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Numero do processo: 10855.001481/00-74
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Aug 10 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Tue Aug 10 00:00:00 UTC 2004
Numero da decisão: 202-15715
Nome do relator: Não Informado
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VISTO Processo n° : 10855.001481/00-74 Recurso n° : 118.823 Acórdão n° : 202-15.715 Recorrente : ENGARRAFADORA PERNAMBUCO LTDA. Recorrida : DRJ em Ribeirão Preto - SP NORMAS PROCESSUAIS. A desistência expressa do sujeito passivo em continuar o litígio administrativo acarreta a perda do objeto do apelo voluntário, e - — - impõe ao órgão julgador o não conhecimento do recurso interposto. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: ENGARRAFADORA PERNAMBUCO LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por perda de objeto. Sala das Sessões, em 10 de agosto de 2004 énri4ue Pinheiro Tc5íTs Presidente e Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Bueno Ribeiro, Gustavo Kelly Alencar, Marcelo Marcondes Meyer-Kozlowski, Jorge Freire, Nayra Bastos Manatta e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Raimar da Silva Aguiar. cl/opr MIN. DA FAZENDA - 2° CC CONFERE CUM O ORIGINAL BRASILIA Ja_ visto itr- 1 et-4, FAFFAZENDA- 2 1 ' CC 29 CC-MF st,.••• Ministério da Fazenda tfr -r., A5. Segundo Conselho de Contribuintes CONRE COM C ORJOINAk Fl. .; 8R4SiLLA . or Processo n° : 10855.001481/00-74 Recurso n° : 118.823 VISTO Acórdão n° : 202-15.715 Recorrente : ENGARR.AFADORA PERNAMBUCO LTDA. RELATÓRIO Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório da Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto -SP fls. 302/314: "Com fulcro na Constituição Federal (CF)/1988, art. 153, § 3°, II; no Regulamento do Imposto Sobre Produtos Industrializados (RIP1/98), aprovado pelo Decreto n°2.637, de 25 de junho de 1998, arts. 32. II; 109, 1 e III; 110, 1-be II-c; 111, parágrafo único; 147. I; 178, § 2'; 182; 183, IV; 185, II; 403, parágrafo único; 407; 412, §§ 1°a 3°; 438, parágrafo único e 439; na Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, arts. 19, II-a; 20; 21; 23, I; 25; 91, parágrafo único; 64; 65; 93; 94 e 95, §§ 1° a 3°; na Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 49; 73; 74; 136; 142; 144; 150, § 1°: na Lei n°8.850, de 28 de janeiro de 1994, arts. 1°e 2°; na Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991, art. 52, 1, ae b, Decreto-lei n°34, de 18 de novembro de 1966, art. 2° e Decreto-lei n° 2.225, de 10 de janeiro de 1985, foi lavrado o auto de infração defl. 04 para exigir R$ 497.290,19 de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); R$ 52.020,69 de juros de mora e R$ 559.451,43 de multa de oficio agravada. O auto de infração decorreu da glosa de valores escriturados na conta-corrente de IPI a titulo de créditos básicos. Foi feita a reconstituição dos saldos da escrita fiscal e exigido o imposto com base nos saldos devedores apurados, com inflição da multa majorada pela falta ou atraso no atendimento a sucessivas intimações. Segundo o termo de constatação de fls. 49/52, foram apuradas basicamente duas irregularidades: a) o estabelecimento, depois de ter sido intimado e reintimado por diversas vezes, não conseguiu comprovar a origem e a natureza dos créditos especificados no item I (lis. 49/50); h) o estabelecimento se creditou indevidamente de valores do IPI destacado em notas fiscais de aquisição de aguardente que deveriam ter sido obrigatoriamente emitidas com suspensão do imposto (item 2). Foi lavrado um termo de embaraço à fiscalização (fls. 44/47), sob o argumento de que houve resistência injustificada em fornecer os documentos necessários ao procedimento fiscal, caracterizada pela falta de resposta ou resposta extemporânea às intimações formuladas. Como provas das imputações, foram juntados os seguintes documentos: demonstrativo da reconstituição da escrita fiscal (fl. 07); termo de inicio datado de 30/11/1999, contendo intimação para apresentar documentos (fl. 14); intimação datada de 16/02/2000 (I1.15); intimação datada de 14/03/2000 (fl. 17); intimação datada de 03/05/2000 (/1. 18); termo de 2 C;st„ . Ministério da Fazenda cr. FAZENDA - r cc 22 cc-m F Fl.zfrft“ Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE COM O 011iCANALt BRASlLIA Processo n° : 10855.001481/00-74 Recurso n° : 118.823 VISTO Acórdão n° : 202-15.715 esclarecimento (/l. 39); intimação datada de 24/05/2000 (/t 40); termo de constatação datado de 02/06/2000 (/l. 41); termo de intimação datado de 02/06/2000 (fl. 42); termo de embaraço à fiscalização (fl. 44/47); termo de constatação datado de 10/07/2000 (fls. 49/52); cópias das folhas de consolidação mensal do livro modelo 8, demonstrando os valores creditados (lis. 53/70); instrumento conferindo poderes especiais ao Sr. Altair Messias de Moraes para representar o estabelecimento perante a Receita Federal (/1. 71/72). Regularmente notificado do auto de infração em 10/07/2000, apresentou o sujeito passivo a impugnação de fls. 74/102 em 09/08/2000, instruída com os documentos de fls. 104/297 e com o instrumento de procuração de fl. 103, no qual nomeou seu procurador o advogado Edward de Mattos Vaz Alegou que o auto de infração fundou-se em falácias de toda ordem e que o propósito da fiscalização não foi descobrir a verdade real, mas sim a verdade conveniente, uma vez que foram lavrados dois autos de infração com exigibilidade suspensa, em razão de parcelamento de débito requerido e deferido em momento anterior &fiscalização. Argüiu a nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa, sob o argumento de falta de prazo para cumprimento das intimações. Considerou insuficiente o prazo de 5 dias estabelecido no termo de início, mas apesar disso algumas informações teriam sido prestadas. Para as demais informações, solicitou prorrogação por 30 dias, mas a fiscalização só concedeu 10 dias e lavrou o auto antes dos 30 dias solicitados. A empresa não conseguiu fazer as comprovações solicitadas porque os prazos dados pelo fisco foram insuficientes. Requereu fosse decretada a nulidade do auto, ressalvado novo procedimento fiscaL Lembrou que a sanação de vício de forma só é possível quando a favor do contribuinte, por força do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, art. 59. Relativamente aos créditos propriamente ditos, alegou que todos teriam origem legítima e efetuou ajuntada de demonstrativos e cópias de notas fiscais de aquisição de insumos, nos quais procurou demonstrar os valores creditados por decêndio, fazendo a comparação com o que foi apurado pela fiscalização. Acrescentou que outras notas fiscais poderão ser juntadas durante o procedimento, à medida que forem sendo localizadas pelo contribuinte. Diante da existência de tais notas, requereu o cancelamento do auto de infração e solicitou exame periciaL Nomeou assistente técnico e formulou quesitos (fl. 102). I/ i 3'7 , Ministério da Fazenda .4. fl. . tI . i' 7 ' N C):1 - 72 CC i 2' CC-N1FM Segundo Conselho de Contribuintes 0 .:::rEFC COM O (J 'AL Fl. a;.,,,ecitt:;•. ,-.---kr--:.; nAS:i..;,‘ 0/ : ./ D tif _ Processo n° : 10855.001481/00-74 Recurso n° : 118.823 ----- -•;:. n Acórdão n°n° : 202-15.715 Alegou que o fiscal não quis esperar míseros 20 dias pelos documentos e lavrou o auto de infração baseado na mera presunção de serem - ilegítimos os créditos, o que afronta os princípios da legalidade e da tipicidade cerrada em matéria tributária. Com tal procedimento, teria ocorrido uma inversão do ônus — da prova, pois caberia ao fisco trazer elementos comprobatórios para a formação do convencimento da autoridade julgadora, inclusive com fundamentação legal, o que não teria ocorrido no caso concreto. Acrescentou que, da forma como foi lavrado, o auto de infração partiu do princípio de que todos são culpados até prova em contrário. No entanto, é princípio inscrito na Constituição que todos são inocentes até prova em contrário e que cabe ao fisco fazer essas provas. Diante da violação de tais princípios, requereu o cancelamento do auto de infração. No tocante ao imposto creditado com base nas notas de aquisição de estabelecimentos industrializadores de aguardente, alegou que o crédito é devido, sob pena de violação do princípio da não-cumulatividade. Invocou precedente do Supremo Tribunal Federal no RE n°212.482-2, no qual a Corte reconheceu o direito ao crédito ficto de IPI por parte dos adquirentes, na saída de xarope com isenção da Zona Franca de Manaus para o fabrico de refrigerantes em outros pontos do território nacional. Tal entendimento estaria sendo aplicado pelo Conselho de Contribuintes, conforme jurisprudência colacionada. Insurgiu-se contra a inflição da multa majorada, afirmando que o percentual seria de 112,05% e não 112,5% como constou no auto de infração. Alegou que, caso se decida que realmente a empresa deva ser responsabilizada por dívida já parcelada, verifica-se que a penalidade é bem superior ao imposto devido. Tal fato revela ausência de capacidade contributiva e utilização de tributo, com efeito, de confisco. Invocou a aplicação da Lei n° 5.172, de 25 outubro 1966 (CT1V), art. 134, para que fosse excluída a multa de oficio. Partindo de definições doutrinárias, impugnou a cobrança dos juros de mora com base na taxa Selic, pois ela não teria natureza moratória, mas sim remuneratória, uma vez que calculada pelo Banco Central com base na variação do custo do dinheiro.i 4 , r5r,t, Rét!tt rA FAV_---r-n.^. - 7, CC 20 CC-MF Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes r'' `; .: i 1 ; ;: C r.: L i O etztGINAt Fl. P ri .C4' •teQra‘• 67.:.E.,:: .i A ..01 i .10 3/4..)01( Processo n° : 10855.001481/00-74 frt--- Recurso n° : 118.823 Acórdão n° : 202-15.715 O CTN, art. 161, não daria respaldo para que se cobre os juros com fulcro na Lei n° 9.065, de 21 de junho de 1995, tendo em vista que esta norma jurídica alterou a natureza dos juros de mora e violou o Código Tributário, art. 110, que impede que a lei tributária modifique a definição, o conteúdo e o alcance dos institutos de direito privado. Além disso, numa economia estável, é um absurdo cobrar-se os juros de mora no patamar em que é fixada a taxa Selic, sendo imperiosa sua fixação no patamar de 196 ao mês. Finalizando sua defesa, formulou os seguintes pedidos: a) fosse anulado o auto em razão do desvio de poder; dos prazos insuficientes; da ausência de fundamentação; e da utilização de presunção como sustentáculo; b) reconhecimento da regularidade dos créditos diante do princípio da não- cumulatividade, ou, alternativamente, acolhimento dos créditos constantes das notas fiscais em anexo para redução do tributo, da multa e dos juros, com reabertura do prazo para nova defesa; c) caso assim não seja entendido, que seja reconhecida a natureza confiscatória da multa, aplicando-se outra mais branda e afastamento da taxa Selic, utilizando-se o que determina o C77V; d) protestou provar o alegado por todos os meios admitidos em direito, sem a exclusão de nenhum, especialmente por meio da perícia requerida." Em 25 de abril de 2001, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto - SP proferiu a Decisão DRERPO n° 835, resumida na seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - /PI Ano-calendário: 1999 Ementa: PRELIMINAR. DÉBITO PARCELADO. O débito exigido neste processo não pode ter constado de parcelamento anterior, pois foi apurado unilateralmente pela fiscalização após a reconstituição dos saldos da escrita fiscal, diferindo do que constava nos livros do estabelecimento. PRELIMINAR. REQUERIMENTO DE PERICL4. Indefere-se o pedido de perícia quando os fatos que se pretende provar já estejam devidamente demonstrados pela documentação anexa aos autos. PRELIMINAR.CERCEAMEIVTO DE DEFESA Não ocorreu cerceamento de defesa por falta de prazo para cumprimento de intimações, pois a impugnar:te teve, ao todo, sete meses para entregar a documentação. IPL CRÉDITOS BÁSICOS. IIVCOMPROVAÇÃO. É encargo legal do estabelecimento comprovar a legitimidade dos valores escriturados a crédito na conta-corrente de IPI. Inexistindo notas fiscais que comprovem a legitimidade de tais valores, efetua-se a glosa e erige-se o imposto eventualmente devido. e 5 t.;.0tCC-MF - Ministério da Fazenda t. Fl. Segundo Conselho de Contribuintes MiN. ria F ft71.- N rit - 79 CC1 Processo n° : 10855.001481/00-74 '."3M O onisimaL ; Recurso n° : 118.823 01 /O Acórdão n° : 202-15.715 MULTA MAJORADA. Inflige-se a multa majorada, quando caracterizada nos autos a contumácia da empresa em não atender as intimações. MULTA MAJORADA. VIOLAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO. A inflição da multa majorada não viola os princípios da capacidade contributiva e da não utilização de tributo, com efeito, de confisco, pois a Constituição não considera a multa como espécie do gênero tributo. JUROS DE MORA. SELIC. É constitucional a exigência dos juros com base na taxa Selic, pois a natureza moratória ou indenizatória independe da forma de cálculo ou de fixação da taxa. LANÇAMENTO PROCEDENTE". A interessada interpôs, em 28 de junho de 2001, Recurso Voluntário a este Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 325/357) requerendo que o mesmo fosse recebido e julgado procedente, anulando, assim, o auto de infração. Ao Recurso Voluntário juntou liminar concedida em 03/09/2001, isentando-o do depósito recursal exigido para julgamento do processo. Os autos vieram a julgamento neste Colegiado na sessão do mês de dezembro de 2003, tendo como resultado a baixa do Processo ao órgão de origem para que a autoridade preparadora: a) intimasse a autuada a apresentar todas as notas fiscais, com destaque de IPI, referentes às aquisições, no período fiscalizado, de insumos (IVIP, PI, ME) efetivamente utilizados no processo de fabricação dos produtos tributados saldos do estabelecimento autuado; b) de posse das notas fiscais, elaborasse demonstrativo dos eventuais créditos que a reclamante tinha direito; c) fizesse planilha, se for o caso, ajustando o lançamento com a exclusão dos valores apurados nos demonstrativos do item anterior (alínea b); e d) elaborasse relatório de diligência consignando as razões de aceitação ou de recusa do crédito referente ao imposto destacado nas notas fiscais mencionadas na alínea "a", sem prejuízo dos esclarecimentos que entender útil ao deslinde da presente contenda. Do resultado da diligência, fosse dado conhecimento ao sujeito passivo, para que, querendo, se manifestasse no prazo de 30 (trinta) dias. Em seguida, retomasse os autos a esta Câmara, para julgamento. Após tentativas frustradas de intimação pessoal para apresentar a documentação solicitada pela fiscalização, publicou-se edital para esse fim. 1( 6 Ministério da Fazenda MIN. FIA FA7ENCA - 2° CC 22 CC-MF Fl. Segundo Conselho de Contribuintes CO:.FERE. COM O MOINAI, CiF:ASIL:13/4 (.0 j_i / or. Processo n° : 10855.001481/00-74 Prei Recurso n° : 118.823 VLSI' o Acórdão n° : 202-15.715 Por meio da petição de fl. 498, a representante legal da interessada veio aos autos apresentar a desistência formal do recurso em razão de haver aderido ao Parcelamento Especial nos termos da Lei n° 10.684/2003. É o relatório. 7 DA I - ir• 7t-Liks O - 2 C9.1 22 CC-MF Ministério da Fazenda enUFERE COM O ORIGNAL n:71-4,e kt Segundo Conselho de Contribuintes GRASiLIA Qi 1 O t_ Fl Processo n° : 10855.001481/00-74 Recurso n° : 118.823 Acórdão n° : 202-15.715 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR HENRIQUE PINHEIRO TORRES A teor do relatado, houve desistência formal, por parte da recorrente, de vê julgado o recurso. Essa desistência põe termo ao litígio fiscal instaurado com a impugnação e, por conseguinte, o apelo voluntário em discussão perde o seu objeto. Diante disso, deixo de conhecer do recurso. Sala das Sessões, em 10 de agosto de 2004 ie. ten QUE PINHEIRO OR=S 8
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001413/2003-10
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2005
Numero da decisão: 201-78210
Nome do relator: Antônio Mário de Abreu Pinto
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DECADÊNCIA. O prazo para constituição do crédito tributário dos tributos sujeitos a homologação finda 05 (cinco) anos após a ocorrência do fato gerador. AÇÃO JUDICIAL. LANÇAMENTO. A existência de ação judicial discutindo crédito fiscal não tem o condão de obstaculizar o lançamento dos valores controvertidos, que se faz com o fim de afastar a decadência. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. MULTA DE OFICIO. JUROS DE MORA. Incabível a exigência de multa de oficio e juros de mora quando a exigibilidade do crédito tributário estiver suspensa em virtude de decisão judicial. JUROS DE MORA. Incidem juros de mora sobre crédito tributário lançado com a exigibilidade suspensa por força de decisão liminar proferida em mandado de segurança. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. tiut Processo n 16327001413/2003-IO CC07/C01 Acórdão n.° 201-78.210 Fls, 572 ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos: I) em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência com relação aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a março de 1996, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo Gaivão, Antonio Carlos Atulim e José Antonio Francisco, que não reconheciam a decadência; e II) em negar provimento ao recurso quanto aos juros de mora. Vencidos os Conselheiros Antonio Mano de Abreu Pinto (Relator), Sérgio Gomes Velloso e Gustavo Vieira de Melo Monteiro, que excluíam os juros de mora. Designada a Conselheira Josefa Maria Coelho Marques para redigir o voto vencedor nesta parte. Esteve presente ao julgamento a advogada da recorrente, Dra. Gabriela Waltson. AO dij ID / SE A MAR A COELHO MARQUES Presidente e Relatora-Designada Participou,' ainda, do presente julgamento, o Conselheiro Rogério Gustavo Dreyer. 2 Processo n° 16327.001413/2003-10 CCO2/C0/ Acórdão n.° 201-78.210 Fls. 573 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra o Acórdão n2 6.085/2004 (fls. 397/405), da DRJ em Campinas - SP, que julgou procedente lançamento atinente à insuficiência de recolhimento da contribuição ao Programa de Integração Social - PIS, no período de janeiro a dezembro de 1998. Notifica o "TerMo de Verificação", à fl. 09, que o presente auto de infração foi lavrado com o fim de evitar a decadência de créditos de PIS, objeto de ação judicial proposta pela contribuinte, intentando o recolhimento da referida exação com base na LC n 2 7/70, em detrimento da EC n2 17/97. Ou, alternativamente, para recolher tão-somente sobre a receita de serviços, na forma da Lei n2 4.506/64. Informa a autoridade fiscal que o autuado obteve sentença favorável, entretanto, o processo encontra-se pendente de julgamento de recurso interposto pela União. Desta feita, foi constituída com exigibilidade suspensa e sem multa de oficio a diferença de PIS devido que deixou de ser recolhido em face da ação judicial mencionada. O contribuinte, às fls. 81/119, apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo, em síntese, que obteve liminar autorizando a dedução, da base de cálculo do IR, dos tributos questionados judicialmente, com exigibilidade suspensa, em razão do que compensou os valores pagos anteriormente à decisão a titulo de IR com o guantum ora questionado. Ressaltou que o autuante reconheceu as compensayies efetuadas em julho e agosto de 1998, mas se omitiu quanto aos meses de setembro a dezembro do mesmo ano. Ademais, alegou estarem caducos os créditos tributário relativos aos fatos geradores de janeiro a abril de 1998, visto que transcorridos mais de cinco anos entre a ocorrência destes e a ciência do lançamento, que se deu somente em 06105/2003. Alfim, insurge-se contra a cobrança dos juros moratórios, argüindo estar amparado por decisão judicial. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas - SP, às fls. 397/405, julgou procedente o auto de infração, consoante ressaltado, fundamentando, prefacialmente, que a Fazenda Pública detém um prazo de 10 (dez) anos para constituir os créditos de PIS, conforme prevê o art. 45 da Lei n 2 8.212/91. Quanto ao mérito, afirmou que, como a compensação foi efetuada com base em liminar, agiu certo o fiscal autuante ao formalizar os créditos para prevenir a decadência, tendo-o feito com exigibilidade suspensa e sem aplicação de multa de oficio. No que pertine aos períodos de apuração de julho e agosto de 1998, esclarece que, houve um equivoco do fiscal que considerou os valores informados no campo de compensação da DCTF com valores recolhidos. Sobre os juros de mora, alegou ser correta sua cobrança, dado que, se a ação for julgada improcedente, restará sem efeito a liminar, retomando a situação ao estado anterior. Irresignado, o contribuinte interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, às fls. 409/448, reiterando os argumentos expendidos na sua manifestação de inconformidade, destacando que o equívoco do fiscal autuante reconhecido pelo julgador a guo ensejaria a nulidade do auto de infração. É o Relatório. Lç1DX1' 3 Processo n°16327.001413/2003-10 CCO2/C01 Acórdão n.° 201-78.210 Eis. 574 Voto Vencido Conselheiro ANTONIO MARIO DE ABREU PINTO, Relator, vencido quanto aos juros de mora O recurso preenche todos os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Vindica a recorrente, em alegações preliminares, pela nulidade do auto de infração, em face do equivoco cometido pela autoridade fazendária e reconhecido na decisão recorrida, consubstanciado na consideração na base de cálculo do PIS dos valores informados no campo compensação da DCTF como valores recolhidos. Outrossim, afirma estarem caducos os créditos tributários concernentes aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e abril de 1998. Em primeiro, cumpre esclarecer que as hipóteses legais de nulidade de ato administrativo, praticado no âmago do procedimento fiscal, estão expressamente previstas no art. 59 do Decreto n2 70.235/72, quais sejam, atos e termos lavrados por pessoa incompetente e despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Desta feita, o equivoco apontado pelo recorrente, por não se subsumir a nenhuma destas hipóteses, consiste em vício sanável, que não tem o condão de anular o lançamento. Quanto à decadência suscitada, merece guarida a insurgência da recorrente. Ao tempo em que foi cientificado o recorrente, 06 de maio de 2003 (fl. 180), já havia transcorrido o qüinqüênio legal previsto pelo § 4 2 art. 150 do CTN, aplicável à espécie, para o lançamento do crédito tributário de PIS, atinente aos meses de janeiro, fevereiro, março abril de 1998. No que respeita ao mérito, a mesma sorte não tem a recorrente. Aduz em seu petitório que a exigência ora farpeada foi objeto de compensação, efetuada com fulcro em medida liminar proferida em seu favor nos autos do Mandado de Segurança n2 98.0016562-2, que questiona a base de tributação do IR, que pertine à possibilidade de dedução de tributos com exigibilidade suspensa. Nesse passo, ombreio-me ao entendimento esposado pelo douto julgador a quo, no sentido de que corretamente agiu a autoridade fiscal ao proceder o lançamento das importâncias controvertidas, que o fez sem aplicação de multa de oficio, com o fim de evitar a decadência de tais valores, tendo destacado à fl. 03 do auto de infração, assim com no "Termo de Verificação" de fl. 09, estarem os créditos formalizados com exigibilidade suspensa por força da liminar concedida no mandamus n2 97.0060047-5 (fls. 358/360), ajuizado pela recorrente com o objetivo de afastar a cobrança do PIS nos moldes estabelecidos pela EC 17/97. Quanto aos consectários do lançamento, dispositivo legal espelhado no art. 63 da Lei n2 9.430/96, c/c o art. 151, V, do CTN, determina que não caberá multa de oficio na constituição do crédito tributário destinado a prevenir a decadência, relativamente a tributos e contribuições de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa por liminar ou tutela antecipada em qualquer espécie de ação judicial. Dicções legais que foram fielmente obedecidas pelo fiscal autuante. 4 Processo n° 16327.0014130003-10 CCO2/C0 I Acórdão n.° 201-78.210 Fls. 575 Igualmente, estando suspensa e exigibilidade do crédito fiscal, suspensa está a mora, uma vez que, durante o período de vigência da norma que determina tal suspensão, a falta de pagamento, por não ser exigível, não constitui ato ilícito, consectariamente, não pode ser sancionável. In casu, cumpre observar que a liminar concedida à recorrente (fls. 358/360) não determinou a suspensão da cobrança do PIS, mas o seu recolhimento nos moldes da LC n2s 7/70 e 17173. Desta feita, cabíveis afiguram-se-me os juros moratórios quanto à parcela do PIS que a recorrente deixou de recolher nos moldes a que estava adstrita, ou seja, segundo a sistemática prevista nas LC ifs 7/70 e 17/73. Sendo descabida, d'outra banda, a cobrança de juros sobre a contribuição apurada pelo Fisco com fulcro na legislação agastada pelo Judiciário nos autos do writ impetrado pela recorrente. Diante do exposto, dou parcial provimento ao recurso para determinar: a) a exclusão do crédito tributário relativo aos meses de apuração de janeiro a abril de 1998, ante a decadência operada; e b) a exigência dos juros moratórios decorrente tão-somente do não recolhimento pela recorrente da parcela do PIS nos moldes da decisão judicial proferida em seu favor, no bojo do mandamus n2 97.0060047-5, e a exclusão dos juros aplicados com base na legislação afastada pelo Poder Judiciário por meio do mesmo decisum. Sala das Sessões, em 22 de fevereiro de 2005. ANTONIO MARIO DE ABREU PINTO 5 Processo n° 16327.001413/2003-10 CCO2/C01 Acórdão n.° 201-78.210 Fls. 576 Voto Vencedor Conselheira JOSEFA MARIA COELHO MARQUES, Relatora-Designada, quanto aos juros de mora Discordo do ilustre Conselheiro-Relator quanto à procedência do lançamento dos juros de mora. O crédito tributário objeto desta lide não foi pago no seu vencimento e, conforme determina o artigo 161 do CTN, "o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta". O fato de o crédito tributário estar suspenso por medida judicial, concessão de liminar em mandado de segurança (CTN, art. 151, IV) confirmada por sentença não constitui impeditivo legal ao lançamento dos juros de mora, também com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 5 2 do Decreto-Lei n21.736/79: "Art. 5° A correção monetária e os juros de mora serão devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial. " Apenas o depósito judicial do montante integral do crédito tributário dispensa o lançamento dos juros de mora. Em conclusão, os juros de mora foram constituídos com base na legislação vigente nos períodos alcançados pela autuação, indicada no auto de infração lavrado (fls. 06), pelo que procede o seu lançamento. No mais, acompanho o ilustre Conselheiro-Relator. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência relativa aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a março de 1996. Sala das Sessões, em 22 de fevereiro de 2005. ZA/Qa...2M: e • . . SE A MARIA COELHO MARQU & 6
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Numero do processo: 10983.000615/96-16
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Nov 10 00:00:00 UTC 1998
Data da publicação: Tue Nov 10 00:00:00 UTC 1998
Numero da decisão: 202-10671
Nome do relator: Não Informado
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O. U . 9 29 Do „ 05 / loG39 519a-OrÁikQe C . Rubrica MINISTÉRIO DA FAZENDA ' • 11,,J, SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10983.000615/96-16 Acórdão : 202-10.671 Sessão • 10 de novembro de 1998 Recurso : 101.259 Recorrente : IMPERATRIZ CENTER COMÉRCIO LTDA. Recorrida : DRJ em Florianópolis - SC COFINS - I) COMPENSAÇÃO - Confirmada a efetividade dos recolhimentos a maior da contribuição para o FINSOCIAL, bem como a suficiência dos saldos acumulados desses recolhimentos para quitar total ou parcialmente débitos correspondentes a períodos de apuração posteriores, da COFINS, nas respectivas datas de vencimento, é de se afastar a exigência de oficio, na parte extinguível por compensação, pois como os créditos são anteriores aos débitos, fica desconfigurada a ocorrência de ilícito fiscal; II) RETROATIVIDADE BENIGNA: A multa de oficio, prevista no art. 49, inciso I, da Medida Provisória n9 298/91, convertida na Lei n' 8.218/91, foi reduzida para 75% com a superveniência da Lei n2 9.430/96, art. 44, inc. I, por força do disposto no art. 106, inc. II, alínea "c", do CTN. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: IMPERATRIZ CENTER COMÉRCIO LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Sala das Sessões - - 10 de novembro de 1998 a s • 4 " icius Neder de Lima P esi § ente • as , O S UMO ifeiro- elator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Helvio Escovedo Barcellos, José de Almeida Coelho, Tarásio Campeio Borges, Oswaldo Tancredo de Oliveira, Maria Teresa Martínez López e Ricardo Leite Rodrigues. eaal/mas/fclb 510 : ,a‘ MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES f çt - Processo : 10983.000615/96-16 Acórdão : 202-10.671 Recurso : 101.259 Recorrente : IMPERATRIZ CENTER COMÉRCIO LTDA. RELATÓRIO E VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR ANTONIO CARLOS BUENO RIBEIRO Em atenção à Diligência n° 202-01.947, decidida na Sessão de 17.02.98 deste Colegiado, cujo relatório e voto leio para lembrança dos Srs. Conselheiros, foram anexados aos autos os documentos de fls. 110/144, cabendo destacar as seguintes conclusões do Termo de Diligência de fls. 144: 1. "Confirmamos recolhimentos do FINSOCIAL, conforme demonstrativo de listagem de pagamentos (fl. 118) e verificação nos livros fiscais da contribuinte; 2. imputando estes recolhimentos aos débitos levantados com aliquota de 0,5% (fls. 123 à 125), do FINSOCIAL, verificamos a ocorrência de saldos de pagamentos (11s. 119). Estes saldos de pagamentos, no entanto, não foram suficientes para a liquidação dos débitos para a COFINS, nas respectivas datas de vencimento, referentes aos períodos de apuração de que trata este processo. Desta forma, procedeu-se ao bloqueio destes créditos confirmados para amortizar os referidos débitos; 3. os débitos remanescentes encontram-se listados no demonstrativo pelos valores originais (fls. 129 e 130); 4. esclarecemos através de demonstrativo (fl. 139) e cópia da norma de execução 9fls. 140 à 142), os procedimentos adotados para correção monetária dos saldos remanescentes; 5. conforme solicitado, enviamos cópia dos papéis de trabalho e do resultado da diligência à contribuinte e a intimamos à se manifestar sobre os resultados desta, conforme cópia, folha número 141" De inicio, é de se afastar a preliminar de nulidade do auto de infração sob a alegação de falta de motivação e conseqüente cerceamento do direito de defesa da Recorrente, ante a pretensa indeterminação de qual o dispositivo legal infringido, porquanto a peça vestibular não padece de nenhum desses vícios, conforme bem demonstrado pela decisão recorrida Isto posto, passo ao exame do mérito. 2 • 54-1 , MINISTÉRIO DA FAZENDA ' Hf SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES , • • Processo : 10983.000615/96-16 Acórdão : 202-10.671 Do relatado, verifica-se que, seguindo a corrente predominante deste Colegiado, foram os autos baixados em diligência para verificação da certeza e liquidez dos créditos alegados como oriundos de recolhimentos ao FINSOCIAL acima dos limites reconhecidos como devidos pelo STF. A Recorrente alegara ter direito de compensar tais créditos com os débitos da COFINS, relativos aos períodos de apuração de abril a novembro de 1995, para contrapor ao lançamento de oficio, correspondente ao aludido período de que trata este processo. De há muito era predominante o entendimento nos Conselhos de Contribuintes quanto à legitimidade da compensação da Contribuição ao FINSOCIAL, recolhida a maior, em virtude de aplicação da aliquota superior a 0,5%, a partir de 1989, corrigida monetariamente, com as contribuições devidas e não recolhidas do próprio FINSOCIAL ou com a Contribuição Social, instituída pela Lei Complementar n" 70/91 (COFINS), a exemplo do decidido no Acórdão n° 103-17.129, tendo como relator o Conselheiro Otto Cristiano de Oliveira Glasner. Esse entendimento, afinal, veio também a ser adotado pela própria administração tributária, no que diz respeito às empresas exclusivamente vendedoras de mercadorias e mistas, como se deflui do art. 2' da Instrução Normativa SRF n° 032, de 09.04.97, em que o Secretário da Receita Federal legitima a compensação de valores recolhidos da contribuição para o FINSOCIAL com a COFINS. Por outro lado, predomina neste Colegiado a posição de que, como se está diante de um lançamento especifico e quantificado, não cabe restringir a manifestação exclusivamente a respeito da matéria de direito, sob pena de incorrer em imprecisão e, assim, tornar ilíquida a decisão. Dai a razão dos autos terem sido baixados em diligência para confirmar a efetividade dos recolhimentos a maior, a suficiência dos saldos acumulados desses recolhimentos para quitar os débitos pretendidos, nas respectivas datas de vencimento, e a adequação do critério de correção monetária porventura adotado, o que também afastaria a penalidade aplicada no lançamento de oficio, na parte extinta por compensação, pois como os créditos são anteriores aos débitos, não configuraria a ocorrência de ilícito fiscal a justificá-la. Conforme se verifica através dos demonstrativos de cálculo anexados, os saldos de pagamentos apurados (fls. 119), mesmo com a aplicação dos índices de correção monetária, constantes da tabela anexa à Norma de Execução COSIT/COSAR n° 08/97 (fis. 126/128), que implementa as conclusões do Parecer da Advocacia-Geral da União n° 01/96, no âmbito da administração tributária, não são suficientes para extinguir na sua totalidade, por compensação, o crédito tributário que originou o lançamento em exame. 3 . 5-4102.1 • MINISTÉRIO DA FAZENDA • ' - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10983.000615/96-16 Acórdão : 202-10.671 É certo que a Recorrente pleiteia a adoção dos índices de correção monetária sem considerar os expurgos determinados pelas Leis n's 7.730/89 (Plano Verão) e 8.024/90 (Plano Collor I), porém como não se trata de matéria pacificada no judiciário, a nível do Supremo Tribunal Federal, e por uma questão de simetria, considerando que a administração tributária utiliza os índices expurgados na atualização dos créditos tributários, entendo não caber à instância administrativa o acolhimento dessa pretensão. Quanto à penalidade aplicada, uma vez firmada a pertinência, in casu, do lançamento de oficio, ante a falta de iniciativa da Recorrente em adimplir sua obrigação para com a Seguridade Social, nos termos da Lei Complementar n' 70191, corretamente foi aplicada a multa de oficio, estabelecida no art. 4' , inciso 1, da Medida Provisória n' 298/91, convertida na Lei n' 8.218/91. Daí porque também não há que se falar em aplicação do disposto no art. 1 0 da Lei n° 8.696/93, que regula o procedimento de cobrança de débitos declarados de tributos, situação distinta da aqui presente, conforme também bem demonstrado peia decisão recorrida Contudo, tendo em vista a superveniência da Lei n' 9.430/96, art. 44, inc. I, a multa de oficio, prevista no art. 49, inciso I, da Medida Provisória n' 298/91, convertida na Lei n' 8.218/91, foi reduzida para 75%, a qual deve ser aplicada ao caso vertente por força do disposto no art. 106, inc. II, alínea "c", do CTN. Isto posto, dou provimento parcial ao recurso para afastar a exigência relativa às parcelas do crédito tributário extintas, por compensação, na forma dos demonstrativos de cálculos oriundos da diligência, bem como para reduzir a multa de oficio para 75% quanto às parcelas remanescentes. Sala das Sessões, em 10 de novembro de 1998 ANT, 11! é • : • EIRO 4
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Numero do processo: 10880.720012/2011-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
CIDE. REMESSAS AO EXTERIOR. ROYALTIES. A partir de 1/1/2002, a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) incide também sobre o valor de royalties, a qualquer título, que a pessoa jurídica pagar, creditar, entregar, empregar ou remeter a residente ou domiciliado no exterior, inclusive os royalties decorrentes de licença e direito de uso na exploração e transmissão de filmes, programas e eventos em televisão por assinatura.
CIDE X CONDECINE - INEXISTÊNCIA DE DUPLA TRIBUTAÇÃO.
CIDE ora exigida é muito mais específica do que a CONDECINE. Enquanto aquela contribuição somente incide sobre os royalites remetidos ao exterior em decorrência da comercialização dos direitos autorais relativos às obras intelectuais e criativas, já CONDECINE, por sua vez, incide sobre os pagamentos devidos em razão da aquisição ou importação de tais obras, a preço fixo, ou seja, possui um âmbito de incidência muito mais amplo e genérico do que a CIDE-royalties.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.854
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Demes Brito- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Henrique Pinheiro Torres,Tatiana Midori Miyiana, Demes Brito Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas, Érika Costa Camargos, Júlio César Alves Ramos, Vanessa Cecconello e Maria Teresa Martínez.
Nome do relator: DEMES BRITO
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REMESSAS AO EXTERIOR. ROYALTIES. A partir de 1/1/2002, a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) incide também sobre o valor de royalties, a qualquer título, que a pessoa jurídica pagar, creditar, entregar, empregar ou remeter a residente ou domiciliado no exterior, inclusive os royalties decorrentes de licença e direito de uso na exploração e transmissão de filmes, programas e eventos em televisão por assinatura. CIDE X CONDECINE INEXISTÊNCIA DE DUPLA TRIBUTAÇÃO. CIDE ora exigida é muito mais específica do que a CONDECINE. Enquanto aquela contribuição somente incide sobre os royalites remetidos ao exterior em decorrência da comercialização dos direitos autorais relativos às obras intelectuais e criativas, já CONDECINE, por sua vez, incide sobre os pagamentos devidos em razão da aquisição ou importação de tais obras, a preço fixo, ou seja, possui um âmbito de incidência muito mais amplo e genérico do que a CIDEroyalties. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 00 12 /2 01 1- 19 Fl. 3122DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 10880.720012/201119 Acórdão n.º 9303003.854 CSRFT3 Fl. 3.123 2 Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Henrique Pinheiro Torres,Tatiana Midori Miyiana, Demes Brito Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas, Érika Costa Camargos, Júlio César Alves Ramos, Vanessa Cecconello e Maria Teresa Martínez. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte contra ao acórdão nº 3202000.822, proferido pela 4ª Câmara/3ª Turma da 3º Seção, julgado em 23 de julho de 2013, que negou provimento ao Recurso, determinando a cobrança da CIDE – Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – Remessas ao Exterior, sobre pagamentos efetuados em decorrência de contratos celebrados pela Contribuinte com empresas programadoras, situadas no exterior, para aquisição de licença para a exploração e transmissão de filmes, programas e eventos em televisão por assinatura. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 CIDE. REMESSAS AO EXTERIOR. ROYALTIES. A partir de 1/1/2002, a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) incide também sobre o valor de royalties, a qualquer título, que a pessoa jurídica pagar, creditar, entregar, empregar ou remeter a residente ou domiciliado no exterior, inclusive os royalties decorrentes de licença e direito de uso na exploração e transmissão de filmes, programas e eventos em televisão por assinatura. Recurso Voluntário negado. O presente litígio decorre de lançamento de ofício, veiculado através de auto de infração (e fls. 2.847/ss) lavrado e com ciência em 19/01/2011, para a cobrança da CIDE – Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – Remessas ao Exterior, multa de ofício e juros de mora, no montante de R$ 20.570.622,36, em decorrência da incidência do tributo sobre pagamentos efetuados ao exterior em contrapartida pelo uso ou exploração de direitos autorais sobre obra artística, inclusive para a exploração e transmissão de filmes, programas e eventos em televisão por assinatura. Fl. 3123DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 10880.720012/201119 Acórdão n.º 9303003.854 CSRFT3 Fl. 3.124 3 Para elucidar os fatos e destacar os argumentos trazidos pelas partes transcrevese o Relatório constante da decisão de primeira instância administrativa (efls. 2.949/ss), verbis: Relatório: Em fiscalização foi apurada falta/insuficiência de recolhimento da CIDE na remessa de valores ao exterior a título de Remuneração de Direitos – Royalties, pela licença para explorar direito de transmissão de programação, ou seja, explorar direito que pertence à licenciante/programadora, sendo lançadas nos meses acima contribuições cuja soma é R$ 20.570.622,36 com multas de 75%, com base legal do lançamento da contribuição nos arts. 2º e 3º da Lei 10.168/2000, alterada pela Lei 10.332/2001, conforme Termo de Verificação e Auto de Infração (fls 2847 a 2868). A ciência pessoal deuse em 19/01/2001 (fl 2.865). Em 16/01/2011 a empresa impugnou (fl. 2.872): arguiu tempestividade da impugnação; transcreveu doutrina e pediu julgamento pela improcedência, alegando, em suma: a) contrata licenças para exibir e explorar direito de transmissão de obras audiovisuais, sujeitas ao IRF Fonte e Condecine; b) pelo caput do artigo 2º, da Lei 10.168/2000, a incidência da CideRemessas se restringe aos contratos do domínio tecnológico e a ampliação das hipóteses pela Lei 10.332/01,“royalties a qualquer título” não pode ser interpretada como todo e qualquer rendimento dessa espécie, tais como os autorais, mas apenas aos de conteúdo tecnológico ou com transferência de tecnologia; c) os royalties pagos ao exterior submetemse à Condecine, pelo critério de especialidade, não incidindo a Cide Remessas (Lei 10.168/2000), pois não possuem conteúdo tecnológico; d) aplicar contribuição interventiva (art 149, CF/88) é excepcional, extraordinário e finalístico (transcreve doutrina sobre o tema); e) a interpretação literal do auto de infração é equivocada, em face da sistemática e teleológica; f) os royalties de direitos autorais pela exploração de obras cinematográficas e videofonográficas submetemse à Condecine (MP 2.2281/01); g) os princípios gerais de direito tributário vedam a dupla tributação “bis in idem” (CideRemessas e Condecine); h) a Condecine é norma especial (LICC, atual LIDB, Lei 12.376/2010 e afasta a norma geral da Cide Remessas de royalties em geral; i) decisões colegiadas tiram a CideRemessas dos royalties de direitos autorais (transcreve ementas e doutrina). Ao final, pede julgamento pela improcedência e cancelamento total do lançamento, sintetizando esses argumentos. Fl. 3124DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 10880.720012/201119 Acórdão n.º 9303003.854 CSRFT3 Fl. 3.125 4 A 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo proferiu o Acórdão n.º 1630.552 de 30/03/2011 (efolhas 2.949/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 CANCELAMENTO/NULIDADE. INOCORRÊNCIA. As hipóteses previstas de cancelamento/nulidade, definidas no artigo 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, não ocorreram. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 INTERPRETAÇÃO LITERAL, SISTEMÁTICA E TELEOLOGICA. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário e outorga de isenção (art 111, CTN). PRINCÍPIO GERAL DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O princípio geral de direito tributário das contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas é a incidência múltipla, exceto quando definido em lei (art. 149, § 4°, CF/88). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 CIDE. REMESSAS AO EXTERIOR. ROYALTiIES A partir de 1/1/2002, incide a cada mês, a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) também sobre o valor de royalties que a pessoa jurídica pagar, creditar, entregar, empregar ou remeter, a qualquer título, a residente ou domiciliado no exterior (art. 6°, Lei n° 10.332/2001).Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A interessada cientificada do Acórdão em 02/06/2011 (efolha 2.964), interpôs Recurso Voluntário em 01/07/2011 (efolhas 2.965/ss), onde repisa os mesmos argumentos trazidos em sua impugnação, acrescentando comentários e ponderações sobre a decisão recorrida". Irresignada com tal decisão, a Contribuinte, interpõe o presente recurso, sustentando que o acórdão recorrido diverge do posicionamento consubstanciado nos acórdãos nºs 30335.834 e 10707.713, requerendo, no mérito por sua reforma. Suscita duas divergências: A Incidência da CIDE sobre valores pagos, creditados, entregues, empregados ou Fl. 3125DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 10880.720012/201119 Acórdão n.º 9303003.854 CSRFT3 Fl. 3.126 5 remetidos ao exterior a título de resultados advindos da exploração comercial de obras audiovisuais; e a exigência da CIDEroyalties sobre os mesmos fatos que baseiam a incidência da CONDECINE, reclama que deveria permanecer a segunda, que seria mais específica. Regularmente intimada, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões. É o relatório. Voto Demes Brito Conselheiro Relator Admissibilidade do Recurso Inicialmente, cabe ressaltar que a admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Observo, que o cotejo das decisões paradigmas comprovam as divergências. Portanto, conheço do Recurso. Objeto da Lide/Mérito Com efeito, a controvérsia cravase na discussão referente à incidência da CIDE – Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – Remessas ao Exterior, sobre pagamentos efetuados em decorrência de contratos celebrados pela Contribuinte com empresas programadoras, situadas no exterior, para aquisição de licença para a exploração e transmissão de filmes, programas e eventos em televisão por assinatura. Com essas considerações, passo ao julgamento do Recurso. A Lei 10.168/00, publicada em 29.12.2000, instituiu a CIDE destinada a estimular o desenvolvimento tecnológico brasileiro, mediante o financiamento do Programa de Estimulo à Interação UniversidadeEmpresa para o Apoio à Inovação, também criado pela referida Lei. O teor dos arts. 1º e 2º da Lei 10.168/00, transcrevo a redação original: “Art. 1o Fica instituído o Programa de Estímulo à Interação Universidade Empresa para o Apoio à Inovação, cujo objetivo principal é estimular o desenvolvimento tecnológico brasileiro, mediante programas de pesquisa científica e tecnológica cooperativa entre universidades, centros de pesquisa e o setor produtivo. Art. 2º. Para fins de atendimento ao programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. Fl. 3126DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 10880.720012/201119 Acórdão n.º 9303003.854 CSRFT3 Fl. 3.127 6 Parágrafo. 1º Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. Parágrafo. 2º A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrentes das obrigações indicadas no caput deste artigo. Parágrafo. 3º A alíquota da contribuição será de 10%. (...).” Em 19.12.01, foi editada a Lei 10.332/01, que, alterando os parágrafos. 2º, 3º e 4º do art. 2º da Lei 10.168/00, acabou por ampliar o âmbito de incidência da CIDE. Os referidos dispositivos legais passaram a ter a seguinte redação: “Art. 2º (...). Parágrafo. 2º A partir de 1o de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. Parágrafo. 3o A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2o deste artigo. Parágrafo. 4º A alíquota da contribuição será de 10% (dez por cento). Parágrafo. – 5º O pagamento da contribuição será efetuado até o último dia útil da quinzena subseqüente ao mês de ocorrência do fato gerador.” Com efeito, a Lei nº 10.332/2001, ao proceder nova redação ao §2º do artigo 2º da Lei nº 10.168/2000, alargou o campo de incidência da CIDE, fazendoa incidir, a partir de 01/01/2002, sobre contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior e pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. Quanto a discussão sobre a constitucionalidade das alterações trazidas pela Lei nº10.332/2001, este colegiado não pode discutir, em razão Súmula CARF n° 02. Como bem fundamento pelo Ilustre Relator da turma baixa, Luís Eduardo Garrossino Barbieri: "a alteração trazida pela Lei nº 10.332/2001 o legislador não restringiu Fl. 3127DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 10880.720012/201119 Acórdão n.º 9303003.854 CSRFT3 Fl. 3.128 7 a incidência da CIDE apenas aos casos em que há transferência de tecnologia. Não restam dúvidas, que a partir de 1º de janeiro de 2002, a referida contribuição passou a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior e pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior (art. 2º, § 2º, da Lei n. 10.168/00)". Portanto, fica claro a incidência sobre valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente de transferência de tecnologia (caput do artigo 2º); serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes (primeira parte do §2º do artigo 2º); e royalties, a qualquer título (parte final do §2º do artigo 2º). Verificase ainda, quanto à CIDE instituída pela Lei 10.168/00, os fins que lhe são correlatos relacionamse, primordialmente com a promoção e o incentivo do desenvolvimento nacional na área de ciência e da tecnologia, o que se evidencia diante da previsão de que os recursos obtidos com a sua arrecadação serão destinados, integralmente, ao Fundo Nacional Desenvolvimento Científico e Tecnológico (art. 4º); os recursos desse Fundo, por sua vez, financiam diversos Programas relacionados a atividades de pesquisa e desenvolvimento científico tecnológico. Assim, a finalidade da referida contribuição tem por objetivo a fomentar o setor tecnológico nacional, tornandoo menos dependente de importações estrangeiras. De modo que, a norma que regula a chamada CIDERoyalties determina que ela é devida pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. Portanto, não resta dúvidas que os valores remetidos ao exterior pela Contribuinte tratase de royalties. A remuneração pelo direito de transmitir seriados e filmes de televisão, não poderia ter outra natureza, considerando a contraprestação pela aquisição de obras criativas de autoria de terceiros. Os Royalties para Legislação Tributária A este propósito, contra tal pretensão, Denis Borges Barbosa (p.12) leciona a essencialidade de que se entenda o que são royalties para legislação tributária1, transcrevo parte de seu estudo: Definição de royalties A noção de royalties , ou regalias, é construída na legislação tributária interna pelo art. 22 da Lei 4.506/64. Segundo a lei, são royalties “os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição ou exploração de direitos, tais como: a) direitos de colher ou extrair recursos vegetais, 1 Siqueira.Marcelo, Barbosa, Borges.Denis. Do poder do titular de marcas de cobrar royalties disponível em: http://docplayer.com.br/3942046Dopoderdotitulardemarcasdecobrarroyaltiesdenisborgesbarbosae marcelosiqueirasetembrode2012.html#show_full_text. Acessado em 10/04/2016. Fl. 3128DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 10880.720012/201119 Acórdão n.º 9303003.854 CSRFT3 Fl. 3.129 8 inclusive florestais; b) direito de pesquisar e extrair recursos minerais; c) uso ou exploração de invenções, processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra”. uso ou pela concessão do uso de direitos de autor sobre obras literárias, artísticas ou científicas (inclusive dos filmes cinematográficos, filmes ou fitas de gravação de programas de televisão ou radiodifusão) Neste sentido, o termo royalties esta contido no artigo 22 da Lei nº 4.506/64, verbis: Art. 22. Serão classificados como "royalties" os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: a) direito de colhêr ou extrair recursos vegetais, inclusive florestais; b) direito de pesquisar e extrair recursos minerais; c) uso ou exploração de invenções, processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra. Conforme visto, a norma acima descrita, caracterizase como royalty qualquer rendimento decorrente do uso, da fruição ou exploração de direitos, inclusive no caso da Contribuinte, a exploração de direitos autorais. A este propósito, o artigo 1º da Lei nº 9.610/98, trata o que são direitos autorais, remetendo a leitura do art. 7º, ao cuidar dos direitos autorais, que determinam as obras intelectuais, dentre outras hipóteses, as audiovisuais: Art. 1º Esta Lei regula os direitos autorais, entendendose sob esta denominação os direitos de autor e os que lhes são conexos. (...) Art. 7º São obras intelectuais protegidas as criações do espírito, expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que se invente no futuro, tais como: (...) VI.as obras audiovisuais, sonorizadas ou não, inclusive as cinematográficas; Neste passo, os valores remetidos ao exterior pela Contribuinte tratase de royalties, considerando a remuneração pelo direito de transmitir seriados e filmes de televisão, não possuir outra natureza. Fl. 3129DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 10880.720012/201119 Acórdão n.º 9303003.854 CSRFT3 Fl. 3.130 9 Não obstante, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no acórdão de nº 9303 01.864, processo relatado pelo Ilustre Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, decidiu que o pagamento, o creditamento, a entrega, o emprego ou a remessa de royalties, a qualquer título, a residentes ou domiciliados no exterior são hipóteses de incidência da CIDE. Transcrevese a ementa do julgado: CIDE ROYALTIES. REMESSA DE ROYATIES PARA RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR INCIDÊNCIA. O pagamento, o creditamento, a entrega, o emprego ou a remessa de royalties, a qualquer título, a residentes ou domiciliados no exterior são hipóteses de incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico criada pela Lei 10.168/2000. Para que a contribuição seja devida, basta que qualquer dessas hipóteses seja concretizada no mundo fenomênico. O pagamento de royalties a residentes ou domiciliados no exterior royalties, a título de contraprestação exigida em decorrência de obrigação contratual, seja qual for o objeto do contrato, faz surgir a obrigação tributária referente a essa CIDE. Recurso Especial do Procurador Provido. Inexistência de dupla tributação sobre o mesmo fato gerador CONDECINE A Contribuinte sustenta em seu recurso, que os royalties pagos em razão da aquisição de direitos de licenciamento para exibição e exploração de obras audiovisuais estariam fora da incidência da CIDE por já estarem inseridas no âmbito da Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional – a CONDECINE, e admitir a cobrança cumulativa de ambas as contribuições seria, no seu entender, permitir a dupla tributação de um mesmo fato gerador do mesmo sujeito passivo, o que caracterizaria uma dupla tributação. Penso de modo distinto. Com efeito, o critério essencial para a verificação da validade de uma CIDE, nos termos do que demonstrado outrora, não é a sua hipótese de incidência, mas sim a finalidade para as quais elas são instituídas, em minha visão, não considero a dupla tributação como sustenta a Contribuinte. A CIDEroyalties destinase a financiar o programa de estímulo à interação universidadeempresa para apoio á inovação, já a CONDECINE, destinase a fomentar o desenvolvimento das industrias cinematográfica e videofonográfica, incentivando, assim, as manifestações culturais. Essa é a determinação das leis que instituíram as referidas contribuições. Transcrevo para que interessa: MP 22281/01 – CONDECINE Art. 34. O produto da arrecadação da Condecine será destinado ao Fundo Nacional da Cultura – FNC e alocado em categoria de programação específica denominada Fundo Setorial do Audiovisual, para aplicação nas atividades de fomento relativas aos Programas de que trata o art. 47 desta Medida Provisória. Fl. 3130DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 10880.720012/201119 Acórdão n.º 9303003.854 CSRFT3 Fl. 3.131 10 Art. 47. Como mecanismos de fomento de atividades audiovisuais, ficam instituídos, conforme normas a serem expedidas pela Ancine: I o Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Cinema Brasileiro PRODECINE, destinado ao fomento de projetos de produção independente, distribuição, comercialização e exibição por empresas brasileiras; Art. 47. Como mecanismos de fomento de atividades audiovisuais, ficam instituídos, conforme normas a serem expedidas pela Ancine: I o Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Cinema Brasileiro PRODECINE, destinado ao fomento de projetos de produção independente, distribuição, comercialização e exibição por empresas brasileiras; II o Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Audiovisual Brasileiro PRODAV, destinado ao fomento de projetos de produção, programação, distribuição, comercialização e exibição de obras audiovisuais brasileiras de produção independente; LEI 10.168/01 – CIDE Art. 1o Fica instituído o Programa de Estímulo à Interação Universidade Empresa para o Apoio à Inovação, cujo objetivo principal é estimular o desenvolvimento tecnológico brasileiro, mediante programas de pesquisa científica e tecnológica cooperativa entre universidades, centros de pesquisa e o setor produtivo. Art. 2º Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico (...) (grifamos). Como se observa pelas transcrições, não há dupla tributação, considerando que a CIDE tem sua destinação a viabilizar a intervenção estatal na economia para organizar e desenvolver setor essencial, que não possa ser desenvolvido com eficácia no regime de competição de liberdade de iniciativa. Enquanto a CONDECINE, tem por objetivo atender o setor cinematográfico e videofonográfico, portanto, ambas as normas possuem destinações e e fatos geradores distintos. Neste passo, destaco os dispositivos da MP n° 22281/01, com as alterações introduzidas pela lei nº 10.454/2002: Art. 1º Para fins desta Medida Provisória entendese como: I obra audiovisual: produto da fixação ou transmissão de imagens, com ou sem som, que tenha a finalidade de criar a impressão de movimento, independentemente dos processos de captação, do suporte utilizado inicial ou posteriormente para fixálas ou transmitilas, ou dos meios utilizados para sua veiculação, reprodução, transmissão ou difusão; (...) Fl. 3131DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 10880.720012/201119 Acórdão n.º 9303003.854 CSRFT3 Fl. 3.132 11 III obra video fonográfica: obra audiovisual cuja matriz original de captação é um meio magnético com capacidade de armazenamento de informações que se traduzem em imagens em movimento, com ou sem som; (...)” Art. 32. A Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional CONDECINE terá por fato gerador a veiculação, a produção, o licenciamento e a distribuição de obras cinematográficas e videofonográficas com fins comerciais, por segmento de mercado a que forem destinadas. (Vide Lei nº 10.454, de 13.5.2002) Parágrafo único. A CONDECINE também incidirá sobre o pagamento, o crédito, o emprego, a remessa ou a entrega, aos produtores, distribuidores ou intermediários no exterior, de importâncias relativas a rendimento decorrente da exploração de obras cinematográficas e videofonográficas ou por sua aquisição ou importação, a preço fixo.” Art. 35. A CONDECINE será devida pelos seguintes sujeitos passivos: (...) III o responsável pelo pagamento, crédito, emprego, remessa ou entrega das importâncias referidas no parágrafo único do art. 32.” Com efeito, verificase que, a CIDE ora exigida é muito mais específica do que a CONDECINE. Enquanto aquela contribuição somente incide sobre os royalites remetidos ao exterior em decorrência da comercialização dos direitos autorais relativos às obras intelectuais e criativas, já CONDECINE, por sua vez, incide sobre os pagamentos devidos em razão da aquisição ou importação de tais obras, a preço fixo, ou seja, possui um âmbito de incidência muito mais amplo e genérico do que a CIDEroyalties. Portanto, inexiste coincidência entre os elementos estruturais das normas jurídicas de incidência das contribuições em tela, de modo que a CIDE tem destinação distinta da CONDECINE. Não há o que se falar em dupla tributação. Conclusões Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da contribuinte, para manter o acórdão recorrido por seus próprios e jurídicos fundamentos. É como voto é como penso. Demes Brito Fl. 3132DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 10880.720012/201119 Acórdão n.º 9303003.854 CSRFT3 Fl. 3.133 12 Fl. 3133DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por DEMES BRITO
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Numero do processo: 16327.002216/2005-80
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. Até a entrada em vigor do art. 38 da Medida Provisória nº 563, de 2012, convertida na Lei nº 12.715, de 2012, integravam o custo, para efeito de dedutibilidade na determinação do lucro real até o valor que não excedesse ao preço determinado pelo Método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), o valor do frete e do seguro, cujo ônus tivesse sido do importador, e os tributos incidentes na importação.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9101-002.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em conhecer, por unanimidade de votos, o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar provimento por voto de qualidade, com retorno dos autos à Turma a quo, vencidos os Conselheiros Luis Flávio Neto, Helio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente Convocado), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Nathália Correia Pompeu e Maria Teresa Martinez Lopez. Os Conselheiros Luís Flávio Neto e Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) apresentarão declaração de voto.
(Assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
(Assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, NATHALIA CORREIA POMPEU, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO.
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. Até a entrada em vigor do art. 38 da Medida Provisória nº 563, de 2012, convertida na Lei nº 12.715, de 2012, integravam o custo, para efeito de dedutibilidade na determinação do lucro real até o valor que não excedesse ao preço determinado pelo Método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), o valor do frete e do seguro, cujo ônus tivesse sido do importador, e os tributos incidentes na importação. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em conhecer, por unanimidade de votos, o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar provimento por voto de qualidade, com retorno dos autos à Turma a quo, vencidos os Conselheiros Luis Flávio Neto, Helio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente Convocado), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Nathália Correia Pompeu e Maria Teresa Martinez Lopez. Os Conselheiros Luís Flávio Neto e Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) apresentarão declaração de voto. (Assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente (Assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 22 16 /2 00 5- 80 Fl. 2791DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.002216/200580 Acórdão n.º 9101002.314 CSRFT1 Fl. 2.792 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, NATHALIA CORREIA POMPEU, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO. Relatório Por bem descrever os fatos, reproduzo o relatório da decisão recorrida (destaques do original): Tratase de retorno de diligência fiscal, cujo relatório anteriormente elaborado segue abaixo transcrito: Tratamse os autos de infração de lançamento de crédito tributário proveniente de preços de transferência praticados pelo contribuinte nas importações, nos montantes de R$ 4.633.815,14 a título de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), acrescido da multa de oficio de 75% (setenta e cinco por cento), na importância de R$ 3.475.361,35 e dos juros de mora, na quantia de R$ 3.932.255,52, e R$ 1.668.173,45 de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), acrescido da multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), na importância de R$ 1.251.130,08 e dos juros de mora, na quantia de R$ 1.415.611,98, ambos lavrados em 26/12/2005. Assim, iniciada a fiscalização, a contribuinte foi intimada a prestar informações sobre referidas importações relativas ao ano de 2000. Das informações prestadas e cálculos elaborados pela Fiscalização, esta entendeu que a empresa estaria indevidamente utilizando o valor do preço FOB, e não o valor CIF das importações para cálculo do preço praticado pelo método PRL (Preço de revenda menos o Lucro). Alterando o valor FOB pelo CIF no cálculo do preço praticado pela contribuinte, o Fisco acabou por apurar excesso de custo nas importações efetuadas, valor este que foi adicionado ao Lucro Real e à base de cálculo da CSLL, no montante de R$ 18.535.260,57. De fato, no Termo de Constatação e Verificação Final, o Fiscal esclarece que o contribuinte deixou de adicionar à base de cálculo do IRPJ e CSLL os valores excedentes entre o preço parâmetro e o praticado na importação de bens pelo método Preço de Revenda menos Lucro (PRL), conforme determinam os artigos 18 e 23 da Lei nº 9.430, de 1996, artigos 5º, I, 12, § 3º e 36 da Instrução Normativa SRF nº 38, de 1997, e artigos 4º § 4º, 12, §§ 2º e 3º, e 43 da Instrução Normativa SRF nº 32, de 30 de março de 2001. Além disso a fiscalização apresenta CDrom com 7 anexos de planilhas de cálculos para demonstrar como apurou o montante tributável. Fl. 2792DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.002216/200580 Acórdão n.º 9101002.314 CSRFT1 Fl. 2.793 3 Para melhor elucidação da questão segue trecho dos esclarecimentos prestados pela autoridade fiscalizadora: O valor do frete e do seguro internacionais, bem como o Imposto de Importação certamente não poderia deixar de integrar o preço parâmetro, pois, apesar de normalmente não serem valores pagos à empresa vinculada no exterior, estes valores são agregados ao custo da importação e compõem o preço pelo qual a mercadoria importada ficou efetivamente disponível para o importador no Brasil, ora sob fiscalização. Ora, para comparar dois preços, é essencial que ambos estejam no mesmo patamar de valores agregados. Quando do cálculo do preçoparâmetro, no caso de PRL, por exemplo, as únicas parcelas a serem deduzidas, de acordo com a legislação são: descontos incondicionais, impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, comissões e a margem de lucro. Se as parcelas de frete, seguro internacionais e Imposto de Importação não podem ser deduzidas do preçoparâmetro porque não há previsão legal para tanto, então devem obrigatoriamente integrar o preço praticado, caso contrário, isto é, caso estas parcelas integrem o preçoparâmetro mas não integrem o preço praticado, estará ocorrendo uma distorção no cálculo do preço parâmetro, pois estes valores integrando somente o preçoparâmetro estarão aumentando este valor indevidamente e irão fazer parecer que a margem de lucro do contribuinte é maior, quando, na verdade, a diferença entre o parâmetro e o praticado estaria sendo aumentada artificialmente através da dedução indevida de parcelas de frete e seguro internacionais e imposto de importação somente no preço praticado. Intimada do auto de infração em 27/12/2005, a autuada apresentou sua impugnação, fls. 728/756), na qual sustenta, em preliminar, erros de cálculo na apuração dos valores unitários, uma vez que o valor total do frete deveria ser dividido pelas quantidades adquiridas para que fosse apurado seu valor unitário e, no entanto foi multiplicado pelas quantidades, resultando em um valor não pago pela empresa. Citou, como exemplo, três produtos em que houve o erro, e requer, caso haja necessidade, a comprovação do aludido erro para os demais itens, sem os obstáculos de que trata o artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Ainda em preliminar, argui a falta de fundamentação legal dos autos de infração, em desobediência ao artigo 10, inciso IV, do PAF, haja vista que o enquadramento no artigo 245 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 não condiz com a realidade dos autos. Quanto à Contribuição Social sobre o Lucro, também há erro no enquadramento legal, pois os artigos citados determinam, de forma genérica, o que deve compor a base de cálculo deste tributo, não se prestando a determinar o preço comparável, o método e os ajustes inerentes à questão, para concluir, ao final, que não lhe foi dado conhecimento do conceito exato que a autoridade fiscal julga que teria ela infringido, como também da base legal que poderia justificar os lançamentos, para que pudesse realizar uma defesa. Fl. 2793DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.002216/200580 Acórdão n.º 9101002.314 CSRFT1 Fl. 2.794 4 Além disso, alega, em preliminar, confusão no relatório do Fisco quanto ao conceito de custo, preço praticado e preçoparâmetro. Ainda, sustenta que o artigo 5º, inciso II, da Constituição Federal determina que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei, de forma que, se não há previsão legal para deduzir parcelas do preçoparâmetro, também não há para somálas no preço praticado. Por fim, acrescenta que a Fiscalização baseouse em atos normativos posteriores à época da ocorrência do fato gerador, como no caso da Instrução Normativa SRF/nº 32, de 2001, que define em seu artigo 4º, § 4º, o dever de ser integrado ao preço parâmetro os valores de transporte, seguro e tributos não recuperáveis, enquanto o mesmo artigo e parágrafo do Instrução Normativa SRF/nº 38, de 1997, utiliza vocabulário distinto. Quanto ao mérito, sustenta que está correta a utilização do preço FOB da mercadoria ou insumo, que corresponde exatamente ao valor pago às pessoas vinculadas localizadas no exterior. Requer a correta interpretação do artigo 18 da Lei nº 9.430/96, vez que esta, ao tratar de custos, encargos e despesas constantes nos documentos de importação, não se refere ao custo CIF (de aquisição), nem do imposto de importação do bem, mas tão somente do preço efetivamente pago para pessoa vinculada, no qual poderia transferir lucros para o exterior, ou seja, o preço FOB. Alerta que o § 5º do artigo 18 da Lei nº 9.430, de 1996, e o artigo 36 da IN/SRF/nº 38, de 1997, referemse à comparação de preços e não de custo. E que o § 6º do artigo da lei traz o termo para efeito de dedutibilidade, e não comparabilidade. Por fim, traz à colação julgados do Conselho de Contribuintes que tratam da limitação trazida por instruções normativas da Receita Federal ao uso do método PRL. A 5ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto deu a procedência do lançamento relativo ao IRPJ, bem como à CSLL, nos seguintes termos: Que não houve insuficiência na indicação dos dispositivos legais infringidos pois, no Termo de Constatação e Verificação Final, peça integrante dos Autos de Infração, há esclarecimentos quanto à legislação aplicada ao caso. Que a impugnante não demonstrou os erros cometidos pelo Fisco no cálculo do preço praticado e, tão somente, os informou em apenas 3 (três) produtos, de forma que, após o prazo para impugnação, não mais poderá fazêlo, motivo pelo qual sua alegação não pode elidir o lançamento. Que, diferentemente do que alega a impugnante, no Método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos diminuídos dos descontos condicionais concedidos, dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, das comissões e corretagens pagas e da presumida margem de lucro de 20% (vinte por cento), tanto o preço parâmetro como o praticado Fl. 2794DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.002216/200580 Acórdão n.º 9101002.314 CSRFT1 Fl. 2.795 5 devem ser compostos pelo preço CIF. Que inclusive a própria contribuinte, ao prestar ao Fisco informações sobre os ajustes de preços de transferência, detectou, ela própria, excesso passível de adição ao lucro real na ordem de R$ 1.124.504,90. Ainda na decisão recorrida, o Ilustre Julgador esclarece que: “o cerne da questão está na apuração do efetivo preço praticado entre a empresa importadora, a recorrente, e suas vinculadas no exterior. Enquanto o Fisco entende que se deva partir do valor CIF (Cost Insurance and Freight), adicionado ainda do imposto de importação, a recorrente é firme na tese da utilização do valor FOB (Free On Board).” Esclarece ainda que é completamente descabida a interpretação da contribuinte referente ao § 6º do artigo 18 da Lei 9.430/96 Outro ponto não acolhido pela DRJ foi quanto à alegada retroatividade da Instrução Normativa SRF/nº 32, de 30 de março de 2001, em razão de que, na própria Instrução, o art. 43 reza sobre sua aplicabilidade às operações praticadas a partir de 1º de janeiro de 1997. Ademais, a exigência fiscal tem por sustentáculo legal o artigo 18 da Lei nº 9.430/96, já vigente à época dos fatos. Por fim, quanto aos acórdãos do Conselho de Contribuintes colacionados pela Impugnante, entende aquela D. DRJ que, embora versem sobre preço de transferência, não trazem relação à discussão em tela, haja vista tratar expressamente sobre a vedação ao contribuinte, constante na Instrução Normativa SRF/nº 38, de 1997, na apuração de preço parâmetro, pelo método PRL, quando da importação de insumos destinados à produção, pela própria importadora, de outro bem, serviço ou direito. Pois bem, mantido o auto de infração de forma integral, o contribuinte foi intimado, da r. decisão em 23/05/2006 e apresentou recurso tempestivo em 21/06/2006, alegando, em preliminar, a nulidade do auto por (i) tributar custos pagos a terceiros dedutíveis pela legislação fiscal; (ii) conter graves erros na determinação do preço parâmetro; (iii) apresentar inconsistência dos dispositivos invocados no auto de infração; (iv) justificar lançamento com base em Instrução Normativa vigente somente no ano seguinte aos fatos geradores em questão. E quanto ao mérito, sustenta a recorrente que, para cálculo do preço praticado, deverá ser utilizado o valor FOB, e não CIF, uma vez que consta no documento de importação exatamente o primeiro. Além disso, afirma que os custos de frete, seguro e tributos incidentes na importação, mencionados no parágrafo 6º do artigo 18 da Lei 9.430/96, devem ser dedutíveis do IRPJ independente do método utilizado para apurar o preço de transferência. Alega ainda que a interpretação das leis de direito tributário deverão ser de forma literal, nos termos do artigo 111 do CTN; Que IN não pode modificar o que dispõe a Lei, muito menos retroagir; Discorre, ainda, sobre as distorções contidas nos cálculos apresentados pela fiscalização, uma vez que o preço praticado foi Fl. 2795DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.002216/200580 Acórdão n.º 9101002.314 CSRFT1 Fl. 2.796 6 muito superior ao parâmetro, diferença esta ocorrida em razão da multiplicação do valor do frete, ao invés de dividilo pelo número de produtos contidos na nota fiscal. Com o intuito de demonstrar o erro nos cálculos efetuados pela D. Fiscalização, a empresa, no dia 31/07/2006, trouxe aos autos Laudo de Avaliação dos Custos das Aquisições das Importações de Pessoas Vinculadas que Impactaram no Lucro Tributável do Anocalendário de 2000, elaborado pela Deloitte Touche Tohmatsu Consultoria Tributária. No referido Laudo o consultor tributário sustenta que, de fato, houve erro na apuração dos preços apurados pelo Fisco e que, em razão deste fato, o auto de infração deveria ser reduzido para 1RPJ R$ 1.408.529,27 e CSLL R$ 507.070,54. É o relatório, em síntese. Na sessão do dia 28/02/2007, a antiga 1º Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes entendeu por bem, diante dos possíveis equívocos cometidos no procedimento fiscal quanto à apuração do valor do frete dos produtos importados, converter o julgamento em diligência, para que fossem analisados os documentos colacionados pela recorrente, bem como conferidos os cálculos elaborados pelo agente fiscal para obtenção do correto preço praticado pelo contribuinte. Desta feita, foi realizada diligência e, segundo “Relatório Final da Diligência” (fls. 2118/2121), constatouse que havia erro tanto nos dados fornecidos pela Recorrente durante a fiscalização, quanto nos dados apurados pelo Fisco. O contribuinte, em algumas operações de importação, preencheu os campos destinados ao valor unitário de frete, seguro e imposto de importação de um produto com o valor total destes custos na operação. Neste sentido, assim dispõe o Relatório Final da Diligência: Verificamos então, durante a reunião, que, aparentemente, os valores de frete, seguro e imposto de importação unitários foram informados pelo contribuinte erroneamente para algumas operações de importação, tendo em vista que este preencheu como valor total de frete (frete de todas as unidades importadas numa operação)para o produto no campo onde era esperado o valor unitário de frete (frete de cada unidade importada numa operação do produto. O mesmo ocorreu com o seguro e imposto de importação. Mesmo após as correções efetuadas pelo contribuinte, o Fisco verificou que ainda havia diferença entre os valores apontados no laudo elaborado pela empresa de consultoria contratada pela Recorrente e os valores por ele apurados. Desta forma, a fiscalização apurou novamente todos os valores FOB e CIF de cada produto, conforme abaixo relatado (fl. 2120): Na busca pelo motivo das diferenças, observei que o valor da coluna “FOB R$” do arquivo de importações, em alguns casos, estava incompatível com os valores originais extraídos do Siscomex. Como, por exemplo, deste produto 1N9900, D1 0003088280, Adição 5, sequência 5, em que o valor FOB R$ era Fl. 2796DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.002216/200580 Acórdão n.º 9101002.314 CSRFT1 Fl. 2.797 7 de R$ 19,917, enquanto que o VUCV (Valor Unitário da Condição de Venda) era de R$ 1,27 para incoterm CFR. Solicitei então, ao departamento de informática da DEAJN, nova extração dos dados originais do Siscomex (...). Analisando estes dados novamente extraídos do Siscomex, verifiquei que o VUCV também era de R$ 1,27, mas a coluna FOB R$ não pode ser comparada pois este não foi extraído do Siscomex, tendo em vista que este não é um campo existente nas tabelas do Siscomex. Este valor foi calculado a partir de outros campos pelo programa aplicativo que apura os preços de transferência. O valor CIF + II, que é a base do Preço Praticado para os preços de transferência pelo método PRL, foi calculado somandose ao valor FOB R$ os valores de Frete, Seguro e Imposto de Importação (II). Consequentemente, este preço praticado foi erroneamente apurado em decorrência desta distorção, bem como os respectivos ajustes. Para corrigir este erro então detectado, esta fiscalização, a partir do arquivo de importações, já corrigido com os valores de Frete e Seguro Unitários pelo contribuinte na primeira fase da diligência, apurou novamente todos os valores FOB R$, com base no VUCVe cláusulas INCOTERMS de cada operação. Diante disso, após a correção dos valores unitários de frete, seguro e imposto de importação pelo contribuinte, o Fisco corrigiu o valor CIF, que entendeu servir de base para o cálculo do preço praticado, e apurou novamente o valor do ajuste que foi reduzido de R$ 18.535.260,57 (Dezoito milhões, quinhentos e trinta e cinco mil, duzentos e sessenta reais e cinquenta e sete centavos) para R$ 8.846.040,75 (Oito milhões, oitocentos e quarenta e seis mil, quarenta reais e setenta e cinco centavos). Instada a se manifestar, a Recorrente entendeu que a diligência foi concluída com êxito no que tange à confirmação da ocorrência de erros de cálculo no valor do preço praticado. Por outro lado, entendeu que a diligência foi falha por não se manifestar especificamente sobre o valor do ajuste apurado pela empresa Delloite, o qual é menor do que aquele ora calculado pelo Fisco. Esclareceu a Recorrente que tal divergência entre os novos cálculos do Fisco e aqueles efetuados pela empresa de auditoria decorre do fato de que, caso realmente a Recorrente tivesse que calcular o preço praticado levando em consideração o preço CIF (com inclusão de frete, seguro e imposto de importação), o método de apuração do preço parâmetro mais favorável passaria a ser o PIC, e não mais o PRL. Desta forma, conclui que devem ser refeitos os cálculos, levandose em consideração o método PIC, já que a lei é clara ao permitir ao contribuinte se utilizar do método que lhe seja mais favorável. A Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção do CARF proferiu o Acórdão nº 110200.302, de 1 de setembro de 2010, cujas ementa e decisão transcrevo, respectivamente: IRPJ CSLL PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO (PRL) FRETES, SEGUROS E TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO Os Fl. 2797DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.002216/200580 Acórdão n.º 9101002.314 CSRFT1 Fl. 2.798 8 valores de frete, seguro e imposto de importação são custos efetivos do contribuinte que não foram pagos diretamente a pessoas vinculadas e, deste modo, não podem fazer parte do preço parâmetro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os Membros do Colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros João Otávio Oppermann Thomé e Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Inconformada, a Fazenda Nacional apresenta recurso especial por divergência, argumentando, em síntese, que o contribuinte litiga contra expressa determinação legal e, ao fazêlo, contraria robusta jurisprudência sobre o tema, não havendo, pois, reparos a serem feitos ao lançamento realizado. O recurso foi admitido pelo presidente da Primeira Câmara da Primeira Seção do CARF. Devidamente cientificado, o contribuinte apresentou contrarrazões, em que expõe novamente os argumentos anteriormente apresentados e defende que as razões pugnadas pela Fazenda Nacional são infundadas e não podem prevalecer, devendo ser mantido o entendimento do acórdão recorrido. Ao final, requer que (efls. 2.760): Caso se entenda por prover o recurso ora combatido — o que se admite apenas para fins de argumentação — requerse seja determinado o retorno dos autos à câmara baixa, para que seja reconhecido o direito da recorrida de aplicação do método que lhe é mais favorável, com fundamento na autorização prevista pelo parágrafo 4º do art. 18 da Lei nº 9.430. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, Relator O recurso é tempestivo, entendo que a divergência restou comprovada e, por isso, conheço do especial. Como bem descrito na decisão recorrida, “a matéria central da presente discussão é definir se as despesas com frete, seguro e imposto de importação devem ser adicionadas ou não ao preço praticado pela Recorrente para fins de comparação com o preço parâmetro apurado pelo método PRL (Preço de Revenda Menos Lucro).” O art. 18, § 6º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, é muito claro a esse respeito (grifei): Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o Fl. 2798DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.002216/200580 Acórdão n.º 9101002.314 CSRFT1 Fl. 2.799 9 valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: [...]. § 6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. Dessa forma, temse que, até a entrada em vigor do art. 38 da Medida Provisória nº 563, de 3 de abril de 2012, convertida na Lei nº 12.715, de 17 de setembro de 2012, integravam o custo, para efeito de dedutibilidade na determinação do lucro real até o valor que não excedesse ao preço determinado pelo Método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), o valor do frete e do seguro, cujo ônus tivesse sido do importador, e os tributos incidentes na importação. Por outro lado, “onde a lei não distinguiu, não compete ao intérprete distinguir”, não sendo, pois, adequada a tentativa de se extrair daquele dispositivo legal algo que ali não está expressamente disposto, como, por exemplo, que aquela integração ao custo somente se daria se o ônus do importador fosse decorrente de pagamento a pessoa vinculada ou de aquisição internacional (importação). Foi o que, inadvertidamente, fez a decisão recorrida — embora, contraditoriamente, reconheça que “ao Direito Tributário deve ser aplicado o princípio da legalidade estrita” (efls. 2.709): Como dito alhures, os valores do frete, seguro e imposto de importação são custos efetivos do contribuinte, que não foram pagos diretamente a pessoas vinculadas, por se tratar de operações realizadas com transportadoras, seguradoras e com a própria União e, deste modo, não podem fazer parte do preço parâmetro. É certo que, a partir de 1º de janeiro de 2013, permitiu o legislador a exclusão do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, em determinadas condições, e dos tributos incidentes na importação e gastos no desembaraço aduaneiro, mas, na época, essas exclusões não estavam autorizadas. Incide, no caso, o contido no art. 144 do Código Tributário Nacional – CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), de seguinte teor: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Apegase, ainda, a decisão recorrida, à hermenêutica histórica, em especial à Exposição de Motivos da Lei nº 9.430, de 1996, com o fito de defender a exclusão do frete, do seguro e dos tributos incidentes na importação no cálculo do Preço de Revenda menos Lucro (PRL). Ora, empregandose o mesmo método interpretativo adotado por aquela decisão, chegase a conclusão inteiramente diversa, qual seja, a de que a legislação, à época da ocorrência dos fatos, não admitia essa exclusão, como segue (Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 563, de 2012, convertida na Lei nº 12.715, de 2012, grifei): Fl. 2799DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.002216/200580 Acórdão n.º 9101002.314 CSRFT1 Fl. 2.800 10 EMI nº 00025/2012 MF/MDIC/MCTI/MEC/MC/SEP/MS/MPS [...]. 61. Como fruto de toda a experiência até então angariada no que concerne à aplicação de referidos controles, com o intuito de minimizar a litigiosidade FiscoContribuinte até então observada, e objetivando alcançar maior efetividade dos controles em questão, propõese alterações na legislação de regência. 62. Entre essas alterações, merecem destaque as seguintes: [...]; c) não consideração de montantes pagos a entidades não vinculadas ou a pessoas não residentes em países de tributação favorecida ou ainda a agentes que não gozem de regimes fiscais privilegiados a título de fretes, seguros, gastos com desembaraço e impostos incidentes sobre as operações de importação para fins de cálculo do preço parâmetro pelo método PRL, vez que tais montantes não são suscetíveis de eventuais manipulações empreendidas com o intuito de esvaziar a base tributária brasileira; 1 Diante da clareza do texto acima, caem por terra discussões estéreis acerca da pretensa distinção entre os conceitos de “dedutibilidade” e “comparabilidade” e de “preço parâmetro” e “preço praticado”, encetadas tanto pela decisão recorrida, quanto pela recorrente. Ademais, a interpretação dada pelas Instruções Normativas que regulavam os arts. 18, 21, 23 e 24 da Lei 9.430 Lei nº 9.430, de 1996, ao tratar do método PRL, ao tempo do lançamento (INs. SRF 38/1997 e 32/2001), são perfeitamente legais e se coadunam com aquelas normas, também no que diz respeito ao tratamento do frete, seguros e tributos incidentes na importação. Ainda que se admita outra intepretação possível, não se pode inquinar de ilegalidade as Instruções Normativas neste aspecto, pela simples razão de que ilegais não são, embora pudesse ter outro entendimento igualmente legal. Nestes casos há que se preservar a integridade normativa das normas complementares, com supedâneo no art. 100, inciso I, do CTN, e também em homenagem ao princípio da segurança jurídica. Por outro lado não cabe ao CARF discutir a inconstitucionalidade das leis, a teor da Súmula CARF n. 2. Nas discussões em plenário foi lembrado que votei pela exclusão do frete e seguro em situações semelhantes, quando atuava na 1ª TO da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF. De fato, foram quatro decisões, salvo engano, tomadas na mesma sessão, nos quais fui o único conselheiro que votou neste sentido (a decisão foi por maioria de cinco votos a um), o que denota a grande controvérsia que envolve a matéria. Assim, deixo claro que, após maior aprofundamento no tema e maiores discussões, mudei meu pensamento a respeito da questão, e passo adotar a posição ora expressa neste voto, pelas razões de direito acima expostas. 1 Disponível no seguinte endereço: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato20112014/2012/Exm/EMI25 MFMDICMCTIMECMCSEPMSMPSMPV%20563.doc>. Acesso em: 20 abr. 2016. Fl. 2800DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.002216/200580 Acórdão n.º 9101002.314 CSRFT1 Fl. 2.801 11 Isto posto, DOU provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, com retorno à Turma de origem, para prosseguimento no julgamento das outras matérias não enfrentadas quando do julgamento do recurso ordinário, também conforme alegado em contrarrazões. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Fl. 2801DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.002216/200580 Acórdão n.º 9101002.314 CSRFT1 Fl. 2.802 12 Declaração de Voto Conselheiro Luís Flávio Neto Na reunião de maio de 2016, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (doravante “CSRF”) analisou o recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “PFN” ou “recorrente”), em que é parte CATERPILLAR BRASIL LTDA. (doravante “CATERPILLAR”, “contribuinte” ou “recorrida”), no processo n. 16327.002216/200580. Em tal recurso, a recorrente requer a reforma do acórdão n. 1102 00.302 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela r. 2a Turma Ordinária da 1a Câmara desta 1a Seção (doravante “Turma a quo”). O acórdão recorrido, por maioria dos votos, deu provimento ao recurso voluntário, restou assim ementado (fls. 2.699 e seg. do eprocesso): IRPJ — CSLL PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO (PRL) FRETES, SEGUROS E TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO — Os valores de frete, seguro e imposto de importação são custos efetivos do contribuinte que não foram pagos diretamente a pessoas vinculadas e, deste modo, não podem fazer parte do preço parâmetro. No julgamento do recurso especial interposto, a CSRF, por voto de qualidade, decidiu dar provimento ao recurso especial da PFN. Nesta declaração de voto, permissa vênia, apresento os fundamentos que me fizeram votar pelo não provimento do recurso especial interposto pela recorrente, por compreender que a cobrança tributária em questão ofende as normas que tutelam a matéria. 1. Premissas fundamentais para o julgamento do caso concreto. O caso sob julgamento envolve a cobrança de IRPJ e CSL, pela glosa de custos ou despesas considerados indedutíveis pela fiscalização, com suposto fundamento na legislação de preços de transferência. O art. 47 da Lei n. 4.506/64 estabelece, como regra geral, que serão dedutíveis as despesas operacionais pagas ou incorridas necessárias, assim compreendidas aquelas normais, usuais e necessárias às suas atividades geradoras do lucro que será tributado. Além dessa regra geral de dedutibilidade, o legislador prescreveu ainda uma série de normas específicas que devem ser observadas para a apuração do IRPJ e da CSL, com destaque às regras de preços de transferência. Fl. 2802DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.002216/200580 Acórdão n.º 9101002.314 CSRFT1 Fl. 2.803 13 A legislação brasileira dos preços de transferência deve ser observada por pessoas jurídicas nacionais que realizem operações com pessoas jurídicas vinculadas residentes no exterior. Tais normas se voltam exclusivamente às operações realizadas com empresas vinculadas e que, por meio de ajuste de preços de venda de bens, serviços ou direitos, apresentassem a potencialidade de transferir resultados ao exterior sem a correspondente tributação. O legislador estabeleceu como premissa que as regras brasileiras de preços de transferência apenas serão aplicáveis quando estiver presente um binômio essencial: (i) vinculação entre as partes contratantes e; (ii) negócio jurídico internacional, com destaque, no presente caso, às importações. As referidas normas encontram fundamento especialmente nos princípios da igualdade e da capacidade contributiva, de forma a estabelecer, por meio de fórmulas pré determinadas pelo legislador ordinário, um preço que seria praticado por partes independentes (“preço parâmetro” ou “preço arm’s length”), de tal forma que operações realizadas entre partes vinculadas que destoem desse padrão, sejam tributadas como se houvessem praticado o preço parâmetro. Nesse ponto, é relevante fazer referência à seguinte passagem do estudo de LUÍS EDUARDO SCHOUERI2, in verbis “1.3.9. É, pois, sob pena de caracterizar o arbítrio, que o legislador se vê obrigado a eleger princípios e, uma vez escolhidos, aplicálos conscientemente. 1.3.10. Especialmente em matéria tributária, surge como princípio parâmetro, escolhido pelo próprio constituinte, a capacidade contributiva. Nesse sentido, deve a tributação partir de uma comparação das capacidades econômicas dos potenciais contribuintes, exigindose tributo igual de contribuinte em equivalente situação. Por óbvio, tal princípio somente se concretiza quando é possível compararemse os contribuintes. 1.3.11. No caso de transações entre pessoas vinculadas, entretanto, as realidades econômicas comparadas são diversas, frustrandose qualquer comparação. 1.3.12. A diversidade acima apontada resulta da circunstância de as transações entre partes vinculadas não terem passado pelo mercado, como o fizeram as empresas independentes. 1.3.13. Assim, podese dizer que enquanto a moeda constante nas contas das empresas com transações controladas está expressa em unidades ‘reais de grupo’, empresas independentes têm seus resultados expressos em ‘reais de mercado’. 1.3.14. Nesta perspectiva, o papel da legislação de preços de transferência é apenas ‘converter’ valores expressos em ‘reais de grupo’ para ‘reais de mercado’, possibilitando, daí, uma efetiva comparação entre contribuintes com igual capacidade econômica. 1.3.15. Nesse sentido, verificase que a legislação de preços de transferência não distorce resultados da empresa. Apenas ‘converte’ para uma mesma unidade de referência (‘reais de mercado’) a mesma realidade expressa noutra unidade. 2 SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de transferência no Direito tributário brasileiro. São Paulo : Dialética, 2006, p. 1415. Fl. 2803DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.002216/200580 Acórdão n.º 9101002.314 CSRFT1 Fl. 2.804 14 1.3.16. Nesse contexto, as disposições de controle de preços de transferência da Lei n. 9.430/96 somente se justificam caso corroborem essa conversão acima referida, o que se dá mediante a aplicação do princípio arm’s length, que será verificado mais profundamente nos capítulos posteriores. Vale dizer, caso a aplicação da lei ou de sua regulamentação em um caso concreto extrapole os limites dessa conversão, isso deverá ser considerado uma desobediência ao princípio constitucional da igualdade e da capacidade contributiva e, portanto, a aplicação nesse caso deverá ser corrigida ou até mesmo desconsiderada.” É fundamental para a matéria em análise compreender que a legislação brasileira dos preços de transferência busca precisamente neutralizar a desigualdade nas operações entre partes vinculadas. Assim, por exemplo, se em uma operação de importação entre partes vinculadas o importador brasileiro realizar o pagamento de $25,00 por um bem cujo preço parâmetro seja de $10,00, a legislação dos preços transferência determinará um ajuste na base de cálculo do IRPJ e da CSL, de forma a se adicionar a parcela excedente ($15,00) e, assim, acrescer a base tributável e consequentemente aumentar o montante dos tributos devidos. O preço parâmetro, nesse exemplo, corresponde ao limite da dedutibilidade do custo do bem, serviço ou direito importado de parte vinculada. Por meio do controle dos preços de transferência, o sistema jurídico não procura majorar o percentual de tributos cobrados da sociedade, mas simplesmente garantir, nas operações internacionais, tratamento tributário isonômico, de forma que, independente de relações societárias ou negociais mantidas entre as partes, todos que se encontrem em situação semelhante tenham a sua capacidade contributiva tributada de forma equivalente. Dessa forma, embora a legislação de preços de transferência possam aparentar exceções à norma geral de dedutibilidade do art. 47 da Lei n. 4.506/64, representam a sua confirmação. As regras de preços de transferência correspondem mais precisamente a normas que procuram garantir que o tal norma geral seja aplicada conforme os princípios da igualdade e da capacidade contributiva. Não obstante, seja sob uma perspectiva (exceção à regra geral) ou outra (confirmação à regra geral), a legislação dos preços de transferência, detalhada no tópico subsequente, está intimamente relacionada com a norma do art. 47 da Lei n. 4.506/64. 2. A legislação aplicável ao caso concreto. A matriz legal da legislação brasileira dos preços de transferência é a Lei n. 9.430/96, com as sucessivas alterações que lhe foram realizadas. Nela estão contemplados os diferentes métodos de controle dos preços de transferência, que consistem em fórmulas e regras para a determinação se deve ou não ser realizado ajuste na base de cálculo do IRPJ e da CSL e, ainda, de quanto seria o referido ajuste. O art. 18 da Lei n. 9.430/96 prevê regras aplicáveis em geral a todos os métodos de preços de transferência: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: Fl. 2804DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.002216/200580 Acórdão n.º 9101002.314 CSRFT1 Fl. 2.805 15 (…) § 6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. O caput do dispositivo estabelece que dois fatores devem conjugarse para a incidência das normas de preços de transferência: (i) operações realizadas com pessoas vinculadas; e (ii) operações de importação. Como apenas quando esses dois fatores estiverem simultaneamente presentes deverão ser aplicada as normas de controle e ajuste prescritas pela Lei n. 9.430/96, tratase de um binômio essencial para a aplicação da legislação dos preços de transferência. O conceito de “pessoa vinculada” foi estabelecido pelo art. 23 da Lei n. 9.430/96: Art. 23. Para efeito dos arts. 18 a 22, será considerada vinculada à pessoa jurídica domiciliada no Brasil: I a matriz desta, quando domiciliada no exterior; II a sua filial ou sucursal, domiciliada no exterior; III a pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no exterior, cuja participação societária no seu capital social a caracterize como sua controladora ou coligada, na forma definida nos §§ 1º e 2º do art. 243 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976; IV a pessoa jurídica domiciliada no exterior que seja caracterizada como sua controlada ou coligada, na forma definida nos §§ 1º e 2º do art. 243 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976; V a pessoa jurídica domiciliada no exterior, quando esta e a empresa domiciliada no Brasil estiverem sob controle societário ou administrativo comum ou quando pelo menos dez por cento do capital social de cada uma pertencer a uma mesma pessoa física ou jurídica; VI a pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no exterior, que, em conjunto com a pessoa jurídica domiciliada no Brasil, tiver participação societária no capital social de uma terceira pessoa jurídica, cuja soma as caracterizem como controladoras ou coligadas desta, na forma definida nos §§ 1º e 2º do art. 243 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976; VII a pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no exterior, que seja sua associada, na forma de consórcio ou condomínio, conforme definido na legislação brasileira, em qualquer empreendimento; VIII a pessoa física residente no exterior que for parente ou afim até o terceiro grau, cônjuge ou companheiro de qualquer de Fl. 2805DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.002216/200580 Acórdão n.º 9101002.314 CSRFT1 Fl. 2.806 16 seus diretores ou de seu sócio ou acionista controlador em participação direta ou indireta; IX a pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no exterior, que goze de exclusividade, como seu agente, distribuidor ou concessionário, para a compra e venda de bens, serviços ou direitos; X a pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no exterior, em relação à qual a pessoa jurídica domiciliada no Brasil goze de exclusividade, como agente, distribuidora ou concessionária, para a compra e venda de bens, serviços ou direitos. A Instrução Normativa SRF n. 38, de 30.04.97, estabeleceu a seguinte orientação em seu art. 4o, § 4o: Art. 4º Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, nas importações de empresa vinculada, não residente, de bens, serviços ou direitos, a pessoa jurídica importadora poderá optar por qualquer dos métodos referidos nesta Seção exceto na hipótese do § 1º, independentemente de prévia comunicação à Secretaria da Receita Federal. § 1º A determinação do preço a ser utilizado como parâmetro, para comparação com o constante dos documentos de importação, quando o bem, serviço ou direito houver sido adquirido para emprego, utilização ou aplicação, pelo própria empresa importadora, na produção de outro bem, serviço ou direito, somente será efetuada com base nos métodos de que tratam os arts. 6° e 13. § 1o A determinação do preço a ser utilizado como parâmetro, para comparação com o constante dos documentos de importação, quando o bem, serviço ou direito houver sido adquirido para emprego, utilização ou aplicação, pela própria empresa importadora, na produção de outro bem, serviço ou direito, será efetuada com base nos métodos de que tratam o art. 6o , o § 10 do art. 12 e o art. 13." (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 113, de 19 de dezembro de 2000) § 2º Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, devendo o método adotado pela empresa ser aplicado, consistentemente, por bem, serviço ou direito, durante todo o período de apuração. § 3º A dedutibilidade dos encargos de depreciação ou amortização dos bens e direitos fica limitada, em cada período de apuração, ao montante calculado com base no preço determinado por um dos métodos de que tratam os arts. 6º e 13. § 4º Na determinação do custo de bens adquiridos no exterior, poderão, também, ser computados os valores do transporte e seguro, cujo ônus tenha sido da empresa importadora, e dos tributos não recuperáveis, devidos na importação. Fl. 2806DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.002216/200580 Acórdão n.º 9101002.314 CSRFT1 Fl. 2.807 17 Ocorre, no entanto, que a Instrução Normativa SRF n. 243, de 11.11.2002 (doravante “IN 243”), estabeleceu a seguinte orientação em seu art. 4o, § 4o: Art. 4º Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, nas importações de empresa vinculada, não residente, de bens, serviços ou direitos, a pessoa jurídica importadora poderá optar por qualquer dos métodos de que tratam os arts. 8º a 13, exceto na hipótese do § 1º, independentemente de prévia comunicação à Secretaria da Receita Federal. § 1º A determinação do preço a ser utilizado como parâmetro, para comparação com o constante dos documentos de importação, quando o bem, serviço ou direito houver sido adquirido para emprego, utilização ou aplicação, pela própria empresa importadora, na produção de outro bem, serviço ou direito, somente será efetuada com base nos métodos de que tratam o art. 8º, a alínea "b" do inciso IV do art. 12 e o art.13. § 2º Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, devendo o método adotado pela empresa ser aplicado, consistentemente, por bem, serviço ou direito, durante todo o período de apuração. § 3º A dedutibilidade dos encargos de depreciação, exaustão ou amortização dos bens e direitos fica limitada, em cada período de apuração, ao montante calculado com base no preço determinado por um dos métodos de que tratam os arts. 8º a 13, vedada a utilização do método de que trata o art. 12, se não houver revenda. § 4º Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, calculado com base no método de que trata o art. 12, serão integrados ao preço praticado na importação os valores de transporte e seguro, cujo ônus tenha sido da empresa importadora, e os de tributos não recuperáveis, devidos na importação. § 5º Nos preços apurados com base nos métodos dos arts. 8º e 13, os valores referidos no § 4º poderão ser adicionados ao custo dos bens adquiridos no exterior desde que sejam, da mesma forma, considerados no preço praticado, para efeito de comparação. A aludida orientação da IN 243, em seu art. 4o, § 4o, corresponde justamente ao núcleo da discussão do recurso especial ora em julgamento. Prosseguindo com a revisão da legislação aplicável ao caso, notese que a Medida Provisória n. 478, de 29.12.2009, atribuiu a seguinte redação ao referido § 6o: § 6o Integram o custo de aquisição, para efeito de cálculo do preço médio ponderado a que se refere o inciso III do caput, o valor do transporte e do seguro até o estabelecimento do contribuinte, cujo ônus tenha sido do importador, e os impostos não recuperáveis incidentes nessas operações e demais gastos com o desembaraço aduaneiro. Fl. 2807DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.002216/200580 Acórdão n.º 9101002.314 CSRFT1 Fl. 2.808 18 No entanto, a MP 478/2009 não foi convertida em Lei e, conforme o Ato Declaratório do Presidente da Mesa do Congresso Nacional nº 18/2010, vigorou apenas 01.06.2010. Em 2012, finalmente, foram introduzidas alterações no dispositivo pela Lei n. 12.715: § 6. Não integram o custo, para efeito do cálculo disposto na alínea b do inciso II do caput, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, desde que tenham sido contratados com pessoas: I não vinculadas; e II que não sejam residentes ou domiciliadas em países ou dependências de tributação favorecida, ou que não estejam amparados por regimes fiscais privilegiados. § 6oA. Não integram o custo, para efeito do cálculo disposto na alínea b do inciso II do caput, os tributos incidentes na importação e os gastos no desembaraço aduaneiro. 3. A dedutibilidade do frete, seguro e tributos incidentes na importação. Com olhos exclusivamente à regra geral de dedutibilidade do art. 47 da Lei n. 4.506/64, o frete, o seguro e os tributos incidentes sobre a importação devem ser dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSL, pois se tratam indubitavelmente de dispêndios necessários, normais e usuários à respectiva atividade operacional do contribuinte. Quanto aos tributos incidentes sobre a importação, devese destacar a regra do artigo 41 da Lei nº 8.981/95, que prescreve expressamente a sua dedutibilidade. É preciso, contudo, verificar se o legislador de algum modo interferiu na dedutibilidade de tais dispêndios necessários, normais e usuais da pessoa jurídica. O art. 18, § 6º, da Lei n. 9.430/96, estabelece norma expressa quanto à dedutibilidade dos custos do importador com frete, seguro e tributos incidentes na importação: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (…) § 6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. O legislador prescreveu expressamente que frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação e suportados pelo importador brasileiro, ainda que os produtos importados tenham sido adquiridos de partes dependentes, devem ser consideradas custos dedutíveis pelo importador. Significa dizer que os dispêndios com frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação, pagos a pessoas não vinculadas, não integram o preço parâmetro para fins de preços de transferência, devendo ser considerados dedutíveis independentemente de ajustes. Fl. 2808DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.002216/200580 Acórdão n.º 9101002.314 CSRFT1 Fl. 2.809 19 De forma analítica, em situações como a do caso concreto, na qual há uma operação de importação realizada entre partes vinculadas (aquisição do produto importado) e um conjunto de deveres e obrigações decorrentes e periféricos relacionados a partes não vinculadas (frete, seguro e tributos), é possível identificar dois estágios distintos: (i) controle dos preços de transferência, com a aplicação sobre as operações controladas de um dos métodos previstos na legislação para a composição do preço parâmetro e, se for o caso, a realização de ajustes, com adição do montante excedente ao aludido preço parâmetro; (ii) efetiva dedução dos custos com a importação, que corresponderá ao preço dos produtos importados ajustado (ou não) conforme os métodos de preços de transferência, acrescido dos efetivos custos com frete, seguro e tributos incidentes na importação. A não incidência da legislação de preços de transferência para a limitação das despesas dedutíveis a título de frete, seguro e tributos pode ser justificada, ainda, pelas razões expostas nos subtópicos seguintes. 3.1. O escopo de aplicação da legislação fiscal de preços de transferência. O binômio essencial prescrito pelo art. 18, caput, da Lei n. 9.430/96, é determinante ao escopo das normas de preços de transferência, pois corresponde às condições essenciais para a sua incidência: tais normas alcançam operações realizadas por pessoas jurídicas brasileiras com (i) partes vinculadas (ii) residentes em outros países. Conforme se verifica dos autos, o contribuinte contratou a aquisição de determinados bens (fls. 2.708 do eprocesso), fornecidos por uma empresa vinculada residente no exterior. Não há dúvida, portanto, que a aquisição dos aludidos bens está sujeita ao controle da legislação dos preços de transferência. O contrato de aquisição celebrado pelo contribuinte previa a sua responsabilidade pela contratação do frete e seguro necessários para a entrega dos produtos, bem como pelo recolhimento dos tributos incidentes na importação. Cumprindo com a sua obrigação contratual, a Recorrida contratou de terceiros, sem nenhum vínculo evidenciado nestes autos, o frete e o seguro, bem como arcou com os impostos de importação. No caso dos autos, a autoridade fiscal compreendeu que o frete, o seguro e os impostos pagos deveriam submeterse ao controle dos preços de transferência. Coerentemente, insta verificar se tais situações encontramse sob o escopo do binômio essencial prescrito pela Lei n. 9.430/96. Quanto ao frete, conforme explicitado no acórdão recorrido (fls. 2.753 do e processo), foi firmado contrato com empresa estrangeira, o que preenche um dos dois critérios de incidência da norma de preços de transferência. No entanto, a empresa contratada para a realização do frete internacional não possui vínculo com o contribuinte, o que inviabiliza o preenchimento do binômio essencial de incidência da Lei n. 9.430/96. O seguro, conforme explicitado no acórdão recorrido (fls. 2.753 do e processo), foi contratado de empresa nacional, o que por si só já faz sucumbir o preenchimento do binômio essencial de incidência da Lei n. 9.430/96. Ainda que assim não fosse, a seguradora contratada não possui vínculo com o contribuinte, o que reforça ainda mais a sua não aderência à legislação de preços de transferência. Fl. 2809DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.002216/200580 Acórdão n.º 9101002.314 CSRFT1 Fl. 2.810 20 Conforme consignou o acórdão recorrido, o caput do art. 18 confirma que “a limitação na redução dos custos, despesas e encargos constantes dos documentos de importação ou de aquisição de bens somente se aplica ‘nas operações efetuadas com pessoa vinculada”, de modo que o fato desses valores serem pagos a terceiros torna clara a inviabilidade de sua manipulação pelas partes relacionadas. E complementa afirmando que “se o entendimento adotado pela Autoridade Fiscal estivesse correto, não apenas o frete, o seguro e o imposto de importação, mas também todos os outros custos que formaram o preço de revenda (por exemplo: Marketing, transporte interno, etc) deveriam ser considerados na formação do preço parâmetro (fls. 2.708 e segs do eprocesso). Por fim, os tributos sobre a importação, conforme é notório, são devidos à União e aos Estados, que obviamente não são estrangeiros e nem são vinculados ao contribuinte. É o princípio da legalidade, em sua acepção mais explícita, que impede que se estenda a sanção normativa da Lei n. 9.430/96 ao frete, seguro e tributos incorridos pelo Recorrente, pois nenhuma dessas situações preenche o binômio que seria essencial, qual seja, (i) operação com partes vinculadas (ii) residentes em outros países. Essa mesma conclusão vêm sendo explicitada pela doutrina3. Citese GERD WILLI ROTHMANN4, para quem os valores de frete e seguro “não entram no cálculo do preço de transferência, nas duas modalidades (CIF e FOB), nem o imposto de importação. Se os custos efetivos de frete e seguro forem suportados pelo importador/revendedor (FOB), os mesmos poderão ser integralmente deduzidos para os efeitos do imposto de renda, da mesma forma que o imposto de importação”. Conforme esse professor da Faculdade de Direito do Largo São Francisco (USP), in verbis: “Assim, as deduções do preço médio de venda, para se chegar ao preço líquido de venda, são, exclusivamente, as previstas em lei: a) descontos incondicionais; b) impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) comissões e corretagens pagas; d) ‘margem de lucro’ (20% ou 60%). Esta margem de revenda, impropriamente chamada de ‘margem de lucro’, compreende somente os custos decorrentes da função do próprio revendedor, tais como armazenamento, publicidade e, eventualmente, o ‘valor agregado’ em produção no País. 3 Vide, por exemplo: SCHOUERI, Luis Eduardo. Preços de transferência no direito tributário brasileiro. 3ed. rev. e atual. São Paulo: Dialética, 2013, p. 287 e seg.; ROTHMANN, Gerd Willi. Preços de transferência – método do preço de revenda menos lucro: base CIF (+II) ou FOB. A margem de lucro (20% ou 60%) em processos de embalagem e beneficiamento. In: Revista Dialética de Direito Tributário, n. 165, jun/2009. São Paulo: Dialética; KRAKOWIAK, Ricardo. Preços de transferência: o método PRL e as despesas com frete, seguro e imposto de importação. In: Tributos e preço de transferência, 3º vol. SCHOUERI, Luis Eduardo (coord.) São Paulo: Dialética, 2009; BORGES, Alexandre Siciliano; ANDRADE JR., Luiz Carlos. Preços de transferência: o método PRL e os valores referentes a frete, seguro e tributos. In: Revista Eletrônica de Direito Tributário da ABDF. vol. 01, nº 5, ano 2011. 4 ROTHMANN, Gerd Willi. Preços de transferência – método do preço de revenda menos lucro: base CIF (+II) ou FOB. A margem de lucro (20% ou 60%) em processos de embalagem e beneficiamento. In: Revista Dialética de Direito Tributário, n. 165, jun/2009. São Paulo: Dialética, p. 5456. Fl. 2810DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.002216/200580 Acórdão n.º 9101002.314 CSRFT1 Fl. 2.811 21 Daí podemos concluir: a) Nem as despesas com frete, nem com seguro e, muito menos, o imposto de importação (que é receita da Administração Fiscal!) constam da lista taxativa das deduções para efeito de apuração do preço líquido de venda que, deduzida a ‘margem de lucro’, resulta no ‘preçoparâmetro’, ou seja, no preço hipotético de transferência. b) As despesas com frete e seguro e o imposto de importação não constituem custos decorrentes das funções desempenhadas pelo revendedor, mas são custos da importação, que não entram na apuração da margem de revenda. Como não entram no cálculo do hipotético ‘preçoparâmetro’, mas representam custos efetivos, os valores relativos a frete, seguro e ao imposto de importação, desde que seu ônus tenha sido do importador/revendedor (ou seja, na modalidade ‘FOB’), podem ser integralmente deduzidos para os efeitos de imposto de renda. Na modalidade CIF, o valor de frete e seguro já está embutido no ‘preço parâmetro’, de modo que não pode ser considerado, novamente, como despesa dedutível. Neste contexto, cabe apenas uma observação: se, na modalidade FOB, o transporte e o seguro são contratados com empresa coligada da matriz fornecedora da mercadoria, os respectivos valores pagos estão sujeitos à observância da legislação de preços de transferência.” No caso dos autos, o frete, o seguro e os tributos pagos ou incorridos na importação realizada pelo contribuinte não preenchem, como se explicitou, os requisitos essenciais para que sejam tutelados regras de controle de preços de transferência. 3.2. A incompatibilidade da inclusão de fretes, seguro e tributos no cálculo do preço parâmetro para fins de preços de transferência. É conhecida a máxima jurídica de que os textos jurídicos não devem ser interpretados de tal forma que conduzam ao absurdo. Compreendo que ser ela aplicável ao caso ora sob julgamento. O art. 18 inaugura a “Seção V” da Lei n. 9.430/96, que tem como Título “Preços de Transferência” e subtítulo “Bens, Serviços e Direitos Adquiridos no Exterior”. O referido dispositivo tutela de forma geral todos os métodos para a apuração do preço parâmetro, os quais, como já exposto, determinam se ajustes devem ou não ser realizados na base de cálculo do IRPJ e da CSL. Por conseguinte, a conclusão alcançada no julgamento do presente caso – no se discute se frete, seguro e tributos devem ser incluídos na composição do preçoparâmetro do método PRL – devem ser igualmente coerente com os métodos PIC e CPL, igualmente tutelados pela regra geral do art. 18 da Lei n. 9.430/96. A máxima de que os textos jurídicos não devem ser interpretados de tal forma que conduzam ao absurdo emerge quando se analisa os efeitos da inclusão de frete, seguro e tributos incidentes na importação na composição do preço parâmetro do método CPL, que apura o preçoparâmetro a partir do custo do exportador, acrescido de uma margem de 20%. Fl. 2811DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.002216/200580 Acórdão n.º 9101002.314 CSRFT1 Fl. 2.812 22 Como se ressaltou acima (tópico “1”), o objetivo da legislação de preços de transferência é “converter” os valores expressos em “reais de grupo” para valores “reais de mercado”, de tal forma que haja uma efetiva comparação entre contribuintes com capacidade contributiva equivalente. Nesse seguir, a legislação prevê que, para a composição do preço parâmetro pelo método CPL, deverá ser considerado o custo do exportador, acrescido da margem de 20%. Em outras palavras, a margem de lucro bruta adotada no método CPL, limitada ao máximo de 20%, deveria incluir, além do lucro líquido e de todas as despesas do exportador que não estejam incluídas em seu custo, também o frete, o seguro e os tributos incidentes na importação. Permissa vênia, a incongruência dessa interpretação salta aos olhos diante do fato de que os tributos brasileiros incidentes na importação facilmente podem, sozinhos, ultrapassar a margem de lucro bruto de 20% estabelecida pelo método CPL. 4. O extravasamento das funções da IN 243/2002, em cotejo às fontes formais do Direito tributário O tema das fontes é fundamental ao Direito tributário pátrio. Nosso ordenamento apresenta peculiar complexidade estabelecida pela Constituição Federal, com elevado número de espécies normativas, cada qual com uma função própria, vocacionadas à impressão juridicidade, eficiência, segurança jurídica, inteligibilidade, coesão, coerência e completude ao sistema jurídico. Sob uma perspectiva formalística5, as referidas espécies normativas podem ser organizadas em fontes primárias6 e fontes secundárias7 do Direito tributário. A Lei n. 9.430/96 é fonte primária do Direito tributário. Em face do princípio da reserva legal, o legislador ordinário possui competência privativa para estabelecer o método de cálculo do preço parâmetro para possíveis ajustes à base de cálculo do IRPJ e da CSL, adotando como diretriz fundamental a tributação da renda conforme o acréscimo patrimonial. Como a fórmula de cálculo preço parâmetro irá influenciar na composição da base de cálculo desses tributos, com potencial de redução dos custos dedutíveis na apuração do acréscimo patrimonial tributável, tratase de matéria sob a competência privativa do legislador ordinário. É o que se depreende da Constituição Federal, art. 150, I, e do Código Tributário Nacional, art. 97. A IN 243/2002, por sua vez, é fonte secundária do Direito Tributário, cuja função subalterna é de aclarar ou atribuir maior operacionalidade à norma prescrita pela Lei n. 9.430/96, que é a fonte primária. A aludida instrução normativa, contudo, extravasou as suas funções ao prever, em seu art. 4o, § 4o, a inclusão do frete, seguro e tributos atinentes à importação na composição do preço parâmetro do método PRL. Permissa vênia, a instrução normativa não expressou uma possível interpretação que se pudesse abstrair do texto legal. E ainda que se pudesse argumentar alguma mensagem implícita do legislador descortinada pela IN 243/2002, é preciso ter claro que 5 As fontes do Direito tributário podem também ser observada por uma perspectiva material, a qual não contribui imediatamente para o tema em análise. 6 Em especial: Constituição Federal, Lei Complementar, Lei Ordinária, Medida Provisória, Tratados Internacionais, Decreto legislativo, Decreto (casos especiais), Convênio, Resolução. 7 Em especial: Decreto regulamentar; Instruções Normativas; Portarias; Normas complementares. Fl. 2812DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.002216/200580 Acórdão n.º 9101002.314 CSRFT1 Fl. 2.813 23 exceções ou limitações à regra geral de dedutibilidade – prescrita pelo art. 47 da Lei n. 4.506/64 e pelo art. 41 da Lei nº 8.981/95 – devem ser expressas. E o que há, de forma expressa (Lei n. 9.430/96, art. 18, § 6º) é a dedutibilidade dos dispêndios do importador com frete, seguro e tributos incidentes na importação. Dessa forma, não resta outra alternativa senão desconsiderar a recomendação veiculada pelo art. 4o, § 4o, da IN 243/2002. 4. A jurisprudência administrativa sobre o tema. O entendimento ora exposto encontra respaldo em uma série de julgados administrativos deste Tribunal, como por exemplo: Acórdão nº 10809763, de 13/11/2008. ‘Embora as despesas de fretes e seguros tenham sido incluídos nos documentos de importação, em se tratando de despesas necessárias, usuais e normais para o tipo de atividade desenvolvida pelo sujeito passivo, cuja dedutibilidade está prevista na legislação, estas despesas devem ser neutras para a apuração do preço de transferência no Método PRL’ Acórdão nº 110200.302, de 01/09/2010. IRPJ CSLL PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO (PRL) FRETES, SEGUROS E TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO Os valores de frete, seguro e imposto de importação são custos efetivos do contribuinte que não foram pagos diretamente a pessoas vinculadas e, deste modo, não podem fazer parte do preço parâmetro. Acórdão nº 110200.302, de 16/05/2011 IRPJ – CSLL – PREÇO DE TRANSFERÊNCIAS – MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO (PRL) – FRETES, SEGUROS E TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO – Os valores de frete, seguro e imposto de importação são custos efetivos do contribuinte que não foram pagos diretamente a pessoas vinculadas e, deste modo, não podem fazer parte do preço parâmetro. Notese que os aludidos exemplos se alinham aos fundamentos do acórdão n. 910101.166, prolatado por esta CSRF em 12.09.2011: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. INSTRUÇÃO NORMATIVA. VINCULAÇÃO. INOBSERVÂNCIA. NULIDADE. A autoridade administrativa, ao efetuar o lançamento, está vinculada à Instrução Normativa, bem como ao direito por ela conferido ao contribuinte. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA PRL INCLUSÃO DE CUSTOS COM FRETE, SEGURO E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO NA APURAÇÃO DO CUSTO — A IN SRF n° 38/97, em seu artigo 4°, § 4°, estabelece que a inclusão dos valores de frete, seguro e imposto de importação na composição do custo é uma faculdade do contribuinte importador. Pela vinculação da autoridade administrativa ao referido ato Fl. 2813DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.002216/200580 Acórdão n.º 9101002.314 CSRFT1 Fl. 2.814 24 normativo, deve tal faculdade ser respeitada, sob pena de nulidade do lançamento. No aludido julgado desta CSRF, embora tenha sido considerado o quanto disposto na IN SRF nº 38/97, a i. Conselheira Relatora KAREM JUREIDINI DIAS, inclusive por não ter havido alterações na Lei 9.430/96 sobre a matéria, explicitou coerentes fundamentos para a análise de casos abrangidos também pela IN 243/2002, in verbis: “A despeito dos posicionamentos acima referidos, pareceme que o cerne da questão gira em torno de erro semântico na adoção dos termos "preço praticado" e "preço parâmetro". Pareceme, data maxima venia, que há equivoco na transposição da disposição acerca do preço praticado para parâmetro e vice versa. Ora, preço parâmetro é aquele apurado segundo um dos métodos estipulados por presunção legal. Em se tratando de presunção legal, ao menos a princípio (a depender de prova contundente em contrário), e por princípio, vale o quanto estipulado para cada um dos métodos. Já o preço praticado é aquele submetido à revisão por um dos métodos de apuração do preço de transferência. Logicamente, quanto maior o preço parâmetro menor o ajuste, porque menor a diferença entre o valor do preço parâmetro e do preço praticado no caso da importação. Não há, portanto, que se falar em inclusão de frete e seguro no preço praticado a depender da inclusão no prego parâmetro, já que o prego parâmetro é presunção legal. Nessa toada, a despeito do moralmente irreparável entendimento que caminha no sentido de aproximar o método de apuração do preço parâmetro da realidade, fato é que a conclusão diverge do que determina o ordenamento jurídico. (...) Poderseia entender que a lei não tratou da inclusão do montante pago à titulo de frete e seguro não efetuados com pessoa vinculada, seja em face da redação do caput do seu artigo 18, seja porque o método do prego de transferência só se aplica nas operações efetuadas com pessoa vinculada.” Tanto sob a égide da IN 38/96 quanto da IN 243/2002, não restam dúvidas quanto ao acerto dos citados julgados, que reconheceram a legitimidade de o contribuinte não incluir, no cálculo do seu preço parâmetro, os valores que tenha suportado a título de frete, seguro e tributos incidentes na importação. 5. Dispositivo do voto. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial interposto pela recorrida quanto à matéria analisada nesta declaração de voto, a fim de que se mantenha a decisão recorrida. (Assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Fl. 2814DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.002216/200580 Acórdão n.º 9101002.314 CSRFT1 Fl. 2.815 25 Declaração de Voto Conselheiro Ronaldo Apelbaum, A discussão posta nos presentes autos referese à discussão sobre a obrigatoriedade de inclusão das despesas de fretes, seguros e tributos incidentes na importação no preço parâmetro para fins de cálculo dos ajustes de Preços de Transferência, conforme disposto na Lei 9.430/96 e alterações subsequentes, além de sua regulamentação. Inicialmente, é importante reproduzir o art. 18 da Lei mencionada e a delimitação de aplicabilidade da regra constante de seu caput. Senão vejamos: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) § 6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. A redação do art. 18 é, de fato, imprecisa. A simples leitura de suas disposições não é clara suficiente para levar o aplicador da norma jurídica ao entendimento que somente as despesas pagas às pessoas vinculadas devem ser objeto de aplicação dos métodos de preços de transferência trazidos pela Lei 9.430/96. Ocorre que essa regra de dedutibilidade não é simples inovação do legislador brasileiro, há um contexto global de determinação de regras de Preço de Transferência. Não há, em outros sistemas, hipótese de controle de dedutibilidade que leve em consideração as obrigações legais de valor determinado por autoridades locais, como os tributos incidentes sobre importação. Não há lógica em considerar despesas que não sejam discricionárias, e que são devidas por força de ato legal, como aquelas que também devem passar pelo “teste de margem” antes de determinar sua dedutibilidade. Ademais, é polêmica a expressão “para efeito dedutibilidade”, constante do parágrafo 6º do artigo 18 da Lei nº 9.430/96. Não se pode afirmar, de plano, que tal disposição seria capaz de autorizar a inclusão das despesas relativas ao frete, seguro e tributos aduaneiros no preçopraticado para fins de controle pela legislação de preços de transferência. Não se pode alegar, ainda, que o parágrafo 4º do artigo 4º da IN SRF nº 243, embora representativo da interpretação fiscal do tema, colocou um ponto final nessa polêmica. Em seu afã arrecadatório, tal parágrafo desvirtuou a redação legal para fazer pretender que a Lei 9430 determinava a inclusão dos fretes, seguros e tributos aduaneiros na apuração do preço parâmetro. A substituição do termo “para efeito de dedutibilidade” do parágrafo 6º do artigo 18 da Lei nº 9.430/96 pelo termo “para efeito de apuração de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro” desvirtua sobremaneira a redação da Lei. Senão vejamos: Fl. 2815DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.002216/200580 Acórdão n.º 9101002.314 CSRFT1 Fl. 2.816 26 “§ 4º Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, calculado com base no método de que trata o art. 12, serão integrados ao preço praticado na importação os valores de transporte e seguro, cujo ônus tenha sido da empresa importadora, e os de tributos não recuperáveis, devidos na importação.” E esse ponto já foi analisado por essa Câmara, quando do julgamento do Acórdão nº 910101.166 da 1ª Turma, de 12/09/2011. Ainda que a análise tenha sido feita na vigência da IN SRF nº 38/97 a d. Conselheira Karem Jureidini Dias expôs, em seu voto, os fundamentos que corroboram a opinião acima: (...) Ora, preço parâmetro é aquele apurado segundo um dos métodos estipulados por presunção legal. Em se tratando de presunção legal, ao menos a princípio (a depender de prova contundente em contrário), e por princípio, vale o quanto estipulado para cada um dos métodos. Já o preço praticado é aquele submetido à revisão por um dos métodos de apuração do preço de transferência. Logicamente, quanto maior o preço parâmetro menor o ajuste, porque menor a diferença entre o valor do preço parâmetro e do preço praticado no caso da importação. Não há, portanto, que se falar em inclusão de frete e seguro no preço praticado a depender da inclusão no preço parâmetro, já que o preço parâmetro é presunção legal. Nessa toada, a despeito do moralmente irreparável entendimento que caminha no sentido de aproximar o método de apuração do preço parâmetro da realidade, fato é que a conclusão diverge do que determina o ordenamento jurídico. (...) Por fim, impende ressaltar que a legislação de preços de transferência passou por relevantes modificações nos últimos anos. Não se pretende aqui argumentar pela retroação da nova regra de apuração ou simplesmente defender que se ignorem os dispositivos legais vigentes à época. Contudo, no caso em apreço, as alterações posteriores e a motivação de tais mudanças são essenciais para compreensão de como se deve realizar o cálculo do ajuste. Sendo mais preciso, trato aqui da publicação da Medida Provisória nº e 563/2012 e sua conversão na Lei nº 12.715/2012, e a nova redação dada ao parágrafo 6º do artigo 18 da Lei nº 9.430/96. Houve a inclusão do seguinte parágrafo 6ºA ao artigo 18 da referida Lei: ”§ 6º Não integram o custo, para efeito do cálculo disposto na alínea b do inciso II do caput, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, desde que tenham sido contratados com pessoas: I não vinculadas; e II que não sejam residentes ou domiciliadas em países ou dependências de tributação favorecida, ou que não estejam amparados por regimes fiscais privilegiados. Fl. 2816DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.002216/200580 Acórdão n.º 9101002.314 CSRFT1 Fl. 2.817 27 § 6ºA. Não integram o custo, para efeito do cálculo disposto na alínea b do inciso II do caput, os tributos incidentes na importação e os gastos no desembaraço aduaneiro.” O que se vê é que a redação original do parágrafo 6º do artigo 18, em razão da expressão “para efeito de dedutibilidade” – foi “corrigida” de modo a corporificar, justamente, as razões até aqui expostas. E aqui são relevantes as exposições de motivo dessas mudanças que acompanharam a edição da Medida Provisória, especialmente os itens 61 e seguintes: 61. Como fruto de toda a experiência até então angariada no que concerne à aplicação de referidos controles, com o intuito de minimizar a litigiosidade FiscoContribuinte até então observada, e objetivando alcançar maior efetividade dos controles em questão, propõese alterações na legislação de regência. 62. Entre essas alterações, merecem destaque as seguintes: (...) c) não consideração de montantes pagos a entidades não vinculadas ou a pessoas não residentes em países de tributação favorecida ou ainda a agentes que não gozem de regimes fiscais privilegiados a título de fretes, seguros, gastos com desembaraço e impostos incidentes sobre as operações de importação para fins de cálculo do preço parâmetro pelo método PRL, vez que tais montantes não são suscetíveis de eventuais manipulações empreendidas com o intuito de esvaziar a base tributária brasileira; Ora, o próprio Poder Executivo, a quem compete fiscalizar a correta aplicação das regras de Preço de Transferência, reconhece que “tais montantes não são suscetíveis de eventuais manipulações empreendidas com o intuito de esvaziar a base tributária brasileira”. E, com essa mudança, procura diminuir a litigiosidade acerca da matéria. Não se trata, portanto, de mera alteração legal que cria novo direito considerado inexistente, mas sim uma correção de rumo na redação da Lei 9.430/96 que não pretendeu incluir fretes, seguros e tributos aduaneiros na determinação do preço parâmetro. Novamente, repiso que não estou aqui pregando a aplicação retroativa da Medida Provisória 563/12 (ou da Lei 12.715/12), mas sim aplicando o melhor entendimento sobre a redação da Lei 9.430/96, baseado na lógica do sistema de apuração de Preços de Transferência e no próprio reconhecimento oficial de que tais despesas, se não contratadas com entidades vinculadas, não teriam o condão de reduzir a base do IRPJ e CSLL devidos pelo Recorrido. Por essas razões, meu voto é por NEGAR provimento total do Recurso Especial. (Assinado digitalmente) Ronaldo Apelbaum Fl. 2817DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 15586.720950/2013-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/04/2013 a 30/09/2013
SISTEMA DE CONTROLE DE PRODUÇÃO DE BEBIDAS (SICOBE). FALTA DE MANUTENÇÃO PREVENTIVA. DESLIGAMENTO DAS IMPRESSORAS. PREJUÍZO AO NORMAL FUNCIONAMENTO DO SISTEMA. IMPOSIÇÃO DA MULTA EQUIVALENTE A VALOR COMERCIAL DA MERCADORIA. CABIMENTO.
A falta de manutenção preventiva e corretiva do Sicobe, em virtude da ausência de ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil (CMB) pelos serviços de manutenção por esta prestados, de modo a acarretar o desligamento das impressoras do Sistema, trata-se de conduta omissiva tendente a prejudicar o normal funcionamento do Sistema, sancionada com a multa de 100% (cem por cento) do valor comercial da mercadoria produzida.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2013 a 30/09/2013
AUTO DE INFRAÇÃO. EFEITOS DA INTIMAÇÃO PARA REGULARIZAR O RESSARCIMENTO. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE.
1. Para aplicação da penalidade por conduta omissiva tendente a prejudicar o normal funcionamento do Sicobe, o efeito da intimação para regularizar o inadimplemento do ressarcimento devido à Casa da Moeda do Brasil perdura até regularização das pendências.
2. Se não há necessidade de intimação para regularizar o inadimplemento do ressarcimento em relação a cada período de autuação pendente de regularização, inexiste cerceamento do direito de defesa de modo a conspurcar a higidez do auto de infração, especialmente, se o autuada apresenta exerce de forma adequada o contraditório e o direito de defesa após cientificado da autuação.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. APRECIAÇÃO PELO CARF. IMPOSSIBILIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava provimento.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/04/2013 a 30/09/2013 SISTEMA DE CONTROLE DE PRODUÇÃO DE BEBIDAS (SICOBE). FALTA DE MANUTENÇÃO PREVENTIVA. DESLIGAMENTO DAS IMPRESSORAS. PREJUÍZO AO NORMAL FUNCIONAMENTO DO SISTEMA. IMPOSIÇÃO DA MULTA EQUIVALENTE A VALOR COMERCIAL DA MERCADORIA. CABIMENTO. A falta de manutenção preventiva e corretiva do Sicobe, em virtude da ausência de ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil (CMB) pelos serviços de manutenção por esta prestados, de modo a acarretar o desligamento das impressoras do Sistema, trata-se de conduta omissiva tendente a prejudicar o normal funcionamento do Sistema, sancionada com a multa de 100% (cem por cento) do valor comercial da mercadoria produzida. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2013 a 30/09/2013 AUTO DE INFRAÇÃO. EFEITOS DA INTIMAÇÃO PARA REGULARIZAR O RESSARCIMENTO. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. 1. Para aplicação da penalidade por conduta omissiva tendente a prejudicar o normal funcionamento do Sicobe, o efeito da intimação para regularizar o inadimplemento do ressarcimento devido à Casa da Moeda do Brasil perdura até regularização das pendências. 2. Se não há necessidade de intimação para regularizar o inadimplemento do ressarcimento em relação a cada período de autuação pendente de regularização, inexiste cerceamento do direito de defesa de modo a conspurcar a higidez do auto de infração, especialmente, se o autuada apresenta exerce de forma adequada o contraditório e o direito de defesa após cientificado da autuação. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. APRECIAÇÃO PELO CARF. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2013 a 30/09/2013 SISTEMA DE CONTROLE DE PRODUÇÃO DE BEBIDAS (SICOBE). FALTA DE MANUTENÇÃO PREVENTIVA. DESLIGAMENTO DAS IMPRESSORAS. PREJUÍZO AO NORMAL FUNCIONAMENTO DO SISTEMA. IMPOSIÇÃO DA MULTA EQUIVALENTE A VALOR COMERCIAL DA MERCADORIA. CABIMENTO. A falta de manutenção preventiva e corretiva do Sicobe, em virtude da ausência de ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil (CMB) pelos serviços de manutenção por esta prestados, de modo a acarretar o desligamento das impressoras do Sistema, tratase de conduta omissiva tendente a prejudicar o normal funcionamento do Sistema, sancionada com a multa de 100% (cem por cento) do valor comercial da mercadoria produzida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2013 a 30/09/2013 AUTO DE INFRAÇÃO. EFEITOS DA INTIMAÇÃO PARA REGULARIZAR O RESSARCIMENTO. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. 1. Para aplicação da penalidade por conduta omissiva tendente a prejudicar o normal funcionamento do Sicobe, o efeito da intimação para regularizar o inadimplemento do ressarcimento devido à Casa da Moeda do Brasil perdura até regularização das pendências. 2. Se não há necessidade de intimação para regularizar o inadimplemento do ressarcimento em relação a cada período de autuação pendente de regularização, inexiste cerceamento do direito de defesa de modo a conspurcar a higidez do auto de infração, especialmente, se o autuada apresenta exerce de forma adequada o contraditório e o direito de defesa após cientificado da autuação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 09 50 /2 01 3- 11 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROS A 2 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. APRECIAÇÃO PELO CARF. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava provimento. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 42/48), em que exigida a multa regulamentar do IPI, no valor de R$ 24.143.108,46, referente ao período de 01/04/2013 a 30/09/2013, por infração caracterizada pela falta do funcionamento do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe), prevista no art. 30 da Lei 11.488/2007, combinado com o disposto no art. 58T da Lei 10.833/2003, com a redação da pela Lei 11.827/2008. De acordo com a descrição dos fatos que integra o referido Auto de Infração, a aplicação da referida multa foi motivada pela falta de funcionamento do Sicobe, em face do desligamento, no dia 9/11/2011, das impressoras do Sistema, em razão da falta da continuidade dos procedimentos de manutenção preventiva/corretiva do Sistema a cargo da Casa da Moeda do Brasil (CMB), causada pela falta do pagamento dos valores do ressarcimento devido à referida empresa nos meses de abril a agosto de 2011. Cientificada da autuação, a autuada apresentou a impugnação de fls. 89/103, em que, em síntese, apresentou as seguintes razões de defesa: 1) em preliminar, alegou nulidade do auto de infração por cerceamento do direito defesa, ante a ausência de intimação prévia para a autuada regularizar o pagamento dos valores do ressarcimento devido à CMB, relativo ao período da autuação (meses de abril a setembro de 2013) e, consequente, violação ao § 3º do art. 13 da IN RFB 869/2008 e aos princípios da ampla defesa, do contraditório e da segurança jurídica. Segundo à autuada, a única intimação por ela recebida referiase aos supostos débitos do período de abril a agosto de 2011 e que, portanto, não abrangia ao período da autuação em questão, que também Fl. 203DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 15586.720950/201311 Acórdão n.º 3302003.094 S3C3T2 Fl. 202 3 demandava a realização de intimação para fim de regularizar o pagamento do ressarcimento do respectivo período, o que não ocorrera; e 2) no mérito, alegou a improcedência da cobrança da multa imposta, sob o argumento de que: a) era ilegal o ressarcimento devido à Casa Moeda do Brasil, porque: (i) não havia hipótese legal que previsse a aplicação da multa por ausência de pagamento do ressarcimento devido à Casa da Moeda do Brasil, ou a existência de norma que configurasse tal fato como omissão a prejudicar o normal funcionamento das máquinas do Sicobe e seu desligamento; (ii) o mero inadimplemento do citado “ressarcimento” não configurava óbice ao normal funcionamento do Sicobe, se e na medida em que tal conduta não era ato de impedimento material do pleno funcionamento do Sistema, nem visava diretamente a tal objetivo; (iii) não poderia a RFB inserir, em Instrução Normativa, a “ausência de ressarcimento” como “prática prejudicial ao normal funcionamento do sistema”, pois, atos normativos infralegais não podiam estabelecer restrições a direitos não decorrentes diretamente da lei, sendo sua função meramente declaratória (esclarecedora), sob pena de violação ao princípio da estrita legalidade tributária; (iv) nos termos do inciso V do art. 97 do CTN, somente a lei podia estabelecer “a cominação de penalidade para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas”; e (v) não havia impedimento para os órgãos de julgamento administrativo analisassem a legalidade de dispositivos legais, pois, tal impedimento, restringiase apenas à análise da constitucionalidade, nos termos da Súmula 02 do CARF; e b) era abusiva a multa aplicada, pois o valor exigido violava os princípios do não confisco, da proporcionalidade e da razoabilidade, mas na hipótese não anulação da exação, que seu valor fosse reduzido para 30% (trinta por cento), em atenção aos referidos princípios e aos parâmetros fixados no Recurso Extraordinário (RE) nº 81.550/MG. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 129/138), em que, por unanimidade de votos, a impugnação foi julgada improcedente, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2013 a 30/09/2013 IPI. SICOBE. FALTA DE RECOLHIMENTO À CASA DA MOEDA. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. A falta de manutenção preventiva e corretiva junto ao Sicobe, comunicada pela CMB à RFB, em virtude da ausência do ressarcimento de que trata o art. 11 da IN RFB nº 869/2008 caracterizase como prática prejudicial ao normal funcionamento do citado sistema, estando o infrator sujeito a multa de 100% do valor comercial da mercadoria produzida. INTIMAÇÃO PARA REGULARIZAÇÃO JUNTO À CASA DA MOEDA DO BRASIL. EFEITOS. UNICIDADE DA INTIMAÇÃO. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROS A 4 A intimação a que se refere o § 3º do artigo 13 da IN RFB 869/2008 é única e seus efeitos, para aplicação da penalidade, perduram até o religamento do sistema SICOBE, que se dará a partir da eliminação das pendências junto à Casa da Moeda do Brasil. O não cumprimento da intimação poderá dar lugar a tantos lançamentos quantas forem as constatações de permanência das irregularidades apontadas. Em 28/3/2014, a recorrente foi cientificada da referida decisão (fls. 142/143). Inconformada, em 25/4/2014, apresentou o recurso voluntário de fls. 146/161, em que reafirmou as razões de defesas aduzidas na peça impugnatória. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Do cotejo entre a motivação da autuação e as razões de defesa suscitadas pela recorrente, verificase que a controvérsia cingese às seguintes questões: a) em sede de preliminar, a nulidade da autuação, por cerceamento do direito de defesa; e b) no mérito, (i) a ilegalidade do ressarcimento devido à CMB, por violação ao princípio da legalidade, e (ii) a abusividade da multa cobrada, por ter alcançado patamares confiscatórios. Da preliminar de nulidade da autuação. Em preliminar, a recorrente alegou a nulidade da autuação, por cerceamento de direito defesa, baseada no argumento de que houve violação ao § 3º do art. 13 da Instrução Normativa RFB 869/2008 e aos princípios da ampla defesa, do contraditório e da segurança jurídica, porque não fora previamente intimada, para regularizar o pagamento do ressarcimento devido à CMB, relativo aos meses de abril a setembro de 2013, período da autuação. Segundo a recorrente, ela recebera única intimação relativa ao não pagamento dos valores do ressarcimento relativo aos meses de abril a agosto de 2011. Previamente, cabe esclarecer que não há controvérsia quanto ao fato de a recorrente ter sido intimada a regularizar o pagamento do ressarcimento devido à CMB, relativamente aos valores do ressarcimento devidos à CMB relativo apenas aos meses de abril a agosto de 2011, o que efetivamente ocorreu por meio do Termo de Diligência Fiscal nº 1/2011 (fls. 3/4), após comunicação do inadimplemento dos valores do ressarcimento devidos no citado período pela CMB, por meio do Relatório Técnico de fl. 5. Da leitura do referido Termo de Diligência, verificase que ele teve por finalidade comunicar o referido inadimplemento à autuada e, ao mesmo tempo, intimála a regularizar a falta do pagamento dos valares devidos, no prazo de 10 (dez) dias, sob pena de ficar caracterizada: (i) a prática prejudicial ao normal funcionamento do Sicobe, nos termos do art. 13, §§ 1º e 2º, da Instrução Normativa RFB nº 869/2008; (ii) a anormalidade do funcionamento do referido Sistema, nos termos dos arts. 8°A e 13, § 4º, da Instrução Normativa RFB 869/2008; e (iii) o início da contagem do prazo para fins de aplicação da penalidade fixada no art. 13, I, da Instrução Normativa RFB 869/2008, amparada pelo art. 30, I, da Lei 11.488/2007, até que fosse regularizada a ocorrência. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 15586.720950/201311 Acórdão n.º 3302003.094 S3C3T2 Fl. 203 5 Na data da edição do citado Termo Diligência, o § 3º do art. 13 da Instrução Normativa RFB 869/2008, apontado como violado pela recorrente, tinha a seguinte redação, in verbis: Art. 13. A cada período de apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), deverá ser aplicada multa de 100% (cem por cento) do valor comercial da mercadoria produzida, sem prejuízo da aplicação das demais sanções fiscais e penais cabíveis, não inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais), se: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 972, de 19 de novembro de 2009) I a partir do 10º (décimo) dia subseqüente ao prazo fixado de acordo com o disposto no art. 8º, o Sicobe não tiver sido instalado em virtude de impedimento criado pelo estabelecimento industrial; II o estabelecimento industrial não prestar as informações sobre os volumes de produção a que se refere o § 6ºdo art. 7º.(Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 972, de 19 de novembro de 2009) § 1º Para fins do disposto no inciso I do caput, considerase impedimento qualquer ação ou omissão praticada pelo estabelecimento industrial tendente a impedir ou retardar a instalação do Sicobe ou, mesmo após a sua instalação, prejudicar o seu normal funcionamento. § 2º A falta de manutenção preventiva e corretiva junto ao Sicobe, comunicada pela CMB à RFB, em virtude da ausência do ressarcimento de que trata o art. 11 ou pela negativa de acesso dos técnicos da CMB ao estabelecimento industrial, caracterizase como prática prejudicial ao normal funcionamento do Sicobe, sem prejuízo de outras que venham a ser constatadas durante a sua operação. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 972, de 19 de novembro de 2009) § 3º Na ocorrência das hipóteses mencionadas nos §§ 1º e 2º, o estabelecimento industrial será intimado a regularizar sua situação no prazo de 10 (dez) dias, findo o qual iniciarseá a contagem do prazo para fins de aplicação da penalidade prevista no caput. [...] (grifos não originais) Da simples leitura dos referidos comandos normativos, verificase que, no caso em tela, houve estrito cumprimento dos procedimentos determinados no § 3º do art. 13 da Instrução Normativa RFB 869/2008, uma vez que, após a comunicação da irregularidade quanto à falta do adimplemento dos valores atinentes ao mencionado ressarcimento, a fiscalização intimou a recorrente a regularizar o pagamento dos valores devidos, no prazo máximo de 10 (dez) dias, findo o qual, se persistente a inadimplência, seria iniciado a contagem do prazo para aplicação da multa de 100% (cem por cento) do valor comercial da mercadoria produzida. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROS A 6 Assim, diferentemente do alegado pela recorrente, enquanto não realizada a regularidade do referido pagamento e restabelecido o funcionamento normal do Sicobe, com o religamento das impressoras do Sistema, a realização de nova intimação, com mesmo objetivo, obviamente, revelase de todo desnecessária. Em outras palavras, enquanto não regularizada a referida inadimplência e perdurar o desligamento das impressoras do Sistema, os efeitos jurídicos da referida intimação prolongarseá até que ocorra a regularização do funcionamento normal do Sistema. Assim, demonstrado que não era necessária a realização de nova intimação para regularizar o pagamento dos valores do ressarcimento devidos à CMB, relativos ao período da autuação, obviamente, não houve descumprimento ao disposto no § 3º do art. 13 da Instrução Normativa RFB 869/2008, e tampouco qualquer afronta ao contraditório ou ao direito de defesa da recorrente. No caso em tela, cabe ressaltar que o contraditório e o direito de defesa foi oportunizado e plenamente exercido a partir do momento em que autuada foi cientificada da autuação. E a análise das robustas peças defensivas colacionadas aos autos, confirmam que, no caso em tela, a recorrente exerceu plenamente tais prerrogativas, o que afasta a imputação de alegado vício de cerceamento de direito de defesa. Com base nessas considerações, rejeitase a preliminar de nulidade da autuação, por não configurado o alegado cerceamento do direito de defesa. Da ilegalidade da cobrança da multa. A recorrente alegou que a cobrança da multa era ilegal, porque foi fixada por instrução normativa, o que era vedado pelo inciso V do art. 97 do CTN, que exige que somente lei pode estabelecer “a cominação de penalidade para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas”, com base no argumento de que não havia, no art. 30 da Lei 11.488/2007, combinado com o disposto no art. 58T1 da Lei 10.833/2003, utilizados como fundamento da autuação, qualquer previsão que autorizasse o desligamento dos equipamentos como medida punitiva decorrente da falta de pagamento do ressarcimento devido à CMB. Para uma melhor análise, seguem transcritos os referidos preceitos legais: Lei 11.488/2007: Art. 30. A cada período de apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados, poderá ser aplicada multa de 100% (cem por cento) do valor comercial da mercadoria produzida, sem prejuízo da aplicação das demais sanções fiscais e penais cabíveis, não inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais): I se, a partir do 10º (décimo) dia subseqüente ao prazo fixado para a entrada em operação do sistema, os equipamentos referidos no art. 28 desta Lei não tiverem sido instalados em virtude de impedimento criado pelo fabricante; II se o fabricante não efetuar o controle de volume de produção a que se refere o § 2odo art. 27 desta Lei. § 1o Para fins do disposto no inciso I do caput deste artigo, considerase impedimento qualquer ação ou omissão praticada pelo fabricante tendente a impedir ou retardar a instalação dos 1 Revogado pelo art. 169, III, "b", da Lei nº 13.097/2015, com vigência a partir de 1º de maio de 2015. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 15586.720950/201311 Acórdão n.º 3302003.094 S3C3T2 Fl. 204 7 equipamentos ou, mesmo após a sua instalação, prejudicar o seu normal funcionamento. § 2o A ocorrência do disposto no inciso I do caput deste artigo caracteriza, ainda, hipótese de cancelamento do registro especial de que trata o art. 1o do DecretoLei no 1.593, de 21 de dezembro de 1977, do estabelecimento industrial. Lei 10.833/2003: Art. 58T. As pessoas jurídicas que industrializam os produtos de que trata o art. 58A2 desta Lei ficam obrigadas a instalar equipamentos contadores de produção, que possibilitem, ainda, a identificação do tipo de produto, de embalagem e sua marca comercial, aplicandose, no que couber, as disposições contidas nos arts. 27 a 30 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. (Redação dada pela Lei nº 11.827, de 2008) Grifos não originais. Essencialmente, o que a recorrente questiona é a legalidade do § 2º do art. 13 da Instrução Normativa RFB 869/2008, anteriormente transcrito, que equiparou à prática prejudicial ao normal funcionamento do Sicobe a falta de manutenção preventiva e corretiva do referido Sistema, em virtude da ausência do ressarcimento de que trata o art. 11 da referida Instrução Normativa, que, na data da infração objeto das presentes autuações, tinha a seguinte redação, in verbis: Art. 11. Fica a cargo do estabelecimento industrial envasador das bebidas de que trata o art. 1º o ressarcimento à CMB pela execução dos procedimentos de integração, instalação, manutenção preventiva e corretiva do Sicobe em todas as suas linhas de produção. (grifos não originais) No caso em tela, a competência da RFB para estabelecer os requisitos de segurança e controle fiscal do Sicobe não se encontra estabelecida no art. 30 da Lei 11.488/2007, combinado com o disposto no art. 58T da Lei 10.833/2003, como alegara a recorrente, mas nos arts. 28 e 29 da Lei 11.488/2007, a seguir transcritos: Art. 28. Os equipamentos contadores de produção de que trata o art. 27 desta Lei deverão ser instalados em todas as linhas de produção existentes nos estabelecimentos industriais fabricantes de cigarros, em local correspondente ao da aplicação do selo de controle de que trata oart. 46 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. 2 "Art. 58A. A Contribuição para o PIS/Pasep, a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, a Contribuição para o PIS/PasepImportação, a CofinsImportação e o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI devidos pelos importadores e pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização dos produtos classificados nos códigos 21.06.90.10 Ex 02, 22.01, 22.02, exceto os Ex 01 e Ex 02 do código 22.02.90.00, e 22.03, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – Tipi, aprovada pelo Decreto no 6.006, de 28 de dezembro de 2006, serão exigidos na forma dos arts. 58B a 58U desta Lei e nos demais dispositivos pertinentes da legislação em vigor. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) (Revogado pela Lei nº 13.097, de 2015) Parágrafo único. A pessoa jurídica encomendante e a executora da industrialização por encomenda dos produtos de que trata este artigo são responsáveis solidários pelo pagamento dos tributos devidos na forma estabelecida nesta Lei."(Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) Fl. 208DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROS A 8 § 1o O selo de controle será confeccionado pela Casa da Moeda do Brasil e conterá dispositivos de segurança aprovados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil que possibilitem, ainda, a verificação de sua autenticidade no momento da aplicação no estabelecimento industrial fabricante de cigarros. § 2o Fica atribuída à Casa da Moeda do Brasil a responsabilidade pela integração, instalação e manutenção preventiva e corretiva de todos os equipamentos de que trata o art. 27 desta Lei nos estabelecimentos industriais fabricantes de cigarros, sob supervisão e acompanhamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil e observância aos requisitos de segurança e controle fiscal por ela estabelecidos. [...] Art. 29. Os equipamentos de que trata o art. 27 desta Lei, em condições normais de operação, deverão permanecer inacessíveis para ações de configuração ou para interação manual direta com o fabricante, mediante utilização de lacre de segurança, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 1o O lacre de segurança de que trata o caput deste artigo será confeccionado pela Casa da Moeda do Brasil e deverá ser provido de proteção adequada para suportar as condições de umidade, temperatura, substâncias corrosivas, esforço mecânico e fadiga. § 2o O disposto neste artigo também se aplica aos medidores de vazão, condutivímetros e demais equipamentos de controle de produção exigidos em lei. (grifos não originais) Assim, fica demonstrado que os referidos preceitos legais atribuem competência à RFB para disciplinar a matéria, o que, certamente, inclui a competência para o referido Órgão considerar como prática prejudicial ao normal funcionamento do Sicobe a falta de manutenção preventiva e corretiva dos equipamentos do referido Sistema a cargo da CMB, em razão da ausência do ressarcimento dos valores devidos à CMB pela prestação dos referidos serviços. E qualquer ação ou omissão praticada pelo fabricante de bebidas tendente a prejudicar o normal funcionamento do Sicobe, induvidosamente, tratase de conduta que se enquadra perfeitamente na descrição da infração veiculada no art. 30 da Lei 11.488/2007. Portanto, fica demonstrado que tem respaldo legal a cobrança da multa em apreço, uma vez que a regulamentação, explicitada no art. 13 da Instrução Normativa RFB 869/2008, não se afastou dos parâmetros legais estabelecidos nos arts. 28 a 30 da Lei 11.488/2007. A jurisprudência deste Conselho não tem discrepado do entendimento aqui esposada, conforme recentes julgados da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara (Acórdão 3402 002.011, Rel. Cons. Gilson Macedo Rosenburg Filho), da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara (Acórdão 3403003.307, Rel. Cons. Ivan Allegretti e Red. Desig. Cons. Rosaldo Trevisan) e da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara (Acórdão 3101001.695, Rel. Cons. Rodrigo Mineiro Fernandes), cujos enunciados das ementas, na parte que interessa, seguem reproduzidos: SICOBE. PREJUÍZO AO NORMAL FUNCIONAMENTO. MULTA. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 15586.720950/201311 Acórdão n.º 3302003.094 S3C3T2 Fl. 205 9 Nos termos do art. 30 da Lei nº. 11.488/2007, se restar caracterizado que o fabricante concorreu para prejudicar o normal funcionamento do Sicobe, caberá multa de 100% do valor comercial da mercadoria produzida. 3 SICOBE. MULTA. PREJUÍZO AO NORMAL FUNCIONAMENTO. PREVISÃO LEGAL. OMISSÃO. AUSÊNCIA DE RESSARCIMENTO. A multa prevista no art. 30 da Lei no 11.488/2007, por ação ou omissão praticada pelo fabricante tendente a prejudicar o normal funcionamento do equipamento que compõe o SICOBE (Sistema de Controle de Produção de Bebidas) aplicase no caso de omissão caracterizada pela falta de ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil, responsável pela manutenção preventiva/corretiva. 4 SICOBE. MULTA. PREJUÍZO AO NORMAL FUNCIONAMENTO. PREVISÃO LEGAL. OMISSÃO. AUSÊNCIA DE RESSARCIMENTO. A multa prevista no art. 30 da Lei no 11.488/2007, por ação ou omissão praticada pelo fabricante tendente a prejudicar o normal funcionamento do Sistema de Controle de Produção de Bebidas aplicase no caso de omissão caracterizada pela falta de ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil, responsável pela manutenção preventiva /corretiva. 5 No caso dos autos, a falta de manutenção preventiva e corretiva do Sicobe, em virtude da ausência de ressarcimento à CMD pelos serviços de manutenção por esta prestados à recorrente, tratase de conduta omissiva devidamente comprovada nos autos, que, induvidosamente, acarretou o desligamento das impressoras do Sicobe e assim prejudicou o normal funcionamento do Sistema. Logo, resta devidamente materializada a conduta tipificada no art. 30, I, e § 1º, da Lei 11.488/2007. Com base nessas considerações, fica demonstrado que a multa aplicada tem amparo legal e, portanto, não houve a alegada ofensa ao princípio da estrita legalidade inscrito no art. 97, V, do CTN. Portanto, reputase legítima a cobrança da multa em apreço. Do efeito confiscatório da multa aplicada. A recorrente alegou que a multa aplicada era abusiva, pois o valor exigido violava os princípios do não confisco, da proporcionalidade e da razoabilidade. Segundo a recorrente o art. 150, IV, da Constituição Federal de 1988 prevê a proibição do efeito confiscatório aos impostos e que tal efeito fora estendido às multas, conforme orientação do Supremo Tribunal Federal, que considerou confiscatória a multa com percentual acima de 30% (trinta de por cento). 3 BRASIL. CARF. 3ª Seção. 4ª Câmara. 2ª Turma Ordinária. Ac. 3402002.011. Rel. Gilson Macedo Rosenburg Filho, j. 27.02.2013. 4 BRASIL. CARF. 3ª Seção. 4ª Câmara. 3ª Turma Ordinária. Ac. 3403003.307. Rel. Ivan Allegretti. Red Desig Rosaldo Trevisan, j. 14.10.2014. 5 BRASIL. CARF. 3ª Seção. 1ª Câmara. 1ª Turma Ordinária. Ac. 3101001.695. Rel. Rodrigo Mineiro Fernandes, j. 16.09.2014. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROS A 10 Tratase de questão que prescinde da análise da constitucionalidade da norma veiculada art. 30, I, da Lei 11.488/2007, matéria que foge da competência julgadora deste Conselho, por expressa vedação, determinada no art. 26A6 do Decreto 70.235/1972, excepcionada apenas diante das hipóteses relacionadas no § 6º do citado preceito legal, situação que não se vislumbra nos autos. Aliás, sabidamente, tal atribuição é reservada, com exclusividade, aos órgãos de julgamento do Poder Judiciário. No mesmo sentido, no âmbito deste Conselho, tal vedação encontrase também expressamente determinada no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 34, de 09 de junho de 2015, e afirmada no enunciado da Súmula CARF nº 2, que tem o seguinte teor, in verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Da conclusão. Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento 6 "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)" Fl. 211DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 15586.720950/201311 Acórdão n.º 3302003.094 S3C3T2 Fl. 206 11 Fl. 212DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROS A
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Numero do processo: 10805.001452/2006-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/06/2000, 31/07/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 31/10/2000, 30/11/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001, 30/04/2001, 31/05/2001, 30/06/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001, 31/10/2001, 30/11/2001, 31/12/2001, 31/01/2002, 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 30/06/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 30/09/2002, 31/10/2002
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. SANEAMENTO.
O órgão julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos apresentados pela contribuinte se, por outros motivos, tiver firmado seu convencimento.
Caracterizada a omissão no acórdão embargado sobre ponto que deveria o Colegiado se pronunciar, ela deve ser suprida com a apreciação das correspondentes alegações.
PIS/COFINS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. BASE DE CÁLCULO. PREÇO DE VENDA. IPI. INCLUSÃO.
A Instrução Normativa SRF 54/2000 não padece de ilegalidade ao determinar, em seu art. 3º, § 1º, que, para efeito de contribuições recolhidas no regime de substituição, considera-se preço de venda do fabricante ou importador o preço do produto acrescido do IPI incidente na operação.
Embargos parcialmente acolhidos.
Numero da decisão: 3402-003.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos declaratórios para suprir a omissão quanto à análise das alegações relativas à inclusão do IPI na base de cálculo do PIS sob o regime de substituição tributária, constantes no recurso voluntário, negando-se provimento em relação ao mérito dessas alegações. Esteve presente ao julgamento o Dr. Luiz Romano, OAB/DF nº 14.303.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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Interessado GENERAL MOTORS DO BRASIL LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/06/2000, 31/07/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 31/10/2000, 30/11/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001, 30/04/2001, 31/05/2001, 30/06/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001, 31/10/2001, 30/11/2001, 31/12/2001, 31/01/2002, 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 30/06/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 30/09/2002, 31/10/2002 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. SANEAMENTO. O órgão julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos apresentados pela contribuinte se, por outros motivos, tiver firmado seu convencimento. Caracterizada a omissão no acórdão embargado sobre ponto que deveria o Colegiado se pronunciar, ela deve ser suprida com a apreciação das correspondentes alegações. PIS/COFINS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. BASE DE CÁLCULO. PREÇO DE VENDA. IPI. INCLUSÃO. A Instrução Normativa SRF 54/2000 não padece de ilegalidade ao determinar, em seu art. 3º, § 1º, que, para efeito de contribuições recolhidas no regime de substituição, considerase preço de venda do fabricante ou importador o preço do produto acrescido do IPI incidente na operação. Embargos parcialmente acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos declaratórios para suprir a omissão quanto à análise das alegações AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 14 52 /2 00 6- 09 Fl. 1790DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 21/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 2 relativas à inclusão do IPI na base de cálculo do PIS sob o regime de substituição tributária, constantes no recurso voluntário, negandose provimento em relação ao mérito dessas alegações. Esteve presente ao julgamento o Dr. Luiz Romano, OAB/DF nº 14.303. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela GENERAL MOTORS DO BRASIL LTDA, em 13/02/2015, em face do Acórdão de nº 20181.156, de 03 de junho de 2008, da então Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, do qual foi cientificada em 6.2.2015, cuja ementa segue abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/06/2000, 31/07/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 31/10/2000, 30/11/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001, 30/04/2001, 31/05/2001, 30/06/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001, 31/10/2001, 30/11/2001, 31/12/2001, 31/01/2002, 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 30/06/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 30/09/2002, 31/10/2002 AUTO DE INFRAÇÃO. MATÉRIA DE MÉRITO. NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Matérias relativas ao mérito do auto de infração não representam vícios formais ou materiais que possam causar sua nulidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/06/2000, 31/07/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 31/10/2000, 30/11/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001, 30/04/2001, 31/05/2001, 30/06/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001, 31/10/2001, 30/11/2001, 31/12/2001, 31/01/2002, 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 30/06/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 30/09/2002, 31/10/2002 SUBSTITUIÇÃO TRIBUTARIA. VENDAS DE VEÍCULOS. CONTEÚDO. VENDA DIRETA. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. As vendas consideradas diretas pelo fabricante de veículos, cuja operação se conforma materialmente à hipótese de incidência da contribuição e que não encontrem respaldo legal na lei como tais, como as vendas efetuadas pela Internet e as não especificadas em convenção de marca, ensejam a tributação pelo Fl. 1791DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 21/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10805.001452/200609 Acórdão n.º 3402003.088 S3C4T2 Fl. 1.791 3 PIS/Substituição Tributária, independentemente de constarem previamente do estoque dos concessionários. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/06/2000, 31/07/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 31/10/2000, 30/11/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001, 30/04/2001, 31/05/2001, 30/06/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001, 31/10/2001, 30/11/2001, 31/12/2001, 31/01/2002, 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 30/06/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 30/09/2002, 31/10/2002 PIS. DECADÊNCIA. O prazo de decadência do PIS é de cinco anos, contados da data do fato gerador, no caso de haver pagamentos antecipados. PIS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTARIA. VALOR INDEVIDAMENTE RECOLHIDO PELO SUBSTITUÍDO. COMPENSAÇÃO NO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os valores de PIS indevidamente recolhidos pelo substituído tributário, em relação ao substituto, caracterizamse como créditos de terceiros, que são compensáveis apenas pelos contribuintes que o apuraram, por meio de Declaração de Compensação. Recurso voluntário provido em parte. A embargante sustenta que teria havido as seguintes omissões e contradições no acórdão recorrido: No que concerne à decadência, sustenta que o voto vencido na questão da decadência afirma que não teriam ocorridos pagamentos antecipados, o que não retrata a verdade dos fatos. Alega que há omissão na ausência de análise dos memoriais e do parecer jurídico, apresentados após o recurso voluntário. Relativamente às vendas efetuadas via internet, sustenta contradição no fato de que afirma o acórdão recorrido que o pagamento da margem de comercialização, a 'autuação' e o 'pedido' dos concessionários considerados em conjunto com as disposições legais revelam a natureza das operações (fl. 846), sendo que, anteriormente (fl. 844), havia afirmado que tais elementos não poderiam descaracterizar a venda direta. Alega também vícios no acórdão recorrido na análise das suas alegações referentes à Lei Renato Ferrari. Com relação às vendas para produtores rurais e via arrendamento mercantil, entende a embargante que o acórdão recorrido incorre em contradição, uma vez que, se há uma especificidade a justificar a indicação do produtor rural como comprador especial, a conclusão deveria ser pela improcedência da autuação de PIS ST. Sustenta a embargante que houve omissão pois não analisou as vendas diretas para taxistas, microempresas e deficientes físicos Por fim, quanto ao IPI, ao contrário do alegado no acórdão recorrido, a embargante expressamente abordou, nos itens 128 e 133 do Recurso Voluntário, a questão da base de cálculo acrescida do IPI utilizada pela fiscalização para a constituição do crédito tributário em objeto, de forma que o acórdão recorrido omitiuse também quanto a essa questão. Fl. 1792DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 21/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 4 Os embargos foram admitidos pelo Presidente da 1ª Turma da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, com base no despacho (fls. 1777/1780) de 08/06/2015, do Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, tendo sido determinada a inclusão em pauta de julgamento. Posteriormente, em 02/01/2016, o processo foi devolvido para que fosse submetido a sorteio no âmbito da 3ª Seção de Julgamento, em face do disposto no art. 49, §6º do Regimento Interno do CARF: [art. 49]§ 6º Os embargos de declaração opostos contra decisões e os processos de retorno de diligência de turmas extintas serão distribuídos ao relator ou redator, independentemente de sorteio ou, caso relator ou redator não mais pertencer à Seção, o Presidente da respectiva Câmara devolverá para sorteio no âmbito da Seção. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015 – RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma, e poderão ser opostos, mediante petição fundamentada, no prazo de 5 (cinco) dias contados da ciência do acórdão. Os embargos atendem aos requisitos de admissibilidade e deles se toma conhecimento. Aproveito, como fundamento de decidir, o conteúdo do despacho do acerca da admissibilidade dos embargos das fls. 1777/1780, abaixo transcrito: (...) Decadência Apesar de ter tido voto favorável à ocorrência da decadência parcial do lançamento, matéria que inclusive foi reconhecida de ofício no acórdão embargado, o contribuinte contesta a afirmação constante do voto vencedor de que não teriam ocorridos pagamentos antecipados a título de PIS substituição tributária. Por entender que a assertiva não retrata a realidade dos fatos, pede por meio dos embargos, que seja feita a retratação para reconhecer a ocorrência dos pagamentos referidos. Há que esclarecer porém, que a decisão nesta questão foi favorável ao contribuinte, cuja fundamentação e voto relativo a esta matéria está consolidado no voto do relator que acatou a decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN, tendo, por consequência óbvia, reconhecido que houve antecipações de pagamentos. No caso, o voto vencedor somente manifestou o seu entendimento e explicou porque foi vencido nesta matéria. Portanto incabível Fl. 1793DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 21/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10805.001452/200609 Acórdão n.º 3402003.088 S3C4T2 Fl. 1.792 5 embargos de declarações sobre opiniões ou manifestações a respeito da matéria, que não teve o condão de alterar a decisão da maioria do colegiado. Nulidade do Acórdão O embargante pede a nulidade do acórdão embargado, em nome do princípio da verdade material, por ter ocorrido em omissão por ter desconsiderado o memorial e parecer jurídico juntados pela contribuinte. Tal pedido decorre do seguinte trecho constante do voto vencedor: (...) Preliminarmente, devese esclarecer que os argumentos trazidos pela interessada após a apresentação do recurso contidos em memorial e parecer jurídico não serão analisados especificamente como fundamento de mérito do recurso, a não ser quando sejam pertinentes à análise em face de sua relevância, uma vez que não fizeram parte do recurso originalmente apresentado. (...) Como não constam do processo nem os memoriais e nem o parecer jurídico, deduzse que se tratam de documentos apresentados aos conselheiros julgadores por ocasião da sessão de julgamento, que podem servir eventualmente, no mesmo modo da sustentação oral, para formar convicção a respeito da citada matéria. Porém não integram os autos, pois todos os argumentos e provas pretendidas pelo contribuinte devem ser apresentadas na impugnação e no recurso voluntário. Não há qualquer omissão na decisão pelo fato de não ter analisado especificamente os argumentos trazidos naqueles documentos, até porque estão fora da realidade processual. Observe ainda que o relator não afirmou que desconsiderou totalmente aquelas informações, só destacou que não iria analisálas especificamente. Omissões e Contradições Vendas efetuadas via internet Neste ponto, o contribuinte destaca que o afirmado no acórdão, fl. 846, contradiz afirmação constante efetuada em momento anterior, fl. 844. Transcrevese abaixo referido trechos: (...) Assim, é impossível descaracterizar a venda direta apenas pela análise da atuação do concessionário e do pagamento da margem de comercialização. (fl. 844) (...) Nesse aspecto, embora se tenha afirmado anteriormente que o pagamento da margem de comercialização e a "atuação" e "pedido" dos concessionários, por si sós, não descaracterizariam a venda direta, tais fatos, considerados em conjunto com as disposições legais, revelam a verdadeira natureza das operações. (fl. 846) (...) Fl. 1794DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 21/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 6 Evidente que o relator estava desenvolvendo uma raciocínio lógico e a segunda afirmação somente complementa a primeira e não apresentam contradições entre elas. Na verdade neste item o embargante tenta retomar a discussão do mérito do que foi decidido no referido acórdão, o que não é permitido por esta via recursal. O mesmo podese dizer em relação aos itens (ii) e (iii), nos quais não se vislumbram a ocorrência de qualquer contradição ou omissão no acórdão embargado e reflete mais uma tentativa do contribuinte em tentar a rediscussão do mérito do julgamento. IPI Aqui, neste ponto, o contribuinte conseguiu demonstrar uma omissão ocorrida no acórdão embargado. Na fl. 847 o relator faz a seguinte observação: (...) No tocante à exclusão do IPI alegada na impugnação, a matéria não foi abordada novamente no recurso, não devendo ser analisada. (...) Ocorre que, ao contrário desta afirmação, o contribuinte reapresentou esta questão, da inclusão do IPI na base de cálculo do PIS ST no período de junho/2000 a outubro/2002, para apreciação deste órgão julgador. Esta matéria está especificamente contestada no recurso voluntário a partir do item 128 (fl. 582). Como esta matéria não foi objeto de análise no presente acórdão, está caracterizada a omissão constante do caput do art. 65 do anexo II do RICARF. Portanto, diante do exposto, proponho que seja admitido os presentes embargos somente para apreciação da matéria omitida informada especificamente na presente informação. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal (...) De acordo. Com base nos fundamentos acima expostos, reconheço a procedência parcial das alegações do embargante e no uso da competência conferida no art. 65, § 3º, do Anexo II do RICARF, ADMITO os presentes embargos, devendo os autos retornar à Secretaria, para as providências de sua alçada. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente As demais alegações da embargante do tópico (i) vendas efetuadas via internet, nos itens 17. a 24 (vide trechos abaixo), também não se caracterizam omissões ou contradições, mas meras tentativas de rejulgamento da lide, o que se mostra inviável pela via estreita dos embargos. Fl. 1795DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 21/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10805.001452/200609 Acórdão n.º 3402003.088 S3C4T2 Fl. 1.793 7 Assim, com base nos fundamentos acima, acolho parcialmente os embargos somente quanto à caracterização da omissão acerca da análise da matéria trazida nos itens 128 a 133 do Recurso Voluntário, relativamente à questão da base de cálculo do PIS/Cofins acrescida do IPI, utilizada pela fiscalização para a constituição do crédito tributário, vez que não caracterizadas as demais omissões ou contradições. Procedendo ao devido saneamento da omissão, passase a analisar tais argumentos do recurso voluntário, abaixo transcritos: (...) 128. O segundo aspecto, não menos importante, diz respeito à base de cálculo utilizada pelo I. Auditor Fiscal para a constituição do crédito tributário em objeto. Com fundamento no artigo 3º, §1º, da IN 54/2000, o PISST do período de junho/2000 a outubro/2002 foi constituído pela D. Fiscalização Federal considerandose como base de cálculo o preço de venda praticado pela Recorrente, acrescido do IPI devido na operação. 129. Entretanto, o já citado parágrafo único do artigo 44 da MP no 1.99117/2001 e reedições dispunha expressamente que a base de calculo da exação nesta modalidade de operação seria apenas o preço de venda praticado pelo fabricante ou importador do veiculo automotor! Fl. 1796DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 21/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 8 130. Verificase, portanto, que há uma nítida ampliação da base de cálculo do PISST, o que deve ser repelido por esse E. Conselho de Contribuintes. Ou seja, é evidente que a IN 54/2000, neste ponto, extrapolou as disposições contidas no ato legal que define a base de cálculo do PISST, em flagrante desrespeito ao principio da legalidade. 131. Ora, D. Julgadores, a Recorrente tem como certo que às normas secundárias no caso, a IN 54/2000 não é dado transcender os limites legais ou contrariar suas disposições, inclusive quando o intuito é o de majorar a base de cálculo do tributo. 132. Em torno do tema, vejamos os esclarecimentos de CELSO ANTONIO BANDEIRA DE MELLO: "(...) Se o regulamento não pode criar direitos ou restrições à liberdade, propriedade e atividades dos indivíduos que já não estejam estabelecidos e restringidos na lei, menos ainda poderão fazêlo instruções, portarias ou resoluções. Se o regulamento não pode ser instrumento para regular matéria que, por ser legislativa, é insuscetível de delegação, menos ainda poderão fazêlo atos de estirpe inferior, quais instruções, portarias ou resoluções (...)". (Curso de Direito Administrativo, 1998, Malheiros Editores Ltda., Sao Paulo, p. 264). 133. Diante dos argumentos acima expostos, demonstrase uma vez mais que o V. Acórdão recorrido está a merecer reforma integral por esse E. Conselho de Contribuintes. (...) Conforme determinava o art. 44 da Medida Provisória nº 1991161, os fabricantes e os importadores especificados estavam obrigados, relativamente a vendas de determinados produtos, a cobrar e a recolher o PIS e a Cofins, na condição de contribuintes substitutos, devidas pelos comerciantes varejistas desses produtos com a base de cálculo determinada pelo preço de venda do fabricante ou importador, assim considerado, nos termos do art. 3º,§1º da Instrução Normativa SRF nº 54/2000, o preço do produto acrescido do valor do IPI incidente na operação. Não se verifica qualquer ilegalidade nessa Instrução Normativa, ao detalhar o conceito de "preço de venda", vez que os encargos tributários realmente integram o preço de venda. Nesse sentido, já foi decidido nos julgados cujas ementa se transcreve: EMENTA: PIS/COFINS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. BASE DE CÁLCULO. IPI. INCLUSÃO. LEI Nº 9.718/98. MP Nº 2.158 35/01. INSRF Nº 54/00. 1. Sob a égide da Lei 9.718/98 tanto os fabricantes e importadores de veículos quanto os revendedores, recolhiam o PIS e a COFINS com base no faturamento, aqui incluídas todas as receitas da pessoa jurídica. Criado o regime de substituição 1 Art. 44. As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores dos veículos classificados nas posições 8432, 8433, 8701, 8702, 8703 e 8711, e nas subposições 8704.2 e 8704.3, da TIPI, relativamente às vendas que fizerem, ficam obrigadas a cobrar e a recolher, na condição de contribuintes substitutos, a contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, devidas pelos comerciantes varejistas. Parágrafo único. Na hipótese de que trata este artigo, as contribuições serão calculadas sobre o preço de venda da pessoa jurídica fabricante. Fl. 1797DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 21/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10805.001452/200609 Acórdão n.º 3402003.088 S3C4T2 Fl. 1.794 9 tributária pela MP 2.15835/01 (originariamente MP 1.991 14/00), o legislador entendeu por bem determinar que o recolhimento efetuado pelos fabricantes e importadores de veículos, relativamente às contribuições devidas pelos revendedores, tomasse por base de cálculo o valor de venda ao varejista, onde sempre estiveram incluídos os encargos tributários. 2. Ao excluir o IPI da receita bruta, a Lei 9.718/98 estáse referindo aos impostos pagos pelo próprio contribuinte, como sujeito passivo, seja o importador ou fabricante, seja o varejista. 3. O legislador optou por excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS devidos pelo estabelecimento industrial diversos valores que não fazem parte de sua receita, determinando também a exclusão dos valores de IPI que o fabricante cobra do revendedor. Entretanto, não é possível que esse mesmo fabricante, agora na condição de substituto, exclua da base de cálculo das contribuições que deve recolher em nome do revendedor os valores referentes ao IPI, incidentes sobre as operações presumidamente a serem realizadas por este. 4. Sendo a base de cálculo o preço da venda do substituto ao substituído, e não mais o preço final cobrado do consumidor, há certa benesse da lei, eis que entre estes dois valores há a margem de lucro da concessionária, a qual não é tributada pelo PIS e pela COFINS. (TRF4, AC 2004.70.01.0021901, Primeira Turma, Relatora Maria Lúcia Luz Leiria, DJ 24/08/2005) EMENTA: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. COMÉRCIO DE VEÍCULOS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. EXCLUSÃO DO IPI DA BASE DE CÁLCULO. ART. 44 DA MEDIDA PROVISÓRIA N.º 1.99115/00 (ATUAL ART. 43 DA MEDIDA PROVISÓRIA N.º 2.15835/01). INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N.º 54/00. IMPOSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. 1. Com o advento da Medida Provisória n.º 1.99115/00 (atual Medida Provisória n.º 2.15835/01), o recolhimento da contribuição ao PIS e da COFINS incidente nas operações de compra e venda de veículos passou a ser de responsabilidade das empresas fabricantes e importadoras, no sistema denominado substituição tributária para frente ou progressiva. 2. Diferentemente do que ocorria na sistemática anterior, a contribuição do comerciante varejista, agora a cargo do fabricante ou do importador, passou a ser calculada sobre o valor da venda realizada ao concessionário ou intermediário de veículos novos, não considerando o valor cobrado do consumidor final. 3. A Instrução Normativa SRF n.º 54/00, ao referir que o IPI integra a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, Fl. 1798DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 21/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 10 nada mais fez do que regulamentar tal sistemática, explicitando situação que, de ordinário, já ocorria anteriormente, visto que a parcela do IPI sempre integrou o preço de venda do fabricante, não havendo que se falar em extrapolação dos ditames da legislação de regência. Ademais, tratandose de substituição tributária para frente, necessária a eleição, pelo legislador, de hipótese de incidência e base de cálculo presumidas, o que foi feito com a inclusão do IPI na base de cálculo das contribuições ora discutidas, desconsiderando o lucro consistente na diferença entre o valor pago na aquisição do veículo junto ao fabricante ou importador e aquele cobrado pelo comerciante varejista no momento da venda. 4. Honorários advocatícios mantidos no percentual estipulado na sentença, uma vez que de acordo com os ditames do art. 20, §§ 3º e 4º, do CPC e os precedentes desta Corte. 5. Sentença mantida. (TRF4, AC 2005.71.12.0028015, Segunda Turma, Relator Otávio Roberto Pamplona, D.E. 19/12/2007) Também no Superior Tribunal de Justiça a jurisprudência é no sentido da legalidade de inclusão do IPI na base de cálculo para o PIS e a Cofins no regime da substituição tributária, conforme ementas abaixo: STJ AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL AgRg no REsp 1398030 RJ 2013/01602107 (STJ) Data de publicação: 16/12/2013 Ementa: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. INCLUSÃO DO IPI NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. FABRICANTES DE VEÍCULOS. COMERCIANTES VAREJISTAS. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA. ACÓRDÃO FUNDAMENTADO EM MATÉRIA EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DO STF. 1. Não cabe ao STJ analisar recurso especial interposto contra acórdão fundamentado em matéria eminentemente constitucional, sob pena de usurpação da competência do STF. 2. Nos termos da jurisprudência do STJ, o IPI não pode ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS ante a ausência de norma autorizativa no regime de substituição tributária. Precedentes: AgRg no AREsp 265.017/MG, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 05/03/2013, DJe 13/03/2013; AgRg no AREsp 175.285/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 14/08/2012, DJe 21/08/2012. Agravo regimental improvido. STJ AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL AgRg no AREsp 165086 RJ 2012/00834300 (STJ) Data de publicação: 26/06/2012 Fl. 1799DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 21/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10805.001452/200609 Acórdão n.º 3402003.088 S3C4T2 Fl. 1.795 11 Ementa: AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PLEITO DESOBRESTAMENTO DO RECURSO ESPECIAL, EM RAZÃO DE REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA PELO STF. NÃO CABIMENTO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. INCLUSÃO DO IPI NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INSTRUÇÃO NORMATIVA 54/2000. LEGALIDADE. 1. Conforme decidido pela Corte Especial, o reconhecimento, pelo STF, da repercussão geral não constitui hipótese de sobrestamento de recurso que tramita no STJ, mas de eventual Recurso Extraordinário interposto. 2. A jurisprudência do STJ entende que, no regime da substituição tributária, o IPI não pode ser deduzido da base de cálculo do PIS e da COFINS, por ausência de norma autorizadora, e que a IN 54/2000 não padece de ilegalidade ao determinar, em seu art. 3º, § 1º, que, para efeito de contribuições recolhidas no regime de substituição,considerase preço de venda do fabricante ou importador o preço do produto acrescido do IPI incidente na operação. 3. Agravo Regimental não provido. Quanto ao pedido de prequestionamento de todos os demais temas e dispositivos debatidos pela embargante no curso do processo administrativo e que não teriam sido analisados expressamente no Acórdão recorrido, entendo que deve ser indeferido, vez que não caracterizaram omissões passíveis de serem corrigidas pela via dos embargos. Conforme entendimento assentado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ, REsp nº 902010/DF, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 15/12/2008), desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, o julgador não é obrigado a rebater todos os argumentos trazidos pela parte, mormente quando são irrelevantes para a sua conclusão. Assim, voto no sentido de acolher parcialmente os embargos declaratórios, para suprir a omissão quanto à análise das alegações relativas à inclusão do IPI na base de cálculo do PIS sob o regime de substituição tributária, constantes no recurso voluntário, mas, no mérito, julgandoas improcedentes. É como voto. (assinatura digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 1800DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 21/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 12 Fl. 1801DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 21/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM
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Numero do processo: 16327.902361/2006-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do Fato Gerador: 30/07/1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NO ACÓRDÃO NÃO CONFIGURADA. NÃO ADMISSIBILIDADE.
Não deve ser admitido embargos de declaração, que dentre outras hipóteses, o acórdão não for omisso com respeito a questão sobre a qual deveria ter se pronunciado.
Embargos de Declaração conhecidos mas não providos.
Numero da decisão: 3402-003.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração formulados pela Fazenda Nacional, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Vencida a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro.
Proferiu sustentação oral pela Recorrente o Dr. Choi Jong Min, OAB/SP 287.957.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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OMISSÃO NO ACÓRDÃO NÃO CONFIGURADA. NÃO ADMISSIBILIDADE. Não deve ser admitido embargos de declaração, que dentre outras hipóteses, o acórdão não for omisso com respeito a questão sobre a qual deveria ter se pronunciado. Embargos de Declaração conhecidos mas não providos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração formulados pela Fazenda Nacional, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Vencida a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Proferiu sustentação oral pela Recorrente o Dr. Choi Jong Min, OAB/SP 287.957. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 23 61 /2 00 6- 43 Fl. 383DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Relatório Trata o presente processo administrativo fiscal de Declaração de Compensação DCOMP nº 16299.17223.280503.1.3.046500 (fls. 5/9) apresentada pela Itaú Seguros S/A, com a finalidade de compensação de débitos de IRRF e IOF com crédito de alegado pagamento indevido ou a maior de PIS, efetuado em 30/07/1999. O recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1623.486, da 10ª Turma da DRJ São Paulo I (fls. 123/131 do processo eletrônico), julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra a não homologação de compensação. Os autos chegaram ao CARF e foi proferido o Acórdão nº 3802003.565, de 21/08/2014 (fls. 192/203), fundamentado na constatação de que os referidos créditos pretendidos pelo contribuinte, não seria um crédito líquido e certo nos termos do art. 170 do CTN, por ainda estarem sob discussão administrativa (controlados no Processo nº 13805.006092/9760) e, portanto, não é passível de reconhecimento para utilização na compensação de débitos. A Recorrente protocolou oposição dos Embargos Declaratórios (fl. 213), alegando que teria havido contradição e omissão entre a decisão proferida e seus fundamentos. Os Embargos foram, então, conhecidos por decisão da Presidente da Turma (fls. 248), na forma do art. 65, caput, Anexo II, do antigo Regimento Interno (RICARF) e determinada, assim, a inclusão do processo em pauta para julgamento. O colegiado, mediante os argumentos da embargante, proferiu a Resolução nº 3802000.357, de 27/01/2015 (fls. 249/259), acolhendo parte dos Embargos, para converter o julgamento em diligência, a fim de que a unidade preparadora da RFB (DEINFSP), se manifestasse sobre a liquidação ou não dos créditos tributários em discussão nestes autos. Conforme Despacho de Diligência às folhas nº 335/337, e respectiva apresentação da Manifestação por parte do interessado às folhas 343/345, o PAF retornou a este CARF para prosseguimento do julgamento. Conforme informações apresentadas pela DEINF (SP), após os exames dos documentos que se encontram acostados aos autos, pronunciouse da seguinte forma (despacho Diligência às fls. 335/337): "(...) Portanto, a autoridade administrativa manifestouse expressamente no sentido de que os débitos constituídos pelo Auto de Infração e em discussão no MS 96.00.103160 foram compensados com créditos originários de pagamentos a maior com base nos DL´s nºs 2.445/88 e 2.449/88, segundo demonstrativo às fls. 327/332, sob condição resolutória da manifestação final no âmbito judicial, na AO nº 94.00149719 e no MS nº 96.00.103160, de modo que o pagamento de R$ 6.854.164,76 ficou disponível e foi compensado com os débitos constantes das DCOMPs apresentadas, dentre elas a DCOMP nº 16299.17223.280503.1.3.046500, que trata o presente processo, conforme demonstrativo do sistema SAPO às fls. 170/175, o qual revela que os débitos do presente processo foram liquidados". Com base nesses fundamentos (Despacho de Diligência elaborado pela DEINF SP), o recurso foi conhecido, de modo que os Embargos de Declaração apresentados foram integralmente providos com efeitos infringentes, retificandose o Acórdão embargado (Acórdão nº 3802003.565, de 21/08/2014 da 2ª TE), para DARLHE total provimento. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16327.902361/200643 Acórdão n.º 3402003.039 S3C4T2 Fl. 384 3 Neste passo, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, com amparo no art. 65 do RICARF, apresentou os presentes EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, pelas razões a seguir aduzidas, em resumo: "(...) Que a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF acolheu os Embargos de Declaração da contribuinte com efeitos infringentes, para conceder provimento ao recurso voluntário. Contudo, analisando detidamente o inteiro teor da decisão em questão, constatase a existência de omissão em sua fundamentação, pois a Turma não justificou o afastamento dos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96 e art. 170 do CTN. Segundo esses dispositivos, a demonstração da existência de crédito líquido e certo deve ser feita desde o momento da apresentação da declaração de compensação, sob pena de desrespeito à própria natureza do instituto da compensação. Assim, declaração de compensação apresentada sem que o respectivo crédito que a lastreie seja comprovado desde logo, vindo apenas a ocorrer em momento posterior, não pode ser aceita uma vez que constitui inovação à lide sendo situação nova que não estava em discussão quando da análise inicial da existência do crédito". "(...) Ademais, é oportuno destacar que no Acórdão nº 3802003.565, não havia vícios que demandariam a oposição de embargos de declaração. O que o embargante pretendeu, na verdade, foi fazer prevalecer a sua versão para os fatos". Desse modo, requer a União (Fazenda Nacional) o conhecimento e o provimento do presente recurso para sanar os vícios acima apontados e prequestionar a matéria que não foi objeto de análise expressa no acórdão embargado. É o relatório. Voto Conselheiro, Waldir Navarro Bezerra. De acordo com o art. 7º, § 5º, da Portaria MF nº 527/2010, tratandose de processo eletrônico, o prazo para a interposição do recurso pela PGFN, conforme despacho de encaminhamento dos autos, data de 03/02/2016. Desse modo, é manifesta a tempestividade deste recurso anexado ao eprocesso em 16/02/2016. A Fazenda Nacional alega que na decisão em questão, constatase a existência de omissão em sua fundamentação, pois a Turma não justificou o afastamento dos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96 e art. 170 do CTN e que a demonstração da existência de crédito líquido e certo deve ser feita desde o momento da apresentação da declaração de compensação. Assim, declaração de compensação apresentada sem que o respectivo crédito que a lastreie seja comprovado desde logo, vindo apenas a ocorrer em momento posterior, não pode ser aceita uma vez que constitui inovação à lide, sendo situação nova que não estava em discussão quando da análise inicial da existência do crédito. Portanto, deve ser anulado o Acórdão nº 3402002.899, vez que ultrapassou os limites dos Embargos de Declaração ao apreciar novamente a demanda. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 Para fazer frente aos questionamentos abordados pela d. PGFN, fazse necessário, primeiramente, elaborar um histórico do presente julgado. Quando do Despacho Decisório, verificase que a motivação dada pela autoridade administrativa, que não homologou a compensação efetuada pelo contribuinte, foi de que: “não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal". No entanto, a requerente, por sua vez, acostou cópia de DARF às fl. 19 dos autos. Em sua Manifestação de Inconformidade (fls. 10/13), a Recorrente informa que "não obstante, causa estranheza à peticionante o fato de a compensação não ter sido homologada pela não localização do DARF, já que esse pagamento está sendo verificado em outros processos administrativos, especialmente o de n° 16327.00353/200580, conforme se verifica do recurso voluntário protocolado nesse processo (doc. 06)". E continua às fl. 12: "Além disso, esse pagamento foi alocado pela Receita Federal ao supostos débitos apurados no processo administrativo n° 13805.006092/9760, objeto de manifestação de inconformidade (doc. 07)". Os autos foram, então, baixado em Diligencia pela DRJ (fl. 39/41) a fim de que: "Cumpre, ainda, informar que no PER/DCOMP (às fls. 06), consta como Código da Receita: 4574, enquanto no DARF de fl. 19, consta como Código da Receita: 8090. Assim, devem os autos retornar à DEINF/SP, para que seja reapreciado o pedido à vista das alegações e documentos trazidos em sede de Manifestação de Inconformidade". A DEINFSP, então, prolatou novo Despacho Decisório às fls. 82/85, concluindo o seguinte "(...) Assim, verificamos que o pagamento que o contribuinte pretende compensar ainda permanece em discussão no processo n° 13805.006092/9760 (fls. 79 e 80), não lhe assistindo razão nesta questão. Dessa forma, constatamos que o crédito pretendido pelo contribuinte, relativo ao pagamento de PIS efetuado em 30/07/99, no valor de R$ 6.854.164,76, não é um crédito líquido e certo nos termos do art. 170 do CTN, por estar em discussão administrativa e, portanto, não é passível de reconhecimento para utilização na compensação de débitos, conforme o art. 21 da IN SRF n° 210/2002. Em complemento a essa nova situação do indeferimento, a interessada protocolou aditivo a Manifestação de Inconformidade, com as seguintes alegações (fls. 92/99): que, contra o despacho eletrônico, apresentou manifestação de inconformidade juntando cópia do DARF; sobreveio novo despacho decisório (A DRJ solicitou Diligência), “consertando” o despacho anterior, já que, embora tenha mantido a não homologação da compensação, apresentou outras razões para tanto. Assim, a não homologação da compensação não decorre da não localização do DARF, mas sim do entendimento de que o crédito pleiteado neste processo não é líquido e certo, conforme exige o art. 21 da IN 210/2002, já que depende da decisão do PAF n° 13805.006092/9760. Verificase que o PAF n° 13805.006092/9760, trata da inconstitucionalidade do PIS instituído pelos Decretoslei n° s. 2.445/88 e 2449/88 e o conseqüente direito ao crédito (A.O n° 94.l497l9), ou seja, o direito de ter reconhecido o recolhimento a maior de PIS, efetuado com base nos Decretoslei n° 2.445/88 e 2.449/88, bem como o direito de atualizar o crédito monetariamente e compensáo com créditos de PIS. A Recorrente alega que obteve liminarmente o direito à compensação, estando, portanto, amparado em decisão judicial para proceder às compensações desses créditos. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16327.902361/200643 Acórdão n.º 3402003.039 S3C4T2 Fl. 385 5 Por sua vez, a DRJ, em sua decisão (fls. 123/131), ratificou o despacho decisório, pelos mesmos fundamentos, “não é um crédito líquido e certo nos termos do art 170 do CTN, por estar em discussão administrativa e, portanto, não é passível de reconhecimento para utilização na compensação de débitos, conforme o art. 21 da IN SRF n°210/2002.” E arremata, "(...) No presente caso, o crédito corresponde a valores discutidos no Processo n° 13805.006092/9760, é objeto de recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme comprova o documento de fls. 79 e 80. Assim, não poderão ser homologadas as compensações declaradas de PER/DCOMP n° 16299.l7223.280503.1.3.046500, objeto do presente processo". Por outro giro, consta dos autos que o PAF n° 13805.006092/9760, foi julgado pelo antigo Segundo Conselho de Contribuintes no ano de 2005, conforme Acórdão nº 20178.394, de 17/05/2005 (anexado às fls. 59/66), com a seguinte conclusão: "(...) ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos: I) em negar provimento ao recurso de ofício; II) em não conhecer do recurso voluntário, quanto à matéria submetida à apreciação do Judiciário; e III) na parte conhecida, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja avaliada a integralidade dos pagamentos, devendo ser efetuada em relação a cada ação, separadamente, em caso de desistência de ação judicial". No recurso voluntário ( fls. 138 a 146), a Recorrente alega o seguinte sobre a motivação do indeferimento pedido: "Sucede que esse não é o teor do art. 21 da citada IN. Ou seja, dispõe o caput do referido artigo que o sujeito que tiver crédito passível de restituição poderá apresentar Declaração de Compensação. O crédito analisado neste processo é passível de restituição, portanto, pode ser objeto da Declaração de Compensação. Aliás, o processo gerado pela Declaração de Compensação determina necessariamente a homologação da Receita Federal. Vale dizer, se o crédito já gozasse de liquidez e certeza não haveria necessidade do procedimento. E prossegue, "(...) Vale observar que o DARF objeto deste pedido, ao contrário do que pretende a Receita Federal, não foi utilizado para quitar o auto de infração objeto do Processo Administrativo n° 13805006092/9760. Essa pretensão da autoridade fiscal não merece guarida, já que não houve concordância do recorrente para essa quitação. Diante deste contexto, é importante ressaltar as seguintes ocorrências: a) que em 11/11/2011, já se encontrava anexado aos autos, os documentos enviados pela Deinf (SP), portanto antes de ser prolatado o Acórdão de Recurso Voluntário nº 3802003.565, de 21/08/2014, noticiando que já havia sido proferido Informação (Despacho Decisório), referente ao PAF nº 16327902631/200643, vejase (fls 169 e fls. 175/190): "Encaminhamos, em anexo, cópia do despacho decisório proferido nos autos do processo n° 13805006092/9760 para ser juntado ao processo n° 16327000353/200580 e ao processo n° 16327902631/200643. b) quanto aos embargos opostos pela Recorrente, neste caso, o colegiado decidiu que assistia razão à Embargante, ou seja, vislumbrouse que houve a alegada omissão no Acórdão e para esclarecer os fatos, foi necessário reavaliar o que preconizava os itens 15, Fl. 387DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 16 e 17 do referido Despacho Decisório (fls. 175/190), enviado pela Deinf (SP). Vejase parte das razões do embargante: (...) Todavia, a continuidade das informações constantes no referido item 16, omitidas no acórdão embargado, demonstram exatamente o entendimento contrário daquele manifestado no voto condutor, na medida em que, resta atestado nos autos, pela RFB, que do montante integral do crédito, após as alocações realizadas pela autoridade fiscal, restou apenas um saldo para cobrança de R$ 6.889,51, no PA n.° 16327.000233/200311 (grifamos). c) no mesmo sentido, ficou evidenciado a contradição contida no julgado quanto ao pedido de apensamento dos processos e a motivação do não reconhecimento do direito creditório, visto que ambos os argumentos se contrapõem exatamente no sentido de que o reconhecimento do crédito objeto da compensação aqui debatida está diretamente relacionado à decisão final proferida nos autos do PAF n.° 13805.006092/9760. E por esses motivos, os Embargos foram, então, acolhidos pelo colegiado. d) nesse diapasão, considerando os argumentos apresentados pela Recorrente em seu recurso voluntário, nos embargos e na busca pela verdade material, o processo foi, convertido em Diligência para melhores esclarecimentos sobre o Despacho DEINF (SP) fls. 175/190, que após os exames dos documentos que se encontravam acostados nos autos, se manifestasse sobre a liquidação ou não dos créditos tributários objeto dos autos. e) Posto isto, restou esclarecido os questionamentos suscitado pelo CARF, e conforme pode ser verificado no Despacho de Diligência às fls. 335/337 da Deinf (SP), comprovandose a existência do direito creditório pleiteado. "(...) de modo que o pagamento de R$ 6.854.164,76 ficou disponível e foi compensado com os débitos constantes das DCOMPs apresentadas, dentre elas a DCOMP nº 16299.17223.280503.1.3.046500, que trata o presente processo, conforme demonstrativo do sistema SAPO às fls. 170/175, o qual revela que os débitos do presente processo foram liquidados". Como se vê, por todo o exposto, a Turma bem justificou e não afastou a aplicação dos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96 e art. 170 do CTN, como argumenta a Fazenda Nacional. Pelo contrário, em louvor ao Princípio da Verdade Material, que norteia o direito processual administrativo, o Colegiado se circunscreve a uma verdade processual que pode ser contraditada por evidências a serem obtidas para se conhecer os fatos reais, pois acredito que os elevados propósitos do processo e do tribunal administrativo não deve ser exigir o tributo indevido. Tampouco houve a aduzida inovação à lide, uma vez que a situação posta nos autos, esteve em discussão desde análise inicial da existência do crédito pleiteado pelo Itaú Seguros S/A, sempre buscando a verdade material, bem como não ultrapassou os limites dos Embargos de Declaração, uma vez que houve necessidade real de analisar pontos omissos e contraditos no Acórdão embargado nº 3802003.565, de 21/08/14. Conclusão Fl. 388DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16327.902361/200643 Acórdão n.º 3402003.039 S3C4T2 Fl. 386 7 Diante do exposto, voto para conhecer dos embargos interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, contudo, rejeitandoos. Sala de sessões, em 27 de abril de 2016. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Relator Fl. 389DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 10680.013230/2002-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 16/09/2002
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO SOBRE OPERAÇÃO IMOBILIÁRIA - DOI.
Constitui-se obrigação acessória dos Serventuários da Justiça informar à RFB, mediante Declaração sobre Operações Imobiliárias - DOI, as operações imobiliárias anotadas, averbadas, lavradas, matriculadas ou registradas nos Cartórios de Notas ou de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos sob sua responsabilidade, sob pena de multa de 1% sobre o valor do ato, limitada a um por cento, observado o limite mínimo legal.
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. FIXAÇÃO DE PRAZO PARA O SEU CUMPRIMENTO. COMPETÊNCIA DA RFB.
Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável.
DOI. FALTA DE ENTREGA. REDUÇÃO DE MULTA. IMPOSSIBILIDADE.
Não há que se falar em redução de multa por descumprimento de Obrigação Tributária Acessória se não houverem sido cumpridas todas as condições para a sua concessão.
Recurso Especial do Contribuinte Negado
Numero da decisão: 9202-003.988
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a Conselheira Ana Paula Fernandes.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Constituise obrigação acessória dos Serventuários da Justiça informar à RFB, mediante Declaração sobre Operações Imobiliárias DOI, as operações imobiliárias anotadas, averbadas, lavradas, matriculadas ou registradas nos Cartórios de Notas ou de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos sob sua responsabilidade, sob pena de multa de 1% sobre o valor do ato, limitada a um por cento, observado o limite mínimo legal. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. FIXAÇÃO DE PRAZO PARA O SEU CUMPRIMENTO. COMPETÊNCIA DA RFB. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. DOI. FALTA DE ENTREGA. REDUÇÃO DE MULTA. IMPOSSIBILIDADE. Não há que se falar em redução de multa por descumprimento de Obrigação Tributária Acessória se não houverem sido cumpridas todas as condições para a sua concessão. Recurso Especial do Contribuinte Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 32 30 /2 00 2- 51 Fl. 433DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a Conselheira Ana Paula Fernandes. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.013230/200251 Acórdão n.º 9202003.988 CSRF‐T2 Fl. 434 3 Relatório Tratase de lançamento de ofício relativo a multa por atraso na entrega da DOI Declaração sobre Operações Imobiliárias, referente ao período de janeiro de 1998 a dezembro de 2001, identificadas no Demonstrativo das DOI não entregues ou entregues em Atraso, conforme exposto no Termo de Verificação Fiscal a fls. 10/12. De acordo com o referido Termo de Verificação, após o exame dos livros de notas contendo os instrumentos lavrados no período de janeiro/98 a junho/02, verificouse que não foram entregues as Declarações sobre Operações Imobiliárias DOI relativas a transações imobiliárias, cuja entrega é obrigatória por força do art. 940 do RIR/99, para toda aquisição ou alienação descrita no art. 154 do RIR/99, abrangendo inclusive as promessas dessas operações, cujos documentos sejam lavrados, anotados, averbados ou registrados no cartório. Apurouse, também, que não foram entregues as DOI Declaração sobre Operações Imobiliárias relativas a transações imobiliárias, cuja entrega é obrigatória por força do art. 940 do RIR/99, sujeitandose o Serventuário, a partir de 27.12.2001, data da publicação da Medida Provisória n° 16, à multa de 0,1% (zero virgula um por cento) ao mês calendário ou fração, sobre o valor da operação, limitada a 1% (um por cento) e de no mínimo R$ 500,00 (quinhentos reais), de conformidade com o art. 8° da Lei n° 10.426/2002. Constatouse, ainda, atraso na entrega de DOI Declarações sobre Operações Imobiliárias, caracterizando também infração aos artigos 940 e 976 do RIR/99. Inconformado com a exigência tributária, o Contribuinte ofereceu Impugnação Administrativa a fls. 99/109. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG lavrou Decisão Administrativa proferida no AcórdãoDRJ/BHE n° 09.267, de 30 de agosto de 2005, as fls. 138/149, julgando procedente em parte o Lançamento Tributário, retificando o valor da multa para R$ 390.942,81, acrescida dos encargos legais pertinentes. Devidamente intimado da Decisão de 1ª Instância, porém inconformado, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário, a fls. 159/179, requerendo, ao fim, o provimento do seu recurso, e o cancelamento/anulação do Auto de Infração. O Colegiado da 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes proferiu Acórdão nº 10422.636, de 13 de setembro de 2007, a fls. 300/306, acordando, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto do Relator, consoante ementa que se vos segue: Acórdão nº 10422.636 4ª Câmara/1º Conselho de Contribuintes NULIDADE As nulidades nos processos administrativos tributários federais somente devem ser declaradas nas hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto 70.235/1972. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 IRPF DOI MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO SOBRE OPERAÇÃO IMOBILIÁRIA Incide multa de 1% sobre o valor do ato a serventuário de justiça responsável por Cartórios de Notas ou de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos, pelo atraso na entrega da DOI Declaração Sobre Operação Imobiliária. Preliminar rejeitada. Recurso negado. Em desfavor do Acórdão nº 10422.636 4ª Câmara/1º Conselho de Contribuintes, insurgiuse a Recorrente interpondo o Recurso Especial a fls. 320/339 e 392/413, argumentando ter havido Divergência Jurisprudencial quanto à necessidade de intimação para entrega das DOI Declarações sobre Operações Imobiliárias; quanto à aplicação da penalidade pecuniária e em relação à possibilidade de redução da multa por atraso na entrega da DOI. O Recurso Especial interposto pela Contribuinte houvese plenamente admitido, consoante Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial a fls. 420/424. A Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões fls. 426/430, pugnando pelo não provimento do Recurso Especial, com a manutenção do Acórdão Recorrido. É o relatório. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.013230/200251 Acórdão n.º 9202003.988 CSRF‐T2 Fl. 435 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, a fls. 426/430. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. DO MÉRITO Temse em pauta Recurso Especial interposto pelo Contribuinte em face do Acórdão nº 10422.636 1º Conselho de Contribuintes/4ª Câmara, de 13 de setembro de 2007, a fls. 300/306, que, por unanimidade de votos, REJEITOU a preliminar arguida pela Recorrente e, no mérito, NEGOU provimento ao Recurso Voluntário interposto. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PARA ENTREGA DA DOI O Recorrente suscita divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma de nº 0103.554 (CSRF/1ª Turma), ponderando que enquanto o acórdão recorrido diz ser facultado ao Fiscal intimar o contribuinte ou proceder imediatamente ao lançamento, o Acórdão paradigma fixa que é pacifico o entendimento segundo o qual a autoridade lançadora deve observar as medidas preparatórias do lançamento tendo em vista que está vinculada aos atos administrativos emanados de autoridade superior. No mérito, o Recorrente alega que “a penalidade não poderia ser aplicada pela falta de intimação, por parte da fiscalização e no curso da ação fiscal, para a apresentação das declarações, conforme previsto e exigido na alínea "h" do inciso II do § ° do art. 8° da Lei n° 10.426, de 2002, o que, se fosse feito, resultaria em penalidade correspondente a setenta e cinco por cento daquela lançada no auto de infração.” Contudo, entendo que razão não assiste ao recorrente. De fato, o presente lançamento houvese por lavrado em setembro/2002, ocasião em que já se encontrava vigente e eficaz a Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, cujo art. 8º, à época, assim dispunha: Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002 Art. 8o Os serventuários da Justiça deverão informar as operações imobiliárias anotadas, averbadas, lavradas, matriculadas ou registradas nos Cartórios de Notas ou de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos sob sua responsabilidade, mediante a apresentação de Declaração sobre Operações Imobiliárias (DOI), em meio magnético, nos termos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 §1º A cada operação imobiliária corresponderá uma DOI, que deverá ser apresentada até o último dia útil do mês subsequente ao da anotação, averbação, lavratura, matrícula ou registro da respectiva operação, sujeitandose o responsável, no caso de falta de apresentação, ou apresentação da declaração após o prazo fixado, à multa de 0,1% ao mêscalendário ou fração, sobre o valor da operação, limitada a um por cento, observado o disposto no inciso III do § 2o. §2º A multa de que trata o §1º: I terá como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração; II será reduzida: a) à metade, caso a declaração seja apresentada antes de qualquer procedimento de ofício; b) a setenta e cinco por cento, caso a declaração seja apresentada no prazo fixado em intimação; III será de, no mínimo, R$ 500,00 (quinhentos reais). §3º O responsável que apresentar DOI com incorreções ou omissões será intimado a apresentar declaração retificadora, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, e sujeitarse á à multa de R$ 50,00 (cinquenta reais) por informação inexata, incompleta ou omitida, que será reduzida em cinquenta por cento, caso a retificadora seja apresentada no prazo fixado. Observamos nos termos do inciso II do §2º do art. 8º acima transcrito a existência de duas hipóteses legais de redução de multa, a saber: a) 50%, se a DOI for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício; b) 75%, se a DOI for apresentada no prazo fixado em intimação; A alínea “a” acima citada não alude a “ato de ofício”, mas, sim, a “procedimento de ofício”, assim compreendido doutrinaria e jurisprudencialmente como um conjunto de atos, encadeados em sucessão lógica e itinerária, tendentes a alcançar um fim específico materializado mediante um ato final. Exemplo clássico de procedimento de ofício, no ramo do Direito Tributário, o Lançamento. Nessa perspectiva, dessai da alínea “a” acima aludida que se a DOI for apresentada antes do procedimento de ofício do lançamento, a multa aplicada sofre redução de 50%. Notese que, no caso da apresentação de DOI com incorreções ou omissões, o §3º do mencionado Dispositivo Legal impõe à Autoridade Lançadora intimar o Sujeito Passivo a apresentar declaração retificadora. Tal dever de ofício a Lei não impõe nos casos de não entrega ou de entrega em atraso. Assim, onde o Legislador Ordinário, podendo fazêlo, não dispôs de forma expressa, não pode o Operador do Direito elastecer a interpretação e o alcance da norma legal, criando deveres funcionais não previstos taxativamente na norma administrativa procedimental. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.013230/200251 Acórdão n.º 9202003.988 CSRF‐T2 Fl. 436 7 Acrescente que, da combinação da norma encartada no §1º do art. 8º ora em tela, com o disposto no inciso I do §2º do mesmo Dispositivo Legal, dessai que a multa de 0,1% ao mêscalendário ou fração, sobre o valor da operação, tem como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração, isto é, o último dia útil do mês subsequente ao da anotação, averbação, lavratura, matrícula ou registro da respectiva operação, e como termo final, a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, da lavratura do auto de infração, inexistindo qualquer condicionamento a eventual intimação por parte da Autoridade Fiscal. Destacase, portanto, que a realização de intimação para a apresentação da DOI, durante o desenvolvimento da ação fiscal, configurase como uma mera faculdade do Auditor Fiscal, inexistindo qualquer óbice legal quanto à possibilidade de lavratura imediata do competente Auto de Infração, nos casos em que a Fiscalização constatar o descumprimento objetivo da obrigação tributária do Serventuário da Justiça. Por outro lado, citese que o dever instrumental dos Serventuários da Justiça, de Declarar ao Fisco, mediante DOI, as operações imobiliárias anotadas, averbadas, lavradas, matriculadas ou registradas nos Cartórios de Notas ou de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos sob sua responsabilidade, configurase como uma Obrigação Tributária Acessória, instituída mediante Lei, no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, nos exatos termos do §2º do art. 113 do Código Tributário Nacional. Código Tributário Nacional CTN Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (grifos nossos) §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (grifos nossos) As obrigações acessórias, consoante os termos do Diploma Tributário, consubstanciamse deveres de natureza instrumental, consistentes em um fazer, não fazer ou permitir, fixados na legislação tributária, na abrangência do art. 96 do CTN, em proveito do interesse da administração fiscal no que tange à arrecadação e à fiscalização de tributos. Anotese que a obrigação do Serventuário da Justiça, de Declarar ao Fisco, mediante DOI, as operações imobiliárias anotadas, averbadas, lavradas, matriculadas ou registradas nos Cartórios de Notas ou de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos sob sua responsabilidade, decorre ex lege, independentemente de intimação da Autoridade Fiscal, sujeitando o Infrator à multa prevista na Legislação caso a Declaração não tenha sido entregue, ou tenha sido entregue após o prazo normativo, na cominação prevista, in casu, no art. 8º da Lei nº 10.426/2002. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 Deflui do §3º do Dispositivo Legal supra mencionado que o mero descumprimento da obrigação tributária em realce convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária Nessa vertente, o Serventuário da Justiça dispõe do prazo contínuo até o último dia útil do mês subsequente ao da anotação, averbação, lavratura, matrícula ou registro da respectiva operação para informar ao Fisco, mediante DOI, independentemente de prévia intimação formal da Autoridade Fiscal, todas as operações imobiliárias anotadas, averbadas, lavradas, matriculadas ou registradas nos Cartórios de Notas ou de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos sob sua responsabilidade, sujeitandose o responsável por tal obrigação, no caso de falta de apresentação, ou apresentação da declaração após o prazo fixado, à multa de 0,1% ao mêscalendário ou fração, sobre o valor da operação, limitada a um por cento, observado o valor mínimo legal. Inexiste, portanto, qualquer obrigação do Auditor Fiscal de, durante o desenvolvimento da ação fiscal, intimar o Serventuário da Justiça para que proceda à apresentação da DOI antes não entregue, figurando tal intimação como uma mera faculdade do Auditor Fiscal, inexistindo qualquer óbice legal para que, diante do efetivo descumprimento objetivo da obrigação tributária em foco, se proceda imediatamente à lavratura do Auto de Infração respectivo. O mecanismo jurídico é bastante simplório: · A Lei estabeleceu a Obrigação Tributária Acessória do Serventuário da Justiça de informar ao Fisco, mediante DOI, independentemente de prévia intimação formal da Autoridade Fiscal, todas as operações imobiliárias anotadas, averbadas, lavradas, matriculadas ou registradas nos Cartórios de Notas ou de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos sob sua responsabilidade. · A Lei estabeleceu o prazo peremptório contínuo até o último dia útil do mês subsequente ao da anotação, averbação, lavratura, matrícula ou registro da respectiva operação para o cumprimento, por parte do Serventuário da Justiça, da obrigação tributária em tela. · A Lei cominou, igualmente, a cominação da multa a ser aplicada ao infrator, nos casos de falta de apresentação, ou de apresentação da declaração após o prazo fixado, sem condicionar a lavratura do competente Auto de Infração a qualquer intimação previa para a apresentação da DOI. A Autoridade Fiscal constatou o efetivo descumprimento da obrigação legal em tela e lavrou o respectivo Auto de Infração. Inexiste, portanto, qualquer vício no procedimento levado a efeito pela Autoridade Lançadora. O Recorrente alega, ainda, que “em autos de infração lavrados sem a observância das Normas de Execução SRF n°02, de 15.01.86, e NE CIEF/CSFR n° 027, de 14.09.90, este Conselho já decidiu pela impossibilidade de aplicação das penalidades em apreço, ...”. Ocorre, todavia, que o Recorrente não especificou quais teriam sido as regras de conduta aviadas na Norma de Execução SRF n°02/86, e na Norma de Execução CIEF/CSFR n° 027/90 que supostamente teriam sido inobservadas na lavratura do Auto de Infração em debate, circunstância que, objetivamente, inviabiliza o exame da alegação. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.013230/200251 Acórdão n.º 9202003.988 CSRF‐T2 Fl. 437 9 Ademais, aditese que as Normas de Execução acima mencionadas de maneira genérica, não irradiam efeitos no vertente processo, uma vez que os fatos geradores aqui discutidos são posteriores a 1° de janeiro de 1996, data da entrada em vigor da Instrução Normativa SRF n° 50/95 e da Norma de Execução SRF/COTEC/COFIS N° 05, de 13 de junho de 1996, que derrogou a Norma de Execução CIEF/CSF n° 027/90, estabelecendo rotinas de verificação preliminar, preparo, remessa ao processamento, além de outras providências fiscais. Tratamse de Normas Complementares de mesma hierarquia, regulamentando matérias de idêntica natureza, dispondo de maneira diversa, circunstância que conduz ao fenômeno jurídico da revogação tácita da norma anterior pela norma subsequente. Nesse sentido, o Acórdão nº CSRF/0400.362 da 4ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, assim ementado: Acórdão nº CSRF/0400.362 “MULTA DECLARAÇÃO SOBRE OPERAÇÃO IMOBILIÁRIA (DOI) APRESENTAÇÃO EXTEMPORÂNEA. Cabível a exigência da multa por atraso na apresentação da Declaração de Operações Imobiliárias após o prazo de 20 dias fixado na Instrução Normativa SRF n° 50, de 1995, tendo por base o disposto no § 1° do art. 15 do Decretolei n° 1.510, de 1976. Não prevalece o procedimento administrativo previsto na NE CIEF/CSF n° 027, de 1990, vez que derrogada pela NE SRF/COTEC/COFIS n° 05, de 1996.” DA DELEGAÇÃO LEGAL PARA FIXAÇÃO DO PRAZO DE ENTREGA O Recorrente defende a inaplicabilidade da multa, no período compreendido entre janeiro de 1988 a dezembro de 1.999, em razão de suposta ausência de delegação legal ao Secretário da Receita Federal para fixar os prazos de entrega da declaração. Realmente, o DecretoLei nº 1.510/76, em sua redação de berço, expressamente atribuía à Secretaria da Receita Federal a competência para regulamentar a forma como as informações deveriam ser prestadas pelo serventuário e para fixar prazo o cumprimento da obrigação, além de cominar o valor da multa aplicável, em caso de descumprimento. DecretoLei nº 1.510, de 27 de dezembro de 1976 Art 15. Os serventuários da Justiça responsáveis por Cartório de Notas ou de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos, ficam obrigados a fazer comunicação à Secretaria da Receita Federal dos documentos lavrados, anotados, averbados ou registrados em seus Cartórios e que caracterizam aquisição ou alienação de imóveis por pessoas físicas, conforme definidos no art. 2º, § 1º, do Decretolei nº 1.381, de 23 de dezembro de 1974. §1º A comunicação deve ser efetivada em formulário padronizado e em prazo a ser fixado pela Secretaria da Receita Federal. § 2º O não cumprimento do disposto neste artigo sujeitará o infrator a multa correspondente a 1% (um por cento) do valor do ato. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 Posteriormente, o art. 72 da Lei n° 9.532/97, com efeitos a contar de 01/01/98, deu nova redação ao § 1° do aludido art. 15 do Decretolei n° 1.510/76, estabelecendo que “A comunicação deve ser efetuada em meio magnético aprovado pela Secretaria da Receita Federal”. Objetivamente, analisandose o caso à luz do contexto literal da norma legal, não ressobram dúvidas quanto à existência de diferenças entre a redação originária do citado §1º (A comunicação deve ser efetuada em formulário padronizado e em prazo a ser fixado pela Secretaria da Receita Federal) e a nova redação dada pelo art. 72 da Lei n° 9.532/97 (A comunicação deve ser efetuada em meio magnético aprovado pela Secretaria da Receita Federal). Entendo, nada obstante, que a modificação da redação do dispositivo em tela em nada alterou a competência da SRF para estipular o prazo de entrega da DOI. Mostrase imperioso trazer a lume que no capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, a Carta Constitucional outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre as obrigações tributárias, dentre outras. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Nessa vertente, no exercício da competência que lhe foi outorgada pelo Constituinte Originário, o CTN honrou prescrever, com propriedade, a distinção entre as duas modalidades de obrigações tributárias, ad litteris et verbis: Código Tributário Nacional CTN Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (grifos nossos) §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Nos parece claro que a interpretação do texto inscrito no §2º do supratranscrito dispositivo legal a qual aponta para a total independência entre as obrigações ditas principais e aquelas denominadas como acessórias. Estas, no dizer cristalino da Lei, decorrem diretamente da legislação tributária, não das obrigações principais, e tem por objeto Fl. 442DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.013230/200251 Acórdão n.º 9202003.988 CSRF‐T2 Fl. 438 11 prestações positivas ou negativas fixadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Igualmente, não é demasiado cuidado relembrar que a imposição de obrigação acessória não demanda a promulgação de lei stricto sensu, podendo elas ser introduzidas no ordenamento jurídico mediante as espécies normativas encartadas nos artigos 96 e 100 ambos do CTN, assim inseridas no conceito de “Legislação Tributária”, na denominação adotada pelo codex. Código Tributário Nacional CTN Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. As obrigações acessórias, consoante os termos do Diploma Tributário, consubstanciamse deveres de natureza instrumental, consistentes em um fazer, não fazer ou permitir, fixados na legislação tributária, na abrangência do art. 96 do CTN, em proveito do interesse da administração fiscal no que tange à arrecadação e à fiscalização de tributos. Registrese que dentre as hipótese de reserva legal em matéria tributária previstas taxativamente no art. 97 do Código Tributário Nacional, não consta consignado o estabelecimento da obrigação tributária acessória, mas, tão somente, a instituição de tributos e a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a dispositivos fixados em lei, ou para outras infrações nela definidas. Código Tributário Nacional Fl. 443DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 12 Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. §1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. §2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. No caso em apreço, a obrigação dos Serventuários da Justiça responsáveis por Cartório de Notas ou de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos, de comunicar à Secretaria da Receita Federal os documentos lavrados, anotados, averbados ou registrados em seus Cartórios e que caracterizam aquisição ou alienação de imóveis por pessoas físicas, encontrase prevista no caput art. 15 do DecretoLei nº 1.510/76, que ostenta força de lei formal. Por outro lado, a penalidade a ser imposta em caso de descumprimento da obrigação acima citada encontrase cominada no §2º do mesmo Dispositivo Legal acima mencionado, inexistindo, portanto, qualquer violação à reserva legal. Recordese, por relevante, que o art. 16 da Medida Provisória nº 1.788/98, convertida na Lei nº 9.779/99, estatui de forma expressa que “Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável”. Inexistem duvidas, portanto, a competência legislativa das Normas Complementares, tais como as Instruções Normativas, para a imposição de Obrigações Acessórias. Envolta no ordenamento jurídico realçado nas linhas precedentes, a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa nº 50/95, cujo estatuiu como obrigação acessória do Serventuário da Justiça a obrigação da entrega da DOI no prazo de até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da lavratura, anotação, averbação ou registro do ato (operação imobiliária). Instrução Normativa nº 50, de 30 de outubro de 1995 Art. 8º A entrega da DOI deve ser efetuada até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da lavratura, anotação, averbação ou registro do ato (operação imobiliária). Fl. 444DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.013230/200251 Acórdão n.º 9202003.988 CSRF‐T2 Fl. 439 13 Com o advento da Lei n° 9.532/97, cujo art. 72 conferiu nova redação ao § 1° do art. 15 do Decretolei n° 1.510/76, estabelecendo que a entrega da DOI deveria ser efetuada em meio magnético aprovado pela Secretaria da Receita Federal, o Secretário da Receita Federal, no uso de suas atribuições e, tendo em vista o disposto no art. 15 do Decretolei nº 1.510/76 e nos artigos nº 71 e 72 da Lei nº 9.532/97, fez publicar a Instrução Normativa nº 04/98, vazada nos seguintes termos: Instrução Normativa SRF Nº 4, de 12 de janeiro de 1998 Art. 1º Aprovar o programa gerador de Declaração Sobre Operações Imobiliárias DOI, em disquete, na versão 2.0, para uso obrigatório pelos Cartórios de Ofício de Notas, de Registro de Imóveis e de Registro de Títulos e Documentos. Parágrafo único. O programa a que se refere este artigo será posto à disposição dos Cartórios no site da Secretaria da Receita Federal SRF ou em suas unidades administrativas. Art. 2º A declaração em disquete deverá ser apresentada sempre que ocorrer operação que caracterize aquisição ou alienação de imóvel, realizada por pessoa física ou jurídica, cujos documentos sejam lavrados, anotados, averbados, matriculados ou registrados em seus cartórios. UTILIZAÇÃO DO PROGRAMA GERADOR DA DECLARAÇÃO EM DISQUETE Art. 3º O programa aprovado por esta Instrução Normativa deve ser utilizado para declarar as operações: I realizadas a partir de 1o de janeiro de 1998; II relativas a exercícios anteriores, inclusive as retificadas e canceladas, quando a entrega for realizada a partir de 21 de janeiro de 1998. Parágrafo único. Para declarar as operações realizadas no mês de dezembro de 1997, e demais declarações que estiverem fora de prazo e, ainda, que sejam apresentadas até 20 de janeiro de 1998, deverá ser utilizado o programa gerador de declaração ou o formulário aprovados pela Instrução Normativa SRF nº 50/95. PRAZO E LOCAL DE ENTREGA Art. 4º A declaração deverá ser apresentada até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao que ocorrer a operação que caracterize a aquisição ou alienação do imóvel. Art. 5º A entrega deverá ser feita na unidade da Secretaria da Receita Federal que jurisdiciona o Cartório. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 14 Na sequência da lapidação legislativa, o art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 163/99, elasteceu o prazo para a entrega da DOI em meio magnético para o último dia útil do mês subsequente ao da lavratura, anotação, averbação, matrícula ou registro do documento. Instrução Normativa SRF nº 163, de 23 de dezembro de 1999 Art. 4º A DOI deverá ser apresentada até o último dia útil do mês subsequente ao da lavratura, anotação, averbação, matrícula ou registro do documento. Igual disposição encontrase igualmente assentada no art. 4º da Instrução Normativa nº 56/2001. Merece ser ainda lembrado que o art. 940 do Regulamento do Imposto de Renda também confere à Secretaria da Receita Federal a competência para estipular o prazo para a entrega da DOI, nestas exatas palavras: Regulamento do Imposto de Renda Art. 940. Os serventuários da Justiça responsáveis por Cartórios de Notas ou de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos ficam obrigados a fazer comunicação à Secretaria da Receita Federal, em formulário padronizado e no prazo que for fixado, dos documentos lavrados, anotados, averbados ou registrados em seus cartórios e que caracterizem aquisição ou alienação de imóveis por pessoas físicas (DecretoLei nº 1.510, de 1976, art. 15 e § 1º). (grifos nossos) § 1º A comunicação deve ser efetuada em meio magnético aprovado pela Secretaria da Receita Federal (Lei nº 9.532, de 1997, art. 72). § 2º O disposto neste artigo aplicase, também, nas hipóteses de aquisições de imóveis por pessoas jurídicas (Lei nº 9.532, de 1997, art. 71). Art. 976. Será aplicada a multa de um por cento do valor do ato aos serventuários da Justiça responsáveis por Cartórios de Notas ou de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos, pelo não cumprimento do disposto no art. 940 (DecretoLei nº 1.510, de 1976, art. 15, e § 2º). Corrobora o entendimento acima esposado a Jurisprudência dos Tribunais Regionais Federais, conforme exemplificado abaixo: APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Nº 2004.72.00.0076533/SC Rel. Des. Federal ANTONIO ALBINO RAMOS DE OLIVEIRA D.J.U. de 24/08/2005 TRIBUTÁRIO SERVENTUÁRIO DA JUSTIÇA RESPONSÁVEL POR CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ATOS DE AQUISIÇÃO OU ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS POR PESSOAS FÍSICAS ATRASO NA COMUNICAÇÃO À SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL MULTA APLICABILIDADE OFENSA DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE INOCORRÊNCIA. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.013230/200251 Acórdão n.º 9202003.988 CSRF‐T2 Fl. 440 15 1 Não há qualquer vício no se atribuir à autoridade administrativa fiscal a complementação da legislação tributária. Isso em nada interfere no princípio da legalidade tributária. 2 A autoridade administrativa sempre teve a incumbência de fixar o prazo para cumprimento da obrigação dos serventuários da Justiça responsáveis por Cartório de Notas ou de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos, de comunicar à Secretaria da Receita Federal dos documentos lavrados, anotados, averbados ou registrados em seus Cartórios e que caracterizam aquisição ou alienação de imóveis por pessoas físicas (art. 15 do DecretoLei nº 1.510/76). 3 A Lei nº 9.532/97 deu nova redação ao § 1º do art. 15 do DecretoLei nº 1.510/76, mas não retirou da Secretaria da Receita Federal a competência para fixar o prazo de cumprimento da obrigação. Interpretação lógicosistemática. 4 O não cumprimento da obrigação no prazo fixado pela Receita Federal sujeita o infrator ao pagamento da multa prevista na legislação. No seu voto condutor, assim destaca o Rel. Des. Fed. Antonio Albino Ramos de Oliveira: AMS nº 2004.72.00.0076533/SC “É evidente que o legislador, ao atribuir à Secretaria da Receita Federal a competência para aprovar a forma de como a comunicação deve ser efetuada, manteve com ela a incumbência de fixar prazo para o cumprimento da obrigação. O fato de não ter sido expresso nesse sentido não altera essa conclusão. Conforme já assinalou o Ministro Sálvio de Figueiredo, "a interpretação de uma norma, muito embora parte inicialmente do critério legal, reclama outros métodos de exegese, dentre os quais o lógicosistemático, haja vista que as normas jurídicas não existem isoladamente, mas em conexão com as demais que formam o ordenamento jurídico, e sobretudo, com os princípios que o informam " (REsp 2003/RJ, 4ª Turma, DJ de 09.10.90, p. 10898). Prazo é o interregno entre dois termos, o inicial e o final. Diz respeito ao tempo, momento ou ocasião apropriada, ou disponível, para que os atos se realizem. Em diversas oportunidades o nosso ordenamento atenta para a circunstância temporal. O tempo tem função de relevo nas relações jurídicas: é causa de aquisição de direitos; conduz à extinção das relações jurídicas, em razão da inércia do titular do direito; institui o requisito de validade de alguns direitos, cujo exercício depende de certo prazo. Em suma, tem força criadora e destrutiva de direitos. Dentro dessa ordem de ideias, retirar da autoridade administrativa a possibilidade de fixar o prazo para cumprimento da obrigação é tornar a norma do art. 15 do DecretoLei nº 1.510/76 sem efetividade. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 16 Segundo a impetrante, a multa prevista no art. 15 do DecretoLei nº 1.510/76 somente é aplicável na hipótese de descumprimento da obrigação do serventuário da Justiça. Ou seja, ele pode levar dois, três, ou até mesmo dez anos sem cumprir a obrigação. No momento em que fizer a comunicação, deixou de descumprir a regra legal, não sendo mais cabível a aplicação da penalidade. Isso atenta contra a segurança jurídica e seria desastroso para os cofres públicos, principalmente se considerarmos que as informações prestadas pelo serventuário da Justiça servem para que a Receita Federal faça o cruzamento dos dados do contribuinte, método eficiente na fiscalização do correto recolhimento do imposto de renda. De nada adiantaria a Receita Federal receber informações de fatos acontecidos a mais de cinco anos, pois o direito de cobrar já estaria atingido pela prescrição. Dessarte, a tese propugnada pela impetrante conduz ao absurdo e toda interpretação da lei que leve ao absurdo deve ser afastada. A prevalecer a sua interpretação, o art.15 do DecretoLei nº 1.510/76 seria inteiramente inútil e vazio de conteúdo e o sistema repele a interpretação que conduza à inutilidade das normas legais. Pelos motivos expostos, não há, no caso, ofensa ao princípio da legalidade”. Também o Superior Tribunal de Justiça, no Julgamento do REsp nº 492.141/SC entendeu que a modificação introduzida pelo art. 72 da Lei nº 9.532/97, ao modificar a redação do §1º do art. 15 do DecretoLei nº 1.510/76, visou a colocar a Administração Tributária na Era da Informática. “É certo que a Lei busca a entrega das declarações. No entanto, quer que a comunicação seja feita "em meio magnético aprovado pela Secretaria da Receita Federal." (DL 1.510/76, § 1º, art. 15, acrescentado pela Lei 9.532/97). Neste caso, o intuito é colocar a Administração da Era da Informática, modernizando o procedimento administrativo, acrescentandolhe celeridade, economia e eficiência.“ (REsp nº 492.141/SC, Rel. Min. Humberto Gomes de Barros; DJ 15/12/2003 p. 199) Devese atentar que o Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, dispõe expressamente em seu art. 26A ser vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nas hipóteses em que os citados diplomas legislativos tenham sido declarados inconstitucionais por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) Fl. 448DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.013230/200251 Acórdão n.º 9202003.988 CSRF‐T2 Fl. 441 17 §5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Revelase pertinente salientar que é vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: Fl. 449DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 18 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73/93. DA REDUÇÃO DA MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DOI. O Recorrente requer a redução da penalidade em 25% (ou redução a 75% do valor lançado), em razão da falta da intimação para a entrega das Declarações, conforme previsão contida no art. 8°, § 2°, inciso II, alínea "b", da Lei 10.426/2002. Aduz em defesa que na decisão aviada no acórdão n° 10616.870, prolatada nos autos do processo n° 10680.014522/200219, a Turma Julgadora entendeu que a redução da multa seria legitima, sendo que, em ambos os casos a intimação não foi efetuada. Examinando, com cuidado, o Acórdão Paradigma indicado, verificamos que a 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, mesmo reconhecendo que o Auditor Fiscal não estava obrigado a intimar o Sujeito Passivo a entregar as DOI, considerou que, caso a Autoridade Lançadora tivesse realizado tal intimação seria “plausível presumir que o contribuinte cumpriria a intimação do AuditorFiscal, sendo de justiça a redução da multa por omissão das DOI em 25%.” Tal presunção, data maxima venia, ao meu sentir, não tem fundamento. O Recorrente estava obrigado, por força de lei formal, a entregar as DOI à Receita Federal, na forma estabelecida pela RFB, sob pena de multa devidamente cominada em lei e, mesmo ciente de tal obrigação e penalidade, quedouse inerte, descumprindo conscientemente a Obrigação Tributária Acessória que lhe fora imposta. Cumprimento de obrigação legal não se presume ! O próprio §3º do art. 113 do CTN estatui que o simples fato da inobservância da obrigação acessória, de per se, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Conforme descrito no art. 136 do CTN, a responsabilidade por infrações da legislação tributária ostenta natureza objetiva, independendo da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Constatado descumprimento da obrigação, é dever da Autoridade Fiscal proceder à lavratura do competente Auto de Infração, sob pena de responsabilidade funcional. Tratandose a redução de multa de hipótese de renúncia fiscal, estabelecida em proveito do Autuado, o adimplemento de todas as condições previstas na lei para a concessão de tal benefício tem que restar plenamente demonstrado e comprovado nos autos, nunca presumido, sob pena de negativa de vigência ao art. 111 do CTN. Nesse sentido, se fosse de se presumir que o Recorrente iria entregar as DOI mediante intimação, porque então não o fez em razão simplesmente do comando da Lei, ou então, mesmo durante o desenvolvimento da ação fiscal, independentemente da intimação ? Se o Autuado, mesmo sem intimação, tivesse entregue as DOI durante o desenvolvimento da ação fiscal, antes da lavratura do Auto de Infração, poderseia, até, admitir como cumpridos os requisitos legais indispensáveis à redução pretendida. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.013230/200251 Acórdão n.º 9202003.988 CSRF‐T2 Fl. 442 19 Todavia, não estando satisfeitas as condições previstas no §2º, II, ‘b’, do art. 8º da Lei nº 10.426/2002, não há que se falar em redução da multa. CONCLUSÃO Pelas razões ora expendidas, voto por CONHECER do Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 12963.000285/2007-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2102-000.107
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, pois se trata de debate sobre a transferência compulsória do sigilo bancário do contribuinte para o fisco, matéria em debate no Supremo Tribunal Federal no rito da repercussão geral (art. 62-A, §§, do Anexo II, do RICARF).
Assinado digitalmente
GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS - Relator e Presidente.
EDITADO EM: 11/12/2012
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, pois se trata de debate sobre a transferência compulsória do sigilo bancário do contribuinte para o fisco, matéria em debate no Supremo Tribunal Federal no rito da repercussão geral (art. 62A, §§, do Anexo II, do RICARF). Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 11/12/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. RELATÓRIO E VOTO Em face do contribuinte ORPHEU JOSE DA COSTA, CPF/MF nº 000.741.368 87, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 05/11/2007, auto de infração (fls. 215 e RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 29 63 .0 00 28 5/ 20 07 -6 4 Fl. 372DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 12963.000285/200764 Resolução nº 2102000.107 S2C1T2 Fl. 3 2 seguintes), com ciência postal em 08/11/2007 (fl. 224). Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 1.194.655,86 MULTA DE OFÍCIO R$ 895.991,89 MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE R$ 9.803,04 Ao contribuinte foram imputadas uma omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas físicas, no importe de R$ 77.448,78, uma omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no importe de R$ 4.266.754,34, tudo no anocalendário 2002, condutas essas apenadas com multa de ofício de 75% sobre o imposto lançado, bem como uma multa isolada em decorrência do carnêleão não pago, no percentual de 50% sobre o imposto não antecipado. Dada à indispensabilidade do exame dos extratos bancários do anocalendário de 2002 para o prosseguimento da ação fiscal, com base no inciso I do artigo 33 da lei n° 9.430/96, nos termos do artigo 6° da lei complementar n° 105/2001, em 10/01/07, a autoridade competente emitiu as Requisições de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF) junto às Instituições Financeiras. (fls. 15 a 17; 38 a 40; 54 a 56; 63 e 64; 73 e 74; 76 e 77). Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, com as razões que se seguem (transcritas do relatório do voto da Turma de Julgamento da DRJ – fl. 297): (...) O autuado, por intermédio de procuradores habilitados (instrumento de fl. 247), ofereceu a impugnação de fls. 229/245, na qual suscitou, em preliminar, que existe uma prejudicial ao presente processo administrativo, porquanto há um processo judicial em curso que pode modificar ou extinguir direitos do impugnante ou da impugnada. Dessa forma, fazse, no entendimento do contribuinte, necessária a suspensão do processo administrativo até que seja prolatada a decisão judicial nos autos n. 0518.07.1190400 (documentos de fls. 248/286). No mérito, destacamse da impugnação oferecida as seguintes alegações: 1 — o procedimento preparatório do lançamento do crédito tributário não observou as formalidades postas nas Portarias SRF 3.007/2001 e 6.087/2005, pois ocorreram períodos da ação desenvolvida não amparados por mandados de procedimento fiscal, inclusive o próprio lançamento tributário, sendo esse, portanto, inválido, já que lavrado em desrespeito à legislação aplicável; 2 — foram considerados como omissão de renda pela impugnada diversos valores que não significam acréscimo patrimonial e que sequer têm potencial para tanto, portanto não podem ser admitidos como base tributável do imposto de renda, sendo que ainda houve exigência sobre valores já tributados e, em especial, os facilmente Fl. 373DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 12963.000285/200764 Resolução nº 2102000.107 S2C1T2 Fl. 4 3 justificados, conforme quadro e explicações apresentadas (fls. 238/239); 3 — não há que se falar em omissão de rendimentos de aluguéis, porquanto o período abordado pela Fiscalização abrigou importâncias relativas a anocalendário distinto (anocalendário 2001), além do fato de o interessado registrar, em sua DIRPF/2003. tais valores como percebidos da Administradora Mattos Consultoria de Imóveis S/C Ltda, sendo que a tabela de fl. 136 reportase a aluguéis administrados por essa empresa; 4 — o impugnante é pessoa física e por isso não tem a obrigação legal de guardar fotocópias de cheques e outros documentos que comprovem a origem de suas operações financeiras, além do que não é especialista em siglas bancárias, sendo que isso só seria possível com a apresentação de microfilmagem dos depósitos não justificados, não sendo razoável exigir do contribuinte que se lembre de milhares de operações financeiras realizadas durante todos esses anos; 5 — o ônus das requeridas provas recai sobre a impugnada, não se admitindo que a presunção de legitimidade do ato administrativo do lançamento inverta essa proposição: 6 — no presente caso, a prova pericial fazse necessária, sobretudo no concernente à inspeção sobre os documentos contábeis bancários, pessoais, comerciais e fiscais para a verificação de fatos e circunstâncias atinentes ao litígio; e, nesse sentido, cabe a realização de perícia, visando prestar respostas aos quesitos propugnados (fl. 244), nomeandose, como perito do impugnante, o contador Clóvis Delia Testa. (...) A 4ª Turma da DRJ/JFA, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0919.077, de 14 de março de 2008 (fls. 294 e seguintes). A decisão acima afastou a preliminar de suspensão do processo administrativo em face do processo nº 0518.07.1190400, pois tratase de ação exibitória movida pelo contribuinte em face do ABN Banco Real S/A, cujo pedido, em resumo, consistiu em que fossem exibidos os microfilmes de operações bancárias, reconstituindoas, informando a origem dos recursos utilizados nessas operações, que apenas demonstra a busca por parte do sujeito passivo de informações que, em tese, poderiam lhe auxiliar na identificação dos créditos que ocorreram em sua conta mantida no Banco Real no período fiscalizado (anocalendário 2002), não se constituindo em hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário nos termos do art. 151 do CTN. Em relação às demais questões suscitadas, a Turma de Julgamento excluiu o montante de R$ 2.736.906,58 do rol dos depósitos de origem não comprovada. Em face da procedência parcial do lançamento, houve cancelamento de crédito tributário, imposto e multa de ofício, acima de R$ 1.000.000,00, com a competente interposição de recurso de ofício para este CARF. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 12963.000285/200764 Resolução nº 2102000.107 S2C1T2 Fl. 5 4 O contribuinte foi intimado da decisão acima em 22/04/2008 (fl. 308). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 07/05/2008 (fl. 309), repisando pontos deduzidos na impugnação. É o relatório. Antes de tudo, aqui se anota que o recurso voluntário do contribuinte foi interposto tempestivamente e atende os demais requisitos legais, devendo ser processado e julgado por esta Turma. Assim, submetidos a julgamento agora nesta Turma o recurso voluntário interposto pelo contribuinte e o recurso de ofício interposto pela Turma de Julgamento da DRJ, devese observar que ambos controvertem a tributação do art. 42 da Lei nº 9.430/96, com lançamento confeccionado a partir dos dados bancários assenhoreados compulsoriamente pelo fisco, a partir de requisições de informação de movimentação financeira, o que levame a propor o sobrestamento do julgamento, como se explica a seguir. Na forma do art. 62A, caput e § 1º, do Anexo II, do RICARF (As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º. Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B), sempre que a controvérsia tributária seja admitida no rito da repercussão geral (art. 543B do CPC), deveriam as Turmas de Julgamento do CARF sobrestar o julgamento de matéria idêntica em recurso administrativo, aguardando a decisão definitiva da Suprema Corte. A interpretação conjunta da cabeça e do parágrafo primeiro do dispositivo regimental citado indicava que bastava o reconhecimento da repercussão geral para o sobrestamento do trâmite do recurso administrativo fiscal, não se fazendo maiores considerações sobre o procedimento de sobrestamento dos recursos extraordinários do próprio judiciário, como condicionante para o sobrestamento dos recursos da via administrativa. Essa era a interpretação das Turmas de julgamento do CARF. Daí, no âmbito das Turmas de Julgamento da Primeira e Segunda Câmaras da Segunda Seção do CARF, as controvérsias sobre a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente e a incidente a partir da transferência compulsória do sigilo bancário dos contribuintes para o fisco (e aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001) vinham tendo o julgamento administrativo sobrestado, pois o STF havia reconhecido a repercussão geral em ambas as matérias, como se vê abaixo (informação extraída do site www.stf.jus.br): Tema 225 Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. RE 601.314 – Relator o Min. Ricardo Lewandowski. Tema 228 Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. – RE 614.406 – Relatora a Min. Ellen Grace. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 12963.000285/200764 Resolução nº 2102000.107 S2C1T2 Fl. 6 5 Com a publicação da Portaria CARF nº 001/2012, que objetiva disciplinar os procedimentos do sobrestamento no âmbito do CARF, surgiram dúvidas sobre o cabimento do sobrestamento para o Tema 225, acima, em decorrência da redação do art. 1º, parágrafo único, da referida Portaria (O procedimento de sobrestamento de que trata o caput [rito do art. 543B do CPC] somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso), pois o STF não teria determinado o sobrestamento dos recursos extraordinários que versavam sobre a transferência compulsória do sigilo bancário para o fisco (e retroatividade da Lei nº 10.174/2001), como se poderia ver na decisão que reconheceu a repercussão geral para o tema, no RE 601.314. Apreciando a controvérsia acima, no julgamento do processo 19647.009419/200653, sessão de 09 de fevereiro de 2012, pela Resolução 2102000.045, esta Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção entendeu que a controvérsia espelhada no Tema 225 do STF deveria continuar tendo os julgamentos administrativos sobrestados, pois “o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por si só, tem como consectário lógico e inafastável o sobrestamento do julgamento de todos os recursos extraordinários sobre a mesma matéria, pois não se pode imaginar que o STF reconheça a repercussão geral e os RE possam continuar a tramitar, isso sem qualquer possibilidade de julgamento no STF, pois na Suprema Corte somente se apreciará o RE leading case”. E como exemplo do entendimento que tem obstado o julgamento dos recursos extraordinários, com devolução do apelo extremo aos tribunais de origem no Tema 225, vejase despacho no Recurso Extraordinário 611.139, relator o Min. Luiz Fux, decisão de 07 de fevereiro de 2012. Ora se há o sobrestamento dos recursos extraordinários no rito da repercussão geral, aplicável o art. 62A, § 1º, do RICARF nos recursos com o Tema 225 no âmbito administrativo. Por tudo, no caso de controvérsias sobre a transferência compulsória do sigilo bancário (Lei complementar nº 105/2001) e retroatividade da Lei nº 10.174/2001, considerando que o STF também vem sobrestando o julgamento dos recursos extraordinários dessa matéria, devemse igualmente sobrestar os julgamentos administrativos nesta Turma de Julgamento, na forma do art. 62A, caput e § 1º, do Anexo II, do RICARF, aguardando que o STF resolva em definitivo a controvérsia sobre o Tema 225. No caso do lançamento ora em debate, vêse que a autoridade competente emitiu as Requisições de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF) junto às Instituições Financeiras (fls. 15 a 17; 38 a 40; 54 a 56; 63 e 64; 73 e 74; 76 e 77), com assenhoreamento dos dados bancários do fiscalizado, de forma compulsória, sendo de rigor sobrestar o julgamento dos recursos voluntário e de ofício, até que o STF decida a controvérsia estampada no Tema 225. Ante o exposto, voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento dos recursos, nos quais há debate sobre a transferência compulsória do sigilo bancário do contribuinte para o fisco, matéria em apreciação no Supremo Tribunal Federal no rito da repercussão geral (art. 62 A, §§, do Anexo II, do RICARF). Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 376DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 12963.000285/200764 Resolução nº 2102000.107 S2C1T2 Fl. 7 6 Fl. 377DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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