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Numero do processo: 19515.001060/2008-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
REPRESENTAÇÃO. OUTORGA DE PODERES NÃO COMPROVADA. RECURSO NÃO CONHECIDO.
A ausência de comprovação da outorga de poderes de representação para o exercício do ato de recorrer contra decisão administrativa acarreta a declaração de ineficácia do recurso voluntário, assinado por pessoas distintas do autuado ou de seus representantes instituídos por lei, contrato social ou estatuto.
Numero da decisão: 1301-002.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso voluntário por falta de comprovação da outorga de poderes aos advogados que subscreveram a peça recursal.
(documento assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha- Presidente
(documento assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 REPRESENTAÇÃO. OUTORGA DE PODERES NÃO COMPROVADA. RECURSO NÃO CONHECIDO. A ausência de comprovação da outorga de poderes de representação para o exercício do ato de recorrer contra decisão administrativa acarreta a declaração de ineficácia do recurso voluntário, assinado por pessoas distintas do autuado ou de seus representantes instituídos por lei, contrato social ou estatuto.
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OUTORGA DE PODERES NÃO COMPROVADA. RECURSO NÃO CONHECIDO. A ausência de comprovação da outorga de poderes de representação para o exercício do ato de recorrer contra decisão administrativa acarreta a declaração de ineficácia do recurso voluntário, assinado por pessoas distintas do autuado ou de seus representantes instituídos por lei, contrato social ou estatuto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso voluntário por falta de comprovação da outorga de poderes aos advogados que subscreveram a peça recursal. (documento assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente (documento assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 10 60 /2 00 8- 33 Fl. 238DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 19515.001060/200833 Acórdão n.º 1301002.116 S1C3T1 Fl. 239 2 Relatório Trata o presente de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, mantendo o lançamento da multa isolada aplicada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo (Defic/SPO). O recurso voluntário em foco já fora inserido na pauta da sessão de 5 de maio do corrente ano, quando se deliberou no sentido de se converter o julgamento em diligência, devolvendose o feito à repartição de origem a fim de que se efetuasse intimação à Recorrente com o intuito de lhe exigir comprovação da outorga de poderes de representação aos advogados que assinam o recurso voluntário, à fl. 201. Essa deliberação está assentada na Resolução nº 1301000.337 desta 1ª Turma Ordinária. A Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo – Derat/SPO, em atendimento à supracitada Resolução nº 1301 000.337, expediu a Intimação nº 1.236/2016 para, dando ciência à Recorrente da deliberação desta Turma, conforme AR datado de 30/05/2016, à fl. 235, comprovar a outorga dos poderes acima mencionados, no prazo de 15 dias. Encerrado o prazo fixado pela Derat/SPO e diante da inércia da Recorrente, que se omitiu no cumprimento da Intimação nº 1.236/2016, coube àquela Delegacia devolver os autos a este Colegiado, em despacho do dia 12/07/2016, à fl. 236, para as providências que dizem respeito a esta 1ª Turma. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator Como explicado no relatório, carecem os autos de comprovação da outorga de poderes aos advogados que subscreveram a peça recursal. Nesse sentido, devese declarar a ineficácia do ato, consoante o disposto no artigo 662 do Código Civil vigente. Portanto, à vista do exposto, resta, apenas, que se pronuncie o não conhecimento do recurso. É como voto. (documento assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator Fl. 239DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 19515.001060/200833 Acórdão n.º 1301002.116 S1C3T1 Fl. 240 3 Fl. 240DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA
score : 1.0
Numero do processo: 15901.000091/2008-62
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1999 a 30/04/2005
DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA.
O Superior Tribunal de Justiça - STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 - SC), definiu que quando a lei prevê o pagamento antecipado e este é efetuado, aplica-se o artigo 150, § 4º, do CTN. Do contrário, aplica-se o art. 173, I, do mesmo Código.
DECISÃO DEFINITIVA DO STJ. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Por força do art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C, do CPC, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212, DE 1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP Nº 449, DE 2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941, DE 2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.107
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial para afastar a decadência das competências 03/2000, 04/2000 e 05/2000 e aplicar a retroatividade benigna de acordo com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1999 a 30/04/2005 DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. O Superior Tribunal de Justiça - STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 - SC), definiu que quando a lei prevê o pagamento antecipado e este é efetuado, aplica-se o artigo 150, § 4º, do CTN. Do contrário, aplica-se o art. 173, I, do mesmo Código. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Por força do art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C, do CPC, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212, DE 1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP Nº 449, DE 2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941, DE 2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 SC), definiu que quando a lei prevê o pagamento antecipado e este é efetuado, aplicase o artigo 150, § 4º, do CTN. Do contrário, aplicase o art. 173, I, do mesmo Código. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Por força do art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C, do CPC, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212, DE 1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP Nº 449, DE 2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941, DE 2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 90 1. 00 00 91 /2 00 8- 62 Fl. 517DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento parcial para afastar a decadência das competências 03/2000, 04/2000 e 05/2000 e aplicar a retroatividade benigna de acordo com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Tratase de NFLD Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (Relatório Fiscal de fls. 157 a 160), referente às contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, e às contribuições destinadas a terceiros (salário educação, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE), no período de 03/1999 a 04/2005. As contribuições lançadas incidiram sobre o valor de remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais, informadas em GFIP. A ciência do lançamento ocorreu em 29/06/2005 (fls. 160). Em sessão plenária de 18/10/2010, foi julgado o Recurso Voluntário nº 257.921, prolatandose o Acórdão nº 280300.307 (fls. 479 a 484), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1999 a 30/04/2005 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 8/STF. Na hipótese concreta, o lançamento está declarado em GFIP. Assim, aplicase a regra prevista no art. 150, parágrafo 4° do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. GFIP. CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE A REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Fl. 518DF CARF MF Processo nº 15901.000091/200862 Acórdão n.º 9202005.107 CSRFT2 Fl. 518 3 As informações constantes da GFIP servirão de base de cálculo das contribuições devidas, bem como constituirseão em termo de confissão de divida, na hipótese de não recolhimento, nos termos do artigo 32, inciso IV, parágrafo 2º , da Lei 8.212/91, c/c o artigo 225, parágrafo 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. MULTA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) aplicase a lei a ato ou fato pretérito não julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido cm Parte” A decisão foi assim registrada: " ACORDAM os membros da 3a Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado, declarando decadentes os fatos geradores apurados pela fiscalização até a competência 05/2000, inclusive, em razão da regra decadencial disposta no art. 150, § 4º, do CTN, ficando as demais competências válidas para o lançamento; e no mérito, determinar a retificação da multa moratória sobre os créditos constituídos oriundos diretamente das informações contidas em GFIP, devendose aplicar diretamente o disposto no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, combinado com o art. 61, da Lei n. 9.430/1996, desde que mais favorável ao sujeito passivo." Cientificada do acórdão em 10/08/2011 (fls. 485), a Fazenda Nacional interpôs, em 12/08/2011 (fls. 487), o Recurso Especial de fls. 488 a 492 visando rediscutir as seguintes matérias: decadência; e aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2300 160/2012, de 14/03/2012 (fls. 496/497). Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega em síntese: quanto à decadência, que deve ser aplicado o art. 173, I, do CTN, uma vez que não tenha houve recolhimento antecipado sobre as rubricas lançadas; Fl. 519DF CARF MF 4 no que tange à multa, ao invés de aplicarse o art. 35, caput da Lei nº 8.212, de 1991 (na atual redação conferida pela Lei n° 11.941, de 2009), em detrimento do art. 35A, da mesma lei, que se verifique, na execução do julgado, qual a norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Intimada, a Contribuinte quedouse silente (despacho de fls. 516). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. O apelo visa rediscutir as seguintes matérias: decadência; e aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Tratase de NFLD Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (Relatório Fiscal de fls. 157 a 160), referente às contribuições destinadas à Seguridade Social, corresponde à parte da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, e às contribuições destinadas a terceiros (salário educação, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE), no período de 03/1999 a 03/2005. As contribuições lançadas incidiram sobre o valor de remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais, informadas em GFIP. A ciência do lançamento ocorreu em 29/06/2005 (fls. 160). Quanto à decadência, por imposição do artigo 62, § 2º, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, o Colegiado deve aderir à tese esposada pelo STJ no Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12/08/2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o Fl. 520DF CARF MF Processo nº 15901.000091/200862 Acórdão n.º 9202005.107 CSRFT2 Fl. 519 5 mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos o lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Assim, nos casos em que há pagamento antecipado, o termo inicial é a data do fato gerador, na forma do § 4º, do art. 150, do CTN. Por outro lado, na hipótese de não Fl. 521DF CARF MF 6 haver antecipação do pagamento, o dies a quo é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o inciso I, do art. 173, do mesmo Código. Destarte, o deslinde da questão passa necessariamente pela verificação da existência ou não de pagamento antecipado. Em seu recurso (fls. 6), a Fazenda Nacional alega que a contribuinte não antecipou o pagamento das contribuições lançadas nas competências 12/1999 a 05/2000 (fls. 05, 10 e 23). Entretanto, no presente caso, conforme o RDA Relatório de Documentos Apresentados, foram efetuados pagamentos antecipados relativos aos seguintes fatos geradores: Empregados períodos de 12/1999 (fls. 132), 01/2000 (fls. 134) e 02/2000 (fls. 130, 131, 132 e 134), sem recolhimento nos períodos 03/2000, 04/2000 e 05/2000; Contribuintes Individuais o único período autuado que integra o recurso é 02/2000, para o qual há pagamento (fls. 136). Assim, não há óbice à aplicação do art. 150, § 4º, do CTN, nos períodos em que se verificou pagamento antecipado contribuinte individual e, para segurados, períodos 12/1999, 01/2000 e 02/2000 mantendose a decadência. Quanto aos demais períodos objeto do recurso, por não se verificar a ocorrência de pagamento antecipado, deve ser aplicado art. 173, I, do CTN, afastandose a decadência. Como a ciência do lançamento ocorreu em 29/06/2005 (fls. 160), a decadência deve ser afastada para Empregados, períodos de 03/2000, 04/2000 e 05/2000. Quanto à multa aplicada, a solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, Fl. 522DF CARF MF Processo nº 15901.000091/200862 Acórdão n.º 9202005.107 CSRFT2 Fl. 520 7 conforme consta do Acórdão n 9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida Fl. 523DF CARF MF 8 na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdão nº 9202004.499, de 29/09/2016: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: Fl. 524DF CARF MF Processo nº 15901.000091/200862 Acórdão n.º 9202005.107 CSRFT2 Fl. 521 9 I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. Fl. 525DF CARF MF 10 No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de Fl. 526DF CARF MF Processo nº 15901.000091/200862 Acórdão n.º 9202005.107 CSRFT2 Fl. 522 11 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 527DF CARF MF 12 § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4ºO valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento parcial para afastar a decadência relativamente às competências 03/2000, 04/2000 e 05/2000, e determinar que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 528DF CARF MF
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Numero do processo: 13839.912960/2009-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2004 a 30/08/2004
NULIDADE. INEXISTÊNCIA
Não é nulo o despacho decisório que se fundamenta no cotejo entre documentos apontados como origem do crédito (DARF) e nas declarações apresentadas que demonstram o direito creditório (DCTF).
APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE. DEMONSTRAÇÃO DE INDÍCIO DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. VERDADE MATERIAL.
Indícios de provas apresentadas anteriormente à prolação do despacho decisório que denegou a homologação da compensação, consubstanciados na apresentação de DARF de pagamento e DCTF retificadora, ratificam os argumentos do contribuinte quanto ao seu direito creditório. Inexiste norma que condiciona a apresentação de declaração de compensação à prévia retificação de DCTF, bem como ausente comando legal impeditivo de sua retificação enquanto não decidida a homologação da declaração.
ROYALTIES. REMUNERAÇÃO EXCLUSIVA PELO USO DE LICENÇA E TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. INEXISTÊNCIA DE SERVIÇOS CONEXOS. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS/COFINS-IMPORTAÇÃO.
A disponibilização de "informações técnicas" e "assistência técnica", por intermédio de entrega de dados e outros documentos pela licenciadora estrangeira, para utilização na fabricação de produtos licenciados no País, não configura prestação de serviços conexos ao licenciamento para efeitos de incidência de Contribuições para o PIS/Pasep-importação e Cofins-importação.
À luz do contrato de licenciamento e dos efetivos pagamentos realizados ao exterior, não incidem as Contribuições para o PIS/Pasep-importação e Cofins-importação, pois tais pagamentos, cujos cálculos baseiam-se nas vendas líquidas de produtos licenciados, referem-se, exclusivamente, à remuneração contratual pela transferência de tecnologia, com natureza jurídica de royalties.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3201-002.404
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Incidência sobre remessas ao exterior para pagamento de royalties. Recorrente CONTINENTAL DO BRASIL PRODUTOS AUTOMOTIVOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2004 a 30/08/2004 NULIDADE. INEXISTÊNCIA Não é nulo o despacho decisório que se fundamenta no cotejo entre documentos apontados como origem do crédito (DARF) e nas declarações apresentadas que demonstram o direito creditório (DCTF). APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE. DEMONSTRAÇÃO DE INDÍCIO DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. VERDADE MATERIAL. Indícios de provas apresentadas anteriormente à prolação do despacho decisório que denegou a homologação da compensação, consubstanciados na apresentação de DARF de pagamento e DCTF retificadora, ratificam os argumentos do contribuinte quanto ao seu direito creditório. Inexiste norma que condiciona a apresentação de declaração de compensação à prévia retificação de DCTF, bem como ausente comando legal impeditivo de sua retificação enquanto não decidida a homologação da declaração. ROYALTIES. REMUNERAÇÃO EXCLUSIVA PELO USO DE LICENÇA E TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. INEXISTÊNCIA DE SERVIÇOS CONEXOS. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS/COFINS IMPORTAÇÃO. A disponibilização de "informações técnicas" e "assistência técnica", por intermédio de entrega de dados e outros documentos pela licenciadora estrangeira, para utilização na fabricação de produtos licenciados no País, não configura prestação de serviços conexos ao licenciamento para efeitos de incidência de Contribuições para o PIS/Pasepimportação e Cofins importação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 91 29 60 /2 00 9- 50 Fl. 650DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.912960/200950 Acórdão n.º 3201002.404 S3C2T1 Fl. 3 2 À luz do contrato de licenciamento e dos efetivos pagamentos realizados ao exterior, não incidem as Contribuições para o PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação, pois tais pagamentos, cujos cálculos baseiamse nas vendas líquidas de produtos licenciados, referemse, exclusivamente, à remuneração contratual pela transferência de tecnologia, com natureza jurídica de royalties. Recurso Voluntário Provido. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Relatório CONTINENTAL DO BRASIL PRODUTOS AUTOMOTIVOS LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. A DRF Jundiaí emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade a contribuinte alegou, em síntese, que é coligada de empresa localizada da Alemanha, com a qual possui contrato de licença de uso de marca e fornecimento de tecnologia, efetuando remessas ao exterior a título de royalties. Todavia, a contribuinte afirmou que, equivocadamente, incluiu na base de cálculo da Cofins Importação e do PISImportação os valores pagos ao exterior a título de royalties. Procurando demonstrar a existência do direito creditório juntou ao processo cópia da DCTF retificadora. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 05038.614. A DRJ afastou a preliminar de nulidade do despacho Decisório e, no mérito, não reconheceu o direito ao crédito alegado, por considerar que o contribuinte não juntara aos autos provas suficientes para concluir que teria ocorrido tributação indevida sobre remessas a título de royalties. Inconformada, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário repisando os argumentos anteriormente apresentados. Fl. 651DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.912960/200950 Acórdão n.º 3201002.404 S3C2T1 Fl. 4 3 Submetido à julgamento na 1º Turma Especial da 3ª Seção, em preliminar, o relator entendeu não configurada a suscitada nulidade do despacho decisório por ausência de fundamentação e o conseqüente cerceamento ao direito de defesa. No mérito, o julgamento foi convertido em diligência, nos termos da Resolução n° 3801000.721, nos seguintes termos: Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem: a) Em relação aos valores remetidos ao exterior que teriam dado ensejo ao direito creditório pleiteado, intime a recorrente a apresentar cópia dos contratos firmados com a empresa beneficiária das remessas (Continental Teves AG & Co. oHG), devendo ser apresentada a tradução juramentada para o idioma nacional, caso estejam em língua estrangeira; cópia das faturas comerciais (invoices) ou documentação suplementar que embasaram as remessas e cópias digitalizadas dos registros, no livro Razão, referentes às remessas relacionadas a pagamento de royalties; b) apure a legitimidade do crédito pleiteado decorrente de pagamento indevido ou a maior a título de Contribuição para o PIS/PASEPImportação e a COFINSImportação sobre as importâncias remetidas ao exterior conforme as operações apontadas, com base nos documentos acostados aos autos, na escrituração fiscal e contábil e demais documentos que julgar necessários; c) cientifique a interessada quanto ao resultado da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de 30(trinta) dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. Retornou o processo da unidade de origem com Relatório de Diligência Fiscal elaborado pela SAORT/DRF Camaçari/BA, cujas conclusões foram: 12. Como podese verificar, o royalty tem presença no contrato, que mostram a existência de uma licença para uso da propriedade industrial e intelectual. 13. No entanto, também estão presentes no contrato outros elementos, que configuram serviços. Por exemplo, o contrato prevê o fornecimento de informações técnicas. Conforme item 1.4, nessas informações técnicas está incluída o fornecimento de “desenhos, especificações incluindo especificações de teste e qualidade, outros dados de knowhow e outra assistência técnica”. Ou seja, a assistência técnica, que configura claramente uma obrigação de fazer, está incluída no contrato. 14. No item 4.2.2 está prevista outra clara obrigação de fazer para a licenciadora: “fornecer informações, na medida em que estiverem à disposição da LICENCIADORA, em resposta a consultas técnicas razoáveis recebidas”. 15. Estando presente características de royalties e de serviços, resta verificar se o contrato estabelece a sua remuneração de cada um de forma individualizada. O item 5 do contrato Fl. 652DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.912960/200950 Acórdão n.º 3201002.404 S3C2T1 Fl. 5 4 (Remuneração), não estabelece essa individualização. Ele prevê uma forma única de remuneração (4% sobre o valor das vendas, posteriormente alterado por aditivo para 3%), sem distinguir royalties e serviços. 16. Portanto, pela aplicação da Solução de Divergência Cosit nº 11, de 2011, que preconiza a necessidade dessa individualização, não deve ser reconhecido o direito creditório sobre os recolhimentos em questão. A interessada foi cientificada do Relatório de Diligência e apresentou argumentos e contrapontos ao entendimento exarado pela autoridade fiscal, assim sintetizados: a) o Auditor aponta cláusula contratual ("1.4 Informações Técnicas") com previsão de prestação de serviços, contudo, sem discriminálos; b) aduz que "informações técnicas" compreendem o fornecimento de dados atinentes aos produtos licenciados e, portanto, tem por natureza uma obrigação de "dar", não de "fazer", como asseverou a autoridade; c) explicita que "informações técnicas" são orientações de uso disponibilizadas à licenciada, sem intervenção física ou deslocamento com finalidade de prestação de serviço; d) consigna que as atividades de fornecimentos/disponibilizações de manuais e outras informações não se encontram listados no Anexo da Lei Complementar nº 116/03 para configurem a materialidade a que incide o ISS; e) argumenta que a "Assistência Técnica", presente no Anexo da IN 116/03, impõe a prestação de serviço por um profissional, o que não se verifica no caso; f) o contrato celebrado tem por objeto licença para uso de marca e não compreende qualquer prestação de serviço. A licenciadora apenas fornece as instruções para a fabricação dos produtos licenciados em estabelecimento da licenciada; g) conclui afirmando que os documentos acostados apontam para um contrato de transferência de uso de marca e tecnologia no qual se obriga com o pagamento de royalties. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.395, de 28/09/2016, proferido no julgamento do processo 13839.912959/200925, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.395): Fl. 653DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.912960/200950 Acórdão n.º 3201002.404 S3C2T1 Fl. 6 5 "O recurso voluntário fora recebido como tempestivo, razão pela qual o Colegiado que o apreciou em julgamento anterior dele tomou conhecimento. Quanto a preliminar de nulidade, pactuo com os argumentos e conclusões do Relator, assentadas na sessão de 24/04/2014, por inexistirem razões para sua decretação, as quais reproduzo: Preliminarmente, quanto à alegação de nulidade no despacho decisório por ausência de fundamentação e o conseqüente cerceamento ao direito de defesa entendo que não assiste razão à recorrente. O instituto da compensação está previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. In casu, o contribuinte apresentou declaração de compensação de débitos de PIS, e apontou o documento de arrecadação (DARF) referente a PISImportação, como origem do crédito, alegando “pagamento indevido ou a maior”, conforme disposto nas normas regulamentadoras. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. A fundamentação da não homologação da compensação pleiteada reside no cotejo entre as próprias declarações apresentadas pelo contribuinte e os documentos apontados como origem do direito creditório. Apesar do contribuinte informar ter retificado a DCTF posteriormente, a analise eletrônica do PERDCOMP se deu com base nas declarações ativas quando da apresentação do mesmo. Embora os critérios dessa análise possam ser insuficientes para criar um juízo de certeza da inexistência ou insuficiência do crédito do contribuinte, esse fato por si só não ensejaria a decretação da nulidade do despacho por cerceamento de defesa, qual seja, a impossibilidade de o impugnante defenderse da não homologação, por falta de compreensão do motivo da não homologação. Fl. 654DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.912960/200950 Acórdão n.º 3201002.404 S3C2T1 Fl. 7 6 Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que ocorreu no presente caso, em que a recorrente já na fase litigiosa informou a origem do indébito e, posteriormente, juntou a documentação comprobatória que embasaria o seu direito. Não resta caracterizada a nulidade se o impugnante, a partir do despacho decisório, assimila as conseqüências do fato que deu origem à rejeição da compensação, que lhe possibilitem saber quais pontos devem ser esclarecidos em sua defesa, para comprovação de seu direito creditório. Passemos à análise do mérito. A 1ª Turma Especial enfrentou preliminarmente questão relativa à preclusão consumativa do direito à apresentação da DCTF retificadora após a transmissão do PER/DCOMP e antes da prolação do Despacho Decisório, documento este informativo do direito creditório decorrente do pagamento indevido da Contribuição. Compartilho do entendimento exarado pelo Relator original, o qual transcrevo como parte deste voto: Apesar da complementação das alegações da recorrente e a correspondente documentação comprobatória terem sido apresentadas apenas em sede de Recurso Voluntário, o que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, com respaldo ainda na alínea “c” do § 4º art. 16 do PAF (Decreto nº 70.235/1972), quando a juntada de provas destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, mormente quando a Turma de Julgamento de primeira instância manteve a decisão denegatória da compensação, com base no argumento de que não foram apresentadas as provas adequadas e suficientes à comprovação do crédito compensado, quando tal questão não fora abordada no âmbito do Despacho Decisório guerreado. Fl. 655DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.912960/200950 Acórdão n.º 3201002.404 S3C2T1 Fl. 8 7 Neste sentido, os dados da DCTF retificadora e os documentos colacionados são indícios de prova dos créditos e, em tese, ratificam os argumentos apresentados. No caso em tela, não existe norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico. O comando contido no inciso III do § 2º do art. 11 da IN RFB nº 903/2008, vigente à época, abaixo reproduzido, não se refere a decisão em pedido do contribuinte, que não é procedimento fiscal, em sentido estrito, ou seja, procedimento tendente a apurar débito do contribuinte. Art. 11 . A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (grifei). Portanto, não há impedimento legal algum para a retificação da DCTF, que considero tratarse de prova indiciária, em qualquer fase do pedido de restituição ou compensação, desde que anteriormente à inscrição em dívida ativa, sendo que este somente pode ser deferido após a comprovação do direito creditório Considero, também, suplantada a questão da não incidência das Contribuições de que trata a Lei nº 10.865/2004 em relação aos royalties, uma vez que estes são remunerações da propriedade industrial ou intelectual em razão de sua cessão, direito de uso ou transferência de tecnologia uma obrigação de dar, não caracterizada como prestação de serviço. A questão de mérito apresentase em concluir se o pagamento do PIS Importação (código 54341), no valor de R$ 70.896,74, referente ao 2º trimestre/2004, é indevido em decorrência dos valores pagos a título de royalties compreender tão somente parcela devida pela cessão, direito de uso e transferência de tecnologia à licenciada na fabricação de produtos, ou se tal parcela comporta igualmente remuneração advinda de outra modalidade de prestação de serviço conexa ou acessória ao contrato de licença. Fl. 656DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.912960/200950 Acórdão n.º 3201002.404 S3C2T1 Fl. 9 8 Esta foi a dúvida suscitada da qual decorreu a conversão do julgamento, de 24 de abril de 2014, em Diligência à unidade de origem. Salientase que a Solução de Divergência nº 11/2011, da Coordenação Geral de Tributação (Cosit) SD Cosit nº 11/2011, pacificou o entendimento de que não há incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, vinculados à importação, sobre o valor pago a título de royalties, se o contrato discriminar destes os valores relativos aos pagamentos dos serviços técnicos e da assistência técnica de forma individualizada. No ponto em que se encontra os autos e realizada a Diligência determinada por Colegiado deste CARF, mister se faz apreciar os documentos e manifestações da contribuinte em face do relatório de diligência elaborado pela SAORT/DRF Camaçari/BA, bem como o teor deste (relatório). Em que pese a constatação de que os documentos coligidos pela Unidade de Origem apresentaramse "SEM ATESTE", entendo superada a insuficiência de autenticidade pois que no retorno da Diligência para juntada de documentos da contribuinte e apuração da legitimidade do crédito pleiteado, com base nos documentos acostados, a autoridade fiscal atestou a correlação entre invoices, contratos de câmbio, pagamentos e certificado de averbação, assim consignado (fl. 620): 04. Com relação aos documentos, os invoices e contratos de câmbios apresentados na manifestação de inconformidade demonstram que os pagamentos se referem ao contrato com certificado de averbação INPI NR. 991197/03. Repisando, a Diligência teve por escopo (1) obter do contribuinte licenciado cópias do contrato celebrado com a licenciadora, das faturas comerciais e dos registros no Livro Razão, relacionados com o pagamento de royalties que ensejaram o direito creditório pleiteado, e (2) a apuração pela Delegacia de origem da legitimidade do crédito pleiteado em face dos documentos coligidos. De um lado a outro, os argumentos cingiramse em afirmar (Auditor Fiscal) ou infirmar (contribuinte) a previsão de prestação de serviços pela licenciadora em razão da presença, nas cláusulas do contrato de Licença, dos termos "informações técnicas" e "assistência técnica". Assim, defendeu o AuditorFiscal a impossibilidade de afastar a incidência do PIS/PasepImportação sobre os pagamentos de royalties em razão dos valores comportarem também pagamentos decorrentes da prestação de serviços pela licenciadora. Em contrapartida, a contribuinte sustenta a não incidência da Contribuição pois as remessas de valores tem fundamento exclusivo no pagamento pela cessão, direito de uso e transferência de tecnologia, sem abarcar quaisquer serviços prestados. Analiso os argumentos suscitados para então decidir o litígio, iniciandose com a manifestação da autoridade fiscal em seu Relatório de Diligência (fls. 620/624). A autoridade fiscal preocupase em trazer a definição de royalties e seu conteúdo semântico para demonstrar a exclusão de "serviço técnico" e "assistência Fl. 657DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.912960/200950 Acórdão n.º 3201002.404 S3C2T1 Fl. 10 9 técnica" da abrangência de seu conceito. Para isso, utilizouse das definições contidas na IN SRF nº 252/2002, que trata de royalties para fins da incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte. Aduz que no contrato de licenciamento constam, além da licença para uso da propriedade industrial e intelectual, "outros elementos, que configuram serviços". Fundamenta seus argumentos apontando para três cláusulas contratuais: a. O subitem "1.4" cujo título é "Informações Técnicas" no qual se insere cláusula de fornecimento de materiais técnicos (desenhos, especificações e outros dados) e de assistência técnica, concluindo, quanto a esta (assistência técnica), tratarse de uma obrigação de fazer, que vislumbra característica de prestação de serviço; b. O subitem "4.2" que prescreve "Tarefa do Correspondente Técnico da Licenciadora" dispõe sobre fornecimento de informações à licenciada com relação "dispositivos licenciados e informações técnicas", concluindo também tratarse de obrigação de fazer prestação de serviço na medida em que tais informações são disponibilizadas à licenciada; c. No subitem "5. Remuneração" que estabelece a forma de cálculo da remuneração e seu percentual a título de royalties não se verifica individualização quanto à parcelas relativas à prestação de serviços. Ao final de seu relatório, arremata pelo não reconhecimento do direito creditório à luz da Solução de Divergência Cosit nº 11/2011 que exige a individualização da remuneração licença de uso e prestação de serviços para efeitos de pagamento de royalties e cálculo das contribuições. Entendo não assistir razão à autoridade fiscal. A conceituação de royalties na IN SRF nº 252/2002 está prevista no inciso I, do § 1º do art. 17, in verbis: Art. 17. As importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas a pessoa jurídica domiciliada no exterior a título de royalties de qualquer natureza e de remuneração de serviços técnicos e de assistência técnica, administrativa e semelhantes sujeitamse à incidência do imposto na fonte à alíquota de quinze por cento. § 1º Para fins do disposto no caput: I classificamse como royalties os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: a) direito de colher ou extrair recursos vegetais, inclusive florestais; b) direito de pesquisar e extrair recursos minerais; c) uso ou exploração de invenções, processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; d) exploração de direitos autorais, salvo quando recebidos pelo autor ou criador do bem ou obra; Fl. 658DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.912960/200950 Acórdão n.º 3201002.404 S3C2T1 Fl. 11 10 Os termos "serviço técnicos" e "assistência técnica" estão definidos no inciso II, do mesmo artigo: II considerase: a) serviço técnico o trabalho, obra ou empreendimento cuja execução dependa de conhecimentos técnicos especializados, prestados por profissionais liberais ou de artes e ofícios; b) assistência técnica a assessoria permanente prestada pela cedente de processo ou fórmula secreta à concessionária, mediante técnicos, desenhos, estudos, instruções enviadas ao País e outros serviços semelhantes, os quais possibilitem a efetiva utilização do processo ou fórmula cedido. Pois bem, fato é que o dispositivo do IRRF distingue royalties de serviço técnicos e assistência técnica para efeito de incidência de pagamentos e remunerações nessas rubricas. Quanto ao serviço técnico, a prestação é realizada por "profissionais liberais ou de artes e ofícios", portanto, é trabalho realizado por pessoa física, desenvolvendo atividade atinente a suas habilidades técnicas/artísticas em caráter pessoal. Não se prevê o trabalho realizado em nome de uma pessoa jurídica e no meu entender não se amolda às cláusulas contratuais em análise. "Assistência técnica a assessoria permanente" diz respeito àquela prestada por quem cede licença de processo ou fórmula secreta cujo trabalho (assistência) fazse necessário de modo permanente a possibilitar a efetiva utilização do processo ou fórmula cedida. Não é a situação que envolve licenciadalicenciadora, pois o objeto é transferência de tecnologia para fabricação de peças automotivas, que não se confunde com um "processo" ou fórmula secreta" ou "outros serviços" que possibilitem a efetiva utilização do processo ou fórmula cedida. A utilização dos conceitos inseridos na IN SRF nº 252/2002 para estabelecer diferenças entre pagamentos de royalties e de serviço técnico/assistência técnica implica o ônus de se observar o conteúdo e aplicação desses termos na análise do Contrato de licenciamento e o objeto da atividade da recorrente. Dito de outra forma, a autoridade fiscal emprestou os as definições da IN tão somente para segregar pagamentos ao exterior relativos à royalties, serviços técnicos e em assistência técnica; contudo, não utilizou seus significados na interpretação das atividades previstas no contrato, que por certo, não se tratam de licenças relativas a processos industriais ou à fórmula secreta, como conceituado na IN. A conclusão, ainda que até aqui preliminar, é no sentido de que o contrato de licenciamento não contempla "serviço técnico" e assistência técnica" tal como conceituados na IN SRF nº 252/2002 para fins de segregação e apuração dos valores de royalties remetidos ao exterior aos quais não incidirão as Contribuições nos termos da SD Cosit nº 11/2011. Fl. 659DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.912960/200950 Acórdão n.º 3201002.404 S3C2T1 Fl. 12 11 Serão, também, analisadas as cláusulas contratuais e a forma de apuração da remuneração dos royalties, que contêm expressões relativas a "informações técnicas", "assistências técnicas" e outros termos abordados no relatório para demonstrar a inexistência de prestação de serviços no contrato de licenciamento da contribuinte. Antes, passo à análise da manifestação da contribuinte (fls. 629/636) que contrapõe os argumentos da autoridade fiscal no Relatório de Diligência. Confronta a contribuinte os fundamentos do relatório da diligencia sob o argumento de que não houve a indicação dos serviços contemplados no contrato de licenciamento que foram efetivamente prestados pela licenciadora. Alega que as "informações técnicas" não se caracterizam prestações de serviços, mas orientações disponibilizadas pela licenciadora por meio de manuais, guias de orientação, sem intervenção de pessoa física. Destaca que o objeto do contrato é uma licença para uso de marca estrangeira para fabricar produtos e realizar vendas na modalidade "OEM", "OES" E "AM" e tal licença inclui a utilização das informações técnicas acerca dos produtos. Argúi que a licenciadora fornece as instruções necessárias à execução das atividades (fabricação de produtos automotivos) no País. Entendo assistir razão à recorrente. As cláusulas contratuais são claras suficientes para apontar não somente a inexistência de prestação de serviços como um de seus objetos, ainda que secundário ou acessório, impõe também concluir que o cálculo da remuneração dos royalties contempla exclusivamente receitas de vendas dos produtos licenciados, o que exclui o pagamento pela prestação de serviços conexos ao licenciamento. Primeiro, passo à análise do "Contrato de Licença" e do seu "Aditivo ao Contrato de Licença", celebrado entre a recorrente e a empresa estrangeira Continental Teves AG & CO. OHG, a qual será realizada mediante a investigação e interpretação dos vocábulos e expressões utilizadas que permitem extrair o seu objeto e, em especial, a previsão de (in)existência de serviços conexos à licença. a. "Dispositivos Licenciados" referemse aos produtos automotivos (peças) listados na "Tabela A" (fls. 447/450) licenciados à fabricação. Referida tabela compõe de peças veiculares de fabricação nacional. Portanto, não contemplam serviços. b. "Patentes Licenciadas", relacionadas na "Tabela B" (fl. 451), referemse a patentes possuídas pela licenciadora que se relacionam ou se aplicam aos "dispositivos licenciados". Portanto, não se tratam de serviços. c. "Informações Técnicas" referemse à disponibilização de informações orais ou por escrito relativas aos "dispositivos licenciados". As "informações" estão discriminadas na "Tabela C" (fls. 452/456) e compõem exatamente da mesma relação de dispositivos da "Tabela A". Portanto, não se tratam de outro serviço conexo, são mera prestações de informações, por intermédio de desenhos, especificações e outros dados. Fl. 660DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.912960/200950 Acórdão n.º 3201002.404 S3C2T1 Fl. 13 12 d. Os termos "OEM", "OES" e "AM" referemse à fornecimento de peças e sobressalentes aos fabricantes de carros. e. "Atividades de B&C" referemse à produção e venda de sistemas de freios e seus acessórios. f. A cláusula "2.1 Licença Concedida" trata do objeto do contrato, que se resume à licença para fabricar as peças automotivas relacionadas nas tabelas e vender os dispositivos como "OEM", "OES E "AM", incluindose a licença para usar informações técnicas e as patentes licenciadas. Tais cláusulas são precisas para delas depreender a inexistência de prestações de serviços no âmbito do contrato celebrado. g. O tópico "4. Informações técnicas" trata do fornecimento de informações, o qual dispõe no item "4.1.1", "A LICENCIADA receberá da LICENDIADORA as Informações técnicas abaixo descritas"; h. Da leitura da cláusula "4.2" inferese que "dar informação" corresponde a colocar à disposição da licenciada cópias da documentação descrita na "Tabela C" e demais dados técnicos relativos e necessários à fabricação dos dispositivos licenciados, o que inclui respostas a consultas técnicas formuladas e recebidas, em relação aos dispositivos licenciados. Atentese que a atividade objeto do contrato de licenciamento é o fornecimento de licença de uso ou cessão para a transferência de tecnologia para a fabricação e venda de peças automotivas. Não há previsão de quaisquer prestações de serviços conexos ao licenciamento, isto é, inexiste qualquer obrigação de fazer; restringese o contrato a uma obrigação de dar. A definição de prestação de serviço, construída pela doutrina jurídica, é estabelecida nos termos em que há um esforço humano dirigido a terceiro, com conteúdo econômico, em caráter negocial e profissional, realizada sob regime de direito privado, cujo objeto é a realização de atividade da qual resulte um bem material ou imaterial. Assim dispõe a doutrina de Paulo de Barros de Carvalho1 em seu escólio acerca da prestação de serviço sujeita ao ISS: A mais desse fator, é forçoso que a atividade realizada pelo prestador apresentese sob a forma de "obrigação de fazer". Eis aí outro elemento caracterizador da prestação de serviços. Só será possível a incidência do ISS se houver negócio jurídico mediante o qual uma das partes se obrigue a praticar certa atividade, de natureza física ou intelectual, recebendo, em troca, remuneração. Por outro ângulo, a incidência do ISS pressupõe atuação decorrente do dever de fazer algo até então inexistente, não sendo exigível quando se tratar de obrigação que imponha a mera entrega, permanente ou temporária, de algo que já existe. 1 CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário linguagem e método, 3. ed.. São Paulo: Noeses, 2009, p. 768 Fl. 661DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.912960/200950 Acórdão n.º 3201002.404 S3C2T1 Fl. 14 13 Destarte, a previsão contratual de disponibilização de "informações técnicas" e "assistência técnica", por intermédio de entrega de dados e outros documentos pela licenciadora estrangeira, para utilização na fabricação de produtos licenciados no País, não configura prestação de serviços conexos ao licenciamento para efeitos de incidência de Contribuição para o PIS/Pasepimportação e à Cofins importação. A segunda análise recai sobre a forma de cálculo e a modalidade do pagamento dos royalties remetidos ao exterior em cumprimento às cláusulas estipuladas no contrato de licença. A remuneração do contrato de licença está previsto em sua cláusula "5.1 Royalty reincidente" (fl. 439) a qual estipula a taxa de 4% (quatro por cento) sobre "todos os Preços de Fábrica de vendas de Dispositivos Licenciados e quaisquer outras peças de veículos automotivos fabricados em conformidade com as Informações Técnicas e/ou pela utilização das Patentes Licenciadas." Referida taxa sofreu alteração por meio do "Aditivo ao Contrato de Licença", de 28/10/2004, que em suas folhas 2/4 e 3/4 (efls. 459/460) dispôs que "A LICENCIADA pagará à LICENCIANTE um Royalty Reincidente não restituível que remontará a 3% (três por cento) de todas as Vendas Líquidas." Resta claro qual deve ser a composição dos valores sobre os quais incidirão os royalties: preços de venda (na fábrica) ou vendas líquidas, em determinado período. Desses valores estão excluídos quaisquer parcelas relativas a pagamentos por serviços conexos à licença tomados pela contribuintelicenciada. Isto porque há previsão expressão na cláusula "5.2 Pagamento de royalty e Relatório de Royalty" de que o pagamento dos royalties será acompanhado de relatório a ser prestado pela contribuinte à licencidadora contendo (i) relação dos artigos e números dos dispositivos licenciados vendidos ou utilizados; (ii) o montante de "Preços de Fábrica recebidos por Dispositivos licenciados e suas peças" e (iii) a discriminação (origem / "derivação") das quantias pagas à licenciadora, conforme as informações prestadas. Completada a análise quanto aos valores que compõem o cálculo do pagamento dos royalties devidos à licenciadora, cumpre verificar a correspondência desse com os demais documentos coligidos e a sua regularidade conforme exigências da legislação. Os documentos em apreço são: invoice (fatura comercial), contrato de câmbio e correspondente registro na escrituração contábil. A invoice nº nº 90343232 (fl. 591/594) emitida pela licenciadora informa pagamento relativo a "Taxas de Royalties referentes à Taxa de Licença Contrato de 12 de novembro de 1999 (...)", com valor total de USD 1.300.811,16. De fato, o valor consignado não é o efetivamente remetido pois, conforme cláusula contratual, o pagamento deve ser líquido de impostos e taxas no país do licenciado. Assim, efetuada a retenção legal de 15% relativo ao IRRF (conforme informado no campo "outras especificações" do contrato de câmbio de fl. 204 e Fl. 662DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.912960/200950 Acórdão n.º 3201002.404 S3C2T1 Fl. 15 14 lançamento no livro Razão à fl. 600), o valor a ser remetido é de USD 1.105.689,49 (R$ 3.454.395,10), exatamente como consignado na "Planilha de Cálculo" (fl. 201) e Contrato de Câmbio nº 04/03489, de 23/06/200 (fls. 203/205), corroborado com extrato emitido pelo UNIBANCO, que comprova sua liquidação. Passo seguinte é verificar a regularidade da remessa cambial a título de royalties. A disciplina acerca das remessas de valores para o exterior a título de royalties ou qualquer outro título (inclusive "assistência técnica") foi estabelecida pela Lei nº 4.131, de 03/09/1962, com o controle pela Superintendência da Moeda e do Crédito SUMOC. Atualmente regulamentada pelo Banco Central do Brasil pela Circular nº 3.689/2013, que dispõe sobre o capital estrangeiro no País e sobre o capital brasileiro no exterior. De fato, em ambos diplomas não se verifica qualquer distinção quanto ao pagamento a título de royalties ou de outros serviços para o exterior. Não obstante, a Circular nº 3.689/2013, na Subseção I, que trata de "Royalties, serviços técnicos e assemelhados", do capítulo "Operações financeiras", dispõe sobre os registros das operações contratadas e discrimina sus espécies, como transcrito: Subseção I Royalties, serviços técnicos e assemelhados Art. 101. Esta subseção dispõe sobre o registro, no módulo ROF do RDE, das operações contratadas entre pessoa física ou jurídica residente, domiciliada ou com sede no País, e pessoa física ou jurídica residente, domiciliada ou com sede no exterior, relativas a: I licença de uso ou cessão de marca; II licença de exploração ou cessão de patente; III fornecimento de tecnologia; IV serviços de assistência técnica; V demais modalidades que vierem a ser averbadas pelo INPI; e VI serviços técnicos complementares e as despesas vinculadas às operações enunciadas nos incisos I a V deste artigo não sujeitos a averbação pelo INPI. Resta evidente que o regulamento estabeleceu diferenças entre royalties e serviços nos incisos "I" a "III" (royalties), "IV" (serviços de assistência técnica) e "V" (serviços técnicos complementares). Desde a edição da CartaCircular nº 2803/98, vigente em 01/07/1998, que contempla as operações da recorrente no ano de 2003/2004, as diferenças entre remessas por pagamento de royalties e de outros serviços estão especificadas segundo Tabela com os códigos atribuídos à natureza da operação, quando da prestação dessas informações no preenchimento do contrato de câmbio. Fl. 663DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.912960/200950 Acórdão n.º 3201002.404 S3C2T1 Fl. 16 15 Conforme a transcrição de Tabela, resta caracterizada a natureza do pagamento ao exterior com a verificação do código informado no contrato de câmbio: XIV SERVIÇOS DIVERSOS NATUREZA DA OPERAÇÃO Nº CÓDIGO 1 EXPORTAÇÃO/IMPORTAÇÃO DE SERVIÇOS 1/ PATENTES 2/ licença de exploração/cessão 45625 MARCAS 2/ licença de uso/cessão 45618 FORNECIMENTO DE 2/ tecnologia 45632 serviços de assistência técnica 45649 serviços e despesas complementares 45584 FRANQUIAS 2/ 45591 IMPLANTAÇÃO OU INSTALAÇÃO DE PROJETO técnicoeconômico 45656 industrial 45663 de engenharia 45670 SERVIÇOS TÉCNICOS ESPECIALIZADOS 3/ projetos, desenhos e modelos industriais 45687 projetos, desenhos e modelos de engenharia 45694 montagem de equipamentos 45704 outros serviços técnicosprofissionais 45711 In casu, verificando a natureza da operação informada pela recorrente no Contrato de Câmbio nº 04/03489 (fl. 203) constatase tratarse do código de prefixo "45632", que conforme inciso III, do art. 101 da Circular do BCB nº 3.689/2013, corresponde ao pagamento ao exterior em decorrência do fornecimento de tecnologia, que evidencia pagamento de roylaties. Na hipótese do pagamento corresponder à prestação de serviço de assistência técnica ou de serviços complementares, os códigos seriam, respectivamente, 45634 e 45584, o que não se verifica nos autos. Assim, os documentos coligidos nos autos, relativos à apuração e ao pagamento dos valores devidos e remetidos ao licenciador estrangeiro, com a utilização de código cambial vinculado a pagamentos de royalties, comprovam tratarse de remessa a título de royalties previsto em contrato para a transferência de tecnologia para fabricação de produtos licenciados. Fl. 664DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.912960/200950 Acórdão n.º 3201002.404 S3C2T1 Fl. 17 16 Finalizando, concluo que, à luz do contrato de licenciamento e os efetivos pagamentos realizados ao exterior, não incide as Contribuições para o PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação, pois tais pagamentos, cujos cálculos baseiamse nas vendas líquidas de produtos licenciados, referemse exclusivamente à remuneração contratual pela transferência de tecnologia, com natureza jurídica de royalties, inexistindo parcelas relativas à serviços conexos à licença a serem individualizados no contrato. Evidenciase assim, pagamento indevido o recolhimento efetuado pela recorrente, para o qual se pleiteia restituição do valor recolhido, por meio do DARF, código 5434 (fl. 202). Diante do exposto, voto no sentido de reconhecer o direito creditório da recorrente e dar provimento ao recurso voluntário." Retornando ao caso deste processo, importante ressaltar que todos os documentos analisados no julgamento do paradigma encontram correspondência com os documentos juntados ao presente, a saber: a) "Contrato de Licença" e seu "Aditivo ao Contrato de Licença", celebrado entre a Continental do Brasil e a empresa estrangeira Continental Teves AG & CO. OHG (fls. 431 a 458 mesmo contrato que o analisado no julgamento do paradigma); b) invoice nº 903343232 (fls. 589) emitida pela licenciadora informando pagamento relativo a "Taxas de Royalties referentes à Taxa de Licença Contrato de 12 de novembro de 1999 (...)", no valor total de USD 1.300.811,16; c) contrato de cambio nº 04/034899, no valor de USD 1.105.689,49 (fls.198/200), que comprova a remessa ao exterior de USD 1.105.689,49 (R$ 3.454.395,10), corroborado com extrato emitido pelo UNIBANCO que comprova sua liquidação; d) o valor da remessa, conforme cláusula contratual, corresponde ao valor total da invoice menos o desconto do IRRF de 15%, conforme lançamentos no razão fl. 600) e planilha de cálculo de fl. 196; e) a natureza da operação no Contrato de Câmbio nº 04/034899 foi especificada com o código de prefixo "45632", que, conforme inciso III do art. 101 da Circular do BCB nº 3.689/2013, corresponde ao pagamento ao exterior em decorrência do fornecimento de tecnologia, o que evidencia pagamento de royalties; f) DARF de fl. 192. Portanto, constatase que neste processo o contribuinte juntou os mesmos documentos que foram considerados hábeis à comprovação do direito creditório no caso do paradigma, variando apenas o número dos documentos e os valores envolvidos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dáse provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório em litígio. Winderley Morais Pereira Fl. 665DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.912960/200950 Acórdão n.º 3201002.404 S3C2T1 Fl. 18 17 Fl. 666DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 16095.720097/2013-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Nov 08 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos, RESOLVEM os membros do colegiado, por maioria de votos, SOBRESTAR o processo até que seja proferida decisão definitiva relativa ao processo principal nº 16095.000723/2010-17, do qual este é decorrente. Vencidos Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano e Antonio Bezerra Neto que entendiam que o julgamento poderia ser consumado.
Documento assinado digitalmente.
Antonio Bezerra Neto Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Júlio Lima Souza Martins, Aurora Tomazini de Carvalho, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Livia de Carli Germano e Antonio Bezerra Neto (Presidente).
RELATÓRIO
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, RESOLVEM os membros do colegiado, por maioria de votos, SOBRESTAR o processo até que seja proferida decisão definitiva relativa ao processo principal nº 16095.000723/2010-17, do qual este é decorrente. Vencidos Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano e Antonio Bezerra Neto que entendiam que o julgamento poderia ser consumado. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto Presidente. Documento assinado digitalmente. Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Júlio Lima Souza Martins, Aurora Tomazini de Carvalho, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Livia de Carli Germano e Antonio Bezerra Neto (Presidente). RELATÓRIO
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Por unanimidade de votos, RESOLVEM os membros do colegiado, por maioria de votos, SOBRESTAR o processo até que seja proferida decisão definitiva relativa ao processo principal nº 16095.000723/201017, do qual este é decorrente. Vencidos Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano e Antonio Bezerra Neto que entendiam que o julgamento poderia ser consumado. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto Presidente. Documento assinado digitalmente. Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Júlio Lima Souza Martins, Aurora Tomazini de Carvalho, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Livia de Carli Germano e Antonio Bezerra Neto (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 95 .7 20 09 7/ 20 13 -2 1 Fl. 833DF CARF MF Processo nº 16095.720097/201321 Resolução nº 1401000.424 S1C4T1 Fl. 828 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto em face de acórdão que julgou, por unanimidade dos votos, a manutenção parcial do auto de infração lavrado para exigir valores devidos a título de IRPJ, acrescidos de multa de 75% e demais acréscimos moratórios. Por bem delinear os fatos ocorridos até aquele momento, transcrevo trecho do relatório consignado na decisão de piso: "Do lançamento O presente processo tem origem no auto de infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa JurídicaIRPJ, lavrado pela DRF/GuarulhosSP e cientificado à interessada acima identificada em 20/05/2013, no valor de R$ 8.369.701,10, acrescido da multa de ofício, no percentual de 75%, e demais encargos moratórios. A autuação, conforme a descrição dos fatos do auto de infração e o Termo de Constatação de Irregularidades Fiscais TCIF, decorre de glosa de prejuízos compensados indevidamente, uma vez que insuficientes, nos anos calendário de 2009 e 2010, nos montantes respectivos de R$ 21.401.049,11 e R$ 12.077.755,27. A insuficiência foi resultado do auto de infração objeto do processo nº 16095.000723/201017, que absorveu, nos anos calendário de 2005 a 2008, todos os prejuízos fiscais que a interessada dispunha, relativos aos anos calendário anteriores a 2005, não restando saldo passível de compensação em 31/12/2008. A Fiscalização não considerou os saldos negativos apurados nos anos calendário autuados de 2009 e 2010, por motivo dos mesmos terem sido objeto de Declaração de Compensação através da transmissão do PERDCOMP nº 20366.99164.251110.1.3.025309. Enquadramento Legal: Art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 250, inciso III e 509 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999. Apreciada a impugnação, o lançamento foi mantido, a pretexto da impossibilidade de sobrestamento do presente feito até o julgamento final do processo administrativo 16095.000723/201017, fundada na ausência de previsão legal para tal procedimento e no princípio da oficialidade que impõe à administração impulsionar o processo até a sua decisão final. Em sede de voluntário, a recorrente reitera o pedido de sobrestamento do julgamento em razão da i) impossibilidade da exigência do débito consubstanciado neste processo antes do termino do processo administrativo 16095.000723/201017, no qual será decidida a regularidade das deduções realizadas por ela e consequentemente o cancelamento da compensação de ofício efetuada pela fiscalização em virtude da necessária busca da verdade material; ii) impossibilidade da exigência de multa de ofício em razão da suspensão da exigibilidade daquele processo administrativo e; iii) ilegalidade da exigência de juros sobre a multa. É o relatório. Fl. 834DF CARF MF Processo nº 16095.720097/201321 Resolução nº 1401000.424 S1C4T1 Fl. 829 3 VOTO. Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Conforme informado no relatório, a autuação decorre de glosa de prejuízos compensados indevidamente, uma vez que insuficientes, nos anos calendário de 2009 e 2010, nos montantes respectivos de R$ 21.401.049,11 e R$ 12.077.755,27. A insuficiência foi resultado do auto de infração objeto do processo nº 16095.000723/201017, que absorveu, nos anos calendário de 2005 a 2008, todos os prejuízos fiscais que a interessada dispunha, relativos aos anos calendário anteriores a 2005, não restando saldo passível de compensação em 31/12/2008. A Fiscalização não considerou os saldos negativos apurados nos anos calendário autuados de 2009 e 2010, por motivo dos mesmos terem sido objeto de Declaração de Compensação através da transmissão do PERDCOMP nº 20366.99164.251110.1.3.025309. Em pesquisa realizada, nesta data, no COMPROT, temse que o processo 16095.000723/201017 foi decidido, por voto de qualidade, a favor do contribuinte, quando em 11/03/2014, pelo Acórdão 1302001.325, proferido pela 3a. CÂM./2a.TO da 1a. Seção de Julgamento, foi provido o Recurso Voluntário interposto: "a fim de reconhecer a regularidade dos atos e negócios jurídicos praticados pela Recorrente, notadamente a regularidade da constituição de uma empresa prestadora de serviços, bem como, por conseguinte, declarar também válida a dedução das despesas incorridas com a assessoria comercial na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, reformando a decisão ora recorrida e cancelando, por conseguinte, os autos de infração objeto do presente processo". Referida decisão foi objeto de Recurso Especial da Fazenda e aguarda julgamento pela 1a. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, onde foi distribuído ao relator no último dia 07/04/2016, consulta realizada em <<https://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarInformacoesProcessuais/exibirProc esso.jsf>>. Resta evidente tratarse de processos decorrentes, nos moldes do art. 6o., p.1o., II, do Anexo II do RICARF, pois formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e Fl. 835DF CARF MF Processo nº 16095.720097/201321 Resolução nº 1401000.424 S1C4T1 Fl. 830 4 III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º, se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. § 7º No caso de conflito de competência entre Seções, caberá ao Presidente do CARF decidir, provocado por resolução ou despacho do Presidente da Turma que ensejou o conflito. § 8º Incluemse na hipótese prevista no inciso III do § 1º os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies. Destaco que, embora a princípio só haja previsão no RICARF para vinculação e sobrestamento de processos decorrentes, na Câmara para aguardar decisão de mesma instância relativa ao processo principal e os autos 16095.000723/201017 já haverem sido distribuídos à Câmara Superior para julgamento de Recurso Especial da Fazenda interposto com o objetivo de restabelecer os autos de infração cancelados, resta evidente que as consequencias da decisão futura no processo principal, produzirão impacto direto nestes autos, de modo que a solução deste litígio depende da sorte daquele processo. Por isso, a aplicação do principio da oficialidade, da forma como se deu na decisão de piso, prejudica a observância da verdade material dos fatos, já que o impulso do processo antes da resolução de questão prejudicial nos autos do processo administrativo 16095.000723/201017 pode implicar em cobrança de tributo indevido ou eventual renúncia de Fl. 836DF CARF MF Processo nº 16095.720097/201321 Resolução nº 1401000.424 S1C4T1 Fl. 831 5 tributo devido, caso a Câmara Superior reveja a decisão que cancelou as autuações que deram origem a glosa das compensações aqui versadas. Assim, demonstrada a pendência de decisão administrativa que influencia nos fundamentos do lançamento do crédito tributário, em atendimento a segurança jurídica e a necessária busca da verdade material, entendo como melhor alternativa a aplicação subsidiária do art. 313, V, a, do novo CPC (Lei 13.105/15), que manteve idêntica redação do art. 265, IV do CPC anterior (Lei 5.869/73), no qual consta autorização para o sobrestamento do processo até que seja julgado definitivamente a questão prejudicial, cuja redação segue: Art. 313. Suspendese o processo: V quando a sentença de mérito: a) depender do julgamento de outra causa ou da declaração de existência ou de inexistência de relação jurídica que constitua o objeto principal de outro processo pendente; Neste sentido: PAF NORMAS PROCESSUAIS — RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO — QUESTÃO PREJUDICIAL — SOBRESTAMENTO DO FEITO — O julgamento de lançamentos de oficio derivados de negativa a pleito de restituição/compensação, por dependeram da solução que a final venha se dar no julgamento do direito creditório, não pode ser levado a termo senão após a solução dada ao direito creditório controvertido. Acórdão n°. : 107 08.101 de 15/06/2005. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAl RECURSOS DE OFÍCIO E VOLUNTÁRIO SOBRESTAMENTO DA APRECIAÇÃO DO LITÍGIO com fundamento no inciso IV, do artigo 265 do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, suspendese o processo, quando a apreciação do mérito do litígio depender do julgamento de outra causa, ou da declaração da existência ou inexistência da relação jurídica, que constitua o objeto principal de outro processo pendente" (Ac. 10514.270) Pelo exposto, voto no sentido de SOBRESTAR o processo por prejudicialidade, determinando a remessa dos autos à Secretaria da Câmara até que seja proferida decisão relativa ao processo nº 16095.000723/201017, do qual este é decorrente e após retorne para julgamento. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Fl. 837DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10970.000298/2010-14
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2007 a 30/10/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial Provido
Numero da decisão: 9202-005.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a Conselheira Patrícia da Silva.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2007 a 30/10/2008 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a Conselheira Patrícia da Silva. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1662; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 9 1 8 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10970.000298/201014 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202005.068 – 2ª Turma Sessão de 12 de dezembro de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CCMCIRCUITOS DE COMANDOS E MONTAGENS ELETRICAS LTDA ME ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2007 a 30/10/2008 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a Conselheira Patrícia da Silva. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 00 02 98 /2 01 0- 14 Fl. 218DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 240202.246, proferido pela 2ª Turma Ordinária / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de auto de infração lavrado para exigir multa em razão da Recorrente ter apresentado as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, relativamente ao período de 10/2007 a 10/2008. De acordo com o relatório fiscal, fl. 22, em que pese o contrato social da empresa comportar múltiplas atividades, tais como comércio varejista de material elétrico, cabos, fios, eletrodutos e prestação de sérvios em montagens e instalações na área de engenharia elétrica em edificações e indústrias, sua principal atividade é a prestação de serviços com cessão de mão de obra. Considerando que sua principal atividade se encontra no rol das atividades que não podem estar inseridas no SIMPLES, foi expedido o Ato Declaratório Executivo nº 43/2010, fl. 05, excluindo o contribuinte do SIMPLES desde 01/07/2007. No entanto, como a Recorrente se encontrava no SIMPLES, não foram declaradas as contribuições da empresa, o que motivou a lavratura desta autuação. A Recorrente apresentou impugnação, às fls. 27/108, requerendo a total nulidade do lançamento. A d. DRJ em Juiz de Fora/MG, ao analisar o processo, às fls. 115/122, julgou o lançamento totalmente procedente, sob o argumento de que: (i) a pessoa jurídica excluída do SIMPLES se sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão; (ii) a impugnação ou manifestação de inconformidade interposta nos autos em que se discute a exclusão do SIMPLES não impede a lavratura do auto de infração que constitui o crédito tributário previdenciário; (iii) tratandose de imposição de penalidade revogada, aplicase a legislação que for mais benéfica ao contribuinte; (iv) deve ser negado o pedido de diligência formulado sem o atendimento dos requisitos previstos no art. 15, inc. IV, do Decreto nº 70.235/1972. A Recorrente interpôs recurso voluntário, às fls. 125/130, alegando que: (i) deve ser dado efeito suspensivo ao recurso; (ii) devem ser deferidos os pedidos de produção de prova e de perícia; (iii) não pratica atividades de cessão de mão de obra; (iv) não houve afronta ao art. 32, inc. IV, da Lei nº8.212/1991; (v) o juros e a correção monetária não foram aplicados nos créditos tributários efetivamente recolhidos pelo contribuinte no momento da apuração da diferença devida. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10970.000298/201014 Acórdão n.º 9202005.068 CSRFT2 Fl. 10 3 A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 146/151, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/10/2008 PEDIDOS DE PRODUÇÃO DE PROVAS E PERÍCIA. INDEFERIMENTO. As provas devem ser apresentadas no momento da impugnação, sob pena de preclusão, salvo nos casos previstos em lei. É improcedente o pedido de prova pericial realizado sem atender aos requisitos legais. RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE. O art. 79 da Lei nº 11.941/2009 revogou o art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 e trouxe penalidade mais benéfica para a presente infração, motivo pelo qual deve haver o recálculo da multa imposta. Recurso voluntário provido em parte. Às fls. 153/155, a Fazenda Nacional apresentou Embargos de Declaração alegando omissão por não se pronunciar em relação à aplicabilidade do art. 35A da Lei nº 8.212/91, o que seria imprescindível, haja vista que este abarca tanto os casos de falta de pagamento ou recolhimento do tributo, como as penalidades por descumprimento de obrigação acessória. Os Embargos restaram rejeitados, contudo, às fls. 158/160. Às fls. às fls. 162/172, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, alegando divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e o paradigma trazido para analise, pois se verificou que no acórdão paradigma o dispositivo legal aplicado passou a ser o art. 35A da Lei 8.212/91, que remete ao art. 44, I da Lei 9.430/96, e não o art. 32A da Lei 8.212/91, conforme entendeu a Câmara a quo, haja vista que este preceito normativo somente se aplica às situações em que somente tenha havido descumprimento de obrigação acessória relacionada à GFIP. Havendo lançamento de tributo, a multa passa a ser aplicada nos termos do art. 35A da Lei 8.212/91. Às fls. 205/207, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à divergência arguida, uma vez vislumbrada a similitude das situações fáticas nos acórdãos recorrido e paradigmas, configurando a divergência jurisprudencial apontada. O acórdão paradigma versa sobre o auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, em que também se lavrou NFLD em decorrência da mesma ação fiscal. Verificouse que no acórdão paradigma consignouse que o dispositivo legal aplicado passou a ser o art. 35A da Lei 8.212/91, que remete ao art. 44, I da Lei 9.430/96, e não o art. 32A da Lei 8.212/91, conforme entendeu a Câmara a quo. Às 213/215, o Contribuinte apresentou contrarrazões, vindo os autos conclusos para julgamento. Fl. 220DF CARF MF 4 É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de auto de infração lavrado para exigir multa em razão da Recorrente ter apresentado as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, relativamente ao período de 10/2007 a 10/2008. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante à multa por descumprimento de obrigação acessória, no qual se verificou que no acórdão paradigma o dispositivo legal aplicado passou a ser o art. 35A da Lei 8.212/91, que remete ao art. 44, I da Lei 9.430/96, e não o art. 32A da Lei 8.212/91, conforme entendeu a Câmara a quo. O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10970.000298/201014 Acórdão n.º 9202005.068 CSRFT2 Fl. 11 5 aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Fl. 222DF CARF MF 6 Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10970.000298/201014 Acórdão n.º 9202005.068 CSRFT2 Fl. 12 7 I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, Fl. 224DF CARF MF 8 do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10970.000298/201014 Acórdão n.º 9202005.068 CSRFT2 Fl. 13 9 Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei Fl. 226DF CARF MF 10 nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 227DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.722287/2011-73
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2006 a 30/11/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212, DE 1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP Nº 449, DE 2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941, DE 2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-004.650
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2006 a 30/11/2008 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212, DE 1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP Nº 449, DE 2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941, DE 2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212, DE 1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP Nº 449, DE 2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941, DE 2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 22 87 /2 01 1- 73 Fl. 360DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo ofereceu contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10660.722287/201173 Acórdão n.º 9202004.650 CSRFT2 Fl. 3 3 De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Fl. 362DF CARF MF 4 Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdão nº 9202004.499, de 29/09/2016: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10660.722287/201173 Acórdão n.º 9202004.650 CSRFT2 Fl. 4 5 I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, Fl. 364DF CARF MF 6 do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Fl. 365DF CARF MF Processo nº 10660.722287/201173 Acórdão n.º 9202004.650 CSRFT2 Fl. 5 7 Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei Fl. 366DF CARF MF 8 nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna, até o período de 11/2008, seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 367DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13807.002282/99-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Sep 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 1989, 1990, 1991
UNIDADE DE JURISDIÇÃO. MATÉRIA SUMETIDA AO PODER JUDICIÁRIO. SÚMULA CARF N. 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Nas matérias submetidas ao crivo do Poder Judiciário, prevalece o entendimento externado em definitivo pelo juízo competente.
UFIR. CONVERSÃO EM REAIS. VALOR A SER UTILIZADO.
Os valores constantes da legislação tributária, expressos em quantidade de UFIR, serão convertidos em Reais pelo valor da UFIR vigente em 1o de janeiro de 1996.
IMPUTAÇÃO DE PAGAMENTOS. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Na imputação de pagamentos em matéria tributária não se aplica a legislação civil, mas a legislação tributária.
Numero da decisão: 3401-003.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, para reconhecer o direito de crédito levantado no relatório de diligência e para garantir a aplicação, ao caso, do disposto no artigo 30 da Lei no 9.249/1995, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que convertia o julgamento em diligência. Declarou-se impedido o Conselheiro Rodolfo Tsuboi. Fez sustentação oral, pela recorrente, Natanael Martins, OAB-DF no 60.723.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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GRUPO ITAUTEC (Incorporada por ITAUTEC S.A. GRUPO ITAUTEC) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 1989, 1990, 1991 UNIDADE DE JURISDIÇÃO. MATÉRIA SUMETIDA AO PODER JUDICIÁRIO. SÚMULA CARF N. 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Nas matérias submetidas ao crivo do Poder Judiciário, prevalece o entendimento externado em definitivo pelo juízo competente. UFIR. CONVERSÃO EM REAIS. VALOR A SER UTILIZADO. Os valores constantes da legislação tributária, expressos em quantidade de UFIR, serão convertidos em Reais pelo valor da UFIR vigente em 1o de janeiro de 1996. IMPUTAÇÃO DE PAGAMENTOS. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Na imputação de pagamentos em matéria tributária não se aplica a legislação civil, mas a legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, para reconhecer o direito de crédito levantado no relatório de diligência e para garantir a aplicação, ao caso, do disposto no artigo 30 da Lei no 9.249/1995, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que convertia o julgamento em diligência. Declarouse impedido o Conselheiro Rodolfo Tsuboi. Fez sustentação oral, pela recorrente, Natanael Martins, OABDF no 60.723. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 22 82 /9 9- 31 Fl. 1418DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 2 ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Restituição de FINSOCIAL (fl. 5)1, em função de decisão judicial com trânsito em julgado (no processo no 93.0030.1411 cópias das peças judiciais figuram às fls. 43 a 88), apresentado em 09/04/1999, com fundamento na Instrução Normativa SRF no 21/1997, e cumulado com pedidos de compensação. Os pedidos foram preliminarmente analisados em 10/02/2000, demandando se documentos adicionais à empresa complementação das informações referentes ao processo judicial (fls. 172 a 176), tendo sido anexadas as peças às fls. 182 a 347. Por meio do Despacho Decisório de fls. 348 a 351, proferido em 19/07/2000, o pedido de restituição foi indeferido, por falta de amparo legal, sob os seguintes fundamentos: (a) requerse a "utilização de crédito para compensar débitos inclusive de outras empresas", decorrente de decisão judicial, não havendo especificação do valor pleiteado, mas somente remissão a mapa anexo, no qual se indica, na parte inicial, diferença pela utilização de alíquota superior à legalmente autorizada, de 0,5%, apontando crédito de 6.479.515,2987 UFIR, para o período de apuração de setembro de 1989 a outubro de 1991; (b) parcela do crédito, no valor de 2.016.399,74 UFIR, seria carreada à compensação de débito próprio de contribuições (PIS e COFINS), relativa ao período de novembro de 1991 a março de 1992, e setembro de 1993 a outubro de 1993, sendo o saldo destinado a compensação de débitos de terceiros; (c) a ação judicial mencionada objetivou a concessão de medida liminar para compensação de valores indevidos recolhidos a título de FINSOCIAL com contribuições da mesma espécie; (d) foi concedida liminar para compensação nos termos da Lei Complementar no 70/1991, "sem prejuízo da atividade fiscalizadora tendente a verificar a exatidão das compensações efetivamente realizadas", confirmada pelo TRF da 3a Região; (e) não foi apresentada certidão de objeto e pé, nem cópia da prova do trânsito em julgado da sentença, tendo sido o interessado intimado a complementar a documentação de amparo às compensações, mas fornecido respostas apenas parciais, não satisfazendo aos requisitos estabelecidos no artigo 17 da Instrução Normativa SRF no 21/1997; (f) foi ultrapassado o prazo de decadência referido no artigo 168 do Código Tributário Nacional, na apresentação do pedido, em 09/04/1999; e (g) na documentação comprobatória apresentada sequer constam os dados relativos à base de cálculo da contribuição compreendida no período entre setembro de 1989 a agosto de 1990. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 1419DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 13807.002282/9931 Acórdão n.º 3401003.222 S3C4T1 Fl. 1.352 3 Cientificada da decisão em 19/02/2001 (fl. 353), a empresa apresenta Manifestação de Inconformidade em 16/03/2001 (fls. 360 a 370), argumentando, em síntese, que: (a) recolheu as contribuições para o FINSOCIAL atendendo às disposições do artigo 9o da Lei no 7.894/1989 e do artigo 1o da Lei no 8.147/1990; (b) em setembro de 1993, diante da declaração de inconstitucionalidade, pelo plenário do STF, em relação à majoração de alíquota de 0,5% para 2%, impetrou o mandado de segurança no 93.0030.1411 para compensar valores recolhidos a maior com tributos da mesma espécie, até o limite da extinção do crédito, tendo sido reconhecido o direito ao crédito pelo TRF da 3a Região, com a correção monetária pleiteada, com trânsito em julgado em 12/04/1999; (c) diante da decisão, protocolizou pedido de restituição no valor de R$ 4.065.005,65, para compensação com tributos próprios e de terceiros, instruindo o pedido com demonstrativo no qual relacionava a base de cálculo efetiva e o valor do FINSOCIAL recolhido a maior, em conformidade com a Instrução Normativa SRF no 21/1997; (d) o despacho decisório é nulo e cerceia direito líquido e certo, por estar impondo restrições inexistentes na referida instrução normativa, e sequer debater acerca da compensação propriamente dita, desprezando a decisão judicial, principalmente quanto à forma de correção monetária; (e) é inconstitucional a exigência do FINSOCIAL no que excede a alíquota de 0,5%, como assentou o STF no RE no 150.7641/PE, tendo o Poder Executivo, no Decreto no 1.601/1995, disposto sobre a dispensa de interposição de recurso pela Fazenda nos casos de manifestação jurisprudencial uniforme daquela corte; (f) o direito de compensar é assegurado pelo artigo 170 do Código Tributário Nacional, e o artigo 66 da Lei no 8.383/1991, fundamento da instrução normativa mencionada, assegurou e estabeleceu todas as regras que devem presidir o pedido de restituição e a consequente compensação; (g) decisões administrativas têm confirmado o direito de compensação do que foi recolhido em excesso à alíquota de 0,5% a título de FINSOCIAL; (h) estando provado o recolhimento a maior, e estando presentes os requisitos estipulados na Lei no 8.383/1991 e na Instrução Normativa SRF no 21/1997, temse o direito líquido e certo à restituição, e às compensações, com a correção monetária judicialmente estabelecida; (i) deveria a autoridade fiscal ter feito diligência fiscal prévia no estabelecimento da empresa, de modo a verificar, face à sua escrituração contábil, a veracidade dos valores a restituir e das compensações; (j) está solicitando desarquivamento do processo judicial para juntada de cópía de "capa a capa"; e (k) não há que se falar em decadência, pois o trânsito em julgado da ação judicial, data de início da contagem do prazo decadencial, deuse em 12/04/1999. Em 08/03/2002, a DRJ devolve os autos à unidade local (fls. 714 a 717), por não deter competência regimental para análise de manifestação de inconformidade contra indeferimento de pedidos de compensação. A empresa tomou ciência da decisão em 21/02/2003 (fl. 717). Em 15/10/2002 noticiase nos autos a obtenção de efeito suspensivo em Agravo de Instrumento interposto contra medida liminar em Mandado de Segurança (fls. 719 a 724). A unidade local reencaminha, então, o processo para julgamento da DRJ, visto que se tratava de pedido de restituição (fl. 728). Em 12/02/2004 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 742 a 752), no qual se decide unanimemente pela não acolhida da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos: (a) não cabe qualquer discussão a respeito da compensação autorizada pelo Poder Judiciário, mas apenas sobre a análise de pertinência do pedido de restituição de fl. 1; (b) os artigos 165, I, e 168, do Código Tributário Nacional, informam que o prazo decadencial contase da data de extinção do crédito tributário, entendimento confirmado no Parecer PGFN/CAT no 1.538/1999, e no Ato Declaratório SRF no 96/1999; (c) tendo sido o Fl. 1420DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 4 pedido de restituição protocolizado em 09/04/1999, e tendo sido os pagamentos efetuados até 31/10/1991, operouse, no caso, a decadência; (d) o crédito assegurado em juízo pode ser demandado, também em juízo, mas ao ser demandado administrativamente, deve atender às regras estabelecidas nas normas correspondentes; e (e) a decisão judicial definitiva reconhecendo o direito de crédito impõe à autoridade administrativa o cumprimento do julgado, mas não influi no julgamento do processo administrativo no tocante a matéria que não foi apreciada pelo Poder Judiciário. Cientificada da decisão da DRJ em 25/03/2004 (fl. 754), a empresa apresentou Recurso Voluntário em 08/04/2004 (fls. 757 a 775), basicamente reiterando as razões expressas em sua impugnação, e acrescentando que: (a) a DRJ também cerceou o direito líquido e certo de restituir o FINSOCIAL recolhido a maior, e que deveria ser compensado na forma assegurada em juízo, e também sequer analisou a compensação propriamente dita, com base em equivocada deliberação da PGFN, contrariando o Parecer COSIT no 58/1998, cujo entendimento deveria prevalecer, estando o parecer em vigor na data do pedido, em 09/04/1999; e (b) diante da decisão do STF e do trânsito em julgado, no TRF da 3a Região, asseguram à empresa o direito de restituir, e, consequentemente, compensar o que foi recolhido a maior a título de FINSOCIAL. Em 14/06/2005, por meio do Acórdão no 30236.865 (fls. 830 a 848), foi afastada a decadência, retornando os autos à DRJ para que apreciasse as demais questões de mérito. A DRJ, então, em 29/03/2006, retorna o processo à unidade preparadora, para verificação do "atendimento das demais exigências previstas na legislação de regência, saneando o processo se entender necessário", pronunciandose sobre o mérito do pedido (fls. 864/865). A unidade preparadora se manifesta às fls. 905 a 916, em 14/03/2008, pelo deferimento do pedido de restituição no montante de R$ 3.251.023,80 (saldo remanescente após as compensações), e pela convalidação das compensações dos débitos de FINSOCIAL nos períodos de apuração novembro de 1991 a março de 1992, e de COFINS, dos períodos de setembro a novembro de 1993, considerando não declarada a compensação de final 9719, cientificandose a recorrente da decisão em 08/05/2008 (fl. 916). Noticia ainda que: (a) o processo administrativo no 13814.000074/9312, apenso, relativo a auto de infração de COFINS, referente ao período de setembro a novembro de 1993, estava sendo apreciado em conjunto, na manifestação; (b) que os débitos de terceiros, controlados nos processos administrativos mencionados à fl. 909, foram inscritos em dívida ativa, à exceção da empresa "ADIBOARD S.A.", incorporada por ITAUTEC. S.A., para a qual foram inscritos "somente os débitos de PIS de 02/99 e 03/99", sendo os demais débitos controlados no processo administrativo no 13839.001344/200114, também em apenso; e (c) a empresa transmitiu, após a decisão da unidade, em 28/04/2000, a DCOMP eletrônica de no 16018.77600.050307.1.7.04 9719, com a qual pretendeu compensar débitos de IRPJ, de janeiro de 2007, no montante original de R$ 6.126.249,60, devendo tal compensação ser considerada não declarada, pois foi apresentada após a ciência do despacho de indeferimento do pedido de restituição. A empresa, ainda em 05/05/2008, havia se manifestado, no documento de fls. 930 a 933, no sentido de que deve ser reconhecido seu direito de restituição e compensação, e acrescenta planilha por ela atualizada, com os efetivos montantes de indébitos tributários. À fl. 980, noticiase a incorporação de "ITAUTEC INFORMÁTICA S.A. GRUPO ITAUTEC PHILCO" por "ITAUTEC S.A. GRUPO ITAUTEC PHILCO", apresentando a empresa recurso, em 19/05/2008 (fls. 980 a 995), em relação à nova decisão da Fl. 1421DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 13807.002282/9931 Acórdão n.º 3401003.222 S3C4T1 Fl. 1.353 5 unidade preparadora, alegando que: (a) a decisão da unidade local por considerar não declarada a DCOMP de final 9719, e por manter as inscrições em dívida ativa por entender que a manifestação de inconformidade e o recurso voluntário não teriam efeito suspensivo se deu de forma ilegal e inconstitucional; (b) a negativa de efeito suspensivo implica violação ao devido processo legal e à ampla defesa, sendo a matéria ainda tratada nos artigos 56 e 61 da Lei no 9.784/1999; (c) as decisões inicialmente proferidas pela unidade local e pela DRJ não apreciaram o mérito do pedido, restringindose à análise de decadência; (d) a própria unidade local reconheceu créditos suficientes para a homologação de todas as compensações formuladas pela recorrente, no que se inclui a DCOMP de final 9719, e aquelas nas quais os débitos estão inscritos em dívida ativa, sendo a finalidade da norma infralegal evitar que sejam realizadas compensações com créditos, de fato, inexistentes; (e) o despacho que entende como não declarada a DCOMP de final 9719 afronta os princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da moralidade administrativa; e (f) o entendimento da unidade local de que não havia efeito suspensivo em relação à manifestação de inconformidade, motivador da manutenção das inscrições em dívida ativa, não está conforme a jurisprudência administrativa (citando os Acórdãos no 30334202, no 30332136 e no 10615615), visto que com a nova redação do artigo 74 da Lei no 9.430/1996, a manifestação de inconformidade apresentada, mesmo antes da MP no 135/2003, tem o condão de provocar a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários. Consta ainda manifestação de inconformidade, às fls. 1014 a 1041, interposta em 09/06/2008, na qual se acrescenta que: (a) foi indevidamente deduzido do crédito da recorrente o valor de NCZ$ 195.522.956,00 relativo à COFINS de 1993, como se o valor tivesse sido compensado, quando houve desistência da compensação e pagamento da referida quantia conforme comprovante de recolhimento que anexa; (b) na conversão dos valores em UFIR foi utilizada a UFIR de dezembro de 1995, quando o correto seria utilizar a de janeiro de 1996, conforme artigo 2o da Lei no 9.250/1995; e (c) o critério de imputação de pagamento adotado na compensação, pela administração tributária, não tem base legal, e, diante do silêncio do legislador tributário, cabível a observância dos preceitos da legislação civil artigo 354 do Código Civil brasileiro. Em 29/07/2008, às fls. 1058 a 1064, a Divisão de Tributação (DISIT) da Superintendência da 8a Região Fiscal se manifesta sobre a compensação eletrônica considerada não declarada, entendendo que deveria a unidade têla analisado, e nega provimento ao recurso hierárquico apresentado, por entender que efetivamente não havia efeito suspensivo na manifestação de inconformidade apresentada, em relação às compensações com débitos de terceiros. A unidade considera, então, parcialmente homologada a DCOMP de final 9719, até o limite do direito de crédito reconhecido no despacho decisório, cientificandose a empresa em 05/08/2008 (fl. 1068). Intimada a se manifestar sobre compensação de ofício (fl. 1074 e 1097), em relação a débitos em aberto e/ou inscritos em dívida ativa, a empresa responde (fls. 1070 e 1106) que não está de acordo, por restarem os créditos com exigibilidade suspensa. Em 18/11/2008 ocorre novo julgamento de primeira instância (fls. 1108 a 1121), no qual se decide unanimemente pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos: (a) em relação à compensação considerada não declarada, a competência para análise não é da DRJ, mas da Superintendência da Receita Fl. 1422DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 6 Federal jurisdicionante, conforme a Lei no 9.784/1999; (b) descabe, ainda, às DRJ, tratar sobre suspensão da exigibilidade do débito, avisos de cobrança, inscrição em dívida ativa, por ser a matéria afeta às unidades da RFB não julgadoras, como assentado na jurisprudência administrativa; (c) os débitos inscritos em dívida ativa sequer são administrados pela RFB, mas pela PGFN, e caberia, em princípio, a compensação de ofício; (d) não procede a alegação de erro de cálculo, estando expresso no DARF correspondente que houve compensação de 695.440,00 UFIR; (e) não houve estorno da compensação em 1993, mas somente no ano seguinte, e não se deveu a erro ou mudança de critério contábil; (f) sobre a taxa de conversão da UFIR, a recorrente não relaciona a legislação citada, que trata de IRPJ, ao caso em análise, e a pretensão em utilizar a UFIR de 1996 acarretaria aumento indevido do crédito, visto que a partir de 1996 o crédito passou a ser legalmente acrescido da Taxa SELIC; e (g) a aplicação do código civil às imputações em caso foi expressamente afastada pela Lei no 10.677/2003, e há comandos sobre o tema no Código Tributário v.g., artigos 163 e 167. Cientificada da nova decisão da DRJ em 18/02/2009 (fl. 1123), a empresa apresentou Recurso Voluntário em 20/03/2009 (fls. 1124 a 1154), alegando que: (a) a DCOMP de final 9719 foi considerada declarada pela Superintendência da Receita Federal da 8a Região Fiscal, pelo que devem os valores nela constantes permanecer com exigibilidade suspensa até decisão definitiva no presente processo; (b) a manutenção das inscrições em dívida ativa, com base no entendimento de que não havia efeito suspensivo nos recursos apresentados, anteriores à MP no 135/2003, é avessa à jurisprudência administrativa (fazendo menção aos três acórdãos já citados: no 30334202, no 30332136 e no 10615615, e agregando o de no 30334677); (c) com a decisão inicial do Conselho de Contribuintes, restabelecendo o direito de crédito postulado, o processo de restituição voltou à estaca zero, sendo incontroversa a inexigibilidade dos débitos apontados como inscritos em dívida ativa, tanto que para outras compensações, ainda não remetidas a dívida ativa, reconheceuse a possibilidade de compensação de ofício, como no caso da "ADIBOARD S.A."; (d) o crédito calculado pela unidade local é mais do que suficiente para a homologação de todas as compensações, inclusive as referentes a débitos inscritos em dívida ativa; (e) se os valores inscritos em dívida ativa podem ser objeto de "Pedido de Revisão", pela própria RFB, que, posteriormente, solicita o cancelamento da dívida, podem também ser questionados no bojo de defesas administrativas; (f) o crédito indevidamente deduzido, no valor de NCZ$ 195.522.956,00, relativo à COFINS de 1993, decorre de desistência da compensação, com pagamento em fevereiro de 1994, devidamente atualizado, tendo sido estornado em sua contabilidade; (g) a utilização indevida da UFIR de dezembro de 1995, nos cálculos da fiscalização, contraria, inclusive, a Norma de Execução COSIT/COSAR no 08/1997 e o Parecer PGFN/CRJ no 2.601/2008, sendo a Lei no 9.250/1995, ao tratar do tema, aplicável a todas as conversões, não só as referentes a IRPJ; e (h) o critério de imputação de pagamento adotado na compensação, pela administração tributária, não tem base legal, e os artigos 163 e 167 do Código Tributário Nacional não trazem qualquer regra sobre imputação de juros e principal nas compensações, assim como a revogação do artigo 374 do Código Civil não prejudica a aplicação do disposto no artigo 354, do mesmo código civil, ao caso. Em 20/03/2013, por meio da Resolução no 3202000.092 (fls. 1217 a 1223), o julgamento foi convertido em diligência, para que a unidade preparadora verificasse se houve o alegado pagamento de COFINS de novembro de 1993, com os devidos acréscimos legais e se foi realizado estorno da compensação nos registros contábeis da empresa, efetuandose, se necessário, novos cálculos. A unidade preparadora se manifesta às fls. 1247 a 1249, afirmando que: (a) o recolhimento efetuado em atraso, em 07/02/1994, não incluiu multa e juros de mora; (b) foi efetuado novo cálculo para o período de apuração de novembro de 1993, considerando como pagamento o recolhimento em atraso, incluindo dos saldos de DARF de fls. 869/870, utilizados Fl. 1423DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 13807.002282/9931 Acórdão n.º 3401003.222 S3C4T1 Fl. 1.354 7 para amortizar o débito do período; e (c) após os cálculos, apurouse saldo de pagamento de R$ 453.289,85, para a data base de 31/12/1995, devendo tal valor ser acrescentado ao direito de crédito reconhecido. Cientificada da manifestação da unidade preparadora em 01/04/2014 (fl. 1260), a recorrente apresenta, em 29/04/2014, a peça de fls. 1262 a 1265, na qual defende que, em relação ao pagamento, agiu acertadamente a autoridade responsável pela diligência, mas, no que se refere à afirmação de que não houve o estorno das compensações, "não assiste razão à autoridade fiscal, vez que as cópias do Livro Diário de fls. 989/997 se prestam a comprovar que o estorno foi realizado no passivo, a fim de que fosse reconhecida a dívida, e, por conseguinte, efetuado o pagamento", juntando a recorrente novamente os documentos comprobatórios. Em 09/12/2015 o processo foi distribuído a este relator, por sorteio (fl. 1350). O processo foi pautado para as sessões de junho e julho de 2016, sendo retirado de pauta por motivo de falta de tempo para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Da delimitação da lide O pedido de restituição que se está a apreciar no presente processo é assim motivado (fl. 5), pela empresa, em 09/04/1999: E, no referido processo judicial, obtevese decisão assegurando (fl. 43) o direito líquido e certo de proceder à compensação, nos termos das leis de regência, daquilo que foi pago acima da alíquota de 0,5% a título de FINSOCIAL, desconsiderando as alterações de alíquotas e base de cálculo da legislação superveniente, determinandose que a compensação fosse feita com parcelas vincendas da Contribuição Social criada pela Lei no 70/1991, observada a prescrição quinquenal, e com os índices de correção judicialmente estabelecidos. O Acórdão que foi objeto de trânsito em julgado em 12/04/1999 assim dispôs: Fl. 1424DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 8 Há que se respeitar, assim, o que foi judicialmente assegurado, tanto no que se refere ao direito de compensar, quanto no que atine à correção dos créditos. Como a primeira apreciação da unidade local e a primeira apreciação da DRJ culminaram em reconhecimento de decadência, entendimento afastado por decisão do CARF, no Acórdão no 30236.865 (fls. 830 a 848), em 14/06/2005, a matéria que é agora objeto de recurso voluntário centrase na segunda rodada de apreciações, que se inicia com o despacho de fls. 905 a 916, em 14/03/2008, no qual é deferido o pedido de restituição, e são convalidadas as compensações, exceto as efetuadas com débitos de terceiros (na ocasião da nova apreciação, já inscritos em dívida ativa), e a DCOMP de final 9719, transmitida posteriormente à decisão do CARF. No entanto, após manifestação da DISIT/SRRF08, a unidade local reavalia a decisão sobre a DCOMP de final 9719, homologandoa parcialmente, até o limite do direito de crédito reconhecido no despacho decisório. Remanesce, assim, o contencioso, apenas em relação aos montantes inscritos em dívida ativa e àqueles consignados na DCOMP de final 9719 para os quais o crédito reconhecido foi, a priori, insuficiente. Dos fundamentos fiscais para a não homologação das compensações Cabe arrolar, já de início, as razões adotadas pela unidade local para o indeferimento do direito de crédito, e a consequente não homologação das compensações, desde o início do trâmite do processo. Inicialmente, o despacho decisório negou o direito não só pelo entendimento de que houve "decadência", mas por não se atender à norma procedimental de regência sobre o tema, a IN SRF no 21/1997, que demandava cópia de inteiro teor do processo judicial e da desistência da execução do título judicial, com assunção das custas correspondentes, e não serem apresentados documentos comprobatórios da liquidez do crédito (como os referentes às bases de cálculo do período de set/89 a ago/90 fls. 348/351). A DRJ, em seu primeiro julgamento (fls. 745/752), identificou que o processo judicial versa apenas sobre a compensação, à luz da Lei no 8.383/1991, silenciando sobre restituição, pelo que não caberia nenhuma análise administrativa sobre o direito de Fl. 1425DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 13807.002282/9931 Acórdão n.º 3401003.222 S3C4T1 Fl. 1.355 9 compensar, mas somente sobre o direito de restituição, sobre o qual entendeu haver operado "decadência", endossando ainda que a ação judicial não opera efeitos sobre o processo administrativo de restituição, pois não foram atendidos os requisitos do artigo 17 da IN SRF no 21/1997 (cópia de inteiro teor e prova da desistência da execução judicial). De todos os argumentos externados para a negativa, o Terceiro Conselho de Contribuintes afasta apenas o referente à "decadência" (fls. 836/846), retornando os autos à DRJ para apreciação dos demais. Decidiu o Terceiro Conselho de Contribuintes que "o dies a quo para a contagem do prazo decadencial do direito de pedir restituição de valores pagos a maior é a data em que o contribuinte viu seu direito reconhecido pela administração tributária, no caso a da publicação da MP no 1.110/95, que se deu em 31/08/1995", e que tal prazo decadencial, de cinco anos, estendeuse até 31/08/2000. A DRJ, entendendo estarem atendidos os requisitos referentes à cópia do processo judicial e à desistência da execução (fls. 864/865), enviou o processo à unidade local para que verificasse o atendimento das demais exigências previstas na legislação de regência, e apreciasse, no mérito, o pedido. No retorno do processo à unidade local, esta se manifesta (fls. 348/351) em relação à restituição (e aos processos apensos de no 13814.000074/9322 e no 13839.001344/200114, referentes, respectivamente, a auto de infração relativo a COFINS e a pedidos de compensação da "ADIBOARD S.A.") no sentido de convalidar as compensações dos débitos de FINSOCIAL de 11/91 a 03/92 e de COFINS de 09/93 a 11/93, e as referentes à empresa "ADIBOARD S.A.", incorporada por ITAUTEC. S.A., em parte inscritos em dívida ativa (Contribuição para o PIS/PASEP de 02/99 e 03/99, controlados no processo administrativo no 13839.500948/200734), e em parte não inscritos, e controlados no processo administrativo no 13839.001344/200114, apenso. Assim, são afastados, pela própria unidade, os obstáculos referentes à não apresentação de peças judiciais e à não comprovação de desistência de execução. Caso contrário, sequer seria deferida qualquer parcela do direito de crédito. Também não se rechaça qualquer das compensações originalmente apresentadas em nome próprio, ou por incorporadas, ainda que estivessem os débitos inscritos em dívida ativa. Isso também endossa a conclusão de que a inscrição em dívida ativa não se constituiu em óbice intransponível, no caso de débitos próprios, inclusive de incorporadas (com fundamento no artigo 34 da IN SRF no 600/2005), sendo legalmente vedada a compensação com débitos de terceiros. A decisão fez ainda o encontro de contas entre os créditos e os débitos com compensação assegurada judicialmente, nos termos da decisão com trânsito em julgado (metodologia explicada à fl. 914), chegando a um valor a restituir, após as compensações, de R$ 3.251.023,80. E, em relação à DCOMP 16018.77600.050307.1.7.049719, transmitida em 05/03/2007, após a decisão do CARF que afastou a decadência (fls. 17 a 20 do processo no 10880.721242/200891, apenso), entendeu a unidade que deveria ser considerada como não declarada, decisão esta que foi revertida na Superintendência jurisdicionante, culminando na consideração também dos débitos nela inscritos. E a segunda decisão da DRJ, que motiva a apresentação do recurso voluntário em análise, revela o entendimento de que não cabe discussão sobre as inscrições em dívida ativa, nem sobre a suspensão, nos presentes autos, pois, sendo o débito regularmente inscrito, goza dos atributos de certeza e liquidez, incompatíveis com a alegada extinção pela compensação, e de que a matéria afeta à compensação posteriormente efetuada também não seria de competência regimental das DRJ. Fl. 1426DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 10 Das inscrições em dívida ativa de débitos de terceiros Entre as DCOMP apresentadas originalmente, as únicas que não são objeto de homologação por parte da autoridade local, no despacho decisório datado de 19/07/2000, complementado pelo proferido em 14/03/2008, são aquelas que se referem a débitos de terceiros. No despacho de 2008, no qual já havia sido superada a questão referente à decadência, a autoridade local afirma que ao tempo em que foi apresentada a manifestação de inconformidade (16/03/2001), a legislação de regência expressamente determinava a inscrição em dívida ativa dos débitos que restassem em aberto após o despacho decisório, e que "por expressa disposição legal, é vedada a compensação com débitos de terceiros" (fl. 913). A DRJ, como exposto, endossa que a legislação de regência, à época, determinava a regular inscrição em dívida ativa, não cabendo mais àquele colegiado a análise do contencioso sobre a matéria. Em sua peça recursal, alega a empresa que (a) a manutenção das inscrições em dívida ativa, com base no entendimento de que não havia efeito suspensivo nos recursos apresentados, anteriores à MP no 135/2003, é avessa à jurisprudência administrativa (fazendo menção aos Acórdãos no 30334202, no 30332136, no 10615615 e no 30334677); (b) com a decisão inicial do Conselho de Contribuintes, restabelecendo o direito de crédito postulado, o processo de restituição voltou à estaca zero, sendo incontroversa a inexigibilidade dos débitos apontados como inscritos em dívida ativa, tanto que para outras compensações, ainda não remetidas a dívida ativa, reconheceuse a possibilidade de compensação de ofício, como no caso da "ADIBOARD S.A."; (c) o crédito calculado pela unidade local é mais do que suficiente para a homologação de todas as compensações, inclusive as referentes a débitos inscritos em dívida ativa; (d) se os valores inscritos em dívida ativa podem ser objeto de "Pedido de Revisão", pela própria RFB, que, posteriormente, solicita o cancelamento da dívida, podem também ser questionados no bojo de defesas administrativas. É de se destacar, de início, que, a nosso ver, o contencioso não "voltou à estaca zero", como pretende a recorrente. O CARF não anulou o despacho decisório inicialmente proferido. Apenas afastou uma de suas fundamentações, a decadência, demandando complementação da análise. E as questões assumidas como incontroversas, em verdade não o são, não se podendo afirmar conclusivamente, na análise dos autos, nem que o débito inscrito em dívida ativa poderia ser objeto de compensação (em verdade, a unidade local textualmente afirma que não poderia, por ser de terceiro, havendo vedação legal), nem que o crédito é suficiente para a homologação de todas as compensações apresentadas. Também a solicitação de revisão de inscrição em dívida ativa, matéria alheia ao contencioso de competência deste colegiado, mas normativamente prevista, está longe de ser idêntica como afirma a recorrente a uma revisão de inscrição em dívida ativa de débito de terceiro. Restaria apenas a discutir se a peça recursal apresentada a título de manifestação de inconformidade, em 16/03/2001, antes da Medida Provisória no 135/2001, teria o condão de suspender a exigibilidade do crédito, impedindo a inscrição em dívida ativa. Sobre o tema, há que se destacar que, apesar dos quatro precedentes administrativos colacionados pela empresa em seu favor, dos anos de 2005, 2006 e 2007, que, adiantese, não vinculam o presente julgamento, entendemos que razão não assiste à recorrente, não pelos motivos externados na decisão da DRJ, sobre o efeito constitutivo (e não declaratório) do dispositivo correspondente, na Medida Provisória, mas porque a matéria foi expressamente submetida ao crivo do Poder Judiciário, em assunto que acabou marginalizado nas decisões posteriores, e que aqui se resgata. Fl. 1427DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 13807.002282/9931 Acórdão n.º 3401003.222 S3C4T1 Fl. 1.356 11 Às fls. 720 a 723, são transcritas peças do Mandado de Segurança no 2002.03.00.0335338/SP, nas quais se dá conta de que a recorrente buscou guarida judicial sustentando o caráter suspensivo do recurso administrativo, que impediria a inscrição em dívida ativa, não encontrando decisão favorável, cf. sentença proferida em 19/09/2002: No caso concreto, a impetrante alegou haver protocolado junto à Secretaria da Receita Federal, pedido de compensação administrativa com crédito de terceiro, na forma do art. 15 da IN n° 21/97, dando inicio ao procedimento administrativo n.° 13807.001192/9913. Esclareceu que o crédito pertencente a terceiro, que seria utilizado para compensação, com seus débitos, consubstanciase objeto de pedido de restituição (p.a. n.° 13807.002282/9931), o qual foi indeferido. Contra esta decisão, afirmou ter sido interposta impugnação administrativa de forma a suspender a exigibilidade de seus débitos, a teor do disposto no art. 151, 111, do Código Tributário Nacional. Sustentou, por fim, estar a Receita Federal violando os princípios do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório, constitucionalmente assegurados, ao exigir o pagamento dos débitos envolvidos no procedimento de compensação, sob pena de inscrição na divida ativa. (...) Assim, impõese verificar se procede a assertiva da impetrante de encontraremse os créditos tributários com a exigibilidade suspensa. por força do disposto no art. 151, III, do Código tributário Nacional. (...) Considerando a cognição sumária desenvolvida neste momento de apreciação de efeito suspensivo ao recurso, tenho que a hipótese prevista no art. 151, III, do CTN não tem a extensão e abrangência pretendida pela impetrante, de molde a suspender a exigibilidade de todo e qualquer crédito tributário envolvido no pedido de compensação. Com efeito, a impugnação administrativa interposta nos autos do pedido de restituição não tem o condão de afastar a legitimidade dos créditos tributários já consolidados, com os quais se pretende efetuar a compensação. A reclamação que suspende a exigibilidade do crédito tributário é a impugnação apresentada pelo contribuinte contra o lançamento do crédito tributário. O indeferimento do pedido de compensação não se insere na hipótese do art. 151, III, do CTN. E, não se encontrando configurada nenhuma das hipóteses normativamente previstas a ensejar a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não há óbice a que seja incluído o nome da agravada no CADIN. (fls. 721/722 grifo nosso) Consultando o processo no sítio do Tribunal Regional Federal da 3a Região (http://web.trf3.jus.br/acordaos/Acordao/BuscarDocumentoGedpro/451754), encontrase Fl. 1428DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 12 decisão posterior, de 06/04/2010, dando provimento à apelação da União Federal e à remessa oficial e negando provimento à apelação da impetrante, assim ementada: TRIBUTÁRIO COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITOS DE TERCEIROS MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE IMPOSSIBILIDADE. 1. A compensação no âmbito da administração pública constitui meio excepcional de extinção de obrigação, admissível apenas e nos moldes legalmente fixados. Sobrepõem os princípios da indisponibilidade do bem público e da prevalência do interesse público sobre o particular. 2. Ausência de direito líquido e certo a ensejar a suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto do pedido de compensação, porquanto não se aplicam ao caso presente o artigo 74, § 2º da Lei n.º 9.430/96, nem o artigo 21, § 2º da IN/SRF 210/02. 3. A hipótese prevista no art. 151, III, do CTN não tem a extensão e abrangência pretendida pela impetrante, de molde a suspender a exigibilidade de todo e qualquer crédito tributário envolvido no pedido de compensação. 4. A reclamação que suspende a exigibilidade do crédito tributário é a impugnação apresentada pelo contribuinte contra o lançamento do crédito tributário. O indeferimento do pedido de restituição de créditos de terceiros não se insere na hipótese do art. 151, III, do CTN. 5. Não se encontrando configurada nenhuma das hipóteses normativamente previstas a ensejar a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não há óbice a que seja incluído o nome da agravada no CADIN. Após tal andamento, o processo foi definitivamente baixado, na origem, conforme consulta ao sítio da Justiça Federal de São Paulo (http://www.jfsp.jus.br/foruns federais/). Assim, em função da unidade de jurisdição, não há que se sustentar, administrativamente, que seria existente a suspensão já afastada pelo juízo, para o mesmo caso. Tal entendimento é absolutamente conforme a Súmula CARF no 1: Súmula CARF no 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Deve, então, no caso, prevalecer o entendimento judicialmente firmado de que a manifestação de inconformidade inicialmente apresentada não suspendeu a exigibilidade do crédito, sendo correta a inscrição em dívida ativa. E, sendo correta a inscrição em dívida ativa, não cabe agora, em sede de contencioso administrativo, o reexame da matéria. Assim, eventual crédito remanescente apenas poderia ser objeto de alocação àquelas compensações que objetivavam débitos de Fl. 1429DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 13807.002282/9931 Acórdão n.º 3401003.222 S3C4T1 Fl. 1.357 13 terceiros, já inscritos em dívida ativa, em procedimento alheio à competência deste colegiado administrativo. Improcedente, destarte, o recurso voluntário no que se refere ao assunto. Da DCOMP de final 9719 e das demais alegações recursais Após a decisão da segunda instância administrativa, pelo afastamento da decadência, e depois de a DRJ ter retornado o processo à unidade, para a complementação da apreciação, a recorrente transmitiu a DCOMP no 16018.77600.050307.1.7.049719, em 05/03/2007, cf. fls. 17 a 20 do processo no 10880.721242/200891, apenso. A unidade local inicialmente entendeu que tal compensação deveria ser considerada como não declarada, mas, atendendo a decisão da Superintendência jurisdicionante, acabou por considerar também os débitos nela inscritos, compensandoos com os créditos ainda disponíveis. No entanto, os créditos disponíveis revelaramse, a priori, insuficientes. Apesar do disposto no tópico anterior, em relação a ação judicial impetrada, sem êxito, buscando efeito suspensivo, não consta que a autoridade administrativa tenha negado a atribuição de efeito suspensivo aos débitos próprios indicados na DCOMP de final 9719, transmitida após o advento da Medida Provisória no 135/2001, pelo que a reclamação recursal padece de vínculo com a realidade dos autos. Sobre erros de cálculo, alega ainda a recorrente que: (a) o crédito indevidamente deduzido, no valor de NCZ$ 195.522.956,00, relativo à COFINS de 1993, decorre de desistência da compensação, com pagamento em fevereiro de 1994, devidamente atualizado, tendo sido estornado em sua contabilidade; (b) a utilização indevida da UFIR de dezembro de 1995, nos cálculos da fiscalização, contraria, inclusive, a Norma de Execução COSIT/COSAR no 08/1997 e o Parecer PGFN/CRJ no 2.601/2008, sendo a Lei no 9.250/1995, ao tratar do tema, aplicável a todas as conversões, não só as referentes a IRPJ; e (c) o critério de imputação de pagamento adotado na compensação, pela administração tributária, não tem base legal, e os artigos 163 e 167 do Código Tributário Nacional não trazem qualquer regra sobre imputação de juros e principal nas compensações, assim como a revogação do artigo 374 do Código Civil não prejudica a aplicação do disposto no artigo 354, do mesmo código civil, ao caso. Sobre a primeira alegação de erro de cálculo, é de se recordar que ao crédito já reconhecido, e que se revelou insuficiente, foi agregada ainda parcela reconhecida em sede de diligência (fls. 1247 a 1249), derivada do pagamento efetuado. No relatório da diligência, informase (fl. 1247): Em relação à cópia do Diário apresentada às fls. 989/997 e fls 1.124/1.130 foram verificados os lançamentos efetuados para os 03 Darfs. das fls.1120...1122, (recolhidos em atraso), os quais foram identificados manualmente, pelo contribuinte, no Diário, com os códigos " 1 " , "2" e " 3 " e constatouse que os lançamentos efetuados referemse exclusivamente aos recolhimentos efetuados para a Cofins; portanto não se trata de Fl. 1430DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 14 estorno de compensação. Assim, no primeiro lançamento fora levado a débito da conta 2.061.003 Finsocial e a crédito da conta 2.067.001 Outros trânsitos Passivos, o valor CR$ 255.220.863,93. Na seqüência fora debitado a conta 2.067.001 e creditado a conta 2.066.009 Impostos a Recolher no valor de CR$ 255.220.863,93. Ao efetuar o recolhimento para os 03 Darfs fora efetuado o lançamento a débito da conta 2.066.009 Impostos a Recolher no valor de CR$ 255.220.863,93 e da conta 3.140.020 CM s/impostos no valor de CRS 220.326.853,86 e a crédito da conta 1.002.145 BCM ITAU CRS conta 009079 no valor de CRS 475.547.717,79. Ao final da diligência, a própria unidade local reconhece, em despacho, o direito de crédito correspondente, o que não nos impede de aqui registrar que decorrem de parcial procedência (agora incontroversa) do recurso voluntário apresentado. No entanto, a recorrente questiona, mesmo após a diligência, a existência de estornos, afirmando que apresenta cópias do Diário que se prestam a irrefutavelmente comprovar a operação (fls. 1298/1305). Compulsando tais documentos, não identifiquei os atributos de certeza e liquidez necessários à comprovação do direito de crédito, pelo que endosso o teor da diligência, que contou, como exposto, com a participação e com o fornecimento de dados da própria recorrente. A segunda alegação de erro de cálculo utilização incorreta da UFIR para conversão foi assim efetuada na manifestação de inconformidade (fl. 1031): O julgador de piso entendeu que o artigo 2o da Lei no 9.250/1995 versava sobre imposto de renda de pessoas físicas, não se aplicando ao caso em análise, no que lhe assiste razão. A empresa, no entanto, em seu recurso voluntário, ao invés de reconhecer que usou apenas o dispositivo errado (artigo 2o da Lei no 9.250/1995, ao invés de artigo 30 da Lei no 9.249/1995) em sua manifestação de inconformidade, simplesmente afirma (fl. 1138), que: Fl. 1431DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 13807.002282/9931 Acórdão n.º 3401003.222 S3C4T1 Fl. 1.358 15 Analiso o dispositivo legal trazido inauguralmente no recurso voluntário (artigo 30 da Lei no 9.249/1995) apenas por entender tratarse de matéria de ordem pública, registrando que a RFB deve cumprimento a seus ditames. Por mais que não tenha a recorrente objetivamente apontado de que forma houve erro de conversão, no cálculo, sequer indicando em que páginas ou planilhas ocorrem, e se limite a afirmar que "analisando os cálculos da DERAT, percebese que no momento da conversão de tais valores em UFIR a DERAT acabou utilizando, equivocadamente, a UFIR de dezembro de 1995 (0, 7952) ao invés de quantificar o crédito com a UFIR de 1o de janeiro de 1996 (0,8267)", insistindo na aplicação do artigo 2o da Lei no 9.250/1995, há que se registrar à unidade local que, na liquidação do presente julgado, certifiquese de que houve cumprimento ao disposto no artigo 30 da Lei no 9.249/1995. Também tal matéria, aqui, será considerada como provimento parcial ao recurso, com a ressalva de que tal provimento assegura tãosomente a garantia de cumprimento ao disposto no artigo 30 da Lei no 9.249/1995, na liquidação administrativa do julgado, e não o reconhecimento de que tenha havido, de fato, erro no cálculo da conversão da UFIR. Por fim, aponta ainda a recorrente erro na imputação dos pagamentos, defendendo que o critério de imputação de pagamento adotado na compensação, pela administração tributária, não tem base legal, e os artigos 163 e 167 do Código Tributário Nacional não trazem qualquer regra sobre imputação de juros e principal nas compensações, assim como a revogação do artigo 374 do Código Civil não prejudica a aplicação do disposto no artigo 354, do mesmo código civil, ao caso. Sobre o tema, há que se salientar que o Código Civil não se aplica ao caso, por haver disposição específica na legislação tributária, a começar pela própria codificação (artigo167), e a ser complementado (cf. artigo 163) pelas disposições infralegais procedimentais, para implementação da proporcionalidade referida no Código Tributário Nacional. Por mais que possa parecer óbvio, há que se registrar que na imputação de pagamentos em matéria tributária não se aplica a legislação civil, mas a legislação tributária. Das conclusões Fl. 1432DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 16 Pelo exposto, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário apresentado, para reconhecer o direito de crédito levantado no relatório de diligência e para garantir a aplicação, ao caso, do disposto no artigo 30 da Lei no 9.249/1995. Rosaldo Trevisan Fl. 1433DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL
score : 1.0
Numero do processo: 11543.720211/2014-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Sep 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
MOLÉSTIA GRAVE. APOSENTADORIA. NÃO COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Não comprovado que os valores percebidos são provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão, não se completam os requisitos exigidos pela regra de isenção do imposto de renda pessoa física, devendo os rendimentos serem oferecidos à tributação pela tabela progressiva.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.435
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo Presidente
(assinado digitalmente)
Túlio Teotônio de Melo Pereira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Amílcar Barca Teixeira Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA
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DOENÇA GRAVE. ISENÇÃO. Recorrente ANDRÉ LAMEGO SCHULER Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 MOLÉSTIA GRAVE. APOSENTADORIA. NÃO COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não comprovado que os valores percebidos são provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão, não se completam os requisitos exigidos pela regra de isenção do imposto de renda pessoa física, devendo os rendimentos serem oferecidos à tributação pela tabela progressiva. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 72 02 11 /2 01 4- 55 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo – Presidente (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Amílcar Barca Teixeira Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO Processo nº 11543.720211/201455 Acórdão n.º 2402005.435 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Inicialmente, transcrevemos o relatório da decisão recorrida (fls. 75/78), por bem retratar os fatos ocorridos até aquele momento: Trata o presente processo de Notificação de Lançamento (folhas 9 a 18), referente a Imposto de Renda Pessoa Física exercício 2012, em razão de trabalho de malha em que foi apurado rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave e omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, tendo resultado em redução do imposto restituir. Em sua impugnação de folha 3 o sujeito passivo alega que os rendimentos considerados como omitidos são isentos, por terem sido percebidos por portador de moléstia grave, conforme documentos que junta ao processo, de forma a comprovar seu direito à isenção desde 28/06/2011. A impugnação foi julgada improcedente, por meio do acórdão no 0440.061 4a Turma da DRJ/CGE (fls. 75/78) fundamentado nos seguintes termos: Para comprovar a portabilidade da doença grave, o contribuinte traz aos autos os Laudos Médico Periciais de fls. 23 e 25, emitidos pelo Instituto de Previdência dos Servidores do Estado do Espírito Santo, nos quais se informa que o sujeito passivo é portador de cardiopatia grave CID I 71, a partir de 28/06/2011, a qual se enquadra naquelas doenças arroladas no art. 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713, de 1988. Conforme Portaria nº 1.521, de 02 de dezembro de 2013 (fls. 43), foi concedido ao contribuinte o benefício de aposentadoria por invalidez permanente, com proventos integrais, a partir de 28 de junho de 2013. Observase, portanto, que o contribuinte passou à condição de aposentado a partir de 28 de junho de 2013, no entanto, os rendimentos que foram considerados como omitidos se referem ao anocalendário de 2011. Assim, as alegações do impugnante não merecem prosperar, pois não foram cumpridos totalmente os requisitos exigidos pela legislação para fins de isentar seus proventos da incidência do imposto. Cientificado da decisão da DRJ em 19/02/2016 (f. 90), o sujeito passivo apresentou recurso voluntário (fls. 82/83), em 29/02/2016, aduzindo, em síntese, que não foi levado em conta o laudo médico da perícia, datado de 28/06/2011. Assim, a Receita Federal não pode fundarse no fato de o IPAJM ter publicado a aposentadoria sem levar em consideração a data de constatação da doença em 28/06/2011. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO 4 Requer o provimento do recurso e o reconhecimento à plena isenção tributária. Anexa documentos (fls. 84/88). É o relatório. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO Processo nº 11543.720211/201455 Acórdão n.º 2402005.435 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator O recurso, apresentado no trintídio assinalado pelo art. 33 do Decreto no 70.235/72, é tempestivo. Presentes os demais requisitos, deve ser conhecido. Isenção decorrente de doença grave Temse em pauta recurso voluntário no qual o Interessado pretende que seja reconhecido seu direito à isenção do imposto de renda pessoa física, alegando que é portador de doença grave e que os valores recebidos são provenientes de aposentadoria. Para o gozo da isenção pleiteada, a Lei no 7.713/1988 estabelece os seguintes requisitos: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente sem serviços, e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerosemúltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 8.541, de 1992) (Vide Lei 9.250, de 1995) (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. (Incluído pela Lei nº 8.541, de 1992) (grifouse) Dos dispositivos transcritos, verificase que são dois os requisitos, que devem ser cumpridos cumulativamente, para o exercício do direito à isenção pleiteada: a) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão; Fl. 96DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO 6 b) que o contribuinte seja portador de uma das doenças enumeradas no inciso XIV, do art. 6o, da Lei no 7.713/1988. Ademais, partir do anocalendário 1996, a Lei no 9.250/1995 qualificou a comprovação do segundo requisito nos seguintes termos: Art. 30 A partir de 1° de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (grifouse) Na espécie, do exame dos documentos constantes dos autos, temse que: (a) o contribuinte é portador de cardiopatia grave CID I 71, a partir de 28/06/2011, a qual se enquadra naquelas doenças arroladas no art. 6°, inciso XIV da Lei n° 7.713, de 1988, conforme laudos médicos periciais (fls. 23 e 25) emitidos por serviço médico oficial (Instituto de Previdência dos Servidores do Estado do Espírito Santo); (b) foi concedida ao contribuinte o benefício de aposentadoria por invalidez permanente, com proventos integrais, a partir de 28 de junho de 2013, conforme Portaria n° 1.521, de 02 de dezembro de 2013 (fls. 43). Logo, uma vez que a aposentadoria somente foi concedida a partir de 28/06/2013, os valores objeto do lançamento, relativos ao anocalendário 2011, caracterizam se como rendimentos do trabalho, não alcançados regra de isenção. Nestes termos, correta a decisão recorrida, pelo que se nega provimento ao recurso voluntário nesta matéria. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO
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Numero do processo: 10730.721184/2013-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
ISENÇÃO DE IRPF. MOLÉSTIA GRAVE. Comprovado por laudo oficial da União que a moléstia grave está incluída no rol da lei concessiva (Art. 6, Inc. XIV da Lei 7.713/88) e que os recursos recebidos referem-se à aposentadoria, reforma ou pensão, há que se conceder o benefício fiscal ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-004.481
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Cleci Coti Martins - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 ISENÇÃO DE IRPF. MOLÉSTIA GRAVE. Comprovado por laudo oficial da União que a moléstia grave está incluída no rol da lei concessiva (Art. 6, Inc. XIV da Lei 7.713/88) e que os recursos recebidos referem-se à aposentadoria, reforma ou pensão, há que se conceder o benefício fiscal ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido.
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MOLÉSTIA GRAVE. Comprovado por laudo oficial da União que a moléstia grave está incluída no rol da lei concessiva (Art. 6, Inc. XIV da Lei 7.713/88) e que os recursos recebidos referemse à aposentadoria, reforma ou pensão, há que se conceder o benefício fiscal ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 11 84 /2 01 3- 87 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 26/09/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 26/09/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10730.721184/201387 Acórdão n.º 2401004.481 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Recurso voluntário interposto em 05/06/2013 em face do Acórdão 1254.832 18a Turma da DRJ/RJII, que considerou improcedente a impugnação do contribuinte para o crédito tributário objeto deste processo. O Acórdão recorrido, cuja ciência pelo contribuinte deuse em 17/05/2013, está assim ementado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. Para serem isentos do imposto de renda pessoa física, os rendimentos deverão necessariamente ser provenientes de pensão, aposentadoria ou reforma, assim como deve estar comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que o interessado é portador de uma das moléstias apontadas na legislação de regência. Irresignado, o contribuinte alega que possui neoplasia maligna desde 04/10/2006, conforme certidão 1123/2012 emitida pelo Centro de Perícias Médicas da Marinha e apresentou declaração de IRPF retificadora, o que teria gerado o crédito tributário deste processo. Neste recurso, apresenta documento Portaria de Reforma n. 0024/SIPM, de 28 de janeiro de 2013, publicada no DOU em 30/01/2013, Seção 2, pg. 7, que transforma a <reserva remunerada> em <reforma por invalidez definitiva>, com efeitos retroativos a 04/10/2006. Desta forma, não mais deve ter seus proventos de reforma tributados pelo IRPF a partir daquela data, conforme dispositivo legal vigente. É o relatório. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 26/09/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 Voto Conselheira Maria Cleci Coti Martins Relatora O recurso é tempestivo, atende aos requisitos legais e deve ser conhecido. A fundamentação legal para a isenção do IRPF para proventos de aposentadoria ou reforma motivados por acidente em serviço e recebidos pelos portadores neoplasia maligna (dentre outras moléstias graves relacionadas) está consignada no acórdão recorrido (Art. 6, Inc. XIV da Lei 7.713/88). Entendo que o contribuinte apresentou os documentos comprobatórios necessários para usufruir o benefício: possui laudo emitido por serviço médico oficial da União e a portaria de transformação da reserva remunerada para reforma a partir de 2006. A concessão de aposentadoria ou reforma para servidores é um ato complexo, que exige não apenas a aprovação pelo órgão concedente, mas também a chancela do Tribunal de Contas da União. O ato de concessão da Reforma do contribuinte por invalidez, com data retroativa está comprovada no processo pela anexação das folhas da publicação do ato no Diário Oficial da União parte 2, do dia 30/01/2013, através da Portaria SIPM de 28/01/2013, e foi considerada legal pelo Tribunal de Contas da União, conforme Acórdão 2566/2014 proferido pela 2a. Câmara, na análise do processo TC012.125/20148, disponível no sítio do TCU (http://www.tcu.gov.br/Consultas/Juris/Docs/judoc/RELAC/20140613/RL_0011_19_14_2_AA.doc). Dado o exposto, voto pelo provimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 26/09/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720312/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
NULIDADE. PEDIDO DE PRORROGAÇÃO DE PRAZO PARA JUNTADA DE DOCUMENTOS AOS AUTOS. FALTA DE RESPOSTA DA FISCALIZAÇÃO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO.
Não subsiste nulidade por cerceamento ao direito de defesa pela falta de resposta da fiscalização referente a pedido de prorrogação de prazo para juntada de documentação solicitada no curso do procedimento fiscal, já que a Recorrente deve se valer das duas oportunidades para se pronunciar sobre o resultado do procedimento fiscal: após a notificação e após a edição do ADE. Portanto, se disponível a documentação, independentemente de qualquer resposta da fiscalização, poderá ser juntada aos autos pela própria Recorrente.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
IMUNIDADE. INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL, SEM FINS LUCRATIVOS. RETORNO DE PATRIMÔNIO AOS ASSOCIADOS QUANDO DA EXTINÇÃO DA INSTITUIÇÃO. DESVIO DE FINALIDADE NÃO CONFIGURADO.
Mesmo que haja previsão estatutária permitindo o retorno de patrimônio aos associados quando da extinção da instituição de educação e de assistência social, não se caracteriza o desvio de finalidade capaz de inviabilizar a imunidade. Para que a entidade se enquadre no disposto do artigo 14 inciso II do CTN, efetivamente deve ocorrer a extinção da instituição. Se a fiscalização não comprovar que houve a extinção, teria que provar que a distribuição efetivamente ocorreu. Portanto, cabe ao fisco o ônus da prova quanto a infringência ao artigo 14 inciso II do CTN relacionado a dita previsão estatutária.
REMUNERAÇÃO INDIRETA DE DIRIGENTES. DESVIO DE FINALIDADE NÃO CONFIGURADO.
Quando há comprovação de que as despesas com passagem aérea e estadia são compatíveis com a atividade da entidade, não há que se falar em suspensão da imunidade tributária nem configuração de desvio de finalidade. O mesmo vale, no caso concreto, para a manutenção de um apartamento residencial no patrimônio da entidade, que é utilizado para hospedar os profissionais contratados para a prestação de serviços à esta.
AUSÊNCIA DE PROVAS HÁBEIS. REGULARIDADE NA DESTINAÇÃO DOS RECURSOS DA ENTIDADE IMUNIZADA NÃO CONFIGURADA.
De acordo com a legislação em vigor, para fins de comprovar que não distribui, a qualquer título, parcelas de seu patrimônio ou de suas rendas, e aplica integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais, as entidades imunes devem manter escrituração capaz de assegurar sua exatidão, o que não se verificou no caso em que a entidade sequer foi capaz de comprovar a maior parte das despesas contabilizadas, fato a comprometer, de forma irreversível, a comprovação de regularidade na destinação dos recursos da entidade.
ISENÇÃO PROUNI. COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL. DÉBITOS CONFIGURADOS.
Para regularmente usufruir da imunidade tributária referente ao Programa Universidade para Todos (PROUNI), deve a entidade isenta comprovar, ao final de cada ano-calendário a quitação de tributos e contribuições federais administrados pela Secretaria da Receita Federal, sob pena de desvinculação do Programa. Todavia, quando existentes débitos de contribuição previdenciária em execução fiscal, não mais se aplicam os preceitos da suspensão da exigibilidade, restando inviabilizada a manutenção da isenção do PROUNI.
Numero da decisão: 1402-002.326
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella e Demetrius Nichele Macei.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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PEDIDO DE PRORROGAÇÃO DE PRAZO PARA JUNTADA DE DOCUMENTOS AOS AUTOS. FALTA DE RESPOSTA DA FISCALIZAÇÃO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO. Não subsiste nulidade por cerceamento ao direito de defesa pela falta de resposta da fiscalização referente a pedido de prorrogação de prazo para juntada de documentação solicitada no curso do procedimento fiscal, já que a Recorrente deve se valer das duas oportunidades para se pronunciar sobre o resultado do procedimento fiscal: após a notificação e após a edição do ADE. Portanto, se disponível a documentação, independentemente de qualquer resposta da fiscalização, poderá ser juntada aos autos pela própria Recorrente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 IMUNIDADE. INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL, SEM FINS LUCRATIVOS. RETORNO DE PATRIMÔNIO AOS ASSOCIADOS QUANDO DA EXTINÇÃO DA INSTITUIÇÃO. DESVIO DE FINALIDADE NÃO CONFIGURADO. Mesmo que haja previsão estatutária permitindo o retorno de patrimônio aos associados quando da extinção da instituição de educação e de assistência social, não se caracteriza o desvio de finalidade capaz de inviabilizar a imunidade. Para que a entidade se enquadre no disposto do artigo 14 inciso II do CTN, efetivamente deve ocorrer a extinção da instituição. Se a fiscalização não comprovar que houve a extinção, teria que provar que a distribuição efetivamente ocorreu. Portanto, cabe ao fisco o ônus da prova quanto a infringência ao artigo 14 inciso II do CTN relacionado a dita previsão estatutária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 03 12 /2 01 2- 11 Fl. 5149DF CARF MF 2 REMUNERAÇÃO INDIRETA DE DIRIGENTES. DESVIO DE FINALIDADE NÃO CONFIGURADO. Quando há comprovação de que as despesas com passagem aérea e estadia são compatíveis com a atividade da entidade, não há que se falar em suspensão da imunidade tributária nem configuração de desvio de finalidade. 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Fl. 5150DF CARF MF Processo nº 19515.720312/201211 Acórdão n.º 1402002.326 S1C4T2 Fl. 5.041 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella e Demetrius Nichele Macei. Fl. 5151DF CARF MF 4 Relatório Adoto, o relatório da DRJ em São Paulo I (SP), apenas com supressão de detalhes que me pareceram repetitivos ou irrelevantes. Trata se de impugnação ao Ato Declaratório Executivo nº 217, de 31 de agosto de 2012, emitido pela Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização – Defis em São Paulo/SP (publicado no DOU em 17/09/2012), que declarou a suspensão da imunidade e da isenção tributárias da FEBASP Associação Civil, previstas, respectivamente, nos arts. 150, VI, “c” da Constituição Federal, e art. 8º da Lei nº 11.096, de 13 de janeiro de 2005, por descumprimento, no anocalendário 2007, dos requisitos do art. 14 do CTN e do art. 12, §2º e incisos da Lei nº 9.532, de 1997. Com base no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 08.1.90.002010036562, de 27/10/2010, foi instaurada fiscalização na entidade, cuja conclusão se encontra descrita, nos seguintes termos, na Notificação Fiscal de Suspensão da Imunidade e Perda da Isenção do Prouni (fls. 4628/4634): Fl. 5152DF CARF MF Processo nº 19515.720312/201211 Acórdão n.º 1402002.326 S1C4T2 Fl. 5.042 5 Fl. 5153DF CARF MF 6 Intimada da Notificação Fiscal, por via postal, a entidade apresentou a sua defesa de fls. 4636/4653, acompanhada da documentação de fls. 4655/4801. Em 31/08/2012, foi emitido o Parecer de fls. 4807/4820, cuas conclusões vão abaixo reproduzidas: 3.10 DA CONCLUSÃO "Pelo exposto, é de se reconhecer a lisura da Notificação Fiscal emitida, bem como, que restou plenamente comprovado que a Entidade não cumpre os ditames do § 3º do artigo 195 da Constituição Federal, artigo 14 do Código Tributário Nacional, do artigo 12 da Lei nº 9.532/97, em seu § 2º, alíneas “a”, “b”, “d”, “g”, artigo 13 e parágrafo único e no artigo 4º da Instrução Normativa SRF nº 456/2004, não fazendo jus à imunidade preconizada pela alínea “c” do inciso VI do artigo 150 da Constituição Federal. bem como não faz jus à isenção prevista na Lei nº 11.096/2005." Com base no Parecer foi emitido o Despacho Decisório em 31/08/2012 (fls. 4821), para que fossem adotados os procedimentos tendentes à suspensão da imunidade e da isenção tributárias, relativamente ao anocalendário 2007, por inobservância do art. 14 do CTN e art. 4º da Instrução Normativa nº 456, de 2004, o que foi efetivado com a edição do Ato Declaratório Executivo nº 217, de 31 de agosto de 2012 (fls. 4822), publicado no DOU de 17/09/2012 (fls. 4823). Cientificada do ato administrativo, a entidade apresentou a impugnação de fls. 4828/4854, em 17/10/2012, na qual se destacam as razões a seguir sintetizadas. Requer a nulidade do feito por falta de comprovação das acusações formalizadas pela autoridade fiscal, entre as quais: (i) a prova de que o Diretor Presidente e outros membros da família deteriam cargos vitalícios, com exacerbados salários, por eles mesmos fixados, haja vista que contratados como empregados deles próprios; (ii) a prova de que a entidade teria efetuado pagamentos relativos a despesas de caráter pessoal aos seus dirigentes, tais como, passagens aéreas, estadias e apartamento de uso residencial. Fl. 5154DF CARF MF Processo nº 19515.720312/201211 Acórdão n.º 1402002.326 S1C4T2 Fl. 5.043 7 Para a Recorrente, não haveria prova de que esses fatos estariam sendo praticados com vistas a frustrar os requisitos legais da imunidade tributária e/ou trazer qualquer benefício ou vantagem individual aos dirigentes e associados. Colaciona decisões do Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF) acerca do ônus da prova do fisco, e de que, no caso da suspensão da imunidade, deve ser provado o desvio de finalidade. Invoca os princípios da legalidade e da verdade material, e para afirmar a ausência de comprovação da acusação fiscal assim conclui: No caso dos autos, percebese facilmente que a Fiscalização afastouse da verdade material ao pretender imputar à Impugnante práticas supostamente infrativas ou lesivas ao Erário, sob afirmações genéricas de que o "Estatuto Social é característico de instituições com fins lucrativos" ou que "a existência de um a apartamento residencial configura vantagem pessoa ao dirigente ". Contra a autoridade fiscal, afirma a ocorrência de excesso de exação, abuso e desvio de poder. Diz que com o presente procedimento, nem o interesse público foi atingido, nem o direito individual preservado, em suas palavras: Ao suspender a imunidade tributária de uma instituição que há mais de 86 anos exerce o seu papel fundamental de substituir o Estado no aprimoramento cultural e educacional da sociedade, a Fiscalização tributária não agiu na persecução do interesse público, eis que a conseqüência do ato dificultará ou talvez inviabilizará o cumprimento de tão nobre e meritória atividade desenvolvida pela Impugnante. E o ato também não preservou o direito individual da Impugnante, na medida em que está pautado em fatos que não possuem correlação com a realidade diária da instituição e não comprovados pela Fiscalização, o que dificulta até mesmo o exercício do direito de defesa. Afirma ainda a ocorrência de cerceamento ao direito de defesa de vez que teria apresentado pedido de prorrogação de prazo, completamente ignorado pela fiscalização, para juntada da documentação solicitada. Novamente transcreve ementa de julgado do Conselho de Contribuintes, no qual a eficácia da suspensão de imunidade ficou condicionada a provas do desvio de finalidade, e que não se prestariam como tais: a indedutibilidade das despesas contabilizadas que, pela sua natureza, não representaram distribuição de qualquer parcela do patrimônio ou de rendas da entidade; e (ii) o pagamento de remuneração a dirigentes e ocupantes de cargos executivos. No mérito, divide a impugnação nos seguintes tópicos: 1. Do Objeto Social da Associação Nesse tópico, diz que seria uma pessoa jurídica de direito privado, constituída sob a forma de associação civil, sem fins lucrativos, e tem por objeto social, precipuamente, "propiciar à infância, à adolescência, à mocidade e à população em geral condições e oportunidade de instrução e aprimoramento educacional, por meio de instalação e funcionamento de escolas de todos os graus e modalidades de ensino, de acordo com a legislação em vigor, conforme as exigências do município, da região e do pais e, ainda, a prestação de serviços diversos à comunidade em colaboração com os Poderes Públicos (...)." (sem destaques no original) (Artigo 2º, inciso I, do Estatuto Social)" Fl. 5155DF CARF MF 8 Destaca que conforme a norma estatutária, prestaria serviços educacionais em todos os graus de escolaridade, o que compreenderia o ensino superior, sendo indevida a acusação de que não prestaria os serviços para os quais teria sido constituída. Faz referência aos preceitos constitucionais a prescrever a imunidade tributária das instituições de educação, sem fins lucrativos (art. 150, VI, ‘c’ da CF), posto que a educação seria uma necessidade básica do cidadão 2. Da Destinação do Patrimônio da Associação Contesta a afirmação fiscal de que, sob pena de violação do art. 14, I, do CTN, o estatuto social de uma entidade imune não poderia conter cláusula a estipular a reversão do patrimônio da instituição em benefício dos associados, em caso de extinção. 3. Da ausência de remuneração aos associados Com base no art. 7ºA da Lei nº 9.131, de 1994 (incluído pela Lei nº 9.870,de 1999), a seguir transcrito, a FEBASP constituiuse como associação, mantenedora do Centro de Belas Artes de São Paulo (entidade mantida): "Art. 7ºA. As pessoas jurídicas de direito privado mantenedoras de instituições de ensino superior, previstas no inciso II do art. 19 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, poderão assumir qualquer das formas admitidas em direito, de natureza civil ou comercial e, quando constituídas como fundações, serão regidas pelo disposto no art. 24 do Código Civil Brasileiro. (Artigo incluído pela Lei nº9.870, de 23.11.1999)". 4. Do cumprimento dos requisitos legais para usufruir a imunidade Para a Recorrente, o cumprimento dos preceitos do art. 14 do CTN, assim como do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997, seriam comprovados pela simples leitura dos estatutos sociais da associação, em que constam as seguintes cláusulas: 5. Das ações judiciais Questiona a suspensão da imunidade, por conta da existência de débitos de contribuições destinadas à seguridade social, cuja exigibilidade estaria sendo discutida judicialmente. 6. Da boa ordem dos documentos contábeis da Associação Quanto à acusação de irregularidade na guarda dos documentos fiscais comprobatórios de algumas despesas, diz que não procede. (pg. 27 do Acórdão DRJ) 7. Da inexistência de remuneração indireta Da mesma forma diz que a acusação de pagamento de vantagens indiretas aos dirigentes e associados, por conta de assunção de despesas pessoais de viagens e estadias não teria respaldo probatório. Requer o cancelamento do ato administrativo que suspendeu a imunidade e a isenção tributárias da entidade. A autoridade preparadora manifestouse pela tempestividade da impugnação ao Ato Declaratório Executivo, e apesar da falta de impugnação aos lançamentos, manteve o Fl. 5156DF CARF MF Processo nº 19515.720312/201211 Acórdão n.º 1402002.326 S1C4T2 Fl. 5.044 9 crédito tributário no processo, porque a sua exigibilidade dependeria da confirmação da suspensão da imunidade/isenção tributárias. Em 23/04/2013, o processo foi encaminhado à DRJ São Paulo (fls. 4939/4941). Às fls. 4942, consta Ofício nº 8.790/2013 do Ministério Público Federal, de 03/06/2013, recebido em 10/06/2013, no qual foi solicitado o encaminhamento de cópia integral dos Autos de Infração lavrados em decorrência do ADE, assim como, a informação de decisão administrativa, com requerimento de que fosse dada prioridade ao julgamento, haja vista a pendência de procedimento de caráter penal nº 000043431.2012.403.6181, em trâmite na 1ª Vara Federal Criminal. Passo, agora, a complementar o relatório da DRJ, cuja decisão restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. FALTA DE RESPOSTA DE PEDIDO DE PRORROGAÇÃO DE PRAZO. Não configura cerceamento ao direito de defesa a falta de resposta da fiscalização a pedido de prorrogação de prazo para atendimento de intimação, porque se disponível, a documentação poderia ter sido juntada aos autos pela própria Impugnante, independentemente de qualquer resposta da fiscalização. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 IMUNIDADE. INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL, SEM FINS LUCRATIVOS. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS. Deve ser suspensa a imunidade tributária da instituição de educação, quando se comprove: (i) haver previsão estatutária, em caso de extinção da entidade, de restituição aos associados das contribuições feitas ao patrimônio da entidade (devidamente atualizadas); (ii) a efetiva distribuição aos associados, mediante remuneração direta incompatível, de expressivas parcelas de seu patrimônio ou de suas rendas; e (iii) a falta de manutenção de escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão, na medida em que não comprovada grande parte das despesas contabilizadas, fato a comprometer de forma irreversível a regularidade da destinação dos recursos da entidade. ISENÇÃO. PROUNI. COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS. Para a regular adesão da instituição de ensino superior ao Programa Universidade para Todos PROUNI,deve a entidade isenta comprovar, ao final de cada anocalendário, a quitação de tributos e contribuições federais administrados pela Secretaria da Receita Federal, sob pena de desvinculação do Programa. Fl. 5157DF CARF MF 10 A existência débitos de contribuição previdenciária em execução fiscal, aos quais não mais se aplicam os preceitos da suspensão da exigibilidade, inviabiliza a manutenção da isenção do PROUNI. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Diante da improcedência da defesa, surge o recurso voluntário submetido ao julgamento desta turma. É o relatório. Fl. 5158DF CARF MF Processo nº 19515.720312/201211 Acórdão n.º 1402002.326 S1C4T2 Fl. 5.045 11 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, pelo que dele conheço. Quanto à invocada nulidade do feito, por falta de comprovação das acusações formalizadas pela autoridade fiscal, a argüição deve ser apreciada como matéria de mérito. Nesse mesmo contexto, é que serão analisadas as alegações sobre o excesso de exação, abuso e desvio de poder. Por outro lado, concordo não subsistir a nulidade por cerceamento ao direito de defesa, devido à falta de resposta da fiscalização a pedido de prorrogação de prazo, para juntada da documentação solicitada no curso do procedimento fiscal porque, se disponível, independentemente de qualquer resposta da fiscalização, a documentação poderia ter sido juntada aos autos pela própria Recorrente, ao menos, nas duas oportunidades que teve para se pronunciar sobre o resultado do procedimento fiscal (após a notificação e após a edição do ADE). Não se vislumbra qualquer prejuízo à defesa decorrente da falta de resposta da fiscalização a pedido de prorrogação de prazo para entrega de documentos. No mérito, conforme constou nas conclusões do Parecer, que fundamentou a edição do Ato Declaratório Executivo impugnado, a suspensão da imunidade tributária foi efetivada porque constatada violação aos preceitos constitucionais abaixo transcritos: CONSTITUIÇÃO FEDERAL Seção II DAS LIMITAÇÕES DO PODER DE TRIBUTAR Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI instituir impostos sobre: (Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) (...) c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; (...) § 1º A vedação do inciso III, b, não se aplica aos tributos previstos nos arts. 148, I, 153, I, II, IV e V; e 154, II; e a vedação do inciso III, c, não se aplica aos tributos previstos nos arts. 148, I, 153, I, II, III e V; e 154, II, nem à fixação da base de cálculo dos impostos previstos nos arts. 155, III, e 156, I. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) Fl. 5159DF CARF MF 12 (...) § 4º As vedações expressas no inciso VI, alíneas "b" e "c", compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas. (...) Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (Vide Emenda Constitucional nº 20, de 1998) I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) § 3º A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. (...) § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. (...) Diante dos preceitos constitucionais, tanto no caso da imunidade em relação aos impostos (art. 150, VI, “c”) das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, como da imunidade em relação às contribuições para a seguridade social (art. 195, §7º) das entidades beneficentes de assistência social , é a Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, com status de Lei Complementar que dá conteúdo ao conceito de entidades sem fins lucrativos ou beneficentes, nos seguintes termos: CAPÍTULO II Limitações da Competência Tributária SEÇÃO I Disposições Gerais Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV cobrar imposto sobre: (...) Fl. 5160DF CARF MF Processo nº 19515.720312/201211 Acórdão n.º 1402002.326 S1C4T2 Fl. 5.046 13 c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das insti tuições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos , observados os requisi tos f ixados na Seção II deste Capítulo (Redação dada pela Lei Complementar nº 104, de 10.1.2001); (...) Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer t í tulo (Redação dada pela Lei Complementar nº 104, de 10.1.2001); II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objet ivos insti tucionais; III manterem escri turação de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão . § 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. § 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente , os diretamente relacionados com os objet ivos insti tucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos consti tutivos ." De acordo com a Lei Complementar, a instituição de educação e de assistência social sem fins lucrativos é aquela que: (i) não distribui, a qualquer título, parcelas de seu patrimônio ou de suas rendas, (ii) aplica integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; e, para poder comprovar o cumprimento dos requisitos anteriores, (iii) mantém escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. Para regulamentar os preceitos constitucionais acerca da imunidade das contribuições para a seguridade social (Contribuições Previdenciárias, CSLL, PIS e Cofins) das entidades beneficentes de assistência social, foi editada a Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que assim dispôs em seu art. 55, verbis: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 [Contribuições Previdenciárias] e 23 [Cofins e CSLL] desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; Fl. 5161DF CARF MF 14 II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, inst i tuidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer t í tulo; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objet ivos insti tucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3º Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). § 4º O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). § 5º Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). § 6º A inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este art igo, em observância ao disposto no § 3º do art . 195 da Consti tuição . (Incluído pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). Na regulamentação da imunidade dos impostos das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, foi editada a Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, em que os preceitos a serem observados foram assim discriminados no art. 12, §2º, verbis: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a inst i tuição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos . (...) § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: Fl. 5162DF CARF MF Processo nº 19515.720312/201211 Acórdão n.º 1402002.326 S1C4T2 Fl. 5.047 15 a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pe los serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objet ivos sociais; c) manter escri turação completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efet ivação de suas despesas , bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; (...) g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra insti tuição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público; h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. § 3° Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objet ivos sociais (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998). Art. 13. Sem prejuízo das demais penalidades previstas na lei, a Secretaria da Receita Federal suspenderá o gozo da imunidade a que se refere o artigo anterior, relativamente aos anoscalendários em que a pessoa jurídica houver praticado ou, por qualquer forma, houver contribuído para a prática de ato que consti tua infração a disposit ivo da legislação tributária , especialmente no caso de informar ou declarar falsamente, omitir ou simular o recebimento de doações em bens ou em dinheiro, ou de qualquer forma cooperar para que terceiro sonegue tributos ou pratique ilícitos fiscais. Parágrafo único. Considerase, também, infração a disposit ivo da legislação tributária o pagamento, pela insti tuição imune, em favor de seus associados ou dirigentes, ou, ainda, em favor de sócios, acionistas ou dirigentes de pessoa jurídica a ela associada por qualquer forma, de despesas consideradas indedutíveis na determinação da base de cálculo do imposto sobre a renda ou da contribuição social sobre o lucro l íquido . Na ótica da fiscalização, a entidade não teria se configurado como uma instituição de educação, sem fins lucrativos, ou como uma entidade beneficente de assistência social (i) por haver previsão estatutária, em caso de extinção, de restituição aos associados das contribuições feitas ao patrimônio da entidade (devidamente atualizadas); Fl. 5163DF CARF MF 16 (ii) efetiva distribuição aos associados, mediante remuneração direta e indireta (pagamento de despesas particulares), de parcelas de seu patrimônio ou de suas rendas; e (iii) por não ter aplicado integralmente os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais, tendo em conta a compra do imóvel utilizado para hospedagem dos profissionais contratados. PREVISÃO ESTATUTÁRIA De fato, a previsão estatutária do contribuinte prevê a devolução do capital aplicado aos associados. A despeito da previsão estatutária, a mera previsão de retorno de patrimônio aos associados não caracteriza, sem um olhar mais detido ao caso concreto, desvio de finalidade que pudesse descaracterizar a imunidade. Isto porque a mera previsão estatutária não consubstancia a distribuição. É preciso observar que a previsão nos estatutos se refere à extinção da associação. Ou seja: para que a entidade se enquadre no disposto do artigo 14, efetivamente deve ocorrer a extinção. Se a fiscalização não comprovar que houve a extinção (o que seria obviamente impossível neste caso) teria que provar que a distribuição efetivamente ocorreu. Se a imunidade foi reconhecida com esta previsão nos estatutos, não faz sentido que agora seja suspensa, sem que haja a efetiva distribuição de patrimônio. A mera previsão estatutária, além de não comprovar o fato, também não está prevista no CTN como causa de suspensão. O que a lei veda é a distribuição, não a previsão de que ela em tese possa ocorrer. Portanto, contrariamente ao procedimento adotado pela fiscalização e mantido pela DRJ, acolho os argumentos do contribuinte de que cabe ao fisco o ônus da prova quanto a infringência ao artigo 14 inciso II do CTN relacionado a dita previsão estatutária. DISTRIBUIÇÃO DE RENDA AOS DIRIGENTES SALÁRIOS INCOMPATÍVEIS De outro lado, temse também a acusação de efetiva distribuição aos associados de parcelas do patrimônio ou renda da entidades, mediante remunerações diretas incompatíveis ou muito superiores às praticadas no mercado. Na defesa, após distinguir as situações jurídicas das instituições mantenedora (FEBASP Associação Civil) e mantida (Centro Universitário Belas Artes de São Paulo), a Recorrente defende que a proibição imposta pelo art. 14, I do CTN se refere apenas à entidade mantenedora e aos seus dirigentes, não alcançando o pagamento de salários pela mantida aos que lhe prestam serviços, na qualidade de empregados. E, de fato, conforme previsão estatutária, no Capítulo VII da Diretoria da FEBASP, art. 15, §§ 6º e 7º, os cargos de Diretoria não seriam remunerados, nem os diretores receberiam distribuição de lucros ou bonificações, mas poderiam ser contratados para prestar serviços remunerados às entidades mantidas, sem prejuízo das funções de direção desempenhadas, sem remuneração na FEBASP. Fl. 5164DF CARF MF Processo nº 19515.720312/201211 Acórdão n.º 1402002.326 S1C4T2 Fl. 5.048 17 Apesar das pretendidas distinções entre as instituições mantenedora e mantida, o certo é que todos os dirigentes, inclusive integrantes do Conselho Fiscal da mantenedora (à exceção de apenas uma pessoa), tinham cargos de direção na entidade mantida Nesse aspecto, é inegável que a definição da política salarial nas entidades mantidas (Centro Universitário Belas Artes de São Paulo) sempre esteve nas mãos dos dirigentes da mantenedora (FEBASP), que são os próprios beneficiados, ocupantes dos principais cargos de direção da mantida. Ademais, para verificar se a entidade cumpria os requisitos legais para se enquadrar como instituição de educação, sem fins lucrativos, ou entidade beneficente de assistência social, a autoridade fiscal competente adotou válidos parâmetros de comparação salarial, de forma a verificar se a distribuição indevida de parcelas do patrimônio ou das rendas da FEBASP não se fazia mediante pagamentos efetuados a título de remuneração por serviços prestados. Conforme planilha de fls. 4630, primeiramente, a comparação foi feita com os demais funcionários da mantida para os mesmos cargos/funções, por exemplo, os assistentes administrativos que eram também associados da FEBASP recebiam, em regra, salários de três a quatro vezes superiores aos assistentes administrativos que não eram associados, mas o Sr. José Pires de Oliveira Neto, associado da FEBASP, no cargo/função de assistente administrativo, recebeu um salário quinze vezes superior aos outros funcionários contratados para a mesma ocupação. Com relação aos Srs. Paulo Antônio Gomes Cardim e Maria Lucia de Oliveira Gomes Cardim, respectivamente, Diretor Presidente e Diretora Financeira da FEBASP, ocupavam, na mantida, os cargos de Reitor e Coordenadora de Planejamento, com remunerações, respectivamente, de R$49.038,30 e R$ 20.414,15. Por falta de outros contratados para a mesma função, a comparação foi feita com a remuneração paga aos mesmos cargos/funções na Universidade Federal de São Paulo, tendo se verificado que os pagamentos efetuados pela mantida eram três vezes superiores. De notar que a necessidade de comparação com a remuneração de servidores federais, inclusive, já se encontrava positivada no art. 34 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, ao regular a vedação do art. 12, § 2º, “a” da Lei nº 9.532, de 1997, para as organizações da sociedade civil de interesse público e para as organizações sociais, in verbis: "Art. 34. A condição e a vedação estabelecidas, respectivamente, no art. 13, § 2º, III, b, da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e no art. 12, § 2º, a, da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, não alcançam a hipótese de remuneração de dirigente, em decorrência de vínculo empregatício, pelas Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), qualificadas segundo as normas estabelecidas na Lei nº 9.790, de 23 de março de 1999, e pelas Organizações Sociais (OS), qualificadas consoante os dispositivos da Lei nº 9.637, de 15 de maio de 1998. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase somente à remuneração não superior, em seu valor bruto, ao limite estabelecido para a remuneração de servidores do Poder Executivo Federal." Fl. 5165DF CARF MF 18 Quanto a esse aspecto, basta mencionar que, de acordo com preceito constitucional (art. 37, XI da CF), a remuneração dos servidores públicos não pode exceder ao subsídio mensal dos Ministros do Supremo Tribunal Federal STF, e com a edição recente da Lei n° 12.771, de 28/12/2012 (DOU 31/12/2012) o subsídio mensal dos Ministros do STF foi alterado, a partir de janeiro de 2013, para R$ 28.059,29, o que deixa evidente a disparidade dos salários mensalmente pagos, em 2007 (seis anos antes), ao reitor, à coordenadora de planejamento e ao assistente administrativo da entidade mantida, nos valores de R$ 49.038,30, R$ 20.414,15 e R$ 21.478,55, respectivamente. A despeito de todo o exposto, porém, não vejo impedimento legal no acúmulo de empregos. A remuneração elevada foi reportada justamente à pessoas que exercem duas funções, nas duas entidades mencionadas (Centro Universitário e FEBASP), o que também não é vedado, por se tratar de atividade acadêmica. Não vejo aqui razão para a perda do tratamento beneficiado da entidade em relação ao tema. REMUNERAÇÃO INDIRETA DE DIRIGENTES Quanto ao pagamento de despesas de caráter pessoal (remuneração indireta) aos dirigentes da entidade (despesas de passagens aéreas e de estadia), na notificação fiscal, foi informada a existência de notas fiscais e recibos de despesas pessoais dos dirigentes pagas pela entidade. Entretanto, foi identificado apenas o Recibo n° 9257 de 10/12/2007, no valor de R$ 2.615,33 (fls. 4297/4298), do valor pago à Afinal Viagens e Turismo Ltda., via depósito bancário e contabilizado na conta 6439 Viagens e Representações. A defesa protesta, afirmando que tais despesas foram realizadas em razão do dever profissional de representação e no cumprimento do objeto social da entidade, não tendo sido feita a prova pela fiscalização de se tratar de despesa realizada em benefício particular dos dirigentes. Juntamente com a documentação apresentada pela pessoa jurídica foram localizados ainda os seguintes documentos relacionados a despesas de viagens e hospedagens: Fls. 4350/4351 – Nota de Débito nº 9050 e depósito em favor de Afinal Viagens e Turismo Ltda., no valor de R$1.283,12, relativa às diárias e extras de viagem a Brasília do Sr. Paulo Cardim, no período de 16 a 17 de outubro de 2007; Fls. 4612/4613 Nota de Débito nº 9085 e depósito em favor de Afinal Viagens e Turismo Ltda., no valor de R$558,24, relativa despesa de passagem aérea de São Paulo/Curitiba/São Paulo do Sr. Turguenev Oliveira, no período de 31 de outubro a 02 de novembro de 2007; Fls. 4582/4583 Nota de Débito nº 9090 e depósito em favor de Afinal Viagens e Turismo Ltda., relativa à despesa de passagem aérea do Sr. Paulo Cardim, na viagem São Paulo/Brasília/São Paulo, no valor de R$591,24, no período de 6 a 7 de novembro de 2007; Fls. 4584/4585 – Nota de Débito nº 9084 e depósito em favor de Afinal Viagens e Turismo Ltda., no valor de R$432,00, de despesa de hospedagem em Quito do Sr. Alexandre Estolano, no período de 13 a 14 de novembro de 2007; Fl. 5166DF CARF MF Processo nº 19515.720312/201211 Acórdão n.º 1402002.326 S1C4T2 Fl. 5.049 19 Fls. 4414/4415 Nota de Débito nº 9166 e depósito em favor de Afinal Viagens e Turismo Ltda., relativa à despesa de passagem aérea do Sr. Paulo Cardim, na viagem São Paulo/Brasília/São Paulo, no valor de R$728,24, nos períodos de 21 a 22 e 29 a 30 de novembro de 2007; Fls. 4435/4436 Nota de Débito nº 9232 e depósito em favor de Afinal Viagens e Turismo Ltda., relativa à despesa de passagem aérea do Sr. Paulo Cardim, na viagem São Paulo/Brasília, no valor de R$1.072,62, em 3 de dezembro de 2007; Fls. 4359/4360 – Nota de Débito nº 9223 e depósito em favor de Afinal Viagens e Turismo Ltda., relativa à despesa de passagem aérea do Sr. Paulo Cardim, na viagem de Brasília a São Paulo, no valor de R$379,12, em 07 de dezembro de 2007; Fls. 4346/4347 – Nota de Débito nº 9260 e depósito em favor de Afinal Viagens e Turismo Ltda., no valor de R$698,24, de despesa de passagem São Paulo/Brasília/São Paulo do Sr. Paulo Cardim, no período de 17 a 18 de dezembro de 2007. No histórico dos lançamentos efetuados na conta 6439 – Viagens e Representações (fls. 3813/3815), verificase a contabilização das despesas acima discriminadas, com viagens e hospedagens em Brasília dos dirigentes, e em alguns congressos (Quito e Curitiba), fato que, até prova em contrário, revelase compatível com a atividade da entidade. Da mesma forma, a manutenção de apenas um apartamento residencial no patrimônio da entidade, não é suficiente para a suspensão da imunidade tributária, porque não configura desvio de finalidade, a menos que se comprove destinação incompatível com o objeto social da instituição imune. Segundo a defesa, o imóvel seria destinado a servir de local de hospedagem a profissionais contratados para prestação de serviços à entidade, e não para a residência de seus dirigentes. Concordo com a DRJ que não há elementos no processo suficientes para sustentar a acusação de remuneração indireta e desvio de finalidade. Os valores e situações são imateriais. FALTA DE CONTABILIDADE HÁBIL Quanto à falta de apresentação dos documentos comprobatórios de despesas contabilizadas, consta da notificação fiscal que a entidade foi intimada a comprovar os lançamentos contabilizados na conta 6385 – despesas diversas, no mês de dezembro de 2007, no valor total de R$ 560.764,24 (fls. 3810/3812), e que teria sido admitida como válida a comprovação das operações abaixo relacionadas: Data Valor Fornecedor Acatados Fiscalização Não Comprovados Fls. 1 03/12/2007 11.258,38 Saraiva 11.258,38 2 03/12/2007 17.756,93 LVMH Fashion Group 17.756,93 Fl. 5167DF CARF MF 20 Data Valor Fornecedor Acatados Fiscalização Não Comprovados Fls. 3 03/12/2007 10.447,37 Epidemic Consultoria 10.447,37 4250 4 03/12/2007 16.993,82 Inside Com. Ind. 16.993,82 4251 5 03/12/2007 10.335,96 Aerotintas 10.335,96 4252 6 03/12/2007 15.698,71 Leo Madeiras 15.698,71 4253 7 03/12/2007 13.491,91 Papelaria Universitária 13.491,91 4254 8 03/12/2007 16.993,82 Kalunga 16.993,82 4255 9 03/12/2007 679,52 Pulseiras de Identificação Festa de Confrat. 679,52 4214/19 10 03/12/2007 8.286,00 Camisetas Festa de Confrat. 8.286,00 4224/33 11 07/12/2007 1.042,50 Multiservice 1.042,50 4220/23 12 10/12/2007 5.709,79 Tritec 5.709,79 4256 13 11/12/2007 12.548,50 Stemac 12.548,50 4257 14 11/12/2007 9.785,45 Bellstar 9.785,45 4258 15 11/12/2007 13.875,45 Inside Com. Ind. 13.875,45 4259 16 11/12/2007 5.775,12 Material para reforma 5.775,12 17 12/12/2007 690,00 Balões Festa de Confrat. 690,00 4234/38 18 13/12/2007 27.650,82 FGB 27.650,82 19 13/12/2007 1.356,71 Pimenta e Carvalho 1.266,71 20 17/12/2007 90,00 Carimbos 90,00 4239/49 21 18/12/2007 5.698,88 Casa Mimosa de Materiais 5.698,88 4260 22 18/12/2007 9.512,33 Papelaria Universitária 9.512,33 4261 23 18/12/2007 9.514,88 Leo Madeiras 9.514,88 4262 24 18/12/2007 13.557,88 Du Color Com de Filmes 13.557,88 4263 25 18/12/2007 15.951,77 Shok Iluminação 15.951,77 4264 26 18/12/2007 17.996,22 Amarilis Reto Ferreira 17.996,22 4265 27 18/12/2007 18.654,13 Livraria Cultura 18.654,13 4266 28 18/12/2007 12.586,78 H&N Carimbos 12.586,78 4267 29 18/12/2007 11.556,88 Carlos Eduardo Botino EPP 11.556,88 4268 30 18/12/2007 9.867,49 Flexmetal Com Ltda EPP 9.867,49 4269 31 18/12/2007 10.569,77 Leo Madeiras 10.569,77 4270 32 18/12/2007 14.569,88 Carlos Eduardo Botino EPP 14.569,88 4271 33 18/12/2007 14.828,94 Livraria Cultura 14.828,94 4272 34 18/12/2007 18.654,13 H&N Carimbos 18.654,13 4273 35 18/12/2007 17.985,33 Um Toc na Nuca 17.985,33 4274 36 18/12/2007 12.235,77 Casa de Carnes Bom Bife 12.235,77 4275 37 18/12/2007 13.541,82 Kalunga 13.541,82 4276 38 18/12/2007 16.598,55 Comercial de Filmes 16.598,55 4277 39 18/12/2007 14.560,92 Papelaria Universitária 14.560,92 4278 40 18/12/2007 15.568,11 Officer Leader Distribuidora 15.568,11 4279 41 18/12/2007 12.463,83 Copiadora Belas Artes 12.463,83 4280 42 18/12/2007 15.312,29 Marketub Comércio 15.312,29 4281 43 18/12/2007 2.333,57 Reembolso de despesas 2.333,57 44 20/12/2007 11.558,77 Papelaria Universitária 11.558,77 4282 45 20/12/2007 5.895,71 Papelaria Universitária 5.895,71 4283 46 20/12/2007 8.974,45 Casa Mimosa de Materiais 8.974,45 4284 47 20/12/2007 12.654,45 Office Leader Distribuidora 12.654,45 4285 48 20/12/2007 13.542,45 Papel Total Papelaria 13.542,45 4286 Fl. 5168DF CARF MF Processo nº 19515.720312/201211 Acórdão n.º 1402002.326 S1C4T2 Fl. 5.050 21 Data Valor Fornecedor Acatados Fiscalização Não Comprovados Fls. 49 27/12/2007 3.551,50 Copiadora Belas Artes 3.551,50 560.764,24 10.788,02 546.334,72 Anotese que a documentação relacionada acima, e não admitida como válida à comprovação das despesas, referese a controle interno de cópias de cheques emitidos, todos em favor da própria emitente, FEBASP, na qual é indicada a operação e o beneficiário final do pagamento. Entretanto, cumpre referendar a acusação da fiscalização de que não foram apresentadas as provas hábeis, emitidas por terceiros interessados, a comprovar as operações que teriam dado causa aos pagamentos, em regra, as notas fiscais, capazes de atestar a regularidade na destinação dos recursos da entidade fiscalizada. Quanto às notas fiscais e aos boletos de pagamentos de fls. 4288/4289, 4290/4291, 4292, 4293/4294, 4295/4296, 4301/4302, 4303/4304, 4305/4306, 4307/4308, 4309/4310, 4311/4312, 4315/4316, 4317/4318, 4319/4320, 4321/4322, 4323/4324, 4325, 4326/4327, 4328/4329, 4332/4333, 4334, 4335, 4336/4337, 4340/4341, 4342/4343, 4344/4345, 4348/4349, 4352/4353, 4356, 4357/4358, 4361/4365, 4366/4367, 4370/4371, 4372, 4373/4374, 4375/4377, 4378, 4379/4380, 4381, 4382, 4383/4384, 4385/4386, 4387, 4388/4389, 4392/4393, 4394/4396, 4397/4398, 4399, 4400/4401, 4402, 4403/4404, 4405, 4408/4409, 4410/4411, 4412/4413, 4418/4419, 4420/4421, 4423/4424, 4425/4426, 4427/4428, 4431, 4432/4433, 4434, 4437/4438, 4441/4442, 4443/4445, 4446/4447, 4448/4449, 4450/4451, 4452/4456, 4457/4458, 4459, 4460/4461, 4464/4465, 4466/4467, 4468/4469, 4470/4471, 4472/4473, 4474, 4477/4479, 4480/4484, 4485/4487, 4488/4490, 4491/4494, 4495/4496, 4500/4502, 4503/4506, 4507/4509, 4510, 4511, 4515/4517, 4518/4519, 4520/4521, 4524/4526, 4527/4528, 4532/4534, 4535/4536, 4537/4539, 4540/4542, 4543, 4544/4545, 4546/4547, 4548/4550, 4551/4552, 4555/4557, 4558, 4559/4560, 4561/4563, 4566/4567, 4568, 4569, 4570, 4571/4572, 4573, 4574/4575, 4577, 4578/4579, 4580/4581, 4586/4587, 4590, 4591/4592, 4593, 4594, 4595/4596, 4599/4600, 4601/4602, 4603/4604, 4607, 4608, 4609, 4610/4611, 4614/4615, 4618/4619, 4620/4622, 4623/4624, 4625/4626, conforme bem anotado pela fiscalização, não há coincidência de datas, valores e às vezes sequer de fornecedores ou prestadores de serviços, com as despesas contabilizadas em dezembro de 2007. Notese que as notas fiscais foram emitidas e pagas em meses anteriores ou posteriores a dezembro de 2007, e quando relativas ao período fiscalizado, os valores são infinitamente inferiores aos lançados como despesa na contabilidade. Entre os documentos apresentados constam também recibos de despesas diversas, de pequena monta, totalmente incompatíveis com as expressivas despesas contabilizadas. Não é compreensível a alegação formalizada na impugnação de que os documentos, distintos das cópias dos cheques apresentadas, apesar de emitidos, não teriam sido efetivamente utilizados, tendo sido estornados em 31/12/2007. Como os questionamentos da autoridade fiscal se referem a despesas contabilizadas, os documentos de suporte não poderiam ter sido emitidos pela empresa, mas por terceiros, e suposto estorno porventura efetuado posteriormente ao início do procedimento fiscal não tem o condão de atestar a regularidade da destinação dos recursos da entidade. Fl. 5169DF CARF MF 22 De acordo com a legislação em vigor, para fins de comprovar que (i) não distribui, a qualquer título, parcelas de seu patrimônio ou de suas rendas, e (ii) aplica integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais, as instituições de educação, sem fins lucrativos, e as entidades de assistência social, devem manter escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão, o que não se verificou no caso em apreço em que a entidade sequer foi capaz de comprovar a maior parte das despesas contabilizadas, fato a comprometer, de forma irreversível, a comprovação de regularidade na destinação dos recursos da entidade. Diante dos elementos apresentados pela fiscalizada, procedente a suspensão da imunidade tributária. Ainda que não tenha sido objeto de menção expressa no relatório fiscal, como alega a Recorrente, ou que o demonstrativo refirase a apenas um mês (dez/2007) não foram apresentadas as provas hábeis, emitidas por terceiros interessados, a comprovar as operações que teriam dado causa a inúmeros pagamentos, em regra, as notas fiscais, capazes de atestar a regularidade na destinação dos recursos da entidade fiscalizada, não me parecendo típico de uma entidade sem fins lucrativos que sustenta com afinco a imunidade tributária. FALTA DE CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE CEBAS Ademais, conforme visto na transcrição da legislação acima efetuada, para regularmente usufruir da imunidade tributária das contribuições para a seguridade social, não bastava a observância dos preceitos do art. 14 do CTN, era necessário também o cumprimento dos requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com as alterações da legislação superveniente, entre as quais se incluía a exigência que a entidade fosse portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos. Conforme anotado pela autoridade fiscal, tanto não dispunha do Certificado, que a entidade teria apresentado pedido junto à extinta Secretaria da Receita Previdenciária, que foi indeferido em decisão definitiva pelo Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, mesmo assim, no anocalendário de 2007, teria apresentado GFIP com código de entidade beneficente de assistência social (FPAS 639), fato completamente incompatível com a atividade exercida pela instituição de educação. A isenção do Programa Universidade para Todos – PROUNI, foi instituída pela Lei nº 11.096, de 13 de janeiro de 2005, e Lei nº 11.128, de 28 de junho de 2005, nos seguintes termos: Lei nº 11.096, de 13 de janeiro de 2005 Art. 8º A instituição que aderir ao Prouni ficará isenta dos seguintes impostos e contribuições no período de vigência do termo de adesão: (Vide Lei nº 11.128, de 2005) I Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas; II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, instituída pela Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988; III Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social, instituída pela Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991; e Fl. 5170DF CARF MF Processo nº 19515.720312/201211 Acórdão n.º 1402002.326 S1C4T2 Fl. 5.051 23 IV Contribuição para o Programa de Integração Social, instituída pela Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970. § 1º A isenção de que trata o caput deste artigo recairá sobre o lucro nas hipóteses dos incisos I e II do caput deste artigo, e sobre a receita auferida, nas hipóteses dos incisos III e IV do caput deste artigo, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2º A Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda disciplinará o disposto neste artigo no prazo de 30 (trinta) dias. § 3º A isenção de que trata este artigo será calculada na proporção da ocupação efetiva das bolsas devidas (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). LEI Nº 11.128, DE 28 DE JUNHO DE 2005 Art. 1º A adesão da instituição de ensino superior ao Programa Universidade para Todos PROUNI, nos termos da Lei nº 11.096, de 13 de janeiro de 2005, darseá por intermédio de sua mantenedora, e a isenção prevista no art. 8º dessa Lei será aplicada pelo prazo de vigência do termo de adesão, devendo a mantenedora comprovar, ao final de cada anocalendário, a quitação de tributos e contribuições federais administrados pela Secretaria da Recei ta Federal , sob pena de desvinculação do Programa, sem prejuízo para os estudantes beneficiados e sem ônus para o Poder Público . Instrução Normativa SRF nº 456, de 05 de outubro de 2004 (DOU 08/10/2004) Art. 3º Para usufruir da isenção, a instituição de ensino deverá demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração , referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção segregados das demais atividades. Parágrafo único. Na hipótese de o sistema de contabilidade adotado pela instituição de ensino não oferecer condições para apuração do lucro líquido e do lucro da exploração por atividade, este poderá ser estabelecido com base na relação entre as receitas líquidas das atividades isentas e a receita líquida total. Art. 4º A prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária , bem assim a falta de emissão de notas fiscais, acarretarão à pessoa jurídica infratora a perda, no anocalendário correspondente, ao benefício da isenção de que trata o art. 1º. Parágrafo único. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativo às contribuições e imposto de que trata o art. 1º, fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, da regular quitação dos mesmos. No ato de suspensão da isenção, a fiscalização destacou os seguintes fundamentos: 1 a prática de crime contra a ordem tributária, sonegação e falsidade ideológica, porque apesar de não possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, a entidade teria preenchido a Fl. 5171DF CARF MF 24 GFIP com o código de entidade imune (639), o que afastou indevidamente a incidência da contribuição previdenciária da empresa; 2 a existência de débitos para com a Seguridade Social, ainda que em discussão judicial. Nesse aspecto, não cabe reparos à decisão da autoridade fiscal porque, ainda que, no âmbito administrativo, não se possa fazer qualquer apreciação acerca dos crimes imputados à entidade (crime contra a ordem tributária, sonegação e falsidade ideológica), matéria reservada à justiça penal, é inafastável a conclusão de que existem débitos de contribuição previdenciária em execução fiscal, aos quais não mais se aplicam os preceitos da suspensão da exigibilidade, pelo que inviabilizada a manutenção da isenção do PROUNI. Diante do quadro fático e normativo acima, faço coro com a DRJ de que são infundadas as alegações sobre o excesso de exação, abuso e desvio de poder, tendo atuado a autoridade fiscalizadora nos estreitos limites de verificação da regularidade da entidade na fruição da imunidade e isenção tributárias em questão. Por todo o exposto, VOTO por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator Fl. 5172DF CARF MF
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