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Numero do processo: 10830.727207/2015-09
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2010
INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA DE EXIGÊNCIA LEGAL
Por se tratar a ação fiscal de procedimento de natureza inquisitória, a intimação do contribuinte prévia ao lançamento não é exigência legal (Súmula CARF nº 46), e desta forma a sua falta não caracteriza cerceamento de defesa, a qual poderá ser exercida após a ciência do auto de infração.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. NÃO OCORRÊNCIA.
Conforme já sumulado pelo CARF, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF nº 49).
Numero da decisão: 2001-001.934
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10850.724456/2015-04, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Honório Albuquerque de Brito, Marcelo Rocha Paura, André Luis Ulrich Pinto e Fabiana Okchstein Kelbert.
Nome do relator: HONORIO ALBUQUERQUE DE BRITO
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA DE EXIGÊNCIA LEGAL Por se tratar a ação fiscal de procedimento de natureza inquisitória, a intimação do contribuinte prévia ao lançamento não é exigência legal (Súmula CARF nº 46), e desta forma a sua falta não caracteriza cerceamento de defesa, a qual poderá ser exercida após a ciência do auto de infração. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. NÃO OCORRÊNCIA. Conforme já sumulado pelo CARF, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF nº 49).
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INEXISTÊNCIA DE EXIGÊNCIA LEGAL Por se tratar a ação fiscal de procedimento de natureza inquisitória, a intimação do contribuinte prévia ao lançamento não é exigência legal (Súmula CARF nº 46), e desta forma a sua falta não caracteriza cerceamento de defesa, a qual poderá ser exercida após a ciência do auto de infração. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. NÃO OCORRÊNCIA. Conforme já sumulado pelo CARF, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF nº 49). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10850.724456/2015-04, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Honório Albuquerque de Brito, Marcelo Rocha Paura, André Luis Ulrich Pinto e Fabiana Okchstein Kelbert. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 72 07 /2 01 5- 09 Fl. 53DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-001.934 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.727207/2015-09 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e, dessa forma, adoto neste relatório o relatado no Acórdão nº 2001-001.930, de 18 de fevereiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata-se de documento de lançamento emitido pela Receita Federal do Brasil no qual é exigido do contribuinte crédito tributário de multa por atraso na entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. O enquadramento legal foi o art. 32-A da Lei 8.212, de 1991, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Conforme se extrai do acórdão da DRJ, o contribuinte apresentou impugnação na qual alegou, em síntese, falta de intimação prévia e a ocorrência de denúncia espontânea. A turma julgadora da primeira instância administrativa concluiu pela total improcedência da impugnação e consequente manutenção do crédito tributário lançado. Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário onde, em síntese, alega ocorrência de denúncia espontânea e falta de intimação prévia ao lançamento, invoca princípios constitucionais, cita jurisprudência. Requer ao final o cancelamento do crédito tributário lançado. É o relatório. Voto Conselheiro Honório Albuquerque de Brito – Relator Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF. Desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2001-001.930, de 18 de fevereiro de 2020, paradigma desta decisão. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto dele conheço e passo à sua análise. PRELIMINARES Intimação prévia ao lançamento A respeito da alegação do recorrente da inocorrência de intimação prévia ao lançamento, a mesma não procede e não tem o condão de afastar a multa aplicada. A ação fiscal é um procedimento de natureza inquisitória, onde o fiscal, ao entender que está em condições de identificar o fato gerador e demais elementos que lhe permitem formar sua convicção e constituir o lançamento, não necessita intimar o sujeito passivo para esclarecimentos Fl. 54DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-001.934 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.727207/2015-09 ou prestação de informações. Não é a intimação prévia exigência legal para o lançamento do crédito. Nesse sentido a Súmula nº 46 deste CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. O art. 32-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, determina a necessidade da intimação apenas nos casos de não apresentação da declaração e a apresentação com erros ou incorreções. Na situação em comento, a infração de entrega em atraso da GFIP é fato em tese verificável de plano pelo auditor fiscal, a partir dos sistemas internos da Receita Federal, ficando a seu critério a avaliação da necessidade ou não de informação adicional a ser prestada pelo contribuinte. Não há aqui que se falar em cerceamento do direito de defesa ou ofensa ao princípio do contraditório. O contencioso administrativo só se instaura com a apresentação da impugnação pelo sujeito passivo, ocasião em que ele exerce plenamente sua defesa, o que lhe é facultado após a ciência pelo interessado do documento de lançamento, tudo na observância do devido processo legal. Ante o exposto, REJEITO as preliminares suscitadas no recurso e passo à apreciação do mérito. MÉRITO Denúncia espontânea Da Instrução Normativa RFB nº 971 de 2009: Art. 472. Caso haja denúncia espontânea da infração, não cabe a lavratura de Auto de Infração para aplicação de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória. Parágrafo único. Considera-se denúncia espontânea o procedimento adotado pelo infrator que regularize a situação que tenha configurado a infração, antes do início de qualquer ação fiscal relacionada com a infração, dispensada a comunicação da correção da falta à RFB. O art. 472 da IN RFB nº 971/2009, estabelece, como regra geral, que não é aplicada multa por descumprimento de obrigação acessória, caso haja denúncia espontânea da infração. O parágrafo único do dispositivo esclarece o que se considera denúncia espontânea para tal fim: procedimento adotado pelo infrator, antes de qualquer ação do Fisco, que regularize a situação que tenha configurado a infração. No caso da multa por atraso, uma vez ocorrida a entrega da declaração fora do prazo, tem-se configurada a infração (entrega em atraso) em caráter irremediável. Já o art. 476 da mesma IN RFB nº 971/2009 trata especificamente da aplicação das multas por descumprimento da obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, relativas à GFIP e, em Fl. 55DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-001.934 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.727207/2015-09 seu inciso II, letra ‘b’, especificamente da multa aplicável, para a GFIP, no caso de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo”. Assim sendo, a aplicação da multa por atraso na entrega da GFIP é legal conforme especificamente regulada pelo art. 32-A da Lei nº 8.212, de 1991, e art. 476 da IN RFB nº 971, de 2009. A matéria já foi inclusive sumulada pelo CARF: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Desta forma, não procede a pretensão do recorrente de exclusão da multa com base na denúncia espontânea. Da multa aplicada A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 do CTN, parágrafo único). Logo, constatada a infração, no caso o atraso na entrega da GFIP, a autoridade fiscal não só está autorizada como obrigada a proceder ao lançamento de ofício da multa prevista na legislação que rege a matéria, sem emitir juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou de eventual afronta em tese a princípios do direto administrativo e constitucional ou de outros aspectos de sua validade. No caso em comento, a multa é exigida em função do não cumprimento no prazo da obrigação acessória, e sua aplicação independe do cumprimento da obrigação principal, da condição pessoal ou da capacidade financeira do autuado, da existência de danos causados à Fazenda Pública ou de contraprestação imediata do Estado. A multa é aplicada, por meio do mesmo documento de lançamento, por cada GFIP entregue em atraso no período fiscalizado, não havendo que se falar em infração continuada. Os valores são aplicados conforme definidos na lei, verificados os limites mínimos os quais independem do valor da contribuição devida. Também não cabe no caso invocar alteração de critério de atuação do Fisco para afastar a multa imposta. A correspondente alteração legislativa ocorreu já no início de 2009, com a inserção do art.32-A da Lei nº 8.212, de 1991, no arcabouço jurídico pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, alterando a sistemática de aplicação de multas vinculadas à GFIP, em especial com a previsão de aplicação da multa por atraso na entrega de GFIP, até então inexistente. A alteração em critérios do Fisco é legal se respaldada por correspondente alteração na legislação correlata. A lei 13.097/2015, publicada em 20/01/2015, afastou a aplicação da multa por atraso na entrega das GFIP, com relação ao período indicado em seu art. 48, no caso de declaração sem fatos geradores da contribuição, e ainda anistiou as multas lançadas até a sua publicação, no caso de as GFIP terem sido apresentadas até o último dia do mês subsequente ao previsto para sua entrega. Conforme se obtém do Fl. 56DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-001.934 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.727207/2015-09 documento de lançamento, a situação do contribuinte não se enquadra nas hipótese contempladas. Jurisprudência No que se refere à jurisprudência citada, por falta de lei que lhe atribua eficácia normativa, não constitui norma geral de direito tributário decisão judicial ou administrativa que produz efeito apenas em relação às partes que integram o processo (art. 100 do CTN – Parecer Normativo CST nº 23, publicado no DOU de 9 de setembro de 2013). CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, conforme acima descrito. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito Fl. 57DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 13855.905848/2011-89
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Apr 27 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 2003
PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE PER/DCOMP. INEXISTÊNCIA DE LIDE ADMINISTRATIVA E INCOMPETÊNCIA DOS ÓRGÃOS JULGADORES. COMPETÊNCIA ABSOLUTA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JURISDIÇÃO FISCAL DO CONTRIBUINTE.
Por força de dispositivos regimentais, a análise de solicitação de retificação/cancelamento de PER/DCOMP é de competência exclusiva da Unidade de jurisdição fiscal do contribuinte, não constituindo a Manifestação de Inconformidade e o Recurso Voluntário meios compatíveis à veiculação de pedido dessa natureza.
Numero da decisão: 1002-001.131
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Marcelo José Luz de Macedo.
(documento assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral, Marcelo José Luz de Macedo e Thiago Dayan da Luz Barros.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2003 PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE PER/DCOMP. INEXISTÊNCIA DE LIDE ADMINISTRATIVA E INCOMPETÊNCIA DOS ÓRGÃOS JULGADORES. COMPETÊNCIA ABSOLUTA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JURISDIÇÃO FISCAL DO CONTRIBUINTE. Por força de dispositivos regimentais, a análise de solicitação de retificação/cancelamento de PER/DCOMP é de competência exclusiva da Unidade de jurisdição fiscal do contribuinte, não constituindo a Manifestação de Inconformidade e o Recurso Voluntário meios compatíveis à veiculação de pedido dessa natureza.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Marcelo José Luz de Macedo. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral, Marcelo José Luz de Macedo e Thiago Dayan da Luz Barros.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2020-04-09T18:15:23Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2020-04-09T18:15:23Z; Last-Modified: 2020-04-09T18:15:23Z; dcterms:modified: 2020-04-09T18:15:23Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2020-04-09T18:15:23Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-04-09T18:15:23Z; meta:save-date: 2020-04-09T18:15:23Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-04-09T18:15:23Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2020-04-09T18:15:23Z; created: 2020-04-09T18:15:23Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2020-04-09T18:15:23Z; pdf:charsPerPage: 2053; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-04-09T18:15:23Z | Conteúdo => S1-TE02 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13855.905848/2011-89 Recurso Voluntário Acórdão nº 1002-001.131 – 1ª Seção de Julgamento / 2ª Turma Extraordinária Sessão de 01 de abril de 2020 Recorrente POLKING COMERCIO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2003 PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE PER/DCOMP. INEXISTÊNCIA DE LIDE ADMINISTRATIVA E INCOMPETÊNCIA DOS ÓRGÃOS JULGADORES. COMPETÊNCIA ABSOLUTA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JURISDIÇÃO FISCAL DO CONTRIBUINTE. Por força de dispositivos regimentais, a análise de solicitação de retificação/cancelamento de PER/DCOMP é de competência exclusiva da Unidade de jurisdição fiscal do contribuinte, não constituindo a Manifestação de Inconformidade e o Recurso Voluntário meios compatíveis à veiculação de pedido dessa natureza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Marcelo José Luz de Macedo. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral, Marcelo José Luz de Macedo e Thiago Dayan da Luz Barros. Relatório Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação da compensação, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/REC. 1. A interessada acima qualificada criou e transmitiu em 14/06/2006 Pedido de Restituição de crédito, através do PER/Dcomp 30807.46077.140606.1.2.04-4000, informando como “valor original do crédito inicial” R$ 473,50 e o mesmo valor tanto para o “crédito original na data de transmissão” como para o “Valor do Pedido de Restituição”. Informa, ainda, que tal crédito pleiteado teria origem no DARF de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 90 58 48 /2 01 1- 89 Fl. 123DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1002-001.131 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13855.905848/2011-89 CSLL, código 2372, período de apuração 30/11/2003, vencimento em 30/12/2003 e arrecadação em 12/12/2003, valor do principal igual ao total, de R$ 473,50. 2. O Despacho Decisório, emitido em 03/01/2012, informa que o valor original total do DARF, de R$ 473,50, fora integralmente utilizado, sendo R$ 4,17 no PER/Dcomp 06647.14596.041005.1.2.04-2216 e R$ 469,33 no PER/Dcomp 37374.26952.051005.1.3.04-3000, razão do indeferimento do Pedido de Restituição. 3. Cientificada do Despacho Decisório, em 16/01/2012, argumenta, a contribuinte, em sua manifestação de inconformidade, apresentada em 02/02/2012, que: 3.1. em 2003 era optante do “Simples Nacional, nos moldes da LC 123/2006” (sic); 3.2. em novembro/2003, o limite de faturamento foi excedido e a empresa recolheu IRPJ, CSLL, PIS e Cofins como se fosse tributada no regime de Lucro Presumido nos meses de novembro e dezembro; 3.3. a legislação determinava que o faturamento superior ao permitido fosse tributado com alíquotas majoradas, tendo isso ocorrido e a requerente pago o Simples “Nacional” com alíquotas majoradas nos meses de novembro e dezembro de 2003; 3.4. na atual PER/Dcomp 30807.46077.140606.1.2.04-4000 solicita a restituição da CSLL de 11/2003 recolhido indevidamente, que foi negada com justificativa de que o crédito fora utilizado para quitar débitos da contribuinte de Simples de 12/2003 pelos PER/Dcomp 06647.14596.041005.1.2.04-2216 e 37374.26952.051005.1.3.04-3000, que, porém, tornam-se sem efeito pois o débito informado já fora quitado; 3.5. anteriormente ao pedido de compensação, o débito do Simples de 12/2003, no valor de R$ 6.215,23 foi para dívida ativa em 23/08/2005, inscrição 80 4 05 079681-34, processo 13855.201848/2005-68, razão porque a compensação se torna indevida nos termos do art. 26, §3º, inciso II, da IN 460, de 18/10/2004, em vigor à época da entrega da PER/Dcomp de compensação, sendo a alternativa cabível a restituição; 3.6. foram recolhidos IRPJ, CSLL, PIS e Cofins de 11 e 12/2003 e pagos DARF do Simples desses meses. As PER/Dcomp 06647.14596.041005.1.2.04-2216 e 37374.26952.051005.1.3.04-3000 foram entregues indevidamente pois contrariam o art. 26, §3º inciso II da IN 460/2004; 3.7. solicita, nos termos do art. 2o, inciso II da IN 460/2004, a restituição da CSLL 11/2003, pois o correto era o recolhimento do Simples, e a homologação do PER/Dcomp 30807.46077.140606.1.2.04-4000, e o cancelamento ou indeferimento das PER/Dcomp 06647.14596.041005.1.2.04-2216 e 37374.26952.051005.1.3.04- 3000, que estão em desacordo com o art. 26, §3º, inciso II, da IN 460/2004, as quais pleiteavam a compensação do DARF de Simples de 12/2003 que fora enviado à Dívida Ativa da União em 23/08/2005, portanto, sem observância do referido dispositivo; 3.8. As PER/Dcomp 06647.14596.041005.1.2.04-2216 e 37374.26952.051005.1.3.04-3000 estão em desacordo com o dispositivo citado a IN 460/2004, que veda expressamente a compensação, “portanto, o crédito não foi utilizado na quitação do débito”; 3.9. o débito objeto do pedido de compensação se encontra devidamente quitado (DARF Simples 12/2003, inclusive com acréscimos devidos), não cabendo compensação de débito inexistente. O DARF de CSLL 11/2003 objeto do pedido de Fl. 124DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1002-001.131 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13855.905848/2011-89 restituição foi pago indevidamente, restando o crédito solicitado no PER/Dcomp 30807.46077.140606.1.2.04-4000, pelo que solicita a improcedência do indeferimento de seu pleito. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/REC, conforme acórdão n. 11-45.093 (e-fl. 43), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2003 PER/DCOMP. PEDIDO DE CANCELAMENTO. INCOMPETÊNCIA. O julgador administrativo não é competente para apreciar pedido de cancelamento de Pedido de Restituição ou de Declaração de Compensação. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. CRÉDITO JÁ UTILIZADO. Já tendo havido a utilização integral do crédito pleiteado em outros PER/Dccomp, e não tendo havido retificação ou cancelamento destes, mantém- se o Despacho Decisório que não reconheceu o crédito justamente devido àquela(s) utilização(ões). Irresignado, o ora Recorrente apresenta Recurso Voluntário (e-fls. 96), no qual expõe os fundamentos de fato e de direito seguintes: É o Relatório do necessário. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva, Relator. Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23-B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), com redação dada pela Portaria MF n.º 329/2017. Fl. 125DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1002-001.131 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13855.905848/2011-89 Demais disso, observo que o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Mérito Conforme se observa na peça recursal, o Recorrente requer o cancelamento dos PER/DCOMPs nºs 06647.14596.041005.1.2.04-2216 e 37374.26952.051005.1.3.04-3000, apontados no Despacho Decisório Eletrônico como fundamento da não homologação do PER/DCOMP nº 30807.46077.140606.1.2.04-4000, objeto desta lide administrativa. A irresignação do Recorrente não merece acolhimento. É fato incontroverso que ao tempo da ciência do Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação inexistia juridicamente o crédito vindicado, eis que o indeferimento decorreu de informações registradas nos sistemas de controle da Receita Federal extraídas de declarações válidas prestadas pelo próprio contribuinte. Por outro lado, o panorama processual e o requerimento apresentado não deixam dúvidas de que a matéria trata de retificação de PER/DCOMP, e não propriamente de recurso contra a sua não homologação, motivo pelo qual não cabe a este colegiado emitir juízo de valor ou pronunciar-se sobre o tema por faltar-lhe competência para tal. Logo, deve a postulação ser feita em meio próprio e dirigida à Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) de jurisdição fiscal do contribuinte, que é o órgão normativamente legitimado e competente para análise de pedidos dessa natureza, conforme muito bem pontuado no seguinte trecho do acórdão recorrido (destaques do original): (...) 11. Observa-se ademais, que além de aqueles PER/Dcomp 37374.26952.051005.1.3.04-3000 e 06647.14596.041005.1.2.04-2216 não serem objeto do presente contencioso, que diz respeito ao contencioso do PER/Dcomp 30807.46077.140606.1.2.04-4000, não seria, de toda sorte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento quem procederia à apreciação de pedidos de cancelamento de PER/Dcomp, tal como pleiteado pela contribuinte em relação àqueles, tendo em vista o art. 224 do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 203, de 2012, com redação dada pela Portaria MF nº 512, de 2013, abaixo transcrito. Art. 224. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil - DRF, à Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Pessoas Físicas - Derpf, às Alfândegas da Receita Federal do Brasil - ALF e às Inspetorias da Receita Federal do Brasil - IRF de Classes "Especial A", "Especial B" e "Especial C", quanto aos tributos administrados pela RFB, inclusive os destinados a outras entidades e fundos, compete, no âmbito da respectiva jurisdição, no que couber, desenvolver as atividades de arrecadação, controle e recuperação do crédito tributário, de análise dos dados de arrecadação e acompanhamento dos maiores contribuintes, de atendimento e interação com o cidadão, de comunicação social, de fiscalização, de controle aduaneiro, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística, de gestão de pessoas, de planejamento, avaliação, organização, modernização, e, especificamente: (...) Fl. 126DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1002-001.131 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13855.905848/2011-89 XXII - proceder à retificação de declarações aduaneiras, à revisão de ofício de lançamentos e de declarações apresentadas pelo sujeito passivo, e ao cancelamento ou reativação de declarações a pedido do sujeito passivo;(grifo não original) 12. É interessante observar que com a IN RFB nº 900/2008, no seu art. 67, e depois com a IN RFB nº 1300, de 2012, no art. 78 desta, em consonância com a falta de competência das DRJ para apreciar pedidos de retificação ou cancelamento de PER/Dcomp, há disposição de que da autoridade administrativa que indeferir o pedido não cabe recurso, não se cogitando, portanto, de haver contencioso para as DRJ. 13. Portanto, considerando-se que o crédito pleiteado no PER/Dcomp 30807.46077.140606.1.2.04-4000, objeto do presente processo, consta como já utilizado nos PER/Dcomp 37374.26952.051005.1.3.04-3000 e 06647.14596.041005.1.2.04-2216, em relação aos quais a contribuinte solicitou à DRJ o cancelamento, e não sendo a DRJ competente para tais cancelamentos, resta prejudicado o pleito da contribuinte no presente processo, sendo o mesmo indeferido, pois o crédito, conforme consta do Despacho Decisório, já foi utilizado. 14. Se a contribuinte entende que aquelas utilizações não deveriam ocorrer, inclusive aquela compensação de parcela do débito do Simples de dezembro/2003 operada através do PER/Dcomp 37374.26952.051005.1.3.04-3000, e quer o seu cancelamento, deveria observar qual é a unidade da RFB competente para apresentar tal pleito, a qual ao apreciá-lo iria verificar a sua pertinência ou não. Quanto ao crédito pleiteado no presente processo, o mesmo realmente já está utilizado como consta do Despacho Decisório, não se podendo acatar um pleito, inclusive por falta de liquidez e certeza, fundamentado em um pretenso direito cuja confirmação dependeria de cancelamentos de outro(s) PER/Dcomp, cuja competência para análise sequer é da DRJ. (...) O excerto da decisão recorrida não merece reparos, eis que está em consonância com a legislação de regência vigente à época dos fatos, motivo pelo qual adoto seus termos e fundamentos como razões de decidir, em conformidade com o §1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999 c/c §3º do art. 57 do RICARF. Ressalto que, se efetivamente ocorreu o erro apontado pelo Recorrente, o fato deve ser levado a conhecimento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de sua jurisdição fiscal mediante requerimento próprio, para ser objeto de revisão de ofício, se for o caso, a qual se incumbirá de verificar se o crédito tributário reconhecido e confessado no PER/DCOMP foi calculado com o erro alegado (artigo 149 do Código Tributário Nacional - CTN 1 ). 1 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I - quando a lei assim o determine; II - quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III - quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recuse-se a prestá-lo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV - quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V - quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI - quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; Fl. 127DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1002-001.131 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13855.905848/2011-89 Nesse quadro o não provimento do recurso é medida que se impõe. Dispositivo Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso, mantendo integralmente a decisão de piso. É como voto. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva VIII - quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX - quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Fl. 128DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1002-001.131 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13855.905848/2011-89 Fl. 129DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13881.720142/2018-06
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2014
RENDIMENTOS PRODUZIDOS POR BEM COMUM
Os rendimentos produzidos por bem comum do casal, na constância da sociedade conjugal, podem ser tributados na totalidade em nome de um dos cônjuges, quando este assim optar, não sendo admitida a alteração deste regime de tributação, mediante entrega de declaração retificadora pelo outro cônjuge, após o recebimento da notificação de lançamento, circunstância que exclui a espontaneidade para fins legais.
RENDIMENTOS RECEBIDOS EM DECORRÊNCIA DE ALUGUEL DE PROPRIEDADE DE TERCEIRO
É legítima a cobrança de imposto de renda incidente sobre rendimentos recebidos de pessoas físicas e pessoas jurídicas ainda que o imóvel não seja de propriedade do contribuinte que recebe os referidos rendimentos, uma vez que é este quem pratica o fato gerador e revela capacidade contributiva para adimplir a obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-001.625
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente
(documento assinado digitalmente)
André Luis Ulrich Pinto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luis Ulrich Pinto, Fabiana Okchstein Kelbert, Honório Albuquerque de Brito e Marcelo Rocha Paura
Nome do relator: ANDRE LUIS ULRICH PINTO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2014 RENDIMENTOS PRODUZIDOS POR BEM COMUM Os rendimentos produzidos por bem comum do casal, na constância da sociedade conjugal, podem ser tributados na totalidade em nome de um dos cônjuges, quando este assim optar, não sendo admitida a alteração deste regime de tributação, mediante entrega de declaração retificadora pelo outro cônjuge, após o recebimento da notificação de lançamento, circunstância que exclui a espontaneidade para fins legais. RENDIMENTOS RECEBIDOS EM DECORRÊNCIA DE ALUGUEL DE PROPRIEDADE DE TERCEIRO É legítima a cobrança de imposto de renda incidente sobre rendimentos recebidos de pessoas físicas e pessoas jurídicas ainda que o imóvel não seja de propriedade do contribuinte que recebe os referidos rendimentos, uma vez que é este quem pratica o fato gerador e revela capacidade contributiva para adimplir a obrigação tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) André Luis Ulrich Pinto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luis Ulrich Pinto, Fabiana Okchstein Kelbert, Honório Albuquerque de Brito e Marcelo Rocha Paura
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RENDIMENTOS RECEBIDOS EM DECORRÊNCIA DE ALUGUEL DE PROPRIEDADE DE TERCEIRO É legítima a cobrança de imposto de renda incidente sobre rendimentos recebidos de pessoas físicas e pessoas jurídicas ainda que o imóvel não seja de propriedade do contribuinte que recebe os referidos rendimentos, uma vez que é este quem pratica o fato gerador e revela capacidade contributiva para adimplir a obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) André Luis Ulrich Pinto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luis Ulrich Pinto, Fabiana Okchstein Kelbert, Honório Albuquerque de Brito e Marcelo Rocha Paura Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 1. 72 01 42 /2 01 8- 06 Fl. 173DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-001.625 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13881.720142/2018-06 Trata-se de notificação de lançamento lavrada em 24/09/18, por meio da qual exige-se da ora Recorrente, o valor de R$ 11.276,15, a título de IRPF, exercício 2016, ano calendário 2015, acrescido de multa de ofício e demais consectários legais, diante das seguintes infrações: - omissão de rendimentos recebidos das Pessoas Jurídicas: Secretaria de Estado de Saúde; Furnas Centrais Elétricas S/A; Igreja Evangélica Assembleia de Deus; e Amsted Rail Brasil Equipamentos Ferroviários Ltda., no valor de R$ 33.758,00. - Omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, no montante de R$ 10.386,00, informados pelas administradoras de imóveis: Barbosa & Bittencourt Imobiliária Ltda, e Duplacon Imobiliária e Apoio Administrativo Ltda, na Declaração de Informações Sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB), no valor de R$10.386,00. Devidamente notificada do lançamento, a Recorrente apresentou impugnação parcial, alegando em síntese: a) concordar com a omissão de rendimentos recebidos da Secretaria de Estado da Saúde e Furnas Centrais Elétricas S.A., bem como 50% dos rendimentos recebidos da empresa Amsted Rail Brasil Equipamentos Ferroviários Ltda. a título de alugel; b) quanto à omissão de rendimentos recebidos da empresa Amsted Rail Brasil Equipamentos Ferroviários Ltda., questiona somente o valor de R$ 9.855,00. Trata-se de receita de aluguel produzida por bem comum e oferecida proporcionalmente à tributação na declaração de seu cônjuge, José Carlos Borges, CPF 517.238.918-00, conforme cópia de sua declaração anexa; c) embora haja reserva de usufruto para os pais na escritura de doação, os rendimentos em questão foram repassados ao seu filho, sendo que os contratos foram feitos em seu nome por questão de logística; d) “o valor informado pela fonte pagadora através da DIMOB da pessoa jurídica Igreja Evangélica Assembléia de Deus, CNPJ 69.109.676/0001-14, trata- se de receita de aluguel do imóvel residencial de propriedade de José Carlos Borges Filho, CPF 326.473.626-40, conforme declaração retificadora anexa e cópia da escritura anexa”; e) acerca dos rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa física, tratam-se de receitas pertencentes a José Carlos Borges Filho, CPF 326.473.628-40, conforme declaração retificadora anexa. Por um lapso das imobiliárias, os contratos foram feitos em seu nome; A Recorrente instruiu a sua impugnação com os seguintes documentos: (i) documentos de identificação (fl.06); (ii) comprovante de rendimentos fornecidos pela fonte pagadora (fl.07-09); (iii) certidão de casamento (fl.10); (iv) comprovante de propriedade do imóvel – doação com reserva usufruto (fl.11); (v) escritura de compra e venda de imóvel (fl.18); Fl. 174DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-001.625 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13881.720142/2018-06 (vi) contrato de compra e venda de imóvel (fl.22); (vii) contratos de locação referentes aos rendimentos de aluguel (fl.37, 40, 43, 49, 56 e 69 ); (viii) comprovante de residência em nome de JOSE CARLOS BORGES FILHO (fl.81); (ix) DAA/2015 de JOSE CARLOS BORGES FILHO, CPF 326.473.628-40 (fl.83); (x) DAA/2013 de JOSE CARLOS BORGES FILHO, CPF 326.473.628-40 (fl.90); (xi) DAA/2015 de JOSE CARLOS BORGES, CPF 517.238.918-00 (fl.99); Na ocasião do julgamento da impugnação apresentada pela ora Recorrente, a 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília (DF) proferiu o acórdão nº 03 - 084.526 - 6 ª Turma da DRJ/BSB, julgando improcedente a impugnação por entender que: a) em relação à omissão de rendimentos recebidos da empresa Amsted Rail Brasil Equipamentos Ferroviários Ltda, no valor de R$ 9.855,00, a Impugnante alega se tratar de receitas de aluguel e que foi declarada proporcionalmente na declaração de ajuste anual do IRPF de seu cônjuge, José Carlos Borges, CPF 517.238.918-00. Juntou cópia da respectiva declaração às fls. 99 a 114; - caso a Recorrente tivesse optado pela tributação proporcional dos rendimentos de bens comuns, teria declarado 50% do valores em discussão. E isso não ocorreu, optando, assim, pela regra do art. 6º, parágrafo único, do Decreto 3.000/99; - ademais, como pode ser constatado no recibo de entrega anexado às fls. 107, a declaração de seu cônjuge somente foi transmitida em 17/12/2018, ou seja, após a emissão da Notificação de Lançamento, o que, de acordo com o disposto no § 1º do art. 33 do Decreto nº 7.574, de 2011, exclui a sua espontaneidade.; b) no tocante à omissão de rendimentos recebidos da Igreja Evangélica Assembléia de Deus, no valor de R$ 10.206,00, a Contribuinte alega que trata- se de receita de aluguel de imóvel de propriedade de seu filho, José Carlos Borges Filho, CPF 326.473.626-40; - conforme contratos de locação efetuados com aquela Igreja, juntados às fls. 43 a 55, consta como locadora a própria Contribuinte, e não seu filho. A DIMOB apresentada pela administradora do imóvel, que embasou o lançamento, confirma que o pagamento foi realizado para a Impugnante. Deve ser mantida a omissão de rendimentos recebidos da Igreja Evangélica Assembléia de Deus, no valor de R$ 10.206,00; c) por fim, quanto aos rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas físicas, a Interessada também alega se tratarem de receitas pertencentes a José Carlos Borges Filho, CPF 326.473.628-40. Os referidos imóveis foram alugados para Fl. 175DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-001.625 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13881.720142/2018-06 Gabriela Sales Sarda, R$ 4.930,00, e Luiz Alberto Celestino, R$ 5.456,00, conforme informação contida na DIMOB. - conforme contrato de locação juntado às fls. 56 a 68, em relação ao imóvel alugado para Gabriela Sales Sarda, consta como locadora a própria Impugnante; - quanto ao imóvel alugado para Luiz Alberto Celestino, sequer foi apresentado o respectivo contrato de locação. Por conseguinte, não restou comprovada a alegação da Interessada, devendo, assim, também ser mantida a infração. Irresignada com o v. acórdão nº 03 - 084.526 - 6 ª Turma da DRJ/BSB, a Recorrente interpôs recurso voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, alegando em síntese que: a) é seu direito a opção pela declaração separada e individual dos rendimentos produzidos pelos bens comuns na constância da sociedade conjugal, nos termos do art. 6º, II, do Decreto 3.000/99, no que se refere a fonte pagadora AMSTED RAIL BRASIL; b) o argumento que a declaração foi encaminhada a destempo à Receita Federal não merece prosperar, pois o cônjuge da Contribuinte não estava obrigado a entregar sua declaração do Imposto de Renda, pois o limite de receitas não atingia o valor determinado, nos termos do art. 2º, I, da Instrução Normativa RFB nº 1.545/2015; c) demais aluguéis atribuídos à contribuinte, que na verdade não lhe pertencem, sendo as referidas receitas pertencentes ao seu filho JOSE CARLOS BORGES FILHO, CPF 326.473.628-40, das seguintes fontes pagadoras: - Igreja Evangélica Assembleia de Deus, CNPJ 69.109.676/0001-14, no valor de R$10.206,00; - Luis Alberto Celestino, CPF 573.851.499-87, no valor de R$5.456,00; -Gabriela Sales Garda, CPF 004.386.292-64, no valor total de R$4.930,00. d) os referidos valores encontram-se devidamente informadas na DAA/2015 Voto Conselheiro André Luis Ulrich Pinto, Relator. Primeiramente, deve-se dizer que o recurso voluntário foi interposto tempestivamente, razão pela qual passo a analisar as suas razões. Conforme exposto linhas acima, cinge-se a controvérsia na possibilidade ou não de se tributar os bens do casal na proporção de 50% em nome de cada um dos cônjuges apesar da Fl. 176DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-001.625 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13881.720142/2018-06 Recorrente ter feito a opção pela tributação da totalidade dos referidos rendimentos em seu nome. Outro elemento trazido pela Recorrente em seu recurso diz respeito à exclusão da espontaneidade da entrega de declaração por seu cônjuge, tendo em vista que, conforme relatado acima, o fato da entrega ter ocorrido após o recebimento da notificação de lançamento pela ora Recorrente excluiria a sua espontaneidade. Entretanto, por outro lado, a Recorrente alega que seu cônjuge estava desobrigado a apresentar declaração de imposto de renda. Discute, ainda, o fato de que os rendimentos recebidos de Igreja Evangélica Assembleia de Deus, Luiz Alberto Celestino e Gabriela Sales Garda referem-se ao aluguel de imóveis de propriedade de seu filho José Carlos Borges Filho. Dessa forma, para melhor compreensão das razões que fundamentam meu voto, passo a analisar, separadamente, as alegações da ora Recorrente com relação aos rendimentos produzidos pelo bem comum do casal e os rendimentos de imóvel de propriedade de seu filho. a) Rendimentos produzidos por bem comum do casal. Relativamente aos rendimentos produzidos por bem comum do casal, entendo que não assiste razão à Recorrente, tendo em vista que a entrega de declaração por seu cônjuge refere-se a ato praticado após o recebimento da notificação de lançamento e, portanto, após iniciado procedimento administrativo de fiscalização, com o propósito de reduzir os valores devidos pela Recorrente, excluindo-se, assim, as penalidades aplicáveis. Desta forma, o art. 138, parágrafo único, do Código Tributário Nacional é plenamente aplicável ao caso em tela, tendo em vista que não se deve olvidar que a Recorrente optou pela norma do art. 6º, parágrafo único, do Decreto 3.000/99, para fins de tributação dos rendimentos produzidos pelos bens comuns do casal. b) Rendimentos de aluguel de imóveis de alegada propriedade de terceiro Em que pese as alegações da Recorrente e a declaração retificadora apresentada pelo seu filho José Carlos Borges Filho, o fato é que os contratos de aluguel dos imóveis foram celebrados em nome da ora Recorrente, sendo certo que as informações constantes nas DIMOB apresentada pela administradora dos imóveis confirmam que os pagamentos foram efetuados para a ora Recorrente. Dessa forma, a alegação de que a ora Contribuinte não é proprietária do imóvel não pode afastar a incidência da norma jurídica tributária do imposto de renda, tendo em vista que os rendimentos foram recebidos por ela, sendo sua a capacidade contributiva para adimplir a obrigação tributária. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário e nego-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) André Luis Ulrich Pinto Fl. 177DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2001-001.625 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13881.720142/2018-06 Fl. 178DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11020.906422/2010-59
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 03 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2006
COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de demonstrar a certeza e liquidez do crédito alegado para compensação, restituição ou pedido de ressarcimento veiculado mediante PER/DCOMP, pela via administrativa. Inteligência do art. 170 do CTN.
Numero da decisão: 1002-001.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Thiago Dayan da Luz Barros - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva, Rafael Zedral, Marcelo José Luz de Macedo e Thiago Dayan da Luz Barros.
Nome do relator: THIAGO DAYAN DA LUZ BARROS
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2006 COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de demonstrar a certeza e liquidez do crédito alegado para compensação, restituição ou pedido de ressarcimento veiculado mediante PER/DCOMP, pela via administrativa. Inteligência do art. 170 do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Dayan da Luz Barros - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva, Rafael Zedral, Marcelo José Luz de Macedo e Thiago Dayan da Luz Barros.
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OBRIGATORIEDADE. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de demonstrar a certeza e liquidez do crédito alegado para compensação, restituição ou pedido de ressarcimento veiculado mediante PER/DCOMP, pela via administrativa. Inteligência do art. 170 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Dayan da Luz Barros - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva, Rafael Zedral, Marcelo José Luz de Macedo e Thiago Dayan da Luz Barros. Relatório Em atenção aos princípios da economia e celeridade processual, transcrevo o relatório produzido no Acórdão nº 16-52.483 da 4ª Turma da DRJ/SP1, de 08/11/2013 (fls. 29 a 33): 1. Trata o presente processo de declaração de compensação (DCOMP) nº 42079.33545.120307.1.3.047802 objeto de Despacho Decisório (fl. 4) emanado pela Autoridade Administrativa que analisou e não deferiu a compensação declarada, em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 64 22 /2 01 0- 59 Fl. 57DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1002-001.192 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11020.906422/2010-59 razão da localização de um ou mais pagamentos integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando, quanto ao DARF apresentado, crédito disponível a ser aproveitado no presente PER/DCOMP. O referido DARF, conforme os sistemas da Receita Federal do Brasil possui: período de apuração – 30/09/2006; data de arrecadação – 23/10/2006; código de receita – 2089 (IRPJ LUCRO PRESUMIDO); valor original utilizado R$1.600,89. 1.1. O limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão, informado na DCOMP é de R$177,59. A transmissão da DCOMP ocorreu em 12/03/2007. 2. A empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que: (...) O Per/Dcomp n° 42079.33545.120307.1.3.047802 do dia 12/03/2007 que foi objeto do despacho decisório n° rastreamento 887123435, processo de crédito 11020906.422/201059, no valor de R$1.600,89, referente ao DARF, código da receita 2089, período de apuração 30/09/2006, foi recolhido indevidamente em 23/10/20006. Segue anexo: Cópia do DARF 3. À fl. 27, consta despacho da Autoridade Preparadora atestando a tempestividade e encaminhando os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. 3.1. Conforme Histórico das Comunicações, às fls. 20/22 , a ciência do DD ocorreu em 18/10/2010 e a Manifestação de Inconformidade foi protocolada em 17/11/2010 (fls. 2). A DRJ/SP1 julgou improcedente o pedido da empresa recorrente contido em sua manifestação de inconformidade, por entender a DRJ que: [...] 9.1. Nessas circunstâncias, não comprovados o pagamento indevido e o erro cometido no preenchimento da DCTF do 2º semestre de 2006, com documentação hábil, idônea e suficiente, a alteração dos valores declarados não pode ser acatada, pelo que se mantém correta a não homologação da compensação requerida. [...] Face ao referido Acórdão da DRJ/SP1, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fl. 40), limitando-se, no entanto, a informar dados do DARF recolhido relativo ao período de apuração informado, nos seguintes termos: Adicionalmente, a contribuinte indicou ter acostado aos autos os seguintes documentos: Fl. 58DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1002-001.192 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11020.906422/2010-59 É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Dayan da Luz Barros, Relator. Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 2º e do art. 23-B do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), atualizada pela Portaria MF n.º 329/2017, considerando-se tratar da análise de crédito de pagamento indevido de IRPJ (período de apuração 09/2006). Assim, observo que o recurso é tempestivo (interposto em 27/11/2013, vide termo de recebimento da RFB, fl. 40, face ao recebimento da intimação datada de 18/11/2013, fl. 39) e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Mérito Quanto ao mérito da presente demanda, necessário indicar que o pedido de compensação de que trata o presente processo requer análise quanto à comprovação do crédito original na data de transmissão de R$ 177,59 (fl. 24). A empresa contribuinte, por sua vez, apresentou a documentação de fls 42 a 55, no intuito de demonstrar o crédito pretendido já referido. No entanto, não há qualquer demonstrativo por parte da empresa contribuinte que relacione os documentos apresentados à existência do crédito pretendido. Fl. 59DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1002-001.192 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11020.906422/2010-59 Acerca da compensação de créditos, necessário indicar o disposto no Código Tributário Nacional – CTN, o qual determina que a compensação dependerá da existência de crédito líquido e certo, nos seguintes termos: CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. [...] (grifos nossos) A ausência de esclarecimentos precisos e a ausência de demonstração cabal por parte da empresa contribuinte resulta na impossibilidade de caracterização da certeza e da liquidez do crédito pleiteado, impossibilitando a validação do crédito requerido. A demonstração cabal da certeza e da liquidez do crédito pretendido, no presente caso concreto, dependeria, portanto, da conexão lógica entre as explicações e referenciações da empresa contribuinte com os documentos por ela apresentados. Os meios de prova apresentados, portanto, pela empresa Recorrente, demonstram- se insuficientes à demonstração da certeza e liquidez do crédito pleiteado. Nesses termos, a negação do crédito pleiteado é medida que se impõe. Dispositivo Dessa forma, havendo incerteza e iliquidez quanto à demonstração do alegado crédito objeto de compensação, torna-se inviável o reconhecimento do crédito pleiteado nos autos, não havendo motivos para a reforma do Acórdão da DRJ. Considerando-se, portanto, que a literalidade do artigo 170 do CTN só autoriza a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos, e diante da ausência de demonstração cabal do crédito pretendido pela empresa Recorrente, pelos motivos anteriormente Fl. 60DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1002-001.192 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11020.906422/2010-59 expostos, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, mantendo integralmente a decisão de piso. É como voto. (documento assinado digitalmente) Thiago Dayan da Luz Barros Fl. 61DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13052.000268/2002-58
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed May 13 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/06/1996 a 31/12/1997
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. EXECUÇÃO JUDICIAL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS E CUSTAS JUDICIAIS. DESISTÊNCIA.
Comprovado que o contribuinte não executou o seu crédito financeiro obtido em ação judicial. Erro de premissa do acórdão recorrido. A execução somente das verbas referentes aos honorários advocatícios e custas judiciais do processo de conhecimento, não impedem o deferimento de restituição solicitada na esfera administrativa.
Numero da decisão: 9303-010.205
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Demes Brito. No mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Demes Brito (relator originário), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Nos termos do Art. 58, §13 do RICARF, foi designado pelo Presidente de Turma de Julgamento como redator ad hoc para este julgamento, o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o conselheiro Valcir Gassen não votou nesse julgamento, por se tratar de processo originalmente relatado pelo ex-conselheiro Demes Brito.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Relator ad hoc
(documento assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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EXECUÇÃO JUDICIAL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS E CUSTAS JUDICIAIS. DESISTÊNCIA. Comprovado que o contribuinte não executou o seu crédito financeiro obtido em ação judicial. Erro de premissa do acórdão recorrido. A execução somente das verbas referentes aos honorários advocatícios e custas judiciais do processo de conhecimento, não impedem o deferimento de restituição solicitada na esfera administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Demes Brito. No mérito, por maioria de votos, em dar- lhe provimento, vencido o conselheiro Demes Brito (relator originário), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Nos termos do Art. 58, §13 do RICARF, foi designado pelo Presidente de Turma de Julgamento como redator ad hoc para este julgamento, o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o conselheiro Valcir Gassen não votou nesse julgamento, por se tratar de processo originalmente relatado pelo ex-conselheiro Demes Brito. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Relator ad hoc (documento assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 2. 00 02 68 /2 00 2- 58 Fl. 1449DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-010.205 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13052.000268/2002-58 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Trata-se de recurso especial de divergência, interposto pelo Contribuinte ao amparo do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, em face do Acórdão nº 3301-00.336, ementado da seguinte forma: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/1996 a 31/12/1997 AÇÃO JUDICIAL. CRÉDITOS FINANCEIROS. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO A compensação de débitos fiscais com créditos financeiros cujo direito repetição/compensação foi reconhecido na esfera judicial deve ser homologada pela autoridade administrativa competente até o limite do montante do crédito financeiro apurado a favor do contribuinte, de conformidade com as decisões judiciais transitadas em julgado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Contra este Acórdão, a Fazenda Nacional apresentou Embargos de Declaração alegando que houve omissão em decorrência de o Acórdão não ter se pronunciado sobre os precatórios expedidos para pagamentos dos honorários advocatícios e do montante dos indébitos utilizados nas compensações efetuadas pelo interessado cujo direito lhe foi reconhecido por meio dos processos judiciais nos 95.00.16658-5 e 96.00.05740-0 com decisões transitadas em julgado. O Acórdão de Embargos nº 3301-002.212 decidiu por acolher os embargos, conferindo-lhes efeitos infringentes, visto que já havia ocorrido a repetição dos indébitos nos citados processos judiciais e que, reconhecer as presentes compensações implicaria duplicidade na repetição dos indébitos. A Contribuinte apresentou Embargos de Declaração alegando que houve omissão e contradição no Acórdão 3301-00.336, integrado pelo Acórdão 3301-002.212, afirmando que a embargante deu seguimento ao processo judicial tão somente para executar os honorários de sucumbência e as custas judiciais. O despacho de admissibilidade rejeitou os embargos tendo em vista ser manifestamente improcedente a alegação de omissão e que não houve demonstração objetiva de qualquer contradição ocorrida na decisão embargada. Ao Recurso Especial da Contribuinte , em exame de admissibilidade (1400/1403), foi negado seguimento ao Recurso. Contra o despacho proferido pelo Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento (efls. 1.400/1.403), cientificado ao sujeito passivo em 08/06/2018 (efl. 1.405), que negou seguimento ao recurso especial por ausência de divergência jurisprudencial, a Contribuinte interpôs agravo, o qual foi dado seguimento ao Recurso ( fls.1433/1436) para rediscussão referente á "desnecessidade de comprovação de desistência, perante o poder judiciário, de execução/assunção Fl. 1450DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-010.205 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13052.000268/2002-58 de custas processuais e honorários advocatícios para processamento da restituição, ressarcimento e compensação em âmbito administrativo". A Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões (fls.1439/1446), pugna pelo improvimento do Recurso interposto pela PGFN. Regularmente processado o apelo, esta é a síntese do essencial, motivo pelo qual encerro meu relato. Voto Vencido Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator ad hoc Tendo o ilustre conselheiro Demes Brito, renunciado ao seu mandato após iniciado o julgamento do presente recurso e antes de sua conclusão, fui designado pelo presidente em exercício da 3ª Turma da CSRF para desempenhar o papel de relator do presente processo. Tanto o relatório, quanto o voto abaixo, foram retirados do documento elaborado pelo próprio relator original, extraído da pasta onde consta o repositório de votos dos processos indicados para pauta. Esclarecendo que, tanto o relatório quanto o voto, foram lidos pelo relator original em sessão realizada em 23/01/2020. O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Inicialmente, cabe ressaltar que a admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. DECIDO. In caso, nos termos do Parecer de fls. 509/515 e Despacho Decisório de fls. 516, o presente processo administrativo visa ao acompanhamento dos efeitos tributários decorrentes da ação judicial n° 95.00.16658-5, tendo a autoridade fiscal de origem constatado, ainda, a existência das ações judiciais nos 96.00.05740-0 e 97.00.23135-6. 0 agente fiscal registra que a contribuinte entendeu possuir um crédito total de PIS no montante de 322.314,08 UFIR, sendo 207.017,53 UFIR provenientes de indébitos relativos aos Decretos-Leis ifs 2.445/88 e 2.449/88 decorrentes das ações judiciais no s 95.00.16658-5/RS e 96.00.05740-0/RS e, também, 115.296,55 UFIR provenientes de recolhimento de folha de salário relativo ao Mandado de Segurança n° 97.00.23135-6/RS. Entretanto, neste caso, não houve o reconhecimento judicial do crédito. A DRF concluiu pela inexistência de créditos de PIS passíveis de compensação e indeferiu as compensações relativas aos períodos de apuração entre junho e dezembro de 1996 e outubro a dezembro de 1997, cujos débitos estariam confessados/constituídos em DCTF/DIRPJ. Com efeito, a decisão recorrida deu parcial provimento ao Recurso, em razão de já ter ocorrido a repetição dos indébitos nos processos judiciais nºs 95.00.16658-5 e 96.00.05740-0 com decisões transitadas em julgado e que, reconhecer as presentes compensações implicaria duplicidade na repetição dos indébitos. Fl. 1451DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-010.205 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13052.000268/2002-58 No Recurso Especial, o sujeito passivo suscita divergência contra o entendimento adotado pelo acórdão recorrido em relação a aplicação do art. 17 da IN SRF nº 21/1997 referente a compensação de crédito reconhecido por sentença judicial transitada em julgado tendo em vista a desistência da execução do título judicial perante o Poder Judiciário. Para comprovar o dissenso em relação à matéria foi colacionado, como paradigma, o Acórdão nº 301-32.177. Transcreve-se fragmentos do aresto: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/09/1989 a 31/10/1991 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. EXECUÇÃO PELA VIA. ADMINISTRATIVA. OPÇÃO PELO CONTRIBUINTE. Tendo o contribuinte obtido julgamento favorável em ação de conhecimento, poderá optar pela liquidação administrativa de crédito e após a liquidação, prosseguir pedindo a compensação ou a restituição, momento em que deverá comprovar a desistência da execução judicial. HONORÁRIOS ADVOCATICIOS. TRANSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os honorários constituem parcela autônoma do decisum, não havendo espaço para as partes transacionarem nessa extensão, sem que o advogado tenha expressamente consentido para tal acordo. Inviável a pretensão de se afastar direito dos causídicos, seja porque estes sequer participaram do acordo, seja porque os honorários advocatícios se configuram como parcela autônoma, insuscetível de transação apenas pelos litigantes. (Ag 8192681DF) CUSTAS. PRINCIPIO DA SUCUMBÊNCIA. ART. 20 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. A sentença condenará o vencido a pagar as custas decorrentes da aplicação do princípio da sucumbência, nos termos do artigo 20 do Código de Processo Civil. O artigo 74 da Lei 9.430/96 com redação dada pela Lei 10.637/02, não condiciona a opção do contribuinte pela compensação administrativa dos créditos apurados judicialmente a assunção de honorários advocatícios e custas processuais. A norma legal não explicita a intenção do legislador em gravar a compensação opcionada. As condições gravosas estabelecidas nas instruções normativas que regulamentaram a matéria, extrapolam os limites demarcados pela lei ordinária que não subordina a compensação administrativa aos citados efeitos gravosos, ou seja à assunção de honorários advocatícios, custas e despesas processuais por parte do contribuinte decorrentes de ação judicial com sentença transitada em julgado. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO” O acórdão recorrido decidiu que já havia ocorrido a repetição dos indébitos nos processos judiciais nºs 95.00.16658-5 e 96.00.05740-0, com decisões transitadas em julgado e que, reconhecer as presentes compensações implicaria duplicidade na repetição dos indébitos. Já acórdão paradigma decidiu que a exigência contida no art. 17 da IN SRF 21/97 referente a necessária comprovação da desistência de execução de título judicial obtido em ação transitada em julgado, com assunção das custas do processo, inclusive de honorários advocatícios, não tem base legal. Portanto, determinou a reforma da decisão e retorno dos autos para apreciação do pedido. Não há exigência de desistência da execução do título judicial com assunção das custas e honorários advocatícios por parte do acórdão recorrido tal qual relata a Contribuinte em Fl. 1452DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-010.205 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13052.000268/2002-58 seu Recurso Especial. Em verdade o recorrido apenas afirma já ter ocorrido a execução do título judicial, e que, acatando as presentes compensações, ocorreria dupla repetição dos indébitos tributários objeto das ações judiciais nos 95.00.16658-5 e 96.00.05740-0. Fica evidente, então, não haver divergência de entendimento da legislação tributária no presente caso De modo que, essas dessemelhanças fáticas e normativas impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência jurisprudencial. Em se tratando de espécies díspares nos fatos embasadores da questão jurídica, não há como se estabelecer comparação e deduzir divergência. Neste sentido, reporto-me ao Acórdão n o CSRF/01-0.956: “Caracteriza-se a divergência de julgados, e justifica-se o apelo extremo, quando o recorrente apresenta as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência a nível do juízo de admissibilidade do recurso, é “tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar a essência” ou que se “agrega a um fato sem alterá-lo substancialmente” (Magalhães Noronha, in Direito Penal, Saraiva, 1 o vol., 1973, p. 248), não se toma conhecimento de recurso de divergência, quando no núcleo, a base, o centro nevrálgico da questão, dos acórdãos paradigmas, são díspares. Não se pode ter como acórdão paradigma enunciado geral, que somente confirma a legislação de regência, e assente em fatos que não coincidem com os do acórdão inquinado.” Dispositivo Ex positis, por ausência de divergência jurisprudencial, não tomo conhecimento do Recurso interposto pela Contribuinte. Caso vencido, adoto as razões de decidir da decisão recorrida na integra, para negar provimento ao recurso especial do contribuinte. É como voto. (documento assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado. Com o devido respeito ao voto do ilustre relator, discordo de suas conclusões tanto em relação ao conhecimento do recurso especial, quanto em relação ao mérito do recurso. Antes de adentrar à análise do conhecimento e do mérito recursal, entendo importante retomar alguns elementos fáticos do presente processo. Parecer Sacat/DRF/Santa Cruz do Sul/RS fl. 1022. Tem um resumo das ações judiciais. Fica claro na planilha que o contribuinte somente executou as custas judiciais e Fl. 1453DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-010.205 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13052.000268/2002-58 honorários advocatícios. Negou-se o crédito, pois o analista entendeu que não tinha saldo credor ao comparar os recolhimentos efetuados com base nos Decretos-Leis e na LC 07/70. Não considerou a semestralidade. Mandou cobrar os débitos compensados que foram declarados em DCTF e mandou lançar os que não estavam em DCTF. DD fl. 1036. Confirmou o entendimento do parecer. Basicamente foram dois os motivos do indeferimento: 1) Cálculo apurou inexistência de crédito comparando as duas formas de recolhimento (Decretos-Leis e LC). Não considerou a semestralidade. 2) A empresa não tinha direito ao crédito de PIS incidente sobre a folha de salários. MI fl. 1044. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, e-fl. 1044. A DRJ/Santa Maria-RS, e-fl. 1108, baixou o processo em diligência para que a unidade refizesse o cálculo considerando a semestralidade. Informação Fiscal Sacat/DRF/SCS e-fl. 1122. Esclareceu que o contribuinte tinha no seu pedido 2 tipos de créditos conforme abaixo: 1) 207.017,53 UFIR (diferença de recolhimento dos DC com a LC); e 2) 115.296,55 UFIR (crédito calculado pelo contribuinte em função de recolhimentos sobre a folha de salários. A Informação Fiscal concluiu que se considerasse a semestralidade, conforme solicitado pela DRJ, os cálculos do item 1 acima do contribuinte estariam corretos. Acrescenta que é inexistente o direito de crédito em relação ao item 2 e que tal conclusão não teria sido objeto da manifestação de inconformidade. Nova manifestação do contribuinte, e-fl. 1146. Acórdão de Manifestação de Inconformidade proferido pela DRJ/Santa Maria, e- fl. 1206, indeferiu o direito do contribuinte da seguinte forma, em resumo: o contribuinte não poderia ter efetuado as compensações antes do trânsito em julgado das ações judiciais. Sendo que os trânsitos em julgado deram-se em 22/06/2004 e 22/08/2001. As compensações do processo foram efetuadas em data anterior. Fundamento art. 170 e 170-A do CTN. Não conheceu da MI na discussão de eventual prescrição dos débitos compensados. Fl. 1454DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-010.205 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13052.000268/2002-58 O contribuinte apresentou recurso voluntário e-fl. 1234. Acórdão CARF nº 3301-00.336, de 16/11/2009, deu parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de compensação no limite do crédito apurado. O voto vencido do ex-conselheiro Maurício Taveira, dava provimento parcial para considerar a compensação nos termos do parecer fiscal. Já o voto vencedor do José Adão, reconheceu o indébito de 207.017,53 UFIR, mesmo valor do parecer fiscal, para ser compensado até o seu limite. A Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração, e-fl. 1288. Alegou omissão, pois o contribuinte teria que comprovar a desistência da execução do processo judicial, inclusive dos honorários advocatícios. Citou o art. 17 da IN SRF 21/97. Acórdão de embargos 3301-002.212, de 25/02/2014, e-fl. 1311, acatou os embargos com efeitos infringentes com a seguinte conclusão: “Assim, demonstrado que o interessado repetiu o crédito financeiro reclamado, naqueles processos judiciais, cujo direito de repetição lhe foi reconhecido na esfera judicial, não há que se falar em convalidação das compensações, objeto deste processo administrativo”. A conclusão acima foi equivocada, o contribuinte não executou o objeto da ação judicial, somente as custas judiciais e os honorários advocatícios. Em face deste fato, o contribuinte apresentou embargos de declaração, e-fl. 1328. Afirma o erro da premissa de que teria executado a ação judicial. Informa que executou somente as custas judiciais e os honorários advocatícios. Os embargos foram rejeitados por despacho monocrático do então presidente da turma embargada. Conhecimento do recurso especial O contribuinte apresentou recurso especial de divergência, e- fl. 1369, informando o Acórdão paradigma nº 301-32.177. Referido recurso especial não foi admitido pelo presidente da 3ª Câmara. Alegou que o acórdão recorrido não deliberou sobre o art. 17 da IN SRF nº 21/97. Portanto não estaria comprovada a divergência, ante a falta de prequestionamento da matéria. Fl. 1455DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 9303-010.205 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13052.000268/2002-58 Porém, o recurso especial foi admitido em despacho de agravo aprovado pela Presidente da CSRF. Conheço do recurso especial nos termos do despacho em agravo. Na verdade o acórdão recorrido não discutiu o art. 17 da IN SRF nº 21/97, porque os embargos apresentados pelo contribuinte não foram acatados por despacho monocrático do presidente da turma recorrida. Além do mais, o art. 17 da IN SRF nº 21/97, foi o fundamento pelo qual a Fazenda Nacional apresentou os seus embargos de declaração que foram admitidos com efeitos infringentes. Portanto não existe a falta de prequestionamento. Mérito O acórdão recorrido, integrado pelo acórdão de embargos, conforme pode se verificar dos fatos narrados anteriormente, incorreu em erro ao considerar que o contribuinte já havia recebido o crédito reclamado em decorrência de execução da ação judicial. Tal fato não ocorreu, sendo que o processo de execução judicial deu-se somente para levantamento das custas judiciais e dos honorários de sucumbência. Dou provimento ao recurso especial do contribuinte, para confirmar a jurisprudência dessa turma no sentido de que não é necessária a comprovação da desistência de execução das custas judiciais e dos honorários advocatícios. Aliás essa é a regra já adotada pela RFB nas novas redações das IN que tratam do assunto. Nesse sentido os seguintes precedentes desta CSRF: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/06/1982 a 31/12/1982 CRÉDITO TRIBUTÁRIO RECONHECIDO EM PROCESSO JUDICIAL DE CONHECIMENTO TRANSITADO EM JULGADO. RENÚNCIA CUSTAS E HONORÁRIOS REFEREM-SE AO PROCESSO DE EXECUÇÃO. Na compensação administrativa de título executivo judicial, serão observados os requisitos estabelecidos em ato normativo da Receita Federal, editado em conformidade com o artigo 74, §14º da Lei nº 9.430/96 e do art. 170 do CTN, não havendo de se falar em exigência de renúncia dos honorários advocatícios e custas judiciais fixados na fase de conhecimento da ação judicial, o que implicaria em renunciar parcialmente ao próprio título executivo judicial transitado em julgado. (Acórdão nº 9303-009.818, de 10/12/2019, relator conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire). COMPENSAÇÃO COM BASE EM DECISÃO JUDICIAL. DESISTÊNCIA DA EXECUÇÃO. LIMITAÇÕES. Fl. 1456DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 9303-010.205 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13052.000268/2002-58 Na hipótese de título judicial em fase de execução, a restituição somente será efetuada se o requerente comprovar a desistência da execução do título judicial perante o Poder Judiciário e a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios a ele relativos, o que não contempla aqueles da ação de conhecimento (§ 2º do art. 37 da IN/SRF nº 210/2002). (acórdão nº 9303-009603, de 15/10/2019, relator conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas). Diante do exposto, conheço e dou provimento ao recurso especial do contribuinte para reconhecer o direito ao crédito e a possibilidade de sua compensação nos exatos termos em que deliberado pela Informação Fiscal Sacat/DRF/SCS, e-fl. 1122, realizada em atendimento à diligência solicitada pela DRJ/Santa Maria. (documento assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 1457DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10183.723679/2012-11
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 15 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon May 04 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2010
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO.
Na Declaração de Ajuste Anual poderão ser deduzidas as despesas médicas, de hospitalização e com plano de saúde referentes a tratamento do contribuinte, de seus dependentes e de seus alimentandos realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, desde que preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência.
Numero da decisão: 2002-004.931
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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DEDUÇÃO. Na Declaração de Ajuste Anual poderão ser deduzidas as despesas médicas, de hospitalização e com plano de saúde referentes a tratamento do contribuinte, de seus dependentes e de seus alimentandos realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, desde que preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Trata-se de Notificação de Lançamento (e-fls. 49/54) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2010, onde se apurou Dedução Indevida de Despesas Médicas e Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF. A contribuinte apresentou Impugnação (e-fls. 02/05), cujas alegações foram resumidas no relatório do acórdão recorrido (e-fls. 69/72): AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 36 79 /2 01 2- 11 Fl. 143DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-004.931 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.723679/2012-11 a) Havia entregue tempestivamente, à fiscalização, toda a documentação solicitada e, por esta razão, o lançamento deveria ser cancelado; b) Os documentos apresentados comprovam os gastos e a legalidade das deduções pleiteadas; c) Conclui requerendo a acolhida da impugnação e cancelamento do lançamento e, na eventualidade de não acolhimento da preliminar, que seja dado provimento para julgar improcedente o lançamento, por legítima e de inteira justiça. A fiscalização procedeu à Revisão de Ofício do Lançamento, cancelando a Compensação Indevida de IRRF e parte da Dedução Indevida de Despesas Médicas (e-fls. 45/47). Cientificada, a contribuinte não se manifestou dentro do prazo concedido (e-fls. 67). A Impugnação foi julgada Improcedente pela 6ª Turma da DRJ/CTA em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2009 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. A dedução das despesas médicas limita-se a pagamentos especificados e comprovados mediante documentação hábil e idônea. Cientificada do acórdão de primeira instância em 16/09/2013 (e-fls. 79), a interessada ingressou com Recurso Voluntário em 16/10/2013 (e-fls. 83/86) contendo os argumentos a seguir sintetizados. - Alega que, de acordo com a Lei 9.250/95 e a Instrução Normativa SRF n° 15/01, não necessariamente o recibo será fonte exclusiva de comprovação de despesas médicas, podendo ser feita a comprovação do pagamento através de cheque nominativo. Conclui que, se tivesse apresentado cheque nominativo, como lhe é permitido, não seria possível precisar se os procedimentos foram efetuados na própria ou em outra pessoa, dependente ou não. - Afirma que a decisão de Primeira Instância Administrativa não levou em consideração o princípio da isonomia e discorre sobre o tema. - Relaciona os recibos comprobatórios das despesas próprias com procedimentos médicos e odontológicos no ano calendário 2009, os quais estariam anexados para análise nesta petição. Este Colegiado converteu o julgamento do Recurso Voluntário em Diligência para que a Unidade de Origem juntasse ao presente processo a Declaração de Ajuste Anual objeto do lançamento (e-fls. 126/127, 136/140). Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O litígio a ser apreciado recai somente sobre a dedução indevida de despesas médicas mantida no julgamento de primeira instância. Fl. 144DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-004.931 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.723679/2012-11 Extrai-se dos autos que a autoridade lançadora glosou integralmente as despesas médicas declaradas pela contribuinte por falta de comprovação (e-fls. 51, 139). A Revisão de Ofício restabeleceu apenas o pagamento de R$ 7.778,38 informado para a Afemat, mantendo a glosa das demais despesas pela ausência de indicação do paciente nos recibos apresentados (e- fls. 16, 46). O Colegiado a quo ratificou o entendimento da autoridade revisora, conforme item 14 do voto condutor da decisão recorrida (e-fls. 72): 14. Os recibos apresentados pela contribuinte, carreados às fls. 17 a 27 dos autos, não identificam o paciente, indicando apenas a contribuinte como pagante do serviço. Sobre o assunto, acompanho o entendimento contido na Solução de Consulta Interna Cosit nº 23 de 30/08/2013. Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, pode-se presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidade, o que não ocorreu no presente caso. Dessa forma, considero como paciente a própria recorrente, não merecendo prevalecer a glosa das despesas em litígio. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 145DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 15504.730099/2015-69
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed May 13 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2010
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF nº 49.
Nos termos da Súmula CARF nº 49, o instituto da denúncia espontânea não alcança a prática de ato puramente formal do contribuinte, consistente na entrega, com atraso, da GFIP.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. DESNECESSIDADE. Súmula CARF nº 46.
O contribuinte deve cumprir a obrigação acessória de entregar a GFIP no prazo legal sob pena de aplicação da multa prevista na legislação.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário (Súmula vinculante CARF 46).
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DE INTERPRETAÇÃO. INEXISTÊNCIA
A multa por atraso na entrega da GFIP passou a existir no ordenamento jurídico a partir da introdução do art. 32-A na Lei nº 8.212/91, pela lei 11.941/09. O dispositivo não sofreu alteração, de forma que o critério para sua aplicação é único desde a edição da lei.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA CARF nº 2. CONFISCO.
Não há que se falar em confisco quando a multa for aplicada em conformidade com a legislação.
Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. MOROSIDADE DO ÓRGÃO PARA EFETUAR O LANÇAMENTO. PRAZO PARA LANÇAMENTO.
Incabível a alegação de morosidade do órgão competente para efetuar o lançamento da multa por atraso na entrega da GFIP. O prazo para que o Fisco proceda ao lançamento é de 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da GFIP (inteligência do art. 173, I, do CTN). É valido o lançamento efetuado com observância desse prazo.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP X PAGAMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. INDEPENDÊNCIA.
O pagamento da obrigação principal não afasta a aplicação da multa por atraso na entrega da GFIP.
Numero da decisão: 2003-000.941
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13770.720659/2015-00, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Raimundo Cassio Gonçalves Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cassio Gonçalves Lima (Presidente), Gabriel Tinoco Palatinic, Wilderson Botto e Sara Maria de Almeida Carneiro Silva.
Nome do relator: RAIMUNDO CASSIO GONCALVES LIMA
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF nº 49. Nos termos da Súmula CARF nº 49, o instituto da denúncia espontânea não alcança a prática de ato puramente formal do contribuinte, consistente na entrega, com atraso, da GFIP. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. DESNECESSIDADE. Súmula CARF nº 46. O contribuinte deve cumprir a obrigação acessória de entregar a GFIP no prazo legal sob pena de aplicação da multa prevista na legislação. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário (Súmula vinculante CARF 46). MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DE INTERPRETAÇÃO. INEXISTÊNCIA A multa por atraso na entrega da GFIP passou a existir no ordenamento jurídico a partir da introdução do art. 32-A na Lei nº 8.212/91, pela lei 11.941/09. O dispositivo não sofreu alteração, de forma que o critério para sua aplicação é único desde a edição da lei. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA CARF nº 2. CONFISCO. Não há que se falar em confisco quando a multa for aplicada em conformidade com a legislação. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. MOROSIDADE DO ÓRGÃO PARA EFETUAR O LANÇAMENTO. PRAZO PARA LANÇAMENTO. Incabível a alegação de morosidade do órgão competente para efetuar o lançamento da multa por atraso na entrega da GFIP. O prazo para que o Fisco proceda ao lançamento é de 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da GFIP (inteligência do art. 173, I, do CTN). É valido o lançamento efetuado com observância desse prazo. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP X PAGAMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. INDEPENDÊNCIA. O pagamento da obrigação principal não afasta a aplicação da multa por atraso na entrega da GFIP.
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF nº 49. Nos termos da Súmula CARF nº 49, o instituto da denúncia espontânea não alcança a prática de ato puramente formal do contribuinte, consistente na entrega, com atraso, da GFIP. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. DESNECESSIDADE. Súmula CARF nº 46. O contribuinte deve cumprir a obrigação acessória de entregar a GFIP no prazo legal sob pena de aplicação da multa prevista na legislação. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário (Súmula vinculante CARF 46). MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DE INTERPRETAÇÃO. INEXISTÊNCIA A multa por atraso na entrega da GFIP passou a existir no ordenamento jurídico a partir da introdução do art. 32-A na Lei nº 8.212/91, pela lei 11.941/09. O dispositivo não sofreu alteração, de forma que o critério para sua aplicação é único desde a edição da lei. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA CARF nº 2. CONFISCO. Não há que se falar em confisco quando a multa for aplicada em conformidade com a legislação. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. MOROSIDADE DO ÓRGÃO PARA EFETUAR O LANÇAMENTO. PRAZO PARA LANÇAMENTO. Incabível a alegação de morosidade do órgão competente para efetuar o lançamento da multa por atraso na entrega da GFIP. O prazo para que o Fisco AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 73 00 99 /2 01 5- 69 Fl. 85DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-000.941 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.730099/2015-69 proceda ao lançamento é de 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da GFIP (inteligência do art. 173, I, do CTN). É valido o lançamento efetuado com observância desse prazo. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP X PAGAMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. INDEPENDÊNCIA. O pagamento da obrigação principal não afasta a aplicação da multa por atraso na entrega da GFIP. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13770.720659/2015-00, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cassio Gonçalves Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cassio Gonçalves Lima (Presidente), Gabriel Tinoco Palatinic, Wilderson Botto e Sara Maria de Almeida Carneiro Silva. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e, dessa forma, adoto neste relatório o relatado no Acórdão nº 2003-000.632, de 19 de fevereiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata-se de exigência de multas por atraso na entrega da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) em relação às quais o autuado apresentou impugnação, alegando que não foi intimado previamente ao lançamento, invocando a súmula 410 do STJ; a denúncia espontânea da infração; que já quitou a obrigação principal, e por isso a multa não se aplicaria; que a demora do fisco em efetuar o lançamento insinua que houve mudança no critério jurídico de interpretação, devendo ser observado o preconiza o art. 146 do CTN; invocou ofensa a princípios constitucionais no lançamento, inclusive o efeito confiscatório da multa; e a contrariedade à jurisprudência tanto dos tribunais, quanto do próprio CARF. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação por considerar que as razões apresentadas não invalidam o lançamento, mantendo o crédito tributário tal como lançado. Inconformado, o contribuinte interpôs o presente recurso voluntário no qual pretende sejam novamente apreciadas as alegações já submetidas à apreciação da primeira instância. Requer o cancelamento do débito lançado. Fl. 86DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-000.941 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.730099/2015-69 É o relatório. Voto Conselheiro Raimundo Cassio Gonçalves Lima, Relator Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2003-000.632, de 19 de fevereiro de 2020, paradigma desta decisão. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão por que dele conheço. Preliminares As questões preliminares se confundem com o mérito e com este serão analisadas. Mérito Da denúncia espontânea da infração O recorrente alega a denúncia espontânea da infração, já que entregou as declarações em atraso, mas espontaneamente. Não há que se falar aqui em denúncia espontânea da infração, instituto previsto no art. 138 do CTN, uma vez que quando da apresentação em atraso das GFIP já houve a consumação da infração, constituindo-se em um fato não passível de correção pela denúncia espontânea. Esse entendimento está pacificado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no sentido de que o 138 do CTN é inaplicável à hipótese de infração de caráter puramente formal, que seja totalmente desvinculada do cumprimento da obrigação tributária principal. Cita-se como exemplo o seguinte julgamento: TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA COM ATRASO DE DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS DO IMPOSTO DE RENDA. MULTA. PRECEDENTES. 1. A entidade "denúncia espontânea" não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração do Imposto de Renda. 2. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Precedentes. 3. Embargos de Divergência acolhidos. (EREsp: Nº 246.295/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, julgado em 18/06/2001, DJ 20/08/2001). A matéria também já foi enfrentada por diversas vezes por este Conselho, que já editou Súmula de caráter vinculante a respeito, ou seja: Fl. 87DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-000.941 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.730099/2015-69 Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Portaria CARF nº 49, de 1/12/2010, publicada no DOU de 7/12/2010, p. 42) O recorrente invocou ainda a aplicação do art. 472 da Instrução Normativa da Receita Federal nº 971, de 13 de novembro de 2009, que prevê que “Caso haja denúncia espontânea da infração, não cabe a lavratura de Auto de Infração para aplicação de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória.” Entretanto, o parágrafo único do mesmo dispositivo já esclarece que “Considera-se denúncia espontânea o procedimento adotado pelo infrator com a finalidade de regularizar a situação que constitua infração,...” (grifei). Como já colocado acima, quando da apresentação em atraso da GFIP já houve a consumação da infração, constituindo-se em um fato não passível de correção pela denúncia espontânea. Além disso, o art. 476, II, da mesma instrução Normativa prevê expressa e especificamente a aplicação da multa no caso de GFIP entregue atraso a partir de 4 de dezembro de 2008. Não pode haver conflito entre dispositivos de um mesmo ato normativo. Enquanto o art. 472 trata de regra geral, aplicável às situações em que é possível a caracterização da denúncia espontânea, o art. 476 trata especificamente da multa que se discute no presente processo, à qual não se aplica tal instituto. Dessa forma, a alegação não procede. Alega ainda que o Manual vigente da GIFP/SEFIP 8.4 traz disciplina contraditória, pois assim estabelece: “12 - PENALIDADES Estão sujeitas a penalidades as seguintes situações: • Deixar de transmitir a GFIP/SEFIP; • Transmitir a GFIP/SEFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores; • Transmitir a GFIP/SEFIP com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Os responsáveis estão sujeitos às sanções previstas na Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990, no que se refere ao FGTS, e às multas previstas na Lei nº. 8.212, de 24 de julho de 1991 e alterações posteriores, no que tange à Previdência Social, observado o disposto na Portaria Interministerial MPS/MTE nº 227, de 25 de fevereiro de 2005. A correção da falta, antes de qualquer procedimento administrativo ou fiscal por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil, caracteriza a denúncia espontânea, afastando a aplicação das penalidades previstas na legislação citada.” Entretanto, consta no referido Manual a seguinte informação: “Atualização: 10/2008”. A multa por atraso na entrega da GFIP passou a existir no ordenamento jurídico a partir da introdução do art. 32-A na Lei nº 8.212, de 1991, inserido pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, ou seja, em data posterior à publicação da última versão do Manual. Nota-se que o próprio dispositivo citado do Manual prevê que “Os responsáveis Fl. 88DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-000.941 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.730099/2015-69 estão sujeitos às sanções previstas na Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990, no que se refere ao FGTS, e às multas previstas na Lei nº. 8.212, de 24 de julho de 1991 e alterações posteriores, no que tange à Previdência Social, observado o disposto na Portaria Interministerial MPS/MTE nº 227, de 25 de fevereiro de 2005.”, dispositivo este que resguardou a aplicação da multa que se discute nos autos. Isso posto, não há como prover o recurso neste ponto. Da necessidade de intimação prévia ao lançamento Alega o recorrente que não foi intimado previamente ao lançamento, conforme determinaria o art. 32-A da Lei nº 8.212, de 1991. Entretanto, o lançamento foi efetuado com base nas declarações apresentadas pelo recorrente, de forma que que quando do lançamento o Fisco já dispunha dos elementos suficientes para proceder ao lançamento da infração oriunda da entrega intempestiva da declaração, o que dispensa a intimação prévia. Nesse sentido, este Conselho já editou Súmula de caráter vinculante a todos os que aqui atuam, ou seja: Súmula CARF nº 46 O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Ademais, o art. 32-A da Lei nº 8.212, de 1991, disciplina que o “O contribuinte que deixar de apresentar a declaração no prazo... será intimado a apresentá-la”. Se o contribuinte já apresentou a declaração, não cabe intimá-lo a cumprir algo que já fez. À luz do inciso II do caput do art. 32-A da Lei 8.212, de 1991, a multa por atraso será aplicada a todos os obrigados que descumprirem a lei em duas hipóteses: deixar de apresentar a declaração, ou apresentá-la após o prazo previsto. No presente caso, foi aplicada corretamente a multa de “...de 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de ... entrega após o prazo”. O recorrente invoca a aplicação da Súmula 410 do STJ (que não possui efeito vinculante), segundo a qual “A prévia intimação pessoal do devedor constitui condição necessária para a cobrança de multa pelo descumprimento de obrigação de fazer ou não fazer.” Além de não ter efeito vinculante, afastar multa prevista expressamente em diploma legal sob tal fundamento implicaria declarar a inconstitucionalidade de lei. Nesse sentido, cabe aqui a aplicação da Súmula CARF nº 2, esta sim de observância obrigatória por todos os membros desse Colegiado, segundo a qual “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Fl. 89DF CARF MF Documento nato-digital http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 6 do Acórdão n.º 2003-000.941 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.730099/2015-69 Da alteração no critério jurídico de interpretação – morosidade no lançamento O recorrente alega ainda que a demora do fisco em efetuar o lançamento insinua que houve mudança no critério jurídico de interpretação, devendo ser observado o preconiza o art. 146 do CTN. Não assiste razão à recorrente. A multa por atraso na entrega da GFIP passou a existir no ordenamento jurídico a partir da introdução do art. 32- A na Lei nº 8.212, de 1991, inserido pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. O dispositivo permanece inalterado até o presente momento, de forma que o critério para aplicação da penalidade é único e o lançamento observou este único critério, pois foi efetuado com base nos exatos termos ali previstos. Não cabe aqui qualquer juízo quanto à demora na aplicação da penalidade, sendo a incabível a alegação de morosidade do órgão competente para efetuar o lançamento da multa por atraso na entrega da GFIP, desde que o lançamento tenha sido efetuado respeitando o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN, o que aconteceu. Se sua efetivação não se deu antes, não se pode atribuir o fato a mudança de entendimento, mas à possibilidade de gerenciamento e controle administrativos a partir dos recursos humanos e materiais disponíveis. Da alegação de inobservância de princípios constitucionais na aplicação da penalidade Não assiste razão ao recorrente. A aplicação da penalidade se deu nos exatos termos da lei, não cabendo aqui a análise da constitucionalidade de lei tributária, entendimento inclusive já objeto de Súmula deste Conselho: Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Os princípios constitucionais devem ser observados pelo legislador no momento da elaboração da lei. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la, sob pena de responsabilidade funcional, pois desenvolve atividade vinculada e obrigatória. No caso, a multa foi aplicada em conformidade com a legislação de regência, portanto não há que se falar em confisco. Das outras alegações A fim de subsidiar suas alegações, o recorrente juntou aos autos jurisprudência dos tribunais. Entretanto, a jurisprudência citada não possui efeito vinculante em relação à Administração Pública Federal, pois somente se aplicam entre as partes e nos limites das lides e das questões decididas (inteligência do art. 100 do CTN c/c art. 506 da Lei º 13.105/2015 – Código de Processo Civil). Fl. 90DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2003-000.941 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.730099/2015-69 No que se refere à decisão colacionada, emitida por este Conselho, além de não ser vinculante, trata-se de situação distinta daquela que se discute nos autos. Cita-se ali a impossibilidade de concomitância da multa prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 com a multa prevista no inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91. No presente caso, além de não haver concomitância, a multa aplicada foi a prevista no inciso II (e não no inciso I) do art. 32-A da Lei nº 8.212/91. Por último, o fato de ter havido pagamento do tributo em nada invalida o lançamento da multa. Como expressamente assentado no inciso II do art. 32-A da Lei 8.212/91, a multa aplicada foi “de 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas... no caso de ...entrega após o prazo”. O cerne da questão é saber se o contribuinte cumpriu o prazo estipulado pela legislação aplicável, restando incontroverso que não cumpriu. Dessa forma, não há como prover o recurso. Conclusão Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso, mantendo o crédito tributário tal como lançado. É como voto. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cassio Gonçalves Lima Fl. 91DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10980.002758/2005-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Data do fato gerador: 23/03/2005, 24/03/2005
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO
A homologação, pela autoridade administrativa competente, da compensação do débito fiscal declarado, mediante a apresentação de declaração de compensação (Dcomp), não instaura litígio, descabendo a apresentação de manifestação de inconformidade contra o despacho decisório que a homologou.
LITÍGIO NÃO INSTAURADO. RECURSO. CONHECIMENTO
Não se conhece de recurso voluntário interposto em face da ausência de litígio.
Numero da decisão: 3301-000.787
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Heloisa Guarita Souza.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: José Adão Vitorino de Morais
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 23/03/2005, 24/03/2005 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO A homologação, pela autoridade administrativa competente, da compensação do débito fiscal declarado, mediante a apresentação de declaração de compensação (Dcomp), não instaura litígio, descabendo a apresentação de manifestação de inconformidade contra o despacho decisório que a homologou. LITÍGIO NÃO INSTAURADO. RECURSO. CONHECIMENTO Não se conhece de recurso voluntário interposto em face da ausência de litígio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Heloisa Guarita Souza. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Rodrigo Pereira de Mello, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Possas. Fl. 157DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 28/02/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 22/07/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ Curitiba, PR, que julgou improcedente a manifestação inconformidade interposta contra despacho decisório que homologou integralmente a compensação dos débitos fiscais declarados na Dcomp, objeto deste processo administrativo, e, ainda, reconheceu parcialmente o crédito informado no demonstrativo às fls. 55, denominado “CRÉDITO DA COFINS EXPORTAÇÃO”, apurado para o período de outubro de 2004. Analisada a Dcomp, a DRF em Curitiba reconheceu à recorrente o direito ao crédito financeiro utilizado na Dcomp em discussão e homologou a compensação dos débitos fiscais próprios nela declarados. Em seu despacho decisório, aquela DRF se manifestou sobre o saldo dos créditos disponível para futuras compensações/pedido de ressarcimento apurado naquele demonstrativo, reconhecendo parcialmente o direito da recorrente a eles. Cientificada do despacho decisório e informada, equivocadamente, que poderia apresentar manifestação de inconformidade para a DRJ Curitiba, o fez tempestivamente, alegando razões assim sintetizadas por aquela DRJ: “. . . que as glosas feitas pela decisão recorrida são indevidas, fundadas em premissas de fato e de direito equivocadas, reduzindo o saldo credor compensável, que merece ser totalmente reconhecido e o Despacho Decisório reformado. Destaca, inicialmente, que lhe deve ser assegurado o crédito oriundo da nota fiscalfatura n° 83.192, emitida pela empresa Arvinmeritor do Brasil Sistemas Automotivos Ltda., em 22/07/2004, no importe de R$ 10.562,71, por se referir a insumos utilizados na fabricação de automóveis para exportação. Em relação a ‘créditos a descontar na importação – Cofins paga’, ressalta que, embora tenha sido reconhecido que tais créditos estão vinculados às receitas de exportação, houve a glosa sob a premissa de que apenas com a edição da Lei nº 11.116/2005 os mesmos tornaramse passíveis de compensação ou ressarcimento. Alega que o saldo credor da Cofins nãocumulativa, decorrente de operações de exportação, tem fundamento no art. 6º da Lei n° 10.833/2003, o qual passou a produzir efeitos desde 1º/02/2004. Os créditos glosados, diz, foram aqueles originários de importações de insumos aplicados na produção de bens para exportação e que o art. 15 da Lei n° 10.865/2005 (conversão da MP n° 164, de 29/01/2004), que instituiu o PIS/Cofins Importação, permitindo que essas contribuições pagas em importações específicas (incisos I a V) fossem aproveitadas como créditos para compensação. Ressalta que não procede o entendimento esboçado no Despacho Decisório proferido no PAF n° 10980.001013/200586, referindose ao art. 16 da Lei n° 11.116, de 2005, usado como fundamento para a negativa de seu direito, porque não trata do crédito objeto do presente processo administrativo, sendo de todo inaplicável ao caso concreto. Entende que esse dispositivo não se aplica aos créditos vinculados à exportação, uma vez que o direito ao ressarcimento e compensação em geral já lhes é garantido desde a edição da Lei n° 10.833, art. 6º, restando evidente que o art. 16 da Lei n° 11.116 limitase aos créditos referidos no art. 17 da Lei n° 11.033, não trazendo qualquer alteração no tratamento dos créditos vinculados à exportação, nem mesmo a eles se referindo. Para corroborar sua tese, diz que a Secretaria da Receita Federal reconhece, em inúmeras soluções Fl. 158DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 28/02/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 22/07/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 10980.002758/200562 Acórdão n.º 330100.787 S3C3T1 Fl. 148 3 de consultas, anteriores ao advento das Leis nºs 11.033/2004 e 11.116/2005, a legitimidade da compensação de créditos vinculados a operações de exportação. Expõe que o Despacho Decisório também não confere ao crédito a sua devida valoração, por não computar qualquer acréscimo legal de correção monetária, o que deve ser revisto, devendo o saldo remanescente apurado depois de deduzida a compensação ser corrigido monetariamente, até o integral aproveitamento do crédito tributário. Recebida a manifestação de inconformidade, também, de forma equivocada, aquela DRJ analisoua e a julgou improcedente, conforme acórdão nº 0622.383, datado de 27/05/2009, às fls. 124/128, sob as seguintes ementas: “COFINSIMPORTAÇÃO. CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO. Os créditos da Cofins Importação somente serão passíveis de compensação com outros tributos administrados pela SRF, quando as respectivas importações forem vinculadas a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência dessas contribuições, a partir do disposto na Lei n° 11.116, de 2005. RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. É incabível a incidência de juros compensatórios com base na taxa Selic sobre valores deferidos a título de compensação/ressarcimento de créditos relativos à Cofins, por falta de previsão legal.” Cientificada dessa decisão, inconformada, a recorrente interpôs o recurso voluntário às fls. 131/143, requerendo a sua reforma a fim de que se reconheça o seu direito ao ressarcimento/compensação da totalidade dos valores reclamado, acrescidos de juros compensatórios, alegando, em síntese, que tem direito ao ressarcimento/compensação dos créditos decorrentes da Cofins paga nas importações de insumos aplicados na produção de bens para exportação. Ainda, segundo seu entendimento, a Lei n° 10.865/2005 (conversão da MP nº 164, de 29.01.2004), que instituiu o PIS/Cofins Importação, permitiu que essas contribuições pagas em importações específicas fossem aproveitadas como créditos para a compensação do PIS/Cofins nãocumulativos. Também, ao contrário do entendimento da autoridade julgadora de primeira instância, a Lei nº 11.116, de 18/05/2005, art, 16, não se aplica ao presente pedido de ressarcimento, limitando sua aplicação aos créditos referidos no art. 17, da Lei 11.033, que dizem respeito às importações e às vendas realizadas no mercado interno, não trazendo qualquer alteração no tratamento dos créditos vinculados à exportação nem mesmo a eles se referindo. Ao final, requereu a incidência de juros compensatórios sobre os valores deferidos e/ ou a serem deferidos, à taxa Selic, sob o argumento de que o nãoreconhecimento de sua incidência implicará flagrante lesão patrimonial à empresa e, por outro, o enriquecimento sem causa da União. É o relatório. Fl. 159DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 28/02/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 22/07/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 4 Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado não atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele não conheço. Conforme demonstrado no relatório e se verifica dos autos, o presente processo trata de declaração de compensação (Dcomp) e não de declaração e pedido de ressarcimento. A recorrente apresentou inicialmente a Dcomp à fl. 01, protocolada em 23/03/2005, informando débitos fiscais próprios no valor total de R$ 1.611.823,30, acompanhada do demonstrativo à fl. 02, denominado “CRÉDITOS DE COFINS” em que informou saldo disponível de créditos, apurado para o mês de outubro de 2004, no valor de R$ 7.802.451,02. Posteriormente, retificou aquela Dcomp apresentando uma nova às fls. 54, declarando débito de R$ 1.074.813,81, acompanhada do demonstrativo às fls. 55, denominado “CRÉDITO DA COFINS EXPORTAÇÃO” em que informou: i) saldo disponível de créditos para compensação, apurado para o mesmo mês de outubro de 2004, valor de R$ 7.265.441,53; ii) valor do crédito utilizado na Dcomp em discussão, R$ 1.074.813,81; e, iii) saldo disponível para futuras compensações/pedido de ressarcimento, no valor de R$ 6.190.627,72. Ora, ao contrário dos entendimentos da DRF e da DRJ, o demonstrativo denominado “CRÉDITO DA COFINS EXPORTAÇÃO” não constitui pedido de ressarcimento. Tratase apenas de um demonstrativo do crédito utilizado na Dcomp. Na compensação de débito fiscal, mediante entrega de declaração de compensação (Dcomp), o sujeito passivo declara o(s) débito(s) fiscal(is) e o crédito financeiro utilizado e sua origem, cabendo à autoridade administrativa competente homologar ou não o(s) débito(s) fiscais compensados. Assim, a DRF Curitiba deveria ter restringido sua análise à Dcomp, homologando ou não a compensação do(s) débito(s) fiscal (is) declarado(s), abstendose de se manifestar sobre a certeza e liquidez dos saldos dos créditos disponíveis para futuras compensações e/ ou pedidos de ressarcimento. O demonstrativo “CRÉDITO DA COFINS EXPORTAÇÃO” apresentado pela recorrente tem como objetivo comprovar a origem dos créditos financeiros utilizados na Dcomp em discussão e não constitui pedido de ressarcimento. Nele está registrado de forma expressa que o saldo não utilizado na Dcomp em discussão está disponível para futuras compensações e/ ou pedidos de ressarcimento. A opção de utilizálo em futuras compensações ou ressarcimento em espécie será objeto de nova Dcomp ou de pedido de ressarcimento que será analisado quando de sua apresentação. Portanto, tendo a decisão da DRF Curitiba homologado integralmente a compensação dos débitos fiscais declarados na Dcomp, objeto deste processo administrativo, nenhum litígio foi instaurado. Fl. 160DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 28/02/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 22/07/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 10980.002758/200562 Acórdão n.º 330100.787 S3C3T1 Fl. 149 5 A manifestação de inconformidade, assim como o recurso voluntário são interpostos contra decisões que instaurem litígios, aquela interposta para a DRJ e este para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. No presente caso, conforme demonstrado a decisão da DRF, em relação à homologação da compensação dos débitos fiscais, objeto da Dcomp em discussão, foi favorável à recorrente. Em face do exposto e de tudo o mais que consta dos autos, não tomo conhecimento do recurso voluntário. José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 161DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 28/02/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 22/07/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS
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Numero do processo: 16592.725884/2015-11
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon May 04 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2010
MULTA. GFIP ENTREGUE INTEMPESTIVAMENTE.
É devida a multa pelo atraso na entrega da GFIP quando o contribuinte, estando obrigado ao cumprimento da obrigação acessória, apresenta o documento após o prazo estabelecido na legislação.
DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN. Súmula CARF nº148.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO.
A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Súmula CARF nº 49.
INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº2.
Numero da decisão: 2002-004.197
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13799.720394/2015-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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GFIP ENTREGUE INTEMPESTIVAMENTE. É devida a multa pelo atraso na entrega da GFIP quando o contribuinte, estando obrigado ao cumprimento da obrigação acessória, apresenta o documento após o prazo estabelecido na legislação. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN. Súmula CARF nº148. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Súmula CARF nº 49. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº2. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13799.720394/2015-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 59 2. 72 58 84 /2 01 5- 11 Fl. 63DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-004.197 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 16592.725884/2015-11 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e, dessa forma, adoto neste relatório excertos do relatado no Acórdão nº 2002-004.098, de 17 de março de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata o presente processo de auto de infração consubstanciando exigência referente à multa por atraso na entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, prevista no artigo 32-A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação da Lei nº 11.941, de 2009. Cientificada da decisão do colegiado de primeira instância, a qual julgou improcedente a impugnação, a empresa apresentou recurso voluntário, alegando, em síntese: i. nulidade do auto de infração pela cobrança de multa inexistente; ii. prescrição da exigência; iii. ausência de publicidade quanto à entrega da GFIP; iv. caráter confiscatório da multa; v. alteração de critério jurídico e violação ao artigo 146 do Código Tributário Nacional; vi. entrega espontânea da GFIP, antes de qualquer procedimento fiscal e com os recolhimentos devidos; vii. existência de Projeto de Lei 7512/2014, prevendo a anulação de todos os débitos decorrentes da aplicação da multa em comento. É relatório. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Relatora Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2002-004.098, de 17 de março de 2020, paradigma desta decisão. O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Acerca da nulidade suscitada, observo que o lançamento atende integralmente aos preceitos de ordem pública expressos no art. 142 do Código Tributário Nacional e apresenta os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972. Ressalte-se especialmente que o auto contém o Fl. 64DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-004.197 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 16592.725884/2015-11 enquadramento legal completo e uma descrição dos fatos clara, permitindo à contribuinte conhecer a infração que lhe está sendo atribuída. Ademais, ela pôde apresentar sua defesa, garantindo-se plenamente no presente processo o direito ao contraditório e à ampla defesa. O argumento de que o auto seria nulo por veicular cobrança indevida recai sobre o mérito da exigência. Sobre a preliminar de prescrição, com base no CTN, art. 174, há que se lembrar que esta só se aplica a partir da constituição definitiva do crédito tributário. Não há que se falar em prescrição contada da entrega da GFIP, pois naquela data o crédito tributário (multa por atraso) não estava constituído, o que só acontece a partir do lançamento e ciência à contribuinte. O prazo prescricional é de cinco anos e começa a contar a partir da data da constituição definitiva do crédito tributário, ou melhor, desde o momento em que o titular do direito (a Fazenda Pública) pode exigir do devedor a prestação tributária. Isto se dá quando esgotado o prazo para pagamento ou apresentação de recurso administrativo sem que eles tenham ocorrido ou, ainda, decidido o último recurso administrativo interposto pelo contribuinte, o que ainda não ocorreu nestes autos. Ainda que se assuma que a recorrente suscita a decadência do crédito tributário, melhor sorte não lhe assiste. Impõe-se observar que nos casos de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária o prazo para a constituição do crédito tributário extingue-se em cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme previsto no art. 173, I, do Código Tributário Nacional - CTN. É nesse sentido a Súmula CARF n° 148, de observância obrigatória pelos Conselheiros no julgamento dos Recursos: No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN. Tomando-se o ano-calendário de 2010, cuja competência mais antiga deveria ser apresentada até 05/02/2010, o lançamento só poderia ser efetuado após o vencimento do prazo, ou seja, a partir de 06/02/2010. Logo, inicia-se a contagem do prazo decadencial em 1º de janeiro de 2011, encerrando-se em 31 de dezembro de 2015. Para o ano-calendário 2011, o prazo decadencial encerraria em 31 de dezembro de 2016. Dessa feita, rejeito as preliminares suscitadas. Como relatado, discute-se nestes autos a exigência referente à multa por atraso na entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Fl. 65DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-004.197 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 16592.725884/2015-11 Previdência Social – GFIP, prevista no artigo 32-A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação da Lei nº 11.941, de 2009. A alteração na legislação ocorreu no início de 2009, com a inserção do art.32-A da Lei nº 8.212, de 1991, pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, alterando a sistemática de aplicação de multas vinculadas à GFIP, em especial com a previsão de aplicação da multa por atraso na entrega de GFIP, até então inexistente. Estando a exigência amparada em legislação em vigor e respeitado o prazo decadencial, sem reparos a se fazer à decisão recorrida. Não foi juntada aos autos a comprovação da entrega dos documentos dentro do prazo legal. Esclareço que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 do Código Tributário Nacional - CTN, parágrafo único). Assim, constatado o atraso ou a falta na entrega da declaração/demonstrativo, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento de ofício da multa pertinente. A exigência da penalidade independe da capacidade financeira ou de existência de danos causados à Fazenda Pública. Ela é exigida em função do descumprimento da obrigação acessória. Portanto, não assiste razão à recorrente ao pleitear a exclusão multa pelo fato de ter efetuado os recolhimentos previdenciários devidos. A autuação não aponta a falta ou insuficiência desse recolhimento. No tocante à alegação de espontaneidade na entrega da Declaração, trago a Súmula CARF nº 49, de observância obrigatória por este colegiado: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Quanto às alegações de violação a princípios constitucionais, não cabe tal discussão na esfera administrativa de julgamento, prevalecendo a vinculação à lei, que conduz à obrigatoriedade de observância e aplicação das normas regularmente editadas. Acrescento a Sumula CARF nº2, de observância obrigatória por este colegiado: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por fim, quanto ao Projeto de Lei n º 7.512, de 2014, esclareço que sua existência não impede a constituição e a exigência do crédito tributário com base na legislação em vigor e que rege a matéria. Fl. 66DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-004.197 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 16592.725884/2015-11 Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 67DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10240.000560/2004-27
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 1999
ITR. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DITR. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.
A entrega intempestiva da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural DITR, antes de iniciado o procedimento fiscal, enseja o lançamento da multa por atraso aplicada sobre o valor do imposto devido informado na declaração, sendo indevida a exigência da referida multa sobre o imposto apurado de ofício que serviu de base para a multa do lançamento de ofício.
Numero da decisão: 9202-008.624
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DITR. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. A entrega intempestiva da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural DITR, antes de iniciado o procedimento fiscal, enseja o lançamento da multa por atraso aplicada sobre o valor do imposto devido informado na declaração, sendo indevida a exigência da referida multa sobre o imposto apurado de ofício que serviu de base para a multa do lançamento de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 05 60 /2 00 4- 27 Fl. 162DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-008.624 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10240.000560/2004-27 Relatório Trata-se de Recurso Especial motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2402-006.190, proferido pela 2ª Turma Ordinária / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Conforme o relatório da decisão da DRJ, por meio do Auto de Infração eletrônico de fl. 11, o Contribuinte foi intimado a recolher o crédito tributário a título de Multa por Atraso na Entrega da Declaração do ITR do exercício de 1999, no valor de R$ 8.280,00, incidente sobre o imóvel rural denominado “Seringal Belo Horizonte” localizado no Município de Ariquemes/RO, com área total de 8.900,0 ha, cadastrado no SRF sob o nº 5.663.087-5. Em 20/11/2006, a DRJ, no acórdão nº 11-17.594, às fls. 23/27, julgou improcedente a impugnação do Contribuinte, mantendo o crédito tributário exigido. Em 10/05/2018, a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 91/96, exarou o Acórdão nº 2402-006.190, de relatoria do Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, DANDO PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Ordinário interposto pelo Contribuinte, para determinar o ajuste no valor lançado, tomando por base o valor declarado pelo contribuinte em sua DITR/DIAC. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1999 ITR. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DITR. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. A entrega intempestiva da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural DITR, antes de iniciado o procedimento fiscal, enseja o lançamento da multa por atraso aplicada sobre o valor do imposto devido informado na declaração, sendo indevida a exigência da referida multa sobre o imposto apurado de ofício que serviu de base para a multa do lançamento de ofício. Às fls. 101/103, a União apresentou Embargos de Declaração, alegando obscuridade em relação ao nº do acórdão paradigma indicado no acórdão embargado, tendo restado provido, conforme Decisão, de fls. 109/110, para que o número do acórdão referenciado no acórdão embargado fosse retificado para 9202005.613. Em 04/10/2018, às fls. 112/120, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo, divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: ITR - Multa por Atraso na Entrega de Declaração - Valor do Imposto Devido x Valor do Imposto Declarado. Segundo a União, resta claro que há uma divergência jurisprudencial no tocante à interpretação a ser dada aos artigos 9º c/c 7º da Lei nº 9.393/96, no sentido de se saber qual a base de cálculo a ser considerada para a fixação da multa em comento, pois o v. acórdão ora recorrido entendeu em dar provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte, para que o valor lançado fosse ajustado de modo que a multa aplicada tomasse por base o valor declarado pelo contribuinte em sua DITR/DIAC e não sobre o valor do apurado de ofício. De outro modo, o acórdão paradigma Fl. 163DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-008.624 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10240.000560/2004-27 assentou que a multa aplicada deveria tomar como base o valor do ITR apurado de ofício pela fiscalização. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela União, às fls. 132/136, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, restando admitida a divergência em relação à seguinte matéria: ITR - Multa por Atraso na Entrega de Declaração - Valor do Imposto Devido x Valor do Imposto Declarado. Cientificado do Acórdão e da admissibilidade do Recurso Especial da União, à fl. 140, o Contribuinte apresentou Contrarrazões ao Recurso Especial da União, às fls. 143/148, reiterando, no mérito, os argumentos realizados anteriormente. Os autos vieram conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes - Relatora DO CONHECIMENTO O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. DO MÉRITO Conforme o relatório da decisão da DRJ, por meio do Auto de Infração eletrônico de fl. 11, o Contribuinte foi intimado a recolher o crédito tributário a título de Multa por Atraso na Entrega da Declaração do ITR do exercício de 1999, no valor de R$ 8.280,00, incidente sobre o imóvel rural denominado “Seringal Belo Horizonte” localizado no Município de Ariquemes/RO, com área total de 8.900,0 ha, cadastrado no SRF sob o nº 5.663.087-5. O Acórdão recorrido deu parcial provimento Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a seguinte divergência: ITR - Multa por Atraso na Entrega de Declaração - Valor do Imposto Devido x Valor do Imposto Declarado. A questão objeto do recurso refere-se, basicamente, base de cálculo da multa por atraso na entrega da Declaração do ITR. No entender da Fazenda Nacional, ao contrário da interpretação dada pelo acórdão recorrido, a multa por atraso, consoante os arts. 9º c/c 7º, da Lei n.° 9.393/96, incide sobre o imposto devido e não sobre o imposto declarado. Fl. 164DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9202-008.624 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10240.000560/2004-27 A tese defendida pela Fazenda Nacional não tem como prosperar. Como foi apontado pelo acórdão recorrido o contribuinte do ITR está obrigado a entregar, anualmente, o Documento de Informação e Apuração do ITR – DIAT – que junto com o Documento de Informação e Atualização Cadastral do ITR compõem a DITR, correspondente a cada imóvel de sua propriedade nas datas e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal (art. 8o da Lei no 9.393, de 19 de dezembro de 1996). De acordo com o art. 9o da Lei no 9.393, de 1996, a entrega do DIAT fora do prazo estabelecido sujeita à multa prevista no art. 7o da mesma lei que dispõe in verbis (grifei): Art. 7º No caso de apresentação espontânea do DIAC fora do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, será cobrada multa de 1% (um por cento) ao mês ou fração sobre o imposto devido não inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais), sem prejuízo da multa e dos juros de mora pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto ou quota. A multa por atraso na entrega da DITR tem por base de cálculo o valor do ITR devido, informado na declaração, respeitando-se o limite mínimo previsto na norma. Não há como interpretar que o legislador iria instituir uma base de cálculo de multa, já fazendo previsão de que o valor declarado pelo contribuinte encontra-se incorreto e que a multa pela declaração seria consubstanciada em base atribuída pela fiscalização. Conforme muito bem apontado pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, no Acórdão 9202- 005.613: Dá análise sistemática dos dispositivos legais podemos concluir que ao estabelecer a multa pelo atraso na entrega da declaração, estabeleceu o legislador que deve o sujeito passivo pagar uma multa, e estabeleceu esse valor sobre o valor devido. O único valor devido nesse momento é o delarado pelo contribuinte em sua DITR. Tanto o é que, eventuais diferenças de ITR apuradas em procedimento de ofício tem como fundamento legal dispositivo posterior, qual seja o art. 14 da Lei no 9.393, de 1996: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. §1o As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, §1o, inciso II da Lei no 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. §2o As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais. Da leitura dos dispositivos acima, podemos constatar que no caso de falta de entrega da DITR ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, procederá a autoridade fiscal ao lançamento do imposto acrescido da multa de ofício aplicável aos demais tributos federais, ou seja, aquela prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 165DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9202-008.624 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10240.000560/2004-27 Isto posto, conclui-se que a multa por atraso na entrega da DITR aplica-se tão somente quando a declaração for entregue espontaneamente (antes do procedimento de ofício) e sobre o valor do imposto devido apurado pelo contribuinte. Desta maneira não merece reforma o acórdão recorrido, que delimitou como base de cálculo da multa pelo atraso na declaração o valor declarado pelo contribuinte e não o suposto valor a ser lançado pela autoridade fiscal. Diante do exposto conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para, no mérito, negar-lhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 166DF CARF MF Documento nato-digital
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