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Numero do processo: 13888.724740/2016-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012
CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. PEJOTIZAÇÃO. DIRETORES NÃO EMPREGADOS.
É procedente o lançamento de ofício das contribuições que incidem sobre o pagamento de remuneração a segurados contribuintes individuais quando comprovado nos autos que a empresa autuada utilizou-se do artifício simulatório consistente em ocultar o pagamento de remuneração a pessoas físicas (diretores não empregados), conferindo a essa remuneração a roupagem enganosa de um pagamento realizado em contrapartida de um serviço prestado por pessoas jurídicas.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SONEGAÇÃO.
Constatada a prática da conduta típica da sonegação, a penalidade qualificada deve ser mantida porquanto aplicada pela autoridade autuante nos exatos termos das disposições legais que regem a matéria.
DECADÊNCIA.
Muito embora tenha sido comprovada a simulação que deu azo ao lançamento de ofício, dado que a ciência do sujeito passivo direto da relação obrigacional tributária ocorreu em 2 de janeiro de 2017, o lançamento referente aos período de janeiro a novembro de 2011 encontra-se fulminado pela decadência, uma vez que não foi aperfeiçoado antes do fim do prazo decadencial que, iniciado em 1º de janeiro de 2012, já havia expirado em 1º de janeiro de 2017.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. DIRETOR-PRESIDENTE. NÃO COMPROVAÇÃO
Da narrativa fática constante da acusação fiscal, não restou demonstrada alegada conduta de burla à legislação com ato volitivo dos sócios administradores no sentido de reduzir o pagamento de tributos da empresa ou atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos.
CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. PEJOTIZAÇÃO. SEGURADOS EMPREGADOS. RELAÇÃO DE EMPREGO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Constatado que em nenhuma das relações de trabalho concernentes às pessoas jurídicas, cujos sócios foram qualificados como segurados empregados pela fiscalização, houve a comprovação da existência concomitante dos elementos fático-jurídicos caracterizadores da relação de emprego, a parcela do lançamento, cuja base de cálculo foi a remuneração de segurados qualificados como empregados não pode prosperar.
Numero da decisão: 2201-004.538
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício em razão do limite de alçada. Quanto ao recurso voluntário do contribuinte, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso e Douglas Kakazu Kushiyama, que deram provimento parcial para afastar a qualificação de multa de ofício, bem assim para reconhecer a decadência da exigência relativa ao mês dezembro de 2011. Em relação ao recurso voluntário do devedor solidário, por maioria de votos, em dar-lhe provimento para afastar a responsabilização solidária, vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Carlos Alberto do Amaral Azeredo, que negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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E OUTRO FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. PEJOTIZAÇÃO. DIRETORES NÃO EMPREGADOS. É procedente o lançamento de ofício das contribuições que incidem sobre o pagamento de remuneração a segurados contribuintes individuais quando comprovado nos autos que a empresa autuada utilizouse do artifício simulatório consistente em ocultar o pagamento de remuneração a pessoas físicas (diretores não empregados), conferindo a essa remuneração a roupagem enganosa de um pagamento realizado em contrapartida de um serviço prestado por pessoas jurídicas. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. Constatada a prática da conduta típica da sonegação, a penalidade qualificada deve ser mantida porquanto aplicada pela autoridade autuante nos exatos termos das disposições legais que regem a matéria. DECADÊNCIA. Muito embora tenha sido comprovada a simulação que deu azo ao lançamento de ofício, dado que a ciência do sujeito passivo direto da relação obrigacional tributária ocorreu em 2 de janeiro de 2017, o lançamento referente aos período de janeiro a novembro de 2011 encontrase fulminado pela decadência, uma vez que não foi aperfeiçoado antes do fim do prazo decadencial que, iniciado em 1º de janeiro de 2012, já havia expirado em 1º de janeiro de 2017. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. DIRETOR PRESIDENTE. NÃO COMPROVAÇÃO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 47 40 /2 01 6- 14 Fl. 2926DF CARF MF Processo nº 13888.724740/201614 Acórdão n.º 2201004.538 S2C2T1 Fl. 2.927 2 Da narrativa fática constante da acusação fiscal, não restou demonstrada alegada conduta de burla à legislação com ato volitivo dos sócios administradores no sentido de reduzir o pagamento de tributos da empresa ou atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. PEJOTIZAÇÃO. SEGURADOS EMPREGADOS. RELAÇÃO DE EMPREGO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Constatado que em nenhuma das relações de trabalho concernentes às pessoas jurídicas, cujos sócios foram qualificados como segurados empregados pela fiscalização, houve a comprovação da existência concomitante dos elementos fáticojurídicos caracterizadores da relação de emprego, a parcela do lançamento, cuja base de cálculo foi a remuneração de segurados qualificados como empregados não pode prosperar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício em razão do limite de alçada. Quanto ao recurso voluntário do contribuinte, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso e Douglas Kakazu Kushiyama, que deram provimento parcial para afastar a qualificação de multa de ofício, bem assim para reconhecer a decadência da exigência relativa ao mês dezembro de 2011. Em relação ao recurso voluntário do devedor solidário, por maioria de votos, em darlhe provimento para afastar a responsabilização solidária, vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Carlos Alberto do Amaral Azeredo, que negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Fl. 2927DF CARF MF Processo nº 13888.724740/201614 Acórdão n.º 2201004.538 S2C2T1 Fl. 2.928 3 Relatório 1 Adoto como relatório o da decisão da DRJ/FNS de fls. 3.106/3.132, por bem relatar os fatos ora questionados. Versa o presente processo sobre Auto de Infração (fls. 2.018 a 2.027) lavrados contra a contribuinte em epígrafe, com vistas à constituição de crédito tributário no valor de R$ 1.152.096,25, valor esse já acrescido de multa de ofício qualificada e proporcional a 150% do valor da contribuição não declarada em GFIP e não recolhida, além de juros moratórios, relativamente aos períodos de apuração de janeiro de 2011 a dezembro de 2012. Segundo descreve a autoridade autuante no Relatório Fiscal (fls. 2.055 a 2.124), os lançamentos das contribuições cumuladas com os mencionados consectários legais referemse, mais precisamente, a contribuições destinadas à Seguridade Social não declaradas em GFIP relativas à parte dos segurados empregados e contribuintes individuais, contribuições essas incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais que prestaram serviços à empresa. Mais precisamente, ainda, relata a autoridade autuante que, em face de diligências efetuadas e da análise da documentação coligida durante o procedimento fiscal, foi constatado que a contribuinte fiscalizada efetuava o procedimento vulgarmente conhecido como PEJOTIZAÇÃO, isto é, a utilização de pessoas físicas (diretores e empregados) como se pessoas jurídicas fossem, de molde a ocultar do Fisco a ocorrência dos fatos geradores do crédito tributário, ora formalizado pelos presentes lançamentos. Dentre os elementos coligidos na ação fiscal que arrimam a supracitada constatação destacamse, em síntese, os seguintes: a) No período de 2011 a 2012, a diretoria da empresa fiscalizada foi composta por representantes de pessoas jurídicas que, à exceção da empresa Trevo Administração de Negócios Comerciais Ltda, compunham o seu quadro societário, conforme evidenciado no seguinte demonstrativo: CNPJ Sócio quotista Nomes do Sócio quotista Participação % Total de quotas Valor unitário Valor em Reais Função 51.058.345/000137 NG Participações Ltda (João Marcos Gobbiu. CPF 539.853.03800) 96 96.000.000 1 96.000,000.00 Presidente 04.446.478000109 RF Consultoria Lida (Rogério Fauini Júnior. CPF 015.302.13819) 1 1.000.000 1 1.000,000.00 Diretor comercial 04..446.574/000109 A Marques Consultoria Ltda 1 1.000.000 1 1.000,000.00 Diretor Fl. 2928DF CARF MF Processo nº 13888.724740/201614 Acórdão n.º 2201004.538 S2C2T1 Fl. 2.929 4 (Ariovaldo Marques, CPF 720.107.628 00) Industrial 04.446.458/000120 MCA Assessoria Rnpresanal Ltda (José Mendes Pereira. CPF 375.452.48872 1 1.000.000 1 1.000,000.00 Gerente Finanças 04.446.538/000185 EGConsultora Ltda puardo Gobbm. CPF 078.839.89898) 1 1.000.000 1 1.000,000.00 Gerente Industrial b) A maior parte dos representantes das indigitadas empresas e, bem assim, da empresa Trevo Administração de Negócios Comerciais Ltda, que foram remuneradas por serviços de administração prestados à fiscalizada, nos anos de 2011 e 2012, são parentes (família Gobbin), conforme evidenciado no seguinte quadro demonstrativo: NG Participações Ltda, João Marcos Gobbin (presidente) e Flávia Gobbin (diretora) R. Faniní Consultoria Ltda. (responsável: Rogério Fanini Júnior) A. Marques Consultoria Ltda. (responsável: Ariovaldo Marques) MCA Assessoria Gestào Empresarial (responsável: José Mendes) EG Consultoria Ltda. (responsável: Eduardo Gobbin) Trevo Administração de Negócios Comerciais Ltda. a partir de 09/2012 (responsável: Giovanni Gimenes Gobbm) SG Consultoria Ltda. (Empresa sócia da NG Participações representante: Sandro Gobbin) c) As receitas das empresas A. Marques Consultoria Ltda, EG Consultoria Ltda, MCA Assessoria Gestão Empresarial Ltda, RF Consultoria Ltda e Trevo Administração de Negócios Comerciais Ltda são totalmente oriundas da empresa fiscalizada NG Metalúrgica Ltda; d) As empresas A. Marques Consultoria Ltda, EG Consultoria Ltda, MCA Assessoria Gestão Empresarial Ltda, RF Consultoria Ltda, Trevo Administração de Negócios Comerciais Ltda e SG Consultoria Ltda nunca se estabeleceram no domicílio informado nas cidades de Santa Maria da Serra (SP) e Pereiras (SP); e) Houve planejamento tributário abusivo, onde a fiscalizada paga apenas retenções da Lei n.º 10.833, de 2003 (COFINS = 3%, CSLL=1% e PIS=0,65%) incidentes sobre os valores pagos e o imposto de renda retido na fonte de 1,5% do valor da nota; f) Os representantes das empresas sócias da empresa fiscalizada recebem os valores pagos às empresas dos sócios na forma de lucro distribuído e isento de tributação na pessoa física, sendo que apenas 32% da receita dessas empresas é considerada lucro (presumido) e tributada nas pessoas jurídicas; g) Além das empresas que figuram no quadro de diretores, a empresa fiscalizada contratou pessoas jurídicas para prestarem serviços técnicos que guardam as mesmas características dos serviços prestados por empregados da empresa fiscalizada NG Metalúrgica; Fl. 2929DF CARF MF Processo nº 13888.724740/201614 Acórdão n.º 2201004.538 S2C2T1 Fl. 2.930 5 h) Nenhuma dessas empresas prestadoras de serviços que têm domicílio na cidade de Pereiras (SP) foram encontradas no endereço cadastrado; i) No endereço de Pereiras à Rua Tenente Carlos Jacob Bonini, n.º 358, onde, por exemplo, deveriam estar estabelecidas as empresas MD Elaboração Contratos ME, MTT Elaboração Contratos Ltda. ME, H2C Consultoria Assessoria Ltda. ME e Orlandin Assessoria e Consultoria Ltda. ME, foi encontrado o escritório de contabilidade Uirapuru, e obtida a informação de que o endereço foi cedido para a abertura dessas empresas a pedido dos donos do escritório de contabilidade; j) Em mais outro exemplo, no endereço de cadastro em Pereiras (SP) das empresas J. Cella Apoio Adm. Ltda. ME e da Trevo Administração de Negócios Comerciais Ltda. – ME, tais empresas não foram encontradas, sendo que, no endereço cadastrado como sendo da Trevo, o proprietário de uma oficina de costura afirmou ter sido procurado pelo contador do escritório Uirapuru, Sr Jurandir Landucci, para alugar uma sala para a empresa Trevo, mas que, apesar da anuência do proprietário, os pretensos interessados sequer retornaram para concretizar esse intento; k) A maioria das 35 (trinta e cinco) empresas prestadoras de serviços fiscalizadas prestavam serviços nas dependências da empresa NG Metalúrgica, nos clientes da contratante, em atividades externas ou mesmo na residência do sócio da empresa contratada, sendo que algumas informaram que a pejotização foi proposta pela empresa contratante (NG Metalúrgica); l) A maioria das 35 (trinta e cinco) empresas prestadoras de serviços fiscalizadas tinham suas receitas oriundas exclusivamente da empresa NG Metalúrgica, sendo que várias pessoas físicas que constituíram essas empresas foram empregados da empresa NG Metalúrgica e/ou passaram a ser empregados dela a partir de 2015, ocasião em que a empresa NG Metalúrgica Ltda foi transformada em sociedade anônima e a diretoria, anteriormente composta por pessoas jurídicas, passou a ser constituída por pessoas físicas.; m) Os contratos de várias empresas prestadoras de serviços fiscalizadas previam o reembolso despesas de refeições, hospedagem, pedágios, quilometragem, estacionamento, etc. Em face desses fatos, relata a autoridade autuante que a empresa fiscalizada pratica a pejotização desde 2001, ocasião em que admitiu como sócios, empresas criadas por antigos empregados e que em 2008 passaram a compor a administração da mesma. Segundo a fiscalização, o administrador da empresa fiscalizada ao implementar a política de contratação de profissionais através de prestadoras de serviços, pessoas jurídicas criadas muitas vezes por sugestão da fiscalizada, realizando as atividades fins da empresa, inclusive de gestão, deixou de pagar Fl. 2930DF CARF MF Processo nº 13888.724740/201614 Acórdão n.º 2201004.538 S2C2T1 Fl. 2.931 6 a contribuição previdenciária dos segurados, incidindo em sonegação previdenciária. Ainda segundo a autoridade autuante, no ano de 2015, já sob fiscalização, a empresa reviu essa conduta e contratou como empregados parte desses profissionais, já que alguns deles já tinham cessado a prestação de serviços, além do que a diretoria voltou a ter diretores pessoas físicas, informados em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social. Dado este quadro, raciocina a fiscalização que o fato de os dirigentes terem voltado a ser remunerados como pessoas físicas, devidamente informados em GFIP, autoriza concluir que a fiscalizada reconheceu que as pessoas jurídicas, até então elencadas como dirigentes atuando com representantes, não correspondem à realidade das relações de trabalho existentes na empresa, onde a pessoalidade, a exclusividade, e mesmo o longo tempo de trabalho junto a empresa, caracterizam a relação de trabalho pessoal, no caso como diretor não empregado, ou seja, um contribuinte individual. O mesmo pode ser concluído, segundo o Fisco, com relação aos profissionais que passaram a ser informados como segurados empregados da fiscalizada. Destaca a autoridade autuante que os diretores que não fazem parte da família Gobbin, foram anteriormente empregados da empresa autuada, ou de empresas do grupo, e passaram a prestar serviços como pessoa jurídica no mesmo momento, o que leva a crer que por determinação da fiscalizada, para economia tributária, a "pejotização" foi adotada. A título de exemplo, a autoridade lançadora relata que nas notas fiscais n.ºs 263, 272, 276, 278, 280, 282, 285 e 293, emitidas pela empresa A. Marques Consultoria Ltda, a discriminação do serviço prestado informa “Consultoria em gestão empresarial – Bônus”, ao passo que na nota fiscal n.º 283, a discriminação do serviço prestado informa “Consultoria em Gestão Empresarial Abono de Dezembro/2011”, havendo ocorrido o mesmo nas notas fiscais nº s 264, 273, 277, 279, 281, 284, 287 e 295, emitidas pela empresa E.G. Consultoria Ltda. onde na discriminação dos serviços consta “Consultoria em gestão empresarial – Bônus”, ao passo que na nota fiscal n.º 285 também há a discriminação do serviço prestado como “Consultoria em Gestão Empresarial Abono de Dezembro/2011, aduzindo, ainda, a autoridade autuante que ambas as empresas citadas cadastraram como domicílio o mesmo endereço que se comprovou falso durante as diligências fiscais. Relata ainda a fiscalização que os profissionais que trabalham em funções essenciais (atividadefim) na NG Metalúrgica S/A, tais como desenhistas, engenheiros, administradores, vendedores e outros, que em muitos casos já pertenceram ao quadro da empresa na categoria de empregado e que passaram a prestar serviços como pessoa jurídica, com exclusividade, habitualidade Fl. 2931DF CARF MF Processo nº 13888.724740/201614 Acórdão n.º 2201004.538 S2C2T1 Fl. 2.932 7 e muitas vezes com remuneração regular no decorrer dos meses do período fiscalizado, passaram à condição de empregado da empresa nos anos seguintes, ao passo que outros deixaram de prestar os serviços, em função de aposentadoria ou por ter passado a trabalhar em outra empresa. Quanto à base de cálculo das contribuições exigidas, relata o Fisco que as remunerações auferidas pelos dirigentes (Anexo I prólabore) e pelos profissionais considerados empregados (Anexo II) foram arbitradas utilizando as notas fiscais emitidas, comprovantes de transferências, e depósitos feitos pela empresa NG Metalúrgica SA e pelos livros contábeis apresentados, sendo que as cópias digitalizadas dessas notas fiscais e dos livros contábeis apresentados pelos profissionais foram anexadas e fazem do presente processo. Ademais disso, relata a autoridade autuante ter aplicado, na espécie, a multa de ofício qualificada e proporcional a 150% ao valor das contribuições exigidas, prevista nos termos do inciso I e § 1º do art. 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, sob o fundamento de que o sujeito passivo praticou, de forma reiterada, a conduta delituosa de não informar em GFIP as remunerações pagas aos dirigentes e segurados empregados com o objetivo de impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador, na forma do inciso I do artigo 71 da Lei 4.502, de 1964. Por último, informa a fiscalização ter atribuído responsabilidade solidária pelo pagamento do crédito tributário exigido a JOÃO MARCOS GOBBIN (CPF n.º 539.853.03800), que, na condição de presidente, administrou a empresa autuada no período fiscalizado, com base no disposto pelo inciso III do art. 135 do Código Tributário Nacional (CTN), por considerar que a indigitada pessoa é o mentor do esquema fraudulento desvendado na presente ação fiscal, esquema este que, no entender da autoridade autuante, somente poderia ser realizado com a anuência do administradorgeral e irrestrito da empresa, pois, somente ele tinha poderes para efetivar tal planejamento e, sem seu consentimento, o mesmo jamais teria acontecido. Inconformados com o lançamento, a contribuinte e o responsável solidário juntaram a documentação colacionada às fls. 2.592 a 2.632 e 2.373 a 2.407, e apresentaram as impugnações de fls. 2.633 a 2.835 e 2.408 a 2.588, onde, em síntese: NG METALÚRGICA S.A. (contribuinte) Relativamente à imputação de “pejotização” de dirigentes, alega que não haveria motivo para recorrer a um esquema fraudulento, pois, no período fiscalizado, a empresa autuada havia acumulado lucro suficiente para acomodar integralmente os pagamentos que foram efetuados às “sociedadesdirigentes”, pelo que teria sido muito mais fácil simplesmente declarar e distribuir dividendos a essas sociedades, em lugar de remunerálas por serviços prestados por meio de emissão de notas fiscais; Sustenta, no ponto, que não se pode ignorar o fato de que as sociedades em geral (e as "sociedadesdirigentes" em especial) Fl. 2932DF CARF MF Processo nº 13888.724740/201614 Acórdão n.º 2201004.538 S2C2T1 Fl. 2.933 8 sujeitamse ao pagamento do PIS e da COFINS e do ISS, enquanto as pessoas físicas não, além do que as sociedades, mesmo as tributadas pelo lucro presumido sempre estarão sujeitas a algum recolhimento de tributo federal e, no caso dos pagamentos feitos às pessoas físicas, os tributos incidentes/retidos por ocasião do pagamento dos rendimentos acabarão representando, em realidade, meras antecipações, já que como regra os rendimentos auferidos pelas pessoas físicas ao longo do anocalendário sujeitamse aos efeitos da declaração anual de ajuste, o que implica em inferir que só após a transmissão de referida declaração de ajuste é que seria possível apurar a tributação federal efetivamente suportada; Aduz que a razão das pessoas físicas (sócios das "sociedades dirigentes") ocuparem cargos de administração na empresa autuada justificase pelo fato de que, por convenção societária delineada à época, cada sócio da empresa (dentre eles, portanto, as "sociedadesdirigentes") teria o direito de indicar um representante seu para compor a administração, arranjo este que, aliás, não encontra qualquer óbice legal de natureza civil ou societária; Outrossim, alega que a exclusividade dos serviços prestados pelas “sociedadesdirigentes” é natural, dada a especificidade da natureza das atividades desenvolvidas e o grau de interesse das “sociedadesdirigentes” no seu sucesso; Já relativamente à imputação de “pejotização” de empregados, alega que também é natural a existência de afinidade entre as atividades da empresa autuada e das empresas prestadoras de serviço (“sociedadesempregados”), visto que esta decorre do fato de que a empresa em questão atua em um setor em que a cadeia produtiva é muito especializada; Aduz que a contratação de pessoas jurídicas prestadoras de serviços nunca foi a regra seguida pela empresa autuada que tem um extenso quadro de funcionários celetistas, além do que a esmagadora maioria das prestadoras de serviços diligenciadas declarou que em nenhum momento a empresa autuada teria sugerido, e muito menos exigido, a constituição de sociedades como condição para a celebração do vínculo entre as partes; Argumenta que muitas das pessoas jurídicas prestadoras de serviço contratadas já existiam quando da celebração do contrato, sem que, em alguns casos, há mais de cinco ou dez anos, ao que indaga que planejamento tributário abusivo seria esse do qual a empresa autuada não participa; Alega ainda que, no presente caso, não há subordinação jurídica entre a contratante e as prestadoras de serviços contratadas, não havendo como confundir a exclusividade na prestação de serviços de algumas pessoas jurídicas com subordinação, ao que aduz que a exclusividade decorre da observância de sigilo e Fl. 2933DF CARF MF Processo nº 13888.724740/201614 Acórdão n.º 2201004.538 S2C2T1 Fl. 2.934 9 dedicação integral das prestadoras, mas não implica subordinação jurídica; Reclama que, muito embora a fiscalização tenha adotado a exclusividade como critério para basear a imputação da fraude em comento, no caso da empresa Trevo Administração de Negócios Comerciais Ltda, o próprio Fisco relata que não era exigido que o serviço fosse prestado com exclusividade para a empresa autuada; Em outro plano, sustenta que o fato de a totalidade das receitas da maioria das pessoas jurídicas prestadoras de serviço advir da contratante se deve à especialidade e ao alto grau de sofisticação dos serviços e ao fato de a contratante ser uma das maiores indústrias da região de Piracicaba (SP), além do que este fato, a seu ver, tampouco comprova ser correta a imputação de pejotização ora hostilizada; Neste passo, noticia que a justiça do trabalho tem rejeitado a existência do vínculo empregatício em relevo sob o fundamento de que o reclamante, sócio de uma empresa prestadora de serviços (desenhos técnicos), prestava serviço de forma autônoma, sem subordinação e por meio de sua própria pessoa jurídica, ainda que tal prestação fosse feita com pessoalidade e habitualidade; Em razão disso, alega ser possível aplicar o mesmo raciocínio desenvolvido pelo Juízo trabalhista às sociedades, cujo objeto social é o mesmo da reclamante, uma vez que todas foram contratadas para a elaboração de desenhos técnicos, sem o que o entendimento contrario implicará em flagrante inobservância do disposto no art. 110 do CTN; Em outra vertente, reclama que a autoridade autuante firmou suas convicções no fato de as “sociedadesempregados” encontrarse sediada nos mesmos municípios (Pereiras e Santa Maria da Serra), por vezes compartilhando os mesmos contabilistas, mas que isto não denota a existência de vínculo empregatício entre a empresa autuada e as pessoas jurídicas contratadas; Argumenta que alguns contratos firmados com as prestadoras de serviço prevêem multa por rescisão contratual e que isto não é compatível com uma relação empregatícia, ao que aduz que muitas contratadas prestam serviço técnico, realizado por técnicos de campo e o serviço é estabelecido em base horária, sem subordinação e sem que o profissional fique à disposição da contratante; Reclama que o Fisco colocou na mesma vala prestadoras cujo CNAE é idêntico ao dos empregados da contribuinte e prestadoras cuja atividade, no entanto, é o marketing e a prestação de serviços jurídicos, o que, a seu ver, não corrobora a presunção adotada pela autoridade autuante; Fl. 2934DF CARF MF Processo nº 13888.724740/201614 Acórdão n.º 2201004.538 S2C2T1 Fl. 2.935 10 A título de exemplo, alega que a pessoa jurídica F. Ferreira Criação e Edição Gráfica presta serviços de marketing e sem exclusividade, o que, todavia, não fez a menor diferença para o Fisco que, ainda assim, colocou referida empresa no rol dos empregados “pejotizados”; Especificamente quanto aos pagamentos feitos à empresa Trevo Administração de Negócios Comerciais Ltda, alega que referida empresa foi colocada pela autoridade autuante no rol de empregados “pejotizados”, muito embora tenha sido também aludida, no Relatório Fiscal, dentre as “sociedadesdirigentes”; No ponto, reitera que o Fisco, muito embora tenha reconhecido que a Trevo prestou serviços à contribuinte sem exclusividade, relacionou o pagamento por esses serviços a pagamento de salários com arrimo no fato de que a totalidade das receitas desta empresa decorria de serviços prestados à empresa autuada, sendo que deste fato não se pode deduzir a existência de uma relação patronal; Reclama que a autoridade autuante não pode valerse do critério da exclusividade para dele inferir a existência de uma relação empregatícia apenas quando isto lhe é conveniente, ao que aduz que o contrato firmado com a Trevo diz expressamente que não estabelece vínculo empregatício entre a contratante e os funcionários, prepostos ou titulares da empresa contratada; Ademais disso, alega que o valor dos pagamentos feitos à empresa Trevo variava consideravelmente, o que, a seu ver, não se coaduna com o pagamento de salários, visto que o valor não é fixo, a remuneração não ocorre com habitualidade e sequer é individualizada; Alega ainda que, no caso da Trevo, sequer há a personificação da sociedade na figura do sócio, pois referida empresa tem cinco sócios em seu quadro societário e o Fisco não julgou relevante considerar a atribuição de cada um deles de modo a justificar a sua condição de empregados; Reclama, enfim, que a autoridade autuante parte de uma idéia fixa e preconcebida e alega ser irrelevante para a empresa autuada se a Trevo teve, ou não, sucesso em conquistar outros e novos clientes, pois, o fato de a totalidade das receitas obtidas pela Trevo advir dos serviços prestados à empresa autuada não faz prova de que os sócios ou prepostos da Trevo prestavam serviços à autuada na condição de empregados desta, além do que o serviço prestado era a intermediação de negócios, a seu ver, incompatível com a noção de subordinação; Em tópico dedicado a considerações gerais, alega que situações como a de empresas que se resumem aos seus sócios, sem quaisquer empregados; empresas que dependem de clientes únicos; empresas que têm seus cadastros desatualizados; empresas que buscam sediarse em municípios fiscalmente mais Fl. 2935DF CARF MF Processo nº 13888.724740/201614 Acórdão n.º 2201004.538 S2C2T1 Fl. 2.936 11 interessantes; empresas cujos sócios abandonam o empreendimento de risco e aceitam a realocação no mercado de trabalho sob novos vínculos, etc., são apenas realidades dadas à impugnante e não por esta criadas, como sugere a autoridade autuante; Dado este quadro, sustenta enfim que o Fisco tratou um extenso e diverso rol de prestadores de serviço como se de uma massa indivisível se tratasse e que o feito é improcedente em face das incongruências no critério utilizado pela fiscalização com o fito de demonstrar o indigitado vínculo empregatício; Não obstante isso, alega também a existência de prejudiciais que afetam de forma integral ou parcialmente o lançamento, consistentes na ilegitimidade passiva da empresa autuada, na decadência do feito relativamente ao período de janeiro a dezembro de 2011, e no descabimento da multa qualificada em face da não comprovação do dolo. Mais precisamente, no que concerne à ilegitimidade passiva da empresa autuada, sustenta que o art. 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, que serviu de base para a inclusão do Sr. João Marcos Gobbin no polo passivo da relação obrigacional tributária em relevo, não prevê hipótese de responsabilidade solidária, mas sim de responsabilidade pessoal do agente, o que, a seu ver, exclui a responsabilização da empresa autuada; Em apoio à tese sustentada, transcreve excertos doutrinários e decisões judiciais prolatadas pelo Superior Tribunal de Justiça que perfilhamse ao precitado entendimento; Quanto à decadência do feito relativamente ao período de janeiro a dezembro de 2011, argui à aplicação à espécie do prazo ao fim do qual se dá a homologação tácita prevista nos termos do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, ao argumento de que a empresa autuada efetuou o pagamento das contribuições ora exigidas, relativamente aos períodos de competência de jan/2011 a dez/2011, e, no caso dos autos, não restou comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação que excepcionam a regra contida no citado dispositivo legal, sendo que a ciência do lançamento só veio a ocorrer em 2 de janeiro de 2017; Quanto à aplicação da multa qualificada proporcional a 150% do valor das contribuições exigidas, alega que, muito embora a "intenção dolosa" tenha sido atribuída pela autoridade autuante ao Sr. João Marcos Gobbin, não há no Relatório Fiscal uma prova ou indício sequer da participação do Sr. João Marcos Gobbin ou, em realidade, de qualquer outro administrador da empresa autuada no suposto "esquema fraudulento"; Reclama que a apontada fraude não passa de um artifício do qual se serviu a fiscalização para salvar da decadência a parcela do lançamento alusiva ao ano de 2011, imputando ao diretorpresidente da autuada a conduta delituosa de engendrar um esquema fraudulento com base na mera presunção de que Fl. 2936DF CARF MF Processo nº 13888.724740/201614 Acórdão n.º 2201004.538 S2C2T1 Fl. 2.937 12 este teria optado por essa política de contratação e direção e seria o mentor do indigitado esquema, sem atentar, contudo, que dolo não se presume, pois deve ser provado; Neste rumo, transcreve excertos de decisões administrativas prolatadas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e, bem assim, excertos doutrinários que, a seu ver, corroboram a tese sustentada pela presente defesa; Reclama que, em nenhuma das diversas intimações formalizadas ao longo dos mais de 2 (dois) anos de fiscalização, a autoridade autuante teve por objetivo ou preocupação tentar bem compreender ou elucidar o efetivo alcance da participação do Sr. João Marcos Gobbin ou de qualquer outro administrador no suposto "esquema fraudulento", pois, do contrário, saberia que as atribuições do diretorpresidente cingiamse, em realidade, a questões mais consultivas e menos executivas, tais como: definição de estratégias de longo prazo, definição dos novos seguimentos de atuação, negociações dos acordos de intercâmbio/cooperação tecnológica em âmbito nacional e internacional, resolução de conflitos entre as diretorias, etc.; Alega que a maioria dos contratos de prestação de serviços não era assinado pelo diretorpresidente e reitera que, no ponto, se faz necessária a identificação da ação dolosa com a demonstração da conduta específica e conscientemente praticada, não sendo suficiente presumir; Aduz que, durante a ação fiscal, a empresa forneceu todas as informações sobre suas operações que, aliás, se encontram regularmente contabilizadas, nada tendo sido ocultado, o que, a seu ver, não condiz com a conduta que se espera de perpetradores de fraude; Finalmente, em face do exposto, requer: (i.a) que seja reconhecida a nulidade do feito ora impugnado em razão do erro na identificação do sujeito passivo; (i.b) reconhecer a inexistência de comprovação de fraude, dolo ou conluio na conduta da impugnante ou de seus representantes e, portanto, o não cabimento da aplicação da multa qualificada, proporcional a 150% do valor dos tributos exigidos; e (i.c) reconhecer a consumação da decadência em relação aos créditos tributários referentes aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a dezembro de 2011; (ii) que seja julgado improcedente o lançamento fiscal contestado e, por consequência, cancelado o respectivo crédito tributário constituído por meio do Auto de Infração ora impugnado; e, por fim, (iii) uma vez reconhecida a improcedência do Auto de Infração em tela, especialmente no que tange ao reconhecimento da inexistência de fraude praticada pela impugnante com a consequente exoneração da multa qualificada, sejam os processos administrativos n.ºs 13888.724767/201615 e 13888.724768/201651 (que tratam da Representação Fiscal para Fins Penais) instruídos com cópia da Fl. 2937DF CARF MF Processo nº 13888.724740/201614 Acórdão n.º 2201004.538 S2C2T1 Fl. 2.938 13 decisão proferida neste feito, a fim de que sejam arquivados, conforme prevê o artigo 4º, § 4º, da Portaria RFB nº 2.439, de 21 de dezembro de 2010. JOÃO MARCOS GOBBIN (responsável solidário) Relativamente à atribuição de responsabilidade solidária à sua pessoa, reitera as mesmas contrarrazões que foram encaminhadas pela contribuinte autuada para contestar a aplicação de multa de ofício qualificada, no sentido de que a autoridade autuante não apresentou prova, mas simplesmente presumiu a prática da conduta dolosa que lhe foi imputada; Em outro plano, reitera as mesmas contrarrazões que foram encaminhadas pela contribuinte autuada para arguir as prejudiciais de decadência do feito relativamente ao período de janeiro a dezembro de 2011, e de tributação a que estava sujeita a contribuinte autuada com base na desoneração da folha de pagamento referente ao período de agosto a dezembro de 2012; Reitera, outrossim, as mesmas contrarrazões e considerações gerais que foram encaminhadas pela contribuinte autuada para contestar o mérito do presente lançamento, alusivo à ocorrência do que ficou vulgarmente conhecido como “pejotização”; Finalmente, em face do exposto, requer: (i.a) que seja anulado o termo de decretação de solidariedade passiva, por completa ausência de comprovação da responsabilidade do impugnante na suposta fraude imputada pela autoridade fiscal; e (i.b) reconhecer a consumação da decadência em relação aos créditos tributários referentes aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a novembro de 2011. nos termos do art. 150, § 4º, do CTN e da Súmula nº 99 do CARF; (ii) que seja julgado improcedente o lançamento fiscal contestado e, por consequência, cancelado o respectivo crédito tributário constituído por meio do Auto de Infração ora impugnado; e, por fim, (iii) uma vez reconhecida a improcedência do Auto de Infração em tela, especialmente no que tange ao reconhecimento da inexistência de fraude praticada pela impugnante com a consequente exoneração da multa qualificada, sejam os processos administrativos n.ºs 13888.724767/201615 e 13888.724768/201651 (que tratam da Representação Fiscal para Fins Penais) instruídos com cópia da decisão proferida neste feito, a fim de que sejam arquivados, conforme prevê o artigo 4º, § 4º, da Portaria RFB nº 2.439, de 21 de dezembro de 2010. 2 – A impugnação foi julgada procedente em parte por decisão da DRJ assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 2938DF CARF MF Processo nº 13888.724740/201614 Acórdão n.º 2201004.538 S2C2T1 Fl. 2.939 14 Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. PEJOTIZAÇÃO. DIRETORES NÃO EMPREGADOS. É procedente o lançamento de ofício das contribuições que incidem sobre o pagamento de remuneração a segurados contribuintes individuais quando comprovado nos autos que a empresa autuada utilizouse do artifício simulatório consistente em ocultar o pagamento de remuneração a pessoas físicas (diretores não empregados), conferindo a essa remuneração a roupagem enganosa de um pagamento realizado em contrapartida de um serviço prestado por pessoas jurídicas. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. Constatada a prática da conduta típica da sonegação, é irrelevante, no ponto, saber se a empresa autuada obteve, ou não, ganhos com a adoção do engenho simulatório se comparado com a obrigação de pagar outros tributos, devendo a penalidade qualificada ser mantida porquanto aplicada pela autoridade autuante nos exatos termos das disposições legais que determinam a sua aplicação. DECADÊNCIA. Muito embora tenha sido comprovada a simulação que deu azo ao lançamento de ofício, dado que a ciência do sujeito passivo direto da relação obrigacional tributária ocorreu em 2 de janeiro de 2017, o lançamento referente aos período de janeiro a novembro de 2011 encontrase fulminado pela decadência, uma vez que não foi aperfeiçoado antes do fim do prazo decadencial que, iniciado em 1º de janeiro de 2012, já havia expirado em 1º de janeiro de 2017. CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. DESCABIMENTO. É incabível o lançamento de contribuição previdenciária patronal relativa a períodos de competência (agosto a dezembro de 2012) em que a empresa autuada estava sujeita à contribuição sobre o valor da receita bruta. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. DIRETORPRESIDENTE. Comprovada a existência do artifício simulatório voltado ao encobrimento do fato jurídico tributário consistente na remuneração de pessoas jurídicas pelo exercício de atividades de administração que a empresa autuada, na verdade, conferiu a pessoas naturais investidas nos cargos de diretores não empregados, é, por conseguinte, cabível a responsabilização solidária do diretorpresidente, dada a sua evidente participação no esquema fraudulento, tendo em vista que suas atribuições incluíam supervisionar as atividades da sociedade e até fixar os honorários dos diretores e gerentes, consoante o disposto no contrato social da empresa autuada. Fl. 2939DF CARF MF Processo nº 13888.724740/201614 Acórdão n.º 2201004.538 S2C2T1 Fl. 2.940 15 CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. PEJOTIZAÇÃO. SEGURADOS EMPREGADOS. RELAÇÃO DE EMPREGO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Constatado que em nenhuma das relações de trabalho concernentes às pessoas jurídicas, cujos sócios foram qualificados como segurados empregados pela fiscalização, houve a comprovação da existência concomitante dos elementos fáticojurídicos caracterizadores da relação de emprego, a parcela do lançamento, cuja base de cálculo foi a remuneração de segurados qualificados como empregados não pode prosperar. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. PEJOTIZAÇÃO. SEGURADOS EMPREGADOS. RELAÇÃO DE EMPREGO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Constatado que em nenhuma das relações de trabalho concernentes às pessoas jurídicas, cujos sócios foram qualificados como segurados empregados pela fiscalização, houve a comprovação da existência concomitante dos elementos fáticojurídicos caracterizadores da relação de emprego, a parcela do lançamento, cuja base de cálculo foi a remuneração de segurados qualificados como empregados não pode prosperar. 3 Cientificado da decisão de piso o contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. 2.893/2.914 e o sujeito passivo solidário às fls. 2.871/2.887, mantendo praticamente os mesmos argumentos da impugnação e ao final requer o provimento do recurso com o cancelamento do auto de infração, além do recurso de ofício em vista da exoneração do valor de R$ 19.519.057,88 de acordo com a decisão de fls. 2.845. 4 É o relatório do necessário. Voto Vencido Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 2940DF CARF MF Processo nº 13888.724740/201614 Acórdão n.º 2201004.538 S2C2T1 Fl. 2.941 16 5 Os recursos são tempestivos e preenchem os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deles conheço e inicio pela análise do recurso de ofício e posteriormente do recurso voluntário do contribuinte principal e posteriormente do sujeito passivo solidário. Recurso de Ofício 6 A turma julgadora de piso recorreu de ofício pelo fato de ter exonerado o valor de R$ 19.519.057,88 conforme indicado às fls. 2.845: "Nos julgamentos das impugnações apresentadas nos referidos processos, efetuados em 11 de maio de 2017, pela 6a Trama da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC, foi exonerado o valor total de R$ 19.519.057.88 (dezenove milhões, quinhentos e dezenove nove mil, cinquenta e sete reais e oitenta e oito centavos), relativamente aos créditos tributários e processos referidos abaixo: PAF Crédito Tributário Contribuição Exonerada Multa Exonerada 13888.724739/201690 GILRAT 547.995,16 821.992,74 13888.724739/201690 CPP 5.758.152,43 8.637.228,65 13888.724739/201690 TERCEIROS 1.141.702,40 1.712.553,60 13888.724740/201616 SEGURADOS 359.773,16 539.659,74 SUBTOTAL 7.807.623,15 11.711.434,73 TOTAL 19.519.057,88 7 Quanto à decisão, a turma de piso manteve o lançamento em relação aos segurados contribuintes individuais (diretores não empregados), a multa qualificada e a sujeição passiva solidária do diretorpresidente. Houve o recurso de ofício pelo fato de ter reconhecido a improcedência do lançamento em relação à contribuição dos segurados empregados (pejotização) por falta de comprovação, reconhecimento da decadência do lançamento do período de janeiro de 2011 a novembro de 2011 e descabimento da autuação no período de agosto de 2012 a dezembro de 2012 pelo fato do contribuinte estar sujeito à contribuição sobre o valor da receita bruta época. 8 Contudo, apesar da decisão de piso recorrer de ofício justificando o fato pela conexão dos autos, em vista dos termos da súmula 103 do CARF: Para fins de Fl. 2941DF CARF MF Processo nº 13888.724740/201614 Acórdão n.º 2201004.538 S2C2T1 Fl. 2.942 17 conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Entendo que em vista do valor exonerado individualmente por processo não atingir o limite de alçada de acordo com os valores da Portaria MF 63/2017, não conheço do recurso de ofício. Do Recurso Voluntário da Contribuinte NG Metalúrgica S.A. 9 Em relação ao recurso voluntário do sujeito passivo principal passo às seguintes considerações, na ordem em que foram postas no apelo. Da Ilegitimidade Passiva da Recorrente 10 Nesse tópico não merece guarida o recurso voluntário uma vez que o crédito tributário fora lançado de forma perfeita em face do sujeito passivo que praticou o fato gerador da obrigação tributária. O fato do lançamento ter indicado a título de responsabilidade tributária na forma do art. 135, III do CTN o Sr. João Marcos Gobbin em nada altera o lançamento no que tange a sujeição passiva e portanto, resta afastada tal ponto. Da Improcedência da Manutenção do Crédito quanto aos pagamentos feitos aos “dirigentes” ou “diretores empregados” (contribuintes individuais) 11 O ponto relativo à multa qualificada será analisada posteriormente a esse tópico. Em relação a esse ponto, entendo que não merece reparos a decisão da turma julgadora que assim decidiu o assunto, verbis: No caso dos autos, de plano, se verifica ser incontroverso nos autos o fato de que as pessoas jurídicas A. Marques Consultoria Ltda (CNPJ n.º 04.446.574/000149), EG Consultoria Ltda (CNPJ n.º 04.446.538/000185), MCA Assessoria Gestão Empresarial Ltda (CNPJ n.º 04.446.458/000120) e RF Consultoria Ltda (CNPJ n.º 04.446.478/000109) foram remuneradas pela empresa autuada por exercerem as atividades de administração que a empresa autuada confere a seus diretores, conforme consta do Anexo I do Relatório Fiscal (fls. 2.126 a 2.132), uma vez que, no ponto, não há contestação expressa a este fato e a impugnante restringese à alegação de Fl. 2942DF CARF MF Processo nº 13888.724740/201614 Acórdão n.º 2201004.538 S2C2T1 Fl. 2.943 18 que referidas empresas, por figurarem no quadro societário da empresa autuada, teriam o direito de indicar um representante seu para compor a administração, arranjo este que, segundo aduz, não encontraria qualquer óbice legal de natureza civil ou societária. Ocorre que, uma coisa é a empresa que participa do capital social da autuada indicar um representante seu para exercer a função de diretor na empresa autuada, ao passo que, outra coisa, bem diferente, é a empresa que faz essa indicação ser remunerada pelos serviços que, afinal, são prestados, não por ela pessoa jurídica , mas pela pessoa natural que foi investida no cargo de direção. Vejase que o Código Civil Brasileiro, ao verter regras que definem e disciplinam a administração da sociedade limitada, referese ao administrador como pessoa natural cuja nomeação deve ser averbada no registro competente, nos dez dias seguintes ao da investidura, com indicação de estado civil e residência, além de exigir a exibição de documento de identidade, a teor do disposto no § 2º do art. 1.062 do mencionado diploma legal, verbis: CAPÍTULO IV Da Sociedade Limitada (...) Seção III Da Administração (...) Art. 1.062. O administrador designado em ato separado investir seá no cargo mediante termo de posse no livro de atas da administração. (...) § 2o Nos dez dias seguintes ao da investidura, deve o administrador requerer seja averbada sua nomeação no registro competente, mencionando o seu nome, nacionalidade, estado civil, residência, com exibição de documento de identidade, o ato e a data da nomeação e o prazo de gestão. No caso vertente, aliás, colhese do contrato social da autuada (fls. 11 a 22) que a indicação da diretoria da sociedade, não destoou da norma civilista, eis que foram investidos nos cargos de diretores pessoas naturais, e não pessoas jurídicas, conforme se verifica à cláusula 7a. abaixo reproduzida: "DA ADMINISTRAÇÃO Fl. 2943DF CARF MF Processo nº 13888.724740/201614 Acórdão n.º 2201004.538 S2C2T1 Fl. 2.944 19 CLÁUSULA 7a A sociedade terá sua administração orientada por um colegiado, determinada pelo Diretor Presidente, e na sua ausência, pelos sócios que delem 2/3 do capital social da Sociedade, e será composta de Diretoria e Administração, cuja distribuição dos cargos ficam assim determinados, em dois níveis: (i) DIRETORIA: a) Diretor Presidente, o Sr. João Marcos Gobbin, já qualificado; b) Diretor Adjunto, o Sr. Giovanni Gimenes Gobbin, brasileiro', casado em regime do. separação total de bens, industrial, residente e domiciliado na Av. Sete de Setembro, 527, CEP. 13.440000, na cidade de Saltinho, Estado de São Paulo, portador da cédula de identidade RG n° 23.051.0607, (SSP/SP) e inscrito no CPF/MF sob o n° 220.472.388 62, c) Diretora de Informática, a Sra. Flávia Gobbin, brasileira, divorciada, bacharel em Ciências da Computação, residente na Rua Mano Galvani, 271 Residencial Terras de Piracicaba IV, CEP 13403879, na cidade de Piracicaba, Estado de São Paulo, portadora da cédula de identidade RG n. 5.837.748 SSP/SP e inscrita no CPF/MF sob n. 715.058.218 72} d) Diretor Comerciai, o Sr. Rogério Fanini Junior, já qualificado; e) Diretor Industrial, o Sr. Ariovaldo Marques, já qualificado; (íi) ADMINISTRAÇÃO: a) Gerente de Controladoria, Administração e Finanças, o Sr. José Mendes'Pereira; b) Gerente Industrial, o Sr. Eduardo Gobbin, ambos anteriormente qualificados. As atribuições de cada Diretor e Administrador são as seguintes: Assinalese, ademais, que, mesmo quando da transformação da empresa autuada, de sociedade limitada para sociedade por ações (fls. 33 a 43), os sócios elegeram as pessoas naturais que, a rigor, já eram qualificadas pela empresa autuada como membros da diretoria da sociedade antes da transformação, a teor do disposto à cláusula 6.1 da 17a. Alteração do Contrato Social, abaixo reproduzida: 6.1. Para compor a Diretoria, os sócios elegem os atuais membros da Diretoria da Sociedade da Sociedade, com mandato até a Assembleia Geral Ordinária que aprovar as contas relativas ao exercício social findo em 31 de dezembro de 2016: (i) Sr. João MARCOS GOBBIN, brasileiro, casado, industrial, portador da Cédula de Identidade HG nn 4.817.350 SSP/SP c inscrr.o no CPF/MF sob o n° 539.853.03800, residente e domiciliado na Cidade de Piracicaba, Estado de São Paulo, na Rua Antônio, n° 745, apartamento 15, Centro, CEP 13400160, para o cargo de Direioi Presidente; (ii) Sr. GIOVANNI GIMENES GOBBIN, brasileiro, casado, industrial, portador da Cédula dc identidade RG n° 23.051.0607 (SSP'SP), inscrito no CPF/MF sob o n° 220.472.38862, residente e domiciliado na Cidade dc Saltinho, Estado de São Paulo, na Rua Fl. 2944DF CARF MF Processo nº 13888.724740/201614 Acórdão n.º 2201004.538 S2C2T1 Fl. 2.945 20 Sete de Setembro, n° 527, Centro, CEP 13440000, para o cargo de Diretor Geral dc Operações; (iii) Sra. FLÁVIA GOBBIN, brasileira, divorciada, bacharel em Ciências da Computação, portadora da Cédula de Identidade RO nc 5.837.748 (SSP/SP), inscrita no CPF/MF sob O nô 715.058.218 72, residente e domiciliada na Cidade dc Piracicaba, Estado de São Paulo, na Rua Mário Galvani, n° 271, Terras dc Piracicaba, CEP 13403879, para o cargo de Diretora de Informática; (vi )Sr. EDUARDO GOBBIN, brasileiro, casado, engenheiro mecânico, portador da Cédula de Identidade RG n° 15.435.3450 (SSP/SP), inscrito no CPF/MF sou o n° 078.839.89898, residente e domiciliado na Cidade de Piracicaba, Fstado dc Sào Paulo, na Rua Juca Fernando, nô 661, apartamento 121, São Dimas, CEP 13416070, para o cargo de Diretor industrial; e ( v i i ) Sr. JOSÉ MENDES PEREIRA, brasileiro, casado em regime de comunhão universal de bens, economista, portador da Cédula de Identidade RG n° 4.461.0476, SSP/SP, inscrito no CPF/MF sob o n° 375.452.48872, residente c domiciliado na Cidade Piracicaba, Estado de São Paulo, na Rua Athaualpa Vaz de Mello n° 284, Bairro Vila Rezende, CEP. 13.405216 Le Diretor de Controladoria, Administração e Finanças. Ora, o diretor não empregado é segurado obrigatório da Previdência Social na qualidade de contribuinte individual, em razão de que cabia, pois, à autuada recolher a contribuição previdenciária patronal à alíquota de vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, a estes segurados que lhe prestaram serviços, a teor do disposto no alínea “f” do inciso V do art. 12, e inciso III do art. 22, ambos da Lei n.º 8.212, de 1991, que, na redação dada pela Lei n.º 9.876, de 1999, determina in litteris: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (...) 12 Outro ponto que chama a atenção é a informação no item 8.8. do relatório fiscal às fls. 2.117 que indica: 8.6 Em 2015, já sob fiscalização, a empresa reviu essa conduta e contratou como empregados parte desses profissionais, já que alguns deles já tinham cessado a prestação de serviços. A diretoria voltou a ter diretores pessoas físicas, informados em GFIP Guia de Recolhimento do GFTS e de Informações à Previdência Social. Fl. 2945DF CARF MF Processo nº 13888.724740/201614 Acórdão n.º 2201004.538 S2C2T1 Fl. 2.946 21 8.7 O fato dos dirigentes terem voltado a ser remunerados como pessoas físicas, devidamente informados em GFIP, autoriza concluir que a fiscalizada reconheceu que as pessoas jurídicas até então elencadas como dirigentes atuando com representantes, não corresponde à realidade das relações de trabalho existentes na empresa, onde a pessoalidade, a exclusividade, e mesmo o longo tempo de trabalho junto a empresa, caracterizam a relação de trabalho pessoal, no caso como Diretor não empregado, ou seja, um contribuinte individual. O mesmo pode ser concluído com relação aos profissionais que passaram a ser informados como segurados empregados da fiscalizada. 8.8 Os diretores que não fazem parte da família, foram empregados da empresa anteriormente ou de empresas do grupo e passaram a prestar serviços como pessoa jurídica no mesmo momento, o que leva a crer que por determinação da fiscalizada, para economia tributária, a “pejotização” foi adotada. Um fato que demonstra esse fato são as notas 263, 272, 276, 278, 280, 282, 285 e 293, que A. Marques Consultoria Ltda. emitiu, onde na discriminação dos serviços consta: Consultoria em gestão empresarial – Bônus. Outra nota que chamou a atenção foi a NFS 283 com a discriminação dos serviços como Consultoria em Gestão Empresarial – Abono de Dezembro/2011. O mesmo ocorreu nas notas fiscais emitidas por E.G. Consultoria Ltda., onde na discriminação dos serviços consta: Consultoria em gestão empresarial – Bônus, nas notas fiscais: 264, 273, 277, 279, 281, 284, 287 e 295. A nota 285 também tem a discriminação dos serviços como Consultoria em Gestão Empresarial – Abono de Dezembro/2011. Ambas empresas cadastradas no mesmo endereço, que se mostrou falso. (Grifei) 13 Esses pontos acima indicados a meu ver deixam claro a utilização da empresa como sócia apenas para mascarar a relação de trabalho do contribuinte individual como diretor não empregado a fim de afastar a remuneração pela atividade pessoal da pessoa física para com a empresa, sendo que a contribuinte não deixa claro o propósito negocial relativo a esses fatos. 14 A respeito do assunto sobre planejamento tributário aponto parte do voto do I. Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto no Ac. 1402002.295 j. em 13/09/2016, verbis: "Não se pode olvidar que o contribuinte tem o direito de estruturar o seu negócio de maneira que melhor lhe convém, Fl. 2946DF CARF MF Processo nº 13888.724740/201614 Acórdão n.º 2201004.538 S2C2T1 Fl. 2.947 22 com vistas à redução de custos e despesas, inclusive à redução dos tributos, sem que isso implique, necessariamente, qualquer ilegalidade. Entretanto, o que não se admite atualmente é que os atos e negócios praticados se baseiem numa aparente legalidade, sem qualquer finalidade empresarial ou negocial, para disfarçar o real objetivo da operação, quando unicamente almeje reduzir o pagamento de tributos. Nesse sentido, colacionamse a seguir os ensinamentos de Marco Aurélio Greco5: ... a pergunta que se põe é: admitida a existência do direito de o contribuinte organizar a sua vida, este direito pode ser utilizado sem quaisquer restrições? Ou seja, tal direito é ilimitado? Todo e qualquer “planejamento” é admissível? Minha resposta é negativa. (pág. 190) Ou seja, cumpre analisar o tema do planejamento tributário não apenas sob a ótica das formas jurídicas admissíveis, mas também sob o ângulo da sua utilização concreta, do seu funcionamento e dos resultados que geram à luz dos valores básicos de igualdade, solidariedade social e justiça. (pág. 202) [...] com o advento do Código Civil de 2002 a questão ficou solucionada, pois seu artigo 187 é expresso ao prever que o abuso de direito configura ato ilícito: Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercêlo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes. (pág. 206) No Brasil, entendo que esta possibilidade de recusa de tutela ao ato abusivo (mesmo antes do Código Civil de 2002) encontra base no ordenamento positivo, por decorrer dos princípios consagrados na Constituição de 1988 e da natureza da figura. Porém, a atitude do Fisco no sentido de desqualificar e requalificar os negócios privados somente poderá ocorrer se puder demonstrar de forma inequívoca que o ato foi abusivo porque sua única ou principal finalidade foi conduzir a um menor pagamento de imposto. Esta conclusão resulta da conjugação dos vários princípios acima expostos e de uma mudança de postura na concepção do fenômeno tributário que não deve mais ser visto como simples agressão ao patrimônio individual, mas como instrumento ligado ao princípio da solidariedade social. (pág. 208) Em suma, não há dúvida de que o contribuinte tem o direito, encartado na Constituição Federal, de organizar sua vida da maneira que melhor julgar. Porém, o exercício deste direito supõe a existência de causas reais que levem a tal atitude. A Fl. 2947DF CARF MF Processo nº 13888.724740/201614 Acórdão n.º 2201004.538 S2C2T1 Fl. 2.948 23 autoorganização com a finalidade predominante de pagar menos imposto configura abuso de direito, além de poder configurar algum outro tipo de patologia do negócio jurídico, como, por exemplo, a fraude à lei. (pág. 228) Nota se, assim, que o direito ao planejamento tributário não pode ser absoluto, há que haver uma conformação entre a existência do direito e o modo como se exerceu esse direito, sob pena de incorrerse em abuso de direito. Ricardo Lobo Torres, a esse respeito, esclarece que “a proibição da elisão abusiva no campo tributário nada mais é que a especificação do princípio geral, jurídico e moral, da vedação do abuso de direito”.6 (...) Marco Aurélio Greco assevera ainda que “nem tudo o que é lícito é o honesto” e que o “o ordenamento jurídico não se resume à legalidade; ele contempla também mecanismos em última análise de neutralização de esperteza”, fazendo parte daquilo que Tércio Sampaio Ferraz Júnior denomina de regras de calibração do ordenamento. Ou seja, os textos legais dão as peças do sistema jurídico, mas para que funcionem coordenadamente precisam ser calibradas, ajustadas. 7 (grifo nosso) Sobre o tema, Ricardo Lobo Torres conclui que No direito tributário o mais importante para a Administração é requalificar o ato abusivo, sem anulálo em suas consequências no plano das relações comerciais ou trabalhistas.[...] Na elisão, afinal de contas, ocorre um abuso na subsunção do fato à norma tributária; como lembra Paul Kirchhof, a elisão é sempre uma subsunção malograda [...] Cabe à Administração Tributária, conseguintemente, corrigir a subsunção malograda, requalificando o fato de acordo com a interpretação correta da regra de incidência. 8" 15 Portanto, nesse tópico afasto o apelo voluntário de acordo com os fundamentos acima indicados. Do Descabimento da Multa Qualificada 16 Nesse tópico entendo que merece reforma a decisão a quo, pois o relatório fiscal fundamenta a multa da seguinte forma: Fl. 2948DF CARF MF Processo nº 13888.724740/201614 Acórdão n.º 2201004.538 S2C2T1 Fl. 2.949 24 11 DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA 11.1 Ao deixar de informar em GFIP as remunerações pagas aos dirigentes e profissionais que trabalharam sem vínculo trabalhista com a NG Metalúrgica, a fiscalizada evitou que o FISCO conhecesse o real valor devido à Previdência Social, e correu o risco de omitir tais fatos geradores para ter essa redução de carga previdenciária. Sendo assim, a empresa será representada ao Ministério Público Federal pelo crime de Sonegação Previdenciária, previsto no Código Penal artigo 337A DOS CRIMES PRATICADOS POR PARTICULAR CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL. (...) 11.3 Essa prática reiterada por muitos anos, esse planejamento tributário ilícito, fez com que o sujeito passivo deixasse de recolher milhões em contribuições previdenciárias e omitindo esses fatos geradores por vários anos, tendo ciência de que evitava a cobrança dos valores corretos, figurouse ação dolosa com o objetivo de impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador, na forma do inciso I do artigo 71 da Lei 4502/64, e artigo 44 da Lei 9430/96. 11.4 O esquema descrito e relatado aqui deixa cristalina a intenção dolosa de diminuir as contribuições devidas de maneira irregular, utilizando de subterfúgios ilegais, como a simulação de constituição e funcionamento de empresas entre outros fatos exaustivamente relatados que corroboram a conclusão fiscal e a aplicação da multa qualificada. 17 Entendo que não houve a comprovação de dolo por parte da contribuinte e nenhum tipo de "esquema" ou planejamento tributário considerado totalmente ilícito, no sentido de ação dolosa de impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador, de acordo com os tipos indicados pelos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. 18 Em julgado de Relatoria do I. Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra no Ac. 2201003.719 j. 04/07/2017 essa turma afastou a multa qualificada de 150% em caso de pejotização, pedindo venia para sua transcrição da parte do voto: Fl. 2949DF CARF MF Processo nº 13888.724740/201614 Acórdão n.º 2201004.538 S2C2T1 Fl. 2.950 25 A multa qualificada não deve ser mantida. Não obstante ter se constatado à exaustão, que a recorrente agiu com o claro propósito de esconder a ocorrência do fato gerador e se esquivar da tributação devida. Frisese que não é razoável que uma empresa do porte da recorrente não tivesse o conhecimento de que não poderia contratar a maior parte dos colaboradores da executar os serviços relacionados a sua atividade fim por intermédio de pessoas jurídicas interpostas, utilizadas com o claro propósito de gerar uma economia ilícita de tributos. Apesar de tudo isso, a multa qualificada não merece ser mantida, uma vez que não foi aplicada regularmente de acordo com o disposto no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996, com a caracterização das hipóteses definidas pelo art. 72 da Lei nº 4.502/1964. A acusação fiscal em nenhum momento justificou a aplicação da multa de ofício no percentual de 150%. A autoridade fiscal aponta uma simulação da recorrente, mas sem que essa afirmação seja suficiente para fundamentar a qualificação da multa de ofício. Isto posto, a multa de ofício qualificada resta afastada, devendo ser mantida a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). 19 Verificase inclusive que a maior parte da autuação em relação a caracterização de pessoas jurídicas como empregadas não logrou êxito em sua manutenção e portanto, não se revela razoável a sua manutenção. Por conta desse provimento, entendo que deve ser reconhecido de ofício a decadência inclusive da competência de dezembro de 2011, em vista que no caso é aplicável os termos do art. 150,§ 4º do CTN. Pelo exposto, afasto a multa qualificada e mantenho apenas a de ofício no valor de 75% e reconheço a aplicação dos termos do art. 150§ 4º do CTN com a decadência da competência de dezembro de 2011, inclusive. Do Recurso Voluntário do Sujeito Passivo Voluntário 20 Em síntese, o sujeito passivo solidário, além de questionar o termo de sujeição passiva questiona os fatos alegados e já julgados no recurso voluntário e portanto nesse ponto resta prejudicado o recurso sendo que apenas será objeto de julgamento a sujeição passiva solidária. 21 Nesse tópico, entendo merecer provimento o recurso do sujeito passivo solidário, explico. Fl. 2950DF CARF MF Processo nº 13888.724740/201614 Acórdão n.º 2201004.538 S2C2T1 Fl. 2.951 26 22 O Relatório fiscal fundamenta a sujeição passiva solidária da seguinte forma: "10.1 Pelas razões mencionadas nos itens 8.1 a 8.10 e em razão da administração da empresa durante o período fiscalizado ter sido exercida pelo Sr.João Marcos Gobbin, CPF 539.853.038 00, presidente da empresa, o mesmo é considerado sujeito passivo neste processo conforme previsto em legislação transcrita no item a seguir. Conforme previsto na Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN): “ Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: ... III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” 10.2 Constatase que João Marcos Gobbin é o mentor desse esquema de fraude contra a seguridade social, já detalhada neste relatório, que através de um planejamento tributário abusivo, deixou de recolher e declarar um montante expressivo de tributos e contribuições sociais. Esse esquema somente poderia ser realizado com anuência do administradorgeral e irrestrito da empresa, pois somente ele tinha poderes para efetivar tal planejamento e sem seu consentimento o mesmo jamais teria acontecido. 10.3 Esse planejamento não pode ser declarado como eventual ou interpretação dúbia da legislação, tendo em vista a quantidade de empresas simuladas, que foram constituídas com finalidade exclusiva de deixar de pagar contribuições e tributos, e a prática reiterada por anos, deixando de pagar milhões em contribuições previdenciárias. 10.4 Desta forma, o mesmo está incluído no polo passivo da obrigação tributária, passando a responder solidariamente pelo crédito tributário, inclusive com a possibilidade de arrolamento de seus bens particulares." 23 Em linhas atrás houve o afastamento da multa qualificada pelo fato de entender que não há elementos nos autos de dolo, fraude ou simulação suficientes para a manutenção de tal multa de acordo com os ditames legais. 24 Entendo, outrossim, que em relação ao sujeito passivo solidário a fiscalização não demonstrou de forma clara e precisa a participação efetiva, clara e dolosa do Fl. 2951DF CARF MF Processo nº 13888.724740/201614 Acórdão n.º 2201004.538 S2C2T1 Fl. 2.952 27 sujeito passivo no sentido de agir para a prática das condutas elencadas no relatório fiscal em relação à Seguridade Social. 25 Vejo que o lançamento está calcado apenas quanto ao art. 135, III do CTN, sendo que este Relator entende que esse artigo não trata por si só dos casos de responsabilidade solidária, por si só no CTN. 26 Deveria a autoridade fiscal efetuar o lançamento da solidariedade passiva com base no artigo 124 do CTN relacionando uma das situações de seus incisos I ou II, e combinado com o artigo 135, III do CTN comprovar a situação ali elencada, contudo a autoridade fiscal deixou de fundamentar a responsabilidade solidária fazendo apenas em relação ao art. 135 do CTN que trata da responsabilidade pessoal de terceiros. 27 Mesmo que assim fosse, a situação elencada no inciso III do Art. 135 do CTN atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, não restaram devidamente comprovados pela fiscalização. 28 Tomando por base novamente o excerto indicado alhures dessa Turma, houve por parte dessa Turma por bem afastar a responsabilidade do sujeito passivo solidário pelos seguintes fundamentos e tomo como razões de decidir: "O recorrente contesta a responsabilização solidária efetuada pelo Fisco, argumentando que não obstante a exclusão da responsabilidade pessoal do art. 135, da Lei n° 5.172, de 1966 CTN pela decisão de piso, também, não deve subsistir a responsabilidade solidária do art. 124, I, do CTN. A responsabilização dos sócios está amparada nos arts. 124, inciso I e 135 da Lei n° 5.172, de 1966 – CTN. Eis os dispositivos legais apontados pelo Fisco: O recorrente contesta a responsabilização solidária efetuada pelo Fisco, argumentando que não obstante a exclusão da responsabilidade pessoal do art. 135, da Lei n° 5.172, de 1966 CTN pela decisão de piso, também, não deve subsistir a responsabilidade solidária do art. 124, I, do CTN. A responsabilização dos sócios está amparada nos arts. 124, inciso I e 135 da Lei n° 5.172, de 1966 – CTN. Eis os dispositivos legais apontados pelo Fisco: Art. 124. São solidariamente obrigadas: Fl. 2952DF CARF MF Processo nº 13888.724740/201614 Acórdão n.º 2201004.538 S2C2T1 Fl. 2.953 28 I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal [...] Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: [...] II quanto às infrações em cuja definição o dolo específico do agente seja elementar; III quanto às infrações que decorram direta e exclusivamente de dolo específico. Diante dos documentos constantes do processo, dos fatos apurados pelo fisco no curso da ação fiscal e os dispositivos legais acima transcritos, utilizados pelo fisco na responsabilização questionada, não há como ser mantida a responsabilidade solidária dos sócios da empresa recorrente. A Fiscalização não comprovou, incontestavelmente, que os sócios beneficiaramse das transferências financeiras efetuadas pela autuada, de forma continuada, de modo que restasse configurando o seu interesse na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal. Destarte, o inconformismo recursal quanto à exclusão da responsabilidade solidária dos sócios administradores do recorrente merece acolhimento. A responsabilização solidária não pode ser efetuada por meio de simples ilação. Se assim fosse, todos os lançamentos tributários efetuados em face de pessoas jurídicas teriam os sócios administradores incluídos no polo passivo da lide tributária, em uma verdadeira mitigação ao instituto de direito empresarial da responsabilidade limitada. Diante de toda a narrativa fática constante da acusação fiscal, não restou demonstrada alegada conduta de burla à legislação com ato volitivo dos sócios administradores no sentido de reduzir o pagamento de tributos da empresa e, com isso, otimizar os seus lucros, fato que se amoldaria ao requisito estabelecido pelo art. 124, I, do CTN, tendo os sócios interesse comum na situação que constitui o respectivo fato gerador, o que entendo, não ocorreu no caso dos autos. Assim sendo, o recurso voluntário merece provimento no que tange à exclusão da responsabilização solidária atribuída aos sócios administradores da recorrente." 29 Pelo exposto, dou provimento ao recurso voluntário para excluir da responsabilidade solidária o Sr. João Marcos Gobbin. Fl. 2953DF CARF MF Processo nº 13888.724740/201614 Acórdão n.º 2201004.538 S2C2T1 Fl. 2.954 29 Conclusão 30 Diante do exposto, não conheço do recurso de ofício. Conheço do recurso voluntário do sujeito passivo principal para dar provimento parcial no sentido de afastar a multa qualificada mantendo a de ofício e reconhecer a decadência da competência de dezembro de 2011. Conheço do recurso voluntário do sujeito passivo solidário para darlhe provimento excluindoo do lançamento. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator Voto Vencedor Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Redatora designada Apesar das ponderações do Relator refletirem a lucidez que o caracteriza, ouso dele discordar no que diz respeito à qualificação da multa e ao reconhecimento da decadência. Para tanto, utilizome inicialmente de trecho do seu voto, que é copiado abaixo: 13 Esses pontos acima indicados a meu ver deixam claro a utilização da empresa como sócia apenas para mascarar a relação de trabalho do contribuinte individual como diretor não empregado a fim de afastar a remuneração pela atividade pessoal da pessoa física para com a empresa, sendo que a contribuinte não deixa claro o propósito negocial relativo a esses fatos. Com efeito, no caso em análise não se trata de mera omissão dos fatos geradores, mas da utilização de artifício para impedir o conhecimento da sua ocorrência por parte da autoridade fiscal, conduta que se amolda à descrição legal de sonegação. A prática delituosa encontrase perfeitamente descrita na decisão de piso, cujos argumentos adoto como razão de decidir e à cuja leitura, por economia processual, remeto. Em função disso, deve ser mantida a qualificação da multa em 150%, bem como a aplicação da regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional, para fins de contagem do prazo decadencial. Conclusão Com base no exposto, e consolidando os entendimentos constantes do voto vencido e do voto vencedor: não conheço do recurso de ofício; conheço do recurso voluntário Fl. 2954DF CARF MF Processo nº 13888.724740/201614 Acórdão n.º 2201004.538 S2C2T1 Fl. 2.955 30 do sujeito passivo principal para lhe negar provimento; conheço do recurso voluntário do sujeito passivo solidário para darlhe provimento excluindoo do lançamento. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Redatora designada Fl. 2955DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10746.904232/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2009 a 30/09/2009
EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL.
A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrando-se que a norma faculta a apresentação destes em papel.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-004.311
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
1.0 = *:*
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PIS/COFINS. Recorrente JOÃO ALVES DE ALMEIDA GOIANO EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2009 a 30/09/2009 EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL. A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrandose que a norma faculta a apresentação destes em papel. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 90 42 32 /2 01 2- 11 Fl. 643DF CARF MF Processo nº 10746.904232/201211 Acórdão n.º 3301004.311 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 03052.880, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília. Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor para a realização da compensação pretendida. Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. A 4ª Turma da DRJ/BSB julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório sob o fundamento, em síntese, que não foi comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição. Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte protocolou recurso voluntário e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos documentação comprobatória, e no que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Encaminhado o processo para julgamento por este Carf, a 3ª Turma Especial desta Terceira Sessão decidiu pela conversão daquele em diligência, por meio da Resolução 3803000.605. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, em cumprimento ao procedimento de Diligência Fiscal, através da Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO, no qual foi realizado o confronto entre as informações provenientes de Declarações da requerente armazenadas nos sistemas de controle da RFB e as constantes nos documentos fiscais apresentados (planilhas e notas fiscais), onde propôs o deferimento parcial do Pedido de Restituição, reconhecendo assim o direito creditório em favor do requerente no montante ali expresso. Fl. 644DF CARF MF Processo nº 10746.904232/201211 Acórdão n.º 3301004.311 S3C3T1 Fl. 4 3 Cientificada do resultado da diligência, a contribuinte declarou que está de acordo com os valores propostos pela autoridade fiscal perante o CARF, conforme Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO constante nos autos. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.279, de 20 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10746.904178/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.279): "A recorrente bem coloca a discussão, no recurso voluntário que apresentou: A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade por entender que, para se comprovar a existência de crédito supostamente decorrente de pagamento a maior, a simples entrega de declarações retificadoras não é bastante e que "é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração", ônus este, da contribuinte. Em seu recurso a esta decisão de primeira instância, a contribuinte juntou livros contábeis e fiscais, além de notas fiscais. Fl. 645DF CARF MF Processo nº 10746.904232/201211 Acórdão n.º 3301004.311 S3C3T1 Fl. 5 4 Sucederamse então exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação da documentação. Registrese que a norma faculta a apresentação desta em papel. Tal questão fora ultrapassada por resolução de Turma desta CARF, a qual determinou que se baixassem os autos em diligência, em apreço ao princípio da verdade material, "com vistas à apuração e pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente (sic) para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido", o que fez acertadamente, a meu ver. A norma em pauta, Lei nº 10.833/03, artigos 58A e 58B (revogados em 2015, mas vigentes à época dos fatos), de fato, dá direito à redução 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos lá especificados, o que fora verificado em sede de diligência A recorrente traz indevidamente tal questão como preliminar. Seguem os dispositivos legais referidos: Por fim, ultrapassada a relatada questão da apresentação de documentos, o resultado da diligência demonstrou o acerto parcial dos valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo "deferimento parcial do PER sob nº 01179.52590.291210.1.2.046407, reconhecendo o direito creditório em favor da requerente no montante original de R$ 14,76" (grifos do original), com o que concordo. Fl. 646DF CARF MF Processo nº 10746.904232/201211 Acórdão n.º 3301004.311 S3C3T1 Fl. 6 5 Assim, por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o resultado da diligência demonstrou o acerto parcial dos valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo o deferimento parcial do PER apresentado, reconhecendo o direito creditório em favor da requerente no montante original expresso na Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO constante nos autos, com o que concordo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 647DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.001570/2004-51
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1994 a 31/05/1999
PIS. TERMO A QUO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62, § 2º, Anexo II, DO RICARF). IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. SÚMULA CARF 91.
Em conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do art. 4° da LC 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratando-se de pedido de restituição de tributos, in casu, formulado anteriormente à vigência de aludida Lei Complementar, o prazo a ser observado é de 10 anos (tese dos 5 + 5), contando-se a partir do fato gerador.
Numero da decisão: 9303-006.765
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1994 a 31/05/1999 PIS. TERMO A QUO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62, § 2º, Anexo II, DO RICARF). IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. SÚMULA CARF 91. Em conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do art. 4° da LC 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratando-se de pedido de restituição de tributos, in casu, formulado anteriormente à vigência de aludida Lei Complementar, o prazo a ser observado é de 10 anos (tese dos 5 + 5), contando-se a partir do fato gerador.
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TERMO A QUO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62, § 2º, Anexo II, DO RICARF). IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. SÚMULA CARF 91. Em conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do art. 4° da LC 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratandose de pedido de restituição de tributos, in casu, formulado anteriormente à vigência de aludida Lei Complementar, o prazo a ser observado é de 10 anos (tese dos 5 + 5), contandose a partir do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 15 70 /2 00 4- 51 Fl. 2550DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra Acórdão nº 20181.382 da 1ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, negou provimento ao recurso, em razão da preliminar de decadência do pedido de restituição. O Colegiado a quo consignou a seguinte ementa (Grifos meus): “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1994 a 31/05/1999 PIS. RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO O direito de pedir restituição/compensação de contribuição para o PIS extinguese em cinco anos, contados do pagamento. A edição da Lei Complementar n 118/2005 esclareceu a controvérsia de interpretação quanto ao direito de pleitear a restituição do indébito, sendo de cinco anos contados da extinção do crédito que, no lançamento por homologação, ocorre no momento do pagamento antecipado previsto no § 1' do art. 150 do CTN.” Insatisfeito, em 13 de abril de 2009, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial, trazendo, entre outros, que o pedido de restituição protocolado em 18.06.2004, referente ao Fl. 2551DF CARF MF Processo nº 10855.001570/200451 Acórdão n.º 9303006.765 CSRFT3 Fl. 2.552 3 período de agosto de 1994 a agosto de 1999, não se encontra afetado pelo instituto da decadência. Em Despacho à fl. 489, foi dado seguimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os pressupostos de admissibilidade constante do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. O que concordo com o exame de admissibilidade constante do Despacho à fl. 489. No que tange à discussão acerca do termo inicial a ser considerado para a contagem do prazo prescricional/decadencial, importante trazer que, com a alteração promovida pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, que introduziu o art. 62A ao Regimento Interno do CARF, determinando que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (dispositivo atual – art. 62, § 2º, Anexo I, do RICARF/15 – Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015)), essa questão não mais comportaria debates. Vêse que tal matéria havia sido objeto de decisão do STJ em sede de recursos repetitivos, na apreciação do REsp nº 1110578/SP, de relatoria do Ministro Luiz Fux (data do julgamento 12/05/2010). O que peço licença para transcrever a ementa (Grifos meus): “Ementa: Fl. 2552DF CARF MF 4 TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/06/2009, DJe 10/08/2009 AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe 20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp 1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp. 732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU 21.11.05) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 19/12/2007) 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. Fl. 2553DF CARF MF Processo nº 10855.001570/200451 Acórdão n.º 9303006.765 CSRFT3 Fl. 2.553 5 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008". (Resp nº 1110578/SP, Rel. Min. Luiz Fux, data do julgamento 12052010, DJe de 21/05/2010; RT vol. 900 p. 204) (Negritos acrescentados)” Não obstante ao termo inicial, vêse que há outra questão sob lide, qual seja, o prazo para se pleitear a repetição de indébito da LC 118 – que, por sua vez, também tratou da definição do termo a quo para a aplicação do prazo decadencial – na discussão acerca do prazo de 5 anos ou 10 anos. Nesse ponto, a matéria também foi decidida pelo STJ, inclusive definindo de forma clara o termo inicial a ser considerado, sob procedimento de recursos repetitivos, no julgamento do Recurso Especial n°1.002.932 SP, ao apreciar o texto trazido pela Lei Complementar n° 118/05. Após apreciação da matéria, o STJ firmou o entendimento de que, relativamente aos pagamentos indevidos efetuados anteriormente à Lei Complementar n° 118/05, o prazo prescricional para a restituição do indébito permaneceria regido pela tese dos “cinco mais cinco”, isto é, pelo prazo de dez anos, limitado, porém, a cinco anos contados a partir da vigência daquela lei. O Supremo Tribunal Federal, por conseguinte, enfrentando o tema, decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário 566.621RS (04/08/2011), ser aplicável o novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Eis o decidido: “RE 566621 / RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 04/08/2011 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273 Fl. 2554DF CARF MF 6 DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além Fl. 2555DF CARF MF Processo nº 10855.001570/200451 Acórdão n.º 9303006.765 CSRFT3 Fl. 2.554 7 disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Ou seja, para os pedidos de repetição de indébito apresentados anteriormente a 9 de junho de 2005, poderseia considerar o prazo prescricional/decadencial de 10 anos. Para melhor compreensão, transcrevo a ementa do referido acórdão: “PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 Rio GRANDE DO Sul. RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE '9 DE JUNHO DE 2005. O que resta reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Eis a Súmula 91: “Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.” Fl. 2556DF CARF MF 8 Em vista de todo o exposto, temse que no caso vertente, o pedido foi protocolado em 18.6.04 referente ao período de agosto de 1994 a agosto de 1999. Sendo assim, considerando que o pedido foi apresentado antes de 9.6.05, devese, em respeito ao art. 62, § 2º, Anexo I, da Portaria 343/2015, afastar a decadência do período correspondente aos fatos geradores ocorridos antes de junho/94. Isto posto, conheço o recurso especial interposto pelo sujeito passivo, dando lhe provimento, com retorno dos autos para a turma a quo para analisar as demais as matérias presentes em recurso voluntário. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 2557DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.901094/2014-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1402-003.056
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 10 94 /2 01 4- 53 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13888.901094/201453 Acórdão n.º 1402003.056 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em relação ao pedido original da contribuinte expresso em PER/DCOMP apresentado perante a Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade. O requerido foi indeferido sob entendimento do DD de que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade que, apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Discordando do r. decisum, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de 1º Piso de forma a reconhecer o direito creditório buscado e homologar a compensação requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: PRELIMINARMENTE 1. que, “a r. decisão primitiva sequer detalhou ou especificou por quais razões o contribuinte ora recorrente não possuiria o crédito que alega possuir, eis que haviam vários outros elementos que poderiam, e deveriam, ser analisados, e se os fossem, certamente permitiriam inferirse de modo diverso, análise esta que era condição sine qua non para alicerçar as razões de decidir do despacho decisório”; 2. que, “em outras palavras, foi dificultado ao recorrente repelir, amplamente, a decisão do julgador de primeiro grau, o que é direito constitucionalmente assegurado. A falta destes elementos concretos, fundamentos embasados na legislação, e de dados que pudessem permitir ao contribuinte contra razoar o r. despacho rescisório implicam na anulação do mesmo, pois ao não garantir o amplo direito de defesa à recorrente, o r. despacho decisório avilta também, conseqüentemente, o princípio do devido processo legal”; 3. que, “na falta de elementos que confiram ao contribuinte chance de defenderse amplamente da r. decisão do órgão fiscal originário, o presente processo administrativo não terá seu deslinde normal, razão pela contrariouse o consagrado devido processo legal”; 4. que, “ante à ausência de fundamentos legais imprescindíveis, desde o momento em que foi exarado o r. despacho decisório o curso deste processo administrativo foi atingido por uma nulidade, o que somente poderá ser sanada Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13888.901094/201453 Acórdão n.º 1402003.056 S1C4T2 Fl. 4 3 através da integral anulação do processo administrativo desde o início, inclusive do V. Acórdão recorrido que manteve o despacho decisório”; 5. que, “requerse que estes Ínclitos Julgadores em sede prelibatória anulem este processo administrativo desde o r. despacho decisório de origem, determinando o retorno dos autos à origem para que seja preferida decisão compatível com os princípios que norteiam os processos administrativos”. NO MÉRITO Depois de fazer breve histórico da COFINS e do PIS, aponta para decisão prolatada pelo STF acerca da inclusão do ICMS na base de cálculo naquelas contribuições. Literalmente: “Recentemente a matéria foi definitivamente arraigada pelo C. Supremo Tribunal Federal quando do julgamento do Recurso Extraordinário nº 240.7852 MG, onde o contribuinte se consagrou vencedor e foi definitivamente julgada a questão no sentido de que se deve excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e COFINS. Oportuno ressaltar os ensinamentos do Min. Marco Aurélio que nos autos do aludido julgamento cravou: (...) Assim, somente se pode concluir que o valor do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo da COFINS e do PIS, por não ser incluído no conceito de "faturamento", mas mero "ingresso" na escrituração contábil das empresas, razão pela qual por todas as razões aqui expendidas, bem assim pelo quanto retro sustentado, é que se faz de solar clareza a necessidade de reformar a r. decisão guerreada e homologar as compensações levadas a termo através das PERDCOMPs cotejadas. Reiterese, porque se cuida de decisão recente e nova no mundo tributário, posto que o Supremo Tribunal Federal decidiu definitivamente que o ICMS não entra na base de cálculo da Cofins e do PIS (Recurso Extraordinário nº 240.7852 MG), de modo que a inclusão do ICMS na base de cálculo das Contribuições ao PIS e à Cofins é ilegítima e inconstitucional, pois fere o princípio da estrita legalidade previsto no artigo 150, I da CF/88 e 97 do CTN, o artigo 195, I, “b” da CF/88 e o art. 110 do CTN, porque receita e faturamento são conceitos de direito privado que não podem ser alterados, pois a Constituição Federal os utilizou expressamente para definir competência tributária, pelo que resta evidente o crédito da Recorrente e se requer a reforma do V. Acórdão neste particular para que sejam definitivamente homologadas as compensações levadas a termo pelo contribuinte recorrente”. DO DIREITO DO CONTRIBUINTE À COMPENSAÇÃO Prossegue argumentando ter direito à compensação em face da exclusão do ICMS das bases de cálculo do PIS e da COFINS e que, por este motivo, “caberia à Autoridade recorrida verificar o crédito do Recorrente, para aferir pela sua procedência ou não, sendo certo que se assim o fizesse a autoridade administrativa singular, certamente homologaria a compensação em Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13888.901094/201453 Acórdão n.º 1402003.056 S1C4T2 Fl. 5 4 apreço, sendo que de tudo quanto exposto, somente se pode inferir que o V. Acórdão em questão deve mesmo ser reformado, o que se requer adiante”. DO PEDIDO E conclui requerendo “o regular processamento, ulterior apreciação, concessão de efeito suspensivo e PROVIMENTO TOTAL ao presente RECURSO VOLUNTÁRIO, para o fim de reformar o V. Acórdão exarado pela instância a quo, para que, preliminarmente, seja reformado o V. Acórdão recorrido para que seja anulado o vertente processo administrativo, nos moldes da fundamentação supra, tendo em vista a ofensa ao princípio do contraditório e do devido processo legal, e para que, no seu mérito, seja reformado o V. Acórdão recorrido para que sejam homologadas as almejadas compensações e finalmente reconhecido o crédito da Recorrente”. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.018, de 11/04/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.901078/2014 61, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.018): "O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Afasto, de plano, a preliminar de nulidade do acórdão a quo, tendo em vista não presentes quaisquer fatos que pudessem levar a esta decisão. De fato, o que se observa é a irresignação da recorrente em razão da decisão de 1º Piso lhe ter sido desfavorável e não porque tenha o aresto qualquer ponto ou item que afronte a legislação ou atos processuais e possa levar à sua anulação. Digase, o acórdão foi prolatado em estrita obediência às normas legais e regimentais, foram apreciadas todas as provas e Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13888.901094/201453 Acórdão n.º 1402003.056 S1C4T2 Fl. 6 5 documentos acostados aos autos e analisada a manifestação da contribuinte. Se o decidido lhe foi desfavorável não significa nulidade. Só entendimento da Turma Julgadora. Preliminar rejeitada. Passo ao mérito. Sabidamente, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC/1973, art. 333, I; atual CPC, artigo 373, I). No caso de pedidos de ressarcimento ou restituição, o interessado deve trazer provas de que possui direito líquido e certo contra a Fazenda Pública e assim deve ser repetido tributariamente para recompor o patrimônio subtraído por pagamento de um tributo de forma indevida. Não o fazendo, suas alegações ficam meramente neste terreno e seu direito se perde. Em outro dizer, a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Concretamente, se o DARF indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. No caso, o DARF foi utilizado para pagamento do tributo confessado na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), informação da lavra da própria contribuinte. É certo que este quadro pode ser alterado. Mas isso exige prova concreta por parte da contribuinte, afinal é ela a autora e para modificar o ato administrativo cabelhe demonstrar onde está o erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Não o fazendo – como não o fez , o indeferimento permanece. Acresçase que, concretamente, a contribuinte não acostou um documento sequer, nem escrituração contábil ou fiscal que possa mostrar o direito que alega ter. Sua linha de argumento limitase em afirmar que a Suprema Corte (em decisão ainda sem efeito erga omnes) teria decidido pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e COFINS), sem sequer quantificar o reflexo disso em seus demonstrativos contábeis. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13888.901094/201453 Acórdão n.º 1402003.056 S1C4T2 Fl. 7 6 Ou seja, meras alegações sem que tenham vindo aos autos quaisquer provas, cálculos ou decisão que lhe aproveitasse. Sabidamente, a base de cálculo das Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS é o faturamento. E que só pode ser mudado por via legislativa ou decisão judicial, esta que aproveite individualmente a recorrente ou que seja prolatada com efeito erga omnes. Não há, no caso, nem um nem outro. Desse modo, especificamente quanto ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS, somente podem ser excluídos da receita (base de cálculo do PIS e da COFINS) o ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário, no regime cumulativo, e a receita decorrente da transferência onerosa a outros contribuintes do ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação em ambos os regimes. Admitir qualquer outra exclusão equivaleria a afastar a aplicação da lei, o que é vedado na esfera administrativa. Portanto, essa discussão é estéril em sede de julgamento administrativo. Finalmente, como bem observado pela decisão de 1º Piso, a recorrente transmitiu inúmeras declarações de compensação informando como crédito passível de compensação um único DARF e nos pedidos de compensação formalizados pela recorrente, os débitos que intenta compensar ultrapassam – e muito o valor desse suposto crédito. Por fim, não se olvide, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13888.901094/201453 Acórdão n.º 1402003.056 S1C4T2 Fl. 8 7 pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323579, sessão de 18/09/2008) Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida.' Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, rejeito a preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário mantendo a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 52DF CARF MF
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Numero do processo: 10872.720087/2015-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2013 a 30/11/2013
MULTA. SICOBE. ANORMALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Tratando-se de ato não definitivamente julgado, a norma nova aplica-se a ato ou fato pretérito, quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado falta de pagamento de tributo, nos termos do art. 106, II, "b" do CTN.
Mediante o Ato Declaratório Executivo Cofis nº 94/2016, publicado em 14/12/2016, foram dispensadas da obrigatoriedade de utilização do Sicobe (Sistema de Controle de Produção de Bebidas) todas as pessoas jurídicas antes obrigadas, de forma que a anormalidade de funcionamento desse sistema deixou de ser tratada como contrária a qualquer exigência de ação e omissão. Não havendo também menção nos autos à existência de fraude ou à falta de pagamento de tributo, a multa correspondente deve ser afastada.
Numero da decisão: 3402-005.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para dar provimento integral, afastando a multa aplicada.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2013 a 30/11/2013 MULTA. SICOBE. ANORMALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de ato não definitivamente julgado, a norma nova aplicase a ato ou fato pretérito, quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado falta de pagamento de tributo, nos termos do art. 106, II, "b" do CTN. Mediante o Ato Declaratório Executivo Cofis nº 94/2016, publicado em 14/12/2016, foram dispensadas da obrigatoriedade de utilização do Sicobe (Sistema de Controle de Produção de Bebidas) todas as pessoas jurídicas antes obrigadas, de forma que a anormalidade de funcionamento desse sistema deixou de ser tratada como contrária a qualquer exigência de ação e omissão. Não havendo também menção nos autos à existência de fraude ou à falta de pagamento de tributo, a multa correspondente deve ser afastada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para dar provimento integral, afastando a multa aplicada. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 2. 72 00 87 /2 01 5- 14 Fl. 88063DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Pedro Sousa Bispo. Relatório Tratase de auto de infração lavrado pela fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro II, referente à multa de 100% do valor comercial da mercadoria produzida no período de apuração, tendo por fundamento o art. 30 da Lei 11.488/2007 combinado com art. 58T da Lei 10.833/2003, com redação dada pela Lei 11.827/2008, tendo em vista que o estabelecimento industrial procedeu em ação ou omissão tendente a prejudicar o normal funcionamento do Sicobe Sistema de Controle de Produção de Bebidas, conforme Relatório Fiscal que acompanhou o referido auto de infração. A empresa explora a atividade de industrialização e comercialização de bebidas, dentre as quais se destacam os refrescos e refrigerantes, produtos estes classificados no código 22.02.10.00 da TIPI/2007, estando obrigada a instalar equipamentos contadores de produção que possibilitem a identificação do tipo de produto, de embalagem, e sua marca comercial, em vista da legislação citada no auto de infração. Em razão do não ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil pelos procedimentos de manutenção preventiva e corretiva do Sicobe, a empresa foi enquadrada no disposto no art. 13 § 4º da Instrução Normativa RFB n° 869/2008, e em consequência da publicação do Ato Declaratório n° 65, a partir de 14/11/2011 a empresa passou a estar sujeita à aplicação da multa prevista no art. 30 da Lei n° 11.488/2007. O Contribuinte apresentou Impugnação aduzindo: I) Retroatividade benigna da revogação expressa do art. 58T da lei nº 10.833/03, pela Lei nº 13.097/2015; II) Ilegalidade da fixação do valor do ressarcimento à CMB por Ato Declaratório da RFB, em razão da sua natureza tributária; III) Ofensa à capacidade contributiva em razão da cobrança de valor fixo por unidade; IV) ausência de fundamento legal para a aplicação de multa regulamentar, já que o entendimento de que a falta de ressarcimento a CMB configura prática prejudicial ao normal funcionamento do Sicobe decorre do disposto na Instrução Normativa RFB n. 869/2008, artigo 13, §2º, vigente à época dos fatos, mencionado no Relatório Fiscal, norma que extrapola o conteúdo da lei que visa regulamentar, havendo vício de ilegalidade; V) Violação aos princípios da vedação ao efeito de confisco, capacidade contributiva, razoabilidade e proporcionalidade; A Impugnação foi julgada improcedente pela DRJ, razão pela qual o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, aduzindo novamente suas razões da Impugnação. Fl. 88064DF CARF MF Processo nº 10872.720087/201514 Acórdão n.º 3402005.239 S3C4T2 Fl. 3 3 O Contribuinte juntou petição informando que o processo administrativo nº 184707200.865/201348, que trata da aplicação da multa no ano de 2012, foi anulado em primeira instância na Ação Anulatória de Débito Fiscal, tombada sob o nº 0085588 44.2016.4.02.5101 e em tramite perante a 12ª Vara Federal do Rio de Janeiro, sob fundamento da natureza tributária do ressarcimento ao Sicobe. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. Há uma razão bastante evidente para o provimento do Recurso Voluntário do Contribuinte: a retroatividade benigna do Ato Declaratório Executivo Cofis nº 94/2016. Nos termos do voto proferido pela Ilustre Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, no Processo nº 13830.720655/201481: Posteriormente à autuação, a Lei nº 13.097/2015 realmente revogou o art. 58T da Lei nº 10.833/2003, o qual dispunha sobre as obrigações acessórias de instalar equipamentos contadores de produção para empresas que industrializam as bebidas especificadas, bem como determinava, em caso de irregularidade quanto a essa obrigação acessória, a aplicação da multa prevista no art. 30 da Lei n°11.488/2007, cabível originalmente no âmbito do controle de cigarros; no entanto, manteve a mesma determinação nos arts. 14 e 35, nos seguintes termos: LEI Nº 13.097, de 19 de janeiro de 2015 DOU de 20.1.2015 Art. 14. Observado o disposto nesta Lei, serão exigidos na forma da legislação aplicável à generalidade das pessoas jurídicas a Contribuição para o PIS/PASEP, a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, a Contribuição para o PIS/PASEPImportação, a COFINSImportação e o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI devidos pelos importadores e pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização e comercialização dos produtos classificados nos seguintes códigos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 7.660, de 23 de dezembro de 2011: (Vigência) Regulamento (Vigência) I 2106.90.10 Ex 02; II 22.01, exceto os Ex 01 e Ex 02 do código 2201.10.00; Fl. 88065DF CARF MF 4 III 22.02, exceto os Ex 01, Ex 02 e Ex 03 do código 2202.90.00; e IV 22.02.90.00 Ex 03 e 22.03. Parágrafo único. O disposto neste artigo, em relação às posições 22.01 e 22.02 da TIPI, alcança, exclusivamente, água e refrigerantes, chás, refrescos, cerveja sem álcool, repositores hidroeletrolíticos, bebidas energéticas e compostos líquidos prontos para o consumo que contenham como ingrediente principal inositol, glucoronolactona, taurina ou cafeína. (...) Art. 35. As pessoas jurídicas que industrializam os produtos de que trata o art. 14 ficam obrigadas a instalar equipamentos contadores de produção, que possibilitem, ainda, a identificação do tipo de produto, de embalagem e sua marca comercial, aplicandose, no que couber, as disposições contidas nos arts. 27 a 30 da Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007. (Vigência) Regulamento (Vigência) Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estabelecerá a forma, limites, condições e prazos para a aplicação da obrigatoriedade de que trata o caput deste artigo, sem prejuízo do disposto no art. 36 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Art. 168. Esta Lei entra em vigor: (...) III no 1o (primeiro) dia do 4o (quarto) mês subsequente ao de sua publicação, em relação aos arts. 14 a 39; (...) Art. 169. Ficam revogados: (...) III a partir do 1o (primeiro) dia do 4o (quarto) mês subsequente ao da publicação desta Lei: (...) b) os incisos VII a IX do § 1o do art. 2o, e os arts. 51, 53, 54 e 58 A a 58V da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003; (...)Não obstante isso, ocorreu que, mediante o Ato Declaratório Executivo Cofis nº 75, de 17 de outubro de 2016, publicado no DOU de 18/10/2016 (seção 1, pág. 12), a recorrente foi expressamente dispensada da obrigação de utilização do SICOBE, nos seguintes termos: Dispõe sobre a não obrigatoriedade de utilização do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe). O COORDENADORGERAL DE FISCALIZAÇÃO da atribuição que lhe confere o art. 8º da Instrução Normativa RFB nº 869, de 12 de agosto de 2008, declara: Fl. 88066DF CARF MF Processo nº 10872.720087/201514 Acórdão n.º 3402005.239 S3C4T2 Fl. 4 5 Art. 1º Ficam os estabelecimentos industriais envasadores de bebidas, relacionados no anexo único deste ato, desobrigados – a partir de 13 de dezembro de 2016 – da utilização do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe) de que trata a Instrução Normativa RFB nº 869, de 2008. Art. 2º Este ato entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. FLÁVIO VILELA CAMPOS ANEXO ÚNICO (...) (...) A seguir, a não obrigatoriedade de utilização do SICOBE foi estendida para todas pessoas jurídicas que antes eram obrigadas, em conformidade com o Ato Declaratório abaixo transcrito: Ato Declaratório Executivo Cofis nº 94, de 12 de dezembro de 2016, publicado no DOU de 14/12/2016 (seção 1, pág. 15) Dispõe sobre a não obrigatoriedade de utilização do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe). O COORDENADORGERAL DE FISCALIZAÇÃO no uso da atribuição que lhe confere o art. 8º da Instrução Normativa RFB nº 869, de 12 de agosto de 2008, declara: Art. 1º Em complemento ao ADE Cofis nº 75, de 17 de outubro de 2016, ficam os estabelecimentos industriais envasadores de bebidas, relacionados no anexo único, desobrigados – a partir de 13 de dezembro de 2016 – da utilização do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe) de que trata a Instrução Normativa RFB nº 869, de 2008. Art. 2º As pessoas jurídicas obrigadas ao Sicobe e que, porventura, não estiverem relacionadas neste ato, ou naquele supramencionado, estão igualmente desobrigadas a partir da data constante no art. 1º. [destaquei] Art. 3º Este ato entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. FLÁVIO VILELA CAMPOS Anexo único (...) Observe que é prerrogativa da Receita Federal regulamentar a aplicação da obrigatoriedade de utilização dos equipamentos contadores de produção, inclusive para dispensála, nos termos do parágrafo único do art. 35 da Lei nº 13.097/2015 e do art. 36, caput, §1º, II da Medida Provisória nº 2.15835/2001: LEI Nº 13.097, DE19 DE JANEIRO DE 2015 Art. 35. (...) Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estabelecerá a forma, limites, condições e prazos para a aplicação da obrigatoriedade de que trata o caput deste artigo, sem prejuízo do disposto no art. 36 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Fl. 88067DF CARF MF 6 MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.15835, DE 24 DE AGOSTO DE 2001. Art. 36. Os estabelecimentos industriais dos produtos classificados nas posições 2202 e 2203 da TIPI ficam sujeitos à instalação de equipamentos medidores de vazão e condutivimetros, bem assim de aparelhos para o controle, registro e gravação dos quantitativos medidos, na forma, condições e prazos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. (Vide Lei nº 11.051, de 2004) §1o A Secretaria da Receita Federal poderá: (...) II dispensar a instalação dos equipamentos previstos neste artigo, em função de limites de produção ou faturamento que fixar. Assim, diante da dispensa de obrigatoriedade de utilização do SICOBE Sistema de Controle de Produção de Bebidas para todas as pessoas jurídicas antes obrigadas, temse que a anormalidade de funcionamento desse sistema deixou de ser tratada como contrária a qualquer exigência de ação e omissão. Conforme decidido TRF 3ª Região (Relatora: Eliana Marcelo) na Apelação Cível cuja ementa segue abaixo, o custeio dos serviços de instalação e manutenção dos equipamentos do SICOBE não tem natureza de tributo: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO. ARTIGO 557, § 1º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. ADMINISTRATIVO. SISTEMA DE CONTROLE DE PRODUÇÃO DE BEBIDAS SICOBE. ATRIBUIÇÃO DA CASA DA MOEDA. MANUTENÇÃO E UTILIZAÇÃO. NATUREZA DE RESSARCIMENTO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA DO ARTIGO 13 DA IN RFB Nº 869/08. POSSIBILIDADE. AGRAVO DESPROVIDO. 1. O ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil, pelos serviços prestados de integração, instalação e manutenção preventiva e corretiva de todos os equipamentos do SICOBE, não se enquadra no conceito de tributo. Precedente desta Corte Regional. 2. O art. 58T da Lei n.º 10.833/2003, com a redação dada pela Lei n.º 11.827/2008, fruto da conversão da Medida Provisória n.º 436/2008, criou para as empresas que industrializam alguns tipos de bebidas, a obrigação tributária acessória de permitir a instalação de contadores de produção, a cargo da Casa da Moeda do Brasil, assim como custear os serviços por esta prestados de "integração, instalação e manutenção preventiva e corretiva de todos os equipamentos", na forma de ressarcimento. 2. O ressarcimento não se confunde com a obrigação acessória de permitir a instalação dos equipamentos, mas lhe é decorrente, possuindo, portanto, natureza de custeio dos serviços de instalação e manutenção preventiva e corretiva dos equipamentos do SICOBE, realizados pela Casa da Moeda do Brasil, como prevê o artigo 28, § 2º da Lei n.º 11.488/2007. 3. A primeira relação jurídica, obrigação acessória de permissão de instalação dos equipamentos, tem como sujeitos a União e a empresa produtora, decorrendo de exigência da arrecadação e fiscalização. Já, no tocante à Fl. 88068DF CARF MF Processo nº 10872.720087/201514 Acórdão n.º 3402005.239 S3C4T2 Fl. 5 7 relação ensejadora do ressarcimento, temse como sujeitos a Casa da Moeda do Brasil e a empresa fabricante, não havendo que se falar, destarte, em tributo, porque a Casa da Moeda não é ente tributante e porque se trata de relação jurídica de cunho privado. Destarte, não se trata de imposto, pois este não se confunde com o custeio, em sentido amplo, do selo e equipamentos necessários, embora estes sejam destinados a garantir sua cobrança, configurando mera obrigação acessória e não principal (tributo). 4. Não há falar, ainda, em taxa porquanto a hipótese de ressarcimento do custo do equipamento não se confunde com o exercício do poder de polícia administrativa ou com o uso de serviço público, já que não se trata de utilização de serviço público específico e divisível, tampouco de preço público, porquanto não decorre de obrigação assumida voluntariamente. 5. Não se tratando de tributo, mas de cobrança de obrigação decorrente de relação de direito privado, não tem pertinência a Súmula 70 ("É inadmissível a interdição de estabelecimento como meio coercitivo para cobrança de tributo") ou a Súmula 323 ("É inadmissível a apreensão de mercadorias como meio coercitivo para pagamento de tributos"), ambas do Supremo Tribunal Federal. (...) 14. Não há no agravo elementos novos capazes de alterar o entendimento externado na decisão monocrática. 15. Agravo não provido. (TRF3 AMS: 00033996420134036110 SP 0003399 64.2013.4.03.6110, Relator: JUÍZA CONVOCADA ELIANA MARCELO, Data de Julgamento: 28/01/2016, TERCEIRA TURMA, Data de Publicação: eDJF3 Judicial 1 DATA:05/02/2016) Dessa forma, tendo em vista que também não constam nos autos qualquer informação acerca de eventual ato fraudulento, entendo aplicável a retroatividade benigna prevista no art. 106, II, "b" do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nesse mesmo sentido foi decidido por este Colegiado, por unanimidade de votos, no Acórdão nº 3402004.133 – Recurso Voluntário, em sessão de 23 de maio de 2017. Fl. 88069DF CARF MF 8 Desse modo, resta claro que a exigência foi dispensada a todas as pessoas jurídicas obrigadas ao Sicobe, retroagindo beneficamente nos termos do art. 106, II, b do Código Tributário. Tratandose de ato não definitivamente julgado, a norma nova aplicase a ato ou fato pretérito, quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado falta de pagamento de tributo, nos termos do art. 106, II, "b" do CTN. Mediante o Ato Declaratório Executivo Cofis nº 94/2016, publicado em 14/12/2016, foram dispensadas da obrigatoriedade de utilização do Sicobe (Sistema de Controle de Produção de Bebidas) todas as pessoas jurídicas antes obrigadas, de forma que a anormalidade de funcionamento desse sistema deixou de ser tratada como contrária a qualquer exigência de ação e omissão Restam prejudicados os demais argumentos do contribuinte, sobretudo aqueles que pugnam pela inconstitucionalidade da sanção, por ofensa à capacidade contributiva e não confisco, por vedação expressa da Súmula CARF nº 02. Assim, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 88070DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10746.900593/2011-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.592
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Recurso interposto em relação ao Acórdão nº 0350.437, de 31 de janeiro de 2013, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (fls. 99 a 106), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo. O presente processo cuida da Declaração de Compensação (DCOMP) nº 40052.353330.200907.1.3.046718 (fls. 21 a 26), por meio da qual a contribuinte compensou débito de sua responsabilidade referente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), período de apuração de agosto de 2007, no valor de R$ 486,01, com crédito RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 46 .9 00 59 3/ 20 11 -1 5 Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10746.900593/201115 Resolução nº 1302000.592 S1C3T2 Fl. 262 2 decorrente de suposto pagamento indevido ou a maior a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). O crédito em questão, no valor de R$ 345,84, originarseia de pagamento efetuado em 15/12/2004, no montante de R$ 1.011,37; e não foi reconhecido pelo Despacho Decisório de fl. 12, por se encontrar inteiramente utilizado para quitação de débito da contribuinte, de modo que a compensação declarada não foi homologada. Cientificado, o sujeito passivo apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 2 a 11, na qual sustentou que, por equívoco, na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), relativa ao anocalendário de 2004, e na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), referente ao quarto trimestre do citado ano calendário, informou débito a título de CSLL, regime de apuração baseado no Lucro Presumido, calculado a partir da aplicação do percentual de 32% sobre a sua receita bruta. Contudo, em decorrência da sua atividade, estaria sujeito à CSLL, sobre o Lucro Presumido, calculada com base na aplicação da alíquota de 12% sobre a sua receita bruta. Invocou o princípio da verdade material e apresentou elementos que, no seu entender, comprovariam o erro de fato e o indébito em questão (DIPJ retificadora, cópias parciais dos livros Diário, Razão e Registro de notas fiscais de serviços prestados, bem como cópias das notas fiscais do período). Relatou, ainda, haver procedido à retificação da DIPJ referente ao ano calendário de 2004, e apresentou diversas decisões de Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento que respaldariam o crédito pleiteado. Em dezembro de 2012, o sujeito passivo apresentou o documento de fls. 97 e 98, intitulado "Resumo do Manifesto de Inconformidade P.J.", no qual, além de reiterar os termos da sua Manifestação Inconformidade, esclarece que deixou de retificar a DCTF do 4º trimestre de 2004, uma vez que, no momento em que constatou a necessidade de tal retificação, já se teria operado a decadência do seu direito de alterar o referido documento. A decisão de primeira instância (fls. 99 a 106) considerou que a Recorrente não havia apresentado documentação suficiente capaz de "demonstrar a natureza das atividades a que se referiram os rendimentos declarados e que poderia esclarecer qual(is) o(s) correto(s) percentual(is) aplicável(is), se de 12%, tal como pretendido, se de 32%, ou mesmo de percentuais diversificados, conforme § 2º do artigo 15 da Lei nº 9.249/95", de modo que o alegado indébito não se revestiria da liquidez e certeza necessárias ao reconhecimento do direito creditório, nos termos do art. 170 do CTN. Registrou, ainda, que as decisões administrativas colecionadas pela pessoa jurídica não possuíam caráter de normas complementares, nem efeitos vinculantes. Deste modo, não reconheceu o direito creditório do sujeito passivo. Após a ciência, comprovada às fls. 107/108, foi interposto o Recurso de fls. 110 a 120, por meio do qual a Recorrente, após reiterar as razões contidas na Manifestação de Inconformidade, sustenta que tem como cliente contratante, na maioria dos serviços prestados, o Poder Público, sendo a prática e costume os contratos de obras públicas serem formalizados sob a sistemática da empreitada global. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10746.900593/201115 Resolução nº 1302000.592 S1C3T2 Fl. 263 3 Aduz que os documentos já apresentados, em especial as notas fiscais de serviço, são elementos hábeis a demonstrar se tratar de serviços prestados com fornecimento de material. Invoca a aplicação do princípio in dúbio pro contribuinte (calcado no art. 112, inciso II, do CTN) ou, ainda, a realização de diligência para juntada aos autos dos contratos de prestação de serviço. Contudo, com base no art. 16, §4º, alínea c, do Decreto nº 70.235, de 1972, combinado com o §5º do referido dispositivo, já traz aos autos os mencionados contratos de prestação de serviço, que comprovariam o direito pleiteado. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator Como já relatado, tratase de Declaração de Compensação (DComp) referente a pagamento efetuado, em 15/12/2004, a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativo ao 4ª trimestre do anocalendário de 2004. O crédito compensado decorreria do fato de a Recorrente haver confessado na DCTF e recolhido a CSLL, apurada sob o regime de apuração baseado no Lucro Presumido, a partir da aplicação do percentual de 32% sobre a sua receita bruta, quando, em decorrência da receita se referir à atividade de construção civil com fornecimento de material, o percentual aplicável para a determinação do Lucro Presumido ser o de 12%, conforme art. 20 da Lei nº 9.249, de 1995. O direito creditório invocado não foi reconhecido pelo Despacho Decisório de fl. 12, por se encontrar inteiramente utilizado para quitação de débito da contribuinte, de modo que a compensação declarada não foi homologada. Por outro lado, a Manifestação de Inconformidade do sujeito passivo foi julgada improcedente por se considerar que os elementos juntados aos autos não são suficientes para comprovar que os serviços prestados pela Recorrente incluem o fornecimento de todo o material necessário à sua realização. Nos termos do art. 20 da Lei nº 9.249, de 1995, a base de cálculo da CSLL devida pelas pessoas jurídicas que apuram o IRPJ com base no Lucro Presumido, corresponderá a doze por cento da receita bruta, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1º do art. 15 daquele diploma legal, dentre as quais se inclui a prestação de serviços em geral, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. O citado art. 15 foi interpretado pelo Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 1997, que esclareceu que, para a determinação da base de cálculo do IRPJ mensal, a construção por empreitada com emprego de qualquer quantidade de materiais se sujeitaria ao percentual de 8% (oito por cento), enquanto incidiria o percentual de 32% (trinta e dois por cento) sobre a receita das atividades de construção por empreitada unicamente de mãodeobra. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10746.900593/201115 Resolução nº 1302000.592 S1C3T2 Fl. 264 4 A Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997, tratava do assunto, nos mesmos moldes do ADN mencionado. Aquele entendimento vigorou até a edição da Instrução Normativa SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004, que definiu como "construção por empreitada com emprego de materiais, a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra". (Destacouse) No caso sob exame, tratandose do anocalendário de 2004, aplicase, portanto, o entendimento que admite o fornecimento de qualquer quantidade de material, para a aplicação do percentual favorecido na determinação da base de cálculo da CSLL. A questão que se põe, portanto, é saber se as provas documentais apresentadas pelo sujeito passivo são (ou não) suficientes para comprovar que as receitas tributadas no trimestre em questão se referem a serviços de construção civil prestados com o fornecimento de material. Ocorre que, previamente à apreciação do Recurso, fazse necessário esclarecimento. É que, dentre os contratos apensados ao Recurso, constatase a existência de instrumentos firmados com a mesma Construtora Monte do Carmo Ltda, CNPJ nº 01.919.293/000178 (fls. 139/144, 146/152, 154/159, 191/198 e 227/236. Por outro lado, os Aditivos de fls. 160/161 e 237/238, aos contratos de fls. 154/159 e 227/236, respectivamente, são firmados com a própria Recorrente. Do mesmo modo, vêse que notas fiscais são emitidas pela Recorrente, em relação aos contratos firmados com a Construtora Monte do Carmo Ltda, e que os valores das referidas receitas estão contabilizadas nos Livros contábeis e fiscais juntados pela Recorrente, e foram considerados na apuração da CSLL devida no período em questão. Isto posto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que o processo retorne à Unidade de origem (DRF/PalmasTO), para que: a) intime o sujeito passivo a esclarecer a existência de notas fiscais e contratos referentes à Construtora Monte do Carmo Ltda, CNPJ nº 01.919.293/000178, na base de cálculo utilizada para a determinação da CSLL relativa ao 4º trimestre do anocalendário de 2004 e do indébito de que trata o presente processo; b) informe os valores efetivamente recolhidos pela Recorrente, a título de CSLL, em relação ao referido período de apuração, detalhando a eventual utilização/disponibilidade dos pagamentos efetuados; c) ao fim, elaborese relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, bem como se manifestando em relação aos esclarecimentos prestados pelo sujeito passo, que deve ser cientificado do resultado, com a concessão de prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Após, reencaminhese o processo a este Colegiado. Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10746.900593/201115 Resolução nº 1302000.592 S1C3T2 Fl. 265 5 (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 265DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.727981/2013-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2009
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ATO DE CONTROLE.
O Mandado de Procedimento Fiscal manifesta-se como elemento de controle interno da administração tributária e não influi na validade do lançamento, que é pautado pelos requisitos do artigo 142 do Código Tributário Nacional. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração.
A ciência do sujeito passivo ao MPF e suas prorrogações se dá mediante consulta na página da RFB na Internet, com a utilização do código de acesso informado ao contribuinte no termo inicial da ação fiscal.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Limitando-se a impugnação a questionar matéria preliminar, considera-se não impugnada a matéria de mérito que constitui o objeto do lançamento.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.657
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, apenas quanto à preliminar de nulidade por vício no Mandado de Procedimento Fiscal e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. Processo julgado em sessão de julgamento do dia 19/04/2018, no período da tarde.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Cássio Schappo (suplente convocado).
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2009 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ATO DE CONTROLE. O Mandado de Procedimento Fiscal manifesta-se como elemento de controle interno da administração tributária e não influi na validade do lançamento, que é pautado pelos requisitos do artigo 142 do Código Tributário Nacional. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração. A ciência do sujeito passivo ao MPF e suas prorrogações se dá mediante consulta na página da RFB na Internet, com a utilização do código de acesso informado ao contribuinte no termo inicial da ação fiscal. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Limitando-se a impugnação a questionar matéria preliminar, considera-se não impugnada a matéria de mérito que constitui o objeto do lançamento. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, apenas quanto à preliminar de nulidade por vício no Mandado de Procedimento Fiscal e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. Processo julgado em sessão de julgamento do dia 19/04/2018, no período da tarde. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Cássio Schappo (suplente convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2009 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ATO DE CONTROLE. O Mandado de Procedimento Fiscal manifestase como elemento de controle interno da administração tributária e não influi na validade do lançamento, que é pautado pelos requisitos do artigo 142 do Código Tributário Nacional. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração. A ciência do sujeito passivo ao MPF e suas prorrogações se dá mediante consulta na página da RFB na Internet, com a utilização do código de acesso informado ao contribuinte no termo inicial da ação fiscal. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Limitandose a impugnação a questionar matéria preliminar, considerase não impugnada a matéria de mérito que constitui o objeto do lançamento. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, apenas quanto à preliminar de nulidade por vício no Mandado de Procedimento Fiscal e, na parte conhecida, em negarlhe provimento. Processo julgado em sessão de julgamento do dia 19/04/2018, no período da tarde. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 79 81 /2 01 3- 39 Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10580.727981/201339 Acórdão n.º 3201003.657 S3C2T1 Fl. 94 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Cássio Schappo (suplente convocado). Relatório Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Contra a contribuinte identificada no preâmbulo foram lavrados os autos de infração às fls. 02/15, formalizando lançamento de ofício do crédito tributário discriminado, relativo aos períodos de apuração de 31/01 a 31/122009, incluindo juros de mora e multa proporcional, totalizando R$ 705.183,81: Segundo a descrição dos fatos dos autos de infração, que remete ao Termo de Verificação Fiscal integrante das peças acusatórias (fls. 16/20), os lançamentos decorrem de procedimento fiscal que constatou falta de declaração/recolhimento de Cofins e contribuição para o PIS sobre a receita de prestação de serviços escriturada e comprovada no documentário da empresa. Cientificada pessoalmente das exigências em 02/09/2013, a contribuinte apresentou em 30/09/2013 a petição impugnativa acostada às fls. 109/116, impugnando o feito fiscal argumentando que a fiscalização iniciada em 03/02/2012 foi concluída em 30/08/2013, após 578 dias, sem que o MPF fosse prorrogado e o contribuinte tivesse ciência formal de sua prorrogação, o que implica nulidade dos autos de infração. O argumento tem como sustentação os arts. 12, 13 e 15 da Portaria RFB nº. 4.066, de 2007, acrescentando que, a desobediência aos prazos fixados na norma posta atropela o art. 145, § 1º., da CF/88, o art. 196 do CTN e os arts. 1º e 2º da Lei nº. 9.784, de 1999, citando, ainda, em defesa de sua tese, Acórdão do então Conselho de Contribuintes que decidiu por declarar nulo o lançamento cientificado após o prazo de validade do MPFF correspondente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF por intermédio da 2ª Turma, no Acórdão nº 0358.918, sessão de 31/12/2014, julgou improcedente a impugnação do contribuinte. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/2009 a 31/12/2009 Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10580.727981/201339 Acórdão n.º 3201003.657 S3C2T1 Fl. 95 3 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Limitandose a impugnação a questionar questão preliminar, considerase não impugnada a matéria de mérito que constitui o objeto do lançamento. MPF. PRORROGAÇÕES. CIÊNCIA AO SUJEITO PASSIVO. A ciência do sujeito passivo ao MPF e suas prorrogações se dá mediante consulta na página da RFB na Internet, com a utilização do código de acesso informado ao contribuinte no termo inicial da ação fiscal. PIS. IMPUGNAÇÃO COMUM. Em se tratando de impugnação comum, aplicase ao lançamento da contribuição para o PIS o decidido em relação ao lançamento da Cofins. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário repisando os argumentos de nulidade do auto de infração decorrentes de supostas irregularidades nas alteração do MPF. Acrescentase que inovou com uma única matéria de mérito, sob o título " 2.1 DA APURAÇÃO E REVISÃO DOS CÁLCULOS APURADOS EM RELAÇÃO AO PIS E COFINS". É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A matéria passível de apreciação neste voto cingese apenas à questão preliminar, relativa à validade do MPF e anteriormente suscitada na impugnação, ante a impossibilidade de se analisar questões de mérito eventualmente trazidas em recurso, já fulminadas pela preclusão, como bem destacado na decisão recorrida. Conforme anteriormente relatado, a autuada pugna pela nulidade dos autos de infração impugnados, sob a alegação de que a feitura dos instrumentos desrespeitou requisito essencial à sua validade, determinado pela Portaria RFB nº. 4.066, de 2007. Limitandose à defesa a esta questão preliminar, sem atacar a matéria objeto dos lançamentos, o mérito da autuação constitui matéria incontroversa, por não haver sido expressamente Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10580.727981/201339 Acórdão n.º 3201003.657 S3C2T1 Fl. 96 4 contestada, tornandose matéria preclusa, insuscetível de questionamento em eventual recurso voluntário, à luz do que prescreve o art. 17 do Dec. nº. 70.235, de 1972, com a redação da Lei nº. 9.532, de 1997, verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. A recorrente protesta contra a decisão recorrida de que não impugnou a matéria de mérito da autuação, a saber, o lançamento do PIS e Cofins. Os argumentos para refutar a preclusão consubstanciamse na refutação genérica da integralidade do lançamento e na ausência de concordância com os valores apurados pela fiscalização. Vejase excertos de seu recurso (fls. 148/149): 2 DO MÉRITO A recorrente discorda plenamente, o relato da pag. 3 no segundo parágrafo do acórdão, que a empresa limitouse a defesa na questão preliminar conforme premissas abaixo: (...) b) A Empresa impugnou tempestivamente o processo como um todo, de forma global, com suas argumentações lógicas e cabíveis, uma vez que o crédito tributário, consequente do ato norma de lançamento tributário, para ser alterado requer outra norma individual e concreta que invalide a norma original instituidora do crédito. Segundo o art. 145 do CTN , o lançamento regularmente notificado ao contribuinte so pode ser alterado em virtude de: "I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de oficio da autoridade administrativa, nos casos previstos no art. 149. (...) d) A empresa no seu requerimento, constante na defesa inicial, requer o cancelamento do lançamento tributário, na SUA TOTALIDADE, não há em nenhum momento o reconhecimento dos valores supostamente apurados. tornando assim a matéria [sic] preculsa, a qual reproduzimos assim este significado: (...) Como se vê, a recorrente reconhece que o mérito não foi impugnado expressamente, eis que refutado no todo e genericamente, sob argumento de discordância com o valor autuado. A teor do art. 17 do PAF acima reproduzido, a matéria deve ser impugnada expressamente, precluindo o direito de fazêla em momento posterior. Facilmente constatase a ausência de contestação do mérito. Basta verificar as matérias aduzidas em impugnação e aquelas inovadas em sede de recurso voluntário. Na impugnação desenvolveu os tópicos de defesa: Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10580.727981/201339 Acórdão n.º 3201003.657 S3C2T1 Fl. 97 5 "2. PRELIMINARES DE NULIDADES DO AUTO DE INFRAÇÃO 2.1 Extrapolado o prazo máximo para a conclusão dos trabalhos 2.2 Questões preliminares, prejudiciais c meritórias 2.3 Invocação de preliminares de nulidades absolutas (Terminativas) No requerimento final, postulou: Diante do exposto, requerse seja julgada procedente a presente impugnação ao A.I do PIS e COFINS, cancelando totalmente o presente Auto de Infração, para fins de reconhecer: 5.1 A nulidade ab initio do auto de infração, acolhendose as preliminares arguidas: a) A atuação não foi conduzida segundo padrões éticos de probidade, decoro e boafé, observando a lei e o direito, fato que venho requer a nulidade do auto de infração por flagrante desrespeito aos direitos do contribuinte, conforme exposto no item 2.1; Diante do exposto, requerse seja provida o presente impugnação, para fins de e reconhecer a ocorrência da nulidade, bem como a improcedência pelas razões de fato e de direito, do Auto de Infração da Receita Federal quanto ao direito de constituir o crédito tributário relativo ao ano base 2009. Comparando, temse que no recurso voluntário aduziu as questões: " 1 RESUMO DOS FATOS E FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA" no qual repisou os argumentos de nulidade do auto de infração decorrente das irregularidades do MPF. "2.1 DA APURAÇÃO E REVISÃO DOS CÁLCULOS APURADOS EM RELAÇÃO AO PIS E COFINS.", expondo os argumentos para o cancelamento do auto de infração de PIS/Cfins. "3. DO PEDIDO", assim enunciados: Em face às razões expendidas, requer a Recorrente que seja conhecido e processado regularmente o presente Recurso Voluntário pela competente Câmara de Julgamento desse CARF. objetivando o provimento do seu pedido, no sentido de que seja reformado o acórdão 2a Turma DRJ/BSB no. 0358.919, no sentido de reconhecer a NULIDADE e/ou improcedência do auto de infração, referente ao PIS E COFINS. Requer que seja deferida caso seja necessário, uma perícia, e que seja encaminhado administrativamente á PROCURADORIA, no sentido de que seja feita, visando dirimir dúvidas sobre tudo o quanto alegado neste Recurso, nomeadamente quanto à infração Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10580.727981/201339 Acórdão n.º 3201003.657 S3C2T1 Fl. 98 6 do PIS e COFINS para emitir parecer opinativo, face ás argumentações e provas acostadas. Outrossim, requer no julgamento do presente recurso que seja intimado o contribuinte para que efetue sua SUSTENTAÇÃO ORAL, através de seus Profissionais, Contador e Advogado, visando dirimir dúvidas sobre tudo o quanto alegado neste Recurso. Observando as matérias e argumentos de defesa, temse que na impugnação não houve qualquer contestação expressa com razões de mérito, caracterizandose a preclusão; no recurso voluntário, o tópico "2.1" inova com os fundamentos de mérito. Destarte, reconheço a preclusão da matéria de mérito inovada em sede de recurso voluntária. Passo ao enfrentamento da única matéria suscitada em impugnação para a qual houve recurso voluntário. Nulidade do Auto de Infração irregularidade no MPF Em sede de impugnação a contribuinte alega a nulidade do auto de infração em razão de irregularidade na prorrogação e validade temporal do MPF nº 05.01.002011 008410, emitido em 03/02/2012. Continua sua argumentação sustentando que a teor do art. 9º da Portaria RFB nº 3.014/2014, que regula o Procedimento Fiscal, as alterações no Mandado decorrentes de prorrogação devem ser cientificadas ao contribuinte nos termos do parágrafo único do art. 4º da mesma Portaria. Reproduzse o dispositivos: Art. 4 º O MPF será emitido exclusivamente na forma eletrônica e assinado pela autoridade emitente, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. Parágrafo único. A ciência do MPF pelo sujeito passivo darseá no sítio da RFB na Internet, no endereço < http://www.receita.fazenda.gov.br >, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. De pronto, de se ver que não assiste qualquer razão à recorrente. A ciência não é formal, mas sim mediante consulta com o código acesso no sítio da Receita Federal, no endereço eletrônico informado no próprio dispositivo. Não se exige qualquer procedimentos fiscal para cientificar o contribuinte acerca do MPF; é providência a cargo do interessado. Igualmente, inexiste irregularidade nas prorrogações de forma que pretensamente restaria o procedimento fiscal desamparado de MPF. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10580.727981/201339 Acórdão n.º 3201003.657 S3C2T1 Fl. 99 7 No procedimento fiscal, o MPF foi regularmente prorrogado (fl. 131) estando vigente até a data de ciência no auto de infração (03/09/2013), conforme imagem: Ressaltase, conquanto houvesse irregularidade na prorrogação do MPF não estaria maculado o auto de infração. É pacífico nas Turmas deste Conselho que eventuais irregularidades formais ou materiais no MPF não são passíveis de nulidade do procedimento fiscal ou auto de infração, mormente em virtude de ausência de prejuízo à parte. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10580.727981/201339 Acórdão n.º 3201003.657 S3C2T1 Fl. 100 8 Ademais, o MPF é instrumento de controle interno de procedimentos fiscais e em nenhum momento limita ou condiciona o lançamento efetuado pela autoridade fiscal, desde que atendidos os pressupostos de validade do art. 142 do CTN. Nesta turma, o entendimento é unânime, como exarado no acórdão nº 3201 003.146, sessão de 25/09/2017, de relatoria do conselheiro Windereley Morais Pereira: MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração. A discussão acerca do MPF de que trata estes autos foi enfrentada por Turma deste CARF em processo que decorreu de mesmo procedimento fiscal em face de ISOREL LOCACAO E SERVICOS LTDA.. Tratase do PAF nº 10580.727986/201361, julgado em 21/01/2016, acórdão nº 1201001.289, que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2009 Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ATO DE CONTROLE. O Mandado de Procedimento Fiscal manifestase como elemento de controle interno da administração tributária e não influi na validade do lançamento, que é pautado pelos requisitos do artigo 142 do Código Tributário Nacional. Na ocasião a Turma decidiu por unanimidade de voto negar provimento ao recurso voluntário afastandose "todas as alegações de nulidade suscitadas pela Recorrente, com fundamento na invalidade dos lançamentos por supostos vícios decorrentes do Mandado de Procedimento Fiscal mencionado neste processo, restando também prejudicadas eventuais questões de mérito, por força do disposto no artigo 17 do Decreto n. 70.235/72." Conclusão Diante de todo o exposto, VOTO para conhecer do recurso exclusivamente quanto à preliminar de nulidade por vício no Mandado de Procedimento Fiscal e NEGARLHE PROVIMENTO. Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10580.727981/201339 Acórdão n.º 3201003.657 S3C2T1 Fl. 101 9 Fl. 180DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.721306/2016-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2011
NULIDADE DO LANÇAMENTO. DEFICIÊNCIA NA IDENTIFICAÇÃO DA INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. CLAREZA DE FUNDAMENTOS NO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL
A alegação de nulidade do lançamento de ofício, sob o argumento de cerceamento de defesa e violação ao art. 142 do CTN, diante da suposta carência de investigação e esforços da Fiscalização na identificação da infração, não se sustenta quando verificada a adequada confecção da Autuação, constando no TVF a conclusão de sua analise técnica, bem como fundamentação jurídica clara.
Quando alegado, o prejuízo à defesa do contribuinte precisa ser objetivamente demonstrado para implicar em nulidade do lançamento procedido.
PENALIDADES. PRINCÍPIOS DO NÃO CONFISCO DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE. MULTA DE OFÍCIO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL.
O conhecimento de alegações referentes à violação de princípios constitucionalmente prestigiados, como fundamento para o afastamento ou a redução de multas, é vedado aos membros deste E. CARF, seja por força do art. 26-A do Decreto nº 70.235/72 ou da Súmula CARF nº 2.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. SUMULA CARF Nº 4.
Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CARÊNCIA DE PROVAS. PRESUNÇÃO. POSSIBILIDADE E VALIDADE.
A Lei nº 9.430/1996, no seu art. 42, estabelece uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento de ofício dos tributos correspondentes sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem e a natureza dos recursos lá creditados.
LEI COMPLEMENTAR 105/2001. REVOGAÇÃO TÁCITA DO ARTIGO 42 DA LEI 9.430/96. INOCORRÊNCIA.
É improcedente a alegação de que, a partir da vigência da Lei Complementar nº 105/2001, caberia ao Fisco o ônus da prova da origem dos depósitos bancários, pois estaria revogado tacitamente o art. 42 da Lei nº 9.430/96.
A norma veiculada no §4º do art. 5º da referida Lei Complementar versa especificamente sobre prerrogativas das Autoridades Fiscais diante de questões de sigilo bancário, não estando a presunção de omissão de receitas condicionada aos meios e à autonomia do seu poder de fiscalização.
OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO RELATIVA. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. ADEQUAÇÃO DO CONJUNTO PROBATÓRIO.
A legítima constatação de omissão de receitas tributáveis constitui presunção relativa, cabendo ao contribuinte o ônus da prova da insubsistência da infração. As alegações do contribuinte devem ser cabalmente comprovadas através de meio hábil para elidir a acusação fiscal, contando com documentos idôneos, juridicamente válidos e diretamente relacionados aos créditos questionados.
OMISSÃO DE RECEITAS. CONTRIBUIÇÕES. LANÇAMENTO REFLEXO.
No que tange à acusação de omissão de receitas, quando ausentes fundamentos distintos, aquilo decidido em relação ao IRPJ também motiva a manutenção ou a exoneração das exigências de Contribuição para o PIS e de COFINS.
COMPROVAÇÃO DE CUSTOS E DESPESAS. PROVA HÁBIL. AUSÊNCIA. INDEDUTIBILIDADE.
Quando apontada pelo Fisco, de maneira fundamentada, clara e determinada, a carência de comprovação da ocorrência da despesa deduzida ou de algum elemento que lhe compõe, fica o contribuinte sujeito a demonstrar a improcedência do questionamento fiscal ou a sanar tal lacuna probatória.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2011
IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO.
Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão, desde que não presentes arguições especificas e elementos de prova distintos.
Numero da decisão: 1402-002.957
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar suscitada e no mérito negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2011 NULIDADE DO LANÇAMENTO. DEFICIÊNCIA NA IDENTIFICAÇÃO DA INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. CLAREZA DE FUNDAMENTOS NO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL A alegação de nulidade do lançamento de ofício, sob o argumento de cerceamento de defesa e violação ao art. 142 do CTN, diante da suposta carência de investigação e esforços da Fiscalização na identificação da infração, não se sustenta quando verificada a adequada confecção da Autuação, constando no TVF a conclusão de sua analise técnica, bem como fundamentação jurídica clara. Quando alegado, o prejuízo à defesa do contribuinte precisa ser objetivamente demonstrado para implicar em nulidade do lançamento procedido. PENALIDADES. PRINCÍPIOS DO NÃO CONFISCO DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE. MULTA DE OFÍCIO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. O conhecimento de alegações referentes à violação de princípios constitucionalmente prestigiados, como fundamento para o afastamento ou a redução de multas, é vedado aos membros deste E. CARF, seja por força do art. 26-A do Decreto nº 70.235/72 ou da Súmula CARF nº 2. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. SUMULA CARF Nº 4. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CARÊNCIA DE PROVAS. PRESUNÇÃO. POSSIBILIDADE E VALIDADE. A Lei nº 9.430/1996, no seu art. 42, estabelece uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento de ofício dos tributos correspondentes sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem e a natureza dos recursos lá creditados. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. REVOGAÇÃO TÁCITA DO ARTIGO 42 DA LEI 9.430/96. INOCORRÊNCIA. É improcedente a alegação de que, a partir da vigência da Lei Complementar nº 105/2001, caberia ao Fisco o ônus da prova da origem dos depósitos bancários, pois estaria revogado tacitamente o art. 42 da Lei nº 9.430/96. A norma veiculada no §4º do art. 5º da referida Lei Complementar versa especificamente sobre prerrogativas das Autoridades Fiscais diante de questões de sigilo bancário, não estando a presunção de omissão de receitas condicionada aos meios e à autonomia do seu poder de fiscalização. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO RELATIVA. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. ADEQUAÇÃO DO CONJUNTO PROBATÓRIO. A legítima constatação de omissão de receitas tributáveis constitui presunção relativa, cabendo ao contribuinte o ônus da prova da insubsistência da infração. As alegações do contribuinte devem ser cabalmente comprovadas através de meio hábil para elidir a acusação fiscal, contando com documentos idôneos, juridicamente válidos e diretamente relacionados aos créditos questionados. OMISSÃO DE RECEITAS. CONTRIBUIÇÕES. LANÇAMENTO REFLEXO. No que tange à acusação de omissão de receitas, quando ausentes fundamentos distintos, aquilo decidido em relação ao IRPJ também motiva a manutenção ou a exoneração das exigências de Contribuição para o PIS e de COFINS. COMPROVAÇÃO DE CUSTOS E DESPESAS. PROVA HÁBIL. AUSÊNCIA. INDEDUTIBILIDADE. Quando apontada pelo Fisco, de maneira fundamentada, clara e determinada, a carência de comprovação da ocorrência da despesa deduzida ou de algum elemento que lhe compõe, fica o contribuinte sujeito a demonstrar a improcedência do questionamento fiscal ou a sanar tal lacuna probatória. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2011 IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO. Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão, desde que não presentes arguições especificas e elementos de prova distintos.
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DEFICIÊNCIA NA IDENTIFICAÇÃO DA INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. CLAREZA DE FUNDAMENTOS NO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL A alegação de nulidade do lançamento de ofício, sob o argumento de cerceamento de defesa e violação ao art. 142 do CTN, diante da suposta carência de investigação e esforços da Fiscalização na identificação da infração, não se sustenta quando verificada a adequada confecção da Autuação, constando no TVF a conclusão de sua analise técnica, bem como fundamentação jurídica clara. Quando alegado, o prejuízo à defesa do contribuinte precisa ser objetivamente demonstrado para implicar em nulidade do lançamento procedido. PENALIDADES. PRINCÍPIOS DO NÃO CONFISCO DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE. MULTA DE OFÍCIO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. O conhecimento de alegações referentes à violação de princípios constitucionalmente prestigiados, como fundamento para o afastamento ou a redução de multas, é vedado aos membros deste E. CARF, seja por força do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 ou da Súmula CARF nº 2. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. SUMULA CARF Nº 4. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 13 06 /2 01 6- 30 Fl. 1282DF CARF MF Processo nº 10166.721306/201630 Acórdão n.º 1402002.957 S1C4T2 Fl. 273 2 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CARÊNCIA DE PROVAS. PRESUNÇÃO. POSSIBILIDADE E VALIDADE. A Lei nº 9.430/1996, no seu art. 42, estabelece uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento de ofício dos tributos correspondentes sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem e a natureza dos recursos lá creditados. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. REVOGAÇÃO TÁCITA DO ARTIGO 42 DA LEI 9.430/96. INOCORRÊNCIA. É improcedente a alegação de que, a partir da vigência da Lei Complementar nº 105/2001, caberia ao Fisco o ônus da prova da origem dos depósitos bancários, pois estaria revogado tacitamente o art. 42 da Lei nº 9.430/96. A norma veiculada no §4º do art. 5º da referida Lei Complementar versa especificamente sobre prerrogativas das Autoridades Fiscais diante de questões de sigilo bancário, não estando a presunção de omissão de receitas condicionada aos meios e à autonomia do seu poder de fiscalização. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO RELATIVA. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. ADEQUAÇÃO DO CONJUNTO PROBATÓRIO. A legítima constatação de omissão de receitas tributáveis constitui presunção relativa, cabendo ao contribuinte o ônus da prova da insubsistência da infração. As alegações do contribuinte devem ser cabalmente comprovadas através de meio hábil para elidir a acusação fiscal, contando com documentos idôneos, juridicamente válidos e diretamente relacionados aos créditos questionados. OMISSÃO DE RECEITAS. CONTRIBUIÇÕES. LANÇAMENTO REFLEXO. No que tange à acusação de omissão de receitas, quando ausentes fundamentos distintos, aquilo decidido em relação ao IRPJ também motiva a manutenção ou a exoneração das exigências de Contribuição para o PIS e de COFINS. COMPROVAÇÃO DE CUSTOS E DESPESAS. PROVA HÁBIL. AUSÊNCIA. INDEDUTIBILIDADE. Quando apontada pelo Fisco, de maneira fundamentada, clara e determinada, a carência de comprovação da ocorrência da despesa deduzida ou de algum elemento que lhe compõe, fica o contribuinte sujeito a demonstrar a improcedência do questionamento fiscal ou a sanar tal lacuna probatória. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011 IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO. Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão, desde que não presentes arguições especificas e elementos de prova distintos. Fl. 1283DF CARF MF Processo nº 10166.721306/201630 Acórdão n.º 1402002.957 S1C4T2 Fl. 274 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar suscitada e no mérito negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 1284DF CARF MF Processo nº 10166.721306/201630 Acórdão n.º 1402002.957 S1C4T2 Fl. 275 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 1219 a 1266), interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo/SP (fls. 1158 a 1185) que manteve integralmente as Autuações sofridas pela Contribuinte (fls. 764 a 837), rejeitando a Impugnação apresentada (fls. 855 a 1030). O processo versa sobre exações de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, referentes ao anocalendário de 2011, acompanhadas de multa ofício (75%), lavradas em face da empresa PAULO OCTAVIO INVESTIMENTO IMOBILIARIOS LTDA. As acusações fiscais que sustentam as Autuações são de 1) omissão de receitas, com base em verificação de depósitos bancários de origem não comprovada, detectados no próprio SPED transmitido pela Contribuinte, invocando o art. 42 da Lei nº 9.430/96 (vide fls. 704), 2) custos/despesas não comprovadas, reduzidos na apuração do Lucro Real, 3) apuração incorreta de receitas em relação ao cálculo dos tributos devidos no ano calendário de 2011 e 4) custos/despesas indedutíveis, excluídas na mesma apuração. Assim descreveuse as infrações: 9. Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada: 9.1. A contribuinte não apresentou documentação hábil para comprovar a origem dos recursos utilizados nos depósitos bancários listados na tabela anexa ao Termo de Constatação Fiscal de 04 de fevereiro de 2016 (fls.493/534; 702/707), embora tenha sido regularmente intimada para isso em mais de uma ocasião (fls.184/195; 484/492). Em sua resposta (fls.708), limitouse a dizer que "todos os documentos apresentados à essa fiscalização são hábeis e comprovam os fatos que originaram os lançamentos apresentados em contabilidade". 9.2. Os valores questionados às fls.704 não foram oferecidos à tributação pela contribuinte, pois não foram computados no lucro líquido dos períodos de apuração referentes ao ano de 2011 (fls.48/63; 191/193; 198; 709), e nem foram objeto de ajustes nas bases de cálculo dos tributos federais (fls.101/121; 762). 9.3. Diante disso, os depósitos bancários de origem não comprovada listados na tabela anexa ao Termo de Constatação Fiscal de 04 de fevereiro de 2016 (fls. 493/534; 702/707) foram Fl. 1285DF CARF MF Processo nº 10166.721306/201630 Acórdão n.º 1402002.957 S1C4T2 Fl. 276 5 considerados como receitas omitidas, conforme autorização contida no art.42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, c/c o art. 24, caput e §2°, da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995. 10. Custos/Despesas Não Comprovados: 10.1. A contribuinte não apresentou documentação apta a comprovar os lançamentos contábeis de custos e despesas relacionados na tabela de fls.759, embora tenha sido regularmente intimada a fazêlo (fls.142/147; 484/492). Para alguns casos, entregou como prova apenas telas capturadas dos seus sistemas internos de informática (fls.154/169). 10.2. O art. 195, parágrafo único, do CTN, determina que: "Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram". 10.3. Além disso, o art. 264 do RIR/99 dispõe que: "a pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei n° 486, de 1969, art.4°)". 10.4. Desse modo, realizouse a adição das quantias listadas na tabela de fls.759 às bases de cálculo apuradas pela empresa no período fiscalizado (fls.101/121), a fim de cobrar o IRPJ e a CSLL que deixaram de ser recolhidos indevidamente aos cofres públicos pelanão observância da legislação tributária federal. 11. Apuração Incorreta de Receitas: 11.1. Identificouse, com base em documentação comprobatória juntada aos autos (fls.199/479), que, em 2011, a contribuinte registrou em contas do passivo exigível (códigos 2.1.01.03.0001.0011 Adiantamentos Clientes Ceilândia Shopping e 2.1.01.03.0001.0012 Ceilândia Shopping) parte das receitas recebidas em decorrência de vendas de unidades do empreendimento Ceilândia Plaza Shopping & Tower (JK Shopping), o que provocou apuração incorreta do lucro bruto. 11.2. Na tabela de fls.752/753, demonstrouse, por amostragem, que, em relação ao referido empreendimento imobiliário, as quantias referentes ao valor nominal das parcelas e aos descontos concedidos foram registradas em contas do passivo exigível (fls.710/716), enquanto que as variações monetárias e os juros/multas recebidos foram escriturados em contas de receita (fls.717/751 grupo de contas n° 4). 11.3. No Termo de Intimação Fiscal n° 2 (fls. 184 a 195), solicitouse à contribuinte o esquema contábil utilizado para o registro das operações de incorporação imobiliária. Em resposta (fls.197), foi informado o seguinte: Fl. 1286DF CARF MF Processo nº 10166.721306/201630 Acórdão n.º 1402002.957 S1C4T2 Fl. 277 6 Os lançamentos que davam subsídio para o registro das operações dos empreendimentos eram os seguintes: [...] Pelo recebimento do preço do sinal e princípio de pagamento e parcelas mensais do contrato: D Bancos C Clientes de Incorporação de Imóveis D Receita Diferida de Incorporação de Imóveis C Receita Operacional de Incorporação de Imóveis (DRE) (destacouse) 11.4. Como se observa pelo lançamento contábil acima destacado, na sistemática utilizada pela empresa, em se tratando de recebimento de valores decorrentes de incorporação imobiliária, o registro a crédito na escrita comercial deveria ocorrer em conta de receita operacional, e não em conta de passivo exigível, conforme identificado no caso de vendas de unidades do empreendimento Ceilândia Plaza Shopping & Tower. Não houve qualquer ajuste nas bases de cálculo dos tributos federais para corrigir essa situação (fls.101/121; 762). Ressaltase que os custos vinculados ao referido empreendimento imobiliário foram devidamente computados na apuração do resultado do exercício (fls.760). 11.5. Nos relatórios financeiros "Guia de Liquidação de Parcelas" (fls.199/479), entregues pela empresa em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 2, é possível identificar, para as diversas unidades dos empreendimentos de incorporação imobiliária, a discriminação das quantias recebidas (valor nominal da parcela, correções, juros e descontos). No caso do Ceilândia Plaza Shopping & Tower, consta, às fls.535/698, uma amostra de contratos referentes a unidades citadas nos referidos relatórios, a fim de comprovar a informação quanto à realização de operações de venda/promessa de venda, e alguns comprovantes de depósitos/extratos bancários (fls.199/479), que corroboram o efetivo recebimento de valores por parte da contribuinte. 11.6. Desse modo, tendo em vista que, ao fim dos períodos de apuração do ano de 2011, o saldo das contas do passivo exigível, códigos 2.1.01.03.0001.0011 – Adiantamentos Clientes Ceilândia Shopping e 2.1.01.03.0001.0012 – Ceilândia Shopping (fls.710/713), não foi transferido para apuração do resultado do exercício, e que não houve qualquer ajuste por adição a esse título nas bases de cálculo levantadas pela empresa (fls.101/121; 762), tornase necessária a realização de lançamento de ofício para cobrança das exações tributárias que deixaram de ser recolhidas aos cofres públicos, dada a apuração incorreta de receitas auferidas pela empresa na escrita comercial. A discriminação dos valores lançados consta às fls.710/716. 12. Custo/Despesa Indedutível: Fl. 1287DF CARF MF Processo nº 10166.721306/201630 Acórdão n.º 1402002.957 S1C4T2 Fl. 278 7 12.1. Identificouse, na escrita comercial da empresa (fls.709; 754/758), o registro de despesas com brindes, sem o correspondente ajuste por adição na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, o que contraria o disposto no art. 13, inciso VII, da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995. 12.2. Diante disso, realizaramse os devidos ajustes nas bases tributáveis de IRPJ e de CSLL levantadas pela empresa no ano calendário de 2011 (fls. 101/121), para adicionar os valores deduzidos na apuração do lucro líquido dos períodos de apuração a título de despesas com brindes (fls.709; 754/758). 13. Sobre os valores de tributos apurados de ofício, foi aplicada a multa de 75%, prevista no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, com as alterações posteriores. (fls. 1161 a 1163 Relatório DRJ) Intimada do lançamento de ofício, a ora Recorrente apresentou regularmente Impugnação, questionando todas as matérias tratadas, alegando, em suma: 1. Ao contrário do que entende a fiscalização, todos os depósitos bancários selecionados pelo Fisco para autuar a impugnante estavam devidamente contabilizados. 1.1. A metodologia de que se valeu o Fisco não está correta, pois consistiu em, sumariamente, considerar os créditos em contas bancárias, para os quais a fiscalizada naquele momento não apresentara de plano a correspondente documentação, como enquadrados na presunção do artigo 42 da Lei nº 9.430/1996. 1.2. A origem dos depósitos em causa foi legal e corretamente consignada nas anotações contábeis e nas declarações ao Fisco, apesar de algumas pequenas falhas de escrituração, sem consequências relevantes no campo tributário. 1.3. Logo, é incabível a aplicação do artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, adotado no auto de infração, o que impõe seja declarada a improcedência do lançamento. 2. De acordo com a Lei Complementar nº 105/2001, a administração fazendária pode quebrar o sigilo bancário dos contribuintes, mas, ao fazêlo, não pode mais tributar os depósitos bancários com base na presunção relativa do artigo 42 da Lei n.° 9.430/96, que considera os depósitos bancários a priori como omissão de receita ou rendimento, até prova em contrário, cabendo concluir que o §4º do artigo 5º da Lei Complementar nº 105/2001 revogou tacitamente o artigo 42 da Lei nº 9.430/1996. 2.1. O depósito bancário é um mero indício de aquisição de disponibilidade de renda ou proventos de qualquer natureza e, como tal, jamais poderia ser considerado "renda" no conceito constitucional, consoante delineado pelo CTN. Diante desta Fl. 1288DF CARF MF Processo nº 10166.721306/201630 Acórdão n.º 1402002.957 S1C4T2 Fl. 279 8 constatação a lei jamais poderia presumir, como base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, a soma desses depósitos bancários como algo novo produzido ou como acréscimo de patrimônio. 2.2. Se a lei anterior utilizavase de presunção relativa na tributação dos depósitos bancários, considerando estes a priori como omissão de rendimento ou receita, até prova em contrário; e se lei complementar posterior determina que o Fisco promova a adequada apuração dos fatos (tributáveis), não há como pretender serem compatíveis tais dispositivos legais, principalmente porque a lei posterior (§4° do artigo 5º da Lei Complementar n.° 105/2001), ao encontrar sustentação de validez nos princípios da tipicidade e da legalidade cerrada da tributação, ao contrário do artigo 42 da Lei n.° 9.430/96, findou por revogar o dispositivo legal anterior. 3. Passase, a comentar a planilha de fls. 704, na qual o Fisco relaciona os elementos colhidos dos extratos bancários da impugnante, supostamente de origem não comprovada, oriundos de duas contascorrentes no Banco do Brasil. 3.1. Os dois primeiros créditos têm os valores de R$11.985.299,35 e de R$14.000.000,00. 3.1.1 No anexo 3, docs. 1 e 2 (fls.927/936), a impugnante demonstra que esses valores dizem respeito a um acordo preliminar transacionado entre ela, a pessoa jurídica "SÃO PAULO INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A" (empresa da qual a impugnante é sócia) e a "ROSSI RESIDENCIAL S/A", que realizaram alguns empreendimentos imobiliários conjuntos. 3.1.2. Na cláusula primeira do acordo, a ROSSI RESIDENCIAL S/A manifesta interesse em adquirir participações acionárias da PAULO OCTÁVIO INVESTIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA e da SÃO PAULO, em sociedades que administram esses empreendimentos imobiliários (fls.928). 3.1.3. Da leitura do item 2.3 da Cláusula Segunda, comprovase que a ROSSI se compromete a fazer adiantamento à PAULO OCTÁVIO INVESTIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA., ora impugnante, no valor de R$11.985.299,35 (fls.930). No item 2.5.1 da mesma Cláusula Segunda, foi estipulado um novo adiantamento, de R$14.000.000,00 (fls.931). 3.1.4. Portanto, por conta do negócio celebrado entre as partes acima citadas, essas parcelas foram depositadas em conta bancária da empresa, mas não ostentavam natureza de "renda", por se tratarem de adiantamentos vinculados ao aperfeiçoamento de um complexo negócio jurídico. 3.2. Seguindo a ordem da planilha de fls. 704, a impugnante comprova no anexo 3, docs. 03 e 04 (fls.937/942), que os depósitos originados de transferências da empresa "Principal" para as suas contas bancárias, nos valores de R$600.000,00 e R$5.677.890,79, decorrem de dois contratos de mútuo Fl. 1289DF CARF MF Processo nº 10166.721306/201630 Acórdão n.º 1402002.957 S1C4T2 Fl. 280 9 celebrados entre as citadas pessoas jurídicas, as quais integram o mesmo conglomerado empresarial e têm o mesmo sócio majoritário. Logo, essas entradas financeiras representaram a assunção de um passivo. 3.3. Os docs. 05 e 06 (fls.943/953), do anexo 3, atestam que os ingressos de R$1.000.000,00 e R$ 450.000,00 têm natureza de lucros distribuídos, pois a impugnante é sócia da ORLA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS S/A SPE. Lucros recebidos constituem rendimentos não tributáveis para a pessoa física ou jurídica beneficiária, a teor do art.9º da Lei n° 9.249/1995. 3.4. O documento 07 (fls.954/965), do anexo 3, comprova a origem do depósito de R$127.500,00, que se refere a lucros recebidos pela participação da impugnante no quadro do "Consórcio Hemoderivados", consoante se extrai de instrumento celebrado em 2008. 3.5. No documento 08 (fls.966/967), do anexo 3, fica demonstrada a origem do depósito de R$509.531,12, que se trata do recebimento de juros sobre o capital próprio, do exercício de 2010, pagos à impugnante pela empresa "Bali Automóveis Ltda.", por sua condição de sócia. 3.6. Quanto aos depósitos de R$ 300.000,00 e de R$ 500.00,00, docs. 09 e 10 (fls.968/969), do anexo 3, provêm de rateios de despesas compartilhadas entre pessoas jurídicas coirmãs, nas quais a impugnante tem participação societária. 3.6.1. Os valores recebidos pela empresa que suportou o gasto total, dentro do critério de rateio, não deve integrar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, tendo em vista não se constituir em acréscimo patrimonial, mas mero reembolso de despesa efetivamente incorrida. 3.6.2. Esse item do lançamento de ofício deve ser cancelado, tanto no auto de infração do IRPJ, como nos autos de infração reflexos, eis que recuperação de despesas rateadas com outras empresas integrantes do mesmo conglomerado econômico não constituem receita, nem renda nova. 3.7. Os documentos 11 a 15 (fls.970/976), do anexo 3, provam as origens dos depósitos de R$831.208,81 (Cond. Civil do Shopping Iguatemi), R$420.000,00 (Saint Paul Plaza), R$315.000,00 (Manhattan H.E.), R$420.000,00 (Paulo Octávio Imobiliária) e R$280.000,00 (Paulo Octávio Imobiliária), todos decorrentes de participações em diversos negócios comerciais e imobiliários, sendo que esses últimos decorrem de contrato firmado entre a empresa "Paulo Octávio Imobiliária e Administradora Ltda." e a impugnante (instrumento contratual às fls.975/976). 4. A respeito do entendimento da fiscalização de que a empresa não teria apresentado documentação de suporte apta a comprovar lançamentos contábeis de custos e despesas, indicados na tabela de fls. 759, cabe esclarecer que esses gastos Fl. 1290DF CARF MF Processo nº 10166.721306/201630 Acórdão n.º 1402002.957 S1C4T2 Fl. 281 10 decorreram da apropriação de custos por reformas e manutenção de imóveis, por reconhecimento de variações monetárias passivas e de despesas financeiras, em face de contratação de financiamentos e de empréstimos, bem como da apuração de custos de obras (documento de fls.978/999). 4.1. Neste caso, o ônus da prova da infração é do Fisco que, todavia, simplesmente considerou todos esses dispêndios como "não comprovados" e efetuou o correspondente lançamento de ofício da diferença de IRPJ e reflexos, transferindo indevidamente à fiscalizada o ônus da prova quando, na espécie, esse encargo é da Fazenda. 5. Segundo o Fisco, a impugnante teria apurado incorretamente o Lucro Bruto referente à venda de unidades imobiliárias. 5.1. A contabilização adotada pela impugnante, quanto a recebimentos, luvas, cauções, adiantamentos e "poupanças" (sinal) provenientes do Ceilândia Plaza Shopping & Tower, está motivada por ação judicial em andamento, intentada pelo Ministério Público do DF, sob a alegação de irregularidades concernentes à área de implantação do complexo em foco, à emissão da carta de "Habitese" e a outras particularidades da legislação urbanística do Distrito Federal. 5.2. A matéria encontrase sub judice, sendo que decisões preliminares vedaram a ocupação da torre de negócios, cujas vendas foram suspensas, bem assim a implantação e abertura de novas lojas no espaço comercial do "shopping", mantidas somente as que já estavam instaladas quando do início da demanda judicial. 5.3. A título ilustrativo e comprobatório das afirmações da impugnante, no anexo 5 da impugnação foi apenso acórdão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios TJDFTs, proferido em face de agravo de instrumento interposto, demonstrando, assim que, a lide em andamento impede que a impugnante reconheça, para quaisquer fins,recursos originados desse empreendimento (fls.1009/1029). 5.4. Portanto, não há apuração incorreta de receitas, por inexistência de qualquer infração à legislação tributária federal, mas sim uma contingência judicial em discussão. 6. O autuante identificou, na escrita comercial da empresa, às fls.709, 754/758, que essa teria registrado gastos com brindes, sem a correspondente adição dos valores ao Lucro Real e à base de cálculo da CSLL, contrariando, assim, o artigo 13, inciso VII, da Lei n.° 9.249, de 1995. 6.1. A impugnante reconhece o equívoco cometido e providenciará o pagamento das diferenças do IRPJ e da CSLL, na forma exigida nos respectivos autos de infração. 7. A fiscalização aplicou severa penalidade pecuniária à impugnante, cujo valor representa 75% dos tributos exigidos. A Fl. 1291DF CARF MF Processo nº 10166.721306/201630 Acórdão n.º 1402002.957 S1C4T2 Fl. 282 11 imposição da multa, no percentual em questão, fere os princípios da razoabilidade, da proporcionalidade, da vedação ao confisco, e da proibição do excesso. 8. A incidência de juros de mora com base na taxa SELIC afrontou diversos princípios constitucionais tributários, bem como o disposto nos artigos 161, §1º do CTN e 192, §3º da CF/88. 8.1. O citado índice nem sequer foi instituído por lei, mas sim por circulares do Banco Central do Brasil autarquia do Poder Executivo sem competência constitucional para tributar, conduta esta vedada por unanimidade na doutrina e jurisprudência, tendo em vista o disposto no art. 5º, II, e no art. 150, I, ambos da CF/88. Ato contínuo, o processo foi encaminhado à 5ª Turma de Julgamento da DRJ/SPO, que julgou totalmente procedente o lançamento, rejeitando a defesa oposta. Confira se a ementa daquele julgado a quo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei nº 9.430/1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. REVOGAÇÃO TÁCITA DO ARTIGO 42 DA LEI 9.430/96. INOCORRÊNCIA. É insustentável a tese segundo a qual, a partir da Lei Complementar n° 105/2001, cabe ao Fisco o ônus da prova da origem dos depósitos bancários, não podendo ser aplicado o art. 42 da Lei 9.430/96, em vista da amplitude de poderes conferidos às autoridades fazendárias, eis que: a) tratase de presunção legal, que não foi derrogada; b) a presunção não se encontra condicionada ao poder de fiscalização do fisco; c) a aceitação da tese implicaria a revogação de todas as demais presunções legais de omissão de receitas, uma vez que o fisco sempre dispôs da prerrogativa de examinar livros e documentos de qualquer contribuinte. ÔNUS DE PROVAR NÃO CUMPRIDO. ALEGAÇÕES GENÉRICAS E JUNTADA DE DOCUMENTOS SEM RELAÇÃO Fl. 1292DF CARF MF Processo nº 10166.721306/201630 Acórdão n.º 1402002.957 S1C4T2 Fl. 283 12 DE IMPLICAÇÃO COM OS FATOS QUE SE PRETENDE PROVAR. Alegações genéricas não contribuem com o ônus da prova, bem como provar por meio de documentos não se encerra na apresentação destes, mas exige que estes sejam apresentados juntamente com uma argumentação que estabeleça uma relação de implicação entre os documentos e o fato que se pretende provar. A simples juntada de documentos não produz prova, ou seja, não resulta no reconhecimento do fato que se pretende provar. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O exame de alegações de ilegalidade e inconstitucionalidade é de exclusiva competência do Poder Judiciário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de disposição expressa em lei, não cabendo aos órgãos do Poder Executivo afastar sua aplicação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Diante de tal revés, a Contribuinte apresentou Recursos Voluntário (fls. 1219 a 1266), em suma, reiterando suas alegações de defesa já trazidas nos autos, bem como apontando especificamente as razões de reforma do v. Acórdão recorrido. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 1293DF CARF MF Processo nº 10166.721306/201630 Acórdão n.º 1402002.957 S1C4T2 Fl. 284 13 Fl. 1294DF CARF MF Processo nº 10166.721306/201630 Acórdão n.º 1402002.957 S1C4T2 Fl. 285 14 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Inicialmente, a Recorrente faz inúmeras ilações e comentários sobre o v. Acórdão recorrido, inclusive apontando para um suposto excesso de rigidez na apreciação da documentação acostada. Chega a invocar o princípio da verdade material e a efetivamente requerer que a documentação acostada em sede de Impugnação seja conhecida e analisada com imparcialidade. Contudo, tais comentários e requerimento pontual não estão vinculados às alegações e nem aos pedidos referentes ao cancelamento das Autuações, não sendo exigido aqui sua apreciação analítica e julgamento de procedência. Preliminarmente, a Recorrente afirma padecer de nulidade o lançamento de ofício, por possuir capitulação legal indevida, invocando para tanto o princípio da legalidade, e afirma que o art. 226 do Código Civil de 2002 prevê que os livros das sociedades fazem prova em seu favor (e não contra, como teria, então, validose a Autoridade Fiscal), bem como considera indevida a aplicação do art. 42 da Lei nº 9.430/96, pois não seria adequada a utilização de presunção no presente caso, diante dos registros dos depósitos não oferecidos à tributação, cuja a origem foi questionada. Por fim, conclui que essas posturas da Fiscalização incorreram em violação ao art. 142 do Código Tributário Nacional. Não assiste razão à Recorrente nesse ponto. Não obstante serem bastante genéricas as alegações de inadequação do fundamento legal adotado no auto de infração e de violência ao previsto no art. 142 do CTN, o art. 42 da Lei nº 9.430/96 apresentase como norma tipicamente incidente ao caso, devendo ser aplicada pela Fiscalização diante dos fatos colhidos, comprovados e registrados no lançamento de ofício, vez que presente a detecção de depósitos de origem não comprova. Fl. 1295DF CARF MF Processo nº 10166.721306/201630 Acórdão n.º 1402002.957 S1C4T2 Fl. 286 15 Ainda, a disposição do art. 226 do Código Civil vigente, de natureza de Direito Privado, em nada afeta a atividade de fiscalização e lançamento da Receita Federal do Brasil, não carregando qualquer óbice à utilização da escrita dos contribuintes em seus trabalhos. As Autuações foram lavradas de maneira plenamente legal e hígida, devidamente instruídas e redigidas, atendendo a todas exigências legais para sua existência, validade e produção de efeitos. Diante disso, afastase tal alegação preliminar de nulidade do lançamento. Na sequência, alega a Contribuinte que a presunção contida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 teria sido tacitamente revogada pelo §4º do artigo 5º da Lei Complementar nº 105/20011, por este, supostamente, obrigar o Fisco a requisitar documentos e informações sobre depósitos bancários, devendo investigar concretamente os fatos, não podendo mais valer se de presunção. Não assiste razão à Recorrente nesse ponto. Tal dispositivo referese efetivamente a questões de sigilo bancário quando da fiscalização de operações financeiras, concedendo à Autoridade Fiscal a faculdade de requerer diretamente ao contribuinte e ser lhe fornecidos informações e documentos sobre tais transações, sem a necessidade de autorização judicial. Podese, seguramente, afirmar que tal matéria hoje é pacífica no entendimento desse E. CARF, não se justificando um maior aprofundamento da alegação. Ilustrando a posição adotada, confirase um dos mais recentes julgados sobre tema, estampado no Acórdão nº 1401001.373, proferido pela C. 1ª Turma Ordinária dessa 1 Art. 5º O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços (...) § 4º Recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. Fl. 1296DF CARF MF Processo nº 10166.721306/201630 Acórdão n.º 1402002.957 S1C4T2 Fl. 287 16 mesma 4ª Câmara, de relatoria do I. Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos, publicado em 04/09/2015: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 USO DE DADOS DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA Não pode prosperar a argüição de nulidade, formulada de modo genérico, por inobservância das restrições ao uso de dados referentes à movimentação financeira insertos no art. 11, §3° da Lei 9311/96, quando nem houve requisição de movimentação financeira junto aos bancos, nem subsiste a antiga vedação à constituição de créditos tributários pela SRF mediante dados da CPMF. ÔNUS DA PROVA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PODER DE INVESTIGAÇÃO DO FISCO. É insustentável a tese segundo a qual, a partir da Lei Complementar n° 105/2001, cabe ao fisco o ônus da prova da origem dos depósitos bancários, em vista da amplitude de poderes conferidos às autoridades fazendárias, eis que: a) trata se de presunção legal, que não foi derrogada; b) a presunção não se encontra condicionada ao poder de fiscalização do fisco; c) a aceitação da tese implicaria a revogação de todas as demais presunções legais de omissão de receitas, uma vez que o fisco sempre dispôs da prerrogativa de examinar livros e documentos de qualquer contribuinte. Posto isso, o art. 42 da Lei nº 9.430/96 apresentase plenamente válido e vigente, restando ao contribuinte ônus da prova da origem e da natureza dos depósitos colhidos, cujo valor presumese tratar de omissão de receitas. Diante disso, afastase tal alegação preliminar de nulidade do lançamento. Adentrado o mérito, a Recorrente primeiro aborda a infração de depósitos sem origem comprovada, devidamente listados às fls. 704 dos autos. Afirma que a própria planilha elaborada pela Fiscalização atestaria que tais informações foram extraídas de seu SPED, transmitido à RFB, o que, ao seu ver, corroboraria com a lisura da sua postura fiscal. Fl. 1297DF CARF MF Processo nº 10166.721306/201630 Acórdão n.º 1402002.957 S1C4T2 Fl. 288 17 Omissão de Receitas Linhas 1 e 2 Em seguida, alega que o Acordo Preliminar para Formalização de Aquisição de Participação Acionária entre Rossi e Paulo Otávio e o posterior Instrumento Particular de Cessão e Transferência de Quotas em Sociedade em Conta de Participação (documentos 1 e 2 do anexo 3 de sua Impugnação fls. 927 a 936) comprovaria a origem dos dois primeiros itens da planilha de créditos questionados, quais sejam: um depósito no valor de R$ 11.985.299,35 e outro no valor de R$ 14.000.000,00. Ainda que respectivamente os históricos de tais depósitos estejam indicados como TRANSFERENCIA ENTRE CONTAS N/ DATA e CRÉDITO CONFORME AVISO, com base nas cláusulas 2.3 e 2.5 de tal Acordo Preliminar, a Recorrente alega tratarse de adiantamentos de valores referentes a venda de quotas de uma Sociedade em Conta de Participação, os quais, por sua vez, não ostentam natureza de "renda", por tratarem de adiantamentos vinculados ao aperfeiçoamento de um negócio jurídico complexo. Frisese que a DRJ rejeitou tais documentos por entender que não foi demonstrado o aperfeiçoamento de nenhuma das condições estipuladas no contrato, de tal forma de que não houve a comprovação dos supostos adiantamentos, tendo em vista que: (a) a contribuinte não apresentou o comprovante do TED, no valor de R$11.985.299,35, referido na cláusula 2.3, e nem o comprovante da operação bancária de R$14.000.000,00; (b) inexiste prova de que não ocorreu a comercialização de ações no prazo de até sessenta dias da assinatura do contrato, conforme hipótese da cláusula 2.5.1, motivo pelo qual não há justificativa para o suposto adiantamento de R$14.000.000,00, cuja efetividade, repisese, sequer foi comprovada; (c) em nenhum momento a contribuinte informa se houve a devolução dos adiantamentos em questão, com a efetiva venda de ações em bolsa, consoante a cláusula 2.5.2. Também acrescentouse em tal r. Julgado que tais contratos não possuem registro público, bem como a TED mencionada no instrumento de cessão e transferência não teve sua efetiva ocorrência ou registro comprovada, não havendo lançamento no Livro Razão analítico apresentado. Destacase que o aperfeiçoamento do negócio descrito e das cláusulas invocadas não foi demonstrado e nem qualquer operação bancária relacionada fora mencionada. Fl. 1298DF CARF MF Processo nº 10166.721306/201630 Acórdão n.º 1402002.957 S1C4T2 Fl. 289 18 Analisando agora tais instrumentos, temos primeiro um contrato preliminar (fls. 927 a 933) em relação a uma futura venda de participação acionária (ainda que seja discutível e questionável a efetiva natureza societária de quotas de SPC, digase) e um outro instrumento de efetiva cessão onerosa dessa participação acionária. E a previsão de pagamento dos valores referentes aos créditos questionados pela Fiscalização constam apenas do Acordo preliminar, no qual expressase intenções e pactuamse etapas preliminares. Desse modo, ainda que aparentemente vinculante nas obrigações pontuais ali firmadas, tal instrumento preparatório não exprime propriamente o negócio jurídico da alienação das participações, como um todo. Nesse ponto, chama a atenção que as partes signatárias desse Acordo preliminar (ROSSI RESIDENCIAL S/A, como futura adquirente, PAULO OCTAVIO INVESTIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA e SÃO PAULO INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A, como futuros Cedentes) são diferentes das partes do Acordo de cessão e transferência (SÃO PAULO INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A como única cedente, ROSSI RESIDENCIAL S/A como única cessionária e a CELEBRETE EMPREENDIMENTOS S/A como Interveniente). Curioso que a Recorrente, PAULO OCTAVIO INVESTIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, não consta do Instrumento de cessão e transferência onerosa de quotas, ainda que preliminarmente, no outro pacto, figure como futura Cedente. Mesmo que possam existir inúmeras explicações para o ocorrido, inclusive relacionado à dinâmica negocial entre as empresas pactuantes (havendo relato de várias operações societárias e financeiras nas etapas preliminares para a aquisição das quotas da SCP), a Contribuinte em nada esclarece tal dissonância. E é fato que pretende provar cabalmente a origem e a natureza dos depósitos de R$ 11.985.299,35 e R$ 14.000.000,00 com base apenas nestes documentos. Objetivamente, então, a Recorrente sequer figurou como parte no aperfeiçoamento da cessão e transferência onerosa de participação acionária da qual os valores questionados seriam adiantamentos não havendo qualquer prova da efetivação de quaisquer obrigações previstas nas clausulas contratuais, inclusive daquelas que prevêem os pagamentos em questão, bem como do próprio negócio de cessão. Assim, registrese que, ainda que este Conselheiro discorde, veementemente, da necessidade de registro público de instrumentos particulares para que sejam aceitos como provas válidas, podendo compor conjunto probatório eficaz, principalmente quando aliados a Fl. 1299DF CARF MF Processo nº 10166.721306/201630 Acórdão n.º 1402002.957 S1C4T2 Fl. 290 19 outros documentos que apontam para a efetivação do seu teor, as mencionadas incoerências entre tais elementos trazidos aos autos e a ausência de quaisquer outros documentos ou registros de transferências de numerário e de muitos outros eventos previstos nas disposições contratuais prejudica o valor probante de tais contratos, revelandose apenas mero indício da origem de tais valores prevalecendo muitas obscuridades e incertezas. No que tange à alegação de que adiantamentos de venda de participação societária (ou mesmo direitos da sociedade) não ostentam natureza de "renda", tal afirmação é improcedente, além de demasiadamente genérica. Independentemente do momento de sua oferta à tributação (o que sequer foi abordado pela Recorrente), mesmo tratandose de adiantamentos de uma venda de participação acionária futura, os valores recebidos em tal alienação certamente representam receita da companhia, ainda que não operacional, podendo dar margem a acréscimo patrimonial, abrangido na delimitação legal dos conceitos veiculados pelo art. 43 do CTN. Posto isso, rejeitamse as alegações da Recorrente, mantendose o lançamento de ofício em relação a tal ponto. Linhas 3 e 4 Em relação aos depósitos de R$ 600.000,00 e R$ 5.677.890,79, com histórico TRANSFERÊNCIA RECEBIDA DA PRINCIPAL, a Recorrente afirma tratarse ambos de operações de mútuo com a empresa PRINCIPAL COSNTRUÇÕES LTDA. Para provar o alegado, junta Contratos de Mútuo, de redação praticamente idêntica, alterandose apenas os valores envolvidos, havendo precisa identidade com o valor dos créditos questionados, bem como comprovantes de transferência (fls. 937 a 942). Nada mais alega, comenta ou explica a Contribuinte. Analisando tal documentação, temos, primeiro, que tanto o mutuário como a mutuante são empresas representadas por subscrição naquele ato pelo Sr. Paulo Octávio Alves Pereira. Confirase: Fl. 1300DF CARF MF Processo nº 10166.721306/201630 Acórdão n.º 1402002.957 S1C4T2 Fl. 291 20 (...) Tratase de documento exclusiva e unilateralmente produzido pelo Sócio Administrador da Recorrente. Não foram acostados também o contrato social da PRINCIPAL CONSTRUÇÕES LTDA, documentos pessoais do signatário ou qualquer elemento de confirmação da celebração do negócio e da sua data efetiva de confecção. Por sua vez, nos comprovantes de transferência não está esclarecida de quem seria a titularidade da conta corrente de onde se originou o numerário. E principalmente, como bem apontado pela DRJ, o prazo do mútuo estipulado nos instrumentos findouse há muito tempo (fevereiro de 2012), não havendo prova ou qualquer esclarecimento sobre a efetiva devolução do numerário, como previsto contratualmente. Claramente, não houve comprovação eficaz da origem e mesmo da real natureza de tais créditos, rejeitandose as alegações da Recorrente, mantendose o lançamento de ofício em relação a tal ponto. Linhas 5 e 6 Fl. 1301DF CARF MF Processo nº 10166.721306/201630 Acórdão n.º 1402002.957 S1C4T2 Fl. 292 21 Em relação aos depósitos de R$ 1.000.000,00 e R$ 450.000,00 com histórico TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS N/ DATAS, a Recorrente alega ser distribuição de lucros da empresa ORLA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS S/A SPE, não estando sujeito à tributação. Para provar o alegado, a Recorrente junta extrato de conta corrente referente a tais transferências, recibo do recebimento de dividendos, Ata de Assembléia de constituição da empresa em questão, seu Estatuto Social e Boletim de Subscrição e Integralização de Ações (fls. 843 a 953). Analisando tal documentação, temos que no extrato bancário da transferência de R$ 450.000,00 está registrado que o numerário partiu da empresa ORLA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS S/A SPE. Porém, no extrato referente ao valor de R$ 1.000.000,00, aparece o Banco Itaú como remetente. Tal prova é contraditória à alegação da Recorrente. Em relação aos documentos societários, apenas a Ata de Assembléia de Constituição está registrada da Junta Comercial, mas seu Estatuto Social não possui registro, diferentemente do observado pelo v. Acórdão da DRJ recorrido, que afirmou que ambos não foram registrados. Ainda, os recibos de recebimento de dividendos estão exclusiva e unilateralmente assinado pelo Sr. Paulo Octávio Alves Pereira, não havendo sequer a subscrição de qualquer representante da empresa pagadora de tal participação. Diante disso, não há qualquer documento que comprove a efetiva natureza dos valores recebidos, especialmente como dividendos (não havendo nos autos prova eficaz de qualquer ato societário em que se deliberou e se determinou o pagamento, seu montante e data) e, especificamente em relação ao depósito de R$ 1.000.000,00, até sua origem resta incerta. Posto isso, rejeitamse as alegações da Recorrente, mantendose o lançamento de ofício em relação a tal ponto. Linha 7 Fl. 1302DF CARF MF Processo nº 10166.721306/201630 Acórdão n.º 1402002.957 S1C4T2 Fl. 293 22 Em relação ao depósito de R$ 127.500,00 com histórico CREDITO CONFORME AVISO, a Recorrente também alega ser distribuição de lucros recebidos pela participação no "Consórcio Hemoderivados". Para provar o alegado, a Recorrente junta cópia de cheque, do preciso valor do depósito questionado, assinado pelo Consórcio Hemoderivados, bem como seu Contrato de Constituição registrado em Tabelionato (fls. 954 a 965). Independentemente da documentação acostada, que até aponta para a origem de tal valor, juridicamente, os Consórcios não distribuem lucros ou dividendos, como alegado pela Contribuinte. A figura associativa do Consórcio tem tratamento jurídico específico que visa propiciar a divisão das receitas, custos e despesas, proporcionalmente ao avençado entre as partes, mantendo a apuração de resultado e correspondente tributação em cada um dos consorciados, possuindo clara regulamentação. O Consórcio não possui personalidade jurídica, ainda que em muitas circunstâncias, a legislação o equipara às empresas para os mais diversos fins. Perante terceiros, o Consórcio pode ser reconhecido individualmente ou através da empresa líder, ou mesmo individualmente, cada um dos consorciados, em relação à sua atividade, dependendo do caso – operações comerciais, financiamentos, Poder Público, Previdência Social, Poder Judiciário. Então, apesar do dever da empresa eleita como líder também manter registro contábil de todas as receitas, custos e despesas das demais, referente às atividades e participações no Consórcio, o resultado auferido na operação (assim como os tributos devidos) deve ser apurados individualmente por cada empresa consorciada, não havendo repasse de dividendos. Desse modo, rejeitamse as alegações da Recorrente, mantendose o lançamento de ofício em relação a tal ponto. Linha 8 Fl. 1303DF CARF MF Processo nº 10166.721306/201630 Acórdão n.º 1402002.957 S1C4T2 Fl. 294 23 Em relação ao depósito de R$ 509.531,12 com histórico CREDITO CONFORME AVISO, a Recorrente alega tratarse de juros sobre o capital próprio, distribuídos pela empresa "Bali Automóveis Ltda.", na sua condição de sócia. Para provar o alegado, a Recorrente junta cópia de recibo do recebimento de tais juros, bem como comprovante de transferência, no preciso valor (fls. 966 a 967). Primeiramente, juros sobre o capital próprio recebidos pela Recorrente deveriam compor sua receita financeira, não tratandose de valor livre de tributação, como os dividendos. Não obstante, o recibo dos juros está, mais uma vez, exclusiva e unilateralmente assinado pelo Sr. Paulo Octávio Alves Pereira, não havendo sequer a subscrição de qualquer representante da empresa pagadora de tal rendimento. Não existem quaisquer documentos societários referentes a tal decisão empresarial de remuneração dos sócios. Assim, não foi comprovada a natureza de tal crédito, mormente quando tributável dentro da própria alegação da Recorrente, mantendose o lançamento de ofício em relação a tal ponto. Linhas 09 e 10 Em relação aos depósitos de R$ 300.000,00 e R$ 500.000,00 com histórico TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS N/ DATA, a Recorrente agora alega ser distribuição de lucros da empresa "Bali Automóveis Ltda.", não estando sujeito à tributação, cambiando totalmente sua alegação em sede de Impugnação sobre tais valores (onde, primeiramente, afirmou tais valores serem referente a rateio de despesas entre pessoas jurídicas). Para provar o alegado, a Recorrente junta simplesmente extratos de conta corrente, acusando tais recebimentos (fls. 968 a 969). Fl. 1304DF CARF MF Processo nº 10166.721306/201630 Acórdão n.º 1402002.957 S1C4T2 Fl. 295 24 Independentemente da possibilidade processual de efetuar tal alteração total de alegações, é fato que não há qualquer comprovação de conexão societária da Recorrente com a empresa "Bali Automóveis Ltda." e nem, logicamente, sobre a efetiva distribuição de lucros. Os comprovantes bancários, ainda que nos valores precisos dos créditos questionados, apenas atestam que o numerário partiu de tal empresa. Posto isso, rejeitamse as alegações, mantendose o lançamento de ofício em relação a tal ponto. Linhas 11, 12, 13, 14 e 15 Em relação aos depósitos de R$ 831.208,81, R$ 420.000,00, R$ 315.000,00, R$ 420.000,00 e R$ 280.000,00 com histórico CREDITO CONFORME AVISO, a Recorrente alega serem estes decorrentes de participações em diversos negócios comerciais e imobiliários, sendo que esses últimos decorrem de contrato firmado entre a empresa "Paulo Octavio Imobiliária e Administradora Ltda." e a Recorrente. Para provar o alegado a Recorrente junta extratos de conta corrente, acusando tais recebimentos e contrato de prestação de serviços de administração de imóveis junto à "Paulo Octavio Imobiliária e Administradora Ltda." (fls. 970 a 976). Em relação aos valores de R$831.208,81, R$420.000,00 (linha 12) e R$315.000,00, a única prova que lhes são pertinente são os extratos bancários, que nada mais aponta que foram "Cond. Civil do Shopping Iguatemi", "Saint Paul Plaza" e "Manhattan H.E.", respectivamente, os remetentes do numerário. Não existe qualquer alegação ou prova sobre a relação da Recorrente com tais pessoas, restando esvaziado qualquer empenho em se cancelar as exigências sobre tais valores. Fl. 1305DF CARF MF Processo nº 10166.721306/201630 Acórdão n.º 1402002.957 S1C4T2 Fl. 296 25 No que tange aos depósitos nos valores de R$ 420.000,00 (linha 14) e R$ 280.000,00, tais valores são provenientes da empresa "Paulo Octavio Imobiliária e Administradora Ltda.", supostamente relacionados a contrato de prestação de serviços de administração. O contrato foi firmado em 1997, sem autenticação das assinaturas ou mesmo indicação do nome das pessoas que lhe firmaram, inclusive testemunha. Mais do que isso: não há indicação dos imóveis objeto de administração e muito menos do valor das locações mencionadas ou qualquer outra informação sobre serviço a ser prestado. Confirase alguns trechos do documento: (...) Fl. 1306DF CARF MF Processo nº 10166.721306/201630 Acórdão n.º 1402002.957 S1C4T2 Fl. 297 26 Como se observa, tal documento carrega inúmeros defeitos, imprecisões e obscuridade sobre o negócio supsotamente celebrado, não prestandose como prova hábil para provar a natureza dos depósitos, ou socorrer o direito da Recorrente em qualquer outra matéria debatida. Dessa forma, rejeitamse as alegações, mantendose o lançamento de ofício em relação a tal ponto. Custos/Despesas Não Comprovadas Em relação a tal matéria, a Recorrente apenas esclarece genericamente que esses gastos decorreram da apropriação de custos por reformas e manutenção de imóveis, por reconhecimento de variações monetárias passivas e de despesas financeiras, em face de contratação de financiamentos e de empréstimos, bem como apuração de custos de obra. Não faz referência a qualquer prova dessas suas alegações, nem mesmo remete a folhas dos autos onde estaria comprovado seu direito. Na sequência, afirma que sua postura obedeceu lealmente ao princípio da competência na escrituração desses valores, seguindo a legislação vigente a risca. Pugna ser insubsistente a infração de "não comprovação dos custos e despesas" posto que restam sim, comprovados, pela escrituração seja pelos registros na escrituração, seja pelos fatos contábeis que os originaram, por sua vez lastreados em documentação. E conclui que carece de sustentação a exação, vez que a Autoridade Fiscal transferiu indevidamente à Fiscalizada o ônus da prova quando, na espécie, esse encargo é da Fazenda. Frisese que no Recurso Voluntário não se faz menção a qualquer prova, numero de folhas do processo e sequer afirma ter juntado documentos sobre tal matéria em Impugnação (ou em outro momento processual). Fl. 1307DF CARF MF Processo nº 10166.721306/201630 Acórdão n.º 1402002.957 S1C4T2 Fl. 298 27 Independentemente das ilações sobre a obediência ao regime de competência que não fora questionado e não se relaciona diretamente à matéria controversa da demanda não procede a afirmação de que o ônus probatório seria encargo da Fazenda. Uma vez devidamente questionada, em ação de fiscalização, a comprovação dos custos e despesas utilizados no cálculo do lucro real, cabe ao contribuinte apresentar tal prova. Se não o faz no curso de tal procedimento, tais valores podem/devem ser glosados, dando margem a lançamento de ofício, como ocorrido no presente caso. Assim, há pleno suporte para as exações em questão, devendo ser afastadas tais alegações da Contribuinte, que não bastam para elidir o correto trabalho fiscal. E diante das alegações meramente genéricas do apelo, trazidas agora a esta Instância em relação à comprovação das despesas e custos, sem menção a qualquer prova (inclusive à sua juntada nos autos), registrase a seguir a posição do v. Acórdão da DRJ recorrido sobre a escassa documentação juntada em Impugnação, a qual, após a detida análise desse Conselheiro, entendese que deve ser mantida, sendo expressamente aqui endossada, evitando, também, um eventual debate sobre omissão no presente julgamento: i. Às fls.978/981, a impugnante apresenta um resumo do que seria a documentação apresentada como suporte para os custos e despesas considerados como não comprovados pela fiscalização, fazendo menção a dezesseis documentos (Doc.05 a Doc.20), sendo que os documentos propriamente ditos foram acostados às fls.982/999; i.1. Doc.05 (fls.982): segundo a impugnante, tratariase de despesa financeira proveniente de atualização de saldo devedor de dívida de IPTU parcelada pelo programa REFAZ do GDF; i.1.1. A única prova trazida pela impugnante é uma página do razão analítico, às fls.982, sem nenhum outro documento de suporte, como o carnê do IPTU, comprovante do pagamento da dívida, demonstrativo de adesão ao REFAZ, boleto, ou recibo; i.1.2. Nos termos do art.923 do RIR/99, a escrituração faz prova a favor do contribuinte, desde que comprovada por documentos hábeis, sendo que, no caso em tela, a impugnante não apresentou nenhum documento que conferisse sustentação para o registro contábil de fls.982; i.1.3. Logo, não há embasamento para a alegação de que a glosa da despesa seria indevida; Fl. 1308DF CARF MF Processo nº 10166.721306/201630 Acórdão n.º 1402002.957 S1C4T2 Fl. 299 28 i.2. Docs.06 e 07 (fls.983/984): segundo a impugnante, trataria se de despesa financeira proveniente de atualização de saldo devedor de dívida de terreno parcelado pela Terracap; i.2.1. A única prova trazida pela impugnante são duas páginas do razão analítico, às fls.983/984, sem nenhum outro documento de suporte, como o contrato de parcelamento do terreno, comprovante do pagamento da dívida, boleto, ou recibo; i.2.2. Nos termos do art.923 do RIR/99, a escrituração faz prova a favor do contribuinte, desde que comprovada por documentos hábeis, sendo que, no caso em tela, a impugnante não apresentou nenhum documento que conferisse sustentação para o registro contábil de fls.983/984; i.2.3. Logo, não há embasamento para a alegação de que a glosa da despesa seria indevida; i.3. Doc.08 (fls.160): segundo a impugnante, tratariase de despesas com financiamento de capital de giro do consórcio Paulo Octávio/Arca; i.3.1 A única prova trazida pela contribuinte é uma listagem de lançamentos contábeis, às fls.160, já previamente apresentada à fiscalização, sem nenhum outro documento de suporte, como o contrato de financiamento, comprovante do pagamento da dívida, boleto, ou recibo; i.3.2. Nos termos do art.923 do RIR/99, a escrituração faz prova a favor do contribuinte, desde que comprovada por documentos hábeis, sendo que, no caso em tela, a impugnante não apresentou nenhum documento que conferisse sustentação para o registro contábil de fls.160; i.3.3. Logo, não há embasamento para a alegação de que a glosa da despesa seria indevida; i.4. Docs.09 e 11 (fls.985/986): segundo a impugnante, trataria se de despesa financeira referente a atualização monetária do saldo de dívida com o Bic Banco; i.4.1. As únicas provas trazidas pela impugnante são uma página do razão analítico, às fls.985, e uma planilha de parcelas, às fls.986, sem nenhum outro documento de suporte, como o contrato com o banco credor, comprovante do pagamento da dívida, boleto, ou recibo; i.4.2. Cumpre ressaltar que a impugnante fez menção expressa, às fls.979, a um documento probatório da contratação da dívida com o banco credor, mas não apresentou tal documento em sede de impugnação; i.4.3. Nos termos do art.923 do RIR/99, a escrituração faz prova a favor do contribuinte, desde que comprovada por documentos hábeis, sendo que, no caso em tela, a impugnante não apresentou nenhum documento que conferisse sustentação para o registro contábil de fls.985; Fl. 1309DF CARF MF Processo nº 10166.721306/201630 Acórdão n.º 1402002.957 S1C4T2 Fl. 300 29 i.4.4. Logo, não há embasamento para a alegação de que a glosa da despesa seria indevida; i.5. Doc.10 (fls.987/989): segundo a impugnante, tratariase de despesa financeira referente a atualização monetária de dívida com o Banco Mercantil do Brasil; i.5.1. As únicas provas trazidas pela impugnante são duas páginas do razão analítico, às fls.987/988, e uma planilha de parcelas, às fls.989, sem nenhum outro documento de suporte, como o contrato com o banco credor, comprovante do pagamento da dívida, boleto, ou recibo; i.5.2. Cumpre ressaltar que a impugnante fez menção expressa, às fls.979, a um documento probatório da contratação da dívida com o banco credor, mas não apresentou tal documento em sede de impugnação; i.5.3. Nos termos do art.923 do RIR/99, a escrituração faz prova a favor do contribuinte, desde que comprovada por documentos hábeis, sendo que, no caso em tela, a impugnante não apresentou nenhum documento que conferisse sustentação para o registro contábil de fls.987/988; i.5.4. Logo, não há embasamento para a alegação de que a glosa da despesa seria indevida; i.6. Doc.12 (fls.990/992): segundo a impugnante, tratariase de despesa financeira referente a atualização monetária de dívida com o Banco do Brasil S/A; i.6.1. As únicas provas trazidas pela impugnante são uma página do razão analítico, às fls.990, e duas planilhas de parcelas, às fls.991/992, sem nenhum outro documento de suporte, como o contrato com o banco credor, comprovante do pagamento da dívida, boleto, ou recibo; i.6.2. Cumpre ressaltar que a impugnante fez menção expressa, às fls.980, a um documento probatório da contratação da dívida com o banco credor, mas não apresentou tal documento em sede de impugnação; i.6.3. Nos termos do art.923 do RIR/99, a escrituração faz prova a favor do contribuinte, desde que comprovada por documentos hábeis, sendo que, no caso em tela, a impugnante não apresentou nenhum documento que conferisse sustentação para o registro contábil de fls.990; i.6.4. Logo, não há embasamento para a alegação de que a glosa da despesa seria indevida; i.7. Doc.13 (fls.993/994): segundo a impugnante, tratariase de custo reconhecido como obra concluída, apropriado anteriormente como receita, ora regularizado, conforme a IN 084/79; Fl. 1310DF CARF MF Processo nº 10166.721306/201630 Acórdão n.º 1402002.957 S1C4T2 Fl. 301 30 i.7.1. As únicas provas trazidas pela impugnante são uma página do razão analítico, às fls.993, e uma consulta a sistema informatizado, às fls.994, sem nenhum outro documento de suporte, como o contrato de construção, especificação da obra, comprovante do pagamento do custo, boleto, ou recibo; i.7.2. Nos termos do art.923 do RIR/99, a escrituração faz prova a favor do contribuinte, desde que comprovada por documentos hábeis, sendo que, no caso em tela, a impugnante não apresentou nenhum documento que conferisse sustentação para o registro contábil de fls.993; i.7.3. Logo, não há embasamento para a alegação de que a glosa da despesa seria indevida; i.8. Doc.14 (fls.995): segundo a impugnante, tratariase de custo reconhecido como obra concluída, apropriado anteriormente como receita, ora regularizado, conforme a IN 084/79; i.8.1. A única prova trazida pela impugnante é uma página do razão analítico, às fls.995, sem nenhum outro documento de suporte, como o contrato de construção, especificação da obra, comprovante do pagamento do custo, boleto, ou recibo; i.8.2. Nos termos do art.923 do RIR/99, a escrituração faz prova a favor do contribuinte, desde que comprovada por documentos hábeis, sendo que, no caso em tela, a impugnante não apresentou nenhum documento que conferisse sustentação para o registro contábil de fls.995; i.8.3. Logo, não há embasamento para a alegação de que a glosa da despesa seria indevida; i.9. Doc.15 (fls.994 e 996): segundo a impugnante, tratariase de custo de empreendimento, proporcional ao recebimento no período, conforme a IN 084/79; i.9.1. A única prova trazida pela impugnante é uma listagem de lançamentos contábeis, às fls.994, e uma planilha de apuração, às fls.996, sem nenhum outro documento de suporte, como o contrato de construção, especificação da obra, comprovante do pagamento do custo, boleto, ou recibo; i.9.2. Nos termos do art.923 do RIR/99, a escrituração faz prova a favor do contribuinte, desde que comprovada por documentos hábeis, sendo que, no caso em tela, a impugnante não apresentou nenhum documento que conferisse sustentação para o registro contábil de fls.994; i.9.3. Logo, não há embasamento para a alegação de que a glosa da despesa seria indevida; i.10. Doc.16 (fls.999): segundo a impugnante, tratariase de custo reconhecido como obra concluída, apropriado anteriormente como receita, ora regularizado, conforme a IN 084/79; Fl. 1311DF CARF MF Processo nº 10166.721306/201630 Acórdão n.º 1402002.957 S1C4T2 Fl. 302 31 i.10.1. A única prova trazida pela impugnante é uma página do razão analítico, às fls.999, sem nenhum outro documento de suporte, como o contrato de construção, especificação da obra, comprovante do pagamento do custo, boleto, ou recibo; i.10.2. Nos termos do art.923 do RIR/99, a escrituração faz prova a favor do contribuinte, desde que comprovada por documentos hábeis, sendo que, no caso em tela, a impugnante não apresentou nenhum documento que conferisse sustentação para o registro contábil de fls.999; i.10.3. Logo, não há embasamento para a alegação de que a glosa da despesa seria indevida; i.11. Doc.17 (fls.995): segundo a impugnante, tratariase de custo reconhecido como obra concluída, apropriado anteriormente como receita, ora regularizado, conforme a IN 084/79; i.11.1. A única prova trazida pela impugnante é uma página do razão analítico, às fls.995, sem nenhum outro documento de suporte, como o contrato de construção, especificação da obra, comprovante do pagamento do custo, boleto, ou recibo; i.11.2. Nos termos do art.923 do RIR/99, a escrituração faz prova a favor do contribuinte, desde que comprovada por documentos hábeis, sendo que, no caso em tela, a impugnante não apresentou nenhum documento que conferisse sustentação para o registro contábil de fls.995; i.11.3. Logo, não há embasamento para a alegação de que a glosa da despesa seria indevida; i.12. Doc.18 (fls.993/994): segundo a impugnante, tratariase de custo reconhecido como obra concluída, apropriado anteriormente como receita, ora regularizado, conforme a IN 084/79; i.12.1. As únicas provas trazidas pela impugnante são uma página do razão analítico, às fls.993, e uma consulta a sistema informatizado, às fls.994, sem nenhum outro documento de suporte, como o contrato de construção, especificação da obra, comprovante do pagamento do custo, boleto, ou recibo; i.12.2. Nos termos do art.923 do RIR/99, a escrituração faz prova a favor do contribuinte, desde que comprovada por documentos hábeis, sendo que, no caso em tela, a impugnante não apresentou nenhum documento que conferisse sustentação para o registro contábil de fls.993; i.12.3. Logo, não há embasamento para a alegação de que a glosa da despesa seria indevida; i.13. Doc.19 (fls.997): segundo a impugnante, tratariase de custo de empreendimento, proporcional ao recebimento no período, conforme a IN 084/79; Fl. 1312DF CARF MF Processo nº 10166.721306/201630 Acórdão n.º 1402002.957 S1C4T2 Fl. 303 32 i.13.1. A única prova trazida pela impugnante é uma planilha de apuração, às fls.997, sem nenhum outro documento de suporte, como o contrato de construção, especificação da obra, comprovante do pagamento do custo, boleto, ou recibo; i.13.2. Nos termos do art.923 do RIR/99, a escrituração faz prova a favor do contribuinte, desde que comprovada por documentos hábeis, sendo que, no caso em tela, a impugnante não apresentou nenhum documento que conferisse sustentação para o registro de fls.997; i.13.3. Logo, não há embasamento para a alegação de que a glosa da despesa seria indevida; i.14. Doc.20 (fls.998): segundo a impugnante, tratariase de custo de empreendimento, proporcional ao recebimento no período, conforme a IN 084/79; i.14.1. A única prova trazida pela impugnante é uma planilha de apuração, às fls.998, sem nenhum outro documento de suporte, como o contrato de construção, especificação da obra, comprovante do pagamento do custo, boleto, ou recibo; i.14.2. Nos termos do art.923 do RIR/99, a escrituração faz prova a favor do contribuinte, desde que comprovada por documentos hábeis, sendo que, no caso em tela, a impugnante não apresentou nenhum documento que conferisse sustentação para o registro de fls.998; i.14.3. Logo, não há embasamento para a alegação de que a glosa da despesa seria indevida. Diante disso, rejeitamse as alegações referentes a tal matéria, mantendose o lançamento de ofício. Apuração Incorreta de Receitas Em relação a tal infração, a Recorrente alega que os valores contabilizados como Passivo Exigível, ao invés de comporem a receita bruta percebida e registrada no resultado do anocalendário de 2011, referemse a recebimentos em adiantamento de vendas de unidades do empreendimento Ceilândia Plaza Shopping & Tower e que a matéria estaria sub judice, havendo decisão judicial do E. TJDFT em lide em andamento, impossibilitando a venda e ocupação da área do negócio imobiliário, o que também impede que a empresa Recorrente reconheça, para quaisquer fins, recursos originados desse empreendimento. Fl. 1313DF CARF MF Processo nº 10166.721306/201630 Acórdão n.º 1402002.957 S1C4T2 Fl. 304 33 Para fazer prova do alegado, junta cópia de decisão judicial proferida por aquela C. Corte Judicial, em Agravo de Instrumento (fls.1009 a 1029). Confirase a sua ementa: PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. OBJETO. COMINAÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER AO ÓRGÃO FISCALIZADOR LOCAL AGEFIS DESTINADA À AFERIÇÃO DA REGULARIDADE DE EMPREENDIMENTO IMOBILIÁRIO PARA FINS DE OBTENÇÃO DE HABITESE. COMPREENSÃO DO PEDIDO. OBTENÇÃO DA AUTORIZAÇÃO ADMINISTRAÇÃO. AFETAÇÃO DO MEIO AMBIENTE NATURAL, URBANO E DE INTERESSE PÚBLICO E COLETIVO. EMPREENDIMENTO DE GRANDE PORTE. MATÉRIA INSERIDA NA JURISDIÇÃO CONFERIDA AO JUÍZO DE MEIO AMBIENTE. CONEXÃO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA . QUESTÃO NÃO EXAMINADA ORIGINARIAMENTE. CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. 1. A competência conferida à Vara do Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Fundiário do Distrito Federal fora definida sob o critério ex rationae materiae, alcançando as ações que versam sobre o meio ambiente natural, urbano e cultural, sobre ocupação do solo urbano ou rural, assim compreendidas as questões fundiárias e agrárias de interesse público ou de natureza coletiva, e o parcelamento do solo para fins urbanos (Lei n.° 11.697/08, art. 34; Resolução n° 03/09, art.2º). 2. A ação manejada por empreendedora almejando a cominação de obrigação de fazer à Agência de Fiscalização do Distrito Federal AGEFIS volvida à realização das vistorias necessárias à obtenção de carta de habitese de empreendimento imobiliário de grande porte JK Shopping e Tower , compreendendo, pois, a concessão da autorização administrativa almejada, pois desiderato derradeiro da pretensão cominatória, encarta matéria que envolve o meio ambiente natural, urbano e interesse público e coletivo diante dos impactos que a obra irradiara no cenário urbano e das implicações que ensejara no tráfego do local em que está inserido, resultando que desperta o interesse difuso dos moradores traduzido na aferição da observância da legislação vigente e na realização das medidas mitigadoras do impacto irradiado pela obra. 3. Encerrando o objeto da ação matérias atinentes ao meio ambiente natural e, urbano e jungidas ao interesse público derivado da ocupação substancial do solo urbano levado a efeito pelo empreendimento erigido, a jurisdição para sua resolução está reservada ao juízo especializado da Vara Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Fundiário do Distrito Federal (Lei n.° 11.697/08, art. 34; Resolução n° 03/09, art. 2o, I, II e IV), ensejando que seja afirmada a incompetência do Juízo Fazendário ao qual fora originariamente distribuída para processar e julgála como expressão do princípio do Juízo natural. Fl. 1314DF CARF MF Processo nº 10166.721306/201630 Acórdão n.º 1402002.957 S1C4T2 Fl. 305 34 4. O efeito devolutivo próprio dos recursos está municiado com poder para devolver ao exame da instância superior tãosomente e exclusivamente as matérias efetivamente resolvidas pela instância inferior, obstando que, ainda pendente de pronunciamento, a questão seja devolvida a reexame, porque inexistente provimento recorrível e porque não pode o órgão revisor se manifestar acerca de matéria ainda não resolvida na instância originária, sob pena de suprimir um grau de jurisdição. 5. O princípio do duplo grau de jurisdição, se qualifica como garantia e direito assegurado à parte, deve se conformar com o devido processo legal, ensejando que somente pode ser exercitado após ter sido a questão resolvida pela instância inferior, ou seja, após ter o órgão jurisdicional a quo se manifestado sobre a questão é que poderá ser devolvida à reapreciação do órgão revisor, donde deriva a constatação de que, ainda não examinada originariamente a alegação de conexão, não pode ser resolvida no grau recursal como forma de ser preservado o devido processo legal mediante a prevenção de supressão de instância jurisdicional. 6. Agravo conhecido e parcialmente provido. Unânime Analisando a integra de tal decisum, fica claro, primeiro, que este foi proferido em 2014, enquanto as exações aqui opostas à Contribuinte são do anocalendário de 2011. Inclusive, a outra ação que mencionase em tal recurso interlocutório é uma Ação Civil Pública de 2013, que aparentemente questiona a viabilidade e regularidade do empreendimento em questão. Assim, independentemente do seu objeto, os efeitos de tal decisão não poderiam ordinariamente alcançar os fatos jurídicos tributários do anocalendário de 2011. Não há qualquer debate sobre retroatividade do direito da Parte. Mais importante é o fato de que tal decisão exprime apenas uma celeuma processual, especialmente sobre competência, sequer decidindo sobre o mérito da demanda. Não qualquer elemento, direito, indireto, explícito ou implícito, que poderia dar margem à prerrogativa da Recorrente ter lançado tais valores na forma como procedeu e agora justifica. Diante disso, rejeitamse as alegações referentes a tal matéria, mantendose o lançamento de ofício. Custos/Despesas Indedutíveis (Brindes) Fl. 1315DF CARF MF Processo nº 10166.721306/201630 Acórdão n.º 1402002.957 S1C4T2 Fl. 306 35 Em relação a esta matéria, a Contribuinte não traz nenhuma alegação para combater o lançamento de ofício. Inclusive foi determinado e ficou registrado no v. Acórdão recorrido que a impugnante reconhece que escriturou gastos com brindes, sem a correspondente adição ao lucro real e à base de cálculo da CSLL. Sendo assim, os respectivos valores devidos de IRPJ e CSLL serão determinados nas tabelas a seguir, e deverão ser apartados do presente processo, para cobrança imediata. Multa de Ofício e Juros Moratórios Calculados pela Taxa SELIC No seu Recurso Voluntário a Contribuinte apenas requer que os Julgadores deste E. CARF acolham os argumentos expendidos na peça impugnatória. Independentemente da validade de tal manobra postulatória, em relação à multa de ofício, na monta de 75%, alegou a Recorrente invocou os princípios da vedação ao confisco, da proibição do excesso, da razoabilidade, e da proporcionalidade para afastála ou reduzila. Tais alegações são de cunho constitucional, encontrando a sua apreciação e julgamento óbice na Súmula CARF nº 22 e no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, não podendo ser conhecidas e julgadas Já no que tange à aplicação da Taxa SELIC para o cálculo dos juros moratórios, incide aqui precisamente a previsão da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. E, como ressaltado no v. Acórdão recorrido, o mesmo entendimento foi professado pelo E. Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp 1.073.846/SP, de 25/09/2009, de relatoria do Exmo. Min. Luiz Fux, sob a dinâmica do art. 543C do Código de Processo Civil vigente à época. 2 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 1316DF CARF MF Processo nº 10166.721306/201630 Acórdão n.º 1402002.957 S1C4T2 Fl. 307 36 Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose integralmente o v. Acórdão Recorrido, sendo procedente o lançamento de ofício. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 1317DF CARF MF
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Numero do processo: 13833.000075/2007-14
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2004 a 31/12/2005
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.714
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2004 a 31/12/2005 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 3. 00 00 75 /2 00 7- 14 Fl. 156DF CARF MF 2 Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Tratase de lançamento (DEBCAD 35.733.7034 fundamentação legal 68), para cobrança de multa pelo descumprimento de obrigação acessória decorrente de o contribuinte ter apresentado Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Nos termos do relatório fiscal, a obrigação acessória decorre de lançamentos relativos aos seguintes fatos gerados apurados em ação fiscal: Autuo a empresa por deixar de informar em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social do período de 04/2004 a 12/2005 o código de exposição a agentes nocivos do empregado Reginaldo dos Santos Silva, Operador de Caldeira, tendo em vista que de acordo com o LTCAT Laudo Técnico das Condições Ambientais de Trabalho apresentado, às fls. 40 (cópia anexa), a Sr a . Engenheira de Segurança no Trabalho conclui que o Setor de Caldeiras dá direito à Aposentadoria Especial. Portanto, as GFIP foram apresentadas com dados não correspondentes aos fatos geradores em relação às informações que alteram o valor das contribuições, o que constitui infração à Lei n o . 8.212, de 24/07/91, art. 32, inc. IV e § 5°, acrescentado pela Lei n o 9.528, de 10/12/97, combinado com art. 225, IV, § 4° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n 0 3.048, de 06/05/99. Em anexo, cópia das GFIP de 04/2004 e 11/2005 (amostragem do período) sem o código de exposição a agentes nocivos para o empregado. Após o trâmite processual 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário para determinar o recálculo da multa com base nas disposições da Medida Provisória n ° 449 de 2008, mais precisamente no art. 32 A, inciso II, que na conversão pela Lei n ° 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n ° 8.212/91. O acórdão 230200.292 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 06/03/2006 RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N ° 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n ° 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n° 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando Fl. 157DF CARF MF Processo nº 13833.000075/200714 Acórdão n.º 9202006.714 CSRFT2 Fl. 157 3 deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Intimada a Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração sob a alegação de o acórdão ter sido omisso em relação à análise da incidência da multa prevista no artigo 35 A da Lei 8.212/91 na hipótese dos autos. Nos termos do despacho de fls. 81/84, os embargos foram rejeitados, tendo o então Presidente da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF assim se pronunciado: Não merece reparo o acórdão recorrido, pois não estão presentes as omissões alegadas. O acordão recorrido não mencionou o art. 35A da Lei n 8.212 pelo fato de o Colegiado entender que o mesmo não se aplica. Os embargos são imprestáveis para atacar os fundamentos da decisão. Por meio da interposição de embargos, a Procuradoria não pode pugnar pela aplicação de tese defendida pela União. Tempestivamente, a Fazenda Nacional apresenta então Recurso Especial visando rediscutir o critério de aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Intimado da decisão e do recurso especial o contribuinte apresenta contrarrazões pugnando pelo não provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos regimentais, razão pela qual ratifico o despacho de admissibilidade e dele conheço. O recurso devolve a este Colegiado a controvérsia relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. Fl. 158DF CARF MF 4 A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 13833.000075/200714 Acórdão n.º 9202006.714 CSRFT2 Fl. 158 5 A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou Fl. 160DF CARF MF 6 omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 161DF CARF MF Processo nº 13833.000075/200714 Acórdão n.º 9202006.714 CSRFT2 Fl. 159 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação Fl. 162DF CARF MF 8 acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: Fl. 163DF CARF MF Processo nº 13833.000075/200714 Acórdão n.º 9202006.714 CSRFT2 Fl. 160 9 I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 164DF CARF MF 10 Pela pertinência, para fins de cobrança, vale lembrar que a obrigação principal que deu origem ao presente lançamento foi objeto da IFD nº 357337026 (efls 13) cuja guia de pagamento foi enviada ao contribuinte para a devida complementação da contribuição apurada. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 165DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000406/2008-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1995 a 01/02/2000
LANÇAMENTO ANULADO POR VÍCIO FORMAL DECADÊNCIA. INOVAÇÕES NO LANÇAMENTO.
O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado (CTN, art. 173, II). Eventual inovação no novo lançamento relativamente a fatos já atingidos pela decadência, contada na forma do inc. I, do art. 173, do CTN, não implica em considerar todo o crédito tributário como decaído, mas tão somente o montante relativo aos referidos fatos.
Numero da decisão: 9202-006.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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INOVAÇÕES NO LANÇAMENTO. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado (CTN, art. 173, II). Eventual inovação no novo lançamento relativamente a fatos já atingidos pela decadência, contada na forma do inc. I, do art. 173, do CTN, não implica em considerar todo o crédito tributário como decaído, mas tão somente o montante relativo aos referidos fatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 04 06 /2 00 8- 12 Fl. 313DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2202003.126, proferido pela 2ª Turma Ordinária / 2ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de crédito tributário (AI n° 37.179.5567) pertinente às contribuições previdenciárias relativas à rubrica segurados. O valor do presente lançamento é de R$ 10.894,81, consolidado em 01 de setembro de 2008. A apuração deuse com base no instituto da solidariedade paritária, previsto no art. 31 da Lei n° 8212/91, decorrente da execução de serviços prestados mediante cessão de mão de obra pela empresa COSMOS SERVIÇOS AUXILIARES LTDA, CNPJ 00.216.641/000188, uma vez que a contratante não comprovou o escorreito cumprimento dos deveres jurídicotributários substanciais da contratada. O Auto de Infração tem por objetivo o de substituir em parte a NFLD nº 35.005.8423, julgada nula por vício formal em decisão proferida pela 4ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social, por meio do acórdão n° 2492, de 25/10/2005. O Contribuinte apresentou impugnação de fls. 84/112. Às fls. 225/235, a 13ª Turma DRJ/RJ1, julgou procedente em parte o lançamento, para retificar o crédito pelo Discriminativo Analítico de Débito Retificado – DADR. O contribuinte impetrou Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, às fls. 236 a 247, remetido via postal, conforme envelope, de fls. 234, postado, em 29/09/2011, acompanhado dos documentos, de fls. 248 e 249. A 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 264/281, DEU PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, para reconhecer a decadência do direito de constituir novo lançamento, que não substituiu o anterior, mas inovou na exigência. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 01/02/2000 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DECLARADO NULO. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO OU NOVO LANÇAMENTO. A reabertura do prazo para a feitura de um novo lançamento destinasse apenas a permitir que seja sanada a nulidade do lançamento anterior, mas não autoriza um lançamento diverso, abrangente do que não estava abrangido no anterior. Assim, o novo lançamento, de caráter substitutivo, que se faz em Fl. 314DF CARF MF Processo nº 19740.000406/200812 Acórdão n.º 9202006.678 CSRFT2 Fl. 10 3 decorrência do lançamento anterior, anulado por vício formal, não pode trazer inovações materiais, mas apenas corrigir o vício apontado. Recurso Voluntário Provido. Às fls. 282/287, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial em relação a seguinte matéria: decadência no caso de autuação decorrente de lançamento anterior, anulado por vício formal. No acórdão recorrido entendeuse que o lançamento efetuado com inovação material relativamente a lançamento anterior, anulado por vício formal, deve ser considerado como novo lançamento, estando submetido, portanto, às regras originais da decadência; de modo que foi dado provimento integral ao recurso voluntário. No paradigma, diferentemente, nessa mesma situação lançamento decorrente de outro, anulado por vício formal, lavrado com inovação material , o Colegiado entendeu que o segundo lançamento deve ser apenas parcialmente cancelado, de forma que somente a parte do lançamento referente aos fatos inovados deve ser considerada como decaída, devendo ser mantida a regra de decadência estabelecida pelo art. 173, II, do CTN para os demais fatos. Às fls. 301/303, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à divergência relativa à decadência no caso de autuação decorrente de lançamento anterior, anulado por vício formal. À fl. 308, o Contribuinte foi cientificado, permanecendo inerte, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de crédito tributário (AI n° 37.179.5567) pertinente às contribuições previdenciárias relativas à rubrica segurados. O valor do presente lançamento é de R$ 10.894,81, consolidado em 01 de setembro de 2008. A apuração deuse com base no instituto da solidariedade paritária, previsto no art. 31 da Lei n° 8212/91, decorrente da execução de serviços prestados mediante cessão de mão de obra pela empresa COSMOS SERVIÇOS AUXILIARES LTDA, CNPJ 00.216.641/000188, uma vez que a contratante não comprovou o escorreito cumprimento dos deveres jurídicotributários substanciais da contratada. O Acórdão recorrido deu provimento ao recurso ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante à interpretação da aplicação da decadência no caso de autuação decorrente de lançamento anterior, anulado por vício formal com inovações no lançamento. Fl. 315DF CARF MF 4 A norma legal define que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado (CTN, art. 173, II). Eventual inovação no novo lançamento relativamente a fatos já atingidos pela decadência, contada na forma do inc. I, do art. 173, do CTN, não implica em considerar todo o crédito tributário como decaído, mas tão somente o montante relativo aos referidos fatos (nos casos em que este tenha superado o previsto no art. 173, I do CTN) Observo que no caso em tela o acórdão recorrido decidiu de forma arbitrária ao entender que todo lançamento deveria ser considerado decaído. Em havendo o segundo lançamento deve ser apenas parcialmente cancelado, de forma que somente a parte do lançamento referente aos fatos inovados deve ser considerada como decaída, devendo ser mantida a regra de decadência estabelecida pelo art. 173, II, do CTN para os demais fatos. E assim considero que somente a parte que se refere as inovações, para as quais se aplica o prazo decadencial original se encontram decaídas. Diante do exposto conheço do Recurso interposto pela Fazenda Nacional para no mérito darlhe provimento, com retorno dos autos a Turma Ordinária para julgamento das demais questões. É como voto (assinatura digital) Ana Paula Fernandes. Fl. 316DF CARF MF
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