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Numero do processo: 13629.001811/2005-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2004
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO. IPI. FABRICANTE DE BEBIDAS. DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS.
O estabelecimento industrial (in casu, o fabricante de bebidas) continua sendo o único sujeito passivo da relação jurídica tributária instaurada com a ocorrência do fato imponível consistente na operação de industrialização de produtos (artigos 46, II, e 51, II, do CTN). O "contribuinte de fato" (in casu, distribuidora de bebida) não integra a relação jurídica tributária pertinente.
SÓCIO DE PESSOA JURÍDICA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
Afastada a responsabilidade da pessoa jurídica pelo crédito tributário, em virtude de erro na identificação do sujeito passivo, fica também afastada a responsabilidade pessoa do sócio dessa pessoa jurídica.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3401-003.810
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao(s) recurso(s) voluntário(s) apresentado(s).
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Cleber Magalhães e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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LANÇAMENTO. IPI. FABRICANTE DE BEBIDAS. DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS. O estabelecimento industrial (in casu, o fabricante de bebidas) continua sendo o único sujeito passivo da relação jurídica tributária instaurada com a ocorrência do fato imponível consistente na operação de industrialização de produtos (artigos 46, II, e 51, II, do CTN). O "contribuinte de fato" (in casu, distribuidora de bebida) não integra a relação jurídica tributária pertinente. SÓCIO DE PESSOA JURÍDICA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Afastada a responsabilidade da pessoa jurídica pelo crédito tributário, em virtude de erro na identificação do sujeito passivo, fica também afastada a responsabilidade pessoa do sócio dessa pessoa jurídica. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao(s) recurso(s) voluntário(s) apresentado(s). ROSALDO TREVISAN Presidente. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Cleber Magalhães e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 00 18 11 /2 00 5- 13 Fl. 1168DF CARF MF Processo nº 13629.001811/200513 Acórdão n.º 3401003.810 S3C4T1 Fl. 1.169 2 Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração, lavrado em 14/12/2005 (fls1. 10/27) e cientificado pessoalmente, em 29/12/2005 (fl. 11), para exigência de IPI bebidas, no valor original de R$ 513.245,95, acrescidos de multa de oficio qualificada e juros de mora, por saída de produtos sem lançamento ou com insuficiência de lançamento do imposto, referente ao período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2004, vide Termo de Verificação Fiscal TVF, às fls. 28/51. A incidência da multa de ofício qualificada, devese a acusação de existência de conluio entre a autuada MAS IMPORT COMÉRCIO E DISTRIBUIDORA LTDA e o GRUPO SCHINCARIOL INDÚSTRIA, supostamente, comandando esquema de sonegação de IPI e de ICMS, mediante utilização das suas distribuidoras, que ingressaram com ações judiciais para não pagar e impedir a indústria de destacar e recolher o IPI; sendo também autuado, com a lavratura de Termo de Declaração de Sujeição Passiva Solidária, o Sr. OTACÍLIO DE ARAÚJO COSTA, que seria o sócio de fato da pessoa jurídica autuada. Sobre a empresa PRIMO SCHINCARIOL INDÚSTRIA DE CERVEJAS E REFRIGERANTES DO RIO DE JANEIRO S/A, consta do Termo de Verificação Fiscal TVF que ela formalizou consulta à Superintendência Regional da Receita Federal da 7ª Região Fiscal SRRF/7ªRF e comunicou à Secretaria da Receita Federal que, em virtude da antecipação de tutela concedida nos autos da Ação Ordinária n° 98.00073302, ajuizada pela pessoa jurídica REFRIGERANTES IATE S/A, em 22/07/1998, tendo como litisconsorte a pessoa jurídica aqui autuada, estava procedendo à venda de produtos tributados pelo IPI, à MAS IMPORT COMÉRCIO E DISTRIBUIDORA LTDA, sem destaque desse tributo, razão pela qual foi constituído de ofício por auto de infração. A empresa MAS IMPORT COMERCIO E DISTRIBUIDORA LTDA e o solidário OTACÍLIO ARAÚJO COSTA apresentaram Impugnações em 19/01/2005 (fls. 709/727 e 753/765) A decisão de primeira instância, proferida em 05/07/2007 (fls. 900/954) é pela procedência parcial da impugnação. Após ciências ao acórdão de primeira instância (EDITAL à fl. 966 e DESPACHO à fl. 1117), em 19/10/2007, apresentaram os recursos voluntários de fls. 984/1034, em 19/11/2007, em essência, reiterando a argumentação expressa na impugnação. Em Sessão de 24/05/2010, via Resolução nº 340200.075 2ºTO/4ªCAM, determinouse a conversão do julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto vencedor do Conselheiro Redator designado. Por economia, adoto o relatório da citada Resolução nº 340200.075 2ºTO/4ªCAM, que passo a transcrever: 1 Todos os números de folhas indicados neste documento referemse à numeração eletrônica do eprocesso. Fl. 1169DF CARF MF Processo nº 13629.001811/200513 Acórdão n.º 3401003.810 S3C4T1 Fl. 1.170 3 "Relatório Adoto o Relatório elaborado pela i. relatora, que transcrevo: "Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do Acórdão n° 0916.625, de 5 de julho de 2007, elaborado pelo Julgador Alessandro Saggioro Oliveira, da 3' Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de ForaMG (DRJ/JFA), de que transcrevo o trecho seguinte: "Trata o presente processo de crédito tributário exigido por meio de auto de infração lavrado contra o estabelecimento em epígrafe as fls. 08/12, com demonstrativos de fls. 13/23, termo de declaração de sujeição passiva solidária de cópia às fls. 176/181 e termo de verificação fiscal de fls. 26/49, referente ao imposto sobre produtos industrializados (IPI) no montante de R$ 513.245,95 acrescido de multa de oficio proporcional, passível de redução, no valor de R$ 769.868,89 e de juros de mora que, até a data de 30/11/2005, perfaziam R$ 423.611,73. Na descrição dos fatos e enquadramento legal de fl. 10, a Fiscalização assim fundamentou a lavratura do auto de infração: "001 — IPI NÃO LANÇADO —BEBIDAS DO DECRETO n° 97.976/89 SAÍDA DE PRODUTOS SEM LANÇAMENTO OU COM INSUFICIÊNCIA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO O estabelecimento industrial ou equiparado promoveu a saída, de produto(s) tributado(s) sem o lançamento do imposto." O enquadramento legal foi 12» "Arts. 23, inciso II, 32, inciso II, 109, 110, inciso I, alínea '13' e inciso II, alínea 'c', 114 e parágrafo único 126, 128, 130, 133, 136, 182, 183, inciso IV e 185, inciso II, do Decreto n°2.637/98 (RIPI/98); arts. 46 a 51, 124 e parágrafo único da Lei n° 5.172/1966 (Código Tributário Nacional — CTN); art. 5°, incisos LIV e LV, da Constituição Federal de 1988; art. 811, inciso I, da Lei n° 5.869/1973 (Código de Processo Civil — CPC); art. 7°, parágrafo 1°, do Decreto n° 70.235/1972 ". Houve complementação da fundamentação legal na fl. 18 e, para a multa de oficio e os juros incidentes, o enquadramento consta das fls. 22/23, com complemento ás fls. 46/47 para a multa. Por meio do termo de declaração de sujeição passiva solidária de cópia às fls. 176/181, o Sr. Otacílio Araújo Costa, CPF n° 070.067.99600, foi arrolado como sujeito passivo solidário do crédito tributário objeto do lançamento de oficio. No termo de verificação fiscal de fls. 26/49, foram detalhados os procedimentos, critérios e conclusões fiscais que ensejaram a autuação, assim sintetizados: em 15/08/2002, o estabelecimento Primo Schincariol Indústrias de Cervejas e Refrigerantes do Rio de Janeiro S/A, localizado no município de Cachoeiras de MacacuRJ, formalizou representação perante a DRFNiterói/RJ (processo administrativo n° 10730.003802/200251), relatando que estava promovendo a venda de produtos industrializados de sua produção (bebidas) a empresa MAS Import Comércio e Distribuidora Ltda. sem o devido destaque do IPI por força de tutela antecipada exarada nos autos da ação ordinária (processo n° 98.00073302), declaratória de inexistência de relação obrigacional tributária, ajuizada em 22/07/1998 e em tramite perante a 4a Vara da Justiça Federal em VitóriaES; a empresa comercial distribuidora MAS Import Comércio e Distribuidora Ltda, anteriormente denominada GD Comercial Ltda., participava (juntamente com outras distribuidoras) como litisconsorte ativa da ação judicial supraaludida, cujo objeto visava à declaração de ilegalidade do regime de pautas fiscais de valores consoante o Decreto n° 97.976, de 1989; a desobrigação do recolhimento do IPI Fl. 1170DF CARF MF Processo nº 13629.001811/200513 Acórdão n.º 3401003.810 S3C4T1 Fl. 1.171 4 nas transações das distribuidoras com seus fornecedores industriais e devolução do que aquelas ativas pagaram como contribuintes de fato do tributo; em 29/07/1998, o juízo de 1° grau concedera a antecipação da tutela requerida, estabelecendo que as empresas fornecedoras Indústria de Bebidas Antárctica do Rio de Janeiro S/A e Bridgestone Firestone do Brasil Indústria e Comércio Ltda. deixassem de reter o IPI nas vendas ás distribuidoras litisconsortes ativas e, também, que aquelas deixassem de recolher diretamente aos cofres da União os tributos federais sujeitos a lançamento por homologação (IPI, PIS, COFINS, CSLL e IRPJ), determinando o depósito em juízo dos valores e, posteriormente, a compensação (denominada "compensação indireta') com a tributação anterior do IPI entendida como indevidamente suportada pelas autoras; além das duas empresas fornecedoras acima destacadas (Antárctica e Bridgestone), foram expedidos ofícios judiciais a inúmeros fornecedores industriais, comunicandolhes a aplicação da tutela antecipada para a total desoneração das distribuidoras litisconsortes ativas quanto a tributação do IPI, devendose, inclusive, deixar de ser destacado o IPI nas notas fiscais de venda (remessas) daqueles a estas. Dentre esses ofícios, destacamse os 186/2000/JF4" (cópia à fl. 759) e 218/2001/JF4a, encaminhados et empresa Primo Schincariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes do Rio do Janeiro S/A; diante da compensação indireta determinada judicialmente pela tutela antecipada as duas empresas industriais fornecedoras outrora mencionadas (Antárctica e Bridgestone), a Indústria de Bebidas Antárctica do Rio de Janeiro S/A interpôs agravo de instrumento (processo n° 98.02335738) perante o TRF2° Regido, questionando a legalidade daquela determinação, tendo sido a tutela antecipada suspensa em 24/08/1998, mas restabelecida em 29/09/1999. Tal industrial fornecedora não efetuou os depósitos determinados pela tutela, levando o caso à apreciação do Superior Tribunal de Justiça (STJ) por meio da interposição da ação cautelar n° 2.887/ES; na citada ação cautelar, o STJ, liminarmente, suspendeu os efeitos da tutela antecipada exarada nos autos da ação judicial ordinária principal (processo n° 98.00073302), com posterior confirmação em decisão de mérito (acórdão de 14/08/2001 — de fls. 588/598, repetido as fls. 815/825, cuja relatora, Ministra Eliana Calmon, concluiu: "não tem sentido a tutela antecipada concedida na ação principal, a qual fica inteiramente afastada por força desta cautelar, que é julgada procedente", entendimento ratificado em julgados posteriores (sobre embargos de declaração e agravos regimentais), sendo que, em acórdão (datado de 10/12/2002 — de fls. 599/609, repetido as fls. 833/843) sobre agravo regimental nessa cautelar — que teve a empresa GD Comercial Ltda. (MAS Import Comércio e Distribuidora Ltda) como uma das agravantes e cuja alegação foi de que elas (as agravantes) não estariam atingidas pela medida cautelar concedida pelo STJ por não figurarem no pólo passivo da ação cautelar novamente houve decisão em sentido contrário ao pleito das agravantes, com a reafirmação de que "suspensa está a tutela antecipada, em todos os seus itens e em relação aos demais fornecedores até o julgamento do recurso especial em pendência"; diante da antecipação de tutela exarada nos autos da ação judicial ordinária principal (processo n° 98.00073302), determinando o não destaque do IPI nas alienações (remessas) de produtos industrializados (bebidas, no caso) efetuadas pelas industriais fornecedoras a empresa MAS Import Comércio e Distribuidora Ltda., o estabelecimento industrial fornecedor Primo Schincariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes do Rio de Janeiro S/A, CNPJ n° 02.864.417/000128, efetuou consulta à Disit da SRRFO7 (cópia àsfls. 756/757), solicitando esclarecimentos sobre a sua situação perante o Fisco Federal relativamente a Fl. 1171DF CARF MF Processo nº 13629.001811/200513 Acórdão n.º 3401003.810 S3C4T1 Fl. 1.172 5 conseqüências tributárias do nãocumprimento da obrigação de recolher o IPI, como, por exemplo, a posterior exigência dos valores nãorecolhidos, expressando que entendia ser incabível a exação do tributo contra ele na hipótese de ser julgada improcedente a ação, não podendo ser ele responsabilizado passivamente, posto que não havia sido chamado a integrar a lide judicial. A consulta formalizouse nos autos do processo administrativo n° 10768.012484/0068. 0 entendimento da Disit da SRRFO7 foi materializado através da solução de consulta, decisão SRRF/7aRF/DISIT n° 139, de 04 de julho de 2000 (cópia às fls. 635/639); posteriormente, o entendimento da Disit da SRRF07 a aludida consulta foi submetido ao crivo e aprovação da CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit), que assim decidiu por meio da solução de divergência Cosit n° 27, de 29 de outubro de 2002 (cópia its fls. 640/642), prolatada no processo administrativo n° 10580.009660/200204; "Os efeitos da sentença em ação judicial movida pelo contribuinte de fato contra a Unido Federal não se estendem ao contribuinte de direito se este não participou da demanda". Sendo assim, deduziu a Fiscalização (final do tópico 3 do termo de verificação fiscal — fls. 62/63) que "as decisões acima transcritas concluíram que, no caso em questão, o sujeito passivo da obrigação tributária que deixou de ser recolhida em função da tutela antecipada, no caso de insucesso da ação, é o contribuinte de fato, ou seja, a autora da ação judicial (MAS Import Comércio e Distribuidora Ltda)"; nos tópicos "4.a" e "4.h" (fis. 30/33) do termo de verificação fiscal, constam várias informações da empresa MAS Import Comércio e Distribuidora Ltda. relativamente a alterações de razão social, endereço, atividade econômica e quadro societário, tendo sido manifestada a conclusão de que os sócios que compunham o quadro societário — Antônio Alves Agrela de Lima, CPF n° 205.708,99834, e Antônio Reis Rodrigues, CPF n° 074.848.60891 — apresentavam perfis econômicos incompatíveis com o porte dos negócios desenvolvidos pela empresa na condição de distribuidora da cervejaria Schincariol, tratandose, na verdade, de pessoas que apenas figuravam na composição social, já que o Sr. Otacílio de Araújo Costa, CPF n° 070.067.99600, era o verdadeiro responsável por todas as atividades comerciais daquela empresa, conforme demonstrado no item "4.e" (fls. 35/42) bem como no termo de declaração de sujeição passiva solidária (cópia As fls. 1761181); no tópico "4.d" (lls. 34/35) do termo de verificação fiscal, foi mencionada a existência de investigações acerca de ligações entre empresas distribuidoras e a cervejaria Schincariol voltadas para a prática de infrações tributárias, principalmente quanto ao IPI e ICMS, englobando, dentre outros procedimentos, a obtenção judicial, pelas distribuidoras, de liminares que desobrigavam o pagamento/destaque dos tributos nas suas aquisições de produtos (bebidas) fabricados pela Schincariol, além da utilização de "laranjas" no quadro societário das distribuidoras. A empresa MAS Import Comércio e Distribuidora Ltda., anteriormente denominada GD Comercial Ltda, foi acusada de fazer parte desse grupo de distribuidoras, com vincula ção direta et empresa Dismar Comercial Ltda. (CNPJ n° 01.852.174/000145), porquanto havia indícios de que esta era administrada pelo Sr. Otacílio de Araújo Costa com a utilização de interpostas pessoas e que as atividades de distribuição dos produtos da Schincariol desenvolvidas pela MAS Import foram paulatinamente substituídas pela Dismar Comercial; no tópico "4.e" (lI s. 35/42) do termo de verificação fiscal, com base na previsão do art. 124 do CTN e no termo de declaração de sujeição passiva solidária (cópia as fls. 176/181), foram explanados os fundamentos e conclusões que apontavam o Sr. Otacílio de Araújo Costa como devedor solidário com a MAS Import Comércio e Fl. 1172DF CARF MF Processo nº 13629.001811/200513 Acórdão n.º 3401003.810 S3C4T1 Fl. 1.173 6 Distribuidora Ltda. quanto ao crédito exigido no auto de infração. Nesse contexto, foi exposto (fls. 36/42 — grifos e negritos originais) que: "(..)As provas que demonstram a participação do Sr. Otacilio de Araújo Costa como administrador de fato das operações executadas pela MAS Import Comércio e Distribuidora Ltda encontramse juntadas ao processo e foram repassadas pela Policia Federal a Receita Federal. Tais documentos foram obtidos através da ação conjunta Receita Federal/Policia Federal, onde se apurou o envolvimento da cervejaria Primo Schincariol em operações fraudulentas contra o sistema tributário nacional. A busca e apreensão destes documentos, bem como a permissão para sua utilização para apuração de suposta lesão fiscal, foram judicialmente autorizados nos autos da Ação Judicial n° 2005.51.07.0006503 (Inquérito Policial), em trâmite na Justiça Federal de Itaboraí/RJ, através de despacho do MM Juiz Federal de Seção Judiciária no Rio de Janeiro, Dr. Viamir Costa Magalhães, com data de 03/06/2005. O relato desta apuração de sujeição passiva solidária pode ser conferido junto ao Termo de Declaração de Sujeição Passiva Solidária, que passa a ser peça integrante da presente autuação fiscal. A responsabilidade tributária solidária do Sr. Otacílio de Araújo Costa, nos termos do artigo 124 do CTN, fundamentase nos seguintes elementos/constatações: 4.e.1) Contrato de Fiança assinado em 11/04/2001 FIADORES Otacílio de Araújo Costa e seu cônjuge Lúcia Duca Costa. DEVEDORAS MAS Import Comércio e Distribuidora Ltda, matriz (CNPJ 01.135.937/000137) e filial (CNPJ 01.135.937/000722), juntamente com as demais filiais existentes ou que venham a existir. CREDORAS Primo Schincariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes do Rio de Janeiro S/A, Primo Schincariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes do Nordeste S/A e Schimar Propaganda e Publicidade Ltda. No contrato, os fiadores (Otacílio de Araújo Costa e Lúcia Duca Costa) comprometemse a honrar e cumprir todos os compromissos contratuais, fiscais e financeiros, presentes e futuros, assumidos pelas devedoras (MAS Import matriz e filiais). Na Cláusula Primeira consta a informação de que afiança perdurará ' pelo prazo de 5 (cinco) anos, contados da data de cada evento, até que se atinja a decadência ou a prescrição ou, antes disso, se a questão ficar definitivamente resolvida, por meio de decisão administrativa ou judicial'. No parágrafo primeiro desta Cláusula evidenciase a administração da fiscalizada (MAS Import) por parte de seus fiadores (Otacílio de Araújo Costa e esposa): `Toda e qualquer obrigação tributa 'ria imputada às CREDORAS, oriunda do Termo de Acordo de Regime Especial n° 1086/2001, deverá ser comunicada imediatamente aos FIADORES, para que os mesmos possam, juntamente com as CREDORAS, providenciar o patrocínio de todas as defesas administrativas e judiciais cabíveis.' Os FIADORES confessam ser devedores solidários nas obrigações assumidas pelas DEVEDORAS. Fica demonstrado o estreito vincula entre os fiadores e os devedores, que não nos parece ser outro que não o de sócio ostensivo. A cláusula quarta confirma esse entendimento quando os fiadores renunciam ao beneficio de ordem previsto nos artigos 1.491, 1.493 e 1.499 do antigo Código Civil e artigo 261 do Código Comercial. 'CLÁUSULA QUARTA: Fl. 1173DF CARF MF Processo nº 13629.001811/200513 Acórdão n.º 3401003.810 S3C4T1 Fl. 1.174 7 Os FIADORES, que também confessam ser devedores solidários das obrigações assumidas pelas DEVEDORAS, renunciam, expressamente, ao beneficio previsto no art. 1.491, 1.493 e 1.499 do Código Civil, bem como ao previsto no artigo 261 do Código Comercial. 'Assim diz o Código Comercial (Lei 556, de 25/06/1850): 'Art. 261. Se o fiador for executado com preferência ao devedor originário, poderá oferecer à penhora os bens deste, se os tiver desembargados, mas, se contra eles aparecer embargo ou o posição, ou não forem suficientes, a execução ficará correndo nos próprios bens do fiador, até efetivo e real embolso do exeqüente. ' O Código Civil/1916 (Lei 3071, de 01/01/1916), por sua vez, estabelece: 'Art. 1491. 0 fiador demandado pelo pagamento da divida tem direito de exigir, até it contestação da lide, que sejam primeiro excutidos os bens do devedor. Parágrafo único: O fiador, que alegar o beneficio de ordem a que se refere este artigo, deve nomear bens do devedor, sitos no mesmo município, livres e desembargados, quantos bastem para solver o débito (art. 1504). Art. 1493. Afiança conjuntamente prestada a um só débito por mais de uma pessoa importa o compromisso de solidariedade entre elas, se declaradamente não se reservaram o beneficio de divisão. Art. 1499. O fiador, ainda antes de haver pago, pode exigir que o devedor satisfaça a obrigação, ou o exonere da fiança desde que a divida se torne exigível, ou tenha decorrido o prazo dentro no qual o devedor se obrigou a desonerálo.' A cláusula quinta especifica o montante da fiança, revelandose, pelo seu expressivo valor, que tal contrato visava, efetivamente, a garantir o grupo Schincariol em todas as operações comerciais empreendidas junto à MAS Import, sendo que esta garantia firmavase na pessoa daquele que diretamente negociava em nome da empresa, ou seja, o seu verdadeiro dono (Otacílio de Araújo Costa): 'CLÁUSULA QUINTA: A presente fiança garante as CREDORAS até o montante de R$ 3.000.000,00 (três milhões de reais), sendo aceita pelas partes contratantes sua natureza de titulo executivo extrajudicial, consoante o artigo 585 do Código de Processo Civil.' 4.e.2) Termo de Assunção de Obrigações firmado em 14/10/2002 Para fortalecer as evidências de envolvimento direto do Sr. Otacílio de Araújo Costa com a propriedade de fato da fiscalizada, de sua responsabilidade solidária perante as obrigações tributárias da MAS Import Comércio e Distribuidora Ltda, e de que o atual quadro societário da empresa é juridicamente representado por interpostas pessoas, juntamos cópia do 'Termo de Assunção de Obrigações', firmado pelo Sr. Otacílio em 14/10/2002, no qual assume e se obriga, 'em caráter ilimitado e de forma irretratável e irrevogável, na forma e modo como previsto e admitido no art. 1.065 e seguintes do Código Civil Brasileiro, por todas e quaisquer obrigações pessoais, pretéritas, presentes ou futuras. porventura assumidas, imputadas ou imputáveis à sociedade MAS IMPORT COMERCIO E DISTRIBUIDORA LTDA, de qualquer natureza jurídica, cujos respectivos fatos geradores tenham ocorrido posteriormente a 1° de setembro de 2.000, decorrentes única e exclusivamente, de operações celebradas entre a citada sociedade e as empresas: PRIMO SCHINCARIOL INDÚSTRIA DE CERVEJAS E REFRIGERANTES S.A., TBW ALIMENTOS LTDA. e PHOENIX INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE TABACOS LTDA., a exceção apenas daquelas eventuais obrigações decorrentes de ressarcimento do IPI Imposto sobre Produtos Industrializados, autorizado judicialmente em favor da referida sociedade, acaso a respectiva liminar judicial concessiva venha a ser reformada ulteriormente.' (os destaques grifados não constam do original) Vêse, por este termo, a total assunção de responsabilidade do Fl. 1174DF CARF MF Processo nº 13629.001811/200513 Acórdão n.º 3401003.810 S3C4T1 Fl. 1.175 8 Sr. Otacílio, em 'caráter ilimitado', junto a todas as operações firmadas pela MAS Import junto ao grupo Schincariol a partir de 01/09/2000. E improvável que uma pessoa assuma tal responsabilidade, exceto se, efetivamente, for o verdadeiro detentor do negócio. 0 citado Termo também preocupouse em resguardar a situação dos sócios de direito da MAS Import, garantindolhes o direito de regresso contra o Sr. Otacílio no caso da ocorrência de qualquer obrigação, seja de natureza trabalhista, tributária, comercial ou civil pela qual venha a empresa ser responsabilizada. Vejamos: 'Por outro lado, fica assegurado à MAS Import Comércio e Distribuidora LIDA , em relação ao Sr. OTACÍLIO DE ARA 0.10 COSTA, amplo e irrestrito direito de regresso referente a Qualquer obrigação de natureza trabalhista, tributária, comercial ou civil vela qual, eventualmente, venha a ser responsabilizada, ficando a mesma e seus sócios absolutamente exonerados de responderem por Qualquer obrigação assumida, contratada ou imputada aos mesmos posteriormente a citada data de 10 de setembro de 2.000.' (o grifo não é do original) Na verdade, como se vê acima e nos documentos anexados, a redação do Contrato de Fiança e do Termo de Assunção de Obrigações revela, principalmente, que a sua função essencial era de garantir as empresas do grupo Schincariol em relação as vendas de bebidas e demais operações comerciais junto a empresa MAS Import. Ou seja: os diretores do grupo tinham ciência da situação da MAS Import, uma empresa cujo quadro societário é composto de interpostas pessoas, e, como os negócios eram feitos diretamente com o Sr. Otacílio, de alguma maneira eles deveriam se garantir e, então, firmavam estes verdadeiros 'contratos de gaveta' que ficavam no poder dos credores (ressaltese que tais documentos foram apreendidos pela Policia Federal nas dependências das empresas envolvidas, por ocasião do cumprimento do mandado de busca e apreensão autorizado nos autos do processo n° 2005.51.070006503), que os utilizariam, caso necessário, para execução junto ao verdadeiro titular da empresa devedora. 0 fato de serem 'contratos de gaveta', não levados a registro público, também indicam a gestão do Sr. Otacílio de Araújo Costa nos negócios da MAS Import, sendo que, de outro modo, o seu nome não apareceria nos documentos oficiais (registrados), uma vez que não figura no QSA da devedora. Também é relevante o fato que o Sr. Otacílio assume expressamente todas as obrigações, de quaisquer naturezas, junto a empresa e seus 'sócios', em todas as operações por eles firmadas. 4.e.3) Contrato NãoResidencial de Locação do Imóvel situado a Rua da Soja, n° 120/120A Mercado São Sebastião Penha Rio de Janeiro RJ Em 01/10/2001 o Sr.Otacílio de Araújo Costa, representado por Luciana Duca Costa, filha do mesmo, assinou esse contrato de aluguel como locatário, constando que, em momento oportuno, seria o mesmo substituído pela empresa MAS Import Comércio e Distribuidora Ltda. E de se ressaltar que neste mesmo endereço (Rua da Soja, n° 120 Bairro Penha Rio de Janeiro/RJ) conta, nos cadastros da RFB (CNPJ), desde 14/09/2004, uma filial da empresa Dismar Comercial Ltda, também pertencente ao `grupo' do Sr. Otacílio, conforme demonstrado no subitem '4.d' acima. No parágrafo primeiro do contrato vem escrito: '(...) e como locatário, OTACÍLIO DE ARAITIO COSTA, brasileiro, casado, carteira de identidade n° M925.614 SSP/MG, C.P.F. n° 070.067.99600, residente e domiciliado a Rua Matias Cardoso n° 268, apt° 302, Bairro Santo Agostinho, Belo Horizonte, MG, Cep 30170 050, que será substituído em momento oportuno pela empresa MAS IMPORT COMÉRCIO E DISTRIBUIDORA LTDA, CNPJ n° 01.135.937/000137, com sua sede ii Rua Rubi n° 37, Bairro Bom Jesus, Coronel Fabriciano/MG, Cep 35171112, representada por seu sócio Márcio Aguiar da Fl. 1175DF CARF MF Processo nº 13629.001811/200513 Acórdão n.º 3401003.810 S3C4T1 Fl. 1.176 9 Silva, acordam em contratar a locação do imóvel acima referido, sob as cláusulas e condições seguintes.' (grifamos) Mais uma evidência do envolvimento direto do Sr. Otacilio de Araújo Costa com a administração da MAS Import Comércio e Distribuidora LTDA, revelandose como dono de fato da mesma. 4.e.4) Outros elementos Informamos abaixo a movimentação financeira da MAS Import Comércio e Distribuidora Ltda, com base em informações extraídas dos sistemas da Secretaria da Receita Federal SRF, em: 1999 R$ 24.171,05; 2000 R$ 882,772,10; 2001 R$ 7.058.701,41; 2002 R$ 27.848.630,12; 2003 R$ 21.543.905,51; 2004 R$ 3.296.840,73; 2005 R$ 6.467,91. Os rendimentos tributáveis e não tributáveis declarados a Receita Federal do Brasil pelos atuais sócios de direito ANTÔNIO ALVES AGRELA DE LIMA e ANTÔNIO REIS RODRIGUES são definitivamente incompatíveis com a condição de proprietários da fiscalizada. As investigações da Policia Federal e as informações extraídas dos sistemas da SRF vêm mostrando que os sócios de direito da MAS Import Comércio e Distribuidora Ltda não possuem condições econômicas ou financeiras de serem proprietários de empresa desse porte. Vale lembrar que o Sr. Otacílio de Araújo Costa foi considerado dono de fato da Beaga beer Distribuidora de Bebidas Ltda, CNPJ 02.026.139/000130, com sede em Belo Horizonte/MG, conforme comprovado pela fiscalização da Receita Federal em apuração de movimentação financeira incompatível no ano de 1998, iniciada em maio de 2001 e encerrada com resultado em dezembro de 2003, resultado que originou o processo no 10680.018549/200353. Durante os trabalhos de fiscalização, o sócio cotista da empresa Beagabeer Distribuidora de bebidas Ltda, Sr. Renato Lúcio de Lima Guimarães, CPF 257.790.28672, afirmou, em termo lavrado pela fiscalização, que a empresa era de fato do Sr. Otacílio de Araújo Costa, sendo efetuado, ao término dos trabalhos de fiscalização, uma representação fiscal para fins penais contra o contribuinte Otacílio, conforme processo n° 10680.018566/200391. O Termo de Declaração de Sujeição Passiva Solidária e Intimação Fiscal foi entregue no domicilio fiscal do Sr. Otacílio de Araújo Costa na data de 21/10/2005, conforme mostra a cópia do Aviso de Recebimento — 'AR 'juntada ao processo. Em 31/10/2005 foi postada pelos Correios uma resposta ao citado Termo, como se vê da cópia juntada ao processo, cuja via original conta do processo n° 13629.001488/200570. Em sua manifestação, assinada por sua procuradora devidamente habilitada para tal (Dra. Ana Claudia de Freitas Reis), o Sr. Otacílio de Araújo Costa alegou, dentre outras argumentações: a) que o Termo foi lavrado com ofensa ao artigo 5 0, inciso LV, da Constituição Federal, haja vista que a solidariedade passiva foilhe imputada sem que o mesmo tivesse tido direito constitucionalmente garantido de defesa; Fl. 1176DF CARF MF Processo nº 13629.001811/200513 Acórdão n.º 3401003.810 S3C4T1 Fl. 1.177 10 b) que houve afronta aos princípios do contraditório e ampla defesa, posto que não foi previamente intimado ou informado da existência do procedimento tributário administrativo, para que pudesse exercer sua defesa; c) que o Contrato de Fiança assinado em 11/04/2001, em que se responsabiliza, em nome da MAS Import Comércio e Distribuidora Lida, perante as empresas credoras Primo Schincariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes S/A (Selo Paulo, Rio de Janeiro, Nordeste) e Schimar Propaganda e Publicidade, tem por objeto, exclusivamente, as obrigações e compromissos assumidos pela devedora decorrente de aquisições de mercadorias frente as credoras (empresas ligadas a fabricação e comércio de bebidas), não abrangendo qualquer outro contrato ou relação comercial porventura existente entre tais empresas, sendo que o objeto social da empresa fiscalizada (MAS Import), embora inclua a distribuição de bebidas, é muito mais amplo, o que afasta a possibilidade de estender a fiança assumida a todas as suas obrigações fiscais e tributárias; d) que o Contrato de Locação NãoResidencial assinado em 01/10/2001 nada mais representada que o exercício das obrigações assumidas no Contrato de Fiança, posto que formalizada em data posterior a este; e e) que o Termo de Assunção de Obrigações, a exemplo do Contrato de Fiança, restringese as responsabilidades assumidas as atividades de distribuição de bebidas e, acrescendose, ao comércio de tabacos, mesmo assim a partir da data de sua assinatura (14/10/2002). Ao final, requereu direito a acesso aos autos, bem como a toda documentação e informação que tenha servido de lastro a informação. As alegações trazidas no bojo da mencionada manifestação não tiveram o condão de desconstituir as provas que ensejaram a fiscalização a atribuir ao Sr. Otacílio de Araújo Costa a sujeição passiva solidária pelos débitos de responsabilidade da MAS Import Comércio e Distribuidora Ltda, nos termos do artigo 124 do CTN. Na verdade, vieram a corroborar as conclusões relatadas no Termo de Declaração de Sujeição Passiva Solidária, posto que não refutou ou descaracterizou quaisquer das provas trazidas aos autos (Contrato de Fiança, Contrato NãoResidencial de Locação de Imóvel e Termo de Assunção de Obrigações). Ao contrário: em todas as suas alegações assume, peremptoriamente, que realmente foi fiador, em 11/04/2001, da MAS Import pelas obrigações por esta assumidas junto ao grupo Schincariol; que em 01/10/2001 de fato locou um imóvel comercial em nome da MAS Import, alegando que tal procedimento foi decorrente das obrigações assumidas através do contrato de fiança (que, entretanto, não se justifica, posto que em nenhuma cláusula do contrato de fiança consta tal obrigação); e que, também, firmou o Termo de Assunção de Obrigações em 14/10/2002, assumindo a responsabilidade pelas obrigações assumidas pela MAS Import referentes as atividades de distribuição de bebidas e ao comércio de tabacos. No tocante a alegação de que o Termo ofendeu o principio constitucional de ampla defesa e contraditório, encerrase também equivocada tal pretensão. Na verdade, o que se objetiva com o referido documento 6, justamente, oferecer ao sujeito passivo solidário a possibilidade de tomar conhecimento e intervir no procedimento fiscal instaurado, mesmo antes da autuação, sendo que a fiscalização, por intermédio do mencionado Termo de Declaração de Sujeição Passiva Solidária, em observância a disposição trazida pelo artigo 198 do Código Tributário Nacional CTN (Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966), pôde apresentarlhe todas as informações obtidas na fase investigatória. A alegação de que a expedição do Termo afrontou o principio constitucional do contraditório e da ampla defesa, na prática e no direito demonstra justamente o oposto. E sabido que o procedimento de fiscalização é uma préetapa, de caráter inquisitivo, com intuito de se levantar dados e provas, realizar auditorias, diligencias e apurarse, eventualmente, o montante a ser lançado. Uma Fl. 1177DF CARF MF Processo nº 13629.001811/200513 Acórdão n.º 3401003.810 S3C4T1 Fl. 1.178 11 vez efetuado o lançamento por meio de Auto de Infração é aberta a possibilidade do contraditório administrativo, nos termos do artigo 14 do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal. 'Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento.' 0 entendimento acima discorrido foi comunicado ao sujeito passivo solidário (Sr. Otacílio de Araújo Costa), através do Oficio n° 228/2005/Sacat/DRF/CFN/MG (conf cópia juntada aos autos), com recebimento em seu domicilio fiscal na data de 09/11/2005. Na presente ação fiscal, novo Termo de Declaração de Sujeição Passiva Solidária foi lavrado, cuja ciência darseá em conjunto com o Auto de Infra cão emitido." no tópico "5.a" Ns. 42/46) do termo de verificação fiscal, foram informados detalhes da ação fiscal que redundou no lançamento de oficio. Dentre o detalhamento informado, consta que: "Diante da documentação encaminhada pela empresa Primo Schincariol Indústria de Cerveja e Refrigerantes do Rio de Janeiro S/A (Cachoeiras de Macacu/RJ), e dada a ausência do atendimento Os intimações direcionadas a empresa compradora (MAS Import Comércio e Distribuidora Ltda) e ao sujeito passivo solidário (Sr. Otacílio de Araújo Costa), procedemos a apuração do crédito tributário referente ao IPI não destacado/não lançado nas notas fiscais de vendas de bebidas a MAS Import Comércio e Distribuidora Ltda estabelecimento localizado em Ipatinga/MG (CNPJ 01.135.937/0001 37), consubstanciado no MPFF n° 06111002005000293, como se visualiza pelos demonstrativos/planilhas anexados ao presente termo. A apuração do IPI constante dos lançamentos que compõem a presente ação fiscal levou em consideração os dados/documentos enviados pela unidade industrial da Schincariol localizada em Cachoeiras de Macacu/RJ, tendo por destino o estabelecimento matriz da MAS IMPORT COMÉRCIO E DISTRIBUIDORA LTDA, localizado na cidade de Ipatinga/MG (CNPJ 01.135.937/000137), relativamente aos períodos de apuração (..)" [os períodos de apuração estão compreendidos entre o 1° decêndio de janeiro de 2001 até o 3 0 decendio de março de 2004, não abrangendo, entretanto, todos os decêndios deste intervalo]. no tópico "5.b" (lis. 46/48) do termo de verificação fiscal, constam as razões para a aplicação da multa de oficio qualificada de 150%, nos termos do art. 80, inciso II, da Lei n° 4.502, de 1964, com a redação trazida pelo art. 45 da Lei n° 9.430, de 1996; do disposto no art. 44 desta última lei; do art. 461, inciso II, do Regulamento do IPI de 1998 (RIPI/98 — Decreto n° 4.637, de 1998) e do art. 488, inciso II, do Regulamento do IPI de 2002 (RIPI/2002 — Decreto n° 4.544, de 2002), além dos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 1964. Nessa linha, foi exposto que: "A utilização de interpostas pessoas no quadro societário da MAS Import Comércio e Distribuidora Ltda, por parte de seu proprietário de fato (Sr. Otacílio de Araújo Costa), assim como a existência de fortes indícios, apurados pelas investigações, que demonstram o provável conluio entre a MAS Import e a Primo Schincariol com vistas a obtenção de vantagens com o não destaque de IPI nas operações de vendas de produtos por esta industrializados, através de obtenção de liminares em ações judiciais, conforme ficou demonstrado através dos elementos obtidos pela Policia Federal na recente operação conjunta com a Receita Federal, são elementos suficientes, nos termos da legislação acima, a aplicação da multa de oficio qualificada (150%). Fl. 1178DF CARF MF Processo nº 13629.001811/200513 Acórdão n.º 3401003.810 S3C4T1 Fl. 1.179 12 O intuito de 'impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal' (art. 72) ou de 'impedir o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária' (art. 71) fica, ainda, mais evidente diante dos fatos demonstrados no presente Termo de Verificação fiscal, onde ficou caracterizada a utilização de interpostas pessoas, de forma a encobrir a identidade dos verdadeiros administradores do empreendimento. Os 'sócios de direito' Antônio Alves Agrela de Lima e António Reis Rodrigues, ao constarem ostensivamente no QSA da MAS Import, tinham, na verdade, a função de deixarem a margem das infrações fiscais e acobertarem as ações fraudulentas empreendidas pelo 'sócio de fato' e verdadeiro titular da empresa Sr. Otacílio de Araújo Costa, conforme relatado no competente Termo de Declaração de Sujeição Passiva Solidária. Já a utilização de distribuidoras de bebidas (dentre elas a MAS Import que, de acordo com as apurações da Receita Federal/Policia Federal, foi posteriormente substituída pela distribuidora Dismar, também de propriedade do Sr. Otacílio de Araújo Costa) dentro do possível 'esquema' comandado pela cervejaria Schincariol, conforme apurado pelas investigações, que foi amplamente divulgada pela imprensa nacional em data recente (ver cópias de algumas reportagens anexadas ao processo), tipificam claramente o 'conluio' entre essas empresas com vistas a sonegação e fraudes fiscais. Tal esquema utilizavase das distribuidoras de bebidas que obtinham liminares que as desobrigavam do recolhimento de impostos federal e estaduais (notadamente IPI e 1CMS) na aquisição de bebidas (cervejas e refrigerantes), como foi o caso da liminar obtida pela MAS Import, conforme descrito no item '2' acima; envolvia a utilização de 'placas frias' de caminhões para indicar vendas de produtos para estados da federação com benefícios fiscais relativos ao ICMS, quando, na prática, as mercadorias eram dirigidas a locais com alíquotas de tributação mais elevadas; utilização de notas fiscais frias' para acobertar operações inexistentes; práticas de subfaturamento na venda de produtos com o recebimento 'por fora' da diferença entre o real valor de venda e o valor declarado nas notas fiscais; utilização operações de 'exportação fictícia' e importação com falsa declaração de conteúdo, dentre outros ilícitos. Diante de todos os fatos demonstrados, concluise que está plenamente caracterizada a atitude dolosa por parte da empresa, tendente a 'impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal' ou de 'impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento do parte da autoridade fazendária', devendo, portanto, os lançamentos serem efetuados com a aplicação da multa de oficio de 150% (cento e cinqüenta por cento) calculada sobre a totalidade ou diferença do imposto, em consonância com o artigo 80, inciso II, da Lei n° 4.502/1964, e artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/1996." no tópico "5.c" (11. 48) do termo de verificação fiscal, foi informada a ausência de representação fiscal para fins penais, "consoante preceitua a Portaria SRF n° 326, de 15 de março de 2005, tendo em vista tratarse de ação fiscal motivada por elementos oriundos da Policia Federal, conforme prescreve o 5Ss 7° do artigo 1° da citada Portaria". Cientificado da autuação em 20/12/2005 via Correios, (cópia afl. 666), o Sr. Otacilio Araújo Costa apresentou defesa de fls. 720/732 em 19/01/2006, na qual expôs, em síntese, que: a impugnação era tempestiva; Fl. 1179DF CARF MF Processo nº 13629.001811/200513 Acórdão n.º 3401003.810 S3C4T1 Fl. 1.180 13 a conduta da Fiscalização foi de, na dúvida, tributar, aplicar o percentual de multa mais oneroso e imputar responsabilidade solidária a um terceiro, o que não condizia com os princípios da estrita legalidade e da tipicidade cerrada consagrados pelo sistema jurídico nacional; os fundamentos da Fiscalização que incluíram a responsabilização do impugnante pelo crédito tributário exigido eram inconsistentes, porquanto: a) o contrato de fiança assinado em 11/04/2001 e o termo de assunção de obrigações firmado em 14/10/2002 não geravam responsabilidade tributária por se aplicarem a qualquer cidadão, constituindo uma fraca e equivocada presunção alegada pelo Fisco, já que não restava comprovado que o impugnante realizara operações associadas às razões que culminaram na exigência fiscal, evidenciando se a subjetividade do lançamento em confronto com o disposto no art. 142 do CTN. De outro lado, a existência de contrato entre particulares não ensejava a pretensão fiscal de responsabilização de terceiros que jamais praticaram atos relacionados com a ocorrência de fato gerador de tributo, porquanto convenções particulares não tinham o condão de alterar a responsabilidade pelo pagamento de tributo ou modificar a definição legal do sujeito passivo de obrigação tributária, conforme o art. 123 do CTN; b) o impugnante nunca compusera o quadro societário da empresa autuada e jamais praticara atos de g estão de cunho fiscal, estando, assim, fora do campo de abrangência do auto de infração; c) para fins de responsabilização solidária, a previsão legal do art. 124, do C7'N exigia, no inciso I, a participação no fato gerador e, no inciso II, que a responsabilidade solidária fosse expressamente designada por lei. "Ora, em momento algum a fiscalização logrou êxito em provar que o Impugnante efetivamente teve conduta condizente com a ocorrência de fatos geradores do IPI, qual seja, a saída de produto industrializado cerveja. (.) A vaga e imprecisa expressão 'interesse comum' não pode e nem deve ser o único artifício utilizado pela fiscalização para caracterizar o Impugnante como responsável solidário pelo crédito tributário, dado o seu subjetivismo e ausência de concretude"; d) consoante a doutrina e as jurisprudências judicial e administrativa, a solidariedade tributária prevista nos arts. 124 e 125 do CTN não se confundia com a responsabilidade tributária de que tratavam os arts. 128 a 138 do CTN, em especial a responsabilidade de terceiros prevista nos arts. 134 e 135, que exigia a relação com o fator gerador da obrigação fiscal; e) havia ausência de certeza no termo de verificação fiscal, a exemplo do trecho: "Fica demonstrado o estreito vinculo entre os fiadores e os devedores, que não nos parece ser outro que não o de sócio ostensivo ", restando patente o subjetivismo da Fiscalização; f) se até para os casos de responsabiliza cão de terceiros (diretores, sócios, gerentes e representantes legais), os tribunais superiores entendiam ser necessária a presença da culpa subjetiva dos terceiros envolvidos (violação de lei, violação de estatuto ou contrato social ou excesso de mandato), "muito menos é de se admitir a responsabilização de pessoas alheias ao quadro societário e a gestão da pessoa jurídica supostamente em débito com o Fisco, como é o caso do ora Impugnante"; g) "0 próprio relatório fiscal da conta de que a ausência de recolhimento de tributo se deu em virtude do fato de a pessoa jurídica estar discutindo judicialmente a sua incidência e não de qualquer das hipóteses caracterizadoras de fraude, conluio e sonegação, previstas legalmente "; Fl. 1180DF CARF MF Processo nº 13629.001811/200513 Acórdão n.º 3401003.810 S3C4T1 Fl. 1.181 14 h) contrato de fiança assinado em 11 de abril de 2001: • afiança em questão alcançava apenas as obrigações e compromissos assumidos pela pessoa jurídica autuada, decorrentes de aquisições de mercadorias das credoras Primo Schincariol Ind. de Cervejas e Refrigerantes S/A e Schimar Propaganda e Publicidade Ltda., empresas exclusivamente dedicadas a fabricação e comércio de bebidas, não abrangendo qualquer contrato ou relação comercial porventura existente entre a autuada e terceiros; • de cláusula do contrato de fiança, extrairseia que as obrigações tributárias incluíam as oriundas de termo de acordo de regime especial— TARE n° 1086/2001 — eventualmente atribuídas as credoras pelas Secretarias das Fazendas Estaduais e relacionadas exclusivamente ao ICMS; • o objeto social da empresa fiscalizada ia além da distribuição de bebidas, afastando a possibilidade de estender a fiança ali assumida a todas as obrigações fiscais e tributárias da empresa fiscalizada, não havendo a caracterização pretendida pelo Fisco de solidariedade tão ampla e tampouco de uma sociedade ostensiva, referente a uma participação "de fato" do impugnante na empresa sob ação fiscal; i) contrato de locação nãoresidencial assinado em 10 de outubro de 2001: e nada mais representava que o cumprimento das obrigações ali ajustadas, restando frágil a caracterização da solidariedade apontada, não sendo tal contrato documento hábil a demonstrar que o impugnante era "dono de fato" da empresa autuada, mas tãosomente que as responsabilidades assumidas perante as credoras estavam sendo cumpridas; j) termo de assunção de obrigações: • o termo restringia as responsabilidades assumidas as atividades de distribuição de bebidas e de comércio de tabacos, mesmo assim, a partir da data de sua assinatura, qual seja, 14/10/2002, sendo que todas as obrigações comerciais, fiscais e tributárias relativas ao exercício das atividades não incluídas na distribuição de bebidas e produtos de tabacaria não estavam amparadas pelo aludido termo. Por tudo que expôs, requereu a procedência da impugnação, "ante a flagrante insubsistência dos elementos caracterizadores da sua responsabilidade solidária, notadamente em função das disposições do art. 123 do CM com a sua conseqüente exclusão do pólo passivo da obrigação tributária". A empresa autuada, MAS Import Comércio e Distribuidora Ltda., por sua vez, tendo tomado ciência do lançamento de oficio tanto por meio do sócio de direito Sr. Antônio Alves Agrela de Lima, CPF n" 205.708.99834, em 29/12/2005 N. 09), como pelo recebimento do "AR" em 21/12/2005 (fl. 657), apresentou, em 19/01/2006, a impugnação de fls. 677/695, cujos argumentos esteio sintetizados abaixo: a impugnação era tempestiva; a tutela antecipada concedida nos autos da ação ordinária n° 98.00073302, ajuizada perante a ila Vara Federal da Seção Judiciária do Espirito Santo, objetivava que as empresas industriais fornecedoras de bebidas não recolhessem o IPI incidente nas operações de venda (remessa) feitas a impugnante, contribuinte de fato do tributo; Fl. 1181DF CARF MF Processo nº 13629.001811/200513 Acórdão n.º 3401003.810 S3C4T1 Fl. 1.182 15 a decisão judicial concessiva da tutela antecipada havia vigorado de 29/07/1998 até 03/07/2000, quando foi suspensa por decisão liminar deferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em ação cautelar; equivocavase a Fiscalização ao entender que, relativamente ao período autuado, não havia medida judicial a amparar a pretensão da impugnante, ensejando a lavratura do auto de infração em tela, porquanto, uma vez "cassada" a ordem judicial que impedia as fornecedoras da impugnante de recolher o IPI incidente nas operações de saída de bebidas, cabia àquelas fornecedoras a obrigação de recolher o IPI nos moldes determinados pela legislação em vigor à época; a informação da unidade Primo Schincariol em Alexeinia/G0 sobre o devido destaque de IPI em todas as vendas efetuadas a impugnante e a consulta a Receita Federal formulada pela Primo Schincariol do Rio de Janeiro acerca das conseqüências do nãocumprimento da obrigação de recolher o IPI configuravamse como prova de que a sujeição passiva era das fornecedoras e não da impugnante; o fato gerador do IPI era a saída do produto do estabelecimento industrial ou equiparado, nos termos do art. 46, inciso II, do CTN, sendo sujeitos passivos da obrigação tributária, contribuintes de direito do tributo, os estabelecimentos fornecedores da impugnante, os quais, apesar do conhecimento da "cassação" da ordem judicial que anteriormente lhes havia sido direcionada, não passaram a recolher o IPI incidente sobre as saídas de bebidas, cabendo, portanto, incidir a autuação sobre tais fornecedores. Citou excertos de julgamentos administrativos considerados favoráveis a sua defesa; por não ser contribuinte de direito do imposto, mas apenas de fato, a impugnante não era parte passiva legitima na autuação, não lhe cabendo, diante da decisão judicial que revogara os efeitos de antecipação de tutela, recolher o IPI incidente nas operações praticadas com as fornecedoras; no tópico IV da impugnação, de fls. 682 última frase — titulo do tópico) a 689, foi exposta argumentação que refutava a tributação do IPI para produtos como cerveja, refrigerante e água mineral sob a sistemática de pautas fiscais, taxandoa de ofensiva e contrária a conceitos, princípios e regras desse imposto; conforme mencionado pela Fiscalização, o crédito tributário referente ao IPI não destacado/nãolançado nas notas fiscais de venda de bebidas a impugnante lastreavase em documentação encaminhada pela empresa Primo Schincariol, estando os autos ausentes dos elementos necessários à certeza e liquidez do lançamento de oficio, como a indicação da metodologia utilizada pela Fiscalização, a correspondência entre os produtos por ela relacionados e os constantes das notas fiscais apresentadas por terceiros, os valores do IPI por unidade de produto, a referencia a notas fiscais, etc., não tendo havido para a impugnante a oportunidade de aferir a exatidão do vultoso montante lançado. Diante disso, havia que ser realizada perícia contábil para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário exigido, sendo enumerado quesitos e informado perito assistente 690); como era descabida a exigência do tributo à impugnante, assim • também se revelava a aplicação da multa, vez que "o acessório segue o principal"; o enquadramento legal da multa de 150% aplicada pelo auto de infração e apontada no termo de verifica cão fiscal exigia "evidente fraude" como causa motivadora do tipo legal, implicando que tal evidência deveria ter sido lastreada por documentação idônea, afastandose presunções, ficções ou qualquer outro meio de prova indireta; Fl. 1182DF CARF MF Processo nº 13629.001811/200513 Acórdão n.º 3401003.810 S3C4T1 Fl. 1.183 16 era observável o tom de dúvida no trecho do termo de verificação fiscal: "(.) a existência de fortes indícios, apurados pelas investigações, que demonstravam o provável conluio entre a MAS Import e a Primo Schincariol com vistas it obtenção de vantagens com o não destaque de IPI nas operações de vendas de produtos por esta industrializados, através de obtenção de liminares em ações judiciais, repudiava a aplicação da multa qualificada o fato de que o correto sujeito passivo da obrigação tributária principal eram as industrias fornecedoras, não havendo razão para acusar a impugnante de conluio ou fraude, além de que a ausência de recolhimento do IPI decorria não de ação, omissão ou ajuste doloso entre pessoas jurídicas para impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, mas sim de decisão judicial regularmente proferida, que sequer havia sido julgada definitivamente pelo Poder Judiciário; discutir determinado tributo em juízo não caracterizava as hipóteses configuradoras das condutas previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, pelo que restava irremediavelmente equivocada a pretensão fiscal de lançamento da multa qualificada; a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes vinha se consolidando no sentido de que apenas a certeza do evidente intuito de agir contra a lei permitia e determinava a majoração da multa de oficio, em nada se assemelhando a situação versada nos autos, porquanto a ausência de recolhimento do tributo ocorrera exclusivamente em função de obtenção de decisão judicial, não tendo havido a utilização de notas falsas, notas calçadas, escrita paralela, adulteração de documentos ou qualquer outra prática ilícita que comportasse a imposição de multa qualificada; era necessário sair da abstração proposta pela Fiscalização e enfrentar a realidade posta em exame, donde se concluía pela inexistência de conluio e/ou fraude que justificasse a aplicação da multa qualificada; (...) A 3ª Turma de Julgamento da DRJ/JFA julgou procedente em parte o lançamento para cancelar a exigência relativa aos períodos de apuração a partir do segundo decêndio de julho de 2003, nos termos do voto condutor do Acórdão constante das fls. 866 a 920, ensejando a apresentação de recurso voluntário, em 19 de novembro de 2007, pela pessoa jurídica MAS Import Comércio e Distribuidora Ltda. e pela pessoa física Otacílio de Araújo Costa. Na peça recursal, a pessoa jurídica manifestouse sobre a tempestividade do recurso e repetiu as razões de defesa consignadas na impugnação, inclusive o pedido de perícia, solicitando, ao final, o provimento do seu recurso, em face da flagrante ilegitimidade passiva, ou a declaração da improcedência do lançamento com base em pauta de valores, bem como da multa qualificada equivocadamente aplicada. Às fls. 946 a 969, consta recurso voluntário do Sr. Otacilio de Araújo Costa, que alegou, em preliminar, a nulidade do auto de infração, por insanável contradição entre os fatos que motivaram a autuação fiscal e a fundamentação legal, visto que foi considerado responsável por supostamente ser sócio de fato da empresa autuada e o fundamento legal para essa responsabilização foi o art. 124, inc.. I, do CTN, mas, com efeito, a inclusão do recorrente no pólo passivo da obrigação tributária, em decorrência dos fatos narrados no TVF, somente poderia fundamentarse no art. 135 do CTN, que trata da responsabilidade dos sócios administradores de pessoa jurídica. Fl. 1183DF CARF MF Processo nº 13629.001811/200513 Acórdão n.º 3401003.810 S3C4T1 Fl. 1.184 17 Também foi alegada a nulidade da decisão recorrida por terse fundamentado em substrato fático diferente do que motivou a autuação. No mérito, o Sr. Otacílio de Araújo Costa alegou, em síntese, que: I — a inclusão do recorrente no pólo passivo da autuação decorreu de presunção feita com base em indícios, como foi admitido no próprio Acórdão recorrido, afrontando os princípios da estrita legalidade e da vincula* que regem a matéria tributária; II — o recorrente não participou nem praticou o fato gerador do IPI, isto é, não deu saída ao produto industrializado cerveja, como se depreende do próprio relatório fiscal; portanto, não se configura a hipótese descrita no art. 124, inc. I, do CTN; III — os indícios colacionados pelo Fisco para imputar responsabilidade ao recorrente são de natureza privada e com objeto especifico e limitado, não podendo ser oponíveis para modificar o sujeito passivo da obrigação tributária, a teor do art. 123 do CTN; IV — o Fisco não logrou comprovar que o recorrente, em conjunto com a pessoa jurídica autuada, realizou o fato gerador do IPI; VI — caso se admita a responsabilidade do recorrente com base no art. 124 do CTN, há que se comprovar as condições estabelecidas no art. 135 do CTN e não há, no auto de infração, nenhuma alusão ao fato de que a recorrente teria praticado atos com excesso de poderes ou com violação do contrato social da empresa; VII — o mero nãorecolhimento do tributo não caracteriza a infração de lei prevista no art. 135 do CTN; VIII — mesmo que se admita que o recorrente pode ser solidariamente responsável, o tributo não pode ser exigido da pessoa jurídica, tampouco do recorrente, pois caberia As fornecedoras da pessoa jurídica autuada o recolhimento do IPI, visto que são elas as contribuintes de direito desse imposto; IX — a sentença proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 2005.01.04.00014546, invocada no Acórdão recorrido, deixa claro que é juridicamente impossível o lançamento do IPI contra as distribuidoras; e X — a multa qualificada não pode ser mantida, visto que os dispositivos legais em que se baseou a fiscalização foram revogados pela Lei no 11.488, de 2007, devendose aplicar ao caso o disposto no art. 106, inc. II, alínea "c", do CTN; e XI — mesmo que os dispositivos legais relativos à qualificação da multa não tivessem sido revogados, não se aplicaria a multa, pois não houve dolo da pessoa jurídica, tampouco do recorrente. Por fim, solicitou o recorrente o provimento do seu recurso para declarar a nulidade do auto de infração ou declarar sua improcedência, por ilegitimidade passiva da pessoa jurídica, ou excluir do pólo passivo o recorrente, em virtude de não estar caracterizada a responsabilidade solidária, ou para que sejam cancelados os valores relativos à multa qualificada. É o relatório." (grifei) Passado o relatório do voto vencedor, o Conselheiro Redator designado justificou a proposta de conversão em diligência, na necessidade de maiores esclarecimentos: do alcance do pedido judicial e do que foi concedido na ação ordinária n° 98.00073302 (petição inicial das autoras, decisão concessiva da antecipação de tutela, acórdão do TRF que manteve a antecipação de tutela); dos depósitos judiciais; e sobre repasses de IPI. Fl. 1184DF CARF MF Processo nº 13629.001811/200513 Acórdão n.º 3401003.810 S3C4T1 Fl. 1.185 18 Argüi o Redator que todas as decisões partem da premissa de que a fabricante foi impedida de efetuar o recolhimento do IPI. Entende que as empresas possam estar postulando unicamente a ilegalidade da exigência do IPI na modalidade de tributação especifica, chamada nas diversas peças processuais de "pautas fiscais", cujo provimento favorável, faria retornarse à modalidade de cálculo ad valorem, nada mais. Por outro lado, relatos de que as empresas deveriam deixar de destacar e recolher o tributo, corresponderiam a pleito de ilegalidade ou inconstitucionalidade, da própria exigência do IPI, ou seja, estariam questionando a Lei nº 4.502/64 e não a mera mudança de sistemática de apuração. Além dessas dúvidas, questões sobre a origem dos depósitos judiciais e rapasses indiretos de IPI via preço. Via Resolução nº 340200.075 2ºTO/4ªCAM/3ªSEJUL, determinouse: "(...) Voto, por isso, para que sejam trazidos aos autos cópias: 1) da petição inicial da ação em que figurou, como litisconsorte, a Mas import; 2) da decisão provisória que deferiu a antecipação de tutela; c) de eventuais comprovantes de depósito feitos pela Schincariol. Caso não tenha havido tais depósitos que isso seja expressamente informado nos autos; d) caso tenha havido os depósitos acima mencionados, se informe se tais valores foram levantados pela Mas import a titulo de "compensação indireta" com outros tributos federais; e) se o preço dos produtos cobrado pela Schin na vigência da decisão provisória concessiva da antecipação de tutela incluiu algum repasse de IPI. Em outras palavras, se, embora não destacando na nota, houve repasse indireto, via preços, do IPI exigível da Schin." Por meio do DESPACHO, de 02/06/2011 (fl. 1164), entendeuse cumprida a diligência com o encaminhamento de peças processuais da ação ordinária 98.00073302, sendo os autos remetidos ao CARF para prosseguimento. Voto Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida Os recursos apresentados preenchem os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, deles se toma conhecimento. As razões recursais focalizam precipuamente questões relativas ao erro na identificação do sujeito passivo, salientandose que o fato gerador do IPI, lançado e descrito no TVF, foi a saída de bebidas de estabelecimento industrial para distribuidora, sendo o estabelecimento industrial que promoveu a saída do produto industrializado do seu estabelecimento o contribuinte do imposto, definido pelo art. 23, inc. II, do RIPI/98, com fulcro no art. 35, inc. I, alínea “a”, da Lei nº 4.052/64. Sobre a sujeição passiva envolvendo contribuinte de fato (distribuidora de bebidas) e contribuinte de direito (estabelecimento industrial fabricante de bebidas), o Superior Tribunal de Justiça STJ manifestouse por meio do REsp nº 903.394/AL, submetido a sistemática dos recursos repetitivos: Fl. 1185DF CARF MF Processo nº 13629.001811/200513 Acórdão n.º 3401003.810 S3C4T1 Fl. 1.186 19 EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. DISTRIBUIDORAS DE BEBIDAS. CONTRIBUINTES DE FATO. ILEGITIMIDADE ATIVA AD CAUSAM . SUJEIÇÃO PASSIVA APENAS DOS FABRICANTES (CONTRIBUINTES DE DIREITO). RELEVÂNCIA DA REPERCUSSÃO ECONÔMICA DO TRIBUTO APENAS PARA FINS DE CONDICIONAMENTO DO EXERCÍCIO DO DIREITO SUBJETIVO DO CONTRIBUINTE DE JURE À RESTITUIÇÃO (ARTIGO 166, DO CTN). LITISPENDÊNCIA. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULAS 282 E 356/STF. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 7/STJ. APLICAÇÃO. 1. O "contribuinte de fato" (in casu, distribuidora de bebida) não detém legitimidade ativa ad causam para pleitear a restituição do indébito relativo ao IPI incidente sobre os descontos incondicionais, recolhido pelo "contribuinte de direito" (fabricante de bebida), por não integrar a relação jurídica tributária pertinente. [...] 12. Malgrado as Turmas de Direito Público venham assentando a incompatibilidade entre o disposto no artigo 14, § 2º, da Lei 4.502/65, e o artigo 47, II, "a", do CTN (indevida ampliação do conceito de valor da operação, base de cálculo do IPI, o que gera o direito à restituição do indébito), o estabelecimento industrial (in casu, o fabricante de bebidas) continua sendo o único sujeito passivo da relação jurídica tributária instaurada com a ocorrência do fato imponível consistente na operação de industrialização de produtos (artigos 46, II, e 51, II, do CTN), sendo certo que a presunção da repercussão econômica do IPI pode ser ilidida por prova em contrário ou, caso constatado o repasse, por autorização expressa do contribuinte de fato (distribuidora de bebidas), à luz do artigo 166, do CTN, o que, todavia, não importa na legitimação processual deste terceiro. Inferese do decidido que o "contribuinte de fato" (in casu, distribuidora de bebida) não integra a relação jurídica tributária pertinente ao fato gerador do IPI, sendo que o estabelecimento industrial (in casu, o fabricante de bebidas) continua sendo o único sujeito passivo da relação jurídica tributária instaurada com a ocorrência do fato imponível consistente na operação de industrialização de produtos (artigos 46, II, e 51, II, do CTN). Art. 46. O imposto, de competência da União, sobre produtos industrializados tem como fato gerador: (...) II a sua saída dos estabelecimentos a que se refere o parágrafo único do artigo 51; [...] Art. 51. Contribuinte do imposto é: (...) II o industrial ou quem a lei a ele equiparar; Assim sendo, nesse ponto, adotando e repisando as razões de decidir, em precedente envolvendo o mesmo contribuinte e os mesmos fatos, em períodos de apurações imediatamente anteriores, no voto condutor do Acórdão nº 3402001.897, de 25/09/2012 (Processo nº 13629.001488/200570), resta patente a ilegitimidade passiva da MAS IMPORT COMÉRCIO E DISTRIBUIDORA LTDA, naqueles e nestes autos, visto que não é ela o industrial que deu saída ao produto industrializado. Fl. 1186DF CARF MF Processo nº 13629.001811/200513 Acórdão n.º 3401003.810 S3C4T1 Fl. 1.187 20 Observouse no citado precedente que, desde à época do lançamento anterior, a antecipação de tutela concedida nos autos da ação n° 98.00073302, que obstara a imposição tributária em questão, já havia sido suspensa por decisão judicial de instância superior, não mais subsistindo óbice à lavratura do auto de infração contra o estabelecimento industrial, o real contribuinte do IPI. A Fiscalização invocou, para atribuir a responsabilidade à distribuidora, o art. 811, inc. I 2, da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil CPC, fundamento legal do entendimento explicitado em soluções de consulta, concluindo que o lançamento do crédito tributário deveria ser feito contra as distribuidoras que propuseram a ação judicial com vista a afastar o destaque do IPI em notas fiscais e o seu conseqüente recolhimento. Assim como no voto condutor do Acórdão nº 3402001.897, também, não vislumbro que os esclarecimentos a respeito da ação judicial e dos correspondentes depósitos possam vir a determinar a propriedade da incidência do art. 811 do CPC no caso para exigência do tributo devido. Repitase, a antecipação de tutela, concedida nos autos da ação ordinária n° 98.00073302/ES, que obstara a imposição tributária em questão, já havia sido suspensa liminarmente (em 01/08/2000, DJ de 04/08/2000) e inteiramente afastada (em 14/08/2001), por decisão judicial3 de instância superior (STJ), não mais subsistindo óbice à lavratura do auto de infração (lavrado em 14/12/2005 e cientificado em 29/12/2005), diretamente contra o estabelecimento industrial, o real contribuinte do IPI. Há um evidente erro na “identificação jurídica” do sujeito passivo da obrigação tributária, um típico “erro de direito”, residente no plano da interpretação e aplicação das normas jurídicas ao caso concreto, na valoração jurídica dos fatos: constituir crédito tributário face a contribuinte de fato (distribuidora) como se de direito (indústria) o fosse; clara incorreção dos critérios jurídicos que lastrearam o lançamento quanto ao aspecto pessoal da regramatriz de incidência tributária, conforme ensinamentos extraídos do Parecer PGFN/CAT nº 278/2014. Suficientes as razões expostas, voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pela MAS IMPORT COMÉRCIO E DISTRIBUIDORA LTDA, para anular o lançamento por vício material, em razão de erro na identificação do sujeito passivo. Uma vez afastada a sujeição passiva da pessoa jurídica autuada, na hipótese de que trata este processo, também o seu suposto sócio de fato não pode ser responsabilizado. Por arrastamento, voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo Sr. OTACÍLIO DE ARAÚJO COSTA, para anular o lançamento por vício material, em razão de erro na identificação do sujeito passivo solidário. 2 Art. 811. Sem prejuízo do disposto no art. 16, o requerente do procedimento cautelar responde ao requerido pelo prejuízo que Ihe causar a execução da medida: I se a sentença no processo principal Ihe for desfavorável; 3 Ação Cautelar n° 2.887/ES, junto ao STJ, suspendeu e afastou os efeitos da tutela antecipada, exarada nos autos da Ação Ordinária principal n° 98.00073302/ES, em decisão de mérito de 14/08/2001 — fls. 618/628. Fl. 1187DF CARF MF Processo nº 13629.001811/200513 Acórdão n.º 3401003.810 S3C4T1 Fl. 1.188 21 Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento aos recursos voluntários. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 1188DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.907202/2012-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/04/2010
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.237
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/04/2010 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado.
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente INDÚSTRIA DE MÁQUINAS MIRUNA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/04/2010 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de pedido de PER/DCOMP para restituição de créditos de COFINS, cujo pedido foi indeferido, via despacho decisório. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 72 02 /2 01 2- 00 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10882.907202/201200 Acórdão n.º 3302004.237 S3C3T2 Fl. 3 2 Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que o ICMS destacado nas vendas não pode ser considerado como faturamento ou como receita bruta, não devendo, por isso, ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS; que a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições em tela desrespeita o preceito do artigo 110 do CTN; que o STF, por meio do RE 240.785/MG, manifestou o entendimento de excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobreveio, então, julgamento da DRJ/Belo Horizonte, que indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 02050.839. A contribuinte, então, apresentou recurso voluntário repisando os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.158, de 23 de maio de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.902818/201235, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.158): "1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 28 de agosto de 2014, fls. 50, e o recurso foi protocolado em 29 de setembro de 2014, fls. 52. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do mérito 2.1. Do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.144.469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10882.907202/201200 Acórdão n.º 3302004.237 S3C3T2 Fl. 4 3 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMS ST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10882.907202/201200 Acórdão n.º 3302004.237 S3C3T2 Fl. 5 4 ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10882.907202/201200 Acórdão n.º 3302004.237 S3C3T2 Fl. 6 5 RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10882.907202/201200 Acórdão n.º 3302004.237 S3C3T2 Fl. 7 6 (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente; no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento encontramse, desde já, fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. 3. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, mas, no mérito, nego provimento." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10882.907202/201200 Acórdão n.º 3302004.237 S3C3T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 52DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.904957/2012-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 13/05/2005
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO.
Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada.
Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.516
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do Fato Gerador: 13/05/2005 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE CREDITO. Recorrente O. G. SISTEMAS DE EXAUSTÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 13/05/2005 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verificase no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 49 57 /2 01 2- 52 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10865.904957/201252 Acórdão n.º 3301003.516 S3C3T1 Fl. 3 2 utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando que após análise efetuada junto a seus arquivos verificou que pediu restituição para o período em discussão e solicitou futura compensação, na qual a empresa se beneficia de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, daí a origem do crédito. Por não ter feito a retificação da DCTF, houve o indeferimento. Solicita que seja feita a retificação na DCTF, uma vez que não há tempo hábil nem permitido para devida retificação, pois assim se fará um ato de justiça. Requerendo, ainda, a reavaliação do Despacho Decisório. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 06043.971. O fundamento adotado, em síntese, foi a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, através do qual alega, resumidamente: (i) que o crédito pleiteado decorre do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%); (ii) que o indébito em questão estaria comprovado por meio da documentação acostada em seu recurso voluntário (faz pedido alternativo de diligência, caso se entenda necessário); (iii) que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. Requer, então, que o recurso seja provido, a fim de reformar a r. decisão de primeira instância, culminando com o reconhecimento do direito creditório e a consequente homologação das compensações vinculadas. Posteriormente, o contribuinte protocolizou nova petição aos autos, através da qual requereu a juntada de notas fiscais, no intuito de comprovar o seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.443, de 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10865.905013/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.443): "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10865.904957/201252 Acórdão n.º 3301003.516 S3C3T1 Fl. 4 3 Conforme relatado acima, a compensação apresentada pelo contribuinte fora indeferida por ausência de comprovação do crédito pleiteado. Os fundamentos do voto proferido pela DRJ consta da transcrição a seguir: No processo de restituição, de ressarcimento ou de compensação, é o contribuinte quem toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, mediante a apresentação do PerDcomp. No Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria, por isso utilizase a existente no CPC. Por essa razão, cabe ao contribuinte provar a existência do crédito pretendido. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Esse entendimento aplicase também à restituição. Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de inconformidade. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS 5 ANOS DO FATO GERADOR A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2o, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Limitase a informar que se beneficia de tributação monofásica de “alguns produtos” que comercializa, mas não informa quais são os produtos. Além disso, não apresenta nenhum documento fiscal ou contábil que confirme seus argumentos. Ademais, o prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10865.904957/201252 Acórdão n.º 3301003.516 S3C3T1 Fl. 5 4 à retificação da respectiva declaração apresentada. Esse entendimento foi adotado pelo Parecer Cosit nº 48, de 7 de julho de 1999, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação: “Dos comandos legais citados, temos que extinguese no prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da declaração de rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim, da mesma forma que a Fazenda Pública submetese a um prazo final para rever de ofício seu lançamento ou para constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros cometidos quando da elaboração de sua declaração de rendimentos.” (grifouse) O Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) também já se pronunciou nesse sentido: “DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF RETIFICAÇÃO PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação das DCTF trimestrais extinguese após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência dos correspondentes fatos geradores, como analogamente ao Fisco seria vedado o direito de proceder à sua revisão. IRPJ e CSLL COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO A compensação de tributos em face de seu alegado pagamento a maior condicionase à demonstração efetiva da ocorrência do pagamento em excesso, mediante documentação hábil (1º CC; 8ª Câmara; processo 13707.001451/0087; Acórdão nº 10808913; data da sessão: 23/06/2006). (grifouse) Diante disso, verificase que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. APURAÇÃO DO TRIBUTO A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: (...). Em face do exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10865.904957/201252 Acórdão n.º 3301003.516 S3C3T1 Fl. 6 5 Concordo com os termos da decisão recorrida, a qual entendo não merecer reparos. Como é cediço, é do contribuinte o ônus da prova do seu direito creditório. Tanto que este, em seu recurso voluntário, reconhece a ausência de comprovação do seu direito creditório nas fases anteriores do presente processo. Pleiteia, contudo, que a documentação apresentada quando do Recurso Voluntário seja levada em consideração por este Conselho, seja para fins de reconhecimento do crédito pleiteado, seja para fins de, ao menos, determinar diligência para fins de confirmação do direito requerido. Alega, para tanto, que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. É importante que se esclareça, em princípio, que esta turma julgadora tem, em determinadas situações, admitido a análise de documentos anexados pelo contribuinte a destempo, desde que aptas a comprovar o direito alegado, em atenção ao princípio da verdade material. Entendo, contudo, que não deve ser esta a conduta a ser adotada neste caso concreto. Isso porque, consoante bem assinalou a decisão recorrida, o contribuinte apresentou DCOMP indicando um suposto crédito oriundo de DARF já integralmente utilizado para fins de quitação de outro débito do contribuinte. Logo, não havia como se admitir a compensação apresentada, por ausência de direito creditório. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte limitouse a alegar que o seu direito creditório decorreria do recolhimento indevido realizado em razão de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, e que o indeferimento teria se dado em razão da ausência de retificação da DCTF, uma vez que não havia tempo hábil para proceder à devida retificação. Neste ponto, entendeu corretamente a decisão recorrida no sentido de que não se deve admitir DCTF retificadora fora do prazo legal de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Verificase no caso concreto aqui analisado que o período que o contribuinte pretende retificar reportase ao 2º semestre de 2005, ao passo que a primeira manifestação de que haveria informação incorreta na referida DCTF outrora apresentada reportase a setembro de 2012, quando o contribuinte apresentou a sua manifestação de inconformidade, já comunicando a impossibilidade de apresentação da DCTF retificadora. Sendo assim, não havia mais tempo hábil para se admitir a retificação da DCTF pretendida pelo contribuinte, ou mesmo para se reanalisar as informações ali transmitidas pelo próprio contribuinte. Nesse sentido, inclusive, trazse à colação decisões deste Conselho, proferidas à unanimidade de votos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10865.904957/201252 Acórdão n.º 3301003.516 S3C3T1 Fl. 7 6 É ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador ou da entrega da declaração para fins de comprovação de pagamento indevido passível de compensação. O prazo para constituição do crédito tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte. Também ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. (Acórdão n. 3802001.464). *** Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeito se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário negado. (Acórdão n. 3202000.862). É importante que se tenha em mente que o direito não socorre aos que dormem. Nesse contexto, da mesma forma que a Fazenda possui prazos para fiscalizar o contribuinte, este possui prazos para retificar as suas declarações, no intuito de constituir direito creditório que entende fazer jus. A observância de tais prazos legais, inclusive, precisam ser observadas em benefício da sociedade como um todo, em prol da segurança jurídica. É importante que se esclareça que não se está aqui dispondo que a verdade material não deve prevalecer sobre a verdade formal. Contudo, a aplicação do princípio da verdade material possui limites que precisam ser observados, a exemplo dos prazos decadencial e prescricional, os quais devem ser observados sem distinção, às vezes a favor, às vezes contra o contribuinte/Fisco. E, uma vez encerrado o prazo legal para retificação da DCTF, resta forçoso reconhecer que a documentação apresentada pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário não o socorre em seu pleito. Ainda que tivesse o contribuinte direito ao crédito pleiteado em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não poderia o contribuinte pleitear tal crédito ad eternum. Existe um marco temporal que precisa ser observado e a apresentação de documentos comprobatórios quando já decorrido tal prazo não deve ser considerada. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10865.904957/201252 Acórdão n.º 3301003.516 S3C3T1 Fl. 8 7 É a mesma situação que ocorre quando um crédito tributário resta fulminado pela decadência. Ainda que a Receita Federal tenha provas cabais de que determinado montante é devido, não pode exigilo após o decurso do prazo quinquenal previsto na legislação. Diante das razões acima expostas, entendo que deverá ser negado provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo a decisão recorrida em sua integralidade, por seus próprios fundamentos." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não se admitindo a DCTF retificadora e a documentação comprobatória apresentados a destempo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 161DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.000691/2011-31
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2006 a 31/12/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.528
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 06 91 /2 01 1- 31 Fl. 188DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2403002.265, proferido pela 3ª Turma Ordinária / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória (AI – DEBCAD nº 37.272.1893), no valor de R$ 91.414,20 (noventa e um mil, quatrocentos e quatorze reais e vinte centavos), em virtude do descumprimento da obrigação acessória prevista no artigo 32, inciso IV e parágrafo 3º da Lei nº 8.212/91, acrescentado pela Lei nº 9.528/97, e regulamentada pelo RPS (Regulamento da Previdência Social) aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, uma vez que, segundo o Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 08/12), os fatos geradores referente à prêmios de incentivo a performance e produtividade pagos aos segurados empregados não foram informados em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) nas competências 05/2006 a 12/2006. O Contribuinte contestou o Auto de Infração às fls. 48/66, alegando, entre outros, inexistir razão à fiscalização no que se refere ao enquadramento dos prêmios pagos como integrantes do Salário de Contribuição dos segurados empregados vez que não foram comprovados os requisitos exigidos pela legislação: (i) remuneração; (ii) habitualidade e (iii) retribuição para o trabalho. Por fim, requerem o conhecimento e acolhimento da impugnação para o fim de ser declarado insubsistente o auto de infração lavrado em face dos Impugnantes, com o cancelamento da penalidade imposta. A 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP DRJ/SPO I, às fls. 79/93, julgou procedente o lançamento. O Contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 99/128, reiterando as alegações anteriores. A 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 148/158, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, determinando o recálculo da multa nos termos do art. 32A da Lei n° 8.212/91. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2006 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO. OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA GUIA DE RECOLHIMENTO DO FUNDO DE GARANTIA DO TEMPO DE SERVIÇO E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL GFIP. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 19515.000691/201131 Acórdão n.º 9202005.528 CSRFT2 Fl. 10 3 Constitui infração a empresa deixar de informar na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. MULTA. No que pertine às penalidades de infrações em razão de inadimplementos de obrigações acessórias cujas fatos geradores se verificaram insertos sob o comando inciso IV do caput do art. 32 da Lei n° 8.212/91, o legislador se fez claro , objetivo e específico introduzindo nova determinação na forma do art. 32A da sobredita lei. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE MAIS BENIGNA. MULTA MAIS BENÉFICA.CAPITULAÇÃO NOVA. Com albergue no Princípio da Retroatividade Benigna, há que se observar o comando do artigo 106, “c” , do CTN quando ale se determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Autuação lavrada por ofensa à legislação vigente capitulada no § 5°, do revogado artigo 32 da Lei 8.212, inciso IV, há que se submeter ao preceituado no artigo 32A sob o novo comando expresso na forma do § 9º da redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Recurso Voluntário Provido em Parte Às fls. 159/, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência, alegando divergência jurisprudencial em relação à multa mais benéfica ao contribuinte: Consignou, inicialmente, que a hipótese em análise no acórdão paradigma é idêntica a que hora se reporta. Isso porque, o que se encontrava em julgamento era exatamente o auto de infração, por descumprimento de obrigação acessória, qual seja, apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, em que também se exigia as contribuições apuradas em decorrência da mesma ação fiscal. Contudo, o colegiado a quo entendeu que, por se tratar de infração relacionada à apresentação da GFIP, o dispositivo legal que deve retroagir para regulamentar a multa aplicada é o art. 32A da Lei nº 8.212/91, independentemente de ter havido ou não lançamento de ofício. Entretanto, o acórdão paradigma considera que, havendo lançamento de contribuições previdenciárias, o dispositivo legal aplicado passa a ser o art. 35A da Lei 8.212/91, que remete ao art. 44, I da Lei 9.430/96, e não o art. 32A da Lei 8.212/91, conforme entendeu a Câmara a quo, haja vista que este preceito normativo somente se aplica às situações em que somente tenha havido descumprimento de obrigação acessória relacionada à GFIP. Às fls. 169/172, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à divergência arguida, uma vez vislumbrada a similitude das situações fáticas nos acórdãos recorrido e paradigmas, configurando a divergência jurisprudencial apontada. O acórdão paradigma versa sobre o auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, em que também se lavrou NFLD em decorrência da mesma ação fiscal. Verificouse que no acórdão paradigma consignouse que o dispositivo Fl. 190DF CARF MF 4 legal aplicado passou a ser o art. 35A da Lei 8.212/91, que remete ao art. 44, I da Lei 9.430/96, e não o art. 32A da Lei 8.212/91, conforme entendeu a Câmara a quo. Após infrutífera tentativa de cientificação por meio postal (fls. 199/182 e 185), a citação deuse por meio de Edital, fls. 180/183 e 186, mantendose o Contribuinte inerte, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória (AI – DEBCAD nº 37.272.1893), no valor de R$ 91.414,20 (noventa e um mil, quatrocentos e quatorze reais e vinte centavos), em virtude do descumprimento da obrigação acessória prevista no artigo 32, inciso IV e parágrafo 3º da Lei nº 8.212/91, acrescentado pela Lei nº 9.528/97, e regulamentada pelo RPS (Regulamento da Previdência Social) aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, uma vez que, segundo o Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 08/12), os fatos geradores referente à prêmios de incentivo a performance e produtividade pagos aos segurados empregados não foram informados em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) nas competências 05/2006 a 12/2006. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial sobre o cálculo da multa. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) Fl. 191DF CARF MF Processo nº 19515.000691/201131 Acórdão n.º 9202005.528 CSRFT2 Fl. 11 5 De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Fl. 192DF CARF MF 6 Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: Fl. 193DF CARF MF Processo nº 19515.000691/201131 Acórdão n.º 9202005.528 CSRFT2 Fl. 12 7 I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, Fl. 194DF CARF MF 8 do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 19515.000691/201131 Acórdão n.º 9202005.528 CSRFT2 Fl. 13 9 Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei Fl. 196DF CARF MF 10 nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 197DF CARF MF Processo nº 19515.000691/201131 Acórdão n.º 9202005.528 CSRFT2 Fl. 14 11 Fl. 198DF CARF MF
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Numero do processo: 13767.720205/2014-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Não tendo o contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser mantida a glosa.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.808
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Não tendo o contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser mantida a glosa. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 76 7. 72 02 05 /2 01 4- 07 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13767.720205/201407 Acórdão n.º 2202003.808 S2C2T2 Fl. 77 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 13767.720205/201407, em face do acórdão nº 0435.787, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE), na sessão de julgamento de 25 de junho de 2014, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: Trata o presente processo de impugnação à exigência formalizada através notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física n° 2013/057075937681725, f. 06, resultante de procedimento de revisão de declaração de ajuste do exercício 2013, anocalendário 2012, por meio do qual foi reduzido o saldo de imposto a restituir ao contribuinte, conforme discriminado a seguir: Imposto a Restituir Declarado: 2.400,00 Imposto a Restituir apurado após a Revisão da Declaração: 0,00 Segundo a descrição dos fatos e enquadramento legal, o lançamento de ofício decorre das seguintes infrações: Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte: R$ 2.400,00. A ciência do lançamento se deu por aviso de recebimento postal, em 16/04/2014, conforme consta da f. 15. IMPUGNAÇÃO Foi apresentada impugnação, em 13/05/2014, através da qual o interessado, após qualificarse e resumir os fatos, apresentou sua defesa cujo ponto relevante para a solução do litígio é a apresentação dos documentos que entende suficientes para comprovar a compensação glosada, arrazoando que são todos de que dispõe e que são suficientes para comprovar a retenção e seu direito a restituição, independentemente da fonte pagadora ter efetuado o recolhimento do imposto. A 2ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande entendeu improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte. Colaciono a ementa do referido julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE Não apresentados documentos adicionais a que foi intimado o contribuinte, com a finalidade de corroborar a retenção, deve ser mantida a glosa. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13767.720205/201407 Acórdão n.º 2202003.808 S2C2T2 Fl. 78 3 Notificação de Lançamento 2013/057075937681725 Impugnação Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com a improcedência da impugnação, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário à fls. 38/40, reiterando os argumentos lançados na impugnação, alegando também a impossibilidade de juntar o contrato de prestação de serviços com a fonte pagadora em razão de enchente ocorrida no Município, apresentando documentos para comprovar o alegado. Com a chegada dos autos ao CARF, foi proferida a Resolução nº 2202 000.670, cujo diligência determinada foi a seguinte: "que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte proceda a intimação da fonte pagadora (Mardu Transportes Ltda. ME. CNPJ nº 06.044.257/000121), para que ela preste os seguintes esclarecimentos aos autos quanto ao pagamento realizado por ela, no valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais) ao contribuinte Clevelande Nicacio de Souza, no ano calendário 2012, devendo necessariamente a fonte pagadora: 1. Ratificar se este pagamento efetivamente ocorreu; 2. Especificar qual a natureza do referido pagamento; 3. Esclarecer se há contrato entre as partes em relação a este pagamento; 4. Informar se procedeu a retenção de IRRF, bem como se o IRRF foi efetivamente recolhido; 5. Por fim, apresentar aos autos documentos comprobatórios que confirmem as respostas apresentadas, em relação ao item anterior. Após a diligência ser realizada, necessária a intimação do contribuinte, oportunizandolhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestação quanto o retorno da diligência. Tomadas as providências acima, os autos devem retornar a este Colegiado para apreciação." A diligência foi realizada, sendo assim exposto no Relatório da Diligência, às fls. 93 destes autos: "Foram efetuadas Diligências à referida fonte pagadora por meio dos Termos de Intimação Fiscal de fls. 64/69, entretanto não houve resposta. Posteriormente, foi encaminhado novo Termo de Intimação Fiscal à empresa aos cuidados do sócio MARCELO DE SOUZA FANTI, fls. 70/72, sendo que, até o presente, não foi atendido. Isto posto, encerro o presente Relatório informando que não foi dado ciência ao contribuinte visto o não atendimento da pessoa jurídica aos Termos de Intimação". (grifouse) Fl. 78DF CARF MF Processo nº 13767.720205/201407 Acórdão n.º 2202003.808 S2C2T2 Fl. 79 4 É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Consoante se verifica, o lançamento decorre de compensação indevida de imposto de renda declarado como retido na fonte, no valor de R$ 2.400,00, tendo o contribuinte sido intimado a apresentar documentação comprobatória. Na ocasião, apresentou aos autos comprovante de rendimentos e cópia da DIRF prestada pela fonte pagadora. Nos termos do acórdão da 2a. Turma da DR/CGE, "a DIRF é um documento idôneo para o fim de comprovação dos valores dos rendimentos tributáveis e do Imposto Retido na Fonte, havendo, pois, uma presunção de veracidade dos valores nela contidos", porém "evidentemente que a presunção ora enfocada é relativa, podendo tanto o contribuinte quanto o Fisco afastála". Deste modo, concluíram os julgadores da DRJ que: "O presente lançamento teve por fundamento fático a falta de apresentação do contrato de prestação de serviços, o que poderia ter sido feito com facilidade pelo interessado, tanto em atendimento à autoridade lançadora como em sede de impugnação, para comprovar sua vinculação jurídica com a fonte pagadora e afastar a possibilidade de que se trate de uma declaração graciosa, que visaria unicamente obter a restituição pleiteada, hipótese que não se afigura implausível, ainda mais na falta de recolhimento do imposto supostamente retido, conforme arrazoa o contribuinte em sua impugnação. Assim, na falta de apresentação da prova documental indicada, entendo que deva ser mantida a glosa." (grifouse) No presente caso, o contribuinte alega que realizou sua declaração de ajuste anual conforme Informe de Rendimentos recebido pela fonte pagadora. Todavia, diante do cruzamento de informações da fonte pagadora e o informado pelo contribuinte, realizouse a glosa do valor do IRRF declarado em sua Declaração de Ajuste Anual. Conforme mencionado, o contribuinte apresentou aos autos comprovante de rendimentos e cópia da DIRF prestada pela fonte pagadora em Impugnação. Todavia, o lançamento se manteve pela falta de apresentação do contrato de prestação de serviços entre o contribuinte e a fonte pagadora (Mardu Transportes Ltda. ME). Em recurso voluntário o contribuinte alega a impossibilidade de apresentar tal documento em razão de enchente que atingiu sua região, que inundou seu escritório. Apresentou ele elementos comprobatórios do ocorrido, inclusive Decreto Municipal decretando Fl. 79DF CARF MF Processo nº 13767.720205/201407 Acórdão n.º 2202003.808 S2C2T2 Fl. 80 5 estado de calamidade pública, laudo técnico de desastres naturais, formulário preenchido pelo contribuinte direcionado à Secretaria Municipal de Defesa Social, em razão de ter sido atingido pela enchente de dezembro de 2013, bem como Boletim de Ocorrência nº 01461/201, fotos de seu escritório após enchente, notícias de jornais locais tratando da enchente. Além disso, anexa ao processo protocolo de petição onde o contribuinte narra a mesma situação aqui descrita em um processo judicial. No presente caso, temse que o contribuinte é advogado (OAB/ES 3.878) e contabilista (CRC/ES 1.455), conforme fl. 47. O contrato que a fiscalização solicitou ao contribuinte se trata do contrato de prestação de serviços contábeis entre ele e a Mardu Transportes Ltda. ME. Todavia, diante dos fatos narrados pelo contribuinte, parece justificável que ele não apresente este documento a fiscalização, haja vista que motivo se dá por força maior, em razão da enchente que ocorreu no município do contribuinte, atingindo seu escritório, conforme devidamente comprovado nestes autos. Deste modo, compreendo que pode ser afastada a necessidade do contribuinte apresentar o contrato de prestação de serviços contábeis entre ele e a Mardu Transportes Ltda. ME., devendo ser analisado se houve a retenção com base em outros documentos. Acrescento que o contrato exigido pela fiscalização seria uma forma apenas de corroborar que houve a retenção, mas não é forma única de analisar se esta de fato ocorreu. Ocorre que no presente processo administrativo fiscal o contribuinte já havia apresentado aos autos documentos diversos para provar seu direito, havendo, entre eles: recibo, comprovante de rendimentos e cópia da DIRF prestada pela fonte pagadora em anexo à Impugnação, conforme fls. 10/13. No entanto, considero que estes elementos não seriam, por si só, suficientes para comprovar que a retenção ocorreu. Entendo que para prosperarem as razões apresentadas pelo contribuinte, necessário que seja intimada a fonte pagadora Mardu Transportes Ltda. ME. (06.044.257/000121), para que ela preste esclarecimentos a este processo administrativo fiscal. Em razão disso, foi convertido o julgamento em diligência, para: "que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte proceda a intimação da fonte pagadora (Mardu Transportes Ltda. ME. CNPJ nº 06.044.257/000121), para que ela preste os seguintes esclarecimentos aos autos quanto ao pagamento realizado por ela, no valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais) ao contribuinte Clevelande Nicacio de Souza, no ano calendário 2012, devendo necessariamente a fonte pagadora: 1. Ratificar se este pagamento efetivamente ocorreu; 2. Especificar qual a natureza do referido pagamento; 3. Esclarecer se há contrato entre as partes em relação a este pagamento; Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13767.720205/201407 Acórdão n.º 2202003.808 S2C2T2 Fl. 81 6 4. Informar se procedeu a retenção de IRRF, bem como se o IRRF foi efetivamente recolhido; 5. Por fim, apresentar aos autos documentos comprobatórios que confirmem as respostas apresentadas, em relação ao item anterior. Após a diligência ser realizada, necessária a intimação do contribuinte, oportunizandolhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestação quanto o retorno da diligência. Tomadas as providências acima, os autos devem retornar a este Colegiado para apreciação." A diligência foi realizada, sendo assim exposto no Relatório da Diligência, às fls. 93 destes autos: "Foram efetuadas Diligências à referida fonte pagadora por meio dos Termos de Intimação Fiscal de fls. 64/69, entretanto não houve resposta. Posteriormente, foi encaminhado novo Termo de Intimação Fiscal à empresa aos cuidados do sócio MARCELO DE SOUZA FANTI, fls. 70/72, sendo que, até o presente, não foi atendido. Isto posto, encerro o presente Relatório informando que não foi dado ciência ao contribuinte visto o não atendimento da pessoa jurídica aos Termos de Intimação". (grifouse) Deste modo, conforme já adiantado neste voto, considero que os documentos juntados pelo contribuinte como prova do alegado não seriam, por si só, suficientes para comprovar que a retenção ocorreu. Ocorre que para ser afastada a necessidade do contribuinte apresentar o contrato de prestação de serviços contábeis entre ele e a Mardu Transportes Ltda. ME., deveria ser comprovado que houve efetivamente a retenção com base em outros documentos. Portanto, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte, com fundamento no artigo 373 do CPC/2015 e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. No processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, do contribuinte ora recorrente. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99 em seu art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Portanto, carece de razão ao recorrente, devendo ser mantida a glosa por compensação indevida. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13767.720205/201407 Acórdão n.º 2202003.808 S2C2T2 Fl. 82 7 Martin da Silva Gesto Relator Fl. 82DF CARF MF
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Numero do processo: 16024.000441/2007-58
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2003 a 30/06/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA OU ERRO NA MOTIVAÇÃO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL.
Sendo a descrição dos fatos e a fundamentação legal da autuação elementos substanciais e próprios da obrigação tributária, os equívocos na sua determinação no decorrer da realização do ato administrativo de lançamento ensejam a sua nulidade por vício material, uma vez que o mesmo não poderá ser convalidado ou sanado sem ocorrer um novo ato de lançamento. Por isso, a falta de motivação ou motivação errônea do lançamento alcança a própria substância do crédito tributário, de natureza material, não havendo de se cogitar em vício de ordem formal.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-004.582
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2003 a 30/06/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA OU ERRO NA MOTIVAÇÃO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Sendo a descrição dos fatos e a fundamentação legal da autuação elementos substanciais e próprios da obrigação tributária, os equívocos na sua determinação no decorrer da realização do ato administrativo de lançamento ensejam a sua nulidade por vício material, uma vez que o mesmo não poderá ser convalidado ou sanado sem ocorrer um novo ato de lançamento. Por isso, a falta de motivação ou motivação errônea do lançamento alcança a própria substância do crédito tributário, de natureza material, não havendo de se cogitar em vício de ordem formal. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 4. 00 04 41 /2 00 7- 58 Fl. 1814DF CARF MF Processo nº 16024.000441/200758 Acórdão n.º 9303004.582 CSRFT3 Fl. 1.815 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pelo sujeito passivo ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 3101000.653, de 6 de abril de 2011, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 30/06/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. As normas que regem o processo administrativo fiscal concedem ao contribuinte o direito de conhecer, com exatidão, os fatos motivadores da exação. Deficiente fundamentação fática circunstância caracterizadora de cerceamento do direito de defesa e nulo é o lançamento maculado com vicio dessa natureza. Recurso Voluntário Provido. O presente processo referese a lançamento de IPI, acrescido de multa proporcional ao valor do imposto e juros moratório, referente às operações realizadas pela recorrente no período de janeiro/2003 a junho/2006, pela suposta saída de produtos tributados com insuficiência de lançamento do imposto. Segundo a alegação fiscal, não haveria, para o período em questão, Atos Declaratórios Executivos (ADE's) de enquadramento das bebidas da contribuinte, sendo processada, de ofício, o enquadramento dos produtos, que resultaram diferenças de apuração dos valores de IPI devido, que foram cobradas no Auto de Infração em julgamento. A turma julgadora a quo deu provimento ao Recurso de Voluntário, reconhecendo a ausência de motivação do lançamento e, consequentemente, o cerceamento do direito de defesa, anulando o lançamento por vício formal. Foram interpostos embargos de declaração pelo sujeito passivo, que foram rejeitados, pela ausência de contradição, obscuridade ou omissão no acórdão embargado (Despacho de Admissibilidade de Embargos às fls. 1.749 a 1.751). O sujeito passivo interpôs Recurso Especial (fls. 1.763 a 1.773), suscitando divergência em relação à natureza do vício que ensejou a anulação do lançamento. O Recurso Especial do sujeito passivo foi integralmente admitido pela comprovação da divergência suscitada, conforme despacho de admissibilidade às fls. 1.804 a 1.805. A Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões às fls. 1.807 a 1.812. É o relatório. Fl. 1815DF CARF MF Processo nº 16024.000441/200758 Acórdão n.º 9303004.582 CSRFT3 Fl. 1.816 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O Recurso Especial de divergência foi interposto pelo sujeito passivo em 06/10/2015, conforme documentos anexados às fls. 1.763 a 1.801, de forma tempestiva, uma vez que a ciência ao interessado do despacho do CARF que não admitiu seus Embargos ocorreu em 30/09/2015 (fl. 1.755). A recorrente alega divergência jurisprudencial em relação à natureza do vício que ensejou a anulação do lançamento: enquanto a decisão recorrida entendeu que vício na motivação do lançamento que caracterizou o cerceamento do direito de defesa seria vício de natureza formal, os acórdãos paradigmas (Acórdãos 9202002.604 e 9202003.285) decidiram que a natureza do vício seria material. Transcrevese, a seguir, as ementas dos paradigmas 9202002.604 e 9202 003.285: Acórdão 9202002.604 NATUREZA DO VÍCIO MATERIAL X FORMAL. A nulidade existente neste feito não diz respeito à forma do auto de infração, mas ao seu conteúdo, à sua materialidade, pois os fatos supostamente ocorridos não se enquadram na norma indicada pela fiscalização como infringida. O vício, portanto, é material. Acórdão 9202003.285 AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO E DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES. IMPROCEDÊNCIA. VÍCIO MATERIAL, NÃO FORMAL. A falta de indicação suficiente dos fatos que motivaram o lançamento e da origem do crédito tributário fulmina o lançamento por vício material. Cotejando as decisões, constatase a divergência jurisprudencial apontada, acerca da aplicação do instituto da nulidade. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendido os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Portanto, a matéria devolvida ao Colegiado cingese à natureza do vício que ensejou a anulação do lançamento. Tratase de questão estritamente processual, qual seja, na nulidade por cerceamento de defesa aduzida em razão de má ou incompleta descrição da infração ou dos fundamentos da autuação. Fl. 1816DF CARF MF Processo nº 16024.000441/200758 Acórdão n.º 9303004.582 CSRFT3 Fl. 1.817 4 O elemento motivador do lançamento efetuado foi a inexistência de Ato Declaratório Executivo de enquadramento dos produtos do contribuinte, relativamente aos anos de 2002 a 2006 e a subsequente solicitação do enquadramento de oficio, com base no artigo 150, inciso IV, § 4°, do RIPI 2002, conforme extraise do Termo de Constatação Fiscal, item 5, às fls.1223. Entretanto, já foi reconhecida, pelas autoridades julgadoras de primeira e segunda instância administrativa, a existência de ADE para as bebidas, antes fabricadas por outros produtores, conforme alegado pelo sujeito passivo em sua impugnação e recurso voluntário. Sendo assim, o julgador a quo reconheceu a nulidade do lançamento, por vício em sua motivação, configurando o cerceamento do direito de defesa. Transcrevese trecho do voto condutor do acórdão, no qual fica claro a motivação da decisão ora recorrida: “No caso em apreço, data vênia ao entendimento esposado na decisão de 1' instância, entendo que comercialização de bebidas sem prévio enquadramento nas classes de valores, fato denunciado no lançamento do crédito tributário, não é a igual à comercialização de bebidas com enquadramento nas classes de valores obtida por outra pessoa jurídica, fato defendido pelo sujeito passivo e parcialmente reconhecido nos fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido. Assim, entendo desrespeitados dois princípios norteadores do direito administrativo: o princípio da motivação e o princípio da verdade material. [...] Portanto, preliminarmente, entendo o desrespeito aos princípios da verdade material e da motivação fato caracterizador de cerceamento do direito de defesa, nulidade de caráter formal. [...]” A recorrente alega que não haveria como caracterizar a natureza do vício como sendo formal, por se referir à motivação errônea ou inverídica do lançamento, de natureza indubitavelmente material, conforme jurisprudência do CARF. Assiste razão à recorrente. Não restam dúvidas que o vício do lançamento está em sua motivação: enquanto o lançamento indicava que se tratava de saída de produtos não enquadrados em Ato Declaratório Executivo próprio, foi comprovado que existia ADE’s para os mesmos. A alegação de que a deficiência na descrição dos fatos originários do lançamento constituiria causa pura e simples para a anulação do lançamento por vício formal, relacionado a elemento de exteriorização do ato administrativo, não deve prosperar, por se tratar da própria substância do ato. A matéria foi objeto de uma recente decisão unânime (no mérito) desta turma julgadora da CSRF, em 26 de abril de 2016, no Acórdão nº 9303003.811, da lavra da Conselheira Vanessa Marini Cecconello, cuja ementa abaixo transcrevo: Fl. 1817DF CARF MF Processo nº 16024.000441/200758 Acórdão n.º 9303004.582 CSRFT3 Fl. 1.818 5 AUTO DE INFRAÇÃO. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Sendo a descrição dos fatos e a fundamentação legal da autuação elementos substanciais e próprios da obrigação tributária, os equívocos na sua determinação no decorrer da realização do ato administrativo de lançamento ensejam a sua nulidade por vício material, uma vez que o mesmo não poderá ser convalidado ou sanado sem ocorrer um novo ato de lançamento. Por isso, a falta de motivação e indicação das normas de interpretação adotadas na reclassificação fiscal de mercadoria importada alcança a própria substância do crédito tributário, não havendo de se cogitar em vício de ordem formal. A ausência de motivação no Auto de Infração acarreta a sua nulidade, por vício material. Transcrevo trecho do voto vencido (vencedor nesse ponto) do Acórdão 9303 003.811, que externa os fundamentos da referida decisão, adotada em nossas razões de decidir: “Transposta a questão da admissibilidade, em que foi vencido o voto da Relatora no sentido de não conhecer do recurso especial, no mérito, cingese a controvérsia à análise da ocorrência de vício formal ou material a ensejar a nulidade do auto de infração lavrado pela Fiscalização em face do Sujeito Passivo para exigência de Imposto de Importação, IPI vinculado, multa de ofício, multa por classificação incorreta na NCM e juros de mora. A relevância de se distinguir se o vício que maculou o lançamento é de ordem formal ou material está no fato de o Código Tributário Nacional CTN prolongar o prazo de decadência para que seja constituído o crédito tributário quando se reconhece a existência do vício formal, conforme inteligência do seu art. 173, inciso II. O vício formal pode ser entendido como aquele que atinge o procedimento e, não raro, pode ser sanado sem a necessidade de anulação do ato de lançamento original, podendo ser corrigido pela própria autoridade julgadora. O vício material, por sua vez, por macular a substância do lançamento, norma individual e concreta, prejudica a validade da obrigação tributária, sendo imprescindível nesses casos a realização de um novo ato administrativo de lançamento. Os requisitos do auto de infração, dentre eles a descrição dos fatos e a fundamentação legal, estão estabelecidos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e no art. 142 do Código Tributário Nacional: [...] Sendo a descrição dos fatos, a correta determinação da matéria tributável e da fundamentação legal elementos substanciais e próprios da obrigação tributária, os equívocos na sua determinação no decorrer da realização do ato administrativo de lançamento ensejam a sua nulidade por vício material, uma vez Fl. 1818DF CARF MF Processo nº 16024.000441/200758 Acórdão n.º 9303004.582 CSRFT3 Fl. 1.819 6 que o mesmo não poderá ser convalidado ou sanado sem ocorrer um novo ato de lançamento. Por isso, o equívoco em análise alcança a própria substância do crédito tributário, não havendo de se cogitar em vício de ordem formal. Embora a distinção entre os vícios de ordem formal e material não seja tarefa simples, o caso em exame mostra claramente estarse diante da ocorrência de vício de ordem material, assertiva corroborada pelos fundamentos bem lançados no acórdão recorrido ao negar provimento ao recurso de ofício, proferido pela Ilustre Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, e que passam a integrar as razões de decidir deste julgado:[...]” A i. relatora cita, ainda, outro recente precedente da CSRF (Acórdão nº 9101 002.146) no mesmo sentido, cuja ementa abaixo transcrevo: NULIDADE DE LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. VÍCIO FORMAL. ASPECTOS QUE ULTRAPASSAM O ÂMBITO DO VÍCIO FORMAL. Vício formal é aquele verificado de plano no próprio instrumento de formalização do crédito, e que não está relacionado à realidade representada (declarada) por meio do ato administrativo de lançamento. Espécie de vício que não diz respeito aos elementos constitutivos da obrigação tributária, ou seja, ao fato gerador, à base de cálculo, ao sujeito passivo, etc. A indicação defeituosa ou insuficiente da infração cometida, da data em que ela ocorreu, do montante correspondente à infração (base imponível); e dos documentos caracterizadores da infração cometida (materialidade), não configura vício formal. Portanto, sendo a descrição dos fatos, a correta determinação da matéria tributável e da fundamentação legal elementos substanciais e próprios da obrigação tributária, os equívocos na sua determinação no decorrer da realização do ato administrativo de lançamento ensejam a sua nulidade por vício material, uma vez que o mesmo não poderá ser convalidado ou sanado sem ocorrer um novo ato de lançamento. Por isso, o equívoco em análise alcança a própria substância do crédito tributário, não havendo de se cogitar em vício de ordem formal. Diante do exposto, considero que a nulidade do lançamento efetuado possui natureza material, razão pela qual dou provimento ao recurso especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1819DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.900254/2013-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/09/2012
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.674
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDACAO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/09/2012 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 02 54 /2 01 3- 33 Fl. 169DF CARF MF 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório constante da decisão recorrida (fl. 142 dos autos): Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu o Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241, referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento) e período de apuração de 29/02/2008. Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), em decisão datada de 14/05/2014, entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. A ementa, então, assim consignou: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/09/2012 Ementa: RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP – FOLHA DE PAGAMENTO. INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. INCIDÊNCIA. São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salário, e não sobre o faturamento, as instituições beneficentes de assistência social, de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, quando atendidas as condições e requisitos legais. O contribuinte foi intimado do conteúdo desta decisão em 06/01/2015, e, insatisfeito com o seu conteúdo, interpôs Recurso Voluntário em 04/02/2015, através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10830.900254/201333 Acórdão n.º 3301003.674 S3C3T1 Fl. 170 3 provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. Os autos, então, vieramme conclusos para fins de julgamento. É o relatório. Fl. 171DF CARF MF 4 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10830.900254/201333 Acórdão n.º 3301003.674 S3C3T1 Fl. 171 5 A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Fl. 173DF CARF MF 6 Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10830.900254/201333 Acórdão n.º 3301003.674 S3C3T1 Fl. 172 7 IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 175DF CARF MF 8 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10830.900254/201333 Acórdão n.º 3301003.674 S3C3T1 Fl. 173 9 fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). Fl. 177DF CARF MF 10 É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 178DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.907217/2012-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/01/2009
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.251
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente INDÚSTRIA DE MÁQUINAS MIRUNA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2009 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de pedido de PER/DCOMP para restituição de créditos de PIS, cujo pedido foi indeferido, via despacho decisório. Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que o ICMS destacado nas vendas não pode ser considerado como AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 72 17 /2 01 2- 60 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10882.907217/201260 Acórdão n.º 3302004.251 S3C3T2 Fl. 3 2 faturamento ou como receita bruta, não devendo, por isso, ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS; que a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições em tela desrespeita o preceito do artigo 110 do CTN; que o STF, por meio do RE 240.785/MG, manifestou o entendimento de excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobreveio, então, julgamento da DRJ/Belo Horizonte, que indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 02050.854. A contribuinte, então, apresentou recurso voluntário repisando os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.158, de 23 de maio de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.902818/201235, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.158): "1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 28 de agosto de 2014, fls. 50, e o recurso foi protocolado em 29 de setembro de 2014, fls. 52. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do mérito 2.1. Do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.144.469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10882.907217/201260 Acórdão n.º 3302004.251 S3C3T2 Fl. 4 3 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMS ST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10882.907217/201260 Acórdão n.º 3302004.251 S3C3T2 Fl. 5 4 ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10882.907217/201260 Acórdão n.º 3302004.251 S3C3T2 Fl. 6 5 RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10882.907217/201260 Acórdão n.º 3302004.251 S3C3T2 Fl. 7 6 (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente; no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento encontramse, desde já, fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. 3. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, mas, no mérito, nego provimento." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10882.907217/201260 Acórdão n.º 3302004.251 S3C3T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 52DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.006468/2004-74
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/1999 a 30/06/2004
Recurso Especial de Divergência. Admissibilidade.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Recurso Especial Não Conhecido
COFINS CUMULATIVO
A base de cálculo da Cofins é o faturamento que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias, de serviços, mercadorias e serviços; o disposto no § 1°, do art. 3°, da Lei n° 9.718/98 foi afastado, por sentença transitada em julgado do STF. Logo, não incide Cofins sobre os valores de créditos de ICMS, decorrentes de subvenção estadual.
NORMAS TRIBUTÁRIAS. COFINS INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. VALORES RECEBIDOS A TÍTULO DE INCENTIVO FISCAL ESTADUAL. TRIBUTAÇÃO
A teor do art. 44 da Lei 6.404/76 consituem receita da entidade valores recebidos a título de subvenções, ainda que de ente de direito público.
Como tal, integram elas a base de cálculo da Cofins devida na sistemática não-cumulativa, visto ser esta a integralidade das receitas auferidas
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte
Numero da decisão: 9303-003.858
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado,pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para restabelecer os créditos relativos aos fatos geradores posteriores à vigência da Lei nº 10.833/2003. Vencidos os Conselheiros Demes Brito (Relator), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Martins Camargo, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. As Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que apresentará declaração de voto, votaram pelas conclusões.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Demes Brito - Relator
Júlio César Alves Ramos - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Henrique Pinheiro Torres,Tatiana Midori Miyiana, Demes Brito Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas, Érika Costa Camargos, Júlio César Alves Ramos, Vanessa Cecconello e Maria Teresa Martínez.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/11/1999 a 30/06/2004 Recurso Especial de Divergência. Admissibilidade. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Recurso Especial Não Conhecido COFINS CUMULATIVO A base de cálculo da Cofins é o faturamento que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias, de serviços, mercadorias e serviços; o disposto no § 1°, do art. 3°, da Lei n° 9.718/98 foi afastado, por sentença transitada em julgado do STF. Logo, não incide Cofins sobre os valores de créditos de ICMS, decorrentes de subvenção estadual. NORMAS TRIBUTÁRIAS. COFINS INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. VALORES RECEBIDOS A TÍTULO DE INCENTIVO FISCAL ESTADUAL. TRIBUTAÇÃO A teor do art. 44 da Lei 6.404/76 consituem receita da entidade valores recebidos a título de subvenções, ainda que de ente de direito público. Como tal, integram elas a base de cálculo da Cofins devida na sistemática não-cumulativa, visto ser esta a integralidade das receitas auferidas Recurso Especial do Procurador Provido em Parte
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Admissibilidade. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Recurso Especial Não Conhecido COFINS CUMULATIVO A base de cálculo da Cofins é o faturamento que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias, de serviços, mercadorias e serviços; o disposto no § 1°, do art. 3°, da Lei n° 9.718/98 foi afastado, por sentença transitada em julgado do STF. Logo, não incide Cofins sobre os valores de créditos de ICMS, decorrentes de subvenção estadual. NORMAS TRIBUTÁRIAS. COFINS INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. VALORES RECEBIDOS A TÍTULO DE INCENTIVO FISCAL ESTADUAL. TRIBUTAÇÃO A teor do art. 44 da Lei 6.404/76 consituem receita da entidade valores recebidos a título de subvenções, ainda que de ente de direito público. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 64 68 /2 00 4- 74 Fl. 664DF CARF MF Processo nº 10283.006468/200474 Acórdão n.º 9303003.858 CSRFT3 Fl. 664 2 Como tal, integram elas a base de cálculo da Cofins devida na sistemática nãocumulativa, visto ser esta a integralidade das receitas auferidas Recurso Especial do Procurador Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para restabelecer os créditos relativos aos fatos geradores posteriores à vigência da Lei nº 10.833/2003. Vencidos os Conselheiros Demes Brito (Relator), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Martins Camargo, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. As Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que apresentará declaração de voto, votaram pelas conclusões. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Demes Brito Relator Júlio César Alves Ramos Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Henrique Pinheiro Torres,Tatiana Midori Miyiana, Demes Brito Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas, Érika Costa Camargos, Júlio César Alves Ramos, Vanessa Cecconello e Maria Teresa Martínez. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra ao acórdão nº 3202001.429, proferido pela 2ª Câmara/1ª Turma da 3º Seção, julgado em 24 de setembro de 2013, que deu provimento ao Recurso do Contribuinte, decorrente da não inclusão do benefício fiscal (subvenção) concedido pelo Estado do Amazonas por meio da Lei Estadual nº 1.939/89 e da Lei nº 2.390/96 no cômputo das receitas tributáveis pela contribuição,conforme se verifica da sua ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/1999 a 30/06/2004 COFINS CUMULATIVO A base de cálculo da Cofins é o faturamento que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias, de serviços, mercadorias e serviços; no entanto o disposto no § 1°, do art. 3°, da Lei n° 9.718/98 foi afastado, por sentença transitada em julgado do STF. Logo, não incide Cofins sobre os valores de créditos de ICMS, decorrentes de subvenção estadual. Fl. 665DF CARF MF Processo nº 10283.006468/200474 Acórdão n.º 9303003.858 CSRFT3 Fl. 665 3 COFINS NÃOCUMULATIVO Da mesma forma, não incide Cofins sobre valores de créditos de ICMS, decorrentes de subvenção estadual, tendo em vista sua natureza jurídica não ser considerada como receita. Recurso Voluntário Provido. Por bem, reproduzo trecho do relatório do acórdão a quo, com a descrição inicial do litígio: “Trata o presente processo de Auto de Infração relativamente a COFINS, dos meses de fevereiro a dezembro de 1999, janeiro a dezembro de 2000, janeiro a dezembro de 2001, janeiro a dezembro de 2002, janeiro a dezembro de 2003, e janeiro a junho de 2004, no valor originário de R$ 10.044.591,89, que acrescido de multa e juros atingiu o montante de R$ 20.725.586,45, fls 08 a 30. 2.A autoridade fiscalizadora descreveu que houve diferença apurada entre o valor escriturado e o valor pago, decorrente do benefício concedido pelo Estado do Amazonas, em relação ao ICMS, com base nas Leis Estaduais nº 1.939, de 1989, e nº 2.390, de 1996, que se caracterizam como subvenção, integrando a base de cálculo da COFINS, e citou a legislação pertinente. 3.Inconformada a litigante apresentou impugnação (fls. 172/199) protocolada na data de 06/12/2004, através de seu bastante procurador, conforme Instrumento de Procuração, fl. 269, onde argumentou em seu favor, em resumo, o seguinte: a) Primeiramente, que operou a decadência para os lançamentos relativos aos meses de fevereiro/99 a outubro/99 e que o lançamento seria nulo em relação a esses fatos geradores. Fundamenta seu entendimento no artigo 150, “caput”, e § 4º.; b) Questionou a constitucionalidade da Lei nº 9.718/98. c) Na restituição ou apropriação de créditos tributários, ou, de forma mais generalizada, de custos ou despesas, não há auferimento de receita. Nada de novo se acresce ao patrimônio em termos de renda, de receita efetivamente auferida. d) Entende que os valores que fizeram frente a custos e despesas, mais especificamente, os montantes que serviram para o pagamento do ICMS devido, já foram tributados pela Contribuição ao PIS, por serem parte constituinte da receita bruta da empresa, sendo que sua saída não ocasionou qualquer diminuição na base tributável dessa contribuição. Portanto, tributálos no momento em que simplesmente retornam ao patrimônio da pessoa jurídica seria tributar duplamente; e)O incentivo fiscal conferido pela Lei Estadual n° 1.939/89, do qual a Impugnante foi beneficiária, não se refere à recuperação de tributo pago indevidamente ou a maior. No entanto, é perceptível a semelhança existente Fl. 666DF CARF MF Processo nº 10283.006468/200474 Acórdão n.º 9303003.858 CSRFT3 Fl. 666 4 entre essa recuperação supramencionada e a restituição ou apropriação de créditos presumidos de ICMS a que a Impugnante tem direito. f) Em ambos os casos a empresa realiza pagamento maior do que o efetivamente devido, com posterior recuperação desse montante, o qual não configura receita nova. Na primeira situação, tratada pelo ADI citado, a diferença se deve ao recolhimento indevido ou a maior; já na hipótese de restituição e apropriação de créditos de ICMS, objeto desta Impugnação, o valor recuperado pela empresa se relaciona a benefício fiscal a ela concedido. g) Transcreveu ementas do julgado da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes sobre o Recurso n° 135.519 (Acórdão n° 10194.676). h) Ao ser beneficiada com a restituição do ICMS pago anteriormente e a outorga de créditos desse tributo, a Impugnante, pautada no quanto já exposto, não reconhece tal valor como receita bruta, eis que, ao contrário, estarseia tributando novamente o mesmo ICMS que já compusera a base de cálculo da Contribuição ao PIS na venda da mercadoria. i) Assim, desconsiderar esse fato conduz à dupla tributação de um mesmo evento, só que em momentos diferentes: (1o) quando da sua composição do preço de venda das mercadorias e (2o) quando da sua recuperação, seja por restituição, seja por créditos; j) Que apurou haver diferenças em relação a alguns valores considerados como base de cálculo pelo AFRF, que por certo não levou em consideração os registros por ela mantidos em seu Livro Razão (doc. 03), os quais demonstram que, em alguns meses, houve o estorno de valores restituídos ou creditados de benefício de ICMS em virtude de devolução de mercadorias; k) Afora o período já abarcado pela decadência, a Impugnante constatou que existem divergências das bases de cálculo entre os meses de novembro de 1999 (inclusive) e fevereiro de 2004 (inclusive), com as poucas exceções dos meses de maio e outubro de 2000, setembro, novembro e dezembro de 2001, janeiro, junho e novembro de 2002 e abril de 2003; l) As diferenças de valores constatadas não devem prosperar, vez que não dizem respeito a incentivo efetivamente gozado pela empresa, tendo sido estornados a contabilidade da Impugnante (via débito na conta específica)em virtude de se relacionarem a mercadorias devolvidas. m)Apontese que em relação ao mês de outubro de 1999, para o qual também já se efetivou a decadência da autoridade administrativa de proceder ao lançamento, a Impugnante, em 19/11/99, efetuou o recolhimento do montante de R$ 1.210.643,92 (...) (doc. 04), referente ao ICMS, justamente o valor da diferença identificado pela Impugnante para o referido mês. 4.Por fim, requer que sejam acolhidos seus argumentos, para que seja extinto o crédito tributário Fl. 667DF CARF MF Processo nº 10283.006468/200474 Acórdão n.º 9303003.858 CSRFT3 Fl. 667 5 5.Face às alegações do contribuinte de que existem divergências das bases de cálculo entre os meses de novembro de 1999 (inclusive) e fevereiro de 2004 (inclusive), com as poucas exceções dos meses de maio e outubro de 2000, setembro, novembro e dezembro de 2001, janeiro, junho e novembro de 2002 e abril de 2003, a Segunda Turma de Julgamento da DRJ/Belém, através do despacho de fls. 202/205, determinou a realização de diligência, a fim de que fosse: a) juntada aos autos documentação comprobatória de que em 13/07/2004, o Sr. Akiteru Kasai ocupava o cargo de VicePresidente da autuada; b) confirmado os valores das vendas canceladas, como alegado pela impugnante, relacionando mês a mês os valores desses cancelamentos; c) informado se tais vendas canceladas foram consideradas para apuração dos respectivos créditos tributários, quando da elaboração do auto de infração; d) caso negativo, informado o quantum devido, para cada período de apuração, em planilha informativa dos valores das vendas brutas, as deduções previstas na legislação específica, inclusive vendas canceladas, e as vendas líquidas da fiscalizada. e) com base na análise da escrituração contábil e da documentação fiscal, confirmar os valores relacionados pela autuada em planilhas de fls. 58/131, lavrando relatório circunstanciado de tal análise, informando, inclusive, das divergências apuradas; 6.A delegacia da Receita Federal em Manaus através da Informação Fiscal de fls. 207/209, informa que: “Ressalvese apenas, nos meses de julho/2001, agosto/2001 e novembro/2002, conforme expresso na comunicação da interessada, houve alguns ajustes nos valores das aludidas vendas canceladas, que de uma maneira mais efetiva, não afetaram, sobremaneira, os valores das bases de cálculo da contribuição.” 7.Cientificada da Informação Fiscal em 21/09/2001 (fl. 209), a empresa não se manifestou. Portanto, reputamse corretos todos os valores constantes do Auto de Infração e seus anexos. O pleito foi deferido em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/BEL no 0123.980, de 17/01/2012, proferida pelos membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA, DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO DO LANÇAMENTO. FATO GERADOR. Havendo antecipação do tributo, a homologação do lançamento ocorrerá no prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, na forma do artigo 150, § 4°, do CTN. RECEITA. CONCEITO.O conceito de receita, tanto no direito privado, como no direito público, é o de totalidade dos recebimentos, não importando a que título foram contabilizados. INCENTIVO FISCAL. SUBVENÇÃO FISCAL. RENÚNCIA FISCAL. IRRELEVÂNCIA. Fl. 668DF CARF MF Processo nº 10283.006468/200474 Acórdão n.º 9303003.858 CSRFT3 Fl. 668 6 Resta irrelevante se os valores ora discutidos, de fato, classificamse como subvenções para investimento, subvenções para custeio, incentivo fiscal ou renúncia fiscal (“redução de despesa”), dado coadunaremse, de um ou de outro modo, com a receita bruta conceituada como acréscimo de patrimônio. A universalidade deste conceito foi confirmada pelo art. 3°, §1°, da Lei nº 9.718/98 para determinação da base de cálculo do PIS. Ademais, independentemente do vocábulo utilizado, tal receita não se encontra dentre as possíveis de exclusão da base de cálculo do PIS na forma do art. 3°, §2°, da Lei n° 9.718/1998. BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. A partir da vigência da Lei nº 9.718/98, a base de cálculo das Contribuições é composta de todas as Receitas Operacionais, independendo da denominação que lhes for atribuída. INCONSTITUCIONALIDADE INAPRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA COMPETÊNCIADO PODER JUDICIÁRIO A argüição de inconstitucionalidade ou ilegalidade não pode ser apreciada na esfera administrativa porque é prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. O julgamento foi no sentido de que como a empresa antecipou orecolhimento da COFINS, conforme atesta a própria autoridade fiscal, no auto de infração econfirmado no sistema informatizado da RFB, aplicase o artigo 150, § 4°, do Código Tributário NacionalCTN. Como o Auto de Infração foi lavrado somente em 03/11/2004 e ciência do contribuinte em 08/11/04, logo, já se extinguira o direito da Fazenda Pública de cobrar o tributo relativo ao meses de fevereiro a outubro de 1999, haja vista o transcurso decadencial". A Fazenda Nacional, em seu recurso, aponta divergência jurisprudencial, pugna pela procedência do lançamento, sustentando que: as subvenções de investimentos e de custeio incluem no conceito de receita previsto nas leis nºs 9.718/98, 10.637/2002 e 10.833/2003; que o STF mesmo tendo declarado a inconstitucionalidade §1do art. 3º da Lei nº 9718/98, não poderia afastar as receitas ali incluídas; o benefício fiscal de ICMS concedido pelo Estado do Amazonas deveria ter sido incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS, considerando que as receitas configuramse como receita operacional, e que a partir da vigência das leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, a base de cálculo das contribuições do PIS/COFINS passou a ser a totalidade da receita bruta mensal da venda de bens e serviços, além de todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Devidamente cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarazões. É o relatório. Voto Vencido Demes Brito Conselheiro Relator Fl. 669DF CARF MF Processo nº 10283.006468/200474 Acórdão n.º 9303003.858 CSRFT3 Fl. 669 7 i) Objeto da Lide Tratase de lançamento de COFINS (fev/1999 a jun 2004), referente a exclusão da base de cálculo de valores referentes ao ICMS decorrente de benefício fiscal concedido pelo Estado do Amazonas. ii) Do Mérito Versa o processo de Auto de Infração relativamente a COFINS, onde a fiscalização descreveu que houve diferença apurada entre o valor escriturado e o valor pago, decorrente do benefício concedido pelo Estado do Amazonas, em relação ao ICMS, com base nas Leis Estaduais nº 1.939, de 1989, e nº 2.390, de 1996, que se caracterizam como subvenção, integrando a base de cálculo da COFINS. Como visto a decisão de turma baixa em sintonia com a DRJ decidiu por unanimidade em excluir a exigência dos meses de fevereiro a outubro de 1999, haja vista o transcurso decadencial, tendo em vista aplicação do artigo 150, § 4°, do Código Tributário NacionalCTN. Sem embargo, a concessão de incentivos fiscais referentes ao ICMS é uma forma praticada para atrair e manter investimentos pelos Estados e Distrito Federal, dentre eles, o crédito presumido do ICMS, que não originários de entradas de mercadorias tributadas pelo ICMS e sim, pelas subvenções. As subvenções podem ser: correntes para custeio e subvenção para investimento. A subvenção para investimento diferenciase da subvenção para custeio pelo fato daquela ter por objetivo capitalizar a empresa privada subvencionada, já subvenção para investimento não pressupõe a aplicação dos recursos recebidos no ativo permanente da pessoa jurídica e podem ser destinadas a aumentar o capital de giro da empresa. O ponto central da lide, diz respeito a inclusão ou não das subvenções de custeio consolidadas em créditos presumidos de ICMS, na base de cálculo do PIS/COFINS da das pessoas jurídicas enquadradas no regime de apuração nãocumulativo de que tratam as Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, que veremos a diante. Observase que, o período em litígio, abrange uma sistemática híbrida, seja pelo regime cumulativo e nãocumulativo. Com efeito, em relação ao período que engloba o regime de apuração cumulativo do PIS/COFINS, as contribuições têm por base de cálculo o faturamento, cujo conceito já está consolidado pelo STF no sentido de compreender apenas as receitas decorrentes da venda de mercadorias e serviços. Desse modo, as subvenções não se consubstanciam em entradas financeiras decorrentes da venda de mercadorias ou serviços, logo, esses benefícios concedidos não integram a base de cálculo do PIS/COFINS na sistemática cumulativa. É o que se extrai dos artigos 2° e 3°, caput e §1°, da Lei n° 9.718/1998, assim prescrevem em relação à base de cálculo do PIS e da Cofins: "Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Fl. 670DF CARF MF Processo nº 10283.006468/200474 Acórdão n.º 9303003.858 CSRFT3 Fl. 670 8 Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas". Neste mesmo sentido, o STF ao julgar o Recurso Extraordinário nº 358.273, definiu que: "CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindo as à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.” Deste modo, afasto a aplicação da norma sob o fundamento de inconstitucionalidade, tendo em vista decisão do STF, conforme inciso I, do Parágrafo Único, do artigo 62, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009. Assim, afastada a ampliação da base de cálculo da PIS/COFINS, prevista na Lei nº 9.718/98, o PIS/COFINS volta a incidir somente sobre o faturamento nos termos da LC nº 7/70, logo considerado faturamento a receita de venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços. Portanto, o crédito de ICMS advindo da submissão não são receitas de vendas de mercadorias ou receita de serviços, logo, não compõe a base de cálculo do PIS/COFINS. A Lei nº 10.833/2003 ao instituir a apuração da Cofins para o período nãocumulativo definiu no seu art. 1º a base de cálculo a ser considerada para apuração da contribuição. Vejamos: 1ºA Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil.§ 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitascompreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigoas receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); II não operacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de Fl. 671DF CARF MF Processo nº 10283.006468/200474 Acórdão n.º 9303003.858 CSRFT3 Fl. 671 9 mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1º do art. 25 da Lei Complementar nº 87, de 13 de setembro de 1996. ( Redação dada pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009. Em outro giro, ao delimitar as subvenções como auxílios recebidos para fazer face às suas despesas, sua natureza esta estritamente ligada ao ressarcimento de despesas tributárias não se relacionando diretamente com "receita" na acepção do vocábulo. Contudo, a Contribuinte faz jus ao crédito de ICMS que beneficia as empresas instaladas na Zona Franca de Manaus – ZFM. Portanto, do benefício fiscal ofertado pelo Estado do Amazonas, entendo que a sistemática de obtenção de créditos transcorre com a escrituração na contabilidade da Contribuinte para posterior utilização. Verifico ainda, que os valores escriturados destes créditos, operações de alteração patrimonial, visto que, os créditos não utilizados se constituem em direitos, contudo, não se constituem em ingresso de receitas. São incentivos voltados à redução de custo, concedidos as empresas localizadas no Polo Industrial de Manaus, com fim aumentar a disputa fiscal entre os Estados gerando a famigerada "guerra fiscal". Deste modo, em minha visão o crédito de ICMS não constitui em entrada de recursos, não podendo ser assim avaliado. Portanto, os valores escriturados a título de crédito de ICMS não compõe a base de cálculo do PIS/COFINS nãocumulativo. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. Demes Brito É como voto é como penso. Voto Vencedor Conselheiro Júlio César Alves Ramos Redator para o acórdão Fl. 672DF CARF MF Processo nº 10283.006468/200474 Acórdão n.º 9303003.858 CSRFT3 Fl. 672 10 Designoume a Presidência para a redação do acórdão, visto que o colegiado, por voto de qualidade, divergiu da proposta do relator no que tange ao período da não cumulatividade. A matéria relativa à incidência das contribuições PIS e COFINS sobre valores decorrentes de incentivos fiscais concedidos pelos governos estaduais no âmbito de tributos de sua competência, especialmente o ICMS, não é nova nesta Casa. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos debruçar sobre aqueles originados nos estados do Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte e concluímos serem todos eles enquadráveis como subvenção para custeio e não para investimento como pretendem os contribuintes. De fato, a característica que os une é configurarem sempre uma renúncia fiscal em resposta à implantação de empreendimentos industriais no estado, diferindo eles na forma de implementação dessa renúncia. Já concluímos que essa pequena diferença que será examinada ao final não altera o fato de que, em todos eles, os valores não têm que ser aplicados na implantação ou ampliação do empreendimento, mas podem ser usados, e são, no giro normal dos negócios da empresa. Por isso, entendo, têm aplicação as considerações que seguem, embora proferidas em julgamento do incentivo concedido pelo Governo do Ceará no âmbito do Programa PROVIN. Disse naquela ocasião: Quanto à segunda matéria, se refere ao correto enquadramento contábil das subvenções e, por decorrência, à incidência da Cofins. O primeiro registro do tema pode ser encontrado na norma legal que tratava dos lançamentos contábeis para efeito de exigência do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, antes da edição da Lei nº 6.404/76 (Lei das SA), ou seja, a Lei nº 4.506/64. Assim dispunha: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. Mesmo tendo sido adaptada, pelo Decretolei nº 1.598/77, às disposições da lei das S.A., neste particular não sofreu alteração. Vale dizer que o segundo não revogou a norma anterior. Ele dispôs: Fl. 673DF CARF MF Processo nº 10283.006468/200474 Acórdão n.º 9303003.858 CSRFT3 Fl. 673 11 Art. 38 Não serão computadas na determinação do lucro real as importâncias, creditadas a reservas de capital, que o contribuinte com a forma de companhia receber dos subscritores de valores mobiliários de sua emissão a título de: I ágio na emissão de ações por preço superior ao valor nominal, ou a parte do preço de emissão de ações sem valor nominal destinadas à formação de reservas de capital; II valor da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; III prêmio na emissão de debêntures; IV lucro na venda de ações em tesouraria. § 1º O prejuízo na venda de ações em tesouraria não será dedutível na determinação do lucro real. § 2º As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedida como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e as doações não serão computadas na determinação do lucro real, desde que: a) registradas como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no artigo 36 e seus parágrafos; ou b) feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. Examinando o assunto, a Coordenação do Sistema de Tributação da SRF expediu o Parecer Normativo (PN CST) nº 112/78, que esclareceu os requisitos para que as subvenções recebidas possam ser tratadas como para investimento, permitindose o seu lançamento direto em conta de reserva de capital sem transitar pelo resultado do período. Assim, tomando como referência o PN CST nº 02/78, adotou o seguinte entendimento: 2.12 – Observase que a subvenção para investimento apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o” animus” de subvencionar para investimento. Impõese, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na Fl. 674DF CARF MF Processo nº 10283.006468/200474 Acórdão n.º 9303003.858 CSRFT3 Fl. 674 12 implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimentos não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. Mais adiante em seu item 2.14: ... As SUBVENÇÕES, em princípio, serão todas elas, computadas na determinação do lucro líquido: as subvenções para custeio ou operação, na qualidade de integrantes do resultado operacional; as subvenções para investimento, como parcelas do resultado não operacional. Resta ainda definir se essa inclusão das subvenções no resultado operacional, se de custeio, e nãooperacional, se para investimento, implica sua tributação pela COFINS, após a edição da Lei nº 9.718/98. É que entendem alguns que, mesmo integrando o resultado operacional, não se conformariam a um conceito de receitas, mais restritivo, que exigiria uma efetiva contraprestação em bens ou serviços por parte da recebedora dos recursos. Essa linha de raciocínio pretende estabelecer uma distinção entre acréscimo patrimonial, o gênero, e receitas, definindoas como espécie daquele, que incluiria ainda as recuperações de despesas, as subvenções e as doações. Podese encontrar na literatura contábil exemplo (embora aparentemente isolado) de tal definição, na seguinte conceituação13 Receita é a expressão monetária, validada pelo mercado, do agregado de bens e serviços da entidade, em sentido amplo, em determinado período de tempo e que provoca um acréscimo concomitante no ativo e no patrimônio líquido, considerado separadamente da diminuição do ativo (ou do acréscimo do passivo) e do patrimônio líquido provocados pelo esforço em produzir tal receita. Entretanto, tal definição (ou, melhor dizendo, a interpretação que nela pretenda ver a possibilidade de excluir alguns tipos de acréscimo patrimonial) não encontra guarida nas normas técnicas de contabilidade emitidas pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC), órgão legalmente habilitado a disciplinar o exercício da profissão. Com efeito, a Norma Técnica NBT 10, subitem 10.16, aprovada pela Resolução CFC nº 922, de 13 de dezembro de 2001 estabelece: 1 3 IUDÍCIBUS, Sérgio de. Teoria da Contabilidade. 2ª ed. São Paulo: Atlas, 1986. p.127 Fl. 675DF CARF MF Processo nº 10283.006468/200474 Acórdão n.º 9303003.858 CSRFT3 Fl. 675 13 10.16.2 REGISTRO CONTÁBIL 10.16.2.1 As transferências a título de subvenção que correspondam ou não a uma contraprestação direta de bens ou serviços para a entidade transferidora, devem ser contabilizadas como receita na entidade recebedora dos recursos financeiros. 10.16.2.2 As transferências a título de contribuição, mesmo que não correspondam a uma contraprestação direta de bens ou serviços para a entidade transferidora, devem ser contabilizadas como receita na entidade recebedora dos recursos financeiros. 10.16.2.3 Os auxílios ou contribuições para despesas de capital devem ser contabilizados diretamente em conta específica de Reserva de Capital, no Patrimônio Líquido. De igual modo, os auxílios ou contribuições devem ser contabilizados em conta específica, designativa da operação, no Patrimônio Social das entidades que se sujeitam às normas contábeis mencionadas no item 10.16.1.4. 10.16.2.4 As doações financeiras para custeio devem ser contabilizadas em contas específicas de receita. As doações para investimentos e imobilizações, que são consideradas patrimoniais, inclusive as arrecadadas na constituição da entidade, devem ser contabilizadas no Patrimônio Líquido ou Social, conforme seja o caso específico da pessoa jurídica beneficiária da transferência. Essa determinação do órgão responsável pelo disciplinamento do exercício da contabilidade no nosso País ratifica, como não poderia deixar de ser, o que já vem expresso na norma legal específica do assunto, qual seja a Lei nº 6.404/76: Art. 182. A conta do capital social discriminará o montante subscrito e, por dedução, a parcela ainda não realizada. § 1º Serão classificadas como reservas de capital as contas que registrarem: a) a contribuição do subscritor de ações que ultrapassar o valor nominal e a parte do preço de emissão das ações sem valor nominal que ultrapassar a importância destinada à formação do capital social, inclusive nos casos de conversão em ações de debêntures ou partes beneficiárias; Fl. 676DF CARF MF Processo nº 10283.006468/200474 Acórdão n.º 9303003.858 CSRFT3 Fl. 676 14 b) o produto da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; c) o prêmio recebido na emissão de debêntures; d) as doações e as subvenções para investimento. § 2° Será ainda registrado como reserva de capital o resultado da correção monetária do capital realizado, enquanto nãocapitalizado. § 3° Serão classificadas como reservas de reavaliação as contrapartidas de aumentos de valor atribuídos a elementos do ativo em virtude de novas avaliações com base em laudo nos termos do artigo 8º, aprovado pela assembléiageral. § 4º Serão classificados como reservas de lucros as contas constituídas pela apropriação de lucros da companhia. § 5º As ações em tesouraria deverão ser destacadas no balanço como dedução da conta do patrimônio líquido que registrar a origem dos recursos aplicados na sua aquisição. Guarda, além disso, e igualmente como não poderia deixar de ser, inteira coerência com as resoluções do mesmo Conselho que definem e explicam os princípios de contabilidade geralmente aceitos. São elas a Resolução CFC nº 750, de 29 de dezembro de 1993, que diz SEÇÃO VI O PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA Art. 9º As receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento. § 1º O Princípio da COMPETÊNCIA determina quando as alterações no ativo ou no passivo resultam em aumento ou diminuição no patrimônio líquido, estabelecendo diretrizes para classificação das mutações patrimoniais, resultantes da observância do Princípio da OPORTUNIDADE. § 2º O reconhecimento simultâneo das receitas e despesas, quando correlatas, é conseqüência natural do respeito ao período em que ocorrer sua geração. § 3º As receitas consideramse realizadas: I – nas transações com terceiros, quando estes efetuarem o pagamento ou assumirem compromisso firme de efetiválo, quer pela investidura na propriedade de bens anteriormente Fl. 677DF CARF MF Processo nº 10283.006468/200474 Acórdão n.º 9303003.858 CSRFT3 Fl. 677 15 pertencentes à ENTIDADE, quer pela fruição de serviços por esta prestados; II – quando da extinção, parcial ou total, de um passivo, qualquer que seja o motivo, sem o desaparecimento concomitante de um ativo de valor igual ou maior; III – pela geração natural de novos ativos independentemente da intervenção de terceiros; IV – no recebimento efetivo de doações e subvenções. e a de nº 774, de 16 de dezembro de 1994 (DOU de 18.01.1995) que, aprofundando a anterior, menciona: 1.4 Dos objetivos da Contabilidade O objetivo científico da Contabilidade manifestase na correta apresentação do Patrimônio e na apreensão e análise das causas das suas mutações. Já sob ótica pragmática, a aplicação da Contabilidade a uma Entidade particularizada, busca prover os usuários com informações sobre aspectos de natureza econômica, financeira e física do Patrimônio da Entidade e suas mutações, o que compreende registros, demonstrações, análises, diagnósticos e prognósticos, expressos sob a forma de relatos, pareceres, tabelas, planilhas e outros meios. O tema, tão claro no quadrante científico, comporta comentários mais minuciosos quando direcionado aos objetivos concretos perseguidos na aplicação da Contabilidade a uma Entidade em particular. Adentramos, no caso, o terreno operacional, regulado pelas normas. Assim, ouvese com freqüência dizer que um dos objetivos da Contabilidade é o acompanhamento da evolução econômica e financeira de uma Entidade. No caso, o adjetivo “econômico” é empregado para designar o processo de formação de resultado, isto é, as mutações quantitativoqualitativas do patrimônio, as que alteram o valor do Patrimônio Líquido, para mais ou para menos, correntemente conhecidas como “receitas” e “despesas”. Já os aspectos qualificados como “financeiros” concernem, em última instância, aos fluxos de caixa. E mais adiante: 2.6.1 As variações patrimoniais e o Princípio da Competência A compreensão do cerne do Princípio da COMPETÊNCIA está diretamente ligada ao entendimento das variações Fl. 678DF CARF MF Processo nº 10283.006468/200474 Acórdão n.º 9303003.858 CSRFT3 Fl. 678 16 patrimoniais e sua natureza. Nestas encontramos duas grandes classes: a daquelas que somente modificam a qualidade ou a natureza dos componentes patrimoniais, sem repercutirem no montante do Patrimônio Líquido, e a das que o modificam. As primeiras são denominadas de “qualitativas”, ou “permutativas”, enquanto as segundas são chamadas de “quantitativas”, ou “modificativas”. Cumpre salientar que estas últimas sempre implicam a existência de alterações qualitativas no patrimônio, a fim de que permaneça inalterado o equilíbrio patrimonial. A COMPETÊNCIA é o Princípio que estabelece quando um determinado componente deixa de integrar o patrimônio, para transformarse em elemento modificador do Patrimônio Líquido. Da confrontação entre o valor final dos aumentos do Patrimônio Líquido – usualmente denominados “receitas” – e das suas diminuições – normalmente chamadas de “despesas” –, emerge o conceito de “resultado do período”: positivo, se as receitas forem maiores do que as despesas; ou negativo, quando ocorrer o contrário. Observase que o Princípio da Competência não está relacionado com recebimentos ou pagamentos, mas com o reconhecimento das receitas geradas e das despesas incorridas no período. Mesmo com desvinculação temporal das receitas e despesas, respectivamente do recebimento e do desembolso, a longo prazo ocorre a equalização entre os valores do resultado contábil e o fluxo de caixa derivado das receitas e despesas, em razão dos princípios referentes à avaliação dos componentes patrimoniais. Quando existem receitas e despesas pertencentes a um exercício anterior, que nele deixarem de ser consideradas por qualquer razão, os competentes ajustes devem ser realizados no exercício em que se evidenciou a omissão. Por tudo quanto exposto, não parece haver dúvida de que, sendo as subvenções para custeio, RECEITAS integrantes do subgrupo dos Resultados Operacionais, estão englobadas no conjunto de elementos contábeis sujeitos à tributação pela COFINS após o advento da Lei nº 9.718/98. No caso em discussão, a impropriedade de sua classificação como subvenção para investimento avulta da leitura da documentação acostada aos autos, da qual inequivocamente se conclui não haver qualquer exigência para que os recursos recebidos dos cofres do Estado do Ceará sejam obrigatoriamente aplicados na aquisição de ativos necessários à implantação ou à expansão do parque fabril da autuada. Fl. 679DF CARF MF Processo nº 10283.006468/200474 Acórdão n.º 9303003.858 CSRFT3 Fl. 679 17 Muito ao contrário, a concessão de tais recursos apenas encontra como condições: 1. a implantação do empreendimento no Estado do Ceará; 2. uma vez implantado, a sua continuidade dentro de padrões de desempenho vagamente definidos e acompanhados pelo governo do Estado. Em resumo, pois, subvenções, mesmo aquelas originadas de entes de direito público, são, do ponto de vista contábil, receitas, nada importando se são para custeio ou para investimento. Essa é uma determinação legal (art. 44 da Lei 4.506/64) e dos pronunciamentos técnicos competentes. Para estas últimas, entretanto, a legislação fiscal atinente ao Imposto de Renda admitiu a não tributação por aquele imposto se registradas em conta de reserva de capital destinada exclusivamente à implantação ou ampliação de empreendimentos. Assim, desde que caracterizada como tal para investimento poderseiia passar à discussão sobre não tributação pelas contribuições, isto é, se a benesse concedida para o IR se estenderia às contribuições incidentes sobre a receita. Como está apontado no voto acima, aquela renúncia do estado do Ceará não cumpre nenhum dos requisitos da legislação do IR. Veremos, mais à frente, se a do estado do Amazonas é diferente. Por ora, é importante enfatizar que, em contraposição aos argumentos postos no recurso voluntário e reproduzidos nas contrarrazões não é a doutrina quem separa as subvenções em para custeio e para investimento; é a própria lei. E, como assinalado, é apenas a lei fiscal atinente ao IR que dá à última um tratamento diferenciado, logo, apenas aplicável, a princípio, àquele imposto. Destarte, ratificada como quer a empresa, a supremacia da escrituração comercial, outra conclusão não se pode extrair senão a tributação da parcela pela COFINS, receita que é. E, valer mais uma vez frisar, elas o são por expressa disposição legal: o art. 44 da Lei 4.506/64, válido e eficaz quando dos fatos geradores aqui analisados. Despiciendo, portanto, analisar as alterações datadas de 2007 e 2009, face à disposição do art. 142 do CTN2 ainda que oportuno deixar também registrado que sobre tais alterações tampouco chego à mesma conclusão da empresa. E por serem receita por expressa disposição legal, assim ficamos: a lei impositiva das contribuições define a sua base de cálculo como o somatório das receitas; uma outra lei define que a parcela em discussão receita é. O que falta para concluir que é tributável? 2 Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Fl. 680DF CARF MF Processo nº 10283.006468/200474 Acórdão n.º 9303003.858 CSRFT3 Fl. 680 18 Acredito que apenas se aceitarse o argumento de que receita para efeito tributário é diferente de receita para fins contábeis. Um simples exemplo mostra que não é assim: o art. 9º da Lei 9.718 não declarado inconstitucional define como tributáveis as variações monetárias ativas, da mesma forma que as disposições contábeis. Ora, uma simples análise dos requisitos para sua escrituração já mostra que elas não satisfazem aqueles exigidos pelos proponentes das tais "receitas tributáveis": não há nem ingresso de dinheiro, nem contraprestação alguma a favor de quem as deve registrar. Com efeito, decorrem elas tãosomente da variação da taxa de câmbio ou de índice de correção monetária contratualmente definido. E não se alegue que a introdução do regime de caixa, previsto pelo art. 30 da Medida Provisória 2.158, seria um reconhecimento de não se tratarem de receita: bem ao contrário, tal reconhecimento implicaria sua nãotributação. O que a alteração legal fez foi permitir que sua apuração se fizesse apenas quando da efetiva realização em dinheiro. Resta, portanto, apenas averiguar se o regime do estado do Amazonas tem alguma diferença substancial que o exclua da tributação. O recurso voluntário do contribuinte responde a tal questão. Com efeito, admite ele que o incentivo consiste na devolução do ICMS inicialmente recolhido: Ela se efetiva tanto por meio de restituição (supõese, em dinheiro) e como créditos do imposto que são escriturados contabilmente. Em aMbas as situações nenhuma contrapartida em termos de aplicação é exigida, ao menos, nada disso pe dito no recurso. O último argumento utilizado é o do bis in idem: segundo ele a mesma parcela estaria sendo tributada em duplicidade na medida em que se trata do mesmo ICMS que já teria sido tributado pela contribuição quando da venda realizada. Vale dizer que a autoridade responsável pelo lançamento afirma que não chega a haver o recolhimento, mas isso não é relevante, de modo que se pode raciocinar como se recolhimento efetivamente haja. Esse argumento guarda relação com o anterior porque ambos se baseiam na ideia de que não há um elemento novo sendo acrescido ao patrimônio da empresa. Mas é dessa premissa que discordo: o valor devolvido pelo estado, em qualquer de suas modalidades é, sim, um direito novo. Para verificar isso, basta observar que a empresa adquire o primeiro direito (o valor integral do preço cobrado) ao realizar a operação de venda; todo o valor aí exigido de seu cliente a ela pertence, mas há a ele está associada uma obrigação consistente no ICMS sobre vendas previsto na norma legal. E que os dois são autônomos provao o fato de que eventual não recebimento da operação não traz qualquer implicação sobre a obrigação tributária, ou seja, não pode o contribuinte pretender se esquivar da obrigação tributária sob a alegação de que o cliente não honrou a parte que lhe cabia. Concluída a operação de venda, e recolhido o ICMS devido naquela operação, é a norma tributária estadual específica que autoriza a posterior transferência de uma quantia por parte do sujeito ativo. Esse direito, que não necessariamente corresponde à integralidade do ICMS devido pela venda, ingressa no patrimônio do contribuinte em momento distinto. Nessas condições, não vejo como possa ser contabilizado senão pela abertura de conta credora que tem todos os requisitos de conta de receita: registra a contrapartida de aumento no patrimônio ao qual não está vinculada qualquer obrigação. Fl. 681DF CARF MF Processo nº 10283.006468/200474 Acórdão n.º 9303003.858 CSRFT3 Fl. 681 19 Obviamente, tal receita não corresponde ao restrito conceito de faturamento que o STF entendeu aplicável à sistemática cumulativa da COFINS definida pela Lei 9.718 ao julgar inconstitucional o parágrafo 1º de seu artigo 3º. Desse modo, embora receita sendo, não pode ser tributada pela COFINS até o advento da Lei 10.833, que estabeleceu a incidência não cumulatividade tendo como base de cálculo a integralidade das receitas. É por tudo isso que votei pelo provimento parcial do recurso da Fazenda Nacional para restabelecer a exigência para os períodos de apuração em que aplicável a sistemática nãocumulativa. E tive a honra de ser acompanhado pela maioria (qualificada) do colegiado, sendo esse o acórdão que me coube redigir. Conselheiro Júlio César Alves Ramos redator para o acórdão. Declaração de Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello A controvérsia posta nos presentes autos cingese à inclusão ou não das receitas de subvenção (benefícios fiscais de créditos de ICMS) na base de cálculo da COFINS apurada pela sistemática da cumulatividade e da nãocumulatividade. COFINS REGIME CUMULATIVO No que tange ao período de apuração abrangido pela Lei nº 9.718/98, regime de apuração cumulativo do PIS e da COFINS, imperiosa a aplicação do julgamento proferido pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de repercussão geral, nos autos do Recurso Extraordinário nº 346.084 PR, no qual foi declarada a inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98. A observância obrigatória decorre da disposição contida no art. 62 do RICARF. Por conseguinte, para os fatos geradores ocorridos sob a vigência do regime de apuração cumulativo, não devem ser incluídos na base de cálculo da COFINS os valores relativos aos incentivos fiscais de ICMS recebidos do Estado do Amazonas, tendo em vista não se enquadrarem no conceito de receitas, sendo estas compreendidas unicamente como decorrentes da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. COFINS REGIME NÃOCUMULATIVO De outro lado, com relação aos fatos geradores ocorridos na vigência do regime de apuração nãocumulativo da COFINS, ponto crucial na análise do presente tema é perquirir se se o valor que se pretende tributar pode ser conceituado como receita, pois esse o critério que definirá a incidência das contribuições para o PIS e a COFINS, nos termos do que dispôs o legislador nos artigos 1º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Assim, mais importante que a classificação contábil do incentivo em tela, é a definição de sua natureza jurídica, pois dela dependerá o seu regime jurídico de tributação. Deixou claro o legislador que a essência assume maior relevância que a forma, indicando que a tributação não dependerá de o valor estar registrado como receita, mas sim que o mesmo seja efetivamente uma receita. Fl. 682DF CARF MF Processo nº 10283.006468/200474 Acórdão n.º 9303003.858 CSRFT3 Fl. 682 20 Visando à melhor compreensão da natureza dos valores objeto do litígio, importa tecer algumas considerações sobre as características singulares dos benefícios fiscais concedidos pelos Governos Estaduais na forma de subvenções de ICMS. Estáse, no presente caso, diante de benesse concedida pelo Estado do Amazonas, com base na Lei Estadual nº 1.939/89, posteriormente modificada pelas Leis nºs 2.380/96 e 2.629/00. Os artigos 1º e 2º da Lei nº 1.939/89, com nova redação dada pela Lei nº 2.269/00, tratam da concessão do benefício, sendo que as condições para a obtenção e fruição do mesmo estão estabelecidas nos artigos 17 a 20: Art. 1º O sistema de incentivos fiscais, extrafiscais e sociais é definido por esta Lei, obedecidos os princípios emanados da Constituição da República Federativa do Brasil e da Constituição do Estado do Amazonas. Art. 2º Os incentivos fiscais de competência do Estado são os relativos ao art. 145, inciso I, alínea "b" da Constituição do Estado do Amazonas e destinarseão às empresas industriais, agroindustriais e agropecuárias, instaladas ou que venham a se instalar no Estado do Amazonas. § 1º O incentivo fiscal do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, constituise na restituição total ou parcial, de acordo com as características da empresa beneficiária. § 2º Os incentivos fiscais a serem concedidos às empresas beneficiárias devem guardar obediência aos seguintes princípios: I reciprocidade contrapartida a ser oferecida pela beneficiária, expressa em salários, encargos e benefícios sociais locais, definidos nos arts. 8º e 212, da Constituição do Amazonas; II transitoriedade condição ou caráter de prazo certo que deve ter o incentivo; III regressividade condição necessária à retirada do incentivo num processo gradual; IV gradualidade concessão diferenciada do benefício de acordo com prioridades estabelecidas. § 3º A concessão do incentivo obedecerá às seguintes diretrizes gerais: I tratamento diferenciado às empresas de micro e pequeno porte, inclusive as de base tecnológica, às empresas localizadas no interior do Estado, aquelas que utilizem matériaprima regional, as empresas que produzem bens de consumo imediato destinados à alimentação, vestuário e calçado, e aquelas complementares ao parque industrial; Fl. 683DF CARF MF Processo nº 10283.006468/200474 Acórdão n.º 9303003.858 CSRFT3 Fl. 683 21 II Terão benefício máximo, na forma da Lei, obedecidos os princípios do § 2º deste artigo: a) as empresas industriais, agroindustriais e agropecuárias localizadas no interior do Estado pertencentes a setores prioritários definidos na regulamentação desta Lei; b) as empresas que tenham por objetivo único a produção de medicamentos que utilizem, basicamente, plantas medicinais regionais e a industrialização de pescado; c) as micro e pequenas empresas de base tecnológica. § 4º Poderão atingir até o benefício máximo, as empresas produtoras de bens intermediários fabricados no Estado, obedecidos os princípios do § 2º deste artigo. [...] Art. 17. As empresas incentivadas ficam obrigadas a manter atualizadas as suas informações cadastrais junto a Secretaria de Estado da Indústria, Comércio e Turismo, devendo justificar prévia e expressamente qualquer alteração no parque fabril e/ou no processo produtivo, que implique ou não em redução do programa de investimentos, e/ou absorção de mãodeobra, em relação ao projeto que deu origem à concessão dos incentivos fiscais. Art. 18. Para efeito de autorização, ficam as empresas incentivadas obrigadas a submeter à apreciação da Secretaria de Estado da Indústria, Comércio e Turismo, as modificações pretendidas, nas hipóteses de: a) cisão, fusão e incorporação, envolvendo empresas incentivadas; b) transferências de etapas do processo de produção, qualquer que seja a modalidade de operacionalização do acordo firmado entre as partes. Parágrafo único. O pedido de autorização, de que trata este artigo, poderá, a critério da Secretaria de Estado da Indústria, Comércio e Turismo, ser instruído com projeto técnico e de viabilidade econômica. Art. 19. As empresas beneficiadas com incentivos fiscais, deverão cumprir as seguintes exigências: I implantar o projeto técnico e de viabilidade econômica na forma aprovada pelo CODAM; II manter programas de benefícios sociais para os seus empregados, de acordo com o enunciado nos art. 8º e 212, parágrafo 1º da Fl. 684DF CARF MF Processo nº 10283.006468/200474 Acórdão n.º 9303003.858 CSRFT3 Fl. 684 22 Constituição Estadual, especialmente, nas áreas de alimentação, saúde, lazer, educação, transporte e creche a preços subsidiados; III apresentar à SIC programas de regionalização, implementandoos na forma homologada pelo CODAM; IV apresentar à SIC programas plurianuais de investimento em desenvolvimento tecnológico no Estado do Amazonas, a serem implementados na forma homologada pelo CODAM; V manter em seus estabelecimentos, em local visível ao público, placa alusiva aos incentivos previstos nesta Lei, de acordo com modelo e especificações aprovados pela SIC; VI conceder, nas vendas para empresas comerciais locais, regulamente inscritas na SEFAZ, desconto equivalente à parcela do ICMS restituído na operação; VII manter a administração, inclusive a contabilidade e recolher o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço FGTS e contribuições sociais e previdenciárias no Estado do Amazonas, bem como utilizar a infraestrutura de serviço local. VIII manter menores em seu quadro funcional, salvo se a empresa incentivada desenvolver atividades penosas, perigosas ou insalubres. IX – recolher, em caráter irretratável e irrevogável, contribuição financeira, durante todo o período de fruição dos incentivos, em importância correspondente a um e meio por cento sobre o valor do ICMS restituível, em cada período de apuração, em favor da Universidade do Estado do Amazonas UEA, na forma e no prazo previstos em regulamento. § 1º As exigências previstas nos incisos II,III,IV,VI, e VIII, não se aplicam às microempresas. § 2º O disposto nos incisos III e VI não se estende às empresas produtoras de bens enumerados nos incisos I,III,V,VII,VIII e IX do artigo 13 desta Lei. Art. 20. As empresas incentivadas ficam sujeitas ao acompanhamento, avaliação e fiscalização de suas atividades pelas Secretarias de Estado da Fazenda e da Indústria, Comércio e Turismo. Parágrafo único. Para fins deste artigo, as Secretarias poderão requerer informações, examinar documentos, livros, arquivos, projetos, inspecionar processos de produção e realizar diligências afins. (grifou se) Fl. 685DF CARF MF Processo nº 10283.006468/200474 Acórdão n.º 9303003.858 CSRFT3 Fl. 685 23 Na leitura dos dispositivos inferese que os créditos de ICMS, para serem concedidos, exigem uma contraprestação por parte da Contribuinte, que deve cumprir as determinações contidas na legislação estadual para a obtenção e fruição do benefício. Ainda, não se tratam de simples obrigações acessórias, mas sim implicam verdadeiros desembolsos realizados pelo Sujeito Passivo no aprimoramento do desenvolvimento de sua atividade econômica que tragam resultados efetivos para o Governo do Estado (geração de empregos, desconcentração especial dos adensamentos industriais, integração das cadeias produtivas e de comercialização, etc). Assim, os benefícios de ICMS concedidos podem ser conceituados como ingressos condicionados, restando inequivocamente afastados da definição de receita. A afirmação encontra lastro no entendimento do Supremo Tribunal Federal consignado em julgamento proferido nos autos do Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que tratou da incidência de PIS e COFINS sobre a transferência de saldos credores de ICMS, no sentido de que o conceito constitucional de receita bruta implica em um "ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições". Em razão do entendimento externado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, esvaziase a discussão sobre a correta classificação contábil do referido crédito de ICMS (subvenção para custeio, para investimento, recuperação de custo ou de despesa). Ao trazer o conceito constitucional de receita bruta, definiu a Suprema Corte como cerne verificar se a existência de condicionantes ou contraprestação para o ingresso patrimonial da pessoa que o recebe. Importa a transcrição da ementa do julgado: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do Fl. 686DF CARF MF Processo nº 10283.006468/200474 Acórdão n.º 9303003.858 CSRFT3 Fl. 686 24 montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. (RE 606107, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Tribunal Pleno, julgado em 22/05/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe231 DIVULG 22112013 PUBLIC 25112013) (grifouse) No caso em análise, portanto, os créditos de ICMS concedidos Governo Estadual do Amazonas não constituem receita bruta em virtude de não serem concedidos sem reservas ou condições e por não se constituírem em elemento novo e positivo. Assim, inequivocamente afastada hipótese de incidência da contribuição para a COFINS também na sistemática nãocumulativa. Confirmando a não inclusão dos créditos presumidos de ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS nãocumulativo, o Superior Tribunal de Justiça manifestouse no sentido de que o crédito presumido deve ser sempre entendido como redutor de custos e não como efetivo ingressos de receitas. Ilustram precedentes da Primeira e da Segunda Turmas da Primeira Seção daquela Corte: Fl. 687DF CARF MF Processo nº 10283.006468/200474 Acórdão n.º 9303003.858 CSRFT3 Fl. 687 25 TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. PRECEDENTES. 1. As Turmas da Primeira Seção desta Corte firmaram entendimento no sentido de que os valores provenientes do crédito do ICMS não ostentam natureza de receita ou faturamento, mas de recuperação de custos na forma de incentivo fiscal concedido pelo governo para desoneração das operações, de forma que não integram a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. Precedentes: AgRg no REsp 1.363.902/RS, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, DJe 19/08/2014 e AgRg no AREsp 509.246/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe 10/10/2014. 2. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no AREsp 596.212/PR, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/12/2014, DJe 19/12/2014) (grifouse) TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO FISCAL. RESSARCIMENTO DE CUSTOS. 1. A controvérsia dos autos diz respeito à inexigibilidade do PIS e da COFINS sobre o crédito presumido do ICMS decorrente do Decreto n. 2.810/01. 2. O crédito presumido do ICMS consubstanciase em parcelas relativas à redução de custos, e não à obtenção de receita nova oriunda do exercício da atividade empresarial como, verbi gratia, venda de mercadorias ou de serviços. 3. "Não se tratando de receita, não há que se falar em incidência dos aludidos créditos presumidos do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS." (REsp 1.025.833/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 6.11.2008, DJe 17.11.2008.) Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1229134/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/04/2011, DJe 03/05/2011) (grifou se) Ainda que se entenda importar ao deslinde do feito adentrarse na classificação contábil dos créditos presumidos de ICMS, é possível atribuir aos mesmos natureza jurídica de subvenção financeira ou de investimento, uma vez que se trata de auxílio ou doação que só pode ser concretizada se atendidos os requisitos estabelecidos na respectiva legislação de regência. Nesse sentido, pronunciouse o Ilustre Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis ao proferir Voto Vencedor no acórdão nº 3401001976, de 26/09/2012, que também consignou entender de menor relevância a classificação contábil, em face da predominância natureza jurídica do incentivo. Além disso, de acordo com o art. 182, §1º, alínea "d" da Lei nº. 6.404/76, vigente à época do período lançado, as subvenções para investimento eram classificadas como reservas de capital, não interferindo na apuração do lucro líquido da Empresa, de que a receita faz parte, e se destinando a incrementar o Ativo Permanente. Também por esse prisma, não há de se entender subvenção como receita. Fl. 688DF CARF MF Processo nº 10283.006468/200474 Acórdão n.º 9303003.858 CSRFT3 Fl. 688 26 Nessa linha relacional, considerando que os créditos decorrentes de subvenção não integram o conceito de receita, afastando a incidência do PIS e da COFINS na sistemática da nãocumulatividade, pronunciouse a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento em acórdão assim ementado, cujos fundamentos passam a integrar a presente fundamentação: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Ano Calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A obstrução à defesa, motivadora de nulidade do ato administrativo de referência, deve apresentarse comprovada no processo. PIS. DECADÊNCIA. PRAZO O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário da contribuição para o PIS/PASEP extinguese em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador. PIS. CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo das contribuições para o PIS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. PIS. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS DO ICMS. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide PIS sobre os valores de créditos de ICMS, obtidos em razão de subvenção estadual. PIS. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRSUMIDO DO IPI. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide PIS sobre os valores de créditos presumido do IPI, previsto na Lei nº 9.336/96. PIS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS DO ICMS. BASE DE CÁLCULO. Não incide PIS sobre os valores de créditos de ICMS, obtidos em razão de subvenção estadual, uma vez sua natureza jurídica não se revestir de receita. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão nº 340300.799, P.A. 10283.000091/200521, Rel. Cons. Winderley Morais Pereira, julgado em 03.02.2011) (grifouse) Portanto, reconhecese que os créditos presumidos de ICMS concedidos pelo Governo Estadual do Amazonas ao Sujeito Passivo não se constituem em receita bruta, restando afastada a incidência da COFINS do regime nãocumulativo sobre os mesmos. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o Voto. Vanessa Marini Cecconello Fl. 689DF CARF MF
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Numero do processo: 10660.003098/2008-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2802-000.134
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 15/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior e Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado). Ausente, justificadamente, Dayse Fernandes Leite.
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Resolvem os membros do colegiado, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 15/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior e Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado). Ausente, justificadamente, Dayse Fernandes Leite. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 60 .0 03 09 8/ 20 08 -0 1 Fl. 365DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 177 ___________ Contra o contribuinte foi emitido o auto de infração do Imposto de Renda da Pessoa Física (101 e ss.), referente ao exercício 20006, anocalendário de 2005, em razão de dedução indevida de IRRF. Impugnou o lançamento (fl. 100) , instruída com os elementos de fls. 101/150. Nessa oportunidade, contesta o lançamento, aos fundamentos de que houve “erro da fonte pagadora quanto ao valor denunciado”; “não houve consideração tempestiva pela Receita da DAA do ano base de 2001” estando prescritos os fatos geradores; que é “relevante a peça judicial que atribui a Fonte Pagadora a responsabilidade pelo IRRF; em vez de pagálo aocontribuinte, a Fonte o recolheu razão do pedido de restituição na DAA 2006." Em julgamento, a 4ª Turma da DRJ/JFA, em sessão realizada no dia 18/09/2009, por unanimidade, manteve o lançamento em parte, aos fundamento principal de que, no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, incide o imposto inclusive sobre juros e atualização monetária, podendo seu montante ser diminuído, para fins de se apurar o quantum tributável, do valor das despesas com ação judicial, inclusive advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Cientificado da supramencionada decisão, conforme fl. 165, o contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário a fl. 166, atacando a decisão exarada pela DRJ, repisando os argumentos esgrimidos na impugnação. Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. Os autos versam sobre rendimentos trabalhistas recebidos acumuladamente em razão de decisão judicial. Considerando que o Recurso Extraordinário 614406RS, que versa acerca da matéria, teve sua repercussão geral reconhecida em 20.10.2010 e ainda encontrase pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09 e à Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). É que, nos termos do artigo 543B do CPC, a admissão da repercussão geral de um ou mais recursos extraordinários implica em que sejam os mesmos identificados como representativos de controvérsia, sobrestandose os demais, verbis: Fl. 366DF CARF MF Processo nº 10660.003098/200801 Resolução nº 2802000.134 S2TE02 Fl. 178 3 Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. § 1 o Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. § 2 o Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. § 3 o Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. Isto posto, é de se determinar o sobrestamento do presente, até o julgamento definitivo da ação judicial mencionada. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 367DF CARF MF
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