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Numero do processo: 12266.720546/2012-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 02/05/2008
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.729
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 02/05/2008 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 6. 72 05 46 /2 01 2- 91 Fl. 333DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720546/201291 Acórdão n.º 9303003.729 CSRF‐T3 Fl. 334 2 Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801004.856. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento. Após tomar ciência do mencionado acórdão, a Contribuinte apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei 12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.552, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/200648, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.552): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Fl. 334DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720546/201291 Acórdão n.º 9303003.729 CSRF‐T3 Fl. 335 3 Lei 12.350, de 20/12/2010). Além disso, ambos citaram expressamente as alterações promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial. A matéria devolvida a este Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental de prestar informação. Aplicandose o entendimento defendido pela Recorrente, os prazos estipulados pela legislação aduaneira, para prestar informações à RFB, poderiam ser descumpridos pelo sujeito passivo sem punição, tendo como única condição que a prestação das informações seja efetuada antes do início de ação fiscal. Ou seja, os prazos para a apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos fatais, como é a regra na legislação tributária. Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicarse à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se Fl. 335DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720546/201291 Acórdão n.º 9303003.729 CSRF‐T3 Fl. 336 4 refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' 1. 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' 2. 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' 3 Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720546/201291 Acórdão n.º 9303003.729 CSRF‐T3 Fl. 337 5 entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: '40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, Fl. 337DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720546/201291 Acórdão n.º 9303003.729 CSRF‐T3 Fl. 338 6 inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está Fl. 338DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720546/201291 Acórdão n.º 9303003.729 CSRF‐T3 Fl. 339 7 vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720546/201291 Acórdão n.º 9303003.729 CSRF‐T3 Fl. 340 8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face Fl. 340DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720546/201291 Acórdão n.º 9303003.729 CSRF‐T3 Fl. 341 9 da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam 5 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720546/201291 Acórdão n.º 9303003.729 CSRF‐T3 Fl. 342 10 infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Fl. 342DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720546/201291 Acórdão n.º 9303003.729 CSRF‐T3 Fl. 343 11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por Fl. 343DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720546/201291 Acórdão n.º 9303003.729 CSRF‐T3 Fl. 344 12 considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 344DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13804.001239/2003-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. IMPROCEDÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 11 DO CARF.
Não corre prescrição contra a Fazenda Nacional durante o Processo Administrativo Fiscal.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA.
Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado.
DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Não se justifica a diligência para apurar informações quando os documentos e fatos constantes do processo são suficientes para convencimento do julgador.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA
Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa.
COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO.
O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente justificadamente, a Conselheira Mércia Helena Trajano D´Amorim. Vencidos os Conselheiros Cassio Shappo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisario. Esta última apresentará declaração de voto. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Rubens Pellicciani, OAB/SP nº 21968.
Assinado digitalmente
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. IMPROCEDÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 11 DO CARF. Não corre prescrição contra a Fazenda Nacional durante o Processo Administrativo Fiscal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Não se justifica a diligência para apurar informações quando os documentos e fatos constantes do processo são suficientes para convencimento do julgador. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Recurso Voluntário Negado
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(INCORPORADA PELA BRF S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. IMPROCEDÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 11 DO CARF. Não corre prescrição contra a Fazenda Nacional durante o Processo Administrativo Fiscal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Não se justifica a diligência para apurar informações quando os documentos e fatos constantes do processo são suficientes para convencimento do julgador. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 12 39 /2 00 3- 44 Fl. 5988DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 13/04/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ B ELISARIO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 2 Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente justificadamente, a Conselheira Mércia Helena Trajano D´Amorim. Vencidos os Conselheiros Cassio Shappo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisario. Esta última apresentará declaração de voto. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Rubens Pellicciani, OAB/SP nº 21968. Assinado digitalmente Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. "O processo administrativo, posteriormente ao seu protocolo, foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos irão pautarse na numeração estabelecida no processo eletrônico. Consta nos autos que a contribuinte pretende o ressarcimento de crédito presumido do IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96 e a Portaria MF nº 38/97, no montante de R$ 15.910.775,09, relativo ao 4º trimestre de 2002, a ser aproveitado nas compensações pleiteadas nos processos 13804.001278/200341; 13804.001910/200357; 13804.002391/200344 e 16349.000002/200863, apensados a este. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária DERAT – em São Paulo, em 07/03/2008, mediante Despacho Decisório de fls. 715/718, indeferiu o pedido de Fl. 5989DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 13/04/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ B ELISARIO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13804.001239/200344 Acórdão n.º 3201002.038 S3C2T1 Fl. 5.988 3 ressarcimento, sem análise do mérito, em razão de a contribuinte ter deixado de apresentar, embora intimada, os documentos solicitados com o fim de comprovar a certeza e liquidez do direito creditório requerido, e não homologou as compensações relacionadas nos processos administrativos por inexistência de direito creditório Regularmente cientificada, em 10/03/2008, do indeferimento de seu pleito, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 730/736), instruída com os documentos de fls. 737/1.456, na qual, em resumo, fez as seguintes considerações: 1. A requerente procurou fazer prova de seu direito, não obstante o exíguo prazo conferido pela fiscalização; 2. Quanto a intimação para apresentação dos arquivos magnéticos, referente aos períodos de 2002 e 2003, os agentes fiscais já possuíam os arquivos referentes ao ano de 2002, posto entregues em fiscalizações passadas, sendo negociada a apresentação apenas dos arquivos referentes ao ano de 2003; 3. A quantidade e o volume de informações solicitadas através do Termo de Intimação nº 4 era enorme, portanto, totalmente presumível que a requerente não conseguiria cumprir dentro do prazo concedido; 4. Visando agilizar o exame dos créditos fiscais, a fiscalização poderia ter iniciado sua avaliação do direito creditório da requerente, utilizandose dos documentos anteriormente entregues, enquanto esta preparava os demais documentos solicitados; 5. Talvez prevendo uma possível homologação tácita ou prescrição dos direitos da Fazenda Nacional, resolveram os agentes fiscais ignorar os documentos existentes e fornecidos anteriormente, não realizando a verificação dos créditos fiscais encerrando a fiscalização como se apresenta; 6. Para demonstrar sua boafé, apresenta novamente, com a presente manifestação de inconformidade, uma cópia dos documentos em questão, demonstrando, por completo a existência de seu direito creditório. 7. Por fim, solicita que se determine o exame dos documentos que comprovam o direito creditório da requerente e que se homologuem as declarações de compensação apresentadas. Em 12/03/2009, a 2ª Turma de Julgamento da DRJ/RPO, mediante o Acórdão nº 1422.529 (fls. 1.460/1.463), considerou improcedente a manifestação de inconformidade por entender que estava precluso o direito de apresentação de provas por parte da contribuinte. Após recurso voluntário por parte da contribuinte, a 3ª Seção de Julgamento do CARF prolatou o Acórdão de fls. 1.622/1.625, no qual anulou a decisão da Delegacia de Julgamento, para que uma nova seja proferida, levandose em conta toda a documentação apresentada pela recorrente, tanto na fase do procedimento administrativofiscal quanto na de manifestação de inconformidade. Tendo em vista a anulação do acórdão proferido pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ/RPO, o processo foi baixado em diligência, para que o órgão de origem, em vistas dos Fl. 5990DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 13/04/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ B ELISARIO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 4 documentos apresentados pela manifestante, se pronunciasse quanto ao direito e ao montante do crédito presumido que a contribuinte faz jus. Como resultado, a autoridade competente emitiu a Informação Fiscal de fls. 4470/4488, realizada com base na análise dos documentos em papel e em mídia digital presentes no processo, no qual se posiciona pelo indeferimento da solicitação e pela não homologação das compensações em virtude da falta de qualquer valor de crédito presumido ressarcível. Cientificada do resultado da diligência, em 03/02/2014 (fl. 4506), a contribuinte apresentou a manifestação de fls. 4492/4497, na qual, em resumo, fez as seguintes considerações: 1. É equivocada a premissa adotada pela autoridade fiscal segundo a qual a diligência deveria se ater tão somente aos documentos já juntados aos autos, nada mais podendo fazer a fiscalização, no sentido de verificar a documentação comercial e fiscal da requerente para apurar os valores e elementos que conduzem ao direito de crédito pleiteado. Sem sombra de dúvida não foi essa a intenção do julgador ao determinar a diligência. Deveria, e deve, a Administração Pública usar de todos os meios disponíveis para analisar a escrita comercial e fiscal da requerente, visando satisfazer o pedido apresentado sob pena de flagrante afronta aos princípios da verdade material e da oficialidade do processo administrativo fiscal. Como de fato restaram afrontados referidos princípios, ao sequer intimar a requerente para, certificandoa das dificuldades tecnológicas encontradas para analisar a documentação apresentada, facultála apresentar por outro meio e forma legítima; 2. Considerando que a Administração Pública possuía meios e recursos para a devida constatação dos elementos que comprovam o direito ao ressarcimento pleiteado, não pode a Informação fiscal simplesmente atestar que a contribuinte não conseguiu comprovar quaisquer documentos creditórios nos documentos em papel ou no CDs presentes no processo físico; 3. Resta claro que para atender ao quanto determinado pela DRJ na Resolução n° 1.652/2012 e atendendo aos princípios norteadores do procedimento administrativo fiscal, deveria ser a contribuinte intimada a apresentar os documentos que a fiscalização não conseguiu acessar. 4. Por fim, solicita seja realizada nova diligência para análise e verificação de sua escrita fiscal e comercial, de forma que possa ser cumprida a determinação da DRJ." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório. A decisão foi assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 Fl. 5991DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 13/04/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ B ELISARIO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13804.001239/200344 Acórdão n.º 3201002.038 S3C2T1 Fl. 5.989 5 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. O direito ao ressarcimento de IPI está condicionado à apresentação de documentos e livros fiscais que comprovem a apuração do saldo do trimestrecalendário, sendo ônus processual da interessada fazer prova dos fatos constitutivos de seu direto. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Cientificada, a empresa interpôs recurso voluntário onde repisa as alegações apresentadas na impugnação e na manifestação sobre a diligência realizada por determinação da Delegacia de Julgamento. Alega a homologação tácita das compensações declaradas , por entender que a informação fiscal prolatada pela autoridade fiscal seria o primeiro e efetivo exame da pretensão creditória. A nulidade do acórdão recorrido, em razão do descumprimento da determinação do CARF, pois a caberia a autoridade julgadora da primeira instância analisar a documentação e não pela autoridade fiscalizadora. No mérito afirma a legalidade do procedimento adotado para o creditamento do IPI e a liquidez e certeza do direito creditório. A auditoria realizada pela Fiscalização não ofereceu nenhum subsídio para o indeferimento do crédito pleiteado, o que ofende o art. 37 da Constituição Federal. Tal fato seria reforçado em razão da diligência que se restringiu aos documentos já juntados aos autos, não sendo verificado outros documentos da Recorrente, confirmando este entendimento, a decisão do CARF não fez nenhuma vedação à produção de novas provas para confirmar o direito creditório da Recorrente. Assim, considerando que a Administração Pública dispõe de meios e recursos para a devida e correta constatação dos elementos que comprovam o direito ao ressarcimento pleiteado, não pode a decisão da primeira instância negar o crédito unicamente por meio da análise dos documentos constantes dos autos, sendo necessária a intimação da Recorrente para apresentar e/ou complementar a prova documental do seu direito. Por fim, pede a Recorrente que seja determinado a realização de perícia para a correta e precisa análise da escrita fiscal e comercial de forma a comprovar o crédito pleiteado no presente processo. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Fl. 5992DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 13/04/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ B ELISARIO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 6 O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Inicialmente, por tratar de questão preliminar, merecem análise a alegação de homologação tácita do pedido de compensação. Alega a Recorrente que o exame realizado em razão da diligência determinada pela autoridade de primeira instância seria uma primeira análise do direito creditório e assim decorrido o prazo legal de 5 (cinco) anos estaria homologado tacitamente o pedido de compensação. Entendo não assistir razão ao recurso, o que se pede é a aplicação da prescrição intercorrente, o que não se aplica ao Processo Administrativo que se iniciou com a manifestação de inconformidade e continua em curso até o momento, seguindo os ritos previstos no Decreto nº 70.235/72. A realização de diligências determinadas pelas instâncias julgadoras faz parte dos procedimentos previstos no PAF e de maneira alguma pode se revelar em início do procedimento ou ser considerada como o primeiro ato administrativo de verificação do pedido de compensação. Jogando uma pá de cal na discussão a Súmula nº 11, do CARF, publicada no DOU de 22/11/2209, resolve em definitivo a questão da prescrição intercorrente. “ Súmula CARF nº 11 Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.” Quanto a alegação que caberia a DRJ e não a autoridade fiscalizadora realizar a diligência, também não assiste razão a Recorrente. A resolução do CARF que determinou novo exame da manifestação de inconformidade pela DRJ, não limitou somente a esta autoridade julgadora a análise da matéria. A decisão de determinar diligência é da autoridade julgadora, que utilizando das suas prerrogativas legais determinou a realização da diligência pela Unidade de Origem, não existindo nenhum reparo a ser feito no procedimento adotado pela autoridade de primeira instância. Com relação ao mérito da lide, a recorrente teceu apenas argumentos genéricos, alegando que o trabalho da auditoria foi superficial e baseouse em indícios e não fatos. A diligência realizada pela Autoridade Fiscal (fls. 4470 a 4488) apurou detalhadamente todos os documentos nos autos e sua interferência nas informações apresentadas nas declarações da Recorrente, conforme pode ser verificado nos trechos abaixo extraídos da informação fiscal. “Os arquivos foram extraídos das pastas compactadas. A fim de possibilitar a utilização das informações, foi desenvolvida em Microsoft Excel Visual Basic uma macro para importar os valores contábeis informados nos arquivos contendo os livros RAIPI, por CFOP. Tal procedimento teve como controle as próprias somas contidas nos livros, que também foram importadas. Desta forma, realizando as somas das informações nas planilhas obtidas e comparando o resultado com as somas importadas podese garantir a correção da importação. Fl. 5993DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 13/04/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ B ELISARIO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13804.001239/200344 Acórdão n.º 3201002.038 S3C2T1 Fl. 5.990 7 Foram importadas as informações contidas em 672 arquivos, relativos a livros RAIPI do anocalendário 2002 de 51 (cinqüenta e uma) filiais, cujas informações estavam no CD da folha 1352 (papel). A listagem de arquivos importados está nas fls. 1644 e seguintes. As filiais importadas foram: ... Dos CFOPs existentes escriturados nestes livros, foram considerados passíveis de serem considerados matéria prima, produtos intermediários ou material de embalagem e capazes de gerar créditos presumidos do IPI os seguintes: 1.11, 1.71, 2.11 e 2.71. Estes CFOPs foram totalizados na tabela abaixo, filial por filial, a fim de obter um parâmetro de comparação dos valores apresentados. É evidente que para serem aceitas como capazes de gerar crédito presumido é ainda necessário que as aquisições sejam comprovadas como ocorridas no mercado interno, de pessoas jurídicas contribuintes do PIS e da Cofins e que seja possível identificar que de fato se trata de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem, não podendo figurar na base de cálculo do crédito presumido qualquer aquisição que não atenda a estes requisitos. Combustíveis, energia elétrica e utilização de serviços de industrialização por encomenda estão tratados em outros itens. ... Os livros Registro de Entradas, disponíveis de forma compactada no mesmo CD de folha 1352 do processo físico, onde também constam os livros RAIPI e Registro de Saídas, conforme listagem no item relativo ao RAIPI, foram utilizados para verificação aleatória das notas fiscais informadas na resposta ao item 5 do Termo de Intimação Fiscal nº 04, onde foram informadas as aquisições que deram origem ao crédito pleiteado. Destes livros não consta o CNPJ do fornecedor, constando apenas o Código do Emitente, utilizado internamente pela contribuinte, não estando presente nenhuma tabela que permitisse a identificação do fornecedor a partir deste código. Assim, nos casos em que não foi fornecido o número de inscrição no CNPJ do fornecedor nas planilhas de resposta ao citado item 5 do Termo de Intimação Fiscal nº 04, não foi possível identificálo, mesmo que a nota fiscal em tela fosse localizada no livro Registro de Entradas da filial informada na planilha. Apresentase abaixo, de forma reduzida, o conteúdo de uma folha do livro Registro de Entradas da matriz, CNPJ 86.547.619/000136, presente no CD. ... Admitindo que a contribuinte utilizou estes arquivos para informar suas aquisições com direito a crédito presumido, por item de nota fiscal, foi iniciada a análise. Em cada uma destas planilhas, ao lado da coluna CNPJ Emitente foi inserida a coluna CPFCNPJ, onde foi aplicada uma função destinada a comparar os dígitos verificadores e Fl. 5994DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 13/04/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ B ELISARIO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 8 confirmar se o número informado na coluna CNPJ Emitente de fato é um CNPJ e não um CPF. Quando o resultado é um CNPJ, este foi pesquisado no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, um por um, a fim de verificarse se a pessoa jurídica em questão estava cadastrada e não era cooperativa. Destas operações poderiam surgir as seguintes classificações: ... Tendo em vista a relevância das informações tratadas neste item as planilhas em tela, acrescidas da coluna CPFCNPJ, ordenadas e totalizadas conforme esta coluna foram impressas virtualmente e inseridas no processo nas fls. 1654 e seguintes, para comprovar as informações prestadas. ... Por evidente, as aquisições cujas informações sequer puderam identificar o vendedor, porque o CNPJ indicado não faz parte do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica ou porque o número indicado não confere com os dígitos verificadores nem de CNPJ e nem de CPF não podem gerar qualquer tipo de crédito. Algumas notas fiscais do grupo CNPJ foram pesquisadas nos livros Registro de Entradas correspondente à filial informada na planilha pelo número da nota e data de entrada, para confirmação das informações. Assim, relativo ao mês de outubro, apenas o valor de R$ 634.063,84 é que poderia figurar na linha 11.Utilizados na produção no mês do DCP de outubro de 2008 (fl.1451). As aquisições de pessoas físicas e de cooperativas, não sujeitas ao pagamento do PIS e da Cofins à época dos fatos, não davam direito a crédito presumido. Não foi possível confirmar os valores relativos a combustíveis, energia elétrica ou prestação de serviços decorrentes de industrialização por encomenda por total ausência de informações sobre as notas fiscais de aquisição no processo e inexistência dos arquivos do item 4.3.1. do ADE COFINS 15/2001. De toda forma, os valores informados no DCP (fl. 1451) não guardam qualquer relação com a totalização dos livros RAIPI acima informada. Por exemplo, em relação à energia elétrica no mês de outubro, a contribuinte informou na linha 23. Utilizada na produção no mês o valor de R$ 3.183.359,00, enquanto a totalização do CFOP 1.42 Compra de energia elétrica por estabelecimento industrial chega apenas a R$ 939.402,79. Quanto à industrialização por encomenda, a contribuinte informou no DCP na linha 29. Utilizados na Produção no mês o valor de R$ 2.070.494,75 enquanto a soma dos CFOPs 1.13 e 2.13 em outubro chega a R$ 1.714.828,10.” As descrições do trabalho da Fiscalização, traz informação do trabalho realizado na diligência fiscal. A mera observação dos procedimentos, demonstra o detalhamento do trabalho realizado. A Recorrente foi cientificada da diligência fiscal e apresentou contrarrazões em 28/02/2014, com alegações genéricas, não apresentando nenhuma contestação objetiva Fl. 5995DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 13/04/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ B ELISARIO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13804.001239/200344 Acórdão n.º 3201002.038 S3C2T1 Fl. 5.991 9 sobre as apurações da diligência, tampouco apresentou documentação que pudesse questionar as conclusões fiscais. Em 04/06/2014 a Recorrente foi cientificada da decisão da primeira instância e apresentou seu recurso voluntário em 02/07/2014, ou seja, cientificada da diligência fiscal e já com o conhecimento das conclusões da Fiscalização e da decisão da primeira instância, apresentou seu recurso voluntário trazendo em linhas gerais, as mesmas alegações já apresentadas nas contrarrazões da diligência e não trouxe nenhum questionamento objetivo que pudesse levantar qualquer dúvida quanto as conclusões do trabalho fiscal, novamente se resumiu a questões preliminares e quanto ao mérito, reafirma que a obrigação de buscar as provas quanto ao seu direito creditório seria da Receita Federal. A partir da observação do procedimento adotado pela Fiscalização, resta comprovado, que foi dado conhecimento à Recorrente das alegações e das conclusões da Fiscalização para não homologar os pedidos de compensação. Não pode prosperar, como deseja a Recorrente, a definição do trabalho como superficial e baseado apenas em indícios. A fiscalização atuou de forma diligente e dentro dos procedimentos legais. A Recorrente, apesar de todo o tempo decorrido, não apresentou os documento ou esclarecimentos necessários para levantar dúvidas sobre a decisão de não homologação do pedido de compensação. A exigência de liquidez e certeza dos créditos sempre foi condição sine qua non, para a compensação. Autorizar a compensação com créditos pendentes de certeza e liquidez é inaplicável. A comprovação dos créditos pleiteados necessita de prova clara e inconteste. No caso em tela, o contribuinte alega a existência do indébito tributário, sem apresentar provas a comprovar as suas alegações. A autoridade fiscal tem o ônus da comprovação dos fatos quando da realização do lançamento tributário. Entretanto, estamos tratando de caso diverso. O despacho foi motivado por falta de comprovação do crédito alegado pela Recorrente. A modificação da decisão recorrida, somente poderia ocorrer com a comprovação da existência do crédito. A simples alegação sem a apresentação de documentação comprobatória não é suficiente para alterar o despacho decisório que não homologou o pedido de compensação, muito menos, obrigar a Fiscalização da Receita Federal que promova a busca das provas necessárias à comprovação das alegações constantes do recurso. Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” 1 Por fim, consta do recurso, a alegação que os procedimentos de julgamento e as conclusões da fiscalização estariam ferindo princípios constitucionais. Quando a esta matéria, este colegiado não pode se manifestar, diante da emissão da súmula nº 2 do CARF, publicada no DOU de 22/12/2009, que veda o pronunciamento sobre constitucionalidade de lei tributária. 1 Huberto Teodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387. Fl. 5996DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 13/04/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ B ELISARIO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 10 “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Declaração de Voto Conselheira Tatiana Josefovicz. Pedi vista dos autos em razão de memorial distribuído e sustentação oral produzida pelo ilustre patrono. Em detalhado exame do feito, concluo que, quanto ao mérito analisado pelo d. Relator, ponhome inteiramente de acordo. Com efeito, toda a documentação trazida aos autos pelo Recorrente foi devidamente analisada pela Autoridade Competente, notadamente após a realização da diligência solicitada por este CARF. Ademais, ainda que, sem sede de processo administrativo tributário deva imperar o princípio da verdade material, é ônus do contribuinte fazer prova do direito pleiteado, mormente por se tratar, na hipótese, de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI. Como se constata, o contribuinte não apresentou impugnação específica quando aos termos das decisões proferidas, limitandose a aduzir que seria dever a administração tributária examinar a escrita fiscal do contribuinte. Não obstante, como mencionado, o Recorrente trouxe à este colegiado, por meio de memoriais e realização de sustentação oral, a alegação de existência de créditos decorrentes da aquisição de insumos de pessoas físicas e cooperativas, que teriam sido glosados pela Fiscalização. Com efeito, o reconhecimento do direito a tais créditos já é, há muito, reconhecido pelo Superior Tribunal de Justiça, consoante decisão proferida em sede de Fl. 5997DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 13/04/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ B ELISARIO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13804.001239/200344 Acórdão n.º 3201002.038 S3C2T1 Fl. 5.992 11 Recurso Repetitivo e pela Súmula 494, às quais se vincula este CARF por força do art. 62 de seu atual Regimento Interno. Confirase as manifestações judiciais: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). Fl. 5998DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 13/04/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ B ELISARIO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 12 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matéria prima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarseão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel.Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). Fl. 5999DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 13/04/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ B ELISARIO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13804.001239/200344 Acórdão n.º 3201002.038 S3C2T1 Fl. 5.993 13 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 993.164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) Súmula STJ 494 O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP. A existência de créditos decorrentes da aquisição de produtos originários de pessoas físicas e cooperativas na apuração do contribuinte é constatada pelos seguintes trechos da Informação Fiscal: Fl. 6000DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 13/04/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ B ELISARIO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 14 Algumas notas fiscais do grupo CNPJ foram pesquisadas nos livros Registro de Entradas correspondente à filial informada na planilha pelo número da nota e data de entrada, para confirmação das informações. Assim, relativo ao mês de outubro, apenas o valor de R$ 634.063,84 é que poderia figurar na linha 11.Utilizados na produção no mês do DCP de outubro de 2008 (fl. 1451). As aquisições de pessoas físicas e de cooperativas, não sujeitas ao pagamento do PIS e da Cofins à época dos fatos, não davam direito a crédito presumido. (...) Algumas notas fiscais do grupo CNPJ foram pesquisadas nos livros Registro de Entradas correspondente à filial informada na planilha pelo número da nota e data de entrada, para confirmação das informações. Assim, relativo ao mês de outubro, apenas o valor de R$ 30.685,80 é que poderia figurar na linha 11.Utilizados na produção no mês do DCP de outubro de 2008 (fl. 1453). As aquisições de pessoas físicas e de cooperativas, não sujeitas ao pagamento do PIS e da Cofins à época dos fatos, não davam direito a crédito presumido. (...) Algumas notas fiscais do grupo CNPJ foram pesquisadas nos livros Registro de Entradas correspondente à filial informada na planilha pelo número da nota e data de entrada, para confirmação das informações. Assim, relativo ao mês de dezembro, apenas o valor de R$ 2.022.329,37 é que poderia figurar na linha 11.Utilizados na produção no mês do DCP de dezembro de 2008 (fl. 1455). As aquisições de pessoas físicas e de cooperativas, não sujeitas ao pagamento do PIS e da Cofins à época dos fatos, não davam direito a crédito presumido. Cumpre salientar que o Recorrente, seja em sua impugnação, seja em seu Recurso Voluntário, não requereu, expressamente, o reconhecimento ao seu direito ao crédito presumido de IPI decorrente da aquisição de insumos de pessoas físicas e cooperativas. Não obstante, tenho que, em razão do poderdever de revisão de ofício que impera na atividade administrativa, é cabível o seu reconhecimento nessa esfera, não sendo o caso de se afastar tal declaração em razão de eventual preclusão processual. Nesse sentido, é o Parecer Normativo COSIT nº 8 de 3 de setembro de 2014: 18. Isso decorre de uma interpretação sistemática que leva em conta inexistir hierarquia normativa entre lei complementar (CTN) e lei ordinária (PAF), e que, a despeito de também não haver hierarquia administrativa entre autoridade lançadora (na DRF) e julgadora (nas DRJs e CARF), mas, sim, distinção de competências, não se pode negar que no campo do julgamento administrativo também há uma hierarquia jurisdicional (prevalência da eficácia das decisões dos órgãos ad quem). A possibilidade contida no art. 149 do CTN não é tão ampla a ponto de contrapor por completo o disposto no art. 42 do PAF. Ressalvese a hipótese de direito superveniente vinculante para a Administração (tratados adiante) – como as súmulas vinculantes (observada eventual modulação de efeitos) e pareceres ministeriais, por exemplo – que tenha findado controvérsia jurídica, uma vez que a decisão definitiva na esfera administrativa não tem a força de uma decisão judicial transitada em julgado, e a manutenção de uma decisão administrativa em sentido contrário ao novo entendimento fixado não mais atenderia a estabilidade da relação jurídica que em princípio se buscava preservar (princípio da segurança jurídica), pois, ao contrário, levaria a desnecessário litígio judicial. Fazse valer, assim, "o prestígio aos princípios da legalidade, da eficiência, da moralidade (art. 37, caput, da CR/88), da autotutela e da economicidade", conforme se depreende do Parecer PGFN/CRJ/CDA/Nº 1.437/2008, que tratou de diversos aspectos jurídicos atinentes à repercussão da Fl. 6001DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 13/04/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ B ELISARIO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13804.001239/200344 Acórdão n.º 3201002.038 S3C2T1 Fl. 5.994 15 Súmula Vinculante nº 8 e da inconstitucionalidade do parágrafo único do artigo 5º do Decretolei nº 1.569, de 1977, e dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 1991, sobre a atividade de cobrança administrativa e judicial dos créditos tributários por parte da União. (sem destaques no original) Com efeito, negar ao contribuinte o reconhecimento de seu direito à crédito há muito reconhecido pelos Tribunais superiores e até mesmo pela Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Conselho, é impelir o ajuizamento de medidas judiciais desnecessárias a afogar ainda mais o Poder Judiciário, cujo maior litigante, como se sabe, é a própria União Federal. Pelo exposto, voto pelo reconhecimento, ex officio, do direito da Recorrente ao crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, decorrente da aquisição de produtos de pessoas físicas e cooperativas, nos termos em que consagrado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Repetitivo, cujo montante deverá ser apurado e validado pela Autoridade Administrativa competente (Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte). Assinado digitalmente Tatiana Josefovicz Belisario Fl. 6002DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 13/04/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ B ELISARIO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Numero do processo: 13794.720713/2013-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
IMPOSTO DE RENDA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO OFICIAL. MOLÉSTIA GRAVE RECONHECIDA. RESTITUIÇÃO. DEFERIMENTO. Tendo em vista que o último laudo médico oficial trazido aos autos, atesta que o recorrente é portador de moléstia grave, desde abril de 2006, deve ser reconhecida isenção.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.352
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Malagoli da Silva e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO OFICIAL. MOLÉSTIA GRAVE RECONHECIDA. RESTITUIÇÃO. DEFERIMENTO. Tendo em vista que o último laudo médico oficial trazido aos autos, atesta que o recorrente é portador de moléstia grave, desde abril de 2006, deve ser reconhecida isenção. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Malagoli da Silva e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 79 4. 72 07 13 /2 01 3- 79 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 7/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por VICANAND VALERIANO DA SILVA, em face de acórdão que manteve o indeferimento do pedido de restituição do valor de R$ 458,36, referente ao IRRF – imposto retido na fonte, sobre o 13º salário constante na declaração de renda Pessoa Física ano calendário 2009 do recorrente, pois este não fora considerado como portador de moléstia grave, nos termos da legislação do imposto de renda. A DRJ entendeu que o recorrente apresentou laudo médico oficial atestando ser portador de doença que permite a concessão do benefício que busca ser reconhecido em seu favor, fazendo jus à isenção a partir da data de emissão do laudo, no entanto, somente a partir do ano de 2011, de modo que o ano calendário de 2008 não estava englobado no período. Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que apesar da hepatopatia grave ter surgido em agosto de 2011, que o laudo médico da Dra. Samanta Teixeira Bastos, atesta que o contribuinte possuía insuficiência hepato crônica (CID K72.1) desde abril de 2006; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 7/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 13794.720713/201379 Acórdão n.º 2402005.352 S2C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Sem preliminares. MÉRITO Reitero que, no presente caso, a discussão resumese tão somente a avaliar se a condição do recorrente de isento ao pagamento do imposto de renda, em razão de ser portador de moléstia grave, está comprovada nos autos. Com relação ao tema, o artigo 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, com redação dada pelo art. 47, da Lei nº 8.541/92, preceitua o seguinte: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: ......................................................................................................... .............................. XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão.” Fl. 86DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 7/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 Ademais, prevê a Instrução Normativa SRF nº 15, de 2001, que também dispôs sobre o tema da seguinte forma: “Art. 5º Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: [...] 1º A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XXXV, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só pode ser deferida se a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. No caso dos autos, a DRJ entendeu por julgar improcedente a impugnação, tenho em vista que o contribuinte juntou aos autos Laudo Médico Pericial, fl.11, emitido em 16/10/2012, emitido pelo Hospital Municipal Raul Sertã que informa que este é portador de moléstia grave (Hepatopatia grave) desde 08/2011. Em seu recurso voluntário junta aos autos novo laudo médico oficial, emitido pela Dra. Samanta Teixeira Bastos, em 18/03/2015, através do qual é atestado que este possui a Hepatopatia grave desde 04/2006. Assim, mesmo diante dos fundamentos contidos no acórdão de primeira instância, tenho que a apresentação de novo laudo médico oficial, atendendo às disposições legais sobre a matéria, o qual, atesta ser o contribuinte portador da moléstia grave no ano calendário objeto do presente processo, tem o condão de justificar a improcedência do lançamento. Ressaltese que a DRJ apenas não acatou o pleito formulado, pois, até então, as provas constantes dos autos apontavam ser o contribuinte portador da moléstia desde 08/2011, situação que a meu ver, resta ultrapassada com a apresentação do novo laudo oficial, sobretudo as informações nele constantes, no sentido de que ano de 2011, o contribuinte já deu entrada no hospital em coma, com a perda de 95% de seu fígado, o que reforça a tese de que este já era portador da doença em momento anterior a tal data. Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso para deferir o pedido de restituição formulado pelo contribuinte. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 7/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
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Numero do processo: 19515.004115/2003-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
IRPF. DECADÊNCIA.
O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos, quando há antecipação de pagamento, contados do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE DE R$ 80.000,00.
Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, se o somatório desses créditos não comprovados ultrapassar o valor de R$ 80.000,00, dentro do ano-calendário.
Omissão de rendimentos. Depósito bancário. Presunção. Súmula CARF nº 26:
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº- 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO ESTABELECIMENTO DO CONTENCIOSO. PRECLUSÃO.
A impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2201-002.850
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari.
Assinado digitalmente
Heitor de Souza Lima Junior - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Assinado digitalmente
Carlos Alberto Mees Stringari - Redator Designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Heitor de Souza Lima Junior, Carlos Alberto Mees Stringari, Marcio de Lacerda Martins, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa Da Cruz. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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DECADÊNCIA. O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos, quando há antecipação de pagamento, contados do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro de cada anocalendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE DE R$ 80.000,00. Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, se o somatório desses créditos não comprovados ultrapassar o valor de R$ 80.000,00, dentro do anocalendário. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 41 15 /2 00 3- 52 Fl. 588DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 19515.004115/200352 Acórdão n.º 2201002.850 S2C2T1 Fl. 589 2 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO ESTABELECIMENTO DO CONTENCIOSO. PRECLUSÃO. A impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Assinado digitalmente Heitor de Souza Lima Junior Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Redator Designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Heitor de Souza Lima Junior, Carlos Alberto Mees Stringari, Marcio de Lacerda Martins, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa Da Cruz. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 2ª Turma da DRJ/STM (Fls. 340), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração (fls. 215 a 246) referente a Imposto sobre a Renda de Pessoa Física do anocalendário 1998, no qual foi apurado o crédito tributário de Fl. 589DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 19515.004115/200352 Acórdão n.º 2201002.850 S2C2T1 Fl. 590 3 R$ 195.194,23, nele compreendido imposto, multa de ofício, juros de mora e multa exigida isoladamente, em decorrência da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada e falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, na forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal. Tempestivamente, o interessado apresenta a impugnação da exigência às fls. 251 a 265. Suas alegações estão, em síntese, a seguir descritas. Preliminarmente É advogado militante, razão pela qual, no exercício de suas atividades, tem despesas com processos de clientes. Estas despesas são reembolsadas por seus clientes. E, ainda, depósitos de valores de clientes são levantados, com depósito e posterior repasse. Tratase de conduta comum e absolutamente lícita e necessária para o efetivo exercício da advocacia, constituindo inclusive dever do advogado. Nesse sentido já decidiu o Tribunal de Ética e Disciplina da Ordem dos Advogados do Brasil. No mérito A disponibilidade econômica de rendas e/ou proventos em seu benefício, dos valores depositados em suas contas bancárias, não restou provada nos autos como sendo capaz de justificar a pretensão de ocorrência de fato gerador do IRPF. Os valores que transitaram pela sua conta corrente, como já esclarecido, em sua quase totalidade referemse a reembolso de despesas, valores adiantados para clientes, repassados para clientes, conforme planilha e documentos anexos doc. 3. A prova do rendimento tributável é necessária e obrigatória à constituição do fato gerador do imposto de renda , sendo do fisco o ônus (art. 333 do CPC). Valores em trânsito por contas bancárias não significam omissão de receita, não correspondem a lucro tributável, não se justificando ainda o critério de soma de depósitos lançados. A jurisprudência administrativa já se firmou em tal sentido, como se verifica pelas ementas de acórdãos do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, os quais transcreve. Por isso, nulo é o lançamento , já que embasado em simples indícios desfeitos diante da prova realizada. Apresenta conceitos de presunção, indícios e ficção. Pelo que foi relatado e demonstrado os depósitos realizados nas contas bancárias do impugnante não podem ser tomados como renda ou proventos. A uma, porque não resultado de trabalho ou Fl. 590DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 19515.004115/200352 Acórdão n.º 2201002.850 S2C2T1 Fl. 591 4 ainda resultado da cominação de ambos. A duas, porque o seu acréscimo patrimonial foi nenhum. Assim, não basta o artigo 42 da referida Lei n° 9.430/96 estabelecer constituir omissão de receitas valores creditados em conta bancária, sem sequer dar importância a seus saldos, causas e circunstâncias específicas. Outrossim, outro aspecto relevante é a violação à garantia constitucional do sigilo bancário. Nessa esteira, citase a recente decisão proferida pelo. Ministro do Supremo Tribunal Federal, Exmo. Sr. Dr. Marco Aurélio. Ainda que não tenha sido a decisão proferida em sede de Adin e em caráter definitivo, serve para demonstrar o entendimento que pode vir a ser firmado junto àquele tribunal, bem como o cuidado que a questão merece. Por outro lado, a utilização da taxa Selic é ilegítima, sendo inconcebível a utilização de tal indexador, criado e utilizado para a remuneração de títulos privados, na atualização de relações de direito público tributos federais. ` Neste diapasão já decidiu o Superior Tribunal de Justiça. Quanto ao agravamento da multa, esta deve ser afastada, uma vez que conforme se verifica dos autos, em nenhum momento, teve a intenção de protelar ou obstaculizar o andamento dos trabalhos fiscais. As eventuais demoras no cumprimento das intimações deveramse a fato de terceiro, fornecimento de extrato bancário pelas instituições bancárias apontadas. Desta forma, não pode ser punido, pois comprovado a ausência de dolo. Quanto à multa isolada, esta deve ser afastada, haja vista que nada é devido a título de carnêleão. Os valores tomados como tendo por fundamento depósitos bancários estão contaminados pelos fatos descritos, de forma que também quanto a esse aspecto deve ser anulado o auto de infração. Posteriormente, em abril de 2004, o contribuinte requereu a juntada dos documentos de fls. 290 a 322. Passo adiante, a 2ª Turma da DRJ/STM entendeu por bem julgar o lançamento procedente em parte, em decisão que restou assim ementada: NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre a constitucionalidade ou legalidade de leis. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir de 01/01/1997, os valores depositados em instituições Fl. 591DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 19515.004115/200352 Acórdão n.º 2201002.850 S2C2T1 Fl. 592 5 financeiras, de origem não comprovada pelo contribuinte, passaram a ser considerados receita ou rendimentos omitidos. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, excetuandose as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. MULTA AGRAVADA. Inaplicável o agravamento da multa por falta de atendimento a intimação, por não configurada a situação definida em lei para sua imposição. MULTA ISOLADA INAPLICABILIDADE Inexistindo exigência do imposto de renda sujeito recolhimento mensal obrigatório, inaplicável a multa exigida isoladamente por falta de recolhimento do carnêleão. JUROS SELIC. A utilização dos percentuais equivalentes à taxa referencial do Selic para fixação dos juros moratórios está em conformidade com a legislação vigente. Cientificado em 14/11/2008 (Fls. 348), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 15/12/2008 (fls. 349 a 375), argumentando em síntese: (...) Na decisão recorrida, restou afastada a exigência reclamada no item 002. 7. No mais, as exigências foram mantidas em primeira instância, fato com o qual não pode se conformar a contribuinte, em face de tudo quanto já foi dito na Impugnação que aqui se toma como se por linha repetida e, também, dos argumentos e comprovações a seguir aduzidos. II DA DECADÊNCIA 8. Preliminarmente, o Impugnante protesta pelo cancelamento dos lançamentos referentes a supostos fatos geradores ocorridos entre 1° de janeiro e 30 de outubro de 1998, porque o Fisco Federal decaiu de seu direito de lançar relativamente a tal período, em face da ciência do Auto de Infração somente em novembro de 2003, a teor do art. 150, § 4°, do CTN. (...) 13. É fundamental sublinhar, uma vez mais, que na exigência proveniente de depósitos bancários o fato gerador do tributo ocorre a cada mês, como se disse linhas atrás, não por entendimento doutrinário, mas por expressa disposição de lei. 14. Não foi outra a forma adotada, pelo Fisco, para a elaboração do Auto de Infração. Nele foram detalhadas as datas dos supostos (mas inexistentes) fatos geradores mês a mês. Não Fl. 592DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 19515.004115/200352 Acórdão n.º 2201002.850 S2C2T1 Fl. 593 6 foram considerados estes como ocorridos, por inteiro, em 31 de dezembro de 1998. Assim agiu o autuante! Não há que se falar, portanto, em nenhum “ajuste anual” em declaração que pudesse transferir o fato gerador para 31 de dezembro de 1998. (...) 16. Nem se cogita, aqui, da aplicabilidade da regra do art. 173, I, do CTN, o que deslocaria para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado o início da contagem do prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário em revisão. Isto só seria possível, de acordo com o § 4° do art. 150 do CTN, se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou Simulação, hipótese de que nem se cogita nos autos. Tanto que a multa de oficio aplicada foi inicialmente de 112,50, não de 150%, depois reduzida para 75,00%. 111 DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS 111.1 DOS DEPÓSITOS DE VALOR ATÉ R$ 12.000,00 (...) 18. Depreendese do excerto transcrito que não se podem considerar, para efeitos de determinação da receita omitida, os depósitos individuais inferiores à quantia de R$ 12.000,00 quando o somatório destes não ultrapassa o valor de R$ 80.000,00. Expliquese: a referência é ao somatório daqueles de valor até R$ 12.000,00. 19. Em razão da regra prevista no § 3°, II, do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, a presunção legal do caput do mesmo dispositivo não gera efeitos, com relação às pessoas físicas, para os depósitos bancários de valor igual ou inferior a R$ 12.000,00, cujo somatório, dentro do anocalendário, não supere R$ 80.000,00. Observase, assim, o critério do “limite somado”. (...) Emerge que, ainda que afastada a decadência suscitada o que se admite apenas a título de argumentação , devem ser prontamente excluídos da tributação os depósitos de valor igual ou inferior a R$ 12.000,00, cujo somatório não supere a R$ 80.000,00. III.2 DA ORIGEM COMPROVADA DOS DEPÓSITOS 23. Na impugnação foi explicado, detalhadamente, que no exercício de suas atividades profissionais de advogado, valores eram entregues ao Recorrente para pagamentos por conta e ordem de seus clientes, bem como outros eram recebidos e devidamente repassados (custas, despesas, honorários periciais, depósitos etc). 24. É certo que entre os fatos tomados pelo Fisco acontecidos no ano de 1998 e a data do auto de infração, mais de 4 (quatro) os separam. Pois bem, cuidou o Recorrente de fazer, dadas as Fl. 593DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 19515.004115/200352 Acórdão n.º 2201002.850 S2C2T1 Fl. 594 7 circunstâncias, as provas que tinha, conforme relato encontrável nos autos. Demonstrou não ter omitido renda, bem como não ter havido acréscimo patrimonial não justificado. (...) 27. A afirmação de que não podiam ser aceitos documentos particulares sem registro em cartório e sem autenticações de assinaturas, porque só eles servem de reforço à credibilidade, padece de amparo legal, já que os documentos anexados à impugnação tinham firmas autenticadas, sendo que para os que agora são anexados, igual providência se toma (anexos). III.3 DA TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS 28. Duas foram as contas bancárias examinadas pelo Fisco, envolvendo os Bancos 3341 e 033 (anexo). Contudo nenhuma consideração mereceu a transferência entre contas, o que fere direito do Recorrente. (...) IV DO ÔNUS DA PROVA 30. A prova que tinha o Recorrente foi feita, não podendo o Fisco negar serem próprios da atividade exercida profissionalmente os fatos narrados. Os valores são de pequena monta, a demonstrar a realidade declarada. A prova se apresentou, tendo por isso sido invertido o ônus, que pode assim ser resumido: 31. O código de processo civil estabelece como regra que o ônus da prova recai sobre aquele que alega e, dependendo da postura do réu, em razão dos fatos constitutivos trazidos pelo autor, as alegações feitas na inicial podem ser ou não objeto de prova. Vale dizer que não será ônus do autor comprovar fatos por ele alegados e não contestados pelo réu, só lhe cabendo o encargo se contra os fatos constitutivos de seu direito apresentar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos. (...) O processo foi colocado em pauta, para julgamento, no mês de janeiro; sendo, contudo, retirado de pauta em razão de novas alegações apresentadas pelo patrono da causa, que mereciam melhor análise. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Fl. 594DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 19515.004115/200352 Acórdão n.º 2201002.850 S2C2T1 Fl. 595 8 Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. De início, verifico que resta em litígio apenas parte do lançamento relativo a omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários de origens não comprovadas. Argumenta o recorrente, em preliminar, a decadência de parte do lançamento, e, no mérito, que não há provas da omissão, sendo ônus do fisco tal mister, que os valores dos depósitos inferiores a doze mil reais devem ser excluídos da base de cálculo, que não foram consideradas as transferencias entre as contas do próprio contribuinte, e que algumas origens foram comprovadas. Em sede de preliminar alega o impugnante que o lançamento deve ser notificado ao sujeito passivo dentro do período de cinco anos, contadose do último dia de cada mês em que o crédito é apurado. Acresce que, de janeiro a outubro de 1998, o direito de a Fazenda Pública lançar encontravase atingido pela decadência. Quanto a apuração do Imposto em 31 de dezembro de 1998, e não de forma mensal, cumpre esclarecer que, no lançamento, os depósitos foram apurados mensalmente, com a definição do fato gerador em 31 de dezembro do ano base. Tal procedimento é acatado amplamente pelo CARF, conforme se verifica na Súmula CARF n 38, de aplicação obrigatória por este Conselheiro: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Portanto, incabível acatar a tese do Recorrente que pretende contar o prazo decadencial, no caso, mensalmente. Dentro deste parâmetro, cabe analisar a decadência relativa ao ano calendário 1998; portanto, com fato gerador em 31/12/1998. O IRPF obedece ao comando do lançamento por homologação, disciplinado pelo Art. 150, § 4° do Código Tributário Nacional; que reza: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame autoridade administrativa, operase pelo ato em a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4° Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado este prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 595DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 19515.004115/200352 Acórdão n.º 2201002.850 S2C2T1 Fl. 596 9 Verificase, ainda, quanto à esse tema (decadência), que o Superior Tribunal de Justiça STJ já firmou o entendimento de que a regra do art. 150, § 4o, do CTN, somente deve ser aplicada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Transcrevese, a seguir, a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo Relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. Fl. 596DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 19515.004115/200352 Acórdão n.º 2201002.850 S2C2T1 Fl. 597 10 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observase que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada por este Colegiado, em obediência ao art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, com alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Diante do exposto, concluise que o prazo decadencial do IRPF deve ser contado da seguinte forma: (I) ocorrido o pagamento antecipado, aplicase a regra do art. 150, § 4°, do CTN; (II) não ocorrendo o pagamento antecipado ou se comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação, devese aplicar o disposto no art. 173, inciso I, do CTN. No caso em exame, o lançamento relativo ao ano calendário de 1998 poderia ser realizado até 31 de dezembro de 2003. Tendo sido notificado o contribuinte em novembro de 2003, o foi dentro do período de direito da Fazenda Nacional. Isto posto, não encontravase decaído o direito da Fazenda Nacional lançar o crédito tributário. Razão pela qual entendo ultrapassada a preliminar argüida. Passo a análise do mérito. Argumenta o Recorrente que apresentou provas das origens dos depósitos e que assim haveria a inversão do ônus da prova; cabendo ao fisco mostrar os fatos que inutilizam as provas: "Se o Fisco, de alguma maneira não aceita esta prova, cabelhe mostrar os fatos que possam inutilizar a prova do sujeito passivo e nunca exigir que o próprio tenha que produzila, fato que poria abaixo a impugnação." (pág. 371 dos autos) Fl. 597DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 19515.004115/200352 Acórdão n.º 2201002.850 S2C2T1 Fl. 598 11 Ocorre que a autuação se deu com base na presunção de renda dos depósitos bancários, com base no art. 42 da Lei 9.430/96. Tal matéria já encontrase pacificada no ambito do CARF; com o emprego da seguinte Súmula, que é de aplicação obrigatória por este Conselho: Súmula CARF nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Nos termos da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com as alterações introduzidas pelo art. 4o da Lei n° 9.481, de 13 de agosto de 1997, o contribuinte deveria comprovar a origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias; in verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Deste modo, não há dúvida de que a autoridade fiscal pode utilizar a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 para considerar como rendimentos omitidos os valores mantidos em conta de depósito sem comprovação de sua origem. Assim, se a autoridade fiscal entende que o contribuinte não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos depósitos, cabe ao contribuinte produzir as provas destas origens; não sendo o caso da "inversão do ônus da prova" alegado pelo contribuinte. Dentro desta perspectiva, passo a analisar a alegação do Recorrente de que comprovou as origens dos depósitos bancários com as declarações de terceiros. Tais declarações, desacompanhadas de quaisquer outros documentos, são produzidas por terceiros e afirmam, na maioria de forma genérica, que estes depositaram, no decorrer do ano base, valores nas contas correntes do Recorrente. Neste ponto, adoto integralmente o entendimento da DRJ, no seguinte sentido: "Com a impugnação, o contribuinte apresentou tão somente as declarações de fls. 290 a 322, procurando comprovar que os diversos depósitos efetuados em sua contacorrente referemse a reembolso de despesas , valores adiantados para clientes, repassados para clientes, tudo no exercício da advocacia. No entanto, as declarações apresentadas não são hábeis o suficiente para comprovar as operações a que se referem, já que, como é sabido, podem ser feitos a qualquer tempo, com o teor que convier e trazendo valores de acordo com os interesses das próprias partes, que os tornam pouco convincentes. Fl. 598DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 19515.004115/200352 Acórdão n.º 2201002.850 S2C2T1 Fl. 599 12 Portanto, não podem ser aceitos documentos particulares, sem registro em cartório e sem autenticação de assinaturas, formalidades essas relevantes, porque, quando existentes, constituem um reforço para a credibilidade das operações, além de conferir certeza, no mínimo, à data em que o documento foi efetivamente firmado. Assim, as declarações apresentadas sem outro elemento de prova, não são hábeis para comprovar as alegações do contribuinte. Para a comprovação da origem dos depósitos é necessária a vinculação de cada depósito a uma operação realizada, já tributada, isenta ou não tributável ou que será tributada após ser identificada, por meio de documentos hábeis e idôneos. O § 3° do art. 42 da Lei n° 9.430/1996 estabelece categoricamente que, para efeito de determinação da receita omitida, os créditos deverão ser analisados individualizadamente. É necessário que fique comprovado documentalmente nos autos a origem de cada um dos depósitos bancários, devendo existir relação de datas e valores entre as alegadas operações e os valores depositados em contacorrente, considerados como de origem não comprovada." (pág. 338 dos autos) Assim, entendo que o Recorrente não apresentou documentos hábeis e idôneos que comprovassem as origens dos recursos depositados. Pede também o recorrente a exclusão da base de cálculo dos valores depositados cujos valores são inferiores a R$12.000,00. Contudo, nos termos do art. 42, § 3º, II, da Lei nº 9.430/96, somente os depósitos inferiores a R$ 12.000,00, cujo somatório não excede a R$ 80.000,00, poderiam ser excluídos da base de cálculo do lançamento. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. [...] § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano Fl. 599DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 19515.004115/200352 Acórdão n.º 2201002.850 S2C2T1 Fl. 600 13 calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). ( Alterado pela Lei nº 9.481, de 13.8.97 ) Lei 9.481/97: Art. 4º Os valores a que se refere o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 , passam a ser de R$12.000,00 (doze mil reais) e R$80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente. Observo que os depósitos ditos não comprovados pela fiscalização, cujos valores são inferiores à R$ 12.000,00, quando somados ultrapassam o valor de R$80.000,00. Assim, considerando que os depósitos bancários das respectivas contas inferiores a R$ 12.000,00 excedem R$ 80.000,00 no anocalendário em questão, não há como se proceder a exclusão dos depósitos inferiores a R$12.000,00 da base de cálculo do lançamento. Alega o Recorrente que devem ser excluídos da base de cálculo do lançamento os valores correspondentes as transferência entre as contas bancárias do próprio Recorrente. Realmente, tais valores não deveriam integrar a base de cálculo do lançamento. Contudo, da análise do recurso e impugnação apresentados pelo contribuinte, notase que os mesmos não são acompanhados de documentos hábeis e idôneos capazes de comprovar a origem de tais transferências. É notória a ausência de documentos hábeis e idôneos a comprovar a origem dos depósitos bancários identificados nas contas correntes do contribuinte, sendo improfícuas as meras descrições pelo recorrente, de supostas origens ou transferências. Assim, não há como excluir da base de cálculo do lançamento qualquer valor relativo a transferências entre contas do próprio Recorrente. Por fim, por ocasião da sua sustentação oral, o patrono da causa pediu a improcedência de parte do lançamento em razão da inexistência de intimação do cotitular de uma conta conjunta (Banco Itaú, n 262653), e em razão da inexistência da conta corrente do Banco Banespa. Observo, por oportuno, que tais argumentos não foram apreciados no acórdão da DRJ em razão de não terem sido argüidos por ocasião da impugnação. A respeito, em que pese tais matérias possam ser consideradas preclusas por não ter sido expressamente apresentadas na contestação, tenho o entendimento de que a aplicação do princípio da preclusão não pode ser levado às últimas conseqüências, por força do princípio da verdade material. Assim, quando a matéria alegada somente em sede de recurso for suficiente para esclarecer a verdade material, e quando tal matéria for determinante para o julgamento Fl. 600DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 19515.004115/200352 Acórdão n.º 2201002.850 S2C2T1 Fl. 601 14 pacífico da lide, tal como a aplicação de sumulas do CARF, ou entendimentos de julgados em Recursos Repetitivos e em Repercussão Geral, a mesma deve ser apreciada. No caso em concreto, não entendo que o argumento de da inexistência da conta corrente do Banco Banespa se enquadre dentro destes requisitos; ainda mais quando verifico que o Banco Banespa apresentou documentos, docs de páginas 49 e seguintes, que comprovam a existência de lançamentos bancários em nome do Recorrente. Deste modo, considero preclusa tal argumentação, e não a julgarei. Quanto ao matéria relativa a inexistência de intimação do cotitular de uma conta conjunta (Banco Itaú, n 262653), entendo que a mesma se enquadra perfeitamente dentro do requisitos que permitem sua apreciação; notadamente quando a documentação comprobatória foi entregue ainda durante a fiscalização e com a existência da Súmula Carf n 29. Assim, passo a apreciar tal alegação. Da análise dos documentos de páginas 48, 144, 149 e 175 dos autos, constato de imediato que a conta corrente do Banco Itaú de n 262653 era, à época dos fatos, conjunta com a Sra. Nadime Boneri Netto Costa. Ora, a Súmula CARF n° 29, de aplicação obrigatória pelos Conselheiros do CARF, define que é nulo o lançamento, quando, todos os cotitulares da conta não são intimados para comprovar a origem dos depósitos bancários; in verbis: Súmula CARF n° 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. No caso presente, é possível constatar que a cotitular da conta corrente do banco Banco Itaú n 262653, a Sra. Nadime Boneri Netto Costa, não foi intimada para comprovar a origem dos depósitos bancários na conta corrente em apreço, apesar dos documentos apresentados pelo contribuinte, ainda durante o procedimento de fiscalização, informarem ser a conta conjunta Assim, por força da Súmula CARF n° 29, é nulo o lançamento relativo a conta corrente do Banco Itaú de n 262653 Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por rejeitar a preliminar argüida, e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo lançamento os depósitos da conta de n 262653 do Banco Itaú. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 601DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 19515.004115/200352 Acórdão n.º 2201002.850 S2C2T1 Fl. 602 15 Voto Vencedor A divergência com a relatora atémse à questão da preclusão. O Regimento Interno do CARF define que sua finalidade é julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), conforme abaixo. DA NATUREZA E FINALIDADE Art. 1º O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Acima, no relatório e no voto da relatora fica evidenciado que a questão da intimação do cotitular da conta conjunta (Banco Itaú, n 262653) não foi apreciada pela DRJ em razão de não terem sido argüida por ocasião da impugnação. Tal questão somente apareceu por ocasião da sustentação oral efetuada neste julgamento. Estabelece o Decreto 70.235/72, legislação de regência do processo administrativo fiscal, os requisitos da impugnação e que "Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante." Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no Fl. 602DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 19515.004115/200352 Acórdão n.º 2201002.850 S2C2T1 Fl. 603 16 processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, b) refirase a fato ou a direito superveniente c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Art. 17.Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Entendo que para a matéria em questão, não se estabeleceu o contencioso, do que resulta, estar a matéria preclusa. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 603DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 19515.004115/200352 Acórdão n.º 2201002.850 S2C2T1 Fl. 604 17 Fl. 604DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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Numero do processo: 19311.720015/2012-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 13 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.697
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade preparadora, a fim de seja formalizado um novo processo administrativo, para o qual deverá ser transferido o crédito tributário decorrente apenas da infração 001 (infração reflexa ao IRPJ), devendo permanecer nos presentes autos a infração à legislação do IPI e o crédito dela consequente. Vencidos os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim, relatora, Winderley Morais Pereira e Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, que entendiam que a competência para o julgamento era só da Primeira Seção. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente-Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade preparadora, a fim de seja formalizado um novo processo administrativo, para o qual deverá ser transferido o crédito tributário decorrente apenas da infração 001 (infração reflexa ao IRPJ), devendo permanecer nos presentes autos a infração à legislação do IPI e o crédito dela consequente. Vencidos os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim, relatora, Winderley Morais Pereira e Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, que entendiam que a competência para o julgamento era só da Primeira Seção. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Charles Mayer de Castro Souza PresidenteRelator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório Trata o presente processo de autos de infração lavrados contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito tributário decorrente do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, referente a períodos de apuração compreendidos nos anos de 2007 e 2008, no valor total de R$ 69.137.036,18, incluídos multa e juros de mora. Impugnada a exigência e decidido o litígio pela DRJ (fls. 130 e ss.), a contribuinte apresentou recurso voluntário a este Colegiado Administrativo. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 93 11 .7 20 01 5/ 20 12 -5 4 Fl. 223DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 3/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19311.720015/201254 Resolução nº 3201000.697 S3C2T1 Fl. 224 2 É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Conforme se verifica do seu campo “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, o lançamento constitui crédito tributário decorrente do IPI em face do cometimento de duas infrações: a primeira é mero reflexo do IRPJ (créditos em contacorrente bancária sem origem comprovada); a segunda é própria da legislação do IPI e com aquela não se relaciona. A atual redação conferida pela Portaria MF nº 152, de 2016, ao art. 2º, inciso IV, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 343, de 9 de junho de 2015, atribuiu à Primeira Seção a competência para o julgamento dos litígios envolvendo o IPI quando reflexo do IRPJ. Já o art. 4º, inciso II, estabeleceu que, não sendo este o caso – ou seja, quando as infrações forem autônomas –, cabe à Terceira Seção julgálos: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova em um mesmo Processo Administrativo Fiscal; IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...) Art. 4º À 3ª (terceira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação referente a: I Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, inclusive quando incidentes na importação de bens e serviços; II Contribuição para o Fundo de Investimento Social (FINSOCIAL); III Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); (...) Fl. 224DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 3/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19311.720015/201254 Resolução nº 3201000.697 S3C2T1 Fl. 225 3 Temos, portanto, no presente lançamento, infrações a serem julgadas por duas Seções do CARF. Ocorre que, antes da modificação acima referida, o reconhecimento da competência da Primeira Seção de Julgamento – que, a propósito, não se afigurava obrigatório (a norma, como se verá, traz o verbo no futuro do presente) –, para julgar os processos que versavam sobre infração à legislação do IPI quando reflexa do IRPJ se dava unicamente pela aplicação do art. 6º, inciso II, do Anexo II do RICARF/2015, que trata dos processos denominados “vinculados” – no caso, quando dois ou mais processos foram formalizados num mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. Depois de modificado pela Portaria MF nº nº 152, de 2016, não há mais dúvida: na redação atual do RICARF/2015, a competência material para julgar o IPI reflexo é da Primeira Seção de Julgamento. Porém, como já antecipamos, o auto de infração em exame formalizou, além da infração à legislação do IPI que é mero reflexo do IRPJ, também crédito tributário decorrente de uma outra infração cuja competência para o julgamento é desta Terceira Seção. Nesse contexto, entendemos que o presente julgamento deva ser remetido para a unidade preparadora, a fim de que se formalize um novo processo administrativo, para o qual deverá ser transferido o crédito tributário decorrente apenas da infração 001 (PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO SEM EMISSÃO DE NOTA FISCAL. VENDA SEM EMISSÃO DE NOTA FISCAL DEMAIS CASOS), devendo permanecer nos presentes autos a segunda infração à legislação do IPI e o crédito dela consequente. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 3/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19311.720015/201254 Resolução nº 3201000.697 S3C2T1 Fl. 226 4 Ao término do procedimento, ambos os processos administrativos devem ser devolvidos a este Conselheiro para julgamento. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 226DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 3/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 15563.720327/2013-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 05 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2301-000.604
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
João Bellini Júnior- Presidente.
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Luciana de Souza Espíndola Reis, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Fabio Piovesan Bozza e Amilcar Barca Teixeira Junior. Ausente, justificadamente o Conselheiro Ivacir Julio de Souza.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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Recorrente MUNICÍPIO DE BELFORD ROXO PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Luciana de Souza Espíndola Reis, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Fabio Piovesan Bozza e Amilcar Barca Teixeira Junior. Ausente, justificadamente o Conselheiro Ivacir Julio de Souza. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 63 .7 20 32 7/ 20 13 -2 6 Fl. 1290DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 15563.720327/201326 Resolução nº 2301000.604 S2C3T1 Fl. 1.291 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo Município de Belford Roxo, em face do Acórdão n.º 0735.145 da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Brasília (DF), fls. 12461259, que julgou improcedente a impugnação apresentada contra o Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOA), abaixo discriminados, que compõem o presente processo: AIOP nº 51.010.1356: referente à exigência das contribuições a cargo da empresa, devidas à Seguridade Social, inclusive a destinada ao custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados, referente à diferença entre os valores informados em folhas de pagamento e os declarados em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), nas competências 10/2010, 11/2010 e 13/2010 (Levantamento FP); além de glosas de compensações indevidas, nas competências 05/2010 a 11/2010 e 13/2010 (levantamento GC). Cópias das folhas de pagamento às fls. 4988. AIOA nº 51.010.1364: referente à exigência de multa isolada sob o fundamento de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo quanto aos créditos compensados no período de 03/2011 a 08/2012 (levantamento CI). De acordo com o relatório fiscal de fls. 1822, em resposta à intimação fiscal, a Municipalidade informou que efetuou compensação das contribuições pagas a título de terço constitucional de férias e de horas extras. Entretanto, a autoridade fiscal não constatou, nas folhas de pagamento da Prefeitura Municipal, valores pagos a título de horas extras. O Município apresentou impugnação, alegando, em síntese: a) invalidade do auto de infração em razão da ausência de individualização dos débitos, b) ausência de fundamentação quanto à falsidade da declaração a justificar a aplicação da multa isolada de 150% e seu caráter confiscatório; c) que não ocorreu a prescrição para compensar as contribuições incidentes sobre a remuneração dos agentes políticos, declarada inconstitucional, d) que não são tributáveis as verbas pagas a título de terço constitucional de férias, férias gozadas, auxílio universitário e décimoterceiro salário, e) existência de direito creditório decorrente de divergência entre valores retidos do Fundo de Participação do Município (FPM) e valores declarados em GFIP (relatório CCORGFIP). A DRJ julgou a impugnação improcedente, conforme ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2010 a 31/08/2013 AIs nos 51.010.1355 e 51.010.1364, de 13/12/2013. EMISSÃO DE UM AUTO DE INFRAÇÃO PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS SOB FUNDAMENTOS JURÍDICOS. AUSÊNCIA DE IMPEDIMENTO. Fl. 1291DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 15563.720327/201326 Resolução nº 2301000.604 S2C3T1 Fl. 1.292 3 É plenamente viável a emissão de apenas uma auto de infração para constituição de créditos tributários com base em fundamentos jurídicos distintos. COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES RECOLHIDAS COM BASE EM REGRA DE INCIDÊNCIA PREVISTA EM LEI AINDA VÁLIDA. NECESSIDADE DE RECONHECER AO JUDICIÁRIO. O simples entender do contribuinte de que a contribuição previdenciária foi recolhida com fulcro em lei inconstitucional ou ilegal não o autoriza a compensar os valores já pagos, tendo em vista a necessidade de recorrer ao Judiciário para se pronunciar a respeito do seu direito à compensação. PRAZO DECADENCIAL. CONTRIBUIÇÕES PAGAS COM BASE EM DECLARADA INCONSTITUCIONAL NO CONTROLE CONCENTRADO. CINCO ANOS DO PAGAMENTO INDEVIDO. O prazo para pleitear compensação de tributos pagos com base em lei declarada inconstitucional no controle concentrado de leis é de cinco anos, contados do pagamento indevido. FÉRIAS GOZADAS, RESPECTIVO TERÇO CONSTITUCIONAL E AUXÍLIO PARA PAGAMENTO DE CURSO SUPERIOR. PARCELAS INTEGRANTES DO SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Integram o saláriodecontribuição, sujeitandose a incidência de contribuição previdenciária as férias gozadas, o terço de férias sobre férias gozadas e o auxílio para pagamento de curso superior. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. INCOMPETÊNCIA DAS DRJ. As DRJ não são competentes para apreciar arguições de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A ciência do auto de infração foi dada ao sujeito passivo em 13/12/2013, fls. 127, e ele foi cientificado do acórdão da DRJ em 18/11/2014, fl. 1263. Em 12/12/2014, o Ente Federado interpôs recurso, fls. 12651283, apresentando suas razões, cujos pontos relevantes para a solução do litígio são: Alega que é fato incontroverso nos autos que o Recorrente recolheu as parcelas por ele compensadas a título de férias gozadas, terço constitucional de férias e auxílio curso superior. Sustenta que possuem natureza indenizatória o terço de férias e o adicional de horas extras, de modo que essas parcelas não integram o salário de contribuição, citando decisões judiciais neste sentido. Alega que não incide contribuição previdenciária sobre o "auxíliouniversitário", asseverando que, para fins da isenção prevista no art. 28, § 9º, "t", da Lei 8.212/91, é irrelevante a distinção entre educação profissional, educação básica e educação superior, desde que exista vinculação do campo de estudo às atividades da empresa. Ademais, não se trata de Fl. 1292DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 15563.720327/201326 Resolução nº 2301000.604 S2C3T1 Fl. 1.293 4 contraprestação pelo trabalho, o que exclui essa verba do fato gerador previsto no art. 28, I, da Lei 8.212/91. Alega direito creditório decorrente de retenção do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), em valor superior ao devido pelo Município, incluindo seus débitos correntes (GFIP) e os parcelamentos, cujas diferenças estão demonstradas no relatório da própria Receita Federal (CCORGFIP). Afirma que a compensação também decorre de valores pagos a maior em razão do enquadramento equivocado do contribuinte na alíquota SAT/RAT de 2%, asseverando que é ilegal a glosa da compensação com base no fato de o contribuinte não ter feito a retificação das GFIP´s anteriores. Insurgese contra a multa isolada, uma vez que a falsidade não ficou demonstrada nos autos. É o relatório. Fl. 1293DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 15563.720327/201326 Resolução nº 2301000.604 S2C3T1 Fl. 1.294 5 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora. Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Diligência Dentre os argumentos do Recorrente, destaco: a) a alegação de direito creditório decorrente de diferenças entre o valor declarado em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) e o valor recolhido em Guia da Previdência Social (GPS), conforme demonstrado no relatório CCORGFIP, conforme Planilha de divergências CCORGFIP, período de 09/2000 a 12/2001, fls. 12361238, sendo que o Recorrente afirma que parte desses valores foram compensados com suas dívidas confessadas em GFIP, o que também seria objeto de glosa neste lançamento; b) a alegação de compensação de diferenças recolhidas a título de SAT. Em relação às divergências entre valores recolhidos e declarados em GFIP, cabe mencionar que constitui ônus do sujeito passivo vincular os pagamentos aos fatos geradores mediante correta informação em GFIP. Entretanto, se pagamentos existirem que não estão vinculados a fatos geradores, esses podem ser considerados indébitos, passíveis de compensação pelo contribuinte dentro do prazo prescricional. Em relação à compensação de diferença de alíquota de SAT, embora o Recorrente alegue que houve glosa em razão da falta de retificação das GFIPs do período em que supostamente houve recolhimento de SAT a maior, essa matéria, na verdade, não foi tratada no relatório fiscal, nem foi objeto de impugnação. Diante do exposto, entendo que o processo não está em condições de ser apreciado, carecendo, antes, de manifestação motivada e conclusiva da autoridade lançadora quanto ao aqui exposto, mediante esclarecimento dos seguintes pontos: a) informar se subsistem créditos do contribuinte decorrentes de recolhimentos, sejam espontâneos ou mediante retenção do FPM, a maior do que o declarado na GFIP, e que não tenham sido apropriados em outros débitos do contribuinte, como, por exemplo, para quitação de parcelas de parcelamentos. b) informar se há diferenças entre GFIP e GPS que foram objeto de compensação pelo Recorrente. Em caso afirmativo, demonstrar, para cada competência da compensação, o período do indébito e o valor compensado. c) informar se o recolhimento em valor superior ao declarado foi aproveitado para redução do valor glosado neste auto de infração, em outro lançamento tributário ou foi objeto de pedido de restituição. d) se for o caso de se aproveitar o crédito demonstrado no CCORGFIP, para excluir ou reduzir o valor glosado da compensação, elaborar planilha de valores demonstrando, por competência, o crédito do contribuinte a ser considerado e o valor retificado da glosa. e) esclarecer se existe direito creditório decorrente de diferença de alíquota SAT. Se for o caso de se aproveitar este específico crédito para reduzir o valor glosado da Fl. 1294DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 15563.720327/201326 Resolução nº 2301000.604 S2C3T1 Fl. 1.295 6 compensação, elaborar planilha de valores demonstrando, por competência, o crédito do contribuinte a ser considerado e o valor retificado da glosa. Em suma, a autoridade fiscal deverá examinar os pontos apresentados, elaborar relatório de diligência detalhado e conclusivo, podendo, para isso, intimar o contribuinte a prestar esclarecimentos; a autoridade fiscal poderá, ainda, prestar informações adicionais e juntar documentos que entender necessários, e, após concluída a diligência, intimar o interessado do relatório da diligência e concederlhe prazo de trinta dias para apresentação de contrarrazões. Conclusão Com base no exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência. Luciana de Souza Espíndola Reis Fl. 1295DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR
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Numero do processo: 10166.727507/2011-36
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA - TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS
O adicional de 1/3 de férias possui natureza remuneratória, não havendo que se cogitar de sua exclusão da base de cálculo das contribuições previdenciárias, exceto na hipótese de férias não gozadas, objeto de indenização.
RETROATIVIDADE BENIGNA NA APLICAÇÃO DE MULTAS.
Efetuado o lançamento de ofício de contribuições previdenciárias pela autoridade fiscal, deve-se aplicar a multa mais benéfica ao contribuinte considerando os seguintes parâmetros: se as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35-A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009.
Numero da decisão: 9202-003.927
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gerson Macedo Guerra (Relator), Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que deram provimento parcial ao recurso e as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
GERSON MACEDO GUERRA - Relator.
(assinado digitalmente)
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Redator designado
EDITADO EM: 22/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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RETROATIVIDADE BENIGNA NA APLICAÇÃO DE MULTAS. Efetuado o lançamento de ofício de contribuições previdenciárias pela autoridade fiscal, devese aplicar a multa mais benéfica ao contribuinte considerando os seguintes parâmetros: se as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35 A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gerson Macedo Guerra (Relator), Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que deram provimento parcial ao recurso e as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 75 07 /2 01 1- 36 Fl. 387DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, A ssinado digitalmente em 07/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 2 CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) GERSON MACEDO GUERRA Relator. (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Redator designado EDITADO EM: 22/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase o presente processo de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte em epígrafe e outros do mesmo grupo econômico, por responsabilidade solidária, visando a cobrança de contribuições sociais destinada a outras entidades e fundos, multa e juros no período de 01/2008 a 12/2008. Do Relatório Fiscal (fls. 29 e seguintes) é possível extrair que o contribuinte não ofereceu à tributação valores, relativos às seguintes rubricas: ü Premiação ü Dissídio Retroativo ü Outros Adicionais de Férias ü Alimentação fornecida “in natura”; ü Vale Transporte – pago em pecúnia. ü Prólabore A Impugnação apresentada foi julgada procedente em parte, para afastar a cobrança das contribuições sobre a alimentação e vale transporte. No julgamento do Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte a 3ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 2ª Seção, afastou a cobrança das contribuições sobre o adicional de férias e reduziu a multa cobrada, aplicando o artigo 61, da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, dando parcial provimento ao Recurso, em decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 Fl. 388DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, A ssinado digitalmente em 07/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10166.727507/201136 Acórdão n.º 9202003.927 CSRFT2 Fl. 388 3 ADICIONAL DE FÉRIAS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. JURISPRUDÊNCIA DO CARF. A jurisprudência deste Conselho é uníssona no sentido de afastar a contribuição previdenciária incidente sobre adicional/terço de férias, em virtude de seu patente caráter indenizatório, razão pela qual não deve prosperar lançamentos realizados sob esta rubrica. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. PRESSUPOSTOS. Apenas existe responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, apenas quando ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução de referida situação. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, (i) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para exonerar o crédito tributário contido no levantamento "OF1 OUTROS ADICIONAIS DE FÉRIAS", (ii) Por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso para excluir do pólo passivo da autuação as pessoas arroladas como solidárias por ausência de demonstração de prática comum do fato gerador e ausência dos requisitos legais para tanto. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, e Daniele Souto Rodrigues. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. (iii) Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora em relação ao valor remanescente, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09 (art. 61 da Lei 9.430/96). Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa. A Fazenda Nacional, tempestivamente, interpôs recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, o qual teve a admissibilidade limitada à reanálise do quanto decidido em relação à não tributação do adicional de férias e da aplicação da multa. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, A ssinado digitalmente em 07/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 4 Regularmente intimado, o contribuinte não apresentou contra razões. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. No que tange a incidência das contribuições previdenciárias sobre o adicional de férias, alega a União, em seu recurso, que a lei apenas autorizou a exclusão das férias indenizadas e respectivo adicional, nada dizendo sobre o adicional de férias gozadas. Sobre este tema, entretanto, o STJ, no RESP 1.230.957/RS, em sede de repetitivo, já se manifestou, no sentido de que o terço constitucional de férias possui natureza indenizatória/compensatória, não se enquadrando no artigo 22, I, da Lei 8.212/91. Vale a transcrição do seguinte trecho da ementa: 1.2 Terço constitucional de férias. No que se refere ao adicional de férias relativo às férias indenizadas, a não incidência de contribuição previdenciária decorre de expressa previsão legal (art. 28, § 9º, "d", da Lei 8.212/91 redação dada pela Lei 9.528/97). Em relação ao adicional de férias concernente às férias gozadas, tal importância possui natureza indenizatória/compensatória, e não constitui ganho habitual do empregado, razão pela qual sobre ela não é possível a incidência de contribuição previdenciária (a cargo da empresa). A Primeira Seção/STJ, no julgamento do AgRg nos EREsp 957.719/SC (Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 16.11.2010), ratificando entendimento das Turmas de Direito Público deste Tribunal, adotou a seguinte orientação: "Jurisprudência das Turmas que compõem a Primeira Seção desta Corte consolidada no sentido de afastar a contribuição previdenciária do terço de férias também de empregados celetistas contratados por empresas privadas.” Importante destacar que, até a data do presente julgamento, o processo que originou o RESP 1.230.957/RS não havia transitado em julgado. A par disso, em minha concepção tal como entende o STJ, a natureza do adicional de férias gozadas é de verba indenizatória. Nesse contexto, não merece prosperar o Recurso da União nesse ponto. Com relação à multa, entendeu a Turma a quo que, ao caso, aplicandose a retroatividade benigna do artigo 106, do CTN, deveria ser aplicada a multa de mora prevista no artigo 61, da Lei 9.430/96, tendo em vista a nova redação do artigo 35, da Lei 8.212/91. A União, inconformada com essa interpretação, argumenta que na hipótese em que há constatação de falta de pagamento de tributo, a penalidade aplicada após o advento da MP 449/2008 (convertida na Lei 11.941/2009) é aquela prevista no artigo 35A, da Lei 8.212/91, que remete ao artigo 44, I, da Lei 9.430/96. Isso, porque, a natureza da penalidade a ser aplicada é de multa de ofício e não de multa de mora, como denominado na legislação. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, A ssinado digitalmente em 07/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10166.727507/201136 Acórdão n.º 9202003.927 CSRFT2 Fl. 389 5 Nessa linha de raciocínio, devese aplicar a multa mais benéfica ao contribuinte considerando os seguintes parâmetros: se as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Eu, particularmente, me afilio a essa segunda corrente. Entendo que a multa aplicável às hipóteses em que se constata a falta de pagamento de tributo, após o advento da MP 449/08, é a multa de ofício, prevista no artigo 44, I, da Lei 9.430/96, conforme determina o artigo 35A da Lei 8.212/96. Alinhome aqui integralmente ao ilustre voto vencedor da Conselheira Relatora Maria Helena Cotta Cardozo, no âmbito do Acórdão 9202003.039, proferido por esta mesma 2a. Turma na sessão de 12 de fevereiro de 2014 e que sentencia: “Resta perquirir se as alterações posteriores à autuação, implementadas pela Lei nº 11.941, de 2009, representariam a exigência de penalidade mais benéfica ao Contribuinte, hipótese que autorizaria a sua aplicação retroativa, a teor do art. 106, II, do CTN. Para tanto, porém, é necessário que se estabeleça a exata correlação entre as multas anteriormente previstas e aquelas estabelecidas pela Lei nº 11.941, de 2009, a ver se efetivamente seria o caso, e em que condições aplicarseia a retroatividade benigna. Destarte, a despeito das alegações da Contribuinte, em sede de contrarrazões, resta claro que, com o advento da Lei nº 11.941, de 2009, o lançamento de ofício, envolvendo a exigência de contribuições previdenciárias, bem como a verificação de falta de declaração do respectivo fato gerador em GFIP, como ocorreu no presente caso, sujeita o Contribuinte a uma única multa, no percentual de 75%, sobre a totalidade ou diferença da contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Com efeito, a interpretação sistemática da legislação tributária não admite a instituição, em um mesmo ordenamento jurídico, de duas penalidades para a mesma conduta, o que autoriza a interpretação no sentido de que as penalidades previstas no art. 32A não são aplicáveis às situações em que se verifica a falta de declaração/declaração inexata, combinada com a falta de recolhimento da contribuição previdenciária, eis que tal conduta está claramente tipificada no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996.” Nesse contexto, aplicar a retroatividade benigna ao presente caso, devese realizar a soma das multas anteriormente aplicáveis (art. 35, II e 32, IV, da Lei 8.212/91) e comparar com a multa prevista na Lei atual, dentre elas, aplicar a menor. Assim, voto por dar parcial provimento ao recurso da União, para reforma do recorrido em relação à multa apenas. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, A ssinado digitalmente em 07/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 6 Gerson Macedo Guerra Relator Fl. 392DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, A ssinado digitalmente em 07/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10166.727507/201136 Acórdão n.º 9202003.927 CSRFT2 Fl. 390 7 Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. Com a devida vênia ao entendimento esposado pelo relator, ouso discordar, exclusivamente quanto ao nãoprovimento do pleito fazendário, no que diz respeito à não incidência das contribuições previdenciárias sobre o adicional de 1/3 de férias, quando estas forem gozadas. A propósito, em análise, o art. 28 da Lei nº. 8.212, de 1991, mais especificamente o seu caput e § 9o., este último plenamente aplicável também à base imponível da contribuição previdenciária a cargo das empresas, com fulcro no art. 22, §2o do mesmo diploma. A seguir, a redação do dispositivo vigente à época dos fatos geradores em questão: Lei 8.212/91 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente:(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos daLei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata oart. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (g.n.). Fl. 393DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, A ssinado digitalmente em 07/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 8 e) as importâncias:(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata oart. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata oart. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dosarts. 143e144 da CLT;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. recebidas a título da indenização de que trata oart. 9ºda Lei nº7.238, de 29 de outubro de 1984;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos daLei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 394DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, A ssinado digitalmente em 07/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10166.727507/201136 Acórdão n.º 9202003.927 CSRFT2 Fl. 391 9 n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata oart. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, osarts. 9ºe468 da CLT;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t)o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto noart. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990;(Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais;(Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) o valor da multa prevista no§ 8º do art. 477 da CLT.(Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) y) o valor correspondente ao valecultura.(Incluído pela Lei nº 12.761, de 2012) Fl. 395DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, A ssinado digitalmente em 07/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 10 Inicialmente, a respeito do tema, de se notar, em linha com o mencionado pelo Relator e conforme já tive oportunidade de me manifestar em outros feitos relativos ao tema, que a decisão judicial citada (REsp 1.230.957), ainda que julgada sob a sistemática prevista no art. 543C do Código de Processo Civil, encontrase, conforme consulta ao site do Supremo Tribunal de Justiça, sobrestada, não tendo ocorrido o trânsito em julgado do referido Acórdão, por conta de existência de feitos pendentes sobre a matéria com repercussão geral reconhecida no âmbito do Supremo Tribunal Federal. Daí, de se rechaçar, aqui, qualquer violação ao art. 62A do Regimento desta Casa ao não se adotar o posicionamento ali esposado pelo Egrégio STJ no citado REsp. Desta forma, de se aceder aqui à atual necessidade de plena observância ao dispositivo legal acima reproduzido em vigor, não só em plena consonância com o art. 62 do referido Regimento, mas também, e principalmente, em plena obediência ao princípio da legalidade que deve nortear a seara do direito tributário material, sem que se possa abrir mão do princípio em prol de uma possível "economia processual", notese, eventualmente vinculada a decisum ainda pendente de reapreciação e, assim, não vinculante, ainda que julgado (repita se, de maneira não definitiva) em sede de recurso repetitivo. Assim, entendo que, no caso, a celeuma deve se ater à interpretação por este CARF do dispositivo legal em comento (repitase, plenamente vigente), para fins de definição da incidência ou não das contribuições previdenciárias sobre a verba sobre a qual o litígio se resume a esta altura, a saber, o adicional (1/3) de férias recebido pelos empregados decorrentes de férias gozadas. A propósito, interpreto que trata o referido §9o. do mencionado art. 28 de elenco taxativo de exclusões da base de cálculo, podendose concluir neste sentido, em meu entendimento, ao se interpretar o referido parágrafo (que em suas numerosas alíneas trata com grande especificidade de cada exclusão, sem a utilização de termos ou descrições de rubricas genéricas) à luz do caput do mesmo artigo, que, a seu turno, estabelece critério quantitativo bastante abrangente da hipótese de incidência, a saber, "a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma". Feita tal digressão, verifico ter se referido o legislador na alínea "d" do já extensivamente mencionado §9o. especificamente e exclusivamente aos valores recebidos a título de férias indenizadas, não havendo motivo, assim, para se entender como abrangida na referida exclusão qualquer outro tipo de remuneração (tal como o adicional referente a férias gozadas), em plena consonância com o princípio basilar de hermenêutica de que a lei não contém palavras inúteis (Verba cum effectu sunt accipienda). Caracterizada, assim, a intenção do legislador no sentido de restringir a exclusão às férias indenizadas, por não gozadas. Ainda, conforme já tive oportunidade de me manifestar em outros feitos, ressalto se tratar do mencionado adicional de 1/3, no caso de férias gozadas, de verba baseada na existência de vínculo laboral, com destinação livre, exclusivamente a critério do empregado, não se podendo falar aqui de exclusão da base de cálculo por conta de sua natureza indenizatória, mantida assim a incidência das contribuições previdenciárias. Assim, assiste razão à recorrente a também quanto a esta matéria e, diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Redator designado Fl. 396DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, A ssinado digitalmente em 07/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10166.727507/201136 Acórdão n.º 9202003.927 CSRFT2 Fl. 392 11 Fl. 397DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, A ssinado digitalmente em 07/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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Numero do processo: 10830.006485/2006-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003
IRPF. CARTÓRIO DE REGISTRO. LIVRO CAIXA. DEDUÇÕES AUTORIZADAS.
O titular de serviços notariais e de registro pode deduzir da receita decorrente do exercício da respectiva atividade as despesas de custeios pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, tais como os encargos trabalhistas e previdenciários e os emolumentos pagos a terceiros. Gastos com combustível, transporte de funcionários, despesas com investimentos, pagamentos à pessoas físicas sem vínculo empregatício quando não vinculados à atividade desempenhada, aviso prévio pago a servidor público não se enquadram nas hipóteses legais de dedução.
IRPF. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA. CARNÊ-LEÃO. CONCOMITÂNCIA.
Improcede a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física devido a título de carnê-leão, quando cumulada com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, uma vez possuírem base de cálculo idênticas.
Numero da decisão: 2201-002.496
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer as deduções de Livro-Caixa, nos valores de R$ 773.750,00, R$ 14.000,00 e R$ 11.992,25, e de Contribuição a Previdência Privada, no valor de R$ 44.071,51, nos termos do voto da Relatora, bem como para excluir da exigência a multa isolada do carnê-leão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
EDITADO EM: 08/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA e NATHALIA MESQUITA CEIA.
Nome do relator: Nathália Mesquita Ceia
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CARTÓRIO DE REGISTRO. LIVRO CAIXA. DEDUÇÕES AUTORIZADAS. O titular de serviços notariais e de registro pode deduzir da receita decorrente do exercício da respectiva atividade as despesas de custeios pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, tais como os encargos trabalhistas e previdenciários e os emolumentos pagos a terceiros. Gastos com combustível, transporte de funcionários, despesas com investimentos, pagamentos à pessoas físicas sem vínculo empregatício quando não vinculados à atividade desempenhada, aviso prévio pago a servidor público não se enquadram nas hipóteses legais de dedução. IRPF. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA. CARNÊLEÃO. CONCOMITÂNCIA. Improcede a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física devido a título de carnêleão, quando cumulada com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, uma vez possuírem base de cálculo idênticas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer as deduções de LivroCaixa, nos valores de R$ 773.750,00, R$ 14.000,00 e R$ 11.992,25, e de Contribuição a Previdência Privada, no valor de R$ 44.071,51, nos termos do voto da Relatora, bem como para excluir da exigência a multa isolada do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 64 85 /2 00 6- 20 Fl. 1938DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. EDITADO EM: 08/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA e NATHALIA MESQUITA CEIA. Relatório Por meio do Auto de Infração de fls.07 lavrado em 12/12/2006, exigese do Contribuinte FRATERNO DE MELO ALMADA JUNIOR o montante de R$ 1.228.442,33 a título de imposto de renda da pessoa física (IRPF), R$ 849.977,11 de juros de mora, 921.331,74 de multa de ofício e R$ 938.338,75 de multa isolada, totalizando o crédito tributário de R$ 3.938.089,93 (atualizados até o momento da autuação), referente aos anos calendários 2001 e 2002, exercícios 2002 e 2003, respectivamente. A autuação foi decorrente das seguintes infrações (fls. 27): · Omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoa física sujeito ao CarnêLeão, com aplicação de multa de ofício de 75% no ano calendário de 2001. · Dedução indevida de: (i) dependente sujeitas ao ajuste anual com multa de 75% nos anoscalendários 2001/2002; (ii) despesa médica com multa de 75% nos anos calendários 2001/2002; (iii) despesas de livro caixa, decorrentes de suas atividades no 3º Cartório de Registro de Imóveis e Anexos à comarca de Campinas com multa de 75% nos anoscalendários 2001/2002; (iv) pagamento de previdência privada com multa de 75% no anocalendário 2001; (v) dependente da apuração do CarnêLeão com multa de 75% nos anos calendários 2001/2002; (vi) despesa do livro caixa sujeitas ao CarnêLeão com multa de 75% nos anoscalendários 2001/2002 e (vii) doações aos fundos da criança e do adolescente com multa de 75% nos anoscalendários 2001/2002. · Multa isolada por falta de recolhimento de IRPF à título de CarnêLeão. O Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração em seu próprio corpo em 12/12/2006 (fls.07), tendo apresentado Impugnação tempestiva (fls. 1.482) em 11/01/2007, com os seguintes argumentos: · com relação à omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas alega que houve mero erro material, não justificando a multa de ofício que pressupõe o dolo e tem efeito confiscatório. Em adição, alega que a fiscalização não apontou a base legal da multa de 75%, o que resulta em cerceamento ao direito de defesa. · não procede a glosa de dependente e de despesas médicas relacionadas ao seu filho, sustentando que por ele é acometido de doença mental e, portanto, considerado absolutamente incapaz, conforme art. 3° do Código Civil além de ser dependente financeiramente, apesar de não ter sido Fl. 1939DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10830.006485/200620 Acórdão n.º 2201002.496 S2C2T1 Fl. 3 3 declarada judicialmente a curatela. Nesse item, entende que a fiscalização também deixou de anotar o dispositivo legal que dá embasamento à multa de 75% · em relação às glosas de deduções de livro caixa alega que: (i) em relação à glosa de indenizações trabalhistas, a fiscalização observou que as indenizações foram a pagas por meio de acordo na Justiça do Trabalho a exfuncionários do cartório, contratados, originalmente, sob regime estatutário. Desta forma, entende a fiscalização, que como os empregados se encontram submetidos a tal regime, os mesmos não poderiam ser demitidos, salvo por sentença judicial ou como resultado de apuração em processo administrativo. A fiscalização observou que as indenizações não foram discriminadas de modo a permitir a verificação de que foram efetuadas nos limites da lei. Pondera que não existem elementos que permitam verificar se os pagamentos não foram feitos por mera liberalidade, pois nem existem quaisquer condenações nas respectivas ações. Como despesas dedutíveis, a fiscalização apenas admitiu como dedutível as verbas que estavam discriminadas como salário devido, 13° salário e férias. O Contribuinte, por seu turno, afirma que houve sim sentenças judiciais reconhecendo o vínculo trabalhista e os valores devidos à Receita Federal foram recolhidos conforme consta de fls. 1.624 e 1.626/1.627; (ii) a fiscalização glosou os gastos com combustíveis pois existe expressa disposição legal vedando sua dedução. O Contribuinte defendeu serem despesas necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, pois o oficial é responsável por entregar intimações e notificações; (iii) os gastos com assessoria jurídica são razoáveis e justificáveis, uma vez que o cartório exerce atividade tipicamente empresarial, logo são despesas necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, portanto dedutíveis; (iv) a aquisição de equipamentos de informática e aquisição de persianas luminárias são necessárias à sua atividade e devem ser deduzidas; (v) a dedutibilidade do valor pago a título de imposto de renda garante que não haverá pagamento em duplicidade do imposto, logo devem ser dedutíveis; (vi) em relação aos itens pagamentos de juros e multa e pagamento a terceiros sem vínculo empregatício são despesas enquadradas no dispositivo legal do inciso II do art. 6° da Lei 8.134/90, sendo dedutíveis e (vii) a diferença entre o valor das folhas de pagamento e o valor lançado como tal no livro caixa se deve a erro de contabilização, pois foram lançados os valores brutos das respectivas folhas de pagamento. · em relação à dedução de contribuição à previdência privada, argumenta que houve erro na transcrição da Declaraçaõ de Ajuste Anual (DAA), logo pretende seja permitida a retificação do valor de R$ 45.338,42 sem que qualquer multa de oficio. · a multa de 50% sobre a falta de pagamento de carnêleão não pode ser aplicada conjuntamente com a multa qualificada. · sobre a compensação indevida de carnêleão, entende que não poderia constar de auto de infração, mas deveria ser cobrado pelas vias ordinárias. · concorda com a autuação no tocante à compensação indevida de carnêleão e dedução de incentivo, requerendo que seja afastada a multa de oficio nesses itens. A 5ª Turma da DRJ/SP2, em sessão de 10/12/2009, através do Acórdão 17 37.116 (fls. 1.741) julgou procedente em parte a Impugnação, reconhecendo a dedutibilidade com dependente e respectivas despesas médicas, bem como a dedutibilidade das despesas com assessoria jurídica do Livro Caixa, nos seguintes termos: LIVRO CAIXA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS. A legislação exige que as despesas de livro caixa estejam acompanhadas de documentação que comprove sua efetividade. Tendo sido observado que houve aproveitamento no livro caixa de despesas que não adequadamente comprovadas e/ou não correspondem a gastos usuais e necessários à manutenção da fonte produtora da Fl. 1940DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 renda, concluise pela correção das glosas efetuadas com combustíveis, juros, multa de mora, imposto de renda. LIVRO CAIXA. DESPESAS COM TRANSPORTE FRETADO INTERMUNICIPAL. Não se enquadra na regra geral de dedutibilidade do art. 6°, inciso III da Lei 8.134/90, o dispêndio com transporte intermunicipal de funcionários em ônibus fretado, pois caracterizase como liberalidade do responsável pelo cartório. LIVRO CAIXA. ASSESSORIA JURÍDICA DE OFICIAL DE CARTÓRIO. DEDUTIBILIDADE. Em razão do tipo de atividade que desenvolve e considerando a razoabilidade dos valores envolvidos, devem ser tidas como dedutíveis as despesas com assessoria jurídica de oficial de cartório, por se enquadrarem na regra geral de dedutibilidade do art. 6°, inciso III da Lei 8.134/90. LIVRO CAIXA. AQUISIÇÃO DE EQUIPAMENTOS E MÓVEIS. As aquisições de móveis e equipamentos configuramse como aplicação de capital e não como despesas de custeio, logo não podem ser deduzidas no livro caixa. ERROS NA ESCRITURAÇÃO E NA DECLARAÇÃO. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Portanto, ainda que tenha ocorrido o pagamento a menor do imposto por conta de erro, é devida a aplicação de sanção pecuniária. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE CARNÊLEÃO. HIPÓTESE QUE AUTORIZA O LANÇAMENTO DE OFICIO. A declaração falsa ao fisco que resulta em pagamento a menor de tributo autoriza o lançamento de ofício segundo o art. 149, incisos IV, VI e VII do CTN. MULTA ISOLADA POR FALTA DO PAGAMENTO DO CARNÊ LEÃO. O contribuinte que deixa de fazer o recolhimento mensal obrigatório sujeitase à multa de 50% sobre o valor do imposto devido, não havendo previsão legal para excluíla caso haja aplicação conjunta da multa de ofício. DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICAVÉL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal 'aplicála . Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. O Contribuinte foi notificado do Acórdão através de AR de fls. 1.759 em 09/03/2010, vindo apresentar Recurso Voluntário, tempestivo, em 08/04/2010, às fls. 1.760, aduzindo: · erro de cálculo do perito na consolidação das despesas glosadas nos livros caixas. Alega que há erro também nos meses de outubro a novembro de 2001 e nos meses de abril, maio, setembro e outubro de 2002, onde no ano de 2001 a diferença em desfavor do Contribuinte foi de R$ 15.000,00 e no ano de 2002 a diferença foi de R$ 30.030,00. Fl. 1941DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10830.006485/200620 Acórdão n.º 2201002.496 S2C2T1 Fl. 4 5 · erro com o apontamento de valores referente a folha de pagamento, no livro caixa, uma vez que foi inserido dentro do exercício o pagamento feito em janeiro do exercício seguinte, colidindo e camuflando os reais valores pagos. · a necessidade de ser revista e revisada a autuação para ajustála à realidade fática e tributária apresentada pelo Contribuinte. Isso porque em dois pontos da exposição (folha de pagamento e receita líquida), a fiscalização encontrou no cruzamento das divergências valores maiores apontados pelo Contribuinte, ou seja, se fosse considerada a real base tributável (receita () despesa) o valor da base real seria menor do que a informada pelo Contribuinte. Sem qualquer previsão legal ou jurídica, simplesmente informou que nada seria considerado, porque foi o próprio Contribuinte que não quis fazer prevalecer o seu direito de dedução. · que no tocante ao livro caixa, as deduções com combustíveis, dedução com transporte de funcionários, deduções com material de informática e prestação de serviços e as deduções por pagamentos sem vínculo empregatício (recolhimento mensal obrigatório) deveriam seguir a mesma sorte das despesas incorridas pelas pessoas jurídicas, sob pena da decisão incorrer em antinomia. · a incidência duplicada do imposto de renda e das multas, uma vez que, conforme pode ser observado no auto de infração, o auditor fsical efetua o cálculo do imposto de renda e da dedução indevida do carnêleão frente a ambos os exercícios apurados. Ocorre que, ao fazer essa análise frente as despesas dedutíveis procedeu ele com apuração duplicata do imposto anual x carnê leão, na medida em que valese da mesma base de cálculo e mesmo fato gerador, vale dizer: se aplicou a tabela progressiva sobre o valor tributável mensal, tal valor não poderia compor a base do imposto anual, pois tecnicamente o valor imputado para o carnêleão seria considerado como pagamento do imposto já realizado no mês e automaticamente compensado, algo que não se vê nos cálculos. · que o mesmo ocorreu com a apuração da multa isolada e de lançamento, ao passo que o auditor somou a sobra de caixa (glosada) com a resultante da líquida informada em ambos os exercícios, elevando a base tributária da multa sem qualquer razão aparente, posto que a multa deve incidir sobre o imposto encontrado e eventualmente não declarado e não sobre a soma dos dois (do declarado e não declarado). Somase a isso que o imposto mensal foi considerada frente a receita líquida informada, não havendo lugar para aplicar a multa isolada. · se instaurou também o processo nº 10830.006484/2006 85. Assim, aparentemente, as multas fora aplicadas quer nesse processo como no outro relativamente ao mesmo fato gerador. Daí, porque deverá ser revisto a fórmula do auto de infração para afastar essas ilícitas e equivocadas incidências. · após ampla explanação sobre o que é o lançamento e todas as suas modalidades, conclui que, haja vista o Auto de Infração atrelarse ao IRPF, a modalidade de lançamento incidente ao presente caso é por homologação. Assim, incabível a multa de oficio a razão de 75%, que, nesse caso, está transmudando a multa moratória, pois a pena foi aplicada exclusivamente. Por falta de recolhimento e não por omissão de rendimentos, até porque todos os documentos solicitados foram apresentados. · que a multa de lançamento de oficio, como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade, a iniciativa da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Não há lugar para imposição de multa de lançamento de ofício, portanto, quando o próprio lançamento do tributo independa de qualquer fato prévio imputável ao Contribuinte. Quando, portanto, o próprio lançamento seja "ex officio", nos termos da lei, o que não se aplica no lançamento por homologação. Fundamenta a pretensão no art. 19 da Lei nº. 3.470/58. Colaciona jurisprudência. Fl. 1942DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Não há preliminares a serem vencidas, passase à análise do mérito. 1. Do Livro Caixa 1.1. Da Apuração da Base de Cálculo Quando da consolidação das despesas glosadas do livro caixa, o Contribuinte aponta a existência de erro nos meses de outubro e novembro de 2001 e no meses de abril, maio, setembro e outubro, onde em 2002 gerando uma diferença em desfavor do Contribuinte de R$ 15.000,00 e no ano de 2002 a diferença de R$ 30.030,00. Entretanto, o Contribuinte não demonstra a origem dos valores que compõe a tabela de fls. 1.765, e onde estaria o erro da Autoridade Lançadora, aduz apenas que os valores desta tabela, de sua autoria, são menores que os valores da tabela produzida pela Autoridade Fiscal. Entretanto, tomandose por base os valores contidos no Anexo III do TVF, notase que a soma dos valores coincidem com o valor consolidado pelo Auditor Fiscal, não restando demonstrado como o contribuinte chegou ao valor exposto no Recurso Voluntário. Neste contexto, diante da ausência comprovação da diferença em desfavor do Contribuinte de R$ 15.000,00 e de R$ 30.030,00, para os anoscalendários 2001 e 2002, respectivamente, não acolho o pleito do Contribuinte. O Contribuinte argumenta erro na elaboração da tabela de fls. 48 referente à folha de pagamento. O Auditor Fiscal incluiu em janeiro de 2001, pagamento referente à dezembro de 2000. O Auditor Fiscal apurou que os pagamentos eram registrados no mês X mas só eram efetivamente pagos no mês X+1. Confirase trecho extraído do Termo de Verificação Fiscal (TVF): A partir dessas informações, analisamos os registro do Livro Caixa e as Folhas de Pagamento, conjuntamente com os respectivos recibos e constatamos o seguinte: a) Os pagamentos dos salários eram efetuados no início do mês seguinte ao mês de referencia; b) Os registros no Livro Caixa, relativos ao período de janeiro a agosto de 2001, foram efetuados utilizandose o regime de competência, os valores eram lançados como despesa no próximo mês de referencia. Portanto, antes de efetivamente pagos. (...) Diante das constatações acima, intimamos o contribuinte a apresentar folha de pagamento de dezembro de 2000, acompanhada de seus recibos, e efetuamos os ajustes necessários a considerar a dedução da despesa com funcionários no mês do respectivo pagamento. Abaixo se encontram demonstrados os valores, após tais ajustes. (...) Fl. 1943DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10830.006485/200620 Acórdão n.º 2201002.496 S2C2T1 Fl. 5 7 Notese que, na alocação das despesas aos respectivos meses de pagamento, consideramos a folha relativa ao mês de dezembro de 2000, haja vista que o efetivo desembolso ocorreu em janeiro de 2001, conforme as datas anotadas nos recibos. Além disso, consideramos o valor de R$ 30.000,00, escriturado em 31/01/2001, como despesa referente à Folha de Pagamento do mês de dezembro. Na forma do § 2º, art. 2º do Decreto nº 3.000/99 as pessoas físicas estão jungidas, na apuração do Imposto de Renda, ao regime de caixa, logo somente quando a despesa ou a receita forem implementadas, é que tais despesas ou receitas impactarão o IRPF: Art. 2º As pessoas físicas domiciliadas ou residentes no Brasil, titulares de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, inclusive rendimentos e ganhos de capital, são contribuintes do imposto de renda, sem distinção da nacionalidade, sexo, idade, estado civil ou profissão (Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 43, e Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, art. 4º). (...) § 2º O imposto será devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no art. 85 (Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990, art. 2º). Neste contexto, correta a inclusão da despesa registrada no mês de dezembro de 2000 ao mês de janeiro de 2001, uma vez o desembolso só ocorreu no mês seguinte ao seu registro. O Contribuinte requer que seja revista e revisada a autuação para o fim ajustar, dentro da realidade fática e tributária. Isso porque em dois pontos da exposição (folha de pagamento e receita líquida), a fiscalização encontrou no cruzamento das divergências, valores maiores apontados pelo Contribuinte, ou seja, se fosse considerada a real base tributável (receita () despesa) o valor da base real seria menor do que a informada pelo Contribuinte. Sem qualquer previsão legal ou jurídica, a fiscalização simplesmente informou que nada seria considerado, porque foi o próprio Contribuinte que não quis fazer prevalecer o seu direito de dedução, como renuncia tácita se tratava. Em que pese a argumentação do Contribuinte, não foi o ocorrido na lavratura do Auto de Infração. A fiscalização ajustou a base de cálculo, considerando o valor de renda a maior informado pelo Contribuinte quando da consolidação do crédito tributário. Por se tratar de apuração mensal, nos meses em que houve renda declarada a menor, haverá lançamento com base em omissão de renda e nos meses em que houve renda declarada a maior, quando da constituição do crédito tributário serão considerados deduções permitidas e não utilizadas pelo Contribuinte, de efeito que a renda desses meses será reduzida. O Termo de Verificação Fiscal às fls. 30 relata que os valores declarados a maior foram considerados na apuração do crédito tributário: Fl. 1944DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 16. Depreendese do quadro acima, que o contribuinte realmente incluiu a maior, em sua declaração do ano 2001, o valor de R$ 23.944,38, o qual deverá ser considerado na apuração do imposto devido. 17. A partir da Lei n° 7.713, de 1988, o regime de apuração dos rendimentos passou a ser mensal. Nesse sentido, para fins de apuração do imposto, inclusive do camêleão, os valores correspondentes aos meses de setembro e dezembro, acima discriminados, serão considerados omissões de receita nos respectivos meses. Quanto aos demais, serão considerados como deduções permitidas e não utilizadas pelo contribuinte, de tal sorte que reduzam os rendimentos mensais informados a maior na declaração do imposto de renda. 1.2. Das Deduções Na forma do art. 6º da Lei nº 8.134/90 podem ser deduzidos os pagamentos escriturados em livro Caixa relativos a: (a) remuneração de terceiros com vínculo empregatício e os respectivos encargos trabalhistas e previdenciários; (b) emolumentos; (c) despesas de custeio necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Confirase: Art. 6° O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade: I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II os emolumentos pagos a terceiros; III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. § 1° O disposto neste artigo não se aplica: a) a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como a despesas de arrendamento; b) a despesas de locomoção e transporte, salvo no caso de representante comercial autônomo. c) em relação aos rendimentos a que se referem os arts. 9°e 10 da Lei n° 7.713, de 1988. § 2° O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em livrocaixa, que serão mantidos em seu poder, a disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência. § 3° As deduções de que trata este artigo não poderão exceder à receita mensal da respectiva atividade, permitido o cômputo do excesso de deduções nos meses seguintes, até dezembro, mas o excedente de deduções, porventura existente no final do anobase, não será transposto para o ano seguinte. § 4° Sem prejuízo do disposto no art. 11 da Lei n° 7.713, de 1988, e na Lei n° 7.975, de 26 de dezembro de 1989, as deduções de que tratam os incisos I a III deste artigo somente serão admitidas em relação aos pagamentos efetuados a partir de 1° de janeiro de 1991. 1.2.1. Indenizações Trabalhistas Fl. 1945DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10830.006485/200620 Acórdão n.º 2201002.496 S2C2T1 Fl. 6 9 A Autoridade Lançadora argumenta que para o regime estatutário somente o salário devido, o 13º salário, as férias proporcionais e o respectivo adicional, podem ser considerados encargos trabalhistas passíveis de dedução, as demais verbas pagas, por excederem às obrigações legais previstas para o regime estatutário, devem ser tratados como mera liberalidade do empregador, logo, sua dedução não estariam abarcada pelo art. 6º da Lei nº 8.134/90. Em relação à relação de emprego albergada pela Consolidação das Leis Trabalhistas, a fiscalização não considerou dedutíveis os encargos pagos aos empregados desligados, por entender que faltam elementos probatórios como sentença e petição inicial, tendo em vista que o Contribuinte apenas apresentou os Acordos homologados e protocolados em processo trabalhista, bem como comprovantes de pagamento dos referidos Acordos. A 5ª Turma da DRJ/SP2 aponta que no caso concreto, em relação aos empregados celetistas, faltam elementos probatórios que possam esclarecer a que tipo de verba correspondem os valores acordados. Embora o Contribuinte tenha afirmado que existem sentenças judiciais reconhecendo o vínculo empregatício, tais sentenças não constam dos autos, o que impede que se verifique se os valores acordados guardam relação com o que efetivamente seria devido ao exfuncionário. Argumenta ainda que outro elemento de prova que está ausente dos autos é a petição inicial de cada um dos processos trabalhistas. Somente com a presença da petição inicial e da sentença de cada um dos processos seria possível avaliar se os valores que constam dos acordos estão dentro dos limites legais ou representam mera liberalidade do impugnante. O Contribuinte recorre apontando que no caso dos funcionários Eduardo de Oliveira Nastri, Evanil Rodrigues, Ricardo Siqueira Machado, Hiller Ricci, Márcia Cristina os Acordos Trabalhistas foram judiciais realizados frente a execução de sentença, razão pela qual improcedem os argumentos do perito quanto à liberalidade, em razão da ausência de sentença judicial. Destaca ainda, que a sentença e a petição inicial não foram solicitadas pelo Auditor Fiscal. No que diz respeito aos Acordos Trabalhistas que foram realizados na esfera judicial, a Autoridade Lançadora não exigiu a apresentação das sentenças ou petições iniciais. O Termo de Intimação Fiscal MPF nº. 08.1.04.002005002878 de fls 1.272 lavrado em 05/09/2006, intima o Contribuinte a: 5 Esclarecer a que título foram efetuados os pagamentos das indenizações relacionadas no Anexo I deste, escrituradas nos Livros Caixa; Em respostas a intimação, apresentada às fls. 1.519, o Contribuinte afirma que os valores tratam de rescisões contratuais, acordos, reclamações trabalhistas e junta os respectivos documentos. Diante da documentação apresentada o Auditor Fiscal não fez nova exigência questionando quais verbas compunham os acordos judiciais, que é ônus do Contribuinte demostrar cada parcela, bem como não exigiu a apresentação da petição inicial das ações trabalhistas ou as respectivas sentenças. Independente da solicitação do Auditor Fiscal é sabido que a prova apresentada pelo Contribuinte deve ser completa. Porém, apesar de não ter sido apresentada a sentença que homologa o Acordo Trabalhista, há prova de que os referidos Acordos Trabalhistas foram peticionados e protocolados em processo em andamento na Justiça do Trabalho (fls. 1564 a 1629). Fl. 1946DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 Ademais, há prova do comprovante de pagamento das verbas pagas aos funcionários em razão do Acordo Trabalhista. Desta feita, entendo que dedutíveis os encargos trabalhistas dos Acordos Judicias dos funcionários Eduardo de Oliveira Nastri, Evanil Rodrigues, Ricardo Siqueira Machado, Hiller Ricci e Márcia Cristina do Carmo. No que tange à exoneração de funcionários estatutários, nos quais o Auditor Fiscal glosou o valor pago pelo aviso prévio, pois tal verba não é contemplada nessa modalidade de relação jurídica, por isso seu pagamento representa mera liberalidade, expõe o Contribuinte, que o direito ao aviso está previsto no inciso XXI, do art. 7° da CF/88, razão pela qual distante do conceito e de qual seria o regime jurídico aplicável, na medida em que depois de 1988 passou esse direito ser obrigatório para qualquer regime, seja o celetista, seja o estatutário. Em que pese a argumentação do Contribuinte nem todos os direitos concedidos aos trabalhadores regidos pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho são extensíveis aos trabalhadores regidos por Estatutos, em razão das particularidades destes regimes. Conforme destacou a Autoridade Lançadora, o art. 217 do Estatuto dos Funcionários Públicos Civis do Estado de São Paulo (Lei Estadual nº 10.261/68) garante a estabilidade aos seus servidores. A estabilidade impede a demissão sem justo motivo, corolário para o surgimento do direito ao aviso prévio, na forma do art. 487 da CLT: Art. 487 Não havendo prazo estipulado, a parte que, sem justo motivo, quiser rescindir o contrato deverá avisar a outra da sua resolução com a antecedência mínima de: I oito dias, se o pagamento for efetuado por semana ou tempo inferior; II trinta dias aos que perceberem por quinzena ou mês, ou que tenham mais de 12 (doze) meses de serviço na empresa. § 1º A falta do aviso prévio por parte do empregador dá ao empregado o direito aos salários correspondentes ao prazo do aviso, garantida sempre a integração desse período no seu tempo de serviço. § 2º A falta de aviso prévio por parte do empregado dá ao empregador o direito de descontar os salários correspondentes ao prazo respectivo. § 3º Em se tratando de salário pago na base de tarefa, o cálculo, para os efeitos dos parágrafos anteriores, será feito de acordo com a média dos últimos 12 (doze) meses de serviço. § 4º É devido o aviso prévio na despedida indireta. §5º O valor das horas extraordinárias habituais integra o aviso prévio indenizado. § 6º O reajustamento salarial coletivo, determinado no curso do aviso prévio, beneficia o empregado préavisado da despedida, mesmo que tenha recebido antecipadamente os salários correspondentes ao período do aviso, que integra seu tempo de serviço para todos os efeitos legais. Desta feita, mediante a análise dos fundamentos dos institutos verificase a incompatibilidade lógica entre ambos. Ademais, os regimes celetistas e estatutários não se confundem, não podendo os direitos de um regime ser estendidos ao outro, salvo expressa previsão legal. Neste sentido tem se manifestados dos diversos tribunais pelo país: Fl. 1947DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10830.006485/200620 Acórdão n.º 2201002.496 S2C2T1 Fl. 7 11 AGRAVO INTERNO. DECISÃO QUE NEGA SEGUIMENTO A APELO. AÇÃO ORDINÁRIA DE COBRANÇA. AGENTE COMUNITÁRIO DE SAÚDE. CONTRATO TEMPORÁRIO. CARÁTER JURÍDICO ADMINISTRATIVO. RECONHECIMENTO. FGTS. VERBA PRÓPRIA DO REGIME CELETISTA. DESCABIMENTO. DECISÃO EM HARMONIA COM JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE DESTA CORTE E DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. DESPROVIMENTO DO RECURSO. O servidor público, contratado temporariamente, sujeitase ao regime estatutário, não sendo devidas as verbas próprias da CLT. A decisão agravada está em harmonia com jurisprudência dominante desta Corte e dos Tribunais Superiores, razão pela qual o desprovimento do agravo é medida que se impõe. (TJPB Acórdão do processo nº 00120100066941001 Órgão (4ª CÂMARA CÍVEL) Relator João Alves da Silva j. em 30042013). FUNCIONARIO PUBLICO SOB REGIME ESTATUTARIO NAO PODE SER DEMITIDO MEDIANTE AVISO PREVIO DA CLT. ERROS JURIDICOS GROSSEIROS DO MUNICIPIO. (Apelação Cível Nº 583040209, Terceira Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Galeno Vellinho de Lacerda, Julgado em 22/12/1983). Ementa: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE COBRANÇA. MUNICÍPIO DE SEBERI. CARGO EM COMISSÃO. PRETENSÃO AO PAGAMENTO DE AVISO PRÉVIO, ADICIONAL NOTURNO, HORAS EXTRAS, E FÉRIAS PROPORCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. 1. A relação travada entre as partes é regida pelo vínculo administrativoestatutário, devendo ser apreciada sem qualquer interferência dos dispositivos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), não sendo devido o pagamento de aviso prévio ao servidor detentor de cargo em comissão. 2. As diferenças que a parte demandante postula a título férias proporcionais são indevidas, uma vez que não laborou pelo período mínimo de doze meses previsto nos arts. 94 e 102, parágrafo único, da Lei Municipal nº 1.005/1990 3. Horas extras indevidas diante da ausência de previsão legal de pagamento ao cargo comissionado. Outrossim, não há comprovação da convocação do servidor, bem como de sua realização, fato também não provado com relação ao adicional noturno. Parte autora que não se desincumbiu do seu ônus probatório, nos termos do art. 333, inc. I, do CPC. APELO DESPROVIDO. (Apelação Cível Nº 70050208925, Quarta Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: José Luiz Reis de Azambuja, Julg ado em 19/12/2012). SERVIDOR PÚBLICO MUNICIPAL. Cargo em comissão. Pleitos de verbas e direitos previstos na CLT, tais como aviso prévio e FGTS. Impossibilidade. Regime jurídico regido pelo Estatuto dos Servidores local. Gratificação de Nível Universitário que foi extinta pela Lei nº 3.203/01 e que foi regularmente paga enquanto perdurou a ressalva posta na norma. Falta de provas de labor extraordinário. Sentença de procedência parcial reformada. Recurso oficial e voluntário da Prefeitura providos, desprovido o apelo adesivo. (Apelação Cível Nº 000523153.2007.8.26.0619, 1ª Câmara Extraordinária de Direito Público de São Paulo. Relator(a):Vera Angrisani, Julgado em 24/06/2014). A defesa do Contribuinte toma por base a extensão dos direitos trabalhistas ao Estatuto dos Funcionários Públicos Civis do Estado de São Paulo (Lei Estadual nº 10.261/68) e não a conversão dos respectivos servidores ao regime celetista na forma do art. 48 da Lei nº 8.935/94: Lei 8.935/94 Fl. 1948DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 Art. 48. Os notários e os oficiais de registro poderão contratar, segundo a legislação trabalhista, seus atuais escreventes e auxiliares de investidura estatutária ou em regime especial desde que estes aceitem a transformação de seu regime jurídico, em opção expressa, no prazo improrrogável de trinta dias, contados da publicação desta lei. § 1º Ocorrendo opção, o tempo de serviço prestado será integralmente considerado, para todos os efeitos de direito. § 2º Não ocorrendo opção, os escreventes e auxiliares de investidura estatutária ou em regime especial continuarão regidos pelas normas aplicáveis aos funcionários públicos ou pelas editadas pelo Tribunal de Justiça respectivo, vedadas novas admissões por qualquer desses regimes, a partir da publicação desta lei. Diante da impossibilidade de extensão dos direitos trabalhistas aos trabalhadores regidos pelo Estatuto dos Funcionários Públicos Civis do Estado de São Paulo, o valor de Aviso Prévio Indenizado pago pelo Contribuinte, nos Termos de Rescisão de Contrato de Trabalho dos Exfuncionários, não configuram encargos trabalhistas na forma do Estatuto, logo, não se enquadram no inciso I do art. 6º da Lei nº 8.134/90, não podendo ser aceita sua dedutibilidade do Livro Caixa. 1.2.2. Gastos com Combustíveis A fiscalização glosou as despesas incorridas com combustíveis por entender que as mesmas além de não serem razoáveis e proporcionais com a atividade cartorária, também não posuem abrigo nos critérios de dedutibilidade da Lei nº 8.134/90. De fato, a alínea “b” do parágrafo 1º do art. 6º da Lei nº 8.134/90 é expresso ao afirmar que as receitas de locomoção e transporte não são dedutíveis, hipótese em que o combustível do veículo utilizado para entrega de notificações/intimações se enquadra. A jurisprudência proferida pela 3º RF da SRRF em 2001, colacionada em um dos comentários ao art. 75 do RIR/99 aponta expressamente a impossibilidade de dedução com despesas de locomoção ou transporte, inclusive quando incorridas nas realização de gestões e diligências pertinentes à execução da função notarial: DESPESAS COM LOCOMOÇÃO E TRANSPORTE. TITULARES DOS SERVIÇOS NOTARIAIS E DE REGISTRO. Na apuração da base de cálculo do Imposto de Renda, são indedutíveis do rendimento do trabalho nãoassalariado as despesas com locomoção e transporte, inclusive quando incorridas na realização de gestões e diligências pertinentes à execução da função notarial. Fundamentação legal: este Regulamento art. 75 (SRRF/3ª RF, Decisão nº 19, de 2001). (PEIXOTO, Marcelo Magalhães. Regulamento do Imposto de Renda anotado e comentado 2009, 4º edição – São Paulo: MP ed. 2009. Pág. 258.). Logo, em razão de expressa previsão legal, bem como em face dos valores apresentados pelo Contribuinte como gastos em combustível, óleos e manutenção dos veículos não são razoáveis em face da atividade cartorária, as referidas despesas não são dedutíveis. 1.2.3.Gastos com Transporte de Funcionários Fl. 1949DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10830.006485/200620 Acórdão n.º 2201002.496 S2C2T1 Fl. 8 13 Quanto às despesas com transporte de funcionários, o TVF relata que o Contribuinte escriturou diversos pagamentos realizados à Also Viagens e Turismo Ltda. O Contribuinte esclareceu que tais pagamentos referemse a despesas com transporte de funcionários entre o local de trabalho e suas residências, no município de Sorocaba. Acrescentando que tais funcionários haviam sido transferidos de Cartório daquela cidade para Campinas. Argumenta ainda que o vínculo estabelecido entre o empregado e o empregador é o contrato de trabalho, ou seja, todas as condições nele impostas são obrigatórias entre as partes e são insertas nesta relação. Assim, a despesa de transporte é consectário do contrato de trabalho e por via direta necessária para a percepção da receita. No presente ponto, acompanha o Termo de Verificação Fiscal e o Acórdão recorrido, no sentido de que o pagamento realizado à empresa de viagens de turismo para transporte de funcionários de outra cidade não se enquadram como encargos trabalhistas, mas sim uma liberalidade do recorrente em oferecer tal facilidade a seus colaboradores. A simples previsão de uma verba no contrato de trabalho, bem como a sua obrigatoriedade de observância por parte do empregador, não transmuda a legislação trabalhista a considerar a verba concedida pelo empregador como uma verba obrigatória na forma da legislação trabalhista. O empregador pode conceder liberalidades no contrato de trabalho, embora, tal concessão no contato de trabalho lhe obrigue a mantêla enquanto perdurar o mesmo, decorrente do princípio da inalterabilidade contratual lesiva, tal obrigação não transmuda a natureza de liberalidade da referida concessão. Ademais, mesmo que se entenda que a despesa com o transporte dos funcionários possa ser considerada uma liberalidade, se extensível a todos os empregados, poderseia cogitar a sua dedutibilidade, nos mesmos moldes que a despesa com plano de saúde ofertado aos empregados, que não é imposta pela legislação trabalhista, mas dedutível para fins de apuração do imposto sobre a renda. Porém, não restou comprovado nos autos qual extensão do referido benefício. Desta feita, entendo não ser passível de dedução a despesa incorrida com transporte de funcionários por meio de ônibus fretado, mesmo porque não resta comprovado se extensível a todos os funcionários de forma indiscriminada. 1.2.4. Indenização por erro do Cartório A fiscalização glosou despesa referente à indenização que o Cartório teve que suportar perante terceiro em razão de um erro incorrido pelo Cartório. Argumenta que a referida indenização não é necessária para o desempenho da atividade cartorária e, portanto, não deve ser tida como dedutível. Ou seja, a atividade cartorária pode ser desenvolvida sem o pagamento de indenizações. O Contribuinte defende que tal indenização é necessária para a atividade cartorária e pugna pela sua dedutibilidade. Pois bem. Ao meu sentir, a melhor interpretação a ser dada no tocante à necessidade para o desempenho da atividade é no sentido de que são dedutíveis as despesas e Fl. 1950DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 14 gastos incorridos em razão do exercício da atividade cartorária, no caso em questão. Ou seja, não se deve ater a literalidade do conceito e autorizar a dedutibilidade apenas daquelas despesas intrinsecamente necessárias à execução da atividade, mas devese expandir o conceito e considerar as despesas que de certa forma sustentam a atividade. No caso da indenização a terceiro por erro de escrituração do Cartório, entendo ser uma despesa ligada ao desempenho da atividade cartorária, pois se o Cartório não indenizasse terceiros pelos seus erros, não mais teria clientes ou fé pública para continuar com seu ofício. Desta feita, entendo como dedutível para fins de apuração do Livro Caixa a indenização paga a terceiro por erro do Cartório. 1.2.5. Material de informática O Termo de Verificação Fiscal relata que o valor pago à Andréia Ap. B. Boaventura ME, trata da aquisição de Winchester SCSI e placa controladora para HD SCSI, bem como da instalação dos mesmos. E, os pagamentos lançados à empresa Quick Service Comércio e Serviço de Informática Ltda. ME, tratam de aquisição de placas de rede e swicht. O Contribuinte justifica sua dedutibilidade com base na essencialidade de tais equipamentos, uma vez que sem eles não há como operar qualquer cartório. A fiscalização e o Acórdão aquo não consideraram a despesa dedutível por entenderem que não se tratam de despesa de custeio, mas sim despesa de capital (investimento) e, portanto, não dedutíveis da apuração do Livro Caixa. Em que pese a argumentação do Contribuinte, o inciso III do art. 6º da Lei nº 8.134/90 é claro ao determinar que são as despesas de custeio que podem ser deduzidas. Os equipamentos de informática (equipamento e material permanente) se enquadram em investimento. Desta feita, embora não se conteste a afirmação do Contribuinte no sentido de que “não consegue operar qualquer cartório sem aquisição de material de informática”, tais equipamentos não se enquadram no conceito de despesa de custeio. Logo, em razão da estrita legalidade a Administração Tributária está submetida, não se pode estender a dedutibilidade prevista inciso III do art. 6º da Lei nº 8.134/90 aos gastos com investimentos necessários à atividade do cartório, sob pena de uma atuação contra lege. Isto posto, indefere o pleito do Contribuinte para reconhecimento da dedutibilidade das despesas com informática. 1.2.6. Pagamentos sem Vínculo Empregatício (Neusa Lima Ferreria) O Contribuinte informou à fiscalização que os pagamentos efetuados à Neusa Lima Ferreira foram decorrentes de prestação de serviços (sem vínculo empregatício) ao Cartório, após a sua aposentadoria, a fim de treinar outro funcionário para sua função. Por se tratar de prestação de serviço sem vínculo empregatício, a fiscalização glosou a dedução procedida pelo Contribuinte. Como justificativa para manutenção da dedutibilidade, o Contribuinte afirma a simples correlação de trabalho bastaria para dedutibilidade da despesa. Fl. 1951DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10830.006485/200620 Acórdão n.º 2201002.496 S2C2T1 Fl. 9 15 O inciso I do art. 6º da Lei nº 8.134/90 é expresso ao determinar que a remuneração de terceiros são dedutíveis, desde que com vínculo empregatício. Porém, a Receita Federal do Brasil em seu sítio na INTERNET (http://www.receita.fazenda.gov.br/PessoaFisica/IRPF/2010/Perguntas/DeducoesLivroCaixa.h tm) respondeu em relação à dedutibilidade de pagamentos efetuados por profissionais autônomos a terceiros: 401 — São dedutíveis os pagamentos efetuados por profissional autônomo a terceiros? Sim. O profissional autônomo pode deduzir no livro Caixa os pagamentos efetuados a terceiros com quem mantenha vínculo empregatício. Podem também ser deduzidos os pagamentos efetuados a terceiros sem vínculo empregatício, desde que caracterizem despesa de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. (Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990, art. 6º, incisos I e III; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/1999), art. 75, incisos I e III; Parecer Normativo Cosit nº 392, de 9 de outubro de 1970; Ato Declaratório Normativo Cosit nº 16, de 1979) (grifos nossos) Logo, acolho a pretensão do Contribuinte em deduzir pagamento a prestador de serviço, ainda que sem vínculo empregatício, pois resta caracterizada a necessidade à atividade da fonte pagadora. 2. Dedução da Previdência Privada No presente ponto cabe uma digressão mais detalhada de todos os atos processuais. O Termo de Verificação Fiscal relata que os comprovantes entregues para justificar pagamentos efetuados à Bradesco – BPS tratam de extratos com saldos sem informações de quando foram efetuadas. Acrescenta ainda, que verificou que as informações relativas aos números do participante/matrícula e das propostas, constantes nesses extratos, coincidem com os números referentes às matrículas e contratos discriminados nos extratos emitidos pelo BCN Previdência, os quais foram apresentados para comprovar os pagamentos realizados à Prev. Fácil BCN PGBL, e também deduzidos na DIRPF. Uma vez que nos extratos do BCN consta a indicação do nome do fundo, qual seja: BRADESCO PGBL FIX, a fiscalização concluiu que os extratos apresentados como comprovantes dos pagamentos realizados à Bradesco BPS, tratam do mesmo plano de previdência dos extratos emitidos pelo BCN Previdência. Em esclarecimento, o Contribuinte apresentou documento emitido em 11/10/2006, intitulado “Emissão de Segunda Via do I.R.”, no qual constam informações de valores pagos, assim discriminados: dedutível igual a R$ 44.071,52 e não dedutível igual a R$ 1.266,90, além de seus dados pessoais. No entanto, verificouse nesse documento a ausência de qualquer elemento que pudesse identificálo como sendo emitido pelo Banco Bradesco, bem como de alguma referência relacionada ao pagamento de contribuição à previdência Fl. 1952DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 16 privada. Diante da ausência de documentação hábil a comprovar os pagamentos efetuados ao Bradesco BPS, a fiscalização glosou os valores deduzidos a título de previdência privada. Em sua Impugnação, o Contribuinte argumenta que houve erro na transcrição da Declaração. Assim, pleiteia que seja permitida a retificação do valor de R$ 45.338,42 sem que qualquer multa de oficio seja aplicada, juntando o documento solicitado pelo Auditor Fiscal com identificação do Banco Bradesco às fls. 1.497. A 5ª Turma da DRJ/SP2 não acolheu a pretensão do Contribuinte por não haver juntado aos autos os documentos adicionais para comprovar a despesa, tal documento deveria ter sido juntado aos autos ao tempo da apresentação da Impugnação na forma do art. 16, II do Decreto nº 70.235/72. Apontou ainda que a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente, portanto, ainda que tenha ocorrido o pagamento a menor do imposto por conta de erro, é devida a aplicação de sanção pecuniária. Inconformado, o Contribuinte recorre do presente ponto trazendo nova argumentação, no sentido de que a fiscalização incorreu em erro ao considerar que houve duplicidade de apontamentos. Inicialmente aponta que os depósitos da previdência podem ser comprovados através dos extratos de rendimentos, nos termos da IN SRF nº 120/00. Conforme se verifica do Termo de Verificação Fiscal, a Autoridade Lançadora não questiona a possibilidade utilização como meio de prova os extratos de rendimentos. O que o Auditor Fiscal questionou foi que os extratos apresentados não se referem a Bradesco BPS, mas sim à Prev. Fácil BCN PGBL. A Autoridade Lançadora demonstra a correlação dos extratos com a Prev. Fácil BCN PGBL, intimando o Contribuinte para produção de prova em sentido contrário. O Acórdão aquo afirma que o “interessado não trouxe quaisquer documentos adicionais para comprovar a despesa”. Todavia, o Contribuinte juntou com a Impugnação, às fls. 1.497, o documento solicitado pela Autoridade Lançadora documento intitulado “Emissão de Segunda Via do I.R.”, no qual constam informações de valores pagos, assim discriminados: dedutível igual a R$ 44.071,52 e não dedutível igual a R$ 1.266,90, com elemento que pudesse identificálo como sendo emitido pelo Banco Bradesco. Diante do documento de fls. 1.497 compreende restar comprovado, o pagamento referente à contribuição de R$ 44.071,52 para o plano de previdência Bradesco BPS. O Contribuinte aduz ainda que o Auditor Fiscal não procedeu com a verificação da base limite de 12% nos termos da Lei n° 9.532/97, art. 11; MP n° 2.15835, de 2001, art. 61 e RIR/1999, art. 74, II, § 2°, ou seja, não foi discorrido sequer em argumentos que o valor de R$ 71.584,68 está inserida dentro desse limite razão pela qual é nulo o lançamento, pois inserido o valor integral declarado como se não houve limite para a dedução. A Autoridade Lançadora glosou o valor de R$ 71.584,68 porque o Contribuinte não comprovou ter efetuado as referidas contribuições e não porque o valor ultrapassava o limite de 12% previsto no art. 11 da Lei nº 9.532/97. A verificação que o Contribuinte se refere só deve ser procedida uma vez comprovada à existência do referido montante. A argumentação do Contribuinte carece de fundamentação lógica, uma vez que Autoridade Lançadora não tem que apurar se um valor inexistente está ou não dentre dos limites 12% previstos nos art. 11 da Lei nº 9.532/97. Fl. 1953DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10830.006485/200620 Acórdão n.º 2201002.496 S2C2T1 Fl. 10 17 Desta feita, considerando que o Contribuinte apresentou à fiscalização e juntou à Impugnação o documento entitulado “Emissão de Segunda Via do I.R.”, no qual constam informações de valores pagos, assim discriminados: dedutível igual a R$ 44.071,52 e não dedutível igual a R$ 1.266,90, com identificação do Banco Bradesco, entendo que o montante de R$ 44.071,52 deve ser considerado como pagamento de plano de previdência privada, sujeito à dedutibilidade. 3. Dedução com Dependente e Despesas Médicas Não se conhece do presente pleito diante da falta de interesse do Contribuinte, uma vez que Acórdão nº 1737.116 proferido pela 5ª Turma da DRJ/SP2 restabeleceu a dedutibilidade com base no inciso II do art. 44 da Lei nº. 9.430/96: “Observamos que a fiscalização, ao aplicar o dispositivo legal acima transcrito, relacionou a incapacitação para o trabalho com a incapacidade civil. Nesse ponto, equivocouse a autoridade fiscal, pois a lei do imposto de renda, se quisesse estabelecer tal ligação, teria assim se manifestado expressamente. Por outro lado, é possível que haja incapacitação para o trabalho sem que o judiciário seja acionado a manifestarse sobre a incapacidade civil ou sobre a instituição de curatela, como pretendeu a autoridade. Pelo exposto, deve a dedução com o dependente Eduardo ser restabelecida, juntamente com a respectiva despesa médica.” 4. Multa Isolada Quanto à aplicação das multas de ofício, é necessário ressaltar que a convergência do fato imponível à hipótese de incidência descrita em lei deve ser analisada à luz do princípio da legalidade, que demanda interpretação estrita. Como a obrigação tributária é uma obrigação ex lege, e como não há lugar para atividade discricionária ou arbitrária da administração que está vinculada à lei na forma dos art. 3º e parágrafo único do art. 142, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), devese sempre procurar a verdade real à cerca da imputação. Não basta a probabilidade da existência de um fato para dizerse haver ou não haver obrigação tributária. Seguindo esta linha de pensamento, é de se observar que independentemente do teor da peça impugnatória e da peça recursal, incumbe a este Colegiado verificar o controle interno da legalidade do lançamento para a constituição de um crédito tributário hígido. Neste contexto, se faz necessário à verificação quanto à possibilidade de concomitância entre multa de ofício e a multa de isolada. Na presente autuação o Contribuinte teve lançada a multa isolada sobre os valores de imposto correspondentes às omissões de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoa física e às despesas deduzidas indevidamente da apuração do Livro Caixa, que deixaram de ser recolhidos mensalmente pelo carnêleão, na forma do art. 44, II da Lei 9.430/96. II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: Fl. 1954DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 18 Uma que vez que tais valores que serviram para base de cálculo da multa isolada não foram recolhidos aos cofres públicos, tais valores compõem parcela do crédito tributário constituído no Auto de Infração. Logo, na forma do art. 44, I da Lei nº 9.430/96 estão sujeitos à multa de ofício de 75%: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Como se verifica, sobre os valores apurados referente às omissões de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoa física e às despesas deduzidas indevidamente da apuração do Livro Caixa foram aplicadas a multa isolada em razão do imposto de renda não ter sido antecipado durante o ano calendário e também da multa de ofício (75%) sobre os valores considerados devidos. Admitir a aplicação da multa de ofício cumulativamente com a multa isolada, pela falta de recolhimento de antecipação sobre os valores apurados em procedimento fiscal significaria admitir que, sobre imposto apurado de ofício, se aplicassem duas punições, atingindo valores idênticos ou superiores ao das penalidades cominadas para faltas qualificadas. Tal penalidade seria desproporcional ao proveito obtido com a falta. A jurisprudência da presente Corte Administrativa vem se consolidando quanto a inaplicabilidade da concomitância de ambas as multas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004 MULTA ISOLADA DO CARNÊLEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, § 1º, inciso III, da Lei nº. 9.430, de 1996), quando em concomitância com a multa de ofício (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo. (Acordão 2201001.994. 2ª Câmara/1ªTurma Ordinária, rel. Pedro Paulo Pereira Barbosa, Sessão de 19.02.13). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ AnoCalendário: 2006, 2007,2008 NÃO CABIMENTO DE CUMULAÇÃO DA MULTA ISOLADA E DA MULTA DE OFÍCIO Ponto que reclama detida análise respeita à impossibilidade de cobrança cumulativa da multa de ofício e da multa exigida isoladamente, de sorte que ainda que a Recorrente tenha recolhido valor a menor de IRPJ e CSLL por estimativa, não pode haver sobre a mesma base de cálculo, a cumulação da multa isolada com qualquer outra penalidade, como ocorreu no presente caso. (Acordão 1301001.385. 3ª Câmara/1ªTurma Ordinária, rel. Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Sessão de 11.02.14). Destacase que o presente ponto foi inclusive objeto de Recurso Especial pelo Procurador da Fazenda Nacional, onde a Turma conclui pela impossibilidade de concomitância das multas isolada e de ofício: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002 IRPF. MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE. Improcedente a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física IRPF devido a título de carnêleão, quando Fl. 1955DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10830.006485/200620 Acórdão n.º 2201002.496 S2C2T1 Fl. 11 19 cumulada com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, uma vez possuírem bases de cálculo idênticas. Recurso especial negado. (Acordão 9202003.163 2ª Turma Ordinária, Rel. Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira, Sessão de 06.05.14). Diante do exposto, afasto a multa isolada por restar concomitante com a multa de ofício. 5. Concomitância de Processos Administrativos O Contribuinte destaca que se instaurou também o processo nº 10830.006484/2006 85. Assim, aparentemente, as multas fora aplicadas quer nesse processo como no outro relativamente ao mesmo fato gerador. Daí, porque deverá ser revisto a fórmula do Auto de Infração para afastar essas ilícitas e equivocadas incidências. O processo nº 10830.006484/2006 85 decorrente do Auto de Infração de fls. 1.780, apura Imposto de Renda Retido na Fonte, enquanto o presente Auto de Infração apura Imposto de Renda Pessoa Física. Os Processos Administrativos Fiscais apuram créditos tributários distintos decorrentes de fatos geradores distintos. Logo, improcede a argumentação de que as multas incidem sobre o mesmo fato gerador. 6. Da Multa de Ofício O Contribuinte argumenta que, o Auto de Infração atrelasse ao IRPF, sujeito a modalidade de lançamento por homologação, logo, incabível a multa de oficio a razão de 75%, que, nesse caso, está transmudando a multa moratória, pois a pena foi aplicada exclusivamente por falta de recolhimento e não por omissão de rendimentos, até porque todos os documentos solicitados foram apresentados. O silogismo adotado pelo Contribuinte não conduz a conclusão proposta. Não se nega que o presente caso aborda IRPF, nem que o lançamento de IRPF é promovido por homologação. Todavia, como bem destaca o próprio Contribuinte, a homologação expressa só ocorre quando a DIRPF prestada não foi insuficiente, inexata, omissa, dolosa, fraudulenta ou simulada. O que não é o caso do presente Processo Administrativo Fiscal, onde foram apuradas várias inexatidões na DIRPF/2002 e 2003, acarretando o lançamento de ofício do crédito tributário exposto no Auto de Infração em foco. Assim, embora o lançamento do IRPF seja por homologação o lançamento da diferença entre o que foi declarado pelo Contribuinte e o que foi apurado pela Autoridade Tributária está sujeito ao lançamento de ofício, e por consequência sujeito a multa de ofício, na forma da lei. Corroborase com a afirmação do Contribuinte de que “a multa de lançamento de oficio, como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade, a iniciativa da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais”. A atividade administrativa de apuração do crédito tributário está exposta nos diversos atos do presente processo, desde os Termos de Fl. 1956DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 20 Intimação, na forma do art. 19 da Lei nº 3.470/58 citada pelo Contribuinte, até a análise do presente recurso voluntário. Ademais, a jurisprudência colacionada pelo Contribuinte não guarda pertinência com o caso em tela, por se tratar de hipótese de crédito tributário declarado e não pago em DCTF. O presente caso borda crédito tributário não declarado. Desta feita, a argumentação do Contribuinte quanto à inércia da Autoridade Tributária no presente caso, não condiz com a realidade dos fatos. Isso posto, mantêmse a multa de ofício de 75% uma vez que se encontra dentro dos parâmetros legais. Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para: (i) restabelecer a dedução do Livro Caixa dos valores de: R$ 773.750,00 (referente aos encargos trabalhistas dos Acordos Judiciais dos funcionários Eduardo de Oliveira Nastri, Evanil Rodrigues, Ricardo Siqueira Machado, Hiller Ricci e Márcia Cristina do Carmo); R$ 14.000,00 (referente à indenização paga a José Fernando Almeida por erro do Cartório) e R$ 11.992,25 (referente a pagamento de Neusa Lima Ferreira prestadora de serviço sem vínculo empregatício); (ii) autorizar a dedução do valor de R$ 44.071,51 a título de contribuição à previdência privada e (iii) afastar a multa isolada. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Fl. 1957DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 11684.000367/2010-88
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 19/07/2009, 28/08/2009
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.678
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 19/07/2009, 28/08/2009 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 4. 00 03 67 /2 01 0- 88 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.000367/201088 Acórdão n.º 9303003.678 CSRF‐T3 Fl. 203 2 Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3802002.968. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento. Após tomar ciência do mencionado acórdão, a Contribuinte apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei 12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.552, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/200648, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.552): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Fl. 203DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.000367/201088 Acórdão n.º 9303003.678 CSRF‐T3 Fl. 204 3 Lei 12.350, de 20/12/2010). Além disso, ambos citaram expressamente as alterações promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial. A matéria devolvida a este Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental de prestar informação. Aplicandose o entendimento defendido pela Recorrente, os prazos estipulados pela legislação aduaneira, para prestar informações à RFB, poderiam ser descumpridos pelo sujeito passivo sem punição, tendo como única condição que a prestação das informações seja efetuada antes do início de ação fiscal. Ou seja, os prazos para a apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos fatais, como é a regra na legislação tributária. Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicarse à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se Fl. 204DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.000367/201088 Acórdão n.º 9303003.678 CSRF‐T3 Fl. 205 4 refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' 1. 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' 2. 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' 3 Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.000367/201088 Acórdão n.º 9303003.678 CSRF‐T3 Fl. 206 5 entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: '40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, Fl. 206DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.000367/201088 Acórdão n.º 9303003.678 CSRF‐T3 Fl. 207 6 inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está Fl. 207DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.000367/201088 Acórdão n.º 9303003.678 CSRF‐T3 Fl. 208 7 vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.000367/201088 Acórdão n.º 9303003.678 CSRF‐T3 Fl. 209 8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face Fl. 209DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.000367/201088 Acórdão n.º 9303003.678 CSRF‐T3 Fl. 210 9 da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam 5 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.000367/201088 Acórdão n.º 9303003.678 CSRF‐T3 Fl. 211 10 infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Fl. 211DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.000367/201088 Acórdão n.º 9303003.678 CSRF‐T3 Fl. 212 11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por Fl. 212DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.000367/201088 Acórdão n.º 9303003.678 CSRF‐T3 Fl. 213 12 considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 213DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 11610.002264/00-55
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1992 a 30/09/1995
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO
Presentes os pressupostos regimentais, devem ser acolhidos os embargos de declaração.
Embargos de Declaração Acolhidos com Efeitos Infringentes.
Numero da decisão: 9303-003.378
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para sanar a contradição e declarar o não conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para sanar a contradição e declarar o não conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1992 a 30/09/1995 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO Presentes os pressupostos regimentais, devem ser acolhidos os embargos de declaração. Embargos de Declaração Acolhidos com Efeitos Infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para sanar a contradição e declarar o não conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 22 64 /0 0- 55 Fl. 476DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos, tempestivamente, pela Fazenda Nacional, em face do Acórdão nº 9303000.680, visando sanar contradição, nos termos do art. 65, § 1º, III do RICARF, Portaria 256, de 22 de julho de 2009 e alterações posteriores, conforme efls.463/464. No Despacho em Embargos de Declaração, de efls.465, foi proposta a aceitação deste para corrigir erro material/contradição no dispositivo do voto, pois o recurso da Fazenda Nacional foi conhecido e provido. Transcrevese trechos deste para melhor entendimento: “Tratase de pedido de retificação de erro material formalizado pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com base no art. 66 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009. Segundo a embargante, no Acórdão n° 9303000.680 constou do dispositivo "por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial", quando na verdade o recurso da Fazenda Nacional foi conhecido e provido por unanimidade de votos. Assiste razão em parte à ilustre Procuradora da Fazenda Nacional. Realmente no voto condutor do Acórdão 9303000.680 a fundamentação e a conclusão do relator foi no sentido de prover o recurso fazendário, mas o resultado consignado na folha de rosto registra que o colegiado não conheceu do recurso. Isto ocorreu porque durante a sustentação oral realizada pelo advogado da contribuinte, o Colegiado deliberou no sentido de não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional. Sendo assim, não se trata de mero erro material, mas sim de contradição entre a decisão do Colegiado e seus fundamentos, o que autoriza o recebimento do recurso como embargos de declaração.” É o relatório. Voto A embargante aponta contradição no resultado, pois no dispositivo consta que o recurso da Fazenda Nacional não foi conhecido, enquanto que na ementa e na fundamentação e no voto do relator o recurso da Fazenda Nacional foi conhecido e provido. Assiste razão à embargante, ao propor os presentes embargos, vez que, de fato, houve contradição, haja vista consta que o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e provido, conforme ementa e fundamentação do voto do relator, e no resultado do acórdão e na ata consta que Recurso Especial da Fazenda não foi conhecido. Em uma análise mais detalhada do ocorrido, podese inferir com o recurso realmente não foi conhecido, pois até na ata consta que ele foi votado em separado, fora do lote de repetitivos, por causa de matéria diferenciada do recurso paradigma de nº 227.494. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 11610.002264/0055 Acórdão n.º 9303003.378 CSRFT3 Fl. 199 3 Dessa forma, nos termos do art. 67 c/c com o art. 76 do Decreto 7.574/2011, acolho os embargos para que seja o Acórdão no 9303000.680, de 2 de fevereiro de 2010, da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais retificado, na ementa e dispositivo, passando, para todos os efeitos, o resultado a ser "recurso não conhecido por unanimidade de votos" Inclusive o não conhecimento, por falta de prequestionamento foi arguido como preliminar em sede de contrarrazões, pelo sujeito passivo e deveria ter sido apreciado no voto e não o foi, apesar de ter sido deliberado pela 3ª Turma da CSRF. Assim na fundamentação do voto passa a constar que o recurso não foi conhecido por ausência de prequestionamento. Portanto, acolho os embargos, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado e, a fim de sanar a contradição constante no dispositivo do voto, que ficou diferente do que foi votado pela 3ª turma da CSRF, conforme preceitua o art. 67 c/c com o art. 76 do Decreto 7.574/2011, devendose alterálo conforme proposto acima. É como voto. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 478DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO
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