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Numero do processo: 10840.721306/2009-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2005
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL.
Caracterizam-se como receitas omitidas os valores creditados em conta corrente, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.VEDAÇÃO.
É vedado o afastamento pelo CARF de dispositivo prescrito em lei com base em alegação de inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula CARF nº 02.
SIMPLES. RECEITAS E DESPESAS. CONFRONTO.
Para a apuração dos valores devidos mensalmente por empresa inscrita no Simples, basta a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, do percentual aplicável, não sendo cabível efetuar-se confronto com despesas.
APLICAÇÃO DA TAXA DE JUROS SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 1302-001.699
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eduardo De Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Márcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizam-se como receitas omitidas os valores creditados em conta corrente, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.VEDAÇÃO. É vedado o afastamento pelo CARF de dispositivo prescrito em lei com base em alegação de inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula CARF nº 02. SIMPLES. RECEITAS E DESPESAS. CONFRONTO. Para a apuração dos valores devidos mensalmente por empresa inscrita no Simples, basta a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, do percentual aplicável, não sendo cabível efetuar-se confronto com despesas. APLICAÇÃO DA TAXA DE JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizamse como receitas omitidas os valores creditados em conta corrente, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.VEDAÇÃO. É vedado o afastamento pelo CARF de dispositivo prescrito em lei com base em alegação de inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula CARF nº 02. SIMPLES. RECEITAS E DESPESAS. CONFRONTO. Para a apuração dos valores devidos mensalmente por empresa inscrita no Simples, basta a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, do percentual aplicável, não sendo cabível efetuarse confronto com despesas. APLICAÇÃO DA TAXA DE JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 13 06 /2 00 9- 10 Fl. 1449DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Eduardo De Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Márcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. Fl. 1450DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10840.721306/200910 Acórdão n.º 1302001.699 S1C3T2 Fl. 1.450 3 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 3ª Turma da DRJ/RPO, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa que abaixo reproduzo: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Exercício: 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA. Cabível a aplicação da multa de ofício qualificada, quando apurado que o sujeito passivo valeuse de artifício doloso, materializado na prática reiterada de infrações tributárias visando sonegação fiscal. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova, neste caso, ficando a autoridade lançadora dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos (fato jurídico tributário), cabendo ao Fisco simplesmente provar a ocorrência do fato indiciário, e ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Argüições de inconstitucionalidade refogem à competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. Fl. 1451DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 DILIGÊNCIA. PERÍCIA. REQUISITOS. O pedido de diligência ou perícia deve ser denegado se estiverem presentes nos autos elementos de convicção suficientes à adequada compreensão dos fatos. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: No âmbito do procedimento de fiscalização instituído pelo Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n. 0810900.2008.01219 que determinou a fiscalização de tributos relacionados com o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, a pessoa jurídica em epígrafe teve contra si auto de infração que lhe exigiu Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) e Contribuição para a Seguridade Social (INSS), acrescidos de juros de mora e multa de ofício, cuja capitulação legal achase descrita nos termos de apuração respectivos, conforme segue: Tributo Lançado Multa Juros Total IRPJ 63.261,82 48.405,56 32.687,23 144.354,61 CSLL 98.738,05 75.529,28 51.148,52 225.415,85 Cofins 197.476,06 151.058,55 102.297,10 450.831,71 PIS/Pasep 63.261,82 48.405,56 32.687,23 144.354,61 IPI 49.369,01 37.764,61 25.574,21 112.707,83 Seg.Social INSS 416.155,50 214.837,08 318.355,70 949.348,28 IRRF 64.884,61 39.171,93 48.663,45 152.719,99 Total 953.146,87 615.172,57 611.413,44 2.179.732,88 Segundo consta do Relatório de Encerramento da Ação Fiscal (fls. 1193/1210), intimada, a contribuinte apresentou parte da documentação requerida. Reintimada a reescriturar o livro caixa e exibir extratos bancários, respondeu que não apresentaria o livro caixa modificado por entender que estava devidamente escriturado. Quanto aos extratos bancários, arguiu que não os entregaria por entender que se tratava de exigência ilegal, circunstância que suscitou a intimação das instituições financeiras visando a obtenção de tais documentos. Da verificação dos documentos constatouse o seguinte: após circularização a adquirentes de produtos da contribuinte constatou a autoridade fiscal a existência de vendas que não foram lançadas nos registros Fl. 1452DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10840.721306/200910 Acórdão n.º 1302001.699 S1C3T2 Fl. 1.451 5 contábeis, devidamente destacadas no tópico que trata das vendas não escrituradas, objeto de lançamento de crédito tributário; omissão de receita de R$204.679,02, informada à administração tributária, por meio da Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica (PJSI) pelo valor de R$54.953,71, enquanto que o livro caixa registrou receita de R$259.632,73; vendas efetuadas com notas fiscais calçadas, o que resultou em omissão de R$155.900,00 de receita, ilícito que a autoridade fiscal entendeu tipificado na Lei n. 8.137, de 1990, art. 1º, III, como crime contra a ordem tributária; vendas efetuadas com notas fiscais de valor inferior ao que correspondeu o efetivo pagamento dos bens, ilícito que a autoridade fiscal entendeu tipificado na Lei n. 8.137, de 1990, art. 1º, II, como crime contra a ordem tributária; após a conciliação das diversas contas mantidas pela contribuinte, com a exclusão de créditos relativos a transferências entre contas de mesma titularidade, estornos de cheques, devoluções e outros créditos que a autoridade tributária entendeu não se enquadrarem como oriundos da atividade comercial, a contribuinte foi intimada a manifestarse sobre os valores encontrados que, em vista de seu silêncio, foram considerados receita omitida por presunção legal; pagamento sem causa efetuado ao sócio proprietário, senhor Homero Quaranta (fl. 1204), no total de R$138.000,00, importância não lançada em sua declaração de rendimentos pessoa física, cuja base de cálculo reajustada alcançou o valor de R$212.307,69; venda de produtos de fabricação própria, passíveis de tributação do IPI, enquanto a interessada declarouse não contribuinte daquele tributo. A autoridade fiscal listou as irregularidades constatadas, classificadas em: receitas não escrituradas; depósitos bancários não escriturados; omissão de receita contabilizada; insuficiência de recolhimento pelo aumento da alíquota variável decorrente do incremento da receita omitida; pagamento sem causa e omissão da condição de contribuinte do IPI (fls. 1208/9). Regularmente intimada da imposição tributária a contribuinte ingressou com a impugnação de fls. 1214/1272 em que alega: cerceamento de defesa por não ter sido apresentada, juntamente com o auto de infração e termo de verificação fiscal, planilha com as contas correntes e os depósitos bancários que foram utilizados para a imposição tributária; na parte do lançamento que trata de omissão de receita por ausência de escrituração das notas fiscais a autoridade fiscal baseouse apenas na escrituração contábil da contribuinte e não demonstrou os elementos que deram ensejo à imposição tributária, o que reclama a realização de perícia; inexistiu ordem judicial para amparar a obtenção dos depósitos bancários, o que caracteriza obtenção de prova ilícita, em ofensa à garantia constitucional que assegura a inviolabilidade da intimidade e o sigilo dos dados; na apuração da base de cálculo do tributo a autoridade fiscal não levou em conta as despesas, tampouco deduziu os valores pagos pela contribuinte à conta do Simples; Fl. 1453DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 a base legal que suportou o lançamento de IRPJ, materializada no art. 42 da Lei n. 9.430, de 1996, não se aplica às demais contribuições objeto da constituição do crédito tributário; o alargamento da base de cálculo da Cofins e do PIS pela Lei n. 9.718, de 1998, é inconstitucional, pois a lei foi editada antes da Emenda Constitucional n. 20, de 1998; é ilegal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins; a base de cálculo do PIS corresponde ao faturamento do sexto mês anterior à ocorrência do fato gerador, uma vez que a legislação ordinária posterior à Lei Complementar n. 07, de 1970, não tem força normativa para alterála; é improcedente a acusação de existência de notas calçadas e vendas com “meia nota”; a exigência do IPI não está alicerçada em elementos de prova suficientes a tanto; é improcedente a exigência de juros com base na Selic; a multa aplicada é confiscatória. Requereu a impugnante a realização de prova pericial, ao mesmo tempo em que enumerou os quesitos e indicou a perito (fls. 1270/1). Ao final, propugnou pelo acolhimento de sua peça impugnatória, ao mesmo tempo em que requereu, ao menos, a redução da multa aplicada para 75% e que o patrono da impugnante fosse notificado do julgamento para sustentação oral. A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, repisou os argumentos expendidos na impugnação. É o relatório. Fl. 1454DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10840.721306/200910 Acórdão n.º 1302001.699 S1C3T2 Fl. 1.452 7 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. a) Do cerceamento de defesa Alega a recorrente cerceamento de defesa, pois afirma que o auto de infração não se fez acompanhar de planilha com individualização dos lançamentos a crédito de cada uma das contas de depósitos não merece acolhida. Todavia, a contribuinte foi intimada a manifestarse sobre os créditos efetuados em conta de depósitos, anteriormente à sua notificação do lançamento, pelo Termo de Constatação e Intimação Fiscal n. 007 (fls. 969/973) com a consolidação dos créditos lançados no decorrer do ano de 2005, acompanhado das planilhas que relacionaram individualizadamente os lançamentos efetuados nas contas de depósitos mantidas nas diversas instituições financeiras, em relação aos quais foi intimada a comprovar a regular contabilização, bem assim a justificar a origem de tais lançamentos. As planilhas são representação dos extratos apresentados pelos bancos. Desta forma, não procede a alegação de que o lançamento fora efetuado apenas pelos totais, sem dar à contribuinte a oportunidade de justificar cada um dos depósitos efetuados. b) Impossibilidade de lançamento calcado em presunção “ad hominis” Ataca a recorrente o lançamento, acoimandoo de constituir o crédito com base exclusivamente em presunção hominis. A assertiva não pode ser acatada. Com efeito, o lançamento efetuado nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96 é baseado em presunção legal, e não em presunção hominis, a qual tem o condão de inverter o ônus da prova. Não tendo a recorrente se desincumbido desta missão, e demonstrado a origem dos rendimentos depositados em conta, o lançamento há de ser mantido. Também ficam rechaçadas as alegações calcadas em suposta tributação reflexa, porquanto no Simples todos os tributos devidos incidem simultaneamente, tendo como base de cálculo a receita bruta mensal, e como alíquota os percentuais definidos no art. 23 da Lei nº. 9.317/96, os quais somados perfazem os percentuais gerais definidos no art. 5º, não cabendo, pois, falarse em apuração reflexa. Fl. 1455DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 c) Inconstitucionalidade No que tange à violação aos princípios que garantem o sigilo bancário, inclusive aos direitos e garantias individuais, à intimidade de dados, e à garantia da ineficácia das provas obtidas por meios ilícitos, e bem assim, no que tange às alegações de que a multa de ofício aplicada ofende aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e proibição do confisco, cumpre dizer que tais matérias não estão sujeitas à apreciação do julgador administrativo vinculado ao Poder Executivo. A matéria é pacífica, estando sumulada por meio da Súmula CARF nº 02, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. d) Afronta ao conceito de renda pelo não confronto de receitas e despesas Como se vê, pela própria redação do art. 42, a base de cálculo constituída pelos depósitos bancários de origem não comprovada tem natureza de receita omitida, verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.(grifo nosso) Todavia, para o contribuinte sujeito ao regime do Simples Federal não cabe efetuar confronto de tal montante com eventuais despesas. Isto porque o valor devido mensalmente é determinado mediante aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, de percentuais (art. 5º, Lei nº 9.317/96), e, desta forma, dispensase qualquer confronto com despesas, porquanto na própria redução efetuada pela aplicação do percentual sobre a receita bruta são presumidas as despesas que incidiriam para a obtenção das receitas, tal qual se dá no regime do lucro presumido. e) Exclusão de valores pagos no Simples A alegação de que os valores dos tributos pagos à conta do Simples deveriam ser deduzidos das importâncias lançadas não encontra respaldo. Com efeito, os valores que serviram de base de cálculo, declarados pela contribuinte, foram deduzidos da base imponível decorrente da movimentação financeira, conforme achase descrito no quadro constante da fl. 1202 no tópico VI – Movimentação Financeira, verificandose que do total de créditos em conta de depósitos, da ordem de R$8.105.492,27, foram deduzidos R$1.148.324,54, relativos à receita total declarada no anocalendário. f) Alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins – omissão de receita apurada por presunção Fl. 1456DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10840.721306/200910 Acórdão n.º 1302001.699 S1C3T2 Fl. 1.453 9 No caso de apuração de receita omitida em presunção relativa, não é possível afastar a cobrança de PIS e Cofins sobre os valores omitidos porquanto ao não informar a origem dos valores creditados em conta o contribuinte não logra estabelecer que eles se referem a receitas que estariam excluídas da base de cálculo. Por outro lado, as presunções legais relativas derivam das máximas ou regras da experiência (art. 335, CPC), que reiteradas e reproduzidas na praxis de forma contundente, acabaram por se incorporar à própria legislação material. É o próprio direito que atua criando exceção à regra geral de distribuição do ônus, possibilitando que o Direito contemple a prática, e que o processo faculte o Direito a quem efetivamente detém o Direito substancial. Assim, não só é impossível afastarse a natureza operacional à receita bruta omitida, como a praxis contida e cristalizada na presunção legal a vincula a esta natureza. Também descabem alusões ao recolhimento do PIS com base no parágrafo único do art. 6º da Lei Complementar nº 7/70, inaplicável ao caso, tendo em vista, em especial, no regime do Simples, que os recolhimentos são feitos com base em legislação própria (lei nº 9.317/96). g) Da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins No que tange ao pedido para exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins, há que se ressaltar que embora o caso esteja sujeito à repercussão geral perante o STF, nos autos do RE 574.706 (Ministra Cármen Lúcia) não há ainda decisão do plenário sobre a matéria. Neste sentido, tendo em vista a existência de lei vigente, determinando a inclusão do referido imposto estadual na base de cálculo das contribuições ao PIS e à Cofins, diferente posição não pode ser acatada por este colegiado, vinculado que está ao art. 26A do Carf (abaixo transcrito), bem como à Súmula Carf nº 02, supracitada. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) h) Das notas calçadas, vendas com meias notas e do enquadramento no IPI De acordo com os autos, não se verifica a dúvida que a recorrente postula, a qual levaria à aplicação do art. 112 do CTN. O procedimento da circularização demonstrou que Fl. 1457DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 os destinatários apresentaram vias dos documentos fiscais em valores significativamente superiores àqueles que a contribuinte registrou em sua contabilidade, demonstrando sua intenção de ocultar dos cofres públicos os tributos devidos. Como ficou demonstrado, não se tratou de um caso isolado. A sistemática e expressiva redução das importâncias submetidas à tributação, milita contra as razões alegadas pela recorrente. Quanto ao enquadramento como contribuinte do IPI, encontrase demonstrado no relatório fiscal (fls. 1206/7) que sua atividade é a de industrialização tal como preceitua o art. 4º do Dec. N. 4.544, de 2002, que regulamenta aquele imposto. Assim, considerando que as normas que regem o Simples prevêem a incidência do IPI quando o contribuinte praticar industrialização, verificase acertado o lançamento. i) Juros Selic Questiona também a recorrente a cobrança de juros à taxa Selic. Quanto a este tema, não obstante a remansosa jurisprudência do CARF pela sua pertinência, foi publicada a Súmula CARF nº4, de observância obrigatória por todos os membros do Órgão, que resolve a questão, ao prescrever como escorreita a cobrança dos débitos para com a União relativos a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal de acordo com a taxa Selic para títulos federais. Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmulas 4 do 1º e 3º CC e 3 do 2º CC Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 1458DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10640.900931/2008-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples
Ano-calendário: 2002
Ementa:
SIMPLES. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS A MAIOR.
INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em recolhimentos a maior feitos sob o regime do
SIMPLES, quando a pessoa jurídica havia sido foi excluída do sistema no período em que ocorreram os pagamentos.
Numero da decisão: 1102-000.596
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Leonardo de Andrade Couto
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Ano-calendário: 2002 Ementa: SIMPLES. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS A MAIOR. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em recolhimentos a maior feitos sob o regime do SIMPLES, quando a pessoa jurídica havia sido foi excluída do sistema no período em que ocorreram os pagamentos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2002 Ementa: SIMPLES. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS A MAIOR. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em recolhimentos a maior feitos sob o regime do SIMPLES, quando a pessoa jurídica havia sido foi excluída do sistema no período em que ocorreram os pagamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ – Presidente em exercício. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Leonardo de Andrade Couto, Silvana Rescigno Guerra Barreto, Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, Eduardo de Andrade e João Carlos de Lima Junior. Relatório Fl. 75DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10 /2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN T HOME 2 Trata o presente de pedido de compensação formalizado através da Dcomp, 41966.23508.100804.1.3.043254 pela qual a interessada requer a quitação dos débitos nela indicados com o crédito decorrente de pagamento a maior no SIMPLES efetuado em 11/03/2002. A DRFJuiz de Fora/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação de débito do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação. Em manifestação de inconformidade, a interessada alega que à época dos fatos não entregou a Declaração Anual Simplificada retificadora correspondente ao ano calendário de 2002, que demonstraria os pagamentos a maior. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento prolatou o Acórdão 0929965 negando provimento à solicitação, por entender que não foram demonstrados os motivos que levaram à retificação da Declaração. De acordo com a decisão, tendo em vista que a Declaração Anual Simplificada constituise em confissão de divida, os débitos nelas declarados e não pagos são exigíveis, sendo passíveis de inscrição em Divida Ativa da União para futura execução fiscal. Assim o pagamento efetuado foi corretamente alocado ao débito declarado pela empresa, não existindo de fato saldo disponível a ser usado em compensação, na data da transmissão da Dcomp em análise. Conclui o acórdão recorrido que, nos termos da legislação de regência, considerase ocorrida a compensação na data de transmissão da Dcomp e naquele momento não havia qualquer indicação da existência do crédito declarado. Em recurso dirigido a este Colegiado, o sujeito passivo afirma ter constatado o recolhimento a maior de valores devidos ao SIMPLES entre os anos de 1999 a 2003 e, portanto, em 2004 apresentou Declaração Anual Simplificada retificadora para todos esses períodos e também Dcomps para compensação desses valores. Sustenta que as Declarações Anuais retificadoras foram aceitas com exceção daquela referente ao anocalendário de 2002, nesse último caso em função da existência de processo de exclusão do SIMPLES através de Ato Declaratório emitido pela Receita Federal de Juiz de Fora – MG. Daí porque só conseguiu entregar a Declaração retificadora em 2008, após o processamento da Dcomp. Alega a inexistência de motivos para a recusa no recebimento da Declaração retificadora do anocalendário de 2002, ocorrida em 2004, tendo em vista que as demais Declarações foram recepcionadas normalmente. Por fim, argui a prescrição do despacho decisório. É o Relatório. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10 /2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN T HOME Processo nº 10640.900931/200893 Acórdão n.º 1102 00.596 S1C1T2 Fl. 2 3 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO O pedido de compensação tem origem em supostos recolhimentos a maior efetuados sob a modalidade do SIMPLES no anocalendário de 2002. De acordo com a decisão recorrida, os pagamentos a maior não teriam sido demonstrados. No momento de entrega da Dcomp, instante esse em que é considerada realizada a compensação, não havia qualquer indicativo de pagamentos indevidos, pois os recolhimentos efetuados estavam devidamente alocados aos valores do tributo informados na Declaração Anual Simplificada referente ao ano calendario de 2002 constante dos arquivos da Receita Federal do Brasil. Segundo a recorrente, em 2004 houve uma tentativa de entregar uma Declaração Anual Simplificada retificadora correspondente ao período em questão, com demonstração dos pagamentos efetuados a maior. A declaração não foi processada pois, naquele momento, a pessoa jurídica havia sido excluída do SIMPLES através de Ato Declaratório emitido pela autoridade competente. Por causa disso, apenas em 2008 conseguiu formalizar a entrega da retificadora. Não há comprovação dessas alegações. Na peça recursal, a interessada argui a ocorrência de prescrição na análise do pleito. Tal argüição demanda avaliação cronológica dos fatos que, na verdade, conduz a uma conclusão diametralmente oposta, como se verá a seguir. Esclareçase, de imediato, que a argüição do sujeito passivo dirigese na verdade à decadência, e não à prescrição, pois envolve um direito potestativo exercido pelo estado. Considerando que a Dcomp extingue o débito nela informado sujeito a ulterior homologação, o período que a norma concede ao estado para confirmar ou não o procedimento representa justamente o prazo decadencial .Em pedidos de compensação, o prazo homologatório é definido pelo § 5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (.......) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (.......) Vêse que o termo inicial da contagem do prazo quinquenal é representado pela entrega da declaração de compensação. No presente caso, o documento foi formalizado Fl. 77DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10 /2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN T HOME 4 em 10/08/2004, e a Administração teria até 10/08/2009 para fazer as verificações pertinentes. Tendo em vista que o Despacho Decisório foi cientificado ao sujeito passivo em 20/05/2008, conforme consulta de postagem que integra os autos, não ocorreu a decadência. Cabe aqui uma observação. Alguns respeitáveis integrantes dessa Corte entendem que o prazo definido nos termos do dispositivo legal supra mencionado não poderia se sobrepor ao prazo qüinqüenal de homologação com termo inicial a partir do fato gerador. Aplicando tal entendimento ao presente caso, se o crédito em discussão envolve o ano calendário de 2002, o Fisco teria até 31/12/2007 para retificar qualquer informação prestada pelo sujeito passivo em relação ao crédito informado. Entretanto, como a Declaração retificadora só foi entregue em 28/05/2008, a Declaração homologada em 31/12/2007 foi a original, com pagamentos totalmente vinculados aos débitos informados. Assim, não havia qualquer crédito a ser reconhecido e, mesmo sob esse entendimento, estaria correto o procedimemto da autoridade administrativa. Nesse caso, a prescrição teria agido contra o administrado, inviabilizando a aceitação da declaração retificadora. O entendimento em questão, no presente caso, implicaria na não homologação da compensação sem que se fizesse qualquer análise de mérito do pleito. Por outro lado, superada a questão da decadência do despacho decisório e prevalecendo o entendimento de que o contraditório foi instaurado com a manifestação de inconformidade, a interessada poderia demonstrar a existência do crédito pleiteado, independentemente da tempestividade da Declaração retificadora. Sob essa ótica, verificase que não foi apresentada qualquer explicação que indicasse a origem do crédito. Pelo exame da tabela apresentada na peça de defesa, pareceme que houve um equívoco na aplicação dos percentuais de apuração do tributo sobre a receita bruta acumulada nos meses de janeiro a setembro de 2002, tendo sido utilizado ao longo desse período uma percentual maior do que o correto. Destarte, a princípio assistiria razão ao recorrente. No entanto, uma informação crucial merece melhor análise: A interessada foi excluída do SIMPLES. De fato, através do Ato Declaratório Executivo (ADE) 429561, de 07/08/2003, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora – MG, excluiu a recorrente do SIMPLES pelo exercício de atividade vedada ao programa, com efeitos a partir de 01/01/2002. Portanto, no anocalendário em que teriam ocorridos pagamentos a maior na modalidade do SIMPLES, a interessada já estava excluída do sistema. Com a exclusão, caberia nova apuração dos tributos devidos pela interessada sob as regras aplicáveis às demais pessoas jurídicas o que – ressalvado o prazo decadencial – em vez de crédito poderia gerar a necessidade de pagamentos adicionais. A recorrente tinha plena ciência da exclusão e até mencionou tal fato na peça de defesa. Ainda assim, manteve seu pleito nos moldes originariamente formulados, sem demonstrar como remanesceriam pagamentos indevidos na impossibilidade de usufruir dos benefícios do SIMPLES. Registrese que o processo de exclusão do SIMPLES foi formalizado sob o nº 10640.002237/200302 e foi julgado em caráter definitivo pela antiga 3ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes, sessão de 06/12/2007, Acórdão 30335039; sendo mantida a exclusão nos termos do ADE. O processo já foi arquivado. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10 /2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN T HOME Processo nº 10640.900931/200893 Acórdão n.º 1102 00.596 S1C1T2 Fl. 3 5 Pelo exposto, em função de não ter sido demonstrada a existência do crédito pleiteado, voto por negar provimento ao recurso. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 79DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10 /2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN T HOME
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Numero do processo: 11040.721414/2011-87
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
RECURSO DE OFÍCIO. ERRO DE FATO NA QUANTIFICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO.
Constatado erro de fato na quantificação das bases de cálculo dos tributos constituídos de ofício, impõe-se a manutenção da decisão da Delegacia de Julgamento que procedeu a adequação do crédito tributário correspondente.
PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE
Recurso voluntário sem apresentar nenhum argumento ou fato que fosse de encontro a decisão proferida a Recorrente não apresenta qualquer indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou a apresentação de motivos pelos quais deveria ser modificada, ferindo o princípio da dialeticidade, segundo o qual os recursos devem expor claramente os fundamentos da pretensão à reforma.
PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. As provas obtidas do Fisco Estadual na fase de fiscalização são admissíveis no processo administrativo fiscal desde que submetidas a novo contraditório por justamente não prejudicarem o direito de defesa do contribuinte.
OMISSÃO DE RECEITA - A ausência de contabilização de receitas da empresa caracteriza o ilícito fiscal e justifica o lançamento de ofício sobre as parcelas subtraídas ao crivo do imposto, sem prejuízo da tributação sobre o lucro apurado. É legítima a imposição de arbitramento quando constatada a omissão do registro, obtida mediante informação das empresas pagadoras.
PROCEDIMENTO FISCAL. DESCLASSIFICAÇÃO DE ESCRITA E ARBITRAMENTO DE LUCROS - Sendo a aplicação desses instrumentos prerrogativa da Fazenda Pública como salvaguarda do crédito tributário, não pode o contribuinte reclamar a aplicação para furtar-se ao pagamento do justo valor do imposto.
As diferenças existente entre as receitas registradas nos Livros Registros de Apuração do ICMS e as receitas informados na DIPJ, constitui omissão de receita passível de tributação.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. CABIMENTO. O arbitramento do lucro não é penalidade sim modalidade de apuração do resultado tributável do IRPJ e CSLL, quando o contribuinte não apresenta os livros e documentos de sua escrituração, dentre outras hipóteses.
MULTA QUALIFICADA.
Aplica-se a multa qualificada de 150% restando caracterizada a utilização fraudulenta da personalidade jurídica da empresa bem como a conduta reiterada de omissão na declaração e pagamento dos tributos devidos
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, Contribuição para o PIS/Pasep, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social-Cofins, Contribuição para a Seguridade Social - INSS.
INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. LEI OU ATO NORMATIVO. APRECIAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula Carf nº 2), isso porque, a instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade e/ou ilegalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal.
Recursos de Oficio e Voluntario não providos.
Numero da decisão: 1103-000.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros da 3ª Turma Ordinária da 1ª. Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, NEGAR provimento aos recursos de ofício e voluntário nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Os Conselheiros Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva acompanharam o relator pelas conclusões acerca da manutenção da multa qualificada.
Aloysio José Percínio da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Sergio Luiz Bezerra Presta
Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008 RECURSO DE OFÍCIO. ERRO DE FATO NA QUANTIFICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. Constatado erro de fato na quantificação das bases de cálculo dos tributos constituídos de ofício, impõe-se a manutenção da decisão da Delegacia de Julgamento que procedeu a adequação do crédito tributário correspondente. PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE Recurso voluntário sem apresentar nenhum argumento ou fato que fosse de encontro a decisão proferida a Recorrente não apresenta qualquer indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou a apresentação de motivos pelos quais deveria ser modificada, ferindo o princípio da dialeticidade, segundo o qual os recursos devem expor claramente os fundamentos da pretensão à reforma. PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. As provas obtidas do Fisco Estadual na fase de fiscalização são admissíveis no processo administrativo fiscal desde que submetidas a novo contraditório por justamente não prejudicarem o direito de defesa do contribuinte. OMISSÃO DE RECEITA - A ausência de contabilização de receitas da empresa caracteriza o ilícito fiscal e justifica o lançamento de ofício sobre as parcelas subtraídas ao crivo do imposto, sem prejuízo da tributação sobre o lucro apurado. É legítima a imposição de arbitramento quando constatada a omissão do registro, obtida mediante informação das empresas pagadoras. PROCEDIMENTO FISCAL. DESCLASSIFICAÇÃO DE ESCRITA E ARBITRAMENTO DE LUCROS - Sendo a aplicação desses instrumentos prerrogativa da Fazenda Pública como salvaguarda do crédito tributário, não pode o contribuinte reclamar a aplicação para furtar-se ao pagamento do justo valor do imposto. As diferenças existente entre as receitas registradas nos Livros Registros de Apuração do ICMS e as receitas informados na DIPJ, constitui omissão de receita passível de tributação. ARBITRAMENTO DO LUCRO. CABIMENTO. O arbitramento do lucro não é penalidade sim modalidade de apuração do resultado tributável do IRPJ e CSLL, quando o contribuinte não apresenta os livros e documentos de sua escrituração, dentre outras hipóteses. MULTA QUALIFICADA. Aplica-se a multa qualificada de 150% restando caracterizada a utilização fraudulenta da personalidade jurídica da empresa bem como a conduta reiterada de omissão na declaração e pagamento dos tributos devidos LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, Contribuição para o PIS/Pasep, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social-Cofins, Contribuição para a Seguridade Social - INSS. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. LEI OU ATO NORMATIVO. APRECIAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula Carf nº 2), isso porque, a instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade e/ou ilegalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. Recursos de Oficio e Voluntario não providos.
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ERRO DE FATO NA QUANTIFICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. Constatado erro de fato na quantificação das bases de cálculo dos tributos constituídos de ofício, impõese a manutenção da decisão da Delegacia de Julgamento que procedeu a adequação do crédito tributário correspondente. PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE Recurso voluntário sem apresentar nenhum argumento ou fato que fosse de encontro a decisão proferida a Recorrente não apresenta qualquer indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou a apresentação de motivos pelos quais deveria ser modificada, ferindo o princípio da dialeticidade, segundo o qual os recursos devem expor claramente os fundamentos da pretensão à reforma. PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. As provas obtidas do Fisco Estadual na fase de fiscalização são admissíveis no processo administrativo fiscal desde que submetidas a novo contraditório por justamente não prejudicarem o direito de defesa do contribuinte. OMISSÃO DE RECEITA A ausência de contabilização de receitas da empresa caracteriza o ilícito fiscal e justifica o lançamento de ofício sobre as parcelas subtraídas ao crivo do imposto, sem prejuízo da tributação sobre o lucro apurado. É legítima a imposição de arbitramento quando constatada a omissão do registro, obtida mediante informação das empresas pagadoras. PROCEDIMENTO FISCAL. DESCLASSIFICAÇÃO DE ESCRITA E ARBITRAMENTO DE LUCROS Sendo a aplicação desses instrumentos prerrogativa da Fazenda Pública como salvaguarda do crédito tributário, não pode o contribuinte reclamar a aplicação para furtarse ao pagamento do justo valor do imposto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 14 14 /2 01 1- 87 Fl. 415DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 21/0 8/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA Processo nº 11040.721414/201187 Acórdão n.º 1103000.823 S1C1T3 Fl. 413 2 As diferenças existente entre as receitas registradas nos Livros Registros de Apuração do ICMS e as receitas informados na DIPJ, constitui omissão de receita passível de tributação. ARBITRAMENTO DO LUCRO. CABIMENTO. O arbitramento do lucro não é penalidade sim modalidade de apuração do resultado tributável do IRPJ e CSLL, quando o contribuinte não apresenta os livros e documentos de sua escrituração, dentre outras hipóteses. MULTA QUALIFICADA. Aplicase a multa qualificada de 150% restando caracterizada a utilização fraudulenta da personalidade jurídica da empresa bem como a conduta reiterada de omissão na declaração e pagamento dos tributos devidos LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Contribuição para o PIS/Pasep, Contribuição para o Financiamento da Seguridade SocialCofins, Contribuição para a Seguridade Social INSS. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. LEI OU ATO NORMATIVO. APRECIAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula Carf nº 2), isso porque, a instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade e/ou ilegalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. Recursos de Oficio e Voluntario não providos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros da 3ª Turma Ordinária da 1ª. Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, NEGAR provimento aos recursos de ofício e voluntário nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Os Conselheiros Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva acompanharam o relator pelas conclusões acerca da manutenção da multa qualificada. Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Sergio Luiz Bezerra Presta Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 21/0 8/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA Processo nº 11040.721414/201187 Acórdão n.º 1103000.823 S1C1T3 Fl. 414 3 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto parte do relato do órgão julgador de primeira instância administrativa até aquela fase: “Tratamse de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, Programa de Integração Nacional – PIS e os tributos que compunham o Simples Federal lavrados em face de MASTER TRANSPORTES LTDA em razão da omissão de receita apurada pelo confronto entre os valores das receitas registrados nas Guias de Informação e Apuração do ICMS (GIAS mensais), coincidentes com o montante escriturado no Livro Caixa, e os valores das receitas informados nas Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ relativas aos anoscalendário de 2007 e 2008. Os valores constituídos de ofício encontramse discriminados a seguir: Nos anoscalendário sob procedimento fiscal, o contribuinte havia apurado o IRPJ e a CSLL com base no lucro presumido. Entretanto, não possuía escrituração contábil e os livros caixa apresentados não identificavam sua movimentação financeira, o que levou a Fiscalização a arbitrar os lucros da fiscalizada, nos termos do art. 530, II, a, do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99 – aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999). No caso da omissão de receita, a multa aplicada foi a prevista no art. 44, I, c/c §1º, da Lei nº 9.430/96 (150%), com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007, em razão de a Fiscalização considerar que houve dolo na conduta reiterada do contribuinte com o propósito específico de impedir ou retardar o conhecimento do fato gerador por parte do Fisco. Os autos de infração foram cientificados ao contribuinte em 15/12/2011 (fl. 266). O contribuinte apresentou impugnação em 16/01/2012 (fls. 270/324). Alega, preliminarmente, a nulidade do auto de infração em razão de erro na base de cálculo apontada pela Fiscalização em relação ao mês de março de 1998, uma vez que foi utilizado o valor de R$ 20.663.727,70 (fl. 171), enquanto que na GIA do respectivo período, o valor escriturado era de R$ 2.663.727,70 (fls. 111 e 324). Em face desse pretenso erro, alega violação aos princípios da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, devendo o auto de infração ser considerado nulo. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 21/0 8/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA Processo nº 11040.721414/201187 Acórdão n.º 1103000.823 S1C1T3 Fl. 415 4 Alega que, relativamente aos períodos fiscalizados, agenciava fretes e a maior parte dos valores dos contratos era repassado aos transportadores autônomos contratados. Entende, assim, que o valor de renda a ser considerado na operação seria somente o valor líquido que efetivamente destinouse a MASTER TRANSPORTES LTDA, pois, caso contrário, haveria afronta à regra matriz de incidência do imposto de renda. Cita doutrina e jurisprudência que respaldariam o entendimento esposado. Em razão desse fato, alegação violação aos princípios constitucionais da capacidade contributiva, do nãoconfisco, da razoabilidade, da propriedade privada e da livre iniciativa. Haveria ainda violação ao conceito de faturamento. Apresenta doutrina e jurisprudência que embasariam sua tese, concluindo que o Fisco exigiu tributos sobre que valores que não a pertencem, pois apenas transitaram pela sua contabilidade, sem acrescerlhe o patrimônio. Aduz ainda que o arbitramento de lucros com base no art. 530, III, do RIR/99, utilizado pela Fiscalização, seria inaplicável ao caso concreto, haja vista que teria apresentado toda a documentação fiscal solicitada e que tais documentos seriam suficientes para aferição da receita bruta, não subsistindo, pois, o arbitramento de lucros realizado pela Fiscalização. No mesmo sentido, pondera que o art. 527, e seu § único, do RIR/99, autoriza apenas a escrituração do livro caixa para optantes pelo lucro presumido, ou seja, não era obrigada à escrituração de livros contábeis. Registra ainda que não foram esgotadas as possibilidades de apuração do resultado pelo lucro real. Deverseia, ainda, deduzirse as despesas com combustíveis, manutenção da frota própria, administrativas e folha de pagamento, citando os arts. 290 e 299 do RIR/99. Argumenta também que adotou dois regimes de reconhecimento de receita, ora pelo regime de caixa, ora pelo regime de competência, o que implicou dupla tributação sobre a mesma base. Irresignase ainda sobre pretensa utilização de critérios distintos de tributação, ora com base no lucro presumido, ora com base no lucro arbitrado. Rebate ainda, frisese desde já, outros assuntos estranhos aos autos de infração, como por exemplo, nulidade do arbitramento por omissão de receitas com base em depósitos bancários e descontos incondicionais não considerados. A respeito do agenciamento de cargas, alega que não foram excluídas das bases de cálculo as parcelas correspondentes, restando equivocada a autuação uma vez que esse montante não representaria seu faturamento, tendo somente transitado por sua contabilidade. Transcreve doutrina e jurisprudência que embasariam seus argumentos. Insurgese também contra a aplicação de multa qualificada de 150%, pois, na ausência de dolo, não restariam configuradas as hipóteses previstas nos arts. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64, conforme previsto no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Requer que a multa de ofício seja reclassificada para multa de natureza moratória. Aduz ainda que o percentual da multa aplicada seria inconstitucional por violação aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Apresenta ainda sua inconformidade quanto à representação fiscal para fins penais intentada pela Fiscalização. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 21/0 8/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA Processo nº 11040.721414/201187 Acórdão n.º 1103000.823 S1C1T3 Fl. 416 5 Além disso, solicita a comprovação dos fatos narrados mediante produção de prova documental, e, em especial, a realização de perícia técnica contábil. Ao final, requer que seja julgada inteiramente procedente a impugnação, anulandose o auto de infração”. A 1ª Turma da DRJ/Porto AlegreRS, em sessão de 12/04/2012, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o acórdão n° 1037.862 entendendo “por unanimidade de votos, julgar parcialmente procedente a impugnação, exonerando R$ 1.799.960,40 de crédito tributário exigido concernente ao erro material nas bases de cálculo de IRPJ e CSLL do primeiro trimestre de 2008”, sob argumentos assim ementados: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008 PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. A perícia não se presta para produzir provas de responsabilidade da parte, que dispunha de todas as informações para, já na peça de contestação, demonstrar eventual erro nos cálculos. Considerase não formulado o pedido de perícia que não atende aos requisitos legais. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não estando configurada a ocorrência de preterição do direito de defesa, rechaçamse as alegações do sujeito passivo. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. O processo administrativo tributário tem como objetivo decidir, na órbita administrativa, se houve ou não a ocorrência de fato gerador do imposto e, caso este tenha ocorrido, verificar se o lançamento esteve de acordo com a legislação aplicável. Desse modo, as Delegacias da Receita Federal de Julgamento não têm competência para apreciar elementos constantes na impugnação relativos à Representação Fiscal para Fins Penais, já que nele não há matéria tributária envolvida, cabendo ao Ministério Público Federal, se for o caso, promover a ação penal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 LUCRO ARBITRADO. DIFERENÇAS DE RECEITAS DECLARADAS A MENOR. OMISSÃO DE RECEITA. As diferenças existente entre as receitas registradas nos Livros Registros de Apuração do ICMS e as receitas informados na DIPJ, constitui omissão de receita passível de tributação. IRPJ. RECEITA BRUTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE CARGAS. A receita bruta é o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Na prestação de serviços de transporte de cargas, quando os serviços são realizados por conta e exclusiva responsabilidade da transportadora, recebendo os valores dos fretes, inclusive aqueles efetuados por terceiros, a totalidade dos Fl. 419DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 21/0 8/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA Processo nº 11040.721414/201187 Acórdão n.º 1103000.823 S1C1T3 Fl. 417 6 recebimentos decorrentes dessas operações integra a receita bruta para fins de determinação da base de cálculo do lucro presumido, não tendo amparo legal a exclusão dos valores repassados a terceiros pelos fretes subcontratados. IRPJ. CSLL. ERRO DE FATO NA QUANTIFICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. Constatado erro de fato na quantificação das bases de cálculo dos tributos constituídos de ofício, impõese a adequação do crédito tributário correspondente. ARBITRAMENTO DO LUCRO. LIVRO CAIXA. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. Cabe o arbitramento do lucro quando a pessoa jurídica, optante pelo lucro presumido, não inclui em seu Livro Caixa a movimentação financeira, inclusive a bancária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. BASES DE CÁLCULO. PIS/PASEP. COFINS. A base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, sendo permitidas somente as exclusões determinadas em lei. Incabível a exclusão das importâncias computadas como receita que tenham sido transferidas para outra pessoa jurídicas. MULTA NO PERCENTUAL DE 150%. Justificase a aplicação da multa no percentual de 150% quando restar demonstrado que o contribuinte agiu de forma dolosa, com o propósito de impedir ou retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, ou de excluir ou modificar as suas características. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Incabível na esfera administrativa a discussão de que uma determinada norma legal não é aplicável por ferir princípios constitucionais, pois essa competência é atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário, na forma dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. A vedação quanto à instituição de tributo com efeito confiscatório é dirigida ao legislador e não ao aplicador da lei. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Cientificada da decisão de primeira instância em 30/06/2012 (AR fls. 361), a MÁSTER TRANSPORTES LTDA., qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 1037.862, recorre em 27/07/2012 (363 e segs) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado reiterando os argumentos da peça impugnativa. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 21/0 8/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA Processo nº 11040.721414/201187 Acórdão n.º 1103000.823 S1C1T3 Fl. 418 7 Na referência às folhas dos autos considerei a numeração do processo eletrônico (eprocesso). É o relatório do essencial. Voto Conselheiro SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Por uma questão de sistematização passo agora a tratar do recurso de ofício em decorrência da desoneração tributária perpetrada pela 1ª Turma da DRJ/Porto AlegreRS, constante do acórdão n° 1037.862, no montante de “R$ 1.799.960,40 de crédito tributário exigido concernente ao erro material nas bases de cálculo de IRPJ e CSLL do primeiro trimestre de 2008”. Compulsando os autos vejo que assiste razão a 1ª Turma da DRJ/Porto AlegreRS na desoneração tributária, por isso tomo emprestado as suas razões de decidir, constante das fls. 346 e seguintes dos autos, a seguir transcritas: “O impugnante optou pelo Lucro Presumido no período sob exame, tendo seus resultados sido arbitrados pela Fiscalização em razão de seu Livro Caixa não incluir a movimentação financeira, inclusive bancária, de todo o período. Portanto, correto o procedimento da Fiscalização em considerar como base de cálculo os valores totais dos fretes, não cabendo, por falta de previsão legal, excluir aqueles transferidos para terceiros pelos fretes subcontratados. Esses valores, se comprovados, somente poderiam ser deduzidos como custos ou despesas, caso fosse adotada a forma de tributação pelo lucro real, situação distinta ao do caso concreto. Entretanto, conforme já salientado no item “1.2” do presente voto, houve um erro de fato na transcrição do valor do faturamento relativo ao mês de março de 2008: a autoridade fiscal consignou o valor de R$ 20.663.842,64 (fls. 171 e 205), enquanto que os valores constantes nas GIAS mensais indica faturamento de R$ 2.663.842,64 (fls. 111 e 324). Vêse que o este montante coincide com o escriturado no Livro Caixa (fl. 77) e no Livro Registro de Apuração do ICMS (fl. 247). Tratase, pois, de erro de fato, tendo havido erro de fato no momento da digitação, inserindose um algarismo “0” após a unidade de milhão. Com isso, adicionouse erroneamente R$ 18.0000.000,00 às bases de cálculo de IRPJ e CSLL. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 21/0 8/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA Processo nº 11040.721414/201187 Acórdão n.º 1103000.823 S1C1T3 Fl. 419 8 Desse modo, diante do equívoco perpetrado, embora não se enquadre na hipótese de nulidade aventada pelo impugnante, impõese a exoneração da parcela do crédito tributário relativa ao excesso de receita bruta equivocadamente imputada pela Fiscalização. Relativamente ao mês de março de 2008, deve ser considerado como faturamento o valor de R$ 2.633.842,64. Isso implica que, ao invés de se considerar como omissão de receitas do primeiro trimestre de 2008 o total de R$ 25.810.255,14 para fins de base cálculo de IRPJ e CSLL (fls. 163 e 198), deve ser considerado o montante de R$ 7.810.255,14”. Diante dos argumentos acima e da clara constatação do erro material constante dos autos, não há o que reparar na decisão da 1ª Turma da DRJ/Porto AlegreRS que desonerou o montante de “R$ 1.799.960,40 de crédito tributário exigido concernente ao erro material nas bases de cálculo de IRPJ e CSLL do primeiro trimestre de 2008” Antes de entrar no mérito, esclareço a necessidade de passarmos as preliminares levantadas pela Recorrente; porém, devo esclarecer que mesmo diante dos argumentos e também da base legal constante da decisão contida no Acórdão nº 1037.862, a Recorrente, no recurso voluntário, limitouse a reproduzir, “ipsis literis” as preliminares constantes da peça impugnatória sem apresentar nenhum argumento ou fato que fosse de encontro a decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/Porto AlegreRS. Na verdade não houve qualquer insurreição contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou a apresentação de motivos pelos quais deveria ser modificada. Assim procedendo, a Recorrente feriu o princípio da dialeticidade, segundo o qual os recursos devem ser dialéticos e discursivos; devem expor claramente os fundamentos da pretensão à reforma. Na verdade o princípio da dialeticidade consiste no dever do recorrente de indicar todas as razões de direito e de fato que dão base ao seu recurso, visto ser impossível ao CARF avaliar os vícios existentes na decisão de primeiro grau, sem que o interessado apresente todas as suas razões. Sobre o assunto, leciona Nelson Nery Júnior: “(...) o recurso deverá ser dialético, isto é, discursivo. O recorrente deverá declinar o porquê do pedido de reexame da decisão. (...) As razões do recurso são elemento indispensável a que o tribunal, para o qual se dirige, possa julgar o mérito do recurso, ponderandoas em confronto com os motivos da decisão recorrida. A sua falta acarreta o não conhecimento. Tendo em vista que o recurso visa, precipuamente, modificar ou anular a decisão considerada injusta ou ilegal, é necessária a apresentação das razões pelas quais se aponta a ilegalidade ou injustiça da referida decisão judicial” (Nelson Nery Júnior in “Teoria geral dos Recursos”. São Paulo; Ed. Revista dos Tribunais, 2004, p. 176 e 177). Fl. 422DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 21/0 8/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA Processo nº 11040.721414/201187 Acórdão n.º 1103000.823 S1C1T3 Fl. 420 9 Analisando o tema o Superior Tribunal de Justiça, assim decidiu “verbis”: “(...) o presente recurso não tem porte para infirmar a decisão recorrida, pois restringiuse o agravante, a reiterar ipsis literis, os motivos expendidos no especial; Consequentemente, o presente agravo não impugna, como seria de rigor, o fundamento da decisão recorrida, circunstância que obsta, por si só, o acolhimento da pretensão recursal” (AG nº. 479378/RJ, rel. Ministro Barros Monteiro, DJ de 14/2/2003). “(...)Ao interpor o recurso de apelação, deve o recorrente impugnar especificamente os fundamentos da sentença, não sendo suficiente a mera remissão aos termos da petição inicial e a outros documentos constantes nos autos. Precedentes.” (REsp nº. 722.008/RJ, rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, j. em 22/5/2007). Diante a ação deliberada da Recorrente em desconsiderar todos os argumentos apresentados pela 1ª Turma da DRJ/Porto AlegreRS, na sessão de 12/04/2012, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o Acórdão nº 1037.862, meu entendimento inicial conduzia para não reconhecer do recurso voluntário. Porém, buscando o fim maior do processo administrativo fiscal, que é a verdade material, passo a analisar a decisão de decisão de primeiro grau como se o recurso estivesse posto. Assim, quanto às preliminares e as nulidades apontadas mantendo a decisão da 1ª Turma da DRJ/Porto AlegreRS pelos seus próprios fundamentos. Passando ao mérito, vejo que o caso dos presentes autos trata de omissão de receita, conforme consta no Relatório de Ação Fiscal, constante das fls. 211 e seguintes, encontramos a seguinte situação, “verbis”: “A ação fiscal foi iniciada em 16/09/2011, e de acordo com o disposto nos artigos 904, 911, 926, 927 e 928 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99), formalizamos o presente Lançamento de Ofício, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, CSLL, PIS e COFINS dos anoscalendário de 2007 e 2008 em decorrência de procedimento fiscal junto à empresa acima identificada. A empresa fiscalizada, estabelecida sob a forma de sociedade civil por quotas de responsabilidade limitada, possui como sócio Jairton da Silva Ávila (CPF Nº 691.122.07004) e Márcia Andréa Gomes Machado Nascimento (CPF Nº 819.038.55004), sendo o objeto social da empresa o transporte rodoviário de cargas em geral, inclusive cargas perigosas, municipal, interestadual e internacional. Especificamente, no que concerne aos anos calendários de 2007 e 2008 objeto da ação fiscal, a empresa apresentou declaração de informações econômico – fiscais da pessoa jurídica optante pelo Lucro Presumido. DESCRIÇÃO DOS FATOS DA INTIMAÇÃO 1 INTIMAÇÃO FISCAL Fl. 423DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 21/0 8/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA Processo nº 11040.721414/201187 Acórdão n.º 1103000.823 S1C1T3 Fl. 421 10 Demos início ao procedimento fiscal no contribuinte intimandoo, com a expedição do Termo de Início do Procedimento Fiscal, do qual tomou ciência em 16/09/2011, a apresentar, no prazo de cinco (5) dias úteis, contrato social e alterações, livros fiscais, livros contábeis, livro caixa, Guias de Informação e Apuração do ICMS (mensais) e a Guia Informativa Modelo B. Em resposta, a fiscalizada apresentou em 23/09/2011 contrato social e alterações, livros fiscais, livros contábeis, livro caixa, Guias de Informação e Apuração do ICMS (mensais) e a Guia Informativa Modelo B. 2 DO ATENDIMENTO AO TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO Em face de solicitação efetuada, o contribuinte encaminhou a documentação datada de 23/09/2011, observamos a incompatibilidade dos valores registrados no livro caixa com os valores apresentados na DIPJ. Analisando o livro caixa da empresa, constatamos que a fiscalizada registrou a menor na DIPJ as receitas de serviço, sendo que os valores que constam nas Gias correspondem aosmesmos valores que apresenta o livro caixa. Apresentando uma receita total apurada pela fiscalização conforme quadro descrito abaixo. Diante do acima exposto, procedemos ao lançamento de ofício do Imposto de Renda Pessoa Jurídica –IRPJ, CSLL, PIS E COFINS, utilizando como base de cálculo os valores no Livro Caixa no ano calendário de 2007 e 2008. 03 – DO ARBITRAMENTO DO LUCRO TRIBUTÁVEL Verificamos através do sistema da Secretaria da Receita Federal, CNPJ (Consulta Declarações IRPJ), que a Máster Transporte Ltda., optou pela tributação com base nas regras dispostas para o Lucro Presumido em todos os anoscalendário integrantes da presente fiscalização. Constatamos que o Livro Caixa apresentado pela fiscalizada não consta à escrituração das contas correntes bancárias.Desta forma realizamos o lançamento com base no Lucro Arbitrado, pois a pessoa jurídica que optar pelo lucro presumido deve manter a escrita (livrocaixa) Fl. 424DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 21/0 8/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA Processo nº 11040.721414/201187 Acórdão n.º 1103000.823 S1C1T3 Fl. 422 11 albergando toda a movimentação bancária, a falta de escrituração das contas correntes bancárias, mantidas pela empresa, denota que a contabilidade da pessoa jurídica não atende a legislação comercial e fiscal conforme preceitua o art. 530, Inciso II do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999(Regulamento do Imposto de Renda –RIR/99). 04 MULTA QUALIFICADA Analisando a DIPJ originais x Livro Caixa/Gias, é possível verificar que dos valores de receitas apurados segundo a escrituração, o contribuinte declarava somente, em média, 10% do total das receitas auferidas. Sendo assim, caso não ocorresse à ação do fisco, a empresa fiscalizada tributaria somente a média de 10% de suas receitas. Essa conduta foi adotada pela fiscalizada, pelo menos, em todos os meses dos anos – calendário de 2007 e 2008, conforme é possível verificar no Livro Caixa da empresa. Tendo a fiscalizada adotada essa conduta de forma reiterada, por tanto tempo, e ciente da situação, pois obviamente tinha conhecimento do teor de seus livros, afastase a hipótese de erro, o que nos resta inferir que houve dolo. Desta forma, tornase evidente a tentativa dolosa dessa Pessoa Jurídica em impedir o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador. A esse respeito o art. 71 da Lei nº 4.502/64 define: “Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. (grifouse)”. O art 44 da Lei nº 9.430/1996 assim dispõe: “Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)” I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) . § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). Por essas razões elaboramos a Representação Fiscal para Fins Penais, formalizada no processo nº 11040721612/201141, nesta mesma data, de acordo com o que preceitua o art. 1º da Portaria RFB nº 2.439, de 21 de dezembro de 2010. (...)” Foi reconhecido pela 1ª Turma da DRJ/Porto AlegreRS, quando do julgamento da impugnação, que houve um erro de cálculo quando da elaboração do Relatório de Ação Fiscal, onde a fiscalização acrescentou um 0 (zero) a mais nas bases de cálculo de IRPJ e CSLL do primeiro trimestre de 2008. Tal erro aconteceu, segundo afirma a 1ª Turma da DRJ/Porto AlegreRS, “verbis”: “houve um erro de fato na transcrição do valor do faturamento relativo ao mês de Fl. 425DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 21/0 8/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA Processo nº 11040.721414/201187 Acórdão n.º 1103000.823 S1C1T3 Fl. 423 12 março de 2008: a autoridade fiscal consignou o valor de R$ 20.663.842,64 (fls. 171 e 205), enquanto que os valores constantes nas GIAS mensais indica faturamento de R$ 2.663.842,64 (fls. 111 e 324). Vêse que o este montante coincide com o escriturado no Livro Caixa (fl. 77) e no Livro Registro de Apuração do ICMS (fl. 247). Tratase, pois, de erro de fato, tendo havido erro de fato no momento da digitação, inserindose um algarismo ‘0’ após a unidade de milhão. Com isso, adicionouse erroneamente R$ 18.0000.000,00 às bases de cálculo de IRPJ e CSLL”. Porém, esse erro foi corrigido, e o acórdão recorrido excluiu os R$ 18.000.000,00 (dezoito milhões) da base da receita bruta do mês de março de 1998 para fins de cálculo do IRPJ/CSLL em decorrência da constatação do erro material, ficando as omissões de receita assim configuradas: Observando a situação fática Podese, então, afirmar que o erro material é aquele em que: “aquele cuja correção não implica alteração do critério jurídico ou fático levado em conta no julgamento.” (ZAVASCKI, Teori Albino in “Comentários ao Código de Processo Civil. 2ª Ed. São Paulo: RT, 2003. v. VIII. p. 311 et seq.). Fl. 426DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 21/0 8/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA Processo nº 11040.721414/201187 Acórdão n.º 1103000.823 S1C1T3 Fl. 424 13 Ou seja, o erro em inserir o “0” (zero) tratase de uma inconsistência que pode ser clara e diretamente apurada e que não interfere no caso da omisso de receita comprovada e confirmada pela Recorrente, que quando estava sob a opção de tributação do lucro presumido, queria abater do faturamento as despesas como se estivesse optando pela sistemática do lucro real. Para justificar (se é que é possível!) a omissão de receita constada no Relatório de Ação Fiscal, a Recorrente desejava estar “no melhor dos mundos”, vou explicar: Sendo optante pela sistemática de tributação pelo lucro presumido, aproveitando todos os seus benefícios; e, que fossem realizadas as deduções inerentes ao sistema de tributação do lucro real, sem, contido, suportar os ônus e as obrigações inerentes a esta última sistemática de tributação. Além do mais, a Requerente não ficou comprova a razão de uma receita omitida em média de 89,77% (oitenta e nove vírgula setenta e sete por cento) para cada trimestre dos dois exercícios fiscalizados. Assim, diante da constatação descrita no Termo de Verificação Fiscal, observase com uma clareza meridiana a existência de depósitos mantidos à margem da escrituração e tributação pela Recorrente, conforme comprovado nos autos e relatado na decisão da 1ª Turma da DRJ/Porto AlegreRS. Majoritariamente o recurso voluntário (uma copia da impugnação), fala a intermediação de serviço de frete, contudo não encontrei nos autos qualquer comprovação que à época dos fatos a Recorrente estivesse habilitada contratualmente para exercer os serviços de intermediação, nem tampouco comprovação dos pagamentos realizados. Mesmo assim, a contabilidade deveria ter espelhado tais operações, o que não aconteceu, segundo as informações dos autos. Na verdade, o lançamento de ofício restringiuse à receita bruta omitida (depósitos bancários sem origem); e caberia a Recorrente comprovar as suas alegações; o que não o fez. Desta forma e com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96, não comporta restrições de qualquer ordem, sendo que é ônus exclusivo do contribuinte, comprovar e justificar a origem dos recursos movimentados em sua conta bancária, cabendo à autoridade fiscal tão somente relacionar os créditos e intimar regularmente o contribuinte. Conforme se constata, a autoridade fiscal cumpriu as determinações da norma legal, efetuando ajustes nos valores e expurgando aqueles que foram considerados comprovados ou não representavam novo ingresso de recursos. Ou seja, durante todo o curso do processo, Cabia então a Recorrente, efetuar a comprovação demonstrando a origem dos créditos e depósitos, correlacionandoos eventualmente com a receita bruta já declarada e comprovando a origem um a um dos créditos/depósitos. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 21/0 8/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA Processo nº 11040.721414/201187 Acórdão n.º 1103000.823 S1C1T3 Fl. 425 14 Verificase que tal propósito ficou sensivelmente prejudicado com a notória desorganização de sua escrituração e documentação, fato que evidentemente acabou voltando se contra a própria Recorrente. Observase que o Relatório de Ação Fiscal, constante das fls. 211 e seguintes, trouxe uma serie de situações que, smj, não foram contestadas, até a presente data, pela Recorrente; até porque a questão é muito simples: Houve ou não omissão de receita? Em caso negativo caberia a Recorrente comprovar a origem e o destino de tais valores. Mas, antes da minha resposta, fazse necessário esclarecer que a fiscalização apurou omissão de receita apurada pelo confronto entre os valores das receitas registrados nas Guias de Informação e Apuração do ICMS (GIAS mensais),entregues à Secretaria da Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul. Ou seja, a fiscalização utilizou do instituto da “prova emprestada”. Devese ter em conta que, no direito processual civil, as provas, em princípio, são produzidas no processo (arts. 130 e 336 do CPC). O motivo de uma eventual rejeição da prova emprestada resulta unicamente do possível cerceamento ao direito de defesa da parte contra a qual é oposta. Dessa forma, a prova emprestada não poderia ser admitida nos casos em que devesse ser constituída no andamento do processo, sem a participação da outra parte ou sem se demonstrar que, nessas condições, pudesse ela ser reproduzida no próprio processo. No caso do processo administrativo fiscal, a grande maioria das provas apresentadas pelo Fisco ocorre na fase oficiosa. O Decreto nº 70.235, de 1972, art. 7º, I, explicita que o procedimento fiscal iniciase com a lavratura escrita do primeiro ato de ofício. Entretanto, a fase litigiosa iniciase unicamente com a apresentação da impugnação de lançamento, conforme determinado no art. 15. Dessa forma, tudo o que for apurado pela Fiscalização na fase instrutória do processo administrativo representa, em princípio, prova legítima. No presente caso, o empréstimo da prova, que resultou da própria Fiscalização, ocorreu antes do início da discussão administrativa, de forma que não resultou prejudicado o direito de defesa da interessada. Portanto, é lícito à fiscalização federal valerse de informações colhidas por outras autoridades fiscais para efeito de lançamento. A cooperação entre os entes tributantes é prevista em lei, nos termos do artigo 199 do Código Tributário Nacional, o qual prescreve que: “Art. 199 A Fazenda Pública da União e as dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios prestarseão mutuamente assistência para a fiscalização dos tributos respectivos e permuta de informações, na forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio”. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 21/0 8/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA Processo nº 11040.721414/201187 Acórdão n.º 1103000.823 S1C1T3 Fl. 426 15 É claro que tal coleta de dados guarde pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer e deve ser dado ciência ao contribuinte para que ele exerça o seu direito de defesa. E, foi isso que aconteceu, a fiscalização utilizouse de valores declarados pela Recorrente à Secretaria do Estado do Rio Grande do Sul nas GIA’s, uma vez que estas eram manifestamente superiores às receitas declaradas à Receita Federal do Brasil. Cabe salientar que os valores escriturados nas guias de informação de ICMS (GIA), declaradas pela interessada como retrato das informações contidas nos Livros Registro de Apuração de ICMS, presumemse verdadeiros. Caberia, pois, à Recorrente provar o contrário, com elementos objetivos, o que não foi feito. Outrossim, o que se verifica é que as provas do fisco estadual trazidas à colação serviram apenas de indício para que o Fisco federal procedesse com suas próprias diligências. E esse último o fez, na medida em que solicitou a recorrente todos os livros contábeis e fiscais e documentos que os lastreariam; bem assim empreendeu novas intimações a título de se comprovar as diferenças levantadas. Como a Recorrente não apresenta explicações e documentos para justificar as diferenças apuradas pela fiscalização, entre as receitas declaradas na "GlA's" e na DIPJ's, esta constatação constituiu prova suficiente para evidenciar a omissão de receita. Pelo contrário, não traz um único caso concreto, uma única prova de que a base de cálculo utilizada pelo fisco não corresponderia à receita bruta tributada. Na verdade a Recorrente silenciou sobre os argumentos do Relatório de Ação Fiscal; e, na falta de outros elementos, o fisco pode utilizar o total das movimentações para fins de determinar a base de cálculo na hipótese de omissão de rendimentos. Desta forma, pela ausência de documentos que possam contestar a omissão de receita e a consequente imputação tributária, não vejo como reparar a decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/Porto AlegreRS. Entendo que a Recorrente não observou que um dos princípios que lastreiam o processo administrativo fiscal é o Principio da Legalidade, também denominado de legalidade objetiva. Tal princípio determina que o processo deverá ser instaurado nos estritos ditames da lei. Ou seja, na administração privada se pode fazer tudo que a lei não proíbe; já na administração pública só é permitido fazer o que a lei autoriza expressamente, como forma de se atender as exigências do bem comum. Em suma enquanto que para o particular a lei significa “pode fazer assim”, para o Administrador público significa “deve fazer assim”, a atividade administrativa é plenamente vinculada, é regrada pelos limites impostos pela própria lei. E, foi com base nesse principio que a autoridade fiscal solicitou a Recorrente que comprovasse a origem dos recursos depositados em sua conta corrente e que não tinham sido levados a tributação. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 21/0 8/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA Processo nº 11040.721414/201187 Acórdão n.º 1103000.823 S1C1T3 Fl. 427 16 Veja que poderia a Recorrente juntar suas alegações antes do julgamento da DRJ ou deste Conselho, tendo em vista que a prova no processo Administrativo Fiscal é de fundamental importância e deveria ser criteriosamente produzida pela Recorrente nesses 446 (quatrocentos e quarenta e seis) dias entre a intimação originaria para apresentar os documentos e o presente julgamento. Isso porque é através da prova o julgador administrativo forma sua convicção. Diante deste fato se poderia perguntar: “Qual o momento para a apresentação das provas no PAF?”. A resposta encontrase inserta nos Artigos 3º e 38 da Lei 9.784/99, a seguir transcrito: “Art. 3º. O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: (...) III formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; (…)” “Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo” E, caso tenha alguma duvida o Art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, assim determina: “Art. 16 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)” Diante da legislação acima, é importante acentuar que a responsabilidade pela comprovação da verdade material caberia a Recorrente; e, para isso deveria buscar na legislação de regência o substrato legal para juntar as provas que entendesse como necessárias a defesa da conduta realizada; e, isso não o fez! Portanto, só restou à autoridade fiscal, então, arbitrar o lucro, com fundamento no artigo 530, inciso III do RIR/1999, abaixo transcrito: “Art.530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) Fl. 430DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 21/0 8/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA Processo nº 11040.721414/201187 Acórdão n.º 1103000.823 S1C1T3 Fl. 428 17 III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527;” Dessa forma, o arbitramento deve ser mantido e aproveitamento de dados declarados ao Fisco Estadual. Ultrapassado esse ponto, somente por dever de ofício, passo a me ater a questão da multa qualificada, com um percentual de 150%. Neste ponto, tenho que concordar com os argumentos da 1ª Turma da DRJ/Porto AlegreRS que afirmou com muita propriedade: “O contribuinte declarou a menor, expressivos valores de receita durante o período de 01/01/2007 a 31/12/2008. Esses procedimentos configuram, sem dúvida, a intenção dolosa na sua conduta com o propósito de impedir ou retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador, ou de excluir ou modificar as suas características, enquadrandose nas hipóteses previstas nos art. 71 (sonegação) e 72 (fraude) da Lei nº 4.502, de 1964. Esse ‘animus’, vontade de querer o resultado, ou assumir o risco de produzilo, ficou evidenciado e demonstrado nos autos, não podendo ser considerados meros erros de ordem material, sem a caracterização de qualquer intuito fraudulento, posto que não se tratam de atos isolados, mas reiteradamente praticados pelo contribuinte em todos os meses dos anocalendário de 2007 e de 2008”. Ou seja, sempre defendi, nos colegiados que participei, que para a aplicação da Multa Qualificada deve ficar nitidamente configurada, de uma maneira cristalina, a prática reiterada de ações durante todo o ano calendário (ou mais de um), que tenham como objetivo mascarar a obrigação tributária principal, quando a escrituração do sujeito passivo demonstra que este conhecia o real valor a recolher, constitui ação dolosa que implica qualificação da multa de ofício. Isso porque, a qualificação da multa depende da existência e demonstração da conduta prevista em lei por parte do sujeito passivo, conforme determina o art. 44 da Lei nº. 9.430/1996, a seguir transcrito: “Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis”. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 21/0 8/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA Processo nº 11040.721414/201187 Acórdão n.º 1103000.823 S1C1T3 Fl. 429 18 Pela leitura do dispositivo acima, fica claro que há necessidade de existência e demonstração, pois o lançamento deve ser devidamente motivado, do evidente intuito de fraude. Essa é a posição dos arts. 71 a 73 da Lei nº. 4.502/1964, “verbis”: “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72”. Assim, cabe ao Fisco apresentar os elementos que ensejaram a qualificação da multa e, demonstrar claramente a reiteração da conduta da Recorrente. E, nos autos, smj, a fiscalização conseguiu comprovar as duas características que entendo serem pressupostos validadores na ação do sujeito passivo para a qualificação da multa, quais sejam: (i) O pressuposto evidente Quando a fiscalização comprova a qualidade daquilo que não admite dúvida; e, (ii) O pressuposto intuito – Quando o propósito na realização de um ato visa esconder ou minimizar o fato gerador da obrigação tributária. Ou seja, pela leitura do Relatório de Ação Fiscal, constante das fls. 211 e pela ausência de fatos que contradigam os argumentos ali postos, fica comprovada, de forma cabal, com absoluta certeza, que o propósito da Recorrente era, ao praticar o ato, de impedir o conhecimento do Fisco para reduzir o tributo devido. Esse é o entendimento Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, quando do julgamento do Processo nº. 10247.000157/200438, pela 6ª Câmara do antigo Conselho de Contribuintes, consubstanciado através do Acórdão nº. 10617.015, que peço vênia para reproduzir: “(...)Primeiro, devese discutir a pertinência da qualificação da multa de oficio. Quando das infrações aqui em comento, tinha vigência o art. 44 da Lei n° 9.430/96, em sua redação original. Nessa época, aplicavase a multa qualificada nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. Assim, mister verificar se a conduta estampada nos autos pode se subsumir aos tipos abstratos da qualificação previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96, ou seja, se Fl. 432DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 21/0 8/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA Processo nº 11040.721414/201187 Acórdão n.º 1103000.823 S1C1T3 Fl. 430 19 está comprovado o evidente intuito de fraude, como definido nos arts. 71, 72, 73 da Lei n° 4.502/1964. A autuação tomou por base uma presunção de omissão de rendimentos. O recorrente não fez qualquer prova da origem dos depósitos bancários. Por fim, nos autos, não se descobriu a origem dos depósitos bancários.(...) Poderia, entretanto, a conduta dos autos se subsumir à sonegação, que é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador do imposto de renda ou das condições pessoais do contribuinte. No caso de sonegação, mister explicitar claramente o fato gerador do imposto sonegado, com as condutas dolosas que impediram ou retardaram o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais do contribuinte. A partir de uma presunção legal de ocorrência de um fato gerador do imposto, não podemos afiançar que o contribuinte agiu com dolo, no intuito de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, notadamente porque a conta bancária era movimentada pelo recorrente, sem nenhuma interposição de pessoa, ou fraude a esconder o real beneficiário dos depósitos. Toda a movimentação bancária foi feita às claras. Por óbvio, considerando as gravíssimos consequências da qualificação da multa, que ultrapassam a questão pecuniária, adentrando no terreno do direito penal tributário, não pode o evidente intuito de fraude ser presumido. (...) Para qualificar a multa, mister comprovar com elementos hábeis e idôneos o evidente intuito de fraude. Mera presunção da omissão de rendimentos a partir de depósitos bancários de origem não comprovada não justifica a qualificação da multa de oficio. Devese ressaltar que a decisão acima está em consonância com a jurisprudência do Conselho de Contribuintes, balizada pela Súmula 1°CC n° 14: ‘A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo’. Como exemplo da jurisprudência do Conselho na matéria, colacionase a ementa do Acórdão n° 10422619, unânime para desqualificar a multa de oficio, sessão de 13/09/2007, relator o conselheiro Nelson Malmann, verbis:(...) PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÓNUS DA PROVA – As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. SANÇÃO TRIBUTÁRIA MULTA QUALIFICADA JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE – Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de oficio de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa qualificada seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. A apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte cuja origem não foi justificada, independentemente da Fl. 433DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 21/0 8/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA Processo nº 11040.721414/201187 Acórdão n.º 1103000.823 S1C1T3 Fl. 431 20 forma reiterada e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito defraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996. Recurso parcialmente provido”. Desta forma, entendo que a conduta da Recorrente aponta para o intuito consciente e deliberado de omitir receita para reduzir a sua base tributável. Nessas condições, vejo configurada a hipótese do art. 71 da Lei nº 4.502/1964, a seguir transcrito: “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente”. Já no que se refere à alegada inconstitucionalidade levantada pela Recorrente, aplicase a Súmula Carf nº 2, assim redigida: “Súmula Carf nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Assim, voto por negar provimento ao recurso de ofício e assim manter a exoneração no montante de “R$ 1.799.960,40 de crédito tributário exigido concernente ao erro material nas bases de cálculo de IRPJ e CSLL do primeiro trimestre de 2008”; já em relação ao recurso voluntário tendo sido comprovado nos autos que a Recorrente, deliberadamente agiu a margem da legislação visando omitir ou reduzir a base tributável de forma reiterada voto no sentido de manter integralmente a decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/Porto AlegreRS em todos os seus termos, ratificando a imposição tributária referente a os lançamentos relativos ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS e mantendose a multa qualificada no patamar de 150% (cento e cinquenta por cento). Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (assinado digitalmente) Fl. 434DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 21/0 8/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA Processo nº 11040.721414/201187 Acórdão n.º 1103000.823 S1C1T3 Fl. 432 21 Fl. 435DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 21/0 8/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA
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Numero do processo: 14774.000113/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 11 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3302-000.466
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
Sustentação Oral: Antonio Carlos Gonçalves OAB/195691-SP
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relator.
EDITADO EM: 11/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Sustentação Oral: Antonio Carlos Gonçalves – OAB/195691SP (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relator. EDITADO EM: 11/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 47 74 .0 00 11 3/ 20 09 -1 3 Fl. 907DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 14774.000113/200913 Resolução nº 3302000.466 S3C3T2 Fl. 11 2 Tratase de pedido de ressarcimento de IPI no montante de R$ 4.393.597,14, referente ao terceiro trimestre de 2004. Em virtude dos pedidos de ressarcimento apresentados, foi realizada fiscalização no estabelecimento tendo sido localizadas irregularidades que culminaram na reescrita dos livros contábeis. Por retratar a realidade dos fatos, peço vênia a meus pares para reproduzir o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, a saber: “Do Processo Administrativo A empresa transmitiu, em 12/11/2004, o Pedido de Ressarcimento (PER/DCOMP n° 06489.44712.081204.1.7.019009) do saldo credor acumulado do IPI, no 3º Trimestre/2004, à Receita Federal do Brasil, no valor de R$ 4.393.597,14 (Quatro milhões, trezentos e noventa e três mil, quinhentos e noventa e sete reais e catorze centavos), conforme fl. 02. Para fins de análise do referido PER/DCOMP, foi formalizado o processo administrativo MF n° 14774.000113/200913. A partir do início da fiscalização, a empresa foi devidamente intimada a apresentar documentos, consoante Termos de Intimação, às fl. 170/175, 176, 177, 178, 179 a 180, 181, 277 a 280, além do Termo de Reintimação, de fl. 168/169. Ressaltese que o PER/DCOMP em questão se refere a supostos créditos de IPI de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens empregados, no período do 3º Trimestre/2004, na industrialização promovida pelo estabelecimento. Às fl. 436/457, encontrase Termo de Informação Fiscal elaborado pela Auditoria Fiscal, onde responsáveis pelos exames expõem os fatos e o direito aplicável à espécie e informam, em minúcias, aspectos relativos à análise efetuada. Destaco o que entendo como relevante ao exame de mérito, a ser apresentado, em nosso decisório. Em seu relato, a Fiscalização, de forma criteriosa, destacou pontos (itens) relacionados com a análise efetuada, que subsidiaram a conclusão final, quais sejam: créditos do IPI; créditos ressarcíveis de IPI; créditos não ressarcíveis de IPI; reclassificação de créditos; débitos de IPI; apuração do saldo credor ressarcível; verificação dos saldos credores após o trimestre; e demonstrativo dos totais solicitado e reconhecido do PER/DCOMP. Em tais tópicos (itens), as Autoridades responsáveis pela análise do Pedido de Ressarcimento detalham e discriminam a forma como chegaram aos valores finais, identificando as razões orientadoras no sentido de subsidiar a Autoridade Administrativa competente a proferir Despacho Decisório sobre o alegado direito creditório de Contribuinte. Fl. 908DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 14774.000113/200913 Resolução nº 3302000.466 S3C3T2 Fl. 12 3 Tudo devidamente explicitado, ao final, em Demonstrativo, de fl. 435, dos autos. Em conclusão, as referidas Autoridades Fiscais sugeriram o indeferimento total do PER/DCOMP, com a conseqüente não homologação das Declarações de Compensação apresentadas pelo contribuinte, submetendo suas considerações à instância superior. Do Despacho Decisório A partir da análise efetuada pelos Auditores Fiscais, relatadas anteriormente, concordando com os fundamentos expostos no Termo de Informação Fiscal, parte integrante dos autos, a DRF/REC, por meio de Despacho Decisório, indeferiu o Pedido de Ressarcimento, em questão, ante o reconhecimento da inexistência de créditos por parte da Interessada, com a conseqüente não homologação das compensações objeto do presente processo administrativo. Da Manifestação de Inconformidade Inconformada com a decisão administrativa, de cujo teor foi cientificada em 17/09/2009, fl 461, a Requerente apresentou, em 16/10/2009, a Manifestação de Inconformidade, de fl. 463/805, onde apresenta, em síntese, as seguintes razões de discordância: 1) começa por destacar seu ramo de atividade, ressaltando que, até hoje, promove a comercialização de bebidas alcoólicas, diretamente importadas ou importadas por outros estabelecimentos de sua titularidade e recebidas em transferência, e fabricadas por terceiros mediante a remessa de insumos, sob sua encomenda ou sob a encomenda de outros estabelecimentos de sua titularidade, sendo, portanto, regular contribuinte do IPI; 2) em razão de ter gerado saldos credores de IPI, passou a utilizar esses créditos para compensação com seus próprios débitos de tributos federais, transmitindo os competentes Pedidos de Ressarcimento de IPI/Declarações de Compensação PERD/ COMP; 3) em procedimento fiscal instaurado, em fevereiro de 2009, a fiscalização federal considerou que o estabelecimento praticou infrações relativas ao crédito e ao pagamento do IPI, desde 2004 a maio de 2008, sendo, em conseqüência, lavrado, em julho de 2009, AI de nº “10480.721782/200959”. Não concorda com o entendimento da fiscalização no sentido da inexistência de qualquer direito a ressarcimento no tocante ao 3º trimestre de 2004; 4) afirma a Manifestante que os créditos de IPI lançados, além de legítimos, são passíveis de ressarcimento. Os débitos de IPI exigidos no auto de infração, de que decorre o PAF no 10480.721782/200969, os quais resultaram na inexistência de saldos credores seriam indevidos; 5) Salienta que os débitos de tributos federais objeto das compensações não homologadas em decorrência do não reconhecimento do direito creditório encontramse, desde já, com a exigibilidade suspensa, diante da apresentação da Manifestação de Inconformidade; 6) salienta que o julgamento da presente Manifestação de Inconformidade deve ser sobrestado até o encerramento da discussão administrativa em curso no PAF n° 10480.721782/200969, processo originário. O julgamento acerca do mérito da existência ou não de saldo credor do IPI no 3° Trimestre/2004, a ser realizado nos presentes autos dependerá, por Fl. 909DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 14774.000113/200913 Resolução nº 3302000.466 S3C3T2 Fl. 13 4 óbvio, do quanto for decidido no PAF n° 10480.721782/200969; 7) argúi preliminar de decadência parcial, alegando que foi cientificada da lavratura do AI que decorre o PAF n° 10480.721782/200969, em 03/08/2009, ou seja, cinco anos após a verificação dos respectivos fatos geradores ocorridos no período de janeiro até 03/08/2004; 8) realiza operações de industrialização sob encomenda, na condição de encomendante, com estabelecimento de terceiros; 9) não pode prevalecer a reclassificação de créditos de IPI promovida pela fiscalização, uma vez que a qualificação como créditos com direito a ressarcimento foi expressamente reconhecida pela RFB, na Solução de Consulta no 57/2002; 10) não concorda com a reclassificação de crédito de IPI relacionado com a aquisição de produtos que seria relacionado com material de embalagem (insumos). Também afirma que nenhum dos motivos externados pela Autoridade Fiscal no sentido da glosa de créditos seria a ela aplicáveis; 11) passa a rebater conclusões do Fisco no sentido das operações envolvendo as bebidas Vodca Smirnoff e Uísque Bell’s, que se submetem à sistemática da Lei 7.798/89 (classe de valor do IPI). Afirma não ter adotado classes de valores de IPI inferiores àquelas legalmente impostas para os referidos produtos. Afirma ter comprovado a total improcedência desses pretensos débitos de IPI, nos autos do processo 10480.721782/200959. Reproduz as alegações defensórias externadas no mencionado processo.” Após analisar as razões de inconformidade, a 6 ª Turma da DRJ/REC proferiu o acórdão 1136.621 (fls.821/828), que restou da seguinte forma ementado: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade dos débitos oriundos das compensações nãohomologadas decorre automaticamente da interposição de manifestação de inconformidade tempestiva, não cabendo, portanto, qualquer manifestação por parte do Órgão Julgador Administrativo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONEXÃO. Apenas questões que tratam de pleitos individualizados, formulados pela requerente, ensejam análises igualmente individualizadas e distintas por parte do órgão julgador competente. Constatada a conexão entre processos, sendo julgado o processo principal, desnecessária a análise de questões nos autos do outro processo, quando já superadas nos autos do dito principal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” – destacamos. Em resumo, a decisão de primeira instância administrativa reconheceu que as principais matérias em discussão nos presentes autos foram tratadas nos autos do processo administrativo no 10480.721782/200969, razão pela qual no presente caso a turma de Fl. 910DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 14774.000113/200913 Resolução nº 3302000.466 S3C3T2 Fl. 14 5 julgamento apenas apreciou a questão referente à conexão e suspensão do julgamento. Diz a mencionada decisão: “No presente procedimento fiscal, a DRF/REC indeferiu o pedido de ressarcimento de IPI, do 3° trimestre/2004, por não existir créditos favoráveis à Interessada, considerando, portanto, não homologadas as compensações realizadas, por indevidas. Tudo em consonância com a legislação que rege o tema, devidamente fundamentado nos Termos e Relatórios integrantes dos autos. Registrese que as glosas dos créditos efetivadas pela fiscalização, no procedimento fiscal que resultou na lavratura do AI 10480.721782/200969, foram confirmadas quando do julgamento do citado PAF, não restando outra alternativa senão concordar com o conteúdo do Despacho Decisório (DRF/REC), que indeferiu o Pedido de Ressarcimento, com a conseqüente não homologação das compensações objeto do presente processo administrativo.” – destacamos Irresignada, a Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 838/885), por meio do qual reiterou suas razões de inconformidade, reiterando o pedido de conexão deste processo ao 10480.721782/2009 69. É o relatório. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, o mérito do presente processo está vinculado aquele debatido nos autos do processo administrativo no 10480.721782/200969, tanto que a v. decisão recorrida aplicou, expressamente, o Acórdão no 1135.239 proferido naqueles autos a este. Ao pesquisar no sítio deste Tribunal, percebi que o mencionado processo administrativo já foi julgado pela 3a Turma da 4a Câmara desta Terceira Seção (acórdãos 3403 002.141 e 3403002.490 Embargos), estando pendente de análise de Recurso Especial. Desta forma e, com base no artigo 49, parágrafo 7o do RICARF – Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por entender que este processo e aquele são processos conexos/decorrentes, bem como que é imprescindível a resposta daquele julgamento para a conclusão deste, voto por converter o presente julgamento em diligência para requerer prioridade no julgamento daquele Recurso Especial, devendo após julgado a decisão proferida ser anexada aos presentes autos para julgamento definitivo do presente Recurso. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS – Relatora. Fl. 911DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 13971.720021/2005-22
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. VENDAS PARA O EXTERIOR DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS DE TERCEIROS. RELAÇÃO PERCENTUAL.
Para o fim se apurar a relação percentual (coeficiente de exportação) a ser aplicada sobre o valor dos insumos para o cálculo do crédito presumido, as receitas provenientes da mera revenda de mercadorias ao exterior devem ser excluídas tanto da receita de exportação, quanto da receita operacional bruta.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-001.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Leonardo Siade Manzan e Maria Teresa Martínez López, que entendiam ser necessária a inclusão dos valores no denominador e no numerador da equação.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Antonio Carlos Atulim - Redator ad hoc
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Caio Marcos Cândido (Presidente Substituto à época do julgamento).
Nome do relator: JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. VENDAS PARA O EXTERIOR DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS DE TERCEIROS. RELAÇÃO PERCENTUAL. Para o fim se apurar a relação percentual (coeficiente de exportação) a ser aplicada sobre o valor dos insumos para o cálculo do crédito presumido, as receitas provenientes da mera revenda de mercadorias ao exterior devem ser excluídas tanto da receita de exportação, quanto da receita operacional bruta. Recurso Especial do Procurador Negado.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. VENDAS PARA O EXTERIOR DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS DE TERCEIROS. RELAÇÃO PERCENTUAL. Para o fim se apurar a relação percentual (coeficiente de exportação) a ser aplicada sobre o valor dos insumos para o cálculo do crédito presumido, as receitas provenientes da mera revenda de mercadorias ao exterior devem ser excluídas tanto da receita de exportação, quanto da receita operacional bruta. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Leonardo Siade Manzan e Maria Teresa Martínez López, que entendiam ser necessária a inclusão dos valores no denominador e no numerador da equação. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Antonio Carlos Atulim Redator “ad hoc” Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 00 21 /2 00 5- 22 Fl. 447DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.720021/200522 Acórdão n.º 9303001.333 CSRFT3 Fl. 448 2 Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Caio Marcos Cândido (Presidente Substituto à época do julgamento). Relatório Versa o presente processo sobre pedido de ressarcimento do crédito presumido de IPI relativo ao 2º Trimestre de 2002, com base no regime alternativo da Lei nº 10.276/2001. O pedido de ressarcimento foi cumulado com as declarações de compensação tratadas nos autos. Por meio do Acórdão nº 20313.328 a Terceira Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes deu provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito de o contribuinte excluir, da apuração do coeficiente de exportação, as receitas provenientes da mera revenda de mercadorias ao exterior (fl. 385). A conclusão do voto do relator, bem resume o conteúdo do provimento do recurso (fl. 394): Regularmente notificada do referido acórdão, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs em tempo hábil recurso especial de divergência, alegando, em síntese, que o acórdão recorrido agiu corretamente quando determinou a exclusão da receita de revendas de mercadorias para o exterior da receita de exportação, mas se equivocou ao determinar a exclusão dessas receitas da receita operacional bruta. Alegou que tal decisão violou o art. 2º da Lei nº 9.363/96 e desvirtua a proporcionalidade do cálculo do crédito presumido: Fl. 448DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.720021/200522 Acórdão n.º 9303001.333 CSRFT3 Fl. 449 3 Invocou os textos das instruções normativas que regulam a matéria e alegou divergência em relação aos acórdãos nº 20402.250 e 20179.254. Por meio do despacho 3400511 (fl. 412/414) foi dado seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Regularmente notificado do Acórdão 20313.328, do recurso especial da Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento, o contribuinte apresentou em tempo hábil contrarrazões ao recurso especial. Alegou que o recurso da Fazenda Nacional é improcedente e que deve ser aplicada ao caso o art. 21 da IN SRF nº 420/2004, a fim de se manter a exclusão efetuada pelo acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Redator “ad hoc” Nos termos do art. 17, III, do RICARF1, incumbiume o Senhor Presidente do Colegiado de formalizar o Acórdão 9303001.333, em virtude da aposentadoria da relatora originária, Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando, ter sido publicada antes da formalização e assinatura deste acórdão. A questão versada no recurso especial da Fazenda Nacional é mais do que conhecida por este colegiado. A inclusão das receitas de revenda de mercadorias para o exterior na receita operacional bruta e sua exclusão da receita de exportação cria uma distorção no cálculo do crédito presumido, pois reduz indevidamente o coeficiente de exportação, que será aplicado sobre o valor dos insumos. A ideia do crédito presumido foi a de conceder o ressarcimento das contribuições ao PIS e à COFINS às empresas que cumulativamente sejam industriais exportadoras de produtos. Assim, é intuitivo que apenas as operações industriais sejam alcançadas pelo benefício. E se apenas a parte industrial do negócio é beneficiada pelo crédito presumido, as 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; Fl. 449DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.720021/200522 Acórdão n.º 9303001.333 CSRFT3 Fl. 450 4 receitas provenientes da mera revenda de produtos não podem participar do cálculo do crédito presumido de nenhuma forma. O art. 2º da Lei nº 9.363/96 estabelece como requisito básico para fruição do crédito presumido que a empresa seja produtora e exportadora . Sendo assim, ao contrário do alegado pela Procuradoria da Fazenda Nacional, é a manutenção das receitas provenientes de revenda de mercadorias no cálculo do crédito presumido que afronta a legalidade e não a sua exclusão. Tanto isso é verdade, que a interpretação contida no acórdão recorrido foi posteriormente chancelada pelo Ministro da Fazenda por meio da publicação da Portaria MF nº 93, de 27/04/2004, in verbis: Art. 3º omissis... (...) § 12. Para os efeitos deste artigo, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora nos mercados interno e externo; II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora; III venda com o fim específico de exportação, a saída de produtos do estabelecimento produtor vendedor para embarque ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente. (...) Com esses fundamentos, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Antonio Carlos Atulim Fl. 450DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10783.903261/2008-32
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Data do fato gerador: 29/11/2002
PEDIDO DE PERÍCIA.A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado por meio de documentos carreados aos autos.
DESCONTO-PADRÃO. AGÊNCIA PUBLICIDADE. VEÍCULO DIVULGAÇÃO. O desconto-padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares já que a lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.314
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Luciano Pontes de Maya Gomes.
Nome do relator: Mara Cristina Sifuentes
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Data do fato gerador: 29/11/2002 PEDIDO DE PERÍCIA.A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado por meio de documentos carreados aos autos. DESCONTO-PADRÃO. AGÊNCIA PUBLICIDADE. VEÍCULO DIVULGAÇÃO. O desconto-padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares já que a lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1984; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 141 1 140 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10783.903261/200832 Recurso nº 874.458 Voluntário Acórdão nº 310201.314 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de novembro de 2011 Matéria COFINS Recorrente TELEVISAO VITORIA SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 29/11/2002 PEDIDO DE PERÍCIA.A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado por meio de documentos carreados aos autos. DESCONTOPADRÃO. AGÊNCIA PUBLICIDADE. VEÍCULO DIVULGAÇÃO. O descontopadrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares já que a lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Luciano Pontes de Maya Gomes. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Mara Cristina Sifuentes Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Mara Cristina Sifuentes, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Luciano Pontes de Maya Gomes. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4ª Turma da DRJ Rio de Janeiro 2 RJ, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão nº 1329.447, proferido em 25 de maio de 2010. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito: A DRFB Vitória, por meio do despacho decisório, não homologou a compensação declarada, alegando a inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. Em 21/08/2008 a interessada foi cientificada do despacho e da cobrança dos débitos indevidamente compensados. Irresignada, apresentou, em 22/09/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 01 a 16, na qual alega em síntese: Que é contribuinte de uma grande variedade de tributos, dentre os quais se destacam, o PIS e a Cofins, tendo em conta a incidência das mesmas por ocasião do faturamento mensal, assim entendido “o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil", conforme dispõe o artigo 1° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Que essa redação destacada é similar a da norma que a precedeu, que, embora não revogada, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, qual seja, o art. 30, §1°, da Lei n° 9.718/98. Tais contribuições, portanto, não podem nem devem incidir sobre receitas não auferidas pela pessoa jurídica, a exemplo do que ocorre com os valores recebidos pela cessão de seu espaço para agências de publicidade, tendo em vista que tais valores não permanecem em seu faturamento, pois são repassados às mencionadas agências. Sabendo que tais valores não deveriam ter sido incluídos na base de cálculo da COFINS e também do PIS, e, tendo em vista a existência de débitos a titulo dos mesmos tributos, a Requerente aproveitou a existência desses créditos, já que foram pagos a maior, para compensálos com tais débitos. Para que haja a incidência em comento não basta que a pessoa jurídica tenha receitas, entendida esta de acordo com a normatização contábil, mas também, é imprescindível que tais receitas sejam efetivamente auferidas, isto é, verdadeiramente percebidas. É imperioso que os valores decorrentes do faturamento tenham efetivamente ingressado nos cofres da Requerente, para composição do seu patrimônio, ou seja, tratase de um conceito jurídico de faturamento, eis que se entende como tal somente aquelas receitas auferidas pela pessoa jurídica. Assim, a interpretação literal dos dispositivos citados é suficiente para perceber que os valores recebidos pela cessão de espaço, pela Requerente, não deveriam integrar a sua base de cálculo da COFINS e também do PIS, já que estes mesmos valores não integraram efetivamente o seu faturamento, pois foram repassados às agências de publicidade, tratandose tão somente de "mero ingresso" no seu caixa. Prosseguindo, cita acórdãos do Conselho de Contribuintes e destaca a Solução de Consulta n. 17, de 30 de abril de 2007, da 4º Região Fiscal da Receita Federal do Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10783.903261/200832 Acórdão n.º 310201.314 S3C1T2 Fl. 142 3 Brasil no sentido de que o desconto devido à agência de propaganda não integra a base de cálculo do PIS e da COFINS do veículo de divulgação, porque este valor é receita que pertence à agência. Apesar disso, por uma falha, incluiu tais valores na base de cálculo da COFINS, de forma que, não existem dúvidas de que o montante contribuído a título de COFINS foi muito maior do que o real valor devido, uma vez que os valores recebidos e repassados às agências de publicidade (que não fazem parte do seu faturamento!) foram indevidamente incluídos nesta base de cálculo. Ao perceber a existência dos créditos existentes em função do pagamento a maior da COFINS, foi apresentado, por meio de PER/DCOMP, a Declaração de Compensação, a fim de aproveitar tais créditos para quitar débitos ainda existentes de COFINS. Informa que está levantando a documentação necessária a fim de que reste comprovado, de vez por todas, que os valores pagos a maior e repassados às agências de publicidade correspondem exatamente aos débitos que foram compensados, o que será apresentado a esta d. SRF o quanto antes. Por fim, protesta pela realização de diligência destinada à produção de prova pericial, e nomeia assistente técnico no intuito de ver respondidos os seguintes quesitos: 1)queira o Sr. Perito informar se a Requerente se apropriou integralmente dos valores recebidos no período autuado; e 2) queira o Sr. Perito informar, mediante a análise dos documentos contábeis acostados, se houve repasse às agências de publicidade. Em caso afirmativo, favor informar o valor desse repasse. Em 18/11/2008 a interessada juntou ao processo a petição de folhas 75 a 77 na qual informa que a documentação que comprova o faturamento da empresa e o efetivo repasse da receita de PIS/Cofins à terceiros foi apresentada nos autos do Processo Administrativo n° 10783.902198/200817. Tendo em vista que aquele processo discute créditos da mesma natureza deste e ainda a grande quantidade de documentos (12.306 cópias em 52 volumes), afirma ser inconcebível a apresentação de toda a documentação em cada um dos processos. A DRJ traz a seguinte motivação e esclarecimento no seu voto: A interessada ampara sua pretensão na Solução de Consulta SRRF04/Disit n° 17, de 30 de abril de 2007, que entendeu que o desconto devido as agências de propaganda não integra a base de cálculo da Cofins devida por veículo de divulgação. No presente caso, da análise dos documentos anexados pela interessada ao Processo Administrativo n° 10783.902198/200817 (anexo I, volumes 1 a 52) constatase que os pagamentos foram efetuados pelos anunciantes diretamente à interessada (veículo de divulgação) pelo valor bruto da fatura. Em momento posterior o veículo de divulgação paga à agência o "desconto padrão de agência" mediante fatura emitida pela agência contra a interessada, em conformidade com o disposto no subitem 2.4.2 das NormasPadrão da Atividade Publicitária. Os valores repassados somente podem ser excluídos na apuração das bases de cálculo das epigrafadas contribuições quando houver dispositivo legal explícito nesse Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 4 sentido, conforme reza o art. 150, § 6°, da Constituição Federal, incluído pela Emenda Constitucional n° 3, de 17 de março de 1993. A recorrente apresenta recurso voluntário, onde em síntese alega: que o disposto no art. 3o. § 1o. da Lei nº 9718/98 trata de receitas auferidas, e por isso os valores recebidos pela cessão de espaço não deveriam integrar a sua base de cálculo, já que estes valores não integraram efetivamente o seu faturamento, pois foram repassados às agências de publicidade, tratandose tão somente de mero ingresso no caixa; cita acórdãos do CARF, Parecer Cosit nº 8 e solução de consulta nº 17 para embasar sua argumentação; alega que a Lei 9430/96 vincula a administração tributária quanto ao entendimento exarado em processo de consulta, não podendo a mudança de orientação ter efeitos retroativos; que possui créditos de Confins por ter incluído erroneamente os valores pagos às agencias de publicidade na base de cálculo, fazendo jus portanto à compensação; por fim, pleiteia que seja efetuada diligência destinada a produção de prova pericial para responder a quesitos formulados quanto a análise de sua escrita contábil. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. O recurso é tempestivo, conforme disposto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Este processo foi julgado juntamente com o processo nº 1078.3902206/2008 25, adotado como paradigma. Do pedido de diligência e juntada de novos documentos. A recorrente pleiteia que seja efetuada diligência destinada a produção de prova pericial para responder a quesitos formulados quanto a análise de sua escrita contábil. Entendo ser desnecessária a perícia solicitada, para a análise do presente recurso voluntário. A perícia só se justifica para esclarecimento de fatos obscuros nos autos ou caso seja necessário conhecimento técnico especializado para esclarecimento de algum ponto discorrido nos autos. Não é o caso dos presentes autos. Os quesitos formulados pela recorrente podem ser respondidos pela análise dos documentos acostados, que no meu entendimento são mais do que suficientes para esclarecer a demanda. E conforme o Decreto nº 70.235/72 a autoridade julgadora determinará a realização de diligências ou perícias quando entender necessárias para elucidação do litígio, o que não é o caso: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10783.903261/200832 Acórdão n.º 310201.314 S3C1T2 Fl. 143 5 necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (redação dada pelo art. 10 da Lei n°8.748/93). O indeferimento do pedido de perícia também não afetará o contraditório e a ampla defesa, direitos da recorrente, já que ela demonstra conhecer a matéria discutida nos autos. Do mérito. A interessada ampara sua pretensão na Solução de Consulta SRRF04/Disit n° 17, de 30 de abril de 2007, cuja ementa reproduzo abaixo: Ementa: PROPAGANDA E PUBLICIDADE. BASE DE CÁLCULO. VEÍCULO DE DIVULGAÇÃO. DESCONTO DEVIDO A AGÊNCIA DE PROPAGANDA. COMISSÃO DE AGENCIADOR. BONIFICAÇÃO. O desconto devido à agência de propaganda, previsto no art. 11 da Lei n°4.680, de 1965, não integra a base de cálculo da Cofins devida por veículo de divulgação, visto que tal receita pertence à mencionada agência, sendo este um mero repassador do numerário devido pelo cliente anunciante. De outra sorte, por falta de previsão legal, o valor pago ao agenciador de propaganda, a título de comissão, pela intermediação de negócios, na forma do art. 2° da aludida Lei n° 4.680, de 1965, não é passível de exclusão da base de cálculo da Cofins devida por veículo de divulgação, sendo despesa deste, decorrente da relação jurídica surgida entre eles. Por sua vez, a bonificação paga à agência, quando esta repassa o valor recebido do anunciante ao veículo de divulgação, antes do vencimento previsto, por se tratar de desconto condicional, não pode ser excluída da base de cálculo da Cofins devida por veículo de divulgação, em virtude de ausência de amparo legal. Dispositivos Legais: Lei n°4.680, de 1965; Decreto n°57.690, de 1966; arts. ° e 3° da Lei n° 9.718, de 1998; art. 1° da Lei n° 10.833, de 2003. A citada Solução de Consulta fundamentouse, por sua vez, no Parecer Cosit n° 8, de 18 de junho de 2001, que em suas conclusões assim dispôs: O "desconto de agência", concedido por imposição legal, conforme valor fixado em tabela (previamente divulgada pelo veículo de publicidade) e obedecendo aos parâmetros predeterminados pelas NormasPadrão da Atividade Publicitária (expedidas pelo CENP, em 1998), não integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, como também não integra a base de cálculo da Cofins. O valor pago ao agenciador de propaganda a título de "comissão", pela intermediação de negócios, não pode ser excluído da base de cálculo das referidas contribuições. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 6 Não há, ainda, previsão legal para a exclusão de "bonificações" concedidas por antecipação de pagamentos, as quais equivalem a descontos condicionados. Este Parecer teve sua parte conclusiva alterada pela Solução de Consulta Interna Cosit n°21, de 15 de maio de 2008, que determinou a retificação do Parecer por concluir que "os veículos de divulgação não podem excluir da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins o valor devido às agências de publicidade, a título de desconto padrão de agência, por falta de previsão legal". A Divisão de Tributação da 4a Região Fiscal publicou a Solução de Consulta n° 24, em 2 de junho de 2008, após a publicação do novo entendimento exarado pela Cosit, na qual conclui "que quaisquer valores repassados ou devidos às agências de publicidade, a título de remuneração, cuja obrigação recaia originariamente sobre o veículo de divulgação, inclusive os denominados "desconto padrão de agência", não podem ser excluídos, por falta de previsão legal, na apuração das bases de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas pelo veículo de divulgação" e determinou a reforma integral da Solução de Consulta SRRF04/Disit n° 17, de 2007. A Lei n° 4.680, de 1965, que trata do exercício da profissão de Publicitário e de Agenciador de Propaganda assim dispõe, in verbis: Art. 3.° A Agência de Propaganda é pessoa jurídica e especializada na arte e técnica publicitárias, que, através de especialistas, estuda, concebe, executa e distribui propaganda aos Veículos de Divulgação, por ordem e conta de Clientes Anunciantes, com o objetivo de promover a venda de produtos e serviços, difundir idéias ou instituições colocadas a serviço desse mesmo público. Art. 4 São Veículos de Divulgação, para os efeitos desta lei,quaisquer meios de comunicação visual ou auditiva capazes de transmitir mensagens de propaganda ao público, desde que reconhecidos pelas entidades e órgãos da classe, assim considerados as associações civis locais e regionais de propaganda, bem como os sindicatos de publicitários. (...) Art. 11. A comissão, que constitui a remuneração dos Agenciadores de Propaganda, bem como o desconto devido às Agências de Propaganda, serão fixados pelos Veículos de Divulgação sobre os preços estabelecidos em tabela. O Decreto n° 57.690, de 1° de fevereiro de 1966, que aprovou o regulamento para a execução da Lei nº 4680/65 assim dispôs: Art. 10. Veículo de Divulgação, para os efeitos deste Regulamento, é qualquer meio de divulgação visual, auditiva ou audiovisual capaz de transmitir mensagens de propaganda ao público, desde que reconhecido pelas entidades sindicais ou associações civis representativas de classe, legalmente registradas Art. 11 O Veículo de Divulgação fixará, em Tabela, a comissão devida aos Agenciadores, bem como o desconto atribuído às Agências de Propaganda. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10783.903261/200832 Acórdão n.º 310201.314 S3C1T2 Fl. 144 7 Art. 12 Ao veículo de Divulgação não será permitido descontar da remuneração dos Agenciadores de Propaganda, mesmo parcialmente, os débitos não liquidados por Anunciantes, desde que a propaganda tenha sido formal e previamente aceita por sua direção comercial. [...] Art. 14. O preço dos serviços prestados pelo Veículo de Divulgação será por este fixado em Tabela pública aplicável a todos os compradores, em igualdade de condições, incumbindo ao Veículo respeitála e fazer com que seja respeitada por seus Representantes. Art. 15 O faturamento da divulgação será feito em nome do Anunciante, devendo o Veículo de Divulgação remetêlo a Agência responsável pela propaganda. As atividades publicitárias seguem uma norma padrão, editada pelo CENP – Conselho Executivo das NormasPadrão, que assim definem alguns conceitos que interessam a este processo: 1.3 Agência de Publicidade ou Agência de Propaganda: é nos termos do art. 6º do Dec. nº 57.690/66, empresa criadora/produtora de conteúdos impressos e audiovisuais especializada nos métodos, na arte e na técnica publicitárias, através de profissionais a seu serviço que estuda, concebe, executa e distribui propaganda aos Veículos de Comunicação, por ordem e conta de Clientes Anunciantes com o objetivo de promover a venda de mercadorias, produtos, serviços e imagem, difundir idéias ou informar o público a respeito de organizações ou instituições a que servem. 1.4 Veículo de Comunicação ou, simplesmente, Veículo: é, nos termos do art. 10º do Dec. nº 57.690/66, qualquer meio de divulgação visual, auditiva ou audiovisual. 1.6 Agenciador de Propaganda: é a pessoa física registrada e remunerada pelo Veículo, sujeita à sua disciplina e hierarquia, com a função de intermediar a venda de espaço/tempo publicitário. 1.11 DescontoPadrão de Agência1 ou simplesmente Desconto Padrão: é a remuneração da Agência de Publicidade pela concepção, execução e distribuição de propaganda, por ordem e conta de clientes anunciantes, na forma de percentual estipulado pelas NormasPadrão, calculado sobre o “Valor Negociado”. 1.12 Valor Faturado: é a remuneração do Veículo de Comunicação, resultado da diferença entre o “Valor Negociado” e o “DescontoPadrão”. 1.13 “Fee”: é o valor contratualmente pago pelo Anunciante à Agência de Publicidade, nos termos estabelecidos pelas Normas Padrão, independente do volume de veiculações, por serviços prestados de forma contínua ou eventual. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 8 A NormaPadrão da Atividade Publicitária também traz em seu escopo a definição das relações entre agências de publicidade, anunciantes e veículos de comunicação, que abaixo transcrevo no que interessa a lide1: 2.3 A relação entre Anunciante e sua Agência tem relevância para a relação entre o Anunciante e o Veículo. Na presença dessa relação, o Veículo deve comercializar seu espaço/tempo ou serviços através da Agência, nos termos do parágrafo único do artigo 11 da Lei nº 4.680/65, de tal modo que fique vedado: (a) ao Veículo oferecer ao Anunciante, diretamente, vantagem ou preço diverso do oferecido através de Agência; (b) à Agência, omitir ou deixar de apresentar ao Cliente proposta a este dirigida pelo Veículo. 2.3.1 É livre a contratação de permuta de espaço, tempo ou serviço publicitário entre Veículos e Anunciantes, diretamente ou por intermédio da Agência de Publicidade responsável pela conta publicitária. 2.3.2 Quando a contratação de que trata o item 2.3.1 envolver serviços de Agência de Publicidade, esta fará jus à remuneração, observadas as disposições estabelecidas em contrato. 2.4 O Anunciante é titular do crédito concedido pelo Veículo com a finalidade de amparar a aquisição de espaço, tempo ou serviço, diretamente ou por intermédio de Agência de Publicidade. 2.4.1 A Agência de Publicidade que intermediar a veiculação atuará sempre por ordem e conta do Anunciante, observado o disposto nos itens 2.4.1.1 a 2.4.1.3. 2.4.1.1 É dever da Agência de Publicidade cobrar, em nome do Veículo, nos prazos estipulados, os valores devidos pelo Anunciante, respondendo perante um e outro pelo repasse do “Valor Faturado” recebido ao Veículo. 2.4.1.2. A fatura do Veículo será encaminhada ao Anunciante por meio da Agência de Publicidade. 2.4.1.3 Tendo em vista que o fator confiança é fundamental no relacionamento comercial entre Veículo, Anunciante e Agência e sendo esta última depositária dos valores que lhes são encaminhados pelos Clientes/Anunciantes para pagamento dos Veículos e Fornecedores de serviços de propaganda, fica estabelecido que, na eventualidade da Agência reter indevidamente aqueles valores sem o devido repasse aos Veículos e/ou Fornecedores, terá suspenso ou cancelado seu Certificado de Qualificação Técnica concedido pelo CENP. 2.4.2 Em virtude de prévio e expresso ajuste, o Anunciante poderá repassar por meio do Veículo a importância correspondente ao “DescontoPadrão”, observado que nesta 1 Disponível no sítio http://www.cenp.com.br/PDF/Normas_padrao_port.pdf acessado em 27092011. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10783.903261/200832 Acórdão n.º 310201.314 S3C1T2 Fl. 145 9 hipótese o Veículo somente poderá faturar ou contabilizar como receita própria a parcela correspondente ao “Valor Faturado”. 2.4.3 Excepcionalmente, nos termos de prévio e expresso ajuste, o Anunciante, poderá efetivar diretamente os pagamentos correspondentes ao “Valor Faturado” e ao “DescontoPadrão”, respectivamente, ao Veículo e à Agência de Publicidade. 2.5 O “DescontoPadrão de Agência” de que trata o art. 11 da Lei nº 4.680/65 e art. 11 do Decreto 57.690/66, bem como o art. 19 da Lei 12.232/10, é a remuneração destinada à Agência de Publicidade pela concepção, execução e distribuição de propaganda, por ordem e conta de clientes anunciantes. A NormaPadrão atualmente em vigor difere da NormaPadrão utilizada quando do julgamento pela DRJ, mas em síntese podemos chegar as mesmas conclusões que chegou a DRJ: 1) O veículo de comunicação detém o espaço publicitário; 2) A agência de publicidade é responsável pela venda do trabalho de publicidade ao anunciante e também pela intermediação da divulgação do trabalho no veículo de comunicação; 3) O veículo de comunicação vende seu espaço publicitário diretamente, por meio de agência de publicidade ou por meio de agenciador, pessoa física; 4) A agência de publicidade faz jus a remuneração pelos serviços prestados ao cliente, que recebe o nome de descontopadrão; 5) O veículo emite a fatura em nome do anunciante pelo valor negociado que é composto de valor faturado e descontopadrão. O valor faturado é a remuneração do veículo; 6) A fatura é entregue pelo veículo à agência, a quem cabe cobrar do anunciante o pagamento e repassar o valor faturado ao veículo; 7) Poderá haver acordo entre os três para que: a. O anunciante pague diretamente ao veículo e este repasse o descontopadrão à agência; ou b. O anunciante pague ao veículo o valor faturado e a agência o descontopadrão. Neste processo, ao analisar os documentos acostados ao Processo Administrativo n° 10783.902198/200817 (anexo I, volumes 1 a 52, que a recorrente indica como fonte da documentação para todos os processos de compensação) constatase que os pagamentos foram efetuados pelos anunciantes diretamente à interessada (veículo de divulgação) pelo valor bruto da fatura, ou, valor negociado. Não existe destaque de valores nas notas fiscais. E o veículo de divulgação posteriormente pagou à agência o "desconto padrão" mediante fatura emitida pela agência contra a recorrente. Inferese que o veículo é responsável pelo faturamento e paga a agência pelo serviço prestado, também podemos chegar a esta conclusão a partir da análise das normas legais e da NormaPadrão quando elas dispõem que o descontopadrão será tabelado, logo temos a presença de um percentual que incide sobre o valor total da venda do espaço publicitário. Foi o que ocorreu no presente caso, o veículo emitiu fatura pelo valor negociado que foi paga pelo anunciante, a agência emitiu fatura pelo descontopadrão que foi paga pelo veículo. Tudo ocorreu conforme disposto nas normas legais e na NormaPadrão da Atividade Publicitária. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 10 Para apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, pelo regime cumulativo, seguese o disposto nos arts. 2° e 3° da Lei n°9.718, de 1998: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. E para a apuração do PIS e da Cofins apurados pela nãocumulatividade seguese o disposto no art. 1° da Lei n° 10.637, de 2002, e da Lei n° 10.833, de 2003: Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. Conforme art. 150 § 6o. da Constituição Federal qualquer subsídio ou isenção, redução da base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão só poderá se concedido mediante lei específica. Art. 150. § 6º Qualquer subsidio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.", XII, g. Existe previsão para exclusão da base de cálculo quando a agência recebe o valor negociado do anunciante e repassa o valor faturado para o veículo de divulgação, a teor Fl. 10DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10783.903261/200832 Acórdão n.º 310201.314 S3C1T2 Fl. 146 11 do disposto no art. 13 da Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004, c/c o art. 53, parágrafo único, da Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985: Art. 13. O disposto no parágrafo único do art. 53 da Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985, aplicase na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da Confins das agências de publicidade e propaganda, sendo vedado o aproveitamento do crédito em relação às parcelas excluídas. Art 53 Sujeitamse ao desconto do imposto de renda, à alíquota de 5% (cinco por cento), como antecipação do devido na declaração de rendimentos, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas: [...] II por serviços de propaganda e publicidade. Parágrafo único No caso do inciso II deste artigo, excluemse da base de cálculo as importâncias pagas diretamente ou repassadas a empresas de rádio, televisão, jornais e revistas, atribuída à pessoa jurídica pagadora e à beneficiária responsabilidade solidária pela comprovação da efetiva realização dos serviços. Em 2010 foi publicada a Lei nº 12.232, de 29 de abril de 2010, que dispõe sobre as normas gerais para licitação e contratação pela administração pública de serviços de publicidade prestados por intermédio de agências de propaganda e dá outras providências. Dentre estas outra providências estipula a Lei nº 12.232/2010 no seu art. 19 : Art. 19. Para fins de interpretação da legislação de regência, valores correspondentes ao descontopadrão de agência pela concepção, execução e distribuição de propaganda, por ordem e conta de clientes anunciantes, constituem receita da agência de publicidade e, em consequência, o veículo de divulgação não pode, para quaisquer fins, faturar e contabilizar tais valores como receita própria, inclusive quando o repasse do desconto padrão à agência de publicidade for efetivado por meio de veículo de divulgação. (grifos meus) Apesar da afronta ao disposto no art. 150 § 6o. da Constituição Federal a este CARF não cabe se manifestar sobre a inconstitucionalidade de lei, conforme já enunciado por Súmula deste Conselho: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Então devemos analisar a aplicação do art. 19 da Lei nº 12.232/2010 ao caso em exame. A Lei citada dispõe que o veículo de divulgação não pode faturar e contabilizar os valores relativos ao descontopadrão de agência como receita própria, e que tais valores constituem receita da agência de publicidade. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 12 Conforme já explicado o veículo de comunicação faturou o valor negociado diretamente ao anunciante e depois repassou o valor do descontopadrão à agência de publicidade, seguindo as orientações contidas na NormaPadrão: 2.4.1.2. A fatura do Veículo será encaminhada ao Anunciante por meio da Agência de Publicidade. 2.4.2 Em virtude de prévio e expresso ajuste, o Anunciante poderá repassar por meio do Veículo a importância correspondente ao “DescontoPadrão”, observado que nesta hipótese o Veículo somente poderá faturar ou contabilizar como receita própria a parcela correspondente ao “Valor Faturado”. 2.4.3 Excepcionalmente, nos termos de prévio e expresso ajuste, o Anunciante, poderá efetivar diretamente os pagamentos correspondentes ao “Valor Faturado” e ao “DescontoPadrão”, respectivamente, ao Veículo e à Agência de Publicidade. No caso em exame, conforme já esclarecido, o veículo de divulgação recebeu o total do valor negociado, emitindo uma fatura comercial em nome do anunciante e após a agência de publicidade emitiu uma fatura comercial em nome do veículo de divulgação. São duas relações negociais que se formam. A Lei nº 12.232/2010 alterou a base de cálculo prevista para o PIS e COFINS definindo que o descontopadrão não é receita do veículo de divulgação, entretanto conforme pode ser visto nas razões de veto do parágrafo único, a exclusão somente se aplica às relações com a Administração Pública, não se aplicando às relações entre particulares. MENSAGEM Nº 203, DE 29 DE ABRIL DE 2010. Senhor Presidente do Senado Federal, Comunico a Vossa Excelência que, nos termos do § 1o do art. 66 da Constituição, decidi vetar parcialmente, por contrariedade ao interesse público, o Projeto de Lei no 197, de 2009 (no 3.305/08 na Câmara dos Deputados), que “Dispõe sobre as normas gerais para licitação e contratação pela administração pública de serviços de publicidade prestados por intermédio de agências de propaganda e dá outras providências”. Ouvido, o Ministério da Justiça manifestouse pelo veto ao dispositivo abaixo: Parágrafo único do art. 19 “Art. 19. ....................................................................... Parágrafo único. O disposto neste artigo se aplica inclusive à contratação de serviços entre particulares, observadas normas de orientação expedidas pelo Conselho Executivo das NormasPadrão CENP.” Razão do veto “O projeto de lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública, não adentrando nas relações entre os particulares que exercem atividades Fl. 12DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10783.903261/200832 Acórdão n.º 310201.314 S3C1T2 Fl. 147 13 publicitárias com fundamento na Lei nº 4.680, de 18 de junho de 1965.” Essa, Senhor Presidente, a razão que me levou a vetar o dispositivo acima mencionado do projeto em causa, a qual ora submeto à elevada apreciação dos Senhores Membros do Congresso Nacional. De todo o exposto, concluo que a Lei nº 12.232/2010, art. 19, não se aplica ao presente processo por ser específica para as contratações com a Administração Pública, conforme explicado nas razões de veto do parágrafo único que previa a extensão para as relações entre os particulares. Logo, como não existe previsão legal para a exclusão da base de cálculo do PIS e Cofins do descontopadrão pago as agências de publicidade pelo veículo de comunicação, estes valores compõe a base de cálculo das contribuições citadas. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Mara Cristina Sifuentes Fl. 13DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000642/2005-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu May 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003
DECLARAÇÃO RETIFICADORA ENTREGUE APÓS O LANÇAMENTO. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
A declaração de ajuste entregue após o início do procedimento fiscal não produz efeitos sobre tais lançamentos, nos termos do Enunciado n° 33 da Súmula deste CARF
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO. LEI 10.174/2001. RETROATIVIDADE. SÚMULA CARF Nº 35
O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ÔNUS DA PROVA
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a comprovar a origem dos recursos informados para acobertar a movimentação financeira.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM COMPROVADA.
Quando o contribuinte logra demonstrar, através de documentação hábil e idônea, a origem de determinado depósito, deve ele ser excluído da base de cálculo do lançamento.
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. JUSTIFICATIVA.
Nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72, pode a autoridade julgadora indeferir pedido de perícia quando entender que a sua realização é desnecessária. A realização de perícia é procedimento excepcional, que somente se justifica em determinados casos.
TAXA SELIC
Em atenção à Súmula nº 04 deste CARF, é aplicável a variação da taxa Selic como juros moratórios incidentes sobre créditos tributários.
LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXAME DA LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 02.
Não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Numero da decisão: 1101-003.298
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares argüidas, indeferir o pedido de perícia e, no mérito, DAR PARCIAL provimento ao recurso, para excluir da base de cálculo da infração o valor de R$ 3.412,75, no ano-calendário 2001.
Assinado Digitalmente
Joao Bellini Junior - Presidente Substituto
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 06/04/2015
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOAO BELLINI JUNIOR (Presidente Substituto), ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, LIVIA VILAS BOAS E SILVA.
Nome do relator: Relatorkjh
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APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A declaração de ajuste entregue após o início do procedimento fiscal não produz efeitos sobre tais lançamentos, nos termos do Enunciado n° 33 da Súmula deste CARF IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO. LEI 10.174/2001. RETROATIVIDADE. SÚMULA CARF Nº 35 O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a comprovar a origem dos recursos informados para acobertar a movimentação financeira. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM COMPROVADA. Quando o contribuinte logra demonstrar, através de documentação hábil e idônea, a origem de determinado depósito, deve ele ser excluído da base de cálculo do lançamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 06 42 /2 00 5- 50 Fl. 695DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 27/05/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI 2 PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. JUSTIFICATIVA. Nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72, pode a autoridade julgadora indeferir pedido de perícia quando entender que a sua realização é desnecessária. A realização de perícia é procedimento excepcional, que somente se justifica em determinados casos. TAXA SELIC Em atenção à Súmula nº 04 deste CARF, é aplicável a variação da taxa Selic como juros moratórios incidentes sobre créditos tributários. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXAME DA LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 02. Não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares argüidas, indeferir o pedido de perícia e, no mérito, DAR PARCIAL provimento ao recurso, para excluir da base de cálculo da infração o valor de R$ 3.412,75, no anocalendário 2001. Assinado Digitalmente Joao Bellini Junior Presidente Substituto Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 06/04/2015 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOAO BELLINI JUNIOR (Presidente Substituto), ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, LIVIA VILAS BOAS E SILVA. Relatório Em face do Contribuinte acima identificado, foi lavrado Auto de Infração às fls. 269/308, apurandose o valor do crédito tributário no importe de R$909.210,20 (novecentos e nove mil, duzentos e dez reais e vinte centavos), incluindo multa de ofício de 75% e juros de mora, tendo em vista a instauração de Procedimento Fiscal visando verificar as obrigações do Contribuinte em relação ao Imposto de Renda da Pessoa Física, relativo aos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002, tendo sido programadas as operações Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoas Físicas e Movimentação Financeira Incompatível com Rendimentos Declarados – PF. Fl. 696DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 27/05/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI Processo nº 19515.000642/200550 Acórdão n.º 1101003.298 S1C1T1 Fl. 696 3 Da ação fiscal, restou a constatação da seguinte irregularidade: DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL, que faz parte integrante deste Auto de Infração. Cientificado do lançamento fiscal e inconformado, o Contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 311/338, por meio do qual requereu o reconhecimento da improcedência da ação fiscal, declarandose a insubsistência da lavratura do auto de infração e da respectiva imposição de penalidades, e ainda: Requer ainda, a reforma do lançamento, para que: 1) Seja realizada a retificação do valor excluído (R$55.000,00), relacionado com o restante do valor da venda apartamento 52 do Ed. Tamara, movimentado em 19/05/2000, para que passe a refletir a real movimentação ocorrida, ou seja, R$63.405,00 (sessenta e três mil, quatrocentos e cinco reais). 2) Sejam excluídos da base de cálculo do IRPF, os valores comprovadamente não tributáveis, dentre os quais, exemplificativamente, estão os valores: a) decorrentes das movimentações financeiras realizadas no anobase de 2000, uma vez que a LC n° 105/2001, e a Lei 10.174/2001, que deu nova redação ao §3°, do artigo 11 da Lei n° 9.311/96 não podem retroagir para alcançar fatos geradores anteriores à suas edições; b) relacionados com as operações de venda de dólares realizadas no período de janeiro de 2000 a setembro de 2001, bem como no período de agosto de 2001 à dezembro de 2002; c) relacionados com a venda do automóvel Vectra, cujo sinal foi depositado em 25 (R$5.381,00) e 26 (R$2.116,00) de setembro de 2000, e o restante do valor da venda em 02 de outubro de 2000 (R$12.531,08), totalizando R$20.028,08; d) o reembolso de despesas médicas, totalizando o valor de R$3.902,75, depositados em 31 de outubro de 2001, nos termos do demonstrativo de reembolso emitido pela Sul América Aetna Seguro S.A. (CNPJ/MF n° 01.685.053/000156), em 26/10/2001; e) relacionados com a transferência de valores, pela esposa do Impugnante, realizada em 02 de julho de 2002, no valor de R$2.000,00 (dois mil reais); Fl. 697DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 27/05/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI 4 Por fim, é a presente Impugnação, para requerer seja declarada inaplicável a Taxa Selic na condição de índice indexador de juros moratórios, aplicando às eventuais diferenças a serem apuradas, a taxa de juros de 1% ao mês, nos termos do parágrafo 1º do artigo 161 do CTN. Por fim, é a presente Impugnação, para requerer seja declarada inaplicável a Taxa Selic na condição de índice indexador de juros moratórios, aplicando às eventuais diferenças a serem apuradas, a taxa de juros de 1% ao mês, nos termos do parágrafo 1º do artigo 161 do CTN. O Contribuinte apresentou nova manifestação às fls. 436/440, esmiuçando os equívocos que entende ter cometido o auditor fiscal que lavrou o Auto de Infração, e requerendo também a juntada de cópia do livro caixa, bem como o parecer do Contador, reiterando suas alegações já anteriormente expostas em sede de Impugnação, e postulando, ao final, pela anulação do Auto de Infração lavrado, abrindose ainda a possibilidade de quitar o débito em 60 parcelas mensais. Posteriormente, o Contribuinte se manifestou novamente às fls. 481, requerendo a juntada de novos documentos (cópias das declarações retificadoras de DIRPF referentes aos exercícios de 2001, 2002 e 2003, reiterando o pedido de anulação do auto de infração, bem como que lhe fosse dada a oportunidade de formalizar o parcelamento de seu débito em 60 vezes, nos termos da lei. Na análise das alegações apresentadas em sede de Impugnação, os integrantes da 3ª Turma da DRJ/SDR decidiram, por unanimidade de votos, julgála improcedente, mantendose integralmente o crédito tributário exigido, sendo extraída a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000, 2001, 2002 INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. CPMF As normas que autorizam a utilização das informações da CPMF pela fiscalização para fins de lançamento tributário, referindose à produção de provas e aos poderes de investigação, aplicamse aos procedimentos atuais, ainda que relativos a fatos anteriores à promulgação destas normas. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Consideramse rendimentos tributáveis os depósitos de origem não comprovada. Lançamento Procedente Após ser cientificado da referida decisão em 02.07.2009, o Contribuinte apresentou manifestação às fls. 517/520, requerendo a apuração correta de seus débitos, com a compensação dos valores que estariam sendo pagos pontualmente no parcelamento moratório nº 19679.002424/200668, bem como com os valores correspondentes aos seus últimos direitos de restituição do Imposto de Renda, a fim de exercer o direito à anistia concedida pela Lei Federal nº 11.941/2009, tendo sido proferido o seguinte despacho (fls. 531): Tendo em vista o despacho da DICAT/EQCOB de fls. 520, em face da alegação do contribuinte de fls. 506 de que parcelou parte do valor do presente AI no processo 19679.002424/2006 68, informo: Fl. 698DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 27/05/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI Processo nº 19515.000642/200550 Acórdão n.º 1101003.298 S1C1T1 Fl. 697 5 1. O interessado fez o parcelamento com multa de mora, relativo aos débitos por ele declarados em DIRPF retificadora entregue em 11/10/2005, data posterior ao início da fiscalização. 2. Os referidos débitos foram parcelados no processo 19679.002424/200668, que está ativo e não consta parcela em atraso. 3. O presente Auto de Infração é relativo à omissão de rendimentos. 4. O parcelamento nos termos do art. 12 da Lei 10.522/2002 constitui confissão de dívida. Uma vez que não há providências a serem adotadas e que o processo está Aguardando Recurso Voluntário, proponho o encaminhamento do presente processo à DICAT/EQCOB, código COMPROT 0116151.2, para prosseguimento da cobrança. Desta forma, o Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 548/586, pelo qual reiterou integralmente as alegações contidas em sua Impugnação, ressaltando ainda que: Da Aceitação das Declarações de IR Retificadoras e do Parcelamento do Débito Alega o Contribuinte que vem pagando pontualmente o parcelamento gerado a partir dos débitos oriundos das declarações retificadoras, que integrariam o valor principal da autuação deste processo fiscal; Do Reconhecimento do Fisco Quanto ao Valor Devido pelo Recorrente Entende o Contribuinte que, ao acolher as Declarações Retificadoras dos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002 e deferir o pedido de parcelamento, restaria presumido que o Fisco teria reconhecido expressamente serem os valores devidos, em cada exercício, os indicados nas respectivas Declarações Retificadoras, caso contrário, não deveria ter aprovado o pagamento parcelado. Desta forma, restaria insubsistente o Auto de Infração e a respectiva penalidade aplicada, mantendose como débito do Contribuinte exclusivamente as quantias que vem sendo por ele pagas de forma parcelada; Da Não Dedução dos Valores Pagos pelo Recorrente O Contribuinte defende que a decisão recorrida teria deixado de considerar o abatimento ou a amortização dos valores pertinentes ao parcelamento mencionado, bem como as quantias relativas as restituições dos últimos anos, ressaltando ainda que as quantias pagas em função do parcelamento, correspondem diretamente aos valores principais, juros moratórios e multas, razão pela qual devem ser abatidos, sob pena de enriquecimentos sem causa da Fazenda Nacional; Da Inaplicabilidade do Artigo 147, §1°, do CTN ao Caso em Concreto Fl. 699DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 27/05/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI 6 Explica o Contribuinte que, tendo a Receita Federal aceitado as Declarações do IR Retificadoras, bem como autorizado o parcelamento do débito, com o recebimento de todas as parcelas mensais ao longo dos últimos três anos e meio, não poderia, agora, se valer da disposição legal acima mencionada para enriquecerse ilicitamente; Da Não Redução Proporcional da Multa de Ofício O Contribuinte explicita que, mesmo que o parcelamento não tenha ocorrido no prazo, ele teria sido autorizado antes do proferimento da decisão recorrida, sendo que a Lei Federal nº 11.941/2009, asseguraria a anistia de 100% da multa de ofício e da multa moratória e ainda redução parcial dos juros moratórios, o que implica dizer que, com o pagamento total do débito, deverseá eliminar do montante total apurado os valores proporcionais de tais encargos legais; Da Anistia Concedida pela Lei Federal nº 11.941/2009 O Contribuinte aduz que, para que tenha condições de opção de uma das formas de pagamento de seu débito, a fim de obter os benefícios legais acima indicados, requer seja acolhido o presente recurso, apurandose o valor correto de seu débito, abatendose os valores pagos a título do parcelamento acima indicados, reduzindose proporcionalmente a multa de mora e de ofício, os juros de mora e as quantias referentes ao seu direito de restituição, ao qual devem ser acrescidas as parcelas vincendas do parcelamento em curso, permitindose, em seguida, que o Contribuinte exerça o direito que lhe assegura a Lei Federal n° 11.941/2009; Do Cerceamento de Defesa Alega o Contribuinte ter analisado os documentos juntamente com seu Contador e constataram a total incorreção do valor apontado no Auto de Infração lavrado pela Senhora Auditora Fiscal, por não ter sido considerado as despesas anotadas no Livro Caixa, em total desrespeito ao Regulamento do Imposto de Renda, bem como por ter sido considerado como base de cálculo, lançamentos não tributáveis ou já tributados. Sendo assim, entende que não poderia ter sido indeferido o pedido de perícia contábil, com a qual comprovaria o Contribuinte a total correção das Declarações de Imposto de Renda Retificadoras e, por conseguinte, a incorreção dos valores constantes do Autor de Infração lavrado; Dos Vícios do Auto de Infração O Contribuinte reitera integralmente os vícios alegados em sede de Impugnação, quais sejam: não poderiam ser considerados os valores sujeitos à tributação, simplesmente por ter havido movimentação bancária, nos termos da Súmula nº 182 do Tribunal Federal de Recursos, que expressamente vedava o lançamento de imposto de renda apenas com base em extratos bancários; que a Lei Complementar nº 105/2001 somente poderia ser aplicada a fatos geradores ocorridos após a sua edição; que teria entregue toda a documentação solicitada durante todo o processo fiscal, e que a Auditora Fiscal somente teria considerado para comprovação alguns valores, alegando a suposta ausência de comprovantes; Fl. 700DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 27/05/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI Processo nº 19515.000642/200550 Acórdão n.º 1101003.298 S1C1T1 Fl. 698 7 que a aplicação da Taxa Selic como índice dos juros moratórios atingiria diretamente as disposições contidas no art. 161, §1°, do C'TN, bem como a multa em 75% sobre o tributo devido, ambos violariam o princípio constitucional do Não Confisco; Da Impossibilidade de Realizar Lançamento do Imposto de Renda, Arbitrados Como Base Unicamente Extratos Bancários – Da Súmula nº 182 do TFR O Contribuinte entende que não seria possível considerar que depósitos bancários, por si só, constituíssem fato gerador do imposto de renda, uma vez que não caracterizariam obrigatoriamente disponibilidade econômica de renda e proventos de qualquer natureza, portanto, em desconformidade com a Súmula nº 182 do TFR, sendo que o lançamento constituído unicamente com base em depósitos financeiros efetuados, somente poderia ser admitido se ficasse comprovada a existência de nexo causal entre os depósitos e algum fato que representasse a omissão de rendimentos, o que não teria ocorrido no presente caso; Da Insubsistência da Ação Fiscal Fundada Em Movimentação Financeira Ocorrida No Ano de 2.000. Da Afronta aos Princípios da Irretroatividade das Leis e Da Segurança Jurídica O Contribuinte defende que somente em 10.01.2001 atribuiuse à Secretaria da Receita Federal a faculdade de utilizarse ou requisitar informações bancárias para instaurar procedimento administrativo referente à verificação da existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições. Todas as situações jurídicas ocorridas no lapso temporal de 24 de outubro de 1996 (Lei n. 9.311/96) a 9 de janeiro de 2001 (Lei n. 10.174/2001 e Lei Complementar n. 105/2001) encontrariamse legalmente regidas pela Lei n. 9.311/96, em sua redação original, que vedava expressamente a utilização de informações relativas à CPMF fora de seu restrito âmbito, qual seja, o de apenas verificar a regularidade do recolhimento por parte das instituições bancárias da CPMF de seus correntistas e investidores. Portanto, entende o Contribuinte que o princípio da retroatividade é condição necessária para a proteção ao princípio da Segurança Jurídica, que garante às pessoas o direito de conhecerem as consequências jurídicas que derivam de suas condutas, previstas pela lei já vigente; Dos Valores Excluídos Pela D. AuditoraFiscal da Secretaria da Receita Federal O Contribuinte pretendeu demonstrar através de planilhas e documentos, que muitos valores movimentados não representavam créditos, mas se referiam a entradas de valores em duplicidade (retirada e depósito do mesmo valor); venda de automóvel já declarada; regularização de CPMF; valores estornados da conta corrente; sinal e parcela referente à venda de imóvel próprio; valores referentes à compra de automóvel não realizada (com o consequente retorno dos valores sacados da conta corrente); venda de moeda estrangeira com recibo, reembolso de cobertura de seguro saúde; dentre outros valores que não representam rendimentos tributáveis. No entanto, para o Contribuinte, a d. Auditora Fiscal afirmou, sem apresentar qualquer motivação ou fundamentação, que os demais itens destacados pelo por ele nas Fl. 701DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 27/05/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI 8 planilhas apresentadas em 18/10/2004 não teriam sido supostamente comprovados, razão pela qual não os excluiu da nova planilha elaborada por ocasião da lavratura do Auto de Infração; Da Retificação do Valor Comprovado O Contribuinte alega ainda que, conforme demonstração constante nos autos do processo administrativo, o valor correto a ser excluído é de R$63.405,00 (sessenta e três mil, quatrocentos e cinco reais), razão pela qual reitera a retificação do valor excluído (R$55.000,00), relacionado com o restante do valor da venda do apartamento 52 do Ed. Tamara, movimentado em 19/05/2000, para que passe a refletir a real movimentação ocorrida; Dos Documentos Apresentados e Não Considerados Pela Fiscalização. Da Ausência de Motivação O Contribuinte aduz que a simples afirmação de que a documentação apresentada não era hábil, não seria suficiente para caracterizar a necessária motivação da decisão que incluiu valores comprovadamente não tributáveis na base de cálculo do imposto de renda exigido no presente Auto de Infração, impedindo o Contribuinte de qualquer possibilidade de defesa, diante da ausência das motivações que levaram a concluir pela inépcia da documentação; Da Efetiva Comprovação das Operacões de Venda de Dólares, Por Meio de Documentação Hábil Similar Àquela que Ensejou a Exclusão de R$8.775,00 da Base de Cálculo do IRPF. Dos Demais Valores Não Tributáveis Já Comprovados O Contribuinte mais uma vez reitera que apresentou diversos comprovantes, inclusive em relação à venda de dólares realizadas em diversas ocasiões, sendo que todos os recibos são similares àquele que ensejou a exclusão pela Auditora Fiscal. Assim, considerando que todos os recibos eram similares, e referiamse a operações similares e foram emitidos por um mesmo estabelecimento ao Contribuinte, não haveria razão a justificar que apenas um dos documentos fosse considerado hábil e todos os demais, não. Esclarece ainda o Contribuinte que em 18.10.2014, foram apresentados outros comprovantes relacionados à diferentes operações não tributáveis, nos quais também foram rechaçados pela Auditora Fiscal; No entanto, entende o Contribuinte que todas as operações descritas encontrariamse devidamente documentadas e constituiriam operações não tributáveis, motivo pelo qual deveriam ser prontamente excluídas da base de cálculo do imposto; Da Ilegalidade de Indexação dos Juros Moratórios pela Taxa Selic O Contribuinte exalta que a adoção da Taxa Selic na seara tributária, desvirtuaria a natureza de juros remuneratórios, conferindolhe natureza eminentemente sancionatória e, ao invés de cumprir uma de suas funções primordiais, que é a de manter o equilíbrio econômico da relação obrigacional, com a sua adoção, restaria flagrante o Fl. 702DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 27/05/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI Processo nº 19515.000642/200550 Acórdão n.º 1101003.298 S1C1T1 Fl. 699 9 desequilíbrio que se produz com a adoção de taxas de remuneração de capital, insuportáveis, principalmente, para aquele que cumpriu a destempo a obrigação tributária. Diante de todo o exposto, requer o Recorrente que: a) sejam reconhecidos os efeitos das Declarações Retificadoras de Imposto de RendaPessoa Física referentes aos exercícios de 2001, 2002 e 2003 (fls. 477/495) e declarado válido o parcelamento deferido com base na Portaria Conjunta PGFN/SRF n. 02/2002 (docs. 01/57), tornando insubsistentes as quantias acima dos débitos delas decorrentes constantes do Auto de Infração e da respectiva penalidade; b) em última análise, que tais valores sejam abatidos do valor final apurado pelo Fisco Federal, eliminandose, proporcionalmente, os encargos moratórios (juros e multa) e da multa de ofício, nos termos da Lei Federal n. 11.491/2009; c) seja declarado ilegítimo o lançamento do Imposto de Renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários, em face do enunciado pela Súmula n. 182/TRF; d) seja declarada a irretroatividade da Lei Complementar n. 105/2001, tornando insubsistente a ação fiscal fundada em movimentação financeira ocorrida no ano de 2.000, declarando se nula a respectiva penalidade; e) seja a ação fiscal julgada improcedente, declarandose a insubsistência ou decretada a anulação do Auto de Infração e da respectiva imposição de penalidades; f) seja deferida a produção de prova pericial, nos termos do artigo 16, IV, e 18 do Decreto n. 70.235/72, para a comprovação da dedutibilidade de valores de seu rendimento bruto, correspondente a despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora (RIR/2000, artigo 75), não escrituradas no Livro Caixa à época própria; g) que seja declarada inaplicável a Taxa Selic na condição de índice indexador de juros moratórios, aplicandose às eventuais diferenças a serem apuradas o juro moratório de 1% (um por cento ao mês), fixado pelo artigo 161, § 1°, do CTN; h) seja realizada a retificação do valor excluído (R$55.000,00), relacionado com o resgate do valor da venda do apartamento 52 do E. Tamara, movimentado em 19/05/2000, para que passe a refletir a real movimentação ocorrida, ou seja, R$63.405,00. i) sejam excluídos da base de cálculo do IRPF os valores comprovadamente não tributáveis, dentre os quais, exemplificativamente, estão os valores: 1. decorrentes das movimentações financeiras realizadas no ano base de 2000, uma vez que a LC n. 105/2001 e a Lei n. 10.174/2001, que deu nova redação ao §3° do artigo 11 da Lei n. Fl. 703DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 27/05/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI 10 9.311/96, não podem retroagir para alcançar fatos geradores anteriores a suas edições; 2. relacionados com as operações de venda de dólares realizadas no período de janeiro de 2000 a setembro de 2001, bem como no período de agosto de 200 dezembro de 2002; 3. relacionados com a venda do automóvel Vectra, cujo sinal foi depositado em 25 (R$5.381,00) e 26 (R$2.116,00) de setembro de 2000 e o restante do valor da venda em 02 de outubro de 2000 (R$12.531,08), totalizando R$20.028,08; 4. o reembolso de despesas médicas, totalizando o valor de R$3.902,75, depositados em 31 de outubro de 2001, nos termos do demonstrativo de reembolso emitido pela Sul América Seguro S.A. (CNPJ/MF n. 01.685.053/000156), em 26/10/2001; e 5. relacionados com a transferência de valores, pela esposa do Recorrente, realizada em 02/07/2002, no valor de R$ 2.000,00. j) a anulação do Auto de Infração lavrado contra si e a apuração correta de seu débito, com a devida compensação dos valores que vem sendo pagos pontualmente no parcelamento moratório n° 19679.002424/200668, bem como com os valores correspondentes aos seus últimos direitos de restituição do Imposto de Renda, a fim de exercer o direito à anistia concedida pela Lei Federal n° 11.941/2009. Assim, os autos foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 02.07.2009, como atesta o AR de fls. 516. O Recurso Voluntário foi interposto em 27.07.2009 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento para exigência de IRPF incidente sobre depósitos bancários cuja origem deixou de ser comprovada pelo Recorrente. Antes de entrar no mérito da discussão trazida em sede de Recurso Voluntário, é preciso analisar o pedido formulado pelo Recorrente às fls. 506/519. Neste pedido, o Recorrente afirma ter retificado suas DIRPFs dos Exercícios 2001 a 2003, por meio das quais declarou débitos que “integrariam” o lançamento aqui em exame. Os referidos débitos foram objeto de parcelamento convencional e, posteriormente, com o advento da Lei nº 11.941/09, o Recorrente afirma que os teria quitado. Neste ponto, é preciso esclarecer ao Recorrente que os valores pagos por ele não podem ser deduzidos da exigência fiscal aqui em discussão. Antes de mais nada, o lançamento que aqui se discute é relativo à omissão de rendimentos fundada no art. 42 da Lei nº 9.430/96, tratandose de lançamento de ofício, o qual poderá – se for o caso – ser quitado através de DARF com o código específico para tanto. Fl. 704DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 27/05/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI Processo nº 19515.000642/200550 Acórdão n.º 1101003.298 S1C1T1 Fl. 700 11 O Recorrente, após o início do procedimento fiscal, retificou suas Declarações de Ajuste relativas ao período objeto do lançamento aqui em exame, e informou ter recebido rendimentos que deixaram de constar de suas Declarações de Ajuste Anual anteriormente entregues (vale dizer, no momento oportuno). Ocorre que a declaração de ajuste entregue após o início do procedimento fiscal não produz os efeitos pretendidos por ele, nos termos do Enunciado n° 33 da Súmula deste CARF: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Ademais, o imposto “apurado” e pago pelo Recorrente após a entrega das declarações retificadoras não pode ser aqui aproveitado, pois tratase de recolhimento de natureza diversa daquele que aqui se discute. Assim é que sua pretensão nesse sentido não poderá acolhida. Passando então à análise do lançamento propriamente dito, o Recorrente suscita algumas preliminares, que passam agora a ser analisadas: Alega o Recorrente que seria vedado o lançamento do IRPF com base em extratos bancários, diante do disposto na Sumula 182 do TFR. Tal pretensão não merece acolhida, tendo em vista que a referida súmula se refere à tributação por depósitos bancários com base na lei nº 8.021/90, e não com base na Lei nº 9.430/96, nos termos da jurisprudência já consolidada deste Conselho: IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS TRIBUTAÇÃO A partir da vigência da Lei nº 9.430, de 1996, consideramse rendimentos omitidos os depósitos bancários efetuados em contas mantidas junto a instituições financeiras, em relação as quais o contribuinte, regularmente intimado, não logra comprovar mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. SIGILO BANCÁRIO Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgão fiscais tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra de sigilo bancário. SÚMULA 182 DO TRF A Súmula 182 do TRF não se aplica aos lançamentos feitos com base na Lei nº 9.430, de 1996, tendo em vista ter ela vigência anterior à edição dessa lei. Preliminares rejeitadas Recurso negado. (Acórdão nº 10421053, de 19.10.2005) Assim, não merece acolhida esta preliminar. Outra preliminar suscitada pelo Recorrente diz respeito à impossibilidade de aplicação do disposto na Lei Complementar 105/2001 com efeitos retroativos, quanto a movimentação bancária ocorrida no ano de 2000. Aqui, a pretensão do Recorrente não merece acolhida, em face do exposto no enunciado nº 35 da Súmula deste CARF, que assim dispõe: Fl. 705DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 27/05/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI 12 Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. A despeito do enunciado não tratar especificamente da Lei Complementar 105, mas sim da Lei nº 10.174/01, o entendimento que deu ensejo à tal enunciado é justamente este, o de que ambas as normas têm caráter meramente procedimental, podendo ser aplicadas de forma retroativa. É o que demonstra o seguinte julgado: DEPOSITOS BANCÁRIOS. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO DE ORIGEM DESCONHECIDA. Procedimento fiscal decorrente de ofício de Vara Criminal da Justiça Federal à pedido do Ministério Público. Preliminar afastada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM DESCONHECIDA. LEI COMPLEMENTAR 105/2001 E LEI FEDERAL 10.174/2001. Irretroatividade afastada em razão de sua natureza procedimental. Art. 144 do CTN. Preliminar afastada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPOSITOS BANCÁRIOS. Presunção legal relativa estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430 de 1.996. Inversão do ônus da prova. Não logrando o sujeito passivo comprovar a origem dos depósitos realizados na conta corrente bancária de sua titularidade, deve ser mantido o lançamento. Preliminares rejeitadas. Recurso negado. (Acórdão nº 10249069, de 28.05.2008) Quanto ao mérito, como se viu, o presente lançamento fundase na presunção de omissão de rendimentos fundada na presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários efetuados nas contas do Recorrente cuja origem deixou de ser comprovada. Releva notar que a Lei nº 9.430/96 estabeleceu uma presunção de omissão de rendimentos que, apesar de ser relativa, só pode ser revista contra a apresentação, pelo contribuinte, de documentação hábil e idônea que comprove a origem daqueles rendimentos. Por isso que para os fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1997, cabe sempre ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos valores transitados por sua conta bancária. Nestes casos, o ônus da prova não é mais da autoridade fiscal (no sentido de comprovar a ocorrência de eventual omissão) e sim do próprio contribuinte (de que não houve qualquer omissão). Sendo esta uma determinação legal, não cabe ao julgador administrativo avaliar sobre o seu acerto ou sua tecnicidade, mas somente aplicála. Neste sentido, este Conselho editou a Súmula nº 1, segundo a qual: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”. No que diz respeito à comprovação da origem dos depósitos, o Recorrente reafirma que determinados valores que foram comprovados por ele deixaram de ser aproveitados pela autoridade fiscal e que por isso devem agora ser excluídos do lançamento. São eles: a) diferença de R$ 8.405,00 relativa a venda do apartamento situado no Ed. Tamara: alega o Recorrente que a autoridade fiscal acolheu apenas o valor de R$ 55.000,00 como origem em 19.05.2000, quando deveria ter acolhido o valor total da operação (R$ 63.405,00). Requer que esta diferença seja agora considerada. Fl. 706DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 27/05/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI Processo nº 19515.000642/200550 Acórdão n.º 1101003.298 S1C1T1 Fl. 701 13 A decisão recorrida negou este pedido, sob o argumento de que o contrato de compra e venda acostado aos autos indica apenas o pagamentos dos R$ 55.000,00 que foram acolhidos, e não dos alegados R$ 63.405,00. O depósito que o Recorrente buscou comprovar aqui foi efetuado no dia 19.05.2000, no valor de R$ 63.405,00. A autoridade fiscal acatou a exclusão de R$ 55.000,00 da base de cálculo do lançamento, ao argumento de que se trataria de parte do recebimento pela venda do referido apartamento. De fato, o contrato de fls. 372/373, demonstra que o pagamento do referido imóvel se daria da seguinte forma, sinal de R$ 10.000,00 (em 28.04.2000), posteriormente um pagamento de R$ 44.000,00 (contra a entrega das certidões) e outros R$ 11.000,00 (quando da entrega das chaves). O valor total da transação seria de R$ 65.000,00. Aparentemente, a autoridade fiscal entendeu que os pagamentos de R$ 44.000,00 e R$ 11.000,00 teriam sido efetuados em 19.05.2000, e por isso promoveu a exclusão deste montante da base de cálculo do lançamento. Ocorre que – como bem salientado pela decisão recorrida, não há qualquer documento que vincule o depósito dos R$ 63.405,00 ao recebimento de parte do valor de venda do imóvel em referência. O Recorrente deixou de trazer aos autos outros documentos que pudessem comprovar suas alegações, razão pela qual sua pretensão não merece acolhida. b) venda do automóvel Vectra, cujo sinal foi depositado em 25 (R$ 5.381,00) e 26 (R$ 2.116,00) de setembro de 2000 e o restante do valor da venda em 02/10/2000 (R$ 12.531,08), totalizando R$ 20.028,08. Aqui, não há absolutamente nenhuma prova da referida venda, razão pela qual a pretensão do Recorrente não pode ser acolhida. c) a venda de dólares adquiridos no período de janeiro de 2000 a setembro de 2001, totalizando R$ 114.812,37, valor este depositado em conta em 06/07/2001 e posteriormente sacado em 16/07/2001 e que justifica a aquisição do automóvel Passat no valor de R$ 114.444,29 – este ponto será analisado em conjunto com o item f a seguir. d) o reembolso de despesas médicas, totalizando o valor de R$ 3.902,75, depositados em 31/10/2001, nos termos do demonstrativo de reembolso emitido pela Sul América Aetna Seguro S.A. (CNPJ/MF n. 01.685.053/000156), em 26/10/2001. Quanto a este pedido, a decisão recorrida o rejeitou, sob a seguinte alegação: O reembolso foi pago em 26/10/2001 através de reembolso da Sul América de cheque do Unibanco no valor de R$ 3.412,75 (fls. 410). O depósito de R$ 3.902,75 foi efetuado com outro cheque. Entendo que a decisão recorrida deve ser parcialmente reformada neste ponto. Isto porque, ainda que o valor do reembolso e o cheque não sejam coincidentes, certo é que o Recorrente tem justificativa para uma origem de R$ 3.412,75, conforme documento emitido pela seguradora de saúde. Deve, por este motivo, tal valor ser excluído da base de cálculo do lançamento. e) a transferência de valores, pela esposa do Recorrente, realizada em 02/07/2002, no valor de R$ 2.000,00. Aqui, o Recorrente não trouxe os comprovantes das alegadas transferências, razão pela qual a decisão recorrida deve ser mantida. Fl. 707DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 27/05/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI 14 f) a venda de dólares adquiridos no período de agosto de 2001 a dezembro de 2002, totalizando a quantia de R$ 41.737,13. Neste ponto, a autoridade fiscal acolheu parte dos valores recebidos em razão da venda de dólares efetuada pelo Recorrente. Alega ele que se foram acolhidos os comprovantes para excluir parte dos valores decorrentes de tais vendas, as demais vendas também deveriam ter sido acolhidas como origem para os depósitos. A decisão recorrida deixou de acolher o seu pedido, mantendo o argumento de que não há a prova da referida venda. Com efeito, o Recorrente deixa de apontar quais são os documentos que comprovam as referidas vendas e os respectivos depósitos, razão pela qual tal pedido não merece acolhida. Vale lembrar, aqui, que o lançamento pode ser revisto sempre que estiver incorreto, sendo que para tanto basta ao interessado que junte documentos e demonstre – de forma clara e objetiva – que o seu direito é bom, e que o lançamento não merece ser prestigiado. A decisão recorrida examinou um a um destes pedidos do Recorrente, tendo esclarecido o que motivou o não acolhimento das comprovações pretendidas por ele. Por isso que, ciente do teor da decisão recorrida, caberia a ele ter trazido aos autos outras provas que se mostrassem suficientes para que fosse reformada a decisão recorrida. Sem a apresentação destas provas, não pode sua pretensão ser acolhida. O Recorrente pugna ainda pela realização de perícia, a fim de seja comprovada a “dedutibilidade de valores de seu rendimento bruto, correspondente a despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora (RIR/2000, artigo 75), não escrituradas no Livro Caixa à época própria”. Com efeito, o art. 18 do Decreto nº 70.235/72 assim dispõe quanto à realizações de diligências/perícias: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Já o art. 28 mencionado assim determina: Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. Percebese daí que a realização de perícias somente é deferida quando as autoridades julgadoras entenderem que são necessárias ao deslinde da controvérsia e/ou à elucidação de algum ponto controvertido. Mas este não é o caso dos autos. Há que se esclarecer ainda que a prova, em processos como o presente, é de interesse do contribuinte autuado, já que é ele mesmo o maior interessado em demonstrar que os valores constantes de um determinado lançamento não condizem com a realidade. Ademais, a perícia pretendida não diz respeito ao lançamento efetuado, tendo em vista que as deduções feitas em seu Livro Caixa não foram objeto de glosa através deste lançamento, sendo certo que este pedido foge ao alcance do presente Recurso Voluntário. Fl. 708DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 27/05/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI Processo nº 19515.000642/200550 Acórdão n.º 1101003.298 S1C1T1 Fl. 702 15 Correta, pois, a decisão recorrida que negou o pedido em tela com base no disposto no art. 147, § 1º do CTN. Vale lembrar que pedidos de perícia devem obedecer os critérios estabelecidos no Decreto n° 70.235/72 (apresentação de quesitos, indicação de assistente técnico etc...), sob pena de seu indeferimento. Por fim, o Recorrente se insurge ainda contra a aplicação da taxa Selic ao lançamento e ainda contra a multa de ofício a ele aplicada (de 75%). Quanto ao pedido de exclusão da aplicação da taxa Selic sobre o crédito tributário em discussão, foi editada a Súmula nº 4 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, segundo a qual: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.”. Outrossim, a alegação de que a multa de ofício aplicada ao lançamento teria caráter confiscatório também esbarra em um enunciado da Súmula deste Conselho, este o de nº 2, segundo o qual: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”. Neste último caso, apesar do enunciado não tratar diretamente da questão da multa, deve ele ser aplicado ao caso vertente, pois, sendo a multa de ofício uma determinação legal – devidamente prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, não cabe ao julgador administrativo avaliar sobre o seu acerto ou sua tecnicidade, mas somente aplicála. O Recorrente pugna pela redução da multa para um patamar de, no máximo, 20% no entanto, não há previsão legal para que se opere tal redução na multa de ofício, não podendo sua pretensão ser acolhida. Como se vê, todas estas questões suscitadas pelo Recorrente esbarram, de fato, nos enunciados acima transcritos. Sendo assim, deve ser aplicado aqui o caput art. 72 do Regimento Interno deste Conselho, que assim determina: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Diante do exposto, VOTO no sentido de REJEITAR as preliminares argüidas, INDEFERIR o pedido de realização de perícia e, no mérito, DAR PARCIAL provimento ao recurso, para excluir da base de cálculo da infração o valor de R$ 3.412,75, no anocalendário 2001. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 709DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 27/05/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI 16 Fl. 710DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 27/05/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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Numero do processo: 15165.720921/2011-48
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 19 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3802-000.314
Decisão:
Relatório
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Pela decisão recorrida, extraí se que o indeferimento se deu por conta da impossibilidade da Administração Pública em reconhecer ou não a inconstitucionalidade de lei, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 04/07/2006 RESTITUIÇÃO.ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA BASE DE CÁLCULO DE CONTRIBUIÇÕES. Não cabe apreciação de inconstitucionalidade na esfera administrativa, sendo correta a base de cálculo constante dos documentos de importação, conforme legislação aplicável. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos que, em síntese, se referem (i) à existência de ilegalidade na cobrança fazendária em razão da inconstitucionalidade da base de cálculo do PIS/COFINS prevista no artigo 7º, da Lei 10.865/2004, no exato momento em que alarga a base de cálculo da COFINS, (ii) ao não cabimento de qualquer legislação infraconstitucional, independentemente da natureza da lei ou RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 51 65 .7 20 92 1/ 20 11 -4 8 Fl. 348DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 15165.720921/201148 Resolução nº 3802000.314 S3TE02 Fl. 112 2 entendimento fazendário, alargar a base de cálculo das contribuições aqui questionadas, pois a base de cálculo do PIS/COFINS da importação será tão somente o valor aduaneiro, conforme definido na Constituição Federal e (iii) à juntada de leis, tratados e julgamentos do Poder Judiciário em favor a tese apresentada. Mérito da Resolução A primeira questão que deve ser posta em análise é a possibilidade de afastamento da aplicação de lei pelos Órgãos de Julgamento Administrativos nas hipóteses em que o Supremo Tribunal Federal declarar de forma inequívoca e definitiva a inconstitucionalidade de lei (artigo 77 da lei nº 9.430/1996 artigo 1º do Decreto nº 2.346/1997 – artigo 59 do Decreto 7.574/2011). E, nesse sentido, o Plenário da Corte Suprema declarou inconstitucional a inclusão de ICMS, bem como do PIS/Pasep e da Cofins na base de cálculo dessas mesmas contribuições sociais incidentes sobre a importação de bens e serviços. A regra ora em comento está contida na segunda parte do inciso I do artigo 7º da Lei n. 10.865/2004. Conforme se extrai do RE 559937, os Ministros do Supremo Tribunal Federal destacaram que a norma extrapolou os limites previstos no artigo 149, § 2º, inciso III, letra “a” da Constituição Federal, nos termos definidos pela Emenda Constitucional 33/2001, que prevê o valor aduaneiro como a base de cálculo para as contribuições sociais. Portanto, sobre essa questão, não há mais o que se discutir, apenas reconhecer a inconstitucionalidade do dispositivo acima indicado, já que a simples leitura das normas contidas no artigo 7º da Lei n. 10.865/04 já permite constatar que a base de cálculo das contribuições sociais sobre a importação de bens e serviços extrapolou o aspecto quantitativo da incidência delimitado na Constituição Federal, ao acrescer ao valor aduaneiro o valor dos tributos incidentes, inclusive o das próprias contribuições. No que concerne ao pedido de restituição, bem como o da homologação tributária, algumas informações ainda se fazem necessária para conclusão do julgamento. E, nesse sentido, converto em diligência o julgamento para a Unidade de origem: (i) informar qual o regime de tributação adotado pelo sujeito passivo à época (lucro real ou lucro presumido); (ii) considerando exclusivamente as Dis, objeto dos autos, segregar as importações realizadas por conta e ordem, própria ou por encomenda, bem como as importações acobertadas por suspensão; e (iii) calcular o montante do PIS e da COFINS sobre o valor aduaneiro relativo às importações próprias ou por encomenda. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 349DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 15165.720921/201148 Resolução nº 3802000.314 S3TE02 Fl. 113 3 Fl. 350DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 12267.000186/2007-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2007
RECURSO VOLUNTÁRIO. VALE-TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. NATUREZA INDENIZATÓRIA. MATÉRIA SUMULADA. SÚMULA CARF nº 89.
Dada a natureza indenizatória do vale-transporte, não incide contribuição social previdenciária, nem contribuições destinadas a terceiros, sobre os valores pagos a esse título aos segurados empregados, mesmo que em pecúnia.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-004.353
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator que integra o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente
(Assinado digitalmente)
CLEBERSON ALEX FRIESS - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Manoel Coelho Arruda Júnior e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. VALE-TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. NATUREZA INDENIZATÓRIA. MATÉRIA SUMULADA. SÚMULA CARF nº 89. Dada a natureza indenizatória do vale-transporte, não incide contribuição social previdenciária, nem contribuições destinadas a terceiros, sobre os valores pagos a esse título aos segurados empregados, mesmo que em pecúnia. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator que integra o presente julgado. (Assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA - Presidente (Assinado digitalmente) CLEBERSON ALEX FRIESS - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Manoel Coelho Arruda Júnior e Theodoro Vicente Agostinho.
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E VIG. LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. VALETRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. NATUREZA INDENIZATÓRIA. MATÉRIA SUMULADA. SÚMULA CARF nº 89. Dada a natureza indenizatória do valetransporte, não incide contribuição social previdenciária, nem contribuições destinadas a terceiros, sobre os valores pagos a esse título aos segurados empregados, mesmo que em pecúnia. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator que integra o presente julgado. (Assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente (Assinado digitalmente) CLEBERSON ALEX FRIESS Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Manoel Coelho Arruda Júnior e Theodoro Vicente Agostinho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 7. 00 01 86 /2 00 7- 30 Fl. 421DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro I (DRJ/RJOI), por meio do Acórdão nº 1218.184, cujo dispositivo tratou de considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa desse Acórdão (fls. 373/383): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2007 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEI DE REGÊNCIA. INCIDÊNCIA. I Tratandose de parcela cuja nãoincidência esteja condicionada ao cumprimento de requisitos previstos na legislação previdenciária, o pagamento em desacordo com a legislação de regência se sujeita à tributação. II As convenções entre particulares que façam leis entre as partes, não podem se opor à Fazenda Pública. 2. Conforme se extrai do relatório fiscal, às fls. 117/127, o processo administrativo é composto pelo auto de infração (AI) nº 37.108.5241 (obrigação principal), referente às contribuições previdenciárias dos segurados empregados, patronais e às contribuições destinadas a outras entidades (FPAS 515, Terceiros 0115). 2.1 A acusação fiscal aponta como fato gerador o pagamento de salárioutilidade pelo fornecimento de vale transporte em dinheiro, no período de 01/2004 a 03/2007, nestes termos: (...) 4.1 A empresa efetuou o pagamento das remunerações a seus empregados de acordo com a folha de pagamento, mas não incluiu na base de cálculo da previdência social os valores de salárioutilidade pelo fornecimento de valetransporte pago em dinheiro. (....) 3. Cientificado pessoalmente da autuação em 27/8/2007, às fls. 5, o contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 197/207). 4. No que diz respeito ao teor da impugnação, peço vênia para reproduzir as palavras do relator "a quo", pois bem sintetizam os argumentos deduzidos na petição (fls. 377): Fl. 422DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 12267.000186/200730 Acórdão n.º 2301004.353 S2C3T1 Fl. 422 3 DA IMPUGNAÇÃO 2. A interessada manifestouse às fls. 97/102, trazendo as alegações a seguir, reproduzidas em síntese que: 2.1. O pagamento do valetransporte em dinheiro, no específico caso da impugnante, encontra amplo respaldo legal, mormente nas convenções coletivas de trabalho fixadas com a categoria, razão pela qual tais parcelas não se enquadram no conceito de salárioutilidade; 2.2. a lei é clara em dispor que tais parcelas, enquanto meros ressarcimentos de despesas com o transporte, não integram o salário, na concepção da legislação trabalhista. Isso porque, sua natureza, longe de ser remuneratória, é indenizatória; 2.3. enquanto o valetransporte constitui um gasto para o trabalho, devidamente ressarcido, o salário é um ganho pelo trabalho, uma contraprestação contratual; 2.4. destarte, a lei reconhece que o valetransporte, enquanto mero ressarcimento do gasto do trabalhador para se locomover até o empregador, não possui natureza salarial; 2.5. a recorrente, ao efetuar os pagamentos em dinheiro, não desrespeitou qualquer dispositivo legal. Muito pelo contrário: agiu em perfeita harmonia com as Convenções Coletivas de Trabalho da categoria da Empresa, conforme se pode ver pelo texto das normas de 2004 a 2007, em anexo; 2.6. nem se argumente em favor da vedação ao pagamento em dinheiro, contida no art. 5º do Decreto nº 95.247/1987. Tal diploma não merece ser aplicado à Recorrente, tendo em vista o acordo entre as categorias no sentido de permitir o pagamento em dinheiro; 2.7. ademais, tendo o Decreto criado vedação nova, não contida na lei nº 7.418/1985, entendese que foi extrapolado seu poder regulamentar, em detrimento das convenções coletivas; 2.8. requer a nulidade do crédito consubstanciado na presente NFLD, tendo em vista a inocorrência de fato gerador das contribuições previdenciárias ora lançadas, uma vez que o pagamento em dinheiro dos valestransporte encontra respaldo nas convenções coletivas de trabalho da categoria, não compondo tais valores o conceito de saláriodecontribuição, por ser medida de Direito e Justiça. 5. Intimada em 19/6/2008, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 385/393, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 17/7/2008, em que repete os mesmos argumentos expendidos em sua impugnação e requer a reforma do Acórdão nº 1218.184 (fls. 403/415). 6. É o relatório. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE 7. Uma vez satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, dele tomo conhecimento. MÉRITO 8. A matéria dos autos encontrase sumulada neste Colegiado. Reproduzo o enunciado da Súmula 89: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. 9. Firmouse a jurisprudência administrativa no sentido de que a natureza indenizatória do valetransporte não se altera pelo só fato de ser pago em pecúnia pelo empregador, concluindo, desse modo, pela não incidência da contribuição previdenciária sobre tal verba. 10. O caráter indenizatório dessa parcela, inclusive quando do seu pagamento em dinheiro, é ainda corroborado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), conforme decidido no Recurso Extraordinário (RE) 478.410/SP, bem como pelo enunciado da Súmula 60 da AdvocaciaGeral da União (AGU). 11. Quanto às contribuições apuradas pela fiscalização e devidas a terceiros, assim compreendidas outras entidades e fundos, decorrente do lançamento reflexo em relação às contribuições previdenciárias, o seu destino não é diferente, pois a base é a mesma sobre a qual incidem as contribuições previdenciárias, calculada sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados. 12. Importa registrar que o entendimento sumulado é de observância obrigatória pelos conselheiros, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. 13. Desta feita, assiste razão à recorrente, de modo que é integralmente improcedente o crédito tributário constituído por meio do AI nº 37.108.5241. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 12267.000186/200730 Acórdão n.º 2301004.353 S2C3T1 Fl. 423 5 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 425DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10166.723107/2010-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jun 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
Auto de Infração sob nª 37.295.037-0
Consolidado em 20/12/2010
DO VALE TRANSPORTE
O vale transporte quando pago em dinheiro e previsto em Convenção Coletiva do Trabalho, não enseja salário contribuição.
Isto porque, o artigo 5° II da Carta Magna reza que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer, senão em virtude de lei (Princípio da Legalidade). Mas esta mesma Constituição diz que faz parte do direito do trabalhador o reconhecimento das convenções coletivas do trabalho.
No presente caso não foi comprovado a previsão de pagamento de vale transporte em pecúnia.
DILAÇÃO DE PRAZO PARA PRODUÇÃO DE PROVAS.
Seguindo inteligência do Decreto 70.235 de 1972, em especial no artigo 16, IV, é impressindível que seja demonstrada as razões justificadas da produção de prova.
No presente caso a Recorrente tão somente justificou-se para conseguir a dilação, que é empresa de atuação nacional e outras provas estariam, por certo, em outros estabelcimentos.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-002.969
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado ) Por voto de qualidade: a) em não retificar a multa aplicada, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em retificar a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de excluir do lançamento os valores referentes ao vale transporte, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Declaração de voto: Mauro José Silva.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Wilson Antonio de Souza Corrêa Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Mauro José Silva, Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros,Damião Cordeiro de Moraes e Leonardo Henrique Pires Lopes
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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Isto porque, o artigo 5° II da Carta Magna reza que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer, senão em virtude de lei (Princípio da Legalidade). Mas esta mesma Constituição diz que faz parte do direito do trabalhador o reconhecimento das convenções coletivas do trabalho. No presente caso não foi comprovado a previsão de pagamento de vale transporte em pecúnia. DILAÇÃO DE PRAZO PARA PRODUÇÃO DE PROVAS. Seguindo inteligência do Decreto 70.235 de 1972, em especial no artigo 16, IV, é impressindível que seja demonstrada as razões justificadas da produção de prova. No presente caso a Recorrente tão somente justificouse para conseguir a dilação, que é empresa de atuação nacional e outras provas estariam, por certo, em outros estabelcimentos. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado ) Por voto de qualidade: a) em não retificar a multa aplicada, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Leonardo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 31 07 /2 01 0- 71 Fl. 1861DF CARF MF Impresso em 23/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 2 Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em retificar a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de excluir do lançamento os valores referentes ao vale transporte, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Declaração de voto: Mauro José Silva. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Corrêa – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Mauro José Silva, Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros,Damião Cordeiro de Moraes e Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 1862DF CARF MF Impresso em 23/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.723107/201071 Acórdão n.º 2301002.969 S2C3T1 Fl. 178 3 Relatório Referese a auto de infração de obrigação principal, lavrado contra a Recorrente, consolidado em 20/12/2010, relativo às contribuições previdenciárias devidas pelos SEGURADOS, cujo valor deve ser retido pela empresa e repassado à Previdência Social.. Foram considerados os pagamentos de remuneração habitualmente efetuados a segurado empregado, em pecúnia, a título de vale transporte (levantamento AT) e pagamentos a contribuintes individuais – Autônomos . Autuada, tempestivamente apresentou impugnação com as seguintes alegações: i) entende que é indevida a autuação quanto ao vale transporte, porque a legislção desta rubrica permite o pagamento em pecúnia; ii) que a Recorrente não contratou pessoa física para lhe prestar serviço sem efetuar a retenção da previdência, uma vez que, na condição de empresa pública federal, não tem razão para sonegar, já que os recursos financeiros para a liquidação de qualquer encargo lhe são repassados pelo próprio Tesouro Nacional, e, que deve ter acontecido um engano e informado incorretamente o CPF ou CNPJ do recolhedor; iii) quanto à aquisição de produção rural o que de fato aconteceu foi que os valores recolhidos, decorrentes da aquisição da produção rural, tiveram as GPS, emitidas com incorreções, o que impossibilitou a fiscalização de identificar os montantes recolhidos em sua totalidade. Utilizou se o código de recolhimento 2100 – Empresas em Geral, quando o correto teria sido o 2607 – Aquisição Rural; iv) quanto aos valores devidos a outras entidades (SENAR), verificouse que muitas GPS foram emitidas englobando, no valor recolhido à Previdência, o percentual correspondente ao SENAR, o que, a toda evidência pode ser corrigida (inclusive de ofício); v) ao final pede dilação de prazo para produzir provas e improcedência do Auuto de Infração. A DRJ de Brasília julgou improcedente a impugnação, por unanimidade, mantendo o crédito tributário. Inconformada, tempestivamente aviou o presente remédio processual, defendendose quanto ao pagamento do vale transporte em pecunia, alegando ainda que houve cerceamento de defesa em razão de não lhe ser permitido apresentar novos documentos posterior à impugnação, já que nela (impugnação) em diversos momentos demonstrou a impossibilidade de os apresentar naquela peça. É a síntese do necessário. Fl. 1863DF CARF MF Impresso em 23/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 4 Voto Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa O Recurso aviado é tempestivo, e dele conheço, passando à analise. DO VALE TRANSPORTE Com supedâneo em sentença ainda não transitada em julgado perante o Tribunal Excelsior, penso que o vale transporte quando pago em dinheiro e previsto em Convenção Coletiva do Trabalho, não enseja salário contribuição. Isto porque, o artigo 5° II da Carta Magna reza que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer, senão em virtude de lei (Princípio da Legalidade). Mas esta mesma Constituição diz que faz parte do direito do trabalhador o reconhecimento das convenções coletivas do trabalho. Ora, se a convenção coletiva de trabalho cria o direito de o trabalhador receber o vale transporte, ao mesmo tempo cria também o dever de o empregador de pagar o vale transporte. Por sua vez, penso que o pagamento em espécie não implica em não pagamento do benefício e tão pouco em transformação a fato gerador de contribuição previdenciária, até porque estarseia desconsiderando o valor social do dinheiro, e sobretudo o ‘Espírito da Lei’. Não olvidemos que o dinheiro, seja em prata ou notas, é usado na compra de bens, serviços, divisas estrangeiras e, sobretudo, como força de trabalho. Ora, se o dinheiro serve para pagamento da força de trabalho, perguntase: ‘como um benefício social conquistado através de um acordo ou convenção coletiva de trabalho, que é o valetransporte, em não sendo pago da forma exigida por um decreto (Decreto 95.247) descaraterizao completamente, fazendoo, inclusive virar fato gerador!’ É bem verdade que o artigo 5° do Decreto 95.247/87, vedou a substituição do valetransporte por antecipação em dinheiro ou qualquer outra forma de pagamento, que não seja o valetransporte. Mas a Lei 7.4181985, que instituiu o valetransporte, não faz menção neste sentido. Ao contrário, ela diz ser direito do trabalhador, respeitando o acordo ou a convenção coletiva de trabalho e que não possui natureza salarial. Voltando aos remotos tempos de ‘cadeira universitária’ para lembrar que, na hierarquia das normas, os decretos são atos administrativos, originários do Poder Executivo, estando sempre em posição inferior à lei, ou seja, ele apenas aprova o regulamento que explica a lei, razão pela qual ele não dita as normas, mas tão pouco as regula, não modificando o que a lei criou. Neste sentir, se julgar que o Decreto 95.247 de 87 é o instituir de regras para o pagamento do vale transporte, estaríamos admitindo a sua superioridade à Lei 7.418 de 85, pois, dito pela lei em destaque, a regra geral é o pagamento do vale transporte. Fl. 1864DF CARF MF Impresso em 23/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.723107/201071 Acórdão n.º 2301002.969 S2C3T1 Fl. 179 5 Só que no presente caso não foi localizada a previsão em convenção coletiva de trabalho, razão pela qual penso que deve ser mantida a autuação nesta rubrica. DILAÇÃO PROBATÓRIA Diz a Recorrente que na impugnação demonstrou a necessidade de dilação para constituir todas as provas necessárias para sua defesa. O recurso merece uma melhor análise neste quesito, pois a alegação recursiva nos remete ao possível cerceamento de defesa e lesão ao princípio da ampla defesa e ao contraditório. O Decreto 70.235 de 1972, que dirime o processo administrativo fiscal não deixa dúvida quanto a pssibilidade de produção de provas, senão vejamos: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I .. II ... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/93) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/93); ( Ora, vêse que a Recorrente não justificou devidamente as razões da pretendida dilação probanti, ou ao menos trouxe o caso fortuito que a impediu de produzir suas provas, dentro do prazo legal, ou seja, na impugnação. Nela, impugnação, podese observar ao final da peça, quando adentra no pedido, que a Recorrente alega que deseja produzir provas, com todos os meios em direito admitido, mormente a dilação de prazo, face a insuficiência de tempo em razão da abrangência nacional dela. Todavia, tenho que a cristalinidade do inciso LV do artigo 5° da Constituição Federal que prescreve o princípio da ampla defesa e do contraditório e permite ao contribuinte provar o seu direito utilizandose de todos os meios de prova em direito permitido, cabe a autoridade fiscal negar o pedido de dilação de prova se a Recorrente não cumpriu com as exigências da lei, ou seja, justificarse da razão pela qual não juntou suas provas com a impugnação. Fl. 1865DF CARF MF Impresso em 23/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 6 A mera alegação de abrangência nacional, ou seja, vários estabelcimentos não é assaz para conduzir uma dilação probatória. MATÉRIAS NÃO RECORRIDAS. Urge tratar das matérias não suscitadas em sua defesa, cujas quais penso não constituir matéria de ordem pública, já que estas normas (ordem pública) são aquelas de aplicação imperativa que visam diretamente a tutela de interesses da sociedade, o que não é o caso. Neste diapasão tenho que a ‘Ordem Pública’ significa dizer do desejo social de justiça, assim caracterizado porque há de se resguardar os valores fundamentais e essenciais, para construção de um ordenamento jurídico ‘JUSTO’, tutelando o estado democrático de direito. Por outro lado, julgar matéria não questionada e que não trate do interesse público é decisão extra petita, como são os casos da aplicação de multas não anatematizadas pelos recorrentes, e que antes tinham o meu pronunciamento, independente de se objurgada em peça recursiva ou não, mas que amadureço pela razão acima, haja vista não considerar a multa matéria de ordem pública. Evoluo meu voto no sentido de que matéria não recorrida é matéria atingida pela instituição do trânsito em julgado, mesmo as matérias de ordem pública não pré questionadas, porque, em não sendo préquestionadas há limite para cognição. A multa, antes pensava este singelo julgador, se tratar de matéria de ordem pública, e como tal não estavam sujeitas à preclusão, podendo ser alegadas e julgadas em qualquer momento do tramitar processual, influenciando decisiva e imperativamente na formação da coisa julgada. Mas, restavame, para um julgar percuciente, a definição do que seja matéria de ordem pública. Das pesquisas realizadas para definir o que seja ‘matéria de ordem pública’, parecenos que a mais completa seja a de Fábio Ramazzini Becha, que peço vênia para transcrevêla: “.. Matéria de Ordem Pública tratase de conceito indeterminado, a dificuldade de interpretação é maior do que nos conceitos legais determinados. .. Prossegue: “... A ordem pública enquanto conceito indeterminado, caracterizado pela falta de precisão e ausência de determinismo em seu conteúdo, mas que apresenta ampla generalidade e abstração, põese no sistema como inequívoco princípio geral, cuja aplicabilidade manifestase nas mais variadas ramificações das ciências em geral, notadamente no direito, preservado, todavia, o sentido genuinamente concebido. A indeterminação do conteúdo da expressão faz com que a função do intérprete assuma um papel significativo no ajuste do termo. Considerando o sistema vigente como um sistema aberto de normas, que se Fl. 1866DF CARF MF Impresso em 23/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.723107/201071 Acórdão n.º 2301002.969 S2C3T1 Fl. 180 7 assenta fundamentalmente em conceitos indeterminados, ao mesmo tempo em que se reconhece a necessidade de um esforço interpretativo muito mais árduo e acentuado, é inegável que o processo de interpretação gera um resultado social mais aceitável e próximo da realidade contextualizada. Se, por um lado, a indeterminação do conceito sugere uma aparente insegurança jurídica em razão da maior liberdade de argumentação deferida ao intérprete, de outro lado é, pois, evidente, a eficiência e o perfeito ajuste à historicidade dos fatos considerada. O fato de se estar diante de um conceito indeterminado não significa que o conteúdo da expressão “ordem pública” seja inatingível.(...)” (...) A ordem pública representa um anseio social de justiça, assim caracterizado por conta da preservação de valores fundamentais, proporcionando a construção de um ambiente e contexto absolutamente favoráveis ao pleno desenvolvimento humano. Tratase de instituto que tutela toda a vida orgânica do Estado, de tal forma que se mostram igualmente variadas as possibilidades de ofendêla. As leis de ordem pública são aquelas que, em um Estado, estabelecem os princípios cuja manutenção se considera indispensável à organização da vida social, segundo os preceitos de direito. (...) Para Andréia Lopes de Oliveira Ferreira matéria de ordem pública implica dizer que: “são questões de ordem pública aquelas em que o interesse protegido é do Estado e da sociedade e, via de regra, referemse à existência e admissibilidade da ação e do processo. Tratase de conceito vago, não podendo ser preenchido com uma definição” e cita Tércio Sampaio Ferraz, para quem “é como se o legislador convocasse o aplicador para configuração do sentido adequado” A princípio temse que matéria de ordem pública é aquela que diz respeito à sociedade como um todo, e dentro de um critério mais correto a sua identificação é feita através de se saber qual o regime legal que ela se encontra, ou seja, quando a lei diz. É bem verdade e o difícil é que nem sempre a lei diz se determinada matéria é ou não de ordem publica, e, neste caso, para resolver a questão, urge que a concretização e a delimitação do conteúdo da ordem pública constitui tarefa exclusiva das Cortes Nacionais. Fl. 1867DF CARF MF Impresso em 23/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 8 Todavia, elas mesmas (Cortes Superiores) não definiram com exatidão o que vem ser matéria de ordem pública, e tão pouco se a multa quando não recorrida deve ou não ser decidido por ser matéria imperiosa de julgamento, tratandose de interesse geral. E mais, mesmo quando a matéria é de ordem pública e não préquestionada, o STJ vem reiteradamente decidindo que, reconhecidamente matérias de ordem pública, quando não analisada em instâncias inferiores e tão pouco préquestionadas, não devem ser analisadas naquela Corte. ‘Ex vi’ Acórdão abaixo: AgRg no REsp 1203549 / ES AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2010/01195407 Relator Ministro CESAR ASFOR ROCHA (1098) T2 SEGUNDA TURMA Data de Julgamento 03/05/2012 DJe 28/05/2012 Ementa AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. SUSPENSÃO DE LIMINARINDEFERIDA. PREQUESTIONAMENTO. QUESTÕES DE ORDEM PÚBLICA. A jurisprudência do STJ é firme no sentido de que, na instância especial, é vedado o exame de questão não debatida na origem, carente de préquestionamento, ainda que se trate eventualmente de matéria de ordem pública.Agravo regimental improvido. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, prosseguindose no julgamento, após o voto vista do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, acompanhando oSr. Ministro Cesar Asfor Rocha, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Humberto Martins, Herman Benjamin e Mauro Campbell Marques (votovista) votaram com o Sr. MinistroRelator. Assim, tenho que a multa não é matéria de ordem pública porque, como dito por Fábio Rmanssini Bechara, ela não ‘representa um anseio social de justiça, assim caracterizado por conta da preservação de valores fundamentais, proporcionando a construção de um ambiente e contexto absolutamente favoráveis ao pleno desenvolvimento humano’. Fl. 1868DF CARF MF Impresso em 23/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.723107/201071 Acórdão n.º 2301002.969 S2C3T1 Fl. 181 9 CONCLUSÃO Diante do acima exposto, como o presente recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade, tenho que o mesmo deve ser conhecido, para no mérito DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL, quanto ao pagamento de valetransporte se pago em espécie mas previsto em convenção coletiva e atende ao objeto da legislação, mantendo o crédito tributário a integralidade da decisão ‘a quo’ nas demais questões. É como Voto. (assinado digitlamente) Wilson Antônio de Souza Correa Fl. 1869DF CARF MF Impresso em 23/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 10 Declaração de Voto Conselheiro Mauro José Silva, Apresentamos nossas considerações sobre alguns aspectos que interessam ao presente caso. Aplicação retroativa de multa mais benéfica. Questão de ordem pública. Conhecimento de ofício. São frequentes os debates sobre os limites para o julgador conhecer de ofício alguma matéria. Há aqueles que entendem que, como a administração pública deve sempre rever seus atos ilegais, qualquer matéria que o julgador tome conhecimento de ilegalidade pode ser conhecida, ainda que a parte interessada não tenha incluído tal discussão no recurso. No entanto, tal visão atribui uma natureza estritamente revisional ao processo administrativo que entendemos não existir. Se assim fosse, não haveria preclusão e todos os lançamentos deveriam ser submetidos à revisão dos órgãos julgadores, o que não acontece. Se adotarmos a natureza revisional do processo administrativo fiscal (PAF), mas não submetermos todos os lançamentos à revisão, estaremos promovendo grave quebra de isonomia entre os contribuintes, uma vez que aqueles que não apresentarem seus recursos não terão os respectivos lançamentos revisados de ofício, ainda que estes padeçam dos mesmos vícios dos lançamentos que foram objeto de recursos. De nossa parte assumimos uma natureza jurisdicional limitada, ou semi jurisdicional, ao processo administrativo fiscal (PAF). Dizemos semijurisdicional pois tal jurisdição diz respeito somente aos órgãos julgadores administrativos com as limitações e preclusões do respectivo procedimento, reconhecendo a unicidade de jurisdição do Poder Judiciário prevista na Carta Maior. Há jurisprudência desse Colegiado que aponta que competência do órgão julgador não é ampla a ponto de se reconhecer de ofício qualquer ilegalidade. Vejamos um caso onde havia erro no aspecto temporal do fato gerador, mas que não foi considerada matéria de ordem pública: 13639.000117/9645 DECADÊNCIA PIS/FATURAMENTO– O direito à Fazenda Nacional constituir os créditos relativos para a Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), decai no prazo de cinco anos fixado pelo Código Tributário Nacional (CTN), pois inaplicável na espécie o artigo 45 da Lei nº 8212/91. Fl. 1870DF CARF MF Impresso em 23/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.723107/201071 Acórdão n.º 2301002.969 S2C3T1 Fl. 182 11 SEMESTRALIDADE – LC nº 7/70 – Há de se concluir que o “faturamento” representa a base de cálculo do PIS (faturamento do sexto mês anterior), inerente ao fato gerador (de natureza eminentemente temporal, que ocorre mensalmente), relativo à realização de negócios jurídicos (venda de mercadorias e prestação de serviços). Entretanto, não é possível reconhecer tal critério de ofício, pois não se trata de matéria de ordem pública. Recurso parcialmente provido Assim considerado, a competência recursal do CARF é aquela prevista no art. 25 da Lei 11.941/2009, ou seja, a princípio, as matérias passíveis de conhecimento são aquelas constantes do Recurso Voluntário ou que fazem parte da parte exonerada do crédito tributário que compôs o valor do limite de alçada do Recurso de Ofício. No entanto, além disso, nossa doutrina e jurisprudência reconhece que as questões de ordem pública devem igualmente ser conhecidas na competência recursal de órgão julgadores. A par disso, devemos compreender quais são as questões de ordem pública. A doutrina parece unânime em compreender a ordem púbica como um conceito indeterminado que, portanto, não é passível de conceituação. Nesse sentido temos Fábio Ramazzini Bechara (BECHARA, Fábio Ramazzini. Prisão Cautelar. São Paulo: Malheiros, 2005, p. 97): A ordem pública enquanto conceito indeterminado, caracterizado pela falta de precisão e ausência de determinismo em seu conteúdo, mas que apresenta ampla generalidade e abstração, põese no sistema como inequívoco princípio geral, cuja aplicabilidade manifestase nas mais variadas ramificações das ciências em geral, notadamente no direito, preservado, todavia, o sentido genuinamente concebido. A indeterminação do conteúdo da expressão faz com que a função do intérprete assuma um papel significativo no ajuste do termo. Considerando o sistema vigente como um sistema aberto de normas, que se assenta fundamentalmente em conceitos indeterminados, ao mesmo tempo em que se reconhece a necessidade de um esforço interpretativo muito mais árduo e acentuado, é inegável que o processo de interpretação gera um resultado social mais aceitável e próximo da realidade contextualizada. Se, por um lado, a indeterminação do conceito sugere uma aparente insegurança jurídica em razão da maior liberdade de argumentação deferida ao intérprete, de outro lado é, pois, evidente, a eficiência e o perfeito ajuste à historicidade dos fatos considerada. Sendo conceito indeterminado, sua compreensão exige maior esforço do aplicador da lei, conforme Maria Helena Diniz (DINIZ, Maria Helena apud APRIGLIANO, Ricardo de Carvalho. Ordem pública e processo – o tratamento das questões de ordem pública no direito processual civil. São Paulo, Atlas, 2011, p. 32) bem realçou ao expressar que “a Fl. 1871DF CARF MF Impresso em 23/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 12 delimitação conceitual de ordem pública'é um desafio à argúcia e à sagacidade dos juristas, que , apesar disso, são unânimes no entendimento de que é reflexo da ordem jurídica vigente em dado momento, determinada sociedade'.” Além da dificuldade de conceituação, outro aspecto que devemos levar em conta é que a ordem pública possui duas espécies: ordem pública de direito material e ordem pública de direito processual. As características típicas que se costuma conferir às questões de ordem pública processual são: (i) a possibilidade de exame de ofício, (ii) a ausência de preclusão da matéria e (iii) a possibilidade de seu exame em qualquer tempo ou grau de jurisdição Por outro lado, ao contrário das questões de ordem pública de direito processual, que dizem respeito a fatores internos do processo e guardam relação com o correto exercício da jurisdição razão pela qual podem ser invocadas sem prévio requerimento da parte interessada, a ordem pública do direito material diz respeito ao próprio ato ou negócio jurídico. No Direito Processual, portanto, fica condicionada à provocação do interessado. No processo administrativo fiscal essa rigidez é flexibilizada, mas, como dissemos, não podemos considerar que o CARF faz estrito controle de legalidade e pode conhecer de ofício qualquer irregularidade presente no próprio direito material, ou seja, no próprio lançamento, pois assim estaríamos ignorando todo o regime jurídico próprio desse procedimento semijurisdicional. Diante do conceito indeterminado de ordem pública e da natureza semi jurisdicional do processo administrativo, assumimos que todas as questões processuais podem ser conhecidas de ofício por serem questões de ordem pública processual , ao passo que as questões de ordem pública material são suscetíveis de serem confrontadas com a sedimentação da casuística do Colegiado. Até o momento, identificamos duas matérias de direito material que são reconhecidas na jurisprudência do CARF como de ordem pública: decadência e aplicação de multas. Vejamos alguns exemplos: Decadência Câmara Superior de Recursos Fiscais. 2ª Turma Acórdão nº 40202151 do Processo 110800061639342 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PASEP DECADÊNCIA E SEMESTRALIDADE RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. Acolhese o recurso de embargos manejado contra a aplicação de ofício de matéria de ordem pública decadência , que deveria ser objeto de defesa da interessada, e não o foi, ocorrendo a preclusão consumativa; assim como contra a observação do critério da semestralidade, que deve ser excluído da ementa do aresto recorrido por especial. Embargos acolhidos. Multas 13502.000775/200670 1402000.246 Acórdão ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APLICAÇÃO DA MULTA DE PENALIDADE. APRECIAÇÃO DE OFICIO. As matérias de ordem pública podem ser suscitadas pelo colegiado e apreciadas de ofício, ou seja, mesmo Fl. 1872DF CARF MF Impresso em 23/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.723107/201071 Acórdão n.º 2301002.969 S2C3T1 Fl. 183 13 que não tenha sido objeto do recurso voluntário. Isso se aplica à exigência de penalidades, dentre elas a multa de oficio isolada por falta de recolhimento do tributo por estimativa, que foi lançada em concomitância com a multa de oficio proporcional sobre o tributo devido no ano calendário.Embargos conhecidos e rejeitados.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Portanto, consideradas as premissas assentadas, assumimos o regime jurídico de multas como matéria de ordem pública e concluímos que, ainda que não suscitada pela recorrente, a aplicação da multa mais benéfica pela retroatividade do art. 106, inciso II, alínea "c" do CTN deve ser observada no julgamento do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Fl. 1873DF CARF MF Impresso em 23/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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