Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,885)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,225)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,906)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,204)
- Terceira Câmara (67,876)
- Segunda Câmara (56,644)
- Primeira Câmara (20,756)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,726)
- Segunda Seção de Julgamen (115,215)
- Primeira Seção de Julgame (77,084)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,518)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,930)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,625)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,707)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10880.727482/2011-03
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 24/05/2011
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.658
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201604
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 24/05/2011 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10880.727482/2011-03
anomes_publicacao_s : 201605
conteudo_id_s : 5592015
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 24 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9303-003.658
nome_arquivo_s : Decisao_10880727482201103.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
nome_arquivo_pdf_s : 10880727482201103_5592015.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
id : 6386749
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:48:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048422610632704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1947; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF‐T3 Fl. 201 1 200 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10880.727482/201103 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303003.658 – 3ª Turma Sessão de 26 de abril de 2016 Matéria Denuncia espontânea multa por atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada Recorrente ALIANCA NAVEGACAO E LOGISTICA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 24/05/2011 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 74 82 /2 01 1- 03 Fl. 201DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.727482/201103 Acórdão n.º 9303003.658 CSRF‐T3 Fl. 202 2 Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801004.814. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento. Após tomar ciência do mencionado acórdão, a Contribuinte apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei 12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.552, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/200648, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.552): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Fl. 202DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.727482/201103 Acórdão n.º 9303003.658 CSRF‐T3 Fl. 203 3 Lei 12.350, de 20/12/2010). Além disso, ambos citaram expressamente as alterações promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial. A matéria devolvida a este Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental de prestar informação. Aplicandose o entendimento defendido pela Recorrente, os prazos estipulados pela legislação aduaneira, para prestar informações à RFB, poderiam ser descumpridos pelo sujeito passivo sem punição, tendo como única condição que a prestação das informações seja efetuada antes do início de ação fiscal. Ou seja, os prazos para a apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos fatais, como é a regra na legislação tributária. Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicarse à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se Fl. 203DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.727482/201103 Acórdão n.º 9303003.658 CSRF‐T3 Fl. 204 4 refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' 1. 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' 2. 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' 3 Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.727482/201103 Acórdão n.º 9303003.658 CSRF‐T3 Fl. 205 5 entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: '40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, Fl. 205DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.727482/201103 Acórdão n.º 9303003.658 CSRF‐T3 Fl. 206 6 inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está Fl. 206DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.727482/201103 Acórdão n.º 9303003.658 CSRF‐T3 Fl. 207 7 vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.727482/201103 Acórdão n.º 9303003.658 CSRF‐T3 Fl. 208 8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face Fl. 208DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.727482/201103 Acórdão n.º 9303003.658 CSRF‐T3 Fl. 209 9 da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam 5 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.727482/201103 Acórdão n.º 9303003.658 CSRF‐T3 Fl. 210 10 infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Fl. 210DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.727482/201103 Acórdão n.º 9303003.658 CSRF‐T3 Fl. 211 11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por Fl. 211DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.727482/201103 Acórdão n.º 9303003.658 CSRF‐T3 Fl. 212 12 considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 212DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 13830.720890/2011-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS. MATÉRIA SUMULADA.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (Súmula CARF nº 63). Tratando-se de rendimentos recebidos no ano-calendário de 2006, e tendo a reforma ocorrido somente em 2009, não foi atendido um dos requisitos para o benefício.
SÚMULA. OBSERVAÇÃO OBRIGATÓRIA.
As decisões reiteradas e uniformes do CARF são consubstanciadas em súmulas, de observância obrigatória pelos membros do colegiado.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.692
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes (Relatora), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia Silva e Gerson Macedo Guerra, que negavam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício)
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes - Relatora
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Redatora-Designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) e Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS. MATÉRIA SUMULADA. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (Súmula CARF nº 63). Tratando-se de rendimentos recebidos no ano-calendário de 2006, e tendo a reforma ocorrido somente em 2009, não foi atendido um dos requisitos para o benefício. SÚMULA. OBSERVAÇÃO OBRIGATÓRIA. As decisões reiteradas e uniformes do CARF são consubstanciadas em súmulas, de observância obrigatória pelos membros do colegiado. Recurso especial provido.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri May 20 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13830.720890/2011-18
anomes_publicacao_s : 201605
conteudo_id_s : 5591710
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 20 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9202-003.692
nome_arquivo_s : Decisao_13830720890201118.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ANA PAULA FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 13830720890201118_5591710.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes (Relatora), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia Silva e Gerson Macedo Guerra, que negavam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício) (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes - Relatora (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Redatora-Designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) e Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
id : 6383759
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:48:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048422614827008
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2139; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1.061 1 1.060 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13830.720890/201118 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.692 – 2ª Turma Sessão de 27 de janeiro de 2016 Matéria IRPF Isenção por moléstia grave Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ALOISIO PEDRO NOVELLI ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS. MATÉRIA SUMULADA. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (Súmula CARF nº 63). Tratandose de rendimentos recebidos no anocalendário de 2006, e tendo a reforma ocorrido somente em 2009, não foi atendido um dos requisitos para o benefício. SÚMULA. OBSERVAÇÃO OBRIGATÓRIA. As decisões reiteradas e uniformes do CARF são consubstanciadas em súmulas, de observância obrigatória pelos membros do colegiado. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes (Relatora), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia Silva e Gerson Macedo Guerra, que negavam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 72 08 90 /2 01 1- 18 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/04/2 016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Ass inado digitalmente em 11/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13830.720890/201118 Acórdão n.º 9202003.692 CSRFT2 Fl. 1.062 2 (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício) (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo RedatoraDesignada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) e Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente). Relatório Trata o presente processo de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, conforme Notificação de Lançamento relativa ao ano calendário 2006, exercício 2007, emitida em 09/03/2011, no valor de R$ 7.622,53, incluídos multa e juros de mora calculados até 31/03/2011, decorrente da constatação de omissão de rendimentos auferidos pelo contribuinte (fls. 11/14). O contribuinte apresentou impugnação de fls. 2/4, no qual requereu o cancelamento do débito fiscal, alegando em síntese: 1. que apresentou Solicitação de Retificação de Lançamento SRL de imposto de renda de pessoa física, com reclassificação de tributável para isento, em face de haver contraído doença irreversível em sua retina, causando perda da visão em seu olho esquerdo, conforme laudo médico pericial (fl. 17); 2. que sua SRL foi indeferida sob a alegação de que se caracteriza cegueira quando há privação total da visão (CID H54.0), não sendo o caso do contribuinte, o qual possui a deficiência apenas no olho esquerdo; 3. nas razões de sua impugnação, argumenta que a cegueira prevista no art. 6º, XIV da Lei 7.713/88 não restringe em cegueira total ou parcial, devendo haver interpretação literal da lei, nos termos do art. 111, inc. II, da Lei Fl. 73DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/04/2 016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Ass inado digitalmente em 11/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13830.720890/201118 Acórdão n.º 9202003.692 CSRFT2 Fl. 1.063 3 5.172/66 (CTN), conforme significado etimológico, transcrevendo conceito, e entendimento do STJ, citando respectivo julgado. A impugnação do contribuinte foi apreciada pela 21ª Turma da DRJ/SP1, decidindo pela improcedência do recurso, mantendo o crédito tributário lançado, conforme acórdão de fls. 23/27. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 32/33), ratificando os argumentos sustentados inicialmente, quando da impugnação. A 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento deu provimento ao Recurso Voluntário (fls. 45/50), transcrevendo precedentes do CARF e seguindo o mesmo entendimento de aplicação literal da norma, em matéria que disponha sobre isenção de tributos, conforme art. 111, inc. II, da Lei 5.172/66 c/c o art. 6º, XIV da Lei 7.713/88, no qual prevê o rol de doenças que isentam do imposto de renda sobre rendimentos percebidos por pessoa física, ali constando a “cegueira” sem qualquer ressalva de ser total ou parcial. Notificada da decisão em 10/12/2014, a Fazenda, irresignada, interpôs Recurso Especial em 11/12/2014 (fls. 53/58), apresentando acórdão paradigma da 2ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARF, sessão datada de 19 de março de 2014, que tratou de “ausência de um olho e visão normal do olho remanescente”. O acórdão paradigma adotou a conclusão constante no respectivo parecer médico pericial, dispondo existir farta bibliografia médicopericial no sentido de que “a visão monocular clássica (‘cegueira’ de um olho com boa visão no outro) seja incompatível com o conceito de cegueira para fins periciais ou jurídicos”. O Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF deu seguimento ao Recurso Especial da Fazenda, conforme despacho de fls.60/62, com fundamento no art. 67 do Regimento Interno CARF vigente. Notificado em 02/10/2015, o Contribuinte apresentou Contrarrazões em (fls. 68/70), alegando inexistir similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma, em virtude de que o acórdão paradigma trata de caso de ausência de um olho e visão norma no olho remanescente, ao passo que o acórdão recorrido discute caso de cegueira de um dos olhos. É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/04/2 016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Ass inado digitalmente em 11/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13830.720890/201118 Acórdão n.º 9202003.692 CSRFT2 Fl. 1.064 4 Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes, Relatora Inicialmente importa analisar o argumento trazido em sede de contrarrazões, de que inexiste similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma. Não procede tal argumento, tendo em vista que a lide se concentra no conceito de cegueira, se total (ambos os olhos) ou parcial (em apenas um olho – visão monocular), independente da forma como se manifesta a moléstia no olho. Portanto, não se discute as razões que levaram a cegueira, mas tão somente a interpretação da doença grave para fins de isenção do tributo. Assim, o recurso da Fazenda Nacional atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço, bem como das contrarrazões do contribuinte trazidas aos autos. Trata o litígio exclusivamente de isenção de imposto de renda sobre proventos de aposentadoria de portador de moléstia grave – cegueira – comprovada através de laudo médico pericial (fl. 17). Sobre o assunto estabelece o art. 6º, XIV, da Lei 7.713/1988, com redação dada pela Lei 11.052/2004, transcrito a seguir: “Art. 6 – Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoa física: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...)” (grifo nosso) O direito tributário, no que se refere ao instituto da isenção, por prever exceções ao exercício de competência tributária, submetese ao princípio da estrita legalidade, sujeitas à regra de hermenêutica que determina a interpretação restritiva, sendo matéria pacificada no Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo (REsp 1116620/BA). Dispõe o art. 111 do Código Tributário Nacional: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: (...) II outorga de isenção; (...) Fl. 75DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/04/2 016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Ass inado digitalmente em 11/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13830.720890/201118 Acórdão n.º 9202003.692 CSRFT2 Fl. 1.065 5 Em respeito ao princípio da legalidade, temse a impossibilidade de interpretação das normas concessivas de isenção de forma analógica ou extensiva. Assim, não é possível dar interpretação restritiva ao art. 6º, XIV, da Lei 7.713/1988, que elenca de modo claro e exaustivo as patologias que justificam a concessão do benefício, não havendo qualquer ressalva quanto a aludida moléstia grave (cegueira), não cabendo ao intérprete fazêlo. Ademais, de acordo com a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID10), da Organização Mundial de Saúde, que é adotada pelo SUS e estabelece as definições médicas das patologias, a cegueira não está restrita à perda da visão nos dois olhos, podendo ser diagnosticada a partir do comprometimento da visão em apenas um olho. Confirase: H54.0 Cegueira, ambos os olhos: Classes de comprometimento visual 3, 4 e 5 em ambos os olhos; H54.1 Cegueira em um olho e visão subnormal em outro: Classes de comprometimento visual 3, 4 e 5 em um olho, com categorias 1 ou 2 no outro olho; H54.2 Visão subnormal de ambos os olhos: Classes de comprometimento visual 1 ou 2 em ambos os olho; H54.3 Perda não qualificada da visão em ambos os olhos: Classes de comprometimento visual 9 em ambos os olhos; H54.4 Cegueira em um olho: Classes de comprometimento visual 3, 4 ou 5 em um olho [visão normal no outro olho]; H54.5 Visão subnormal em um olho: Classes de comprometimento da visão 1 ou 2 em um olho [visão normal do outro olho]; H54.6 Perda não qualificada da visão em um olho: Classe de comprometimento visual 9 em um olho [visão normal no outro olho]; H54.7 Perda não especificada da visão: Classe de comprometimento visual 9 SOE. Deste modo, a medicina também comporta diversas espécies de comprometimento da visão para o gênero “cegueira”, atingindo ambos os olhos ou apenas um olho, de modo que, ainda que o indivíduo possua a visão normal em um dos olhos, poderá ser diagnosticado como portador de cegueira. Assim, numa interpretação literal, devese entender que a isenção prevista no art. 6º, XIV, da Lei 7.713/88 favorece o portador de qualquer tipo de cegueira, desde que assim caracterizada, de acordo com as definições médicas. O Tribunal Superior de Justiça já possui firme entendimento sobre a matéria, conforme “TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. IRPF. ISENÇÃO. ART. 6º, XIV, DA LEI 7.713/1988. INTERPRETAÇÃO LITERAL. CEGUEIRA. DEFINIÇÃO MÉDICA. PATOLOGIA QUE ABRANGE TANTO O COMPROMETIMENTO DA VISÃO BINOCULAR QUANTO MONOCULAR. 1. No caso é incontroverso que a parte não possui a visão do olho direito, acometido por deslocamento de retina. Inaplicabilidade da Súmula 7 do STJ. 2. É assente na jurisprudência do STJ o entendimento no sentido da desnecessidade de laudo oficial para a comprovação de moléstia grave para fins de isenção de imposto de renda, desde que o magistrado entenda suficientemente provada a doença. Precedentes do STJ. 3. A isenção do IR ao contribuinte portador de moléstia grave se conforma à literalidade da norma, que elenca de modo claro e exaustivo as patologias que justificam a concessão do benefício. 4. Numa interpretação literal, devese entender que a isenção prevista no art. 6º, XIV, da Lei 7.713/88 favorece o portador de qualquer tipo de cegueira, desde que assim caracterizada, de acordo com as definições médicas. Precedentes: REsp 1.196.500/MT, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 2/12/2010, DJe 4/2/2011; AgRg no AREsp 492.341/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em Fl. 76DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/04/2 016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Ass inado digitalmente em 11/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13830.720890/201118 Acórdão n.º 9202003.692 CSRFT2 Fl. 1.066 6 20/5/2014, DJe 26/5/2014; AgRg nos EDcl no REsp 1.349.454/PR, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, julgado em 17/10/2013, DJe 30/10/2013. 5. Recurso Especial provido.” (STJ – Segunda Turma REsp 1483971 / AL – Relator: Ministro Herman Benjamin Dec. em 05/02/2015 – DJ de 11/02/2015) Por fim, é sabido que o Conselheiro do Tribunal Administrativo não está adstrito a toda jurisprudência do Poder Judiciário, conforme art. RICARF.. Isso por que o Conselheiro esta adstrito ao principio da legalidade enquanto ao juiz é dado se utilizar da equidade. Contudo, a fim de preservar a utilidade do processo administrativo e a preservação do interesse público sempre que possível (desde que isso não colida com o principio da legalidade), deve ele se adequar às decisões judiciais dos Tribunais Superiores. Em se tratando a jurisprudência apontada sobre aplicação interpretativa da norma legal, não havendo declaração de inconstitucionalidade, esta poderá ser aproveitada na decisão administrativa, como é o caso em tela. Pelas razões expostas, voto por conhecer do recurso e, no mérito, NEGAR provimento ao Recurso Especial da Fazenda. (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 77DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/04/2 016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Ass inado digitalmente em 11/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13830.720890/201118 Acórdão n.º 9202003.692 CSRFT2 Fl. 1.067 7 Voto Vencedor Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Designada Discordo da conclusão da Ilustre Conselheira Relatora, tendo em vista que, no presente caso, o Contribuinte não atendeu a todos os requisitos para o usufruto da isenção do Imposto de Renda em função de moléstia prevista em lei. O art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, com a redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004, assim estabelece: “Art. 6 – Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoa física: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...)” (grifei) Assim, claro está que a isenção recai sobre os proventos de aposentadoria ou reforma, percebidos pelos portadores das moléstias elencadas no dispositivo legal acima. No caso em tela, tratase de cegueira monocular. O objeto do pedido é o Imposto de Renda do anocalendário de 2006. Por outro lado, conforme o Dossiê Fiscal de fls. 15 a 18, o Contribuinte era militar e somente foi reformado em 29/06/2009. Destarte, independentemente da discussão acerca da possibilidade de enquadramento da cegueira monocular como uma das moléstias previstas em lei, constatase que os rendimentos recebidos pelo Contribuinte em 2006, anocalendário objeto do pedido, ainda não eram classificados como proventos de reforma, portanto deixou de ser atendido um dos requisitos essenciais para o usufruto da isenção. A matéria já se encontra sumulada no CARF, conforme a seguir: Súmula CARF nº 63 Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço Fl. 78DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/04/2 016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Ass inado digitalmente em 11/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13830.720890/201118 Acórdão n.º 9202003.692 CSRFT2 Fl. 1.068 8 médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Conforme o art. 72, do Anexo II, do RICARF, as súmulas são de observância obrigatória pelos membros do CARF, sendo que o descumprimento de seus enunciados pode ser causa de perda de mandato, conforme o art. 45, inciso VI, do mesmo Regimento. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 79DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/04/2 016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Ass inado digitalmente em 11/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10530.723475/2011-02
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009
DECADÊNCIA - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - GANHO DE CAPITAL.
Ganho de capital auferido na alienação do imóvel rural o fato gerador se dá no momento do efetivo ganho de capital. Em sendo o pagamento parcelado o fato gerador também será tomado a cada parcela separadamente.
Numero da decisão: 9202-003.770
Decisão: Recurso Especial provido.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos ao colegiado a quo, para apreciação das demais questões do Recurso Voluntário. Vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso. As Conselheiras Maria Helena Cotta Cardozo e Maria Teresa Martinez Lopez apresentarão declaração de voto
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes - Relatora
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardoso - Declaração de voto
(Assinado digitalmente)
Maria Teresa Martinez Lopez - Declaração de Voto.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201602
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009 DECADÊNCIA - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - GANHO DE CAPITAL. Ganho de capital auferido na alienação do imóvel rural o fato gerador se dá no momento do efetivo ganho de capital. Em sendo o pagamento parcelado o fato gerador também será tomado a cada parcela separadamente.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10530.723475/2011-02
anomes_publicacao_s : 201606
conteudo_id_s : 5605514
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9202-003.770
nome_arquivo_s : Decisao_10530723475201102.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ANA PAULA FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 10530723475201102_5605514.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Recurso Especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos ao colegiado a quo, para apreciação das demais questões do Recurso Voluntário. Vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso. As Conselheiras Maria Helena Cotta Cardozo e Maria Teresa Martinez Lopez apresentarão declaração de voto (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes - Relatora (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardoso - Declaração de voto (Assinado digitalmente) Maria Teresa Martinez Lopez - Declaração de Voto. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
id : 6426652
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:50:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048422622167040
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1962; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 19 1 18 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10530.723475/201102 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.770 – 2ª Turma Sessão de 16 de fevereiro de 2016 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado LORENI LUIZ COMPARIN ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009 DECADÊNCIA OMISSÃO DE RENDIMENTOS GANHO DE CAPITAL. Ganho de capital auferido na alienação do imóvel rural o fato gerador se dá no momento do efetivo ganho de capital. Em sendo o pagamento parcelado o fato gerador também será tomado a cada parcela separadamente. Recurso Especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos ao colegiado a quo, para apreciação das demais questões do Recurso Voluntário. Vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso. As Conselheiras Maria Helena Cotta Cardozo e Maria Teresa Martinez Lopez apresentarão declaração de voto (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardoso Declaração de voto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 34 75 /2 01 1- 02 Fl. 435DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 29/06/2016 po r CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 (Assinado digitalmente) Maria Teresa Martinez Lopez Declaração de Voto. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente Recurso Especial referese a pedido de Uniformização de Jurisprudência motivado pela Fazenda Nacional, face ao Acórdão 2201002.172, proferido pela 1ª Turma Ordinária /2ª Câmara/2ª Seção de Julgamento/CARF. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido (fls. 403/408): “Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anoscalendário 2006, 2007, 2008 e 2009, consubstanciado no Auto de Infração, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor R$ 1.330.970,14, incluída a multa de ofício agravada e qualificada no percentual de 225% e juros de mora. A fiscalização apurou omissão de rendimentos decorrentes de ganho de capital auferido na alienação do imóvel rural denominado “Fazenda Sete Belo”. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: a) o lançamento fiscal é nulo em razão da ação fiscal ter sido deflagrada a partir informações bancárias obtidas sem autorização judicial (processo administrativo nº 10530.721433/201048), tratandose, portanto, de prova obtida ilegalmente, o que contamina todo o procedimento fiscal; b) na apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda incidente sobre o ganho de capital é cabível a aplicação do fator de correção previsto no art. 37 da Medida Provisória nº 252, sem prejuízo da redução assegurada no art. 18 da Lei nº 7.713, de 1988; c) parte do preço acordado foi recebido mediante a assunção de dívida com garantia real dos vendedores por parte dos compradores junto a instituições financeiras. Portanto, tal parcela não poderia compor a base de cálculo do tributo, por não se saber se a referida dívida foi toda paga, e, também, por tal parcela fugir ao conceito de renda; d) na apuração da base de cálculo é cabível a dedução das benfeitorias incorporadas ao imóvel, nos termos do art. 19, inciso VI, a, da Instrução Normativa nº 84, de 2001. As referidas benfeitorias foram comprovadas mediante apresentação de notas fiscais e documentação constante no processo nº 10530.721433/201048, devendo estas serem incorporadas ao presente processo; e) na escritura pública apresentada consta o valor da venda do imóvel, portanto, o ganho de capital não poderia ser apurado com base em valor extraído de qualquer outro documento particular; f) a multa de ofício e sua majoração devem ser afastadas em razão da inexistência da ocorrência de conduta dolosa por parte do contribuinte. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 29/06/2016 po r CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10530.723475/201102 Acórdão n.º 9202003.770 CSRFT2 Fl. 20 3 A 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou parcialmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. É cabível o lançamento fiscal para constituir crédito tributário decorrente de omissão de rendimentos vinculada a ganho de capital na venda de imóvel rural. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A falta de apresentação do demonstrativo de apuração do ganho de capital na declaração de rendimento, quando desacompanhada de outros indícios que demonstrem a intenção do contribuinte em retardar/dificultar o conhecimento do fato gerador pelo Fisco, não autoriza a qualificação da multa de ofício. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Intimado da decisão de primeira instância, Loreni Luiz Comparin apresentou tempestivamente Recurso Voluntário (fls. 377/397), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação.” Em análise ao Recurso Voluntário, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, nas fls. 403/408, deu provimento ao recurso, entendendo pela aplicação da decadência em caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, na hipótese de não haver antecipação do pagamento, devendo se utilizar da sistemática prevista no inciso I, do art. 173, do CTN. Considerou que o fato gerador do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital auferido na venda a prazo de bens imóveis ocorre no dia da alienação. A data do fato gerador deve ser a mesma tanto para efeitos de contagem do prazo decadencial como para apuração do imposto devido. Assim, o fato gerador relativo ao ganho de capital ocorreu em 18 de maio de 2002, e o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o imposto poderia ter sido lançado corresponde a 01/01/2003, e o término do prazo decadencial de 5 anos ocorre em 31/12/2007. Deste modo, como a ciência do Auto de Infração ocorreu em 19/07/2011 (Edital 35/2011 – fl. 351), todo o crédito tributário já havia sido atingido pela decadência. Às fls. 412/417, a Fazenda Nacional interpôs o Recurso Especial, o qual foi admitido às fls. 419/421. Ressaltou, de imediato, que o apelo do recurso não questiona a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 173, I do CTN, e sim, sobre o momento em que ocorreu o fato gerador do IRPF, pois, o acórdão recorrido entendeu que no caso de venda a prazo de bens imóveis, o fato gerador do imposto de renda é apurado como se a venda fosse efetuada à vista, e, por isso, reconheceu a decadência do crédito lançado, pois a alienação do imóvel ocorreu no dia 18/05/2002 e a ciência do lançamento se deu em 19/07/2011. Para demonstrar a divergência, trouxe jurisprudência da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, com entendimento de que nas vendas a prazo, não existe fato gerador único, há vários fatos geradores, um para cada recebimento de parcela. Registrou, entretanto, que o julgado paradigma tratou apenas do afastamento do prazo decadencial do art. 150, §4º do CTN e aplicação do art. 173, I quando não há recolhimento parcial do tributo no ganho de capital. Assim, considerou que, analisando o momento da ocorrência do fato gerador do IRPF nas alienações a prazo, acórdãos, recorrido e paradigma, chegaram a conclusões distintas. Enquanto o primeiro afirmou que o fato gerador ocorre no momento da venda, o segundo entendeu que ocorre quando do recebimento das parcelas. Intimado da interposição do Recurso Especial, o Contribuinte apresentou Contrarrazões às fls. 428/433. É o relatório. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 29/06/2016 po r CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Voto Conselheira Ana Paula Fernandes O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Tratase de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anoscalendário 2006, 2007, 2008 e 2009, consubstanciado no Auto de Infração, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor R$ 1.330.970,14, incluída a multa de ofício agravada e qualificada no percentual de 225% e juros de mora. O acórdão recorrido acatou a preliminar de decadência, declarando extinto o direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário para o fato gerador havido no anocalendário de 2002, sob o entendimento de que na presente hipótese o fato gerador do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital auferido na venda a prazo de bens imóveis ocorre no dia da alienação. A data do fato gerador deve ser a mesma tanto para efeitos de contagem do prazo decadencial como para apuração do imposto devido, entendendo pela aplicação da decadência em caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, na hipótese de não haver antecipação do pagamento, devendo se utilizar da sistemática prevista no inciso I, do art. 173, do CTN. Assim, o fato gerador relativo ao ganho de capital ocorreu em 18 de maio de 2002, e o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o imposto poderia ter sido lançado corresponde a 01/01/2003, e o término do prazo decadencial de 5 anos ocorre em 31/12/2007. Deste modo, como a ciência do Auto de Infração ocorreu em 19/07/2011 (Edital 35/2011 – fl. 351), todo o crédito tributário já havia sido atingido pela decadência. O Recurso Especial da Fazenda Nacional insurgiuse tão somente quanto a determinação do fato gerador, o qual tem conseqüente aplicação na definição da decadência, conforme relatado. Pois bem, para tratar da decadência do direito da Fazenda Nacional em lançar de ofício o imposto em questão é preciso analisar o fato gerador deste tributo. No presente caso tratase de IRPF cujo auto de infração discute a omissão de receita pela existência de ganho de capital não declarado, aplicável os dispositivos legais arts. 43 e 116, do CTN. Na leitura simplificada da norma legal parece significar que o fato gerador do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital auferido na venda de bens imóveis ocorre no dia da alienação. Logicamente, em havendo o pagamento integral da compra na data da alienação esta será tomada como a data do fato gerador. Contudo, algumas decisões equivocadamente interpretaram que a data de início do prazo decadencial se fixa na data da alienação (fato gerador único), independente do pagamento integral, ou seja do momento que existe o ganho de capital. Ora, estamos tratando de ganho de capital, desse modo, por uma questão de interpretação lógica e respeitando a interpretação sistemática do conjunto de normas que Fl. 438DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 29/06/2016 po r CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10530.723475/201102 Acórdão n.º 9202003.770 CSRFT2 Fl. 21 5 compõem o arcabouço legal aplicável ao caso, não resta dúvida, se o pagamento ocorre a prazo o ganho de capital também ocorre a prazo e conseqüentemente o fato gerador se "renova" a cada parcela, observese os arts. 2 e 21, § 2 da Lei 7.713/88 . LEI Nº 7.713, DE 22 DE DEZEMBRO DE 1988. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3º (...) § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. ......... Art. 21. Nas alienações a prazo, o ganho de capital será tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver. Para que não reste dúvida, cumpre esclarecer o que diz o Código Tributário nacional a respeito de fato gerador: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. ........... Art. 117. Para os efeitos do inciso II do artigo anterior e salvo disposição de lei em contrário, os atos ou negócios jurídicos condicionais reputamse perfeitos e acabados: I sendo suspensiva a condição, desde o momento de seu implemento; II sendo resolutória a condição, desde o momento da prática do ato ou da celebração do negócio. Não há dúvidas de que a tributação do IRPF segue o regime de caixa – o fato gerador ocorre na medida do recebimento de rendimentos. De modo que assiste razão a fazenda nacional quando alega que a ocorrência do fato gerador ou fato imponível faz nascer a obrigação tributária. A alienação de bens, por si só, não faz nascer a obrigação de pagar tributo, portanto, somente a alienação não constitui fato gerador. É fato gerador o recebimento de rendimentos decorrentes de ganho de capital produzido na alienação. Portanto, o fato gerador não ocorre na data de alienação, mas sim, quando do recebimento das parcelas que representam o ganho de capital. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 29/06/2016 po r CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Para bem esclarecer esta situação cumpre analisar o que diz a Lei 8.134/90, que trata da apuração de ganho de capital a prazo e também a IN/SRF 84/2001. Tal esclarecimento é importante para que não reste duvidas acerca da forma que os dispositivos devem ser aplicados. Não se ignora aqui a alegação de parte da doutrina de que o artigo 140,§1º da Lei 8.134/90 e o artigo 31 da IN/SRF 84/2001, dispõe que a apuração nas alienações a prazo deve ser realizada como se fosse á vista. Vejamos: LEI No 8.134, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1990. Art. 2° O Imposto de Renda das pessoas físicas será devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no art. 11. RIR 99 – Decreto 3.000/99 § 2º O imposto será devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no art. 85. Art.140. Nas alienações a prazo, o ganho de capital deverá ser apurado como venda à vista e tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês considerandose a respectiva atualização monetária se houver (Lei n. 7.713, de 1988, art. 21). §1º Para efeito do disposto no caput, deverá ser calculada a relação percentual do ganho de capital sobre o valor de alienação que será aplicada sobre cada parcela recebida. Instrução Normativa SRF nº 84, de 11 de Outubro de 2001 Art. 31. Nas alienações a prazo, o ganho de capital é apurado como se a venda fosse efetuada à vista e o imposto é pago periodicamente, na proporção da parcela do preço recebida, até o último dia útil do mês subseqüente ao do recebimento. Parágrafo único. O imposto devido, relativo a cada parcela recebida, é apurado aplicandose: I o percentual resultante da relação entre o ganho de capital total e valor total da alienação sobre o valor da parcela recebida; Contudo, tanto a redação do art. 140 do RIR/99, quanto a do art. 31 da IN SRF n° 84, de 11 de outubro de 2001, referemse à forma de apuração, devendo ser calculado abstraindo os eventuais reajustes nos preços vincendos, assim como a correspondência da relação percentual entre o preço recebido e valor tributável, pensar diferente feriria literal dispositivo de Lei, eis que o art. 2º do mesmo diploma legal dispôs que o IRPF “será devido a medida que os rendimentos foram percebidos”. Ou ainda, flagrantemente contra o disposto no artigo 21 da Lei 7.713/88, que explicita: “nas alienações a prazo, o ganho de capital será tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver”. Dispositivos estes literais, os quais expressamente se referem ao fato gerador do tributo. Assim, apurase, como dito pela Fazenda Nacional em sede de Recurso Especial, o ganho de capital na data da alienação; a mesma relação percentual da parcela recebida, é o percentual que deve ser aplicado para o valor tributável. Na data da alienação a prazo ocorre a expectativa da incidência do fato gerador. Isso tudo, com o mesmo fundamento apontado pela decisão recorrida, qual seja, a de que a data do fato gerador deve ser a mesma tanto para efeitos de contagem do prazo decadencial como para apuração do imposto devido, de modo que ambas, se renovam no tempo no tocante a cada parcela específica referente ao pagamento da citada alienação do imóvel, pois a norma não pode ser tomada de modo isolado, quanto menos aplicada fora do intuito do legislador, e exatamente por isso, a contrário sensu da alegação da contribuinte, o fato gerador pode ou não coincidir com a alienação de capital, importando de forma preponderante o pagamento que configura em si o chamado ganho de capital real. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 29/06/2016 po r CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10530.723475/201102 Acórdão n.º 9202003.770 CSRFT2 Fl. 22 7 Pois bem, encontrado o momento em que se operacionaliza o fato gerador, preciso registrar a escorreita decisão do acórdão recorrido no tocante ao dispositivo legal a ser aplicado. Admitido o recurso embora não recorra contra o dispositivo, mister se faz que eu o justifique, pois fundamental para demonstração da conclusão adotada. Estamos tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, cuja parte da renda foi omitida pelo contribuinte e lançada de ofício pela Receita Federal, pode ensejar dúvida entre a aplicação do disposto no art. 150, §4 ou 173, I, do CTN. Para elidir esta discussão necessário se faz que se observem outros requisitos, conforme entendimento jurisprudencial do STJ: AGRAVO REGIMENTAL. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ICMS. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, E 173, DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. (RECURSO REPETITIVO RESP 973.733SC). Relator(a) Ministro LUIZ FUX (1122) Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 02/03/2010 Data da Publicação/Fonte DJe 16/03/2010 1. O tributo sujeito a lançamento por homologação, em não ocorrendo o pagamento antecipado pelo contribuinte, incumbe ao Fisco o poderdever de efetuar o lançamento de ofício substitutivo, que deve obedecer ao prazo decadencial estipulado pelo artigo 173, I, do CTN, segundo o qual o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue se após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. (...) 3. Desta sorte, como o lançamento direto (artigo 149, do CTN) poderia ter sido efetivado desde a ocorrência do fato gerador, é do primeiro dia do exercício financeiro seguinte ao nascimento da obrigação tributária que se conta o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário, na hipótese, entre outras, da não ocorrência do pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, independentemente da data extintiva do direito potestativo de o Estado rever e homologar o ato de formalização do crédito tributário efetuado pelo contribuinte ... (...) 5. À luz da novel metodologia legal, publicado o julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, submetido ao regime previsto no artigo 543C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do artigo 557, do CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 6. Agravo regimental desprovido. Embora o contribuinte tenha de fato omitido parte das receitas em sua declaração e isso tenha ensejado o lançamento de ofício, é preciso que se observe por força do entendimento jurisprudencial firmado pelo STJ, se houve ou não adiantamento do pagamento do imposto devido ou de parte dele. Contudo, importa aqui salientar que não se trata de qualquer pagamento. Esse precisa ter relação com o fato gerador objeto da infração ora analisada. Compulsando os autos, observo que não há nenhuma informação de que o contribuinte tenha realizado qualquer pagamento a título de Ganho de Capital nos anos calendários em que fora autuado. Nem mesmo nas manifestações e defesas que apresentou em seu favor. Ao contrário, a contribuinte confirma, nos esclarecimentos Fl. 441DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 29/06/2016 po r CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 prestados na data de 05.12.2014, que alienou o bem, e que o pagamento se deu de modo parcelado nos anos 2006, 2007, 2008 e 2009. Desse modo, assiste razão a alegação esposada no recurso da Fazenda Nacional no tocante a aplicação do art. 173, I, cuja aplicação é cogente nos casos de lançamento de ofício, em que o contribuinte não tenha realizado pagamento do tributo devido, nem parte dele, mesmo que o débito seja advindo de um tributo inicialmente sujeito a lançamento por homologação. Essa inclusive, é a orientação firmada no RE 973.733SC , cuja natureza da decisão advinda de repetitivo de controvérsia, vincula este órgão julgador por força do artigo 62 do RICARF. Da análise do referido julgado, transcrito acima, resta definido que não tendo havido o adiantamento de pelo menos parte do pagamento do imposto, este atrai a aplicação do art. 173, I do CTN, conforme definido no acórdão recorrido. Por conseguinte, definida a regra a respeito da contagem do prazo, resta aplicála ao caso concreto destes autos. A alienação ocorreu em 18 de maio de 2002, contudo o pagamento a prazo se estendeu por várias parcelas, devendo a decadência ser aplicada com base no art. 173, I ou seja, pra cada fato gerador (cada parcela paga) se aplicará a renovação do início do prazo decadencial tido como o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o imposto poderia ter sido lançado, devendo a apuração do calculo se dar com base no art. 31 da INSRF 84/2001. Salientando que no caso concreto o auto de infração tão somente se refere as parcelas havidas pela contribuinte, a partir de 31/01/2006 a 31/12/2009, e a ciência do Auto de Infração ocorreu em 19/07/2011 (Edital 35/2011 – fl. 351), portanto, não há que se falar em decadência do direito do fisco em cobrar o IRPF devido. Observese, entretanto, que julgada e afastada a preliminar de decadência e que o recurso da contribuinte traz a cena diversas outras considerações a serem debatidas (fator de redução, exclusão de benfeitorias da base de calculo, revisão de multa, dentre outros), o processo deve retornar a instância "a quo" para análise de mérito. Do exposto, recebo o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, para no mérito darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Fl. 442DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 29/06/2016 po r CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10530.723475/201102 Acórdão n.º 9202003.770 CSRFT2 Fl. 23 9 Declaração de Voto No que tange à contagem do prazo decadencial aplicável à infração relacionada ao ganho de capital, o art. 31 da Instrução Normativa SRF nº 84, de 2001, em um primeiro momento, levoume a entender que, embora o pagamento do valor da alienação pudesse se dar em parcelas, o dies a quo para a contagem do prazo decadencial ocorreria na data do contrato de compra e venda. Entretanto, uma análise mais apurada da questão permite concluir que tal posicionamento não se coaduna com a melhor interpretação da legislação que rege a matéria, conforme será demonstrado. Primeiramente, registrase que o art. 114 do CTN dispõe que o fato gerador da obrigação tributária é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Nesse passo, analisandose detidamente o art. 21 da Lei nº 7.713, de 1988, verifica se que dito dispositivo é cristalino ao dispor que nas alienações a prazo o ganho de capital será tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês. Confirase: Art. 21. Nas alienações a prazo, o ganho de capital será tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver. § 1º O imposto de que trata este artigo deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente ao da percepção dos ganhos. Não é por acaso que a lei determinou que o pagamento do imposto ocorre até o último dia útil do mês subseqüente ao da percepção dos ganhos. Tal fato, por si só, demonstra a determinação legal para o deslocamento do fato gerador do ganho de capital. Em outra passagem, a Lei nº 7.713, de 1988, na segunda parte do art. 2º, dispõe que o imposto de renda das pessoas físicas será devido "..... à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos". E, em seu parágrafo primeiro, determina que o pagamento do imposto será "... até o último dia útil do mês subseqüente ao da percepção dos ganhos". Notese que o "ganho" descrito pela norma representa, essencialmente, o acréscimo patrimonial, ou seja, o recebimento das parcelas avençadas. Com efeito, o art. 31, da Instrução Normativa SRF nº 84, de 2001, ao dispor que “nas alienações a prazo, o ganho de capital é apurado como se a venda fosse efetuada à vista”, referese simplesmente à sistemática de apuração do ganho de capital e de cálculo do imposto. Em face de tal contexto, a contagem do prazo decadencial a partir da data da alienação configuraria contradição normativa, qual seja, para fins de determinação do termo inicial contarseia a partir da assinatura do contrato (regime de competência), e para fins de pagamento do imposto, contarseia a partir do recebimento das parcelas, ou seja, regime de Fl. 443DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 29/06/2016 po r CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 caixa. Não parece razoável a utilização de dois critérios totalmente antagônicos para determinação da contagem do prazo decadencial, razão pela qual o fato gerador do ganho de capital, nos caso de venda parcelada, ocorrerá na data de pagamento de cada parcela recebida. E assim, a partir de cada uma delas, devese contar o prazo decadencial. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Declaração de Voto CONSELHEIRA MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ Ouso divergir da ilustre Conselheira, ao manifestar entendimento de que " nas vendas a prazo o fato gerador do Imposto de Renda se realiza com o efetivo pagamento da parcela acordada pelas partes, devendo este ser o momento para contagem do prazo decadencial". Assim, a contagem do prazo decadencial, na hipótese de ganho de capital em virtude da alienação de bem imóvel nos contratos de promessa de compra e venda sem cláusula de arrependimento, segundo a ilustre Relatora, para efeito da contagem do prazo decadencial, deve observar o regime de caixa, ou seja, ser considerado cada parcela recebida. Isto porque, em apertada síntese, não há, no momento do recebimento de cada uma das parcelas, nova apuração do tributo, à luz da lei vigente ao tempo do efetivo pagamento do preço, o que seria necessário se a lei considerasse como momento da ocorrência do fato gerador a data do recebimento de cada uma das parcelas, como se o lucro fosse aferido sob o regime de caixa. Em se admitir que o fato gerador ocorre no momento do recebimento (CAIXA), haveria sim que se proceder a uma nova apuração do imposto devido, segundo a lei então vigente. No mais, explico fundamentalmente a minha divergência: A questão que se coloca portanto, para análise deste Colegiado diz respeito à definição do marco inicial da contagem do prazo decadencial, nas hipóteses de ganho de capital em virtude da alienação de bem imóvel nos contratos de promessa de compra e venda sem cláusula de arrependimento. Retornando ao passado, vejo que a matéria já foi examinada, por alguns Conselheiros do antigo Conselho de Contribuintes. Nos acórdãos de nos 10249.406 e 102 49.427, ambos da 2ª Câmara do 1ª Conselho de Contribuintes e de relatoria do conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, afirmouse que a análise da questão controvertida deveria debruçar se sobre conceitos como o de disponibilidade econômica e jurídica e a aplicabilidade das subsequentes regras concernentes ao regime de caixa e ao regime de competência. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 29/06/2016 po r CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10530.723475/201102 Acórdão n.º 9202003.770 CSRFT2 Fl. 24 11 Em tempo, informo que a matéria abaixo é fruto de estudo pelo ex Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, ao qual peço vênia para citar parte do seu trabalho, a ser futuramente publicado pelo Núcleo de Estudos Tributários da FGV. 1 Para tanto, inicialmente, vejase o disposto no art. 21 da Lei 8.981/95, a seguir reproduzido: Art. 21. O ganho de capital percebido por pessoa física em decorrência da alienação de bens e direitos de qualquer natureza sujeitase à incidência do imposto de renda, à alíquota de 15% (quinze por cento). (...) §2º. Os ganhos a que se refere este artigo serão apurados e tributados em separado e não integrarão a base de cálculo do imposto de renda na declaração de ajuste anual, e o imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração.” À luz do dispositivo legal, cumpre auferir qual o critério temporal da regra matriz de incidência tributária1 em comento. É dizer, há que se precisar o exato instante em que se considera nascida a relação jurídicotributária entre os sujeitos ativo e passivo, consubstanciada em uma relação obrigacional entre ambos para que, assim, se possa aferir qual o dies a quo do prazo decadencial. Imprescindível perquirir quais os conceitos de “alienação” e de “ganho de capital”, referidos pela norma jurídica trazida à colação, em especial para que se possa aferir se a transferência do imóvel em virtude de contrato de promessa de compra e venda sem cláusula de arrependimento, na forma do artigo 463 do Código Civil, se amolda ao conceito de “alienação”. Penso que sim. A transmissão verificada por meio de contrato de promessa de compra e venda sem cláusula de arrependimento amoldase ao âmbito semântico do termo do vocábulo “alienação”, tal como previsto na regra de incidência do imposto de renda. Com efeito, como assevera DE PLÁCIDO E SILVA, 2 alienar “é o verbo que significa a ação de passar para outrem o domínio de coisa ou o gozo de direito que é nosso.” Nesse sentido, perseguindose a natureza jurídica da celebração de promessa de compra e venda sem cláusula de arrependimento, verificase que, nos termos em que dispõe o art. 1225, VII, do Código Civil pátrio, referido contrato preliminar constitui autêntico direito de aquisição, de maneira que, uma vez firmado, fica vedado ao promitente vendedor gravar o imóvel ou alienálo a terceiros. Por outro giro, sendo certo que o direito real de aquisição atribui ao promissário comprador o direito de impor a assinatura do contrato definitivo ao vendedor assim que adimplidas as parcelas acordadas, possuindo, assim, o correspondente direito de seqüela, oponível a quaisquer partes, impõese admitir que a celebração de promessa de 1 Alexandre Naoki Nishioka, Conselheiro da 1ª. Turma Ordinária da 1ª. Câmara da 2ª. Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda. Professor de Direito Tributário dos cursos de graduação e pósgraduação da Faculdade de Direito da Fundação Armando Alvares Penteado – FAAP. Doutorando em Direito Econômico e Financeiro da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo – USP. Redator Chefe da Revista de Direito Bancário e do Mercado de Capitais. Advogado. 2 SILVA, De Plácido e. Vocabulário Jurídico. 18ª edição. Rio de Janeiro: Forense, 2001. p. 55 Fl. 445DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 29/06/2016 po r CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 12 compra e venda sem cláusula de arrependimento constitui autêntica compra e venda a prazo, não havendo qualquer possibilidade de alienação do imóvel a terceiros que não o próprio promissário comprador. Não há que se restringir, portanto, a interpretação do conceito de alienação de imóvel apenas ao momento da outorga da escritura definitiva, ainda que, para efeitos cíveis, a aquisição do imóvel requeira registro do título translativo no Registro de Imóveis (art. 1245 do Código Civil). Isto porque, reiterese, ao se celebrar o referido contrato preliminar sem estipulação de qualquer cláusula de arrependimento, permutase a disponibilidade do bem imóvel pela disponibilidade do preço acordado, permitindose ao alienante a própria cessão de tal valor a terceiros. Esse posicionamento, aliás, já restou consolidado por meio de Solução de Consulta emitida pela SRRF da 10ª Região Fiscal, 3 in verbis: “IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF – ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. IMÓVEL FINANCIADO. Para a legislação tributária ocorre a alienação e aquisição de imóveis em qualquer operação que importe a transmissão ou promessa de transmissão de imóveis, a qualquer título, ou a cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, ainda que efetuadas por meio de instrumento particular não inscrito em registro público. No caso de imóvel financiado, considerase consumada a sua alienação, para efeitos tributários, na data da assinatura do documento particular de cessão de direitos sobre ele.”3 Também o Primeiro Conselho de Contribuintes, ora Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, já se manifestou neste sentido, conforme se constata dos acórdãos infra ementados: GANHO DE CAPITAL ALIENAÇÃO A QUALQUER TÍTULO PARA FINS FISCAIS Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, procuração em causa própria, promessa de compra e venda de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. 4 ALIENAÇÃO DE BENS OU DIREITOS APURAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL O ganho de capital na alienação de bens ou direitos deve ser reconhecido e apurado por ocasião da celebração do negócio ou do contrato de cessão ou promessa de cessão, ainda que através de instrumento particular, mormente quando o referido instrumento é celebrado em caráter irrevogável e irretratável e o recolhimento do tributo deverá ocorrer no prazo ali fixado. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados. Na apuração do ganho de capital serão 3 Processo de Consulta n.º 209/03. Órgão: SRRF/10ª Região Fiscal. Publicação no D.O.U. em 13.02.2004. 4 1º Conselho de Contribuintes, 4ª Câmara, Recurso Voluntário n.º 120.481, relator Conselheiro Nelson Mallmann, sessão de julgamento de 01/12/2004. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 29/06/2016 po r CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10530.723475/201102 Acórdão n.º 9202003.770 CSRFT2 Fl. 25 13 consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. 5 Não basta, no entanto, para a incidência do tributo, que haja a alienação do bem, fazendose mister, igualmente, que a parte alienante tenha auferido um ganho de capital. Como se sabe, ganho de capital é conceito compreendido no âmbito da expressão “renda e proventos de qualquer natureza”, deles não podendo traspassar. Nesse sentido, verificase que também a definição do que seja ganho de capital demanda uma aferição do que se entende por renda lato senso, o que se afere a partir do que dispõe o art. 43 do CTN, in verbis: “Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior.” Pois bem. Interessanos perquirir quais os conceitos de “disponibilidade jurídica” e “disponibilidade econômica” da renda e dos proventos de qualquer natureza, aludidos pela dicção do artigo colacionado. Primeiramente importa definir o que seria “disponibilidade” para, em momento subseqüente, acrescer os vocábulos “jurídica” e “econômica” para efeito de definir cada espécie aludida pelo CTN. Para tanto, será de grande valia a utilização da conceituação já existente no ordenamento jurídico brasileiro, mais precisamente no Código Civil hodierno. Como se sabe, o Código Tributário Nacional define que “os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos” (art. 109 do CTN). Ingressando na seara do direito privado, percebese que o verbo “dispor” encontrase atrelado, sempre, à noção de propriedade, sendo, em verdade, um atributo próprio a este instituto jurídico. Neste aspecto, portanto, apenas pode dispor de algo aquele que possui a sua propriedade. Elucidativo, pois, o disposto no art. 1.228 do Código Civil de 2002, in verbis: Art. 1.228. O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavêla do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha. 5 1º Conselho de Contribuintes, 4ª Câmara, Recurso Voluntário n.º 133.926, relator Conselheiro Nelson Mallmann, sessão de julgamento de 13/05/2004 Fl. 447DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 29/06/2016 po r CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 14 Diferentemente, no caso da simples posse, não há uma faculdade de dispor da “coisa”, mas, apenas, de exercer o seu uso ou gozo. Neste sentido é a lição do Prof. ARNOLDO WALD 6 que ora se traz à colação: A posse costuma ser definida como a exteriorização da propriedade. O Código Civil brasileiro, no seu art. 1.196, fornecenos o conceito de possuidor, esclarecendo ser aquele que tem de fato o exercício, pleno ou não, de algum dos poderes inerentes à propriedade. Constitui, pois, a posse uma situação de fato, na qual alguém mantém determinada coisa sob sua guarda e para seu uso ou gozo, tendo ou não a intenção de considerála como de sua propriedade. Vêse, portanto, que a disponibilidade é atributo típico da noção de propriedade. Nos termos postos por CAIO MÁRIO DA SILVA PEREIRA, a faculdade de dispor “é a mais viva expressão dominial, pela maior largueza que espelha” 7 Nesse passo, percebese que a noção do vocábulo para o direito civil se amolda, à perfeição, para delimitação do conceito na seara tributária. Por isso é que entendo valiosa a explanação do jurista CAIO MÁRIO DA SILVA PEREIRA, em trecho que interessa ser citado, verbis: O ‘ius abutendi’, no sentido de ‘disponendi’, envolve a disposição material que raia pela destruição (De Page) como a jurídica, isto é, o poder de alienar a qualquer título – doação, venda, troca; quer dizer ainda destruíla, mas somente quando não implique procedimento antisocial. Em suma: dispor da coisa vai dar no fato de atingir a sua substância, uma vez que no direito a esta reside a essência mesma do domínio. Mas envolve, ainda, o poder de gravála de ônus ou submetêla ao serviço alheio. Pois bem. Com base no conceito de “disponibilidade”, resta perquirir à indagação do que seja “disponibilidade econômica” e “jurídica”. O Código Tributário Nacional adotou, expressamente, a teoria do acréscimo patrimonial para tributar a renda. Neste passo, o termo “renda e proventos de qualquer natureza” encontrase profundamente ligado à idéia central de patrimônio. Assim é que, para definirse o que seja acréscimo ao patrimônio, devese, em etapa preliminar, verificar o que é, realmente, patrimônio. Justamente abordando este ponto fulcral da discussão, BRANDÃO MACHADO esclarece que: Quando se faz alguma referência ao que é patrimonial, para logo se tem a noção de que se cogita do econômico, porque a patrimonialidade está intimamente vinculada ao valor econômico. Entretanto, não é possível dissociar da noção de patrimônio a noção fundamental de direito, porque, como se disse, o conceito de patrimônio engloba um complexo não de objetos, materiais ou não, mas de direitos reais (sobre coisas) e pessoais (contra pessoas), portanto, sempre direitos. Então, podese concluir, sem discussão, que o acréscimo de que fala o 6 WALD, Arnoldo. Direito Civil – Direito das Coisas. vol. 4. 12ª edição. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 32. 7 PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de Direito Civil, v. IV – Direitos Reais. 19ª edição. Rio de Janeiro: Forense, 2007. p. 94 Fl. 448DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 29/06/2016 po r CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10530.723475/201102 Acórdão n.º 9202003.770 CSRFT2 Fl. 26 15 Código Tributário é um acréscimo de direitos (reais ou pessoais). É claro que a conclusão não pode ser senão a de que, sendo o patrimônio composto apenas de direitos, qualquer acréscimo será sempre necessariamente de direitos. Se o contribuinte auferir rendas e proventos sobre os quais exerça direitos de propriedade, tais direitos serão reais; se o rendimento for exigível no futuro, os direitos serão de crédito ou pessoais. Em abono ao exposto, cumpre trazer à baila o disposto no Código Civil pátrio, a respeito da conceituação do que seja “patrimônio”: “Art. 91. Constitui universalidade de direito o complexo de relações jurídicas, de uma pessoa, dotadas de valor econômico.” Tratase, portanto, o acréscimo patrimonial de um incremento de direitos sob a titularidade do contribuinte, ou seja, direitos que podem ser dispostos pelo seu titular. Veja se, portanto, que mesmo na posse, ainda que se trate de uma situação de fato, existe um direito que a protege, ou seja, é instituto com contornos jurídicos próprios que conferem ao titular certas prerrogativas, como, por exemplo, o direito de promover ação possessória contra aquele que, de maneira ilegítima, esbulhe ou turbe o direito do possuidor (art. 920 do Código Civil). Com base nos conceitos de “disponibilidade” e “patrimônio”, podese afirmar que se considera como disponível, para fins do imposto de renda, o direito que tiver ingressado no patrimônio do contribuinte. Com efeito, sendo certo que o patrimônio é um conjunto de direitos, a aquisição de quaisquer destes, ainda que não se trate da moeda em si, mas desde que possam ser dispostas pelo contribuinte, amoldamse ao âmbito de incidência do imposto de renda. Resta consignado, que a “disponibilidade econômica”, pressupõe propriedade da riqueza, que só existe em conjunto com a jurídica. Isto é, esta última precede, necessariamente, da outra, não havendo como se aventar a hipótese de uma disponibilidade que não seja jurídica. Vale ressaltar, neste ponto, que a mera posse da pecúnia, ou seja, o ingresso de capital, não pode ser tributada pelo imposto de renda a não ser que tal valor ingresse no patrimônio do contribuinte, vertendose, pois, em direito deste. Caso contrário, o que se terá é mera posse, ou mesmo detenção, institutos nos quais o ordenamento não confere o poder de livremente dispor do bem. Notese, pois, que a posse, no ordenamento pátrio, apenas poderá culminar na propriedade e, conseqüentemente, conferir o atributo necessário da disponibilidade no caso de usucapião do bem, como forma originária de aquisição. O que há, portanto, são diferentes graus de disponibilidade do ponto de vista econômico e não jurídico, ou seja, sob o ponto de vista econômico se pode identificar uma disponibilidade mais plena quando o dinheiro da renda já adquirida esteja em poder do seu titular, situação em que a maior plenitude econômica decorre da confrontação sobre o título de crédito que antecedeu o seu recebimento em dinheiro.” Não há dúvidas, que a disponibilidade haverá de ser, sempre, jurídica, tendo em vista que, o patrimônio é dotado de direitos e não de bens. Cumpre, agora, fazer um paralelo desta questão com os regimes de caixa e de competência. No que toca ao primeiro regime, as mutações patrimoniais são consideradas, para Fl. 449DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 29/06/2016 po r CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 16 fins de incidência do imposto de renda, apenas no momento em que ingressam, no patrimônio do contribuinte, os valores em moeda. Ao reverso, na hipótese do regime de competência, são consideradas as receitas quando efetivamente ingressam no patrimônio do contribuinte, ainda que tal direito não tenha se convertido em pecúnia ou, de qualquer modo, em títulos com liquidez semelhante (designados por BULHÕES PEDREIRA como quasemoeda). Feita a distinção acima, é cabível afirmar que, em rigorosa classificação, ambas as formas de tributação têm como hipótese de incidência a disponibilidade jurídica de um direito, ainda que no caso do regime de caixa haja a coincidência de ambas as hipóteses elencadas pelo CTN. O que há, portanto, no regime de caixa é uma disponibilidade financeira, que permite ao titular da riqueza dispor do recurso financeiro, e não apenas do direito a ele. Nesse passo, sendo certo que o art. 43 do CTN se aplica, indistintamente, às pessoas físicas ou jurídicas, uma vez que define a hipótese de incidência possível do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, temse que a lei ordinária poderá, em estrito regime de política fiscal, determinar a inclusão na base de cálculo tanto dos rendimentos adquiridos apenas juridicamente, quanto daqueles em que haja, igualmente, uma disponibilidade econômica concomitante. Assim é que a tributação das pessoas físicas, muito embora observe, via de regra, o regime de caixa, não necessariamente deve ser submetida a este. No caso de não haver qualquer imposição pela legislação ordinária à observância do aludido regime, podese admitir a tributação de direitos já ingressados no patrimônio do contribuinte, ainda que não convertidos em moeda. Portanto, com base neste entendimento, penso que é exatamente isto o que ocorre na tributação da renda auferida pela pessoa física na alienação de bem imóvel a prazo (contrato de promessa de compra e venda sem cláusula de arrependimento), em que a legislação considera como critério temporal da regra de incidência não o recebimento efetivo da moeda, mas a própria alienação, da qual decorra ganho de capital em virtude do preço pactuado pelas partes. É dizer, a legislação de regência não estipula, expressamente, que a incidência do imposto de renda se verifica, apenas, no momento em que os valores, em moeda, ingressam no patrimônio do alienante. Muito ao contrário. O que a legislação estabelece é que, sendo possível constatar a ocorrência de ganho de capital no momento da alienação, é devido o imposto de renda à alíquota de 15% sobre o referido acréscimo patrimonial. Neste momento da alienação já é possível determinar a base de cálculo do imposto, apurandose a valorização do imóvel, maisvalia esta que será objeto de tributação pelo imposto de renda. Neste sentido, vale conferir o disposto no art. 31 da IN nº. 84/01: “Art. 31. Nas alienações a prazo, o ganho de capital é apurado como se a venda fosse efetuada à vista e o imposto é pago periodicamente, na proporção da parcela do preço recebida, até o último dia útil do mês subseqüente ao do recebimento. Parágrafo único. O imposto devido, relativo a cada parcela recebida, é apurado aplicandose: I o percentual resultante da relação entre o ganho de capital total e valor total da alienação sobre o valor da parcela recebida; Fl. 450DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 29/06/2016 po r CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10530.723475/201102 Acórdão n.º 9202003.770 CSRFT2 Fl. 27 17 II a alíquota de quinze por cento sobre o valor apurado na forma do inciso I.” Nada mais nítido. Referido dispositivo determina, expressamente, que ocorre a incidência do tributo já no momento da alienação, ainda que a venda seja a prazo. Com base no preço pactuado no contrato, que deverá ser levado em conta na apuração do ganho de capital, é feita a relação entre o ganho de capital total e o valor total da alienação sobre o valor da parcela recebida. Assim, considerase ocorrido o fato gerador no momento da alienação, diferindose tãosomente o pagamento do tributo devido, com base no que dispõe o artigo 117, §2º, do RIR/99 8 bem como com fulcro no art. 21 da Lei 7.713/88. 9 Diferir o pagamento do tributo, como se infere da própria etimologia do termo14, não se confunde com a alteração do critério temporal do tributo. No primeiro caso, nesse passo, há a ocorrência do fato gerador, dilatandose o prazo de seu pagamento, enquanto que no segundo alterase o próprio instante do nascimento da obrigação jurídicotributária. Ao julgar a matéria, a Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu o acórdão n.º 920202.014, no qual, interpretando o contido no art. 20 da Lei nº 8.981/95 e no art. 31 da IN nº 084/2001, norma regulamentar da Receita Federal do Brasil, conclui que esta última “difere, de forma correta, ocorrência do fato gerador (apuração) com o pagamento do tributo. Notese que o ganho de capital total é apurado no momento da alienação, de acordo com a legislação vigente à época, sendo que o pagamento do imposto é feito proporcionalmente à medida que os valores são recebidos pela pessoa física alienante. Não há, como exposto anteriormente, no momento do recebimento de cada uma das parcelas, nova apuração do tributo, à luz da lei vigente ao tempo do efetivo pagamento do preço, o que seria necessário se a lei considerasse como momento da ocorrência do fato gerador a data do recebimento de cada uma das parcelas, como se o lucro fosse aferido sob o regime de caixa. De fato, se considerássemos a ocorrência de vários fatos geradores em decorrência de uma única venda e compra a prazo, terseia de admitir a aplicação de cada uma das leis vigentes ao tempo de cada fato gerador, o que exigiria diferentes formas de apuração do imposto para parcelas decorrentes de um mesmo contrato, o que tornaria ainda mais complexo o nosso sistema, principalmente em se tratando de alienação de imóveis a prazo, cuja legislação prevê critérios de redução de base de cálculo que levam em conta os meses decorridos entre a data de aquisição e a data de alienação. Tal forma de tributação atende assim à praticabilidade tributária15, posto que fosse o próprio fato gerador postergado certamente o montante do ganho de capital poderia ser 8 Art. 117. Está sujeita ao pagamento do imposto de que trata este Título a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza (Lei nº 7.713, de 1988, arts. 2º e 3º, § 2º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 21). (...) § 2º. Os ganhos serão apurados no mês em que forem auferidos e tributados em separado, não integrando a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos, e o valor do imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração (Lei nº 8.134, de 1990, art. 18, § 2º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 21, § 2º). 9 Art. 21. Nas alienações a prazo, o ganho de capital será tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 29/06/2016 po r CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 18 influenciado por diversos fatores, inclusive pelos índices de inflação e, como se viu, pela superveniência de novas leis. A respeito do momento da ocorrência do fato gerador do “imposto sobre ganhos de capital”, na terminologia de HENRY TILBERY, com base no critério de tributação conhecido como realization basis, esclarece este mesmo jurista que “será o da alienação do bem por um preço, que ultrapassa a reposição do capital, realizando neste momento a mais valia.” 10 Mais adiante, HENRY TILBERY, justificando a opção pelo método do “momento do ganho realizado”, cita o autor americano HENRY C. SIMONS, para explicitar que “poderia talvez haver críticas contra a prática da ‘base do ganho realizado’, porém, quem exigisse que fosse abandonada, demonstraria pouca compreensão a considerações práticas. Conforme opinião do autor [Henry C. Simons], o critério de realização infelizmente tem de ser aceito como necessidade prática.” Em virtude do que se expôs, o legislador ordinário estabeleceu que, nas alienações a prazo, o ganho de capital deverá ser apurado como se venda à vista fosse e tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês. Apenas o pagamento é que é diferido, consoante determinam o art. 21 da Lei n.º 7.713, de 22 de dezembro de 1988, e o art. 31 da IN SRF n.º 84, de 11 de outubro de 2001. Assim, a análise cuidadosa da legislação federal a respeito do tema leva à conclusão inevitável de que o momento da ocorrência do fato gerador é o da alienação do bem ou direito, da qual decorra, para o contribuinte, um ganho de capital. Assim, muito embora haja divergências a respeito, devo concluir que o regime de caixa não é necessariamente aplicável para efeitos de determinação do momento da ocorrência do fato gerador do imposto de renda devido pelas pessoas físicas, tratandose de mero instrumento de política fiscal que pode ser livremente abandonado pelo legislador. Neste caso específico, portanto, optou o legislador em considerar ocorrida a disponibilidade, para fins de incidência do imposto, no momento da alienação, sendo certo que já neste momento existe, para o alienante, o ingresso de direitos que vêm a incorporar de maneira definitiva seu patrimônio e sobre os quais pode livremente dispor. Isto significa dizer que, para efeitos de apuração do ganho de capital, a legislação considera ocorrido o fato gerador na data da alienação, diferindo o pagamento do tributo até a data do recebimento de cada parcela mensal. Se assim é para apurar o ganho tributável, o mesmo raciocínio deverá ser aplicado na contagem do prazo decadencial de que trata o §4º. do art. 150 do Código Tributário Nacional, ou seja, devese considerar como marco inicial do prazo decadencial nas alienações a prazo a data da celebração do contrato de promessa de compra e venda sem cláusula de arrependimento, tal como conceituada pela legislação do imposto de renda. Não se pode admitir que, numa mesma situação, existam datas distintas de ocorrência do fato gerador, uma para efeitos de decadência e outra para efeitos de apuração do tributo devido. CONCLUSÕES: 10 TILBERY, Henry. A Tributação dos Ganhos de Capital. São Paulo: IBDT e Resenha Tributária, 1977. p. 24. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 29/06/2016 po r CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10530.723475/201102 Acórdão n.º 9202003.770 CSRFT2 Fl. 28 19 Para efeitos de apuração do ganho de capital, a legislação considera ocorrido o fato gerador na data da alienação, diferindo o pagamento do tributo até a data do recebimento de cada parcela mensal. Inexiste nova apuração da base de cálculo a cada parcela recebida. Aplicase aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso do imposto de renda devido em virtude do ganho de capital auferido na alienação de bens imóveis, o prazo decadencial de 5 anos aludido pelo art. 150, §4º, do CTN, à exceção dos casos de “dolo, fraude ou simulação” (art. 150, §4º., c/c art. 149, VII, do CTN). Partindose desta premissa e movendo à análise da regra de incidência formada pelo art. 21 da Lei 8.981/95, verificase que o conceito de alienação alberga a promessa de compra e venda sem cláusula de arrependimento (art. 463 do CC). Outrossim, no que concerne à definição do momento em que se considera auferido o ganho de capital, devese recorrer ao conceito de “renda e proventos de qualquer natureza”, referido pelo art. 43 do CTN, mais especificamente no que toca à definição de disponibilidade jurídica e econômica. Nesta esteira, “disponibilidade” é a faculdade de dispor de bens, noção esta atrelada ao direito civil, mormente no que atine aos conceitos de patrimônio (art. 91 do Código Civil) e de propriedade (art. 1228 do Código Civil). Nesse passo, para efeitos de incidência do imposto de renda, seja no que toca aos rendimentos de pessoa física, seja naqueles relativos às pessoas jurídicas, fazse mister constatarse a disponibilidade jurídica, apenas havendo que se demonstrar o ingresso de pecúnia nos casos em que o legislador expressamente a ela se referir. Com supedâneo em tais premissas, concluo, no caso do art. 21 da Lei 8.981/95, a legislação considera ocorrido o fato gerador (aspecto temporal) no momento da alienação, apenas postergando o recolhimento do tributo (art. 117, §2º do RIR – Decreto 3.000/1999, c/c art. 21 da Lei 7.713/89), inclusive determinando o cálculo do tributo de acordo com o ganho auferido no momento da alienação (art. 31 da IN n.º 84/2001). Conjugandose, pois, este entendimento com a regra insculpida no art. 150, §4º, do CTN, podese asseverar que o dies a quo do prazo decadencial, no caso de venda a prazo de imóvel (promessa de compra e venda sem cláusula de arrependimento) é a própria data da alienação deste último, contandose os 5 anos referidos pelo dispositivo legal a partir de então, à exceção, como se disse, dos casos de dolo, fraude ou simulação. Diante do acima exposto, VOTO firme por NEGAR provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Maria Teresa Martínez López. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 29/06/2016 po r CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 12448.730545/2011-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
GLOSA. DESPESAS MÉDICAS. VALORES NÃO ARROLADOS ORIGINALMENTE NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE. LIMITES DO LITÍGIO INSTAURADO COM A IMPUGNAÇÃO.
A impugnação apresentada em face da notificação de lançamento decorrente de infração à legislação tributária verificada no procedimento interno de revisão de Declaração de Ajuste Anual está adstrita às alterações promovidas pela autoridade lançadora na declaração entregue pelo contribuinte.
Escapam ao litígio instaurado com a impugnação, não constituindo matéria cognoscível pelo órgão julgador administrativo, as questões específicas suscitadas pelo contribuinte, após o inicio do procedimento de ofício, referentes a valores de deduções de despesas médicas que não foram arroladas por ocasião da confecção da declaração de rendimentos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-004.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, por unanimidade, negar-lhe provimento. Vencida a Conselheira Maria Cleci Coti Martins que, preliminarmente, não conhecia do recurso.
Maria Cleci Coti Martins - Presidente Substituta
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Miriam Denise Xavier Lazarini.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201606
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 GLOSA. DESPESAS MÉDICAS. VALORES NÃO ARROLADOS ORIGINALMENTE NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE. LIMITES DO LITÍGIO INSTAURADO COM A IMPUGNAÇÃO. A impugnação apresentada em face da notificação de lançamento decorrente de infração à legislação tributária verificada no procedimento interno de revisão de Declaração de Ajuste Anual está adstrita às alterações promovidas pela autoridade lançadora na declaração entregue pelo contribuinte. Escapam ao litígio instaurado com a impugnação, não constituindo matéria cognoscível pelo órgão julgador administrativo, as questões específicas suscitadas pelo contribuinte, após o inicio do procedimento de ofício, referentes a valores de deduções de despesas médicas que não foram arroladas por ocasião da confecção da declaração de rendimentos. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 20 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 12448.730545/2011-35
anomes_publicacao_s : 201607
conteudo_id_s : 5611229
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 21 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2401-004.385
nome_arquivo_s : Decisao_12448730545201135.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : CLEBERSON ALEX FRIESS
nome_arquivo_pdf_s : 12448730545201135_5611229.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, por unanimidade, negar-lhe provimento. Vencida a Conselheira Maria Cleci Coti Martins que, preliminarmente, não conhecia do recurso. Maria Cleci Coti Martins - Presidente Substituta Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Miriam Denise Xavier Lazarini.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
id : 6445987
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:50:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048422677741568
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2044; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 79 1 78 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.730545/201135 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.385 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de junho de 2016 Matéria IRPF: AJUSTE GLOSA. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS Recorrente LUIZ GUSTAVO DE FRANÇA RANGEL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 GLOSA. DESPESAS MÉDICAS. VALORES NÃO ARROLADOS ORIGINALMENTE NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE. LIMITES DO LITÍGIO INSTAURADO COM A IMPUGNAÇÃO. A impugnação apresentada em face da notificação de lançamento decorrente de infração à legislação tributária verificada no procedimento interno de revisão de Declaração de Ajuste Anual está adstrita às alterações promovidas pela autoridade lançadora na declaração entregue pelo contribuinte. Escapam ao litígio instaurado com a impugnação, não constituindo matéria cognoscível pelo órgão julgador administrativo, as questões específicas suscitadas pelo contribuinte, após o inicio do procedimento de ofício, referentes a valores de deduções de despesas médicas que não foram arroladas por ocasião da confecção da declaração de rendimentos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, por unanimidade, negarlhe provimento. Vencida a Conselheira Maria Cleci Coti Martins que, preliminarmente, não conhecia do recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 05 45 /2 01 1- 35 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 12448.730545/201135 Acórdão n.º 2401004.385 S2C4T1 Fl. 80 2 Maria Cleci Coti Martins Presidente Substituta Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Miriam Denise Xavier Lazarini. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 12448.730545/201135 Acórdão n.º 2401004.385 S2C4T1 Fl. 81 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (DRJ/RJ2), cujo dispositivo tratou de considerar procedente em parte a impugnação, restabelecendo a restituição pleiteada pelo contribuinte. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 1337.220 (fls. 55/58): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidas as despesas médicas, de hospitalização, e com plano de saúde referentes a tratamento do contribuinte e de seus dependentes, desde que preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência. Impugnação Procedente em Parte 2. Em face do contribuinte foi emitida a Notificação de Lançamento nº 2010/168796342625242, relativa ao anocalendário 2009, decorrente de procedimento de revisão de Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que foram apuradas deduções indevidas de despesas médicas no valor de R$ 8.167,48 (fls. 20/25). 2.1 A Notificação de Lançamento alterou o resultado de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), reduzindo o valor do imposto a restituir. 3. Cientificado da notificação por via postal em 28/6/2011, às fls. 52, o contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 2/19). 4. Intimado em 19/4/2013, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 59/64, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 21/5/2013 (fls. 67/72). 4.1 Em preliminar, o contribuinte sustenta a tempestividade do recurso voluntário. Eventualmente, em caso de considerálo intempestivo, por interposição após o termo "ad quem", requer o afastamento da perempção, tendo em vista que a intimação por via postal quando não recebida diretamente pelo sujeito passivo, tal como na portaria do condomínio ou estabelecimento industrial ou comercial, acarreta insegurança jurídica ao fiscalizado quanto à data "a quo" do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação da petição administrativa. 4.2 No mérito, alega que a decisão de piso não lhe reconheceu o direito à dedução de despesas médicas que, por erro material, deixaram de ser arroladas originalmente na DAA/2010, anocalendário 2009, conforme abaixo discriminado: Fl. 81DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 12448.730545/201135 Acórdão n.º 2401004.385 S2C4T1 Fl. 82 4 Prestador do Serviço Valor declarado (R$) Valor efetivo (R$) Diferença a menor na DAA/2010 (R$) Fernanda Engelke 3.600,00 3.800,00 200,00 Paulo Roberto A. Lopes 780,00 1.230,00 450,00 Alfredo Ferrante Júnior 1.580,00 4.350,00 2.770,00 Lúcio Simões de Lima 3.300,00 3.600,00 300,00 4.3 A dedução de despesas médicas não está restrita à faculdade oferecida ao contribuinte de exercêla no momento da apresentação da sua declaração, podendo ser pleiteada antes da notificação do lançamento, desde que observados os requisitos do § 1º do art. 147 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN). 4.4 Além disso, tendo identificado erro de fato e estando impossibilitado de apresentar declaração retificadora, eis que instaurada a ação fiscal, solicitou à autoridade fiscal a retificação de ofício da DAA/2010, anocalendário 2009, nos termos do § 2º do art. 147 do CTN, o que não foi atendido. 4.5 Defende o recorrente que os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame não só podem como devem ser retificados de ofício pela autoridade administrativa a quem compete a revisão da declaração, sob pena de violarse o princípio da legalidade e caracterizar o cerceamento do direito de defesa. 4.6 Por fim, discorda que os valores das aludidas despesas médicas que postula a inclusão nas deduções da DAA/2010, anocalendário 2009, não fazem parte do litígio instaurado, como consignou o colegiado "a quo", porquanto requereu, por escrito, ao fiscal responsável pela procedimento de revisão a apreciação da matéria previamente ao lançamento efetuado, reiterou o pedido na impugnação e reafirma a questão na interposição do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 12448.730545/201135 Acórdão n.º 2401004.385 S2C4T1 Fl. 83 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Juízo de admissibilidade 5. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. 6. Quanto à tempestividade, arguida pelo recorrente em preliminar, a ciência da notificação se deu no dia 19/4/2013, uma sextafeira, iniciando a contagem no primeiro dia seguinte com expediente normal, ou seja, dia 22/4, segundafeira, findando o prazo de 30 (trinta) dias para a impugnação no dia 21/5, oportunidade em que o interessado protocolou a petição de defesa. Mérito 7. Em procedimento de revisão da DAA/2010, anocalendário 2009, a autoridade fiscal procedeu ao lançamento de oficio decorrente da glosa de despesas médicas abaixo discriminadas (fls. 22): Prestador do Serviço Valor declarado (R$) Valor alterado (R$) Fernanda Engelke 3.600,00 0 Alfredo Ferrante Júnior 1.580,00 0 Amil Assistência Médica Interna 20.450,04 17.462,56 8. No tocante à despesa médica relativa à Amil Assistência Médica Interna, o contribuinte não se opôs, reconhecendo a procedência da glosa realizada pela autoridade lançadora. Relativamente às despesas referentes aos prestadores Fernanda Engelke e Alfredo Ferrante Júnior, a decisão de piso acatou os documentos apresentados pelo contribuinte e restabeleceu as deduções declaradas na DAA/2010, anocalendário 2009, no total de R$ 5.180,00 (fls. 57). 9. Entretanto, ao declarar a menor, devido a erro material, os valores de algumas despesas médicas na sua DAA/2010, anocalendário 2009, conforme dados que estão sintetizados no relatório deste voto, o recorrente sustenta que a decisão de piso deveria necessariamente examinar a matéria deduzida na sua impugnação, reconhecer as deduções no seu valor integral e recalcular, ao final, o demonstrativo do imposto a restituir. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 12448.730545/201135 Acórdão n.º 2401004.385 S2C4T1 Fl. 84 6 10. Pois bem. O Decreto nº 70.235, de 6 de maio de 1972, estabelece que a impugnação da exigência fiscal formalizada por escrito instaura a fase litigiosa do procedimento, devendo ser apresentada no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que intimado o contribuinte: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. (...) Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) 11. O litígio instaurado por meio da apresentação da impugnação pelo sujeito passivo tem seus limites fixados pela exigência fiscal. Protocolada a impugnação, instalase a competência do órgão administrativo de julgamento, o qual poderá invalidar ou confirmar a exigência fiscal, porém sem extrapolar o objeto litigioso decorrente da lavratura do auto de infração ou da notificação fiscal. 12. No caso em apreço, a exigência fiscal diz respeito ao procedimento interno de revisão da DAA/2010, anocalendário 2009, que resultou na emissão da Notificação de Lançamento nº 2010/168796342625242, uma vez que constatada infração à legislação tributária relacionada à dedução indevida de despesas médicas na aludida Declaração de Ajuste. 13. Logo, a discussão neste contencioso administrativo está adstrita às alterações promovidas pela fiscalização na DAA/2010, anocalendário 2009. 13.1 Os alegados erros materiais existentes na DAA original entregue pelo contribuinte que fizeram com que as despesas médicas fossem informadas em montante inferior ao total pago aos prestadores de serviços, deixando de reduzir a base de cálculo do imposto devido, são questões alheias à exigência fiscal, constituindose, em verdade, num pedido de restituição complementar. 14. Frisese, por oportuno, que não se está a afirmar que o contribuinte encontrase impedido de peticionar no âmbito administrativo a correção dos equívocos identificados na sua declaração. Esse direito subjetivo é garantidolhe, desde que atendidos, em qualquer caso, os requisitos de tempo e forma previstos na legislação tributária. 14.1 De maneira tal que a modificação defendida pelo contribuinte nos valores declarados, como acertadamente decidiu a primeira instância julgadora, escapa ao objeto da mencionada exigência fiscal e, por conseguinte, não compõe o litígio instaurado com a impugnação do sujeito passivo, tampouco representa matéria cognoscível pelos órgãos de julgamento, considerando o conteúdo da acusação fiscal. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 12448.730545/201135 Acórdão n.º 2401004.385 S2C4T1 Fl. 85 7 15. Por seu turno, invoca o recorrente, a seu favor, o art. 147 do CTN. Para melhor análise, transcrevoo abaixo, "in verbis": Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. 16. Este dispositivo do Código trata do lançamento por declaração, em que o sujeito passivo fornece ao Fisco as matérias de fato indispensáveis à efetivação da constituição do crédito tributário. 17. Não se confunde com o sistemática do chamado "lançamento por homologação", tal como se dá com o imposto sobre a renda da pessoa física, em que o contribuinte, por meio da apresentação da DAA, presta não só informações sobre fatos como também aplica a eles o direito, determinando o tributo devido, hipótese em que deve antecipar o pagamento, ou calculando o montante do imposto a restituir. 18. A regra para retificação de declaração, prevista no art. 147 do CTN para o lançamento por declaração, é aplicada por analogia aos tributos lançados por homologação, ante a falta de dispositivos específicos. Advertese, todavia, que a correspondência nem sempre é perfeita, dada a existência de diferenças entre as sistemáticas de constituição do crédito tributário. 19. De todo o modo, o § 2º do art. 147 do CTN, que prevê a correção de ofício, cuida de hipótese em que os erros de fato são apuráveis facilmente no exame da declaração do sujeito passivo, tais como inexatidões materiais evidentes, devidas a lapso manifesto, e equívocos crassos no registro das informações. 19.1 No caso em apreço, o reconhecimento dos valores das deduções das despesas médicas cogitadas pelo recorrente, arroladas em montante inferior na DAA/2010, ano calendário 2009, não dispensa o exame, por prestador de serviço, dos vários recibos de pagamento e eventuais documentos acrescidos para comprovar as despesas, com a finalidade de avaliar se podem ou não ser utilizados para dedução da base de cálculo do imposto, envolvendo, portanto, também o exame de matéria de direito (fls. 28/45). 20. De mais a mais, quanto ao § 1º do art. 147 do CTN, que prevê a possibilidade da retificação da declaração por iniciativa do declarante, a norma jurídica nele contida deve ser compreendida conjuntamente com o inciso I e § 1º do art. 7º do Decreto nº 70.235, de 1972, que estabelecem o início do procedimento fiscal como marco para a exclusão da espontaneidade do sujeito passivo: Fl. 85DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 12448.730545/201135 Acórdão n.º 2401004.385 S2C4T1 Fl. 86 8 Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; (...) § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. (...) 21. Como regra, a retificação da declaração de rendimentos pode ser realizada antes de iniciado o procedimento de ofício, vedandose a sua alteração quando tem por objetivo a redução do tributo devido, como na diminuição da base de cálculo do imposto mediante o incremento de valores dedutíveis. 22. Vale ressaltar que o ato de lançamento é vinculado, constituindose o crédito tributário em direito indisponível pela autoridade fiscal, ao passo que as deduções das despesas médicas, para efeitos do imposto sobre a renda, são facultativas, não havendo oposição para que o contribuinte deixe de utilizálas na declaração de seus rendimentos. 23. Exposto assim, tenho para mim que a autoridade lançadora, assim como o julgador "a quo", ao deixarem de considerar os valores pleiteados pelo contribuinte, não incorreram em quaisquer irregularidades no procedimento de revisão interna da declaração que tenham acarretado violação ao princípio da legalidade ou da ampla defesa. 24. Reitero o que antes dito quanto à possibilidade de o sujeito passivo vir a apresentar petição em que solicita a revisão do débito confessado na sua declaração, inclusive envolvendo questões apreciáveis de ofício pela autoridade administrativa, como na hipótese de erro de fato, desde que observado o regramento próprio previsto na legislação tributária. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Cleberson Alex Friess Fl. 86DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
score : 1.0
Numero do processo: 14033.000227/2007-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
COMPENSAÇÃO - VINCULAÇÃO AO LANÇAMENTO
O destino da compensação vincula-se ao decidido no processo cujo objeto é o lançamento do IPI que glosou os créditos que foram compensados refazendo a escrita do IPI e lançando eventual saldo devedor. Assim, invalidado o lançamento, que abarca o período de apuração do crédito compensado, por decisão do CARF, em decorrência restitui-se o crédito à escrita fiscal e homologa-se a compensação feita com arrimo naquele.
Recurso provido.
Numero da decisão: 3402-003.120
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente o Dr. Antônio Carlos Garcia de Souza, OAB/RJ 48.955.
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201606
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 COMPENSAÇÃO - VINCULAÇÃO AO LANÇAMENTO O destino da compensação vincula-se ao decidido no processo cujo objeto é o lançamento do IPI que glosou os créditos que foram compensados refazendo a escrita do IPI e lançando eventual saldo devedor. Assim, invalidado o lançamento, que abarca o período de apuração do crédito compensado, por decisão do CARF, em decorrência restitui-se o crédito à escrita fiscal e homologa-se a compensação feita com arrimo naquele. Recurso provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 14033.000227/2007-67
anomes_publicacao_s : 201606
conteudo_id_s : 5604890
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3402-003.120
nome_arquivo_s : Decisao_14033000227200767.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
nome_arquivo_pdf_s : 14033000227200767_5604890.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente o Dr. Antônio Carlos Garcia de Souza, OAB/RJ 48.955. Antônio Carlos Atulim - Presidente. Jorge Olmiro Lock Freire - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
id : 6424923
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:50:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048422736461824
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1803; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 963 1 962 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14033.000227/200767 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402003.120 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de junho de 2016 Matéria PER/DCOM Recorrente BRASAL REFRIGERANTES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 COMPENSAÇÃO VINCULAÇÃO AO LANÇAMENTO O destino da compensação vinculase ao decidido no processo cujo objeto é o lançamento do IPI que glosou os créditos que foram compensados refazendo a escrita do IPI e lançando eventual saldo devedor. Assim, invalidado o lançamento, que abarca o período de apuração do crédito compensado, por decisão do CARF, em decorrência restituise o crédito à escrita fiscal e homologase a compensação feita com arrimo naquele. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente o Dr. Antônio Carlos Garcia de Souza, OAB/RJ 48.955. Antônio Carlos Atulim Presidente. Jorge Olmiro Lock Freire Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 03 3. 00 02 27 /2 00 7- 67 Fl. 963DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/06/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 14033.000227/200767 Acórdão n.º 3402003.120 S3C4T2 Fl. 964 2 Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Versam os autos pedido de compensação de crédito de IPI (fls. 3/7), referente ao período de apuração terceiro trimestre de 2006, com débitos de IRPJ e CSLL. O Termo de Verificação Fiscal (TVF fls. 45/50), de 27/11/2008, informa que a empresa creditouse (código 05 "outros créditos") de valores de IPI de insumos (2106.90.10 "preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas" concentrado) adquiridos da Zona Franca de Manaus (ZFM) em operações isentas, os quais, entendeu a fiscalização, são indevidos nos termos de reiteradas decisões do Conselho de Contribuintes e do STF, pelo que glosouos e estornou os débitos compensados, e após reconstituiu a escrita do IPI. Tal procedimento operouse, alem deste processo, em relação aos demais elencados no item 2 do TVF. Em decorrência da glosa dos créditos, e realizada a reconstituição da escrita desconsiderandoos, e sendo apurados saldos devedores, os mesmos foram objeto de cobrança no auto de infração formalizado no processo 10166.720116/200895. Com arrimo nessa conclusão da fiscalização, foi editado, em 23/02/2010, o Despacho Decisório/DRFB/BSA/Diort (fls. 292/297) que não reconheceu o crédito de IPI e, em consequência, não homologou a compensação. Manifestada sua inconformidade (fls. 307/332) contra esse Despacho, a DRJ/JFA, em acórdão de 09/07/2010 (fls. 839/843), manteve o despacho da unidade local da RFB. Não resignada, contra a r. decisão a empresa interpôs recurso voluntário (fls. 852/877), no qual pugna pela insubsistência da decisão recorrida tendo em vista que: a) o art. 19 da IN/RFB nº 210/02 seria inaplicável porque não se trataria de mero ressarcimento, mas de compensação regida pelo art. 74 da Lei nº 9430/96, intentada anteriormente à lavratura do Auto de Infração que originou o Processo Administrativo nº 10166.720116/200895 relativo à suposta exigência do IPI, que foi julgado improcedente por decisão de 1ª instância (Acórdão nº 0924537 da 3ª Turma da DRJ de Juiz de Fora); b) como resulta da aludida decisão, o insumo que gerou o crédito de IPI em questão para a Recorrente não se sujeitava a alíquota zero, mas sim a alíquota de 27% e é isento do IPI, e, portanto, não poderia ter sido proferida decisão deixando de homologar as compensações realizadas, porque já havia sido proferida decisão favorável no AI MPF n° 0110100/00013/2007. Pediu o sobrestamento do presente julgado até que seja proferida decisão definitiva nos autos do processo em que se controverte o auto de infração onde há a exigência fiscal do IPI devido em função das glosas dos créditos e reconstituição da escrita; c) a recorrente tem direito aos créditos de IPI objeto do pedido de ressarcimento em questão, porque também há coisa julgada formada nos autos do Mandado de Segurança Coletivo (MSC) n° 91.00477834 assegurando o direito aos créditos relativos da aquisição de insumos isentos (por norma de isenção subjetiva regional), oriundos da Zona Franca de Manaus, por força do principio da nãocumulatividade e por força expressa da disposição do art. 6° do DecretoLei (DL) n° 1.435, de 16.12.1975; Fl. 964DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/06/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 14033.000227/200767 Acórdão n.º 3402003.120 S3C4T2 Fl. 965 3 d) nos termos do art. 74 da Lei n° 9.430/96, a requerente tem direito de utilizar créditos de IPI para quitar, por compensação, quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF; e) descabida a incidência da multa consoante a dicção do art. 76, II, a, da Lei 4.502/64. O julgamento foi convertido em diligência, consoante Resolução 3402 000.282, de 31/11/2011 (fls. 899/903), no sentido de que fosse aguardado o julgamento definitivo do processo 10166.720116/200895, no qual se controverte o auto de infração da exigência fiscal decorrente das glosas de créditos, dentre os quais aqueles objeto da compensação destes autos, e, em face do que viesse a ser julgado, fosse elaborada planilha demonstrativa do valor do crédito a ser restituído de acordo a decisão definitiva. Em 20/01/2015, informação da unidade local (fl. 907), propondo o retorno dos autos ao CARF e informando que não havia decisão definitiva naqueles autos, o que veio a ser feito. Em 17/03/2016, o processo veio à minha relatoria em redistribuição por sorteio. A decisão no processo do auto de infração (10166.720116/200895) tornou se definitiva ante a manifestação expressa da PFN naqueles autos (fl. 3707) que não interporia recurso à Câmara Superior de Recursos Fiscais. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, relator. Primeiramente rechaço a colocação de que os produtos isentos tenham alíquota de 27 %. Não é esta a motivação do lançamento no PA 10166.720116/200895, o qual não teve por fundamento a classificação fiscal dos produtos, mas exclusivamente o fato de estarem abrigados por operações isentas, o que, no entender do Fisco, afastaria qualquer direito a crédito. Aliás, por sua pífia motivação, foi o mesmo cancelado. Portanto, não conheço da alegação acerca da classificação fiscal dos produtos adquiridos por estranha ao fundamento da autuação. No que concerne ao referido processo de nº 10166.720116/200895, de fato o mesmo teve por objeto cobrança de IPI relativamente ao período de apuração 01/01/2003 a 31/12/2006. Portanto, os créditos objeto da compensação inserta nestes autos está abarcado no período objeto do lançamento de ofício. Entendo que se o lançamento de ofício que glosou os créditos escriturados (os quais, por sua vez, arrimaram compensações, como in casu), refazendo a escrita e apurando valor de IPI a pagar, for "derrubado" neste colegiado, em decorrência desta decisão vinculase o destino das compensações, uma vez que os créditos glosados retornam a seu status quo ante na escrita fiscal. Fl. 965DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/06/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 14033.000227/200767 Acórdão n.º 3402003.120 S3C4T2 Fl. 966 4 Assim, tendo eu acompanhado o voto vencedor, de lavra do Dr. Antonio Carlos Atulim, no julgamento do recurso nos autos do processo 10166.720116/200895, julgado em sessão de 17 de maio de 2016, acórdão nº 3402003.067, o julgamento do objeto deste recurso terá o destino daquele, pelo seus próprios fundamento de decidir. Dessarte, com arrimo na decisão do voto vencedor no 3402003.067, que adoto como razões de decidir e que anexo a estes autos, resta homologada a compensação objeto do presente processo. A decisão que cancelou o referido auto de infração (processo 10166.720116/200895) tornouse definitiva, uma vez que a PFN manifestouse naqueles autos (fl. 3707) que não interporia recurso à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Ante o exposto, dou provimento ao recurso. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 966DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/06/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10183.722488/2014-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
Ementa:
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
A validade da dedução de despesa médica depende da comprovação por meio de documentação hábil e idônea, nos termos legais.
Numero da decisão: 2201-003.182
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Presidente e Relator.
EDITADO EM: 30/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201605
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 Ementa: DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. A validade da dedução de despesa médica depende da comprovação por meio de documentação hábil e idônea, nos termos legais.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 31 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10183.722488/2014-96
anomes_publicacao_s : 201605
conteudo_id_s : 5593337
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 31 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2201-003.182
nome_arquivo_s : Decisao_10183722488201496.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : EDUARDO TADEU FARAH
nome_arquivo_pdf_s : 10183722488201496_5593337.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente e Relator. EDITADO EM: 30/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.
dt_sessao_tdt : Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
id : 6393855
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:49:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048422739607552
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1601; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.722488/201496 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201003.182 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de maio de 2016 Matéria IRPF Recorrente MARIA TEREZINHA FERREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2014 Ementa: DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. A validade da dedução de despesa médica depende da comprovação por meio de documentação hábil e idônea, nos termos legais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Presidente e Relator. EDITADO EM: 30/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 24 88 /2 01 4- 96 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2013, consubstanciada na Notificação de Lançamento de fls. 17/21, que reduziu o valor de imposto a restituir para R$ 4.569,66. A fiscalização apurou dedução indevida de despesas médicas no montante de R$ 26.823,45. Cientificada do lançamento, a interessada alega que apresentou os comprovantes de pagamentos ao plano de saúde, conforme os requisitos exigidos pela legislação. A 4ª Turma da DRJ em Campo Grande/MS julgou improcedente a impugnação, conforme ementa abaixo transcrita: Glosa de Deduções. Despesas Médicas. São dedutíveis na declaração as despesas previstas na legislação do imposto de renda, desde que sejam comprovadas por meio de documentação hábil e idônea, nos termos legais. A contribuinte foi cientificada da decisão de primeira instância em 13/10/2014 (fl. 53) e, em 07/11/2014, interpôs o recurso de fls. 36/51, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. De início, cumpre reproduzir a integra do voto da decisão de primeira instância: Conforme os autos, o motivo da glosa decorre da apresentação de comprovante de pagamento a plano de saúde sem discriminar as pessoas beneficiárias. Junto à impugnação o sujeito passivo apresentou o documento de fl.6, o qual informa somente o valor total pago no ano calendário 2012, sem indicar os beneficiários do plano. Registrase que somente são dedutíveis as despesas médicas próprias e de dependentes indicados na declaração de ajuste anual. Uma vez que o documento apresentado não permite saber quem são os beneficiários do plano, deve ser mantida a glosa. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10183.722488/201496 Acórdão n.º 2201003.182 S2C2T1 Fl. 3 3 Pelas razões expostas e considerando tudo mais que consta dos autos, voto no sentido de julgar improcedente a impugnação, mantendo o resultado apurado pela malha fiscal. Assim, compulsandose os autos, verificase que em seu apelo a suplicante reitera os argumentos suscitados em sua impugnação, sem, contudo, juntar em seu recurso documento comprobatório dos beneficiários do plano. Embora alegue em seu apelo que a única beneficiária do plano é a própria contribuinte, conforme Declaração carreada, entendo que a informação prestada pela Associação MatoGrossense de Magistrados à fl. 6, é insuficiente para corroborar com essa alegação. Vejase: DECLARAÇÃO Declaramos para fins de Declaração do Imposto de Renda ano Base/2012, que os valores abaixo relacionados foram descontados em folha de pagamento do associado e repassados à Sul América Seguro Saúde S/A CNPJ n° 86.878.469/000143 durante O período de 01 de janeiro de 2012 à 31 de dezembro de 2012. (...) Soma: R$ 26.823,45 (Vinte e seis mil oitocentos e vinte e três reais e quarenta e cinco centavos) CuiabáMT, 13 de fevereiro de 2013. Com efeito, entendo que é totalmente estéril a afirmação de que o Órgão Fazendário deveria promover de ofício a obtenção dessa informação, já que é obrigação da contribuinte a produção de prova de suas alegações, conforme determina o art. 835 do Decreto nº 3000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda 1999): Art. 835. As declarações de rendimentos estarão sujeitas a revisão das repartições lançadoras, que exigirão os comprovantes necessários (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 74). Ante a todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 60DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 12898.001099/2009-35
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 03/03/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, por absoluta falta de similitude fática entre os julgados em confronto.
Recurso Especial do Procurador não conhecido
Numero da decisão: 9202-004.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora.
EDITADO EM: 04/07/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente), HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, ANA PAULA FERNANDES, ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, MARIA HELENA COTTA CARDOZO, PATRICIA DA SILVA, LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI e GERSON MACEDO GUERRA.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201606
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 03/03/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, por absoluta falta de similitude fática entre os julgados em confronto. Recurso Especial do Procurador não conhecido
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 12898.001099/2009-35
anomes_publicacao_s : 201608
conteudo_id_s : 5615522
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9202-004.249
nome_arquivo_s : Decisao_12898001099200935.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARIA HELENA COTTA CARDOZO
nome_arquivo_pdf_s : 12898001099200935_5615522.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora. EDITADO EM: 04/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente), HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, ANA PAULA FERNANDES, ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, MARIA HELENA COTTA CARDOZO, PATRICIA DA SILVA, LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI e GERSON MACEDO GUERRA.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
id : 6455588
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:50:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048422772113408
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1865; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1.202 1 1.201 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 12898.001099/200935 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202004.249 – 2ª Turma Sessão de 22 de junho de 2016 Matéria PAF concomitância com ação judicial multa de ofício e juros de mora Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado STATOIL BRASIL ÓLEO E GÁS LTDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 03/03/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, por absoluta falta de similitude fática entre os julgados em confronto. Recurso Especial do Procurador não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora. EDITADO EM: 04/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente), HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, ANA PAULA FERNANDES, ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, MARIA HELENA COTTA CARDOZO, PATRICIA DA SILVA, LUIZ AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 10 99 /2 00 9- 35 Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 2 EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI e GERSON MACEDO GUERRA. Relatório Foi exigido da Contribuinte em epígrafe Imposto de Renda na Fonte incidente sobre rendimentos de residentes ou domiciliados no exterior, decorrentes de ganho de capital por sociedade estrangeira, na alienação de ativos localizados no Brasil, com fato gerador considerado ocorrido em 03/03/2008. Os fatos foram assim descritos na autuação (fls. 209 em diante): "2. O lançamento foi efetuado pelo fato de ter o contribuinte adquirido participação societária na empresa brasileira Anadarko Petróleo Ltda APL, junto a empresas sediadas nas Bahamas, com apuração de Ganho de Capital pelas empresas vendedoras estrangeiras, e ter retido e recolhido tãosomente, como responsável tributário, 15% do valor do Ganho de Capital, a título de Imposto de Renda na Fonte. 3. Por se tratarem, os alienantes da participação societária, de beneficiários domiciliados em país com tributação favorecida, a que se refere o art. 24 da Lei no. 9.430/96, deveria o contribuinte, que foi o adquirente das quotas do capital da APL, na qualidade de responsável tributário, ter retido e recolhido o IRRF sobre o Ganho de Capital apurado, à alíquota de 25%. 4. Em 13/07/2009, a autoridade lançadora identificou a ocorrência de erro material na elaboração do Auto de Infração referente ao IRRF, quando deixou, inadvertidamente, de aplicar a multa de ofício, por entender que o valor do crédito a ser constituído estaria sob garantia de depósito judicial, o que suspenderia, desta forma, sua exigência. 5. No entanto, o depósito judicial, como já constatamos, foi realizado pela empresa Anadarko Offshore Holding Company, LLC (AOHC), sucessora da principal empresa vendedora da participação societária na APL (KerrMcGee South America Ltd KMSA). 6. Assim, por não fazer parte da ação judicial promovida pela Anadarko Offshore Holding Company, LLC (AOHC), sujeitase o contribuinte, na qualidade de adquirente e verdadeiro responsável tributário, ao lançamento "exofficio", com os acréscimos legais cabíveis, afastada, portanto, a hipótese de exigibilidade suspensa." Em sessão plenária de 19/06/2012, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2102002.079 (fls. 1.093 a 1.112), assim ementado: " ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2008 Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 12898.001099/200935 Acórdão n.º 9202004.249 CSRFT2 Fl. 1.203 3 MATÉRIAS SOB APRECIAÇÃO JUDICIAL. SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO ADMINISTRATIVO, PARA AGUARDAR DECISÃO DEFINITIVA JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE. Estando a matéria sob apreciação judicial, não cabe a esta instância administrativa fiscal sobrestar o julgamento do recurso voluntário, para aguardar o trânsito em julgado no feito judicial, mas decretar a eventual concomitância entre as instâncias, decretando, no ponto, a definitividade da via administrativa, na forma da Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. A aplicação do que vier a ser decidido pelas instâncias judiciais é competência das autoridades preparadoras da Delegacia da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o contribuinte. GANHO DE CAPITAL. AQUISIÇÃO DE ATIVOS MANTIDOS NO BRASIL, DE PROPRIEDADE DE EMPRESAS ESTRANGEIRAS, POR ADQUIRENTE NACIONAL. DEMANDA JUDICIAL IMPETRADA PELOS PROPRIETÁRIOS ESTRANGEIROS PARA DEFINIÇÃO DO MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR E DA ALÍQUOTA APLICÁVEL À ESPÉCIE. DEPÓSITO JUDICIAL DA PARCELA CONTROVERTIDA, FEITO PELO ADQUIRENTE NACIONAL, EM CUMPRIMENTO À ORDEM JUDICIAL. SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO. INVIABILIDADE DA MANUTENÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. Não se pode renegar a influência da discussão judicial em face do imposto que implicou no lançamento destes autos, não se podendo simplesmente afastar os efeitos das decisões judiciais ao argumento de que o autuado não fez parte do pólo ativo do mandamus. Ora, tanto a empresa adquirente brasileira, responsável tributário pela retenção do IRRF da operação em debate (art. 26 da Lei nº 10.833/2003), como os contribuintes estrangeiros tinham legitimidade para provocar o Poder Judiciário (e a própria Administração Fiscal, por meio dos processos de consulta), na busca da certeza do direito aplicável ao caso. Feito o depósito judicial da parcela controvertida em momento anterior ao início da ação fiscal, devese suspender a exigibilidade do crédito tributário, até decisão definitiva do Poder Judiciário, com exoneração da multa de ofício lançada. GANHO DE CAPITAL. IMPOSTO A SER LANÇADO. NECESSIDADE DE CONSIDERAR NO LANÇAMENTO O VALOR PAGO E DEPOSITADO JUDICIALMENTE REFERENTE AO IMPOSTO INCIDENTE SOBRE O GANHO DE CAPITAL APURADO. Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 4 Ao efetuar o lançamento a autoridade fiscal deve considerar o valor pago e o depositado judicialmente, daí apurando o valor que se encontra controvertido na via judicial, para verificar se houve o depósito do montante integral, confeccionando o lançamento da parcela que não foi extinta pelo pagamento. Recurso voluntário provido em parte." A decisão foi assim resumida: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR parcial provimento ao recurso para NÃO conhecer das matérias debatidas no judiciário, e, no tocante à matéria aqui conhecida, cancelar a multa de ofício lançada e reduzir o imposto de R$ 231.505.533,61 para R$ 111.578.413,96, com incidência dos juros de mora como constou no auto de infração.” O processo foi encaminhado à PGFN em 17/10/2012 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.115) e, em 23/10/2012, foi interposto o Recurso Especial de fls. 1.116 a 1.125 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.126), com fundamento no art. 67, do Anexo II, do RICARF, visando rediscutir a exclusão da multa de ofício e dos juros, considerandose o depósito judicial efetuado pelos alienantes domiciliados no exterior. Ao recurso foi dado seguimento, por meio do despacho de 05/06/2013 (fls. 1.129 a 1.131). Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese: Data vênia não cabem as alegações da Câmara a quo de que não cabe a aplicação da multa de ofício, nos termos do art. 63 da Lei 9.430, de 1996, por entender que o crédito tributário está com a exigibilidade suspensa; verificase que para alienações ocorridas a partir de 01/02/2004, com a vigência do art. 26 da Lei nº 10.833, de 2003, a responsabilidade pela retenção e recolhimento do Imposto de Renda incidente sobre o Ganho de Capital a que se refere o art. 18 da Lei nº 9.249, de 1995, anteriormente prevista no § 2º do art. 685 do Decreto nº 3.000, de 1999 passou a ser do adquirente, se pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no Brasil; no caso presente, o responsável tributário para o pagamento do ganho de capital é o contribuinte identificado no presente Termo de Constatação Fiscal STATOIL BRASIL ÓLEO E GÁS LTDA. In verbis o artigo 26 da Lei 10.833/2003: "Art. 26. O adquirente, pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no Brasil, ou o procurador, quando o adquirente for residente ou domiciliado no exterior, fica responsável pela retenção e recolhimento do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital a que se refere o art. 18 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, auferido por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior que alienar bens localizados no Brasil."(negritouse). no entanto, verificouse que o Mandado de Segurança 2008.51.01.0232366, fls. 580/605, foi impetrado pela ANADARKO OFFSHORE HOLDING COMPANY,LLC (AOHC), sucessora da principal empresa vendedora da participação societária na APL (KerrMcGee South America LtdKMSA); Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 12898.001099/200935 Acórdão n.º 9202004.249 CSRFT2 Fl. 1.204 5 da mesma forma, conforme consulta aos Sistemas da RFB, fls. 682 e 683, o depósito judicial está confirmado em nome da Anadarko, enquanto o pagamento do IRRF referente aos 15% foi efetuado pela interessada Hidro Brasil Óleo e Gás Ltda – CNPJ 04.028.583/000110; o recolhimento em Darf relativo à retenção do imposto de renda na fonte, decorrente de depósito judicial, deve ser efetuado pelo Responsável, conforme prevê a legislação e não pelo contribuinte de fato; é de se observar o disposto no artigo 472 do Código de Processo Civil, está prevista a chamada coisa julgada subjetiva, o qual determina que a sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros. In verbis artigo 472 do CPC: "A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros. Nas causas relativas ao estado de pessoa, se houverem sido citados no processo, em litisconsórcio necessário, todos os interessados, a sentença produz coisa julgada em relação a terceiros." (negritouse) donde se conclui claramente que não sendo parte no mandado de segurança, a contribuinte não pode usufruir os efeitos de futuras sentenças prolatadas no Mandado de Segurança nº 2008.51.01.023236 , pois esses são "inter partes" e não "erga omnes". cumpre definir que coisa julgada ocorre a partir da irrecorribilidade da sentença pelo esgotamento da utilização dos recursos admissíveis em lei ou em razão do decurso do prazo para interposição dos mesmos, trazendo como consequências sua imutabilidade enquanto ato processual (coisa julgada formal) e sua imutabilidade no tocante ao seu conteúdo (coisa julgada material); enunciam os arts. 467 e 468 do CPC: "Art. 467. Denominase coisa julgada material a eficácia, que torna imutável e indiscutível a sentença, não mais sujeita a recurso ordinário e extraordinário. Art. 468. A sentença, que julgar total ou parcialmente a lide, tem força de lei nos limites da lide e das questões decididas." como é cediço, o Poder Judiciário tem como função primordial aplicar a lei aos casos concretos em que ocorra litígio, quando estes forem trazidos à sua apreciação. Tais decisões são definitivas quando em face delas não couber mais recurso; é justamente esta característica das decisões judiciais, a definitividade, que as difere das decisões proferidas pelos tribunais administrativos, como este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; com efeito, as decisões prolatadas pelos tribunais administrativos são passíveis de revisão pelo Poder judiciário, não sendo, portanto, dotadas de definitividade; noutro passo, quando as decisões judiciais se tornam definitivas, dizse que fazem coisa julgada material, instituto jurídico amparado pela Constituição Federal que, em seu Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 6 art. 5º, XXXVI, determina que "a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada"; da análise do referido dispositivo constitucional, impõese a conclusão no sentido de que, quando o Poder Judiciário decide uma questão em definitivo, nem a lei pode afetar o que foi decidido, quanto mais uma decisão proferida por um tribunal administrativo; havendo coisa julgada material neste sentido, não cabe a ninguém, seja contribuinte, autoridade administrativa ou legislador, contrariála, sob pena de ofensa a dispositivo constitucional; este é o entendimento já pacificado por esta Corte Administrativa, conforme de extrai das ementas abaixo transcritas: Processo nº 11040.000339/200498 Contribuinte: COSTA E PINHO &CIA LTDA "PIS NORMAS PROCESSUAS. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADA. EFEITOS. O pronunciamento definitivo do poder Judiciário sobre a compensação de indébito sujeita a autoridade julgadora administrativa (art. 5, XXXV, CF/88). Na espécie, por força da coisa julgada material, é imperioso que a autoridade administrativa cumpra a decisão judicial no estrito limite da sentença judicial transitada em julgado. Dispondo a decisão judicial sobre a compensação, deverá a mesma ser cumprida nos seus exatos termos em respeito ao princípio constitucional da coisa julgada e da preponderância da decisão judicial sobre qualquer outra." inicialmente cumpre transcrever a normatização aplicável ao caso, a fim de melhor elucidar a questão: nessa mesma esteira decidiu o Superior Tribunal da Justiça a respeito da coisa julgada subjetiva: AgRg no AREsp 177448 / CE AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL 2012/00991510 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 20/09/2012 Data da Publicação/Fonte DJe 27/09/2012 Ementa PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. ISONOMIA DE VENCIMENTOS. PRETENSÃO DE EQUIPARAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. LIMITES DA COISA JULGADA. SÚMULA 339/STF. Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 12898.001099/200935 Acórdão n.º 9202004.249 CSRFT2 Fl. 1.205 7 1. O Tribunal de origem concluiu que não cabe cogitarse de isonomia salarial entre empregados que executam o mesmo labor quando motivos alheios ao empregador foram causas das diferenciações, tal como a situação pessoal do paradigma, em consequência de ação judicial anterior. As decisões judiciais somente aproveitam às partes em favor das quais são dadas, não podendo ser estendidas em benefício de terceiros estranhos à lide. 2. Nos termos do art. 472 do CPC, a sentença somente faz coisa julgada entre as partes que tenham figurado na relação processual a ela subjacente, não beneficiando nem prejudicando terceiros. É o que se convencionou chamar de eficácia subjetiva da coisa julgada. Precedentes. 3. Não cabe ao Judiciário, sob o fundamento de isonomia, aumentar vencimentos ou estender benefícios remuneratórios a servidor público, por tratarse de incumbência reservada ao legislador. Incidência da Súmula 339/STF. 4. Agravo regimental não provido. (negritouse) assim, por não fazer parte da ação judicial da ANADARKO, o contribuinte, na qualidade de adquirente e verdadeiro responsável tributário, sujeitase ao lançamento dos acréscimos legais, afastada a hipótese de exigibilidade suspensa. Ao final, a Fazenda Nacional pede o provimento do recurso, reformandose o acórdão recorrido, restabelecendose a decisão de Primeira Instância. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento em 06/02/2014 (Termo de Abertura de Documento no eCAC de fls. 1.138), a Contribuinte ofereceu, em 18/02/2014, as Contrarrazões de fls. 1.143 a 1.155, contendo os seguintes argumentos, em resumo: o art. 67 do RICARF prevê que cabe à Câmara Superior de Recursos Fiscais o julgamento de recurso especial interposto contra "decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF"; a necessidade de comprovar a divergência entre julgados é, portanto, requisito formal de admissibilidade do recurso especial, sem o qual o recurso nem sequer deve ser conhecido por essa CSRF; por certo, a lógica por trás de tal exigência é que essa C. CSRF funcione como uma instância especial de julgamento para uniformização do entendimento desse Conselho, não devendo ser uma terceira instância de julgamento na esfera administrativa; é claro, portanto, que para que esse "filtro" estabelecido pelo RICARF tenha eficácia, fazse necessário o confronto entre os termos do acórdão recorrido no caso concreto e aquele tido como paradigma para justificar o cabimento do recurso; Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 8 havendo similitude fática entre os julgados e conclusões distintas, fica comprovada a necessidade de manifestação dessa CSRF sobre o mérito, caso contrário, não pode ser conhecido o recurso especial interposto; no caso concreto não existe a necessária identidade entre o acórdão recorrido e aquele apontado como paradigma pela Recorrente, tratase de temas distintos, conforme se demonstra objetivamente a seguir. Acórdão recorrido o mérito discutido no presente processo diz respeito à alíquota do IRRF sobre ganho de capital auferido na alienação de participações societárias da APL, se 15 ou 25%; em virtude da controvérsia sobre a aplicação da alíquota de 15 ou 25%, anteriormente à lavratura do Auto de Infração, a Contribuinte, adquirente da participação societária, efetuou o recolhimento dos 15% e o depósito judicial de 10%, em conta bancária vinculada ao Mandado de Segurança impetrado pela Anadarko Brazil e Anadarko Holding (vendedoras), Mandado de Segurança esse que discute precisamente qual seria a alíquota aplicável e do qual a Recorrente é parte (nº 2008.51.01.0232366); a determinação judicial para que a Contribuinte efetuasse o depósito da alíquota controvertida encontrase no documento anexo (doc. 1); notese que, ao contrário do alegado no Recurso Especial fazendário, a determinação judicial foi para que a Contribuinte compradora, e não as Vendedoras, fizesse o depósito judicial; portanto, a Contirbuinte está certa de que, quando foi lavrado o Auto de Infração exigindo exatamente a diferença de 10% discutida no Mandado de Segurança, não poderia ter sido imposta a multa de ofício de 75%, uma vez que a quantia exigida pela autuação fiscal já se encontrava depositada em juízo; muito embora claramente não pudesse ser exigida a multa, o Auto de Infração a aplicou, o que levou o acórdão recorrido a cancelar tal imposição, e é contra esse cancelamento da multa de ofício imputada em hipótese em que o crédito tributário principal encontravase devidamente depositado em juízo que a Recorernte maneja seu recurso especial; O Acórdão Paradigma a Contribuinte demonstrou acima objetivamente os limites da discussão que se pretende colocar sob apreciação dessa CSRF: (im)possibilidade de se cobrar multa de ofício de 75% quando, o principal já havia sido depositado pela própria Contribuinte em cumprimento a determinação judicial, nos autos do Mandado de Segurança nº 2008.51.01.0232366. ocorre que o acórdão citado como paradigma no Recurso Especial interposto versa sobre a incidência de IRRF sobre juros de mora relativos a verbas pagas em função de reclamação trabalhista, isto é, em situação totalmente distinta daquela objeto dos presentes autos; naquele acórdão decidiuse que incidia o IRRF sobre os juros e que o decidido em reclamação trabalhista não poderia fazer coisa julgada em matéria tributária, em Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 12898.001099/200935 Acórdão n.º 9202004.249 CSRFT2 Fl. 1.206 9 especial quanto à incidência ou não do imposto de renda, mormente porque a Fazenda nem sequer figura como parte em Reclamações Trabalhistas (doe. 02); com todo o respeito, não há qualquer relação entre as matérias discutidas no caso concreto e aquela objeto do suposto acórdão paradigma, por consequência não há divergência entre esses dois acórdãos; repitase que no caso presente a decisão recorrida tratou de reconhecer a impossibilidade de se aplicar multa de oficio em virtude de o valor exigido por meio de Auto de Infração estar depositado em juízo no momento do lançamento do crédito tributário, em ação que discute exatamente o crédito tributário objeto da autuação; além disso, há que se ter em conta que a Fazenda Nacional, sujeito ativo competente para exigir o tributo objeto da controvérsia, é parte no Mandado de Segurança impetrado pelas Vendedoras, ao contrário do que ocorre no acórdão invocado como paradigma, em que se discutiram os efeitos de uma decisão judicial na qual a Fazenda Nacional não era parte; como dito, o acórdão paradigma trata de afastar os efeitos da coisa julgada relativa a processo trabalhista do qual a Fazenda Nacional jamais foi parte e que, como dito, era processo trabalhista e não tributário; portanto, salta aos olhos a falta de identidade entre as matérias fática e jurídica tratadas no presente processo e no paradigma sob diversos aspectos: (i) as matérias tratadas eram absolutamente diversas; (ii) no paradigma a ação judicial era trabalhista e não tributária; (iii) no paradigma a Fazenda Nacional não era parte no processo judicial e, no presente caso, a Fazenda Nacional é parte no Mandado de Segurança impetrado; (iv) no presente caso há depósito judicial e no paradigma não havia; (v) no presente caso se discutem os efeitos do depósito judicial e não da coisa julgada (como no paradigma); (vi) no presente caso se discute a inaplicabilidade da multa de ofício e no paradigma nem sequer se discute multa de ofício; (vii) nem sequer a legislação em debate é a mesma no presente caso e no paradigma: no presente caso se discute o artigo 151, II do CTN e no acórdão paradigma era a Lei n° 8.541, de 1992. esse Conselho, em outras situações, já reconheceu a inadmissibilidade de recursos especiais fundados em supostos acórdãos paradigmas que, em realidade, tratam sobre temas distintos daquele objeto do caso concreto. Confirase: PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL ACÓRDÃO CONTEMPLANDO TEMA DIVERSO DO QUE TRATA O DEC1SUM RECORRIDO. NÃO CONHECIMENTO Com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno do 256/2009, Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 10 somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, escorado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência arguida entre o Acórdão recorrido e o paradigma, a partir da demonstração fundamentada, acompanhada da cópia da publicação da ementa do Acórdão paradigma ou do seu inteiro teor, impondo, ainda, a comprovação do préquestionamento a respeito do tema. Não se presta à comprovação/caracterização da divergência de teses pretendida o Acórdão paradigma que analisa matéria diversa da adotada no decisório combatido, na esteira dos preceitos contidos no § 6º do dispositivo regimental supra. Recurso especial não conhecido. (Acórdão n° 9202002,554, 2a Turma da CSRF, Relator Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, data da sessão 05/03/2013.) NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. Paradigmas que tratam de matéria não apreciada no acórdão recorrido não se prestam a demonstração da divergência. Acórdão recorrido não tratou da matéria apontada como divergente. Recurso extraordinário não conhecido. (Acórdão n° 9900000.239, 2a Turma da CSRF, Relator Elias Sampaio Freire, data da sessão 07/12/2011) ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador. 31/01/2003 PERFUME (EXTRATO) OU ÁGUA DE COLÔN1A. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RECURSO ESPECIAL ADMISSIBILIDADE AFASTADA. PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE. O recurso especial de divergência previsto no Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes tem como requisito a demonstração da divergência entre casos com identidade de situações fáticas, comprovada mediante confronto de acórdãos. Se não preenchido o pressuposto, o recurso, nesse aspecto não há de ser admitido. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. (Acórdão n° 9303001.514, 3a Turma da CSRF, Relatora Maria Teresa Martinez Lopez, data da sessão 1o/06/2011) como se vê, essa CSRF não admite recursos especiais interpostos com base em supostos acórdãos paradigmas que, na verdade, não guardam similitude fática com o caso concreto, exatamente como ocorre no presente recurso especial, e por essa razão a Contribuinte está certa de que o recurso especial pela Fazenda não será admitido. não obstante o nítido descabimento do recurso especial interposto, a Contriubinte demonstrará que, ainda que fosse admitido, o que se admite apenas a título de argumentação, essa CSRF haveria que, no mérito, negarlhe provimento, conforme se passa a demonstrar. Mérito como dito, diante do ônus financeiro que iriam suportar por meio da potencial redução no montante do preço que lhes seria entregue, as Vendedoras impetraram Mandado de Segurança preventivo para assegurar o seu direito de ver retido e recolhido pela Contribuinte somente 15% dos ganhos de capital a título de IRRF, ainda que, para suspensão da exigibilidade do crédito tributário, fosse necessário depositar os 10% em controvérsia; Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 12898.001099/200935 Acórdão n.º 9202004.249 CSRFT2 Fl. 1.207 11 cumprindo determinação judicial nos autos daquele Mandado de Segurança, em 10/12/2008 a Contribuinte efetuou o depósito judicial integral dos 10% em controvérsia, para fins de suspensão da exigibilidade do suposto crédito tributário; não obstante, em 15/06/2009 foi dado início a procedimento de fiscalização na Contribuinte e, sob o entendimento de que esta seria o efetivo sujeito passivo (contribuinte) da relação jurídica tributária atinente ao IRRF, no dia 13/07/2009 as autoridades fiscais lavraram contra a Contribuinte o Auto de Infração nº 0719000/02827/09, relativo justamente à cobrança dos 10% em discussão do total do IRRF, com a cobrança de 75% a título de multa de ofício; por mais que a Contribuinte tenha sido intimada a realizar o depósito integral do montante em discussão e tenha prontamente adotado tal providência em seu próprio nome, a Fiscalização incluiu na autuação fiscal a multa de ofício de 75%, e a Contribuinte está certa de que acertou o acórdão recorrido ao cancelar essa parte da cobrança; como corretamente reconhecido pelo acórdão recorrido, no momento da lavratura do Auto de Infração, o crédito tributário já se encontrava com a exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151, inciso II, do Código Tributário Nacional, e estando o suposto crédito tributário com a exigibilidade suspensa, o lançamento realizado para fins de prevenção da decadência não deve conter a multa de ofício; a verdade é que o Fisco nem sequer questiona a premissa de que, havendo depósito judicial, a constituição do suposto crédito tributário deve ser feita sem a imputação de multa de ofício, tanto que, inicialmente, lavrou a autuação fiscal contra a Contribuinte sem a imposição dessa penalidade; no entanto, logo em seguida alterou essa autuação para incluir a multa de ofício, o que fez exclusivamente com base no entendimento de que a Contirbuinte não seria parte no Mandado de Segurança nº 2008.51.01.0232366. é exatamente esse entendimento que é defendido pela Fazenda em seu Recurso Especial, que a Contribuinte está convicta de que não merece prosperar; afinal, não há como deixar de reconhecer que o crédito tributário em questão na ação judicial e no processo administrativo é um só, o que, de resto, está reconhecido no próprios autos do presente processo administrativo; aliás, não faz sentido a posição fazendária que, sendo parte nos dois processos, judicial e administrativo, aceitou o depósito no processo judicial e não quer reconhecer seus efeitos no processo administrativo; da mesma forma que, no caso do pagamento, o responsável tributário (Contribuinte) retém e recolhe o IR devido, para que o contribuinte de fato (Anadarko Brazll e Anadarko Holding) arque com o ônus financeiro, no caso do depósito a relação tributária é a mesma: a Contribuinte realizou o depósito em seu nome na qualidade de responsável tributária, mas quem teve interesse em discutir a questão para não ver deduzida a parcela controversa do montante a receber foram as Vendedoras; Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 12 tampouco é razoável supor que o Contribuinte que de boafé deposita judicialmente o montante controvertido não tenha reconhecido o efeito legal do depósito e sofra a penalização de ofício; tanto o crédito tributário é uno que o artigo 151, inciso II, do CTN não entra em detalhes se o depósito foi feito pelo contribuinte ou por um responsável ou mesmo por terceiros, apenas afirma categoricamente que o depósito judicial suspende a exigibilidade do crédito tributário; essa questão foi brilhantemente reconhecida pelo acórdão recorrido quando afirma que "considerando que o valor pago, mais o depósito judicial, ambos feitos em 10/12/2008, excedem o valor que seria devido na óptica da autoridade fiscal (fato gerador ocorrido em 03/03/2008), mesmo acrescentando os juros de mora (...) e a muita de mora de 20%, na forma do art. 61, caput e §§ 2° e 3o, da Lei 9.430/96, apreendese que qualquer lançamento feito para cobrar eventuais diferenças obrigatoriamente deveria ser feito com exigibilidade suspensa e sem multa de ofício, como constou originalmente nestes autos (antes da equivocada revisão de ofício, de fls. 209 a 211). Nessa conformidade, devese cancelar a multa de oficio vinculada ao imposto lançado, no percentual de 75%. devendo a exação que eventualmente remanescer nestes autos permanecer com exigibilidade suspensa, enquanto transcorrer esta via administrativa e/ou se mantiver o depósito judicial suficiente para suspender sua exigibilidade" (não destacado no original); com a devida vênia, irretocável o acórdão recorrido, o qual foi proferido na esteira do entendimento pacífico desse Conselho, no sentido de que não é devida a cobrança de multa de oficio quando o crédito tributário exigido já fora objeto de depósito judicial integral; confiramse dois julgados escolhidos entre diversos, apenas a título exemplificativo: PIS. DCTF. DEPÓSITO JUDICIAL SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. A prévia confissão do crédito tributário via DCTF, indicando depósitos judiciais efetuados, não impede o lançamento, que é atividade privativa da autoridade administrativa (art. 142 do CTN), não havendo vício no lançamento se este não ocasiona ônus adicional ao sujeito passivo, sendo constituído sem acréscimo da multa de oficio e com a finalidade de tão somente prevenira decadência. Precedente da CSRF. Recurso voluntário negado. (CARF, processo n.° 10805,000901/200260, Acórdão nº 3202000.899. Não grifado no original) PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracterizase a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade. DEPÓSITOS JUDICIAIS. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. INTEGRALIDADE. Os depósitos judiciais apenas suspendem a exigibilidade do crédito tributário se forem efetuados em montante integral. DEPÓSITO SUFICIENTE MULTA DE OFÍCIO. Havendo suficiência dos depósitos extrajudiciais ocorre a situação descrita no art. 151. do CTN, logo, existindo causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário é improcedente a aplicação da multa de oficio. JUROS DE MORA. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente de depósitos judiciais não impede a constituição do crédito referente aos juros moratórios Sobre os Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 12898.001099/200935 Acórdão n.º 9202004.249 CSRFT2 Fl. 1.208 13 créditos tributários vencidos e não pagos incidem juros de mora, conforme legislação em vigor na data de sua aplicação. (CARF, processo n º 16327.001624/200514, Acórdão nº 3402002.204. Não grifado no original). com todo o respeito, em nada socorre a Recorrente tentar fugir dessa realidade invocando dispositivos do Código de Processo Civil sobre os efeitos subjetivos da coisa julgada, para defender a possibilidade de exigir multa de ofício no caso concreto, apenas porque a Contribuinte não é parte no referido Mandado de Segurança; além dos motivos já expostos acima, há que se observar que: (i) não se fala, nesse momento, sobre coisa julgada, muito menos sobre seus efeitos às partes ou terceiros, a questão se limita a reconhecer a suspensão da exigibilidade de crédito tributário por força de depósito integral; (ii) a Fazenda Nacional é também parte do Mandado de Segurança impetrado pelas Vendedoras, de modo que levantará imediatamente o depósito judicial no caso de sagrar se vencedora na discussão ali travada; e (iii) o acórdão reconhece a suspensão da exigibilidade justamente por reconhecer a concomitância no mérito com a discussão travada no Mandado de Segurança nº 2008.51.01.0232366, questão que em verdade nem é objeto do recurso fazendário e já transitou em julgado; ou seja, toda a lógica do acórdão recorrido é no sentido de reconhecer que a discussão, em seu mérito, já é travada nos autos do Mandado de Segurança nº 2008.51.01.0232366, onde se discute judicialmente a alíquota do IRRF aplicável e nos autos do qual foi realizado o depósito integral do montante em discussão e enfrentar os excessos de cobrança incorridos pela Fazenda quando da lavratura do Auto de Infração lavrado contra a Contribuinte; é contraditório que a Fazenda Nacional aceite o reconhecimento da concomitância e o depósito realizado judicialmente, mas se mostre inconformada com o cancelamento da multa de ofício de 75%, ou seja, o cancelamento da multa de ofício é apenas uma decorrência lógica de uma realidade por ela aceita; por todos esses motivos, a Contribuinte está certa de que, ainda que o Recurso Especial da Fazenda Nacional fosse admitido, no mérito ele teria seu provimento negado, pois o entendimento esposado pelo acórdão recorrido no que tange à aplicação de multa de ofício está em perfeita consonância com a lei. Ao final, a Contribuinte pede que o recurso não seja admitido ou, caso assim não se entenda, que tenha o seu provimento negado. Às fls. 1.174/1.175, a Demac/RJ manifesta dúvida acerca do objeto do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional: "Nesse contexto, procedeuse, então, ao desmembramento da parte não contestada e mantida pelo julgamento do CARF para o PAF 16682.720186/201439, o qual será encaminhado à EAC2 desta DEMAC/RJ/DICAT para verificar a possível suspensão de Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 14 sua exigibilidade em face do MS 2008.51.01.0232366 e/ou depósito judicial do montante integral. Diante de todo o exposto, não restaria alternativa senão propor o envio dos autos à Câmara Superior de Recursos Fiscais para dar seguimento ao julgamento do Recurso Especial da PFN e Contrarrazões do sujeito passivo. A despeito disso, é mister se resguardar de quaisquer dúvidas sobre se a interpretação do julgamento do CARF é conforme o que aqui é descrito, porquanto, em decorrência da redação, ainda é vacilante se realmente a PFN interpôs seu recurso especial contra somente a exoneração da multa de ofício e juros ou contra o todo do CT exonerado do sujeito passivo, ou ainda , se questiona os cálculos efetuados pelo julgador de 2ª instância mormente assinalados em folha 1111. Nesse cenário, proponho o envio dos autos à DEMAC / RJ / DICAT – Equipe de Controle de Créditos (EAC1) a fim de se pronunciar sobre os assentamentos aqui realizados para ratificar ou retificar os procedimentos em questão." (grifei) O questionamento acima motivou a consulta de fls. 1.177/1.178: "Diante do exposto, proponho encaminhar o presente processo à Procuradora da Fazenda Nacional Isadora Canezin Guimarães, para que seja ratificado ou retificado o procedimento adotado pela EAC/5, nos moldes do despacho às fls. 1174/1175, informando se recurso especial de divergência as fls. 1117/118: i) é contra somente a exoneração da multa de ofício e juros; ii) é contra o todo do CT exonerado do sujeito passivo; ou ainda, iii) se questiona os cálculos efetuados pelo julgador de 2ª instância assinalados à folha 1111." A Fazenda Nacional assim esclareceu, às fls. 1.182/1.183: "(...) o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional formula insurgência a respeito da exclusão da exigência dos juros e da multa de ofício sobre os valores depositados, haja vista que o sujeito passivo não figurou no pólo ativo do Mandado de Segurança em questão e, portanto, não pode se beneficiar dos efeitos da decisão judicial ali proferida. (...) De uma simples leitura das razões recursais, percebese que não há qualquer menção ou insurgência quanto à totalidade do crédito tributário exonerado, muito menos a respeito dos cálculos efetuados pelo julgador de 2ª instância." Voto Conselheira MARIA HELENA COTTA CARDOZO Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 12898.001099/200935 Acórdão n.º 9202004.249 CSRFT2 Fl. 1.209 15 O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir acerca do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte assevera que os paradigmas tratam de situações diversas daquela analisada no acórdão recorrido, portanto não teria sido demonstrada a alegada divergência. Tratase de lançamento de Imposto de Renda na Fonte sobre ganho de capital na operação de aquisição, pela Contribuinte autuada, de participação societária na empresa brasileira Anadarko Petróleo Ltda APL, junto a empresas alienantes sediadas nas Bahamas, país com tributação favorecida. A Contribuinte, adquirente, reteve e recolheu, como responsável tributário, apenas 15% sobre o ganho, quando a alíquota correta seria de 25% (art. 24 da Lei no. 9.430, de 1996). A empresa Anadarko Offshore Holding Company, LLC (AOHC), sucessora da principal empresa alienante da participação societária na APL (Kerr McGee South America Ltd KMSA), ajuizou ação para discutir a diferença de alíquota e efetuou o respectivo depósito, o que levou a Fiscalização a efetuar o lançamento com multa de ofício, desconsiderando a suspensão da exigibilidade, uma vez que a Contribuinte autuada, adquirente e responsável pelo tributo, não fazia parte da ação judicial promovida pela sucessora da empresa alienante. A Fazenda Nacional visa restabelecer os juros e a multa de ofício incidentes sobre os depósitos judiciais efetuados. Assim, constatase que o que se discute no presente processo é se, encontrandose no pólo passivo da obrigação tributária o responsável adquirente de participação societária, este pode ser beneficiado por depósito judicial efetuado no bojo de ação ajuizada pelo alienante domiciliado no exterior, em que se discute a alíquota correta a ser aplicada sobre o ganho de capital apurado na operação. Nesse passo, o paradigma apto a promover o seguimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional seria um acórdão em que, tratandose de situação similar, se adotasse conclusão diversa, ou seja, o paradigma teria de ao menos tratar da problemática do papel do responsável em face de ação judicial promovida pelo Contribuinte de fato. Quanto ao paradigma, a Fazenda Nacional indicou o Acórdão nº 2801 00.969, colacionando os seguintes trechos: Ementa "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 IRPF. VERBAS TRABALHISTAS. JUROS DE MORA. TRIBUTAÇÃO. Os juros de mora incidentes sobre verbas trabalhistas pagas em atraso consubstanciam a hipótese de incidência do imposto de renda, sujeitandose à tributação na fonte e na declaração de ajuste anual. INCONSTITUCIONALIDADE. DECLARAÇÃO. Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 16 A declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou de ato normativo é atribuição exclusiva do Poder Judiciário. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. A sentença faz coisa julgada e tem força de lei, nos limites da lide e das questões decididas, relativamente às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros. (grifouse)" Voto "Com relação às decisões judiciais mencionadas pelo recorrente, consignase que, de acordo com os arts. 468 e 472 do Código de Processo Civil, a sentença faz coisa julgada e tem força de lei entre as partes, entre as quais, no presente caso, não se insere a Fazenda Nacional, que sequer foi chamada aos autos, para exercer o direito ao contraditório e ampla defesa que lhe é assegurado constitucionalmente, medida indispensável para que os efeitos dessas decisões lhe alcançassem. (grifouse)" De plano, os trechos colacionados não permitem qualquer analogia com o acórdão recorrido, eis que neste não se trata de efeitos de sentença judicial e sim das hipóteses de suspensão de exigibilidade de crédito tributário, mais especificamente, do aproveitamento, pelo Contribuinte responsável, de depósito judicial efetuado pelo Contribuinte de fato, que ajuizou ação questionando a própria operação que originou o Auto de Infração. Compulsandose o inteiro teor do paradigma, verificase que as decisões judiciais referenciadas foram proferidas em Ação Trabalhista, às quais o Contribuinte quer que a Receita Federal seja vinculada, o que é contestado conforme a seguir: "Nas hipóteses em que a Fazenda Pública é parte, que, frisese, não é o caso da reclamação trabalhista em destaque, somente a decisão judicial passada em julgado, de acordo com o inc. X, do art. 156, do CTN, extingue o crédito tributário. Portanto, como bem asseverou a decisão recorrida (fl. 36): (...) 10. Ainda que reste comprovado que a decisão judicial relativa ao processo 01.17.99.004508, da 17ª Vara do Trabalho de Salvador/BA, cuja decisão aos embargos à execução encontrase nas fls. 12 a 16, não tenha previsto a incidência de imposto sobre os juros recebidos, a ação não foi impetrada contra atos do Delegado da Receita Federal em Salvador ou de qualquer outra autoridade administrativa da Secretaria da Receita Federal , não havendo, portanto, ordem judicial a ser cumprida por aquela autoridade, a qual deverá aterse aos dispositivos legais claramente capitulados no lançamento de ofício em apreciação. 11. Em relação às decisões judiciais citadas pelo contribuinte, observase que nos termos do art. 4° do Decreto n° 2.346, de 10/10/1997, a extensão dos efeitos das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio, e, ainda assim, desde que seja editado ato específico do Secretário da Receita Federal nesse sentido. Fora Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 12898.001099/200935 Acórdão n.º 9202004.249 CSRFT2 Fl. 1.210 17 disso, as sentenças judiciais só produzem efeitos para as partes envolvidas no processo judicial, não beneficiando nem prejudicando terceiros." Destarte, constatase a impossibilidade de qualquer analogia entre o acórdão recorrido e o paradigma, que tratou basicamente de interpretar o art 156, inciso X, do CTN, e o art. 4º, do Decreto nº 2.346, de 1997, mais especificamente dos efeitos da coisa julgada em face da Administração Tributária. Já no caso do acórdão recorrido, tratase da hipótese de suspensão de exigibilidade do crédito tributário, prevista no art. 151, inciso II, do CTN, e suas implicações relativas a Contribuintes de fato e responsáveis tributários. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.003170/2003-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. REGIME ALTERNATIVO. LEI N. 10.276/01.
Paralelamente ao direito de ressarcimento de crédito presumido de IPI estabelecido na Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, o contribuinte podia optar pela apuração do crédito nos moldes do regime alternativo estabelecido na Lei n. 10.276/2001. Tal opção ocorre Demonstrativo de Apuração de Crédito Presumido (DCP) do IPI, que leva o cálculo a ser efetuado pela Fiscalização conforme a IN 315/2003.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-003.057
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201604
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. REGIME ALTERNATIVO. LEI N. 10.276/01. Paralelamente ao direito de ressarcimento de crédito presumido de IPI estabelecido na Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, o contribuinte podia optar pela apuração do crédito nos moldes do regime alternativo estabelecido na Lei n. 10.276/2001. Tal opção ocorre Demonstrativo de Apuração de Crédito Presumido (DCP) do IPI, que leva o cálculo a ser efetuado pela Fiscalização conforme a IN 315/2003. Recurso voluntário negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10580.003170/2003-77
anomes_publicacao_s : 201605
conteudo_id_s : 5589271
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3402-003.057
nome_arquivo_s : Decisao_10580003170200377.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
nome_arquivo_pdf_s : 10580003170200377_5589271.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
id : 6374483
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:48:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048422793084928
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1948; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 111 1 110 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.003170/200377 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402003.057 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de abril de 2016 Matéria IPI ressarcimento Recorrente UNIGEL PLÁSTICOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. REGIME ALTERNATIVO. LEI N. 10.276/01. Paralelamente ao direito de ressarcimento de crédito presumido de IPI estabelecido na Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, o contribuinte podia optar pela apuração do crédito nos moldes do regime alternativo estabelecido na Lei n. 10.276/2001. Tal opção ocorre Demonstrativo de Apuração de Crédito Presumido (DCP) do IPI, que leva o cálculo a ser efetuado pela Fiscalização conforme a IN 315/2003. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 31 70 /2 00 3- 77 Fl. 935DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 2 Relatório O presente Processo Administrativo foi objeto da Resolução n. 3802000.359 depois de sua chegada ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”). Dessa forma, o caso já foi muitíssimo bem relatado pelo Conselheiro Waldir Navarro Bezerra (Relator ad hoc), antes de serem a mim redistribuídos pelo fato de o relator originário não mais integrar nenhum dos Colegiados da 3ª Seção. Desta feita, peço licença para tomar emprestadas as palavras do Relator ad hoc sobre o histórico do processo: O contribuinte Unigel Plásticos S/A., interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 1516.963, proferido em primeira instância pela 4ª Turma da DRJ de Salvador (BA), que julgou, por unanimidade de votos, indeferir o pedido de ressarcimento e não homologar a compensação requerida. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da manifestação de inconformidade, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “O estabelecimento acima identificado formalizou pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, com base na portaria MF n° 38, de 1997, como ressarcimento das contribuições do PIS/PASEP e da COFINS incidentes nas aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem empregados na industrialização de produtos exportados, relativo ao 1° trimestre de 2003, conforme pedido de ressarcimento de fl. 01 (substituído pelo pedido de fl. 162), cumulado com a Declaração de Compensação, fl. 47. No Termo de Verificação Fiscal, fls. 216 a 218, o fiscal diligente relata que conferiu os dados da receita de exportação, receita bruta, compras e custos de insumos mensais informados nos DCP entregues pela empresa à Receita Federal. Após levantar os valores, com base na escrituração contábil e fiscal da empresa, comparouos aos informados, constatando uma série de divergências importantes. Essas diferenças levaram a concluir que o valor do crédito presumido acumulado para ressarcimento é de R$ 160.336,75, não o valor do ressarcimento solicitado nas fls. 162. Destarte, considerando a existência de um elevado saldo de crédito negativo originário de 2002 a compensar, resulta que não há crédito presumido passível de ressarcimento nesse primeiro trimestre. A DRF/Salvador proferiu Despacho Decisório n° 082, de 14 de fevereiro de 2008, fls. 235 a 243, indeferindo o pedido de ressarcimento e não homologando as compensações, com base no termo de verificação fiscal, fls. 216 a 218, e no relatório e na fundamentação apresentada neste documento. A contribuinte apresentou, em 10/04/2008, manifestação de inconformidade, fls. 252 a 339, alegando, em síntese, que: houve equívoco na apuração realizada pela fiscalização, porque o valor do crédito presumido efetivamente apurado no 1° trimestre de 2003 foi suficiente para a quitação de todo o crédito Fl. 936DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10580.003170/200377 Acórdão n.º 3402003.057 S3C4T2 Fl. 112 3 negativo apurado em 2002, restando um saldo passível de ressarcimento no montante de R$ 388.351,04; afirma que apurou no 1° trimestre de 2003, a título de crédito presumido de IPI, os valores de: R$ 58.307,64 em jan/20031 R$ 259.141,26 em fev/2003; R$ 283.322,60 em mar/2003, perfazendo um total de R$ 600.771,83; ao final de trimestre, considerando o saldo negativo, relativo ao crédito presumido do ano de 2002, no montante de R$ 212.420,50, a impugnante apurou um saldo credor de crédito presumido equivalente a R$ 388.351,04; do saldo credor acumulado ao final do trimestre, optou por solicitar o ressarcimento de apenas R$ 120.854,34. Restando do crédito, no valor de R$ 267.496,70, foi utilizado pela empresa como deduções do IPI devido por operações realizadas a partir do 3° decêndio de março de 2003; o valor de R$ 388.351,04 foi totalmente utilizado, sendo uma parte a título de ressarcimento e outra através de deduções realizadas no período, conforme demonstra o formulário de ressarcimento de IPI, em consonância com a instrução normativa da SRF n° 210, de 2002; com o advento do art. 39, § 4 0, da lei n° 9.250, de 1995, a compensação ou a restituição de tributos federais passou a ser acrescida de juros à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais; o dec. n° 2.138, de 1997 equiparou os institutos da restituição e do ressarcimento, atribuindo, por consequência, o direito a utilização da taxa SELIC para atualização dos créditos pleiteados via ressarcimento; por fim, requer o reconhecimento integral do ressarcimento pleiteado, atualizado pela taxa SELIC, e homologação das compensações declaradas, sem prejuízo de eventual saldo credor.” Ao analisar a manifestação de inconformidade, a 4a Turma da DRJ em Salvador rejeitou os argumentos da Recorrente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO:IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. APURAÇÃO. Inexistindo saldo credor após apuração do crédito presumido, efetuada pela fiscalização, e dedução do imposto devido, devese indeferir o ressarcimento do crédito pleiteado. RESSARCIMENTO. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. Fl. 937DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 4 Por ausência de previsão legal, descabe falarse em atualização monetária ou juros incidentes sobre o eventual valor a ser objeto de ressarcimento. Rest/Ress. Indeferido Comp. não homologada” Cientificada acerca da decisão exarada, a interessada interpôs Recurso Voluntário, no qual requer o conhecimento e provimento do recurso interposto para reformar integralmente o Acórdão da primeira instância, de forma a reconhecer integralmente o crédito presumido de IPI pleiteado com homologação das compensações vinculadas. Em julgamento datado de 28 de janeiro de 2015 (Resolução n. 3802 000.359), a 2ª Turma Especial determinou a conversão do julgamento em diligência para serem verificados os seguintes itens: 1) Se o DARF efetivamente consta do sistema de pagamentos como recebido; 2) Em caso de resposta positiva ao item 1, se esse montante realmente não foi considerado pela autoridade administrativa na recomposição dos DCP do contribuinte; 3) Em caso de resposta positiva ao item 2, se houve algum motivo relevante para tanto; 4) Ainda em caso de resposta positiva ao item 2, e não havendo motivo relevante para seu cômputo, qual seria o efetivo montante de crédito presumido do sujeito passivo; 5) Com base na recomposição do item 4, se ainda há insuficiência de crédito presumido, conforme a glosa de créditos ora guerreada; 6) Se o Auto de Infração resultante do MPF nº 0510100/00646/06 (PAF nº 10580.04609/200711) realmente partiu da premissa de que os R$ 1.205.152,22, pagos pelo Recorrente, compuseram seus créditos presumidos de IPI em dezembro de 2002. As respostas pela repartição fiscal de origem foram apresentadas em fls 916 a 918, no seguinte sentido: 1. O DARF em questão consta dos sistemas de pagamento? Resposta: Sim, conforme tela do SIEF copiada abaixo. 2. O valor do DARF foi considerado na recomposição dos DCP? Resposta: Não 3. Houve motivo relevante para a não inclusão do DARF na recomposição? Resposta: Houve. A apuração do crédito presumido do IPI pelo regime alternativo da IN SRF 420/04 envolve a aplicação de fator matemático determinado pela relação entre receita de exportação, receita operacional bruta e custos, sobre a base de cálculo composta pela soma de certos custos (art. 6º). O contribuinte teve seus valores de crédito presumido recalculados para menos, pela autoridade fiscal, em razão de Fl. 938DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10580.003170/200377 Acórdão n.º 3402003.057 S3C4T2 Fl. 113 5 ter efetuado tais cálculos em desacordo com sua escrituração contábil e fiscal. Por outro lado, o artigo 38 da mesma IN dispõe que, ao mudar seu regime de incidência do PIS/Cofins para o nãocumulativo, a empresa é obrigada a excluir o crédito presumido de IPI contido nos produtos em elaboração e nos estoques de produtos acabados, mas não vendidos e, em caso de saldo negativo que não possa ser compensado posteriormente, recolher o valor aos cofres públicos. São pois, dois tipos de ajustes independentes, por razões distintas: o primeiro, por constatação da inexatidão dos cálculos de apuração; o segundo, por determinação normativa. Nesse último caso, o contribuinte foi obrigado a devolver valores de crédito presumido apropriados em excesso, não havendo qualquer direito a compensação do valor devolvido. O valor devolvido sequer pode ser alocado a qualquer período de apuração anterior, uma vez que não é possível identificar a data de aquisição dos insumos que deram origem a esse valor. Assim, não se viu qualquer razão para qualquer recomposição dos valores mensais do crédito presumido relativo ao primeiro trimestre. 4. Qual o efetivo montante do crédito presumido de IPI, não havendo razão para o cômputo do DARF discutido? Resposta: Os valores das antecipações do crédito presumido são aqueles constantes da planilha dos DCPs recalculados de fls. 448458. Frisese que, em razão da existência de crédito negativo a compensar transferido de 2002, não há, efetivamente, direito a crédito presumido no primeiro trimestre de 2003 (fl. 430). 5. Qual a situação do crédito após a recomposição referida no item anterior? Resposta: Prejudicado, já que não houve recomposição. 6. O Auto de Infração objeto do PAF 10580.004609/200711 considerou que o valor pago em DARF compôs os créditos presumidos em dezembro/02? Resposta: Não. O DARF pago se refere a ajuste global do ano de 2003. O Auto (fl. 861) utilizou os valores de recomposição de escrita da fl. 902. O valor do DARF foi usado unicamente para compensar os excessos de apropriação mensal do crédito presumido, sucessivamente, em ordem cronológica, muito embora, como dito antes, não seja possível alocar o DARF de devolução a qualquer período de apuração específico, muito menos integralmente ao mês de janeiro/2003. Destarte, o procedimento da Fiscalização, no Auto, foi benéfico ao contribuinte, pois considerou a alocação do valor do DARF na exata medida da necessidade de compensação de cada mês. Alertese, porém, por relevante, que o procedimento de recálculo realizado para fins de lançamento do tributo nenhuma relação guarda com os cálculos do crédito presumido mensal passível de apropriação nos livros fiscais. O crédito presumido é apenas um percentual dos custos transformado em crédito de IPI e sua apuração não depende de quaisquer fatores que não sejam custos e receitas (vide resposta ao item 3). Fl. 939DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 6 Embora regularmente intimada para se manifestar sobre o resultado da diligência, a Recorrente não trouxe nova manifestação sobre seu conteúdo aos autos. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Os requisitos de admissibilidade do recurso voluntários já foram anteriormente analisados e acatados por este Conselho, de modo que passo à apreciação do caso. A contribuinte possui estabelecimento industrial produtor de chapas de acrílico. Parte de sua produção é exportada, o que lhe dá o direito de usufruir do benefício fiscal previsto nas leis 9.363/96 (crédito presumido de IPI) e 10.276/01 (regime alternativo ao disposto na Lei no 9.363, de 13 de dezembro de 1996, na apuração do crédito presumido de IPI): Quanto à existência do crédito, observase que a contribuinte fundamenta sua solicitação na Portaria MF no 38/1997, que dispõe sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996. Sobre o método de cálculo do crédito presumido do IPI, o artigo 6º da Lei n. 9.363/96 expressamente dispôs que: Art. 6º Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, a definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse titulo, efetuados pelo produtor exportador." Tal dispositivo é plenamente aplicável à Lei n. 10.276/2001, haja vista que seu artigo 1º, § 5º coloca que: “aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei no 9.363, de 1996.” Pois bem. No exercício da competência estabelecida pelo art. 6° da Lei no 9.363/1996, é que foi editada a Portaria MF no 38/1997, a qual trata do cálculo e utilização do crédito presumido. Essa Portaria foi revogada pela Portaria MF n° 64, de 24/03/2003, que passou a disciplinar o assunto. Já a Instrução Normativa SRF no 315, de 03 de abril de 2003 (IN n. 315/2003), disciplinava o cálculo, a utilização e a apresentação de informações do regime alternativo do crédito presumido instituído pela Lei nº 10.276/2001. Em fls 230 desses autos consta o Demonstrativo de Apuração de Crédito Presumido (DCP) do IPI, relativo ao período em questão (primeiro trimestre de 2003), na qual consta que o contribuinte optou pelo regime alternativo de apropriação dos créditos presumido da Lei nº 10.276/2001. Vejase: Fl. 940DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10580.003170/200377 Acórdão n.º 3402003.057 S3C4T2 Fl. 114 7 Assim, muito embora a Recorrente tenha declarado que o seu pedido de ressarcimento e posterior compensação se daria com base na Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, na realidade optara pela apuração do crédito nos moldes da Lei n. 10.276/2001, pois é o DCP que determina a opção por um ou outro regime. É o que dispõe os artigos 2º e 3º da IN 315/2003. 1 Vejamos então se o cálculo efetuado pela Fiscalização, cerne da presente lide, foi preciso de acordo com a legislação vigente à época dos fatos, vale dizer, a IN 315/2003 Art. 6º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no art. 12: I de aquisição, no mercado interno, de insumos correspondentes a MP, PI e ME, utilizados no processo industrial; II de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno, utilizados no processo industrial; III correspondente ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto, utilizada no processo industrial. § 1º No caso de impossibilidade da determinação dos custos referidos no inciso II, deverá ser aplicado ás despesas com energia elétrica e combustíveis o percentual obtido pela relação entre o custo de produção e o somatório dos custos e despesas operacionais do estabelecimento industrial. § 2º Não coincidindo o período de faturamento dos custos referidos no inciso II com o período de apuração do crédito presumido, deverá ser feita apropriação pro rata. Art. 7º O fator a ser aplicado à base de cálculo será determinado mediante utilização da seguinte fórmula, observado o disposto no art. 36: F = 0,0365 Rx , onde: (RtC) F é o fator; 1 Art. 2º A opção pelo regime alternativo de que trata esta Instrução Normativa abrangerá: I todo o anocalendário; II o período remanescente do anocalendário, na hipótese de exercício da opção quando do início de atividades da pessoa jurídica. Art. 3º A opção será formalizada: I no Demonstrativo do Crédito Presumido (DCP) correspondente ao último trimestrecalendário do ano anterior, na hipótese do inciso I do art. 2º; II no DCP correspondente ao primeiro trimestrecalendário de atividades, na hipótese do inciso II do art. 2º. Fl. 941DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 8 Rx é a receita de exportação; Rt é a receita operacional bruta; e C é o custo determinado na forma do art. 62; e Rx é o quociente de que trata o inciso Ido parágrafo único.(Rt C) Parágrafo único. Na determinação do fator (F), de que trata o caput, serão observadas as seguintes limitações: I o quociente Rx sercr reduzido a cinco, quando resultar superior; (RtC) II o valor dos custos previstos no art. 62 será apropriado até o limite de oitenta por cento da receita operacional bruta. Art. 8º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda a empresa comercial exportadora com fim específico de exportação. Art. 36. A pessoa jurídica, em relação as receitas sujeitas à incidência da contribuição para o PIS/Pasep na forma dos arts. 12 a 62 da Lei n. 10.637, de 2002, não faz jus ao crédito presumido do IPI de que trata a Lei n. 10.276, de 2001, relativamente ao ressarcimento dessa contribuição. § 1º Para os efeitos do disposto no caput, aplicamse as determinações dos §§ 72, 82 e 92 do art. 32 da Lei n2 10.637, de 2002. § 2º Relativamente as receitas de que trata o caput, na apuração do crédito presumido do IPI, referente ao ressarcimento da Cofins, o índice da fórmula de determinação do fator (F), constante do art. 72, será de 0,03." Art. 38. Durante o anocalendário, a cada trimestre em que a pessoa jurídica passar a auferir, concomitantemente, receitas sujeitas à incidência da contribuição para o PIS/Pasep na forma dos arts. 1º a 6º da Lei nº 10.637, de 2002, e na forma da legislação anterior, deverá, observado o disposto no art. 37, excluir da base cálculo do crédito presumido, na última apuração do trimestre, o valor dos insumos correspondentes a MP, PI, ME, bem assim da energia elétrica, dos combustíveis e da prestação de serviços na industrialização por encomenda, utilizados em produtos não acabados e acabados mas não vendidos. § 1º O valor de que trata o caput, excluído ao final do trimestre, será acrescido à base de cálculo do crédito presumido correspondente ao primeiro período de apuração do trimestre seguinte, observado o disposto no art. 37. Fl. 942DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10580.003170/200377 Acórdão n.º 3402003.057 S3C4T2 Fl. 115 9 § 2º A exclusão de que trata o caput aplicase ainda que as receitas auferidas pela pessoa jurídica passem a se submeter a apenas uma das formas de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep. Vêse que o crédito presumido de IPI é calculado com base em uma série de fatores formadores do custo dos estabelecimentos industriais. Assim, o auditor fiscal efetuou diligência para verificar a exatidão e legitimidade dos créditos constantes do pedido, constatando uma série de divergências em relação aos números apresentados pelo contribuinte (fls 215 e seguintes). Diante disso, para conferir a exatidão do cálculo do crédito presumido, passível de apropriação mensal, durante o ano de 2003, a Fiscalização apurou, a partir da documentação contábil e fiscal do contribuinte, os valores de receita bruta, receita de exportação e consumo de materiais, no processo produtivo, assim como os valores de estoques de matériasprimas, produtos auxiliares e materiais de embalagem, necessários aos ajustes determinados pelas normas regentes do imposto. “Dessa diligencia, a Fiscalização conclui que "... o valor do crédito presumido acumulado para ressarcimento, na verdade, de R$ 160.336,75, não o valor do ressarcimento solicitado nas fls. 162. 2 Destarte, considerando a existência de um elevado saldo de crédito negativo originário de 2002 a compensar, resulta que não há crédito presumido passível de ressarcimento nesse primeiro trimestre..." (fls 486) O Contribuinte, em síntese, reclama da falta de atenção a guia DARF recolhido (código de receita 5042 devolução de crédito negativo de IPI, pago em 30/11/05, no valor original de R$ 1.205.152,22 e relativo ao período de apuração janeiro/04 (fl. 789) , quando do referido cálculo pela fiscalização. Tanto que este mesmo DARF que deu azo à Resolução n. 3802000.359. Ocorre que, como bem explicitado pela Fiscalização em sua resposta à diligência, tal DARF não podia ser considerado para o computado do crédito presumido, exatamente porque o Contribuinte optara pelo seu cálculo de acordo com a Lei n. 10.276/2001 e, por conseguinte, pela IN 315/2003. E este último ato normativo infralegal, em seu artigo 38, determina que, ao mudar seu regime de incidência do PIS/Cofins para o nãocumulativo (o que é o caso da Recorrente), a empresa deve efetuar a exclusão o crédito presumido de IPI contido nos produtos em elaboração e nos estoques de produtos acabados, mas não vendidos. Esse fato, somado ao de que a Fiscalização teve que recalcular para menos os créditos presumidos apurados pelo Contribuinte, ao analisar seus documentos fiscais e contáveis, resultou na existência de crédito negativo a compensar transferido de 2002, razão pela qual não há direito a crédito presumido no primeiro trimestre de 2003 (fl. 430). Ademais, o procedimento do Auto de Infração objeto do PAF 10580.004609/200711 não afeta as citadas conclusões, uma vez que o crédito presumido é determinado por percentual dos custos transformado em crédito de IPI. CONCLUSÃO 2 R$ 388.351,04 Fl. 943DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 10 Diante do exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 944DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ
score : 1.0
Numero do processo: 10970.000426/2008-13
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2004
EXCLUSÃO. SIMPLES. ENSINO MÉDIO.
As escolas de ensino médio não podem exercer ou manter opção pelo SIMPLES, em razão de vedação constante em norma legal.
Numero da decisão: 1301-001.257
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. Ausente momentaneamente o Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior.
Nome do relator: Valmir Sandri
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201307
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004 EXCLUSÃO. SIMPLES. ENSINO MÉDIO. As escolas de ensino médio não podem exercer ou manter opção pelo SIMPLES, em razão de vedação constante em norma legal.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 10970.000426/2008-13
conteudo_id_s : 5596552
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1301-001.257
nome_arquivo_s : Decisao_10970000426200813.pdf
nome_relator_s : Valmir Sandri
nome_arquivo_pdf_s : 10970000426200813_5596552.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. Ausente momentaneamente o Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
id : 6403615
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:49:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048422806716416
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1625; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10970.000426/200813 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.257 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de julho de 2013 Matéria SIMPLES Recorrente Colégio Educacional ABC de Ensino Fundamental e Médio S/C Ltda. Recorrida Fazenda Nac ional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 EXCLUSÃO. SIMPLES. ENSINO MÉDIO. As escolas de ensino médio não podem exercer ou manter opção pelo SIMPLES, em razão de vedação constante em norma legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. Ausente momentaneamente o Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 00 04 26 /2 00 8- 13 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10970.000426/200813 Acórdão n.º 1301001.257 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Colégio Educacional ABC de Ensino Fundamental e Médio S/C Ltda. recorre da decisão da 5ª Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora, que indeferiu sua manifestação de inconformidade em face do Ato Declaratório Executivo DRF/UBE n°58/2008, mediante o qual o sujeito passivo foi excluído do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), com efeitos a partir de 01/02/2004, ao fundamento de que a atividade exercida é impeditiva da opção, qual seja, o ensino médio. Ciente da decisão em 13 de abril de 2009, a interessada apresentou recurso em 07 de maio seguinte. Argumenta que o art. 9º, inciso XIII da Lei nº 9.317/96 não configura uma vedação legal à opção pelo SIMPLES para a pessoa jurídica que exerça atividade educacional de ensino, seja ele ensino infantil, fundamental ou médio, afirmando não haver, no texto legal, indícios, muito menos menção expressa, de qualquer objeção à atividade. Aduz não ser plausível querer realizar um exercício hermenêutico no sentido de englobar a prestação educacional, no âmbito do ensino médio, como sendo assemelhado ao de professor, o quê esbarraria no próprio sistema jurídico que cerca as leis tributárias, que exige do aplicador das leis fiscais adstrição a uma interpretação restritiva. Assevera que as instituições de ensino não podem ser enquadradas como sociedades civis de prestação de serviços relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, face ao seu caráter social, e de prestação, genuinamente, de interesse público, e ainda, por não limitarse ao exercício puro e simples da atividade de professor. Diz não haver espaço para determinar o sentido e alcance da lei de forma extensiva ou ampliativa, e que o emprego da analogia não pode resultar na exigência de tributo não expressamente previsto, conforme preceitua o §1° do art. 108, do CTN. Faz referência ao art. 112 do CTN, que estabelece que, em caso de dúvida, a lei tributária deve ser interpretada da maneira mais favorável ao contribuinte. Defende que o legislador visou tão somente restringir o acesso ao SIMPLES àqueles que exercem atividade exclusiva de professor, não cabendo estender seus efeitos a outras categorias não expressas em lei. Argumenta que a Lei 10.034, de 24 de outubro de 2000, veio com antídoto, ante as interpretações equivocadas da lei do SIMPLES, no sentido de que as pessoas jurídicas dedicadas às atividades de creche, préescola e de ensino fundamental estavam incluídas na vedação do inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317/96. Defende que a atividade de professor não se misturaria à atividade do estabelecimento de ensino, invoca o princípio constitucional da isonomia e a Lei Complementar 123/2006, que instituiu o Simples Nacional. É o relatório. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10970.000426/200813 Acórdão n.º 1301001.257 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais para a sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. O Recorrente se insurge contra sua exclusão do SIMPLES, com efeitos a partir de fevereiro de 2004, com fulcro no inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317/96, pelo fato de exercer a atividade de ensino médio. A Lei nº 9.317, de 1996, no seu art. 9º, dispôs: "Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; Por seu turno, a Lei nº 10.684, de 2003, estabeleceu: "Art.1º Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, as pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente às seguintes atividades: I — creches e préescolas; II— estabelecimentos de ensino fundamental; III — centros de formação de condutores de veículos automotores de transporte terrestre de passageiros e de carga; IV — agências lotéricas; V — agências terceirizadas de correios; VI—vetado VII—vetado" O fato de a Lei n° 10.034/2000 excetuar da restrição estabelecida pelo inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317/96 as pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente às atividades de creches, préescolas e estabelecimentos de ensino fundamental, confirma o entendimento de que a vedação originalmente prevista na lei alcança os estabelecimentos de ensino, como prestador de serviços de atividade de professor ou assemelhadas. Apenas a partir Fl. 78DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10970.000426/200813 Acórdão n.º 1301001.257 S1C3T1 Fl. 5 4 da Lei 10.034/2000 foi permitida a opção, exclusivamente para as creches, préescolas e estabelecimentos de ensino fundamental. Neste sentido a seguinte decisão judicial: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. CONTRATO SOCIAL QUE INDICA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE ENSINO NO NÍVEL MÉDIO. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO PELO SIMPLES. NÃO PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS DAS LEIS N. 9.317/96 E N. 10.034/00. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. AFERIÇÃO DA CORRETA ANÁLISE DAS PROVAS PRODUZIDAS NA ORIGEM. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 537 DO STJ. 1 É cediço nesta Corte que os estabelecimentos de ensino médio não podem se beneficiar da opção pelo SIMPLES em face da vedação contida no art. 9º, XIII, da Lei n. 9.317/96, uma vez que o art. 1º da Lei n. 10.034/2000 excluiu expressamente da restrição ao benefício fiscal apenas os estabelecimentos de ensino que se dediquem às atividades de creche, préescolas e ensino fundamental. Precedentes: REsp 612.127/RJ, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, DJ 07/02/2007; REsp 883.625/RJ, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 22/03/2007. (STJ, 2ª Turma, AGA 200901355300, DJE:28/09/2010). A vedação permaneceu após a instituição do Simples Nacional (Lei Complementar 123/2006, cujo art. 17, inciso XI, vedou a opção por parte de microempresa ou empresa de pequeno porte que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, excepcionadas, pelo § 1º, inciso I, as que se dediquem exclusivamente às atividades creche, préescola e estabelecimento de ensino fundamental. A possibilidade de opção pelo Simples Nacional para as pessoas jurídicas que se dediquem à atividade de ensino de nível médio apenas passou a existir com a edição da Lei Complementar nº 128/2008, que alterou a redação do § 1º do art. 17 da Lei Complementar nº 123/2006. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, DF, em 11 de julho de 2013. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 79DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10970.000426/200813 Acórdão n.º 1301001.257 S1C3T1 Fl. 6 5 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 35067.001856/2004-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2401-000.515
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que o contribuinte seja cientificado do resultado da diligência anterior determinada pela Resolução 2401-000.431 - 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária/2ª Seção de Julgamento.
Maria Cleci Coti Martins
Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rosemary Figueiroa Augusto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201605
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 35067.001856/2004-44
anomes_publicacao_s : 201607
conteudo_id_s : 5608655
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 08 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2401-000.515
nome_arquivo_s : Decisao_35067001856200444.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARIA CLECI COTI MARTINS
nome_arquivo_pdf_s : 35067001856200444_5608655.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que o contribuinte seja cientificado do resultado da diligência anterior determinada pela Resolução 2401-000.431 - 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária/2ª Seção de Julgamento. Maria Cleci Coti Martins Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rosemary Figueiroa Augusto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
dt_sessao_tdt : Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
id : 6434619
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:50:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048422808813568
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1384; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35067.001856/200444 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2401000.515 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 12 de maio de 2016 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente HIPER EXPORT TERMINAIS RETROPORTUARIOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que o contribuinte seja cientificado do resultado da diligência anterior determinada pela Resolução 2401000.431 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária/2ª Seção de Julgamento. Maria Cleci Coti Martins Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rosemary Figueiroa Augusto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 50 67 .0 01 85 6/ 20 04 -4 4 Fl. 5949DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 35067.001856/200444 Resolução nº 2401000.515 S2C4T1 Fl. 3 2 Relatório Relatório fiscal: fls. 44/45 Tratase de recurso voluntário referente a crédito tributário decorrente de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n. 32.8114065, no qual são apuradas as contribuições dos segurados e as contribuições patronais para a seguridade social e para outras entidades ou fundos, nos seguintes fatos geradores: a) remunerações de empregados, conforme folhas de pagamento, rescisões e recibos de férias, b) contribuições da empresa relativos a seguro de vida em benefício dos empregados, c) pró labore, obtido na contabilidade e, d) remunerações pagas a trabalhadores autônomos constantes em recibos. Na impugnação (fls. 66/81), a empresa se manifestou sobre os seguintes pontos: 1. Que as contribuições lançadas foram objeto de compensação com créditos decorrentes de recolhimentos indevidos sobre a remuneração de avulso, autônomos e administradores, conforme autorização na Ação Ordinária 99.00039874, à época em tramitação na 2a. Vara Federal em Vitória (ES). 2. Se insurge contra a taxa SELIC, incidência de contribuição sobre o 13 salário e contribuições para terceiros 3. inconstitucionalidade da cobrança das contribuições devidas aos terceiros, e para aquela devida em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. O fisco informou que a empresa não apresentou qualquer documento relacionado à compensação judicial durante a ação fiscal. A Procuradoria do INSS (fls. 145/146) se posicionou no sentido de que os créditos decorrentes da ação judicial fossem compensados com os valores apurados nas NFLD 32.811.4073, 32.211.4120 e 32.811.4065. Teria ainda sugerido que os valores remanescentes deveriam ser desmembrados da NFLD 32.811.4065, para prosseguimento do contencioso em relação as outras matérias impugnadas. O fisco seguiu a orientação da Procuradoria do INSS e a empresa fora cientificada de que parte do crédito estava sendo alocado na NFLD 35.491.3654. Às fls. 177/186 está a Decisão Notificação DN n. 07.401.4/0272/2004. O órgão de julgamento em primeira instância entendeu que não caberia enfrentar as alegações relativas à compensação, pois ainda não existia decisão definitiva na esfera judicial. A recorrente interpôs recurso voluntário tempestivo (fls. 193/198) no qual afirma que a decisão administrativa contrariou a decisão judicial no processo de Apelação Civil 2000.02.01.0259528/ES proferida pela 3a. Turma do TRF da 2a. Região. Tal decisão judicial teria determinado a compensação integral dos valores indevidamente recolhidos pela recorrente a título de contribuição previdenciária sobre a remuneração de avulsos, autônomos e administradores instituída pelas Leis n. 7.787/89 e 8.212/91. Fl. 5950DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 35067.001856/200444 Resolução nº 2401000.515 S2C4T1 Fl. 4 3 Afirma também que a apuração dos valores que lhe são devidos está sendo efetuada pelo próprio INSS desde o ano 2003, conforme o MPFDiligência n. 09049831 de 03/06/2003, com prazo para encerramento dos trabalhos em 02/08/2004. A 1a. Turma Ordinária da 3a. Câmara da 2a. Seção do CARF através do Acórdão 2301000.270 anulou a decisão de primeira instância tendo em vista a falta da ciência do contribuinte para o pronunciamento do fisco efetuado após a apresentação da defesa. Após a anulação da decisão da primeira instância, a empresa alegou novamente que a NFLD é improcedente em relação aos créditos de contribuição de avulsos, autônomos e administradores. A nova decisão proferida pela DRJ/RJ1 (fls. 366/375) considerou que, na data da lavratura do auto de infração, não havia qualquer decisão judicial impedindo o lançamento, além de que o contencioso administrativo não é o meio próprio para se buscar a compensação de tributos devidos com créditos do sujeito passivo. Também entendeu que a incidência de contribuições sobre o seguro de vida deveria ser mantida pois não havia norma excluindo a parcela do salário de contribuição quando da ocorrência dos fatos geradores. O contribuinte então interpôs recurso voluntário(fls. 418/425) reforçando os argumentos já apresentados na impugnação e ainda o que segue. a) Afirmou que obteve decisão em segunda instância com trânsito em julgado declarando legítima a compensação efetuada, além de que, na fase executória, foi reconhecida a existência de um crédito de R$ 8.526.469,12. b) Existência de decisão judicial, transitada em julgado, determinando o encontro de contas. c) A decisão do TRF (fls. 576/579) determinou que o lançamento de eventuais diferenças por parte do INSS somente poderia se aperfeiçoar após a averiguação do quantum representativo dos créditos da empresa. d) A existência de um crédito da empresa em data anterior ao surgimento da obrigação tributária enseja a compensação com base nos valores originários da obrigação, sem a possibilidade de incidência de acréscimos legais. e) Pede a reforma da decisão recorrida com o consequente cancelamento da NFLD. O processo foi baixado em diligência para que fosse acostados aos autos as seguintes informações quanto aos processos judiciais de n.º 99.00039874 e 95.00006537, na forma abaixo indicada: a. Quanto ao processo de n.º 99.00039874: a.1. Informar se foi realizada perícia para apuração do crédito pleiteado pelo contribuinte. Em caso positivo, informar se o referido crédito é suficiente para compensar os débitos lançados no presente processo administrativo; a.2. Informar todos as decisões proferidas no bojo do processo (sentença, acórdãos proferidos pelo TRF, STJ ou STF); Fl. 5951DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 35067.001856/200444 Resolução nº 2401000.515 S2C4T1 Fl. 5 4 a.3. Informar o status do processo. b. Quanto ao processo de n. 95.00006537: b.1. Informar se foi realizada perícia para apuração do crédito pleiteado pelo contribuinte, seja no curso da ação de conhecimento, seja na fase de liquidação ou execução do julgado; b.2. Informar se o crédito apurado foi objeto de execução e se foi expedido precatório para repetição do indébito pelo contribuinte; É o relatório. Fl. 5952DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 35067.001856/200444 Resolução nº 2401000.515 S2C4T1 Fl. 6 5 Voto Conselheira Maria Cleci Coti Martins Relatora A diligência determinada pela Turma julgadora foi atendida pela autoridade fiscal, entretanto, dela não teve ciência o contribuinte. Desta forma, entendo que o processo deve retornar à autoridade diligenciada para que proceda a cientificação do recorrente, que poderá se manifestar no prazo regulamentar de 30 dias. Maria Cleci Coti Martins. Fl. 5953DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
score : 1.0
