Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,885)
- Primeira Turma Ordinária (16,419)
- Primeira Turma Ordinária (16,225)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,202)
- Terceira Câmara (67,872)
- Segunda Câmara (56,642)
- Primeira Câmara (20,751)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,714)
- Segunda Seção de Julgamen (115,210)
- Primeira Seção de Julgame (77,082)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,551)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,930)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,615)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,690)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13646.000032/97-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PIS. DECRETOSLEI.
BASE DE CÁLCULO. SEXTO MÊS ANTERIOR.
A base de cálculo da Contribuição para o PIS é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, de acordo
com o parágrafo único do art. 6º. da Lei Complementar nº. 07/70,
conforme entendimento do STJ e da PGFN.
PIS. REPETIÇÃO. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Pedidos de repetição realizados antes da edição da LC n.º 118/2005 não se limitam ao prazo prescricional de cinco anos,
devendo ser aplicado o prazo decenal, conforme entendimento
uníssono da jurisprudência do STJ e STF.
EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. APLICAÇÃO DE ÍNDICES ESTABELECIDOS PELO JUDICIÁRIO.
A atualização monetária dos valores relativos à repetição do indébito deve ser feita de acordo com índices aplicados pelo
Poder Judiciário, conforme orientação pacífica da jurisprudência,
consolidados no Manual de Orientação de Procedimentos para cálculos na Justiça Federal, aprovado pela Resolução
nº 242, de 03/07/2001, do Conselho de Justiça Federal, devendo se
inserir, pois na Norma de Execução Conjunta COSITE/COSAR Nº 8/97,
os expurgos nela não contidos.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 3201-000.932
Decisão: ACORDAM os membros da 2ªCâmara/1ªTurma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, afastar a prescrição dos créditos pleiteados e à semestralidade e, por maioria de votos, dar provimento ao recurso quanto à concessão dos expurgos inflacionários, vencidos os conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente).
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201203
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : PIS. DECRETOSLEI. BASE DE CÁLCULO. SEXTO MÊS ANTERIOR. A base de cálculo da Contribuição para o PIS é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, de acordo com o parágrafo único do art. 6º. da Lei Complementar nº. 07/70, conforme entendimento do STJ e da PGFN. PIS. REPETIÇÃO. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Pedidos de repetição realizados antes da edição da LC n.º 118/2005 não se limitam ao prazo prescricional de cinco anos, devendo ser aplicado o prazo decenal, conforme entendimento uníssono da jurisprudência do STJ e STF. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. APLICAÇÃO DE ÍNDICES ESTABELECIDOS PELO JUDICIÁRIO. A atualização monetária dos valores relativos à repetição do indébito deve ser feita de acordo com índices aplicados pelo Poder Judiciário, conforme orientação pacífica da jurisprudência, consolidados no Manual de Orientação de Procedimentos para cálculos na Justiça Federal, aprovado pela Resolução nº 242, de 03/07/2001, do Conselho de Justiça Federal, devendo se inserir, pois na Norma de Execução Conjunta COSITE/COSAR Nº 8/97, os expurgos nela não contidos. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 13646.000032/97-40
anomes_publicacao_s : 201203
conteudo_id_s : 4953480
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 3201-000.932
nome_arquivo_s : 320100932_136460000329740_201203.doc.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
nome_arquivo_pdf_s : 136460000329740_4953480.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 2ªCâmara/1ªTurma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, afastar a prescrição dos créditos pleiteados e à semestralidade e, por maioria de votos, dar provimento ao recurso quanto à concessão dos expurgos inflacionários, vencidos os conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
id : 4750551
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044358920404992
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2277; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13646.000032/9740 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201000.932 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21/03/2012 Matéria CONTRIBUIÇÕES Recorrente ARAFÉRTIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL PIS. DECRETOSLEI. BASE DE CÁLCULO. SEXTO MÊS ANTERIOR. A base de cálculo da Contribuição para o PIS é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, de acordo com o parágrafo único do art. 6º. da Lei Complementar nº. 07/70, conforme entendimento do STJ e da PGFN. PIS. REPETIÇÃO. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Pedidos de repetição realizados antes da edição da LC n.º 118/2005 não se limitam ao prazo prescricional de cinco anos, devendo ser aplicado o prazo decenal, conforme entendimento uníssono da jurisprudência do STJ e STF. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. APLICAÇÃO DE ÍNDICES ESTABELECIDOS PELO JUDICIÁRIO. A atualização monetária dos valores relativos à repetição do indébito deve ser feita de acordo com índices aplicados pelo Poder Judiciário, conforme orientação pacífica da jurisprudência, consolidados no Manual de Orientação de Procedimentos para Cálculos na Justiça Federal, aprovado pela Resolução nº 242, de 03/07/2001, do Conselho de Justiça Federal, devendo se inserir, pois na Norma de Execução Conjunta COSITE/COSAR Nº 08/97, os expurgos nela não contidos. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, afastar a prescrição dos créditos pleiteados e à semestralidade e, por maioria de votos, dar provimento ao recurso quanto à concessão dos expurgos inflacionários, vencidos os conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente). Fl. 995DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 2 MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 15/04/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Judith do Amaral Marcondes Armando e Adriana Oliveira e Ribeiro. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: ARAFERTIL S/A incorporada por BUNGE FERTILIZANTES S/A, empresa acima identificada, ingressou com Pedido de Restituição e Compensação (fls. 02/06), em 16/04/97. Em face deste suposto crédito apresentou pedido de compensação (fl. 01). 2. A DERAT/DIORT/EQITD proferiu Despacho Decisório nas fls. 517/524, em 23/10/07, ciência em 02/01/08 (fl. 526v), por intermédio do qual não homologou a compensação apresentada. 3: O contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 529/557, em 29/01/08, alegando em síntese: 3.1 deve ser reconhecida a homologação tácita das compensações; 3.2.0 Ato Declaratório n° 08/06 da PGFN impede a discussão judicial com base na tese da "semestralidade". Esta tese encontrase sumulada pelo Conselho de Contribuintes; 3.3.deixar de obedecer tal ato representa ilegalidade e afronta ao princípio da isonomia; 3.4.tratandose de tributo declarado inconstitucional pelo STF, o prazo para se ingressar com pedido de restituição é de cinco anos contados da data da publicação da Resolução do Senado que suspendeu a eficácia dos dispositivos inconstitucionais; 3.5.o PIS é tributo sujeito a lançamento por homologação, assim há dez anos para se pleitear a restituição deste tributo contado Fl. 996DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 13646.000032/9740 Acórdão n.º 3201000.932 S3C2T1 Fl. 2 3 do fato gerador. Neste sentido há que se destacar o artigo 10 do Decretolei n° 2.052/83; 3.6. deve ser reconhecido o direito à correção monetária de seu crédito com os expurgos inflacionários. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo/SP deferiu parcialmente o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/SPOI n.º 19.014, de 15/10/2008: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994,1995 PIS. LEI COMPLEMENTAR 7/70. O afastamento do mundo jurídico de atos inquinados de inconstitucionalidade fulmina tais 'atos desde seu aparecimento. Com a Resolução n° ^9 do Senado Federal, de 1995, no período abrangido pelos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88 a Contribuição ao PIS deve ser recolhida segundo a Lei Complementar n° 7, de 1970, e alterações da legislação válida superveniente. PIS. SEMESTRALIDADE. A Lei n° 7.691/88 revogou o parágrafo único do art. 6° da L.C. n° 7/70; não sobreviveu portanto, a partir daí, o prazo de seis meses, entre o fato gerador e o pagamento da contribuição, como [originalmente determinara o referido dispositivo. Solicitação Deferida em Parte Em face da decisão, o contribuinte é intimado, interpondo recurso voluntário. O feito foi originalmente distribuído para as turmas especiais, sendo declinada a competência para as turmas ordinária, motivo pelo qual entra novamente em pauta para julgamento. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Como vemos, a recorrente busca utilizarse de crédito decorrente de pagamento a maior de PIS pela sistemática dos Decretos de 1988, afastados pelo Poder Judiciário e pelo Senado Federal. Esta questão não é mais debatida no processo, pois de acordo entre as partes de que a exigência com base naqueles decretos era indevida. Fl. 997DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 4 Entretanto, ainda existe discussão quanto à prescrição, base de cálculo/prazo de recolhimento referente ao sexto mês anterior e dos expurgos inflacionários. Da prescrição Como vimos, a recorrente protocolou pedido de restituição em 16/04/1997, antes da edição da LC 118/2005. Como bem decidido pelo STJ e STF recentemente, a referida norma somente se aplica a fatos geradores ocorridos após sua vigência. Na medida em que o pedido ora debatido se deu em 16/04/1997, está ainda valendo o entendimento antigo do prazo decenal para repetição do indébito. Isso porque o lançamento por homologação, regulado no art. 150 do CTN, ocorre nos casos em que o sujeito passivo deve antecipar o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa, sendo o próprio contribuinte quem apura o valor devido, e efetua o referido pagamento. Nesta hipótese, inegavelmente, enquadramse as contribuições em tela. O recolhimento desse tributo, bem como os créditos apurados, serão homologados pela autoridade administrativa e declarado extinto o crédito tributário, de modo expresso ou tácito, no prazo de 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador ou de outro interregno que lei venha a estabelecer. Por conseguinte, a prescrição se opera com o decurso de 5 anos, contados da data da extinção do crédito tributário (art. 168, I, CTN). Para o caso em concreto, a extinção do direito de pedir a repetição dos valores tributados a maior pelo PIS e COFINS iniciase após o término do prazo para a homologação dos pagamentos a maior realizados, de forma que, no total, o prazo prescricional é de 10 (dez) anos a contar dos respectivos recolhimentos. Como já dito no início, a publicação da LC n.º 118/2005, que alterou a interpretação dada ao prazo prescricional decenal nas repetições de indébito, não pode ser aplicada a fatos geradores ocorridos em momento anterior à sua vigência, como bem decidido pelo STF no RE n.º 566.621, de 04/08/2011. Como não há parcelas prescritas no pedido da recorrente, deve ser alterada a decisão recorrida. Do sexto mês anterior A decisão recorrida alegou que o sexto mês anterior existente na norma do PIS se referia a prazo de pagamento, não à base de cálculo. Com a devida vênia, esta questão já está superada, conforme bem esclareceu a PGFN: AD PGFN 8/06 AD Ato Declaratório PROCURADOR GERAL DA FAZENDA NACIONAL PGFN nº 8 de 16.11.2006 D.O.U.: 17.11.2006 Obs.: Ret. DOU de 20.11.2006 Fl. 998DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 13646.000032/9740 Acórdão n.º 3201000.932 S3C2T1 Fl. 3 5 (Dispõe sobre a dispensa da apresentação de contestação, e da interposição de recursos e autoriza a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nas ações judiciais que visem obter a declaração de que o parágrafo único do art. 6º da Lei Complementar nº 7/70, trata da base de cálculo e não do prazo de recolhimento da contribuição para o PIS) O PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2143/2006, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, DECLARA que ficam dispensadas a apresentação de contestação, a interposição de recursos e fica autorizada a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que o parágrafo único do art. 6º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, trata da base de cálculo e não do prazo de recolhimento da contribuição para o PIS". JURISPRUDÊNCIA: AgRg nos EDcl no REsp nº 699.890/PR (DJ 13/03/2006), REsp nº 794.884/PE (DJ 06/03/2006), RESP nº 653237/MG (DJ 11/10/04), AGResp nº 415.276/PR (DJ 27/09/04). (grifo nosso) LUÍS INÁCIO LUCENA ADAMS Ademais, existe súmula CARF sobre o assunto, de n.º 15. Assim, descabe discutir mais o presente tema. Dos índices de correção Entendo que assiste in casu razão à recorrente, eis que, “a reposição da perda de valor da moeda não é um adicional à restituição a ser dada ao contribuinte, tratase tão somente de reposição do valor monetário, a fim de equiparação ao valor que possuía quando do pleito inicial de restituição”. Esta Câmara já decidiu nesse sentido, conforme acórdão 30236781, cuja ementa é a seguinte transcrita: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CORREÇÃO MONETÁRIA. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. INCLUSÃO DOS EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. No cálculo do valor a ser restituído ao Contribuinte devem ser inseridos os expurgos inflacionários correspondentes. Precedentes do Primeiro Conselho de Contribuintes e da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Fl. 999DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 6 SELIC NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Incidindo a Taxa SELIC sobre a restituição, nos termos do art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95, a partir de 01/01/96. Recurso provido por maioria. A Primeira Câmara deste Conselho também já decidiu no mesmo sentido, conforme acórdão 30130691, contendo a seguinte ementa: FINSOCIAL. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. INCLUSÃO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. APLICAÇÃO DE ÍNDICES ESTABELICIDOS PELO PODER JUDICIÁRIO. COMPENSAÇÃO. A compensação de créditos é possível, nos termos dos arts 170 do CTN e 66 da Lei 8.383/91. DECADÊNCIA. Em se tratando de direito à restituição/compensação de tributos e contribuição federal pago ou recolhido antecipadamente, portanto, do exercício pleno do direito subjetivo, não há que se falar em decadência. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. APLICAÇÃO DE ÍNDICES ESTABELECIDOS PELO JUDICIÁRIO. A atualização monetária dos valores relativos à repetição do indébito deve ser feita de acordo com índices aplicados pelo Poder Judiciário, conforme orientação pacífica da jurisprudência, consolidados no Manual de Orientação de Procedimentos para Cálculos na Justiça Federal, aprovado pela Resolução nº 242, de 03/07/2001, do Conselho de Justiça Federal, devendo se inserir, pois na Norma de Execução Conjunta COSITE/COSAR Nº 08/97, os expurgos nela não contidos. Acórdão nº 10706.568. O referido Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos na Justiça Federal assim expressa os índices e percentuais aplicáveis na repetição de indébito: 1.2.1 EXPURGOS INFLACIONÁRIOS Devemse considerar, também, os expurgos inflacionários, IPC/IBGE integral, já consolidados pela jurisprudência, salvo decisão judicial em contrário, nos seguintes períodos: jan/89 = 42,72%; fev/89 = 10,14%; mar/90 a fev/91 = IPC/IBGE em todo o período. • NOTA 1: No caso de utilização dos expurgos, isto é, do IPC/IBGE integral, desconsiderar o BTN do período ou qualquer outro índice, a fim de evitar bis in idem. Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 13646.000032/9740 Acórdão n.º 3201000.932 S3C2T1 Fl. 4 7 Assim, deve o crédito ser corrigido pelos mesmos índices previstos pelo Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos na Justiça Federal para o período em que se discute, junto com a UFIR e SELIC. Ante o exposto, voto no sentido de prover o recurso, para afastar a prescrição aplicada no presente caso, bem como para declarar o direito da recorrente ao crédito pretendido, devendo retornar os autos à Delegacia da Receita Federal de origem, onde devem ser apurados os valores em discussão. Sala das Sessões, em 21/03/201221 de março de 2012 Luciano Lopes de Almeida Moraes Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 11831.000472/2001-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 25 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue May 25 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 01/01/1990 a 31/10/1991
FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. APLICAÇÃO DE EXPURGOS INFLACIONÁRIOS.
A partir da edição do Ato Declaratório PGFN n 10/2008, é cabível a aplicação nos pedidos de restituição/compensação, objeto de
deferimento na via administrativa, dos índices de atualização
monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução IV 561
do Conselho da Justiça Federal.
INCIDÊNCIA DE JUROS. TAXA SELIC.
A adoção da taxa SEL1C não ofende a coisa julgada quando a sentença judicial foi proferida antes da vigência da Lei 9,250/95.
Afasta-se, contudo, a utilização de quaisquer outros índices, seja de juros, seja de correção monetária, levando em consideração a natureza mista da aludida taxa.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3202-000.122
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar
provimento parcial para que seja aplicada nos valores a serem compensados a taxa SELIC a partir de 10 de janeiro de 1996 e os expurgos inflacionários, nos termos do voto do relator.
Vencido o Conselheiro José Luiz Novo Rossari que negava provimento contra a taxa SELIC.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: José Luiz Novo Rossari
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201005
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/1990 a 31/10/1991 FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. APLICAÇÃO DE EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. A partir da edição do Ato Declaratório PGFN n 10/2008, é cabível a aplicação nos pedidos de restituição/compensação, objeto de deferimento na via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução IV 561 do Conselho da Justiça Federal. INCIDÊNCIA DE JUROS. TAXA SELIC. A adoção da taxa SEL1C não ofende a coisa julgada quando a sentença judicial foi proferida antes da vigência da Lei 9,250/95. Afasta-se, contudo, a utilização de quaisquer outros índices, seja de juros, seja de correção monetária, levando em consideração a natureza mista da aludida taxa. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 25 00:00:00 UTC 2010
numero_processo_s : 11831.000472/2001-95
anomes_publicacao_s : 201005
conteudo_id_s : 4971032
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 3202-000.122
nome_arquivo_s : 320200122_143970_11831000472200195_015.PDF
ano_publicacao_s : 2010
nome_relator_s : José Luiz Novo Rossari
nome_arquivo_pdf_s : 11831000472200195_4971032.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial para que seja aplicada nos valores a serem compensados a taxa SELIC a partir de 10 de janeiro de 1996 e os expurgos inflacionários, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro José Luiz Novo Rossari que negava provimento contra a taxa SELIC.
dt_sessao_tdt : Tue May 25 00:00:00 UTC 2010
id : 4752768
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:46:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044358923550720
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-11-18T19:15:04Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-11-18T19:15:03Z; Last-Modified: 2010-11-18T19:15:04Z; dcterms:modified: 2010-11-18T19:15:04Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:3e4a625f-5acb-4c22-b1dd-2e11b9ec1ee5; Last-Save-Date: 2010-11-18T19:15:04Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-11-18T19:15:04Z; meta:save-date: 2010-11-18T19:15:04Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-11-18T19:15:04Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-11-18T19:15:03Z; created: 2010-11-18T19:15:03Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; Creation-Date: 2010-11-18T19:15:03Z; pdf:charsPerPage: 1567; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-11-18T19:15:03Z | Conteúdo => S3-C2T2 El 923 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 118.31.000472/2001-95 Recurso n" 143.970 Voluntário Acórdão n" 3202-00.122 — 2" Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 25 de maio de 2010 Matéria Finsocial - Restituição/Compensação Recorrente Rhodia Brasil Ltda. Recorrida DRJ-São Paulo/SP ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/1990 a 31/10/1991 FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. APLICAÇÃO DE EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. A partir da edição do Ato Declaratório PGFN n 10/2008, é cabível a aplicação nos pedidos de restituição/compensação, objeto de deferimento na via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução IV 561 do Conselho da Justiça Federal. INCIDÊNCIA DE JUROS. TAXA SELIC. A adoção da taxa SEL1C não ofende a coisa julgada quando a sentença judicial foi proferida antes da vigência da Lei 9,250/95. Afasta-se, contudo, a utilização de quaisquer outros índices, seja de juros, seja de correção monetária, levando em consideração a natureza mista da aludida taxa. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial para que seja aplicada nos valores a serem compensados a taxa SELIC a partir de 10 de janeiro de 1.996 e os expurgos inflacionários, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro José Luiz Novo Rossari que negava provimento contra a taxa SELIC. 2-/ VO ROSSARI - Presidente 7- 1 DRIGO Ca:COZOIVIIRANDA - Relator Processo n" 11831 000472/2001-95 S3-C212 Acórdào n 3202-00A22 Fl 924 FORMALIZA O EM: 28 de junho gle 2010. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Heroldes Bahr Neto, Alan Fiall o Gandra, Luciano Pontes de Maya Gomes, Rodrigo Cardozo Miranda e José Luiz Novo Rossan residente), Ausente o Conselheiro João Luiz Fregonazzi, 2 Processo n" 11831 000472/2001-95 S3-C2T2 Acórdão o '3202-00122 Fl 925 Relatório Cuida-se de recurso voluntário interposto por Rhodia Brasil Ltda. (fls. 812 a 851) contra v. acórdão prolatado pela 9" Turma da DR3 1 de São Paulo — SP (fls. 780 a 789) que, por unanimidade de votos, acolheu em parte a manifestação de inconformidade (fls, 657 a 687) para considerar homologada a compensação declarada no processo 11831.00110.3/2003- 81, protocolizada em 14/02/2003, em razão do decurso do prazo de 5 (cinco) anos para sua homologação, e manteve o restante do despacho decisório de fls. .319, complementado pelo despacho decisório de fls. 61.3„ A matéria de fundo na presente controvérsia, em síntese, versa sobre um pedido de restituição de F1NSOCIAL formulado em 15/0.3/2001, decorrente de decisão judicial proferida em 08/11/95 e transitada em julgado em 05/03/2001, e sobre os pedidos de compensação que se seguiram, apresentados a partir de 2003. Mais especificamente, trata dos índices de correção monetária a serem aplicados ao indébito e da taxa de juros incidente, se de 1% ao mês, conforme decisão judicial, ou SELIC. A ementa da decisão ora recorrida é a seguinte: Assunto.: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/1990 a 31/110/1991 COISA JULGADA. Incabível qualquer pretensão de alteração do que . foi decidido em sentença judicial transitada em julgado. COMPENSAÇÃO, PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. A ciência da decisão que não homologa a compensação deve ser efetuada antes do prazo de cinco anos prescrito pelo art. 74, ,§ da lei 9.430/96, com a redação dada pela Lei 10.833/2003. Após o transcurso deste prazo, não é dado à Administração pretender não homologar a compensação declarada. Solicitação deferida em parte Na r. decisão da DRJ, inicialmente, no tocante aos indébitos de Finsocial dos períodos de apuração de fevereiro de 1990, março de 1991, e agosto a outubro de 1991, asseverou-se o seguinte no voto condutor, verbis: 15 Quanto ao alegado equívoco apontado pela manifestante no demonstrativo de lis 10 do despacho decisório (fis. 328), constato não haver equívoco algum nos números.. No caso do PA 02/90, trata-se de mera atualização monetária dos valores devidos pelo BTN-F, conforme dispunha a Lei 7 799/89 e alterações- posteriores. No demonstrativo de fls. 199 percebe-se que o valor do Finsocial foi convertido em quantidade de BTN-F (402.346,50), como determinado pela refèrida lei No 3 Processo n° 11831 000472/2001-95 S3-C2'12 Acórdão ri 3202-00.122 F1 926 demonstrativo de .fls. 202 nota-se que essa quantidade de BTN-F foi transformada em moeda da época e corrigida, registre-se, até a data do pagamento da manifestante (20/03/90), resultando no valor de 16.150.993,20 Com isso, garante-se que não haja nenhuma distorção nos valores a serem compensados, já que se tomou a data do pagamento efetuado pela empresa como termo .final de atualização do débito. 15. I. No caso do PA 0.3/91, a base de cálculo utilizada pela empresa para apurar o valor a restituir está incorreta. Por outro lado, a base de cálculo utilizada no despacho decisório para apurar o Finsocial devido foi aquela informada pela empresa em sua DIPJ, fls. 94 e 197. Para os períodos de 08-10/91, noto que o pagamento efetuado pela empresa se deu após o prazo de vencimento da contribuição, razão pela qual ao valor apurado. de Finsocial para cada um desses meses somaram-se os. acréscimos legais devidos. 15.2. De modo que não há o que ser retificado quanto aos valores de Finsocial a restituir constantes do demonstrativo de fls 328 do despacho decisório de 26/12/2005. (- No que tange à inclusão dos expurgos inflacionários no indébito, depreende- se do v. acórdão recorrido que a solicitação foi indeferida porquanto a r, decisão judicial que acolheu o pedido de reconhecimento do indébito não previu a incidência dos referidos expurgos. No que interessa, o voto condutor na MJ apontou o seguinte, verbis: ) 16 A manifestante afima que a autoridade fiscal, orientando-se pela Norma Conjunta SRF/COSIT/COSAR n" 08/97, deixou de aplicar os índices inflacionários do período, sendo tal fato já reconhecido pelo Conselho de Contribuintes, conforme acórdão transcrito,. A manifestante informa que atualizou seus créditos com o IPC-FGV até a data de trânsito em julgado e, após, em,: a taxa Selic, por serem índices que melhor refletem a inflação, e estarem de acordo com a decisão judicial e jurisprudência administrativa, e com a legislação posterior à sentença. Argumenta que a decisão recorrida equivoca-se ao justificar que os juros devem ser aplicados com base nos arts 161, j 1', e 167 do CTN, ao invés da Selic; e que a sentença de sua ação ordinária .fbi proferida Cl?? antes da vigência da lei 9 250/95, que instituiu a Selic para atualização de débitos tributários. Cita .jurisprudência a embasar sua tese de que devem ser aplicados os .juros Selic a partir do trânsito em julgado da decisão. Alega que sobre o crédito reconhecido judicialmente devem ser aplicados índices do IPC/FGV, inclusive os expurgos inflacionários, ou, no mínhno, os índices previstos no manual de procedimentos para cálculos da justiça federal. Colaciona jurisprudência a respeito. 16.1. Em relação à matéria apreciada pelo Poder Judiciário, cuja decisão transitou em . julgado, não há que se falar em 4 Processo n" 11831.000472/2001-95 S3-C2T2 Acórdão n '3202-00..122 11. 927 alteração da coisa julgada, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal, que adota o modelo de .jurisdição una onde são soberanas as decisães.judiciais. 16.2. No caso presente, de acordo com a sentença prolatada na ação proposta pela maniftstante (fls,49), as valores a restituir deverão ser corrigidos monetariamente desde a data de cada pagamento considerado indevido (Súmula 46 do extinto TFR), acrescidos de juros de mora de 1% a. .m. contados do trânsito em julgado da sentença. Registro que em sua apelação à sentença, a empresa requereu apenas a alteração do termo inicial da contagem dos juros, não se manifestando quanto à utilização de este ou aquele índice de correção monetária. O acórdão de fls. 66-69, transitado em julgado, negou provimento à apelação e remessa oficial, mantendo a sentença proferida. Portanto, cabe apenas o exato cumprimento de tal decisão. 16.3. Conlbrme explicado na complementação do despacho de decisório às fls.614, verso, a correção monetária foi feita nas moldes determinados na sentença judicial, ou seja, desde a data dos pagamentos de Finsocial a maior considerados indevidos, até o efetivo recebimento da importância pelo contribuinte, no caso, via compensação de seus débitos. 16 4 Em relação à aplicação da Norma de Execução 08/97, cabe lembrar que os julgadores, segundo o art. r da Portaria MF n" 58/2006, devem observar as normas legais e regulamentares e os atos nonnativos, encontrando-se vinculados ao estrito cumprimento da legislação tributária Portanto, exceto na hipótese em que a justiça decida em contrário, e aqui não foi o caso, deve ser observada a correção dos valores em questão pela citada norma. ,) (destaques nossos) Além disso, manteve-se no v. acórdão recorrido a não incidência da SELIC, muito embora referida taxa de juros tenha sido deferida no primeiro despacho decisório, ao fundamento de que as decisões ,judiciais devem ser acatadas nos seus exatos termos não por uma questão de temporalidade, mas sim pelo principio da jurisdição una, e que o cálculo dos juros foi aplicado conforme a decisão judicial transitada em julgado obtida pela empresa em sua ação, não cabendo nenhuma alteração de seu conteúdo por parte desta DAI Manteve-se, assim, a incidência de juros no percentual de 1% ao mês a partir do trânsito em julgado da decisão judicial, ao invés de permitir a aplicação da SELIC, Por último, no tocante à alegação de ocorrência de homologação tácita, a DIU acolheu em parte o disposto na manifestação de inconformidade para reconhecer que, no caso de uma declaração de compensação específica, Processo n° 11831,001103/2003-81, protocolizada em 14/02/2003, já havia transcorrido o prazo legal para homologação.. Os fundamentos da decisão constam, em síntese, do seguinte excerto, verbis: ) 18. 6 Tendo em vista que a homologação ou não da compensação declarada gera eftitos na esfera jurídica do contribuinte, o ato só terá validade depois de sua intimação. 5 Processo tf 11831.000472/2001-95 S3-C2I2 Acórdão n 3202-00.122 F I 928 Esta situação é similar à da lavratura de auto de inflação, que exige a intimação do contribuinte para que o crédito tributário esteja constituído. 18 7 A empresa foi cientificada do despacho decisório de fls. 319-330 em 10/01/2006, antes do prazo de cinco anos da protocolização das compensações ali analisadas, razão pela qual não ocorreu a homologação tácita de tais compensações. Ocorre ue esse des acho não se inani estou sobre as Dcom, eletrônicas 3189648714 e 0382100369 (fls. 385-394) na parte referente aos débitos de PIS, nem os processos de Dcomp 11831.001103/2003-81 e 11831.001703/2003-40, de forma alie foi feito o despacho complementar de fls. 613-615 ratificando o despacho decisório anterior e abordando tais compensações, 18.8. É preciso esclarecer que o despacho decisório de _fis 613- 615 complementou o despacho decisório de fls 319-330, sem o cancelar, ratificando o mesmo valor reconhecido a título de direito creditório (R$ 15.928.884,80) e homologando as. compensaçães até o limite do crédito deferido, 18.9. Pois bem, a empresa foi cientificada desse despacho complementar em 26/02/2008. Ora, considerando o disposto na itIP 13.5/2003, e que este ato legislativo prescreveu o prazo de cinco anos para a homologação da compensação declarada, há que se concluir que, no caso da declaração de compensação do processo 11831.001103/2003-81, protocolizado em 14/02/200,3, pleiteando a compensação de PIS-8109 de 01/2003 no valor de R$ 388.254,00 e Cofins-2172 de 01/2003 no valor de 1?$ 589.445,82, já havia transcorrido o prazo legal para homologação no momento em que foi dada ciência da te- ratificação do despacho decisório (26/02/2008) Em outras palavras, essa declaração de compensação fbi tacitamente homologada, de forma que o despacho decisório não pode surtir os ekitos legais pretendidos para tal compensação. ) (grifeis e destaques nossos) Ao final, a conclusão do voto condutor na DM fbi a seguinte, verbis: 20. Em face do exposto, quanto ao pedido de restituição, voto pelo NÃO ACOLHIMENTO da manifestação de inconformidade apresentada, e mantenho o despacho decisório atacado, que deferiu parcialmente o pedido de restituição do contribuinte. 20.1. EM relação às declarações de compensação, mantenho o despacho decisório que homologou as compensa çôes até o limite do crédito deferido, exceto para considerar homologada a compensação declarada no processo 11831.001103/2003-81, protocolizado em 14/02/2003, de acordo com o disposto no art 74, 5" da Lei 9,430/96, redação dada pelo art. 49 da Lei 10.637/2002 e ar!. 17 da Lei 10,833/200,3, visto que decorrido o prazo legal de cinco anos para homologação dessa compensação. 6 PI °cesso n" 11831000472/2001-95 Acórdão n " 3202-00.122 S3-C2T2 F I 929 20.2_ Observo que o valor correspondente às compensações homologadas neste acórdão deverá ser considerado, deduzindo- o do total, em eventual deferimento em grau de recurso do pedido de restituição de que trata este processo. (grifas no original) Ir resignada, a contribuinte interpôs o já mencionado recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: (i) que da análise dos DARFs e da planilha que acompanharam a ação ,judicial (doc. 0.5), percebe-se que a d. fiscalização se equivocou no cômputo do crédito que/az jus a Recorrente, notadamente no que diz respeito aos meses de fevereiro/90, março, agosto, setembro e outubro de 2001; (ii) que, considerando que grande parte das compensações foram formalizadas há mais de .5 (cinco) anos a contar da data da ciência da deciSão (doc. 04) que as indeferiu/não homologou, tem-se, pois, que todas as compensações já estão, nos termos da legislação vigente que vem sendo reiteradamente aplicada pelas DRJs e pelos Conselhos de Contribuintes — MF, definitivamente homologadas; (iv) que nos termos da Súmula 46 do extinto TFR, o crédito da recorrente deve ser corrigido monetariamente de forma total, ou seja, com a inclusão dos expurgas inflacionários garantidos pela remansosa jurisprudência judicial e administrativa; (v) que a taxa Selic já havia sido deferida anteriormente e definitivamente homologada tacitamente por decurso de prazo para que a administração pudesse se manifestar acerca desse assunto (preclusão), mormente se considerarmos que as compensações já estavam homologadas com a aplicação da SELIC na data CM que a Recorrente . foi intimada do . julgado que a rechaçou e que a administração no primeiro despacho que analisou o crédito deferiu a aplicação de tais índices na atualização do crédito; (vi) que muito embora a decisão judicial tenha determinado a incidência de juros de 1% ao Mês, é de se lembrar que a ação ordinária foi proposta em 14/02/1995 e a sentença foi prolatada em 08/11/1995, ou seja, antes da entrada em vigor da Lei IV 9250/95, que instituiu a taxa SELIC, razão pela qual a matéria não foi ventilada na inicial e, por esse motivo, não poderia ser, em momento algum, suscitada nas decisões judiciais passadas em .julgado. Ou seja, a SELIC somente haveria de ser afastada se assim determinasse a decisão judicial.. No silêncio, aplica-se a Lei superveniente, como não poderia deixar de ser. É o relatório, 7 Processo n. 1E3 I .000472/2001-95 S3-C212 Acórdão n° 3202-00,122 FI 930 Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relatar Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso voluntário interposto. Inicialmente, no que tange ao cômputo do crédito que faz jus a Recorrente, notadamente no que diz respeito aos meses de fevereiro/90, março, agosto, setembro e outubro de 2001, entendo que a r. decisão recorrida não merece ser reformada, visto que não restou plenamente demonstrado, no meu entendimento, eventual equivoco quanto à sistemática de cálculo adotada. No tocante à alegação de homologação tácita de todas as compensações, da mesma forma, entendo que a r. decisão recorrida não merece qualquer reparo. Com efeito, é de se destacar, ab initio, que ao contrário do que assevera a contribuinte em seu recurso voluntário, o Despacho Decisório Complementar de fls. 613 a 615, verso, não invalidou o Despacho Decisório de fls. 319 a 329, mas sim, efetivamente, o complementou, corroborando e ratificando as conclusões ali esposadas. A única exceção, como se apontará adiante, foi a retificação no que diz respeito à aplicação da taxa SELIC. Nesse sentido, afigura-se correto o seguinte excerto da r. decisão recorrida: 18,7: A empresa fii cientificada do despacho decisório de .fls. 319-330 em 10/01/2006, antes do prazo de cinco anos da protocolização das compensações ali analisadas, razão pela qual não ocorreu a homologação tácita de tais compensações. Ocorre que esse despacho não se manifestou sobre as Dcomp eletrônicas 3189648714 e 0382100369 (fls. 385-394) na parte referente aos débitos de PIS, nem os processos de Dcomp 11831.001103/2003-81 e 11831.001703/2003-40, de .fOrma que foi feito o despacho complementar de/Is. 613-615 ratificando o despacho decisório anterior e abordando tais compensações (grifos nossos) Aliás, verifica-se até mesmo, em parte, a carência de interesse recursal, porquanto a DRJ, de fato, acolheu o disposto na manifestação de inconformidade quanto ao prazo de 5 (cinco) anos para homologação da compensação declarada, reconhecendo-o, neste ponto, para considerar homologada a compensação declarada no processo 11831.001103/2003-81, protocolizado em 14/02/2003 Como a intimação do despacho decisório se deu em 26/02/2008, apenas a declaração de compensação acima referida foi homologada tacitamente. As demais, datadas de 14/03/2003, 15/04/2003, 16/04/2003 e 15/05/2003, e as DComps eletrônicas (3189648714 e 0382100369), apresentadas, respectivamente, nos dias 14/10/2003 e 13/11/2003, não foram beneficiadas pela homologação tácita, Portanto, não se afigura pertinente a alegação da contribuinte no sentido de que "quase todas" compensações estariam protegidas pela decadência, visto que a primeira Processo n" 11831.000472/2001-95 Acórdão n " 3202-00.122 S3-C2T2 PI 931 decisão, salvo quanto à taxa SELIC, não foi reformada, mas sim re-ratificada, e que a sua intimação serviu perfeitamente à interrupção do prazo homologatório Por outro lado, com relação à correção monetária, afigura-se devida a inclusão dos expurgas inflacionários, independente da decisão judicial não ter sido expressa nesse sentido Com efeito, face à edição, recentemente, do Ato Declaratório PGFN 10/2008, é cabível a aplicação nos pedidos de restituição/compensação, objeto de deferimento na via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgas inflacionários) previstos na Resolução if 561 do Conselho da Justiça Federal. Nesse sentido, aliás, é o seguinte precedente, cujo voto condutor é da lavra do Ilustre Conselheiro José Luiz Novo Rossari: No mérito, verifica-se que por meio da Norma de Execução Conjunta SRF/Cosit/Casar n 8, de 1997, a Administração Fazendária instituiu índices específicos para efeitos de atualização monetária das créditos sujeitos à restituição. Em decorrência, este relator vinha até então defendendo que à vista de existência de ato específico disciplinador da matéria e considerando a falta de amparo legal para a aplicação dos denominados expurgos inflacionários, estes não poderiam ser aplicados na es1 era administrativa. E mais, que a aplicação dos referidos expurgos na via processual administrativa somente pode ser implementada se houvesse determinação judicial nesse sentido. Cumpre destacar, no entanto, que essa matéria foi tratada no Parecer PGFN/CR.1 n 2.601, aprovado pelo PGFN em 20/11/2008, que, submetido à apreciação do Sr. Ministro de Estado da Fazenda, fOi por este aprovado conforme despacho publicado no DOU de 8/12/2008, do que decorreu a expedição do Ato Declaratário n" 10, de P/12/2008, do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, que assim dispõe, verbis: "(.,) DECLARA que .fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante.. 'nas ações judiciais que visem a obter declaração de que é devida, como fator de atualização monetária de débitos judiciais, a aplicação dos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução n 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02 de julho de .2007 No mesmo Parecer o Sr. Procurador-Geral da Fazenda Nacional também determina que "Com a publicação, dê -se ciência do presente Parecer ao Senhor Secretário da Receita Federal, para a ,finalidade prevista nos §§ 4" e 5" do art. 19 da Lei n" 10.522, de 19.07.2002." 9 Processo n" 1183 I .000472/2001-95 S3-C2T2 Acórdão n 3202-00,122 F I 932 Destarte, verifica-se que a matéria foi tratada de .forma mais benéfica pela Administração Fazendá ria nas hipóteses de pedidos de restituição ou compensação de valores recolhidos indevidamente, tratando-se de .fato novo que tem plena aplicação ao presente processo, pendente de julgamento, por não se justificar a existência de tratamento disforme entre as esferas judicial e administrativa. Diante do exposto, e com base no retrotranscrito Ato Declaratório, voto por que seja dado provimento ao recurso, devendo ser aplicados como índices de atualização monetária para os meses de março a abril de 1990 os coeficientes de atualização fixados pela Resolução n' 561 do Conselho da Justiça Federal, nos percentuais de 84,32%, 44,8% e 7,87%, respectivamente, dos quais deverão ser subtraídos os percentuais já aplicados correspondentes a esses meses, constantes da tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/Cosit/Cosar n 2 8, de 27/6/1997. (Processo n° 10805.002784/99-21, Recurso Voluntário ri° 125,594, Terceira Seção, Segunda Câmara, Segunda Turma) (grifos nossos) Merece reparo, assim, neste particular, a r.. decisão proferida pela DR,I com relação à inclusão dos chamados "expurgos inflacionários". Seguindo adiante, no tocante à incidência de juros com base na SELIC, entendo que a questão deve ser tratada com bastante cuidado face às peculiaridades da hipótese ora sub judice. De fato, verifica-se que o Despacho Decisório inicial, de tis. 319 a 330, cuja intimação se deu em 10/01/2006, determinou a incidência dos juros à taxa SELIC nos termos da legislação cru vigor.. Posteriormente, quase sete anos depois do pedido de restituição, formulado em 15/03/2001, o Despacho Decisório Complementar (fls. 613 a 615, verso), cuja intimação se deu em 26/02/2008, alterou a decisão quanto aos créditos utilizados em todas as homologações, inclusive com relação às aquelas compensações que já haviam sido objeto de análise no Despacho Decisório inicial Deveras, quanto à taxa SELIC, resta patente que o que ocorreu foi a retificação da decisão anterior, verbis, fls„ 615 verso: (.,.) RETIFICANDO-SE, contudo, os cálculos efetuados com base no despacho de folhas 319/330 acrescido de juros de mora de 1% (um por cento) ao mês contado do trânsito em julgado (05/março/2001) e não pela SELIC como calculado anteriormente, e em conseqüência HOMOLOGO AS COMPENSAÇÕES vinculadas ATÉ O LIMITE' DO CRÉDITO DEFERIDO. Desta feita, restando evidenciado que, no tocante à aplicação da taxa SELIC, o que ocorreu efetivamente foi uma alteração no entendimento proferido anteriormente, ou seja, modificação da decisão quanto às compensações declaradas, independente de recurso, o termo final, in casa, em que se deu a pretensa homologação expressa das compensações é a data de intimação da segunda decisão, ou seja, 26/02/2008, Em outras palavras, se as compensações foram realizadas considerando juros SELIC, e transcorreram cinco anos a partir 10 Processo rr" 11831 000472/2001-95 S3-C2T2 Acórdão ii" 3202-00122 F1 933 da sua solicitação/declaração, não poderia a autoridade administrativa, depois dos referidos cinco anos, ainda que por provocação da contribuinte, modificar o entendimento anterior. Isso ocorreu, no entanto, apenas quanto à declaração de compensação apresentada no dia 14/02/200.3 (Processo n° 11831.001103/2003-81), que, inclusive, teve a sua homologação tácita reconhecida pela r. decisão ora recorrida. A alegação da contribuinte no sentido de que todas as compensações (ou a maior parte) estariam homologadas tacitamente, assim, não procede. A manutenção da taxa SEL1C na espécie, todavia, deve se dar por motivos outros. Com efeito, o primeiro aspecto a ser destacado é que, considerando que a primeira decisão proferida reconheceu a aplicação da taxa SELIC, e que a segunda decisão se deu por provocação da contribuinte, referida modificação deveria se dar nos limites da referida provocação No presente caso, a manifestação de inconformidade apresentada não cuidou e nem pretendeu reformar a decisão inicial quanto à incidência da SELIC. Por conseguinte, em última análise, fazer uso de tal manifestação para diminuir o crédito da contribuinte, ainda que seguindo os termos da decisão judicial, especificamente na hipótese sub .jztdice, face às suas especificidades, acabaria configurando reformatio in pejus Demais disso, a jurisprudência judicial e administrativa, em hipóteses análogas à presente, já apontou no sentido de que o entendimento que melhor atende à justiça fiscal é o da incidência da taxa SELIC aos indébitos a partir de 1`)/01/1996. Neste sentido é o seguinte precedente da antiga Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes: Número do Recurso: Câmara: Número do Processo: Tipo do Recurso: Matéria: Recorrida/Interessado: Data da Sessão: Relatar: Decisão: Resultado: Texto da Decisão: 130004 TERCEIRA CÂMARA 10840.003110/98-27 VOLUNTÁRIO FINSOCIAL - RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DRJ-RIBEIRAO PRETO/SP 13/09/2005 09:00:00 MARCIEL EDER COSTA Acórdão 303-32379 DPU - DADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Por unanimidade de votos, deu-se provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer tão somente a direito aos juros moratórias conforme disposto na Lei 9.250/96, art 39, § 4° Ementa:COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO. FINSOCIAL. É cabível a aplicação da taxa Selic de 01/96 até a efetiva compensação do tributo, cuja inconstitucionalidade e conseqüente restituição foi garantida por sentença que não previu expressamente a aplicação da referida taxa, por força do § 40, do art 39, da Lei 9.250195. Resta prejudicada porém a aplicação dos juros moratórios face à impossibilidade de cumulação de ambos, uma vez que a Selic é composta de taxa de juros e a taxa de correção monetária. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO 11 Processo rf 1183 I .000472/200 I -95 S3-C212 Acórdão o " 3202-00.122 FI 934 (grifos nossos) Destaca-se, a propósito, o seguinte excerto do voto proferido pelo Ilustre relator, Conselheiro Marciel Eder Costa, verbis: ) Sob este aspecto, assiste razão a Recorrente. De fato, entendo que deva ser aplicada, como forma de correção/juros renumeratórios, a Taxa Selic Em que pese a sentença judicial contemplado como lei concedeu/_ arantiu a Recorrente no momento da compensação, a aplicação desta, deve a mesma ser obedecida, não constituindo ofensa a coisa julgada. Temos assim, que a Recorrente efetuou a compensação sob a proteção da Lei 9.250/95, em seu art. 39 § 4 °, que prevê a possibilidade de aplicação da Taxa Selic, às compensações, a partir de janeiro de 1996. Nesse sentido: Art 39, A compensação de que trata o art. 66 da Lei n ° 8..383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei n ° 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinaçâo constitucional, apurado em períodos subseqüentes, § 4 ° A partir de 1 ° de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados. a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Ou seja, se a lei concedeu mais que o direito garantido e disposto por sentença, e foi o próprio Estado que deliberou desta forma, significa que o mesmo estaria abdicando do seu direito de executar a sentença. No mais, se basta a declaração do contribuinte para o nascimento do débito perante o Poder Público, com a consequente aplicação das penalidades por eventual atraso no pagamento, quando o tributo é pago regularmente pelo contribuinte, mas indevidamente cobrado pelo Fisco, naturalmente deve incidir a mesmo punição, diante da regra da isonomia. Assim temos que, adaptando-se os preceitos contidos na legislação, ao presente caso, entendo que, do período de 01/1996 a 07/1998, deva ser aplicada como índice de correção, a Taxa Selic, ou seja, até a efetiva compensação do tributo, que ocorreu em . julho de 1998 (grifos e destaques nossos) Da mesma forma, vale destacar o seguinte precedente, também da antiga Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes: Processo n" 118.31 000472/2001-95 S3-C212 Acórdão n " 3202-00.122 Fl 935 Número do Recurso: 131687 Câmara: TERCEIRA CÂMARA Número do Processo: 10665.000819/2001-04 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: COTA DE CONTRIBUIÇÃO NA EXPORTAÇÃO DO CAFÉ Recorrida/Interessado: DRJ-B ELO HORIZONTE/MG Data da Sessão:2410512006 08:30:00 Relatar: NILTON LUIZ BÁRTOLI Decisão: Acórdão 303-33144 Resultado: PPQ - DADO PROVIMENTO PARCIAL PELO VOTO DE QUALIDADE Texto da Decisão: Pelo voto de qualidade, deu-se provimento parcial ao recurso voluntário para considerar a taxa SELIC como juros, vencido o Conselheiro Nilton Luiz Bartoli, relator, Nanai Gama, Sílvio Marcos Barcelos Fiúza e Marcial Eder Costa, que davam provimento parcial para conceder também os expurgas na forma da jurisprudência atual da CSRF Designado para redigir o voto o Conselheiro Zenaido Loibman. Ementa: RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO LIMITES DO PEDIDO EXECUÇÃO ADMINISTRATIVA CORREÇÃO MONETÁRIA. O direito creditério decorrente da sentença judicial declaratória de inexistência de relação jurídico-tributária, transitada em julgado, poderá ser objeto de compensação com quaisquer tributos ou contribuições sob a administração da SRF, porém nos limites do pedido de restituição considerados na sentença. O direito reconhecido supervenientemente por decorrência de lei geral garante a aplicação da taxa SEM. Expurgas inflacionários somente podem ser aplicados na execução administrativa quando expressos na decisão judicial, fora disso, a administração tributária está limitada aos termos da NE 08/97 EXIGÊNCIA DE DESISTÊNCIA DA EXECUÇÃO JUDICIAL ASSUNÇÃO DA RESPONSABILIDADE PELAS CUSTAS PROCESSUAIS E PELOS HONORÁRIOS ADVOCATICIOS, Foi iniciada ação de execução pela empresa interessada, por meio de seu advogado, contra a Fazenda Nacional, com o fim de se fazer cumprir judicialmente seu direito de restituição do indébito, e recebimento das custas processuais e honorários advocaticios a que a União Federal foi condenada na Ação Ordinária, tendo a PFN providenciado embargos à execução Conquanto as verbas honorárias representem direito da titularidade do advogado, foi a mesma empresa que intenta a execução administrativa da compensação, que teve a iniciativa, mediante o seu advogado, de antes pedir ao Judiciário a execução também das custas processuais e verbas honorárias, Pode interessar à empresa contribuinte buscar o cumprimento do seu direito pela via executiva judicial com plena condição de exigir as custas processuais e honorários advocaticios a que a União Federal foi condenada, ou, alternativamente, pode lhe interessar buscar a execução administrativa, perante órgão da mesma União Federal, evitando o precatório, porém, neste caso, necessariamente deverá assentir com a transação prevista nas normas administrativas que disciplinam a matéria, havendo de assumir previamente a responsabilidade pelas custas processuais ocorridas, e também pelas verbas honorárias devidas ao seu advogado Se a requerente da compensação administrativa não aceitar a transação, a autoridade administrativa deverá cumprir o 13 Processo n" 11831.000472/2001-95 S3-C212 Acórdão n " 3202-00.122 Fi 936 procedimento previsto por ato normativo e indeferir a execução pela via administrativa, restando ao interessado dar seqüência à execução pela via judicial RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO, (grifos e destaques nossos) Naquela opottunidade, o Ilustre Conselheiro Zenaldo Loibinan, redator do voto vencedor, assim se manifestou sobre a questão, verbis: Por óbvio que a decisão final administrativa deverá ter em vista o teor da decisão judicial transitada em julgado na Ação Ordinária de Repetição do Indébito. Não nos esqueçamos que o inérito do direito de restituição dos valores recolhidos indevidamente a título da Cota Contribuição para a exportação de café .já .foi definido judicialmente,. O teor da sentença vinculado ao âmbito do pedido é de suma importância para estabelecer quais os índices de correção e juros a que a administração deverá se submeter em função da decisão judicial transitada em julgado. Entretanto, resta claro que o acima explicitado não •ede o reconhecimento sela administra âo de direitos supervenientes à sentença eventualmente assegurados na lei _eral a todos os contribuintes. Re iro-me à aplicação da Taxa SELIC a ptiftir de 01.01.1996, independentemente de não estar expresso, obviamente, na sentença datada de 23.06.1995, e que posteriomente transitou em julgado em 17.04.2001. Sem dúvida assiste ao interessado o direito a que se aplique a taxa SELIC. Aliás, a administração tributária na exigência de débitos também o faz, e como bem disse o recorrente, sua aplicação se impõe por dever legal que transcende os termos da sentença, e que neste aspecto passa a funcionar como limite mínimo do direito assegurado. (grifos e destaques nossos) Por último, é de se reconhecer que, até mesmo em homenagem ao Princípio da Isonomia, deve ser aplicada a taxa SELIC aos indébitos tributários, visto que já testou consolidado o entendimento, nos termos da Súmula n° 4 do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes, cristalizado, atualmente, na Súmula CARF n° 4, que a partir de 1" de abril de 1995 é legítima a aplicação/utilização da taxa Selic no cálculo dos juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal. Assim, neste particular, entendo que a r, decisão recorrida merece ser reformada para se admitir a aplicação da taxa SELIC ao indébito, afastando-se, contudo, a utilização de quaisquer outros índices, seja de juros, seja de correção monetária, a partir de 1996, levando em consideração a natureza mista da aludida taxa, nos termos dos precedentes acima aludidos, 14 Processo n 11831.000472/2001-95 S3-C2T2 Acórdão n."3202-00,122 Fl. 9.37 Finalmente, mister destacar que, no tocante à suspensão da exigibilidade do crédito tributário, indubitável que ela se dá até a decisão definitiva quanto aos pedidos de compensação/declarações de compensação, nos exatos termos do § 11 do artigo 74 da Lei tf 9.430/96, relativamente ao débito objeto de compensação. Afigura-se incabível e reprovável, assim, o envio de cartas-cobrança, tal como a de fis, 809. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para que seja aplicado no cálculo do indébito objeto de compensação os expurgos inflacionários, na esteira da jurisprudência administrativa reiterada, devendo ser subtraídos os percentuais já aplicados correspondentes a esses meses, constantes da tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/Cosit/Cosar n 0 8, de 27/6/1997, além dos juros calculados com base na taxa SEL1C a partir de 01/01/1996, afastando-se, contudo, a utilização de quaisquer outros índices, seja de juros, seja de correção monetária, a partir de 1996. Sala das Sessões, em 25 de daip-de-2010 . Ál4frp (,) ,0••_ dna° Car o o'Mírandai go CareSc 15
score : 1.0
Numero do processo: 14479.000908/2007-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2005 a 31/10/2005
DECLARAÇÃO DE GFIP. NATUREZA DE CONFISSÃO DE DÍVIDA.
As contribuições declaradas pelo sujeito passivo mediante a GFIP, têm natureza de confissão de dívida, podendo ser aproveitadas pelo fisco para exigência dos tributos ali registrados.
CONTRIBUIÇÕES PARA FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS ACIDENTÁRIOS E PARA TERCEIROS. UTILIZAÇÃO DE JUROS E MULTA APLICADOS ÀS DEMAIS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
Aplica-se às contribuições para o RAT e para os terceiros os mesmos acréscimos legais utilizados para as demais contribuições sociais.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/02/2005 a 31/10/2005
PEDIDO PARA INTIMAÇÕES NO ENDEREÇO DO ADVOGADO. CIENTIFICAÇÃO NO DOMICÍLIO FISCAL DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não acarreta em nulidade a intimação efetuada no domicílio tributário do sujeito passivo, ainda que haja requerimento deste, no sentido de que as comunicações dos atos do processo administrativo se dêem no endereço profissional de seu advogado.
COMPROVAÇÃO DA SOLICITAÇÃO DOCUMENTAL. TERMO DE INTIMAÇÃO LAVRADO PELA AUDITORIA. VALIDADE.
O Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD,
recebido pelo sujeito passivo, é documento hábil a comprovar que o fisco solicitou a documentação necessária ao desenvolvimento dos trabalhos de auditoria.
LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES, A QUANTIFICAÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL E OS FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE FALTA DE MOTIVAÇÃO.
O fisco, ao narrar os fatos geradores e as circunstâncias de sua ocorrência, a base tributável e a fundamentação legal do lançamento, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício do seu direito de defesa, não havendo o que se falar em prejuízo ao direito de defesa ou falta de
motivação do ato, mormente quando os termos da impugnação permitem concluir que houve a prefeita compreensão do lançamento pelo autuado.
RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
O Relatório de Representantes Legais representa mera formalidade exigida pelas normas de fiscalização, em que é feita a discriminação das pessoas que representavam a empresa ou participavam do seu quadro societário no período do lançamento, não acarretando, na fase administrativa do procedimento, qualquer responsabilização das pessoas constantes daquela relação.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS E DESPROVIDAS DE PROVAS. NÃO CONHECIMENTO.
Não merecem conhecimento as alegações que não se refiram à situação ou fato específico e/ou que não indiquem as provas em que se fundam.
CRÉDITO APURADO COM BASE EM DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. DEMONSTRAÇÃO PELO FISCO DE QUE OS VALORES ESTÃO CORRETOS. DESNECESSIDADE.
Sendo o lançamento das contribuições sociais da modalidade “por
homologação”, não tem o fisco a obrigação de demonstrar a correção dos valores lançados, quando a apuração se deu com esteio na declaração de GFIP enviada pelo sujeito passivo.
CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. COMPENSAÇÃO. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Os órgãos de julgamento do contencioso administrativo fiscal não tem atribuição para julgar pedidos de liquidação do lançamento sob exame com créditos que o sujeito passivo detenha para com a Fazenda Pública.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA.
À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da
constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.393
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201204
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2005 a 31/10/2005 DECLARAÇÃO DE GFIP. NATUREZA DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. As contribuições declaradas pelo sujeito passivo mediante a GFIP, têm natureza de confissão de dívida, podendo ser aproveitadas pelo fisco para exigência dos tributos ali registrados. CONTRIBUIÇÕES PARA FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS ACIDENTÁRIOS E PARA TERCEIROS. UTILIZAÇÃO DE JUROS E MULTA APLICADOS ÀS DEMAIS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Aplica-se às contribuições para o RAT e para os terceiros os mesmos acréscimos legais utilizados para as demais contribuições sociais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2005 a 31/10/2005 PEDIDO PARA INTIMAÇÕES NO ENDEREÇO DO ADVOGADO. CIENTIFICAÇÃO NO DOMICÍLIO FISCAL DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não acarreta em nulidade a intimação efetuada no domicílio tributário do sujeito passivo, ainda que haja requerimento deste, no sentido de que as comunicações dos atos do processo administrativo se dêem no endereço profissional de seu advogado. COMPROVAÇÃO DA SOLICITAÇÃO DOCUMENTAL. TERMO DE INTIMAÇÃO LAVRADO PELA AUDITORIA. VALIDADE. O Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, recebido pelo sujeito passivo, é documento hábil a comprovar que o fisco solicitou a documentação necessária ao desenvolvimento dos trabalhos de auditoria. LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES, A QUANTIFICAÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL E OS FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE FALTA DE MOTIVAÇÃO. O fisco, ao narrar os fatos geradores e as circunstâncias de sua ocorrência, a base tributável e a fundamentação legal do lançamento, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício do seu direito de defesa, não havendo o que se falar em prejuízo ao direito de defesa ou falta de motivação do ato, mormente quando os termos da impugnação permitem concluir que houve a prefeita compreensão do lançamento pelo autuado. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. O Relatório de Representantes Legais representa mera formalidade exigida pelas normas de fiscalização, em que é feita a discriminação das pessoas que representavam a empresa ou participavam do seu quadro societário no período do lançamento, não acarretando, na fase administrativa do procedimento, qualquer responsabilização das pessoas constantes daquela relação. ALEGAÇÕES GENÉRICAS E DESPROVIDAS DE PROVAS. NÃO CONHECIMENTO. Não merecem conhecimento as alegações que não se refiram à situação ou fato específico e/ou que não indiquem as provas em que se fundam. CRÉDITO APURADO COM BASE EM DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. DEMONSTRAÇÃO PELO FISCO DE QUE OS VALORES ESTÃO CORRETOS. DESNECESSIDADE. Sendo o lançamento das contribuições sociais da modalidade “por homologação”, não tem o fisco a obrigação de demonstrar a correção dos valores lançados, quando a apuração se deu com esteio na declaração de GFIP enviada pelo sujeito passivo. CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. COMPENSAÇÃO. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Os órgãos de julgamento do contencioso administrativo fiscal não tem atribuição para julgar pedidos de liquidação do lançamento sob exame com créditos que o sujeito passivo detenha para com a Fazenda Pública. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 14479.000908/2007-96
anomes_publicacao_s : 201204
conteudo_id_s : 5058924
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 09 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2401-002.393
nome_arquivo_s : 2401002393_14479000908200796_201204.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 14479000908200796_5058924.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
id : 4750993
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044358927745024
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2225; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 124 1 123 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14479.000908/200796 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 240102.393 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de abril de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente WIND HELICES INDUSTRIAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2005 a 31/10/2005 DECLARAÇÃO DE GFIP. NATUREZA DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. As contribuições declaradas pelo sujeito passivo mediante a GFIP, têm natureza de confissão de dívida, podendo ser aproveitadas pelo fisco para exigência dos tributos ali registrados. CONTRIBUIÇÕES PARA FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS ACIDENTÁRIOS E PARA TERCEIROS. UTILIZAÇÃO DE JUROS E MULTA APLICADOS ÀS DEMAIS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Aplicase às contribuições para o RAT e para os terceiros os mesmos acréscimos legais utilizados para as demais contribuições sociais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2005 a 31/10/2005 PEDIDO PARA INTIMAÇÕES NO ENDEREÇO DO ADVOGADO. CIENTIFICAÇÃO NO DOMICÍLIO FISCAL DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não acarreta em nulidade a intimação efetuada no domicílio tributário do sujeito passivo, ainda que haja requerimento deste, no sentido de que as comunicações dos atos do processo administrativo se dêem no endereço profissional de seu advogado. COMPROVAÇÃO DA SOLICITAÇÃO DOCUMENTAL. TERMO DE INTIMAÇÃO LAVRADO PELA AUDITORIA. VALIDADE. O Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, recebido pelo sujeito passivo, é documento hábil a comprovar que o fisco solicitou a documentação necessária ao desenvolvimento dos trabalhos de auditoria. LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES, A QUANTIFICAÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL E OS Fl. 124DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE FALTA DE MOTIVAÇÃO. O fisco, ao narrar os fatos geradores e as circunstâncias de sua ocorrência, a base tributável e a fundamentação legal do lançamento, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício do seu direito de defesa, não havendo o que se falar em prejuízo ao direito de defesa ou falta de motivação do ato, mormente quando os termos da impugnação permitem concluir que houve a prefeita compreensão do lançamento pelo autuado. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. O Relatório de Representantes Legais representa mera formalidade exigida pelas normas de fiscalização, em que é feita a discriminação das pessoas que representavam a empresa ou participavam do seu quadro societário no período do lançamento, não acarretando, na fase administrativa do procedimento, qualquer responsabilização das pessoas constantes daquela relação. ALEGAÇÕES GENÉRICAS E DESPROVIDAS DE PROVAS. NÃO CONHECIMENTO. Não merecem conhecimento as alegações que não se refiram à situação ou fato específico e/ou que não indiquem as provas em que se fundam. CRÉDITO APURADO COM BASE EM DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. DEMONSTRAÇÃO PELO FISCO DE QUE OS VALORES ESTÃO CORRETOS. DESNECESSIDADE. Sendo o lançamento das contribuições sociais da modalidade “por homologação”, não tem o fisco a obrigação de demonstrar a correção dos valores lançados, quando a apuração se deu com esteio na declaração de GFIP enviada pelo sujeito passivo. CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. COMPENSAÇÃO. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Os órgãos de julgamento do contencioso administrativo fiscal não tem atribuição para julgar pedidos de liquidação do lançamento sob exame com créditos que o sujeito passivo detenha para com a Fazenda Pública. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14479.000908/200796 Acórdão n.º 240102.393 S2C4T1 Fl. 125 3 Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Relatório Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n.º 37.101.1060, lavrada contra o contribuinte acima identificado para exigência das contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT, e aquelas destinadas a outras entidades e fundos. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, fls. 21 e segs., os fatos geradores que deram ensejo ao lançamento foram os pagamentos de remuneração a empregados e administradores (prólabore) verificados nas folhas de pagamento e nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações 'a Previdência Social — GFIP's, apresentadas pela empresa à fiscalização A notificada foi regularmente cientificada do lançamento, em 30/11/2007 e apresentou impugnação de fls. 27 e segs., alegando, em síntese, que: a) o fisco não conseguiu demonstrar que a empresa foi intimada a apresentar os documentos solicitados pela fiscalização, nem mesmo que houve a solicitação desses documentos; b) não foram considerados os créditos referentes ao pagamento de salário família; c) não há nos autos explicação sobre o lançamento efetuado sobre a “rubrica 14 – C. ind/adm/aut”; d) cabe ao fisco provar que o valor do saláriodecontribuição lançado corresponde às declarações prestadas pela empresa; e) havendo erros nas folhas de pagamento e declarações prestadas pelo sujeito passivo, cabe ao fisco identificar as incorreções e apurar o valor do tributo efetivamente devido; f) a NFLD deve ser julgada improcedente, sob pena de nulidade na futura execução fiscal por cerceamento ao direito de defesa; g) a incidência de contribuição sobre o prólabore é inconstitucional; h) os fundamentos legais para aplicação dos juros e da multa não podem ser aplicados à contribuição ao RAT e para terceiros, posto que em relação a estas o INSS é mero arrecadador; i) a exigência da contribuição ao RAT sem que se apresente a fundamentação legal é irregular, devendo a mesma ser afastada; j) a fixação da alíquota RAT por Decreto não tem qualquer validade, devendo ser imposta nesse caso a alíquota de 1%; k) as contribuições exigidas para os terceiros são inconstitucionais; Fl. 127DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14479.000908/200796 Acórdão n.º 240102.393 S2C4T1 Fl. 126 5 l) o fisco deixou de considerar a compensação de valores pagos indevidamente pela empresa; m) a aplicação dos juros SELIC para fins tributários é inconstitucional; n) a multa aplicada é inconstitucional por ferir os princípios constitucionais da isonomia e do não confisco; o) devem ser excluídos do polo passivo as pessoas arroladas como co responsáveis. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em São Paulo I julgou, fls. 63 e segs, procedente o lançamento. Inconformada a notificada interpôs recurso voluntário, fls. 94 e segs., na qual alega inicialmente a nulidade da intimação da decisão de primeira instância, posto que, malgrado haver solicitado que as intimações fossem feitas no endereço do seu patrono, recebeu a intimação da decisão da DRJ apenas no endereço da empresa. Afirma que esse fato causou prejuízo ao seu direito de defesa, por restringir o prazo do recurso. No mais, são repetidos os argumentos constantes da defesa. É o relatório. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Intimação no endereço do advogado Alega a recorrente que a intimação da decisão recorrida foi feita unicamente em seu endereço, malgrado tenha requerido que tal ato fosse endereçado ao seu patrono constituído nos autos. Nesse sentido, fora atropelado o seu direito de defesa, posto que suprimido o prazo para recorrer. Por essa razão, requesta pela nulidade do ato processual. Não devo dar razão a esse inconformismo. Nos termos do Decreto n.º 70.235/1972, as intimações podem ser feitas por três modalidades, não se firmando ali nenhuma ordem de preferência. Assim, a Administração Tributária pode se valer para dar ciência ao contribuinte dos atos processuais das intimações pessoal, postal ou eletrônica. Eis o dispositivo que trata da matéria: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (...) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (...) Na situação sob enfoque, verificase que se optou pela intimação via postal, cujo único requisito de validade é a prova de recebimento da correspondência no domicílio tributário do sujeito passivo. Verificase da fl. 92 que a intimação EQREC 2272/2008 foi entregue no domicílio fiscal do sujeito passivo, conforme determina a norma acima mencionada. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14479.000908/200796 Acórdão n.º 240102.393 S2C4T1 Fl. 127 7 Ademais não há norma que obrigue a Administração Tributária a encaminhar as intimações ao procurador do sujeito passivo. Nesse sentido tem se manifestado a jurisprudência administrativa, conforme se vê: “INTIMAÇÕES ATOS PROCESSUAIS PROCURADOR Não encontra respaldo legal nas normas do Processo Administrativo Fiscal a solicitação para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do procurador (advogado) constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária.” Acórdão nº 104 20408, (sessão de 26/01/2005). Afasto, então, a suscitada nulidade da intimação da decisão de primeira instância. A intimação para apresentação de documentos Alegou a recorrente que o fisco não demonstrou que havia intimado a empresa para apresentar os documentos. Sobre essa alegação, cabe inicialmente frisar que o lançamento em questão não se deu pela falta de apresentação de documentos, mas teve como motivo a apresentação das folhas de pagamento e das GFIP, das quais foram verificados os fatos geradores e apuradas as bases de cálculo que compõem a NFLD. De outra banda, resta comprovado nos autos que a empresa foi regularmente intimada em 06/11/2007, através do Termo de Início de Ação Fiscal — TIAF, fls. 18/19, a apresentar à fiscalização a documentação relacionada. Em 26/11/2007, mediante o Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD, fls. 20, foi a recorrente novamente intimada a apresentar os elementos relacionados pela Auditoria. Observase que a não apresentação de todos os documentos, mormente do Livro Diário, ensejou a lavratura do Auto de Infração Debcad n° 37.101.1078, pelo descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 33, § 2° da Lei 8.212/91. Assim, não merece acolhida a tese de falta de intimação do fisco para exibição documental, posto que os autos demonstram o contrário. Cerceamento ao direito de defesa Alega a recorrente ofensa ao seu direito de defesa, por defeitos no procedimento fiscal. A princípio cabe verificar se o presente lançamento foi confeccionado em consonância com as normas que regem a matéria. Analisemos a situação a luz do art. 142 do CTN, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Do dispositivo transcrito, verificase que um dos requisitos indispensáveis ao lançamento é a verificação da ocorrência do fato gerador. De fato, se o fisco não se desincumbir do ônus de demonstrar que efetivamente a hipótese de incidência tributária se concretizou no mundo fático, o lançamento é imprestável. Todavia, não é essa situação que os autos revelam. O relato da auditoria aponta que os fatos geradores das contribuições lançadas foram as remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais (administradores). Na seqüência, indica expressamente as evidências que culminaram com a conclusão acerca da ocorrência dos mesmos. Nas palavras da Autoridade Fiscal, a comprovação do pagamento de remuneração por serviços prestados à empresa, que é o fato gerador dos tributos lançados, foi obtida com esteio na documentação fornecida pela notificada no decorrer da auditoria, mormente as GFIP e as folhas de pagamento. Nesse sentido, vejo que a NFLD e seus anexos demonstram a contento a situação fática que deu ensejo à exigência fiscal, inclusive os elementos que foram analisados para se chegar a reconstituição dos fatos geradores praticados pela empresa. As bases de cálculo também encontramse bem apresentadas, tanto nos anexos colacionados, quanto no Relatório de Lançamentos. As alíquotas podem ser visualizadas sem dificuldades pela leitura do Discriminativo Analítico o Débito – DAD. O relatório Fundamentos Legais do Débito traz a discriminação, por período, da base legal utilizada para constituição do crédito previdenciário. Por outro lado, o sujeito passivo, embora alegue o defeito material, não especifica qual o ponto que, por não ter a clareza e precisão suficientes, veio a acarretar prejuízo ao seu direito de defesa. Vejase que o fisco indicou a fonte de dados que o levou a concluir pela ocorrência dos fatos geradores e discriminou todos os valores envolvidos no procedimento de apuração. Assim, por entender que o fisco demonstrou a contento os elementos essências do lançamento, possibilitando à empresa o exercício do seu amplo direito de defesa e que a alegação de nulidade não se funda em dados e fatos, afasto essa preliminar. A exclusão dos sócios da relação de representantes legais Ainda em preliminares, a autuada pede a retirada do nome dos seus sócios da lista de representantes legais e de vínculos. Essa tese, relativa impossibilidade se arrolar os representantes legais da recorrente como devedores solidários, não deve ser acolhida. É preciso que se tenha em conta que essa relação, que constitui anexo da NFLD, é uma formalidade prevista nas normas de fiscalização que tem cunho meramente informativo, não causando qualquer ônus, na fase administrativa, para as pessoas elencados. Somente após o trânsito administrativo da lide tributária, é que o órgão responsável pela inscrição em Dívida Ativa verificará a ocorrência dos pressupostos legais para imputação da responsabilidade tributária aos representantes da pessoa jurídica ou aqueles que com a mesma mantiveram vínculos. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14479.000908/200796 Acórdão n.º 240102.393 S2C4T1 Fl. 128 9 Assim, nessa fase processual, não há o que se falar em responsabilidade solidária das pessoas listadas pelo fisco. A falta de aproveitamento dos créditos do saláriofamília Outra reclamação da recorrente diz respeito ao suposto não reconhecimento na apuração fiscal dos valores relativos ao saláriofamília. Essa reclamação também carece de fundamento. É que o crédito foi apurado com base nos documentos (folha de pagamento e GFIP) fornecidos pela própria empresa ao fisco. Diante desse fato, apenas a apresentação de documentos retificados, acompanhados dos elementos necessários à comprovar a regularidade dos pagamentos de saláriofamília seriam hábeis a reverter esse questão. Vejo que a recorrente apenas alega, sem, no entanto, apresentar qualquer elemento de prova que pudesse socorrer suas alegações. Sobre essa questão, é bom que se diga, que o art. 333 do Código de Processo Civil (Lei n.º 5.869/1973), utilizado subsidiariamente no processo administrativo fiscal, é do réu o encargo de provar a existência de fato que possa extinguir o direito do autor. Eis o dispositivo: Art.333.O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Assim, não tendo a recorrente demonstrado a veracidade de suas alegações sobre a existência de créditos de saláriofamília a serem aproveitados na apuração fiscal, devo afastar essa alegação. A “rubrica 14 – C. ind/adm/aut” Arguiu a recorrente a falta de explicação do fisco acerca origem da remuneração lançada na rubrica acima mencionada. O fisco deixou claro em seu relato que a apuração foi efetuada com base nas folhas de pagamento de empregados e administradores, valores esses declarados na GFIP. No Discriminativo Analítico de Débito – DAD, fls. 04/06, constam as bases de cálculo, indicadas sob os códigos: “03 BC C. Ind/Adm/Aut” e “01 SC Empreg/avulso”. Considerando que as contribuições foram apuradas com base em remunerações de empregados e administradores, resta explicitado no DAD que as bases de cálculo ali lançadas dizem respeito a pagamentos de remuneração aqueles segurados. No Relatório de Lançamentos – RL, fls. 09/10, constam os valores tomados como saláriodecontribuição, onde mais uma vez aparecem os valores de “salários” compondo a base cálculo correspondente a remuneração de segurados (01 SC Empreg/avulso) e os valores de “prólabore” correspondente a remuneração dos administradores (03 BC C. Ind/Adm/Aut). Fl. 132DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 A “rubrica 14 – C. ind/adm/aut”, a qual se refere a recorrente, é exatamente o valor da contribuição da empresa sobre a remuneração paga aos administradores, a título de prólabore, conforme demonstrado no DAD, onde se indica inclusive a alíquota aplicada. Verificase, portanto, que as explicações constantes no Relatório Fiscal e nos anexos DAD e RL são suficientes a perfeita compreensão das bases de cálculo que compõem a apuração fiscal, bem como das alíquotas aplicáveis e das contribuições devidas, descabendo o inconformismo da recorrente quanto a esse aspecto do lançamento. As informações prestadas pela empresa O sujeito passivo afirmou que o fisco deveria demonstrar que as bases lançadas na sua apuração correspondem aos valores efetivamente declarados pela empresa. Assevera também que, havendo erro nas informações prestadas pelo contribuinte, cabe ao fisco corrigilos de modo que se evitem equívocos no lançamento fiscal. Sobre essa questão é curial falar sobre a natureza jurídica do lançamento das contribuições sociais. Dos termos do art. 150 do CTN, abaixo reproduzido, constatase que às contribuições aplicase o regime jurídico do lançamento por homologação, segundo o qual cabe ao contribuinte apurar e recolher o tributo devido e ao fisco, posteriormente, homologar esse procedimento, operandose assim a extinção do crédito tributário. Eis o dispositivo: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...) Na espécie, verificase que a notificada apresentou a GFIP, declarando a Administração Tributário os valores devidos. O aparato de fiscalização ao se deparar com a falta de recolhimento do montante declarado fez, mediante o presente lançamento, a constituição do crédito tributário, exatamente com base nas informações prestadas pelo contribuinte na guia declaratória, a qual, digase de passagem, tem caráter de confissão de dívida. Tais valores, inclusive, nem necessitariam ser lançados pela Fazenda, posto que a declaração de GFIP tem força constitutiva do crédito fiscal ali expresso, conforme entende o Egrégio Superior Tribunal de Justiça, conforme a redação da Súmula n.º 436: "A entrega de declaração pelo contribuinte, reconhecendo o débito fiscal, constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco". Portanto, ao contrário do que afirmou a recorrente, não é necessário que o fisco apresente provas de que os valores apurados na presente NFLD são aqueles declarados pela empresa, posto que os dados constantes da GFIP encontramse no próprio banco de dados da Administração Tributária, podendo ser extraídos a qualquer momento, inclusive por solicitação do sujeito passivo. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14479.000908/200796 Acórdão n.º 240102.393 S2C4T1 Fl. 129 11 A empresa, caso detecte alguma divergência entre as quantias lançadas e as suas declarações, tem a prerrogativa de impugnar o lançamento, apontando as incorreções verificadas de modo a provocar a retificação do crédito. Notase que não foi esse o caso dos autos, posto que a empresa limitouse a alegar a existência de erros em nos dados enviados pela GFIP, sem contudo, apontar quais seriam as incorreções e, muito menos, trazendo ao processo a comprovação das mesmas. Não deve, portanto, prosperar essa alegação recursal. Do aproveitamento de créditos compensáveis Como bem afirmou o julgador monocrático, o pedido de quitação da multa aplicada, mediante aproveitamento de supostos créditos que a empresa teria com a Fazenda Nacional não pode ser reconhecido no processo administrativo fiscal. Aqui tem lugar tão somente a verificação da legalidade do procedimento do fisco, não sendo o foro próprio para decisão acerca de processo compensatório ou de restituição. Caso o objeto do lançamento fosse a glosa de compensações efetuadas pelo contribuinte, aí sim caberia ponderação sobre a operação de encontro de contas, mas não é o caso, posto que aqui o que deve ser decido é se efetivamente ocorreu a empresa recolheu as contribuições declaradas. Além do mais, o sujeito passivo não apresentou qualquer demonstrativo de direitos creditórios que porventura possuísse frente à Fazenda Nacional. A exclusão dos acréscimos legais sobre as contribuição ao RAT e aos terceiros Segundo a notificada não poderiam, por falta de previsão legal, ser aplicados juros e multas à contribuição para custeio dos benefícios acidentários e aquelas destinadas a outras entidades e fundos. Essa alegação não tem plausibilidade jurídica, posto que a própria Lei de Custeio da Seguridade Social (Lei n.º 8.212/1991) apresenta essa previsão. Eis os as redações dos artigos 34 e 35 da Lei n.º 8.212/1991, na redação vigente na época dos fatos geradores: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) Não há dúvida que a contribuição ao RAT, prevista no inciso II do art. 22 da Lei n.º 8.212/1991 estaria abrangido pelos dispositivos acima, posto que inegavelmente é contribuição social. Por outro lado, o revogado art. 94 da mesma Lei, garantia às contribuições Fl. 134DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 destinadas aos terceiros o mesmo tratamento dados às contribuições para a Seguridade Social, senão vejamos: Art. 94. O Instituto Nacional do Seguro SocialINSS poderá arrecadar e fiscalizar, mediante remuneração de 3,5% do montante arrecadado, contribuição por lei devida a terceiros, desde que provenha de empresa, segurado, aposentado ou pensionista a ele vinculado, aplicandose a essa contribuição, no que couber, o disposto nesta Lei. Afasto, portanto, essa infundada alegação. Das inconstitucionalidades alegadas Para enfrentar as demais alegações recursais é necessário uma análise da constitucionalidade de dispositivos legais aplicados pelo fisco, daí, é curial que, a priori, façamos uma abordagem acerca da possibilidade de afastamento por órgão de julgamento administrativo de ato normativo por inconstitucionalidade. Sobre esse tema, notese que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. O Decreto n.º 70.235/1972, que rege o processo administrativo fiscal no âmbito da União, prescreve: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Nessa linha de entendimento, a própria Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando, regra geral, o afastamento de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, a pretexto de inconstitucionalidade, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou Fl. 135DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14479.000908/200796 Acórdão n.º 240102.393 S2C4T1 Fl. 130 13 c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Observese que, somente nas hipóteses ressalvadas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência. No âmbito do julgamento administrativo, a matéria acabou por ser sumulada, como se vê do seguinte enunciado de súmula: Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de lei e decreto trazidas pela recorrente, como é o caso da contribuição sobre a remuneração dos contribuintes individuais, da contribuição ao RAT, das contribuições aos terceiros e dos acréscimos legais aplicados. Conclusão Assim, voto por afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, pelo desprovimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 136DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10830.005365/2010-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 30/04/2005 a 30/12/2008
VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. DESCONTO
PADRÃO DE AGÊNCIA. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Na ausência de previsão legal específica, o valor correspondente ao desconto
padrão de agência, quando contabilizado como receita pelos veículos de
comunicação não pode ser excluído da base de cálculo da Contribuição para
o Financiamento da Seguridade Social COFINS.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 30/04/2005 a 30/12/2008
VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. DESCONTO
PADRÃO DE AGÊNCIA. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Na ausência de previsão legal específica, o valor correspondente ao desconto
padrão de agência quando contabilizado como receita pelos veículos de
comunicação não pode ser excluído da base de cálculo da Contribuição para
o PIS/PASEP.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-01.464
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Vencidos os Conselheiros Luciano Pontes de Maya Gomes, Álvaro Arthur Lopes de Almeida
Filho e Nanci Gama, que davam provimento ao recurso.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201204
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/04/2005 a 30/12/2008 VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. DESCONTO PADRÃO DE AGÊNCIA. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Na ausência de previsão legal específica, o valor correspondente ao desconto padrão de agência, quando contabilizado como receita pelos veículos de comunicação não pode ser excluído da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/04/2005 a 30/12/2008 VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. DESCONTO PADRÃO DE AGÊNCIA. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Na ausência de previsão legal específica, o valor correspondente ao desconto padrão de agência quando contabilizado como receita pelos veículos de comunicação não pode ser excluído da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10830.005365/2010-91
anomes_publicacao_s : 201204
conteudo_id_s : 5134552
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3102-01.464
nome_arquivo_s : 310201464_10830005365201091_201204.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : RICARDO PAULO ROSA
nome_arquivo_pdf_s : 10830005365201091_5134552.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Luciano Pontes de Maya Gomes, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama, que davam provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
id : 4751558
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:46:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044358934036480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2088; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 2 1 1 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.005365/201091 Recurso nº 893.282 Voluntário Acórdão nº 310201.464 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de abril de 2012 Matéria Auto de Infração COFINS/PIS Recorrente EMPRESA PAULISTA DE TELEVISÃO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/04/2005 a 30/12/2008 VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. DESCONTO PADRÃO DE AGÊNCIA. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Na ausência de previsão legal específica, o valor correspondente ao desconto padrão de agência, quando contabilizado como receita pelos veículos de comunicação não pode ser excluído da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/04/2005 a 30/12/2008 VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. DESCONTO PADRÃO DE AGÊNCIA. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Na ausência de previsão legal específica, o valor correspondente ao desconto padrão de agência quando contabilizado como receita pelos veículos de comunicação não pode ser excluído da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Luciano Pontes de Maya Gomes, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama, que davam provimento ao recurso. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. Fl. 990DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 2 EDITADO EM: 04/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Tratase de Autos de Infração da Contribuição para Financiamento da Seguridade SocialCOFINS e da contribuição para o Programa de Integração Social PIS,. fls. 25/58, que constituíram o crédito tributário total de R$ 15.448.047,42, somados o principal, multa de ofício e juros de mora calculados até 31/03/2010. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 02/24, a autoridade autuante relata as intimações lavradas no desenvolvimento da ação fiscal, assim como resume as respostas dadas pela contribuinte. Após, contextualiza da seguinte forma o lançamento: 30 Após análise das DACON dos anoscalendário 2005 a 2008, bem como os demais Livros e documentos encaminhados (arquivos magnéticos), constatouse que a fiscalizada excluiu indevidamente das bases de cálculo do PIS e da COFINS, os valores pagos à título de desconto padrão de agência (desconto de Agência Regional/Nacional/Agente Comissão). 31À luz da legislação de regência, não há previsão legal para a exclusão da base de cálculo da COFINS e do PIS, dos valores devidos às agências de publicidade, a título de desconto padrão de agência, pelos veículos de divulgação, como é o caso da fiscalizada. 32Considerando as relações entre os anunciantes, agências de propaganda e os veículos de divulgação, devemos trazer à presente, primeiramente, os dispositivos legais, que regem a matéria. 33 Dispõe a Lei n° 4.680, de 1965: "Art. 3° A Agência de Propaganda é pessoa jurídica e especializada na arte e técnica publicitárias, que, através de especialistas, estuda, concebe, executa e distribui propaganda aos Veículos de Divulgação, por ordem e conta de Clientes Anunciantes, com o objetivo de promover a venda de produtos e serviços, difundir idéias ou instituições colocadas a serviço desse mesmo público. Art. 4° São Veículos de Divulgação, para os efeitos desta lei, quaisquer meios de comunicação visual ou auditiva capazes de transmitir mensagens de propaganda ao público, desde que reconhecidos pelas entidades e órgãos da classe, assim considerados as associações civis locais e regionais de propaganda, bem como os sindicatos de publicitários. (...) Art. 11. A comissão, que constitui a remuneração dos Agenciadores de Propaganda, bem como o desconto devido às Agências de Propaganda, serão fixados pelos Veículos de Divulgação sobre os preços estabelecidos em tabela. Fl. 991DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.005365/201091 Acórdão n.º 310201.464 S3C1T2 Fl. 3 3 Art 12. Não será permitido aos veículos de divulgação descontarem da remuneração dos Agenciadores de Propaganda, no todo ou em parte, os débitos não saldados por anunciantes, desde que sua propaganda tenha sido formal e previamente aceita pela direção comercial do veículo da divulgação, "(nosso grifo) 34 Também dispõe o Decreto n° 57.690, de 1º de fevereiro de 1966: "Art. 10. Veículo de Divulgação, para os efeitos deste Regulamento, é qualquer meio de divulgação visual, auditiva ou audiovisual capaz de transmitir mensagens de propaganda ao público, desde que reconhecido pelas entidades sindicais ou associações civis representativas de classe, legalmente registradas", (grifo nosso) Art. 11 O Veículo de Divulgação fixará, em Tabela, a comissão devida aos Agenciadores, bem como o desconto atribuído às Agências de Propaganda. Art. 12 Ao veículo de Divulgação não será permitido descontar da remuneração dos Agenciadores de Propaganda, mesmo parcialmente, os débitos não liquidados por Anunciantes, desde que a propaganda tenha sido formal e previamente aceita por sua direção comercial. (...) Art. 14. 0 preço dos serviços prestados pelo Veículo de Divulgação será por este fixado em Tabela pública aplicável a todos os compradores, em igualdade de condições, incumbindo ao Veículo respeitála e fazer com que seja respeitada por seus Representantes. Art. 150 faturamento da divulgação será feito em nome do Anunciante, devendo o Veiculo de Divulgação remetêlo a Agência responsável pela propaganda." (grifo nosso) 35 Já com relação às NormasPadrão da Atividade Publicitária, de 16 de dezembro de 1998, temos o que se segue: (...) 1.10 Desconto Padrão de Agência: é o abatimento concedido, com exclusividade, pelo Veículo de Comunicação à Agência de Publicidade, a título de remuneração pela criação/produção de conteúdo e intermediação técnica entre aquele e o Anunciante, 1.11 Valor Bruto: é o preço da mídia contratada, deduzidos os descontos comerciais concedidos ao Anunciante. 1.12 Valor Líquido: é o preço da mídia contratada, deduzidos os descontos comerciais concedidos ao Anunciante e os 20% do "desconto padrão de agência". 1.13 "Fee": é o valor contratualmente pago pelo Anunciante à Agência de Publicidade, nos termos estabelecidos pelas NormasPadrão, independente do volume de veiculações, por serviços prestados de forma contínua ou eventual."(grifo nosso) (...) 2. DAS RELAÇÕES ENTRE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE, ANUNCIANTES E VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO Fl. 992DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 4 (...) 2.2 Os Veículos comercializarão seu espaço, seu tempo e seus serviços com base em preços de conhecimento público, válidos, indistintamente, tanto para negócios que os Anunciantes lhes encaminharem diretamente, quanto para aqueles encaminhados através de Agências. É lícito que, sobre esses preços, os Veículos ofereçam condições ou vantagens de sua conveniência, observado o disposto no item 2.3. destas NormasPadrão. (...) 2.3.1 É livre a contratação de permuta de espaço, tempo ou serviço publicitário entre Veículos de Comunicação e Anunciantes, diretamente ou mediante a participação da Agência de Publicidade responsável pela conta publicitária. O respectivo contrato deverá, necessariamente, estabelecer a quem competirá remunerar a Agência, podendo este ônus recair sobre o Veículo ou sobre o Anunciante, isoladamente, ou sobre ambos e em qual proporção. Quando o contrato for omisso a respeito, a Agência titular dos direitos autorais sobre o material a ser veiculado fará jus ao "desconto padrão de agência", na forma do item 2.5 combinado com o item 4.1 destas NormasPadrão. (...) 2.4 O Anunciante é titular do crédito concedido pelo Veículo com a finalidade de amparar a aquisição de espaço, tempo ou serviço diretamente ou através de Agência de Publicidade, sendo obrigação do primeiro pagar ao segundo o preço contratado. Havendo a participação de Agência, o faturamento do Veículo será emitido contra o Anunciante aos cuidados da Agência, que efetuará a cobrança, devendo pagar ao Veículo o valor líquido da operação no prazo estabelecido, deduzido o "desconto padrão de agência", que lhe é concedido a título de "Del Credere". 2.4.1 A Agência responde perante o Veículo pelos valores recebidos do Cliente e àquele devido. 2.4.1.1 Tendo em vista que o fator confiança é fundamental no relacionamento comercial entre Veículo, Anunciante e Agência e sendo esta última depositária dos valores que lhes são encaminhados pelos Clientes/Anunciantes para pagamento dos Veículos e Fornecedores de serviços de propaganda, fica estabelecido que, na eventualidade da Agência reter indevidamente aqueles valores sem o devido repasse aos Veículos e/ou Fornecedores, terá suspenso ou cancelado seu Certificado de Qualificação Técnica concedido pelo CENP. 2.4.2 Quando, excepcionalmente mediante prévio e expresso ajuste entre o Anunciante, Agência e Veículo o pagamento ao Veículo for efetuado diretamente pelo Anunciante, este o fará pelo valor bruto da fatura. Neste caso, o Veículo deverá creditar à Agência o "desconto padrão de agência", deduzidos os tributos e encargos sociais que incidirem sobre a operação. 2.4.3 Quando, excepcionalmente, mediante prévio e expresso ajuste entre o Anunciante, Agência e Veículo o pagamento ao Veículo for efetuado diretamente pelo Anunciante pelo valor líquido, caberá ao Anunciante transferir à Agência o valor do "desconto padrão de agência" já concedido pelo Veículo. 2.5 0 "desconto padrão de agência" de que trata o art. 11 da Lei n° 4.680/65 e art. 11 do Decreto 57.690/66 é reservado exclusivamente à Agência, com a finalidade de remunerar seus serviços como criadora/produtora de conteúdo publicitário. Fl. 993DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.005365/201091 Acórdão n.º 310201.464 S3C1T2 Fl. 4 5 (...) 3.DAS RELAÇÕES ENTRE ANUNCIANTES E AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 3.10 Como alternativa à remuneração através do "desconto padrão de agência", é facultada a contratação de serviços de Agência de Publicidade mediante "fees" ou "honorários de valor fixo", a serem ajustados por escrito entre Anunciante e Agência, respeitado o disposto no item 2.9 destas NormasPadrão. 3.10.1 O "fee" poderá ser cumulativo ou alternativo à remuneração de Agência decorrentes da veiculação ("desconto padrão de agência"); de produção externa, de produção interna e de outros trabalhos eventuais e excepcionais, tais como serviços de relações públicas, assessoria de imprensa, etc. 36 De acordo com os dispositivos das NormasPadrão da Atividade Publicitária NAP, retromencionados, verificamse duas formas distintas de se remunerar as agências de publicidade. 37 Temos a forma de remuneração predeterminada denominada "fee" (itens 1.13, 3.10 e 3.10.1, das Normas Padrão) ou "honorário fixo". Nesse caso, cabe ao anunciante a obrigação de remunerar a agência de publicidade e propaganda. 38 Temos, também, a modalidade de remuneração denominada "desconto padrão de agência" (itens 1.10, 2.3.1, 2.4, 2.4.2, 2.4.3 e 2.5, das NormasPadrão), no qual a agência de publicidade e propaganda tem, perante o veículo de divulgação, o direito de receber ou descontar o valor por este devido. 39 Nessa modalidade, o pagamento pode se realizar de três formas distintas, a seguir especificadas: a) "desconto padrão de agência", em que a própria agência de propaganda é responsável pela cobrança do valor total devido pelo anunciante e pelo repasse do valor líquido ao veículo de divulgação (item 2.4 das NAP); b) "desconto padrão de agência", em que o montante do valor total devido (valor devido ao veículo de divulgação acrescido do valor do "desconto padrão") é entregue diretamente pelo anunciante ao veículo de divulgação. Nesse caso, é de responsabilidade do veículo pagar diretamente o "desconto padrão" à agência de publicidade (item 2.4.2 das NAP); c) "desconto padrão de agência", em que o montante do valor líquido (já deduzido o "desconto padrão") é entregue diretamente pelo anunciante ao veículo de divulgação. Nesse caso, é de responsabilidade do anunciante pagar à agência o valor referente ao "desconto padrão" (item 2.4.3 das NAP). 40 É mister esclarecer que todas são formas obrigatórias previstas na legislação que regulamenta a atividade publicitária. 41 Todavia, de acordo com o item 2.3.1 das NormasPadrão, é permitida aos contratantes a liberdade de determinar outra forma de remuneração da agência, desde que seja especificado no próprio contrato a quem competirá tal encargo. 42 De plano verificase que o legislador determinou, através dos artigos 11 e 12 da Lei n° 4.680/65, que a responsabilidade para a fixação da tabelas de preços, bem como da remuneração das agências é exclusivamente do veículo de comunicação. Fl. 994DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 6 43 Isto significa que o risco do negócio é do veículo de comunicação que não pode deixar de remunerar as agências em razão de inadimplemento do anunciante. 44 Se o negócio jurídico é de responsabilidade exclusiva do veículo de comunicação é de se inferir que o faturamento bruto, incluindo o desconto padrão, compõe toda a receita do veículo de comunicação. 45 Tanto é verdade que em caso de inadimplemento do anunciante quem deverá ajuizar uma ação judicial em face deste (anunciante) cobrando a totalidade da fatura (valor líquido mais o desconto padrão) é o veículo de comunicação pois, a agência já recebeu a sua comissão. 46 Este fato corrobora para demonstrar que o valor faturado bruto é receita própria do veículo. (...) 48 A apuração das bases de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS apurados mediante a sistemática da nãocumulatividade têm seu fato gerador disciplinado no art. 1º da Lei n° 10.637, de 2002, e da Lei n° 10.833, de 2003. 49 Cumpre observar que, para os casos em que a agência recebe o valor bruto do anunciante e repassa o valor líquido para o veículo de divulgação, conforme a letra 'a' do item 39 anterior, a legislação tributária prevê expressamente que, em tal situação, a agência de propaganda e publicidade poderá deixar de computar nas bases de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS o valor repassado, conforme dispõe o art. 13 da Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004, c/c o art. 53, parágrafo único, da Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985: (...) 50 Portanto, depreendese que os valores repassados somente podem ser excluídos na apuração das bases de cálculo do PIS e da COFINS quando houver expressa disposição legal nesse sentido, conforme preceitua o art. 150, § 6º, da Constituição Federal, incluído pela Emenda Constitucional n° 3, de 17 de março de 1993: (...) 51 Quando o legislador disciplinou especificamente essa exclusão no caso dos repasses efetuados pelas agências de publicidade, de acordo com o citado art. 13 da Lei n° 10.925, de 2004, o fez de acordo com a magna carta. 52 Entretanto, no caso dos veículos de divulgação, ocorre o oposto, pois o mesmo recebe o valor total (bruto) e repassa à agência o montante correspondente ao "desconto padrão". 53 Portanto, tal situação não configura hipótese de exclusão da base de cálculo, uma vez que não há expressa disposição legal. 54 O que se constata é que a obrigação relativa ao desconto padrão de agência configura uma situação jurídica própria, em paralelo ao faturamento realizado pelo veículo de divulgação contra o anunciante, constituindo, assim, uma segunda relação jurídica, desta vez erigida entre o veículo de divulgação e a agência de publicidade e propaganda. 55 Essa segunda relação jurídica, por conseqüência, não se altera, seja qual for a forma de pagamento adotada pelo veículo de divulgação, isto é, tratase sempre Fl. 995DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.005365/201091 Acórdão n.º 310201.464 S3C1T2 Fl. 5 7 de obrigação do veículo de comunicação, seja o pagamento realizado de forma direta ou indireta. 56 Assim, a remuneração da agência tanto pode se dar mediante desconto no repasse do montante entregue pelo anunciante a título de quitação da fatura emitida pelo veículo de divulgação, como pelo recebimento do valor referente ao "desconto padrão" diretamente do anunciante (nesse último caso, o anunciante apenas divide o valor total da fatura emitida pelo veículo de divulgação em duas partes e direciona uma delas à agência). 57 Seja qual for a modalidade escolhida quem sempre irá remunerar as agências será o veículo de comunicação e não o anunciante, ou seja, a relação que se estabelece entre o veículo de divulgação e a agência de propaganda e publicidade não é alterada pela forma escolhida para quitação do "desconto padrão", sendo essa relação jurídica distinta da que se estabelece entre o anunciante e o veículo de divulgação. 58 Assim, tendo em vista que o anunciante deve efetuar o pagamento ao veículo de comunicação pelo valor bruto do serviço (incluindo o desconto padrão de agência) e que tal desconto não importa em nenhum tipo de desconto incondicional (do veículo de divulgação em favor do anunciante), é mister concluir que os veículos de divulgação não podem excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS o desconto padrão de agência. 59 Ademais, conforme já explanado anteriormente, se o negócio jurídico é de responsabilidade exclusiva do veículo de comunicação é de se inferir que o faturamento bruto (incluindo o desconto padrão) deve compor a receita do veículo de comunicação. 60 Com efeito, no caso de inadimplemento do anunciante, somente o veículo de comunicação poderá pleitear judicialmente os valores inadimplidos por este, devendo por conseguinte, requerer a totalidade da fatura (valor líquido mais o desconto padrão), pois já efetuou o pagamento do desconto padrão à agência. 61 Dessa forma, o "desconto padrão" devido às agências de publicidade, independentemente da modalidade pela qual se verifique o pagamento, não poderá ser excluído na apuração das bases de cálculo da COFINS e do PIS devidas pelo veículo de divulgação, por falta de previsão legal. ... 70 Portanto, da análise da escrituração (Razões contábeis/Balancetes) da fiscalizada nos anoscalendário 2005 a 2008, em contraposição com os valores de COFINS e PIS declarados em DCTF/DACON, verificouse que a fiscalizada DECLAROU/RECOLHEU A MENOR os valores devidos de COFINS e PIS de abril de 2005 a dezembro de 2008, tendo em vista a exclusão indevida dos valores pagos à título de desconto padrão de agência (desconto de Agência Regional/Nacional/Agente Comissão) às agências de publicidade. Cientificado do lançamento em 29/04/2010, o sujeito passivo apresentou impugnação em 28/05/2010, fls. 136/159, alegando, em síntese: A Impugnante está sendo compelida ao recolhimento de PIS e COFINS referentes aos anoscalendário 2005, 2006, 2007 e 2008 sobre os valores costumeiramente referidos no mercado em que atua como "desconto padrão de agência", pagos pelos anunciantes às agências de publicidade, como se, Fl. 996DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 8 supostamente, tais valores devessem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS dos veículos de divulgação. Vale dizer, consoante se depreende de seus atos constitutivos, tendo como atividade preponderante a instalação e exploração de estações radiodifusoras, serviços auxiliares de radiodifusão e serviços de telecomunicação de qualquer natureza, a Impugnante comercializa, regularmente, espaços em sua grade de programação para a veiculação de propagandas, contratadas por anunciantes que, por sua vez, contratam serviços de agências de propaganda para a concepção, criação e finalização do conteúdo. Em outras palavras, durante o regular desenvolvimento de suas atividades, a Impugnante vende aos anunciantes espaço publicitário durante sua programação televisiva, para veiculação do conteúdo publicitário concebido, criado e produzido pela agência de propaganda e publicidade. O objeto dos Autos de Infração ora impugnados recai justamente sobre tais operações. Seguindo o raciocínio do Ilustre Auditor Fiscal autuante, a contratação das agências de publicidade seria de responsabilidade da Impugnante, de tal modo que a receita de serviços prestados pela agência deveria ser acrescida à da comercialização de espaços publicitários para fins de composição das bases de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS, não havendo base legal para "exclusão" dos valores tidos como "custo" das atividades exercidas pelos veículos de divulgação. Como a própria Autoridade Administrativa autuante chama a atenção da Impugnante, o entendimento sumarizado acima é, na verdade de (parte) da Administração Tributária e está baseado em Soluções de Consulta, cujas ementas transcreve, no sentido de que o "desconto padrão de agência" deveria compor as bases de cálculo do PIS e da COFINS dos veículos de divulgação. ... (...) é possível antever a confusão de conceitos da qual derivam os Autos de Infração. A alegação de que não haveria previsão legal que autorizasse a exclusão do "desconto padrão de agência" das bases de cálculo do PIS e da COFINS, parte da premissa de que tais valores, isto é, o "desconto padrão de agência", constitui receita própria da Impugnante. É forçoso esclarecer, contudo, que não se trata de uma exclusão supostamente indevida das bases de cálculo do PIS e da COFINS, mas sim de verdadeira não incidência das contribuições em comento. Isso porque, conforme restará incontestavelmente demonstrado a seguir, o PIS e a COFINS lançados pela autoridade administrativa, foram calculados sobre os valores que não constituem receita bruta (e, conseqüentemente, faturamento) da Impugnante, mas das agências de publicidade, que prestam serviços de produção e criação de conteúdo publicitário aos anunciantes e não aos veículos de divulgação. Na prática, a nota fiscal emitida pela Impugnante contém o valor total a ser pago pelo anunciante, o que abrange tanto os valores devidos por este ao veículo de divulgação, quanto à agência de publicidade. O documento fiscal destaca ainda um "desconto incondicional" no exato montante devido pelo anunciante à agência de publicidade. Tal procedimento, que certamente induziu o erro de "entendimento" da autoridade lançadora acerca da composição das bases de cálculo do PIS e da COFINS dos veículos de divulgação, está historicamente enraizado na indústria publicitária e decorre, em grande parte, do Fl. 997DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.005365/201091 Acórdão n.º 310201.464 S3C1T2 Fl. 6 9 emprego da expressão "desconto padrão de agência" para designar a remuneração devida pelo anunciante à agência de publicidade. Cumpre esclarecer, contudo, que não se trata de um desconto comercial, mas apenas de um jargão empregado no âmbito desses negócios para esclarecer que o documento fiscal do veículo compreende tanto a receita dele mesmo pela comercialização do espaço publicitário, como também a receita da agência decorrente da criação da peça publicitária. Paralelamente, as agências emitem contra os anunciantes a nota fiscal correspondente justamente às receitas por ela auferidas, em razão dos serviços prestados e pagas pelo anunciante, enfeixando o fluxo das operações. De toda sorte, para ser fiel ao que fez constar no documento fiscal correspondente, o faturamento da Impugnante fica indevidamente inflado, supostamente aumentando os valores devidos a título de PIS e COFINS. Como não poderia deixar de ser, para corrigir esse efeito, a Impugnante não inclui na base de cálculo das contribuições em comento os valores correspondentes a receitas de terceiros, quais sejam, os valores devidos pelo anunciante à agência. A maneira pela qual a Impugnante emite a nota fiscal, todavia, não pode superar a verdadeira natureza das relações jurídicas existentes. ... A relação jurídica entre anunciante e veículo de divulgação decorre da comercialização de espaço publicitário na programação transmitida pelo veículo. Ao contrário do que afirma a Autoridade Administrativa autuante, a relação entre anunciante e veículo mantémse autônoma e inalterada, ainda que a agência de publicidade atue como representante do anunciante, que é, em verdade, o adquirente do conteúdo publicitário perante o veículo de divulgação. Em outras palavras, o espaço publicitário é sempre adquirido pelo anunciante, sendo sua a obrigação de pagamento da remuneração devida ao veículo de divulgação, ainda que tal aquisição ocorra, indiretamente, por meio da agência de publicidade, que, nesse caso, age por conta e ordem de seu cliente, o anunciante. Esse entendimento tem por fundamento o disposto nos itens 2.5.1 e 3.1 das Normas Padrão da Atividade Publicitária (NPAPs) (...) ... No caso de propagandas veiculadas na mídia televisiva, a escolha do canal e do horário de veiculação da propaganda faz parte da estratégia publicitária desenvolvida pelas agências. Por tais motivos, os anunciantes concedem uma autorização às agências de publicidade para que elas possam reservar, contratar e adquirir espaço publicitário na programação do veículo de comunicação, sempre em nome do anunciante. Assim, a relação jurídica de comercialização do espaço publicitário estabelecese sempre entre anunciante e veículo de comunicação, ainda que a agência de publicidade atue por conta e ordem do anunciante na reserva e contratação do espaço publicitário. ... (...) as agências de publicidade são contratadas diretamente pelos anunciantes, e não pelos veículos de comunicação. ... Fl. 998DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 10 Não assiste razão à i. Autoridade Fiscal autuante, portanto, quando afirma que as agências de publicidade devem ser remuneradas pelos veículos de comunicação. Com efeito, foge completamente ao juízo de razoabilidade afirmar que os veículos de divulgação são responsáveis pela remuneração das agências, quando, na verdade, o veículo de comunicação sequer participa da contratação da agência pelo anunciante. Ademais, conforme disposto no item 2.5 das NPAPs, o desconto padrão de agência é uma remuneração reservada exclusivamente à agência de publicidade pela produção e criação do conteúdo publicitário (...) ... É evidente, portanto, que o desconto padrão é uma remuneração devida pelo anunciante (beneficiário direto e único da propaganda criada e produzida) à agência criadora e produtora do conteúdo publicitário. De outro lado, como o veículo não exerce tal atividade de produção e criação de propaganda, atividade restrita às agências, nos termos do art. 3º da Lei n° 4.680/65, não cabe a ele ser remunerado pelo desconto padrão de agência. É inegável que no mercado publicitário existem duas relações jurídicas distintas e paralelas, embora igualmente relevantes, uma, entre anunciante e veículo, visando à comercialização de espaço publicitário; e outra, mantida entre anunciante e agência, tendo por objetivo a produção e criação do conteúdo publicitário. Por conseguinte, em ambas as relações, a responsabilidade pela remuneração do veículo e da agência de propaganda é exclusiva do anunciante, ao contrário do que afirma a Autoridade autuante. Não há nenhuma relação jurídica entre a agência e o veículo, de modo que é totalmente descabida qualquer tentativa no sentido de sustentar que o desconto de agência é a remuneração paga pelo veículo à agência; não há remuneração paga pelo primeiro à segunda pelo simples fato de que não há relação jurídica entre ambos, não sendo o veículo beneficiário dos serviços prestados pela agência, mas tão somente o anunciante. ... A liquidação financeira dos valores devidos pelo anunciante ao veículo e à agência de propaganda, respectivamente, pela comercialização do espaço de mídia e pela concepção da propaganda, dáse da seguinte forma: o anunciante paga os valores devidos diretamente à agência de publicidade (desconto padrão) e ao veículo (preço do espaço publicitário adquirido), ou seja, a remuneração da agência, que, repitase, é devida pelo anunciante, não é paga à Impugnante para posterior repasse à agência, mas sim diretamente pelo anunciante à agência. Dito de outro modo, diferente do que chega a afirmar a i. Autoridade Fiscal autuante, os anunciantes pagam à Impugnante somente os valores que lhe são devidos pela venda de espaço publicitário e, paralelamente, pagam à agência o desconto padrão em contrapartida da emissão da correspondente nota fiscal de prestação de serviços, emitida pelas próprias agências contra os anunciantes. ... Para confirmar, definitivamente, tudo quanto se afirmou sobre não ser o desconto padrão de agência como remuneração devida pelo veículo à agência de publicidade, confirase, a propósito, o art. 19 da recémeditada Lei n° 12.232/10, que põe luzes definitivas sobre a matéria, verbis: Fl. 999DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.005365/201091 Acórdão n.º 310201.464 S3C1T2 Fl. 7 11 "Art. 19. Para fins de interpretação da legislação de regência, os valores correspondentes ao descontopadrão de agência pela concepção, execução e distribuição de propaganda, por ordem e conta de clientes anunciantes, constituem receita da agência de publicidade e, em conseqüência, o veículo de divulgação não pode, para quaisquer fins, faturar e contabilizar tais valores como receita própria, inclusive quando o repasse do descontopadrão à agência de publicidade for efetivado por meio de veículo de divulgação." (grifos nossos) Portanto, se ainda havia alguma dúvida de que o desconto padrão de agência não constitui faturamento dos veículos de divulgação, simples leitura da norma transcrita acima, de caráter expressamente interpretativo, a desfez por completo. Mas não é só isso. O referido dispositivo legal acima transcrito contraria a alegação da Autoridade Fiscal autuante no sentido de que haveria duas formas de remuneração pelos serviços prestados pelas agências de propaganda, quais sejam o honorário fixo (fee), que seria devido pelo anunciante, e o desconto padrão de agência, este último devido pelo veículo. Ora, o art. 19 acima transcrito é claro no sentido de que o desconto de agência não é receita do veículo, o que pressupõe a contratação da agência pelo anunciante, da mesma maneira que se dá quando o honorário é fixo. Aliás, as próprias NPAPs, em seu item 3.10, dispõem que o honorário fixo (fee) constitui mera alternativa à remuneração das agências por meio do desconto padrão de agência, portanto sem alteração da parte contratante da agência, a qual será sempre o anunciante. Por fim, também não merecem guarida as afirmações consignadas nos itens 43 a 45 do TVF. Como já se demonstrou cabalmente, não cabe ao veículo a remuneração da agência porque ele não mantém com esta nenhum vínculo jurídico, de modo que não é correta a alegação segundo a qual "o risco do negócio é do veículo de comunicação, que não pode deixar de remunerar as agências em razão de inadimplemento do anunciante". A agência pode sim deixar de receber a sua remuneração, caso o anunciante deixe de pagála, independentemente do anunciante quitar sua obrigação com o veículo. O anunciante pode, eventualmente, deixar de pagar o veículo, a agência ou até mesmo os dois. Neste caso, caberá a cada um, individualmente, ajuizar ação judicial contra o anunciante para cobrança de seus respectivos créditos. E, ao fazêlo, a Impugnante jamais poderá reclamar do anunciante pelo valor total, compreendendo a sua parcela e a que cabe à agência, pois cabe exclusivamente à agência a legitimidade pela cobrança do valor que lhe é devido pelo anunciante e que é objeto da nota fiscal fatura por ela emitida contra ele. ... Conforme dispõe o art. 10°, inciso IX da Lei n° 10.833/03, as receitas decorrentes da comercialização de espaço publicitário pela impugnante estão sujeitas ao regime cumulativo do PIS e da COFINS (...). ... Conforme esclarecido acima, quando da comercialização de espaço publicitário, a Impugnante emite notas fiscais nas quais, por uma questão ligada à prática comercial da indústria, consta o valor integral da comercialização de conteúdo publicitário (receitas próprias) e a receita de terceiros, isto é, das agências de propaganda e publicidade decorrentes da prestação de serviços direta ao anunciante, o que se reflete em sua Demonstração de Resultados. Nem por isso, contudo, o "desconto padrão" integra o faturamento Impugnante. Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 12 As receitas são, normalmente, o produto da comercialização de mercadorias e/ou da prestação de serviços. É claro que há outras categorias de receitas, sobre as quais também incidem as contribuições ao PIS e à COFINS, por força da Lei n° 9.718/98. Não é demais, contudo, afirmar que, como regra, as receitas de uma entidade derivam do desempenho de uma determinada atividade econômica, cuja substância consiste no fornecimento de mercadorias e/ou serviços. ... Desta forma, se a receita é de "veiculação de publicidade", está evidenciado que elas têm origem em uma atividade econômica consubstanciada no fornecimento deste serviço. As agências de propaganda e publicidade, por sua vez, têm como atividade a criação de peças publicitárias aos anunciantes. A decorrência necessária é que não se pode imputar aos veículos de divulgação o ônus de recolher PIS e COFINS sobre receitas de terceiros. ... Com efeito, a Impugnante não pode ser compelida ao recolhimento dos valores supostamente devidos a título de PIS e COFINS baseado exclusivamente no que fora registrado em suas Demonstrações Financeiras, quando a natureza jurídica das relações mantidas com anunciantes e agências de propaganda e publicidade atesta o contrário, afastando de pronto a suposição de que o "desconto padrão" constitui receita própria dos veículos de divulgação. ... Nessa ordem de idéias, o verdadeiro faturamento da Impugnante constituise apenas do valor devido em razão da comercialização do espaço publicitário, não se incluindo, nessa rubrica, o "desconto padrão" remuneração devida pelo anunciante à agência de publicidade, ainda que esta tenha sido, por questões comerciais, registrado pela Impugnante como receita. ... De plano, verificase que a pretensão de tributar, nos veículos de comunicação, o "desconto padrão de agência" devido pelo anunciante à agência de publicidade, além de extrapolar abusivamente a hipótese de incidência das contribuições em comento, implica violação direta ao princípio constitucional da capacidade contributiva, previsto no art. 145, §1° da Constituição Federal. ... A própria Receita Federal do Brasil, em diversas oportunidades, manifestou seu entendimento por meio de Soluções de Consulta em sentido oposto das que foram transcritas pela i. Autoridade Fiscal autuante em seu TVF, ou seja, no sentido de que os valores referentes ao "desconto padrão de agência" não constituem receita do veículo de divulgação (...). ... Por fim, mas não menos importante, cumpre ainda à Impugnante lembrar que a própria lei reconhece, em mais de uma oportunidade, que o desconto padrão de agência não constitui receita dos veículos de divulgação. No mais, vale ainda salientar que o art. 13 da Lei n° 10.925/04, também citado pela i. Autoridade Fiscal autuante esclarece que os valores recebidos pelas agências de propaganda e publicidade e repassados aos veículos de divulgação, não Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.005365/201091 Acórdão n.º 310201.464 S3C1T2 Fl. 8 13 constituem receitas das agências. Convenhamos Senhores. Julgadores: qual seria o sentido de tratar como receitas dos veículos de divulgação a remuneração das agências repassadas pelos veículos de divulgação se, na situação inversa, as agências não tributam como suas as receitas dos veículos de divulgação quando o fluxo de pagamento se dá por meio da agência ao receber o valor integral do anunciante e repassar ao veículo a sua parcela de remuneração? Finalmente, a Impugnante lembra novamente o quanto já mencionou, durante o processo de fiscalização, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal N° 01100/09/005, que o Decreto n° 5.331/05 e o ADI n° 02/06, aplicáveis à determinação do valor do ressarcimento fiscal da propaganda partidária e eleitoral aos veículos de divulgação, determinam a exclusão do valor correspondente a oito décimos (80%) do resultado da multiplicação do preço do espaço comercializável, justamente para que a parcela da receita que corresponda à receita das agências de publicidade e propaganda seja excluída do valor do ressarcimento. Convenhamos novamente Senhores Julgadores: porque, para fins de ressarcimento da propaganda eleitoral e partidária aos veículos de divulgação, a legislação trataria o "desconto padrão das agências" como receitas de terceiros e a legislação aplicável à incidência do PIS e da COFINS o faria de modo diferente? ... Isto posto, requer a Impugnante sejam acolhidas as suas razões, devendo ser julgados inteiramente improcedentes os autos de infração (...) Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/04/2005 a 30/12/2008 BASE DE CÁLCULO. VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO. FATURAMENTO. DESCONTOS DE AGÊNCIA. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. O faturamento bruto dos veículos de comunicação decorre da venda dos seus espaços/tempos aos anunciantes. Os valores correspondentes aos chamados “descontos de agência” integram o valor do faturamento dos veículos de comunicação e são devidos às agências de publicidade por conta da intermediação entre anunciante e veículo, possuindo natureza de comissão. Assim, os “descontos de agência” vinculamse a momento posterior ao do auferimento da receita tributável pelos veículos de comunicação, dela não podendo ser excluídos por falta de previsão legal. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na impugnação ao lançamento. Conforme consta do teor do Recurso, a recorrente entende que Fiscalização Federal incluiu os valores de “desconto padrão de agência” na base de cálculo das Contribuições por considerar que tratamse de receitas decorrentes de suas atividades próprias. Neste ponto esclarece que “tem como atividade preponderante a instalação e exploração de estações rádiodifusoras, serviços auxiliares de radiodifusão e serviços de telecomunicação de Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 14 qualquer natureza, caracterizandose, assim, como um veiculo de comunicação ou divulgação ("Veiculo de Comunicação" ou "Veiculo")”. Que “como admitido pela própria Autoridade Fiscal no TVF, o entendimento de que o denominado "descontopadrão de agência" deveria compor a receita dos Veículos de Comunicação é colocado em dúvida pela própria Administração Tributária, existindo soluções de consulta divergentes sobre o assunto” e que a jurisprudência preponderante no atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é contrária à da Fiscalização Federal. Esclarece “que não se cuida, no caso presente, de qualquer exclusão não autorizada das bases de cálculo do PIS e da COFINS”, argumento amplamente utilizado pela Fiscalização, “mas sim de verdadeira nãoincidência das contribuições devidas pela Recorrente sobre o referido descontopadrão, pois este constitui receita exclusiva das Agências de Publicidade”. Assevera que o “acórdão recorrido confunde a função das Agências de Publicidade com a função de corretores ou agenciadores de propaganda” e “busca sustentar que as Agências de Publicidade seriam contratadas pelos Veículos de Comunicação para prestar um serviço de "intermediação técnica" entre o Veiculo e o Anunciante. Assim, chega à inusitada conclusão de que o desconto padrão de agência seria uma forma de remuneração paga a Agência pelo Veiculo, em contraprestação a estes serviços de intermediação”. Discorre sobre a relação jurídica existente entre anunciantes, agências de publicidade e veículos de comunicação. Menciona e transcreve legislação de regência. Esclarece que “Todas as normas legais e infralegais acima transcritas deixam patente que as Agências de Publicidade são contratadas diretamente pelos Anunciantes (expressamente designados como "clientes" das Agências), e não pelos Veículos de Comunicação”. Ainda sobre isso, que “é prática comum no mercado publicitário que o Anunciante conceda a Agência uma "autorização" para contratar, por sua conta e ordem, a compra de espaço publicitário no Veiculo selecionado para divulgação do material produzido”, o que tem a natureza jurídica de um mandato. Então, que “Quando a Agência se dirige ao Veiculo, portanto, o faz em nome do Anunciante, e por sua conta e ordem, ou seja, na qualidade de representante do Anunciante. Desta forma, é claro que a negociação realizada entre a Agência (representante) e o Veiculo de Comunicação produz como resultado um contrato (relação jurídica) entre o Veiculo e o Anunciante (representado). Este contrato, do qual são partes o Veiculo de Comunicação e o Anunciante, tem por objeto a obrigação do Veiculo de divulgar a propaganda especificada no tempo e forma convencionados, tendo como contrapartida, a obrigação do Anunciante efetuar o pagamento da remuneração estipulada (preço)”. Considera que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento inovou indevidamente a fundamentação do auto de infração ao defender que as agências de publicidade prestam serviços de corretagem ou comissão aos veículos de comunicação. Entende que tais considerações não deveriam sequer ser examinadas por este Colegiado. Quanto a isso, afirma que “a decisão recorrida confunde a função das Agências de Publicidade com a de outros personagens que também podem atuar no mercado publicitário, como os Agenciadores de Propaganda, Corretores e Representantes de Veículos”. Argumenta que “se a tese da decisão recorrida fosse possível, as Agências estariam agindo, ao mesmo tempo, como representantes dos Anunciantes e comissários ou corretores dos Veículos, ou seja, estariam representando concomitantemente os interesses de partes contratuais opostas, o que constitui verdadeiro absurdo”. Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.005365/201091 Acórdão n.º 310201.464 S3C1T2 Fl. 9 15 Que a cláusula del credere “não decorre de um suposto contrato de comissão celebrado entre as Agências e os Veículos de Comunicação (até porque nenhum contrato é celebrado entre ambos), mas da própria lei especifica, tendo em vista conferir maior segurança e estabilidade ao setor publicitário brasileiro”. Esclarece certas particularidades do modelo de remuneração do setor de publicidade brasileiro. Explica que “os Veículos de Comunicação precisam dar publicidade a uma tabela de preços atribuídos aos serviços de veiculação por eles prestados, sendolhes vedada, como regra, conceder qualquer desconto aos Anunciantes que contratem diretamente os seus serviços, sem a intermediação de uma Agência. No entanto, caso os Anunciantes contratem os serviços dos Veículos por intermédio de Agências de Publicidade, o preço pago pelos Anunciantes aos Veículos é reduzido em 20%, redução esta que também se convencionou chamar de "desconto padrão de agência". Demonstra como se dá o pagamento pelos serviços prestados, nos seguintes termos. A liquidação financeira dos valores devidos pelos Anunciantes A EPTV e às Agências de Publicidade, por sua vez, ocorre da seguinte forma: (i) Valores devidos pelos Anunciantes 5 EPTV pela compra de espaço na mídia televisiva: O Anunciante paga estes valores diretamente A EPTV, sem inclusão do chamado descontopadrão, já que este valor não constitui receita da EPTV. Com efeito, a fatura emitida pela EPTV tem como destinatário o próprio Anunciante (sacado), pelo "valor liquido" já "abatido" do desconto padrão. (ii) Valores devidos pelos Anunciantes As Agências pelos serviços de concepção, produção e distribuição da propaganda: 0 próprio Anunciante tem a obrigação de pagar A Agência a remuneração devida, em valor equivalente ao descontopadrão. Como se verifica, portanto, a remuneração da Agência é devida pelo Anunciante e não pela EPTV, que não tem nenhuma responsabilidade, ainda que subsidiária, sobre este pagamento. Argumenta que a premissa na qual se baseou a Fiscalização para exigência em litígio está equivocada, pois a recorrente “não tem qualquer obrigação ou responsabilidade de remunerar as Agências, seja em caráter solidário ou subsidiário com os Anunciantes. Caso os Anunciantes não paguem os valores por eles devidos às Agências, estas possuem direito de ação exclusivamente contra os Anunciantes, nada podendo cobrar da EPTV (Veiculo). A EPTV não tem a obrigação de efetuar tal pagamento e sequer presta às Agências qualquer garantia de que os Anunciantes irão adimplir as suas obrigações”. Traz mais uma vez à consideração o art. 19 da Lei n.º 12.232, de 29.04.2010. Que, conforme dispõe o art. 10º, inciso IX, da Lei n° 10.833/03, as receitas decorrentes da comercialização de espaço publicitário pela Recorrente estão sujeitas ao regime cumulativo do PIS e da COFINS. Que a “EPTV emite faturas contra os Anunciantes para cobrança dos valores relativos à venda de espaço na mídia televisiva” e que “a quantia efetivamente devida pelo Anunciante à EPTV não inclui o denominado descontopadrão, não possuindo a EPTV qualquer direito de crédito em relação a este desconto”, embora estes efetivamente constem das faturas como se receitas suas fossem. Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 16 Também que “mesmo que se considerasse o descontopadrão na acepção de abatimento de preço obtido pelos Anunciantes em relação aos "valores de tabela" praticados pela EPTV, este abatimento teria a natureza jurídica de um desconto incondicional, motivo pelo qual também não integraria o conceito jurídico de receita da EPTV”. Cita e transcreve jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes e do atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Como já exaustivamente esclarecido nos autos, o que se discute é a inclusão do chamado desconto padrão de agência na base de cálculo do PIS e da COFINS pago pelo veículo de comunicação entre os anos de 2005 e 2008. Antes de adentrar à questão que, segundo entendo, determina a solução do litígio, necessário que se façam algumas considerações sobre os argumentos até aqui esposados pelas partes e que, tal como manifestaramse, conduziriam a decisão num ou noutro sentido. Há que se admitir a possibilidade de que, tal como defende a recorrente, as agências de publicidade sejam, de fato, contratadas diretamente pelos anunciantes e não pelos veículos de comunicação e que não esteja exata a interpretação dada pela Autoridade Fiscal ao afirmar que as agências são remuneradas pelos veículos de comunicação. O mesmo pode ser dito em relação à alegação contida nos autos de que o risco do negócio é do veículo de comunicação, que não pode deixar de remunerar as agências em razão de inadimplemento do anunciante. Com efeito, a disposição legal da qual lança mão a Fiscalização Federal para embasar tal entendimento, artigo 11 da Lei 4.680/65, proíbe aos veículos de comunicação o desconto da remuneração dos Agenciadores de Propaganda pessoa que, segundo disposições contidas na própria Lei 4.680/65, não se confunde com as Agências de Propaganda, se não vejamos. Lei n° 4.680, de 18 de junho 1965. Art. 11. A comissão, que constitui a remuneração dos Agenciadores de Propaganda, bem como o desconto devido às Agências de Propaganda, serão fixados pelos Veículos de Divulgação sobre os preços estabelecidos em tabela. (grifos meus) Art 12. Não será permitido aos veículos de divulgação descontarem da remuneração dos Agenciadores de Propaganda, no todo ou em parte, os débitos não saldados por anunciantes, desde que sua propaganda tenha sido formal e previamente aceita pela direção comercial do veículo da divulgação. (grifos meus) E os artigos 2º e 3º. Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.005365/201091 Acórdão n.º 310201.464 S3C1T2 Fl. 10 17 Art 2º Consideramse Agenciadores de Propaganda os profissionais que, vinculados aos veículos da divulgação, a êles encaminhem propaganda por conta de terceiros. Art. 3° A Agência de Propaganda é pessoa jurídica e especializada na arte e técnica publicitárias, que, através de especialistas, estuda, concebe, executa e distribui propaganda aos Veículos de Divulgação, por ordem e conta de Clientes Anunciantes, com o objetivo de promover a venda de produtos e serviços, difundir idéias ou instituições colocadas a serviço desse mesmo público. Noutro giro, não vejo como considerar que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento tenha inovado indevidamente a fundamentação do Auto de Infração. O que se discute nos autos é se os valores identificados como desconto padrão de agência integram ou não a base de cálculo das Contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. O fato de a Fiscalização atribuirlhes determinadas características e inferir sobre as condições negociais e tal entendimento não ser acompanhado integralmente pela Autoridade Julgadora de primeira instância, faz parte do processo dialético de construção da decisão do litígio e não constitui modificação do critério jurídico. Ainda mais, de se acrescentar que isso não trouxe nenhum prejuízo à Recorrente que defendese da inclusão desses pagamentos na base de cálculo das Contribuições, a que título seja. Pacificadas tais questões, ressurge a matéria de mérito melhor definida. Nos termos das Leis 10.637/02 e 10.833/03, estão incluídas na base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, se não vejamos. Lei 10.637/02 DA COBRANÇA NÃOCUMULATIVA DO PIS E DO PASEP Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Lei 10.833/03 DA COBRANÇA NÃOCUMULATIVA DA COFINS Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 18 Assim definido, pareceme claro que o que se precisa saber é, exclusivamente, se o valor especificado como desconto padrão de agência constitui ou não parte do faturamento mensal dos veículos de comunicação. Neste ponto, fundamental esclarecer que o fato de o veículo não exercer atividade de produção e criação de propaganda, atividade restrita às agências, nos termos do art. 3º da Lei n° 4.680/65, não tem o condão de desclassificar do conceito de faturamento os valores a esse título percebidos. O que importa, no caso, tal como entendo, é se esses valores são ou não faturados pela recorrente. Quanto a isso, ainda que por vezes um tanto contraditórios, encontramse nos autos sucessivos esclarecimentos dando conta da escrituração desses ingressos na contabilidade da empresa. A seguir excertos extraídos da defesa apresentada a este Conselho. Na prática, a nota fiscal emitida pela Impugnante contém o valor total a ser pago pelo anunciante, o que abrange tanto os valores devidos por este ao veículo de divulgação, quanto à agência de publicidade. (...) A liquidação financeira dos valores devidos pelo anunciante ao veículo e à agência de propaganda, respectivamente, pela comercialização do espaço de mídia e pela concepção da propaganda, dáse da seguinte forma: o anunciante paga os valores devidos diretamente à agência de publicidade (desconto padrão) e ao veículo (preço do espaço publicitário adquirido), ou seja, a remuneração da agência, que, repitase, é devida pelo anunciante, não é paga à Impugnante para posterior repasse à agência, mas sim diretamente pelo anunciante à agência (...) O documento fiscal destaca ainda um "desconto incondicional" no exato montante devido pelo anunciante à agência de publicidade (...) Cumpre esclarecer, contudo, que não se trata de um desconto comercial, mas apenas de um jargão empregado no âmbito desses negócios para esclarecer que o documento fiscal do veículo compreende tanto a receita dele mesmo pela comercialização do espaço publicitário, como também a receita da agência decorrente da criação da peça publicitária. De toda sorte, para ser fiel ao que fez constar no documento fiscal correspondente, o faturamento da Impugnante fica indevidamente inflado, supostamente aumentando os valores devidos a título de PIS e COFINS. Como não poderia deixar de ser, para corrigir esse efeito, a Impugnante não inclui na base de cálculo das contribuições em comento os valores correspondentes a receitas de terceiros, quais sejam, os valores devidos pelo anunciante à agência. A maneira pela qual a Impugnante emite a nota fiscal, todavia, não pode superar a verdadeira natureza das relações jurídicas existentes. (grifos meus) Ou seja, embora a recorrente afirme que o valor correspondente ao desconto padrão seja liquidado diretamente pelo anunciante à agência de publicidade, fica muito claro que o mesmo é contabilizado pelo veículo de comunicação como faturamento seu. Outrossim, ao referirse sucessivamente à descontos incondicionais (ainda que mais tarde afirme não se tratar de um desconto comercial) ratifica a condição de valor lançado no documento fiscal correspondente. Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.005365/201091 Acórdão n.º 310201.464 S3C1T2 Fl. 11 19 De fato, compulsando os autos é de fácil constatação que os valores incluídos pela Fiscalização na base de cálculo das Contribuições foram extraídos da própria contabilidade da empresa. Vejase como consta do Termo de Verificação Fiscal. 63 Para a apuração das bases de cálculo da COFINS e do PIS dos anos calendário 2005, 2006 e 2008, foram extraídos (fls. 001 a 218 ) os dados dos Razões contábeis magnéticos, conta sintética 3.1.82.5.00.00 — Desconto de Agências e Comissão, subconta 3.1.82.5.01.00 — Veiculos de Publicidade, contas contábeis 3.1.82.5.01.01 — S/EPTV REGIONAL, 3.1.82.5.01.02 — S/NACIONAL e 3.1.82.5.01.04 — Desc.Ag/Comis s/Prod. Coml. (Anexo 1) No Balancete da empresa, à folha 132 do Anexo 1, está lançado o valor de R$ 3.257.677,46, a débito, para o mês de janeiro de 2007, conta Desconto de Agências e Comissões, o mesmo valor identificado no Termo de Verificação Fiscal, à folha 22 do processo, para o mesmo período. Assim, tendo sido os valores escriturados na contabilidade da empresa como faturamento, não vejo como excluílos da base de cálculo das Contribuições. Correta a interpretação da Fiscalização ao afirmar que não existe previsão legal para tanto, mas exclusivamente para exclusão dos valores recebidos pelas agências de propaganda e publicidade e repassados aos veículos de divulgação. Ainda que possa parecer incoerente, como sustenta a recorrente, o fato é que assim dispõe a legislação, que deve ser observada pelos operadores de direito, a quem não cabe criar exceção não prevista pelo legislador ordinário. Por derradeiro, melhor sorte não assiste à empresa em relação ao argumento de que o artigo 19 da Lei nº 12.232, de 29.04.2010, teria regulamentado a matéria. De fato, embora a leitura do caput do artigo sugira esse entendimento, uma análise mais acurada do processo legislativo próprio, remete em sentido diametralmente contrário. Por bem esclarecer a questão, reproduzo a seguir excerto do voto da i. Conselheira Mara Cristina Sifuentes versando sobre a matéria, no Acórdão 3102001.292, de 11 de novembro de 2011, em decisão proferida por esta Turma. A Lei nº 12.232/2010 alterou a base de cálculo prevista para o PIS e COFINS definindo que o descontopadrão não é receita do veículo de divulgação, entretanto conforme pode ser visto nas razões de veto do parágrafo único, a exclusão somente se aplica às relações com a Administração Pública, não se aplicando às relações entre particulares. MENSAGEM Nº 203, DE 29 DE ABRIL DE 2010. Senhor Presidente do Senado Federal, Comunico a Vossa Excelência que, nos termos do § 1o do art. 66 da Constituição, decidi vetar parcialmente, por contrariedade ao interesse público, o Projeto de Lei no 197, de 2009 (no 3.305/08 na Câmara dos Deputados), que “Dispõe sobre as normas gerais para licitação e contratação pela administração pública de serviços de publicidade prestados por intermédio de agências de propaganda e dá outras providências”. Ouvido, o Ministério da Justiça manifestouse pelo veto ao dispositivo abaixo: Parágrafo único do art. 19 Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 20 “Art. 19. ....................................................................... Parágrafo único. O disposto neste artigo se aplica inclusive à contratação de serviços entre particulares, observadas normas de orientação expedidas pelo Conselho Executivo das NormasPadrão CENP.” Razão do veto “O projeto de lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública, não adentrando nas relações entre os particulares que exercem atividades publicitárias com fundamento na Lei nº 4.680, de 18 de junho de 1965.” Essa, Senhor Presidente, a razão que me levou a vetar o dispositivo acima mencionado do projeto em causa, a qual ora submeto à elevada apreciação dos Senhores Membros do Congresso Nacional. De todo o exposto, concluo que a Lei nº 12.232/2010, art. 19, não se aplica ao presente processo por ser específica para as contratações com a Administração Pública, conforme explicado nas razões de veto do parágrafo único que previa a extensão para as relações entre os particulares. Por todo o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Sala de Sessões, 26 de abril de 2012. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001075/2005-40
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 12 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Mar 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PIS, COMPETÊNCIA RATIONE MATERIAE A Primeira Seção de
Julgamento do CARF não é competente para apreciar recursos relativos às contribuições para o PIS/PASEP
Numero da decisão: 1302-000.201
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos declinar da competência em favor da 3ª Seção de Julgamento do CARF, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: IRINEU BIANCHI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201003
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : PIS, COMPETÊNCIA RATIONE MATERIAE A Primeira Seção de Julgamento do CARF não é competente para apreciar recursos relativos às contribuições para o PIS/PASEP
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 11 00:00:00 UTC 2010
numero_processo_s : 18471.001075/2005-40
anomes_publicacao_s : 201003
conteudo_id_s : 4791440
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1302-000.201
nome_arquivo_s : 130200201_164319_18471001075200540_002.PDF
ano_publicacao_s : 2010
nome_relator_s : IRINEU BIANCHI
nome_arquivo_pdf_s : 18471001075200540_4791440.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos declinar da competência em favor da 3ª Seção de Julgamento do CARF, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Fri Mar 12 00:00:00 UTC 2010
id : 4750443
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044358962348032
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-02-14T13:31:44Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-02-14T13:31:44Z; Last-Modified: 2011-02-14T13:31:44Z; dcterms:modified: 2011-02-14T13:31:44Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:b1ccc345-6fe3-41fe-a501-98728c5d517f; Last-Save-Date: 2011-02-14T13:31:44Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-02-14T13:31:44Z; meta:save-date: 2011-02-14T13:31:44Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-02-14T13:31:44Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-02-14T13:31:44Z; created: 2011-02-14T13:31:44Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; Creation-Date: 2011-02-14T13:31:44Z; pdf:charsPerPage: 1093; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-02-14T13:31:44Z | Conteúdo => MARCOS RODRIGUES DE MELLO - Presidente - S1-C3T2 Fi 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 1847 L001075/2005-40 Recurso n° 164319 Voluntário Acórdão n° 1302-00.201 — 3' Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2010 Matéria PIS/PASEP- Ex(s) 2001 a 2005. Recorrente AMBIENTE AIR AR CONDICIONADO LTDA Recorrida 5' TURMA/DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ I PIS, COMPETÊNCIA RATIONE MATERIAE A Primeira Seção de Julgamento do CARF não é competente para apreciar recursos relativos às contribuições para o PIS/PASEP Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos declinar da competência em favor da 3' Seção de Julgamento do CARF, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. IR1NEU BIANCHI - Relator EDITADO EM: 20 DEZ 2010 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jacinto do Nascimento, Marcelo de Assis guerra (Suplente), Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Eduardo de Andrade, hineu Bianchi e Marcos Rodrigues de Relatório Trata o presente processo do Auto de Infração de fls. 90/105, lavrado contra a empresa AMBIENTE AIR AR CONDICIONADO LTDA., CNPJ n° 42,491940/0001-10, relativo à falta de recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, no valor total de R$ 78.661,57. O lançamento decorreu da constatação de divergência entre os valores declarados e os valores escriturados. Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou impugnação tempestivamente, inaugurando o contencioso administrativo. 149/159. de fls 163/168. A ação fiscal foi julgada procedente em parte nos termos do acórdão de fls. Cientificada da decisão (fls. 160v0/ a interessada interpôs o recurso voluntário É o Relatório. Voto Conselheiro IRINEU BIANCHI Como se vê do relatório, tratam os autos de exigência exclusiva das contribuições para o PIS, matéria estranha à competência da Primeira Seção de Julgamento do CARP. Com efeito, dispõe o Regimento Interno do CARF: Art 40 À Terceira Seção cabe processar e julgar mcursos de oficio e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de; -Contribuição para o PIS/PASEP e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS Observo que a exigência tratada nos presentes autos é autônoma, não estando vinculada à fiscalização de qualquer outra matéria da competência da Primeira Seção. TANTE DO ,EXPOSTO, oriento meu voto no sentido de declinar da competência para maidas Turmas da Terceira Seção de julgamento do CARF. % IRINEU BIANCHI - Relator 2
score : 1.0
Numero do processo: 10580.010229/2007-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2000 a 31/07/2001
PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS SUFICIENTES EM RECURSO.
A preclusão poderia ser desconsiderada diante de provas suficientes e devidamente justificada a impossibilidade de colação em momento anterior por motivo de força maior ou caso fortuito. No caso, não há provas robustas do argumento, nem foram indicados motivos de força maior ou caso fortuito.
Numero da decisão: 2302-001.663
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o julgado.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201203
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2000 a 31/07/2001 PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS SUFICIENTES EM RECURSO. A preclusão poderia ser desconsiderada diante de provas suficientes e devidamente justificada a impossibilidade de colação em momento anterior por motivo de força maior ou caso fortuito. No caso, não há provas robustas do argumento, nem foram indicados motivos de força maior ou caso fortuito.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10580.010229/2007-15
anomes_publicacao_s : 201203
conteudo_id_s : 5045822
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2302-001.663
nome_arquivo_s : 230201663_10580010229200715_201203.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : Marco André Ramos Vieira
nome_arquivo_pdf_s : 10580010229200715_5045822.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o julgado.
dt_sessao_tdt : Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
id : 4750116
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044359034699776
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1673; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 158 1 157 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.010229/200715 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 230201.663 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2012 Matéria Folha de Pagamento. Recorrente ROYAL DIESEL LTDA Recorrida DRJ SALVADOR BA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2000 a 31/07/2001 PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS SUFICIENTES EM RECURSO. A preclusão poderia ser desconsiderada diante de provas suficientes e devidamente justificada a impossibilidade de colação em momento anterior por motivo de força maior ou caso fortuito. No caso, não há provas robustas do argumento, nem foram indicados motivos de força maior ou caso fortuito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Júnior e Eduardo Augusto Marcondes de Freitas. Relatório Fl. 1DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados, cujos valores foram declarados em GFIP, referente ao período compreendido entre as competências dezembro de 2000 a julho de 2001, fls. 56 a 60. Não conformado com a notificação, foi apresentada defesa pela sociedade empresária, fls. 69. A unidade da Receita Previdenciária em Salvador comandou diligência (fl. 80), para que a fiscalização analisasse as folhas de pagamento juntadas pela recorrente. A fiscalização manifestouse à fl. 83, sugerindo a alteração do lançamento. Cientificada do resultado da diligência, fl. 84, a autuada não se manifestou. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador exarou a Decisão, que confirmou a procedência do lançamento, em parte, fls. 103 a 104. Houve exclusão do lançamento referente à competência 13º de 2000, mantendose o lançamento da competência julho de 2001 pela ausência de contestação. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 106 a 109. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: a) o pagamento da competência julho de 2001 foi realizado com equívoco no CNPJ da matriz; Não foram apresentadas contrarrazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10580.010229/200715 Acórdão n.º 230201.663 S2C3T2 Fl. 159 3 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fls. 154. Pressuposto superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. Primeiramente há que se destacar que o argumento relativo à competência julho de 2001 somente surgiu em recurso, portanto já estaria precluso. Todavia a preclusão poderia ser desconsiderada diante de provas suficientes e devidamente justificada a impossibilidade de colação em momento anterior por motivo de força maior ou caso fortuito. No caso, não há provas robustas do argumento, nem foram indicados motivos de força maior ou caso fortuito. Não se trata de prova suficiente para afastar o lançamento, pois a guia juntada pela recorrente já foi considerada como crédito do estabelecimento matriz, conforme fl. 15 (relação de gps apresentadas). Além do mais, a recorrente não consegue provar − por meio de folhas de pagamento e registros contábeis − que nos valores recolhidos na GPS da competência julho de 2001 do estabelecimento matriz encontramse os fatos geradores da filial. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto pelo conhecimento e pela negativa de provimento do recurso voluntário. É o voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 3DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 14474.000218/2007-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 16/08/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES.
Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de GFIP com omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias.
JULGAMENTO CONJUNTO. MÉRITO JÁ ASSENTADO. DESNECESSIDADE.
O julgamento conjunto de processos conexos só se mostra valioso nas situações em que existir relação de prejudicialidade entre o mérito discutido em ambos os processos.
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
CONFISCO. INOCORRÊNCIA.
Não constitui confisco a imposição de penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária acessória.
Foge à competência deste Colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88.
GRATIFICAÇÃO. NATUREZA REMUNERATÓRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
Integra o conceito jurídico de salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive sob a forma de utilidades. O conceito jurídico de Salário de contribuição aviado no art. 28 da Lei nº 8.212/91 em momento algum vincula a natureza jurídica das
parcelas integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias à habitualidade de seu recebimento. Sendo a natureza da verba auferida qualificada juridicamente como gratificação de desempenho, basta para a sua sujeição à tributação previdenciária o seu mero recebimento pelo segurado
obrigatório do RGPS, mesmo que tal pagamento tenha ocorrido uma única vez no histórico funcional do beneficiário.
GRUPO ECONÔMICO DE FATO. GRUPO COMPOSTO POR COORDENAÇÃO. RSPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Caracteriza-se grupo econômico quando duas ou mais empresas estão sob a direção, o controle ou a administração de outra, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica.
Empresas que, embora tenham situação jurídica distinta, possuam comunhão de sócios e de objetivos sociais, tenham linha de comando e representação efetuada pelo mesmo grupo de pessoas ou por pessoas diretamente a elas vinculadas e apresentem o controle de uma empresa por outra, além de atuarem na mesma unidade física, utilizando-se da estrutura do grupo, formam grupo econômico denominado “grupo composto por coordenação”,
sendo solidariamente responsáveis pelas contribuições previdenciárias de qualquer uma delas.
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91.
RETROATIVIDADE BENIGNA.
As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91.
Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada.
Recurso Voluntário Provido em parte.
Numero da decisão: 2302-001.822
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória nº 449 de 2008, mais precisamente o art. 32-A, inciso II, que na conversão pela Lei nº 11.941/2009 foi renumerado para o art. 32-A, inciso I da Lei nº 8.212/91.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201205
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 16/08/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de GFIP com omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. JULGAMENTO CONJUNTO. MÉRITO JÁ ASSENTADO. DESNECESSIDADE. O julgamento conjunto de processos conexos só se mostra valioso nas situações em que existir relação de prejudicialidade entre o mérito discutido em ambos os processos. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Não constitui confisco a imposição de penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária acessória. Foge à competência deste Colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88. GRATIFICAÇÃO. NATUREZA REMUNERATÓRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Integra o conceito jurídico de salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive sob a forma de utilidades. O conceito jurídico de Salário de contribuição aviado no art. 28 da Lei nº 8.212/91 em momento algum vincula a natureza jurídica das parcelas integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias à habitualidade de seu recebimento. Sendo a natureza da verba auferida qualificada juridicamente como gratificação de desempenho, basta para a sua sujeição à tributação previdenciária o seu mero recebimento pelo segurado obrigatório do RGPS, mesmo que tal pagamento tenha ocorrido uma única vez no histórico funcional do beneficiário. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. GRUPO COMPOSTO POR COORDENAÇÃO. RSPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Caracteriza-se grupo econômico quando duas ou mais empresas estão sob a direção, o controle ou a administração de outra, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Empresas que, embora tenham situação jurídica distinta, possuam comunhão de sócios e de objetivos sociais, tenham linha de comando e representação efetuada pelo mesmo grupo de pessoas ou por pessoas diretamente a elas vinculadas e apresentem o controle de uma empresa por outra, além de atuarem na mesma unidade física, utilizando-se da estrutura do grupo, formam grupo econômico denominado “grupo composto por coordenação”, sendo solidariamente responsáveis pelas contribuições previdenciárias de qualquer uma delas. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Recurso Voluntário Provido em parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 14474.000218/2007-87
anomes_publicacao_s : 201205
conteudo_id_s : 5148748
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2302-001.822
nome_arquivo_s : 230201822_14474000218200787_201205.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : Arlindo da Costa e Silva
nome_arquivo_pdf_s : 14474000218200787_5148748.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória nº 449 de 2008, mais precisamente o art. 32-A, inciso II, que na conversão pela Lei nº 11.941/2009 foi renumerado para o art. 32-A, inciso I da Lei nº 8.212/91.
dt_sessao_tdt : Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
id : 4752188
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:46:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044359044136960
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 29; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2273; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 397 1 396 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14474.000218/200787 Recurso nº 001.822 Voluntário Acórdão nº 230201.822 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de maio de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS AI CFL 68 Recorrente SOFTMARKETING COMUNICAÇÃO E INFORMAÇÃO LTDA E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 16/08/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de GFIP com omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. JULGAMENTO CONJUNTO. MÉRITO JÁ ASSENTADO. DESNECESSIDADE. O julgamento conjunto de processos conexos só se mostra valioso nas situações em que existir relação de prejudicialidade entre o mérito discutido em ambos os processos. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Não constitui confisco a imposição de penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária acessória. Foge à competência deste Colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88. GRATIFICAÇÃO. NATUREZA REMUNERATÓRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Integra o conceito jurídico de salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive sob a forma de utilidades. O conceito jurídico de Salário de contribuição aviado no art. 28 da Lei nº 8.212/91 em momento algum vincula a natureza jurídica das parcelas integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias à habitualidade de seu recebimento. Sendo a natureza da verba auferida qualificada juridicamente como gratificação de desempenho, basta para a sua Fl. 397DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 sujeição à tributação previdenciária o seu mero recebimento pelo segurado obrigatório do RGPS, mesmo que tal pagamento tenha ocorrido uma única vez no histórico funcional do beneficiário. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. GRUPO COMPOSTO POR COORDENAÇÃO. RSPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estão sob a direção, o controle ou a administração de outra, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Empresas que, embora tenham situação jurídica distinta, possuam comunhão de sócios e de objetivos sociais, tenham linha de comando e representação efetuada pelo mesmo grupo de pessoas ou por pessoas diretamente a elas vinculadas e apresentem o controle de uma empresa por outra, além de atuarem na mesma unidade física, utilizandose da estrutura do grupo, formam grupo econômico denominado “grupo composto por coordenação”, sendo solidariamente responsáveis pelas contribuições previdenciárias de qualquer uma delas. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Recurso Voluntário Provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória nº 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei nº 11.941/2009 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei nº 8.212/91. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14474.000218/200787 Acórdão n.º 230201.822 S2C3T2 Fl. 398 3 Relatório Período de apuração: 01/01/2003 a 31/10/2006. Data da lavratura da Auto de Infração: 16/08/2007. Data da ciência do Auto de Infração: 16/08/2007. Tratase de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, lavrado em desfavor do recorrente, em virtude de não terem sido informados em GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, in casu, as remunerações efetuadas mediante Cartões de Premiação fornecidos pela empresa SIM INCENTIVE MARKETING S/C LTDA, CNPJ 03.745.219/000108 (cartões SIM CLUB, período de janeiro de 2003 a abril de 2005) e SPIRIT MARKETING PROMOCIONAL LTDA, CNPJ 04.182.848/000130 (cartões SPIRIT CARD, período de julho de 2005 a dezembro de 2005 e fevereiro de 2006 a outubro de 2006), remunerações essas contidas em Notas Fiscais de Prestação de Serviço de emissão das citadas empresas e relacionadas no item "D" (valores dos prêmios contidos em Notas Fiscais) da Planilha Quadro I, conforme descrito no Relatório Fiscal da Infração, a fls. 17/74. CFL 68 Apresentar a empresa GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural) – Art. 284,II na redação do Dec.4.729, de 09/06/2003. Relata o auditor fiscal notificante que o valor da multa aplicada corresponde a cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitado ao valor resultante da multiplicação do valor mínimo previsto na legislação por um fator em função do número de segurados da empresa, conforme memória de cálculo a fls. 52/54, com os valores atualizados pela Portaria MPS/GM 142, de 11/04/07. Informa a Autoridade Lançadora que as empresas ZOOM ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ: 01.421.001/000172; MDM CONSULTORIA DE MARKETING LTDA, CNPJ: 03.033.477/000161; SOFTVÍDEO SOM E IMAGEM LTDA, CNPJ: 79.180.451/000108 e 0.S. PRODUÇÕES CINEMATOGRAFICAS LTDA, CNPJ: 03.013.614/000104 constituem grupo econômico denominado SOFT GLOBAL GROUP, conforme páginas extraídas em junho de 2007 dos sites da SOFTMARKETING Comunicação e Informação Ltda e da SOFTVÍDEO Som e Imagem Ltda na Internet, e, nessa condição, respondem solidariamente pelo crédito ora em constituição. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o autuado apresentou impugnação a fls. 241/244. As demais empresas do grupo econômico acima referido apresentaram impugnação a fls. 258/322. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre/RS lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão a fls. 326/330, julgando procedente a autuação e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. A autuada foi cientificada da decisão de 1ª Instância no dia 22/08/2008, conforme Aviso de Recebimento – AR a fl. 333. Inconformada com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 349/354, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: • Que o presente feito deve ser sobrestado até o julgamento final da NFLD n° 37.049.7821, mediante a qual foi formalizado o lançamento das obrigações principais associadas aos mesmos fatos geradores aqui debatidos; • Que o valor da multa aplicada é desproporcional à infração tida por cometida, o que evidencia seu caráter confiscatório. Ao fim, requer o Recorrente que seja declarada a insubsistência do lançamento. Devidamente cientificadas da decisão de 1ª instância, as devedoras solidárias apresentaram recurso a fls. 356/378, concentrando seus inconformismos nas mesmas argumentações oferecidas pelo Devedor Principal, além de impugnar a solidariedade tributária. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 05/09/2008. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 07/10/2008, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14474.000218/200787 Acórdão n.º 230201.822 S2C3T2 Fl. 399 5 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DO JULGAMENTO SIMULTANEO COM A NFLD CONEXA. Pondera o Recorrente que o presente feito deve ser sobrestado até o julgamento final da NFLD n° 37.049.7821, mediante a qual foi formalizado o lançamento das obrigações principais associadas aos mesmos fatos geradores aqui debatidos. Tal alegação não merece acolhida. O procedimento requerido pelo sujeito passivo mostrase de extrema valia em todas as ocasiões em que nos deparamos com uma relação de prejudicialidade entre o mérito discutido em dois Processos Administrativos Fiscais conexos. No caso vertente, tal cuidado revelase despiciendo, eis que de há muito se firmou a jurisprudência unânime desta Corte Administrativa no sentido de que as verbas pagas a título de prêmio por intermédio de cartões de premiação integram o conceito jurídico de salário de contribuição, para todos os fins e efeitos, devendo, nessa qualidade, ser declarados em sua integralidade nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre inicialmente assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 3.1. DOS FATOS GERADORES. É de notório saber que o CTN, no exercício da competência que lhe foi outorgada pelo Constituinte Originário, honrou prescrever, com propriedade, a distinção entre as duas modalidades de obrigações tributárias, ad litteris et verbis: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) Fl. 401DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Código Tributário Nacional CTN Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (grifos nossos) §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (grifos nossos) Nessa perspectiva, não exige o dispêndio de elevadas energias intelectuais a interpretação do texto inscrito no §2º do supratranscrito dispositivo legal a qual aponta para a total independência entre as obrigações ditas principais e aquelas denominadas como acessórias. Estas, no dizer cristalino da Lei, decorrem diretamente da legislação tributária, não das obrigações principais, e tem por objeto prestações positivas ou negativas fixadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. No presente caso, o Recorrente foi notificado pela falta de recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos aos segurados empregados a título de premiação de incentivo e foi, em consequência, autuado pela não inclusão de tais valores nas respectivas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Com efeito, a vexata quaestio sobre a qual se funda a lide em debate reside na subsunção ou não dos valores pagos mediante cartão premiação ao conceito legal de Salário de Contribuição, para os fins exclusivos de incidência de contribuições previdenciárias. Grassa no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a serôdia ideia de que a remuneração do empregado é constituída, tão somente, por verbas representativas de contraprestação de serviços efetivamente prestados pelos empregados. A retidão de tal concepção poderia até ter sua primazia aferida ao tempo da promulgação do DecretoLei n.º 5.452 (nos idos de 1943), que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho. CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO CLT Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) § 1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) § 2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinquenta por cento) do salário percebido pelo empregado. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) Fl. 402DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14474.000218/200787 Acórdão n.º 230201.822 S2C3T2 Fl. 400 7 § 3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada à distribuição aos empregados. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por forca do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 1º Os valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do saláriomínimo (arts. 81 e 82). (Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) V – seguros de vida e de acidentes pessoais; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VII – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) § 3º A habitação e a alimentação fornecidas como salárioutilidade deverão atender aos fins a que se destinam e não poderão exceder, respectivamente, a 25% (vinte e cinco por cento) e 20% (vinte por cento) do saláriocontratual. (Incluído pela Lei nº 8.860, de 24.3.1994) § 4º Tratandose de habitação coletiva, o valor do salárioutilidade a ela correspondente será obtido mediante a divisão do justo valor da habitação pelo número de cohabitantes, vedada, em qualquer hipótese, a utilização da mesma unidade residencial por mais de uma família. (Incluído pela Lei nº 8.860/94) Todavia, o caráter de constância somente se verifica na eterna propensão à mudança. O mundo evolui, as relações jurídicas se transformam, acompanhando..., os conceitos evolvemse... Nesse compasso, a exegese das normas jurídicas não é, de modo algum, refratária a transformações. Ao contrário, tais são exigíveis. A sucessiva evolução na interpretação das normas já positivadas as ajusta à nova realidade mundial, resgatandolhes o alcance visado pelo legislador, mantendo dessarte o ordenamento jurídico sempre espelhado às feições do mundo real. Hodiernamente, o conceito de remuneração não se encontra mais circunscrito às verbas recebidas pelo trabalhador em razão direta e unívoca do trabalho por ele prestado ao empregador. Se assim o fosse, o décimo terceiro salário, as férias, o final de semana Fl. 403DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 remunerado, as faltas justificadas e outras tantas rubricas frequentemente encontradas nos contracheques não teriam natureza remuneratória, já que não representam contraprestação por serviços executados pelo obreiro. Paralelamente, as relações de trabalho hoje estabelecidas tornaramse por demais complexas e diversificadas, assistimos à introdução de novas exigências de exclusividade e de imagem, novas rubricas salariais foram criadas para contemplar outras prestações extraídas do trabalhador que não o suor e o vigor dos músculos. Esses ilustrativos, dentre tantos outros exemplos, tornaram o ancião conceito jurídico de remuneração totalmente démodé. Antenada a tantas transformações, a doutrina mais balizada passou a interpretar remuneração não como a contraprestação pelos serviços efetivamente prestados pelo empregado, mas sim, as verbas recebidas pelo obreiro decorrentes do contrato de trabalho. Com efeito, o liame jurídico estabelecido entre empregador e empregado segue os contornos delineados no contrato de trabalho no qual as partes, observado o minimum minimorum legal, podem pactuar livremente. No panorama atual, a pessoa física pode oferecer ao contratante, além do seu labor, também a sua imagem, o seu não labor nas empresas concorrentes, a sua disponibilidade, sua credibilidade no mercado, ceteris paribus. Já o contratante, por seu turno, em contrapartida, pode oferecer não só o salário stricto sensu como também uma série de vantagens diretas, indiretas, em utilidades, in natura, e assim adiante... Mas ninguém se iluda: Mesmo as parcelas oferecidas sob o rótulo de mera liberalidade, todas elas ostentam, em sua essência, uma nota contraprestativa. Todas elas colimam, inequivocamente, oferecer um atrativo financeiro/econômico para que o obreiro estabeleça e mantenha vínculo jurídico com o empregador. Por esse novo prisma, todas aquelas rubricas citadas no parágrafo precedente figuram abraçadas pelo conceito amplo de remuneração, eis que se consubstanciam acréscimos patrimoniais auferidos pelo empregado e fornecidas pelo empregador em razão do contrato de trabalho e da lei, muito embora não representem contrapartida direta pelo trabalho realizado. Nesse sentido, o magistério de Amauri Mascaro Nascimento: “Fatores diversos multiplicaram as formas de pagamento no contrato de trabalho, a ponto de ser incontroverso que além do saláriobase há modos diversificados de remuneração do empregado, cuja variedade de denominações não desnatura a sua natureza salarial ... (...) Salário é o conjunto de percepções econômicas devidas pelo empregador ao empregado não só como contraprestação pelo trabalho, mas, também, pelos períodos em que estiver à disposição daquele aguardando ordens, pelos descansos remunerados, pelas interrupções do contrato de trabalho ou por força de lei” Nascimento, Amauri M. , Iniciação ao Direito do Trabalho, LTR, São Paulo, 31ª ed., 2005. Registrese, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo “remuneração” esposado pelos diplomas jurídicos mais atuais se divorciou de forma substancial daquele conceito antiquado presente na CLT. O baluarte desse novo entendimento tem sua pedra fundamental fincada na própria Constituição Federal, cujo art. 195, I, alínea “a”, estabelece: Fl. 404DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14474.000218/200787 Acórdão n.º 230201.822 S2C3T2 Fl. 401 9 Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (grifos nossos) Do marco primitivo constitucional deflui que a base de incidência das contribuições em realce não é mais o salário, mas, sim, “folha de salários”, propositadamente no plural, a qual é composta, segundo a mais autorizada doutrina, pelos lançamentos efetuados em favor do trabalhador e todas as parcelas a este devidas em decorrência do contrato de trabalho, de molde que, toda e qualquer espécie de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados obrigatórios do RGPS encontramse abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição. Em reforço a tal abrangência, de modo a espancar qualquer dúvida ainda renitente a cerca da real amplitude da base de incidência da contribuição social em destaque, o legislador constituinte fez questão de consignar no texto constitucional, de forma até pleonástica, que as contribuições previdenciárias incidiriam não somente a folha de salários como também sobre os “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §11 do artigo 201 da Constituição Federal, que estendeu a abrangência da base de incidência das contribuições previdenciárias aos ganhos habituais do empregado, recebidos a qualquer título. Constituição Federal de 1988 Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Imerso nessa ordem constitucional, iluminese a definição legal de Salário de contribuição aviado no art. 28 da Lei nº 8.212/91, in verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: Fl. 405DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). IV para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo obreiro, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho. Advirtase que o termo “remunerações” encontrase empregado no caput do transcrito art. 28 em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”. Nesse cenário, a vista dos ensinamentos colhidos na melhor doutrina trabalhista, avulta compreenderemse no hodierno conceito de remuneração os três componentes do gênero, especificados nos moldes que se vos seguem: 1 Remuneração Básica – Também denominada “Verbas de natureza Salarial”. Referese à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. 2 Incentivos Salariais São programas desenhados para recompensar funcionários com bom desempenho. Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos resultados a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14474.000218/200787 Acórdão n.º 230201.822 S2C3T2 Fl. 402 11 3 Benefícios Quase sempre denominados como “remuneração indireta”. Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou “in natura”, que culminam por representar um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente. Nesse novel cenário, a regra primária importa na tributação de toda e qualquer verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, ressalvadas aquelas que a própria lei excluir do campo de incidência. No caso específico das contribuições previdenciárias, a regra de excepcionalidade encontrase estatuída no parágrafo 9º do citado art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual, dada a sua relevância, transcrevemos em sua integralidade: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) a) Os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) As ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) As importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) As importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) 1. Previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. Relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; 3. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. Recebidas a título de incentivo à demissão; 6. Recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Fl. 407DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 7. Recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. Recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) A parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) A ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) As diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinquenta por cento) da remuneração mensal; i) A importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) O abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) Os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) A importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) As parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couberem, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) O valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do Fl. 408DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14474.000218/200787 Acórdão n.º 230201.822 S2C3T2 Fl. 403 13 trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) O ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) O valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). u) A importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) Os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) O valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Cumpre observar que, nos termos do art. 111, II do CTN, devese emprestar interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção. Nesse diapasão, em sintonia com a norma tributária há pouco citada, para se excluir da regra de incidência é necessária a fiel observância dos termos da norma de exceção, tanto assim que as parcelas integrantes do supraaludido § 9º, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Contextualizado nesses termos o quadro jurídiconormativo aplicável ao casoespécie, visualizando com os olhos de ver a questão controvertida ora em debate, sob o foco de tudo o quanto até o momento foi apreciado, verificamos que as verbas auferidas pelos segurados obrigatórios que prestam serviços à Recorrente mediante Cartões de Premiação, subsumemse no conceito de “salário de Contribuição” assentado no caput do art. 28 da Lei nº 8.212/91, não estando acobertados por nenhuma das hipóteses de não incidência destacadas no §9º desse mesmo dispositivo legal, razão pela qual integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Na hipótese sub oculi, não é exigida áurea mestria para perceber que tais pagamentos ostentam natureza jurídica de gratificação. Da pena de Plá Rodriguez, citado por Mascaro Nascimento, grafouse singular conceito de gratificações como as “somas em dinheiro Fl. 409DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 de tipo variável, outorgadas voluntariamente pelo patrão aos seus empregados, a título de prêmio ou incentivo, para lograr a maior dedicação e perseverança destes. Mostrase valioso relembrar, no que pertine à natureza de liberalidade das gratificações, as palavras de Cabanellas: “provado ou comprovado o caráter habitual, geral, invariável e periódico da gratificação, esta perde a sua voluntariedade característica, para se converter em obrigatória; então, deixa de ser liberalidade para se transformar em direito exigível pelo trabalhador e inescusável pelo empregador” (Guillermo Cabanellas de Torres, Compendio de Derecho Laboral, Bibliográfica Omeba, Buenos Aires, 1968) É exatamente o que ocorre no caso concreto sobre o qual ora nos debruçamos. As verbas em destaque não se consubstanciam em ganhos eventuais, mas, sim, numa contraprestação remuneratória auferida pelos empregados como incentivo em concurso interno de produtividade, conforme declarado expressamente pelo Recorrente. Atingindo o empregado a produtividade desejada, este se titulariza no direito subjetivo à gratificação, podendo esta ser exigida inclusive judicialmente. O que é isso senão uma gratificação de desempenho ? Por outro lado, o simples fato de uma determinada verba ser eventual ou não mostrase irrelevante para o seu enquadramento no conceito jurídico de Salário de Contribuição. No presente caso, não resta dúvida que houve prestação de serviços à sociedade empresária pelos segurados, e os valores pagos pela prestação de serviços estão no campo de incidência tributária, por remunerarem tal serviço. Prova disso é que somente os trabalhadores de lograssem atingir as metas estabelecidas pela empresa seriam honrados com o recebimento dos cartões de premiação. Por tudo o quanto foi ora discutido, avulta que o benefício auferido pelos beneficiários das premiações oferecidas pelo Recorrente, dada a sua natureza jurídica de gratificação e por não constar expressamente no rol numerus clausus de hipóteses de não incidência tributária, constituise parcela integrante do Salário de contribuição dos segurados, estando sujeito, por decorrência legal vinculante, à incidência de contribuições sociais previdenciárias. Dessarte, havendo a autuada remunerado segurados obrigatórios do RGPS, mesmo que por intermédio de interposta empresa, deveria ter efetuado o recolhimento das respectivas contribuições sociais à autarquia previdenciária federal e, por obrigação legal, ter informado tais remunerações e contribuições nas correspondentes Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Nessa perspectiva, os valores pagos através de cartões de premiação, por se subsumirem no conceito jurídico de salário de contribuição, deveriam ter sido declarados nas GFIP das competências correspondentes, como assim determina o inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de Fl. 410DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14474.000218/200787 Acórdão n.º 230201.822 S2C3T2 Fl. 404 15 contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) §4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo §5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). 3.2. DA APLICAÇÃO DE MULTA COM EFEITO DE CONFISCO Pondera o Recorrente que o valor da multa aplicada é desproporcional à infração tida por cometida, o que evidencia seu caráter confiscatório O clamor do Recorrente não merece acolhida. Com efeito, a Constituição Federal de 1988, no Capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional assentou, em relação aos impostos, os princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva do contribuinte. Nessa mesma prumada, ao tratar das limitações do poder do Estado de tributar, o inciso IV do art. 150 da Carta obstou, igualmente, a utilização de tributos com efeito de confisco, estatuindo ipsis litteris: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: (...) §1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, Fl. 411DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. (grifos nossos) Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV utilizar tributo com efeito de confisco; Olhando com os olhos de ver, avulta que os Princípios Constitucionais suso realçados são dirigidos, sem sombra de dúvida, aos membros políticos do Congresso Nacional, como vetores a serem seguidos no processo de gestação de normas matrizes de cunho tributário, não ecoando nos corredores do Poder Executivo, cujos servidores auditores fiscais subordinamse cegamente ao principio da atividade vinculada aos ditames da lei, dele não podendo se descuidar, sob pena de responsabilidade funcional. Imerso na Ordem Constitucional positiva e eficaz, a disciplina atinente à aplicação de penalidade pecuniária decorrente do descumprimento obrigações tributárias acessórias de cunho previdenciário ficou a cargo da Lei nº 8.212/91, cujos artigos 92 e 102 estatuem, de forma objetiva, que a infração de qualquer dispositivo constante na Lei de Custeio da Seguridade Social, para a qual não houver penalidade expressamente cominada, sujeitará o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável, a qual será reajustada nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Atendendo ao comando inscrito no art. 92, in fine, da Lei nº 8.212/91, o art. 283, II, ‘j’ do Regulamento da Previdência Social estabeleceu que a conduta infracional consistente na não exibição, pela empresa, de qualquer documento ou livro relacionados com contribuições previdenciárias ou a sua apresentação sem o atendimento pleno às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira, será apenada com a multa de, in casu, R$ 11.951,21 (onze mil, novecentos e cinquenta e um reais e vinte e um centavos), valor esse já reajustado nos termos da Portaria MPS GM n° 142, de 11 de abril de 2007. Conforme já anteriormente articulado, escapa da competência desta Corte Administrativa a sindicância da adequação das normas tributárias introduzidas pela Lei nº 8.212/91 ao Ordenamento Jurídico às vedações e princípios constitucionais aviados nos artigos 145 e 150 da Lei Maior. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14474.000218/200787 Acórdão n.º 230201.822 S2C3T2 Fl. 405 17 Revelase mais do que sabido que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cumpre ainda salientar, por relevante, ser vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Por outro viés, mas vinho de outra pipa, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Autuante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de Fl. 413DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 18 qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar tais alegações e afastar a multa aplicada nos trilhos mandamentais da lei, sob alegação de inconstitucionalidade por violação ao princípio previsto no artigo 150, IV da Constituição Federal, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 3.3. DO GRUPO ECONÔMICO. Sustenta o Recorrente inexistir o grupo econômico apontado pela fiscalização. A rogativa em apreciação não reflete a realidade dos autos. Cumpre neste comenos esclarecer que a responsabilidade direta pelas obrigações decorrentes do presente Auto de Infração é da empresa notificada. Ocorre que o inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/91 dispõe as empresas que integram grupo econômico, de qualquer natureza, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes dessa Lei. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30 ... IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (grifos nossos) Como é cediço, a solidariedade não se presume. Ela decorre da vontade das partes, ou diretamente de disposição legal, como é o presente caso. Nesse sentido, dispõe a Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005, sob cuja égide se deu a autuação em exame: Instrução Normativa SRP N° 03, de 14/07/2005: Art. 748. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Art. 749. Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do art. 30, inciso IX, da Lei n° 8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência. §1° Na cientificação a que se refere o caput, constará a identificação da empresa do grupo e do responsável, ou representante legal, que recebeu a cópia dos documentos Fl. 414DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14474.000218/200787 Acórdão n.º 230201.822 S2C3T2 Fl. 406 19 constitutivos do crédito, bem como a relação dos créditos constituídos. §2° É assegurado às empresas do grupo econômico, cientificadas na forma do §1° deste artigo, vista do processo administrativo fiscal. Tal regulamentação não discrepa das disposições encartadas na Instrução Normativa INSS/DC nº 100/2003, sendo, aliás, desta, mero espelho normativo. Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18/12/2003 Art. 778. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Art. 779. Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência. §1º Na cientificação a que se refere o caput, constará a identificação da empresa do grupo e do responsável, ou representante legal, que recebeu a cópia dos documentos constitutivos do crédito, bem como a relação dos créditos constituídos. §2º É assegurado às empresas do grupo econômico, cientificadas na forma do § 1º deste artigo, vista do processo administrativo fiscal. No caso ora vertido, a fiscalização apurou a existências de grupo econômico existente entre as empresas as empresas ZOOM ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ: 01.421.001/000172; MDM CONSULTORIA DE MARKETING LTDA, CNPJ: 03.033.477/000161; SOFTVÍDEO SOM E IMAGEM LTDA, CNPJ: 79.180.451/0001 08 e 0.S. PRODUÇÕES CINEMATOGRAFICAS LTDA, CNPJ: 03.013.614/000104. Registrese que os próprios sites na internet da Softmarketing Comunicação e Informação Ltda e da Softvídeo Som e Imagem Ltda reconhecem a existência de grupo econômico, denominado SOFT GLOBAL GROUP, constituído pelas empresas acima listadas. Conforme destacado no Relatório Fiscal, as empresas Softmarketing Comunicação e Informação Ltda e MDM Consultoria de Marketing Ltda têm como sócia majoritária a Zoom Administração e Participações Ltda, que também é sócia administradora das duas referidas empresas. Segundo o Comprovante de Inscrição e Situação Cadastral no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, extraído do site da Receita Federal do Brasil, via Internet em Fl. 415DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 20 03/07/2007, o nome de fantasia da empresa Zoom Administração e Participações Ltda é “SOFTMARKETING COMUNICAÇÃO E INFORMAÇÃO”, digase, exatamente o mesmo nome empresarial de sua empresa controlada Softmarketing Comunicação e Informação Ltda, ora Recorrente. Além disso, as empresas Softvídeo Som e Imagem Ltda e O.S. Produções Cinematográficas Ltda possuem o mesmo endereço empresarial, têm como sócios majoritários e sócios gerentes os mesmos sócios majoritários da empresa Zoom Administração e Participações Ltda, a qual, por seu turno, figura como sócia majoritária da Softmarketing Comunicação e Informação Ltda. Mas não é só. Há mais: Registrese que o Sr. Onez Mário da Silva, sócio gerente da Softvídeo Som e Imagem Ltda bem como da O.S. Produções Cinematográficas Ltda, administra também a Softmarketing Comunicação e Informação Ltda, como Diretor Superintendente, na qualidade de representante da sócia majoritária Zoom Administração e Participações Ltda. Aditese que a empresa Softvideo Som e Imagem Ltda foi sócia majoritária da Softmarketing Comunicação e Informação Ltda desde 30/11/93, data de criação desta última, até 16/12/96, quando cedeu suas quotas para a Zoom Administração e Participações Ltda, mediante a terceira alteração do Contrato Social da Softmarketing Comunicação e Informação Ltda. Além disso, nesse mesmo período de 30/11/93 a 16/12/96, a Softmarketing Comunicação e Informação Ltda tinha como Diretor Superintendente, representando sua sócia majoritária Softvídeo Som e Imagem Ltda, o Sr. Onez Mário da Silva. A partir de 16/12/96, o Sr. Onez permaneceu no exercício do cargo de Diretor Superintendente da Softmarketing Comunicação e Informação Ltda, agora contudo, como representante da nova sócia majoritária Zoom Administração e Participações Ltda. Citese, por interessante, que a unidade entre as empresas do grupo é tão grande que elas possuem a mesma representação jurídica perante o fisco federal, e que as peças de impugnação e de recurso voluntário se revelam exatamente as mesmas, ipsis litteris, só mudando o cabeçalho identificador de cada uma delas. Nessa prumada, os elementos fáticos elencados pela fiscalização a fls. 37/40 demonstram de forma insofismável a existência e configuração do grupo econômico de fato, cuja caracterização do grupo econômico decorre da conformação fixada no §2º do art. 2º do DecretoLei n ° 5.452/43 CLT. Consolidação das Leis do Trabalho CLT Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. (...) § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14474.000218/200787 Acórdão n.º 230201.822 S2C3T2 Fl. 407 21 In casu, há comunhão de sócios e objetivos sociais nas diversas empresas, assim como controle de uma empresa por outra. Há atuação de empresas na mesma unidade, utilizandose da estrutura do grupo. A linha de comando e representação é efetuada pelo mesmo grupo de pessoas ou por pessoas diretamente a elas vinculadas, etc. Registrese, por relevante, que a jurisprudência pátria, hodiernamente, evoluiu de uma interpretação meramente gramatical do §2° do art. 2° da CLT para o reconhecimento do grupo econômico, ainda que não haja subordinação a uma empresa controladora principal. Admite, portanto, mesmo nas ordens do Poder Judiciário, a configuração de grupo econômico, assim denominado "grupo composto por coordenação", em que as empresas atuam horizontalmente, no mesmo plano, participando todas do mesmo empreendimento independente do controle jurídico, com base apenas na organização comum da atividade econômica, conforme dessai dos julgados a seguir ementados, perfeitamente aplicáveis ao caso em apreciação: GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. Consoante a melhor doutrina, a personalidade jurídica é o substrato da autonomia dos sujeitos plúrimos que constituem o grupo empresário, podendose dizer que a autonomia é uma das facetas do grupo econômico, o que, antes de caracterizálo, constituise em nota marcante de sua definição. Quanto à exigência de controle pelo acionista majoritário, tal entendimento encontrase superado pela doutrina e jurisprudência. Admitese, hoje, a existência de grupo econômico independente do controle e fiscalização pela chamada empresa líder. Evoluiuse de uma interpretação meramente literal do artigo 2º, §2º, da CLT, para o reconhecimento do grupo econômico, ainda que não haja subordinação a uma empresa controladora principal. É o denominado "grupo composto por coordenação" em que as empresas atuam horizontalmente, no mesmo plano, participando todas do mesmo empreendimento. No direito do Trabalho impõese, com maior razão, uma interpretação mais elastecida da configuração do grupo econômico, devendose atentar para a finalidade de tutela ao empregado perseguido pela norma consolidada (artigo 2º, § 2º, da CLT). Grupo Econômico Caracterização. (TRTRO 19827/97 4ª T. Rel. Juiz Ronan Neves Cury Publ. MG 22.07.98)." GRUPO ECONÔMICO. Empresas que embora tenham situação jurídica distinta, são dirigidas pelas mesmas pessoas, exercem suas atividades no mesmo endereço e uma delas presta serviços somente à outra, formam um grupo econômico, a teor das disposições trabalhistas, sendo solidariamente responsáveis pelos legais direitos do empregado de qualquer delas. (TRT 3ª Região. 2T— RO/1551/86 Rel. Juiz Édson Antônio Fiúza Gouthier). GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CARACTERIZAÇÃO. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 22 O §2.° do art. 2° da CLT deve ser aplicado de forma mais ampla do que seu texto sugere, considerandose a finalidade da norma, e a evolução das relações econômicas nos quase sessenta anos de sua vigência. Apesar da literalidade do preceito, podem ocorrer, na prática situações em que a direção, o controle ou a administração não estejam exatamente nas mãos de uma empresa, pessoa jurídica. Pode não existir uma coordenação, horizontal, entre as empresas, submetidas a um controle geral, exercido por pessoas jurídicas ou físicas, nem sempre revelado nos seus atos constitutivos, notadamente quando a configuração do grupo quer ser dissimulada. Provados fartamente, o controle e a direção por determinadas pessoas físicas que, de fato, mantém a administração das empresas, sob um comando único, configurado está o grupo econômico, incidindo a responsabilidade solidária. (TRT/15ª REGIÃO. Decisão N° 061975/2005PATR., Relatora: MARIANE KHAYAT, publicado em 19/12/2005) Tais elementos, ancorados por outros descritos em tópicos diversos neste voto, demonstram a existência, de fato, de grupo econômico para fins de imputação de responsabilidade solidária, nos termos do art. 30, inciso IX da Lei nº 8.212/91. 3.4. DA RETROATIVIDADE BENIGNA Urge, antes de tudo, ser destacado que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente, como assim demonstra acreditar o Recorrente. O principio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico Fl. 418DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14474.000218/200787 Acórdão n.º 230201.822 S2C3T2 Fl. 408 23 tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ocorre, no entanto, que as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades decorrentes da não entrega de GFIP ou de sua entrega contendo incorreções foram alteradas pela Lei nº 11.941/2009, produto da conversão da Medida Provisória nº 449/2008. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Lei federal revogou os §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, fazendo introduzir no bojo desse mesmo Diploma Legal o art. 32A, ad litteris et verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no §3º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). (grifos nossos) §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §2º Observado o disposto no §3º deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação.(Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §3 A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Fl. 419DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 24 II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Originariamente, a conduta infracional consistente em apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores era punível com pena pecuniária correspondente a cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do artigo 32 da Lei n º 8.212/91. A Medida Provisória nº 449/2009, convertida na Lei n º 11.941/2009, alterou a memória de cálculo da penalidade em tela, passando a impor a multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omissas, mantendo inalterada a tipificação legal da conduta punível. A multa acima delineada será aplicada ao infrator independentemente de este ter promovido ou não o recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, a teor do inciso I do art. 32A acima transcrito, fato que demonstra tratarse a ora discutida imputação, de penalidade administrativa motivada, unicamente, pelo descumprimento de obrigação instrumental acessória. Assim, a sua mera inobservância consubstanciase infração e implica a imposição de penalidade pecuniária, em atenção às disposições estampadas no art. 113, §3º do CTN. A Secretaria da Receita Federal do Brasil editou a IN RFB nº 1.027/2010, que assim dispôs em seu artigo 4º: Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22 de abril de 2010 Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei Fl. 420DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14474.000218/200787 Acórdão n.º 230201.822 S2C3T2 Fl. 409 25 nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. §2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista. Mostrase flagrante que a citada IN RFN nº 1.027/2010 extrapolou os limites da lei, inovando o ordenamento jurídico. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, não vislumbramos existir motivo para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e com aquelas decorrentes da inobservância de obrigações acessória, para, em seguida, se confrontar tal somatório com o valor da multa calculada segundo a metodologia descrita no art. 35A da Lei nº 8.212/1991, para, só então, se apurar qual a pena administrativa se revela mais benéfica ao infrator. Entendo que o exame da retroatividade benigna deve se adstringir ao confronto entre a penalidade imposta pelo descumprimento de obrigação acessória, calculada segundo a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores e a penalidade pecuniária prevista na novel legislação pelo descumprimento da mesma obrigação acessória, não havendo que se imiscuir com a multa decorrente de lançamento de ofício de obrigação tributária principal. Lé com lé, cré com cré. A análise da lei mais benéfica não pode superar tais condições de contorno pois, como já afirmado alhures, tratase de obrigação acessória que é absolutamente independente de qualquer obrigação principal. Notese que o princípio tempus regit actum somente será afastado quando a lei nova cominar ao FATO PRETÉRITO, in casu, o descumprimento de determinada obrigação acessória, penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Dessarte, nos termos do CTN, para fins de retroatividade de lei nova, é incabível a comparação entre (a) o somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 e das multas aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32, ambos da Lei nº 8.212/991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/91, acrescido pela Lei nº 11.941/2009, inexistindo regra de hermenêutica que nos autorize a extrair dos documentos normativos acima revisitados interpretação jurídica que admita a comparação entre a multa derivada do somatório previsto na alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da IN RFB nº 971/2009 e o valor da penalidade prevista na alínea ‘b’ do inciso I do mesmo dispositivo legislativo suso aludido, para fins de retroatividade de lei tributária mais benéfica. De outro eito, mas trigo de outra safra, o art. 97 do CTN estatui que somente a lei formal pode dispor sobre a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos e tratar de hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; Fl. 421DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 26 II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Mostrase flagrante que a alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, acrescentado pela IN RFB nº 1.027/2010, é tendente a excluir, sem previsão de lei formal, penalidade pecuniária imposta pelo descumprimento de obrigação acessória nos casos em que a multa de ofício, aplicada pelo descumprimento de obrigação principal, for mais benéfica ao infrator. Tal hipótese não se enquadra, de forma alguma, na situação de retroatividade benigna prevista pelo art. 106, II, ‘c’ do CTN, pois emprega como parâmetros de comparação penalidades de natureza jurídica diversa, uma pelo descumprimento de obrigação principal e a outra, pelo de obrigação acessória. Há que se reconhecer que as penalidades acima apontadas são autônomas e independentes entre si, pois que a aplicação de uma não afasta a incidência da outra e vice versa. Nesse contexto, não se trata de retroatividade da lei mais benéfica, mas, sim, de dispensa de penalidade pecuniária estabelecida mediante Instrução Normativa, favor tributário que somente poderia emergir da lei formal, a teor do inciso VI, in fine, do art. 97 do CTN. È mister ainda destacar que o art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela Medida Provisória nº 449/2008, apenas se refere ao lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 dessa mesma Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a outras entidades e fundos, não produzindo qualquer menção às penalidades administrativas decorrentes do descumprimento de obrigação acessória, assim como não o faz o remetido art. 44 da Lei nº 9.430/96. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Fl. 422DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14474.000218/200787 Acórdão n.º 230201.822 S2C3T2 Fl. 410 27 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) (...) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Assim, em virtude da total independência e autonomia entre as obrigações tributárias principal e acessória, o preceito inscrito no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, não projeta qualquer efeito sobre os Autos de Infração lavrados em razão Fl. 423DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 28 exclusiva de descumprimento de obrigação acessória associada às Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Uma vez que a penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória encontrase prevista em lei, somente o Poder Legislativo dispõe de competência para dela dispor. A legislação complementar, na forma de Instrução Normativa emanada do Poder Executivo, extrapola os limites de sua competência concedendo anistia para exclusão de crédito tributário, em violação às disposições insculpidas no §6º do art. 150 da CF/88, o qual exige lei em sentido estrito. Vislumbrase inaplicável, portanto, a referida IN RFB nº 1.027/2010, por ser flagrantemente ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, mesmo que o sujeito passivo haja promovido, tempestivamente, o exato recolhimento do tributo correspondente, conforme assentado no art. 32A da Lei nº 8.212/91. Nesse contexto, afastada por ilegalidade a norma estatuída pela IN RFB nº 1.027/2010, por representar a novel legislação encartada no art. 32A da Lei nº 8.212/91 um benefício ao contribuinte, verificase a incidência do preceito encartado na alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN, devendo ser observada a retroatividade benigna, sempre que a multa decorrente da sistemática de cálculo realizada na forma prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91 cominar ao Sujeito Passivo uma penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência da infração. Assim, tratandose o presente caso de hipótese de entrega de GFIP contendo informações incorretas ou com omissão de informações, deverá ser aplicada a penalidade prevista no inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, se esta se mostrar mais benéfica ao Recorrente. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo a pena administrativa a ser impingida ao infrator ser recalculada tomandose em consideração as disposições inscritas no art. 32A, I da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, somente na estrita hipótese de o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Relator Fl. 424DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14474.000218/200787 Acórdão n.º 230201.822 S2C3T2 Fl. 411 29 Fl. 425DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10510.004270/2009-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. REGIME JURÍDICO.
O direito à isenção de contribuições previdenciárias de que trata o §7° do art. 195 da Constituição Federal foi regulamentado pelo art. 55 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, conforme sacramentado pelo Comunicado do Senado Federal SM/N° 805/91, de 12 de agosto de 1991.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA.
Escapa à competência deste Colegiado a declaração, bem como o
reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ISENÇÃO. ART. 195, §7º DA
CF/88. REQUISITOS. ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91.
A isenção de contribuições previdenciárias somente será deferida à entidade beneficente de assistência social que atender, cumulativamente, aos requisitos fixados no art. 55 da Lei nº 8.212/91.
A ausência de requisição formal de reconhecimento de isenção e a carência do Ato Declaratório concessivo desautorizam o sujeito passivo ao auto enquadramento como isento e à fruição do benefício tributário em realce.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. LC Nº 84/96.
A contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais foi instituída pela Lei Complementar nº 84, de 18 de
janeiro de 1996, no exercício da competência tributária residual exclusiva da União, sendo o seu regramento, após a EC nº 20/98, assentado no inciso III da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei nº 9.876/99.
NFLD. MULTA DE MORA COM EFEITO DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA.
Não constitui confisco a imputação de penalidade pecuniária em razão de não cumprimento tempestivo de obrigação de natureza tributária.
Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88.
RECURSO VOLUNTÁRIO. ALEGAÇÕES ALHEIAS AOS FUNDAMENTOS DA EXIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO.
Não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo impugnante e que não sejam objeto da exigência fiscal nem tenham relação direta com os fundamentos do lançamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-001.730
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201204
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. REGIME JURÍDICO. O direito à isenção de contribuições previdenciárias de que trata o §7° do art. 195 da Constituição Federal foi regulamentado pelo art. 55 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, conforme sacramentado pelo Comunicado do Senado Federal SM/N° 805/91, de 12 de agosto de 1991. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA. Escapa à competência deste Colegiado a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ISENÇÃO. ART. 195, §7º DA CF/88. REQUISITOS. ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91. A isenção de contribuições previdenciárias somente será deferida à entidade beneficente de assistência social que atender, cumulativamente, aos requisitos fixados no art. 55 da Lei nº 8.212/91. A ausência de requisição formal de reconhecimento de isenção e a carência do Ato Declaratório concessivo desautorizam o sujeito passivo ao auto enquadramento como isento e à fruição do benefício tributário em realce. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. LC Nº 84/96. A contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais foi instituída pela Lei Complementar nº 84, de 18 de janeiro de 1996, no exercício da competência tributária residual exclusiva da União, sendo o seu regramento, após a EC nº 20/98, assentado no inciso III da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei nº 9.876/99. NFLD. MULTA DE MORA COM EFEITO DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Não constitui confisco a imputação de penalidade pecuniária em razão de não cumprimento tempestivo de obrigação de natureza tributária. Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88. RECURSO VOLUNTÁRIO. ALEGAÇÕES ALHEIAS AOS FUNDAMENTOS DA EXIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. Não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo impugnante e que não sejam objeto da exigência fiscal nem tenham relação direta com os fundamentos do lançamento. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10510.004270/2009-30
anomes_publicacao_s : 201204
conteudo_id_s : 5047052
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2302-001.730
nome_arquivo_s : 230201730_10510004270200930_201204.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : Arlindo da Costa e Silva
nome_arquivo_pdf_s : 10510004270200930_5047052.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
id : 4751073
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044359059865600
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2369; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 309 1 308 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10510.004270/200930 Recurso nº 001.730 Voluntário Acórdão nº 230201.730 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de abril de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS NFLD Recorrente ASSOCIAÇÃO DE BENEFICÊNCIA SÃO FRANCISCO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. REGIME JURÍDICO. O direito à isenção de contribuições previdenciárias de que trata o §7° do art. 195 da Constituição Federal foi regulamentado pelo art. 55 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, conforme sacramentado pelo Comunicado do Senado Federal SM/N° 805/91, de 12 de agosto de 1991. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURIDICA. Escapa à competência deste Colegiado a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ISENÇÃO. ART. 195, §7º DA CF/88. REQUISITOS. ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91. A isenção de contribuições previdenciárias somente será deferida à entidade beneficente de assistência social que atender, cumulativamente, aos requisitos fixados no art. 55 da Lei nº 8.212/91. A ausência de requisição formal de reconhecimento de isenção e a carência do Ato Declaratório concessivo desautorizam o sujeito passivo ao autoenquadramento como isento e à fruição do benefício tributário em realce. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. LC Nº 84/96. A contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais foi instituída pela Lei Complementar nº 84, de 18 de janeiro de 1996, no exercício da competência tributária residual exclusiva da Fl. 309DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 União, sendo o seu regramento, após a EC nº 20/98, assentado no inciso III da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei nº 9.876/99. NFLD. MULTA DE MORA COM EFEITO DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Não constitui confisco a imputação de penalidade pecuniária em razão de não cumprimento tempestivo de obrigação de natureza tributária. Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88. RECURSO VOLUNTÁRIO. ALEGAÇOES ALHEIAS AOS FUNDAMENTOS DA EXIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. Não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo impugnante e que não sejam objeto da exigência fiscal nem tenham relação direta com os fundamentos do lançamento. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Vera Kempers de Moraes Abreu e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 Data da lavratura do AIOP: 04/12/2009. Data da Ciência do AIOP: 09/12/2009. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da entidade em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e a segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços durante o período de apuração, apuradas Fl. 310DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.004270/200930 Acórdão n.º 230201.730 S2C3T2 Fl. 310 3 com base nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 17/19. Informa a fiscalização que a entidade é detentora de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS, deferido pelo Conselho Nacional de Assistência Social ao julgar o processo n° 44006.000056/200331, com validade no período de 22/03/2005 a 21/03/2008. Aduz que, embora a entidade se declare isenta de contribuições previdenciárias patronais, apresentando GFIP com o código FPAS 639, não consta nos arquivos da Receita Federal do Brasil nem nas bases de dados do Conselho Nacional de Assistência Social ato declaratório deferindo este favor fiscal. Devidamente intimada mediante termo próprio, o Recorrente não logrou apresentar tal documento, o qual é exigido pelo §1º do art. 55 da Lei n° 8.212/91, fato que motivou a lavratura do vertente Auto de Infração. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 108/136. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA lavrou decisão administrativa aviada no Acórdão a fls. 166/170, julgando procedente o lançamento tributário e mantendo o crédito assim lançado em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 16/05/2011, conforme Aviso de Recebimento a fl. 174. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário a fls. 175/202, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: • A Signatária é uma entidade beneficente de assistência social, reconhecida como utilidade pública municipal, estadual e federal, e possuidora de Certidão de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS, outorgada pelo Conselho Nacional de Assistência Social. No entanto, está sendo autuada por dívida de contribuições previdenciárias como se fosse uma empresa industrial ou comercial; • O procedimento fiscal não guarda conformidade com as normas que regem o lançamento tributário, pois foi lavrado fora do estabelecimento da autuada, nulificandoo ab initio; • Que recolheu na integra todo o débito referente à contribuição dos empregados, o que torna nula qualquer ação fiscal a esse respeito; • Que o recolhimento do Salário Educação, até janeiro de 1997, é inconstitucional; • Que a remuneração paga a segurados contribuintes individuais não pode ser acatada por contrariar dispositivos constitucionais; • Que o INSS não sofreu qualquer lesão, porque todos os tributos e contribuições devidos foram recolhidos; Fl. 311DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 • Que a multa aplicada tem natureza confiscatória; Ao fim, requer a improcedência do Auto de Infração. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 16/05/2011. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 09 de junho do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA NULIDADE Alega o Recorrente procedimento fiscal não guarda conformidade com as normas que regem o lançamento tributário, pois foi lavrado fora do estabelecimento da autuada, nulificandoo ab initio. Não procede. A ação fiscal se desenvolveu, de fato, no estabelecimento da empresa como assim determina a legislação de regência. Aos nove dias do mês de novembro de 2009, o Auditor designado no Mandado de Procedimento Fiscal nº 0520100.2009.01092 apresentouse ao estabelecimento da entidade autuada, intimandoa formalmente, mediante o Termo de Início de Procedimento Fiscal a fls. 13/14, a apresentar no prazo ali consignado, uma série de documentos, dentre eles os atos declaratórios de concessão de isenção previdenciária, tendo sido o TIPF recebido e assinado pelo Sr. Lazaro Martins de Fl. 312DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.004270/200930 Acórdão n.º 230201.730 S2C3T2 Fl. 311 5 Souza, CPF 267.564.55591, administrador da empresa, o mesmo que recebeu o “Recibo de arquivos entregues ao contribuinte” a fl. 14, o Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal, a fl. 15, e o próprio Auto de Infração, a fl. 01. O Relatório Fiscal consigna, expressamente, haverem sido examinadas as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social da empresa, sendo que a fiscalização foi atendida pelo Sr. Lázaro Martins de Souza, administrador da entidade, a quem foram prestados todos os esclarecimentos solicitados. O presente Auto de Infração encontrase instruído com cópias do Estatuto da entidade; Atas de reuniões para eleição da diretoria e do administrador da entidade, datadas de 02/08/2002, 05/11/2004 e 13/02/2008; Cópia de RG, procuração, comprovante de residência do atual administrador, Sr. Lázaro Martins de Souza; Cópia RG do exadministrador Sr. José Carlos Dalles e do atual diretor presidente, Sr. Teófilo Costa dos Santos; Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS, deferido pelo Conselho Nacional de Assistência Social (processo n° 44006.000056/200331), além das GFIP de outubro/2006 e outubro/2007, documentos esses fornecidos pela Entidade diretamente à fiscalização. Como é, então, que a Recorrente alega que o Auto de Infração se houve por lavrado fora do estabelecimento da autuada? Vencidas as preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre, de plano, assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as questões já decididas pelo órgão Julgador de 1ª instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela parte. 3.1. DAS ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. O Recorrente introduziu nos autos extensa peça impugnatória, a fls. 175/202, aproveitando o momento processual oportuno, para lançar em face do Auto de Infração em foco uma série de alegações de inconstitucionalidade de leis e de outros atos normativos. Tais alegações de inconstitucionalidade, todavia, não poderão ser acatadas. Mostrase imperioso neste comenos destacar, de forma a nocautear qualquer dúvida porventura ainda renitente, que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou de atos administrativos constituise prerrogativa outorgada pela Fl. 313DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Registrese, por relevante ao deslinde da questão, que as leis e atos normativos produzidos pelos poderes competentes ostentam presunção iuris tantum de constitucionalidade e de legalidade, respectivamente, mesmo que decorrente de uma interpretação conforme da Constituição Federal. Nesse contexto, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Notificante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. De plano, devese atentar que o Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, dispõe expressamente em seu art. 26A ser vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nas hipóteses em que os citados diplomas legislativos tenham sido declarados inconstitucionais por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 314DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.004270/200930 Acórdão n.º 230201.730 S2C3T2 Fl. 312 7 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Revelase pertinente salientar que é vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Fl. 315DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar tais alegações e propalar declarações de inconstitucionalidade, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 3.2. DA ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Por definição legal, constituise tributo toda prestação pecuniária compulsória, expressa em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Originariamente, o CTN elencou como tributos os impostos, as taxas e as contribuições de melhoria. Com o advento da publicação da nova Carta Constitucional, tanto a mais balizada doutrina, como também, os tribunais superiores, máxime o STF, passaram a acomodar no conceito de Tributo também as contribuições sociais bem como os empréstimos compulsórios, em virtude de essas exações ostentarem igualmente os elementos objetivos caracterizadores fixados no art. 3º do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Art. 4º A natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação, sendo irrelevantes para qualificála: I a denominação e demais características formais adotadas pela lei; II a destinação legal do produto da sua arrecadação. Art. 5º Os tributos são impostos, taxas e contribuições de melhoria. A Constituição da República estabeleceu no §7º do seu art. 195 serem isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atenderem às exigências estabelecidas em lei. Constituição Federal de 1988 Fl. 316DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.004270/200930 Acórdão n.º 230201.730 S2C3T2 Fl. 313 9 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20/98) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20/98) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20/98) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98) (...) §7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. (grifos nossos) Avulta, de plano, que a norma constitucional suso mencionada, para alcançar a plenitude dos efeitos colimados pelo legislador constituinte, necessita da integração de regramento infraconstitucional, que estabeleça de maneira taxativa as exigências a serem cumpridas pelas entidades beneficentes de assistência social para a fruição do benefício da não incidência tributária em debate. Nessa prumada, assentado que a regra constitucional não contem todos os elementos indispensáveis à sua plena executoriedade, enquanto não forem complementadas pelo legislador ordinário a sua aplicabilidade é apenas mediata, atuando, de regra, em sentido negativo. Cabe trazer à tona que a matéria relativa ao estabelecimento de parâmetros e condições para concessão de isenção de contribuições previdenciárias às entidades beneficentes de assistência social não foi incluída, pela CF/88, nas hipóteses de reserva de Lei Complementar, de forma que o documento legislativo com vocação para o atendimento de tais afazeres é a lei ordinária federal. A questão ora em debate já foi bater às portas da Suprema Corte Constitucional, no julgamento da Ação Direta de Constitucionalidade nº 1/DF, da Relatoria do Min. Moreira Alves, que assentou “A jurisprudência desta Corte, sob o império da Emenda Constitucional nº 1/69 – e a Constituição atual não alterou este sistema – se firmou no sentido de que só se exige lei complementar para as matérias Fl. 317DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 cuja disciplina a Constituição expressamente faz tal exigência e, se porventura a matéria, disciplinada por lei cujo processo legislativo observado tenha sido o da lei complementar, não seja daquelas para que a Carta Magna exige essa modalidade legislativa, os dispositivos que tratam dela se têm como dispositivos de lei ordinária”. (grifos nossos) Sintonizado na mesma frequência da Suprema Corte, o Senado Federal entrou com cerol fino na questão em relevo, fazendo expedir o Comunicado do Senado Federal SM/N° 805/91, de 12 de agosto de 1991, o qual cortou na mão qualquer dúvida ainda renitente a respeito do Instrumento Normativo com aptidão para a delimitação das condições de contorno da hipótese de não incidência em debate, ad litteris et verbis: SENADO FEDERAL – SM nº 805/91 Em 12 de agosto de 1991. Senhor Ministro. Com referência ao oficio n° 543/P, de 7 de agosto corrente, desse Tribunal, cumpreme comunicar a Vossa Excelência que o §7° do art. 195 da Constituição Federal foi regulamentado pelo art. 55 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, publicada no Diário Oficial da União do dia seguinte. Aproveito a oportunidade para apresentar a Vossa Excelência protestos de estima e consideração. Senador MAURO BENEVIDES Presidente Diante desse cenário, não restam mais dúvidas de que a matéria atinente à isenção ora em abordagem houve por confiada à Lei nº 8.212/91, cujo art. 55 estabeleceu expressamente serem isentas de contribuições previdenciárias a entidade beneficente de assistência social que atendesse, cumulativamente, aos seguintes requisitos: a) Ser reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; b) Ser portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, o qual deve ser renovado a cada três anos; c) Promover gratuitamente e em caráter exclusivo a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; d) Não perceber seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; Fl. 318DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.004270/200930 Acórdão n.º 230201.730 S2C3T2 Fl. 314 11 e) Aplicar integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; IIseja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). §1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. §2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. §3º Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). §4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 §5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). §6o A inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no §3o do art. 195 da Constituição. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). Assim emoldurado o quadro normativo legal e constitucional, avulta que, para que uma entidade seja sujeito de direito à isenção em realce, é indispensável que seja reconhecida formalmente como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal, além de ser portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social bem como do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos. Ocorre, contudo, que o atendimento de tais requisitos não se configura bastante e suficiente para o gozo da isenção em apreço. Fulgura como imprescindível o cumprimento cumulativo das demais exigências fixadas no art. 55 da Lei nº 8.212/91. Estando materialmente implementadas todas as formalidades previstas na legislação, será provocada, mediante requerimento formal, a autarquia previdenciária federal para se pronunciar sobre a efetiva satisfação dos requisitos legais, a qual, anuindo, emitirá Ato Declaratório reconhecendo o direito da Peticionária à isenção de contribuições previdenciárias. Anotese que quem possui a competência para sindicar se a EBAS adimpliu todas as formalidades exigidas pela lei é a autarquia previdenciária em foco, e não a entidade pretendente à isenção. Esta se submete ao crivo da investigação do Estado. Nessa cadência, somente com a expedição do competente Ato Declaratório pode a beneficiária se declarar como sujeito de direito ao benefício tributário em relevo. Antes não. Desse modo, ao contrário do afirmado, o Recorrente não possui direito inato à fruição da isenção em ribalta, eis que tal direito não se houve por reconhecido pela autarquia previdenciária, que o faz mediante a expedição do Ato Declaratório. No caso em apreciação, foi a entidade intimada mediante Termo próprio a apresentar os Atos Declaratórios de Concessão de Isenção Previdenciária, os quais, de acordo com o relato conclusivo fincado no Relatório Fiscal a fl. 17, não foram apresentados à fiscalização. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.004270/200930 Acórdão n.º 230201.730 S2C3T2 Fl. 315 13 De acordo com o §1º do art. 55 da Lei nº 8.212/91, fulgura como condição sine qua non que a entidade, atendendo a todos os requisitos elencados na lei, requeira o reconhecimento à isenção ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, o qual terá o prazo de 30 dias para despachar o pedido. Aditese que as provas constantes nos autos não contêm qualquer indício de prova material, o mínimo que seja, de que o Recorrente tenha formulado perante a autarquia previdenciária federal o indispensável requerimento de isenção a que alude o §1º do art. 55 da Lei nº 8.212/91. Nessa perspectiva, tendo a fiscalização constatado o descumprimento, pelo Recorrente, do requisito essencial arrolado no §1º do art. 55 da Lei nº 8.212/91, desconsiderou o autoenquadramento realizado pelo Recorrente ao código FPAS 639, eis que este é exclusivo para entidades beneficentes de assistência social, com isenção requerida e concedida pela Previdência Social, atribuindolhe ex officio a classificação FPAS 515, CNAE 85111, CNAE FISCAL 86101/01. Na oportunidade, promoveuse o relato dos fatos que demonstraram o não atendimento dos requisitos necessários para o gozo da isenção em voga, sendo, ato contínuo, lavrado o vertente Auto de Infração consumando o lançamento das contribuições devidas, tudo em consonância com o estatuído no art. 37, caput da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. §1º Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. (Incluído pela Lei nº 9.711/98). §2ºPor ocasião da notificação de débito ou, quando for o caso, da inscrição na Dívida Ativa do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, a fiscalização poderá proceder ao arrolamento de bens e direitos do sujeito passivo, conforme dispuser aquela autarquia previdenciária, observado, no que couber, o disposto nos §§ 1º a 6º, 8º e 9º do art. 64 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. (Incluído pela Lei nº 9.711/98). Cabenos enfatizar que, por se tratar de hipótese de renúncia fiscal, há que se lhe emprestar interpretação restritiva, a teor das disposições plasmadas no art. 111, II do CTN. Código Tributário Nacional CTN Fl. 321DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; No caso em apreciação, o lançamento tributário houvese por formalizado em razão de a entidade recorrente não ter efetuado tempestivamente o recolhimento das contribuições previdenciárias por ela devidas, consoante exigência fiscal inscrita na Lei nº 8.212/91. Diante de tal panorama fático/jurídico, outra porta não se abriu à fiscalização que não aquela que conduziu à imediata lavratura do Auto de Infração de Obrigação Principal referente às contribuições sociais devidas a outras entidades e fundos, e não recolhidas. Não procede, portanto, a alegação de nulidade da autuação ao argumento de haver o Recorrente recolhido, na íntegra todo o débito referente à contribuição dos empregados. A uma, porque o presente débito não se refere a contribuições dos segurados, mas, sim, da própria entidade, destinada ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. A duas, porque, por não ter reconhecido o direito à isenção de que trata o art. 55 da Lei nº 8.212/91, são devidas pela entidade todas as contribuições previdenciárias previstas na alínea ‘a’ do Parágrafo Único do art. 11 do diploma legal acima citado. Pela mesma razão, vai às cordas o argumento recursal de que o INSS não teria sofrido qualquer lesão, porque todos os tributos e contribuições devidos teriam sido recolhidos. A lesão é evidente. Deixaram de ser recolhidas as contribuições previdenciárias previstas na alínea ‘a’ do Parágrafo Único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, no montante originário de R$ 171.036,67. 3.3. DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE A REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Argumenta a entidade que a remuneração paga a segurados contribuintes individuais não pode ser acatada por contrariar dispositivos constitucionais. A razão, uma vez mais, não lhe sorri. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.004270/200930 Acórdão n.º 230201.730 S2C3T2 Fl. 316 15 Mostrase auspicioso trazer à balha que, até 16 de dezembro de 1998, data da publicação da Emenda Constitucional n° 20/1998, assim dispunha o art. 195, I da Constituição Federal: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; (...) § 4º A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social, obedecido o disposto no art. 154, I. Conforme redação acima transcrita, não figurava abarcada no campo de incidência das contribuições previdenciárias, a exação incidente sobre a remuneração de segurados que não se enquadrassem no conceito de folha de salários. Assim, a instituição de contribuições sociais incidentes sobre a remuneração de segurados não empregados, dentre eles os assim denominados segurados contribuintes individuais, somente poderia ser promovida mediante Lei Complementar, no exercício da competência residual exclusiva da União, prevista no art. 150, I da CF/88, conforme estatuído expressamente no art. 195, §4º da Carta. Nessa perspectiva, no desempenho da competência residual supra referida e trilhando um processo legislativo em perfeita sintonia com o ordenamento jurídico vigente à época, foi editada pelo Congresso Nacional, imerso na ordem constitucional então vigente, e promulgada pelo Presidente da República, a Lei Complementar n° 84/1996, instituindo a novel fonte de custeio previdenciário incidente sobre a remuneração de trabalhadores autônomos, empresários e trabalhadores avulsos e demais pessoas físicas. LEI COMPLEMENTAR nº 84, de 18 de janeiro de 1996. Art.1º Para a manutenção da Seguridade Social, ficam instituídas as seguintes contribuições sociais: I a cargo das empresas e pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, no valor de quinze por cento do total das remunerações ou retribuições por elas pagas ou creditadas no decorrer do mês, pelos serviços que lhes prestem, sem vínculo empregatício, os segurados empresários, trabalhadores autônomos, avulsos e demais pessoas físicas; Fl. 323DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 Posteriormente, com a publicação da citada Emenda Constitucional n° 20/1998, foi alterado o teor normativo do art. 195, I da Constituição Federal, cuja redação passou a dispor, ad litteris et verbis: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. (...) Da leitura de tais comandos constitucionais, deflui que as normas que disciplinam a espécie ora em apreciação não impõem mais qualquer exigência de Lei Complementar para a imposição de tributação sobre a remuneração de segurados contribuintes individuais, a qual pode ser instituída mediante mera lei ordinária, em obediência à reserva legal prevista no art. 97 do CTN, in verbis: Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. §1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. §2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. Nessa perspectiva, sem que tenha ocorrido solução de continuidade, foi editada já sob a nova ordem constitucional a lei nº 9.876/99 que majorou a Fl. 324DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.004270/200930 Acórdão n.º 230201.730 S2C3T2 Fl. 317 17 alíquota de 15% para 20%, ao mesmo tempo em que fez inserir, no corpo da lei de custeio da Seguridade Social, precisamente em seu art. 22, o inciso III estabelecendo o regramento da exação previdenciária ora em debate. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Inciso acrescentado pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). (grifos nossos) Conforme detalhadamente descrito, a contribuição social previdenciária a cargo das empresas e pessoas jurídicas, incidente total das remunerações ou retribuições por elas pagas ou creditadas no decorrer do mês, pelos serviços que lhes prestem, sem vínculo empregatício, os segurados contribuintes individuais, assim qualificados os empresários, trabalhadores autônomos, avulsos e demais pessoas físicas, foi instituída pelo art. 1º da Lei Complementar nº 84, de 18 de janeiro de 1996, cumprindo às exigências fixadas no art. 195, §4º c.c. art. 154, I da CF/88. Anotese que a instituição de nova fonte de custeio destinada a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social depende de lei complementar, no entanto, a majoração de alíquota só depende de lei ordinária, assim como a extinção de qualquer fonte de custeio, a teor do art. 97 do CTN. Cabenos chamar atenção ao seguinte fato: Uma vez instituída a contribuição previdenciária a cargo da empresa, incidente sobre o Salário de Contribuição dos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços, exauriuse a competência exclusiva da lei complementar prevista na Carta Constitucional, qual seja, a de instituir a espécie tributária em foco, isto é, a de introduzir no ordenamento jurídico a norma cogente em debate, e, com ela, a obrigação tributária principal correspondente. Uma vez inserida no ordenamento jurídico houve por esgotada a função da Lei Complementar nº 84/96. Registrese, por relevante, que a matéria relativa à majoração de alíquota de tributo não foi incluída, pela CF/88, nas hipóteses de reserva de Lei Complementar, de forma que o atendimento ao princípio da legalidade pode ser satisfeito mediante lei ordinária. A matéria ora em debate já foi bater às portas da Suprema Corte Constitucional, no julgamento da Ação Direta de Constitucionalidade nº 1/DF, da Relatoria do Min. Moreira Alves, que assentou “A jurisprudência desta Corte, sob o império da Emenda Constitucional n. 1/69 – e a Constituição atual não alterou este sistema – se firmou no sentido de que só se exige lei complementar para as matérias cuja disciplina a Constituição expressamente faz tal exigência e, se porventura a matéria, disciplinada por lei cujo processo legislativo observado tenha sido o da lei complementar, não seja daquelas para que a Carta Magna exige essa modalidade Fl. 325DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 18 legislativa, os dispositivos que tratam dela se têm como dispositivos de lei ordinária”. (grifos nossos) Dessarte, a base de incidência das contribuições previdenciárias, na hipótese ora tratada, abraça o total das remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. Advirtase que o termo “remunerações” encontrase aqui empregado em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa pelos serviços a ela prestados pelos seus diretores/administradores. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”. Nesses termos, compreendemse no conceito legal de remuneração os três componentes do gênero, assim especificados pela doutrina: 1 Remuneração Básica – Referente à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. 2 Incentivos Salariais São programas desenhados para recompensar funcionários com bom desempenho. Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos resultados a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros. 3 Benefícios Quase sempre denominados como “remuneração indireta”. Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios na forma de utilidades ou in natura, que culminam representando um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente. Amoldamse, dessarte, tais valores no conceito de remuneração de segurados contribuintes individuais, integrando para os fins de tributação a base material de incidência das contribuições previdenciárias. 3.4. DA APLICAÇÃO DE MULTA DE MORA COM EFEITO DE CONFISCO Argumenta o Recorrente que a multa aplicada tem natureza confiscatória. O clamor do Recorrente não merece acolhida. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.004270/200930 Acórdão n.º 230201.730 S2C3T2 Fl. 318 19 Com efeito, a Constituição Federal de 1988, no Capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional assentou, em relação aos impostos, os princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva do contribuinte. Nessa mesma prumada, ao tratar das limitações do poder do Estado de tributar, o inciso IV do art. 150 da Carta obstou, igualmente, a utilização de tributos com efeito de confisco, estatuindo ipsis litteris: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: (...) §1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. (grifos nossos) Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV utilizar tributo com efeito de confisco; Olhando com os olhos de ver, avulta que os Princípios Constitucionais suso realçados são dirigidos, sem sombra de dúvida, aos membros políticos do Congresso Nacional, como vetores a serem seguidos no processo de gestação de normas matrizes de cunho tributário, não ecoando nos corredores do Poder Executivo, cujos servidores auditores fiscais subordinamse cegamente ao principio da atividade vinculada aos ditames da lei, dele não podendo se descuidar, sob pena de responsabilidade funcional. Imerso na Ordem Constitucional positiva e eficaz, a disciplina atinente à aplicação de multa de mora decorrente do descumprimento tempestivo de obrigações tributárias principais de cunho previdenciário ficou a cargo da Lei nº 8.212/91, cujos artigos 34 e 35 estatuem, de forma objetiva, que as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas a multa de mora de caráter irrelevável. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: Fl. 327DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 20 a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento Fl. 328DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.004270/200930 Acórdão n.º 230201.730 S2C3T2 Fl. 319 21 somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Conforme articulado, escapa da competência deste Colegiado a análise da adequação das normas tributárias introduzidas pela Lei nº 8.212/91 ao Ordenamento Jurídico às vedações e princípios constitucionais aviados nos artigos 145 e 150 da Lei Maior. Revelase mais do que sabido que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Ademais, perfilhando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cumpre ainda salientar, por relevante, ser vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 22 Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Igualmente, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Notificante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar tais alegações e afastar a multa aplicada nos trilhos mandamentais da lei, sob alegação de inconstitucionalidade por violação ao princípio previsto no artigo 150, IV da Constituição Federal, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 3.5. DO SALÁRIO EDUCAÇÃO Pondera o Recorrente que o recolhimento do Salário Educação, até janeiro de 1997, é inconstitucional. Tais alegações, no entanto, não poderão ser objeto de deliberação por esta Corte Administrativa eis que as matérias nelas aventadas não integram o litígio em julgamento. O Recorrente aproveitou a oportunidade concedida pela lei para se manifestar nos autos para deduzir extenso arrazoado sobre a constitucionalidade da contribuição social destinada ao FNDE. Ocorre que o presente lançamento não versa, nem mesmo indiretamente, sobre contribuições sociais destinadas ao FNDE. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.004270/200930 Acórdão n.º 230201.730 S2C3T2 Fl. 320 23 No rito do Processo Administrativo Fiscal, a fase litigiosa do procedimento é instaurada mediante o oferecimento tempestivo de Impugnação à exigência fiscal, cujo instrumento de bloqueio deve mencionar, no mérito, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta bem como os pontos de discordância. Nessa perspectiva, para que se instaure o litígio, é imperioso o confrontamento de posições entre o fisco e o sujeito passivo, sendo, por tal motivo, consideradas como não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pelo impugnante. Também não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo impugnante e que não sejam objeto da exigência fiscal nem tenham relação direta com os fundamentos do lançamento, como se consubstanciam, exatamente, as alegações deduzidas pelo Recorrente no parágrafo preambular deste item 3.5. Por tais motivos, esquivamonos de apreciar as questões aventadas no primeiro parágrafo deste tópico, eis que, em seu louvor, não se instaurou qualquer controvérsia no presente processo a ser dirimida por este Colegiado. 3. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 331DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11330.001298/2007-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2000
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada
Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN).
PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO.
Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2401-001.050
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201002
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2000 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN). PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO. Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
numero_processo_s : 11330.001298/2007-34
anomes_publicacao_s : 201002
conteudo_id_s : 5049824
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 26 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2401-001.050
nome_arquivo_s : 240101050_163578_11330001298200734_005.PDF
ano_publicacao_s : 2010
nome_relator_s : RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 11330001298200734_5049824.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
id : 4753538
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:46:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044359070351360
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-03-30T23:57:03Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-03-30T23:57:03Z; Last-Modified: 2010-03-30T23:57:03Z; dcterms:modified: 2010-03-30T23:57:03Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-03-30T23:57:03Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-03-30T23:57:03Z; meta:save-date: 2010-03-30T23:57:03Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-03-30T23:57:03Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-03-30T23:57:03Z; created: 2010-03-30T23:57:03Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2010-03-30T23:57:03Z; pdf:charsPerPage: 1589; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-03-30T23:57:03Z | Conteúdo => S2-C4T1 Fl. 80 --- MINISTÉRIO DA FAZENDA `..' CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS - ; SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11330.001298/2007-34 Recurso n° 163.578 Voluntário Acórdão n° 2401-01.050 — 4' Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2010 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente SAMUEL SANZANA CUEVAS & CIA. LTDA Recorrida DRJ-RIO DE JANEIRO I/RJ ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2000 • CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a 1 decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN). PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO. Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4a Câmara / 1" Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas. ; ELIAS SAM O FREIRE - Presidente tal i,i441gwer hl RYCA • e 0 1 'hl. RIQ-UE MAGALHÃES DE OLIVEIRA - Relator ki Participaram, do presente 'nig • ento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de suz , Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo n°11330.001298/2007-34 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.050 Fl. 81 Relatório Trata-se de recurso repetitivo a ser julgado com a adoção do procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos moldes em que disciplina a Portaria CARF n°83, de 24/09/2009. No julgamento do Recurso-Padrão, o Recurso: n° 265466 (165466), Processo: n°35301.004051/2007-li, Recorrente: KOBE ELIJA VEÍCULOS LTDA, a Turma decidiu, por unartimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n°2401-01.015, assim ementado: Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁ RIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciarios é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE 's n's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n` 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer 'indumento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4" ou 173, do CTN). É o relatório. 3 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Inicialmente há de se esclarecer que o presente acórdão supre o despacho previsto no art. 2°, § 2° Portaria CARF n°83, de 24/09/2009. No Recurso-Padrão, o Recurso: n° 265466 (165466), Processo: n° 35301.004061/2007-11, Recorrente: KOBE ELIJA VEÍCULOS LTDA, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n°2401-01.015. Portanto, decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão. Pelo exposto, voto por reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas. Sala das Sess s, em 24 de fevereiro de 2010 dl/MI" ir--RYCARDO • • GALHAES DE OLIVEIRA - Relator 4 .A' MINISTÉRIO DA FAZENDA • a,;?; CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS errfr;" QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 11330.001298/2007-34 Recurso n°: 163.578 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01.050 Brasíliaii, 1 e - março de 2010i ELIAS SAM 'e-O 0 FREI 'w Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ j Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional , 1 1 1 ,
score : 1.0
Numero do processo: 15504.006156/2008-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8,212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada
Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN).
PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO.
Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2401-001.028
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201002
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8,212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN). PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO. Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
numero_processo_s : 15504.006156/2008-66
anomes_publicacao_s : 201002
conteudo_id_s : 5033920
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 23 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2401-001.028
nome_arquivo_s : 240101028_163130_15504006156200866_005.PDF
ano_publicacao_s : 2010
nome_relator_s : RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 15504006156200866_5033920.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
id : 4753388
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:46:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044359111245824
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-03-30T23:57:05Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-03-30T23:57:05Z; Last-Modified: 2010-03-30T23:57:05Z; dcterms:modified: 2010-03-30T23:57:05Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-03-30T23:57:05Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-03-30T23:57:05Z; meta:save-date: 2010-03-30T23:57:05Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-03-30T23:57:05Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-03-30T23:57:05Z; created: 2010-03-30T23:57:05Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2010-03-30T23:57:05Z; pdf:charsPerPage: 1617; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-03-30T23:57:05Z | Conteúdo => S2-C4TI.• Fl. 216 .-•••. ,, • • MINISTÉRIO DA FAZENDA • 2: • CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 15504.006156/2008-66 Recurso n° 163.130 Voluntário Acórdão n° 2401-01.028 — e Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2010 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente CONSTRUTORA ÉPURA LTDA E OUTRO Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁR1A - SRP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciarios é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n°8,212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In castt, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN). PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO. Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4' Câmara / I n Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas. ; (:)// 4. . ELIAS SA 'AIO FREIRE - Presidente Iiht.4a RYCA • DO H l'i RIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA — Relator Participaram, do presente j :ui • to, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, acusa Vieira de Sou • Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo n° 15504.006156/2008-66 52-C4T/ Acórdão n.° 2401-01.028 Fl. 212 Relatório Trata-se de recurso repetitivo a ser julgado com a adoção do procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos moldes em que disciplina a Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009. No julgamento do Recurso-Padrão, o Recurso: n° 265466 (165466), Processo: n°35301.004061/2007-11, Recorrente: KOBE ELUA VEÍCULOS LTDA, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n° 2401-01.015, assim ementado: Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitticionctlidade do artigo 45 da Lei n" 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE n's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n" 08, disciplinando a matéria. In casei, constatou-se a decadência sob qualquer findamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4" ou 173, do CTN). É o relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Inicialmente há de se esclarecer que o presente acórdão supre o despacho previsto no art. 2', § 2° Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009. No Recurso-Padrão, o Recurso: n° 265466 (165466), Processo: n° 35301.004061/2007-11, Recorrente: KOBE ELIJA VEÍCULOS LTDA, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n°2401-01.015. Portanto, decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão. Pelo exposto, voto por reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas. " Sala das Sessõe It. 24 de fevereiro de 2010 de s A IJ G an, t_.._ RYCARDO HE ei QUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA - Relator 4 , .,,,m MINISTÉRIO DA FAZENDA• 'i .:41:‘# Tm CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 1 4; -til? QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO , , Processo n°: 15504.006156/2008-66 I, Recurso n°: 163.130 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) ! Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01.028 , , , i Brasílaia e e março de 2010 tri ELIAS SA 'AIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara , Ciente, com a observação abaixo: [ 3 Apenas com Ciência [ 3 Com Recurso Especial [ 1 Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / . Procurador (a) da Fazenda Nacional , , ' , 1
score : 1.0
