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Numero do processo: 13887.000642/2003-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 29 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2000
SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. COMERCIANTE DE COMBUSTÍVEIS.
Na forma da jurisprudência atual do Superior Tribunal de Justiça, a legitimidade ativa de empresa comerciante varejista de combustíveis para pleitear o ressarcimento de valores indevidamente recolhidos, na sistemática da substituição tributária, deve comprovar que arcou com os encargos financeiros do tributo.
Inexistindo tal prova deve ser indeferido o pedido formulado.
Numero da decisão: 3201-000.899
Decisão: ACORDAM os membros da 2ªCâmara/1ªTurma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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COMERCIANTE DE COMBUSTÍVEIS. Na forma da jurisprudência atual do Superior Tribunal de Justiça, a legitimidade ativa de empresa comerciante varejista de combustíveis para pleitear o ressarcimento de valores indevidamente recolhidos, na sistemática da substituição tributária, deve comprovar que arcou com os encargos financeiros do tributo. Inexistindo tal prova deve ser indeferido o pedido formulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Presidente. MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA Relator. EDITADO EM: 22/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sérgio Celani (Suplente), Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente) e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 2 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Trata o presente de pedido de restituição no valor de R$ 12.601,57 relativos à contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) incidente sobre faturamento da venda de combustíveis, entendido pelo interessado como retidos em excesso pela refinaria de petróleo, por meio de distribuidora, em regime de substituição tributária, alegando que o preço de venda por ele praticado seria inferior ao utilizado como base de cálculo para a retenção, pelo contribuinte substituto. Em seguida ao pedido de restituição. apresentou declarações de compensação PER/DCOMP, relacionadas no Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Limeira, fls. 88/91, que indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações, baseando sua decisão no disposto na Instrução Normativa SRF (IN) n° 006, de 1999, que assegura o ressarcimento das contribuições ao PIS e COFINS retidas pelas distribuidoras de combustíveis, na condição de contribuinte substituto, sendo que tal ressarcimento somente poderá ser efetuado, se comprovado o crédito, ao consumidor final, o que não é o caso do interessado, que tem como atividade o comércio varejista de combustíveis. Cientificado em 12/11/2008, fl. 93, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 02/12/2008, fls. 94/105, alegando, em breve síntese, que "é parte legitima ad causam para requerer a retituição dos valores recolhidos a titulo de tributo (PIS/COFINS)''. No mérito, alega que é comerciante varejista que realiza vendas com pregos inferiores aos presumidos por base de cálculo arbitrada por substituição tributária para o Cofins; que é contribuinte substituído e, portanto o titular do direito em litígio. Apresenta exemplo de cálculo de modo a tentar demonstrar que existência de excesso de tributos , uma vez que a base de cálculo aplicada para o cálculo dos tributos é superior A. efetivamente praticada quando da revenda dos combustíveis, e que tal excesso deve ser restituído. Cita diversos dispositivos constitucionais que embasam o pedido de restituição, além do art. 108, do Código Tributário Nacional — CTN, e as leis n°8.383, de 1991 e 9.240, de 1995, para intuir "que são dedutíveis os pagamentos a maior cobrados da autora com prestações subseqüentes que tenham mesma espécie e Fl. 168DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 13887.000642/200383 Acórdão n.º 320100.899 S3C2T1 Fl. 160 3 destinação constitucional, ou seja, no caso, COFINS x COFINS E PIS x PIS...” Faz longa explanação a respeito do regime de substituição tributária para, ao final, requerer o reconhecimento de sua legitimidade para requerer a restituição e o deferimento da restituição dos valores ora questionados. Solicita, também, que todas as notificações e intimações sejam enviadas em nome dos procuradores habilitados no processo. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2000 SUBSTITUIÇÃO TRIBUTARIA. COMERCIANTE DE COMBUSTÍVEIS. 0 valor da contribuição incidente sobre o faturamento decorrente da venda de combustíveis derivados de petróleo, devida pelos comerciantes varejistas, é retida e recolhida pelas refinarias de petróleo, na condição de contribuintes substitutos, nos termos do disposto no art. 4°, da Lei n° 9.718, de 1988, Assim, no caso de contribuições para o PIS devidas por comerciante varejista de combustível!, não há outra forma de apuração que não a prevista no referido dispositivo, o que impõe dizer que não há como se apurar crédito ou débito em relação aos valores retidos pela refinaria. RESSARCIMENTO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTARIA. Somente o consumidor final, pessoa jurídica, poderá requerer o ressarcimento dos valores retidos pela distribuidora de combustível, esta na condição de contribuinte substituta, nos termos do disposto na IN SRF n° 06, de 1999, não se aplicando o dispositivo para o comerciante varejista de combustível. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados a este Conselho e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental, tendo requisitado a sua inclusão em pauta para julgamento. É o Relatório. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 4 Voto Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira Entendo que o recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos legais, portanto, dele tomo conhecimento. O presente recurso discute a legitimidade da recorrente, empresa varejista de combustíveis, para solicitar a restituição da contribuição ao PIS incidente sobre faturamento da venda de daqueles produtos, que alega ter sido retida em excesso pela refinaria de petróleo, por meio de distribuidora, em regime de substituição tributária, pois seu preço final de venda seria inferior ao utilizado como base de cálculo para a retenção, pelo contribuinte substituto. A atual jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça aponta que somente há legitimidade para o pedido de restituição, quando o contribuinte substituído logra provar que não repassou o encargo financeiro do tributo. Vejamos exemplos destes precedentes: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. REGIME ANTERIOR À LEI N. 9.990/2000. COMERCIANTE VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS. LEGITIMIDADE. COMPROVAÇÃO DO NÃO REPASSE. ART. 166 DO CTN. 1. Nos termos da jurisprudência pacífica desta Corte, o comerciante varejista de combustível, substituído tributário, no âmbito do regime de substituição tributária, só terá legitimidade ativa para pleitear a repetição do indébito tributário se demonstrar nos autos que não houve o repasse do encargo tributário ao consumidor final, nos termos do art. 166 do CTN. 2. Hipótese em que o Tribunal de origem expressamente consignou a ausência de provas quanto ao não repasse do encargo financeiro. 3. Desconstituir tal premissa requer o reexame do contexto fáticoprobatório dos autos, vedado ao STJ, em recurso especial, pelo óbice da Súmula 7/STJ. Agravo regimental improvido. (STJ, AgRg no REsp 1237117/RJ, 2ª Turma, Ministro relator Humberto Martins, DJe 26/04/2011) PROCESSUAL CIVIL. SEGUNDOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. COFINS. COMERCIANTE VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS. AUSÊNCIA DE LEGITIMIDADE PARA REQUERER A COMPENSAÇÃO DA COFINS INCIDENTE SOBRE AS RECEITAS PROVENIENTES DA VENDA DE COMBUSTÍVEIS, A PARTIR DA LEI 9.990/00. REGIME MONOFÁSICO. ALEGAÇÃO DE OMISSÃO. OCORRÊNCIA. 1 Hipótese em que o acórdão embargado apresenta vícios, uma vez que não se manifestou sobre a incidência da Lei n. 9.990/00. 2. Na data de 15/12/2009, a Primeira Turma, através do recurso especial n. 1.121.918RS alterou sua jurisprudência para esclarecer que, a partir da Lei 9.990/2000 (art. 3º), os comerciantes varejistas de combustíveis e demais derivados de petróleo deixaram de se submeter ao recolhimento da Cofins, no que se refere à receita auferida com a comercialização daqueles bens. 3. A partir da vigência da referida lei, a contribuição em comento passou a incidir somente sobre as refinarias, na forma monofásica, afastandose a tributação dos varejistas pelo regime de substituição tributária, anteriormente previsto na Lei 9.718/98. Assim, os ora embargados, por exercerem atividade de comércio varejista de combustíveis e lubrificantes para veículos automotores, Fl. 170DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 13887.000642/200383 Acórdão n.º 320100.899 S3C2T1 Fl. 161 5 não detêm legitimidade para requerer a compensação da Cofins, pois não ostentam condição de contribuintes de direito ou de fato. 4. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos infringentes, para negar provimento ao recurso especial interposto por Comércio de Combustíveis Volkweis Ltda e outros. (STJ, EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 1098320/RS, 1ª Turma, Ministro relator Benedito Gonçalves, DJe 26/03/2010) TRIBUTÁRIO – PIS, FINSOCIAL E COFINS – EMPRESAS VAREJISTAS DE COMBUSTÍVEIS – REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO – LEGITIMIDADE ATIVA AD CAUSAM – SUBSTITUÍDO TRIBUTÁRIO – NECESSIDADE DA PROVA DO NÃOREPASSE – AUSÊNCIA DE QUALQUER UM DOS VÍCIOS ELENCADOS NO ART. 535 DO CPC – IMPOSSIBILIDADE DE EFEITOS INFRINGENTES. 1. Conforme consignado no acórdão embargado, a jurisprudência da Primeira Seção consolidouse no mesmo sentido firmado no julgado embargado, de que só há legitimidade ativa do substituído tributário para pleitear a repetição do indébito tributário mediante restituição ou compensação, caso demonstre nos autos que não houve o repasse do encargo tributário ao consumidor final. 2. O embargante, inconformado, busca, com a oposição destes embargos declaratórios, ver reexaminada e decidida a controvérsia de acordo com sua tese. 3. A inteligência do art. 535 do CPC é no sentido de que a contradição, omissão ou obscuridade, porventura existentes, só ocorre entre os termos do próprio acórdão, ou seja, entre a ementa e o voto, entre o voto e o relatório etc, o que não ocorreu no presente caso. Embargos de declaração rejeitados. (STJ, EDcl nos EREsp 1071856/RJ, 1ª Seção, Ministro relator Humberto Martins, DJe 22/10/2009) No presente feito, a recorrente não trouxe aos autos prova ou mesmo indício de que teria suportado o encargo financeiro do tributo, o que a torna ilegítima para pleitear o direito a ressarcimento dos valores que alega terem sido recolhidos a maior, logo, VOTO por conhecer do recurso para negarlhe provimento. MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA relator Fl. 171DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000322/2007-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997
PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ECONOMIA
PROCESSUAL, CELERIDADE, MOTIVAÇÃO, MORALIDADE Fiscalização
previamente realizada por unidade da Receita Federal
tecnicamente capaz de fiscalizar o contribuinte não pode ser sumariamente
ignorada pela autoridade competente para proferir despacho decisório,
especialmente se não houver qualquer fundamento ou motivação para tanto.
PRINCÍPIOS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FEDERAL EFICIÊNCIA
E VERDADE MATERIAL Documentos
não apresentados
pelo contribuinte, mas de posse da Receita Federal, devem ser analisados pela
Delegacia competente, em privilégio do princípio da verdade material.
Imperiosa a anulação de decisão que deixa de analisar a existência do crédito
pleiteado, sob a alegação de inexistência de documentos, quando os mesmos
estão de posse da Receita Federal, pois apresentados em fiscalização prévia
acerca do mesmo crédito, e de mesmo período.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-001.418
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso
voluntário, nos termos do voto da relatora.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ECONOMIA PROCESSUAL, CELERIDADE, MOTIVAÇÃO, MORALIDADE Fiscalização previamente realizada por unidade da Receita Federal tecnicamente capaz de fiscalizar o contribuinte não pode ser sumariamente ignorada pela autoridade competente para proferir despacho decisório, especialmente se não houver qualquer fundamento ou motivação para tanto. PRINCÍPIOS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FEDERAL EFICIÊNCIA E VERDADE MATERIAL Documentos não apresentados pelo contribuinte, mas de posse da Receita Federal, devem ser analisados pela Delegacia competente, em privilégio do princípio da verdade material. Imperiosa a anulação de decisão que deixa de analisar a existência do crédito pleiteado, sob a alegação de inexistência de documentos, quando os mesmos estão de posse da Receita Federal, pois apresentados em fiscalização prévia acerca do mesmo crédito, e de mesmo período. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2113; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 866 1 865 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16349.000322/200732 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 330201.418 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de fevereiro de 2012 Matéria IPI Lei 9779/99 Recorrente BRACOL HOLDING LTDA. (nova denominação de BERTIN LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ECONOMIA PROCESSUAL, CELERIDADE, MOTIVAÇÃO, MORALIDADE Fiscalização previamente realizada por unidade da Receita Federal tecnicamente capaz de fiscalizar o contribuinte não pode ser sumariamente ignorada pela autoridade competente para proferir despacho decisório, especialmente se não houver qualquer fundamento ou motivação para tanto. PRINCÍPIOS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FEDERAL EFICIÊNCIA E VERDADE MATERIAL Documentos não apresentados pelo contribuinte, mas de posse da Receita Federal, devem ser analisados pela Delegacia competente, em privilégio do princípio da verdade material. Imperiosa a anulação de decisão que deixa de analisar a existência do crédito pleiteado, sob a alegação de inexistência de documentos, quando os mesmos estão de posse da Receita Federal, pois apresentados em fiscalização prévia acerca do mesmo crédito, e de mesmo período. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Fl. 866DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16349.000322/200732 Acórdão n.º 330201.418 S3C3T2 Fl. 867 2 Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes. Ausente o conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento de IPI (fls.06), relativo a créditos apurados no 1º Trimestre de 2001, protocolado pela ora Recorrente em 17/05/02, bem como correspondentes Pedidos de Compensação. O pedido de ressarcimento foi protocolado em nome do estabelecimento matriz da Recorrente, no valor total de R$ 587.518,73, consolidando créditos apurados por diversos estabelecimentos da pessoa jurídica. Os Pedidos de Compensação são 08 processos em papel e uma DCOMP eletrônica – todos apresentados em 2003. O primeiro documento trazido aos autos é um Relatório da Representação Fiscal (fls. 03/05), emitido em 14/09/07, no qual a autoridade fiscal esclarece que o processo originário de Ressarcimento foi desmembrado em outros 14 processos, pois entendeuse que o correto seria que cada estabelecimento gerador do crédito formulasse seu próprio de pedido de ressarcimento, na medida em que as competências para fiscalização do crédito, e homologação das respectivas compensações, seriam de delegacias distintas. O fundamento legal para tanto, indicado no Relatório, foi o artigo 41 da IN 600/05. Assim, o processo original de ressarcimento foi encerrado e foram abertos diversos processos, individualizando não apenas os Pedidos de Ressarcimento, mas também os Pedidos de Compensação, que segundo o Relatório Fiscal foram alocadas em cada um dos processos de ressarcimento, conforme os respectivos saldos credores. Após a apresentação do referido Relatório Fiscal foram apensados aos autos diversos documentos relacionados ao processo de fiscalização que foi realizado pela autoridade fiscal nos anos de 2004 a 2006, relativamente aos créditos que são objeto do pedido de ressarcimento (original). Dentre tais documentos consta um Termo de Informação Fiscal (fls. 56/58), expedido em 28/02/05, relativo à mencionada fiscalização realizada e elaborado pela autoridade fiscal, constatando a existência e regularidade dos créditos pleiteados pela Recorrente no Pedido de Ressarcimento de IPI originário (fls. 06). Fl. 867DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16349.000322/200732 Acórdão n.º 330201.418 S3C3T2 Fl. 868 3 Cumpre salientar que através do Termo, a autoridade fiscal afirma ter verificado uma série de documentos (dentre os quais, notas fiscais de entrada e livros de registro de IPI) e constatado a existência de quase a totalidade do crédito pleiteado, exceto pela glosa de um valor correspondente a R$ 660,00. A autoridade fiscal opinou, portanto, pelo reconhecimento parcial do crédito objeto do pedido de ressarcimento (no montante de R$ 586.858,73). Reconheceu, ainda, que foram juntados aos autos diversos pedidos de compensação, que somados totalizavam montante inferior ao total do crédito reconhecido. Na sequência, há nos autos despacho determinando o encaminhamento dos autos para a DERAT, “para providências de alçada, quanto ao direito creditório” (fls. 61), em 23/08/06. Em 25/09/2007, foi exarado despacho para que os autos fossem encaminhados ao Serviço de Orientação e Análises Tributárias da DRF de Limeira, tendo em vista “a atual jurisdição do interessado” (fls. 85). Após uma série de despachos de encaminhamento, os autos foram distribuídos para agente fiscal que em 12/03/2008 abriu nova fiscalização. Na ocasião o Fisco solicitou à Recorrente, novamente, a apresentação de diversos documentos relativos ao período de Janeiro/99 a Dezembro/02, que comprovariam a origem do crédito pleiteado, conforme se constata da análise do Termo de Verificação Fiscal (fls. 86). Neste momento, a Recorrente informa que não poderia promover a apresentação de tais documentos, posto que teriam sido incinerados (fls. 87). Contudo, apresenta anexo o relatório de fiscalização do período (novamente sob fiscalização), elaborado pela própria autoridade fiscal (DEFIC São Paulo). Na seqüência, a fiscalização foi encerrada (fls. 88), dada a ausência de documentos. No Relatório de Informação Fiscal desta segunda fiscalização (fls. 107) a autoridade fiscal atesta que devido à não apresentação dos documentos requeridos não foi possível promover nenhuma verificação de regularidade do crédito pleiteado. Informa, ainda, que o relatório apresentado pela Recorrente, em substituição à documentação requerida, traz apenas a “Listagem de Notas com Crédito de IPI (livro)”, o que não atenderia à necessidade da fiscalização. Conclui pelo indeferimento do pedido de compensação da filial de Aguaí, em razão de a fiscalização ter ficado prejudicada, e não ter sido possível constatar a existência do crédito pleiteado. O Despacho Decisório (fls. 109/111) acatou as conclusões deste segundo Relatório de Informação Fiscal e não reconheceu o crédito apurado pela filial de Aguaí (no montante de R$ 16.448,51), indeferindo o pedido da Recorrente e não homologando a compensação realizada. O fundamento apresentado pela fiscalização, para indeferir o crédito e não homologar a compensação, foi de que a não apresentação dos documentos solicitados impossibilitou a conclusão sobre a liquidez e certeza dos créditos pleiteados. Argumenta a autoridade administrativa que o contribuinte tem que manter os documentos enquanto perdurar a discussão judicial/administrativa sobre eles. Intimado acerca do Despacho Decisório proferido a Recorrente apresentou sua Manifestação de Inconformidade (fls. 120/ 142), onde apresenta os seguintes argumentos: nulidade do despacho decisório que indeferiu o ressarcimento e não homologou as compensações, pois exarado por autoridade incompetente, na Fl. 868DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16349.000322/200732 Acórdão n.º 330201.418 S3C3T2 Fl. 869 4 medida em que seria competente para manifestarse a autoridade com jurisdição sobre o estabelecimento que apurou o crédito, neste caso, o estabelecimento matriz – pois à época da apuração dos créditos a legislação determinava que a apuração se daria de forma centralizada no estabelecimento matriz, tendo assim agido a Recorrente; nulidade da segunda fiscalização e do despacho decisório, ambos derivados da DRF de Limeira, pois a autorização para nova fiscalização partiu de autoridade incompetente – seria o Delegado da DERAT/SP (jurisdição da matriz) e não o Delegado de Limeira – bem com porque é incompetente a autoridade fiscal que exarou o Despacho Decisório, já que o mesmo deveria ter sido expedido pelo Delegado e não por agente fiscal; nulidade do Despacho Decisório por ter desconsiderado o relatório e conclusões da primeira fiscalização realizada, em que foram analisados todos os documentos que embasam o direito creditório da Recorrente, conforme reconhecido pela própria autoridade fiscal; nulidade do Despacho Decisório por ter se baseado em nova fiscalização que não foi autorizada por Portaria expedida pelo Delegado da Receita Federal, como determina a jurisprudência administrativa anexada; nulidade do Despacho Decisório porque a fiscalização em que se baseou foi além do que autorizou a representação fiscal que deu origem ao desmembramento dos processos administrativos; nulidade do Despacho Decisório porque a fiscalização que o fundamenta desconsiderou toda documentação anteriormente apresentada pela Recorrente, que estava anexada aos autos daquele processo originário, bem como o relatório e conclusões da fiscalização anteriormente realizada; nulidade do Despacho Decisório porque o procedimento adotado não respeitou a norma que estabelece a necessária intimação do contribuinte para manifestar se sobre a fase de instrução do processo, após seu término (art. 44 da Lei nº 9.784/99); nulidade do Despacho Decisório porque a fundamentação apresentada para negar o direito ao crédito e não homologar a compensação – inexistência de documentos – não possui previsão legal. Vale dizer, só é possível afastar o direito ao crédito se comprovado que o mesmo não existe, fundamento este que não pode ser aplicado ao presente caso, considerando que equipe de fiscalização da Receita Federal atestou a existência do crédito em questão; nulidade do Despacho Decisório por erro em sua fundamentação já que a alegada “inexistência de documentos comprobatórios do crédito” é inverídica, na medida em que a própria Receita Federal, por meio de outros agentes, atestou não só a existência da documentação, como a legalidade do crédito, em fiscalização e relatórios prévios; nulidade do Despacho Decisório por cerceamento do direito de defesa já que não informa ao contribuinte porque desconsiderou a fiscalização anteriormente Fl. 869DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16349.000322/200732 Acórdão n.º 330201.418 S3C3T2 Fl. 870 5 realizada, bem como os documentos analisados e cujas cópias foram juntados ao processo administrativo originário; nulidade do Despacho Decisório por ofensa à verdade material, na medida em que os documentos foram anteriormente apresentados, analisados, bem como foi comprovada pela própria autoridade fiscal a existência do crédito sob análise; nulidade do Despacho Decisório por conta da precariedade da fiscalização realizada, que não considerou a documentação anteriormente analisada, bem como não conferiu prazo razoável para que o contribuinte apresentasse a vasta documentação requerida. Ademais, não foram respeitados os princípios da Proporcionalidade e Razoabilidade, na medida em que depois de passados mais de 05 anos da data da apresentação dos documentos comprobatórios do crédito foi requerida, novamente, a apresentação dos mesmos documentos; no mérito, não merece prosperar o Despacho porque (i) não poderia ter havido desmembramento dos processos, pois o crédito foi apurado em conformidade com a legislação vigente à época, centralizadamente pelo estabelecimento matriz; (ii) deveria ter sido considerada a fiscalização (e seu resultado) realizados anteriormente por autoridade competente; (iii) ainda que se desmembre os processos por filiais, o direito creditório originouse da matriz (pois esta o apurou em conformidade com a legislação vigente), devendo a Delegacia de São Paulo analisar sua procedência; (iv) caso entendase que a autoridade competente é a Delegacia de Limeira, esta deve promover novo julgamento, considerando os documentos que foram analisados e anexados aos autos originais, bem como o relatório de fiscalização correspondente àquela primeira fiscalização realizada; (v) alguns dos documentos que comprovam a origem do crédito foram localizados e estão disponíveis para perícia/análise, devendo também ser considerados; (vi) em relação à guarda de documentos, estes devem permanecer pelo prazo decadência dos tributos, ou seja, cinco anos da data do fato gerador, o que, no presente caso, seria em 2006, ou seja, antes da segunda fiscalização; finaliza com pedido de diligencia fiscal e perícia não apenas dos documentos acostados no processo originário – em que foi fiscalizado o crédito em discussão, como também na documentação remanescente, que ainda está em poder da empresa e foi localizada; requer, por fim, (i) o cancelamento do Despacho Decisório e reconhecimento do direito creditório da Recorrente, com a correspondente homologação da compensação pleiteada; ou (ii) ao menos o reconhecimento do direito ao crédito atribuído à filial, com base no relatório da primeira fiscalização realizada (DIFIS/SP). Alternativamente, se entender não ser competente para analisar o pedido de ressarcimento requer que a DRJ (iii) reconheça a competência da DEFIS/SP para analisar o direito creditório de modo unificado ou, ainda que entenda que a DRFLimeira seria competente para a análise em tela, (iv) que cancele o Despacho Decisório, para que o mesmo somente seja exarado após analisada a documentação que comprova a existência do crédito, analisada e anexada pelo primeiro procedimento fiscalizatório realizado. Fl. 870DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16349.000322/200732 Acórdão n.º 330201.418 S3C3T2 Fl. 871 6 Por fim, a Recorrente acostou à sua defesa uma série de documentos que foram apresentados à fiscalização realizada anteriormente, e que compunham o processo original nº 13804.003093/200291 (Livro Registro do IPI, Livro de Entradas e Saídas, Notas Fiscais de entradas/aquisições, planilhas e registros, dentre outros – fls.160/808). Após analisar as razões trazidas na impugnação, a Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto – DRJ/RPO, proferiu o acórdão (fls. 811) por meio do qual indeferiu o pleito da Recorrente, em especial por entender que não foi apresentada documentação comprobatória do crédito pleiteado. Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 836/863), oportunidade em que reiterou os argumentos trazidos em sua impugnação. Na seqüência, vieram os autos para decisão. É o relatório. Voto Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, Relatora O Recurso é tempestivo, e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Tratase de pedido de ressarcimento de crédito base de IPI, com fundamento na Lei nº 9.779/99. A discussão em tela é essencialmente processual. Conforme relatado, a Recorrente pleiteou o ressarcimento de forma centralizada pela matriz, obteve a análise de seu crédito pela Delegacia da Receita Federal responsável pela matriz, mas este procedimento não foi considerado. E é este o problema, porque a Recorrente apenas apresentou prova de seu crédito neste momento processual, ou seja, na primeira análise feita de seus créditos. Em defesa de seu procedimento a Recorrente alega: quando da apresentação do pedido de ressarcimento originário a norma vigente na época (IN 21/97) estabelecia a apuração centralizada, no estabelecimento matriz, dos créditos de IPI. Por esta razão foi apresentado um pedido único de ressarcimento, sem individualização por estabelecimento gerador do crédito (parcial). apenas com a edição da Instrução Normativa nº 600/05 é que surgiu a obrigação de cada estabelecimento apurar seu crédito de IPI, cujo ressarcimento seria requerido, de toda forma, de modo centralizado pelo estabelecimento matriz. Logo, a Recorrente agiu corretamente, em conformidade com as normas vigentes à época da apuração do crédito, bem como, no momento da apresentação de seu pedido de ressarcimento. Em relação ao procedimento de apuração centralizada, não assiste razão à Recorrente. A hipótese trazida pela Instrução Normativa 21/97 referese ao crédito presumido Fl. 871DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16349.000322/200732 Acórdão n.º 330201.418 S3C3T2 Fl. 872 7 de IPI, não ao crédito base. Logo a repartição dos processos e transferência da análise pelas diversas Delegacias da Receita Federal do Brasil está correta. A despeito deste fato, entendo que a questão basilar destes autos é que a Receita Federal promoveu fiscalização para o fim de constatar a existência e regularidade dos créditos objeto do pedido de ressarcimento referente ao processo administrativo nº 13804.003093/200291, que incluía os créditos do processo ora analisado. Nesta ocasião, a Recorrente apresentou o que seriam os documentos solicitados pelos agentes fiscais. Pelos registros da própria autoridade administrativa, tal procedimento de fiscalização culminou, naquela ocasião, com o reconhecimento de quase a totalidade do direito creditório, tendose opinado pelo deferimento de R$ 586.858,73, conforme Termo de Informação Fiscal constante, inclusive, destes autos (fls. 56/58). Aos olhos da Recorrente aquela fiscalização promovida – mesmo sem ter sido proferido o despacho decisório foi válida, completa e adequada o que justificou, em sua compreensão, após passados 5 anos, incinerar os documentos que já haviam sido apresentados para a fiscalização. Por outro giro, após três anos da análise dos documentos, foi realizado o desmembramento do processo em diversos autos (correspondentes aos diversos estabelecimentos geradores de créditos), e a Delegacia de Limeira entendeu por bem abrir nova fiscalização para avaliar novamente os créditos pleiteados. Inexistindo documentos para análise, a autoridade administrativa indeferiu o pleito da Recorrente por falta de prova. Instalada a celeuma. A análise técnica realizada por agente administrativo incompetente territorialmente pode/deve ser considerada pela autoridade administrativa quando de sua decisão? A questão faz toda a diferença pois, a despeito do alegado na decisão recorrida, de que a fiscalização realizada havia sido considerada fato é que, pelo menos para o presente processo, não foi. O r. despacho decisório, e a informação fiscal estão bastante claros neste sentido, nos termos já relatados: “No Relatório de Informação Fiscal desta segunda fiscalização (fls. 107) a autoridade fiscal atesta que devido à não apresentação dos documentos requeridos não foi possível promover nenhuma verificação de regularidade do crédito pleiteado. Informa, ainda, que o relatório apresentado pela Recorrente, em substituição à documentação requerida, traz apenas a “Listagem de Notas com Crédito de IPI (livro)”, o que não atenderia à necessidade da fiscalização. Conclui pelo indeferimento do pedido de compensação da filial de Aguaí, em razão de a fiscalização ter ficado prejudicada, e não ter sido possível constatar a existência do crédito pleiteado. O Despacho Decisório (fls. 109/111) acatou as conclusões deste segundo Relatório de Informação Fiscal e não reconheceu o crédito apurado pela filial de Aguaí (no montante de R$ 16.448,51), indeferindo o pedido da Recorrente e não homologando a compensação realizada. O fundamento apresentado pela fiscalização, para indeferir o crédito e não homologar a compensação, foi de que a não apresentação dos Fl. 872DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16349.000322/200732 Acórdão n.º 330201.418 S3C3T2 Fl. 873 8 documentos solicitados impossibilitou a conclusão sobre a liquidez e certeza dos créditos pleiteados. Argumenta a autoridade administrativa que o contribuinte tem que manter os documentos enquanto perdurar a discussão judicial/administrativa sobre eles.” – destaquei. Inicialmente, vale destacar que a legislação estabelece que a autoridade fiscal de jurisdição sobre o estabelecimento gerador do crédito é competente para proferir o Despacho Decisório sobre os valores pleiteados. Assim, nada impede que a análise técnica (fiscalização) dos créditos seja realizada por outra unidade da Receita Federal – desde que, claro, a autoridade administrativa fiscalizadora tenha habilidades e conhecimento técnico para proceder à análise do crédito base de IPI. Neste aspecto existe uma diferença entre competência de análise técnica (material) e competência para proferir o Despacho Decisório (territorial). Significa dizer que, a princípio, a coleta e análise dos documentos, bem como o relatório fiscal retratando fiscalização ampla e detalhada realizada por outra unidade da Receita (competente materialmente para realizar tal fiscalização), podem (e devem) ser considerados para fundamentar o Despacho Decisório a ser proferido por outra unidade (aquele competente, de acordo com a jurisdição territorial), tomando por base a análise realizada, e as conclusões então apresentadas. Ou seja, o fato da competência para exarar o Despacho Decisório ser estabelecida de acordo com o território, não inibe a possibilidade de que tal decisão se baseie em fiscalização promovida por outra unidade da Receita Federal. Pelo contrário, entendo que tendo existido tal fiscalização, e não havendo nenhum fundamento razoável e expresso para desconsiderála, o procedimento fiscalizatório deve ser considerado, até por uma questão de economia processual, celeridade e eficiência. Assim, embora o relatório da fiscalização não seja vinculante (apesar de via de regra o Despacho Decisório adotar as conclusões da fiscalização, por razões óbvias, já que é na fiscalização que se dá a análise aprofundada dos documentos), ele tem de ser considerado, assim como os documentos que o embasaram, quando for exarado o Despacho Decisório. E, ainda que este seja de competência de uma determinada unidade da Receita Federal, nada impede que esta decisão seja balizada na fiscalização realizada por outra unidade, que possui habilidade técnica para tanto. Ressalvada, claro, a manifestação fundamentada e expressa de não serem consideradas as conclusões e análises realizadas o que, todavia, não é o caso dos autos. Daí que, na realidade, a questão da competência para verificação da regularidade do crédito, pareceme tornarse secundária se analisarmos questão preliminar que se refere aos princípios que devem nortear a atuação da administração pública, e do processo administrativo, relacionados à economia processual, à celeridade e eficiência dos procedimentos fiscalizatórios e, até mesmo, à moralidade do agente público. Isto é, independentemente de qual unidade, a Receita Federal detém a competência para verificar a existência do crédito pleiteado pela Recorrente e não há dúvidas de que foi realizado um longo procedimento fiscalizatório, no qual aparentemente e de acordo com Parecer Fiscal, foram apresentados todos os documentos requeridos pela autoridade administrativa. Pelas informações trazidas aos autos, tais documentos não apenas ficaram à Fl. 873DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16349.000322/200732 Acórdão n.º 330201.418 S3C3T2 Fl. 874 9 disposição do Fisco, como suas cópias instruíram o processo administrativo que foi aberto para verificação da regularidade do crédito pleiteado – do qual parcela é objeto destes autos. Cumpre ressaltar que, de acordo com informação constante dos autos, por ocasião da primeira fiscalização realizada pela Receita Federal – em 2005 – quanto aos créditos ora sob análise, teriam sido requeridos (e obtidos) pela autoridade fazendária exatamente os mesmos documentos que vieram a ser solicitados, novamente, ao Recorrente, em 2008. Ou seja, não seriam novos documentos, ou documentos que porventura não tivessem sido anteriormente apresentados pelo Recorrente ou analisados pelo Fisco. Pelo contrário, seria exatamente a mesma documentação (Livro Registro de IPI, Livros de Entrada e Saída, Notas Fiscais de entrada/aquisição de produtos, dentre outros) que teria sido apresentada pela Recorrente e analisada pelo Fisco, nos termos do relatório da fiscalização – o qual atestou a regularidade de praticamente a integralidade do crédito pleiteado (salvo a glosa de cerca de 1% do valor requerido). Imperioso reiterar que a DRJLimeira não indeferiu o pedido da Recorrente por ter entendido, por exemplo, que os documentos apresentados anteriormente (à primeira fiscalização) seriam inconclusivos ou insuficientes. Também não apontou pontos eventualmente obscuros do relatório de fiscalização, nem qualquer outra razão relativa à necessidade de nova análise, ou de análise mais aprofundada daqueles documentos. Simplesmente intimou o contribuinte a apresentar toda documentação novamente – sem qualquer justificativa expressa. Ou seja, da decisão acostada aos autos está claro que a DRFLimeira desconsiderou, ou sequer tomou conhecimento da existência, de uma fiscalização prévia para verificação dos créditos em comento. Importante dizer, ainda, que com isso não estou validando o comportamento da Recorrente de incinerar os documentos relativos ao crédito pleiteado. É sim dever do contribuinte guardar todos os documentos que fundamentam seu crédito até o final do processo administrativo. Até porque, sem estes documentos, se a decisão definitiva do procedimento administrativo lhe for contrária, o contribuinte não poderá usufruir do direito de levar a decisão do Conselho para o âmbito judicial por meio de uma ação anulatória. Logo, não tem realmente sentido incinerar documentos que baseiam pedido de ressarcimento ainda não definitivamente julgado. Todavia, de idêntica forma, não é admissível que a Receita Federal deixe de aceitar provas que foram analisadas por um de seus agentes só porque aquele agente não teria competência territorial para a decisão sobre o crédito. O que importa, no caso, para realizar a análise do crédito, é a competência material. Tratase de ato anulável, não nulo. Aparentemente, a DRFLimeira deliberadamente desconsiderou os trabalhos realizados pela própria Receita Federal (através da DIFIS/SP), pois sequer os menciona do Despacho Decisório por ela proferido. Ou isso, ou então agiu sem a devida atenção (ignorando os procedimentos anteriormente realizados), partindo da premissa de que tais créditos jamais teriam sido fiscalizados e que, por isso, seria necessário iniciar uma fiscalização integral e completa daqueles valores. Ocorre que, em qualquer das hipóteses, além de equivocarse gravemente, a DRF ofendeu frontalmente o princípio da economia processual, bem como o da celeridade e da eficiência, que devem nortear a atuação do ente público. Fl. 874DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16349.000322/200732 Acórdão n.º 330201.418 S3C3T2 Fl. 875 10 Tendo ocorrido uma fiscalização prévia, ainda que por uma unidade da Receita Federal que não teria competência territorial para tanto, é de meu entendimento que este procedimento deveria ter sido considerado. Afinal, todas as unidades da Receita Federal fazem parte de um mesmo organismo, e sua atuação não pode jamais ser ignorada. Além disso, não é demais destacar que a falta de competência a que nos referimos aqui é meramente territorial e não material. Isto é, sem qualquer sombra de dúvidas a DIFIS/SP é unidade competente, no que se refere ao necessário conhecimento técnico e procedimental, para promover uma fiscalização de créditos de IPI, como estes ora sob análise. Portanto, seu trabalho deve ser considerado pelas demais unidades da Receita Federal, de modo que qualquer questionamento quanto aos procedimentos adotados (sua adequação material, em especial), devem ser devidamente fundamentados. A este respeito, importa destacar que a Lei nº 9.784/99 – que rege o processo administrativo federal – estabelece (em seu artigo 2º) que os atos da administração pública serão realizados com observância dos princípios da motivação, razoabilidade, moralidade e eficiência. Desta forma, a desconsideração da fiscalização previamente realizada pela própria Receita Federal, e por órgão competente, somente poderia ser admitida se fosse motivada, o que não ocorreu no caso em apreço. Há, também, desrespeito à razoabilidade. Afinal, por ter existido fiscalização prévia por órgão da própria administração tributária federal, é de se admitir que a documentação que não está mais sob a guarda do contribuinte, tenha sido copiada e mantida sob a guarda da própria Receita Federal, ainda que em outro processo administrativo. Agrava a presente situação o fato de que o fundamento utilizado no Despacho Decisório para indeferir o pleito da Recorrente, qual seja, de que “Tendo em vista que as notas fiscais, bem como os livros fiscais, não foram apresentados, não se pode concluir que os créditos são líquidos e certos.” O princípio da verdade material rege a atuação da administração pública. É determinação basilar, que tem de ser respeitada, sopesandose, inclusive, sua aplicação em detrimento de outros princípios. Afinal, a finalidade principal do processo administrativo tributário é buscar a verdade dos fatos, que pode ser mais adequada e facilmente alcançada na esfera administrativa, pois se trata de instância onde há maior competência e habilidade técnica, para analisar e constatar a realidade dos fatos, diante de documentos que retratam as operações realizadas pelos contribuintes. No presente caso, em especial, é de se assumir, pelos fatos descritos nos autos, que a Recorrente apresentou a documentação comprobatória do crédito pleiteado à primeira fiscalização. E, na hipótese de estarse seguindo os procedimentos regulares da Receita Federal, não haveria razão para a total desconsideração da análise dos documentos. Frisese que é de meu entendimento que os agentes administrativos podem sim ter dúvidas quanto ao crédito, reanalisar documentos, discordar de conclusões de outros agentes. Mas não foi isso o que aconteceu in casu. Ademais, é a própria lei que permite ao contribuinte requerer a consideração dos documentos já apresentados, conforme disposição contida na Lei n 9.784/99, verbis: Fl. 875DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16349.000322/200732 Acórdão n.º 330201.418 S3C3T2 Fl. 876 11 “Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, a obtenção dos documentos ou das respectivas cópias.” Do dispositivo em destaque constatase que, se os documentos necessários à instrução do processo estão sob a guarda da Receita Federal, estes devem ser considerados, analisados e o contribuinte, por sua vez, não pode ser penalizado por não têlos disponibilizado. Asseverase que, no presente caso, os fatos apresentados levam a crer que o dispositivo legal citado se aplica. Ademais, referida Lei estabelece, ainda, que além do órgão competente para instrução do processo ser obrigado a fazer constar dos autos os dados necessários para decisão do caso (e, no caso sob analise, repisese, tais documentos já estariam no processo administrativo nº 13804.003093/200291), a instrução processual, na parte que exige a participação do contribuinte interessado, será realizada da forma menos onerosa para ele, verbis: “Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizam se de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1o O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2o Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes.” Neste aspecto, a administração pública – de posse dos documentos – não pode prejudicar a instrução processual sob o argumento de não apresentação em duplicidade de documentação que está sob sua guarda. Logo, por todo exposto, entendo que a DRFLimeira não pode simplesmente desconsiderar a documentação comprobatória da existência e regularidade dos créditos objeto destes autos na medida em que tais documentos, embora não pudessem mais ser apresentados pela Recorrente, estavam de posse da administração tributária – tendo, inclusive, já sido objeto de análise por outra unidade da Receita Federal, habilitada do ponto de vista material, para realizar fiscalizações. Ao ignorar tais documentos a DRFLimeira agiu em ofensa a diversos princípios que regem não apenas a atuação da administração pública – economia processual, eficiência, celeridade, moralidade, motivação – como princípios que orientam o próprio processo administrativo federal. Descumpriu o papel a ser desenvolvido na fase instrutória e não apenas onerou, como deliberadamente e sem qualquer fundamento, prejudicou a Recorrente. Entendo, portanto, que deve ser anulado o Despacho Decisório proferido pela DRFLimeira, para que esta promova a análise conclusiva da documentação anteriormente apresentada pela Recorrente e que está sob a guarda da Receita Federal, pois integrante do Fl. 876DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16349.000322/200732 Acórdão n.º 330201.418 S3C3T2 Fl. 877 12 processo administrativo nº 13804.003093/200291 (que originou os presentes autos). Ainda, devese analisar os documentos trazidos aos autos pela Recorrente em sua Impugnação. Pelo exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, decidindo pela anulação do Despacho Decisório (fls. 109/111), e determinado que a DRF Limeira se manifeste a respeito da documentação comprobatória da origem do crédito pleiteado (seja aquela constante no processo nº 13804.003093/200291, como aquela agora constante destes autos – fls. 160/808), bem como sobre o relatório da fiscalização já realizada (fls. 56/58), para que possa opinar conclusivamente, exarando decisão de mérito, sobre a existência e regularidade do crédito, tendo em vista os documentos apresentados que estão na posse da Receita Federal. É como voto. Sala das Sessões, em 13 de fevereiro de 2012 (assinado digitalmente) Relatora Fabiola Cassiano Keramidas Fl. 877DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 19647.012518/2005-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido
Anos-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
CSLL. COISA JULGADA. DECLARAÇÃO INCIDENTAL DE
INCONSTITUCIONALIDADE. TRANSITO EM JULGADO. EFEITOS.
LIMITES. RELAÇÃO JURÍDICA CONTINUADA. RECURSO
VOLUNTÁRIO DESPROVIDO – Alterações legislativas na norma
impugnada afetam a imutabilidade da coisa julgada, interrompendo seus
efeitos nos casos de relação jurídica continuativa..
Recurso voluntário desprovido.
Numero da decisão: 1402-000.921
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO:
1) Por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade;
2) Por maioria de votos, no mérito, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Albertina Silva Santos de Lima, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: CARLOS PELA
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decisao_txt : ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO: 1) Por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade; 2) Por maioria de votos, no mérito, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Albertina Silva Santos de Lima, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
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ALIMENTÍCIAS S/A Assunto: Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido Anoscalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 CSLL. COISA JULGADA. DECLARAÇÃO INCIDENTAL DE INCONSTITUCIONALIDADE. TRANSITO EM JULGADO. EFEITOS. LIMITES. RELAÇÃO JURÍDICA CONTINUADA. RECURSO VOLUNTÁRIO DESPROVIDO – Alterações legislativas na norma impugnada afetam a imutabilidade da coisa julgada, interrompendo seus efeitos nos casos de relação jurídica continuativa.. Recurso voluntário desprovido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO: 1) Por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade; 2) Por maioria de votos, no mérito, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Albertina Silva Santos de Lima, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva dos Santos Lima Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Fl. 708DF CARF MF Impresso em 05/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 19647.012518/200531 Acórdão n.º 140200.921 S1C4T2 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório Tratase de Auto de Infração de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL), pela ausência de declaração e recolhimento da Contribuição, nos anoscalendário 2000 a 2004, com acréscimos de atualização monetária, multa proporcional e multa isolada. Conforme apurado pela fiscalização, "a inexistência de recolhimentos da CSLL devese a interpretação que vem sendo adotada pelo contribuinte, no que concerne ao alcance da decisão judicial proferida nos autos da Ação Ordinária n°. 90.00077435", proposta perante a 1ª Vara Cível da Justiça Federal do Distrito Federal, através da qual a recorrente obteve decisão favorável, transitada em julgado, que reconheceu a inexistência de relação jurídicotributária entre a recorrente e a União Federal (Fazenda Nacional), que obrigasse aquela ao pagamento de CSLL instituída pela Lei n°. 7.689/88, a partir do período base de 1990. Em impugnação (fls. 518 a 539) a recorrente afirma que a decisão que afastou a exigência da CSLL nos moldes acima mencionados foi confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região e transitou em julgado, estando os autos atualmente arquivados (o que se comprova pelos documentos anexados às fls. 669 a 672). Nada obstante, entendeu o ilustre Agente Fiscal, bem como a 5ª Turma da DRJ de Recife, que tal decisão não surtiria efeitos com relação ao período da autuação (2000 a 2004), tendo em vista as alterações na legislação da CSLL, introduzidas a partir da edição da Lei nº. 7.689/88, a saber: Leis nº. 7.856/89, art. 20; Lei nº. 8.034/90, art. 2°; Lei nº. 8.212/91, art. 23, inc. I; Lei Complementar nº. 70/91, art. 11; e, Medida Provisória nº. 1.858/99, art. 6°. Noutras palavras, a CSLL passou a ter novo fundamento de validade e, portanto, a contribuinte já não se encontrava ao abrigo da decisão judicial favorável passada em julgado. Inconformada, a recorrente apresenta recurso voluntário, argumentando que: (i) em face do princípio da segurança jurídica, não se pode afastar os efeitos de decisão judicial definitiva e que, além de não ter havido alterações nas partes envolvidas na relação jurídico tributária, a ocorrência de mudanças na legislação pertinente à matéria não tem o condão de afastar a definitividade, tampouco restringir o alcance da sentença judicial que lhe é favorável; (ii) a instituição da contribuição foi inconstitucional, haja vista que a Lei n° 7.689 deixou de atender as exigências constitucionais para a instituição de uma contribuição social e criou uma exação cujas características não se coadunam com aquelas previstas nos dispositivos constitucionais pertinentes e terminam, em última análise, por configurar um imposto. Para fundamentar sua tese, a recorrente transcreve em seu arrazoado trechos de parecer que se encontra anexado aos autos (fls. 579 a 622). Ressaltese, ademais, que a recorrente não discute em sede de Recurso Voluntário as preliminares suscitadas na peça impugnatória de inaplicabilidade da taxa Selic para apuração de juros de mora e de cerceamento do direito de defesa em vista da aplicação de multas progressivas. Fl. 709DF CARF MF Impresso em 05/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 19647.012518/200531 Acórdão n.º 140200.921 S1C4T2 Fl. 3 3 É o Relatório. Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator Conheço do Recurso Voluntário por ser tempestivo, por atender aos requisitos de admissibilidade e por conter matéria de competência deste Conselho. A contribuinte foi favorecida por decisão transitada em julgado que impede a União de exigir dela CSLL, tendo em vista a inconstitucionalidade da lei 7.689/88. Ocorre que esta lei foi posteriormente modificada; a regra matriz do tributo foi alterada por normas supervenientes, de modo que a coisa julgada obtida Ação Ordinária n°. 90.00077435 já não é mais aplicável aos fatos ocorridos nos anoscalendários que foram alvejados pelo lançamento. A matéria pode parecer controvertida, contudo, sobre ela existem inúmeros precedentes do extinto Conselho de Contribuintes. De fato, este colegiado vinha decidindo, escorado na jurisprudência do STF, que a coisa julgada alcança apenas aquelas relações que estavam sob o abrigo da norma individual e concreta posta pela sentença. No caso da CSLL, instituída pela 7.689/88, a proteção da sentença não alcança fatos posteriores, especialmente aqueles fatos ocorridos após a modificação da lei e o tratamento normativo da regramatriz de incidência em normas editadas posteriormente, para as quais a declaração de inconstitucionalidade não se aplica. Reproduzo, abaixo, uma decisão que é a síntese da jurisprudência deste colegiado: 1º Conselho de Contribuintes / 8a. Câmara / ACÓRDÃO 108 09.290 em 25.04.2007 CSLL Exs: 1996 a 2004 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: LEI Nº 7.689/88. INCONSTITUCIONALIDADE. SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO. EFEITOS A relação jurídicotributária é de natureza continuativa. Essas relações se sucedem no tempo, mês a mês, pelo que não têm caráter de imutabilidade qualquer declaração de inconstitucionalidade a seu respeito. Tratandose de relações jurídicas de trato sucessivo, pode haver cobrança de tributo após cada fato gerador, nos períodos supervenientes à coisa julgada. DECADÊNCIA CSLL. O prazo decadencial aplicável às contribuições é o constante do § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional, ou seja, 5 (cinco) anos a contar do fato gerador da obrigação tributária. Logo, é de se reconhecer nestes autos os efeitos da decadência do direito do Fisco em relação ao lançamento de CSLL para o período do anocalendário de 1995 ao anocalendário de 1999. Fl. 710DF CARF MF Impresso em 05/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 19647.012518/200531 Acórdão n.º 140200.921 S1C4T2 Fl. 4 4 LEI Nº 7.689/88. INCONSTITUCIONALIDADE. SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO. EFEITOS. A relação jurídicotributária é de natureza continuativa. Essas relações se sucedem no tempo, mês a mês, pelo que não têm caráter de imutabilidade qualquer declaração de inconstitucionalidade a seu respeito. Tratandose de relações jurídicas de trato sucessivo, pode haver cobrança de tributo após cada fato gerador, nos períodos supervenientes à coisa julgada. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIADE. Os incisos I e II "caput" e os incisos I, II, III e IV, § 1o., do art. 44, da Lei n. 9.430/96, devem ser interpretados de forma sistemática, sob pena da cláusula penal ultrapassar o valor da obrigação tributária principal, constituindose num autêntico confisco e num "bis in idem" punitivo, em detrimento do princípio da não propagação das multas e da não repetição da sanção tributária. Recurso parcialmente provido. Pelo voto de qualidade, RECONHECER a decadência para os anos de 1995 a 1999, e no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para cancelar a multa isolada. Vencidos os Conselheiros José Carlos Teixeira da Fonseca (Relator), Nelson Lósso Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro e Márcia Maria Fonseca (Suplente Convocada), que deram provimento apenas para reduzir o percentual da multa isolada para 50%. Designada a Conselheira Karem Jureidini Dias para redigir o voto vencedor. JOSÉ HENRIQUE LONGO VicePresidente no Exercício da Presidência Publicado no DOU em: 07.11.2008 Relator: KAREM JUREIDINI DIAS Designada Citese também, importante conclusão daquele voto, transcrevendo as razões de decidir do Min. José Delgado no julgamento do no RESP 233662/GO: Em conclusão, o Ministro José Delgado lembra a natureza continuativa da relação jurídicotributária e as conseqüências daí advindas no que tange à inconstitucionalidade de determinada norma: Por último, considerese o já acentuado, de modo pacifico, na doutrina e na jurisprudência, de que a relação jurídico tributária é de natureza continuativa. Essas relações se sucedem no tempo, mês a mês, pelo que não têm caráter de imutabilidade qualquer declaração de inconstitucionalidade a seu respeito. Por isso, tenho afirmado que pode haver cobrança de tributo, após cada fato gerador, nos períodos superveniente; à coisa julgada, pela presença de relações jurídicas de trato sucessivo. Fl. 711DF CARF MF Impresso em 05/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 19647.012518/200531 Acórdão n.º 140200.921 S1C4T2 Fl. 5 5 Também foi suscitada durante o julgamento a existência do acórdão resultante do julgamento do Recurso Especial n. 1.118.893, abaixo transcrito, julgado pelo regime do artigo 543C do CPC. No aresto, o STJ concluiu que as modificações legislativas efetuadas na Lei 7.689/89 não recriaram a hipótese de incidência da CSLL, apenas modificaram alguns dos seus aspectos, de modo que a matriz legal da referida contribuição continuava a ser, para o período de apuração discutido naqueles autos, a lei declarada inconstitucional em controle difuso. RECURSO ESPECIAL No 1.118.893 MG (2009/00111359) RELATOR RECORRENTE ADVOGADO RECORRIDO ADVOGADO: MINISTRO ARNALDO ESTEVES LIMA: ALE DISTRIBUIDORA DE COMBUSTÍVEIS LTDA: JOSE MARCIO DINIZ FILHO E OUTRO(S): FAZENDA NACIONAL: PROCURADORIA‐GERAL DA FAZENDA NACIONAL EMENTA CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RITO DO ART. 543‐C DO CPC. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO – CSLL. COISA JULGADA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88 E DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICO‐ TRIBUTÁRIA. SÚMULA 239/STF. ALCANCE. OFENSA AOS ARTS. 467 E 471, CAPUT, DO CPC CARACTERIZADA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL CONFIGURADA. PRECEDENTES DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. 1. Discute‐se a possibilidade de cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL do contribuinte que tem a seu favor decisão judicial transitada em julgado declarando a inconstitucionalidade formal e material da exação conforme concebida pela Lei 7.689/88, assim como a inexistência de relação jurídica material a seu recolhimento. 2. O Supremo Tribunal Federal, reafirmando entendimento já adotado em processo de controle difuso, e encerrando uma discussão conduzida ao Poder Judiciário há longa data, manifestou‐se, ao julgar ação direta de inconstitucionalidade, pela adequação da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, ao texto constitucional, à exceção do disposto no art 8o, por ofensa ao princípio da irretroatividade das leis, e no art. 9o, em razão da incompatibilidade com os arts. 195 da Constituição Federal e 56 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT (ADI 15/DF, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Tribunal Pleno, DJ 31/8/07). 3. O fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestar‐se em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade. Fl. 712DF CARF MF Impresso em 05/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 19647.012518/200531 Acórdão n.º 140200.921 S1C4T2 Fl. 6 6 4. Declarada a inexistência de relação jurídico‐tributária entre o contribuinte e o fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, afasta‐se a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência. 5. "Afirmada a inconstitucionalidade material da cobrança da CSLL, não tem aplicação o enunciado no 239 da Súmula do Supremo Tribunal Federal, segundo o qual a "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores" (AgRg no AgRg nos EREsp 885.763/GO, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, Primeira Seção, DJ 24/2/10). 6. Segundo um dos precedentes que deram origem à Súmula 239/STF, em matéria tributária, a parte não pode invocar a existência de coisa julgada no tocante a exercícios posteriores quando, por exemplo, a tutela jurisdicional obtida houver impedido a cobrança de tributo em relação a determinado período, já transcorrido, ou houver anulado débito fiscal. Se for declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo, não há falar na restrição em tela (Embargos no Agravo de Petição 11.227, Rel. Min. CASTRO NUNES, Tribunal Pleno, DJ 10/2/45). 7. "As Leis 7.856/89 e 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e 8.541/92 apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídico‐tributária. Por isso, está impedido o Fisco de cobrar a exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito à coisa julgada material" (REsp 731.250/PE, Rel. Min. ELIANA CALMON, Segunda Turma, DJ 30/4/07). 8. Recurso especial conhecido e provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543‐C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ. (grifei) Em vista dessa decisão, foi suscitada a possibilidade de aplicação do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, que determina a reprodução, pelo CARF, das decisões do STJ tomadas sob o regime do artigo 543C do Código de Processo Civil aos processos em curso. No caso presente, contudo, entendi que o Recurso Especial nº 1.118.893 MG (2009/00111359), embora julgado sob o rito do art. 543C, não alcança a hipótese dos autos, uma vez que o leading case acima citado restringe a decisão aos exercícios de 1991 e 1992, bem como se debruça apenas sobre as mudanças legislativas efetuadas até esses exercícios. Não chega ao ponto de examinar as demais mudanças efetuadas na legislação da Fl. 713DF CARF MF Impresso em 05/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 19647.012518/200531 Acórdão n.º 140200.921 S1C4T2 Fl. 7 7 CSLL após o ano de 1992 e utilizadas como fundamento para o lançamento. Neste passo, não é possível aplicar o precedente do STJ para os período de apuração de 2000 a 2004, objeto destes autos. Pelo exposto, entendo ser possível a exigência da CSLL em relação a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2000 a 2004, motivo pelo qual rejeito as argumentações da contribuinte quanto a matéria. Ressaltese, ainda, que para que o contribuinte permanecesse isento da cobrança da contribuição, seria necessário decisão transitada em julgado confirmando a inconstitucionalidade da CSLL perante as novas alterações legislativas. Posto isto, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo o Auto de Infração. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Fl. 714DF CARF MF Impresso em 05/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10882.001167/2006-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Anocalendário:
2002, 2003, 2004
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Inaplicável à decisão recorrida o alegado cerceamento do direito de defesa, tendo em vista que é ônus da defesa trazer
aos autos os elementos de prova das suas alegações.
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
EXCLUSÕES. Para efeito de determinação do valor dos rendimentos
omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$80.000,00, dentro do ano-calendário.
Os valores fora deste parâmetro devem ter sua origem comprova por documento hábil e idôneo.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2101-001.443
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, para excluir da tributação o ano-calendário de 2002 e reduzir a omissão de rendimentos dos anos-calendários de 2003 e 2004 aos montantes de R$
1.478.417,21 e R$14.597,11, respectivamente.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Inaplicável à decisão recorrida o alegado cerceamento do direito de defesa, tendo em vista que é ônus da defesa trazer aos autos os elementos de prova das suas alegações. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÕES. Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$80.000,00, dentro do anocalendário. Os valores fora deste parâmetro devem ter sua origem comprova por documento hábil e idôneo. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir da tributação o anocalendário de 2002 e reduzir a omissão de rendimentos dos anoscalendários de 2003 e 2004 aos montantes de R$ 1.478.417,21 e R$14.597,11, respectivamente. (assinado digitalmente) ___________________________________ Fl. 425DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 3/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1727.158, proferido pela 11ª Turma da DRJ São Paulo II (fl. 313), que, por unanimidade de votos, julgou procedente a exigência tributária em exame, realizado com suporte no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. As infrações indicadas no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado em 07/07/2006 o Auto de Infração de fls. 290/299, relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoas Físicas do anocalendário de 2002, 2003 e 2004, por meio do qual foi constituído o crédito tributário no valor de R$ 3.723.724,43 (três milhões, setecentos e vinte e três mil, setecentos e vinte e quatro reais e quarenta e três centavos), sendo: Imposto R$ 1.762.216,83 Juros de Mora (calculado até 30/06/2006) R$ 639.844,99 Multa Proporcional R$ 1.321.662,61 Valor do Crédito Tributário Apurado R$ 3.723.724,43 O acima referido Auto de Infração apurou omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósitos, mantidas em instituições financeiras em relação às quais o titular (contribuinte), regularmente intimado, por mais de uma vez, não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizadas nessas operações. Em 03/11/2005 foi iniciado o procedimento fiscal, emitido o Mandado de Procedimento Fiscal — MPF (fl. 01) e recebido pelo contribuinte no dia 01/12/2005 (fl.01). O MPF foi prorrogado conforme o demonstrativo de Prorrogação de MPF (fls. 03), sendo a última valida até 30/08/2006. De posse da documentação disponibilizada foram elaboradas diversas Intimações Fiscais e o contribuinte protocolizou várias solicitações de prorrogação de prazo e apresentou extratos parciais. Em 18/05/2006 foi intimado para prestar as últimas justificativas. Tendo em vista que o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou totalmente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea a origem dos depósitos efetuados nas contas correntes do contribuinte, deduzidas as devoluções de cheques, rendimentos declarados, proventos, empréstimos e outros, foram os valores considerados como rendimento omitido e tributados com base na tabela progressiva. DA IMPUGNAÇÃO Fl. 426DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 3/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10882.001167/200667 Acórdão n.º 2101001.443 S2C1T1 Fl. 421 3 O contribuinte protocolou a defesa de fls. 302/303 em 07/08/2006, em que alega ter informado para a fiscalização os motivos pelos quais foram omitidos os valores nas declarações de Imposto de Renda em 2002, 2003 e 2004, por serem de terceiros para arremate de Editais de Leilões, sendo apenas a comissão de 10% a efetiva renda do contribuinte. Alega que os valores lançados pela fiscalização são passíveis de confrontação com os editais, que não possui bens para dar em garantia, além das cotas de capital social da empresa da qual é sócio. Requer a impugnação do auto em foco. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003, 2004 IMPUGNAÇÃO. PROVAS. A impugnação deve ser instruída com os elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem não têm qualquer relevância na análise dos fatos alegados. Lançamento Procedente Em seu apelo ao CARF, às fls. 325/329, o recorrente entende que a decisão recorrida cerceou o exercício do seu direito de defesa, tendo em vista que não obteve prorrogação do prazo para juntada da documentação que davam suporte às suas alegações, e reitera, no mérito, as mesmas questões suscitadas perante o juízo a quo, fazendo juntada dos documentos anteriormente mencionados e de acórdãos proferidos sob a égide da legislação anterior à Lei nº 9.430, de 1996, que entendem ser incabível o lançamento efetuado tendo como suporte valores de depósitos constantes de extratos bancários, por não caracterizarem, por si, disponibilidade econômica de renda :e provento na forma definida no artigo 43 do Código Tributário Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Inaplicável à decisão recorrida o alegado cerceamento do direito de defesa. Ao tomar ciência do Auto de Infração em exame o contribuinte teve trinta dias para impugná lo. Como não apresentou qualquer elemento de prova para robustecer as suas alegações, o lançamento foi integralmente mantido no julgamento de primeiro grau. Somente em sede de recurso é que o contribuinte apresentou os documentos às fls. 331/396. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 3/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 Com efeito, o contribuinte tomou ciência do início do procedimento fiscal em 01/12/2005 (fl. 16), que de forma clara e objetiva solicitou que comprovasse, mediante apresentação de documentação hábil, a origem dos recursos depositados nas contas mantidas no Banco Sudameris e Caixa Econômica Federal. Da mesma questão trataram os Termos às fls. 18/19. Em 30/03/2006 (fl. 261), ao se reportar à intimação de fl. 251, datada de 09/03/2006, o contribuinte solicitou fosse concedido mais alguns dias, para poder juntar todos os comprovantes em virtude de que grande parte da documentação encontrase fora da cidade de Barueri. Novas intimações foram dirigidas ao autuado, das quais este tomou ciência em 20/04/2006 (fl. 262) e 18/05/2006 (fl. 272). Confirase o teor, in verbis: “*Comprovar, mediante documentação hábil, a origem dos recursos depositados nas contas bancárias, conforme Demonstrativos dos Recursos Depositados nas Contas Bancárias, Anexos 01A; 02A e 03A, referentes aos períodos de 2002 a 2004, respectivamente. OBS: os depósitos não comprovados através de documentação hábil, serão objeto de lançamento de oficio por omissão de rendimentos, com base no art. 42 da Lei n" 9.430/96.” Em litígio, portanto, a omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, sendo certo que o procedimento de fiscalização durou mais de um semestre. Não há que se falar, portanto, em cerceamento do direito de defesa, devido à concessão de prazo insuficiente para o contribuinte provar os fatos alegados. No mérito, a base legal da exação em tela é o art. 42 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, publicada no DOU de 30/12/1996. Confirase: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 Fl. 428DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 3/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10882.001167/200667 Acórdão n.º 2101001.443 S2C1T1 Fl. 422 5 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais).(Alterado pela Lei nº 9.481, de 13.8.97). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002). § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002). A partir da vigência do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, os depósitos bancários deixaram de ser “modalidade de arbitramento” — que exigia da fiscalização a demonstração de gastos incompatíveis com a renda declarada (aquisição de patrimônio a descoberto e sinais exteriores de riqueza), conforme interpretação consagrada pelo poder judiciário (súmula TFR 182) e pelo Primeiro Conselho de Contribuintes (conforme arestos colacionados no recurso) e artigo 9º, inciso VII, do DecretoLei nº 2.471/88, que determinava o cancelamento dos lançamentos do imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários — para se constituir na própria omissão de rendimento (art. 43 do CTN), decorrente de presunção legal, que inverte o ônus da prova em favor da Fazenda Pública Federal. A fim de consolidar o entendimento deste CARF sobre a matéria foi editada a Súmula de nº 26, com a seguinte redação: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancário sem origem comprovada. Como a presunção representa uma prova indireta, partindose de ocorrências de fatos secundários, fatos indiciários, que apontam para o fato principal, os procedimentos estabelecidos em lei para que a presunção possa ser validamente aplicada deve ser rigorosamente observada pela fiscalização, por ser matéria de ordem pública que objetivam o controle da legalidade do lançamento. O § 6º da Lei nº 9.430, de 1996, determina que na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será Fl. 429DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 3/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 6 imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. É claro que tal divisão deve ser precedida da intimação de todos os titulares da conta bancária, pois a relação tributária obrigacional não pode ser dirigida contra quem não foi previamente intimado para comprovar a origem dos depósitos. O comando da lei tributária é específico para a presunção em comento. Se não houve a intimação prévia de todos os titulares, conforme determina o caput do referido artigo, também não poderá haver a divisão determinada no § 6º, sendo inválida a exigência relacionada à conta cotitulada sem a comprovação da intimação destes. De se notar que a hipótese de haver declaração em conjunto ou separadamente se aplica justamente a pessoas com relações de dependência econômica, por isso a cautela da lei em mandar observar se há declaração em conjunto. Cada pessoa física é contribuinte do imposto de renda e, portanto, passível de ser questionado a respeito da origem dos créditos que transitaram por sua conta bancária. Ou seja, a intimação a apenas um dos titulares não supre a imposição legal de intimar os demais cotitulares das contas mantidas em conjunto, pois a presunção de omissão de rendimentos, baseada em créditos bancários, somente se consuma na medida em que o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, com documentação hábil e idônea, a origem dos referidos créditos. Ora, a atividade do lançamento é vinculada e obrigatória, nos precisos termos do parágrafo único do art. 142, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN). A falta de intimação de todos os titulares da conta bancária para comprovar a origem dos depósitos bancários é causa, em si, da não caracterização da omissão de rendimentos, haja vista que a autoridade fiscal não cumpriu o rito que o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, exige para que a presunção possa ser validamente aplicada. Este entendimento já é pacífico no âmbito deste Conselho, nos termos dos Acórdãos de nºs 10419988, 102 47453, 10248.880, sendo que deste último transcrevo do voto vencedor o seguinte excerto: Divirjo do ilustre relator apenas quanto ao seu entendimento no que diz respeito à contacorrente conjunta, qual seja: Caixa Econômica Federal Agência 143 nº 243791. Nesse sentido, devese examinar a aplicação do parágrafo 6º do art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, abaixo transcrito, no presente lançamento. § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. O dispositivo acima transcrito foi acrescentado ao art. 42 pelo art. 58 da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Como se vê, o citado parágrafo já se encontrava em vigor desde 29/08/2002, portanto, deveria ter sido observado pela autoridade fiscal quando da lavratura do presente Auto de Infração. Como sabido, a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários não comprovados é uma presunção legal. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 3/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10882.001167/200667 Acórdão n.º 2101001.443 S2C1T1 Fl. 423 7 No entanto, para que se valide a presunção de omissão de rendimentos, o lançamento devese conformar aos moldes da lei. Reza o caput do art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, que a omissão de rendimentos se caracteriza quando o titular da conta, regularmente intimado, não comprova a origem dos recursos depositados. Logo, é óbvio, que no caso de contacorrente conjunta, tornase imprescindível que todos os titulares sejam intimados a comprovar a origem dos depósitos. Nas contascorrentes mantidas em conjunto, presumese, obviamente, que os titulares possam utilizarse das mesmas para crédito/depósito dos seus próprios rendimentos e a movimentação dos recursos financeiros pode ser feita por todos os titulares. Desta forma, a responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos, para efeito do disposto no artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996, deve ser imputada a todos os titulares da contacorrente. Dos extratos das contascorrentes, que motivaram o lançamento, acostados aos autos, verificase que esta circunstância (conta corrente mantida em conjunto) era conhecida pela autoridade fiscal. Entretanto, mesmo conhecendo o fato, deixou a autoridade administrativa de intimar o outro titular da conta corrente em questão. Ora, a atividade do lançamento é vinculada e obrigatória, nos precisos termos do parágrafo único do art. 142, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), que impõe à autoridade lançadora a obediência às formalidades previstas na legislação, com vistas à constituição do crédito tributário. Assim, não poderia o agente fiscal ter deixado de intimar o outro titular daquela contacorrente, pois não tem o poder discricionário para agir em desacordo com a lei, sob pena de macular o lançamento. É bem verdade que existe um estreito relacionamento entre o Recorrente e o outro titular (são cônjuges), mas tal circunstância não permite presumir que a intimação contra um deles tenha plenos efeitos em relação ao outro. Ou seja, a intimação a apenas um dos titulares não supre a imposição legal de intimar os demais cotitulares das contas mantidas em conjunto, pois a presunção de omissão de rendimentos, baseada em créditos bancários, somente se consuma na medida em que o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, com documentação hábil e idônea, a origem dos referidos créditos. Ora, a falta de intimação para a justificação da origem dos depósitos bancários é causa, em si, da não caracterização da omissão de rendimentos, haja vista que a autoridade fiscal não cumpriu o rito que o art. 42 exige para que se estabeleça a presunção legal. Banco Caixa econômica Federal De sorte que, no que se refere aos valores creditados na contacorrente Agência 143 nº 243791, mantida em conjunto, devese afastar a presunção de omissão de rendimentos. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 3/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 8 Para afastar qualquer dúvida a esse respeito foi editada a Súmula nº 29 deste CARF, de aplicação obrigatória por este Colegiado: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. É evidente que somente poderão ser divididos os créditos para os quais a presunção possa ser validamente aplicada. Caracterizada a presunção de omissão de rendimentos, decorrente de crédito bancário sem origem comprovada, mediante a prévia intimação de todos os titulares da conta, e não havendo comprovação da origem dos recursos, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Considerandose que não houve a prévia intimação de Maria Alice Domingues, cotitular das contas corrente e de poupança mantidas no Banco Sudameris (extrato às fls. 20/250), para comprovar a origem dos depósitos bancários, e que ela não apresentou declaração de rendimento em conjunto com o autuado, consoante Declarações de Ajuste Anual dos anoscalendários de 2002 a 2004 (fls. 04/12), a presunção estabelecida pelo artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser validamente aplicada para os valores creditados nas referidas contas. Desta forma, remanesce em litígio, tãosomente, os créditos bancários efetuados na Caixa Econômica Federal. Conforme dispõe o inciso II do § 3º do artigo 42 da Lei 9.430/96, para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados, no caso de pessoa física, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). Neste diapasão foi editada a Súmula CARF nº 61: Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. No caso em análise, verificase que os primeiros créditos relacionados à conta mantida na Caixa Econômica Federal (conta corrente nº 7104.9, agência nº 1228) ocorreram no mês de maio/2003, conforme Demonstrativo à fl. 276. Exceto os créditos de R$1.461.500,00 (datado de 30/05/2003) e R$16.917,21 (datado de 14/11/2003), todos os demais depósitos realizados na referida conta, no anocalendário de 2003, são inferiores a R$12.000,00 e o montante anual não ultrapassa R$80.000,00. A mesma situação se aplica aos créditos do anocalendário seguinte (fls. 278/280), com exceção do depósito em cheque de R$14.597,11 (datado de 25/10/2004). Vale ressaltar que os documentos apresentados pelo recorrente às fls. 331/396 não estabelecem qualquer liame com os três créditos bancários acima especificados. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 3/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10882.001167/200667 Acórdão n.º 2101001.443 S2C1T1 Fl. 424 9 Em face ao exposto, dou provimento parcial ao recurso, para excluir da tributação o anocalendário de 2002 e reduzir a omissão de rendimentos dos anoscalendários de 2003 e 2004 aos montantes de R$ 1.478.417,21 e R$14.597,11, respectivamente. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 433DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 3/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
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Numero do processo: 13002.001174/2007-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. INFORMAÇÕES EM DIRF DIFERENTES DO DECLARADO. ERRO DE DECLARAÇÃO COMPROVADO.
Comprovado que os rendimentos informados em Dirf coincidem com os
comprovantes de rendimentos apresentados, e que os valores declarados não possuem qualquer relação com essas quantias, razoável o argumento de erro de declaração, em especial quando os valores declarados também tiveram rendimentos retidos na fonte, o que obrigaria sua informação em Dirf.
Assim, foi recalculado o imposto devido em função dos rendimentos de fato auferidos.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2101-001.597
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, para reduzir o imposto suplementar sujeito à multa de ofício para R$ 667,90.
Nome do relator: Jose Evande Carvalho Araújo
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INFORMAÇÕES EM DIRF DIFERENTES DO DECLARADO. ERRO DE DECLARAÇÃO COMPROVADO. Comprovado que os rendimentos informados em Dirf coincidem com os comprovantes de rendimentos apresentados, e que os valores declarados não possuem qualquer relação com essas quantias, razoável o argumento de erro de declaração, em especial quando os valores declarados também tiveram rendimentos retidos na fonte, o que obrigaria sua informação em Dirf. Assim, foi recalculado o imposto devido em função dos rendimentos de fato auferidos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reduzir o imposto suplementar sujeito à multa de ofício para R$ 667,90. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Fl. 30DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/ 04/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13002.001174/200704 Acórdão n.º 2101001.597 S2C1T1 Fl. 30 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Jose Raimundo Tosta Santos, José Evande Carvalho Araujo, Ewan Teles Aguiar, Eivanice Canario da Silva, Alexandre Naoki Nishioka. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 2 a 6, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, para lançar infrações de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica e compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$3.613,34, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, e de R$37, 09, acrescido de multa e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 1), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância descreve a autuação e o recurso da seguinte maneira (fl. 19): Mediante Notificação de Lançamento, de fls. 02/07, exigese do contribuinte acima qualificado o recolhimento da importância de R$ 7.573,57, calculados até 31/07/2007, em virtude da constatação de irregularidades na declaração de ajuste anual do exercício de 2005, anocalendário de 2004. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 03/04, a autoridade lançadora informa ter constatado omissão rendimentos sujeitos à tabela progressiva, não declarados na DIRPF do notificado. As omissões foram verificadas a partir do confronto realizado entre o valor dos rendimentos declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) para o titular e os dependentes. As fontes pagadoras estão identificadas a seguir: a) Governo do Estado do Rio Grande do Sul R$ 12.952,58 – IRRF s/omissão R$ 27,60, b) Associação de Ensino e Assistência Social Santa Tereza de JE – R$ 8.055,68. Informa também ter sido glosada importância de R$ 65,35, indevidamente compensado a título de IRRF, valor resultante da diferença entre o valor declarado e o total informado pela fonte pagadora Banco do Estado do Rio Grande do Sul, em DIRF. O contribuinte apresentou impugnação ao lançamento anexada às fls, 01 dos autos. Segundo alegou, embora a notificação enumere três fontes pagadoras efetivamente os valores foram pagos por duas fontes pagadoras quais sejam: o Governo do RGS e a Associação Santa Tereza. Destaca ter sido informado de forma incorreta, como única fonte pagadora o Banco do Estado do RS, em virtude dos rendimentos terem sido nele depositados. Concluindo solicitou a revisão do lançamento e a redução da multa imposta. Registrese que o contribuinte no prazo reservado à defesa não apresentou elementos de prova. Fl. 31DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/ 04/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13002.001174/200704 Acórdão n.º 2101001.597 S2C1T1 Fl. 31 3 ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 18 a 20): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005 RENDIMENTOS AUFERIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Os rendimentos auferidos por pessoa física estão sujeitos à tributação do Imposto de Renda. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 27/04/2010 (fl. 23), o contribuinte apresentou, em 17/5/2010, o recurso de fls. 24 a 27, onde afirma: a) que, nos anos de 2004 e 2005, teve apenas duas fontes pagadoras: o Governo do Estado (R$14.029,04) e a Associação Santa Teresa (R$8.916,87); b) que, como erro de declaração, não informou os rendimentos auferidos da Associação Santa Teresa; c) que não teve três fontes pagadoras em nenhum momento. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 28, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. Em sua declaração de ajuste do exercício de 2005 (fl. 9 a 10), apresentada no modelo completo, o contribuinte informou ter recebido R$14.256,23 do Banco do Estado do Rio Grande do Sul S.A., CNPJ no 192.702.067/000196, com retenção na fonte de R$65,35. Fl. 32DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/ 04/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13002.001174/200704 Acórdão n.º 2101001.597 S2C1T1 Fl. 32 4 Entretanto, as seguinte fontes pagadoras informaram, em suas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte – Dirfs, ter efetuados os seguintes pagamentos ao sujeito passivo no ano de 2004 (fl. 03): a) RIO GRANDE DO SUL GOVERNO DO ESTADO, CNPJ no 87.934.675/000196, R$12.952,58, IRRF R$27,60; b) ASSOCIACAO DE ENSINO E. ASSISTÊNCIA SOCIAL SANTA TERESA DE JESUS , CNPJ no 92.880.962/000109, R$8.055,68, sem IRRF. Como o contribuinte não prestou esclarecimentos, os rendimentos das fontes não declaradas, que totalizavam R$21.008,26, foram lançados como omissão de rendimentos, compensandose o valor de R$27,60 a título de imposto de renda retido na fonte (fl. 3). Além disso, como não havia informações sobre os rendimentos declarados como pagos pelo Banco do Estado do Rio Grande do Sul S.A., foi também glosado o imposto de renda retido na fonte compensado na declaração (fl. 04). Em sua impugnação e no voluntário, o recorrente afirma que recebeu apenas os rendimentos das duas fontes lançadas, confirmando a omissão daqueles pagos pela Associação Santa Teresa, e informa que a fonte declarada é apenas o banco onde os pagamentos eram depositados. O julgador de 1a instância não admitiu os argumentos por falta de provas. No voluntário, foi acostado aos autos o seguinte comprovante de rendimentos, relativo ao exercício 2005, anocalendário 2004: a) GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL, CNPJ no 87.934.675/000196, R$12.952,58, IRRF R$ 27,60 (fl. 25). Foi apresentado, também, o comprovante de rendimentos do exercício de 2006 dessa fonte pagadora, informando pagamentos de R$ 14.029,04 (fl. 26), e comprovante de rendimentos do exercício de 2006 da ASSOCIACAO DE ENS. A. E SOCIAL STA TERESA DE JESUS, CNPJ no 92.880.962/000109, com pagamentos deR$ 8.916, 87, sem IRRF (fl. 27). De fato, há que se reconhecer que os rendimentos declarados (R$14.256,23 e IRRF de R$65,35) não guardam qualquer relação com aqueles informados em DIRF pelas fontes pagadoras (R$21.008,26 e IRRF de R$ 27,60). Mas, se realmente se tratassem de rendimentos diversos, certamente a fonte pagadora os teria informado em DIRF, devido à ocorrência de retenção na fonte. Assim, forte o argumento de erro de declaração, devendose considerar que o recorrente somente auferiu os rendimentos lançados, e não aqueles declarados. Desta forma, devese refazer o cálculo do imposto devido, na forma do demonstrativo de fl. 06, excluindose o valor dos rendimentos declarados, como demonstrado no quadro abaixo: Fl. 33DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/ 04/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13002.001174/200704 Acórdão n.º 2101001.597 S2C1T1 Fl. 33 5 DIRPF (fl. 10) Lançamento (fl. 06) Julgamento Rendimentos 14.256,23 35.264,49 21.008,26 Deduções () 3.428,35 3.428,35 3.428,35 Base de Cálculo 10.827,88 31.836,14 17.579,91 Imposto Devido 0,00 3.678,03 732,59 IRRF 65,35 27,6 27,6 Imposto a Cobrar 0,00 3.650,43 704,99 Como a cobrança do valor devido havia se dado em duas parcelas, uma R$3.613,34 acrescido de multa de ofício e juros de mora e outra de R$37,09 sujeita à multa e juros de mora, sendo que a última quantia se refere à glosa da fonte, há que se reduzir o imposto suplementar sujeito à multa de ofício para R$ 667,90 (R$704,99 R$37,09), mantendose inalterada a cobrança da parcela de R$37,09. Desta forma, voto por dar provimento parcial ao recurso para reduzir o imposto suplementar sujeito à multa de ofício para R$ 667,90. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 34DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/ 04/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10166.001541/2002-96
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário:
1997, 1998, 1999
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. IRRF SOBRE APLICAÇÕES FINANCEIRAS.
O Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável, por ser considerado antecipação do devido no encerramento do período de apuração, não pode ser compensado diretamente com outros tributos e contribuições, devendo ser deduzido do imposto apurado no encerramento do período de apuração.
Numero da decisão: 1801-000.869
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1997, 1998, 1999 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. IRRF SOBRE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. O Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável, por ser considerado antecipação do devido no encerramento do período de apuração, não pode ser compensado diretamente com outros tributos e contribuições, devendo ser deduzido do imposto apurado no encerramento do período de apuração.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1997, 1998, 1999 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. IRRF SOBRE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. O Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável, por ser considerado antecipação do devido no encerramento do período de apuração, não pode ser compensado diretamente com outros tributos e contribuições, devendo ser deduzido do imposto apurado no encerramento do período de apuração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório Tratase de pedidos de compensação, convertidos em declarações de compensação, por força do artigo 74 da Lei n º 9.430, de 1996, pelas quais pretende, a empresa interessada, a homologação das compensações de débitos de PIS, COFINS, e estimativas de CSLL e IRPJ, com direito creditório relativo a IRRF incidente sobre aplicações financeiras e mútuo, acumulado nos anos de 1997 a 1999. Pelo Despacho Decisório de fls. 43/44 a DRF em Brasília/DF não homologou as compensações ao argumento de que o IRRF não pode ser utilizado como direito creditório para compensações com outros tributos, mas apenas como antecipação do IRPJ devido na apuração trimestral. Houve interposição tempestiva de manifestação de inconformidade. Na apreciação do litígio a DRJ em Brasília/DF consignou que a legislação é clara quanto à possibilidade de compensação do imposto de renda retido na fonte por órgãos públicos e outras pessoas jurídicas, nos termos do que dispõe o art. 64, parágrafos 3° e 4°, da Lei 9.430/1996, e artigos 649, 650 e 653 do RIR/99, estando literalmente expresso que o IRRF incidente na prestação de serviços é considerado antecipação e pode ser deduzido daquele apurado no trimestre, ou no anocalendário, quando seu montante for superior ao imposto de renda devido, e a compensação somente é cabível com o que for devido em relação ao imposto de renda e não com as contribuições para o PIS, Cofins e CSLL. Notificada da decisão, em 16/05/2008, como demonstra a cópia do AR à fl. 82, verso, apresentou a interessada, em 13/06/2008, o recurso voluntário de fls. 89 a 101, no qual reproduz as razões de defesa deduzidas na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. A questão que se coloca para análise nestes autos se refere à possibilidade de haver recolhimento indevido ou a maior de IRRF no curso do anocalendário e, havendo tal possibilidade, se isto geraria um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. Nesse sentido registro que a legislação de regência determina que para as pessoas jurídicas em geral, o crédito ou o débito decorrente do confronto do IRRF com o valor Fl. 154DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.001541/200296 Acórdão n.º 180100.869 S1TE01 Fl. 122 3 devido a título de IRPJ, só será apurado ao final do período de apuração (trimestral ou anual, conforme o caso). Assim, partindo da premissa de que o fato gerador do imposto de renda para as pessoas jurídicas somente se concretiza no final de cada período de apuração – trimestral ou anual será a partir deste evento que se encontrará o saldo do imposto a pagar ou a recuperar. O Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável, por ser considerado antecipação do devido no encerramento do período de apuração, não pode ser compensado diretamente com outros tributos e contribuições, devendo ser deduzido do imposto apurado no encerramento do período de apuração. O IRRF incidente sobre aplicações financeiras e mútuo é compensável com o IRPJ devido ao final do período de apuração, desde que os rendimentos que deram origem às retenções seja oferecido à tributação na própria declaração do período e desde que a retenção não seja exclusiva de fonte. A propósito transcrevo os comandos normativos que regem a matéria, compilados no Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99: Art. 770. Os rendimentos auferidos em qualquer aplicação ou operação financeira de renda fixa ou de renda variável sujeitam se à incidência do imposto na fonte, mesmo no caso das operações de cobertura hedge, realizadas por meio de operações de swap e outras, nos mercados de derivativos (Lei nº. 9.779, de 1999, art. 5º). ... § 2º Os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável e os ganhos líquidos (Lei nº 8.981, de 1995, art. 76, § 2º, Lei nº. 9.317, de 1996, art. 3º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 51): I integrarão o lucro real, presumido ou arbitrado; ... Art. 773. O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável ou pago sobre os ganhos líquidos mensais será (Lei nº. 8.981, de 1995, art. 76, incisos I e II, Lei nº. 9.317, de 1996, art. 3º, § 3º, e Lei nº. 9.430, de 1996, art. 51): I deduzido do devido no encerramento de cada período de apuração ou na data da extinção, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, presumido ou arbitrado; II definitivo, no caso de pessoa física e de pessoa jurídica optante pela inscrição no SIMPLES ou isenta. A legislação consolidada no Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 (art. 895) autoriza a Receita Federal a expedir instruções necessárias à efetivação de compensação pelos contribuintes. No mesmo sentido veio também redigido o §5o incluído no art. 74 da Lei nº. 9.430/96, pela Medida Provisória nº. 66/2002, atualmente transportado para o § 14 desde a edição da Lei nº. 11.051/2004: Fl. 155DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº. 11.051, de 2004) E este poder normativo pode se materializar tanto no âmbito da definição de procedimentos operacionais, como na fixação de restrições materiais já presentes na lei que estabelece a incidência tributária ou concede benefícios fiscais. Contudo, ao operar sob este segundo direcionamento, temse a dita eficácia retroativa da norma interpretativa, que se verifica ainda que a Administração Tributária assim não a declare expressamente. Relevante notar o teor das Instruções Normativas SRF nº. 460/2004 e 600/2005: Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Na edição da IN RFB nº. 900, de 2009, a restrição foi mantida, como se verifica a seguir: Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.001541/200296 Acórdão n.º 180100.869 S1TE01 Fl. 123 5 Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Por outro lado, o saldo negativo do IRPJ, porventura obtido em função da existência de saldo acumulado de IRRF, por ser passível de restituição, pode ser utilizado na compensação de débitos próprios, inclusive os decorrentes de responsabilidade tributária, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, através de Declaração de Compensação. Por seu turno, a simples retenção de imposto na fonte não traduz a existência de crédito para com a Fazenda Nacional. Porque a retenção na fonte, efetuada nos exatos termos do dispositivo legal, é considerada antecipação do imposto devido no encerramento do período de apuração, não representando direito à restituição ou compensação enquanto não devidamente apurado o crédito tributário correspondente ao período. Por todo o exposto, voto no sentido negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 157DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 11020.720096/2009-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Crédito Presumido de IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
CRÉDITOS PRESUMIDOS DE IPI. FISCALIZAÇÃO.
INCONSISTÊNCIAS APURADAS
A falta de saneamento, pelo requerente, das inconsistências verificadas pela
fiscalização no cálculo do crédito presumido do IPI impede o reconhecimento
do benefício.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.413
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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ementa_s : Assunto: Crédito Presumido de IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 CRÉDITOS PRESUMIDOS DE IPI. FISCALIZAÇÃO. INCONSISTÊNCIAS APURADAS A falta de saneamento, pelo requerente, das inconsistências verificadas pela fiscalização no cálculo do crédito presumido do IPI impede o reconhecimento do benefício. Recurso Voluntário Negado.
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FISCALIZAÇÃO. INCONSISTÊNCIAS APURADAS A falta de saneamento, pelo requerente, das inconsistências verificadas pela fiscalização no cálculo do crédito presumido do IPI impede o reconhecimento do benefício. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Walber José da Silva Presidente (Assinado Digitalmente) Gileno Gurjão Barreto – Relator (Assinado Digitalmente) EDITADO EM: 05/01/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Helio Eduardo de Paiva Araújo, Fabíola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto (Relator). Fl. 281DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11020.720096/200951 Acórdão n.º 330201.413 S3C3T2 Fl. 2 2 Relatório Adotase o relatório do acórdão da 3ª Turma de Julgamento da DRJPORTO ALEGRE/RS: “O estabelecimento industrial acima identificado solicitou o ressarcimento do crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e a Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, no valor de R$ 139.340,58, conforme Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 41481.28889.200405.1.1.016247, impresso nas fls. 7, 8 e 12. O pleito foi objeto de verificação fiscal, conforme relatório das fls. 239 a 254 (vol II, que culminou com a propositura do indeferimento integral do crédito presumido solicitado, por diversas inconsistências no cálculo do benefício, não sanadas pelo requerente, embora tenha sido instado a fazêlo, em mais de nove meses de fiscalização. Segue a síntese dos fundamentos apresentados pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul (DRF/CXL). Em primeiro lugar, foi verificada a inclusão indevida de gastos com energia elétrica, supostamente utilizada no processo industrial, apurados com base em rateio em função da carga instalada, o que está em desacordo com o critério estabelecido pelo § 1 do art. 6º da Instrução Normativa SRF nº 420, de 10 de maio de 2004 (percentual obtido pela relação entre o custo de produção e o somatório dos custos e despesa operacionais do estabelecimento industrial). A fiscalização alerta que essa irregularidade, isoladamente considerada, não impediria o cálculo do benefício que remanescesse da glosa, o que não acontece com outras irregularidades adiante mencionadas. Na sequencia, a fiscalização aduz que o interessado apurou indevidamente crédito presumido em relação a aquisições de produtos que não se enquadram nos conceitos de matériasprimas (MP), produtos intermediários (PI) e material de embalagem (ME), em face do disposto no art. 164 do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, Regulamento do IPI (RIPI) de 2002, complementado pelo Parecer Normativo CST nº 65, de 1979. Nesse caso, isoladamente considerada, essa irregularidade também não impediria o cálculo do benefício que remanescesse da glosa. Adiante, a verificação fiscal refere que o interessado elaborou cálculos sumários para apurar o benefício, distorcendo o incentivo reivindicado, situação que, outra vez, isoladamente considerada, não impediria o cálculo do crédito presumido que favorecesse o requerente. Em seguida, o AFRFB menciona que houve inclusão indevida, na determinação do benefício, de mercadorias adquiridas para revenda, sob códigos fiscais de operações e prestações (CFOPs) de aquisição de insumos para industrialização, o que conflita com o disposto no art. 1º da Lei 9363/96. O interessado tentou, sem sucesso, expurgar as aquisições de produtos para revenda, do total de aquisições Fl. 282DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11020.720096/200951 Acórdão n.º 330201.413 S3C3T2 Fl. 3 3 que efetivamente dessem direito ao benefício, inconsistência, que, por subsistir, impede o reconhecimento do crédito presumido. Por último, a fiscalização constatou que os relatórios de estoques apresentados pelo interessado, supostamente com base no método obrigatório conhecido pó “o primeiro que entra é o primeiro que sai” (Peps), apresentam inconsistências não sanadas no curso da verificação fiscal. Sobretudo, não ficou evidente qual método de avaliação teria sido utilizado, sendo que deveria ter sido empregado o método Peps, por força do disposto no § 8º do art. 3º da IN SRF nº 23 de 13 de março de 1997, no art. 14 da IN SRF nº 69 de 6 de agosto de 2001, art. 14 da IN SRF nº 315 de 3 de abril de 2003, e art. 14 da IN SRF nº 420 de 10 de maio de 2004, fato que, em suma, torna os referidos relatórios imprestáveis para apuração do crédito presumido do IPI. A fiscalização ressalta que as inconsistências antes mencionadas foram comunicadas ao requerente, com pedido de correção, sendo que, embora tenha havido iniciativa tendente a sanear algumas inconsistências, o saneamento não ocorreu. Em alguns casos, o requerente limitouse a negar as inconsistências. Em seguida, foi proferido Despacho Decisório da fl. 254 (vol II), que indeferiu o pedido de ressarcimento. Em 2 de fevereiro de 2010, o interessado tomou ciência do relatório fiscal e do Despacho Decisório antes mencionados, conforme Notificação DRF/CXL/Sort nº 26 de 27 de janeiro de 2010, e respectivo Aviso de Recebimento (AR), das fls. 256 e 257 (vol II), e manifestou inconformidade, tempestivamente, em 3 de março de 2010, pelo arrazoado das fls. 258/262 (vol II), firmado por advogado, credenciado pela procuração e pelas cópias de documentos de identificação das fls. 263 e 264 (vol II). Os motivos da inconformidade seguem sintetizados. O interessado discorre sobre aspectos da teoria das normas jurídica e sobre implicações dessa teoria na feitura e na revisão dos lançamentos para constituição de crédito tributário, dizendo que, na hipótese de haver inconsistências nas informações prestadoras pelo sujeito passivo, cabe ao fisco, nos termos dos art. 142 e seguintes da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1996, Código Tributário Nacional (CTN), determinar a matéria tributável e calcular o montante do crédito, e não simplesmente indeferir o pedido de ressarcimento do crédito presumido, ao argumentos de que há inconsistências no cálculo. Assevera que informou o valor da receita de exportação e todos os dados decorrentes, o valor das compras, o estoque, a relação entre as receitas dos mercados externos e interno, quantificou o valor do crédito, que são aos elementos para apurar o valor que lhe é devido. Segue dizendo que, se alguns dos elementos, antes mencionados contivessem alguma inconsistência, deveria o fisco, motivadamente, expurgar a informação inconsistente, efetuando nova apuração com os elementos presentes nos autos, sem esquecer de quantificar o crédito, a partir de tais elementos, e não simplesmente indeferir o pedido. Se fosse correta a decisão da autoridade fiscal, seria preciso admitir que o requerente não realizou exportações e que não adquiriu MP, PI e ME, o que é infirmado pelos documentos existentes nestes autos. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11020.720096/200951 Acórdão n.º 330201.413 S3C3T2 Fl. 4 4 Adiante, cita e transcreve a ementa do Acórdão CSRF/0201.157, de 14 de novembro de 2002, da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscal, no sentido de que a base de cálculo do crédito presumido é determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de MP, PI e ME referidos no art. 1º da Lei nº 9363/96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador, acrescentando que a lei citada referese a “valor total” e não prevê qualquer exclusão. Por último o requerente pede reforma do despacho decisório contestado, para que seja reconhecido o alegado direito ao crédito presumido do IPI.” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordaram os Membros da 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Intimada em 05/05/2011, irresignada a Recorrente, interpôs Recurso Voluntário em 06/06/2011. É o Relatório. Voto Conselheiro Gileno Gurjão Barreto, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. Créditos Presumidos de IPI. Inconsistências verificadas pela fiscalização no cálculo do crédito presumido de IPI Alega a Recorrente que teria o direito ao ressarcimento dos créditospresumidos de IPI, no período compreendido entre 01/01/2005 a 31/03/2005. Não assiste razão à recorrente. Primeiramente há que se esclarecer que o recorrente é obrigado a comprovar a efetividade dos créditos presumidos de IPI a que tem direito, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos. Sem a comprovação de seu direito, através de tais documentos, a autoridade administrativa fica impedida de lhe proporcionar o crédito requerido. Na condução do processo há que se ter em conta o processo de fixação formal da prova, no qual o julgador se atém à análise dos meios de prova definidos em lei, à valoração e admissibilidade das provas apresentadas, para formar o seu livre convencimento para decidir. Compulsandose os autos do processo, verificase que o contribuinte não logrou êxito em comprovar os itens objeto de creditamento. Nesse sentido, porém, imprescindível afirmar que de per si a ausência de provas não teria o condão de invalidar a Fl. 284DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11020.720096/200951 Acórdão n.º 330201.413 S3C3T2 Fl. 5 5 totalidade do crédito pleiteado, sendo possível às autoridades fiscais glosar tais valores e homologar os créditos parcialmente. Contudo, efetivamente a contribuinte não logrou adequadamente demonstrar a sua movimentação de estoques. Sem essa certeza de natureza eminentemente contábil, impossível à fiscalização confiar na escrita comercial e na escrita fiscal da contribuinte que lhe desse elementos suficientes e necessários para homologar qualquer crédito. Nesse mister, ainda assim seria possível à contribuinte apresentar provas acerca da aquisição dos insumos sobre os quais pleiteava seus créditos, mas não foi isso que ocorreu. Tratandose, portanto de matéria de prova, cabia ao recorrente produzila de forma satisfatória, a fim de demonstrar o seu direito aos créditos presumidos de IPI. Todavia, apesar das diversas oportunidades de que dispôs, em nenhum momento o contribuinte se esforçou neste sentido, restando inconsistente seu pedido de creditamento. Tanto assim, que seus argumentos de defesa sempre estiveram restritos a questões de direito, nunca de prova ou de fatos concretos. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer o recurso e, no mérito negarlhe provimento. É como voto, Sala das Sessões, em 26 de Janeiro de 2012 Gileno Gurjão Barreto (Assinado Digitalmente) Fl. 285DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 18050.003462/2008-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/1996 a 31/12/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. TERMO A QUO. ENTENDIMENTO DO STJ. ART. 150, PARÁGRAFO 4O DO CTN. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212 de 1991.
Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei nº 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN.
As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4º do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observar-se-á a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN.
No caso, houve pagamento antecipado, ainda que parcial, sobre as rubricas lançadas.
Encontram-se atingidos pela fluência da homologação tácita todos os fatos geradores apurados pela fiscalização.
Numero da decisão: 2302-001.632
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade conceder provimento parcial quanto à preliminar de extinção do crédito pela homologação tácita prevista no art. 150,
parágrafo 4 do CTN, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva acompanhou pelas conclusões.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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Recorrente FERREIRA FERRAZ CONSTRUCOES E INCORPORACOES LTDA Recorrida SRP SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1996 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. TERMO A QUO. ENTENDIMENTO DO STJ. ART. 150, PARÁGRAFO 4O DO CTN. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. No caso, houve pagamento antecipado, ainda que parcial, sobre as rubricas lançadas. Encontramse atingidos pela fluência da homologação tácita todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade conceder provimento parcial quanto à preliminar de extinção do crédito pela homologação tácita prevista no art. 150, parágrafo 4 do CTN, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva acompanhou pelas conclusões. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Júnior. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18050.003462/200814 Acórdão n.º 230201.632 S2C3T2 Fl. 404 3 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social. O período compreende as competências abril de 1996 a dezembro de 1998, conforme relatório fiscal, fls. 116 a 120. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela sociedade empresária, fls. 340 a 355. A DecisãoNotificação confirmou a procedência do lançamento, fls. 364 a 367. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, fls. 376 a 390. É o relato suficiente. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme fls. 403. Pressuposto de admissibilidade superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO: Quanto à questão preliminar suscitada pela recorrente, na peça recursal, de que o lançamento já fora atingido pela decadência, razão lhe confiro. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado Súmula Vinculante de n º 8 no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional (CTN). As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo então o pagamento antecipado, observarseá a extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN (operase a homologação tácita). Entretanto, se não houver o pagamento antecipado não se aplica o disposto no art. 156, inciso VII do CTN; deve, assim, ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN; há a necessidade de lançamento de ofício substitutivo, conforme previsto no art. 149, inciso V do CTN. Nessa hipótese, caso não ocorra o lançamento, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN (decadência). Destacase que, nas hipóteses de ocorrências de dolo, fraude, ou simulação; não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o previsto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. Fl. 413DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18050.003462/200814 Acórdão n.º 230201.632 S2C3T2 Fl. 405 5 Para aplicação dos arts. 150, parágrafo 4º, ou 173, inciso I do CTN, há que se analisar o recolhimento rubrica por rubrica, pois na hipótese de o contribuinte não reconhecer determinada parcela como incidente, essa somente conseguiria ser apurada em uma ação fiscal. Caso o sujeito passivo não antecipe o pagamento, porque entende que o tributo não é devido, obviamente não haverá crédito a ser extinto por homologação. No presente caso houve pagamentos parciais conforme relatório às fls. 55 a 94, devendo ser observado o disposto no art. 150, parágrafo 4º do CTN. Pelo exposto encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Para a competência mais recente, dezembro de 1998, o lançamento poderia ter sido realizado até dezembro de 2003. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto pelo conhecimento do recurso e pela concessão de provimento, reconhecendo a extinção do crédito pela homologação tácita. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 414DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10530.720127/2007-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 2005
Ementa: IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. AUSÊNCIA DE INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO NÃO CONHECIDO.
As Turmas de Julgamento do CARF têm competência para julgar e processar os recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, sendo a decisão de primeira instância aquela prolatada pelas Turmas de Julgamento da DRJ, na forma do art. 25, I, do
Decreto nº 70.235/72. Nestes autos, não há qualquer decisão de Turma de Julgamento da DRJ, sendo impossível conhecer do recurso interposto, que vergasta decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil e não de Turma de Julgamento da DRJ.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2102-001.841
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO
CONHECER o recurso interposto, pois não se instaurou o contencioso administrativo pela impugnação tempestiva, não havendo nos autos decisão da Turma de Julgamento de DRJ. Fez sustentação oral o Dr. Ricardo Alves Moreira, OAB-MG nº 52.583, patrono do recorrente.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2005 Ementa: IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. AUSÊNCIA DE INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO NÃO CONHECIDO. As Turmas de Julgamento do CARF têm competência para julgar e processar os recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, sendo a decisão de primeira instância aquela prolatada pelas Turmas de Julgamento da DRJ, na forma do art. 25, I, do Decreto nº 70.235/72. Nestes autos, não há qualquer decisão de Turma de Julgamento da DRJ, sendo impossível conhecer do recurso interposto, que vergasta decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil e não de Turma de Julgamento da DRJ. Recurso não conhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER o recurso interposto, pois não se instaurou o contencioso administrativo pela impugnação tempestiva, não havendo nos autos decisão da Turma de Julgamento de DRJ. Fez sustentação oral o Dr. Ricardo Alves Moreira, OAB-MG nº 52.583, patrono do recorrente.
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AUSÊNCIA DE INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO NÃO CONHECIDO. As Turmas de Julgamento do CARF têm competência para julgar e processar os recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, sendo a decisão de primeira instância aquela prolatada pelas Turmas de Julgamento da DRJ, na forma do art. 25, I, do Decreto nº 70.235/72. Nestes autos, não há qualquer decisão de Turma de Julgamento da DRJ, sendo impossível conhecer do recurso interposto, que vergasta decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil e não de Turma de Julgamento da DRJ. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER o recurso interposto, pois não se instaurou o contencioso administrativo pela impugnação tempestiva, não havendo nos autos decisão da Turma de Julgamento de DRJ. Fez sustentação oral o Dr. Ricardo Alves Moreira, OABMG nº 52.583, patrono do recorrente. Assinado digitalmente Fl. 189DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 23/02/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em face do contribuinte MECOMINAS MECANIZAÇÃO E EMPREENDIMENTOS LTDA, CNPJ/MF nº 19.814.193/000142, já qualificado neste processo, foi lavrada, em 22/10/2007, notificação de lançamento, com ciência postal em 26/10/2007, decorrente da revisão da DITR do imóvel NIRF 4.684.0834, com área de 15.000,0 hectares, denominado de Fazenda Taboleiro I, no município de Riachão das Neves (BA), referente ao exercício 2005. Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 385.322,00 MULTA DE OFÍCIO R$ 288.991,50 A autuação resumiuse a majorar o VTN declarado de R$ 2.000,00 (R$ 0,1333 por hectare) para o arbitrado de R$ 2.754.300,00 (R$ 183,62 por hectare), com base no SIPT, pois o contribuinte, regularmente intimado, não apresentou laudo técnico de avaliação do imóvel. Encontrase juntado aos autos um pedido de prorrogação do prazo de interposição da impugnação, datado de 26 de novembro de 2007, por mais 30 dias, no qual o peticionante informava que estaria com dificuldades para juntar a documentação que aparelharia a impugnação, havendo diversas inconsistências em sua DITR. Em 26/12/2007 (fl. 44), o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, apresentando laudo técnico, que apurou um VTN de R$ 57,63 por hectare, agregando informações sobre área de descanso (1.450 hectares) e sobre o rebanho. Nessa peça impugnatória apenas faz breve menção às dificuldades para instrumentalizar sua defesa, o que teria levado ao pedido de prorrogação de prazo para apresentar a impugnação, não recepcionado pela DRFBBelo Horizonte (MG), porém enviado via sedex para a DRFBFeira de Santana (BA). Considerando a intempestividade da impugnação, a autoridade preparadora não processou a impugnação, obstando seu envio à DRJ, e apreciou as razões do contribuinte deduzidas na peça impugnatória perempta, rejeitandoas e mantendo incólume o lançamento, asseverando que não haveria mais qualquer recurso na via administrativa. Notificado da decisão acima em 17/04/2009, sextafeira, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 18/05/2009, defendendo a higidez do laudo técnico apresentado e da declaração do médico veterinário, provas suficientes para contraditar a pauta Fl. 190DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10530.720127/200799 Acórdão n.º 2102001.841 S2C1T2 Fl. 2 3 fiscal presumida do SIPT, e, se assim não compreender este CARF, devese reconhecer que a autuação tem claros efeitos confiscatórios, ao aplicar a alíquota de 20% sobre o valor da terra nua, o que terá o condão de expropriar o bem em um prazo de 05 anos, o que não pode ser aceito frente a atual ordem constitucional. Os créditos tributários foram inscritos na dívida ativa da União. Irresignado com o não processamento de seu recurso voluntário pela autoridade preparadora, o contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2009.33.03.0020283, autuado junto à Vara Federal da Subseção Judiciária de Barreiras (BA), tendo o douto magistrado federal sentenciante concedido a segurança, determinando o processamento do recurso voluntário, já que somente o CARF teria competência para fazer o juízo de admissibilidade do apelo a si dirigido. Cancelada a inscrição da dívida, vieram os autos a este CARF para processamento e julgamento do recurso interposto. Da tribuna, em sustentação oral, o advogado do recorrente pugna pelo reconhecimento da nulidade da autuação, em decorrência da discrepância dos valores do VTN no SIPT, nos três exercícios em apreciação nesta sessão, do mesmo imóvel, na mesma localidade, bem como a nulidade do processamento da impugnação por autoridade incompetente. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Antes de tudo, passase a fazer o juízo de admissibilidade dos recursos interpostos nestes autos, como determinado na sentença prolatada no mandado de segurança nº 2009.33.03.0020283, autuado junto à Vara Federal da Subseção Judiciária de Barreiras (BA), que concedeu a segurança para tanto. Andou bem a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Feira de Santana (BA) em não processar a impugnação para a Turma de Julgamento da DRJ, pois patentemente intempestiva a peça defensiva, sendo que o contribuinte apenas fez menção à dificuldade em instrumentalizar sua impugnação, o que teria levado a um pedido de prorrogação de prazo, o que sequer se encontra previsto no Decreto nº 70.235/72. A leitura combinada dos arts. 14 (A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento) e 15 (A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência) do Decreto nº 70.235/72 deixa claro que somente a impugnação tempestiva instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal, transformandoo em processo administrativo fiscal. Obviamente que o contribuinte, mesmo em uma impugnação intempestiva, pode defender a tempestividade dela, e, nesse caso, a impugnação deve ser processada e julgada pela Turma de Julgamento da DRJ, como entender de direito. Entretanto, nestes autos, não há na impugnação qualquer preliminar de defesa da tempestividade da impugnação, não se podendo aceitar que o relato sobre a complexidade Fl. 191DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 de um Laudo com os requisitos da ABNT ou a dificuldade em contratar um profissional para o mister, como se viu na peça impugnatória, possa ser encarado como preliminar a defender a tempestividade da impugnação. O pedido de dilação do prazo não tem previsão no Decreto nº 70.235/72, e caberia ao contribuinte fazer sua defesa no prazo de 30 dias da impugnação, efetuando os aditamentos posteriores, quando deveria comprovar que a prova adicional estava albergada pelos permissivos do art. 16, § 4º, “a” a “c”, do Decreto nº 70.235/72 (Art. 16. A impugnação mencionará: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos), o que não ocorreu nestes autos. Assim, na forma do Ato Declaratório Normativo Cosit nº 15/96, abaixo transcrito, escorreito o não processamento da impugnação pela autoridade preparadora da DRFBFeira de Santana (BA): Ato Declaratório Normativo Cosit nº 15, de 12/07/96: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto no art. 151, inciso III do Código Tributário Nacional – Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 e nos arts. 15 e 21 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, com a redação do art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que, expirado o prazo para impugnação da exigência, deve ser declarada a revelia e iniciada cobrança amigável, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Apesar do não processamento da impugnação, a autoridade preparadora entendeu por bem apreciar ela mesma a inconformidade do contribuinte, com respeito ao princípio de petição e de autotutela da administração, rejeitando, ao final, a inconformidade. Assim, incabível o pedido de nulidade pugnado pela tribuna pelo Advogado do recorrente, porque se a peça impugnatória não podia ser processada, como acima se demonstrou, deveria ser apreciada pela autoridade preparadora, como de fato ocorreu. Já no Recurso Voluntário, o recorrente sequer se insurge contra o fato de sua peça impugnatória não ter sido processada dentro do rito do processo administrativo fiscal, passando a combater diretamente as matérias de mérito da autuação, em face do decidido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Feira de Santana (BA). Somente o fez na tribuna, nesta sessão de julgamento, porém, como acima explicitado, inviável a declaração de nulidade pela apreciação da petição extemporânea denominada impugnação, pois a autoridade preparadora trilhou a orientação do ADN COSIT nº 15/96 e, dentro do poder de autotutela dos atos da administração, reviu de ofício o lançamento, mantendoo intocado. Indo mais além, na forma dos arts. 25, caput (O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete:), I (em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal) e II (em segunda instância, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, com atribuição de julgar recursos Fl. 192DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10530.720127/200799 Acórdão n.º 2102001.841 S2C1T2 Fl. 3 5 de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial), e 37 (O julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais farseá conforme dispuser o regimento interno), ambos do Decreto nº 70.235/72, combinado com o art. 1º do Regimento Interno do CARF (O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil), compete às Turmas de Julgamento do CARF o julgamento dos recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, sendo a decisão de primeira instância aquela prolatada pelas Turmas de Julgamento da DRJ, na forma do art. 25, I, do Decreto nº 70.235/72, acima transcrito. E, nestes autos, não há qualquer decisão de Turma de Julgamento da DRJ, sendo impossível conhecer do recurso interposto, que vergasta decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil e não de Turma de Julgamento da DRJ. Com as considerações acima, fica prejudicada qualquer apreciação de mérito trazida no recurso voluntário. Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER o recurso interposto, pois não se instaurou o contencioso administrativo pela impugnação tempestiva, não havendo nos autos decisão da Turma de Julgamento de DRJ. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 193DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10980.002210/2001-99
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1997
ITR. PROPRIEDADE. POSSE. ILEGITIMIDADE PASSIVA.
O esbulho possessório por invasores de terras conhecidos como "sem-terra", referendado por ato do poder público, afasta do proprietário a condição de sujeito passivo do imposto sobre o imóvel rural esbulhado.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.182
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: Julio Cesar Vieira Gomes
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1997 ITR. PROPRIEDADE. POSSE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. O esbulho possessório por invasores de terras conhecidos como "sem-terra", referendado por ato do poder público, afasta do proprietário a condição de sujeito passivo do imposto sobre o imóvel rural esbulhado. Recurso especial negado.
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EDITADO EM: Carlos 'lbe \ \ Julio a, ra Games Relator DEL 2.010 to — Presidente r itas Ba CSR-T2 FI I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10980.002210/2001-99 Recurso n" 330.569 Especial do Procurador Acórdão re 9202-01.182 — 2" Turma Sessão de 19 de outubro de 2010 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado GELZA REGINA DE ABREU MORESCO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1997 ITR. PROPRIEDADE. POSSE. ILEGITIMIDADE PASSFVA. O esbulho possessório por invasores de terras conhecidos corno "sem-terra", referendado por ato do poder público, afasta do proprietário a condição de sujeito passivo do imposto sobre o imóvel rural esbulhado. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candid°, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Arruda Coelho Júnior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata-se de recurso especial de contrariedade interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão no qual se deu provimento ao recurso voluntário, tendo sido acolhida a preliminar de ilegitimidade passiva do proprietário sem posse. 0 acórdão restou assim ementado e fundamentado: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). Contlibuinte. Ilegitimidade passiva Entre o proprietário do imóvel rural, o titular do seu domínio útil e o seu possuidor a qualquer titulo, a eleição do contribuinte não é um ato disci icionário da Fazenda Nacional, ela dev.s necessariamente recair sobre aquele com relação pessoal e direta mais robusta com o imóvel rural Recurso voila:Milo provido. Todavia, entendo não razoável uma opção discricionária da Fazenda Nacional entre proprietário do imóvel, titular de seu domínio útil ou possuidor a qualquer titulo para eleger o contribuinte no caso concreto, sem antes averiguar qual deles tem relação pessoal e direta mais robusta coin o imóvel rural In casu, no meu sentir, a fragilidade da eleição do sujeito passivo resin patente porque o lançamento foi efetivado em nome da proprietária de imóvel rural cuja posse foi esbulhada Como nenhuma controvérsia há quanto á posse coin animus dom mi mantida por invasores sem term as, essa é a relação pessoal e direta mais coin o imóvel rural objeto desta lide demonstrada nos autos do presente processo administrativo A Fazenda Nacional sustenta que: Desses ai tigos conclui-se que o imposto é devido por qualquer das pessoas que se prenda ao imóvel rural, em uma das modalidades elencadas. Por conseguinte, a Fazenda Pública está autorizada a exigir o tributo de qualquer uma delas, quer se ache vinculada ao imóvel mural como proprietário pleno, coma nupropriettirio, como posseiro ou como _simples detentor, 2 Processo n° 10980 002210/2001-99 CSRF-T2 Acórdlio n ° 9202 -01.182 Fl 2 A Lei n° 9393, de 19/12/96, que versa sobre 1TR, seguiu a mesma orienta çao do Código Tributário Nacional, ao tratar, nos seus artigos 10 e 40, o fato gerador e o contribuinte do imposto 'Wt. I - O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - IT]?, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o dom/rio útil ou aposse c/c imóvel por natureza, localizado/ora a zona urbana do município, em 1° de janeiro de cada ano. Art,4° - Contribuinte do IT]? 6. o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer titulo." Como se verifica, em relação à propriedade do imóvel, o embate entre a proprietária e os posseiros já perdura anos, entretanto a mesma obteve êxito em relação à reintegração na posse, mas esta zuro foi efetivada em fimgdo do não cumprimento da decisão judicial por parte do Governo do Estado do Pazanci, o que foi objeto de pedido de intervenção federal. besta forma, demonstrado está que a contribuinte até este momento continuava proprietária do imóvel, não conseguindo &Alto entretanto em efetivar sua posse. Concluindo, ao entender diversanzente do acima exposto, o v. Acórdão ora recorrido acabou por malferir os artigos 29 e 31 do Código Tributário Nacional, 10 e 4o da Lei n° 9.393, de 19/12/96 O contribuinte apresentou contra-razões ao recurso especial reiterando suas razões recursais e ainda que: Assim, &ante ao que se expôs, que certamente sera suprido par Vs Sac., requer a recorrente o recebimento e conhecimento das presentes contra-razões de recursais, conhecendo-as e dando- lhes provimento no sentido de fazer determinar a decisão da Segunda Câmara do Terceiro de Contribuintes, determinando o cancelamento dos Autos de Infrações antes mencionadas, declarando que a ora recorrida não é responsável tributária pelo pagamento do ITR relativo ao exercício de 1997/1998, reconhecendo que a responsabilidade tributária houver a mesma deve recair sobre os atuais posseiros "sem terras", requerendo ainda que seja determinada a suspensão da imposição de qualquer sanção, administrativa ou fiscal, em especial a inscrição em dívida ativa, enquanto não houver decisdo administrativa, nos termos contidos nas presentes razões e por ser esta a decisão que mais coaduna com o direito e a Justiça. o relatório, 3 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovada a contrariedade e atendidos os demais pressupostos de admissibilidade passo ao voto. Portanto, vê-se que a discussão cinge-se A seguinte questão: pode ou não o fisco cobrar o ITR do proprietário quando, comprovadamente, não exerce a posse direta, esta atribuída a terceiros por assentamento de posseiros através de ato do poder público? Constato as Its, 02, 14 e 158 que de fato a autuação recaiu sobre o imóvel que havia sido esbulhado pelo movimento conhecido como "sem-terra" antes do fato gerador e que foi objeto da decisão judicial transitada em julgado no STF, tendo como uma das partes a inter essada. Superada essa matéria de fato, segue-se a exame da questão de direito que envolve a legitimidade passiva . Assim dispõe o Código Tributário Nacional - CTN, Lei n° 5.172/1966: Art 29. 0 imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial hiral tem como fato gerador a propriedade, o dominio útil ou a posse cio imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Municipio. Am!. 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular do seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer titulo. Pretende o recorrente que se reconheça o direito de se constituir o crédito relativo ao 1TR de quaisquer das pessoas indicadas no artigo 31 do CTN corno contribuintes do imposto. Por essa tese, o fisco poderia eleger de quem o cobraria, Com a devida vênia A douta Procuradoria, não é essa a leitura que faço. Explico. A Constituição Federal atribuiu A Unido competência tributária para instituir imposto sobre a propriedade territorial rural, isto 6, sobre o bem imóvel localizado em Lea rural. A expressão propriedade empregada pelo constituinte não deve ser interpretada restritivamente para alcançar apenas Aquele que detenha o vinculo jurídico de propriedade sobre a coisa. Assim fosse, tanto o artigo 31 do CTN corno o artigo 40 da Lei n° 9.393196 padeceriam de inconstitucionalidade na parte que atribui responsabilidade Aquele que detém o domínio útil ou a posse do imóvel: Art. 153 Compete à União instituir impostos sobre: VI - prop, iedade territot ia! rural; Prosseguindo, para que se possa atribuir' deliberadamente responsabilidade tributária a mais de um sujeito passivo, excluindo os demais ou atribuindo-a conjuntamente, 4 com Processo n' 10980 002210/2001-99 SRF-T2 Acrircifio o ° 9202-01.182 Fl .3 devemos verificar se aplicável o instituto da responsabilidade solidária. Assim definida no CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas. 1 - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II - as pessoas expressamente designadas por lei No presente caso, é pacifico que proprietário e posseiro não possuem interesse em comum no imóvel; ao contrário, o direito de um exclui o do outro . Com relação a responsabilidade solidária dita legitima, aquela que decorre diretamente da vontade legislativa, não encontro no ordenamento jurídico, a começar pelo Capitulo V do CTN, qualquer regra de atribuição da solidariedade no presente caso: CAPÍTULO Responsabilidade Tributária SEÇÃO I Disposição Geral Art, 128. Sem prejuízo do disposto neste capitulo, a lei pode atribuir de ii iodo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo-a a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Portanto, não havendo regra jurídica atributiva do direito de o fisco eleger livremente o contribuinte, dentre aqueles indicados no artigo .31 do CTN, o tributo deverá ser cobrado daquele que melhor exerce os poderes sobre o bem imóvel: Art. L228, O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavê-la do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha. No caso sob exame, a posse direta é exercida desde antes do fato gerador do ITR pelos invasores "sem-terra", do que restou afastada a responsabilidade tributária do proprietário. Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial. Julio ra Gomes 5
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