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Numero do processo: 10120.002588/2005-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2000, 2001 REFIS I. CSLL. BASE NEGATIVA DE CÁLCULO. LIQUIDAÇÃO DE JUROS DE MORA E DE MULTAS MORATÓRIAS E DE OFÍCIO. POSTERIOR RECONHECIMENTO DE VALORES NÃO CONSOLIDADOS, POR FORÇA DE CLAUDICAÇÃO FAZENDÁRIA NA ALIMENTAÇÃO DO SAPLI. RECOMPOSIÇÃO DAS IMPORTÂNCIAS ATIVAS CONSOLIDADAS. OPÇÃO EXPRESSA E IRREVOGÁVEL DO CONTRIBUINTE. A liquidação de multas e de juros, por meio do emprego de valores pretéritos de base negativa de cálculo de CSLL, no âmbito do Refis I, operava-se por meio de prévia opção do contribuinte, expressa e irrevogável. Eventual correção, para mais, do saldo de base negativa de cálculo de CSLL disponível, controlado pelo SAPLI, deve, necessariamente, alocar efeitos no cômputo das importâncias ativas consolidadas, destinadas à quitação do citado parcelamento extraordinário, sempre que o montante creditício pleiteado originalmente pelo sujeito passivo for maior do que o resultante do reajuste. Tão logo orientados, à quitação dos passivos parcelados, todos os importes de base negativa de cálculo de CSLL apurados até 1999, mesmo depois da retificação das informações do SAPLI, correta é a glosa fazendária das compensações de montante imponível declaradas nas DIPJ’s posteriores, atinentes aos anos-base de 2000 e 2001. Constatados recolhimentos a menor de CSLL, como resultado da refeitura oficiosa das declarações, lícita é sua exigência pela via infracional, adicionados de juros de mora e de multa punitiva, equivalente a 75% (setenta e cinco por cento) do principal.
Numero da decisão: 1101-000.677
Decisão: Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que acompanham o presente acórdão.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR
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INDÚSTRIA E COMÉRCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2000, 2001 REFIS I. CSLL. BASE NEGATIVA DE CÁLCULO. LIQUIDAÇÃO DE JUROS DE MORA E DE MULTAS MORATÓRIAS E DE OFÍCIO. POSTERIOR RECONHECIMENTO DE VALORES NÃO CONSOLIDADOS, POR FORÇA DE CLAUDICAÇÃO FAZENDÁRIA NA ALIMENTAÇÃO DO SAPLI. RECOMPOSIÇÃO DAS IMPORTÂNCIAS ATIVAS CONSOLIDADAS. OPÇÃO EXPRESSA E IRREVOGÁVEL DO CONTRIBUINTE. A liquidação de multas e de juros, por meio do emprego de valores pretéritos de base negativa de cálculo de CSLL, no âmbito do Refis I, operavase por meio de prévia opção do contribuinte, expressa e irrevogável. 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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 25 88 /2 00 5- 46 Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 2 Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que acompanham o presente acórdão. (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Benedicto Celso Benício Júnior, Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga. Relatório Tratam os autos de lançamento de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, consubstanciado no auto de infração às fl. 121/131, referente aos fatos geradores ocorridos em 31/12/2000 e 31/12/2001, com crédito tributário de R$ 72.724,43, assim distribuído: Contribuição R$ 29.681,57; Multa de oficio R$ 22.261,16; Juros de mora R$ 20.781,70. Consoante a descrição dos fatos, o lançamento decorreu de glosa de compensação de base de cálculo negativa de períodos anteriores haja vista insuficiência de saldo a compensar. Os fatos estão resumidos a seguir: Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 10120.002588/200546 Acórdão n.º 1101000.677 S1C1T1 Fl. 3 3 O contribuinte foi intimado a esclarecer o fato de ter compensado base negativa de CSLL em 31/12/2000, no montante de R$ 266.079,03, e em 31/12/2001, no montante de R$ 58.217,37, quando, consoante controle do Sistema de Acompanhamento de Prejuízos e Lucro Inflacionário (SAPLI), não havia saldo a compensar, vez que todo o saldo existente ao fim de 1999, de R$ 947.939,15, fora utilizado para liquidação de juros e multas no Refis (o contribuinte pleiteou R$ 1.725.268,75, mas foi confirmado apenas o saldo). A intimação está às fl. 05/06; Em resposta, o contribuinte apontou dois erros de fato no referido sistema, os quais foram retificados pela autoridade fiscal. Com isso, o saldo da base negativa em 31/12/99, antes da opção pelo Refis, foi modificado para R$ 1.594.796,43; Como o contribuinte optou por oferecer R$ 1.725.268,75 de base negativa para a liquidação de débitos no Refis, o novo valor do saldo obtido após as correções foi considerado integralmente compensado no Refis pela autoridade fiscal, vez que, consoante o art. 5°, § 5°, do Decreto n ° 3.431/2000, a solicitação de compensação no referido parcelamento é irrevogável; Como resultado disto, não havia saldo a compensar nos anos 2000 e 2001, razão pela qual foi efetuada a glosa. Cientificado do lançamento em 25/04/2005, conforme Aviso de Recebimento (AR) à fl. 132, o sujeito passivo apresentou impugnação em 23/05/2005, às fl. 139/145, instruída com os documentos às fl. 150/168, cujo teor está resumido a seguir: Ao se corrigir um erro de fato provocado exclusivamente pela administração pública, cinco anos depois, não se pode impor restrições a saldos não homologados na conta Refis, ou seja, se a administração pública apontou um valor de base de cálculo negativa para compensação no âmbito do Refís e restou saldo favorável à impugnante, todo este saldo restante não utilizado no Refis pode servir para compensações futuras, o que foi feito sem ferir qualquer dispositivo de lei; O valor homologado no âmbito do Refis foi de R$ 947.939,15, conforme fl. 52 e extrato do Refis em anexo (fl. 150). Como a administração reconheceu que a impugnante possuía saldo de R$ 1.594.796,43, restou a seu favor um saldo de R$ 646.857,28, que a levou a utilizar parte dele (R$ 324.296,40) nas compensações dos anos 2000 e 2001; Agora o Auditor pretende retroagir, retificando a homologação feita no âmbito do Refis em 1999, haja vista correção de erro de fato que não provocou. É dizer que o princípio da anterioridade não existe; Quando foi compensada parte dos saldos de bases de cálculo nas DIPJ de 2000 e 2001, a impugnante detinha saldo para tanto. Não efetuou tal compensação a esmo, por livre vontade ou por suposição. Não pode pagar erro de fato na confecção do SAPLI do qual não foi responsável; A autoridade parte de premissa falsa, pois os valores declarados quando da elaboração das DIPJ existiam e não haviam sido compensados no Refis, por culpa exclusiva da administração pública, porquanto o erro de fato ocorreu unilateralmente. Daí a nulidade do ato por apresentar defeito na motivação, pois o Auditor agiu sem observar os critérios da legalidade. Foi desconsiderado que, quando da Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 4 compensação nas DIPJ, os valores compensados efetivamente existiam, pois não haviam sido compensados no Refis por ato de homologação da própria administração; A manutenção do lançamento caracterizaria violação aos princípios do direito adquirido, da eficácia temporal e da legalidade; Como o erro no SAPLI acarretou homologação de valor a menor do que possuía a impugnante, não há como penalizála mais uma vez, retroagindo a correção feita neste momento, e imputála pagamento de multa e juros sobre principal devido; Constatado erro de fato, é cabível a revisão do lançamento, haja vista o princípio da adequação à verdade material, e demais provas apresentadas; Em relação à multa de ofício: i) Uma vez demonstrada a inexistência do principal, não há que se manter a cobrança indevida de seus acessórios; ii) Não perdura o enquadramento legal adotado. Na espécie, poderse ia entender que o Auditor caracterizou a situação como declaração inexata, embora não haja menção a tal fato no auto de infração. Contudo, esta situação não se verificou, pois, como dito, as DIPJ foram elaboradas e apresentadas levando em consideração os saldos que detinha à época; Em relação aos juros de mora: i) Uma vez demonstrada a inexistência do principal, não há que se manter a cobrança indevida de seus acessórios; ii) Como não deixou de pagar no vencimento o montante integral da contribuição apurada nas DIPJ, já que não existe a contribuição pretendida pelo Auditor, não merece prosperar a cobrança de juros iii) O procedimento fiscal, pelos vícios que contém, deve ser declarado nulo, e, em consequência, deve ser tornado insubsistente e nulo o auto de infração, inclusive pela falta de causa ou origem; iv) Solicita que o saldo remanescente da base de cálculo negativa da CSLL, após as compensações feitas em 2000 e 2001, seja revertido na conta do Refis. Em sede de julgamento, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília – DRJ/BSB manteve integralmente os lançamentos, segundo arguições que assim restaram ementadas: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Anocalendário: 2000, 2001 BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. Havendo insuficiência de saldo de base negativa em virtude de sua utilização integral para liquidar juros Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 10120.002588/200546 Acórdão n.º 1101000.677 S1C1T1 Fl. 4 5 e multa no Refis, é devida a glosa das compensações efetuadas nos anoscalendário seguintes. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO. Consoante o disposto no art. 44, I da Lei ° 9.430/96, a falta de recolhimento do tributo enseja a aplicação de multa de oficio no percentual de 75%. Lançamento Procedente.” Cientificado em 18/05/2009 (fl. 182), interpôs o contribuinte, tempestivamente, em 17/06/2009, o Recurso Voluntário em apreço (fls. 191/213), expendendo alegações similares às aventadas em grau inferior. Na oportunidade, realçou a recorrente, em longo arrazoado, o fato de o equívoco inicial na mensuração da base negativa de cálculo de CSLL disponível no SAPLI ser imputável à própria Administração Pública – motivo pelo qual não se poderia pretender opor, à autuada, lançamentos calcados nesta circunstância, uma vez que esta teria apenas compensado, posteriormente, a parcela de montante imponível pertinente – que, embora lídima, não tinha sido reconhecida quando da consolidação do Refis. É o relatório. Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR, Relator: O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Dele conheço. Toda a controvérsia desenhada se cinge ao estudo da destinação dada à parcela de base negativa de cálculo de CSLL que, embora denegada no momento da consolidação do Refis, veio, posteriormente, a ser admitida pela Fiscalização, mediante correção de equívocos materiais ocorridos na alimentação do SAPLI, depois de o contribuinte já ter realizado, fora do âmbito do parcelamento, compensações fulcradas em ditos montantes, para o que tange aos anoscalendários de 2000 e 2001. Expliquese melhor a situação, pois espinho o cenário é. O Refis – parcelamento extraordinário instituído pela Lei nº 9.964/00, posteriormente regulamentado pelo Decreto nº 3.431/00 – previu a possibilidade de o contribuinte aderente utilizar, mediante solicitação expressa e irrevogável, valores pretéritos de base negativa de cálculo de CSLL, para fins de liquidação de importes de multas (moratórias ou de ofício) e de juros moratórios atrelados aos passivos parcelados. Valendose dessa prerrogativa, a recorrente, ao aderir ao programa em questão, pleiteou, irretratavelmente, o reconhecimento e o emprego de saldo de base negativa de cálculo de CSLL equivalente a R$ 1.725.268,75 (um milhão, setecentos e vinte e cinco mil, duzentos e sessenta e oito reais e setenta e cinco centavos), conforme extrato de fl. 98. A despeito disso, no momento da Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 6 revisão de ofício destinada à consolidação do parcelamento, o Fisco, com amparo em seus sistemas de controle, reconheceu importe equivalente, apenas, a R$ 947.939,15 (novecentos e quarenta e sete mil, novecentos e trinta e nove reais e quinze centavos), nos termos evidenciados pelo print de fl. 52. Supervenientemente, em procedimento de verificação oficiosa das DIPJ’s apresentadas pelo contribuinte, deparouse a Fiscalização com a informação de que a autuada estava operando, nos anosbase de 2000 e 2001, novas compensações de bases negativas de cálculo de CSLL, até o limite legal de 30% (trinta por cento), não obstante todo o valor disponível estar, em tese, empregado para a solução dos passivos imiscuídos ao âmbito do Refis. Instouse o contribuinte, então, a explanar a situação controvertida, nos termos da intimação de fls. 05/07. Em resposta (fls. 08 e ss.), o contribuinte logrou, então, explanar a existência de erros materiais, cometidos pela Fazenda, no procedimento de alimentação do banco de dados do SAPLI. Com isso, remanesceu evidenciado que o total de base negativa de cálculo de CSLL disponível, até 1999, era de R$ 1.594.796,43 (um milhão, quinhentos e noventa e quatro mil, setecentos e noventa e seis reais e quarenta e três centavos), e não de R$ 947.939,15 (novecentos e quarenta e sete mil, novecentos e trinta e nove reais e quinze centavos), segundo originalmente reconhecido pela Fiscalização. O agente fazendário competente procedeu, então, à retificação oficiosa do SAPLI, nos termos do formulário de fls. 108 e ss. Em relação ao Refis, perfilhou, como total apto para compensação de juros e multas, o novel importe, segundo se pode verificar do formulário de fl. 110 e do extrato de fl. 113. Acontece, no entanto, que, ainda assim, sobrou infundada a compensação de base negativa de cálculo de CSLL informada nas DIPJ’s dos anoscalendários de 2000 e 2001. Recompostos os montantes imponíveis correlatos, o Fisco averiguou cifras de contribuição não recolhidas, supervenientemente lançadas por via dos autos de infração em discussão. O contribuinte, no entanto, bateuse, em impugnação e em recurso, pela incorreção da conduta fazendária. Em seu entendimento, afinal, o total de base negativa de cálculo de CSLL ulteriormente reconhecido pela Fazenda, posterior à consolidação do Refis, não deveria ser acrescido ao saldo utilizável relacionado a este programa. Ao contrário, esta quantia deveria ser reputada como o real arrimo das compensações declaradas de DIPJ, de forma a que não houvesse qualquer motivo para a lavratura das peças imputacionais ora guerreadas. Decidir contrariamente, em tal cenário, corresponderia, segundo alega a interessada, a admitir que os efeitos negativos da claudicação fiscal recaíssem, retroativamente, sobre o sujeito passivo – quem, em tese, apenas se valeu de importes de base negativa de cálculo de CSLL incontroversos, inauguralmente não convalidados pelo falho SAPLI. Pois bem. A despeito da insatisfação da recorrente, acredito que os lançamentos telados devem prosperar. Não se nega, de forma alguma, que a relação contribuinteFisco deva se pautar pelas diretrizes da segurança jurídica, da boafé objetiva, da razoabilidade e da igualdade. O presente caso, no entanto, não encampa solução que prejudique ilidimamente a autuada. A inclusão, na sistemática do Refis, do valor de montante imponível negativo tardiamente reconhecido não configura arbitrariedade, perpetrada com o fim de tornar ilegítimas as compensações declaradas em DIPJ. Não está o Fisco, noutros termos, elegendo, dentre várias, a alternativa mais perniciosa ao interessado, capaz de aviar a lavratura do auto de infração atacado. Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 10120.002588/200546 Acórdão n.º 1101000.677 S1C1T1 Fl. 5 7 Ocorre que, uma vez constatado que o saldo de base negativa de cálculo de CSLL disponível, ao cabo de 1999, era, de fato, R$ 1.594.796,43 (um milhão, quinhentos e noventa e quatro mil, setecentos e noventa e seis reais e quarenta e três centavos), e não R$ 947.939,15 (novecentos e quarenta e sete mil, novecentos e trinta e nove reais e quinze centavos), não poderia o Fisco adotar outra medida que não a da recomposição dos ativos compensáveis consolidados no Refis. O contribuinte, como se explicou, ao ingressar no programa de parcelamento extraordinário sob escólio, optou, sua sponte, pela liquidação beneficiada de multas de mora e de ofício e de juros moratórios, operacionalizada por intermédio da compensação destes passivos com bases negativas de cálculo de CSLL. Com isso, acabou por aquiescer, expressa e irrevogavelmente, com a total destinação, para o Refis, dos montantes imponíveis negativos de contribuição preteritamente apurados, na forma do artigo 5º, § 5º, inciso II, do Decreto nº 3.431/00: “Art. 5º Os débitos da pessoa jurídica optante serão consolidados tomando por base: (...) § 5º Os valores correspondentes a multa, de mora ou de ofício, e a juros moratórios, inclusive os relativos a débitos inscritos em dívida ativa, poderão ser liquidados, mediante solicitação expressa e irrevogável da pessoa jurídica optante e observadas as normas constitucionais referentes à vinculação e à partilha de receitas, mediante: (...) II utilização de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da contribuição social sobre o lucro líquido, próprios ou de terceiros.” (g.n.) Esta eleição abrange, ao menos, o limite primeiramente pleiteado pelo contribuinte, corresponde ao saldo de base negativa de cálculo de CSLL que este declarou deter. Não há dúvidas, portanto, de que todo o montante imponível negativo de contribuição, apurado antes do anobase de 2000, deve ser reputado como reservado à liquidação dos passivos consolidados no Refis, até o teto de R$ 1.725.268,75 (um milhão, setecentos e vinte e cinco mil, duzentos e sessenta e oito reais e setenta e cinco centavos). Independentemente dos iniciais erros contidos no banco de informações do SAPLI, por ora já corrigidos, pareceme claro que os importes de base negativa de cálculo de CSLL existentes nos anoscalendários de 2000 e 2001 estavam, integralmente, prenotados ao Refis. As compensações encartadas à DIPJ/2001 e à DIPJ/2002 careciam, assim, de substrato, de modo a que as recomposições dos quanta debeatur realizadas se afigurem, a mim, legítimas. Corretos, destarte, os lançamentos de CSLL – e, por consequência, a cobrança dos respectivos consectários legais. Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 8 Isto posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto. Sala das Sessões, em 15 de março de 2012 (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES
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Numero do processo: 12585.720038/2012-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005
PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. INOVAÇÃO PROCESSUAL IMPOSSIBILIDADE.
A alteração do pedido ou da causa de pedir não é admitida após ciência do Despacho Decisório, em face da estabilização da lide.
Não verificada circunstância de inexatidão material, que pode ser corrigida de ofício ou a pedido, descabe a retificação do Per/DComp após ciência do Despacho Decisório, para alteração dos elementos do direito creditório, pois a modificação do pedido original configura inovação processual.
A interposição de Manifestação de Inconformidade não é meio adequado para retificação do Per/DComp.
Numero da decisão: 3201-005.028
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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RESSARCIMENTO Recorrente AGNI LUZ COMERCIAL EXPORTADORA IMPORTADORA DISTRIBUIDORA E PRESTADORA DE SERVIÇOS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. INOVAÇÃO PROCESSUAL IMPOSSIBILIDADE. A alteração do pedido ou da causa de pedir não é admitida após ciência do Despacho Decisório, em face da estabilização da lide. Não verificada circunstância de inexatidão material, que pode ser corrigida de ofício ou a pedido, descabe a retificação do Per/DComp após ciência do Despacho Decisório, para alteração dos elementos do direito creditório, pois a modificação do pedido original configura inovação processual. A interposição de Manifestação de Inconformidade não é meio adequado para retificação do Per/DComp. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 72 00 38 /2 01 2- 08 Fl. 414DF CARF MF Processo nº 12585.720038/201208 Acórdão n.º 3201005.028 S3C2T1 Fl. 414 2 Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "4. Trata o presente processo de Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER) de PIS não cumulativo, relativo ao 1º TRIMESTRE 2005, transmitido em 15.03.2006 (fls. 02 a 06), no valor de R$ 185.633,41. 5. Em 01.03.2010 a Justiça Federal expediu o mandado de segurança n° 0002.2012.00704 (fls. 12 a 15) determinando que a autoridade impetrada analisasse, julgasse e proferisse, no prazo de dez dias, os Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento (PER) elencados na sua inicial, dentre os quais o tratado no presente processo. 6. O contribuinte foi intimado a apresentar arquivos digitais e documentos para comprovar o crédito pleiteado. O contribuinte entregou parte dos documentos e solicitou dilação de prazo para a entrega dos arquivos digitais. 7. Visando cumprir o prazo determinado no mandado de segurança, a DERAT/SPO indeferiu o pedido de dilação de prazo e proferiu despacho decisório de fl. 112 a 117 indeferindo os PER por falta de comprovação do direito material. 8. Em 17.04.2012 a Justiça Federal determinou que os PERs fossem reapreciados (fls. 125 a 154), uma vez que o contribuinte preparou e entregou toda a documentação solicitada na intimação citada acima. 9. Tendo em vista a determinação da Justiça Federal, a EQAUD/DIORT/DERAT/SPO analisou o presente processo e, por meio do despacho decisório de fls. 180 a 193, indeferiu o Pedido de Ressarcimento, em síntese, com base nos seguintes fundamentos: i) No tocante à agroindústria (ramo de atuação do contribuinte), a legislação traçou regras específicas para a apuração do crédito de PIS/COFINS. É bastante comum no mercado agropecuário produtores rurais (pessoas físicas) fornecerem insumos agropecuários a pessoas jurídicas que apuram a Contribuição para o PIS e a COFINS no regime nãocumulativo. Estas pessoas físicas (fornecedoras) não são contribuintes destas contribuições e, portanto, suas vendas não produziam direito ao creditamento pelos adquirentes. Este fato desequilibrava as relações comerciais no agronegócio, uma Fl. 415DF CARF MF Processo nº 12585.720038/201208 Acórdão n.º 3201005.028 S3C2T1 Fl. 415 3 vez que as pessoas jurídicas que apuram a Contribuição para o PIS e a COFINS no regime nãocumulativo davam preferência para as aquisições de insumos agropecuários de outras pessoas jurídicas, por que assim teriam direito ao creditamento relativo a estas aquisições; ii) O crédito presumido foi estabelecido, inicialmente, nas vendas dos bens relacionados realizadas por pessoas físicas (Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, em seu art. 25, incluiu os §§ 10 e 11 ao art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002). O crédito era apurado mediante aplicação de alíquota correspondente a 70% da alíquota prevista para a contribuição sobre o valor dos bens e serviços utilizados como insumos na produção de produtos destinados à venda, conforme estabelecia o inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 10.637/2002. Com a sanção da Lei nº 10.833, de 2003, os §§ 5º e 6º do art. 3º possibilitaram também na COFINS a apuração do crédito presumido nas mesmas bases que já haviam sido estabelecidas para a Contribuição para o PIS; iii) A solução proposta (que já não está mais em vigor) não surtiu efeito na amplitude planejada. Isso porque no agronegócio operavam também como fornecedores pessoas jurídicas, cujas vendas da mesma espécie davam direito à apuração de créditos normais (cheios), em valor superior aos créditos presumidos gerados nas aquisições de insumos de pessoas físicas. A alternativa adotada para que o mercado adquirisse o equilíbrio foi, então, suspender a incidência das contribuições nas vendas daqueles produtos realizadas por pessoas jurídicas, visando afastar a apuração dos créditos normais, e possibilitar a apuração e dedução de créditos presumidos nãocumulativos originados nas vendas efetuadas com suspensão. Os arts. 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, revogaram as disposições mencionadas nas Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, reformulando em parte a solução anteriormente desenhada; iv) A suspensão da incidência das contribuições, conforme delineada acima, é regra e não exceção, tendo, portanto, cunho obrigatório. A redação do art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004, estabelece marco imperativo: “A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda:”. Não consta na legislação a possibilidade de, ao efetuarem vendas de produtos agropecuários a pessoas jurídicas relacionadas no caput do art. 8º, as pessoas jurídicas relacionadas nos incisos I a II do § 1º do mesmo artigo recolham as contribuições, gerando assim o crédito normal a seus clientes. Se assim fosse, estarseia voltando à origem do problema, uma vez que as pessoas físicas não têm essa possibilidade. Assim, revelase a sapiência da Lei que forçou um equilíbrio por justiça fiscal. A Instrução Normativa SRF nº 660, de 2006, em seus art. 4º e 6º, confirma este entendimento; v) O crédito presumido não pode ser ressarcido e/ou compensado, mas somente utilizado como desconto da Contribuição devida. Fl. 416DF CARF MF Processo nº 12585.720038/201208 Acórdão n.º 3201005.028 S3C2T1 Fl. 416 4 vi) Destacase que no DACON (fls. 150 a 170) 100% dos bens para revenda referemse à "Receita no Mercado Interno". Ademais, o tipo de crédito destacado no PER (fls. 02 a 06) é PIS/PASEP NãoCumulativo Mercado Interno. No presente processo, as receitas decorrentes de vendas (de café) no mercado interno não são vinculadas a operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP. Sendo assim, os créditos daí advindos não podem ser ressarcidos e/ou compensados, só podem ser utilizados como desconto da Contribuição para o PIS/PASEP devida (art. 3° da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002). Afinal, no caso de receitas decorrentes de vendas no mercado interno, somente podem ser ressarcidos e/ou compensados os créditos apurados a partir de 09/08/2004 se vinculados a operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência da Contribuição (art. 17 da Lei 11.033); vii) Ainda que o crédito destacado no PER fosse relativo ao Mercado Externo, o contribuinte não teria direito ao ressarcimento e/ou compensação, conforme a fundamentação do Despacho e a análise feita a seguir; viii) A forma de apuração do crédito pelo contribuinte está em desacordo com a legislação. Conforme demonstrado na fundamentação deste despacho, o contribuinte deveria ter efetuado as suas compras de café com a suspensão aludida nos arts. 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, o que geraria crédito presumido e não crédito cheio. Afinal, o interessado compra café cru em grão de pessoas jurídicas que se enquadram no conceito de cerealista e/ou de pessoa jurídica/cooperativa que exerça atividade agropecuária; ix) Não obstante em uma parte das notas fiscais de compra de insumos constar "VENDA SUJEITA A INCIDÊNCIA DE PIS/COFINS, NÃO SUJEITA A SUSPENSÃO NOS TERMOS DO ART. 9° DA LEI N° 10.925/2004.", em outra parte não constar menção à SUSPENSÃO, e apenas em uma parte constar, corretamente "NOTA FISCAL COM SUSPENSÃO DO PIS/COFINS CONFORME ART. 9° LEI 10.925/04 ALTERADO PELA LEI 11.051/04.", concluise que a totalidade dessas operações deveria, obrigatoriamente, ter sido realizada com suspensão e assim foi considerada pela fiscalização. Então, essas operações geraram crédito presumido à AGNI LUZ COM. EXP. E IMP. DISTRIB. E PRESTADORA DE SERVIÇOS LTDA. x) O crédito presumido foi calculado aplicandose a alíquota de 0,5775% (35% de 1,65%); xi) Tendo em vista que os créditos pleiteados são vinculados a vendas no mercado interno, o Pedido de Ressarcimento foi indeferido. Fl. 417DF CARF MF Processo nº 12585.720038/201208 Acórdão n.º 3201005.028 S3C2T1 Fl. 417 5 10. O contribuinte, inconformado com despacho decisório (ciência em 19.05.2012 – fl. 196), apresentou manifestação de inconformidade em 18.06.2012 (fls. 198 a 226) na qual argumenta, em síntese, que: 10.1 A DERAT/SP indeferiu o crédito pleiteado sob o argumento de que a DACON apresentada pela REQUERENTE contempla receitas de venda de café no mercado interno, sendo que nesses casos os créditos então decorrentes não podem ser ressarcidos e/ou compensados, somente deduzido do imposto devido; 10.2 Além disso, a decisão consigna que a requerente não teria direito a crédito, mesmo que as receitas de venda de café e os respectivos créditos fossem relacionados à exportação, sob o argumento de que todas as compras de café efetuadas pela REQUERENTE foram feitas com a suspensão, o que lhe gera um crédito presumido passível de dedução, e não de ressarcimento, como ora se pretende; 10.3 Isso porque o julgador afirmou que a REQUERENTE compra café cru em grão tão somente de cerealistas e produtores rurais, o que é causa obrigatória de suspensão de exigibilidade do PIS, nos termos da Lei 10.925/04 c/c art. 3o, I da IN 660/06. Para corroborar com tal assertiva, a D. Delegacia afirma que a REQUERENTE exerce atividade agroindustrial, prevista no art. 6o, II, da IN n° 660/06, visto que o café por ela vendido passa, cumulativamente, pelo processo das atividades de padronização, beneficiamento, preparação e mistura de tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) e/ou são preparados por densidade de grãos; 10.4 Entretanto, o aludido despacho decisório é merecedor de reforma, sobretudo porque: (i) houve um equívoco no preenchimento da DACON e do PER visto que todas as receitas da REQUERENTE descritas como venda no mercadointerno, que acabaram por gerar o pedido de ressarcimento em questão, na verdade estão relacionadas à operações de exportação; (ii) a REQUERENTE não comercializa apenas com cerealistas, mas, também, com empresas comerciais atacadistas, sendo certo que o crédito ora pleiteado é decorrente dessas últimas transações; e (iii) não são em todas as operações que a REQUERENTE se utiliza do processo industrialização previsto no art. 6º, II, da IN n° 660/06; 10.5 Os créditos pleiteados são decorrentes de venda no mercado externo, tendo a REQUERENTE cometido um mero erro formal, quando do preenchimento de sua DACON e de seu PER. Dessa forma, para comprovar que a REQUERENTE efetuou venda de café ao mercado externo, entre o período de janeiro e março de 2005, a requerente protesta pela posterior juntada dos documentos devido a grande volume e a antiguidade dos mesmos. O mero erro de fato não constitui fundamento para a exigência de tributo e, tampouco, para indeferimento de pedido de restituição, sob pena de ofensa aos arts. 150, I e IV, ambos da CF/88. O então E. Conselho de Contribuintes (atual CARF) já se Fl. 418DF CARF MF Processo nº 12585.720038/201208 Acórdão n.º 3201005.028 S3C2T1 Fl. 418 6 manifestou inúmeras vezes para reconhecer o direito do contribuinte, afastando o erro formal em nome da verdade material; 10.6 O crédito presumido que trata a Lei 10.925/04 é aplicável a situações específicas nela previstas, e não abrange toda comercialização da REQUERENTE, conforme equivocadamente consta da decisão recorrida; 10.7 Nesse sentido, antes de discorrer sobre essa distinção, é necessário prestar esclarecimentos gerais sobre o café, e especialmente sobre o processo produtivo da REQUERENTE (interpretado de forma equivocada pelo julgador), a fim de demonstrar que o café por ela comprado, (i) ora sofre o processo de industrialização previsto no art. 6º, II, da IN n° 660/06 e (ii) ora sofre apenas o para a padronização de acordo com o tipo, bebida, peneira, cor e blend; 10.8 No decorrer de suas atividades, a REQUERENTE adquire café de produtores pessoas físicas ou jurídicas, junto aos mercados locais e interestaduais, já preparado ou somente beneficiado. Para melhor elucidação, explicase que: (i) CAFÉ BENEFICIADO: é o café em grão, contendo algumas impurezas, como por exemplo, terra, pedra, gravetos. Por essa razão, sofre um processo de benefício realizado na propriedade rural, ou seja, após a colheita o produtor seca o grão, separa a casca do grão. Não é apto para exportação, pois não tem definição de tipo, bebida, peneira. O café é separado por lotes conforme a data da colheita; (ii) CAFÉ DESPOLPADO: é o café que foi entregue ao Armazém Geral ainda em coco (bruto), ou seja, a casca ainda não foi separada do grão, normalmente, por ausências de condições do produtor rural para realização do benefício em sua propriedade; (iii), CAFÉ PREPARADO: é o processo agroindustrial (rebeneficio completo) que o café beneficiado ou despolpado passa para a padronização de acordo com o tipo, bebida, peneira, cor e blend; 10.9 Nesta primeira etapa, as compras podem ser realizadas das seguintes formas: (i) compras realizadas de café beneficiado de produtor rural, pessoa jurídica e cooperativa, ambas agropecuárias com direito a crédito de PIS e COFINS; (ii) compras realizadas de café preparado de pessoa jurídica e cooperativa agroindustrial, com direito ao credito de PIS e COFINS; (iii) compras realizadas de produtores rurais e empresas cujo café encontravase depositado em Armazém em estado de despolpado ou preparado; 10.10 Após a finalização da compra, o café é remetido diretamente aos armazéns, fisicamente nas hipóteses (i) e (ii) ou fictamente na hipótese (iii) com a emissão da devida nota fiscal de "remessa para depósito"; 10.11 Nesta etapa, a REQUERENTE realiza, através de departamento exclusivo para este fim, as análises e tipificações Fl. 419DF CARF MF Processo nº 12585.720038/201208 Acórdão n.º 3201005.028 S3C2T1 Fl. 419 7 dos grãos de café necessárias às negociações comerciais entre seus traders e clientes e para a definição do blend; Após as negociações iniciais com seus clientes e a aprovação das amostras, a REQUERENTE prepara a definição do blend, ou seja, define o padrão da mistura de acordo com as necessidades do cliente. Posteriormente, tais definições são informadas ao armazém, onde está depositado o café, para a efetiva realização do blend; 10.12 Os processos realizados pelos armazéns variam de acordo com o tipo de café adquirido pela REQUERENTE: (i) Beneficio: Processo de separação da polpa do grão; (ii) Rebeneficio Completo: Processo completo a que o café é submetido para definição do tipo, peneira, cor; (iii) Ventilação (Recate): Processo a que o café é submetido para retirada dos defeitos (tipo) brocado / quebrado para que o grão fique de acordo com a classificação COB; (iv) Classificação: Processo a que o café é submetido para que seja classificado por tamanho (peneira); (v) Catação Cromática (recate): Processo a que o café é submetido para separação do grão por cor; (vi) Formação Pilha: Blend definição do padrão exigido pelo cliente; 10.13 Finalizado o blend, os armazéns efetuam o retorno à REQUERENTE para a exportação do café aos seus clientes. Verificase, portanto, que o processo produtivo da REQUERENTE varia de acordo com a situação do café do adquirido (beneficiado, despolpado ou preparado); 10.14 O CAFÉ BENEFICIADO, embora já tenha sofrido a primeira etapa da industrialização, ainda não é apto para exportação, porque resulta do primeiro procedimento após a colheita, sendo necessário o seu aperfeiçoamento (rebenefício). Já no caso do CAFÉ PREPARADO, ou seja, aquele café que já sofreu todas as etapas da produção, já está apto à exportação, e o único acondicionamento por ele sofrido, e se necessário, é denominado blend (definição de aroma e sabor de acordo com a solicitação do cliente); 10.15 Assim, é notório que para essas situações a REQUERENTE não exerce "atividade agroindustrial", tal como definido na Lei 10.925/04 e pelo art. 6º, II, da IN n° 660/06. Para comprovar o alegado, a REQUERENTE junta, a título exemplificativo, Notas Fiscais que comprovam que o tipo de café objeto da negociação, não sofre o aludido processo de industrialização; 10.16 Se a REQUERENTE já adquire café beneficiado, não há como sustentar que, nessas hipóteses, a REQUERENTE exerce, de forma cumulativa, as atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend), não havendo, portanto, a suspensão do PIS/COFINS nos termos da Lei 10.925. Fl. 420DF CARF MF Processo nº 12585.720038/201208 Acórdão n.º 3201005.028 S3C2T1 Fl. 420 8 Portanto, é infundado o argumento constante no despacho decisório no sentido de que todo café vendido pela empresa passa pelo processo produtivo previsto na Lei 10.925/04, consistente no exercício cumulativo das atividades de padronização, beneficiamento, preparação e mistura de tipos de café para definição de aroma e sabor (blend); 10.17 Nesse aspecto, é importante asseverar desde já que para o presente caso, se faz imprescindível a realização de diligência para que seja efetuado o cruzamento dos créditos declarados na DACON, com as Notas Fiscais relacionadas à compra de cafés que não sofrem processo de industrialização; 10.18 Como já mencionado, o pedido de ressarcimento efetuado foi indeferido sob o argumento de que a REQUERENTE (i) apenas compra café, de cerealista, (ii) sendo que nessa operação a exigibilidade do PIS está suspensa conforme Lei 10.925/04, (iii) o que lhe dá direito ao crédito presumido, o qual não pode ser objeto de pedido de ressarcimento; 10.19 De acordo com o despacho decisório a REQUERENTE cumpre as exigências do art. 8º e 9º da lei 10.925/04 e art 4º e 6º da IN SRF nº 660/06, visto que apura o Imposto de Renda com base no lucro real, exerce atividade industrial uma vez que "o café vendido pela empresa passa pelo processo cumulativo das atividades de padronização, beneficiamento, preparação e mistura de tipos de café para definição de aroma e sabor (blend)"; 10.20 Ocorre que, como já visto, nem todo o café adquirido pela REQUERENTE é com suspensão das contribuições, porque em muitas situações, há aquisição de empresas comerciais, cujo café já vem preparado (ou seja, já está beneficiado), sujeitandose, quando necessário, apenas ao blend; 10.21 Verificase, portanto, que uma pessoa jurídica só tomara crédito presumido de PIS, mesmo que suspenso, quando adquirir café de pessoa física, cerealista e exerça cumulativamente as atividades do artigo 6º da IN SRF nº 660/06. Verificase que somente pode ser considerado cerealista, a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos de in natura de origem vegetal, no qual se inclui o café.; 10.22 Pode se concluir que, caso uma pessoa jurídica adquira café de cerealista, terá direito a tão somente ao crédito presumido de PIS. Entretanto, caso o produto (café) seja adquirido de outra pessoa jurídica que não cerealista, o direito ao crédito de PIS é integral; 10.23 No caso concreto, é relevante ressaltar que a REQUERENTE adquire café tanto de (i) cerealista, o que lhe dá direito ao crédito presumido, como de (ii) comerciais atacadistas, o que lhe da direito ao crédito ordinário (integral) a título de PIS; Fl. 421DF CARF MF Processo nº 12585.720038/201208 Acórdão n.º 3201005.028 S3C2T1 Fl. 421 9 10.24 Ocorre que, no pedido de ressarcimento ora apresentado, a REQUERENTE colacionou créditos advindos tão somente de compras efetuadas junto a empresas comerciais, não sujeitas à suspensão das contribuições do PIS e da COFINS. Essas pessoas jurídicas (comerciais atacadistas) vendem à REQUERENTE, por exemplo, o denominado café preparado . Nesse ponto, devese esclarecer, de imediato, que o chamado "café preparado" não se confunde com o café cru, como alega a DERAT/SP; 10.25 Vêse que a REQUERENTE adquire não só café cru, mas também café preparado ou beneficiado, que como já demonstrado não é feito por cerealista, pois, a esse cabe tão somente à missão de somente limpar, padronizar, armazenar e comercializar. Para comprovar o alegado, a REQUERENTE junta a título exemplificativo, Notas Fiscais que demonstram que suas mercadorias são adquiridas de comerciais atacadista; 10.26 Resta claro que os créditos pleiteados pela REQUERENTE não são decorrentes de compras efetuadas juntos à cerealista, mas sim em com comerciais atacadistas, o que lhe dá direito ao crédito integral de PIS, tal como requerido em seu pedido de ressarcimento; 10.27 O direito da Fazenda Pública em rever o pleito apresentado pela REQUERENTE decaiu. Isso porque os lançamentos fiscais ocorreram entre 07/2006 e 09/2006, mas a REQUERENTE foi intimada da decisão ora impugnada somente em 18/05/2012, isso é, quase 6 (seis) anos depois. Nesse sentido o art. 150, § 4º, do CTN; 10.28 No caso dos autos, a glosa dos créditos se refere aos lançamentos realizados pela REQUERENTE entre janeiro e março de 2005 e, nos termos da norma citada, a sua análise pelo Fisco somente poderia ocorrer até 2010. Depois desse período, restou configurada a decadência. Isso porque, ao indeferir o pedido de restituição formulada pela REQUERENTE o FISCO estará, por via transversa, revendo a apuração do tributo após o transcurso do prazo decadencial; 10.29 Não obstante as razões e documentos esposados serem, por si só, suficientes à manutenção total do crédito, caso V. Sas. entendam necessário, requer a realização de diligências para juntada de todas as Notas Fiscais do período envolvido, por meio das quais se comprovam as aquisições da REQUERENTE; 10.30 Esclarece a REQUERENTE que trouxe aos autos Notas Fiscais por amostragem, devido às inúmeras operações relacionadas ao período em questão. Entretanto, caso seja do entendimento dessa I. Delegacia, a REQUERENTE, desde já, se disponibiliza a juntar todas as notas fiscais envolvidas nos períodos em análise, a fim de demonstrar a efetividade de seu direito; 10.31 Por fim, a REQUERENTE invoca as normas do Processo Administrativo Fiscal no sentido de que, a autoridade julgadora, sempre em busca da verdade material, autorize a juntada de Fl. 422DF CARF MF Processo nº 12585.720038/201208 Acórdão n.º 3201005.028 S3C2T1 Fl. 422 10 novos documentos, bem como a realização de diligências que se fizerem necessárias (arts. 16, IV, § 5º, c/c art. 18, do Decreto n° 70.235/72). 11. Em 27.06.2012 o contribuinte apresentou a petição de fls. 270 a 272, onde requer o deferimento do seu pedido de ressarcimento e informa que está trazendo aos autos documentos (DIPJ de 2005 e notas fiscais) que comprovam que os créditos pleiteados são decorrentes de venda de café ao mercado externo. Não foram anexados quaisquer documentos com a petição de fls. 270 a 272. 12. Foram acostados aos autos Ofício da Justiça Federal notificando a concessão de liminar, nos autos do mandado de segurança nº 002181831.2014.403.6100, determinando o julgamento do presente processo no prazo de 60 dias (fls. 277 a 280). 13. É o relatório." A decisão recorrida julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. RETIFICAÇÃO APÓS DESPACHO DECISÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. O Pedido de Ressarcimento somente poderá ser retificado pelo sujeito passivo caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS. MERCADO INTERNO. IMPOSSIBILIDADE. No caso de receitas decorrentes de venda no mercado interno, somente podem ser ressarcidos e/ou compensados os crédito apurados a partir de 09/08/2004 se vinculados a operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência. PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. VENDAS COM SUSPENSÃO. OBRIGATORIEDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. A suspensão da incidência de PIS nos casos previstos no art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004, tem caráter obrigatório e aplicase às vendas para a agroindústria com finalidade de industrialização. Conforme o art. 8º da Lei nº 10.925 de 2004, a pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor de PIS não cumulativo, pode descontar créditos presumidos calculados Fl. 423DF CARF MF Processo nº 12585.720038/201208 Acórdão n.º 3201005.028 S3C2T1 Fl. 423 11 sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal. O crédito presumido não pode ser ressarcido e/ou compensado. IMPUGNAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. PROVAS. De acordo com a legislação, a impugnação mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para a revisão do despacho decisório. JUNTADA DE NOVAS PROVAS DOCUMENTAIS. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, ressalvado o disposto nas alíneas “a” a “c” do § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. A diligência se restringe à elucidação de pontos duvidosos para o deslinde de questão controversa, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos. A diligência objetiva subsidiar a convicção do julgador e não inverter o ônus da prova já definido na legislação. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. VERIFICAÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE. O prazo decadencial do direito de lançar tributo não rege os institutos da compensação e do ressarcimento e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" O Recurso Voluntário da Recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: (i) tratase de pedido de ressarcimento de créditos de PIS nãocumulativo, decorrentes de receitas de exportação do 1º trimestre de 2005; (ii) as DACONs podem ser retificadas a qualquer tempo em atenção à verdade material, assim, é possível comprovar a natureza de exportação das operações para as quais se pleiteia o crédito; (iii) mesma retificação foi apresentada perante a E. DERAT (Processo de Procedimento nº 10010.015317/121461) em 03/06/2015, que, entre outros períodos, está analisando/fiscalizando o direito aos créditos de COFINS do período aqui discutido (PA 16349.000156/200774); Fl. 424DF CARF MF Processo nº 12585.720038/201208 Acórdão n.º 3201005.028 S3C2T1 Fl. 424 12 (iv) que o erro material de preenchimento das DACONs vem sendo informado desde o início do presente processo administrativo, contudo, a informação foi ignorada pela DRJ; (v) deve prevalecer a verdade material; (vi) o mero erro de fato não constitui fundamento para a exigência de tributo, o que só pode ocorrer por meio de lei, e, tampouco, para indeferimento de pedido de restituição, sob pena de ofensa ao art. 150, I e IV, ambos da CF/88; (vii) que o próprio agente fiscal poderia ter retificado as DACONs de ofício, nos termos do artigo 147, § 2º, do CTN; (viii) o não reconhecimento da retificação ora apresentada e do crédito ora pleiteado acaba por promover verdadeiro enriquecimento ilícito do Fisco; (ix) retificadas as informações fornecidas pela Recorrente, temse que as operações em comento decorrem de exportações, o que gera direito ao crédito, nos termos do art. art. 5º, I e § 1º, da Lei 10.637/02; (x) traz aos autos a DIPJ do período, pela qual comprova a preponderância das exportações em suas atividades; (xi) traz aos autos, por amostragem, notas fiscais, registros de exportação e invoices do período tratado; (xii) exerce atividade de agroindustrial, bem como adquire café de cerealistas, contudo tais operações não abrangem a totalidade de suas atividades, sendo que é exatamente para as outras atividades que pleiteia os créditos ordinário, ou seja, quando não exerce atividade agroindustrial e adquire café de comercial atacadista, hipóteses não abrangidas pela suspensão da contribuição, como ficará demonstrado; (xiii) a fim de comprovar o tipo de café adquirido (beneficiado e preparado), e, consequentemente, desenquadrála do conceito de agroindustrial nessas hipóteses, colaciona notas fiscais de seus fornecedores; (xiv) se adquire café beneficiado ou preparado, não há como sustentar que, nessas hipóteses, exerce atividade agroindustrial, pois para isso demandaria o exercício cumulativo (art. 6º, II, da IN nº 660/06) das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend), não havendo, portanto, a suspensão do PIS/COFINS nos termos da Lei 10.925/04; (xv) devese levar em consideração que nem todo café vendido pela passa pelo processo produtivo previsto na Lei 10.925/04 e, após a análise das notas fiscais (Doc.04), é possível concluir que o direito creditório é legítimo; (xvi) o crédito pleiteado só considera o café adquirido de comerciais atacadistas, hipótese não sujeita à suspensão e que dá direito ao crédito ordinário (integral) de PIS; Fl. 425DF CARF MF Processo nº 12585.720038/201208 Acórdão n.º 3201005.028 S3C2T1 Fl. 425 13 (xv) para provar que o café era adquirido de comercial atacadista, traz, exemplificativamente, o cartão de CNPJ, obtido junto ao site da Receita Federal, que demonstra a descrição da atividade da empresa ERNESTO BARBOSA & FILHOS LTDA – ME; (xvi) resta claro que os créditos pleiteados não são decorrentes de compras efetuadas junto à cerealistas, mas sim com comerciais atacadistas; (xvii) as Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 instituíram a sistemática não cumulativa das contribuições do PIS e da COFINS como forma de desonerar a carga tributária incidente nos produtos e serviços ao longo de toda cadeia produtiva (do produtor ao consumidor final), evitando o efeito cascata causado pelo antigo regime cumulativo, nocivo à atividade empresarial, devendo ser respeitado o princípio da nãocumulatividade; (xviii) devese determinar a incidência de correção monetária, para afastar os efeitos da inflação que incidirá durante todo o período em que ficou impossibilitada de usufruir do crédito, evitandose, ainda, o enriquecimento ilícito do Governo Federal que retém ilegalmente um crédito legítimo; (xix) é indispensável a realização de diligências; e (xx) o presente processo e o Processo nº 16349.000156/200774 devem ser apensados. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Relator Perfilho o entendimento de que no caso concreto não assiste razão à Recorrente. Aduz a Recorrente que o erro material de preenchimento do PER e das DACONs vem sendo informado desde o início do presente processo administrativo, contudo, a informação foi ignorada pela DRJ. Apresenta em sua peça recursal demonstrativo em que confronta o erro de preenchimento com a forma correta de preenchimento das DACONs e que estaria amparado pela documentação contábil e fiscal da empresa. A Recorrente juntou documentos com o Recurso Voluntário. Dentre os documentos anexados, temse: (i) comprovante de entrega de retificação das DACON's à DERAT; (ii) planilha de demonstrativo de créditos; Fl. 426DF CARF MF Processo nº 12585.720038/201208 Acórdão n.º 3201005.028 S3C2T1 Fl. 426 14 (iii) retificação das DACON's; (iv) DIPJ do período; e (v) por amostragem, notas fiscais, registros de exportação e invoices do período tratado. Imperiosa a transcrição dos excertos da decisão vergastada: "15. O Pedido de Ressarcimento (PER) do contribuinte foi indeferido porque o tipo de crédito pleiteado é PIS/PASEP Não Cumulativo Mercado Interno, e as receitas decorrentes de vendas (de café) no mercado interno não são vinculadas a operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência da Contribuição para o PIS/PASEP. Que sendo assim, os créditos daí advindos não podem ser ressarcidos e/ou compensados, só podendo ser utilizados como desconto da Contribuição para o PIS/PASEP devida (art. 3° da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002). 16. No PER transmitido pelo contribuinte constam às fls. 03 e 05 as seguintes informações: “Tipo de Crédito: PIS/PASEP Não Cumulativo – Mercado Interno” e “Crédito da Contribuição para o PIS/PASEPMercado Interno (art. 17 da Lei nº 11.033/2004)”. Também no DACON o contribuinte informa somente créditos vinculados a receitas no mercado interno (fls. 156 a 158). 17. Tendo em vista que o Despacho Decisório foi proferido com base em informações declaradas pela própria Contribuinte, nada obsta reconhecer que a decisão nele contida é correta. 18. Na manifestação de inconformidade o contribuinte alega que houve um equívoco no preenchimento do DACON e do Pedido de Ressarcimento (PER) visto que todas as receitas da requerente descritas como venda no mercadointerno, que acabaram por gerar o pedido de ressarcimento em questão, na verdade estão relacionadas à operações de exportação. 19. Do exposto, verificase que o contribuinte pretende alterar o tipo de crédito pleiteado no seu Pedido de Ressarcimento de Mercado Interno (art. art. 17 da Lei nº 11.033/2004) para Mercado Externo (§1º do art. 5º da Lei nº 10.637/2002), alegando que houve erro no preenchimento do PER e no DACON. 20. Em relação ao Pedido de Ressarcimento e sua retificação, é oportuno transcrever fragmentos da Instrução Normativa nº 600, da então Secretaria da Receita Federal, publicada no Diário Oficial da União, em 30/12/2005, vigente à época da transmissão do PER, in verbis: ... Retificação de Pedido de Restituição, de Pedido de Ressarcimento e de Declaração de Compensação Fl. 427DF CARF MF Processo nº 12585.720038/201208 Acórdão n.º 3201005.028 S3C2T1 Fl. 427 15 Art. 56. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação gerados a partir do Programa PER/DCOMP, nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF de documento retificador gerado a partir do referido Programa. Parágrafo único. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação apresentados em formulário (papel), nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF de formulário retificador, o qual será juntado ao processo administrativo de restituição, de ressarcimento ou de compensação para posterior exame pela autoridade competente da SRF. Art. 57. O Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, no que se refere à Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 58 e 59. [negrejouse] ... 21. Cabe ressaltar que, posteriormente, a Instrução Normativa n.º 600, de 2005, foi revogada pela Instrução Normativa nº 900, de 2008, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que manteve a mesma redação, mutatis mutandis, no que toca à vedação da retificação da DCOMP nos casos em que já houver sido proferida decisão oficial. Atualmente, vigora a Instrução Normativa n.º 1.300, publicada no DOU de 21/11/20102, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, cujo art. 88 se transcreve abaixo, in verbis: Art. 88. O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, observado o disposto nos arts. 89 e 90 no que se refere à Declaração de Compensação. 22. Da legislação citada, evidenciase que, à parte das argumentações apresentadas, não se sustenta a pretensão da Contribuinte de conferir à sua Manifestação de Inconformidade efeitos de um pedido de retificação do Pedido de Ressarcimento. É que não lhe é permitido retificar PER sobre a qual já foi proferida decisão oficial. Como dito anteriormente, o Despacho Decisório é ato que cumpriu todos os seus efeitos. Fl. 428DF CARF MF Processo nº 12585.720038/201208 Acórdão n.º 3201005.028 S3C2T1 Fl. 428 16 23. Tal restrição à retificação do pedido de ressarcimento/restituição/compensação é decorrência natural do princípio da estabilidade da lide (art. 264 do Código do Processo Civil). 24. Após a decisão administrativa do pedido original pela autoridade competente não é mais possível retificar o pedido de ressarcimento, sob pena de tornar sem fim o processo administrativo fiscal. 25. Assim, no que toca ao pedido de ressarcimento, em respeito ao princípio da estabilidade da lide, esta deve aterse aos termos e limites fixados no pedido inicial, como forma de realizar efetivamente o contraditório e a ampla defesa e evitar tumultos que seriam causados por eventuais aditamentos sem limites. 26. Portanto, correto o despacho decisório recorrido que indeferiu o Pedido de Ressarcimento sob o fundamento que o tipo de crédito pleiteado é PIS/PASEP Não Cumulativo Mercado Interno, e que sendo as receitas decorrentes de vendas (de café) no mercado interno não vinculadas a operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP, os créditos daí advindos não podem ser ressarcidos e/ou compensados." Não obstante o contido na decisão recorrida, é de se ressaltar que não houve retificação do pedido de ressarcimento, apenas e tão somente dos DACON's, sendo que a pretensão da Recorrente é conferir à sua Manifestação de Inconformidade efeitos de um pedido de retificação do Pedido de Ressarcimento original. É sabido que o CARF, em situações excepcionais, admite a retificação de declarações, mesmo após a prolação de despacho decisório. Vejamos: "Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Data do fato gerador: 31/03/2006 RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE PREENCHIMENTO. POSSIBILIDADE Erro de preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei." (Processo nº 10580.904891/201114; Acórdão nº 1301003.610; Relator Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto; sessão de 22/11/2018) Ocorre que, no caso concreto, não houve retificação do Pedido de Ressarcimento e mesmo que houvesse, não há mera correção de erro material, conforme alegado, pois o que a Recorrente pretende é alterar o tipo do crédito pleiteado a título de Fl. 429DF CARF MF Processo nº 12585.720038/201208 Acórdão n.º 3201005.028 S3C2T1 Fl. 429 17 ressaercimento, ou seja, de "PIS/PASEP nãocumulativo Mercado Interno" para "PIS/PASEP nãocumulativo, decorrentes de receitas de exportação". Do Pedido de Ressarcimento consta: Já na peça recursal, diz a Recorrente: "1. Tratase de pedido de ressarcimento de créditos de PIS não cumulativo, decorrentes de receitas de exportação do 1º trimestre de 2005." Temse, portanto, que a própria Recorrente reconhece o equívoco cometido. Constatase, então, que a pretensão é a modificação do próprio crédito postulado, o que caracteriza uma inovação processual e não mera correção de vício material. Neste sentido, é uníssona a jurisprudência do CARF acerca da impossibilidade de alteração do pedido. Vejamos: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2002PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. IMPOSSIBILIDADE. A alteração do pedido ou da causa de pedir não é admitida após ciência do Despacho Decisório, em face da estabilização da lide. Não verificada circunstância de inexatidão material, que pode ser corrigida de ofício ou a pedido, descabe a retificação do Per/DComp após ciência do Despacho Decisório, para alteração dos elementos do direito creditório, pois a modificação do pedido original configura inovação processual vedada, de natureza retratável, exigindose, por conseguinte, a apresentação de novo Per/DComp." (Processo nº 13855.000951/200321; Acórdão nº 1003000.202; Relatora Conselheira Carmen Ferreira Saraiva; sessão de 02/10/2018) Fl. 430DF CARF MF Processo nº 12585.720038/201208 Acórdão n.º 3201005.028 S3C2T1 Fl. 430 18 Do voto condutor destaco: "A pretensão de retificação do Per/DComp para fins de constar direito creditório diverso do originalmente identificado, apenas trazida em sede de impugnação, constitui inovação da matéria tratada nos autos, não podendo ser objeto de análise neste processo. Ainda, a manifestação de inconformidade não é meio adequado para retificação do Per/DComp pela incompatibilidade dos instrumentos e pela preclusão da possibilidade de referida retificação após a decisão administrativa exarada pela autoridade preparadora. (...) O Per/DComp delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pela Recorrente quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de débitos tributários. Instaurado o contencioso e estabilizada a lide, não se admite que a Recorrente altere o pedido mediante a modificação dos elementos do direito creditório aduzido Per/DComp, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto. Ademais, a alteração do pedido ou da causa de pedir não é admitida após ciência do Despacho Decisório, em face da estabilização da lide. Não verificada circunstância de inexatidão material, que pode ser corrigida de ofício ou a pedido, descabe a retificação do Per/DComp após ciência do Despacho Decisório, para alteração do direito creditório, pois a modificação do pedido original configura inovação processual vedada, exigindo se, por conseguinte, a apresentação de novo Per/DComp. Assim a alteração de ofício do elemento temporal dos direitos creditórios consignados nos Per/DComp originalmente apresentados não tem amparo legal." Ainda: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2002 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. IMPOSSIBILIDADE. A alteração do pedido ou da causa de pedir não é admitida após ciência do Despacho Decisório, em face da estabilização da lide. Não verificada circunstância de inexatidão material, que pode ser corrigida de ofício ou a pedido, descabe a retificação do Per/DComp após ciência do Despacho Decisório, para alteração do direito creditório, pois a modificação do pedido original configura inovação processual vedada, de natureza retratável, exigindose, por conseguinte, a apresentação de novo Per/DComp para compensação de débito remanescente." (Processo nº 11020.912491/200968; Acórdão nº 1003000.100; Fl. 431DF CARF MF Processo nº 12585.720038/201208 Acórdão n.º 3201005.028 S3C2T1 Fl. 431 19 Relatora Conselheira Bárbara Santos Guedes; sessão de 07/08/2018) "Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira CPMF Anocalendário: 2007 RETIFICAÇÃO DE PER/DCOMP. INCLUSÃO DE NOVO CRÉDITO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. INOVAÇÃO PROCESSUAL. IMPOSSIBILIDADE. O valor referente a pagamento a maior ou indevido deve ser informado no PER/DCOMP pelo contribuinte. Descabe a retificação da declaração de compensação após a ciência do despacho decisório para inclusão de novos créditos. Recurso Voluntário Negado." (Processo nº 16327.915410/200951; Acórdão nº 3301005.584; Relatora Conselheira Semíramis de Oliveira Duro; sessão de 12/12/2018) "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 DECISÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO SUBMETIDO À APRECIAÇÃO DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. VEDAÇÃO EXPRESSA DE RETIFICAÇÃO DE PER/DCOMP CUJO CRÉDITO JÁ FORA OBJETO DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Apreciado o pedido pela autoridade administrativa e cientificado o interessado, o litígio administrativo está circunscrito ao direito creditório apontado no PER/DCOMP transmitido eletronicamente, não havendo previsão legal para sua alteração na manifestação de inconformidade. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito." (Processo nº 11080.901401/2013 85; Acórdão nº 3401005.231; Relator Conselheiro Tiago Guerra Machado; sessão de 27/08/2018) O pleito de ressarcimento efetivado no PER/DCOMP delimita a análise a ser realizada pela Receita Federal do Brasil e, via de consequência, estabelece os limites do processo administrativo. Fl. 432DF CARF MF Processo nº 12585.720038/201208 Acórdão n.º 3201005.028 S3C2T1 Fl. 432 20 No caso em apreço, não se trata de uma inexatidão material decorrente de lapso manifesto ou de cálculos, situações que poderiam ensejar até mesmo a retificação de ofício, mas se está diante de completa alteração do pedido do crédito a ser ressarcido após a prolação do despacho decisório. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 433DF CARF MF
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Numero do processo: 10242.000142/00-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
OMISSÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
É nulo o acórdão recorrido quando não enfrentar todas as matérias trazidas na impugnação. Levantada omissão do colegiado a quo na análise de matéria impugnada, devese anular o acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa.
Numero da decisão: 1401-003.259
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer a nulidade do Acórdão nº 01-10.813 da 1ª Turma da DRJ de Belém/PA, devendo o processo ser baixado para novo julgamento, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONÇALVES - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: Eduardo Morgado Rodrigues
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 OMISSÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. É nulo o acórdão recorrido quando não enfrentar todas as matérias trazidas na impugnação. Levantada omissão do colegiado a quo na análise de matéria impugnada, devese anular o acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer a nulidade do Acórdão nº 0110.813 da 1ª Turma da DRJ de Belém/PA, devendo o processo ser baixado para novo julgamento, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONÇALVES Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 2. 00 01 42 /0 0- 70 Fl. 521DF CARF MF Processo nº 10242.000142/0070 Acórdão n.º 1401003.259 S1C4T1 Fl. 3 2 Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 498 a 503) interposto contra o Acórdão nº 0110.813, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA (fls. 505 a 507), que, por unanimidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Anocalendário: 1999 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INSUBSISTENTE. IMPOSSIBILIDADE. Comprovado nos autos que o interessado não dispõe de saldo de direito creditório suficiente para a compensação pleiteada, impõese o indeferimento do pedido. Solicitação Indeferida" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Tratase de manifestação de inconformidade quanto ao Despacho Decisório de fl. 420, proferido pelo Chefe da Sorac da Delegacia da Receita Federal do Brasil em JiParaná, pelo qual foi reconhecido o direito credit6rio, porém, indeferida a respectiva restituição e as compensações pleiteadas. A origem do crédito pleiteado é o saldo de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF) ao longo do ano de 1999, exercício em que o sujeito passivo apurou prejuízo. Segundo o Parecer que deu base ao despacho (fls. 410 a 419), embora o interessado faça jus ao direito creditório informado de R$27.928,65, tal valor não está disponível para restituição ou para compensação com os débitos confessados nas Declarações de Compensação (Dcomp) n° 34119.65332 e 03403.97118, fls. 232 a 246. Isso em razão de que o sujeito passivo já se utilizou do referido crédito para se compensar com os débitos de antecipação de IRPJ e de CSLL referente ao ano de 2001. Fl. 522DF CARF MF Processo nº 10242.000142/0070 Acórdão n.º 1401003.259 S1C4T1 Fl. 4 3 Em 7.11.2007, o interessado foi cientificado daquela decisão (fl. 424) e, em 6.12.2007, apresentou manifestação de inconformidade de fls. 425 a 429, com o seguinte teor: a) que a unidade de origem não atualizou o direito creditório com a taxa de juros Selic; b) que o direito creditório reconhecido em 31.12.1999 (R$27.928,65) foi utilizado para compensar os débitos de CSLL de abril a setembro/2001 e os débitos de IRPJ de maio a setembro/2001, conforme demonstrativo de fl.427; c) que, consideradas as compensações e recolhimentos efetuados ao longo de 2000, 2001 e 2002, demonstrase a regularidade dos registros do livro Razão, conta "Provisão para Imposto de Renda", que apontou um saldo de IRRF a compensar em 31.12.2002 de R$63.745,82; d) que, no período entre 1999 a 2002, em momento algum o IRRF foi utilizado em duplicidade na compensação de débitos de IRPJ ou de CSLL; e) que, diante do exposto, solicita a modificação do Parecer de fls. 410 a 419." Inconformada com a decisão de primeiro grau, a ora Recorrente pugna pela reversão da medida nos mesmos termos abordados na instância a quo ou, sucessivamente, pela nulidade da decisão de piso sob alegação que esta deixou de analisar seus argumentos e requerimentos. Inicialmente o presente Recurso foi distribuído para a 1ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do CARF, que em julgamento na sessão de 18/09/2012 lavrou o acórdão de nº 2801002.665 (fls. 515 a 518) declinando a competência para esta 1ª Seção, com fundamento no art. 2º do Anexo II do RICARF. Desta forma, me foram distribuídos os presentes autos. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Outrossim, reconheço a competência desta 1ª Seção de Julgamento do CARF para a análise do presente Recurso Voluntário. Fl. 523DF CARF MF Processo nº 10242.000142/0070 Acórdão n.º 1401003.259 S1C4T1 Fl. 5 4 Alega a Recorrente que em sua Manifestação de Inconformidade aventou três fundamentos principais que teriam sido ignorados pelo julgamento realizado em primeira instância, nos termos que colaciono: "A Recorrente, na peça impugnatória, sustentou sua defesa nos seguintes fatos: a) ausência de juros Selic sobre o saldo negativo do imposto de renda pessoa jurídica; b) cobrança em duplicidade de débitos em processos distintos conforme competências e valores mencionados; c) débitos levantados e já atingidos pela prescrição." Registro que os itens acima foram efetivamente aventados em sede de Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte às fls. 441 a 445. Outrossim, o próprio relatório do acórdão ora combatido menciona tais alegações, conforme já foi colacionado anteriormente. Por sua vez, a DRJ de origem ao julgar a Manifestação apresentada decidiu, em um sucinto voto, tratou tão somente do exaurimento do crédito reconhecido, quer supostamente seria corroborado pelas alegações do próprio Contribuinte, e concluí pela correição do trabalho fiscal. Para ilustrar, transcrevo a integralidade do voto: " A manifestação de inconformidade apresentada é tempestiva e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 6.3.1972. Dela tomo conhecimento. A decisão recorrida não merece reparo. No que se refere ao reconhecimento do direito creditório, inexiste qualquer controvérsia. O montante pleiteado, correspondente ao saldo de imposto negativo apurado em 31.12.1999, no valor de R$27.928,65, foi integralmente reconhecido ao interessado. Porém, tal direito credit6rio, por já ter sido utilizado para compensações com débitos de IRPJ e de CSLL referente a 2001, encontrase totalmente exaurido de modo a não ser possível aproveitálo para compensar novos débitos informados pelo sujeito passivo. Em sede de manifestação de inconformidade, o interessado limitouse a fazer um longo arrazoado com o fim de demonstrar que o referido direito credit6rio (R$27.928,65) houvera sido compensado com os débitos de CSLL de abril a setembro/2001 e com os débitos de IRPJ de maio a setembro/2001, conforme demonstrativo de fl. 427. Para tanto, invocou o direito de ter seu crédito acrescido dos juros calculados pela taxa Selic e terminou por demonstrar as compensações posteriores, até o ano de 2002, para, ao final, concluir que não se compensou em duplicidade daquele crédito de R$27.928,65. Entretanto, as próprias razões expendidas pelo interessado corroboram as conclusões carreadas pela decisão recorrida. A unidade de origem apontou o exaurimento do direito creditório reconhecido como razão para indeferir as novas compensações pleiteadas. E o interessado demonstrou exatamente isso em sua manifestação: que se utilizou de todo o saldo do direito creditório para compensar os débitos discriminados na fl. 427 (alíneas "a" a Resulta dai que não há que se falar em Fl. 524DF CARF MF Processo nº 10242.000142/0070 Acórdão n.º 1401003.259 S1C4T1 Fl. 6 5 novas compensações como as pretendidas pelo interessado com a utilização daquele mesmo direito creditório de R$27.928,65, referente ao IRPJ negativo apurado em 31.12.1999. Em conclusão, voto por indeferir a solicitação do interessado." Conforme se extrai da breve decisão, a DRJ de origem em momento algum tratou de eventual falta de atualização do crédito pela taxa Selic suscitada pelo contribuinte, tão pouco se manifestou quanto a arguição de cobrança do mesmo débito em processos distintos, e, igualmente, calouse quanto a eventual ocorrência de prescrição de uma ou mais parcelas dos débitos. Com a devida vênia à atividade da DRJ de piso, entendo que, necessariamente, a decisão exarada deve dialogar com os fundamentos e pedidos realizados pela manifestação que o provocou. Não pode o julgamento se restringir a revisar de forma unidimensional o ato administrativo contestado, sem considerar as questões provocadas pela parte contestante. Como cediço, o processo administrativo fiscal também se rege pelos princípios do devido processo legal, duplo grau de jurisdição e da ampla defesa. Tais conclusões se extraem da interpretação sistemática dos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) XXXIV são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas: a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder; (...) LIV ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal; LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Confirmando nossas conclusões, temos a lição do ilustre professor James Marins, conforme se faz oportuno transcrever: Princípio do duplo grau de jurisdição:A ideia de revisão recursal dos julgamentos administrativos ou judiciais atende a necessidades de qualidade e segurança da prestação estatal julgadora e é imperativo jurídico expresso no art. 5º, lV, da CF/1988. Fl. 525DF CARF MF Processo nº 10242.000142/0070 Acórdão n.º 1401003.259 S1C4T1 Fl. 7 6 (...) Não pode, União, Estados, Distrito Federal ou Municípios, instituir, no âmbito de sua competência, a denominada "instância única" para julgamento das lides tributárias deduzidas administrativamente, sob pena de irremediável mutilação da regra constitucional e consequente imprestabilidade do sistema administrativo processual que, por falta de tal requisito constitucional de validade, não servirá para aperfeiçoar a pretensão fiscal impugnada, remanescendo carente de exigibilidade. (MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro: administrativo e judicial. 9 ed. São Paulo: RT, 2016, pgs. 198 200.)(Grifouse) Nesta linha, temse a importância de se preservar o direito ao julgamento em duas instância do contribuinte. O Administrado não pode ter suas razões julgadas por apenas uma instância processual, sob pena de nulidade do julgamento. Tal circunstância se encontra expressa no Inciso II do Art. 59 do Decreto 70.235, como segue: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.(Grifouse) Neste esteio, uma vez que a DRJ de origem deixou de analisar diversos fundamentos trazidos pelo Contribuinte em suas razões de defesa, restou um "vácuo" jurisdicional no presente processo, tais matérias apresentadas pela Contribuinte que carecem de apreciação pela primeira instância administrativa. Conforme já demonstrado, tal circunstância fere o princípio constitucional do duplo grau de jurisdição e da ampla defesa, tornado o respectivo acórdão de piso nulo. Tal entendimento já se encontra sedimentado na jurisprudência deste Conselho: OMISSÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. É nulo o acórdão recorrido quando não enfrentar todas as matérias trazidas na impugnação. Levantada, de ofício, omissão do colegiado a quo na análise de matéria impugnada, devese anular o acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa. (Processo: 10410.721329/201281. 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. 4 de outubro de 2017) Fl. 526DF CARF MF Processo nº 10242.000142/0070 Acórdão n.º 1401003.259 S1C4T1 Fl. 8 7 OMISSÃO DO JULGAMENTO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. É nulo, por preterição do direito de defesa, o Acórdão referente ao julgamento de primeira instância que deixa de se manifestar sobre matéria impugnada (argumento autônomo) capaz de, em tese, culminar no cancelamento, mesmo que parcial, do auto de infração. (Processo: 15983.720040/201517. 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária. 24 de maio de 2017.) CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. A falta de apreciação pela autoridade julgadora de primeira instância e razões de defesa apresentadas na impugnação constitui preterição do direito de defesa da parte, ensejando a nulidade da decisão assim proferida, "ex vi" do disposto no art. 59, item II, d o Decreto n.° 70.235/72. (Processo n.º 10880.038405/8901. 17/09/2002). Diante de todos os argumentos e fatos aqui expostos, temse claramente que o acórdão de primeira instância deve ser anulado em razão da omissão do tribunal a quo quanto a análise das razões trazidas pela Contribuinte. Como consequencia, os autos devem ser baixados para que a DRJ de origem realize novo julgamento, desta vez analisando todos os argumentos e prova trazidas aos autos, afim de se resguardar o direito constitucional à ampla defesa e ao duplo grau de jurisdição. Em face a todo o exposto, VOTO por RECONHECER A NULIDADE do Acórdão nº 0110.813 da 1ª Turma da DRJ de Belém/PA, devendo o processo ser baixado para novo julgamento, nos termos acima. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 527DF CARF MF Processo nº 10242.000142/0070 Acórdão n.º 1401003.259 S1C4T1 Fl. 9 8 Fl. 528DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.004237/2005-70
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL OU RESSARCIMENTO EM ESPÉCIE. IMPOSSIBILIDADE.
O crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 não se confunde com o crédito previsto no art. 3º das Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003, ficando restrito o seu aproveitamento à compensação mediante abatimento das próprias contribuições para o PIS e a COFINS.
Numero da decisão: 9303-008.053
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL OU RESSARCIMENTO EM ESPÉCIE. IMPOSSIBILIDADE. O crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 não se confunde com o crédito previsto no art. 3º das Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003, ficando restrito o seu aproveitamento à compensação mediante abatimento das próprias contribuições para o PIS e a COFINS.
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COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL OU RESSARCIMENTO EM ESPÉCIE. IMPOSSIBILIDADE. O crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 não se confunde com o crédito previsto no art. 3º das Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003, ficando restrito o seu aproveitamento à compensação mediante abatimento das próprias contribuições para o PIS e a COFINS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 42 37 /2 00 5- 70 Fl. 489DF CARF MF Processo nº 10120.004237/200570 Acórdão n.º 9303008.053 CSRFT3 Fl. 490 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte GOIÁS CARNE COOPERATIVA DOS PRODUTORES AGROPECUÁRIOS DE GOIÁS LTDA., com fulcro no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, vigente à época da sua interposição, buscando a reforma do Acórdão n.º 3101001.257, que negou provimento ao recurso voluntário, cujos fundamentos foram sintetizados na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 Crédito Presumido. Estoque de Abertura O crédito presumido sobre o estoque de abertura, passível de dedução da base de cálculo da Cofins, segundo a legislação tributária de regência, será calculado à alíquota de três por cento. Base de Cálculo. Ajustes. Na apuração da base de cálculo da contribuição para PIS e da Cofins, a dedução da sobra é aquela apurada na Demonstração do Resultado do Exercício, no fim do anocalendário, Crédito Presumido. Compensação. Impossibilidade A legislação tributária de regência expressamente prevê que o crédito presumido apurado com base no custo de aquisição serve apenas para dedução do valor devido da Cofins, veda a compensação com débitos tributários próprios. (grifouse) Não resignada com a decisão, a Contribuinte suscita divergência jurisprudencial quanto à exclusão do saldo credor a ressarcir do valor correspondente ao crédito presumido das agroindústrias previsto na Lei nº 10.925/04. Para comprovar o dissenso, apresentou como paradigma o Acórdão n.º 3102001.726. Nas suas razões recursais, sustenta, em síntese que deve prevalecer o entendimento do acórdão paradigma, reconhecendo que o Contribuinte que tem direito ao crédito presumido da atividade agroindustrial previsto na Lei n.º 10.925/04 pode utilizar referidos valores para ressarcimento Fl. 490DF CARF MF Processo nº 10120.004237/200570 Acórdão n.º 9303008.053 CSRFT3 Fl. 491 3 ou compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, desde que tais créditos tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação. Foi admitido o recurso especial da Contribuinte por meio do despacho s/nº, de 09/07/2015, proferido pelo ilustre Presidente da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por entender comprovada a divergência jurisprudencial pois: enquanto no acórdão recorrido o Colegiado entendeu que o crédito presumido apurado com base no custo de aquisição serve apenas para dedução do valor devido da COFINS, vedada a compensação com débitos tributários próprios; no acórdão paradigma, foi consignada posição de que o Contribuinte que faz jus ao crédito presumido da atividade agroindustrial previsto na Lei n.º 10.925/2004, tem direito à utilização dos valores correspondentes como ressarcimento ou compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. A Fazenda Nacional, devidamente cientificada, apresentou contrarrazões requerendo a negativa de provimento do recurso especial. O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte atende aos requisitos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anteriormente Portaria MF n.º 256/2009), devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito Fl. 491DF CARF MF Processo nº 10120.004237/200570 Acórdão n.º 9303008.053 CSRFT3 Fl. 492 4 No mérito, gravita a controvérsia em torno da pretensão da Contribuinte de ver reconhecido o direito ao ressarcimento em espécie ou por meio de compensação com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, do crédito presumido da agroindústria das contribuições do PIS e da COFINS, instituído pelo art. 8º da Lei n.º 10.925/2004, com redação da Lei n.º 11.051/2004, apurado sobre os insumos vinculados à receita de exportação. O tema foi objeto de apreciação por este Colegiado em outras oportunidades, a exemplo dos julgados que resultaram nos Acórdãos n.º 9303005.815, de 17 de outubro de 2017 e 9303007.593, de 20 de novembro de 2018. Naquelas ocasiões, esta Relatora acompanhou a bem fundamentada posição segundo a qual haveria a possibilidade de compensação ou ressarcimento em espécie do crédito da agroindústria, com respaldo nas Leis n.º 12.058/09 e 12.350/10, bem como no art. 16 da Lei n.º 11.116/05. Ocorre que, analisando mais detidamente o disposto no art. 8º da Lei n.º 10.925/2004, chegase à conclusão diversa da anteriormente externada por esta Conselheira, que passa a se filiar à posição da maioria do Colegiado pela impossibilidade de ressarcimento em espécie ou compensação com outros tributos administrados pela SRF, com fulcro nos fundamentos lançados no voto vencedor do Ilustre Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal no Acórdão n.º 9303007.594, in verbis: [...] Quanto ao ressarcimento/compensação do saldo credor do crédito presumido da agroindústria, ora reclamado, embora o julgamento desta matéria tenha ficado prejudicado, em virtude do não reconhecimento do direito de o contribuinte aproveitar tais créditos, demonstrase, a seguir, a falta de amparo legal para o seu ressarcimento/compensação. O crédito presumido da agroindústria referente ao PIS e à Cofins foi inicialmente instituído pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003, art. 3º, § 11, foi extinto pela Lei nº 10.925, de 23/07/2004, art. 16, convertida da MP nº 183, de 30/4/2004. Contudo, esta mesma lei o reinstituiu, nos termos do art. 8º, já citado e transcrito anteriormente, e art. 15, que assim dispõe: "Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (destaque não original) [...]." Ora, segundo o disposto nos art. 8º e 15, citados e transcritos anteriormente, o crédito presumido da agroindústria somente pode ser utilizado para a dedução da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada Fl. 492DF CARF MF Processo nº 10120.004237/200570 Acórdão n.º 9303008.053 CSRFT3 Fl. 493 5 período de apuração, inexistindo previsão legal para o ressarcimento/compensação. Com efeito, não é despiciendo reiterar que a compensação e o ressarcimento admitidos pelo art. 6º da Lei n° 10.833, de 2003, contemplam unicamente aos créditos apurados na forma do art. 3º daquela lei, assim dispondo: "Art. 6º A Cofins não incidirá sobre as receias decorrentes das operações de: [...]; § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art 3º, para fins de: (destaque não original) [...]." Neste diapasão, a IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, dispõe em seu art. 21: “Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637. de 30 de dezembro de 2002. e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: (destaque não original) [...].” Segundo, estes dispositivos legais, apenas os créditos apurados na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, podem ser objeto de pedido de restituição/compensação, ou seja, os créditos sobre insumos adquiridos com incidência da contribuição cujo ônus do pagamento efetivo é do adquirente. Os créditos presumidos da agroindústria não são apurados na forma daquele artigo, mas sim nos termos do art. 8º, § 3º da Lei nº 10.925, de 23/07/2004. Já suas utilizações estão previstas no próprio art. 8º e no art. 15, desta mesma lei, citados e transcritos anteriormente, ou seja, podem ser utilizados apenas e tão somente para dedução da contribuição devida em cada período de apuração. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte, quanto ao aproveitamento de crédito presumido da agroindústria, a título de PIS e Cofins, e, consequentemente, não reconhecer o seu direito ao ressarcimento/compensação de tais créditos. [...] (grifouse) Fl. 493DF CARF MF Processo nº 10120.004237/200570 Acórdão n.º 9303008.053 CSRFT3 Fl. 494 6 Nessa esteira, a posição adotada no presente voto espelha a jurisprudência das duas Turmas da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, consoante se depreende das ementas do Recurso Especial n.º 1.118.011/SC, de Relatoria do Ministro Benedito Gonçalves; do Recurso Especial n.º 1.240.954/RS, de Relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques e do Recurso Especial n.º 1.233.876/RS, de Relatoria do Ministro Herman Benjamin, in verbis: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS PRESUMIDOS DECORRENTES DA LEI 10.925/04 COM QUAISQUER TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. CRÉDITOS NÃO PREVISTOS NA NORMA LEGAL AUTORIZADORA. ART. 11 DA LEI 11.116/05. DIREITO LÍQUIDO E CERTO NÃO EVIDENCIADO. 1. Recurso especial interposto nos autos de mandado de segurança, impetrado pela contribuinte com objetivo de ver reconhecido o direito de compensar seus créditos presumidos de PIS e de COFINS, oriundos da Lei 10.925/04, com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal, nos termos do art. 16 da Lei 11.116/05. Aduz que são ilegais os atos regulamentares do Poder Executivo (Ato Interpretativo Declaratório 15/2005 e a Instrução Normativa SRF 660/2006) que se contrapõem a essa pretensão. 2. O direito à compensação tributária deve ser analisado à luz do princípio da legalidade estrita, em conformidade com o que dispõe o art. 170 do CTN: "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública". Precedentes: AgRg no Ag 1.207.543/PR, de minha relatoria, PRIMEIRA TURMA, DJe 17/06/2010; AgRg no AgRg no REsp 1012172/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 11/5/2010; AgRg no REsp 965.419/RS, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJe 5/3/2008. 3. Dispõe o art. 16, inciso I, da Lei 11.116/05: "O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria". 4. A compensação autorizada pelo art. 16 da Lei 11.116/05 não contempla a utilização dos créditos presumidos disciplinados na Lei 10.925/04, o que, por si só, à luz do art. 170 do CTN, afasta o direito líquido e certo vindicado nesta impetração. 5. Além disso, a concessão de créditos presumidos pela Lei 10.925/04 tem por escopo a redução da carga tributária incidente na cadeia produtiva dos alimentos, na medida em que a venda de bens por pessoa física ou por cooperado pessoa física para a impetrante (cerealista) não sofre a tributação do PIS e da COFINS, ou seja, dessa operação, pela sistemática Fl. 494DF CARF MF Processo nº 10120.004237/200570 Acórdão n.º 9303008.053 CSRFT3 Fl. 495 7 da não cumulatividade, não há, efetivamente, tributo devido para a adquirente se creditar. 6. Essa finalidade é suficiente para diferenciar esses créditos presumidos daqueles expressamente admitidos pela Lei 11.116/05, os quais são efetivamente existentes, por decorrerem da sistemática da não cumulatividade prevista nas Leis 10.637/02, 10.833/03 e 10.865/04. Aliás, a Lei 10.637/02 (com redação incluída pela Lei 10.865/04), em seu art. 3º, § 2º, inciso II, exclui de sua sistemática o crédito derivado "da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição". 7. Ademais, a própria Lei 10.925/04, em seus arts. 8º e 15, só prevê a utilização desses créditos presumidos para o desconto daquilo que for devido de PIS e de COFINS. 8. Portanto, os atos regulamentares expedidos pelo Poder Executivo ora impugnados pela recorrente, ao impedirem a compensação ora postulada, não inovaram no plano normativo nem contrariaram o disposto no art. 16 da Lei 11.116/05, mas, apenas explicitaram vedação que, como visto, já estava contida na legislação tributária vigente. 9. Recurso especial não provido. (REsp 1118011/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/08/2010, DJe 31/08/2010) (grifouse) TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. ART 8º DA LEI N. 10.925/2004. ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO SRF 15/05. ILEGALIDADE INEXISTENTE. 1. Ambas as Turmas integrantes da Primeira Seção desta Corte Superior firmaram entendimento no sentido de que o ato declaratório interpretativo SRF 15/05 não inovou no plano normativo, mas apenas explicitou vedação que já estava contida na legislação tributária vigente. 2. Precedentes: REsp 1233876/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 1.4.2011; e REsp 1118011/SC, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 31.8.2010. 3. Recurso especial não provido. (REsp 1240954/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 14/06/2011, DJe 21/06/2011) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO DO PIS E COFINS. LEI 10.925/2004. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA RECEITA FEDERAL. VEDAÇÃO IMPOSTA PELO ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO SRF 15/05. ILEGALIDADE INEXISTENTE. Fl. 495DF CARF MF Processo nº 10120.004237/200570 Acórdão n.º 9303008.053 CSRFT3 Fl. 496 8 1. Não se confunde o crédito presumido instituído pelos arts. 8º e 15 da Lei 10.925/2004 com o resultante do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. 2. O primeiro representa benefício fiscal concedido exclusivamente para o fim de dedução das contribuições ao PIS e à Cofins devidas pelas empresas que atuam no setor alimentício. 3. De modo diverso, o outro saldo credor tem origem na aplicação da sistemática da nãocumulatividade, e em tal hipótese a compensação é expressamente autorizada pelo art. 16 da Lei 11.116/2005, por força das vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência das contribuição ao PIS e à Cofins. 4. Inexistindo, ademais, norma autorizativa (art. 170 do CTN), concluise que o ato interpretativo do Fisco não extrapolou os limites do art. 8º da Lei 10.925/2004. Precedente do STJ. 5. Recurso Especial não provido. (REsp 1233876/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/03/2011, DJe 01/04/2011) (grifouse) Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial do Contribuinte. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 496DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.900869/2008-25
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/12/2000
COFINS. NÃO-CUMULATIVO. RECEITAS DE VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. IMUNIDADE.
As receitas das variações cambiais ativas integram as receitas decorrentes de exportação, atraindo, assim, a regra da imunidade do art. 149, §2º, inciso I, da Constituição Federal para afastar a incidência da COFINS no regime não-cumulativo.
TRIBUNAIS SUPERIORES. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF.
Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os membros do Conselho devem observar as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária.
Numero da decisão: 9303-008.032
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/12/2000 COFINS. NÃO-CUMULATIVO. RECEITAS DE VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. IMUNIDADE. As receitas das variações cambiais ativas integram as receitas decorrentes de exportação, atraindo, assim, a regra da imunidade do art. 149, §2º, inciso I, da Constituição Federal para afastar a incidência da COFINS no regime não-cumulativo. TRIBUNAIS SUPERIORES. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF. Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os membros do Conselho devem observar as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/12/2000 COFINS. NÃOCUMULATIVO. RECEITAS DE VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. IMUNIDADE. As receitas das variações cambiais ativas integram as receitas decorrentes de exportação, atraindo, assim, a regra da imunidade do art. 149, §2º, inciso I, da Constituição Federal para afastar a incidência da COFINS no regime não cumulativo. TRIBUNAIS SUPERIORES. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF. Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os membros do Conselho devem observar as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 08 69 /2 00 8- 25 Fl. 220DF CARF MF Processo nº 13888.900869/200825 Acórdão n.º 9303008.032 CSRFT3 Fl. 221 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL com fulcro no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, buscando a reforma do Acórdão nº 3201001.000, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 23/05/2012, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/12/2000 COFINS. VARIAÇÕES CAMBIAIS POSITIVAS. NÃO INCIDÊNCIA. Não há incidência das contribuições ao PIS sobre as variações cambiais positivas, pela aplicação da regra de isenção prevista no art. 14 da Lei nº 10.637/2002 e em face da regra de imunidade do art. 149, § 2º, I, da CF/88, estimuladora da atividade de exportação. A Fazenda interpôs embargos de declaração, suscitando omissão, posto que, a despeito da ausência de análise do objeto societário da recorrente, teriam sido considerados excluídos do conceito de faturamento atividades típicas da sua atividade empresarial. Dentre outras atividades econômicas, estariam previstas a importação e a exportação das mercadorias relacionadas ao seu objeto societário. Tais embargos foram rejeitados. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 13888.900869/200825 Acórdão n.º 9303008.032 CSRFT3 Fl. 222 3 Nessa oportunidade, a Recorrente alega divergência com relação ao entendimento explicitado pelo Colegiado a quo no julgamento do recurso voluntário no sentido de que as variações cambiais ativas integram as receitas de exportação e, assim, não são tributadas pelo PIS e pela COFINS. Para comprovar o dissenso, trouxe como paradigmas os acórdãos nºs 20177.114 e 20312.518. Nas razões recursais, a Fazenda Nacional aduz, em síntese, que a receita derivada da variação cambial ativa tem natureza diversa daquela decorrente de exportação. Defende tratarse de uma receita financeira, pois não teve origem na operação de venda propriamente dita, e sim de uma variação cambial da moeda nacional em relação à estrangeira, devendo integrar a base de cálculo da COFINS nãocumulativa, consoante art. 1º da Lei nº 10.833/03. Por fim, requer o provimento do recurso especial com a reforma do acórdão combatido. Foi dado seguimento ao recurso especial, nos termos do despacho S/Nº, de 26/04/2016, proferido pelo Ilustre Presidente da Terceira Seção de Julgamento do CARF, por ter entendido como comprovada a divergência jurisprudencial. A Contribuinte foi cientificada, mas não apresentou contrarrazões. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio eletrônico, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito Fl. 222DF CARF MF Processo nº 13888.900869/200825 Acórdão n.º 9303008.032 CSRFT3 Fl. 223 4 No mérito, cingese a controvérsia à possibilidade de afastamento da incidência do PIS nãocumulativo sobre as variações cambiais ativas decorrentes das operações de exportação. Ocorre que as variações cambiais ativas são oriundas e inerentes aos contratos de exportações de bens, decorrendo diretamente do negócio jurídico realizado pela empresa. Assim, não podem as operações cambiais ser dissociadas da exportação das mercadorias, por resultarem de exigência de outros países para os quais a Contribuinte efetua as exportações. Portanto, a imunidade do PIS e da COFINS (cumulativas e nãocumulativas) prevista no art. 149, §2º, inciso I da Constituição Federal para as receitas decorrentes de exportação, abrange as variações cambiais ativas. A regra da imunidade visa impedir a incidência das contribuições sobre todas as receitas decorrentes da venda de mercadorias e serviços para o exterior, originadas do mesmo fato gerador, qual seja, a operação de exportação. Não é possível segregar as receitas da venda de mercadorias das variações cambiais ativas, por se constituírem em exigência das relações de comércio internacional. O Supremo Tribunal Federal, em sede de repercussão geral, reconheceu que as receitas das variações cambiais ativas integram as receitas decorrentes de exportação, atraindo, assim, a regra da imunidade para afastar a incidência do PIS e da COFINS. A decisão foi proferida nos autos do recurso extraordinário nº 627.815/PR, de relatoria da Ministra Rosa Weber, cujos fundamentos foram sintetizados na seguintes ementa, in verbis: EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. OPERAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II O contrato de câmbio constitui negócio inerente à exportação, diretamente associado aos negócios realizados em moeda estrangeira. Consubstancia etapa inafastável do processo de exportação de bens e serviços, pois todas as transações com residentes no exterior pressupõem a efetivação de uma operação cambial, consistente na troca de moedas. III – O legislador constituinte ao contemplar na redação do art. 149, § 2º, I, da Lei Maior as “receitas decorrentes de exportação” conferiu maior amplitude à desoneração constitucional, suprimindo do alcance da competência impositiva federal todas as receitas que resultem da exportação, que nela encontrem a sua causa, representando consequências financeiras do negócio jurídico de compra e venda internacional. A intenção plasmada na Carta Política é a de desonerar as exportações por completo, a fim de que as empresas brasileiras não sejam coagidas a exportarem os tributos que, de outra forma, onerariam as operações de exportação, quer de modo direto, quer indireto. IV Consideramse receitas decorrentes de exportação as receitas das variações cambiais ativas, a atrair a aplicação da regra de imunidade e afastar a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. V Assenta esta Suprema Corte, ao exame do leading case, a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da variação cambial positiva obtida nas operações Fl. 223DF CARF MF Processo nº 13888.900869/200825 Acórdão n.º 9303008.032 CSRFT3 Fl. 224 5 de exportação de produtos. VI Ausência de afronta aos arts. 149, § 2º, I, e 150, § 6º, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. (RE 627815, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Tribunal Pleno, julgado em 23/05/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe192 DIVULG 30092013 PUBLIC 01102013) No mesmo sentido, manifestouse o Superior Tribunal de Justiça ao julgar o AgRg no AREsp 23033/RS, de relatoria do Ministro Arnaldo Esteves Lima, e cujos fundamentos do acórdão foram sintetizados na seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. VARIAÇÃO CAMBIAL. NÃO INCIDÊNCIA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. A incidência de PIS e Cofins sobre as receitas decorrentes de variações cambiais positivas deve ser afastada em face da regra de imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal, estimuladora da atividade de exportação (AgRg no REsp 1.143.779/SC, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, Primeira Turma). 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 23.033/RS, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 01/12/2011, DJe 12/12/2011) Colacionase outras duas ementas de julgados proferidos pelo Superior Tribunal de Justiça no mesmo sentido de afastar a tributação pelo PIS e COFINS das variações cambiais ativas, in verbis: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PIS. COFINS. MANDADO DE SEGURANÇA. RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. NORMAS DE ISENÇÃO E IMUNIDADE. PRECEDENTES. 1. Tratase de agravo regimental interposto pela Fazenda Nacional contra decisão que, ao negar seguimento ao recurso especial fazendário, entendeu que não incide tributação de PIS e COFINS sobre variações cambiais positivas decorrentes das receitas de exportação de mercadorias. 2. "A Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, em um caso análogo, decidiu que: "Ainda que se possa conferir interpretação restritiva à regra de isenção prevista no art. 14 da Lei nº 10.637/2002, deve ser afastada a incidência de PIS e Cofins sobre as receitas decorrentes de variações cambiais positivas em face da regra de imunidade do art. 149, § 2º, I, da CF/88, estimuladora da atividade de exportação, norma que deve ser Fl. 224DF CARF MF Processo nº 13888.900869/200825 Acórdão n.º 9303008.032 CSRFT3 Fl. 225 6 interpretada extensivamente." (REsp 1.059.041/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 4.9.2008). 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1143779/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/11/2010, DJe 25/11/2010) TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL COFINS PIS VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA NÃOINCIDÊNCIA MANDADO DE SEGURANÇA DECLARAÇÃO DE COMPENSABILIDADE DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS SÚMULA 213/STJ TAXA SELIC INCIDÊNCIA A PARTIR DOS PAGAMENTOS INDEVIDOS SUFICIÊNCIA DA PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. 1. Não ocorre ofensa ao art. 535, II, do CPC, se o Tribunal de origem decide, fundamentadamente, as questões essenciais ao julgamento da lide. 2. O mandado de segurança é instrumento adequado para a declaração de compensabilidade do crédito tributário, que será efetuada, respeitado o prazo prescricional, junto à Administração tributária. Precedentes. 3. Incide a Taxa Selic, como correção monetária e juros de mora, desde o pagamento indevido. Precedentes. 4. Segundo a jurisprudência desta Corte, a receita decorrente da variação cambial positiva relativa às operações de exportação não se sujeitam à tributação pelo PIS e pela COFINS. 5. Recurso especial da Fazenda Nacional não provido. 6. Recurso especial do contribuinte provido. (REsp 982.870/PE, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/09/2010, DJe 20/09/2010) Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 225DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720107/2016-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2011 a 31/08/2011, 01/10/2011 a 31/12/2011
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO.
Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de omissão do colegiado em ponto sobre o qual deveria pronunciar.
INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. DEDUÇÕES. PROVISÃO PARA CRÉDITOS DE LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA. PCLD.
Os valores de provisão para créditos de liquidação duvidosa, embora consistam em despesas da intermediação financeira, não são passíveis de dedução como despesas incorridas.
Numero da decisão: 3302-006.770
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher, parcialmente, os embargos de declaração para sanar a omissão quanto à natureza da PCLD, sem, contudo, imprimir-lhes efeitos infringentes.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/2011 a 31/08/2011, 01/10/2011 a 31/12/2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de omissão do colegiado em ponto sobre o qual deveria pronunciar. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. DEDUÇÕES. PROVISÃO PARA CRÉDITOS DE LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA. PCLD. Os valores de provisão para créditos de liquidação duvidosa, embora consistam em despesas da intermediação financeira, não são passíveis de dedução como despesas incorridas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher, parcialmente, os embargos de declaração para sanar a omissão quanto à natureza da PCLD, sem, contudo, imprimir-lhes efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2011 a 31/08/2011, 01/10/2011 a 31/12/2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de omissão do colegiado em ponto sobre o qual deveria pronunciar. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. DEDUÇÕES. PROVISÃO PARA CRÉDITOS DE LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA. PCLD. Os valores de provisão para créditos de liquidação duvidosa, embora consistam em despesas da intermediação financeira, não são passíveis de dedução como despesas incorridas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher, parcialmente, os embargos de declaração para sanar a omissão quanto à natureza da PCLD, sem, contudo, imprimirlhes efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 01 07 /2 01 6- 09 Fl. 723DF CARF MF Processo nº 16327.720107/201609 Acórdão n.º 3302006.770 S3C3T2 Fl. 724 2 Tratamse de embargos de declaração opostos em face do Acórdão nº 3302 005.814, por vícios de omissão quanto ao reconhecimento de que as despesas glosadas correspondem a despesas de intermediação financeira e quanto à apreciação dos argumentos de mérito apresentados pela embargante e obscuridade à luz da acusação fiscal, o que ensejaria a aplicação do permissivo contido no artigo 65, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF aprovado pela Portaria MF n° 343/2015 e alterações. O despacho de admissibilidade de efls. 719/722 admitiu, parcialmente, os embargos para apreciar se a PCLD consiste, ou não, em despesas de intermediação financeira. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. Reconhecese que a discussão sobre a Provisão de Crédito de Liquidação Duvidosa PCLD consistir em despesa da intermediação financeira não foi travada, sendo o principal argumento desenvolvido pela recorrente. Assim, o acórdão embargado deve ser integrado com os seguintes fundamentos, substituindo o parágrafo abaixo: "Quanto ao Parecer PGFN/CAT nº 325/2009, o referido trata da comissão paga por corretora/distribuidora de títulos e valores mobiliários aos agentes, em decorrência da captação de clientes, concluindo que as operações praticadas pelo contribuinte ali mencionado não configuravam intermediação financeira e que captação de clientes não se equivale a despesas de captação de recursos, mas que, em momento algum, abordou a definição de despesa incorrida. Apenas cita parte do plano COSIF1, constando a conta 820 Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa como integrante do grupo 15 Despesas da Intermediação Financeira, o que, por si só, não suporta a tese da recorrente, pois o comando legal adjetiva a hipótese considerando expressamente as despesas incorridas. (grifei)" Por: 1 16 A provisão para créditos de liquidação duvidosa deve ser constituída sobre o valor contábil dos créditos mediante registro a debito de DESPESAS DE PROVISOES OPERACIONAIS e a crédito da adequada conta de provisão para operações de crédito. No caso de insuficiência, reajustase o saldo das contas de provisão a débito da conta de despesa. No caso de excesso, reajustase o saldo das contas de provisão a crédito da conta de despesa, para os valores provisionados no período, ou a crédito de REVERSAO DE PROVISOES OPERACIONAIS, se já transitados em balanço. (CtaCirc 2899 item 12 III) 17 O disposto no item anterior aplicase também as provisões adicionais eventualmente constituídas em função da classificação das operações de crédito contratadas ate 29 de fevereiro de 2000, nos diferentes níveis de risco previstos no item 1.6.2.1. (CtaCirc 2899 item 12 IV) Fl. 724DF CARF MF Processo nº 16327.720107/201609 Acórdão n.º 3302006.770 S3C3T2 Fl. 725 3 Quanto ao Parecer PGFN/CAT nº 325/2009, o referido trata da comissão paga por corretora/distribuidora de títulos e valores mobiliários aos agentes, em decorrência da captação de clientes, concluindo que as operações praticadas pelo contribuinte ali mencionado não configuravam intermediação financeira e que captação de clientes não se equivale a despesas de captação de recursos, mas que, em momento algum, abordou a definição de despesa incorrida. Referido parecer expôs a conta 820 Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa como integrante do grupo 15 Despesas da Intermediação Financeira, reconhecendo sua natureza de despesa da intermediação financeira, conforme excerto abaixo: 24. Para comprovar esta assertiva, recorrase ao Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional – COSIF, instituído pela Circular no 1.273, em 29 de dezembro de 1987 que dispõe sobre os critérios e procedimentos contábeis a serem observados pelas instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, com o objetivo de uniformizar os procedimentos de registro e elaboração de demonstrações financeiras52 , ao qual se submetem as instituições financeiras e as entidades a elas equiparadas (inclusive o Autor, que é sociedade supervisionada pelo Banco Central do Brasil) 25. O COSIF traz planilha que, na elaboração das demonstrações financeiras, deve ser obrigatoriamente preenchida pelas instituições financeiras e entidades equiparadas. 26. Desta planilha constam, no item 15, as despesas de intermediação financeira, nos seguintes termos: CÓDIGO DISCRIMINAÇÃO SEMESTRE / EXERCÍCIO ATUAL SEMESTRE / EXERCÍCIO ANTERIOR 10 RECEITAS DA INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA 711 Operações de Crédito 713 Operações de Arrendamento Mercantil 715 Resultado de Operações com Títulos e Valores Mobiliários 716 Resultado com Instrumentos Financeiros Derivativos 717 Resultado de Operações de Câmbio 719 Resultado das Aplicações Compulsórias 15 DESPESAS DA INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA 812 Operações de Captação no Mercado 2 Banco Central do Brasil site http://www.bcb.gov.br/?COSIF – consultado em 30.01.2009 Fl. 725DF CARF MF Processo nº 16327.720107/201609 Acórdão n.º 3302006.770 S3C3T2 Fl. 726 4 814 Operações de Empréstimos e Repasses 816 Operações de Arrendamento Mercantil (*) Resultado de Operações de Câmbio 820 Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa Normas do Sistema Financeiro Cosif > Cosif > CAPÍTULO 3 DOCUMENTOS > Documento nº 8 Demonstração do Resultado 27. Notese que as despesas inseridas na rubrica despesas de intermediação financeira são “despesas de operações de captação no mercado”, “despesas de operações de empréstimos e repasses”, “despesas de operações de arrendamento mercantil”, “resultado de operações de câmbio” e “provisão para créditos de liquidação duvidosa”. 28. Ou seja, como despesas de intermediação financeira foram consideradas apenas aquelas diretamente relacionadas com a atividade financeira intermediada das instituições financeiras típicas, não abrangendo outras despesas também operacionais, que podem ser incluídas como despesas administrativas ou outras despesas operacionais. Porém, tal reconhecimento não é suficiente para que se entenda pela exclusão da referida provisão da base de cálculo das contribuições, pois a exclusão se refere a despesas incorridas, o que não é o caso. Diante do exposto, acolho os embargos de declaração, parcialmente, para sanar a omissão quanto à natureza da PCLD, sem, contudo, imprimirlhes efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 726DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.729443/2015-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2202-000.845
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para fins de que a unidade de origem, considerando a documentação carreada aos autos, especifique, para cada contrato com relação ao qual a respectiva pessoa jurídica foi considerada empregado, os elementos caracterizadores do vínculo laboral, ou seja, pessoalidade, subordinação, onerosidade e não eventualidade, devendo ser intimado o recorrente, na sequência, para se manifestar acerca do resultado da diligência.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andrea de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para fins de que a unidade de origem, considerando a documentação carreada aos autos, especifique, para cada contrato com relação ao qual a respectiva pessoa jurídica foi considerada empregado, os elementos caracterizadores do vínculo laboral, ou seja, pessoalidade, subordinação, onerosidade e não eventualidade, devendo ser intimado o recorrente, na sequência, para se manifestar acerca do resultado da diligência. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andrea de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém (PA), que julgou procedente autos de infração referentes às contribuições previdenciárias da empresa, dos segurados, e para outras entidades e fundos, bem como a multas previdenciárias, relativas a competências do anocalendário 2011 (fls. 02/60). A instância de piso resumiu às fls. 3529/3531 os termos do lançamento: O Relatório dos Autos de Infração, de fls. 38 a 59 , em suma, traz as seguintes informações: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .7 29 44 3/ 20 15 -0 5 Fl. 3686DF CARF MF Processo nº 10380.729443/201505 Resolução nº 2202000.845 S2C2T2 Fl. 3.687 2 Que os valores pagos, a título de plano de previdência exclusivamente aos dirigentes e conselheiros da empresa, em desacordo com o determinado pela Legislação Previdenciária, sendo assim considerados como fato gerador da contribuição previdenciária. Observou a fiscalização pela análise das apólices e contratos, verificase que não há participação no custeio dos referidos planos por parte dos dirigentes, conselheiros e demais cooperados, enquanto nos planos colocados à disposição dos empregados, há a participação no custeio por parte destes segurados. Que os cooperados nessa situação foram declarados em GFIP pela empresa na categoria de contribuintes individuais, sendo realizado o desconto da contribuição previdenciária dos segurados pelo teto máximo. Não realizando apenas a declaração do valor pago ao plano de previdência como remuneração. Que da analise das folhas de pagamento apresentadas pela empresa, em meio papel e magnético, e as GFIP declaradas, a auditoria fiscal constatou que o contribuinte não declarou em GFIP e não recolheu em GPS os valores pagos aos segurados empregados relativo ao aviso prévio indenizado. A auditoria fiscal constatou no Hospital Regional Unimed, a atuação de médicos sem relação de trabalho e a atuação de médicos contratados para prestação de serviço à própria cooperativa médica (hospital), ou seja, com relação de trabalho. Que a cooperativa não considera que esses médicos cooperados prestam serviço para o hospital da UNIMED, e por consequência entende que o hospital é um local disponibilizado pela cooperativa para que os seus médicos cooperados trabalhem no atendimento de seus próprios pacientes. Observa que os cooperados nessa situação foram declarados em GFIP pela empresa, porém essa declaração foi apresentada como sendo repasse da produção do cooperado por serviços prestados a pessoas físicas e/ou jurídicas, assim não gerando contribuição patronal para a cooperativa, sendo, nesse caso, descontado somente a contribuição do segurado para a previdência social. O procedimento correto, conforme legislação vigente, seria a declaração em GFIP do cooperado como contribuinte individual e recolhimento da contribuição patronal de 20% sobre os serviços prestados a cooperativa. Que através da análise dos lançamentos contábeis e de documentos fornecidos pela empresa (contratos e notas fiscais) constatou a fiscalização a contratação de pessoas jurídicas, em caráter personalíssimo, para executar atividades permanentes da empresa. Que observado a legislação vigente, na referida contratação estão presentes todos os requisitos para caracterização da relação de emprego entre a UNIMED FORTALEZA e as pessoas físicas efetivamente contratadas. Que os elementos identificadores da relação de emprego podem ser encontrados nos artigos 2° e 3° CLT. São eles: pessoalidade do empregado, nãoeventualidade, subordinação jurídica e onerosidade. Os pressupostos caracterizadores da relação de emprego e descaracterização da prestação de serviço através de pessoa jurídica foram verificados pela fiscalização. AUTOS DE INFRAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTAS PREVIDENCIÁRIAS Que lavrou auto de infração por deixar de preparar folha (s) de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e das pagas ou devidas aos contribuintes individuais, a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela RFB Fl. 3687DF CARF MF Processo nº 10380.729443/201505 Resolução nº 2202000.845 S2C2T2 Fl. 3.688 3 (CFL 30). Considerou a ocorrência da circunstância agravante de reincidência , elevando a multa em três vezes. Que lavrou auto de infração por deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições da empresa e o montante das quantias descontadas dos segurados (CFL 34). Que lavrou auto de infração por deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço (CFL 59). Informa ainda o Relatório Fiscal que foi emitida Representação Fiscal para Fins Penais. Apesar de impugnada (fls. 2970/3186), exigência foi mantida no julgamento de primeiro grau (fls.3527/3545), ensejando a interposição de recurso voluntário em 22/06/2016 (fls. 3563/3602), no qual foi alegada, em síntese: a improcedência da cobrança da contribuição previdenciária patronal sobre os pagamentos realizados aos médicos cooperados que atuam no HRU, dada a impossibilidade de desconsideração de negócios jurídicos regularmente firmados para tais fins, o que demandaria lei ordinária específica para tanto, e também por ser regular o vínculo cooperativo entre os médicos que prestam serviços no HRU e o recorrente, face ao regramento das Leis nª 5.764/71 e nº 9.656/98, e à previsão nessa última norma de prestação de assistência hospitalar, como na atuação em plantões médicos; a não incidência de contribuição previdenciária sobre rubricas não salariais, no caso, o aviso prévio indenizado, que não possui caráter remuneratório, conforme jurisprudência pacífica, e a previdência privada paga aos empregados, de natureza assistencial; a improcedência da cobrança da contribuição previdenciária patronal sobre as remunerações pagas a pessoas jurídicas regularmente contratadas. Nessa toada, após defender a nulidade da autuação diante da falta de análise individualizada dos elementos caracterizadores da relação de trabalho em cada um dos contratos, aduz ser impossível a desconsideração de negócios jurídicos regularmente firmados para fins de embasar a referida cobrança, tendo em vista o disposto no art. 129 da Lei nº 11.196/05. Traz, ao final (fls. 3587 e ss), exemplos para evidenciar que não estão presentes os elementos necessários para a caracterização da relação de trabalho nos contratos acostados aos autos, e demanda seja baixado o feito em diligência para fins de que sejam examinados em cada um desses contratos tais elementos. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator Fl. 3688DF CARF MF Processo nº 10380.729443/201505 Resolução nº 2202000.845 S2C2T2 Fl. 3.689 4 O recurso, tempestivo, versa sobre diversas matérias. Temse que, quanto à cobrança da contribuição previdenciária patronal sobre as remunerações pagas a pessoas jurídicas, a fiscalização apurou que na contratação delas estariam presentes todos os requisitos para caracterização da relação de emprego entre o recorrente e as pessoas físicas efetivamente contratadas, definidos nos artigos 2º e 3º CLT, a saber, pessoalidade do empregado, não eventualidade, subordinação jurídica e onerosidade. Nesse sentido, e atendose aqui mais especificamente às questões fáticas, manifestouse a autoridade lançadora: PESSOALIDADE (...) Foram identificados diversos contratos com supostas pessoas jurídicas. Nestes contratos, a auditoria fiscal observou em uma de suas cláusulas o caráter personalíssimo da prestação do serviço, pois, nesses casos, é especificado que a contratada (pessoa jurídica) deve prestar o serviço através de uma pessoa física determinada, não existindo a possibilidade dos serviços serem prestados por nenhum outro profissional. Como exemplo destacamos o contrato firmado com a empresa “MS SERVIÇOS MÉDICOS LTDA”, no item 2.1 do contrato está especificado: “2.1 A CONTRATADA disponibilizará os serviços de Auditoria através da Sra. Silvia Maria Almeida de Farias por, no mínimo, 08 (oito) horas por dia, nos dias úteis de trabalho, totalizando 40 (quarenta) horas semanais...” (...) NÃO EVENTUALIDADE A continuidade dos serviços prestados pode ser observada no contrato de prestação de serviço celebrado entre as empresas, onde consta o horário de trabalho e os dias a serem trabalhados. Como exemplo destacamos o contrato firmado com a empresa “CLÍNICA MÉDICA SPÍNDOLA”, no item 2.1 do contrato está especificado “2.1 A CONTRATADA disponibilizará os serviços de Auditoria através da Sra. Daniele Cristina dos Santos Spíndola por, no mínimo, 08 (oito) horas por dia, nos dias úteis de trabalho, totalizando 40 (quarenta) horas semanais...”. A não eventualidade pode ser observada através dos lançamentos contábeis e do contrato para prestação de serviços, pois nesses casos pode ser observado o repasse financeiro as empresas contratadas de valores fixos (independentemente do número de dias trabalhados ou tarefas realizadas) e permanentes ao longo do tempo. SUBORDINAÇÃO JURÍDICA Da análise dos contratos, podese verificar situações que caracterizam a subordinação como na prestação de serviços pela empresa Serviços de Consultoria e Auditoria em Saúde SC Ltda, no item 2.5 do contrato: “A CONTRATADA deverá cumpri o estipulado na forma descrita nesse contrato, emitindo relatórios trimestrais do andamento das atividades e mantendo a Diretoria/Superintendência da Fl. 3689DF CARF MF Processo nº 10380.729443/201505 Resolução nº 2202000.845 S2C2T2 Fl. 3.690 5 CONTRATANTE devidamente informada sobre a execução dos serviços propostos.” Observase subordinação também no item 3.3 do mesmo contrato: “São de responsabilidade da CONTRATANTE as despesas inerentes à execução das atividades do consultor indicado pela CONTRATADA, a exemplo de estrutura física de trabalho contemplando telefone, computador e móveis, além do pagamento de despesas com viagens e cursos de interesse da CONTRATANTE, conforme normas e condições estipuladas pela CONTRATANTE.” Tais cláusulas são observadas em diversos contratos de prestação de serviços, os quais encontramse anexos a este auto de infração. ONEROSIDADE A onerosidade pode ser observada através dos contratos de prestação de serviços que especificam uma remuneração fixa e mensal a ser repassado para as empresas contratadas, remuneração essa comprovada através dos lançamentos contábeis mensais que contabilizam como despesas nas contas “4621390000001 HONORARIOS DE CONSULTORIA” e “4621290000001 HONORARIOS DE AUDITORIA”. Observamos a comprovação dos repasses financeiros através da emissão de notas fiscais mensal e em valor fixo relativo a contra partida pelo serviço realizado. OUTROS REQUISITOS Analisando os contratos celebrados entre a UNIMED e as pessoas jurídicas contratadas, as notas fiscais emitidas e os lançamentos contábeis podemos verificar outros requisitos característicos da prestação de serviços através de relação de emprego, tais como: · A existência de recesso anual de 30 (trinta) dias na prestação de serviço sem prejuízo da remuneração mensal, permitindo inclusive a redução do período de recesso mediante compra dos dias pela contratante. Essa concessão é similar a férias anual remunerada e ao abono de férias observado nas relações de emprego, benefício esse não existente na contratação de contribuinte individuais e menos ainda na contratação de pessoas jurídicas. Consta em alguns contratos a seguinte clausula ou similar “3.2 A CONTRATANTE concederá a CONTRATADA recesso anual de 30 (trinta) dias na prestação dos serviços, o qual será negociada as datas entre as partes, sem prejuízo do valor contratualmente acordado mensalmente, sendo pago pela CONTRATANTE, 3.2.1 A CONTRATANTE poderá, quando necessário, em comum acordo com a CONTRATADA, reduzir o recesso anual de 30 (trinta) dias da prestação de serviços, 3.2.2 A cada dia reduzido será pago, pela CONTRATANTE a CONTRATADA, um valor proporcional ao valor total pago mensalmente. · Pagamento de remuneração extra anual equivalente à remuneração mensalmente repassada as empresas contratadas. Essa concessão é similar ao 13o salário, rubrica própria das relações de emprego. Consta em alguns contratos como, por exemplo, o da empresa XSOLUTIONS COMERCIAL DE INFORMÁTICA LTDA a seguinte clausula ou similar “3.4 Além da remuneração estabelecida no item Fl. 3690DF CARF MF Processo nº 10380.729443/201505 Resolução nº 2202000.845 S2C2T2 Fl. 3.691 6 3.1. desta cláusula, a CONTRATANTE pagará a CONTRATADA uma remuneração extra anual, equivalente ao valor estabelecido no item 3.1., a ser paga até o final do mês do fechamento do balanço patrimonial”. · Existência de empregados informadas nas folhas de pagamento para realizar a mesma atividade das pessoas jurídicas contratada, fato esse que destaca que as empresas foram contratadas para suprir a necessidade de serviços próprios, normais e necessários ao funcionamento da estrutura empresarial e cuja prestação é normalmente realizada sobre o amparo da relação de emprego. · A empresa DOURADO BARSI CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA foi contratada para prestação de serviço de consultoria em gestão na área de regulação dos serviços de saúde médica, conforme contrato foi firmado em 01/05/2009, a pessoa física determinada para prestação dos serviços é a Sra. Francisca Ursula Dourado Barsi. Observamos que a Sra. Francisca Ursula Dourado Barsi constava como empregada da empresa até então, tendo o contrato de trabalho rescindido em 04/05/2009. Não obstante tais constatações, após demandar a nulidade do diante da falta de análise individualizada dos elementos caracterizadores da relação de trabalho em cada um dos contratos, argui o recorrente que em uma série de contratos não estão presentes todos os elementos caracterizadores da relação laboral. Nesse rumo, traz como exemplos contratos firmados com algumas pessoas jurídicas, para corroborar sua versão (fls. 3587 e ss). De fato, ainda que a ausência de subordinação nos contratos aludidos não pareça consistente, e que a pretensão de ausência de pessoalidade no contrato relativo à Empresa Lima Matos não se revista de maior solidez, verificase que relativamente aos contratos relativos à RG Serviços Médicos S/S Ltda. (fls. 784/789), F & A Consultores (fls. 844/846), MG Serviços Médicos (fls. 946/952) e Núcleo de Radiologia de Fortaleza S/C Ltda. (fls. 1050/1055), não se sustenta a argumentação da fiscalização de que haveria pessoalidade nos contratos. E, em que pese este conselheiro ter entendimento no sentido de não ser imprescindível, em regra, a configuração individualizada dos elementos da relação laboral para cada vínculo requalificado de pessoa jurídica para pessoa física, em situações como a ora examinada, necessário é que os exemplos contidos no relatório fiscal sejam harmônicos com as provas coligidas no processo. Compulsando os autos (fls. 744/1062), constatase existirem diversos contratos que correspondem, a uma primeira vista, à narrativa dos fatos tal como apresentada pela fiscalização, tais como os citados no relato fiscal. Entretanto, olhar mais atento revela que para outros diferentes contratos, não há nitidez na existência do aventado liame laboral, especialmente sob o enfoque da pessoalidade. Como exemplo, além dos já citados pelo recorrente, tomese os contratos de fls. 791 e ss (Consultar Serviços de Consultoria), fls. 799 e ss (XSolutions Comercial de Informática), fls. 881 e ss (HGV Comércio de Petróleo), etc. Fl. 3691DF CARF MF Processo nº 10380.729443/201505 Resolução nº 2202000.845 S2C2T2 Fl. 3.692 7 Diante desse panorama contraditório, proponho então a conversão do julgamento em diligência, para fins de que a unidade de origem, considerando a documentação carreada aos autos, especifique, para cada contrato com relação ao qual a respectiva pessoa jurídica foi considerada empregado, os elementos caracterizadores do vínculo laboral, ou seja, pessoalidade, subordinação, onerosidade e não eventualidade, devendo ser intimado o recorrente, na sequência, para se manifestar acerca do resultado da diligência. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 3692DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.963920/2009-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005
DO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA.
Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas consideradas nos acórdãos indicados como paradigmas são distintas da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos referenciados, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial.
Numero da decisão: 9303-007.962
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso com retorno dos autos ao colegiado de origem.
Em primeira votação, os conselheiros Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello conheceram do recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 DO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA. Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas consideradas nos acórdãos indicados como paradigmas são distintas da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos referenciados, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso com retorno dos autos ao colegiado de origem. Em primeira votação, os conselheiros Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
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RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado UNIVERSAL MUSIC LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 DO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA. Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas consideradas nos acórdãos indicados como paradigmas são distintas da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos referenciados, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso com retorno dos autos ao colegiado de origem. Em primeira votação, os conselheiros Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 96 39 20 /2 00 9- 14 Fl. 1946DF CARF MF Processo nº 15374.963920/200914 Acórdão n.º 9303007.962 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 3801003.621, 24 de julho de 2014, decisão que deu provimento parcial ao Recurso Voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem na Declaração de Compensação transmitida pelo contribuinte, lastreada em crédito oriundo de recolhimento indevido ou maior que o devido de COFINS. O despacho decisório exarado não reconheceu o direito creditório informado no PER/DCOMP, sob o fundamento de que o pagamento relacionado havia sido localizado, mas fora integralmente utilizado para quitação de débitos anteriormente declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na DCOMP. Inconformado, o Contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese que: apurou valor devido menor que o recolhido, utilizando o crédito resultante para a presente compensação, retificando a DCTF e o DACON correspondentes; a decisão questionada foi proferida juntamente com 82 outras, tornando evidente que a impugnante não teve tempo hábil para exercer de forma ampla seu direito de defesa; as despesas que geraram os créditos objeto da compensação são decorrentes dos custos com gravação e dos pagamentos de direitos autorais, conforme já manifestado por meio da Solução de Consulta nº 33/05, da 2ª Região Fiscal; sobre a questão tratam ainda as Leis nºs 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.865/2004. A DRJ no Rio de Janeiro/RJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão de primeiro grau contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário. O Colegiado a quo deu provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório referente apenas aos gastos com serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes, afinação de instrumentos; efetuados junto a pessoas jurídicas domiciliadas no país, cujas aquisições tenham se submetido ao pagamento da contribuição, com base nos documentos acostados aos autos, resguardandose à RFB a apuração da idoneidade destes documentos. O Acórdão 3801003.621 possui a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 Fl. 1947DF CARF MF Processo nº 15374.963920/200914 Acórdão n.º 9303007.962 CSRFT3 Fl. 4 3 NÃO CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. DIREITOS AUTORAIS. Os direitos autorais pagos pela indústria fonográfica só dão direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas se tiverem se sujeitado ao pagamento da Cofins importação e da Contribuição para o PIS/Pasep importação. NÃO CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. CUSTOS DE GRAVAÇÃO. INSUMO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Custos de gravação da indústria fonográfica que não se caracterizem gastos com bens e serviços efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação de obras fonográficas destinadas à venda, na prestação de serviços fonográficos ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para a Cofins ou PIS/Pasep não cumulativas. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃOCOMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito informado em declaração de compensação, o que não se limita a simplesmente, juntar documentos aos autos, no caso em que há inúmeros registros associados a inúmeros documentos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA CONTÁBIL. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Devem ser indeferidos os pedidos de perícia e de diligência, quando formulados como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pela parte. Recurso Voluntário Provido em Parte. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência suscitando dissenso em relação ao conceito de insumo adotado no acórdão recorrido. Para comprovar a divergência apontou os acórdãos de nºs. 20312.448 e 20400.795. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho do Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF, sob o argumento que no acórdão paradigma n.º 20312.448 foi julgado caso de empresa industrial, sendo analisados o direito de crédito de diversos tipos de aquisições de bens e serviços, cujas glosas foram mantidas pelo colegiado, que adotou o conceito de insumo próprio da legislação do IPI para analisar o direito de crédito da contribuição nãocumulativa. Por sua vez, na decisão recorrida adotouse um conceito mais amplo, que resultou em admitirse direito de crédito da contribuição em relação aos serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes e de afinação de instrumentos. O Contribuinte também interpôs Recurso Especial de Divergência, mas foi lhe negado seguimento, por ser intempestivo. Contrarrazões foram apresentadas pelo Contribuinte, manifestandose pelo não provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É o relatório em síntese. Fl. 1948DF CARF MF Processo nº 15374.963920/200914 Acórdão n.º 9303007.962 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.943, de 22/01/2019, proferido no julgamento do processo 15374.951434/200945, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.943): "Admissibilidade O Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando analisar o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. A matérias enfrentadas pela Fazenda em sede de apelo especial é referente à aplicação do conceito de insumos. O Contribuinte dedicase à produção e comercialização de discos fonográficos e videofonográficos, fitas e fios gravados ou preparados para gravação, edição e comercialização de obras musicais, literárias ou líteromusicais, bem como a prestação de serviços de distribuição de produtos fonográficos e videofonográficos, conforme se depreende do seu objeto social. E no exercício de suas atividades, entende que incorre em dispêndios diretamente relacionados ao seu objeto social: 1 o pagamento de royalties relativos a cessão de direitos autorais; e 2 custos de gravação. No acórdão paradigma n.º 20312.448 apresentado pela Fazenda Nacional traz a seguinte ementa: Ementa(s) CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2003 IPI. CRÉDITOS. Geram o direito ao crédito, bem como compõem a base cálculo do crédito presumido, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, stricto sensu, e material de embalagem), e os artigos que se consumam durante o processo produtivo e que não faça parte do ativo permanente, mas que nesse consumo continue guardando uma relação intrinsica com o conceito stricto sensu de matériaprima ou produto intermediário: exercer na operação de industrialização um contato físico tanto entre uma matériaprima e outra, quanto da matériaprima com o produto final que se forma. Fl. 1949DF CARF MF Processo nº 15374.963920/200914 Acórdão n.º 9303007.962 CSRFT3 Fl. 6 5 PIS/PASEP. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. GLOSA PARCIAL O aproveitamento dos créditos do PIS no regime da não cumulatividade há que obedecer às condições especificas ditadas pelo artigo 3° da Lei n° 10.637, de 2002, c/c o artigo 66 da IN SRF n° 247, de 2002, com as alterações da IN SRF n° 358, de 2003. Incabíveis, pois, créditos originados de gastos com seguros (incêndio, vendaval etc), material de segurança (óculos, jalecos, protetores auriculares), materiais de uso geral (buchas para máquinas, cadeado, disjuntor, calço para prensa, catraca, correias, cotovelo, cruzetas, reator para lâmpada), peças de reposição de máquinas, amortização de despesas operacionais, conservação e limpeza, manutenção predial. Recurso negado. Argumentos contidos no acórdão paradigma não guardam relação com o presente caso concreto, pois trata de uma industria de tecidos que tem peculiaridade totalmente diferente de uma industria da produção e comercialização de discos fonográficos e videofonográficos, fitas e fios gravados ou preparados para gravação, edição e comercialização de obras musicais, literárias ou líteromusicais, bem como a prestação de serviços de distribuição de produtos fonográficos e videofonográficos. Já no acórdão paradigma n.º 20400.795, verificase que a questão destinase a uma indústria de calçados. Vejase: "Decorrente de diligência na empresa, foi lavrado o Termo de Verificação Fiscal de fls. 724/733 propondo a glosa dos insumos adquiridos por pessoas físicas e cooperativas, uma vez que nesses casos não há incidência de PIS e COFINS. Também foi proposta a glosa de combustíveis, lubrificantes, energia elétrica e de produtos usados no tratamento de água e efluentes sob fundamento que tais produtos, embora possam ser usados no processo produtivo, não são matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem." E verificase que no acórdão paradigma que questão destinase a outro caso, que não o presente. Vejase: "Os bens admitidos como insumos pelo acórdão recorrido não atendem a esses requisitos. Com efeito, os materiais auxiliares de limpeza, por exemplo, não sofrem alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Outrossim, as embalagens dos produtos de limpeza não guardam qualquer identidade com os insumos diretamente utilizados na fabricação do produto industrializado. Percebase: as embalagens em questão não acondicionam o produto final da recorrida (calçados), mas os materiais de limpeza, daí o descabimento de enquadrálos como insumos." (grifouse) Como informado acima a Contribuinte não produz calçados e nem tecido e sim é uma indústria de fonográfica e videofonográfica e os custos reconhecidos pelo v. acórdão recorrido como passíveis de creditamento não são de produtos de limpeza ou embalagens de produtos de limpeza, combustíveis, lubrificantes, energia elétrica e de produtos usados no tratamento de água e efluentes como se observa pelos autos. Sendo assim, em face da completa dissociação entre o quanto discutido nos presentes autos, o entendimento consagrado pela Turma Recorrida e as alegações contidas no Especial Fazendário, evidenciase que este não poderia sequer ser admitido. Fl. 1950DF CARF MF Processo nº 15374.963920/200914 Acórdão n.º 9303007.962 CSRFT3 Fl. 7 6 Diante do exposto, entendo que não ficou comprovada a divergência, não há semelhança fática entre o acórdão recorrido e o paradigma. Não há como afirmar que se as situações fáticas fossem iguais, se o colegiado paradigmático daria o mesmo entendimento . Em vista de todo o exposto, voto por não conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado não conheceu do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1951DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16045.000544/2010-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
RECURSO DE OFÍCIO. REQUISITOS. NÃO PREENCHIMENTO. NÃO CONHECIMENTO.
Não preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício, previstos na Portaria MF nº 63/2017, não se conhece do recurso de ofício.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. SEGUNDA INSTÂNCIA.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-007.019
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por não atingimento do limite de alçada.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 RECURSO DE OFÍCIO. REQUISITOS. NÃO PREENCHIMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Não preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício, previstos na Portaria MF nº 63/2017, não se conhece do recurso de ofício. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. SEGUNDA INSTÂNCIA. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por não atingimento do limite de alçada. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
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REQUISITOS. NÃO PREENCHIMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Não preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício, previstos na Portaria MF nº 63/2017, não se conhece do recurso de ofício. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. SEGUNDA INSTÂNCIA. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por não atingimento do limite de alçada. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 5. 00 05 44 /2 01 0- 75 Fl. 1170DF CARF MF Processo nº 16045.000544/201075 Acórdão n.º 2402007.019 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Nessa prumada, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de fevereiro de 2019, proferido no âmbito do processo n° 14098.000149/2010 41, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava, à época da prolação da Decisão de Primeira Instância Administrativa, o valor limite de alçada estipulado na legislação então vigente. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento nesta Corte, tão somente, o Recurso de Oficio ora em debate. É o relatório." Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de fevereiro de 2019, proferido no âmbito do processo n° 14098.000149/201041, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo ilustre Conselheiro Luís Henrique Dias Lima, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de fevereiro de 2019: Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "O Recurso de Ofício interposto pela DRJ tem amparo no art. 34, I, do Decreto nº 70.235/1972, verbis: Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e Fl. 1171DF CARF MF Processo nº 16045.000544/201075 Acórdão n.º 2402007.019 S2C4T2 Fl. 4 3 decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) [...](grifei) Insta salientar que a autoridade julgadora de primeira instância observou o limite de alçada para interposição de recurso de ofício fixado na legislação vigente na ocasião do julgamento da Impugnação Administrativa em face do vertente lançamento. Ocorre que, em conformidade com o Enunciado nº 103 de Súmula CARF, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância: Súmula CARF nº 103 Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Destarte, impõese aplicar, no caso em apreço, a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, que estabelece o limite para interposição de recurso de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributos e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00, bem assim quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário, nos termos do seu art. 1°, §§ 1° e 2°, verbis: Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. [...](grifei) Na espécie, resta comprovado nos autos que a decisão de piso exonerou o sujeito passivo de crédito tributário em montante inferior ao piso estabelecido na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, do que decorre o não conhecimento do Recurso de Ofício em apreço. Ante o exposto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Oficio, em razão de o crédito tributário exonerado ser inferior ao limite de alçada estabelecido no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF nº 103. Fl. 1172DF CARF MF Processo nº 16045.000544/201075 Acórdão n.º 2402007.019 S2C4T2 Fl. 5 4 (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima" Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Oficio, em razão de o crédito tributário exonerado ser inferior ao limite de alçada estabelecido no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF nº 103. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Relator. Fl. 1173DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.940176/2011-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 31/01/2002
REPERCUSSÃO GERAL. ART. 15 DO CPC/2015. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. NÃO CABIMENTO.
Só há uma lacuna de ordem processual a ser colmatada pelo julgador no subsistema especial do processo administrativo fiscal com a aplicação por analogia de instituto do CPC, nos termos do seu art. 15, quando houver uma incompletude indesejável ou insatisfatória no referido subsistema.
Não é porque inexiste disposição normativa que determine o sobrestamento no âmbito do processo administrativo fiscal que se pode dizer que há uma lacuna a ser preenchida com o traslado de tal instituto do CPC para o processo administrativo fiscal.
A vinculação dos julgadores do CARF é unicamente às decisões definitivas de mérito referidas no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, de forma que, enquanto ela não sobrevenha, o processo administrativo deve ser julgado normalmente em conformidade com a livre convicção do julgador e com os princípios da oficialidade e da presunção de constitucionalidade das leis.
PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO.
Em 13.03.2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática do art. 543-C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo-se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno.
Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da decisão definitiva a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-006.276
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar a proposta de sobrestamento do processo até julgamento do RE 574.706. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. No mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes, Cynthia Elena de Campos e Larissa Nunes Girard (Suplente convocada em substituição ao Conselheiro Pedro de Sousa Bispo). Ausente o Conselheiro Pedro de Sousa Bispo.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 31/01/2002 REPERCUSSÃO GERAL. ART. 15 DO CPC/2015. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. NÃO CABIMENTO. Só há uma lacuna de ordem processual a ser colmatada pelo julgador no subsistema especial do processo administrativo fiscal com a aplicação por analogia de instituto do CPC, nos termos do seu art. 15, quando houver uma incompletude indesejável ou insatisfatória no referido subsistema. Não é porque inexiste disposição normativa que determine o sobrestamento no âmbito do processo administrativo fiscal que se pode dizer que há uma lacuna a ser preenchida com o traslado de tal instituto do CPC para o processo administrativo fiscal. A vinculação dos julgadores do CARF é unicamente às decisões definitivas de mérito referidas no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, de forma que, enquanto ela não sobrevenha, o processo administrativo deve ser julgado normalmente em conformidade com a livre convicção do julgador e com os princípios da oficialidade e da presunção de constitucionalidade das leis. PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO. Em 13.03.2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 94 01 76 /2 01 1- 24 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10980.940176/201124 Acórdão n.º 3402006.276 S3C4T2 Fl. 3 2 Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da decisão definitiva a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto. Recurso Voluntário negado Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar a proposta de sobrestamento do processo até julgamento do RE 574.706. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. No mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes, Cynthia Elena de Campos e Larissa Nunes Girard (Suplente convocada em substituição ao Conselheiro Pedro de Sousa Bispo). Ausente o Conselheiro Pedro de Sousa Bispo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 06047.491, através do qual o colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta, mantendo as razões contidas no Despacho Decisório que instrui os autos, indeferindo o pleito da requerente. Cientificada desta decisão, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora em apreço, através do qual pede a reforma da decisão de primeira instância, o que fez com os seguintes argumentos: i) Pleiteou administrativamente a restituição de valores recolhidos indevidamente a título de PIS e/ou COFINS em razão da inconstitucionalidade da inclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição, o qual foi indeferido, sob alegação de inexistência de crédito; ii) O ICMS não integra o faturamento (receita bruta) da empresa, piis tratase de receita do Erário Estadual (artigo 155, inciso II da Constituição Federal), sendo, portanto, inconstitucional a inclusão do referido imosto na base de cálculo da COFINS e/ou PIS; Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10980.940176/201124 Acórdão n.º 3402006.276 S3C4T2 Fl. 4 3 iii) O Recurso Extraordinário nº 240.7852/MG, reconheceu a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e/ou PIS; iv) O Supremo Tribunal Federal reconheceu a Repercussão Geral da matéria no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706, motivo pelo qual deve o julgamento ser sobrestado até pronunciamento definitivo pela Suprema Corte. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.257, de 26 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10980.940170/201157, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402006.257) 1: "Na sessão de julgamento, divergi do Voto da Conselheira Relatora, no que fui acompanhada por outros membros do Colegiado, restando esse posicionamento vencedor, razão pela qual apresento abaixo meus fundamentos de decidir. Preliminar de sobrestamento: Entendo que não cabe o sobrestamento do processo até aguardar decisão definitiva sob repercussão geral, pelos mesmos argumentos deduzidos em meu Voto no processo nº 16327.720780/201631, abaixo transcrito: Processo nº 16327.720780/201631 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.854– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de novembro de 2018 (...) Voto Vencedor Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Redatora designada 1 Transcrito apenas o entendimento que prevaleceu no julgamento (voto vencedor). Íntegra (com voto vencido) pode ser consultada no processo paradigma nº 10980.940170/201157). Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10980.940176/201124 Acórdão n.º 3402006.276 S3C4T2 Fl. 5 4 Na sessão de julgamento do presente processo, divergi parcialmente do Voto do Ilustre Conselheiro Relator, relativamente à proposta de sobrestamento do presente processo até haja ulterior e definitiva decisão no RE nº 609.096, no que fui acompanhada por outros membros do Colegiado, restando o meu posicionamento vencedor pelo voto de qualidade, razão pela qual apresento abaixo minhas razões de decidir. Embora na doutrina e na jurisprudência já se utilizasse o direito processual civil como fonte subsidiária do processo administrativo fiscal, o Código de Processo Civil de 2015, em seu art. 15, inovando em relação ao CPC anterior, trouxe determinação expressa de que: "Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente". Esta Redatora teve a oportunidade de analisar a aplicação do CPC no processo administrativo fiscal em monografia acerca do tema2, na linha de entendimento parcialmente transcrita abaixo: (...) Há um regime jurídico aplicável especialmente ao subsistema processual administrativo fiscal federal, composto pelas normas processuais e princípios contidos, utilizandose da linguagem de James Marins3, nos seguintes quadrantes: constitucional (especialmente o art. 5º, LV e LXXVIII da CF), complementar geral (CTN), ordinário geral do processo administrativo federal (Lei nº 9.784/99) e ordinário federal (Decreto nº 70.235/72), bem como num quadrante infralegal, integrado por um regulamento (Decreto nº 7.574/2011), regimentos internos dos órgãos julgadores (especialmente o Regimento Interno do Carf) e outros atos normativos que veiculem regras processuais. (...) No subsistema processual administrativo fiscal, a Lei nº 9.784/99 tem a função de lei geral do processo administrativo fiscal federal, em cujas normas o intérprete deve se valer na ausência de normas específicas no Decreto nº 70.235/72, antes de, eventualmente, se socorrer de normas de outros subsistemas processuais. (...) 2 PAULA, Maria Aparecida Martins de. Aplicação do Código de Processo Civil no Processo Administrativo fiscal. Monografia (Especialização em Direito Processual Civil) Faculdade Damásio. São Paulo. 2018. 3 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro: administrativo e judicial. 11. ed. rev. e atual. São Paulo, RT, 2018, p. 111. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10980.940176/201124 Acórdão n.º 3402006.276 S3C4T2 Fl. 6 5 A determinação do conteúdo e alcance do art. 15 do CPC envolve a matéria atinente às lacunas e às antinomias, que são defeitos formais do sistema de normas, que devem ser corrigidos em face da unidade e coerência da ordem jurídica. A antinomia jurídica é o conflito entre normas, ou seja, a incompatibilidade que ocorre na aplicação de duas normas vigentes. (...) (...) A lacuna é a incompletude insatisfatória dentro do ordenamento. Sua existência é expressamente reconhecida no ordenamento brasileiro pelo art. 4º da LInDB, que também dispõe sobre a forma de sua colmatação, nestes termos: "Art. 4o Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito". Na integração por analogia, partese da solução prevista em lei para outro caso concreto, concluindose pela validade dessa regra para outro caso semelhante, para o qual inexiste previsão legal. (...) (...) Na proposição antecedente da norma do art. 15 do CPC (hipótese), assim considerada a descrição de um possível evento no mundo social, está a identificação da lacuna no caso concreto; e no consequente da norma está o prescritor de conduta ao juiz ou julgador acerca da forma que tal lacuna deverá ser colmatada. Essa descrição é coerente com o fato de que a lacuna deve ser identificada e colmatada para cada caso concreto, com a criação da norma jurídica individual pelo juiz ou pelo julgador administrativo. Portanto, o que está o art. 15 do CPC a determinar é que o método de integração a ser utilizado para colmatar a lacuna é a analogia, de forma que, a um caso concreto não regulado integral ou parcialmente no subsistema processual especial será aplicada uma norma do Código de Processo Civil, prevista para uma situação distinta mas semelhante ao caso não contemplado. Verificase, na doutrina e na jurisprudência, a tentativa de utilização de uma interpretação literal do art. 15 do CPC, de cabimento da aplicação subsidiária ou supletiva do CPC em todas as situações de ausências ou incompletudes das normas processuais especiais, o que não se coaduna com o melhor direito. Vale dizer que só haverá lacuna no subsistema processual especial quando houver uma incompletude indesejável ou insatisfatória de acordo com as diretrizes adotadas por Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10980.940176/201124 Acórdão n.º 3402006.276 S3C4T2 Fl. 7 6 esse subsistema processual. É certo que haverá omissões propositais nas normas do processo administrativo, decorrentes da própria vontade do legislador ordinário de não incorporar determinados institutos processuais civis em nome de princípios e de outras regras tutelados para o subsistema processual especial, tais como a informalidade e a celeridade. (...) Como dito, no subsistema especial do processo administrativo fiscal só haverá uma lacuna de ordem processual a ser colmatada pelo julgador pela analogia, com a aplicação do instituto do CPC, quando houver uma incompletude indesejável ou insatisfatória no referido subsistema.4 Dessa forma, no que interessa ao presente caso, não é porque inexiste disposição normativa que determine o sobrestamento no âmbito do processo administrativo fiscal que se pode dizer que há uma lacuna a ser preenchida com o traslado de tal instituto processual do CPC para o PAF. Aliás, o fato de ter sido revogada disposição anterior do Regimento Interno do Carf que determinava o sobrestamento5, está a revelar que tal omissão no atual Regimento não é indesejável ou insatisfatória para o subsistema processual especial na esfera do CARF. 4 Como esclarece Tercio Sampaio Ferraz Júnior, a lacuna é uma "incompletude insatisfatória dentro da totalidade jurídica", ou seja, é algo incompleto dentro de um limite e, além disso, é também insatisfatório, no sentido de que exprime uma falta ou insuficiência que não deveria ocorrer. FERRAZ JR., Tercio Sampaio. Introdução ao estudo do direito: técnica, decisão, dominação. 2. ed.São Paulo: Atlas, 1994, p. 218. 5 PORTARIA Nº 545, DE 18 DE NOVEMBRO DE 2013 O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso das atribuições que lhe conferem os incisos I e II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e o art. 4º do Decreto nº 4.395, de 27 de setembro de 2002, resolve: Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. GUIDO MANTEGA Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 atualmente revogada Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Incluído(a) pelo(a) Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. (Incluído(a) pelo(a) Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) (Revogado(a) pelo(a) Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013) § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (Incluído(a) pelo(a) Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) (Revogado(a) pelo(a) Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013) Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10980.940176/201124 Acórdão n.º 3402006.276 S3C4T2 Fl. 8 7 Não se pode também olvidar que a vinculação com algumas modalidades de acórdãos e enunciados de súmulas judiciais dáse de forma diversa para a Administração Pública e para os juízes e tribunais. Não se pode impor ao julgador administrativo a observância de decisões que não possuem eficácia vinculante para a Administração Pública, como bem explicam Oliveira, Souza e Barbosa6: Essa norma constitucional evidencia o intuito do constituinte de atribuir eficácia vinculante para a Administração Pública apenas a algumas decisões do STF (proferidas após reiteradas decisões e mediante aprovação de no mínimo dois terços dos seus membros) e em determinadas circunstâncias (quando haja controvérsias interpretativas que acarretem grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica). Somamse à hipótese das súmulas vinculantes também (art. 103A da CF) as decisões proferidas pelo STF em controle concentrado de constitucionalidade, que, por força do art. 102, §2°, da CF, também são vinculantes para a Administração Pública. Por expressa opção do constituinte, as demais decisões proferidas pelo Poder Judiciário não irradiam qualquer eficácia vinculante para a Administração Pública.(...) (...) Contudo, não se nega a possibilidade de as leis especiais que regem os processos administrativos preverem tal vinculação. É o que se observa, por exemplo, do art. 62 do Regimento Interno do CARF, que adiciona às hipóteses constitucionais a necessidade de observância dos recursos repetitivos do STJ e do STF. (...) No entanto, diante da omissão do texto constitucional, tratase de medida que se encontra no âmbito da política legislativa de cada entre tributante, não podendo o intérprete conferir tamanha abrangência ao art. 927, a ponto de impor ao julgador administrativo a observância de decisões que não possuem eficácia vinculante para a Administração Pública. Inclusive, no âmbito da própria União, a questão de vinculação aos recursos repetitivos ou proferidos sob repercussão geral dáse de maneira diferente entre o CARF7 e a própria Receita Federal8, eis que, para o 6 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de; SOUZA, Henrique Coutinho de; BARBOSA, Marcos Engel Vieira. O Processo Tributário e o Código de Processo Civil/2015. In: MACHADO, Hugo de Brito (Org.). O processo tributário e o Código de Processo Civil/2015. São Paulo: Malheiros, 2017, p. 352394. 7 Art. 62, §2º do Regimento Interno do Carf, aprovado pela Portaria MF nº 343/2005, na alteração dada pela Portaria MF nº 152/2016. 8 LEI No 10.522, DE 19 DE JULHO DE 2002. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10980.940176/201124 Acórdão n.º 3402006.276 S3C4T2 Fl. 9 8 CARF, basta que a decisão judicial de mérito seja definitiva, enquanto para a Receita Federal a vinculação só existe após a manifestação da PGFN. Com efeito, no caso do CARF, se a vinculação do seu julgador só ocorre após o trânsito em julgado das decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ sob a sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC/73 ou dos arts. 1.036 a 1.041 do CPC/2015, antes disso o processo deve ter seu seguimento normal, não havendo que se falar em sobrestamento para aguardar a decisão definitiva de mérito do STF ou STJ, mesmo porque, para a Administração Pública, prevalece a constitucionalidade e a legitimidade de todas as leis vigentes enquanto tais atributos não sejam afastados pelo órgão competente. Melhor dizendo, a vinculação dos julgadores do CARF é unicamente à decisão definitiva de mérito de tais processos judiciais, de forma que, enquanto ela não sobrevenha, o processo administrativo deve ser julgado normalmente, em conformidade com a livre convicção do julgador e com os princípios da oficialidade da Administração Pública e da presunção de constitucionalidade das leis. O disposto no art. 1035, §5º do CPC, no sentido de que o relator no Supremo Tribunal Federal, após reconhecida a Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) (...) II matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça, do Tribunal Superior do Trabalho e do Tribunal Superior Eleitoral, sejam objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) III (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) IV matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) (...) § 4o A Secretaria da Receita Federal do Brasil não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que tratam os incisos II, IV e V do caput, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 5o As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 6o (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) § 7o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10980.940176/201124 Acórdão n.º 3402006.276 S3C4T2 Fl. 10 9 repercussão geral, determinará a suspensão do processamento de todos os processos pendentes que versem sobre a questão e tramitem no território nacional restringese aos processos judiciais, que têm caráter jurisdicional e para os quais há todo um procedimento específico regulado no CPC em face do sobrestamento. Em síntese, embora tenha havido a opção da Administração Pública no âmbito do CARF por vincular seus acórdãos às decisões definitivas de mérito em temas sob repercussão geral, conforme determinado em seu Regimento Interno, não há nele atualmente nenhuma determinação restringindo as condutas dos julgadores até que sobrevenha o julgamento definitivo da questão pelo STF, razão pela qual o procedimento em relação a esses processos é idêntico ao dos demais processos para os quais não há questão controversa envolvendo processos sob repercussão geral. Esse posicionamento tem prevalecido na jurisprudência do CARF, conforme demonstram as ementas abaixo: Acórdão nº 2301005.156 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 3 de outubro de 2017 Relator: João Maurício Vital (...) REPERCUSSÃO GERAL. RECONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE SOBRESTAMENTO. O processo administrativo é regido pelo princípio da oficialidade. Não há lei ou norma regimental que autorize o sobrestamento do julgamento em razão do reconhecimento, pelo STF, de repercussão geral de matéria ainda pendente da decisão judicial. Suspensão do julgamento indeferida. (...) Acórdão nº 3401003.636 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2017 Relator: Rosaldo Trevisan (...) Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10980.940176/201124 Acórdão n.º 3402006.276 S3C4T2 Fl. 11 10 REPERCUSSÃO GERAL. RECONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O reconhecimento da repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, ainda que julgado o respectivo recurso extraordinário, porém pendente de publicação e definitividade a decisão prolatada, não importa o sobrestamento do processo administrativo que trata da mesma matéria, por ausência de previsão regimental, não se aplicando as disposições do Código de Processo Civil, por força da evolução histórica do art. 62A, §§ 1º e 2º do RICARF/09 (Portaria MF nº 256/09), incluídos pela Portaria MF 586/2010 e revogados pela Portaria MF nº 545/2013. (...) Assim, voto no sentido de rejeitar a proposta de sobrestamento do presente processo. (...) Dessa forma, também no presente processo há de ser rejeitada ao proposta de sobrestamento do feito até o julgamento definitivo do tema sob repercussão geral. ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins: Em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições sociais, como esclarecido pelo Ilustre Conselheiro Antonio Carlos Atulim, no Acórdão 3402003.317, de 28 de setembro de 2016, que negou provimento ao recurso voluntário em votação unânime do Colegiado, "O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/779 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978". Dessa forma, "o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional". A Lei nº 9.718/98 define a incidência das contribuições sociais sobre o faturamento, correspondente à receita bruta da pessoa jurídica, prevendo a exclusão das suas bases de cálculo somente do IPI e do ICMS, este apenas quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Também as Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que instituíram a não cumulatividade na apuração 9 Art. 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. §1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10980.940176/201124 Acórdão n.º 3402006.276 S3C4T2 Fl. 12 11 dessas contribuições, definem que a base dessas contribuições é a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade exercida e a classificação contábil adotada, sendo que, quanto ao ICMS, apenas preveem que as receitas decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes de créditos de ICMS originados de operações de exportação não integram a base de cálculo das contribuições. Ademais, em 13/03/2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR10, sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, que firmou, para efeito de recurso repetitivo a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", conforme ementa abaixo: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, § 2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 10 O SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, com base nos seus registros processuais eletrônicos, acessados no dia e hora abaixo referidos CERTIFICA que, sobre o(a) RECURSO ESPECIAL nº 1144469/PR, do(a) qual é Relator o Excelentíssimo Senhor Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO e no qual figuram, como RECORRENTE, FAZENDA NACIONAL, (...) em 10 de Agosto de 2016, PROCLAMAÇÃO FINAL DE JULGAMENTO: "PROSSEGUINDO NO JULGAMENTO, A SEÇÃO, POR UNANIMIDADE, DEU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL E, POR MAIORIA, VENCIDOS OS SRS. MINISTROS RELATOR E REGINA HELENA COSTA, NEGOU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA EMPRESA RECORRENTE, NOS TERMOS DO VOTO DO SR. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, QUE LAVRARÁ O ACÓRDÃO."; em 10 de Agosto de 2016, CONHECIDO O RECURSO DE FAZENDA NACIONAL E PROVIDO,POR UNANIMIDADE, PELA PRIMEIRA SEÇÃO RELATOR PARA ACÓRDÃO: MAURO CAMPBELL MARQUES; em 01 de Dezembro de 2016, ATO ORDINATÓRIO PRATICADO ACÓRDÃO ENCAMINHADO(A) À PUBLICAÇÃO PREVISTA PARA 02/12/2016; em 01 de Dezembro de 2016, DISPONIBILIZADO NO DJ ELETRÔNICO EMENTA / ACORDÃO; em 02 de Dezembro de 2016, PUBLICADO EMENTA / ACORDÃO EM 02/12/2016; (...)TRANSITADO EM JULGADO EM 10/03/2017; em 13 de Março de 2017, BAIXA DEFINITIVA PARA TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO; em 07 de Abril de 2017, ENTREGA DE ARQUIVO DIGITAL DOS AUTOS AO DR. WAGNER MUNDIM RIBEIRO OAB/DF 14.760. Certifica, por fim, que o assunto tratado no mencionado processo é: Base de Cálculo. Certidão gerada via internet com validade de 30 dias corridos. Esta certidão pode ser validada no site do STJ com os seguintes dados: Número da Certidão: 2015397 Código de Segurança: 6250.8B72.58DF.245E Data de geração: 17 de Outubro de 2017, às 08:48:06 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10980.940176/201124 Acórdão n.º 3402006.276 S3C4T2 Fl. 13 12 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e § 1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10980.940176/201124 Acórdão n.º 3402006.276 S3C4T2 Fl. 14 13 surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10980.940176/201124 Acórdão n.º 3402006.276 S3C4T2 Fl. 15 14 PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: (...) 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (STJ REsp: 1144469 PR 2009/01124142, Redator: MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, Relator: Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Data de Julgamento: 10/08/2016, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 02/12/2016) Como se sabe, nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, na redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, "As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF". Assim, aqui deve ser obrigatoriamente adotado o entendimento acima do STJ, proferido no Recurso Especial nº 1144469/PR, transitado em julgado em 13/03/2017 sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, rejeitandose a argumentação da recorrente em sentido contrário. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido de forma favorável à tese da ora recorrente no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de sua reprodução no presente julgamento. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10980.940176/201124 Acórdão n.º 3402006.276 S3C4T2 Fl. 16 15 Nesse mesmo sentido foi decidido recentemente pelo CARF nos julgados abaixo: Processo nº 19515.000094/200720 Acórdão nº 3201003.084– 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de agosto de 2017 Relator: Marcelo Giovani Vieira (...) VOTO (...) Pelo contrário, o STJ, no Resp 114469/PR decidiu, no regime de recursos repetitivos, com trânsito em julgado em 13/03/2017, que o ICMS integra as bases de cálculo do Pis e da Cofins. O STF decidiu de forma diferente, no RE 574.706, em repercussão geral, porém o processo ainda não é definitivo, não sendo vinculante para os colegiados do Carf, nos termos do §2º do art. 625 do Ricarf. Com efeito, é possível que o STF module os efeitos da decisão. Pelo exposto, voto pelo desprovimento do recurso voluntário quanto aos ajustes na base de cálculo. (...) Processo nº 10980.900996/201183 Acórdão nº 3302004.500 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Relatora: Lenisa Prado Redator designado: Walker Araújo (...) VOTO VENCEDOR (...) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10980.940176/201124 Acórdão n.º 3402006.276 S3C4T2 Fl. 17 16 em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. (...) Assim, pelo exposto, voto no sentido de rejeitar a proposta de sobrestamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar a proposta de sobrestamento e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 80DF CARF MF
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