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Numero do processo: 10580.010762/2003-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 1999
NULIDADE. ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO. SIMPLES. OPÇÃO. EXCLUSÃO. SERVIÇOS DE INTERMEDIAÇÃO E PROMOÇÃO DE EVENTOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
1. A atividade desenvolvida pelo contribuinte não guarda plena identidade com a vedação disposta no inciso XIII, do artigo 9° da Lei n° 9.317/96. 2. Não procedida a verificação da efetiva participação da recorrente nos eventos em que atua em tempo hábil, é nulo o ato que determinou sua exclusão. 4. Deve a Recorrente ser readmitida no sistema, a partir da data da opção, em observância ao inciso I, do art. 4°, c/c §2°, do mesmo artigo, da Lei n° 10.964/2004, incluído pela Lei n° 11.051, de 29/12/04.
Numero da decisão: 1302-001.894
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 1999 NULIDADE. ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO. SIMPLES. OPÇÃO. EXCLUSÃO. SERVIÇOS DE INTERMEDIAÇÃO E PROMOÇÃO DE EVENTOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. 1. A atividade desenvolvida pelo contribuinte não guarda plena identidade com a vedação disposta no inciso XIII, do artigo 9° da Lei n° 9.317/96. 2. Não procedida a verificação da efetiva participação da recorrente nos eventos em que atua em tempo hábil, é nulo o ato que determinou sua exclusão. 4. Deve a Recorrente ser readmitida no sistema, a partir da data da opção, em observância ao inciso I, do art. 4°, c/c §2°, do mesmo artigo, da Lei n° 10.964/2004, incluído pela Lei n° 11.051, de 29/12/04.
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ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO. SIMPLES. OPÇÃO. EXCLUSÃO. SERVIÇOS DE INTERMEDIAÇÃO E PROMOÇÃO DE EVENTOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. 1. A atividade desenvolvida pelo contribuinte não guarda plena identidade com a vedação disposta no inciso XIII, do artigo 9° da Lei n° 9.317/96. 2. Não procedida a verificação da efetiva participação da recorrente nos eventos em que atua em tempo hábil, é nulo o ato que determinou sua exclusão. 4. Deve a Recorrente ser readmitida no sistema, a partir da data da opção, em observância ao inciso I, do art. 4°, c/c §2°, do mesmo artigo, da Lei n° 10.964/2004, incluído pela Lei n° 11.051, de 29/12/04. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. EDELI PEREIRA BESSA Presidente. (assinado digitalmente) MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 07 62 /2 00 3- 45 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMU CENO FEITOSA Processo nº 10580.010762/200345 Acórdão n.º 1302001.894 S1C3T2 Fl. 62 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: "Tratase de manifestação de inconformidade contra exclusão do Simples, pelo Ato Declaratório Executivo DRF/Salvador n° 417.572, de 07/08/2003, pelo exercício de atividade econômica vedada: 92398/99 Outras atividades de espetáculos, não especificadas anteriormente (fls. 13). 2. Inicialmente, a interessada interpôs Solicitação de Revisão da Vedação/Exclusão à Opção pelo Simples (SRS), alegando, em síntese, que a exclusão era improcedente, pois, conforme Contrato Social anexo, houvera um equívoco na descrição da atividade econômica no código CNAE 9232 0/04. Todavia, a SRS foi indeferida, reiterando que a contribuinte exercia atividade econômica vedada pela tributação do Simples, de acordo com a alteração contratual anexa (fls. 15). 3. Ciente do indeferimento, da SRS, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, em que ratifica os argumentos da SRS e junta cópias do Contrato Social (e alterações) e de notas fiscais, para justificar a natureza do serviço prestado sonorização e iluminação de eventos (fls. 04/11). 4. Ante o exposto, requer o cancelamento do Ato Declaratório em comento." A DRJSalvador/BA decidiu pela manutenção da exclusão da contribuinte do SIMPLES (fls.52/57), por entender que a atividade de sonorização de eventos se assemelha à de prestação de serviços de produtor de espetáculos, o que impediria o contribuinte optar pelo Simples, nos termos do inciso XIII do art. 9o da Lei n°. 9.317/96. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário a este Colegiado (fl. 59), onde pede a revisão do caso ora em questão. Em sessão de 10 de novembro de 2005, a primeira câmara, do terceiro conselho de contribuintes, converteu o julgamento em diligência, para que fosse juntado aos autos o Ato Declaratório de Exclusão (fls. 69/71). Cumprida a diligência requerida (fls. 73/74), retornaram os autos para o Colegiado deste Egrégio Conselho. Levado o processo a julgamento, o mesmo foi novamente convertido em diligência, com o objetivo de a autoridade administrativa verificar se, nos eventos que a recorrente organiza, sua participação limitase ao mero apoio organizacional, ou se a recorrente atua como intermediária entre seus clientes e os palestrantes ou artistas que Fl. 62DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMU CENO FEITOSA Processo nº 10580.010762/200345 Acórdão n.º 1302001.894 S1C3T2 Fl. 63 3 participam dos eventos, isto é, se é de sua responsabilidade a contratação dos palestrantes ou artistas. Baixado em diligência, a DRFB informou (fl. 82), em síntese que “tendo o processo transitado por diversos setores da RFB, já se passou o lapso temporal suficiente que, independentemente da decisão a ser proferida pelo CARF, não haverá resultado prático para qualquer das partes envolvidas.” Sendo assim, a DRFB propôs o encaminhamento da referida Informação Fiscal ao CARF para análise quanto à procedência e conveniência da diligência determinada. É o relatório. Voto Conselheiro MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Ciente da Informação Fiscal nº 10/2013, preliminarmente, determino a dispensa da diligência, pois dela não se vislumbra provir nenhum resultado prático para solução da lide. Assim, passo a analisar o mérito do Recurso Voluntário por ser tempestivo. A DRJSalvador/BA decidiu pela manutenção da exclusão do contribuinte do SIMPLES (fls.52/57), por entender que a atividade de sonorização de eventos se assemelha à de prestação de serviços de produtor de espetáculos, o que estaria a vedar à contribuinte sua opção pelo Simples, nos termos do inciso XIII do art. 9o da Lei n°. 9.317/96. Ressalto que o entendimento mencionado não veio instruído por documentos suficientes para justificar o ato de exclusão do Simples, motivo pelo qual este Conselho determinou a conversão do julgamento em diligência para verificar se era de responsabilidade da recorrente a contratação dos palestrantes e/ou artistas nos eventos em que exercia suas atividades, dada a imprescindibilidade da informação para o deslinde da controvérsia. Para dirimir a questão, valhome da posição adotada pela própria Receita Federal, na Solução de Divergência COSIT n° 10, de 15 de julho de 2003, onde, em caso análogo, a autoridade administrativa assim pronunciouse em seus termos finais: "Tecidas tais considerações, empresas que tenham por objeto a organização de eventos esportivos (organização de competições internas em empresas), recreativos (organização de gincanas, rua de lazer, festas internas em empresas e atividades infantis), artísticos (exposições e oficinas de artes para crianças) ou mera organização de buffets, festas de aniversário poderão ser optantes do Simples. Por outro lado, se as empresas se dedicarem à intermediação entre artistas e interessados, bem assim pela organização de cursos, seminários e congressos, em que a empresa intermedie a vinda de profissionais, sejam eles artistas ou autoridades renomadas em determinados assuntos, não farão jus ao benefício, uma vez que tais eventos passam a ter o caráter de espetáculos." (grifo não constante do original) Fl. 63DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMU CENO FEITOSA Processo nº 10580.010762/200345 Acórdão n.º 1302001.894 S1C3T2 Fl. 64 4 Assim, unicamente interpretar que “a atividade de sonorização de eventos se assemelha à de prestação de serviços de produtor de espetáculo, impedindo que a pessoa jurídica que a exerça ingresse no Simples” não configura fato suficiente à procedência da exclusão da sistemática aqui tratada, sendo necessário provas para tanto. Desta forma, sem as provas que determinam o ato vinculado e obrigatório do fisco, este carece de motivação, pois não cabe à Administração, arbitrariamente, realizar interpretações sobre a norma sem provas de que seu convencimento, de fato, se amolda à previsão legal apontada pela Administração. Nada obstante, aprofundandose no mérito, é possível inferir que o legislador elegeu a atividade econômica desempenhada pela pessoa jurídica como excludente da concessão do tratamento privilegiado do SIMPLES, e que tal classificação não considerou o porte econômico do contribuinte, mas sim a atividade exercida pelo mesmo. Portanto, indiferente os critérios quantitativos de faturamento ou receita da pessoa jurídica que tem como atividade uma das elencadas no dispositivo legal. No entanto, a interpretação da norma que previu a condição excludente não pode andar sem que se estabeleçam limites, ou não restariam contribuintes que pudessem optar pelo referido sistema. É de se reconhecer, ainda que admitamos que a interpretação das normas do SIMPLES seja restritiva em relação à possibilidade de opção e extensiva em relação às atividades elencadas nas exclusões, não vejo, neste caso, como as disposições do art. 9°, inciso XIII, da Lei n°. 9.317/96, possam ser aplicadas. Tenho para mim que o limite do termo "assemelhados" do inciso XIII, do artigo 9° da Lei n°. 9.317/96, encontra seu limite no conteúdo valorativo da atividade, ou seja, não se pode tomar uma parte para designar o todo. In casu, o recorrente alega que, por um lapso designou o objetivo social sobre termos que não permitiam a opção pelo simples, no entanto, afirma que as atividades que exercia sempre estiveram compreendidas entre aquelas que permitem a opção pelo SIMPLES, motivo pelo qual alterou o contrato social, para adequar o contrato social às atividades efetivamente por si exercidas. Desta forma, coube ao fisco certificarse sobre a verdadeira atividade exercida pelo contribuinte. Contudo, tal diligência não fora exercida dentro do prazo que lhe conferia utilidade, o que gerou sua inconveniência, à vista da decadência dos débitos que o fisco imputava devidos. A importância da investigação relativa à possibilidade do contribuinte optar pelo SIMPLES, reside na disposição do artigo 150, inciso II, e 179 da Carta Magna, que veda o tratamento desigual àqueles que se encontrem em situação equivalente, e prevê o tratamento jurídico diferenciado às microempresas e empresas de pequeno porte, respectivamente. Explico. De outro lado, em vista da última alteração contratual juntada aos autos (fl. 38), constatase a seguinte alteração no objetivo social da empresa, conforme à seguir: Fl. 64DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMU CENO FEITOSA Processo nº 10580.010762/200345 Acórdão n.º 1302001.894 S1C3T2 Fl. 65 5 “O objetivo social é a prestação de serviço em sonorização e iluminação e eventos, passará para: alugueis de materiais, som, luz, máquinas e equipamentos de informática e promoção de eventos.” Sendo assim, não são necessários maiores argumentos para que se conclua que a atividade de “alugueis de materiais, som, luz, máquinas e equipamentos de informática e promoção de eventos”, não exige preparação específica ou habilitação legalmente exigida, que o sujeitasse à inscrição nos Conselhos Regionais de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREA). Observese, por último, quanto aos efeitos do retorno da Recorrente ao sistema, que de acordo, ainda, com a nova redação do §2°, do art. 4º, Lei 10.964, de 28 de outubro de 2004, oferecida pela Lei n° 11.051, de 29/12/2004: "as pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo que tenham sido excluídas do Simples exclusivamente em decorrência do disposto no inciso XIII do art. 9° da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, poderão solicitar o retorno ao sistema, com efeitos retroativos à data de opção desta, nos termos, prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF, desde que não se enquadrem nas demais hipóteses de vedação prevista na legislação." Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É o voto. MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator Fl. 65DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMU CENO FEITOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.006978/2007-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
CERCEAMENTO DE DEFESA. DOCUMENTOS APREENDIDOS.
0 simples fato de ter ocorrido apreensão de documentos pelo Poder Público não implica cerceamento de defesa, mormente se a interessada não esboçou qualquer tentativa de obter cópias de documentos relevantes, e os fatos podem ser comprovados por múltiplos meios, além dos documentos apreendidos.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL.
Por força de presunção legal expressa, caracterizam omissão de receita os valores dos depósitos bancários a cujo respeito o titular, regularmente intimado a faze-1o, não comprova a origem dos recursos respectivos.
REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO. FATO NOVO OU NÃO CONHECIDO. EXIGÊNCIA SUPRIDA PELO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.os termos do art. 149 do CTN e art. 906 do RIR/1999, quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento inicial, desde que mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal.
MULTA QUALIFICADA. INTERPOSTA PESSOA. PROCEDÊNCIA.
Procede a qualificação da multa, diante do conjunto probatório dos autos, a evidenciar a interposição de pessoa na titularidade da empresa e um esquema empresarial dirigido à sonegação de tributos. No caso concreto, foram decisivos para essa conclusão: a detenção e o exercício de amplos, gerais e ilimitados poderes pelo titular de fato, sem prestação de contas, mediante procuração pública sem limite temporal; a livre movimentação, individualmente, de todas as contas bancárias em nome da empresa, sendo que, em dois bancos, de forma exclusiva; as incompatibilidades entre rendimentos declarados e gastos comprovados; fatos idênticos apurados também em outras empresas, comprovados com documentos apreendidos por ordem judicial, mediante mandados de busca e apreensão, sempre apontando para o envolvimento direto dos titulares de fato e a utilização de interpostas pessoas; tudo sempre com o objetivo de ocultar das autoridades fazendárias os fatos geradores tributários e, além disso, a capacidade contributiva e o patrimônio acumulado por quem efetivamente comandava o grupo de empresas.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERPOSTA PESSOA.
Comprovado nos autos os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertados por terceiras pessoas ("laranjas") que apenas emprestavam o nome para que eles realizassem operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contas correntes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art. 135, do Código Tributário Nacional.
Comprovada a interposição de pessoas, o lançamento deve ser efetuado no real possuidor dos valores a serem tributados.
Numero da decisão: 1301-001.978
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 CERCEAMENTO DE DEFESA. DOCUMENTOS APREENDIDOS. 0 simples fato de ter ocorrido apreensão de documentos pelo Poder Público não implica cerceamento de defesa, mormente se a interessada não esboçou qualquer tentativa de obter cópias de documentos relevantes, e os fatos podem ser comprovados por múltiplos meios, além dos documentos apreendidos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. Por força de presunção legal expressa, caracterizam omissão de receita os valores dos depósitos bancários a cujo respeito o titular, regularmente intimado a faze-1o, não comprova a origem dos recursos respectivos. REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO. FATO NOVO OU NÃO CONHECIDO. EXIGÊNCIA SUPRIDA PELO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.os termos do art. 149 do CTN e art. 906 do RIR/1999, quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento inicial, desde que mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal. MULTA QUALIFICADA. INTERPOSTA PESSOA. PROCEDÊNCIA. Procede a qualificação da multa, diante do conjunto probatório dos autos, a evidenciar a interposição de pessoa na titularidade da empresa e um esquema empresarial dirigido à sonegação de tributos. No caso concreto, foram decisivos para essa conclusão: a detenção e o exercício de amplos, gerais e ilimitados poderes pelo titular de fato, sem prestação de contas, mediante procuração pública sem limite temporal; a livre movimentação, individualmente, de todas as contas bancárias em nome da empresa, sendo que, em dois bancos, de forma exclusiva; as incompatibilidades entre rendimentos declarados e gastos comprovados; fatos idênticos apurados também em outras empresas, comprovados com documentos apreendidos por ordem judicial, mediante mandados de busca e apreensão, sempre apontando para o envolvimento direto dos titulares de fato e a utilização de interpostas pessoas; tudo sempre com o objetivo de ocultar das autoridades fazendárias os fatos geradores tributários e, além disso, a capacidade contributiva e o patrimônio acumulado por quem efetivamente comandava o grupo de empresas. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERPOSTA PESSOA. Comprovado nos autos os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertados por terceiras pessoas ("laranjas") que apenas emprestavam o nome para que eles realizassem operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contas correntes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art. 135, do Código Tributário Nacional. Comprovada a interposição de pessoas, o lançamento deve ser efetuado no real possuidor dos valores a serem tributados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
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DEPÓSITO BANCÁRIO. INERPOSTA PESSOA Recorrente IRIS COLOR EXPRESS COMÉRCIO DE MATERIAIS FOTOGRÁFICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 CERCEAMENTO DE DEFESA. DOCUMENTOS APREENDIDOS. 0 simples fato de ter ocorrido apreensão de documentos pelo Poder Público não implica cerceamento de defesa, mormente se a interessada não esboçou qualquer tentativa de obter cópias de documentos relevantes, e os fatos podem ser comprovados por múltiplos meios, além dos documentos apreendidos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. Por força de presunção legal expressa, caracterizam omissão de receita os valores dos depósitos bancários a cujo respeito o titular, regularmente intimado a faze1o, não comprova a origem dos recursos respectivos. REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO. FATO NOVO OU NÃO CONHECIDO. EXIGÊNCIA SUPRIDA PELO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.os termos do art. 149 do CTN e art. 906 do RIR/1999, quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento inicial, desde que mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal. MULTA QUALIFICADA. INTERPOSTA PESSOA. PROCEDÊNCIA. Procede a qualificação da multa, diante do conjunto probatório dos autos, a evidenciar a interposição de pessoa na titularidade da empresa e um esquema empresarial dirigido à sonegação de tributos. No caso concreto, foram decisivos para essa conclusão: a detenção e o exercício de amplos, gerais e ilimitados poderes pelo titular de fato, sem prestação de contas, mediante procuração pública sem limite temporal; a livre movimentação, individualmente, de todas as contas bancárias em nome da empresa, sendo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 69 78 /2 00 7- 27 Fl. 17455DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 2 que, em dois bancos, de forma exclusiva; as incompatibilidades entre rendimentos declarados e gastos comprovados; fatos idênticos apurados também em outras empresas, comprovados com documentos apreendidos por ordem judicial, mediante mandados de busca e apreensão, sempre apontando para o envolvimento direto dos titulares de fato e a utilização de interpostas pessoas; tudo sempre com o objetivo de ocultar das autoridades fazendárias os fatos geradores tributários e, além disso, a capacidade contributiva e o patrimônio acumulado por quem efetivamente comandava o grupo de empresas. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERPOSTA PESSOA. Comprovado nos autos os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertados por terceiras pessoas ("laranjas") que apenas emprestavam o nome para que eles realizassem operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contas correntes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art. 135, do Código Tributário Nacional. Comprovada a interposição de pessoas, o lançamento deve ser efetuado no real possuidor dos valores a serem tributados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. Fl. 17456DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10980.006978/200727 Acórdão n.º 1301001.978 S1C3T1 Fl. 12 3 Relatório Por bem retratar os fatos, adoto, na íntegra, o bem elaborado relatório da autoridade julgadora de primeira instância. Este processo trata de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (lucro arbitrado) de fls. 128144, de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (fls. 146162), de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (fls. 164178), e de contribuição para o PIS/PASEP (fls. 180194), por meio dos quais se exige da contribuinte o crédito tributário total de R$ 20.569.925,96, incluindo juros moratórios calculados até 31/05/2007, conforme discriminado no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, espelhado as fls. 01. 0 Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal de fls. 197259 veicula um circunstanciado relato dos eventos que moldaram o convencimento do Fisco e culminaram na feitura do lançamento. Esse documento se divide em tópicos, a seguir sintetizados nos pontos mais relevantes para este PAF: 1 INFORMAÇÕES GERAIS 1.1 —Origem da Demanda da Fiscalização Esclarece que a ação fiscal foi motivada por oficio do Ministério Público Estadual que encaminhou cópias de denúncias feitas em declarações prestadas por terceiros cujos nomes foram utilizados, fraudulentamente, na constituição e na transferência de quotas de diversas empresas de fachada, utilizadas na exploração de estabelecimentos ligados à fiscalizada. 1.2 — A Fiscalização da Iris Color É informado que a ação fiscal, inicialmente restrita ao anocalendário de 2004, foi programada em decorrência das divergências entre as receitas declaradas ao Fisco federal e as receitas de vendas recebidas por meio de cartões de créditos, e também pela movimentação financeira incompatível, conforme evidenciado em demonstrativo estampado às fls. 199. Posteriormente, foi solicitado e autorizado o reexame dos anoscalendário 2002 e 2003, que já haviam sido fiscalizados. 1.2.1 — Modus Operandi Registra que a forma de operação utilizada pela IRIS COLOR consiste em alegar que é franqueadora de empresas, e que suas franqueadas efetuam vendas de artigos fotográficos e cinematográficos, comércio de bijouterias, relojoaria, etc; e que sua remuneração corresponde a 2% da movimentação financeira, a titulo de administração e manutenção. Entretanto, nos seus contratos de franquia está previsto que a remuneração seria exclusivamente em função da assistência continua, pela margem auferida na revenda de material didático e operacional, mas é omitido o percentual a ser pago. Fl. 17457DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 4 Ressalta a previsão expressa nos contratos de que o franqueado é o único responsável pela gestão de seu negócio, autônomo e independente de pleno direito. Entretanto, assegura ter constatado que as supostas franqueadas não gozavam de qualquer autonomia ou independência, posto que a movimentação financeira de todas era intrinsecamente ligada, e o Sr. Ricardo de Almeida César admitiu gerir financeiramente todas as franqueadas. 1.3 — Demais Empresas Fiscalizadas Relata que, das 19 (dezenove) empresas fiscalizadas que a Iris Color alega serem suas franqueadas, 15 (quinze) eram optantes pelo SIMPLES, e as outras 4 (quatro) eram optantes pelo lucro presumido, sendo que todas elas declaravam apenas uma pequena parte de suas receitas, e que seus recolhimentos tributários eram ínfimos ou inexistentes. 0 quadro demonstrativo estampado ás fls. 200202 discrimina a movimentação financeira dessas empresas, bem como o valor das receitas registradas em suas DIPJ e no livro Razão, além dos valores recolhidos anualmente por meio de DARF. Acrescenta que a ação fiscal foi direcionada no sentido de comprovar a vinculação das empresas registradas em nome de 'laranjas' com a empresa Iris Color, objetivando constituir o crédito tributário contra a verdadeira beneficiária, e que se buscou reunir provas de que os vultosos recursos movimentados em nome das empresas "laranjas' tinham origem em receitas não contabilizadas pela Iris Color. Informa que as verificações fiscais nas empresas ligadas a Iris Color compreenderam: a) a coleta e seleção de documentos relativos à sua constituição e posteriores transferências de quotas; b) a realização de diligências, por amostragem, junto aos supostos sócios, aos proprietários dos imóveis e aos fornecedores; c) a análise da escrituração — quando apresentados os livros contábeis e fiscais — em confronto com a movimentação financeira; e d) principalmente, identificação dos reais gestores das empresas. 2 — SIMULAÇÃO NA CONSTITUIÇÃO E TRANSFERÊNCIA DE QUOTAS DAS EMPRESAS 2.1 — Depoimentos junto ao Ministério Público Estadual Relata que o Ministério Público Estadual forneceu depoimentos de pessoas que denunciaram a utilização fraudulenta de seus nomes na constituição de empresas que seriam 'franqueadas' da Iris Color, e transcreve os tópicos que considera de maior interesse. Acrescenta que, para reforçar as provas já em seu poder, a fiscalização intimou, via postal, os supostos sócios das 19 empresas fiscalizadas, tendo sido devolvida a maioria das intimações por não terem sido encontrados os destinatários. Adiciona que os depoimentos das pessoas que atenderam às intimações corroboram a assertiva de que as empresas estavam em nomes de interpostas pessoas. 2.2 — Resultado das Diligencias Realizadas nas 19 Empresas Este tópico se propõe a resumir os resultados das diligencias realizadas nas 19 empresas e respectivos sócios, e é composto pelos subitens "2.2.1. Art Comércio de Materiais Fotográficos Ltda — ME CNPJ n° 02.485.412/000194" (fls. 201) até "2.2.19. Sonda Color Com. De Materiais Fotográficos Ltda CNPJ n° 02.533.091/00156" (fls. 228). Cada um dos subitens, por sua vez, se decompõe em outros, destinados a registrar, segundo as particularidades de cada caso concreto: a constituição e alterações no quadro societário; diligências junto aos supostos sócios; depoimentos dos supostos sócios; e análise dos contratos de locação. Fl. 17458DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10980.006978/200727 Acórdão n.º 1301001.978 S1C3T1 Fl. 13 5 2.3 — Outros Indícios da Simulação É relatado que em alguns contratos e/ou alterações sociais consta endereço comum a vários sócios laranjas'. Exemplifica um que seria o domicilio de nove pessoas distintas, nenhuma delas localizada no local. Acrescentam que alguns 'laranjas' figuravam como sócios em varias empresas. Exemplifica uma pessoa, que figura como sócia de cinco diferentes empresas. Acrescenta que alguns 'laranjas' figuravam durante algum tempo como sócio, e depois suas quotas eram transferidas para outros, conforme exemplifica. É informado que no mesmo endereço foram constituídas várias empresas, uma substituindo a outra. A troca de sócios e de endereços está demonstrada nos gráficos de fls. 553 e 554 do volume II do Anexo I. Acrescenta que algumas empresas, mesmo tendo suas sedes em localidades distantes, como Florianópolis (SC), Palhoça (SC), Porto Alegre (RS), e Belo Horizonte (MG), invariavelmente mantinham conta bancária em Curitiba e, intimadas a esclarecer os motivos, mantiveramse silentes. É registrado que alguns endereços residenciais declarados pelos sócios 'laranjas' eram os mesmos dos estabelecimentos comerciais, conforme exemplifica. Adiciona que o fato de informar endereços falsos dos 'laranjas' impossibilitou sua localização, obstando o desenvolvimento das investigações. Esclarece que, de 44 intimações enviadas a supostos sócios 'laranjas', a metade (22) foram devolvidas constando a informação: "desconhecido", ou "endereço inexistente"; 17 com a informação: "mudouse" ou "não entregue"; e somente 5 foram atendidas.reg Dentre outras informações adicionais, istra que, em todo o período objeto da fiscalização as contas bancárias de todas as empresas sempre foram movimentadas pelos sócios da empresa Iris Color, constando como responsáveis os Srs. Ricardo de Almeida César e/ou Ednaldo Almeida César, sendo que em nenhum dos cheques das empresas consta assinatura de algum sócio que figura nos respectivos contratos sociais. É relatado que, do exame do conjunto probatório, emerge a conclusão de que foram constituídas múltiplas pessoas jurídicas, registradas ou transferidas para interpostas pessoas, mas que, em realidade, são filiais da empresa Iris Color Express Comércio de Materiais Fotográficos Ltda, e que todas as operações comerciais e financeiras em nome das 'franqueadas' eram, de fato, praticadas pela Iris Color e por seus sócios, no intuito de furtarem se da responsabilidade tributária e previdenciária. 3 — OUTRAS DILIGÊNCIAS REALIZADAS 3.1 — Dos Contratos De Locação É informado que alguns proprietários dos imóveis onde se localizam lojas da Iris Color foram intimados a informar os nomes dos locatários, e fornecer cópias dos contratos de locação, os quais, quando referentes as empresas fiscalizadas, foi incluído no anexo respectivo. Os demais, se encontram no Anexo I, as fls. 194251 do volume I e fls. 254286 do volume II. Informase que, apesar de se referirem a imóveis locados pelas 'franqueadas', em sua maioria eram firmados em nome de Iris Color, e todos eram assinados por Ricardo de Almeida César e/ou Ednaldo de Almeida Cezar, conforme resultado das diligencias acostado às fls. 193 do volume I do anexo I. 3.2 Fornecedores Fl. 17459DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 6 É relatado o resultado de informações prestadas por fornecedores, cabendo destacar que, em regra, as aquisições eram feitas em nome de uma determinada empresa, mas os pagamentos eram feitos com recursos sacados de contas mantidas em nome de outras, razão pela qual a fiscalização conclui que não havia separação dos numerários movimentados entre as empresas, e que não resta dúvida de que os recursos pertenciam a uma única pessoa jurídica.• 3.3 Transferências De Numerários Entre As Empresas É relatado que cada empresa recebeu relação de todos os créditos efetuados nas suas contas bancárias e intimação para esclarecer a origem dos recursos creditados. Em resposta, foram apresentadas planilhas demonstrando que parte dos créditos era oriunda de transferências bancárias de natureza não comercial, e também a informação de que estas transferências objetivavam cobrir eventuais insuficiências financeiras nas contas correntes. A fiscalização concluiu pela inexistência da alegada conta corrente entre as 'franqueadas', posto que os valores enviados eram completamente divergentes dos valores recebidos, o que reforça sua convicção de se tratar de movimentação financeira comum, pertencente a uma mesma pessoa, até porque não foram apresentados contratos de mútuos ou demonstrativos das contas correntes. 3.4 — Pessoas Físicas e Jurídicas Beneficiárias/Remetentes de Valores É relatado que foram enviadas, a várias pessoas físicas e jurídicas, intimações para que esclarecessem a origem/causa dos recebimentos dos cheques nominais de valores expressivos emitidos por algumas empresas fiscalizadas. 0 resultado de cada uma dessas diligências constam de subitem próprio. A Construtora e Incorporadora Greenwood Ltda informou que os cheques foram recebidos para reembolso de materiais de construção e/ou pagamento da taxa de administração de serviços prestados aos Srs. Ednaldo de Almeida Cezar e Ricardo de Almeida César. Vanderlei Silvestre, beneficiário de cheques emitidos por 8 empresas distintas, declarou que era funcionário da empresa Savona, que recebia ordens para sacar diversos cheques para pagamento de inúmeras despesas operacionais, e que não se lembra da natureza de cada operação e nem o emitente ou os valores dos cheques. Jaqueline de Almeida Cesar, beneficiária de cheques emitidos por 4 empresas distintas, fez a mesma afirmação. Hugo Westphalen Barros, beneficiário de cheques emitidos por 5 empresas distintas, declarou, sem apresentar qualquer comprovante, que se trata de troca de numerário por cheques prédatados. A fiscalização acrescenta que não foram encaminhados documentos para respaldar as alegações apresentadas. Também registra que, em razão de não terem sido contabilizados os valores entregues a essas três pessoas físicas, e também porque as operações não foram esclarecidas, procedeuse ao lançamento do IRRF, conforme previsto no art. 674 do RIR/99. 4 PROCURAÇÕES OUTORGADAS É relatado que dois Cartórios forneceram cópias de procurações outorgadas a Ricardo de Almeida César, as quais, em se tratando de empresas fiscalizadas, se encontram nos anexos respectivos, enquanto as procurações fornecidas por empresas não abrangidas por aquela ação fiscal, se encontram no volume I do Anexo I, fls. 126174. Acrescenta que, além das empresas selecionadas para fiscalização, foram identificadas mais 25 empresas que outorgaram procuração para os sócios da Iris Color. É ressaltada a extensão dos poderes conferidos nas procurações para a administração da empresa outorgante, além da circunstância de ser concedida em caráter irrevogável e irretratável, e isento de prestação de contas. Fl. 17460DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10980.006978/200727 Acórdão n.º 1301001.978 S1C3T1 Fl. 14 7 É informado que não obtiveram cópias de procurações outorgadas por cinco empresas, mas que em suas fichas cadastrais bancárias figuram como responsáveis/representantes os Srs. Ricardo de Almeida César e Ednaldo de Almeida Cezar, que não integram seu quadro de sócios. Também ressaltam que em nenhum dos cheques examinados constam assinaturas das pessoas que figuram como sócios nos contratos sociais. Entende, portanto, a fiscalização que logrou comprovar que os dois proprietários da Iris Color geriram, sem qualquer restrição, no mínimo 45 empresas. 5 ANÁLISE DOS CONTRATOS DE FRANQUIAS/UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTAS PESSOAS É relatado que os proprietários da Iris Color constituíam as empresas em nome de terceiros, ou então as registravam em seus próprios nomes, e depois as transferiam para terceiros, com os quais firmavam contratos de franquia. Assim agiam objetivando simular que suas filiais tinham personalidade jurídica própria, de forma a transferirlhes os encargos, inclusive tributários, inerentes à atividade comercial. Adiciona que as empresas 'laranjas' sonegaram a totalidade dos impostos e contribuições, e que, na hipótese de não ter sido descoberto esse artifício, a responsabilidade recairia sobre os 'laranjas', que não possuíam bens, ficando impunes os verdadeiros proprietários do negócio. 6 AUDITORIA FISCAL 6.1 ESCRITURAÇÃO 6.1.1 — Livros Contábeis/Fiscais das 'Franqueadas" É relatado que as vinte empresas fiscalizadas foram intimadas a apresentar os livros contábeis e fiscais, contrato social e respectivas alterações, além dos extratos bancários. É informado que nenhuma das 'franqueadas' escriturou qualquer movimentação bancária; que suas compras e vendas de mercadorias e serviços não foram corretamente escrituradas; que não foram contabilizadas as transferências de recursos que as 'franqueadas' teriam recebido/enviado; e que os livros contábeis apresentados, em sua maioria, foram registrados somente no ano de 2006, apesar de a escrituração se referir aos anos de 2002, 2003 e 2004. 6.1.2 — Livros Contábeis da Iris Color A fiscalização expõe os motivos pelos quais conclui pela total imprestabilidade da escrita da Iris Color. 6.1.3 — Divergências entre a Escrita e Valores Declarados à RFB É relatado que o exame da escrita contábil e fiscal das empresas que apresentaram os elementos, em confronto com as suas Declarações de Informações Econômico Fiscais DIPJ e Declarações simplificadas PJSI dos anoscalendário de 2002 a 2004, revela divergências entre os valores de receita escriturados e os declarados à RFB. Intimadas a esclarecer o fato, as empresas alegaram que decorre de erro na transmissão das informações entre a empresa e a contabilidade. 6.2 CRÉDITOS BANCÁRIOS Fl. 17461DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 8 A fiscalização relata que obteve os extratos, fichas cadastrais e documentos relativos a débitos e créditos efetuados nas contas bancárias, em valores igual ou superiores a R$ 5.000,00, e que intimou cada empresa a comprovar a origem dos valores creditados em suas contas, conforme demonstrativos constantes dos anexos II a XX. Foram apresentadas informações e planilhas, para cada empresa; nas planilhas n° 1, a origem dos créditos das contas correntes oriundas de suas operações comerciais, destacados dos créditos correspondentes a transferências bancárias recebidas de empresas que compõem a Iris Color; nas planilhas n° 2, são identificadas as transferências bancárias recebidas de pessoas jurídicas e físicas ligadas a Iris Color, cuja origem é de natureza não comercial, ao entendimento de que tais transferências objetivavam cobrir eventuais insuficiências financeiras nas contas. É esclarecido que os valores recebidos por meio do Redecard não eram creditados nas contas das 'franqueadas', e sim em conta corrente pertencente à Iris Color. Também são esclarecidos os critérios utilizados para a quantificação da receita omitida. 6.2.1 — Recursos Oriundos dos Cartões Redecard São prestados esclarecimentos relativos aos créditos dos cartões Redecard, com ênfase para o teor de esclarecimentos prestados pela própria administradora de cartões. 6.2.2 — Recursos creditados nas contas correntes dos sócios A fiscalização tece comentários acerca de valores creditados nas contas dos sócios, e expõe as razões pelas quais entende que os valores referentes a depósitos não comprovados, ainda que em seus nomes, quando pertencentes à empresa, caracterizam omissão de receitas. 6.2.3 — Outros Valores Creditados Considerados Omissão De Receitas. A fiscalização expõe as razões pelas quais também foram considerados como receita os valores dos créditos com origem em contas em nome de Anésia Consalter de Almeida Cesar e de Reinaldo de Almeida Cesar. 6.3 — APURAÇÃO DAS RECEITAS OMITIDAS A fiscalização relata que, por estarem completamente eivadas e não merecerem fé as escriturações contábil/fiscal das empresas, o Fisco foi compelido a apurar as receitas com base nos valores creditados em conta de depósito, de origem não comprovada, nos termos do art. 287 do RIR/99. Acrescenta que os valores dos créditos foram consolidados, conforme demonstrativo às fls. 110113 e demonstrativo dos créditos efetuados nas contas correntes dos sócios (fls. 1.5091.600 e fls. 1.6891.693, do volume VII, do Anexo I). Também reitera as razões pelas quais entende que as receitas não devem ser consideradas como pertencentes a cada 'franqueada' isoladamente, e sim como pertencente à Iris Color. 6.3.1 — Natureza das Receitas Omitidas A fiscalização presta esclarecimentos a respeito da metodologia empregada para classificar as receitas omitidas, registrando que foram consideradas receitas com vendas de mercadorias os valores assim escriturados, demonstrados nas planilhas de fls. 114 a 177, e que foram considerados valores auferidos com receitas de prestação de serviços, além dos valores escriturados nessas contas, a totalidade dos valores omitidos que não constam na escrituração, conforme demonstrado ás fls. 256. 7— TRIBUTAÇÃO IRPJ E REFLEXOS Fl. 17462DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10980.006978/200727 Acórdão n.º 1301001.978 S1C3T1 Fl. 15 9 Relata a fiscalização: "concluído o levantamento dos créditos efetuados nas contas correntes bancárias das 20 (vinte) empresas e dos sócios, nos termos do item 6.2, e caracterizado que todos os estabelecimentos são filiais da Iris Color, procedemos a consolidação dos valores, que constituem base de cálculo, e lavramos os autos de infração (..) incidentes sobre as receitas omitidas, contra a pessoa jurídica que é titular de fato dos recursos". Adiciona que foram considerados como receitas omitidas todos os valores creditados nas contas correntes, provenientes de recebimento com cartão de crédito e depósitos cuja origem não foi esclarecida nem comprovada. Também é esclarecido que, em face das inúmeras irregularidades e da impossibilidade de reconstituir o resultado efetivamente auferido, em razão da pulverização das receitas e da falta de escrituração de grande parte das operações, procedeuse ao lançamento do crédito tributário com base no lucro arbitrado. Acrescenta que foram desconsiderados os valores já declarados pelas 'franqueadas', tendo em vista que pertencem de fato a apenas uma pessoa jurídica, mas que os valores pagos foram compensados, conforme demonstrativos de fls. 119125. Também foram deduzidos dos tributos e contribuições a pagar os valores já objetos de autuação anterior contra a empresa Iris Color. 8 — DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) SOBRE PAGAMENTOS SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU DE SUA CAUSA — ARTIGO 674 DO RIR/99 Relata a fiscalização que, por força do art. 674 do RIR199, todo pagamento efetuado por pessoa jurídica a beneficiário não identificado, ou sem a comprovação da operação ou de sua causa, se sujeita à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, vencível na data do pagamento, devendo, ainda, ocorrer o reajustamento da base de cálculo. Esclarece que foram emitidos diversos cheques contra as contas mantidas em nome de Iris Color e de suas 'franqueadas', em beneficio das pessoas físicas discriminadas nas relações de fls.254256, e que não há qualquer registro contábil desses pagamentos, o que impossibilita a identificação das operações que resultaram na emissão dos cheques a essas pessoas. Adiciona que a destinação dos recursos não foi comprovada e tampouco esclarecida por ocasião das respostas às intimações dirigidas às pessoas físicas, mormente pela ausência de apresentação de provas documentais. Por essa razão, todos os pagamentos efetuados por meio dos cheques cujas cópias se encontram acostadas às fls. 21 a 262 do PAF n° 10980.006984/200784, que não foram escriturados e cuja vinculação às atividades da empresa não foi corroborada, foram objeto de lançamento de oficio, conforme auto de infração constante do aludido PAF, ao entendimento de que caracterizam pagamento sem a comprovação da operação ou de sua causa. 9— DOS ACRÉSCIMOS E DEMAIS COMINAÇÕES LEGAIS A fiscalização esclarece que o fato de explorar a atividade mediante a utilização de interpostas pessoas, constituídas tãosomente com o fito de ocultar a efetiva titularidade das operações, evidencia o intuito de impedir o conhecimento, pelo Fisco, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Acrescenta que a empresa não apenas deixou de oferecer à tributação os fatos imponíveis, caracterizados como receitas auferidas, mas também empregou artifício destinado a evitar o conhecimento da matéria tributável, pela Administração, conduta que culminou nas infrações ora imputadas por meio de lançamento de oficio. Por conseqüência, foi aplicada a multa de oficio qualificada de 150%. 10. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Fl. 17463DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 10 Relata a fiscalização, verbis: "Em decorrência das irregularidades praticadas por Ricardo de Almeida César e Ednaldo de Almeida Cezar, descritas neste Termo, são lavrados Termos de Responsabilidade Solidária, para que os mesmos respondam pelo crédito tributário constituído, nos termos do artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional —Lei n" 5.172/66". Os Termos de Declaração de Sujeição Passiva Solidária referidos pela fiscalização se encontram acostados às fls. 260261. 11— DAS PROVAS A fiscalização relata que, devido à sua grande quantidade, os documentos foram reunidos em vinte anexos, um para cada empresa fiscalizada, contendo MPF, Termo de Inicio, Termos de Intimação, RMF, extratos bancários, relatório fiscal demonstrando a expressividade dos valores movimentados, além das diligencias realizadas, dos demonstrativos das omissões de receitas e as evidencias da utilização de interpostas pessoas. Esclarecem, também, que os extratos das contas correntes registradas em nome dos sócios, mas cuja movimentação pertencia a pessoa jurídica, encontramse as fls. 1.1121.281 do volume V, e fls. 1.6011.639, do volume VII, ambos do anexo I. 12 — DA MULTIPLICIDADE DE INSCRIÇÃO CADASTRAL E CANCELAMENTO DO CNPJ Relata a fiscalização que os fatos descritos comprovam cabalmente que foram constituídas dezenove empresas com o intuito de ocultar a efetiva titularidade das operações, e denotam o intuito de impedir o conhecimento, pelo Fisco, da ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária. Acrescenta que todas essas pessoas jurídicas foram registradas ou tiveram suas quotas transferidas para interpostas pessoas, e que restou comprovado que são filiais da empresa Iris Color Express Comércio de Materiais Fotográficos Ltda, e que todas as operações comerciais e financeiras atribuídas as 'franqueadas' eram praticadas, de fato, pela Iris Color e seus sócios. Entendeu, portanto, a fiscalização que se configurou uma clara situação de multiplicidade cadastral no CNPJ, razão pela qual formulou representações fiscais para fins de cancelamento das inscrições cadastrais das dezenove empresas mencionadas no item "1.3". A empresa foi cientificada do lançamento em 14/06/2007, na pessoa do sócio Ricardo de Almeida César. 0 envelope contendo o Termo de Declaração de Sujeição Passiva Solidária e a documentação necessária para a ciência do auto de infração enviado ao endereço do Sr. Ednaldo de Almeida Cezar foi devolvido, com a informação de "mudouse" (fls. 264). 0 Sr. Ricardo de Almeida César recebeu, em 21/07/2007, o envelope contendo o Termo de Declaração de Sujeição Passiva Solidária (fls. 265.). Em 16/07/2007, a autuada apresentou a impugnação de fls. 268290, tecendo as alegações a seguir sintetizadas, na mesma ordem e sob os mesmos títulos constantes da peça impugnatória: 1 PRELIMINARES 1.1 — Nulidade pela impossibilidade exercer a ampla defesa e contraditório, devido a apreensão de documentos contábeis não devolvidos Aduz que, em 09/12/2005, o Ministério Público do Estado do Paraná instaurou procedimento administrativo tendente a apurar denúncias que apontavam fraude fiscal e criminal, em tese, e que no dia 14/03/2006, foi deferida pelo Juiz da Vara de Inquéritos Policiais da Comarca de Curitiba (PR) a busca e apreensão de documentos fiscais, contábeis e Fl. 17464DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10980.006978/200727 Acórdão n.º 1301001.978 S1C3T1 Fl. 16 11 comerciais seus e de todas as empresas franqueadas. Acrescenta que foram apreendidas mais de 50 caixas de documentação diversa, conforme termo de apreensão de documentos fiscais. Argúi que todos os documentos comprobatórios de sua tese, como comprovantes do não recebimento, contas operacionais da empresa, microfilmes de cheques, ordens de pagamentos, cancelamento de pedidos, foram apreendidos pelo Fisco Estadual, em cuja posse se encontram desde o mês de março de 2006, impossibilitando sua juntada, o que viola seu direito a ampla defesa e contraditório previsto na Constituição Federal. Alega que, após a apreensão, jamais teve acesso aos documentos, apesar de ter solicitado por diversas vezes, tanto por ela própria, como pelas empresas franqueadas, o que impossibilita deduzir todos os fatos e provas de seu direito. 1.2 — Ilegitimidade do sujeito passivo Iris Color Argumenta que seus sócios são proprietários da Iris Color Express, marca renomada na prestação de serviço de revelação como também venda de equipamentos fotográficos e, na persecução de seu objeto social, entenderam ser possível a constituição de diversas lojas na forma de franquias, prática que foi adotada, mediante celebração de contratos com diversas pessoas jurídicas. Acrescenta que, para o bom andamento da empresa, era necessária a outorga de uma procuração para que houvesse a fiscalização financeira da empresa, como forma de remunerar a franqueada, através de porcentagem sobre o faturamento. Acrescenta que, como a autuada tinha contato com os fornecedores de insumos e de equipamentos fotográficos, foram também outorgados poderes para que os sócios da impugnante gerissem financeiramente as franqueadas. Reforça que essa gestão seria necessária por terem os sócios da impugnante a possibilidade de conseguirem melhores preços com os fornecedores, atitude que possibilitaria o melhor preço ao varejo, tornando a marca atrativa, tanto para franqueados, como para consumidores finais. Reconhece que os depoimentos das pessoas ao Ministério Público Estadual coadunam a tese do Fisco. Alega, entretanto, que as alegações de Gabriel Cardoso Vidal, Noemi de Oliveira Sales e Nanci Maria Cardoso Vidal não devem ser acolhidas pelas seguintes razões: Primeiro, porque os depoimentos foram realizados após a busca e apreensão dos documentos, e que, provavelmente sabendo das irregularidades de suas empresas, foram instruídas a afirmar que as empresas pertenciam aos sócios da Iris Color. Segundo, porque os sócios da impugnante não foram intimados a acompanhar os depoimentos e eventual acareação. Terceiro, porque deveriam ser ouvidas todas as pessoas sócias das franqueadas, e não apenas três delas, aleatoriamente escolhidas pelo Ministério Público. Aduz que a RFB constatou a existência de 53 pessoas jurídicas, e que não foram ouvidas nem mesmo 10% das empresas, o que considera inadmissível. Quarto, porque foi considerado que todas as receitas das empresas franqueadas pertenciam à impugnante, descontando os valores dos tributos declarados e pagos. Argumenta, verbis: "se as empresas são franqueadas, possuem sócios diferentes, pagaram tributos, mesmo que seja em valores menores que os devidos, possuindo total gerência administrativa, respondendo inclusive por dividas trabalhistas, não pode ser responsável como sujeito passivo dessas receitas". Quinto, porque em procedimento administrativo, onde foram prestados os depoimentos, não é necessário prestar juramento de dizer somente a verdade, sob as penas da lei, o que possibilita falsear a verdade, razão pela qual entende que os depoimentos carecem do condão de afetála. Acrescenta que esses depoimentos não foram repetidos para a RFB, de modo que foram utilizados como prova emprestada. Argumenta que a utilização de prova emprestada está condicionada aos requisitos do Fl. 17465DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 12 contraditório e da ampla defesa, mas que não participou dos depoimentos, e tampouco os acompanhou. 1.2 — Da impossibilidade de revisão dos lançamentos tributários relativos aos anos de 2002 e 2003 — Violação ao principio da segurança jurídica Argumenta que já sofreu fiscalização relativa aos anoscalendário de 2002 e 2003, tendo sido constatadas algumas irregularidades e lavrados os autos de infração respectivos; e que parcelou o débito lançado. Argumenta que o inciso IX, do art. 149 do Código Tributário Nacional cuja numeração seria taxativa, e não exemplificativa , prevê a revisão do lançamento anterior, pela sua complementação, por meio de um lançamento direto, sempre que se comprove falta funcional ou fraude por parte da autoridade que o efetuou, ou ainda, omissão, pela mesma, de ato ou formalidade essencial, o que não teria ocorrido, porquanto em nenhum momento alguma irregularidade foi imputada à fiscalização anterior. Indaga como uma nova fiscalização pode trazer nova autuação relativa a período anterior já investigado e autuado pela SRFB, chegando a duas conclusões distintas. Aduz que esta nova autuação viola o principio da segurança jurídica. 2 MÉRITO 2.1 — Da impossibilidade de autuação somente com base na movimentação financeira da empresa Sustenta ser ilegítimo o lançamento de oficio tomandose como renda a simples existência de depósito bancário. Aduz que os depósitos bancários, embora possam refletir sinais exteriores de riqueza, não caracterizam, por si sós, rendimentos tributáveis, e transcreve a súmula n° 182 do TRF. Argumenta que nem tudo que passa pela conta da empresa é receita, e que muitos dos depósitos realizados em sua conta corrente se refere a ressarcimento pelas compras realizadas dos fornecedores, que eram pagos pelo Sr. Ricardo, em decorrência das procurações outorgadas pelos franqueados. Reportandose à movimentação financeira dos cartões de crédito e débito, alega que os valores caiam em sua conta em virtude de uma irregularidade de sistema ocorrida nas empresas Redecard e Visanet, mesmo sendo receitas das empresas franqueadas, sendo o dinheiro repassado posteriormente aos franqueados. Argumenta que o art. 9° do Decretolei n° 2.471, de 01/09/88 determinou o cancelamento dos débitos para com a Fazenda Nacional originados na cobrança do imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários. Diz que, a titulo de ilustração, após serem intimadas, ela e suas franqueadas apresentaram as origens de alguns débitos e créditos. Entretanto, em virtude da já noticiada apreensão de documentos, ficou impossibilitada de justificar toda a movimentação financeira. 2.2 — Da impossibilidade de constituição de crédito tributário através de informações aduzidas por outras empresas Alega que, conforme o relatório de fiscalização, com ênfase para o item "1.3", foram fiscalizadas 19 empresas, com um termo de inicio de fiscalização para cada uma delas, e que todas foram intimadas a apresentar seus livros fiscais, escrituração contábil, movimentação financeira, justificação de depósitos, etc. Reclama que sequer teve acesso a essas informações; e que não pôde ter vistas ou se manifestar quanto aos documentos e Fl. 17466DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10980.006978/200727 Acórdão n.º 1301001.978 S1C3T1 Fl. 17 13 informações prestados pelos franqueados. Arremata que a fiscalização federal não pode imputar um lançamento tributário de oficio contra si, com base única e exclusivamente em informações aduzidas pelas empresas franqueadas. Garante que nunca, absolutamente nunca, teve vistas dos autos ou manifestouse sobre planilhas ou informações prestadas, o que violaria os princípios da ampla defesa e contraditório, bem como o devido processo legal, pela ausência de contraditório. Argumenta que as autuantes, embasadas em alguns depoimentos, sustentam que os srs. Ricardo de Almeida César e Ednaldo de Almeida Cezar são os gestores de todas as empresas. Reclama, contudo, que não foi descrito nos autos o depoimento do Sr. Paulo Cesar Gomes dos Santos, constante às fls. 189190 do volume I, do anexo XVIII. Também alega que o depoimento do Sr. Nilson João Cardoso ao Ministério Público (fls. 179181) não está assinado e deve ser desconsiderado. 2.3 — Inexigibilidade da multa: acessoriedade e caráter confiscatório Sustenta que a multa de oficio qualificada, no percentual de 150%, é flagrantemente abusiva e configura confisco ao seu patrimônio, e que a futura exclusão ou redução da multa pelo Poder Judiciário é decorrente do principio da inafastabilidade do controle jurisdicional no sistema jurídico brasileiro e a vasta jurisprudência dos tribunais pátrios, reduzindo os valores considerados excessivos. Acrescenta que, na remota hipótese de ser mantido o lançamento dos tributos, requer a redução da multa, que qualifica de confiscatória e inconstitucional. Na mesma data, em 16/07/2007, os Srs. Ricardo de Almeida César e Ednaldo de Almeida Cezar, na condição de responsáveis solidários, apresentaram a 'impugnação' de fls. 292298, tecendo as alegações a seguir sintetizadas: 1 — Impossibilidade de responderem solidariamente Relatam que são detentores e franqueadores da marca Iris Color Express e que, na persecução de seu objeto social, celebraram com diversas empresas contratos de franquia concedendolhes o direito de uso do nome comercial e lhes repassando todo o conhecimento técnico e assessoria. Acrescentam que, como forma de tornar a marca competitiva e fiscalizar o franqueado, este lhes outorgava uma procuração, necessária também para que pudessem comprar em nome da empresa franqueada, atitude que traz o melhor preço ao varejo e torna a marca atrativa para os franqueados e para os consumidores finais. Asseguram que sempre havia pelas empresas franqueadas autonomia para decidir a melhor forma de venda, promoções, contratações e demissão de funcionários, e que a gerência administrativa das franqueadas ficava a cargo de seus sócios e administradores. Argumentam que, para a responsabilização dos sócios, é necessário configurar uma das hipóteses do art. 135 do CTN, mas que não ficou comprovada sua participação como reais gestores, participando apenas Ricardo de Almeida César como gestor financeiro das franqueadas. Alegam que a mera existência de procuração em nada influi na sua responsabilidade, uma vez que não prova sua ação ou omissão para a constatação do lançamento efetuado. Fl. 17467DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 14 Recordam que se trata de procedimento administrativo, e não de capitulação pelo Poder Judiciário, e que a prova do cometimento de ato ilícito para responsabilizálos compete à Fazenda Pública. A DRJ/CURITIBA apreciando a lide em primeira instância, decidiu por considerar procedente o lançamento, consubstanciado no acórdão 0616.649, de 25 de janeiro de 2008, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 CERCEAMENTO DE DEFESA. DOCUMENTOS APREENDIDOS. 0 simples fato de ter ocorrido apreensão de documentos pelo Poder Público não implica cerceamento de defesa, mormente se a interessada não esboçou qualquer tentativa de obter cópias de documentos relevantes, e os fatos podem ser comprovados por múltiplos meios, além dos documentos apreendidos. INTERPOSTAS PESSOAS. RESPONSABILIDADE. A empresa que, intentando fugir de suas responsabilidades tributárias, adota o artifício doloso de transformar suas filiais em outras pessoas jurídicas, constituídas por laranjas, com a qual firma contrato de franquia, responde pelos débito tributários inerentes à totalidade de sua movimentação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. Por força de presunção legal expressa, caracterizam omissão de receita os valores dos depósitos bancários a cujo respeito o titular, regularmente intimado a faze1o, não comprovar a origem dos recursos respectivos. MULTA CONFISCATÓRIA. As DRJ não são competentes para apreciar alegações que atribuem caráter confiscatório às multas previstas na legislação vigente. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Aos lançamentos reflexos se aplica, no que couber, o que restar decidido relativamente ao IRPJ. É o relatório. Fl. 17468DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10980.006978/200727 Acórdão n.º 1301001.978 S1C3T1 Fl. 18 15 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas Os recursos interpostos pela empresa autuada, IRIS COLOR EXPRESS COM. MAT. FOTOGRÁFICOS LTDA e, responsáveis solidários, Srs. RICARDO DE ALMEIDA CEZAR e EDNALDO DE ALMEIDA CEZAR, são tempestivos e assentes em lei. Deles conheço. O recurso interposto pela empresa autuada repete as argumentações iniciais (impugnação), as quais passo a análise na mesma sequência em que apresentadas. IPRELIMINAR. DA NULIDADE DO PRESENTE AUTO DE INFRAÇÃO PELA IMPOSSIBILIDADE DE EXERCER A AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO ANTE A APREENSÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS SEM A DEVOLUÇÃO. Aqui, alega que sofreu juntamente com suas franqueadas mandado de Busca e Apreensão de documentos fiscais, contábeis e comerciais, pela Justiça do Paraná, nos termos: "Todos os documentos comprobatórios da tese da Recorrente, como por exemplo, documentos comprovadores do não recebimento, contas operacionais da empresas, microfilmes de cheques, ordens de pagamento, cancelamento de pedidos, foram apreendidos pelo Fisco Estadual. Desde março de 2006 esses documentos estão em posse do Fisco, não tendo sido devolvidos até a presente data, impossibilitando a juntada dos documentos comprobatórios, violando seu direito a ampla defesa e contraditório." Relevante situar, em síntese, a acusação fiscal (TVF), para o caso que aqui se cuida: 1 — INFORMAÇÕES GERAIS 1.1 — ORIGEM DA DEMANDA DA FISCALIZAÇÃO A presente ação fiscal foi motivada pelo Oficio do Ministério Público do Estado do Paraná, que encaminhou cópias de denúncias feitas através de declarações prestadas por terceiros, cujos nomes foram utilizados em participação societária de empresas no ramo de material fotográfico, apontando a simulação na constituição e na transferência de quotas de diversos estabelecimentos ligados a IRIS COLOR. Estes estabelecimentos, pelo que se conclui da leitura dos depoimentos, eram registrados em nome de interpostas pessoas, os populares "laranjas" (Anexo I, Volume I — fls. 179 a 192). Na maioria das vezes, a simulação ocorria por ocasião da constituição e em outras, na transferência das quotas. Porém todas estas empresas eram administradas e gerenciados pelos sócios da empresa IRIS COLOR EXPRESS COMÉRCIO DE MATERIAL FOTOGRÁFICO Fl. 17469DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 16 LTDA — RICARDO DE ALMEIDA CESAR — CPF 773.698.66904 e EDNALDO DE ALMEIDA CEZAR — CPF 086.772.65805. Pela análise inicial efetuada pela Divisão de Fiscalização da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil, concluiuse que a IRIS COLOR era constituída de 15 (quinze) empresas, tendo movimentado nos últimos 05 (cinco) anos R$ 67.370.133,02, declarando para o Estado do Paraná, em Guias de Informação e Apuração do ICMS — GIAs, o valor de vendas de R$14.535.335,00, e para Secretaria da Receita Federal R$ 5.604.231,62. Esta fiscalização, através de informações obtidas nos diversos sistemas da RFB, junto ao fisco estadual e no próprio site da empresa, constatou que a IRIS COLOR é composta por 53 empresas com CNPJ distintos e mais de 120 lojas, em cincos Estado: Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e São Paulo. Ainda, a partir das fontes de dados já citadas, constatamos que as 20 maiores empresas do grupo movimentaram nos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004 R$ 86.324.054,85 (receitas DIPJs R$ 8.488.778,41), tendo sido recolhido no mesmo período R$ 16.817,06 (DARFs recolhidos), valor este inferior a 1% dos tributos e contribuições efetivamente devidos. (...) A Ação fiscal foi direcionada no sentido de comprovar a vinculação das empresas registradas em nome de "laranjas" com a empresa IRIS COLOR, objetivando constituir o crédito tributário contra a real beneficiária da fraude implementada, caracterizadora de ilícito tributário. 0 trabalho da fiscalização objetivou reunir provas de que os vultuosos recursos financeiros movimentados, através das empresas registradas em nome de laranjas, originaramse de receitas não contabilizadas pela pessoa jurídica investigada. Verificase dos autos que a recorrente entregou à autoridade fiscal os livros de Entrada e Saídas e Registro de Prestação de Serviços e de Apuração de ICMS dos anos de 2002, 2003 e 2004. Além dos livros Razão e Diário do ano de 2004, com relação aos períodos de 2002 e 2003 foram entregues durante a ação fiscal no ano de 2005, tendo, ainda, autorizado à autoridade fiscal requerer os extratos diretamente aos bancos Bradesco e Santander. Verificase, ainda, do Demonstrativo de Apuração (IRPJLucro Arbitrado) que a base tributável relativo ao Imposto sobre Receita da Atividade" são os "Depósitos Bancários Não Contabilizados" (Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada), com aplicação da multa qualificada (150%). No caso, tratase, como se viu, de presunção legal, em que se inverte o ônus da prova, ficando a cargo do contribuinte demonstrar a origem dos recursos movimentados em sua conta bancária. Nesse sentido, o Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal no âmbito federal, prevê, no art. 16, III, que a impugnação ao lançamento mencionará "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir" Ademais, nada consta no processo que demonstre ter a autuada efetivamente se interessado em ter acesso à documentação apreendidos. Ou seja, tanto na fase de fiscalização quanto na impugnação, a autuada ficou em meras alegações de que não teve acesso aos documentos, sem demonstrar que tenha para isso peticionado. Fl. 17470DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10980.006978/200727 Acórdão n.º 1301001.978 S1C3T1 Fl. 19 17 Dessa forma, entendo não assistir razão à recorrente quanto ao alegado cerceamento do direito de defesa contraditório. Segunda questão em que se insurge a recorrente: ILEGITIMIDADE DO SUJEITO PASSIVO IRIS COLOR. Neste ponto, adoto como razões de decidir os fundamentos do voto condutor recorrido, a saber: "Não é possível alguém contratar algo consigo mesmo. Tampouco é possível uma pessoa jurídica celebrar um contrato, de franquia ou de outra espécie qualquer, consigo mesma. A celebração de um contrato pressupõe a existências de pelo menos duas pessoas distintas. Essa é a premissa subjacente a qualquer análise que se faça das alegações da impugnante de que a movimentação financeira que ensejou a tributação pertence a outras pessoas jurídicas, com as quais teria celebrado contrato de franquia, e não a ela própria. Por isso, determinar se a empresa Iris Color Express Comércio de Materiais Fotográficos Ltda deve ou não responder pelos débitos tributários inerentes às operações praticadas em nome de outras dezenove pessoas jurídicas formalmente constituídas não é mera questão prejudicial, e sim a essência do mérito do lançamento apreciado. Seria o caso de discutir como questão preliminar o acerto de sua eleição como sujeito passivo, caso o lançamento versasse sobre débitos tributários provenientes de operações que o Fisco reconhecesse como praticadas por terceiros. Entretanto, não é esse o conteúdo da imputação contemplada nestes autos. Aqui, a fiscalização está sustentando peremptoriamente que os estabelecimentos nos quais foram geradas as receitas pertencem de fato à impugnante e, por conseqüência, lhe atribui a condição de sujeito passivo de débitos incidentes sobre suas próprias operações, que praticou valendose do artifício doloso de formalizar tais operações em nome de empresas laranjas. Por conseqüência, o que deve ser investigado é se a realidade documentada formalmente pelos contratos sociais, contratos de franquia, notas fiscais de venda, etc., corresponde à realidade dos fatos, ou seja, se as pessoas jurídicas tinham existência autônoma e de fato praticaram as operações, o que as tornaria responsáveis pelos próprios débitos tributários, ou se, pelo contrário, a imputação fiscal procede, e as empresas franqueadas eram mesmo 'laranjas', mero prolongamentos de fato da própria impugnante, operando em nome, por conta e sob a responsabilidade e direção desta. Em outras palavras, o que cumpre investigar é se os débitos pertencem a própria impugnante. Caso seja este o convencimento que se imponha, a alegação deixa de ter sentido, pois é despropositada a pretensão de deixar de responder pelos débitos próprios. Postas tais considerações, e sem prejuízo de novas abordagens do tema ao longo deste voto, serão apreciadas na seqüência as alegações formuladas pela impugnante nesse tópico da peça defensória. Na primeira delas, reconhece que os depoimentos prestados ao Ministério Público Estadual, reportados no subitem "2.1" do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal" (fls. 203206), coadunam a tese do Fisco de que as empresas estavam em nome de interpostas pessoas. Entretanto, sustenta que as declarações de Gabriel Cardoso Vidal, Noemi de Oliveira Sales e Nanci Maria Cardoso Vidal não merecem acolhimento, pelos cinco motivos que enumera. Fl. 17471DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 18 Antes de apreciálos, contudo, abro um parêntese para registrar que, além dos depoimentos dessas três pessoas citadas, existem também os depoimentos de Nilson João Cardoso e Raquel Denise Rosa dos Santos (fls. 179181 e 188190 do Anexo I, volume I), igualmente contundentes, que não foram referidos na impugnação. Voltando às alegações da impugnante, o primeiro motivo alegado para desqualificar os depoimentos é que teriam sido colhidos após a busca e apreensão dos documentos e por isso, conhecedores das irregularidades, os declarantes teriam sido instruídos a afirmar que as empresas pertenciam aos sócios da impugnante. Restaurese a verdade dos fatos. 0 Mandado de Busca e Apreensão (fls. 308) foi emitido em 24/02/2006, e a apreensão se efetivou às 9:00 horas do dia 14/03/2006 (fls. 311). De outro lado, os depoimentos foram prestados em 05/09/2005 (Nilson João Cardoso Vidal), 11/11/2005 (Gabriel Cardoso Vidal), 25/11/2005 (Nanci Maria Cardos Vidal), 11/05/2006 (Noemi de Oliveira de Sales) e 06/12/2006 (Raquel Denise Rosa dos Santos), conforme se vê as fls. 179192 do Anexo I, volume I. Como se vê, as declarações de Nilson João Cardoso Vidal, Gabriel Cardoso Vidal e sua mãe, Nanci Maria Cardoso Vidal, foram prestadas antes da apreensão. A alegação da impugnante é absurda, porquanto discrepa da cronologia dos fatos. 0 segundo motivo alegado é a falta de intimação para acompanhar os depoimentos e eventual acareação entre as partes, pelo Ministério Público Mais uma alegação despropositada. Não compete ao Ministério Público, aos Fiscais ou aos delegados de policia, estabelecerem contraditórios, procederem a acareações, etc., quando recebem e investigam denúncias. Essa fase é meramente inquisitória; contraditório se instaura posteriormente, em face da autoridade incumbida de eventual julgamento, quando deve ser ofertada a oportunidade de se produzirem as provas cabíveis. 0 terceiro motivo alegado é que deveriam ser ouvidas todas as pessoas sócias das franqueadas, e não apenas três depoimentos aleatórios. Outra alegação sem sentido. Em primeiro lugar, não foram apenas três, e sim cinco, as pessoas ouvidas pelo Ministério Público, cujos depoimentos foram sintetizados no subitem "2.1" do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal" (fls. 203206). Em segundo lugar, fica ao critério do Ministério Público decidir a quantidade de depoimentos necessária à comprovação das denúncias que eventualmente formular no âmbito penal. Caso as provas sejam frágeis, o acusado deveria agradecer, e não reclamar já que facilita a prova em contrário. Contudo, essa é uma questão restrita à esfera penal (Poder Judiciário), competente para apreciar eventual denúncia formulada pelo Ministério Público ao instaurar o processo próprio, em cujo curso certamente serão colhidos outros elementos probatórios. Descabe, portanto, cogitar aqui a respeito. Para os fins perseguidos nestes autos, que tratam exclusivamente de crédito tributário, importa destacar que a fiscalização não embasa sua imputação apenas nos depoimentos colhidos pelo Ministério Público, mas também em inúmeros outros elementos, todos devidamente referenciados no Termo de Verificação e Encerramento da Ação fiscal. Caso esse conjunto probatório não seja suficiente para formar o convencimento desta Turma Julgadora, por certo será reconhecida a improcedência do lançamento. Por outro lado, impende ressaltar que a fiscalização despendeu ingentes esforços para intimar todas as pessoas que figuram como sócios das dezenove empresas `laranjas', e que, quando não logrou êxito, o insucesso se deve à Fl. 17472DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10980.006978/200727 Acórdão n.º 1301001.978 S1C3T1 Fl. 20 19 inconsistência dos endereços grafados nos contratos sociais. Segundo o item "2.3.1" do Termo de Verificação e Encerramento (fls. 228), nove pessoas forneceram o mesmo endereço, e nenhuma foi ali localizada. Outra ocorrência relatada no item "2.3.5" (fls. 229), é que vários sócios informaram como endereços residenciais os endereços das empresas, onde obviamente não residem. Também relata (item "2.36", fls. 230) que foram enviadas 44 (quarenta e quatro) intimações a supostos sócios (laranjas), das quais 22 (vinte e duas) foram devolvidas constando a informação "desconhecido" ou "endereço inexistente"; 17 (dezessete) com a informação de "mudouse" ou "não entregue", e somente 5 (cinco) foram atendidas. Ademais, quando reclamam que todos os sócios das empresas franqueadas deveriam ser ouvidos, exteriorizam sua crença de que estes têm condições de prestar testemunhos convincentes em seu beneficio. Por isso, em vez de reclamar que foram ouvidas apenas três pessoas — em realidade cinco, cujas declarações lhes prejudicam , os sócios da impugnante deveriam, eles próprios, recorrer àquelas ,pessoas, com quem teriam mantido relações comerciais durante tanto tempo. De todo o exposto, a conclusão que se impõe é que a reclamação improcede. Se a impugnante considerasse mesmo proveitosos os depoimentos dos sócios das empresas franqueadas, têlosia trazido, de iniciativa própria. Se não o fez, é porque nem ela conseguiu localizálos, ou, se tem alguma noção de seu paradeiro, sabe que o que tem a dizer não reverterá em seu beneficio, tal como aconteceu com os depoimentos daquelas pessoas localizadas pela fiscalização. 0 quarto motivo alegado é que "as empresas são franqueadas, possuem sócios diferentes, (..) possuindo total gerência administrativa, respondendo inclusive por dividas rabaMistas, não podendo ser responsável como sujeito passivo dessas receitas". Ora, esse é o ponto central a ser investigado nestes autos: averiguar se as empresas franqueadas constituem mesmo unidades econômicas distintas da impugnante, com sócios, capitais e, principalmente, administrações distintas desta, o que as tornaria aptas a responder pelos débitos; ou se, pelo contrario, são meros simulacros, 'homensdepalha' criados apenas para assumir malfeitorias alheias. E sendo o busílis, não pode ser tomado como premissa para validar qualquer conclusão. 0 quinto motivo alegado é que os depoimentos das três pessoas mencionadas alhures pela impugnante (Gabriel Cardoso Vidal, Noemi de Oliveira Sales e Nanci Maria Cardoso Vidal), dentre cinco prestados ao Ministério público, foram produzidos em procedimento administrativo, e que os depoentes não juraram dizer somente a verdade, sob as penas da lei, o que lhes possibilitaria maquiar ou alterar a verdade. A alegação seria digna da análise que se fará na seqüência, caso as imputações fiscais estivessem respaldadas apenas nos cinco depoimentos originais. Entretanto, da mesma forma que, na ação penal, o Poder Judiciário não formará seu convencimento baseado apenas nos depoimentos colhidos pelo Ministério Público, este Colegiado também não o fará. Os depoimentos constituem o instrumento deflagrador da ação fiscal. 0 lançamento está embasado em um amplo, robusto e harmônico conjunto de provas. Logo, a impugnante pode ficar tranqüila, com relação a esse ponto, porquanto os membros deste Colegiado não são ingênuos e também não estão vinculados às declarações prestadas ao Ministério Público e mesmo às conclusões deste, sendo que as provas ali produzidas somente exercerão aqui alguma influência na medida em que se harmonizarem com os demais Fl. 17473DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 20 elementos colacionados no curso da ação fiscal e permitirem formar um convencimento inequívoco. Por outro lado, cumpre ter em vista que a veracidade de uma assertiva se afere pelo grau de correspondência entre o que foi dito e a realidade factual a que se reporta; e não pela presença ou ausência de juramento ou outras formalidades. Imaginemse, por exemplo, duas assertivas formuladas por pessoas distintas: a primeira delas jura que dois mais dois formam um conjunto de cinco unidades; a segunda pessoa, sem jurar, afirma estar convencida de que dois mais dois formam um conjunto de quatro unidades. Ora, em face de versões antagônicas e mutuamente excludentes, a pessoa encarregada de determinar qual delas é verdadeira deverá aferir por si mesma a consistência de cada assertiva em confronto com a realidade matemática, e não se fiando em juramentos ou formalidades de qualquer espécie. Dando concretude a esse raciocínio, temse nestes autos, por exemplo, que um documento com fé pública, o contrato social de SPLASH Color Comércio de Materiais Fotográficos Ltda (fls. 0609 do anexo XX), devidamente arquivado na Junta Comercial do Estado do Rio Grande do Sul sob n° 43203.794.350, registra que, em 06/04/1998, o Sr. Ivanildo Alcântara, ali qualificado como comerciante, associouse a outro senhor na constituição de empresa sediada em Porto Alegre (RS), destinada à comercialização de materiais fotográficos, etc, que investiu, a titulo de capital, a importância de R$ 23.750,00 e que assumiu a gerência do empreendimento. De outro lado, em uma declaração simples, prestada sem qualquer juramento, da qual sequer consta reconhecimento de firma (fls. 87 do mesmo Anexo XX), aquele mesmo senhor afirma: 1) que nunca foi sócio de qualquer empresa; 2) que tomou conhecimento de que as empresas Splash Color Com. Materiais Fotográficos Ltda e Grancolor Com. Materiais Fotográficos Ltda estavam registradas em seu nome quando foi apresentar a declaração de isenção à Secretaria da Receita Federal, e não conseguiu; 3) que desconfia que cópias de seus documentos foram obtidas quando algumas pessoas se dirigiram ao bairro onde mora (Jardim Savana — invasão), aproximadamente em 1998, e solicitaram os documentos alegando que seriam usados no cadastro para recebimento de cestas básicas, brinquedos, roupas; 4) que foram levados documentos de diversas pessoas residentes na vizinhança; 5) que nunca assinou contratos sociais ou alterações, mas assinou folhas em branco, a pedido das pessoas que levaram cópias de seus documentos; e 6) que trabalha comprando e vendendo papéis usados, de catadores, pelo que recebe R$ 400,00 mensais. Confrontando os dois documentos, constato que o primeiro deles, pelo fato de ser inscrito no registro público, ser subscrito por duas testemunhas e um advogado, goza da presunção relativa de veracidade. Entretanto, indago: ele é mais verdadeiro no sentido de retratar a realidade factual com maior exatidão do que o segundo? 0 senhor Ivanildo, pelo simples fato de ter seu nome grafado em um contrato social revestido de todas as formalidades, deixou de ser um humilde catador de papel? Deixou de residir em um moquiço, situado em uma invasão (favela) localizada às fétidas margens do Canal Belém, em Curitiba (PR) e passou a ser um próspero empresário, com significativos capitais aplicados em uma empresa na capital Gaúcha? Deixou de perambular pelas ruas de Curitiba com seu carrinho, catando papelão, ferro velho e latinhas e se tornou um respeitável administrador de empresas na capital gaúcha? Existe pelo menos um comprovante de que tenha sido remunerado por sua atividade empresarial? A resposta é um enfático não. E absolutamente certo que o segundo documento, apesar de sua singeleza, retrata com maior precisão a triste realidade desse senhor. E não somente a dele, como a realidade das demais pessoas, também residentes na mesma invasão e que tiveram seus documentos fraudulentamente utilizados na constituição de empresas 'franqueadas' da Iris Color. Fl. 17474DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10980.006978/200727 Acórdão n.º 1301001.978 S1C3T1 Fl. 21 21 Ainda com o foco voltado para o contrato social da empresa 'franqueada' Splash Color Comércio de Materiais Fotográficos Ltda (fls. 0609) do Anexo XX, enfatizo que o Sr. Ivanildo Alcântara teria subscrito e integralizado, em moeda corrente, capital no importe de R$ 23.750,00 (vinte e três mil, setecentos e cinqüenta reais) e foi investido da função de gerente da sociedade. Ora, sabendose da modesta condição social e financeira do Sr. Ivanildo catador de sucatas, residente em uma invasão às margens do Canal Belém , não há como conferir alguma credibilidade ao 'documento' registrado na Junta Comercial dando conta de que teria investido mais de vinte e três mil reais em uma empresa, na cidade de Porto Alegre (RS). Além do mais, em que momento e como, teria administrado tal empresa? Talvez por videoconferência, enquanto perambulava com seu carrinho, pelas ruas de Curitiba (PR)? Além do mais, a falsidade material dos contratos sociais dessa pessoa jurídica 'franqueada' salta à vista. Visualizese a reprodução da assinatura que teria sido aposta pelo Sr. Ivanildo no contrato original (fls. 09 do XX): (...) É óbvio, portanto, que as provas em geral devem ser valoradas pela sua capacidade de refletir a realidade, e não pelas formalidades de que se revestem." A terceira preliminar que alega a recorrente, diz respeito: DA IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO DOS LANÇAMENTOS TRIBUTÁRIOS NOS ANOS DE 2002 E 2003 VIOLAÇÃO AO PRINCIPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA. Extraise do voto condutor recorrido: Após relatar que já sofreu fiscalização relativa aos anoscalendário de 2002 e 2003, a impugnante aduz que, por força do inciso I, IX do art. 149 do Código Tributário Nacional, somente poderia ser novamente fiscalizada, relativamente a esse período, caso se comprovasse falta funcional, fraude ou omissão de ato ou formalidade essencial por parte do autor da ação fiscal anterior. Milita em equivoco. Não é apenas uma hipótese que autoriza nova fiscalização. Também consta do mesmo artigo o inciso VIII, assim redigido: "VIII — quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior." (Grifei). Ressaltese, ainda, as disposições do art. 906 do RIR/99 sobre o reexame de período já fiscalizado: Art. 906. Em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º, § 2º, e Lei nº 3.470, de 1958, art. 34). Nesse sentido, verificase que o legislador tributário, em várias ocasiões, demonstrou permitir o reexame, a retificação do lançamento de ofício e o novo lançamento para período já fiscalizado, quando em virtude de novas diligências, perícias, denúncias, etc, verifiquemse fatos novos, não conhecidos ou não provados por ocasião da primeira apuração fiscal, desde que mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal. Fl. 17475DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 22 No caso em análise, o requisito foi preenchido, uma vez que a autoridade fiscal concluiu acatando a presunção relativa de que as empresas franqueadas tinham existência autônoma real, e que os numerários movimentados nas contas bancárias lhes pertenciam; e elas, por sua vez, pertenciam as pessoas que figuravam como sócios em seus contratos sociais. Como bem descreve a autoridade julgadora de primeira instância, ocorre que, em declarações prestadas ao Ministério Público Estadual e repassadas ao Fisco Federal, cinco pessoas denunciaram que as tais empresas franqueadas, em realidade, eram apenas de fachadas, constituídas por, pessoas que tiveram seus nomes inclusive os próprios denunciantes utilizados fraudulentamente, ainda que de forma consentida, e que se tratavam de meros prolongamentos das atividades da própria empresa impugnante, com o objetivo de sonegar tributos. É inegável que tais denúncias constituem fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior, circunstância que legitima a nova investigação fiscal. Em assim sendo, tornouse absolutamente imprescindível procederse à nova fiscalização na impugnante, tendente a apurar a consistência do que fora denunciado. Nada macula, portanto, o reexame solicitado e autorizado as fls. 08. Em virtude do exposto, não há que se falar de nulidade do lançamento. MÉRITO A seguir, a recorrente insurgese contra a autuação com base, tão somente, na movimentação financeira da empresa, citando a Súmula 182 do TRF. Com efeito, a partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, “caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações” (art. 42, caput). No caso sob apreciação, em que, em razão das deficiências detectadas na escrituração da Recorrente, o lançamento tributário foi efetuado com base no lucro arbitrado, o procedimento da Fiscalização de considerar como receita conhecida os créditos bancários cuja origem não restou devidamente comprovada, amoldase, por completo, à presunção trazida pelo ato legal referenciado. A súmula nº 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos, referenciada na peça recursal, diz respeito a fatos ocorridos antes da entrada em vigor da Lei nº 9.430, de 1996, acima mencionada, descabendo, pois, a sua aplicação aos fatos geradores que serviram de suporte para os lançamentos tributários ora sob exame. 2 — Impossibilidade de constituição de crédito tributário através de informações aduzidas por outras empresas. Neste tópico, argumenta a recorrente que 19 (dezenove) empresas foram fiscalizadas, e que foi aberto termo de inicio de fiscalização para cada uma delas. Acrescenta que todas as empresas franqueadas foram intimadas a apresentar seus livros fiscais, escrituração contábil, movimentação financeira, justificação de depósitos, entre outros, mas que ela, a recorrente, não teve acesso a essas informações e não teve vistas dos autos ou Fl. 17476DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10980.006978/200727 Acórdão n.º 1301001.978 S1C3T1 Fl. 22 23 oportunidade de se manifestar quanto aos documentos e informações prestados pelas franqueadas. Aqui, novamente valhome dos argumentos da decisão recorrida Neste tópico entendo que os argumentos trazidos na peça recursal não lograram afastar as conclusões da fiscalização e mantidas pela decisão recorrida, cujos fundamentos são aqui adotados como razão de decidir, com a permissão do art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, para manter a autuação, verbis: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [...] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Extraise, portanto, do voto recorrido: Mais uma vez, a impugnante está tangenciando o núcleo da imputação que recai sobre seus ombros. Com efeito, estabelece a premissa de :que dezenove empresas alheias a ela teriam sido fiscalizadas. Ora, como foi dito, o lançamento está fundado na premissa de que essas dezenove empresas não são associações verdadeiras de empresários que efetivamente exploraram e gerenciaram empreendimentos montados por suas iniciativas e com capitais próprios; e sim meras unidades econômicas montadas, exploradas e administradas pela impugnante, acobertada por empresas 'laranjas'. Em outras palavras, a impugnante está sofrendo as conseqüências tributárias de suas próprias operações, e não das operações praticadas por outras dezenove empresas. Por isso, a impugnante, em vez de, apegada apenas ao aspecto formal, reclamar que estão sendo utilizadas informações de terceiros is quais não teve acesso, deveria demonstrar a inconsistência da imputação fiscal, e que cada uma dessas pessoas jurídicas pertencia efetivamente as pessoas que figuram como seus titulares e que foram outras pessoas, e não os próprios sócios da impugnante, quem as criaram e administraram. Basta a impugnante demonstrar que essas pessoas jurídicas foram efetivamente constituídas pelas pessoas que figuram como sócios, com seus próprios capitais, e que representam empreendimentos autônomos, e a improcedência do lançamento será reconhecida de forma automática. Uma vez demonstrada que a exploração não pertence à impugnante, estará automaticamente isenta, sem a necessidade de se perquirir se teve ou não vistas dos autos, oportunidade de se manifestar sobre planilhas, etc. A alegação é meramente procrastinatória. No mesmo tópico (fls. 284) a impugnante reclama que a fiscalização não transcreveu o depoimento do Sr. Paulo César Gomes dos Santos (fls. 189190 do volume I do Anexo XVIII). Afirma que nesse depoimento teria ficado comprovado que ele era proprietário das empresas SIRI e RAC, as quais teriam sido adquiridas por aproximadamente R$ 50.000,00, e no qual afirma, ainda, que assinava todos os cheques. Especula que tal depoimento não constou do relatório por não confirmar a tese das auditoras, que teriam escolhido apenas o que reforçava seu entendimento. Fl. 17477DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 24 Mais uma vez, a verdade clama por, ser restaurada. Consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 211), na parte relativa à empresa 'laranja' Centro Color Comércio de Materiais Fotográficos Ltda, o seguinte relato: "2.2.4.2.3) No termo de Declarações prestado pelo Sr. Paulo Cesar Gomes dos Santos, em 13 de novembro de 2006, acompanhado do Advogado Robson Kornelhuk, este afirmou, entre outros que: antes de adquirir a Centro Color trabalhava na empresa Astra Luminosos em Pinhais, que fazia os luminosos da empresa IRIS COLOR; os cheques das empresas são assinados por ele; também foi funcionário da Iris Color, mas sem assinatura na carteira de trabalho; pagou R$ 30.000,00 pela franquia, parcelado, com cheques de clientes e dinheiro; não teve nenhuma despesa para montar a loja, já que a Iris Color entregou a loja montada, inclusive com mercadorias; o imóvel é alugado, mas que não se lembra do nome do proprietário e tampouco da imobiliária que intermedeia a transação; que a movimentação bancária (depósitos, cheques, controle de saldo) é efetuada por ele. Nas informações prestadas pelo Sr. Paulo Cesar Gomes dos Santos, observamos contradições, pois ao contrário do que foi afirmado, no decorrer da fiscalização constatamos que todos os cheques emitidos pela empresa foram assinados pelo Sr. Ricardo de Almeida César; os contratos de aluguéis dos imóveis também foram firmados pelo Sr. Ricardo; não foi declarada a participação societária nas declarações do Imposto de Renda Pessoa Física do Sr. Paulo, além de o mesmo não possuir capacidade econômicofinanceira que desse suporte a movimentação de valores tão expressivos." Mais adiante (fls. 229230), no item "2.2.17.2", relativo à empresa 'laranja' Siri Materiais Fotográficos Ltda, há nova menção às declarações do Sr. Paulo. É falso, portanto, que a fiscalização tenha escamoteado seu depoimento. Mais uma vez, cumpre recordar o óbvio: uma declaração, pelo simples fato de ser proferida, não comprova, por si mesma, a veracidade do que foi declarado. Se essa declaração não se coaduna com os elementos que compõem a realidade declarada, não tem valor. São palavras que o vento leva; independentemente de quem a profere. Temse, portanto, que as declarações do Sr. Paulo Cesar Gomes dos Santos não se tornam menos criveis pela noticiada existência de mandado de prisão em seu desfavor (fls. 185); tampouco se tornam mais plausíveis pela sua condição formal de sócio de três empresas 'franqueadas'. Seu depoimento deve receber tanto crédito quanto merecer, ou seja, na exata medida em que se mostrar verdadeiro. Pois bem, declarou ele (fls. 189 do Anexo XVIII) que é sócio das empresas 'franqueadas' CENTRO COLOR, RAC e SIRI; que é encarregado da parte administrativa, compras, vendas, pessoal, etc.; que nenhuma das empresas outorgou qualquer procuração a terceiros; que os cheques (sic) assinados por ele mesmo; e que a movimentação bancária (depósitos, cheques, controle de saldo) é efetuada pelo mesmo. Ora, essas declarações merecem tanto crédito quanto uma nota de três reais. Consultese às fls. 227258 do Anexo XVIII, volume II, a procuração pública de 21/09/2001, por meio da qual o Sr. Paulo César Gomes dos Santos nomeia seu procurador o Sr. Ricardo de Almeida Cezar, a quem confere poderes amplos; gerais e ilimitados para, na qualidade de sócio da firma SIRI Importação e Exportação de Materiais Fotográficos Ltda, gerir e administrar a firma, podendo ainda praticar os seguintes atos: vender, ceder e transferir a quem convier, pelo prego, forma e condições que convencionar, todas as suas quotas na empresa, podendo para tanto assinar termos de transferencias, alterações contratuais e o que mais se fizer necessário, receber, passar recibos, dar quitação, representálo amplamente junto a MM. Junta Comercial do Paraná Fl. 17478DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10980.006978/200727 Acórdão n.º 1301001.978 S1C3T1 Fl. 23 25 ou Registro de Títulos e Documentos (...), representálo junto a qualquer estabelecimento bancário (...) e ai abrir, movimentar e encerrar contas correntes (...) tudo isento de prestação de contas." Temse portanto que, na mesma procuração, o Sr. Paulo concedeu os mais plenos poderes para o Sr. Ricardo de Almeida Cézar não apenas administrar a empresa, mas também para retirar as quotas de seu nome, ludo isso sem necessidade de prestação de contas. Também deve ser destacada a procuração pública da mesma data, constante às fls. 165166 do Anexo I, pela qual o Sr. Paulo, desta vez na condição de sócio da empresa RAC Importação e Exportação de Materiais Fotográficos Ltda, outorgou à mesma pessoa exatamente os mesmos poderes para gerir a empresa, e também transferir suas quotas, isento de prestação de contas. Nesse contexto, como o Sr. Paulo pode afirmar que é proprietário dessas empresas? Sendo irrevogáveis e irretratáveis as procurações,o Sr. Ricardo de Almeida César não apenas as administra da maneira que entender, como também pode retirar do nome do Sr. Paulo as quotas, a qualquer momento, sem a necessidade de qualquer prestação de contas. Por outro lado, conforme relata a fiscalização, ao contrário do que declarou o Sr. Paulo, todas as contas bancárias de 'suas' empresas sempre foram movimentadas pelo Sr. Ricardo de Almeida Cézar. Caso existisse alguma dúvida desse fato, bastaria visualizar os cheques acostados às fls. 1.167 e 1.169 do Anexo V, volume III, sacados contra a conta mantida em nome da empresa Centro Color, na agência 0049 do Banco Bradesco S/A. A conclusão que se impõe, portanto, é que o Sr. Paulo César Gomes dos Santos é apenas mais uma das pessoas que alugaram seu nome para o esquema montado pelo Sr. Reinaldo de Almeida Cézar e perpetuado pelos seus filhos Ricardo e Ednaldo de Almeida Cézar. Se diferença há, com relação aos demais testasde ferro, é porque teve participação mais ativa no esquema, conforme relatou a senhora Raquel Denise Rosa dos Santos (fls. 188189 do Anexo I), que, em várias oportunidades, "foi chamada por Rose de Tal e Paulo César (ou Paulo Gaúcho, ou Paulo César Gomes dos Santos) ou mesmo Doutor Ferreira, (.) para assinar papéis". Que fique claro, portanto que o depoimento do Sr. Paulo César Gomes dos Santos foi devidamente registrado pela fiscalização, e que esta consignou as razões que o desacreditam. Também está sendo devidamente submetido à apreciação deste Colegiado, com a ressalva de que colide frontalmente com a realidade factual; e que, caso esse senhor estivesse falando a verdade, além de suas palavras, existiriam milhares de documentos e outras evidências, como retiradas pro labore, capazes de provar a efetividade da sua condição de proprietário e administrador das três empresas 'franqueadas' da impugnante. Ainda com relação a procurações, é conveniente ratificar integralmente as informações prestadas pela fiscalização no item "4 — Procurações Outorgadas", do Termo de Verificação Fiscal (fls. 238240), onde é relatado que os administradores de cada empresa 'franqueada' concediam procurações irretratáveis e irrevogáveis, nomeando os Srs. Ricardo de Almeida Cézar e Ednaldo de Almeida Cezar seus procuradores plenipotenciários, isentos de prestação de contas. Necessário, contudo, se faz acrescentar que, na mesma oportunidade em que era lavrada a procuração em nome da pessoa jurídica, também era lavrada uma procuração em nome das pessoas físicas dos sócios, com as mesmas características, concedendo poderes àqueles senhores para retirar as quotas da empresa dos nomes dos Fl. 17479DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 26 outorgantes. Tomese por exemplo a empresa Splash Color Comércio de Materiais Fotográficos Ltda, cujo dossiê compõe o Anexo XX. Consta às fls. 152 a procuração outorgada pela empresa, e às fls. 153 a procuração outorgada pelos sócios. Da mesma maneira, no dossiê de cada empresa fiscalizada. Conforme noticia a fiscalização, as procurações relativas a cada empresa fiscalizada se encontram compondo o dossiê respectivo, o que dificulta a visualização do conjunto. Entretanto, com relação às empresas não fiscalizadas, as procurações se encontram todas reunidas no Anexo I, às fls. 126174, no total de 25 (vinte e cinco) procurações outorgadas por diferentes pessoas jurídicas 'franqueadas', e 21 (vinte e uma) procurações outorgadas por sócios dessas pessoas jurídicas, autorizando a transferência das quotas. Nesse contexto, como sustentar que essas pessoas físicas eram, de fato, proprietários dessas empresas, se os procuradores, além de dispensados de prestar contas de seus atos, tinham poderes para retirar as quotas dos nomes dos outorgantes a qualquer momento, também sem lhes prestar contas? de inconsistência absoluta , as alegações da impugnante relativas às procurações, verbis: "era necessária a outorga de uma procuração para que houvesse a fiscalização financeira da empresa como forma de remunerar a franqueada a través de porcentagem sobre o faturamento (.) estabeleceram, também, poderes para que o Sr. Ricardo (..) gerisse financeiramente as franqueadas. Essa gestão seria necessário por ter Ricardo e Ednaldo a possibilidade de conseguirem melhores preços com os fornecedores (..) sendo necessária essa procuração para que pudessem comprar em nome da empresa junto a esses fornecedores." (fls. 273). Essas assertivas são falaciosas e discrepam da verdade dos fatos. Não era esse o objetivo das procurações, como se viu. 2 — Inexigibilidade da Multa — Acessoriedade e Caráter Confiscatório Por último, alega, em síntese, a recorrente que "o caráter confiscatório da multa aplicada ao presente caso, macula, por si só, a legalidade de mais essa exigência fiscal, impondo o seu afastamento". No momento do lançamento consta do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal que acompanha e integra os autos de infração, a autoridade fiscal justificou a qualificação da multa nos seguintes termos: A empresa não apenas deixou de oferecer à tributação os fatos imponíveis caracterizados como receitas auferidas, como empregou artifício destinado a evitar o conhecimento da matéria tributável pela Administração Tributária, conduta que culminou nas infrações ora imputadas ao sujeito passivo, na forma do lançamento de oficio. No tocante a penalidade, diante do evidente intuito de fraude, visto que não restam dúvidas quanto a intenção do contribuinte em omitir a receita de sua atividade operacional, causando prejuízos aos cofres públicos mediante a falta e/ou redução dos recolhimentos dos tributos e contribuições devidos, é de se aplicar, nos termos da legislação em regência, a qualificação da multa de oficio. Assim, em virtude da falta e/ou redução do pagamento dos tributos, é cabível a incidência da multa de 150%, prevista no parágrafo 2°, alínea "a", do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, e tem como pressuposto para sua aplicação a existência de "evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964". Fl. 17480DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10980.006978/200727 Acórdão n.º 1301001.978 S1C3T1 Fl. 24 27 Patente, que a multa qualificada para ser aplicada, necessário se faz a presença de alguma das circunstâncias dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. De especial interesse o art. 71, que transcrevo a seguir: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. À toda evidência, verificase nos relatórios e notadamente no seguinte fragmento que a seguir transcrevo do voto condutor recorrido: Neste momento, cumpre apenas registrar que as evidências constantes dos autos respaldam plenamente o entendimento da fiscalização de que os dois únicos sócios da impugnante se valeram do artifício doloso de explorar as atividades de sua empresa por meio de estabelecimentos acobertados por sua marca, sob sua subordinação direta e que nada mais eram do que extensões da matriz, mas que se encontravam formalmente constituídos como se fossem pessoas jurídicas distintas e autônomas. Recorreram, portanto, a interpostas pessoas jurídicas, o que se denomina no jargão fiscal, policial e jornalístico de 'empresas laranja'. Tudo isso com o objetivo inequívoco de evitar, na medida do possível, o recolhimento de tributos devidos para os três entes que compõem a Federação: Unido, Estados e Municípios. Alias, esse delito não apenas foi tentado, mas consumado, na medida em que o lançamento não há de retroagir para atingir períodos já alcançados pela decadência. É inequívoco, portanto, que a conduta da autuada se subsome aos preceptivos legais que prevêem a aplicação da multa de oficio qualificada, no percentual de 150%, dado o dolo evidente que a caracteriza. Portanto, os fatos descritos e provados nos autos se amoldam à perfeição ao dispositivo legal acima transcrito. De toda a leitura das peças processuais e comprovados com documentos apreendidos por ordem judicial, mediante mandados de busca e apreensão, sempre apontando para o envolvimento direto dos Srs. Ricardo de Almeida Cézar e Ednaldo de Almeida Cezar e a utilização de interpostas pessoas; tudo sempre com o objetivo de ocultar das autoridades fazendárias os fatos geradores tributários e, além disso, a capacidade contributiva e o patrimônio de fato acumulado por quem efetivamente comandava o grupo de empresas; todo esse robusto conjunto probatório faz com que se imponha a qualificação da multa. RECURSO VOLUNTÁRIO DOS RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS SOLIDÁRIOS A atribuição de responsabilidade pessoal aos sócios de fato Srs. RICARDO DE ALMEIDA CEZAR e EDNALDO DE ALMEIDA CEZAR foi feita pela autoridade fiscal com base nos documentos e depoimentos colhidos durante a investigação em ação fiscal, na qual constatouse que tais indivíduos seriam os sócios de fato da empresa autuada e demais empresas ditas 'franqueadas' todas aqui acusadas pela prática das infrações tributárias. Fl. 17481DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 28 Pela leitura dos autos depreendese que no caso tratase de um esquema montado com vistas a fraudar a Fazenda Publica mediante artifícios com uso de empresas constituídas para este fim, sob a gerencia comercial e financeira de pessoas físicas com poderes totais, outorgados em procuração pública pela pessoa jurídica fiscalizada e suas supostas 'franqueadas'. Notase, por tudo o que foi referido neste voto, e pelo muito que dele não consta, mas se encontra relatado no Termo de Verificação Fiscal e devidamente comprovado nestes autos, inclusive, com a interposição de pessoas ("laranjas"), sedimentase a firme convicção de que os peticionários são os verdadeiros proprietários de toda a exploração perpetrada em nome das empresas 'franqueadas', e por ela devem responder. Nesses termos, legítima a imposição de responsabilidade pessoal dos Srs. RICARDO DE ALMEIDA CEZAR e EDNALDO DE ALMEIDA CEZAR por constatação da prática de atos contrários à lei, nos termos do artigo 135, III, do CTN. TRIBUTAÇÃO REFLEXA No que tange aos lançamentos tributários denominados decorrentes ou reflexo (CSLL, PIS e COFINS), na medida em que foram efetuados com base nos mesmos elementos que serviram de suporte para a formalização da exigência dita principal, como é cediço, aplicase o decidido nesta. Por todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, por negar provimento aos recursos interpostos pela contribuinte e demais responsáveis solidários. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 17482DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES
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Numero do processo: 19515.721060/2011-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. NÃO CONSTATADA. NÃO ACOLHIMENTO.
Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão de matéria enfrentada no acórdão embargado.
Constatada a inexistência de contradição no acórdão embargado, rejeita-se a pretensão da embargante.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 2402-004.958
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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CONTRADIÇÃO. NÃO CONSTATADA. NÃO ACOLHIMENTO. Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão de matéria enfrentada no acórdão embargado. Constatada a inexistência de contradição no acórdão embargado, rejeitase a pretensão da embargante. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 10 60 /2 01 1- 59 Fl. 1479DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 1480DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 19515.721060/201159 Acórdão n.º 2402004.958 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Embargos de Declaração, oposto pela Fazenda Nacional (PGFN), em face do Acórdão nº 2402004.779 da 2ª Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF. No Acórdão em questão, ficou consignado na sua ementa o seguinte: “[...] Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 Ementa: I) DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL: AIOP Debcad nº 37.318.2139 (patronal e SAT), AIOP Debcad nº 37.318.2155 (parcela segurados), AIOP Debcad nº 37.318.2171 (patronal contribuinte individual) e AIOP Debcad nº 37.318.2163 (Outras Entidades/Terceiros). CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal, o Parecer Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa tanto a origem do lançamento como os fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais, não há que se falar em nulidade. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. RECOLHIMENTO PARCIAL. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, DO CTN. De acordo com a Súmula Vinculante 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. No caso de lançamento das contribuições sociais, em que para os fatos geradores efetuouse antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN. VALORES PAGOS A TÍTULO DE HORAS EXTRAORDINÁRIAS. HORAS TRABALHADAS. CAMPO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Dada a natureza remuneratória, há incidência de contribuição social previdenciária sobre a verba paga a título de horas extras pelo empregador em razão de trabalho realizado no horário destinado ao descanso do empregado. Fl. 1481DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 ASSISTÊNCIA MÉDICA. VALORES PAGOS EM DINHEIRO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. Para que os valores concedidos a título de assistência médica sejam excluídos do salário de contribuição, tais valores devem ser prestados por meio de serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado. Somente poderão ser excluídas do salário de contribuição as parcelas pagas ou creditadas nos exatos termos definidos pela legislação previdenciária. As demais sofrerão os efeitos da tributação. SEGURO DE VIDA EM GRUPO. SEM PREVISÃO EM ACORDO OU CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. INCIDÊNCIA. Em razão de não estar previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho, os valores despendidos pelo sujeito passivo a título de seguro de vida em grupo devem compor a base de cálculo da contribuição previdenciária. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. INCIDÊNCIA. A empresa deve arrecadar as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestam serviços, mediante desconto na remuneração, e recolher os valores aos cofres públicos. A Lei 10.666/2003 determina que, além das contribuições próprias incidentes sobre os pagamentos efetuados a contribuintes individuais a seu serviço, as empresas são ainda responsáveis pelo desconto das contribuições devidas por estes à Previdência Social. É devida contribuição sobre remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais a serviço da empresa. OPERAÇÃO DE MÚTUO. NÃO COMPROVAÇÃO. PRÓ LABORE INDIRETO. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. O contrato de mútuo é negócio jurídico que pressupõe a devolução do bem fungível tomado emprestado em equivalentes de quantidade, qualidade e gênero, sendo configurado como uma remuneração auferida pelos sócios (prólabore indireto) quando não houve a demonstração contábil hábil e idônea da restituição dos valores pelo mutuário (sócios). As despesas pessoais incorridas pelos sócios e suportadas pela empresa constituem base de cálculo da contribuição do segurado contribuinte individual (sócios). A operação financeira de mútuo firmado entre as partes, sem comprovação de quitação do negócio jurídico, não é válido para se afastar o caráter remuneratório dos valores disponibilizados aos sócios indiretamente, através do pagamento de despesas por eles contraídas junto a terceiros. Fl. 1482DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 19515.721060/201159 Acórdão n.º 2402004.958 S2C4T2 Fl. 4 5 CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007). II) DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA: AIOA Debcad nº 37.318.2120 (CFL 68). OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. APLICAÇÃO ART. 173, I, CTN. De acordo com a Súmula Vinculante 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias, relativas às contribuições previdenciárias, é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. LEGISLAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Em decorrência das alterações promovidas pela MP 449/2008, quanto às modificações dos artigos 32 e 35 da Lei 8.212/91, o Fisco apresentou comparativo das penalidades previstas à época dos fatos e à época da autuação, em cumprimento ao previsto no inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional, aplicando a multa benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. [...]” A Embargante (Fazenda Nacional) afirma ter ocorrido contradição nos fundamentos do voto condutor do acórdão ora embargado, já que o seu conteúdo defendeu a existência de pagamento parcial do tributo, com base no TEPF de fls. 1156/1157. Contudo, esse documento também menciona que existiram competências em que as contribuições não foram recolhidas e também não foram declaradas em GFIP, nos seguintes termos: “[...] Analisando detidamente o inteiro teor da decisão em questão, constatase a existência de contradição, pois a e. Turma Fl. 1483DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 defendeu a existência de pagamento parcial do tributo, com base no TEPF de fls. 1156/1157. Contudo, esse documento também menciona que existiu caso, onde as contribuições não foram recolhidas e também não foram declaradas em GFIP. Vejamos: (...) [...]” Enfim, a Embargante requer o recebimento e acolhimento do presente embargos, para sanar/retificar todos os vícios existentes no acórdão, acima apontados. É o relatório. Fl. 1484DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 19515.721060/201159 Acórdão n.º 2402004.958 S2C4T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O Recurso é tempestivo e dele farei apreciação. I Admissibilidade O Recurso é tempestivo e dele farei apreciação. II Contradição A Embargante (Fazenda Nacional) afirma ter ocorrido contradição nos fundamentos do voto condutor do acórdão ora embargado, já que o seu conteúdo defendeu a existência de pagamento parcial do tributo, com base no TEPF de fls. 1156/1157. Ocorre, entretanto, que a decisão do acórdão embargado concluiu que, da análise do caso concreto, podese inferir que o sujeito passivo efetuou antecipação de pagamento parcial para outras rubricas da contribuição previdenciária, conforme Relatório Fiscal e Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal (TEPF), pois estes documentos sinalizaram que se trata da apuração de diferença de contribuição. Em outras palavras, tanto o conteúdo do Relatório Fiscal como o Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal (TEPF), fls. 1.156/1.157 afirmam que se cuida de lançamento fiscal para apurar diferenças de contribuições sociais e, por consectário lógico, ocorreu antecipação de pagamentos de parte da contribuição previdenciária não lançada pelo Fisco. Extraise do Relatório Fiscal (fls. 1015/1049, itens 6 e subitens – Dos Fatos Geradores) que o fato gerador decorre de diferença de remuneração apurada quando do confronto entre as informações prestadas em folhas de pagamentos, Livros Contábeis (Diário e Razão), Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) e Guias de Recolhimento à Previdência Social (GPS). No mesmo sentido, o Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal (TEPF), fls. 1.156/1.157, afirma que: “[...] Informações Complementares: (...) Neste procedimento fiscal foram lavrados Autos de Infração constituídos por lançamentos originados pelos seguintes fatos geradores: Cesta Básica concedida aos empregados sem comprovação da inscrição ao PAT; Assistência Médica concedida em dinheiro em desacordo com a Lei específica; Seguro de Vida em Grupo concedido sem previsão no Acordo Coletivo de Trabalho em descumprimento com a Lei específica; pagamento de horas extras não considerados na base de cálculo da contribuição previdenciária; diferença de remuneração apurada entre informação da Folha de Pagamento e declarada Fl. 1485DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 na GFIP; lançamentos nos livros contábeis identificados como "Outras remunerações empregados" não justificadas; pagamento de Prólabore aos sócios diretores que não foram informados nas GFIP e sem efetuar o recolhimento da contribuição devido; contribuintes individuais que prestaram serviços, porém não informados nas GFIP e não efetuado o recolhimento da contribuição previdenciária; desconsideração dos empréstimos realizados aos sócios por meio de Contrato de Mútuo, em virtude deste não possuir os requisitos necessários do Instituto de "Contrato de Mútuo", de deixar de comprovar a efetiva restituição dos valores repassados pelos mutuantes, onde os mutuantes não comprovaram a origem dos recursos obtidos para devolução ao mutuário, por meio de documentos hábeis e idôneos, coincidentes em data e valor, consideradas como pagamento de prólabore. [...]” Assim, impõese reconhecer que não há contradição no voto condutor do acórdão embargado, já que o seu conteúdo abordou de forma suficiente tanto a matéria fática como a aplicação do prazo decadencial, previsto no art. 150, § 4º, do CTN, para o lançamento da obrigação principal. Vejamos trechos da decisão ora embargada: “[...] Verificase que o lançamento fiscal em tela referese às competências 01/2006 a 13/2006 e foi efetuado em 31/08/2011, data da intimação e ciência do sujeito passivo (fls. 01 e 1053/1147). No caso em tela, tratase do lançamento de contribuições, cujos fatos geradores o Fisco já reconheceu que a Recorrente efetuou antecipação de pagamento parcial para outras rubricas da contribuição previdenciária, conforme Relatório Fiscal e Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal (TEPF), fls. 1.156/1.157. Esses documentos afirmam que houve o recolhimento parcial de contribuições devidas. Nesse sentido, a teor do enunciado da súmula 99 do CARF , aplicase o art. 150, § 4º, do CTN, para considerar que os valores apurados até a competência 07/2006, inclusive, foram abrangidos pela decadência tributária. Com isso – como o crédito foi constituído com fundamento no direito potestativo do Fisco em lançar os valores das contribuições não recolhidas em época determinada pela legislação vigente –, a preliminar de decadência será acatada em parte, excluindose os valores apurados nas competências 01/2006 a 07/2006, eis que o lançamento fiscal referese ao período de 01/2006 a 13/2006 e as competências posteriores a 07/2006 não foram abarcadas pela decadência tributária. Diante disso, com relação aos AIOP’s Debcad’s nº´s 37.318.2139, 37.318.2155, 37.318.2163 e 37.318.2171, acatase parcialmente a preliminar de decadência tributária, excluindo as contribuições apuradas até a competência 07/2006, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Após isso, passo ao exame de mérito. [...]” Após o delineamento das questões fáticas e jurídicas expostas anteriormente, entendo que a decisão desta Corte Administrativa, manifestada por meio do acórdão ora Fl. 1486DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 19515.721060/201159 Acórdão n.º 2402004.958 S2C4T2 Fl. 6 9 embargado, apresenta os requisitos necessários para sua validade, pois nela se verifica a congruência interna e externa. Esta diz respeito à necessidade de que a decisão seja correlacionada com os sujeitos envolvidos no presente processo, enquanto a congruência interna referese aos atributos de clareza, certeza e liquidez. Logo, percebese que esse Acórdão guarda congruência em relação aos sujeitos do processo, com os fundamentos e pedidos apresentados e com os demais documentos acostados nos autos. Os argumentos da Embargante apontam para uma nova discussão da matéria, não cabível em sede de Embargos de Declaração. Esse entendimento decorre do fato de que os Embargos de Declaração representam uma via estreita e não se prestam para a modificação da decisão embargada que não contenha contradição, omissão ou obscuridade. Deixo consignado que o enunciado da Súmula 555STJ deve ser interpretado de acordo com as regras do lançamento por homologação e com a sistemática do “débito declarado” em contraposição à expressão “débito apurado” (que é utilizada para o lançamento de ofício), conforme entendimento pacífico do STJ: “(...) Havendo pagamento, ainda que não seja integral, estará ele sujeito à homologação, daí porque deve ser aplicado para o lançamento suplementar o prazo previsto no § 4º desse artigo (de cinco anos a contar do fato gerador). Todavia, não havendo pagamento algum, não há o que homologar, motivo porque deverá ser adotado o prazo previsto no art. 173, I, do CTN. (STJ. 2ª Turma. AgRg no REsp 1277854/PR, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 12/06/2012)”. “Súmula 555STJ: Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. (STJ. 1ª Seção. Aprovada em 09/12/2015. DJe 15/12/2015)” Com isso, entendese que o acórdão embargado, da forma como tratou a matéria, não foi contraditório, e, como consequência, o seu julgamento resultou em conclusão plenamente válida. III Conclusão: Diante do exposto, voto no sentido de REJEITAR OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO opostos pela Fazenda Nacional (PGFN), nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 1487DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 19515.004385/2007-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 09 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.681
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto do relator. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Elias Fernandes Eufrasio, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto do relator. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Elias Fernandes Eufrasio, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Trata o presente processo de autos de infração lavrados contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito tributário decorrente do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, referente a períodos de apuração compreendidos no ano de 2002, no valor total de R$ 5.748.544,40, incluídos multa proporcional de 150% e juros de mora. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Tratase de exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), formalizada no auto de infração de fls. 333/343, lavrado em 28/12/2007, com ciência da contribuinte na mesma data, totalizando o crédito tributário de R$ 5.748.544,40. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 04 38 5/ 20 07 -9 7 Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.004385/200797 Resolução nº 3201000.681 S3C2T1 Fl. 1.031 2 Segundo a descrição dos fatos de fls. 335/343 e o termo de verificação fiscal de fls. 316/322, no período de janeiro a dezembro de 2002, houve falta de lançamento de IPI, por ter o estabelecimento promovido a saída de produtos tributados com erro de classificação fiscal e alíquota menor do imposto. Foram constatadas as seguintes irregularidades: 1. Os produtos Cetaphil Sabonete Líquido e Soapex Cremoso tiveram sua alíquota de IPI alterada de 5% para 10% pelo Decreto n° 4.070 de 28/12/2001, porém, a empresa efetuou a mudança de alíquota nas saídas dos produtos somente a partir de 01/02/2002, o que gerou falta de lançamento de IPI durante o mês de janeiro de 2002; 2. A contribuinte, no período de janeiro a dezembro de 2002, adota classificação fiscal incorreta para os produtos Proderm Emulsão, Nutraplus Creme e Nutraplus Loção, classificados no código 3004.90.99 da TIPI, alíquota de 0%, destinada a outros medicamentos, e para os produtos Lactrex Creme e Lactrex Loção, classificados no código 3004.90.26, alíquota de 0%, destinada a outros medicamentos contendo ácido láctico, seus sais ou seus ésteres, ácido diiodofenilocético, ácido fumárico, seus sais ou seus ésteres, ou fenofibrato; tais produtos caracterizamse como preparações cosméticas/cremes hidratantes, destinados aos cuidados da pele, e classificamse no código 3304.99.10, alíquota de 20%, com base da Nota 1 d) do Capítulo 30 e Nota 3 do Capítulo 33 da TIPI. Considerandose que houve insuficiência de lançamento de IPI, por ter o estabelecimento promovido a saída de produtos tributados com alíquotas inferiores devido a erros de classificação fiscal, foi lavrado o competente auto de infração. Por já haver consulta sobre a classificação fiscal de outro produto semelhante fabricado pela própria autuada, o produto Nutraderm, que concluiu pela classificação no código 3304.99.10, a fiscalização entendeu que houve erro deliberado com o intuito de redução do tributo, o que resultou na aplicação da multa qualificada de 150%. Inconformada com a autuação, a contribuinte, por intermédio de seu representante legal, protocolizou impugnação de fls. 346/423, aduzindo em sua defesa as seguintes razões: 1. O auto de infração é nulo for falta de motivação, já que o autuante não esclareceu o que o levou a concluir pela ausência de finalidades profilática, terapêutica ou paliativa dos produtos, que levaria a classificação fiscal para a posição 3004; tal fato impediu a impugnante de exercer plenamente o seu direito de defesa; 2. O auto de infração é nulo por vício de motivação pela inconsistência da fundamentação; 3. Os produtos Prodenn, Lactrex e Nutraplus possuem as propriedades profiláticas e curativas que atendem a definição de medicamento estabelecida pelo art. 40, inciso II, da Lei n° 5.991/73; 4. A ANVISA reconheceu que o produto Proderm Emulsão possui finalidades profiláticas ou terapêuticas, certificando, em 24/04/1985, que deve ser considerado um medicamento e não um cosmético; além disso, de forma rotineira, a ANVISA tem classificado como Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.004385/200797 Resolução nº 3201000.681 S3C2T1 Fl. 1.032 3 medicamento produtos que possuam o triclosano, como é o caso do Proderm; 5. Apresenta Parecer de fls. 475/481 sobre o Proderm, elaborado pela Profa. Dra. Maria Valéria Robles Velasco, membro da Câmara Técnica de Cosméticos da ANVISA que conclui que o produto é um medicamento a ser classificado no Capítulo 3004 (sic) da TIPI; 6. O mesmo entendimento deve ser aplicado aos produtos Lactrex Creme e Lactrex Loção conforme Resolução da ANVISA e Parecer de fls. 482/495 elaborado pela mesma Profa. Dra. Maria Valéria Robles Velasco; 7. A mesma conclusão serve para os produtos Nutraplus Creme e Nutraplus Loção de acordo com o Relatório Técnico de fls. 496/507, que considerou os produtos como medicamentos classificáveis na posição 3003.90.99; 8. Caso os produtos possam ser classificados em duas ou mais posições, deve prevalecer a posição mais específica, com prescreve a Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado 3 a); 9. Classificar os produtos na posição 3304.99.90 da TIPI implica em violar o princípio da seletividade aplicável ao IPI, tributando produtos de inegável importância à alíquota de 20%; 10. Não tendo a autuada agido com dolo, operouse a decadência, com a conseqüente extinção dos créditos tributários, em conformidade com a regra prevista no art. 150, parágrafo 4°, do Código Tributário Nacional; 11. Em relação à diferença de alíquota para os produtos Cetaphil Sabonete Líquido e Soapex Cremoso no mês de janeiro de 2002, o lançamento também foi atingido pela decadência, e para esta parte do lançamento não há qualquer alegação de prática de fraude ou dolo pela autuada; 12.Não fica comprovado o dolo por parte da impugnante para fraudar o fisco, uma vez que a própria contribuinte forneceu todos os dados que foram utilizados pela fiscalização para a lavratura do auto de infração; não havendo dolo, o prazo decadencial deve ser contado a partir do fato gerador, e a multa aplicada deve ser reduzida para 75%; 13. O fisco vem acolhendo de forma tácita e expressa a classificação fiscal adotada pela impugnante há mais de cinco anos, e a mudança de critério jurídico tem que respeitar o disposto no art. 146 do Código Tributário Nacional; 14. É vedado ao fisco exigir a multa e os juros de mora em razão do art. 100, inciso III e parágrafo único, do CTN, 15.Falece competência à Delegacia de Julgamento para alterar os fundamentos fáticos ou de direito constantes do auto de infração, sendo necessário reconhecer os vícios e anular o auto de infração. Por fim, requer que as publicações sejam realizadas em nome do advogado. Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.004385/200797 Resolução nº 3201000.681 S3C2T1 Fl. 1.033 4 A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Ribeirão Preto julgou procedente em parte a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/POR n.º 1419.707, de 2/7/2008 (fls. 1731 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2002 a 20/12/2002 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte impugnar todas razões de fato e de direito elencadas no auto de infração. DECADÊNCIA. Inexistindo o lançamento por homologação, o prazo de decadência para o lançamento de oficio deve ser contado pela regra do art. 173, I do CTN. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRODERM EMULSÃO. O Proderm Emulsão, produto hidratante para evitar a irritação da pele do bebê, caracterizase como preparação para os cuidados da pele, com propriedades profiláticas, classificandose no código 3304.99.10 da TIPI, pela aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado n° 1, combinada com a Nota 1 d) do Capítulo 30 da TIPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NUTRAPLUS CREME E NUTRAPLUS LOÇÃO. Os produtos Nutraplus Creme e Nutraplus Loção, hidratantes indicados para peles ásperas e secas, caracterizamse como preparações para os cuidados da pele, com propriedades profiláticas, classificandose no código 3304.99.10 da TIPI, pela aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado n° 1, combinada com a Nota 1 d) do Capítulo 30 da TIPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LACTREX CREME E LACTREX LOÇÃO. Os produtos Lactrex Creme e Lactrex Loção, hidratantes indicados para peles ásperas e secas, caracterizamse como preparações para os cuidados da pele, com propriedades profiláticas, classificandose no código 3304.99.10 da TIPI, pela aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado n° 1, combinada com a Nota 1 d) do Capítulo 30 da TIPI. LANÇAMENTO. ERRO CLASSIFICAÇÃO FISCAL. A falta de pagamento do imposto, por erro de classificação fiscal/alíquota inferior à devida, justifica o lançamento de oficio do IPI, com os acréscimos legais cabíveis. Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.004385/200797 Resolução nº 3201000.681 S3C2T1 Fl. 1.034 5 MULTA DE 150%. IMPROCEDÊNCIA. Inexistindo motivação expressa para a multa por infração qualificada, infligese a multa de 75% pela mera falta de lançamento ou recolhimento. Lançamento Procedente em Parte Em vista do valor exonerado, recorreuse de ofício a este Colegiado Administrativo. Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal (ver despacho de fl. 1778), recurso voluntário de fls. 1781 e ss., por meio do qual, depois de relatar os fatos, repisa os mesmos argumentos já delineados em sua impugnação. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Segundo noticia a fiscalização, a Recorrente promoveu a saída de mercadorias tributadas de seu estabelecimento comercial com recolhimento a menor do IPI devido ou mesmo sem o pagamento desse imposto: os produtos que saíram com alíquota menor que a devida foram Cetaphil Sabonete Líquido e Soapex Cremoso; os saídos com erro de classificação e sem o pagamento do IPI foram Proderm Emulsão 150 ml, Lactrex Creme, Lactrex Loção, Nutraplus Creme e Nutraplus Loção. Com relação aos produtos Cetaphil Sabonete Líquido e Soapex Cremoso, a própria Recorrente, que tiveram a alíquota majorada de 5% para 10% por meio do Decreto n° 4.070, de 2001, a própria Recorrente promoveu a alteração nos pagamentos realizados a partir de 01/02/2002, mas deixou de fazêlo nas saídas ocorridas em janeiro de 2002. Já os produtos Proderm Emulsão, Nutraplus Creme e Nutraplus Loção foram classificados no código 3004.90.99 (outros medicamentos) da TIPI, com alíquota de 0%, e os produtos Lactrex Creme e Lactrex Loção, classificados no código 3004.90.26 (outros medicamentos contendo ácido láctico, seus sais ou seus ésteres, ácido diiodofenilocético, ácido fumárico, seus sais ou seus ésteres, ou fenofibrato). No entender da fiscalização, tais produtos caracterizamse como preparações cosméticas/cremes hidratantes, destinados aos cuidados da pele, classificandose no código 3304.99.10, com alíquota de 20%, com base da Nota 1 d) do Capítulo 30 e na Nota 3 do Capítulo 33 da TIPI. Impugnada a exigência, a instância a quo manteve, no mérito, a autuação, mas reduziu a multa aplicada de 150% para 75%, porque entendeu inexistir razão para a qualificação da multa. A Recorrente alega extinto, pela decadência, o direito do Fisco. No caso em exame, os períodos de apuração do imposto vão de janeiro a dezembro de 2002. Tratase de IPI lançado em face da saída, do estabelecimento industrial, de produtos fabricados e comercializados pela Recorrente com alíquota inferior às devidas. Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.004385/200797 Resolução nº 3201000.681 S3C2T1 Fl. 1.035 6 Segundo a própria fiscalização consignou no Termo de Verificação Fiscal, houve lançamento do IPI quanto aos produtos Cetaphil Sabonete Líquido e Soapex Cremoso, mas não se atestou se houve recolhimentos do imposto nos períodos de apuração mencionados. Esse dado, como se sabe, é fundamental para o deslinde da questão. Ante o exposto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a unidade de origem ateste se houve recolhimentos de IPI nos períodos de apuração a que se referem os autos. Encerrada a instrução processual, a interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. Salientese, entretanto, que a sua manifestação devese restringir ao resultado da diligência, não sendo cabível revolver questões de defesa já suscitadas quando do oferecimento do recurso voluntário. Ao término do procedimento, devem os autos retornar a este Colegiado para julgamento. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 10166.727372/2013-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2011 a 31/12/2012
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos dos arts. 10 e 11 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
PERÍCIA OU DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido de perícia ou diligência quando a sua realização revele-se prescindível.
MULTA. GRUPO ECONÔMICO.
As empresas que integram grupo econômico respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da Lei n° 8.212/1991, incluindo a penalidade.
GLOSA DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não atendidas às condições estabelecidas na legislação previdenciária para a compensação de créditos, além dos requisitos de liquidez e certeza exigidos pela legislação, cabível a glosa dos valores indevidamente compensados.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. CONSCIÊNCIA DA CONDUTA PRATICADA. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. MULTA ISOLADA MANTIDA.
Quando restar comprovado nos autos que a contribuinte tinha pleno conhecimento de que os valores que se julgava credora estavam sendo discutidos em ações judiciais, cuja origem era duvidosa, deve-se manter a multa isolada, já que a falsidade se caracteriza pela consciência, por parte do agente, da irregularidade de sua conduta.
Numero da decisão: 2201-003.206
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz que davam provimento parcial ao recurso. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Cláudio Farag, OAB/DF nº 14.005.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos dos arts. 10 e 11 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. PERÍCIA OU DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de perícia ou diligência quando a sua realização revele se prescindível. MULTA. GRUPO ECONÔMICO. As empresas que integram grupo econômico respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da Lei n° 8.212/1991, incluindo a penalidade. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. Não atendidas às condições estabelecidas na legislação previdenciária para a compensação de créditos, além dos requisitos de liquidez e certeza exigidos pela legislação, cabível a glosa dos valores indevidamente compensados. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. CONSCIÊNCIA DA CONDUTA PRATICADA. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. MULTA ISOLADA MANTIDA. Quando restar comprovado nos autos que a contribuinte tinha pleno conhecimento de que os valores que se julgava credora estavam sendo discutidos em ações judiciais, cuja origem era duvidosa, devese manter a multa isolada, já que a falsidade se caracteriza pela consciência, por parte do agente, da irregularidade de sua conduta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 73 72 /2 01 3- 71 Fl. 658DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz que davam provimento parcial ao recurso. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Cláudio Farag, OAB/DF nº 14.005. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo a contribuições devidas à Seguridade Social, abrangendo o período de 02/2011 a 13/2012, consubstanciado no Auto de Infração, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor R$ 10.429.570,49. A fiscalização apurou glosa de compensações indevidas e, consequentemente, aplicou a multa isolada por falsidade na declaração. O AI é composto pelos seguintes levantamentos: GF – GLOSA COMPENSAÇÃO INDEVIDA FILIAL, debcad nº 51.012.1624, contendo contribuições glosadas, decorrentes de compensações indevidamente declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP). MI – MULTA ISOLADA, debcad nº 51.012.1632, contendo a multa por falsidade da declaração (150%), sobre os valores indevidamente compensados. De acordo com a autoridade de primeira instância, o procedimento fiscal ocorreu em razão: ... das compensações efetuadas nas GFIP de estabelecimentos filiais (0002 a 0006) da autuada decorreram de alegados direitos creditórios junto ao INSS, adquiridos por meio de escrituras públicas de cessão de direitos (de 27/01/2011) das empresas INVESTPLAN AGROINDUSTRIAL IMPORTAÇÃO E Fl. 659DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.727372/201371 Acórdão n.º 2201003.206 S2C2T1 Fl. 991 3 EXPORTAÇÃO S/A e NEW STYLLUS SERVIÇOS, PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO DE BENS Ltda, os quais foram originariamente obtidos da empresa SERVPORT SERVIÇOS PORTUÁRIOS E MARÍTIMOS Ltda; tudo de acordo com sentença transitada em julgado na Ação Ordinária n.º 94.00493690, da 24ª Vara Federal do Rio de Janeiro, utilizandoos para compensar as contribuições previdenciárias nas GFIP do período de 02/2011 a 13/2012. Segundo a fiscalização, não há na legislação tributária a possibilidade de aproveitamento de créditos de outro sujeito passivo para a compensação de contribuições previdenciárias. Ainda, a autuada (DISBRAVE) já havia protocolizado junto à Receita Federal do Brasil (RFB) processos de Declaração de Compensação (Dcomp), para compensar tributos fazendários, utilizando como suposta origem dos créditos a escritura pública datada de 27/01/2011; para os quais foram emitidos, em 23/05/2011, Despachos Decisórios (DD) indeferindo os pedidos e considerando as compensações “não declaradas”. Destaca que já foi autuada antes, no processo n.º 10166.728777/201164, DEBCAD 37.359.6693), pelos mesmos motivos expostos, já que baseou suas compensações em várias escrituras públicas semelhantes, com supostos créditos advindos da mesma ação judicial, a qual ainda tramita na Justiça do Rio de Janeiro, com risco de nulidade dos atos processuais praticados pela SERVPORT. Assim, foram glosados os valores indevidamente compensados, já que tal compensação realizouse em desacordo com a legislação (art. 170 do CTN, art. 89 da Lei nº 8.212/91 e art. 56 da Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012 (DOU de 21/11/2012). Sobre os valores compensados indevidamente, foi aplicada a multa de mora prevista no § 9º do art. 89 da Lei nº 8.212/91 (0,33% ao dia, limitado a 20%), com redação pela Medida Provisória (MP) nº 449/2008, convertida na lei nº 11.941/2009. Foi ainda lançada a multa isolada prevista no art. 89 e § 10 da Lei nº 8.212/91, em decorrência de falsidade na declaração, por ter inserido na GFIP créditos inexistentes, relacionados à compensação a que não teria direito; e da qual já teria sido informado, em vários despachos decisórios e até mesmo autuações de empresas do grupo. Os valores apurados das glosas de compensações e da multa isolada estão demonstrados, por estabelecimento, no relatório Discriminativo do Débito (DD), anexo ao AI. Os juros e multas aplicados sobre o presente crédito e a legislação correspondente estão discriminados no DD e no relatório Fundamentos Legais do Débito (FLD). Também constam os fundamentos legais das contribuições exigidas. O Relatório Fiscal menciona a sujeição passiva solidária em relação ao crédito apurado, com base no art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN) e art. 30, IX da Lei nº 8.212/91, Fl. 660DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 identificando as empresas componentes (em número de sete) do grupo econômico, juntamente com a autuada – Distribuidora Brasília de Veículos S/A – o GRUPO DISBRAVE, assim considerado pelas próprias empresas. Destaca as circunstâncias motivadoras da configuração: similaridade de pessoas no quadro societário, existência de empresa controladora (a autuada), mesmo endereço comercial e cadastral, atividades comerciais relacionadas (venda, aluguel, financiamento, corretagem de seguros, consórcios para aquisição etc), e a estrutura administrativa apresentada no sítio www.disbrave.com.br, na internet. Foram anexadas cópias de: procuração, contrato social e alterações, escrituras públicas de cessão de direitos creditórios, tela de internet com a estrutura administrativa do grupo econômico, planilhas de compensação, Despachos Decisórios (DD), termos de sujeição passiva solidária, dentre outros. Cientificadas do lançamento, a interessada e as responsáveis solidárias apresentaram impugnação única, alegando, conforme se extrai do relatório da autoridade recorrida, verbis: Da consulta anterior ao INSS que consultou a Arrecadação do INSS em São Paulo, onde estavam habilitados os créditos tributários da cedente, atestando a regularidade do procedimento de compensação. Do cerceamento de defesa e da violação do contraditório que os documentos comprobatórios de seus direitos créditos foram mostrados à fiscalização, e omitidos ou desconsiderados por esta na formalização do AI, acarretando cerceamento de defesa e violação do contraditório; pelo que deve ser julgado nulo. Dos créditos adquiridos da SERVPORT, oriunda da ação judicial n.º 94.00493690 e da compensação realizada em extenso arrazoado, alega que detém o crédito cedido por meio de escritura pública, oriundo do processo judicial n.º 94.00493690 da 24.ª Vara Federal do Rio de JaneiroRJ, cuja cedente e titular daquela ação judicial é a empresa Servport Serviços Marítimos e Portuários Ltda, com sentença transitada em julgado, possibilitando o direito de transferir a terceiros. que a cessão de créditos deuse mediante instrumento público, conferindo à DISBRAVE a legítima propriedade e subrogação naqueles, estando a compensação amparada no art. 368 do Código Civil/2002. que compensou os créditos adquiridos segundo o CTN (art. 170A), ou seja, após o trânsito em julgado. que realizou compensações previdenciárias anteriormente, todas oriundas do mesmo crédito (AI nº 10166.728777/201164, debcad nº 37.359.6693), tendo sido todas glosadas pelo Fisco, conforme já mencionado no Relatório Fiscal, pelo que pede a Fl. 661DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.727372/201371 Acórdão n.º 2201003.206 S2C2T1 Fl. 992 5 reconsideração daquela decisão, haja vista a consulta e autorização do INSS para as referidas compensações. que são improcedentes os AI, requerendo a validade da compensação. Dos vínculos – solidariedade que o Fisco não pode solidarizar pessoas e dirigentes com base no art. 134 e 135 do CTN sem o trânsito em julgado do processo administrativo. que no rol dos vínculos do AI consta o nome do Contador (Sr. Lindomar Ferreira Gomes) e o Sr. Yoshime Suguieda; o primeiro contador contratado, e o segundo é procurador do fundador do grupo. Ambos devem ser retirados da responsabilidade solidária e do relatório de vínculos. Da multa isolada de 150% da falsidade que não ocorreu falsidade na declaração (GFIP), pois os créditos são verdadeiros e decorrem de negócios jurídicos privados e válidos e de decisão judicial. Não ocorreu fraude. A falsidade na declaração deve ser provada e não presumida. Pede a improcedência da multa. Da duplicidade na aplicação da multa isolada que a aplicação da multa Isolada (art. 89 e § 10º da Lei nº 8.212/91) conjuntamente com a multa de ofício do art. 35, I, II e III da Lei nº 8.212/91 é inconcebível (junta jurisprudência administrativa). Da representação Fiscal para Fins Penais – RFFP que ficou comprovado a inocorrência de falsidade na declaração, pelo que não se pode tipificar qualquer conduta praticada contra a ordem tributária. Deve ser arquivada a RFFP. Da juntada de documentos, oitiva de testemunhas, depoimento pessoal e perícia. requer, genericamente, a juntada de documentos, oitiva de testemunhas, depoimento pessoal e perícia. Documentos anexados aos autos pelo contribuinte: cópias de procuração, atas, de contrato social e alterações, de decisões judiciais e de certidões, e de escritura de cessão de direitos, dentre outros. A 7ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP julgou improcedente a impugnação apresentada, conforme ementas abaixo transcritas: CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Fl. 662DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 6 A fase litigiosa do procedimento administrativo, em que é oferecida plena oportunidade de contraditar a imputação fiscal somente se instaura com a impugnação do sujeito passivo ao lançamento já formalizado. Tendo sido regularmente oferecida, e amplamente exercida pela autuada esta oportunidade de defesa, restam descaracterizadas as alegações de cerceamento de direito de defesa e violação do contraditório. COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. LIMITES E CONDIÇÕES. CESSÃO DE CRÉDITOS. CRÉDITO DE TERCEIROS. VEDAÇÃO. FALTA DE LIQUIDEZ. INADMISSIBILIDADE. GLOSA. Compensação é procedimento facultativo através do qual o sujeito passivo é ressarcido das próprias contribuições recolhidas ou pagas indevidamente, deduzindoas das contribuições devidas à Previdência Social. Pode a lei editada pela pessoa política competente estabelecer limites e condições ao seu exercício. É vedada a compensação da contribuição devida com créditos adquiridos de terceiros, através da cessão de direitos creditórios, mormente quando parte deles ainda se encontra pendente de liquidação na esfera judicial. A aquisição de créditos ilíquidos e incertos junto a terceiros não autoriza a adquirente deixar de recolher as contribuições incidentes sobre a remuneração paga a trabalhadores empregados e autônomos a seu serviço, sob o argumento de que houve compensação. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação previdenciária e no Código Tributário Nacional CTN, e não comprovada a certeza e liquidez dos créditos, deverá a fiscalização efetuar a glosa dos valores indevidamente compensados, com o conseqüente lançamento de ofício das importâncias que deixaram de ser recolhidas. MULTA DE MORA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. LEGALIDADE. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL EM DOBRO (150%). FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. CONDUTA DOLOSA E REITERADA. COMPROVAÇÃO. DUPLICIDADE DE PENALIZAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Sobre os valores compensados indevidamente, e glosados pela fiscalização, deve incidir a multa de mora disposta no § 9.º do art. 89 da Lei n.º 8.212/91, limitada a 20%, nos exatos termos da legislação vigente, com redação da MP n.º 449/2008 lei n.º 11.941/2009. Diante da comprovação nos autos de que os créditos a serem compensados, declarados nas GFIP durante vasto período de tempo, eram de origem duvidosa (jurídica e materialmente) e já submetidos anteriormente a vários procedimentos de compensação administrativa todos sem sucesso, podese concluir que não são correspondentes à realidade fáticojurídica que permeia a situação, além de representar uma conduta marcada pela intencionalidade e persistência, tornase cabível a aplicação da multa isolada no percentual de 150% prevista Fl. 663DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.727372/201371 Acórdão n.º 2201003.206 S2C2T1 Fl. 993 7 no § 10 do referido art. 89, devendo ser esta mantida da autuação. A cominação dessas duas multas cada qual com sua tipicidade específica na legislação não caracteriza a duplicidade de penalização alegada. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a legalidade ou constitucionalidade de atos normativo com plena vigência. DIRETOR E CONTADOR. PESSOAS FÍSICAS. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. MENÇÃO INFORMATIVA. AUSÊNCIA DE ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A menção a pessoas físicas na condição de diretor ou contador da autuada tem finalidade meramente informativa e não implica a atribuição de responsabilidade tributária a elas, já que o Auto de Infração foi lançado unicamente contra a pessoa jurídica (empresa). REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS (RFFP) . DEVER FUNCIONAL. LEGALIDADE. A emissão de Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP), dirigida a autoridade competente, constitui dever funcional dos AuditoresFiscais, não cabendo, no julgamento administrativo, a apreciação do conteúdo dessa peça enviada às autoridades competentes. PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. PERÍCIA E PROVA TESTEMUNHAL. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo as exceções previstas legalmente. Devem ser indeferidos os pedidos de perícia formulados pela impugnante, quando não atendidos os requisitos legais ou ainda quando desnecessários para se formar a convicção acerca dos fatos e motivos do lançamento. Deve ser afastado o pedido de tomada de depoimento pessoal ou oitiva de testemunhas por não haver, no rito do Decreto n.º 70.235/72, previsão para esse tipo de instrução e quando os elementos constantes dos autos fazemse suficientes para a livre formação de convicção e entendimento. Caso imprescindível ou de relevância para o julgamento, deveriam ser reduzidos a termo e juntados no prazo legal para a impugnação. Impugnação Improcedente Fl. 664DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Intimadas da decisão de primeira instância (fls. 490/505), a autuada e as responsáveis solidárias apresentaram, tempestivamente, Recurso Voluntário (fls. 506/656), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua impugnação, conforme se observa do pedido formulado, verbis: DOS PEDIDOS Requer, cumulativamente e alternativamente: a) O conhecimento do recurso por ser tempestivo; b) Que seja anulado o auto de infração em razão da violação à coisa julgada; c) Que seja anulado o auto de infração por vicio material em face da violação ao direito de defesa que determina a validade da cessão à luz do código civil; d) Que seja anulado o auto de infração por vicio formal, facultando a devida produção de provas; e) Que seja reduzida a multa qualificada pela inexistência de dolo, nos termos de procedentes do CARF e ainda pelo fato e que não se pode negar a boa fé de um contribuinte que atua amparado por decisões judiciais. f) Que em que pese a súmula 28 do CARF que seja reconhecida a inexistência de dolo e de qualquer violação de Índole criminal; g) Que seja retirada a solidariedade pela violação ao art. 124 do CTN. É o Relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Como visto do relatório, tratase de lançamento relativo à glosa de contribuições decorrentes de compensações indevidamente declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), além de multa isolada de 150%, calculado sobre os valores indevidamente compensados. Antes de se entrar no mérito da questão, cumpre enfrentar, de antemão, as preliminares suscitadas pelos recorrentes. No que tange ao pedido de nulidade, em razão de violação da coisa julgada, entendo que a matéria se confunde com o mérito e com ele será tratada. Quanto à alegação de nulidade do auto de infração, por vicio formal, penso que o argumento é estéril e não merece prosperar. Analisando detidamente o lançamento, não Fl. 665DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.727372/201371 Acórdão n.º 2201003.206 S2C2T1 Fl. 994 9 se constatam inexatidões, incorreções, omissões ou qualquer insuficiência de forma ou conteúdo, portanto a exigência fiscal levada a efeito encontrase alicerçada nos preceitos legais, o que confere liquidez e certeza ao crédito tributário apurado. Verificase, também, que a recorrente ao questionar a autuação, tanto em sua Impugnação quanto em seu Recurso Voluntário, demonstrou ter pleno conhecimento da matéria consubstanciada no Auto de Infração, transcrevendo, inclusive, jurisprudência do CARF. Portanto, não se identifica no lançamento qualquer vício que possa prejudicar o direito de defesa da autuada. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos dos arts. 10 e 11 do Decreto n° 70.235/1972, devese rejeitar a preliminar suscitada. Em relação ao pedido de diligência, cumpre esclarecer que apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de pleitear a realização de diligências e perícias, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as consideradas prescindíveis ou impraticáveis (art. 18, caput, do Decreto nº 70.235/1972). Os procedimentos de perícia não podem ter por objetivo a complementação do conjunto probatório, suprindo, a destempo, eventuais lacunas do trabalho do fisco ao lançar o crédito ou da Impugnação apresentada pela interessada. Tais instrumentos se prestam tão somente a esclarecer dúvidas técnicas ou fáticas surgidas ao julgador no exame do litígio. A esse respeito escreveu o Professor Marcos Vinicius Neder na importante obra Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, Ed. Dialética, pág. 210: Como já dissemos, a perícia não se constitui em direito subjetivo do autuado, cabendo ao julgador, se, justificadamente, entendê la desnecessária, não acolher o pedido formulado pelo interessado. A perícia é prova de caráter especial, cabível nos casos em que a interpretação dos fatos demande juízo técnico. Verificase que, dificilmente, as autoridades de primeira instância têm se curvado aos pedidos formulados pelos contribuintes sob a alegação de ser desnecessária. Já nos Conselhos de Contribuintes, com certa freqüência, admitese a descida dos autos para a realização de diligências, como meio de melhor apuração da verdade material. De qualquer forma, o indeferimento ou deferimento do pedido de realização de perícia ou diligência depende do livre convencimento da autoridade preparadorajulgadora, sendo que o seu indeferimento não implica nulidade da decisão, sobretudo quando os autos demonstram a sua prescindibilidade. No presente caso houve a devida apreciação pela turma julgadora do pedido de perícia e foi bem explicitada a razão pela qual foi indeferida. Transcrevese o art. 29 do Decreto 70.235/1972: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formar livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessária. Fl. 666DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 10 Portanto, relativamente ao pedido de diligência, acompanho integralmente a decisão recorrida no sentido de que sua realização revela prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. Relativamente à alegação de que a autoridade fiscal não poderia imputar ao grupo econômico qualquer solidariedade, verificase que a sujeição passiva solidária foi constituída em relação ao crédito apurado, com base no art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN) e art. 30, IX, da Lei nº 8.212/1991, identificando as empresas componentes do grupo econômico, juntamente com a autuada (Distribuidora Brasília de Veículos S/A – o GRUPO DISBRAVE). Nesse passo, constatase que as circunstâncias motivadoras da configuração são: similaridade de pessoas no quadro societário, existência de empresa controladora (a autuada), mesmo endereço comercial e cadastral, atividades comerciais relacionadas (venda, aluguel, financiamento, corretagem de seguros, consórcios para aquisição etc), e a estrutura administrativa apresentada no sítio www.disbrave.com.br, na internet. Com efeito, o inciso IX do art. 30 a Lei nº 8.212/1991 descreve solidariedade em razão da existência de grupo econômico: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; Em razão dos fatos narrados pela autoridade fiscal, verificase que a recorrente se enquadra, perfeitamente, nos requisitos definidos pela legislação e, consequentemente, aplicável à espécie o inciso II do art. 124 do CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Portanto, correto o procedimento efetuado pela autoridade fiscal. No mérito, verificase que as compensações efetuadas nas GFIP da autuada decorreram de alegados direitos creditórios junto ao INSS, adquiridos por meio de escrituras públicas de cessão de direitos das empresas INVESTPLAN AGROINDUSTRIAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO S/A e NEW STYLLUS SERVIÇOS, PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO DE BENS Ltda, os quais foram originariamente obtidos da empresa SERVPORT SERVIÇOS PORTUÁRIOS E MARÍTIMOS Ltda; tudo de acordo com sentença transitada em julgado na Ação Ordinária n.º 94.0049369 0, da 24ª Vara Federal do Rio de Janeiro, utilizandoos para compensar as contribuições previdenciárias nas GFIP do período de 02/2011 a 13/2012. De início, cumpre transcrever a pesquisa efetuada pela autoridade recorrida que identificou inúmeros incidentes/inconsistências processuais demonstrando a falta de certeza e liquidez do direito creditório: ... o desfecho judicial ainda se encontra totalmente indefinido, mormente quanto ao valor e à própria existência do crédito tributário negociado e posto à compensação tributária. Fl. 667DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.727372/201371 Acórdão n.º 2201003.206 S2C2T1 Fl. 995 11 Seguemse transcrições dos últimos despachos e decisões da 24ª Vara Federal (RJ), proferidas no curso de tais ações judiciais: 004936904.1994.4.02.5101 Número antigo: 94.00493690 1001 ORDINÁRIA/TRIBUTÁRIA Autuado em 19/12/1994 AUTOR : SERVPORT SERVICOS MARITIMOS E PORTUARIOS LTDA ADVOGADO: EURICO SAD MATHIAS REU : UNIAO FEDERAL ADVOGADO: SERGIO MAURICIO DA BOAMORTE E OUTROS 24ª Vara Federal do Rio de Janeiro THEOPHILO ANTONIO MIGUEL FILHO Juiz Despacho: ALFREDO DE ALMEIDA LOPES DistribuiçãoSorteio Automático em 09/01/1995 para 24ª Vara Federal do Rio de Janeiro Objetos: CONTRIBUICOES PREVIDENCIARIAS Concluso ao Juiz(a) ALFREDO DE ALMEIDA LOPES em 12/11/2009 para Despacho SEM LIMINAR por JRJIBZ Conforme nos autos do processo nº. 2006.51.01.0087400, exposto às fls. 6965/6966, existem fundadas dúvidas quanto à identidade dos verdadeiros representantes legais da empresa SERVPORT, autora do presente feito. Isto posto, suspendase o feito até que seja definido, por decisão judicial transitada em julgado, quem são os verdadeiros responsáveis legais da autora, de modo que possa ser avaliada a validade das diversas cessões de créditos noticiadas nos autos. Edição disponibilizada em: 16/07/2010 Data formal de publicação: 19/07/2010 Prazos processuais a contar do 1º dia útil seguinte ao da publicação. Conforme parágrafos 3º e 4º do art. 4º da Lei 11.419/2006 (...) 004936904.1994.4.02.5101 Número antigo: 94.00493690 1001 ORDINÁRIA/TRIBUTÁRIA Autuado em 19/12/1994 AUTOR : SERVPORT SERVICOS MARITIMOS E PORTUARIOS LTDA ADVOGADO: EURICO SAD MATHIAS REU : UNIAO FEDERAL ADVOGADO: SERGIO MAURICIO DA BOAMORTE E OUTROS 24ª Vara Federal do Rio de Janeiro THEOPHILO ANTONIO MIGUEL FILHO Juiz Despacho: RODRIGO GASPAR DE MELLO Distribuição Sorteio Automático em 09/01/1995 para 24ª Vara Federal do Rio de Janeiro Objetos: CONTRIBUICOES PREVIDENCIARIAS Concluso ao Juiz(a) RODRIGO GASPAR DE MELLO em 15/05/2012 para Despacho SEM LIMINAR por JRJPMR Fl. 668DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 12 Fls.7260. Defiro a vista requerida pela Procuradoria da Fazendas Nacional, por 15 (quinze) dias. Após, retornem conclusos. Registro do Sistema em 15/06/2012 por JRJPMR. (...) 004936904.1994.4.02.5101 Número antigo: 94.00493690 1001 ORDINÁRIA/TRIBUTÁRIA Autuado em 19/12/1994 Consulta Realizada em 06/03/2014 às 10:54 AUTOR : SERVPORT SERVICOS MARITIMOS E PORTUARIOS Ltda ADVOGADO: EURICO SAD MATHIAS REU : UNIAO FEDERAL ADVOGADO: SERGIO MAURICIO DA BOAMORTE E OUTROS 24ª Vara Federal do Rio de Janeiro Magistrado(a) THEOPHILO ANTONIO MIGUEL FILHO DistribuiçãoSorteio Automático em 09/01/1995 para 24ª Vara Federal do Rio de Janeiro Processo suspenso a partir de 19/09/2013 Objetos: CONTRIBUICOES PREVIDENCIÁRIAS Concluso ao Magistrado(a) RODRIGO GASPAR DE MELLO em 08/08/2012 para Despacho SEM LIMINAR por JRJPMR Cumprase a decisão proferida ás fls. 6700/6701, desentranhandose e juntandose por linha as petições de cessão de crédito, a saber: Fls.7.116/7.189, Fls.7.198/7.210, Fls.7.246/7.250, Fls.7.278/7.322, Após, suspendase o feito tendo em vista a tramitação do Processo nº 2006.51.01.0087400. P.I. Edição disponibilizada em: 15/08/2013 Data formal de publicação: 16/08/2013 Prazos processuais a contar do 1º dia útil seguinte ao da publicação. Conforme parágrafos 3º e 4º do art. 4º da Lei 11.419/2006 (...) 000874065.2006.4.02.5101 Número antigo: 2006.51.01.0087400 1001 ORDINÁRIA/TRIBUTÁRIA Autuado em 05/04/2006 AUTOR : SERVPORT SERVICOS MARITIMOS E PORTUARIOS LTDA ADVOGADO: FABIOLA CARVALHO FERREIRA BORGES REU : UNIAO FEDERAL ADVOGADO: SERGIO MAURICIO DA BOAMORTE E OUTRO 24ª Vara Federal do Rio de Janeiro THEOPHILO ANTONIO MIGUEL FILHO Juiz Despacho: ALFREDO DE ALMEIDA LOPES Distribuição por Dependência em 06/04/2006 para 24ª Vara Federal do Rio de Janeiro Objetos: CONTRIBUICOES PREVIDENCIARIAS Concluso ao Juiz(a) ALFREDO DE Fl. 669DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.727372/201371 Acórdão n.º 2201003.206 S2C2T1 Fl. 996 13 ALMEIDA LOPES em 27/02/2012 para Despacho SEM LIMINAR por JRJPMR 1) Fls.1288/1292. Conforme acórdão proferido pela 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro nos autos das apelações cíveis nº 2008.001.45473, 2008.001.45442, 2008.001.45413 e 45460, ( fls. 7219/7236 do Proc. nº 94.00493690), que deverão ser trasladadas para estes autos, restou decidido que o legítimo representante da Autora, Servport Serviços Marítimos e Portuários Ltda é o Sr. Haylton Bassini. Portanto, mister se faz que a parte Autora indique objetivamente quais as cessões que não foram firmadas pelos legítimos proprietários apontando em quais folhas as mesmas se encontram juntadas. Atendido, procedase ao desentranhamento das mesmas juntandose por linha para posterior devolução aos cessionários, mediante recibo nos autos. Quanto às cessões que foram firmadas pelos legítimos representantes da empresa, deverão também ser desentranhadas e apensadas por linha em volume em como já determinado às fls. 372, para evitar tumulto processual. 2)Conforme se depreende do título judicial a liquidação deverá ser feita na modalidade de arbitramento, razão pela qual, não se tendo até o momento elementos que comprovem que a Autora é detentora de créditos a compensar perante o Fisco, não há que se cogitar em convalidar ou ratificar as operações de cessões. Ademais, a Procuradoria da Fazenda Nacional às fls. 1300/1301 informa que a empresa autora já não detinha mais crédito junto ao INSS desde 01/03/2000. 3)Anotese no rosto dos autos as seguintes penhoras/reserva de crédito: Fls.255.18ª Vara Cível do RJ, no valor de R$2.968.337,00 Fls.300 45º Vara do Trabalho/RJ, no valor de R$32.321,81 Fls.301 61ª Vara do Trabalho/RJ, no valor de R$442,19 Fls.303 2ª Vara do Trabalho/RJ, no valor de R$2.376,30 Fls.306 68º Vara do Trabalho/RJ, no valor de R$56.293,28 Fls.310 35º Vara do Trabalho/RJ, no valor de R$23.994,67 Fls.337 45º Vara do Trabalho/RJ, no valor de R$7.596,04 Fls.380 47ª Vara do Trabalho/RJ, no valore de R$17.607,23 Fls.684 8ª Vara do Trabalho/RJ, no valor de R$37.800,00 Fls.1076 2ª Vara do Trabalho/RJ, no valor de R$23.099,63 Fls.1079 45ª Vara do Trabalho/RJ, no valor de R$41.399,77 Fls.1083 49ª Vara do Trabalho/RJ , no valor de R$9.236,59 Fl. 670DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 14 Fls.1086 3ª Vara Federal de Execuções Fiscais, no valor de R$3.453,976,07 Fls.1103 17ª Vara do Trabalho/RJ, no valor de R$16.927,32 Fls.1104 42ª Vara do Trabalho/RJ, no valor de R$39.283,02 Fls.1105 17ª Vara do Trabalho/RJ, no valor de R$16.927,32 Fls.1107 42ª Vara do Trabalho/RJ, no valor de R$39.283,02 Fls.1109 45ª Vara do Trabalho/RJ, no valor de R$41.399,77 Fls.1273 1ª Vara Federal de Execuções Fiscais, no valor de R$141.147,29 Fls.1274 1ª Vara Federal de Execuções Fiscais, no valor de R$43.014,52 Fls.1275 1ª Vara Federal de Execuções Fiscais, no valor de R$10.653.852,14 Fls.1276 1ª Vara Federal de Execuções Fiscais, no valor de R$466.378,83 Fls.1277 1ª Vara Federal de Execuções Fiscais, no valor de R$3.554.411,54 Dêse ciência à PFN. Publiquese . Intimese. Edição disponibilizada em: 07/02/2013 Data formal de publicação: 18/02/2013 Prazos processuais a contar do 1º dia útil seguinte ao da publicação. Conforme parágrafos 3º e 4º do art. 4º da Lei 11.419/2006 Em decorrência os autos foram remetidos para Procuradoria da Fazenda por motivo de Vista A contar de 14/05/2013 pelo prazo de 10 Dias (Simples). Disponibilizado em 14/05/2013 por JRJPMR (Guia 2013.000021) e entregue em 14/05/2013 por JRJJSD Disponível para Autor por motivo de Vista A contar de 18/02/2013 pelo prazo de 10 Dias (Simples). Localização atual: 24ª Vara Federal do Rio de Janeiro (...) 000874065.2006.4.02.5101 Número antigo: 2006.51.01.008740 0 1001 ORDINÁRIA/TRIBUTÁRIA Autuado em 05/04/2006 – AUTOR : SERVPORT SERVICOS MARITIMOS E PORTUARIOS LTDA ADVOGADO: FABIOLA CARVALHO FERREIRA BORGES REU : UNIAO FEDERAL ADVOGADO: SERGIO MAURICIO DA BOAMORTE E OUTRO 24ª Vara Federal do Rio de Janeiro Magistrado(a) THEOPHILO ANTONIO MIGUEL FILHO Distribuição por Dependência em 06/04/2006 para 24ª Vara Federal do Rio de Janeiro Objetos: CONTRIBUICOES PREVIDENCIARIAS Fl. 671DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.727372/201371 Acórdão n.º 2201003.206 S2C2T1 Fl. 997 15 Concluso ao Magistrado(a) RODRIGO GASPAR DE MELLO em 15/08/2013 para Despacho SEM LIMINAR por JRJPMR Anotese as reservas de crédito solicitadas pelos doutos Juízos da 2ª Vara de Família da Barra da Tijuca nos autos do Processo nº 000991055.2010.8.19.0209 no valor de R$49.528,13 e 68ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro no Processo nº 0029700 28.2001.5.01.0068 no valor de R$36.148,36. P.I. Edição disponibilizada em: 09/09/2013 Data formal de publicação: 10/09/2013 (...) 000874065.2006.4.02.5101 Número antigo: 2006.51.01.008740 0 1001 ORDINÁRIA/TRIBUTÁRIA Autuado em 05/04/2006 – AUTOR : SERVPORT SERVICOS MARITIMOS E PORTUARIOS LTDA ADVOGADO: FABIOLA CARVALHO FERREIRA BORGES REU : UNIAO FEDERAL ADVOGADO: SERGIO MAURICIO DA BOAMORTE E OUTRO 24ª Vara Federal do Rio de Janeiro Magistrado(a) THEOPHILO ANTONIO MIGUEL FILHO Distribuição por Dependência em 06/04/2006 para 24ª Vara Federal do Rio de Janeiro Objetos: CONTRIBUICOES PREVIDENCIARIAS Concluso ao Magistrado(a) RODRIGO GASPAR DE MELLO em 28/11/2013 para Despacho SEM LIMINAR por JRJPMR Oficiese ao Juízo da 42ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro informando que na data de 18/06/2010 foi efetuado a penhora no rosto dos presentes autos no valor de R$39.283,02 referente ao Processo 007550060.2001.5.01.0042 conforme carta de vênia expedida naqueles autos. Edição disponibilizada em: 10/12/2013 Data formal de publicação: 11/12/2013 Inequívoco concluir, portanto, que a Autuada adquiriu crédito ilíquido, o qual, por conta disso nem ao menos em tese poderia ser utilizado na compensação de contribuições previdenciárias devidas. E mais: caso prevaleça judicialmente, na ação de liquidação da sentença supracitada, o entendimento de que a autora (Servport) já não mais detinha crédito junto ao INSS desde 01/03/2000, aliado à anotação (no rosto daqueles autos judiciais) de uma série nada desprezível de penhoras/reservas Fl. 672DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 16 de crédito de ordem trabalhista e fiscal, tornase factível a hipótese de que os créditos são até mesmo incertos. De todo o exposto, não tem lastro legal ou judicial a compensação efetivada pela impugnante nas GFIP de 02/2011 a 13/2012. É de se julgar correta a glosa que culminou na presente autuação, apurando e lançando os valores indevidamente compensados, com os acréscimos moratórios pertinentes. De fato, entendo que não há nos autos documentos efetivos de que as cedentes possuíam o direito líquido e certo a esses créditos. Na verdade, sequer constam as cedentes no pólo ativo do processo judicial utilizado nas compensações. Embora tenha a recorrente juntado aos autos decisão judicial a qual liberaria a autora (Servport Serviços Marítimos e Portuários Ltda) a negociar livremente os créditos, entendo que não há como afirmar, com segurança absoluta, que de fato tais créditos existia e/ou que não foram consumidos em razão de penhoras/reservas de crédito de ordem trabalhista e fiscal. Não se pode perde de vista que a cessão de crédito é perfeitamente possível; entretanto, ainda que os créditos fossem líquidos, por falta de previsão legal, não há como compensar os débitos ou tributos administrados pela Receita Federal do Brasil com crédito de terceiros. Ante a esses argumentos, devese manter a glosa dos valores indevidamente compensados, com o consequente lançamento de ofício das importâncias que deixaram de ser recolhidas. Quanto à aplicação da multa isolada de 150%, entendo que também deve ser mantida. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado, consoante dispõe o § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212/1991: § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (g. n.) In casu, penso que não é razoável entender que a contribuinte ignorava o fato de que os valores que se julgava credora (de origem duvidosa, digase), estavam sendo discutidos em ações judiciais. Da mesma forma, também não é razoável entender que a contribuinte, quando da compensação, desconhecia que não havia elementos que comprovavam que a Servport Serviços Marítimos e Portuários Ltda detinha créditos a compensar com o fisco. Ademais, como bem pontuou a autoridade recorrida, “a autuada, na condição de adquirente (cessionária) desses supostos créditos, já havia sido informada, em diversos procedimentos administrativos (incluindo Autos de Infração), a respeito da inservibilidade dos referidos créditos para compensações no âmbito tributário e, ainda assim, persistiu em declarálos em GFIP, no intuito de compensálos com as contribuições previdenciárias”. Além do mais, como é de conhecimento geral, a suposta titular dos créditos, SERVPORT SERVIÇOS PORTUÁRIOS E MARÍTIMOS Ltda; cedeu para incontáveis empresas os créditos tidos como líquidos pela recorrente. Na verdade, quem adquiriu os supostos créditos, sabia o que estava comprando. Tal ação se choca com o princípio da Fl. 673DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.727372/201371 Acórdão n.º 2201003.206 S2C2T1 Fl. 998 17 presunção da inocência. Assim, entendo que a falsidade na compensação se consumou, já que o comprador do suposto crédito, no caso, a recorrente, pretendeu utilizar valores de origem duvidosa para amortizar débitos previdenciários, em flagrante ofensa as normas que regem a matéria. Corroborando, em recente decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais restou firme o entendimento de que a multa isolada deve ser mantida quando comprovada a consciência do sujeito passivo da impossibilidade da compensação realizada. Transcrevese o Acórdão nº 9202003.929, de 12/04/2016: PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL COMPENSAÇÃO REQUISITOS. COMPROVAÇÃO CRÉDITOS LÍQUIDOS E CERTOS GLOSA DOS VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. CRÉDITOS DE TERCEIROS A compensação levada a efeito pelo contribuinte extingue o crédito tributário, desde que observados os requisitos legais inscritos na legislação de regência, a qual impossibilita a utilização de créditos de terceiros para tal fim. Somente as compensações procedidas pela contribuinte com estrita observância da legislação, sendo aplicável multa no caso de falsidade. O conceito de falsidade não se confunde com o conceito de fraude, sonegação ou conluio. Fraude, sonegação e conluio somente ficam caracterizados quando se comprova procedimento tendente a prejudicar o conhecimento do fato pela autoridade fazendária, alterar as características do fato gerador, inclusive com ajuste doloso entre pessoas. A falsidade, por seu turno, se caracteriza quando se comprova a consciência por parte do agente da irregularidade de sua conduta. Hipótese em que restou comprovada a consciência do sujeito passivo da impossibilidade da compensação conforme realizada. Recurso especial provido. Isso posto, entendo que não há como afastar a penalidade isolada imposta pela autoridade autuante. Por fim, alega a suplicante que em razão da ausência de falsidade na declaração, a representação penal deve ser arquivada. No que tange ao pedido supra, impende registrar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes ao Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais, conforme dispõe a Súmula nº 28: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Ante a todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 674DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 18 Fl. 675DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 18329.720097/2014-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. MOLÉSTIA GRAVE. NÃO COMPROVAÇÃO.
São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria ou pensão percebidos pelos portadores de moléstia grave comprovada por laudo médico oficial. Inteligência do art. 30 da Lei 9.250/1995 e da Súmula CARF nº 63: "para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios".
Não restando comprovado que o contribuinte era portador de moléstia grave, os rendimentos decorrentes de proventos de aposentadoria ou pensão não são isentos do imposto de renda. Inteligência dos incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei 7.713/1988.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.205
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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MOLÉSTIA GRAVE. NÃO COMPROVAÇÃO. São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria ou pensão percebidos pelos portadores de moléstia grave comprovada por laudo médico oficial. Inteligência do art. 30 da Lei 9.250/1995 e da Súmula CARF nº 63: "para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios". Não restando comprovado que o contribuinte era portador de moléstia grave, os rendimentos decorrentes de proventos de aposentadoria ou pensão não são isentos do imposto de renda. Inteligência dos incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei 7.713/1988. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 32 9. 72 00 97 /2 01 4- 47 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Marcelo Malagoli da Silva. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 18329.720097/201447 Acórdão n.º 2402005.205 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento de fls. 26/30, resultante de alterações na Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício de 2013, anocalendário de 2012, que implicou apuração de imposto suplementar, sujeito à multa de ofício (75%) e juros legais. Por descrever os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 44/48, reproduzido a seguir: “Contra a contribuinte foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls.26/30 relativa ao Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física, anocalendário 2012, para cobrança do crédito tributário de R$ 18.929,67. O lançamento é decorrente das seguintes infrações: *omissão de rendimentos excedentes ao limite de isenção para declarantes com 65 anos ou mais, das seguintes fontes pagadoras: 1.Instituto Nacional do Seguro Social, no valor de R$ 32.186,26; 2.Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul de R$14.124,01. *rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia gravenão comprovação da moléstia ou sua condição de aposentado, pensionista ou reformado, auferidos do Comando do Exército de R$ 162.367,08. O enquadramento legal encontrase às fls. 27/28 e 30. Inconformada, a interessada ingressou com a impugnação de fls. 02/03, alegando que: 1. os rendimentos considerados omissos que foram declarados como rendimentos excedentes ao limite de isenção para declarantes com 65 anos ou mais ( CNPJ 29.979.036/000140), no valor de R$ 32.186,26, foram declarados obedecendo a legislação vigente, ou seja, o total dos rendimentos, sendo divididos em parcela isenta de 65 anos (R$ 21.282,42) e saldo de rendimentos tributáveis (R$ 10.903,83); 2. concorda com a infração lançada a título de rendimentos excedentes ao limite de isenção para declarantes com 65 anos ou mais do CNPJ 92.829.100/000143 (Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul); 3. já os rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave, relativamente à fonte pagadora CNPJ 00.394.452/053304, no montante de R$ 162.367,08 são isentos Fl. 64DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 por corresponderem a proventos de aposentadoria, pensão ou reforma recebidos por portadora de moléstia grave;” A decisão de primeira instância (fls. 44/48) julgou improcedente a impugnação, mantendose os valores apurados pelo Fisco. Cientificado da decisão de primeira instância em 28/10/2014 (fls. 49), o interessado interpôs, em 25/11/2014, o recurso de fls. 51/56. Nas razões recursais aduz, em síntese, que os rendimentos percebidos da aposentadoria são isentos do imposto de renda em razão de ser portadora de moléstia grave (neoplasia maligna). Ao fim, requer seja acolhido o presente recurso para cancelar o débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 18329.720097/201447 Acórdão n.º 2402005.205 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. DA MOLÉSTIA GRAVE A isenção do imposto de renda para os portadores de moléstia grave tem de como base legal os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei 7.713/1988, com a redação dada pelas Leis 8.541/1992, e 11.052/2004, nos seguintes termos: Art. 6o Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Pagel (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. Nesse passo, o art. 30 da Lei 9.250/1995 passou a veicular a exigência de que a moléstia fosse comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos termos a seguir: Art. 30. A partir de 1o de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n°8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). Extraíse desses textos legais dois requisitos cumulativos para que o beneficiário faça jus à isenção do imposto de renda, a saber: 1. os valores recebidos devem ser proventos de aposentadoria, reforma ou pensão ou complementação de aposentadoria; e 2. a moléstia deve estar prevista no texto legal e comprovada por meio de laudo médico pericial emitido pelo serviço médico oficial da União, Estados, Distrito Federal ou dos Municípios (art. 30, caput, da Lei 9.250/1995). Nos termos da peça recursal, a controvérsia cingese apenas à comprovação de ser o Recorrente portador de moléstia grave, no caso em tela neoplasia maligna, assim definida nos termos da lei. O Fisco carreou aos autos documentos que apontam que a Recorrente não é portadora de neoplasia maligna, conforme Parecer nº 295IR/12SS3.1SIP/3ª RM, Exército BrasileiroComando Militar do Sul, expedido em 20/08/2012, ao assentar que a interessada não é portadora de moléstia especificada na Lei nº 7.713/1988 (fls. 18/20). Cumpre esclarecer que a realidade fática evidenciada nos processos 11060.003337/201061 e 18329.000028/200875, os quais admitiram o gozo da isenção pleiteada, é distinta dos elementos probatórios juntados (fls. 05/20) ao presente processo ora em análise. No mesmo caminhar, o documento de fls. 05, juntado com a peça de impugnação, foi lavrado por profissional médico vinculado à instituição de natureza privada. Tal documento não pode ser equiparado a laudo médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, e, além disso, esse documento não demonstra se o quadro clínico da neoplasia maligna (moléstia grave) estava presente na Recorrente. Nesse sentido, temse a Súmula CARF nº 63, aprovada pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recurso Fiscais em sessão de 29/11/2010: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Esse enunciado sumular é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado por força do art. 72 do Regimento Interno do CARF (RICARF Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015). Fl. 67DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 18329.720097/201447 Acórdão n.º 2402005.205 S2C4T2 Fl. 5 7 Assim, é forçoso afirmar que o Recorrente não preenche os requisitos para o gozo da isenção do imposto de renda prevista nos incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei 7.713/1988, mantendose os valores apurados pelo Fisco. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 11516.002874/2006-10
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS.
Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, trata-se de juros tributáveis.
Numero da decisão: 9202-003.872
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Patrícia da Silva que negou provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, tratase de juros tributáveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Patrícia da Silva que negou provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 28 74 /2 00 6- 10 Fl. 194DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 11516.002874/200610 Acórdão n.º 9202003.872 CSRFT2 Fl. 195 2 Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra. Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 220101.530, prolatado pela 2a Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 12 de março de 2012 (efls. 110 a 113). Ali, por unanimidade de votos, foram rejeitadas as preliminares e deuse provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005 Ementa: VERBAS TRABALHISTAS. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla. RICARF. EFEITO REPETITIVO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla.” (Recurso Especial nº 1.227.133/RS). Recurso Voluntário Provido. Decisão: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Enviados os autos á Fazenda Nacional em 06/11/12 (efl. 115), esta opôs embargos de declaração de efls. 116 a 127, rejeitados consoante despacho de efls. 129 a 131. Novamente enviados os autos à Fazenda Nacional em 25/02/2013 (efl. 133) para fins de ciência da decisão quanto aos embargos, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresenta, em 11/03/2013 (efl. 165), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, Fl. 195DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 11516.002874/200610 Acórdão n.º 9202003.872 CSRFT2 Fl. 196 3 de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 134 a 164). Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido, respectivamente em 19/09/2012 e 17/10/2012, nos Acórdãos 2.801002.684 e 2.801002.742, ambos de lavra da 1a. Turma Especial da 2a. Seção deste Conselho, de ementas e decisões a seguir transcritas. Acórdão 2.801002.684 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 NULIDADE. LANÇAMENTO. ACÓRDÃO DRJ. INOCORRÊNCIA. Não procedem as alegações de nulidade quando não se vislumbra nos autos nenhuma uma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL. A repartição da receita tributária pertencente à União com outros entes federados não afeta a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Portanto, não implica transferência da condição de sujeito ativo. ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF Nº 12 Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃOINCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As verbas recebidas por membros do Ministério Público do Estado da Bahia não têm natureza indenizatória do abono variável previsto pelas Leis nºs 10.474 e 10.477, de 2002, sendo incabível excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. JUROS MORATÓRIOS. AÇÃO TRABALHISTA. Somente não incide imposto de renda sobre os juros moratórios quando a verba principal (trabalhista) tiver natureza indenizatória. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte Fl. 196DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 11516.002874/200610 Acórdão n.º 9202003.872 CSRFT2 Fl. 197 4 que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Decisão: por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento a multa de ofício de 75%, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Luiz Cláudio Farina Ventrilho que davam provimento parcial ao recurso em maior extensão, para exclusão também da parcela incidente sobre os juros moratórios. Acórdão 2.801002.742 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 ISENÇÃO HETERÔNOMA. IMPOSSIBILIDADE. A Lei Complementar Estadual da Bahia nº 20/2003 não tem o condão de excluir, por meio de isenção heterônoma, crédito tributário relativo ao imposto de renda, tributo de competência da União, ainda que o produto da arrecadação deste imposto, retido na fonte, se destine ao próprio Estado. URV. DIFERENÇAS. RECEBIMENTO EM MOMENTO POSTERIOR. As diferenças de URV percebidas em momento posterior à conversão se incorporam aos vencimentos, razão pela qual devem integrar a base de cálculo do imposto de renda, haja vista que não mais representam diferenças de URV, mas sim diferenças de remuneração. RETENÇÃO NA FONTE. OMISSÃO. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE. O inadimplemento do dever de recolher a exação na fonte não exclui a obrigação do contribuinte de oferecer os valores percebidos à tributação. A responsabilidade pelo pagamento do tributo continua sendo do contribuinte, que deve proceder ao ajuste em sua declaração de rendimentos, a despeito da errônea interpretação conferida à legislação pelo responsável tributário. JUROS DE MORA. DECISÃO DO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. A decisão do STJ, em sede de recurso repetitivo, que excluiu a exigência do imposto de renda sobre juros de mora, se restringiu aos pagamentos efetuados em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto Fl. 197DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 11516.002874/200610 Acórdão n.º 9202003.872 CSRFT2 Fl. 198 5 de rescisão de contrato de trabalho, por força da norma isentiva prevista no inciso V do art. 6º da Lei nº 7.713/1988. CORREÇÃO MONETÁRIA. A correção monetária, por possuir caráter acessório, segue a mesma sorte da verba principal, ou seja, a incidência do imposto de renda sobre a correção monetária está condicionada à tributação da verba principal. Se esta se encontra no campo de incidência do imposto, aquela também estará. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte Decisão: por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento a multa de ofício de 75%, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Luiz Cláudio Farina Ventrilho que davam provimento parcial ao recurso em maior extensão, para exclusão também da parcela incidente sobre os juros moratórios. Em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda que o provimento jurisdicional emanado do STJ em sede de sistemática de Recurso Repetitivo, e, assim, sujeito à obediência obrigatória por este CARF (consoante art. 62A do Anexo II do Regimento Interno deste CARF em vigor quando da prolação da decisão recorrida e art. 62, §1o. do atual Regimento Interno), excluiu a exigência do imposto de renda sobre juros de mora, exclusivamente quanto aos pagamentos efetuados em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por força da norma isentiva prevista no inciso V do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. No caso, ressalta a recorrente que: a) A verba recebida pela autuada não decorre de despedida ou rescisão de contrato de trabalho; b) Consoante sentença judicial, as verbas recebidas referemse a "aumento salarial decorrente da OCDERET078/92, concedido aos empregados da ativa sob a rubrica ‘função de confiança de assistente técnico" e diferenças daí decorrentes, vencidas e vincendas, a contar de 01.08.92 até a efetiva inclusão em folha de pagamento, acrescidas dos reflexos em 13° salário, juros e correção monetária na forma da lei”, daí não se podendo enquadrar a verba principal recebida como indenizatória; Fl. 198DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 11516.002874/200610 Acórdão n.º 9202003.872 CSRFT2 Fl. 199 6 c) Defende a Fazenda Nacional que a correta interpretação do decidido no âmbito do REsp 1.227.133/RS é de que "o imposto de renda não incide sobre os juros quando a verba trabalhista possui natureza indenizatória, de modo que, a contrario senso, em sendo de natureza remuneratória, seria possível a incidência do tributo"; d) Ainda, ressalta que, em sede de Embargos Declaratórios no âmbito do mesmo REsp 1.227.133/RS, somente se declarou a não incidência do Imposto de Renda sobre os juros de mora decorrentes de verbas trabalhistas rescisórias reconhecidas judicialmente, por ser este especificamente o objeto (causa de pedir remota) do litígio em curso; e) Faz notar que, no referido REsp 1.227.133, o fundamento de decidir, referente ao cômputo e analise qualitativa (natureza jurídica) dos votos vencedores, foi divergente e apenas por uma questão de ordem prática, qual seja, o objeto dos autos (pedido remoto) dizer respeito aos “juros moratórios sobre verbas rescisórias trabalhistas”, não foi necessário que a divergência fosse enfrentada,. Caso, por exemplo, o objeto dos autos ali julgados dissesse respeito a verbas trabalhistas não rescisórias recebidas de forma acumulada (a destempo) ocasionaria entrave cuja solução seria indispensável à cognição do feito (para resumo do posicionamento dos membros do Colegiado do STJ, vide efl. 147). Entende que, em conclusão, não se pode extrair do referido julgado a declaração de que os juros de mora possuam a natureza jurídica indenizatória, quando referentes a quaisquer verbas trabalhistas (rescisórias ou não) recebidas a destempo, uma vez que o objeto dos autos foi mais restrito (“juros moratórios sobre verbas rescisórias trabalhistas”), e somente a tal objeto é que se reporta o provimento jurisdicional em questão (REsp 1.227.133/RS). Assim, como, na hipótese sob análise, a verba principal recebida pela autuada não tem natureza indenizatória, consoante o próprio Relator do voto do acórdão recorrido admite, nem se trata de verba rescisória recebida em virtude de sentença judicial proferida em ação trabalhista, não se aplicam a ela os fundamentos adotados pelo STJ para afastar a incidência do IRPF sobre os juros moratórios no julgamento do Recurso Repetitivo 1.227.133/RS. Requer, assim, que o Recurso seja conhecido e provido para que seja reformado o Acórdão proferido no ponto questionado. O recurso foi admitido pelo despacho de efls. 166 a 169. Encaminhados os autos ao autuado, para fins de ciência, ocorrida em 22/10/2015 (efl. 174), o contribuinte apresentou contrarrazões de efls. 176 a 179, onde alega que o contribuinte, aposentado desde 1984, passou a estar isento do recolhimento do imposto sobre a renda desde 25/01/2005, por problemas de saúde. Requer, assim, caso admitido o pleito fazendário, que, no mérito, lhe seja mantida a isenção dos juros de mora sobre as verbas trabalhistas recebidas discutidas no âmbito do presente É o relatório. Voto Fl. 199DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 11516.002874/200610 Acórdão n.º 9202003.872 CSRFT2 Fl. 200 7 Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigma consistente e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. No mérito, verifico que o litígio se resume à extensão dos efeitos da mandatória aplicação do decidido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, no âmbito do REsp 1.227.133/RS, quanto à incidência de juros de mora sobre rendimentos recebidos acumuladamente. Tratase, notese, de decisum de aplicação obrigatória neste Conselho, consoante art. 62A do Anexo II do Regimento Interno deste CARF em vigor quando da prolação da decisão recorrida, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009 e, ainda, conforme o art. 62, §1o. do atual Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Em que pese o louvável esforço da Douta Procuradoria em demonstrar sua tese de limitação da não incidência às hipóteses em que a verba principal tiver natureza indenizatória e for recebida no contexto de rescisão trabalhista (através do disposto pelo mesmo STJ no âmbito do REsp 1.163.490/SC e através dos Embargos de Declaração opostos pela União no âmbito do referido REsp 1.227.133/RS), creio que o melhor esclarecimento da amplitude da decisão vinculante em questão (REsp 1.227.133/RS) pode ser obtido em outro feito daquele Egrégio Tribunal, , a saber, no REsp 1.089.720/RS, cujo relator foi o Ministro Mauro Campbell Marques e cuja cristalina ementa decisória, datada de 10/10/12 e publicada em 16/10/12 (ambas, assim, posteriores às decisões colacionadas pela recorrente) estabelece: REsp 1.089.720/RS PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. N. 1.227.133/RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR (grifei), 1. Não merece conhecimento o recurso especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula n. 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Fl. 200DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 11516.002874/200610 Acórdão n.º 9202003.872 CSRFT2 Fl. 201 8 2. Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). 3. Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. A isenção é circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável (perda do emprego), daí a incidência do art. 6°, V, da Lei n. 7.713/88. Nesse sentido, quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também às verbas decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no recurso representativo da controvérsia REsp no 1.227.133RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel .p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). 4. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do "accessorium sequitur suum principale". (grifei) (...) 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido." Assim, com base no posicionamento constante do julgado acima, que adoto integralmente, uma vez entender que foi esse o julgado a sedimentar e esclarecer a correta forma de aplicação do julgado vinculante aqui discutido (REsp 1.227.133/RS), é de se perquirir, em cada caso concreto: a) se os juros de mora foram auferidos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho e b) se se está diante de verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR. Somente no caso de resposta afirmativa a um dos dois questionamentos acima deve não incidir o IR sobre os juros de mora recebidos acumuladamente, de forma a que se obedeça o julgado vinculante, restando incidente a tributação sobre os juros de mora nas demais situações. Aplicandose o acima disposto ao caso em questão: Fl. 201DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 11516.002874/200610 Acórdão n.º 9202003.872 CSRFT2 Fl. 202 9 a) acedo integralmente às razões de decidir do recorrido no sentido de não se tratar, aqui, de verba indenizatória, ao verificar que, conforme muito bem relatado no âmbito do vergastado, tratase, aqui, de "complementação entregue ao beneficiário para complementar o valor da sua remuneração enquanto na ativa. Efetivamente, tratarseia de uma forma de manter estável a remuneração do funcionário, enquanto aposentado ao que auferiria se estivesse na ativa". Desta forma, de se concluir pela natureza remuneratória da verba principal sob análise; b) Verifico, também, que não se está a tratar de verbas recebidas no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho; c) Finalmente, quanto á isenção mencionada pelo contribuinte, faço notar que ainda que se aceitasse a argumentação de isenção com base na documentação acostada em sede de contrarrazões, os rendimentos em questão foram recebidos durante o anocalendário de 2004, assim, anteriormente à data em que a contribuinte argumenta ter passado a fazer jus à referida isenção. Segundo relatos da própria contribuinte, a isenção em questão só passou a produzir efeitos em 25/01/2005, tornandose, assim, irrelevante para o deslinde da questão sob análise no presente feito, que se cinge a rendimentos recebidos no anocalendário de 2004. Concluo, assim, pela incidência do Imposto de Renda sobre os juros de mora em questão quando da aplicação do decisum vinculante constante do REsp 1.227.133/RS, a partir de sua interpretação detalhadamente estabelecida no âmbito do REsp 1.089.720/RS. Destarte, diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional para restabelecer o teor da decisão de 1a. instância, declarando a incidência do Imposto sobre a Renda sobre os juros de mora relativos às verbas recebidas. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Fl. 202DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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Numero do processo: 10783.720895/2013-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jul 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010, 2011
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. IMPOSSIBILIDADE DE RETROAÇÃO DE LAUDO MÉDICO PARA AFASTAR A ISENÇÃO.
O laudo médico que conclui pela cessação da doença grave que possibilitou o gozo da isenção do IRPF em determinado período não pode produzir efeitos retroativos para cancelar um direito exercido em conformidade com a legislação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.317
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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MOLÉSTIA GRAVE. IMPOSSIBILIDADE DE RETROAÇÃO DE LAUDO MÉDICO PARA AFASTAR A ISENÇÃO. O laudo médico que conclui pela cessação da doença grave que possibilitou o gozo da isenção do IRPF em determinado período não pode produzir efeitos retroativos para cancelar um direito exercido em conformidade com a legislação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 08 95 /2 01 3- 19 Fl. 390DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10783.720895/201319 Acórdão n.º 2402005.317 S2C4T2 Fl. 391 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo acima identificado contra decisão que declarou improcedente a sua impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) referente aos Exercícios 2010 e 2011, anoscalendário 2009 e 2010 (fls. 214/222). Segundo o relato do fisco, o contribuinte teria classificado indevidamente como isentos, na Declaração de Ajuste Anual, rendimentos que não atendem aos pressupostos legais exigidos para isenção por moléstia grave. Assim narrouse no relatório da decisão de primeira instância as principais conclusões que levaram o fisco a autuar o contribuinte: " · O contribuinte classificou indevidamente como isentos, nas Declarações de Ajuste Anual, relativas aos anoscalendário 2009 e 2010, rendimentos que não atendem aos pressupostos legais exigidos para a isenção por moléstia grave (fls. 04 a 15). · De acordo com o art. 30 da Lei 9.250/95, a partir de 1.° de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6.° da Lei n° 7.713/88, com a redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541/92, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, que fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. · No presente caso, houve revisão da situação médica do contribuinte, que gozava de isenção concedida anteriormente. Em nova avaliação, a Junta Médica Pericial do IPAJM emitiu o Laudo Médico Pericial de fls. 180, concluindo que a situação do contribuinte não se enquadrava mais na legislação acima especificada. · De acordo com as informações prestadas (fls. 181), temos que inicialmente, em 18/11/2004, com base em laudo médico expedido pela Junta Militar de Saúde, o IPAJM havia autorizado a isenção do imposto de renda. Posteriormente, em 26/11/2011, o segurado foi submetido a nova perícia médica, a qual identificou que a moléstia que o acometia teve inicio comprovado em 11/11/2003. Entretanto, devido ao controle da doença, o IPAJM firmou o entendimento de que, desde 11/11/2008, não mais havia sinais de atividade da doença, conforme o laudo médico pericial já mencionado. Com base nesse entendimento, o IPAJM indeferiu a isenção de imposto de renda pleiteada pelo contribuinte Paulo José Soares Serpa, implicando a suspensão da isenção outrora concedida, a contar de 11/11/2008. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 · Dessa forma, com base nas informações e documentos fornecidos pela IPAJM, as quais informam que o contribuinte foi portador de moléstia grave somente no período de 11/11/2003 a 11/11/2008 e que a doença não apresenta mais sinais de atividade, realizamos o presente lançamento tributário. Cientificado do lançamento em 09/08/2013, o sujeito passivo apresentou defesa, cujas razões não foram acatadas pela DRJ, que a julgou improcedente. Desta decisão o contribuinte tomou ciência em 05/06/2014, fl. 323, tendo interposto tempestivamente recurso no dia 02/07/2014, fls. 326/366, no qual inicialmente narra os principais fatos ocorridos desde o reconhecimento da isenção até a lavratura do AI. Depois passa a requestar pela nulidade da lavratura, com base nos pontos a seguir. Inexiste possibilidade jurídica para a União exigir tributo cuja receita, por expressa disposição constitucional, integra o patrimônio do Estado do Espírito Santo, ente ao qual o recorrente se vincula funcionalmente. Afirma que a questão já foi submetida ao Superior Tribunal de Justiça STJ, oportunidade em que se firmou, pela sistemática do art. 543C do CPC, o entendimento de que os Estados da Federação são partes legítimas para figurar no polo passivo das ações propostas por servidores públicos estaduais, que visem o reconhecimento do direito à isenção ou à repetição do indébito relativo ao imposto de renda retido na fonte. Ao recorrente foi deferida a isenção prevista no inciso XIV do art. 6.° da Lei n.° 7.713/1998 sem quaisquer condicionantes pertinentes ao prazo de validade e/ou à contemporaneidade dos sintomas da moléstia grave. Com base nesta situação, o sujeito passivo efetuou suas declarações de imposto de renda relativas aos anoscalendário de 2009 e 2010 classificando os seus rendimentos como isentos, posto que efetivamente estava amparado por decisão administrativa concessiva do benefício tributário. A conduta do sujeito passivo não pode agora ser tratada como infração, haja vista que se a isenção foi concedida sem prazo certo de validade, a sua revogação pelo ente federado somente poderia operarse com efeitos prospectivos, jamais retroativos. Nos termos dos normativos do Instituto Estadual de Previdência a competência para avaliação da saúde dos militares reformados é da Junta Médica de Saúde da Polícia Militar e não da Junta Médica do IPAJM, inclusive no tocante ao reconhecimento da existência de moléstia grave para fins de isenção do IRPF. Assim o novo laudo padece de nulidade. Este Instituto também não teria competência para apreciar pedido de isenção do IRPF. A apreciação desses requerimento é da alçada do próprio Estado do Espírito Santo, por ser ele titular da receita do tributo incidente sobre a renda de seus servidores, ainda que aposentados. Quanto ao mérito, o recorrente questiona os pontos abaixo. Afirma que, nos termos da jurisprudência do STJ, a ausência de sintomas não justifica a revogação do benefício quando o segurado demonstra quadro clínico de câncer maligno. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10783.720895/201319 Acórdão n.º 2402005.317 S2C4T2 Fl. 392 5 Sustenta que o STJ, em julgamento submetido ao regime do art. 543C do CPC, entendeu que não cabe devolução de rendimentos salariais (ou não) percebidos de boa fé pelo servidor, quando pagos em decorrência de errônea ou inadequada interpretação de lei ou erro da Administração. Também levandose em conta a boafé do contribuinte, deve ser expurgada do lançamento a multa de ofício que lhe foi imposta. Há ainda de se corrigir o período do lançamento, posto que caso se considere que o laudo seria válido por cinco anos da concessão do direito, a competência inicial do lançamento seria 07/2009. Ao final pede a declaração de nulidade ou o seu cancelamento. É o relatório. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade Conforme se viu do relatório acima o recurso é tempestivo. Por atender às demais exigências para admissibilidade, merece conhecimento Impossibilidade de atribuição de efeitos retroativos ao laudo médico revisional Não custa rememorar que em 18/11/2004, com base em laudo médico expedido pela Junta Militar de Saúde, o IPAJM autorizou a isenção do imposto de renda. Posteriormente, em 26/11/2011, o segurado foi submetido a nova perícia médica, a qual identificou que a moléstia que o acometia teve inicio comprovado em 11/11/2003, mas devido ao seu controle, desde 11/11/2008 não mais havia sinais de atividade da doença, conforme o laudo médico pericial emitido em 17/09/2012 (fl. 180) em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal n.° 01201201017/Receita FederalES. Com base nessa constatação, o IPAJM indeferiu a isenção de imposto de renda pleiteada pelo contribuinte Paulo José Soares Serpa, implicando a suspensão da isenção outrora concedida, a contar de 11/11/2008. É contra os efeitos retroativos do novo laudo que se insurge o contribuinte, alegando que suspender a isenção retroativamente atenta contra o princípio da segurança jurídica. Observese que os fatos geradores tratados no lançamento ocorreram entre 01/01/2009 e 31/12/2010. Neste período o sujeito passivo cumpria os requisitos legais para reconhecimento da isenção previstos na legislação: Lei n.° 7.713/1988 : "Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; Fl. 395DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10783.720895/201319 Acórdão n.º 2402005.317 S2C4T2 Fl. 393 7 (...) Lei n.° 9.250/1995 Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. (...) Vêse que o contribuinte possuía laudo emitido por serviço médico oficial, a Diretoria de Saúde da Polícia Militar do Estado do Espírito Santo, em 09/07/2004, dando conta de que o interessado era portador de neoplasia maligna de próstata. É também inquestionável que os rendimentos ora tributados eram decorrentes de reforma. Nessa toada, é correto se afirmar que o sujeito passivo detinha, quando efetuou as declarações anuais objeto do auto, os dois requisitos necessários ao reconhecimento da isenção. Ao pretender dar efeitos retroativos para cancelar um benefício fiscal exercido em perfeita consonância com a lei, entendo que o fisco acaba por atentar contra um dos pilares do Estado Democrático de Direito, a segurança jurídica, a qual vem estampada no inciso XXXVI da Carta Magna: "XXXVI a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada;" Por inexistir nos autos qualquer evidência da ocorrência de fraude, não consigo conceber que um contribuinte que efetua suas declarações em conformidade com as exigências legais para o gozo de isenção, seja alcançado por um ato administrativo que estabelece efeitos retroativos para lhe cassar um direito exercido legitimamente. Além do mais, a cassação de isenção por revisão de laudo médico tem sido muito questionada judicialmente, inclusive com acolhida pelo STJ da tese de que o direito à isenção para os portadores de moléstias graves não pode ser obstaculizado por constatações posteriores quanto à persistência das doenças ou inexistência de sintomas. Como se pode ver deste precedente trazido no recurso: "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. ISENÇÃO. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. NEOPLASIA MALIGNA. ART. 6º, XIV, DA LEI 7.713/88. CONTEMPORANEIDADE DOS SINTOMAS. DESNECESSIDADE. OFENSA A DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. INVIABILIDADE DE ANÁLISE, NA VIA ESPECIAL, POR ESTA CORTE. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 I. Agravo Regimental interposto em 28/10/2015, contra decisão publicada em 27/10/2015. II. Na esteira da jurisprudência desta Corte, "após a concessão da isenção do Imposto de Renda sobre os proventos de aposentadoria ou reforma percebidos por portadores de moléstias graves, nos termos art. 6º, inciso XIV, da Lei 7.713/88, o fato de a Junta Médica constatar a ausência de sintomas da doença pela provável cura não justifica a revogação do benefício isencional, tendo em vista que a finalidade desse benefício é diminuir o sacrifícios dos aposentados, aliviandoos dos encargos financeiros" (STJ, MS 21.706/DF, Rel.Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, DJe de 30/09/2015). No mesmo sentido: STJ, RMS 47.743/DF, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 26/06/2015; AgRg no REsp 1.403.771/RS, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, DJe de 10/12/2014; AgRg no AREsp 371.436/MS, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 11/04/2014; REsp 1.125.064/DF, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, DJe de 14/04/2010. III. A discussão em torno de questão de índole constitucional deve ser realizada na via apropriada, descabendo ao STJ, na via especial, pronunciarse sobre alegada violação a dispositivos da Constituição Federal, sob pena de usurpação da competência reservada à Suprema Corte (art. 102, III, da CF/88), mesmo que para fins de prequestionamento. Precedentes do STJ: AgRg no REsp 1.444.703/SC, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, DJe de 21/03/2016; AgRg no REsp 1.566.856/SP, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 09/03/2016; AgRg no AREsp 605.269/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 14/04/2015. IV. Agravo Regimental improvido.(grifei) (AgRg no REsp 1421486 / RS, Rel Ministra Assusete Magalhães, DJe 29/04/2016) Juntei esse precedente apenas no sentido de demonstrar que o Judiciário tem acolhido a tese da impossibilidade de revogação da isenção com base em laudo revisional, assim, seria então impensável conferir efeito retroativo a um laudo para rever um benefício fiscal já usufruído. Notese que o laudo original não fixou qualquer limite temporal para sua expiração ou mesmo para sua revisão, o que torna mais forte o argumento do sujeito passivo de que não poderia ser alcançado por ato administrativo posterior, no qual sequer lhe foi conferido o direito de se contrapor. Diante dessas considerações, encaminho para que se dê provimento ao recurso do sujeito passivo, em razão da impossibilidade de se atribuir efeito retroativo para extinguir um direito exercido conforme à legislação vigente. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10783.720895/201319 Acórdão n.º 2402005.317 S2C4T2 Fl. 394 9 Em razão de tal posicionamento e tendo em conta o que prescreve o § 3.° do art. 59 do Decreto n.° 70.235/1972, entendo que as preliminares arguídas e demais questões de mérito estariam prejudicadas, devido ao acolhimento desta tese do contribuinte, que extingue o lançamento. Conclusão Voto por dar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 13702.000603/96-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Período de apuração: 01/01/1991 a 31/12/1992
CSLL. COMPENSAÇÃO. COBRANÇA ADMINISTRATIVA E DISCUSSÃO JUDICIAL. MEDIDA JUDICIAL ESPECÍFICA. DEFESA ADMINISTRATIVA MAIS ABRANGENTE. CONCOMITÂNCIA NÃO CARACTERIZADA. NULIDADE DO PROCESSO ADMINISTRATIVO.
Quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada (por exemplo, aspectos formais do lançamento, base de cálculo, etc).
Numero da decisão: 1302-001.765
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ANULAR a decisão de 1ª instância, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Fez declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa.
(documento assinado digitalmente)
ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Eduardo de Andrade, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Ana de Barros Fernandes Wipprich e Daniele Souto Rodrigues Amadio.
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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COMPENSAÇÃO Recorrente MORGANITE ISOLANTES TÉRMICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/01/1991 a 31/12/1992 CSLL. COMPENSAÇÃO. COBRANÇA ADMINISTRATIVA E DISCUSSÃO JUDICIAL. MEDIDA JUDICIAL ESPECÍFICA. DEFESA ADMINISTRATIVA MAIS ABRANGENTE. CONCOMITÂNCIA NÃO CARACTERIZADA. NULIDADE DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. Quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada (por exemplo, aspectos formais do lançamento, base de cálculo, etc). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ANULAR a decisão de 1ª instância, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Fez declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (documento assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Eduardo de Andrade, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Ana de Barros Fernandes Wipprich e Daniele Souto Rodrigues Amadio. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 2. 00 06 03 /9 6- 99 Fl. 433DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 25/04/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 25/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL 2 Relatório A recorrente apurou saldo negativo de CSLL, em 1991 e compensou o respectivo valor com débitos também de CSLL, relativos ao primeiro semestre do ano seguinte,1992. Essa compensação foi objeto de fiscalização e resultou em autuação pelo fato de que não havia, à época, autorização para compensação no exercício seguinte, como se registrou. Fundamentouse que somente no mês posterior, dentro do mesmo exercício, poderia haver tal compensação, com base na Lei nº 8.383, de 30/12/1991, art. 44, parágrafo único. Transcrevese Art. 44. Parágrafo único “Tratandose da base de cálculo da contribuição social (Lei n° 7.689, de 1988) e quando ela resultar negativa em um mês, esse valor, corrigido monetariamente, poderá ser deduzido da base de cálculo de mês subsequente, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real.” (Revogado pela Lei nº 8.981, de 20.1.95) Antes mesmo da autuação, face à possibilidade de ser autuada a recorrente impetrou mandado de segurança, Proc. 92.0056525, 20ª Vara Federal, Rio de Janeiro, (processo administrativo para controle e acompanhamento: 10768.004290/9315), com o objetivo de ver assegurado o alegado direito de compensar saldo negativo de CSLL, com débito de CSLL de ano posterior. O pedido foi julgado improcedente e revogouse a liminar inicialmente concedida. Houve apelação pleiteandose especificamente que fosse dado provimento ao recurso para determinar à DRJ a apreciação da impugnação ao referido auto de infração. Autuação em 22/07/1996, 210.802,26 UFIR. A recorrente ainda interpôs recursos ao STJ e ao STF, os quais não foram admitidos. Diante do trânsito em julgado da sentença que denegou a segurança pretendida pela recorrente, houve despacho do TRF da 2ª Região (RJ), em 19/04/2010, por meio do qual determinouse a conversão em renda da União Federal do depósito judicial conta nr. 0625.005.990021059 (fl. 166 – Cód. 285 CSLL). O caso retornou à DRF e em 09/11/2010 (fl. 419) houve parecer da SECAT – Equipe de Ações Judiciais EQAJU no qual consignouse que o valor atualizado do depósito judicial não foi suficiente para exonerar o crédito tributário relativo à multa de ofício e aos juros de mora, estabelecidos nos termos do item 5 do Termo de Verificação Fiscal de fl. 06, e decisão da DRJ/RJ/SERCO nº 198/98, fls. 82 e 83. Esse PAF, portanto, prossegue com base em tais débitos remanescentes. Quando ainda estava em curso o referido mandado de segurança, a DRJ verificou que os referidos processos, mandado de segurança e procedimento administrativo, cuidavam do mesmo objeto. Dessa forma, concluiuse que a impugnação ao auto de infração estava prejudicada, face ao disposto no § 2° do artigo 10 do Decretolei n° 1.737/79, combinado com o parágrafo único do artigo 38 da Lei no 6.830/80 e disciplinado, no âmbito administrativo, pelo Ato Declaratório (Normativo) COSIT n° 03 de 14/02/96. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 25/04/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 25/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 13702.000603/9699 Acórdão n.º 1302001.765 S1C3T2 Fl. 3 3 Destacouse que, nos termos da legislação citada, a propositura – por qualquer que seja a modalidade processual de ação judicial contra a Fazenda Nacional, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa, por parte da contribuinte, em renúncia tácita as instâncias administrativas e desistência de eventual recurso interposto, operandose, por conseguinte, o efeito de constituição definitiva do crédito tributário na esfera administrativa. Proferiuse, assim, o seguinte dispositivo: Isto posto, DEIXO DE CONHECER da impugnação de f1s2tU DECLARO definitivamente constituído na esfera administrativa o crédito tributário lançado. A multa de oficio e os juros moratórios deverão ser exonerados se a contribuinte comprovar ter efetuado, antes do início da ação fiscal, depósito do montante integral do tributo exigido, compreendendose, inclusive, a respectiva multa de mora e demais acréscimos legais devidos até a data do depósito, conforme previsto no inciso II do artigo 151 do Código Tributário Nacional. Em decorrência, DETERMINO o retorno dos autos do processo ao Setor de Arrecadação da CAC/CAMPO GRANDE/RJ, para ciência à contribuinte e demais providências de sua alçada, dando continuidade h. cobrança do crédito tributário, nos termos do Ato Declaratório (Normativo) COSIT n° 03 de 14/02/96, salvo se sua exigibilidade estiver suspensa de acordo com o disposto no artigo 151, incisos II ou IV, ou extinta, na forma do artigo 156, inciso VI, todos do Código Tributário Nacional. A recorrente interpôs recurso voluntário, em 23/07/1998. Os autos contemplam despachos nos termos dos quais certificouse que não foram localizados o aviso de recebimento nem mesmo o número postal para rastreabilidade do procedimento de intimação do acórdão recorrido. Dessa forma, devido à impossibilidade de se verificar a tempestividade do recurso voluntário, houve a remessa dos autos a esse CARF para a devida apreciação. A recorrente está devidamente representada. Seu procurador foi regularmente constituído por representante com poderes para tanto consignados em contrato social. O recurso voluntário foi interposto anteriormente ao referido trânsito em julgado da decisão que julgou improcedente o pedido constante do citado mandado de segurança, bem assim anteriormente à conversão em pagamento da União do depósito judicial inicialmente efetuado para a suspensão da exigibilidade dos débitos de CSLL, multa de ofício e juros de mora, em questão. Em síntese, a recorrente apresenta as seguintes razões de recurso: a) o mandado de segurança não contempla o mesmo objeto desse processo administrativo; a recorrente não pretendeu com a medida judicial a declaração de nulidade do crédito da Fazenda, nem mesmo a desconstituição do crédito, mas sim que fosse declarada a legalidade da compensação de débito de CSLL realizada em 30/06/1992, com saldo negativo de CSLL do ano anterior (31/12/1991); Fl. 435DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 25/04/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 25/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL 4 b) com base nas disposições do art. 5º, inc. LV da Constituição Federal requer que lhe seja assegurado o direito ao contraditório e a ampla defesa de modo que sejam conhecidos a impugnação e o recurso voluntário; c) alega a nulidade do processo administrativo sob a alegação de cerceamento de defesa caracterizado pelo não acolhimento do pedido de perícia; d) no mérito alega que o retro transcrito parágrafo único do art. 44 da lei nº 8.383/91 autorizavam a compensação na forma como a recorrente realizou e que as instruções normativas não tem força de lei, portanto a IN nº 90, de 15/07/1992, art. 9º, parágrafo único, abaixo transcrito, não poderia proibir a compensação efetuada pela recorrente (colaciona diversas passagens doutrinária e ementas de acórdãos): IN nº 90, de 15/07/1992, art. 9º, parágrafo único – “a pessoa jurídica não poderá compensar o resultado negativo apurado até 31 de dezembro de 1991 na base de cálculo da contribuição social apurada no balanço ou balancete levantado em 30 de junho de 1992. e) alega, ainda, violação ao princípio da igualdade e sua aplicação ao direito tributário: capacidade contributiva; a necessidade de lei complementar; a lesão ao princípio da anualidade; violação ao princípio da anterioridade; ao princípio da legalidade; impugna os valores apresentados; sustenta que realizou denúncia espontânea; f) por fim, requer o recebimento do recurso voluntário para que seja dada oportunidade para a recorrente se defender; requer que seja adentrado o mérito para a verificação de infração a diversos dispositivos legais que cita; requer a juntada de demonstrativo de procedimento contábil e a realização de perícia ou diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Rogério Aparecido Gil Conforme registros nos autos não foi possível verificar a tempestividade do recurso voluntário protocolado, em 23/07/1998. Definiuse que, nesses casos, o recurso deve ser remetido a esse Conselho. À vista de tais justificativas e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso. A recorrente pretende que seja acolhida a compensação realizada em 30/06/1992 de débito de CSLL com saldo negativo da mesma contribuição apurado em 31/12/1991. À época da fiscalização dessa compensação, havia vedação expressa à compensação de saldo negativo de CSLL apurado em 1991, com débitos de CSLL de 30/06/1992, conforme disposições legais e regulamentares transcritas no relatório retro. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 25/04/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 25/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 13702.000603/9699 Acórdão n.º 1302001.765 S1C3T2 Fl. 4 5 Conhecendo tal vedação, a recorrente submeteu sua pretensão à apreciação do Poder Judiciário, por meio de mandado de segurança, com o objetivo de ver assegurado o alegado direito de compensar referidos débitos de 1992, mediante a utilização de direitos creditórios do ano anterior. Diante da conclusão contrária da DRF, a recorrente apresentou impugnação ao auto de infração, cujos fatos, fundamentos e pedidos também diziam respeito ao sustentado direito de compensação de saldo negativo de CSLL de 1991 com débitos de 30/06/1992. A mesma tentativa de reconhecimento da citada compensação foi sustentada no recurso voluntário. Porém, verificase que as alegações acerca da insubsistência do lançamento na presença de depósito judicial, da suficiência deste, da eficácia da liminar anteriormente concedida, do cálculo dos juros moratórios, da utilização incorreta de índices de atualização monetária e de multa, além do pedido específico de perícia, todas demandariam apreciação específica por serem distintas do objeto do processo judicial. Acrescentese, ainda, a edição do Ato Declaratório Normativo nº 01/97 que, em razão da posterior edição da Lei nº 9.430/96, reduzindo o percentual da multa de ofício a 75%, determinou a aplicação da retroatividade benigna na forma do art. 106, II, “c” do CTN. Confirmase, assim, a preterição do direito de defesa, hábil a determinar a declaração de nulidade da decisão de 1ª instância, na forma do art. 59, inciso II do Decreto nº 70.235/72. Por todo o exposto, voto no sentido de ANULAR o processo administrativo a partir da decisão de 1ª instância, devendo os autos retornar à autoridade julgadora de 1ª instância para nova decisão, contemplando todos os argumentos de defesa apresentados pela impugnante, não abrangidos pelo objeto do processo judicial. Rogério Aparecido Gil Relator Declaração de Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A contribuinte em epígrafe ingressou com o Mandado de Segurança nº 92.0056525 para compensar a base negativa de CSLL apurada no períodobase de 1991 com a base de cálculo positiva apurada no balanço encerrado em 30/06/92. A autoridade lançadora relata que a contribuinte promoveu depósito judicial do principal de Cr$ 177.926.573,00 em 10/06/96 (fl. 17), depois de iniciado o procedimento fiscal em 28/05/96 (fl. 06). O demonstrativo de fl. 08 evidencia que a contribuinte converteu o valor devido em quantidades de UFIR segundo o valor desta em 30/06/92 (Cr$ 2.067,91) e determinou o valor depositado em razão da UFIR de 10/06/96 (R$ 0,8287), sem qualquer acréscimo de juros ou multa. O lançamento cientificado à contribuinte em 22/07/96 constituiu a CSLL devida em 30/06/92 Fl. 437DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 25/04/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 25/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL 6 apurando valor em UFIR equivalente ao determinado pela contribuinte (86.041,74), mas acrescendolhe multa de ofício de 100% e juros de mora de 45% (fls. 03/05). A contribuinte impugnou a exigência asseverando que em 03 de março foi surpreendida com uma intimação da Receita Federal para comprovar o recolhimento da CSLL, e com base nesta ocorrência demonstrou o periculum in mora e o fumus boni iuris ao juízo da causa que, retratandose, concedeu liminar antes indeferida. Contudo, em julho de 1995 foi proferida sentença julgando improcedente o pedido, contra a qual foram opostos embargos, rejeitados, e posteriormente apelação, até aquele momento ainda não apreciada. Novamente intimada em 28/05/96, a contribuinte pleiteou liminar e a efetivação de depósito, seguindose a impetração de novo mandado de segurança junto ao Tribunal Regional Federal, que determinou a suspensão da exigibilidade do crédito tributário pelo deferimento do depósito judicial da Contribuição em questão, o que foi efetuado em 10.06.96. Concluiu ser equivocada a afirmação fiscal de ser incabível o depósito judicial, em virtude da data do início do procedimento de ofício, ser anterior à data do referido depósito, pois tal providência nada mais é que um desdobramento do mandado de segurança impetrado em outubro de 1992, e não há lei que impeça a sua realização, mormente se a ação judicial se iniciou muito antes de 28/05/96. Acrescenta que a intimação lavrada nesta data tem o mesmo conteúdo daquela que motivou a concessão da primeira liminar. E observa que até a data da efetivação do depósito, o crédito tributário não havia sido constituído. Logo, nada há que impeça ou retire os efeitos do depósito judicial efetuado pela Impugnante. Ainda, por ter sido depositado judicialmente o valor do principal, acrescido de juros e correção monetária, operarseia a suspensão da exigibilidade prevista no art. 151, II do CTN e o auto de infração seria insubsistente. Para além disso, a contribuinte discutiu a possibilidade de compensação da base negativa de CSLL apurada no anocalendário 1991, discorrendo sobre os obstáculos legais à sua pretensão e abordando princípios constitucionais. Ao final, em impugnação aos valores apresentados, discordou do cômputo da variação da Taxa Referencial TR de julho a dezembro de 1994 no cálculo dos juros, requerendo perícia apara aferição do valor correto da matéria tributável, da atualização monetária, bem como os índices corretos de juros e multa, indicando perito e formulando quesitos. Ao final, pediu que sua impugnação fosse julgada procedente. Por meio da decisão de fls. 74/75 o Delegado Substituto da DRJ/Rio de Janeiro firmou, entendendo que em ambos os processos, mandado de segurança e procedimento administrativo, o tema versa acerca do mesmo objeto, invocou o disposto no §2º do art. 1º do Decretolei nº 1.737/79 c/c parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80, bem como o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 03/96 para concluir que: Isto posto, DEIXO DE CONHECER da impugnação de fls. 32/60 e DECLARO definitivamente constituído na esfera administrativa o crédito tributário lançado. A multa de ofício e os juros moratórios deverão ser exonerados se a contribuinte comprovar ter efetuado, antes do início da ação fiscal, depósito do montante integral do tributo exigido, compreendendose, inclusive, a respectiva multa de mora e demais acréscimos legais devidos até a data do depósito, conforme previsto ao inciso II do artigo 151 do Código Tributário Nacional. Depois da juntada da decisão de 1ª instância proferida em 08/06/98 (fls. 74/75), seguese o recurso voluntário interposto pela contribuinte em 23/07/98 (fls. 76/110), acompanhado dos documentos de fls. 111/125. Os autos do processo são, então, instruídos com informações referentes à ação judicial (fls. 126/144), seguindo o processo para cobrança dos débitos não cobertos pelo depósito judicial (fl. 145). Anexadas outras informações acerca do Fl. 438DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 25/04/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 25/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 13702.000603/9699 Acórdão n.º 1302001.765 S1C3T2 Fl. 5 7 andamento do processo judicial, inclusive acerca da determinação de conversão do depósito judicial em renda da União em 19/04/2010, em razão do trânsito em julgado favorável à Fazenda Nacional verificado em 16/12/2009 (fls. 146/377), seguese petição da contribuinte requerendo, em 20/06/2011, a extinção dos créditos tributários exigidos em razão da conversão do depósito em renda da União, acrescida da alegação de que eventuais valores em aberto estariam alcançados pela prescrição (fl. 378). Às fls. 379/384 constam cálculos de imputação do depósito ao débito, dos quais resulta saldo devedor de 33.577,26 UFIR em 10/06/96, bem como a notícia de que em 29/07/2011 ainda não havia se verificado a conversão do depósito em renda da União. Às fls. 414/417 consta nova imputação do depósito aos débitos, agora considerando multa de ofício de 100%, da qual resulta apuração de saldo devedor de 50.778,73 UFIR. O despacho lavrado em 10/04/2013 relata o andamento dos processos administrativo e judicial e ressalta a pendência de recurso voluntário, cuja tempestividade precisaria ser aferida (fls. 418/419). A Unidade Preparadora declarou em 29/04/2013 que não conseguiu localizar a prova da ciência de tal decisão à contribuinte (fl. 420), razão pela qual o recurso voluntário interposto em 23/07/98 (fls. 76/110), no qual a contribuinte declarouse notificada em 24/06/98, deve ser considerado tempestivo. A recorrente discorda do não conhecimento de sua impugnação com fundamento no DecretoLei nº 1.737/79, dado que tal norma referese a ações judiciais que tenham como objetivo a declaração de nulidade do crédito da Fazenda Nacional, e afirma o cerceamento e sua defesa porque não lhe foi permitida a demonstração do descabimento da constituição do crédito tributário. Também argui a nulidade do processo administrativo em razão da não realização de perícia requerida na defesa não apreciada. Na sequência, embora afirme não ser sua intenção trazer à discussão o mérito de questão que sequer foi analisado em primeira instância, a recorrente discorre sobre a possibilidade compensação da base negativa de CSLL apurada em 31/12/91, questionando os atos normativos e legais que restringiram esse direito. Apresenta, ainda, impugnação aos valores autuados, discordando do cômputo, nos juros, da variação da Taxa Referencial TR no período de julho a dezembro de 1994. Recorda que pediu perícia em impugnação, invoca os efeitos da denúncia espontânea para afastar os juros, multa moratória e multa punitiva, e finaliza pedindo a reforma da decisão de 1ª instância para sua plena defesa, ou julgado procedente o recurso voluntário, acolhendo todas suas alegações, com eventual realização da perícia requerida. Resta claro, nestes termos, que a decisão de 1ª instância deixou de apreciar alegações da contribuinte que não estavam abrangidas pela discussão judicial, contrariando o que expressamente ressalvado no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 3/96: a) A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual , antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. b) Conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada (por exemplo, aspectos formais do lançamento, base de cálculo, etc). Fl. 439DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 25/04/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 25/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL 8 c) No caso da letra “a”, a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, se for o caso, encaminhando o processo para a cobrança do débito, ressalvada a eventual aplicação do disposto no artigo 149 do CTN. (negrejouse) As alegações acerca da insubsistência do lançamento na presença de depósito judicial, da suficiência deste, da eficácia da liminar anteriormente concedida, do cálculo dos juros moratórios, da utilização incorreta de índices de atualização monetária e de multa, além do pedido específico de perícia, todas demandariam apreciação específica por serem distintas do objeto do processo judicial. Acrescentese, ainda, a edição do Ato Declaratório Normativo nº 01/97 que, em razão da posterior edição da Lei nº 9.430/96, reduzindo o percentual da multa de ofício a 75%, determinou a aplicação da retroatividade benigna na forma do art. 106, II, “c” do CTN. Confirmase, assim, a preterição do direito de defesa, hábil a determinar a declaração de nulidade da decisão de 1ª instância, na forma do art. 59, inciso II do Decreto nº 70.235/72. Por tais razões, o presente voto é no sentido de ANULAR o processo administrativo a partir da decisão de 1ª instância, devendo os autos retornar à autoridade julgadora de 1ª instância para nova decisão, contemplando todos os argumentos de defesa apresentados pela impugnante, não abrangidos pelo objeto do processo judicial. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Conselheira Fl. 440DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 25/04/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 25/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL
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Numero do processo: 13857.720190/2013-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
Ementa:
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
A validade da dedução de despesa médica depende da comprovação por meio de documentação hábil e idônea, nos termos legais.
Numero da decisão: 2201-003.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Presidente e Relator.
EDITADO EM: 30/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 Ementa: DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. A validade da dedução de despesa médica depende da comprovação por meio de documentação hábil e idônea, nos termos legais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente e Relator. EDITADO EM: 30/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.
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COMPROVAÇÃO. A validade da dedução de despesa médica depende da comprovação por meio de documentação hábil e idônea, nos termos legais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Presidente e Relator. EDITADO EM: 30/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 7. 72 01 90 /2 01 3- 89 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2013, consubstanciada na Notificação de Lançamento de fls. 05/10, que reduziu o valor de imposto a restituir para R$ 419,26. A fiscalização apurou Dedução Indevida de Despesas Médicas no montante de R$ 5.679,00. Cientificada do lançamento, a contribuinte alega que a dedução objeto de glosa no lançamento no valor de R$ 5.679,00, referese à despesas médicas. Para comprovar sua alegação, anexa os documentos de fls. 12, 13 e 17 a 34. A 17ª Turma da DRJ em São Paulo/SP1 julgou procedente em parte a impugnação, conforme ementa abaixo transcrita: GLOSA PARCIAL DA DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. Face aos comprovantes constantes dos autos, restabelecese parcialmente a dedução de despesas médicas glosada no lançamento. Impugnação Procedente em Parte. Relativamente à decisão de primeira instância, verificase houve o restabelecimento de parte das deduções de despesas médicas, conforme se extrai de trecho do voto: Em relação às despesas médicas pleiteadas na declaração de ajuste anual do IRPF/2.011 (anocalendário 2.010) e glosadas no lançamento, deve ser restabelecida parcialmente a dedução de despesas médicas, no montante de R$ 5.379,00, relativas aos profissionais abaixo discriminados: a) Maria Lívia de Souza Coelho Jank, psicóloga com CRP 067734: R$ 3.900,00 pleiteados na declaração (fl. 45) e R$ 3.600,00 restabelecidos (documentos de fls. 12 e 18 a 22); b) Marta Helena Torresam, fisioterapeuta com Crefito 4395F: R$ 779,00 pleiteados na declaração (fl. 45) e R$ 779,00 restabelecidos (documentos de fls. 13 e 17); c) Dulce Teresinha Tardelli, médica com CRM 7830: R$ 1.000,00 pleiteados na declaração (fl. 45) e R$ 1.000,00 restabelecidos (documento de fl. 28) A contribuinte foi cientificada da decisão de primeira instância em 01/04/2014 (fl. 75) e, em 02/05/2014, interpôs o recurso de fls. 77/86, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua impugnação, sobretudo que seja restabelecida toda a despesa médica informada em sua Declaração de Ajuste. É o relatório. Voto Fl. 98DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13857.720190/201389 Acórdão n.º 2201003.181 S2C2T1 Fl. 3 3 Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Como visto do relatório, verificase que a fiscalização glosou o valor de R$ 5.679,00, relativo às despesas médicas informadas na Declaração de Ajuste da recorrente. Como a contribuinte apresentou em sua impugnação recibos, comprovantes de pagamentos e declarações no montante de R$ 5.379,00, o citado valor foi restabelecido pela decisão de primeira instância. Assim, requer a contribuinte o restabelecimento do total das despesas médicas informadas em sua Declaração de Ajuste. Ocorre, todavia, que do valor glosado a título de despesa médica, a recorrente carreou aos autos recibos, comprovantes de pagamentos e declarações no montante de R$ 5.379,00, valor este restabelecido pela decisão de primeira instância. Portanto, embora tenha a fiscalização glosado R$ 5.679,00, só houve a comprovação de R$ 5.379,00. Como a contribuinte não carreou em seu apelo qualquer documentação comprobatória da diferença, deve se mantida a glosa de R$ 300,00, a título de despesa médica. Ressaltese que a prova é dever inarredável do contribuinte, conforme determina o art. 835 do Decreto nº 3000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda 1999): Art. 835. As declarações de rendimentos estarão sujeitas a revisão das repartições lançadoras, que exigirão os comprovantes necessários (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 74). Ante a todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 99DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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