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Numero do processo: 15586.001745/2008-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL – RETENÇÃO DE 11% CESSÃO
DE MÃO DE OBRA Nos termos do art. 31 da Lei 8212, a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra,
inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês
subseqüente ao da emissão da respectiva nota .fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão-de-obra.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-001.699
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL – RETENÇÃO DE 11% CESSÃO DE MÃO DE OBRA Nos termos do art. 31 da Lei 8212, a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota .fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão-de-obra. Recurso Voluntário Negado
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OBRIGAÇÃO PRINCIPAL – RETENÇÃO DE 11% CESSÃO DE MÃO DE OBRA Nos termos do art. 31 da Lei 8212, a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota .fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Fl. 119DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Kleber Ferreira de Araújo; Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 120DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.001745/200895 Acórdão n.º 2401001.699 S2C4T1 Fl. 119 3 Relatório Tratase de Auto de Infração por descumprimento de obrigação principal, lavrado contra a empresa acima identificada, com fulcro no art. 31, § 1° da Lei n°8.212/91, referentes ao período de janeiro a dezembro de 2004 De acordo com o Relatório Fiscal, fl. 89/92, a o AI foi lavrado por ter deixado a empresa de efetuar o recolhimento das contribuições relativas a retenção de 11% efetuada sobre as notas fiscais ou faturas de empresa que prestou serviço à autuada. Ainda de acordo com o RF, os fatos geradores do presente lançamento foram os pagamentos efetuados empresa "Serratur Transportes LTDA", na competência 05 de 2004, pelos serviços prestados de transporte de empregados (ônibus), conforme notas fiscais de fls. 94 e 95, discriminadas na planilha constante do anexo I às fls. 93. Inconformada com a Decisão de fls. 105/108 a empresa apresentou recurso onde alega em apertada síntese: “(...)que diferentemente do que afirmou a Autoridade Julgadora, não se trata de cessão de mãodeobra, e sim de prestação de serviços de transporte. De modo que o art. 31, da Lei n. 2 8.212/91 não deve ser aplicado, pois o mesmo é claro em se referir à retenção em casos específicos de cessão de mãodeobra, caso diverso da situação fática dos autos.” Cita jurisprudências do STJ para afirmar que obrigação legal de recolhimento do tributo, e ainda se houvesse, somente o substituto tributário seria o responsável pelo recolhimento. Requer por fim, seja considerado improcedente o lançamento fiscal, bem como a inexistência da responsabilidade da recorrente.. É o relatório. Fl. 121DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Em que pese o inconformismo da recorrente, seus argumentos são desprovidos de suporte fático e jurídico capazes de macular o lançamento. A presente autuação tem como fato gerador a retenção de 11% sobre as Notas Fiscais de prestação de serviços, sem o devido recolhimento conforme estabelece o art. 31, § 1° da Lei n°8.212/91, in verbis: Art.31.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota .fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5ºdo art. 33. (Redação dada pela Lei n" 9.711, de 1998). §1º0 valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou .fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. (Redação dada pela Lei n"9.711, de 1998). No presente caso, conforme se observa das Notas Fiscais de fls. 94 e 95, a empresa prestadora realizou o destaque dos 11% devidos ao INSS, sendo da tomadora de serviço a obrigação de reter tal valor e realizar o recolhimento da contribuição à Previdência Social. O fato de ter sido realizado referido destaque, já demonstra o entendimento das próprias empresas, de que os serviços realizados foram de cessão de mão de obra, o que leva a concluir que foi feita a retenção dos valores por parte da recorrente. Outro aspecto que nos leva a esta conclusão é que no Relatório Fiscal, em seu Item 4 e subitem 4.1, a fiscalização afirma que a recorrente efetuou a retenção dos 11% e não efetuou o recolhimento ao INSS, tendo havido ainda a Representação Fiscal para Fins Penais. Em nenhum momento a recorrente negou ter havido a referida retenção, limitandose a tentar imputar tal obrigação à empresa emissora da Nota Fiscal. Desta forma, tendo havido o destaque na nota fiscal e a retenção por parte da empresa tomadora, descabida a alegação de que os serviços não foram prestados mediante cessão de mão de obra, estando correta a autuação. Fl. 122DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.001745/200895 Acórdão n.º 2401001.699 S2C4T1 Fl. 120 5 Ante ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO e, no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. Marcelo Freitas de Souza Costa – Relator Fl. 123DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Fl. 124DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001536/2004-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri May 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/2003
TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES NÃO DECLARADOS. PAGAMENTO
APÓS INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. MULTA APLICÁVEL
Tributo não declarado cujo pagamento tenha se dado após a ciência do início
de procedimento de fiscalização é constituído de ofício, com o acréscimo da
multa punitiva de 75%, ainda que o referido pagamento tenha ocorrido no
prazo de vinte dias do início da ação fiscal.
EXCLUSÕES NÃO EFETUADAS PELA FISCALIZAÇÃO. FALTA DE
COMPROVAÇÃO.
Improcedem alegações que não encontram respaldo em prova material.
BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718, DE 1998. RECEITAS
FINANCEIRAS.
A ampliação do conceito de faturamento às demais receitas pela Lei nº 9.718,
de 1998, é inconstitucional, segundo decisão definitivo do Plenário do
Supremo Tribunal Federal.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-000.984
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/2003 TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES NÃO DECLARADOS. PAGAMENTO APÓS INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. MULTA APLICÁVEL Tributo não declarado cujo pagamento tenha se dado após a ciência do início de procedimento de fiscalização é constituído de ofício, com o acréscimo da multa punitiva de 75%, ainda que o referido pagamento tenha ocorrido no prazo de vinte dias do início da ação fiscal. EXCLUSÕES NÃO EFETUADAS PELA FISCALIZAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Improcedem alegações que não encontram respaldo em prova material. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718, DE 1998. RECEITAS FINANCEIRAS. A ampliação do conceito de faturamento às demais receitas pela Lei nº 9.718, de 1998, é inconstitucional, segundo decisão definitivo do Plenário do Supremo Tribunal Federal. Recurso Voluntário Provido em Parte
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PAGAMENTO APÓS INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. MULTA APLICÁVEL Tributo não declarado cujo pagamento tenha se dado após a ciência do início de procedimento de fiscalização é constituído de ofício, com o acréscimo da multa punitiva de 75%, ainda que o referido pagamento tenha ocorrido no prazo de vinte dias do início da ação fiscal. EXCLUSÕES NÃO EFETUADAS PELA FISCALIZAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Improcedem alegações que não encontram respaldo em prova material. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718, DE 1998. RECEITAS FINANCEIRAS. A ampliação do conceito de faturamento às demais receitas pela Lei nº 9.718, de 1998, é inconstitucional, segundo decisão definitivo do Plenário do Supremo Tribunal Federal. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 13/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 2 Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 837 a 870) apresentado em 1º de março de 2010 contra o Acórdão no 1326.841, de 16 de outubro de 2009, da 4ª Turma da DRJ/RJ2 (fls. 753 a 758), cientificado em 29 de janeiro de 2010, que, relativamente a auto de infração de PIS dos períodos de março de 1999 a março de 2003, considerou procedente em parte a impugnação, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/03/1999, 31/10/1999, 29/02/2000, 31/03/2000, 30/04/2000, 31/05/2000, 30/06/2000, 30/11/2000, 31/12/2000, 28/02/2001, 31/03/2001, 31/07/2001, 31/10/2001, 30/11/2001, 31/01/2002, 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002, 30/06/2002, 31/07/2002, 30/09/2002, 31/10/2002, 30/11/2002, 31/12/2002, 31/03/2003 TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES NÃO DECLARADOS. PAGAMENTO APÓS INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. MULTA APLICÁVEL Tributo não declarado cujo pagamento tenha se dado após a ciência do início de procedimento de fiscalização é constituído de ofício, com o acréscimo da multa punitiva de 75%, ainda que o referido pagamento tenha ocorrido no prazo de vinte dias do início da ação fiscal. PIS. DEVOLUÇÃO DE VENDAS. COMPROVAÇÃO. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO Comprovado pelo contribuinte a existência de devolução de vendas que não foram consideradas pela Fiscalização para efeito de dedução da base de cálculo do PIS, devem os valores correspondentes ser considerados para efeito de exoneração desta contribuição. Impugnação Procedente em Parte O auto de infração foi lavrado em 13 de agosto de 2004, de acordo com o termo de fls. 402 a 424. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 13/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 19515.001536/200411 Acórdão n.º 330200.984 S3C3T2 Fl. 953 3 [...] 1. Considerando as bases de cálculo informadas nas Planilhas “INFORMAÇÕES PRESTADAS À SRF” (f1s. 127 a 147), em atendimento à solicitação formulada no Termo de Início de 18/06/02, os valores de receitas escriturados na contabilidade, conforme balancetes mensais apresentados (cópias relativas a 2000 e 2001) e cópias do razão das contas de receita dos anos 2000 a 2002 (todas as cópias no Apenso 1 deste procedimento), os débitos de PIS e COFINS declarados em DCTF e os valores recolhidos através de DARF, foram constatadas diferenças a constituir relativamente aos valores apurados das mencionadas contribuições, conforme os DEMONSTRATIVOS DE SITUAÇÃO FISCAL APURADA JAN/1999 a Dezembro/2003 PIS E COFINS (fls. 415 a 419), parte integrante do presente Termo de Verificação Fiscal, ressaltando que as bases de cálculo informadas pelo contribuinte foram alteradas em decorrência do confronto entre os valores escriturados e os declarados/informados, conforme resume o Anexo “D” (fls. 410 a 413). 2. Cabe esclarecer que o Anexo “D” consolida as divergências apuradas no período em questão, em razão dos débitos efetuados em contas de receita, devoluções de mercadorias a comprovar e outras diferenças apuradas, conforme Anexos “A”, “B” e “C III”, que sintetizam os questionamentos formulados e os argumentos e elementos de prova apresentados pelo contribuinte acerca das referidas divergências. (...) 5. Tendo em vista o exame nos Livros Fiscais e Contábeis, constatamos a ocorrência de lançamentos de débito nas contas de receita (de natureza credora) no período de 1999 a 2001; lançamentos de devolução de mercadorias em valores muito significativos, no período de nov/00 a dez/02; além da divergência entre os valores escriturados nos balancetes mensais apresentados, referentes aos anos calendários 2001 e 2002, (esclarecendo que nesse período a empresa não dispunha dos Livros Razão), intimamos o contribuinte a proceder aos esclarecimentos necessários, apresentando os documentos que respaldassem o procedimento e alertamos que não se encontrava escriturado no Livro Diário a Demonstração de Resultado relativa ao mês de Novembro/01, através do Termo de Intimação Verificações Obrigatórias de 19/02/04. (...) 15. Dessa feita, com base nos lançamentos efetuados nas contas de receita, vendas canceladas, devoluções, outras receitas, conforme cópias anexadas no Apenso 1 deste procedimento, juntamente com os respectivos balancetes, procedemos ao exame das bases de cálculo informadas pelo contribuinte, ajustando conforme demonstram os Anexos “A” Débitos em Contas de Receita não comprovados; “B” Vendas Canceladas / Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 13/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 4 Devoluções não comprovados; e CIII Diferença na Base de Cálculo PIS/COFINS, cuja justificativa da exclusão das receitas não foram comprovadas, sendo essas diferenças consolidadas no Anexo “D” Base de Cálculo PIS/COFINS, apurada cf. Livros Razão e Fiscais, confrontada com a DCTF e INF À SRF. 16. Informamos que as bases de cálculo apuradas no referido Anexo “D” foram inseridas no Sistema Papéis de Fiscalização, conforme planilha denominada “APURAÇÃO DA COFINS” para o período de 1999 a 2002, sendo que para 2003 consideramos as informações do contribuinte na planilha INFORMAÇÕES À SRF, em conjunto com as DCTF’s, sendo que o crédito tributário a constituir encontrase individualizado nas planilhas “DEMONSTRATIVO DE SITUAÇÃO FISCAL APURADA” P.A. 1999 a 2003, cabendo esclarecer que neste procedimento, deixaram de ser considerados os recolhimentos efetuados em 08/07/2003, através de DARF, conforme relacionado no ANEXO “E”, tendo em vista que o contribuinte promoveu o recolhimento durante a ação fiscal, relativamente a débitos não declarados, inclusive fora do prazo previsto pelos artigos 43 e 44 da Lei 9.430/96. 17. Outrossim, ressaltamos que nos períodos correspondentes ao 1 , 2 e 3 Trimestres de 2002 e 3 Trimestre de 2003, não havia declaração de nenhum débito relativo às contribuições ao PIS e COFINS, tendo sido considerados na apuração do crédito tributário somente o recolhimento efetuado à época própria, sendo que o contribuinte procedeu à regularização das declarações, através de DCTF’s Retificadoras, transmitidas em 23/07/04 (1 , 2 e 3º Trimestres de 2002) e 06/08/04 (3 Trimestre de 2003). [...] Alegação 1) Desconsideração de recolhimentos efetuados no período de procedimento espontâneo: O art. 47 da Lei nº 9.430/96 possibilita que o contribuinte submetido à ação de fiscalização, dentro do prazo de 20 dias, pague os tributos em aberto recorrendo ao “procedimento espontâneo”, como forma de se eximir da imposição da multa de ofício. O prazo de 20 dias foi obedecido, uma vez que o procedimento fiscal teve início em 18/06/2003 e os recolhimentos foram efetuados em 08/07/2003. Ao contrário do que afirma o AFRF, a falta de declaração não consiste empecilho para a prática do procedimento espontâneo, uma vez que, mesmo antes da inserção do art. 47 da Lei nº 9.430/96 já era cristalino entendimento que sobre o pagamento de tributos já declarados não recaía multa de ofício. Partindo desta premissa, concluise que, por intermédio do “procedimento espontâneo”, não se pretendeu alcançar os casos em que o débito a ser pago já se encontrava declarado, mas sim se voltou para os casos em que o débito encontravase ainda carente de declaração. Só pode ter sido esta a intenção do legislador ao criar o “procedimento espontâneo” sob pena de se incidir no engodo da Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 13/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 19515.001536/200411 Acórdão n.º 330200.984 S3C3T2 Fl. 954 5 impraticabilidade do Direito. Daí dizer que o “procedimento espontâneo” não foi introduzido à toa, mas no sentido de permitir o pagamento de tributos sob fiscalização, independentemente de estarem declarados, excluindose o contribuinte da multa de ofício. Alegação 2) Exclusão de Devolução de Vendas – novembro/2000: A impugnante alega ter efetuado devoluções de vendas no valor total de R$ 3.202.178,84, desconsideradas pelo auditor fiscal. Para fins de prova anexa documentação às folhas 534 a 623. Alegação 3) Exclusão de Devolução de Vendas – julho/2001: A impugnante alega ter efetuado devoluções de vendas no valor total de R$ 2.996.079,92, desconsideradas pelo auditor fiscal. Para fins de prova anexa documentação às folhas 624 a 635. Alegação 4) Exclusão de Devolução de Vendas – janeiro/2002: A impugnante alega ter efetuado devoluções de vendas no valor total de R$ 759.384,40, desconsideradas pelo auditor fiscal. Para fins de prova anexa documentação às folhas 636 a 641. Alegação 5) Receita diferida, variação cambial, receita não identificada – abril/2002: Inicialmente, alega a impugnante erro na apuração do montante devido, uma vez que, nos termos do anexo “CIII” a auditora consente com o fato de que a “Receita Diferida”, no montante de R$ 99.021,21, não é tributada pela contribuição, tendo sido este valor erroneamente incluído na base de cálculo. Com relação à glosa da exclusão de receita de variação cambial, no montante de R$ 26.460,59 (vide anexo CIII, fl. 407), alega ter recolhido, em 08/07/2003 o valor de R$ 258,84, dentro do prazo para pagamento espontâneo, conforme já abordado na “alegação 1”. O valor recolhido é superior ao devido, considerandose a aplicação da alíquota do tributo sobre o montante glosado, o que resulta em crédito em favor da impugnante. Por fim, alega não ter identificado qual a origem da receita tributada no montante de R$ 324,35. Partindose do montante lançado de R$ 817,74, chegase à base de cálculo sobre a qual supostamente deixou de recolher a contribuição, R$ 125.806,67. Deduzindose desta base a “Receita Diferida” e a “Receita de Variação Cambial” abordadas acima obtémse o montante de R$ 324,35, para o qual não há no auto ou em seus anexos qualquer indício de sua procedência, o que atenta ao princípio do contraditório e da ampla defesa. Alegação 6) Receita de variação cambial realizada – junho/2002: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 13/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 6 A impugnante contesta a apuração efetuada pelo fisco. Alega que da base cálculo sobre a qual teria deixado de recolher a Cofins, R$ 950.474,33, reconhece o débito calculado sobre o montante de R$ 924.265,05, sobre o qual recolheu R$ 6.007,72 durante o período de procedimento espontâneo. Considera indevida, no entanto, a cobrança sobre a diferença de R$ 26.460,59, decorrente de “receita de variação cambial realizada”. Alega não existir, no auto ou em seus anexos, qualquer indício de sua causa, o que constitui flagrante entrave à formulação da defesa. Alegação 7) Devolução de vendas, receita diferida, variação cambial – julho/2002: Inicialmente, a impugnante alega ter efetuado devoluções de vendas no valor total de R$ 1.034.990,52, desconsideradas pelo auditor fiscal. Para fins de prova anexa documentação às folhas 651 a 673. Alega ainda a impugnante erro na apuração do montante devido, uma vez que, nos termos do anexo “CIII” a auditora consente com o fato de que a “Receita Diferida”, no montante de R$ 112.354,54, não é tributada pela contribuição, tendo sido esta importância erroneamente incluída na base de cálculo. Com relação à glosa da exclusão de receita de variação cambial, no montante de R$ 18.169,74 (vide anexo CIII, fl. 407), alega ter recolhido, em 08/07/2003 o valor de R$ 652,94, dentro do prazo para pagamento espontâneo, conforme já abordado na “alegação 1”. O valor recolhido é superior ao devido, considerandose a aplicação da alíquota do tributo sobre o montante glosado, o que resulta em crédito em favor da impugnante. Alegação 8) Exclusão de Devolução de Vendas – dezembro/2002: A impugnante alega ter efetuado devoluções de vendas no valor de R$ 413.198,61, desconsideradas pelo auditor fiscal. Para fins de prova anexa documentação às folhas 685 a 693. Conforme ementa reproduzida anteriormente, a DRJ cancelou parte do auto de infração, relativamente às devoluções de vendas comprovadas. Em relação à “reclassificação do IPI”, à “receita diferida” e à “receita de variação cambial realizada”, concluiu o acórdão que já teriam sido considerados na apuração, conforme demonstrativos constantes da decisão. Relativamente aos pagamentos efetuados com outros códigos de recolhimento, considerou não ser possível seu aproveitamento de outro modo que por compensação ou pedido de restituição. No recurso, a Interessada reafirmou a ocorrência de procedimento espontâneo, contestou as conclusões sobre a desconsideração da “reclassificação do IPI”; quanto ao período de junho de 2002, alegou que foi incluída na base de cálculo receita de variação cambial, que deveria ser excluída; em relação aos períodos de abril e julho de 2002, Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 13/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 19515.001536/200411 Acórdão n.º 330200.984 S3C3T2 Fl. 955 7 alegou que se trataria de receitas de variação cambial, receitas diferidas e receitas não identificadas. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Não tem razão a Recorrente em relação ao prazo de vinte dias, uma vez, claramente, o art. 47 da Lei no 9.430, de 1996, referese a “tributos e contribuições já declarados”. Isso porque o art. 44 da mesma lei prevê a aplicação de multa de ofício, nos casos de simples “de falta de pagamento ou recolhimento”, além dos casos “de falta de declaração e nos de declaração inexata”. Portanto, é a essa hipótese, e somente a ela, que se aplica a referida disposição. Basta lembrar que, iniciado o procedimento fiscal (art. 7º do Decreto no 70.235, de 1972, e art. 138 do CTN), o contribuinte perde a espontaneidade. Quanto à reclassificação de IPI e à receita diferida, a Interessada não demonstrou, em seu recurso, estarem incorretas as conclusões do acórdão de primeira instância, que explicitou a apuração da base de cálculo em relação a tal matéria. Ademais, no tocante à alegada receita não identificada, conforme ressaltou o acórdão de primeira instância, “toda a apuração da base de cálculo e do montante da contribuição devida encontramse minuciosamente detalhados, carecendo de sentido a afirmação da existência de “receitas não identificadas” objeto de tributação.” Quanto à receita de variação cambial, tratandose de receita financeira, cabe razão à Interessada. Em relação à inconstitucionalidade da Lei nº 9.718, de 1998, sobreveio, entre a aprovação da diligência e seu retorno, a declaração de inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo do PIS e da Cofins. Inicialmente, é preciso esclarecer que o art. 62 do novo Regimento Interno do Carf, Anexo II da Portaria MF nº 256, de 2009, dispõe o seguinte: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 13/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 8 Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Dessa forma, se o STF já houver se pronunciado definitivamente pelo seu plenário a respeito da inconstitucionalidade de lei, o parágrafo único, I, do artigo acima citado permite que a aplicação da lei seja afastada. Em 15 de agosto de 2006, publicouse decisão do Pleno do STF no âmbito dos recursos extraordinários 357.950 e 358.273, transitada em julgado em 5 de setembro, que considerou inconstitucionais as alterações das bases de cálculo do PIS e da Cofins promovidas pela Lei nº 9.718, de 1998, art. 3º, § 1º. O Acórdão e a ementa tiveram as seguintes redações: Após os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio (Relator), Carlos Velloso e Sepúlveda Pertence, conhecendo do recurso e provendoo, em parte, e dos votos dos Senhores Ministros Cezar Peluzo e Celso de Mello, provendoo, integralmente, pediu vista dos autos o Senhor Ministro Eros Grau. Falaram, pela recorrente, o Dr. Ives Gandra da Silva Martins e, pela recorrida, o Dr. Fabrício da Soller, Procurador da Fazenda Nacional. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Nelson Jobim (Presidente). Presidência da Senhora Ministra Ellen Gracie (VicePresidente). Plenário, 18.05.2005. Decisão: Renovado o pedido de vista do Senhor Ministro Eros Grau, justificadamente, nos termos do § 1º do artigo 1º da Resolução nº 278, de 15 de dezembro de 2003. Presidência do Senhor Ministro Nelson Jobim. Plenário, 15.06.2005. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Cezar Peluso e Celso de Mello, que declaravam também a inconstitucionalidade do artigo 8º e, ainda, os Senhores Ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e o Presidente (Ministro Nelson Jobim), que negavam provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie. Plenário, 09.11.2005. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 13/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 19515.001536/200411 Acórdão n.º 330200.984 S3C3T2 Fl. 956 9 CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Portanto, não estavam sujeitas à contribuição as receitas financeiras, em face da inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo pela Lei nº 9.718, de 1998. Por fim, os recolhimentos efetuados pela Interessada no curso da ação fiscal devem ser considerados pela própria Delegacia de origem na apuração do saldo devedor, por imputação proporcional dos pagamentos aos débitos lançados e considerando a redução de 50% da multa de ofício prevista em lei. À vista do exposto e adotando os demais fundamentos, quando cabíveis, do acórdão de primeira instância, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei no 9.784, de 1999, voto por dar provimento parcial ao recurso, para excluir a incidência da contribuição sobre as receitas financeiras e para admitir a alocação dos pagamentos efetuados no curso da ação fiscal, nos termos anteriormente expostos. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 9DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 13/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 10 Fl. 10DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 13/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Numero do processo: 10950.003991/2009-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP. PESSOA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO.
As pessoas jurídicas de direito público interno devem apurar a contribuição para o PIS/Pasep com base nas receitas arrecadadas e nas transferências correntes e de capital recebidas.
Nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por
outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades de direito público interno, de sorte que os valores recebidos com destaque para o FUNDEF/FUNDEB devem integrar a base de cálculo da contribuição. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3202-000.352
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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Recorrente PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO TOMÉ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP. PESSOA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. As pessoas jurídicas de direito público interno devem apurar a contribuição para o PIS/Pasep com base nas receitas arrecadadas e nas transferências correntes e de capital recebidas. Nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades de direito público interno, de sorte que os valores recebidos com destaque para o FUNDEF/FUNDEB devem integrar a base de cálculo da contribuição. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. José Luis Novo Rossari Presidente. Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Júnior e Paulo Sergio Celani. Relatório Para fins de resumir a controvérsia, adoto o relatório do acórdão recorrido. Fl. 196DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 2 “Em decorrência de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações fiscais pela contribuinte qualificada, ente federativo municipal, foi lavrado o auto de infração de fls. 78/86, por meio do qual se exige o recolhimento de R$ 27.588,36 de contribuição para o PIS/Pasep e de R$ 20.691,23 de multa de ofício prevista no art. 86, § 1º, da Lei n.º 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 2º da Lei n.º 7.683, de 02 de dezembro de 1988 e art. 44, I, da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, além dos acréscimos legais. A autuação, cientificada em 30/07/2009 (fl. 94), ocorreu devido à falta/insuficiência de recolhimento da contribuição para o PIS/Pasep relativa aos períodos de apuração 01/2007 a 12/2007, conforme demonstrativo de apuração de fls. 78/79, demonstrativo de multa e juros de mora de fls. 80/81, descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 82/85, e Termo de Verificação Fiscal TVF de fls. 89/92, tendo como base legal os dispositivos listados à fl. 85. Segundo o TVF, em razão de intimação o Município apresentou planilhas demonstrativas de apuração mensal do Pasep bem como arquivos digitais. Após a análise pertinente, o Município, na pessoa do Sr. Prefeito Municipal, foi cientificado do início do procedimento fiscal e intimado a apresentar esclarecimentos a respeito da origem dos valores declarados nas planilhas apresentadas, além dos documentos pertinentes. Visando atender à intimação, a contribuinte prestou esclarecimentos verbais e apresentou o anexo 10 da Lei nº 4.320, de 1964, relativo ao período. De posse das informações prestadas no anexo 10, foram elaborados os demonstrativos relativos a cada um dos períodos analisados. Nesses demonstrativos constam os valores apurados como devidos. No TVF consta a informação, ainda, de que a ação fiscal foi encerrada. Consta, também, a informação de que, em atendimento à Portaria RFB nº 665, de 2008, foi efetuada a pertinente representação fiscal para fins penais (conforme informação contida na capa do processo a aludida representação foi autuada sob nº 10950.003992/200998). O demonstrativo de apuração da contribuição para o Pasep está à fl. 92. Em 31/08/2009, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 95/103, instruída com os documentos de fls. 104/164 (cópia de documentos pessoais do Prefeito, cópia de ata, cópia de planilhas denominadas ‘Receita Segundo as Categorias Econômicas’, extratos de distribuição da arrecadação federal, cópia de demonstrativos de apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e cópias de DARF), cujo teor será a seguir sintetizado. Primeiramente, após discorrer brevemente sobre a autuação, afirma que os valores de receita constantes do anexo 10 seriam inconsistentes, já que tal anexo teria sido elaborado com base em antigo sistema contábil. Solicita, assim, que sejam considerados os valores constantes do anexo 2 do sistema de informações municipais do Tribunal de Contas do Paraná. Elabora nova planilha, inclusive com exclusão dos repasses do Fundef/Fundeb (fl. 102), e conclui que houve lançamento a maior de R$ 9.433,60, sendo o valor devido de apenas R$ 18.154,76 a título de Pasep. Pede o recálculo do débito e que seja relevada a multa aplicada (dada a irregularidade na aferição dos valores). Encaminhado para julgamento (fl. 166), o processo acabou sendo devolvido em diligência para a Seção de Fiscalização da DRF em Maringá para análise dos novos documentos apresentados pela contribuinte (fl. 167). Após a análise pertinente, concluiuse que apenas o débito do mês de novembro de 2007 é que conteria incorreções (o termo de fls. 169/173, cientificado ao Sr. Prefeito Municipal, detalha os procedimentos adotados). No prazo de 30 dias concedido ao Município para se manifestar a respeito da nova análise efetuada, nada foi alegado/apresentado. Fl. 197DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10950.003991/200943 Acórdão n.º 3202000.352 S3C2T2 Fl. 188 3 Na sequência, o processo foi encaminhado para julgamento.” A impugnação foi considerada improcedente pela unidade julgadora da RFB, nos termos do acórdão recorrido, cuja ementa está assim redigida: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PASEP. Segundo dispõe a legislação de regência, a base de cálculo da contribuição devida ao Pasep pelas pessoas jurídicas de direito público é o valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. REPASSES DO FUNDEF/FUNDEB. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. Os Municípios ao receberem da União valores relativos ao FUNDEF/FUNDEB devem incluílos na sua totalidade em suas respectivas bases de cálculos mensais de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, porque os referidos valores enquadramse nas disposições contidas no art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998. MULTA DE OFÍCIO. Cobrase multa de ofício por expressa previsão legal. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.” Contra a decisão, a contribuinte ingressou com o recurso voluntário em análise, no qual apresenta poucos argumentos genéricos, não combatendo nenhum fato ou argumento jurídico específico, seja do auto de infração seja da decisão recorrida. Afirma que o nãoprovimento de sua impugnação transgride o art. 2o. da Lei n.º 9.715/98 e transcreve textos extraídos da internet nos quais fazse referência a uma solução de consulta, cujo conteúdo menciona a Solução de Divergência Cosit N.º 2, de 2009. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Recebo o recurso, por ser tempestivo, atender aos demais requisitos formais de admissibilidade e ser da competência da 3a. Seção de Julgamento. Fl. 198DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 4 O recurso não apresenta qualquer argumento contra os fatos descritos no auto de infração e nos termos que o integram ou com relação ao que contido na informação fiscal formalizada após análise de documentos apresentados na impugnação, em atendimento à determinação de diligência pela DRJ de Curitiba, PR, nem refuta nenhuma das razões que motivaram a decisão recorrida. À semelhança do acórdão recorrido, transcrevo parte da informação fiscal de folhas169/173, elaborada por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, responsável pelo procedimento fiscal, acrescentando alguns destaques: “III – DA DIVERGÊNCIA DE INFORMAÇÃO ALEGADA PELO CONTRIBUINTE 7) Em análise aos novos demonstrativos ‘Anexo 2 – Receita Segundo as Categorias Econômicas’, do Sistema de Informações Municipais – Acompanhamento Mensal do Tribunal de Contas do Estado do Paraná, apresentados pelo contribuinte em 31/08/2009 (ARF CIANORTE), em comparação aos demonstrativos ‘Anexo 10 – Comparativo da Receita Prevista com a Arrecadada’, também apresentados pelo contribuinte durante os trabalhos de fiscalização, constatase que apresentam os mesmos valores [Estes destaques são do original], para as contas de receitas, diferindo os dois demonstrativos somente na sua forma de apresentação. Portanto, os dois demonstrativos Anexo 2 e Anexo 10, citados, são iguais. 8) Refeito o cálculo dos valores de PASEP retidos pela Secretaria do Tesouro Nacional, através do Banco do Brasil S/A, nos repasses ao Município. Ratifico os valores incluídos na planilha constante no Termo de Verificação Fiscal, folhas 90 e/ou 92, do presente processo de Auto de Infração. Ressaltese que os valores são maiores que os apresentados na nova planilha do contribuinte. Se baseados, incorretamente, nos valores da planilha apresentada pelo contribuinte haveria um aumento nos valores dos créditos tributários. 9) Quanto aos valores Recolhidos ou Depositados, para o pagamento da Contribuição para o PASEP, o contribuinte na nova planilha apresentada inclui os valores totais do DARF, quando deveria relacionar apenas os valores do principal [grifado originalmente], sem inclusão da multa, juros e/ou encargos (por recolhimento em atraso). 10) Convém neste momento relatar que durante a análise dos demonstrativos (Anexo 10 e Anexo 2) e revisando os valores calculados, constatouse um erro no cálculo da Base de Cálculo para a Contribuição para o PASEP no mês de Novembro/2007. Pois foi incluído indevidamente na base de cálculo o valor de R$ 50.100,00 (Receita de Capital – Alienação de Bens Imóveis). 11) Visando corrigir o erro constatado, informo que no mês de novembro de 2007 a base de cálculo do PASEP correta é R$ 690.154,60, e o valor da Contribuição para o PASEP correto é R$ 2.116,60. Omissis 12) Portanto, deverá ser retificado o valor da Contribuição para o PASEP lançado no presente Auto de Infração, processo nº 10950.003991/200943, no mês de novembro de 2007. Devendo ser corrigido de R$ 2.617,60 para R$ 2.116,60.” Na decisão de primeira instância, já se afastou a exigência indevida, de modo que restaram apenas os valores inicialmente lançados e ratificados após o confronto do que contido no auto de infração com a planilha apresentada pela interessada na impugnação. Fl. 199DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10950.003991/200943 Acórdão n.º 3202000.352 S3C2T2 Fl. 189 5 A contribuinte, cientificada do resultado da diligência e da possibilidade de se manifestar, silenciouse, o que levou à instância de piso a considerar corretos os valores apurados como devidos na informação fiscal. Uma vez que também na peça recursal tais valores não foram questionados, impõese considerálos corretos. Quanto ao argumento genérico de que a decisão de primeira instância teria afrontado o art. 2o. da Lei 9.715/98, não merece ser acolhido. Vejamse alguns dispositivos da Lei n.º 9.715/98, com grifos meus. “Art.2o A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: ... III pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. ... §3o Para determinação da base de cálculo, não se incluem, entre as receitas das autarquias, os recursos classificados como receitas do Tesouro Nacional nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União. ... §6o A Secretaria do Tesouro Nacional efetuará a retenção da contribuição para o PIS/PASEP, devida sobre o valor das transferências de que trata o inciso III. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001)” “Art.7o Para os efeitos do inciso III do art. 2o, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Art.8o A contribuição será calculada mediante a aplicação, conforme o caso, das seguintes alíquotas: I zero vírgula sessenta e cinco por cento sobre o faturamento; II um por cento sobre a folha de salários; III um por cento sobre o valor das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas.” O Decreto n.º 4.524, de 17/12/2002, regulando a matéria, dispôs: “Art. 70. As pessoas jurídicas de direito público interno, observado o disposto nos arts. 71 e 72, devem apurar a Fl. 200DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 6 contribuição para o PIS/Pasep com base nas receitas arrecadadas e nas transferências correntes e de capital recebidas (Lei nº 9.715, de 1998, art. 2º, inciso III, § 3º e art. 7º). § 1º Não se incluem, entre as receitas das autarquias, os recursos classificados como receitas do Tesouro Nacional nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União. § 2º Para os efeitos deste artigo, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades de direito público interno” A CoordenaçãoGeral de Tributação COSIT, emitiu a Solução de Divergência n.º 2, de 10/02/2009, publicada no DOU n.º 30, Seção 1, de 12/02/2009, assim redigida: “SUBSECRETARIA DE TRIBUTAÇÃO E CONTENCIOSO COORDENAÇÃOGERAL DE TRIBUTAÇÃO SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA N° 2, DE 10 DE FEVEREIRO DE 2009 ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: Base de cálculo de Município. As receitas financeiras auferidas por Município, em decorrência da remuneração de depósitos bancários, de aplicações de disponibilidade em operações de mercado e de outros rendimentos oriundos de renda de ativos permanentes, integram suas receitas correntes arrecadadas e transferências correntes e de capital recebidas, base de cálculo mensal, para a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, à alíquota de 1%. Os valores de suas receitas próprias repassados/alocados, para o FUNDEF/FUNDEB, pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios, não podem ser excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep do ente que efetuar o repasse/alocação, por falta e amparo legal. Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios ao receberem da União valores relativos as transferências constitucionais do FPE e do FPM, inclusive a parte destacada para FUNDEF/FUNDEB, devem incluílos na sua totalidade em suas respectivas bases de cálculos mensais de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, porque os referidos valores enquadramse nas disposições contidas no art. 7.º da Lei n° 9.715, de 1998. Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão excluir de suas respectivas bases de cálculos mensais da Contribuição para o PIS/Pasep, os valores recebidos a titulo de transferências constitucionais relativas ao FPE e ao FPM, inclusive os valores destacados para o FUNDEF/FUNDEB, somente quando ficar comprovado que houve a retenção da Contribuição para o PIS/Pasep, na fonte, à alíquota de 1%, incidente sobre o total dos valores transferidos pela União, por meio da Secretaria do Tesouro Nacional STN, na forma disposta no § 6° do art. 2° da Lei no 9.715, de 1998. Fl. 201DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10950.003991/200943 Acórdão n.º 3202000.352 S3C2T2 Fl. 190 7 DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei Complementar n° 8, de 1970: e Lei n° 9.715, de 1998, (art. 2°, inciso III, e § 6° e arts. 7° e 8°). LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO CoordenadorGeral" Segundo esta solução de divergência, somente se ficasse comprovada a retenção da contribuição para o PIS/Pasep na fonte, à alíquota de 1% incidente sobre o total dos valores transferidos por meio da STN, poderiam ter sido excluídos os valores recebidos para o FUNDEF/FUNDEB. Tal comprovação, no caso, não ocorreu. Correta, pois, a exigência contida no auto de infração e mantida no julgamento de primeira instância administrativa, motivo pelo qual voto pelo nãoprovimento do recurso voluntário. Paulo Sergio Celani Fl. 202DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
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Numero do processo: 10768.100432/2008-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Feb 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES
Ementa:
EXCLUSÃO DO SIMPLES. DÉBITOS PRESCRITOS. IMPOSSIBILIDADE.
A alegada existência de débito prescrito não pode ensejar a exclusão de empresa do SIMPLES. No caso dos autos, a inscrição em dívida ativa deu-se em 17/09/1999. A Fazenda Nacional tinha prazo até 17/09/2004 para promover a cobrança. Revela-se incabível o procedimento por meio do qual, em face de débito prescrito, a Administração exclui empresa do SIMPLES.
DÉBITO INSCRITO EM DÍVIDA ATIVA. REQUERIMENTO PEDINDO REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DO SIMPLES SEM QUE ANTES A ADMINISTRAÇÃO ANALISE O PEDIDO DE REVISÃO, EM ESPECIAL.
Um ano antes do ato de exclusão do SIMPLES, a parte interessada
apresentou requerimento junto à PGFN pedindo o cancelamento de dívida inscrita, argumentando que o débito encontrava-se
pago. Decorridos mais de doze meses, sem que a Administração tivesse se manifestado quando à informação do pagamento, é incabível a exclusão do SIMPLES com base em tal débito, cuja prova demonstrou já estar quitado.
Recurso provido.
Numero da decisão: 1402-000.455
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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Recorrida 1ª TURMA DRJ/RIO DE JANEIRO RJ I Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES. DÉBITOS PRESCRITOS. IMPOSSIBILIDADE. A alegada existência de débito prescrito não pode ensejar a exclusão de empresa do SIMPLES. No caso dos autos, a inscrição em dívida ativa deuse em 17/09/1999. A Fazenda Nacional tinha prazo até 17/09/2004 para promover a cobrança. Revelase incabível o procedimento por meio do qual, em face de débito prescrito, a Administração exclui empresa do SIMPLES. DÉBITO INSCRITO EM DÍVIDA ATIVA. REQUERIMENTO PEDINDO REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DO SIMPLES SEM QUE ANTES A ADMINISTRAÇÃO ANALISE O PEDIDO DE REVISÃO, EM ESPECIAL. Um ano antes do ato de exclusão do SIMPLES, a parte interessada apresentou requerimento junto à PGFN pedindo o cancelamento de dívida inscrita, argumentando que o débito encontravase pago. Decorridos mais de doze meses, sem que a Administração tivesse se manifestado quando à informação do pagamento, é incabível a exclusão do SIMPLES com base em tal débito, cuja prova demonstrou já estar quitado. Recurso provido. Fl. 37DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10768.100432/200867 Acórdão n.º 140200.455 S1C4T2 Fl. 2 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (presidente da turma), Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (vicepresidente), Antonio José Praga de Souza, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Viviani Aparecida Bacchmi e Moises Giacomelli Nunes da Silva. Fl. 38DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10768.100432/200867 Acórdão n.º 140200.455 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório A recorrente foi excluída do SIMPLES, através do Ato Declaratório Executivo DERAT/RJO nº 310756, de 22/08/2006, em razão de possuir débitos inscritos na ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, referente à inscrição nº 7079901332596, no valor consolidado de R$ 646,97 (fl. 18). Na Manifestação de Inconformidade de fl. 01, datada de 23/09/2006, a interessada pediu a manutenção da sistemática do SIMPLES, alegando que solicitou a revisão dos débitos objeto da aludida inscrição fiscal, que, na época, ainda não havia sido julgada. A DRJ de origem, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação da recorrente, alegando que a contribuinte não teria apresentado nenhuma prova inequívoca de que os débitos que motivaram a sua exclusão do SIMPLES tenham sido solucionados na Dívida Ativa da União, por pagamento ou prova de sua inexistência. Intimada, tempestivamente, a contribuinte interpôs recurso voluntário, alegando que não existem mais débitos fiscais que fundamentem sua exclusão do SIMPLES, conforme demonstra a cópia do Resultado de Consulta da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional de fls. 32/33. É o relatório. Fl. 39DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10768.100432/200867 Acórdão n.º 140200.455 S1C4T2 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Relator Moises Giacomelli Nunes da Silva O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. Conforme demonstram os documentos de fls. 04, 12, 13 e 18, em 17/09/1999, a recorrente teve débito inscrito em dívida ativa no valor de R$ 198,66. A inscrição de dívida ativa deuse sob o nº 7079901332596. Em 06/10/2008, o débito atualizado, que originou a exclusão do SIMPLES importava em R$ 646,97 (fl. 18). A exclusão do SIMPLES, por ato datado de 22/08/2008 (fl. 03), deuse em virtude do referido débito, em tal data, ainda se encontrar inscrito em dívida ativa, junto à Procuradoria da Fazenda Nacional. O documento de fl. 03 demonstra que em 30/07/2007, isto é, um ano antes do ato de exclusão do SIMPLES, a empresa havia apresentado o Pedido de Revisão de Débitos Inscritos em Dívida, assinalando tratarse de débito pago. Ocorre que, até o julgamento da manifestação de inconformidade, em relação ao procedimento de exclusão do SIMPLES, a requerente não havia obtido resposta do pedido, e a decisão recorrida manteve a exclusão, sob o entendimento de que a parte interessada não demonstrou que tal situação havia sido regularizada. Com o recurso, a parte interessada trouxe aos autos os documentos de fl. 33, extraído da internet, na página da Procuradoria da Fazenda Nacional, datado de 26/05/2009, demonstrando que não havia mais a pendência relativa a inscrição de dívida nº 70799013325 96, que havia originado a exclusão do SIMPLES. No caso em tela, merece prosperar o recurso por duas razões: a) há mais de um antes da exclusão do SIMPLES, a requerente havia peticionado junto à PGFN, informando o pagamento, e requerendo o cancelamento da inscrição de dívida ativa que originou a exclusão, situação que só apareceu regularizada com o documento de fl. 33; b) por outro lado, considerando que o referido débito foi inscrito em dívida ativa na data de 17/09/1999, a Fazenda Nacional tinha até 17/09/2004 para proceder a cobrança judicial, sob pena de prescrição. Assim, não tendo ingressado com ação de cobrança, tal débito, já atingido pela prescrição, caso não tivesse sido pago, não poderia justificar a exclusão do SIMPLES. Fl. 40DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10768.100432/200867 Acórdão n.º 140200.455 S1C4T2 Fl. 5 5 ISSO POSTO, voto no sentido de dar provimento ao recurso. É o voto. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Relator Fl. 41DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL
score : 1.0
Numero do processo: 10880.010362/91-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Ano-calendário: 1985, 1986, 1987
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA.
A instauração do litígio é condicionada à impugnação tempestiva do
lançamento. Confirmada a intempestividade da impugnação declarada no Acórdão do julgamento de primeira instância, nega-se provimento ao recurso.
Numero da decisão: 1202-000.522
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Nereida de Miranda Finamore Horta
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 1985, 1986, 1987 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. A instauração do litígio é condicionada à impugnação tempestiva do lançamento. Confirmada a intempestividade da impugnação declarada no Acórdão do julgamento de primeira instância, negase provimento ao recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente. (documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Jorge Celso Freire da Silva, Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Em 12.03.1991, fora lavrado contra a empresa Bustop Modas Ltda. auto de infração referente a IRPJ e Finsocial. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT, Assinado digitalmente e m 05/06/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por NEREIDA DE MIRAND A FINAMORE HORT 2 Referido Auto de Infração (fls. 01 a 08), exigiu a importância de 4.653,86 UFIR, com acréscimo de multa de 50% e juros, referentes ao IRPJ dos anoscalendários de 1986, 1987 e 1988. A exigência se deu por omissão de receita, ante a apurada divergência ao se comparar as declarações de IRPJ da contribuinte e sua receita bruta de vendas. A intimação do Auto de Infração para a contribuinte se deu por meio de sua proprietária, Sra. Rose Mari Mazurek (CPF 670.347.13804), e foi efetivada em 21.03.1991 (fl. 5). Em 30.04.1991, a interessada apresentou sua Impugnação (fls. 09 a 11), alegando, em síntese, que os elementos de instrução do processo não tem valor jurídico, já que baseados exclusivamente nas informações prestadas pela locadora, aduzindo que o correto seria a fiscalização se basear em documentos jurídicos hábeis. Informa que sequer os livros contábeis da empresa foram verificados. Assim, requer seja julgado insubsistente o auto de infração e a imposição de multa. A DRJ/São Paulo, ao julgar o feito, (fls. 18 a 19), houve por bem não conhecer da impugnação, face a intempestividade. Informa que a contribuinte foi intimada do lançamento em 21.03.91, mas que sua impugnação ao auto lavrado somente fora apresentada em 30.04.91, após o esgotamento do prazo legal previsto no artigo 15 do Decreto nº 70.235/92. Continuando, a DRJ explica que a impugnação intempestiva não possui capacidade para instaurar a fase litigiosa do procedimento fiscal, o que, nos termos do artigo 14 do já citado Decreto, o que impede o exame de mérito da defesa. Assim, decidiu por não tomar conhecimento da impugnação, ante sua intempestividade, declarando que ficou constituído definitivamente o crédito tributário. Foi expedido Termo de Revelia à fl. 24. A contribuinte foi intimada da decisão da DRJ em 6.11.96 (fl.29v). Em 6.12.96, apresentou manifestação (fl. 30), onde informa que o protocolo da defesa declarada intempestiva, em 30.04.91, só ocorreu dado a greve da Delegacia da Receita Federal em São Paulo, onde o órgão responsável pelo protocolo também restou paralisado. Assim, requereu o reexame da tempestividade a defesa, para que fosse possível o exame de mérito de aludida manifestação. A manifestação foi recebida como Recurso Voluntário. A Fazenda Nacional ofereceu suas contrarrazões ao recurso voluntário (fl. 33), onde aduz que houve acertada aplicação da lei na decisão administrativa, não havendo motivos de reforma. Encaminhados os autos a este Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos converteuse o julgamento em diligência nos termos da Resolução nº 10301.682, com envio do processo à DRF/SPO/ECCOB/SP para que se verificasse o expediente da Delegacia em referência. Em sede de diligência, solicitouse a verificação de expediente normal na DRF/VILA MARIANA/SP, especialmente quanto ao protocolo, na data de 22.04.91, bem como se o primeiro dia útil após o alegado movimento de paralisação havia sido o dia 30.04.91. Em resposta (fl. 40), a EQRHU informa que, após pesquisa, não foi encontrado início de greve no período em questão, tanto nas folhas de ponto quanto junto aos sindicatos representantes dos servidores, pelo qual indica que não há nenhum documento que comprove a ocorrência de paralisação entre 22 a 30 de abril e 1991. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT, Assinado digitalmente e m 05/06/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por NEREIDA DE MIRAND A FINAMORE HORT Processo nº 10880.010362/9160 Acórdão n.º 120200.522 S1C2T2 Fl. 70 3 Os autos foram reenviados a este Primeiro Conselho de Contribuintes, que ante a conclusão da diligência de forma contrária às alegações do sujeito passivo, determinou, de ofício que este fosse intimado do resultado daquela diligencia, com concessão de prazo para sua manifestação, de modo a garantir a ampla defesa e o contraditório. Após tentativas frustradas de intimação da contribuinte pela via postal, houve sua intimação por edital (fl. 61), onde não houve resposta. É o relatório. Voto Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta O Recurso atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A recorrente teve contra si lavrado Auto de Infração referente ao IRPJ e FINSOCIAL, referente aos anoscalendários de 1.986, 1.987 e 1.988. A DRJ/SPO ao apreciar a impugnação, houve por bem não conhecer da defesa, face a sua intempestividade. Esclareceu que a contribuinte foi cientificada em 21.03.91 e apresentou impugnação somente em 30.04.91, após o prazo legal. Como bem asseverou no acórdão, sendo a impugnação intempestiva, não é possível conhecer da mesma, já que a impugnação intempestiva não possui capacidade para instaurar a fase litigiosa do procedimento fiscal, o que, nos termos do artigo14 do já citado Decreto, impede o exame de mérito da defesa. Em relação à sua intempestividade, a recorrente alegou, em sede de Recurso Voluntário, que o protocolo da defesa declarada intempestiva só ocorreu dado a greve da Delegacia da Receita Federal em São Paulo, onde o órgão responsável pelo protocolo também restou paralisado. Assim, requereu o reexame da tempestividade a defesa, para que fosse possível o exame de mérito de aludida manifestação. O fato alegado pela recorrente – paralisação dos servidores federais – que impediu o protocolo, não foi adequadamente comprovado. Não havia documentos que amparassem as alegações. De modo a sanar a dúvida suscitada no Recurso Voluntário, foi convertido o julgamento em diligência para que se verificasse a existência de movimento grevista no período mencionado ou outro obstáculo a impedir o protocolo da Impugnação. Com a resposta da diligência, não foi comprovada a existência da aludida paralisação ou qualquer outro ato que impedisse a recorrente de protocolar sua defesa tempestivamente. Ante a ausência de intimação da contribuinte acerca do resultado da diligência, novo expediente foi promovido para sanar tal falha, efetivandose a intimação por meio de edital, atestando a regularidade do processo fiscal, bem como atendendose aos princípios do devido processo legal e do amplo acesso ao contraditório. Assim, mesmo após efetivada a diligência, não tendo sido superada a intempestividade da interposição da peça impugnatória, falece competência tanto à DRJ quanto a este Conselho para apreciação do mérito, haja vista que o litígio administrativo não foi instaurado, à luz dos artigos 14 e 15 do Decreto n°. 70.235, de 1972. Estando correta, portanto, a decisão Recorrida. Diante de todo o exposto, meu voto é no sentido de conhecer do Recurso Voluntário e negarlhe provimento. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT, Assinado digitalmente e m 05/06/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por NEREIDA DE MIRAND A FINAMORE HORT 4 (documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta Relatora Fl. 72DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT, Assinado digitalmente e m 05/06/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por NEREIDA DE MIRAND A FINAMORE HORT
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Numero do processo: 10680.002061/2004-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2003
IRPF. MOLÉSTIA GRAVE – Somente estão acobertados pela isenção
concedida aos portadores de moléstia grave, os rendimentos de aposentadoria recebidos a partir da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial.
Numero da decisão: 2201-001.010
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade negar provimento ao recurso. Ausência justificada da conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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MOLÉSTIA GRAVE – Somente estão acobertados pela isenção concedida aos portadores de moléstia grave, os rendimentos de aposentadoria recebidos a partir da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade negar provimento ao recurso. Ausência justificada da conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. (Assinado Digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Fl. 66DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 06/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Waldir Martins Ferreira recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância proferida pela 5ª Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte/MG, pleiteando sua reforma, nos termos do Recurso Voluntário apresentado. Tratase de Notificação de Lançamento (fls. 02/04), relativo ao IRPF, exercício 2003, que se exige imposto no valor total de R$ 385,84. Por meio de revisão da Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, a fiscalização apurou dedução indevida de dependentes no valor de R$ 5.088,00. Cientificado da exigência, o contribuinte apresenta Impugnação (fl. 01), alegando, em síntese, que por lapso deixou de informar os códigos dos dependentes, o que faz nessa oportunidade Por sua vez, a 5ª Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte/MG julgou procedente em parte o lançamento, consubstanciado na ementa abaixo transcrita: Deduções. Somente são admitidas as deduções pleiteadas com a observância da legislação tributária e que estejam devidamente comprovadas nos autos Lançamento Procedente em Parte. Intimado da decisão de primeira instância, o autuado apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, sustentando, essencialmente, que “... foi acometido de neoplasma maligna prostático CIDC61 foi submetido a um tratamento cirúrgico urológico em 29052001. Vem fazendo acompanhamento desde então”. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Sustenta o contribuinte, nesta instância recursal, que é portador de moléstia grave desde 29/05/2001 e, conseqüentemente, os rendimentos declarados em sua DIRPF/2003 não poderiam ser alcançados pela tributação, conforme documentos carreados de fls. 38/53. Inicialmente, convém trazer à baila as prescrições dispostas no inciso XXXIII do art. 39 do Decreto nº 3000/1999 RIR/1999, bem como no § 4º do mesmo artigo: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: XXXIII – os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos Fl. 67DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 06/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10680.002061/200495 Acórdão n.º 220101.010 S2C2T1 Fl. 2 3 portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, §2º);... §4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e §1º). Pelo que se depreende da análise o excerto legal, para fazer jus à isenção pleiteada é necessário que a moléstia grave esteja prevista em lei e que os rendimentos percebidos por portador dessas moléstias sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, bem como a moléstia grave seja comprovada através de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Desta feita, compulsando os autos, mais precisamente o documento intitulado “Receituário” (fl. 39) verifico, pois, que o mesmo não se presta a comprovar a moléstia grave, qual seja, neoplasia maligna prostática, posto que não está revestido das formalidades legais que o caracterize como Laudo Pericial e, tampouco, foi emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, nos estritos termos da legislação supracitada, bem como na forma art. 5º, §1º e seguintes da IN SRF nº 15/2001. Deixo aqui consignado que a interpretação da legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser literal, de acordo com o inciso II do art. 111 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional). Por fim, embora tenha o recorrente juntado inúmeros exames aos autos sem o laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios é não possível considerar como isento o rendimento informado em sua DIRPF/2003. Destarte, com as presentes considerações e diante da insuficiência da prova documental trazida aos autos, encaminho meu voto no sentido NEGAR provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Fl. 68DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 06/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Fl. 69DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 06/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 16707.000530/2008-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2004
EMENTA PREVIDENCIÁRIO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTO
DE INFRAÇÃO
A responsabilidade pessoa do dirigente público pelo descumprimento de obrigação acessória no exercício da função pública, encontra-se
revogado, passando o próprio ente público a responder pela mesma.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-001.726
Decisão: Acordam os membros do colegiado, : Por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: CLEUSA VIEIRA DE SOUZA
1.0 = *:*
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2004 EMENTA PREVIDENCIÁRIO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTO DE INFRAÇÃO A responsabilidade pessoa do dirigente público pelo descumprimento de obrigação acessória no exercício da função pública, encontra-se revogado, passando o próprio ente público a responder pela mesma. Recurso Voluntário Provido
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score : 1.0
Numero do processo: 10280.003401/2005-99
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF
Ano-calendário: 2005
Ementa:
PEDIDO DE PERÍCIA
A perícia, assim como a diligência, não se presta a substituir a atividade que compete ser desenvolvida pela parte (seja pelo fisco, seja pelo contribuinte) e a transformar o órgão julgador em fase de auditoria.
AUSÊNCIA DE CERTEZA DO CRÉDITO
A DCTF do contribuinte evidencia a inexistência do crédito por ele pretendido. O contribuinte não alegou a questão de fato de erro no preenchimento dessa DCTF, e tampouco trouxe aos autos documentos que infirmassem a correção de seu preenchimento. Onus probandi do contribuinte, estando em jogo sua pretensão. Insuficiência e carência de certeza do crédito postulado.
Numero da decisão: 1103-000.433
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - glosa de compensação de prejuízos fiscais
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Ano-calendário: 2005 Ementa: PEDIDO DE PERÍCIA A perícia, assim como a diligência, não se presta a substituir a atividade que compete ser desenvolvida pela parte (seja pelo fisco, seja pelo contribuinte) e a transformar o órgão julgador em fase de auditoria. AUSÊNCIA DE CERTEZA DO CRÉDITO A DCTF do contribuinte evidencia a inexistência do crédito por ele pretendido. O contribuinte não alegou a questão de fato de erro no preenchimento dessa DCTF, e tampouco trouxe aos autos documentos que infirmassem a correção de seu preenchimento. Onus probandi do contribuinte, estando em jogo sua pretensão. Insuficiência e carência de certeza do crédito postulado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2005 Ementa: PEDIDO DE PERÍCIA A perícia, assim como a diligência, não se presta a substituir a atividade que compete ser desenvolvida pela parte (seja pelo fisco, seja pelo contribuinte) e a transformar o órgão julgador em fase de auditoria. AUSÊNCIA DE CERTEZA DO CRÉDITO A DCTF do contribuinte evidencia a inexistência do crédito por ele pretendido. O contribuinte não alegou a questão de fato de erro no preenchimento dessa DCTF, e tampouco trouxe aos autos documentos que infirmassem a correção de seu preenchimento. Onus probandi do contribuinte, estando em jogo sua pretensão. Insuficiência e carência de certeza do crédito postulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente Fl. 108DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10280.003401/200599 Acórdão n.º 110300.433 S1‐C1T3 Fl. 109 2 (assinado digitalmente) Marcos Shigueo Takata Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva (Presidente), Hugo Correia Sotero, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata (Relator), Gervásio Nicolau Recktenvald, Eric Moraes de Castro e Silva. Fl. 109DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10280.003401/200599 Acórdão n.º 110300.433 S1‐C1T3 Fl. 110 3 Relatório DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO Trata o presente processo, protocolado em 22/07/2005, de compensação de tributos, declarada pela recorrente através do PER/DCOMP nº 18529.26940.150305.1.3.04 6981 (fls. 2 a 6). A recorrente alega crédito de pagamento indevido ou a maior no valor de R$ 3.821,76 originado através de um DARF sob o valor de R$ 66.301,67 e declara a compensação do referido crédito com débito de IRF, no código 1708, período de apuração 2ª semana de março de 2005, no valor de R$ 3.821,76. DO DESPACHO DECISÓRIO A DRF de Belém/PA, por meio do despacho decisório (fls. 18 a 21), indeferiu a solicitação da recorrente, visto que o DARF informado, apesar de devidamente localizado e confirmado, foi totalmente utilizado para quitar o débito de IRF referente à 1ª semana de fevereiro de 2005. A vinculação e utilização do pagamento para a quitação do débito de IRF foram feitas pela própria recorrente na DCTF mensal referente ao mês de fevereiro de 2005 (fls. 11 a 13). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificada do despacho em 20/09/2006 e inconformada com o indeferimento de seu pedido, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 25 a 29) em 18/10/2006, requerendo à DRJ a reforma da decisão proferida pela DRF, para que fosse autorizada a restituição de IRF, cumulada com a compensação de débitos de IRF, alegando, em síntese, que: a) Houve recolhimento a maior na apuração da IRF referente à 1ª semana de fevereiro de 2005; e b) Constatado este recolhimento a maior foi feita a devida PER/DCOMP que compensou tais valores na apuração do IRF da 2ª semana de março de 2005 e que, portanto, não houve duplicidade no aproveitamento deste crédito. Solicita a prova pericial, considerandose a incompatibilidade entre a sua escrita contábil e as razões de glosa suscitadas pela fiscalização e indicando assistente técnico. DA DECISÃO DA DRJ E DO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 110DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10280.003401/200599 Acórdão n.º 110300.433 S1‐C1T3 Fl. 111 4 Em 21/06/2007, acordaram os membros da 1ª Turma da DRJ/Belém, por unanimidade de votos, julgar a restituição indeferida e a compensação não homologada, pelos motivos abaixo sintetizados: a) A recorrente fundamentou sua argumentação no fato de que houve recolhimento a maior, limitandose a informar qual o DARF, código e valor recolhido e qual a DCOMP utilizada, mas em nenhum momento demonstrou seja argumentando ou com documentos que o débito por ela declarado na DCTF original referente ao IRF da 1ª semana de fevereiro de 2005 (fls. 11 a 13), estivesse errado, visto que este DARF foi utilizado integralmente para este pagamento, até porque todos os dados informados o vinculam ao débito de fevereiro de 2005; b) Ficou claro na decisão da DRF que a DCOMP não foi homologada, não pela inexistência do valor recolhido e sim pela inexistência de valor disponível do valor recolhido, pois o DARF foi alocado ao débito correspondente ao seu valor, imposto e período de apuração. A recorrente teria que comprovar que o débito ao qual foi alocado o DARF em questão e que foi por ele confessado em DCTF, foi declarado erroneamente com os respectivos documentos e livros contábeis comprobatórios, mas não o fez; c) No que tange ao pedido de perícia, este restou inepto, visto que a recorrente não motivou seu pedido e nem formulou quesitos, regras estas estabelecidas no art. 16, § 1º do Decreto 70.235/72 com redação dada pela Lei 8.748/93, em seu art. 1º. Cientificada do acórdão em 19/07/2007 e inconformada com a decisão, a recorrente, em 17/08/2007 apresentou seu recurso voluntário (fls. 84 a 90), reiterando, basicamente, o alegado na manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 111DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10280.003401/200599 Acórdão n.º 110300.433 S1‐C1T3 Fl. 112 5 Voto Conselheiro Marcos Takata, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele, pois, conheço. Principio com o pedido de perícia da recorrente. Rejeito o pedido de perícia. Primeiro, porque carece de formulação de quesitos aos exames desejados, indispensável ao pedido, conforme o art. 16, IV, do PAF (Decreto 70.235/72). Segundo, porque, no âmbito da distribuição dos ônus das provas no presente feito, entendo ser desnecessária. A perícia, assim como a diligência, não se presta a substituir a atividade que compete ser desenvolvida pela parte (seja pelo fisco, seja pelo contribuinte) e a transformar o órgão julgador em fase de auditoria. A perícia, tal como a diligência, tem cabimento quando, a par dos elementos probatórios colacionados aos autos, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte, conforme a pretensão em jogo seja de um ou de outro e as alegações deduzidas, restem dúvidas saneáveis com a determinação daquela. Isso tudo ficará esclarecido adiante. Como se viu do relatório, a controvérsia se fixa na não homologação da compensação do pretenso crédito de IRF relativo à 1ª semana de fevereiro de 2005 (código 1708 – IRF à alíquota de 1,5% sobre remuneração por serviços profissionais). Tanto na peça inaugural como na recursiva a recorrente se limita a dizer que: a) houve recolhimento a maior de IRF no código 1708, correspondente à 1ª semana de fevereiro de 2005, e que sua DCOMP foi apresentada para compensação com débito de IRF no código 1708 relativo à 2ª semana de março de 2005, de modo que não se há de falar em duplicidade de aproveitamento do crédito; b) a DCTF referente a fevereiro de 2005, anexada na peça de inconformismo, evidencia que não há compensação feita nesse mês usandose o aludido crédito; este fora empregado para compensar com o débito de março de 2005, conforme a DCTF relativa a março de 2005, juntada aos autos. De plano, vêse a tautologia da primeira asserção que em nada contribui para a pretensão da recorrente. Fl. 112DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10280.003401/200599 Acórdão n.º 110300.433 S1‐C1T3 Fl. 113 6 Evidente que, sendo o pretenso crédito de IRF do código 1708 relativo à primeira semana de fevereiro de 2005, ele não foi compensado com débito de IRF do código 1708 do mesmo mês. Em nenhum momento a DRF dissera o contrário, e tampouco o órgão julgador a quo. O mesmo se diga quanto à primeira parte da argumentação em “b”. Ninguém afirmara seja a DRF, seja o órgão julgador de origem – que na DCTF relativa a fevereiro de 2005 se informara o uso do pretendido crédito para compensação nesse mesmo mês (da apuração do suposto crédito). O que a DCTF de competência de fevereiro de 2005 evidencia é a inexistência do crédito pretendido pela recorrente. Como se vê nas fls. 11 a 13, na DCTF de tal mês é declarado o débito de R$ 66.301,67 correspondente à 1ª semana de fevereiro de 2005, sob o código 1708, com vinculação ao crédito de mesmo valor, com saldo a pagar igual a zero. Nessa DCTF (fls. 12 e 13) é indicado o pagamento desse crédito com DARF, com a plena solvência do débito declarado, nem mais nem menos. Igualmente é o que consta na cópia da DCTF de competência de fevereiro de 2005 acostada aos autos pela recorrente, com a manifestação de inconformidade (fl. 70). A alegação da recorrente e os documentos por ela trazidos aos autos, pois, só concorrem contra ela. Eles só estão a indicar que não houve apuração do indébito tributário de IRF sob o código 1708 relativo à 1ª semana de fevereiro de 2005. A recorrente não alegou a quaestio facti (questão de fato) de erro no preenchimento da DCTF de fevereiro de 2005, e tampouco trouxe aos autos documentos que infirmem a correção do preenchimento dessa DCTF. E, se alegasse, a ela competiria carrear aos autos os documentos que denunciassem sua alegação, pois, estando em jogo a pretensão do contribuinte, deste é o onus probandi. Claro que na DCTF de competência de março de 2005 há de constar, como efetivamente consta, a compensação levada a efeito mediante a DCOMP em dissídio: compensação do suposto crédito de IRF do código 1708 da 1ª semana de fevereiro de 2005 com débito de IRF do mesmo código da 2ª semana de 2005 (fls. 14 a 17). Mas isso em nada auxilia a pretensão da recorrente. É de meridiana clareza a precariedade, a insuficiência e a carência de certeza em relação ao crédito postulado pela recorrente. A certeza do crédito é mister para a compensação, além da liquidez daquele, como predica o art. 170 do CTN. Aliás, os dados constantes nos autos me indicam que não há o referido crédito. Não foi oportunizado pela recorrente sequer indício de dúvida quanto à certeza do crédito pretendido. Fl. 113DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10280.003401/200599 Acórdão n.º 110300.433 S1‐C1T3 Fl. 114 7 Sob essa ordem de considerações e juízo, nego provimento ao recurso. É o meu voto. Sala das Sessões, em 31 de março de 2011 (assinado digitalmente) Marcos Takata Fl. 114DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 13161.720046/2007-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário:2003
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. CABIMENTO.
Comprovado nos autos, com base em depoimentos de exfuncionários
prestados à Polícia Federal, e ainda, na outorga de procurações públicas, com amplos poderes e movimentação de conta bancária, por pessoa que figura como sócia majoritária da autuada, mas que é de fato, empregado da mesma, configurado está, que as pessoas a quem foi atribuída a sujeição passiva solidária, que são os efetivos proprietários da empresa tinham interesse comum na situação que constitui o fato gerador relativo à infração de
omissão de receitas e devem figurar no pólo passivo da obrigação tributária, nos termos do art. 124, I, do CTN.
Numero da decisão: 1402-000.444
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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INTERESSE COMUM. CABIMENTO. Comprovado nos autos, com base em depoimentos de exfuncionários prestados à Polícia Federal, e ainda, na outorga de procurações públicas, com amplos poderes e movimentação de conta bancária, por pessoa que figura como sócia majoritária da autuada, mas que é de fato, empregado da mesma, configurado está, que as pessoas a quem foi atribuída a sujeição passiva solidária, que são os efetivos proprietários da empresa tinham interesse comum na situação que constitui o fato gerador relativo à infração de omissão de receitas e devem figurar no pólo passivo da obrigação tributária, nos termos do art. 124, I, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente e Relatora Fl. 1DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 21/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13161.720046/200722 Acórdão n.º 140200.444 S1C4T2 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 21/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13161.720046/200722 Acórdão n.º 140200.444 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso interposto por Miguel Ravaneda, Fábio Eduardo Ravaneda e Marcelo Ravaneda, contra a decisão de primeira instância que manteve a responsabilidade tributária em nome dos mesmos, conforme ementa, a seguir transcrita. VERDADEIROS PROPRIETÁRIOS DA EMPRESA. RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INTERESSE COMUM.SOLIDARIEDADE. Apurado que os verdadeiros proprietários da empresa não são as pessoas que figuram como sócios no contrato social, sobre elas deve recair a responsabilidade pelo pagamento do crédito tributário. Nesse caso, sendo proprietária da empresa mais de uma pessoa, presumese a existência entre elas de interesse comum, atraindo a responsabilidade tributária prevista no art. 124, inciso II, do CTN. A empresa autuada SAN MARINO COMÉRCIO DE CEREAIS LTDA não se insurgiu contra o lançamento, não tendo iniciado o litígio. A empresa San Marino foi acusada de ter omitido receitas, tendo sido lavrado auto de infração para exigência do IRPJ, CSLL, contribuição para o PIS e COFINS, do ano calendário de 2003. A infração foi constatada por meio do cruzamento de informações da DIPJ e informações da empresa ADM do Brasil Ltda, que adquiriu os produtos da autuada. A fiscalização constatou a interposição fraudulenta de pessoas e incluiu como responsáveis solidários os Srs. Fábio Ravaneda, Marcelo Ravaneda e Fábio Eduardo Ravaneda. Consta no Relatório Fiscal que a motivação para caracterizar a sujeição passiva solidária, de que trata o art. 124, I, do CTN, devese aos depoimentos dos empregados da empresa, bem como, às procurações que conferem amplos poderes para que o Sr.Fábio Eduardo Ravaneda administrasse todos os bens móveis e imóveis que a empresa fiscalizada possuísse, bem como autorizam a representação junto ao HSBC para movimentar conta bancária da empresa fiscalizada. A tabela abaixo indica os documentos que foram juntados aos autos pela fiscalização: Documentos juntados aos autos pela fiscalização Data doc. Fls. Procuração da San Marino, representado por Dorvail Menani, ao Sr. Fábio Eduardo Ravaneda, com amplos poderes, gerais e ilimitados para o fim especial de representar a outorgante junto ao HSBC, na cidade de Dourados, Ag. 0234, c/c 0772634. 18.02.2004 24 Idem 20.02.2004 25 Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 21/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13161.720046/200722 Acórdão n.º 140200.444 S1C4T2 Fl. 4 4 Procuração com amplos poderes, inclusive para administrar todos os bens móveis e imóveis que a empresa possua ou venha a possuir. 08.11.2005 26 Depoimentos na Polícia Federal de exfuncionários, de Dorvail Menani, de Marcelo Ravaneda, Fábio Eduardo Ravaneda e Miguel Ravaneda Entre 17/08 e 03/10/07 156/183 Declarações de bens e direitos dos responsáveis solidários do anocalendário de 2005. 227/232 Os depoimentos de que tratam a tabela acima, são os seguintes, transcritos a partir dos Termos de depoimentos juntados aos autos pela fiscalização. Inclui os depoimentos do Sr. Dorvail Menani e dos Senhores Miguel Ravaneda, Marcelo Ravaneda e Fábio Eduardo Ravaneda. Teor dos depoimentos à Polícia Federal Agnaldo Alves Fernandes: QUE o Depoente trabalhou na empresa SAN MARINO COMÉRCIO DE CEREAIS LTDA. por um período de aproximadamente 1 ano e seis meses; QUE solicitou sua demissão aproximadamente em outubro/2003; QUE o Depoente exercia a função de operador de secadora de grãos; QUE quem dava as ordens para o Depoente no dia a dia do trabalho era MIGUEL RAVANEDA; QUE o MIGUEL RAVANEDA era o proprietário da SAN MARINO COMÉRCIO DE CEREAIS LTDA.; QUE o MIGUEL RAVANEDA era a . pessoa que tinha o total domínio sobre tudo o que ocorria no âmbito da SAN MARINO; QUE o MARCELO RAVANEDA é o filho do MIGUEL RAVANEDA e trabalhava na balança; QUE o Depoente já ouviu MARCELO RAVANEDA afirmar diversas vezes que era o proprietário da SAN MARINO; QUE FÁBIO EDUARDO RAVANEDA trabalhava no escritório na parte administrativa e tinha algum poder de mando na empresa, no entanto, as decisões mais importantes eram tomadas por MIGUEL RAVANEDA; QUE DORVAIL MENANI era um simples empregado, no entanto, o Depoente nunca viu o DORVAIL exercer qualquer função na sede da SAN MARINO; QUE o Depoente tem plena convicção de que DORVAIL nunca teve qualquer poder de tomar decisões na empresa SAN MARINO; QUE DORVAIL não era o efetivo proprietário da SAN MARINO; QUE o FÁBIO EDUARDO RAVANEDA se dirigiu ao local de trabalho do Depoente e pediu a este que, quando do Depoimento nessa Delegacia de Polícia Federal, informasse a esse Delegado que MIGUEL RAVANEDA, FÁBIO EDUARDO RAVANEDA e MARCELO RAVANEDA não seriam os donos da SAN MARINO, inclusive pediu que o Depoente conversasse com o advogado; QUE o Depoente não recebeu qualquer contato do advogado; QUE o FÁBIO EDUARDO RAVANEDA pediu ao Depoente para que o mesmo declarasse nesta DPF que o proprietário da SAN MARINO seria DORVAIL MENANI. Antero Celso Maurício: O Depoente trabalhou na empresa SAN MARINO COMÉRCIO DE CEREAIS LTDA. do dia 01.06.2003 até 30.08.2006; QUE o Depoente exercia a função de operador de gerente administrativo de armazém: acompanhava o recebimento, carregamento e organizava o pessoal; QUE quem dava as ordens para o Depoente no dia a dia era o Sr. MIGUEL RAVANEDA; QUE o Depoente considerava/tratava MIGUEL RAVANEDA como proprietário da SAN MARINO COMÉRCIO DE CEREAIS LTDA., pois o mesmo era a pessoa tinha o poder de mando no local; QUE o MIGUEL RAVANEDA era a pessoa que tinha o total domínio sobre tudo o que ocorria no âmbito da SAN MARINO; QUE o MARCELO RAVANEDA é o filho do MIGUEL RAVANEDA e trabalhava na balança: pesava e descarregava mercadoria e não tinha qualquer poder de mando na referida empresa; QUE o Depoente era o superior hierárquico do MARCELO RAVANEDA, no entanto, várias vezes já ouviu o mesmo afirmar que era o proprietário da SAN MARINO; QUE FÁBIO EDUARDO RAVANEDA trabalhava mais na parte de contabilidade; QUE FÁBIO EDUARDO RAVANEDA administrava efetivamente a SAN MARINO: mandava e desmandava no local, inclusive tomava decisões importantes como por exemplo aprovar orçamentos para reforma e autorizava o Depoente a iniciar os trabalhos necessários; QUE DORVAIL MENANI era um simples empregado no local; QUE DORVAIL MENANI assinava cheques e demais documentos relacionados com a SAN MARINO, no entanto, assinava após ser determinado por MIGUEL RAVANEDA; QUE DORVAIL MENANI era um tipo de officeboy, no local, verdadeiro "paumandado", pois não tinha qualquer poder de mando no local e nem sequer dava ordens ao Depoente; QUE o Depoente tem plena convicção de que DORVAIL nunca teve qualquer poder de tomar decisões na empresa SAN MARINO; QUE DORVAIL não era o proprietário da SAN MARINO. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 21/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13161.720046/200722 Acórdão n.º 140200.444 S1C4T2 Fl. 5 5 Dirce Lino da Silva: QUE a depoente era zeladora na empresa SÃO MARINO COMÉRCIO DE CEREAIS e trabalhou de março de 1995 até julho de 2006; QUE o superior hierárquico da depoente era o Sr. MIGUEL RAVANEDA; QUE pelo que a depoente sabe o proprietário da SÃO MARINO era o Sr. MIGUEL RAVANEDA, pois este mandava em tudo e resolvia todos os problemas que surgiam; QUE MARCELO RAVANEDA, quando era solicitado, assinava alguns documentos e participava de algumas reuniões; QUE FÁBIO EDUARDO RAVANEDA trabalhava no escritório, na parte administrativa; QUE quem resolvia os problemas da empresa eram MIGUEL RAVANEDA, FÁBIO EDUARDO RAVANEDA e MARCELO RAVANEDA; QUE a função de DORVAIL MENANI era de assinar cheques para pagamento de salários e outros documentos e quem mandava e decidia na SÃO MARINO era MIGUEL RAVANEDA; QUE a depoente não recebeu qualquer solicitação do advogado da família Ravaneda, ou qualquer orientação no que se refere ao depoimento prestado nesta Delegacia. Edílson de Melo Franca: QUE o Depoente trabalhou em torno de 8 anos na empresa SAN MARINO COMÉRCIO DE CEREAIS LTDA.; QUE há cerca de seis meses entrou em acordo com a empresa e se desligou da mesma; QUE depois que se desligou da SAN MARINO após uns 20 dias a empresa fechou; QUE exercia a função de descarregador de soja; QUE quem dava as ordens na SAN MARINO era MIGUEL RAVANEDA; QUE MIGUEL RAVANEDA tinha o controle de tudo o que ocorria na SAN MARINO; QUE MARCELO RAVANEDA é o filho de MIGUEL RAVANEDA e trabalhava na balança; QUE ao que sabe MARCELO RAVANEDA não exercia função de administração na SAN MARINO somente atuando como empregado; QUE várias vezes presenciou MARCELO RAVANEDA afirmando que o MIGUEL RAVANEDA era o efetivo proprietário da empresa; QUE FÁBIO EDUARDO RAVANEDA era o responsável pela parte financeira da SAN MARINO; QUE no dia seguinte ao que o Depoente recebeu a intimação para comparecer nesta Delegacia de Polícia Federal, o Depoente foi procurado por FÁBIO EDUARDO RAVANEDA, que solicitou ao Depoente que afirmasse que a empresa SAN MARINO não seria do MIGUEL RAVANEDA a fim de que este não fosse prejudicado; QUE FÁBIO pediu ao Depoente que este ficasse do lado da família RAVANEDA; QUE FÁBIO RAVANEDA ofereceu serviços de um advogado para acompanhar o Depoente em seu depoimento nesta Delegacia de Polícia Federal; QUE o Depoente nunca presenciou DORVAIL MENANI tomando decisões na empresa; QUE DORVAIL MENANI não tinha voz ativa na empresa. Nada mais disse e nem lhe foi perguntado. Ivam Carlos Portela: QUE o Depoente trabalhou na SAN MARINO COMÉRCIO DE CEREAIS LTDA. aproximadamente de setembro/1995 até agosto/2006; QUE era classificador de cereais; QUE o chefe do Depoente era MIGUEL RAVANEDA; QUE o MIGUEL RAVANEDA era o proprietário da empresa;QUE MIGUEL RAVANEDA mandava em tudo no local e resolvia todos os problemas que surgiam; QUE diversas vezes ouviu MARCELO RAVANEDA afirmar que o proprietário da empresa era MIGUEL RAVANEDA; QUE MARCELO RAVANEDA era o que menos mandava/dava ordens no local, mas também tinha algum poder de decisão no local; QUE o FÁBIO EDUARDO RAVANEDA era responsável pela parte de finanças e se apresentava/tinha uma atitude de dono da empresa; QUE DORVAIL MENANI trabalhava na empresa e era um tipo de "officeboy" e fazia depósito em banco, serviço de cartório e demais serviços externos; QUE o DORVAIL não tinha qualquer poder de mando na empresa. Dorvail Menani: QUE o Declarante começou a trabalhar para MIGUEL RAVANEDA dois anos antes do nome do Declarante constar no contrato social da SAN MARINO; QUE inicialmente o Declarante trabalhava na empresa SORO COMÉRCIO DE CEREAIS LTDA. como cobrador e posteriormente após 2 anos MIGUEL RAVANEDA pediu ao Declarante para este emprestar o seu nome para inserilo no contrato social da empresa SAN MARINO pois a SAN MARINO não poderia ficar em nome de MIGUEL RAVANEDA pois este já foi proprietário de uma empresa que também "faliu"; QUE o Declarante ingressou no quadro social da SAN MARINO no lugar de ANTONIO CARLOS CAZATTI; QUE o Declarante receberia 3 saláriosmínimos mensais mais 50 sacos de soja e 50 sacos de milho anuais para constar no contrato social; QUE o Declarante não tinha qualquer poder de mando na SAN MARINO e realizava serviços externos: serviços bancários, sacar cheques, serviços em cartórios; QUE o Declarante assinava cheques para pagamentos de funcionários, clientes e demais transações; QUE o Declarante assinava contratos e todos os demais documentos relativos à empresa; QUE na realidade o Declarante era empregado pois era subordinado ao MIGUEL RAVANEDA e ao FÁBIO EDUARDO RAVANEDA; QUE os proprietários da SAN MARINO eram MIGUEL RAVANEDA, FÁBIO EDUARDO RAVANEDA e MARCELO RAVANEDA; QUE o Declarante já presenciou MARCELO RAVANEDA dizer que era dono da SAN MARINO; QUE quem tinha poder de mando efetivo na SAN MARINO era o MIGUEL RAVANEDA e o FÁBIO EDUARDO RAVANEDA; QUE o Declarante movimentava as contas bancárias da SAN MARINO mas sempre por ordem e da maneira determinada por MIGUEL RAVANEDA e FÁBIO EDUARDO RAVANEDA; QUE no dia 14.09.2007 ingressou com ação trabalhista contra SAN MARINO COMÉRCIO DE CEREAIS LTDA., MIGUEL RAVANEDA, MARCELO RAVANEDA e FÁBIO EDUARDO Fl. 5DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 21/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13161.720046/200722 Acórdão n.º 140200.444 S1C4T2 Fl. 6 6 RAVANEDA conforme petição inicial cuja cópia apresenta neste ato. Oswaldo Santa Terra Junior: QUE o Depoente trabalhou na SAN MARINO COMÉRCIO DE CEREAIS LTDA. aproximadamente de outubro/2005 até junho/2006 na função de vendedor; QUE o chefe do Depoente era MIGUEL RAVANEDA e FÁBIO EDUARDO RAVANEDA e que estes dois administravam a empresa SAN MARINO; QUE MIGUEL RAVANEDA e FÁBIO EDUARDO RAVANEDA resolviam todos os problemas que surgiam; QUE MARCELO RAVANEDA não tinha qualquer poder de decisão na SAN MARINO; QUE o FÁBIO EDUARDO RAVANEDA era responsável pelo controle dos pagamentos, gastos operacionais e tomava decisões com relação as compras que seriam realizadas; QUE DORVAIL MENANI trabalhava na empresa e não tomava qualquer decisão; QUE DORVAIL MENANI assinava documentos e fazia serviços externos; QUE DORVAIL era assalariado. Nada mais disse e nem lhe foi perguntado. Renildo Batista Pereira: QUE o Depoente trabalhou na SAN MARINO COMÉRCIO DE CEREAIS LTDA. ao que se recorda de 1995 até 2000 na função de serviços gerais;QUE na época que o Depoente foi admitido na SAN MARINO esta se chamava SORO CEREAIS e quando o Depoente foi demitido a empresa chamavase SAN MARINO;QUE o Chefe do Declarante chamavase ANTONIO CARLOS CASATI conhecido como TROVÃO e o cargo do mesmo era gerente e gerenciava as compras e vendas de cereais; QUE ANTONIO CARLOS CASATI assinava cheques para pagamento de salário tanto na época da empresa SORO CEREAIS como na SAN MARINO; QUE acredita que ANTONIO CARLOS CASATI mora atualmente em Navirai/MS, QUE o Depoente não tinha contato com MIGUEL RAVANEDA e FÁBIO EDUARDO RAVANEDA; QUE o Depoente não sabe informar quem eram os responsáveis pela administração da SAN MARINO, no entanto, ouvia comentários de que era o MIGUEL RAVANEDA; QUE não nunca ouviu comentários de que FÁBIO EDUARDO RAVANEDA seria proprietário da SAN MARINO; QUE DORVAIL MENANI trabalhava na empresa e não tomava qualquer decisão; QUE havia comentários de que DORVAIL MENANI não era o dono da empresa e que não tomava decisões; QUE DORVAIL era empregado pois agia como tal. Stéfano Ricardo Bezerra Gonela: QUE o Depoente trabalhou na SAN MARINO COMÉRCIO DE CEREAIS LTDA. de 2003 até o fechamento da empresa, no ano passado, na função de responsável técnico dos armazéns; QUE foi contratado por MIGUEL RAVANEDA, que era o proprietário e administrador de fato da empresa; QUE quem assinou sua carteira foi DORVAIL MENANI, e pelo que sabe era um mero empregado da empresa que exercia trabalhos externos como pagamento de contas envio de documentos, etc.; QUE DORVAIL MENANI não tinha poder de mando na empresa pois todos os funcionários eram subordinados a MIGUEL RAVANEDA; QUE conhece MARCELO RAVANEDA, filho de MIGUEL RAVANEDA, mas não sabe informar se ele compõe o quadro social da empresa, pois ao que sabe apenas trabalhava na parte de classificação e pesagem dos produtos; QUE o outro filho de MIGUEL RAVANEDA, FÁBIO EDUARDO RAVANEDA era responsável pela parte de finanças, não sabendo informar se tomava decisões na gestão da empresa. Marcelo Ravaneda: QUE era empregado da empresa SAN MARINO e iniciou suas atividades no local em março/2000 até agosto/2006 data na qual a empresa encerrou suas atividades, no entanto, salienta que não era registrado e recebia R$1.300,00 mensais; QUE o Depoente esclarece que o seu nome consta no contrato social, no entanto, o Depoente não tinha qualquer poder de mando; QUE o chefe do Depoente era o Sr. MIGUEL RAVANEDA, pai do Depoente; QUE o Sr. MIGUEL RAVANEDA era o Gerente Comercial; QUE como Gerente Comercial MIGUEL RAVANEDA acompanhava os funcionários e administrava a produção da SAN MARINO; QUE MIGUEL RAVANEDA não assinava documentos; QUE MIGUEL RAVANEDA não tinha poder de mando ou decisão na SAN MARINO; QUE as atividades desenvolvidas por MIGUEL se resumiam a administrar o dia a dia da SAN MARINO; QUE quem tinha o poder de decisão na SAN MARINO era DORVAIL MENANI e era esse quem tomava as decisões mais importantes na SAN MARINO; QUE FÁBIO EDUARDO RAVANEDA era empregado e recebia entre R$1.000,00 e R$1.300,00 e trabalha mais ligado na parte administrativa; QUE o Depoente não sabe informar se FÁBIO EDUARDO tinha registro na carteira; QUE FÁBIO EDUARDO não tinha qualquer poder de mando na SAN MARIN(); QUE após ter dado ciência de que diversos exfuncionários da SAN MARINO declararam nesta Delegacia que os efetivos proprietários da SAN MARINO eram MIGUEL RAVANEDA e FÁBIO EDUARDO RAVANEDA, o Depoente afirmou que não sabe dizer ao certo por qual motivo tais exfuncionários da SAN MARINO fizeram tais declarações mas o Depoente acredita que deve de ser alguma intriga ou mágoa do passado; QUE em nenhum momento o Depoente tentou convencer testemunhas, ex funcionários da SAN MARINO, a mentirem no depoimento que seria prestado nesta Delegacia; QUE não sabe informar quanto de salário MIGUEL RAVANEDA recebia, no entanto, não sabe especificar pois não tinha acesso ao setor financeiro. Fábio Eduardo Ravaneda: QUE era empregado da empresa SAN MARINO e iniciou suas atividades no local Fl. 6DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 21/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13161.720046/200722 Acórdão n.º 140200.444 S1C4T2 Fl. 7 7 em meados de 2000/001 até o encerramento das atividades da empresa; QUE não era registrado e recebia aproximadamente três salários mínimos mensais; QUE exercia a função de manutenção de máquinas de escritório e algumas vezes serviços externos inclusive foi outorgada procuração por DORVAIL MENANI para realizar tais serviços; QUE o Declarante administrava pequenas despesas, no entanto, não era responsável pela área financeira da SAN MARINO; QUE o Declarante era subordinado ao DORVAIL MENANI e MIGUEL RAVANEDA; QUE o Declarante não tinha qualquer poder de mando na SAN MARINO e somente executava ordens advindas de DORVAIL e de MIGUEL RAVANEDA; QUE o MIGUEL RAVANEDA era o Gerente Comercial e no dia a dia administrava a parte interna da SAN MARINO: atender clientes e gerir/mandar nos funcionários; QUE MIGUEL RAVANEDA não assinava cheques; QUE as decisões importantes relativas a SAN MARINO eram decididas em conjunto pelo DORVAIL e MIGUEL RAVANEDA QUE o DORVAIL MENANI assinava contratos, cheques, fazia contato com clientes QUE o Declarante informa que a decisão final acerca de assuntos importantes para a empresa era de DORVAIL MENANI; QUE acredita que MIGUEL RAVANEDA, pai do Declarante, era registrado em carteira e recebia aproximadamente R$1.000,00 mais comissões, no entanto, não sabe precisar o valor de tais comissões; QUE acredita que o DORVAIL MENANI mentiu em seu depoimento pois o mesmo é o dono da SAN MARINO e é muito conveniente para o mesmo fugir de sua responsabilidade; QUE não sabe informar o motivo pelo qual exfuncionários da SAN MARINO em seus depoimentos afirmaram que MIGUEL RAVANEDA, FÁBIO EDUARDO RAVANEDA e MARCELO RAVANEDA eram o efetives administradores e proprietários da SAN MARINO; QUE MARCELO RAVANEDA não tinha poder de decisão na SAN MARINO;QUE em nenhum momento o Declarante, MIGUEL RAVANEDA ou MARCELO RAVANEDA tentaram convencer testemunhas a se omitirem ou declararem inverdades nesta Delegacia de Polícia Federal. Miguel Ravaneda: QUE era empregado da empresa SAN MARINO e iniciou suas atividades no local em 2003 até o encerramento das atividades da empresa; QUE era registrado e recebia aproximadamente R$1.000,00 mais comissão de 300 sacos de soja e 500 de milho; QUE exercia a função de gerente comercial e tinha a função de fazer negócios: fazer contatos com clientes, vendia adubo para produtores da região, dava ordem para empregados, acompanhava o dia a dia do objeto da SAN MARINO;QUE FÁBIO EDUARDO RAVANEDA trabalhava no escritório e dava manutenção nas máquinas do escritório e também trabalhava como auxiliar na parte de contabilidade;QUE o DORVAIL MENANI é a pessoa que dava ordens para o FÁBIO EDUARDO RAVANEDA e algumas vezes o Declarante também dava algumas ordens; QUE o Declarante recebia ordens de DORVAIL MENANI; QUE o Declarante tomava decisões importantes juntamente com o DORVAIL; QUE DORVAIL era o dono e administrados da empresa; QUE o Declarante não era o proprietário da SAN MARINO; QUE MARCELO RAVANEDA trabalhava na balança e não tinha qualquer poder de mando na SAN MARINO e somente executava ordens advindas de DORVAIL e do Declarante;QUE o Declarante não assinava cheques nem contratos; QUE o DORVAIL MENANI assinava contratos, cheques e também fazia contato com clientes;QUE na realidade DORVAIL MENANI é o proprietário efetivo da SAN MARINO; QUE não sabe informar o motivo pelo qual ex funcionários da SAN MARINO em seus depoimentos afirmaram que o Declarante, FÁBIO EDUARDO RAVANEDA e MARCELO RAVANEDA eram o efetivos administradores e proprietários da SAN MARINO e que DORVAIL MENANI não teria nenhum poder de decisão na SAN MARINO; QUE o Declarante desconhece qualquer assunto a respeito de tentativa de convencimento de testemunhas, exfuncionários da SAN MARINO, se omitirem ou declararem inverdades nesta Delegacia de Polícia Federal. Transcrevo do relatório da decisão de primeira instância os argumentos contidos na impugnação: O crédito foi constituído mediante a lavratura de autos de infração, nos quais apurouse omissão de receitas relativa ao ano de 2003 e formalizouse a exigência de crédito no montante de R$ 599.628,29, relativo a IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, multa e juros, tendo fundamento legal o art. 24 da Lei n° 9.249/1995 e demais dispositivos mencionados no auto de infração de fls. 196 a 213 e no Relatório Fiscal de fls. 214 a 220. Os impugnantes, na mesma peça de defesa, afirmaram não ter interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação tributária, recusando a condição de responsáveis solidários pelo crédito tributário, razão pela qual se abstinham, na oportunidade, de fazer qualquer impugnação específica aos Fl. 7DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 21/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13161.720046/200722 Acórdão n.º 140200.444 S1C4T2 Fl. 8 8 valores constantes dos autos de infração. Querem tãosomente a exclusão de seus nomes do pólo passivo da relação tributária. Antes, porém, de adentrarem o ponto central da impugnação, alegaram ser essencial que o auto de infração descreva os fatos com suficiente especificidade, de modo a delimitar o objeto da controvérsia e permitir o exercício do direito de defesa. Quanto à inclusão de seus nomes nó pólo passivo, alegaram que houve açodamento por parte do Fiscal autuante ao atribuirlhes a responsabilidade pelo crédito, desonerando o representante legal da empresa, ao argumento de que não passava de empregado. Empregados, efetivamente, seriam os impugnantes a quem, nessa condição, não aproveitaria a possível omissão de receita. As provas reunidas nos autos não seriam consistentes o bastante para dar suporte às ilações do Fisco. Afirmam que a procuração dada a Fábio Eduardo Ravaneda não serve como prova de responsabilidade tributária, uma vez que o mandato lhe foi outorgado nos anos de 2004 e 2005, momento posterior aos fatos geradores do crédito tributário, o ano de 2003. Destituídos, igualmente, de valor probatório os depoimentos de exempregados da empresa. As afirmações por eles emitidas não podem ser levadas em conta, uma vez que os depoentes são trabalhadores que deixaram a empresa sem receber direitos trabalhistas e, por isso, não poderiam falar a favor de seus ex superiores, pois tanto Miguel quanto Fábio Eduardo exerciam função de comando direto sobre os depoentes. Aduzem que o verdadeiro proprietário da empresa San Marino é de fato Dorvail Menani, tanto que, nos contatos mantidos com a Delegacia da Receita Federal, o procurador da empresa, Tony Vander Maciel, teve para tanto poderes outorgados diretamente por Dorvail Menani. Devem ser excluídos do pólo passivo Fábio Eduardo Ravaneda e Miguel Ravaneda, por serem simples empregados; e Marcelo Ravaneda, por deter uma participação minoritária no capital social da pessoa jurídica (15%), não exercendo nenhum poder de mando. Acerca da solidariedade, afirmaram que ela não se presume e que especificamente a solidariedade tributária decorre sempre da lei. Nesse sentido, o "interesse comum" a que se refere o Código Tributário Nacional tem de ser definido por lei. Numa relação mercantil de compra e venda o interesse comum se estabelece entre alienante e adquirente. Assim, é indevida a inserção dos impugnantes (que não são alienantes nem adquirentes) no pólo passivo da obrigação. Pediram, ao final, a exclusão dos impugnantes do pólo passivo da relação tributária. Com a impugnação vieram os documentos de fls. 251 a 258. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 21/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13161.720046/200722 Acórdão n.º 140200.444 S1C4T2 Fl. 9 9 Em síntese, é o que basta relatar. Juntaram aos autos, com a impugnação, os documentos discriminados na tabela abaixo: Documentos juntados aos autos com a impugnação Data Fls. Termo de audiência, de 29.06.99 junto ao TRT da 24ª Região, em que a San Marino é representada por Dorvail Menani 29.06.99 253 Procuração de Dorvail Menani, representando a San Marino, para Fábio Eduardo Ravaneda movimentar conta corrente bancária 18.02.2004 255 Procuração de Dorvail Menani, representando a San Marino, para Fábio Eduardo Ravaneda movimentar conta corrente bancária 20.02.2004 256 Procuração de Dorvail Menani, representando a San Marino, para Fábio Eduardo Ravaneda com amplos poderes 08.11.2005 257 Cópia de partes da carteira de trabalho de Migel Ravaneda, onde consta registro na San Marinho, de novembro de 1998 a dezembro de 1998 258 Transcrevo parte dos fundamentos contidos na decisão de primeira instância: Entendeu a Fiscalização que os verdadeiros proprietários da empresa San Marino Comércio de Cereais Ltda. são os impugnantes. Nesse sentido, efetivamente, apontam todas as provas carreadas aos autos. Todos os antigos empregados da empresa, em depoimentos colhidos na Polícia Federal, afirmaram de forma unânime que a empresa pertencia a Miguel Ravaneda e que Dorvail Menani, embora figurando nos atos constitutivos como sócio, não passava em verdade de mero empregado, uma vez que seus serviços eram prestados com pessoalidade e subordinação ao comando exercido por Miguel Ravaneda. O depoente Agnaldo Alves Fernandes, por exemplo, afirmou (fl. 156): (...) Todos os demais depoentes, com pequenas divergências quanto a aspectos secundários, confirmaram no essencial as mesmas informações. Existe convergência quanto a dois pontos: a) a propriedade dá empresa pertencia a Miguel Ravaneda e seus filhos; b) Dorvail Menani era apenas um empregado, cumpridor das ordens emanadas de Miguel Ravaneda, não obstante formalmente ostentasse a qualidade de proprietário. Os impugnantes tentam desacreditar os depoentes, alegando que todos eram antigos empregados, que deixaram a empresa sem receber as verbas trabalhistas e que, por isso, pretenderam Fl. 9DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 21/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13161.720046/200722 Acórdão n.º 140200.444 S1C4T2 Fl. 10 10 prejudicar os impugnantes, a quem estavam subordinados. Tal alegação não pode ser acolhida. Isso porque os impugnantes não trouxeram nenhuma prova de que todos os depoentes são credores de verbas trabalhistas; e mesmo que o fossem, esse fato não as tornaria suspeitas, nem retira a força de seus depoimentos, sobretudo, quando se verifica a existência de pontos de convergência entre eles. Seria até possível que um ou outro depoente, movido pelo sentimento subalterno de vingança, pudesse mentir para prejudicar os impugnantes. Mas nisso não se pode crer quando os fatos são confirmados pelos oito depoentes. Impossível que todos fossem faltar com a verdade exatamente sobre os mesmos pontos. O depoimento de Dorvail Menani (fls. 168 e 169), suposto proprietário da San Marino, demonstra que seu ingresso no quadro societário da pessoa jurídica é na verdade uma simulação. Eis as palavras do depoente: (...) Nesse mesmo sentido indica a petição inicial de ação trabalhista ajuizada por Dorvail Menani em face de San Marino, Miguel, Fábio Eduardo e Marcelo Ravaneda, na qual o autor afirma que seu ingresso na sociedade foi um negócio jurídico simulado, pois na verdade prestava serviços na condição de empregado. É importante frisar que constam dos autos documentos firmados por Marcelo Ravaneda, assumindo a condição de empregador e representante da San Marino. E o caso dos documentos de fls. 160e 161, Carteira de Trabalho; do Comunicado de Dispensa (fl. 162); e do Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho (fl. 163). Impossível imaginar que Marcelo Ravaneda, sendo um simples empregado; pudesse assinar todos esses documentos como representante da San Marino. A situação de Fábio Eduardo Ravaneda não é diferente. Em relação a ele existem três procurações (fls. 21 a 23) lhe conferindo poderes para praticar atos, em nome da empresa, incompatíveis com a condição de um simples empregado. Os poderes incluíam, entre outros, abrir e movimentar contas correntes em instituição financeira; tomar empréstimo de qualquer natureza; contratar e despedir empregados; administrar todos os bens móveis e imóveis que a outorgante tivesse ou viesse a adquirir. Tratase a toda evidência dos poderes empresariais, inerentes à condição de titular da empresa. É certo que as referidas procurações foram lavradas em data posterior aos fatos que deram ensejo à autuação. Mas elas revelam que a relação entre Fábio Eduardo e a empresa San Marino nunca foi de índole empregatícia. Diante de todo o conjunto probatório, é possível afirmar que a constituição da pessoa jurídica San Marino Comércio de Cereais Ltda. teve por objetivo ocultar os verdadeiros proprietários da empresa. Estes (Miguel, Fábio Eduardo e Marcelo), na verdade, Fl. 10DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 21/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13161.720046/200722 Acórdão n.º 140200.444 S1C4T2 Fl. 11 11 formavam uma sociedade de fato, destituída de personalidade jurídica, circunstância que atrai para seus integrantes a responsabilidade solidária pelas obrigações da sociedade. Nessa linha de raciocínio, é legítimo afirmar que, no plano tributário, a responsabilidade solidária passiva decorre, como sustenta o Fiscal autuante, do interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação. O "interesse comum", que é a base da solidariedade, é conseqüência do ajuste firmado entre os três, para a exploração da atividade empresarial, encobertos pelo manto da personalidade jurídica da sociedade denominada San Marino Comércio de Cereais Ltda. Entendendose que os ganhos oriundos das operações comerciais praticadas pela empresa reverteram em favor de seus proprietários, Miguel, Fábio Eduardo e Marcelo, é lícito que permaneçam todos no pólo passivo, para responder pelo crédito tributário originado dessas operações. Por outro lado, conservar no pólo passivo apenas a sociedade San Marino Comércio de Cereais Ltda. é permitir que uma forma jurídica seja utilizada para atingir fim ilícito. Conclusão. Pelo exposto e por tudo mais que dos autos consta, voto no sentido de conhecer a impugnação, rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva e julgar procedente o lançamento, conservando os impugnantes no pólo passivo da relação jurídica tributária. A ciência da decisão de primeira instância foi dada em 30.07.2008 e o recurso voluntário foi apresentado em 26.08.2008. No recurso, discorrem sobre a prova testemunhal. Destacam que esta é a prostituta das provas, por ser sujeita a imprecisões, seja pela natural falibilidade humana ou pela conduta dolosa da testemunha, distorcendo a verdade dos fatos a fim de favorecer uma das partes; acrescenta que não se admite esse tipo de prova, quando os fatos que se pretende provar já estiverem provados por documento ou confissão da parte, ou quando, por sua natureza, o fato probando puder ser provado por meio de documento ou perícia; Discorrem sobre declaração. Salientam que a afirmativa do autuante, de que da análise dos depoimentos aliados aos demais elementos anteriormente relatados por ele, apontariam como reais proprietários da empresa os Srs. Fábio Eduardo Ravaneda, Miguel Ravaneda e Marcelo Ravaneda, e que quanto ao sr. Dorvail Menani, os depoimentos colhidos demonstrariam que este exercia a função de empregado da empresa, seria despropositada: (i) porque não teria havido depoimento, mas simples declarações de pessoas que não participaram da direção da empresa, (ii) as declarações teriam sido tomadas de empregados que nunca tiveram acesso a documentos inerentes ao domínio da empresa, não podendo saber a quem esta pertencia, (iii) teriam sido intencionalmente induzidas por Dorvail Menani a distorcerem a verdade dos fatos a fim de favorecêlo e assim eximirse de sua responsabilidade. Transcrevo do recurso o seguinte trecho: Fl. 11DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 21/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13161.720046/200722 Acórdão n.º 140200.444 S1C4T2 Fl. 12 12 ANTERO CELSO MAURÍCIO, declara perante o Delegado da Policia Federal de Dourados/MS, às fls.158: "Que o depoente considerava/tratava MIGUEL RAVANEDA como proprietário da SAN MARINO COMÉRCIO DE CEREAIS LTDA., pois o mesmo era a pessoa tinha poder de mando no local"; ANTERO CELSO MAURÍCIO, testemunha perante o juízo da Vara Única da Comarca de Itaporã/MS., às fls.69 dos autos de n° 037.08:0002141: "O gerente da San Marino era Miguel Ravaneda e o dono era Dorvail Menani.Dorvail Menani mandava dentro do limite dele." (Doc. em anexo). ANTE A CONTRADIÇÃO ENTRE A DECLARAÇÃO E. O DEPOIMENTO DE ANTERO CELSO MAURÍCIO, VERIFICASE QUE JAMAIS PODERÁ A FISCALIZAÇÃO DESCONHECER FATOS PROVADOS POR DOCUMENTOS E AMPARASE EM DECLARAÇÃO TESTEMUNHAL PRESTADA INTENCIONALMENTE PARA DISTORCER A VERDADE DOS FATOS E INCLUIR COMO DEVEDORES SOLIDÁRIOS DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA OS IMPUGNANTES. Desta maneira a fiscalização esta desconhecendo a prova dos fatos, MIGUEL RAVANEDA sempre foram empregados da empresa San Marino que tem por sócio majoritário DORVAIL MENANI, tiveram Carteira de Trabalho assinada comprovando a relação de trabalho. Todos os documentos comprovam que DORVAIL MENANI é sócio majoritário da empresa San Marino Comércio de Cereais Ltda, portanto coresponsável perante o fisco pela obrigação tributária. No momento em que o Auditor Fiscal desconhece a prova documental e tenta incluir os impugnantes como devedores solidários, esta fugindo da realidade dos fatos invertendo o ônus da prova, e a respeito do ônus da prova é salutar lembrar a contribuição do jurista Paulo Cellso Bergstrom Bonilha, em "Da prova no processo administrativo tributário": (...) Também argumentam que a prova irrefutável acostada ao procedimento fiscal seria que a empresa SAN MARINO, pertence aos sócios DORVAIL MENANI e MARCELO RAVANEDA, que estaria devidamente comprovado pela falta documentação acostada ao relatório fiscal, prova que em momento algum teria sido posta em dúvida. Aduzem que Dorvail Menani ingressou com ação trabalhista em desfavor da SAN MARINO, Miguel Ravaneda, Fábio Eduardo Ravaneda e Marcelo Ravaneda alegando que seu nome foi incluído no contrato social da empresa indevidamente, que jamais foi sócio ou proprietário da empresa, mas empregado. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 21/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13161.720046/200722 Acórdão n.º 140200.444 S1C4T2 Fl. 13 13 Acrescentam que por ocasião da juntada aos autos de suas declarações de rendas exigidas pelo Ministério Público do Trabalho, teria ficado devidamente comprovado que este nunca foi empregado, mas empregador, pois na declaração do ano de 2001 este já declarava entre seus bens, 85% do capital social da SAN MARINO, e que nesse ano figurava no contrato social Mário Sanches. Afirma que a simulação alegada foi da parte de Dorvail, em que, mediante o ingresso da ação tenta desvincularse da responsabilidade fiscal inerente à qualidade de proprietário da empresa. Destacam que nunca foram proprietários da empresa, não tiveram interesse comum e não participaram do fato gerador, e por não terem participado de qualquer simulação comercial, sendo indevida a inserção dos coobrigados no pólo passivo da obrigação tributária. É o relatório. Voto Conselheira Albertina Silva Santos de Lima O recurso atende às condições de admissibilidade e deve ser conhecido. O litígio não foi iniciado pelo sujeito passivo SAN MARINO COMÉRCIO DE CEREAIS LTDA, uma vez que não apresentou impugnação. O recurso diz respeito apenas à discussão sobre a inclusão dos recorrentes no pólo passivo da obrigação tributária. Motivou a atribuição da responsabilidade solidária aos Senhores Miguel Ravaneda, Marcelo Ravaneda e Fábio Eduardo Ravaneda, as procurações da SAN MARINO representada por Dorvail Menani e os depoimentos prestados à Polícia Federal de ex funcionários da empresa. A fiscalização constatou que no endereço do domicílio tributário informado à Receita Federal, e no local exista um depósito aparentemente abandonado, conforme fotos. Coletou junto aos Cartórios, três procurações outorgadas pela empresa, representada pelo Sr. Dorvanil Menani, ao Sr. Fábio Eduardo Ravaneda. São elas: Procurações com amplos poderes, gerais e ilimitados para o fim especial de representar a outorgante junto ao HSBC, na cidade de Dourados, Ag. 0234, c/c 0772634, emitidas em 18.02.2004 e 20.02.2004; Procuração com amplos poderes, inclusive para administrar todos os bens móveis e imóveis que a empresa possuísse ou viesse a possuir, emitida em 08.11.2005. Dos depoimentos dos exfuncionários, todos convergem no sentido de que o Sr. Dorvail Menani, que consta como sócio da SAN MARINO, no contrato social, não é de Fl. 13DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 21/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13161.720046/200722 Acórdão n.º 140200.444 S1C4T2 Fl. 14 14 fato sócio, mas apenas empregado. Nesses depoimentos os Senhores Miguel Ravaneda e Fábio Eduardo Ravaneda são tidos como os sócios da empresa, de fato. O Sr. Dorvail Menani, no depoimento prestado, afirma que foi empregado da empresa e que emprestou seu nome para constar no contrato social como sócio, atendendo a pedido do Sr. Miguel Ravaneda, que não podia constar porque já havia participado de uma empresa que faliu. Informou ainda que ingressou com ação trabalhista junto à Justiça do Trabalho. Essa ação é movida contra a SAN MARINO, Miguel Ravaneda, Fábio Eduardo Ravaneda e Marcelo Ravaneda. No recurso, os recorrentes argumentam que a prova testemunhal deve ser desconsiderada e que não se trata de depoimentos, mas simples declarações de pessoas que não participaram da direção da empresa, que não tiveram acesso a documentos inerentes ao domínio da empresa, não podendo saber a quem esta pertencia e que teriam sido induzidas por Dorvail Menani a distorcerem a verdade dos fatos a fim de eximirse de responsabilidade. Trazem aos autos cópia de oitiva de testemunha, em ação de cobrança movida pelo Posto Varanda Ltda, contra Miguel Ravaneda, datada de 04.07.2008. Nesse documento, ao final consta: O gerente da San Marino era Miguel Ravaneda e o dono era Dorvail Menani. Dorvail Menani mandava dentro do limite dele. Essa mesma testemunha (Antero Celso Maurício), em depoimento à Polícia Federal, de 24.08.2007, declarou: O Depoente trabalhou na empresa SAN MARINO COMÉRCIO DE CEREAIS LTDA. do dia 01.06.2003 até 30.08.2006 (...); QUE DORVAIL MENANI era um simples empregado no local; QUE DORVAIL MENANI assinava cheques e demais documentos relacionados com a SAN MARINO, no entanto, assinava após ser determinado por MIGUEL RAVANEDA; QUE DORVAIL MENANI era um tipo de officeboy, no local, verdadeiro "paumandado", pois não tinha qualquer poder de mando no local e nem sequer dava ordens ao Depoente; QUE o Depoente tem plena convicção de que DORVAIL nunca teve qualquer poder de tomar decisões na empresa SAN MARINO; QUE DORVAIL não era o proprietário da SAN MARINO. Acrescentam ainda os recorrentes, que por ocasião da juntada aos autos de suas declarações de rendas exigidas pelo Ministério Público do Trabalho, teria ficado devidamente comprovado que o Sr. Dorvail Menani nunca teria sido empregado, mas empregador, pois na declaração do ano de 2001 este já declarava entre seus bens, 85% do capital social da SAN MARINO, e que nesse ano figurava no contrato social Mário Sanches. Afirma que a simulação alegada foi da parte de Dorvail, em que, mediante o ingresso da ação tenta desvincularse da responsabilidade fiscal inerente à qualidade de proprietário da empresa. Transcrevo o art. 124 do CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 21/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13161.720046/200722 Acórdão n.º 140200.444 S1C4T2 Fl. 15 15 Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Depreendese dos autos que a empresa SAN MARINO, tinha como sócios de direito, o Sr. Dorvail Menani, com 85% do capital e o Sr. Marcelo Ravaneda, com 15%. O conjunto de procurações e depoimentos de exfuncionários prestados à Polícia Federal, trazidos aos autos pela fiscalização me levam à conclusão que os sócios de fato da SAN MARINO são Miguel Ravaneda e Fábio Eduardo Ravaneda, uma vez que o sócio Marcelo Ravaneda é sócio de direito também. Não há razão para desqualificar os depoimentos dos exfuncionários prestados à Receita Federal, intentada pelos recorrentes. Notese que entre as procurações, há uma que ainda que não seja datada do período a que se refere o fato gerador, deixa bem clara a situação do Sr. Dorvail Menani, na empresa, dado o seu teor de outorga de amplos poderes, a seguir descritos: administrar todos os bens moveis e imóveis que a outorgante tenha ou venha a possuir: podendo para tanto dito procurador, comprar e vender mercadorias de seu ramo de negócio; pagar e receber seus respectivos valores; passar recibos, dar e receber quitações;contratar e despedir empregado, assinando seus contratos de trabalho e distratos; abrir, movimentar e liquidar contascorrente, junto as redes bancárias e Instituições, Financeira, desta cidade ou onde com esta se apresentar e necessário for dentro do Território Nacional; podendo ainda depositar e sacar importâncias; requisitar extratos de conta e talões de cheques; receber e expedir as correspondências bancárias; emitir, endossar, descontar, descontar e caucionar cheques, notas promissórias, ordens de pagamento e quaisquer outros títulos de crédito ou de débito; realizar operações de financiamento e empréstimos, firmando os competentes contratos em caráter público ou, particular; representála perante as repartições públicas, Federais, Estaduais, Municipais, Autarquias, Estatais, Paraestatais, Ministérios, Delegacia de Trabalho e, onde mais preciso for, ali requerendo e assinando o que se fizer necessário e de interesse dela outorgante, inclusive perante a Junta Comercial do Estado de Mato Grosso do Sul JUCEMS; concordar, discordar, recorrer, constituir, provas, juntar e desentranhar documento; assinar livros, papéis e guias fiscais; contratar advogado com as cláusula "ad jucidica" representála no foro em geral, perante qualquer Juízo, Instância ou Tribunal; propor contra quem de direito as ações competentes e defendeIa nas que lhe forem contrárias, seguindo urnas e outras até final decisão; promover quaisquer medidas preliminares, preventivas ou assecuratórias de seus direitos e interesses; variar de aloés; transigir, discordar, confessar, desistir, firmar compromissos e termos, recorrer, receber citações, notificações e intimações; constituir advogados; representála junto aos Tabelionatos de Protesto de Títulos, ali tratando de assuntos de seu interesse, deixando e retirando títulos, com ou sem registro, e tudo mais praticar nos limites de administração embora aqui omitidos; podendo ainda dito procurador, vender, doar, ceder, permutar, cornpromissar, ou por qualquer forma alienar a quem entender pelo preço e Fl. 15DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 21/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13161.720046/200722 Acórdão n.º 140200.444 S1C4T2 Fl. 16 16 condições que convencionar; assinar escrituras públicas de compra e venda ou de sessão de Direitos Hereditários ou re ratificação; representálo junto ao DETRAN, C1RETRAN, assinando recibos de compra e venda, ou que se fizer necessário; podendo ainda substabelecer, reservando ela outorgante o exercício pleno dos poderes ora outorgados. praticar enfim todos os demais atos necessários ao mais completo e fiel desempenho do presente mandato Há ainda em desfavor dos recorrentes os depoimentos de sete ex funcionários, sendo que todos convergem no sentido de que o Sr. Dorvail Menani, que consta como sócio da SAN MARINO, no contrato social, não é de fato sócio, mas apenas empregado. Nesses depoimentos os Senhores Miguel Ravaneda e Fábio Eduardo Ravaneda são tidos como os sócios da empresa, de fato. O fato dos recorrentes trazerem aos autos cópia de uma oitiva de testemunha, em uma ação de cobrança contra Miguel Ravaneda, para tentar provar que nesse depoimento, ocorrido em 2008, inclusive após o encerramento da ação fiscal, estaria em contradição com o prestado à Polícia Federal durante a ação fiscal, não me parece que assim seja, pois o depoente afirma que o Sr. Dorvail Menani é sócio da empresa e que mandava dentro do limite dele. Não vejo onde está a contradição, pois, o Sr. Dorvail Menani figura como sócio de direito, e que limite teria o Sr. Dorvail Menani se fosse sócio de fato? Ademais, o objeto de investigação era outro. A infração que não é objeto do litígio referese a omissão de receitas , que foi comprovada por meio das notas fiscais de entrada na ADM do Brasil Ltda. Concordo com o decidido pela Turma Julgadora, cujos principais fundamentos foram transcritos no relatório. Tenho a convicção de que, nos termos do art. 124, I, do CTN, os senhores Miguel Ravaneda e Fábio Eduardo Ravaneda eram de fato os sócios da empresa e que juntamente com Marcelo Ravaneda que compõe o quadro societário, tinham interesse comum na situação que constituiu o fato gerador relativo à infração de omissão de receitas (matéria não impugnada) e devem figurar no pólo passivo da obrigação tributária. . Do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Relatora Fl. 16DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 21/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13161.720046/200722 Acórdão n.º 140200.444 S1C4T2 Fl. 17 17 Fl. 17DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 21/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10930.003129/2005-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
Ementa: CRÉDITO. INSUMOS EMPREGADOS NA PRODUÇÃO.
Somente geram crédito de Cofins os dispêndios realizados com bens e
serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou
fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observado as ressalvas
legais.
CRÉDITO. MÃODEOBRA.
TRABALHADOR AVULSO. SINDICATO.
CONTRATAÇÃO.
Não geram crédito de Cofins os dispêndios realizados com mãodeobra
avulsa, mesmo tendo sido o trabalho contratado com a intermediação de
sindicato da categoria profissional, com o pagamento realizado ao sindicato
para repasse aos trabalhadores.
RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO.
Disposição expressa de lei veda a atualização monetária ou incidência de
juros, pela taxa selic ou outro índice qualquer, sobre os valores objeto de
ressarcimento em espécie de Cofins não cumulativa.
CONSTITUCIONALIDADE. LEIS.
Não cabe à autoridade administrativa julgar os atos legais quanto ao aspecto
de sua constitucionalidade por transbordar os limites de sua competência. Á
ela cabe dar cumprimento ao ordenamento jurídico vigente.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-000.857
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros
Gileno Gurjão Barreto, Alexandre Gomes e Andréa Medrado Darzé, que reconheciam o direito
ao crédito sobre as despesas com equipamentos de proteção individual.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 Ementa: CRÉDITO. INSUMOS EMPREGADOS NA PRODUÇÃO. Somente geram crédito de Cofins os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observado as ressalvas legais. CRÉDITO. MÃODEOBRA. TRABALHADOR AVULSO. SINDICATO. CONTRATAÇÃO. Não geram crédito de Cofins os dispêndios realizados com mãodeobra avulsa, mesmo tendo sido o trabalho contratado com a intermediação de sindicato da categoria profissional, com o pagamento realizado ao sindicato para repasse aos trabalhadores. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. Disposição expressa de lei veda a atualização monetária ou incidência de juros, pela taxa selic ou outro índice qualquer, sobre os valores objeto de ressarcimento em espécie de Cofins não cumulativa. CONSTITUCIONALIDADE. LEIS. Não cabe à autoridade administrativa julgar os atos legais quanto ao aspecto de sua constitucionalidade por transbordar os limites de sua competência. Á ela cabe dar cumprimento ao ordenamento jurídico vigente. Recurso Voluntário Negado
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INSUMOS EMPREGADOS NA PRODUÇÃO. Somente geram crédito de Cofins os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observado as ressalvas legais. CRÉDITO. MÃODEOBRA. TRABALHADOR AVULSO. SINDICATO. CONTRATAÇÃO. Não geram crédito de Cofins os dispêndios realizados com mãodeobra avulsa, mesmo tendo sido o trabalho contratado com a intermediação de sindicato da categoria profissional, com o pagamento realizado ao sindicato para repasse aos trabalhadores. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. Disposição expressa de lei veda a atualização monetária ou incidência de juros, pela taxa selic ou outro índice qualquer, sobre os valores objeto de ressarcimento em espécie de Cofins não cumulativa. CONSTITUCIONALIDADE. LEIS. Não cabe à autoridade administrativa julgar os atos legais quanto ao aspecto de sua constitucionalidade por transbordar os limites de sua competência. Á ela cabe dar cumprimento ao ordenamento jurídico vigente. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Fl. 1DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Gileno Gurjão Barreto, Alexandre Gomes e Andréa Medrado Darzé, que reconheciam o direito ao crédito sobre as despesas com equipamentos de proteção individual. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator EDITADO EM: 02/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Andréa Medrado Darzé, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata o processo de Pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Mercado Externo (fl. 01), protocolizado em 06/09/2005, relativo ao 1º trimestre de 2005, apurado no regime de incidência não cumulativa, com fundamento na Lei n° 10.833/2003. Posteriormente, a recorrente apresentou declarações de compensação vinculadas ao seu pedido de ressarcimento. A DRF em Londrina/PR, por meio do Despacho Decisório de fl. 479, deferiu parcialmente o pedido da recorrente, tendo efetuado a glosa de créditos concernentes aos custos/despesas com serviços relacionados à fl. 455/456 e aos pagamentos feitos a Sindicato de Trabalhadores. Incluiu na base de cálculo receitas financeiras decorrente de hedge, e outras receitas no mês de março 2005. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. 489/516, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A 3a Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba PR indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 0620.357, de 15/12/2008, cuja ementa abaixo transcrevo: BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. No cálculo da COFINS, o sujeito passivo poderá descontar créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços. COFINS NÃOCUMULATIVA. DESPESAS COM MÃODE OBRA PESSOA FÍSICA. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10930.003129/200545 Acórdão n.º 330200.857 S3C3T2 Fl. 629 3 No sistema de nãocumulatividade, não geram créditos passíveis de desconto do COFINS, as despesas com mãodeobra pessoa física, ainda que pagas por meio de sindicato da categoria, por força da legislação. TRIBUTAÇÃO. RECEITAS FINANCEIRAS. A COFINS incide sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. As exclusões permitidas da base de cálculo são apenas as listadas de forma taxativa na legislação de regência. RECEITA FINANCEIRA. REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. ALÍQUOTA ZERO. A partir de 2 de agosto de 2004, ficam reduzidas a zero as alíquotas da COFINS e do PIS incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das referidas contribuições, com exceção da receitas financeiras oriundas de juros sobre capital próprio e as decorrentes de operações de hedge, auferidas até 31/03/2005. INDENIZAÇÃO DE SEGUROS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO Integra a receita bruta para efeito de cálculo da COFINS o valor recebido, pela Pessoa Jurídica, a título de indenização de seguro pela perda ou sinistro de seus bens do Ativo Permanente e do Circulante. RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. É incabível a incidência de juros compensatórios com base na taxa SELIC sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos relativos à COFINS, por falta de previsão legal. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 09/02/2009, conforme AR de fl. 581, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 10/03/2009, com o recurso voluntário de fls. 584/612, no qual reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade, que abaixo resumo no essencial. 1 insumo é uma combinação dos fatores de produção (matériasprimas, horas trabalhadas, energia consumida, taxa de amortização, etc.) que entram na produção de determinada quantidade de bens ou serviço. Portanto, o conceito de insumo alcança tudo aquilo que é consumido em um processo, seja para fabricação de bens ou prestação de serviços e/ou aquilo que é utilizado pela empresa para desenvolver e atingir o seu objetivo social. Por este conceito, são dispêndios financeiros (gastos) com insumos os gastos realizados com a aquisição dos seguintes bens e serviços: Alimentação; Cesta Básica; Vale Transporte; Assistência Médica/Odontológica; Uniforme e Vestuário; Equipamento de Proteção Individual; Materiais de Manutenção/Conservação; Materiais Químicos e de Laboratórios; Materiais de Limpeza; Materiais de Expediente; Lubrificantes e Combustíveis; Outros Materiais de Fl. 3DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Consumo; Serviço Temporário; Serviços de Segurança e Vigilância; Serviços de Conservação e Limpeza; Serviços de Manutenção e Reparos; Outros Serviços de Terceiros; e Gastos Gerais. 2 A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Londrina/PR reconhece o direito ao crédito da Cofins sobre os valores dos custos/despesas das seguintes rubricas: materiais de manutenção, serviços de industrialização, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes; 3 Discorre sobre a natureza jurídica dos sindicatos, alega que não contratou mãodeobra de pessoa física e, com relação aos serviços prestados pelo Sindicato dos Trabalhadores na Movimentação de Mercadorias em Geral, alega que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Londrina/PR alterou o seu posicionamento para o fim de validar e legitimar os créditos da Cofins sobre os valores dos pagamentos efetuados ao referido sindicato, conforme transcrição abaixo (Processo Administrativo n° 16366.000113/200861 COFINS Nãocumulativa do 3° TR/2007 fls. 980): c.3) Serviço temporário Constatei ainda que em relação ao item "Serviço Temporário", os dispêndios também contemplam insumos cuja aplicação foi feita diretamente na fabricação de produtos destinados à venda, e pagos para pessoas jurídicas estabelecidas no país. Cabe salientar, a título de ilustração e para estabelecer diferenciação dos serviços mencionados nos itens 1 a 15, que os pagamentos relativos ao item "serviço temporário" foram feitos para outra empresa proceder, mediante cessão de sua mãode obra, serviços que implicam no manuseio direto da matéria prima (café) utilizado pela empresa requerente em seu parque industrial. Assim, concluo que neste caso existe o direito de aproveitamento do crédito, em razão do disposto no artigo 8º, letra b, item b.1, §4º, inciso I, letra b da Instrução Normativa SRF nº 404, de .12 de março de 2004. (grifei) 4 é ilegal a inclusão de receitas financeiras na base de cálculo da Cofins porque o disposto no artigo 3°, §1º da Lei nº 9.718/98 extrapolou o conceito de faturamento previsto na legislação societária, contábil e fiscal. Discorre sobre o conceito de receita; 5 não prospera a alegação da decisão recorrida de que as receitas financeiras integram a base de cálculo da Cofins em razão da Lei nº 10.833/2003 porque a EC nº 20/2003 acabou por determinar que a legislação infraconstitucional definirá os setores de atividade econômica para os quais a Cofins será nãocumulativa. É, portanto, ilegal e inconstitucional a exigência da Cofins sobre as receitas financeiras; 6 sobre a forma de apuração da receita decorrente de contratos de renda fixa e renda variável, a recorrente entende que os ajustes diários são marcações diárias dos ativos financeiros e devem ser calculados na forma que exemplifica, apurados no mês, considerando as perdas e os pagamentos efetuados pela outra parte contratante; 7 o valor das indenizações de seguro incluído pela DRF na base de cálculo da Cofins não é receita e, portanto, não deve integrar a base de cálculo; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10930.003129/200545 Acórdão n.º 330200.857 S3C3T2 Fl. 630 5 8 o valor a ressarcir deve ser atualizado pela Taxa Selic, conforme previsto no art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95. Cita decisão da CSRF sobre aplicação da taxa Selic no ressarcimento de crédito presumido de IPI (art. 1º da lei nº 9.363/96); Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o relatório do essencial Voto Conselheiro Walber José da Silva O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele conheço. Como relatado, a empresa recorrente está pleiteando o ressarcimento de Cofins não cumulativa, cujo crédito pleiteado foi aproveitado para efetuar a compensação com débitos também da recorrente, devidamente declarados à RFB. A RFB deferiu parte do crédito pleiteado por ter efetuado a glosa de créditos sobre despesas que não se enquadram no conceito de insumo e/ou que não existe previsão legal, além de incluir receita financeiras (hedge) na base de cálculo da exação. Com relação aos créditos, a RFB efetuou a glosa em relação aos seguintes gastos da recorrente: 1. Alimentação; 2. Cesta básica; 3. Vale transporte; 4. Assistência médica/odontológica; 5. Uniforme e vestuário; 6. Equipamento de proteção individual; 7. Matérias de manutenção/conservação; 8. Materiais químicos e de laboratórios; 9. Materiais de limpeza; 10.Materiais de expediente; 11.Lubrificantes e combustíveis; (exceto os utilizados na indústria) 12.Outros materiais de consumo; 13.Serviço temporário, contratado com sindicato; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 6 14.Serviços de segurança e vigilância; 15.Serviços de conservação e limpeza; 16.Serviços de manutenção e reparos; 17.Outros serviços de terceiros; 18.Gastos gerais. Adoto integralmente os fundamentos da decisão recorrida quando à legitimidade das glosas efetuadas pela RFB, aos quais acrescento os argumentos abaixo. Em sua defesa, a recorrente parte de um equivocado conceito de insumo, tanto do ponto de vista fiscal, como econômico ou fabril. Em termos fiscais, a Lei nº 10.833/2003, em seu artigo 3º, afirma que o contribuinte poderá descontar créditos calculados em relação a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”. Não precisa muito esforço de hermenêutica jurídica para concluir que equivocase a recorrente quando afirma que insumo é tudo “aquilo que é utilizado pela empresa para desenvolver e atingir o seu objetivo social”. Como bem disse a decisão recorrida, os insumos são consumidos ou aplicados diretamente na produção ou fabricação de bens e produtos. Os outros dispêndios não relacionados diretamente com a produção dos bens são custos indiretos e somente geram direito a crédito se houver expressa previsão legal. Nesse passo, as despesas realizadas com os bens e serviços acima listados não geram direito a crédito ou por não se constituírem em insumo ou por existir expressa vedação legal, quando forem insumos, como é o caso de mãodeobra adquirida de pessoa física, inclusive via sindicato de trabalhadores. Esclareçase que não foi realizado glosa de gastos com materiais de manutenção de máquinas industriais, com serviços de industrialização prestado por pessoa jurídica, com serviços de manutenção de máquinas industriais prestado por pessoa jurídica e com combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo. Portanto, não há que se falar em mudança de entendimento da DRF Londrina. Sobre os gastos com serviços temporários, realizados via sindicato de trabalhadores, enganase a recorrente quando afirma que a DRF Londrina admite o crédito para tais gastos. Os gastos admitidos pela DRF em Londrina, a que se refere o processo nº 16366.000113/200861, foram feitos para outra empresa, pela cessão de sua mãodeobra, e não a sindicato, pela contratação da mãodeobra de seus filiados. Quanto à inclusão na base de cálculo da Cofins das receitas financeiras decorrentes de operação de hedge, não conheço dos argumentos da recorrente sobre a ilegalidade e inconstitucionalidade da Lei nº 10.833/03, por força do que dispõe a Súmula CARF nº 2, abaixo reproduzida. Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto à forma de contabilização e apuração da receita financeira decorrentes de contratos de renda fixa e de renda variável, é de observar que somente as receitas das operações de hedge foram incluídas na base de cálculo da exação. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10930.003129/200545 Acórdão n.º 330200.857 S3C3T2 Fl. 631 7 De fato, é incorreto o procedimento adotado pela recorrente de contabilizar os ganhos e perdas na mesma conta e transferir no final de cada mês apenas uma parte para uma conta de perdas com estas operações, conforme descrito pela autoridade da RFB na Informação Fiscal (fls. 459/462). As receitas devem ser contabilizadas em conta distinta das despesas e estas, quando foram contabilizadas em conta própria geraram direito a crédito. Quanto às indenizações de seguro recebidas pela recorrente, contablizadas no Grupo 81 Outras Receita Operacionais, não conheço dos argumentos da recorrente porque as mesmas não foram incluídas. Conforme se constata na Informação Fiscal, foi incluído na base de cálculo da Cofins de Março de 2005, a título de outras receitas, R$ 687.777,05, resultado do somatório das seguintes receitas do Grupo 81: CONTA VALOR 81102002 Crédito Presumido IPI/PIS/COFINS R$ 687.100,78 81102003 Recuperação de Crédito IPI R$ 534,82 81201001 Aluguéis Recebidos de Terceiros R$ 141,45 TOTAL TRIBUTADO R$ 687.777.05 Por fim, pretende a recorrente que incida a taxa Selic no valor do ressarcimento pleiteado, pelos fundamentos que cita. Ratifico o entendimento da decisão recorrida de que o art. 13 da Lei nº 10.833/2003 veda expressamente a atualização monetária ou a incidência de juros sobre os valores objeto de ressarcimento. Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Portanto, ao contrário do entendimento da recorrente, há proibição legal para a incidência de juros, calculado pela selic ou por outro índice qualquer, no ressarcimento de Cofins nãocumulativa. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 8 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
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