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Numero do processo: 10580.723480/2009-05
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.996
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator
EDITADO EM: 20/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 34 80 /2 00 9- 05 Fl. 1449DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10580.723480/200905 Acórdão n.º 9202003.996 CSRFT2 Fl. 3 2 EDITADO EM: 20/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Do AI até a Decisão Recorrida Trata o presente processo de auto de infração, às efls. 02 a 08 cientificado à contribuinte em 14/07/2009, com relatório fiscal às efls. 23 a 29. As autuações decorreram de falta de declaração em Guia de recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social – GFIP parte dos segurados, remunerações e contribuições previdenciárias no período 01 a 12/2005. O AI DEBCAD nº 37.220.2217 foi consolidado em 13/07/2009 e constituiu multa de ofício no valor de R$ 47.850,48. Em sua impugnação, às efls. 43 a 63, a empresa, que é uma fundação, mantida com recursos privados, tendo por fim social o apoio a atividades e projetos de pesquisa, ensino, extensão, desenvolvimento institucional, científico e tecnológico da Universidade Federal da Bahia e de outras instituições de ensino superior, contestou o auto de infração. A 7ª Turma da DRJ/SDR considerou improcedente a impugnação, por unanimidade de votos, conforme disposto no acórdão n° 1529.082 de 23/11/2011, às efls. 1348 a 1361. Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, às efls. 1365 a 1371, no qual alega, em síntese: · falta de suporte fático e jurídico para a autuação; · não foram respeitadas as regras de imunidade; · diferenças positivas entre valores contabilizados em folha de pagamento e declarados em GFIP foram tributados podendo se tratar de equívocos contábeis e gerando a contribuinte possibilidade de múltiplas cobranças; · solicita realização de perícia para apuração da situação fática, o que foi negado na decisão recorrida, visando averiguar o tipo de reação jurídica existente entre a fundação e os prestadores de serviços, bem como analisar sua contabilidade. Fl. 1450DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10580.723480/200905 Acórdão n.º 9202003.996 CSRFT2 Fl. 4 3 O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 19/06/2013, resultando no acórdão 2402003.651, às efls. 1375 a 1391, que tem a seguinte ementa: GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração, prevista na legislação previdenciária, a empresa apresentar Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, aplicase a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração. A norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. A imunidade tributária prevista no art. 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal diz respeito a impostos sobre patrimônio, renda ou serviços, não abarcando contribuições sociais. ISENÇÃO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Para ter direito à isenção das contribuições sociais a empresa deve cumprir todos os requisitos previstos na legislação. BOLSA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO. A isenção de contribuições previdenciárias sobre importâncias referentes à bolsa de ensino, pesquisa e extensão, concedida na Lei n.º 8.958, de 1994, não se aplica quando os resultados importem em mera contraprestação de serviços. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. VÍNCULO PREVIDENCIÁRIO. São segurados obrigatórios na qualidade de empregados as pessoas físicas que prestam serviço de natureza urbana a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração. A relação de emprego é emergente dos fatos e não da mera titulação ou procedimento das partes em face da relação jurídica que pretende caracterizar. Fl. 1451DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10580.723480/200905 Acórdão n.º 9202003.996 CSRFT2 Fl. 5 4 INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte. O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário adequação da multa aplicada ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica. RE da Fazenda Irresignada, em 31/08/2013, a Procuradoria da Fazenda interpôs recurso especial de divergência RE, às efls. 1392 a 1401. Indica como paradigmas para divergência os acórdãos: nº 240100784 da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, e nº 920202.086 da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. A divergência foi assim exposta (efl. 2135): “De fato, para a Turma recorrida, a comparação deve ser feita separadamente. Primeiro, entre a multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, IV, da norma revogada, com o novo art. 32A da Lei n. 8.212/91. Depois, no que toca à multa por descumprimento de obrigação principal, aplicarse o disposto no art. 35, revogado, por ser essa a regra vigente na data da ocorrência do fato gerador, limitada ao percentual de 75%. Portanto, para v. acórdão recorrido o art. 35A deve ser sempre ignorado na comparação entre as multas. Diversamente, os paradigmas defendem que, para aferição da penalidade mais benéfica ao contribuinte, o procedimento correto consiste em somar as multas das obrigações principal e acessória (art. 35, II e art. 32, IV da norma revogada), referentes à sistemática antiga, e comparar o resultado com a multa atual (art. 35A da Lei nº 8.212/91, introduzida pela MP nº 449/2008), em conformidade com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22/10/2010. O então Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento proferiu o despacho nº 24001060/2013, às efls. 1402 a 1405, em 01/10/2013, pelo qual deu seguimento ao RE. A contribuinte recebeu intimação (efl. 1408) para ciência do acórdão do recurso voluntário e do RE da Fazenda em 05/08/2014 (efl. 1442), sem que se manifestasse sobre ambos nos prazos regimentais. É o relatório. Fl. 1452DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10580.723480/200905 Acórdão n.º 9202003.996 CSRFT2 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade e, por isso dele conheço no tocante a matéria que envolve as multas aplicadas. Julgo, inicialmente, não haver como se afastar a aplicabilidade, ao caso, da retroatividade benéfica prevista no art. 106, inciso II, alínea “c”, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Para tanto, trago à colação os dispositivos de interesse ao caso sob análise, bem como excertos do brilhante voto do Ilustre Conselheiro Marcelo Oliveira no âmbito do Acórdão no 9.202003.070, proferido por esta mesma 2a Turma, em 13 de fevereiro de 2014, por concordar integralmente com os seus fundamentos, na forma a seguir transcrita: Lei 5.172/66 (CTN) Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.(g.n.) Lei 8.212/1991 (Redação anterior): Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (g.n.): a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (g.n.): a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 1453DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10580.723480/200905 Acórdão n.º 9202003.996 CSRFT2 Fl. 7 6 c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: (...) Lei 8.212/1991 (nova redação): Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora (g.n.), nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício (g.n.) relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Acórdão 9.202003.070 – Voto do Conselheiro Marcelo Oliveira “ (...) Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar, nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. (...) Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício (grifos no original), com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Fl. 1454DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10580.723480/200905 Acórdão n.º 9202003.996 CSRFT2 Fl. 8 7 Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora (grifos no original). Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora (grifos no original), que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício (grifos no original), como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício (grifos no original). É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício (grifos no original). Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não tem caráter punitivo e a sua finalidade Fl. 1455DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10580.723480/200905 Acórdão n.º 9202003.996 CSRFT2 Fl. 9 8 primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício (grifos no original) e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original), antiga redação, com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício (grifos no original)). Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas. (...)” Verifico, assim, que, ainda que a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora”, independentemente da denominação que tenha se dado à penalidade, não resta dúvida de que estavam ali descritas duas diferentes espécies de multas: a) as multas de mora propriamente ditas e b) as multas lançadas de ofício. As primeiras eram cobradas com o tributo recolhido espontaneamente. As últimas, cobradas nos lançamentos de ofício e através de notificação fiscal de lançamento de débito, ou, posteriormente, após a fusão entre a SRP e RFB, através de auto de infração (lançamento de obrigação principal) e auto de infração (no caso de obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambas por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais. Ainda, quanto às multas de ofício, estas duas situações supra elencadas se encontravam, respectivamente, regradas na forma dos antigos arts. 35, II (multa referente à obrigação principal constituída através de NFLD ou AI) e 32, IV, §4o. ou §5o. (ambos referindose à obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambos da Lei nº 8.212, de 1991, sendo que, com a alteração legislativa propugnada no referido diploma, passaram a estar regradas conjuntamente na forma de seu art. 35A. Assim, entendo que a penalidade a ser aplicada, uma vez caracterizada a ocorrência de lançamento de ofício da obrigação principal através de NFLD(s) ou AI(s) correspondente(s), não pode ser aquela mais benéfica a ser obtida pela comparação da estabelecida pela anterior redação do art. 32, inciso IV, §4o. ou 5o da Lei nº 8.212, de 1991 (aplicável para os casos de descumprimento de obrigação acessória relativa a prestação de informações em GFIP mesmo nos casos como o sob análise em que havia concomitante constituição de ofício da obrigação principal através de NFLD ou AI) com a do art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, incluído pela Lei nº 11.941, de 2009, uma vez que a aplicação desta última, em meu entendimento, deve se cingir a casos em que há o efetivo recolhimento da contribuição previdenciária lançada, com somente a obrigação acessória tendo sido descumprida, sem lançamento de ofício. Fl. 1456DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10580.723480/200905 Acórdão n.º 9202003.996 CSRFT2 Fl. 10 9 Fundamental notar ter decorrido a constituição da multa, originada pelo descumprimento de obrigação acessória em questão nos presentes autos, de procedimento de ofício. A propósito, entendo que, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, se deva comparar àquela antiga multa por descumprimento de obrigação acessória (regrada na forma da anterior redação do art. 32, inciso IV, §4o ou §5o da Lei nº 8.212, de 1991), quando somada à multa aplicada no âmbito do(s) NFLD(s) ou AI(s) de obrigação principal conexo(s) (regrada na forma da anterior redação do art. 35, inciso II da Lei nº 8.212, de 1991), a multa estabelecida pelo art. 44, da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício, consoante disposto no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991. Outrossim, analisandose as planilhas de cálculo às efls. 30 e 31, podese observar que, no tocante às contribuições previdenciárias, houve a aplicação da comparação acima descrita no período de 01/2005 a 12/2005. Conclusão Dessarte, voto no sentido de conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional, dandolhe provimento para que seja mantida a multa conforme calculada no lançamento. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1457DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10580.723480/200905 Acórdão n.º 9202003.996 CSRFT2 Fl. 11 10 Fl. 1458DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10950.907458/2009-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003
Uma vez que a diligência comprovou que o contribuinte recolheu CIDE combustíveis a maior, há que se reconhecer o direito creditório e se homologar o DCOMP.
Recurso Voluntário Provido
Direito Creditório Reconhecido
Numero da decisão: 3301-002.987
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, VALCIR GASSEN, MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACINAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 Uma vez que a diligência comprovou que o contribuinte recolheu CIDE combustíveis a maior, há que se reconhecer o direito creditório e se homologar o DCOMP. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, VALCIR GASSEN, MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 74 58 /2 00 9- 52 Fl. 1783DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 25/05/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10950.907458/200952 Acórdão n.º 3301002.987 S3C3T1 Fl. 11 2 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Trata o presente processo de Declaração de Compensação (Dcomp) de nº 33552.73042.130907.1.3.04 6505, por meio da qual a interessada extinguiu débito fiscal nela informado, valendose de um suposto indébito de R$ 36.976,11 (valor do crédito original na data da transmissão), advindo de DARF com as seguintes características: (a) código de receita: 9331; (b) período de apuração: 31/08/2003; (c) valor total: R$ 374.420,62; e (d) data de arrecadação: 15/09/2003. A DRF/Maringá emitiu despacho decisório (fls. 06/09) de não homologação da compensação, pelo fato de que o DARF discriminado na Dcomp fora integralmente utilizado para quitação de débito do mesmo tributo e período de apuração, não restando saldo credor disponível para a compensação pleiteada. Cientificada em 03/11/2009 (fl. 10), a interessada apresentou, em 02/12/2009, a Manifestação de Inconformidade de fls. 11/13, instruída com os documentos de fls. 14/95, a seguir, no essencial, sintetizada. Afirma que após examinar seus arquivos “não encontramos qualquer falha na operação que pudesse ter sido a causa da não homologação”; diz que transmitiu DCTF retificadora (em 08/08/2007) na qual teria apresentado o débito real apurado de CIDEcombustível, relativo ao período de apuração agosto/2003, no montante de R$ 264.771,73, que retificaria um valor anteriormente informado, de R$ 374.420,62, que fora recolhido por meio do DARF informado na Dcomp, o que daria suporte ao indébito indicado na referida Dcomp. Em face do alegado, entende que o valor pago a maior permite a compensação declarada na Dcomp em causa, além de outras que relaciona em sua peça de defesa, pedindo pela reforma do despacho decisório, no sentido da homologação da compensação em litígio. À fl. 96, despacho da Seort/DRF/Maringá atestando a tempestividade da manifestação de inconformidade. É o relatório." Ao relatório acima transcrito, acrescento que a DCOMP foi transmitida em 13/9/2007. A 3º Turma da DRJ/CTA julgou a manifestação de inconformidade integralmente improcedente. O Acórdão nº 0637.778 foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO DE DCOMP. Fl. 1784DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 25/05/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10950.907458/200952 Acórdão n.º 3301002.987 S3C3T1 Fl. 12 3 Restando incomprovado o direito creditório, é de se considerar não homologada a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, o qual foi apreciado pela 2º Turma Ordinária da 2º Câmara da 3º Seção do CARF. Por meio da Resolução nº 3202000.326, de 24/2/2015, decidiram converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator, a saber: "Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A decisão recorrida aponta que a Recorrente retificou a DCTF do 3º trimestre de 2003, feita em 08/08/2007, sendo que, ao tempo da emissão do despacho decisório, em 07/10/2009, verificase que estava ativa a DCTF retificadora nº 0000.100.2008.61968607, relativa ao 3º trimestre de 2003, que foi recepcionada em 28/01/2008. Ainda segundo a decisão recorrida, a pagamento de CIDE combustível (código 9331), feito no vencimento, também foi realizado no montante dessa contribuição confessado na DCTF ativa, inexistindo, pois, o alegado pagamento a maior. A Recorrente, por sua vez, aponta que houve apuração maior de CIDE no montante de R$ 109.648,89, já que o valor correto de pagamento deveria ter sido R$ 264.771,73 e não R$ 374.420,62, pois a quantidade comercializada foi de 9.052,025 m3 de álcool, e que, por outro lado, não houve retificação da DCTF porque já havia se passado mais de cinco anos da declaração anterior. Diante da dúvida existente entre haver ou não crédito em favor da recorrente no montante de acima mencionado, não resta outra alternativa senão converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem verifique junto aos livros fiscais e documentos da Recorrente se realmente houve pagamento a maior de CIDE vis à vis a quantidade comercializada de álcool no período anteriormente mencionada, independentemente de nova retificação de DCTF por parte da Recorrente, e produza relatório pormenorizado a fim de confirmara existência ou não do crédito alegado pela Recorrente. Após a realização da diligência, é mister que seja dado o prazo de trinta dias para que a fiscalização e Recorrente se manifeste acerca do tema. É como voto." A diligência foi realizada. O relatório e a correspondente e tempestiva manifestação da Recorrente encontramse nos autos, nas fls. 1.770 e 1.771 e 1.776 e 1.777, respectivamente. É o relatório. Fl. 1785DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 25/05/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10950.907458/200952 Acórdão n.º 3301002.987 S3C3T1 Fl. 13 4 Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Com base em livros contábeis e fiscais, notas fiscais e guias de recolhimento, a diligência identificou as quantidades de álcool hidratado carburante e álcool anidro carburante, comercializadas no mês de agosto de 2003, recalculou o valor da CIDE Combustíveis incidente e confirmou que a Recorrente efetuou recolhimento a maior, no valor de R$ 109.648,89 (Relatório de Conclusão de Diligência, fls. 1.770 e 1.771). Isto posto, voto por reconhecer o direito creditório e homologar a DCOMP nº 33552.73042.130907.1.3.04 6505, até o limite do crédito apurado. É como voto. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 1786DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 25/05/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL
score : 1.0
Numero do processo: 10120.911718/2009-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1201-000.191
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Documento assinado digitalmente.
Marcelo Cuba Netto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA Recorrente NAVESA NACIONAL DE VEÍCULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Documento assinado digitalmente. Marcelo Cuba Netto Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por NAVESA NACIONAL DE VEÍCULOS LTDA, contra acórdão proferido pela 4ª Turma de Julgamento da DRJ/Brasília DF, cuja ementa a seguir se transcreve: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2003 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .9 11 71 8/ 20 09 -6 7 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10120.911718/200967 Resolução nº 1201000.191 S1C2T1 Fl. 3 2 Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. INADMISSIBILIDADE DA MERA ALEGAÇÃO. As alegações de defesa devem vir acompanhadas de fundamentos de fato e de direito. Não se admitem, no processo administrativo fiscal, meras alegações desprovidas de fundamentos. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.” O caso foi assim relatado pela autoridade julgadora a quo: Tratam os autos da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 39525.99080.010908.1.3.042907, transmitida eletronicamente em 1/9/2008, com base em créditos relativos ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: A partir das características do DARF foi identificado que o referido pagamento havia sido utilizado integralmente, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada. Assim, em 7/10/2009, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 5), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 17.130,70. Cientificado dessa decisão em 20/10/2009, bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 19/11/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2 a 4, acrescida de documentação anexa. A contribuinte alega que, a DCTF original teria sido apresentada com o valor a pagar de estimativa equivocado. Tal fato teria sido constatado na apuração do imposto através do balancete de redução/suspensão, conforme estaria demonstrado na DIPJ do ano calendário 2003, ficha 11, linha 12 do mês novembro, que conteria informações comprovando que o crédito pleiteado não teria sido utilizado para compor a base de cálculo tributo. Solicita a retificação da DCTF para corrigir os valores originalmente informados. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10120.911718/200967 Resolução nº 1201000.191 S1C2T1 Fl. 4 3 Ao final, requer que a documentação acostada seja apreciada, a fim de que sejam consideradas comprovadas as informações presentes na DIPJ e DCTF, bem como que seja julgada procedente a presente manifestação de inconformidade e declarado homologada a declaração de compensação. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, pelos fundamentos sinteticamente expostos na ementa ao norte transcrita. Em síntese, entendeu a autoridade julgadora a quo que o contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia de demonstrar, por meio de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentos hábeis e idôneos, a redução do montante do débito de estimativa que entendia cabível, de forma a justificar a existência do alegado pagamento indevido ou a maior. Em sede de recurso, o contribuinte renova seus argumentos com vistas à obtenção da homologação da compensação pretendida, aduzindo em síntese, o seguinte: (i) nulidade do acórdão recorrido por cerceamento de defesa, em razão de sua fundamentação deficiente; (ii) efetiva existência do crédito (pagamento indevido de estimativa de IRPJ de novembro de 2003, não utilizado para compor o saldo negativo do período); (iii) mesmo que se entenda que tenha havido erro na transmissão das informações relativas ao crédito em questão, este não pode ser óbice ao reconhecimento do crédito e do direito da recorrente à sua fruição; (iv) possibilidade de juntada de documentos na fase recursal, com requerimento de análise dos documentos acostados com o recurso, bem como realização de perícia técnica contábil a fim de se confirmar a existência e liquidez do saldo negativo (sic) do contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Nulidade da decisão recorrida A recorrente requer a declaração de nulidade da decisão recorrida, por não propiciar à Recorrente os elementos concretos que formaram a sua convicção, mas apenas lançar mão de dispositivos de lei genéricos, que não permitem concluir quais os reais motivos do julgamento de improcedência da impugnação apresentada, o que caracteriza o cerceamento do direito de defesa. Sem razão a recorrente. A decisão recorrida explicitou as razões da não homologação da compensação pretendida. Neste sentido, transcrevo os seguintes excertos do voto condutor do acórdão recorrido: “No caso em análise, a contribuinte esclarece que teria cometido um engano quando informou os valores referentes ao imposto a pagar na DCTF original, fato que Fl. 179DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10120.911718/200967 Resolução nº 1201000.191 S1C2T1 Fl. 5 4 teria sido constatado na apuração do imposto através do balancete de redução/suspensão. Esclarece que os valores informados na DIPJ do período estariam corretos, o que demonstraria o erro cometido. Neste momento processual, no entanto, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração, principalmente se existirem declarações no banco de dados da RFB com informações divergentes. Neste caso, o ônus da prova recai sobre a contribuinte interessada, que deve trazer aos autos elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto ao fato questionado. Logo, não cabe ao Fisco obter provas de que a contribuinte teria informado débito a maior em sua declaração. A respeito do tema, dispõe o Código de Processo Civil, em seu art. 333: (...) Adicionalmente, mesmo que a contribuinte tivesse retificado a DCTF do período, a simples entrega da declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em sua Declaração de Compensação.” Sem qualquer procedência, portanto, o pleito de nulidade do acórdão recorrido por suposta fundamentação deficiente. A correção ou não da análise efetuada é que será analisada a seguir. Pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ. O acórdão recorrido, conforme visto, sustentou que o contribuinte fizera meras alegações, sem apresentar provas de que tivesse efetivamente havido recolhimento de estimativa de IRPJ de novembro de 2003 em valor superior ao que seria devido, e registrou a necessidade de que fossem apresentados elementos convincentes, neste sentido, da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, a tanto não bastando a mera apresentação de declaração retificadora. De fato, não se há de discordar, a priori, da afirmação de que a mera apresentação de declaração retificadora não é suficiente para comprovar o alegado erro no dimensionamento da quantia devida em novembro de 2003. Por outro lado, há que se considerar que, no caso, não houve nenhuma apresentação de declaração retificadora. Com relação à DCTF, considerandose o quanto exposto no voto condutor da autoridade julgadora a quo (“... mesmo que a contribuinte tivesse retificado a DCTF do período...”), inferese que não houve retificação da DCTF originalmente apresentada. E com relação à DIPJ, a julgar pela cópia acostada aos autos pela recorrente (fls. 105 e seguintes), tratase de declaração original, tempestivamente apresentada (26/06/2004), e a decisão recorrida nenhuma menção em contrário faz em seu voto. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10120.911718/200967 Resolução nº 1201000.191 S1C2T1 Fl. 6 5 Temse, assim, aparentemente, duas declarações originais com valores divergentes. Digo aparentemente porque, a rigor, a DCTF original sequer encontrase anexa aos autos, nada obstante, pelo teor da defesa apresentada em sede de manifestação de inconformidade (no recurso não foi reprisado o argumento a seguir), o valor do débito originalmente confessado referente ao mês de novembro efetivamente seria de R$ 17.000,00 (grifei): “Quando da apresentação original, a DCTF foi apresentada equivocadamente com o valor a pagar de R$ 17.000,00, no entanto, quando apuração do imposto através do balancete de redução/suspensão constatouse o pagamento indevido, conforme demonstrado na DIPJ do ano calendário 2003, conforme ficha 11, linha 12 do mês novembro.” A DIPJ, contudo, aponta a inexistência de estimativa devida no mês em questão. Nada obstante não haja dúvidas de que a DIPJ constitui declaração meramente informativa, enquanto que a DCTF constitui confissão de dívida, a simples existência de informações divergentes automaticamente conduz à óbvia conclusão de que uma das duas está incorreta. Se a declaração que está correta é a DIPJ, conforme alega a recorrente, é certo que deveria o contribuinte ter providenciado a retificação das correspondentes DCTF’s, o que, pelo visto, não fez. Mas também não vejo como, à vista desta mera constatação de divergência entre as declarações, se possa concluir que o erro estaria na DIPJ, e não nas DCTF apresentadas. Embora as alegações recursais não possam ser inteiramente confirmadas pelos elementos trazidos aos autos pela recorrente, as cópias dos documentos apresentados conferem alguma verossimilhança aos seus argumentos. Além da cópia integral do que seria a DIPJ apresentada, e do que seria uma página do LALUR que corrobora o quanto exposto na DIPJ, esta mesma DIPJ evidenciaria que o valor do saldo negativo apurado em 2003 não estaria impactado pelo valor da estimativa relativa ao mês de novembro, conforme, aliás, alegara o contribuinte desde a interposição da manifestação de inconformidade. Ou seja, o valor do saldo negativo apurado estaria composto apenas por recolhimentos feitos em outros meses do ano calendário. Ademais, trouxe o contribuinte aos autos cópia de uma DCOMP apresentada (fls. 88 e seguintes), na qual oferece como crédito exatamente o valor do saldo negativo apurado na referida DIPJ. Embora não conclusivos, estes elementos depõe em favor da tese recursal de que, por ocasião da apresentação da DIPJ, o contribuinte teria verificado que a estimativa recolhida em novembro seria totalmente indevida, motivo pelo qual não a teria incluído na apuração anual. Seu erro, no caso, seria tão somente, portanto, não ter providenciado a retificação da DCTF. Por outro lado, afora as declarações acima citadas, de fato nenhum outro elemento de prova foi trazido aos autos. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10120.911718/200967 Resolução nº 1201000.191 S1C2T1 Fl. 7 6 Contudo, entendo que, ao menos, logrou o contribuinte constituir um início de prova, suficiente para me fazer concluir pela necessidade da realização de uma diligência para firmar convicção. Neste sentido, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade administrativa tome as seguintes providências: 1) Intime o contribuinte a apresentar os balancetes de suspensão ou redução do imposto, relativos ao anocalendário 2003; 2) Verifique a consistência dos referidos balancetes, em confronto com a escrituração contábil e fiscal do contribuinte, que também deverá ser apresentada à fiscalização, no sentido de confirmar a sua efetividade para comprovar a suspensão ou redução da estimativa devida; 3) A partir dos elementos apresentados pelo contribuinte em atendimento à intimação, confirme se o valor da estimativa recolhida, cuja repetição aqui se pretende ver concretizada (por meio da compensação com outros débitos), efetivamente não integrou o valor do saldo negativo de 2003 que o contribuinte informou em DIPJ e em declaração de compensação de saldo negativo; 4) Informe o número do processo administrativo, se houver, relativo à restituição/compensação do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2003 acima referido, e/ou informe acerca dos desdobramentos envolvendo o reconhecimento ou não da existência do referido saldo e de sua eventual restituição/compensação. 5) Com base nos elementos acima citados, e outros que entenda pertinentes anexar aos autos, elabore parecer conclusivo no sentido de confirmar (ou não) a existência de valor recolhido a maior relativo à estimativa de IRPJ de novembro de 2003; 6) Deste parecer dê ciência ao contribuinte, para que, querendo, sobre ele se manifeste, no prazo de 30 dias. Após estas providências, retornem os autos para o competente julgamento. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 182DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 11128.000264/2006-47
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 14/10/2004
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Recurso Especial Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.609
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 02 64 /2 00 6- 47 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.000264/200647 Acórdão n.º 9303003.609 CSRF‐T3 Fl. 168 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3101001.457, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa em comento. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.551, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.004458/201015, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.551): "O recurso é tempestivo e, ao contrário do alegado pelo sujeito passivo em suas contrarrazões, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser admitido. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.000264/200647 Acórdão n.º 9303003.609 CSRF‐T3 Fl. 169 3 De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, como dito anteriormente, são, exatamente, as mesmas, a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima, que não faz qualquer distinção se o transporte é marítimo ou aéreo. O dispositivo legal interpretado é, absolutamente, idêntico, mas os resultados dos julgamentos foram distintos. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese ainda que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Importante frisar que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Atendido, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.000264/200647 Acórdão n.º 9303003.609 CSRF‐T3 Fl. 170 4 Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.000264/200647 Acórdão n.º 9303003.609 CSRF‐T3 Fl. 171 5 Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 171DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.000264/200647 Acórdão n.º 9303003.609 CSRF‐T3 Fl. 172 6 natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.000264/200647 Acórdão n.º 9303003.609 CSRF‐T3 Fl. 173 7 De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.000264/200647 Acórdão n.º 9303003.609 CSRF‐T3 Fl. 174 8 Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.000264/200647 Acórdão n.º 9303003.609 CSRF‐T3 Fl. 175 9 Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 175DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10166.911336/2009-15
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004
CONDIÇÕES DE ADMISSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA.
Não se pode conhecer do Recurso Especial fundado em acórdão paradigma cujo entendimento, conforme análise dos fatos, é convergente com aquele adotado pelo Acórdão combatido.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido
Numero da decisão: 9202-003.886
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Carlos Alberto Freitas Barreto.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora
EDITADO EM: 25/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2004 CONDIÇÕES DE ADMISSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA. Não se pode conhecer do Recurso Especial fundado em acórdão paradigma cujo entendimento, conforme análise dos fatos, é convergente com aquele adotado pelo Acórdão combatido. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Carlos Alberto Freitas Barreto. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora EDITADO EM: 25/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
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AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA. Não se pode conhecer do Recurso Especial fundado em acórdão paradigma cujo entendimento, conforme análise dos fatos, é convergente com aquele adotado pelo Acórdão combatido. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 91 13 36 /2 00 9- 15 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10166.911336/200915 Acórdão n.º 9202003.886 CSRFT2 Fl. 509 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Carlos Alberto Freitas Barreto. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri – Relatora EDITADO EM: 25/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório O contribuinte apresentou, tempestivamente, "Manifestação de Inconformidade" contra despacho decisório da SRFB/DRF Brasília que não homologou seu pedido de compensação de débito de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF referente ao período de apuração do 3º decêndio de julho de 2009, com crédito referente ao mesmo tributo por recolhimento indevido/maior no período de outubro de 2004 (PER/DCOMP nº 00695.79280.050809.1.3.043609). O pedido de compensação foi protocolado em 05.08.2009. O Despacho Decisório de não homologação data de 07.10.2009 (ciência em 20.10.2009 fls. 06 e 35) e entendeu não haver crédito suficiente para compensar o débito indicado. Em sua Manifestação de Inconformidade a Recorrente esclarece ter havido erro quando da apresentação da sua DCTF, alega que o crédito referese ao IRRF de "Aplicações Financeiras em Fundos de Investimento de Renda Fixa" (código receita 6800) contabilizado em duplicidade no período de apuração 30/10/2004. Embora inicialmente não tenha retificado a DCTF na qual foi informado o débito, constatada a falta, apresentou a DCTF retificadora em 24.08.2009 (fls. 64); que, portanto, não havia motivo para a não homologação da compensação. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10166.911336/200915 Acórdão n.º 9202003.886 CSRFT2 Fl. 510 3 Segundo consta do relatório do acórdão recorrido a DRJBRASÍLIA/DF julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base, em síntese, na consideração de que a Requerente não demonstrou a existência do crédito pleiteado. A DRJ deu ênfase ao fato de que a Requerente não comprovou ter apresentado a DCTF antes da notificação da não homologação da PerDcomp. Observa também que mesmo que a DCTF tivesse sido apresentada a compensação exige crédito líquido e certo e, no caso, a Requerente não teria comprovado que a retificação da DCTF decorreu de erro no preenchimento da declaração originalmente apresentada. Foi interposto recurso voluntário alegandose preliminar de nulidade do despacho decisório tendo em vista a ausência de fundamentação legal e no mérito, afirma ter ocorrido a apresentação tempestiva da DCTF Retificadora e ainda haver provas suficientes da liquidez do crédito. Por meio do Acórdão nº 220101.419, acordaram os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso, entendo que: Com a devida vênia, divirjo do entendimento esposado pela DRJBRASÍLIA/ DF. Inicialmente, cumpre ressaltar que a DCTF foi efetivamente retificada, conforme recibo às fls. 64, atestando a entrega da DCTF retificadora em 24/08/2009. É certo que a retificação ocorreu após a ciência do despacho de não homologação da compensação, que se deu em 20/10/2009. De qualquer forma não me parece que a não homologação de PERDCOMP caracterize ação fiscal para fins de retirar a espontaneidade quanto à retificação da DCTF. Ao contrário, sendo a retificação da DCTF uma decorrência do erro que ensejou o pedido de restituição e não tendo sido esta retificação providenciada antes da apreciação da PERDCOMP, nada impede, ao contrário, é recomendável que o Contribuinte o faça em momento posterior. Por outro lado, a referência feita pela DRJ à necessidade da retificação da DIPJ não se aplica ao caso. Aqui se trata de pagamento a maior tendo em vista a inclusão na DCTF de débito que fora estornado, débito esse que foi efetivamente pago. Assim, na retificação da DCTF a contribuinte excluiu a parte do débito estornado, fazendo surgir o crédito do mesmo valor. Ainda sobre a retificação da DCTF, cumpre lembrar que a Medida Provisória nº 1.990, de 1989, atualmente, art. 18 da medida Provisória nº 2.189, de 2001, introduziu mudança radical no procedimento para a retificação de declaração de impostos e contribuições, eliminando o processo de prévia autorização. Assim, nas hipóteses em que admitida, a retificação da declaração passou a se processar pela simples entrega da declaração retificadora, passando esta a substituir integralmente a declaração originalmente apresentada, inclusive para fins de lançamento de ofício, senão vejamos: (...) Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial para rediscutir a validade da retificação da DCTF, após a ciência do Despacho Decisório de não homologação Fl. 153DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10166.911336/200915 Acórdão n.º 9202003.886 CSRFT2 Fl. 511 4 da compensação pleiteada por meio de PER/DCOMP e a necessidade de comprovação do erro no preenchimento da DCTF. Afirma que para fazer jus à compensação o contribuinte deve observar todos os ditames legais, sob pena de, a bem do princípio da legalidade e da indisponibilidade do interesse público, não ser possível o almejado encontro de contas. Argumenta que a compensação instrumentada por PER/DCOMP de fato não poderia ter sido homologada por restar ausente requisito essencial à sua validade, qual seja, equivalência entre as informações prestadas em DCTF e na DCOMP apresentada. Após Exame de Admissibilidade, deuse seguimento parcial ao Recurso, admitindose a rediscussão apenas no que tange a validade da retificação da DCTF, após a ciência do Despacho Decisório de não homologação da compensação pleiteada por meio de PER/DCOMP. Em contrarrazões o Contribuinte requer preliminarmente o não conhecimento do recurso por erro material da decisão, o que leva à ausência de similitude fática com o acórdão paradigma e no mérito a manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10166.911336/200915 Acórdão n.º 9202003.886 CSRFT2 Fl. 512 5 Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Relatora Dos esclarecimentos necessários: Conforme narrado no relatório acima, ao analisar os autos a fim de dirimir dúvidas quanto as datas relacionadas aos fatos ora questionados, temos as seguintes informações: 1) O pedido de compensação foi apresentado em 05.08.2009 (fls. 06) 2) A retificação da DCTF ocorreu em 24.08.2009 (fls. 64) 3) A ciência do despacho decisório se deu em 20.10.2009 (fls. 35). Percebese, portanto, que ao longo de todo o processo houve de fato um equívoco quanto a apreciação do momento da apresentação da DCTF Retificadora: sua transmissão ocorreu antes do despacho decisório. Diante disto há realmente no acórdão recorrido um erro, o qual não classifico como mero erro material e sim de fato, pois sua presença alterou a fundamentação do julgado, em que pese o resultado final caso tivesse ocorrido a aplicação correta das datas ter sido o mesmo, ou seja, ao contribuinte foi reconhecido o direito de realizar a compensação pleiteada. Tratase de conclusão obtida pela própria fundamentação da decisão. Da Admissibilidade do Recurso: Ao apresentar seu Recurso Especial a Fazenda Nacional citou a parte da decisão que considerou conflitante com o acórdão paradigma. Às fls. 02 do Exame de Admissibilidade temos: Relativamente à primeira matéria, o acórdão recorrido assim se manifesta, conforme trecho colacionado pela Recorrente (fls. 115): “ Com a devida vênia, divirjo do entendimento esposado pela DRJ BRASÍLIA/DF. Inicialmente, cumpre ressaltar que a DCTF foi efetivamente retificada, conforme recibo às fls. 64, atestando a entrega da DCTF retificadora em 24/08/2009. É certo que a retificação ocorreu após a ciência do despacho de não homologação da compensação, que se deu em 20/10/2009. De qualquer forma não me parece que a não homologação de PERDCOMP caracterize ação fiscal para fins de retirar a espontaneidade quanto à retificação da DCTF. Ao contrário, Fl. 155DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10166.911336/200915 Acórdão n.º 9202003.886 CSRFT2 Fl. 513 6 sendo a retificação da DCTF uma decorrência do erro que ensejou o pedido de restituição e não tendo sido esta retificação providenciada antes da apreciação da PERDCOMP, nada impede, ao contrário, é recomendável que o Contribuinte o faça em momento posterior.” (grifos acrescidos pelo recorrente) Ora, pela leitura do texto é possível perceber o equívoco já apontado (o fato de a DCTF Retificadora ter sido apresentada antes da ciência do despacho decisório) e o qual, ao meu ver conduz ao não conhecimento do Recurso. No acórdão paradigma nº 120200.532, o contribuinte apresentou sua DCTF Retificadora após o despacho que negou o direito à compensação pretendida, razão pela qual o Relator entendeu que "no momento da transmissão da DCTF retificadora, a recorrente não gozava mais de espontaneidade para efetuar a alteração pretendida." No presente caso, conforme claramente se comprova pelos documentos juntados aos autos, a DCTF retificadora foi apresentada antes do despacho decisório. A meu ver tratase de situação que levaria o Colegiado do acórdão paradigma a também reconhecer, aqui, o direito do contribuinte de realizar a compensação. Considerando o teor da decisão recorrida e considerando as datas envolvidas, temos então uma conversão de entendimentos, ambos os colegiados entendem que sendo a DCTF Retificadora apresentada antes da ciência do despacho decisório cumprido estará o requisito legal, levando à homologação do pedido de compensação formulado pelo contribuinte. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial. (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 156DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 13884.902378/2012-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. IRREGULARIDADES. AUSÊNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento administrativo de planejamento e controle das atividades de fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Equívocos cometidos na sua emissão, na sua prorrogação, alteração ou qualquer outro problema que seja identificado, ou mesmo nos casos em que se constate que o procedimento foi realizado sem a emissão do Mandado, não haverá que se falar em nulidade do auto de infração quando lavrado por autoridade que, nos termos da Lei, possui competência para tanto.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
REGIME DE APURAÇÃO NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. DACON. RETIFICAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
O aproveitamento de créditos extemporâneo no Sistema Não Cumulativo de apuração das Contribuições requer que sejam observadas as normas editadas pela Secretaria da Receita Federal, que exigem a retificação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - DACON sempre que forem apurados novos débitos ou créditos ou aumentados ou reduzidos os valores já informados nas Declaração original.
REGIME DE APURAÇÃO NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO. INSUMOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
No Sistema Não Cumulativo de apuração das Contribuições, a aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição não dá direito a crédito.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3302-003.189
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, parcialmente vencidos o Conselheiro Domingos de Sá e a Conselheira Lenisa prado, que reconheciam a possibilidade de aproveitamento dos créditos extemporâneos. Fez sustentação oral o Dr. Vitor Negreiros Feitosa - OAB 246837 - SP
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
EDITADO EM: 10/06/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. IRREGULARIDADES. AUSÊNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento administrativo de planejamento e controle das atividades de fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Equívocos cometidos na sua emissão, na sua prorrogação, alteração ou qualquer outro problema que seja identificado, ou mesmo nos casos em que se constate que o procedimento foi realizado sem a emissão do Mandado, não haverá que se falar em nulidade do auto de infração quando lavrado por autoridade que, nos termos da Lei, possui competência para tanto. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 REGIME DE APURAÇÃO NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. DACON. RETIFICAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. O aproveitamento de créditos extemporâneo no Sistema Não Cumulativo de apuração das Contribuições requer que sejam observadas as normas editadas pela Secretaria da Receita Federal, que exigem a retificação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - DACON sempre que forem apurados novos débitos ou créditos ou aumentados ou reduzidos os valores já informados nas Declaração original. REGIME DE APURAÇÃO NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO. INSUMOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. No Sistema Não Cumulativo de apuração das Contribuições, a aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição não dá direito a crédito. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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IRREGULARIDADES. AUSÊNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento administrativo de planejamento e controle das atividades de fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Equívocos cometidos na sua emissão, na sua prorrogação, alteração ou qualquer outro problema que seja identificado, ou mesmo nos casos em que se constate que o procedimento foi realizado sem a emissão do Mandado, não haverá que se falar em nulidade do auto de infração quando lavrado por autoridade que, nos termos da Lei, possui competência para tanto. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 REGIME DE APURAÇÃO NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. DACON. RETIFICAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. O aproveitamento de créditos extemporâneo no Sistema Não Cumulativo de apuração das Contribuições requer que sejam observadas as normas editadas pela Secretaria da Receita Federal, que exigem a retificação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON sempre que forem apurados novos débitos ou créditos ou aumentados ou reduzidos os valores já informados nas Declaração original. REGIME DE APURAÇÃO NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. INSUMOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 23 78 /2 01 2- 35 Fl. 201DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 2 No Sistema Não Cumulativo de apuração das Contribuições, a aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição não dá direito a crédito. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, parcialmente vencidos o Conselheiro Domingos de Sá e a Conselheira Lenisa prado, que reconheciam a possibilidade de aproveitamento dos créditos extemporâneos. Fez sustentação oral o Dr. Vitor Negreiros Feitosa OAB 246837 SP (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 10/06/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares Araújo e Walker Araújo. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento PER e posterior Declaração de Compensação de créditos calculados no Sistema Não Cumulativo de apuração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, relacionados a operação de exportação de mercadorias, no montante de R$ 31.472.310,69, correspondente ao 4º trimestre de 2008. Com base em procedimento de auditoria realizada pelo Serviço de Fiscalização da DRF/São José dos Campos/SP foi reconhecido, para o período objeto do presente processo, apenas o valor de R$ 738.938,45, tendo em vista as glosas realizadas pela Fiscalização Federal. Depreendese do Relatório Fiscal, que as glosas foram motivadas pelas seguintes razões: 1 Créditos compensados com fulcro no § 1o do art. 6o da Lei n° 10.833/03 A Fiscalização Federal esclarece que a utilização dos créditos com base no dispositivo legal em epígrafe se restringe àqueles apurados na forma do art. 3o da Lei n° 10.833/03, que, por sua vez, estabelece, em seu § 3o, que o direito aplicase exclusivamente em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. Por essa razão, glosou os créditos que excederam à soma dos créditos do mercado interno. Explica que Fl. 202DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13884.902378/201235 Acórdão n.º 3302003.189 S3C3T2 Fl. 3 3 Não se enquadraram nessa hipótese e foram considerados não passíveis de ressarcimento os valores dos pedidos de ressarcimento formalizados pela fiscalizada que excederam à soma dos créditos do mercado interno, vinculados a receitas de exportação, apurados em cada trimestrecalendário nos respectivos Dacon (Ficha 16A). A apuração dos valores considerados não passíveis de compensação ou de ressarcimento por meio dos Per/Dcomp em tela, está demonstrada de forma detalhada no Quadro 01 A em anexo. 2 Créditos compensados com fulcro no art. 17 da Lei n° 11.033/2004 A Fiscalização Federal explica que a Secretaria disponibiliza duas modalidades de PerDcomp para formalização de pedidos de ressarcimento de créditos de Cofins apurados no Sistema da incumulatividade. Uma deve ser utilizada para o crédito denominado "Cofins NãoCumulativa Exportação" e se destina aos créditos apurados com base no §1º, do art. 6° da Lei n° 10.833/03, a outra é utilizada para o crédito denominado "Cofins NãoCumulativo Mercado Interno" e contempla os créditos apurados com fulcro art. 17 da Lei n° 11.033/2004. Por essa razão, os créditos que utilizaram a PerDcomp própria dos créditos "Cofins NãoCumulativa Exportação", mas que foram requeridos com base no que dispõe o art. 17 da Lei n° 11.033/2004 foram glosados. Explica: Foram considerados passíveis de ressarcimento com fulcro no art. 1 7 , d a L e i 1.033/2004 os valores dos pedidos de ressarcimento formalizados pela fiscalizada que corresponderam à soma dos seguintes tipos de crédito apurados em cada trimestrecalendario nos respectivos Dacon: . a) crédito calculado em relação a Aquisições no Mercado Interno Vinculadas à Receita Não tributada no Mercado Interno (Ficha 16A); b) crédito calculado em relação a Importações Vinculadas à Receita Não Tributada no Mercado Interno (Ficha 16B); e c) crédito calculado em relação a Importações Vinculadas à Receita de Exportação (Ficha 16B). A apuração de tais valores, considerados passíveis de compensação ou de ressarcimento por meio dos PerDcomp êm tela, está demonstrada de forma detalhada no Quadro 03A em anexo. 3 Aproveitamento de créditos extemporâneos Conforme relata o Fisco, a própria Fiscalizada reconheceu que havia incluído aquisições extemporâneas de serviços, efetuadas no mercadointerno, para efeito de apuração de créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, na linha 02 das fichas 06A e 16A dos Dacon dos meses de junho de 2008 a janeiro de 2009. Segundo os AuditoresFiscais responsáveis pelo procedimento, por força do disposto nos §§ 1º dos artigos 3º das Leis 10.673/02 e 10.833/03, somente os bens adquiridos no mês dão direito a crédito. Observese o texto normativo. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 4 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; (grifos acrescidos) Considerouse que, para utilização extemporânea de créditos, a Fiscalizada deveria ter retificado os Dacon e as DCTF. 4 Créditos de insumos tributados à alíquota zero Também foram glosados pelo Fisco os créditos correspondentes aos insumos adquiridos no mercado interno não sujeitos ao pagamento das contribuições por força do disposto no inciso IV do art. 28 da Lei n° 10.865/20041. Após reiteradas intimações realizadas à empresa no intuito de evitar quaisquer equívocos na avaliação do emprego que confere aos bens a redução da alíquota, a Fiscalização conclui que Como se vê, novamente a fiscalizada repete o teor das respostas apresentadas aos termos de intimação fiscal lavrados em 19/11/2012 e em 04701/2013. Não discriminou quaisquer aquisições de insumos que tenham sido empregados de forma diversa da prevista no inciso IV, do art. 28 da Lei n° 10.865/2004. O que nos permite concluir que os referidos insumos foram utilizados na forma do citado dispositivo legal, não gerando direito a crédito, em razão de tais insumos estarem sujeitos à alíquota zero (Inciso II do § 2o do art. 3o da Lei n° 10.637/2002 e da Lei n° 10.833/2003). 5 Créditos sobre aquisições de ativo imobilizado Tratamse de glosas de Moldes adquiridos pela Recorrente. A Fiscalização Federal relata: Em resposta à referida intimação, a fiscalizada reconheceu que os mencionados itens foram equivocadamente escriturados como insumos do processo produtivo,conforme documento protocolado em 30/07/2012, cujo teor transcrevese parcialmente abaixo, verbis: Em 12/08/2013, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade de fls. 57 a 82. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. 1 Art. 28. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de: (...) IV – aeronaves classificadas na posição 88.02 da Tipi, suas partes, peças, ferramentais, componentes, insumos, fluidos hidráulicos, tintas, anticorrosivos, lubrificantes, equipamentos, serviços e matériasprimas a serem empregados na manutenção, conservação, modernização, reparo, revisão, conversão e industrialização das aeronaves, seus motores, partes, componentes, ferramentais e equipamentos; Fl. 204DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13884.902378/201235 Acórdão n.º 3302003.189 S3C3T2 Fl. 4 5 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF. MERO ATO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE. O MPF é um mero instrumento interno de gerenciamento, controle e acompanhamento do procedimento fiscal, em sua fase prévia à autuação, sendo que eventuais falhas em sua emissão ou prorrogação não contaminam o lançamento, implicando, em essência, que não atingem a competência impositiva e vinculada dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil. PER/DCOMP. NÃOCUMULATIVIDADE. ERRO DE FATO NA IDENTIFICAÇÃO DO TIPO DE CRÉDITO. Constatado pelo julgador que o contribuinte declarou em PER/Dcomp equivocadamente um direito creditório como sendo do tipo de crédito de Não Cumulatividade da modalidade Mercado Interno, e tendo ficado claro que o crédito, no exato valor declarado, referese ao tipo de crédito da modalidade Exportação do respectivo período, pode ser como tal considerado. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. TRATAMENTO DOS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. No regime da nãocumulatividade, a repetição/compensação de créditos não aproveitados à época própria (créditos extemporâneos) deve ser precedida da revisão da apuração confronto entre créditos e débitos do período a que pertencem tais créditos, mediante retificação da declaração em que foram apurados. Assim, os créditos extemporâneos devem ser pleiteados em procedimentos repetitórios referentes aos períodos específicos a que pertencem. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação da existência do direito creditório. NÃOCUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO COM ALÍQUOTA ZERO. ALCANCE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. Com o advento da Lei nº 10.865, de 2004, que deu nova redação ao art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, não mais se poderá apurar créditos relativos ao PIS decorrentes de aquisições de insumos com alíquota zero, utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados à venda. Assim, o disposto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 somente alcança os casos em que houve incidência da contribuição na aquisição de insumos. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. BENS INCORPORADOS AO ATIVO IMOBILIZADO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não geram direito a crédito a ser descontado diretamente da contribuição para o PIS e da Cofins apurada de forma nãocumulativa as aquisições de bens Fl. 205DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 6 incorporados ao ativo imobilizado, mas apenas os encargos de depreciação e amortização desses bens, desde que devidamente comprovada a contabilização desses encargos. Insatisfeita com a decisão de primeira instância administrativa, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Reitera ocorrência de vícios no Mandado de Procedimento Fiscal por meio do qual foi autorizada a realização da auditoria objeto do vertente litígio, e que tais vícios acarretam a nulidade de toda a fundamentação exposta no Relatório Fiscal. Assim, explica que o MPF foi lavrado com vigência até o dia 27.11.2011, mas somente depois de transcorrido mais de 1 (um) mês do prazo de validade, em 31.01.2012, foi que a Autoridade fiscal emitiu o Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal. Contesta a glosa dos créditos extemporâneos, uma vez que tenha sido reconhecido o direito em si, e os créditos glosados apenas porque o DACON referentes aos períodos/competências anteriores não foi retificado. A esse respeito, contesta o entendimento da RFB de que o único meio para recuperação desses valores seria por meio da apresentação de PER/Dcomp para compensação com outros tributos federais, com incidência de atualização pela Taxa SELIC. Argumenta que Entretanto, o aproveitamento de créditos extemporâneos no âmbito do regime não cumulativo da COFINS está fundamentado na previsão contida no artigo 3o, §4°, da Lei n° 10.833/03, e o prazo prescricional para o exercício deste direito consignado no artigo 1o, do Decreto n° 20.910/32 Segue advogando a respeito do tema, discorrendo que, diferentemente da hipótese da regra matriz do Imposto de Renda de Pessoas Jurídica (IRPJ), em que o fato jurídico renda somente se obtém pelo confronto entre receitas e despesas obtidas em certo período regime de competência, a hipótese da regra matriz da Cofins não contempla tal previsão, mas unicamente a de auferimento de receitas em determinado mês, conforme determina o artigo 1o, da Lei n° 10.833/03. Noutro vértice, que os créditos extemporâneos em litígio não existiam à época da apresentação das declarações originais, porquanto somente foram apurados e considerados válidos/legítimos, dotados da segurança necessária para o seu lançamento, em momento posterior, sendo certo que anteriormente a este fato não havia qualquer informação incorreta a ser retificada. Cita na Solução de Consulta n° 35/2005, por meio da a RFB teria reconhecido o direito do contribuinte de efetuar a compensação extemporânea sem que fosse necessário apresentar declarações retificadoras para consubstanciar o crédito utilizado. Transcreve jurisprudência do CARF que, segundo alega, confirma seu entendimento. No que concerne à glosa dos créditos computados para os insumos tributados à alíquota zero, explica: No entanto, os insumos adquiridos pela Recorrente não tiveram a receita de sua saída beneficiada com a redução a zero das alíquotas da contribuição ao PIS e da COFINS, da forma como preconizava os dispositivos legais transcritos acima, como atestado no curso do procedimento de fiscalização, mas sim foram Fl. 206DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13884.902378/201235 Acórdão n.º 3302003.189 S3C3T2 Fl. 5 7 regulamente tributados, nos moldes da Lei n° 10.833/03, o que, pela regra geral da não cumulatividade, autoriza o aproveitamento do crédito presumido correlato. Ainda sobre o assunto, finaliza: Quanto ao direito da Recorrente ao aproveitamento dos créditos nos termos do artigo 17, da Lei n° 11.033/04, a O 1a Turma da DRJ/BHE entendeu que "ressalvadas as situações específicas previstas na legislação, o que determina o direito ao crédito da Contribuição para o PIS e da Cofins é a incidência dessas na aquisição de bens ou serviços". E conclui, in verbis: No caso em questão o contribuinte não conseguiu comprovar que houve incidência das contribuições nas aquisições efetuadas no período (...). Desta forma, essas aquisições, o presente caso, não geram direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, independentemente de haver ou não incidência na venda dos produtos, (fl. 149) É o Relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Necessário esclarecer, desde logo, que, tendo em vista a decisão tomada em primeira instância de julgamento, reconhecendo parcial procedência à Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, assim como o teor do Recurso Voluntário interposto, percebese que restam em litígio apenas as irregularidades identificadas no Relatório supra sob os números 3 e 4. A infração número 2, conforme se percebe, foi a irregularidade afastada no julgamento proferido na instância a quo. A infração número 5 foi, desde o Despacho Decisório, reconhecida pelo contribuinte. Já no que diz respeito à infração identificada pelo número 1, embora a observação das informações contidas no Quadro 01A do Relatório Fiscal, no qual a Fiscalização Federal demonstra os valores glosados em face dessa irregularidade, que ocorreu ao longo dos anos de 2006 a 2009, inclua glosas realizadas para o período objeto do presente litígio, a matéria não foi contestada. Esclarecido isso, inicio pelo exame da nulidade arguida pela Recorrente. Tratase de pedido reconhecimento da nulidade do lançamento por ter sido realizado ao amparo de Mandado de Procedimento Fiscal eivado de vício, uma vez que sua vigência estivesse prevista para o dia 27.11.2011, mas somente depois de transcorrido mais de um mês do prazo de validade, em 31.01.2012, a Autoridade fiscal emitiu o Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal. A esse respeito, como já tive oportunidade de afirmar em inúmeras ocasiões, tal como dispõe o artigo 59 do Decreto 70.235/72, são nulos os atos e termos lavrados por Fl. 207DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 8 pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou praticados com preterição do direito de defesa2. Como se observa, no âmbito do processo administrativo fiscal, há induvidosa restrição normativa em relação ao universo dos acontecimentos alcançados pela nulidade. De fato, logo a seguir, o texto legal confirma essa restrição por meio da recomendação de que as demais irregularidades, incorreções e omissões sejam sanadas por quem servidor responsável pela prática do ato processual. Decreto 70.235/72 “Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio”. Quanto a isso, importa destacar, também, que a fase litigiosa do procedimento, nos termos do Decreto 70.235/72, como ninguém desconhece, iniciase com a impugnação ao auto de infração3. Haverão de ser menos prováveis as falhas acontecidas ainda no curso da formalização da exigência que tragam prejuízo ao direito de defesa do contribuinte. Uma vez que o auto de infração seja impugnado, terseá iniciado, aí sim, o contencioso tributário, ocasião em que serão contestadas e debatidas as acusações contidas no processo, evento que é, justamente, o elemento garantidor do direito que a parte tem de defenderse das acusações que lhe são dirigidas. Feita essa necessária ressalva quanto a possível impertinência da discussão em sentido mais amplo, passo ao exame focado especificamente no Mandado de Procedimento Fiscal. A origem do Mandado remonta à Portaria 1.265, de 22 de novembro de 1999. Como se depreende do texto normativo, o Mandado estava inserido em um conjunto de regras que tinham o propósito de consolidar critérios de planejamento e normas para execução do procedimento fiscal no âmbito da Secretaria da Receita Federal. A Portaria tinha o seguinte enunciado. “Dispõe sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”. Neste desiderato, estabeleceuse que os procedimentos fiscais seriam instaurados mediante ordem específica. Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal – AFRF e instaurados mediante ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. (grifei) 2 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) 3 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13884.902378/201235 Acórdão n.º 3302003.189 S3C3T2 Fl. 6 9 (...) Como se vê, tratase de uma medida inserida dentro de programa de implementação de uma nova metodologia para o planejamento e controle da atividade fiscal, jamais pensado como instrumento de garantia ao direito de ampla defesa. É fato que a instituição do MPF pretendeu atribuir moralidade ao exercício da atividade fiscal e maior segurança nas relações fiscocontribuinte, mas daí até afirmarse que aspectos relacionados aos poderes nele outorgados possam acarretar preterição do direito de defesa há uma distância abissal. Noutro giro, temse que a competência para constituir o crédito tributário decorre de determinação expressa na Lei 5.172/66, o Código Tributário Nacional, que, como se sabe, tem status de Lei Complementar. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. A Lei nº. 10.593/2002, com alterações posteriores, disciplina atualmente a investidura no cargo e especifica as competências dentro da Carreira4. A inevitável conclusão a que se chega é a de que não há no Mandado de Procedimento Fiscal nada que lhe atribua a conseqüência pretendida, nem por preterição ao direito de defesa, nem por falta de competência do agente responsável pelo procedimento. Passo ao mérito. 4 “Art.” 3o O ingresso nos cargos das Carreiras disciplinadas nesta Lei farseá no primeiro padrão da classe inicial da respectiva tabela de vencimentos, mediante concurso público de provas ou de provas e títulos, exigindo se curso superior em nível de graduação concluído ou habilitação legal equivalente. “Carreira de Auditoria da Receita Federal do Brasil”. Art. 5o Fica criada a Carreira de Auditoria da Receita Federal do Brasil, composta pelos cargos de nível superior de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e de AnalistaTributário da Receita Federal do Brasil. “Art. 6o São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil”: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (grifos meus). b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; e) proceder à orientação do sujeito passivo no tocante à interpretação da legislação tributária; f) supervisionar as demais atividades de orientação ao contribuinte; Fl. 209DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 10 Tal como relatado alhures, a Recorrente contesta a glosa dos créditos extemporâneos, realizada única e exclusivamente pelo fato de os DACON referentes aos períodos/competências anteriores ao objeto do pedido não terem sido retificados. A esse respeito, creio os AuditoresFiscais responsáveis pelo procedimento tenham sido muito felizes ao abordar a questão. Transcrevo excerto contido no Relatório Fiscal. Tal procedimento não é mero formalismo, mas visa obedecer à determinação da legislação de regência da matéria, que impõe que os créditos sejam distribuídos proporcionalmente de acordo com as receitas auferidas pela empresa no mesmo período de apuração, vinculandoos às receitas de mercado interno, tributadas ou não, ou de exportação, sendo que somente esses últimos podem ser objeto de ressarcimento ou utilizados em compensação de débitos próprios. Além disso, visa facilitar o controle e utilização dos créditos para dedução das contribuições devidas, compensação de débitos próprios ou o ressarcimento em espécie. Com efeito, embora o apego ao formalismos exacerbado seja procedimento há muito confrontado nas decisões tomadas no âmbito deste Conselho, é fato que as formalidades exigidas pelo Fisco são, em grande parte, destinadas à formulação de mecanismos de controle da regularidade do procedimento empregado na extinção do crédito tributária devidos pelo Administrado. No caso específico, como é de amplo conhecimento, houve, durante longo período de tempo, a imposição de restrições ao uso do crédito com base no tipo de receita que estivesse a ele vinculado. Embora, a meu sentir, tais restrições tenham sido drasticamente mitigadas pelo disposto no artigo 16 da Lei 11.116/05, persistem certas particulares na forma de uso do crédito escriturado pelo contribuinte. Por exemplo, créditos vinculados às receitas de exportação, conforme inteligência do artigo 6º da Lei 10.833/035 e 5º da Lei 10.637/02, podem ser utilizados para compensação com outros tributos dentro do próprio mês no qual a empresa incorreu nos gastos que deram origem a esses crédito. Já os créditos acumulados em decorrência da desoneração da receita proveniente da operações realizadas no mercado interno somente poderão ser utilizados na compensação com outros tributos ao final de cada trimestre do ano calendário6. 5 Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. 6 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13884.902378/201235 Acórdão n.º 3302003.189 S3C3T2 Fl. 7 11 E também não será demais lembrar que compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil definir as regras que devem ser observadas pelo Administrado no processo de apuração e utilização dos créditos no sistema da incomulatividade. No caso concreto, a RFB deixou claro de que modo devem ser escriturados os créditos, conforme a seguir se lê. IN SRF nº. 590/2005: Art. 11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º. O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos informados em demonstrativos anteriores. (grifos meus) E não há nenhuma objeção ao reconhecimento do direito alegado pela Parte, fundamentado na previsão contida no artigo 3o, §4°, da Lei n° 10.833/03 e no artigo 1o, do Decreto n° 20.910/32. O que se exige é que se sejam observadas as formalidades definidas na legislação como instrumento de controle da apuração e utilização dos créditos escriturados, sob pena de restar o Fisco obrigado a revisar e uma enorme quantidade de informações a cada situação na qual o administrado age em desacordo com as regras estabelecidas. O argumento de que somente em momento posterior passou a existir informação incorreta a ser retificada é absolutamente despropositado. Era exatamente em momento posterior que as informações deveriam ter sido retificadas. E nem se fale em regra matriz de incidência das Contribuições. As particularidades de cada tributo ou contribuição não podem, como pretende a Recorrente, serem oposta a razoáveis e necessários mecanismos de controle criados pelo Órgão Fiscalizador com base em competência a ele outorgada por Lei. A Solução de Consulta n° 35/2005, citada em sede de Recurso Voluntário como sendo favorável ao entendimento proposto pela Parte, curiosamente, na leitura que faço, professa em sentido contrário. Ainda que trate da desnecessidade de retificação da DCTF, ao mesmo tempo especifica justamente o procedimento que, em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte considera demasiadamente trabalhoso, qual seja, a compensação eletrônica do saldo credor por meio da apresentação de uma PER/DCOMP. "8. Claro é, portanto, o significado primeiro do termo retificar, que é "corrigir". Para que a DCTF possa ser "corrigida" é preciso que ela tivesse sido entregue "errada", o que, pelo que foi descrito, não é o caso em questão. Quando a consulente entregou DCTF informando débitos sem vinculação de suspensão ou extinção, o que quer dizer prontos para execução de cobrança, assim eram eles, o que representa dizer que a declaração foi apresentada com correção, o que dispensa retificação. A apuração posterior, pelo contribuinte, de algum direito creditório ensejará o direito à compensação daqueles débitos, por opção própria Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestre calendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 12 observadas determinadas condições, o que exigirá a entrega de uma declaração específica da compensação efetuada, apresentada eletronicamente pelo programa PER/DCOMP, cujo tratamento de homologação exigirá, posteriormente, por parte da autoridade administrativa, manifestação tanto em relação ao direito pleiteada quando à extinção de débito por essa forma. (grifos meus) 9. Diante do exposto, soluciono a presente consulta respondendo à interessada que a compensação de créditos tributários declarados como saldos a pagar na DCTF com créditos apurados em eventos supervenientes ao período de apuração daqueles créditos tributários obriga o sujeito passivo à entrega de Declaração de Compensação, sendo desnecessária a entrega de DCTF retificadora que tenha por fim informar a compensação efetuada." (grifos meus) Por fim, no que se refere à glosa de insumos tributados à alíquota zero, a linha de defesa apresentada em sede de Recurso Voluntário evidencia que Recorrente não entendeu a razão pela qual tais gastos foram desconsiderados. O argumento de que os insumos adquiridos não tiveram a receita de sua saída beneficiada com a redução a zero da alíquota das Contribuições, atesta que, de fato, a motivação da glosa não foi compreendida pela Parte. Sendo assim, é de se esclarecer, mais uma vez, que tais glosas ocorreram não porque a receita decorrente da venda de bens fosse desonerada, mas porque os insumos adquiridos eram tributados à alíquota zero. Quanto a isso, é incontroverso que a aquisição de bens ou insumos não tributados não gera direito de crédito no Sistema Não Cumulativo de apuração das Contribuições, como a seguir se lê. (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (...) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. Pelas razões expostas, VOTO por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 212DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 p or RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10510.724286/2012-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1301-000.323
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o presente julgamento em diligência para que a unidade de origem analise documentação acostada aos autos, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(documentos assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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OMISSÃO DE RECEITAS Recorrentes ITAGUASSU AGRO INDUSTRIAL S/A e FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o presente julgamento em diligência para que a unidade de origem analise documentação acostada aos autos, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (documentos assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 10 .7 24 28 6/ 20 12 -6 8 Fl. 28101DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10510.724286/201268 Resolução nº 1301000.323 S1C3T1 Fl. 12 2 Relatório Para uma melhor descrição dos fatos adoto o relatório da decisão recorrida. Tratamse de autos de infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), anexados às fls. 02/60, decorrentes da apuração das seguintes infrações, conforme descrito no auto de infração e no Termo de Verificação Fiscal de fls. 61/74: 1. LUCRO REAL. OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS: na escrituração digital da contribuinte, dos anoscalendário de 2007 a 2009, verificouse a existência de mútuos, contabilizados no Ativo, Conta 1201010000 – CRÉDITOS EM INTERLIGADAS; intimada, a contribuinte apresentou os arquivos digitais do período de 1997 a 2009 e as cópias dos contratos de mútuo com empresas interligadas firmados no período de janeiro de 2002 a dezembro de 2009, anexados às fls. 164/1.375, 1.980/2.953, 3.150/4.598, 4.804/6.440, 6.471/7.474, 7.512/8.805, 8.850/9.930 e 9.956/11.511, nos quais, na cláusula terceira, está prevista a incidência de juros de 6% ao ano, computados desde a sua contratação, inclusive durante o prazo de carência (reproduz); intimada a esclarecer e justificar a não contabilização das receitas financeiras referentes aos juros dos créditos com interligadas, a contribuinte declarou que não houve cobrança de juros no período, entretanto, para o caso concreto, não há que se falar em cobrança relativamente aos contratos firmados que se encontravam ou não no prazo de carência para pagamento, nem a intimação se referiu ao recebimento de tais receitas, mas sim ao seu reconhecimento contábil, obrigação legal da autuada, sujeita ao regime de competência, já que é optante pela tributação com base no lucro real trimestral; a contabilização pelo regime de competência independe da data do efetivo recebimento das receitas auferidas e do efetivo pagamento das despesas incorridas; em todos os contratos firmados encontrase previsto o efetivo pagamento, em 96 prestações mensais, incluindo os juros, mesmo no período de carência, sendo que a contribuinte não apresentou qualquer indicação referente às contas escrituradas e ao momento em que se dá a tributação dessas receitas; a alegação da contribuinte de que não houve cobrança de juros no período mencionado não resiste a uma simples análise, pois fere a lógica não exercer o direito de cobrança dos juros previstos nos contratos, ao tempo em que continua firmando sucessivas operações idênticas, em todas prevendo a incidência dos encargos financeiros a seu favor, os quais ficam garantidos, inclusive, em eventual conversão da dívida em participação societária para seu investimento junto à mutuaria; quanto à hipótese de postergação tributária, não se aplica ao caso, pois não houve a tributação posterior das receitas financeiras omitidas; Fl. 28102DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10510.724286/201268 Resolução nº 1301000.323 S1C3T1 Fl. 13 3 no cálculo das receitas financeiras, foram observadas as disposições contratuais e legais, com incidência dos juros de 6% (seis por cento) ao ano, desde a formalização do contrato, e, tendo em vista não constituir mútuo bancário (STJ – Recurso Especial nº 890.460 – RS 2006/02124564), capitalizados anualmente, conforme previsto no art. 591 do Código Civil; na apuração do lucro real, os fatos contábeis devem ser registrados com base no regime de competência, ou seja, na medida em que os rendimentos, ganhos e lucros forem sendo auferidos e as despesas incorridas, independentemente de sua realização em moeda, com respaldo no art. 274 do RIR/1999 e no art. 177 da Lei nº 6.404, de 1976, que dispõe sobre a sociedade por ações, bem como na Resolução CFC nº 750, de 29 de dezembro de 1993; portanto, é perfeitamente cabível a adição aos resultados da empresa das receitas financeiras sobre mútuos, previstas nos contratos firmados com empresas interligadas, já que tais receitas foram auferidas, segundo o regime de competência, mas não foram registradas em sua contabilidade e, consequentemente, não foram oferecidas à tributação; a contribuinte foi intimada a esclarecer se todos os lançamentos a débito na conta 1201010000 ATIVO CRÉDITOS EM INTERLIGADAS, dos anoscalendário de 1997 a 2005, foram referentes a contratos de mútuo, bem como se existiram contratos com cláusulas diferentes dos padrões apresentados, limitandose a responder que a documentação estava à disposição da fiscalização para a sua caracterização da natureza das operações; com o objetivo de mensurar os valores mensais da receita financeira omitida, foram elaborados os demonstrativos de fls. 1.972/1.979, 3.142/3.149, 4.796/4.803, 6.463/6.470, 7.504/7.511, 8.842/8.849, 9.952/9.955, 11.533/11.538, 13.426/13.432, 15.250/15.256, 16.803/16.810, 17.874/17.881 e 18.056/18.057; devese ressaltar que somente para o anocalendário de 2009 foram considerados os contratos de mútuo firmados nos anoscalendário de 2006 a 2008, além, é claro, dos firmados em 2009, pois houve receitas financeiras auferidas no anocalendário de 2009 e não oferecidas à tributação do IRPJ e da CSLL; a exclusão dos contratos de mútuo firmados nos anoscalendário de 2006 a 2008 decorre da existência de fiscalização anterior, MPF nº 05.01.00.2010.002213, na qual ficou constatada a omissão de receitas financeiras, tendo sido lavrado o respectivo auto de infração, objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 10510.722643/201172, cujo julgamento da 2ª Turma da DRJ/SDR, através do Acórdão nº 1528.741, foi favorável à Fazenda Pública, mantendose integralmente o crédito tributário constituído e as circunstâncias fáticas da qualificação da multa, tendo sido indeferido o seu agravamento; naquela fiscalização, a contribuinte foi intimada a se manifestar sobre tais operações e informou que se trata de apoio financeiro entre empresas do mesmo grupo econômico e que não houve recolhimento do IOF devido (o lançamento de ofício consta do Processo nº 10510.721689/201174). Intimada a esclarecer também a escrituração dos juros correspondentes, não encontrada em contas de resultado, a empresa não prestou as informações solicitadas, limitandose a alegar que “não existe obrigatoriedade legal para a sua cobrança”; Fl. 28103DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10510.724286/201268 Resolução nº 1301000.323 S1C3T1 Fl. 14 4 2. DESPESAS OU CUSTOS SEM LASTRO EM DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA: a empresa, intimada a apresentar toda a documentação comprobatória (notas fiscais, contratos, pagamentos, etc.) relativa aos lançamentos contábeis efetuados a título de despesas financeiras, para o anocalendário de 2009, relacionados com a empresa CIA Agro Industrial de Goiana, no montante de R$3.942.240,05, declarou, por escrito, que tal documentação já tinha sido entregue ao auditor fiscal responsável pela fiscalização anterior, entretanto, à época, a interessada não entregou os contratos solicitados, limitandose a apresentar meros documentos produzidos internamente, sem assinatura e sem regular identificação do emitente; a infração de glosa de despesas ou custos sem comprovação, para o ano calendário de 2008, foi objeto de fiscalização anterior, MPF nº 05.01.00.2010.002213, tendo sido lavrado o respectivo auto de infração, objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 10510.722643/201172, cujo julgamento da 2ª Turma da DRJ/SDR, através do Acórdão nº 15 28.741, foi favorável à Fazenda Pública, conforme ementa reproduzida; na contabilidade do anocalendário de 2009, verificase que a Conta 221070004 – Cia Agro Industrial de Goiana, do Passivo Exigível a Longo Prazo, contrapartida dos encargos financeiros levados ao custo contabilizado, parte de um saldo inicial de R$42.342.333,65, com lançamentos apenas a crédito, no montante de R$11.335.677,46; por sua vez, também foi constatado um mútuo, no Ativo, Conta 1020101– CRÉDITOS EM INTERLIGADAS, perante a mesma empresa (ora devedora, portanto), cujo saldo inicial já superava os 83 milhões de reais, e, ao ser intimada a demonstrar o reconhecimento da receita correspondente, a contribuinte alegou que “Não houve cobrança de juros no período mencionado”; a documentação apresentada não confere segurança e liquidez à operação e não logrou comprovar os valores contabilizados em conta de custo, sugerindo provir de fonte meramente interna, dadas as características do documento impresso, contendo um sinal sequer qualificável como rubrica, sem indicação do signatário emitente ou qualquer elemento de sustentação da trilogia operacional da necessidade, usualidade e normalidade, que permita a dedutibilidade da despesa na ótica do IRPJ; para conformarse ao conceito técnico de despesa, no especial sentido que lhe dá a legislação do imposto de renda, deve o dispêndio ser lícito, necessário, usual ou normal, efetivo e documentado, e a ausência ou falha em qualquer dos requisitos elencados impossibilita o incurso do ato ou fato econômico à categoria de despesa, permanecendo mero dispêndio, aquém da possibilidade de dedução na determinação do lucro tributável; a Itaguassu contabilizou a débito o valor de R$3.942.240,05, a título de pagamento das despesas financeiras para a Cia Agro Industrial de Goiana, na conta de resultados 621010001 – Juros e Descontos Passivos, cujos dados foram extraídos de sua escrituração digital apresentada; da análise realizada, para o anocalendário de 2009, ficou constatado que o valor referido integra o resultado contábil da Itaguassu, mas não foi adicionado no LALUR nem nas Fichas 09A e 17 da DIPJ/2010, consequentemente, houve redução do lucro tributável, Fl. 28104DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10510.724286/201268 Resolução nº 1301000.323 S1C3T1 Fl. 15 5 devendo ser efetuada a glosa dessas despesas na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. A interessada tomou ciência dos lançamentos em 06/12/2012 e apresentou, em 07/01/2013, a impugnação de fls. 18.165/18.205, acompanhada dos documentos de fls. 18.207/18.625, com as seguintes alegações, em síntese: DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA: o presente auto de infração fere o princípio do contraditório, por não descrever pormenorizadamente o fato gerador dos respectivos tributos, não discriminando quais os contratos que foram levados em conta para a composição da base de cálculo e o período em que foram celebrados, se foram considerados os recebimentos dos empréstimos ou os juros contabilizados a partir do prazo de carência de 48 meses; o acesso a todas as informações relativas ao lançamento é necessário para que se possa dar às partes tempo hábil para demonstrar se praticaram ou não determinada conduta, logo, vedar ou limitar esse prazo ou acesso a tais informações caracteriza inequívoco cerceamento ao direito de defesa, o que não pode ser admitido; a nulidade a ser reconhecida é de natureza material, uma vez que está relacionada ao conteúdo do lançamento, e não à sua forma; DA POSTERIOR JUNTADA DE DOCUMENTOS À PRESENTE IMPUGNAÇÃO: a impugnante esclarece que, devido ao exíguo prazo para apresentação das razões de impugnação, em função da complexidade da matéria e do período em que foi realizada a notificação (festividades de final de ano), apresentará posterior emenda à presente, assim como complemento probatório; a interessada contratou empresa de inigualável destaque nacional e internacional na elaboração de laudos necessários à elucidação dos fatos, os quais serão juntados assim que entregues à impugnante e antes que seja prolatada a decisão por esta DRJ, a fim de se respeitar o princípio da verdade material; DA DECADÊNCIA: outra anormalidade de maior monta se apresenta com a tributação do IRPJ e da CSLL com base em “omissão de receitas financeiras” sobre contratos de mútuo celebrados entre 01/01/1997 e 30/12/2005 (docs. 03 a 340), com valores alocados no curso dos anos calendário de 2007 a 2009, sem que se saiba a razão, a base ou o fundamento que levou à alegação de suposta omissão de receitas de períodos anteriores ao anocalendário de 2007; sobre essa questão, não consta no Termo de Verificação Fiscal qualquer elemento que permita conhecer a regularidade do lançamento na espécie, existindo apenas a vaga referência a contratos de mútuo, que nada esclarece sobre os contratos anteriores ao ano calendário de 2006; a despeito disso, consta do lançamento uma planilha intitulada “Memória de Cálculo de Omissão de Receita”, em que se apresentam os valores da alegada omissão, nos Fl. 28105DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10510.724286/201268 Resolução nº 1301000.323 S1C3T1 Fl. 16 6 quais estão incluídas as capitalizações de períodos anteriores, em face da previsão contratual de cobrança de juros de 6% a.a., dos exercícios de 1997 a 2005, nos respectivos períodos de apuração. Tratase de projeção no tempo dos efeitos dos contratos de mútuo celebrados no passado, sob a falsa percepção de que, independentemente do efetivo auferimento de receitas financeiras, a contabilização deveria ser realizada observandose o regime de competência; ainda que viesse a se admitir a incidência de IRPJ e CSLL sobre expectativa de renda, com base em mera previsão contratual, mesmo assim, os efeitos da capitalização de juros ocorridos no passado, no que supera os 5 anos da data em que o lançamento poderia ter sido realizado, estariam efetivamente alcançados pela decadência; seguindo o falso entendimento de que o IRPJ e a CSLL incidem sobre situação fática/jurídica que não reflete renda, forçoso seria reconhecer que em cada período de apuração, entre os anoscalendário de 1997 a 2005, por observância do regime de competência, a receita financeira deveria ser reconhecida e, por conseguinte, oferecida à tributação e, como isso não ocorreu, se configurou a decadência do direito de constituir o lançamento, uma vez que a situação base de incidência ocorrida entre 1997 e 2005 não pode ser alcançada por lançamento realizado em 06/12/2012; os valores arrolados na citada planilha “Memória de Cálculo de Omissão de Receita”, se já fossem insubsistentes por não refletirem operações que se enquadrem no campo de incidência do IRPJ e da CSLL, conforme se demonstrará, configuram valores aleatórios, que nada têm a ver com omissão de receitas; o autuante, ao realizar capitalização do lançamento nos períodos de 1997 a 2007, eleva exponencialmente a base de cálculo, maquiando a realidade, como se estivesse realizando uma operação de juros sobre juros. O acumulado do período decaído deve ser excluído do cálculo dos não alcançados pela decadência, sob pena de se contaminar todo o período lançado, travestindo de tempestivo o intempestivo; a situação fática descrita pela autoridade lançadora, no que toca à alegada omissão de receitas, não tem pertinência nem consistência com os valores que se apresentam no lançamento, se constituindo em lançamento sobre fato incerto e improvável, além de ter sido alcançado pela decadência; DA REFISCALIZAÇÃO SOBRE O MESMO FATO: a matéria posta é a mesma já analisada em fiscalização pretérita, ou seja, a autoridade lançadora resolveu fazer fiscalização sobre fatos e procedimentos já fiscalizados no passado, para apuração dos mesmos tributos (IRPJ e CSLL); a defendente, em 20/07/2011, foi cientificada de lançamentos de IRPJ e CSLL sobre alegada omissão de receitas, dada a não contabilização de juros sobre contratos de mútuo, demonstrados na planilha anexada (docs. 341 a 367), que resultaram em exigibilidade de R$22.277.578,28. Apesar disso, essas mesmas operações de mútuo foram consideradas no presente lançamento, conforme planilha em anexo (docs. 368 a 391), de modo que a empresa está sendo submetida a exigibilidades de IRPJ e CSLL em duplicidade; Fl. 28106DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10510.724286/201268 Resolução nº 1301000.323 S1C3T1 Fl. 17 7 o mais grave é que a autoridade lançadora resolveu fiscalizar período já fiscalizado, para cobrança dos mesmos tributos, sem comprovar os requisitos necessários para tal procedimento, na forma estatuída pelo art. 149 do Código Tributário Nacional – CTN. Nesse sentido, a Câmara Superior de Recursos Fiscais e o CARF já decidiram que, em caso de refiscalização, não comprovados os fatos ensejadores da revisão do lançamento, é de ser considerada improcedente a autuação, conforme ementas de decisões reproduzidas (Acórdão CSRF nº 0202.922, de 28 de janeiro de 2008, e Acórdão nº 240100888, de 28 de janeiro de 2010); a nulidade em razão da refiscalização é de natureza material, por atingir elemento essencial ao lançamento, como decidiu recentemente a 4ª Câmara da 1ª Turma da Segunda Seção do CARF, conforme Acórdão nº 240101.353, de 19 de agosto de 2010, reproduzida na impugnação; as Delegacias Regionais de Julgamento vêm decidindo da mesma maneira, e até de forma mais rígida, destacando a necessidade de ordem escrita do Superintendente da RFB para tal desiderato, conforme julgado da 5ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro I, também reproduzida na impugnação; portanto, há de ser considerado nulo de pleno o presente lançamento, em razão da inobservância dos critérios necessários para que se procedesse à refiscalização; DO ERRO NO CÁLCULO DOS JUROS LANÇADOS PELA FISCALIZAÇÃO: a planilha elaborada pelo agente fiscal não possui coluna abatendo os valores recebidos pela impugnante, o que demonstra a total nulidade do lançamento; a base imponível imputada na planilha elaborada pela fiscalização, que é de R$140.967.559,00, cairá para R$33.834.553,19 com o abatimento dos valores dos mútuos recebidos; além disso, a impugnante também deixou de contabilizar os juros passivos dos empréstimos que fez com outras empresas do grupo, que totalizam R$23.923.839,65; fazendo um simples cálculo matemático, o valor lançado pela fiscalização como base de cálculo do IRPJ e da CSLL redundará no montante de R$9.910.713,54, ou seja, uma redução de pelo menos 93%, o que não deixa alternativa para a autoridade julgadora se não for o total cancelamento dos autos de infração; DO CÁLCULO, REVISÃO E CONFRONTO DOS JUROS ATIVOS SOBRE MÚTUO: de acordo com os registros contábeis, operações denominadas de “Mútuos Ativos”, realizadas entre a Itaguassu Agro industrial e respectivas empresas do mesmo grupo econômico, ocorridas entre janeiro de 1997 e dezembro de 2009, encontramse demonstradas em planilha à fl. 18.180. Procedendose ao cálculo dos juros ativos, nos moldes estabelecidos nos contratos, ou seja, de 6% ao ano, encontrase um total de pouco mais de 155 milhões de reais, conforme planilha à fl. 18.181; Fl. 28107DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10510.724286/201268 Resolução nº 1301000.323 S1C3T1 Fl. 18 8 a técnica aplicada para a apuração desses valores é a dos juros simples, incidindo diariamente sobre o saldo principal das operações e devidamente alocados de acordo com o princípio da competência; considerando que há períodos em que a decadência impede a apropriação dos juros ativos, resulta, como demonstrado em planilha à fl. 18.182, um montante de juros ativos da ordem de R$59.062.490,87. Considerando que os fatosgeradores ocorridos entre os anos de 2006 a 2008 já foram objeto de lançamento em auto de infração anterior, sendo incabível o reconhecimento desses juros novamente, o cálculo efetuado pela impugnante demonstra um total de juros ativos, não reconhecidos nos registros contábeis, de R$33.834.553,19, de acordo com planilha à fl. 18.183; reiterase a necessidade de exclusão dos juros ativos no valor de R$25.227.937,68, demonstrados na referida planilha, pois as operações correspondentes foram objeto de auto de infração em que a Itaguassu, após julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, reconheceu os débitos remanescentes e os parcelou (Processo nº 10510.722643/201172); por fim, em confronto com o valor reclamado na atual fiscalização, encontrase um total de R$107.133.006,60 lançado a maior, como demonstrado à fl. 18.184; tal diferença é justificada por inúmeros equívocos no cálculo efetuado pela fiscalização, tais como: a) a fiscalização considerou como base de cálculo dos juros os valores dos empréstimos/mútuos, mas não fez o abatimento dos pagamentos ocorridos, que diminuem a base de cálculo dos juros e, conseqüentemente, a receita financeira apurada; b) a técnica aplicada foi a dos juros compostos, ou seja, foi procedida a capitalização do valor original sem nenhum abatimento, mas sim com o acréscimo dos próprios juros calculados em períodos anteriores; e c) a fiscalização, por não considerar os pagamentos dos mútuos, assim como os respectivos saldos remanescentes, impõe a cobrança sobre operações já liquidadas; com isso, concluise que o valor apurado não é líquido e certo, tendo havido tributação indevida sobre o patrimônio; DO CÁLCULO, REVISÃO E CONFRONTO DOS JUROS PASSIVOS SOBRE MÚTUO: o processo de revisão das operações de mútuo e da respectiva exigência fiscal demonstra que, em nenhum momento, foram considerados os juros passivos incidentes sobre as operações em que a contribuinte assumiu a posição de mutuária. Por essa razão, procedeuse ao cálculo dos juros passivos sobre tais operações, nos anos de 2007 a 2009, na forma demonstrada em planilha à fl. 18.185, na qual obtémse um total de R$28.325.547,44; os registros contábeis evidenciam que, durante o mesmo período, já houve o reconhecimento de R$4.401.707,79 como juros passivos, conforme planilha à fl. 18.186, resultando um saldo de juros passivos alocado em cada período de apuração nos valores Fl. 28108DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10510.724286/201268 Resolução nº 1301000.323 S1C3T1 Fl. 19 9 discriminados em planilha à fl. 18.187, cujo total equivale a R$23.923.839,65, montante este que ainda não representa o valor líquido, já que a empresa contabilizou corretamente, a título de despesas financeiras, no ano de 2009, R$3.942.240,05, que se encontra demonstrado na planilha anexada à fl. 18.185. Com isso, chegase a um valor líquido de R$19.981.599,60; com base no exposto, a interessada, através de demonstrativo à fl. 18.187, encontra um valor tributável da ordem de R$13.852.953,59, ao invés de R$140.967.559,79, como apurado pela fiscalização; a omissão na apuração dessas operações compromete sobremaneira a apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL; DO MÉRITO: DA GLOSA DE DESPESAS: o autuante alega que não houve comprovação de despesas para fins de dedução do imposto de renda, entretanto, as despesas e seus requisitos de dedutibilidade estão devidamente comprovados, conforme documentos anexos a presente impugnação, os quais alcançam a totalidade dos valores tidos como não comprovados, conforme tabela à fl. 18.188; as despesas realizadas pela empresa, ou seja, todas as obrigações assumidas para a aquisição de bens, serviços e utilidades, devem ser consideradas dedutíveis, se feitas com o propósito de manter em funcionamento a fonte produtora dos rendimentos. Ademais, não existe um conceito de despesa indedutível, mas apenas uma conclusão por negação daquelas que não seguem o critério descrito no art. 299 do RIR/1999 (transcreve); devem ser consideradas dedutíveis, portanto, as despesas: a) necessárias para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da pessoa jurídica; b) usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa; c) comprovadas por meio de documentação idônea; mediante a documentação trazida ao processo e os comentários contidos na impugnação, percebese que as despesas não fogem aos requisitos da dedutibilidade, não podendo ser desconsideradas, na forma pela qual foi feita pela fiscalização; DA AUSÊNCIA DO FATO GERADOR DO IRPJ E DA CSLL: o autuante se baseou em deduções realizadas a partir de sua íntima convicção, sem respaldo legal e ao arrepio dos princípios gerais de direito administrativo (reproduz trecho do Termo de Verificação); a impugnante promoveu diversos empréstimos para empresas coligadas, operações que foram formalizadas através de contratos de mútuo, tendo, no entanto, abdicado de seu direito de haver os frutos do negócio, os juros. Portanto, não se trata de omissão de receita financeira, já que essa infração pressupõe o efetivo recebimento/auferimento do encargo da parte contrária; o fato de haver o contrato, com previsão de juros, não comprova, por si só, o recebimento de verbas, tendo em vista que os contratos são um antecedente existencial e de Fl. 28109DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10510.724286/201268 Resolução nº 1301000.323 S1C3T1 Fl. 20 10 validade que visam o momento futuro da contraprestação, que pode sofrer modificações anteriores ao seu termo; inexiste obrigatoriedade de a mutuante cobrar os juros, mesmo que estipulados, da mutuaria, conforme leciona Hiromi Higushi; o tratamento dado pelo fiscal é como se tivesse a recorrente recebido receitas financeiras e, deliberadamente, não as tivesse escriturado e oferecido à tributação; o fato gerador do imposto de renda, nos termos do art. 43 do CTN, é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, ou de proventos de qualquer natureza, como os acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito anterior. Não tendo havido esse recebimento, uma vez que acordado posteriormente que não se receberia aquele valor, não há como declarar haver omissão de receita, agora sim por ferir a lógica; a caracterização de omissão de receitas se dá na forma do art. 281 do RIR/1999 (transcreve), que não se coaduna com os fatos ocorridos no caso em tela; segundo Edmar Oliveira Andrade Filho, as hipóteses legais de omissão de receitas requerem, na prática, dois tipos de prova. A primeira espécie de prova deve ser produzida pela fiscalização, que tem o dever de demonstrar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, não bastando a consideração mecânica das hipóteses legais, pois o lançamento tributário deve ser pautado pela certeza da ação contrária à lei, cabendo à contribuinte provar os fatos que apresenta em sua defesa, de acordo com a lei e com o Direito; na situação vertente, caberia à autoridade lançadora provar a existência das receitas financeiras para, então, cogitar de omissão (transcreve doutrina que trata do ônus da prova no processo administrativo fiscal); nesse sentido tem sido os julgados do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, bem como da própria Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador, conforme ementas reproduzidas; portanto, não resta alternativa a esta DRJ, se não a declaração de improcedência do lançamento efetuado, haja vista não ter ocorrido o fato gerado do IRPJ e da CSLL; DA POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA E DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO: o art. 273 do RIR/1999 (transcreve) determina que, quando o contribuinte computar na apuração do lucro real uma receita que deveria ter sido reconhecida no período base anterior, aplicase a regra relativa à postergação do pagamento; sendo assim, uma vez caracterizada a postergação do reconhecimento dos ganhos de capital relativos a juros decorrentes de contratos de mútuo, deveria a fiscalização ter aplicado o instituto da postergação do pagamento do tributo, tal como previsto no dispositivo legal citado; Fl. 28110DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10510.724286/201268 Resolução nº 1301000.323 S1C3T1 Fl. 21 11 destaquese que é dever da fiscalização aplicar o art. 273 do RIR/1999, e não uma opção. Esse, inclusive, é o procedimento contido no Parecer Normativo COSIT nº 2, de 1996 (reproduz), que é de aplicação obrigatória pelas autoridades federais e que deve ser observado no presente caso, ante a alegada inobservância do regime de competência na escrituração das receitas; a Câmara Superior de Recursos Fiscais manifestouse no sentido de que deve ser reconhecida a nulidade do lançamento nos casos em que a fiscalização deixa de observar os procedimentos legais pertinentes à postergação de pagamento do imposto, conforme ementa reproduzida; pelo exposto, diante dos equívocos cometidos nos cálculo utilizados pela fiscalização e da inobservância das regras aplicáveis à postergação de pagamento do imposto e da contribuição social, é forçoso se concluir pela improcedência do lançamento ou, ao menos, pela necessidade de recálculo dos valores de receita supostamente omitidos; DO EFEITO CONFISCATÓRIO DA MULTA. DA VIOLAÇÃO AOS PRECEITOS DA LEI Nº 9.784, DE 1999: a multa lançada, de 75% do valor do tributo, é excessiva e extrapola a proporcionalidade, ou a razoabilidade, em função da natureza da infração, que consiste, nos termos em que se alega no lançamento, em mera falta de recolhimento de IRPJ e de CSLL; segundo Hugo de Brito Machado, as multas, como as sanções em geral, devem ser limitadas pelos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade (cita trecho extraído da Revista Dialética nº 166, p. 93/113); os dispositivos capitulados contrariam o disposto nos arts. 5º, inciso XXII, 150 e 170, inciso II, da Constituição Federal, de modo que cabe ao julgador, em respeito a essas garantias constitucionais, afastar a aplicação de penalidade de tal monta; nas situações em foco não se cogita de fraude, conluio ou outra ilicitude grave, a ponto de comportar tal penalidade, mas, induvidosamente, de simples falta de recolhimento de tributo; a prevalecer a cobrança de multa que alcança 75% do tributo, estará a defendente, em contrariedade à Constituição Federal e aos princípios estatuídos na Lei nº 9.784, de 1999, sendo afetada irremediavelmente em sua propriedade, posto que a multa, excedendo, em muito, qualquer ganho obtido com a operação, alcança, inexoravelmente, o patrimônio, causando verdadeira redução da capacidade de continuidade do empreendimento; o STF, por diversas vezes, julgou inconstitucional a aplicação de multa exorbitante, que extrapola o limite da razoabilidade e da proporcionalidade, a exemplo dos julgados reproduzidos na impugnação; no caso, não se trata de pretensão de ver reconhecida a inconstitucionalidade de lei na esfera administrativa, mas de inaplicabilidade de lei que, além de ferir a Constituição Federal, fere o disposto no art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, por ser desproporcional e nada razoável; Fl. 28111DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10510.724286/201268 Resolução nº 1301000.323 S1C3T1 Fl. 22 12 o efeito confiscatório da multa ainda se apresenta pelo fato de a Fazenda Pública dispor da taxa Selic para atualização monetária da dívida e indenização pelo atraso do pagamento, não havendo razoabilidade na aplicação de penalidade tão elevada; a multa de 75% do valor do tributo só se justificaria em situação excepcional, de grave ilicitude, a título de sanção de natureza comportamental, e não para situação de mera falta de recolhimento; a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é pela inconstitucionalidade da multa de 300% do valor do tributo, conforme trecho de julgado reproduzido na impugnação; dessa maneira, a multa de 75% é desproporcional em relação à natureza da infração e, no caso, se procedente fosse o lançamento, teria que se adequar à situação fática, dado o efeito confiscatório, com sua redução; DOS PEDIDOS: em face do exposto, requer: a) a nulidade do auto de infração, em razão do comprovado cerceamento do direito de defesa; b) a análise dos complementos probatórios a serem juntados, em observância ao princípio da verdade material; c) a declaração de nulidade do lançamento, em razão da refiscalização realizada, sem a observância dos requisitos legais e procedimentais; d) a declaração da decadência e a conseqüente nulidade total material do auto de infração, nos moldes expostos; e) o reconhecimento da nulidade total material do auto de infração, em razão da refiscalização realizada sem a observância do art. 149 do CTN e das normas procedimentais pertinentes; f) a nulidade material do auto de infração, haja vista a falta de certeza e liquidez do fato gerador apontado pelo fiscal e os inúmeros erros constantes nas planilhas elaboradas e presentes no auto de infração, não tendo o fiscal abatido os valores dos mútuos recebidos pela impugnante, bem como por ter desconsiderado os juros passivos dos empréstimos realizados pela impugnante a outras empresas do grupo; g) o reconhecimento da dedutibilidade das despesas tidas como indedutíveis, por restarem comprovadas e caracterizadas sua necessidade, usualidade, normalidade, causalidade e transparência; h) caso superadas as preliminares acima, a improcedência da autuação quanto à suposta omissão de receitas, uma vez que não houve o recebimento dos juros dos contratos de mútuo; i) a improcedência da autuação por não ter o fiscal observado a postergação do pagamento do IRPJ e da CSLL, nos termos do art. 273 do RIR/1999; Fl. 28112DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10510.724286/201268 Resolução nº 1301000.323 S1C3T1 Fl. 23 13 j) caso ultrapassados todos os pedidos acima, requer o recálculo da multa, tendo em vista os parâmetros da razoabilidade e da proporcionalidade, nos termos da Lei nº 9.784, de 1999. Através do Despacho nº 47 – 2ª Turma da DRJ/SDR, de 21 de junho de 2013 (fls. 18.649/18.650), foi solicitada a realização de diligência, para que a contribuinte fosse intimada a apresentar demonstrativos discriminando os valores recebidos dos contratos de mútuo celebrados nos anos de 1997 a 2009, totalizados na planilha de fl. 18.180, indicando os lançamentos contábeis correspondentes e os contratos a que se referem, bem como a documentação comprobatória do efetivo recebimento dos valores contabilizados como recebidos no referido período. Efetuada a diligência, foram acostados aos autos os documentos de fls. 18.654/24.854, sendo que a interessada apresentou o expediente de fls. 18.666/18.688, que tem o seguinte teor, em síntese: 1. DA ALTERAÇÃO DOS VALORES E FUNDAMENTOS CONTIDOS NA IMPUGNAÇÃO: conforme destacado na impugnação, devido ao exíguo prazo para a apresentação de suas razões e da complexidade da matéria, a impugnante ficou de apresentar, posteriormente, emenda à citada impugnação, bem como complemento probatório dos argumentos tecidos ao longo de sua defesa; nesse contexto, foram contratadas duas empresas de Auditoria e Consultoria Tributária para auxiliar a empresa nessa demanda, a Tax Accounting Auditoria e Consultoria Tributária e a Ernest Young Terco, que detalharam os valores utilizados pela fiscalização para fins de cálculo dos juros de mútuo, bem como analisaram os documentos comprobatórios que lastreavam tais operações e os procedimentos contábeis adotados pela sociedade para o registro dos casos na escrituração mercantil; no processo, confirmaram que os valores inicialmente apresentados na impugnação não estavam dotados de precisão matemática e deveriam ser ajustados para refletir a verdade material identificada na empresa; o resultado do trabalho realizado pelas empresas contratadas foi sintetizado em Laudos Periciais juntados por meio da presente petição, nos quais constam os valores adequados que devem ser assumidos no processo em questão; para as informações aqui relatadas, primordialmente as de cálculo, será tomado como referência o trabalho realizado pela Tax Accounting Auditoria e Consultoria Tributária, uma vez que ocorreu uma pequena variação em razão da técnica aritmética realizada pela Ernest Young Terco, como se percebe da fl. 03 do seu laudo; o laudo da Tax Accounting Auditoria e Consultoria Tributária é composto do parecer e seus anexos, em 582 folhas (fls. 18.691/19.274) e o da Ernest Young Terco está disposto em 7 páginas (fls. 22.837/22.843) e possui um DVDROM com planilhas em formato .xls que dão suporte às suas conclusões; conforme abordado nos laudos elaborados pelas citadas empresas de auditoria, a impugnante, por estar inserida em um grupo econômico composto por diversas empresas, Fl. 28113DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10510.724286/201268 Resolução nº 1301000.323 S1C3T1 Fl. 24 14 trabalha, na sua essência, com contas correntes contábeis, nas quais ocorre o registro de diversas operações, de débito e crédito, de natureza sucessiva e constante, configurando relação creditícia entre as partes envolvidas, como pode ser facilmente percebido a partir da análise dos Anexos I e II da Tax Accounting Auditoria e Consultoria Tributária (fls. 18.713/18.944); assim, durante a vigência dessas contas contábeis, a movimentação financeira nelas contida acaba por incluir diversos débitos e créditos, que compõem uma massa única e homogênea e, consequentemente, o saldo devedor verificado ao final de cada período de apuração; na escrituração mercantil da sociedade, quando a impugnante remete dinheiro às empresas ligadas adota o histórico “importância que entregamos nessa data” e, quando ocorre a transação de devolução do numerário anteriormente remetido, isso ocorre com o histórico “recebido para seu crédito”; em ambos os casos, os históricos adotados não indicam referência a qualquer contrato de mútuo, apenas evidencia a relação creditícia entre as partes, que pertencem a um mesmo grupo econômico; daí a impossibilidade de atender à solicitação descrita no Termo de Diligência, na forma como foi colocada, já que a impugnante, quando recebe os valores das empresas interligadas, o faz como quitação de parte do saldo devedor, que se formou ao longo do tempo (conta corrente contábil), e não como liquidação de determinado contrato de mútuo especificamente; é inviável a vinculação entre os valores movimentados com os contratos de mútuo, uma vez que, conforme Instrumento Particular de Contrato de Mútuo Anexo IV, este não possui qualquer controle ou numeração de referência. A cada movimentação financeira, a empresa instrumentalizava um documento que intitulou de contrato de mútuo, prevendo cobrança de juros, na forma da lei, os quais, na verdade, se sabia que jamais seriam cobrados; no cenário apresentado, os contratos de mútuo abordados pela fiscalização não guardam relação com os procedimentos operacionais e contábeis adotados pela sociedade, por terem sido elaborados para acobertar operações individuais, quando ocorre na prática a formação, o gerenciamento e a manutenção de contas correntes contábeis com pessoas ligadas; os julgadores, a partir dos laudos contábeis juntados, devem analisar os fatos sob o prisma do princípio da primazia da realidade sobre a forma, da verdade material, conforme entendimentos de tributaristas reproduzidos (James Marins, em Direito Processual Tributário Brasileiro, e Maria Rita Ferragut e Marcos Vinícius Neder, em A Prova no Processo Tributário); esse entendimento também é pacífico no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme precedentes reproduzidos; diante disso, não há que se falar em exigibilidade de juros entre empresas coligadas, pois se trata, na verdade, de conta corrente contábil, em essência, e não tipicamente contrato de mútuo, o que afasta a imputação de omissão de receitas; resta claro que não há correlação entre o contrato de conta corrente e o contrato de mútuo, pois este é instituto jurídico diverso daquele, conforme as claras palavras do Fl. 28114DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10510.724286/201268 Resolução nº 1301000.323 S1C3T1 Fl. 25 15 Conselheiro Luiz Roberto Domingo, no voto vencedor do Acórdão 3101001.094, do CARF, nos autos do Processo nº 11080.015070/200800, conforme trecho reproduzido; 2. DOS NOVOS NÚMEROS DECORRENTES DOS TRABALHOS DE PERITAGEM: os trabalhos de peritagem identificaram a necessidade de se alterar valores apresentados em sede de impugnação, o que abrange a planilha apresentada como Anexo ao Termo de Diligência (fl. 18.657), que deve ser substituída pelo quadro anexado à fl. 18.675, contido na fl. 12 do Laudo Pericial Contábil da Tax Accounting Auditoria e Consultoria Tributária (fls. 18.691/18.712); os valores objeto de exclusão contidos no referido quadro, que totalizam R$174.653.824,21, correspondem aos seguintes fatores: a) Instrumento Particular de Cessão e Transferência de Crédito: nessa condição se refere o montante de R$132.290.000,00; b) Transferência entre Contas Contábeis: nessa condição se refere o montante de R$39.007.051,82; c) Outros Eventos: o montante de R$3.356.772,39 incorpora eventos diversos como estornos de lançamentos, valores referentes a notas de débito, bem como depósitos e recebimentos; os registros em referência não envolveram movimentação financeira, por não se tratarem de eventos que tenham esse condão (com exceção dos eventos sob os seguintes históricos: notas de débitos, depósitos e recebimentos), como se pode aferir facilmente da análise da escrituração mercantil da sociedade; no caso de estornos de lançamentos indevidos e de transferências entre contas contábeis, por se tratarem de procedimentos internos, os próprios registros contábeis comprovam essa situação e foram verificados e validados durante os trabalhos realizados pelos auditores contratados; 3. DAS ALTERAÇÕES NECESSÁRIAS NA IMPUGNAÇÃO DECORRENTES DOS TRABALHOS DE PERITAGEM: em sendo ultrapassados os argumentos expedidos, referentes à inexistência de juros em razão de a essência do negócio ser de conta corrente contábil e não de mútuo, há inconsistências consideráveis no que tange ao cálculo da base tributável, identificadas nos trabalhos de peritagem, conforme Laudo Contábil da Tax Accounting Auditoria e Consultoria Tributária; com isso, os itens 2.5, 2.5.1 e 2.5.2 da impugnação anteriormente apresentada foram alterados, em valores ou no texto inicialmente apresentado, conforme exposto às fls. 18.679/18.687; 4. DO REQUERIMENTO: Fl. 28115DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10510.724286/201268 Resolução nº 1301000.323 S1C3T1 Fl. 26 16 a impugnante, em resposta à diligência fiscal, requer a juntada dos laudos periciais contábeis em anexo e o regular processamento do feito, para que seja declarada a improcedência do auto de infração, uma vez que, na verdade, não há contratos de mútuo celebrados, mas sim conta corrente contábil entre as empresas coligadas. Acaso superado esse pedido, reitera, subsidiariamente, os pleitos da improcedência anteriormente formulados, adequandoos à nova realidade fática apresentada. A DRJ/SALVADOR (BA) decidiu a matéria consubstanciada no Acórdão 15 35.435, de 07 de maio de 2014, julgando procedente em parte a impugnação, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2007, 2008, 2009 NULIDADE. O procedimento fiscal efetuado por servidor competente, no exercício de suas funções, contendo os demais requisitos exigidos pela legislação que rege o Processo Administrativo Fiscal, tais como o enquadramento legal e a perfeita descrição dos fatos, não pode ser considerado nulo. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. O afastamento da aplicabilidade de lei ou ato normativo, pelos órgãos judicantes da Administração Fazendária, está necessariamente condicionado à existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal declarando a sua inconstitucionalidade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 NORMAS DE CONTABILIDADE. PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA. A escrituração da pessoa jurídica deve ser mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e aos Princípios de Contabilidade geralmente aceitos, inclusive o de competência, segundo o qual as receitas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, independentemente do seu recebimento. MÚTUO. RENDIMENTOS. REGIME DE RECONHECIMENTO. LUCRO REAL. Na determinação do resultado do exercício, devem ser computados os rendimentos ganhos no período, estipulados no respectivo contrato de mútuo, segundo o regime de competência, independentemente de sua realização em moeda. REGISTROS CONTÁBEIS. COMPROVAÇÃO. A escrituração contábil deve ser acompanhada da comprovação documental das operações nela registradas. DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. São indedutíveis os dispêndios não comprovados com documentos hábeis e idôneos ou que não atendam aos requisitos legais de normalidade e necessidade à manutenção da fonte produtora. LANÇAMENTO DECORRENTE. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Em se tratando de base de cálculo originária das infrações que motivaram o lançamento Fl. 28116DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10510.724286/201268 Resolução nº 1301000.323 S1C3T1 Fl. 27 17 principal, deve ser observado para o lançamento decorrente o que foi decidido para o matriz, no que couber. É o relatório. Fl. 28117DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10510.724286/201268 Resolução nº 1301000.323 S1C3T1 Fl. 28 18 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas Constatase do extenso e minucioso relatório e auto de infração, que a empresa recorrente foi autuada pela não comprovação de despesas relativas a fatos geradores do ano calendário de 2009 e, por omissão de receitas financeiras pela falta de contabilização de juros dos créditos relativos a contratos de mútuo com empresas interligadas, para fatos geradores de 31/12/2007 e, todo ano calendário de 2008 e 2009. Apreciando a defesa inicial a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada, exonerando parte do lançamento de ofício, pelo recorre de ofício. Nesta Sessão de Julgamento, antes até mesmo da análise de mérito, a Turma Julgadora apreciando os fatos e documentação apresentada pela recorrente, mesmo aqueles (documentos) apresentados após o julgamento de primeira instância, resolveu por aceitálos por ser complementar aos apresentados até à fase da impugnação e, em consequência, tornase necessário converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem analise toda a documentação pertinente, em especial, relativamente aos Anexos I, II, III e IV ao Laudo Pericial Contábil da Tax Accountig juntados ao recurso voluntário (doc. 2), esclarecendo, em relatório circunstanciado: I) Qual o montante das amortizações dos mútuos realizados (conta contábil do ativo 1201010000 Créditos em Interligadas); e II) Dessa mesma conta quais valores não representam operações de mútuo, mas, sim, "Operações de Cessão de Crédito", "Transferências entre Contas Correntes" e "Outros Eventos" A contribuinte deverá ser cientificada do relatório que ora se solicita para, se quiser, aditar razões. Em seguida retornese os autos do presente processo a esta Corte Administrativa para o julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 28118DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES
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Numero do processo: 13706.000380/2009-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA RECONHECIDA NA FASE RECURSAL. DECISÃO DEFINITIVA.
São definitivas as decisões de primeira instância na parte objeto de reconhecimento pelo sujeito passivo.
IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA INDEVIDA.
Segundo o art. 80, § 1º, inc. III, do RIR, a dedução de despesas médicas na DIRPF limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento, devendo ser admitidas, para efeito de dedução, as despesas comprovadas em conformidade com esse dispositivo.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.226
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva e Wilson Antonio de Souza Corrêa.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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AJUSTE. GLOSA. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS Recorrente LUIZ CARLOS FRAZÃO BICA Recorrida UNIÃO FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA RECONHECIDA NA FASE RECURSAL. DECISÃO DEFINITIVA. São definitivas as decisões de primeira instância na parte objeto de reconhecimento pelo sujeito passivo. IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA INDEVIDA. Segundo o art. 80, § 1º, inc. III, do RIR, a dedução de despesas médicas na DIRPF limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento, devendo ser admitidas, para efeito de dedução, as despesas comprovadas em conformidade com esse dispositivo. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 03 80 /2 00 9- 23 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva e Wilson Antonio de Souza Corrêa. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI Processo nº 13706.000380/200923 Acórdão n.º 2402005.226 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório O contribuinte sofreu Notificação de Lançamento de IRPF, exercício 2005, anocalendário 2004. Segundo a fiscalização, teria sido constatada a dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 26.930,00, por falta de comprovação, Em sede de impugnação, o contribuinte rechaçou a glosa efetuada, anexando documentos comprobatórios de despesas com a psicóloga Maria Alice Rocco, no valor de R$ 23.580,00, e despesas com o dentista Wladimir de Souza Pereira, no valor de R$ 3.350,00. A DRJ julgou procedente em parte a impugnação, ao argumento de que: a) deveria ser mantida a glosa da dedução de despesas médicas de R$1.000,00, que teriam sido pagas à psicóloga, e de R$ 250,00, que teriam sido pagas ao dentista, pois não foram comprovadas mediante emissão de cheques; b) seriam passíveis de dedução dos rendimentos tributáveis as despesas no valor de R$ 22.580,00, pagas à psicóloga Maria Alice Rocco, e R$3.100,00, pagas ao cirurgiãodentista Wladimir de Souza Pereira. O contribuinte foi notificado em 22/04/2013 e interpôs recurso voluntário em 16/05/2013, alegando que: c) é incontroversa a glosa de dedução de R$250,00, referente ao dentista Wladimir de Souza, pois o Banco não recuperou o documento no arquivo de cheques microfilmados, constando apenas o registro de seu débito na conta corrente do interessado em 10/05/2004, motivo pelo qual foi pago o DARF de imposto suplementar (fl. 165); d) quanto à despesa de R$1.000,00, paga à psicóloga, o recorrente acredita que houve um extravio da cópia do cheque entregue à Receita Federal, vez que os cheques originais e a cópia do extrato bancário em seu poder indicam a existência do pagamento de modo inequívoco (fls. 166/167). É o relatório. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI 4 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci – Relator 1 Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da matéria confessada Inicialmente, cumpre afirmar que o próprio contribuinte concordou com a glosa da despesa de R$250,00, referente ao dentista Wladimir de Souza, sendo definitivo o lançamento neste ponto. 3 Glosa das despesas médicas Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, entre outros profissionais/estabelecimentos da área de saúde, conforme regra expressa do art. 80, caput, do Decreto n.º 3000/1999 RIR. Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (“) (destacouse) Para que seja possível a dedução, devem ser preenchidos os requisitos impostos pela legislação. O tema é tratado pelo § 1º do artigo supra mencionado, in verbis: § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (…) III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (destacouse) Fl. 175DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI Processo nº 13706.000380/200923 Acórdão n.º 2402005.226 S2C4T2 Fl. 4 5 Ainda, o artigo 73 do RIR estabelece que: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. A comprovação, portanto, é feita mediante a indicação do nome, endereço e número de inscrição do profissional. Dito de outra forma, os pagamentos são comprovados através dos recibos ou das notas fiscais de prestação de serviços, elaborados em consonância com os requisitos supra mencionados. Na falta dessa documentação (“podendo, na falta de documentação”), admite o Regulamento a exibição dos cheques nominativos. Essa exibição, pois, é uma alternativa para o contribuinte que não possua os recibos ou as notas fiscais. No caso dos autos, remanesce controvérsia apenas quanto à quantia de R$ 1.000,00, paga à psicóloga através de cheque. Nesse ponto, e diferentemente do que decidiu a DRJ, vislumbrase que o cheque de fls. 167/168, nominal à citada profissional, atrelado ao extrato bancário de fl. 169, que dá conta de sua compensação na conta do recorrente, demonstram a efetiva realização do pagamento da referida quantia, em conformidade com a regra encimada. 4 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR TOTAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos da fundamentação. João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI
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Numero do processo: 10830.727274/2012-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2009
DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO.
Havendo pagamento antecipado, o prazo decadencial é contado de cinco anos a partir da ocorrência do fato gerador, ressalvado a prática de dolo, fraude ou simulação.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. IMPROCEDÊNCIA.
A qualificação da multa somente pode ocorrer quando a autoridade fiscal provar de modo inconteste, o dolo por parte da contribuinte, condição imposta pela lei. Não estando comprovado com elementos contundentes o intuito de fraude, deve ser afastada a aplicação da multa qualificada.
IPI. CRÉDITOS DE PRODUTOS ISENTOS. ZFM. ART. 69 DO RIPI/2002.
Em regra, é inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos a alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. A apropriação de crédito ficto ou presumido de IPI depende de autorização de lei específica a teor do que dispõe o § 6º do art. 150 da CF, o que não acontece no caso dos produtos adquiridos com a isenção de que trata o art. 69 do RIPI/2002.
IPI. CRÉDITOS DE PRODUTOS ISENTOS. ZFM. ART. 82, III, DO RIPI/2002.
A isenção prevista no art. 82, inc. III, do RIPI/2002 é condicionada a que os produtos sejam fabricados com matéria-prima agrícola e extrativa vegetal de produção regional. Só nessa condição também é que o adquirente dos produtos isentos, podem apropriar-se dos créditos fictos conforme autorizativo do art. 175 do RIPI/2002. Os insumos AÇÚCAR MASCAVO e CAFEÍNA não se encaixam no conceito de matéria-prima agrícola e extrativa vegetal de produção regional, pois tratam-se de produtos industrializados.
ZFM. FISCALIZAÇÃO DE TRIBUTOS. COMPETÊNCIA DA RFB.
A Secretaria da Receita Federal do Brasil tem plena competência para a fiscalização de tributos federais na ZFM, não dependendo de manifestação prévia da Suframa para o exame de operações que envolvam o cumprimento de Processos Produtivos Básicos.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento.
Recurso de Ofício Negado
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-003.006
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar o pedido preliminar de sobrestamento do processo. Por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos em reconhecer a competência da Receita Federal para fiscalizar o cumprimento do processo produtivo básico. Por unanimidade de votos em negar provimento quanto ao aproveitamento de crédito dos insumos adquiridos da empresa Nidala. Por maioria de votos em negar a prejudicial apresentada pela Conselheira Maria Eduarda de que a RFB não poderia mudar o entendimento da Suframa consubstanciado no projeto aprovado. Vencidos Maria Eduarda, Marcelo e Semíramis. Pelo voto de qualidade em negar provimento ao recurso voluntário no mérito do aproveitamento do crédito de produtos adquiridos da empresa HVR. Vencidos os Conselherios Maria Eduarda, Marcelo, Semíramis e Valcir. Por maioria de votos em manter a aplicação da multa de ofício. Vencida a Conselheria Maria Eduarda. Por unanimidade de votos em não conhecer da matéria relativa ao estorno do crédito, sendo decidido que a sua efetividade depende da definitividade da decisão. Por maioria de votos em negar provimento ao recurso voluntário no item Juros de mora sobre a multa de ofício. Vencida Conselheira Maria Eduarda. A Conselheira Maria Eduarda fará declaração de voto.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente e relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Francisco José Barroso Rios, Paulo Roberto Duarte Moreira (suplente), Valcir Gassen e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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Havendo pagamento antecipado, o prazo decadencial é contado de cinco anos a partir da ocorrência do fato gerador, ressalvado a prática de dolo, fraude ou simulação. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. IMPROCEDÊNCIA. A qualificação da multa somente pode ocorrer quando a autoridade fiscal provar de modo inconteste, o dolo por parte da contribuinte, condição imposta pela lei. Não estando comprovado com elementos contundentes o intuito de fraude, deve ser afastada a aplicação da multa qualificada. IPI. CRÉDITOS DE PRODUTOS ISENTOS. ZFM. ART. 69 DO RIPI/2002. Em regra, é inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos a alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. A apropriação de crédito ficto ou presumido de IPI depende de autorização de lei específica a teor do que dispõe o § 6º do art. 150 da CF, o que não acontece no caso dos produtos adquiridos com a isenção de que trata o art. 69 do RIPI/2002. IPI. CRÉDITOS DE PRODUTOS ISENTOS. ZFM. ART. 82, III, DO RIPI/2002. A isenção prevista no art. 82, inc. III, do RIPI/2002 é condicionada a que os produtos sejam fabricados com matériaprima agrícola e extrativa vegetal de produção regional. Só nessa condição também é que o adquirente dos produtos isentos, podem apropriarse dos créditos fictos conforme autorizativo do art. 175 do RIPI/2002. Os insumos AÇÚCAR MASCAVO e CAFEÍNA não se encaixam no conceito de matériaprima agrícola e extrativa vegetal de produção regional, pois tratamse de produtos industrializados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 72 74 /2 01 2- 72 Fl. 2118DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10830.727274/201272 Acórdão n.º 3301003.006 S3C3T1 Fl. 2.119 2 ZFM. FISCALIZAÇÃO DE TRIBUTOS. COMPETÊNCIA DA RFB. A Secretaria da Receita Federal do Brasil tem plena competência para a fiscalização de tributos federais na ZFM, não dependendo de manifestação prévia da Suframa para o exame de operações que envolvam o cumprimento de Processos Produtivos Básicos. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar o pedido preliminar de sobrestamento do processo. Por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos em reconhecer a competência da Receita Federal para fiscalizar o cumprimento do processo produtivo básico. Por unanimidade de votos em negar provimento quanto ao aproveitamento de crédito dos insumos adquiridos da empresa Nidala. 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Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Francisco José Barroso Rios, Paulo Roberto Duarte Moreira (suplente), Valcir Gassen e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Fl. 2119DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10830.727274/201272 Acórdão n.º 3301003.006 S3C3T1 Fl. 2.120 3 Relatório Por economia processual adoto o relatório elaborado pela decisão recorrida, abaixo transcrito. Tratase de exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), formalizada no auto de infração de fls. 1300/1306, lavrado em 27/11/2012, com ciência da contribuinte em 30/11/2012, totalizando o crédito tributário de R$ 18.395.294,00. Segundo a descrição dos fatos de fls. 1302/1305 e o termo de verificação fiscal de fls. 1339/1363, foram constatadas as seguintes irregularidades: 1. Falta de recolhimento do imposto, no período de junho/2006 a dezembro/2009, em decorrência da escrituração e utilização de créditos indevidos: a contribuinte adquiriu insumos (concentrados) da Zona Franca de Manaus com isenção do IPI, e creditouse do valor do imposto calculado, como se devido fosse, com base nos artigos 82, inciso III, e 175 do RIPI/2002; não ficou demonstrado que os fornecedores dos insumos atendiam as exigências para permitir o creditamento, razão pelo qual os créditos foram glosados. Por entender que ficaram caracterizadas as circunstâncias qualificativas, a fiscalização aplicou a multa majorada de 150% nesses casos. 2. Falta de recolhimento do imposto em decorrência da escrituração e utilização de créditos indevidos: a empresa creditouse indevidamente, em janeiro/2007, do valor de R$ 1.282.633,49, que já foram objeto de ressarcimento. 3. Falta de lançamento nas saídas de produtos tributados, no período de abril a julho/2008, em operações em que ficou caracterizada a equiparação a estabelecimento industrial: a Ultrapan importou o produto TEKO Candy’s, e deu saída ao produto no mercado interno, sem o devido lançamento do imposto. Em razão da reconstituição da escrita fiscal da contribuinte, a auditoria intimou a autuada a estornar o crédito de R$ 194.573,90 existente em sua escrita em 31/12/2009. Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls.1918/1947, alegando, em síntese, que: 1. Em relação à venda dos produtos denominados TEKO Candy’s, não faz objeções aos valores lançados, decidindo efetuar o recolhimento com a redução da multa, conforme comprovante de recolhimento juntado; 2. São indevidas as glosas dos créditos de IPI na aquisições de insumos isentos oriundos da empresa HVR CONCENTRADOS DA AMAZÔNIA LTDA: adquiriu insumo (extrato concentrado) da empresa HVR CONCENTRADOS DA AMAZÔNIA LTDA, sediada na Zona Franca de Manaus; Fl. 2120DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10830.727274/201272 Acórdão n.º 3301003.006 S3C3T1 Fl. 2.121 4 por ter sido industrializado na Zona Franca de Manaus e elaborado com a utilização de matériasprimas agrícolas e extrativistas vegetais daquela região, o concentrado goza de específica isenção de IPI, conforme art. 6º do DecretoLei nº 1.435/75 (art. 82 do RIPI/2002), e gera direito de aproveitamento do crédito de IPI pelo adquirente, nos termos do art. 6º, parágrafo 1º, do DecretoLei nº 1.435/75 (art. 175 do RIPI/2002); a empresa HVR teve projeto aprovado junto à SUFRAMA, que concedeu à HVR o direito ao gozo dos incentivos previstos no art. 6º do DecretoLei nº 1.435/75; o fiscal entendeu equivocadamente que a HVR não cumpria os requisitos exigidos para a concessão do benefício, ignorando que é da SUFRAMA a competência para examinar o cumprimento dos requisitos do projeto anteriormente aprovado; o fiscal extrapolou suas atribuições ao concluir que os produtos produzidos pela HVR não foram elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativistas vegetais de produção regional; deveria ter diligenciado junto ao órgão competente, no caso a SUFRAMA; ao contrário do que afirma o auditor, a HVR não adquiriu somente materiais de embalagem e transporte, pois adquiriu matériasprimas agrícolas e extrativistas vegetais regionais; a HVR adquiriu açúcar mascavo e cafeína; o açúcar foi adquirido de produtores rurais, pessoas físicas regionais; equívocase o auditor ao afirmar que a cafeína não pode ser considerada matériaprima agrícola e extrativa vegetal, pois não há na legislação qualquer exigência no sentido de que o insumo não possa ser processado, até mesmo porque a cafeína e o açúcar não são encontrados diretamente na natureza, devendo a matéria prima vegetal da qual provêm passar por processo industrial para que possam ser extraídos os insumos regionais cafeína e açúcar, que são utilizados nos concentrados vendidos pela HVR; o direito ao crédito de IPI nas aquisições de insumos isentos provenientes da Zona Franca de Manaus está assegurado na Constituição Federal, art. 40 do ADCT, e é reconhecido pelo STF; 3. São indevidas as glosas dos créditos de IPI na aquisições de insumos isentos oriundos da empresa NIDALA DA AMAZÔNIA LTDA: o aproveitamento do crédito nas aquisições de insumos isentos da NIDALA está garantido por entendimento do STF, e em função da repercussão geral declarada, a análise definitiva acerca do direito ao crédito, matéria discutida nestes autos, deve ficar sobrestada até a decisão definitiva daquela Corte; 4. É indevida a glosa do crédito de IPI no valor de R$ 1.282.633,49 escriturado no 2º decêndio de janeiro/2007: o crédito lançado na escrita foi apurado pelo próprio Fisco na reconstituição da escrita fiscal feita em fiscalização anterior, no período de janeiro/2000 a dezembro/2002, processo nº 10830.006581/200597; ao contrário do que afirma o auditor, o referido crédito não foi objeto de pedido de ressarcimento; Fl. 2121DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10830.727274/201272 Acórdão n.º 3301003.006 S3C3T1 Fl. 2.122 5 há erro insanável na apuração do IPI refeita após a glosa do crédito de R$ 1.282.633,49, pois ao reconstituir a escrita fiscal no ano de 2007, o auditor não considerou os pagamentos efetuados de janeiro a novembro/2007; tal erro é caso de nulidade do lançamento; está precluso o direito do Fisco examinar créditos de IPI apurados há mais de cinco anos; o IPI escriturado no 2º decêndio de janeiro/2007 já foi alcançado pela decadência; 5. Houve abusivo agravamento da penalidade com aplicação da multa de 150%: a imposição dessa exasperada penalidade pressupõe demonstração inequívoca de conduta dolosa da contribuinte; não há qualquer nexo de causalidade entre a suposta relação de interdependência com a HVR e os fundamentos tidos como dolosos; o aproveitamento do crédito está amparada em tese jurídica, não havendo conduta dolosa; 6. Não caracterizada a conduta dolosa, aplicase a regra prevista no art. 150, parágrafo 4º, do CTN, e estão decaídos os lançamentos para os períodos de junho/2006 a 30/11/2007, pois a ciência do auto de infração ocorreu em 30/11/2012; 7. A determinação de estorno do saldo credor de R$ 194.573,90 em 31/12/2009 só deve ser exigida após julgamento definitivo da reconstituição da escrita fiscal efetuada pela fiscalização; 8. Questiona a aplicação da SELIC sobre a multa de ofício. Por fim, requer que seja decretada a improcedência das equivocadas exigências fiscais. Ao julgar referida impugnação, a 2ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 1442.307, de 29/05/2013, que possui a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2009 IPI. DECADÊNCIA. No lançamento de ofício formalizado em auto de infração, em que houve pagamento antecipado do imposto, sem que tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação, considerase transcorrido o prazo decadencial aos fatos geradores do IPI com data anterior a cinco anos da data da formalização do lançamento. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitivo o lançamento, na esfera administrativa, da matéria não impugnada. DIREITO AO CRÉDITO. AQUISIÇÕES DE INSUMOS ISENTOS DO IPI DA AMAZÔNIA OCIDENTAL. Fl. 2122DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10830.727274/201272 Acórdão n.º 3301003.006 S3C3T1 Fl. 2.123 6 O estabelecimento industrial pode creditarse do imposto calculado, como se devido fosse, sobre os insumos adquiridos com isenção da Amazônia Ocidental, quando empregados como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, na industrialização de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do imposto, desde que tenham sido elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pela SUFRAMA. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. IMPROCEDÊNCIA. A qualificação da multa somente pode ocorrer quando a autoridade fiscal provar de modo inconteste, o dolo por parte da contribuinte, condição imposta pela lei. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento. Impugnação procedente em parte. Referida decisão afastou a aplicação da multa qualificada e reconheceu a decadência de parte do crédito tributário lançado. No final demonstra a nova reconstituição da escrita fiscal e apresenta recurso de ofício nos termos do art. 34 do Decreto nº 70.235/72. Não concordando com referida decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário, por meio do qual repisa os seus argumentos apresentados na impugnação e que podem assim ser resumidos: Glosas dos créditos de IPI nas aquisições de insumos isentos oriundos da empresa HVR Concentrados da Amazônia Ltda: De acordo com o recorrente os produtos adquiridos da HVR são insumos classificados na posição 2106.9010 Ex 01 da NCM "preparação composta, não alcoólica (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da posição 22.02". Afirma que a empresa HVR, sediada na Zona Franca de Manaus, possui projeto aprovado pela Suframa para gozo do benefício previsto no art. 6º do Decreto nº 1.435/75 que consiste na isenção de produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional exclusive as de origem pecuária, com direito à manutenção do crédito de IPI para o adquirente desses produtos. Defende que a Receita Federal não é competente para definir se os insumos utilizados atendem o conceito de "matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional" bem como o cumprimento de seu processo produtivo em face do projeto aprovado pela SUFRAMA. Que tal competência é exclusiva da SUFRAMA. Afirma que ao recorrente, adquirente dos produtos da HVR, não cabe "o papel de fiscalizar o processo produtivo do seu fornecedor". Basta para fruição do benefício que o fornecedor declare que cumpre os requisitos previstos em lei, informação essa que consta em cada uma das notas fiscais de aquisição. Que a Fl. 2123DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10830.727274/201272 Acórdão n.º 3301003.006 S3C3T1 Fl. 2.124 7 DRJ poderia ter realizado diligências para conferir com a SUFRAMA o cumprimento do processo produtivo aprovado. Quanto ao entendimento da fiscalicação e da decisão recorrida de que o açúcar mascavo e a cafeína não serem considerados matériasprimas agrícola e extrativa vegetal, tece o seguinte argumento: "Afirmação despropositada e desprovida de fundamento legal na medida em que não há na legislação qualquer exigência no sentido de que o insumo 'matéritaprima agrícola e extrativa vegetal de produção regional' não possa ser processado, até mesmo porque a CAFEÍNA, e também o AÇÚCAR, não são encontrados diretamente na natureza, devendo a matériaprima vegetal da qual provêm passar por processo industrial para que possam ser extraídos os insumos regionais CAFEÍNA e AÇÚCAR, que serão utilizados nos concentrados (NCM 2106.9010 Ex01) vendidos pela HVR à recorrente". Das indevidas glosas dos créditos de IPI nas aquisições de insumos isentos oriundos da empresa Nidala da Amazônia Ltda: Cita que, ao contrário do concluído na decisão recorrida, esta matéria não está pacificada no STF, sendo que se encontra pendente de julgamento, pelo rito da repercussão geral o RE 592891, o qual irá decidir definitivamente o direito de apropriação de créditos de IPI decorrente da aquisição de produtos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus. Nesse sentido solicita o sobrestamento do presente processo com base no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009. Destaca se o entendimento da Suprema Corte for pelo direito ao creditamento do IPI, tal decisão abarcará também o direito ao crédito de suas aquisições da HVR relativas ao tópico anterior. Estorno de saldo credor A decisão da DRJ determinou o estorno de saldo credor no valor de R$ 194.573,90, apurado em 31/12/2009. A recorrente defende que só teria que efetuar o referido estorno após a decisão definitiva do presente processo e isso, se restar vencida ao final. Taxa Selic sobre a multa de ofício Cita jurisprudência administrativa e solicita que não seja aplicada a taxa Selic sobre a multa de ofício em face de falta de previsão legal. É o relatório. Fl. 2124DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10830.727274/201272 Acórdão n.º 3301003.006 S3C3T1 Fl. 2.125 8 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal Os recursos de ofício e voluntário são tempestivos e atendem aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso devem ser conhecidos. Recurso de Ofício Dispensa da Multa Qualificada A multa de ofício qualificada de 150% foi aplicada em relação às duas infrações em que se acusa o aproveitamento indevido de créditos de IPI nas aquisições de produtos oriundos da Zona Franca de Manaus dos fornecedores HVR e Nidala. Essas duas questões de mérito são objeto do recurso voluntário e devem ser aqui decididas por essa turma de julgamento. Como bem decidiu a decisão recorrida, tratase de enfrentamento de tese jurídica há muito em discussão nos processos administrativos e judiciais, tanto que está pendente de julgamento no STF no RE 592891, sob o rito da repercussão geral prevista no art. 543B do Código de Processo Civil. Os créditos foram aproveitados pelo contribuinte, o qual não negou a sua origem e frisese, desde o início da fiscalização, informa que foram apropriados consubstanciados em entendimentos do Supremo Tribunal Federal. Não houve a acusação de prática específica de fraude com o fim de obter referidos créditos, condição necessária para que haja a aplicação e manutenção da multa qualificada a qual só é possível mediante a comprovação da prática dos crimes previstos nos art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Para tanto a fiscalização deve demonstrar a intenção do agente em praticar a sonegação, a fraude e o conluio. Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Fl. 2125DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10830.727274/201272 Acórdão n.º 3301003.006 S3C3T1 Fl. 2.126 9 Como se depreende da leitura dos dispositivos acima, necessários se faz demonstrar a ação ou omissão dolosa por parte do agente. Penso que isto não está configurado nos autos. De fato a fiscalização demonstrou algumas omissões por parte da recorrente, como por exemplo, a omissão de não informar na DIPJ do anocalendário de 2010, que tinha relação de interdependência com o seu fornecedor HVR. Entendo que essa omissão não tem influência na apuração dos créditos do IPI. Repito, a fiscalizada não deixou de escriturar os créditos, os quais estão baseados em notas fiscais legítimas. Utilizo então parte do voto da decisão recorrida, a qual torna mais didática o entendimento aqui exposado: (...) Pelo exposto no Termo de Verificação Fiscal, entendo que não houve a devida comprovação do evidente intuito de fraude, caracterizado pelas condutas de sonegação, fraude ou conluio, dispostas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1996. Não se vislumbra uma relação de causa e efeito entre os atos praticados pela contribuinte e a autuação. A demonstrada interdependência entre a autuada e a empresa HVR CONCENTRADOS DA AMAZÔNIA LTDA não tem qualquer conseqüência em relação à utilização indevida dos créditos. A glosa destes não decorre da relação de interdependência. A omissão da relação de interdependência poderia gerar, quando muito, uma penalidade por embaraço à fiscalização, nada mais do isso. Não se pode também ignorar que o aproveitamento indevido do crédito está amparado em tese jurídica, que embora equivocada, foi e é objeto de controvérsia por mais de duas décadas, e não é possível caracterizar uma conduta dolosa quando a contribuinte apenas procede de acordo com entendimento jurídico controverso, sem fraudar qualquer dos documentos envolvidos nas operações. Quanto às operações de aquisições da empresa NIDALA DA AMAZÔNIA LTDA, as alegações da fiscalização para aplicar a multa qualificada são ainda mais frágeis. O fato da NIDALA informar à impugnante de que a escrituração do crédito presumido estaria amparada em princípios constitucionais também não caracteriza a conduta dolosa, tratandose, como mencionado anteriormente, em tese jurídica. Para aplicar a multa agravada é necessária a prova da evidente intenção de sonegar ou fraudar, condição imposta pela lei. A prova deve ser material, pois o evidente intuito de fraude não pode ser presumido. Fazse necessário que estejam perfeitamente identificadas e comprovadas as circunstâncias materiais do fato, com vistas a configurar o evidente intuito de fraude. (...) De forma que não há reparos a fazer na decisão que afastou a qualificação da multa de ofício. Recurso de ofício Decadência A ciência do presente lançamento deuse em 30/11/2012. A decisão recorrida afastou, por decadência, os lançamentos relativos aos períodos de junho/2006 a novembro/2007. Aplicouse no caso o prazo decadencial previsto no § 4º do art. 150 do CTN, in verbis: Fl. 2126DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10830.727274/201272 Acórdão n.º 3301003.006 S3C3T1 Fl. 2.127 10 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. De acordo com este dispositivo do CTN, se houver antecipação do pagamento, e não ocorrendo as situações de dolo, fraude ou simulação, o prazo para a fazenda pública efetuar o lançamento decai em cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Constatouse a existência de pagamentos antecipados a título de IPI, sendo que a acusação da prática de dolo, fraude ou simulação foi afastada, há que se reconhecer que na data do lançamento estavam decaídos os créditos relativos a fatos geradores anteriores a novembro/2007, já que a ciência do auto de infração deuse em 30/11/2012. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Recurso voluntário Das glosas dos créditos de IPI nas aquisições de insumos isentos oriundos da empresa Nidala da Amazônia Ltda: Em preliminar o recorrente solicita o sobrestamento do presente processo com base no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, até que seja realizado o julgamento do RE 592891 pelo STF, que será efetuado na sistemática da Repercusão Geral. Cumpre esclarecer que, desde o início da vigência da Portaria MF nº 545, de 2013, os membros do CARF, não estão mais obrigados a sobrestar o julgamento de recursos, de ofício ou voluntário, cujos temas sejam objeto de repercussão geral ou recurso repetitivo pendente de decisão definitiva no Supremo Tribunal Federal ou no Superior Tribunal de Justiça, conforme o caso. Portanto não há como acatar a solicitação de sobrestamento. Destacase que a base legal da isenção relativa aos produtos adquiridos da NIDALA é o art. 69, inc. II, do RIPI/2002. Não há controvérsia quanto a esse fato nos autos. A manutenção do crédito do IPI é efetuada pelo contribuinte com base "em entendimentos do Supremo Tribunal Federal". Fl. 2127DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10830.727274/201272 Acórdão n.º 3301003.006 S3C3T1 Fl. 2.128 11 De fato, conforme citado pelo recorrente em sua impugnação e recurso voluntário, nossas cortes superiores, STJ e STF, fizeram movimentos de idas e vindas em relação ao entendimento quanto à manutenção de créditos de IPI na aquisição de produtos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Em regra, o STF entendeu pela impossibilidade desse creditamento, decisão proferida no RE nº 398.365 RS, o qual foi julgado em 27/08/2015, na sistemática da repercussão geral de que trata o art. 543B do Código de Processo Civil. Eis o que foi decidido: Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Tributário. Aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 3. Creditamento de IPI. Impossibilidade. 4. Os princípios da não cumulatividade e da seletividade, previstos no art. 153, § 3º, I e II, da Constituição Federal, não asseguram direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Precedentes. 5. Recurso não provido. Reafirmação de jurisprudência. Decisão: O Tribunal, por maioria, reputou constitucional a questão, vencido o Ministro Marco Aurélio. Não se manifestou a Ministra Rosa Weber. Impedido o Ministro Roberto Barroso. O Tribunal, por maioria, reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada, vencido o Ministro Marco Aurélio. Não se manifestou a Ministra Rosa Weber. Impedido o Ministro Roberto Barroso. No mérito, por maioria, reafirmou a jurisprudência dominante sobre a matéria, vencido o Ministro Marco Aurélio. Não se manifestou a Ministra Rosa Weber. Impedido o Ministro Roberto Barroso. Este o entendimento da Corte Suprema, que afasta definitivamente o argumento de que negar direito ao crédito de IPI na aquisição de produtos isentos, não tributados e com alíquota zero, seria uma agressão ao princípio da nãocumulatividade insculpidos no art. 153, § 3º, I e II da CF. A manutenção do crédito presumido do IPI nessas aquisições não pode estar amparado nesse preceito constitucional. Porém está também em julgamento no STF o RE Nº 592.891 SP, também com repercussão geral reconhecida, a questão específica da manutenção do crédito de IPI relativo à aquisição de insumos beneficiados por isenção subjetiva, ou seja, oriundos de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus. Vejase: "REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 592891 1. No presente recurso extraordinário, interposto com fundamento no art. 102, III, a, da Constituição Federal, a União aponta violação ao art. 153, § 3", II, pelo acórdão recorrido, o qual reconheceu o direito ao creditamento de IPI na entrada de insumos provenientes da Zona Franca de Manaus" Entende que a invocação previsão constitucional de incentivos regionais constante do art. 43, § Io, II, e § 2°, III, não justifica exceção ao regime da nãocumulatividade, que, no entendimento desta Corte, não daria direito ao creditamento de IPI que não tenha sido suportado na entrada. Fl. 2128DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10830.727274/201272 Acórdão n.º 3301003.006 S3C3T1 Fl. 2.129 12 2.A questão é relevante na medida em que o acórdão recorrido estabeleceu uma cláusula de exceção à orientação geral firmada por esta Corte quanto à nãocumulatividade do IPI, o que precisa ser objeto de análise para que não restem dúvidas quanto ao seu alcance. Relevante, ainda, porque a questão extrapola os interesses subjetivos da causa. 3.Assim, manifestome pela existência de repercussão geral da questão constitucional." Portanto, a conclusão a que se chega é que o creditamento de IPI realizado pelo recorrente nas aquisições da NIDASA, de produtos amparados pela isenção prevista no art. 69, II do RIPI/2002 não tem amparo do poder judiciário e o procedimento foi adotado por sua conta e risco, pois de acordo com a legislação do IPI, no meu entender, não tem amparo legal. Vejamos: Caso a isenção fosse a do art. 82, III, o contribuinte teria direito à manutenção do crédito presumido por força do art. 175 do mesmo regulamento. Portanto, resta analisar se o contribuinte poderia creditarse do IPI na aquisição de insumos isentos, cuja isenção referiase ao benefício fiscal previsto no artigo 69, inciso II, do RIPI/2002. Para uma melhor análise transcrevese abaixo os dispositivos citados. Art. 69. São isentos do imposto (Decretolei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, art. 9º, e Lei nº 8.387, de 30 de dezembro de 1991, art. 1º): (...) II os produtos industrializados na ZFM, por estabelecimentos com projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA, que não sejam industrializados pelas modalidades de acondicionamento ou reacondicionamento, destinados a comercialização em qualquer outro ponto do Território Nacional, excluídos as armas e munições, fumo, bebidas alcoólicas e automóveis de passageiros e produtos de perfumaria ou de toucador, preparados ou preparações cosméticas, salvo quanto a estes (posições 33.03 a 33.07 da TIPI) se produzidos com utilização de matériasprimas da fauna e flora regionais, em conformidade com processo produtivo básico; e (...) Art. 82. São isentos do imposto: (...) III os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, excetuados o fumo do Capítulo 24 e as bebidas alcoólicas, das posições 22.03 a 22.06 e dos códigos 2208.20.00 a 2208.70.00 e 2208.90.00 Fl. 2129DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10830.727274/201272 Acórdão n.º 3301003.006 S3C3T1 Fl. 2.130 13 (exceto o Ex 01) da TIPI (Decretolei nº 1.435, de 1975, art. 6º, e Decretolei nº 1.593, de 1977, art. 34). (...) Art. 175. Os estabelecimentos industriais poderão creditarse do valor do imposto calculado, como se devido fosse, sobre os produtos adquiridos com a isenção do inciso III do art. 82, desde que para emprego como MP, PI e ME, na industrialização de produtos sujeitos ao imposto (Decretolei nº 1.435, de 1975, art. 6º, § 1º). (Destaquei) Um dos fundamentos para manutenção do crédito foi o art. 153, § 3º, II da CF que estabeleceu o princípio da nãocumulatividade para o IPI: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: (...) IV produtos industrializados; (...) § 3º O imposto previsto no inciso IV: I será seletivo, em função da essencialidade do produto; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (grifei) (...). O Código Tributário Nacional, sobre o princípio da nãocumulatividade, estabelece a regra a ser observada por lei específica, no sentido de que o direito ao crédito do IPI resulte do imposto pago pelo adquirente quando da entrada dos produtos em seu estabelecimento, in verbis: Art. 49. O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. (grifei) Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte, transferese para o período ou períodos seguintes. Neste sentido, o art. 25 da Lei nº 4.502/64, e alterações posteriores, estabeleceu: Art. 25 A importância a recolher será o montante do imposto relativo aos produtos saídos do estabelecimento, em cada mês, diminuído do imposto relativo aos produtos nele entrados, no mesmo período, obedecidas as especificações e normas que o regulamento estabelecer.(grifei) Fl. 2130DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10830.727274/201272 Acórdão n.º 3301003.006 S3C3T1 Fl. 2.131 14 § 1° 0 direito de dedução só é aplicável aos casos em que os produtos entrados se destinem à comercialização, industrialização ou acondicionamento e desde que os mesmos produtos ou os que resultarem do processo industrial sejam tributados na saída do estabelecimento. O Regulamento do IPI, RIPI/2002 (Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002), vigente na época dos fatos, por sua vez, em seu art. 163 estabeleceu: Art. 163. A nãocumulatividade do imposto é efetivada pelo sistema de crédito, atribuído ao contribuinte, do imposto relativo a produtos entrados no seu estabelecimento, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capítulo (Lei nº 5.172, de 1966, art. 49).(grifei) § 1º O direito ao crédito é também atribuído para anular o débito do imposto referente a produtos saídos do estabelecimento e a este devolvidos ou retornados. § 2º Regemse, também, pelo sistema de crédito os valores escriturados a título de incentivo, bem assim os resultantes das situações indicadas no art. 178. Pelos dispositivos constitucional e legais acima dispostos verificase que a sistemática de nãocumulatividade adotada pelo Brasil operase mediante a apropriação e utilização de créditos, por meio da compensação entre o valor do IPI devido na venda dos produtos e o pago na aquisição dos insumos onerados pelo IPI, podendo gerar saldo devedor ou credor do imposto, técnica esta denominada “imposto sobre imposto”. Como a sistemática da nãocumulatividade não dá direito à apropriação de crédito de IPI em entradas de insumos não tributados por tal imposto, este creditamento só poderá ser admitido quando autorizado por lei específica, pois a Constituição Federal proíbe expressamente a concessão de crédito presumido ou ficto, sem lei que autorize, conforme dispõe o §6º do art. 150 da CF , situação que se harmoniza com a opção do constituinte pelo sistema de crédito para efetivação do princípio da nãocumulatividade. Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...); § 6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no Art. 155, § 2.º, XII, g. (grifei) Desta forma, para que haja o direito ao crédito de IPI na aquisição de insumos desonerados, a título de crédito presumido, fazse necessário lei específica nesse sentido. Fl. 2131DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10830.727274/201272 Acórdão n.º 3301003.006 S3C3T1 Fl. 2.132 15 Por esta razão que, o Regulamento de IPI de 2002, em seu art. 175, estabeleceu o benefício de creditamento ficto de IPI, como se devido fosse, nas aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, de fornecedores situados na Zona Franca de Manaus, apenas quando da ocorrência de isenção prevista no inciso III do art. 82 do RIPI/2002. Desta forma, até que haja a decisão definitiva do STF acerca desta questão específica no RE 592891/SP, a este colegiado incumbe a análise em conformidade com a legislação vigente, não lhe sendo permitido afastar a aplicação da norma ao caso concreto em face de alegações de inconstitucionalidade de lei ou decreto (Súmula CARF nº 2). Das Glosas dos créditos de IPI nas aquisições de insumos isentos oriundos da empresa HVR Concentrados da Amazônia Ltda Nesse caso os créditos são decorrentes das notas fiscais de vendas de concentrados (NCM 2106.9010 Ex01) remetidos pela HVR à recorrente. Sustentase que o fundamento da isenção seria o art. 82, inc. III, do RIPI/2002, situação que garantiria a manutenção do crédito com base no art. 175 do RIPI/2002. A fiscalização glosou esses créditos pelo fato de que referido produto não é produzido com a utilização de matériasprimas agrícola e extrativa vegetal. Afirma que os insumos utilizados na fabricação do concentrado, AÇÚCAR MASCAVO e CAFEÍNA são produtos industrializados e que não há outros componentes que se encaixam no conceito de matériasprimas agrícola e extrativa vegetal. Desta forma o contribuinte não faz jus à isenção de que trata o art. 6º do Decreto Lei nº 1.435/75, o qual seria a fonte legal dos art. 82, III, e 175 do RIPI/2002. De acordo com o recorrente os produtos adquiridos da HVR são insumos classificados na posição 2106.9010 Ex 01 da NCM "preparação composta, não alcoólica (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da posição 22.02". Afirma que a empresa HVR, sediada na Zona Franca de Manaus, possui projeto aprovado pela Suframa para gozo do benefício previsto no art. 6º do Decreto nº 1.435/75 que consiste na isenção de produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional exclusive as de origem pecuária, com direito à manutenção do crédito de IPI para o adquirente desses produtos. Defende que a Receita Federal não é competente para definir se os insumos utilizados atendem o conceito de "matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional" bem como o cumprimento de seu processo produtivo em face do projeto aprovado pela SUFRAMA. Que tal competência é exclusiva da SUFRAMA. Afirma que ao recorrente, adquirente dos produtos da HVR, não cabe "o papel de fiscalizar o processo produtivo do seu fornecedor". Basta para fruição do benefício que o fornecedor declare que cumpre os requisitos previstos em lei, informação essa que consta em cada uma das notas fiscais de aquisição. Que a DRJ poderia ter realizado diligências para conferir com a SUFRAMA o cumprimento do processo produtivo aprovado. Então passemos á análise do que dispõe a legislação do IPI. De fato, o art. 6º, §§ 1º e 2º, do Decreto Lei n° 1.435, de 1975, determina que os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, por estabelecimentos localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pela SUFRAMA, são isentos de IPI para o respectivo fabricante e geram crédito de IPI para o adquirente: Fl. 2132DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10830.727274/201272 Acórdão n.º 3301003.006 S3C3T1 Fl. 2.133 16 Art 6º Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na área definida pelo § 4º do art. 1º do Decretolei n° 291, de 28 de fevereiro de 1967. § 1º. Os produtos a que se refere o "caput" deste artigo gerarão crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados, calculado como se devido fosse, sempre que empregados como matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto. § 2º. Os incentivos fiscais previstos neste artigo aplicamse, exclusivamente, aos produtos elaborados por estabelecimentos industriais cujos projetos tenham sido aprovados pela SUFRAMA" (Destaquei). Verificase, portanto, que o benefício isencional, em análise, é devido a estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental (§ 4° do art. 1° do Decretolei n° 291, de 28 de fevereiro de 1967). No caso, tratase de um benefício regional visando o desenvolvimento urbano da região norte do Território Nacional, concessão fiscal esta em consonância com o parágrafo único do artigo 176 do Código Tributário Nacional, assim redigido: Art. 176. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em condições a ela peculiares. Notase que o caput do artigo 6° do Decretolei n° 1.435/75, não deixa qualquer dúvida que estamos frente a uma isenção objetiva, uma isenção em virtude da coisa, em razão do produto, quando estatui, expressamente, que estão isentos os produtos elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária. Assim, vamos ao que preceitua o Regulamento do IPI RIPI/2002, em seu art. 82, inciso III. “Art. 82. São isentos do imposto: (...) III os produtos elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, excetuados o fumo do Capítulo 24 e as bebidas alcoólicas, das posições 22.03 a 22.06 e dos códigos 2208.20.00 a 2208.70.00 e 2208.90.00 (exceto o Ex 01) da TIPI (Decreto lei nº 1.435, de 1975, art. 6º, e Decreto lei nº 1.593, de 1977, art. 34).” Verificase que a norma concede isenção para estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, desde que os produtos sejam elaborados com matérias Fl. 2133DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10830.727274/201272 Acórdão n.º 3301003.006 S3C3T1 Fl. 2.134 17 primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional. Ou seja, exigese que na composição dos produtos sejam aplicadas matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais produzidas na região. Ainda durante a fiscalização a HVR apresentou cópias da Portaria SUFRAMA nº 175/2006 e da Resolução SUFRAMA nº 086/2010 as quais foram anexadas também ao recurso voluntário às efls. 2083/2086. Portaria SUFRAMA Nº 175/2006: (...) Art. 1º APROVAR o projeto industrial de IMPLANTAÇÃO da empresa HVR CONCENTRADOS DA AMAZÔNIA LTDA, na Zona Franca de Manaus, na forma do Parecer Técnico de Projeto Nº 46/2006SPR/CGPRI/COAPI, para produção de CONCENTRADO, BASE E EDULCORANTE PARA BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS, para o gozo dos incentivos previstos nos artigos 7º e 9º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, artigo 6º do DecretoLei nº 1.435, de 16 de dezembro de 1975 e legislação posterior. (...) Art. 4º DETERMINAR, sob pena de suspensão ou cancelamento dos incentivos concedidos, sem prejuízo da aplicação de outras cominações legais cabíveis: I o cumprimento, quando da fabricação do produto constante do Art. 1º desta Portaria, do Processo Produtivo Básico estabelecido pela Portaria Interministerial nº 8 MPO/MICT/MCT, de 25 de fevereiro de 1998, bem como a utilização de matériasprimas de origem regional nos termos do Projeto apresentado; (...) Resolução SUFRAMA nº 086/2010: Art. 1º Aprovar o projeto industrial de ATUALIZAÇÃO da empresa HVR CONCENTRADOS DA AMAZÔNIA LTDA, na Zona Franca de Manaus, na forma do Parecer Técnico de Projeto Nº 47/2010SPR/CGPRI/COAPI, para produção de CONCENTRADO, BASE E EDULCORANTE PARA BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS, para o gozo dos incentivos previstos nos artigos 7º e 9º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, e legislação posterior. Art. 2º Conceder o gozo dos incentivos fiscais previstos no artigo 6º do DecretoLei nº 1.435, de 16 de dezembro de 1975, para o produto constante do art. 1º desta Resolução, desde que seja elaborado na região da Amazônia Ocidental, com matérias primas processadas a partir de matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional (Amazônia Ocidental), Fl. 2134DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10830.727274/201272 Acórdão n.º 3301003.006 S3C3T1 Fl. 2.135 18 sempre que empregado como matériaprima na industrialização de produtos, em qualquer parte do País. (...) Com isso o contribuinte comprovou um dos prérequisitos previstos para usufruir da isenção, qual seja, possuía projeto aprovado pelo Conselho de Administração da SUFRAMA. Porém é importante ressaltar que além do DecretoLei nº 1.435/75 e do art. 82 do RIPI/2002, as portarias da SUFRAMA, também deferiram o benefício sob a condição da utilização de matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional. Neste ponto é importante ressaltar que não é só a SUFRAMA que detém competência para constatar a correção do seu processo produtivo para o fim de usufruir do benefício fiscal em questão. Consta das normas, que o Decreto Lei n° 1.435, de 1975, regulamentado pelo Decreto n° 7.139/2010 (art. 4º, I, c), outorgou à SUFRAMA a competência exclusiva para aprovar os projetos de empresas (PPB), que objetivem usufruir dos benefícios fiscais previstos no art. 6° do DL n° 1.435/1975, bem como para estabelecer normas, exigências, limitações e condições para aprovação dos referidos projetos, consoante o art. 176 do CTN. Quanto a isso não resta dúvida. Por outro lado, se compete à SUFRAMA administrar os incentivos relativos à Zona Franca de Manaus e à Amazônia Ocidental, cabe à Receita Federal do Brasil, órgão da Administração Tributária, a fiscalização do Imposto Sobre Produtos Industrializados, conforme o estabelecido no art. 91 da Lei nº 4.502/64 e arts. 427 e 428 do RIPI/2002. Desse modo, ao contrário do alegado, não há impedimento algum para que a fiscalização e os órgãos administrativos de julgamento, no âmbito do processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários, interpretem, diante dos elementos de prova apresentados se há ou não cumprimento dos requisitos necessários à usufruição de benefícios fiscais. Além disso, a SUFRAMA não reconheceu a priori o direito subjetivo à isenção, pois esse direito depende de uma conduta futura da requerente, consistente no cumprimento de requisitos legais, os quais não poderiam ser aferidos pelo Conselho de Administração da Suframa por ocasião da emissão da portaria ou da resolução autorizativa do projeto. Ainda sobre a competência da fiscalização do IPI, vejase o que reproduz os arts. 505 e 506, do RIPI atual Decreto nº 7.212. de 2010: Art. 505. A fiscalização do imposto compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil (Lei nº 5.172, de 1966, arts. 142, 194 e 196, Lei nº 4.502, de 1964, art. 91,e Lei no11.457, de 2007, art. 2º). Parágrafo único. A execução das atividades de fiscalização compete às unidades centrais, da referida Secretaria, e, nos limites de suas jurisdições, às suas unidades regionais e às demais unidades, de conformidade com as instruções expedidas pela mesma Secretaria. Art. 506. A fiscalização será exercida sobre todas as pessoas, naturais ou jurídicas, contribuintes ou não, que estiverem Fl. 2135DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10830.727274/201272 Acórdão n.º 3301003.006 S3C3T1 Fl. 2.136 19 obrigadas ao cumprimento de disposições da legislação do imposto, bem como as que gozarem de imunidade condicionada ou de isenção (Lei nº 5.172, de 1966, arts. 142 e 194, parágrafo único, e Lei nº 4.502, de 1964, art. 94). (Destaquei) Antes de entrar no mérito da discussão se os produtos adquiridos com isenção foram produzidos nas condições previstas na legislação, é importante ressaltar que se trata de uma norma isentiva, e nesse sentido o art. 111 do CTN determina que sua interpretação deve ser efetuada de forma literal: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Como já foi citado a isenção prevista no art. 82, inc. III, do RIPI/2002 é condicionada ao atendimento dos seguintes critérios: (i) que o estabelecimento tenha projeto aprovado pelo Conselho de Administração da Suframa; (ii) que o produto seja elaborado com matéria prima agrícola e extrativa vegetal de produção regional e (iii) que o estabelecimento seja localizado na Amazônia Ocidental. A controvérsia estabelecida é se os insumos AÇÚCAR e CAFEÍNA podem ser considerados matériaprima agrícola e extrativa vegetal de produção regional. A meu ver não há a menor dúvida de que eles não são matériaprima agrícola e nem extrativa vegetal, pois são na verdade produtos industrializados e não atendem aos requisitos da norma isentiva. A exigência legal é clara no sentido de que os produtos beneficiados pela isenção devam ser produzidos com matériasprimas vegetais provenientes de cultivo ou de extrativismo na região da Amazônia Ocidental. A lei não se referiu a produtos já industrializados, mesmo que sejam produzidos com matériasprimas extraídas ou cultivadas na região, como parece ser o entendimento da recorrente. Reforça essa interpretação a redação do § 1º do art. 6º do DecretoLei nº 1435/75 na parte em que estabelece que os produtos mencionados no caput gerarão crédito ficto do IPI quando forem empregados como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem na industrialização de produtos tributados. Vale a pena repetir o dispositivo: Art 6º Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na área definida pelo § 4º do art. 1º do Decretolei n° 291, de 28 de fevereiro de 1967. § 1º. Os produtos a que se refere o "caput" deste artigo gerarão crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados, calculado como se devido fosse, sempre que empregados como matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, Fl. 2136DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10830.727274/201272 Acórdão n.º 3301003.006 S3C3T1 Fl. 2.137 20 de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto. § 2º. Os incentivos fiscais previstos neste artigo aplicamse, exclusivamente, aos produtos elaborados por estabelecimentos industriais cujos projetos tenham sido aprovados pela SUFRAMA" (Destaquei). Destacase que, no âmbito do IPI, quando o legislador quer abranger os insumos em geral ele menciona as três espécies (matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem). Sendo assim, se o caput do art. 6º só mencionou "matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional", não há espaço para a interpretação mais alargada pretendida pela recorrente, para o fim de incluir produtos industrializados ou fabricados na região, ainda que esses produtos tenham sido produzidos com matériasprimas de origem vegetal. Quanto à alegada boafé do contribuinte na aquisição dos produtos da HVR e de que não teria responsabilidade de fiscalizar o processo produtivo, penso que tal fato não pode ser oponível ao fisco ou à Fazenda Nacional com o intuito de se aproveitar de crédito não previsto ou não permitido pela legislação do IPI. Além disso a alegação de boafé deve ser afastada no presente caso tendo em vista que a fiscalização demonstrou de forma inequívoca que as duas empresas são consideradas firmas interdependentes nos termos do art. 520 do RIPI/2002. Art. 520. Considerarseão interdependentes duas firmas: I quando uma delas tiver participação na outra de quinze por cento ou mais do capital social, por si, seus sócios ou acionistas, bem assim por intermédio de parentes destes até o segundo grau e respectivos cônjuges, se a participação societária for de pessoa física (Lei nº 4.502, de 1964, art. 42, inciso I, e Lei nº 7.798, de 1989, art. 9º); Estorno de Saldo Credor A decisão da DRJ determinou o estorno de saldo credor no valor de R$ 194.573,90, apurado em 31/12/2009. A recorrente defende que só teria que efetuar o referido estorno após a decisão definitiva do presente processo e isso, se restar vencida ao final. Não entendo que essa matéria pode ser objeto de recurso voluntário. Ela na verdade decorre dos méritos em discussão no presente julgamento. Caso haja o trânsito em julgado, desfavorável ao contribuinte, ele deverá dar cumprimento ao decidido. Até porque, mesmo se o contribuinte não apresentasse recurso voluntário, o valor do estorno ainda não seria líquido e certo em face do recurso de ofício apresentado na decisão recorrida. Portanto o entendimento aqui exposado não se trata de nenhum provimento parcial ou deliberação sobre a existência ou não do saldo credor em discussão. O cumprimento daquela decisão depende de que ela seja definitiva, fato ainda não consumado até o presente momento. Taxa Selic sobre a multa de ofício O recorrente cita jurisprudência administrativa e solicita que não seja aplicada a taxa Selic sobre a multa de ofício em face de falta de previsão legal. Fl. 2137DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10830.727274/201272 Acórdão n.º 3301003.006 S3C3T1 Fl. 2.138 21 De acordo com o art. 161 do CTN, o crédito tributário não pago no vencimento deve ser acrescido de juros de mora, qualquer que seja o motivo da sua falta. Dispõe ainda em seu parágrafo primeiro que, se a lei não dispuser de modo diverso, os juros serão cobrados à taxa de 1% ao mês. De forma que o art 61 da Lei nº 9.430/96 determinou que, a partir de janeiro/97, os débitos vencidos com a União serão acrescidos de juros de mora calculados pela taxa Selic quando não pagos nos prazos previstos na legislação tributária, até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Entendo que os débitos a que se refere o art. 61 da Lei nº 9.430/96 correspondem ao crédito tributário de que dispõe o art. 161 do CTN. O art. 139 do CTN dispõe que o crédito tributário decorre da obrigação tributária e tem a mesma natureza desta. Já o art. 113, parágrafo primeiro, do mesmo diploma legal, define que a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Assim, se o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta, necessariamente deve abranger o tributo e a penalidade pecuniária. A multa de ofício aplicada ao presente lançamento está prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96 que prevê expressamente a sua exigência juntamente com o tributo devido. Ao constituir o crédito tributário pelo lançamento de ofício, ao tributo somase a multa de ofício, tendo ambos a natureza de obrigação tributária principal, devendo incidir os juros à taxa Selic sobre a sua totalidade. Tanto é assim, que a própria Lei 9.430/96, em seu art. 43, prevê a incidência de juros Selic quando a multa de ofício é lançada de maneira isolada. Não faria sentido a incidência dos juros somente sobre a multa de ofício exigida isoladamente, pois ambas tem a mesma natureza tributária. Neste mesmo sentido, transcrevo abaixo algumas recentes decisões da CSRF: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (CSRF, 3ª Turma, Processo nº 10835.001034/0016, Sessão de 15/08/2013, Acórdão nº 9303002400. Relator Joel Miyazaki). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada Fl. 2138DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10830.727274/201272 Acórdão n.º 3301003.006 S3C3T1 Fl. 2.139 22 mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (CSRF, 1ª Turma, Processo nº 13839.001516/200664, Sessão de 15/05/2013, Acórdão nº9101001657. Relator designado Valmir Sandri). Assim, diante do exposto, voto por negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 2139DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 10886.001373/2009-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. MOLÉSTIA GRAVE. APOSENTADORIA. COMPROVAÇÃO.
Restando comprovado que os rendimentos decorrem de proventos de aposentadoria, bem como ser o contribuinte portador de moléstia grave, são isentos os rendimentos de aposentadoria recebidos. Inteligência dos incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei 7.713/1988.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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MOLÉSTIA GRAVE. APOSENTADORIA. COMPROVAÇÃO. Restando comprovado que os rendimentos decorrem de proventos de aposentadoria, bem como ser o contribuinte portador de moléstia grave, são isentos os rendimentos de aposentadoria recebidos. Inteligência dos incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei 7.713/1988. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 6. 00 13 73 /2 00 9- 80 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2009, anocalendário 2008, devido à apuração de omissão de rendimentos recebidos da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (fls. 05, numeração digital). Na impugnação, o contribuinte alegou que os rendimentos são isentos em virtude de ser portador de cardiopatia grave, conforme laudo de fls. 09/10 e comprovante de aposentadoria de fls. 11/13. A impugnação foi indeferida sob fundamento de que não foi cumprido o requisito legal correspondente à comprovação de que os rendimentos são proventos de aposentadoria, pois apesar de comprovado que o contribuinte aposentouse em 1995 (fls. 11/13), os contracheques relativos ao ano de 2009 e comprovante de rendimentos no ano calendário 2007 demonstram que, além dos proventos de aposentadoria, o contribuinte recebia rendimentos de outra natureza, tais como diversas modalidades de gratificações e sessão extraordinária, além de a fonte pagadora ter informado os demais rendimentos como tributáveis (fls. 15 e 28) e a análise dos proventos de aposentadoria recebidos em 2009 demonstra que os proventos encontramse na faixa de isenção para contribuintes com mais de 65 anos (fls. 15). A ciência do acórdão ocorreu em 22/10/2012 e o recurso voluntário foi interposto no dia 12/11/2012, assentado nas seguintes razões: 1. os rendimentos são proventos de aposentadoria, entre os quais estão incluídos direitos legais adquiridos que estão discriminados no documento emitido pela fonte pagadora; 2. os rendimentos foram informados pela fonte pagadora como tributáveis porque não tinha conhecimento da documentação que comprovaria a doença grave do contribuinte, porém, no momento em que tal fato aconteceu, imediatamente, cessaram os descontos na fonte; e 3. os contracheques estão corretos, a Resolução nº 189/1984 dispõe sobre o direito do aposentado de receber proventos alusivos à participação em sessões extraordinárias nos quatro anos imediatamente anteriores à aposentadoria. Ao fim, requer seja acolhido o presente recurso para cancelar o débito fiscal reclamado. Posteriormente, os autos foram encaminhados, em diligência fiscal, para a fonte pagadora informar se todos rendimentos pagos ao Recorrente são proventos ou não. Em resposta, a fonte pagadora informou que, nos anos de 2007 e 2008, os rendimentos brutos decorrem de proventos de aposentadoria (fls. 65/69). É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10886.001373/200980 Acórdão n.º 2402005.103 S2C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. DA MOLÉSTIA GRAVE A isenção do imposto de renda para os portadores de moléstia grave tem de como base legal os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei 7.713/1988, com a redação dada pelas Leis 8.541/1992, e 11.052/2004, nos seguintes termos: Art. 6o Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Pagel (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. Nesse passo, o art. 30 da Lei 9.250/1995 passou a veicular a exigência de que a moléstia fosse comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos termos a seguir: Art. 30. A partir de Io de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n°8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). Extraíse desses textos legais dois requisitos cumulativos para que o beneficiário faça jus à isenção do imposto de renda, a saber: 1. os valores recebidos devem ser proventos de aposentadoria, reforma ou pensão ou complementação de aposentadoria; e 2. a moléstia deve estar prevista no texto legal e comprovada por meio de laudo médico pericial emitido pelo serviço médico oficial da União, Estados, Distrito Federal ou dos Municípios (caput art. 30 da Lei 9.250/1995). A contribuinte carreou ao recurso ora examinado documentos que apontam ser portador de cardiopatia grave, conforme laudo oficial de fls. 09/10. No mesmo caminhar, a fonte pagadora informa que, nos anos de 2007 e 2008, os rendimentos brutos decorrem de proventos de aposentadoria (fls. 65/69). Assim, é forçoso afirmar que o Recorrente preenche os requisitos para o gozo da isenção do imposto de renda prevista nos incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei 7.713/1988, devendo ser excluídos os valores apurados pelo Fisco. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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