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Numero do processo: 19515.001896/2004-12
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998, 2000
LIMITES DA COISA JULGADA. CSLL. EFEITOS DO RESP. Nº 1.118.893/MG.
No que respeita à CSLL, ao se aplicar o REsp nº 1.118.893/MG, decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob a sistemática dos chamados Recursos Repetitivos, de seguimento obrigatório pelos Conselheiros do CARF, a teor do disposto no art. 62, § 2º, do RICARF-Anexo II, quando da análise dos efeitos específicos da decisão transitada em julgado, há que se verificar os exatos termos dessa decisão, as normas que foram por ela cotejadas, a extensão precisa dos seus efeitos e a data da ocorrência dos fatos geradores a que se aplica. Verificado o descompasso entre a decisão que transitou em julgado e os efeitos do REsp nº 1.118.893/MG, descabe sua aplicação ao caso.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9101-002.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Recurso Especial do Contribuinte conhecido por unanimidade de votos e, no mérito, negado provimento por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Helio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez. O Conselheiro Luís Flávio Neto apresentará declaração de voto.
(Assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
(Assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ e CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO.
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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CSLL. EFEITOS DO RESP. Nº 1.118.893/MG. No que respeita à CSLL, ao se aplicar o REsp nº 1.118.893/MG, decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob a sistemática dos chamados Recursos Repetitivos, de seguimento obrigatório pelos Conselheiros do CARF, a teor do disposto no art. 62, § 2º, do RICARFAnexo II, quando da análise dos efeitos específicos da decisão transitada em julgado, há que se verificar os exatos termos dessa decisão, as normas que foram por ela cotejadas, a extensão precisa dos seus efeitos e a data da ocorrência dos fatos geradores a que se aplica. Verificado o descompasso entre a decisão que transitou em julgado e os efeitos do REsp nº 1.118.893/MG, descabe sua aplicação ao caso. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Recurso Especial do Contribuinte conhecido por unanimidade de votos e, no mérito, negado provimento por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Helio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez. O Conselheiro Luís Flávio Neto apresentará declaração de voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 18 96 /2 00 4- 12 Fl. 609DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 610 2 (Assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente (Assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ e CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO. Relatório Por bem descrever os fatos, reproduzo o relatório da decisão recorrida: CIA. BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO, já qualificada nos autos, teve contra si lavrados autos de infração relativos à Contribuição Social (CSLL), fls. 87/89, devidos nos anos calendário de 1998 e 2000, no total de R$ 35.404.970,92. Termo de Constatação nº 01 de fls. 80/81 informou que o lançamento decorreu da falta de recolhimento e declaração na DCTF, da CSLL nos anos de 1998 e 2000, pois entendeu a contribuinte que a decisão judicial de nº 90.004.90326, com sentença proferida em 14/03/91 (fls. 36 a 76) a eximira do recolhimento dessa contribuição. Enquadramento legal: art. 2º e parágrafos da Lei nº 7689/88; arts. 19 e 24 da Lei nº 9.249/95, art.1º da Lei nº 9.316/96, c/c art. 28 da Lei nº 9.430/96, art. 6º da MP nº 1.858/99 e suas alterações. Impugnação de fls. 92/98, alegou, em síntese, que, por força da decisão judicial transitada em julgado, proferida nos autos da ação ordinária declaratória nº 90.0049326, que teve perante a 6ª Vara da Justiça Federal do Distrito Federal, na qual foi declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora dessa exação, estaria isenta do recolhimento desta contribuição. Ilegal ainda, a exigência de juros com base na SELIC e da multa. Decisão de fls. 167/185, rebateu os argumentos impugnatórios e manteve o lançamento. Recurso às fls. 194/216, reiterou que não estaria sujeita ao recolhimento da CSLL, em razão de possuir decisão judicial com trânsito em julgado proferida nos autos da Ação Declaratória nº 90.0049326. Considerandose indevido o principal (CSLL), mesma sorte teriam os acréscimos legais (multa e juros). A taxa SELIC não Fl. 610DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 611 3 poderia ser usada como índice para o cálculo dos juros por ser ilegal e inconstitucional, além de ter natureza remuneratória. Voltaria a tratar do seu DIREITO, por INEXISTIR RELAÇÃO JURÍDICA PARA A COBRANÇA DA CSLL. Ingressara, em junho de 1990, com ação meramente declaratória de inexistência de relação jurídica, no que concerne ao recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro, instituída pela Lei nº 7.689/88. A sentença de primeira instância julgou procedente o pedido e declarou a “inexistência de relação jurídica entre as Autoras e a União, quanto à exigência de pagar a contribuição social, instituída pela Lei nº 7.689/88, por sua manifesta inconstitucionalidade.” A decisão transitou em julgado aos 20 de fevereiro de 1992. Após mais de 12 anos da certificação do trânsito em julgado daquela decisão e deixando transcorrer o prazo para a propositura da Ação Rescisória o Fisco Federal, por meio de seus órgãos administrativos, procedeu à lavratura de Auto de Infração exigindo a CSLL dos anos de 1998 e 2000 em afronta à coisa julgada. Referiuse à POLÊMICA QUESTÃO DISCUTIDA NOS PRESENTES AUTOS, porque já em 1944 o Supremo Tribunal Federal analisara a questão, ao julgar os embargos em Agravo de Petição nº 11.277, em que foi relator o então Ministro Castro Nunes. A questão se mostrava tão controvertida que a doutrina tradicional do Direito Tributário, desde 1945, já se pronunciava sobre o tema, conforme diversos escritos da lavra de Rubens Gomes de Sousa, intitulados “Coisa Julgada no Direito Tributário” (originário de uma conferência proferida no Instituto dos Advogados de São Paulo), em razão de autuações, pelo Fisco, relativas ao mesmo objeto daquilo que já havia sido deliberado pelo Poder Judiciário. Em 1965, Antônio Roberto Sampaio Doria fora compelido a estudar o assunto para responder a situação jurídica semelhante a esta apresentada nos presentes autos. A empresa Pedreiras Cantareira havia obtido decisão transitada em julgado reconhecendo a não incidência do IVC sobre as vendas de granito efetuadas pela empresa, vindo o Fisco a autuála 4 anos depois do trânsito em julgado da decisão, alegando que havia alteração jurisprudencial sobre o assunto. E concluiu: Com efeito, afigurasenos incorreto negarse identidade de objeto entre duas demandas fiscais idênticas, pelo fato de que o imposto possa ser quantitativamente diverso num caso e outro. A identidade de objetos, em realidade, persiste: tratase de um mesmo e único imposto. O que varia é apenas o quantum da prestação, mas este é fator evidentemente estranho ao conceito de coisa julgada. O que a decisão judiciária resolve, em definitivo, é a ilegitimidade do próprio tributo (sendo esta sua parte imperativa), e não sua eventual tradução em termos monetários. (Coisa Julgada Limites Objetivos em Matéria Fiscal, p. 54). Fl. 611DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 612 4 Ruy Barbosa Nogueira também se pronunciou, sob a forma de consulta, da forma seguinte: Neste sentido, a notável, mais completa e atualizada obra enciclopédica do Direito Tributário já conhecida, que é o Dicionário do Direito Tributário e das Ciências Fiscais, publicado na República Federal da Alemanha em 1972, e que, após o novo Código Tributário, foi revista e ampliada em 2ª edição em 1981, cai como luva ao caso da coisa julgada material em Direito Tributário para o caso (...). A enciclopédia do Direito Tributário e das Ciências Fiscais (Handwoerterbuch dês Steuerrechts und der Steuerwissenschaften, Munique e Bonn, Beck e Instituto Científico dos Tributaristas Alemães, 1981) (...) esclarece (...): O efeito vinculante material vai até onde tiver sido decidido sobre o objeto da lide. Para tanto, é relevante a sentença: o fato gerador e a fundamentação da sentença somente devem ser examinados para a apreciação do alcance do que foi decidido. Quanto ao aspecto de fato, o efeito vinculante se limita à decisão sobre os fatos levados ao conhecimento do tribunal e por ele declarados como existentes ou inexistentes. Sob o aspecto de direito, ela se baseia no pressuposto de que o tribunal tenha apreciado plenamente esta situação de fato sob o prisma jurídico, mesmo que isto não tenha ocorrido em virtude de um erro de direito por parte do tribunal. (Coisa Julgada e Orientação Fiscal, p. 31) Rubens Gomes de Sousa desenvolveu as noções de “elementos permanentes” e “elementos transitórios” da relação jurídica tributária, afirmando que, se o pronunciamento jurisdicional coberto pela coisa julgada recaísse sobre os primeiros, não poderia haver renovação da cobrança no que concerne ao mesmo objeto; por sua vez, se alcançasse os elementos transitórios, aí sim, a cobrança do tributo poderia ser renovada. (Repertório Enciclopédico do Direito Brasileiro, v. 9, p. 298). Todos os estudiosos da matéria analisaram os efeitos da coisa julgada em matéria tributária sem se dissociar do instituto constitucional da coisa julgada, bem como da legislação processual civil que rege o assunto. Concluiu que seu estudo se pautaria nos rígidos critérios de ordem jurídica estudados pela doutrina tributária, com a respectiva atualização de seus ensinamentos, rebatendo cada um dos argumentos trazidos pela decisão, demonstrando a necessidade de sua reforma. Analisou o conceito de RELAÇÕES JURÍDICAS “CONTINUATIVAS” E OS LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA, frente à Lei 7.689/88, dizendo que o auferir lucro, como consignado abstratamente na hipótese de incidência daquele dispositivo, seria diferente do ato concreto materializado na ação de apurar o lucro decorrente de uma atividade comercial. Fl. 612DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 613 5 Discorreu sobre a distinção, com base no direito constitucional de ação, dos caminhos possíveis para manifestarse contra determinada cobrança, da forma seguinte: 1. insurgirse contra a hipótese de sua incidência (em abstrato) – consignando, nos fatos narrados na petição inicial, aquela materialidade e circunscrevendo o pedido formulado sem qualquer ordem de limitação. Ex.: o fato da Companhia Brasileira de Distribuição auferir lucro; ou 2. insurgirse contra uma determinada cobrança específica e. individualizada em certo espaço e tempo (ato concreto). Ex.: o fato da Companhia Brasileira de Distribuição ter auferido lucro no lugar x, no anobase y, decorrente da venda dos produtos z. Neste caso, poderia até ingressar com Mandado de Segurança contra ato da autoridade coatora que determinou fosse efetuada a exigência determinada. Fixada tal distinção, dispõe o Código de Processo Civil: Artigo 128: “O juiz decidirá a lide nos limites em que foi proposta...” Artigo 458, inciso III incisivamente dispõe que ‘o juiz decidirá as questões que as partes lhe submeterem”. Artigo 459 – “O juiz proferirá a sentença, acolhendo ou rejeitando, no todo ou em parte, o pedido formulado pelo autor.” Artigo 460 – “É defeso ao juiz proferir sentença, a favor do autor, de natureza diversa da pedida (...)”. Artigo 468 – “A sentença, que julgar total ou parcialmente a lide, tem força de lei nos limites da lide (...)”. Escolheu ingressar com ação judicial, se insurgindo contra a materialidade da hipótese de incidência do tributo. Discorreu sobre o fenômeno da incidência da norma jurídica, geral e abstrata, da Contribuição Social sobre o Lucro. Descaberia a alegada relação jurídica “continuativa”, para se invocar a aplicação do artigo 471, inciso I, do Código de Processo Civil, querendo destruir a coisa julgada, sem utilizar o caminho jurídico da Ação Rescisória. Cada relação jurídica seria única, pois a cada ato de auferir lucro, deveria ocorrer a aplicação (incidência) da Lei nº 7.689/88. Demonstrou como se operaria o ato de aplicação da Lei nº 7.689/88, não fosse pela proposição da ação judicial. A declaração judicial de inexistência de vínculo, através da Lei nº 7689/1988, sem qualquer delimitação quanto ao pedido formulado, isto é, não pedira a procedência da demanda impugnando uma cobrança ou um período determinado. A sentença julgou procedente a demanda, transitou em julgado, 20/02/1992, paralisando a incidência do dispositivo, nos seguintes termos: Isto posto, julgo procedente a presente ação e declaro a inexistência de relação jurídica entre as Autoras e a União Federal, no que tange à exigência de pagar a contribuição social, Fl. 613DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 614 6 instituída pela Lei nº 7.689/88, por sua manifesta inconstitucionalidade. José Frederico Marques ensina: a coisa julgada material tem como limites objetivos a lide e as questões pertinentes a esta, que foram decididas no processo. (...) O que individualiza a lide, objetivamente, são o pedido e a causa petendi, isto é, o pedido e o fato constitutivo que fundamenta a pretensão. Portanto, a limitação objetiva da coisa julgada está subordinada aos princípios que regem a identificação dos elementos objetivos da lide. (Manual de Direito Processual Civil, volume IV, p. 237.) Não restaria dúvidas de que, uma vez tendo ingressando com ação meramente declaratória de inexistência de relação jurídica entre ela e o Fisco, no que concerne à não aplicação (incidência) da Lei nº 7.689/88 por máculas no ato de formação desta Lei, referindo, portanto, não a uma cobrança determinada e precisamente identificada quanto ao valor, e em coordenadas de espaço e tempo (ato concreto), mas sim, se insurgindo contra a hipótese de incidência (em abstrato) da Lei nº 7.689/88 e, uma vez acolhido pelo órgão Judicial o pedido que deve guardar exata conexão com aquele fato narrado não poderá ocorrer, uma vez que paralisada, a aplicação (incidência) de todos os critérios formadores da Lei nº 7.689/88. INOCORRÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICA “CONTINUATIVA” E A IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ARTIGO 471, INCISO I, DO CPC Em seu caso, descaberia o comando do artigo 471 do CPC como pretendido na decisão combatida. Porque não pode ser objeto de novo pronunciamento pelo órgão Judicial e com muito maior razão por qualquer outro órgão o que já restou decidido anteriormente, segundo o que Pontes de Miranda denomina de Princípio da Preclusividade das Resoluções Judiciais. Exceto se a parte ingressasse com Ação Rescisória dentro do biênio preclusivo e nas hipóteses de seu cabimento! O dispositivo excepcionou a relação jurídica continuativa se houvesse modificação no estado de fato ou de direito. Não sendo este seu caso, porque o Judiciário não o acatou no caso concreto, envolvendo a Recorrente e a União, a existência de relação jurídica continuativa, unindo as partes para o futuro, inexistiria. Mas, em qualquer hipótese, a parte que se vê na necessidade de que seja revisto o conteúdo da sentença deverá, expressamente, pedir ao Juízo a revisão. Voltou a Pontes de Miranda: O Código adotou a condenação às prestações futuras (art. 290), e a mudança de algum pressuposto tem de influir para a modificabilidade. (...) Há regras jurídicas que projetam no tempo os próprios pressupostos, admitindo variações dos elementos quantitativos e qualitativos, de modo que a incidência delas não é instantânea, como a sucessão causa mortis, as obrigações do locatário e dos locadores, a transmissão da propriedade. A aplicação da Lei que incidiu no momento da exigibilidade da pretensão, como se fosse de uma vez por todas, dentro do tempo, Fl. 614DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 615 7 transformaria em regra de incidência instantânea, permanente e imutável, (...). É o direito material que determina a qualidade das suas regras, de modo que a coisa julgada formal ou material não é ofendida por essa imutabilidade, nem pela consequente alterabilidade dos termos da interpretação ou versão executiva inicial da sentença. (Comentários ao Código de Processo Civil, p. 147.) No caso concreto, a sentença determinou a paralisação da Lei nº 7.689/88, significando que, para o futuro, relativamente à sua aplicação não houve o nascimento de relação jurídica tributária alguma entre as partes, quanto mais de natureza continuativa. Em qualquer situação, jamais o Fisco poderia proceder à autuação cujo objeto se reporta à mesma lide já decidida pelo Poder Judiciário sem pleitear a intervenção do Judiciário, porque perdeu o prazo para ingressar com a Ação Rescisória, o instrumento correto para que se fizesse a “revisão” do que foi estatuído na sentença. A LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE E A JURISPRUDÊNCIA DO STF – Não alteraria sua situação, a Contribuição Social sobre o Lucro, tal como instituída pela Lei nº 7.689/88, nos cinco critérios da hipótese de incidência (material, espacial, temporal, quantitativo e pessoal) foram congelados, porque aquela regra se formara com máculas. A legislação posterior não trouxera a “mágica” de retirar o selo impeditivo de aplicarse ao seu caso. A Lei Complementar nº 70/91 trouxe nova alíquota para ser agregada àqueles outros critérios já fixados pela Lei nº 7.689/88, cuja aplicação está paralisada. O mesmo acontece com o disposto no artigo 1º da Emenda Constitucional de Revisão nº 1/94, que introduziu o artigo 72, inciso III, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, o qual só modificou a alíquota da Contribuição Social Sobre o Lucro, e expressamente determinou a manutenção das demais normas da Lei nº 7.689/88, a qual não estabelece nenhum tipo de relação jurídica, em razão do já mencionado trânsito em julgado. Tais veículos normativos não afastariam a inexistência de relação jurídica tributária entre a Recorrente e a União Federal. É que a Lei nº 8.981/95 também não modificou totalmente a regra matriz de incidência estabelecida na Lei nº 7.689/88. Aliás, muito pelo contrário: foi expressa em dizer que mantinha a base de cálculo da legislação anterior, ou seja, a base de cálculo (critério quantitativo) da Lei nº 7.689/88, art 57, o qual transcreveu. Mesmo fato sucedendo em relação à Lei nº 9.065/95, que introduziu apenas algumas regras quanto à forma de utilização da base de cálculo negativa da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, nada dizendo em relação à base de cálculo instituída pela Lei nº 7.689/88. Tanto é assim, que, com a publicação da Emenda Constitucional nº 10/1996, foi mantida, no inciso III do artigo 72 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, a expressão “mantidas as demais normas da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988”. No que tange à base de cálculo da CSLL, a única alteração que foi introduzida pela Lei nº 8.981/95, disse respeito ao pagamento mensal (recolhimento do tributo por estimativa), conforme Fl. 615DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 616 8 previsão contida no § 1º do artigo 57 de mencionada lei. Contudo, relativamente à sistemática de apuração anual e à base de cálculo apurada neste período de tempo, mantiveramse intactas as disposições contidas na Lei nº 7.689/88. Deste modo restara provado que a legislação posteriormente publicada não modificara integralmente a regra matriz de incidência da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido da forma como foi instituída pela Lei nº 7.689/88. As normas posteriormente publicadas continuaram a condicionar a vigência das suas disposições à aplicação da Lei nº 7.689/88, principalmente no que tange ao critério quantitativo instituído por esta Lei. A decisão judicial invocada Recurso Extraordinário nº 138.2848CE, em que se decidiu pela constitucionalidade da Lei nº 7.689/88 (exceto no que concerne ao anobase de 1988), foi proferida tal como a decisão do caso concreto entre partes. Neste sentido, ambas produzem exatamente o mesmo efeito: valem para as partes. A única diferença é que, naquele processo, a decisão vincula a PETRÓLEO DOIS IRMÃOS LTDA. e o Fisco, ao passo que, no caso que ora se trata, a decisão vincula a Recorrente e o Fisco. Assim, a extensão pretendida não guarda pertinência com os efeitos próprios da decisão entre partes, como foi aquela proferida pela Suprema Corte sobre a matéria. DA JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL Analisou a jurisprudência sob ótica invertida, do ponto de vista das alegações do Fisco (no caso, o Estadual), em decisão prolatada pela 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (Relator Ministro Amaral Santos, j . 30/05/72), mostrou que o remédio jurídico seria a rescisória. Também a jurisprudência administrativa não caberia no seu caso concreto. A Oitava Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes proferiu o Acórdão nº 10809.345, de 25 de maio de 2007, cujas ementa e decisão transcrevo: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL INOCORRÊNCIA DE OFENSA À COISA JULGADA. RELAÇÃO JURÍDICA CONTINUATIVA. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI NÃO ACOLHIDA PELO STF. O controle da constitucionalidade das leis, de forma cogente e imperativa em nosso ordenamento jurídico, é feito de modo absoluto pelo Supremo Tribunal Federal. A relação jurídica de tributação da Contribuição Social sobre o Lucro é continuativa. A declaração de intributabilidade, no que concerne a relações jurídicas originadas de fatos geradores que se sucedem no tempo, não pode ter o caráter de imutabilidade e de normatividade a abranger eventos futuros. A coisa julgada em matéria tributária não produz efeitos além dos princípios pétreos postos na Carta Magna, a destacar o da isonomia. CSLL FALTA DE RECOLHIMENTO Se do confronto da escrituração for apurado recolhimento a menor da contribuição devida, correto é o lançamento para a formalização da exigência. Fl. 616DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 617 9 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO Havendo falta ou insuficiência no recolhimento do tributo, impõese a aplicação da multa de lançamento de ofício sobre o valor do imposto ou contribuição devido, nos termos do artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96. JUROS APLICAÇÃO SÚMULA 1º CC nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Preliminares rejeitadas. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO. ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, AFASTAR as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declarouse impedido de participar do julgamento o Conselheiro, José Henrique Longo. Foram interpostos embargos de declaração pelo contribuinte, rejeitados pelo Presidente da Oitava Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes. Junta o contribuinte, ainda, em petição posterior, cópia de Embargos de Divergência em Recurso Especial nº 731.250–PE, de 28 de maio de 2008, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o qual, segundo ele, teria enfrentado a mesma matéria discutida nos autos do presente processo administrativo. Inconformado, o contribuinte apresenta recurso especial por divergência, argumentando, em síntese: a) que, ainda que se considere a ocorrência de relações continuativas no presente caso, não houve, como entendeu de forma equivocada, qualquer modificação no estado de fato ou de direito que ensejasse a revisão do que foi estatuído na sentença, que transitou em julgado nos autos da ação declaratória; b) que, de fato, após a Lei nº 7.689/88, diversos outros preceitos normativos vieram a tratar a CSLL de forma parcial; c) que, contudo, não houve alteração de todos os aspectos da hipótese de incidência dessa contribuição, apenas de algumas questões pontuais; d) que a modificação introduzida pelo art. 11 da LC nº 70/91 estabeleceu apenas uma nova alíquota para a CSLL, mas não alterou os demais aspectos da hipótese de incidência fixados pela Lei nº 7.689/88; e) que as normas posteriores à Lei nº 7.689/88, tal como o art. 11 da Lei Complementar nº 70/91, não modificaram o estado de fato ou de direito relativamente às relações jurídicas no que concerne à CSLL, o que justifica a interposição de recurso especial quanto a esse ponto; Fl. 617DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 618 10 f) que o art. 11 da Lei Complementar 70/91 não reinstituiu a CSLL, mas apenas e tão somente majorou a alíquota dessa contribuição para as instituições financeiras indicadas no parágrafo único desse dispositivo legal; e g) que, diante do exposto, estando claramente demonstrada a inexistência, no presente caso, de alteração no estado de direito ou de relação jurídica continuativa, não se pode admitir o entendimento manifestado no acórdão recorrido, no sentido de que não teria ocorrido ofensa à coisa julgada. O recurso foi admitido pelo presidente da Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, a seguir resumidas: a) que, conforme se verifica da petição inicial, a relação jurídicotributária que a contribuinte pretende declarar inexistente é referente ao anocalendário de 1988; b) que o manto da imutabilidade da coisa julgada é restrito ao período pugnado na demanda judicial (Ac. 1988), referente ao período anterior a 1990, de maneira que a decisão transitada em julgado, proferida na ação judicial, não impede a exação fiscal da CSLL referente aos anoscalendário 1998 e 2000; c) que a relação jurídicotributária é de trato sucessivo, uma relação jurídica continuativa, que se projeta no tempo, de maneira que o decidido na ação judicial não pode (deve) se sobrepor às alterações legislativas posteriores, pois presentes modificações no estado de fato e de direito, bem como diante do comando normativo enunciador da força de lei da sentença presente nos limites da lide; d) que a imutabilidade da coisa julgada material existe sobre o pedido e sobre os fatos deduzidos na inicial, respectivamente, mas não sobre aqueles que exsurgiram após o julgado, pois não há que se falar em coisa julgada sobre a situação jurídica nova, ante a ausência do nexo de referibilidade e em observância à inteligência do princípio da congruência da decisão judicial da demanda; e) que o alcance da decisão no REsp nº 1.118.893MG, que a recorrente quer obter para ficar desobrigada do recolhimento da CSLL definitivamente, não merece ser acatado, não sendo, esta, a adequada interpretação do julgado proferido na sistemática de recurso repetitivo; f) não se pode fundamentar no REsp 1.118.893/MG a desobrigação tributária da CSLL para todos os períodos de apuração ocorridos após a data do trânsito em julgado da decisão, incluindo fatos geradores ocorridos após decisão em sentido contrário proferida pelo STF, em razão desta não ser a melhor interpretação a ser dada ao REsp 1.118.893/MG; g) que não merece guarida a pretensão da recorrente de não recolher CSLL ad infinitum, incluindo os períodos autuados de 1998 e 2000; h) que a imutabilidade da coisa julgada recairá sobre os desdobramentos da declaração que reconhece a inexistência da relação jurídicotributária, quando conservadas as circunstâncias de fato ou de direito vigentes ao tempo da decisão; i) que, por outro lado, modificados os fatos ou as normas sob os quais fora formado o juízo de certeza, cessam, a partir de tal alteração, os efeitos prospectivos da decisão, diante da presença da cláusula rebus sic stantibus; Fl. 618DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 619 11 j) que a modificação fática ou jurídica superveniente não atinge a coisa julgada – esta permanece indiscutível em relação às circunstâncias em que proferida, mas somente sobre elas; k) que resta claro, então, que os efeitos decorrentes da coisa julgada incidem tãosomente sobre a específica relação jurídica deduzida em juízo e particularmente apreciada; l) que prestigiar a manutenção de uma decisão judicial contrária à nova realidade jurídica (lei posterior ou decisão do STF em controle concentrado) seria conferir ao pronunciamento judicial força superior ao próprio Direito, além de tratar de modo desigual os contribuintes que se encontrassem sujeitos àquela mesma tributação; e m) que, em suma, descabida a pretensão da recorrente de que sua coisa julgada valha mais que a lei nova e que seja um Super Trunfo ad aeternum contra a tributação da CSLL. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, Relator O recurso é tempestivo, entendo que a divergência restou comprovada e, por isso, conheço do especial. A matéria posta à apreciação desta Câmara Superior referese à adequada aplicação a ser dada ao decidido no Recurso Especial (REsp) do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de nº 1.118.893/MG, proferido na sistemática de Recursos Repetitivos. Primeiramente destaco que, em casos deste tipo, volto meu olhar com muita atenção ao que foi decidido judicialmente, pois o que deve ser cumprido é o que se contém na decisão que transitou em julgado para o contribuinte, para que não se confunda a aplicação dos aspectos materiais do caso específico à subsunção da decisão do STJ em que se sustenta a fundamentação do contribuinte, pois se estendem apenas os seus efeitos processuais em relação aos limites decididos no repetitivo, no caso o REsp. nº 1.118.893/MG, especificamente no que diz respeito à extensão e limites da coisa julgada. Para o caso presente, esta metodologia, este cuidado específico, nos remete ao teor da decisão em que se baseia o contribuinte para deixar de recolher a CSLL e, também, aos seus fundamentos. Conforme se extrai dos autos, a decisão transitada em julgado foi proferida em 18 de novembro de 1991, com trânsito em julgado em 20 de fevereiro de 1992, sendo que os anoscalendário em que se questionam a cobrança da CSLL são 1998 e 2000. O teor da ementa da decisão do TRF da 1ª Região é o seguinte (grifouse): EMENTA CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. LEI Nº 7.689/88. ART. 146, III, “A”, DA CF/88. MESMO FATO GERADOR E MESMA BASE DE CÁLCULO PARA TRIBUTOS DIFERENTES. EXIGÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR PARA INSTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 619DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 620 12 1. É inaplicável às contribuições sociais o disposto no art. 150, inciso III, da Constituição da República, em face do disposto no § 6º do art. 195 da mesma Lei Maior. 2. Somente através de lei complementar pode ser instituída contribuição social. 3. Decisão do Plenário na AMS nº 89.01.136147 MG, por maioria. Ressalva pessoal. 4. Recurso improvido. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas: Decide a Quarta Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, na forma do relatório e notas taquigráficas constantes dos autos, que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Custas, como de lei. Brasília, 18 de novembro de 1991. (data do julgamento) A questão que se coloca é a determinação dos efeitos do REsp. 1.118.893/MG sobre esta decisão acima transcrita. Este ponto é central, pois o argumento de que se aplicaria o REsp. 1.118.893/MG, por força do art. 62, § 2º, do RICARFAnexo II, nos levaria a aceitar uma eternização da coisa julgada, seja ela qual for. Contudo, há que se considerar outros aspectos da questão, como segue. Vejase que a legislação analisada pelo STJ no REsp. 1.118.893/MG (que remete a outras decisões na argumentação do relator) e que teria alterado a incidência da CSLL a partir da Lei 7.689/1988 corresponde à LC nº 70/1991 e Leis nºs 7.856/1989, 8.034/1990, 8.212/1991, 8.383/1991 e 8.541/1992 (citadas no julgado, ainda que nem todas tenham sido objeto de análise específica). Ora, considerando o teor da decisão transitada em julgado e o teor da decisão do STJ, resta claro que nenhuma das outras alterações posteriores que impactaram a CSLL, foram consideradas na decisão do STJ. Ou seja, a decisão só vale para os casos em que as leis mencionadas na decisão foram aplicadas ou utilizadas e, portanto, a superveniência legislativa que atinge a formatação da CSLL tem o condão de afastar a incidência do REsp. 1.118.893/MG, sem implicar em desobediência ao art. 62, § 2º, do RICARFAnexo II, ainda que se tenha que enfrentar a discussão de qual o grau modificativo dessas leis supervenientes àquelas mencionadas no REsp. 1.118.893/MG, no que diz respeito à afetação do fato gerador da CSLL. Ou seja, a questão se resolve de maneira simples: o art. 62, § 2º, do RICARF Anexo II só se aplica a lançamentos feitos relativamente a períodos até 1992, data da última lei mencionada naquele julgamento. Para os lançamento feitos em relação a períodos posteriores, sob a égide de novas leis, não se aplica necessariamente o REsp. 1.118.893/MG. No caso em questão temos dois aspectos, analisados a seguir. 1) A decisão em favor do contribuinte, exarada em 18 de novembro de 1991, inquinou de inconstitucionalidade a Lei nº 7.689/1988 e teve como fundamento único (ver julgado acima transcrito) o fato de que a Lei nº 7.689/1988 só poderia instituir contribuição social caso fosse editada como lei complementar e, assim, não considerou a LC nº 70/1991, publicada cerca de quarenta dias depois da decisão, em 30 de dezembro de 1991, aspecto que, conforme o entendimento, poderia ter sido superado, considerando o que dispõe o art. 11 da Fl. 620DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 621 13 referida LC nº 70/1991 (“mantidas as demais normas da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988”). Vejase que a coisa julgada só alberga as normas que foram afastadas, e não projeta para o futuro seus efeitos, de maneira genérica, mormente quando a superveniência legislativa atingiu o âmago do argumento, no caso, a ausência da lei complementar a tratar da exação – o que teria sido superado pela edição da LC nº 70/1991 (ainda que controverso). Assim, por este fundamento, a coisa julgada alegada pelo contribuinte não mais subsistiria, ainda que o REsp. 1.118.893/MG tenha considerado a LC nº 70/1991. Isto porque, como já foi dito, o que se aplica são os efeitos da decisão, e a decisão contida no REsp não considerou este aspecto específico – a inconstitucionalidade formal da Lei nº 7.689/1988 e sua posterior reafirmação pela LC nº 70/1991, no que diz respeito à decisão prolatada no caso proposto pelo contribuinte. É que não se pode utilizar uma decisão, ainda que em sede de recurso repetitivo, para integrar a interpretação de uma decisão anterior, pois há que existir coincidência normativa no embasamento das decisões – o que não há. Nessa esteira, há ainda, um argumento incontornável pela não aplicação do REsp. 1.118.893/MG ao presente caso. Vejase que o próprio REsp. 1.118.893/MG restringe seus efeitos àqueles casos em que a coisa julgada favorável ao contribuinte decorreu de afastamento por inconstitucionalidade material da Lei nº 7.689/1988. Porém, no caso, a coisa julgada que pretensamente poderia socorrer o contribuinte afastou a referida Lei por inconstitucionalidade formal (não é lei complementar, conforme transcrição acima do decisão do TRF da 1ª Região), assim, confirase o item 5 da Ementa do REsp. 1.118.893/MG: 5. "Afirmada a inconstitucionalidade material da cobrança da CSLL, não tem aplicação o enunciado nº 239 da Súmula do Supremo Tribunal Federal, segundo o qual a "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores" (AgRg no AgRg nos EREsp 885.763/GO, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, Primeira Seção, DJ 24/2/10). (negritouse e sublinhouse). Há que se ressaltar, ainda, que foi essa Lei nº 7.689/1988, tanto em 1994, quanto também em 1996 — anos anteriores aos anoscalendário em referência (1998, 2000) — reafirmada constitucionalmente pelas Emendas Constitucionais nºs 1, de 1994, e 10, de 1996, (“mantidas as demais normas da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988”), o que, por si só, convalidaria qualquer outra possível pecha de inconstitucionalidade que, até então, se lhe pudesse impingir (v.g., mesma base de cálculo e mesmo fato gerador do imposto de renda, administração e fiscalização por parte da Receita Federal do Brasil, criação antes da entrada em vigor do sistema tributário, entre outras). 2) Após prolatada a decisão em que se estriba o contribuinte, diversas normas que vieram tratar da CSLL foram editadas antes de 1998 (primeiro anocalendário do lançamento em questão), e.g.: LC nº 70/1991 (art. 11), 8.383/1991 (arts. 41, 44, 79, 81, 86, 87, 89, 91 e 95), 8.541/1992 (arts. 22, 38, 39, 40, 42 e 43), 9.249/1995 (arts. 19 e 20) e 9.430/96 (arts. 28 a 30, sendo que o art. 28 remete aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71 da mesma Lei). Dessas normas, apenas as LC nºs 70/1991, 8.383/1991 e 8.541/1992 (além das Leis 7.856/1989, 8.034/1990 e 8.212/1991) estão cotejadas no REsp. 1.118.893/MG. Ou seja, não se pode aplicar o referido REsp. 1.118.893/MG sob os aspectos materiais do caso Fl. 621DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 622 14 presente em virtude de que ele não tratou de diversas alterações legislativas que aqui se aplicam e que afetaram a materialidade e os aspectos de contorno do fato gerador da CSLL – o que, evidentemente, não teria mesmo o condão de fazer, ainda que fosse uma lei. Aceitarse isso configuraria uma extensão indevida, uma legiferação abusiva por via de decisão judicial, com efeitos prospectivos no ordenamento que só são possíveis de existir em texto constitucional. Vejase que o lançamento, consubstanciado no Auto de Infração, além da Lei nº 7.689/1988, remete expressamente à Lei nº 9.249/1995 (arts. 19 e 24), à Lei nº 9.316/1996 (art. 1º) e à Lei nº 9.430/1996 (art. 28) – leis que não foram objeto de análise no REsp. 1.118.893/MG. De lembrar que, quando a Lei 9.430/1996 foi publicada, já era pacífico que a CSLL poderia ser regulada por lei ordinária, fundamento único do acórdão que transitou em julgado a favor do contribuinte, quando afastou a incidência da CSLL com base na Lei nº 7.689/1988. Assim, por estes dois motivos, afasto a aplicação do REsp. 1.118.893/MG para o caso presente, porém, necessário destacar, sem descumprir o art. 62, § 2º, do RICARF Anexo II – é que o REsp. 1.118.893/MG não se aplica aqui. Por fim foi trazido à baila em memoriais, pelo contribuinte, o Parecer PGFN/CRJ/Nº 492/2011, que sendo de seguimento obrigatório, imporia o acolhimento da coisa julgado no presente caso. Ocorre que tal Parecer, não se aplica ao presente caso, ou pelo menos, não há contrariedade na ação fiscal e neste processo, ao que se contém no referido Parecer, por mais de uma razão. Primeiramente que conforme o §§ 18, 51 e 52 do Parecer os precedentes anteriores a 3 de maio de 2007, quando também são apicáveis para cessar a existência, ou aplicação, da coisa julgada, leiase: 19. Mas a alteração legislativa não é a única mudança no suporte jurídico existente ao tempo da prolação da decisão tributária passada em julgado que, por fazer surgir uma relação jurídica tributária diversa da nela apreciada, mostrase capaz de fazer cessar a sua eficácia vinculante, para o futuro: conforme restará demonstrado no tópico a seguir, a consolidação da jurisprudência do STF em sentido diverso daquele sufragado na decisão tributária transitada em julgado também representa, em determinadas hipóteses, significativa alteração do suporte jurídico sob o qual o juízo de certeza nela contido se formou, e, assim, revelase capaz de fazer cessar a eficácia vinculante dele emanada. b) O advento de precedente objetivo e definitivo do STF em sentido diverso do sufragado em anterior decisão tributária transitada em julgado representa circunstância jurídica nova e faz cessar a sua eficácia vinculante b.1 – A jurisprudência do Plenário do STF, em controle concentrado ou, em algumas hipóteses, difuso de constitucionalidade, possui força para impactar ou alterar o sistema jurídico vigente (negritos e sublinhado no original) E adiante em seus §§ 51 e 52: 51. Assim, as razões expostas ao longo deste tópico indicam que, por serem objetivas e definitivas, possuem força para, com o seu advento, impactar ou alterar o sistema jurídico vigente, os seguintes precedentes do STF: (i) todos os formados em controle concentrado de constitucionalidade, independentemente da Fl. 622DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 623 15 época em que prolatados; (ii) quando posteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham resultado de julgamento realizado nos moldes do art. 543B do CPC; (iii) quando anteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham sido oriundos do Plenário do STF e sejam confirmados em julgados posteriores da Suprema Corte. (negritos e sublinhado no original) ... 52. Uma vez fixado que os precedentes da Suprema Corte elencados no tópico anterior deste Parecer (mais especificamente no parágrafo 51), por serem objetivos e definitivos, possuem força para alterar o sistema jurídico vigente, já se pode concluir que o advento de qualquer um deles representa circunstância jurídica nova, capaz de fazer cessar a eficácia vinculante de anterior decisão tributária transitada em julgado que lhe seja contrária. (negritos no original) E mais adiante no § 98: ... 98. Num segundo momento, as considerações de ordem práticas são voltadas àquele AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil que, eventualmente, em suas atividades fiscalizatórias, verificar que determinada pessoa física ou jurídica não está recolhendo determinado tributo sob a justificativa de que tal conduta se encontra respaldada em coisa julgada tributária, na qual se reconheceu, por exemplo, a inexistência da correspondente relação jurídica tributária de trato sucessivo face à inconstitucionalidade da respectiva lei de incidência. Nessa hipótese, caso constate que tal lei já foi reconhecida como constitucional por precedente objetivo e definitivo da Suprema Corte (ver parágrafo 51 deste Parecer), o AuditorFiscal deverá adotar as seguintes providências: 1ª – iniciar os procedimentos administrativos tendentes a constituir o crédito tributário relativo aos fatos geradores praticados pelo contribuinteautor após o advento do precedente do STF, ou após publicação deste Parecer, conforme o caso. (negritos e sublinhados no original, exceto o terceiro) Ora, nos anoscalendários a que se referem os lançamentos dos presentes autos (1998, 2000) já existia uma plêiade de decisões no STF de forma a se amoldar ao item (iii), assim a autuação teria sido correta sob o ângulo de entendimento do Parecer. Porém o lançamento precede o Parecer e também por isto ele não se aplica ao presente caso. Isso porque, segundo o Parecer (em seu § 99, v): (v) em regra, o termo a quo para o exercício do direito conferido ao contribuinteautor de deixar de pagar o tributo antes tido por constitucional pela coisa julgada, ou conferido ao Fisco de voltar a cobrar o tributo antes tido por inconstitucional pela Fl. 623DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 624 16 coisa julgada, é a data do trânsito em julgado do acórdão proferido pelo STF. Excepcionase essa regra, no que tange, naquelas específicas hipóteses em que a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado tenha ocorrido em momento anterior à publicação deste Parecer, e tenha havido inércia dos agentes fazendários quanto à cobrança; nessas hipóteses, o termo a quo do direito conferido ao Fisco de voltar a exigir, do contribuinteautor, o tributo em questão, é a publicação do presente Parecer. (Negritos e sublinhados acrescentados) Vejase que, conforme o Parecer o direito conferido ao Fisco de voltar a exigir do contribuinteautor tributo antes tido por inconstitucional se baseará na publicação do Parecer apenas na hipótese em que tenha havido inércia dos agentes fazendários quanto à cobrança. O que, em absoluta, ocorre no caso presente, pois o lançamento é anterior ao Parecer, o que descaracteriza a inércia, e bem assim o lançamento fiscal traz entre seus fundamentos justamente as alterações legislativas posteriores à decisão transitada em julgado em favor da Contribuinte; devendose considerar também as diversas decisões pela constitucionalidade da Lei nº 7.689, de 1988 antes da efetivação do lançamento. Por fim, no que diz respeito à incidência, na espécie, do art. 146 do CTN, reportome ao que diz o Parecer PGFN/CRJ n° 492, de 2011, em seu § 79: 79.Em outras palavras: este parecer não retroage para alcançar aqueles fatos geradores pretéritos, que, mesmo sendo capazes, à luz do entendimento ora defendido, de fazer nascer obrigações tributárias, não foram, até o presente momento, objeto de lançamento. Por óbvio, se nas situações pretéritas o Fisco já tiver adotado o entendimento ora defendido, efetuando a cobrança relativa aos fatos geradores ocorridos desde a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado, em relação a essas situações pretéritas o critério jurídico contido no presente Parecer não poderá ser considerado " novo" , o que afasta a aplicação do princípio da não surpresa e do art. 146 do CTN; esses lançamentos, portanto, deverão ser mantidos. (negritos no original). Também não se aplica ao caso o RE 730.462/SP pelo simples motivo de que a decisão, como ela própria ressalva, e, ao contrário do que entende o recorrente, independente de ação rescisória “a questão de feitos futuros da sentença proferida em caso concreto sobre relações jurídicas de trato continuado”. Em vista do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial do contribuinte. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Fl. 624DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 625 17 Declaração de Voto Conselheiro Luís Flávio Neto Na reunião de abril de 2016, a e. Câmara Superior de Recursos Fiscais (doravante “CSRF”) analisou o recurso especial interposto pela COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO (doravante “CBD”, “recorrente” ou “contribuinte”), no processo n. 19515.001896/200412, em que é interessa a Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “PFN” ou “recorrida”). Em tal recurso, a recorrente requer a reforma do acórdão n. 10809.345 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela r. 8a Câmara do (extinto) Conselho de Contribuintes (doravante “Turma a quo”). O cerne do recurso especial em análise consiste em saber se o contribuinte possui em seu favor decisão judicial com trânsito em julgado que afaste de si a incidência da CSL nos períodos de 1998 a 2000. Em sua essência, o tema em análise traz consigo o embate de princípios constitucionais, sopesados por meio de regras objetivamente estabelecidas pelo legislador ordinário. De um lado, o contribuinte tem a seu favor o fundamento notório e comezinho de que o princípio da segurança jurídica tem na coisa julgada um de seus mais consagrados estandartes, de forma que a obediência a uma decisão transitada em julgada, na ausência de ação rescisória competente para a sua desconstituição, deve ser reconhecida como prioridade absoluta. Por sua vez, o julgamento da ADIn 15, no qual foi declarada a constitucionalidade da CSL com efeitos erga omnes pelo e. Supremo Tribunal Federal (doravante “STF”), fez surgir um contraargumento, embasado no suposto ferimento do princípio da igualdade: não seria isonômico e conforme o princípio da livre concorrência se apenas algumas empresas, detentoras de decisões com trânsito em julgado, permanecessem desobrigadas do recolhimento de CSL. No embate desses princípios, há regras objetivamente estabelecidas pelo legislador ordinário que, com fundamento no Constituição Federal, tutelam os instrumentos processuais competentes para a desconstituição da coisa julgada (notadamente a ação rescisória), bem como prescrevem as condições para que da norma emanada da decisão transitada em julgado deixe de surtir efeitos (notadamente a modificação do estado de fato ou de direito). No âmbito do CARF, a decisão do legislador competente no sopesamento dos princípios em questão vincula o julgador administrativo (RICARF, art. 62). Ao julgar o caso, a Turma a quo prolatou acórdão que restou assim ementado: PAF — ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.(SCimula 1° CC n° 2). CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. INOCORRÊNCIA DE OFENSA À COISA JULGADA. RELAÇÃO JURÍDICA CONTINUATIVA. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI NÃO ACOLHIDA PELO STF. Fl. 625DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 626 18 O controle da constitucionalidade das leis, de forma cogente e imperativa em nosso ordenamento jurídico, é feito de modo absoluto pelo Supremo Tribunal Federal. A relação jurídica de tributação da Contribuição Social sobre o Lucro é continuativa. A declaração de intributabilidade, no que concerne a relações jurídicas originadas de fatos geradores que se sucedem no tempo, não pode ter o caráter de imutabilidade e de normatividade a abranger eventos futuros. A coisa julgada em matéria tributária não produz efeitos além dos princípios pétreos postos na Carta Magna, a destacar o da isonomia. CSLL FALTA DE RECOLHIMENTO Se do confronto da escrituração for apurado recolhimento a menor da contribuição devida, correto é o lançamento para a formalização da exigência. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO Havendo falta ou insuficiência no recolhimento do tributo, impõese a aplicação da multa de lançamento de ofício sobre o valor do imposto ou contribuição devido, nos termos do artigo 44, I, da Lei n° 9.430/96. JUROS APLICAÇÃO — SÚMULA 1° CC n° 4: "A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. No julgamento do recurso especial interposto, a CSRF decidiu, por unanimidade de votos, conhecer o recurso especial interposto, e, por voto de qualidade, darlhe provimento. Nesta declaração de voto, permissa venia, apresento os fundamentos que me fizeram votar no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial interposto pelo contribuinte. Para a adequada fundamentação deste julgamento, parece necessário enfrentar três pontos básicos, que correspondem aos três tópicos que se seguem: 1. O instituto da coisa julgada e o caso dos autos. 2. Alterações na legislação enfrentada na ação judicial com trânsito em julgado. O rito dos recursos repetitivos e o REsp 1.118.893MG. 3. Os efeitos da ADIn. 15 sobre a coisa julgada detida pelo contribuinte. No tópico “4”, por sua vez, será explicitada uma síntese conclusiva e a parte dispositiva do voto. 1. O instituto da coisa julgada e o caso dos presentes autos. “O significado do instituto da coisa julgada material como expressão da própria supremacia do ordenamento constitucional e como elemento inerente à existência do Estado Democrático de Direito.” Ministro Celso de Mello, STF1 1 STF. RE 592912 AgR, Relator Min. CELSO DE MELLO, Segunda Turma, julgado em 03.04.2012, publicado em 22.11.2012. Fl. 626DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 627 19 O caso em análise merece que se repise o que é a coisa julgada, qual a sua importância e justificativa no sistema jurídico, bem como qual a sua tutela no Direito positivo brasileiro. Quanto à definição da coisa julgada, nada mais adequado do que o recurso à doutrina processualista. Encontrase nos ensinamentos de FRANCESCO CARNELUTTI2 que a coisa julgada consiste numa declaração de certeza, na imperatividade e na inalterabilidade – pela preclusão de recursos –, que possui o comando da sentença, comando este suplementar ao da lei. Na clássica doutrina nacional, CÂNDIDO RANGEL DINAMARCO3 também fornece a seguinte lição: “A coisa julgada é a situação de segurança quanto à existência ou inexistência de um direito, assegurada pela imutabilidade dos efeitos da sentença de mérito. Quer se trate de sentença meramente declaratória, constitutiva ou condenatória, ou mesmo quando a demanda é julgada improcedente, no momento em que já não couber recurso algum instituise entre as partes, e em relação ao litígio que foi julgado, uma situação, ou estado, de grande firmeza quanto aos direitos e obrigações que os envolvem, ou que não os envolvem.” Em comum na doutrina desses processualistas, é possível observar que a imutabilidade da norma é essencial para a definição do instituto da coisa julgada. Corroborando com esse entendimento GIUSEPPE CHIOVENDA observou que aludida imutabilidade das decisões já era prestigiada no Digesto romano, de forma que a res judicata imprimiria a um bem ou direito a certeza de sua fruição necessária para que a vida social se desenvolvesse da forma mais segura e pacífica. De longa data, o processualista OVÍDIO BATISTA DA SILVA4 igualmente aponta para “A imutabilidade do que foi declarado pelo juiz, no sentido de que nem as partes podem, validamente, dispor de modo diverso, transacionando sobre o sentido da declaração contida na sentença nem os juízes, em futuros processos, poderão modificar, ou sequer reapreciar, essa declaração”. A imutabilidade em questão pode alcançar apenas o processo em que foi proferida a decisão ou, ainda, estenderse em relação a outros processos, que envolvam as mesmas partes, as mesmas pretensões e o mesmo objeto. Tratase da distinção entre coisa julgada formal e material. Nas lições de PONTES DE MIRANDA5, a coisa julgada formal se dá “quando não mais se pode discutir no processo o que se decidiu”, de outra ponta, a coisa julgada material “é a que impede discutirse, noutro processo, o que se decidiu.”. Concluiu o jurisconsulto, então, que é “o direito material que determina a qualidade das suas regras, de modo que a coisa julgada formal ou material não é ofendida por essa mutabilidade, nem pela conseqüente alterabilidade dos termos da interpretação ou versão executiva inicial da sentença”. 2 CARNELUTTI, Francesco, Instituições do processo Civil. Apud: SANTOS, Moacyr Amaral. Comentário ao Código de Processo Civil, Vol. IV, Coleção Forense. São Paulo: Forense, 1998, p. 431432. Às pgs. 184185, conclui o autor, ainda, que: “Coisa julgada, então, significa a decisão de mérito que se obtém por meio do processo de cognição ou, em outros termos, a decisão sobre questões de fundo; as questões de fundo julgadas não são apenas as expressamente resolvidas, como também aquelas cuja solução seja uma premissa necessária para a solução das primeiras e que, portanto, resolvemse implicitamente (a chamada decisão implícita). Já que as questões de ordem não concernem à lide, sua solução não constitui nunca coisa julgada.” 3 DINAMARCO, Cândido Rangel. Nova era do processo civil. 3ª ed. São Paulo: Malheiros, 2009, p. 200. 4 SILVA, Ovídio Batista da. Sentença e coisa julgada. Porto Alegre: Ed. Sergio Antonio Fabris, 1988, p. 114. 5 MIRANDA, Pontes. Comentários ao Código de Processo Civil, Tomo V, Forense, 1974, p. 144; 190. Fl. 627DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 628 20 Também se colhe da obra da doutrina processualista ao menos duas perspectivas para justificar a autoridade da coisa julgada: a primeira de ordem política e a outra de ordem jurídica. O fundamento político consiste na necessidade de que a estabilização das relações sociais se opere de modo definitivo, isto porque a procura pela justiça não pode ser indefinida, à custa da instabilidade da vida em sociedade. Desse modo, MOACYR AMARAL SANTOS6, ao observar que a “verdadeira finalidade do processo, como instrumento destinado à composição da lide, é fazer justiça pela atuação da vontade da lei ao caso concreto”, destaca que a “procura da justiça, entretanto, não pode ser indefinida, mas deve ter um limite, por exigência de ordem pública, qual seja a estabilidade dos direitos que inexistiria se não houvesse um termo além daquela sentença que se tornou imutável”. No que tange a explicitação da perspectiva jurídica, ao menos duas teorias se polarizam, notadamente sustentadas GIUSEPPE CHIOVENDA e a de ENRICO TÚLIO LIEBMAN. Em CHIOVENDA7, encontrase a assim denominada “teoria da vontade do Estado”, segundo a qual a coisa julgada não consubstancia uma expressão da verdade dos fatos, mas a própria vontade do Estado aplicada ao caso concreto, de forma que “com a sentença só se consegue a certeza da existência de tal vontade e, pois, a incontestabilidade do bem reconhecido ou negado”. E em LIEBMAN8, por sua vez, identificase a concepção de coisa julgada não como necessariamente um efeito da sentença, mas sim um adjetivo, uma qualidade relacionada à definitividade e incontestabilidade desta. Essa segunda teoria parece encontrar maior acolhida na doutrina nacional. Assim, HUMBERTO THEODORO JÚNIOR9 suscita que o legislador, ao tutelar a coisa julgada, “não tem nenhuma pretensão de valorar a sentença diante dos fatos (verdade) ou dos direitos (justiça). Impeleo tão somente uma exigência de ordem prática, quase banal, mas imperiosa de não mais permitir que se volte a discutir acerca das questões já soberanamente pelo Poder Judiciário. Apenas a preocupação de segurança nas relações jurídicas e de paz na convivência social é que explicam a res judicata.” A proteção à coisa julgada encontra fundamento na Constituição Federal, na qual foi expressamente consagrada entre os direitos fundamentais garantidos por seu art. 5o: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (…) XXXVI a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada; 6 SANTOS, Moacyr Amaral. Comentário ao Código de Processo Civil, Vol. IV, Coleção Forense. São Paulo: Forense, 1998, p. 461462. 7 CHIOVENDA, Giuseppe. Instituições de direito processual civil. Vol. I. Saraiva: São Paulo, 1965, p. 371372. 8 LIEBMAN, Enrico Túlio. Eficácia e autoridade da sentença e outros escritos sobre a coisa julgada. Tradução de Alfredo Buzaid e Benvindo Aires, tradução dos textos posteriores à edição de 1945 e notas relativas ao direito brasileiro vigente de Ada Pellegrini Grinover. 4ª ed., Rio de Janeiro: Forense, 2006, p. 5. “A autoridade da coisa julgada não é um efeito da sentença, como postula a doutrina unânime, mas, sim, modo de manifestarse e produzirse dos efeitos da própria sentença, algo que a esses efeitos se ajunta para qualificalos e reforçalos em sentido bem determinado. Caem todas as definições correntes no erro de substituir uma qualidade dos efeitos da sentença por um efeito seu autônomo. Assim, quando HELLWIG – como já se viu – define a coisa julgada como o efeito específico da sentença, confunde justamente o efeito normal da sentença com a definitividade e incontestabilidade deste efeito.” 9 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil. Vol. I, 34ª ed. Rio de Janeiro : Forense, p. 466. Fl. 628DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 629 21 A Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (doravante “LINDB”) delimita o conceito de coisa julgada em seu art. 6o, conforme a redação que lhe foi dada pela Lei nº 12.376/2010: Art. 6º A Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada. (...) § 3º Chamase coisa julgada ou caso julgado a decisão judicial de que já não caiba recurso.” O antigo Código de Processo Civil, de 1973 (doravante “CPC/73”), assim dispunha sobre o instituto da coisa julgada: Art. 467. Denominase coisa julgada material a eficácia, que torna imutável e indiscutível a sentença, não mais sujeita a recurso ordinário ou extraordinário. Art. 468. A sentença, que julgar total ou parcialmente a lide, tem força de lei nos limites da lide e das questões decididas. Art. 469. Não fazem coisa julgada: I os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da sentença; II a verdade dos fatos, estabelecida como fundamento da sentença; III a apreciação da questão prejudicial, decidida incidentemente no processo. Art. 470. Faz, todavia, coisa julgada a resolução da questão prejudicial, se a parte o requerer (arts. 5o e 325), o juiz for competente em razão da matéria e constituir pressuposto necessário para o julgamento da lide. Art. 471. Nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas, relativas à mesma lide, salvo: I se, tratandose de relação jurídica continuativa, sobreveio modificação no estado de fato ou de direito; caso em que poderá a parte pedir a revisão do que foi estatuído na sentença; II nos demais casos prescritos em lei. Art. 472. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros. Nas causas relativas ao estado de pessoa, se houverem sido citados no processo, em litisconsórcio necessário, todos os interessados, a sentença produz coisa julgada em relação a terceiros. Art. 473. É defeso à parte discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito se operou a preclusão. Art. 474. Passada em julgado a sentença de mérito, reputarse ão deduzidas e repelidas todas as alegações e defesas, que a parte poderia opor assim ao acolhimento como à rejeição do pedido. Fl. 629DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 630 22 Art. 475. Está sujeita ao duplo grau de jurisdição, não produzindo efeito senão depois de confirmada pelo tribunal, a sentença: I proferida contra a União, o Estado, o Distrito Federal, o Município, e as respectivas autarquias e fundações de direito público; II que julgar procedentes, no todo ou em parte, os embargos à execução de dívida ativa da Fazenda Pública (art. 585, VI) § 1o Nos casos previstos neste artigo, o juiz ordenará a remessa dos autos ao tribunal, haja ou não apelação; não o fazendo, deverá o presidente do tribunal avocálos. § 2o Não se aplica o disposto neste artigo sempre que a condenação, ou o direito controvertido, for de valor certo não excedente a 60 (sessenta) salários mínimos, bem como no caso de procedência dos embargos do devedor na execução de dívida ativa do mesmo valor. § 3o Também não se aplica o disposto neste artigo quando a sentença estiver fundada em jurisprudência do plenário do Supremo Tribunal Federal ou em súmula deste Tribunal ou do tribunal superior competente. O Novo Código de Processo Civil, publicado em 2015 (doravante “CPC/2015”), embora trate do instituto do trânsito em julgado em outros dispositivos esparsos, tutelou a matéria especialmente em seus arts. 502 a 508: Art. 502. Denominase coisa julgada material a autoridade que torna imutável e indiscutível a decisão de mérito não mais sujeita a recurso. Art. 503. A decisão que julgar total ou parcialmente o mérito tem força de lei nos limites da questão principal expressamente decidida. § 1. O disposto no caput aplicase à resolução de questão prejudicial, decidida expressa e incidentemente no processo, se: I dessa resolução depender o julgamento do mérito; II a seu respeito tiver havido contraditório prévio e efetivo, não se aplicando no caso de revelia; III o juízo tiver competência em razão da matéria e da pessoa para resolvêla como questão principal. § 2. A hipótese do § 1o não se aplica se no processo houver restrições probatórias ou limitações à cognição que impeçam o aprofundamento da análise da questão prejudicial. Art. 504. Não fazem coisa julgada: I os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da sentença; II a verdade dos fatos, estabelecida como fundamento da sentença. Art. 505. Nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas relativas à mesma lide, salvo: Fl. 630DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 631 23 I se, tratandose de relação jurídica de trato continuado, sobreveio modificação no estado de fato ou de direito, caso em que poderá a parte pedir a revisão do que foi estatuído na sentença; II nos demais casos prescritos em lei. Art. 506. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não prejudicando terceiros. Art. 507. É vedado à parte discutir no curso do processo as questões já decididas a cujo respeito se operou a preclusão. Art. 508. Transitada em julgado a decisão de mérito, considerar seão deduzidas e repelidas todas as alegações e as defesas que a parte poderia opor tanto ao acolhimento quanto à rejeição do pedido. No caso dos autos, em 1990, o contribuinte propôs perante a Justiça Federal a ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária n. 90.0049326 (fls. 40 e seg. do eprocesso). A causa de pedir da ação pode ser aferida às fls. 40 do eprocesso, in verbis: “(...) a contribuição social sobre o lucro das empresas criada pela Lei nº 7.689/88, constitui um verdadeiro ‘imposto’, tal como o previsto no artigo 16 do Código Tributário Nacional, e como tal, inserindose na competência residual a União prevista no art. 154, inciso I, da Constituição. Assim caracterizada a exação, fica claro constatar que a mesma é manifestamente inconstitucional, vez que não foi instituída por lei complementar, é cumulativa e tem o mesmo fato gerador do imposto de renda.” O pedido da ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária n. 90.0049326, proposta pelo contribuinte, pode ser aferido às fls. 54 do eprocesso, in verbis: “(...) declaração de inexistência da relação jurídica entre as partes, no que concerne à exigência de pagar a contribuição social sobre o lucro, cuja inconstitucionalidade é manifesta, ou, se assim não entender V.Exa., que a majoração pretendida pela Lei n º 7. 856/89, somente é devida sobre fatos jurídicos acontecidos a partir de janeiro de 1990, quando passou a produzir efeitos.” A aludida ação foi julgada procedente em primeira instância. Como se observa da parte dispositiva da decisão do MM. Juízo da 6ª Vara da Justiça Federal do Distrito Federal, a sentença prolatada reconheceu tanto a inconstitucionalidade formal quanto a inconstitucionalidade material requeridas no pedido formulado pelo contribuinte, in verbis (fl. 69 do eprocesso): “Isto posto, julgo procedente a presente ação e declaro a inexistência de relação jurídica entre as autoras e a União Federal, no que tange à exigência de pagar a contribuição social, instituída pela Lei nº 7.689/88, por sua manifesta inconstitucionalidade.” Destacamse também os seguintes trechos da aludida decisão, in verbis (fls. 56 e seg. do eprocesso): Fl. 631DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 632 24 “(...) Não tendo a ‘contribuição social’ criada pela Lei 7.689/88, seu fundamento de validade como ‘contribuição social’ face a Constituição, indagouse se o teria como imposto residual da União. A reposta também foi negativa pois o lucro líquido das pessoas apurado durante 12 meses, que seria a base de cálculo dessa contribuição já o é do imposto de renda, especificadamente do imposto de renda pessoa jurídica, atribuído na discriminação de renda à União. Meras diferenças de adições e subtrações não são elementos essencialmente diferenciadores para legitimar sua criação. Assim a contribuição social não encontra seu fundamento de validade, nem o art. 195, nem o art. 154I.” “(...) Necessária é também a vinculação da ‘contribuição social’ ao Sistema de Previdência. De acordo com os arts. 6º e 7º competirá a sua administração e fiscalização à Secretaria da Receita Federal, ferindo mais uma vez a Constituição.” “(...) A lei fere, ainda, os princípios constitucionais da irretroatividade e anterioridade específica.” Remetido “ex officio” ao Tribunal Regional Federal da 1a Região (doravante “TRF1”). A Turma da e. Quarta Turma, por unanimidade votos, em 18.11.1991, negou provimento ao recurso mantendo a decisão de primeira instância (fls. 74 e segs do e processo). O r. acórdão restou assim ementado (fls. 79 do eprocesso): CONSTITUCIONAL. TRIBUTARIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. LEI Nº 7.689/88. ART. 146, III, "A", da CF/88. MESMO FATO GERADOR E MESMA BASE DE CALCULO PARA TRIBUTOS DIFERENTES. EXIGÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR PARA INSTITUIÇÃO OE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. INCONSTITUCIONALIDADE.. 1. É inaplicável às contribuições sociais no disposto no art. 150, inciso III, da Constituição da República, em face do disposto no § 62, do art. 195, da mesma Lei Maior. 2. Somente através de lei complementar pode ser instituída contribuição social. 3. Decisão do Plenário na AMS na 89.01.136147 MG, por maioria. Ressalva pessoal. 4. Recurso improvido. Cientificada do acórdão a PFN não interpôs recurso, de forma que foi certificado o seu TRÂNSITO EM JULGADO em 20.02.1992 (fl. 80 do eprocesso), afastandose a incidência da CSL em face da CBD, reconhecendose incidentalmente a inconstitucionalidade material e formal desse tributo. 1.1. A interpretação da súmula n. 239 do STF: a posição da Suprema Corte quanto à coisa julgada atinente às relações jurídicotributárias de trato continuado. Fl. 632DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 633 25 A Súmula n. 239, enunciada pelo STF nos idos de 13.12.1963, possui a seguinte redação: “Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores.” A aludida Súmula foi editada em um momento histórico muito peculiar e, ainda, vocacionada a tutelar exclusivamente uma categoria de ações judiciais muito bem definida: ações repressivas, que se voltam contra um débito tributário específico, já existente e previamente identificado. Nessa categoria, estão a ação anulatória, os embargos à execução, a ação de repetição de indébito tributário e o mandado de segurança repressivo. Assim, por exemplo, se o contribuinte ajuizar ação anulatória em face da cobrança do IPTU do ano de 2010, cujo lançamento tributário já concretizado considere ilegal ou inconstitucional e, ao final, obtiver decisão favorável transitada em julgado, nada impedirá a administração municipal de prosseguir a cobrança em relação aos demais anos. A Súmula n. 239, do STF, nada mais faz que espancar dúvidas quanto a isso. A Súmula n. 239 não é aplicável em face de ações preventivas, que têm como objetivo essencial obter declaração do Poder Judiciário quanto à impossibilidade de estabelecimento de relação jurídicotributária entre o contribuinte e o respectivo ente tributante, ainda que nenhum lançamento tributário já tenha sido realizado. Nessa categoria, destacamse a ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária e o mandado de segurança preventivo. Essa distinção foi bem observada pelo Ministro TEORI ALBINO ZAVASKI, quando do julgamento do AgRg no Recurso Especial n. 703.526MG, in verbis: “Todavia, há certas relações jurídicas sucessivas que nascem de um suporte fático complexo, formado por um fato gerador instantâneo, inserido numa relação jurídica permanente. Ora, nesses casos, pode ocorrer que a controvérsia decidida pela sentença tenha por origem não o fato gerador instantâneo, mas a situação jurídica de caráter permanente na qual ele se encontra inserido, e que compõe o suporte desencadeador do fenômeno de incidência. Nestes casos, admitese a eficácia vinculante da sentença também em relação aos eventos recorrentes.” Ainda em seus fundamentos, o i. Ministro conclui que o juízo de certeza desenvolvido pela sentença sobre determinada relação jurídica concreta de caráter duradouro decorre de uma situação bem mais ampla que o fenômeno da incidência. A sentença irradia eficácia vinculante enquanto se mantiverem inalterados o direito e o suporte fático sobre os quais estabeleceu o juízo de certeza. Tais concepções são correntes no âmbito do STF, como se observa deste recente julgado: Embargos de declaração no agravo regimental no agravo de instrumento. Omissão. Ocorrência. Súmula 239/STF. Não aplicabilidade. 1. No acórdão recorrido, tomaramse por base os fatos e as provas dos autos para se concluir que as exações objeto de autuação estariam abrangidas pela decisão declaratória, de modo que incide, na espécie, a Súmula 279/STF. 2. A Súmula 239/STF só é aplicável nas hipóteses de processo Fl. 633DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 634 26 judicial em que tenha sido proferida a decisão transitada em julgado de exercícios financeiros específicos. 3. Embargos de declaração acolhidos, sem efeitos infringentes. (STF, AI 791071 AgRED, Relator Min. DIAS TOFFOLI, Primeira Turma, julgado em 18/02/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe053 DIVULG 17032014 PUBLIC 1803 2014) Também o e. Superior Tribunal de Justiça (doravante “STJ”) possui posição bastante consolidada sobre a matéria, como se observa das ementas a seguir: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO A DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE NESTA VIA. VIOLAÇÃO DOS ARTIGOS 165, 458, 463,II, E 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO PAGO EM RAZÃO DE HORAS EXTRAS. COISA JULGADA. LIMITAÇÃO PELO PEDIDO E CAUSA DE PEDIR. PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RCL n. 4.421/DF. SÚMULA 239/STF, INAPLICÁVEL, NO CASO. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. (...) 3. Discutese nos presentes autos a ocorrência ou não de coisa julgada a impedir o prosseguimento de execução fiscal para a cobrança de contribuição previdenciária patronal sobre valores referentes a auxíliorefeição quando da prestação de serviços extraordinários, haja vista a existência de anterior sentença transitada em julgado na qual se concluiu pela procedência do pedido de nulidade das NFLDs, cuja causa de pedir foi a natureza indenizatória das verbas sobre as quais se pretende a incidência da contribuição. 4. A princípio, há coisa julgada em razão da identidade do pedido (inexistência de exigibilidade da exação) e causa de pedir (impossibilidade de incidência de contribuição previdenciária sobre parcela cunho indenizatório, especificamente valerefeição pago em razão de horas extraordinárias). 5. Todavia, não seria recomendável conclusão acerca do tema em estudo, sem antes analisar o teor da Súmula 239 do Supremo Tribunal Federal, que estabelece: "decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores." 6. Segundo precedente do Supremo Tribunal (AI 11.227) que esclarece a aplicação da Súmula, quando a decisão se firma pela improcedibilidade da exação em razão de peculiaridades do ato de lançamento ou em razão de reconhecimento de prescrição, a coisa julgada ali reconhecida, é restrita àquele exercício. Todavia, se a conclusão for em razão de ilegalidade do imposto em si mesmo, ou de sua inconstitucionalidade, ou referirse a tributabilidade, então, tratandose de imposto continuativo e de obrigação periódica, o julgado proferido conservará sua eficácia, protegido sob o manto da coisa julgada. Se, todavia, a decisão que afasta a Fl. 634DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 635 27 cobrança do tributo se restringe a determinado exercício (a exemplo dos casos onde houve a declaração de inconstitucionalidade somente do art. 8º, da Lei n. 7.689/88), aplicase o enunciado n. 239 da Súmula do STF, por analogia, in verbis: "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores". 7. No caso dos autos, há julgado anterior, envolvendo as mesmas partes, afirmando a nulidade de NFLD'S em razão de contribuição previdenciária incidir sobre parcela reconhecida de natureza indenizatória. Assim, a decisão ataca o tributo em seu aspecto material da hipótese de incidência, não havendo como exigir o seu pagamento sem ofender a coisa julgada, ainda que para exercícios posteriores. Precedente: EREsp Nº 731.250 PE, Primeira Seção, Rel. Min. José Delgado, julgado em 28.5.2008; e REsp Nº 731.250 PE, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 17.4.2007. 8. Recurso especial parcialmente conhecido, e, nesta parte, provido. (STJ, REsp 1057733/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 28/06/2011, DJe 03/08/2011) TRIBUTÁRIO. ICMS. VENDA A PRAZO. ENCARGOS INCIDENTES. BASE DE CÁLCULO. VALOR TOTAL. LEGALIDADE DA INCLUSÃO. COISA JULGADA. SÚMULA 7/STJ. (...) 3. A orientação do STJ é de que, em matéria tributária, se a conclusão da sentença transitada em julgado "for em razão de ilegalidade do imposto em si mesmo, ou de sua inconstitucionalidade, ou referirse a tributabilidade, então, tratandose de imposto continuativo e de obrigação periódica, o julgado proferido conservará sua eficácia, protegido sob o manto da coisa julgada" (REsp 1.057.733/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 3/8/2011). 4. Contudo, no mesmo precedente, ficou assentado que, "Se, todavia, a decisão que afasta a cobrança do tributo se restringe a determinado exercício (a exemplo dos casos onde houve a declaração de inconstitucionalidade somente do art. 8º, da Lei n. 7.689/88), aplicase o enunciado n. 239 da Súmula do STF, por analogia, in verbis: 'Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores'" (destaquei). (...) (AgRg no AREsp 501.291/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/05/2015, DJe 01/07/2015) Tal questão não passou desapercebida pelo STJ ao prolatar o REsp 1.118.893, atinente ao tema da CSL ora sob julgamento, que assim consignou: Fl. 635DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 636 28 “6. Segundo um dos precedentes que deram origem à Súmula 239/STF, em matéria tributária, a parte não pode invocar a existência de coisa julgada no tocante a exercícios posteriores quando, por exemplo, a tutela jurisdicional obtida houver impedido a cobrança de tributo em relação a determinado período, já transcorrido, ou houver anulado débito fiscal. Se for declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo, não há falar na restrição em tela (Embargos no Agravo de Petição 11.227, Rel. Min. CASTRO NUNES, Tribunal Pleno, DJ 10/2/45)”. Desse modo, a Súmula n. 239 do STF não obsta a fruição dos efeitos da coisa julgada obtida pelo contribuinte, não se prestando, portanto, como argumento para a manutenção dos lançamentos tributários impugnados. 2. Alterações na legislação enfrentada na ação judicial com trânsito em julgado. O rito dos recursos repetitivos e o REsp 1.118.893MG. A imutabilidade inerente às decisões transitadas em julgado deve representar a certeza absoluta quanto à aplicação de um determinado regramento legal a uma situação potencialmente praticável pelo beneficiário da medida judicial. Tratase, como se viu, de um direito fundamental, reconhecido pelo art. 5o, XXXVI, da Constituição, à estabilização das expectativas. A autoridade da coisa julgada deverá ser observada de maneira absoluta, salvo na hipótese de observarem uma das seguintes condições: Fatores legislativos: O legislador não possui competência para fazer cessar pura e simplesmente os efeitos da coisa julgada sem alterar o estado de direito por ela tutelada (CF, art. 5o, XXXVI). No entanto, a modificação do estado de direito promovida pelo legislador torna ineficaz a norma prescrita pela sentença, que passará a ter como objeto um sistema normativo já revogado. Fatores jurisdicionais: O Poder Judiciário, por meio de instrumento processual próprio (notadamente a ação rescisória) e em hipóteses restritas, tem competência para desconstituir a coisa julgada. Tanto o novo quanto o antigo Código de Processo Civil são expressos quanto a essas duas hipóteses para que cessem os efeitos jurídicos da decisão transitada em julgado que tutela relações jurídicas de trato continuado: Antigo Código de Processo Civil Art. 471. Nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas, relativas à mesma lide, salvo: I se, tratandose de relação jurídica continuativa, sobreveio modificação no estado de fato ou de direito; caso em que poderá a parte pedir a revisão do que foi estatuído na sentença; (...). Novo Código de Processo Civil Fl. 636DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 637 29 Art. 505. Nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas relativas à mesma lide, salvo: I se, tratandose de relação jurídica de trato continuado, sobreveio modificação no estado de fato ou de direito, caso em que poderá a parte pedir a revisão do que foi estatuído na sentença; (...). A aplicação da norma processual requer que se identifique quando há “modificação no estado de fato ou de direito”, isto é, em que hipótese haveria essa mudança substancial no esquema normativo capaz de tornar ineficaz a coisa julgada. Para essa questão fulcral à solução do caso ora sob julgamento, há conceitos teóricos fundamentais que não podem ser desprezados, muitos deles retratados por TÉRCIO SAMPAIO FERRAZ JR10 em trabalho publicado sobre o tema, da qual se destaca, in verbis: “Um regime jurídico é sempre um sistema significativo, isto é, conjunto de relações entre elementos, determinadas por regras (estrutura) e um conjunto de elementos determinados por regras (estrutura) e um conjunto de elementos, determinados por seus atributos (repertório), que conferem ao regime o seu sentido jurídico. Um sistema é alterado quando sua estrutura é modificada, quer pela introdução de novas regras, que substituem ou acrescem as anteriores, o que pode acontecer pela introdução de novos elementos, que também substituem ou acrescem os anteriores, exigindo novas regras. Mas nem toda alteração das regras ou dos elementos provoca uma mudança no sistema, isto é, muda o seu sentido. As relações (estrutura do sistema) são básicas ou secundárias, conforme sejam básicas ou secundárias as regras. Básicas são as regras cuja mudança mantém o sentido das relações. Por exemplo, admitindose que o jogo de xadrez é um sistema, a regra de que o cavalo se movimenta por duas casas em linha, com um terceiro movimento à casa esquerda ou direita é básica. Mudála é alterar a estrutura e o sentido do jogo (sistema). Já a regra que autoriza principiar o jogo com o movimento de um peão branco é secundária: se for combinado ao contrário, o sentido do jogo permaneceria. (...) no sistema da língua normativa que disciplina a pesca por razões ambientais, em termos de direito público, a substituição da regra: é proibido pescar em lagos sob proteção ambiental sob pena de multa de R$ 100,00 a ser recolhido ao Funda Nacional de Pesca pela regra é permitido pescar em determinado lago antes submetido à proteção ambiental altera a relação entre o eventual pescador e autoridade (muda o regime jurídico); já a substituição pela regra: é proibido pescar em lagos protegidos sob pena de R$ 200,00 a ser recolhido ao Fundo Nacional de Pesca não altera a relação (de proibição). Já os atributos, que 10 FERRAZ JR., Tércio Sampaio. Coisa julgada em matéria tributária e as alterações sofridas pela legislação da contribuição social sobre o lucro Lei n. 7.689/88. In: Revista Dialética de Direito Tributário, n. 125. São Paulo: Dialética, 2006, p. 91. Fl. 637DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 638 30 definem os elementos, são essenciais ou contingentes. O atributo do recolhimento ao Fundo Nacional de Pesca é contingente, mas é essencial ao recolhimento a explicitação de algum destino a um determinado fundo público dado à multa. Esta é a base da colmatação das chamadas lacunas técnicas (no caso, quando se determina o recolhimento a um fundo, sem explicar qual).” A identificação de qual regra básica, cuja mudança seria capaz de fazer cessar os efeitos da coisa julgada, depende da análise do objeto da respectiva ação judicial. A título de exemplo, podese cogitar de uma ação judicial promovida em face de uma lei municipal que estabelecesse alíquota de ISS no patamar de 15%, julgada procedente por decisão transitada em julgado, cujo pedido requeresse a declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de cobranças superiores ao limite estabelecido por Lei Complementar, com fulcro no art. 156, § 3º, I, da Constituição Federal. Nessa hipótese, a questão fundamental residiria em um elemento da obrigação tributária (e não da hipótese de incidência): a alíquota. Seriam indiferentes à autoridade da coisa julgada, por exemplo, alterações legislativas atinentes a questões procedimentais ou vocacionadas ao melhor delineamento da hipótese de incidência. A abrangência do pedido tornaria indiferente à autoridade da coisa julgada alterações na lei municipal que reduzissem a alíquota do ISS para 14% ou qualquer outro patamar superior àquele previsto pela Lei Complementar, notadamente no art. 8O, II, da Lei Complementar n. 116, no qual o atual limite é de 5%. A abrangência do pedido formulado também tornaria indiferente à autoridade da coisa julgada, por exemplo, alterações legislativas realizadas no texto da Lei Complementar 116, elevando o percentual máximo para 6% ou reduzindoo para 4%. A autoridade da coisa julgada permaneceria hígida, devendo o novo percentual da lei complementar ser respeitado. Em todas essas situações, teríamos a tutela de “relação jurídica de trato continuado”, em que NÃO “sobreveio modificação no estado de fato ou de direito”, o que obriga o respeito à coisa julgada (CPC/2015, art. 505, I). Nesse caso hipotético, fica claro como são restritas as hipóteses de modificação do estado de direito capaz de fazer cessar os efeitos da coisa julgada. Para tanto, seria necessário, por exemplo, que o município passasse a exigir o ISS dentro dos limites previstos pela Lei Complementar ou, ainda, que houvesse uma Emenda Constitucional que revogasse a competência do Legislador Complementar para estabelecer limites máximos às alíquotas de ISS estabelecidas pelos municípios. Outro exemplo ilustrativo é fornecido por HELENILSON CUNHA PONTES11, in verbis: “Imaginese o efeito de uma lei que altera a alíquota ou a base de cálculo de um tributo em relação a um contribuinte que possui em seu favor declaração judicial transitada em julgado reconhecendolhe a isenção ou imunidade desse tributo enquanto preenchidas certas condições (juízo sobre a realidade). Nesse caso, embora o parâmetro legal existente à época da propositura da ação judicial pelo contribuinte tenha sido alterado por norma superveniente, tal modificação no estatuto jurídico da relação tributária não tem o condão de afastar a eficácia da coisa julgada antes existente.” 11 PONTES, Helenilson Cunha. Coisa julgada tributária e inconstitucionalidade. São Paulo: Dialética, 2005, p. 137. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 639 31 Tratandose da CSL, os questionamentos suscitados perante o Poder Judiciário em meados da década de 90 gravitaram geralmente em torno de dois eixos: Inconstitucionalidade formal: exigência de lei complementar para a criação do tributo, o que tornaria indevida sua exigência pela adoção lei ordinária (Lei n. 7.689, de 15.12.1988). Inconstitucionalidade material: identidade da hipótese de incidência do IRPJ e da CSL, com a sobreposição de tributos sobre uma manifestação de riqueza. No caso dos autos, como se demonstrou acima, referida em 20.02.1992, foi certificado o TRÂNSITO EM JULGADO da decisão proferida na ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária promovida pela CBD, reconhecendose, então, a inconstitucionalidade material e formal desse tributo (fls. 7980 do eprocesso). No que se refere à inconstitucionalidade formal, a norma individual e concreta detida pelo contribuinte continuará a surtir os efeitos até que o estado de direito que foi objeto da respectiva ação judicial seja alterado, ou seja, até que sejam veiculadas por Lei Complementar as normas que prescrevem todos os elementos mínimos necessários à incidência, ao cálculo e a identificação do sujeito passivo da CSL. Por sua vez, também foi declarada a inconstitucionalidade material da lei atinente à incidência da CSL, de modo a impedir que esse tributo tenha a mesma hipótese de incidência do IRPJ e onere duplamente a correspondente base de cálculo. A norma individual e concreta detida pelo contribuinte, então, lhe garante de forma imutável que não haja sobreposição do IRPJ e da CSL, afastando a incidência dessa última. Atualmente, é opinião corrente que a aludida sobreposição é autorizada pelo Texto Constitucional. O ponto fulcral do caso sob julgamento, contudo, é que o objeto da ação judicial transitada em julgado em benefício ao contribuinte consiste justamente em impedir que, em relação às partes processuais, haja a incidência da CSL sobre os signos de riqueza já onerados pelo IRPJ. Quais reformas legislativas seriam substancialmente suficientes para a alterações ao estado de direito façam cessar os efeitos da coisa julgada? Resposta: reformas legislativas que alterem a matriz legal da CSL (“lucro”) de tal forma que a sua incidência não seja mais coincidente com a do IRPJ (“renda”), bem como que não sobreponha ônus sobre base de cálculo já tributada por aquele imposto. Em tese, a alteração do estado de direito, requerida pelo CPC/2015 e pelo CPC/73 para que a coisa julgada deixe de surtir efeitos, poderia ser dar, por exemplo, se uma lei fosse produzida pela União, revogando a cobrança da CSL e transferindo a fonte de receitas derivadas para outras contribuições (PIS e COFINS, por exemplo), que onerem outras bases autorizadas pela regra de competência tributária do art. 195 da Constituição Federal (receita ou faturamento, por exemplo), mediante o aumento das alíquotas incidentes sobre estas; Sem alterações no estado de direito desse jaez, a autoridade da coisa julgada permanece intacta. No tópico seguinte, serão analisadas criteriosamente as alterações legislativas realizadas na matriz legal da CSL, desde a sua criação até o período objeto do auto de infração sob julgamento. 2.2. A evolução legislativa da CSL: alterações realizadas sobre a Lei n. 7.689/88 até o período compreendido nos autos de infração. Fl. 639DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 640 32 A Lei n. 7.689, de 15.12.1988, que instituiu a CSL, estabeleceu a matriz legal desse tributo, apresentando a seguinte redação original: Art. 1º Fica instituída contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, destinada ao financiamento da seguridade social. Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1º Para efeito do disposto neste artigo: a) será considerado o resultado do períodobase encerrado em 31 de dezembro de cada ano; b) no caso de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividades, a base de cálculo é o resultado apurado no respectivo balanço; c) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: 1 exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; 2 exclusão dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computado como receita; 3 exclusão do lucro decorrente de exportações incentivadas, de que trata o art. 1º, § 1º do Decretolei nº 2.413, de 10 de fevereiro de 1988, apurado segundo o disposto no art. 19 do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e alterações posteriores; 4 adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido. § 2º No caso de pessoa jurídica desobrigada de escrituração contábil, a base de cálculo da contribuição corresponderá a dez por cento da receita bruta auferida no período de 1º janeiro a 31 de dezembro de cada ano, ressalvado o disposto na alínea b do parágrafo anterior. Art. 3º A alíquota da contribuição é de oito por cento. Parágrafo único. No exercício de 1989, as instituições referidas no art. 1º do , pagarão a contribuição à alíquota de doze por cento. Art. 4º São contribuintes as pessoas jurídicas domiciliadas no País e as que lhes são equiparadas pela legislação tributária. Art. 5º A contribuição social será convertida em número de Obrigações do Tesouro Nacional OTN, mediante a divisão de seu valor em cruzados pelo valor de uma OTN, vigente no mês de encerramento do períodobase de sua apuração. § 1º A contribuição será paga em seis prestações mensais iguais e consecutivas, expressas em número de OTN, vencíveis no último dia útil de abril a setembro de cada exercício financeiro. Fl. 640DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 641 33 § 2º No caso do art. 2º, § 1º, alínea b, a contribuição social deverá ser paga até o último dia útil do mês subseqüente ao da incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividades. § 3º Os valores da contribuição social e de cada parcela serão expressos em número de OTN até a segunda casa decimal quando resultarem fracionários, abandonandose demais. § 4º Nenhuma parcela, exceto parcela única, será inferior ao valor de dez OTN. § 5º O valor em cruzados de cada parcela será determinado mediante a multiplicação de seu valor, expresso em número de OTN, pelo valor da OTN no mês de seu pagamento. A Lei n. 7.738, de 09.03.1989, estabeleceu o vencimento da CSL para o último dia útil do mês de janeiro do exercício seguinte ao da apuração do resultado, facultado ao contribuinte o direito de optar pelo recolhimento parcelado de que tratava o art. 5º, §1º da Lei n. 7.689, de 15.12.1988: Art. 16. A contribuição social instituída pela Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988 e o imposto de renda na fonte de que trata o art. 35 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, serão pagos até o último dia do mês de janeiro do exercício financeiro, ressalvado o direito à opção prevista no art. 17. Parágrafo único. As prestações da contribuição social, determinadas com base no balanço levantado em 31 de dezembro de 1988, pelos seus valores em cruzados, convertidos em cruzados novos pela paridade de CZ$ 1.000,00/NCz$ 1,00, serão atualizados monetariamente com base no coeficiente obtido com a divisão do índice do mês do efetivo pagamento pelo índice do mês de abril de 1989. Art. 17. A partir do exercício financeiro de 1990, a pessoa jurídica poderá optar pelo pagamento do saldo do imposto de renda, da contribuição social e do imposto de renda na fonte a que se referem o caput dos arts. 15 e 16, nos prazos de que tratam os arts. 3º, II e III, 6º e 7º do DecretoLei nº 2.354, de 24 de agosto de 1987, o art. 1º, § 1º, do DecretoLei nº 2.426, de 7 de abril de 1988, o art. 5º, § 1º, da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, e o art. 37 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, pelos seus valores atualizados monetariamente. Parágrafo único. A atualização monetária será determinada mediante a multiplicação do valor em cruzados novos da quota do imposto de renda, da prestação da contribuição social ou do imposto de renda na fonte pelo coeficiente obtido com a divisão do índice do mês do efetivo pagamento pelo índice do mês do encerramento do períodobase. Art. 18. O imposto de renda devido pelas pessoas jurídicas, a contribuição social instituída pela Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, e o imposto de renda na fonte de que trata o art. 35 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, correspondentes a períodobase encerrado a partir de 1º de janeiro de 1989, em virtude de incorporação, fusão ou cisão serão pagos até o último dia útil do mês em que ocorrer a Fl. 641DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 642 34 incorporação, fusão ou cisão, ressalvado o direito à opção prevista no artigo seguinte. A Lei n. 7.799/89, de 10.07.1989 (conversão da MP n. 68/89) substituiu o índice de atualização monetária de ONT para BTN fiscal: Art. 42. A contribuição social de que trata a Lei n° 7.689, de 15 de novembro de 1988, será convertida em BTN Fiscal, mediante a divisão de seu valor em cruzados novos pelo valor do BTN Fiscal no dia do encerramento do períodobase de sua apuração. § 1° A contribuição social será paga segundo o disposto nos §§ 1°, 2° e 3° do art. 5° da Lei n° 7.689, estabelecendose que as referências feitas a OTN, nessa Lei, ficam substituídas para BTN Fiscal. (Vetado) § 2° Nenhuma parcela da contribuição social, exceto parcela única, será inferior ao valor de cinqüenta BTN Fiscal. § 3° O valor em cruzados novos de cada parcela da contribuição social será determinado mediante a multiplicação de seu valor, expresso em BTN Fiscal, pelo valor do BTN Fiscal no dia do pagamento. § 4° O valor da reserva de reavaliação, baixado durante o períodobase, cuja contrapartida não tenha sido computada no resultado do exercício, deverá ser adicionado ao lucro líquido para determinação da base de cálculo da contribuição social. A Lei n. 7.787, de 30.06.1989, também inseriu a regra de antecipação por estimativas para a CSL, à semelhança do IRPJ: Art. 8º A contribuição instituída pela Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, será paga, juntamente com as parcelas do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, sob a forma de antecipações, duodécimos ou cotas, observadas, no que couber, as demais condições estabelecidas nos arts. 2º a 7º do DecretoLei nº 2.354, de 24 de agosto de 1987 A Lei n. 7.856, de 24.10.1989, elevou a alíquota da CSL de 8% para 10%, e para 14% no caso de instituições financeiras, a incidir já sobre os resultados apurados em 31.12.1989: Art. 2º A partir do exercício financeiro de 1990, correspondente ao períodobase de 1989, a alíquota da contribuição social de que se trata o artigo 3º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, passará a ser de dez por cento. Parágrafo único. No exercício financeiro de 1990, as instituição referidas no art. 1º do DecretoLei nº 2.426, de 7 de abril de 1988, pagarão a contribuição à alíquota de quatorze por cento. A Lei n. 7.988, de 28.12.1989, incluiu o lucro decorrente de exportações beneficiadas com incentivos fiscais na base de cálculo da CSL: Fl. 642DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 643 35 Art. 1º A partir do exercício financeiro de 1990, correspondente ao períodobase de 1989: I passará a ser 18% (dezoito por cento) a alíquota aplicável ao lucro decorrente de exportações incentivadas, de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 2.413, de 10 de fevereiro de 1988; II o lucro decorrente de exportações incentivadas não será excluído da base de cálculo da contribuição social, de que trata a Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988; Art. 9º Revogamse o art. 8º da Lei nº 6.468, de 14 de novembro de 1977, o DecretoLei nº 1.692, de 29 de agosto de 1979, o § 1º do art. 17 do DecretoLei nº 2.433, de 19 de maio de 1988, alterado pelo DecretoLei nº 2.451, de 29 de julho de 1988, o nº 3 da alínea c do § 1º do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, e demais disposições em contrário. A Lei n. 8.034, de 12.04.1990, deu nova redação à alínea “c”, § 2o, art. 2o, da Lei n. 7.689/88, promovendo a elevação da base de cálculo da CSL para inclusão dos itens ali arrolados, para os resultados apurados a partir de 01.01.1990: Art. 2º A alínea c do § 1º do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 2º....................................................................... 1º.................................................................................. c ) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: 1 adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; 2 adição do valor de reserva de reavaliação, baixada durante o períodobase, cuja contrapartida não tenha sido computada no resultado do períodobase; 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; 4 exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; 5 exclusão dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; 6 exclusão do valor, corrigido monetariamente, das provisões adicionadas na forma do item 3, que tenham sido baixadas no curso de períodobase. A Lei n. 8.114, de 12.12.90, fixou a alíquota de 15% de CSL para as instituições financeiras: Art. 11. A partir do exercício financeiro de 1991, as instituições referidas no artigo 1º do Decretolei nº 2.426, de 07 de abril de 1988, pagarão a contribuição prevista no artigo 3º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, à alíquota de quinze por cento. Fl. 643DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 644 36 O Decreto n. 332, de 04.11.1991, ao regular a Lei nº 8.200 de 28.06.1991, fixou novas regras para a base de cálculo da contribuição social a incidir sobre os resultados de 31.12.91, determinando a adição dos valores referentes à parcela dos encargos de depreciação, amortização, exaustão, ou do custo de bem baixado a qualquer título, que corresponder à diferença de correção monetária pelo IPC e pelo BTN Fiscal: Art. 41. 0 resultado da correção monetária de que trata este capítulo não influirá na base de cálculo da contribuição social (Lei nº 7.689/88 e do imposto de renda na fonte sobre o lucro líquido (Lei nº 7.713/88, art. 35). § 1º Caso o resultado seja credor, sua distribuição a sócio ou acionista pessoa física acarretará a cobrança do imposto de renda na fonte, calculado segundo o previsto no art. 25 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, devendo essa incidência ocorrer, também, na hipótese da redução do capital aumentado com parcela do referido resultado, na proporção do valor da redução. § 2º Os valores a que se refere o art. 39, computados em conta de resultado, deverão ser adicionados ao lucro líquido na determinação da base de cálculo da contribuição social (Lei nº 7.689/88) e do imposto sobre o lucro líquido (Lei nº 7.713/88, art. 35). 3º Não será atribuído custo às ações ou quotas recebidas em bonificação pelos acionistas ou sócios em razão da capitalização do saldo credor da correção monetária das contas referidas neste capítulo. Em 24.07.1991, a Lei n. 8.212 elevou a alíquota geral da CSL de 8% para 10% e fixou a alíquota de 15% de CSL todas as pessoas jurídicas cuja constituição, organização funcionamento e operações são fiscalizadas pela SUSEP, atribuindo, assim, mesmo tratamento dado às instituições financeiras: Art. 23. As contribuições a cargo da empresa provenientes do faturamento e do lucro, destinadas à Seguridade Social, além do disposto no art. 22, são calculadas mediante a aplicação das seguintes alíquotas: I 2% (dois por cento) sobre sua receita bruta, estabelecida segundo o disposto no § 1º do art. 1º do Decretolei nº 1.940, de 25 de maio de 1982, com a redação dada pelo art. 22, do Decretolei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, e alterações posteriores; 9 II 10% (dez por cento) sobre o lucro líquido do períodobase, antes da provisão para o Imposto de Renda, ajustado na forma do art. 2º da Lei nº 8.034, de 12 de abril de 1990. 10 § 1º No caso das instituições citadas no § 1º do art. 22 desta Lei, a alíquota da contribuição prevista no inciso II é de 15% (quinze por cento). 11 § 2º O disposto neste artigo não se aplica às pessoas de que trata o art. 25. Fl. 644DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 645 37 No mesmo ano, a Lei Complementar n. 70, de 30.12.1991, elevou a alíquota da CSL exclusivamente das instituições financeiras e para as pessoas jurídicas sujeitas à fiscalização da SUSEP, de 15% para 23%: Art. 11. Fica elevada em oito pontos percentuais a alíquota referida no § 1° do art. 23 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, relativa à contribuição social sobre o lucro das instituições a que se refere o § 1° do art. 22 da mesma lei, mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações posteriormente introduzidas. Parágrafo único. As pessoas jurídicas sujeitas ao disposto neste artigo ficam excluídas do pagamento da contribuição social sobre o faturamento, instituída pelo art. 1° desta lei complementar. Ainda naquele ano, a Lei n. 8.383, de 30.12.1991, introduziu modificações no parâmetro de atualização e prazo para pagamento da CSL, dispondo, ainda, sobre a possibilidade de compensação de créditos provenientes de pagamento indevido ou a maior: Art. 44. Aplicamse à contribuição social sobre o lucro (Lei n.° 7.689, de 1988) e ao imposto incidente na fonte sobre o lucro líquido (Lei n° 7.713, de 1988, art. 35) as mesmas normas de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas. Parágrafo único. Tratandose da base de cálculo da contribuição social (Lei n° 7.689, de 1988) e quando ela resultar negativa em um mês, esse valor, corrigido monetariamente, poderá ser deduzido da base de cálculo de mês subseqüente, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real. Art. 79. O valor do imposto de renda incidente sobre o lucro real, presumido ou arbitrado, da contribuição social sobre o lucro (Lei n° 7.689, de 1988) e do imposto sobre o lucro líquido (Lei n° 7.713, de 1988, art. 35), relativos ao exercício financeiro de 1992, períodobase de 1991, será convertido em quantidade de Ufir diária, segundo o valor desta no dia 1° de janeiro de 1992. Parágrafo único. Os impostos e a contribuição social, bem como cada duodécimo ou quota destes, serão reconvertidos em cruzeiros mediante a multiplicação da quantidade de Ufir diária pelo valor dela na data do pagamento. Art. 80. Fica autorizada a compensação do valor pago ou recolhido a título de encargo relativo à Taxa Referencial Diária (TRD) acumulada entre a data da ocorrência do fato gerador e a do vencimento dos tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, pagos ou recolhidos a partir de 4 de fevereiro de 1991. Art. 81. A compensação dos valores de que trata o artigo precedente, pagos pelas pessoas jurídicas, darseá na forma a seguir: (...) Fl. 645DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 646 38 II os valores referentes à TRD pagos em relação às parcelas da contribuição social sobre o lucro (Lei n° 7.689, de 1988), do Finsocial e do PIS/Pasep, somente poderão ser compensados com as parcelas a pagar de contribuições da mesma espécie; Art. 89. As empresas que optarem pela tributação com base no lucro presumido deverão pagar o imposto de renda da pessoa jurídica e a contribuição social sobre o lucro (Lei n° 7.689, de 1988): I relativos ao períodobase de 1991, nos prazos fixados na legislação em vigor, sem as modificações introduzidas por esta lei; II a partir do anocalendário de 1992, segundo o disposto no art. 40. A Lei n. 8.541, de 23.12.1992, por sua vez, dispôs sobre a apuração e pagamento da CSL, estatuindo a base de cálculo do tributo em 10% da receita bruta mensal para empresas tributadas com base no lucro real, optantes pelo pagamento do imposto mensal calculado por estimativa: Art. 38. Aplicamse à contribuição social sobre o lucro (Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988) as mesmas normas de pagamento estabelecidas por esta lei para o Imposto de Renda das pessoas jurídicas, mantida a base de cálculo e alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta lei. § 1° A base de cálculo da contribuição social para as empresas que exercerem a opção a que se refere o art. 23 desta lei será o valor correspondente a dez por cento da receita bruta mensal, acrescido dos demais resultados e ganhos de capital. § 2° A base de cálculo da contribuição social será convertida em quantidade de Ufir diária pelo valor desta no último dia do períodobase. § 3° A contribuição será paga até o último dia útil do mês subseqüente ao de apuração, reconvertida para cruzeiro com base na expressão monetária da Ufir diária vigente no dia anterior ao do pagamento. Art. 39. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, apurada no encerramento do anocalendário, pelas empresas referidas no art. 38, § 1°, desta lei, será convertida em Ufir diária, tomandose por base o valor desta no último dia do período. § 1° A contribuição social, determinada e recolhida na forma do art. 38 desta lei, será reduzida da contribuição apurada no encerramento do anocalendário. § 2° A diferença entre a contribuição devida, apurada na forma deste artigo, e a importância paga nos termos do art. 38, §1°, desta lei, será: a) paga em quota única, até a data fixada para entrega da declaração anual, quando positiva; Fl. 646DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 647 39 b) compensada, corrigida monetariamente, com a contribuição mensal a ser paga nos meses subseqüentes ao fixado para entrega da declaração anual, se negativa, assegurada a alternativa de restituição do montante pago a maior. A Lei n. 8.981, de 20.01.1995, aproximando ainda mais a CSL do IRPJ, introduziu os seguintes enunciados prescritivos: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o Imposto de Renda das pessoas jurídicas, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta lei. § 1º Para efeito de pagamento mensal, a base de cálculo da contribuição social será o valor correspondente a dez por cento do somatório: a) da receita bruta mensal; b) das demais receitas e ganhos de capital; c) dos ganhos líquidos obtidos em operações realizadas nos mercados de renda variável; d) dos rendimentos produzidos por aplicações financeiras de renda fixa. § 2º No caso das pessoas jurídicas de que trata o inciso III do art. 36, a base de cálculo da contribuição social corresponderá ao valor da receita bruta ajustada, quando for o caso, pelo valor das deduções previstas no art. 29. § 3º A pessoa jurídica que determinar o Imposto de Renda a ser pago em cada mês com base no lucro real (art. 35), deverá efetuar o pagamento da contribuição social sobre o lucro, calculandoa com base no lucro líquido ajustado apurado em cada mês. § 4º No caso de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, a contribuição determinada na forma dos §§ 1º a 3º será deduzida da contribuição apurada no encerramento do período de apuração. Art. 58. Para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodosbase anteriores em, no máximo, trinta por cento. Art. 59. A contribuição social sobre o lucro das sociedades civis, submetidas ao regime de tributação de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 2.397, de 1987, deverá ser paga até o último dia útil do mês de janeiro de cada anocalendário. Art. 117. Revogamse as disposições em contrário, e, especificamente: (...) II o parágrafo único do art. 44 e o art. 47 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991; Fl. 647DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 648 40 A Lei n. 9.065, de 20.06.1995, deu nova redação à alteração outrora introduzida pela Lei 8.981/95, estabelecendo a alíquota da CSL em 9% sobre a receita bruta ajustada, especificadamente para instituições financeiras: Art. 1º Os dispositivos da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, adiante indicados, passam a vigorar com a seguinte redação: (...) Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (...) § 2º No caso das pessoas jurídicas de que trata o inciso III do art. 36, a base de cálculo da contribuição social corresponderá ao valor decorrente da aplicação do percentual de nove por cento sobre a receita bruta ajustada, quando for o caso, pelo valor das deduções previstas no art. 29. A Lei n. 9.249, de 26.12.1995, novamente alterou a alíquota da CSL, que passou a ser, em geral, de 8% e de 18% para as instituições arroladas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24.07.1991, e a base de cálculo da CSL mensal para 12% da receita bruta: Art. 19. A partir de 1º de janeiro de 1996, a alíquota da contribuição social sobre o lucro líquido, de que trata a Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, passa a ser de oito por cento. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica às instituições a que se refere o § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, para as quais a alíquota da contribuição social será de dezoito por cento. Art. 20. A partir de 1º de janeiro de 1996, a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do ano calendário. A Lei n. 9.316, de 22.11.1996, por sua vez, vedou a exclusão do valor da CSL na sua própria base de cálculo: Art. 1º O valor da contribuição social sobre o lucro líquido não poderá ser deduzido para efeito de determinação do lucro real, nem de sua própria base de cálculo. Parágrafo único. Os valores da contribuição social a que se refere este artigo, registrados como custo ou despesa, deverão ser adicionados ao lucro líquido do respectivo período de Fl. 648DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 649 41 apuração para efeito de determinação do lucro real e de sua própria base de cálculo. Art. 2. A contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas instituições a que se refere o § 1º do art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, será calculada à alíquota de dezoito por cento. A Lei n. 9.430, de 27.12.1996, em especial, determinou: Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. Art. 29 dessa última Lei determinou que a apuração da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido corresponderá [...] à soma dos valores: I – de que trata o art. 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II – os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso anterior e demais valores determinados nesta Lei, auferidos naquele mesmo período. A Lei n. 9.532, de 10.12.1997, trouxe alterações em relação a inclusões e deduções da base de cálculo da CSL: Art. 60. O valor dos lucros distribuídos disfarçadamente, de que tratam os arts. 60 a 62 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, com as alterações do art. 20 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983, serão, também, adicionados ao lucro líquido para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido. Tendo em vista que o período de apuração do presente processo administrativo se refere aos anos de 1998 a 2000, essas foram as alterações legislativas de maior relevo atinente à CSL. 2.3. Inexistência de alterações substanciais sobre a legislação enfrentada na respectiva ação judicial: manutenção do “estado de direito” objeto da ação judicial. Analiticamente, as reformas legislativas implementadas “apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídicotributária”. Nenhuma delas foi substancial a ponto de representar “modificação no estado de fato ou de direito” capaz de fazer cessar os efeitos da coisa julgada, conforme prescrito pelo art. 505, I, do CPC/2015. No que é pertinente à inconstitucionalidade formal, é possível observar que apenas uma lei complementar tutelou a CSL até o momento. A Lei Complementar 70/91, como Fl. 649DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 650 42 se viu, apenas elevou a alíquota da CSL em situações específicas, não se propondo a regrar quaisquer outros aspectos do tributo. Permanece inalterado, portanto, o estado de direito analisado pela decisão transitada em julgado, que reconheceu a aludida inconstitucionalidade formal do tributo. Materialmente, do mesmo modo, não houve reforma legislativa capaz de modificar o estado de direito declarado materialmente inconstitucional pela decisão transitada em julgado detida pelo contribuinte. As referidas reformas, como se pôde constatar, trataram de questões procedimentais, de alíquotas e de detalhes da base de cálculo. Alterações na alíquota da CSL são completamente irrelevantes, mantendo a coisa julgada sua plena eficácia. Notese que a alíquota da CSL sequer foi objeto da ação judicial transitada em julgado proposta pelo contribuinte. A inconstitucionalidade material declarada inter partes atingiu outros elementos da “regra matriz de incidência tributária”12: o critério material, do antecedente normativo (hipótese de incidência, fato gerador), e o seu desdobramento na base de cálculo, do consequente normativo (obrigação tributária). Da autoridade da coisa julgada defluem efeitos que atingem etapas anteriores à aplicação da alíquota no processo de aplicação do Direito: como a decisão transitada em julgado impede a incidência da CSL sobre o contribuinte, então a alíquota, que seria relevante caso fosse possível a incidência da norma de incidência tributária, tornase de todo irrelevante. As alterações realizadas na base de cálculo da CSL igualmente não foram capazes de modificar o estado de direito tutelado pela ação judicial detida pelo contribuinte: referida norma individual e concreta impede que a CSL tenha como hipótese de incidência substrato que se sobreponha à hipótese de incidência do IRPJ, afastando a possibilidade de cobrança da contribuição. Por consequência, alterações pontuais na base de cálculo da CSL, que em nada modificaram a aludida sobreposição da CSL e do IRPJ, em nada modificam o estado de direito tutelado pela coisa julgada. Desde a sua criação até os tempos atuais, a CSL não alterou a sua hipótese de incidência: a pessoa jurídica domiciliada no Brasil (e as que lhe forem equiparadas) que vier a auferir lucro deverá apurar e recolher a contribuição social. Nem sequer uma única reforma foi realizada no art. 1o da Lei 7.689/88, que prescreve o aspecto material da hipótese de incidência da CSL, qual seja, auferir lucro (“Art. 1º Fica instituída contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, destinada ao financiamento da seguridade social”.) Também permaneceram inalterados elementos da obrigação tributária impugnados na ação transitada em julgado devido à sua conexão com o elemento material da hipótese de incidência da CSL. Nenhuma alteração tampouco foi realizada no caput do art. 2o da Lei 7.689/88, segundo o qual “a base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, o qual deve ser considerado antes mesmo da provisão para o imposto de renda. Em especial, o § 1º, “c”, embora tenha ganho nova redação em 1989, 1990 e 2014, mantevese essencialmente inalterado. Conforme a Lei 7.689/88, o art. 2o, § 1º, “c”, seja em sua redação original ou em sua mais atual, a base de cálculo da CSL consiste basicamente no “o resultado do período base, apurado com observância da legislação comercial”, ajustado por adições, exclusões e compensações. 12 Vide: CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário, linguagem e método. São Paulo: Noeses, 2011. Fl. 650DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 651 43 A mesma diretriz da redação original da Lei 7.689 permanece inalterada desde a sua publicação, em 1988: a base de cálculo da CSL corresponde a acréscimos patrimoniais, ao “lucro” reconhecido pela legislação de regência. A sobreposição com o IRPJ é evidente e jamais deixou de existir. Embora seja possível argumentar que a Lei Complementar tenha outorgado possibilidades até mais amplas, não há dúvida que o legislador ordinário utiliza sistematicamente, como diretriz central do IRPJ, a teoria da renda enquanto acréscimo patrimonial. A constatação é pragmática: as regras do imposto de renda brasileiro, de forma geral, conduzem a uma base tributável que tende ao acréscimo patrimonial realizado pelo contribuinte em um determinado intervalo de tempo. Na sistemática do lucro real, a base de cálculo do IRPJ corresponde ao “lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas” por lei. Da mesma forma da CSL, ainda, prevê a legislação que o lucro líquido será apurado “com observância das disposições das leis comerciais”.13 Novamente, portanto, constatase que a ação judicial transitada em julgado, por ter questionado justamente a sobreposição da hipótese de incidência da CSL e do IRPJ, permanece com plena eficácia técnica para normatizar o mesmo estado de direito da época de seu julgamento. É contundente notar que muitas das alterações realizadas sobre a base de cálculo da CSL se prestaram com constância para alinhála à base de cálculo do IRPJ. Tais alterações apenas evidenciam que a CSL e o IRPJ sempre permaneceram com hipóteses de incidência e bases de cálculo sobrepostas. Essa mesma conclusão foi alcançada pelo Colegiado desta CSRF a respeito dessa temática. Na Sessão de 20.01.2015, quando se prolatou o acórdão n. 9101002.087, o voto do i. Conselheiro Relator deu destaque à questão nos seguintes termos: “Ressaltese que a decisão que ampara o contribuinte foi no sentido da inconstitucionalidade da Lei no 7.689/884, na parte em que tomou o mesma fato gerador e base de cálculo do Imposto de Renda das pessoas jurídicas, no caso o lucro. E, apesar de todas as alterações, a Contribuição Social manteve como fato gerador e base de cálculo, o LUCRO”. Mais evidente ainda é a insignificância, ao presente caso, das alterações de natureza meramente procedimental, atinentes à data ou à forma de recolhimento do tributo. Ao analisar o período compreendido entre 1988 e meados de 2005, TÉRCIO SAMPAIO FERRAZ JR14 obteve a mesma conclusão, explicitando fundamentos irretocáveis, in verbis: “(...) para haver mudança nos ‘termos da relação’ é preciso que a modificação daquela consequência ocorra por força da modificação do fato gerador e não por simples alteração da alíquota, mantendose a mesma hipótese de incidência. Ora, a Lei n. 7.689/88 foi, de fato, submetida a inúmeras modificações. Nenhuma delas, porém alterou os ‘termos da 13 Decreto 3000/00 (Regulamento do Imposto de Renda), art. 247; DecretoLei no 1.598, de 1977, art. 6; Lei no 8.981, de 1995, art. 37, §1. 14 FERRAZ JR., Tércio Sampaio. Coisa julgada em matéria tributária e as alterações sofridas pela legislação da contribuição social sobre o lucro Lei n. 7.689/88. In: Revista Dialética de Direito Tributário, n. 125. São Paulo: Dialética, 2006, p. 90 e seg. Fl. 651DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 652 44 relação’, de modo que, por se tratar de norma nova, pudesse ser ignorada a decisão transitada em julgado. (...) Ora, essa insistência na manutenção das demais normas da referida Lei aponta, justamente, para o cerne do esquema de ação julgado inconstitucional, cuja sentença transitou em julgado. Esse cerne do esquema de ação julgado inconstitucional, cuja sentença transitou em julgado. Esse cerne está em que a Lei n. 7.689/88 é, toda ela, inconstitucional por violação dos artigos 146 – III, 154 – I, 165 §5º, inc. III e 195, §§4º e 5º da Constituição Federal de 1988. Não se trata de inconstitucionalidade por elevação de alíquota ou aumento de tributo por alteração da base de cálculo, nem por ilegalidade nas disposições referentes à sua apuração etc. O cerne diz respeito à instituição de contribuição social por lei ordinária, por seu fato gerador ou sua base de cálculo coincidirem com impostos ou contribuições já existentes (lucro das pessoas jurídicas) e nesse cerne não se vê alterado pela legislação posterior que, a esse respeito, mantém as normas da Lei n. 7.689/88, o que, inclusive, é, reiterada e expressamente, disposto. (...) Em suma, devese entender que o caso da lei que instituiu a Contribuição sobre o Lucro Líquido (Lei n. 7.689/88) é exemplo típico de alteração legislativa que, por cingirse a alterações nominais e acessórias, que não modificam o estado de fato ou de direito (CPC, art. 471, I) existente à época de sua edição, não caracteriza alteração de regime jurídico, não podendo prejudicar a coisa julgada.” Concluise, portanto, que NÃO houve reforma legislativa para a introdução de alterações substanciais, capazes de inaugurar um novo esquema normativo com a modificação do estado de direito que foi objeto da ação judicial proposta pelo contribuinte e que goza da autoridade da coisa julgada. 2.4. O REsp 1.118.893, decidido pelo STJ sob a sistemática dos recursos repetitivos (CPC/73, art. 543C, CPC/2015, arts. 1.036 a 1.040). A fundamentação deste voto, até aqui exposta, poderia ser suplantada com fundamento no art. 62, § 2o, do RICARF. Ocorre que o STJ, sob a sistemática dos recursos repetitivos, por meio do REsp 1.118.893, assentou decisão exatamente sobre o tema ora sob julgamento, como se observa de sua ementa: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RITO DO ART. 543C DO CPC. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO CSLL. COISA JULGADA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88 E DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICOTRIBUTÁRIA. SÚMULA 239/STF. ALCANCE. OFENSA AOS ARTS. 467 E 471, CAPUT, DO CPC CARACTERIZADA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL Fl. 652DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 653 45 CONFIGURADA. PRECEDENTES DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. 1. Discutese a possibilidade de cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro CSLL do contribuinte que tem a seu favor decisão judicial transitada em julgado declarando a inconstitucionalidade formal e material da exação conforme concebida pela Lei 7.689/88, assim como a inexistência de relação jurídica material a seu recolhimento. 2. O Supremo Tribunal Federal, reafirmando entendimento já adotado em processo de controle difuso, e encerrando uma discussão conduzida ao Poder Judiciário há longa data, manifestouse, ao julgar ação direta de inconstitucionalidade, pela adequação da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, ao texto constitucional, à exceção do disposto no art 8º, por ofensa ao princípio da irretroatividade das leis, e no art. 9º, em razão da incompatibilidade com os arts. 195 da Constituição Federal e 56 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT (ADI 15/DF, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Tribunal Pleno, DJ 31/8/07). 3. O fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade. 4. Declarada a inexistência de relação jurídicotributária entre o contribuinte e o fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, afastase a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência. 5. Afirmada a inconstitucionalidade material da cobrança da CSLL, não tem aplicação o enunciado nº 239 da Súmula do Supremo Tribunal Federal, segundo o qual a “Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores” (AgRg no AgRg nos EREsp 885.763/GO, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, Primeira Seção, DJ 24/2/10). 6. Segundo um dos precedentes que deram origem à Súmula 239/STF, em matéria tributária, a parte não pode invocar a existência de coisa julgada no tocante a exercícios posteriores quando, por exemplo, a tutela jurisdicional obtida houver impedido a cobrança de tributo em relação a determinado período, já transcorrido, ou houver anulado débito fiscal. Se for declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo, não há falar na restrição em tela (Embargos no Agravo de Petição 11.227, Rel. Min. CASTRO NUNES, Tribunal Pleno, DJ 10/2/45). 7. "As Leis 7.856/89 e 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e 8.541/92 apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídicotributária. Por isso, está impedido o Fisco de cobrar a Fl. 653DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 654 46 exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito à coisa julgada material" (REsp 731.250/PE, Rel. Min. ELIANA CALMON, Segunda Turma, DJ 30/4/07). 8. Recurso especial conhecido e provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ. (REsp 1118893/MG, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 23/03/2011, DJe 06/04/2011) O STJ delimitou com clareza o objeto do REsp 1.118.893, que tem abrangência para tutelar, conforme as regras dos recursos repetitivos (CPC/2015, art. 543C), “decisão judicial transitada em julgado declarando a inconstitucionalidade formal e material da exação conforme concebida pela Lei 7.689/88, assim como a inexistência de relação jurídica material a seu recolhimento”. 2.4.1. A construção da norma geral e concreta emanada do STJ pelo rito dos recursos repetitivos: a ratio decidendi do REsp 1.118.893 que vincula os Conselheiros do CARF. “Esta conclusão é inexorável em virtude da função que para nós exerce o STJ ao julgar o recurso especial: impor, ao resto do país, a obediência à interpretação que lhe parece a melhor (e, portanto, a única correta) acerca da lei federal”. TERESA ARRUDA ALVIM WAMBIER15 Os mecanismos processuais, vocacionados a oferecer aos indivíduos segurança e efetividade na composição de conflitos, vêm experimentando constante evolução no Direito brasileiro. E é esse o contexto do advento da Lei 11.672, de 08.05.2008 que, ao introduzir o art. 543C ao CPC/73, regulamentou, no âmbito do STJ, o rito dos chamados “recursos repetitivos” ou “recursos representativos de controvérsia”. No CPC/2015, o rito dos recursos repetitivos passou a constar em seus arts. 1.036 a 1.040, com alterações pontuais. Em comum no CPC de 1973 e no de 2015, há dois elementos fundamentais na aplicação do rito dos recursos repetitivos: (i) multiplicidade de recursos sobre a matéria. Por meio deste aspecto quantitativo, fazse a segregação dos casos que seguirão o procedimento comum dos recursos especiais submetidos ao STJ daqueles afetados ao rito dos recursos repetitivos. (ii) idêntica questão de direito. As matérias afetadas pelo rito dos recursos repetitivos versam sobre questões de direito, de tal forma que a respectiva decisão do STJ terá eficácia sobre outras ações que apresentem pedido e causa de pedir equivalentes, sendo indiferentes aspectos subjetivos. Em uma espécie de julgamento por amostragem, são levados à apreciação dos i. Ministros do STJ tantos recursos especiais quanto sejam necessários para a “mais precisa percepção possível não apenas da questão de direito cuja relevância há de se aferir, como também do conflito em que ela se insere” 16. Os casos selecionados devem propiciar a 15 WAMBIER, Teresa Arruda Alvim. Recurso especial, recurso extraordinário e ação rescisória. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2008 , p. 266. 16 TALAMINI, Eduardo. Julgamento de recursos no STJ ‘por amostragem’. Informativo Justen, Pereira Oliveira e Talamini, 2008. Disponível em www.justen.com.br/informativo. Fl. 654DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 655 47 ventilação dos mais relevantes argumentos no tocante a interpretação que deve ser atribuída à legislação federal, pois a norma decorrente do julgamento proclamado pelo STJ deverá ser aplicada a todos os demais casos que apresentem questão de direito equivalente. Atribuise à decisão do STJ, então, a feição de precedente com “força necessária para servir como ratio decidendi para o juiz subsequente”17. A norma enunciada pelo STJ, por meio de julgamento conduzido conforme o rito dos recursos repetitivos, deverá ser aplicada à generalidade dos processos que, em massa, forem conduzidos perante o Poder Judiciário, com uma decisão in concreto sobre a questão controvertida (ratio decidendi). Tratase, portanto, de norma geral e concreta18. A força vinculante das referidas decisões condiz com a função do STJ de corte uniformizadora, obrigando a todos “em favor da segurança jurídica que o ordenamento deve e precisa proporcionar aos que convivem no grupo social, como o fazem as normas de caráter geral positivadas pela função legislativa”19. E é de natural relevância ao presente julgamento notar que a norma em questão, emanada do STJ, não têm eficácia apenas perante os membros do Poder Judiciário. A referida ratio decidendi pode também influenciar os julgamentos de Tribunais Administrativos, como é o caso do CARF. São relevantes as observações de SAMUEL MEIRA BRASIL JUNIOR20, in verbis: “Mas e a administração pública? Poderíamos dizer que a administração pública não está obrigada a seguir o entendimento do STJ? Poderíamos sustentar que a interpretação do STJ sobre determinada lei não precisa ser observada pela administração pública? Haveria espaço para “dois direitos” – se é que podemos chamar assim , um ditado pelo STJ, outro advindo de interpretação contrária da administração pública? O STJ pode dizer que determinada exação tributária não incide e a administração pública pode dizer que incide, porque as decisões do STJ não vinculam? Os órgãos administrativos podem se recusar a reconhecer uma vantagem funcional (ou a reconhecê la, e for o caso), quando os precedentes do STJ dizem o contrário? A administração pública pode insistir em manter um procedimento licitatório quando o STJ afirma que um requisito essencial, com a falta de competitividade, não foi atendido? (...) A resposta a todas essa perguntas é um sonoro e convicto não! Não há como reconhecer a existência de duas interpretações para um só direito. A interpretação divergente de lei federal dada pela administração pública causa grave insegurança jurídica e acarreta a multiplicação desnecessária de processos. A interpretação unificadora do direito federal dada pelo STJ dever ser impositivamente observada, inclusive pela 17 MESQUITA, José Ignácio Botelho et al. A repercussão geral e os recursos repetitivos: economia, direito e política, In: Revista de Processo, São Paulo, v. 38, n. 220, p. 1332, jun. 2013, p. 29. 18 Vide: CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário: fundamentos jurídicos da incidência. 7ª ed. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 3541. 19 PASSOS, Calmon de. Súmula vinculante. Revista do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, v. 9, n. 1, jan. mar. 1997, p. 163176. 20BRASIL JUNIOR, Samuel Meira, Precedentes vinculantes e jurisprudência dominante na solução das controvérsias. Tese de doutorado apresentada à Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. São Paulo, USP, 2010, p. 299300. Fl. 655DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 656 48 administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Se o tributo é inexigível, então a respectiva pessoa jurídica de direito público não poderá reclamálo, justificando que os precedentes do STJ não são vinculantes. O mesmo argumento pode ser usado para as demais relações com a administração pública, sejam funcionais, contratuais ou outra qualquer. Portanto, não se compreende o porque da administração pública não estar vinculada aos precedentes do STJ. É dizer que os juízes não podem decidir contra o STJ, mas a administração pública pode. Ora, isso é incongruente! Como justificar essa dualidade de ações? O direito é um só, seja aplicado pela administração pública, seja aplicado pelos juízes. Não é possível dizer que um sistema normativo convive com dois ‘direitos’ distintos, aquele dos juízes e aquele da administração pública.” Em especial, o art. 62, § 2o, do RICARF, obriga aos seus Conselheiros que reproduzam as decisões do Supremo Tribunal Federal (doravante “STF”) e do STJ, desde que tenham sido proferidas pela sistemática da repercussão geral (CPC/73, art. 543B) e dos recursos repetitivos (CPC/73, art. 543C). O STJ, ao determinar a observância do REsp 1.118.893 conforme o regime dos recursos repetitivos, considerou o contexto da criação da CSL pela Lei n. 7.689/88 e de alterações legislativas realizadas na sua matriz legal. A decisão proferida prescreveu a sua abrangência a todas as situações em que leis supervenientes “apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídicotributária”. Esse é o critério de distinção estabelecido no REsp 1.118.893, representando o núcleo da ratio decidendi dotada de efeito vinculante e que, por dever de ofício, estão os julgadores do CARF obrigados a reproduzir. Além da enunciação da norma geral e concreta sob o regime dos recursos repetitivos (ratio decidendi), também foi prolatada norma individual e concreta no julgamento do REsp 1.118.893, direcionada às partes do respectivo processual judicial cujo recurso especial foi selecionado. Naturalmente, a decisão individual e concreta em questão obedeceu a ratio decidendi de todos os demais litígios que versem sob a matéria. Ao aplicar a ratio decidendi consagrada pelo rito dos recursos repetitivos àquele caso concreto, o STJ observou que os períodos de apuração cuja cobrança pretendia o fisco correspondiam a 1991 e 1992. Desse modo, adotandose para o caso em questão o critério indicado para todos os demais casos que tratem da matéria, o STJ investigou a Lei n. 7.856/89, a Lei n. 8.034/90, a LC n. 70/91, a Lei n. 8.212. , a Lei n. 8.383/91 e a Lei n. 8.541/92, constando que nenhuma delas teve o condão de alterar de substancialmente o tributo que houvera sido objeto de decisão transitada em julgado, mas apenas modificaram alíquotas, alguns detalhes da base de cálculo ou dispuseram sobre a forma de pagamento. Para o caso concreto, então, concluiu que, “Por isso, está impedido o Fisco de cobrar a exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito à coisa julgada material”. Desse modo, não se pode confundir (i) a ratio decidendi da norma geral e concreta emanada pelo STJ conforme o rito dos recursos repetitivos, cuja reprodução é dever de ofício dos julgadores do CARF, (ii) com a norma individual e concreta veiculada no REsp 1.118.893 para a resolução do litígio estabelecido naquele específico processo, a qual consistiu na aplicação da ratio decidendi ao específico período de apuração ali discutido e cujo resultado interessa apenas às partes litigantes. Fl. 656DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 657 49 No presente julgamento administrativo, os valores exigidos do contribuinte a título de CSL se referem ao período de 1998 a 2000, fazendose necessário, então, verificar a natureza das alterações legislativas realizadas na matriz legal do tributo até esse período. Esse exercício, como se viu, decorre da necessidade da adoção do critério enunciado pelo STJ para a aplicação do REsp 1.118.893 à massa de casos concretos tutelados pelo regime dos recursos repetitivos (ratio decidendi). Nesse mesmo sentido vem decidindo esta CSRF, como se constata dos acórdãos a seguir ementados CSRF, Sessão de 20.01.2015, acórdão n. 9101002.087. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2005 RELAÇÃO JURÍDICO TRIBUTÁRIA CONTINUATIVA. DECISÃO TRANSITADA EM JULGADA EM AÇÃO JUDICIAL QUE DECLARA A INCONSTITUCIONALIDADE DA EXIGÊNCIA DA CSLL NOS TERMOS DA LEI Nº 7.689/88. COISA JULGADA. DECISÃO POSTERIOR EM AÇÃO DIRETA DE CONSTITUCIONALIDADE. EFEITOS. ALCANCE TEMPORAL. RECURSO ESPECIAL 1.118.893 MG (2009/00111359), SUBMETIDO AO REGIME DO ARTIGO 543C DO CPC. ARTIGO 62 A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Segundo entendimento do STJ proferido no julgamento do Recurso Especial 1.118.893 MG, submetido ao artigo 543 C do CPC: Nos casos que envolvem relação jurídico tributária continuativa, a decisão transitada em julgado, declarando a inexistência de relação jurídico tributária entre o contribuinte e o fisco, faz coisa julgada em relação a períodos posteriores. Nos casos em que há decisão judicial transitada em julgado, em controle difuso, declarando a inexistência de relação jurídico tributária entre o contribuinte e o fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade de lei que instituiu determinado tributo, a decisão posterior, em controle concentrado, mediante Ação Declaratória de Constitucionalidade, em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada. CSRF. Sessão de 04.06.2012. Acórdão n. 9101001.369 LIMITES DA COISA JULGADA – Tendo o Superior Tribunal de Justiça, sob a sistemática dos chamados Recursos Repetitivos, reconhecido, na espécie, a efetiva ofensa à coisa julgada, nas hipóteses em que a decisão obtida pelo contribuinte reconhece a inconstitucionalidade incidenter tantum da exigência da CSLL originalmente, pelas disposições da Lei 7689/88 , sejalhe exigida, agora, com a simples referência à existência de diplomas normativos posteriores que rege a matéria, deve os conselheiros desta Corte, reproduzir tal entendimento no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, a teor do disposto no art. 62A do Regimento Fl. 657DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 658 50 É, portanto, equivocado cogitar que o REsp 1.118.893, julgado sob o rito dos recursos repetitivos, teria eficácia técnica para alcançar exclusivamente lançamentos tributários realizados até os anos de 1991 e 1992. Tal interpretação destoa dos propósitos de segurança jurídica e de pacificação social em nossa sociedade de massa que justificam os recursos repetitivos, de forma a conduzir para a insegurança jurídica e, em última análise, ao abarrotamento do Poder Judiciário, cuja única solução possível – ao menos diante dos elementos atuais do sistema jurídico brasileiro – será a aplicação do REsp 1.118.893. A ratio decidendi da norma competente emanada pelo STJ, como se evidenciou acima, é perfeitamente aplicável a quaisquer períodos, especialmente porque, até a presente data, não houve de fato alteração ao estado de direito atinente à CSL. 3. Os efeitos da ADIn. 15 sobre a coisa julgada detida pelo contribuinte. Como não foram realizadas modificações substanciais na matriz legal da CSL, mantendose o estado de direito tutelado pela ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária n. 90.0049326, deve ser acatada a autoridade da coisa julgada. A essa norma individual e concreta prescrita pela decisão judicial transitada em julgada deve ser dada plena eficácia, salvo na hipótese de uma outra decisão competente do Poder Judiciário lhe retira do sistema. Para a solução do caso ora sob julgamento, portanto, é fundamental analisar a necessidade de ação rescisória para desconstituir a coisa julgada ou, como se sustenta no Parecer PGFN/CRJ n. 492/2011, se da ADIn n. 1521, julgada pelo STF em 2007, surtiriam efeitos para desconstituir automaticamente a decisão transitada em julgado detida pelo contribuinte. 3.1. O respeito à coisa julgada e a essencialidade de nova norma individual e concreta decorrente de ação rescisória. “(...) se a rescisória é cabível, é, antes, necessária; sendo necessária, não se pode, fora dela, obterse o efeito jurídico que só por ela se pode licitamente obter.” ADA PELLEGRINI GRINOVER22 21 STF, ADI 15, Relator Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Tribunal Pleno, julgado em 14.06.2007, publicado em 31.08.2007. Ementa: ADIn: legitimidade ativa: "entidade de classe de âmbito nacional" (art. 103, IX, CF): compreensão da "associação de associações" de classe. Ao julgar, a ADIn 3153AgR, 12.08.04, Pertence, Inf STF 356, o plenário do Supremo Tribunal abandonou o entendimento que excluía as entidades de classe de segundo grau as chamadas "associações de associações" do rol dos legitimados à ação direta. II. ADIn: pertinência temática. Presença da relação de pertinência temática, pois o pagamento da contribuição criada pela norma impugnada incide sobre as empresas cujos interesses, a teor do seu ato constitutivo, a requerente se destina a defender. III. ADIn: não conhecimento quanto ao parâmetro do art. 150, § 1º, da Constituição, ante a alteração superveniente do dispositivo ditada pela EC 42/03. IV. ADIn: L. 7.689/88, que instituiu contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, resultante da transformação em lei da Medida Provisória 22, de 1988. 1. Não conhecimento, quanto ao art. 8º, dada a invalidade do dispositivo, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal, em processo de controle difuso (RE 146.733), e cujos efeitos foram suspensos pelo Senado Federal, por meio da Resolução 11/1995. 2. Procedência da arguição de inconstitucionalidade do artigo 9º, por incompatibilidade com os artigos 195 da Constituição e 56, do ADCT/88, que, não obstante já declarada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 150.764, 16.12.92, M. Aurélio (DJ 2.4.93), teve o processo de suspensão do dispositivo arquivado, no Senado Federal, que, assim, se negou a emprestar efeitos erga omnes à decisão proferida na via difusa do controle de normas. 3. Improcedência das alegações de inconstitucionalidade formal e material do restante da mesma lei, que foram rebatidas, à exaustão, pelo Supremo Tribunal, nos julgamentos dos RREE 146.733 e 150.764, ambos recebidos pela alínea b do permissivo constitucional, que devolve ao STF o conhecimento de toda a questão da constitucionalidade da lei. 22 GRINOVER, Ada Pellegrini. A marcha do processo. Rio de Janeiro : Forense, 2000, p. 335. Fl. 658DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 659 51 A hipótese de ajuizamento de ação rescisória para a desconstituição da coisa julgada, em face de pronunciamento definitivo do STF em sentido contrário, pode encontrar fundamento no art. 485, V, do CPC/73 Art. 485. A sentença de mérito, transitada em julgado, pode ser rescindida quando: (...) V violar literal disposição de lei; O CPC/2015 trata da ação rescisória especialmente em seu no art. 966. O inciso V desse dispositivo assim dispõe: Art. 966. A decisão de mérito, transitada em julgado, pode ser rescindida quando: (...) V violar manifestamente norma jurídica; O CPC/2015 também traz uma novidade aplicável à hipótese de execuções ajuizadas pelo particular contra as fazendas públicas. Art. 535. A Fazenda Pública será intimada na pessoa de seu representante judicial, por carga, remessa ou meio eletrônico, para, querendo, no prazo de 30 (trinta) dias e nos próprios autos, impugnar a execução, podendo arguir: (...) § 5. Para efeito do disposto no inciso III do caput deste artigo, considerase também inexigível a obrigação reconhecida em título executivo judicial fundado em lei ou ato normativo considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, ou fundado em aplicação ou interpretação da lei ou do ato normativo tido pelo Supremo Tribunal Federal como incompatível com a Constituição Federal, em controle de constitucionalidade concentrado ou difuso. § 6. No caso do § 5, os efeitos da decisão do Supremo Tribunal Federal poderão ser modulados no tempo, de modo a favorecer a segurança jurídica. § 7. A decisão do Supremo Tribunal Federal referida no § 5 deve ter sido proferida antes do trânsito em julgado da decisão exequenda. § 8. Se a decisão referida no § 5 for proferida após o trânsito em julgado da decisão exequenda, caberá ação rescisória, cujo prazo será contado do trânsito em julgado da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal. Esse é o único exemplo previsto no Direito positivo para que haja a desconstituição de decisão transitada em julgado sem o manejo de ação rescisória: como resposta à execução forçada do particular para o recebimento de devolução de tributo declarado inconstitucional por decisão transitada em julgado após decisão do STF que tenha definitivamente julgado constitucional a cobrança. Fl. 659DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 660 52 A doutrina processualista é incisiva neste sentido. Confirase o magistério de HUMBERTO THEODORO JÚNIOR23: “Só por meio de outra decisão judicial é que, nos termos do próprio art. 471, I, do CPC, se admite reconhecer a cessação de eficácia de uma sentença transitada em julgado. O efeito da declaração de constitucionalidade ou de inconstitucionalidade não apaga, automaticamente, a coisa julgada. Em nome da segurança jurídica, a parte, para se subtrair à força da res iudicata, haverá de se valer da ação rescisória, ou de outro remédio processual equivalente, desde que ainda não atingido por preclusão ou decadência. É nesse sentido que se estabeleceu solidamente a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal.” Na mesma linha, assevera LEONARDO GRECO24: “A segurança jurídica, como direito fundamental, é limite que não permite a anulação do julgado com fundamento na decisão do STF. O único instrumento processual cabível para essa anulação, quanto aos efeitos já produzidos pela sentença transitada em julgado, é a ação rescisória, se ainda subsistir prazo para sua propositura.” Em igual sentido, NELSON NERY JÚNIOR25 leciona: “O sistema jurídico brasileiro não admite a relativização (rectius: desconsideração) da coisa julgada fora dos casos autorizados em numeros clausus, pois nesse caso houve negação do fundamento da república do Estado democrático de Direito (art. 1º, caput, da CF), que é formado, entre outros elementos, pela autoridade da coisa julgada.” Dado o seu caráter excepcional, as restritas hipóteses de cabimento da ação rescisória há tempos é objeto de controle do STF. Assim, na Sessão Plenária de 13.12.1963, o STF proclamou a sua Súmula n. 343, que restou assim ementada: “Não cabe ação rescisória por ofensa a literal disposição de lei, quando a decisão rescindenda se tiver baseado em texto legal de interpretação controvertida nos tribunais. A essência desse antigo enunciado sumular consiste na compreensão de que não se pode considerar que uma decisão transitada em julgado ofenda literal disposição de lei quando, no tempo de sua prolação, os Tribunais do país apresentavam entendimentos divergentes quanto ao conteúdo normativo controvertido. Se havia dissenso jurisprudencial, 23 THEODORO JR., Humberto. Coisa julgada em matéria fiscal lastreada em reconhecimento de inconstitucionalidade de lei – posterior declaração positiva de constitucionalidade da mesma lei pelo STF – efeitos. In: Revista Síntese de Direito Civil e Direito Processual Civil, n. 80, nov./dez. 2012, p. 99100. 24GRECO, Leonardo. Eficácia da declaração erga omnes de constitucionalidade ou inconstitucionalidade em relação à coisa julgada anterior, relativização da coisa julgada – enfoque crítico. Salvador: Jus Podivm, 2004, p. 156. 25 NERY JR., Nelson. Coisa julgada e estado democrático de direito. In: Estudos em homenagem à Profª Ada Pellegrini Grinover. YARSHELL, Flavio Luiz et al (coord.). São Paulo: DPJ editora, 2005, p. 727. Nelson Nery, ainda aduz que em “havendo choque entre esses dois valores(justiça da sentença e segurança das relações sociais e jurídicas), o sistema constitucional brasileiro resolve o choque, optando pelo valor segurança (coisa julgada) que deve prevalecer em relação à justiça que será sacrificada.” (op. cit., p. 717). Fl. 660DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 661 53 não seria possível afirmar ser “manifesta” a violação normativa. Assim se verificando, nos termos da Súmula n. 343 do STF, a ação rescisória fundada em ofensa a literal disposição de lei, em violação manifesta da norma jurídica, deve ser julgada improcedente ou sequer ser conhecida. Sob o rito da repercussão geral, a referida Súmula n. 343 foi objeto de interpretação e, sob uma certa perspectiva, aparente flexibilização pela Suprema Corte. Assim restou ementado o RE 590.809, de 22.10.2014: AÇÃO RESCISÓRIA VERSUS UNIFORMIZAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA. O Direito possui princípios, institutos, expressões e vocábulos com sentido próprio, não cabendo colar a sinonímia às expressões “ação rescisória” e “uniformização da jurisprudência”. AÇÃO RESCISÓRIA – VERBETE Nº 343 DA SÚMULA DO SUPREMO. O Verbete nº 343 da Súmula do Supremo deve de ser observado em situação jurídica na qual, inexistente controle concentrado de constitucionalidade, haja entendimentos diversos sobre o alcance da norma, mormente quando o Supremo tenha sinalizado, num primeiro passo, óptica coincidente com a revelada na decisão rescindenda. (STF, RE 590809, Relator Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 22/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe230 DIVULG 2111 2014 PUBLIC 24112014) Não obstante a prolação de decisão de mérito sob o rito da repercussão geral no RE 590.809, o STF aparentemente prossegue com a adoção de interpretação restritiva quanto às hipóteses de cabimento da ação rescisória. Destacase, nesse sentido, o posterior julgamento do segundo Agravo Regimental na Ação Rescisória n. 1415, de 09.04.2015, assim ementado: SEGUNDO AGRAVO REGIMENTAL NA AÇÃO RESCISÓRIA. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO A LITERAL DISPOSIÇÃO DE LEI. SÚMULA 343 DO STF. INCIDÊNCIA TAMBÉM NOS CASOS EM QUE A CONTROVÉRSIA DE ENTENDIMENTOS SE BASEIA NA APLICAÇÃO DE NORMA CONSTITUCIONAL. PRECEDENTE. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Não cabe ação rescisória, sob a alegação de ofensa a literal dispositivo de lei, quando a decisão rescindenda se tiver baseado em texto legal de interpretação controvertida nos tribunais, nos termos da jurisprudência desta Corte. 2. In casu, incide a Súmula 343 deste Tribunal, cuja aplicabilidade foi recentemente ratificada pelo Plenário deste Tribunal, inclusive quando a controvérsia de entendimentos se basear na aplicação de norma constitucional (RE 590.809, Rel. Min. Marco Aurélio, DJe de 24/11/2014). 3. Agravo regimental a que se nega provimento. (STF, AR 1415 AgRsegundo, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 09/04/2015, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe079 DIVULG 28042015 PUBLIC 2904 2015) Fl. 661DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 662 54 Merece destaque, ainda, o julgamento do Agravo Regimental na Ação Rescisória n. 2370, julgada pelo STF em 22/10/2015, assim ementado: AÇÃO RESCISÓRIA. ART. 485, V, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. RESCISÃO DE ACÓRDÃO QUE APLICOU JURISPRUDÊNCIA DO STF POSTERIORMENTE MODIFICADA. NÃO CABIMENTO DA AÇÃO RESCISÓRIA COMO INSTRUMENTO DE UNIFORMIZAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO TRIBUNAL. PRECEDENTE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS EM RESCISÓRIA. FIXAÇÃO. 1. Ao julgar, em regime de repercussão geral, o RE 590.809/RS, (Min. MARCO AURÉLIO, DJe de 24/11/2014), o Plenário não operou, propriamente, uma substancial modificação da sua jurisprudência sobre a não aplicação da Súmula 343 em ação rescisória fundada em ofensa à Constituição. O que o Tribunal decidiu, na oportunidade, foi outra questão: ante a controvérsia, enunciada como matéria de repercussão geral, a respeito do cabimento ou não da “rescisão de julgado fundamentado em corrente jurisprudencial majoritária existente à época da formalização do acórdão rescindendo, em razão de entendimento posteriormente firmado pelo Supremo”, a Corte respondeu negativamente, na consideração de que a ação rescisória não é instrumento de uniformização da sua jurisprudência. 2. Mais especificamente, o Tribunal afirmou que a superveniente modificação da sua jurisprudência (que antes reconhecia e depois veio a negar o direito a creditamento de IPI em operações com mercadorias isentas ou com alíquota zero) não autoriza, sob esse fundamento, o ajuizamento de ação rescisória para desfazer acórdão que aplicara a firme jurisprudência até então vigente no próprio STF. 3. Devidos honorários advocatícios à parte vencedora segundo os parâmetros do art. 20, § 4º, do CPC. 4. Agravo regimental da União desprovido. Agravo regimental da demandada parcialmente provido. (STF, AR 2370 AgR, Relator(a): Min. TEORI ZAVASCKI, Tribunal Pleno, julgado em 22/10/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe225 DIVULG 11112015 PUBLIC 1211 2015) É de extrema relevância para o julgamento do presente caso observar que o núcleo de todo esse debate no âmbito do STF consiste na interpretação restritiva ou ampliativa das hipóteses de cabimento da ação rescisória, consagrando a imprescindibilidade desta específica ação para a desconstituição da coisa julgada. A jurisprudência do STF, ao discutir a expansão ou não das hipóteses de ajuizamento de ações rescisórias, reafirma a consagrada imprescindibilidade da propositura deste específico instrumento processual para a competente desconstituição da coisa julgada. Sem decisão em ação rescisória, a higidez da autoridade da coisa julgada é plena de eficácia. É justamente devido a esse monopólio detido pela ação rescisória que as hipóteses de seu ajuizamento são discutidas de forma tão elevada perante o STF. A imprescindibilidade de ação rescisória para a desconstituição da coisa julgada corresponde a uma regra fundamental do sistema jurídico brasileiro. A autoridade da coisa julgada decorre essencialmente da necessidade da sociedade contar com decisões Fl. 662DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 663 55 imutáveis que permitam a previsibilidade dos negócios jurídicos (perspectiva política), cujo paralelo jurídico encontra repouso no princípio da segurança jurídica e da certeza do direito (perspectiva jurídica). Há aqui uma relação interessante: caso a regra de desconstituição da coisa julgada não seja ela própria respeitada e aplicada nos estritos termos prescritos pelo legislador, com incerteza e insegurança quanto à sua extensão, logicamente ruiria a segurança jurídica e a certeza do direito de todo o sistema (perspectiva jurídica), com nefastas consequências à sociedade, como crises no mercado e na economia nacional (perspectiva política). Não há outra solução possível: devem ser coerentemente aplicáveis, do início ao fim, regras objetivamente prescritas pelo CPC/73 e, agora, pelo CPC/2016, para a tutela do específico instrumento processual de desconstituição da coisa julgada (ação rescisória). No caso concreto, como se pode aferir dos autos, a PFN não ajuizou ação rescisória para a desconstituição da coisa julgada. O pleito da União nos presentes autos, então, consiste na desconsideração da coisa julgada à revelia de autorização do Poder Judiciário, contra a qual sequer foi proposta ação rescisória. Não há como deferir tal pretensão. Afinal, repitase que, dada a essencialidade da ação rescisória, “não se pode, fora dela, obterse o efeito jurídico que só por ela se pode licitamente obter.”26 3.2. Os efeitos da ADIn n. 15, julgada pelo STF em 2007, sobre decisões judiciais anteriormente transitadas em julgado. É preciso ter muito claro quais são as consequências de uma decisão do STF, em sede de ADIn, ADC ou sob a sistemática da repercussão geral, sobre uma decisão obtida no passado pelo contribuinte. O STF, em julgados como o do RE 592.912 AgR, prolatado em 03.04.2012, tem afirmado que “a superveniência de decisão do Supremo Tribunal Federal, declaratória de inconstitucionalidade de diploma normativo utilizado como fundamento do título judicial questionado, ainda que impregnada de eficácia “ex tunc” (...) não se revela apta, só por si, a desconstituir a autoridade da coisa julgada, que traduz, em nosso sistema jurídico, limite insuperável à força retroativa resultante dos pronunciamentos que emanam, “in abstracto”, da Suprema Corte”. O referido julgamento restou assim ementado: RECURSO EXTRAORDINÁRIO COISA JULGADA EM SENTIDO MATERIAL INDISCUTIBILIDADE, IMUTABILIDADE E COERCIBILIDADE: ATRIBUTOS ESPECIAIS QUE QUALIFICAM OS EFEITOS RESULTANTES DO COMANDO SENTENCIAL PROTEÇÃO CONSTITUCIONAL QUE AMPARA E PRESERVA A AUTORIDADE DA COISA JULGADA EXIGÊNCIA DE CERTEZA E DE SEGURANÇA JURÍDICAS VALORES FUNDAMENTAIS INERENTES AO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO EFICÁCIA PRECLUSIVA DA “RES JUDICATA” “TANTUM JUDICATUM QUANTUM DISPUTATUM VEL DISPUTARI DEBEBAT” CONSEQUENTE IMPOSSIBILIDADE DE REDISCUSSÃO DE CONTROVÉRSIA JÁ APRECIADA EM DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO, AINDA QUE PROFERIDA EM 26 GRINOVER, Ada Pellegrini. A marcha do processo. Rio de Janeiro : Forense, 2000, p. 335. Fl. 663DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 664 56 CONFRONTO COM A JURISPRUDÊNCIA PREDOMINANTE NO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL A QUESTÃO DO ALCANCE DO PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 741 DO CPC MAGISTÉRIO DA DOUTRINA RECURSO DE AGRAVO IMPROVIDO. A sentença de mérito transitada em julgado só pode ser desconstituída mediante ajuizamento de específica ação autônoma de impugnação (ação rescisória) que haja sido proposta na fluência do prazo decadencial previsto em lei, pois, com o exaurimento de referido lapso temporal, estarseá diante da coisa soberanamente julgada, insuscetível de ulterior modificação, ainda que o ato sentencial encontre fundamento em legislação que, em momento posterior, tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, quer em sede de controle abstrato, quer no âmbito de fiscalização incidental de constitucionalidade. A superveniência de decisão do Supremo Tribunal Federal, declaratória de inconstitucionalidade de diploma normativo utilizado como fundamento do título judicial questionado, ainda que impregnada de eficácia “ex tunc” como sucede, ordinariamente, com os julgamentos proferidos em sede de fiscalização concentrada (RTJ 87/758 RTJ 164/506509 RTJ 201/765) , não se revela apta, só por si, a desconstituir a autoridade da coisa julgada, que traduz, em nosso sistema jurídico, limite insuperável à força retroativa resultante dos pronunciamentos que emanam, “in abstracto”, da Suprema Corte. Doutrina. Precedentes. O significado do instituto da coisa julgada material como expressão da própria supremacia do ordenamento constitucional e como elemento inerente à existência do Estado Democrático de Direito. (RE 592912 AgR, Relator Min. CELSO DE MELLO, Segunda Turma, julgado em 03.04.2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe 229 DIVULG 21.11.2012 PUBLIC 22.11.2012) Outros julgados do STF seguiram de maneira uniforme para a mesma conclusão, como se observa das ementas a seguir: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO. DESAPROPRIAÇÃO. BENFEITORIAS. PAGAMENTO EM ESPÉCIE. DISPOSITIVOS LEGAIS DECLARADOS INCONSTITUCIONAIS PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. COISA JULGADA. DESCONSTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. É certo que esta Suprema Corte declarou a inconstitucionalidade de dispositivos que autorizam o pagamento, em espécie, de benfeitorias fora da regra do precatório. Isso não obstante, no caso dos autos, esse pagamento foi determinado por título executivo que está protegido pelo manto da coisa julgada, cuja desconstituição não é possível em sede de recurso extraordinário interposto contra acórdão proferido em processo de embargos à execução. Precedente: RE 443.356AgR, Relator o Ministro Sepúlveda Pertence. Agravo regimental desprovido. Fl. 664DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 665 57 (RE 473.715AgR, rel. Min. CARLOS BRITTO, Primeira Turma, DJe de 25052007) Desapropriação: recurso do INCRA contra decisão proferida em execução, onde se alega impossibilidade do pagamento de benfeitorias úteis e necessárias fora da regra do precatório: rejeição: preservação da coisa julgada. Malgrado o Supremo Tribunal Federal tenha se manifestado, por duas vezes, quanto à inconstitucionalidade dos dispositivos legais que autorizam o pagamento das benfeitorias úteis e necessárias fora da regra do precatório (ADIn 1.187 MC, 09.02.1995, Ilmar; RE 247.866, Ilmar, RTJ 176/976), a decisão recorrida, exarada em processo de execução, tem por fundamento a fidelidade devida à sentença proferida na ação de desapropriação, que está protegida pela coisa julgada a respeito. (RE 431.014 AgR, rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Primeira Turma, DJe de 2505 2007) Mais recentemente, no RE 730.462, sob a sistemática da repercussão geral, o STF novamente afirmou que as suas decisões não se prestam a automaticamente rescindir sentenças já transitadas em julgado, sendo imprescindível o ajuizamento de ação rescisória para tal fim. O aludido acórdão restou assim ementado: CONSTITUCIONAL E PROCESSUAL CIVIL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE PRECEITO NORMATIVO PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. EFICÁCIA NORMATIVA E EFICÁCIA EXECUTIVA DA DECISÃO: DISTINÇÕES. INEXISTÊNCIA DE EFEITOS AUTOMÁTICOS SOBRE AS SENTENÇAS JUDICIAIS ANTERIORMENTE PROFERIDAS EM SENTIDO CONTRÁRIO. INDISPENSABILIDADE DE INTERPOSIÇÃO DE RECURSO OU PROPOSITURA DE AÇÃO RESCISÓRIA PARA SUA REFORMA OU DESFAZIMENTO. 1. A sentença do Supremo Tribunal Federal que afirma a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade de preceito normativo gera, no plano do ordenamento jurídico, a consequência (= eficácia normativa) de manter ou excluir a referida norma do sistema de direito. 2. Dessa sentença decorre também o efeito vinculante, consistente em atribuir ao julgado uma qualificada força impositiva e obrigatória em relação a supervenientes atos administrativos ou judiciais (= eficácia executiva ou instrumental), que, para viabilizarse, tem como instrumento próprio, embora não único, o da reclamação prevista no art. 102, I, “l”, da Carta Constitucional. 3. A eficácia executiva, por decorrer da sentença (e não da vigência da norma examinada), tem como termo inicial a data da publicação do acórdão do Supremo no Diário Oficial (art. 28 da Lei 9.868/1999). É, consequentemente, eficácia que atinge atos administrativos e decisões judiciais supervenientes a essa publicação, não os pretéritos, ainda que formados com suporte em norma posteriormente declarada inconstitucional. Fl. 665DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 666 58 4. Afirmase, portanto, como tese de repercussão geral que a decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade de preceito normativo não produz a automática reforma ou rescisão das sentenças anteriores que tenham adotado entendimento diferente; para que tal ocorra, será indispensável a interposição do recurso próprio ou, se for o caso, a propositura da ação rescisória própria, nos termos do art. 485, V, do CPC, observado o respectivo prazo decadencial (CPC, art. 495). Ressalvase desse entendimento, quanto à indispensabilidade da ação rescisória, a questão relacionada à execução de efeitos futuros da sentença proferida em caso concreto sobre relações jurídicas de trato continuado. 5. No caso, mais de dois anos se passaram entre o trânsito em julgado da sentença no caso concreto reconhecendo, incidentalmente, a constitucionalidade do artigo 9º da Medida Provisória 2.16441 (que acrescentou o artigo 29C na Lei 8.036/90) e a superveniente decisão do STF que, em controle concentrado, declarou a inconstitucionalidade daquele preceito normativo, a significar, portanto, que aquela sentença é insuscetível de rescisão. 6. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (STF, RE 730462, Relator(a): Min. TEORI ZAVASCKI, Tribunal Pleno, julgado em 28/05/2015, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe177 DIVULG 0809 2015 PUBLIC 09092015) Como se pode observar, o Ministro TEORI ZAVASCKI, relator do RE 730.462, achou por bem ressalvar do quanto decidido as relações jurídicas de trato continuado. A ressalva, no entanto, atua como obter dictum, tão só para delimitar os traços do caso analisado sob o rito da repercussão geral. Significa dizer que, aquele julgado em específico, nada diz respeito a relações jurídicas de trato continuado. Sobre o cabimento de ação rescisória na hipótese de julgamento definitivo e diverso pelo STF: Embargos de Declaração em Recurso Extraordinário. 2. Julgamento remetido ao Plenário pela Segunda Turma. Conhecimento. 3. É possível ao Plenário apreciar embargos de declaração opostos contra acórdão prolatado por órgão fracionário, quando o processo foi remetido pela Turma originalmente competente. Maioria. 4. Ação Rescisória. Matéria constitucional. Inaplicabilidade da Súmula 343/STF. 5. A manutenção de decisões das instâncias ordinárias divergentes da interpretação adotada pelo STF revelase afrontosa à força normativa da Constituição e ao princípio da máxima efetividade da norma constitucional. 6. Cabe ação rescisória por ofensa à literal disposição constitucional, ainda que a decisão rescindenda tenha se baseado em interpretação controvertida ou seja anterior à orientação fixada pelo Supremo Tribunal Federal. 7. Embargos de Declaração rejeitados, mantida a conclusão da Segunda Turma para que o Tribunal a quo aprecie a ação rescisória. Fl. 666DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 667 59 (RE 328812 ED, Relator Min. GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 06/03/2008, DJe078 DIVULG 30042008 PUBLIC 02052008 EMENT VOL0231704 PP00748 RTJ VOL0020403 PP01294 LEXSTF v. 30, n. 356, 2008, p. 255 284) Nesse cenário, uma decisão do STF, em sede de ADIn, ADC ou sob a sistemática da repercussão geral, pode corresponder a um ponto de partida (i) para uma discussão: se seria este um fato suficiente para surja a legitimidade para o ajuizamento de ação rescisória. Para se ultrapassar esse debate, será preciso demonstrar que há o contexto ao ajuizamento de ação rescisória, qual seja: uma decisão transitada em julgado que “violar literal disposição de lei” (CPC/73), “violar manifestamente norma jurídica” (CPC/2015). Caso se compreenda que há legitimidade para a propositura da ação rescisória, então esta deve ser efetivamente ajuizada (ii). Somente após a prolação de decisão judicial suspensiva ou efetivamente desconstitutiva da coisa julgada é que esta deixaria de emanar os seus efeitos com toda a sua autoridade (iii). A ADIn n. 15, do STF, corresponde, então, a um possível antecedente para o ajuizamento de ação rescisória pela Fazenda Nacional. No entanto, ao contrário do que se parece crer no Parecer PGFN/CRJ n. 492/2011, a aludida declaração de constitucionalidade NÃO desencadeia, por si só e sem o intermédio de específica ação rescisória, efeitos imediatos sobre o contribuinte que obteve a seu favor decisão judicial transitada em julgado. A desconstituição da coisa julgada é justamente uma das possíveis consequências da ação rescisória, sendo a outra consequência pode ser, naturalmente, a sua manutenção (improcedência da ação rescisória). Todas essas reflexões apenas conduzem à constatação da absoluta imprescindibilidade da ação rescisória para a desconstituição da coisa julgado, apenas colocandose em dúvida em quais hipóteses a ação rescisória pode ser ajuizada. 3.3. A inexistência de decisão de mérito do STF com repercussão geral quanto ao tema do presente recurso especial. Como se pôde constatar, a autoridade da coisa julgada pode ser afastada por razões de ordem (i) legislativa e (ii) jurisdicional. Em relação à primeira, se o legislador não pode se voltar contra a coisa julgada (CF, art. 5o, XXXVI), a modificação do estado de direito – promovida pelo legislador – torna ineficaz a norma prescrita pela sentença que teve como objeto de sua tutela um sistema normativo já revogado. No presente caso, como se pôde concluir (tópico “2”, acima), não houve alteração substancial nas normas que tutelam a CSL e que foram objeto da decisão judicial proferida em benefício do contribuinte e que goza da autoridade da coisa julgada. Em relação à segunda, o sistema jurídico brasileiro elege a ação rescisória como instrumento processual competente para que o Poder Judiciário desconstitua a coisa julgada, nas hipóteses e condições previstas em lei. No presente caso, como se pôde concluir (tópico “3.1”, acima), não havia à época dos lançamentos tributários debatidos neste processo administrativo, como sequer há hoje enquanto julgamos o presente recurso especial, qualquer decisão obtida pela União em sede de ação rescisória para desconstituir a decisão judicial proferida em benefício do contribuinte e que goza da autoridade da coisa julgada. Fl. 667DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 668 60 Não obstante, ainda em relação a uma posterior atuação do Poder Judiciário, cogitase de um segundo instrumento, que supostamente poderseia utilizar para a desconstituição da coisa julgada à revelia da propositura de ação rescisória. Para o rompimento desse monopólio, cogitase que o STF, ao analisar recurso extraordinário afetado pela sistemática da repercussão geral, possa proclamar que a declaração de constitucionalidade da CSL por meio da ADIn 15, em meados de 2007, tornou legítima a cobrança do referido tributo mesmo em face de contribuintes dotados de decisões judiciais transitadas em julgado que reconheceram a sua inconstitucionalidade e que sequer tenham sido desafiadas por ação rescisória. Tratase, contudo, de questão meramente teórica e sem consequências efetivas para o julgamento do presente recurso especial. Ocorre que o STF, até o presente momento, NÃO proferiu nenhuma decisão sob o rito da repercussão geral quanto ao aludido mérito, de forma que não há, por esse meio, norma que atribua à União legitimidade para desconsiderar os efeitos da coisa julgada obtida por decorrência automática da ADIn 15, isto é, à revelia de competente ação rescisória. A recente afetação do RE 949.297 (2016) como recurso representativo de repercussão geral, especificamente quanto ao tema objeto do presente recurso especial, é prova cabal de que o STF não possui decisão de tal magnitude. Se hoje não há decisão de mérito, mas mera afetação da matéria ao rito da repercussão geral, a segurança jurídica consagrada pelo instituto da coisa julgada conduz justamente ao dever de respeitarse a decisão judicial transitada em julgado na ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária n. 90.0049326, proposta pelo contribuinte, o que é mandatório aos conselheiros do CARF. 4. Síntese conclusiva e parte dispositiva do voto. No presente caso, não há qualquer permissivo para que a administração fiscal desconsidere a decisão transitada em julgado a favor do contribuinte, à revelia de decisão do Poder Judiciário proferida em sede de competente ação rescisória. Mas para que pudesse prosperar o lançamento tributário impugnado no caso concreto, seria preciso que houvesse, ao tempo da lavratura do AIIM, decisão competente em ação rescisória promovida pela União desconstituindo a coisa julgada detida pelo contribuinte, que declarou, inter partes, a inexistência de de relação jurídicotributária atinente à CSL. Diante da inexitencia de alterações substanciais na matriz legal da CSL, com a manutenção do estado de direito objeto da ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária n. 90.0049326, garantese ao contribuinte a plena eficácia da coisa julgada, tornando a todos cogente o respeito à sua autoridade. Restando evidenciado, ainda, que o caso sob julgamento está abrangido pela hipótese de incidência da norma geral e concreta do REsp 1.118.893, os julgadores administrativos que compõem o CARF estão vinculados à mandatória reprodução da decisão do STJ proferida pela sistemática dos recursos repetitivos (CPC, art. 543C). Reproduzir a ratio decidendi do REsp 1.118.893 não é uma opção aos Conselheiros do CARF, mas sim um dever prescrito expressamente pelo art. 62, § 2o, do RICARF. Fl. 668DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.001896/200412 Acórdão n.º 9101002.288 CSRFT1 Fl. 669 61 Pelo exposto, voto por acompanhar o i. Conselheiro Relator quanto ao CONHECIMENTO do recurso especial interposto pelo contribuinte e, no mérito, divergir para DARLHE PROVIMENTO, a fim de que sejam cancelados os autos de infração lavrados em afronta à decisão judicial com trânsito em julgado obtida pelo contribuinte, que lhe garante o direito à não incidência de CSL sobre as suas atividades no período em questão. É como voto. (Assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Fl. 669DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10516.720006/2012-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 14/05/2008 a 21/12/2011
EMBAROS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO.
Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No caso concreto, comprovado que o voto vencedor não corresponde a decisão adotada, cabe a retificação do acórdão para alteração do voto vencedor.
Embargos Providos
Numero da decisão: 3201-002.113
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes. Vencido o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que entendia que se deveria realizar novo julgamento do processo.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 14/05/2008 a 21/12/2011 EMBAROS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No caso concreto, comprovado que o voto vencedor não corresponde a decisão adotada, cabe a retificação do acórdão para alteração do voto vencedor. Embargos Providos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes. Vencido o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que entendia que se deveria realizar novo julgamento do processo. Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 6. 72 00 06 /2 01 2- 92 Fl. 6822DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/04/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Relatório Trata o presente processo de embargos de declaração opostos pelo sujeito passivo, em face do Acórdão 3201001.552 prolatado na sessão de 25/02/2014, por esta Turma, que foi assim ementado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 14/05/2008 a 21/12/2011 CESSÃO DO NOME PARA UTILIZAÇÃO EM OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR. MULTA PREVISTA NO ART. 33, DA LEI Nº 11.488/07. A cessão do nome para operações de comércio implica na aplicação da multa de 10% (dez por cento) do valor da mercadoria, prevista no art. 33, da Lei nº 11.488/07. Alega a embargante, omissão no julgado, em razão de constar do voto vencedor do acórdão referência a outro caso e outro julgado, que não corresponde ao presente processo. Alega ainda, a existência de omissão por não enfrentar nenhuma das preliminares arguidas pela embargante no seu recurso voluntário. Quanto ao mérito, alega a existência de contradição no acórdão, por entender que os fatos que deram origem a exigência fiscal, não se tratava de falta de comprovação de origem de recursos conforme afirmado. Ainda em relação ao mérito, alega a existência de contradição, em razão do acórdão afirmar que as operações de importação eram por conta e ordem, quando todos os documentos constantes nos autos tratam de importação por conta própria. Por fim, alega omissão em razão do acórdão decidir pela existência de vinculação entre as empresas sem tratar ou ao menos elencar quais fundamentos robustos seriam estes. Os embargos foram admitidos nos termos do despacho de fls. 6748 a 6749. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Fl. 6823DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/04/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10516.720006/201292 Acórdão n.º 3201002.113 S3C2T1 Fl. 6.822 3 Consultando os autos e o acórdão embargado é possível comprovar a existência de lapso material manifesto, pois, o voto vencedor constante do acórdão não corresponde efetivamente ao voto prolatada na sessão de julgamento. A possibilidade da correção das inexatidões materiais devido a lapso manifesto constam do art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF nº 343/2015). "Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão." Para solucionar a questão suscitada nos embargos, entendo que o melhor caminho seja a alteração completa do voto vencedor da decisão prolatada no Acórdão 3201 001.552 para refletir a efetiva decisão adotada pela turma de julgamento. O voto vencedor passará a ter a seguinte redação: "A lide gira em torno da aplicação da multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007. A fiscalização entendeu que a empresa autuada teria cedido o nome para a operação de importação de terceiros. A Recorrente, em sua defesa, alega a licitude das operações sendo imputadas a ela uma fraude que não existe. Para o enfrentamento das matérias suscitadas nos autos é necessário trazer a lume o tema do controle aduaneiro e a interposição nas operações de comércio exterior. O controle aduaneiro e a interposição fraudulenta O controle aduaneiro é matéria relevante em todos os países e a comunidade internacional busca de forma incessante o controle das mercadorias importadas, de forma a garantir a segurança e a concorrência leal dentro das regras econômicas e tributárias. Desde da edição do DecretoLei 37/66, o Brasil busca coibir as irregularidades na importação. Este diploma legal, determinava a conferência física e documental da totalidade das mercadorias importadas. Com o crescimento da economia nacional, a crescente integração do País no plano internacional e o aumento significativo das operações de comércio exterior. O Estado Brasileiro, decidiu modificar os controles que até então vinha exercendo sobre a importação, desenvolvendo controles específicos que se adequassem ao incremento das operações na área aduaneira. A solução veio com a entrada em produção do SiscomexImportação em janeiro de 1997. A partir deste sistema, os controles de despacho aduaneiro de importação passaram a utilizar canais de conferência, que determinaram níveis diferentes de controles aduaneiros. Desde um controle total durante o despacho aduaneiro, com conferência documental, física das mercadorias e avaliação do valor aduaneiro até a um nível mínimo de conferência. Fl. 6824DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/04/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 Ao modernizar o seu sistema de controle aduaneiro o País flexibilizou o controle individual das mercadorias importadas, mas, dai nasceu a necessidade de também trabalhar o controle em nível de operadores de comércio exterior. A partir desta premissa foram definidos controles aduaneiros em dois momentos distintos. O primeiro, anterior a operação de importação, quando é exigido uma habilitação prévia da empresas interessada em operar no comércio exterior. Este controle busca avaliar a idoneidade daquelas empresas que pretendem operar no comércio, e atualmente esta disciplinado na Instrução Normativa da SRF nº 228/2002. Apesar deste controle ser preferencialmente em momento anterior as operações. Existem situações em que não é suficiente para impedir operações irregulares. Para coibir estas irregularidades a Fiscalização Aduaneira também atua em momento posterior ao desembaraço aduaneiro, buscando identificar irregularidades nas operações realizadas. O caminho adotado vem sendo o de confirmar a idoneidade das empresas envolvidas nas operações e investigar a origem do recursos utilizados. A ocultação dos reais intervenientes ou a falta de comprovação da origem dos recursos configura, por força legal, dano ao erário, punível com a pena de perdimento das mercadorias, nos termos definidos no art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 1.455/76. "Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: ... V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002)" Fl. 6825DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/04/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10516.720006/201292 Acórdão n.º 3201002.113 S3C2T1 Fl. 6.823 5 O art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76 trata de duas situações distintas. A primeira, de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação e a segunda, a interposição fraudulenta de terceiros, que pode ser comprovada ou presumida nos termos previstos no art. 22, § 2º, do Decretolei nº 1.455/76. A existência de uma das duas situações, quando comprovadas pelo Fisco, ensejam a aplicação da penalidade de perdimento. Matéria que suscita controversa é se a comprovação da origem dos recursos, utilizados na operação de comércio exterior, afastaria a aplicação de penalidades. Tal argumento não encontra respaldo na legislação que disciplina a matéria. Nos termos do art. 23, inciso V do DecretoLei nº 1.455/76, o dano ao erário, punido com a pena de perdimento da mercadoria, ocorre quando a informação sobre os reais responsáveis pela operação de importação é deliberadamente ocultada dos controles fiscais e alfandegários, por meio de fraude ou simulação. A partir da determinação legal é inconteste que se a Fiscalização Aduaneira prova que determinada operação declarada ao Fisco não corresponde a realidade dos fatos, resta evidenciada o dano ao erário e o perdimento da mercadoria. A comprovação da origem dos recursos afasta a presunção da interposição fraudulenta, mas de forma alguma é suficiente para afastar as outras previsões da norma que trata da ocultação dos reais intervenientes na operação de importação. Quando a origem dos recursos não esta comprovada, presumese a interposição fraudulenta, quando comprovada nos autos, cabe a Fiscalização provar a ocultação dos reais adquirentes da operação de importação, para a aplicação da penalidade de perdimento das mercadorias, nos termos do art. 22 do DecretoLei nº 1.455/76. É mister salientar, que não são todas as operações por conta e ordem de terceiros são consideradas infração aduaneira. O art. 80 da Medida Provisória nº 2.15835/01 estabeleceu a possibilidade de pessoas jurídicas importadoras atuarem em nome de terceiros por conta e ordem destes. Os procedimentos a serem seguidos nestas operações estão atualmente disciplinados na IN SRF nº 225/02. Considerando a possibilidade de importações, com a intervenção de terceiros, fato previsto em lei e disciplinado pela Receita Federal, torna mais forte a pena a ser aplicada quando importador e real adquirente, utilizando de fraude ou simulação oculta esta operação do conhecimento dos órgãos de controle aduaneiro, visto que, o fato de não seguir as determinações normativas para as importações por conta e ordem, acarretam prejuízo aos controles aduaneiros, fiscais e tributários. A par de toda a discussão sobre a aplicação da pena de perdimento da mercadoria por dano ao erário, a matéria ainda não fica totalmente resolvida, visto que em determinadas situações, a pena de perdimento por diversos motivos não pode ser aplicada. Aqui temos um empecilho ao cumprimento da norma, já que impedida de aplicar o perdimento, se não existir outra pena possível, equivaleria a uma ausência de punibilidade, o que poderia além do prejuízo não ser ressarcido, estimular futuros atos ilícitos, diante da não aplicação da pena aos infratores. Tal fato não ficou desconhecida pelo legislador, que de forma lúcida, criou a possibilidade da conversão da pena de perdimento em multa, no valor de 100% do valor da mercadoria, conforme previsto art. 23, § 3º do DecretoLei nº 1.455/76. Fl. 6826DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/04/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 Diante do arcabouço legal que trata a matéria, fica cristalino a procedência da aplicação da pena de perdimento, nas situações em que for comprovada a ocultação dos reais adquirentes da operação de importação, bem como a conversão da pena de perdimento em multa. Tal posição já é matéria assentada neste Conselho, conforme se verifica nos acórdãos nº 9303001.632, 320100.837 e 310200.792. A procedência e legalidade da aplicação da multa de 10% na cessão de nome para terceiro nas operações importação. Além, da penas referentes ao perdimento da mercadoria, a interposição fraudulenta também gera a aplicação da penalidade prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007. "Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996." De acordo com este mandamento legal, a pessoa jurídica que cede o nome para realização de operações de comércio exterior de terceiros fica sujeita a multa de 10% do valor da operação. Questão reiteradamente discutida e questionada pela Recorrente é a alegação que a penalidade prevista no art. art. 33 da Lei nº 11.488/2007 afasta a aplicação da multa de perdimento e conversão da multa, nos casos de interposição fraudulenta, previsto no art. 23, do DecretoLei nº 1.455/76. A matéria foi disciplinada no art. 727, § 3º do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009. " Art. 727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei no 11.488, de 2007, art. 33, caput). § 1o A multa de que trata o caput não poderá ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais) (Lei no 11.488, de 2007, art. 33, caput). § 2o Entendese por valor da operação aquele utilizado como base de cálculo do imposto de importação ou do imposto de Fl. 6827DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/04/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10516.720006/201292 Acórdão n.º 3201002.113 S3C2T1 Fl. 6.824 7 exportação, de acordo com a legislação específica, para a operação em que tenha ocorrido o acobertamento. § 3o A multa de que trata o caput não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias na importação ou na exportação. " A determinação do § 3º deixa cristalino que a multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/07 não prejudica a aplicação da pena de perdimento, assim não existe substituição das penalidade, tampouco, revogação das penalidades previstas no art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76 por esta nova multa. Esclarecida a questão da interposição fraudulenta e das penalidade aplicáveis, passo a analisar a situação fática que culminou na aplicação da penalidade ora combatida. A operação de importação realizada pela Free Trade e o envolvimento da Madeireira Herval O cerne da lide é o conjunto de operações que a Fiscalização Aduaneira entende, terem constado como importador as empresa Free Trade Importadora e Exportadora Ltda, mas cujo real adquirente era a Madeireira Herval. A apuração envolve a observância dos documentos e fatos trazidos aos autos pela autoridade autuante. A Fiscalização identificou por diversos informações e documentos fiscais, a relação da Free Trade com a empresa Herval. O trabalho da auditoria da receita federal foi detalhado e consegue comprovar de forma cristalina, o modo de operação e a relação comercial e econômica entre as duas empresas. O relatório que consta do presente acórdão traz as comprovações das operações realizadas, bem como o relatório fiscal que motiva o lançamento (fls. 2227 a 2381). O trabalho realizado pela fiscalização aduaneira comprova que a Free Trade atuava em nome da Herval, as provas colhidas durante o trabalho fiscal não deixam dúvida, que a Free Trade além de fazer parte do mesmo grupo da Herval, apenas cedia o nome para as operações de importação. O trecho abaixo extráido do Relatório Fiscal detalha as informações apuradas no trabalho fiscal que comprova a participação da Free Trade e da Herval. Informações obtidas a partir de mensagens trocadas entre os diversos funcionários da Madereira Herval e Free Trade (fls. 2352 a 2353) Pela primeira mensagem, FABRICIO FERREIRA funcionários da MADEIREIRA HERVAL LTDA conforme DIRF/2010 (doc. Fl. 6828DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/04/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 8 114, folhas 1.005 a 1.329), conversam a respeito da troca de notas fiscais. FABRÍCIO, Gerente da Herval em AraranguáSC, comenta com ODAIR, Supervisor da Herval, sobre a dificuldade de operacionalizar a emissão e "troca" de notas fiscais (caminhão sai com Nota Fiscal a FREE TRADE São José/SC destinada à HERVAL Araranguá/SC, e, durante trajeto SEM PASSAR PELO ESTABELECIMENTO DA FILIAL ARARANGUÁ , recebe outra Nota Fiscal, esta da HERVAL Araranguá/SC para HERVAL Dois Irmãos/Rs. ODAIR registra "dificuldades" coadunadas a essa TROCA: horário de deslocamento do caminhão, crescimento da FREE TRADE, risco de demandas trabalhistas e o aumento das entregas. Outro funcionário da HERVAL FABRICIO relata problemas ao funcionário da HERVAL ODAIR sobre emissão e circulação de documentos fiscais, cujas operações comerciais iniciam "formalmente" na FREE TRADE. Fialmente, ODAIR leva tais problemas ao conhecimento do senhor GERMANO GRINGS, sócio da HERVAL e da FREE TRADE. Na segunda mensagem, consta informação de GERMANO GRINGS a ODAIR REIS, funcionário da HERVAL copiando SIRLEI FONSECA, Coordenadora Fiscal registrada na MADEREIRA HERVAL, conforme DIRF/2010 (doc. 114, folhas 1.005 a 1.329(, determinando que a operação deve ser seguida à risca por se tratar de uma operação muito séria. Pela Terceira mensagem observase que a Coordenadora Fiscal da MADEREIRA HERVAL, SIRLEI FONSECA, encaminha a funcionários registrados nas 2 (duas) pessoas jurídicas FREE TRADE e MADERERIA HERVAL orientações a respeito dos procedimentos a serem adotados em todas as operações "com Free Trade e Herval (Araranguá)". As "diretrizes" são coadunadas com a emissão e circulação de documentos fiscais da FREE TRADE e da MADEREIRA HERVAL filial Araranguá/SC. Constatase indubitavelmente que a administração das escritas fiscais, tanto da HERVAL LTDA. Tendo em vista o envolvimento de funcionários da MADEREIRA HERVAL LTDA, verificase claramente que os negócios (importações e vendas) são, DE FATO, realizados por MADEREIRA HERVAL LTDA. O arquivo anexo à 3ª mensagem deixa ainda mais evidente que as operações documentais são instrumentos para materializar uma grande simulação. A seguir, apresentamos na integra, o texto, escrito por GERMANO GRINGS sócio da HERVAL e SIRLEI FONSECA Coordenadora Fiscal da Herval, o qual se encontrava anexo à mensagem enviada por Sirlei Fonseca a Germano Grings em 08/10/2010. "Aos Gerente Free Trade SC Fl. 6829DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/04/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10516.720006/201292 Acórdão n.º 3201002.113 S3C2T1 Fl. 6.825 9 Gerente Herval Araranguá SC Sr. Germano; Demais envolvidos Senhores, Como já é de conhecimento de todos, na semana passada, a empresa teve problemas com o fisco estadual por transportar mercadorias com cópia do DANFE. O que motivou a multa, foi o fato de que a filial de Araranguá enviou para Free Trade, cópia escaneada do DANFE que deveria acompanhar a mercadoria de Araranguá até seu destino (Herval RS). Esse Auto de Infração nº 024213977 de 30/11/2010, valor de R$108.370,72, a empresa vai impugnar mas, como é em tudo no ramo do direito, poderemos ganhar como também poderemos perder, gerando um gasto desnecessário para a empresa. Por se tratar de cargas de valores muito elevados, precisamos triplicar os cuidados e para isso, passo a seguir algumas orientações que seria o ótimo na operação. Sabemos também que temos alguns fatores impactantes e que deverão ser levado em consideração no momento de definir a operação como um todo. Emissão de Notas: 1. – Free Trade emite nota de venda a qual acompanhará a mercadoria até a filial de Araranguá; 1. Araranguá registra a compra em seu fiscal e estoque; 2. Herval (Araranguá), emite nota de transferência para Herval RS a qual acompanhará a mercadoria até o destino final; 3. Herval RS, registra a entrada da nota e da mercadoria e faz a distribuição, venda ou transferência" A Fiscalização prossegue a análise e identifica a vinculação entre a Free Trade e a Heval (fl. 2355 a 2356) Inicialmente, observase que o Sr. GERMANO e a Sra. SIRLEI orientam como deve ocorrer a emissão de notas fiscais DANFEs (Documentos Auxiliares de Notas Fiscais Eletrônicas) para a "operação sem risco" Com relação à "operação com risco máximo de cuidado", as instruções vão no sentido da necessidade de se "trocarem" os documentos fiscais após as saídas com origem na FREE TRADE Fl. 6830DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/04/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 10 estabelecida em São José/SC, visando às "transferências para a HERVAL, filial Araranguá/SC". A primeira instrução consigna que, havendo impossibilidade de o caminhão passar na filial da Herval de ARARANGUÁ, a fim de TROCAR o documentos fiscal, o DANFE documento auxiliar da nota fiscal eletrônica deverá ser enviado em arquivo PDF, para ser impresso na FREE TRADE (antes da saída do transportador). Diante da IRREGULARIDADE do procedimento (envio de DANFE de uma PJ para impressão em outra empresa), percebese explicitamente que, DE FATO, FREE TRADE E HERVAL caracterizam um "único comerciante". As demais instruções segunda, terceira e quarta definem que a entrega do DANFE, enviado pela HERVAL a FREE TRADE, somente poderá ser apresentado à fiscalização a partir do trecho Araranguá/SC Dois Irmãos/RS. Enfim, há ordem para que o motorista jamais "mostre" o DANFE da HERVAL antes de passar o município de Araranguá/SC. Nesse sentido, SIRLEI ressaltou problemas com o Fisco Estadual de SC: “Como já é de conhecimento de todos, na semana passada, a empresa teve problemas com o fisco estadual por transportar mercadorias com cópia do DANFE. O que motivou a multa, foi o fato de que a filial de Araranguá enviou para Free Trade, cópia escaneada do DANFE que deveria acompanhar a mercadoria de Araranguá até seu destino (Herval RS). “ Essas orientações do comando da HERVAL, definidas pela COORDENAÇÃO FISCAL DA MADEREIRA HERVAL LTDA, todas no sentido de esconder e ocultar, inclusive com orientações aos motoristas para esconder documentos, ilustram muito bem a "CADEIA DA SIMULAÇÃO". Demonstram, pois, cabalmente que a "forma" diverge da "verdade material". Na realidade, todos os negócios vinculados à importação de pneus HANKOK são efetivamente e materialmente realizados por MADEREIRA HERVAL LTDA, sendo a FREE TRADE, consequentemente, uma pessoa jurídica INTERPOSTA nessas operações, com o fim de ocultar a HERVAL e de promover EVASÃO DE TRIBUTOS via benefícios fiscais (Regime Especial concedido pela SEFAZ/SC ICMS não é recolhido no desembaraço) e pela quebra da cadeia de incidência do IPI. As informações citadas alhures é um pequena amostra de todo o trabalho fiscal que além das conclusões traz cópias de mensagens e documentos que deixam prova robusta da que as operações de importação eram declaradas como de importação direta pela Free Trade, mas na verdade sempre tiveram como real adquirente a Madeira Herval. A posição apresentada pelo Relator, confirma a relação entre as empresas, entretanto, considera que não existe prejuízo econômico ao erário público e portanto, não seria aplicável a penalidade prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007. Fl. 6831DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/04/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10516.720006/201292 Acórdão n.º 3201002.113 S3C2T1 Fl. 6.826 11 Divirjo do entendimento do i. relator. Conforme dito alhures, entendo que o controle aduaneiro pune a ocultação das informações por meio de fraude ou simulação. A fraude está prevista no art. 72 da Lei nº 4.502/64 e para a sua configuração é necessária uma ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar total ou parcialmente a obrigação tributária. A simulação, por sua vez, não exige necessariamente que seja comprovado a intenção de obter uma exoneração tributária, neste caminho a lição de Orlando Gomes. "A simulação existe quando em um contrato se verifica, para enganar a terceiro, intencional divergência entre a vontade real e a vontade declarada pelas partes."(Gomes, Orlando. Introdução ao Direito Civil. 17ª ed. Rio de Janeiro. Forense. 2000. p. 427. Conclusão A Recorrente operou no comércio exterior cedendo seu nome para que fossem realizadas operações de importação de terceiros, reais adquirentes da mercadoria. Configurada a cessão do nome, correta a aplicação da multa de 10%, prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário." Diante do exposto voto no sentido de conhecer e acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para alterar o voto vencedor do Acórdão 3201001.552, nos termos expostos acima. Winderley Morais Pereira Fl. 6832DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/04/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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Numero do processo: 10380.012049/2009-88
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jul 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
RECURSO NÃO CONHECIDO. DIVERGÊNCIA NÃO DEMONSTRADA.
Tratando a decisão paradigma e a recorrida de matérias diferentes, resta não atendido requisito previsto no § 1º, art. 67, Anexo II do RICARF, vez que não há que se falar em legislação tributária interpretada de forma divergente.
Numero da decisão: 9101-002.347
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Luís Flávio Neto, Adriana Gomes Rego, Ronaldo Apelbaum (Suplente convocado), André Mendes de Moura, Nathália Correia Pompeu, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (Suplente convocado), Maria Teresa Martínez López (Vice-Presidente) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Luís Flávio Neto, Adriana Gomes Rego, Ronaldo Apelbaum (Suplente convocado), André Mendes de Moura, Nathália Correia Pompeu, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (Suplente convocado), Maria Teresa Martínez López (Vice-Presidente) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 RECURSO NÃO CONHECIDO. DIVERGÊNCIA NÃO DEMONSTRADA. Tratando a decisão paradigma e a recorrida de matérias diferentes, resta não atendido requisito previsto no § 1º, art. 67, Anexo II do RICARF, vez que não há que se falar em legislação tributária interpretada de forma divergente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Luís Flávio Neto, Adriana Gomes Rego, Ronaldo Apelbaum (Suplente convocado), André Mendes de Moura, Nathália Correia Pompeu, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (Suplente convocado), Maria Teresa Martínez López (VicePresidente) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 20 49 /2 00 9- 88 Fl. 1576DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10380.012049/200988 Acórdão n.º 9101002.347 CSRFT1 Fl. 1.572 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN (efls. 1475/1483) em face da decisão proferida no Acórdão nº 1202000.921 (efls. 1447/1473), pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 31/01/2012, no qual foi dado provimento ao recurso voluntário da Contribuinte e negado provimento ao recurso de ofício. Resumo Processual A autuação fiscal, relativa ao anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, discorre sobre contabilização, como subvenção para investimentos, de valores relativos a benefícios de ICMS concedidos pelos Estados do Ceará e da Bahia, que teriam sido destinados a capital de giro. Entendeu a Fiscalização que se tratavam de subvenções para custeio, razão pela qual foram lavrados os autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. A decisão da primeira instância (DRJ) julgou procedente em parte os lançamentos fiscais, para afastar valores da base de cálculo apurados em razão de erro material. Em razão do crédito tributário exonerado, foi interposto recurso de ofício. A segunda instância (Turma Ordinária do CARF) negou provimento ao recurso de ofício e deu provimento ao recurso voluntário. A PGFN interpôs recurso especial em relação à matéria subvenção para investimentos, que foi admitido por despacho de exame de admissibilidade. Foram apresentadas contrarrazões pela Contribuinte. A seguir, maiores detalhes sobre a autuação fiscal e a fase contenciosa. Da Autuação Fiscal Relata a autoridade autuante que a Contribuinte é beneficiária de incentivos fiscais de redução de ICMS concedidos pelos Estados do Ceará e da Bahia. Quanto ao Estado do Ceará, os benefícios foram concedidos mediante empréstimos subsidiados em dois programas. No primeiro programa (PROAPI), com celebração de contrato de mútuo tomandose como base valor de exportações mensais de produtos de fabricação própria. No segundo programa (PROVIN) adotandose como base valores de ICMS efetivamente recolhidos. Em relação ao Estado da Bahia, também foram duas as modalidades de incentivo. A primeira (Procomex), por meio de empréstimo subsidiado com celebração de contrato de mútuo tomandose como base valor de exportações mensais de produtos de fabricação própria (nos mesmos moldes do Estado do Ceará). A segunda (ProBahia), mediante créditos presumidos de ICMS calculados sobre vendas para o mercado interno. Em análise dos documentos, concluiu a autoridade autuante que os recursos, em todas as modalidades de incentivo, seriam destinados ao capital de giro da empresa, razão Fl. 1577DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10380.012049/200988 Acórdão n.º 9101002.347 CSRFT1 Fl. 1.573 3 pela qual deveriam ser enquadrados como subvenções para custeio. Foram lavrados os autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Da Fase Contenciosa A Contribuinte apresentou impugnação (efls. 486 e segs), que foi apreciada pela 4ª Turma da DRJ/Fortaleza, para julgar o lançamento fiscal procedente em parte, nos termos do Acórdão nº 0820.200 (efls. 1096 e segs.). O valor exonerado para o IRPJ e a CSLL correspondeu ao afastamento dos valores relativos aos programas de incentivo decorrentes de empréstimo subsidiado do Estado do Ceará (PROAPI e PROVIN) e o do Estado da Bahia (Procomex), por ter entendido o colegiado que foram cumpridos os requisitos para considerar os recursos como subvenção para investimentos. Por sua vez, foram mantidos os valores relativos aos programa de incentivo relativo aos créditos presumidos de ICMS do Estado da Bahia (ProBahia). Para o PIS e a Cofins, a decisão foi ao inverso. Primeiro, no sentido de manter a tributação para os programas de incentivo do PROAPI, PROVIN e Procomex, por entender que a renúncia da dívida em benefício da Contribuinte contraída por meio do empréstimo consiste em um ingresso novo e tem natureza de receita, que integra a base de cálculo do PIS e Cofins apuradas sobre o regime nãocumulativo. Segundo, para afastar a tributação sobre os valores do ProBahia, por entender que o crédito presumido de ICMS consiste em mera redução de despesa com ICMS e não poderiam ser considerados como receita. A ementa de decisão foi a seguinte: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004. 2005. 2006 DECADÊNCIA. TERMO A QUO. IRPJ. LUCRO REAL ANUAL. FATO GERADOR. 31 DE DEZEMBRO. O fato gerador do imposto de renda apurado com base no lucro real anual ocorre no dia 31 de dezembro. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150. §4°. do CNT); todavia, quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no art. 173. I. do CTN. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004. 2005. 2006 IRPJ. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. OPERAÇÕES DE MÚTUO SOBRE O VALOR DAS EXPORTAÇÕES. RENÚNCIA CONDICIONADA DE PARTE DA DÍVIDA. CARACTERIZAÇÃO. A concessão de incentivos à implantação de indústrias consideradas de fundamental interesse para o desenvolvimento de Estado da federação, dentre eles a realização de operações de mútuo com condições favorecidas, calculado sobre o valor das exportações, configura outorga de subvenção para Fl. 1578DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10380.012049/200988 Acórdão n.º 9101002.347 CSRFT1 Fl. 1.574 4 investimentos, quando presentes os seguintes requisitos: (i) transferência de recursos públicos para o contribuinte; (ii) o intuito de estímulo à implantação ou expansão de empreendimento econômico; (iii) registro da transferência em conta de reserva de capital, que somente deverá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social. IRPJ. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS.SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. A concessão de incentivos à implantação de indústrias consideradas de fundamental interesse para o desenvolvimento de Estado da Federação, dentre eles a concessão de crédito presumido de ICMS, configura outorga de subvenção para investimentos, por força do art. 443 do RIR/99, quando presentes os seguintes requisitos: (i) o intuito de estímulo à implantação ou expansão de empreendimento econômico; (ii) registro da transferência em conta de reserva de capital, que somente deverá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social. IRPj. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. SUBSTITUIÇÃO DOS CRÉDITOS EFETIVOS. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. Ocorrendo a substituição de créditos efetivos de ICMS por créditos presumidos, apenas a diferença entre eles constitui subvenção para investimento. IRPJ. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. PROVA DO INCENTIVO. Para fazer prova da efetiva concessão do incentivo fiscal, o contribuinte deve apresentar o ato do Estado da Bahia de outorga do crédito presumido de ICMS, não sendo suficiente o protocolo de intenções por eles assinados, que tem natureza pré contratual e não constitutiva do direito ao incentivo, razão pela qual inapto a vincular terceiros. IRPJ. ISENÇÃO E REDUÇÃO. ADIÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RECOMPOSIÇÃO DO LUCRO DA EXPLORAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A isenção/redução referese ao imposto e adicionais não restituíveis incidentes sobre o lucro da exploração. Não alcança parcelas do tributo calculado em função de adições não computadas, porque tais parcelas não podem afetar o lucro da exploração, salvo quando se tratar de ajuste expressamente previsto na legislação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 CSLL. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. Fl. 1579DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10380.012049/200988 Acórdão n.º 9101002.347 CSRFT1 Fl. 1.575 5 A subvenção para investimentos não integra o lucro operacional, de modo deve ser excluída da base de cálculo da CSLL. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2000 PIS E COFINS. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. EMPRÉSTIMO SUBSIDIADO. Incidem PIS e Cofins sobre o valor da dívida de empréstimo renunciada pelo mutuante. PIS E COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. Não incidem PIS e Cofins sobre o crédito presumido de ICMS. PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO A DESCONTAR. Se a renúncia parcial dos empréstimos concedidos ocorreu sem custo ou despesa para o impugnante e sem qualquer pagamento das contribuições em operação anterior, incidem PIS e Cofins sobre valor integral do perdão da dívida. Em razão do crédito tributário exonerado pela DRJ, foi interposto recurso de ofício. Também foi interposto recurso voluntário (efls. 1159 e segs) pela Contribuinte, que foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Primeira Seção do CARF, na sessão de 05/12/2012, por meio do Acórdão nº 1202000.921 (efls. 1447/1473), decidindo no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, conforme ementa a seguir. IRPJ. LUCRO REAL. INCENTIVOS FISCAIS. EMPRÉSTIMOS SUBSIDIADOS. CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. CARACTERIZAÇÃO. A concessão de incentivos à implantação de indústrias consideradas de fundamental interesse para o desenvolvimento de municípios no interior dos Estados do Ceará e da Bahia, consistentes em empréstimos subsidiados e crédito presumido de ICMS, configuram subvenções para investimento, notadamente quando presentes: i) a intenção do Poder Público em transferir capital para a iniciativa privada; ii) a verba oriunda da subvenção foi destinada para investimento na implantação de empreendimentos econômicos de interesse público; iii)) o beneficiário da subvenção é pessoa jurídica constituída sob a forma de companhia; iv) a subvenção foi registrada em conta de reserva de capital; v) ocorreu aumento de capital na pessoa jurídica subvencionada, mediante incorporação das reservas ao seu capital. A conta de reserva de capital poderá ser utilizada apenas para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, não podendo ser distribuída. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS. Fl. 1580DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10380.012049/200988 Acórdão n.º 9101002.347 CSRFT1 Fl. 1.576 6 As subvenções para investimento não integram a receita bruta e, por conseqüência, não compõem o faturamento, base de cálculo do PIS e da Cofins, bem como não integram o lucro líquido do exercício, ponto inicial para apuração da base de cálculo da CSLL. A PGFN interpôs recurso especial (efls. 1475/1483), discorrendo que a subvenção fiscal estadual enquadrase na modalidade de subvenção para custeio. Valese dos arts. 392 e 443 do RIR/99 e da interpretação dada pelo PN CST nº 112, de 1978, para concluir que com base na documentação acostada aos autos os recursos tratam de subvenções para custeio. Ao final, requer pelo restabelecimento da decisão de primeira instância. O Despacho de Exame de Admissibilidade de efls. 1488/1490 deu seguimento ao recurso da PGFN, por entender ter restada caracterizada divergência em relação ao acórdão paradigma nº 20400.420. Cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões (efls. 1501 e segs). Primeiro, protesta sobre a admissibilidade do recurso especial, por entender que o acórdão paradigma apresenta tese superada pela CSRF, que não houve demonstração analítica da divergência e que as decisões tratam de situação fáticas distintas. Enquanto no acórdão recorrido se discute sobre a natureza jurídica dos incentivos (subvenção para custeio X para investimento), no acórdão paradigma discutese a natureza jurídica da subvenção para fins de incidência da Cofins no regime cumulativo (se estaria abrangida pelo conceito de Receita). E, ainda que fosse admitido o recurso, a discussão no mérito teria que se restringir à matéria julgada no acórdão paradigma, qual seja, se os valores subvencionados possuem natureza de receita para fins de incidência da Cofins. Discorre sobre os fatos esclarecendo que para atender os incentivos fiscais do Estado do Ceará comprometeuse a fazer investimento mínimo de 12 milhões de reais e produzir 10.000 pares de calçados por dia e ocupação de 1.000 pessoas. Em relação aos incentivos do Estado da Bahia, comprometeuse a fazer investimento mínimo de 20 milhões de reais e produzir 4.000 pares de calçados por dia e ocupação de 2.000 pessoas. Interpreta que o art. 38, § 2º do DecretoLei nº 1.598, de 1977 estabeleceu dois requisitos para caracterização dos recursos como subvenção para investimentos, quais sejam, "animus" do Poder Público em estimular a implantação ou expansão do empreendimento econômico e a contabilização do benefício fiscal como "reserva de incentivo fiscal", que foram plenamente atendidos. Entende que o PN Cosit nº 112, de 1978 estabeleceu sem base legal um terceiro requisito, que seria de exigir a efetiva e específica aplicação dos investimentos pelo beneficiário. Ainda assim, tal requisito foi cumprido, vez que foram aplicados R$57.596.708,38 e R$44.405.712,96, dos recursos do Estado da Bahia e do Ceará, respectivamente, em ativo imobilizado na empresa. Quanto do PIS e a Cofins, discorre que os valores subvencionados não integram a base de cálculo das contribuições. É o relatório. Fl. 1581DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10380.012049/200988 Acórdão n.º 9101002.347 CSRFT1 Fl. 1.577 7 Voto Conselheiro André Mendes de Moura Antes de apreciar a admissibilidade, há que se verificar os limites da matéria que a Recorrente pretende que seja devolvida no Recurso Especial. Transcrevo a conclusão do RE da PGFN: Pelo exposto, requer a União (Fazenda Nacional) seja o presente recurso conhecido e provido, para que seja reformado o acórdão proferido, restabelecendo a decisão de primeira instância. (grifei) Verificase que a devolução pretendida vinculase à decisão de primeira instância. A decisão da DRJ foi no sentido de: 1) para o IRPJ e CSLL: afastar os valores dos programas de incentivo decorrentes de empréstimo subsidiado do Estado do Ceará (PROAPI e PROVIN) e o do Estado da Bahia (Procomex) e manter os valores relativos aos programa de incentivo relativo aos créditos presumidos de ICMS do Estado da Bahia (ProBahia). 2) para o PIS e a Cofins: manter os valores dos programas de incentivo decorrentes de empréstimo subsidiado do Estado do Ceará (PROAPI e PROVIN) e o do Estado da Bahia (Procomex) e afastar os valores relativos aos programa de incentivo relativo aos créditos presumidos de ICMS do Estado da Bahia (ProBahia). Assim, a Recorrente não pretende que sejam devolvidos os lançamentos de IRPJ e CSLL relativos aos programas de incentivo do Estado do Ceará (PROAPI e PROVIN) e o do Estado da Bahia (Procomex) e os lançamentos de PIS e Cofins relativos aos programas de incentivo de créditos presumidos de ICMS do Estado da Bahia (ProBahia). Nesse sentido, as matérias que se encontram no escopo do exame de admissibilidade são: 1) programas de incentivo relativo aos créditos presumidos de ICMS do Estado da Bahia (ProBahia) para o IRPJ e CSLL; 2) programas de incentivo decorrentes de empréstimo subsidiado do Estado do Ceará (PROAPI e PROVIN) e o do Estado da Bahia (Procomex) para o PIS e a Cofins. Por sua vez, o acórdão paradigma apresentado pela Recorrente, nº 204 00.420, tem a seguinte ementa: Fl. 1582DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10380.012049/200988 Acórdão n.º 9101002.347 CSRFT1 Fl. 1.578 8 SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. ISENÇÕES E REDUÇÕES DE IMPOSTOS. Nem toda isenção e/ou redução de imposto se caracteriza como subvenção para investimento, como ocorre com a isenção e/ou redução do ICMS que evidencia, antes, um não desembolso financeiro, isto é, um benefício que passa a integrar o capital de giro do negócio. Cumpre transcrever fragmento do voto vencedor da decisão, para melhor esclarecimento sobre o suporte fático e a interpretação da lei dada nos autos do paradigma: Quanto à segunda matéria, se refere ao correto enquadramento contábil das subvenções e, por decorrência, à incidência da Cofins. (...) Resta ainda definir se essa inclusão das subvenções no resultado operacional, se de custeio, e nãooperacional, se para investimento, implica sua tributação pela COFINS, após a edição da Lei n° 9.718/98. É que entendem alguns que, mesmo integrando o resultado operacional, não se conformariam a um conceito de receitas, mais restritivo, que exigiria uma efetiva contraprestação em bens ou serviços por parte da recebedora dos recursos. Essa linha de raciocínio pretende estabelecer uma distinção entre acréscimo patrimonial, o gênero, e receitas, definindoas como espécie daquele, que incluiria ainda as recuperações de despesas, as subvenções e as doações. Receita é a expressão monetária, validada pelo mercado, do agregado de bens e serviços da entidade, em sentido amplo, em determinado período de tempo e que provoca um acréscimo concomitante no ativo e no patrimônio líquido, considerado separadamente . da diminuição do ativo (ou do acréscimo do passivo) e do patrimônio liquido provocados pelo esforço em produzir tal receita. Entretanto, tal definição (ou, melhor dizendo, a interpretação que nela pretenda ver a possibilidade de excluir alguns tipos de acréscimo patrimonial) não encontra guarida nas normas técnicas de contabilidade emitidas pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC), órgão legalmente habilitado a disciplinar o exercício da profissão. Com efeito, a Norma Técnica NBT 10 subitem 10.16, aprovada pela Resolução CFC n° 922, de 13 de dezembro de 2001 estabelece: (...) Por tudo quanto exposto, não parece haver dúvida de que, sendo as subvenções para Custeio, RECEITAS integrantes do sub grupo dos Resultados Operacionais, estão englobadas no conjunto de elementos contábeis sujeitos à tributação pela Cofins após o advento da Lei n° 9.718/98. No caso em discussão, a impropriedade de sua classificação como subvenção para investimento avulta da leitura da documentação acostada aos autos, da qual inequivocamente se Fl. 1583DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10380.012049/200988 Acórdão n.º 9101002.347 CSRFT1 Fl. 1.579 9 concluise não haver qualquer exigência para que os recursos recebidos dos cofres do Estado do Ceará sejam obrigatoriamente aplicados .na aquisição de ativos necessários à implantação ou à expansão do parque fabril da autuada. Muito ao contrário, a concessão de tais recursos apenas encontra como condições: 1. a implantação do empreendimento no Estado do Ceará; e 2. uma vez implantado, a sua contabilidade dentro de padrões de desempenho vagamente definidos e acompanhados pelo governo do Estado. Por conseguinte, apenas uma alegação quanto à inaplicabilidade do PN CST n° 112/78 poderia socorrer a autuada. Como é cediço, tal argumento não cabe no leque de competências deste Conselho, mormente após a inclusão em seu regimento do art. 22A. Assim, considerando que: 1. as subvenções ora Sob exame são classificáveis corretamente como subvenções correntes para custeio; 2. tais subvenções integram, na condição de receitas, o resultado operacional da empresa; e 3. o §1° do art. 30 da Lei n° 9.718/98 determina á tributação pela Cofins da totalidade das receitas obtidas pela pessoa jurídica. Voto por negar provimento ao recurso. Por outro lado, o voto vencido do paradigma entende que a redução do ICMS não se caracteriza como subvenção, mas como um "nãodesembolso financeiro", ou seja, trata se de receita decorrente de recuperação de custos ou despesas, hipótese que não integra a lista de exclusões da base de cálculo da Cofins prevista no § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1999, razão pela qual deve ser tributada pela Cofins. Entendi pertinente relatar também o entendimento do voto vencido, além daquele do voto vencedor, para expor com maior clareza a discussão estabelecida nos autos da decisão paradigma. Observase que se discute a inclusão na base de cálculo da Cofins cumulativa, regida pela Lei nº 9.718, de 1999, de valores recursos do Estado do Ceará. Contudo, ao contrário dos presentes autos, no processo paradigma o ponto relativo á natureza dos recursos mostrase pacífico ao entender que não se tratam de subvenção para investimento. Na realidade, o voto vencido interpretou no sentido de que a redução do ICMS seria um "não desembolso financeiro", uma recuperação de custos ou despesas e por isso estaria fora das hipóteses de exclusão da base de cálculo da Cofins, motivo pelo qual deveria ser tributado. Já o voto vencedor entendeu que seriam subvenções para custeio e, nesse sentido, integravam o resultado operacional da empresa, revestindose no conceito de receita, o que também motivava a sua tributação. Fl. 1584DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10380.012049/200988 Acórdão n.º 9101002.347 CSRFT1 Fl. 1.580 10 Não se discutiu na decisão paradigma os motivos pelos quais os recursos recebidos do Estado do Ceará não seriam subvenções para investimento. Pelo contrário, tanto voto vencedor quanto vencido partiram da premissa de que os valores não se tratavam de subvenção para investimento, divergindo apenas quanto a natureza da receita, se recuperação de custos ou despesas ou subvenções para custeio, em ambos os casos inseridas na base de cálculo da Cofins cumulativa. Situação diferente dos presentes autos, onde o colegiado que proferiu a decisão recorrida debruçouse no sentido de verificar se foram atendidas as condições expostas na legislação para verificar a natureza das receitas oriundas dos programas de incentivo dos Estados do Ceará e da Bahia: subvenções para investimento ou subvenções para custeio. Vale transcrever fragmentos do acórdão recorrido: Como se vê da descrição acima, restou nitidamente claras as intenções dos Estados do Ceará e da Bahia, conforme autorização legal, em promover o desenvolvimento das atividades industriais em seus territórios, notadamente em municípios localizados no interior dos Estados, de baixo desenvolvimento econômico, assegurando incentivos para implantação dos empreendimentos sob várias formas, dentre eles, com a concessão de empréstimos subsidiados e na modalidade de crédito presumido do ICMS. Pelo que se depreende dos autos, a autuada efetivamente instalou as indústrias de calçados que se comprometeu com os Estados do Ceará e da Bahia. Em ambos cumpriu com os compromissos assumidos em relação ao montante investido, ao números de calçados produzidos e ao número de empregos gerados. Esse parece ser um fato incontroverso, tanto que a fiscalização nada relata a esse respeito e o acórdão recorrido em diversas oportunidades menciona em seu voto condutor o cumprimento das metas: (...) A série histórica a que se refere o voto condutor é a seguinte: de acordo com os balanços patrimoniais publicados (fls. 670 a 690) em 1998, o “ativo permanente” era de R$ 1.824.874,81, passando para R$ 25.651.503,60 em 2004, R$ 53.404.316,37 em 2005, R$ 49.130.240,43 em 2006 e R$ 170.071.000,00 em 2007. Já o valor das “reservas de capital”, em que foram registradas as subvenções para investimento”, totalizavam R$ 50.682.880,99 ao final de 2006 (fls. 682), último ano fiscalizado. Esse valor é próximo aos investimentos em “ativo permanente” nesse mesmo ano, o que também vem a demonstrar o cumprimento da finalidade da lei fiscal de incentivo à implantação de empreendimentos econômicos. (...) Resta claro que as indústrias foram efetivamente implantadas nos termos do que previam os “protocolos de intenções” Fl. 1585DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10380.012049/200988 Acórdão n.º 9101002.347 CSRFT1 Fl. 1.581 11 celebrados com os governos estaduais para fomentar a atividade industrial, tendo sido cumpridas as metas de investimentos e de geração de empregos nos termos do que foi proposto inicialmente. Além disso, a empresa autuada efetivamente incorporou ao seu capital social parcela das reservas de capital que tinham como origem as subvenções para investimento, nos exatos termos do que estabelece a lei fiscal. (...) Com relação ao crédito presumido do ICMS previsto no protocolo de intenções (fls.109), verificase que a situação também é idêntica. O Poder Público retorna ao subvencionado parcela do ICMS a título de crédito presumido como estímulo na implantação do empreendimento. O valor desse crédito presumido é deduzido do valor do ICMS a recolher, apurado conforme a sistemática de débitos e créditos desse imposto no conta corrente fiscal. Assim, como é fácil concluir, a outorga dos benefícios pelos Estados do Ceará e da Bahia não está restrita à concessão de empréstimos em condições especialíssimas, mas corresponde a um conjunto de medidas concretas que têm como contrapartida uma série de obrigações a serem cumpridas pela empresa beneficiária, dentre as quais estão os investimentos para a implantação das unidades fabris. Importa, na essência, não só o conjunto de obrigações assumidas e cumpridas pelas partes, como também o objetivo visado pelo Estado, que se traduz na transferência de recursos com vistas a proporcionar efetivo aumento do estoque de capital da empresa. Presentes, i) a intenção da pessoa jurídica de direito público de subvencionar determinado empreendimento; ii) a concretização dessa intenção, mediante transferência de capital; iii) a incorporação dos recursos recebidos no patrimônio da pessoa jurídica beneficiada, do que resulta aumento do estoque de capital financeiro registrada contabilmente em conta de reserva de capital, temos o que se denomina “subvenção para investimentos”. Em razão da clara diferença entre a matéria tratada pela decisão recorrida e pela decisão paradigma, não há que se falar em divergência1, não restando, portanto, preenchido requisito necessário para a admissibilidade do recurso. 1 RICARF, Anexo II, art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) Fl. 1586DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10380.012049/200988 Acórdão n.º 9101002.347 CSRFT1 Fl. 1.582 12 Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Fl. 1587DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13603.723078/2013-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 08 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3301-000.259
Decisão: Vistos relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
Luiz Augusto do Couto Chagas Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Paulo Roberto Duarte Moreira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. Luiz Augusto do Couto Chagas Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Paulo Roberto Duarte Moreira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 03 .7 23 07 8/ 20 13 -8 1 Fl. 919DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 11 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 13603.723078/201381 Resolução nº 3301000.259 S3C3T1 Fl. 918 2 Relatório Tratase de auto de infração de IPI no anocalendário de 2010, com base em 3 infrações: Infração 0001: Produto saído do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, com emissão de nota fiscal. Saída de produtos sem lançamento do IPI Equiparado a industrial; Infração 0002: Falta de Declaração/Recolhimento do saldo devedor do IPI escriturado (total ou parcial). O estabelecimento equiparado a industrial, nos meses de julho a setembro de 2010, deixou de recolher/declarar os saldos devedores de IPI, apurados no Livro Fiscal, conforme explicitado no TVF; Infração 0003: IPI lançado e não escriturado. O estabelecimento equiparado a industrial, nos meses de julho a dezembro de 2010, não escriturou esses valores, conforme explicitado no TVF. O Termo de Verificação Fiscal do Auto de Infração descreve a controvérsia: “Na oportunidade, constatamos que nas instalações da fiscalizada não existem máquinas e/ou equipamentos que permitissem a realização de qualquer atividade industrial, situação, inclusive, confirmada pela contribuinte em resposta apresentada ao exigido através do item 7 do TIAF. Desse modo, concluímos que o estabelecimento fiscalizado é uma filial (000331) da ACUMULADORES MOURA S/A que não desenvolve nenhuma atividade industrial. SAÍDAS DE PRODUTOS SEM LANÇAMENTO DE IPI UTILIZAÇÃO INDEVIDA DE SUSPENSÃO A partir das NFe emitidas pelas matriz e filial 000684 da Acumuladores Moura S/A e obtidas junto ao SPED, tendo como destinatária a filial 000331 da mesma firma, elaboramos o demonstrativo intitulado "Transferência de Baterias da Matriz e da Filial 000684 (CFOP 6.151) para a Filial 000331", parte integrante deste Termo de Verificação Fiscal, no qual estão identificados os produtos transferidos com a utilização do CFOP 6.151 transferência de produção do estabelecimento. Nesse demonstrativo, observase que as transferências de baterias oriundas da matriz foram realizadas com destaque de IPI, e as transferências advindas da filial 000684, com a suspensão do Imposto sobre Produtos Industrializados. Para ilustrar o fato, anexamos no presente auto de infração algumas cópias de notas fiscais emitidas pela matriz e pela filial 000684 (cfop 6.151). Fl. 920DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 11 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 13603.723078/201381 Resolução nº 3301000.259 S3C3T1 Fl. 919 3 Observese que as saídas do contribuinte efetuadas no CFOP 5.102 não foram alcançadas pela tributação do IPI, uma vez que equivocadamente, conforme demonstraremos em seguida, a fiscalizada entende que tem direito a promover tais saídas com a suspensão do referido imposto, conforme alegou na sua resposta ao item 8 do TIAF. Frisese mais uma vez que os códigos e descrições das mercadorias que foram recebidas em transferência de outros estabelecimentos da mesma firma são os mesmos dos produtos revendidos pela fiscalizada para a Fiat Automóveis S/A e para a Iveco Latin América Ltda, o que mais uma vez comprova aquilo que já foi exposto anteriormente, isto é, tais produtos não sofreram qualquer processo que pudesse caracterizar industrialização, como de resto o próprio contribuinte declarou em sua resposta já transcrita acima. Desse modo o estabelecimento equiparase a industrial nos termos do art. 9°, inciso III dos Decretos n° 4.544/2002 e 7.212/2010... Conforme mencionado, a fiscalizada entendeu equivocadamente que suas saídas estariam amparadas pela suspensão do IPI, citando no campo observações de algumas NFe de saídas, das quais anexamos algumas cópias, o dispositivo legal que supostamente ampararia tal liberalidade, qual seja, o art. 5° da Lei n° 9.826/99, alterado pelo artigo 4° da Lei n° 10.485/02 e art. 2° da IN/SRF n° 207/02, abaixo transcritos:.. Da análise nos dispositivos legais acima citados, constatamos que com o advento da Lei n° 10.485, de julho de 2002, houve extensão das saídas com suspensão do IPI para os estabelecimentos equiparados a industrial (que não eram contemplados com a Lei n° 9.826, de agosto de 1999), conforme § 6° que foi acrescentado. Contudo, devemos ainda levar em conta a alteração sofrida pela Lei n° 10.485/2002, em abril de 2004, com a promulgação da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, especificamente no seu artigo 33. Assim, por esse novo entendimento, desde 1° de maio de 2004 quando uma filial recebe de outro estabelecimento da mesma empresa o produto já industrializado e apenas o comercializa não pode dar saída desse produto com suspensão do IPI. Além do estabelecimento industrial, somente a empresa comercial atacadista adquirente dos produtos classificados nas posições 8701 a 8705 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, resultantes da industrialização por encomenda, por conta e ordem de pessoa jurídica encomendante domiciliada no exterior, também poderia dar saída com suspensão do imposto. A Instrução Normativa SRF n° 429, de 21 de junho de 2004, confirma esse entendimento. De todo o exposto fica claro que o contribuinte não tem direito a dar saída com suspensão do IPI quando vende os produtos já industrializados e recebidos em transferência de outros estabelecimentos da empresa. Fl. 921DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 11 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 13603.723078/201381 Resolução nº 3301000.259 S3C3T1 Fl. 920 4 Comprovado que as saídas ora examinadas não poderiam ocorrer com suspensão, foi necessário elaborar demonstrativo através do qual fosse possível calcular o valor do IPI que o contribuinte deixou de destacar durante o período fiscalizado. Na tabela denominada "Demonstrativo do IPI não Destacado nas Notas Fiscais de Saída 2010", parte integrante deste Termo de Verificação Fiscal, estão relacionadas todas as notas fiscais de saída emitidas pela fiscalizada sem destaque do IPI, e que representaram vendas efetuadas pela mesma. Na referida tabela, que foi elaborada a partir das informações prestadas pela fiscalizada e armazenadas no Sistema Público de Escrituração Digital (SPED/NFe), estão claramente identificadas as notas fiscais, os períodos de apuração, os produtos com as respectivas classificações fiscais e alíquotas, o valor tributável e o IPI objeto do presente lançamento. Frisese que integram a referida tabela apenas as notas fiscais representativas de vendas e para as quais não ocorreu o destaque do IPI, evitandose, assim, qualquer possibilidade de cobrança em duplicidade. Tal observação fazse necessária uma vez que o contribuinte já havia escriturado no livro de Registro de Saídas várias notas fiscais para as quais havia destacado o IPI, bem como transcrito tais valores no Livro de Registro de Apuração do IPI, anexado no presente auto de infração. IPI DESTACADO E NÃO ESCRITURADO Na planilha elaborada à vista das NFe de saídas emitidas pela empresa nos meses de junho e dezembro de 2010 e intitulada "IPI DESTACADO E NÃO ESCRITURADO", encontramse identificadas todas as notas fiscais emitidas pela fiscalizada com destaque de IPI e que não foi escriturado nos livros fiscais. Referidas NFe (DANFE) foram acostadas no presente auto de infração. Lembramos que no mês de dezembro de 2010, embora a empresa tenha apurado saldo credor no livro fiscal, recolheu IPI, conforme DARF acostado no auto de infração, bem como declarou débito de igual montante em DCTF, da ordem de R$ 12.972,13. Informamos que esse valor foi aproveitado na presente auditoria, sendo deduzido do imposto devido no mês de dezembro de 2010. Dessa forma, restounos o lançamento, no presente auto de infração, dos valores de IPI destacados na NFe e não escriturados nos livros fiscais, lembrando que no mês de dezembro de 2010, somente foi lançada a diferença de IPI, qual seja: R$78.057,32 (apurado na planilha citada) R$ 12.972,13 (declarado e recolhido) = R$65.085,19. A conduta adotada pela Acumuladores Moura S/A foi motivo de elaboração do processo de Representação Fiscal para Fins Penais, protocolizado sob o n° 13603.723.079/201326. FALTA DE DECLARAÇÃO/RECOLHIMENTO DO SALDO DEVEDOR DO IPI ESCRITURADO (TOTAL OU PARCIAL) Nos meses abaixo indicados, observamos que o contribuinte informou na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF Fl. 922DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 11 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 13603.723078/201381 Resolução nº 3301000.259 S3C3T1 Fl. 921 5 (extrato anexado no presente auto de infração) os débitos de IPI abaixo demonstrados, que em alguns meses são diferentes dos saldos devedores apurados no RAIPI apresentado à fiscalização. A diferença apurada foi objeto de lançamento no auto de infração, do qual este Termo é parte integrante. Insurgiuse a contribuinte contra a exação na forma do apertado resumo que se segue: O entendimento da fiscalização, no lançamento ora recorrido, é de que a Lei n° 10.865/2004, ao atribuir a citada redação ao §6° do art. 5° da Lei n° 9.826/1999, teria revogado a suspensão do IPI nas saídas para estabelecimento filial que opere na comercialização dos produtos das pessoas jurídicas fabricantes, como se tais estabelecimentos (que continuam sendo equiparados a industriais, na forma do 9o, III, do RIPI), necessitassem de autorização expressa. Contudo, ao pretender restringir a fruição do benefício legal da suspensão do IPI, com fundamento na Instrução Normativa SRF n° 429/2004 e na Instrução Normativa SRF n° 948/2009, o lançamento incorreu em manifesta ilegalidade. Conforme disciplina jurídica conferida pela Constituição Federal, pela Lei n° 4.502/64 e pelo Regulamento do IPI, inexiste distinção, para fins tributários, entre o "estabelecimento industrial" e o "equiparado a industrial". O IPI foi instituído pela Lei n° 4.502/64. De acordo com o seu art. 2º, constitui fato gerador do imposto: I quanto aos produtos de procedência estrangeira, o respectivo desembaraço aduaneiro; II quanto aos de produção nacional, a saída do respectivo estabelecimento produtor. A mesma lei equipara a estabelecimento produtor, "para todos os efeitos", as filiais e demais estabelecimentos que exercerem o comércio de produtos importados, industrializados ou mandados industrializar por outro estabelecimento do mesmo contribuinte. (...) a equiparação de que tratam o art. 4o da Lei n° 4.502/64 e o art. 9° do RIPI sujeita o contribuinte "estabelecimento equiparado a industrial" a todos os efeitos decorrentes da sujeição passiva da obrigação tributária, nos mesmos moldes do contribuinte "estabelecimento industrial", segundo restará demonstrado a seguir. Seguindo as regras de hermenêutica, segundo as quais na Constituição e na lei não se presumem palavras inúteis, devendose compreender todas as palavras como tendo plena eficácia, temse que o termo equiparação possui o sentido de conceder igualdade, paridade de tratamento. Especificamente sobre o Setor Automotivo, o art. 5o da Lei n° 9.826/99 (com a redação anterior à Lei n° 10.865/2004) previa a aplicação da suspensão do IPI às saídas (de partes, peças etc.) promovidas pelo "estabelecimento equiparado a industrial" em geral, desde que voltados à fabricação de automóveis. A redação conferida ao dispositivo legal em referência, pela Lei n° 10.485/2002, possuía caráter meramente interpretativo, porquanto a aplicabilidade da suspensão do IPI Fl. 923DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 11 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 13603.723078/201381 Resolução nº 3301000.259 S3C3T1 Fl. 922 6 (prevista no caput do art. 5o da Lei n° 9.826/1999) não exigiria previsão expressa nesse sentido. Com efeito, a norma introduzida pelo §6° veio apenas explicitar que a aplicabilidade da suspensão do IPI, prevista originalmente no caput do art. 5º da Lei n° 9.826/99, estendiase, de forma igualitária, aos "estabelecimentos industriais" e aos "equiparados a industriais", sem qualquer alteração no regime jurídico da matéria. Assim, a Lei n° 10.485/2002 apenas esclareceu que o "estabelecimento equiparado a industrial" é, para fins tributários, igual a um "estabelecimento industrial". Assim, o "estabelecimento equiparado a industrial" na forma do art. 51 do CTN c/c com o art. 9o, IV, do RIPI, é tomado por igual ao "estabelecimento industrial", e, como tal, submetese às mesmas regras de incidência do IPI como se industrial fosse. A igualdade de tratamento é ainda mais evidente nos casos de estabelecimento filial, uma vez que este é uma extensão do próprio estabelecimento produtor, industrial. Contrariamente ao que afirma a autoridade fiscal, a Lei n° 10.865/2004, ao dar nova redação ao citado §6° do art. 5o da Lei n° 9.826/99, não revogou a possibilidade de haver suspensão do IPI nas saídas para estabelecimento filial que opere na comercialização dos produtos das pessoas jurídicas fabricantes. Na verdade, a nova legislação veio dar maior efetividade à norma que estabelece a suspensão do IPI, incluindo também, dentre os seus beneficiários, o estabelecimento que fora equiparado a industrial através da Medida Provisória n° 2.18949/ 2001. Em outras palavras, a Lei n° 10.865/2004 veio esclarecer que a suspensão do IPI também se aplica à "empresa comercial atacadista adquirente dos produtos resultantes da industrialização por encomenda" . Assim, a alteração da redação do §6° do art. 5o da Lei n° 9.826/99 não teve o objetivo de excluir, do âmbito de incidência da suspensão do IPI, todos os "estabelecimentos equiparados a industrial"; ou revogar/ limitar a aplicação das normas que estabelecem, para todos os fins, a igualdade de tratamento entre "estabelecimento industrial" e o "equiparado a industrial". No caso concreto, a técnica legislativa empregada pelo legislador foi a de utilizar o vocábulo "também", a fim de explicitar que determinada espécie de "estabelecimento equiparado a industrial", não elencada na regra geral do art. 9º do RIPI, também é beneficiária da suspensão do IPI, uma vez que esta se estende — em regra — a todos os estabelecimentos legalmente equiparados. Isso porque a suspensão do IPI aplicável aos "estabelecimentos industriais" sempre alcançou os "estabelecimentos equiparados a industrial", uma vez que decorre da própria matriz legal de incidência do referido imposto. E não é só. Analisando o alcance da suspensão do IPI para a cadeia automotiva, conforme previsto na Lei n° 9.826/99, o STJ já decidiu anteriormente que é suficiente, para fruição do benefício, que os insumos fabricados e/ou importados sejam efetivamente agregados aos produtos automotivos, sendo aplicáveis apenas as restrições previstas em lei stricto sensu. DO ERRO NO PREENCHIMENTO DO LIVRO DE REGISTRO DE APURAÇÃO DO IPI INEXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTO A MENOR DO IPI EFETIVAMENTE DEVIDO De acordo com o item 0002 do Auto de Infração e item do Termo de Verificação Fiscal, foi imputada à Contribuinte a ausência de recolhimento do IPI lançado em sua escrituração nos meses julho, agosto e setembro de 2010. A divergência foi apurada através do cotejo das informações constantes no Livro de Registro de Apuração do IPI RAIPI e na DCTF do mesmo período. Fl. 924DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 11 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 13603.723078/201381 Resolução nº 3301000.259 S3C3T1 Fl. 923 7 Ocorre que a divergência em questão decorre de equívoco no transporte dos créditos de períodos anteriores, conforme comprova a documentação anexa (DOC. 03). Em que pese a Contribuinte ter esclarecido o erro e apresentados os livros corretos à autoridade lançadora no curso da fiscalização, tais documentos foram desconsiderados e o lançamento foi efetuado com base nas informações equivocadas. A Contribuinte, ao se aperceber do erro na apuração, corrigiu a sua escrituração e encaminhou à contabilidade para retificação, que, por lapso, não foi transmitida a tempo. No entanto, se observados os créditos e débitos efetivamente apurados pela Contribuinte, temse que o saldo a pagar indicado nos meses julho, agosto e setembro de 2010 correspondem exatamente aos valores indicados na DCTF, inexistindo saldo de imposto a pagar. Nos termos do item 0003 do Auto de Infração e item II2 do Termo de Verificação Fiscal, foi imputada à Contribuinte a ausência de recolhimento do IPI nos meses de junho e dezembro de 2010, com fundamento em divergência entre os valores escriturados a título de débito do imposto e os valores destacados nas Notas Fiscais Eletrônicas de Saída. Como abordado no item anterior, a Contribuinte, ao identificar erro na apuração indicada no Livro de Apuração do IPI, corrigiu a sua escrituração e encaminhou à contabilidade para retificação, que, por lapso, não foi transmitida a tempo. No entanto, quando da apuração do saldo de IPI a pagar nos meses junho e dezembro de 2010, já foi considerado o IPI destacado nas saídas promovidas pela Contribuinte, no valor de R$ 87.845,82 e R$ 78.057,32, respectivamente. E o que se constatará a partir da análise das notas fiscais de entrada e saída do período, por cuja juntada a posteriori, em face do grande volume de documentos que representa, requer desde já a Contribuinte. Da improcedência da Multa Isolada incidência sobre a mesma base de cálculo da multa de ofício Além das exigências acima impugnadas, a Fiscalização, além de aplicar a multa de ofício de 75% sobre o imposto exigido, também exigiu multa de ofício isolada sobre o valor de IPI que supostamente deixou de ser lançado, por haver cobertura de crédito da Contribuinte. ...a penalidade em questão será exigida (i) juntamente com o imposto que deixar de ser lançado ou recolhido; ou (ii) isoladamente, nos demais casos. Da análise da planilha de fls. 14 do Termo de Verificação Fiscal, a penalidade em questão incidiu sobre o valor de R$ 100.764,57, correspondente supostamente à parcela do IPI apurado pela Fiscalização em dezembro de 2010, que não teria sido objeto da autuação, em virtude de cobertura de crédito existente. Ocorre que, conforme Planilha de Reconstituição da Escrita Fiscal, às fls. 19 do Termo de Verificação Fiscal, no mês dezembro de 2010, o IPI lançado foi de R$ 559.201,67, e não de R$ 458.437,10. Ou seja, o valor de R$ 100.764,57, supostamente não lançado pela Fiscalização, em verdade, foi objeto sim de lançamento, e foi acrescido de multa de 75%, conforme planilha às fls. 12 do Termo de Verificação Fiscal... Na própria Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal da infração 0001 do Auto de Infração observase a cobrança da multa de ofício de 75% sobre a quantia de R$ 559.201,67 (e não sobre o valor de R$ 458.437,10). Fl. 925DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 11 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 13603.723078/201381 Resolução nº 3301000.259 S3C3T1 Fl. 924 8 Ademais, conforme planilhas "Demonstrativo dos Saldos da Escrita Fiscal" e "Demonstrativo de Reconstituição da Escrita Fiscal", às fls. 17 e 19 do Termo de Verificação Fiscal, no mês dezembro de 2010 inexistia cobertura de crédito no valor de R$ 100.764,57, que justificasse o lançamento da penalidade sobre esse valor. Em decorrência, considerando que, no mês dezembro de 2010, já está sendo exigida multa de ofício de 75% sobre o imposto apurado naquela competência, de R$ 559.201,67 (458.437,10 + 100.764,57), não tendo ocorrido, por conseguinte, ausência de lançamento de parcela do imposto por cobertura de crédito, é improcedente a cobrança da respectiva multa isolada. A DRJ/Juiz de Fora/MG considerou a impugnação improcedente com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2010 IPI. SAÍDAS COM SUSPENSÃO. ESTABELECIMENTOS EQUIPARADOS A INDUSTRIAL. CADEIA AUTOMOTIVA. O direito de saída com suspensão do IPI dos produtos classificados nos códigos TIPI 84.29, 84.32, 84.33, 87.01 a 87.06 e 87.11 não atinge os estabelecimentos equiparados a industrial nos termos do art.5º, §6º da Lei nº 9.826/99 e do art.27, inciso II, da IN SRF nº 948/2009. SUSPENSÃO DO IPI. EQUIPARAÇÃO A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. A suspensão do IPI de que trata o artigo 29 da Lei nº 10.637/02 não se estende às saídas de produtos industrializados promovidas por estabelecimento equiparado à industrial. MULTA DE OFÍCIO. Cabe a aplicação da multa de ofício correspondente a setenta e cinco por cento do valor do IPI que deixou de ser lançado na respectiva nota fiscal. A recorrente repete os argumentos da impugnação no recurso voluntário e também requer que a FIAT AUTOMÓVEIS S/A e a IVECO LATIN AMERICA LTDA sejam intimadas a comprovar que as baterias adquiridas da contribuinte no ano de 2010 foram empregadas em veículos já comercializados pelas aludidas montadoras, apresentando a comprovação do respectivo IPI. A recorrente também apresentou todas as notas fiscais de entrada e saída do ano de 2010. É o relatório. Fl. 926DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 11 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 13603.723078/201381 Resolução nº 3301000.259 S3C3T1 Fl. 925 9 Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Há duas controvérsias no presente processo: 1) A vedação à suspensão de que trata o art. 29 da Lei 10.637/2002 adotada por estabelecimento comercial equiparado a industrial: Segundo a fiscalização, o direito de saída com suspensão do IPI dos produtos classificados nos códigos TIPI 84.29, 84.32, 84.33, 87.01 a 87.06 e 87.11, onde se incluem os produtos da recorrente, não atinge os estabelecimentos equiparados a industrial nos termos do art. 5º, §6º da Lei nº 9.826/99 e do art. 27, inciso II, da IN SRF nº 948/2009. A controvérsia está, também, na vedação à suspensão de que trata o art. 29 da Lei 10.637/2002 adotada por estabelecimento comercial equiparado a industrial. No entendimento da fiscalização, houve saídas de produtos sem lançamento do IPI, em consequência da utilização indevida de suspensão. A recorrente solicitou diligência para que a FIAT AUTOMÓVEIS S/A e a IVECO LATIN AMERICA LTDA sejam intimadas a comprovar que as baterias adquiridas da contribuinte no ano de 2010 foram empregadas em veículos já comercializados pelas aludidas montadoras, apresentando a comprovação do respectivo IPI. Entendo que a solicitação é prescindível, pois a controvérsia se restringe a questões de direito, e as informações que seriam coletadas não teriam influência para o deslinde da questão. No retorno da diligência a ser realizada pela delegacia de origem, esse item será analisado em conjunto. 2) Lançamento Sobre os Erros e Omissões da Escrita Fiscal: Tratase das infrações 0002 e 0003 apontadas pela fiscalização: Infração 0002: Falta de Declaração/Recolhimento do saldo devedor do IPI escriturado (total ou parcial). O estabelecimento equiparado a industrial, nos meses de julho a setembro de 2010, deixou de recolher/declarar os saldos devedores de IPI, apurados no Livro Fiscal, conforme explicitado no TVF; Fl. 927DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 11 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 13603.723078/201381 Resolução nº 3301000.259 S3C3T1 Fl. 926 10 Infração 0003: IPI lançado e não escriturado. O estabelecimento equiparado a industrial, nos meses de julho a dezembro de 2010, não escriturou esses valores, conforme explicitado no TVF. Os erros e omissões apontados pelo Auditor Fiscal foram contestados sob o argumento de que houve um erro administrativo e operacional, que teria causado a inserção de valores equivocados no RAIPI, com consequente alteração dos saldos finais atrelados aos meses apontados no relatório fiscal. Mesmo em se tratando de auto de infração, no momento em que constatamse erros de escrituração e estes são admitidos pela contribuinte, o ônus da prova a ela cabe, nos termos do art. 378 do CPC: Art. 378. Os livros comerciais provam contra o seu autor. É lícito ao comerciante, todavia, demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, que os lançamentos não correspondem à verdade dos fatos. Como bem dito no acórdão recorrido, os dados lançados na escrita constituem prova a favor do Fisco, ou seja, constituem elemento sólido para exigência de crédito tributário, salvo prova em contrário capaz de desconstituir as inserções incorretas realizadas na contabilidade. Na impugnação não houve a apresentação de qualquer nota fiscal que ilidisse o lançamento. Entretanto, no recurso voluntário, houve a apresentação das notas fiscais de saída para todo o ano de 2010. Também no recurso voluntário, foi apresentada uma planilha, em que, em tese, estaria comprovado que o inicial erro de escrituração foi corrigido e, as notas fiscais apresentadas comprovariam tal erro. Considerando o princípio da verdade material e o entendimento do CARF de que, quando a escrituração contábil do contribuinte, sustentada por notas fiscais, demonstram que houve um erro já retificado, entendo que, não há outra alternativa a não ser solicitar diligência à Delegacia da Receita Federal de circunscrição do contribuinte para que seja informado: a) Se há divergência entre os valores escriturados e os valores destacados nas Notas Fiscais Eletrônicas de Saída no ano de 2010; b) Cientifique a autoridade fazendária para se manifestar sobre o resultado da diligência, se houver interesse e caso entenda ser necessário; c) Cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para que, se assim desejar, apresente no prazo legal de 30 (trinta) dias, manifestação, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; d) Findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento. Fl. 928DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 11 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 13603.723078/201381 Resolução nº 3301000.259 S3C3T1 Fl. 927 11 Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Relator assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 929DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 11 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL
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Numero do processo: 10845.720029/2012-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IRPF. LANÇAMENTO, DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. RECIBOS. COMPROVAÇÃO DE INIDONEIDADE. OBRIGAÇÃO DO FISCO.
Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias.
A dedução acima limita se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no cadastro de pessoas físicas (CPF) ou no cadastro nacional da pessoa jurídica (CNPJ) de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.
No presente caso, a fiscalização, parcialmente, não provou a falta de idoneidade nos recibos apresentados, motivo do restabelecimento da dedução.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.997
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer as deduções, exceto a glosa por serviços prestados por Moriharu Higa. Acompanharam pelas conclusões os conselheiros Ronnie Soares Anderson e Ronaldo de Lima Macedo.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Marcelo Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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LANÇAMENTO, DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. RECIBOS. COMPROVAÇÃO DE INIDONEIDADE. OBRIGAÇÃO DO FISCO. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. A dedução acima limita se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no cadastro de pessoas físicas (CPF) ou no cadastro nacional da pessoa jurídica (CNPJ) de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. No presente caso, a fiscalização, parcialmente, não provou a falta de idoneidade nos recibos apresentados, motivo do restabelecimento da dedução. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 72 00 29 /2 01 2- 75 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer as deduções, exceto a glosa por serviços prestados por Moriharu Higa. Acompanharam pelas conclusões os conselheiros Ronnie Soares Anderson e Ronaldo de Lima Macedo. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10845.720029/201275 Acórdão n.º 2402004.997 S2C4T2 Fl. 92 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão de primeira instância, proferida por Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), que julgou a impugnação improcedente, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 MATÉRIA INCONTROVERSA. GLOSA DE DEPENDENTE E DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Consideramse não impugnadas as matérias não contestadas pelo interessado, consolidandose administrativamente o crédito tributário a elas correspondentes, consoante o disposto no artigo 17 do Decreto n.º 70.235/1972, com as modificações introduzidas pela Lei n.º 9.532/1997. GLOSA DE DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS. O direito às suas deduções condicionase à comprovação não só da efetividade dos serviços prestados, mas também dos correspondentes pagamentos. Artigo 80, §1º, incisos II e III, do Regulamento de Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/99). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 19ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar Improcedente a impugnação parcial, mantendo o crédito tributário remanescentes nos autos, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Para esclarecimento, a decisão a quo manteve no lançamento a glosa de despesas médicas, pois foi a única matéria impugnada. Segundo a fiscalização, de acordo com a Notificação de Lançamento (NL), como muito bem relatado na decisão a quo, o lançamento referese à glosa de despesas médicas, por falta de comprovação ou por falta de previsão legal para sua dedução. Intimado, o sujeito passivo não apresentou comprovação do desembolso de pagamentos e efetividade dos serviços citados. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos nos autos. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Em 05/12/2011 foi dada ciência a recorrente do lançamento, conforme aviso de recebimento (AR). Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, em 04/01/2012, acompanhada de anexos, argumentando, como muito bem demonstra a decisão a quo, em síntese, que: " ... que as Despesas Médicas refere se a tratamento da própria contribuinte, que após intimada apresentou todos os comprovantes conforme preceitua a legislação e mesmo assim foi notificada da revisão de sua declaração de ajuste que lhe imputa um imposto suplementar por não terem sido aceitos referidos comprovantes, sob a alegação e que não foram comprovados a efetividades dos serviços prestados e do desembolso, como se fosse uma regra, não podendo o contribuinte ter efetuado o pagamento em espécie e, devido ao lapso temporal não possui mais nenhum documento que prove a efetividades dos serviços prestados, canhoto do talonário de cheques ou extratos bancários, nem ao menos se lembra o contribuinte como foram efetuados os mesmos; que dificilmente é fornecido ao paciente raio x ou ficha médica do tratamento efetuado, sendo esses documentos pertencentes ao profissional e, conforme informados pelos mesmos não há legislação específica quanto ao tempo que tenha que guardar o prontuário do paciente, que de costume os guarda no máximo por dois anos; que o Fisco não aceita declarações prestadas pelos prestadores de serviços, evidenciando o excesso de rigor com que age o fisco, uma vez que impõe quais documentos devem ser apresentados afim da comprovação do pagamento despendido; que mero indícios para desencadear uma investigação fiscal, que deveria centrar se nos profissionais emitentes dos recibos, não pode, por si só, fundamentar a glosa de despesas médicas consubstanciadas em recibos revestidos dos requisitos legais; que o Fisco age de forma arbitrária, pois a legislação do Imposto de Renda não limita a dedução com despesas médicas, a legislação é explicita, só poderá ser requerido a apresentar a comprovação de desembolso, na falta de documentação que comprove a Despesa Médica, agindo o Auditor ao solicitar referida comprovação com excesso. Requer seja cancelada a notificação, mantendo as deduções de despesas com instrução e médicas." A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando a impugnação improcedente, a fim de manter a glosa de despesas médicas, pelo seguinte motivo, em síntese: " Verifica se, na declaração de ajuste da impugnante, que apenas com despesas médicas deduziu em torno de 24% em relação aos rendimentos declarados. Que nesse ano calendário tratou com dois dentistas distintos e continuou apresentando altos gastos com psicólogo. Apresenta ainda dois recibos de terapia holística, acupuntura, no total de R$ 1.325,00, não assinados por médico, os quais não se enquadram nas despesas médicas especificadas no art. 80 supra transcrito. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10845.720029/201275 Acórdão n.º 2402004.997 S2C4T2 Fl. 93 5 Os valores com psicólogo e dentistas são expressivos e contumazes, repetemse em todos os exercícios, só nesta oportunidade encontramse em análise três exercícios, onde em todos as despesas se repetem e em valores altos. Em nenhum dos três processos foram juntados comprovantes que atestem a realização dos serviços e nem a transferência do numerário da contribuinte aos prestadores, quer mediante apresentação de cópias de cheques, transferências, extratos bancários onde fiquem demonstrados os saques coincidentes em datas e valores dos recibos, no caso de pagamento em espécie. Não foi feito o menor esforço para se conseguir referidos documentos, bastava ter sido solicitados ao banco e nada, nenhum dos dentistas, por exemplo, tinha o prontuário, raio x panorâmica ou outro, todos já haviam descartados. Conforme se depreende dos dispositivos supracitados, cabe ao beneficiário dos recibos provar que realmente efetuou o pagamento no valor constante no comprovante, bem como à época em que o serviço foi prestado, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução, no período assinalado. Em princípio, admitese como prova idônea de pagamentos os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado. Essa é a regra. Entretanto, o Fisco, pode solicitar provas não só dos pagamentos, mediante cópia de cheques nominativos e de extratos bancários, mas também provas de que os serviços foram prestados pelos profissionais. A norma acima citada não dá aos comprovantes, ainda que revestidos de todas as formalidades, valor probante absoluto. A apresentação de recibos tem potencialidade probatória relativa e esta deve ser limitada por todos os elementos de convicção coletados pelo Auditor Fiscal no decorrer da ação fiscal, desde que o contribuinte os forneça." O sujeito passivo foi intimado da decisão em 25/03/2013, conforme Aviso de Recebimento (AR). Inconformado com a decisão, em 25/04/2013, apresentou recurso voluntário, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, as mesmas questões apresentadas em sua defesa. É o relatório. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DO MÉRITO Quanto ao mérito, a questão em litígio é a aceitação, ou não, dos recibos apresentados, para comprovação da efetividade dos serviços e das despesas que se deseja deduzir. Para o Fisco, na NL, os recibos não bastam para comprovar a efetividade dos serviços e o desembolso de pagamentos. Destaquese que a fiscalização não acrescenta argumento algum para macular a idoneidade dos recibos. Já a decisão a quo, mesmo de forma indireta, traz a informação de que a totalidade dos valores dos recibos correspondem a 24% (vinte e quatro por cento) dos rendimentos declarados, acrescentando que: 1. Nesse ano calendário tratou com dois dentistas distintos e continuou apresentando altos gastos com psicólogo; 2. Apresenta ainda dois recibos de terapia holística, acupuntura, no total de R$ 1.325,00, não assinados por médico, os quais não se enquadram nas despesas médicas especificadas no art. 80 supra transcrito; 3. Os valores com psicólogo e dentistas são expressivos e contumazes, repetemse em todos os exercícios, só nesta oportunidade encontramse em análise três exercícios, onde em todos as despesas se repetem e em valores altos; 4. Em nenhum dos três processos foram juntados comprovantes que atestem a realização dos serviços e nem a transferência do numerário da contribuinte aos prestadores, quer mediante apresentação de cópias de cheques, transferências, extratos bancários onde fiquem demonstrados os saques coincidentes em datas e valores dos recibos, no caso de pagamento em espécie. Não foi feito o menor esforço para se conseguir referidos documentos, bastava ter sido solicitados ao banco e nada, nenhum dos dentistas, por exemplo, tinha o prontuário, raio x panorâmica ou outro, todos já haviam descartados; 5. Conforme se depreende dos dispositivos supracitados, cabe ao beneficiário dos recibos provar que realmente efetuou o pagamento no valor constante no comprovante, bem como à época em que o serviço foi prestado, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução, no período assinalado; 6. Em princípio, admitese como prova idônea de pagamentos os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado. Essa é a regra. Entretanto, o Fisco, pode solicitar provas não só dos pagamentos, mediante cópia de cheques nominativos e de extratos bancários, mas também provas de que os serviços foram prestados pelos profissionais; Fl. 96DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10845.720029/201275 Acórdão n.º 2402004.997 S2C4T2 Fl. 94 7 7. A norma acima citada não dá aos comprovantes, ainda que revestidos de todas as formalidades, valor probante absoluto. A apresentação de recibos tem potencialidade probatória relativa e esta deve ser limitada por todos os elementos de convicção coletados pelo Auditor Fiscal no decorrer da ação fiscal, desde que o contribuinte os forneça." Em primeiro lugar cabe dar razão ao Fisco na glosa da dedução dos valores com despesas por serviços prestados por Moriharu Higa, pois tratase de dois recibos de terapia holística, acupuntura, não assinados por um dos profissionais citados no Art. 80, do Decreto 3.000/19999. Portanto, não há razão no argumento do recorrente quanto a essas glosas. Em relação às outras despesas há dúvidas. O Fisco pode desconsiderar os recibos apresentados, conforme a legislação, mas desde que traga indícios, provas aos autos de que estes não sejam idôneos. Decreto 3000/1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretos lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). (grifamos) §1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). ... 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I. aplica se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; (grifamos). III limita se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, NA FALTA DE Fl. 97DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 DOCUMENTAÇÃO, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifamos) Está claro que: 1. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação; 2. A forma de comprovação das despesas médicas é pelo devido recibo com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu; 3. Na falta de documentação, recibo, deve ser feita a indicação de cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Portanto, em meu entender, a fiscalização pode desconsiderar recibos e solicitar, a partir de provas e indícios de que esses recibos devam ser desconsiderados, comprovação de pagamento e efetividade dos serviços prestados. Nos autos há os recibos dos profissionais que prestaram os serviços, com todos requisitos formais para sua aceitação. Destaquese que se o sujeito passivo não comprovar renda para esses pagamentos ou não demonstrar a origem dos recursos para esses pagamentos ele pode e deve ser notificado, mas por outro motivo, pelo acréscimo patrimonial a descoberto, que é a aquisição de bens e direitos e realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. Considerase renda disponível do contribuinte os rendimentos auferidos diminuídos das deduções admitidas na legislação em vigor e do imposto de renda pago. Lei 8.021/1990: Art. 6° O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. § 1° Considerase sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. Decreto 3000/19999: Art. 846. O lançamento de ofício, além dos casos especificados neste Capítulo, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza (Lei nº 8.021, de 1990, art. 6º). § 1º Considerase sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte (Lei nº 8.021, de 1990, art. 6º, § 1º). Portanto, a fiscalização deveria, para ter glosado as despesas médicas, ter tomado providências para trazer aos autos provas ou indícios de que os recibos não eram idôneos, assim como poderia ter, caso não conseguisse demonstrar a inidoneidade, ter solicitado provas dos efetivos pagamentos, pelos rendimentos declarados, e, caso essas provas não surgissem nos autos, ter fundamentado o lançamento como acréscimo patrimonial a descoberto. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10845.720029/201275 Acórdão n.º 2402004.997 S2C4T2 Fl. 95 9 O Fisco poderia ter buscado provas de que o consignado nos recibos não condizia com a verdade, o que acarretaria a glosa de despesas médicas e a instauração de procedimentos penais e administrativos em relação ao emitente e ao contribuinte, assim como poderia ter verificado que os recibos eram verdadeiros, mas que os rendimentos que serviram para pagamento dos serviços não foram declarados por exemplo, pela prática de outra atividade pelo sujeito passivo o que acarretaria o lançamento por acréscimo patrimonial a descoberto, mas nenhuma dessas providências foi efetivada, não demonstrando a inidoneidade do declarado e assinado nos recibos. Assim, concluo em dar provimento parcial ao recurso, por ausência de demonstração fática sobre a inidoneidade dos recibos apresentados, mantendo no lançamento a glosa por serviços prestados por Moriharu Higa. CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto pelo provimento parcial ao recurso, para manter a glosa por serviços prestados por Moriharu Higa, nos termos do voto. Marcelo Oliveira. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 10580.723122/2010-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
IRPF. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS - VERBA DE NATUREZA INDENIZATÓRIA - NÃO-INCIDÊNCIA. O imposto de renda não incide sobre os valores recebidos a título de indenização por danos morais, eis que se trata de verba de natureza nitidamente indenizatória de um direito violado e, assim, não configura riqueza nova, fruto do capital, do trabalho, ou da combinação desses dois fatores, não se configurando, portanto, fato gerador do imposto de renda.
IMPOSTO DE RENDA. PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. TABELA PROGRESSIVA. ALÍQUOTA. RE Nº 614.406/RS.
No julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, concluído em 23 de outubro de 2014, conduzido sob o regime dos recursos repetitivos assentado no art. 543-B do Código de Processo Civil, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, sem declarar a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88, reconheceu que o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente - RRA adotado pelo suso citado art. 12, representava transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva do Contribuinte, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda.
A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-004.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, nos termos do voto do Relator.
André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS VERBA DE NATUREZA INDENIZATÓRIA NÃOINCIDÊNCIA. O imposto de renda não incide sobre os valores recebidos a título de indenização por danos morais, eis que se trata de verba de natureza nitidamente indenizatória de um direito violado e, assim, não configura riqueza nova, fruto do capital, do trabalho, ou da combinação desses dois fatores, não se configurando, portanto, fato gerador do imposto de renda. IMPOSTO DE RENDA. PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. TABELA PROGRESSIVA. ALÍQUOTA. RE Nº 614.406/RS. No julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, concluído em 23 de outubro de 2014, conduzido sob o regime dos recursos repetitivos assentado no art. 543B do Código de Processo Civil, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, sem declarar a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88, reconheceu que o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente RRA adotado pelo suso citado art. 12, representava transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva do Contribuinte, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 31 22 /2 01 0- 28 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 2 ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL, nos termos do voto do Relator. André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10580.723122/201028 Acórdão n.º 2401004.266 S2‐C4T1 Fl. 119 3 Relatório Exercício: 2008. Data da Notificação de Lançamento: 01/03/2010. Data da Ciência da Notificação de Lançamento: 09/03/2010. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA, que julgou improcedente a impugnação interposta pelo Sujeito Passivo do Crédito Tributário formalizado mediante a Notificação de Lançamento nº 2008/762799381878059, a fls. 12/16, consistente em Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza da Pessoa Física (IRPF) relativo ao exercício de 2008, anocalendário de 2007, em razão de Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, decorrentes de Ação ajuizada na Justiça Federal. De acordo com a citada Notificação de Lançamento, do exame das informações e documentos apresentados pelo Contribuinte e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos tributáveis recebidos em virtude de processo judicial trabalhista, no valor de R$ 54.833,32 auferidos pelo titular e/ou dependentes. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 2.338,40. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 02/10. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 12066.189 – 1ª Turma da DRJ/RJ1, a fls. 94/99, julgando procedente o lançamento e mantendo o Crédito Tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 21/07/2014, conforme Aviso de Recebimento a fl. 103. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 105/110, respaldando seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: · Que a origem do crédito controvertido referese a indenizações por danos morais ocorridos no curso da relação de emprego; · Que o conceito de renda não abrange indenizações; · Que não incide Imposto de Renda sobre valores auferidos a título de indenização por danos morais, consoante Súmula nº 498 do STJ; Fl. 120DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 4 É o que importa relatar. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10580.723122/201028 Acórdão n.º 2401004.266 S2‐C4T1 Fl. 120 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 21/07/2014. Dessarte, havendo sido o Recurso Voluntário protocolizado em 15/08/2014, há que se reconhecer a sua tempestividade. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 2.1. IRPF – DA INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. Alega o Recorrente que a origem do crédito controvertido referese a indenizações por danos morais ocorridos no curso da relação de emprego. Com efeito, compulsando os autos, verificamos que o autuado auferiu valores monetários decorrentes do Processo Trabalhista nº 00371200300305, cuja decisão de Fl. 122DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 6 Primeira Instância condenou o Reclamado ao pagamento à Reclamante de indenização por danos morais no valor de 28 (vinte e oito) salários por ela percebidos, considerada, para esse efeito, a última remuneração auferida pela obreira, mais os juros e correção monetária, consoante Dispositivo que se vos segue: “Ante o exposto, pronuncio a prescrição quinquenal do direito de ação da reclamante quanto aos créditos anteriores a 24/02/1998, e, por conseguinte, nos termos do inciso IV, do art. 269, do CPC, extingo O processo com julgamento do mérito quanto aos pleitos compreendidos no lapso prescrito; e no mérito propriamente dito, julgo PROCEDENTES, EM PARTE os pedidos para condenar o reclamado a pagar à reclamante com juros e correção monetária as seguintes parcelas: indenização por danos morais no valor de 28 (vinte e oito) salários percebidos pela reclamante, considerada, para esse efeito, a última remuneração auferida pela obreira. Deferida a gratuidade da justiça à reclamante. Fiscalize a Secretaria O recolhimento das contribuições previdenciárias. O Imposto de Renda devido deverá ser descontado do crédito do reclamante, observada a legislação própria. A liquidação da sentença farseá por simples cálculos. Observar a variação salarial da reclamante. Não há valores há serem compensados ou deduzidos. Honorários periciais, pelo reclamado, no valor de R$ 1.000,00 (Um Mil Reais), devendo reembolsar a reclamante pelo valor pago à título de honorários periciais provisórios. Custas, pelo reclamado, no valor de R$ 600,00, calculadas sobre R$ 30.000,00, valor estimado para este fim, nos termos do art. 789 da CLT.” Insatisfeitos, Reclamante e Reclamado interpuseram Recurso Ordinário ao TRT da 5ª Região, tendo este negado provimento ao Recurso do Reclamado e dado provimento parcial ao da Reclamante, nos termos abaixo transcritos: “Acordam os Desembargadores da 1ª TURMA do Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região, unanimemente, REJEITAR A PRELIMINAR de incompetência absoluta em razão da matéria e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso do reclamado; Quanto ao recurso da reclamante, ainda unanimemente, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para declarar a nulidade da dispensa, deferindo a reintegração da recorrente ao emprego, e para condenar o recorrido a ressarcir à recorrente as despesas com os medicamentos necessários ao tratamento da doença ocupacional até sua efetiva recuperação e JULGAR EXTINTO o processo sem julgamento do mérito no que tange ao pedido de pagamento de danos materiais.” Ou seja: Em sede de recurso a Recorrente obteve, além da confirmação do direito à indenização por danos morais, a declaração da nulidade da sua dispensa e a consequente reintegração ao emprego. Realmente, examinando os Cálculos de Liquidação de Sentença a fls. 17/26, verificamos que o montante auferido pela Reclamante é composto não somente por Indenização de danos morais, como também por Complementação Salarial, aqui incluídas diferença de gratificação semestral, 13º salário e 1/3 de férias, além de ressarcimento de Fl. 123DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10580.723122/201028 Acórdão n.º 2401004.266 S2‐C4T1 Fl. 121 7 despesas, conforme assim determinado no Acórdão nº 17.850/05 – 1ª Turma do TRT da 5ª Região. O Recorrente argumenta que o conceito de renda não abrange indenizações por danos morais e que, por tal motivo, não incide Imposto de Renda sobre valores auferidos a título de indenização por danos morais, consoante Súmula nº 498 do STJ. De fato, de acordo com o art. 3º do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, estão sujeitos à incidência do IRPF a renda e os proventos de qualquer natureza percebidos no País por residentes ou domiciliados no exterior ou a eles equiparados. Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Art. 3º A renda e os proventos de qualquer natureza percebidos no País por residentes ou domiciliados no exterior ou a eles equiparados, conforme o disposto nos arts. 22, § 1º, e 682, estão sujeitos ao imposto de acordo com as disposições do Livro III (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 97, e Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, art. 3º, § 4º). Art. 37. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados (Lei nº 5.172, de 1966, art. 43, incisos I e II, e Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 1º). Parágrafo único. Os que declararem rendimentos havidos de quaisquer bens em condomínio deverão mencionar esta circunstância (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 66). Art. 38. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º). Parágrafo único. Os rendimentos serão tributados no mês em que forem recebidos, considerado como tal o da entrega de recursos pela fonte pagadora, mesmo mediante depósito em instituição financeira em favor do beneficiário. É digno de destaque que a base de incidência do IRPF descrita no art. 3º do Regulamento do Imposto de Renda é por demais ampla, genérica e imprecisa. Ao tecer os necessários detalhamentos aos fatos geradores do IRPF, o Capítulo III – RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS do Título IV do Regulamento do Imposto de Renda arrolou uma miríade de hipóteses de incidência do tributo em questão, não incluindo, de maneira específica, em momento algum, as importâncias auferidas a título de Indenização por Danos Morais. De outro eito, ao tratar dos rendimentos isentos ou não tributáveis, o Capítulo II RENDIMENTOS ISENTOS OU NÃO TRIBUTÁVEIS do Título IV do RIR, apesar de Fl. 124DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 8 haver previsto uma série de rendimentos não tributáveis advindo de diversas espécies de indenizações, igualmente, não incluiu dentre suas hipóteses de não incidência os ganhos da Pessoa Física decorrentes de Indenização por Danos Morais. Rápida pesquisa à web revelou que a Jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça muito oscilou entre a incidência e a não incidência do IRPF sobre os ganhos auferidos pela Pessoa Física decorrentes de Indenização por Danos Morais. O entendimento da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça fundava se no argumento de que a negativa da incidência do Imposto de Renda não decorria de isenção tributária, mas, sim, pelo fato de não se verificar a ocorrência de riqueza nova capaz de caracterizar acréscimo patrimonial do beneficiário. A controvérsia houvese por resolvida no julgamento de Recurso Especial nº 963.387/RS interposto pela Fazenda Nacional em face de decisão proferida pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que, ao apreciar mandado de segurança, reconheceu o benefício fiscal à verba recebida, confirmando decisão da primeira instância, consoante Ementa adiante reproduzida. RECURSO ESPECIAL Nº 963.387 RS RELATOR : MINISTRO HERMAN BENJAMIN Data do Julgamento: 08/10/2008 TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. NATUREZA DA VERBA. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. NÃOINCIDÊNCIA. PRINCÍPIO DA REPARAÇÃO INTEGRAL. PRECEDENTES DO STJ. 1. A indenização por dano estritamente moral não é fato gerador do Imposto de Renda, pois limitase a recompor o patrimônio imaterial da vítima, atingido pelo ato ilícito praticado. 2. In casu, a negativa de incidência do Imposto de Renda não se faz por força de isenção, mas em decorrência da ausência de riqueza nova – oriunda dos frutos do capital, do trabalho ou da combinação de ambos – capaz de caracterizar acréscimo patrimonial. 3. A indenização por dano moral não aumenta o patrimônio do lesado, apenas o repõe, pela via da substituição monetária, in statu quo ante. 4. A vedação de incidência do Imposto de Renda sobre indenização por danos morais é também decorrência do princípio da reparação integral , um dos pilares do Direito brasileiro. A tributação, nessas circunstâncias e, especialmente, na hipótese de ofensa a direitos da personalidade, reduziria a plena eficácia material do princípio, transformando o Erário simultaneamente em sócio do infrator e beneficiário do sofrimento do contribuinte. 5. Recurso Especial não provido. A decisão aviada no Recurso Especial nº 963.387/RS prestouse de fundamento para a emissão do ATO DECLARATÓRIO Nº 09, de 20 de dezembro de 2011, expresso nos seguintes termos: A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de Fl. 125DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10580.723122/201028 Acórdão n.º 2401004.266 S2‐C4T1 Fl. 122 9 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2123 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 15/12/2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que discutam a incidência de Imposto de Renda sobre a verba percebida a título de dano moral por pessoa física.” Sublinhese que o §2º do art. 19 da Lei nº 10.522/2002 é expresso ao autorizar a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, ou do Superior Tribunal de Justiça, sejam objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda. Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002 Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033/2004) I matérias de que trata o art. 18; II matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, ou do Superior Tribunal de Justiça, sejam objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda. §1o Nas matérias de que trata este artigo, o Procurador da Fazenda Nacional que atuar no feito deverá, expressamente, reconhecer a procedência do pedido, quando citado para apresentar resposta, hipótese em que não haverá condenação em honorários, ou manifestar o seu desinteresse em recorrer, quando intimado da decisão judicial. (Redação dada pela Lei nº 11.033/2004) §2o A sentença, ocorrendo a hipótese do § 1o, não se subordinará ao duplo grau de jurisdição obrigatório. §3o Encontrandose o processo no Tribunal, poderá o relator da remessa negarlhe seguimento, desde que, intimado o Procurador da Fazenda Nacional, haja manifestação de desinteresse. §4o A Secretaria da Receita Federal não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que trata o inciso II do caput deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.033/2004) §5o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de Fl. 126DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 10 alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.033/2004) Nessa esteira, em consonância ao §5º do suso citado Dispositivo Legal, “Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso.” Tal entendimento encontrase plasmado, em essência, na alínea ‘a’ do inciso II do art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, do Ministério da Fazenda, bem como na alínea ‘a’ do inciso II do art. 26A do Dec. nº 70.235/72. Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73/93. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Fl. 127DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10580.723122/201028 Acórdão n.º 2401004.266 S2‐C4T1 Fl. 123 11 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Por todo o exposto, pugnamos pela exclusão da base de cálculo dos valores auferidos pelo Recorrente a título de Indenização por Danos Morais, assim como os juros de mora e a atualização monetária correspondentes a essa parcela. 2.2. DOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Compulsando os Cálculos de Liquidação de Sentença a fls. 17/26, verificamos que o montante auferido pela Reclamante era composto não somente por Indenização de danos morais, como também por Complementação Salarial, aqui incluídas diferença de gratificação semestral, 13º salário e 1/3 de férias, etc., as quais se configuram como rendimentos tributáveis pelo Imposto de Renda. Malgrado não haja sido suscitada pela Recorrente em sua impugnação, tampouco em seu Recurso Voluntário, o comando imperativo assentado no §2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 impõe aos conselheiros, no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, a reprodução das decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista nos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869/73 Código de Processo Civil. Com efeito, no julgamento concluído em 23 de outubro de 2014, conduzido sob o regime assentado no art. 543B do Código de Processo Civil, o Plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu, por maioria, pela improcedência do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, interposto pela União, em razão de a Corte Suprema, sem declarar a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88, ter reconhecido que o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente – RRA adotado pelo há pouco citado art. 12, representava transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva do Contribuinte, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda. No caso paradigma, o Sodalício Maior acordou, por maioria, que o imposto de renda, mesmo que incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente, deveria ser apurado levandose em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nos meses a que se referirem cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada pelo autor, consoante Acórdão que se vos segue: Fl. 128DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 12 Recurso Extraordinário nº 614.406/RS Relatora: Min. Rosa Weber. Redator do acórdão: Min. Marco Aurélio. Julgamento: 23/10/2014. IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Nessa perspectiva, o fato de o julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS haver sido realizado conforme a Sistemática dos Recursos Repetitivos, prevista no art. 543B do CPC, atrai ao feito a incidência do disposto no §2º do Art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Regimento Interno do CARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543 C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (grifos nossos) De outra via, configurandose o Julgamento Plenário do RE nº 614.406/RS um fato juridicamente relevante, não conhecido na ocasião do lançamento ora em debate, abre Fl. 129DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10580.723122/201028 Acórdão n.º 2401004.266 S2‐C4T1 Fl. 124 13 se para o Fisco a prerrogativa de rever o lançamento, de maneira que possa aplicar no cálculo do tributo devido o critério adotado pelo STF no julgamento acima indicado, a teor do art. 149, VIII, do CTN. Código Tributário Nacional Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; (grifos nossos) IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Nessa vertente, em atenção ao disposto no art. 62, §2º, do RICARF e no art. 149, VIII, do CTN, e considerando a decisão proferida no Julgamento do RE nº 614.406/RS, conduzido sob a sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 543B do CPC, voto no sentido de, nesse específico particular, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que o cálculo do tributo devido relativo aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente pela Contribuinte seja realizado levandose em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada pela Recorrente, reproduzindose, assim, a decisão definitiva de mérito, proferida pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário acima mencionado. 3. CONCLUSÃO: Fl. 130DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 14 Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para: (i) Excluir da base de cálculo os valores auferidos pelo Recorrente a título de Indenização por Danos Morais, assim como os juros de mora e a atualização monetária correspondentes a essa parcela; (ii) Que o cálculo do tributo devido relativo aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente pela Contribuinte seja realizado levandose em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada pela Recorrente, reproduzindose, assim, a decisão definitiva de mérito, proferida pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, em atenção ao disposto no art. 62, §2º, do RICARF. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
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Numero do processo: 13841.000175/2006-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. Os créditos presumidos da não-cumulatividade, referentes às aquisições de bens e serviços de pessoas físicas, são passíveis de apuração apenas pelas pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas em determinados capítulos e códigos da NCM, e que sejam destinados à alimentação humana ou animal.
AQUISIÇÕES DE EMPRESAS "DE FACHADA". CRÉDITOS. BOA-FÉ.
As aquisições de mercadorias de pessoas jurídicas que não disponham de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto, que se reputam inexistentes de fato, só geram direito a crédito quando comprovada a boa-fé do adquirente. O direito a creditamento previsto nas Leis 10.637/2002 e n. 10.833/2003 tem como pressuposto que as operações que lhe poderia dar origem devem estar sendo realizadas por pessoas jurídicas existentes de fato e de direito, e não por pessoas inexistentes de fato.
Numero da decisão: 3401-003.040
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, afastar, por unanimidade, a preliminar de intempestividade do recurso, levantada de ofício em julgamento; acordam, eles, indeferir por maioria de votos o conhecimento de documentos apresentados pela contribuinte extemporaneamente, vencido o Conselheiro Waltamir Barreiros. No mérito, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. Os créditos presumidos da nãocumulatividade, referentes às aquisições de bens e serviços de pessoas físicas, são passíveis de apuração apenas pelas pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas em determinados capítulos e códigos da NCM, e que sejam destinados à alimentação humana ou animal. AQUISIÇÕES DE EMPRESAS "DE FACHADA". CRÉDITOS. BOAFÉ. As aquisições de mercadorias de pessoas jurídicas que não disponham de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto, que se reputam inexistentes de fato, só geram direito a crédito quando comprovada a boafé do adquirente. O direito a creditamento previsto nas Leis 10.637/2002 e n. 10.833/2003 tem como pressuposto que as operações que lhe poderia dar origem devem estar sendo realizadas por pessoas jurídicas existentes de fato e de direito, e não por pessoas inexistentes de fato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, afastar, por unanimidade, a preliminar de intempestividade do recurso, levantada de ofício em julgamento; acordam, eles, indeferir por maioria de votos o conhecimento de documentos apresentados pela contribuinte extemporaneamente, vencido o Conselheiro Waltamir Barreiros. No mérito, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. Robson José Bayerl Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 1. 00 01 75 /2 00 6- 61 Fl. 2811DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 2 Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Este processo se refere a pedido de ressarcimento/declaração de compensação de créditos da Contribuição para o PIS do período de apuração 3° trimestre de 2005, no valor de R$ 551.749,95. A contribuinte atua como comercial exportadora de café. A unidade administrativa de jurisdição indeferiu o pedido e não homologou eventuais compensações declaradas com entendimento de que se lhe imporia o disposto no art. 6°, § 4°, da Lei n° 10.833/2003 (aplicável à Contribuição para o PIS/Pasep por determinação do art. 15, III desta lei)., qual seja, a vedação de apuração de créditos vinculados à receita de exportação por empresa comercial exportadora. Os julgadores a quo antes de apreciarem a manifestação de inconformidade, requereram diligência, para que a autoridade administrativa "se manifestasse quanto às aquisições promovidas pela interessada, relatando se de fato eram todas compras para comercialização, ou se haviam também compras com fins específicos de exportação, detalhando os valores". Da diligência, desdobrada em auditoria e fiscalização, resultou a constatação "que a requerente apropriouse de créditos "fictos decorrentes da compra de café beneficiado de empresas com o mesmo padrão das investigadas no Espírito Santo e região de Manhuaçu MG (Operação Broca), ou seja, com os seguintes indícios de inexistência de fato: (...)" A autoridade fiscal e a administrativa relatam que a contribuinte operou através "da interposição de empresas fictícias para geração de créditos da nãocumulatividade, que consistia em simular uma aquisição de pessoa jurídica (que gera crédito), quando na realidade tratavase de aquisição de pessoa física (que não gera crédito)." E que constataram que os créditos pretendidos foram gerados a partir de aquisições junto 38 fornecedores com situação de inscrição cadastral no CNPJ incompatível (baixada, inapta ou suspensa por inexistência de fato). Ao final e em síntese, a unidade administrativa de jurisdição recalculou os valores informados pela contribuinte, após glosar os valores creditados relativos às aquisições de produtores rurais e empresas inexistentes de fato (art. 43, § 1°, III, da Instrução Normativa RFB n° 1.183/2011), listadas no item 5 da informação fiscal, demonstrando os valores não aceitos no Anexo I Glosa de crédito. Como resultado, propôs a existência de um crédito passível de ressarcimento no valor de R$ 57.713,92. Fl. 2812DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13841.000175/200661 Acórdão n.º 3401003.040 S3C4T1 Fl. 3 3 Cientificada dessa decisão, a contribuinte contestou apresentando as razões por que pediu a reversão das glosas e das decisões, resumidas a seguir, cujo texto aproveito do relatório do acórdão de 1ª instância pela sua clareza e objetividade: Em sua peça, alegou que o trabalho fiscal concluiu, em claro juízo de valor e com suposições díspares das provas documentais produzidas e reconhecidas pela fiscalização, pela impossibilidade da boafé da contribuinte, e conseqüente glosa de créditos. No entanto, não pode prevalecer o simples entendimento do Auditor Fiscal, baseado em presunções e suposições, sem previsão legal e indevidas. Argumentou nunca ter sido intimada a manifestarse sobre as operações "Broca e Robusta", não podendo agora, dez anos após os pedidos que remontam a 2002, imputar a ela qualquer responsabilidade pela regularidade de empresas alvo dessas operações. Tal procedimento representaria claro cerceamento de defesa. Acrescentou que suas operações com fornecedores foram regulares, amparadas por documentação fiscal hábil, "existem consultas SINTEGRA para uma grande maioria dessas empresas, até porque as declarações de inaptidão desses fornecedores da Costa Café, como relatado nos autos, são, na grande maioria, através de processos dos anos de 2008 e 2009, demonstrando que à época dos negócios com a Requerente, tais empresas encontravamse em situação de regularidade perante o Fisco." O trabalho fiscal teria ainda constatado a existência física das operações, tanto pela remessa e recebimento do café, como pela sua efetiva exportação comprovada por informações do SISCOMEX. Também os comprovantes de pagamento (TED) dariam sustentação às operações. Reclamou estar sendo imensamente prejudicada, por se tratar de adquirente de boa fé, requerendo a aplicação, por analogia, de decisão do STJ em matéria de credito do ICMS, na qual entendeuse que "não pode o contribuinte, adquirente de boafé, de empresa posteriormente declarada inidônea, ser prejudicado com a glosa ou estorno dos créditos". Transcreveu ementa do julgado, submetido à sistemática dos recursos repetitivos. Aduziu que sua ausência de dolo e desconhecimento da situação dos fornecedores pode ser comprovada, ainda, pelo fato de não ter havido "nenhum benefício financeiro à Recorrente", pois os cafés "sempre foram adquiridos com equivalência de preços"; se houvesse conluio seu, "certamente haveria que existir algum tipo de benefício, como por exemplo, um preço mais vantajoso em relação aos demais e isso não ocorreu." No tocante à aplicação do disposto no art. 43 da Instrução Normativa RFB n° 1.183/2011, a fiscalização teria deixado de observar as disposições de seu § 3°, que autoriza a glosa apenas em relação a documentos fiscais emitidos a partir da data do Ato Declaratório Executivo de inaptidão, e veda a glosa no caso de comprovação do pagamento do preço e do recebimento das mercadorias, o que se deu no seu caso. Ao final, requereu o acolhimento de seus argumentos e o cancelamento das glosas, reiterando as alegações de sua manifestação de inconformidade original, inclusive quanto à correção de seus créditos pela taxa Selic. Solicitou ainda que a Fl. 2813DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 4 homologação das compensações seja realizada considerando suas datas, caso os créditos não sejam atualizados, e não com atualização dos débitos até a data de conclusão do processo. Os julgadores de primeiro piso não acolheram as preliminares postas pela contribuinte pelas seguintes razões: 1. cerceamento de defesa pela falta de clareza na motivação entenderam os julgadores que não procedem as alegações de nulidade, pois: (1º) o texto do despacho decisório não prejudicou, muito menos inviabilizou o direito de defesa da interessada, tanto que ela apresentou seu recurso atacando a motivação do indeferimento de seu pleito. (2º) a descrição dos fatos pela fiscalização foi extremamente minuciosa, e a contestação da contribuinte demonstra que ela compreendeu plenamente as razões das glosas. 2. cerceamento de defesa pela imputação de responsabilidade por irregularidades de outras empresas que a contribuinte não teve oportunidade de conhecer e se manifestar entenderam os julgadores que não houve tal imputação, mas, sim a constatação de que a contribuinte apurou crédito em operações com tais empresas, e que ela estaria tendo oportunidade de se manifestar, tendo em vista que ela procurou utilizar esses créditos. 3. mudança da decisão da autoridade administrativa entenderam que não constitui ilegalidade a mudança apontada: a autoridade com competência delegada para apreciar o pleito teve entendimento distinto das decisões de outra DRF e de seu antecessor no cargo, uma vez que "decisões anteriores de outro órgão da Receita Federal, ou ainda do mesmo órgão, terem sido em sentido diverso à presente, não vinculam decisões subseqüentes, mormente quando se passa a adotar novo entendimento em relação em determinado assunto". No mérito, o colegiado de 1º piso, concluiu que ficou caracterizado e demonstrado que: 1. as aquisições de produtos a que se refere o § 5° do art. 3° da Lei n° 10.833 e § 10 do art. 3° da Lei n° 10.637, adquiridos de pessoas físicas, não dão direito a crédito para a interessada, na medida em que a contribuinte não produz mercadorias, condição necessária para tal creditamento. Glosa esta que a contribuinte não logrou afastar e que acabou por não contestar em seu recurso dirigido à DRJ, passando a ser matéria não impugnada, ou seja, incontroversa. 2. "a contribuinte tentou se beneficiar de um esquema fraudulento de aquisição de café de produtores rurais (pessoas físicas), com a intermediação de empresas de fachada, inexistentes de fato, que teriam servido apenas para fornecer as notas fiscais que dariam suporte ao creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em operações que, na realidade, não gerariam crédito." 3. há "farto conjunto probatório carreado aos autos demonstra claramente a existência de uma rede de empresas de fachada, cuja única razão de ser era fornecer notas fiscais para amparar tais vendas como se de pessoas jurídicas fossem, num esquema de triangulação perfeitamente demonstrado na informação fiscal. Cabe aqui frisar o que observou a fiscalização, que "neste período não houve nenhum recolhimento de Tributos ou Contribuições efetuados à Receita Federal por parte destas empresas". Assim, os mecanismos da nãocumulatividade das contribuições, que deveriam servir, entre outros, para desonerar as exportações, acabam por se Fl. 2814DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13841.000175/200661 Acórdão n.º 3401003.040 S3C4T1 Fl. 4 5 converter em fonte de receitas ilícitas de contribuintes (créditos passíveis de ressarcimento); isto porque, não havendo recolhimento das contribuições, seja pelas pessoas físicas que se utilizaram das empresas de fachada, seja por essas próprias empresas, não haveria tributo a ser desonerado." 4. insustentável a alegação de boa fé pela inexistência de benefício para a contribuinte de tal procedimento por que, na visão dos julgadores, maior benefício não poderia a contribuinte querer "do que um crédito de PIS e Cofins no montante de mais de R$ 9 milhões em dois anos, referentes a tais aquisições". 5. ficou comprovada a inexistência de fato das empresas listadas pela autoridade fiscal em suas glosas, a teor do disposto no art. 41 da mesma Instrução Normativa; 6. "restou comprovado que as aquisições originalmente não foram realizadas das empresas de fachada, por absoluta incapacidade operacional das mesmas, nem sequer é necessário provar que tais compras foram, de fato, de pessoas físicas. Por se tratar de crédito reclamado pela contribuinte, caberia a ela fazer a prova da aquisição junto a pessoas jurídicas." 7. a procedência da decisão administrativa que considerou ilegítimas as notas fiscais emitidas pelas empresas em datas anteriores à de sua decretação como inexistentes de fato, pois, a condição desses "documentos referentes aos créditos do presente processo serem anteriores à expedição dos ADEs, não os tornam legítimos. Isso significa que o contrário à restrição imposta ao § 1°, III desse artigo (impossibilidade de utilização dos documentos considerados inidôneos para apuração de créditos) não é verdadeiro; isto é, não é porque os documentos fiscais não se enquadram no § 3°, I, nem porque houve a comprovação prevista no § 5°, que os créditos devam ser aceitos obrigatoriamente." Entendeu, ainda, o colegiado de 1º piso que não caberia a aplicação dos julgados do STJ indicados pela contribuinte por que suas conclusões não infirmam o entendimento aqui esposado, porquanto têm sempre como premissa a boa fé do adquirente, o que não restou configurada no presente. Negaram, por falta de previsão legal, o pedido de correção do valor passível de ressarcimento. Ao final, consideraram corretas as glosas feitas pelas autoridades fiscais e administrativas e parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, para reconhecer o direito creditório passível de ressarcimento no valor de R$ 57.713,92 e homologar as eventuais compensações declaradas até o limite desse crédito. O Acórdão n.º 1441.155 proferido em 28/03/2013 pela respeitável 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto ficou assim ementado: Acórdão 1441.155 4a Turma da DRJ/RPO Sessão de 28 de março de 2013 Interessado Costa Café Comércio Exp Imp Ltda. Fl. 2815DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 6 CNPJ/CPF 54.122.775/000169 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS Período de apuração: CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. Os créditos presumidos da nãocumulatividade, referentes às aquisições de bens e serviços de pessoas físicas, são passíveis de apuração apenas pelas pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas em determinados capítulos e códigos da NCM, e que sejam destinados à alimentação humana ou animal. AQUISIÇÕES DE EMPRESAS "DE FACHADA". CRÉDITOS. BOA FÉ. As aquisições de mercadorias de pessoas jurídicas que não disponham de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto, que se reputam inexistentes de fato, só geram direito a crédito quando comprovada a boafé do adquirente. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou cada um dos argumentos referentes ao mérito da lide constante da manifestação de inconformidade, já resumidos anteriormente neste voto. E acrescenta ela, neste recurso voluntário, razão que contesta o entendimento firmado pelo colegiado a quo, in verbis: Vejase que a Fiscalização deixou de observar dois dispositivos [do artigo 43 da IN RFB n. 1.183, de 2011] que, por si só, autorizam a procedência da presente Manifestação de Inconformidade [sic], com a improcedência da "glosa" e a manutenção dos créditos. O § 3° do referido artigo dispõe que os efeitos do caput somente se aplicam a partir da data da publicação do ADE, ou seja, no caso do presente processo, somente poderá ser observada tal disposição, caso seja comprovada a publicação do processo de ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO ADE em relação aos fornecedores cujos créditos foram glosados, se os mesmos tiverem sido publicados anteriormente ao 1° trimestre de 2005, período de apuração dos créditos, o que realmente não aconteceu, os ADE's são de 2009 e 2010. Por outro lado, ainda que houvesse tal declaração, o disposto no § 5° ampara totalmente a manutenção dos créditos em relação a tais fornecedores, uma vez que restou comprovado pela própria Fiscalização, através de provas materiais (documentos solicitados e encaminhados), o pagamento do preço e o recebimento dos bens, não podendo surtir efeitos em relação à Recorrente, a disposição do caput do mencionado Art. 43 da IN 1.183/2011. Fl. 2816DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13841.000175/200661 Acórdão n.º 3401003.040 S3C4T1 Fl. 5 7 Neste ponto, argumenta o V. Acórdão, em entendimento equivocado, que o § 4° simplesmente anula os efeitos do mandamento do § 3°, já que diz não legitimar os documentos inidôneos emitidos anteriormente às datas do § 3°. Com efeito, é equivocado o entendimento do N. Julgador, pois o teor do mencionado § 4° diz respeito à legitimidade dos documentos do próprio contribuinte declarado inapto e, não, dos efeitos desses documentos em relação ao terceiro interessado, cujo direito vem resguardado pelo § 3°, que delimita a data (da publicação do ADE), para a validade do Caput do Art. 43. A corroborar a intenção do legislador, resguardando a boafé do contribuinte, vem o § 5°, que não deixa dúvidas quanto à não incidência dos efeitos do § 1°, do mesmo art. 43 da IN 1.183/2011, em relação à Recorrente, diante da prova, confirmada pela própria fiscalização, do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens. Quanto a tal dispositivo, não ousou o Nobre Julgador a fundamentar seu entendimento sobre sua não aplicação, como fez com o disposto no § 3°, I, do Art. 43, da IN 1.183/2011 que disse ter sido afastado pela disposição do § 4°, já que não há como afastar a aplicação do contido no § 5°, diante da comprovação pela própria fiscalização dos seus requisitos. Assim, não devem prevalecer as glosas levadas a efeito pela fiscalização, devendo ser reformado o Acórdão no sentido de afastálas, reconhecendo à recorrente a manutenção do direito de crédito. A contribuinte retoma a solicitação de correção do valor a ser ressarcido, sublinhando que já se passaram mais de 8 anos desde o período de apuração do crédito e que o valor deve ser corrigido para superar tal demora. Aponta jurisprudência. Adiciona pedido ao CARF para que seja disciplinado o conjunto de reflexos da eventual decisão de manutenção das glosas, nos seguintes termos: Por fim, na eventual possibilidade de improcedência do presente Recurso, com a consequente manutenção das "glosas" dos créditos lançadas na manifestação fiscal, imperioso que seus reflexos sejam excluídos dos resultados dos períodos de apuração respectivos. É que tais créditos foram incluídos na apuração do resultado, certamente influenciando no lucro do período e na consequente incidência dos tributos decorrentes dessas receitas, especialmente o IRPJ e CSLL, cujos valores foram objeto de compensação neste mesmo PERDCOMP, sendo que, deverá ser determinada, na apuração de eventual saldo devedor não compensado, por insuficiência de créditos, a exclusão dos reflexos desses créditos glosados na apuração de tais tributos. Fl. 2817DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 8 Este processo ingressou para a apreciação desta turma na sessão de 09 de dezembro de 2015, tendo o relator pronunciado seu voto, mas não houve o julgamento por força de pedido de vistas. Em 22 de dezembro de 2015 a contribuinte trouxe aos autos nova manifestação de informações, para a qual pede que seja conhecida pelos Julgadores deste Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Tempestivo o recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade (há uma procuração, assinada em 30/09/2008 pelo sócio administrador outorgando poderes para o signatário do recurso representar a contribuinte junto à Delegacia da Receita Federal em Limeira SP, às fls. 207, o que considero suprir a instrução deste recurso voluntário). Preliminares A contribuinte não protesta preliminares em seu recurso voluntário. Percorri com vagar as manifestações da contribuinte e não encontrei, da sua parte, contestação com relação à glosa das aquisições de produtos junto a pessoas físicas que a contribuinte pretendia se enquadrar na hipótese do § 5° do art. 3° da Lei n° 10.833 e § 10 do art. 3° da Lei n° 10.637. Pareceme correto o entendimento esposado pelas autoridades fiscal e administrativa e pelos julgadores de 1ª instância que as operações em tela não dão direito a crédito para a interessada, na medida em que a contribuinte não produz mercadorias, ela é apenas intermediária para comercializar (confirmado por seu objeto social). Ser produtora é condição necessária para o creditamento previsto nesses dispositivos legais. Concluo que essa glosa, além de procedente, é matéria incontroversa nesses autos. Mérito A informação fiscal que dá os fundamentos das decisões recorridas demonstra que a contribuinte, entre janeiro de 2004 e dezembro de 2005, teve mais de 50% das suas aquisições de cafe proveniente de 38 empresas inexistentes de fato, das quais 29 têm sede na cidade de Munhuaçu (MG) e foram coincidentemente criadas a partir de 2002 (depois da entrada em vigor das Leis de PIS e Cofins Lei 10637/2002 e 10.833/2003). Que, nesses 24 meses, delas teria comprado mais de 34.000.000 kg de café, e despendido mais de R$ 99.000.000,00 (noventa e nove milhões de reais), que justificariam a geração de créditos superior a R$ 9.000.000,00 (nove milhões de reais). Ainda de acordo com esse Termo Fiscal, os dados demonstrariam que as operações desse período implicaram em movimentação financeira superior a R$ 1.400.000.000,00 (um bilhão e quatrocentos milhões de reais). Fl. 2818DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13841.000175/200661 Acórdão n.º 3401003.040 S3C4T1 Fl. 6 9 Apoiandome nos dados que constam deste processo, pareceme que os montantes sublinhados por esses números superlativos vêm acompanhado do fato que a contribuinte não manteve com essas empresas um ou outro contato eventual, casual, mas uma relação continuada, recorrente, sustentada em uma confiança recíproca e de encontro de interesses. Não se trata, ademais, da história de uma ou outra empresa inexistente de fato, mas de 38 empresas que se tornam importantes fornecedoras basicamente no mesmo período, das quais, a maior parte criada justamente a partir de 2002. Ainda com base nessas informações, podemos ver que essas 38 empresas atuam com as mesmas práticas suspeitas, mas elas não estão acidentalmente localizadas na mesma região, no mesmo período. Elas estão relacionadas entre si também por um elo comum: são todas fornecedoras da mesma empresa, no caso a contribuinte. As práticas dessas empresas inexistentes de fato se articulam e se encontram na contribuinte. Esse quadro recebe substância de dados documentais e de constatações obtidas em diligências. Ele reúne evidências e provas para que se caracterize que houve um modo de agir ao longo de todo esse período, dotado de uma racionalidade e capaz de proporcionar benefício à contribuinte, no caso, o creditamento de PIS e COFINS exportação. E a contribuinte efetivamente solicitou esse benefício, confirmando a materialidade do empreendimento desenhado por esse quadro. O conjunto da descrição desse cenário fragiliza completamente os argumentos da contribuinte ter sido uma compradora que agiu em boa fé. E as argumentações da contribuinte não lograram afirmar a sua boa fé no caso. A meu ver, correto foi entendimento dos julgadores de 1º piso de que a jurisprudência citada pela contribuinte não se aplica ao caso. Essas empresas inexistentes de fato nada recolheram de tributos federais, ou recolheram um parcelas mínima, face os valores movimentados com suas supostas comercializações. Essas empresas não comprovaram capacidade e instalações para as operações e a movimentação das quantidades de café. Não tinham efetivamente um estabelecimento ou uma sede para dar lastro e referência à confiança normalmente encontrada nesse nível de negociação continuada. O café negociado provinha, de fato, de produtores rurais pessoas físicas. A contribuinte não conseguiu desconstituir as evidências e as provas levantadas pela fiscalização, e também não conseguiu desconstituir a conclusão das autoridades fiscal e administrativa, e dos julgadores de primeiro piso, de que a contribuinte "tentou se beneficiar de um esquema fraudulento de aquisição de café de produtores rurais (pessoas físicas), com a intermediação de empresas de fachada, inexistentes de fato", e que elas "teriam servido para fornecer as notas fiscais que dariam suporte ao creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins." A meu sentir, o direito a creditamento previsto nas Leis 10.637/2002 e n. 10.833/2003 tem como pressuposto que as operações que lhe poderia dar origem devem estar sendo realizadas por pessoas jurídicas existentes de fato e de direito, e não por pessoas inexistentes de fato. Fl. 2819DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 10 A recorrente alega que é equivocado o entendimento dos julgadores que não consideraram capazes de provar a efetividade as notas fiscais emitidas pelas empresas fornecedoras para operações anteriores à declaração de sua inaptidão ou inexistência de fato. No ponto de vista da recorrente, o § 4° do artigo 43 da IN RFB n. 1.183/2011 diz respeito à legitimidade dos documentos do próprio contribuinte declarado inapto e, não, dos efeitos desses documentos em relação ao terceiro interessado, cujo direito vem resguardado pelo § 3°, que delimita a data (da publicação do ADE), para a validade do Caput do Art. 43. E que o § 5° desse artigo define que a não incidência dos efeitos do § 1°, diante da prova do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens. Art. 43 da IN 1.183/2011: "Art. 43. É considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ tenha sido declarada inapta. § 1° Os valores constantes do documento de que trata o caput não podem ser: I deduzidos como custo ou despesa, na determinação da base de cálculo do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); II deduzidos na determinação da base de cálculo do Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (IRPF); III utilizados como crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), e da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativos; IV utilizados para justificar qualquer outra dedução, abatimento, redução, compensação ou exclusão relativa aos tributos administrados pela RFB. § 2° Considerase terceiro interessado, para fins deste artigo, a pessoa física ou a entidade beneficiária do documento. § 3° O disposto neste artigo aplicase em relação aos documentos emitidos: I a partir da data de publicação do ADE a que se refere: a) o art. 38, no caso de pessoa jurídica omissa de declarações e demonstrativos; e b) o art. 39, no caso de pessoa jurídica não localizada; II desde a data de ocorrência do fato, no caso de pessoa jurídica com irregularidade em operações de comércio exterior, a que se refere o art. 40. § 4° A inidoneidade de documentos em virtude de inscrição declarada inapta não exclui as demais formas de inidoneidade de documentos previstas na legislação, nem legitima os emitidos anteriormente às datas referidas no § 3°. § 5° O disposto no § 1° não se aplica aos casos em que o terceiro interessado, adquirente de bens, direitos e mercadorias, ou o tomador de serviços, comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços. § 6° A entidade que não efetuar a comprovação de que trata o § 5° sujeitase ao pagamento do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), na forma do art. 61 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, calculado sobre o valor pago constante dos documentos." (grifamos). Contudo, não esposo o entendimento proposto pela recorrente. Minha leitura desses dispositivos normativos é que o § 4º citado explica que a declaração de inaptidão não Fl. 2820DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13841.000175/200661 Acórdão n.º 3401003.040 S3C4T1 Fl. 7 11 implica em legitimidade dos documentos emitidos anteriormente. E esse é o caso em discussão neste processo: as empresas tiveram sua inaptidão declarada em certa data, mas os dados indicam que sua inexistência de fato era anterior a essa declaração de inaptidão. De fato, elas não compareceram à Receita Federal para provar em contrário, nem contestaram o ato declaratório. Diante do quadro conhecido pelas evidências e provas trazidas pela auditoria fiscal, carecem de legitimidade as notas fiscais emitidas em seu nome. A contribuinte não provou que de fato realizou as operações com as empresas glosadas. As notas fiscais e as comprovações de pagamento e de transporte, a meu ver, não conseguem superar as evidências e provas que (a) subtraem totalmente a legitimidade desses documentos e (b) demonstram a centralidade da contribuinte no modo de operação desse grupo de empresas de fachada e não testemunham sua boa fé. Sendo essas empresas inexistentes de fato, as operações não foram realizadas efetivamente com elas. E uma constatação como essa afasta o § 5º deste artigo 43, que beneficiaria o terceiro interessado. Por isso, concluo propondo que seja mantida decisão do colegiado de 1ª instância nesse ponto. Proponho ainda que seja negado, por força do proibitivo legal, o pedido de correção do valor passível de ressarcimento. Registro ainda, consoante decisão firmada pelos Conselheiros, que: (a) não cabe a este órgão colegiado se manifestar sobre o pedido da contribuinte que consta do seu recurso voluntário quanto aos reflexos do IRPJ e do CSLL; (b) não tomar conhecimento da manifestação da contribuinte apresentada em 22/12/2015. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 2821DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Numero do processo: 15277.000346/2009-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/06/2004
Constatado que a matéria discutida em âmbito administrativo fora levada para discussão no âmbito judicial, aplica-se a Súmula CARF nº 1, segundo a qual: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.891
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em não conhecer do recurso para declarar a definitividade do crédito lançado, em face da concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial, ficando prejudicadas todas as decisões administrativas anteriores.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
Gerson Macedo Guerra - Relator.
EDITADO EM: 22/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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Recorrente FUNDAÇÃO DE ENSINO SUPERIOR VALE DO SAPUCAÍ Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/06/2004 Constatado que a matéria discutida em âmbito administrativo fora levada para discussão no âmbito judicial, aplicase a Súmula CARF nº 1, segundo a qual: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em não conhecer do recurso para declarar a definitividade do crédito lançado, em face da concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial, ficando prejudicadas todas as decisões administrativas anteriores. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. Gerson Macedo Guerra Relator. EDITADO EM: 22/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 27 7. 00 03 46 /2 00 9- 81 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA 2 Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de Autos de Infração lavrados contra o contribuinte em epígrafe para cobrança de multa por informações incorretas em GFIP, no período de 01/01/2004 a 30/06/2004. O contribuinte declaravase isento das contribuições previdenciárias, sem possuir tal direito, haja vista não ter autorização do INSS para tanto, conforme determinava o artigo 55, § 1º, da Lei 8.212/91. O cerne da questão consiste no não recolhimento das contribuições pelo contribuinte, fundamentado no fato de se considerar entidade beneficente de assistência social, isenta, nos termos do artigo 195, § 7º, da Constituição da República de 1988. No curso do regular processo administrativo, ao analisar o Recurso do Contribuinte a 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 2ª Seção de Julgamento, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), julgou recurso voluntário, proferindo a decisão consubstanciada no acórdão nº 230201.480, assim ementado:: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/06/2004 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 78. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES REFERENTES A FATOS GERADORES. CÁLCULO DA MULTA. A obrigação acessória de prestar informações ao Fisco Federal mediante GFIP tem periodicidade mensal, renovandose a cada mês competência. Assim, a cada entrega de GFIP com omissão ou incorreção nos dados relativos a fatos geradores representa uma infração distinta à lei, a qual será punida de forma individualizada mediante a aplicação de multa correspondente a de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omissas, sendo que cada uma das infrações será punida com o valor mínimo de R$ 500,00. Recurso Voluntário Negado Destaquese que a presente autuação é reflexa a lançamentos por descumprimento de obrigação tributária principal (processos apensados). Como a recorrente achavase no direito à isenção, mesmo não solicitando ao órgão previdenciário o benefício, não recolheu (descumprimento de obrigação tributária principal, processos apensados), nem informou os fatos geradores (descumprimento de obrigação tributária acessória, presente processo). Cientificado do acórdão, o contribuinte tempestivamente interpôs Recurso Especial de divergência, em relação à ausência de necessidade de pedido de isenção antes da Lei 12.101/2009, conforme paradigma 2402003.246 e 2402004.374. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA Processo nº 15277.000346/200981 Acórdão n.º 9202003.891 CSRFT2 Fl. 274 3 A União, regularmente intimada, apresentou Contra Razões, onde pugna pela manutenção do Acórdão recorrido, pela aplicação da norma vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, qual seja, Lei 8.212/91, por não ser aplicável a retroatividade das normas prevista no artigo 106, do CTN, à Lei 12.101/09. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Constatase dos autos que a questão trazida para essa Turma para discussão consiste no reconhecimento do direito à imunidade tributária prevista no artigo 195, §7º, da CR/88, ao contribuinte recorrente. Pois bem. Como relatado nos presentes autos, objetivando garantir seu direito à obtenção do CEBAS em período que compreende o período dos fatos geradores contidos no lançamento ora analisado, o contribuinte impetrou o mandado de segurança de nº 10.375. A decisão do referido processo, já transitada em julgado, possui a seguinte ementa: MANDADO DE SEGURANÇA. ENTIDADE FILANTRÓPICA. ARTIGO 195, §7º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. IMUNIDADE. DIREITO ADQUIRIDO. I É vedada a alteração, por meio de Decreto federal, dos critérios de imunidade erigidos por lei com base na Constituição Federal, sob pena de violação ao princípio da hierarquia das leis. II Recentemente a Primeira Seção, no julgamento do MS nº 10.375/DF, em 27/04/2005, ratificou, por maioria, o posicionamento anteriormente exarado no MS nº 8.888/DF, DJ de 05/04/2004, no sentido de que a entidade filantrópica tem direito adquirido ao regime fiscal anterior à modificação inserida com o Decreto nº 792/93. III Segurança concedida. Posteriormente, o ora recorrente propôs no STJ a Reclamação nº 15.624, contra decisão do Juiz Federal da 1ª Vara de Pouso Alegre SJ/MG, que rejeitou exceções de pré executividade manejadas com o objetivo de reconhecimento de inexistência de créditos tributários passíveis de cobrança, face ao reconhecimento do direito adquirido do contribuinte à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CR/88. Ao julgar referida reclamação, o Ministro Benedito Gonçalves, acompanhado pela totalidade dos Ministros da 1ª Seção do STJ, assim se manifestou em seu voto: Registro, desde logo, que a pretensão deduzida no aludido mandado de segurança apreciado pelo STJ deve ser depreendida de todo o contexto traçado na petição inicial e não apenas de seu requerimento final. Isso porque, "[s]egundo lição já antiga na jurisprudência desta Corte, o pedido é o que se pretende com a Fl. 275DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA 4 instauração da demanda e se extrai da interpretação lógico sistemática da petição inicial, sendo de levarse em conta os requerimentos feitos em seu corpo e não só aqueles constantes em capítulo especial ou sob a rubrica dos pedidos, sendo certo que o acolhimento de pedido extraído da interpretação lógico sistemática da peça inicial não implica julgamento extrapetita " (MS 18.037/DF, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Seção, DJe 1º/2/2013). No caso em apreço, não obstante o mandado de segurança da reclamante tenha sido impetrado em razão do indeferimento, pelo Ministro de Estado da Previdência Social, da renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS, retirase do corpo da impetração a necessidade do reconhecimento de seu direito líquido e certo à imunidade tributária, para afastar as exigências contidas nos Decretos 752/93 e 2.536/98, como pressuposto para a concessão da ordem e, por consequência, do referido certificado. Vejase (fls. 161 163, grifos nossos) (...) Em face desses elementos, concluo que a decisão mandamental emanada deste STJ, nos autos do MS 10.375/DF, ostenta provimento declaratório o qual reconheceu o direito adquirido da impetrante à imunidade tributária, afastando as exigências dos Decretos 752/93 e 2.536/98, sendo que a determinação à autoridade coatora para a concessão do CEBAS decorreu de tal reconhecimento. Ante o exposto, julgo procedente a presente reclamação, para cassar as decisões reclamadas que indeferiram as exceções de préexecutividade nos autos das execuções fiscais de nº 2392 07.2013.4.01.3810 e 250189.2011.4.01.3810, determinado à autoridade reclamada que observe a autoridade da decisão mandamental prolatada pelo STJ nos autos do MS 10.375/DF, ora explicitada. Vêse, pois, que a questão aqui posta em julgamento já foi objeto de análise pelo Poder Judiciário, o que nos leva à aplicação da Súmula CARF nº 1, que possui a seguinte redação: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Nesse contexto, voto por não conhecer do recurso para declarar a definitividade do crédito lançado, em face da concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial, ficando prejudicadas todas as decisões administrativas anteriores. Gerson Macedo Guerra Relator Fl. 276DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA Processo nº 15277.000346/200981 Acórdão n.º 9202003.891 CSRFT2 Fl. 275 5 Fl. 277DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA
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Numero do processo: 11070.720390/2014-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2402-000.542
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Marcelo Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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EM LIQUIDAÇÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Lourenço Ferreira do Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 70 .7 20 39 0/ 20 14 -3 4 Fl. 957DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11070.720390/201434 Resolução nº 2402000.542 S2C4T2 Fl. 914 2 RELATÓRIO Tratase de recurso de ofício e voluntário apresentados contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), fls. 0764 1, que julgou impugnação procedente em parte, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2012 a 30/04/2013 REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. COMPETÊNCIA PARA ANÁLISE. A Representação Fiscal para Fins Penais é apenas uma comunicação ao Ministério Público, efetuada pelo auditor que procedeu a fiscalização, estando a sua análise fora do âmbito das atribuições da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que não deve manifestarse sobre o seu mérito. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. DECISÃO PELA INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 25, I E II, DA LEI 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELAS LEIS 8.540/1992 E 9.528/1991. INAPLICABILIDADE PARA A REDAÇÃO DADA PELA LEI 10.256/1001, PUBLICADA APÓS A EMENDA CONSTITUCIONAL 20/1998. Existindo ação judicial cuja decisão diga respeito ao objeto de processo administrativo fiscal, deve o julgador administrativo submeterse ao julgamento efetuado pelo Poder Judiciário quanto a essa matéria, não podendo conhecer das mesmas alegações apresentadas junto àquele Poder. Se a cooperativa interpôs ação judicial que transitou em julgado, sendo a decisão do Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário no sentido de considerar inconstitucional as redações do art. 25, I e II, da Lei nº 8.212/1991 dadas pelas Leis números 8.540/1992 e 9.528/1997, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/1998 “venha a substituir a contribuição”, tal decisão não abrange a redação nova dada pela Lei nº 10.256/2001. LANÇAMENTO. FUNDAMENTAÇÃO EQUIVOCADA. NULIDADE POR VÍCIO DE NATUREZA MATERIAL. Há vício no lançamento se a fiscalização partiu da premissa que somente se podia lançar as contribuições dos segurados especiais e que todos os produtores rurais pessoas físicas que não tinham matrícula CEI e não tinham declarado empregados na GFIP se enquadravam nessa categoria, quando a contribuinte comprova que esse método não é conclusivo, apresentando inúmeras decisões judiciais dos segurados, nas quais se constata a prova por outros documentos de sua condição de empregadores rurais. Mesmo sendo constatado que não havia decisão judicial que eximisse a contribuinte 1 Numeração conforme processo eletrônico. Fl. 958DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11070.720390/201434 Resolução nº 2402000.542 S2C4T2 Fl. 915 3 da cobrança das contribuições dos segurados empregadores rurais pessoas físicas, persiste o vício de natureza material na fundamentação do lançamento, o que enseja sua nulidade nessa parte. CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO ESPECIAL. FATO GERADOR. A empresa adquirente, consumidora, consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher as contribuições do segurado especial previstas nos incisos I e II da Lei nº 8.212/1991 no mês subsequente ao da operação de venda ou consignação. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. SONEGAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. Restando configurada a sonegação definida no art. 71 da Lei nº 4.502/1964, a multa de ofício prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996 deve ser aplicada em dobro, nos termos do art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/1996. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Acordam os membros da 6ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, na forma do Relatório e do Voto que passam a integrar a presente decisão, em julgar procedente em parte a impugnação e manter em parte o crédito tributário (Auto de Infração nº 51.050.0552), para: I) considerar devido o valor principal de R$ 2.403.027,82 (dois milhões, quatrocentos e três mil, vinte e sete reais e oitenta e dois centavos), conforme Anexo a esta decisão, mais multa qualificada de 150% sobre esse valor e juros de mora; II) exonerar o crédito tributário no valor principal de R$.1.204.556,64 (um milhão, duzentos e quatro mil, quinhentos e cinquenta e seis reais e sessenta e quatro centavos), mais multa qualificada de 150% e juros de mora incidentes sobre esse valor, correspondentes ao levantamento “R2 – CONTRIBUIÇÃO RURAL S PRODUÇÃO”, em decorrência de nulidade por vício material. Recorrese de ofício do presente Acórdão ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em virtude de o crédito tributário exonerado ser superior ao limite de alçada previsto no Decreto nº 70.235/72, art. 34, I, c/c artigo 1º da Portaria do Ministro da Fazenda nº 3, de 07/01/2008. Assim, a exoneração do crédito operada por este acórdão somente terá plena eficácia após o reexame necessário a ser efetuado em 2ª instância. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 0150, o lançamento referese a: 1.Contribuição social descontada do segurado especial, referente a aquisição da produção; e 2.Contribuição social descontada do segurado especial e do empregador rural pessoa física para o SENAR. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos nos autos. Em 13/03/2014, fls. 0779, foi dada ciência à recorrente do lançamento. Fl. 959DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11070.720390/201434 Resolução nº 2402000.542 S2C4T2 Fl. 916 4 Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, em 11/04/2014, fls. 0779, conforme fls. 0754, acompanhada de anexos, argumentando, como muito bem demonstra a decisão a quo, em síntese, que: 1.O Auto de Infração nº 51.050.0560 foi objeto de pedido de parcelamento, não cabendo mais discussão sobre os valores lançados sob o Levantamento “R3 – CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR”. Em que pese a existência do fato gerador, foi necessária a desistência da discussão, por a Cooperativa não possuir autorização dos produtores rurais associados para a não retenção desse tributo. 2.Não existiu o fato gerador, uma vez que o ato cooperativo de entrega da produção não configura comercialização (ato de comércio), não se enquadrando na hipótese prevista no art. 25, I e II, da Lei nº 8.212/1991. A não incidência das contribuições na entrega de produção rural pelos produtores rurais à Cooperativa não foi objeto da ação judicial, limitandose a discussão sobre a ausência de legalidade da norma tributária e a inconstitucionalidade da cobrança. 3.A Lei Federal nº 5.764/1971 instituiu o regime jurídico das sociedades cooperativas, estabelecendo o conceito de ato cooperativo no seu art. 79 e parágrafo único. Por vedação expressa do art. 110 do Código Tributário Nacional – CTN, esse conceito não pode ter seu alcance alargado com a sua equiparação à comercialização. Esse é o entendimento do Tribunal Regional Federal – TRF da 4ª Região, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF e de ambas as turmas do Superior Tribunal de Justiça – STJ. A questão encontrase submetida ao rito previsto no art. 543C do Código de Processo Civil, sendo o Resp 1.141.667 e o Resp 1.164.716 os recursos representativos da controvérsia, com julgamentos ainda não concluídos. A própria Receita Federal do Brasil reconhece que a entrega de produtos à cooperativa é ato cooperativo no seu Manual de Imposto sobre a Renda de 2012, item 011. 4. Mesmo que assim não se entenda, houve excesso no lançamento, pois recaiu sobre (i) a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, quando deveria recair sobre o resultado dela, conforme legislação; (ii) sobre operações de exportação praticadas pela Cooperativa em nome dos produtores rurais cooperados, acobertadas por imunidade tributária. 5. As contribuições devem ser recalculadas, considerando para apuração do resultado da comercialização da produção o montante máximo de 20% da receita bruta do ano calendário, seguindo a interpretação do art. 195, §8º, da Constituição Federal e o Regulamento do Imposto sobre a Renda – RIR/1999, art. 60, §2º. 6. Ainda que não se considere os demais argumentos apresentados, o crédito tributário carece de certeza e liquidez, pois, além de não ter sido obedecido o limite de 20% para apuração do resultado da comercialização da produção rural, estão inclusos na base de cálculo apurada pela fiscalização valores relativos a produtores rurais empregadores (Levantamento R2) e a operações de exportação praticadas pela Cooperativa. Fl. 960DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11070.720390/201434 Resolução nº 2402000.542 S2C4T2 Fl. 917 5 7. A Inexistência de matrícula CEI e de GFIP entregue pelo empregador rural pessoa física constitui descumprimento de obrigação acessória do próprio produtor, não podendo a Cooperativa ser responsabilizada. A prova de que há empregadores considerados no lançamento fiscal são as ações judiciais visando à cessação da cobrança de Contribuição Social Rural (FUNRURAL), cujo leading case foi julgado pelo STF, que declarou inconstitucional a cobrança (Recurso Extraordinário 363.852). Somente os empregadores pessoas físicas teriam interesse nessas ações. A planilha em anexo lista, a título exemplificativo, diversos desses produtores. 8. O CARF tem decidido que não resta descaracterizada a venda direta ao exterior, para configuração da imunidade prevista no art. 149, §2º, I, da Constituição Federal, quando há exportação intermediada por cooperativa de produção rural da qual o produtor seja membro. A impugnante apresenta o Livro Razão e planilha com os valores correspondentes às exportações praticadas pela Cooperativa em nome dos seus cooperados. 9. A Cooperativa não efetuava os alegados descontos a título de retenções ao INSS. O que havia era a autorização para a retenção da contribuição voluntária para o Fundo de Reserva da Cooperativa, a partir do momento em que foi constatado que a contribuição previdenciária era indevida. Conforme exposto, não há o fato gerador, mas sim ato cooperativo, e, mesmo que houvesse, a base de cálculo foi lançada a maior. Tudo isso evidencia a transparência de seus procedimentos e afasta a configuração de crime e a qualificação da multa, uma vez que não foi provado o dolo, devendo ser arquivada a Representação Fiscal para Fins Penais. 10. Os erros nos históricos dos lançamentos contábeis constituem erro formal, mas a natureza desses lançamentos é inalterável. Os valores relativos a esses lançamentos são bastante inferiores aos corretamente lançados na conta Reserva para Capitalização, conforme se pode ver nos excertos extraídos do Livro Razão. Ao final, a Cooperativa pede que seja recebida e provida a sua impugnação, para que seja suspenso o crédito tributário nos termos do art. 151, I, do CTN, bem como que sejam canceladas integralmente as autuações. Subsidiariamente, pede o recálculo das contribuições lançadas, considerandose como resultado da comercialização da produção o máximo de 20% da receita bruta do anocalendário, a inexigibilidade do crédito constituído sobre base equivocada e o cancelamento ou redução da multa aplicada. A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente em parte a impugnação. Cabe deixar registrado o motivo do provimento parcial: 4 Da Nulidade do Lançamento sob o Levantamento R2 Inicialmente, cabe destacarse que os fatos geradores que originaram os lançamentos ocorreram no período 05/2012 a 04/2013, quando já vigorava a redação do art. 25 da Lei nº 8.212/1991 dada pela Lei nº 10.256/2001, publicada sob a égide da Emenda Constitucional nº Fl. 961DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11070.720390/201434 Resolução nº 2402000.542 S2C4T2 Fl. 918 6 20/1998 e cuja inconstitucionalidade não foi declarada pelo Poder Judiciário. Essa nova lei não constou na decisão do Supremo Tribunal Federal quando do julgamento da ação interposta pela Cooperativa. Na verdade, a parte da decisão judicial que vincula é o dispositivo. No caso, o Supremo Tribunal Federal decidiu da mesma forma em que se manifestou no RE 363.852/MG, primeiro julgamento da matéria. Apesar de os membros do Colendo Tribunal terem discutido sobre diversas inconstitucionalidades que se abateriam sobre o mencionado dispositivo legal, o que ficou decidido ao final foi que é inconstitucional a redação dada pelas Leis nº 8.540/1992 e nº 9.528/1997, tendo sido feita a ressalva de que legislação nova arrimada na Emenda Constitucional nº 20/1998 poderia instituir a contribuição. Assim, entendo, diversamente da interpretação dada pelos Auditores Fiscais, que cabia o lançamento não só das contribuições dos segurados especiais, mas também dos empregadores rurais pessoas físicas. A fundamentação delineada pelas autoridades fiscais, contudo, foi clara, tendo nascido o lançamento sob a premissa de que seriam cobradas apenas as contribuições dos segurados especiais. Haveria, pois, vício material na inclusão de valores porventura relativos aos empregadores rurais pessoas físicas, uma vez que, quanto às correspondentes contribuições, não foi atendido o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Ademais, o lançamento dos valores do levantamento “R2 – CONTRIBUIÇÃO RURAL S PRODUÇÃO” não foi efetuado por arbitramento ou aferição indireta, tendo os Auditores Fiscais se baseado no fato de que se não havia GFIP e Matrícula CEI para os segurados sem DAP, estes eram segurados especiais, ou seja, produtores rurais sem empregados. De outro lado, a impugnante acostou aos autos prova de que diversos desses segurados comprovaram em ações judiciais a sua condição de empregadores rurais pessoas físicas, com base em outros documentos, como Relação Anual de Informações Sociais – RAIS e Livro de Registro de Empregados. Conforme se pode ver em algumas decisões, o Poder Judiciário somente se preocupou com uma análise mais profunda sobre o período em que os segurados tiveram empregados no momento da liquidação da sentença. Ainda, assim, entendo que a impugnante comprovou que o fundamento para o lançamento foi insuficiente, restando configurado vício de natureza material, o qual enseja a nulidade parcial do lançamento. Fl. 962DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11070.720390/201434 Resolução nº 2402000.542 S2C4T2 Fl. 919 7 Ressalto que essa exclusão se deve a nulidade por vício no lançamento e não por serem indevidas. As discussões judiciais de cada um desses produtores rurais tiveram, inclusive, desfechos diversos, com pedidos julgados improcedentes, procedentes e parcialmente procedentes, dependendo do caso. Obedecido o prazo decadencial e as decisões judiciais que porventura tornem inexigíveis as contribuições dos segurados, novo lançamento poderá ser efetuado. Em suma, por ora, entendo que deve ser excluído a parte do lançamento efetuado sob o Levantamento “R2 – CONTRIBUIÇÃO RURAL S PRODUÇÃO”, por nulidade decorrente de vício de natureza material. Em 30/12/2014, fls. 0795, a recorrente foi cientificada do lançamento. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 0797, em 28/01/2015, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, que: O lançamento da parte relativa ao SENAR foi parcelado, portanto não faz parte do litígio; Há questão prejudicial devido a inexistência de obrigação tributária sob argumento de que a produção foi adquirida pela cooperativa; Há questão prejudicial na questão de identidade de pleitos existentes na esfera administrativa e na esfera judicial; Não há que se falar em "aquisição da produção" ou em "comercialização" de produção rural, mas sim em ato cooperativo perfectibilizado pela entrega da produção pelos associados à cooperativa fato que não se enquadra na hipótese de incidência tributária, qual seja, a comercialização, sendo indevida a exigência das contribuições do produtor rural; Portanto, a verificação quanto à inexistência de obrigação tributária, no caso em exame, é questão prejudicial a todas as demais discussões a serem julgadas no presente processo; Não há previsão legal que permita o nascimento da obrigação tributária ora cobrada, que surge apenas com ato de comércio/comercialização da produção rural; O texto legal prevê a hipótese de incidência das contribuições à Seguridade Social sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção do empregador rural e do segurado especial; Tratase de hipótese de incidência tributária ou descrição normativa de um evento que, uma vez concretizado e relatado em norma individual e concreta, fará surgir a obrigação tributária; O elemento principal do fato gerador (comercialização) denota atos de comércio, ou seja, operações de compra e venda de bens o que não ocorre no caso concreto em exame, em que se tem ato cooperativo de entrega da produção rural pelo associado à Cooperativa da qual faz parte; Fl. 963DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11070.720390/201434 Resolução nº 2402000.542 S2C4T2 Fl. 920 8 A questão foi submetida a exame por meio do regime do art. 543C do Código de Processo Civil, sendo escolhidos como recursos repetitivos ou representativos da controvérsia o REsp 1.141.667 e o REsp 1.164.716, cujos julgamentos ainda não foram concluídos; O CARF também possui decisão que se coaduna com a tese defendida (Acórdãos 2401003.187 e 240100.690); Por fim, caso assim não se entenda, o que se admite apenas para fins de argumentação, requerse o recalculo das contribuições lançadas, considerando, para apuração do resultado da comercialização da produção (e não sobre a receita bruta), o montante máximo 20% da receita bruta do anocalendário, conferindo Interpretação conforme a constituição federal (art. 195, § 8o) e conforme o § 2o do art. 60 do Regulamento do Imposto sobre a Renda RIR/99 , que define o "resultado"; Há nulidade no lançamento, pois a base de cálculo está equivocada, pois: a) deveria ser utilizado o resultado e não a receita bruta; b) no levantamento fiscal relacionado ao segurados especiais (rubricas "RI" e R2") constam também, por erro de fato, produtores rurais empregadores, conforme reconhece a decisão de Ia instância, devendo seus efeitos serem estendidos para a rubrica "RI"; e c) o lançamento incluiu operações de exportações praticadas pela Cooperativa em nome dos produtores rurais, abrangidas pela imunidade; Há impossibilidade lógicojurídica de configuração de apropriação indébita ou sonegação, devendo ocorrer a desqualificação da multa Não há como ser mantida a acusação de apropriação indébita sobre um valor que não foi indevidamente apropriado, ou, em outras palavras, cuja apropriação foi devidamente autorizada pelos produtores associados, em nome da Cooperativa; Como poderia haver apropriação indevida de algo liberado pelo detentor? Ora, se não há fato gerador in concreto para o recolhimento ao INSS e se os valores referentes às contribuições voluntárias à Reserva de Capitalização foram legalmente autorizados pelos associados detentores, a conclusão é única: insubsistente e irracional a acusação fiscal; Não há comprovação de dolo e de fraude; Por fim, solicita acolhimento e provimento de seu recurso. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o relatório. Fl. 964DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11070.720390/201434 Resolução nº 2402000.542 S2C4T2 Fl. 921 9 VOTO Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Nas preliminares, há questão a ser verificada. Nos debates no colegiado, na análise do recurso de ofício, surgiu dúvida a respeito de sua negativa. Para a decisão recorrida deve ser excluído do lançamento os valores exigidos no levantamento R2, pois, em síntese, a recorrente teria comprovado que a premissa para a aferição estava equivocada, já que foi apresentada farta documentação de que haviam segurados citados que possuíam empregados para sua produção. Ocorreram dúvidas se houve a apresentação de provas em relação a todos os segurados citados no levantamento R2. Por outro lado,a recorrente também traz prova sobre segurados constantes no levantamento R1, que demonstram, em tese, segundo a recorrente, que há segurados citados que possuíam empregados para sua produção. Assim, após debate, o colegiado resolveu converter o julgamento em diligência, a fim de que a fiscalização elabore parecer conclusivo sobre questões: 1. A recorrente apresentou documentação comprobatória de que todos os segurados no levantamento R2 possuíam empregados para sua produção?; Caso a resposta seja negativa, para quais segurados foi apresentada a documentação?; 2. A recorrente apresentou documentação comprobatória de que há segurados no levantamento R1 que possuíam empregados para sua produção?; Caso a resposta seja afirmativa, para quais segurados foi apresentada a documentação?; e 3. Se ficou comprovado que nem todos os segurados citados pelo Fisco eram segurados especiais, qual o valor correto a ser lançado? Após a análise e definição pelo Fisco, deve ser dada ciência à recorrente desta resolução e do parecer elaborado, a fim de apresentação de seus argumentos, caso deseje. CONCLUSÃO: Pelo exposto, resolvo converter o julgamento em diligência, para as providências acima. Marcelo Oliveira. Fl. 965DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 13654.000903/2009-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NO ACÓRDÃO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO. SEM EFEITOS INFRINGENTES.
Restando comprovada a omissão no acórdão, na forma suscitada pela embargante, impõe-se o acolhimento dos embargos de declaração para suprir a omissão apontada, sem qualquer efeito modificativo a decisão recorrida.
CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. NÃO CONSTATAÇÃO.
A aplicação da concomitância de instância pressupõe a identidade de objeto litigioso nas discussões administrativa e judicial, fato não evidenciado nos elementos probatórios juntados aos autos. Inteligência da Súmula no 1 do CARF.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO/OMISSÃO DISPOSITIVOS DA LEGISLAÇÃO. NÃO CONSTATADA. NÃO ACOLHIMENTO.
Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão de matéria enfrentada no acórdão embargado.
Constatada a inexistência de contradição ou de omissão na análise dos dispositivos da legislação (art. 126, par. 3o, da Lei 8.213/1991, art. 38 da Lei 6.830/1980) no acórdão embargado, rejeita-se a pretensão da embargante.
Embargos Acolhidos em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.957
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher em parte os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, somente para a apreciação e integração da questão de concomitância de instâncias, em razão de ser matéria de ordem pública, e rejeitar a contradição apontada pela embargante.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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OMISSÃO NO ACÓRDÃO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO. SEM EFEITOS INFRINGENTES. Restando comprovada a omissão no acórdão, na forma suscitada pela embargante, impõese o acolhimento dos embargos de declaração para suprir a omissão apontada, sem qualquer efeito modificativo a decisão recorrida. CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. NÃO CONSTATAÇÃO. A aplicação da concomitância de instância pressupõe a identidade de objeto litigioso nas discussões administrativa e judicial, fato não evidenciado nos elementos probatórios juntados aos autos. Inteligência da Súmula no 1 do CARF. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO/OMISSÃO DISPOSITIVOS DA LEGISLAÇÃO. NÃO CONSTATADA. NÃO ACOLHIMENTO. Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão de matéria enfrentada no acórdão embargado. Constatada a inexistência de contradição ou de omissão na análise dos dispositivos da legislação (art. 126, par. 3o, da Lei 8.213/1991, art. 38 da Lei 6.830/1980) no acórdão embargado, rejeitase a pretensão da embargante. Embargos Acolhidos em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 4. 00 09 03 /2 00 9- 94 Fl. 405DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher em parte os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, somente para a apreciação e integração da questão de concomitância de instâncias, em razão de ser matéria de ordem pública, e rejeitar a contradição apontada pela embargante. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.000903/200994 Acórdão n.º 2402004.957 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Embargos de Declaração, oposto pela Fazenda Nacional (PGFN), em face do Acórdão nº 2402004.754 da 2ª Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF. No Acórdão em questão, ficou consignado na sua ementa o seguinte: “[...] Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2008 Ementa: I DA CONSTATAÇÃO DO VÍCIO. VALORES DECLARADOS EM GFIP. FPAS 639. CONDIÇÃO DE ENTIDADE IMUNE. OBSERVÂNCIA AOS PRESSUPOSTOS LEGAIS. LANÇAMENTO. NECESSIDADE DE PRÉVIO ATO CANCELATÓRIO DO BENEFÍCIO FISCAL. Restando comprovado que a Recorrente se enquadra como entidade imune/isenta da cota patronal das contribuições previdenciárias, uma vez observados os requisitos legais para tanto, notadamente àqueles inscritos no artigo 55 da Lei 8.212/91, aplicável ao caso à época, a constituição de créditos previdenciários concernentes à aludida contribuição está condicionada à emissão de prévio Ato Cancelatório de Isenção, consoante estabelece a legislação de regência. LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. NÃO OBSERVÂNCIA AO PRÉVIO ATO CANCELATÓRIO. Poderá ser realizado o lançamento das diferenças de contribuições previdenciárias destinado a prevenir a decadência, mesmo que haja discussão judicial ou administrativa da matéria, desde que seja observada à regra processual para a constituição do crédito tributário. AUSÊNCIA DE DETERMINAÇÃO DOS MOTIVOS FÁTICOS E JURÍDICOS DO LANÇAMENTO FISCAL. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA. A determinação dos motivos fáticos e jurídicos constituem elemento material/intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A falta desses motivos constituem ofensa aos elementos substanciais do lançamento, razão pelo qual deve ser reconhecida sua total nulidade, por vício material. II VALORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÕES PAGAS AOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Na entidade beneficente de assistência social, havendo diferenças de remunerações não declaradas em GFIP, tais remunerações deverão compor a multa aplicada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para excluir da multa os valores que foram declarados em GFIP com o FPAS 639. E, após exclusão, seja recalculada a multa aplicada nos moldes do art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/1991, caso seja mais benéfica. [...]” A Embargante (Fazenda Nacional) afirma ter ocorrido omissão e contradição nos fundamentos do voto condutor do acórdão ora embargado, já que o seu conteúdo não se manifestou sobre o fato da lide estar sub judice, nos seguintes termos: “[...] 2. O Relatório Fiscal (fls. 17/20) informa que o lançamento visa impedir a decadência tributária, nos seguintes termos, verbis: ‘[...] A Entidade requereu, perante o Conselho Nacional de Assistência Social, o recadastramento e a renovação do CEBAS, por meio do processo n° 28984.016259/199428, sendo que este Órgão INDEFERIU, em decisão administrativa definitiva, o pedido de renovação do Certificado, com fundamento no Parecer CJ n° 1258/98 (cópia em anexo). Este Parecer se baseou no descumprimento, pela Entidade, do disposto no inciso IV do art. 2° do Decreto n° 752/93, já que ela não comprovou a aplicação de pelo menos 20% (vinte por cento) de sua receitabruta em gratuidade. Sem obter a renovação do CEBAS, aEntidade deixou de cumprir o requisito previsto no inciso II doart. 55 da Lei n° 8.212/91. Atualmente, a controvérsia acerca do direito da Entidade à isenção da cota patronal das contribuições sociais encontrase sub judice na Ação Ordinária n° 1999.38.00.0333672, proposta por ela contra o Instituto Nacional do Seguros Social e originária da 16° Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais – estando, atualmente, no Tribunal Regional Federal da 1' Região. Assim, este AI destinase a impedir a decadência do direito de lançar o crédito previdenciário em caso de eventual decisão judicial desfavorável à Entidade, razão pela qual ficará sobrestado até a decisão judicial definitiva. [...]’ 3. Diante da negativa de renovação do CEBAS, a empresa deixou de observar os preceitos contidos no artigo 55, inciso II, da Lei 8.212/1991, o que afastou a sua condição de entidade isenta. Por sua vez, a recorrente propôs Ação Ordinária n° 1999.38.00.0333672, originária da 16a Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, tendo obtido êxito em sua empreitada no sentido do reconhecimento da isenção da cota patronal, com decisões favoráveis em primeirae segunda instâncias, confirmadas pelo STJ, com decisão transitada em julgado, o que impediu a emissão de Ato Cancelatório, Fl. 408DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.000903/200994 Acórdão n.º 2402004.957 S2C4T2 Fl. 4 5 remanescendo tão somente a discussão no âmbito do STF em face de recurso extraordinário interposto pelo INSS. 4. Neste contexto, o v. acórdão de 1a instância considerou PROCEDENTE EM SUA TOTALIDADE o lançamento. 5. Assim, o INSTITUTO PRESBITERIANO GAMMON interpôs Recurso Voluntário, o qual foi PROVIDO, por unanimidade, pelo v. acórdão exarado pela Colenda 2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, cuja ementa assim dispôs, ipsis litteris: (...) 6. Como se vê, o v. acórdão ora recorrido assentou o entendimento de que a constituição de créditos previdenciários concernentes à aludida contribuição está condicionada à emissão de prévio ato cancelatório de isenção, consoante estabelece a legislação de regência. 7. Daí, surge a OMISSÃO do v. acórdão, eis que esta matéria encontravase PREJUDICADA, já que OBJETO DE AÇÃO JUDICIAL, conforme já reconhecera a r. decisão de 1a instância, como se vê pelo trecho abaixo, verbis: ‘Dessa maneira, entendo, que não obstante a não existência do ato cancelatório que seguiria a informação fiscal (art. 206, §8º, RPS), para este tipo de lançamento não haveria tal necessidade, porquanto a questão sobre a isenção encontrase posta em juízo (conforme processo judicial 1999.38.000.0333672, TRF1). Por conta, inclusive, dessa postulação judicial, a questão quanto ao direito do impugnante no que tange à isenção de contribuições sociais previdenciárias, inclusive para o período objeto do lançamento, encontrase prejudicada (art. 126, §3º, Lei 8.213/1991; art. 38, Lei 6.830/1980; art. 26, Portaria MF 58/2006).’ 8. Assim, deve ser sanada a OMISSÃO ora apontada, sob pena de clara ofensa aos artigos 126, par. 3o, da Lei no. 8.213, de 1991, artigo 38, da Lei no. 6.830, de 1980 e artigo 26 da Portaria MF 58/2006, sendo inquestionável que o v. acórdão ora embargado não tratou da questão da CONCOMITÂNCIA COM A VIA JUDICIAL. [...]” Enfim, a Embargante requer o recebimento e acolhimento do presente embargos, para sanar/retificar todos os vícios existentes no acórdão, acima apontados. É o relatório. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O Recurso é tempestivo e dele farei apreciação. I Admissibilidade O Recurso é tempestivo e dele farei apreciação. II Omissão É cediço que as hipóteses de cabimento dos embargos são aquelas mencionadas no art. 65 do Regimento Interno do CARF, na forma do Anexo II da Portaria MF n.º 343/2015. Eis o dispositivo: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Assim, não cabe a Turma, pela via dos embargos, conhecer de matéria que sequer foi tratada no recurso do contribuinte. Por outro lado, sou forçado a reconhecer, por ser matéria de ordem pública, a omissão do acórdão embargado quanto à apreciação da concomitância das instâncias administrativa e judicial. Da concomitância de instância administrativa e judicial. Farei o enfrentamento do tema, embora não vejo como acolher o pedido de modificação da decisão ora embargada. Inicialmente, os elementos informativos dos autos apontam que a Recorrente propôs Ação Ordinária n° 1999.38.00.0333672, originária da 16a Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, pleiteando a renovação do CEBAS que fora indeferido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, tendo obtido êxito em sua empreitada no sentido do reconhecimento da isenção da cota patronal, com decisões favoráveis em primeira e segunda instâncias, confirmadas pelo STJ, com decisão transitada em julgado, remanescendo tão somente a discussão no âmbito do STF em face de Recurso Extraordinário nº 567076, interposto pelo INSS. Nos embargos de declaração na apelação cível n° 1999.38.00.0333672/MG, ficou assentado, na decisão proferida pelo Tribunal Regional Federal da 1a Região, que a Recorrente (autor naquela peça judicial) juntou aos autos judiciais cópia da Resolução n° 234 do CNAS que a ela deferiu, em 09/09/99, o dito Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, atualmente designado de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), nos seguintes termos: “[...] Interposta apelação pelo INSS (fls. 273/286), este elencou os requisitos para que a entidade ficasse a salvo da Fl. 410DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.000903/200994 Acórdão n.º 2402004.957 S2C4T2 Fl. 5 7 revogação instituída pelo Decreto 1.572/77 (art. 1o, § 1o), quais sejam: ‘a) que tivesse sido reconhecida como de utilidade pública pelo Governo Federal até a data da publicaão do Decreto Lei n° 1.572/77; b) que fosse portadora de certificado de entidade de fins filantrópicos com validade por prazo indeterminado; c) e que estivesse isenta da contribuição.’ (fl. 275) Todavia, o INSS somente se insurgiu contra o terceiro requisito, sustentando que o Autor não o tinha preenchido. Nada falou sobre o segundo requisito, que trata do Certificado de Fins Filantrópicos, contra o qual agora se insurge. Efetivamente, observase, nos autos, que a renovação do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos foi indeferida pelo Conselho Nacional de Assistência Social CNAS, em 19.02.98 (fl. 99), cuja decisão foi confirmada no julgamento do recurso administrativo interposto pelo Autor (fl. 100). Todavia, o próprio Autor junta aos autos cópia da Resolução n° 234 do CNAS que a ele defere, em 09.09.99, dito Certificado (fl. 101). [...]” De acordo com o enunciado no 1 de Súmula Vinculante do CARF (Portaria do Ministério da Fazenda no 383, de 14/07/2010), o contribuinte tem o direito de se defender na esfera administrativa, mas, caso haja discussão na via judicial sobre o mesmo objeto litigioso, demonstra que o contribuinte abdicou da via administrativa, levando o seu caso diretamente ao Poder Judiciário ao qual cabe dar a última palavra quanto à interpretação e à aplicação do Direito e, por consectário lógico do principio da jurisdição una no sistema brasileiro, isso importará em não conhecimento do recurso na via administrativa. Súmula CARF no 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Registrase que a aplicação desse anunciado e da legislação que dispõe sobre a concomitância de instâncias administrativa e judicial, tais como o art. 38, parágrafo único, da Lei 6.830/1980 e o art. 126, §3º, da Lei 8.213/1991, não é uma tarefa automática, a ser exercida mecanicamente, oriunda somente da propositura de ação judicial pelo contribuinte, pressupõe se sempre a identidade de objeto nas discussões administrativas e judicial para se adotar os seus comandos impositivos. Isso porque a identidade do objeto litigioso deverá ser constatada caso a caso, de modo a identificar as semelhanças fáticas e jurídicas das questões postuladas nas instâncias administrativa e judicial. É essencial consignar que não basta o mero ajuizamento de ação judicial para se estampar o imediatismo da concomitância de instâncias administrativa e judicial, necessário Fl. 411DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 fazer o cotejo entre o objeto da ação e do recurso administrativo, para avaliar se a desistência se materializou. Nesse sentido, tanto a doutrina como a jurisprudência do STJ (EDcl no REsp 840.556/AM) afirmam que quando a demanda administrativa versar sobre objeto menor ou idêntico ao da ação judicial estará caracterizada a concomitância de instância, nas palavras de Leandro Paulsen: “(...) o ato administrativo pode ser controlado pelo Judiciário e que apenas a decisão deste é que se torna definitiva, com o trânsito em julgado, prevalecendo sobre eventual decisão administrativa que tenha sido tomada ou pudesse vir a ser tomada. (...) Entretanto, tal pressupõe a identidade de objeto nas discussões administrativa e judicial”. (Leandro Paulsen e René Bergmann Ávila. Direito Processual Tributário. 8a ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2014, p. 560). Nessa linha de entendimento, percebese que, para ser configurada a concomitância de instâncias administrativa e judicial, os elementos informativos dos autos deverão estabelecer que as premissas fáticas e jurídicas sobre as quais se fundou a ação no STF (Recurso Extraordinário nº 567076) são idênticas às questões postuladas na peça recursal administrativa ou às razões de decidir do acórdão ora embargado, materializando pela identidade de demandas. E, o que importa para a configuração dessa identidade de demandas é a precisa correspondência, no mínimo, entre o pedido e a causa de pedir, já que a propositura de demanda judicial não irá levar, de forma automática, para a identidade das questões postuladas na demanda administrativa ou dos fundamentos do acórdão ora embargado. No caso dos autos, o objeto da peça recursal versa, em síntese, sobre as seguintes questões: 1. se a Recorrente seria ou não detentora do CEBAS para as competências autuadas, conforme quadro demonstrativo das renovações do CEBAS (período de 1999 a 2011), já que o Fisco lançou os valores para evitar a decadência e com base no indeferimento do pedido de renovação do CEBAS, com validade para o período de 20/04/1998 a 15/09/1999; 2. se o Fisco considerou ou não os pedidos de renovação do CEBAS para os períodos posteriores a 20/04/1998 a 15/09/1999, já que o Fisco não emitiu Ato Cancelatório de Isenção; 3. se a Recorrente perdeu ou não a sua condição de isenta da cota patronal das contribuições previdenciárias, pois cabia ao Fisco demonstrar que, no período autuado, a Recorrente deixou de cumprir algum dos pressupostos da aludida benesse fiscal. Por sua vez, o objeto litigioso da ação judicial versa sobre a discussão da necessidade ou não de lei complementar para se estabelecer a disciplina normativa das exigências a serem preenchidas pelas entidades beneficentes de assistência social para efeito de reconhecimento da imunidade prevista no § 7º do art. 195 da Constituição Federal. Diz a decisão de recebimento do Recurso Extraordinário nº 567076, verbis: ‘DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal discussão em torno da necessidade, ou não, de lei complementar para a disciplinação normativa das exigências a serem preenchidas pelas entidades beneficentes de assistência social para efeito de reconhecimento da imunidade prevista no § 7º do art. 195 Fl. 412DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.000903/200994 Acórdão n.º 2402004.957 S2C4T2 Fl. 6 9 da Constituição será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 566.622/RS, Rel. Min. MARCO AURÉLIO. Sendo assim, os presentes autos permanecerão sobrestados até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2008. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 567076, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2008, publicado em DJe118 DIVULG 27/06/2008 PUBLIC 30/06/2008)’ Diante desse cotejo das questões postuladas na via administrativa e judicial, é forçoso reconhecer que a ação judicial cuida de questão da constitucionalidade da norma tributária impositiva (lei ordinária ou lei complementar) que vai disciplinar as exigências a serem preenchidas pela entidade beneficente de assistência social para efeito de reconhecimento da imunidade prevista no § 7º do art. 195 da Constituição Federal/1988, enquanto o recurso administrativo se restringe a discussão se a entidade era detentora ou não do CEBAS para o período autuado e se o Fisco poderia lançar a contribuição patronal sem a emissão de Ato Cancelatório de Isenção para prevenir a decadência, tendo em vista que a Recorrente discutia judicialmente a renovação do CEBAS, em razão de questões de direito, para o período anterior as competências da autuação. Em outras palavras, administrativamente, a Recorrente impugna o lançamento com o propósito de anulálo em razão de questões de fato, ao passo que, em juízo, ela discute, para efeito de reconhecimento da imunidade prevista no § 7º do art. 195 da Constituição, a existência da norma a ser aplicada em plano distinto do período autuado e de forma abstrata dos elementos probatórios constantes dos autos, pois o objetivo desse Recurso Extraordinário nº 567076 não é desconstituir o presente lançamento fiscal e sim declarar, em sentido positivo ou negativo, uma determinada situação de direito para aplicação da lei complementar ou da lei ordinária. Nesse passo, caso a decisão judicial encaminhe no sentido de aplicação da lei complementar (artigos 9º, § 1º, e 14, da Lei 5.172/1966 Código Tributário Nacional1), isso, 1 Lei 5.172/1966 Código Tributário Nacional: Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I instituir ou majorar tributos sem que a lei o estabeleça, ressalvado, quanto à majoração, o disposto nos artigos 21, 26 e 65; II cobrar imposto sobre o patrimônio e a renda com base em lei posterior à data inicial do exercício financeiro a que corresponda; III estabelecer limitações ao tráfego, no território nacional, de pessoas ou mercadorias, por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais; IV cobrar imposto sobre: a) o patrimônio, a renda ou os serviços uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo; (Redação dada pela Lei Complementar nº 104, de 2001) d) papel destinado exclusivamente à impressão de jornais, periódicos e livros. § 1º O disposto no inciso IV não exclui a atribuição, por lei, às entidades nele referidas, da condição de responsáveis pelos tributos que lhes caiba reter na fonte, e não as dispensa da prática de atos, previstos em lei, assecuratórios do cumprimento de obrigações tributárias por terceiros. § 2º O disposto na alínea a do inciso IV aplicase, exclusivamente, aos serviços próprios das pessoas jurídicas de direito público a que se refere este artigo, e inerentes aos seus objetivos. ......................................................................................................... Fl. 413DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 aparentemente, não influenciará no requisito de que a entidade era ou não portadora do CEBAS, pois tal requisito não faz parte do comendo normativo dessa lei complementar. Diante desse contexto, a nosso ver, não deve incidir o enunciado no 1 de Súmula Vinculante do CARF, nem a legislação que dispõe sobre a concomitância de instâncias administrativa e judicial (art. 38, parágrafo único, da Lei 6.830/1980 e o art. 126, §3º, da Lei 8.213/1991), porque os elementos probatórios constantes dos autos apontam para a inexistência de coincidência de objeto litigioso ou pedido das instâncias administrativa e judicial, esta cuida de questões de direito e aquela (administrativa) tratase de questões de fato independente da das questões veiculadas no Recurso Extraordinário nº 567076. Em razão das considerações acima, encaminho por indeferir o pleito da modificação da decisão ora embargada, pois não há concomitância de instâncias administrativa e judicial. III – Contradição (omissão de dispositivos da legislação) Também não encontro espaço jurídico para a aplicação das regras estabelecidas pelo art. 32 da Lei 9.430/19962 e pelo art. 32 da Lei 12.101/2009, pois o critério Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela Lcp nº 104, de 2001) II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. § 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. 2 Lei 9.430/1996: PROCEDIMENTOS DE FISCALIZAÇÃO Suspensão da Imunidade e da Isenção Art. 32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo. § 1º Constatado que entidade beneficiária de imunidade de tributos federais de que trata a alínea c do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal não está observando requisito ou condição previsto nos arts. 9º, § 1º, e 14, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência da infração. § 2º A entidade poderá, no prazo de trinta dias da ciência da notificação, apresentar as alegações e provas que entender necessárias. § 3º O Delegado ou Inspetor da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declaratório suspensivo do benefício, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à entidade. § 4º Será igualmente expedido o ato suspensivo se decorrido o prazo previsto no § 2º sem qualquer manifestação da parte interessada. § 5º A suspensão da imunidade terá como termo inicial a data da prática da infração. § 6º Efetivada a suspensão da imunidade: I a entidade interessada poderá, no prazo de trinta dias da ciência, apresentar impugnação ao ato declaratório, a qual será objeto de decisão pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento competente; II a fiscalização de tributos federais lavrará auto de infração, se for o caso. § 7º A impugnação relativa à suspensão da imunidade obedecerá às demais normas reguladoras do processo administrativo fiscal. § 8º A impugnação e o recurso apresentados pela entidade não terão efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado. § 9º Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.000903/200994 Acórdão n.º 2402004.957 S2C4T2 Fl. 7 11 jurídico a ser adotado deverá observar a regra do art. 144 do CTN, o qual dispõe que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e regese pela lei então vigente, ainda que modificada ou revogada (tempus regit actum). E, com isso, para a constituição do presente lançamento fiscal, impõese reconhecer a aplicação das regras estabelecidas pelo art. 55 da Lei 8.212/1991, vigente à época da ocorrência do fato gerador. Na espécie, reforça a aplicação das regras do art. 55 da Lei 8.212/1991 o fato de que a ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 19/10/2009 (fls. 01 e 67), mediante correspondência postal com Aviso de Recebimento (AR), e a Lei 12.101/2009 somente foi publicada em 27/11/2009, portanto, após a lavratura do lançamento fiscal. Verificase que não há contradição no voto condutor, já que o seu conteúdo abordou de forma suficiente tanto a matéria fática como a configuração da nulidade evidenciada nos autos, sendo que os argumentos da Embargante apontam para uma nova discussão da matéria, não cabível em sede de Embargos de Declaração. Esse entendimento decorre do fato de que os Embargos de Declaração representam uma via estreita e não se prestam para a modificação da decisão embargada que não contenha contradição ou obscuridade. Vejamos trechos da decisão ora embargada: “[...] Aparentemente a motivação fática para ensejar o presente lançamento fiscal seria a não apresentação de requerimento junto ao INSS pela Recorrente, solicitando a isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, nos termos do art. 55, § 1°, da Lei 8.212/1991. Entendese que esse requerimento é apenas um elemento formal declaratório para se estabelecer a imunidade para a Recorrente. Para o Fisco, a não emissão do Ato Cancelatório se justificaria no fato de a entidade possuir decisão judicial reconhecendo sua isenção ou está discutindo a matéria no âmbito judicial, o que não podemos concordar. Pois, da mesma forma que fora constituído o crédito previdenciário, ainda que garantida a isenção da entidade por força de provimento judicial, ficando sobrestado o final do trâmite administrativo até decisão judicial final transitada em julgado, deveria o Fisco emitir o Ato Cancelatório, dando seguimento no eventual rito processual na esfera administrativa e, sendo procedente referido Ato, ficaria, igualmente, sobrestado até o término do processo judicial. § 10. Os procedimentos estabelecidos neste artigo aplicamse, também, às hipóteses de suspensão de isenções condicionadas, quando a entidade beneficiária estiver descumprindo as condições ou requisitos impostos pela legislação de regência. § 11. Somente se inicia o procedimento que visa à suspensão da imunidade tributária dos partidos políticos após trânsito em julgado de decisão do Tribunal Superior Eleitoral que julgar irregulares ou não prestadas, nos termos da Lei, as devidas contas à Justiça Eleitoral. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) (Revogado pela Lei nº 13.165, de 20150) § 12. A entidade interessada disporá de todos os meios legais para impugnar os fatos que determinam a suspensão do benefício. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 415DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 12 Em outras palavras, a mesma conduta adotada por ocasião da lavratura da autuação sob análise deveria ter sido observada do procedimento pertinente à Informação Fiscal emitida e eventual Ato Cancelatório, de maneira a oferecer condições à constituição do crédito previdenciário que ora se contesta. Assim, não o tendo feito, não há como prosperar o lançamento fiscal. Por sua vez, constatase também que a Recorrente possuía o CEBAS, vigente à época do período de apuração, conforme documentos acostados aos autos, bem como das informações constantes das peças de instrução fornecidas pelo Fisco. Com isso, depreendese que a Recorrente possuía o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CEBAS), atendendo o requisito do inciso II do art. 55 da Lei 8.212/1991. Assim, ao realizar o lançamento, o Fisco deveria ter demonstrado no Relatório Fiscal ou em Relatório Complementar, de maneira clara e exaustiva, a motivação fática – que foi a ausência do CEBAS, este deveria ser acompanhado do Ato Cancelatório de Isenção, e a falta de requerimento de isenção junto ao INSS –, bem como a motivação jurídica, que foi o § 1° do art. 55 da Lei 8.212/1991. Esclareço, ainda, que não há qualquer registro nos Fundamentos Legais do Debito (FLD) dessa motivação jurídica. Nesse passo, não existindo Ato Cancelatório de Isenção das Contribuições Sociais, isso, por si só, enseja a nulidade do lançamento fiscal por cerceamento ao devido processo legal. A confiabilidade das informações prestadas pelo Fisco por meio do lançamento fiscal, materializado no Relatório Fiscal e seus anexos, é essencial ao atendimento do princípio constitucional da ampla defesa, bem como da preservação da boafé objetiva, que deve orientar a relação entre o Fisco e o sujeito passivo da relação obrigacional tributária. Assim – na hipótese de entidade beneficente que se encontrava, antes do lançamento fiscal, devidamente abarcada pela imunidade prevista no art. 195, §7o, da Constituição Federal e em face de que as normas de imunidade comportam interpretação extensiva, consoante decisões do Supremo Tribunal Federal (STF. Plenário. RE 325822/SP. DJ 14/05/2004) –, não é justificável ao Fisco – como órgão adstrito à legalidade e à atividade vinculada, ao realizar o procedimento de auditoria, visando à apuração do crédito tributário decorrente da cota patronal previdenciária – proceder o lançamento fiscal sem a emissão do Ato Cancelatório de Isenção das Contribuições Sociais, conforme previa o § 4° do art. 55 da Lei 8.212/1991). Fl. 416DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.000903/200994 Acórdão n.º 2402004.957 S2C4T2 Fl. 8 13 Ao proceder dessa maneira para a apuração dos valores lançados, a auditoria fiscal incorreu em um vício de motivo, este consubstanciado na inadequação do fato com o pressuposto jurídico da legislação previdenciária que previa a emissão do Ato Cancelatório de Isenção das Contribuições Sociais. Essa inadequação do motivo do lançamento fiscal, ocasionada pela falsidade do pressuposto no mundo fático com a previsão legal, é um desvio de finalidade do estabelecido pela legislação tributária que gera a nulidade pelo cerceamento ao direito de defesa do sujeito passivo. No caso concreto, em entidade que preenchia os requisitos previstos nos incisos do art. 55 da Lei 8.212/1991, é imprescindível que o lançamento fiscal que apura valores oriundos da cota patronal previdenciária seja devidamente fundamentado, uma vez que a apuração dessa contribuição previdenciária se trata de medida excepcional que depende de comprovação de requisitos específicos da legislação previdenciária, que davam eficácia e aplicabilidade a imunidade prevista no art. 195, §7o, da Constituição Federal. [...]” Nesse caminhar, percebese que o julgador não é obrigado a fundamentar o voto em todos os pontos pretendidos pela Embargante, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, conforme precedentes do STF (Embargos Declaração no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário 733.596MA). “[...] EMENTA: (...). OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. EFEITOS INFRINGENTES. IMPOSSIBILIDADE. DESPROVIMENTO. 1. A omissão, contradição ou obscuridade, quando inocorrentes, tornam inviável a revisão em sede de embargos de declaração, em face dos estreitos limites do art. 535 do CPC. 2. O magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. (g.n.) (...) 5. Embargos de declaração DESPROVIDOS. [...]” (Informativo 743/2014. EMB. DECL. NO AG. REG. NO RE N. 733.596MA. RELATOR: MIN. LUIZ FUX). Nesse mesmo caminho, segundo a doutrina, entendese que há distinção entre enfretamento suficiente e enfretamento completo na análise das questões delineadas em peça de defesa. O julgador será em regra obrigado a enfrentar os pedidos, as causas de pedir e os fundamentos de defesa, mas não há obrigatoriedade de enfrentar todas as alegações feitas pelas partes a respeito de sua pretensão. Assim, o julgador deve enfrentar e decidir a questão colocada à sua apreciação, não estando obrigado a enfrentar todas as alegações feitas pela parte a respeito dessa questão, bastando que contenha a decisão fundamentos suficientes para justificar a conclusão estabelecida na decisão proferida (Araken de Assis, Manual dos recursos, nota 66.2.1.3, p. 591. 2 ed. São Paulo, RT, 2008). Fl. 417DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 14 Com isso, entendese que o acórdão embargado, da forma como tratou a matéria, não foi contraditório ou omisso na análise dos dispositivos da legislação (art. 126, par. 3o, da Lei 8.213/1991, art. 38 da Lei 6.830/1980 e art. 26 da Portaria MF 58/2006), e, como consequência, o seu julgamento resultou em conclusão plenamente válida. IV Conclusão: Voto por conhecer e acolher em parte os embargos de declaração, sem efeitos infringentes (sem efeitos modificativos), somente para a apreciação e integração da questão de concomitância de instâncias, em razão de ser matéria de ordem pública, e rejeitar a contradição apontada pela embargante, nos termos acima apresentados. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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