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Numero do processo: 10120.005592/2009-90
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
DEDUÇÃO. LIVRO CAIXA.
O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado pode deduzir, da receita decorrente da respectiva atividade, as despesas de custeio necessárias à percepção dos rendimentos e manutenção da fonte produtora, desde que lastreadas em documentos hábeis e idôneos, e ainda, estejam tais despesas devidamente escrituradas no Livro Caixa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.695
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin, Ewan Teles Aguiar e Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 DEDUÇÃO. LIVRO CAIXA. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado pode deduzir, da receita decorrente da respectiva atividade, as despesas de custeio necessárias à percepção dos rendimentos e manutenção da fonte produtora, desde que lastreadas em documentos hábeis e idôneos, e ainda, estejam tais despesas devidamente escrituradas no Livro Caixa. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin, Ewan Teles Aguiar e Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1452; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 76 1 75 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.005592/200990 Recurso nº 933.018 Voluntário Acórdão nº 2801002.695 – 1ª Turma Especial Sessão de 19 de setembro de 2012 Matéria IRPF Recorrente JOSÉ CARLOS DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 DEDUÇÃO. LIVRO CAIXA. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado pode deduzir, da receita decorrente da respectiva atividade, as despesas de custeio necessárias à percepção dos rendimentos e manutenção da fonte produtora, desde que lastreadas em documentos hábeis e idôneos, e ainda, estejam tais despesas devidamente escrituradas no Livro Caixa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 55 92 /2 00 9- 90 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10120.005592/200990 Acórdão n.º 2801002.695 S2TE01 Fl. 77 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin, Ewan Teles Aguiar e Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento formalizada para exigência de crédito tributário no valor total de R$ 5.191,01, referente ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF (Suplementar), multa de oficio e juros de mora, estes calculados até 31/03/2009. A autuação decorreu da revisão efetuada na declaração de ajuste anual apresentada pelo contribuinte, relativa ao exercício 2007, anocalendário 2006, em que foram apuradas pela autoridade lançadora as seguintes infrações à legislação tributária: i) omissão de rendimentos de aluguéis recebidos por dependente da pessoa jurídica PH Comércio de Ferragens Ltda. (CNPJ nº 05.865.367/000191), no valor de R$ 6.400,00; ii) dedução indevida de incentivo – glosado o valor de R$ 231,00, por falta de comprovação; e iii) dedução indevida de despesas com instrução glosado o valor de R$ 2.340,00, por falta de comprovação. Cientificado da exigência fiscal o interessado apresentou impugnação, às fls. 02/04, argumentando, em síntese, que: com relação à omissão de rendimentos, sustenta que o lançamento foi motivado por um equívoco nas informações da DIRF apresentada pela empresa PH Comércio de Ferragens Ltda.; foi nomeado curador do pai (Sr. Josué da Silva Leão, CPF nº 002.458.281 68) e durante o exercício dessa curatela assinou como seu representante legal contrato de locação de um bem imóvel pertencente ao mesmo (Contrato em anexo), com a empresa PH Comércio de Ferragens Ltda.; no entanto, inadvertidamente ao se proceder a identificação no contrato, foi colocado o CPF de sua esposa (nº 189.420.59791) como sendo o do impugnante; com esse dado errado a empresa PH Comércio de Ferragens Ltda. encaminhou DIRF à Receita Federal dos pagamentos anuais efetivados como se tivesse sido pagos ao impugnante que assinou o contrato apenas como curador do legitimo beneficiário dos rendimentos; todavia, a mencionada empresa providenciou a correção das informações em DIRF retificadora, conforme cópia anexada aos autos; quanto à glosa de despesas com instrução, essa infração se deu por erro no preenchimento da declaração, pois os gastos que realizou com a participação em Congressos e Fl. 77DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10120.005592/200990 Acórdão n.º 2801002.695 S2TE01 Fl. 78 3 Encontros Científicos de Médicos, no decorrer de 2006, foram lançadas equivocadamente como despesa de instrução; ao invés de lançar as despesas como inerentes ao exercício da profissão no Livro Caixa e deduzilas dos valores tributados como recebidos de Pessoas Físicas, entendeu que tais dispêndios fossem despesas com instrução. Ao final de sua defesa, o impugnante solicitou o cancelamento da Notificação de Lançamento, bem como o seu arquivamento. Após apreciar o litígio, a 7a Turma de Julgamento da DRJ/Brasília/DF decidiu, por unanimidade de votos, pela procedência em parte da impugnação, nos termos do Acórdão DRJ/BSA nº 0345.998, de 17/11/2011, às fls. 53/58. Concluiu aquele Colegiado por: a) considerar não impugnada a infração de dedução indevida de Incentivo; e b) considerar improcedente a infração de omissão rendimentos, excluindo da base de cálculo do lançamento o valor apontado pela autoridade fiscal; e c) manter a glosa relacionada à infração de dedução indevida de despesas com instrução. A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 19/12/2011, conforme fl. 64. O contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 26/12/2011, às fls. 66/67, ocasião em que, solicita o restabelecimento das deduções com as despesas constantes da documentação que anexa às fls. 68/71. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator. O recurso em julgamento foi tempestivamente apresentado, preenchendo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Nesta instância, a controvérsia cingese ao deferimento, ou não, da dedução a título de Livro Caixa de despesas declaradas pelo recorrente como tendo sido efetuadas com “inscrições em congressos e encontros científicos de médicos”. Assevera o recorrente em sua defesa que a glosa fiscal se deu por erro que teria cometido no preenchimento de sua declaração de rendimentos, pois sustenta que tais gastos realizados no decorrer do ano de 2006 foram declarados como despesas com instrução, quando o correto seria lançálos como despesas do Livro Caixa, por serem inerentes ao exercício de sua profissão. Quanto à argumentação da defesa, salientese que, de fato, tais dispêndios poderiam ser considerados como deduções a título de Livro Caixa na base de cálculo do IRPF apurado na Declaração de Ajuste Anual. No entanto, para tal desiderato, caberia ao contribuinte demonstrar que tais despesas preenchem os requisitos para que possam ser Fl. 78DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10120.005592/200990 Acórdão n.º 2801002.695 S2TE01 Fl. 79 4 consideradas dedutíveis, ou seja, que se revelam necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, e mais, que foram devidamente escrituradas em Livro Caixa. Tais exigências normativas visam vedar a utilização de critérios subjetivos para o cálculo do tributo devido e, em conseqüência, afastar qualquer possibilidade de liberalidade ou poder discricionário na dedução. É cediço ainda que o profissional autônomo deve escriturar o Livro Caixa para que possa deduzir as despesas de custeio, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. No caso concreto, não há sequer como se saber, sem a análise completa do Livro Caixa, se referidos dispêndios foram devidamente escriturados, ou mesmo, se já não se encontram incluídos no montante de R$ 19.724,28 informado no campo referente à dedução a título de “Livro Caixa” em destaque na declaração de rendimentos sob exame (documento às fls. 28/33). Ou seja, estamos diante de questões meramente relacionadas à prova e, deste modo, entendo que, diante das fundamentações que embasaram o lançamento, os documentos apresentados pelo contribuinte (fls. 68/71) se revelam insuficientes para ratificar o erro alegado e elidir a glosa efetuada pela autoridade fiscal. Imprescindível, portanto, que as provas e os argumentos carreados aos autos pelo contribuinte, no sentido de refutar o lançamento, se revistam de toda força probante capaz de descaracterizar a glosa efetuada no lançamento, o que não se verifica nos autos. Diante destas considerações, tomo por consistente a manutenção da glosa a título de despesas com instrução conforme efetuada no lançamento, formando, deste modo, convencimento de que esta parcela da exigência fiscal deve mesmo prevalecer. Isto posto, VOTO por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 79DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000982/2010-53
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
Se a matéria não é contestada em primeiro grau de julgamento, será considerada não impugnada, não podendo ser apreciada em recurso, salvo em casos justificados ou de clara nulidade, sob pena de supressão de instância.
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AUXÍLIO-EDUCAÇÃO.PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEI.
Integram o salário de contribuição, os valores pagos a segurados empregados a titulo de auxilio-educação, assistência médica e participação nos lucros e resultados, quando tais pagamentos não atenderem às exigências legais.
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE..
O auxílio-alimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT.
AUXÍLIO-SAÚDE.DEPENDENTES. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO
O art. 28, par. 9o, alínea q, da Lei n. 8.212/1991, não limita que o plano de saúde deva limitar-se apenas à pessoa funcionário ou dirigente da empresa, mas que deve ser oferecido a todos os seus colaboradores.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ART. 62, DO REGIMENTO INTERNO.
O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Recurso Voluntário Provido Em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-001.768
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para declarar a insubsistência e decretar o cancelamento do lançamento e respectivos créditos tributários com base em fornecimento de cestas básicas e vales alimentação (levantamentos AL e AL1) e em valores decorrentes de planos de assistência médíca-hospitalar e odontológica pagos a dependentes e filhos dos empregados (levantamentos MD e MD1). Quanto à rubrica auxílio educação o Conselheiro Amilcar Barca Teixeira Junior entende que deve ser provida.
Fez sustentação oral: CANEXUS QUIMICA BRASIL LTDA
Outros eventos ocorridos: Sustentação oral Advogado(a) Dr(a) Dyna Hoffmann Assi Guerra, OAB/ES nº 8.847.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior, André Luis Marisco Lombardi, Paulo Roberto Lara dos Santos.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Se a matéria não é contestada em primeiro grau de julgamento, será considerada não impugnada, não podendo ser apreciada em recurso, salvo em casos justificados ou de clara nulidade, sob pena de supressão de instância. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AUXÍLIO-EDUCAÇÃO.PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEI. Integram o salário de contribuição, os valores pagos a segurados empregados a titulo de auxilio-educação, assistência médica e participação nos lucros e resultados, quando tais pagamentos não atenderem às exigências legais. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE.. O auxílio-alimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT. AUXÍLIO-SAÚDE.DEPENDENTES. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO O art. 28, par. 9o, alínea q, da Lei n. 8.212/1991, não limita que o plano de saúde deva limitar-se apenas à pessoa funcionário ou dirigente da empresa, mas que deve ser oferecido a todos os seus colaboradores. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ART. 62, DO REGIMENTO INTERNO. O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso Voluntário Provido Em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para declarar a insubsistência e decretar o cancelamento do lançamento e respectivos créditos tributários com base em fornecimento de cestas básicas e vales alimentação (levantamentos AL e AL1) e em valores decorrentes de planos de assistência médíca-hospitalar e odontológica pagos a dependentes e filhos dos empregados (levantamentos MD e MD1). Quanto à rubrica auxílio educação o Conselheiro Amilcar Barca Teixeira Junior entende que deve ser provida. Fez sustentação oral: CANEXUS QUIMICA BRASIL LTDA Outros eventos ocorridos: Sustentação oral Advogado(a) Dr(a) Dyna Hoffmann Assi Guerra, OAB/ES nº 8.847. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior, André Luis Marisco Lombardi, Paulo Roberto Lara dos Santos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2187; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 574 1 573 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.000982/201053 Recurso nº 15.586.000982201053 Voluntário Acórdão nº 2803001.768 – 3ª Turma Especial Sessão de 14 de agosto de 2012 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente CANEXUS QUIMICA BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Se a matéria não é contestada em primeiro grau de julgamento, será considerada não impugnada, não podendo ser apreciada em recurso, salvo em casos justificados ou de clara nulidade, sob pena de supressão de instância. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AUXÍLIO EDUCAÇÃO.PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEI. Integram o salário de contribuição, os valores pagos a segurados empregados a titulo de auxilioeducação, assistência médica e participação nos lucros e resultados, quando tais pagamentos não atenderem às exigências legais. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE.. O auxílioalimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. AUXÍLIOSAÚDE.DEPENDENTES. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO O art. 28, par. 9o, alínea q, da Lei n. 8.212/1991, não limita que o plano de saúde deva limitarse apenas à pessoa funcionário ou dirigente da empresa, mas que deve ser oferecido a todos os seus colaboradores. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ART. 62, DO REGIMENTO INTERNO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 09 82 /2 01 0- 53 Fl. 574DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000982/201053 Acórdão n.º 2803001.768 S2TE03 Fl. 575 2 O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para declarar a insubsistência e decretar o cancelamento do lançamento e respectivos créditos tributários com base em fornecimento de cestas básicas e vales alimentação (levantamentos AL e AL1) e em valores decorrentes de planos de assistência médícahospitalar e odontológica pagos a dependentes e filhos dos empregados (levantamentos MD e MD1). Quanto à rubrica auxílio educação o Conselheiro Amilcar Barca Teixeira Junior entende que deve ser provida. Fez sustentação oral: CANEXUS QUIMICA BRASIL LTDA Outros eventos ocorridos: Sustentação oral Advogado(a) Dr(a) Dyna Hoffmann Assi Guerra, OAB/ES nº 8.847. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior, André Luis Marisco Lombardi, Paulo Roberto Lara dos Santos. Fl. 575DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000982/201053 Acórdão n.º 2803001.768 S2TE03 Fl. 576 3 Relatório O presente Recurso Voluntário (fls.530 e seguintes) foi interposto contra decisão da DRJ(fls. 505 e seguintes do processo digital), que manteve o crédito tributário referente as contribuições destinadas à Previdência Social a cargo da empresa, inclusive as contribuições destinadas ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa decorrentes dos Riscos Ambientais do Trabalho (GILRAT), incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados assim como as contribuições previdenciárias (cota patronal) incidentes sobre a remuneração paga aos segurados contribuintes individuais, no período de 01/2006 a 12/2007. Os créditos foram constituídos quanto aos segurados empregados com base em diferenças entre a folha de pagamento e GFIP´s (EF e EF1), pagamentos a título de cestas básicas e vales alimentação (AL e AL1), valores decorrentes de planos de assistência médíca hospitalar e odontológica pago a dependentes dos empregados (MD e MD1), Segurdo de Vida em Grupo sem previsão em Acórdo Coletivo de Trabalho, no período de 10.2006 a 12.2007 (SV e SV1), aluguel de imóvel residencial ao empregado Charles Lussier entre 01.2006 e 06.2007 (ME e ME1), reenbolsos em folha de pagamento oriundos do Programa de Qualidade de Vida a funcionarios com gastos com atividades físicas (QV e QV1), abonos salariais anuais conforme Acordo Coletivo de Trabalho (AA e AA1); auxílio educação a dependentes dos funcionários (AE e AE1), valores frutos de participação de lucros e resultados em desconformidade com a Lei n. 10.101/2000, sem regras e programes pactuados previamente e pagamentos sem a devida aferição para os cargos de gerência, coordena;áo, engenheiros, lideres, diretoria da empresa (PR, PR1, PL). No caso de segurados contribuintes individuais, levantaramse valores pagos a taxistas autônomos e contribuintes individuais (AF, AF1, F, FF1), valores pagos ao sócio administrador (Sr. Daren Lee Hunchak) não informado em GFIP na competência de 08.2007 (SF1), aluguel de imóvel residencial para o sócio administrador (Sr. Daren Lee Hunchak) de 04.2006 a 12.2007 (AC e AC1). A ciência do auto de infração inaugural foi em 10.09.2010 (fls. 383, dos autos digitais). Em impugnação a Recorrente requereu a improcedência do lançamento de forma específica: Requer, seja recebida, processada e provida a presente defesa, para decretar a insubsistência no Auto de Infração DER CAD n° 37.258.4152, apenas quanto exigência do recolhimento da contribuição social incidente sobre o Auxílioeducação, plano de assistência médicohospitalar e odontológico para filhos e dependentes dos empregados e participação dos lucros e resultados". Em razão disso, somente essas matérias foram apreciadas em primeiro grau, pois as demais foram consideradas como não contestadas, portanto não impugnadas (art. 17, do Dec. 70.325/1972). Sendo improvida a impugnação, conforme acima relatado. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000982/201053 Acórdão n.º 2803001.768 S2TE03 Fl. 577 4 Assim, o recurso veio à presente turma especial para seu julgamento, em que apresentou os seguintes argumentos resumidos: as verbas objetos de autuação têm natureza indenizatória ou de auxílio de custos, sem natureza remuneratória; a natureza indenizatória do fornecimento de alimentos a título de vales/tickets e cestas de alimentação independentemente de inscrição ao Programa de Alimentação do Trabalhador; do auxíliosaúde (pagamento de planos médicohospitalares e odontológicos) aos dependentes não tem natureza remuneratória; pagamento de seguro de vida e de acidentes pessoais não tem natureza remuneratória; que o aluguel de imóvel residencial para Charles Lussier era para fins de habitação fornecidos pela empresa ao empregado para tabalhar em localidade distante da de sua residência; os valores referentes ao programa de qualidade de natureza social e preventivos à própria saúde pública, que o abono pago em 1/2007 não integra o salário (art. 28, par. 9o., item 7, da Lei n. 8.212); que o auxílioeducação pagos aos dependentes dos funcionários não tem natureza remuneratória, equiparados a auxílioalimentação (art. 28, par. 9o., alinea t, da Lei n. 8.212); que a participação dos lucros e resultados está prevista em Acordo Coletivo, falta de clareza da autua;áo quanto aos pagamentos aos contribuintes individuais autônomos. Em sessão, fora realizada sustentação oral da patrona da Recorrente, Dra. Dyna Hoffmann Assi Guerra, OAB/ES nº 8.847. Esse é o relatório. Fl. 577DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000982/201053 Acórdão n.º 2803001.768 S2TE03 Fl. 578 5 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato I O recurso é tempestivo, conforme supra relatado, dispensado do depósito prévio (Súmula Vinculante 21 do STF), assim deve o mesmo ser conhecido. II – Preliminarmente, em razão da não impugnação das matérias trazidas em recurso voluntário em primeiro grau de instância, sob pena de desobediência ao art. 17, do Dec. 70.235/1972, bem como supressão de instância não justificada (art. 1o. do Regimento Interno do CARF/MF), restaram prejudicados os questionamentos que não forem o auxílioeducação, plano de assistência médicohospitalar e odontológico para filhos e dependentes dos empregados e participação dos lucros e resultados, bem como aqueles com clara permissão de afastamento da aplicação da lei (auxílioalimentação) por dever de ofício. Ainda, quanto à suposta inconstitucionalidade dos fundamentos legais apontados nos outros pontos do recurso, não apreciados em razão de não terem sido contestados, é vedado aos Conselheiros do CARFMF afastarem a aplicação da lei ou decreto sob tal argumento, salvo nas exceções expressas dos artigos 62 e 62A do Regimento Interno do CARFMF III – Quanto à inconformidade da aplicação de contribuições previdenciárias com base nos valores pagos a título de auxílioeducação pagos aos dependentes. Devese anotar que a empresa não trouxe qualquer elemento probatório ou legal que demonstrase que a bolsa paga aos filhos e dependentes dos funcionários tem qualquer vinculação com a atividade ou qualificação dos funcionários da mesma. Assim, não há demostração de sua desvinculação à remuneração, ou que o auxílio tem natureza indenizatória, representando aumento de renda. Assim, o disposto no art. 28, par. 9o., alinea t, da Lei n. 8.212/1991, é claro em que a natureza indenizatória do pagamento de auxílioeducação deve estar vinculda à qualificação dos funcionários da empresa. Nesse aspecto, não perece acolhimento o recurso. IV – Quanto às alegações de não incidência de contribuições previdenciárias sobre valores referentes à auxíliosaúde plano de assistência médicohospitalar e odontológico aos filhos dos empregados, verificase que o art. 28, par. 9o., alinea q, da Lei n. 8.212/1991, não limita que o plano de saúde deva limitarse apenas à pessoa funcionário ou dirigente da empresa, mas que deve ser oferecido a todos os seus colaboradores. Fato esse é claro no art. 458, par. 2o., IV, da CLT, ao apontar que tais valores não configuram salários. O entendimento é acompanhado pela jurisprudência judicial e administrativa, como bem demonstrado no voto condutor da lavra do Conselheiro Elias Sampaio Freire, no Acórdão n. 240101.981, oriundo da 1a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento do CARF/MF, de 22.08.2011, abaixo citado : Fl. 578DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000982/201053 Acórdão n.º 2803001.768 S2TE03 Fl. 579 6 No presente caso, tenho a salientar que o denominado auxílioexcepcional é concedido aos empregados da recorrente, na forma de reembolso, para o tratamento de dependente portador de incapacidade congênita, conforme Relatório fiscal (fls. 113 a 119), in verbis: “Em análise aos diversos documentos e regulamentos internos da empresa, verificouse que o AuxílioExcepcional (também chamado de AuxílioDeficiente ou Auxílio a Portadores de Necessidades Especiais) tratase de benefício concedido pela Fundação aos seus empregados na forma de reembolso limitado de despesas com o tratamento de seu dependente que seja portador de incapacidade congênita que comprometa a sua educação e desenvolvimento.” Saliento que não integra a base de cálculo para fins de incidência de contribuições previdenciárias “o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou daquele a ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas médicohospitalares ou com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa” (art. 28, § 9º , alínea “q” da Lei nº 8.212, de 1991). Entendo que o auxílio excepcional a que se refere o presente lançamento, nada mais é do que um reembolso para tratamento médico de dependente portador de incapacidade congênita que comprometa a sua educação e desenvolvimento, que enquadra perfeitamente na hipótese prevista no art. 28, § 9º , alínea “q” da Lei nº 8.212, de 1991. Precedentes: TRF2 APELAÇÃO CIVEL: AC 200351010269501 RJ 2003.51.01.0269501, Relator(a): Juíza Federal Convocada SANDRA CHALU BARBOSA “TRIBUTÁRIO. AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO AO FILHO EXCEPCIONAL. RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO. 1. Tratase de apelação de interposta contra a sentença que julgou improcedente o pedido da autora e a condenou ao pagamento de custas e honorários advocatícios na ordem de 10% sobre o valor da causa atualizado. 2. A autora alega em seu recurso que a NFLD em questão, que "diz respeito à pretensa cobrança de contribuição previdenciária sobre a verba denominada Fl. 579DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000982/201053 Acórdão n.º 2803001.768 S2TE03 Fl. 580 7 auxílioexcepcional", não deve ser cobrada porque o referido auxílio excepcional, ao contrário do que defendeu a sentença, não possui natureza remuneratória, mas sim retributivo e comutativo. 3. Inicialmente, é de se dizer que, como bem observou a sentença atacada, saláriodecontribuição, nos termos do "inciso I do art. 28 da Lei 8.212/91, (...) referese à totalidade dos rendimentos pagos ou creditados a qualquer título" ao empregado e que "o auxílio excepcional não se enquadra em qualquer das hipóteses de exclusão da contribuição previdenciária taxativamente previstas no § 9ºdo art . 28" (fls. 97/98) da aludida lei. 4. Por outro lado, devem ser excluídos da autuação fiscal em debate os valores pagos como auxílio à criança excepcional que, em sede de execução, correspondam, comprovadamente, a pagamentos de despesas médicas ou que tenham sido utilizados na educação básica do menor excepcional, nos termos do artigo 28, § 9º, alíneas "q" e "t", da Lei nº 8.121/91. 5. Nesse sentido é a deliberação contida no processo nº 97.02.446066, da relatoria do MM. Juiz Federal Convocado Luiz Norton Baptista de Mattos, e que fora julgada no dia 22/01/2008 pela 3ª Turma Especializada deste TRF, com a seguinte fundamentação: "o auxílio excepcional previsto em acordo coletivo firmado pela autora é pago ao empregado, na forma de reembolso mensal, enquanto perdurar o atendimento especializado e a condição de empregado. Não tendo cunho remuneratório, de contraprestação de serviço, não integra o saláriodecontribuição, sendo, porém, necessária prova da prestação do serviço especializado". 6. Recurso conhecido e parcialmente provido.” E ainda, a Solução de Consulta nº 26, de 31 de julho de 2009, da 5ª Região Fiscal, DOU de 31/08/2009, foi no sentido de que as verbas pagas a título de auxílioexcepcional não têm natureza remuneratória: “ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias EMENTA: As verbas pagas a título de AuxílioExcepcional, desde que atendidas as condições legalmente exigidas, têm natureza indenizatória, e não remuneratória, uma vez que o seu pagamento objetiva auxiliar o empregado nas despesas de educação e tratamento especializados despendidas. Deste modo, as referidas verbas não integram o saláriodecontribuição, não se sujeitando, portanto, à incidência de contribuição previdenciária.” Fl. 580DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000982/201053 Acórdão n.º 2803001.768 S2TE03 Fl. 581 8 Assim, nesse ponto merece acolhimento o recurso. V – Quanto à incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de participação de receita/lucros, verificase que realmente houve desobediência injustificada (atrasos em negociação) e nas regras para participação dos empregados nas receitas e lucros desobedeceram ao art. 2, par.1o,e b, da Lei n. 10.101/2000, não podendo serem as verbas excluídas da base de cálculo das contribuições previdenciárias (art. 28, §9ª, “j”, da Lei 8.212 – Ac. 2803001.503, da 3a. Turma Especial da 2a. Seção de Julgamento do CARF, Rel. Cons. Oseas Coimbra, sessão de 17.04.2012). E a principal falha ao caso é a falta de previsibilidade, pois os acordos não eram realizados de forma prévia, à distribuição. Tudo plenamente demonstrado pela decisão recorrida. Assim, não merece reforma a decisão nesse ponto. VI – Por se tratar de questão consolidada com a autorização da alínea a, o inciso II,parágrafo único do art. 62, do Regimento Interno do CARF, c/c o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, DOU de 24/11/2011, Ato Declaratório nº 03/2011, podese apreciar a matéria de ofício, quanto no que tange fornecimento de alimentação in natura (vale/ticket alimentação e cestas básicas), em desconformidade com o Programa de Alimentação do Trabalhador, esse auxílioalimentação mantêm a sua natureza indenizatória. Tais verbas encontramse na lista daquelas que não integram o saláriode contribuição, nos moldes do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, desde que o contribuinte, observe os critérios que o próprio dispositivo legal estabelece. A inobservância dos critérios previstos em lei, certamente levará a autoridade administrativa incumbida do lançamento a cumprir seu dever legal, sob pena de responsabilidade funcional, conforme assevera o parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN. Realizado o lançamento, ao contribuinte será dada a oportunidade de se defender via impugnação e, sendo mantido o lançamento, via recurso voluntário à segunda instância administrativa, que na situação vertente é o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) do Ministério da Fazenda. Na hipótese de o contribuinte continuar vencido em suas argumentações também na segunda instância administrativa, observadas as regras previstas na legislação tributária vigente, o crédito, a partir do esgotamento de recursos nessa esfera, será objeto de cobrança pela via judicial, cobrança essa manejada pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Como o assunto diz respeito ao descumprimento de legislação federal, o rito processual será realizado na Justiça Federal, podendo a discussão chegar (e em regra chega) ao Superior Tribunal de Justiça – STJ. Toda essa movimentação, obviamente, trará para as partes despesas de vários matizes, tendo em vista que nada sai de graça na utilização da máquina do judiciário. Partindo das premissas acima descritas e refletindo melhor sobre posicionamentos anteriores, percebo que algumas verbas, mesmo previstas em lei, e apesar da correção do lançamento levado a efeito pela autoridade administrativa, não serão alcançadas Fl. 581DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000982/201053 Acórdão n.º 2803001.768 S2TE03 Fl. 582 9 pelo fisco, tendo em vista que, ao fim e ao cabo, o Poder Judiciário, o STJ, em especial, a qualificará como não incidente de contribuição previdenciária, como é o caso do pagamento de auxilioalimentação sem o devido registro da empresa perante o Ministério do Trabalho e Emprego. Tais afirmativas encontram ressonância, por exemplo, na decisão proferida pelo STJ, no AgRg no AREsp 5810 / SC AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL 2011/00810687, publicado no DJe de 10/06/2011, cuja ementa transcrevo, verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. Caso em que se discute a incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas recebidas a título de auxílio alimentação in natura, quando a empresa não está inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 2. A jurisprudência desta Corte pacificouse no sentido de que o auxílioalimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Precedentes: EREsp 603.509/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, DJ 8/11/2004; REsp 1.196.748/RJ, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28/9/2010; AgRg no REsp 1.119.787/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 29/6/2010. 3. Agravo regimental não provido. (grifouse e destacouse) Como se pode observar, tratase de jurisprudência pacificada no STJ, situação essa que a meu ver deve balizar os julgamentos nas esferas administrativas, motivo pelo qual passo, de agora em diante, a conduzir meus votos nesse sentido, considerando que a verba ora guerreada não possui natureza salarial, sendo, inclusive, desnecessária a inscrição ou não do empregador no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT. Ou seja, é um caso de nãoincidência, não de isenção, pois tais valores não se encontram no alcance e sentido do fato gerador e base de cálculo definidas no art. 28, I, da Lei n. 8.212/1991, que exige a natureza remuneratória (contraprestação pelo serviço) de tais pagamentos. Entendimento esse inclusive reconhecido pelo Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, DOU de 24/11/2011, Ato Declaratório nº 03/2011. Em razão dos argumentos acima expendidos excluo do lançamento a parcela in natura paga a título de alimentação (mesmo em vale/ticket alimentação, fornecimento de cestas básicas, ressarcimento de custos com restaurantes, restaurantes pagos pela empresa, pois somente pode ser utilizado para obtenção de alimentos pelo funcionário, mantendo sua característica), tendo em conta que ela não tem natureza salarial, bem como ser despiciendo o Fl. 582DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000982/201053 Acórdão n.º 2803001.768 S2TE03 Fl. 583 10 registro da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, do Ministério do Trabalho e Emprego. Neste caso, merece acolhimento o recurso. VII – Conclusão Isso posto, voto por conhecer o Recurso Voluntário, para, no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, no sentido de declarar a insubsistência e decretar o cancelamento do lançamento e respectivos créditos tributários com base em forneciemento cestas básicas e vales alimentação (levantamentos AL e AL1) e em valores decorrentes de planos de assistência médícahospitalar e odontológica pagos a dependentes e filhos dos empregados (levantamentos MD e MD1). Sala de Sessões, 14 de agosto de 2012. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 583DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 13830.000493/2007-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/12/2000, 31/07/2001, 31/05/2001, 31/10/2001, 31/12/2001, 31/01/2002, 30/09/2002, 30/11/2002, 31/12/2003, 29/02/2004
SOCIEDADES COOPERATIVAS. ATO COOPERATIVO INCIDÊNCIA.
As sociedades cooperativas estão sujeitas à Cofins sobre o seu faturamento, como determinado em legislação vigente, independentemente da natureza de suas receitas serem provenientes de atos cooperativos ou não cooperativos.
SOBRAS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE.
Demonstrada a existência de sobras dedutíveis da base de cálculo e não consideradas na apuração original, é cabível sua exclusão até o montante apurado.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-001.950
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JOSÉ ANTONIO FRANCISCO - Relator.
EDITADO EM: 11/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Alegações de ilegalidade e inconstitucionalidade de normas legais são matérias de exclusiva competência do Poder Judiciário. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. Decisões judiciais cujo processo o contribuinte não tenha integrado não produzem efeito contra a Administração em relação às disposições legais e infralegais vigentes. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/12/2000, 31/07/2001, 31/05/2001, 31/10/2001, 31/12/2001, 31/01/2002, 30/09/2002, 30/11/2002, 31/12/2003, 29/02/2004 SOCIEDADES COOPERATIVAS. ATO COOPERATIVO INCIDÊNCIA. As sociedades cooperativas estão sujeitas à Cofins sobre o seu faturamento, como determinado em legislação vigente, independentemente da natureza de suas receitas serem provenientes de atos cooperativos ou não cooperativos. SOBRAS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE. Demonstrada a existência de sobras dedutíveis da base de cálculo e não consideradas na apuração original, é cabível sua exclusão até o montante apurado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/12/2000, 31/07/2001, 31/05/2001, 31/10/2001, 31/12/2001, 31/01/2002, 30/09/2002, 30/11/2002, 31/12/2003, 29/02/2004 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 00 04 93 /2 00 7- 31 Fl. 427DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/02/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 2 SOCIEDADES COOPERATIVAS. ATO COOPERATIVO INCIDÊNCIA. As sociedades cooperativas estão sujeitas à Cofins sobre o seu faturamento, como determinado em legislação vigente, independentemente da natureza de suas receitas serem provenientes de atos cooperativos ou não cooperativos. SOBRAS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE. Demonstrada a existência de sobras dedutíveis da base de cálculo e não consideradas na apuração original, é cabível sua exclusão até o montante apurado. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Relator. EDITADO EM: 11/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de retorno de diligência, aprovada pela Resolução n. 330200.138, de 07 de julho de 2011, cujo relatório teve o seguinte teor: Tratase de recurso voluntário (fls. 304 a 335) apresentado em 12 de julho de 2010 contra o Acórdão n. 1428.553, de 22 de abril de 2010, da 4ª Turma da DRJ / RPO (fls. 292 a 297), cientificado em 14 de junho de 2010, que, relativamente a auto de infração de Cofins e PIS dos períodos de dezembro de 2000, julho a outubro, dezembro de 2001, setembro, novembro de 2002, dezembro de 2003 e fevereiro de 2004, considerou procedente em parte a impugnação da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário “Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 Fl. 428DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/02/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13830.000493/200731 Acórdão n.º 3302001.950 S3C3T2 Fl. 427 3 “ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. “Alegações de ilegalidade e inconstitucionalidade de normas legais são matérias de exclusiva competência do Poder Judiciário. “DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE DO STF. “Em razão de Súmula Vinculante do STF, o prazo para o lançamento das contribuições sociais deve ser contado segundo os critérios estabelecidos no Código Tributário Nacional. “DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. “É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins “Anocalendário: 2002, 2003, 2004 “FALTA DE RECOLHIMENTO. “A falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os acréscimos legais. “SOCIEDADES COOPERATIVAS. ATO COOPERATIVO INCIDÊNCIA. “As sociedades cooperativas estão sujeitas à Cofins sobre o seu faturamento, como determinado em legislação vigente, independentemente da natureza de suas receitas serem provenientes de atos cooperativos ou não cooperativos. “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep “Anocalendário: 2002, 2003, 2004 “FALTA DE RECOLHIMENTO. “A falta ou insuficiência de recolhimento da contribuição para o PIS, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. “SOCIEDADES COOPERATIVAS. ATO COOPERATIVO INCIDÊNCIA. “As sociedades cooperativas estão sujeitas ao PIS sobre o seu faturamento, como determinado em legislação vigente, independentemente da prática de atos cooperativos ou não cooperativos. “Impugnação Procedente em Parte” O auto de infração foi lavrado em 16 de março de 2007, de acordo com o termo de fls. 05, 06, 12 e 13, que relatou o seguinte: Fl. 429DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/02/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 4 “7 Considerando as informações constantes daquele Termo de Constatação Fiscal, das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF (fls. 121 a 134) e os recolhimentos efetuados pelo contribuinte (pesquisas de fls. 135 a 138), procedemos à apuração das contribuições devidas a titulo de COFINS e PIS, tendo sido constatada a falta e/ou insuficiência de recolhimentos nos meses de dezembro/00, julho/01, agosto/01, outubro/01, dezembro/01, janeiro/02, setembro/02, novembro/02, dezembro/03 e fevereiro/04, conforme demonstrativos de fls. 146 a 185. “8 Para que o contribuinte pudesse se manifestar quanto aos cálculos por nós formulados, elaboramos o Termo de Ciência e de Solicitação de Documentos de fls. 139 a 142, do qual o mesmo foi cientificado em 02 de fevereiro de 2007. Neste termo contém todas as informações quanto aos critérios por nós adotados na apuração da COFINS e do PIS e quanto à origem das receitas integrantes das bases de cálculo e das respectivas deduções. “9 Esgotado o prazo para manifestação o contribuinte nada nos apresentou até a presente data, o que nos permite concluir pela concordância do mesmo com cálculos por nós elaborados. “10 Assim sendo, lavramos o presente Auto de Infração, para fins de constituir os créditos tributários correspondentes aos débitos de COFINS que o contribuinte deixou de recolher, dos meses de dezembro/00, julho/01, agosto/01, outubro/01, dezembro/01, janeiro/02, setembro/02, novembro/02, dezembro/03 e fevereiro/04.” A Primeira Instância assim resumiu o litígio: “Contra a empresa qualificada em epígrafe foram lavrados autos de infração em virtude da apuração de falta de recolhimento da Cofins (fls. 04/10) e do PIS (fls. 11/17) exigindoselhe crédito tributário no valor total de R$ 235.246,26, encargos, inclusos. “O enquadramento legal encontrase às fls. 07, 09/10, 14 e 16/17. “Cientificada em 16/03/2007 (fls. 04 e 11), a interessada apresentou, em 11/04/2007, a impugnação de fls. 190/221, acompanhada dos documentos de fls. 222/288, requerendo, em síntese, (i) recebimento da impugnação e suspensão do crédito tributário, nos termos do art. 151, III, do CTN, garantindo a emissão de Certidões Negativas; (ii) acatar as preliminares de direito notadamente a exclusão integral das sobras da base de cálculo das contribuições, bem como reconhecimento da decadência; e (iii) no mérito, reconhecer a ilegalidade da tributação pelo PIS e Cofins das receitas auferidas com o ato cooperativo, declarando a extinção total do crédito tributário pelo reconhecimento da procedência da impugnação. “Em suas razões de pedir, aduziu, em síntese, que: “a. Após citar a base legal para exclusão de sobras da base de cálculo das contribuições, solicitou sejam acolhidos os valores Fl. 430DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/02/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13830.000493/200731 Acórdão n.º 3302001.950 S3C3T2 Fl. 428 5 indicados em planilha de fls. 195/196 e 199/200 e, para comprovação do alegado, solicitou realização de diligência fiscal; “b. O reconhecimento da decadência em relação aos fatos geradores anteriores a janeiro de 2002, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN; “c. A ilegalidade introduzida pela Lei nº 9.718/98, art. 3º, da exigência das contribuições sobre valores oriundos de ato cooperativo que requer tratamento diferenciado nos termos da CF/88, art. 146, III, c, pois não tem objetivo de lucro, portanto, não há como se falar em base de cálculo; em seu favor reproduz ementas de julgados pela isenção do ato cooperativo; “d. A ilegalidade e inconstitucionalidade da exigência do PIS e Cofins sobre demais receitas, introduzida pelo art. 3º § 1º da Lei 9.718/09; citou textos de julgados em seu favor.” No recurso, inicialmente a Interessada alegou que não teriam sido excluídas integralmente da base de cálculo as sobras, segundo o que determinaria a Lei n. 10.676, de 2003, art. 1º, e art. 11 da IN SRF no 635, de 2006. Ademais, “Conforme documentação já juntada aos autos, sendo os balanços demonstrativos de sobras e perdas encerrados no exercício de 2000, 2001, 2002 e 2003, bem como planilha de controle das exclusões das sobras utilizadas pela fiscalização, verificamos que o auditor fiscal não utilizou a integralidade das sobras nos meses de dezembro de 2003 e fevereiro de 2004, quando poderia e deveria fazêlo, o que gerou insuficiência de recolhimento nestes meses [...]”, de forma que não haveria insuficiência de recolhimentos nos períodos de dezembro de 2003 e fevereiro de 2004. A seguir, tratou da ilegalidade da exigência das contribuições sobre os atos cooperativos, à vista das disposições da Lei n. 5.764, de 1971, e da impossibilidade de revogação da isenção prevista na Lei Complementar n. 70, de 1971, pela Lei n. 9.430, de 1996, segundo entendimentos jurisprudenciais que citou. Na sequência, tratou da possibilidade de a autoridade administrativa examinar matéria cuja ilegalidade ou inconstitucionalidade já tenha sido reconhecida pelos tribunais superiores, citando os princípios previstos na Lei no 9.784, de 1999, e na Constituição. Nesse contexto, descaberia a aplicação da majoração da base de cálculo efetuada pela Lei no 9.718, de 1998. Concluiu, ainda, que seria inconstitucional a exigência das contribuições sobre as “demais receitas”. Citou ementas de decisões judiciais. Segundo a Interessada, como as receitas tributadas decorreram de ato cooperativo ou representavam demais receitas operacionais, caberia o cancelamento da autuação. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/02/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 6 O voto que conduziu à aprovação da diligência teve o seguinte teor: Na impugnação, a Interessada alegou não terem sido consideradas, na integralidade, as sobras, em relação ao que a DRJ considerou o seguinte: “Nesse sentido, a empresa apresentou os documentos de fls. 22/79, nos quais se destaca o item questionado exclusão das sobras apuradas na DRF (fl. 46/47). “Nesta planilha verificase que a contribuinte informou, em relação aos períodos de apuração pertinentes, o esgotamento das sobras apuradas em dezembro de 2001, excluídas da base de cálculo das contribuições até o mês de agosto de 2002. Não existiam sobras a serem consideradas nos períodos de apuração de setembro e novembro de 2002 (fl. 64), fato confirmado na auditoria fiscal (fls. 173 e 177). “No período de apuração dezembro de 2003, a contribuinte informou a utilização de sobras no montante de R$ 1.403.395,76 (fl. 47). Conforme pode ser verificado na apuração fiscal da base de cálculo, tal valor foi integralmente utilizado no ajustamento da base de cálculo das contribuições (fl. 181). O mesmo ocorreu no período de apuração de fevereiro de 2004 (fls. 47, 76 e 185). “Assim, a apuração fiscal obedeceu fielmente ao informado pela contribuinte em suas planilhas de apuração da base de cálculo, mostrandose totalmente desprovido de propósito as afirmações insertas na impugnação sobre erro fiscal na apuração das bases de cálculo.” No recurso, a Interessada alegou que “verificamos que o auditor fiscal não utilizou a integralidade das sobras nos meses de dezembro de 2003 e fevereiro de 2004, quando poderia e deveria fazêlo, o que gerou insuficiência de recolhimento nestes meses [...]”. No caso, a Interessada apresentou demonstrativo dos valores que deveriam ser considerados (fl. 312) e entendo não haver elementos suficientes nos autos para decidir a matéria. Dessa forma, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, a fim de que a Fiscalização analise o demonstrativo à vista dos documentos contábeis e lavre relatório conclusivo sobre a questão, podendo, para tanto, intimar a Interessada a apresentar mais elementos de prova, se necessário. Após, deverá ser concedido o prazo de trinta dias para manifestação da Interessada, com retorno dos autos para julgamento. A Fiscalização elaborou o relatório de fls. 408 e 409, informando o seguinte: 3 Primeiramente, convém dizer que não há no presente processo questionamento quanto ao valor das sobras apuradas pelo sujeito passivo em 31/12/2003 – R$ 5.855.050,59. 4 Tanto as receitas quanto as deduções permitidas em lei, que compõem a apuração das bases de cálculo da COFINS e do PIS, foram obtidas a partir da análise dos Livros Razão, apresentados em meio magnético, dos Livros Diário e dos demais documentos apresentados, como o “Controle das Exclusões das Sobras na Base de Cálculo do PIS e da COFINS” Fl. 432DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/02/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13830.000493/200731 Acórdão n.º 3302001.950 S3C3T2 Fl. 429 7 – fls. 68 e 69, elaborado pelo próprio sujeito passivo, conforme consta do relatório dos Autos de Infração (fls. 7 – parágrafos 4 a 6 – e 14 – parágrafos 4 a 6), bem como do Termo de Constatação Fiscal de fls. 174 a 176. 5 O sujeito passivo foi cientificado das diferenças de COFINS e PIS apuradas, sendolhe informado quanto aos critérios adotados na apuração das bases de cálculo, bem como de que no aproveitamento das sobras seguiuse a vontade do próprio sujeito passivo, manifestada por intermédio do “Controle das Exclusões das Sobras na Base de Cálculo do PIS e da COFINS”, conforme Termo de Ciência e de Solicitação de Documentos de fls. 195 a 198. 6 Portanto, tendo a Fiscalização se pautado nos Livros Contábeis para a apuração das bases de cálculo da COFINS e do PIS, não vemos necessidade de nova análise dos Livros Contábeis, para a análise conclusiva do demonstrativo de fl. 312 – atual fl. 373. 7 Quanto à análise do demonstrativo de fl. 312 – atual fl. 373, temos: 7.1 O sujeito passivo, quando da apresentação da impugnação, alegou a falta de exclusão integral das sobras na apuração das bases de cálculo da COFINS e do PIS, relativamente ao período de dezembro/00 a fevereiro/04 (fls. 249 a 277). 7.2 Quando da apresentação do recurso voluntário, o sujeito passivo abandonou a alegação de falta de exclusão integral das sobras na apuração das bases de cálculo da COFINS e do PIS, até novembro/03, mantendo a alegação em relação aos meses de dezembro/03 a fevereiro/04 (fls. 365 a 396). 7.3 As sobras foram utilizadas integralmente pela fiscalização, nos exatos valores utilizados pelo sujeito passivo, conforme pode ser verificado comparandose o “Controle das Exclusões das Sobras na Base de Cálculo do PIS e da COFINS” – fls. 68 e 69, elaborado pelo próprio sujeito passivo, e o demonstrativo de fl. 312 – atual fl. 373, coluna “Apuração Fiscal”. 7.4 Analisando o demonstrativo constante da impugnação (fls. 249 a 277) e o constante do recurso voluntário (fl. 312 – atual fl. 373), resta clara a intenção do sujeito passivo em remanejar os valores das sobras da forma como foram por ele mesmo aproveitados à época da apuração das bases de cálculo da COFINS e do PIS, de modo a zerar as diferenças apuradas pela Fiscalização. Em resposta, a Interessada apresentou a contestação de fls. 413 a 417, alegando o seguinte: i) No item '3' do r. relatório fiscal houve a confirmação expressa sobre a legitimidade e veracidade das sobras apuradas pela recorrente no encerramento do anocalendário de 2003, no valor de R$ 5.855.050,59. Fato. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/02/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 8 ii) No item 7.1 consta que o sujeito passivo, quando da impugnação (1ª instância), alegou a falta de exclusão integral das sobras na apuração das bases de cálculo do PIS e da COFINS, relativamente ao período de dezembro/2000 a fevereiro/2004 e, no item 7.2 sustenta que quando da apresentação do recurso voluntário, abandonou a alegação de falta de exclusão integral das sobras até novembro/2003, mantendo a alegação em relação aos meses de dezembro/2003 a fevereiro/2004. Esclarecimento: De fato na impugnação a recorrente quis demonstrar, em todo o período sob fiscalização, de que a falta de critério na exclusão integral das sobras redundou em insuficiência de recolhimento em alguns meses, os quais foram objeto de autuação de ofício. Como houve decisão favorável na 1ª instância, extinguindo pela decadência os valores autuados de períodos anteriores a janeiro de 2002, a recorrente quis demonstrar e reiterar no recurso voluntário que a falta de exclusão integral das sobras apuradas em 2003, acarretou a insuficiência de recolhimento nos meses de dezembro de 2003 e fevereiro de 2004. Isto porque os valores remanescentes autuados de setembro e novembro de 2002, não foram afetados pela falta de exclusão das sobras apuradas em dezembro/2001, já que pelo controle às fls. 254 as sobras teriam exaurido em maio de 2002. Portanto, não houve nenhuma contradição no pedido da recorrente. Fato. iii) No item '7.3' o auditor fiscal diz que utilizou os mesmos valores das sobras utilizadas pela recorrente, conforme "controle das exclusões das sobras na base de cálculo do PIS e da COFINS", elaborada pelo próprio sujeito passivo. Contestação: De fato a recorrente possuía referido controle (fls. 68/69) quando, ao tempo de cada apuração da base de cálculo, utilizou as sobras para dedução da base de cálculo até zerar ou reduzir o montante tributável, seguindo estritamente o permissivo legal (art. 1 ° da Lei 10.676/2003 e art. 11, inciso VII, §§ 4º e 9º da Instrução Normativa RFB n° 635/2006). O fato é que, tendo a fiscalização refeito as bases de cálculo conforme seu entendimento e, por consequência, alterado os seus valores em todos os meses fiscalizados, deveria por óbvio e "ex offício", ter utilizado valores das sobras diferentes das utilizadas pela recorrente, zerando e reduzindo as bases de cálculo até o seu exaurimento. Isto não foi adotado pela fiscalização, motivo pelo qual a recorrente reiterou seu pedido no recurso voluntário, em preliminares, conforme demonstrativo ás fls. 373. A recorrente quer demonstrar que caso a fiscalização tivesse adotado este procedimento, seguindo o mandamento da própria regulamentação da RFB (IN 635/2006) não teria insuficiência de recolhimentos das contribuições nos meses de dezembro de 2003 e fevereiro de 2004. iv) Por fim, no item '7.4' a fiscalização quer demonstrar que houve contradição no demonstrativo de exclusão das sobras apresentados na impugnação (fls. 254/255 e 258/259) e no recurso voluntário (fls. 373), de modo a remanejar os valores destas sobras. Contestação: Este fato foi cabalmente esclarecido no item II acima, de modo que nem na impugnação nem no recurso voluntário houve contradição dos demonstrativos e dos pedidos. O que a recorrente quer demonstrar é que a Fl. 434DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/02/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13830.000493/200731 Acórdão n.º 3302001.950 S3C3T2 Fl. 430 9 fiscalização deveria utilizar valores diferentes das sobras, daquelas utilizadas pela recorrente, já que refez e alterou todas as bases de cálculo do período fiscalizado. Portanto, não houve máfé por parte da recorrente. Fato. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco O recurso é tempestivo e satisfaz os requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Em relação às matérias constitucionais e que versem sobre legalidade de lei, aplicamse ao caso a Súmula Carf n. 2 (Portaria Carf n. 106, de 21 de dezembro de 2009) e as disposições abaixo citadas do Regimento Interno do Carf (Ricarf, anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009, com as alterações da Portaria MF n. 446, de 2009): “Súmula CARF no 2 “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. “Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ouII que fundamente crédito tributário objeto de:a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002;b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ouc) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. “§ 1o Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/02/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 10 “§ 2o O sobrestamento de que trata o § 1o será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” As pretensões da Interessada de afastar a aplicação da Lei n. 9.718, de 1998, basearamse em aplicações de supostas regras constitucionais, como a prevalência da Lei n. 5.764, de 1971, e da isenção da Lei n. 9.430, de 1996. Vejase que, nesse último caso, o Supremo Tribunal Federal considerou a revogação válida no caso de sociedades civis (RE n. 377457). Resta, dessa forma, examinar a questão objeto da diligência. Em sua impugnação, a Interessada questionou a suposta falta de exclusão integral das sobras dos anos de 2000 a 2003. No recurso, passou a tratar das sobras em relação à sua repercussão nos períodos de dezembro de 2003 e de fevereiro de 2004. Conforme relatório de diligência e a resposta da Interessada, não há divergência em relação ao valor total das sobras apuradas em dezembro de 2003. A Fiscalização, entretanto, discordou da pretensão da Interessada de utilizar as sobras de outra da forma em relação ao que fora originalmente apurado, questão justificada pela Interessada sob o fundamento de que a autuação alterou as bases de cálculo. Nesse contexto, não havendo litígio a respeito do montante das sobras, verifica não haver impedimento na lei para que, havendo alteração da base de cálculo por meio de lançamento de ofício, não se proceda à dedução das sobras. Notese que, na fl. 69, demonstrase a não utilização de R$ 2.760.167,52 das sobras. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para admitir a exclusão dos valores das sobras da base de cálculo, nos termos requeridos pela Recorrente. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 436DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/02/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10166.727203/2011-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
EXTRATOS BANCÁRIOS APRESENTADOS VOLUNTARIAMENTE. INOCORRÊNCIA DE QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. Extratos bancários fornecidos pelo próprio contribuinte, de maneira voluntária, em atendimento às intimações efetuadas pela autoridade tributária no decorrer da ação fiscal, não caracterizam quebra de sigilo bancário.
PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. I - Presume-se ocorrida a omissão de receitas ou de rendimentos, em situação no qual os depósitos bancários indicando a movimentação financeira do contribuinte não tiverem a origem comprovada pelo titular, mediante a devida apresentação de documentação hábil e idônea no decorrer da ação fiscal. II - Opera-se a inversão do ônus da prova, situação em que cabe ao contribuinte desconstituir a presunção legal prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. III - Na fase contenciosa, logrando a defesa demonstrar a origem dos depósitos bancários e que as receitas não são tributáveis, cabe ser afastada a presunção legal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.230
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Antônio José Praga de Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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INOCORRÊNCIA DE QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. Extratos bancários fornecidos pelo próprio contribuinte, de maneira voluntária, em atendimento às intimações efetuadas pela autoridade tributária no decorrer da ação fiscal, não caracterizam quebra de sigilo bancário. PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. I Presumese ocorrida a omissão de receitas ou de rendimentos, em situação no qual os depósitos bancários indicando a movimentação financeira do contribuinte não tiverem a origem comprovada pelo titular, mediante a devida apresentação de documentação hábil e idônea no decorrer da ação fiscal. II Operase a inversão do ônus da prova, situação em que cabe ao contribuinte desconstituir a presunção legal prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. III Na fase contenciosa, logrando a defesa demonstrar a origem dos depósitos bancários e que as receitas não são tributáveis, cabe ser afastada a presunção legal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 72 03 /2 01 1- 79 Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.727203/201179 Acórdão n.º 1402001.230 S1C4T2 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório CIATOY BRINQUEDOS LTDA EPP recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente em parte a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em 10/10/2011, foram lavrados contra o interessado os Autos de Infração do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, atinentes aos anoscalendário de 2007 e 2008, cujo crédito tributário lançado de ofício perfaz o montante de R$5.413.132,75, assim discriminados por exação fiscal: Auto de Infração do IRPJ (fls. 729/748) Imposto Juros de Mora (calculados até 30/09/2011) Multa Proporcional (75%) Total R$983.664,66 R$340.063,38 R$737.748,48 R$2.061.476,52 Infrações AnoCalendário Enquadramento Legal Omissão de Receitas – Suprimento de Numerário Não Comprovada a Origem e/ou Efetividade da Entrega * 2007 Art. 24 da Lei nº 9.249/95; Arts. 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 279, 282 e 288 do RIR/99 Omissão de Receitas * 2007 Art. 24 da Lei nº 9.249/95; Arts. 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 278, 280 e 288 do RIR/99 Resultados Operacionais Não Declarados * 2007 Art. 249, 250 e 926 do RIR/99 Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada ** 2008 Arts. 25 e 42 da Lei nº 9.430;96; Art. 528 do RIR/99 Receitas da Atividade ** 2008 Arts. 224 e 518 do RIR/99 * Lucro Real / ** Lucro Presumido Foi expedido Mandado de Procedimento Fiscal em razão da falta de recolhimento do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins por parte da fiscalizada, além da constatação de elevada movimentação financeira apurada com base na CPMF e na Dimof (Declaração de Informações sobre a Movimentação Financeira) e de expressivos valores recebidos das administradoras de cartão de crédito demonstrados na Decred (Declaração de Operações com Cartões de Crédito). Constatouse ainda que a DIPJ referente ao anocalendário de 2007 foi apresentada com os valores zerados. Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.727203/201179 Acórdão n.º 1402001.230 S1C4T2 Fl. 0 3 Em atendimento à intimação, após concedida prorrogação de prazo, a contribuinte disponibilizou o livro de registro de saídas de mercadorias e o livro de registro de apuração do ICMS, os extratos bancários de contas mantidas no Banco Real e no Banco do Brasil, o livro de registro de saída (mapa resumo) dos relatórios “Redução Z” do emissor do cupom fiscal e pastas contendo o movimento de caixa. Após reiteradas intimações, a fiscalizada apresentou os livros Razão, Diário e o LALUR referentes ao anocalendário de 2007, as notas fiscais de compras de mercadorias (brinquedos) para revenda. Em 28/05/2011 a contribuinte foi intimada e reintimada em 08/08/2011 e 29/09/2011 a apresentar a origem dos depósitos nas contas correntes mantidas no Banco Real e no Banco do Brasil, contudo não comprovou mediante documentação hábil e idônea a procedência dos recursos. Tendo em vista que a DIPJ do anocalendário de 2007 foi apresentada com valores zerados, concluiu a Fiscalização que não restou caracterizada a opção pelo lucro presumido, razão pela qual apurou o IRPJ do correspondente período com base no lucro real. Por sua vez, como a DIPJ do anocalendário de 2008 foi entregue com as informações relativas à receita bruta apurada em cada trimestre devidamente preenchidas, foi considerada a opção pelo lucro presumido da contribuinte para o período fiscalizado. Assim, o anocalendário de 2007 foi apurado com base no lucro real, e o de 2008 com base no lucro presumido. Foram identificadas as seguintes infrações pela Fiscalização: 1 – AnoCalendário de 2007 (Lucro Real) 1.1 – Suprimento de Numerário Não Comprovada a Origem e/ou Efetividade da Entrega (tópico III.1 do Termo de Verificação Fiscal), em razão de depósitos de origem não comprovada pela contribuinte, com reflexos na CSLL, PIS e Cofins. 1.2 – Omissão de Receitas (tópico III.2 do Termo de Verificação Fiscal), referente a diferenças apuradas no cotejo entre receita bruta no DRE (Demonstração de Resultado do Exercício) e no livro de Registro de Apuração do ICMS com os relatórios “Redução Z” do emissor do cupom fiscal, com reflexos na CSLL, PIS e Cofins. 1.3 – Resultados Operacionais Não Declarados (tópico III.3 do Termo de Verificação Fiscal), no qual a Fiscalização, tomando por base a DRE da contribuinte, efetuou ajustes nas deduções da receita bruta operacional, considerou os prejuízos acumulados em períodos anteriores para fins de compensação para apurar o resultado operacional positivo no quarto trimestre, com reflexos na CSLL. 1.4 – Falta de Recolhimento do PIS e da Cofins não cumulativos (tópicos III.6 e III.7, respectivamente, do Termo de Verificação Fiscal), incidentes sobre o faturamento mensal com a devida compensação dos créditos apurados em decorrência das compras para revenda de mercadorias referentes ao regime da não cumulatividade. 2 – Ano Calendário de 2008 (Lucro Presumido) Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.727203/201179 Acórdão n.º 1402001.230 S1C4T2 Fl. 0 4 2.1 – Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada (tópico III.4 do Termo de Verificação Fiscal), referente à não comprovação das origens dos depósitos mantidos nas contas correntes dos Banco Real e do Banco do Brasil, com reflexos na CSLL, PIS e Cofins. 2.2 – Receitas da Atividade (tópico III.5 do Termo de Verificação Fiscal), no qual tomou como base a Fiscalização a receita bruta demonstrada no livro de Registro de Apuração do ICMS com os relatórios “Redução Z” do emissor do cupom fiscal, com reflexos na CSLL, PIS e Cofins. Cientificada dos lançamentos, em 13/10/2011 (Ciência do Sujeito Passivo nos Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins), a interessada apresentou a impugnação de fls. 834/848, em 11/11/2011, cujas razões encontramse sintetizadas a seguir. Da Inexistência de Fato Gerador. Quebra de Sigilo Bancário. Improcede a autuação com base em omissão de receitas por existência e depósitos bancários supostamente não contabilizados quando a fiscalização não logra demonstrar efetivamente a existência da omissão. Na presente autuação, não logrou o Fisco comprovar que os valores creditados na conta corrente representaram efetivo acréscimo patrimonial ou disponibilidade econômica de renda e proventos. Os depósitos por si só não têm o condão de justificar o lançamento tributário sem que haja vinculação entre o valor supostamente omitido com o respectivo depósito, entendimento em consonância com jurisprudência do CARF. No caso em tela, foi considerada omissão de receitas depósitos bancários efetuados entre contas bancárias da própria impugnante, que, por óbvio não caracterizam aumento patrimonial, mas sim uma mera movimentação bancária entre contas do mesmo titular. Portanto, os comprovantes de transferências bancárias acostados aos autos pela defesa comprovam a origem dos valores depositados nas contas correntes, razão pela qual resta desconstruída a presunção de omissão de receitas prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Ademais, a presunção de omissão de receitas mencionada tem aplicação tão somente em relação aos valores creditados em conta poupança ou conta de investimento, e os depósitos tratados no caso concreto referemse aos de conta corrente. Ainda, o Fisco, amparado em apenas um MPF, não tem poderes para a quebra de sigilo bancário do contribuinte. A quebra de sigilo bancário deve ficar a crivo do Poder Judiciário, conforme julgamento do RE 389.808PR, motivo pelo qual padecem de nulidade os autos de infração por terem sido lavrados com suporte em provas ilícitas. Da Multa Aplicada. O percentual de 75% da multa de ofício extrapola os limites da razoabilidade e sensatez e ostenta natureza confiscatória, e escapa da função de penalidade que é de punir e educar. Ainda, devese considerar a total ausência de intuito de fraude ou sonegação por parte da impugnante. Enfim, requer sejam declarados improcedentes os lançamentos ou, ao menos, reduzida a multa de ofício para o percentual máximo de 20%. Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.727203/201179 Acórdão n.º 1402001.230 S1C4T2 Fl. 0 5 A decisão recorrida está assim ementada: EXTRATOS BANCÁRIOS APRESENTADOS VOLUNTARIAMENTE. INOCORRÊNCIA DE QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. Extratos bancários fornecidos pelo próprio contribuinte, de maneira voluntária, em atendimento às intimações efetuadas pela autoridade tributária no decorrer da ação fiscal, não caracterizam quebra de sigilo bancário. PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. I Presumese ocorrida a omissão de receitas ou de rendimentos, em situação no qual os depósitos bancários indicando a movimentação financeira do contribuinte não tiverem a origem comprovada pelo titular, mediante a devida apresentação de documentação hábil e idônea no decorrer da ação fiscal. II Operase a inversão do ônus da prova, situação em que cabe ao contribuinte desconstituir a presunção legal prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. III Na fase contenciosa, logrando a defesa demonstrar a origem dos depósitos bancários e que as receitas não são tributáveis, cabe ser afastada a presunção legal. PRESUNÇÃO LEGAL. APRECIAÇÃO DE LEGALIDADE. A presunção de omissão de receitas encontrase prevista em lei. Nesse contexto, não cabe a órgão de julgamento administrativo apreciar argüição de sua legalidade. DA APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO DE 75%. PREVISÃO LEGAL. Efetuado o lançamento de ofício, cabe imposição da multa proporcional de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS COM BASE NO MESMO FATO E MATÉRIA TRIBUTÁVEL. O decidido em relação ao IRPJ estendese aos lançamentos de CSLL, PIS e Cofins, vez que formalizados com base nos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável. Impugnação Procedente em Parte Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, quanto das matérias mantidas, repisando as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.727203/201179 Acórdão n.º 1402001.230 S1C4T2 Fl. 0 6 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Passo a apreciar as razões recursais A recorrente reitera suas alegações em face de parte das omissões objeto lavratura do auto de infração se deram com base em seus depósitos bancários, cujos extratos foram fornecidos pela própria no curso da ação fiscal. Vejamos: (...) (....) Todavia, tal qual asseverado na decisão recorrida, , não há que se falar em quebra de sigilo bancário, já que as informações foram disponibilizadas pela contribuinte, de maneira voluntária, em atendimento às intimações no curso da ação fiscal. Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.727203/201179 Acórdão n.º 1402001.230 S1C4T2 Fl. 0 7 Reitera a recorrente que a autoridade fiscal não teria comprovado que os valores creditados nas contas correntes representaram acréscimo patrimonial ou disponibilidade econômica de renda e proventos, e que os depósitos, por si só, não demonstrariam a efetiva existência de omissão de receitas. Ainda, a presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, seria aplicada apenas em relação aos valores creditados em conta poupança ou conta de investimentos, ou seja, nada se menciona sobre conta corrente. A meu ver os fundamentos de direito da decisão de 1a. instância, nesse parte, não merecem reparo, sendo até dispensável trancrevelos haja vista que se trata de matéria sobejamente conhecida neste Conselho. Registre, outrossim que a decisão de 1a. instância já exclui da tributação todos os depósitos bancários comprovados, relativos a transferências entre contascorrentes. Portanto, deve ser mantida a exigência quanto ao principal. Quanto aos protestos da recorrente com relação a suposta extrapolação de limites constitucionais para aplicação das penalidades e cobrança de juros de mora, que seria inconstitucional a multa aplicada, reitero que não compete à autoridade administrativa apreciar a argüição e declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade/ilegalidade de lei, pois essa competência foi atribuída, em caráter privativo, ao Poder Judiciário, pela CF, art. 102. A mais abalizada doutrina escreve que toda atividade da Administração Pública passase na esfera infralegal e que as normas jurídicas, quando emanadas do órgão legiferante competente, gozam de presunção de constitucionalidade, bastando sua mera existência para inferir a sua validade. Vale dizer que, inovado o sistema jurídico com uma norma emanada do órgão competente, ela passa a pertencer ao sistema, cabendo à autoridade administrativa tão somente velar pelo seu fiel cumprimento até que seja expungida do mundo jurídico por uma outra superveniente, ou por declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado de constitucionalidade, ou em controle difuso, neste caso, após a publicação de resolução do Senado Federal. Como, no caso concreto, essas hipóteses não ocorreram, as normas inquinadas de inconstitucionais pelo impugnante continuam válidas, não sendo lícito à autoridade administrativa absterse de cumprilas e nem declarar sua inconstitucionalidade, sob pena de violar o princípio da legalidade, na primeira hipótese, e de invadir seara alheia, na segunda. De qualquer forma, convém esclarecer, que o princípio do não confisco insculpido na Constituição, em seu art. 150, IV, dirigese ao legislador infraconstitucional e não à Administração Tributária, que não pode furtarse à aplicação da norma, baseada em juízo subjetivo sobre a natureza confiscatória da exigência prevista em lei. Ademais, tal princípio não se aplica às multas, conforme entendimento já consagrado na jurisprudência administrativa, como exemplificam as ementas transcritas na decisão recorrida e que ora reproduzo: "CONFISCO – A multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.727203/201179 Acórdão n.º 1402001.230 S1C4T2 Fl. 0 8 confisco previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal (Ac. 102 42741, sessão de 20/02/1998). MULTA DE OFÍCIO – A vedação ao confisco, como limitação ao poder de tributar, restringese ao valor do tributo, não extravasando para o percentual aplicável às multas por infrações à legislação tributária. A multa deve, no entanto, ser reduzida aos limites impostos pela Lei nº 9.430/96, conforme preconiza o art. 112 do CTN (Ac. 20171102, sessão de 15/10/1997)." Por sua vez, a aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros de mora também está prevista em normas legais em pleno vigor, regularmente citada no auto de infração (artigo 61, § 3º da Lei 9.430 de 1996), portanto, deve ser mantida. Nesse sentido dispõe a Súmula nº 4 do CARF: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála sem perquirir acerca da justiça ou injustiça dos efeitos que gerou. O lançamento é uma atividade vinculada. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 10120.005944/2010-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009
APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS EM SEDE RECURSAL.
Tendo sido os documentos apresentados na impugnação e apreciados pela autoridade fiscalizadora em diligência, não é cabível que estes sejam re-analisados em sede recursal, quando se verifique que não se destinam a contrapor quaisquer fatos ou razões posteriormente trazidas nos autos, nos termos do art. 16, § 4º, c, do Decreto nº 70.235/72.
MULTA. APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS INCORRETOS. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Deve ser aplicada a multa prevista no art. 32-A da Lei nº 8.212/91, trazido pela MP nº 449/08 (Lei nº 11.941/09), à empresa que tenha deixado de apresentar Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-003.072
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para adequação da multa remanescente ao artigo 32-A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica.
Julio César Vieira Gomes - Presidente.
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ana Maria Bandeira, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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FATOS GERADORES Recorrente FESURV UNIVERSIDADE DE RIO VERDE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS EM SEDE RECURSAL. Tendo sido os documentos apresentados na impugnação e apreciados pela autoridade fiscalizadora em diligência, não é cabível que estes sejam re analisados em sede recursal, quando se verifique que não se destinam a contrapor quaisquer fatos ou razões posteriormente trazidas nos autos, nos termos do art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/72. MULTA. APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS INCORRETOS. RETROATIVIDADE BENIGNA. Deve ser aplicada a multa prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91, trazido pela MP nº 449/08 (Lei nº 11.941/09), à empresa que tenha deixado de apresentar Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 59 44 /2 01 0- 41 Fl. 1804DF CARF MF Impresso em 23/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para adequação da multa remanescente ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica. Julio César Vieira Gomes Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ana Maria Bandeira, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 1805DF CARF MF Impresso em 23/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 10120.005944/201041 Acórdão n.º 2402003.072 S2‐C4T2 Fl. 1.805 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado em 08/07/2010, para exigir multa em razão da Recorrente ter apresentado as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, no período de 01/01/2007 a 31/12/2009, inclusive a competência 13/2009. A Recorrente apresentou documentos buscando demonstrar a regularidade da sua escrituração (fls. 23/1703). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF, ao analisar o processo (fls. 1713/1715), determinou a realização de diligência para que fossem analisados os documentos trazidos pela Recorrente. Em resposta à diligência proposta (fls. 1717/1725), a Autoridade Fiscal informou que foram abatidos os valores decorrentes das infrações justificadas pela Recorrente. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília – DF, considerando a manifestação apresentada pela Recorrente como impugnação (fls. 1729/1736), julgou o lançamento parcialmente procedente, entendendo que: (i) deixou de informar mensalmente à RFB os fatos geradores referentes à remuneração dos segurados que lhe prestam serviços; (ii) a multa deve ser retificada em razão da alteração do crédito tributário; e (iii) no momento do pagamento ou parcelamento do débito pela Recorrente, a multa aplicada deverá ser analisada para fins de retificação e aplicação da penalidade mais benéfica. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 1745/1796) alegando que as diferenças relativas às competências de 01/2007 a 07/2008, 01/2009 e 05/2009 a 13/2009 foram comprovadas, ficando sob pena de multa apenas as competências de 08/2008, 09/2008, 10/2008, 11/2008, 12/2008, 13/2008, 02/2009, 03/2009 e 04/2009. É o relatório. Fl. 1806DF CARF MF Impresso em 23/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Recorrente alega que as diferenças relativas às competências de 01/2007 a 07/2008, 01/2009 e 05/2009 a 13/2009 foram comprovadas, devendo ser excluídas da presente autuação. No entanto, analisando as competências compreendidas entre 01/2007, 02/2007, 04/2007 a 07/2007, 10/2007 a 07/2008, os valores dessas competências foram retificados para zero, conforme reconhecido pela DRJ (fls. 1734/1735), razão pela qual não há mais propósito em apreciálas. Já em relação às demais competências, vale destacar que a Recorrente, em seu recurso, traz parte dos documentos que já foram apresentados por ocasião do Ofício nº 121/2010 e que também já foram considerados tanto pela autoridade fiscal quando da baixa em diligência quanto pela DRJ para a elaboração da planilha dos valores desta autuação que foram extintos, não havendo qualquer elemento contundente para contestar o saldo remanescente. Cumpre ressaltar que, tendo sido os documentos apresentados na impugnação e apreciados pela autoridade fiscalizadora em diligência, não é cabível, em sede de recurso, que estes sejam novamente analisados, mormente quando não contrapõem quaisquer fatos ou razões posteriormente trazidas nos autos, nos termos do art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/72, in verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)” Outrossim, destacase que, conforme mencionado pela d. DRJ à fl. 1.733, a Recorrente não apresentou qualquer manifestação em relação ao resultado da diligência, o que demonstra que desde a apresentação dos ofícios (tidos como impugnação), a Recorrente não buscou mais contestar efetivamente o crédito tributário apurado. Fl. 1807DF CARF MF Impresso em 23/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 10120.005944/201041 Acórdão n.º 2402003.072 S2‐C4T2 Fl. 1.806 5 Destarte, não merece provimento a alegação da Recorrente neste ponto. Por fim, constatase ainda que, por ter sido a penalidade imposta no presente caso (art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991) revogada pelo art. 79 da Lei nº 11.941/2009, o auditor fiscal, em atenção ao art. 106, inc. II, aliena “c”, do CTN, realizou a comparação de qual seria a multa mais benéfica ao contribuinte. No entanto, o cálculo realizado pelo fiscal está totalmente equivocado, haja vista que utiliza como parâmetro não só a penalidade por descumprimento de obrigação acessória, como também a penalidade por descumprimento de obrigação principal. A penalidade anteriormente prevista no art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, passou a ser regulamentada pelo art. 32A, inc. I, da Lei nº 8.212/19911. Tal norma leva em consideração somente a quantidade de erros formais que o contribuinte comete ao preencher suas declarações acessórias (R$ 20,00 para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas) e não o montante que deixou de ser informado, como ocorria durante a vigência da legislação anterior. Sendo assim, a fim de que seja dado o efetivo cumprimento à retroatividade benigna de que trata o art. 106, inc. II, “c”, do CTN, é mister que a multa seja recalculada, a fim de que seja imposta a penalidade mais benéfica ao contribuinte. Outro não é o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais: “(...) OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA PENALIDADE GFIP OMISSÕES INCORREÇÕES RETROATIVIDADE BENIGNA. A ausência de apresentação da GFIP, bem como sua entrega com atraso, com incorreções ou com omissões, constituise violação à obrigação acessória prevista no artigo32, inciso IV , da Lei nº 8.212/91 e sujeita o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. Com o advento da Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, a penalidade para tal infração, que até então constava do §5° ,do artigo 32, da Lei n° 8.212/91, passou a estar prevista no artigo32A da Lei n° 8.212/91,o qual é aplicável ao caso por força da retroatividade benigna do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional.Recurso especial provido em parte.” (CARF, CSRF, 2ª Turma, PAF nº 36378.002129/200615, Acórdão nº 920201.636, Red. Des. Gonçalo Bonet Allage, Sessão de 25/07/2011) 1 “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (...)” Fl. 1808DF CARF MF Impresso em 23/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 6 Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, determinando a retificação da multa imposta para que observe o disposto no art. 32A trazido pela MP nº 449/08 (Lei nº 11.941/09). É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 1809DF CARF MF Impresso em 23/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
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Numero do processo: 11020.003636/2010-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007,2008, 2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
As nulidades no processo administrativo fiscal são aquelas constantes do art. 59 do Decreto n° 70.235/72. Não tendo ocorrido qualquer das hipóteses lá previstas, é válido o lançamento. Não há cerceamento do direito de defesa se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas e sobre tudo pode se manifestar mediante bem articulada peças impugnatória e recursal.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.
O mandado de procedimento fiscal consiste em mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização. Não há impedimento em que seja emitido na mesma data em que cientificada a exigência tributária.
DECLARAÇÃO RETIFICADORA APRESENTADA APÓS O LANÇAMENTO. INEFICÁCIA.
A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz efeitos sobre o lançamento de ofício.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO.
Impõe-se o arbitramento do lucro quando demonstrada que a escrituração contábil contém vícios, erros ou deficiências que impossibilitem a determinação do lucro real.
AUSÊNCIA DO LALUR. ARBITRAMENTO DO LUCRO (AC 2008).
O Livro de Apuração do Lucro Real é um livro fiscal de escrituração obrigatória para a pessoa jurídica optante do lucro real. A não apresentação desse livro fiscal pelo optante do lucro real, quando solicitado, dá ensejo ao arbitramento do lucro, mormente quando o sujeito passivo não declara corretamente a apuração do lucro real, nem apresenta os documentos comprobatórios dessa apuração.
MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO.
A conduta do contribuinte ao informar ao fisco o não auferimento de receitas, por meio de declarações zeradas, durante anos consecutivos, estando em plena atividade, revela prática dolosa e determina a aplicação de multa qualificada.
Numero da decisão: 1402-001.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Frederico Augusto Gomes de Alencar - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. As nulidades no processo administrativo fiscal são aquelas constantes do art. 59 do Decreto n° 70.235/72. Não tendo ocorrido qualquer das hipóteses lá previstas, é válido o lançamento. Não há cerceamento do direito de defesa se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas e sobre tudo pode se manifestar mediante bem articulada peças impugnatória e recursal. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O mandado de procedimento fiscal consiste em mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização. Não há impedimento em que seja emitido na mesma data em que cientificada a exigência tributária. DECLARAÇÃO RETIFICADORA APRESENTADA APÓS O LANÇAMENTO. INEFICÁCIA. A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz efeitos sobre o lançamento de ofício. ARBITRAMENTO DO LUCRO. DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. Impõese o arbitramento do lucro quando demonstrada que a escrituração contábil contém vícios, erros ou deficiências que impossibilitem a determinação do lucro real. AUSÊNCIA DO LALUR. ARBITRAMENTO DO LUCRO (AC 2008). O Livro de Apuração do Lucro Real é um livro fiscal de escrituração obrigatória para a pessoa jurídica optante do lucro real. A não apresentação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 36 36 /2 01 0- 71 Fl. 1763DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.003636/201071 Acórdão n.º 1402001.219 S1C4T2 Fl. 1.764 2 desse livro fiscal pelo optante do lucro real, quando solicitado, dá ensejo ao arbitramento do lucro, mormente quando o sujeito passivo não declara corretamente a apuração do lucro real, nem apresenta os documentos comprobatórios dessa apuração. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. A conduta do contribuinte ao informar ao fisco o não auferimento de receitas, por meio de declarações zeradas, durante anos consecutivos, estando em plena atividade, revela prática dolosa e determina a aplicação de multa qualificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 1764DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.003636/201071 Acórdão n.º 1402001.219 S1C4T2 Fl. 1.765 3 Relatório Mini Mercado Simiel Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 5ª Turma da DRJ Porto Alegre/RS, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “A empresa teve lavrados contra si autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 02), Contribuição para o Programa de Integração Social PIS (fls. 22), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins (fls. 58) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 40). O total do crédito tributário apurado foi de R$ 2.564.851,05, calculado até 29/10/2010. O relatório da ação fiscal está às fls. 76/84. A ciência dos autos de infração ocorreu em 29/11/2010. A contribuinte impugnou as exigências em 28/10/2010, através da petição de fls. 940/969. Razões de autuação O autuante resume assim as razões de autuação e o resultado do trabalho fiscal (fls. 82) “CONSIDERAÇÕES FINAIS/CONCLUSÃO Durante todo período em que o sujeito passivo esteve sob ação fiscal intimamos e reintimamos a apresentar todos os documentos e esclarecimentos necessários à apuração dos impostos e contribuições pelos critérios do Lucro Real. A contabilidade está eivada de omissões, e os documentos e informações apresentadas não permitem apurar os impostos e contribuições por este critério. Foram constatadas omissões de receitas e despesas e lançamentos na conta "caixa" de outros ativos que não correspondem a ingressos de moeda corrente (venda a prazo, cheques prédatados, vendas no cartão, Tickets etc). Os saldos do caixa não correspondem aos valores nele indicados. Além disso, não foram contabilizadas as operações realizadas por intermédios [sic] de instituições financeiras. Se todas as despesas fossem escrituras, o saldo de caixa ficaria credor e aumentaria nos dias em que o saldo já é credor, isto sem considerar que no saldo do caixa estão as vendas a prazo, as vendas no cartão, os cheques prédatados, os cheques devolvidos etc. Se deixássemos no caixa somente o dinheiro, o saldo credor do caixa seria ainda maior (superior a RS 440.000,00). E destacase que os elementos/documentos apresentados não permitem apurar a exatidão dos estoques. A contabilidade, portanto, está imprestável para apurar as bases de cálculo dos impostos e contribuições pelos critérios do Lucro Real. Não sendo possível apurar o Lucro Real pelas deficiências que a contabilidade apresenta e pela falta de documentos e esclarecimentos, os impostos e contribuições foram calculados com base no Lucro Arbitrado com fundamento no art. 530, inciso II. letra "b" do Decreto n°. 3000/99 (RIR/99). Fl. 1765DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.003636/201071 Acórdão n.º 1402001.219 S1C4T2 Fl. 1.766 4 Não permitindo apurar a base dos tributos pelos critérios do Lucro Real o PIS e a COFINS serão apurados na modalidade cumulativa. [...]” “DA MULTA AGRAVADA/QUALIFICADA A empresa foi optante pela sistemática do SIMPLES até o exercício de 2005. A partir de 2006 passou a apurar a base de cálculo dos impostos e contribuições pela sistemática do Lucro Real. Nos períodos base de 2006, 2007 e 2009 apresentou as DIPJ com opção pela sistemática do Lucro Real com omissão total da receita auferida e estava omisso com a DIPJ do ano de 2008 que só foi apresentada à RFB após iniciado o procedimento fiscal. As DCTF e DACON também foram apresentadas sem movimento e nenhum imposto ou contribuição foi declarado. No decorrer do procedimento fiscal constatouse que a contabilidade da fiscalizada está repleta de lançamentos omitidos [sic] como as operações com instituições financeiras (omissão total), tornandoa imprestável para fins de apuração das bases de cálculo dos impostos e contribuições na sistemática do Lucro Real. Se fossem lançadas todas as despesas pagas pela empresa o saldo de caixa fica credor e nos dias em que o saldo já é credor é aumentado. Para atingir seu objetivo de não pagar tributos passou a apurar os impostos e contribuições pela sistemática do Lucro Real, apresentando as declarações (DIPJ, DCTF e DACON) sem movimento (sem faturamento) e deixando de escriturar na sua contabilidade parte das receitas e despesas incorridas, além de não escriturar, em títulos próprios, as contas representativas da movimentação financeira. Deste modo fica plenamente caracterizada a intenção deliberada (dolo) de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, caracterizando o conceito de sonegação constante do art. 71 da Lei nº 4.502/64. Além disso, tal prática enquadrase também no conceito do artigo 72 desta Lei. Diante destes fatos a multa aplicada será no percentual de 150% com fundamento art. 44, § 1º da Lei n° 9.430/96; artigo 957, inciso II do Decreto 3000, de 26/03/1999.” As razões de impugnação foram resumidas na petição da contribuinte nas alíneas 'c' até 'c8', conforme transcrito adiante (fls. 967/969). Quando for necessário ao entendimento das razões de defesa, resumo os argumentos da Recorrente após a transcrição da alínea: [...] c) ao final, com os fundamentos de fato e de direito aflorados, julgado TOTALMENTE IMPROCEDENTE O PRESENTE AUTO DE INFRAÇÃO, sendo declarado(a): c1) afastamento, por a respectiva declaração de nulidade, dos levantamento [sic] que escapam ao objeto da ação fiscal; A contribuinte entende nulo o lançamento porque o período autuado seria superior ao período inicialmente previsto no MPF. c.2) o afastamento da constituição do crédito tributário por arbitramento, reformando o lançamento no sentido de adotar a escrituração e declarações como Fl. 1766DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.003636/201071 Acórdão n.º 1402001.219 S1C4T2 Fl. 1.767 5 suporte para fins de apuração do débito; ou ainda, o aproveitamento máximo da escrituração para fins de determinação do quantum devido; c.3) a reforma do lançamento, para o fim de proceder ao lançamento arbitrado somente sobre as receitas quando estritamente necessário (art. 148, do CTN), mantendose a escrituração contábil e de declarações até então entregues, já que idôneas e que porque refletem de fato a realidade fiscal da empresa, fazendo a constituição do débito por este suporte, consoante art. 149 do CTN; c.4) a nulidade da apuração com base no lucro arbitrado, posto haver ausência de provas cabais no sentido da desclassificação da escrituração contábil da RECORRENTE, em franca violação ao art. 9º , do Decreto 70.235, de 1972, e procedendo a eventual lançamento consoantes declarações e contabilidade acostada aos autos quando dos requerimentos administrativos, c.5) requerse a declaração da nulidade do lançamento procedido pela autoridade administrativa no auto de infração em comento, posto que a constituição do crédito tributários [sic]das mais variadas espécies de tributos deuse através de uma mesma formalização (um único processo), assim como as multas qualificadas; C.6) a nulidade do lançamento por ausência de descrição fática do constituição [sic] do crédito, por vício formal; c.7) a nulidade do lançamento por estar ausência [sic] especifica da disposição legal infringida e sua correlata relação com os fatos, por tratarse de vício formal insanável; c.8) o total afastamento da multa de oficio de 150%, devendo esta se dar na forma ordinária, qual seja, no percentual de 20% sobre o crédito tributário não cumprido; Subsidiariamente, caso não seja o entendimento do d. Julgador, a aplicação da multa conforme caso (quando declarado e quando nãodeclarado) as multas constantes no art. 44, I e II, da Lei Federal n. 9.430/1996, em 50% e 75%, sobre as quais não deve incidir nenhum fator qualificador.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 10 34.587 (fls. 1.7051.716) de 29/09/2011, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006, 2007,2008, 2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. As nulidades no processo administrativo fiscal são aquelas constantes do art. 59 do Decreto n° 70.235/72. Não tendo ocorrido nenhuma das hipóteses lá previstas, é válido o lançamento. Inocorre cerceamento do direito de defesa se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas e sobre tudo pode manifestarse mediante bem articulada peças impugnatória. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O mandado de procedimento fiscal consiste em mero instrumento interno de Fl. 1767DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.003636/201071 Acórdão n.º 1402001.219 S1C4T2 Fl. 1.768 6 planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização. Não há impedimento em que seja emitido na mesma data em que cientificada a exigência tributária. RETIFICADORA APRESENTADA APÓS O LANÇAMENTO. INEFICÁCIA. A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. ARBITRAMENTO DO LUCRO. DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. Impõese o arbitramento do lucro quando demonstrada que a escrituração contábil contém vícios, erros ou deficiências que impossibilitem a determinação do lucro real. AUSÊNCIA DO LALUR. ARBITRAMENTO DO LUCRO (AC 2008). O Livro de Apuração do Lucro Real é um livro fiscal de escrituração obrigatória para a pessoa jurídica optante do lucro real. A não apresentação deste livro fiscal pelo optante do lucro real, quando solicitado, dá ensejo ao arbitramento do lucro, mormente quando o sujeito passivo não declara corretamente a apuração do lucro real, nem apresenta os documentos comprobatórios dessa apuração. MULTA DUPLICADA. CABIMENTO. A conduta do contribuinte ao informar ao fisco o não auferimento de receitas, por meio de declarações zeradas, durante anos consecutivos, estando em plena atividade, revela prática dolosa e determina a aplicação de multa duplicada.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 20/10/2011 (A.R. de fl. 1.724) a interessada interpôs recurso voluntário em 18/11/2011 (fls. 1.7251.739) onde repisa os argumentos apresentados em sua Impugnação. É o relatório. Fl. 1768DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.003636/201071 Acórdão n.º 1402001.219 S1C4T2 Fl. 1.769 7 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Das alegadas irregularidades formais 1) MPF A empresa reclama que teria havido alargamento do período de fiscalização inicialmente constante do MPF e que isso viciaria os lançamentos. O MPF objetiva conferir ao contribuinte a oportunidade de apurar a "veracidade" da fiscalização à qual está sendo submetido, salvaguardandoo de eventuais desvios ou abusos. Consiste ele em ordem emanada por dirigentes das unidades, designando determinados auditores fiscais a executarem tarefas tendentes à verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo. Tem o papel de mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais. Eventual falta ou imperfeição do MPF não tem o condão de anular auto de infração que atenda a todos os requisitos fixados no art. 142 do CTN, combinado com o art. 10 do Decreto n° 70.235/1972. É nessa linha que se sedimenta o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, como se vê adiante: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF A atividade de seleção do contribuinte a ser fiscalizado, bem assim a definição do escopo da ação fiscal, inclusive dos prazos para a execução do procedimento, são atividades que integram o rol dos atos discricionários, moldados pelas diretrizes de política administrativa de competência da administração tributária. Neste sentido, o MPF tem tripla função: a) materializa a decisão da administração, trazendo implícita a fundamentação requerida para a execução do trabalho de auditoria fiscal, b) atende ao princípio constitucional da cientificação e define o escopo da fiscalização e c) reverencia o princípio da pessoalidade. Questões ligadas ao descumprimento do escopo do MPF, inclusive do prazo e das prorrogações, devem ser resolvidas no âmbito do processo administrativo disciplinar e não têm o condão de tornar nulo o lançamento tributário que atendeu aos ditames do art. 142 do CTN. (Ac. Io CC n° 10706820, sessão de 16/10/2002, Relator Luiz Martins Valero). NULIDADE INOCORRÊNCIA MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo Fl. 1769DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.003636/201071 Acórdão n.º 1402001.219 S1C4T2 Fl. 1.770 8 fiscal. (Ac. Io CC n° 10807079, Sessão de 22/08/2002, Relator Luiz Alberto Cava Maceira). MPF O Mandado de Procedimento Fiscal, é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, não implicando nulidade dos procedimentos fiscais as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. (Ac. n° 10514070, Sessão de 19/03/2003, Relator Nilton Pess). PRELIMINAR NULIDADE MPF É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário (Ac. n° 10612941, Sessão de 16/10/2002, Relator Luiz Antonio de Paula). Rejeito, pois, essa preliminar. 2) Necessidade de formalização apartada dos diversos tributos Em seu recurso a contribuinte argumenta que todos os tributos teriam sido exigidos no mesmo processo. Entende que haveria nulidade, pois cada tributo deveria ser lançado em auto de infração/processo separado. De fato, foi lavrado um auto de infração para cada tributo, como se pode ver no relatório. Isso atende ao disposto no art. 9º do Decreto n° 70.235/1972. Já a reunião dos diversos autos de infração em um único processo foi feita em obediência ao inciso I do art. 10 da Portaria RFB n° 666, de 24 de abril de 2008, in verbis: Art. 10 Serão objeto de um único processo administrativo: 1 as exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes: a) ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (1RPJ) e aos lançamentos dele decorrentes relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), à Contribuição para o PIS/Pasep ou à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); Não vejo como a reunião dos autos de infração no mesmo processo possa causar dificuldade ou dano à defesa. Ao contrário, a contribuinte teve mais facilidade para exercer a defesa, pois com uma única petição recorreu dos quatro autos de infração lavrados. 3) Ausência de descrição dos fatos A Recorrente diz que a descrição da infração tem que ser substancial, de forma a permitir ao autuado a ampla defesa. Entende que teria havido apenas a enumeração de passos seguidos na fiscalização, sem descrição suficiente da matéria tributável. Fl. 1770DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.003636/201071 Acórdão n.º 1402001.219 S1C4T2 Fl. 1.771 9 Não procede a reclamação. O trabalho fiscal está embasado em alentado Termo de Verificação Fiscal, com a minuciosa descrição de todos os elementos de convicção dos autuantes, fazendo remissão aos documentos do processo, quando necessário. Não há que se falar em cerceamento de defesa, se o contribuinte conhece os motivos do lançamento e a base legal em que se assentam. E, prova maior da inexistência de cerceamento de defesa é a própria impugnação apresentada, onde a contribuinte demonstra ter compreendido perfeitamente as razões do lançamento e pôde apresentar substancial defesa, atacando todos os pontos da exigência. O relatório do trabalho fiscal não tem apenas a enumeração dos passos seguidos pela fiscalização, mas todas as razões de autuação. Podese ver isso, inclusive, pelo próprio resumo feito pelos autuantes, e que está transcrito no relatório acima. As nulidades do processo administrativo fiscal são aquelas previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, mas não se vislumbra nos autos qualquer daquelas hipóteses. "Art. 59. São nulos; I—os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II — os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. " 4) Deficiência no enquadramento legal A Recorrente sustenta que o autuante apenas enumerou uma série de dispositivos legais, sem indicar específica e unicamente o dispositivo violado, com os fatos que lhe são correlatos. Ao contrário, o relatório do trabalho fiscal relaciona toda a legislação infringida, ressaltando, ao final, que os dispositivos estão discriminados nos autos de infração. Não houve, dessa forma, a deficiência apontada pelo contribuinte. Ainda que houvesse, é pacífico que eventual equívoco ou omissão no tocante ao enquadramento legal, somente vicia a exigência se houver prejuízo ao contribuinte, por impossibilitar a sua defesa. No caso concreto, os fatos que deram origem à tributação estão perfeitamente descritos no trabalho fiscal. O contribuinte, por sua vez, defendeuse plenamente, demonstrando saber exatamente as razões de autuação. Esse é o entendimento sedimentado neste Conselho, conforme se depreende das ementas a seguir destacadas: "IRPF NORMAS PROCESSUAIS NULIDADE O erro de enquadramento legal da infração cometida não acarreta nulidade da Notificação de Lançamento quando comprovado, pela descrição clara dos fatos nela contida e conteúdo da impugnação apresentada pelo contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, pelo que incorreu cerceamento de defesa. Ademais regras de procedimento não podem ser confundidas com regras substantivas de imposição tributária". Ac. 106 08.327, da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Sessão de 15/10/1996. Fl. 1771DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.003636/201071 Acórdão n.º 1402001.219 S1C4T2 Fl. 1.772 10 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL: NULIDADE – FUNDAMENTAÇÃO LEGAL A imperfeição no enquadramento legal só acarreta nulidade do auto de infração se restar comprovado que o direito de defesa do contribuinte foi cerceado. Não há que se falar em nulidade quando a descrição dos fatos é suficiente esclarecedora, que cita, além dos dispositivos que regulamenta a matéria, o diploma legal instituidor da norma. (Ac. 10319.614, da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Sessão de 22/09/1998). NORMAS PROCESSUAIS NULIDADE FALTA DE INDICAÇÃO DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO PARA A DEFESA A falta de indicação, no lançamento, do enquadramento legal da infração, cometida não acarreta a nulidade do auto de infração, quando comprovado, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida e a alentada impugnação apresentada pelo contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que não ocorreu preterição do direito de defesa. (Ac. Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Sessão de 19/05/1999, processo 10670.000908/9518). Não há, portanto, nulidade a ser reconhecida. MÉRITO Da base de cálculo do arbitramento A Recorrente afirma que declarou fatos geradores ao fisco em DCTF, DIPJ e DACON, antes e durante o procedimento fiscal. Dessa forma poderia o fisco considerar tais declarações, fazendo incidir o arbitramento somente sobre os valores não declarados. Constatase da análise dos documentos constantes do processo, que as declarações entregues ao fisco antes do início da ação fiscal apresentavam movimento zerado, ou seja, nada declaravam de matéria tributável. Vejase o trecho do relatório fiscal: Das Declarações Transmitidas à RFB As DIPJs do período base de 2006, 2007 e 2009 foram transmitidas com a opção de tributação pela sistemática do Lucro Real, omitindo a totalidade das receitas auferidas. No exercício base de 2008 estava omissa. Apresentou a DIPJ em 09/10/2010 depois de iniciado o procedimento fiscal (fls.484/509). As Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) também foram apresentadas sem movimento, com todas as fichas zeradas e o período relativo ao 2º semestre de 2007 está omisso fls. 424/428). Foram também apresentados zerados todos os Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais (DACON) (relação fls. 419/420). E, no banco de dados da arrecadação da RFB, não constam, no período fiscalizado, recolhimentos de impostos e contribuições, cujos encargos são suportados pela Pessoa Jurídica. Nenhum tributo ou contribuição foi declarado ou recolhido, neste período, antes de iniciado o procedimento fiscal. Fl. 1772DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.003636/201071 Acórdão n.º 1402001.219 S1C4T2 Fl. 1.773 11 Ademais, apenas no decorrer do procedimento fiscal a interessada apresentou declarações retificadoras. É pacífico o entendimento de que a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de oficio. (Súmula CARF n° 33). Assim, não restou outra alternativa ao autuante a não ser o arbitramento do lucro. Arbitramento Possibilidade A Recorrente alega que a apuração do lucro real seria possível, sem a necessidade de desconsiderar sua contabilidade. Não é essa, a meu ver, a realidade apresentada nos autos. Nesse sentido, trago a transcrição (fls. 82) do relatório fiscal com os argumentos convincentes sobre o motivo do arbitramento. “CONSIDERAÇÕES FINAIS/CONCLUSÃO Durante todo período em que o sujeito passivo esteve sob ação fiscal intimamos e reintimamos a apresentar todos os documentos e esclarecimentos necessários à apuração dos impostos e contribuições pelos critérios do Lucro Real. A contabilidade está eivada de omissões, e os documentos e informações apresentadas não permitem apurar os impostos e contribuições por este critério. Foram constatadas omissões de receitas e despesas e lançamentos na conta "caixa" de outros ativos que não correspondem a ingressos de moeda corrente (venda a prazo, cheques prédatados, vendas no cartão, Tickets etc). Os saldos do caixa não correspondem aos valores nele indicados. Além disso, não foram contabilizadas as operações realizadas por intermédio de instituições financeiras. Se todas as despesas fossem escrituras, o saldo de caixa ficaria credor e aumentaria nos dias em que o saldo já é credor, isto sem considerar que no saldo do caixa estão as vendas a prazo, as vendas no cartão, os cheques pré datados, os cheques devolvidos etc. Se deixássemos no caixa somente o dinheiro, o saldo credor do caixa seria ainda maior (superior a RS 440.000,00). E destacase que os elementos/documentos apresentados não permitem apurar a exatidão dos estoques. A contabilidade, portanto, está imprestável para apurar as bases de cálculo dos impostos e contribuições pelos critérios do Lucro Real. Não sendo possível apurar o Lucro Real pelas deficiências que a contabilidade apresenta e pela falta de documentos e esclarecimentos, os impostos e contribuições foram calculados com base no Lucro Arbitrado com fundamento no art. 530, inciso II. letra "b" do Decreto n°. 3000/99 (RIR/99). A Recorrente também foi insistentemente intimada a comprovar, com documentação hábil, os saldo dos estoques existentes em cada mês utilizado na apuração do lucro real e a identificar, na contabilidade, as contas que contemplam os lançamentos, entre outros, das operações com cartões de crédito, com cartão de débito, das receitas e despesas financeiras, das aplicações financeiras e das operações de crédito (empréstimos, financiamento, mútuos, desconto de títulos). No tocante à comprovação dos estoques, segundo o autuante, a contribuinte deixou de apresentar os arquivos magnéticos das notas fiscais de entradas e saídas no formato Fl. 1773DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.003636/201071 Acórdão n.º 1402001.219 S1C4T2 Fl. 1.774 12 solicitado ou quaisquer outros documentos ou informações que permitam avaliar os estoques de mercadorias em cada período de apuração. Ora, se não há documentação que dê suporte à mensuração dos estoques, tornase impossível apurar o resultado do período pelo lucro real. Mais ainda, a empresa deixou de escriturar a totalidade da movimentação bancária. Diz o autuante que "os depósitos bancários, cheques emitidos, cheques devolvidos, cheques prédatados, pagamentos e recebimentos via banco, desconto de títulos, aplicações financeiras, empréstimos, financiamento, operações com cartão de crédito (Visanet, Redecard, Banricompras). Ticket Serviços e outros não foram escriturados. Enfim, a Recorrente pretende que o fisco faça a apuração do seu lucro real, identificando nos extratos bancários aquelas operações que mereceriam registro. Diz ela (fls. 947) "é perfeitamente possível se extrair os elementos necessários para a apuração créditos tributários (sic). Inclusive o que é devido, confrontandose com informações não contabilizadas (em extratos e declarações) [...]". Como já posto, caberia e cabe à empresa manter escrituração completa, para fins de apuração de resultados pelo lucro real. Por todo o aqui exposto, é de se concluir que a apuração dos resultados pelo lucro arbitrado restou como única alternativa para aferição do lucro da contribuinte. Da qualificação da multa de ofício A autuada ao longo de quatro anos apresentou declarações ao fisco informando não auferir receitas e, com isso, não apurou tributos a pagar. Esse comportamento reiterado não é fruto de mero equívoco, mas denotativo da deliberada intenção de retardar ou impedir o fisco de conhecer a ocorrência dos fatos geradores. Tenho, assim, que a multa qualificada foi bem aplicada. IRPJ DECLARAÇÕES APRESENTADAS, SISTEMATICAMENTE, COM RECEITA MENORES QUE AS ESCRITURADAS EM LIVROS FISCAIS MULTA AGRAVADA CABIMENTO O dolo, elemento imprescindível à caracterização das figuras que justificam a exasperação da penalidade, resta comprovado pela conduta reiterada e sistemática, consistente em calcular o imposto de renda e informálo nas Declarações de Rendimentos e nas DCTF, tomando como base para apuração do tributo receita bruta muito aquém da efetiva. (Conselho de Contribuintes. Acórdão n° 1 0 7 0 8 5 4 1 , Sessão de 27/04/2006). CSL — APLICAÇÃO DA MULTA AGRAVADA — a conduta da contribuinte ao informar, por meio de declarações entregues ao Fisco, durante anos consecutivos, valores de lucro presumido inferiores aos calculados com base nos elementos constantes dos registros fiscais do ICMS, sem uma justificativa plausível para a contrariedade da legislação de regência, denota o elemento subjetivo da prática dolosa e enseja a aplicação de multa agravada pela ocorrência de fraude prevista no art. 72 da Lei n°4.502/1964. (Conselho de Contribuintes. Acórdão n° 108 07.134, sessão de 16/10/2002). Fl. 1774DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.003636/201071 Acórdão n.º 1402001.219 S1C4T2 Fl. 1.775 13 Procede a aplicação da multa qualificada. Conclusão Em face do exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 1775DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 11020.005877/2008-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006
SOBRESTAMENTO DA MATÉRIA.
Por força do artigo 62-A, §§1° e 2° do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a matéria objeto de recurso extraordinário ao STF e por ele sobrestada também deverá observar a mesma tramitação no CARF até que julgada definitivamente.
O sobrestamento não prejudica a regular tramitação do processo em relação às demais questões e matérias nele em discussão, mesmo porque após a decisão definitiva do STF não restará aos conselheiros do CARF outra decisão que não seja a reprodução do julgamento pela nossa Corte Maior. Assim, o Processo Administrativo Fiscal se tornará definitivo em relação à matéria sobrestada.
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I.
SERVIÇOS PRESTADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
A partir de 03/2000, é devida por parte da empresa tomadora (contratante) a contribuição de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.
BASE DE CÁLCULO.
Nos casos de prestação de serviços por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho, a apuração da base de cálculo para incidência da contribuição da empresa só deve ser aferida pela aplicação de percentuais estabelecidos nas normativas se não for possível distinguir o que seria mão de obra e o que seriam materiais e outras despesas. Havendo a possibilidade de verificação do valor da efetiva mão de obra empregada na prestação do serviço, não há que se falar em aplicação de percentuais sobre o valor da fatura para apuração da base de cálculo.
GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE.
Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea c do CTN, aplica-se a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração. A norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32-A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários.
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-003.207
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa ao artigo 32-A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 SOBRESTAMENTO DA MATÉRIA. Por força do artigo 62-A, §§1° e 2° do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a matéria objeto de recurso extraordinário ao STF e por ele sobrestada também deverá observar a mesma tramitação no CARF até que julgada definitivamente. O sobrestamento não prejudica a regular tramitação do processo em relação às demais questões e matérias nele em discussão, mesmo porque após a decisão definitiva do STF não restará aos conselheiros do CARF outra decisão que não seja a reprodução do julgamento pela nossa Corte Maior. Assim, o Processo Administrativo Fiscal se tornará definitivo em relação à matéria sobrestada. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I. SERVIÇOS PRESTADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A partir de 03/2000, é devida por parte da empresa tomadora (contratante) a contribuição de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. BASE DE CÁLCULO. Nos casos de prestação de serviços por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho, a apuração da base de cálculo para incidência da contribuição da empresa só deve ser aferida pela aplicação de percentuais estabelecidos nas normativas se não for possível distinguir o que seria mão de obra e o que seriam materiais e outras despesas. Havendo a possibilidade de verificação do valor da efetiva mão de obra empregada na prestação do serviço, não há que se falar em aplicação de percentuais sobre o valor da fatura para apuração da base de cálculo. GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea c do CTN, aplica-se a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração. A norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32-A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Por força do artigo 62A, §§1° e 2° do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a matéria objeto de recurso extraordinário ao STF e por ele sobrestada também deverá observar a mesma tramitação no CARF até que julgada definitivamente. O sobrestamento não prejudica a regular tramitação do processo em relação às demais questões e matérias nele em discussão, mesmo porque após a decisão definitiva do STF não restará aos conselheiros do CARF outra decisão que não seja a reprodução do julgamento pela nossa Corte Maior. Assim, o Processo Administrativo Fiscal se tornará definitivo em relação à matéria sobrestada. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I. SERVIÇOS PRESTADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A partir de 03/2000, é devida por parte da empresa tomadora (contratante) a contribuição de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 58 77 /2 00 8- 31 Fl. 424DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. BASE DE CÁLCULO. Nos casos de prestação de serviços por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho, a apuração da base de cálculo para incidência da contribuição da empresa só deve ser aferida pela aplicação de percentuais estabelecidos nas normativas se não for possível distinguir o que seria mão de obra e o que seriam materiais e outras despesas. Havendo a possibilidade de verificação do valor da efetiva mão de obra empregada na prestação do serviço, não há que se falar em aplicação de percentuais sobre o valor da fatura para apuração da base de cálculo. GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, aplicase a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração. A norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.005877/200831 Acórdão n.º 2402003.207 S2C4T2 Fl. 220 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação fiscal realizada em 09/09/2008. Foram omitidas da GFIP as contribuições previdenciárias sobre serviços contratados por intermédio de cooperativa de trabalho. Vêse que essa autuação constitui crédito sobre as mesmas parcelas do processo principal nº 11020.005876/200896 apenas se diferencia por se referirem à obrigação acessória de declarálos. Assim, nesse relatório serão considerados elementos de ambos os processos e somente haverá diferenciação quando necessária. Seguem transcrições de trechos do relatório fiscal: 4 Constituem Fatos Geradores das contribuições lançadas: 4.1 Os fatos geradores das contribuições lançadas no presente crédito previdenciário foram apurados com base nas faturas de cooperativas de trabalho, na área médica, pela Unimed Nordeste RS. 4.2 — As faturas, acima citadas, foram lançadas em sua contabilidade, na conta n° 1.1.3.01.00005 — Associados Conta Unimed. 4.3 — Conforme os Contratos de Assistência Médica de ifs 424.968/992 e 430.851/004 e Termo de Adesão 4617 e 4616, no Capítulo Quinto, Cláusula Vigésima Sexta, letra "b", de ambos contratos, define os Atos Cooperativos Principais ACP, como a remuneração dos serviços médicos. 4.4 As bases de cálculo encontramse demonstradas no "DAD Discriminativo Analítico de Débito", e no "RL Relatório de Lançamentos", anexos ao Auto de Infração, contendo informações por tipo de levantamento e por competência. 5 — Foi criado o "Código de Levantamento" para os lançamentos do crédito previdenciário: COO Cooperativa de Trabalho Médico — não declarado em GFIP. ... 7 A alíquota aplicada foi de 15% sobre o valor referente ao ACP Ato Cooperativo Principal, constante em campo próprio da fatura emitida pela Unimed. Segue transcrição da ementa e trechos dos acórdãos: AÇÃO JUDICIAL. ÔNUS DA PROVA. A impugnante não se desincumbiu do ônus que lhe cabia, relativo à comprovação da abrangência da ação judicial e seus efeitos no presente processo, uma vez que não foi anexada cópia da petição inicial, conforme Fl. 426DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 determina a legislação que trata da matéria. 2. CONSTITUCIONALIDADE. É vedada à Administração Pública a apreciação de matéria relativa à constitucionalidade e à legalidade das leis. 3. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não configurado o cerceamento do direito de defesa, uma vez que a autuação e os discriminativos que a compõem contém todos os requisitos para sua validade. 4. NULIDADE. BASE DE CÁLCULO. PREVISÃO LEGAL. A base de cálculo correspondente aos serviços prestados pelos cooperados decorre de previsão legal específica. 5. DECADÊNCIA. As contribuições previdenciárias estão sujeitas aos prazos decadenciais estabelecidos no Código Tributário Nacional CTN. Decadência não configurada. 6. BASE DE CÁLCULO. INCORREÇÕES. Discriminados, na nota fiscal/fatura de prestação de serviço, o valor correspondente aos serviços dos cooperados, não há reparos a serem feitos na base de cálculo. 7. ISENÇÃO. Não comprovado o cumprimento dos requisitos legais necessários para que a empresa usufrua da isenção das contribuições patronais previdenciárias. 8. PERÍCIA. Indeferido o pedido de perícia formulado em desacordo com a legislação. Prescindível a perícia, quando a solicitação deixa de indicar os pontos que pretende sejam esclarecidos, e, sobretudo, quando visa o exame de documentos que poderiam ter sido juntados por ocasião da impugnação. 9. ACRÉSCIMOS LEGAIS. São devidos os juros e a multa, sobre o valor originário do crédito, ambos de caráter irrelevável. 10. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. Suspende a exigibilidade do crédito tributário a apresentação de impugnação tempestiva. O direito de lançar o crédito tributário não se confunde com o de exigir a contribuição em tela, o qual só se inicia ao término da discussão administrativa, podendo a decisão final, a ser proferida na ação judicial, relativa à constitucionalidade da exação interferir, posteriormente, no desfecho a ser dado ao presente processo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido ... Associação Comercial e Industrial de Nova Petrópolis foi autuada por haver deixado de informar em documento Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP, a totalidade dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, ou seja, deixou de informar os valores pagos à cooperativa de trabalho UNIMED Nordeste RS, nas competências 01/2003 a 12/2006. ... Da análise das faturas anexadas, constatase ter havido a discriminação dos valores dos serviços prestados pelos cooperados, na medida em que os valores do campo "ACA" dizem respeito aos materiais e equipamentos utilizados, enquanto os valores do campo "ACP", correspondem aos serviços médicos. As bases de cálculo indicadas pela empresa como corretas, correspondem aproximadamente a 30% do valor das faturas. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.005877/200831 Acórdão n.º 2402003.207 S2C4T2 Fl. 221 5 Contudo, somente poderia ter sido utilizada a base de cálculo de no mínimo 30% do valor da fatura de prestação de serviço, na ausência de discriminação na fatura do valor relativo aos materiais utilizados ou do valor dos serviços prestados pelos cooperados, o que não ocorreu no presente caso. ... A eventual incidência da nova previsão legal de multa, a ser considerada nos créditos lançados na presente ação fiscal, que por força do disposto na alínea "c", do inciso II, do artigo 106 do CTN, deve seguir a previsão legal contida no artigo 35A da Lei n° 8.212/91 incluído pela Medida Provisória 449, de 03/12/2008, publicada no D.O.U. de 04/12/2008, convertida na Lei n° 11.941/09, o qual determinou, para a hipótese de lançamento de ofício de contribuições, a aplicação do disposto no inciso I, do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, qual seja, a aplicação da multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. No presente momento, não há como a multa ser examinada, mesmo que de ofício, na medida em que o parágrafo único do artigo 57 da Lei n.° 11.941/09 estabelece que o procedimento de revisão da multa depende de regulamentação a ser implementada através de• ato conjunto a ser exarado pela ProcuradoriaGeral 'da Fazenda Nacional PGFN e a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. Contra a decisão, o recorrente reiterou suas alegações na impugnação; assim sintetizadas pela decisão recorrida: Aduz tratarse de entidade sem fins lucrativos de caráter assistencial, atuando no sentido de congregar pessoas físicas e jurídicas que exercem atividades comerciais, industriais ou de prestação de serviço. Alega, em preliminar, a nulidade da autuação por ter deixado de observar os requisitos estabelecidos no Decreto n° 70.235/72, tendo sido considerado, equivocadamente, como base de cálculo, o valor informado no campo Ato Cooperativo Principal — ACP, desconsiderando os valores informados no campo "dados complementares". A imprecisão e a falta de clareza na descrição dos fatos impossibilita à impugnante a correta identificação dos valores exigidos, acarretando cerceamento do direito de defesa. A base de cálculo utilizada resulta, igualmente, em violação ao princípio da legalidade, insculpido no caput do artigo 37 da Constituição Federal CF, e artigo 142 Cio Código Tributário Nacional CTN, ao afastar o ato vinculado da lei, e em exigência de tributo ou penalidade tributária sem lei, conforme vedado pelo inciso I do 150 da CF. Impõese assim, a anulação da autuação, uma vez que não enseja a obrigação tributária, ferindo o princípio do contraditório e da ampla defesa. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Ainda, em preliminar, aduz terem sido atingidos pela decadência os valores lançados nas competências anteriores a 08/2003, à luz do que prescreve o parágrafo 4° do artigo 150 combinado com o caput do artigo 173, ambos do CTN. Ademais disso, o Supremo Tribunal Federal STF, através da Súmula Vinculante n° 08/2008, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91 e o parágrafo único do artigo 5° do DecretoLei n° 1.569/77. No mérito, alega impossibilidade da incidência de contribuição tributoprevidenciária sobre os serviços prestados por cooperados, pelo fato de tratarse a autuada de instituição sem fins lucrativos, de natureza assistencial, cuja incidência tributária é vedada pela alínea "c", do inciso VI, do artigo 150, da CF. Entende estar perfeitamente enquadrada nos requisitos legais previstos para usufruir da imunidade constitucional, pois tratase de instituição que atua na área da assistência social, principalmente de promoção do setor da indústria e comércio, destinando o eventual resultado para a manutenção e desenvolvimento de seus objetivos, conforme comprovam os documentos em anexo. Afirma que ao longo de mais de 20 anos, vem utilizandose do benefício fiscal da imunidade, mesmo antes do disciplinamento da matéria através da alínea "c", do inciso VI, do artigo 150, combinado com o parágrafo 7° do artigo 195, ambos da CF, os quais exigem o cumprimento dos requisitos do artigo 14 do CTN. Aduz a necessidade de previsão em Lei Complementar dos requisitos legais sobre a matéria da imunidade. Ressalta a posição dos Tribunais pela não incidência de tributos sobre o patrimônio, a renda e os serviços da entidade de assistência social que desempenhe funções supletivas do Estado e pela imunidade sobre as receitas obtidas por estas entidades, quando revertidas em prol de suas finalidades (Súmula 724). O Superior Tribunal de Justiça STJ, vem entendendo ser cabível a aplicação dos requisitos previstos na Lei n° 8.212/91, somente às fundações e associações constituídas após a vigência desta Lei, em razão de terem adquirido o direito à imunidade em data anterior a edição desta Lei e dos Decretos n°s 752/93 e 2.536/98, ao preencherem os requisitos da Lei n° 3.577/59 e do DecretoLei n° 1.572/77. Aduz ter reunido todas as condições, objetivas e subjetivas, para o gozo da imunidade tributária, sendo imprópria a presunção da fiscalização de que a atividade de assistência social desenvolvida pela impugnante não estaria ao abrigo da imunidade tributária. Afirma que os documentos anexados comprovam que a impugnante é tida como entidade beneficente de assistência social, em pleno gozo da imunidade constitucional, o que deve ser reconhecido pela fiscalização fazendária. As conclusões do relatório fiscal são unilaterais, sem qualquer dado objetivo que as ampare, especialmente em relação à natureza dos serviços prestados pela impugnante. Não há nenhum indicativo de que as atividades desenvolvidas se caracterizem como sem fins lucrativos. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.005877/200831 Acórdão n.º 2402003.207 S2C4T2 Fl. 222 7 Afirma ser inconstitucional a contribuição em tela, em razão de ter sido estabelecida por lei ordinária afrontando a alínea "a" do inciso III do artigo 146 da CF. Entende estar incorreta a base de cálculo adotada pela fiscalização, com base nos valores informados como Ato Cooperativo Principal, sendo o correto os valores informados no campo "dados complementares". Requer a realização de perícia para apuração dos valores que entende devidos. Elenca algumas competências com divergência de valores. Aduz que a multa de até 60% sobre os valores das contribuições tidas como devidas, levando em conta as atuais taxas de inflação, configurase confiscatória, tendo também incidido, ilegalmente, a correção monetária sobre a penalidade cominada, cuja insubsistência vem sendo considerada pela jurisprudência, devendo ensejar a revisão dos cálculos. Indevidos também os juros aplicados sobre a correção monetária. Conforme se depreende do artigo 161 do CTN, somente ocorre a permissão da cobrança simultânea dos juros (SELIC) com correção monetária e da multa, sem autorizar a possibilidade da cobrança dos juros sobre a multa, sendo, portanto, ilíquidos os cálculos da peça fiscal. Informa estar suspensa a exigibilidade do crédito tributário, em razão da existência de decisão judicial proferida pelo STF, na Ação Cautelar n° 1.9745, relativa ao Mandado de Segurança n° 2000.71.00.0249705 (1 Vara Federal do Tributária da Subseção Judiciária de Porto Alegre/RS) impetrado pelo Centro das Indústrias do Estado do Rio Grande de Sul — CIERGS, do qual a impugnante é associada desde 30/08/2000. E mais que: Considerando os termos da r. decisão recorrida, convém observar que embora conste faturas com divergência entre os valores indicados no campo ACP com aqueles indicados no campo Informações Complementares, estes são aplicáveis, posto que, ao contrário das conclusões apontadas pela r. decisão, o valor do ACP não é composto unicamente pelos serviços médicos, mas também pelos serviços hospitalares, com atendimentos em hospitais da rede UNIMED, laboratoriais, CDI UNIMED e plantões de urgência. Ao revés, os valores mencionados nos Atos Cooperativos Auxiliares ACA referemse a despesas de terceiros, que não compõem a rede UNIMED. Observase ainda que as divergências apontadas pela r. decisão recorrida normalmente são constatadas nas faturas correspondentes ao valor da mensalidade. Isto porque é nesta fatura que ocorre a cobrança dos valores das despesas relacionadas aos serviços médicos, serviços hospitalares, laboratoriais, plantões de urgência e CDI UNIMED, que estão compreendidos na rede UNIMED (ACP), e os serviços de terceiros (ACA), através da projeção do custo operacional. Desta forma, em virtude desses valores não corresponderem à Fl. 430DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 efetiva prestação dos serviços, mas ao valor da mensalidade, a base de cálculo da contribuição tributoprevidenciária é apurada na proporção de 30% (trinta por cento) do valor integral da nota fiscal. Nas demais faturas, em que há a cobrança das diferenças pela utilização dos serviços fora da área de cobertura da UNIMED NORDESTE RS, o valor indicado a título de ACP referese exclusivamente a serviços médicos. Em razão disto, o valor do ACP é a própria base de cálculo da contribuição tributo previdenciária. O julgamento foi convertido em diligência. Informa a fiscalização que: a) a recorrente não juntou aos autos comprovação da irregularidade na apuração da base de cálculo, tendo precluído o direito de fazêlo; b) a base de cálculo considerada pela cooperativa para fins de retenção na fonte do imposto de renda coincide com o ato cooperativo principal; Em manifestação sobre o resultado da diligência, o recorrente alegou que: a) já havia juntado os documentos que comprovam o equívoco na apuração da base de cálculo: faturas, planilhas e outros documentos; e b) caberia a fiscalização diligenciar junto à cooperativa. É o Relatório. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.005877/200831 Acórdão n.º 2402003.207 S2C4T2 Fl. 223 9 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Das Preliminares Sobrestamento de matérias O lançamento constituiu crédito de contribuição sobre os serviços prestados por intermédio de cooperativa de trabalho médico. Acontece que essa matéria encontrase em discussão no STF, tendo sido declarada a repercussão geral da matéria. Por força do artigo 62A, §§1° e 2° do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a matéria objeto de recurso extraordinário ao STF e por ele sobrestada também deverá observar a mesma tramitação no CARF até que julgada definitivamente; do que resultará sua aplicação neste Conselho, conforme determina o caput do mesmo artigo: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Advertese que o sobrestamento não prejudica a regular tramitação do processo em relação às demais questões e matérias nele em discussão, mesmo porque após a decisão definitiva do STF não restará aos conselheiros do CARF outra decisão que não seja a reprodução do julgamento pela nossa Corte Maior. Assim, o Processo Administrativo Fiscal se tornará definitivo em relação à matéria sobrestada. Ressaltase também que o Processo Administrativo Fiscal é regido, dentre outros, pelos princípios da Oficialidade e da Razoabilidade, sendo vedada à autoridade administrativa sobrestar o andamento do processo quando outra medida menos gravosa atende igualmente a finalidade da norma. É certo que, independentemente do entendimento deste conselheiro sobre o momento em que se dá o sobrestamento da matéria, a Portaria CARF n° 001, de 03/01/2012 condicionou o sobrestamento à declaração expressa nesse sentido pelo STF; o que não ocorreu no presente caso: Fl. 432DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Art. 1º. Determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria, para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal STF tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão, nos termos do art. 543B da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. Em razão do exposto, voto pela regular tramitação do processo e submetoo à julgamento. Procedimentos formais O procedimento da fiscalização e formalização da autuação cumpriram todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais, assegurandolhe a oportunidade de exercício da Fl. 433DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.005877/200831 Acórdão n.º 2402003.207 S2C4T2 Fl. 224 11 ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou todas as alegações do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos de regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 434DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Imunidade Quanto à imunidade entendo que assiste razão a decisão recorrida. A recorrente confunde a imunidade genérica disciplinada no artigo 14 do CTN com a imunidade especial às entidades beneficentes do parágrafo 7° do artigo 195 da Constituição Federal, que depende para seu gozo dos requisitos, a época, no artigo 55 da Lei n° 8.212/91. E não trouxe nos autos qualquer do documento que comprovassem seu direito à imunidade das contribuições previdenciárias. Segue transcrição dos fundamentos no acórdão recorrido: A empresa entende estar ao abrigo da imunidade de que trata o inciso VI do artigo 150, combinado com o parágrafo 7° do artigo 195, ambos da CF, os quais exigem o cumprimento dos requisitos do artigo 14 do CTN, haja vista tratarse de instituição sem fins lucrativos, que atua na área da assistência social, principalmente de promoção do setor da indústria e comércio, destinando o eventual resultado para a manutenção e desenvolvimento de seus objetivos. Aduz que os requisitos da imunidade devem ser tratados por Lei Complementar, não estando sujeita aos requisitos previstos na Lei n° 8.212/91. A isenção de que trata o parágrafo 7° do artigo 195 da CF encontrase sujeita ao regramento contido no artigo 55 da Lei n° 8.212/91, que estabelece às entidades beneficentes de assistência social, para que possam usufruir de seus benefícios, o dever de satisfazer os requisitos previstos em seus incisos I a V. A impugnante não comprova o cumprimento destes requisitos, nem mesmo ter protocolizado requerimento para a sua concessão, conforme determina o parágrafo 1° do artigo 55 da Lei n° 8.212/91. Decadência Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.005877/200831 Acórdão n.º 2402003.207 S2C4T2 Fl. 225 13 Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Afastado por Fl. 436DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido da imprescindibilidade de pagamento parcial do tributo para que seja aplicada a regra decadencial do artigo 150, §4° do CTN; caso contrário, aplicase o artigo 173, I do CTN que transfere o termo a quo de contagem para o exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Também atribuiu status de repetitivos a todos os processos que se encontram tramitando sobre a matéria. E, por força do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a decisão deve ser reproduzida nas turmas deste Conselho. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Considerando o presente caso, deve ser aplicada a regra do artigo 173, I do CTN. Tratase de descumprimento de obrigação acessória e, portanto, lançamento de ofício da multa correspondente ao autodeinfração. No mérito Alega a recorrente inconstitucionalidade da contribuição sobre a contratação de serviços por intermédio de cooperativa de trabalho; entretanto, a regra no artigo 26A do Decreto n° 70.235/72 restringe a atuação do órgão administrativo no sentido de afastar dispositivo legal vigente: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. A contribuição está prevista no artigo 22, IV da Lei n° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.876/1999: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) Quanto à impropriedade da base de cálculo considerada pela fiscalização, entendo que não assiste razão à recorrente. Defende que no campo ACP são incluídos entre outros os custos hospitalares e ambulatoriais e que o correto seria adotar como base o valor discriminado no campo “Informações Complementares”. No presente caso, não houve discriminação no contrato das parcelas correspondentes aos serviços propriamente ditos e os demais custos, mas se definiu como ACP – ato cooperativo principal a remuneração dos serviços médicos e ACA os demais custos. Nas Fl. 437DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.005877/200831 Acórdão n.º 2402003.207 S2C4T2 Fl. 226 15 notas fiscais/faturas se pode identificar cada uma das parcelas que resultam o valor total. Ainda que em algumas faturas, no campo “Dados Complementares”, sejam indicados outros valores correspondentes à base de cálculo da contribuição, em muitas das faturas os valores no campo ACP – ato cooperativo principal coincidem com os valores indicados como base de cálculo. O artigo 291 da Instrução Normativa MPS/SRP n° 03/2005 bem como os atos normativos que o precederam estabelecem um limite mínimo de base de cálculo da contribuição quando não houver discriminação na nota fiscal: Art. 291. Nas atividades da área de saúde, para o cálculo da contribuição de quinze por cento devida pela empresa contratante de serviços de cooperados intermediados por cooperativa de trabalho, as peculiaridades da cobertura do contrato definirão a base de cálculo, observados os seguintes critérios: I – nos contratos coletivos para pagamento por valor predeterminado, quando os serviços prestados pelos cooperados ou por demais pessoas físicas ou jurídicas ou quando os 'materiais fornecidos não estiverem discriminados na nota fiscal ou fatura, a base de cálculo não poderá ser: a) inferior a trinta por cento do valor bruto da nota fiscal ou da fatura, quando se referir a contrato de grande risco ou de risco global, sendo este o que assegura atendimento completo, em consultório ou em hospital, inclusive exames complementares ou transporte especial; (...) Outro fato importante é que a retenção do imposto de renda na fonte, de fato, teve o valor lançado no campo ACP como base de cálculo: Lei nº 8.541, de 23/12/92: Art. 45. Estão sujeitas à incidência do Imposto de Renda na fonte, à alíquota de 1,5%, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a cooperativas de trabalho, associações de profissionais ou assemelhadas, relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados destas ou colocados à disposição.(Redação dada pela Lei nº 8.981, de 1995) § 1º O imposto retido será compensado pelas cooperativas de trabalho, associações ou assemelhadas com o imposto retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos associados.(Redação dada pela Lei nº 8.981, de 1995) § 2º O imposto retido na forma deste artigo poderá ser objeto de pedido de restituição, desde que a cooperativa, associação ou assemelhada comprove, relativamente a cada anocalendário, a impossibilidade de sua compensação, na forma e condições definidas em ato normativo do Ministro da Fazenda.(Redação dada pela Lei nº 8.981, de 1995) Fl. 438DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 Por tudo, deve ser considerada como base de cálculo o valor lançado no campo ACP. Multa aplicada É direito da recorrente a retroatividade benéfica prevista no artigo 106 do Código Tributário Nacional e em face da regra trazida pelo artigo 26 da Lei n° 11.941, de 27/05/2009 que introduziu na Lei n° 8.212, de 24/07/1991 o artigo 32A. Passo, então, ao seu exame, sobretudo para explicar porque não deve ser aplicada ao caso a regra no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996. Seguem transcrições: Art.26. A Lei no 8.212, de 1991, passa a vigorar com as seguintes alterações: ... Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Código Tributário Nacional: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 439DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.005877/200831 Acórdão n.º 2402003.207 S2C4T2 Fl. 227 17 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Podemos identificar nas regras do artigo 32A os seguintes elementos: a) é regra aplicável a uma única espécie de declaração, dentre tantas outras existentes (DCTF, DCOMP, DIRF etc): a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. Inicialmente, esclarecese que a mesma lei revogou as regras anteriores que tratavam da aplicação da multa considerando cem por cento do valor devido limitado de acordo com o número de segurados da empresa: Art. 79. Ficam revogados: I – os §§ 1o e 3º a 8º do art. 32, o art. 34, os §§ 1º a 4º do art. 35, os §§ 1º e 2º do art. 37, os arts. 38 e 41, o § 8º do art. 47, o § 2º do art. 49, o parágrafo único do art. 52, o inciso II do caput do art. 80, o art. 81, os §§ 1º, 2º, 3º, 5º, 6º e 7º do art. 89 e o parágrafo único do art. 93 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; Fl. 440DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 Para início de trabalho, como de costume, devese examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. No inciso II do artigo 32A em comento o legislador manteve a desvinculação que já havia entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Portanto, temos que o sujeito passivo, ainda que tenha efetuado o pagamento de cem por cento das contribuições previdenciárias, estará sujeito à multa de que trata o dispositivo. Comparandose com o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais, vejo que as regras estão em outro sentido. As multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. Ao declarado e não pago é aplicada apenas multa de mora. Melhor explicando essa diferença, apresentamos o seguinte exemplo: o sujeito passivo, obrigado ao pagamento de R$ 100.000,00 apenas declara R$ 80.000,00, embora tenha efetuado o pagamento/recolhimento integral dos R$ 100.000,00 devidos, qual seria a multa aplicável? Somente a prevista no artigo 32A. E se houvesse pagamento/recolhimento parcial de R$ 80.000,00? Incidiria a multa de 75% (considerando a inexistência de agravamento) sobre a diferença de R$ 20.000,00 e, independentemente disso, a multa do artigo 32A em relação ao valor não declarado. Isto porque a multa de ofício existe como decorrência da constituição do crédito pelo fisco, isto é, de ofício através do lançamento. Caso todo o valor de R$ 100.000,00 houvesse sido declarado, ainda que não pagos, a declaração constituiria o crédito tributário por confissão; portanto, sem necessidade de autuação. A diferença reside aí. Quanto à GFIP não há vinculação com o pagamento. Ainda que não existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas, estará o contribuinte sujeito à multa do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. ... Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições ... Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Fl. 441DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.005877/200831 Acórdão n.º 2402003.207 S2C4T2 Fl. 228 19 I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A DCTF tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, sobretudo os salários de contribuição percebidos pelos segurados. São essas informações que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Quando o sujeito passivo é intimado para entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuálo, mas isso não resolveria um problema extrafiscal: as bases de dados da Previdência Social não seriam alimentadas com as informações corretas e necessárias para a concessão dos benefícios previdenciários. Por essas razões é que não vejo como se aplicarem as regras do artigo 44 aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. E no que tange à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, parte também do dispositivo, além das razões já expostas, devese observar o Princípio da Especificidade a norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não se aplica o artigo 43 da mesma lei: Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em síntese, para aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas apenas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria. É irrelevante para tanto se houve ou não pagamento/recolhimento e, nos casos que tenha sido lavrada NFLD (período em que não era a GFIP suficiente para a constituição do crédito nela declarado), qual tenha sido o valor nela lançado. E, aproveitando para tratar também dessas NFLD lavradas anteriormente à Lei n° 11.941, de 27/05/2009, não vejo como lhes aplicar o artigo 35A, que fez com que se estendesse às contribuições previdenciárias, a partir de então, o artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, Fl. 442DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 20 pois haveria retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento/recolhimento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da Lei n° 11.941, de 27/05/2009 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à Lei n° 11.941, de 27/05/2009 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de ofício. Seguem transcrições: Art.35.Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Art.35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Redação anterior do artigo 35: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: Fl. 443DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.005877/200831 Acórdão n.º 2402003.207 S2C4T2 Fl. 229 21 a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; Retomando os autos de infração de GFIP lavrados anteriormente à Lei n° 11.941, de 27/05/2009, há um caso que parece ser o mais controvertido: o sujeito passivo deixou de realizar o pagamento das contribuições previdenciárias (para tanto foi lavrada a NFLD) e também de declarar os salários de contribuição em GFIP (lavrado AI). Qual o tratamento do fisco? Por tudo que já foi apresentado, não vejo como bis in idem que seja mantida na NFLD a multa que está nela sendo cobrada (ela decorre do falta de pagamento, mas não pode retroagir o artigo 44 por lhe ser mais prejudicial), sem prejuízo da multa no AI pela falta de declaração/omissão de fatos geradores (penalidade por infração de obrigação acessória ou instrumental para a concessão de benefícios previdenciários). Cada uma das multas possuem motivos e finalidades próprias que não se confundem, portanto inibem a sua unificação sob pretexto do bis in idem. Agora, temos que o valor da multa no AI deve ser reduzido para ajustálo às novas regras mais benéficas trazidas pelo artigo 32A da Lei n° 8.212/1991. Nada mais que a aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: Código Tributário Nacional: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 444DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 22 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” De fato, nelas há limites inferiores. No caso da falta de entrega da GFIP, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária e, no de omissão, R$ 20,00 a cada grupo de dez ocorrências: Art. 32A. (...): I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. Certamente, nos eventuais casos em a multa contida no autodeinfração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras (por exemplo, quando a empresa possui pouquíssimos segurados, já que a multa era proporcional ao número de segurados), não há como se falar em retroatividade. Outra questão a ser examinada é a possibilidade de aplicação do §2° do artigo 32A: § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Deve ser esclarecido que o prazo a que se refere o dispositivo é aquele fixado na intimação para que o sujeito passivo corrija a falta. Essa possibilidade já existia antes da Lei n° 11.941, de 27/05/2009. Os artigos 291 e 292 que vigeram até sua revogação pelo Decreto nº 6.727, de 12/01/2009 já traziam a relevação e a atenuação no caso de correção da infração. E nos processos ainda pendentes de julgamento neste Conselho, os sujeitos passivos autuados, embora pudessem fazêlo, não corrigiram a falta no prazo de impugnação; do que resultaria a redução de 50% da multa ou mesmo seu cancelamento. Entendo, portanto, desnecessária nova intimação para a correção da falta, oportunidade já oferecida, mas que não interessou ao autuado. Resulta daí que não retroagem as reduções no §2°: Art.291.Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.005877/200831 Acórdão n.º 2402003.207 S2C4T2 Fl. 230 23 §1oA multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. ... CAPÍTULO VI DA GRADAÇÃO DAS MULTAS Art.292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: ... V na ocorrência da circunstância atenuante no art. 291, a multa será atenuada em cinqüenta por cento. Retornando à aplicação do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, devem ser comparadas as duas multas, a aplicada pela fiscalização com a prevista no artigo 32 A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, prevalecendo a menor. Por tudo, voto pelo provimento parcial do recurso nos termos do parágrafo anterior. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 446DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10783.904836/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
DECADÊNCIA NA VERIFICAÇÃO DOS CRÉDITOS.
Sendo o exame realizado dentro do prazo de cinco anos do envio da PER/DCOMP, não há decadência no direito da autoridade administrativa analisá-los.
RESSARCIMENTO. APURAÇÃO DO SALDO CREDOR. EXCLUSÃO DOS VALORES JÁ RESSARCIDOS.
O saldo credor já ressarcido deve ser excluído da apuração do saldo credor dos períodos posteriores, sob pena de locupletamento indevido.
CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. .
Inexistindo crédito, não há que ser analisada a questão da correção destes.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-001.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso interposto.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator.
EDITADO EM: 28/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño e Leonardo Mussi da Silva.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 DECADÊNCIA NA VERIFICAÇÃO DOS CRÉDITOS. Sendo o exame realizado dentro do prazo de cinco anos do envio da PER/DCOMP, não há decadência no direito da autoridade administrativa analisálos. RESSARCIMENTO. APURAÇÃO DO SALDO CREDOR. EXCLUSÃO DOS VALORES JÁ RESSARCIDOS. O saldo credor já ressarcido deve ser excluído da apuração do saldo credor dos períodos posteriores, sob pena de locupletamento indevido. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. . Inexistindo crédito, não há que ser analisada a questão da correção destes. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso interposto. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 28/11/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 48 36 /2 00 9- 15 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño e Leonardo Mussi da Silva. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instancia: Trata o presente processo de Declaração de Compensação Eletrônica, PER/DCOMP 39040.99338.300705.1.3.017304, onde o estabelecimento em epígrafe solicita a compensação de débitos próprios com o saldo credor de IPI do estabelecimento matriz relativo ao 4º trimestre do anocalendário de 2003, no montante de R$ 23.558,50, apurado segundo o art. 11 da Lei nº 9.779, de 19/01/1999: A análise da petição do interessado se deu por via eletrônica, de que resultou o Despacho Decisório de fl. 09, com o deferimento do saldo credor indicado homologação parcial das compensações, fundamentandose o ato nos seguintes termos: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$ 23.558,50 Valor do crédito reconhecido: R$ 0,00 O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao semestre em referência, atá a data da apresentação do PER/DCOMP. Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no PER/DCOMP ACIMA IDENTIFICADO. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/04/2009. PRINCIPAL MULTA JUROS 27.506,45 5.501,25 15.313,05 Inconformado, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 01/06, onde vem argumentando que houve erro do sistema na apuração do saldo credor apurado ao final do 1º trimestre de 2004 (que será o saldo credor de período anterior da 1ª quinzena de abril de 2004). Segundo alega, o saldo credor do livro de registro e apuração do IPI era de R$ 77.270,17, sendo que o sistema apurou um saldo de R$ 25.708,38. No seu entendimento essa diferença, transportada para os períodos de apuração subseqüentes, teria feito com que o saldo credor apurado em junho de 2005 fosse reduzido para R$ 0,00, quando o correto deveria ser R$ 51.561,79. A utilização Fl. 94DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10783.904836/200915 Acórdão n.º 3201001.136 S3C2T1 Fl. 94 3 do saldo que entende correto (R$ 77.270,17 ao final do 1º trimestre de 2004) provocaria a superação do motivo do indeferimento. Alega ainda, que tal erro teria sido ocasionado pelo preenchimento errado do formulário PER/DCOMP 39595.13730.311005.1.3.019009, que continha a informação de que o saldo credor final de junho de 2005 seria R$ 0,00, informação que foi corrigida no formulário retificador 07551.88741.270509.1.7.010775. O segundo ponto debatido na manifestação de inconformidade se refere à correção do saldo credor pela Selic. Alega que, devido a demora do fisco em apreciar o seu requerimento, o seu saldo credor deveria ser corrigido pela taxa Selic. Ao final vem solicitar o reconhecimento do crédito com a conseqüente homologação da compensação e a suspensão da cobrança até o julgamento definitivo dos recursos administrativos. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora/MG indeferiu o pedido da contribuinte, conforme Decisão DRJ/JFA n.º 34.608, de 27/04/2011, assim ementada: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 RESSARCIMENTO. APURAÇÃO DO SALDO CREDOR. CRÉDITO JÁ RESSARCIDO. EXCLUSÃO. O saldo credor já ressarcido deve ser excluído da apuração do saldo credor dos períodos posteriores sob pena de se apurar erroneamente o valor a ser ressarcido. RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR QUE PERMANECE NA ESCRITA. UTILIZAÇÃO NA AMORTIZAÇÃO DE DÉBITOS. O saldo credor que permanece na escrita deve ser utilizado, prioritariamente, na amortização dos saldos devedores eventualmente apurados no decorrer do tempo em que esse saldo permaneceu na escrita sem que fosse solicitado o seu ressarcimento. CRÉDITOS. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC É incabível, por ausência de base legal, a atualização monetária de créditos do imposto, objeto de pedido de ressarcimento, pela incidência da taxa Selic sobre os montantes pleiteados. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Intimado o contribuinte da decisão, apresenta recurso voluntário. Após, é dado seguimento ao processo. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 4 É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Quanto à decadência, não merece guarida a pretensão da recorrente. Como bem podemos observar, a DCOMP enviada com o seu crédito data de 2005 e o presente processo teve início em 2009, ou seja, dentro do prazo de cinco anos para análise. Assim, é de ser afastada a preliminar de decadência levantada. Como se verifica, o crédito pretendido pela recorrente inexiste. Em relação aos supostos erros no preenchimento da PER/DCOMP, a autoridade julgadora analisouo e verificou que este inexistiu, já que a informação tida como incorreta foi mantida quando da apresentação da declaração retificadora, nestes termos: Com relação ao ponto central da discordância, o alegado erro no saldo do mês de junho/2005 supostamente causado pelo erro no preenchimento do formulário PER/DCOMP 39595.13730.311005.1.3.019009, temos que esclarecer, primeiramente, que a divergência de saldos para o final do mês de junho/2005, R$ 51.561,79 no formulário PER/DCOMP e R$ 0,00 na apuração pelo Sistema de Controle de Créditos (SCC), não tem qualquer relação com esse erro de preenchimento informado. De fato, as informações relativas aos créditos e débitos do 2º trimestre de 2005, utilizadas na construção do livro do período após o ressarcimento (DEMONSTRATIVO DA APURAÇÃO DO PERÍODO APÓS O RESSARCIMENTO disponibilizado para a manifestante no sítio da Receita Federal do Brasil juntamente com o despacho decisório), foram retiradas do mencionado formulário, daquele que conteria o erro no saldo de junho/2005. Ocorre, porém, que tais informações (valores dos créditos e débitos do período) são idênticas às do formulário retificador 07551.88741.270509.1.7.010775, o que demonstra que a divergência não foi ocasionada pelas informações prestadas naquele formulário. Ademais, a apuração da recorrente em relação aos saldos credores de IPI foi toda analisada, não sendo verificada a existência dos créditos pretendidos. A contrario sensu, a recorrente não trouxe aos autos qualquer documento que pudesse afastar a análise e decisão recorrida. Por fim, quanto ao pedido de correção monetária sobre os créditos de IPI, não tem melhor sorte a recorrente, já que não há o crédito pretendido. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10783.904836/200915 Acórdão n.º 3201001.136 S3C2T1 Fl. 95 5 Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso interposto, prejudicados os demais argumentos. Sala de sessões, 25 de outubro de 2012. Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Fl. 97DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES
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Numero do processo: 15563.000718/2008-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A existência de depósitos de origem não comprovada, para os quais o contribuinte foi regularmente intimado, mas não logrou esclarecer a procedência dos recursos, caracteriza a omissão de receita do art. 42, da Lei nº 9.430/96.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.305
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado. Ausentes os Conselheiros Carlos Pelá e Frederico Augusto Gomes de Alencar.
(assinado digitalmente)
Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A existência de depósitos de origem não comprovada, para os quais o contribuinte foi regularmente intimado, mas não logrou esclarecer a procedência dos recursos, caracteriza a omissão de receita do art. 42, da Lei nº 9.430/96. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado. Ausentes os Conselheiros Carlos Pelá e Frederico Augusto Gomes de Alencar. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 00 07 18 /2 00 8- 63 Fl. 921DF CARF MF Impresso em 18/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15563.000718/200863 Acórdão n.º 1402001.305 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório RAINHA DA FIGUEIRA CEREAIS LTDA EPP recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Adoto o relatório da decisão recorrida (verbis): Tratase de Autos de Infração – todos relacionados ao regime do Simples – de IRPJ (fls. 82/91), PIS (fls. 92/101), CSLL (fls. 102/111), Cofins (fls. 112/121) e Contribuição para Seguridade Social – INSS (fls. 122/131), lavrados pela DRF/Nova Iguaçu, em 29/12/2008, com ciência da Interessada na mesma data e valor total de R$ 4.958.178,17. DOS AUTOS DE INFRAÇÃO No decorrer do procedimento fiscal, a Fiscalização apurou omissão de receita caracterizada pela existência de depósitos bancários não escriturados, cujos valores foram apurados conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 66/68, de onde extraio as seguintes constatações: Que, após a análise dos extratos bancários apresentados (Anexo I), a Fiscalização elaborou as planilhas de fls. 35/62 e intimou (fls. 32/33) – bem como reintimou (fl. 34), em razão da ausência de resposta – a Interessada para comprovar a origem dos recursos depositados, de forma individualizada; e Que, em virtude de a Interessada não ter apresentado a documentação comprobatória, ficou caracterizada a omissão de receita presumida pela existência de depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do art. 42, da Lei nº 9.430/96. A Fiscalização apurou, ainda, insuficiência de recolhimento decorrente da aplicação de percentuais mais elevados previstos no art. 5º, da Lei nº 9.317/96, para a nova base de cálculo levantada com o acréscimo das receitas omitidas. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada, a interessada apresentou, em 28/01/2009, Impugnações, de similar teor, atinentes a cada tributo, objeto de lançamento (fls. 144/157, 192/205, 228/242, 282/295 e 319/333), acompanhados dos documentos de fls. 355/610, com as seguintes alegações: Que sempre observa as determinações do órgão fiscalizador, pois, se assim não o fosse, aconteceriam autuações a todo instante, o que pesaria para sua imagem, prejudicando sua atividadefim; Que a peça impositiva consigna procedimentos eivados de nulidade, bem como não encarta preceito legal correspondente à sanção aplicável; Que “os atos assacados contra si” não se ajustam à previsão contida no dispositivo que capitulou o convencimento do Auditor, inexistindo dolo ou culpa por parte da requerente; Fl. 922DF CARF MF Impresso em 18/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15563.000718/200863 Acórdão n.º 1402001.305 S1C4T2 Fl. 4 3 Que o dolo, que significa artifício ou astúcia, caracteriza a intenção de induzir alguém em erro para, com isso, extrair proveito; Que a falta de penalidade invalida o Auto de Infração, por se tratar de ato vinculado; Que não há tipicidade em seu comportamento a ensejar a lavratura do Auto de Infração; Que a exigência tributária é nula já que dissonante das regras impostas pelo art. 142, do CTN, que prevê que o ato de lançamento contenha a “coerência” do fato gerador, determine a matéria tributável, calcule o montante devido, identifique o sujeito passivo e proponha a aplicação da penalidade cabível; Que o art. 10, do Decreto nº 70.235/72 prevê um certo número de requisitos de forma a conferir validade ao Auto de Infração, dentre eles, a referência à penalidade cabível; Que, na espécie, faltam elementos comprobatórios daquilo que se encontra supostamente materializado na peça impositiva, o que torna impossível assegurar a ampla defesa e o contraditório; Que a exigência fiscal não possui respaldo legal e encontrase em descompasso com a realidade factual e jurídica; Que jamais omitiu receitas, tampouco recolheu a menor o que efetivamente era devido, atendendo, sempre, aos reclamos da legislação de regência; Que existem 63 cheques devolvidos que não foram considerados pela Fiscalização, conforme apontamentos na cópia dos extratos que anexa às fls. 403/497 e 530/610; Que presta serviço de correspondente bancário junto à Caixa Econômica Federal, conforme Contrato de fls. 513/520, e todos os valores creditados em sua conta pertencem às concessionárias conveniadas pela CEF (ver comprovante de remuneração paga e ISSQN/IR Retido na Fonte de fls. 521/522); e Que solicita a produção de prova pericial, a fim de restar comprovado a lisura de seu comportamento e o escorreito proceder junto à legislação pertinente, a fim de ver impugnado o valor lançado pela Fiscalização; DA DILIGÊNCIA Verificado não se acharem reunidos todos os elementos para formar a convicção necessária para o julgamento, lavrei a Resolução nº 066/2010 (fls. 618/621), com a autorização do Presidente desta 9ª Turma de Julgamento, para procedimento fiscal de diligência destinada a obter as seguintes informações: Relação dos cheques devolvidos com a indicação da data do depósito/crédito, do valor do depósito/crédito, da data de cada cheque devolvido, do valor de cada cheque devolvido, do somatório dos valores dos cheques devolvidos relacionados ao depósito/crédito e do valor que a Interessada ainda consideraria omissão de receita caracterizada pela existência de valores creditados em conta de instituição financeira sem origem comprovada; Relação das operações de débito e de crédito realizadas nas contas mantidas junto à Caixa Econômica Federal em função das transações de recebimentos e pagamentos efetuados em nome da própria Caixa Econômica Federal com a indicação da data do crédito, do valor do crédito, da data do débito relativo à prestação de contas, do Fl. 923DF CARF MF Impresso em 18/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15563.000718/200863 Acórdão n.º 1402001.305 S1C4T2 Fl. 5 4 valor do débito relativo à prestação de contas e do valor que a Interessada ainda consideraria omissão de receita caracterizada pela existência de valores creditados em conta de instituição financeira sem origem comprovada; Documentos carreados no decorrer do procedimento de Diligência que a Fiscalização entendesse pertinentes; e Considerações sobre os novos elementos trazidos na Impugnação e no decorrer do procedimento fiscal de Diligência que, no entender a Autoridade Diligenciante, sejam pertinentes. Em resposta à Diligência a Fiscalização da DRF Nova Iguaçu apresenta o Relatório de Encerramento Diligência (fls. 677/678), em que reporta as seguintes conclusões: Que, em relação aos Bancos Bradesco e HSBC, não foi possível identificar quando os cheques devolvidos foram efetivamente depositados: a planilha apresentada pela Interessada (fls. 623/625) informa apenas a data e valor do cheque devolvido não o relacionando ao respectivo depósito; Que, em relação ao Banco Safra, não existe o cheque devolvido no dia 03/04/2005; Que, em relação ao Banco Itaú, existe um depósito em cheque e uma devolução coincidentes em data e valor: 27/10/2005 e R$ 3.322,00; Que, no que se refere à prestação de serviço de correspondente bancário, é possível identificar os recebimentos e posteriores repasses dos valores à Caixa Econômica Federal. Em síntese, conforme parte do final do Relatório à fl. 678, a Auditora Fiscal autuante sugere retirarse da base de cálculo os repasses na prestação de serviço como correspondente bancário, bem como o cheque devolvido na conta mantida junto ao Banco Itaú. Decorridos 30 dias do término da diligência, a Interessada não se pronunciou (fl. 680). A decisão recorrida está assim ementada: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A existência de depósitos de origem não comprovada caracteriza a omissão de receita prevista no art. 42, da Lei nº 9.430/96; excluemse, contudo, os valores creditados que tenham sido transferidos à instituição financeira por força de contrato de prestação de serviço de correspondente bancário ou se refiram a depósitos de cheques devolvidos posteriormente, desde que seja possível identificar a que depósito se refere a devolução. Impugnação Procedente em Parte. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual reforça as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 924DF CARF MF Impresso em 18/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15563.000718/200863 Acórdão n.º 1402001.305 S1C4T2 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Conforme relatado, tratase de exigência com base em depósitos bancários não contabilizados, cujos extratos foram apresentados pelo próprio contribuinte, mas que a origem dos recursos não totalmente foi justificada, apesar de o contribuinte ter sido intimado durante a ação fiscal, bem como após uma diligência especifica solicitada pela conselheiro relator do julgamento em 1a. instância. No recurso voluntário o contribuinte reitera suas alegações, inclusive as que foram acatadas, mas nada apresenta no que tange a provas. A tributação foi efetuada no regime do Simples, sendo que a Fiscalização aplicou a multa de oficio no percentual de 75%. Vejamos os fundamentos da decisão de primeira instância, que deu já exonerou parte do crédito tributário em face dos resultados da diligência fiscal. (...) DAS PRELIMINARES Em sua Impugnação, a Interessada proclama pela nulidade ou invalidade do ato de lançamento, por diversas razões como relatei no parágrafo 4º. Ocorre, contudo, que nenhuma dessas alegações merece prosperar. De início, observo que a obrigação tributária é objetiva e independe da demonstração de dolo ou culpa. Basta apenas que a situação identificada factualmente esteja abstratamente prevista na norma legal para que surja a obrigação de recolher aos cofres públicos quantia apurada também segundo as normas legais. O dolo só é relevante para se determinar a aplicação ou não da multa qualificada de 150%, que não foi o caso dos presentes autos. Identificado que, não obstante a ocorrência do fato imponível gerador da obrigação tributária, nada foi recolhido a título de tributo, acertado é o lançamento com a exigência dos impostos e contribuições devidos acrescidos de multa de ofício, de 75%, e dos juros moratórios. Na espécie, a Autoridade Fiscal identificou a hipótese prevista no art. 42, da Lei nº 9.430/96, uma vez que, regularmente intimada, a Interessada não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos levados a crédito em contas bancárias por ela mantidas, no estrito cumprimento dos princípios da legalidade e da tipicidade. Vale registrar, ainda, que o contido no art. 142 do CTN e no art. 10, do PAF foi plenamente atendido. A ocorrência do fato gerador, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante devido, a identificação do sujeito passivo e a aplicação da penalidade cabível estão plenamente demonstrados nos autos de infração lavrados pela Autoridade competente. No Termo de Verificação Fiscal (fls. Fl. 925DF CARF MF Impresso em 18/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15563.000718/200863 Acórdão n.º 1402001.305 S1C4T2 Fl. 7 6 65/68), fica bem caracterizado que a Fiscalização identificou a Interessada como titular de contas bancárias com recursos creditados cuja origem não foi comprovada. O somatório desses recursos, sobre os quais incidem os tributos, objeto dos presentes autos de infração, foram discriminados, mensalmente, na folha de continuação do Auto de Infração de fls. 89/90. Da mesma forma, os impostos e contribuições devidos foram calculados, conforme Demonstrativo de Apuração dos Valores Devidos de fls. 84/86, bem como a multa punitiva aplicada, nos termos do Demonstrativo de Multa e Juros de Mora (fls. 82/83). Verifiquei, ainda, que, nos autos de infração, consta, como observei no parágrafo anterior, a penalidade aplicável, consubstanciada em multa no percentual de 75%, como determina o art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, ao contrário do que alega a Interessada. Em vista da descrição detalhada dos fatos e de todos os elementos descritos nos dispositivos antes mencionados, não vejo espaço para caracterização de qualquer cerceamento de direito de defesa. Isto posto, rejeito todas as preliminares argüidas pela Interessada e passo à análise das questões de mérito. DO MÉRITO No mérito argüiu a Interessada que vários foram os cheques, no montante de 63, que, depois de depositados, foram devolvidos e que todos os valores creditados na conta mantida junto à CEF são repassados para a própria instituição financeira, já que pertencem aos concessionários conveniados. Para orientar minha análise, solicitei diligência a fim de dirimir dúvidas que restaram, uma vez que a Interessada não fez acompanhar qualquer outro esclarecimento às informações aduzidas sintetizadas no parágrafo anterior. No bojo da diligência requisitei que a Interessada fizesse uma correlação entre os valores depositados e aqueles que foram devolvidos. Entendo que a hipótese presuntiva prevista no art. 42, da Lei nº 9.430/96 (art. 287, do RIR/99) demanda a análise individualizada dos créditos para efeito de determinação da receita omitida, segundo seu § 3º, I, repelindo que a verificação da origem, bem como do real valor dos recursos levados a crédito nas contas bancárias venha a permitir apenas conclusões genéricas e globais quanto à existência e ao montante dos depósitos que possam presumir omissão de receita. Por esta razão, mostrase imprescindível que a Interessada faça uma correlação entre os valores creditados e depois devolvidos. Do contrário, é impossível analisar se os cheques devolvidos referemse a crédito considerado omissão de receita pela Fiscalização. Só com o cotejo individualizado dos créditos e devoluções, seria possível aferir quando estaria afastada a hipótese de incidência (por presunção), prevista no art. 42, da Lei nº 9.430/96, caracterizada por valores creditados em conta bancária mantida pela Interessada sem comprovação da origem. O art. 42, da Lei nº 9.430/96, em verdade, transfere para o sujeito passivo da obrigação tributária o ônus de demonstrar, em relação a cada depósito ou crédito realizado em sua conta bancária, que esses valores não revelariam omissão de receita. Se o contribuinte não demonstra documentalmente que aquele valor creditado foi, em seguida, retirado de sua conta (em razão do cheque ter sido devolvido por qualquer motivo que seja) a presunção não é elidida e cabível é a exigência lançada. Fl. 926DF CARF MF Impresso em 18/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15563.000718/200863 Acórdão n.º 1402001.305 S1C4T2 Fl. 8 7 Como muito bem observou a Fiscalização, a Interessada, embora intimada a tal (fl. 622), não identificou a que depósitos referemse os cheques devolvidos, deixando em branco, nas planilhas que confeccionou (fls. 623/625), as colunas de “data do depósito/crédito” e “valor do depósito/crédito”. Salta aos olhos, todavia, como também registrou a Fiscal autuante, que o cheque devolvido na conta mantida junto ao Banco Itaú referese a depósito de mesma data e valor (fl. 484) – 27/10/2005 e R$ 3.322,00 – devendo ser excluído do valor tributável. A Fiscalização também reconheceu (fl. 678), no que se refere à prestação de serviço como correspondente bancário, que a Interessada logrou êxito em demonstrar que o total dos valores depositados em sua conta nº 501014 são transferidos à CEF sob a rubrica “PREST CONT” (fls. 642/676), eis que pertencem às concessionárias conveniadas e apenas transitam pela conta da Interessada. Diante do exposto, a omissão de receita caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada passa a ser a seguinte: (...)” (Grifei). Pois bem, confrontando as razões recursais com a peça impugnatória verifica se que a contribuinte repisa suas alegações e pedidos já enfrentados na decisão recorrida, especialmente o pleito por pericia, que a meu ver é absolutamente descabido haja vista que não há escrita contábil a ser periciada, sendo que em relação aos depósitos, basta que justifique a origem e apresente as respectivas provas. Inadmissível substituir a apresentação de provas, a cargo do recorrente por uma perícia para esse fim, por isso o pedido deve mesmo ser inferido. Nesse mesmo diapasão, a enorme discrepância entre o montante dos depósitos bancários não comprovados, já excluídas as transferências bancárias e as receitas tributadas no regime do Simples, que chegou ao montante de 21,1 Milhões de Reais em apenas um ano (demonstrativos às pag. 8 e 9 do acórdão de 1a. instância) não autoriza outra conclusão: tratamse mesmo de receitas omitidas, cuja tributação no regime do Simples em 2005 (aplicandose os percentuais para apurar a base tributável total de 2,1 Milhões) não merece reparos. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 927DF CARF MF Impresso em 18/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 11020.915070/2009-99
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005
PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO A QUO E DO DESPACHO DECISÓRIO. OFENSA AO REQUISITO CONSTITUCIONAL DA FUNDAMENTAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO E AOS PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA, DO CONTRADITÓRIO E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL.
Uma vez observados os requisitos formais e materiais exigidos na legislação, é válido o despacho decisório que não homologou a compensação com base nas informações declaradas pelo próprio interessado.
É válida a decisão da Delegacia de Julgamento proferida em total conformidade com as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF).
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal.
ARGUMENTOS DE DEFESA. PRECLUSÃO.
Questão não levada a debate no primeiro momento de pronúncia da parte após a instauração da fase litigiosa no Processo Administrativo Fiscal (PAF) constitui matéria preclusa.
Numero da decisão: 3803-003.745
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO A QUO E DO DESPACHO DECISÓRIO. OFENSA AO REQUISITO CONSTITUCIONAL DA FUNDAMENTAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO E AOS PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA, DO CONTRADITÓRIO E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. Uma vez observados os requisitos formais e materiais exigidos na legislação, é válido o despacho decisório que não homologou a compensação com base nas informações declaradas pelo próprio interessado. É válida a decisão da Delegacia de Julgamento proferida em total conformidade com as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF). RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal. ARGUMENTOS DE DEFESA. PRECLUSÃO. Questão não levada a debate no primeiro momento de pronúncia da parte após a instauração da fase litigiosa no Processo Administrativo Fiscal (PAF) constitui matéria preclusa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 50 70 /2 00 9- 99 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.915070/200999 Acórdão n.º 3803003.745 S3TE03 Fl. 104 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 70 a 89) interposto em decorrência da decisão da DRJ Porto Alegre/RS (fls. 63 a 66) que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 7 a 43) apresentada pelo contribuinte para se contrapor à não homologação da compensação pleiteada (fls. 1 a 5), nos termos do despacho decisório eletrônico exarado pela repartição de origem (fl. 6). O contribuinte havia transmitido à Receita Federal, em 22 de abril de 2009, Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), relativos a pretenso pagamento da Cofins não cumulativa efetuado a maior, cujo direito creditório reclamado totaliza o valor de R$ 19.293,78. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem decidiu por não homologar a compensação, sob o fundamento de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito da titularidade do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, protestou, com base no princípio da verdade material, pela juntada de outros documentos e outras provas e requereu a declaração de nulidade do despacho decisório, assim como o cancelamento de qualquer cobrança dele advinda, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) ausência de fundamentação do despacho decisório e violação dos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal; b) a Fiscalização deveria ter intimado o contribuinte para obter as informações relativas à origem do crédito, tendo ocorrido ofensa ao “dever de instrução” prescrito no art. 7º do Decreto nº 70.123/1972; c) o despacho decisório extrapolou sua função, tendo se tornado meio oblíquo para a interrupção do prazo de homologação da compensação declarada, configurandose desvio de finalidade; d) a defesa do contribuinte restou prejudicada por desconhecimento das razões da não homologação da compensação; Fl. 104DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.915070/200999 Acórdão n.º 3803003.745 S3TE03 Fl. 105 3 e) inaplicabilidade da multa em razão do princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade; f) inaplicabilidade da taxa Selic a título de juros de mora, em razão da limitação dada pelo § 1º do art. 161 do Código Tributário Nacional (CTN), em que se fixam os juros em 1% ao mês, percentual esse passível de redução por lei, mas nunca de ampliação. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários. A DRJ Porto Alegre/RS julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade sob os seguintes fundamentos: 1) inocorrência de preterição do direito de defesa, tendo em vista que o despacho decisório consigna, de forma clara e concisa, o motivo da não homologação da compensação, tendo sido observados todos os requisitos formais e materiais para a sua validade; 2) a motivação para a não homologação da compensação foi devidamente explicitada, tendo sido apontado que o pagamento declarado havia sido localizado, mas que teria sido integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte, não restando saldo credor disponível para a quitação do débito informado na declaração de compensação; 3) no que tange à multa de ofício e aos juros de mora, por se tratar o presente processo de compensação, a competência das delegacias de julgamento se limita ao julgamento da manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação declarada, falecendolhes competência para a análise de questões atinentes à cobrança de eventuais débitos. Inconformado, o contribuinte recorre a este Conselho, repisa os argumentos de defesa acerca da nulidade do despacho decisório, exceto em relação à multa de ofício e aos juros de mora, estes não mais contestados, e requer a declaração de nulidade da decisão recorrida por violação do requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo e por afrontar os princípios da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, valendose dos mesmos argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. Por fim requer o retorno dos autos à origem para novo julgamento ou o provimento do recurso com a consequente homologação da compensação. Junto à peça recursal, o contribuinte traz aos autos cópias de documentos societários. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Fl. 105DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.915070/200999 Acórdão n.º 3803003.745 S3TE03 Fl. 106 4 O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos sobre Pedido de Restituição cumulado com Declaração de Compensação (PER/DCOMP), não acatados pela Receita Federal por se referir a pagamento integralmente utilizado na quitação de outro débito do sujeito passivo. I. Preliminares. Violação do requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo e ofensa aos princípios da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal. O Recorrente requer a anulação do despacho decisório e da decisão da Delegacia de Julgamento por ofender o requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo e os princípios da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, em razão da falta de intimação prévia voltada à obtenção de informações relativas à origem do crédito e da ofensa ao “dever de instrução” prescrito no art. 7º do Decreto nº 70.235/1972. Segundo ele, o despacho decisório extrapolou sua função, tendo se tornado meio oblíquo para a interrupção do prazo de homologação da compensação declarada, configurandose desvio de finalidade, tendo havido, ainda, prejuízo a sua defesa por desconhecimento das razões da não homologação da compensação. De pronto, devemse afastar tais alegações do Recorrente, pois tanto o despacho decisório quanto a decisão recorrida foram exarados em conformidade com os dispositivos legais e regulamentares que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), este disciplinado primordialmente pelo Decreto nº 70.235/1972. No despacho decisório, emitido que fora com observância da legislação de regência, consta de forma evidente a razão da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência do indébito em razão do fato de que o pagamento declarado em PER/DCOMP, ou seja, pelo próprio sujeito passivo, já ter sido integralmente utilizado na quitação de outro débito da titularidade do contribuinte, constando, ainda, individualizada e pormenorizadamente, todas as informações relativas ao referido pagamento e à compensação pleiteada, de forma que nenhuma informação foi suprimida em prejuízo da defesa do interessado. Inexiste qualquer desvio de finalidade no despacho decisório, pois que ele decorreu de pedido formulado pelo próprio sujeito passivo, cujos termos delimitaram a extensão da matéria a ser analisada pela Administração tributária, encontrandose esta autorizada por lei (art. 74 e §§ da Lei nº 9.430/1996) a proceder daquela forma, com base em informações prestadas pelo próprio contribuinte (PER/DCOMP e DCTF), informações essas suficientes à apreciação do pleito. Uma vez apresentada a declaração de compensação, a Autoridade administrativa tributária, obervado o prazo para a homologação previsto no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, já se encontra apta a decidir acerca do pedido formulado, pois que todos os contornos já se encontram definidos desde então, inexistindo na lei ou no decreto a estipulação de prazo mínimo para tal apreciação, em razão do que não se cogita de decisão desvirtuada e destinada unicamente à interrupção do prazo de homologação da compensação declarada. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.915070/200999 Acórdão n.º 3803003.745 S3TE03 Fl. 107 5 No acórdão da DRJ Porto Alegre/RS, constam, de forma objetiva, todos os fundamentos que nortearam a decisão tomada, inexistindo qualquer violação aos princípios da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, pois que não se preteriu o direito do contribuinte a recorrer a este Conselho, oportunidade em que poderiam ter sido trazidos aos autos todos os elementos probatórios que pudessem infirmar os fundamentos da decisão recorrida. Devese ressaltar que, inobstante haver, indubitavelmente, o direito fundamental à ampla defesa e ao contraditório (art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal), não se pode perder de vista que inexistem direitos absolutos, devendo todos os direitos e as garantias assegurados pela ordem jurídica ser compreendidos em conjunto e dialogicamente. Os princípios da ampla defesa e do contraditório devem ser sopesados dialeticamente com outros princípios, como o da celeridade processual (art. 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal), assim como com o dever do postulante de comprovar as suas alegações contrapostas à decisão administrativa amparada nos elementos fáticos declarados pelo próprio sujeito passivo (artigos 15 e 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972). As regras de funcionamento do litígio administrativo, conforme já apontado, devem ser buscadas, primariamente, no Decreto nº 70.235/1972 e, subsidiariamente, nas demais regras que regulam o processo administrativo e/ou judicial, sendo que, não se vislumbrando qualquer ofensa a tais atos normativos, inexiste fundamento a apoiar a pretendida declaração de nulidade do despacho decisório e da decisão da DRJ Porto Alegre/RS. Nesse contexto, afastamse as preliminares de nulidade arguidas. II. Mérito. Origem do crédito. No mérito, registrese que o contribuinte, tanto na Manifestação de Inconformidade – que corresponde à fase de Impugnação prevista no PAF, por força do disposto no art. 74, § 11, da Lei nº 9.430/1996 –, quanto no Recurso Voluntario, restringiu o seu pedido ao reconhecimento do direito creditório decorrente de pagamento indevido, nada dizendo sobre a natureza desses créditos, se referentes, por exemplo, a aquisições de insumos ou a outra forma de creditamento autorizada pela lei, inexistindo, portanto, pronúncia quanto às razões de fato ou de direito que deram ensejo ao indébito. Alega o contribuinte que o crédito pleiteado poderia ser comprovado por meio de investigações por parte da Fiscalização, a partir de intimações a ele direcionadas, não fazendo qualquer referência aos dados declarados em DCFT e no PER/DCOMP, restringindo sua defesa às preliminares de nulidade e à referida ausência de auditoria fiscal. Nesse sentido, temse que, desde a primeira instância, por força do contido no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal – PAF), tornouse definitiva na esfera administrativa a discussão acerca dos motivos fáticos e de direito que deram origem ao crédito que se pretende compensar. Esclareçase que matéria não suscitada em sede de defesa no Processo Administrativo Fiscal (Impugnação ou Manifestação de Inconformidade) submetese à preclusão processual, não devendo ser conhecidas possíveis razões que, em tese, pudessem ser apuradas, como sugere o Recorrente, a partir do retorno dos autos à origem para a prolação de nova decisão, esta pautada em dados apurados de ofício pela Fiscalização. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.915070/200999 Acórdão n.º 3803003.745 S3TE03 Fl. 108 6 Registrese que o Recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento que pudesse comprovar o indébito alegado, não havendo nenhuma prova, ou mesmo alguma referência, relativamente aos dados declarados. Não há nos autos cópia da DCTF ou de qualquer outro documento ou declaração que pudesse ao menos indicar a origem do pagamento indevido. Dessa forma, mesmo que se superasse a ocorrência de preclusão, temse que nenhuma prova foi apresentada pelo interessado, não havendo como decidir, nos termos do seu pedido, pela homologação da compensação, dado o total desconhecimento da origem e da natureza do crédito. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio Recorrente, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à preponderância do princípio da verdade material sobre, por exemplo, o princípio constitucional da celeridade processual (art. 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal de 1988). Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, “prevalece o princípio do dispositivo, de modo que a atividade probatória deve se desenvolver dentro dos limites do pedido formulado pelo contribuinte. O regime jurídico da prova nesta classe de processos administrativos tributários aproximase muito mais do regime jurídico da prova do processo civil, com as peculiaridades decorrentes do fato de que a prova é produzida e apreciada no âmbito administrativo” 1 Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) 1 BIANCHINI, Marcela Cheffer. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo tributário e os princípios da verdade material e da ampla defesa. Brasília: ESAF, 2008, p. 25. (Disponível em: www.esaf.fazenda.gov.br/ esafsite/biblioteca/monografias/marcela_cheffer.pdf. Consulta realizada em 3 de setembro de 2012). Fl. 108DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.915070/200999 Acórdão n.º 3803003.745 S3TE03 Fl. 109 7 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) As exceções previstas no § 4º do art. 16 do PAF, supra reproduzidos, não se aplicam ao presente processo, pois não se trata de (i) impossibilidade de apresentação de provas por motivo de força maior, (ii) de fato ou direito superveniente ou (iii) de prova destinada a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação), inexistindo, nos casos da espécie, autorização legal para a inversão do ônus da prova, como pretende o Recorrente ao requerer que esta Turma, no caso de não prover seu pedido de homologação da compensação, anule o despacho decisório e determine a prolação de um outro, este baseado em informações a serem apuradas pela Fiscalização. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 109DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS
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