autos se constata que os documentos acostados aos autos com a impugnação foram efetivamente analisados pela autoridade julgadora em primeira instância, mas considerados sem a força probatória que lhes pretendia atribuir a então impugnante. Não se há de reconhecer, nisso, qualquer nulidade.
GLOSA DE DESPESAS. ENCARGOS MORATÓRIOS. OBRIGAÇÃO EM ATRASO INDEDUTÍVEL. LANÇAMENTO PROCEDENTE.
Deve ser mantida a glosa de despesas de encargos moratórios, na situação em que a obrigação em atraso, que deu origem aos encargos moratórios, seja indedutível, considerando-se que o acessório segue o principal.
GLOSA DE DESPESAS. JUROS E ENCARGOS SOBRE FINANCIAMENTOS. JUROS E ENCARGOS SOBRE IMPOSTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. LANÇAMENTO PROCEDENTE.
Em se tratando de despesas, é ônus da interessada comprovar a existência e dedutibilidade dos valores escriturados a reduzir o resultado tributável. No caso concreto, a documentação apresentada não guarda qualquer ordem ou relação com as planilhas apresentadas nem com os lançamentos contábeis. Impossível a comprovação, além da parcela já admitida durante o procedimento de fiscalização. A glosa das despesas deve ser mantida, à míngua de comprovação com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 1301-001.975
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do voto proferido pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Paulo Jakson da Silva Lucas, José Eduardo Dornelas Souza, Flávio Franco Corrêa, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008, 2009 DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. LIMITES. INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO. Ao ser verificado, à luz dos documentos acostados aos autos, que os encargos de depreciação do ativo imobilizado apropriadas ao resultado pela interessada não excederam os limites legalmente estabelecidos, a exigência não pode subsistir. GLOSA DE DESPESAS. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. POSTERGAÇÃO DE DESPESAS. EFEITOS TRIBUTÁRIOS. SUCESSIVOS PREJUÍZOS FISCAIS. INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO. A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de despesa somente constitui fundamento para lançamento tributário se dele resultar prejuízo ao Erário. No caso sob exame, o contribuinte apurou sucessivos prejuízos fiscais. Em assim sendo, a apropriação a posteriori de despesas conduz a um prejuízo fiscal menor, em um primeiro momento, e maior, em idêntico montante, em período posterior. Desde que inexiste limitação temporal para a compensação de prejuízos fiscais, não resulta qualquer prejuízo para o Erário, nem benefício para o contribuinte. A glosa fundamentada exclusivamente neste motivo não pode subsistir. GLOSA DE DESPESAS. ENCARGOS MORATÓRIOS. OBRIGAÇÃO EM ATRASO INDEDUTÍVEL. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Deve ser mantida a glosa de despesas de encargos moratórios, na situação em que a obrigação em atraso, que deu origem aos encargos moratórios, seja indedutível, considerandose que o acessório segue o principal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 68 05 /2 01 1- 11 Fl. 2317DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10530.726805/201111 Acórdão n.º 1301001.975 S1C3T1 Fl. 2.318 2 GLOSA DE DESPESAS. JUROS E ENCARGOS SOBRE FINANCIAMENTOS. JUROS E ENCARGOS SOBRE IMPOSTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Em se tratando de despesas, é ônus da interessada comprovar a existência e dedutibilidade dos valores escriturados a reduzir o resultado tributável. No caso concreto, a documentação apresentada não guarda qualquer ordem ou relação com as planilhas apresentadas nem com os lançamentos contábeis. Impossível a comprovação, além da parcela já admitida durante o procedimento de fiscalização. A glosa das despesas deve ser mantida, à míngua de comprovação com documentação hábil e idônea. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2008, 2009 “GLOSA EM BLOCO”. NULIDADE DOS LANÇAMENTOS. INOCORRÊNCIA. Do exame dos autos, se constata que algumas despesas foram integralmente glosadas, diante do entendimento do Fisco de que seriam indedutíveis. Em outros casos, as glosas foram parciais, diante da documentação apresentada que comprovava somente parte dos lançamentos contábeis. Em todas as hipóteses, a contribuinte compreendeu perfeitamente as infrações que lhe foram imputadas e delas pode se defender. Inexiste nulidade a ser reconhecida. DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. ALEGAÇÃO DE FALTA DE EXAME. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA. Do exame dos autos se constata que os documentos acostados aos autos com a impugnação foram efetivamente analisados pela autoridade julgadora em primeira instância, mas considerados sem a força probatória que lhes pretendia atribuir a então impugnante. Não se há de reconhecer, nisso, qualquer nulidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do voto proferido pelo Relator. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Paulo Jakson da Silva Lucas, José Eduardo Dornelas Fl. 2318DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10530.726805/201111 Acórdão n.º 1301001.975 S1C3T1 Fl. 2.319 3 Souza, Flávio Franco Corrêa, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Wilson Fernandes Guimarães. Relatório AUTO VIAÇÃO CAMURUJIPE LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 0252.656, de 16/01/2014, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito. I DOS AUTOS DE INFRAÇÃO – fls. 02 a 28 Mediante o processo em epígrafe, foram lavrados os autos de infração de fls. 02 a 28 para Ajuste de Base de Cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, sob o fundamento de cotas de depreciação não dedutíveis e despesas indedutíveis/não comprovadas. Considerando que a interessada apurou prejuízo nos anos fiscalizados, foi intimada a retificar o Livro de Apuração do Lucro Real – Lalur, como apresentado no Termo de Encerramento de Ação Fiscal: [...] II – DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL – fls. 02 a 28 Depois de apresentar relato dos procedimentos fiscais, a autoridade tributária aborda no item 3 – Das Infrações, cada um dos elementos objetos da ação fiscal, a saber: “3.1 – DA GLOSA DAS OUTRAS DESPESAS FINANCEIRAS (FICHA 06 A DA DIPJ) a) ENCARGOS SOBRE REFIS (CÓDIGO 3.1.40.80.00020) – analisando o demonstrativo apresentado pelo contribuinte verificase que os encargos foram calculados sobre um saldo credor remanescente do REFIS no valor de R$4.683.118,02 (quatro milhões seiscentos e oitenta e três mil e cento e dezoito reais e dois centavos) corrigido pela TJLP em 28/12/2007. Como o contribuinte não informou a origem do parcelamento, através os Extratos Consultas dos REFIS dos sistemas da RFB, observase que o débito do contribuinte foi consolidado e formalizado em 05 (cinco) processos, referentes `a vários anos – calendário, conforme relacionado abaixo: (...) Pelo regime de competência a despesa deve ser considerada na data do fato gerador do tributo ou contribuição. Os acessórios (multa e juros), se houver, necessariamente acompanham o Fl. 2319DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10530.726805/201111 Acórdão n.º 1301001.975 S1C3T1 Fl. 2.320 4 principal, no referente à data de apropriação/contabilização e a natureza da despesa/custo. O parcelamento de dívidas muito embora constitua uma novação de dívida, não muda a natureza dos débitos nem dos encargos incidentes sobre eles. Não é demais lembrar que, no montante parcelado, encontramse valores não dedutíveis, tais como imposto de renda retido de terceiro, contribuições dos empregados para o INSS, bem como as multas de ofício, enfim valores que originariamente eram indedutíveis e continuam sendo, não obstante o parcelamento. Destacase também que o referido parcelamento foi excluído em 27/03/2008 por inadimplência do contribuinte, portanto os encargos sobre REFIS estão sendo glosados pelas razões exposta. b) ENCARGOS SOBRE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS (código 3.1.40.80.0090) – glosa das despesas efetuadas pelo contribuinte por conter valores não dedutíveis, tais como contribuições dos empregados para o INSS, imposto de renda retido de terceiros, as multas de ofício, parcelamento do REFIS, bem com a inobservância ao regime de competência. Os valores escriturados em observância ao regime de competência esta sendo acatados como despesas dedutíveis, conforme segregados e demonstrado na tabela – II A a seguir: (...) c) JUROS E ENCARGOS SOBRE FINANCIAMENTO (CÓDIGO 3.1.40.80.00001) Ante a não apresentação, por parte do Contribuinte, de documentos que justificassem de forma hábil e idônea todos os valores lançados em sua contabilidade como empréstimos, portanto estão sendo glosados os valores não comprovados com contrato e documentação bancária, conforme resumido nas tabelas abaixo: (...) d) JUROS E ENCARGOS SOBRE IMPOSTOS (CÓDIGO 31.1.40.80.00010) glosa das despesas efetuadas pelo contribuinte por falta de comprovação com documentação hábil e idônea que lastrearam os lançamentos ao resultado do exercício. Os valores apropriados aos períodos de competências, correspondentes aos anos – calendário fiscalizados, que foram devidamente comprovados estão sendo aproveitados, conforme segue na tabela abaixo: (...) 3.2 – DA GLOSA DOS SERVIÇOS VENDIDOS (FICHA 04 A DA DIPJ): a) ENCARGO DE DEPRECIAÇÃO – estão sendo glosados os Encargos de Depreciação que foram apropriados pelo Fl. 2320DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10530.726805/201111 Acórdão n.º 1301001.975 S1C3T1 Fl. 2.321 5 contribuinte em valor superior ao permitido pela legislação. Da planilha de cálculo, transcrita abaixo, fornecida pelo contribuinte, a fiscalização está admite como dedutíveis apenas as cotas de depreciação do ano calendário, conforme estabelece o artigo 309 do RIR/1999, abaixo: (...) III – DA IMPUGNAÇÃO – fls. 511 a 530 Preliminarmente, no tópico II, a interessada propugna pela nulidade das autuações, sob o argumento de iliquidez e incerteza dos lançamentos. Aduz que a autoridade não conseguiu identificar com a clareza exigida as despesas que considerou indedutíveis, glosando todos os valores contabilizados a esse título em um bloco. Para fundamentar seu entendimento, reproduz tabela elaborada pela fiscalização, complementando: “Veja que apesar de o relatório mencionar que dentro dos valores acima, que se referem a encargos sobre o REFIS, existem alguns que, segundo a provedora do lançamento, seriam indedutíveis, resolveu ela glosar TODOS os valores, sem individualizar os que ela considera não dedutíveis por referirem se a IRRF retido de terceiros, INSS de empregados e multas de ofício. O mesmo acontece com os demais quadros contidos no relatório fiscal dos quais se pode depreender que, invariavelmente, a glosa foi de 100% das despesas, não tendo havido nenhuma individualização daquelas consideradas indedutíveis por, vale repisar, referiremse segundo alegado no relatório fiscal, a IRRF de terceiros, INSS de empregados e multas de ofício. Ora, do montante de R$11.316.255,08 deveria a auditora fiscal ter mencionado qual seria multa de ofício, e não, simplesmente, alegar que dentro desse montante de 11 milhões existem valores indedutíveis e, a partir daí, glosar todos eles, sem individualização nenhuma. (...) Portanto, a opinião da Auditora Fiscal, confrontando os fatos efetivamente ocorridos e comprovados no curso da fiscalização e os dispositivos legais aplicáveis, constituiu, bem de se ver, o elemento imponível do ato tributário. E a realização dos lançamentos em bases nitidamente subjetivas, sem vinculação com a REALIDADE, encontrase em completa desconformidade com os artigos 108, 114, 116, 142, entre outros, do Código Tributário Nacional.” No tópico III – DO MÉRITO, enfrenta os aspectos suscitados nos lançamentos: III.1. GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS III.1.1 – Encargos sobre Refis e Encargos sobre Débitos Tributários Fl. 2321DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10530.726805/201111 Acórdão n.º 1301001.975 S1C3T1 Fl. 2.322 6 “Todavia, as elucubrações da agente provedora dos lançamentos não procedem, pois o fato de as despesas em questão terem sido contabilizadas em desacordo com o regime de competência não ocasionou nenhum prejuízo ao Erário posto que não resultou na falta ou na postergação de recolhimento de tributo, já que desde há muito a IMPUGNANTE vem apurando prejuízos em suas atividades, consoante, inclusive, se pode constatar da análise de cópia do seu LALUR (doc. anexo 4). Por isso, a inexatidão ocorrida no período de apuração das despesas em comento não pode constituir fundamento para os lançamentos em tela. Isso, inclusive, é o que se dessume da leitura do artigo 273 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR, aprovado pelo Decreto n.3000/1999: (...) No caso, nenhuma das hipóteses previstas nos incisos do artigo supratranscrito ocorreram, não havendo, portanto, como prosperar os lançamentos fundados nos argumento de ter a IMPUGNANTE inobservado o regime de competência, já que, repitase, essa inobservância não ocasionou nenhum prejuízo ao Fisco, configurando mera inexatidão contábil, sem nenhuma relevância para fins de apuração e recolhimento dos tributos devidos.” Depois de retomar os argumentos de nulidade, a impugnante assinala: “E bastaria a agente fiscal, caso a isso se dispusesse, aplicando os princípios da lealdade e boafé administrativa, ter verificado os documentos e demais provas a ela apresentadas no curso da fiscalização, para, assim, apurar a verdade dos fatos e constatar que o que ela chama de despesa indedutível na verdade não o é, visto que: (i) relativamente ao Imposto de Renda Retido de Terceiros: não foi deduzido como despesa o valor do imposto, mas, sim, o do serviço prestado por terceiro e que ensejou a retenção. A despesa glosada diz respeito aos acréscimos a este imposto não recolhido tempestivamente, quais sejam, juros e multas moratória, oriunda da inclusão do valor do imposto no REFIS; (ii) igualmente, não foi o INSS dos empregados lançado à conta de despesas dedutíveis, mas, sim, os valores dos salários dos empregados e dos respectivos encargos sobre tal contribuição não recolhida tempestivamente e incluída no parcelamento REFIS; e (iii) as multas de ofício, quando existentes, por sua vez, constavam do valor consolidado no REFIS e as despesas lançadas referemse a juros incidentes sobre tal penalidade. (...) Não poderia deixar de ser dito, ainda, que o fato de a IMPUGNANTE ter sido excluída do REFIS não tem o condão de Fl. 2322DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10530.726805/201111 Acórdão n.º 1301001.975 S1C3T1 Fl. 2.323 7 descaracterizar as despesas por ela incorridas. O fato é que, por não auferir lucro, não conseguiu ela arcar com o pagamento das parcelas do REFIS e nem dos impostos correntes, tendo sido, por esse motivo, excluída do referido PROGRAMA DE PARCELAMENTO. Porém, as despesas continuaram existindo e, por conta disso, foram contabilizadas como dedutíveis para fins de apuração do lucro real. Ademais, o fato de a IMPUGNANTE ter sido excluída do REFIS tem o condão de aumentar, ainda, mais, o valor das despesas contabilizadas, já que os juros passam a incidir pela taxa SELIC, bem superior à TJLP, por ela utilizada para cálculo dos encargos glosados. III.1.2 – Juros e Encargos sobre Financiamentos e Juros e Encargos sobre Impostos. De acordo com o relatório fiscal, a IMPUGNANTE não teria apresentado a documentação comprobatória de alguns valores lançados em sua contabilidade como empréstimo e como encargos sobre impostos, os quais, portanto, estariam sendo glosados. À parte o aspecto de serem os lançamentos nulos...improcedem as afirmações da agente fiscal, já que foi a ela apresentado o Livro Razão Analítico, no qual foram escrituradas todas as despesas além de outros documentos que comprovam os empréstimos. E para que não pairem dúvidas sobre tais despesas, acosta a IMPUGNANTE, novamente, a esta impugnação os referidos documentos (razão analítico e cópias dos cheques – doc. 5), pedindo vênia para acostar, oportunamente, os extratos bancários que estão sendo solicitados aos bancos, os quais comprovam os valores lançados em sua contabilidade como empréstimo. (...) De qualquer forma, e para colocar uma pá de cal sobre o assunto, a IMPUGNANTE pede venia para acostar os anexos extratos da PGFN, que comprovam os encargos sobre débitos tributários por ela contabilizados como despesas dedutíveis (doc. 6). III.2 – DA GLOSA DOS SERVIÇOS (SIC) VENDIDOS. Encargos de depreciação. Padece também do mesmo vício a glosa promovida a título de encargos de depreciação, porquanto a IMPUGNANTE efetivamente apropriou as despesas com depreciação de bens (veículos) do seu ativo permanente dentro do limite legal, ou seja, a razão de 25% ao ano, conforme fixado pela Instrução Normativa SRF n. 162/1998. Com efeito, a fim de que não pairem dúvidas acerca da correta apropriação dos encargos de depreciação, a IMPUGNANTE pede vênia para anexar o livro razão com o saldo das conta em 2006 de cada veículo e planilhas contendo o cálculo de depreciação (doc.7). Fl. 2323DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10530.726805/201111 Acórdão n.º 1301001.975 S1C3T1 Fl. 2.324 8 (...) Assim, tendo a IMPUGNANTE suportado esse desgaste, e não tendo reconhecido a despesa nos períodos competentes não há norma nenhuma que a impeça de deduzir essa cota em período posterior, desde que respeitado o limite legal, o que foi por ela feito. Assim, estando os bens em questão intrinsicamente relacionados com as atividades da empresa, considerase a depreciação, mesmo que reconhecida fora do período de competência, como despesa necessária, usual e normal naquele tipo de atividade, sendo imperiosa a admissão de sua dedutibilidade. Esse, inclusive, é o que dispõe o Parecer Normativo CST n. 79/1976. No mesmo sentido é a seguinte Solução de Consulta: (...) Ademais, aplicase, também a este item, o disposto no artigo 273 do RIR/99 acima transcrito, já que o reconhecimento dessa despesas com inobservância do período de competência não causo nenhum prejuízo ao Erário, com a falta de recolhimento de tributos.” Acompanham a impugnação os documentos de fls. 531 a 2.244. A 4ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 0252.656, de 16/01/2014 (fls. 2264/2279), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2007, 2008 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. No desempenho das atividades de verificação da regularidade do cumprimento das obrigações tributárias principais e acessórias pelo contribuinte, e de formalização dos créditos tributários daí decorrentes, os agentes fiscais têm uma atuação estritamente vinculada à Lei. Verificada a ocorrência de infração à legislação tributária, por dever de ofício, esses agentes públicos devem proceder à formalização da exigência dos tributos, acréscimos legais e penalidades aplicáveis. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2007, 2008 NULIDADE VÍCIO FORMAL Por não se ter caracterizado qualquer das hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, não há que se falar em nulidade. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Fl. 2324DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10530.726805/201111 Acórdão n.º 1301001.975 S1C3T1 Fl. 2.325 9 Anocalendário: 2007, 2008 PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA O regime de competência é um princípio contábil, que deve ser estendido a qualquer alteração patrimonial, independentemente de sua natureza e origem. Por este princípio, as receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento. GLOSA DE VALORES REGISTRADOS COMO CUSTO/DESPESA O registro de despesas/custo em livros contábeis/fiscais, por si só, não convalidam o direito de dedutibilidade dos valores contabilizados, devendo ser apresentados os respectivos documentos, hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 2007, 2008 DECORRÊNCIA O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos dos demais tributos com os quais compartilha o mesmo fundamento de fato e para o qual não há outras razões de ordem jurídica que lhes recomenda tratamento diverso. Ciente da decisão de primeira instância em 11/02/2014, conforme Aviso de Recebimento à fl. 2281, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 12/03/2014 conforme carimbo de recepção à folha 2286. No recurso interposto (fls. 2287/2313), a interessada alega preliminarmente os pontos que se seguem: · Reitera, mais ou menos com as mesmas palavras, seus argumentos acerca de nulidade das autuações, iliquidez e incerteza dos lançamentos. · Requer a nulidade da decisão recorrida. Sustenta que teria juntado à impugnação todos os documentos capazes de provar a efetividade e dedutibilidade das despesas glosadas. A decisão recorrida teria deixado de cotejar tais documentos com os valores glosados pelo Fisco, afirmando que o faria “no momento oportuno”. Ao desconsiderar as provas produzidas pela então impugnante, sem qualquer fundamentação jurídica para tanto, o julgador em primeira instância teria violado o princípio da Motivação e, em consequencia, o princípio da Ampla Defesa, inquinando o julgado de nulidade. No mérito, a recorrente traz os argumentos abaixo sintetizados, conforme os tópicos em que se divide o recurso. Inicialmente, a recorrente se refere ao item 002 do auto de infração, intitulado DESPESAS INDEDUTÍVEIS (fl. 3), com fato gerador ocorrido em 31/12/2007, valor tributável R$ Fl. 2325DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10530.726805/201111 Acórdão n.º 1301001.975 S1C3T1 Fl. 2.326 10 21.714.188,62, e fato gerador ocorrido em 31/12/2008, valor tributável R$ 16.351.071,90. Enquadramento legal: arts. 247, 249, inciso I, 251 e § único e 299 do RIR/99. Descrição dos fatos no Termo de Verificação Fiscal, em especial no item 3.2, fls. 22/23. Este item se subdivide em: Encargos sobre REFIS (3.1.40.80.00020); Encargos sobre débitos tributários (3.1.40.80.00090); Juros e Encargos sobre financiamentos (3.1.40.80.00001); e Juros e Encargos sobre impostos (3.1.40.80.00010). · Glosa de despesas financeiras contabilizadas fora do regime de competência. No entender da recorrente, este seria o principal motivo para a glosa de despesas financeiras, relacionadas aos encargos financeiros sobre débitos tributários consolidados no REFIS 1 (até 1999) e sobre débitos tributários posteriores ao referido parcelamento (2000 a 2007). A recorrente não nega que teria contabilizado tais encargos financeiros fora do regime de competência, conforme especifica à fl. 2298: .no ano de 2007, contabilizou na conta de "outras despesas financeiras": a) o montante de R$ 11.316.255,08 a título de juros incorridos no período de 2001 a 2007, calculados pela TJLP, sobre o montante do débito tributário consolidado no REFIS 1 em 2000, ajustando assim o saldo daquele parcelamento naquela data; e b) o montante de R$ 9.856.045,24, a título de principal e juros, estes calculados pela taxa SELIC, relativos aos débitos de contribuição previdenciária e contribuições ao PIS e a COFINS do período de 2001 a 2007. .no ano de 2008, contabilizou na mesma conta de "outras despesas financeiras'', o montante de R$ 15.777.691,29, relativo a: a) acréscimo nos juros incidentes sobre o parcelamento do REFIS 1, correspondente à troca da TJLP pela SELIC, por força da exclusão da empresa daquele programa de parcelamento; e b) principal e juros SELIC de débitos (INSS, PIS e COFINS) não reconhecidos no ano de 2007. Sustenta, no entanto, que a solução da contabilização de qualquer despesa dedutível, fora do regime de competência, seria dada pelo art. 273 do RIR/99. Somente seria possível o lançamento se, da inobservância do regime de competência, resultasse redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. Colaciona o Parecer Normativo nº 57/1979, jurisprudência administrativa que entende suportar sua tese, e acrescenta: 38. Ora, na situação exposta, o registro das despesas financeiras fora do seu período competente fez de fato, aumentar o prejuízo dos anos de 2007 e 2008 e, em contrapartida, resultou em menor prejuízo nos anos anteriores. De qualquer sorte, se considerarmos que desde 1995, a lei eliminou o prazo para compensação de prejuízos fiscais, a conclusão que resta é que não ter registrado adequadamente as despesas nos anos de 2000 em diante e registrálas nos anos de 2007 e 2008, não constituem fato relevante para a fiscalização, se desde 2000 a empresa apura prejuízos fiscais. E é esta a exata situação da Recorrente, que há muito vem apurando prejuízos em suas atividades, consoante, inclusive, se pode constatar da análise de cópia do seu LALUR, acostado à impugnação como doc. 4. A recorrente passa a combater a afirmação de que no montante parcela no âmbito do REFIS encontrarseiam valores não dedutíveis. Sustenta que tais valores, supostamente não dedutíveis, não teriam sido relacionados individualmente na autuação. Fl. 2326DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10530.726805/201111 Acórdão n.º 1301001.975 S1C3T1 Fl. 2.327 11 Reafirma que não havia despesas indedutíveis e, ainda que houvesse, descaberia a glosa da totalidade das despesas registradas no período. Finalmente, aduz que sua exclusão do REFIS não descaracteriza as despesas incorridas. Antes, tem efeito de aumentar os encargos incidentes sobre os valores devidos e não pagos, diante da incidência da SELIC em substituição à TJLP, sendo esta inferior àquela. · Juros e encargos sobre financiamentos e juros e encargos sobre impostos. A recorrente afirma que todas as importâncias glosadas estariam comprovadas pela documentação constante dos autos, a qual deveria ter sido cotejada com os registros das despesas em sua contabilidade, também nos autos. No que toca à glosa de despesas relativas a encargos sobre débitos tributários, sustenta a interessada que a AuditoraFiscal autuante poderia verificar nos sistemas informatizados da RFB a correção ou não de tais valores. Não obstante, a recorrente afirma ter acostado aos autos extrato da PGFN, que comprovaria os encargos sobre débitos tributários por ela contabilizados como despesas dedutíveis (doc. 6 da impugnação). Reclama, ainda, que tais documentos também teriam sido ignorados pela Turma Julgadora em primeira instância. · Glosa de encargos de depreciação. Neste tópico, a recorrente se refere ao item 001 do auto de infração (fl. 3), com fato gerador ocorrido em 31/12/2008, valor tributável R$ 4.694.411,86. Enquadramento legal: arts. 249, inciso I, 251 e § único, 299, 305, 307, 310 e 313 do RIR/99. Descrição dos fatos noTermo de Verificação Fiscal, em especial no item 3.2, fls. 22/23. A recorrente insiste em que teria apropriado as despesas com depreciação de bens (veículos) de seu ativo permanente dentro do limite legal (25% ao ano), conforme provaria cópia de seu livro razão. Acrescenta que o fato de os bens serem muito antigos e a depreciação ter ocorrido nos períodos autuados não impediria sua contabilização como despesa. Não tendo sido reconhecida a despesa nos períodos competentes, não haveria nenhuma norma legal que a impediria de deduzir a cota em período posterior, desde que respeitado o limite legal. Pede, também quanto a este item, a aplicação do art. 273 do RIR/99, posto que, por sua ótica, a inobservância do período de competência nenhum prejuízo teria causado ao Erário. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Fl. 2327DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10530.726805/201111 Acórdão n.º 1301001.975 S1C3T1 Fl. 2.328 12 Preliminarmente deve ser apreciada a alegação da recorrente acerca da nulidade dos lançamentos, os quais estariam maculados por iliquidez e incerteza. Tal alegação foi fundamentadamente afastada em primeira instância, e o mesmo ocorre aqui. Com efeito, a reclamação da recorrente é no sentido de que teria havido uma “glosa em bloco”, da totalidade das despesas, sem qualquer esforço para distinguir quais seriam dedutíveis e quais não o seriam. Do exame dos autos, no entanto, constato que não foi o que ocorreu. O Fisco questionou algumas contas contábeis nas quais eram registradas despesas. Em alguns casos, como, por exemplo, os encargos sobre o REFIS (conta 3.1.40.80.00020), os valores foram totalmente glosados, diante do entendimento da fiscalização de que seriam totalmente indedutíveis. Em outros casos, a então fiscalizada apresentou documentação que o Fisco entendeu que comprovava tão somente parte das despesas contabilizadas (por exemplo, os Juros e Encargos sobre impostos, conta 3.1.40.80.00010). Nesses casos, a Fiscalização relacionou individualmente o que aceitou como comprovado, e glosou a diferença, como se pode conferir da tabela XI, à fl. 21 no Termo de Verificação Fiscal. Em qualquer caso, a interessada pode compreender com clareza as infrações que lhe foram imputadas, e delas se defender com desenvoltura. Não vislumbro, assim, qualquer nulidade no lançamento. Melhor sorte não assiste à recorrente no que se refere à alegação de nulidade da decisão de primeira instância. Tal nulidade residiria, ao seu ver, na falta de apreciação dos documentos probatórios juntados à impugnação. Sustenta a recorrente que tais documentos seriam suficientes para “anular as presunções constantes dos lançamentos”, e que teriam sido ignorados “sem fundamento jurídico proveitoso”. Não é o que se observa da leitura do voto condutor do acórdão recorrido. Os documentos acostados aos autos com a impugnação foram efetivamente analisados pela autoridade julgadora em primeira instância, mas considerados sem a força probatória que lhes pretendia atribuir a então impugnante. Se tal decisão foi ou não acertada, não é causa de nulidade. O fato é que os documentos foram, sim apreciados. Antes de entrar na análise do mérito, um esclarecimento se impõe: o auto de infração (fl. 3) discrimina duas infrações, a saber: · 001 – DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO – COTAS DE DEPRECIAÇÃO NÃO DEDUTÍVEIS à Fato Gerador 31/12/2008 – Valor Tributável R$ 4.694.411,86 Essa infração é descrita no Termo de Verificação Fiscal no item 3.2 (fl. 22) · 002 – DESPESAS INDEDUTÍVEIS à Fato Gerador 31/12/2007 – Valor Tributável R$ 21.714.188,62 à Fato Gerador 31/12/2008 – Valor Tributável R$ 16.351.072,90 Fl. 2328DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10530.726805/201111 Acórdão n.º 1301001.975 S1C3T1 Fl. 2.329 13 A composição desses valores se encontra no Termo de Verificação Fiscal, no item 3.1 (fls. 17/22), e cada rubrica apresenta determinados pontos em comum e também peculiaridades, razão pela qual se faz necessária a análise individualizada. Por amor à clareza, reproduzo, a seguir, as tabelas intituladas T.1, de fls. 24/25, com a discriminação das rubricas que compõem o valor glosado em cada ano: TABELA T.1 ANOCALENDÁRIO 2007 GLOSA OUTRAS DESPESAS FINANCEIRAS Código Conta Histórico Vl. Intimado Vl. Glosa 3.1.40.80.00020 Encargos sobre REFIS 11.316.255,08 11.316.255,08 3.1.40.80.00090 Encargos s/ débitos tributários 9.856.045,24 9.675.258,35 3.1.40.80.00001 Encargos s/ débitos Financiamento 1.345.854,36 583.405,33 3.1.40.80.00010 Encargos s/ débitos Impostos 237.512,17 139.267,86 Total 21.714.186,62 TABELA T.1 ANOCALENDÁRIO 2008 GLOSA OUTRAS DESPESAS FINANCEIRAS Código Conta Histórico Vl. Intimado Vl. Glosa 3.1.40.80.00090 Encargos s/ débitos tributários 15.777.691,29 15.730.643,45 3.1.40.80.00001 Encargos s/ débitos Financiamento 1.223.731,51 503.757,75 3.1.40.80.00010 Encargos s/ débitos Impostos 194.972,31 116.671,70 Total 16.351.072,90 Passo, então, a apreciar os argumentos de recurso, na sequência do lançamento. · 001 – DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO – COTAS DE DEPRECIAÇÃO NÃO DEDUTÍVEIS A descrição dos fatos, no Termo de Verificação Fiscal (fl. 22), deixa claro que o motivo da glosa foi o entendimento do Fisco de que teriam sido apropriados encargos de depreciação em valor superior ao permitido pela legislação, e que somente seriam dedutíveis as quotas correspondentes ao próprio anocalendário. A recorrente insiste em que teria apropriado as despesas com depreciação de bens (veículos) de seu ativo permanente dentro do limite legal (25% ao ano), conforme provaria cópia de seu livro razão. Acrescenta que o fato de os bens serem muito antigos e a depreciação ter ocorrido nos períodos autuados não impediria sua contabilização como despesa. Não tendo sido reconhecida a despesa nos períodos competentes, não haveria nenhuma norma legal que a impediria de deduzir a cota em período posterior, desde que respeitado o limite legal. Pede, também quanto a este item, a aplicação do art. 273 do RIR/99, posto que, por sua ótica, a inobservância do período de competência nenhum prejuízo teria causado ao Erário. Do exame atento dos autos, considero ter havido aqui um equívoco, tanto na autuação quanto nos argumentos de defesa. O total dos encargos de depreciação levado ao resultado do anocalendário 2008 pela interessada foi de R$ 5.262.724,90, conforme DIPJ, ficha 04A, linha 33 (fl. 481). Esse valor é confirmado no Termo de Verificação Fiscal (fl. 23). Não há aqui litígio. Fl. 2329DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10530.726805/201111 Acórdão n.º 1301001.975 S1C3T1 Fl. 2.330 14 Desse montante, o Fisco entendeu como dedutíveis tão somente R$ 568.313,04, cuja composição é discriminada no quadro à fl. 23 e a seguir reproduzida: à Veículos de Passageiros R$ 400.105,50 à Veículos de Carga R$ 101.782,43 à Veículo Auxiliar R$ 66.465,11 A diferença (R$ 5.262.724,90 – R$ 568.313,04 = R$ 4.694.411,86) foi glosada. Para chegar ao valor tido por dedutível, baseouse a fiscalização nos demonstrativos de fls. 442/444. Por sua vez, os valores que ali constam foram extraídos dos assentamentos contábeis da interessada, especialmente o livro Razão. No que toca à depreciação dos veículos de carga, o quadro elaborado pelo Fisco se encontra à fl. 442. O somatório da coluna “Depreciação” corresponde a R$ 101.782,44, valor idêntico ao tido pelo Fisco como dedutível, e não há aqui litígio. Observo, ainda, que as quotas mensais de depreciação foram registradas a crédito da conta patrimonial 152.002.00002 – DEPRE ACUMULADA (razão à fl. 2238) e a débito da conta de resultado 310.595.00003 – DEPRE VEÍCULOS CARGAS (razão à fls. 2242/2244). No que toca à depreciação dos veículos auxiliares, o quadro elaborado pelo Fisco se encontra à fl. 442. O somatório da coluna “Depreciação” corresponde a R$ 66.425,12, valor idêntico ao tido pelo Fisco como dedutível. No entanto, ao cotejar o demonstrativo de fl. 442 com os registros contábeis que lhe deram origem, observo que as quotas mensais de depreciação foram registradas a crédito da conta patrimonial 152.005.00002 – DEPRE ACUMULADA (razão às fls. 2240/2241) e a débito da conta de resultado 310.595.00003 – DEPRE VEÍCULOS CARGAS (razão à fls. 2242/2244). O somatório das quotas de depreciação apropriadas ao resultado é de R$ 91.383,00. A diferença entre esse valor e aquele admitido pelo Fisco (R$ 91.383,00 – R$ 66.425,12 = R$ 24.957,88) é um lançamento a débito da conta patrimonial 152.005.00002 – DEPRE ACUMULADA (razão às fls. 2240/2241), por baixa na alienação de um veículo. Entendeu o Fisco que esse lançamento a débito da conta que registra a depreciação acumulada deveria reduzir os encargos de depreciação do ano. No entanto, no momento da alienação de um bem do ativo permanente, a depreciação acumulada correspondente a esse bem deve ser excluída da conta contábil correspondente, e sua contrapartida deve ser a apuração do ganho (ou perda) de capital na alienação. Isso nada tem a ver com a cota de depreciação dos demais bens que continuam a integrar o ativo permanente. Pelos elementos dos autos, não há como precisar qual teria sido a contrapartida contábil do referido lançamento de R$ 24.957,88, mas é certo que não foi na conta de resultado 310.595.00003 – DEPRE VEÍCULOS CARGAS (razão à fls. 2242/2244). Dessa forma, considero que o Fisco se equivocou, e que, à luz dos registros contábeis e do critério empregado pelo Fisco, o valor correto e dedutível dos encargos de depreciação, quanto a este item, é de R$ 91.383,00. No que toca à depreciação dos veículos de passageiros, o quadro elaborado pelo Fisco se encontra às fls. 443/444. O somatório da coluna “Depreciação” corresponde a R$ 400.105,50, valor idêntico ao tido pelo Fisco como dedutível. No entanto, ao cotejar o demonstrativo de fls. 443/444 com os registros contábeis que lhe deram origem, observo que as quotas mensais de depreciação foram registradas a crédito da conta patrimonial 152.001.00002 – DEPRE ACUMULADA (razão às fls. 2233/2235) e a débito da conta de resultado 310.595.00001 – DEPRE VEÍCULOS PASSAGEIROS (razão à fls. 2236/2237). O somatório das quotas de depreciação apropriadas ao resultado é de R$ 5.069.559,46. Por motivos ignorados, o Fl. 2330DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10530.726805/201111 Acórdão n.º 1301001.975 S1C3T1 Fl. 2.331 15 Fisco reconheceu como dedutível tão somente a cota de depreciação do mês de dezembro, no exato valor de R$ 400.105,50, como se observa no razão às fls. 235 e 237. Dessa forma, considero que o Fisco se equivocou, e que, à luz dos registros contábeis e do critério empregado pelo Fisco, o valor correto e dedutível dos encargos de depreciação, quanto a este item, é de R$ 5.069.559,46. Ao somarmos os valores correspondentes às três rubricas acima abordadas (R$ 101.782,44 + R$ 91.383,00 + R$ 5.069.559,46) chegamos a exatos R$ 5.262.724,90, correspondentes aos encargos de depreciação levados à apuração do resultado pela interessada no anocalendário 2008. Vêse, assim, que assiste razão à recorrente, quando afirma que os encargos de depreciação não excederam o limite legal. Ressalto que o Fisco não apontou qualquer erro no cálculo das quotas mensais, nem teceu qualquer comentário acerca da necessidade de mapas para o cálculo da depreciação, nos quais os bens do ativo permanente estivessem identificados individualmente com a correspondente depreciação acumulada. Em assim sendo, descabe aqui também fazêlo. Observo, finalmente, que não encontro, nesta infração, qualquer motivo para discussões acerca da observância, ou não, do regime de competência. Em conclusão, voto por dar provimento ao recurso voluntário quanto a esta matéria, para afastar a infração 001 do auto de infração, quotas de depreciação não dedutíveis. · 002 – DESPESAS INDEDUTÍVEIS à Encargos sobre REFIS Neste ponto do voto, será analisada a glosa de R$ 11.316.255,08 no ano calendário 2007, valor este incluído no item 002 do auto de infração (fl. 3) e descrito no item 3.1(a) do Termo de Verificação Fiscal (fls. 17/18). Observo, inicialmente, que não há litígio acerca da adesão da interessada ao parcelamento de débitos em condições favorecidas, conhecido como REFIS. As pesquisas feitas pelo Fisco apontam a existência de cinco processos (especificados à fl. 17) incluídos nesse parcelamento, havendo também nos autos diversos extratos de sistemas informatizados da Receita Federal atestando o fato (por exemplo, fls. 112/158). Também não foi suscitada qualquer dúvida quanto ao montante do parcelamento. O Fisco reproduz (fl. 18) um quadro, no qual consta um saldo consolidado em 31/12/1999 no valor de R$ 4.729.034,04, sobre o qual teria sido aplicado o índice de correção de 241,639333, supostamente correspondente à TJLP do período, com o que se chegou à correção, até 31/12/2007, no montante de R$ 11.316.255,08. Razão às fls. 112/113. Mais uma vez, os valores não são questionados pelo Fisco: nem o índice empregado, nem o montante da correção calculada. O motivo da glosa, então, foi o entendimento do Fisco de que, em se tratando de encargos incidentes sobre tributos, o acessório deveria acompanhar o principal, inclusive no que tange à data de apropriação/contabilização. Confirase o seguinte excerto, à fl. 18: Pelo regime de competência a despesa deve ser contabilizada na data da ocorrência do fato gerador do tributo ou contribuição. Os acessórios (multa e juros), Fl. 2331DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10530.726805/201111 Acórdão n.º 1301001.975 S1C3T1 Fl. 2.332 16 se houver, necessariamente acompanham o principal, no referente à data de apropriação/contabilização e a natureza da despesa/custo. O motivo da glosa foi também corretamente identificado pelo julgador em primeira instância, confirase o seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido (fls. 2274/2275): Quanto à glosa dos encargos sobre o Refis, os argumentos são igualmente inócuos. A glosa foi fundamentada por ter a impugnante desrespeitado o regime de competência, fato por ela mesma admitido. O registro de que no montante parcelado encontramse valores não dedutíveis é simplesmente um registro. Não foi este o motivo da glosa, mas sim, repitase, a não observância do regime de competência. E também este fato é incontroverso, visto que a própria interessada admite que procedeu à contabilização de encargos incidentes sobre seus débitos tributários fora do regime de competência, conforme fls. 2297/2298 do recurso voluntário, trecho anteriormente transcrito no relatório que antecede a este voto. O litígio reside, então, nos efeitos tributários que devem ser atribuídos a essa inobservância do regime de competência. A Autoridade Lançadora se escora no art. 344 do RIR/99, que estabelece o regime de competência para a dedutibilidade de tributos e contribuições. A Autoridade Julgadora em primeira instância lembra os princípios contábeis aplicáveis e, no que toca ao art. 273 do RIR/99, sustenta haver ocorrido a redução do lucro real do período, com o que mantém o lançamento. Por outro lado, a recorrente insiste em que o mesmo art. 273 do RIR/99 lhe seria favorável, posto que nenhum prejuízo teria sido trazido ao Erário. Para clareza, eis o teor do discutido art. 273 do RIR/99: Art. 273. A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, atualização monetária, quando for o caso, ou multa, se dela resultar (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, §5º): I a postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido; ou II a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. §1º O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao período de apuração de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período de apuração a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no §2º do art. 247(DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, §6º). §2º O disposto no parágrafo anterior e no §2º do art. 247 não exclui a cobrança de atualização monetária, quando for o caso, multa de mora e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão Fl. 2332DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10530.726805/201111 Acórdão n.º 1301001.975 S1C3T1 Fl. 2.333 17 quanto ao período de competência (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, §7º, e DecretoLei nº 1.967, de 23 de novembro de 1982, art. 16). A base legal para o dispositivo acima transcrito se encontra no vetusto DecretoLei nº 1.598/1977, complementado pelo quase tão antigo DecretoLei nº 1.967/1982. Observese que o caput do artigo deixa claro que se cuida do “lançamento de imposto, diferença de imposto, atualização monetária, quando for o caso, ou multa”. Nada fala sobre a redução de prejuízo fiscal, sem a exigência de imposto e consectários legais. À época em que promulgados tais dispositivos, vigorava a redação original1 do art. 9º do Decreto nº 70.235/1971, e muito se discutia acerca de qual seria o instrumento adequado para promover, de ofício, a redução de prejuízo fiscal apurado pelo contribuinte. Essa situação somente veio a ser pacificada com o advento da Medida Provisória nº 367/1993, que deu nova redação2 ao referido art. 9º. De lá para cá, outras modificações legislativas alteraram o art. 9º, mas sempre deixando claro que o auto de infração é o instrumento para a redução de prejuízos fiscais. Retomando a discussão acerca do art. 273 do RIR/99, tenho por certo que sua redação tinha por objetivo orientar o fisco quanto à forma correta de constituir créditos tributários, na constatação da inobservância do regime de competência. O que se buscava (e se busca até hoje) é exigir do contribuinte o exato valor devido, nem mais, nem menos. O inciso I se refere à situação comumente encontrada quando se antecipa uma despesa ou se posterga uma receita. O efeito tributário é que, no primeiro ano, o contribuinte paga menos imposto. No entanto, no segundo ano (i. e., no correto período de competência da despesa antecipada ou naquele em que reconhecida a receita postergada), o contribuinte paga mais imposto. A exigência, então, deve ser pelo valor líquido. O inciso II se refere à situação em que o Fisco efetua o lançamento antes do correto período de competência da despesa antecipada ou antes do reconhecimento da receita postergada. Não há, nessa hipótese, efeito líquido a ser considerado, mas tão somente a redução do lucro real naquele período em que constatada a inobservância do regime de competência. O lançamento é, então, pelo valor integral do imposto indevidamente pago a menor. Tal é, a meu ver, a inteligência da norma: buscar o valor do tributo efetivamente devido. A maior prova disso é que não resulta lançamento (como regra) quando a inobservância do regime de competência é pela antecipação de receita, ou postergação de despesa. Nesses casos (salvo raras exceções, a serem comprovadas caso a caso), o contribuinte antecipa o pagamento de imposto que seria devido em período posterior, descabendo cogitar de lançamento tributário. Considero que o mesmo raciocínio pode e deve ser aplicado na situação sob análise, de redução de prejuízos fiscais. O contribuinte faz acostar aos autos cópia de seu Livro de Apuração do Lucro Real. De especial interesse, às fls. 599/560, a transcrição de sucessivos prejuízos fiscais apurados nos anos calendário 2000 a 2007. Em que pese causar espécie o fato de uma empresa 1 Decreto nº 70.235/1972: Art. 9º A exigência do crédito tributário será formalizada em auto de infração ou notificação de lançamento, distinto para cada tributo. (redação original) 2 Decreto nº 70.235/1972: Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada tributo, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Medida Provisória nº 367, de 1993) Fl. 2333DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10530.726805/201111 Acórdão n.º 1301001.975 S1C3T1 Fl. 2.334 18 deficitária em tantos anos consecutivos ainda continuar em operação, isso em nada afeta a discussão que aqui se trava. No caso concreto, a inobservância do regime de competência em litígio consiste na apropriação a posteriori de encargos de juros sobre financiamento de débitos tributários. Em outras palavras, postergação de despesas. A primeira constatação a ser feita é de que, caso o contribuinte houvesse apurado lucros sucessivos, esta discussão provavelmente não estaria ocorrendo. Conforme anteriormente visto, no caso de lucro real positivo em todos os anos, a postergação de despesa não consiste em fundamento para a exigência de tributo, visto que o contribuinte teria pago imposto a maior no ano em que deixou de apropriar a despesa, e, por consequência, teria pago imposto a menor no ano em que a apropriou. Inexistiria, assim, valor líquido a lançar. A segunda constatação é de que, caso o contribuinte houvesse apropriado a despesa em período anterior (o período correto, segundo o regime de competência), o efeito seria um prejuízo fiscal maior naquele período. No período sob exame, ao não computar a despesa (já computada anteriormente), seu prejuízo fiscal seria reduzido. No entanto, a soma dos dois prejuízos fiscais seria exatamente a mesma que temos na situação real. E, desde que não há limitação temporal para a compensação de prejuízos fiscais, o contribuinte não se beneficiou de qualquer forma, nem causou prejuízo algum ao Fisco. O efeito tributário é nulo. Com essas considerações, concluo que, na situação sob análise, a inobservância do regime de competência não pode fundamentar o lançamento para redução de prejuízos fiscais. Faço questão de ressaltar quatro pontos: (i) a inexistência de litígio quanto ao valor da despesa glosada. (ii) o fato de que, ainda que se pudesse concluir em sentido contrário ao aqui exposto, por certo que uma parte dos encargos seria da competência de 2007 (o índice de correção aplicado, não questionado pelo Fisco, correspondeu ao período de 31/12/1999 a 31/12/2007). No entanto, diante do critério adotado para o lançamento, tal parcela não restou segregada. (iii) Os encargos glosados consistem em juros moratórios (a TJLP é taxa de juros) incidentes sobre o parcelamento de débitos tributários. O Fisco menciona a existência, no total do débito parcelado, de valores que seriam indedutíveis (por exemplo, imposto de renda retido de terceiros, contribuições dos empregados para o INSS e multas de ofício, vide fl. 18). Sendo o principal indedutível, também o seriam os encargos (juros) sobre eles incidentes. No entanto, esse ponto não consistiu em fundamento para o lançamento, tanto é que o Fisco não se deu ao trabalho de buscar discriminar os valores para os quais haveria mais de um fundamento para a glosa.Vide, no mesmo sentido, o excerto do voto condutor do acórdão recorrido anteriormente transcrito. (iv) Mesmo diante de todas as considerações anteriores, entendo que seria possível cogitar do lançamento, caso ficasse demonstrado que o procedimento da contribuinte, ao contabilizar em 2007 despesas de anos anteriores, tivesse por finalidade registrar despesas de períodos já decaídos, para os quais não mais fosse possível a retificação de sua declaração Fl. 2334DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10530.726805/201111 Acórdão n.º 1301001.975 S1C3T1 Fl. 2.335 19 de rendimentos. Mas não foi essa a linha do lançamento, descabendo também qualquer consideração nesse sentido. Em conclusão, quanto a este item, voto pelo provimento do recurso voluntário, para afastar a glosa de R$ 11.316.255,08 no anocalendário 2007, correspondente a Encargos sobre REFIS. à Encargos sobre Débitos Tributários Neste ponto do voto, serão analisadas as glosas de R$ 9.675.258,35 no ano calendário 2007 e de R$ 15.730.643,45 no anocalendário 2008, valores estes incluídos no item 002 do auto de infração (fl. 3) e descritos no item 3.1(b) do Termo de Verificação Fiscal (fls. 18/19). As despesas glosadas foram registradas a débito da conta 314.080.00090. Neste item, o Fisco adotou duplo fundamento para a glosa: a presença, entre as despesas glosadas, de valores indedutíveis e, ainda, a inobservância do regime de competência. Nesse sentido, a descrição do Termo de Verificação Fiscal (fl. 18) não deixa dúvidas: [...] glosa das despesas efetuadas pelo contribuinte por conter valores não dedutíveis, tais como contribuições do empregados para o INSS, imposto de renda retido de terceiros, as multas de ofício, parcelamento do REFIS, bem como a inboservância ao regime de competência. [...] Mais uma vez, importante ressaltar: não foram questionados os valores em si, mas tão somente sua dedutibilidade, pelos fundamentos expostos. Para o anocalendário 2007, a tabela VII (fl. 19) discrimina: (i) as rubricas que foram examinadas pelo Fisco, a saber, INSS Empregador; INSS Empregado; Cofins; e PIS; (ii) Os totais da despesa apropriada ao resultado, em cada rubrica, para os quais o Fisco buscava comprovação e esclarecimentos; e (iii) as parcelas que, no entender do Fisco, atendiam aos requisitos de dedutibilidade e foram, portanto, acatadas e não integraram a glosa. O cotejo dessa tabela com o livro Razão (fl. 159) demonstra que as quatro rubricas examinadas compunham a totalidade das despesas registradas na conta 314.080.00090. Ademais, de se observar que, para as rubricas intituladas INSS Empregador, Cofins e PIS, o Fisco acatou como dedutíveis as parcelas da correção correspondente ao ano calendário 2007. Isso pode ser confirmado pelo exame das planilhas às fls. 163, 168 e 171. Com isso, entendese que o Fisco considerou, para estas rubricas, apenas a inobservância do regime de competência como óbice à dedutibilidade das despesas. A situação se torna idêntica, então, àquela analisada no item anterior (Encargos sobre Refis), e a conclusão não poderia ser diferente. Fl. 2335DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10530.726805/201111 Acórdão n.º 1301001.975 S1C3T1 Fl. 2.336 20 Para a rubrica intitulada INSS Empregado, o Fisco não considerou qualquer parcela dedutível. Com isso, entendese que, além da inobservância do regime de competência (fundamento já afastado), também estava presente aqui a indedutibilidade da obrigação sobre a qual incidiu a correção glosada. Em outras palavras: o débito de INSS retido do empregado não é débito próprio, e decorre da obrigação legal de recolher aos cofres públicos valores retidos de terceiros. A despesa em si não é dedutível, pois não é a pessoa jurídica obrigada à retenção e ao recolhimento que suporta o ônus. Na verdade, nem mesmo pode ser considerada despesa, visto que não transita pelo resultado. Considerandose que o acessório segue o principal, os juros moratórios devidos pelo atraso no pagamento são igualmente indedutíveis. Nessa linha de raciocínio, a glosa se revela pertinente, quanto a esta rubrica. Ressalto, ainda, que não procedem os argumentos da interessada sobre a falta de individualização das glosas. Neste caso resta evidenciado que foi glosado o total de R$ 693.960,89 registrados a débito da conta 314.080.00090 (fl. 159), cuja composição detalhada consta do demonstrativo de fls. 164/165. Embora um fundamento para a glosa tenha sido afastado (a inobservância do regime de competência), persiste o outro, qual seja, a indedutibilidade da obrigação em atraso, que deu causa aos acréscimos moratórios ora glosados, o acessório seguindo o principal. Em conclusão, para o anocalendário 2007, neste item da autuação, a glosa de encargos sobre débitos tributários deve ser reduzida de R$ 9.675.258,35 para R$ 693.960,89. Idêntico critério deve ser adotado para anocalendário 2008, em que temos a tabela VIII (fl. 19) e o livro Razão (fls. 173/175), além dos demonstrativos de fls. 176/217. Aquelas rubricas para as quais o Fisco aceitou como dedutível a correção do anocalendário 2008 devem ser integralmente aceitas, visto que o outro fundamento (a inobservância do regime de competência) já foi afastado. Refirome às rubricas intituladas INSS Empregador, IRF Pro labore, Cofins, PIS e PCC Normal. As glosas das demais rubricas devem ser mantidas, visto que se referem, em todos os casos, a encargos moratórios incidentes sobre débitos indedutíveis. Neste caso, as rubricas são intituladas Salário Educação, IRF Terceiros, INSS Serviços, ISS s/ Serviços e Sal. Educação Parc. Ainda no anocalendário 2008, devem ser tratadas em separado as rubricas intituladas REFIS Faturamento (R$ 3.831.138,26) e Corr Não Planilhada (R$ 9.909.026,55) A rubrica intulada REFIS Faturamento é nada mais do que a mesma tratada no anocalendário 2007, sendo que aqui são apropriados os encargos do anocalendário 2008, até a data de sua exclusão do parcelamento, conforme planilha às fls. 214/215. Pelos mesmos fundamentos já esposados, sua dedutibilidade deve ser admitida. A rubrica intitulada Corr Não Planilhada foi contabilizada a débito da conta 314.080.00090 em 30/12/2008, com o histórico “val. ref. atualização encargos, juros e multas n/data” (fl. 175). Não encontro qualquer planilha ou esclarecimento acerca desse débito, o que certamente motivou a glosa. Com a impugnação, encontro a planilha de fl. 1996, a qual considero insuficiente para esclarecer, muito menos comprovar, a origem e composição de tal valor, ao que se depreende seria o resultado algébrico de diferenças encontradas quanto aos juros apropriados sobre débitos tributários diversos. Diante da falta de esclarecimentos e comprovação quanto a este valor, a glosa deve ser mantida. Fl. 2336DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10530.726805/201111 Acórdão n.º 1301001.975 S1C3T1 Fl. 2.337 21 Em conclusão, para o anocalendário 2008, neste item da autuação, a glosa de encargos sobre débitos tributários deve ser reduzida de R$ 15.777.691,29 para R$ 10.399.515,33. à Juros e Encargos sobre Financiamentos Neste ponto do voto, serão analisadas as glosas de R$ 583.405,33 no ano calendário 2007 e de R$ 503.757,75 no anocalendário 2008, valores estes incluídos no item 002 do auto de infração (fl. 3) e descritos no item 3.1(c) do Termo de Verificação Fiscal (fls. 19/20). O motivo da glosa foi a falta de comprovação dos valores lançados na contabilidade como empréstimos. Os encargos foram contabilizados na conta 314.080.00001, razão às fls. 627/669 (anocalendário 2008). Ainda durante a fiscalização, o contribuinte apresentou as planilhas de fls. 218/234 (AC 2007) e 235/257 (AC 2008) e, certamente, documentação comprobatória que não foi acostada aos autos. O Fisco aceitou como comprovada somente uma parte dos valores debitados como despesas. Com a impugnação, vieram novamente as planilhas anteriormente referidas, acompanhadas de vasta quantidade de comprovantes de pagamentos (fls. 1286/1988, para o anocalendário 2007 e fls. 670/1285 para o anocalendário 2008). Esses documentos foram analisados pelo Julgador em primeira instância, com o seguinte resultado (fls. 2276/2277): Analisase, pois, os documentos acostados sob o titulo “Documentos Diversos – Outros – Documento 5”, de fls. 617 a 1.988. De plano, reiterese que o livro razão, por si só, não se presta como elemento probante como já assinalado. Igual conclusão para as planilhas apresentadas. Os cheques, por sua vez, podem comprovar, no máximo, que a impugnante os emitiu. No entanto não comprova a sua finalidade. De outra monta, assim como os demais documentos, são apresentados de forma esparsa, aleatória, sem qualquer indicação/esclarecimento. Podem ter sido destinados a pagamento de juros, do principal ou por qualquer outro motivo. Enfim, não se constituem em documentos hábeis e, por consequência, não podem ser aceitos. Também os examinei, e cheguei a idêntica conclusão. A profusão de documentos apresentados não guarda qualquer ordem ou relação com a planilha do mês correspondente, cujos valores supostamente comprovariam. Em muitos casos, tratase de documento de emissão da própria interessada, destinado a seu controle administrativo (documento comumente conhecido como “cópia de cheque”), cujo valor probante, para estes fins, é reduzido, sem outro documento que o corrobore. Em outros casos, o documento comprova o pagamento feito em instituição bancária, mas não é possível relacionar seu valor à linha da planilha, nem separar o que teria sido pagamento de principal ou de juros. Em se tratando de despesas, é ônus da interessada comprovar a existência e dedutibilidade dos valores escriturados a reduzir o resultado tributável. Desde que a interessada não logrou comprovar parte das despesas que escriturou, correta a glosa. Em conclusão, quanto a este item, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendo integralmente as glosas de R$ 583.405,33 no anocalendário 2007 e de Fl. 2337DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10530.726805/201111 Acórdão n.º 1301001.975 S1C3T1 Fl. 2.338 22 R$ 503.757,75 no anocalendário 2008, correspondentes a Juros e Encargos sobre Financiamentos. à Juros e Encargos sobre Impostos Neste ponto do voto, serão analisadas as glosas de R$ 139.267,86 no ano calendário 2007 e de R$ 116.671,70 no anocalendário 2008, valores estes incluídos no item 002 do auto de infração (fl. 3) e descritos no item 3.1(d) do Termo de Verificação Fiscal (fls. 20/22). Também aqui, o motivo da glosa foi a falta de comprovação dos valores lançados na contabilidade. Os encargos foram contabilizados na conta 314.080.00010. Constam também dos autos os documentos de fls. 258/441. Ao que se pode depreender, trata se dos documentos apresentados à guisa de comprovação parcial das despesas contabilizadas, e que foram aceitos pelo Fisco e especificados nas tabelas XI e XII (fls. 21/22 do Termo de Verificação Fiscal). Como se vê, a situação é bastante semelhante ao item anterior. Com a impugnação, vieram ao autos as planilhas e demais documentos de fls. 1989/2208. Esses documentos foram analisados pelo Julgador em primeira instância, com o seguinte resultado (fl. 2277): Quanto à glosa das despesas relativas a encargos sobre débitos tributários, a impugnante entende que a apresentação do livro razão seria suficiente. Reiterese novamente a mesma conclusão anteriormente exposta. A impugnante transfere ao fisco a obrigação de comprovar, mediante consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal, a veracidade dos valores registrados como dedutíveis. Ora, esta pretensão revelase inteiramente equivocada. A obrigação de manter em boa ordem os documentos comprobatórios é do contribuinte. Afirma ainda que os extratos da PGFN, de fls. tais a tais (Documentos Diversos – Outros – Documento 6), comprovam os encargos sobre débitos tributários por ela contabilizados como despesas dedutíveis. Tal documento indica que a impugnante tem débitos na Procuradoria Geral da Fazenda Nacional referente ao PIS, COFINS, FINSOCIAL, IRPJ – FONTE, IRRF, MULTA POR ATRASO DCTF, MULTAS ISOLADAS, GFIP, que se reportam aos períodos de apuração dos anos de 1997 a 2008. A fiscalização, por sua vez, assinala que a impugnante apresentou alguns documentos incluindo despesas não dedutíveis, tais como parcelamentos de Auto de Infração de ICMS, contribuições dos empregados para o INSS, IRRF de terceiros, multas de infração, parcelamento de Auto de Infração da Secretaria de Infra Estrutura e valores correspondente a outros períodos de competência. Complementa que os valores devidamente comprovados foram aceitos conforme indicados nas tabelas XI e XII. Assim, o documento apresentado serve para demonstrar o acerto da glosa, seja porque são de períodos de apuração distintos dos períodos sob exame, seja porque são realmente indedutíveis, ou ainda, por não terem sido objeto da glosa. Também aqui examinei os documentos apresentados. Não se consegue estabelecer relação entre os documentos, extratos e planilhas com os valores contabilizados. A desorganização é patente. Fl. 2338DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10530.726805/201111 Acórdão n.º 1301001.975 S1C3T1 Fl. 2.339 23 Em se tratando de despesas, é ônus da interessada comprovar a existência e dedutibilidade dos valores escriturados a reduzir o resultado tributável. Desde que a interessada não logrou comprovar parte das despesas que escriturou, correta a glosa. Em conclusão, quanto a este item, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendo integralmente as glosas de R$ 139.267,86 no anocalendário 2007 e de R$ 116.671,70 no anocalendário 2008, correspondentes a Juros e Encargos sobre Impostos. Todo o exposto neste voto, com relação ao IRPJ, se aplica integralmente à CSLL. Ao final, resta resumir o quanto exposto. Voto no sentido de: (i) rejeitar as preliminares de nulidade dos lançamentos e da decisão de primeira instância; e (ii) no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar integralmente a infração 001 e reduzir a matéria tributável da infração 002 para R$ 1.416.634,08 no anocalendário 2007 e para R$ 11.019.944,78 no anocalendário 2008. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 2339DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 16095.000635/2008-09
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NECESSIDADE DE PREQUESTIONAMENTO. Não podem ser acolhidos embargos de declaração opostos contra Acórdão de Recurso Especial que versam sobre matéria que não foi trazida por ocasião do Recurso Voluntário ou em razões ao Recurso de Ofício.
Embargos Não Acolhidos.
Numero da decisão: 9101-002.358
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não acolher os embargos do contribuinte, nos termos do voto da relatora.
(Assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
(Assinado digitalmente)
ADRIANA GOMES RÊGO - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES RÊGO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA (Suplente Convocado), ANDRÉ MENDES DE MOURA, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, NATHALIA CORREIA POMPEU, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ e CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NECESSIDADE DE PREQUESTIONAMENTO. Não podem ser acolhidos embargos de declaração opostos contra Acórdão de Recurso Especial que versam sobre matéria que não foi trazida por ocasião do Recurso Voluntário ou em razões ao Recurso de Ofício. Embargos Não Acolhidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não acolher os embargos do contribuinte, nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente (Assinado digitalmente) ADRIANA GOMES RÊGO - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES RÊGO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA (Suplente Convocado), ANDRÉ MENDES DE MOURA, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, NATHALIA CORREIA POMPEU, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ e CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1807; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 507 1 506 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16095.000635/200809 Recurso nº Embargos Acórdão nº 9101002.358 – 1ª Turma Sessão de 16 de junho de 2016 Matéria TRAVA DE 30% Embargante JS ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NECESSIDADE DE PREQUESTIONAMENTO. Não podem ser acolhidos embargos de declaração opostos contra Acórdão de Recurso Especial que versam sobre matéria que não foi trazida por ocasião do Recurso Voluntário ou em razões ao Recurso de Ofício. Embargos Não Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não acolher os embargos do contribuinte, nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente (Assinado digitalmente) ADRIANA GOMES RÊGO Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES RÊGO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA (Suplente Convocado), ANDRÉ MENDES DE MOURA, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, NATHALIA CORREIA POMPEU, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ e CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 06 35 /2 00 8- 09 Fl. 507DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Relatório JS ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS S/A, devidamente qualificada nos autos, opôs embargos de declaração, com fundamento no art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e alterações posteriores, às efls. 496/500, contra o acórdão nº 9101002.207, julgado na sessão de 3 de fevereiro de 2016 por esta 1ª Turma da CSRF (efls. 455 e ss.), por meio do qual decidiuse negar provimento ao recurso especial interposto, nos seguintes termos: ENCERRAMENTO DE ATIVIDADES. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LIMITE DOS 30% DO LUCRO REAL. INAPLICABILIDADE. Inexiste previsão legal para se proceder à compensação de prejuízos (trava), além do percentual de 30% do lucro real, ainda que a pessoa jurídica esteja no encerramento das suas atividades. Alegou a embargante, haver omissões no acórdão recorrido, haja vista que deixou de analisar as questões referentes à: (1) “exclusão das penalidades impostas, da cobrança de juros de mora e da atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo, em razão do disposto nos art. 100, inc. III, § único, do CTN e art. 76, inc. II, "a", da Lei nº 4.502/64"; e (2) “ não incidência dos juros de mora sobre o valor da multa de ofício". Por meio do Despacho de efls. 504/505, os embargos de declaração foram acolhidos. É o Relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Relatora Em que pese eu tenha me manifestado no Despacho de Admissibilidade dos Embargos pelo acolhimento dos Embargos, por ocasião do seu julgamento, verifiquei que, na verdade, a matéria trazida em contrarrazões não tinha sido prequestionada em recurso voluntário de efls. 302 e seguintes. Por essa razão, o acórdão embargado não poderia ter se pronunciado sobre matéria que somente foi trazida por meio de Contrarrazões, sem que sequer a turma a quo tivesse se pronunciado. Em face ao exposto, manifestome por rejeitar os embargos de declaração opostos pela Contribuinte. (Assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 508DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10830.015718/2009-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 06/12/2004, 20/12/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento ou o Termo de Responsabilidade tributária, descabe a alegação de nulidade.
REGRAS SOBRE COMPENSAÇÃO
A compensação é uma prerrogativa deferida ao contribuinte; no entanto, este deve observar os procedimentos fixados pela Administração Tributária a fim de fazer valer o seu direito.
MULTA ISOLADA. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. LEI Nº 11.051, DE 2004. EXIGÊNCIA DE SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO.
A Lei nº 11.051, de 2004, previa a aplicação de multa isolada unicamente aos casos de compensação considerada não declarada pela autoridade fiscal em que houvesse a prática de evidente intuito de fraude, situação que vigorou até a publicação da Lei nº 11.196, de 2005.
Numero da decisão: 1401-001.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso. apenas para cancelar a multa isolada referente à compensação considerada indevida pelo Despacho Decisório SEORT/DRF/CPS, de 05/07/2006, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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NULIDADE. Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento ou o Termo de Responsabilidade tributária, descabe a alegação de nulidade. REGRAS SOBRE COMPENSAÇÃO A compensação é uma prerrogativa deferida ao contribuinte; no entanto, este deve observar os procedimentos fixados pela Administração Tributária a fim de fazer valer o seu direito. MULTA ISOLADA. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. LEI Nº 11.051, DE 2004. EXIGÊNCIA DE SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO. A Lei nº 11.051, de 2004, previa a aplicação de multa isolada unicamente aos casos de compensação considerada não declarada pela autoridade fiscal em que houvesse a prática de evidente intuito de fraude, situação que vigorou até a publicação da Lei nº 11.196, de 2005. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso. apenas para cancelar a multa isolada referente à compensação considerada indevida pelo Despacho Decisório SEORT/DRF/CPS, de 05/07/2006, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 57 18 /2 00 9- 28 Fl. 545DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10830.015718/200928 Acórdão n.º 1401001.617 S1C4T1 Fl. 68 2 (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. Fl. 546DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10830.015718/200928 Acórdão n.º 1401001.617 S1C4T1 Fl. 69 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra Acórdão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal em Belo HorizonteMG. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: (...) No Termo de Verificação Fiscal (TVF), juntado às fls. 09/18, a autoridade fiscal discorre acerca dos procedimentos levados a efeito na ação fiscal empreendida com base nos processos de Pedido de Compensação n° 10166.014811/200491 e 10166.015940/200749. Após emissão dos Despachos Decisórios SEORT/DRF/CPS, de 05/07/2006 e 02/02/2009, que consideraram não declaradas as compensações, os referidos processos foram encaminhados ao SEFIS/DRF/CPS para que verificasse a pertinência do lançamento da multa isolada prevista no art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003. A fiscalização faz um relato acerca das intimações expedidas para o contribuinte e das respostas e documentos apresentados. Procedeuse então à análise da documentação apresentada pelo contribuinte, concluindo a autoridade fiscal que existiam elementos suficientes para o lançamento da multa de oficio prevista no art. 18 da Lei n°10.833/2003, conforme consta do Despacho Decisório SEORT/DRF/CPS de 02/02/2009. No tocante à apuração do crédito tributário, destacamse os seguintes registros: DA APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO 27.Com base nos Despachos Decisórios SEORT/DRF/CP3 de 05/07/2006 e do Despacho Decisório de 02/02/2000 que consideraram NÃO DECLARADAS AS COMPENSAÇÕES constantes dos processos de Pedido de Compensação n° 10166.014811/200491 e 10166.015940/203749, será lançado de ofício a multa isolada prevista no artigo 18 da Lei n° 10.833/03, alterado pela Lei n° 11.488, de 15/07/2007, conforme abaixo transcrito: 27.1 A exigência aqui formalizada tem como lastro o que dispõe a Lei n° 10.633/2003, na redação vigente à época dos fatos analisados: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.158 35, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da não homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo (Redação dada pela Lei n 11.488, de 15 de junho de 2007) (...). § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada Fl. 547DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10830.015718/200928 Acórdão n.º 1401001.617 S1C4T1 Fl. 70 4 nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose os percentuais previstos no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicando na forma de seu parágrafo 1º, quando for o caso (redação dada pela Lei n.11.488, de 15 de junho de 2007) 27.2. Por sua vez, a Lei n 9.430/96 assim dispõe nos artigos mencionados: Art 44 Nos casos de lançamento de ofício serão aplicadas as seguintes multas: 27.3. Assim, podese concluir que o contribuinte sujeitase à multa de 75% prevista no inciso I do art. 44 da. 44 ca Lei n° 9.430/9 ft quando aprésenla DCGVP considerada n declarada nas hipóteses em que o crédito seja terceiros, refirase a ''crédito prêmio", refirase a título público, seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado, ou não se refira a tributos e contribuições administrados pela antiga SRF (art. 74, §12, inciso II da Lei nº 9.430/96). Tal penalidade tem seu percentual duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, conforme §1° do art. 44 da Lei rf 9.430/96. 28. Ainda, conforme previsto no § 4° do artigo 13 da Lei 10.833/2003, com a,' redação dada pela Lei 11.483/2007, novamente transcrita abaixo para melhor clareza, o valor da multa a ser lançada deverá ser calculada sobre o valor total do débito indevidamente compensado e portanto, deverá ser feita a consolidação dos débitos na data do pedido de compensação, nos casos da solicitação ter sido efetuada após o vencimento do tributo. "Art. 18. O lançamento de oficia de que. trata o art 90 da Medido Provisória n" 2.15835. de 24 de agosto de 200!, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de da nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada peie sujeito passivo{...] § 4" Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei rt" 9.430, de 27 de dezembro de 1996. aplicandose a percentual previsto no inciso 1 da caput do art. 44 da Lei n° 9.430, ás 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1º, quando for o caso 28.1 Examinando as Dcomp dos 2 processos aqui tratados, concluise que ambas foram apresentadas após o vencimento de todos os tributos colocados em compensação. Portanto, devese considerar os valores a seguir, como base de cálculo da multa isolada a ser aplicada: [...] Em seguida, foi feito o detalhamento da apuração da multa isolada no percentual de 75%, além do registro das conclusões finais. Os demais documentos que embasaram a autuação foram juntados às fls. 19/409. IMPUGNAÇÃO Fl. 548DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10830.015718/200928 Acórdão n.º 1401001.617 S1C4T1 Fl. 71 5 O sujeito passivo teve ciência do lançamento em 23/11/2009, conforme Aviso de Recebimento AR de fl. 410, e apresentou a impugnação em 21/12/2009, fls. 414/460, fazendo uma breve síntese do contexto da matéria. Em seguida, nas questões de mérito, após fazer a transcrição dos termos do art. 18 da Lei n° 11.148, de 2007, alega que a imposição de multa isolada só incide na hipótese de não homologação de compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada, tendo ressaltado que se esmerou em esclarecer o erro material a que se deu a hipótese do protocolo original de uma das DCOMP do processo n° 10166.015940/200749. Destaca ainda que da primeira DCOMP não houve o devido reconhecimento de seus reflexos na contabilidade da empresa, haja vista o tema jurídico que envolvia o específico pleito de aproveitamento do dito crédito tributário, dai, importando dizer que os números, a escrituração, retratada nas cópias dos livros e atos juntados aos autos fielmente trazem a operação do negócio naquele anocalendário e no outro imediatamente seguinte (proc. 10166.014811/200491), seja a paralisação temporária da atividade etc. Portanto, mais uma vez pontifica o impugnante que, no que tange ao seu caso em tela, não ocorreu a figura da falsidade da declaração de compensação em fomento para qualquer dessas DCOMP's, como quis fazer crer a ilustre agente fiscal nas suas justificações de aplicação de multa isolada. Entende o impugnante que a aplicação dessa multa isolada, no percentual de 75%, é totalmente inaplicável à espécie a partir de simples leitura da própria capitulação em que se foi construída pelo legislador, TUDO PORQUE, nas DCOMP's há inexistência de falsidade do declarado. Conclui que auto de infração e nulo de pleno direito, tendo feito a transcrição de ementas de Acórdãos. Considerando que o agente fiscal situou a questão também com base no RIR 99 em seus requerimentos ao impugnante, entende este pela necessidade de trazer à colação o seu ponto de vista quanto a guindado estar a exegese desse mesmo RIR/99. Após fazer a transcrição de uma série de artigos do RIR/99, assevera que da documentação apresentada pela empresa consta escrituração que impede a caracterização da omissão de receita. Reproduz ainda legislação pertinente às hipóteses de arbitramento do lucro, possibilidade que considera afastada diante das declarações de renda e demais documentos contábeis. Nesse mesmo diapasão, reitera não haver falsidade nas suas DCOMP, consoante provado está nos documentos acostados aos autos. Salienta ainda que o contribuinte já envidou esforços e, de acordo com o preceituado pela Lei n° 11.941, de 2009, aderiu ao programa de parcelamento especial, conseguindo, inclusive, obter as certidões conjuntas expedidas por SRFB PGFN e pelo INSS, frisando que isto ocorreu porque obedeceu à legislação federal. No requerimento final, suplica o contribuinte pela juntada desse recurso aos autos desses processos epigrafados, dandose estrita observância ao principio da economia processual para tramitação do julgamento conjunto das matérias versadas, por fim, pelo conhecimento dos argumentos veiculados e, se for o caso, o deferimento de uma perícia contábil, a fim de que "expert" possa emitir parecer Fl. 549DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10830.015718/200928 Acórdão n.º 1401001.617 S1C4T1 Fl. 72 6 acerca do "modus operandi" adotado, afastando a alegada FALSIDADE das DCOMP, pois espera provar a realidade dos seus lançamentos a partir das declarações de renda, de seus balanços, balancetes, Livros Diário, Razão e Lalur, tornando nula essa espécie de autuação in casu erigida pela DRF/CAMPINAS. No despacho de fl. 461, a DRF de origem informa que não foram protocolados recursos contra os despachos de "não declaração" nos processos 10166.015940/200749 e 10166.014811/200491 que originaram o presente Auto. A DRJ MANTEVE o LANÇAMENTO, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 06/12/2004, 20/12/2007 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. Deve ser exigida multa isolada no percentual de 75% sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada indevida ou não declarada nas hipóteses previstas na legislação pertinente. Irresignada com a decisão de primeira instância a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. É o relatório. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10830.015718/200928 Acórdão n.º 1401001.617 S1C4T1 Fl. 73 7 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar de Nulidade Alega a Recorrente, em síntese, que: Consta claramente no AIIM, bem como comprovado por intermédio do Termo de Verificação Fiscal (Item 26) que, a Fiscalização capitulou a penalidade imputada a Recorrente de maneira duvidosa, de modo que, a procedeu de forma genérica, pois, ao chegar à conclusão de que "existem elementos suficientes para o lançamento da multa de ofício prevista no art. 18 da Lei n° 10.833/2003. conforme consta no Despacho Decisório SEORT/DRF/CPS de 02/02/2009". não teve o cuidado de informar de forma precisa, transparente e MOTIVADA quais seriam esses elementos, portanto, ausentes as motivações pata a prática do ato e enquadramento legal. Apenas para um melhor esclarecimento sobre o assunto, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no processo administrativo fiscal. Prescreve o art. 59 do Decreto 70235/72 com a nova redação dada pela Lei 8748/93: Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Por conseguinte, considerase nulo o ato, se praticado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, não tendo se caracterizado quaisquer das situações, pois não se põe em dúvida a competência do autor, nem há que se falar em preterição do direito de defesa, vez que os fatos apurados foram descritos com o respectivo enquadramento legal, e levados ao conhecimento, da autuada, levando a mesma a defenderse plenamente através da peça impugnatória acostada aos autos. Examinadose o Auto de Infração, não se constata nenhum vício de forma, tendo sido observadas as prescrições contidas no Decreto n° 70.235, de 1972. Verificase que constam adequadamente descritos os fatos apurados pela autoridade, a fundamentação legal, a matéria tributável, os valores apurados e os fatos motivadores da autuação. Acrescentese que, quando muito, em se admitindo o fato da autoridade lançadora ter cometido algum engano com relação à matéria de fato, enquadramento legal e a sua subsunção à norma, tratarseia então de questão de mérito e não de preliminar de nulidade. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10830.015718/200928 Acórdão n.º 1401001.617 S1C4T1 Fl. 74 8 Assim, rejeito as preliminar de nulidade suscitada. MÉRITO Primeiramente algumas considerações sobre o rito de defesa nas hipóteses de compensação não homologada ou não declarada, como é o caso. A compensação não homologada regese pelo Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, ex vi § 11, art. 74, da Lei n° 9.430, de 1996: A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9° e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. Por outro lado, no caso de contestação de decisão que considerou não declarada a compensação, nos termos do §§ 12 e 13 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, não foi ofertada a possibilidade de utilização da mesma via recursal, nem muito menos o efeitos suspensivo dos débitos indevidamente compensados, justamente porque nesses casos a lei já presume que os recursos em sua maioria são protelatórios, se a situação fática se enquadrar mesmo nas hipóteses de compensação consideradas não declaradas. Porém, nesse último caso (compensação considerada não declarada), admite se o recurso hierárquico, sem efeito suspensivo, nos termos do art. 56, § 1o e art. 61 da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Cabe também frisar que a matéria referente à compensação indevida é objeto dos processos n° 10166.014811/200491 e 10166.015940/200749. Nos presentes autos, (processo n° 10830.015718/200928) a matéria é consequência causal daquelas compensações consideradas indevidas: a exigência de multa isolada incidente sobre os débitos indevidamente compensados. Nesse ponto, quanto às questões atinentes aos pedidos de compensação, faz se remissão aos Despachos Decisórios SEORT/DRF/CPS, de 05/07/2006 e 02/02/2009, anexados às fls. 45/57, que consideraram indevidas e não declaradas as compensações. No primeiro processo acima referido (n° 10166.014811/200491), o Despacho Decisório SEORT/DRF/CPS, de 05/07/2006 (anexado às fls. 45/47), não homologou as compensações pelo fato de o crédito em questão ser de natureza não tributária: empréstimo compulsório ELETROBRÁS. No segundo processo acima referido (n° 10166.015940/200749), o Despacho Decisório SEORT/DRF/CPS, de 02/02/2009, considerou não declarada as compensações pelo fato de na época o crédito em questão estava sendo discutido na justiça e a decisão não havia sido transitado em julgado. Mas o que importa é que tais compensações não podem mais ser aqui, na instância administrativa, ser rediscutidas ou revisadas porque não foram protocolados recursos contra os despachos de "não declaração" nos processos n° 10166.014811/200491 e Fl. 552DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10830.015718/200928 Acórdão n.º 1401001.617 S1C4T1 Fl. 75 9 10166.015940/200749, conforme despacho de fl.461 e inclusive confirmado pela própria defendente. MULTA ISOLADA DE 75% Sendo definitivas na esfera administrativa as decisões que consideraram indevidas ou não declaradas as compensações, a princípio as portas estariam abertas para o lançamento da multa isolada no percentual de 75%, calculada sobre o valor dos débitos indevidamente compensados. É que o lançamento da multa isolada seria praticamente uma consequência de se considerar indevidas as compensações, se estas se satisfizerem as condições estabelecidas em lei. É de se ver. Nesse contexto, convém trazer a lume a evolução da legislação correlacionada à exigência da multa isolada fruto de compensação indevida: MP Nº 2.158, DE 24/08/2001: Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. LEI Nº 10.833, DE 29/12/2003, CONVERSÃO DA MP Nº 135, DE 30/10/2003: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. § 3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. ART. 18 DA LEI Nº 10.833/2003, COM AS MODIFICAÇÕES INTRODUZIDAS INICIALMENTE PELO ART. 25 DA LEI Nº 11.051, DE 30/12/2004, E EM Fl. 553DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10830.015718/200928 Acórdão n.º 1401001.617 S1C4T1 Fl. 76 10 SEGUIDA PELO ART. 117 DA LEI Nº 11.196, DE 21/11/2005. Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1o Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2o A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. § 2o A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 3o Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. § 4o A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicando se os percentuais previstos: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005, publicada em 22/11/2005) I no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II no inciso II do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 554DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10830.015718/200928 Acórdão n.º 1401001.617 S1C4T1 Fl. 77 11 § 5o Aplicase o disposto no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas no § 4o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) A multa isolada só encontra respaldo a partir da vigência do art. 18 da Lei n° 10.833, de 29/12/2003, que por sua vez é a Conversão da MP n° 135, de 30/10/2003 (DOU DE 31/10/2003), isso quer dizer que as Dcomps transmitidas antes de 31/10/2003 não teriam previsão legal para a cobrança dessa multa isolada. Nesse ponto, nada a reparar, pois a Dcomp mais antiga data de 06/12/2004. Todavia agora é mister que se analise a matéria à vista das inovações legislativas no instituto da compensação trazidas pela Lei n° 11.051, de 2004. Atentemos então para o fato de que a hipótese de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por ser de natureza não tributária, que contemplaria indiretamente a hipótese de o crédito não ser administrado pela Receita Federal embora não tenha sido essa hipótese alijada do tratamento infracional, ela foi situada em outro contexto: o das compensações consideradas nãodeclaradas, com multa de 150 %, a teor do § 4o do art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, que, até o advento da Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005, prescrevia: [...] § 4° A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O art. 74, § 12, da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004, dispõe: Art. 74. (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses I previstas no § 3o deste artigo; II em que o crédito: a) seja de terceiros: b) refirase a "créditoprémio" instituído pelo art. 1º do DecretoLei no 491, de 5 de março de 1969; c) refirase a título público; d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal — SRF [...](destaquei) Fl. 555DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10830.015718/200928 Acórdão n.º 1401001.617 S1C4T1 Fl. 78 12 Dessa forma, não obstante ter sido mantida essa hipótese no tratamento infracional, não se poderia em decorrência de alterações introduzidas no ordenamento jurídico após a apreciação da DCOMP pela autoridade competente, transformar o status da Dcomp de declaração nãohomologada, com os efeitos que lhe são próprios, inclusive o de extinguir o crédito tributário, sob condição resolutória de ulterior homologação da Dcomp, conforme art. 74, § 2o, da Lei n° 9.430, de 1996, para compensação não declarada. Apesar de o fiscal considerar a situação de “nãohomologação”, o que aconteceu foi que a DRJ, na verdade, considerou as “compensações não declaradas”. De fato também não houve uma exclusão de ilicitude das infrações originalmente previstas no.caput do art. 18 da Lei nº10.833 de2003, mas elas estão situadas em um contexto completamente diferente, e nesse caso para ser coerente teria que ter sido aplicado a multa de 150% e provado o evidente intuito de fraude, o que não foi o caso. A esse respeito trago novamente o §4° da Lei 11.051/2004. § 4o A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (destaquei) Ora, a “multa prevista no caput” é a multa de 150%. A multa de 75% somente reaparece com a edição da Lei 11.1196, de 22/11/2005: § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicando se os percentuais previstos: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005, publicada em 22/11/2005) I no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II no inciso II do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (destaquei) Ora, em todo os lançamentos relativos à multa isolada em questão, foi aplicado o percentual de 75%. Assim, o dolo nem ao menos foi aventado. Por isto, como se Fl. 556DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10830.015718/200928 Acórdão n.º 1401001.617 S1C4T1 Fl. 79 13 demonstrará adiante, a multa isolada referente a Dcomp de 2004 deve ser cancelada, já que naquele ano somente era cabível a penalidade de 150%, própria das infrações dolosas A esse respeito, os argumentos da DRJ, de forma genérica, passam ao largo da explicação de que a multa de 75% foi alijada do novo tratamento dado pela Lei 11.051, de 2004. E aí é que está o ponto relevante da questão. Sendo assim como poderia ter sido feito o lançamento com multa isolada de 75% ? É fato que a Lei nº 11.051/2004 extinguiu a multa de 75% para as compensações sem dolo, mantendo somente a multa qualificada para as hipóteses de sonegação, fraude ou conluio. Deixouse de definir como infração, punível com a multa de 75%, a compensação indevida sem dolo. Assim permaneceu até 22/11/2005, data de publicação da Lei nº 11.196/2005, cujo art. 117 alterou novamente o art. 74 da Lei nº 9.430/96, restabelecendo infrações não dolosas. Consequentemente, é indevida a exigência da referida multa para fatos geradores ocorridos anteriormente à Lei nº 11.1196, de 22/11/2005, por força do princípio da retroatividade benigna (art. 106, II do CTN), como foi o caso da dcomp entregue em 06/12/2004, referente ao despacho Decisório de 05/07/2006 (anexado às fls. 45/47). Neste sentido, existem inúmeros precedentes no âmbito desta Corte: MULTA ISOLADA. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. LEI Nº 11.051, DE 2004. EXIGÊNCIA DE SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO. A Lei nº 11.051, de 2004, previa a aplicação de multa isolada unicamente aos casos de compensação considerada não declarada pela autoridade fiscal em que houvesse a prática de evidente intuito de fraude, situação que vigorou até a publicação da Lei nº 11.196, de 2005. (Acórdão nº 20179.389, DOU 15/02/2007) COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. MULTA ISOLADA. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. LEI Nº 11.051, DE 2004. EXIGÊNCIA DE SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO. A Le inº 11.051; de 2004, previa a aplicação de multa isolada unicamente aos casos de compensação considerada não declarada pela autoridade fiscal em que houvesse a prática de evidente intuito defraude. (Acórdão nº 20179.666, DOU 18/2/2007) Todavia, isso não acontece em relação a dcomp referente ao Despacho Decisório SEORT/DRF/CPS, de 02/02/2009, que foi entregue em 20/12/2007 e, portanto, após a edição da Lei nº 11.1196, de 22/11/2005, onde de fato a compensação "é não declarada" mesmo. Fl. 557DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10830.015718/200928 Acórdão n.º 1401001.617 S1C4T1 Fl. 80 14 Portanto, DOU provimento PARCIAL ao Recurso. apenas para cancelar a multa isolada referente à compensação considerada indevida pelo Despacho Decisório SEORT/DRF/CPS, de 05/07/2006. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 558DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10540.000900/2010-83
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - MULTA - APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C//C LEI 11.941/08 - APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL - RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA - PEDIDO DE PARCELAMENTO - DESISTÊNCIA DO RECURSO
Tendo o contribuinte optado pelo parcelamento dos créditos, resta configurada a renúncia, devendo ser declarada a definitividade do crédito, ficando restabelecido a lançamento em seu estado original.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9202-003.855
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para declarar a definitividade do crédito tributário, por desistência do sujeito passivo.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para declarar a definitividade do crédito tributário, por desistência do sujeito passivo. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
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Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 00 09 00 /2 01 0- 83 Fl. 174DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para declarar a definitividade do crédito tributário, por desistência do sujeito passivo. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10540.000900/201083 Acórdão n.º 9202003.855 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório O presente processo envolve a lavratura do Auto de Infração de Obrigação Principal, (AI) DEBCAD n° 37.297.1946, em desfavor do recorrente, que tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, por descumprimento de obrigação principal, em nome do órgão público em epígrafe, referente às competências 04/07 e 06/07, recebido por meio de carta com aviso de recebimento, fls. 394 do Processo n° 10540.000902/201072 (DEBCAD n° 37297.1962) conexo aos presentes autos, no valor atualizado de R$ 58.644,42 (cinqüenta e oito mil, seiscentos e quarenta e quatro reais e quarenta e dois centavos), juntamente com os acréscimos legais correspondentes. De acordo com os Relatórios do Auto de Infração, fls. 01/20, e dos Relatórios de fls. 01/95 do Processo n° 10540.000902/201072 (DEBCAD n° 37297.1962) conexo aos presentes autos, os valores que integram a presente autuação referemse às contribuições patronais devidas pela empresa incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título aos segurados empregados, mais a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT). Consta dos autos o seguinte levantamento: FP1 FOLHA DE PAGAMENTO AVULSA. Constam neste levantamento os lançamentos de valores não declarados em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, decorrentes das diferenças detectadas entre as bases de cálculo pagas a segurados empregados contidas nas Folhas de Pagamento Avulsas dos meses de abril e junho de 2007 e valores de base de cálculo de segurados empregados declarados nas GFIP arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. Contempla as competências que entraram no comparativo entre as multas aplicáveis antes e depois da edição da Medida Provisória (MP) n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, e está sendo cobrada a multa atual, por ser mais benéfica ao contribuinte; Em sessão plenária de 11/07/2012, foi negado provimento ao Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão nº 2302001.937 (fls. 144 a 159), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 31/07/2009 É OBRIGATÓRIO O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO RETIDA DA REMUNERAÇÃO DO SEGURADO. APROPRIAÇÃO INDÉBITA As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, estes a partir de 04/2003, a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração. PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. O benefício da retroatividade benigna constante da alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se 11/1998. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte O processo foi encaminhado, para ciência da Fazenda Nacional que interpôs, tempestivamente, em 23/08/2013, o Recurso Especial (fls. 160/167). Em seu recurso restabelecer a multa aplicada nos termos da autuação, já que o art. 35 da Lei n° 8212/91 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei n° 11941/09, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44 da Lei 9430/96. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho fls. 168 a 171. O recorrente traz como alegações: Fl. 177DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10540.000900/201083 Acórdão n.º 9202003.855 CSRFT2 Fl. 4 5 · O artigo 35 da Lei nº 8.212/91 na nova redação conferida pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº11.941/2009, não pode ser entendido de forma isolada do contexto legislativo no qual está inserido, sobretudo de forma totalmente dissociada das alterações introduzidas pela MP nº 449 à legislação previdenciária. · A redação do art. 35A é clara. Efetuado o lançamento de ofício das contribuições previdenciárias indicadas no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, deverá ser aplicada a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430/96. · A multa de mora e a multa de ofício são excludentes entre si. E deve prevalecer, na hipótese de lançamento de ofício, configurada a falta ou recolhimento do tributo e/ou a falta de declaração ou declaração inexata, a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, diante da literalidade do art. 35A. · Nessa esteira, não há como se adotar outro entendimento senão o de que a multa de mora prevista no art. 35, da Lei nº8.212/91 em sua redação antiga (revogada) está inserida em sistemática totalmente distinta da multa de mora prescrita no art. 61 da Lei nº9.430/96. Logo, por esse motivo não se poderia aplicar à espécie o disposto no art. 106 do CTN, pois, para a interpretação e aplicação da retroatividade benigna, a comparação é feita em relação à mesma conduta infratora praticada, em relação à mesma penalidade. · Requer ao final seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91 (na anterior redação, confirmada pela Lei n.º 11.941/2009), em detrimento do art. 35A, também da Lei nº 8.212/91, devendo se verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei nº 8.212/91. É o relatório. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. PRELIMINARES OA MÉRITO Quanto ao questionamento sobre a multa aplicada, a qual deseja o recorrente ter seu patamar restabelecido àquele lançado pela autoridade fiscal, entendo que antes de adentrar as questões quanto ao mérito da contenda, existe uma questão prejudicial, que merece ser primeiramente enfrentada. Após a realização do exame de admissibilidade do recurso apresentado pela Fazenda Nacional, o sujeito passivo apresentou às fls. 613, requerimento de desistência, considerando ter o contribuinte requerido parcelamento do lançamento em questão, senão vejamos: "O Ente público solicita desistência irrevogável e irretratável de todas as modalidades de parcelamento, inclusive de suas autarquias e fundações, que contemplem débitos passíveis, total ou parcialmente, de inclusão no parcelamento da MP 589, de 2012." De fato, o art. 14, da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 7/2013 é expresso ao fixar como critério formal para adesão ao parcelamento instituído a renúncia por parte do contribuinte a todo e qualquer direito que fundamente ações judiciais ou administrativas. Eis o teor do citado artigo: Art. 14. Para aproveitar as condições de que trata esta Portaria, o sujeito passivo deverá desistir de forma irrevogável de impugnação ou recurso administrativos, de ações judiciais propostas ou de qualquer defesa em sede de execução fiscal e, cumulativamente, renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os processos administrativos e ações judiciais. Diante disto, não há mais litígio em questão, uma vez que o contribuinte renunciou ao seu direito de discutir o lançamento efetuado. Assim, devese declarar a definitividade do crédito tributário nos moldes fixados no auto de infração. Frisese que ao aderir ao parcelamento e desistir do procedimento administrativo, renúnciando as alegações de direito, o parcelamento do débito será realizado tendo por base os exatos valores apurados pelo Fisco quando do lançamento tributário. CONCLUSÃO Fl. 179DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10540.000900/201083 Acórdão n.º 9202003.855 CSRFT2 Fl. 5 7 Diante do exposto, CONHEÇO E DOU PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda para declarar a definitividade do crédito tributário como previsto no auto de infração originalmente lavrado, haja vista o pedido de desistência apresentado sujeito passivo. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 180DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 11968.000921/2009-15
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/08/2008 a 31/03/2009
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.721
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/08/2008 a 31/03/2009 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/08/2008 a 31/03/2009 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 8. 00 09 21 /2 00 9- 15 Fl. 255DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000921/200915 Acórdão n.º 9303003.721 CSRF‐T3 Fl. 256 2 Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801004.849. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento. Após tomar ciência do mencionado acórdão, a Contribuinte apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei 12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.552, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/200648, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.552): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Fl. 256DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000921/200915 Acórdão n.º 9303003.721 CSRF‐T3 Fl. 257 3 Lei 12.350, de 20/12/2010). Além disso, ambos citaram expressamente as alterações promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial. A matéria devolvida a este Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental de prestar informação. Aplicandose o entendimento defendido pela Recorrente, os prazos estipulados pela legislação aduaneira, para prestar informações à RFB, poderiam ser descumpridos pelo sujeito passivo sem punição, tendo como única condição que a prestação das informações seja efetuada antes do início de ação fiscal. Ou seja, os prazos para a apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos fatais, como é a regra na legislação tributária. Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicarse à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se Fl. 257DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000921/200915 Acórdão n.º 9303003.721 CSRF‐T3 Fl. 258 4 refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' 1. 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' 2. 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' 3 Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000921/200915 Acórdão n.º 9303003.721 CSRF‐T3 Fl. 259 5 entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: '40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, Fl. 259DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000921/200915 Acórdão n.º 9303003.721 CSRF‐T3 Fl. 260 6 inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está Fl. 260DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000921/200915 Acórdão n.º 9303003.721 CSRF‐T3 Fl. 261 7 vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000921/200915 Acórdão n.º 9303003.721 CSRF‐T3 Fl. 262 8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face Fl. 262DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000921/200915 Acórdão n.º 9303003.721 CSRF‐T3 Fl. 263 9 da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam 5 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000921/200915 Acórdão n.º 9303003.721 CSRF‐T3 Fl. 264 10 infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Fl. 264DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000921/200915 Acórdão n.º 9303003.721 CSRF‐T3 Fl. 265 11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por Fl. 265DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000921/200915 Acórdão n.º 9303003.721 CSRF‐T3 Fl. 266 12 considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 266DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10283.002657/95-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1991
PASSIVO FICTÍCIO
A manutenção de obrigações no passivo, decorrentes de empréstimo não comprovado com documentação hábil e idônea, caracteriza omissão de receitas.
LANÇAMENTOS REFLEXOS. DECORRÊNCIA
Os mesmos fundamentos que determinaram a manutenção do lançamento referente ao IRPJ aplicam-se aos lançamentos reflexos, em razão da íntima relação de causa e efeitos existente entre os mesmos.
Numero da decisão: 1401-001.602
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas e Aurora Tomazini Carvalho. Ausente, momentânea e justificadamente, a Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin.
Nome do relator: Fernando Luiz Gomes de Mattos
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Recorrente HALLER RELÓGIOS DO BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1991 PASSIVO FICTÍCIO A manutenção de obrigações no passivo, decorrentes de empréstimo não comprovado com documentação hábil e idônea, caracteriza omissão de receitas. LANÇAMENTOS REFLEXOS. DECORRÊNCIA Os mesmos fundamentos que determinaram a manutenção do lançamento referente ao IRPJ aplicamse aos lançamentos reflexos, em razão da íntima relação de causa e efeitos existente entre os mesmos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas e Aurora Tomazini Carvalho. Ausente, momentânea e justificadamente, a Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 26 57 /9 5- 16 Fl. 767DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório que conta do Acórdão 3202001.388 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, o qual declinou a competência para julgar o presente processo em favor da Primeira Seção deste CARF, fls. 703705: O presente litígio decorre de lançamentos de ofício, veiculados por meio de autos de infração (efls. 126/ss), para a exigência do IRPJ, CSLL, IRFonte, PIS e Finsocial, respectivas multas de ofício e juros moratórios, no em decorrência de suposta omissão de receitas caracterizada pela manutenção no passivo de obrigações sem a devida comprovação, para o período de apuração de 01/01/1991 a 31/12/1991. Para elucidar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa (efls. 194/ss), verbis: 1. RELATÓRIO Como resultado da ação fiscal procedida foram lavrados os seguintes Autos de Infração: O fato descrito na folha de continuação ao Auto de Infração (fls.118/119) como infringente aos dispositivos legais mencionados é a omissão de receitas, caracterizada pela manutenção no passivo de obrigação não comprovada, (Passivo Fictício) referente a empréstimo da Calmson no valor de Cr$ 6.367.413968,00 em 31.11.91; amparado em minuta de Instrumento Particular de Contrato de Mútuo desprovido das formalidades capazes de lhe imprimir autenticidade. A infração foi enquadrada nos seguintes dispositivos legais: arts. 157 e §1º; 179; 180 e 387, inciso II, todos do RIR/80 (Decreto n° 85.450/80). A empresa tomou ciência da autuação em 30.06.95, conforme AR às fls. 146 e apresentou sua impugnação em 27107/95, portanto dentro do prazo legal, cujas alegações, em síntese, são as seguintes: PRELIMINARMENTE Requer a nulidade do lançamento porque os AFTN não compensaram os prejuízos fiscais acumulados de períodosbase anteriores que, antes do advento da Lei 8.541/92, era imperativo Fl. 768DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10283.002657/9516 Acórdão n.º 1401001.602 S1C4T1 Fl. 3 3 fazêlo, conforme já decidiu o Conselho de Contribuintes em acórdãos cujas ementas transcreve. NO MÉRITO A Impugnante, no mês de junho de 1990, efetuou operações envolvendo empresas ligadas com sede no exterior, tudo em conformidade com a legislação brasileira, conforme abaixo: DESCRIÇÃO DA OPERAÇÃO 1) A Impugnante (HALLER) remeteu numerário à KIENZLE alemã, a título de retorno de capital pela aquisição da KIENZLE do Brasil, no valor total de DM 10.118.094,13 cujas remessas foram feitas através do Banco Central do Brasil, conforme Contratos de Câmbio doe. 1 a 3 (fls. 163/165); 2) Simultaneamente, a KIENZLE alemã firmou contrato de mútuo com a CALMSON S/A, empresa ligada com sede em Montevidéu e remeteu p. numerário (DM8.118.094,13) para a contacorrente desta junto ao Deutsche Bank naquela cidade, conforme avisos de crédito bancário doc. 7 a 9 (fls. 169/171) e documentos de fechamento de câmbio doe. 10 a 12 (fls.172/174); 3) CALMSON S/A, por sua vez, firmou contrato de mútuo com a HALLER doc. 13 (fls.175/177) no montante de DM 8.097.798,90 que foi remetido através do Deutsche Bank, conforme avisos de débitos bancários doc. 14 a 16 (fls. 178/180), sendo que a diferença entre o valor oriundo da Alemanha e o mútuo à Impugnante referese à comissão bancária. 4) Com a concretização do mútuo a HALLER registrou em seu passivo a obrigação para com a CALMSON, que por sua vez contabilizou o crédito a receber doc. 17 (fls.181). DA COMPROVAÇÃO DO MÚTUO Não obstante conhecerem as informações acima, os AFTN efetuaram o lançamento do IRPJ e seus reflexos, concluindo pela não comprovação do empréstimo obtido, entendendo a Impugnante que a documentação apresentada não deixa dúvidas quanto à realização da operação de mútuo. Alegam os AFTN que, ainda que restasse comprovada a operação, esta estaria vencida desde junho/91, pois as partes não acordaram nova data de vencimento da obrigação, porém é sabido que sob a ótica da Lei Civil a prova dos atos jurídicos não depende de forma especial, senão quando a lei expressamente o exigir (art.129 do CCB). O próprio Fisco admite que entre empresas ligadas bastam os lançamentos contábeis para comprovar o mútuo e suas atualizações. A presunção da invalidade do contrato firmado só teria chances de prosperar se a fiscalização lograsse provar a Fl. 769DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 4 falsidade do ato ou se os documentos evidenciassem tal fato, o que não é o caso . Para que haja passivo fictício é preciso que o credor dê por quitado o crédito em seus registros contábeis e juridicamente, mediante quitação ao devedor, sendo que o fato das partes não haverem acordado expressamente a prorrogação do vencimento da obrigação não evidencia a liquidação da mesma, tanto que a o ativo (Calmson) e a passivo (Haller) continuam a figurar nos respectivos balanços até hoje, atualizados monetariamente, demonstrado pelo doc. 18 (fls.182). Não há, portanto, qualquer evidência de que a Impugnante já tenha liquidado esta dívida. Pelo contrário, é o custo da atualização dessa dívida que está prejudicando seriamente seus resultados operacionais. DA IMPOSSIBILIDADE DE OMISSÃO DE RECEITA O lançamento fundamentado em omissão de receita somente deve prosperar se a Autoridade Fiscal detectar a prática de operações destinadas a ocultar o ingresso de receita, o que seria impossível acontecer no caso da impugnante que teve faturamento mensal incompatível com o valor lançado, por não possuir recursos materiais e humanos capazes de gerar o faturamento considerado omitido. Transcreve ementas de acórdãos do 1° Conselho de Contribuintes para amparar suas alegações. DOS REFLEXOS CSLL/IRF/PIS/FINSOCIAL Conforme fartamente aduzido e fundamentado, a exigência fiscal é insubsistente, o que atinge, por decorrência, os Autos de Infração reflexos. Cabe acrescentar, em relação ao FINSOCIAL, que o Pleno do STF, em julgamento ao RE n° 150.7641 PE decidiu pela inconstitucionalidade dos aumentos de alíquota dessa contribuição, por não terem sido efetuados por leis complementares, sendo indevida sua cobrança à alíquota superior a 0,5%. Finalmente, a Impugnante ataca a exigência do IRF com fundamento no art.8° do Decretolei n° 2.065/83, revogado pela Lei n° 7.713/88 que instituiu o ILL a partir de 01/01/89. Isto porque a norma emanada do DL é presunção de distribuição de lucros que, até o advento da Lei 7.713/88, estavam sujeitos ao IR somente quando distribuídos. Conclui que a receita tomada como omitida estaria sujeita não ao IRF à alíquota de 25%, mas ao ILL à alíquota de 8%, porque a norma contida no art.8° do DL 2065/83 foi totalmente revogada pela Lei 7713/88. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Manaus proferiu a Decisão DRJ/MNS nº 228/95, determinando a lavratura de auto de infração complementar, a qual recebeu a seguinte ementa: Fl. 770DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10283.002657/9516 Acórdão n.º 1401001.602 S1C4T1 Fl. 4 5 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DO DIREITO TRIBUTÁRIO EMENTA: Processo Administrativo Fiscal Quando, em exame posterior realizado no curso do processo, forem verificadas incorreções que resultem inovações ou alterações das bases de cálculo do tributo ou da fundamentação legal da exigência, será lavrado Auto de Infração Complementar, devolvendose ao sujeito passivo prazo para impugnação no concernente à matéria modificada (§ 3° do art. 18 do Decreto n° 70.235/72, introduzido pelo art.1° da Lei 8.748 de 09/12/93). DETERMINAÇÃO PARA LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO COMPLEMENTAR. Em atendimento à decisão supracitada, forma lavrados autos de infração complementares em 29/11/1996 (efls. 389/475), relativos ao IRPJ, IRFonte, CSL, PIS e Finsocial. A empresa apresentou impugnação à autuação complementar (efls. 485/ss). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Manaus proferiu a Decisão DRJ/MNS nº 207/98, mantendo integralmente o lançamento efetuado, a qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Reflexos: PIS, COFINS, IRRF, C. SOCIAL EMENTA: PASSIVO FICTÍCIO A manutenção de obrigações no passivo, decorrentes de empréstimo não comprovado com documentação hábil e idônea, caracteriza omissão de receitas; DESPESAS DE JUROS E VARIAÇÃO CAMBIAL Não comprovado o empréstimo, devem ser glosadas as despesas de juros e variação cambial dele decorrentes; PREJUÍZOS COMPENSADOS Em decorrência de infrações constatadas e de glosas de despesas indevidas, os prejuízos compensados devem ser revertidos. APLICAÇÃO DA TRD No período em que foi declarada inconstitucional a aplicação, deve ser subtraída a TRD como juros de mora. LANÇAMENTOS REFLEXOS: DECORRÊNCIA Os mesmos fundamentos que determinaram a manutenção do lançamento atinente ao IRPJ servem para dar igual destino aos lançamentos reflexos. A interessada regularmente cientificada da Decisão proferida em 11/05/1998 (efolhas 567/ss), interpôs Recurso Voluntário em 09/06/1998 (efls. 576/ss), repisando os argumentos já trazidos na impugnação. Fl. 771DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 6 O presente processo foi encaminhado para a Terceira Seção de Julgamento deste CARF. O Acórdão 3202001.388 2ª Câmara / 2ª Turma, da Terceira Seção de Julgamento, declinou a competência em favor da Primeira Seção. É o relatório. Fl. 772DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10283.002657/9516 Acórdão n.º 1401001.602 S1C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais e, portanto, merece ser conhecido. Conforme relatado, tratase da exigência de crédito tributário representado pelos Autos de Infração IRPJ (fls. 117/121) e seus reflexos, PIS (fls. 122/1126), FINSOCIAL (fls. 127/131), IRRF (fls. 132/136) e Contribuição Social (fls. 137/141), alterado pelos Autos de Infração Complementares de fls. 318/383. Tais lançamentos foram motivados pela constatação de omissão de receitas, caracterizada pela manutenção no Passivo Exigível a Longo Prazo em 30 de junho de 1990, de empréstimo suspostamente contraído no exterior (Uruguai), contabilizado como "EMPRÉSTIMO CALMSON", código contábil 2.1.2.5.0003, no valor de Cr$ 383.026.664,09, sem a comprovação, com documentos hábeis e idôneos, da operação registrada em sua contabilidade. Houve, também, glosa de despesas financeiras, juros, sobre empréstimo fictício, despesa indevida de correção monetária e glosa de variação cambial passiva, glosa de compensação indevida de prejuízos fiscais em decorrência das infrações nos períodosbase 1990 a 1993. Em sua peça recursal, repetindo o que havia alegado na fase impugnatória, a contribuinte sustentou que não há comprovação do passivo fictício, posto que o empréstimo questionado realmente existiu, conforme fez prova com avisos de débitos e registro em sua contabilidade. Afirmou, outrossim, que o mútuo foi prorrogado sem ato expresso, o que não fere a lei, e não procede a glosa das despesas de variação monetária e variação cambial. Nestes termos, requereu o cancelamento do auto de infração de infração principal e dos reflexos. Com relação ao ILL, afirmou que o contrato social não prevê a distribuição automática dos lucros. A questão básica a ser decidida por esta colegiado diz respeito à comprovação do empréstimo ou seja, decidir se há prova de que o dinheiro questionado efetivamente entrou na empresa, proveniente de empréstimo. O destino de todos os lançamentos será mera consequência desta constatação (efetividade ou não do empréstimo). Sobre o tema, posicionouse com muita clareza e lucidez a decisão de piso, fls. 563564: [...] O contribuinte teve oportunidade de sobra, antes da autuação, após a autuação com a impugnação e muito mais durante a revisão do lançamento por determinação do julgador, de provar que o dinheiro efetivamente entrou na empresa e que foi originário de empréstimo devidamente documentado. Não basta juntar avisos de débitos, extratos de contas correntes se estes documentos, de fls. 428/433, não identificam a autuada Fl. 773DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 8 como destinatária, nem indicam o número da conta corrente bancária. O contrato de que fala o contribuinte, que na realidade seria uma minuta e registros contábeis não comprovam a entrada dos valores indicados. 2.5 Alega o contribuinte que não há comprovação de que tenha liquidado uma obrigação e a mesma tenha sido mantida, como estipula o artigo 12, § 2°, da Lei 1.598/77. Não foi a obrigação que gerou a omissão. Foi a omissão que gerou a obrigação fictícia. Não há comprovação do empréstimo, ou seja, que o dinheiro tenha entrado na empresa originário de um empréstimo devidamente comprovado. Todos os documentos apresentados não indicam que tenha havido depósito na conta da empresa. Logo todas as despesas decorrentes da natureza da conta 2.415.3354 12 EMPRÉSTIMO como juros e variação cambial serão excluídos, como de fato foram no lançamento complementar. Teoricamente, inexistente a prova do empréstimo, deixaria de existir o passivo fictício, porque obrigação alguma houve. Mas, com o observa o contribuinte, houve reflexos no seu patrimônio decorrentes de capital de terceiros. Não comprovando que o capital foi de terceiros, a presunção é que tenha sido da omissão de receitas, cuja forma encontrada pelo contribuinte foi fazêlas retornar como empréstimo. 2.6 Como já foi afirmado, não havendo o contribuinte elidido a questão fundamental do lançamento, a falta de prova da entrada do dinheiro originário de empréstimo externo, procedentes são as consequências, como omissão de receita, glosa das despesas de variação cambial e glosa de compensação de prejuízos e, em razão de ser procedente o lançamento matriz, os reflexos o são pelos mesmos fundamentos de fato e de direito. Em sua peça recursal, a contribuinte abstevese de trazer aos autos novos elementos de prova, limitandose a afirmar que os documentos constantes dos autos são suficientes para demonstrar a efetividade do empréstimo. No que tange à falta de apresentação dos extratos bancários, assim se manifestou a recorrente, fls. 480: [...] os extratos bancários não foram apresentados porque o banco pediu prazo absurdo, incompatível com a limitação de tempo da Impugnação (sic). Desejasse conhecer a realidade, poderia o próprio senhor AFTN requisitar do banco esse extrato, e provavelmente teria sido atendido com maior brevidade. Não assiste razão à recorrente. De plano, percebese que, em relação ao presente tema, a peça recursal constitui simples cópia da peça impugnatória. Olvidouse a contribuinte, até mesmo, de alterar o nome da peça de defesa (impugnação, em vez de recurso voluntário). O fato é que a contribuinte tinha o ônus da prova de comprovar a efetividade dos empréstimos. Não competia ao Fisco produzir tal prova. Além disso, salta aos olhos que a contribuinte efetivamente não fez qualquer esforço visando obter os aludidos extratos bancários, que supostamente poderiam comprovar a efetividade do empréstimo. Fl. 774DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10283.002657/9516 Acórdão n.º 1401001.602 S1C4T1 Fl. 6 9 Mesmo admitindose como verdadeira a alegação de que o banco tivesse pedido um prazo "absurdo", e "incompatível com a limitação de tempo da impugnação", certamente os extratos, se tivessem sido solicitados pela recorrente, teriam sido obtidos até o prazo para apresentação do recurso voluntário. Afinal, decorreram aproximadamente 2 anos entre a apresentação dessas duas peças de defesa ! Diante da falta de apresentação destes extratos e de qualquer outro elemento de prova por parte da contribuinte, é forçoso concluir pela procedência do presente lançamento. Igual decisão deve ser adotada em relação aos lançamentos decorrentes, tendo em vista a íntima relação de causa e efeito em relação ao lançamento principal. Especificamente no que diz respeito à tributação reflexa na pessoa dos sócios pela distribuição presuntiva dos lucros, em decorrência da omissão de receitas, não procede a alegação da recorrente, posto que a legislação de regência, à época dos fatos, não exigia a previsão de distribuição automática dos lucros no contrato social da contribuinte. Conforme bem apontado na decisão de piso, ao contribuinte só caberia comprovar que não se materializou a omissão de receitas, para elidir a presunção legal de distribuição dos lucros. Conclusão Diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 775DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 11684.000674/2010-69
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 06/07/2010
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.681
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 06/07/2010 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 4. 00 06 74 /2 01 0- 69 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.000674/201069 Acórdão n.º 9303003.681 CSRF‐T3 Fl. 214 2 Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801004.820. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento. Após tomar ciência do mencionado acórdão, a Contribuinte apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei 12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.552, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/200648, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.552): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Fl. 214DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.000674/201069 Acórdão n.º 9303003.681 CSRF‐T3 Fl. 215 3 Lei 12.350, de 20/12/2010). Além disso, ambos citaram expressamente as alterações promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial. A matéria devolvida a este Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental de prestar informação. Aplicandose o entendimento defendido pela Recorrente, os prazos estipulados pela legislação aduaneira, para prestar informações à RFB, poderiam ser descumpridos pelo sujeito passivo sem punição, tendo como única condição que a prestação das informações seja efetuada antes do início de ação fiscal. Ou seja, os prazos para a apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos fatais, como é a regra na legislação tributária. Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicarse à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se Fl. 215DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.000674/201069 Acórdão n.º 9303003.681 CSRF‐T3 Fl. 216 4 refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' 1. 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' 2. 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' 3 Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.000674/201069 Acórdão n.º 9303003.681 CSRF‐T3 Fl. 217 5 entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: '40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, Fl. 217DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.000674/201069 Acórdão n.º 9303003.681 CSRF‐T3 Fl. 218 6 inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está Fl. 218DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.000674/201069 Acórdão n.º 9303003.681 CSRF‐T3 Fl. 219 7 vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.000674/201069 Acórdão n.º 9303003.681 CSRF‐T3 Fl. 220 8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face Fl. 220DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.000674/201069 Acórdão n.º 9303003.681 CSRF‐T3 Fl. 221 9 da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam 5 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.000674/201069 Acórdão n.º 9303003.681 CSRF‐T3 Fl. 222 10 infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Fl. 222DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.000674/201069 Acórdão n.º 9303003.681 CSRF‐T3 Fl. 223 11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por Fl. 223DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.000674/201069 Acórdão n.º 9303003.681 CSRF‐T3 Fl. 224 12 considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 224DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13811.001213/98-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jul 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1994
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Para que reste configurada a nulidade por cerceamento de defesa não basta mera alegação, sendo necessária a prova da efetiva restrição a direitos do contribuinte. Ausente esta, não há que se anular o despacho decisório emanado de autoridade administrativa competente.
VERDADE MATERIAL. É certo que o processo administrativo deve se pautar pela busca da verdade material, mas a aplicação desse princípio não tem o condão de inverter o ônus da prova, mormente quando o próprio contribuinte preenche a DIPJ com o valor do crédito que acabou sendo deferido pela autoridade administrativa.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO. IRRF. INDEFERIMENTO. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos pode ser compensado na declaração de pessoa jurídica uma vez comprovado que houve a retenção e que os respectivos rendimentos foram oferecidos à tributação. Não tendo sido verificado que a empresa sofreu retenção em valor superior ao já concedido pela autoridade administrativa prevalece o por estar decidido.
Numero da decisão: 1401-001.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Antonio Bezerra Neto (presidente), Livia De Carli Germano (vice-presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Aurora Tomazini de Carvalho.
Acompanhou o julgamento em nome da recorrente a Drª Ana Claudia Oliveira - OAB/DF nº 28.685.
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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Recorrida DRJ em São Paulo I SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1994 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Para que reste configurada a nulidade por cerceamento de defesa não basta mera alegação, sendo necessária a prova da efetiva restrição a direitos do contribuinte. Ausente esta, não há que se anular o despacho decisório emanado de autoridade administrativa competente. VERDADE MATERIAL. É certo que o processo administrativo deve se pautar pela busca da verdade material, mas a aplicação desse princípio não tem o condão de inverter o ônus da prova, mormente quando o próprio contribuinte preenche a DIPJ com o valor do crédito que acabou sendo deferido pela autoridade administrativa. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO. IRRF. INDEFERIMENTO. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos pode ser compensado na declaração de pessoa jurídica uma vez comprovado que houve a retenção e que os respectivos rendimentos foram oferecidos à tributação. Não tendo sido verificado que a empresa sofreu retenção em valor superior ao já concedido pela autoridade administrativa prevalece o por estar decidido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Antonio Bezerra Neto (presidente), Livia De Carli Germano (vicepresidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 12 13 /9 8- 42 Fl. 590DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 14/07/20 16 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO 2 Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Aurora Tomazini de Carvalho. Acompanhou o julgamento em nome da recorrente a Drª Ana Claudia Oliveira OAB/DF nº 28.685. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente Relatório Tratase de pedido de restituição de IRPJ no valor de R$ 242.118,31, que equivale a 292.166,42 UFIR, haja vista os créditos gerados no ano de 1994 em razão das retenções e recolhimentos efetuados a maior por parte da Recorrente e de empresas por ela incorporadas. O pedido foi deferido parcialmente, tendo sido reconhecido o direito creditório no montante de R$ 157.270,86. A empresa então apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando o cerceamento de defesa em virtude da greve dos servidores da RFB, bem como ao direito de restituição/compensação dos créditos das empresas MDK e CAELL, que foram por ela incorporadas. A DRJ/SPI indeferiu referida manifestação, em acórdão assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Ano calendário: 1994 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não tendo sido verificado a efetiva ocorrência de cerceamento do direito de defesa, não há que se anular o despacho decisório emanado de autoridade administrativa competente. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. IRRF. INFORME DE RENDIMENTOS. DIRF. INDEFERIMENTO. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos poderá ser compensado na declaração de pessoa fisica ou jurídica, se o contribuinte possuir o comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, sendo a DIRF e outros elementos de prova de modo a corroborar com sua autenticidade. Não tendo sido verificado que a empresa foi retida em valor superior ao já concedido pela autoridade administrativa, prevalece o por estar decidido. Fl. 591DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 14/07/20 16 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO Processo nº 13811.001213/9842 Acórdão n.º 1401001.667 S1C4T1 Fl. 591 3 Manifestação de inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido. Intimada da decisão em 8/09/2010, a empresa apresentou tempestivamente recurso voluntário, em 5/10/2010. Em síntese, quanto ao cerceamento de defesa, alega que os servidores da Receita Federal do Brasil estavam em estado de Greve quando da decisão que homologou parcialmente do pedido de compensação, o que teria impedido o acesso aos autos e a verificação do teor dos documentos mencionados no despacho decisório. No mérito, argumenta que tem direito a restituir o crédito apurado pelas empresas por incorporadas CAELL e MDK, já que não teve imposto a pagar, tendo em vista a apuração de prejuízo fiscal no período. Em seu pedido, requer: "a) sejam acatados os argumentos preliminarmente suscitados (cerceamento de defesa) e, em conseqüência, seja decretada a nulidade decisão guerreada, para o que a Recorrente tenha a possibilidade em análise aos documentos citados no primeiro despacho decisório e novamente por meio de Manifestação de inconformidade demonstrar o direito de seu crédito; b) sejam acatados os argumentos meritórios, reconhecendose o crédito constante dos PER/DCOMP's analisados, em vista da prevalência da verdade material sobre a formal, onde para tanto é condição sine qua non a conversão do julgamento em diligência com a respectiva intimação da empresa para esclarecer e juntar documentos que comprovam seu direito creditório, que, frisese, referese a documentos com mais de 15 (quinze) anos de história." É o relatório. Voto O recurso é tempestivo e está de acordo com todos os requisitos legais e regimentais de admissibilidade, portanto dele conheço. Cerceamento de defesa Quanto à alegação sobre o cerceamento de defesa, de fato é possível que, durante o período denominado pela empresa como "Estado de Greve", esta possa não ter tido acesso aos autos. Fl. 592DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 14/07/20 16 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO 4 Todavia, a Recorrente sequer alega expressamente que tenha tentado efetivamente obter acesso aos autos e que este fora negado em virtude da greve, nem traz qualquer início de prova este sentido. Conforme observou o acórdão recorrido, os serviços de atendimento ao Contribuinte costumeiramente são preservados nessas ocasiões. A Recorrente, por sua vez, limitase a argumentar que "é notório e sabido de todos que quando os trabalhadores (no caso os servidores) entram em estado de greve, não há como se ter a prestação dos serviços, pois os acessos aos prédios das repartições são bloqueados pelos funcionários que aderiam a greve e, aos que não aderiram, sempre que se consegue contato por telefone, alega não conseguir atender, por estarem com reduzido número de funcionários e a demanda é grande." Ora, para que reste configurada a nulidade por cerceamento de defesa não basta que este seja alegado, este deve ser efetivo. Por falta de provas, deixo de acolher o pedido de nulidade da decisão por cerceamento de defesa da Recorrente. Crédito apurado pelas empresas CAELL e MDK Neste ponto, a Recorrente pleiteia a conversão do julgamento em diligência por afirmar que a decisão recorrida "se limita a buscar a verdade aproximada e não a real". Conforme observou o acórdão recorrido, os valores pleiteados a título de IRRF foram reconhecidos, porém apenas parcialmente. Quanto à CAELL, a Recorrente solicitou o valor de CR$85.194.203,39 + R$35.341,94, com base no informe de rendimentos da Eletropaulo (fls. 297): Fl. 593DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 14/07/20 16 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO Processo nº 13811.001213/9842 Acórdão n.º 1401001.667 S1C4T1 Fl. 592 5 Segundo os cálculos internos da empresa constantes da "Posição para informação do IRPJ 94/95" (fls. 296), a soma dos valores acima totalizaria 192.513,80 UFIR: Não obstante, ao preencher a DIRPJ (fls. 436), a própria Recorrente informou o valor total de 152.292,79 UFIR: Este foi também o valor que constou do extrato do IRF Consulta banco de dados da RFB (fls. 311): Fl. 594DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 14/07/20 16 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO 6 Com base nisso, a autoridade administrativa admitiu o crédito no valor de 152.292,79 UFIR. Notase que a discussão aqui não é sobre o valor do IRRF retido em moeda nacional (CR$ e R$) o qual é o mesmo seja nas apurações da empresa seja da autoridade administrativa , mas o seu correspondente em UFIR. Para o correspondente em UFIR, a empresa trouxe cálculos divergentes em sua DIRPJ e no pedido de restituição, e a autoridade administrativa concedeu o crédito com base nos valores constantes da DIRPJ e no extrato IRF consulta. Não consta dos autos que a Recorrente tenha sequer questionado o critério de conversão dos valores para UFIR. Pelo contrário, o seu pedido no presente recurso se limita à realização de diligências para a apresentação de documentos. Estando os valores em moeda incontroversos, não é o caso de se deferir qualquer diligência para a apresentação de documentos. Se havia alguma diligência a se deferida seria para verificar o critério de conversão dos valores de CR$ e R$ para UFIR, o que não foi objeto do recurso. É certo que o processo administrativo deve se pautar pela busca da verdade material, mas a aplicação desse princípio não tem o condão de inverter o ônus da prova, que neste caso é da Recorrente, mormente considerando que ela mesma preencheu os valores em sua DIRPJ que acabaram sendo deferidos e que sequer contestou o critério de conversão para UFIR. Observese que o precedente mencionado no recurso voluntário como sendo "exemplo da jurisprudência administrativa" sobre a prevalência da verdade material sobre a formal (acórdão 10419.193) tratou de caso completamente diverso, em que os documentos que comprovavam o crédito em discussão estavam em poder da repartição fiscal. Diante disso, não merecer reparos a decisão recorrida, que observa: "O saldo se resumiu ao informe de rendimentos da Eletropaulo e que, na transposição do IRRF deste, transformado em número de UFIR, incorreu em equívocos a Manifestante, devendo ser Fl. 595DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 14/07/20 16 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO Processo nº 13811.001213/9842 Acórdão n.º 1401001.667 S1C4T1 Fl. 593 7 considerado o valor da DIRF, que está mais próximo da verdade, não podendo ser diminuído o montante já concedido, dada a impossibilidade de reformatio in pejus." Por sua vez, no caso da MDK a Recorrente solicitou o crédito de IRRF no valor de 17.399,27 UFIR, tendo sido concedido o valor de 7.159,23 UFIR. Os cálculos internos da empresa indicam um valor total de IR retido de 44.742,12 UFIR o que se depreende da sua "Posição para informação do IRPJ 94/95", a qual traz respectivamente valores de 40.709,54 UFIR (fls. 298) e 4.032,58 UFIR (fls. 299). Não obstante, o Despacho Decisório (fls. 331) constatou que o valor total constante dos extratos IRF Consulta de fls. 312316 foi de 34.502,08 UFIR. Além disso, a decisão recorrida observou que os valores constantes dos informes de rendimentos anexados a fls. 373383 equivalem, na verdade, a 33.148,04, sendo portanto inferiores aos informados nas DIRFs devidamente corrigidos (34.502,08). Em sua DIRPJ, a empresa compensou o valor de 27.342,85 UFIR (fls. 100) no próprio ano calendário, fato este incontroverso. Assim, a Recorrente entende que teria um saldo de 17.399,27 UFIR (fl. 300 e 372) a restituir, sendo que a autoridade administrativa apurou um saldo de R$ 7.159,23. Em sua peça recursal, a Recorrente não traz maiores esclarecimentos sobre como chegou ao valor inicial de IRF de 44.742,12 UFIR. Na verdade, sequer chega a contestar especificamente a afirmação das autoridades administrativas de que o valor total dos informes de rendimentos não corresponde ao montante por ela apurado. Não há, portanto, qualquer indício de que a "verdade material" seria diversa neste caso. Assim, também não assiste razão à Recorrente quanto à diferença relativa ao saldo negativo da MDK. Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Fl. 596DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 14/07/20 16 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO
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