Sistemas: Acordãos
Busca:
mostrar execução da query
7264148 #
Numero do processo: 10830.915053/2012-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.257
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201803

camara_s : Segunda Câmara

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Fri May 04 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 10830.915053/2012-50

anomes_publicacao_s : 201805

conteudo_id_s : 5859620

dt_registro_atualizacao_tdt : Sat May 05 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 3201-001.257

nome_arquivo_s : Decisao_10830915053201250.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA

nome_arquivo_pdf_s : 10830915053201250_5859620.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.

dt_sessao_tdt : Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018

id : 7264148

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:17:20 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713050308715741184

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1707; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T1  Fl. 119          1 118  S3­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10830.915053/2012­50  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3201­001.257  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  20 de março de 2018  Assunto  DILIGÊNCIA  Recorrente  COOPERATIVA DE USUÁRIOS DO SISTEMA DE SAÚDE DE  CAMPINAS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento em diligência.  (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira ­ Presidente em exercício e Relator.   Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira  (Presidente),  Tatiana  Josefovicz  Belisário,  Paulo  Roberto  Duarte Moreira,  Marcelo  Giovani  Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.  Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário  interposto  pelo  contribuinte  supra  identificado  em  face  de  decisão  da  DRJ  Ribeirão  Preto/SP  que  julgou  improcedente  a Manifestação  de  Inconformidade  manejada  para  se  contrapor  ao  Despacho  Decisório  que  não  homologara  a  compensação declarada, sob o argumento de que o pagamento informado havia sido localizado  mas utilizado na quitação de débitos do contribuinte.  Na  Manifestação  de  Inconformidade,  o  Impugnante  alegou  que  não  era  contribuinte da Cofins, tratando­se de uma cooperativa, nos termos dos artigos 3º e 4º da Lei nº  5.764/71, que somente praticava atos com cooperados.  Argumentou  que  sua  atividade  era  a  coordenação  de  serviços  de  saúde,  laboratoriais  e  de  hospitais  para  seus  cooperados,  de  modo  que  todos  seus  atos  eram  cooperativos, isentos da Cofins.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 15 05 3/ 20 12 -5 0 Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10830.915053/2012­50  Resolução nº  3201­001.257  S3­C2T1  Fl. 120          2 Concluiu, pleiteando o reconhecimento da ineficácia do despacho decisório e do  direito creditório e, por conseguinte, a homologação da compensação.  A  decisão  da  Delegacia  de  Julgamento,  denegatória  do  direito  pleiteado,  fundamentou­se na constatação de que  a  isenção  da Cofins para as  cooperativas,  prevista no  art.  6°,  I,  da  Lei  Complementar  n°  70,  de  1991,  vigorou  até  outubro  de  1999,  tendo  sido  revogada expressamente, a partir de novembro de 1999, pela Medida Provisória (MP) nº 1.858­ 6,  de  1999,  passando  as  cooperativas,  a  partir  de  então,  a  apurar  a  base  de  cálculo  da  contribuição da mesma forma das demais pessoas jurídicas.  Destacou  o  órgão  julgador  de  primeira  instância  que  os  valores  recolhidos  a  maior  ou  indevidamente  somente  eram  passíveis  de  restituição/compensação  se  os  indébitos  reunissem as características de liquidez e certeza.  Cientificado  da  decisão,  o  contribuinte  pleiteou  o  provimento  do  Recurso  Voluntário, interposto de forma hábil e tempestiva, ou, alternativamente, a conversão do feito  em diligência, em respeito ao princípio da verdade material, arguindo o seguinte:  a)  possui  direito  ao  crédito  pleiteado  em  respeito  ao  princípio  da  verdade  material;  b)  o  acórdão  recorrido  é  insubsistente,  pois  a  Administração  deveria  ter  investigado  com maior  afinco  a  origem  do  crédito  indicado,  não  se  limitando  unicamente  à  alegação de ausência de crédito;  c) a prova de que o mero argumento de vinculação à obrigação confessada em  DCTF  não  é  suficiente  para  a  negativa  do  direito  creditório  é  que  somente  com  a  decisão  recorrida que os fundamentos de direto foram aduzidos, ao arrepio do contraditório e da ampla  defesa,  extrapolando­se  os  limites  da  lide  que  foram  demarcados  pelo  indeferimento  no  despacho decisório;  d) no acórdão proferido pela DRJ, não foi consignada nenhuma objeção ao fato  de se tratar de uma cooperativa, cujos atos cooperativos não sofrem a incidência da Cofins;  e)  a  Constituição  Federal  prevê  tratamento  diferenciado  às  cooperativas  e  os  artigos  3°,  4º  e  5º  da  Lei  n°  5.764/1971  trazem,  respectivamente,  a  definição  de  sociedade  cooperativa, as suas características e a possibilidade de adoção de objeto de qualquer gênero de  serviços, operação ou atividade;  f) a discussão travada nos autos não diz respeito à isenção da Cofins, mas à não  incidência da contribuição sobre os atos cooperativos, estes preceituados pelo art. 79 da Lei n°  5764/1971;  g)  no  caso  em  apreço,  há  o  exercício  de  coordenação  de  serviços  de  saúde,  laboratoriais e de hospitais para seus cooperados, decorrendo das contribuições desses mesmos  cooperados  todos  os  valores  nela  ingressados,  valores  esses  destinados  à  contratação  de  médicos, dentistas, psicólogos, serviços de laboratórios e de hospitais,  todos eles diretamente  ligados à sua atividade.  h) a matéria está submetida à Repercussão Geral no Supremo Tribunal Federal  (RE 672215).  Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10830.915053/2012­50  Resolução nº  3201­001.257  S3­C2T1  Fl. 121          3 É o relatório.  Voto  Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF),  aprovado  pela Portaria MF  343,  de  9  de  junho  de  2015,  aplicando­se,  portanto,  ao  presente  litígio o decidido na Resolução nº 3201­001.249, de 20/03/2018, proferido no  julgamento do  processo 10830.914988/2012­19, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela  decisão (Resolução nº 3201­001.249):  Depreende­se do caderno processual, que não há oposição em relação ao  fato de que a recorrente praticou atos cooperativos.  Assim, o cerne da questão está em apreciar o direito de a recorrente  ter  afastada  a  tributação  pela  COFINS,  dos  atos  cooperativos  típicos  por  ela  praticados, quais sejam, de operações entre a Cooperativa e seus associados, o  que lhe conferiria o direito de ter retornado ao seu patrimônio o valor pago a  maior a título de COFINS, o que viabilizaria a compensação pretendida.  Ocorre  que,  no  caso  em  debate  tanto  o  despacho  decisório,  quanto  a  decisão  proferida  em  sede  de manifestação  de  inconformidade  informam não  estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório.  A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o  pedido da recorrente.  No  entanto,  entendo  como  razoável  as  alegações  produzidas  pela  recorrente  aliado  aos  documentos  apresentados  nos  autos,  o  que  atesta  que  procurou  se  desincumbir  do  seu  ônus  probatório  em  atestar  a  existência  dos  créditos alegados.  Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual  civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal  procedimento, também está pautado pela boa­fé.  Assim,  entendo  que  há  dúvida  razoável  no  presente  processo  acerca  da  liquidez,  certeza  e  exigibilidade  do  direito  creditório,  o  que  justifica  a  conversão  do  feito  em  diligência,  não  sendo  prudente  julgar  o  recurso  em  prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas.  Diante  do  exposto,  voto  pela  conversão  do  julgamento  em  diligência  à  repartição de origem, para que seja intimada a recorrente para no prazo de 30  (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, a apresentar (i) os cálculos  e (ii) outros documentos, porventura, ainda necessários aptos a comprovar os  valores pretendidos.  Deve,  ainda,  a  autoridade  administrativa  informar  se  há  o  direito  creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do  débito  existente  tomando  por  base  toda  a  documentação  apresentada  pelo  contribuinte.  Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10830.915053/2012­50  Resolução nº  3201­001.257  S3­C2T1  Fl. 122          4 Isto  posto,  deve  ser  oportunizada  à  recorrente  o  conhecimento  dos  procedimentos  efetuados  pela  repartição  fiscal,  inclusive  do  relatório  elaborado pela  fiscalização,  com abertura de  vistas pelo prazo de 30  (trinta)  dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos, para, na  sequência,  retornarem  os  autos  a  este  colegiado  para  prosseguimento  do  julgamento.  Os  fatos  que  ensejaram  a  conversão  em diligência  do  julgamento  do  processo  paradigma  também  se  encontram  presentes  nestes  autos,  justificando,  por  conseguinte,  a  aplicação da mesma decisão a este processo.  Portanto, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II  do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, para que a repartição  de origem intime o Recorrente para, no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual  período, apresente (i) os cálculos e (ii) outros documentos porventura ainda necessários aptos a  comprovar os valores pretendidos.  Deve,  ainda,  a  autoridade  administrativa  informar  se  há  o  direito  creditório  alegado  e  se  ele  é  suficiente  para  a  extinção  do  débito  existente,  tomando  por  base  toda  a  documentação apresentada pelo contribuinte.  Após,  conceda­se  o  prazo  de  30  (trinta)  dias  ao  Contribuinte  para  que  tome  conhecimento dos procedimentos realizados pela repartição de origem, inclusive do relatório a  ser elaborado pela Fiscalização, e se manifeste, a seu critério, acerca do resultado da diligência.  Concluída a instrução do feito, retornem os autos para julgamento.  (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira  Fl. 122DF CARF MF

score : 1.0
7273081 #
Numero do processo: 10746.900372/2011-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.585
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201804

camara_s : Terceira Câmara

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Fri May 11 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 10746.900372/2011-39

anomes_publicacao_s : 201805

conteudo_id_s : 5861174

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 11 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 1302-000.585

nome_arquivo_s : Decisao_10746900372201139.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO

nome_arquivo_pdf_s : 10746900372201139_5861174.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.

dt_sessao_tdt : Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018

id : 7273081

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:17:43 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713050308717838336

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1749; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T2  Fl. 203          1 202  S1­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10746.900372/2011­39  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  1302­000.585  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  12 de abril de 2018  Assunto  DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO  Recorrente  CONSTRUTORA TALISMA LTDA       Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator.  (assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Paulo Henrique Silva Figueiredo ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Carlos  Cesar  Candal  Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério  Aparecido  Gil,  Gustavo  Guimarães  da  Fonseca,  Flávio  Machado  Vilhena  Dias,  Lizandro  Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.  Relatório   Trata­se de Recurso  interposto em relação ao Acórdão nº 03­50.428, de 31 de  janeiro  de  2013,  proferido  pela  4ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Brasília/DF  (fls.  89  a  96),  que  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade apresentada pelo sujeito passivo.  O  presente  processo  cuida  da  Declaração  de  Compensação  (DCOMP)  nº  29879.28306.200807.1.3.04­0313  (fls.  26  a  31),  por meio  da  qual  a  contribuinte  compensou  débito  de  sua  responsabilidade  referente  à  Contribuição  para  Financiamento  da  Seguridade  Social (Cofins), período de apuração de julho de 2007, no valor de R$ 1.676,17, com crédito     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 46 .9 00 37 2/ 20 11 -3 9 Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10746.900372/2011­39  Resolução nº  1302­000.585  S1­C3T2  Fl. 204          2 decorrente de suposto pagamento indevido ou a maior a título de Contribuição Social sobre o  Lucro Líquido (CSLL).  O  crédito  em  questão,  no  valor  de  R$  1.178,16,  originar­se­ia  de  pagamento  efetuado em 28/10/2004, no montante de R$ 3.746,82; e não  foi  reconhecido pelo Despacho  Decisório  de  fl.  24,  por  se  encontrar  inteiramente  utilizado  para  quitação  de  débito  da  contribuinte, de modo que a compensação declarada não foi homologada.  Cientificado, o sujeito passivo apresentou a Manifestação de Inconformidade de  fls.  2  a 17, na qual  sustentou que, por  equívoco, na Declaração de  Informações Econômico­ Fiscais  da  Pessoa  Jurídica  (DIPJ),  relativa  ao  ano­calendário  de  2004,  e  na  Declaração  de  Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), referente ao terceiro trimestre do citado ano­ calendário,  informou  débito  a  título  de  CSLL,  regime  de  apuração  baseado  no  Lucro  Presumido, calculado a partir da aplicação do percentual de 32% sobre a sua receita bruta.  Contudo, em decorrência da sua atividade, estaria sujeito à CSLL, sobre o Lucro  Presumido, calculada com base na aplicação da alíquota de 12% sobre a sua receita bruta.  Invocou  o  princípio  da  verdade  material  e  apresentou  elementos  que,  no  seu  entender,  comprovariam  o  erro  de  fato  e  o  indébito  em  questão  (DIPJ  retificadora,  cópias  parciais dos livros Diário, Razão e Registro de notas fiscais de serviços prestados, bem como  cópias das notas fiscais do período).   Relatou,  ainda,  haver  procedido  à  retificação  da  DIPJ  referente  ao  ano­ calendário de 2004, e apresentou diversas decisões de Delegacias da Receita Federal do Brasil  de Julgamento que respaldariam o crédito pleiteado.  Em dezembro de 2012, o sujeito passivo apresentou o documento de fls. 87 e 88,  intitulado "Resumo do Manifesto de Inconformidade P.J.", no qual, além de reiterar os termos  da sua Manifestação Inconformidade, esclarece que deixou de retificar a DCTF do 3º trimestre  de 2004, uma vez que, no momento em que constatou a necessidade de  tal  retificação,  já se  teria operado a decadência do seu direito de alterar o referido documento.  A decisão de primeira instância (fls. 89 a 96) considerou que a Recorrente não  havia apresentado documentação suficiente capaz de "demonstrar a natureza das atividades a  que se referiram os rendimentos declarados e que poderia esclarecer qual(is) o(s) correto(s)  percentual(is)  aplicável(is),  se  de  12%,  tal  como  pretendido,  se  de  32%,  ou  mesmo  de  percentuais  diversificados,  conforme  §  2º  do  artigo  15  da  Lei  nº  9.249/95",  de modo  que  o  alegado  indébito  não  se  revestiria  da  liquidez  e  certeza  necessárias  ao  reconhecimento  do  direito creditório, nos termos do art. 170 do CTN.  Registrou,  ainda,  que  as  decisões  administrativas  colecionadas  pela  pessoa  jurídica não possuíam caráter de normas complementares, nem efeitos vinculantes.   Deste modo, não reconheceu o direito creditório do sujeito passivo.  Após a ciência, comprovada às fls. 97/98, foi interposto o Recurso de fls. 100 a  111,  por  meio  do  qual  a  Recorrente,  após  reiterar  as  razões  contidas  na  Manifestação  de  Inconformidade, sustenta que tem como cliente contratante, na maioria dos serviços prestados,  o Poder Público, sendo a prática e costume os contratos de obras públicas serem formalizados  sob a sistemática da empreitada global.  Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10746.900372/2011­39  Resolução nº  1302­000.585  S1­C3T2  Fl. 205          3 Aduz  que  os  documentos  já  apresentados,  em  especial  as  notas  fiscais  de  serviço, são elementos hábeis a demonstrar se tratar de serviços prestados com fornecimento de  material.  Invoca a aplicação do princípio  in dúbio pro contribuinte  (calcado no art. 112,  inciso II, do CTN) ou, ainda, a realização de diligência para juntada aos autos dos contratos de  prestação de serviço.  Contudo,  com  base  no  art.  16,  §4º,  alínea  c,  do  Decreto  nº  70.235,  de  1972,  combinado com o §5º do  referido dispositivo,  já  traz aos autos os mencionados contratos de  prestação de serviço, que comprovariam o direito pleiteado.  É o Relatório.  Voto  Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo ­ Relator  Como já relatado, trata­se de Declaração de Compensação (DComp) referente a  pagamento  efetuado,  em  28/10/2004,  a  título  de Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  (CSLL), relativo ao 3ª trimestre do ano­calendário de 2004.  O crédito compensado decorreria do fato de a Recorrente haver confessado na  DCTF e recolhido a CSLL, apurada sob o regime de apuração baseado no Lucro Presumido, a  partir da aplicação do percentual de 32% sobre a sua receita bruta, quando, em decorrência da  receita  se  referir  à  atividade  de  construção  civil  com  fornecimento  de material,  o  percentual  aplicável para a determinação do Lucro Presumido ser o de 12%, conforme art. 20 da Lei nº  9.249, de 1995.  O direito creditório  invocado não foi  reconhecido pelo Despacho Decisório de  fl. 24, por se encontrar inteiramente utilizado para quitação de débito da contribuinte, de modo  que a compensação declarada não foi homologada.  Por outro lado, a Manifestação de Inconformidade do sujeito passivo foi julgada  improcedente por se considerar que os elementos  juntados aos autos não são suficientes para  comprovar  que  os  serviços  prestados  pela  Recorrente  incluem  o  fornecimento  de  todo  o  material necessário à sua realização.  Nos  termos  do  art.  20  da  Lei  nº  9.249,  de  1995,  a  base  de  cálculo  da  CSLL  devida  pelas  pessoas  jurídicas  que  apuram  o  IRPJ  com  base  no  Lucro  Presumido,  corresponderá a doze por cento da receita bruta, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam  as atividades a que se  refere o  inciso  III  do § 1º do art. 15 daquele diploma  legal, dentre as  quais se inclui a prestação de serviços em geral, cujo percentual corresponderá a trinta e dois  por cento.  O citado art. 15 foi interpretado pelo Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de  1997, que esclareceu que, para a determinação da base de cálculo do IRPJ mensal, a construção  por  empreitada  com  emprego  de  qualquer  quantidade  de  materiais  se  sujeitaria  ao  percentual de 8% (oito  por  cento),  enquanto  incidiria o percentual de 32%  (trinta  e dois por  cento) sobre a receita das atividades de construção por empreitada unicamente de mão­de­obra.  Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10746.900372/2011­39  Resolução nº  1302­000.585  S1­C3T2  Fl. 206          4 A  Instrução  Normativa  SRF  nº  93,  de  24  de  dezembro  de  1997,  tratava  do  assunto, nos mesmos moldes do ADN mencionado.  Aquele entendimento vigorou até a edição da Instrução Normativa SRF nº 480,  de 15 de dezembro de 2004, que definiu como "construção por empreitada com emprego de  materiais, a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o  empreiteiro  todos  os  materiais  indispensáveis  à  sua  execução,  sendo  tais  materiais  incorporados à obra". (Destacou­se)  No caso sob exame, tratando­se do ano­calendário de 2004, aplica­se, portanto,  o  entendimento  que  admite  o  fornecimento  de  qualquer  quantidade  de  material,  para  a  aplicação do percentual favorecido na determinação da base de cálculo da CSLL.  A questão que se põe, portanto, é saber se as provas documentais apresentadas  pelo  sujeito  passivo  são  (ou  não)  suficientes  para  comprovar  que  as  receitas  tributadas  no  trimestre em questão se referem a serviços de construção civil prestados com o fornecimento  de material.  Ocorre  que,  previamente  à  apreciação  do  Recurso,  faz­se  necessário  esclarecimento.   É  que,  dentre  as  notas  fiscais  juntadas  pelo  sujeito  passivo,  há  documentos  emitidos pela Construtora Monte do Carmo Ltda, CNPJ nº 01.919.293/0001­78 (fls. 79 e 80).  A par disso, dentre os contratos apensados ao Recurso, constata­se a existência  de  instrumentos  firmados  com  a  mesma  Construtora  Monte  do  Carmo  Ltda  (fls.  142/148,  152/157, 169/176, 178/183 e 192/197.  Por  outro  lado,  os  Aditivos  de  fls.  149/150  e  198/199,  aos  contratos  de  fls.  142/148 e 192/197, respectivamente, são firmados com a própria Recorrente.  Do  mesmo  modo,  vê­se  que  notas  fiscais  são  emitidas  pela  Recorrente,  em  relação aos contratos firmados com a Construtora Monte do Carmo Ltda, e que os valores das  referidas receitas estão contabilizadas nos Livros contábeis e fiscais juntados pela Recorrente, e  foram considerados na apuração da CSLL devida no período em questão.  Isto  posto,  voto  no  sentido  de  converter  o  presente  julgamento  em  diligência,  para que o processo retorne à Unidade de origem (DRF/Palmas­TO), para que:  a) intime o sujeito passivo a esclarecer a existência de notas fiscais e contratos  referentes  à  Construtora  Monte  do  Carmo  Ltda,  CNPJ  nº  01.919.293/0001­78,  na  base  de  cálculo utilizada para  a  determinação da CSLL  relativa  ao 3º  trimestre do  ano­calendário de  2004 e do indébito de que trata o presente processo;  b) informe os valores efetivamente recolhidos pela Recorrente, a título de CSLL,  em  relação ao  referido período de apuração, detalhando a  eventual utilização/disponibilidade  dos pagamentos efetuados;  c)  ao  fim,  elabore­se  relatório  de  diligência  contendo  as  informações  acima  requeridas, bem como se manifestando em relação aos esclarecimentos prestados pelo sujeito  Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10746.900372/2011­39  Resolução nº  1302­000.585  S1­C3T2  Fl. 207          5 passo,  que  deve  ser  cientificado  do  resultado,  com  a  concessão  de  prazo  para,  querendo,  manifestar­se nos autos.  Após, reencaminhe­se o processo a este Colegiado.  (assinado digitalmente)  Paulo Henrique Silva Figueiredo  Fl. 207DF CARF MF

score : 1.0
7280084 #
Numero do processo: 10980.011229/2008-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004, 2005 ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO AMBIENTAL. DECLARAÇÃO DOS ÓRGÃOS COMPETENTES Uma vez reconhecido pelos órgãos ambientais competentes que a área declarada pela Recorrente corresponde à área de interesse ecológico estão atendidas as condições previstas no art. 10, inciso II, alínea "b" da Lei 9.393/96, devendo, portanto, ser admitida sua exclusão da base de cálculo do ITR. VALOR DA TERRA NUA. COMPROVAÇÃO VALOR CONSTANTE DO LAUDO TÉCNICO. O Laudo de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos das Normas da ABNT, demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preço de mercado, e esteja acompanhado da necessária Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) é prova suficiente do Valor da Terra Nua declarado.
Numero da decisão: 2202-004.359
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Waltir de Carvalho - Presidente Substituto. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho, Rosy Adriane da Silva Dias e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201804

camara_s : Segunda Câmara

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004, 2005 ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO AMBIENTAL. DECLARAÇÃO DOS ÓRGÃOS COMPETENTES Uma vez reconhecido pelos órgãos ambientais competentes que a área declarada pela Recorrente corresponde à área de interesse ecológico estão atendidas as condições previstas no art. 10, inciso II, alínea "b" da Lei 9.393/96, devendo, portanto, ser admitida sua exclusão da base de cálculo do ITR. VALOR DA TERRA NUA. COMPROVAÇÃO VALOR CONSTANTE DO LAUDO TÉCNICO. O Laudo de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos das Normas da ABNT, demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preço de mercado, e esteja acompanhado da necessária Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) é prova suficiente do Valor da Terra Nua declarado.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Mon May 14 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 10980.011229/2008-01

anomes_publicacao_s : 201805

conteudo_id_s : 5861635

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 2202-004.359

nome_arquivo_s : Decisao_10980011229200801.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO

nome_arquivo_pdf_s : 10980011229200801_5861635.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Waltir de Carvalho - Presidente Substituto. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho, Rosy Adriane da Silva Dias e Martin da Silva Gesto.

dt_sessao_tdt : Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018

id : 7280084

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:18:05 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713050308719935488

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1538; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T2  Fl. 449          1 448  S2­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10980.011229/2008­01  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2202­004.359  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  05 de abril de 2018  Matéria  Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ­ ITR  Recorrente  ZM S/A            Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ­ ITR  Exercício: 2004, 2005  ITR.  ÁREA  DE  PRESERVAÇÃO  AMBIENTAL.  DECLARAÇÃO  DOS  ÓRGÃOS COMPETENTES  Uma  vez  reconhecido  pelos  órgãos  ambientais  competentes  que  a  área  declarada  pela  Recorrente  corresponde  à  área  de  interesse  ecológico  estão  atendidas  as  condições  previstas  no  art.  10,  inciso  II,  alínea  "b"  da  Lei  9.393/96, devendo, portanto, ser admitida sua exclusão da base de cálculo do  ITR.  VALOR DA TERRA NUA. COMPROVAÇÃO VALOR CONSTANTE DO  LAUDO TÉCNICO.  O  Laudo  de  Avaliação,  emitido  por  profissional  habilitado,  atenda  aos  requisitos  das  Normas  da  ABNT,  demonstrando,  de maneira  inequívoca,  o  valor  fundiário  do  imóvel,  a  preço  de  mercado,  e  esteja  acompanhado  da  necessária Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) é prova suficiente  do Valor da Terra Nua declarado.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento ao recurso.  (Assinado digitalmente)   Waltir de Carvalho ­ Presidente Substituto.     (Assinado digitalmente)      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 12 29 /2 00 8- 01 Fl. 359DF CARF MF     2 Júnia Roberta Gouveia Sampaio ­ Relatora.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros: Waltir  de Carvalho,  Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Paulo Sergio Miranda Gabriel  Filho, Rosy Adriane da Silva Dias e Martin da Silva Gesto.      Relatório  Por  bem  descrever  os  fatos,  adoto  o  relatório  da  decisão  recorrida  (fls.  195/203 numeração do e­ processo):  “Contra  a  interessada  supra  foi  lavrado  o  Auto  de  Infração  e  respectivos demonstrativos de  fls. 86 a 97, por meio do qual se  exigiu  o  pagamento  do  ITR  dos  Exercícios  2004  e  2005,  acrescido  de  juros  moratórios  e  multa  de  oficio,  totalizando  o  crédito  tributário  de  R$  709.407,59,  relativo  ao  imóvel  rural  denominado  “Fazenda  Estrela  2”,  com  área  de  2.417,5  ha,  NIRF 1.872.0897, localizado no município de Guaratuba/PR.  Constou  da  Descrição  dos  Fatos  e  Enquadramento  Legal  a  citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as  seguintes  informações,  em  suma:  que,  após  regularmente  intimada,  a  contribuinte  não  logrou  comprovar  a  área  isenta  declarada  a  titulo  de  interesse  ecológico,  posto  que  não  foi  apresentado  o  ato  especifico  do  órgão  competente,  federal  ou  estadual  que  tenha  declarado  o  imóvel  como  de  interesse  ecológico,  sendo  que  não  foram  enviadas  as  respostas  aos  requerimentos  junto ao lbama e ao  IAP em 2007, apresentados  na resposta da interessada, além disso, o ADA 'protocolizado em  1998 não indica a existência dessa área, portanto foi efetuada a  glosa  da  área  de  interesse  ecológico  nos  dois  exercícios  analisados; que as  áreas de  preservação permanente  e  reserva  legal  declaradas  foram  consideradas,  em  virtude  da  existência  de  ADA  protocolizado  no  prazo  legal,  indicando  estas  áreas,  bem  como  a  área  de  reserva  legal  possuir  averbação  na  matricula  do  imóvel;  e  que,  quanto  ao  valor  da  terra  nua  declarado foi acatado o valor avaliatório da gleba total apurado  no  laudo,  de R$  2.612.800,00  para  o  exercício  de  2005,  sendo  desconsiderados  os  demais  cálculos  relativo  ao  valor  da  área  tributável,  e  em  virtude  de  o  laudo  não  apresentar  estimativa  para o VTN no Exercício 2004, este foi arbitrado com base nas  informações  contidas  no  SIPT  Sistema  de  Preços  de  Terra  da  Receita Federal, fornecidos Secretaria Estadual de Agricultura.  Cientificada  do  lançamento,  por  via  postal,  em  06/08/2008,  conforme AR à fl. 99, a interessada apresentou a impugnação de  fls. 100 a 117, em 04/09/2008, aduzindo, em síntese, que:  •  O  ato  administrativo  não  merece  prosperar,  porque  ao  contrario  do  descreve  a  autoridade  fiscal,  não  houve  falta  de  recolhimento  do  imposto  referente  aos  exercícios  de  2004  e  2005;  Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10980.011229/2008­01  Acórdão n.º 2202­004.359  S2­C2T2  Fl. 450          3 •  De  acordo  com  o  laudo  técnico  apresentado  a  área  de  preservação  permanente  está  superior  a  originalmente  declarada,  não  tendo  sido  acatado  esta  nova  área  no  procedimento de revisão, em virtude de o laudo não informar o  software  para  o  cálculo,  tal  requisito  nunca  foi  alvo  de  solicitação de qualquer órgão que trate de questões ambientais;  •  As  áreas  declaradas  estão  corretas  e  indicadas  no  laudo,  ademais  o  imóvel  se  localiza  na  APA  de  Guaratuba  instituída  pelo Decreto n° 1.234 de 27/03/1992, e por ser uma área coberta  de vegetação característica da Mata Atlântica, foi observado no  imóvel as disposições do Decreto n° 750 de 10/02/1993, do qual  se baseia o laudo;  • É desnecessário o Ato Declaratório Ambiental para usufruir da  isenção  do  ITR  nas  áreas  de  reserva  legal,  preservação  permanente ou a área de interesse ecológico, tal entendimento é  corroborado pelo Superior Tribunal de Justiça em suas decisões;  •  Compete  ao  caso  aplicar  o  art.  10,  §  7°  da  Lei  9.393/96,  acrescentado pela MP n° 2.16667/ 2001, esse dispositivo revela  a  desnecessidade  de  prévia  comprovação  na  declaração  da  existência  das  áreas  indicadas  na  DITR,  portanto,  deve  ser  afastada  da  base  de  cálculo  do  ITR  a  área  de  interesse  ecológico,  já que  ela  se encontra  comprovada pelo Engenheiro  em sua declaração, com a devida ART;  •  A multa  é  totalmente  abusiva  e  ficou  estipulada  em  patamar  superior  ao  suposto  crédito  tributário,  ferindo  o  principio  Constitucional que proíbe o confisco tributário;  •  Finaliza  requerendo  prova  pericial  no  imóvel  para  a  comprovação das áreas declaradas, em observância ao principio  da ampla defesa presente no art. 5°, inciso LV;  Instruíram a impugnação os documentos de fls..118 a 179.”  A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande  (MS) negou provimento ao recurso em decisão cuja ementa é a seguinte:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ­  ITR  Exercício: 2004, 2005  Área de Interesse Ecológico. Reconhecimento Específico. ADA.   Para que possam ser excluídas da incidência do ITR, a área de  interesse ecológico deve ser assim declarada por ato específico  do órgão competente, federal ou estadual e ser obrigatoriamente  informada  em Ato Declaratório  Ambiental  ­  ADA,  protocolado  no Ibama, nos prazos e condições fixados em atos normativos.   Valor da Terra Nua ­ VTN  Fl. 361DF CARF MF     4 A base de cálculo do imposto será o valor da terra nua apurado  pela  fiscalização,  como  disposto  em  lei,  se  não  existir  comprovação que justifique reconhecer valor menor.   Juros de mora. Multa de Ofício. Confisco.   É  cabível  a  cobrança  de  juros  de  mora  equivalentes  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia  (Selic),  e  da  multa  de  ofício  por  expressa  previsão  legal.  O  princípio do não confisco  tributário, nos  termos do. 150,  IV da  CF, não se aplica às penalidades.     Cientificada  da  referida  decisão  (AR  fls.  206)  a  contribuinte  apresentou  o  Recurso Voluntário de  fls. no qual  reitera as alegações  já  suscitadas quando da  impugnação,  bem como a necessidade, diante das provas trazidas aos autos, da diligência junto aos órgãos  ambientais.   Em 18  de  outubro  de 2012,  a  1ª Turma Especial  da 2ª  Seção,  por meio  da  Resolução  nº  2801­000.166  (fls.  262/265),  decidiu,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator que assim dispôs:  Deste  modo,  com  vistas  a  formar  convicção  acerca  da  lide,  VOTO pela conversão do julgamento em diligência para que a  Unidade lançadora oficie ao IBAMA e/ou Instituto Ambiental do  Paraná,  para  que  sejam  prestadas  informações  quanto  à  existência  deárea  de  interesse  ecológico  no  imóvel  rural  em  apreço  (assim  declaradas  em  caráter  especifico,  por  órgão  competente federal ou estadual, nos termos do art. 10 da Lei nº  9.393/96), e, caso positivo, informar a totalidade desta área. Ao  final,  que  a  autoridade  fiscal  se  manifeste,  em  relatório  circunstanciado  e  conclusivo,  sobre  os  documentos  e  esclarecimentos prestados.  Em  resposta  à  Diligência,  a  Superintendência  do  IBAMA  no  estado  do  Paraná apresentou o Parecer 1426/2013 (fls. 290/298), por meio qual concluiu que:  A  APA  de  Guaratuba  é  Unidade  de  Conservação  de  administração  Estadual,  sendo  o  instrumento  legal  para  comprovação  do  citado  interesse  ecológico  a  documentação  referente  a  criação  da  Unidade  de  Conservação,  ou  seja,  o  citado  Decreto1234/1992,  e  em  caso  de  necessidade  de  mais  informações referente a tal sobreposição e seus desdobramentos,  é  o  órgão  estadual  a  autoridade  competente  para  prestar  tais  informações.   Em 25 de março  de  2014, O  Instituto Ambiental  do Paraná  ­  IAP,  por  sua  vez, apresentou resposta ao Ofício nº 004/14/DRF/CTA/SEFIS, por meio do qual informou que  (fls. 299/307):  ...a Fazenda Estrela 2 encontra­se totalmente inserida dentro da  Área  de  Proteção  Ambiental  de  Guaratuba,  instituída  pelo  Decreto estadual 1.234 de 27 de março de 1992, incidindo sobre  as seguintes zonas:  ZUA1 ­ Zona de Uso Agropecuário A1 ­ Cubatãzinho;  Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10980.011229/2008­01  Acórdão n.º 2202­004.359  S2­C2T2  Fl. 451          5 ZP2 ­ Zona de Proteção P2 ­ Canavieiras ­ Araraquara;  ZP5 ­ Zona de Proteção P5 ­ Parado;  APE Parado ­ Área de Proteção Especial Lagoa do Parado;  APE Engenho ­ Área de Proteção Especial do Engenho.   Anexamos  informações  contendo  objetivos  e  indicações  de  uso  dessas  zonas  para  melhor  compreensão  do  que  é  possível  ser  feito em cada uma delas.   Em  tempo,  informamos  que  parte da Fazenda Estrela  2,  incide  sobre  área  de  estudo  do  ICMBio  (Instituto  Chico  Mendes  de  Biodiversidade) para criação do Parque Nacional de Guaratuba.   Em anexo também, segue cópia do estudo elaborado pelo nosso  setor de Geoprocessamento com as informações levantadas.     O  Serviço  de  Fiscalização  da  Receita  Federal  do  Brasil  em  Curitiba,  apresentou o relatório de fls. 352/353, no qual conclui que:  Dessa forma, entendo que no caso de imóveis rurais localizados  dentro de áreas de proteção ambiental, instituídas com objetivos  de  proteção  e  preservação  ecológica  definidos  de  forma  genérica,  como  é  o  caso  da  Área  de  Proteção  Ambiental  de  Guaratuba,  é  necessário  também  a  existência  de  ato  legal  específico  de  órgão  competente  federal  ou  estadual  com  reconhecimento  para  a  área  da  propriedade  particular,  com  o  perímetro devidamente identificado e desde que a mesma esteja  informada no Ato Declaratório Ambiental protocolizado junto ao  Ibama,  nos  termos  do  que  prevê  o  §1º,  art.  17­O  da  Lei  nº6.938/81, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165/00,  para que esta se enquadre no previsto pelo §1º, inciso II, alínea  "b" , art. 10 da Lei nº 9.393/96.  A Recorrente apresentou a manifestação de fls. 309/312 no qual alega que a  diligência comprovou que a  área de  interesse ecológico  corresponde àquela declarada,  , bem  como que o  laudo  técnico  comprova que o valor da  terra nua corresponde aquele declarado,  devendo assim ser cancelado o lançamento.   É o relatório    Voto             Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio ­ Relatora  O  recurso  preenche  os  pressupostos  legais  de  admissibilidade, motivo  pelo  qual, dele conheço.  Fl. 363DF CARF MF     6 1) DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO AMBIENTAL   Conforme mencionado no relatório, a matéria objeto do presente recurso é de  natureza  eminentemente  fática.  Trata­se  da  comprovação  da  área  de  interesse  ecológico  de  1.210,00 he declarada pelo contribuinte em sua Declaração de ITR.   O art. 10, inciso II, alínea "b" da Lei 9.393/96 determina a exclusão da base  de cálculo do  ITR das áreas de interesse ecológico, desde que assim declaradas pelos órgãos  ambientais competentes:   Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo  contribuinte,  independentemente  de  prévio  procedimento  da  administração  tributária,  nos  prazos  e  condições  estabelecidos  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  sujeitando­se  a  homologação posterior.  § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerar­se­á:  I ­ VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a:  a) construções, instalações e benfeitorias;  b) culturas permanentes e temporárias;  c) pastagens cultivadas e melhoradas;  d) florestas plantadas;  II ­ área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas:  a)  de  preservação  permanente  e  de  reserva  legal,  previstas  na  Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012   b)  de  interesse  ecológico  para  a  proteção  dos  ecossistemas,  assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou  estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea  anterior;  c)  comprovadamente  imprestáveis  para  qualquer  exploração  agrícola,  pecuária,  granjeira,  aqüícola  ou  florestal,  declaradas  de  interesse  ecológico  mediante  ato  do  órgão  competente,  federal ou estadual;   e)  cobertas  por  florestas  nativas,  primárias  ou  secundárias  em  estágio médio ou avançado de regeneração;   f) alagadas para  fins de constituição de reservatório de usinas  hidrelétricas autorizada pelo poder público.   A decisão recorrida entendeu desnecessária a realização de perícia junto aos  órgãos ambientais e negou provimento à impugnação por entender que:  Analisando  os  autos,  observa­se  que  não  foi  parâmetro  de  fiscalização as áreas de preservação permanente e reserva legal,  pois elas foram mantidas no lançamento no valor informado pela  contribuinte.  O  parâmetro  de  malha  foi  a  área  de  interesse  ecológico  e  valor  da  terra  nua  declarado.  Dos  documentos  apresentados  pelo  sujeito  passivo,  ficou  constatado  que  a  área  de  interesse ecológico, além da ausência de Certidão do órgão  Fl. 364DF CARF MF Processo nº 10980.011229/2008­01  Acórdão n.º 2202­004.359  S2­C2T2  Fl. 452          7 competente, declarando essa área como tal, ela também não foi  indicada  no  ADA  apresentado.  Dessa  forma,  esse  item  foi  glosado e o valor da terra nua  foi modificado, considerando­se  as  informações  constantes  do  Sistema  de  Preços  de  Terras  ­  SIPT, em razão do laudo de avaliação dos dados amostrais.   Em relação à ausência de informação da área de interesse ecológico no ADA  apresentado,  a Recorrente  alega  que  ela  foi  informada  pelo  antigo  proprietário.  Todavia,  ao  invés  de  ser  informada  como  área  de  interesse  ecológico  foi  informada  como  área  de  preservação permanente.   Quanto  a  ausência  de  certidão  do  órgão  competente,  a  Recorrente  demonstrou,  desde  a  Impugnação,  que  embora  tenha  diligenciado  junto  aos  órgãos  competentes, não obteve respostas destes e, exatamente por esse motivo, requereu a diligência  negada pelo órgão julgador de origem.   O CARF, todavia, acatou o pedido de diligência. As respostas do IBAMA e  do IAP deixam claro que a área declarada pela Recorrente é de interesse ecológico, conforme  se verifica pelos trechos abaixo transcritos:  Resposta do IBAMA (fls. 291)  Realizou­se  análise  da  localização  da  propriedade,  através  de  ferramentas de geoprocessamento, partindo da sobreposição do  polígono da Área de Proteção Ambiental de Guaratuba, criada  pelo  Decreto  Estadual  1.234  de  27/03/1992  cujo  objetivo  da  criação, conforme consta no referido decreto, é "compatibilizar  o uso racional dos recursos ambientais da região e a ocupação  ordenada do solo, proteger a rede hídrica, os remanescentes da  Floresta Atlântica e de manguezais, os sítios arqueológicos e a  diversidade  faunística,  bem  como  disciplinar  o  uso  turístico  e  garantir  a  qualidade  de  vida  das  comunidades  caiçaras  e  da  população local."  Especificamente  sobre  o  questionamento  referente  à  existência  da  área  de  interesse  ecológico  no  imóvel,  entendemos  que  conforme  consta  na Lei  9.393/96,  em seus  artigo  10, o  fato  da  propriedade  estar  totalmente  sobreposta  a  uma  Unidade  de  Conservação se enquadra no previsto naquela norma, visto que  o estabelecimento de uma Unidade de conservação, gera para a  propriedade  restrições  além  das  que  regram  as  demais  propriedades,  cujas  restrições  referem­se  basicamente  a  manutenção de APP e Reserva Legal.   (...)  Realizou­se ainda  a  análise  da  situação da  vegetação  existente  na propriedade, através da sobreposição com imagem RapidEye  2227224 de 08/06/2011, e verificou­se que a propriedade possui  área  com cobertura  florestal  com dimensão  compatível  com a  averbação de área de manejo  florestal  com 1.210,00 hectares,  averbada na matrícula do imóvel. (grifamos)  Resposta Instituto Ambiental do Paraná ­ IAP (fls. 299)  Fl. 365DF CARF MF     8 Em  atenção  ao  ofício  nº  004/14/DRF/CTA/SEFIS,  protocolado  sob  o  nº  13.052.808­2,  informamos  que  a  Fazenda  Estrela  2  encontra­se  totalmente  inserida  dentro  da  Área  de  Proteção  Ambiental de Guaratuba, instituída pelo Decreto Estadual 1.234  de 27 de março de 1992 (grifamos)  Uma  vez  reconhecido  pelos  órgãos  ambientais  competentes  que  a  área  declarada  pela  Recorrente  corresponde  à  área  de  interesse  ecológico  estão  atendidas  as  condições  previstas  no  art.  10,  inciso  II,  alínea  "b"  da  Lei  9.393/96,  devendo,  portanto,  ser  admitida sua exclusão da base de cálculo do ITR.  2) DO VALOR DA TERRA NUA ­ VTN  Em  relação  ao  Valor  da  Terra  Nua  ­  VTN,  verifica­se  que  a  fiscalização  alterou o valor da terra nua do exercício de 2004, considerando as informações do Sistema de  Preços de Terras ­ SIPT, mantido pela Receita Federal e, para o exercício de 2005, foi acatado  o valor da avaliação atribuída ao imóvel, conforme laudo apresentado pelo contribuinte.  A determinação da base de cálculo com base nas informações constantes do  SIPT,  só  deverá  ser  feita  quando  o  contribuinte,  após  intimado,  não  apresenta  elementos  suficientes para comprovar o valor por ele declarado.   No caso dos autos, a decisão recorrida deu razão ao trabalho fiscal, tendo em  vista  que  "a  contribuinte,  nesta  fase,  apresentou  cópia  do  mesmo  Laudo  de  Avaliação  já  analisado previamente pela fiscalização, que aceitou o VTN informado para 2005 e, por falta  de estimativa do valor da terra nua para 2004, houve modificação desse item considerando as  informações constantes do Sistema de Preços de Terras ­ SIPT, mantido pela Receita Federal."   Para solucionar a questão a Recorrente  juntou, em fase  recursal, declaração  (fls.  233/234)  do  responsável  pelo  Laudo  Técnico  acatado  pela  fiscalização  na  qual  ele  esclarece que:  ... o avaliatório apresentado no Parecer Técnico referido, refere­ se aos exercícios de 2004 e 2005, considerando que o preço das  terras à época encontrava­se em situação estável. Prova disso, é  a  própria  pesquisa  de  mercado  utilizado  na  determinação  do  valor unitário,  composta  de  elementos  comparativos  em oferta,  datados de julho de 2004, e que devido não existir oscilações nos  preços, forma considerados iguais para Janeiro de 2005. Devido  a ausência de oscilações de preço e contemporaneidade entre as  datas  de  avaliação  e  as  datas  de  coletas  dos  elementos  comparativos utilizado nos cálculos, o subscritor ratifica o valor  retro  calculado  ­ R$ 1.080,75/ha, para os  exercícios de 2004 e  2005.  Declaro  ainda,  que  por  um  lapso  de  digitação  fez  constar  no  Parecer Técnico referido, apenas a equivalência de valor para o  mês  de  Janeiro  de  2005,  mas  o  correto  seria,  Janeiro  de  2004/Janeiro  de  2005.  O  que  desde  já  pede  a  retificação  e  a  reconsideração."  O artigo 16 § 4º do Decreto 70.235/72 determina que  "a prova documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo  o  direito  de  o  impugnante  fazê­lo  em  outro  momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação  oportuna, por motivo de força maior; b) refira­se a fato ou a direito superveniente; c) destine­se  a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.  Fl. 366DF CARF MF Processo nº 10980.011229/2008­01  Acórdão n.º 2202­004.359  S2­C2T2  Fl. 453          9 Todavia,  esse  Conselho,  em  razão  do  princípio  do  formalismo  moderado,  aplicável  aos  processos  administrativos,  tem  admitido  a  juntada  de  provas  em  fase  recursal  como se verifica pelas ementas abaixo transcritas:   "IMPOSTO  DE  RENDA  PESSOA  FÍSICA.  AUTUAÇÃO  POR  DEDUÇÃO  INDEVIDA  DE  IMPOSTO  RETIDO  NA  FONTE.  COMPROVAÇÃO IDÔNEA EM FASE RECURSAL. ADMITIDA  EM  HOMENAGEM  AO  PRINCÍPIO  DO  FORMALISMO  MODERADO.  Comprovada  idoneamente,  por  demonstrativos  de  pagamentos  de  rendimentos,  a  retenção  de  imposto  na  fonte,  ainda  que  em  fase recursal, são de se admitir os comprovantes apresentados a  destempo,  com  fundamento  no  princípio  do  formalismo  moderado,  não  subsistindo  o  lançamento  quanto  aeste  aspecto.  Recurso  provido"  (Ac  2802­001.637,  2ª  Turma  Especial,  2ª  Seção, Sessão 18/04/2012)  "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O art.  16  do  Decreto  n.  70.235/72  deve  ser  interpretado  com  temperamento  em  decorrência  dos  demais  princípios  que  informam  o  processo  administrativo  fiscal,  especialmente  instrumentalidade  das  formas  e  formalismo  moderado.  O  controle  da  legalidade  do  ato  de  lançamento  e  busca  da  “verdade material”  alçada  como  princípio  pela  jurisprudência  dessa  Corte  impõem  flexibilidade  na  interpretação  de  regras  relativas  à  instrução  da  causa,  tanto  no  tocante  à  iniciativa  quanto ao momento da produção da prova. Recurso  voluntário  provido  para  anular  decisão  de  primeira  instância."  (Ac  1102­ 000.859,  1ª  Câmara/2ª  Turma  Ordinária,  1ª  Seção,  Sessão  09/04/2013)  "PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO  /  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE NOVAS  PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE.  O art.  16 do Decreto n.  70.235/72, que determina que a prova  documental deva ser apresentada na  impugnação, precluindo o  direito  de  se  fazê­lo  em  outro  momento  processual,  deve  ser  interpretado  com  temperamento  em  decorrência  dos  demais  princípios  que  informam  o  processo  administrativo  fiscal,  tais  como o formalismo moderado e a busca da “verdade material”.  A apresentação de provas após a decisão de primeira instância,  no  caso,  é  resultado  da marcha natural  do  processo,  pois,  não  tendo a  decisão  de  piso  considerado  suficientes  os  documentos  apresentados  pelo  contribuinte  para  a  comprovação  do  seu  direito creditório,  trouxe ele novas provas, em sede de recurso,  para  reforçar  o  seu  direito".  (Ac  1102­001.148,  1ª  Câmara/2ª  Turma Ordinária, 1ª Seção, Sessão 29/04/2014)    A declaração juntada aos autos comprova que o VTN mencionado no laudo  de  avaliação  abrange  os  períodos  de  2004  e  2005,  motivo  pelo  qual,  deve  ser  revisto  o  lançamento.   Fl. 367DF CARF MF     10 3) CONCLUSÃO  Em face de todo exposto, dou provimento ao recurso.   (Assinado digitalmente)  Júnia Roberta Gouveia Sampaio.                                   Fl. 368DF CARF MF

score : 1.0
7270104 #
Numero do processo: 19515.004547/2010-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/08/2007 REDUÇÃO DE CAPITAL. ENTREGA DE BENS E DIREITOS DO ATIVO AOS SÓCIOS E ACIONISTAS PELO VALOR CONTÁBIL. SITUAÇÃO AUTORIZADA PELO ARTIGO 22 DA LEI Nº 9.249 DE 1995. PROCEDIMENTO LÍCITO. Os artigos 22 e 23 da Lei nº 9.249, de 1995, adotam o mesmo critério tanto para integralização de capital social, quanto para devolução deste aos sócios ou acionistas, conferindo coerência ao sistema jurídico. O artigo 23 prevê a possibilidade das pessoas físicas transferir a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital social, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração ou pelo valor de mercado. O artigo 22, por sua vez, prevê que os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou a sócio ou acionista, a título de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado. Quando os bens, tanto na integralização quanto na devolução de participação no capital social, forem entregues/avaliados por montante superior ao que consta da declaração da pessoa física ou valor contábil da pessoa jurídica, a diferença a maior será tributada como ganho de capital (Inteligência dos artigos 22, § 4º e 23, § 2º, da Lei nº 9.249, de 1995). Não seria lógico exigir ganho de capital quando os bens e direitos fossem entregues pelo valor de mercado na integralização de capital social e não se admitir a devolução destes, aos acionistas, pelo valor contábil. INTERESSE PROTEGIDO E NORMA INDUTORA DE COMPORTAMENTO. É juridicamente protegido o procedimento levado a efeito pelas Companhias e seus acionistas por meio do qual se devolve a estes, pelo valor contábil, bens e direitos do ativo da pessoa jurídica (art. 22, caput, da Lei nº 9.249, de 1995). Diante do fato de que o acesso a recursos junto ao mercado financeiro, de que necessitam as empresas, está ligado, em parte, ao capital social das Companhias, a regra que permite a devolução da participação acionária pelo valor contábil, sem que isto implique em custo tributário ao titular dos recursos, se constitui em norma indutora de comportamento que tem por finalidade aumentar o capital social das empresas, garantindo a devolução destes aos sócios acionistas, pelo valor contábil, sem exigência de tributação neste ato. Ademais, o fato de os acionistas planejarem a redução do capital social, celebrando contratos preliminares de que tratam os artigos 462 e 463 do Código Civil, com cláusulas suspensivas, visando a subsequente alienação de suas ações a terceiros, tributando o ganho de capital na pessoa física, se constitui em procedimento expressamente previsto no direito brasileiro. No caso concreto, não se pode confundir os contratos preliminares feitos entre os titulares das ações e o contrato definitivo que foi o instrumento que materializou e conferiu validade e eficácia na transação feita entre os titulares das ações e a empresa adquirente.
Numero da decisão: 1401-002.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201803

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/08/2007 REDUÇÃO DE CAPITAL. ENTREGA DE BENS E DIREITOS DO ATIVO AOS SÓCIOS E ACIONISTAS PELO VALOR CONTÁBIL. SITUAÇÃO AUTORIZADA PELO ARTIGO 22 DA LEI Nº 9.249 DE 1995. PROCEDIMENTO LÍCITO. Os artigos 22 e 23 da Lei nº 9.249, de 1995, adotam o mesmo critério tanto para integralização de capital social, quanto para devolução deste aos sócios ou acionistas, conferindo coerência ao sistema jurídico. O artigo 23 prevê a possibilidade das pessoas físicas transferir a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital social, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração ou pelo valor de mercado. O artigo 22, por sua vez, prevê que os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou a sócio ou acionista, a título de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado. Quando os bens, tanto na integralização quanto na devolução de participação no capital social, forem entregues/avaliados por montante superior ao que consta da declaração da pessoa física ou valor contábil da pessoa jurídica, a diferença a maior será tributada como ganho de capital (Inteligência dos artigos 22, § 4º e 23, § 2º, da Lei nº 9.249, de 1995). Não seria lógico exigir ganho de capital quando os bens e direitos fossem entregues pelo valor de mercado na integralização de capital social e não se admitir a devolução destes, aos acionistas, pelo valor contábil. INTERESSE PROTEGIDO E NORMA INDUTORA DE COMPORTAMENTO. É juridicamente protegido o procedimento levado a efeito pelas Companhias e seus acionistas por meio do qual se devolve a estes, pelo valor contábil, bens e direitos do ativo da pessoa jurídica (art. 22, caput, da Lei nº 9.249, de 1995). Diante do fato de que o acesso a recursos junto ao mercado financeiro, de que necessitam as empresas, está ligado, em parte, ao capital social das Companhias, a regra que permite a devolução da participação acionária pelo valor contábil, sem que isto implique em custo tributário ao titular dos recursos, se constitui em norma indutora de comportamento que tem por finalidade aumentar o capital social das empresas, garantindo a devolução destes aos sócios acionistas, pelo valor contábil, sem exigência de tributação neste ato. Ademais, o fato de os acionistas planejarem a redução do capital social, celebrando contratos preliminares de que tratam os artigos 462 e 463 do Código Civil, com cláusulas suspensivas, visando a subsequente alienação de suas ações a terceiros, tributando o ganho de capital na pessoa física, se constitui em procedimento expressamente previsto no direito brasileiro. No caso concreto, não se pode confundir os contratos preliminares feitos entre os titulares das ações e o contrato definitivo que foi o instrumento que materializou e conferiu validade e eficácia na transação feita entre os titulares das ações e a empresa adquirente.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Tue May 08 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 19515.004547/2010-92

anomes_publicacao_s : 201805

conteudo_id_s : 5860414

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 08 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 1401-002.307

nome_arquivo_s : Decisao_19515004547201092.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO

nome_arquivo_pdf_s : 19515004547201092_5860414.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa

dt_sessao_tdt : Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018

id : 7270104

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:17:32 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713050308780752896

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 31; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2268; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T1  Fl. 1.972          1 1.971  S1­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19515.004547/2010­92  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1401­002.307  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  15 de março de 2018  Matéria  IRPJ ­ Atos Negociais  Recorrente  BEXMA COMERCIAL LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data do fato gerador: 31/08/2007  REDUÇÃO  DE  CAPITAL.  ENTREGA  DE  BENS  E  DIREITOS  DO  ATIVO  AOS  SÓCIOS  E  ACIONISTAS  PELO  VALOR  CONTÁBIL.  SITUAÇÃO  AUTORIZADA  PELO  ARTIGO  22  DA  LEI  Nº  9.249  DE  1995. PROCEDIMENTO LÍCITO.  Os artigos 22 e 23 da Lei nº 9.249, de 1995, adotam o mesmo critério tanto  para integralização de capital social, quanto para devolução deste aos sócios  ou acionistas, conferindo coerência ao sistema jurídico.  O  artigo  23  prevê  a  possibilidade  das  pessoas  físicas  transferir  a  pessoas  jurídicas, a título de integralização de capital social, bens e direitos pelo valor  constante da respectiva declaração ou pelo valor de mercado.  O  artigo  22,  por  sua  vez,  prevê  que  os  bens  e  direitos  do  ativo  da  pessoa  jurídica,  que  forem  entregues  ao  titular  ou  a  sócio  ou  acionista,  a  título  de  devolução de  sua participação no capital  social,  poderão  ser  avaliados pelo  valor contábil ou de mercado.  Quando os bens, tanto na integralização quanto na devolução de participação  no  capital  social,  forem  entregues/avaliados  por  montante  superior  ao  que  consta da declaração da pessoa física ou valor contábil da pessoa jurídica, a  diferença  a  maior  será  tributada  como  ganho  de  capital  (Inteligência  dos  artigos 22, § 4º e 23, § 2º, da Lei nº 9.249, de 1995).  Não  seria  lógico  exigir  ganho  de  capital  quando  os  bens  e  direitos  fossem  entregues pelo valor de mercado na integralização de capital social e não se  admitir a devolução destes, aos acionistas, pelo valor contábil.  INTERESSE  PROTEGIDO  E  NORMA  INDUTORA  DE  COMPORTAMENTO.  É juridicamente protegido o procedimento levado a efeito pelas Companhias  e  seus  acionistas  por meio  do  qual  se  devolve  a  estes,  pelo  valor  contábil,  bens e direitos do ativo da pessoa jurídica (art. 22, caput, da Lei nº 9.249, de  1995).     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 45 47 /2 01 0- 92 Fl. 1974DF CARF MF     2 Diante do  fato  de  que o  acesso  a  recursos  junto  ao mercado  financeiro,  de  que  necessitam  as  empresas,  está  ligado,  em  parte,  ao  capital  social  das  Companhias, a regra que permite a devolução da participação acionária pelo  valor  contábil,  sem  que  isto  implique  em  custo  tributário  ao  titular  dos  recursos,  se  constitui  em  norma  indutora  de  comportamento  que  tem  por  finalidade  aumentar  o  capital  social  das  empresas,  garantindo  a  devolução  destes aos sócios acionistas, pelo valor contábil, sem exigência de tributação  neste ato.  Ademais,  o  fato  de  os  acionistas  planejarem  a  redução  do  capital  social,  celebrando  contratos  preliminares  de  que  tratam  os  artigos  462  e  463  do  Código Civil, com cláusulas suspensivas, visando a subsequente alienação de  suas  ações  a  terceiros,  tributando  o  ganho  de  capital  na  pessoa  física,  se  constitui em procedimento expressamente previsto no direito brasileiro.  No  caso  concreto,  não  se  pode  confundir  os  contratos  preliminares  feitos  entre os titulares das ações e o contrato definitivo que foi o instrumento que  materializou e conferiu validade e eficácia na transação feita entre os titulares  das ações e a empresa adquirente.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento  ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Luiz Augusto de Souza Gonçalves ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Abel Nunes de Oliveira Neto ­ Relator.    Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza  Goncalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme  Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues  Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa    Relatório  Iniciemos com a transcrição do relatório da Decisão de Piso.  Trata­se de ação fiscal realizada na empresa em epígrafe com a lavratura dos autos de infração,  relativamente  ao  Imposto  sobre  a  Renda  de  Pessoa  Jurídica,  tendo  em  vista  a  apuração  de  ganho de capital apurado na alienação de ações, com base no seguinte enquadramento legal:  Art. 3º § 2º , inciso IV, da Lei n° 9.718/98; Arts. 247, 248, 251 e parágrafo único, 381 e 418,  do RIR/99.    Fl. 1975DF CARF MF Processo nº 19515.004547/2010­92  Acórdão n.º 1401­002.307  S1­C4T1  Fl. 1.973          3 Foi também lavrado o auto de infração de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL,  por  falta  de  recolhimento  da  CSLL  sobre  outras  receitas,  com  fundamento  no  seguinte  enquadramento legal:    Art. 2º e §§, da Lei n° 7.689/88; art. 1º da Lei n° 9.316/96; art. 28 da Lei n° 9.430/96;  Art. 37 da Lei n° 10.637/02.    Pelas  práticas  dolosas  dos  diretores  abaixo  citados,  também  foi  formalizada  Representação  Fiscal para Fins Penais, no processo n°19515.004579/2010­98 e lavrados Termos de Sujeição  Passiva  Solidária,  para  cada  um  dos  nomeados,  sendo  uma  das  cópias  enviadas  para  os  respectivos responsáveis nos seus domicílios fiscais:    David Feffer CPF ­ 882.739.628­49  Daniel Feffer CPF ­ 011.7 69.138­08  Betty Vaidergorn Feffer CPF ­ 011.769.348­05  Jorge Feffer CPF ­ 013.965.718­50  Ruben Feffer CPF ­ 157.423.548­60  Fanny Feffer CPF ­ 688.071.208­87    Nos termos do Art. 44, inciso I e § 1º da Lei n°9.430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Lei  n° 11.488, de 15.06.2007, foi lançada multa de ofício qualificada.    O Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 702 a 739) que faz parte integrante dos autos  de infração detalha o procedimento fiscal levado à efeito, cujos principais trechos são a seguir  reproduzidos:    I. INTRODUÇÃO    O  presente  procedimento  fiscal  está  amparado  pelo  Mandado  de  Procedimento  Fiscal,  n°  08.1.90.002009056342,  em  face  da  empresa  BEXMA  COMERCIAL  S.A,  onde  se  apura  exigência  tributária  em Ganhos de Capital  decorrente de  alienação de participação  societária  resultante  de  planejamento  tributário  que  teve  por  base  Reorganização  Societária  levada  a  efeito j u n t o ao Grupo Suzano, onde foram praticados atos societários com o fim especifico,  por parte dos Acionistas Dirigentes do Grupo Suzano, de redução dos tributos incidentes sobre  a venda de ações de emissão da empresa Suzano Petroquímica S/A CNPJ 04.705.090/0001­77,  sociedade de capital aberto.    Os  Acionistas/Dirigentes  do  Grupo  Suzano,  auto  denominados  "Membros  Natos"  e  outros  acionistas  também  membros  da  Família  Feffer,  firmaram  com  a  Petróleo  Brasileiro  S/A  –  PETROBRÁS diversos instrumentos com o fim específico de transferir a propriedade do Bloco  de Controle da empresa Suzano Petroquímica S.A. à interessada Petrobrás.    Tais  instrumentos  foram: Contrato de Compra e Venda de Ações,  em 03.08.2007, Termo de  Fechamento  do  Contrato  de  Compra  e  Venda  de  Ações,  em  27.09.2007  e  Acordo  de  Encerramento, em 30.11.2007.    Ao invés de realizarem a venda direta das ações à interessada, buscaram atingir esse objetivo  por  caminhos  tortuosos  e  complexos,  através de um planejamento  tributário que  incluía,  nos  procedimentos,  uma  Reorganização  Societária  que  visava,  para  os  Acionistas/Dirigentes,  reduzir a carga  tributária  incidente  sobre o ganho de capital obtido com a venda das ações e  Fl. 1976DF CARF MF     4 para  a  Petrobrás  afastar  os  possíveis  riscos  que  poderia  incorrer  por  conta  de  sucessão  societária.    Tiveram participação direta nos fatos, as empresas Suzano Holding S.A., Polpar S.A. e Bexma  Comercial S.A., por ação dos acionistas pessoas físicas, membros da Família Feffer, razão pela  qual serão historiados os fatos como um todo,  identificando e considerando a participação de  cada  empresa  no  processo,  para  ao  final  identificar  a  exigência  tributária  por  meio  de  procedimentos  fiscais distintos, conforme Mandado de Procedimento Fiscal correspondente a  cada uma:    Suzano Holding S.A. MPF n° 08.1.90.002009056334.  Polpar S.A. MPF n° 08.1.90.002009056350.  Bexma Comercial S.A. MPF n° 08.1.90.002009056342    Nos procedimentos do planejamento tributário foram criadas duas empresas veículos, Newco l  e  Newco  2,  para  a  consumação  da  Reorganização  Societária,  respectivamente  as  empresas  DAPEAN  PARTICIPAÇÕES  S.A.  e  PRAMOA  PARTICIPAÇÕES  S.A.,  as  quais  tiveram  existência efêmera e jamais exerceram qualquer atividade comercial efetiva.    Suas criações derivaram de interesses particulares das partes contratantes servindo apenas para  transferir a propriedade das ações de emissão da Suzano Petroquímica S.A., para o domínio da  empresa Petróleo Brasileiro S.A. PETROBRÁS.    As  Companhias  Newco  1  e  Newco  2  foram  formalmente  constituídas,  todavia,  não  funcionaram efetivamente. Tiveram  esta  roupagem para no  intuito  da Compradora Petrobrás  evitar a  sucessão  empresarial  com suas  conseqüências  e dos Vendedores Acionistas obterem  ganho que não lhes pertencia de direito, com uma incidência tributária menos gravosa, sobre o  ganho de capital.    Os próprios balanços destas empresas atestam que estas não passaram de empresas veículo na  medida em que seus ativos foram constituídos exclusivamente por ações.    No caso da NEWCO 1, constituída com a razão social de DAPEAN PARTICIPAÇÕES S/A,  com ações de emissão da Suzano Petroquímica S/A e no caso da NEWCO 2, constituída com a  razão  social  de  PRAMOA  PARTICIPAÇÕES  S/A.,  com  ações  emitidas  pela  Dapean  Participações  S/A,  ambas  as  empresas  sem  passivos,  conforme  expressamente  as  partes  combinaram no Contrato de Compra e Venda de Ações datado de 03.08.2007.    Uma  das  etapas  da  Reorganização  Societária,  a  principal  delas,  do  ponto  de  vista  dos  Acionistas/Dirigentes,  consistiu  na  redução  do  capital  social  das  empresas  Suzano  Holding  S/A, Bexma Comercial S/A e Polpar S/A, cujos procedimentos, como se verá a seguir, teve por  fundamento  motivação  ilegal,  ensejando  a  realização  de  atos  jurídicos  inválidos,  assim  caracterizados  nos  termos  do  que  estabelece  o  artigo  167  do  Código  Civil  de  2002,  Lei  n°  10.406/2002.    As  reduções  dos  capitais  sociais  destas Companhias  tiveram  a  aparência  de  legalidade, mas,  infringiram preceitos da legislação societária, especificamente o artigo 173 da Lei n° 6404/76,  bem  como,  normas  reguladoras  expedidas  pela  Comissão  de  Valores  Mobiliários,  onde  destacamos a inexistência de publicação de Fato Relevante por parte da empresa Polpar S.A.    Fl. 1977DF CARF MF Processo nº 19515.004547/2010­92  Acórdão n.º 1401­002.307  S1­C4T1  Fl. 1.974          5 Ressaltamos também o fato da empresa Bexma Comercial S.A. adquirir em pregão da Bolsa de  Valores, em 20.09.2007, todo o lote de ações da Suzano Petroquímica S.A., de propriedade da  empresa Bizma Investiments LLC.    Tal  lote  constituído  de  7.063.000  ações  Preferenciais  Nominativas  que,  conforme  acordado  pelas partes no Contrato de Compra e Venda de Ações, necessariamente seriam entregues aos  acionistas membros da Família Feffer.    Com  base  nos  fatos  e  fundamentos  a  seguir  descritos,  foi  desconsiderada  a  Reorganização  Societária  para  Efeitos  Tributários,  determinando­se  como  sujeitos  passivos  das  exigências  tributárias apuradas, as pessoas jurídicas, então detentoras das participações societárias e como  contribuintes tributários solidários os Acionistas/Dirigentes "Membros Natos" e os Acionistas  membros dos Conselhos de Administração das empresas.    II ­ HISTÓRICO DOS FATOS  II­1 ­ Da Consulta Formalizada    As  empresas  SUZANO  HOLDING  S.A.,  BEXMA  COMERCIAL  S.A.,  POLPAR  S.A.,  e  pessoas  físicas  BETTY  VAIDERGORN  FEFFER,  DAVID  FEFFER,  FANNY  FEFFER,  JORGE FEFFER e RUBEN FEFFER, participantes dos fatos, formularam consultas à Receita  Federal  do Brasil RFB,  acerca dos procedimentos do planejamento  tributário que  teve  como  rota a reorganização societária.    Explicite­se  que  as  consultas  formuladas  a  Receita  Federal  do  Brasil  deram­se  em  data  posterior à consumação dos fatos nelas narrados.    Em síntese as consultas buscavam saber:    a) A "Reorganização Societária" que redundou na alienação à PETROBRAS da totalidade das  ações detidas pela Família Feffer, em SZPQ (76%), mediante a venda de ações da PRAMOA  (NEWC02) caracteriza hipótese de dolo,  fraude,  simulação, abuso de direito,  fraude à  lei, ou  qualquer outra figura equivalente?    b)  A  tributação  do  ganho  de  capital  na  alienação  de  ações  da  PRAMOA  (NEWC02  à  PETROBRÁS deve seguir o regime aplicável às pessoas físicas (arts. 117 e 142 do RIR/99), ou  às pessoas jurídicas (arts. 225, 228, 418, e 426 do RIR/99 e arts. 18, caput, III, "b", e 31 da IN  390/04)?    c) A  consulente  (PJ)  é  sujeito  passivo  do  Imposto  de Renda  e Contribuição  Social,  sobre  o  Lucro Líquido, em relação ao ganho de capital decorrente da alienação das ações de PRAMOA  (NEWC02) à PETROBRAS?    d) A consulente (PF) é sujeito passivo de Imposto de Renda, em relação ao ganho de capital  decorrente da alienação das ações da PRAMOA (NEWC02) à PETROBRAS?    As consultas formuladas foram declaradas ineficazes, nos seguintes termos:    "Posto isto, declara­se ineficaz a consulta com base nos art. 52, I, c/c art. 49 do Decreto n°  70.235, de 1972, e art.15, IX, da Instrução Normativa RFB n° 740, de 02/05/2007, dado versar  sobre matéria não apreciável em consulta  (dolo,  fraude,  simulação, etc)  e pelo  fato de citar  Fl. 1978DF CARF MF     6 dispositivos  da  legislação  tributária  de  forma  genérica  sem  vinculá­los  aos  fatos  narrados,  conforme orienta o Parecer Normativo CST n°342, de 1970".    Depreende­se do que  foi  dito nas  consultas  a Receita Federal  que os Acionistas Vendedores  sofreram  por  parte  da  Petrobrás  coação  para  que  praticassem  os  atos  societários  havidos  na  Reorganização Societária das empresas Suzano Holding S/A, Bexma Comercial S/A e Polpar  S/A.    Tal coação não ocorreu, pois, no Contrato de Compra e Venda de Ações, de 03.08.2007, o que  a  Petrobrás/Compradora  e  os  Acionista/Vendedores  acordam  é  que  na  implementação  da  reorganização  societária  os  aportes  das  participações  societárias  na  Newco  1  e  Newco  2  poderiam ser feitos por qualquer forma, exceto através de versão de patrimônio mediante cisão  de sociedades.    II.2 Do Contrato Firmado com a PETROBRÁS    Os membros  da  Família  Feffer,  na  qualidade  de maiores  acionistas  do Grupo  Suzano  e  por  conseqüência  da  empresa  Suzano  Holding  S.A.,  firmaram,  em  03.08.2007,  como  VENDEDORES  um  Contrato  de  Compra  e  Venda  de  Ações  com  a  empresa  PETRÓLEO  BRASILEIRO S. A. PETROBRÁS como COMPRADORA.    Figurando, ainda, no contrato acima citado, como intervenientes anuentes as empresas Suzano  Holding SA. e Suzano Petroquímica S.A.    No Contrato de Compra e Venda de Ações foram partes: (em negrito abaixo, os acionistas auto  denominados "membros natos", sendo estes os participantes com poder de decisão).    1 David Feffer CPF ­ 882.739.628­49  2 Adriana Feffer CPF ­ 303.383.138­93  3 Gabriela Feffer CPF ­ 315.806.998­98  4 Marina Feffer CPF ­ 359.197.008­58  5 Josef Feffer CPF ­ 359.197.028­00  6 Daniel Feffer CPF ­ 011.769.138­08  7 Renata Hauptmann Feffer CPF ­ 106.636.588­10  8 Felipe Feffer CPF ­ 358.303.578­01  9 Victor Feffer CPF ­ 358.303.568­21  10 Alan Feffer CPF ­ 358.303.558­50  11 Betty Vaidergorn Feffer CPF ­ 011.769.348­05  12 Jorge Feffer CPF ­ 013.965.718­50  13 Ruben Feffer CPF ­ 157.423.548­60  14 Fanny Feffer CPF ­ 688.071.208­87  15 André Guper ­ CPF 055.100.858­00  16 Rafael Provenzale Guper CPF ­ 363.553.538­ 95  1 7 Gabriel Provenzale Guper CPF ­ 389.673.388­56  18 Janete Guper CPF ­ 029.123.398­80  19 Diego Guper Gersgorin CPF ­ 012.934.221­18  20 Bianca Terpins Garcia CPF ­ 772.362.541­34  21 Alan Terpins CPF ­ 170.904.498­66  22 Lisabeth S. Sander CPF ­ 698.932.768­53  23 Nina Guper Sander CPF ­ 220.352.198­84  24 Julia Guper Sander CPF ­ 229.788.39864  25 David Guper CPF ­ 457.799.297­34  Fl. 1979DF CARF MF Processo nº 19515.004547/2010­92  Acórdão n.º 1401­002.307  S1­C4T1  Fl. 1.975          7 26 Pedro Noah Homert Guper CPF ­ 316.521.178­73  27 Ian Baruch Homert Guper CPF ­ 316.520.818­28  28 Mikhael Henriques Feffer CPF ­ 229.995.868­17  29 Izabela Henriques Feffer CPF ­ 229.995.918­17  De outro lado como compradora:  30 Petróleo Brasileiro S/A PETROBRAS CNPJ ­ 33.000.167/0001­01    Como Intervenientes Anuentes:    31 Suzano Holding S/A CNPJ ­ 60.651.809/0001­05  32 Suzano Petroquímica S/A CNPJ ­ 04.705.090/0001­77    O  objeto  do  contrato  compreendeu  a  Venda  do  controle  acionário  da  empresa  Suzano  Petroquímica S.A. (76% do capital), para a empresa Petróleo Brasileiro S.A. Petrobrás.    Cabe  ainda  evidenciar  que  a  empresa  Suzano  Holding  S.A.,  era  a  controladora  da  empresa  Suzano  Petroquímica  S.A.,  que  por  sua  vez  tinha  a  Família  Feffer  como  sua  acionista  majoritária.    Em  03  de  agosto  de  2007  as  empresas  SUZANO HOLDIG S/A,  POLPAR S/A E BEXMA  COMERCIAL S/A, tinham a propriedade plena, exclusiva e permanente de Ações Ordinárias  Nominativas e Ações Preferenciais Nominativas, de emissão da SUZANO PETROQUÍMICA  S/A  SZPQ,  cabendo­lhes  como  titular  desse  poder  jurídico  absoluto  e  exclusivo  os  frutos  desses ativos.    Assim, não poderiam os Acionistas negociar coisa alheia, uma vez que, a Suzano Holding S/A,  a Bexma Comercial  S/A  e  a Polpar S/A na  data  do Contrato  de Compra  e Venda  de Ações  eram proprietárias plenas e exclusivas de parte do objeto negociado.    Não poderia, portanto, a Suzano Holding S/A figurar no citado Contrato de Compra e Venda  de Ações apenas como Interveniente Anuente, mas como vendedora, pois só ela poderia dispor  dos bens integrantes de seu ativo.    As  ações  de  emissão  da  Suzano  Petroquímica  S/A  integrantes  do  ativo  da  SUZANO  HOLDING S.A.,  poderiam  ser  objeto  de  negócio  pelos Acionistas, mas  estes  não  poderiam  como fizeram, se considerar os proprietários de tais ações.    As irregularidades acima descritas por si só já seriam motivos para a desconsideração dos atos  realizados dada sua gravidade, entretanto, outras irregularidades foram praticadas com infração  à legislação vigente, como se verá a seguir.    II.3 Procedimentos da Reorganização Societária.    Para que a Reorganização Societária fosse efetivada nos termos em que foi pactuada, as ações  ordinárias  e  preferenciais  representativas  de  76%  do  capital  social  da  SUZANO  PETROQUÍMICA S.A., deveriam estar nas mãos dos acionistas pessoas físicas, integrantes da  Família Feffer.    Fl. 1980DF CARF MF     8 A  forma  encontrada  para  atendimento  deste  item  contratual  foi  reduzir  o  capital  social  das  empresas,  com  a  entrega  aos  membros  da  Família  Feffer,  ações  de  emissão  da  Companhia  SUZANO PETROQUÍMICA S.A. em montante  tal que equivalesse à  respectiva participação  no Capital Social destas.    II.3.1Empresa Suzano Holding S.A.    Conforme Ata, a Diretoria da SUZANO HOLDING, sob a Presidência do Senhor David Feffer,  e demais integrantes, onde destacamos os senhores Daniel Feffer e Jorge Feffer, realizou às 10  horas, do dia 13 de agosto de 2007, Reunião, cuja pauta tinha por objeto principal, examinar,  discutir e formular proposta para a redução do capital social da Companhia, tendo em vista que  a Diretoria o julga excessivo em relação ao objeto da Companhia.    Em 26 de setembro de 2007, foi realizada a Assembléia Geral Extraordinária dos Acionistas da  SUZANO  HOLDING  S.A.,  cuja  pauta  consistiu  na  apreciação  da  proposta  da  Diretoria,  aprovada pelo Conselho de Administração, no sentido de redução do capital, conforme constou  das atas da Diretoria e Conselho de Administração.    As deliberações foram tomadas por unanimidade no sentido de redução do capital nos termos  propostos, sendo que destacamos a presença ou por representação dos acionistas membros da  Família:  Fanny  Feffer,  Betty  Vaidergorn  Feffer,  David  Feffer,  Daniel  Feffer,  Jorge  Feffer,Ruben Feffer.    Com a redução do Capital Social da Companhia foram entregues aos acionistas, na proporção  de  suas participações no  capital  social,  97.365.154 ações ordinárias nominativas  e 9.346.762  ações preferenciais nominativas, conforme ata da AGE.    II.3.2 Empresa Polpar S.A.    Seguindo os mesmos procedimentos, no dia 13 de agosto de 2007, foi realizada reunião de sua  Diretoria,  sob  a Presidência do Senhor David Feffer,  que  esclareceu que  a  reunião  tinha por  objeto,  examinar,  discutir  e  formular proposta para  redução do  capital  social  da Companhia,  tendo em vista que a Diretoria o julga excessivo em relação ao objeto da Companhia.    Em 26 de setembro de 2007, foi realizada a Assembléia Geral Extraordinária dos Acionistas da  POLPAR  SA.,  cuja  pauta  consistiu  na  apreciação  da  proposta  da  Diretoria,  aprovada  pelo  Conselho de Administração, no sentido de  redução do capital,  conforme constou das  atas da  Diretoria e Conselho de Administração.    As deliberações foram tomadas por unanimidade no sentido de redução do capital nos termos  propostos, sendo que destacamos a presença ou por representação, dos acionistas membros da  Família:  Fanny  Feffer,  Betty  Vaidergorn  Feffer,  David  Feffer,  Daniel  Feffer,  Jorge  Feffer,Ruben Feffer.    II.3.3 Empresa Bexma Comercial S.A.    No que se refere à empresa BEXMA COMERCIAL SA., foi realizada reunião da Diretoria da  empresa  em 25  de  setembro  de 2007,  a  qual  foi  presidida  pelo Senhor David Feffer,  o  qual  esclareceu  que  a  reunião  tinha  por  objetivo  examinar,  discutir  e  formular  proposta,  a  ser  submetida aos Acionistas, de aumento e redução do capital social da Companhia.    Fl. 1981DF CARF MF Processo nº 19515.004547/2010­92  Acórdão n.º 1401­002.307  S1­C4T1  Fl. 1.976          9 Em 26 de  setembro de  2007,  às 09 h,  no  edifício da  sede  social,  foi  realizada  a Assembléia  Geral Extraordinária dos Acionistas da BEXMA COMERCIAL SA.,  cuja pauta  consistiu na  apreciação  da  proposta  da  Diretoria,  no  sentido  de  aumento  e  redução  do  capital  social  da  Companhia, conforme constou das atas da Diretoria.    As deliberações foram tomadas por unanimidade no sentido de aumento e redução do capital  nos  termos propostos, sendo a ata assinada por David Feffer como Presidente da Mesa e por  Procuração  de  Betty  Vaidergorn  Feffer  e  o  advogado  Fábio  Eduardo  de  Pieri  Spina,  por  Procuração representando os acionistas Daniel Feffer, Jorge Feffer e Ruben Feffer.    Como  se  viu  pelo  que  foi  exposto,  as  Assembléias  Gerais  Extraordinárias  cujas  pautas  basicamente consistiam na redução do capital das respectivas empresas foram realizadas todas  no mesmo dia, ou seja, em 26 de setembro de 2007, sendo importante destacar a situação da  empresa Bexma Comercial S. A., que na mesma data da AGE, aumentou e diminuiu o capital  social.    II.3.4 Empresa Bizma Investments LLC.    Pelo Contrato de Compra e Venda de Ações, firmado em 03 de agosto de 2007, os membros da  Família Feffer deveriam efetivar ou fazer com que fosse efetivada a transferência das ações da  Suzano  Petroquímica  SA.,  em  poder  da  empresa  BIZMA  INVESTMENTS  LLC  para  a  primeira  empresa  resultante  da  reorganização  societária,  ou  seja,  a  NEWCO  l,  DAPEAN  PARTICIPAÇÕES S/A.    Para  atender  a  este  comando  contratual,  a  empresa BEXMA COMERCIAL S/A  adquiriu  as  ações  de  emissão  da  Suzano  Petroquímica  que  estavam  no  domínio  da  empresa  BIZMA  INVESTMENTS  LLC,  no  pregão  de  20.09.2007,  da  Bovespa,  conforme  determina  a  Resolução BACEN n°2.689/2000,  por  ser  a Bizma  Investiments  LLC  empresa  com  sede  no  exterior.    Cabe ressaltar que a compra das ações de emissão da Suzano Petroquímica S/A. de propriedade  da  BIZMA  INVESTIMENTS  LLC  pela  BEXMA  COMERCIAL  S/A.  "se  deu  por  determinação  das  pessoas  físicas  controladoras  das  empresas,  como  parte  de  reorganização  societária realizada com o objetivo de viabilizar a transferência, à PETRÓLEO BRASILEIRO  S/A PETROBRÁS, da totalidade da participação societária que os controladores possuíam, de  forma direta e indireta, na SZPQ, nos termos estabelecidos no "CONTRATO DE COMPRA E  VENDA DE AÇÕES" firmado em 03.08.2007." Estas ações adquiridas em Bolsa, juntamente  com as possuídas  anteriormente pela BEXMA,  foram entregues  aos Acionistas, membros da  Família Feffer, quando da redução do capital social.    Com relação à BIZMA INVESTMENTS LLC, trata­se de empresa, com sede e domicilio fiscal  em, 1209 Orange Street Wilmington, Delaware, Estados Unidos da América, inscrita no CNPJ  sob o n° 07.780.823/000126, constando como seu  representante no Brasil, o BANCO ALFA  DE  INVESTIMENTOS  S/A.  sendo  seus  sócios  os  senhores  David  Feffer  e  Jorge  Feffer,  conforme  contrato  social  traduzido  pela  tradutora  juramentada  Ana  Lúcia  Bove  da  Costa  Boucinhas, matriculada na JUCESP sob n° 455.     Os  fatos  acima  apontados  indicam  que  esta  transação  acionária  ocorrida  na BOVESPA,  em  20.09.2007, teve a maculá­la, informações privilegiadas com flagrante violação das regras do  mercado de capitais.  Fl. 1982DF CARF MF     10   Para  que  a  BEXMA  pudesse  comprar  as  citadas  ações  de  emissão  da  Suzano  Petroquímica  S/A. na BOVESPA os acionistas da BEXMA aportaram­lhe R$ 69.000.000,00 (sessenta e nove  milhões de reais) em dinheiro, fato que ocorreu em 20.09.2007.    Adquiridas as 7.063.000 Ações Preferenciais Nominativas, na operação de compra ocorrida na  BOVESPA, pela BEXMA estas juntamente com as anteriormente detidas pela última empresa  foram entregues aos acionistas, em 25.09.2009, totalizando a quantidade de ações preferenciais  nominativas  de  emissão  da  Suzano  Petroquímica  S/A  transferidas  a  eles  pela  BEXMA  11.414.000 (onze milhões quatrocentas e quatorze mil).    Relação dos acionistas que aportaram o dinheiro:    David Feffer CPF ­ 882.739.628­49  Daniel Feffer CPF ­ 011.769.138­08  Betty Vaidergorn Feffer CPF ­ 011.769.348­05  Jorge Feffer CPF ­ 013.965.718­50  Ruben Feffer CPF ­ 157.423.548­60  Fanny Feffer CPF ­ 688.071.208­87    II.3.5 Resultado da Transferência de Ações    Realizadas  as  respectivas  Assembléias  Gerais  Extraordinárias,  as  quais  tinham  por  item  principal,  nas  respectivas  pautas,  a  redução  do  capital  social  das  empresas  que  detinham  participação acionária na Suzano Petroquímica S/A, com a entrega aos acionistas, membros da  Família  Feffer,  quantidade  em  ações  desta  Companhia  equivalente  às  participações  nos  Capitais  Sociais  que  estes  detinham  nas  empresas,  passando,  então,  a  serem  os  únicos  acionistas da Suzano Petroquímica S/A.    II.3.6 Constituição, Registro e Transferência das Ações para as Empresas Veículos    Conforme os sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, em agosto de 2007 foram  cadastradas  as  empresas  a  seguir descritas  que  foram utilizadas  na Reorganização Societária  como empresas veículo.    Newcol DAPEAN PARTICIPAÇÕES S.A.,  empresa constituída conforme Assembléia Geral  de Constituição datada de 20/08/2007, com Capital Social de R$ 1.000,00 (mil reais).    Newco2 PRAMOA PARTICIPAÇÕES S.A., empresa constituída conforme Assembléia Geral  de Constituição datada de 20/08/2007, com Capital Social de R$ 1.000,00. (mil reais).    Em  27  de  novembro  de  2007  foi  realizada  a  Assembléia  Geral  Extraordinária  da  empresa,  Newcol  DAPEAN  PARTICIPAÇÕES,  constando  como  ordem  do  dia  o  aumento  do  capital  social e respectiva alteração do Estatuto Social da Companhia.    Os  acionistas  deliberaram  por  unanimidade  aumentar  o  capital  social  no  valor  de  R$  881.821.086,24, passando o capital social dos atuais R$ 1.000,00 (mil reais) dividido em 1000  ações ordinárias, para R$ 881.822.086,24, com a emissão de 97.264.445 novas ações ordinárias  e de 76.322.383 novas ações preferenciais, sendo estas criadas sem valor nominal, totalmente  subscritas e  integralizadas com 97.264.445 ações ordinárias e 76.322.383 ações preferenciais  da Companhia SUZANO PETROQUÍMICA S.A.    Fl. 1983DF CARF MF Processo nº 19515.004547/2010­92  Acórdão n.º 1401­002.307  S1­C4T1  Fl. 1.977          11 Cabe  ressaltar  que  tanto  as  ações  ordinárias  quanto  as  preferências  de  emissão  da  empresa  SUZANO  PETROQUÍMICA  S.A.,  utilizadas  para  integralizar  a  subscrição  de  ações  da  empresa  DAPEAN,  o  foram  pelo  valor  R$  5,08  (Cinco  Reais  e  Oito  Centavos)  sem  que  a  Assembléia  Geral  mencionasse  a  criação  de  classe  específica  de  ações,  com  valores  diferenciados.    Na  mesma  data,  ou  seja,  em  27  de  novembro  de  2007  foi  realizada  a  Assembléia  Geral  Extraordinária  da  empresa  Newco2  –  PRAMOA  PARTICIPAÇÕES  SA.,  constando  como  ordem  do  dia  o  aumento  do  capital  social  e  respectiva  alteração  do  Estatuto  Social  da  Companhia.    Por unanimidade os  acionistas deliberaram pelo  aumento do  capital  social  da Companhia no  valor  de  R$  881.822.086,24,  passando  o  capital  social  dos  atuais  R$  1.000,00  (mil  reais)  dividido  em  1000  ações  ordinárias,  para  R$  881.823.086,24,  com  a  emissão  de  97.265.445  novas  ações  ordinárias  e  de  76.322.383  novas  ações  preferenciais,  sendo  estas  criadas  sem  valor nominal, totalmente subscritas e integralizadas com o aporte 97.265.445 ações ordinárias  e 76.322.383 ações preferenciais da Companhia DAPEAN PARTICIPAÇÕES SA.    Vencidas as etapas fixadas nos termos do Contrato de Compra e Venda de Ações, firmado em  03  de  agosto  de  2007  e  alterações  conforme  termo  aditivo,  em  especial  no  que  se  refere  à  Reorganização Societária, restou de forma clara a seguinte situação:    a) DAPEAN PARTICIPAÇÕES SA. Acionista  única  da  empresa  Suzano  Petroquímica  SA.,  sendo  detentora  de  97.264.445  ações  ordinárias  nominativas  e  de  76.322.383  ações  preferenciais nominativas de emissão da empresa SUZANO PETROQUÍMICA S.A.,  livres e  desembaraçadas de quaisquer ônus.    b) PRAMOA PARTICIPAÇÕES SA. Acionista única da empresa Dapean Participações SA.,  sendo detentor de 97.265.445 ações ordinárias nominativas e de 76.322.383 ações preferenciais  nominativas  de  emissão  da  empresa  DAPEAN  PARTICIPAÇÕES  SA.,  livres  e  desembaraçadas de quaisquer ônus.    Concluído o planejamento tributário com implementação da reorganização societária no prazo  acordado entre  as partes  integrantes do Contrato de Compra  e Venda de Ações,  firmado em  03/08/2007,  Termo  de  Fechamento  do Contrato  de Compra  e Venda  de Ações,  firmado  em  27/09/2007  e  Acordo  de  Encerramento  firmado  em  30/11/2007,  as  ações  representativas  do  capital  social  da empresa PRAMOA PARTICIPAÇÕES SA., ao preço ajustado de R$ 13,27  por  ação  ordinária  e  R$  10,61  por  ação  preferencial,  foram  vendidas  para  a  empresa  PETRÓLEO BRASILEIRO SA., mediante pagamento feito diretamente aos acionistas pessoas  físicas,  integrantes da Família Feffer, no  importe  total de R$ 2.100.402,215,96 (dois bilhões,  cem  milhões,  quatrocentos  e  dois  mil,  duzentos  e  quinze  reais  e  noventa  e  seis  centavos),  assumindo  assim  de  forma  indireta  o  controle  acionário  da  empresa  SUZANO  PETROQUÍMICA SA.    III CONCLUSÃO  EM RELAÇÃO AOS FATOS    Diante dos fatos restou demonstrado que o único objetivo das partes dos instrumentos relativos  à Compra e Venda das ações de emissão da Suzano Petroquímica S/A era transferir o controle  acionário  da  Companhia,  o  que  se  deu  forma  indireta,  após  a  efetivação  do  planejamento  Fl. 1984DF CARF MF     12 tributário empreendido pelos Acionistas/Dirigentes mediante venda para  a PETROBRAS das  ações da Pramoa Participações S/A.    A  venda  poderia  ser  realizada  de  maneira  simples  e  objetiva,  mas,  visando  a  redução  da  incidência  tributária  sobre  as  operações,  optou­se  pela  prática  de  um  conjunto  complexo  de  atos.    IV ­ DO DIREITO    A Lei das Sociedades por Ações traz em seu texto, um conjunto de artigos que buscam conferir  de maneira efetiva uma proteção ao capital social das sociedades por ações, prevê as situações  em que o Capital Social pode ser reduzido, podendo dar­se de forma obrigatória ou voluntária.  (...)  Como  vimos  o  artigo  173  da  Lei  6.404/76,  destinado  a  amparar  o  procedimento,  não  foi  atendido  quando  da  redução  do  capital  das  companhias  Suzano Holding  S/A,  Polpar  S/A  e  Bexma  Comercial  S/A,  ou  seja,  restou  evidente  a  infração  a  esse  dispositivo  legal,  o  que  invalida o resultado.    Este comportamento deixa caracterizada a prática de simulação, nos termos do inciso II do § 1º  do  artigo  167  do  Código  Civil,  Lei  n°  10.406/2002,  sem  olvidar  que  a  simulação  afeta  a  validade do ato jurídico, conforme explicitado pelo artigo, a saber: (...) A simulação pressupõe  que se procure fingir, disfarçar, mostrar o irreal como verdadeiro o que leva à invalidação do  ato praticado, não sendo suscetível de confirmação, nem convalesce pelo decurso do tempo, a  teor do que estabelece o Código Civil de 2002. Motivo da redução do capital, venda das ações,  motivo alegado, excesso de capital.    O  artigo  51  da  Lei  n°  7.450/85,  visa  eliminar  os  efeitos  de  operação  simulada  praticada  no  sentido  de  elidir  o  surgimento  da  obrigação  tributária  ou  visando  obter  maiores  vantagens  fiscais, in verbis:    Art.  51  Ficam  compreendidos  na  incidência  do  imposto  de  renda  todos  os  ganhos  e  rendimentos  de  capital,  qualquer  que  seja  a  denominação  que  lhes  seja  dada,  independentemente  da  natureza,  da  espécie  ou  da  existência  de  título  ou  contrato  escrito,  bastando que decorram de ato ou negócio, que, pela sua finalidade, tenha os mesmos efeitos  do previsto na norma específica de incidência do imposto de renda.    O Parecer Normativo CST n°46, de 17/08/1987, editado pela Coordenação Geral do Sistema de  Tributação da Secretaria da Receita Federal,  apresenta  conclusões  sobre  a  tributação de  atos  jurídicos que possam  ser  enquadrados  como operações  simuladas que visam simplesmente  a  obtenção de maiores vantagens fiscais do que as previstas na respectiva norma.    A teor do que estabelece o Código Tributário Nacional CTN, Lei n° 5.172/66, o ato simulado  não produzirá efeitos, conforme se verifica nos artigos 109, 116 e 118.    O ato jurídico praticado restou nulo desde a sua concepção e formalização, ou seja, redução do  capital  social  fundado em motivo  falso, violando preceitos da Lei n° 6.404/76, configurando  ato simulado e eivado de falsidade ideológica, nos termos do inciso II do § I o do artigo 167 do  Código Civil, conforme já relatado, situação que ampara a desconsideração da Reorganização  Tributária.    A definição legal do fato gerador não está atrelada à situação em que o ato ou negocio jurídico  em  que  se  substancie  ou  ampare  o  fato  gerador  seja  nulo  ou  anulável,  pelo  contrário  pode  Fl. 1985DF CARF MF Processo nº 19515.004547/2010­92  Acórdão n.º 1401­002.307  S1­C4T1  Fl. 1.978          13 tratar­se perfeitamente de um ato válido em Direito Privado e ter um entendimento divergente  do ponto de vista tributário.    No caso objeto deste  termo, a vontade das pessoas físicas e  jurídicas envolvidas no processo  era  transferir  o  controle  acionário  da  empresa  Suzano  Petroquímica  SA.,  para  a  compradora  Petrobrás, o modo escolhido  resultou em fraude  à  legislação vigente,  contudo, a operação se  completou, ou  seja,  a Petrobrás  adquiriu o  controle  acionário,  assim os  sujeitos passivos das  obrigações  tributárias,  resultantes  da  alienação  da  participação  societária  anteriormente  descrita,  são  as  pessoas  jurídicas,  SUZANO  HOLDING  S.A.,  POLPAR  SA.  e  BEXMA  COMERCIAL S.A.    V ­ DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA    Nos termos do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, a multa de ofício é aplicável se apurado diferença  de tributo devido, podendo ser qualificada se presentes as qualificadoras constantes do inciso II  (art. 957 do RIR/99).    VI ­ DAS AÇÕES JUDICIAIS    Não  se  conformando  com  a  decisão  emitida  pela  Receita  Federal  do  Brasil,  em  Despacho  Decisório  n°  100  SRRF/  8ªRF/DISIT  de  12.05.2008,  no  Processo  Administrativo  n°  11610.014308/200755,  cuja  cópia  se  junta  a  este  termo  fiscal,  a  empresa  propõe  Ação  em  Mandado  de  Segurança  na  14ª  Vara  Cível  Federal  de  São  Paulo/SP  sob  n°  2008.61.00.0135501, distribuído em 09.06.2008, contra ato praticado pelo Ilmo. Senhor Chefe  da  Divisão  de  Tributação  da  Superintendência  Regional  da  Receita  Federal  do  Brasil  –  8ª  Região Fiscal e Delegado da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo DEFIS,  com pedido de liminar.    Decisão  dada  no  Processo  pelo  juízo  da  14ª  Vara  Cível  Federal  diz:  "Ante  o  exposto.  INDEFIRO  A  LIMINAR  no  que  diz  respeito  à  determinação  de  ordem  a  autoridade  administrativa  para  analisar  no  mérito  as  consultas  tratadas  nos  autos.  Contudo  DEFIRO  PARCIALMENTE  a  medida  no  que  diz  respeito  à  suspensão  de  exigibilidade  do  crédito  tributário, em relação aos montantes depositados, para pessoas identificadas como titulares dos  valores (...)."    Discordando do teor da decisão proferida pelo juízo da 14ª Vara Cível Federal em São Paulo  (juntada  a  este  termo  por  cópia)  foi  esta  agravada  conforme  processo  n°  002742854.2008.403.0000/  SP  (n°  anterior  2008.03.00.0274285/  SP),  distribuído  em  21.07.2008  à  Desembargadora  Federal,  Dra.  CONSUELO  YOSHIDA  objetivando  as  Agravantes  Suzano  Holding  S/A,  Bexma  Comercial  S/A,  Polpar  S/A,  Betty  Vaidergorn  Feffer,Daniel Feffer, David Feffer, Fanny Feffer, Jorge Feffer e Ruben Feffer “antecipação dos  efeitos da tutela pleiteada, reforma da decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança n°  2008.61.00.0135501 para que seja determinada a apreciação do mérito das Consultas Fiscais e  a  abstenção  da  cobrança  de  qualquer  crédito  tributário  relacionado  à  matéria  consultada,  enquanto não sobrevenha resposta definitiva, autorizando­se, em conseqüência, o levantamento  dos valores depositados  (ressalvado o mais  amplo poder de  fiscalização  quanto  à veracidade  dos  fatos  exposto  e  dos  documentos  apresentados,  com  realização  das  diligencias  cabíveis,  inclusive  para  exigência  de  crédito  tributário  porventura  devido,  sendo  constatada  situação  diversa daquela submetida ao crivo do órgão consultivo da Receita Federal)"    Fl. 1986DF CARF MF     14 A decisão da Desembargadora Federal, Dra CONSUELO YOSHIDA, em despacho mantém a  decisão agravada, "por não vislumbrar a presença dos requisitos de admissibilidade da consulta  formulada no âmbito da Receita Federal".    Requerentes impetraram Embargos de Declaração.    Na sua decisão diz:  "acolhendo os Embargos de Declaração oposto pelos agravantes,  apenas  para suprir omissão apontada, sem emprestar­lhes efeitos modificativos, esclarecendo que não  há  como  ser  acolhida  a  pretensão  dos Embargantes  no  sentido  de  ser  considerado  um  único  depósito para suspensão da exigibilidade de diferentes créditos."    A  pretensão  dos  Embargantes  quanto  a  ser  considerado  um  único  depósito  para  diferentes  créditos está exposta na petição feita no Processo n° 2008.61.00.0135501 (Ação em Mandado  de Segurança – 14ª Vara Cível Federal de São Paulo/SP) nos seguintes  termos: "dessa forma  entendem  os  Impetrantes  que  o  interesse  fazendário  restará  devidamente  garantido  se  forem  efetuados  depósitos  nos  seguintes  moldes:  (a)  as  pessoas  físicas  depositam  a  parcela  correspondente  aos  15  %  de  IR  que  delas  poderia  ser  exigida;  (b)  as  pessoas  jurídicas  depositam a diferença de 10% entre o IR que delas poderia ser exigida, considerando a alíquota  aplicável  (25%)  e  o  depósito  efetuado  pelas  pessoas  físicas  (15%);  (c)  as  pessoas  jurídicas  depositam 9% a título de CSLL.    Tal  pretensão  foi­lhes  negada  devendo,  pois,  cada  contribuinte  depositar  o  crédito  tributário  que entende de sua responsabilidade, tanto pelo juízo da 14ª Vara Cível Federal/SP como pela  decisão no Agravo, a teor da manifestação da Desembargadora Federal.    VII ­ DOS DEPÓSITOS JUDICIAIS.    BEXMA COMERCIAL S/A promoveu depósitos judiciais no processo 2008.61.00.0135501,  sendo R$4.608.471,61 a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica Depósito Judicial (código  de arrecadação 7429) e R$4.147.624,45 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido  – Depósito Judicial  (código de arrecadação 7485), valores que serão considerados quando da  lavratura dos Autos de Infração.    O  contribuinte  pessoa  jurídica  e  as  pessoas  físicas  responsabilizadas  solidariamente  foram  cientificados  da  autuação  em  21/12/2010  (fls.  767  a  773)  e  apresentaram  em  19/01/2011,  a  impugnação em extenso arrazoado (fls. 792 a 861), cujos principais pontos se seguem:    DA IMPUGNAÇÃO    Os membros da Família Feffer decidiram vender a  totalidade do segmento petroquímico que  detinham, representado pelas ações de SZPQ, detidas direta ou indiretamente por tais Pessoas  Físicas, sendo o resultado da venda revertido ao patrimônio pessoal de cada um dos alienantes;    A idéia inicial dos Acionistas era vender as ações preferenciais e ordinárias que detinham de  SZPQ e  cindir  SH, BEXMA e POLPAR,  que detinham ações  de SZPQ. As  ações  de SZPQ  detidas  por  essas  pessoas  jurídicas  seriam  transferidas  para  a  nova  sociedade  constituída  a  partir da cisão, cujas ações seriam igualmente vendidas à PETROBRÁS;    Entretanto, a PETROBRAS não concordou em adquirir as ações de SZPQ da forma imaginada  pela  Família  Feffer,  condicionando  a  conclusão  do  negócio  à  prévia  realização  de  "Reorganização  Societária",  por  meio  da  qual:  (i)  a  totalidade  das  ações  de  SZPQ,  detidas  direta ou indiretamente pelos membros da Família Feffer, deveriam ser transferidas para uma  Fl. 1987DF CARF MF Processo nº 19515.004547/2010­92  Acórdão n.º 1401­002.307  S1­C4T1  Fl. 1.979          15 sociedade a ser constituída denominada de NEWCOl; e (ii) a totalidade das ações de NEWCOl  fossem aportadas em outra sociedade a ser constituída denominada NEWC02 , a qual deveria  ter como único ativo as ações de NEWCOl e nenhuma obrigação em seu passivo;    Os  Acionistas  controladores  procuraram  uma  alternativa  que  produzisse  os  mesmos  efeitos  econômicos da cisão das empresas SH, BEXMA e POLPAR, optando, então, pela redução do  capital  dessas  sociedades,  mediante  substituição  de  participações  societárias  nelas  detidas  equivalentes às ações da SZPQ;    A  totalidade  das  ações  detidas  pela  Família  Feffer  de  SZPQ  seriam  aportadas  ao  capital  de  NEWCOl Dapean Participações S/A. Posteriormente e por  fim, deveriam aportar as ações de  NEWCOl ao capital de NEWC02 Pramoa Participações S.A.;    Preliminarmente, deve ser excluída do pólo passivo da autuação a Sra. Fanny Feffer, que não  era acionista da empresa autuada quando da ocorrência dos fatos;    Em se tratando de bem havido pelo sócio em devolução de capital de sociedade investida, a Lei  n° 9.249/1995 faculta a tributação da mais­valia:    (a) na pessoa jurídica, quando a devolução do bem tenha se realizado pelo valor de mercado,  superior ao contábil; ou (b) na pessoa física, quando o bem tenha sido  transferido pelo valor  contábil, inferior ao de mercado quando de eventual alienação;    No  caso  concreto,  houve  ganho  de  capital  das  Pessoas  Físicas  acionistas  da  autuada,  no  momento  da  integralização  das  ações  de  SZPQ  recebidas  em  devolução  de  capital  (a  valor  contábil), na empresa DAPEAN, por valor superior ao de aquisição dos papéis.    Dessa  maneira,  foi  respeitada,  em  sua  inteireza,  a  norma  especial  do  art.  22  da  Lei  n°  9.249/1995, aplicável à situação;    Não  pode  a  autoridade  administrativa  alterar  o  regime  de  tributação  adotado  pelos  Impugnantes, para tributar o ganho de capital na pessoa jurídica que promoveu a devolução de  capital  aos  acionistas,  alegando que a carga  tributária aplicável  seria mais elevada, quando a  própria  lei  autoriza  ao  contribuinte  optar  pela  tributação  na  pessoa  física,  sujeita  a  carga  inferior;    No início da operação, as Pessoas Físicas possuíam em seu patrimônio ações de SZPQ e das  empresas SH, BEXMA e POLPAR. Após a operação, saíram do seu patrimônio as ações que  possuíam de SZPQ e parte do custo das ações de SH, BEXMA e POLPAR, na proporção do  capital  que  lhes  foi  devolvido,  mediante  entrega  de  ações  da  SZPQ  que  estavam  em  poder  daquelas  companhias. Além disso, houve dispêndio de recursos para  custear  a  reorganização  societária.  Em  contrapartida,  ingressou  no  patrimônio  das  Pessoas  Físicas  dinheiro  em  importância superior ao custo das ações (e aos gastos suportados na transação). Logo, houve  aumento do patrimônio das Pessoas Físicas, considerando a situação inicial (A) e a situação  final (B);    A Pessoa Jurídica autuada, de seu turno, possuía, inicialmente, ações de SZPQ em seu acervo.  Após  a  conclusão  dos  atos  decorrentes  do  contrato  celebrado  entre  seus  acionistas,  seu  patrimônio foi reduzido por conta da devolução, aos acionistas, de parte do capital, mediante  Fl. 1988DF CARF MF     16 entrega  de  ações  da  SZPQ.  Ou  seja,  houve  diminuição  do  patrimônio  da  Pessoa  Jurídica,  considerando o momento inicial (A) e o final (B);    Quem  auferiu  os  rendimentos  tributáveis  foram  as  Pessoas  Físicas  acionistas.  Somente  elas  podem ser consideradas contribuintes do imposto sobre a renda, pois manifestaram capacidade  contributiva.    O  Fisco  objeta  a  operação  porque  pretende  arrecadar  mais  do  que  a  lei  permite.  Não  foi  apresentada qualquer justificativa econômica que sustente sua pretensão de cobrar IRPJ/CSLL  da autuada. Alega­se, apenas, que, formalmente, as ações estavam em poder da Pessoa Jurídica  quando assinado o contrato das Pessoas Físicas com a Petrobrás e que houve vantagem fiscal,  mediante práticas de atos irregulares em operações isoladas;    “Imagine­se  se  a  carga  tributária  da  pessoa  jurídica  fosse  inferior  à  da  pessoa  física,  na  alienação de participação societária. Seria admissível, no contexto dos  fatos ora examinados,  atribuir  à pessoa  jurídica  a  titularidade do negócio  jurídico de  compra  e  venda, quando  seus  acionistas o conduziram e auferiram diretamente o preço pago pelo comprador?    Por  certo  que não! O Fisco  certamente  diria  haver  simulação  (ou  outra  "patologia"),  no  que  contaria com o apoio da  jurisprudência administrativa, que exige a vivência do negócio para  que se legitime o regime fiscal utilizado pelo contribuinte. Evidentemente, quem vivenciou e se  submeteu aos efeitos do negócio de compra e venda foram as Pessoas Físicas controladoras da  SZPQ. Dessa forma, elas deveriam ter sido qualificadas como contribuintes de IRPF e nunca  como  responsáveis  por  IRPJ  e CSLL,  cuja  exigência  supõe  acréscimo patrimonial  de pessoa  jurídica, inocorrente no caso concreto.”    Não teria cabimento a venda de parte das ações de SZPQ diretamente pelas pessoas jurídicas,  pois haveria a necessidade de posterior redução de capital aos acionistas, para que os membros  da Família Feffer pudessem usufruir dos recursos correspondentes, como pretendiam desde o  momento  inicial.  Nesse  caso,  haveria  uma  distorção  funcional  do  negócio,  pois  as  pessoas  jurídicas  estariam  agindo  como  interpostas  pessoas,  na  defesa  de  interesse  pessoal  de  seus  acionistas controladores;    A competência para fiscalizar o teor dos registros societários das sociedades é da JUCESP, sem  prejuízo  do  controle  da  CVM  sobre  as  companhias  abertas.  Os  atos  praticados  no  bojo  da  reorganização  societária  foram  levados  ao  conhecimento  das  entidades  competentes  e  não  houve  questionamento.  Invasão,  pelo  Fisco,  de  competência  reservada  a  outros  órgãos  da  Administração;    Seguindo  o  (tendencioso)  raciocínio  fiscal,  pode­se  concluir  que, mesmo  se  SH,  BEXMA  e  POLPAR tivessem vendido as ações de SZPQ à PETROBRAS, o valor recebido não poderia  ser devolvido posteriormente aos acionistas. Pois teria de ser declarado que eles utilizariam o  numerário  correspondente  em  seu  proveito  pessoal,  o  que,  por  falta  de  previsão  legal,  não  justificaria a devolução de capital. O absurdo da situação demonstra o equívoco da premissa do  Fisco.  Há  confusão  entre  a  causa  (objetiva)  da  redução  voluntária  do  capital  (perda  ou  excesso)  e  o  motivo  (subjetivo)  que  leva  os  sócios/acionistas  a  deliberarem  pela  efetiva  redução. É a causa que deve ser declarada no ato deliberativo da assembléia e não o motivo que  a justifica;    Como o Fisco não questiona a existência de capital em excesso no momento da redução que  implicou a entrega de ações de SZPQ aos acionistas (causa da devolução), mas tão­somente os  Fl. 1989DF CARF MF Processo nº 19515.004547/2010­92  Acórdão n.º 1401­002.307  S1­C4T1  Fl. 1.980          17 motivos da deliberação, insuscetíveis de questionamento por terceiros, alheios à sociedade, não  se sustenta a objeção à efetividade do ato;    Trata­se  de  sociedade  dedicada  à  participação  em  outras  empresas  (holding).  Tendo  os  acionistas controladores decidido se retirar do segmento petroquímico, o capital  representado  pelas ações da SZPQ deixou de ser relevante para o regular desenvolvimento das atividades das  holdings  que  até  então  geriam  os  direitos  nelas  consubstanciados.  Essa  parcela  do  capital  tornou­se excessiva em relação ao objeto da sociedade: perdeu sua função econômica.    A autoridade lançadora reputa ocorrido o fato gerador do IRPJ e da CSLL em agosto de 2007,  quando firmado contrato de compra e venda do controle acionário de SZPQ entre as Pessoas  Físicas  Impugnantes  e  a  PETROBRAS.  Ocorre  que  o  contrato  só  se  aperfeiçoou  em  novembro de 2007, quando satisfeitas as "condições precedentes e suspensivas" estabelecidas  no "Contrato de Compra e Venda de Ações", como reconhecido no "Acordo de Encerramento  do Contrato de Compra e Venda de Ações", datado de 30/11/2007 (Cláusula 2.1). Tanto é que  a quantidade e preço das ações de SZPQ só foram definidos nesse último ato, quando, então,  foi indiretamente alienado o controle de SZPQ, mediante pagamento do valor de aquisição aos  acionistas controladores e a assinatura dos termos de transferência à PETROBRAS das ações  de NEWCO2 PRAMOA), constituída para essa finalidade (Cláusulas 3 c 5);    Assim, havia condições suspensivas a serem cumpridas por ambas as partes que impedem seja  considerado  realizado o ganho de capital decorrente do negócio de compra e venda antes de  novembro/2007, na forma dos arts. 116, II e 117, I, do CTN;    É manifestamente improcedente a cobrança de acréscimos punitivos e moratórios sobre o valor  dos tributos lançados, pois os valores exigidos foram depositados em juízo. As Pessoas Físicas  Impugnantes  foram consideradas  responsáveis  solidárias. A parcela do  IR depositada em seu  nome  deve  ser  considerada  como  causa  suspensiva  da  exigibilidade  do  crédito  tributário  cobrado da Pessoa Jurídica autuada, afastando a imposição de multa, segundo a inteligência do  art. 125 do CTN;    A presente autuação inovou ao incluir as pessoas físicas no pólo passivo da obrigação tributária  que  imputou  às  pessoas  jurídicas,  na  condição  de  responsáveis  solidárias  pela  totalidade  do  IRPJ e da CSLL lançados. Trata­se de situação não considerada, quer pelos Impugnantes, quer  pelo  Poder  Judiciário,  quando  da  realização  dos  depósitos,  até  porque  supõe  ação  dolosa,  somente aventada no procedimento fiscal;    Os Impugnantes agiram de boa­fé.    Expuseram todo seu procedimento à Administração, recorreram ao Judiciário, pediram o início  da  fiscalização  e  efetuaram  depósito  em  montante  correspondente  ao  exigido  no  auto  de  infração. A acusação de sonegação, fraude e conluio é absurda e beira a imoralidade;    Todos os fatos foram levados ao conhecimento do Fisco mediante Consultas, que, todavia, não  foram apreciadas, sob a justificativa de que a matéria deveria ser objeto de fiscalização. A falta  de pronunciamento quanto à matéria envolvida não afasta, todavia, a boa­fé dos Impugnantes.  A  doutrina  reconhece  que  a  Consulta  aos  órgãos  públicos  é  um  direito  constitucional;  já  a  negativa de resposta é violação grave ao ordenamento;    Fl. 1990DF CARF MF     18 O próprio Juízo da 14a Vara Federal em São Paulo reconheceu a  legitimidade da dúvida e a  boa­fé dos Impugnantes, ao afastar a aplicação de multa de mora sobre os valores depositados  pelas Pessoas Físicas controladoras, após o decreto de ineficácia das Consultas formuladas, em  decisão liminar referendada pelo TRF3a Região;    Não tendo obtido resposta para as Consultas, nem medida liminar que determinasse à Receita  Federal que as respondesse, a Pessoa Jurídica autuada procurou espontaneamente a repartição  fiscal para expor novamente todos os fatos, com a apresentação da documentação pertinente, e  findou por requerer a instauração de procedimento fiscal destinado a apurar se haveria alguma  razão para que ela fosse considerada contribuinte do tributo, o que foi solenemente omitido no  texto do TCVF;  Realizando  a  análise  da  impugnação  juntamente  com  os  argumentos  de  autuação  a  Delegacia  de  Julgamento  proferiu  decisão  mantendo  integralmente  o  crédito  tributário  lançado  e  determinando  a  exclusão  do  nome  de  um  dos  responsáveis  solidários  apontados pela fiscalização.  Cientificados  da  decisão  o  contribuinte  e  os  responsáveis  solidários  apresentaram recurso voluntário único, no qual apresentam as seguintes alegações:  1 ­ Erro na Sujeição Passiva ­ Alegam os recorrentes que a autuação lavrada  contra  a pessoa  jurídica  está  incorreta,  vez que,  na  forma da Lei nº 9.249/95,  a  lei  faculta  a  tributação  do  ganho de  capital  na  devolução  do  bem à  pessoa  jurídica  ou  à pessoa  física do  sócio.    Alega  que  no  caso  concreto  houve  ganho  de  capital  das  pessoas  físicas  quando  da  integralização  das  ações  da  SZPQ  (recebidas  em  devolução  de  capital  pelo  valor  contábil). na DAPEAN por valor superior ao da aquisição dos papéis.  Alega  que  a  fiscalização  e  a  DRJ  estão  apenas  vendo  a  foto  de  um  único  acontecimento, quando deixam de analisar todo o filme que ocorreu na transação destas ações.  Traz  a  narrativa  do  filme  que  entende  ter  ocorrido.  Toda  a  narrativa  apresentada  tenta  demonstrar que o ganho ocorreu nas pessoas físicas.  2  ­  Inocorrência  das  irregularidades  apontadas.  Os Atos  praticados  tiveram  motivação  extrafiscal  e  obedeceram  os  preceitos  legais  ­  Apresenta  argumentação  para  justificar a  realização do negócio de devolução de capital  e a venda das  ações pelas pessoas  físicas  e  não  pela  jurídica. A  venda  destas  ações  foi  feita  em  bloco  para  a  transferência  do  controle acionário e não uma simples alienação de ações. Apresenta as razões extrafiscais que  justificariam  a  existência  das  empresas  NEMCO1  e  NEWCO2  no  processo,  da  redução  do  ganho  de  capital,  licitude  da  razão  da  redução  do  capital.  Alega,  ainda,  a  incompetência  do  fisco em analisar atos de registro que são de competência da JUCESP e CVM. Que a redução  do capital fundada na afirmação de excesso de capital está fundamentada na lei e com os fatos.   3  ­  Inocorrência  do  fato  gerador.  Período  de  apuração  lavrado  em  agosto/2007, quando não havia se concretizado o negócio ­ Alega que apesar de o contrato de  Fl. 1991DF CARF MF Processo nº 19515.004547/2010­92  Acórdão n.º 1401­002.307  S1­C4T1  Fl. 1.981          19 transferência  do  controle  da  SZPQ  dos  acionistas  para  a  PETROBRAS,  este  somente  se  aperfeiçoou  em  novembro/2007,  quando  satisfeitas  as  condições  suspensivas  do  contrato.  Alega  que  estas  condições  suspensivas  do  negócio  transferiram  sua  concretização  para  novembro/2007.  4 ­ Descabimento de acréscimos moratórios e punitivos. O crédito tributário  foi  depositado  antes  da  autuação  e  os  sujeitos  passivos  agiram  de  boa­fé  ­  Alega  que  os  depósitos  foram  realizados  pelas  pessoas  físicas  e  jurídicas  de modo  a  impedir  a  incidência  moratória enquanto se discutisse a responsabilidade pelo crédito tributário. Que a fiscalização  alterou as condições do negócio para possibilitar a alegação de dolo,  fraude ou simulação de  modo a imputar a multa qualificada. Ademais, se concluio houvesse, a PETROBRAS teria de  ser incluída no rol dos culpados.  CONTRA­RAZÕES  A  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  apresentou  contra­razões,  nas  quais  alega, em síntese, que:  a ­ O negócio jurídico foi simulado. A venda efetivada pelas pessoas físicas  objetivava  unicamente  a  evasão  fiscal.  Alega  que  as  condições  contratuais  indicam  que  a  posição de vendedora somente poderia ser ocupada por um dos efetivos acionistas da SZPQ,  sendo um deles a própria BEXMA. Alega que as condições contratuais somente poderiam ter  sido  assumidas  pelos  controladores  da  SZPQ  e  não  pelas  pessoas  físicas  que  eram  apenas  acionistas  indiretos  da  companhia.  Alega  que  não  foi  considerado  pelos  recorrentes  que  a  Suzano Holding, Bexma e Polpar eram as acionistas e prestaram declaração de obrigações em  nome próprio, que não poderiam ser cumpridas pelas pessoas físicas.  b  ­  Inexistência  de  erro  na  sujeição  passiva  ­  Alega  que  se  no  contrato  a  assunção  das  obrigações  foi  firmada  pelas  pessoas  jurídicas  a  realização  do  negócio,  após  diversos atos pelas pessoas físicas constitui sim negócio simulado e, assim, foi desconsiderado  e  foram  tributados  os  reais  sujeitos  passivos  da  obrigação  tributária.  Quando  o  houve  a  deliberação da redução de capital o contrato já estava assinado e já havia sido fixado o valor da  operação, determinando­se, assim, que haveria ganho de capital a ser tributado, o que levou à  realização dos atos para a  tributação nas pessoas  físicas e  redução do valor a ser dispendido.  Alega ainda o absurdo dos atos praticados pela Bexma ao aumentar e reduzir o capital no  mesmo dia.  c  ­ Reorganização desprovida de propósito negocial  ­ Alega que não existe  comprovação de que  a  reorganização  foi motivada por  exigências da petrobrás. Decorre que  não havendo razão extrafiscal, o negócio foi realizado unicamente com o objetivo de redução  da  tributação.  Alega  que  o  fato  de  a  JUCESP  e  a  CVM  terem  considerado  os  negócios  regulares não impede o fisco de análisá­los sob o aspecto tributário.  d ­ Da Multa Qualificada ­ Que tendo a fiscalização demonstrado a existência  do intuito doloso na realização dos atos de reorganização para reduzir a tributação pe cabível a  aplicação da multa qualificada.  e  ­  Acréscimos  Moratórios  ­  Alega  neste  ponto  que  os  depósitos  judiciais  realizados pela Bexma foram considerados para a redução da autuação. No entanto, quanto aos  depósitos  realizados  pelos  demais  sujeitos  passivos,  alega  que  o  próprio  judiciário  entendeu  Fl. 1992DF CARF MF     20 que  estes  não  seriam  corretos  os  depósitos,  vez  que  cada  contribuinte  deveria  realizar  o  depósito do montante que entendesse cabível à sua pessoa.      Voto             Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto ­ Relator  O  recurso  é  tempestivo  e  preenche  os  requisitos  legais  assim  dele  tomo  conhecimento.  A acusação fiscal prende­se às seguintes premissas:  a ­ a realização de contrato pelos sócios pessoas físicas com a Petrobrás não  seria possível, posto que o patrimônio, participação societária, era da empresa BEXMA e não  dos sócios pessoas físicas  b ­ realização de redução de capital sem justificativa descumpriu os preceitos  do art. 173 da lei das S/A  c  ­  a  operação  de  redução  de  capital  consistiu  em  simulação  do  principal  objetivo  que  era  o  da  redução  do  pagamento  de  tributos  pela  venda  por  meio  das  pessoas  físicas.  Passando à análise dos pontos de discordância apresentados pelo  recorrente  temos que os dois primeiros, relativos ao erro na imputação da sujeição passiva e à inexistência  das irregularidades apresentadas no auto de infração, a análise será feita em relação a todos os  argumentos apresentados, de forma única neste item. Vejamos.  1 – Aumento e redução de capital da BEXMA (26/09/2007 ­ fls. 135)  2  –  Contrato  firmado  entre  a  Petrobrás  e  os  Sócios  da  Suzano  Holding  e  Suzano Petroquímica (03/08/2007 – fls. 251 em diante) – Não inclui o nome da recorrente.  3 – Fechamento da compra (27/09/2007 – fls. 300) – Não inclui o nome da  recorrente.  4 – Acordo do encerramento (30/11/2007 – fls.316)  O  cerne  da  questão  a  ser  decidida  reside  está  no  fato  de  se  verificar  a  legitimidade da realização de um rearranjo societário realizado pelas pessoa físicas detentoras  das ações e que firmaram contrato de venda com a Petrobrás e a consequente impossibilidade  de descaracterização das operações pelo fisco considerando que a operação foi simulada com  vistas a reduzir a tributação.  Para  analisarmos  as  premissas  utilizadas  pela  autoridade  fiscal  na  acusação  tecemos as seguintes considerações.  1  ­  EXERCICIO  DO  DIREITO  DE  PROPRIEDADE  ­  A  operação  foi  realizada, desde o  início, pelos  sócios pessoas  físicas da  empresa. No presente caso, no meu  Fl. 1993DF CARF MF Processo nº 19515.004547/2010­92  Acórdão n.º 1401­002.307  S1­C4T1  Fl. 1.982          21 entender, não havia nenhum impedimento legal ou contratual a limitar o direito de propriedade  por parte dos  sócios pessoas  físicas. Veja­se que  é princípio do direito de que quem pode o  mais pode o menos. Ora, se os sócios podem livremente entregar suas ações para integralização  em empresa específica com poderes para lhes representar em sociedade controladora da SZPQ,  podem,  igualmente,  determinar  junto  a  esta  sociedade  a  realização da  redução de  capital  e  a  devolução destas mesmas ações.  Note­se  a  título  de  exemplo,  que  em  julgado  recente,  os  acionistas  controladores  de  uma  determinada  empresa  de  participação  foram  chamados  a  socorrer  subsidiária integral que estava com patrimônio líquido negativo. Ora, se os acionistas, em casos  de crise, são chamados a resgatar, também detém o direito de decidir pela retirada dos bens da  sociedade quando lhe for mais conveniente. Não vejo, neste ponto, como já dito em processo  anterior, ilegalidade no procedimento.  Em  recente  julgado,  de  situação  semelhante,  entendi  que  o  planejamento  fiscal foi abusivo em razão de um empecilho contratual, representado por um acordo entre os  acionistas  controladores  da  participação  nos  quais  o  direito  conferido  pela  cláusula  de  tag  along  fora  estabelecido  apenas  ao  controlador  pessoa  jurídica.  Já  naquele  julgado  me  pronunciei  no  sentido  de  que  não  considerava  ilegal  a  realização  da  redução  de  capital  e  devolução das ações aos sócios.  Por isso, neste caso mantenho o posicionamento de que a redução de capital e  devolução das ações antes integralizadas aos sócios não pode ser considerado ato ilegal, posto  que  submetido  ao  exercício  do  direito  de  propriedade  dos  titulares  do  direito  que  ainda  o  possuíam, mesmo que de forma indireta.    2 ­ LEGALIDADE DA REDUÇÃO DE CAPITAL ­ No que tange à redução  de capital e devolução das ações aos sócios, já havia me pronunciado no sentido da legalidade.  Neste  julgamento  apenas  reforço  este  entendimento.  Conforme  precedentes  deste  CARF,  a  realização da redução pelo valor contábil do bem ao sócio, sem a caracterização da DDL, foi  opção  realizada pelo  legislador com as  consequências  legais. Por  isso, utilizo os precedentes  neste sentido para considerar válida a autuação.    REDUÇÃO  DO  CAPITAL  SOCIAL  A decisão de reduzir o capital social, na hipótese de julgá­lo excessivo, está  contida  no  âmbito  discricionário  de  atuação  da  companhia.  A  legislação  pertinente busca conferir proteção aos direitos dos credores quirografários e  dos debenturistas, e prevê situações em que estes terceiros podem questionar  a  redução  do  capital  social,  no  entanto,  não  havendo  questionamentos  e  cumpridos os requisitos, não há óbice a redução do capital social. (Acórdão  nº 1302­002.567, de 22/02/2018)      Fl. 1994DF CARF MF     22 REDUÇÃO DE CAPITAL.  ENTREGA DE BENS E DIREITOS DO ATIVO  AOS  SÓCIOS  E  ACIONISTAS  PELO  VALOR  CONTÁBIL.  SITUAÇÃO  AUTORIZADA  PELO  ARTIGO  22  DA  LEI  Nº  9.249  DE  1995.  PROCEDIMENTO  LÍCITO.  AUSÊNCIA  DE  FRAUDE  OU  SIMULAÇÃO  A  redução  do  capital  social  deve  ser  de  competência  exclusiva  da  Assembléia  Geral,  desde  que  não  haja  prejuízos  a  credores,  e  não  seja  hipótese de fraude ou simulação. Assim, apenas os acionistas, que assumem  o risco do negócio, possuem legitimidade para definir o montante necessário  para  continuar  as  atividades  de  sua  empresa.  Aprovada a deliberação pela redução do capital social, a entrega de bens e  direitos  a  acionistas,  em  devolução  de  capital,  pode  ocorrer  em  conformidade  com  o  que  dispõe  o  artigo  22  da  Lei  nº  9.249,  de  1995.  A alegada "motivação exclusivamente tributária" não pode ser equiparada à  falta  de  "propósito  negocial"  (i.e  ausência  de  causa),  não  servindo  como  fundamento  jurídico  para  desconsideração  dos  negócios  jurídicos  efetivamente praticados entre as partes. Nessa  linha, é  importante destacar  que o direito positivo brasileiro somente autoriza a desconsideração de atos  ou  negócios  jurídicos  praticados  com  a  finalidade  de  economia  tributária  nas  hipóteses  de  fraude  ou  simulação  (CTN,  art.  149).  (Acórdão  nº  1301­ 002.761, de 19/02/2018)    Inobstante,  não  deixo  de  considerar  os  argumentos  em  sentido  contrário  de  que essas hipóteses de redução de capital constituiriam abuso do direito. Têm fundamento este  entendimento a partir da premissa de que se estaria lesando o poder público que o interessado  direto do resultado das operações. Deixo esta ressalva para dar luz ao debate, no entanto ainda  entendo em sentido diverso de que esta ação não consistiria em abuso, mas sim em exercício de  direito de propriedade.    3  ­ POSSIBILIDADE DE OPÇÃO DOS ACIONISTAS ­ Neste ponto cabe  ressaltar  que  ao  permitir  a  possibilidade  de  redução  de  capital  pelo  valor  contábil  sem  a  apuração  de  ganho  do  sócio,  a  lei  atribuiu  ao  sócio  acionista  a  opção  de  escolher  dentre  as  alternativas possíveis, a mais benéfica aos seus interesses. Como já dito no item 1, quem pode  o mais pode o menos. Se os acionistas podem dispor de seu patrimônio entregrando­o a uma  sociedade,  também  pode  deliberar  em  sentido  contrário,  recebendo  de  volta  estas  mesmas  ações quando necessário. Assim, a opção de  tributação é  facultada pelas normas, como mais  abaixo iremos detalhar.  Para  melhor  reforçar  o  argumento  devemos  considerar  que  o  acionista  controlador,  caso queira,  pode  até determinar o  encerramento das  atividades da  empresa que  seria o pior cenário, quanto mais reduzir seu capital.    4  ­ OPÇÃO DO LEGISLADOR ­ Por  fim,  cabe mencionar e destacar,  que  conforme já foi discutido nesta turma na última sessão toda essa autuação e outras semelhantes  decorrem das  opções  criadas  pelo  legislador. Veja­se,  ao  estabelecer  alíquotas  de  cálculo  de  ganho de capital em patamares tão distintos e, mais ainda, permitir a possibilidade de redução  de capital pelo valor contábil, foi o próprio legislador que constitui as hipóteses de opção pelos  acionistas.  Fl. 1995DF CARF MF Processo nº 19515.004547/2010­92  Acórdão n.º 1401­002.307  S1­C4T1  Fl. 1.983          23 É de se notar, ainda mais, que na recente alteração da tributação do ganho de  capital das pessoas físicas as alíquotas foram majoradas para até 22,5%, deixando o legislador,  ainda uma diferença considerável de mais de 10% para proporcionar opção ao contribuinte.  Ora,  se o  legislador, que é o detentor do poder de determinar as normas de  tributação  não  se  interessa  em  igualar  as  alíquotas  e  impedir  a  realização  do  planejamento  tributário  (no  taxation  without  representation)  não  há,  no  meu  entender,  como  o  poder  executivo,  por  meio  de  seus  órgãos  de  fiscalização,  considerar  abusivo  este  tipo  de  planejamento quando inexistE causa limitadora do direito de disposição das ações ou atribuição  a outrem.  Assim, permitindo a legislação a existência de opções díspares de tributação  e, em consequência o direito de opção dos acionistas, não entendo possível que a administração  tributária,  por  meio  de  seus  atores,  possa  impedir  o  exercício  do  direito  de  escolha  pelos  acionistas.    No presente caso, verifica­se que desde o início o contrato de venda de ações  foi firmado inicialmente pelo conjunto de sócios proprietários das ações da SZPQ. Diferente do  que  ocorreu  em  recente  julgado  de  minha  relatoria  nesta  turma,  o  princípio  da  entidade,  aplicado  ao  caso,  implica  que  o  patrimônio  a  ser  disponibilizado  no  processo  de  compra­e­ venda  de  ações  era,  desde  o  início  de  propriedade  dos  sócios  que,  direta  ou  indiretamente  possuíam  ações  da  SZPQ  e  se  comprometeram  com  a  PETROBRÁS  a  aliená­las  e,  em  consequência o controle da referida companhia.  Os atos societários que se realizaram posteriormente à assinatura do contrato  de alienação decorrem exatamente deste contrato e das obrigações nele assumidas, quanto os  sócios pessoas físicas se comprometem à criação de novas companhias e à incorporação nestas  das ações a serem da SZPQ para que a Petrobrás pudesse realizar a compra da companhia e,  consequentemente  do  controle  acionário,  sem  qualquer  intercorrência  dos  demais  sócios  das  empresas ou responsabilização por passivos.  Veja­se que o conteúdo contratual foi assumido, desde o início pelas pessoas  físicas  que  indiretamente  detinham  o  controle  acionário  das  companhias  de  interesse  da  Petrobrás.  Por  isso,  diferentemente  de  outro  caso  analisado  em  que  fui  reator  nesta  Turma,  entendo que os sócios pessoas físicas, nesta hipótese, detinham o pleno direito de alienação de  suas ações, mesmo que utilizadas, por estes, em integralização de capital  Militando  neste  entendimento,  aproveito  para  transcrever  trechos  do  voto  proferido no acórdão nº 1402­001.477, da 4ª. Câmara, da 2ª Turma Ordinária desta 1ª Seção do  CARF em julgamento relativo ao mesmo caso, onde empresa situada em posição semelhante à  da  recorrente  teve  julgado  procedente  o  recurso  voluntário.  Desde  já  salientamos  que  nos  trechos onde se lê como interessado a empresa POLPAR, leia­se, BEXMA, vez que os fatos e  fundamentos  se  aplicam  ipsis  literis  aos  dois  casos.  Vejamos  a  transcrição  excertos  desta  decisão.  I ­ Das questões relacionadas às cláusulas 2, 3, 4 e 6 do contrato datado de 3/8/2007   Inicialmente,  para  efeito  de  registro,  destaco  que  a  empresa  POLPAR  não  figura  como  parte  ou  anuente  no  contrato  datado  de  3/8/2007.  Contudo,  tendo  figurado  como  anuente no contrato de fechamento de negócio datado de 30/11/2007, em atenção aos argumentos  Fl. 1996DF CARF MF     24 CÓPIA  sustentados  da  tribuna  pelo  ilustre  Procurador  da  Fazenda  Nacional,  passo  à  análise  das  citadas  cláusulas contratuais.   Desnecessário dizer que um contrato não se analisa pelo nome que as partes o   atribuem, mas sim pela sua essência. Neste sentido encontram­se os artigos 112 e 113 do Código  Civil, onde o primeiro prevê que "nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção nelas  consubstanciada do que ao sentido literal da linguagem." O segundo, por sua vez, contém preceito  que determina que "os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa­fé e os usos do  lugar  de  sua  celebração."  É  com  base  nestes  preceitos  que  passo  a  analisar  dito  contrato,  observando, de início, que ele deve ser interpretado como um todo que reflete os ajustes firmados  entre  as  partes,  sem  pinçar  um  ou  mais  itens  como  se  fossem  algo  isolados  do  conjunto  de  manifestações de vontade e ajustes que resultou no negócio jurídico celebrado entre as partes.      No  caso  em  que  os  acionistas  elencados  no  contrato  preliminar  datado  de  3/8/2007  prometiam  vender  ações  há  de  se  presumir  que  a  pretensa  compradora,  quando da  definição  do  negócio,  em  especial  no  que  diz  respeito  ao  preço,  tenha  levado  em  consideração  uma  série  de  variáveis, louvando­se, por exemplo, de laudo elaborado pelos auditores e de matérias estratégias  relacionadas às empresas. No momento em que estas viessem, por hipótese, requerer autofalência o  preço das ações resultaria aviltado. Isto justifica a cautela da compradora em exigir a anuência das  empresas  para  que  estas  não  praticassem  uma  série  de  atos  que  pudessem  alterar  as  bases  do  negócio. Em síntese, a cláusula 6 (seis) trata de compromissos das empresas SUZANO e BEXMA  frente  à  Compradora  e  as  cláusulas  2,  3  e  4  (dois  e  quatro)  de  obrigações  dos  acionistas  Vendedores frente à Compradora e vice­versa.    Com tais considerações encerro os fundamentos pelos quais não acolho os   argumentos  de  que  a  cláusula  sexta  está  a  demonstrar  de  que  o  negócio  foi  realizado  pelas  empresas POLPAR, SUZANO e BEXMA e retomo as razões contidas no voto que já li na sessão  de 10 de setembro de 2013.   A exigência de crédito tributário pressupõe a ocorrência, no mundo real, da   situação  fática  descrita  na  norma  de  incidência.  Assim,  em  se  tratando  de  ganho  de  capital  na  alienação  de  bens  e  direitos,  mais  do  que  a  análise  de  eventuais  atos  formais,  eventualmente  divorciados da realidade, cabe analisar: (i) quando os bens foram alienados; (ii) a quem pertenciam  na  data  da  alienação;  (iii)  quem  alienou­os,  (iv)  quem  pagou  e  quem  efetivamente  recebeu  a  importância correspondente.   A autoridade fiscal argumenta que a venda das ações poderia ser realizada de   maneira  simples  e  objetiva, mas,  visando  a  redução  da  incidência  tributária  sobre  as  operações,  optou­se  pela  prática  de  um  conjunto  complexo  de  atos.  Questionou,  ainda,  que  a  decisão  de  reduzir o capital social de R$ 1.735.668,24 para R$ 988.678,87, não estava lastreada no excesso de  capital,  conforme  declarado,  mas  sim  na  intenção  de  alienação  das  quotas  correspondentes  à  redução realizada.   Desta forma, dentre as questões pertinentes ao julgamento do litígio, de modo   especial no que diz respeito a quem materialmente praticou o ato que gerou a exigência do imposto  de renda, tenho que devem ser enfrentadas as seguintes indagações:   a)  se  os  aspectos  relacionados  ao  motivo  da  redução  do  capital  social  são  relevantes  à  exigência do imposto de renda e da contribuição social.   b)  se  era  possível  fazer  a  redução  do  capital  social  entregando  ações  aos  acionistas,  na  proporção do capital social reduzido, pelo valor contábil, para que estes, em momento seguinte,  concretizassem eventual venda, que já poderia estar prometida ou não.  c)  quem vendeu e quem efetivamente recebeu o preço das ações    II ­ Das questões relacionadas à necessidade de redução do capital social e a possível  influência deste fato no julgamento do litígio   Neste processo, cujo valor contábil do capital social era de R$ 1.735.668,24 e   foi reduzido para R$ 988.678,87, não se questiona se os valores remanescentes mostraram­se  adequados à manutenção das atividades da empresa.    Todavia, em face do que consta do termo de verificação fiscal que integra o   auto  de  infração,  tendo  por  norte  que  o  capital  social  representa  os  investimentos  efetuados  pelos proprietários  ou  acionistas  para  abertura ou  expansão de uma empresa ou,  numa visão  Fl. 1997DF CARF MF Processo nº 19515.004547/2010­92  Acórdão n.º 1401­002.307  S1­C4T1  Fl. 1.984          25 mais  contábil,  é  a  parcela  do  patrimônio  líquido  de  uma  empresa  ou  entidade  oriunda  de  investimentos na forma de ações, se sociedade anônima, ou quotas, se sociedade por quotas de  responsabilidade limitada, efetuado pelos proprietários ou acionistas, tenho que para efeitos de  apuração do  imposto de renda e da contribuição social não cabe ao Fisco adentrar no mérito  das decisões dos acionistas relacionadas à redução do capital social,  salvo, evidentemente, se  tal  fato  resulte  na  insuficiência  de  recursos  para  pagar  dos  tributos  correspondentes  a  fatos  geradores já ocorridos ou prestes a se efetivarem.  Somente  os  sócios  ou  acionistas  que  assumem  os  riscos  do  negócio  têm  legitimidade para definir o montante necessário para continuar as atividades de uma empresa. A  única  hipótese  em  que  a  redução  do  capital  social  pode  ser  questionada  por  terceiros  está  prevista no artigo 174, § 1º, da Lei das S/A e ocorre quando da redução do capital  resulte na  impossibilidade  de  pagamento  dos  credores.  Assim  o  é  porque,  em  regra,  o  capital  social  e  demais ativos da empresa representa garantia de pagamento.      No caso dos autos não se tem notícias e sequer é causa da autuação que a   redução do capital social tenha resultado no inadimplemento de obrigações assumidas pela empresa  POLPAR  S/A.  Em  assim  sendo,  não  vislumbro  fatos  ou  liame  entre  fatos,  por  meio  do  qual  pudesse  se  dizer  que  os  acionistas  decidiram  reduzir  o  capital  social  com  o  objetivo  de  fraudar  credores.   O acórdão recorrido sustenta que a Lei das Sociedades Anônimas traz um   conjunto  de  artigos  que  buscam  conferir  proteção  ao  capital  das  sociedades  por  ações  e  prevê  situações  em  que  este  pode  ser  reduzido,  sustentando  que  no  caso  concreto  não  foi  atendido  o  artigo 173 da citada lei, a seguir transcrito:   Art. 173. A assembléia­geral poderá deliberar a redução do capital social se houver  perda, até o montante dos prejuízos acumulados, ou se julgá­lo excessivo.    §  1º  A  proposta  de  redução  do  capital  social,  quando  de  iniciativa dos administradores, não poderá ser submetida à  deliberação da assembléia eral sem o parecer do conselho  fiscal, se em funcionamento.   § 2º A partir da deliberação de redução ficarão suspensos  os  direitos  correspondentes  às  ações  cujos  certificados  tenham  sido  emitidos,  até  que  sejam  apresentados  à  companhia para substituição.   Neste aspecto, não subsistem os fundamentos do acórdão recorrido, quando   menciona  que  não  foi  observado  o  disposto  no  artigo  173  da  Lei  das  S/A.  Consta  do  termo  de  verificação  fiscal,  à  fl.  739,  que  em  13/8/2007  houve  reunião  da  Diretoria  da  POLPAR  que  deliberou pela redução do capital social. Tal decisão, no mesmo dia, foi submetida ao Conselho de  Administração que aprovou e recomendou que a matéria fosse encaminhada à Assembléia Geral da  Companhia.     Em 26 de  setembro de 2007, a Assembléia Geral Extraordinária dos Acionistas da POLPAR  S.A., aprovou redução do capital social. Assim, não se pode alegar, ou melhor, agregar como  fundamento da autuação o fato de que não fora observado as disposições do artigo 173 da Lei  das S/A.    Da questão relacionada à possibilidade ou não de redução de capital social entregando ações  aos sócios pelo valor contábil, em situação em que estes já tinham ajustado a venda de ditas  ações   O  artigo  60,  I  e  VII,  do  Decreto­Lei  nº  1.598,  de  1977,  com  as  modificações  introduzidas pelos Decretos­Lei nº 2.064 e 2.065, de 1983, que trata da distribuição disfarçada de  lucros, deve ser interpretado de forma harmônica com o artigo 22, caput, e §§ 3º e 4º, da Lei nº  9.249, de 1995, cujos textos, para efeitos de comparação, seguem transcritos:  Fl. 1998DF CARF MF     26   Decreto‐lei nº 1.598 de 1977.   Lei nº 9.249, de 1995.   Art 60. Presume­se distribuição disfarçada de lucros no  negócio pelo qual a pessoa jurídica:   I  ­ aliena, por valor notoriamente inferior ao de  mercado, bem do seu ativo a pessoa ligada;   II  ­ adquire, por valor notoriamente superior ao  de mercado, bem de pessoa ligada;   III  ­ perde, em decorrência do não exercício de  direito à aquisição de bem e em benefício de pessoa  ligada, sinal, depósito em garantia ou importância paga  para obter opção de aquisição;   VII ­ realiza com pessoa ligada qualquer outro negócio  em condições de favorecimento, assim entendidas  condições mais vantajosas para a pessoa ligada do  que as que prevaleçam no mercado ou em que a  pessoa jurídica contrataria com terceiros; (Redação   dada pelo Decreto­lei nº 2.065, de 1983)   Art. 22. Os bens e direitos do ativo da pessoa  jurídica, que forem entregues ao titular ou a sócio ou  acionista, a título de devolução de sua participação  no capital social, poderão ser avaliados pelo valor  contábil ou de mercado.   ....   § 3º Para o titular, sócio ou acionista, pessoa  física, os bens ou direitos recebidos em devolução de  sua participação no capital serão informados, na  declaração de bens correspondente à declaração de  rendimentos do respectivo ano­base, pelo valor  contábil ou de mercado, conforme avaliado pela  pessoa jurídica.   § 4º A diferença entre o valor de mercado e o  valor constante da declaração de bens, no caso de  pessoa física, ou o valor contábil, no caso de pessoa  jurídica, não será computada, pelo titular, sócio ou  acionista, na base de cálculo do imposto de renda ou  da contribuição social sobre o lucro líquido.     O artigo 22 da Lei nº 9.249, de 1995, confere coerência ao sistema tributário   e  em  nada  afronta  as  disposições  do  artigo  60,  I,  VII,  do  Decreto­Lei  nº  1.598,  de  1977.  São  normas que devem ser interpretadas de forma harmônicas. No momento em que a legislação dispõe  que as pessoas  físicas poderão  transferir a pessoas  jurídicas, a  título de  integralização de capital,  bens e direitos pelo valor constante da  respectiva declaração ou pelo valor de mercado, devendo  tributar  a  diferença  nos  casos  em  que  a  transferência  não  se  fizer  pelo  valor  constante  da  declaração, nada mais coerente que, na hipótese de devolução do capital social integralizado, isto  também possa ocorrer pelo valor contábil ou valor de mercado.   O princípio da legalidade consagrado no artigo 5º, II, da Constituição Federal,  que preceitua que ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de  lei. Assim, diante do disposto no artigo 22, da Lei nº 9.249, de 1995, assegurando ao contribuinte a  opção de  receber os bens e direitos do ativo da pessoa  jurídica, da qual  for  sócio ou acionista,  a  título de devolução de sua participação no capital social, pelo valor contábil ou de mercado, não se  pode  exigir  que  tal  devolução  se  dê  pelo  valor  de  mercado,  pelo  simples  fato  de  que  de  tal  procedimento pode resultar em maior tributo a pagar.   Necessário que se tenha presente que os preceitos inerentes ao princípio da   legalidade, assim como as disposições constantes no artigo 22 da Lei nº 9.249, de 1995, têm como  destinatários  o  Estrado­Administração  e  as  pessoas  que  o  integram.  A  não  observância,  pela  Administração de normas emanadas do Poder Competente, mais do que simples afronta à lei, como  pode parecer, traz em si situação que dissemina a insegurança jurídica e instaura desconfiança do  cidadão quanto à interpretação das leis.   Em outras palavras, é juridicamente protegido o procedimento levado a efeito   pelas Companhias e seus acionistas por meio do qual se devolve a estes, pelo valor contábil, bens e  direitos do ativo da pessoa jurídica (art. 22, caput, da Lei nº 9.249, de 1995).    Quando do julgamento do caso SOCOPA (processo nº 16327.720614/3­1120), que revela situação  semelhante  a  dos  autos,  apreciado  por  esta  turma  em  5/3/2013,  ao  final  do  acórdão  o  ilustre  Conselheiro Antônio Praga destacou textualmente:    "Evidencia­se,  pois,  que  o  contribuinte  realizou  uma  verdadeira  maratona de eventos societários com a principal finalidade de tributar  os  notórios  ganhos  com  esses  nas  pessoas  físicas,  com  de  fato  fez,  sendo que poderia ter feito diretamente, haja vista o respaldo legal.   Estou  certo  de  que  constitui  propósito  negocial  legítimo  o  encadeamento  de  operações  societárias  visando  a  redução  das  incidências  tributárias,  desde  que  efetivamente  realizadas  antes  da  ocorrência do fato gerador, bem como não visem gerar economia de  tributos mediante criação de despesas ou custos artificiais ou fictícios.   Fl. 1999DF CARF MF Processo nº 19515.004547/2010­92  Acórdão n.º 1401­002.307  S1­C4T1  Fl. 1.985          27 CÓPIA  Repito: a partir da vigência do art. 22 da Lei 9.249/1995 a redução de  capital mediante entrega de bens ou direitos, pelo valor patrimonial,  não mais constituiu hipótese de distribuição disfarçada de lucros, por  expressa determinação legal. (grifos no original)   Frise­ se: a distorção está nas próprias normas  tributárias que estabelecem  alíquota de 15% para o ganho de capital  na pessoa  física e de até 34% de  IRPJ/CSLL  sobre  os  ganhos  de  mesma  natureza  das  pessoas  jurídicas.  (Acórdão  1402­001.341,  Segunda  Turma  da  Quarta  Câmara  da  Primeira Sessão. J. 5/3/2013. Rel. Conselheiro Antônio José Praga de  Souza).   Em relação às observações que o ilustre Conselheiro Antônio Praga faz no   último parágrafo de seu voto, penso que não se trata de distorção, mas sim de opção do legislador.  A  propósito,  lembro  época  em  que,  para  atrair  investimentos  às  empresas,  aprovou­se  o  Decreto­Lei 1.510, de 1975, cujo artigo 4º, alínea "d", isentava de ganho de capital os rendimentos  decorrentes de aplicações, por pessoas físicas, que adquirissem ações e permanecessem com estas  pelo período de cinco anos. Outro exemplo pode ser percebido no 4º da Lei nº 10.179, de 2001.  Visando incentivar a aquisição de Notas do Tesouro Nacional ­ NTN, isentou­se do Imposto sobre  a  Renda  os  juros  produzidos  pelas  NTN  emitidas  na  forma  do  inciso  III  do  art.  1o  desta  Lei.  Finalmente,  para  encerrar  a  citação  de  exemplos,  no  dia  6/6/2013,  quando  trabalhava  na  análise  deste  processo,  a  imprensa2  noticiava  reunião  de  integrantes  da  Bovespa  com  o  Ministro  da  Fazenda tendo como pauta proposta de isenção do Imposto de Renda para compradores de ações de  pequenas e médias empresas, assim entendidas as que faturam até R$ 500 milhões por ano.    Em outras palavras, é comum a concessão de incentivos em determinadas   circunstâncias para  favorecer o desenvolvimento econômico ou induzir o destinatário da norma a  determinados comportamentos. A possibilidade do acionista receber seu investimento, nos termos  do artigo 22 da Lei nº 9.249, de 1995, pelo valor contábil, podendo vir a tributar na pessoa física ao  percentual de 15% e não de 34% na pessoa jurídica, não representa distorção do sistema, mas sim  opção  do  legislador  como  forma  de  incentivo  induzindo  que  pessoas  físicas  possam  investir  em  empresas e ao reduzirem estes  investimentos ou se  retirarem possam recebe­los com a  tributação  aplicável às pessoas físicas.    Em síntese, a pessoa física titular de ações está sujeita à tributação de 15%  do  imposto sobre o ganho de capital. Porém, se esta pessoa física  tiver participação em alguma  empresa esta pode se defrontar com a necessidade da sociedade de aumentar o capital social como  forma  de  alavancar  investimentos,  em  especial  empréstimos  junto  ao  sistema  financeiro.  Para  contornar  tal situação, a pessoa física pode  integralizar capital com a conferência das ações que  possui. No entanto, no momento em que a detentora das ações resolva "realizar" o investimento  não  seria  lógico  que  tal  ganho  fosse  tributado  à  alíquota  de  34%.  Se  assim  fosse,  ninguém  aportaria ativos como forma de integralizar capital social das empresas. O que foi dito em relação  às ações aplica­se a quaisquer bens móveis ou imóveis.    III ­ Da questão relacionada à materialmente dos contratos e da identificação de quem  efetivamente recebeu o preço da venda   Sob os aspectos jurídicos, os contratos podem conter uma obrigação de DAR,  FAZER  ou NÃO FAZER. Mesmo  nos  casos  de  promessa  de  fato  de  terceiro,  de  que  tratam  os  artigos 439 e 440 do Código Civil, a natureza jurídica do contrato continua caracterizada por uma  obrigação de dar, fazer ou não fazer.     A única restrição estabelecida de forma expressa pelo legislador, em relação   à  liberdade de  contratar,  está prevista  no  artigo  426 que proíbe o  contrato  de herança de pessoa  viva. A herança de pessoa viva não pode ser transacionada. Todavia, aberta a sucessão, ainda que o  patrimônio se encontre sob a esfera jurídica do espólio, qualquer dos herdeiros pode dispor sobre  os direitos que têm em relação à herança. Neste sentido, basta ver as disposições do artigo 1.793 do  Código Civil.  Fl. 2000DF CARF MF     28 CÓPIA    Art. 1793. O direito à sucessão aberta, bem como o quinhão de que disponha  o co­herdeiro, pode ser objeto de cessão por escritura pública.    Ainda,  no  que  diz  respeito  às  disposições  gerais  dos  contratos,  previstas  no  Título V,  da  Parte Geral  do Código Civil,  os  artigos  462  e  a  466,  tratam  da  figura  do  contrato  preliminar  que  se  constitui  em um acordo  de  vontades  que  visa  a  produção  de  efeitos  jurídicos  futuros,  onde  uma  ou  mais  partes  prometem  celebrar  determinado  contrato,  com  expressa  referências às regras a serem observadas.     Os contratos preliminares, para concretizarem negócios no futuro, estão   presentes  nas  mais  diversas  situações  e  podem  dizer  respeito  à  promessa  de  venda  de  um  apartamento que  ainda não  foi  construído, de um bem que  ainda não  foi  fabricado,  de produção  agrícola  futura,  adquirida  antecipadamente pelo  exportador que por  sua vez negocia no mercado  externo para entrega futura e assim sucessivamente.    Há casos, conforme acima destacado, que na época dos ajustes preliminares sequer existem os bens  a que se refere o negócio futuro. A título de exemplo, aponto a comercialização de safra futura. Por  outro lado, quando se interpreta a expressão de que "ninguém pode transferir a outrem direitos que  não possui", é preciso que se analise estas expressões à luz do direito, em especial no diz respeito às  obrigações  decorrentes  dos  contratos.  Por  exemplo,  se A,  de  posse  de  um  bem  pertencente  a  B,  vende­o para C, sem adquiri­lo de B, dita venda é ineficaz frente ao proprietário do bem. Porém, se  A, de posse deste mesmo bem pertencente a B, vende­o para C, vindo adquiri­lo B para entregar a  C, o negócio realizado é válido e eficaz.     A  não  ser  a  lógica  e  a  proteção  jurídica  explicitada  no  parágrafo  anterior  inviabilizar­se­iam  milhares de transações comerciais. Isto aplica­se a inúmeras situações no mundo dos negócios, indo  de  simples  bens móveis  adquiridos  a partir  de mostruários  ou  catálogos,  a  apartamentos  que  são  comercializados quando a construção sequer iniciou. Os pré­contratos de que tratam os artigos 462  a  466  do  Código  Civil  têm  por  finalidade  regular  situações  semelhantes  as  que  aqui  foram  exemplificadas e as noticiadas nestes autos.     Por  meio  do  contrato  de  fls.  273/320,  datado  de  3/8/2007,  David  Feffer;  Daniel  Feffer; Betty Vaidergorn Feffer;  Jorge  Feffer; Ruben  Feffer  e Fanny  Feffer,  entre  outros,  celebraram  contrato  com  a  PETROBRÁS,  ajustando  a  compra  e  venda  das  ações  indicadas  no  relatório deste voto.     No mencionado contrato ficou esclarecido que o termo "fechamento do negócio" caracterizar­se­ia  pela "liquidação da presente compra e venda, mediante a efetiva transferência da propriedade das  Ações à Compradora e simultâneo pagamento do Preço de Aquisição aos Acionistas." (fl. 283).     No  item  2.1  do  ficou  consignado  que  na  data  do  fechamento  os  acionistas/vendedores  deveriam  entregar  à  Compradora  os  termos  de  transferência  de  ações  por  meio  dos  quais  a  titularidade  e  propriedade  das  ações  seriam  transferidas  à  PETROBRÁS  e,  simultaneamente,  esta  pagaria  aos  vendedores  o  preço  ajustado,  transferindo  os  recursos  aos  vendedores,  em  contas  bancárias  informadas por estes (item 4.2 ­ fl. 289).     No momento em que o item 4.3 do citado instrumento destaca que o fechamento  do negócio ocorreria no  futuro, após uma série de atos a serem observados pelas  partes, não há a menor dúvida de que em 3/8/2007, as partes estavam celebrando  contrato  preliminar,  nos  termos  dos  artigos  462  a  466  do Código Civil, negócio  este  que  veio  a  se  concretizar  em  30/11/2007,  quando  os  vendedores  outorgaram à compradora os termos de transferência de ações e esta pagou­ lhes o preço ajustado, conforme registrado no documento de fls. 338/3554.    Se  alguma dúvida  pudesse  existir  quanto  à  data  do  fechamento  do  negócio,  esta  resultaria  desfeita  pelas  condições  suspensivas,  em  número  superior  a  duas  dezenas,  elencadas  no  item 3  do  contrato  (fl.  285/289). Bastava,  por  exemplo,  a  assembléia  geral  da  compradora  não  aprovar  a  transação  que  o  negócio  não  se  consumaria  (item  3.4,  I,  do  contrato  fl.288).  Outros  exemplos  de  cláusulas  Fl. 2001DF CARF MF Processo nº 19515.004547/2010­92  Acórdão n.º 1401­002.307  S1­C4T1  Fl. 1.986          29 suspensivas  do  negócio  são  indicados  nos  itens  (viii),  (ix)  e  (x),  do  item  3.2  do  contrato que previa a necessidade dos signatários daquele contrato, dentre os quais  a POLPAR não  se  encontrava,  de  constituírem as novas  sociedades  lá  indicadas,  para onde deveriam ser carreadas as ações cuja transação se desenvolvia.    Para que se compreenda o negócio  realizado é preciso que se  tenha presente que  parte  do  capital  social  da  empresa  POLPAR  S/A  era  constituído  de  ações  da  empresa  Suzano  Petroquímica  S.A.  As  ações  da  Suzano  Petroquímica  S.A,  que  integravam o capital  da  empresa POLPAR S/A, pertenciam aos  acionistas David  Feffer; Daniel Feffer; Betty Vaidergorn Feffer; Jorge Feffer; Ruben Feffer e Fanny  Feffer.  Estes  decidiram  vendê­las  e  em  3/8/2007  iniciaram  tratativas  com  a  PETROBRÁS firmando o pré­contrato que veio a ser confirmado em 30/11/2007.     O fato da empresa Suzano Petroquímica S/A assinar, no contrato preliminar, como  interveniente anuente, não quer dizer que foi esta quem vendeu ditas ações e nem  que  o  negócio  se  efetivou  em  3/8/2007.  No  que  diz  respeito  à  POLPAR  S/A  a  situação  torna­se  mais  evidente,  pois  esta  sequer  figura  no  contrato  preliminar  firmado  em  3/8/2007  (fls.  313/320).  No  mais,  tenha­se  presente  que  quem  efetivamente transferiu as ações à PETROBRÁS, recebendo valor correspondente,  mediante crédito  em conta,  foram David Feffer; Daniel Feffer; Betty Vaidergorn  Feffer; Jorge Feffer; Ruben Feffer e Fanny Feffer.    Na prática,  a POLPAR tinha ações da empresa Suzano Petroquímica S.A e tinha  como  acionistas  controladores  David  Feffer;  Daniel  Feffer;  Betty  Vaidergorn  Feffer;  Jorge  Feffer;  Ruben  Feffer  e  Fanny  Feffer.  Na  condição  de  acionistas  controladores as pessoas aqui nominadas tinham atribuições para decidir se fariam  a venda direta, por meio da empresa POLPAR, tributando no percentual de 34% ,  ou  restituíam  o  investimento  aos  acionistas,  nos  termos  do  artigo  22  da  Lei  nº  9.249, de 1995, para que estes vendessem à PETROBRÁS.     A opção se deu pela restituição do investimento aos acionistas, pelo valor contábil,  que utilizaram ditas ações para integralizar capital social de outra empresa, vindo a  transferi­las  à  PETROBRÁS,  recebendo  o  valor  correspondente  e  tributando­o  à  alíquota de 15%, prevista para o ganho de capital auferido pelas pessoas físicas.    Não  há  ilicitude  no  procedimento  realizado  pelos  acionistas.  Pretender  exigir  imposto de renda e contribuição social sobre o lucro líquido da empresa POLPAR  S/A, quando esta sequer recebeu qualquer importância relacionada à venda que os  acionistas fizeram à PETROBRÁS, é procedimento que não encontra base jurídica  para  tal,  indo  contra  à  própria  orientação  contida  nas  perguntas  e  respostas  existentes  no  sítio  da  Receita  Federal  como  forma  de  orientar  os  contribuintes.  Neste sentido, observo a pergunta de número 443, a seguir transcrita:    443 Qual o tratamento a ser adotado no caso de devolução de capital em bens ou  direitos ao titular, sócio ou acionista da pessoa jurídica?  Na  hipótese  de  devolução  de  capital  ao  titular,  sócio  ou  acionista  da  pessoa  jurídica, os bens ou direitos entregues poderão ser avaliados pelo valor contábil  ou de mercado  .  Fl. 2002DF CARF MF     30 Quando a devolução realizar­se pelo valor de mercado, a diferença entre este e o  valor contábil dos bens e direitos entregue será considerada ganho de capital, o  qual deverá ser computado nos resultados da pessoa jurídica tributada com base  no  lucro  real  ou  na  base  de  cálculo  do  imposto  de  renda  da  pessoa  jurídica  submetida à tributação com base no lucro presumido ou arbitrado.    Quando  a  devolução  realizar­se  pelo  valor  contábil  do  bem  ou  direito  não  há  diferença  a  ser  tributada  quer  pela  pessoa  jurídica  que  estiver  devolvendo  o  capital, quer pelo titular, sócio ou acionista que estiver recebendo a devolução    Notas:  O  titular,  sócio ou acionista, pessoa  jurídica, que  tiver  recebido a devolução da  sua  participação  no  capital  deverá  registrar  o  ingresso  do  bem  ou  direito  pelo  valor contábil ou de mercado, conforme a avaliação da pessoa jurídica que estiver  devolvendo o capital. A diferença entre o valor de mercado dos bens ou direitos e  o  valor  contábil  da  participação  extinta  não  constituirá  ganho  de  capital  tributável para  fins do  imposto de  renda, podendo ser excluída na determinação  do  lucro  real  ou  não  ser  computada  na  base  de  cálculo  do  lucro  presumido  ou  arbitrado.  Normativo: Lei nº 9.249, de 1995, art. 22; RIR/1999, art. 419; e IN SRF nº 11, de  1996, art. 60.    Não se pode exigir imposto de renda da pessoa jurídica nos casos de restituição do  investimento  pelo  valor  contábil. O  fato  dos  acionistas  planejarem  a  redução  do  capital social visando a subsequente alienação de suas ações a terceiros, tributando  o ganho de capital na pessoa  física,  se constitui  em procedimento expressamente  previsto  no  artigo  22  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  que  é  norma  indutora  de  comportamento, colocada no sistema como uma das formas de atrair investimentos  às empresas e, a partir de tal fato, alavancar o desenvolvimento econômico.    Em resumo, ao meu sentir,  a)  os  recorrentes,  pessoas  físicas,  conduziram  suas  condutas  tendo  por  norte  interpretação feita em face ao 22 da Lei nº 9.249, de 1995, assim, não há o que se  falar  em  fraude,  dolo  ou  simulação  e  tampouco  em  situação  que  caracteriza  hipótese  de  incidência  descrita  no  artigo  124,  I,  combinado  com  o  artigo  135,  ambos do CTN, como lhes imputou a autoridade fiscal. Não se pode dizer que os  controladores/administradores,  a  quem  se  atribuiu  solidariedade  pelo  crédito  tributário, praticaram atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, ou  estatutos.  b) Igualmente, não se pode dizer que os recorrentes articularam qualquer conduta  com  a  finalidade  de  ocultarem  os  atos  praticados.  A  vontade  declarada  nos  documentos societários (ato de redução de capital e posterior alienação das ações  recebidas), constituiu­se em negócio verdadeiro;  c)  os  atos  praticados  foram  formalmente  aprovados  por  documentação  societária  idônea e que não foi objeto de questionamento pela autoridade fiscal;   d) todos os atos praticados foram adequadamente divulgados por meio de registro  no registro do comércio e publicação em jornais, já que tal procedimento é exigido  pela legislação, no caso de redução de capital de pessoas jurídicas S/A;  e)  os  atos  foram  declarados  às  autoridades  fiscais  por  meio  da  entrega  das  declarações  das  pessoas  jurídicas  e  físicas,  nas  quais  constavam  os  efeitos  das  operações;  Fl. 2003DF CARF MF Processo nº 19515.004547/2010­92  Acórdão n.º 1401­002.307  S1­C4T1  Fl. 1.987          31 f)  finalmente,  foi  realizada  consulta  formal  dando  conhecimento  da  operação  à  autoridade  fiscal,  como  expressamente  narrado  no  termo  de  verificação  fiscal,  o  que  também  afasta  qualquer  tentativa  de  acobertar  ou  omitir  a  realidade,  o  que  seria de se presumir caso se estivesse diante de uma operação simulada. Ninguém  que  queira  ou  tenha  realizado  operação  simulada  consulta  a  autoridade  fiscal  acerca da interpretação relacionada à norma de incidência sobre o fato praticado ou  que pretende praticar.    ISSO  POSTO,  voto  no  sentido  de  dar  provimento  ao  recurso  para  cancelar  o  lançamento do crédito tributário em face da empresa POLPAR S/A.      Comungando  deste  entendimento,  no  sentido  de  que  a  redução  de  capital  realizada,  mesmo  que  desconsiderada  pela  fiscalização  sob  o  argumento  de  planejamento  tributário  abusivo,  além  de  estar  adequada  aos  preceitos  legais,  importou  na  realização  de  objetivos negociais realizados pelas pessoas físicas, proprietárias indiretas das ações que, nesta  condição,  exercendo  o  seu  direito  de  propriedade,  contrataram  a  sua  venda  para  a  Petrobrás  que,  como  interessada  compradora,  estabeleceu  os  requisitos  a  serem  realizados  pelos  vendedores.  Entendo, por conseguinte não haver óbice legal aos atos praticados em vistas à  consecução do objetivo de alienação do controle acionário da SZPQ.  Assim, verificando­se a existência do direito dos alienantes de praticar os atos  de  alienação  para  entrega  das  ações  sem  impedimentos  aos  compradores,  configura­se  o  motivo negocial a justificar as operações realizadas anteriormente à venda, razão pela qual voto  no sentido de dar provimento integral ao recurso voluntário.    Abel Nunes de Oliveira Neto ­ Relator                               Fl. 2004DF CARF MF

score : 1.0
7281232 #
Numero do processo: 11543.002084/2006-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza. Fizeram sustentações orais, pela contribuinte, o Dr. Ricardo Corrêa Dalla, OAB/ES nº 4055 e Dr. Antônio Cruz Netto, OAB/ES 17270. (assinatura digital) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201804

camara_s : Segunda Câmara

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 11543.002084/2006-07

anomes_publicacao_s : 201805

conteudo_id_s : 5861902

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 3201-001.311

nome_arquivo_s : Decisao_11543002084200607.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA

nome_arquivo_pdf_s : 11543002084200607_5861902.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza. Fizeram sustentações orais, pela contribuinte, o Dr. Ricardo Corrêa Dalla, OAB/ES nº 4055 e Dr. Antônio Cruz Netto, OAB/ES 17270. (assinatura digital) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.

dt_sessao_tdt : Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018

id : 7281232

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:18:12 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713050308792287232

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1416; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T1  Fl. 5.601          1 5.600  S3­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11543.002084/2006­07  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3201­001.311  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  18 de abril de 2018  Assunto  Diligência  Recorrente  KAFFEE EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer  de Castro  Souza.  Fizeram  sustentações  orais,  pela  contribuinte,  o Dr. Ricardo Corrêa Dalla,  OAB/ES nº 4055 e Dr. Antônio Cruz Netto, OAB/ES 17270.  (assinatura digital)  CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA ­ Presidente.   (assinatura digital)  PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA ­ Relator.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro  Souza  (Presidente),  Tatiana  Josefovicz  Belisário,  Paulo  Roberto  Duarte  Moreira,  Cássio  Schappo, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira,  Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.    Relatório.    Trata­se  de  Recurso  Voluntário  de  fls.  5370  em  face  da  decisão  de  primeira  instância  administrativa  fiscal  proferida  no  âmbito  da  DRJ/RJ  que  julgou  improcedente  a     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 43 .0 02 08 4/ 20 06 -0 7 Fl. 5601DF CARF MF Processo nº 11543.002084/2006­07  Resolução nº  3201­001.311  S3­C2T1  Fl. 5.602          2 manifestação  de  inconformidade  do  contribuinte,  mantendo  a  não  homologação  da  compensação solicitada por meio de Dcomp, no regime não cumulativo do Pis e da Cofins.  Por  bem  descrever  a  matéria  de  que  trata  este  processo,  adoto  e  transcrevo  abaixo o relatório que compõe a decisão recorrida.  "Trata o presente processo de Pedidos de Ressarcimento/Declarações  de Compensação (Dcomp) de crédito relativo a Cofins nãocumulativa  referente ao período de fevereiro de 2004 a dezembro de 2006.  A DRF/Vitória exarou o despacho decisório de fls. 1044, com base no  Parecer SEORT/DRF/VIT nº 1125, de 26/05/2009 (fls. 1031/1043),  decidindo reconhecer em parte o direito creditório pleiteado, no valor  de  R$  998.272,17  e  homologar  parcialmente  as  compensações  declaradas.  Os  ajustes  efetuados  pela  autoridade  fiscal  na  base  de  cálculo  dos  créditos  do  regime  nãocumulativo  da Cofins  resultaram  em  saldo  de  contribuição a pagar apurado nos períodos de junho de 2004 a março  de 2005 e julho de 2005 a janeiro de 2006. Foi então lavrado o Auto de  Infração  relativo  à  falta/insuficiência  de  recolhimento  da  Cofins  referente aos períodos de apuração citados, formalizado no processo nº  15578.000632/200952, apensado a este (fls. 148/157), no valor total de  R$  2.037.215,11,  incluído  principal,  multa  de  ofício  e  juros  de mora  calculados até 30/04/2009. O enquadramento legal do auto de infração  encontrase à fl. 157 e a base legal da multa e dos juros, em fl. 153.  No Parecer SEORT, que serviu de base para o Despacho Decisório e  fundamentou  o  Auto  de  Infração,  a  autoridade  fiscal  registra,  em  resumo, que:  • Equivocouse o sujeito passivo ao não  incluir na base de cálculo da  Cofins as receitas financeiras (até 01/08/2004) e receitas diversas.  Foram realizados ajustes  tomando por base os  lançamentos a crédito  efetuados nos balancetes; • Na apuração dos créditos, constatouse, em  alguns meses,  divergência  entre  os  valores  informados  no DACON  e  nas planilhas apresentadas, em relação às aquisições de café. Foram  adotados  os  dados  das  planilhas  •  As  compras  de  café  foram  pulverizadas em mais de 60 fornecedores PJ e vários PF. Para efeito  de  análise  dos  fornecedores,  optouse  por  uma  amostragem  que  representa mais de 80% das aquisições de café de pessoa jurídica no  período  de  2004 a  2006;  • Verificouse  irregularidades  em 24  dos  27  maiores fornecedores PJ (omissos, inativos, receita declarada nula ou  incompatível com as vendas realizadas);  • As empresas Riocoffe Imp. Exp. Ltda e Cometa Comércio de Cereais  Ltda foram declaradas inaptas pela SRF. Dos fornecedores analisados,  88,89%  encontramse  em  situação  irregular;  •  Na  hipótese  relatada,  sabidamente não houve o respectivo recolhimento tributário de forma  tal que não há razoabilidade em se admitir o reconhecimento do direito  creditório, sob pena de se patrocinar verdadeira sangria nas finanças  públicas;  • Com base nas planilhas/arquivos magnéticos das compras  enviadas  pelo  sujeito  passivo,  foi  elaborado  o  "Demonstrativo  de  Apuração  das Contribuições  nãocumulativas"  discriminando  todos  os  Fl. 5602DF CARF MF Processo nº 11543.002084/2006­07  Resolução nº  3201­001.311  S3­C2T1  Fl. 5.603          3 ajustes  procedidos.  Os  ajustes  realizados  no  Demonstrativo  foram  consubstanciados  a  partir  dos  valores  na  "Planilha  de  Glosas  efetuadas/compras de café", na qual contém as compras adquiridas de  pessoas jurídicas que foram desconsideradas para fins de cálculo dos  créditos a descontar;  • De acordo com as  planilhas apresentadas,  no  que tange as aquisições de pessoas físicas, foram registradas compras  de café sob o CFOP 1.102, que se refere a compras de mercadorias a  serem comercializadas e que, portanto, não geram crédito presumido; •  O  sujeito  passivo  equivocouse  ao  incluir  no  cômputo  dos  créditos  a  descontar  as  aquisições  de  café  sob  o  CFOP  1.501,  que  se  refere  a  compras  com  fim  especifico  de  exportação,  já  que  referidas  vendas  encontramse  fora  do  campo de  incidência da  contribuição;  • Não  foi  possível homologar as declarações de compensação em sua totalidade,  por insuficiência de créditos, de acordo com a Tabela de Compensação  elaborada  no  Parecer;  •  Além  disso,  foi  apurado  saldo  de  Cofins  a  pagar nos meses de junho de 2004 a março de 2005 e julho de 2005 a  janeiro de 2006, tendo sido emitido auto de infração para os referidos  meses. O saldo de Cofins a pagar nos meses de  fevereiro e março de  2004 já se encontram decaídos.  A  contribuinte  foi  cientificada  do  Despacho  Decisório  e  do  Auto  de  Infração  em  01/07/2009  (fl.  1102)  e  apresentou,  em  30/07/2009,  a  Manifestação de Inconformidade em fls. 1291/1308 e a Impugnação em  fls. 1103/1119, alegando, em síntese que:  • O Agente Fiscal  deveria  proceder  ao  lançamento das  contribuições  omitidas e não recolhidas pelo sujeito passivo da obrigação que neste  caso é o fornecedor das matérias primas adquiridas; • Querer impor à  impugnante,  que  de  boafé  comprou  e  pagou  as  mercadorias,  a  obrigação de pagar, pela via da exclusão glosa dos créditos apurados  é no mínimo arbitrário e ilegal; • Não há previsão legal que impute ao  comprador  de  mercadorias  a  verificação  da  situação  cadastral  do  fornecedor.  Conforme  se  pode  observar,  pelos  espelhos,  agora  emitidos,  as  situações  cadastrais  mencionadas  como  argumento  de  glosa  deramse  em  data  posterior  aos  registros  de  entradas  das  mercadorias.  Para  comprovar  anexamos  os  Comprovantes  de  Inscrição  e  de  Situação  Cadastral;  •  A  falta  de  pagamento  não  é  responsabilidade  da  impugnante,  que  nenhum  vinculo  societário  tem  com aquelas pessoas jurídicas, não podendo ser penalizada por um ato  que  foge  inteiramente  ao  seu  controle;  •  Todas  as  mercadorias  adquiridas  pela  impugnante  têm  o  propósito  de  comercialização,  passando  obrigatoriamente  por  processo  de  industrialização,  fazendo  jus, portanto, aocrédito presumido do PIS e da COFINS, independente  do CFOP utilizado; • A mercadoria ou matéria prima adquirida sob o  CFOP 1501, apesar de registrada sob este código,  foi adquirida para  industrialização  e  posterior  comercialização.  Não  há  nenhuma  possibilidade  da  empresa  adquirir  de  pessoa  física,  mercadoria  com  fim  específico  de  exportação;  •  O  Parecer  é  arbitrário,  vez  que  o  enquadramento legal descrito não foi descumprido pela impugnante; •  A autoridade fiscal, para a lavratura do auto de infração, não provou o  descumprimento da legislação de regência da Cofins, mas resolveu de  forma  arbitrária,  efetuar  o  lançamento  e  cobrar  o  tributo,  da  impugnante, que não tem qualquer responsabilidade pelas obrigações  tributárias  do  fornecedor;  •  O  lançamento  tributário  promovido  não  pode  subsistir,  devendo  ser  declarado nulo,  uma  vez  que  não há  fato  Fl. 5603DF CARF MF Processo nº 11543.002084/2006­07  Resolução nº  3201­001.311  S3­C2T1  Fl. 5.604          4 imponível  a  ser  reconhecido,  pelo  menos  no  que  diz  respeito  à  Impugnante;  • Para comprovar, apresenta cópias das notas fiscais de  compras de pessoas jurídicas, cópias dos comprovantes de pagamento,  comprovação  da  operação  de  industrialização  da  empresa;  •  Requer  seja o Parecer declarado nulo,  juntamente com a pretensão  fiscal em  comento,  com  o  restabelecimento  integral  dos  créditos  tributários  legalmente lançados. Requer a suspensão da exigibilidade dos créditos  tributários  decorrentes  e  que,  em  razão  do  grande  volume  de  notas  fiscais  e  comprovantes  de  pagamentos,  que  estes  permaneçam  à  disposição  da  fiscalização  em  sua  sede,  sendo  anexados,  por  amostragem,  alguns  casos.  Por  fim  requer  o  direito  de  apresentar  outros  documentos,  necessários  ao  deslinde  da  questão,  inclusive  a  diligência fiscal.  Em 20/12/2011, a então 5a Turma da DRJ/RJ2 encaminhou o processo  em diligência, por meio da Resolução nº 185 (fls. 4784/4785) para que  a  Delegacia  de  origem  prestasse  maiores  esclarecimentos  quanto  ás  irregularidades  apuradas  na  apropriação  de  créditos  da  nãocumulatividade  da  COFINS  sobre  as  aquisições  de  café  junto  a  pessoas jurídicas inaptas, inativas ou omissas.  Em  atendimento  ao  solicitado,  foram  anexados  aos  autos  os  documentos  de  fls.  4788/5166  e  o  resultado  do  procedimento  de  diligência  realizado  pelo  SEFIS/DRF/Vitória  consta  do  Termo  de  Enceramento  de  Diligência  em  fls.  5167/5277.  No  referido  Termo,  a  autoridade fiscal registra, em resumo, que:  •  Para  apurar  as  irregularidades  cometidas  no  mercado  de  café  foi  deflagrada  a  operação  fiscal  TEMPO  DE  COLHEITA,  pela  DRF/Vitória, em outubro de 2007, como relatado nos  itens  seguintes,  que  resultou  na  comunicação  de  tais  fatos  ao  Ministério  Público  Federal;  •  Em  01/06/2010,  deflagrouse  a  operação BROCA  parceria  do Ministério Público, Polícia Federal, e Receita Federal, onde foram  cumpridos  mandados  de  busca  e  apreensão  em  74  locais;  •  A  douta  Procuradoria  da  República  no  Município  de  Colatina,  por  meio  do  Ofício  nº  466/2010  PRM/COL/PAG,  de  12  de  agosto  de  2010,  encaminhou  à  RFB  cópia  dos  documentos  oriundos  das  buscas  e  apreensões realizadas pela OPERAÇÃO BROCA, bem como cópia da  DENÚNCIA  oferecida  e  aceita  nos  autos  do  processo  principal  nº  2008.50.05.0005383  (processos  dependentes  nº  2009.50.01.0005193 e  2010.50.05.0001610 e Inquérito Policial nº 541/2008DPF/SR/ES);  •  Com  base  na  denúncia  oferecida,  consta  nos  referidos  autos  depoimento  do  Sr.JULIANO  SALA  PADOVAN,  titular  e  gestor  da  empresa R. ARAÚJO –CAFECOL MERCANTIL  (fornecedora KAFFE  neste processo), prestado à Polícia Federal, onde afirma que algumas  empresas exportadoras  fingem que compram café da R. Araújo  , mas  sabem  que  estão  comprando  diretamente  dos  produtores  rurais;  •  a  motivação da operação Tempo de Colheita foi a flagrante divergência  entre  as  movimentações  financeiras  de  36  pessoas  jurídicas  atacadistas– na ordem de 3 bilhões de Reais nos anos de 2003 a 2006 –  e  os  valores  insignificantes  das  receitas  declaradas;  •  53%  das  empresas  atacadistas  fiscalizadas  foram  criadas  a  partir  de  2002,  e  passaram  a  ter  movimentação  financeira  crescente  e  expressiva  a  partir  de  2003;  •  ao  contrário  dos  tradicionais  atacadistas,  tais  Fl. 5604DF CARF MF Processo nº 11543.002084/2006­07  Resolução nº  3201­001.311  S3­C2T1  Fl. 5.605          5 empresas ocupam salas pequenas e acanhadas, sem qualquer estrutura  física  ou  logística,  nem  dispõem  de  funcionários  para  operar  como  atacadistas. Cita como exemplo a Acádia, Do Grão, L&L e Colúmbia  (fornecedoras da KAFFEE neste processo ou em períodos seguintes);  • O  resultado das  investigações apontou  tratarse de um esquema que  consiste  na  utilização  de  pseudoempresas  atacadistas  para  simular  transações  de  compra  e  venda  de  café  para  empresas  comerciais  exportadoras  e  indústrias,  dando  aparência  de  legalidade  às  operações;  •  a  existência  das  pseudoempresas  e  o  modo  delas  operarem não só é de pleno conhecimento das empresas exportadoras  e  torrefadoras  como  algumas  ditavam  as  regras,  conforme  detectado  no  curso  das  diligências  e  fiscalizações;  •  os  depoimentos  dos  produtores rurais, das mais diversas localidades do ES,  têm o mesmo  teor:  as  notas  fiscais  do  produtor  rural,  preenchidas  pelos  compradores/corretores/maquinistas  ou  a  mando  deles,  têm  como  destinatárias  supostas  “empresas”  TOTALMENTE  DESCONHECIDAS  DOS  DEPOENTES  e  que  não  são  as  reais  adquirentes  do  café.  Transcreve  trechos  de  depoimentos;  •  em  depoimentos  prestados  durante  a  operação  Tempo  de  Colheita,  os  corretores  de  café  foram  unânimes  em  asseverar  que  os  reais  compradores do café  (atacadistas,  exportadores e  indústrias) detêm o  pleno conhecimento da existência do mercado de venda de notas fiscais  realizado por intermédio de diversas pseudoatacadistas de café.  Transcreve  trechos  de  depoimentos;  •  a  fiscalização  resume  os  fatos  apurados  e  depoimentos  colhidos  junto  a  diversas  empresas  fornecedoras  da KAFFEE  (Riocoffe, Montreal, Monte Verde, Acádia,  R.  Araújo,  Do  Norte  Café,  Agar,  Agrosanto,  Celba,  Porto  Velho,  Danúbio,  Arace  Mercantil,  Coffer  Company  e  Cafeeira  Centenário,  Continental  Trading,  Galdino  Tomaz  Ferreira  de  Camargo,  Coipex,  Mourão Forte  e  Femar Café,  São  Jorge  e A.A.  de Paulo, Cometa)  e  junta aos autos Termos de Verificação Fiscal, Termos de Constatação  Fiscal,  depoimentos  e  confirmações  de  negócio  relativos  a  cada  empresa citada; • R. Araújo – Cafecol Mercantil foi baixada pela RFB  por  motivo  “inexistente  de  fato”;  •  Restou  comprovado  que  os  fornecedores  de  café  da  Kaffee,  neste  processo  administrativo,  encontravamse em situação irregular perante a RFB. Alguns já tiveram  sua  INAPTIDÃO  declarada,  por  inexistência  de  fato.  Outros  foram  considerados  “pseudoatacadistas”,  seja  por  diligências  realizadas  pelos Auditores Fiscais,seja pelos inúmeros depoimentos de produtores  rurais, maquinistas, corretores e sócios de empresas de café tomados a  termo  nas  operações  “Tempo  de  Colheita”  e  “Broca”;  •  A  própria  KAFFEE  assumiu  como  sendo  de  sua  titularidade  as  operações  mercantis realizadas pela RIOCOFFE (seu principal  fornecedor entre  2002  e  2006)  desde  2001  até  2004;  •  A  fraude  não  visou  apenas  diminuir  a  carga  tributária  das  empresas  na  comercialização  no  mercado  interno.  Nas  vendas  ao  mercado  externo,  não  sujeitas  à  incidência do PIS/COFINS, a fraude gerou créditos às exportadoras de  9,25%  sobre  o  valor  das  compras,  o  que  representa  um  ganho  financeiro  extraordinário;  •  De  acordo  com  a  análise  das  mudanças  ocorridas em suas aquisições de café ao longo dos anos, praticamente  todas  as  empresas  fornecedoras,  nos  anoscalendário  de  2004/2005,  deixaram de operar.  Fl. 5605DF CARF MF Processo nº 11543.002084/2006­07  Resolução nº  3201­001.311  S3­C2T1  Fl. 5.606          6 Em  contrapartida,  novas  empresas  surgiram,  como  a  Colúmbia,  Do  Grão  e  L &  L,  todas  empresas  fictícias,  ratificando,  neste  sentido,  o  entendimento  de  que  a  Kaffee  foi  conivente  com  o  esquema  de  fornecimento de notas fiscais.  O contribuinte foi cientificado do Termo de Enceramento de Diligência  em 10/12/2012 e apresentou, em 08/01/2013, a Manifestação de fls.  5282/5301, alegando o seguinte:  •  As  operações  Broca  e  Tempo  de  Colheita  não  geraram  nenhum  procedimento  criminal  aos  sócios  da  Kaffee,  eis  que  não  houve  envolvimento  desta  na  prática  das  condutas  repreendidas;  •  Sem  demonstrar  qualquer  envolvimento  direto  da  Kaffee  na  fraude  em  comento,  entendeu  o  ente  fazendário  por  afastar  o  creditamento  dos  valores  de  Cofins  decorrentes  das  operações  de  aquisição;  •  No  momento  das  compras  efetuadas,  as  fornecedoras  estavam  aptas  perante  a  RFB  e  Secretaria  Estadual  da  Fazenda,  tinham  contacorrente  bancária  e  eram  notoriamente  reconhecidas  como  fornecedoras  de  café.  Se  havia  irregularidades,  a  Kaffee  não  tinha  conhecimento;  • Em momento algum a Kaffee  foi citada como autora  ou cúmplice na formação das empresas fornecedoras de café, nem teve  nenhum de seus sócios ou funcionários citados como representantes do  suposto esquema; • Houve erro na identificação do sujeito passivo pelo  agente fiscalizador.  A glosa dos créditos  foi  indevida,  já que motivada pela presunção de  que a Kaffee estaria envolvida em tal esquema fraudulento; • O CARF,  já de longa data vem julgando como inválidos, por nulidade insanável,  os Autos  de  Infração que  contenham erro  na  identificação do  sujeito  passivo;  •  Por  evidente  que  o  Parecer  apresenta  vício  insanável  em  razão  da  ausência  de  prova  cabal  a  ônus  do  Fisco,  que  acabou  por  penalizar  a  Kaffee  com  base  em  simples  presunções;  •  Pelo  método  subtrativo  indireto  adotado  pelas  Leis  10.637/2002  e  10.833/2003,  para  a  concessão  do  crédito  fiscal  não  se  exige  qualquer  vinculação  com o montante recolhido na etapa anterior; • A Lei nada dispõe sobre  impossibilidade  de  concessão  de  crédito  em  relação  à  aquisição  de  bens sujeitos à Cofins, porém não recolhidos pelos fornecedores de tais  bens;  •  A  conduta  da  autoridade  fazendária,  conforme  parecer  Seort  configura verdadeira insegurança jurídica; • As respostas aos quesitos  da  DRJ/RJ2  para  diligência  foram  evasivas  e  genéricas,  sem  apresentação de provas contra a Kaffee e são imprestáveis para fins de  análise  do  direito  creditório;  •  Protesta  pela  produção  de  prova  pericial  contábil  para  demonstrar  que  as  operações  efetivamente  ocorreram  (mediante  prova  do  pagamento  e  do  recebimento  das  mercadorias). Formula quesitos e indica perito.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  julgou  improcedente  a  manifestação de  inconformidade, não  reconhecendo o direito creditório pleiteado, bem como  manteve o lançamento da multa isolada, conforme ementa abaixo transcrita:  "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2006   NULIDADE.  Fl. 5606DF CARF MF Processo nº 11543.002084/2006­07  Resolução nº  3201­001.311  S3­C2T1  Fl. 5.607          7 Não  padece  de  nulidade  o  auto  de  infração,  lavrado  por  autoridade  competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e  a  ampla  defesa,  onde  constam  requisitos  exigidos  nas  normas  pertinentes ao processo administrativo fiscal.  DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSÁRIA. INDEFERIMENTO   Indeferese o pedido de diligência (ou perícia) quando a sua realização  revelese prescindível ou desnecessária para a  formação da convicção  da autoridade julgadora.  MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.  Operamse  os  efeitos  preclusivos  previstos  nas  normas  do  processo  administrativo  fiscal  em  relação  à  matéria  que  não  tenha  sido  expressamente contestada pelo impugnante.  PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ELEMENTOS DE PROVA.  A  prova  deve  ser  apresentada  na  manifestação  de  inconformidade,  precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, por força  do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2006   FRAUDE.  DISSIMULAÇÃO.  DESCONSIDERAÇÃO.  NEGÓCIO  ILÍCITO.  Comprovada  a  existência  de  simulação/dissimulação  por  meio  de  interposta  pessoa,  com  o  fim  exclusivo  de  afastar  o  pagamento  da  contribuição  devida,  é  de  se  glosar  os  créditos  decorrentes  dos  expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos.  IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO SEM PROVAS.  Cabe  ao  contribuinte  no  momento  da  impugnação  trazer  ao  julgado  todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que  alega.  Manifestação de Inconformidade Improcedente.   Direito Creditório Não Reconhecido."  Inconformada  com  a  decisão,  apresentou  a  recorrente,  tempestivamente,  o  presente  recurso  voluntário.  Na  oportunidade,  reiterou  os  argumentos  colacionados  em  sua  manifestação de inconformidade .  Ao  apreciar  a  lide,  esta  Turma  converteu  o  julgamento  em  diligência  em  fls.  5515  para  que  a  fiscalização  discriminasse  e  individualizasse  as  aquisições  de  má­fé  das  aquisições de boa­fé (com o encontro de datas e inaptidões e demais documentos), assim como  para que fosse verificado o processo produtivo do contribuinte.  Em fls. 5572 a fiscalização apresentou seu relatório, em fls. 5591 o contribuinte  contestou o  relatório  fiscal  e a União  se manifestou  em seguida  em  fls.  5595 para  reiterar o  lançamento.  Fl. 5607DF CARF MF Processo nº 11543.002084/2006­07  Resolução nº  3201­001.311  S3­C2T1  Fl. 5.608          8 Relatório proferido.    Voto.    Conselheiro Relator ­ Pedro Rinaldi de Oliveira Lima.  Conforme o Direito Tributário, a  legislação, os  fatos, as provas, documentos e  petições  apresentados  aos  autos  deste  procedimento  administrativo  e,  no  exercício  dos  trabalhos  e  atribuições  profissionais  concedidas  aos  Conselheiros,  conforme  Portaria  de  condução e Regimento Interno, apresenta­se esta Resolução.  Por  conter  matéria  preventa  desta  3.ª  Seção  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário  deve ser conhecido.  Ao analisar o relatório fiscal de fls. 5572, a contestação do contribuinte de fls.  5591 e a Resolução de fls. 5515 proferida por esta Turma de julgamento, é possível concluir  que  a  fiscalização  cumpriu  em  parte  com  a  diligência  determinada  e  argumentou  pela  manutenção  do  lançamento,  conforme  pode  ser  verificado  nos  trechos  do  relatório  fiscal  expostos a seguir:  "(...)  Em  função  de  tudo  que  foi  exposto,  entendemos  ser  irrelevante  as  informações e demonstrativos requeridos às letras “a”, “b”, “c” e “d”  da  solicitação  de  diligência  determinada  na  resolução  desse  Colegiado.  Os atos que as tornaram nessas situações cadastrais foram expedidos  após  a  emissão  das  notas  fiscais  e  do  recebimento  das  mercadorias.  Mas,  os  seus  efeitos,  em  regra,  retrocederam  a  data  da  própria  constituição  da  pessoa  jurídica.  As  notas  fiscais  emitidas  por  essas  pessoas  jurídicas são, portanto,  inidôneas para efeitos  tributários por  serem ideologicamente falsas.  Ainda  nesse  sentido,  as  pseudo­empresas  atacadistas  de  café  que  estavam, no período das operações ilícitas, com situação “ativa” tanto  no  cadastro da Receita Federal  (CNPJ) quanto na Fazenda Estadual  (SINTEGRA), não servem para demonstrar a boa­fé da Recorrente.  (...)  Feitas estas considerações, prescindem de quaisquer esclarecimentos o  item i, iii e iv da presente Resolução do CARF."  A Resolução não trata do mérito e não confronta ou tem o objetivo de ignorar a  junção  de  indícios  e  provas  apresentadas  pela  fiscalização,  mas  sim,  tem  o  objetivo  de  discriminar as pessoas, os fatos, as operações e as conexões destes com a fraude apontada pela  fiscalização. Em palavras populares, a resolução tem o objetivo de identificar e separar, se for o  caso, o "joio do trigo".  Fl. 5608DF CARF MF Processo nº 11543.002084/2006­07  Resolução nº  3201­001.311  S3­C2T1  Fl. 5.609          9 Assim,  as operações devem ser  apuradas  e discriminadas de  forma  clara,  para  que se possa vincular ou desvincular as aquisições do lançamento.  Como  esclarecido  pela  ilustre  ex­colega  de  Turma,  conselheira  Ana  Clarissa  Mazuko  dos  Santos,  existem  indícios  de  que  o  contribuinte  recebeu,  pagou  e  comprovou  as  operações e isto justifica a busca da verdade material.  Dessa forma, com a consciência de que as alegações do contribuinte podem ser  consideradas procedentes diante de uma nova negativa da diligência, reitera­se a conversão do  julgamento em diligência, nos seguintes moldes da Resolução proferida por este Conselho em  fls. 5515:  "Sensível,  inicialmente,  a  essas  questões  postas,  a  Delegacia  de  Julgamento,  antes  de  proferir  a  decisão  recorrida,  determinou  a  conversão do  julgamento em diligência, para que fossem esclarecidos  os seguintes pontos:  a  ­ os  fornecedores de café ao interessado, encontram­se  localizados,  efetivamente,  no  endereço  informado  à  Receita  Federal  do  Brasil  (RFB),  constante  do  cadastro  do  CNPJ,  e  além  disso,  se  possuem  patrimônio  e  capacidade  operacional  necessários  à  realização  do  objeto  que  se  refere  à  venda  de  café,  esclarecendose  a  suposta  utilização  de  empresas  “laranjas”  pelo  interessado  como  “intermediárias fictícias na compra de café dos produtores”, tal como  consta às fls. 5820/5821;   b  ­  os  fornecedores acima  referidos  se  tratam, porventura, de pessoa  jurídica inexistente de fato”, em qualquer uma das situações aludidas  no art. 37 da IN SRF nº 200, de 13/09/2002, vigente à ocasião em que  ocorridos  os  fatos  geradores  do  PIS  tratados  no  presente  processo  administrativo,  e  que  já  se  encontra  atualmente  revogada,  encontrandose hoje em vigor a IN RFB nº 1.005, de 08/02/2010 (art.28,  II);  c  ­  os  fornecedores  ora  em  comento  possuem  escrituração  contábil  fiscal  hábil  e  idônea,  e  registraram  na  sua  contabilidade  as  vendas  (faturamento)  de  café  ao  interessado  para  os  períodos  mensais  de  apuração do PIS tratados no presente processo;   d  ­  há  instrumentos  particulares  (contratos)  hábeis  e  idôneos,  com  reciprocidade de direitos e obrigações, firmados entre o interessado e  seus fornecedores para a venda de café destes ao primeiro.  O  Termo  de  Diligência  trouxe  um  apanhado  assistemático  de  informações selecionadas e  trasladadas do inquérito policial, que não  responderam, de forma objetiva e pontual, o quanto questionado pela  Delegacia  de  Julgamento,  em  cada  um  dos  itens  propostos  na  diligência.  Com  relação  à  empresa  Riocoffee,  há  anexo  específico  nos  autos,  demonstrando  que  seria  uma  empresa  de  fachada,  criada  para  operações  da  Recorrente  e  outro  cafeicultor,  tendo  sido  aberto  procedimento  de  fiscalização  específico,  que,  culminou,  sem  que  houvesse  manifestação  em  contrário,  em  tipificação  da  conduta  Fl. 5609DF CARF MF Processo nº 11543.002084/2006­07  Resolução nº  3201­001.311  S3­C2T1  Fl. 5.610          10 imputada.  Contudo,  em  relação  às  demais  intermediárias,  não  se  verifica o mesmo trabalho da fiscalização.  Assim  sendo,  e  no  contexto  das  ponderações  acima  formuladas,  proponho a conversão do julgamento em diligência, para que:  i. sejam respondidos e acostados aos autos os documentos solicitados,  em cada um dos quatro itens propostos na resolução da Delegacia de  Julgamento,  acima  transcritos,  para  cada  uma  das  empresas  mencionadas  no  relatório  da  diligência  (exceto  Riocoffee),  quais  sejam:        Fl. 5610DF CARF MF Processo nº 11543.002084/2006­07  Resolução nº  3201­001.311  S3­C2T1  Fl. 5.611          11   ii.  se  verifique  se  todos  os  créditos  glosados  originaram­se  de  operações  com  as  empresas  acima  arroladas,  ou  se  houve  glosas  relativas a empresas que não constam do relatório de diligência;  iii.  apontar  a  inidoneidade  das  notas  fiscais  e  comprovantes  de  pagamentos,  por  amostragem,  de  cada  um  dos  fornecedores  em  referência;   iv. se verifique se à época das operações que geraram os créditos, as  empresas  intermediárias  estavam  com  situação  cadastral  irregular/inaptas, nos termos da legislação vigente à época;"  A fiscalização deve apresentar, em seu relatório de diligência, uma planilha que  contenha e confronte as datas das operações, datas e informações das notas fiscais, identifique  as empresas e as datas de suas inaptidões.  Diante do exposto, vota­se para que o julgamento seja convertido em diligência.  Resolução proferida.  (assinado digitalmente)  Conselheiro Relator ­ Pedro Rinaldi de Oliveira Lima.  Fl. 5611DF CARF MF

score : 1.0
7280761 #
Numero do processo: 10880.923968/2008-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/01/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. Cabe à Recorrente o ônus de provar o direito creditório alegado perante a Administração Tributária, em especial no caso de pedido de restituição decorrente de contribuição recolhida a maior. DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. A mera retificação de DCTF não se constitui em elemento de prova hábil e suficiente para comprovar a certeza e liquidez do direito creditório decorrente de suposto pagamento e declaração a maior de contribuição. Inexistindo nos autos outros elementos de provas, não há que se falar em pagamento indevido. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.216
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado Digitalmente) WALDIR NAVARRO BEZERRA - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Vinícius Guimarães (Conselheiro Suplente Convocado) e Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201804

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/01/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. Cabe à Recorrente o ônus de provar o direito creditório alegado perante a Administração Tributária, em especial no caso de pedido de restituição decorrente de contribuição recolhida a maior. DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. A mera retificação de DCTF não se constitui em elemento de prova hábil e suficiente para comprovar a certeza e liquidez do direito creditório decorrente de suposto pagamento e declaração a maior de contribuição. Inexistindo nos autos outros elementos de provas, não há que se falar em pagamento indevido. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 10880.923968/2008-67

anomes_publicacao_s : 201805

conteudo_id_s : 5861838

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 3402-005.216

nome_arquivo_s : Decisao_10880923968200867.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA

nome_arquivo_pdf_s : 10880923968200867_5861838.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado Digitalmente) WALDIR NAVARRO BEZERRA - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Vinícius Guimarães (Conselheiro Suplente Convocado) e Pedro Sousa Bispo.

dt_sessao_tdt : Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018

id : 7280761

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:18:09 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713050308824793088

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1557; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T2  Fl. 2          1 1  S3­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10880.923968/2008­67  Recurso nº  1   Voluntário  Acórdão nº  3402­005.216  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  18 de abril de 2018  Matéria  COFINS ­ COMPENSAÇÃO  Recorrente  JS DISTRIBUIDORA DE PECAS S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Data do fato gerador: 15/01/2003  PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO.  Cabe  à  Recorrente  o  ônus  de  provar  o  direito  creditório  alegado  perante  a  Administração  Tributária,  em  especial  no  caso  de  pedido  de  restituição  decorrente de contribuição recolhida a maior.  DCOMP.  DÉBITO  CONFESSADO  EM  DCTF.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO INDEVIDO.  A mera retificação de DCTF não se constitui em elemento de prova hábil e  suficiente para comprovar a certeza e liquidez do direito creditório decorrente  de suposto pagamento e declaração a maior de contribuição. Inexistindo nos  autos  outros  elementos  de  provas,  não  há  que  se  falar  em  pagamento  indevido.  Recurso Voluntário Negado.  Direito Creditório Não Reconhecido.      Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário.   (Assinado Digitalmente)  WALDIR NAVARRO BEZERRA ­ Presidente e Relator     Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Waldir  Navarro  Bezerra  (presidente  da  turma),  Maria  Aparecida  Martins  de  Paula,  Carlos  Augusto  Daniel     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 39 68 /2 00 8- 67 Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10880.923968/2008­67  Acórdão n.º 3402­005.216  S3­C4T2  Fl. 3          2 Neto, Maysa  de  Sá  Pittondo Deligne,  Thais  de  Laurentiis  Galkowicz,  Diego  Diniz  Ribeiro,  Vinícius Guimarães (Conselheiro Suplente Convocado) e Pedro Sousa Bispo.    Relatório  Trata  o  presente  processo  de  Declaração  de  Compensação  apresentada  em  meio  eletrônico  na  qual  o  contribuinte  pretende  quitar  os  débitos  declarados  com  supostos  créditos oriundos de recolhimento a maior.  A  unidade  de  origem  não  homologou  a  compensação  pretendida  face  a  inexistência  do  crédito  declarado,  uma  vez  que  o  pagamento  informado  como  indevido,  encontrava­se  integralmente  utilizado  para  quitação  dos  débitos  do  sujeito  passivo,  não  restando saldo disponível para a compensação.  Cientificado  desta  decisão,  o  contribuinte  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade, acompanhada de documentos que entendem amparam seu pleito, onde alega,  resumidamente,  que  houve  recolhimento  a  maior;  que  a  DCTF  que  serviu  de  base  para  a  expedição do Despacho Decisório encontrava­se incorreta, e que já fora devidamente retificada  (posteriormente à decisão), e requer assim que seja acolhido seu pedido.  Através  do  Acórdão  nº  16­031.854,  a  DRJ­SÃO  PAULO  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  apresentada.  Entendeu  o  colegiado  que  a  apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório, somente pode ser aceita quando  acompanhada  de  documentação  idônea  que  demonstre  a  alteração  pretendida,  o  que  não  ocorreu no caso em apreço.  Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso  voluntário pleiteando a reforma do acórdão.  Neste  Recurso,  a  Empresa  repisou  os mesmos  argumentos  apresentados  na  sua Manifestação de Inconformidade.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Waldir Navarro Bezerra  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo  II do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343,  de  09  de  junho  de  2015.  Portanto,  ao  presente  litígio  aplica­se  o  decidido  no Acórdão  3402­005.213,  de  18  de  abril  de  2018,  proferido  no  julgamento  do  processo  10880.915296/2008­16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10880.923968/2008­67  Acórdão n.º 3402­005.216  S3­C4T2  Fl. 4          3 Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402­005.213):  "O Recurso Voluntário é  tempestivo e atende aos demais  requisitos  de  admissibilidade,  razão  pela  qual  dele  se  deve  conhecer.  A lide trata de direito creditório da Recorrente decorrente  de suposto pagamento de Darf a maior de COFINS ocorrido em  15/01/2003.  Visando  utilizar  o  suposto  crédito,  a  Recorrente  apresentou  Declaração  de  Compensação  (PER/DCOMP  nº 12664.38683.150404.1.3.04­8540)  que  foi  indeferida  pela  Autoridade Tributária sob o argumento de que inexistia crédito,  o que impediu a homologação da compensação.  Em  seu  Recurso,  a  Empresa  alega  que  cometeu  erro  de  fato ao preencher  incorretamente a DCTF com valor maior ao  efetivamente  devido.  A  fim  de  comprovar  o  seu  direito,  juntou  aos autos apenas a DCTF retificadora entregue após a ciência  do Despacho Decisório denegatório.  É  entendimento  pacificado  neste  Colegiado  que  cabe  à  Recorrente o ônus de provar o direito creditório alegado perante  a Administração Tributária, conforme consignado no Código de  Processo Civil  (Lei  nº5.869/73),  vigente  à  época,  e  adotado de  forma subsidiária na esfera administrativa tributária:  Art. 333. O ônus da prova incumbe:  I­ ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;  A  obrigação  de  provar  o  seu  direito  decorre  do  fato  de  que a iniciativa para o pedido de restituição ser do contribuinte,  cabendo à fiscalização a verificação da certeza e liquidez de tal  pedido,  por  meio  da  realização  de  diligências,  se  entender  necessárias,  e  análise  da  documentação  comprobatória  apresentada.  O  art.  65  da  revogada  IN  RFB  nº  900/2008  esclarecia:  Art.  65.  A  autoridade  da  RFB  competente  para  decidir  sobre  a  restituição,  o  ressarcimento,  o  reembolso  e  a  compensação  poderá  condicionar  o  reconhecimento  do  direito  creditório  à  apresentação  de  documentos  comprobatórios  do  referido  direito,  inclusive  arquivos  magnéticos,  bem  como  determinar  a  realização  de  diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a  fim  de  que  seja  verificada,  mediante  exame  de  sua  escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações  prestadas.  Nesse sentido, a Autoridade Tributária realizou de forma  eletrônica  a  análise  dos  elementos  apresentados  e  concluiu,  também  de  forma  eletrônica,  pela  inexistência  de  direito  creditório  do  contribuinte  no  período  referido,  haja  vista  que  todo  o  montante  do  pagamento  se  encontrava  alocado  com  débito declarado em DCTF.  Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10880.923968/2008­67  Acórdão n.º 3402­005.216  S3­C4T2  Fl. 5          4 No  presente  Recurso,  a  Empresa  alega  que  houve  pagamento  a  maior  de  R$  9.314,25  relativo  a  COFINS  no  período  de  31/12/2002  e  erro  no  preenchimento  da  DCTF  no  mesmo  montante.  Informa  ainda  que  corrigiu  o  referido  erro  realizando a retificação da sua DCTF, após ciência do despacho  decisório,  restando o  seu  pagamento  a maior  como disponível.  Portanto, como meio de prova do seu direito, apresentou apenas  cópia da DCTF retificadora.  Constata­se no caso concreto que a empresa não cumpriu  com a sua obrigação de comprovar o direito creditório por meio  de documentação hábil e suficiente. Apenas a DCTF retificadora  não é suficiente para comprovar a certeza e liquidez do crédito  em questão. A Recorrente, a fim demonstrar a disponibilidade do  valor  supostamente  pago  a  maior,  deveria  ter  apresentado  demonstrativo  de  apuração  da  COFINS  devido  no  mês  em  confronto aos valores declarados/pagos e cópias da escrituração  contábil/fiscal  que  demonstrassem  de  forma  inequívoca  a  exatidão dos valores utilizados e apuração da contribuição, nos  termos do art.16 do Decreto nº70.235/72. Porém, nada disso foi  feito pela Recorrente.   Assim,  a mera  retificação da DCTF  não  se  constitui  em  elemento de prova hábil e suficiente para comprovar a certeza e  liquidez  do  direito  creditório  em  comento,  estando  correta  a  decisão  da  Autoridade  Tributária  na  direção  da  não  homologação da compensação.  Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  negar  provimento  ao Recurso Voluntário."  Importa  registrar  que  nos  autos  ora  em  apreço,  a  situação  fática  e  jurídica  encontra correspondência com a verificada no paradigma, de  tal  sorte que o entendimento  lá  esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  anexo  II  do  RICARF,  o  colegiado  negou  provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra                               Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10880.923968/2008­67  Acórdão n.º 3402­005.216  S3­C4T2  Fl. 6          5   Fl. 133DF CARF MF

score : 1.0
7320662 #
Numero do processo: 10980.004467/2005-17
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1996 a 31/01/1996 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRAZO REPETIÇÃO DE INDÉBITO. ANTES DA VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/05. 10 ANOS. APLICAÇÃO DO RE 566.621/RS E DA SÚMULA CARF Nº 91. O prazo para o sujeito passivo pedir a repetição de indébito antes da vigência da Lei Complementar nº 118/05 é de 10 anos. Aplicação do decidido pelo STF no RE 566.621/RS, sob a sistemática do art. 543-B da Lei nº 5.869/73, e do disposto na Súmula CARF nº 91. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3002-000.160
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com retorno dos autos à unidade de origem para apreciar a liquidez e a certeza do direito creditório. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201805

ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1996 a 31/01/1996 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRAZO REPETIÇÃO DE INDÉBITO. ANTES DA VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/05. 10 ANOS. APLICAÇÃO DO RE 566.621/RS E DA SÚMULA CARF Nº 91. O prazo para o sujeito passivo pedir a repetição de indébito antes da vigência da Lei Complementar nº 118/05 é de 10 anos. Aplicação do decidido pelo STF no RE 566.621/RS, sob a sistemática do art. 543-B da Lei nº 5.869/73, e do disposto na Súmula CARF nº 91. Recurso Voluntário Provido em Parte.

turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 10980.004467/2005-17

anomes_publicacao_s : 201806

conteudo_id_s : 5869319

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 3002-000.160

nome_arquivo_s : Decisao_10980004467200517.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES

nome_arquivo_pdf_s : 10980004467200517_5869319.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com retorno dos autos à unidade de origem para apreciar a liquidez e a certeza do direito creditório. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves.

dt_sessao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2018

id : 7320662

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:19:55 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713050308827938816

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1440; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C0T2  Fl. 47          1 46  S3­C0T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10980.004467/2005­17  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3002­000.160  –  Turma Extraordinária / 2ª Turma   Sessão de  15 de maio de 2018  Matéria  DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO ­ PIS  Recorrente  PLANIFICADORA E INSTALADORA DE MÁQUINAS P/ INDÚSTRIA  LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/01/1996 a 31/01/1996  PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRAZO REPETIÇÃO DE  INDÉBITO.  ANTES  DA  VIGÊNCIA  DA  LEI  COMPLEMENTAR  Nº  118/05.  10  ANOS.  APLICAÇÃO  DO  RE  566.621/RS  E  DA  SÚMULA  CARF Nº 91.  O prazo para o sujeito passivo pedir a repetição de indébito antes da vigência  da  Lei Complementar  nº  118/05  é  de  10  anos. Aplicação  do  decidido  pelo  STF no RE 566.621/RS, sob a sistemática do art. 543­B da Lei nº 5.869/73, e  do disposto na Súmula CARF nº 91.  Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento  parcial  ao Recurso Voluntário,  com  retorno  dos  autos  à unidade  de origem para  apreciar a liquidez e a certeza do direito creditório.    (assinado digitalmente)  Larissa Nunes Girard ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Carlos Alberto da Silva Esteves ­ Relator.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 44 67 /2 00 5- 17 Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10980.004467/2005­17  Acórdão n.º 3002­000.160  S3­C0T2  Fl. 48          2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard  (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da  Silva Esteves.    Relatório  O processo  administrativo  ora  em  análise  trata  de Pedido  de Compensação  (fl. 02/04), formulado em 13/05/2005, no qual o sujeito passivo intentou utilizar­se de crédito  referente  a  contribuição  para  o  PIS  supostamente  recolhidos  a  maior,  período  de  apuração  janeiro/1996,  em  decorrência  da  inconstitucionalidade  dos  Decretos­Lei  nº  2.445/88  e  2.449/88.  A  compensação  declarada  não  foi  homologada  pela  Delegacia  da  Receita  Federal em Curitiba, conforme Despacho Decisório (fl. 11/12).   Após  ser  intimada  da  decisão  em  20/05/2005,  a  ora  recorrente  apresentou  tempestivamente  Manifestação  de  Inconformidade  (fl.  18/25),  na  qual  argumentou  sobre  a  origem do direito creditório, a inconstitucionalidade dos Decretos­Lei nº 2.445/88 e 2.448/88,  os  efeitos  da  Resolução  do  Senado  Federal  nº  49,  a  MP  1.212/95  e  a  aplicação  do  prazo  prescricional de 10 anos para a restituição dos valores pagos a maior. Assim como, apresentou  decisões judiciais sobre os temas citados.  A recorrente asseverou, ainda, que faz jus a restituição da diferença resultante  da apuração do PIS nos moldes dos Decretos­Lei nº 2.445/88 e 2.448/88 e aquela devida pela  apuração  da  contribuição  nos  moldes  da  Lei  Complementar  nº  7/70.  Por  fim,  requereu  a  reforma da decisão e a homologação da compensação.  Analisando as argumentações da contribuinte, a Delegacia da Receita Federal  do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (DRJ/RJOII) julgou improcedente a Manifestação  de Inconformidade, por decisão que possui a seguinte ementa:    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP   Período de apuração: 01/01/1996 a 31/01/1996   PRAZO DECADENCIAL PARA  REPETIÇÃO DE  INDÉBITO  ­  TERMO INICIAL   0 prazo para que o  contribuinte possa pleitear a  restituição de  tributo ou  contribuição pago  indevidamente ou em valor maior  que o devido, mesmo que o pagamento tenha sido efetuado com  base  em  lei  posteriormente  declarada  inconstitucional  pelo  Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso  extraordinário,  extingue­se  após  o  transcurso  do  prazo  de  5  (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário,  inclusive  na  hipótese  de  tributos  lançados  por  homologação,  conforme preceitua o art 150, § 1° do CTN.  Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10980.004467/2005­17  Acórdão n.º 3002­000.160  S3­C0T2  Fl. 49          3 Compensação não Homologada    Em seqüência, após ser cientificada dessa decisão, a contribuinte apresentou  Recurso Voluntário (39/45), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido e a homologação  da compensação, repisando e reforçando argumentos jurídicos já apresentados e acrescentando  nova jurisprudência.    É o relatório, em síntese.    Voto             Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves ­ Relator  O  direito  creditório  envolvido  no  presente  processo  encontra­se  dentro  do  limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23­B do RICARF.  O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  preenche  os  requisitos  formais  de  admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento.  No presente processo, a questão a  ser decidida consiste em determinar se o  direito a postular a repetição do indébito de PIS, referente ao período de apuração janeiro de  1996,  foi  fulminado pelo  prazo  decadencial  ou,  dito  de outra  forma,  se  o  crédito  a  favor  da  recorrente foi alcançado pela prescrição. Esse é o cerne da controvérsia, tendo em vista que foi  a  principal  motivação  para  o  indeferimento  do  pedido  da  recorrente,  conforme  resta  evidenciado no seguinte excerto do Despacho Decisório:    "Por outro lado, ainda que o crédito existisse, mas considerando  que desde a data do pagamento até a data da protocolização da  DCOMP  já  havia  decorrido mais  de  cinco  anos,  temos  que  o  direito ao crédito também já estaria decaído, a teor do item I do  Ato Declaratório SRF n° 96, de 26/11/99, a seguir transcrito, c/c  art. 3° da Lei Complementar n° 118/200" (grifo nosso)    Da  mesma  maneira,  a  instância  a  quo  também  lastreou  sua  decisão  nesse  sentido. Reproduz­se trecho do voto condutor do Acórdão recorrido:    "Dessa  forma,  por  expressa  disposição  legal,  o  pagamento  antecipado,  portanto,  extingue  o  crédito  tributário  e  é  esta  a  data do termo inicial de contagem do prazo de cinco anos para  se fulminar o direito de pleitear a restituição. Verifica­se que a  Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10980.004467/2005­17  Acórdão n.º 3002­000.160  S3­C0T2  Fl. 50          4 Declaração  de Compensação  foi  protocolizada  em  13/05/2005,  portanto,  decorridos  mais  de  cinco  anos  do  pagamento  do  PIS/PASEP,  cuja  restituição  é  ora  pleiteada.  Assim,  não  cabe  reparo o despacho decisório da autoridade local que indeferiu o  reconhecimento do 'crédito." (grifo nosso)    Sobre  o  assunto,  o  Supremo  Tribunal  Federal  já  se  pronunciou,  em  repercussão geral, RE 556.621/RS, Relatora Ministra Ellen Gracie, no sentido de  reconhecer  que o prazo decadencial de cinco anos para o exercício do direito a reaver indébitos tributários,  imposto  pela  Lei  Complementar  nº  118/05,  deve  ser  aplicável  às  ações  ajuizadas  após  o  decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, para ações ajuizadas a partir de 09/06/2005:    DIREITO  TRIBUTÁRIO  –  LEI  INTERPRETATIVA  –  APLICAÇÃO  RETROATIVA  DA  LEI  COMPLEMENTAR  Nº  118/2005  –  DESCABIMENTO  –  VIOLAÇÃO  À  SEGURANÇA  JURÍDICA  –  NECESSIDADE  DE  OBSERVÂNCIA  DA  VACACIO  LEGIS  –  APLICAÇÃO  DO  PRAZO  REDUZIDO  PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS  PROCESSOS  AJUIZADOS  A  PARTIR  DE  9  DE  JUNHO  DE  2005. Quando do  advento  da LC 118/05,  estava consolidada a  orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  o  prazo  para  repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados  do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos  arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora  tenha  se  auto­proclamado  interpretativa,  implicou  inovação  normativa,  tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato  gerador  para  5  anos  contados  do  pagamento  indevido.  Lei  supostamente  interpretativa  que,  em  verdade,  inova  no  mundo  jurídico  deve  ser  considerada  como  lei  nova.  Inocorrência  de  violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a  lei  expressamente  interpretativa  também  se  submete,  como  qualquer  outra,  ao  controle  judicial  quanto  à  sua  natureza,  validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido  prazo  para  a  repetição  ou  compensação  de  indébito  tributário  estipulado  por  lei  nova,  fulminando,  de  imediato,  pretensões  deduzidas  tempestivamente à  luz do prazo então aplicável, bem  como  a  aplicação  imediata  às  pretensões  pendentes  de  ajuizamento  quando  da  publicação  da  lei,  sem  resguardo  de  nenhuma  regra  de  transição,  implicam  ofensa  ao  princípio  da  segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança  e  de  garantia  do  acesso  à  Justiça.  Afastando­se  as  aplicações  inconstitucionais  e  resguardando­se,  no  mais,  a  eficácia  da  norma, permite­se a aplicação do prazo reduzido relativamente  às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento  consolidado  por  esta  Corte  no  enunciado  445  da  Súmula  do  Tribunal.  O  prazo  de  vacatio  legis  de  120  dias  permitiu  aos  contribuintes não apenas que  tomassem ciência do novo prazo,  mas  também  que  ajuizassem  as  ações  necessárias  à  tutela  dos  seus  direitos.  Inaplicabilidade  do  art.  2.028  do  Código  Civil,  Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.004467/2005­17  Acórdão n.º 3002­000.160  S3­C0T2  Fl. 51          5 pois,  não  havendo  lacuna  na  LC  118/05,  que  pretendeu  a  aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida  sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral,  tampouco  impede  iniciativa  legislativa  em  contrário.  Reconhecida  a  inconstitucionalidade  art.  4º,  segunda  parte,  da  LC 118/05, considerando­se válida a aplicação do novo prazo de  5 anos tão­somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio  legis  de  120  dias,  ou  seja,  a  partir  de  9  de  junho  de  2005.  Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados.  Recurso extraordinário desprovido.    A  determinação  do  STF  expressa  no  julgamento  citado  é  de  aplicação  vinculante,  de  acordo  o  §  2º  do  art.  62,  Anexo  II,  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF:    § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo  Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  dos  arts.  543­B  e  543­C  da  Lei  nº  5.869,  de  1973,  ou  dos  arts.  1.036  a  1.041  da  Lei  nº  13.105,  de  2015  ­  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas pelos conselheiros no  julgamento dos recursos no  âmbito do CARF.  (Redação dada pela Portaria MF nº  152,  de  2016)    Ademais,  o  entendimento  manifestado  pela  suprema  corte  também  foi  reproduzido na Súmula CARF nº 91:    Súmula  CARF  nº  91:  Ao  pedido  de  restituição  pleiteado  administrativamente  antes  de  9  de  junho  de  2005,  no  caso  de  tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica­se o prazo  prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.    No presente caso, o  suposto  crédito  consignado no pedido de  compensação  refere­se a pagamento efetuado a maior em 14/02/1996, concernente a Fato Gerador de janeiro  de  1996,  logo,  o  sujeito  passivo  poderia  ter  protocolado  o  pedido  até  08  de  junho  de  2005.  Assim, tendo o pedido sido realizado em 13/05/2005, não há que se falar em extinção do prazo.  Por outro lado, como já dito, a principal motivação para a unidade de origem  indeferir o pedido foi a pretensa decadência do direito à repetição do indébito, por conseguinte,  toda a discussão contenciosa posterior se ateve somente à prejudicial de mérito, não adentrando  na apreciação da liquidez e certeza do direito creditório.   Desse modo,  superada  a  prejudicial,  devem  os  autos  retornar  à  unidade  de  origem para apreciar a liquidez e certeza do direito creditório oriundo da diferença a maior no  Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.004467/2005­17  Acórdão n.º 3002­000.160  S3­C0T2  Fl. 52          6 recolhimento  da  contribuição,  gerada  pela  adoção  da  sistemática  de  apuração  determinada  pelos Decretos­Lei nº 2.445/88 e 2.448/88, declarados inconstitucionais, e o realmente devido,  apurado pela sistemática da Lei Complementar nº 7/70, para tanto, analisando os documentos  acostados ao processo, assim como outros, que entenda necessários.  Assim  sendo,  por  todo  o  exposto,  voto  no  sentido  de  conhecer  e  dar  provimento  parcial  ao  recurso  e  determinar  o  retorno  dos  autos  à  unidade  de  origem  para  apreciar a liquidez e a certeza do direito creditório.    (assinado digitalmente)  Carlos Alberto da Silva Esteves                            Fl. 52DF CARF MF

score : 1.0
7339534 #
Numero do processo: 13884.901378/2008-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-004.943
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201805

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 13884.901378/2008-31

anomes_publicacao_s : 201806

conteudo_id_s : 5872595

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 3401-004.943

nome_arquivo_s : Decisao_13884901378200831.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN

nome_arquivo_pdf_s : 13884901378200831_5872595.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).

dt_sessao_tdt : Mon May 21 00:00:00 UTC 2018

id : 7339534

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:20:56 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713050308837376000

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1624; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T1  Fl. 2          1 1  S3­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13884.901378/2008­31  Recurso nº  1   Voluntário  Acórdão nº  3401­004.943  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  21 de maio de 2018  Matéria  Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social ­ Cofins  Recorrente  LOJA DO PINTOR TINTAS E MATERIAIS PARA CONSTRUCAO LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000  PEDIDOS  DE  COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO.  ÔNUS  PROBATÓRIO DO POSTULANTE.  Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a  comprovação  do  direito  creditório  recai  sobre  aquele  a  quem  aproveita  o  reconhecimento  do  fato,  que deve  apresentar  elementos  probatórios  aptos  a  comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir  deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.  PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.  A  carência  probatória  inviabiliza  o  reconhecimento  do  direito  creditório  pleiteado.      Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso.  (assinado digitalmente)  Rosaldo Trevisan ­ Presidente e Relator  Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros  Robson  Jose  Bayerl,  Tiago  Guerra  Machado,  Mara  Cristina  Sifuentes,  André  Henrique  Lemos,  Lázaro  Antonio  Souza Soares, Cássio Schappo,  Leonardo Ogassawara  de Araujo Branco  (Vice­Presidente)  e  Rosaldo Trevisan (Presidente).     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 13 78 /2 00 8- 31 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13884.901378/2008­31  Acórdão n.º 3401­004.943  S3­C4T1  Fl. 3          2     Relatório  Trata­se  de  declaração  de  compensação,  realizada  com  base  em  suposto  crédito de contribuição social originário de pagamento indevido ou a maior.  A  DRF  de  origem  emitiu  Despacho  Decisório  Eletrônico  de  não  homologação da compensação, em razão da inexistência de crédito disponível.  Cientificada desse despacho, a manifestante protocolou sua manifestação de  inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que:  ­  recolheu  aos  cofres  públicos  tributos  superiores  aos  efetivamente  devidos,  pois  não  considerou  os  termos  do  parágrafo  2°,  do  inciso  III,  do  artigo  3°,  da  Lei  no  9.718/98,  quando apurou as bases de cálculos das contribuições;  ­  o  único  fundamento  para  a  glosa  das  compensações  é  uma  pretensa inexistência de crédito;  ­ não  foi  sequer  solicitado ao contribuinte qualquer documento  capaz de comprovar ou não o crédito;  ­  tivesse  a  autoridade  intimado  o  contribuinte,  teria  acesso  As  planilhas  de  apuração,  podendo  verificar  a  regularidade  do  encontro de contas efetuado;  ­ pelas razões alegadas, deve ser anulado o despacho decisório,  determinando que a autoridade efetue as diligências necessárias  para  comprovar  a  origem  e  existência  do  crédito  utilizado,  alternativamente,  requer  que  seja  logo  homologada  a  compensação.  Ao  final  pede  deferimento  da  presente  manifestação  de  inconformidade" ­.  A Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) proferiu o  Acórdão  DRJ  nº  05­30.611,  em  que  se  decidiu,  por  unanimidade  de  votos,  julgar  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade,  sob  o  fundamento  de  que  "os  valores  faturados,  ainda  que  repassados  a  terceiros,  compõem  a  base  tributável  da  contribuição  social, em face da inexistência de permissivo legal para sua exclusão".  Devidamente notificada desta decisão, a recorrente interpôs tempestivamente  o recurso voluntário ora em apreço, no qual reitera as razões vertidas em sua impugnação.  É o relatório.  Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13884.901378/2008­31  Acórdão n.º 3401­004.943  S3­C4T1  Fl. 4          3 Voto             Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo  II do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343,  de  09  de  junho  de  2015.  Portanto,  ao  presente  litígio  aplica­se  o  decidido  no Acórdão  3401­004.923,  de  21  de  maio  de  2018,  proferido  no  julgamento  do  processo  13884.900342/2008­31, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401­004.923):  "O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  preenche  os  requisitos  formais  de  admissibilidade  e,  portanto,  dele  tomo  conhecimento.  Reproduz­se,  abaixo,  a  decisão  recorrida  proferida  pelo  julgador de primeiro piso:  Conforme  relatado,  a  não  homologação  da  DCOMP  em  tela  decorreu  do  fato  de  estar  o  Darf  informado  na  DCOMP  integralmente  utilizado  para  a  quitação  de  débitos da contribuinte.  No  caso,  a  contribuinte  transmitiu  sua  DCOMP  compensando  débito  com  suposto  crédito  de  contribuição social decorrente de pagamento indevido  ou a maior, apontando um documento de arrecadação  como origem desse crédito.  Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos  dados  informados  pela  contribuinte  na  DCOMP  foi  realizada  também  de  forma  eletrônica,  cotejando­os  com os demais por ela informados A. Receita Federal em  outras  declarações  (DCTFs,  DIPJ,  etc),  bem  como  com  outras  bases  de  dados  desse  órgão  (pagamentos,  etc),  tendo resultado no Despacho Decisório em discussão.  O  ato  combatido  aponta  como  causa  da  não  homologação  o  fato  de  que,  embora  localizado  o  pagamento  apontado  na  DCOMP  como  origem  do  crédito,  o  valor  correspondente  fora  utilizado  para  a  extinção anterior de débito de Cofins da interessada.  Assim, o exame das declarações prestadas pela própria  interessada  Administração  Tributária  revela  que  o  crédito  utilizado  na  compensação  declarada  não  existia.  Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13884.901378/2008­31  Acórdão n.º 3401­004.943  S3­C4T1  Fl. 5          4 Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não  havia  crédito  liquido  e  certo)  para  suportar  uma  nova  extinção, desta vez por meio de compensação. Dai a não  homologação,  não  havendo  qualquer  nulidade  nesse  procedimento.  Sobre  o  motivo  da  não  homologação,  como  já  antes  explicitado  neste  voto,  revela­se  procedente,  pois,  de  acordo  com  as  próprias  informações  prestadas  pela  contribuinte  Receita  Federal,  o  direito  creditório  apontado na DCOMP era inexistente.  Não  obstante,  agora,  em  sede  de  manifestação  de  inconformidade,  pretende  a  contribuinte  demonstrar  que  seus  débitos  de  contribuição  social  antes  declarados  e  pagos  são  indevidos,  pois  não  havia  considerado, quando da apuração da base de cálculos das  contribuições, o disposto no parágrafo 2°, do inciso III, do  artigo 3°, da Lei n° 9.718/1998.  Em  termos  legais,  significa  ver  excluídos  da  receita  bruta  os  valores  que,  computados  como  receita,  tenham  sido  transferidos  para  terceiros,  observadas  normas  regulamentadoras  expedidas  pelo  Poder  Executivo.  Neste ponto,  faz­se necessário destacar que, por  força de  sua  vinculação  aos  atos  legais,  assim  como  àqueles  emanados  por  autoridades  que  lhe  são  hierarquicamente  superiores, este colegiado está adstrito à interpretação que  a própria administração pública dá legislação tributária.  110 A Secretaria  da Receita Federal  do Brasil,  por meio  do Ato Declaratório SRF n°56, de 20 de julho de 2000, já  se posicionou a respeito da situação em exame:  Ato Declaratório SRF n° 56, de 2000:  O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de  suas  atribuições,  e  considerando  ser  a  regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no  inciso III do art. 20 do art. 3° da Lei no 9.718, de 27  de  novembro  de  1998,  condição  resolutória  para  sua  eficácia;  Considerando  que  o  referido  dispositivo  legal  foi  revogado  pela  alínea  b  do  inciso  IV  do  art.  47  da  Medida  Provisória  n°  1.991­18,  de  9  de  junho  de  2000;  Considerando,  finalmente,  que,  durante  sua  vigência,  o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, não  produz eficácia, para fins de determinação da base de  cálculo  das  contribuições  para  o  PIS/PASEP  e  da  COFINS, no período de I° de fevereiro de 1999 a 9 de  junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que  Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13884.901378/2008­31  Acórdão n.º 3401­004.943  S3­C4T1  Fl. 6          5 tenha  sido  feita  a  titulo  de  valores  que,  computados  como  receita,  hajam  sido  transferidos  para  outra  pessoa jurídica" (destacou­se).  Esse  entendimento  torna  sem  força  a  argumentação  alegada pela Contribuinte no sentido de que as provas dos  alegados créditos, consistentes em planilhas de apuração  da  contribuição  social,  deveriam  ser  examinadas  na  busca  da  constatação  da  regularidade  do  encontro  de  contas, uma vez que o crédito calcado neste dispositivo é  inexistente.  Diante  de  tudo  exposto,  voto  por  julgar  improcedente  a  manifestação de inconformidade, ratificando o disposto no  despacho decisório da unidade de origem.  Ressalta­se,  ademais,  que,  nos  pedidos  de  compensação  ou  de  restituição,  como  o  presente,  o  ônus  de  comprovar  o  crédito  postulado  permanece  a  cargo  da  contribuinte,  a  quem  incumbe  a  demonstração  do  preenchimento  dos  requisitos  necessários  para  a  compensação,  pois  "(...)  o  ônus  da  prova  recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato",1  postura  consentânea  com  o  art.  36  da  Lei  nº  9.784/1999,  que  regula  o  processo  administrativo  no  âmbito  da  Administração  Pública Federal. 2  Neste  sentido,  já  se manifestou  esta  turma  julgadora  em  diferentes  oportunidades,  como  no  Acórdão  CARF  nº  3401­ 003.096,  de  23/02/2016,  de  relatoria  do  Conselheiro  Rosaldo  Trevisan:  VERDADE  MATERIAL.  INVESTIGAÇÃO.  COLABORAÇÃO.  A  verdade  material  é  composta  pelo  dever de investigação da Administração somado ao dever  de  colaboração  por  parte  do  particular,  unidos  na  finalidade  de  propiciar  a  aproximação  da  atividade  formalizadora com a realidade dos acontecimentos.  PEDIDOS  DE  COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO.  ÔNUS  PROBATÓRIO.  DILIGÊNCIA/PERÍCIA.  Nos  processos  derivados  de  pedidos  de  compensação/ressarcimento,  a  comprovação  do  direito  creditório  incumbe  ao  postulante,  que  deve  carrear  aos  autos  os  elementos  probatórios  correspondentes.  Não  se  presta  a  diligência,  ou  perícia,  a  suprir  deficiência  probatória, seja do contribuinte ou do fisco.                                                              1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria  geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380.  2 Lei nº 9.784/1999  ­ Art.  36. Cabe ao  interessado a prova dos  fatos que  tenha alegado,  sem prejuízo do dever  atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado  declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo  processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos  documentos ou das respectivas cópias.  Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13884.901378/2008­31  Acórdão n.º 3401­004.943  S3­C4T1  Fl. 7          6 Verifica­se,  portanto,  a  completa  inviabilidade  do  reconhecimento  do  crédito  pleiteado  em  virtude  da  carência  probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente.  Acresce­se a tal constatação o intento da contribuinte de  ver  compensado  seu  débito  com  crédito  fundado  em  quaestio  jurídica  que  busca  inaugurar  em  fase  de  instauração  de  contencioso  administrativo  posterior  à  apresentação  de  sua  declaração  de  compensação,  com  a  apresentação  de  sua  impugnação,  sob  o  pálio  do  argumento  de  que  devem  ser  expurgados  da  receita  bruta,  ainda  que  assim  escriturados,  os  valores que tenham sido transferidos para terceiros, nos termos  do  §  2°,  do  inciso  III,  do  artigo  3°,  da  Lei  no  9.718/1998,  argumento que se encontra em contrariedade com o preceptivo  normativo do Ato Declaratório SRF n° 56, de 20/07/2000.   Independentemente da discussão respeitante à matéria, no  entanto,  o  que  se  constata  é  que  a  compensação  tem  por  base  direito  creditório  ilíquido  e  incerto,  carente  de  prova  de  sua  constituição  definitiva,  uma  vez  que  a  contribuinte  somente  poderia utilizar, na compensação de débitos próprios relativos a  tributos administrados pela RFB, crédito passível de restituição  ou de ressarcimento.  Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento  ao recurso voluntário."  Importa  registrar  que  nos  autos  ora  em  apreço,  a  situação  fática  e  jurídica  encontra correspondência com a verificada no paradigma, de  tal  sorte que o entendimento  lá  esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do Anexo  II  do RICARF,  o  colegiado  negou  provimento ao recurso voluntário.  (Assinado com certificado digital)  Rosaldo Trevisan                              Fl. 59DF CARF MF

score : 1.0
7260204 #
Numero do processo: 19311.720294/2015-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2013 PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU AO REGIME MONOFÁSICO. CREDITAMENTO. Não há previsão legal autorizadora de tomada de créditos sobre compras de produtos sujeitos à alíquota zero ou monofásicos (art. 2° e 3° das Leis n° 10.637/2003 e 10.833/2003). NÃO-CUMULATIVIDADE. GÁS LIQUEFEITO DE PETRÓLEO. DIREITO A CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Os combustíveis e lubrificantes utilizados ou consumidos no processo de produção de bens e serviços geram direito a crédito. NÃO-CUMULATIVIDADE. EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO E UNIFORMES. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas com aquisição de equipamentos de proteção individual e uniformes para empregados geram direito a crédito no regime de apuração não-cumulativa, por se enquadrarem no conceito de insumos aplicados ou consumidos na prestação dos serviços pela empresa. NÃO-CUMULATIVIDADE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. TAXA DE ADMINISTRAÇÃO DE CARTÕES DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos com taxas de administração de cartões de crédito não geram direito a crédito, por não se enquadrarem na definição de insumo estabelecida na legislação de regência. NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS DE ARMAZENAGEM DE MERCADORIAS E DESPESAS ADUANEIRAS. POSSIBILIDADE. Há direito a crédito de armazenagem de mercadoria e despesas aduaneiras, salvo os dispêndios pagos a despachantes pessoas físicas. NÃO-CUMULATIVIDADE. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os encargos de depreciação das máquinas e equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado somente geram crédito quando utilizados na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços. Não se aplica a comércio varejista de mercadorias. NÃO-CUMULATIVIDADE. IPTU. FUNDAMENTO DO PAGAMENTO PELO LOCATÁRIO. CLÁUSULA CONTRATUAL DE LOCAÇÃO. VALORES PAGOS PELO LOCATÁRIO. NATUREZA JURÍDICA DE DESPESA DE ALUGUEL. POSSIBILIDADE. Os valores recolhidos pelo locatário a título de “IPTU das lojas alugadas” com supedâneo em cláusula do contrato de locação não têm natureza jurídica de tributo, mas compõem, neste caso, as despesas de “aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica”, podendo, nessa rubrica ser realizado o desconto do crédito correspondente. NÃO-CUMULATIVIDADE. ICMS-ST. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. O ICMS-ST não dá direito a crédito para o adquirente por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo substituído na saída. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM FRETE NO TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE CENTROS DE DISTRIBUIÇÃO E LOJAS. POSSIBILIDADE. Os fretes entre centros de distribuição e lojas, ainda que de produtos acabados (caso típico de rede de supermercados), constitui elemento essencial à venda desses produtos, enquadrando-se, assim, para fins de crédito no disposto no inciso I, c/c inciso IX, da Lei10.833/2003. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMOS. PROVA. A prova da existência do direito de crédito indicado na DACON incumbe ao contribuinte, de maneira que, não havendo tal demonstração, deve a Fiscalização efetuar as glosas e lançar de ofício com os dados que se encontram ao seu alcance. ÔNUS DA PROVA. ELEMENTO MODIFICATIVO OU EXTINTIVO DA AUTUAÇÃO. Cabe ao contribuinte comprovar a existência de elemento modificativo ou extintivo da autuação, no caso, a legitimidade do crédito alegado em contraposição ao lançamento. MULTA DE OFÍCIO. LEGITIMIDADE. A multa de ofício de 75% sobre o imposto devido e não recolhido é prescrita pelo art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos art. 5º, II e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN. Constatada a ausência de recolhimento, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A análise da caracterização da multa com efeito confiscatório ou desproporcional implica em análise de constitucionalidade, o que encontra óbice na Súmula CARF nº 1. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2013 PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU AO REGIME MONOFÁSICO. CREDITAMENTO. Não há previsão legal autorizadora de tomada de créditos sobre compras de produtos sujeitos à alíquota zero ou monofásicos (art. 2° e 3° das Leis n° 10.637/2003 e 10.833/2003). NÃO-CUMULATIVIDADE. GÁS LIQUEFEITO DE PETRÓLEO. DIREITO A CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Os combustíveis e lubrificantes utilizados ou consumidos no processo de produção de bens e serviços geram direito a crédito. NÃO-CUMULATIVIDADE. EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO E UNIFORMES. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas com aquisição de equipamentos de proteção individual e uniformes para empregados geram direito a crédito no regime de apuração não-cumulativa, por se enquadrarem no conceito de insumos aplicados ou consumidos na prestação dos serviços pela empresa. NÃO-CUMULATIVIDADE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. TAXA DE ADMINISTRAÇÃO DE CARTÕES DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos com taxas de administração de cartões de crédito não geram direito a crédito, por não se enquadrarem na definição de insumo estabelecida na legislação de regência. NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS DE ARMAZENAGEM DE MERCADORIAS E DESPESAS ADUANEIRAS. POSSIBILIDADE. Há direito a crédito de armazenagem de mercadoria e despesas aduaneiras, salvo os dispêndios pagos a despachantes pessoas físicas. NÃO-CUMULATIVIDADE. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os encargos de depreciação das máquinas e equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado somente geram crédito quando utilizados na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços. Não se aplica a comércio varejista de mercadorias. NÃO-CUMULATIVIDADE. IPTU. FUNDAMENTO DO PAGAMENTO PELO LOCATÁRIO. CLÁUSULA CONTRATUAL DE LOCAÇÃO. VALORES PAGOS PELO LOCATÁRIO. NATUREZA JURÍDICA DE DESPESA DE ALUGUEL. POSSIBILIDADE. Os valores recolhidos pelo locatário a título de “IPTU das lojas alugadas” com supedâneo em cláusula do contrato de locação não têm natureza jurídica de tributo, mas compõem, neste caso, as despesas de “aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica”, podendo, nessa rubrica ser realizado o desconto do crédito correspondente. NÃO-CUMULATIVIDADE. ICMS-ST. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. O ICMS-ST não dá direito a crédito para o adquirente por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo substituído na saída. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM FRETE NO TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE CENTROS DE DISTRIBUIÇÃO E LOJAS. DIREITO A CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Os fretes entre centros de distribuição e lojas, ainda que de produtos acabados (caso típico de rede de supermercados), constitui elemento essencial à venda desses produtos, enquadrando-se, assim, para fins de crédito no disposto no inciso I, c/c inciso IX, da Lei10.833/2003. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMOS. PROVA. A prova da existência do direito de crédito indicado na DACON incumbe ao contribuinte, de maneira que, não havendo tal demonstração, deve a Fiscalização efetuar as glosas e lançar de ofício com os dados que se encontram ao seu alcance. ÔNUS DA PROVA. ELEMENTO MODIFICATIVO OU EXTINTIVO DA AUTUAÇÃO. Cabe ao contribuinte comprovar a existência de elemento modificativo ou extintivo da autuação, no caso, a legitimidade do crédito alegado em contraposição ao lançamento. MULTA DE OFÍCIO. LEGITIMIDADE. A multa de ofício de 75% sobre o imposto devido e não recolhido é prescrita pelo art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos art. 5º, II e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN. Constatada a ausência de recolhimento, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A análise da caracterização da multa com efeito confiscatório ou desproporcional implica em análise de constitucionalidade, o que encontra óbice na Súmula CARF nº 1. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 3301-004.483
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: I - por unanimidade de votos, para: a) negar provimento ao pedido de desconto de créditos sobre aquisição de produtos tributados à alíquota zero das contribuições; b) manter as glosas dos dispêndios com manutenção de equipamentos e instalações; c) manter a glosa dos dispêndios com depreciação de ativos; d) manter a glosa dos dispêndios com ICMS-ST; e) manter a glosa de créditos sobre serviços utilizados como insumos, por ausência de comprovação; f) negar provimento ao pedido de ilegitimidade da multa de ofício; g) reverter as glosas referentes às aquisições de gás liquefeito de petróleo, óleo diesel, Equipamento de Proteção Individual (EPI) e uniformes; h) reverter a glosa das despesas com armazenagens efetuadas com a empresa REFRIO - Armazéns Gerais Frigoríficos S/A; e i) reverter a glosa de dispêndios com armazenagem de produtos importados e com despesas aduaneiras (salvo os valores referentes a despachante, pessoa física, por expressa vedação legal); e II - por maioria de votos: a) manter as glosas referentes aos dispêndios com tarifas de cartão de crédito e de compras. Vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada); b) negar provimento ao pedido de exclusão de juros de mora sobre a multa aplicada. Vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada); c) reverter a glosa dos dispêndios com IPTU. Vencidos os Conselheiros Valcir Gassen e Antonio Carlos Cavalcanti Filho; e d) reverter a glosa com dispêndios com fretes entre centros de distribuição e outros estabelecimentos. Vencido o Conselheiro Antonio Carlos Cavalcanti Filho. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201803

camara_s : Terceira Câmara

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Thu May 03 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 19311.720294/2015-07

anomes_publicacao_s : 201805

conteudo_id_s : 5859087

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 03 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 3301-004.483

nome_arquivo_s : Decisao_19311720294201507.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO

nome_arquivo_pdf_s : 19311720294201507_5859087.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: I - por unanimidade de votos, para: a) negar provimento ao pedido de desconto de créditos sobre aquisição de produtos tributados à alíquota zero das contribuições; b) manter as glosas dos dispêndios com manutenção de equipamentos e instalações; c) manter a glosa dos dispêndios com depreciação de ativos; d) manter a glosa dos dispêndios com ICMS-ST; e) manter a glosa de créditos sobre serviços utilizados como insumos, por ausência de comprovação; f) negar provimento ao pedido de ilegitimidade da multa de ofício; g) reverter as glosas referentes às aquisições de gás liquefeito de petróleo, óleo diesel, Equipamento de Proteção Individual (EPI) e uniformes; h) reverter a glosa das despesas com armazenagens efetuadas com a empresa REFRIO - Armazéns Gerais Frigoríficos S/A; e i) reverter a glosa de dispêndios com armazenagem de produtos importados e com despesas aduaneiras (salvo os valores referentes a despachante, pessoa física, por expressa vedação legal); e II - por maioria de votos: a) manter as glosas referentes aos dispêndios com tarifas de cartão de crédito e de compras. Vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada); b) negar provimento ao pedido de exclusão de juros de mora sobre a multa aplicada. Vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada); c) reverter a glosa dos dispêndios com IPTU. Vencidos os Conselheiros Valcir Gassen e Antonio Carlos Cavalcanti Filho; e d) reverter a glosa com dispêndios com fretes entre centros de distribuição e outros estabelecimentos. Vencido o Conselheiro Antonio Carlos Cavalcanti Filho. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.

dt_sessao_tdt : Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018

id : 7260204

ano_sessao_s : 2018

ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2013 PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU AO REGIME MONOFÁSICO. CREDITAMENTO. Não há previsão legal autorizadora de tomada de créditos sobre compras de produtos sujeitos à alíquota zero ou monofásicos (art. 2° e 3° das Leis n° 10.637/2003 e 10.833/2003). NÃO-CUMULATIVIDADE. GÁS LIQUEFEITO DE PETRÓLEO. DIREITO A CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Os combustíveis e lubrificantes utilizados ou consumidos no processo de produção de bens e serviços geram direito a crédito. NÃO-CUMULATIVIDADE. EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO E UNIFORMES. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas com aquisição de equipamentos de proteção individual e uniformes para empregados geram direito a crédito no regime de apuração não-cumulativa, por se enquadrarem no conceito de insumos aplicados ou consumidos na prestação dos serviços pela empresa. NÃO-CUMULATIVIDADE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. TAXA DE ADMINISTRAÇÃO DE CARTÕES DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos com taxas de administração de cartões de crédito não geram direito a crédito, por não se enquadrarem na definição de insumo estabelecida na legislação de regência. NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS DE ARMAZENAGEM DE MERCADORIAS E DESPESAS ADUANEIRAS. POSSIBILIDADE. Há direito a crédito de armazenagem de mercadoria e despesas aduaneiras, salvo os dispêndios pagos a despachantes pessoas físicas. NÃO-CUMULATIVIDADE. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os encargos de depreciação das máquinas e equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado somente geram crédito quando utilizados na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços. Não se aplica a comércio varejista de mercadorias. NÃO-CUMULATIVIDADE. IPTU. FUNDAMENTO DO PAGAMENTO PELO LOCATÁRIO. CLÁUSULA CONTRATUAL DE LOCAÇÃO. VALORES PAGOS PELO LOCATÁRIO. NATUREZA JURÍDICA DE DESPESA DE ALUGUEL. POSSIBILIDADE. Os valores recolhidos pelo locatário a título de “IPTU das lojas alugadas” com supedâneo em cláusula do contrato de locação não têm natureza jurídica de tributo, mas compõem, neste caso, as despesas de “aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica”, podendo, nessa rubrica ser realizado o desconto do crédito correspondente. NÃO-CUMULATIVIDADE. ICMS-ST. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. O ICMS-ST não dá direito a crédito para o adquirente por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo substituído na saída. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM FRETE NO TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE CENTROS DE DISTRIBUIÇÃO E LOJAS. POSSIBILIDADE. Os fretes entre centros de distribuição e lojas, ainda que de produtos acabados (caso típico de rede de supermercados), constitui elemento essencial à venda desses produtos, enquadrando-se, assim, para fins de crédito no disposto no inciso I, c/c inciso IX, da Lei10.833/2003. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMOS. PROVA. A prova da existência do direito de crédito indicado na DACON incumbe ao contribuinte, de maneira que, não havendo tal demonstração, deve a Fiscalização efetuar as glosas e lançar de ofício com os dados que se encontram ao seu alcance. ÔNUS DA PROVA. ELEMENTO MODIFICATIVO OU EXTINTIVO DA AUTUAÇÃO. Cabe ao contribuinte comprovar a existência de elemento modificativo ou extintivo da autuação, no caso, a legitimidade do crédito alegado em contraposição ao lançamento. MULTA DE OFÍCIO. LEGITIMIDADE. A multa de ofício de 75% sobre o imposto devido e não recolhido é prescrita pelo art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos art. 5º, II e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN. Constatada a ausência de recolhimento, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A análise da caracterização da multa com efeito confiscatório ou desproporcional implica em análise de constitucionalidade, o que encontra óbice na Súmula CARF nº 1. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2013 PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU AO REGIME MONOFÁSICO. CREDITAMENTO. Não há previsão legal autorizadora de tomada de créditos sobre compras de produtos sujeitos à alíquota zero ou monofásicos (art. 2° e 3° das Leis n° 10.637/2003 e 10.833/2003). NÃO-CUMULATIVIDADE. GÁS LIQUEFEITO DE PETRÓLEO. DIREITO A CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Os combustíveis e lubrificantes utilizados ou consumidos no processo de produção de bens e serviços geram direito a crédito. NÃO-CUMULATIVIDADE. EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO E UNIFORMES. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas com aquisição de equipamentos de proteção individual e uniformes para empregados geram direito a crédito no regime de apuração não-cumulativa, por se enquadrarem no conceito de insumos aplicados ou consumidos na prestação dos serviços pela empresa. NÃO-CUMULATIVIDADE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. TAXA DE ADMINISTRAÇÃO DE CARTÕES DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos com taxas de administração de cartões de crédito não geram direito a crédito, por não se enquadrarem na definição de insumo estabelecida na legislação de regência. NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS DE ARMAZENAGEM DE MERCADORIAS E DESPESAS ADUANEIRAS. POSSIBILIDADE. Há direito a crédito de armazenagem de mercadoria e despesas aduaneiras, salvo os dispêndios pagos a despachantes pessoas físicas. NÃO-CUMULATIVIDADE. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os encargos de depreciação das máquinas e equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado somente geram crédito quando utilizados na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços. Não se aplica a comércio varejista de mercadorias. NÃO-CUMULATIVIDADE. IPTU. FUNDAMENTO DO PAGAMENTO PELO LOCATÁRIO. CLÁUSULA CONTRATUAL DE LOCAÇÃO. VALORES PAGOS PELO LOCATÁRIO. NATUREZA JURÍDICA DE DESPESA DE ALUGUEL. POSSIBILIDADE. Os valores recolhidos pelo locatário a título de “IPTU das lojas alugadas” com supedâneo em cláusula do contrato de locação não têm natureza jurídica de tributo, mas compõem, neste caso, as despesas de “aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica”, podendo, nessa rubrica ser realizado o desconto do crédito correspondente. NÃO-CUMULATIVIDADE. ICMS-ST. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. O ICMS-ST não dá direito a crédito para o adquirente por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo substituído na saída. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM FRETE NO TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE CENTROS DE DISTRIBUIÇÃO E LOJAS. DIREITO A CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Os fretes entre centros de distribuição e lojas, ainda que de produtos acabados (caso típico de rede de supermercados), constitui elemento essencial à venda desses produtos, enquadrando-se, assim, para fins de crédito no disposto no inciso I, c/c inciso IX, da Lei10.833/2003. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMOS. PROVA. A prova da existência do direito de crédito indicado na DACON incumbe ao contribuinte, de maneira que, não havendo tal demonstração, deve a Fiscalização efetuar as glosas e lançar de ofício com os dados que se encontram ao seu alcance. ÔNUS DA PROVA. ELEMENTO MODIFICATIVO OU EXTINTIVO DA AUTUAÇÃO. Cabe ao contribuinte comprovar a existência de elemento modificativo ou extintivo da autuação, no caso, a legitimidade do crédito alegado em contraposição ao lançamento. MULTA DE OFÍCIO. LEGITIMIDADE. A multa de ofício de 75% sobre o imposto devido e não recolhido é prescrita pelo art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos art. 5º, II e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN. Constatada a ausência de recolhimento, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A análise da caracterização da multa com efeito confiscatório ou desproporcional implica em análise de constitucionalidade, o que encontra óbice na Súmula CARF nº 1. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Recurso voluntário parcialmente provido.

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:17:12 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713050308860444672

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 34; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2217; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T1  Fl. 2.201          1 2.200  S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19311.720294/2015­07  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3301­004.483  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  22 de março de 2018  Matéria  Contribuição para o PIS/Pasep  Embargante  Wal Mart Brasil Ltda.   Interessado  Fazenda Nacional    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2013  PRODUTOS  SUJEITOS  À  ALÍQUOTA  ZERO  OU  AO  REGIME  MONOFÁSICO. CREDITAMENTO.   Não há previsão legal autorizadora de tomada de créditos sobre compras de  produtos  sujeitos  à  alíquota  zero  ou monofásicos  (art.  2°  e  3°  das  Leis  n°  10.637/2003 e 10.833/2003).  NÃO­CUMULATIVIDADE.  GÁS  LIQUEFEITO  DE  PETRÓLEO.  DIREITO A CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Os combustíveis e  lubrificantes  utilizados ou consumidos no processo de produção de bens e serviços geram  direito a crédito.   NÃO­CUMULATIVIDADE.  EQUIPAMENTOS  DE  PROTEÇÃO  E  UNIFORMES.  APURAÇÃO  DE  CRÉDITOS.  POSSIBILIDADE.  As  despesas com aquisição de equipamentos de proteção individual e uniformes  para  empregados  geram  direito  a  crédito  no  regime  de  apuração  não­ cumulativa,  por  se  enquadrarem  no  conceito  de  insumos  aplicados  ou  consumidos na prestação dos serviços pela empresa.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  PRESTAÇÃO  DE  SERVIÇOS.  TAXA  DE  ADMINISTRAÇÃO DE  CARTÕES DE CRÉDITO.  IMPOSSIBILIDADE.  Os custos com taxas de administração de cartões de crédito não geram direito  a  crédito,  por  não  se  enquadrarem  na  definição  de  insumo  estabelecida  na  legislação de regência.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  DESPESAS  DE  ARMAZENAGEM  DE  MERCADORIAS  E  DESPESAS  ADUANEIRAS.  POSSIBILIDADE.  Há  direito a crédito de armazenagem de mercadoria e despesas aduaneiras, salvo  os dispêndios pagos a despachantes pessoas físicas.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  ATIVO  IMOBILIZADO.  ENCARGOS  DE  DEPRECIAÇÃO.  IMPOSSIBILIDADE.  Os  encargos  de  depreciação  das  máquinas  e  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado  somente geram crédito quando utilizados na produção de bens destinados à  venda,  ou  na  prestação  de  serviços.  Não  se  aplica  a  comércio  varejista  de  mercadorias.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 02 94 /2 01 5- 07 Fl. 2201DF CARF MF Processo nº 19311.720294/2015­07  Acórdão n.º 3301­004.483  S3­C3T1  Fl. 2.202          2 NÃO­CUMULATIVIDADE.  IPTU.  FUNDAMENTO  DO  PAGAMENTO  PELO  LOCATÁRIO.  CLÁUSULA  CONTRATUAL  DE  LOCAÇÃO.  VALORES  PAGOS  PELO  LOCATÁRIO.  NATUREZA  JURÍDICA  DE  DESPESA DE ALUGUEL.  POSSIBILIDADE.  Os  valores  recolhidos  pelo  locatário a  título de “IPTU das  lojas alugadas” com supedâneo em cláusula  do contrato de  locação não  têm natureza  jurídica de tributo, mas compõem,  neste  caso,  as  despesas  de  “aluguéis  de  prédios, máquinas  e  equipamentos,  pagos a pessoa jurídica”, podendo, nessa rubrica ser realizado o desconto do  crédito correspondente.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  ICMS­ST.  CRÉDITO.  IMPOSSIBILIDADE.  O  ICMS­ST  não  dá  direito  a  crédito  para  o  adquirente  por  não  constituir  custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo substituído  na saída.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  GASTOS  COM  FRETE  NO  TRANSPORTE  DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE CENTROS DE DISTRIBUIÇÃO E  LOJAS.  POSSIBILIDADE.  Os  fretes  entre  centros  de  distribuição  e  lojas,  ainda  que  de  produtos  acabados  (caso  típico  de  rede  de  supermercados),  constitui elemento essencial à venda desses produtos, enquadrando­se, assim,  para fins de crédito no disposto no inciso I, c/c inciso IX, da Lei10.833/2003.  NÃO­CUMULATIVIDADE. CRÉDITO.  INSUMOS.  PROVA. A  prova  da  existência  do  direito  de  crédito  indicado  na  DACON  incumbe  ao  contribuinte,  de  maneira  que,  não  havendo  tal  demonstração,  deve  a  Fiscalização  efetuar  as  glosas  e  lançar  de  ofício  com  os  dados  que  se  encontram ao seu alcance.  ÔNUS DA PROVA. ELEMENTO MODIFICATIVO OU EXTINTIVO DA  AUTUAÇÃO.  Cabe  ao  contribuinte  comprovar  a  existência  de  elemento  modificativo  ou  extintivo  da  autuação,  no  caso,  a  legitimidade  do  crédito  alegado em contraposição ao lançamento.  MULTA DE OFÍCIO. LEGITIMIDADE. A multa de ofício de 75% sobre o  imposto devido e não recolhido é prescrita pelo art. 44, I, da Lei nº 9.430/96,  atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos art. 5º, II e 37, caput da  Constituição  e  art.  97  do  CTN.  Constatada  a  ausência  de  recolhimento,  a  autoridade  fiscal  não  só  está  autorizada  como,  por  dever  funcional,  está  obrigada a proceder ao lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A análise  da  caracterização  da  multa  com  efeito  confiscatório  ou  desproporcional  implica  em análise de  constitucionalidade, o que encontra óbice na Súmula  CARF nº 1.  JUROS DE MORA  SOBRE MULTA DE OFÍCIO.  A  obrigação  tributária  principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito  tributário  constituído,  incluindo  a  multa  de  ofício,  incidem  juros  de  mora,  devidos à taxa Selic.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2013  PRODUTOS  SUJEITOS  À  ALÍQUOTA  ZERO  OU  AO  REGIME  MONOFÁSICO. CREDITAMENTO.   Não há previsão legal autorizadora de tomada de créditos sobre compras de  produtos  sujeitos  à  alíquota  zero  ou monofásicos  (art.  2°  e  3°  das  Leis  n°  10.637/2003 e 10.833/2003).  Fl. 2202DF CARF MF Processo nº 19311.720294/2015­07  Acórdão n.º 3301­004.483  S3­C3T1  Fl. 2.203          3 NÃO­CUMULATIVIDADE.  GÁS  LIQUEFEITO  DE  PETRÓLEO.  DIREITO A CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Os combustíveis e  lubrificantes  utilizados ou consumidos no processo de produção de bens e serviços geram  direito a crédito.   NÃO­CUMULATIVIDADE.  EQUIPAMENTOS  DE  PROTEÇÃO  E  UNIFORMES.  APURAÇÃO  DE  CRÉDITOS.  POSSIBILIDADE.  As  despesas com aquisição de equipamentos de proteção individual e uniformes  para  empregados  geram  direito  a  crédito  no  regime  de  apuração  não­ cumulativa,  por  se  enquadrarem  no  conceito  de  insumos  aplicados  ou  consumidos na prestação dos serviços pela empresa.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  PRESTAÇÃO  DE  SERVIÇOS.  TAXA  DE  ADMINISTRAÇÃO DE  CARTÕES DE CRÉDITO.  IMPOSSIBILIDADE.  Os custos com taxas de administração de cartões de crédito não geram direito  a  crédito,  por  não  se  enquadrarem  na  definição  de  insumo  estabelecida  na  legislação de regência.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  DESPESAS  DE  ARMAZENAGEM  DE  MERCADORIAS  E  DESPESAS  ADUANEIRAS.  POSSIBILIDADE.  Há  direito a crédito de armazenagem de mercadoria e despesas aduaneiras, salvo  os dispêndios pagos a despachantes pessoas físicas.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  ATIVO  IMOBILIZADO.  ENCARGOS  DE  DEPRECIAÇÃO.  IMPOSSIBILIDADE.  Os  encargos  de  depreciação  das  máquinas  e  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado  somente geram crédito quando utilizados na produção de bens destinados à  venda,  ou  na  prestação  de  serviços.  Não  se  aplica  a  comércio  varejista  de  mercadorias.   NÃO­CUMULATIVIDADE.  IPTU.  FUNDAMENTO  DO  PAGAMENTO  PELO  LOCATÁRIO.  CLÁUSULA  CONTRATUAL  DE  LOCAÇÃO.  VALORES  PAGOS  PELO  LOCATÁRIO.  NATUREZA  JURÍDICA  DE  DESPESA DE ALUGUEL.  POSSIBILIDADE.  Os  valores  recolhidos  pelo  locatário a  título de “IPTU das  lojas alugadas” com supedâneo em cláusula  do contrato de  locação não  têm natureza  jurídica de tributo, mas compõem,  neste  caso,  as  despesas  de  “aluguéis  de  prédios, máquinas  e  equipamentos,  pagos a pessoa jurídica”, podendo, nessa rubrica ser realizado o desconto do  crédito correspondente.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  ICMS­ST.  CRÉDITO.  IMPOSSIBILIDADE.  O  ICMS­ST  não  dá  direito  a  crédito  para  o  adquirente  por  não  constituir  custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo substituído  na saída.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  GASTOS  COM  FRETE  NO  TRANSPORTE  DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE CENTROS DE DISTRIBUIÇÃO E  LOJAS. DIREITO A CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Os fretes entre centros  de distribuição e  lojas, ainda que de produtos acabados (caso  típico de rede  de  supermercados),  constitui  elemento  essencial  à  venda  desses  produtos,  enquadrando­se, assim, para fins de crédito no disposto no inciso I, c/c inciso  IX, da Lei10.833/2003.  NÃO­CUMULATIVIDADE. CRÉDITO.  INSUMOS.  PROVA. A  prova  da  existência  do  direito  de  crédito  indicado  na  DACON  incumbe  ao  contribuinte,  de  maneira  que,  não  havendo  tal  demonstração,  deve  a  Fiscalização  efetuar  as  glosas  e  lançar  de  ofício  com  os  dados  que  se  encontram ao seu alcance.  Fl. 2203DF CARF MF Processo nº 19311.720294/2015­07  Acórdão n.º 3301­004.483  S3­C3T1  Fl. 2.204          4 ÔNUS DA PROVA. ELEMENTO MODIFICATIVO OU EXTINTIVO DA  AUTUAÇÃO.  Cabe  ao  contribuinte  comprovar  a  existência  de  elemento  modificativo  ou  extintivo  da  autuação,  no  caso,  a  legitimidade  do  crédito  alegado em contraposição ao lançamento.  MULTA DE OFÍCIO. LEGITIMIDADE. A multa de ofício de 75% sobre o  imposto devido e não recolhido é prescrita pelo art. 44, I, da Lei nº 9.430/96,  atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos art. 5º, II e 37, caput da  Constituição  e  art.  97  do  CTN.  Constatada  a  ausência  de  recolhimento,  a  autoridade  fiscal  não  só  está  autorizada  como,  por  dever  funcional,  está  obrigada a proceder ao lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A análise  da  caracterização  da  multa  com  efeito  confiscatório  ou  desproporcional  implica  em análise de  constitucionalidade, o que encontra óbice na Súmula  CARF nº 1.  JUROS DE MORA  SOBRE MULTA DE OFÍCIO.  A  obrigação  tributária  principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito  tributário  constituído,  incluindo  a  multa  de  ofício,  incidem  juros  de  mora,  devidos à taxa Selic.  Recurso voluntário parcialmente provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os membros  do  colegiado,  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário, nos seguintes  termos:  I ­ por unanimidade de votos, para: a) negar provimento ao  pedido  de  desconto  de  créditos  sobre  aquisição  de  produtos  tributados  à  alíquota  zero  das  contribuições;  b)  manter  as  glosas  dos  dispêndios  com  manutenção  de  equipamentos  e  instalações; c) manter a glosa dos dispêndios com depreciação de ativos; d) manter a glosa dos  dispêndios  com  ICMS­ST;  e)  manter  a  glosa  de  créditos  sobre  serviços  utilizados  como  insumos,  por  ausência  de  comprovação;  f)  negar  provimento  ao  pedido  de  ilegitimidade  da  multa de ofício; g) reverter as glosas referentes às aquisições de gás liquefeito de petróleo, óleo  diesel, Equipamento de Proteção Individual (EPI) e uniformes; h) reverter a glosa das despesas  com armazenagens efetuadas com a empresa REFRIO ­ Armazéns Gerais Frigoríficos S/A; e i)  reverter  a  glosa  de  dispêndios  com  armazenagem  de  produtos  importados  e  com  despesas  aduaneiras  (salvo  os  valores  referentes  a  despachante,  pessoa  física,  por  expressa  vedação  legal); e II ­ por maioria de votos: a) manter as glosas referentes aos dispêndios com tarifas de  cartão de crédito e de compras. Vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões  (Suplente  convocada);  b) negar provimento  ao pedido de  exclusão de  juros de mora  sobre  a  multa  aplicada.  Vencida  a  Conselheira  Maria  Eduarda  Alencar  Câmara  Simões  (Suplente  convocada);  c)  reverter  a  glosa  dos  dispêndios  com  IPTU. Vencidos  os  Conselheiros Valcir  Gassen  e Antonio Carlos Cavalcanti  Filho;  e  d)  reverter  a  glosa  com  dispêndios  com  fretes  entre centros de distribuição e outros estabelecimentos. Vencido o Conselheiro Antonio Carlos  Cavalcanti Filho.   (assinado digitalmente)  José Henrique Mauri ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Semíramis de Oliveira Duro ­ Relatora.  Fl. 2204DF CARF MF Processo nº 19311.720294/2015­07  Acórdão n.º 3301­004.483  S3­C3T1  Fl. 2.205          5 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique  Mauri  (Presidente),  Marcelo  Costa  Marques  d'Oliveira,  Maria  Eduarda  Alencar  Câmara  Simões, Valcir Gassen,  Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos  da Costa Cavalcanti  Filho,  Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.   Relatório  A  Recorrente  teve  em  seu  desfavor  a  lavratura  dos  Autos  de  Infração  de  PIS/Pasep e Cofins não­cumulativos, dos períodos de apuração de janeiro de 2011 a dezembro  de 2013, em 04/12/2015, no montante de R$ 266.200.659,25.  A  empresa  tem  por  atividade  econômica  o  comércio  varejista  de  gêneros  alimentícios,  utensílios  domésticos,  produtos  de  limpeza  e  armarinhos,  equipamentos  de  informática, eletro­eletrônicos e baterias automotivas, dentre outros.  O  Termo  de Verificação  Fiscal,  e­fls.  1349­1505,  informa  que,  na  análise  da  Escrituração  Contábil  Digital,  da  Escrituração  Fiscal  Digital  –  EFD  –  Contribuições  e  dos  Demonstrativos  de  Apuração  das  Contribuições  Sociais  –  DACON  do  contribuinte,  a  fiscalização constatou equívocos na apuração do PIS e da Cofins:    6.  Conforme  se  depreende  da  leitura  da  legislação,  o  fiscalizado,  na  condição  de  comerciante  varejista  e  sujeito  ao  regime  não­cumulativo,  deve  tributar  suas  receitas  de  revenda de produtos às alíquotas de 1,65% do PIS e 7,6%  da Cofins, com exceção das mercadorias sujeitas à alíquota  zero  dessas  contribuições  ou  de  tributação  concentrada  no  fabricante  (monofásicas).  Por  outro  lado,  tem  direito  a  descontar créditos do PIS e da Cofins sobre bens adquiridos  para  revenda,  exceto  de  alíquota  zero  ou  monofásicos,  aluguéis  de  imóveis  utilizados  nas  atividades  da  empresa,  leasing mercantil, fretes nas compras, fretes e armazenagem  nas vendas e energia elétrica.  7.  Entretanto,  na  análise  da  Escrituração Contábil Digital,  da Escrituração Fiscal Digital – EFD – Contribuições e dos  Demonstrativos  de  Apuração  das  Contribuições  Sociais  –  DACON  do  contribuinte,  a  fiscalização  constatou  os  seguintes procedimentos adotados na apuração do PIS e da  Cofins, que estão em desacordo com a legislação que rege a  matéria:  a)  Cálculo  à  alíquota  zero  sobre  a  receita  de  venda  de  produtos que estão sujeitos às alíquotas de 1,65% do PIS e  7,6%,  tais  como  monitores  de  computadores,  esteiras  elétricas, óleo de soja  (antes de 08/03/2013), açúcar  (antes  de  08/03/2013),  fogão,  biscoitos,  bombons,  refrigeradores,  achocolatados em pó, azeites (antes de 08/03/2013), fraldas,  meias,  cafeteiras,  café  (antes  de  08/03/2013),  toalhas,  absorventes  íntimos,  aspiradores  de  pó,  detergentes,  Fl. 2205DF CARF MF Processo nº 19311.720294/2015­07  Acórdão n.º 3301­004.483  S3­C3T1  Fl. 2.206          6 filmadoras,  aparelhos  de  som,  cartuchos  de  tinta,  combo  300 fotos, “joypad”, taças para bebidas, creme de leite, leite  condensado,  notebook  marca  Asus,  modelo  S400,  importado,  tablet marca Acer, modelo 7,  importado,  tablet  marca Sony, modelo SGPT112,  importado, sucos de frutas  da  posição  20.09,  néctar  de  frutas  da  posição  2202.90.00,  ex 02, pizzas da posição NCM 1905.90.90,  tortas, doces e  mousses;  b) Utilização  na  linha 08. TOTAL DA CONTRIBUIÇÃO  PARA O PIS/PASEP APURADA NO MÊS da  ficha  07B  dos  Demonstrativos  de  Apuração  das  Contribuições  –  DACON  de  valores  inferiores  aos  escriturados  na  conta  contábil  de  resultado  301203  –  PIS  SOBRE  FATURAMENTO;  c)  Utilização  na  linha  08.  TOTAL  DA  COFINS  APURADA NO MÊS DA FICHA 17B dos Demonstrativos  de  Apuração  das  Contribuições  –  DACON  de  valores  inferiores  aos  escriturados  na  conta  contábil  de  resultado  301207 – COFINS SOBRE FATURAMENTO;  d)  Desconto  de  créditos  sobre  aquisição  de  produtos  tributados  à  alíquota  zero  das  contribuições  (leite  integral,  leite em pó e açúcar de NCM 17011400 após 08/03/2013);  e)  Desconto  de  créditos  sobre  aquisição  de  produtos  monofásicos (álcool de uso doméstico, baterias automotivas  e  shampoo  condicionador  para  cabelos,  este  último  classificado incorretamente na EFD – Contribuições com o  NCM 82121020);  f)  Desconto  de  créditos  sobre  aquisição  para  consumo  próprio  de  gás  liquefeito  de  petróleo,  óleo  diesel,  equipamentos de proteção individual e uniformes;  g)  Desconto  de  créditos  sobre  dispêndios  com  tarifas  de  cartão  de  crédito  e  de  compras  (“charge  cards”),  manutenção de equipamentos e instalações, depreciação de  ativos, Imposto Predial e Territorial Urbano – IPTU, ICMS­ Substituição  Tributária,  fretes  entre  centro  de  distribuição  (CD)  e  outros  estabelecimentos  do  fiscalizado,  armazenagem  de  produtos  importados  e  despesas  aduaneiras;  h)  Desconto  de  créditos  sobre  “Serviços  Utilizados  como  Insumos”,  informados nas  linhas 03 das  fichas 06A e 16A  do Dacon de março/2011, não especificados na escrituração  contábil,  nem  identificados  pelo  contribuinte,  apesar  de  intimado e reintimado a respeito.    Fl. 2206DF CARF MF Processo nº 19311.720294/2015­07  Acórdão n.º 3301­004.483  S3­C3T1  Fl. 2.207          7   Em  sua  impugnação,  a  empresa  insurgiu­se  contra  o  lançamento,  com  argumentação que se volta a:    a – “Erro na apuração da Cofins devida em novembro de 2013: divergência entre o  valor indicado no TVF e o valor lançado no Auto de Infração” ­ Alega, com base nas  planilhas  acostadas  ao  Termo  de  Verificação  Fiscal,  que  a  fiscalização  errou  ao  transcrever o valor total das glosas de Cofins do mês de novembro de 2013. Diz que o  valor correto, segundo as citadas planilhas, é de R$ 2.659.870,01, resultante da soma  das  glosas  de  créditos  de  Cofins  sobre  as  compras  de  mercadorias,  no  valor  de  R$  196.755,64, e das glosas de créditos sobre serviços e outros dispêndios, no valor de R$  2.463.114,37,  mas  que  no  auto  de  infração  a  glosa  foi  lançada  com  o  valor  de  R$  2.859.870,01, representando um lançamento indevido no valor de R$ 200.000,00;   b – “Erro na apuração dos valores de PIS e Cofins em relação a suposta utilização  no DACON de valores inferiores aos escriturados em conta contábil de resultado PIS  e Cofins  sobre  faturamento” –  (itens  “7.b”  e  “7.c” do Termo de Verificação Fiscal)  Alega, em síntese, que a fiscalização, para o período de janeiro a junho de 2011, partiu  de premissa equivocada ao comparar, de forma simplificada e sem uma apuração mais  detalhada,  as  contas  de  PIS  e  Cofins  sobre  faturamento  (301203  e  301207)  com  as  linhas  08  das  fichas  07B  e  17B  dos  DACON. Diz  que  os  valores  que  compõem  as  citadas contas contábeis e linhas dos DACON não são os mesmos, pois “Nestas fichas,  os  valores  informados  são  compostos  pelas  contábeis  301203  e  301207  e  outros  valores que também compõem a base das contribuições (Outras Receitas, Receitas de  aluguéis por exemplo), bem como de contas redutoras (Inclusão Digital e ICMS­ST.”).  Para  comprovação  de  seus  argumentos  a  interessada  juntou  ao  processo  o  demonstrativo  03,  que  mostra  as  diferenças  apontadas  pela  fiscalização  entre  a  escrituração (digital) e os DACON, e o demonstrativo 04, que demonstra as apurações  do  PIS  e  da Cofins  do  período.  Por  fim,  a  contribuinte  sustenta  que  os  lançamentos  jamais  poderiam  ter  sido  realizados  com  a  simples  comparação  entre  o  EFD  (Escrituração Fiscal Digital) e os DACON e que a fiscalização deveria ter realizado a  apuração das contribuições (PIS e Cofins, dos períodos em questão) para poder efetivar  os lançamentos.   ­  c  – “Erro  no  cálculo  do  montante  do  tributo  devido:  violação  ao  art.  142  do  CTN”  –  Sustenta,  como  prejudicial  de  mérito,  que  houve  erro  nos  lançamentos  tributários, uma vez que foi deixado de observar o regime não cumulativo na apuração  das  contribuições.  Argumenta  que,  diante  das  infrações  detectadas  (insuficiência  no  recolhimento e creditamento indevido) e em respeito ao regime não cumulativo do PIS  e da Cofins, a fiscalização deveria  ter refeito a apuração das contribuições, conforme  prevêem os art. 3º das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, de forma a levar em conta os  créditos  e  débitos  apurados.  Alega  que  o  procedimento  de  aplicação  direta  das  alíquotas  das  contribuições  (PIS  ­  1,65%  e  Cofins  ­  7,6%)  sobre  as  infrações  detectadas,  além  de  violar  o  disposto  no  art.  147,  §  2º  do  CTN,  afronta  a  regra  de  proporcionalidade prevista nos §§ 7º e 8º, art. 3º de mencionadas leis. Alega que com  adoção  de  referido  procedimento  a  fiscalização  erra  no  cálculo  do  montante  dos  tributos  devidos,  fazendo  com  que  os  lançamentos  contenham  erro  de  concepção,  o  qual  constitui­se  em  vício  insanável.  Requer,  em  razão  dos  argumentos  expostos,  o  cancelamento dos autos de infração;   ­ d – “Itens ‘a’, ‘d’ e ‘e’ do Termo de Verificação Fiscal: ausência de repercussão  tributária quanto às supostas infrações apontadas pela fiscalização.” – Alega que os  possíveis erros cometidos na aplicação da legislação, na venda dos produtos constantes  dos  itens  citados,  não  ocasionaram  qualquer  repercussão  tributária,  uma  vez  que:  Fl. 2207DF CARF MF Processo nº 19311.720294/2015­07  Acórdão n.º 3301­004.483  S3­C3T1  Fl. 2.208          8 “para os produtos  em  relação aos quais  a  fiscalização acusa aplicação da alíquota  zero  quando  as  alíquotas  seriam  de  1,65%  para  o  PIS  e  7,6%  para  a  Cofins,  não  houve  crédito  pelas  aquisições”;  e  “quanto  aos  créditos  em  relação  aos  quais  a  fiscalização acusa desconto  indevido porque estariam sujeitos ao regime monofásico  ou  suas  alíquotas  seriam  zero,  as  receitas  de  vendas  foram  incluídas  na  base  de  cálculo das contribuições”. Explica que isto ocorre porque sistemas de informática da  empresa  sempre  estiverem  parametrizados  para  aplicar  sobre  o  produto  adquirido  o  mesmo  regime  (tributado,  alíquota  zero,  monofásico,  isento  e  etc)  tanto  na  compra  quanto na venda.   ­ e – “Item ‘a’ do Termo de Verificação Fiscal: nem todos os produtos apontados  eram  tributados.”  –  Defende  que  dentre  os  itens  relacionados  pela  fiscalização  em  citado  item  (com aplicação  das  alíquotas  de  1,65%  ­  PIS  e  7,6%  ­ Cofins)  constam  produtos  cujas  alíquotas  foram  reduzidas  a  zero  pela  Lei  11.196,  de  2005  (Lei  do  Bem). Explica que o procedimento da empresa era o de considerar todas as saídas de  produtos  de  informática  como  não  tributáveis  (alíquota  zero)  para  então,  só  depois,  realizar, de  forma manual, a classificação dos produtos que deveriam estar sujeitos à  tributação. Diz,  também, que o documento 05 evidencia citado procedimento para os  meses de outubro a dezembro de 2011. Por fim, pugna pela exoneração do lançamento  quanto aos produtos sujeitos a Lei do Bem (alíquota zero).   ­  f – “Item ‘a’ do Termo de Verificação Fiscal: divergência entre a apuração da  Impugnante, com base na qual as contribuições foram recolhidas, e a EFD (ajustes no  EFD não considerados pela  fiscalização).” – Alega que a  fiscalização cometeu dois  equívocos  em  referido  item:  “O  primeiro  se  refere  ao  fato  de  que  apesar  de  determinados  itens  terem  sido  classificados  como  sujeitos  à  alíquota  zero  na  obrigação  acessória,  foram  sim  tributados  na  real  apuração  dessas  contribuições  (controle  fiscal  da  Impugnante).  O  segundo  equívoco  refere­se  a  não  considerar/verificar  que  existem  ajustes  na  EFD­Contribuições  (sejam  credores  ou  devedores)  que  estão  relacionados  a  diferenças  entre  a  apuração  (real  da  Impugnante)  e  a  obrigação  acessória.”.  Acrescenta  que  no  início  do  período  de  implantação da EFD­Contribuições foram necessários diversos ajustes (a crédito ou a  débito) para adequar a obrigação acessória ao tributo apurado e pago. Nesse sentido diz  que, apesar de na obrigação fiscal acessória (EFD­Contribuições) os produtos do item  “a”  (com  exceção  dos  produtos  de  informática  –  Lei  do  Bem  –  do  tópico  anterior)  constarem  como  sujeitos  à  alíquota  zero,  em  seu  sistema  fiscal  eles  encontravam­se  parametrizados para serem tributados, havendo, de fato, a efetiva tributação pela venda  e  a  tomada  de  créditos  pela  compra.  Para  demonstração  e  comprovação  de  suas  alegações a contribuinte anexa à impugnação, de forma amostral, telas do cadastro em  sistema fiscal (documento 06) e planilha extraída do sistema fiscal (documento 07), na  qual  são  informados,  por  ano,  os  valores  vendidos  e  os  valores  de  débito  das  contribuições (PIS e Cofins).   ­  g  –  “Itens  “a”,  “d”,  “e”,  “f”,  “g”  e  “h”  do  Termo  de  Verificação  Fiscal:  considerações gerais sobre a não­cumulatividade do PIS e da Cofins” – Nesse tópico  a interessada, por meio de um longo arrazoado, com a reprodução de algumas posições  doutrinárias e  jurisprudenciais, sustenta que a  legislação infraconstitucional não pode  mitigar o princípio da não cumulatividade insculpido no § 12, art. 195 da Carta Magna  de  1988.  Defende,  também,  que  todas  as  despesas  necessárias  a  geração  da  receita/faturamento  devem  ser  passíveis  de  creditamento  e  que  o  rol  de  despesas  constantes dos artigos 3º das Lei nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, é apenas  exemplificativo.   ­ h – “Itens “f”  e “g” do TVF: a  fiscalização glosa  créditos  contabilizados pela  Impugnante  sobre aquisição de bens  e  serviços  relacionados diretamente com a sua  atividade” – Argumenta que a glosa efetuada em referidos itens contraria a aplicação  Fl. 2208DF CARF MF Processo nº 19311.720294/2015­07  Acórdão n.º 3301­004.483  S3­C3T1  Fl. 2.209          9 da sistemática da não cumulatividade, em face de os bens e serviços deles constantes  estarem diretamente relacionados com sua atividade.   ­  h1.  “Aquisição  de  gás  liquefeito  de  petróleo  e  óleo  diesel”  –  Defende  que  as  despesas com o gás liquefeito de petróleo e o óleo diesel utilizados nos geradores de  energia elétrica das lojas devem ser enquadradas no dispositivo legal que oportuniza os  contribuintes a tomarem crédito sobre o consumo de energia elétrica. Argumenta que  para efeitos do crédito não existe diferença entre gerar e consumir energia elétrica  e  que  o  entendimento  da  fiscalização  destoa  do  contexto  econômico/social  (crise  energética) pelo qual o país passa. Diz, também, que existe outro dispositivo legal que  autoriza  a  tomada  de  créditos  sobre  combustíveis,  ficando  clara,  portanto,  a  possibilidade  do  crédito  aventado.  Para  demonstração  de  seus  argumentos  junta,  por  amostragem, documentos comprobatórios de compra de vários grupos de geradores de  energia  elétrica  (documento  09)  e  de  cópia  de  notas  fiscais  de  compra  de  GLP,  utilizado nos geradores.   ­ h2 – “Aquisição de Equipamento de Proteção  Individual  (EPI) e Uniformes.” –  Defende que os gastos com referidos  itens são fundamentais para o desenvolvimento  de  suas  atividades,  principalmente  no  comércio  varejista  de  produtos  alimentícios,  e  que  a  legislação  trabalhista  brasileira  prevê  a  obrigatoriedade  de  fornecimento  de  equipamentos de proteção individual bem como de uniformes para os funcionários da  empresa.   ­ h3 – “Dispêndios com tarifas de cartão de crédito e de compras (charges cards)”  ­  Argumenta  que  as  despesas  relativas  ao  pagamento  de  taxas  cobradas  pelas  operadoras  de  cartões  (de  débito  e  de  crédito)  demonstram­se  essenciais  e  indissociáveis da geração de receitas da empresa, uma vez que uma parte significativa  do  faturamento  decorre  de  pagamentos  realizados  por  referido  meio  (cartão).  Em  reforço ao entendimento favorável à tomada do crédito, salienta que as taxas cobradas  pelas administradoras de cartão estão sujeitas ao pagamento das contribuições.   ­ h4 – “Dispêndios com manutenção de equipamentos e instalações” – Defende que  essa  rubrica  referem­se  às  despesas  de  armazenagem  efetuadas  com  a  empresa  REFRIO – Armazéns Gerais Frigoríficos S/A (documento 12) e outros  fornecedores,  para as quais existe disposição expressa em lei para a tomada do crédito.   ­  h5  –  “Dispêndios  com  depreciação  de  ativos”  –  Argumenta  que  os  gastos  efetuados  nesse  item  referem­se  a  bens  do  ativo  permanente  (como  por  exemplo:  gôndolas,  equipamentos  de  refrigeração,  equipamentos  de  padaria,  geladeiras,  empilhadeiras  e  estantes  de  armazenagem  dos  CD)  essenciais  para  a  atividade  comercial da empresa. Diz, também, que existe dispositivo legal expresso que autoriza  o creditamento e que juntou, por amostragem (documento 13), cópia de notas fiscais de  compra dos bens cujas despesas com depreciação foram glosadas.   ­ h6 – “Dispêndios com IPTU” – Defende que as despesas de aluguéis de prédios  englobam  todos  os  valores  pagos  pelo  locatário  ao  locador.  Para  essa  tese,  utiliza  o  posicionamento do STJ e da Solução de Consulta RFB nº 45, de 26 de abril de 2002,  que entendem que o valor relativo ao IPTU, pago pelo locatário, integra o rendimento  bruto do  locador. Nesse  sentido,  sustenta que a previsão  legal de  tomada de  créditos  sobre o valor dos aluguéis de prédios engloba os valores de IPTU pagos pelo locador  ao locatário. Para demonstrar a pertinência de seus argumentos junta, por amostragem,  cópia dos  contratos  de  locação de  imóveis nos quais  suas  lojas  funcionam e para  as  quais efetuou o pagamento de IPTU.  ­  h7  – “Dispêndios  com  ICMS­ST” –  Sustenta  que  os  impostos  não  recuperáveis  (como no caso do ICMS – Substituição tributária), em consonância com o art. 289, §  3º,  do  Regulamento  do  Imposto  de  Renda  de  1999  (RIR/99),  compõem  o  custo  de  aquisição das mercadorias, sendo legítima, portanto, a  inclusão dessa rubrica na base  de cálculo dos créditos de PIS e Cofins a serem tomados. Argumenta, em reforço ao  Fl. 2209DF CARF MF Processo nº 19311.720294/2015­07  Acórdão n.º 3301­004.483  S3­C3T1  Fl. 2.210          10 seu  entendimento,  que  nem  nas  Leis  nº  10.637/2002  e  nº  10.833/2003  e  nem  na  Instrução Normativa SRF nº 404/2004 consta disposição expressa de que o ICMS­ST  não integra a base de cálculo das contribuições, devendo­se entender, portanto, que ele  faz parte de referidas bases de cálculo dos produtos comprados e, consequentemente,  que concedem direito ao crédito das contribuições.   ­ h8 – “Dispêndios com fretes entre CD e outros estabelecimentos” – Argumenta  que  as  despesas  com  fretes  entre  filiais  são  passíveis  de  crédito  por  dois  motivos.  Primeiramente,  em  razão  da  aplicação  do  princípio  da  não  cumulatividade,  anteriormente defendido, e, em segundo, por que entende que a legislação autoriza a  tomada de crédito. Diz que a  interpretação da legislação deve ser  realizada de forma  conjunta,  entendendo­se  que  no  custo  de  aquisição  das  mercadorias  destinadas  à  revenda  devem  ser  considerados  todos  os  custos  de  transporte,  inclusive  aqueles  realizados dentro da própria empresa. Para comprovação dos créditos tomados,  junta,  por  amostragem  (documento  15),  conhecimentos  de  transportes  de  fretes  realizados  entre os estabelecimentos da empresa.   ­  h9  –  “Dispêndios  com  armazenagem  de  produtos  importados  e  com  despesas  aduaneiras”  –  Nesse  item  a  interessada  defende  as  despesas  de  armazenagem  de  produtos importados argumentando que em seus controles inexiste distinção entre este  tipo  de  armazenagem  e  aquela  realizada  para  produtos  nacionais  (item  h.4).  Nesse  sentido, diz que cabem aqui os mesmos argumentos trazidos no item precedente. Em  relação  às  despesas  aduaneiras  sustenta  que  elas  integram  o  valor  do  custo  da  mercadoria importada e que a própria RFB, por meio da Solução de Consulta nº 93, de  20 de abril de 2006, já reconheceu a possibilidade de creditamento sobre elas.   ­  i  –  “Item  ‘h’  do  TVI:  ‘Desconto  de  créditos  sobre  serviços  utilizados  como  insumos, informados na linha 03 das fichas 06A e 16A do DACON de março de 2011,  não  especificados  na  escrituração  contábil  nem  identificados  pelo  contribuinte”  –  Nesse  item a contribuinte  informa que os valores glosados  se  referem basicamente a  despesas  aduaneiras  e  tarifas  de  cartões  de  crédito  ou  de  compra  ‘charge  cards’  e  reafirma a defesa sustentada em tópicos anteriores, tendo em vista que esses créditos já  foram discutidos em itens h.3 e h.9.   ­ j – “Ilegitimidade da multa de ofício” – Argumenta, primeiramente, que a multa  de  ofício  deve  ser  afastada,  tendo  em  vista  o  entendimento  de  que  a  autoridade  lançadora, ao  teor do que dispõe o  art. 142 do CTN,  somente propõe a aplicação da  multa  de  ofício. Defende,  também,  a necessidade de  se  individualizar  a  pena  (multa  punitiva)  de  acordo  com  a  conduta  praticada  no  caso  concreto  e  de  aplicar­lhe  os  princípios da isonomia e da proporcionalidade. Nesse sentido, afirma que a autoridade  julgadora deve levar em conta o histórico da empresa (empresa idônea que não possui  pecha de sonegador), que existem argumentos plausíveis para o não recolhimento das  contribuições  e  que  a  interpretação  da  legislação,  relativamente  aos  créditos,  é  legítima, sendo necessária a aplicação da equidade e dos princípios da isonomia e da  proporcionalidade para individualizar a multa a ser aplicada. Adicionalmente, sustenta,  com  base  em  acórdãos  de  tribunais,  que  a  vedação  ao  confisco  se  aplica  às  multas  fiscais e que confiscatoriedade da multa deve ser aplicada ao caso concreto, de forma a  dosar (proporcionalizar) a multa ao ilícito cometido.   ­  k  – “Não  incidência  de  juros  de mora  sobre  a multa  aplicada” – Defende,  de  forma preventiva, que o art. 61 da Lei nº 9.430/96 não concede o suporte necessário  para  que  ocorra  a  incidência  de  juros  de  mora  sobre  o  valor  da  multa  de  ofício  aplicada.  Acrescenta  que  a  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  já  pacificou  o  entendimento no sentido da ilegalidade da mencionada incidência.      Fl. 2210DF CARF MF Processo nº 19311.720294/2015­07  Acórdão n.º 3301­004.483  S3­C3T1  Fl. 2.211          11 Ao  final,  requer  a  improcedência  dos  lançamentos  contestados,  e  subsidiariamente, o afastamento ou redução da multa de ofício e a aplicação dos juros de mora  somente  sobre  os  valores  das  contribuições  lançadas.  E,  por  fim,  pede  que  seja  atribuída  à  legislação a interpretação que lhe for mais favorável, em obediência ao art. 112 do CTN.  A  3ª  Turma  da  DRJ/CTA  converteu  o  julgamento  em  diligência  para  que  a  unidade  de  origem  esclarecesse  e/ou  corrigisse,  3  (três)  pontos  relativos  à  argumentação/documentação apresentada em sede de impugnação, nos termos do despacho de  diligência (e­fls. 1.961 a 1.965):    Analisando­se a legislação de regência da matéria, bem como os documentos juntados  ao processo, constata­se, em relação às argumentações constantes dos itens de (A) a (C),  que:   ­ (a) – ‘Erro na apuração dos valores de PIS e Cofins em relação a suposta utilização no  DACON de valores inferiores aos escriturados em conta contábil de resultado PIS e Cofins  sobre faturamento’ – (itens ‘7.b’ e ‘7.c’ do Termo de Verificação Fiscal) Aparentemente o  documento  nº  04  (fls.  1764),  em  consonância  com  alegações  da  interessada,  indica  que  pode existir erro nas contas das contribuições (PIS ­ 301203 e Cofins – 301207) dos meses  de janeiro a junho de 2011, constantes da Escrituração Fiscal Digital – Contribuições, uma  vez  que  referido  documento  demonstra  a  existência  de  ajustes  relativos  a  inclusões  e  exclusões  de  receitas  que  impactariam  na  apuração  dos  valores  das  bases  de  cálculo  e,  consequentemente, nos valores dos débitos das contribuições.   ­ (b) – ‘Item ‘a’ do Termo de Verificação Fiscal: nem todos os produtos apontados eram  tributados.’ – (item ‘7.a’ do Termo de Verificação Fiscal) Aparentemente o documento nº  05 (fls. 1766 a 1768) indica que a contribuinte, ao realizar a apuração das contribuições,  levou  em  conta  as  receitas  relativas  aos  produtos  de  informática  (‘inclusão  digital’)  que  não  estavam  sujeitos  à  aplicação  da  alíquota  zero  e  que  pode,  portanto,  ter  havido  um  lançamento  indevido  sobre  referidos  valores  de  receita.  Ainda,  em  relação  à  venda  de  produtos  relacionados  no  art.  28  da  Lei  nº  11.196,  de  2005  (computadores,  notebook  e  tablet), os quais poderiam estar sujeitos à aplicação da alíquota zero, constata­se que não é  possível  determinar,  somente  com  a  planilha  elaborada  pela  fiscalização  (‘DETALHAMENTO  DAS  VENDAS  DE  MERCADORIAS  CALCULADAS  À  ALÍQUOTA ZERO, MAS SUJEITAS À 1,65% DE PIS E 7,6% DE COFINS’, constante  às fls. 1371 a 1476), se referidas vendas estão de acordo com as exigências do Decreto nº  5.602, de 6 de dezembro de 2005, que estabelece limite de valor de venda individual para  cada tipo de produto vendido, posto que em citada planilha as glosas foram realizadas pelo  valor total de venda mensal de cada produto.   ­  (c)  –  ‘Item  ‘a’  do  Termo  de  Verificação  Fiscal:  divergência  entre  a  apuração  da  Impugnante, com base na qual as contribuições foram recolhidas, e a EFD (ajustes no EFD  não  considerados  pela  fiscalização).’  –  (item  ‘7.a’  do  Termo  de  Verificação  Fiscal)  Aparentemente  os  documentos  nº  06  e  07  (fls.  1769  a  1781)  indicam  que  parte  dos  produtos  informados  na  Escrituração  Fiscal  Digital  –  Contribuições  como  sujeitos  à  alíquota  zero  podem  ter  sido  tributados  pela  contribuinte  quando  da  apuração  das  contribuições  devidas,  demonstrando­se  que  as  informações  constantes  da  obrigação  acessória  (ECD­Contribuições),  em  conformidade  com  alegações  da  interessada,  devem  ser ajustadas pelos lançamentos contábeis que tenham, porventura, modificado os valores  das bases de cálculo e, consequentemente, os valores dos débitos das contribuições.   Assim, diante dos fatos acima relatados e considerando:   ­  que  o  procedimento  fiscal  teve  como base  a  escrituração  contábil  digital  ­ ECD da  contribuinte;   ­ que a análise realizada pela autoridade a quo refere­se a um período de 3 (três) anos de  atividade de um hipermercado com diversas filiais espalhadas pelo país, com uma enorme  quantidade de lançamentos e documentos contábeis;   Fl. 2211DF CARF MF Processo nº 19311.720294/2015­07  Acórdão n.º 3301­004.483  S3­C3T1  Fl. 2.212          12 ­  que  a  fiscalização,  em  decorrência  dos  dois  itens  precedentes,  juntou  ao  processo  somente planilhas que resumem o trabalho fiscal realizado;   ­ que  a  interessada,  seguindo o mesmo modo de operação utilizado pela  fiscalização,  juntou  ao  processo  unicamente  planilhas,  desacompanhadas  de  qualquer  documentação  contábil  ou  fiscal,  com  extrações  e  detalhamentos  específicos  relativos  aos  pontos  de  discordância;   ­  e  que  é  impossível,  somente  com  os  documentos  juntados  ao  processo,  que  essa  autoridade administrativa se posicione sobre as alegações constantes dos itens (A) a (C);   ­ proponho o retorno do processo a unidade de origem para que a escrituração digital da  contribuinte  seja  analisada  de  forma  a  considerar  as  alegações  dos  itens  (A)  a  (C)  e  as  constatações  dos  itens  (a)  a  (c)  e,  se  for  o  caso,  para  que  se  efetue  o  recálculo  da  insuficiência de recolhimento das contribuições (PIS e Cofins).      A diligência foi realizada e no relatório ficou consignado que:    Durante os trabalhos foram apreciados os argumentos apresentados pelo contribuinte na  impugnação  e  revisados  os  procedimentos  da  fiscalização,  bem  como  os  DACON,  a  Escrituração  Contábil  Digital  –  ECD  e  a  Escrituração  Fiscal  Digital  –  EFD  –  Contribuições, chegando­se às conclusões a seguir relacionadas.  Quanto  ao  item  (A) – “Erro na apuração dos  valores de PIS  e Cofins  em  relação a  suposta utilização no DACON de valores inferiores aos escriturados em conta contábil de  resultado PIS e Cofins sobre faturamento”, não assiste razão ao impugnante, tendo em  vista que a variação dos saldos mensais das contas contábeis de  resultado 301203 – PIS  SOBRE FATURAMENTO e 301207 – COFINS devem sim ser coincidentes, para efeito  da  apuração dessas  contribuições,  com os montantes  informados na  linha 01. Receita de  Vendas  de  Bens  e  Serviços  –  alíquota  de  1,65%  da  ficha  07B  –  Cálculo  para  a  Contribuição do PIS/Pasep – Regimes Não­Cumulativo e Não­Cumulativo do DACON, e  na  linha  01.  Receita  de Vendas  de Bens  e  Serviços  –  alíquota  de  7,6%  da  ficha  17B  –  Apuração  da  Cofins.  Os  valores  menores  que  os  apurados  nas  mencionadas  contas  contábeis  considerados  no  Dacon  implicaram  em  cálculo  e  recolhimento  do  PIS  e  da  Cofins  em  valores menores  que  os  efetivamente  devidos,  o  que motivou  lançamento  de  ofício do crédito tributário.  A alegação de que as contas contábeis incluiriam outras receitas, tais como as auferidas  com aluguéis  e  outros  ajustes,  não  pode  ser  aceita,  uma  vez  que  as mencionadas  contas  referem­se  ao  PIS  e  à  Cofins  deduzidos  das  receitas  das  revendas  de  mercadorias  para  efeito do resultado.  A  esse  respeito,  segue  anexo  a  este  relatório  o  ARQUIVO  NÃO  PAGINÁVEL  –  BALANCETES, que demonstram como estão contabilizadas as receitas do contribuinte.  Quanto ao item (B) – “Item ‘a’ do Termo de Verificação Fiscal: nem todos os produtos  apontados eram tributados.”, assiste em parte razão ao contribuinte, uma vez que uma  vez que os tablets relacionados no “Detalhamento das Vendas de Mercadorias Calculadas à  Alíquota Zero, mas sujeitas a 1,65% de PIS e a 7,65 de Cofins” do demonstrativo anexo ao  Termo  de  Verificação  Fiscal  (fls.  1349  e  seguintes  deste  processo),  que  o  impugnante  tributou  indevidamente à  alíquota zero das  contribuições,  são  totalmente  importados,  e  nada  tem  a  ver  com  os  benefícios  fiscais  previstos  para  o  processo  básico  produtos  de  informática  com  produção  parcial  ou  total  no  país.  A  esse  respeito,  vide  o  ARQUIVO  NÃO PAGINÁVEL –  INFORMÁTICA  ­  IMPORTADOS, onde  consta nas notas  fiscais  eletrônicas de compras, especificamente no campo “Origem da Mercadorias”, que tratam­ se de produtos de importação direta e, portanto, comercializados sem qualquer processo de  industrialização em território nacional. Já os notebooks marca Asus, modelo S400,  tem o  benefício fiscal do Programa de Inclusão Digital previsto na Lei nº 11.196, de 2005, e por  esse  motivo  os  correspondentes  lançamentos  dos  PIS  e  da  Cofins  foram  cancelados,  Fl. 2212DF CARF MF Processo nº 19311.720294/2015­07  Acórdão n.º 3301­004.483  S3­C3T1  Fl. 2.213          13 conforme  consta  no  ARQUIVO  NÃO  PAGINÁVEL  –  LANÇAMENTOS  RECALCULADOS.  Vale ainda lembrar que os monitores de computador, revendidos isoladamente, não são  contemplados  pelos  benefícios  fiscais  da  legislação  que  rege  o  Programa  de  Inclusão  Digital.  Quanto C) – “Item ‘a’ do Termo de Verificação Fiscal: divergência entre a apuração  da Impugnante, com base na qual as contribuições foram recolhidas, e a EFD (ajustes no  EFD não considerados pela fiscalização) – não assiste razão ao contribuinte, porque, em  atendimento  ao  Termo  de  Intimação  Fiscal  nº  0005,  de  18/03/2015  (fls.  25  do  PAF),  relacionou  vários  produtos  revendidos  sujeitos  à  alíquota  de  1,65% do  PIS  e  a  7,6% da  Cofins  compondo  as  receitas  de  vendas  consideradas  à  alíquota  zero  na  apuração  das  contribuições, conforme consta nas linhas 08. Receita Tributada à alíquota Zero das fichas  07B e 17B dos DACON e, confrontado com esse fato, admitiu à fiscalização, na resposta  ao Termo de Constatação Fiscal nº 0001 (fls. 30/32 e 43 do PAF) que “verificamos que em  algumas lojas e em períodos determinados os itens tiveram sua saída sem tributação por  problemas de carga de regras fiscais em POS de lojas”.  Cabe  destacar  quanto  aos  itens  (B)  e  (C)  que  os  valores  do  PIS  e  da  Cofins  foram  apurados pelo contribuinte nos DACON e os valores devidos declarados como débitos nas  correspondentes DCTF – Declaração de Contribuições e Tributos Federais (vide fls. 58 a  499 do PAF). Dessa forma, aqueles produtos cujas receitas de vendas foram erroneamente  classificadas  à  alíquota  zero  pelos  sistemas  informatizados  do  contribuinte  ou  na  Escrituração  Fiscal  Digital  –  EFD  ­  Contribuições,  permaneceram  nessa  situação  na  apuração  demonstrada  nos  DACON,  isto  é,  compondo  os  montantes  informados  nas  linhas 08. Receita Tributada à Alíquota Zero das fichas 07B e 17B e, consequentemente,  não ocorreu qualquer ajuste manual para compensar tais diferenças.    Cientificada  do  resultado  da  diligência,  a  Recorrente  apontou  o  desacerto  da  fiscalização:    Item (A) ­ Argumenta que os  lançamentos efetuados pela fiscalização partiram de  premissa equivocada, ao comparar os valores dos lançamentos registrados nas contas  nº 301203 (PIS sobre o faturamento) e nº 301207 (Cofins sobre o faturamento) com os  valores  informados  nos Dacon  (Receita  da Venda  de Produtos  e  Serviços  + Demais  Receitas)  nas  fichas  07B  e  17B,  respectivamente.  Diz  que  a  suposta  diferença  encontrada refere­se aos valores de PIS e de Cofins apurados sobre receitas do regime  cumulativo,  sobre  outras  receitas,  sobre  receitas  de  produtos  sujeitos  à  alíquotas  diferenciadas  e  receitas  de  produtos  cobrados  por  unidade  ou medida  de produto,  as  quais foram informadas nas diversas fichas/linhas dos Dacon. Ressalta, nesse sentido,  que  as mencionadas  contas  contábeis  registram  todos  os  valores  de  PIS  e  de Cofins  devidos, calculados  sobre as  receitas das atividades próprias da empresa (comércio e  prestação de serviços). Diz, em outras palavras, que os valores das contribuições (para  o  PIS  e  para  a  Cofins),  decorrentes  de  qualquer  modalidade  de  regime/tributação  (cumulativo,  não  cumulativo,  alíquotas  diferenciadas  ou  alíquotas  por  unidade  ou  medida de produto) são todos registrados nas citadas contas contábeis.   Reclama que a fiscalização, na realização da diligência solicitada pela DRJ, insistiu  no lançamento de valores que não se coadunam com a legislação, uma vez que, além  de não  se dignar  a  intimar  a  interessada para o esclarecimento  dos  fatos  indicados  e  justificados na impugnação, reafirma uma premissa comprovadamente equivocada, de  comparação entre os valores informados nas linhas 3 das fichas 07B e 17B dos Dacon  com as contas contábeis nº 301203 e 301207.   Acrescenta  que,  no  período  de  janeiro  a  maio  de  2011,  uma  parte  das  receitas  contabilizadas  nas  mencionadas  contas,  relativa  à  venda  de  equipamentos  de  informática, não são tributáveis, por estarem abrangidos pela alíquota zero, prevista na  Fl. 2213DF CARF MF Processo nº 19311.720294/2015­07  Acórdão n.º 3301­004.483  S3­C3T1  Fl. 2.214          14 Lei 11.196, de 2005, conforme já devidamente comprovado pelo doc. 04, apresentado  em conjunto com a impugnação.   Por  último,  insurge­se  contra  as  glosas  de  crédito  sobre  os  valores  de  ICMS­ST,  efetuados  nos  períodos  de  abril  a  junho  de  2011.  Diz  que  com  a  referida  glosa,  na  prática, a fiscalização acaba por “cobrar/lançar” os valores excluídos pela interessada  da  base  de  cálculo  em  duplicidade,  conforme  ficou  evidenciado  no  item  “g”  da  impugnação apresentada.   Item (B) ­ Nesse item a interessada explica, novamente, que como os seus sistemas  não estavam preparados para efetuar a distinção entre os produtos vendidos em combo  (monitor, teclado, mouse e CPU) e os vendidos de forma separada, todos os produtos  de  informática  eram  classificados  inicialmente  como  sendo  não  tributáveis  e,  manualmente,  eram  separadas  as  vendas  que  não  se  qualificavam  na  Lei  do  Bem,  incluindo­lhes a rubrica “Inclusão Digital”.   Sustenta,  assim,  sobre  a  venda  de monitores  de  computador,  que  nem  todos  eles  foram  tributados  à  alíquota  zero.  Para  demonstração  de  que  observava  a  necessária  tributação quanto ocorria a venda de um monitor que não estava sujeito à aplicação da  alíquota  zero,  reproduz  telas  de  seu  sistema  de  contabilização  (SAP),  dos meses  de  outubro e novembro e tela do razão, referentes à apuração dos valores de PIS e Cofins  das vendas dos produtos da “Inclusão Digital”. Junta, também, arquivo não paginável  denominado  “Retificação Wal Mart Valores  do Lançamento.XLS,  por meio  do  qual  realiza a confrontação dos valores lançados pela fiscalização com os valores apurados  pela interessada.   Item (C) ­ Em relação a esse item a interessada sustenta que a fiscalização deveria  analisar  as operações de forma global,  considerando que:  (i)  se houve equívocos em  relação a aplicação da alíquota zero nas vendas efetuadas, por outro lado não houve a  tomada de crédito para essas mesmas mercadorias; (ii) se houve creditamento indevido  na entrada, também houve a tributação indevida na venda da mesma mercadoria; e (iii)  que  esse  problema,  quando  existente,  restringiu­se  em  algumas  lojas  da  empresa.  Afirma, também, que a apuração correta das contribuições (PIS e Cofins), foi realizada  pelo  sistema fiscal da empresa, exatamente de acordo com as  regras  fiscais vigentes,  tanto para o creditamento quanto para a tributação das vendas.   Nesse  sentido,  traz  como  o  exemplo  o  produto  de  código  471769  (Leite  Condensado Itambé – NCM 04029900), informado na obrigação acessória como sendo  de alíquota zero. Por meio de telas do razão e sistemas, tenta demonstrar que referido  produto, no mês de dezembro de 2013, sofreu a tributação das contribuições.    A 3ª Turma da DRJ/CTA deu provimento parcial à impugnação para:   ­  Cancelar  os  lançamentos  das  contribuições  de  PIS  e  de Cofins,  conforme  a  Tabela  1  abaixo  reproduzida,  linhas  Vlr  relativo  aos  Notebook,  bem  como  as  respectivas  multas  de  oficio  e  os  juros  legais,  relativos  à  infração  Insuficiência  de  Recolhimento  da  Contribuição, ressaltando­se que os valores dos créditos tributários que permanecem exigíveis  são os constantes da linha Valor Final Julgamento.    Fl. 2214DF CARF MF Processo nº 19311.720294/2015­07  Acórdão n.º 3301­004.483  S3­C3T1  Fl. 2.215          15     ­  Cancelar  o  valor  de  R$  200.000,00  do  lançamento  de  Cofins  de  novembro  de  2013,  bem  como  a  respectiva  multa  de  oficio  e  os  juros  legais,  relativo  à  infração  Créditos  Descontados  Indevidamente na Apuração da Contribuição, de  forma a alterar o valor do crédito  tributário exigível para o valor de R$ 2.659.870,01 (= R$ 2.859.870,01 – R$ 200.000,00).    O acórdão n° 06­05.000 restou assim ementado:       ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2011 a 31/12/2013   CONTESTAÇÃO DE  VALIDADE DE NORMAS VIGENTES.  JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA.   A  autoridade  administrativa  não  tem  competência  para,  em  sede de julgamento, negar validade às normas vigentes.   NULIDADE. PRESSUPOSTOS.   Ensejam  a  nulidade  apenas  os  atos  e  termos  lavrados  por  pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por  autoridade  incompetente  ou  com  preterição  do  direito  de  defesa.   PROVAS. INSUFICIÊNCIA.   A  mera  arguição  de  direito,  desacompanhada  de  provas  baseadas na escrituração contábil/fiscal do contribuinte, não  é suficiente para demonstrar a ocorrência dos fatos alegados  na impugnação.   GLOSA. ERRO DE TRANSCRIÇÃO. CANCELAMENTO   Comprovado o erro de fato na transcrição do valor de glosa  de crédito da contribuição, é de se cancelar o valor  lançado  indevidamente.   MULTA  DE  OFÍCIO.  EFEITO  CONFISCATÓRIO.  RAZOABILIDADE. PROPORCIONALIDADE.   Fl. 2215DF CARF MF Processo nº 19311.720294/2015­07  Acórdão n.º 3301­004.483  S3­C3T1  Fl. 2.216          16 Os  princípios  constitucionais  da  proporcionalidade,  razoabilidade  e  vedação  ao  confisco  são  dirigidos  ao  legislador,  cabendo  à  autoridade  administrativa  apenas  aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu.   ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP   PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2011 a 31/12/2013   TRIBUTAÇÃO. PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO  OU AO REGIME MONOFÁSICO. CONDIÇÕES.   A aplicação da alíquota  zero ou do regime monofásico deve  ser  realizada  nos  estritos  termos  previstos  na  legislação,  inexistindo autorização legal que permita que o contribuinte:  realize o desconto de créditos de produtos sujeitos ao regime  monofásico  ou  à  alíquota  zero  porque  na  revenda  destes  as  receitas foram incluídas na base de cálculo das contribuições;  ou aplique a alíquota zero na venda de determinados produtos  porque não houve apropriação de créditos nas aquisições.   TRIBUTAÇÃO.  PRODUTOS  SUJEITOS  À  ALÍQUOTA  ZERO. CANCELAMENTO.   Tendo  sido  identificado,  em  diligência  efetuada  pela  autoridade  a  quo,  que  determinados  equipamentos  estavam  sujeitos  ao  benefício  fiscal  do  programa  de  inclusão  digital  (Lei  do  Bem)  e,  por  consequência,  à  aplicação  de  alíquota  zero, deve­se cancelar os lançamentos efetuados, relativos às  respectivas receitas de vendas.   NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ROL EXAUSTIVO.   O conceito e o alcance da não cumulatividade encontram­se  inteiramente determinados na legislação, em elenco exaustivo  e pré­determinado, não sendo todo e qualquer custo, despesa  ou  dispêndio,  ainda  que  necessário  à  atividade  econômica  exercida  pelo  contribuinte,  que  pode  gerar  o  direito  ao  crédito.   NÃO  CUMULATIVIDADE.  CRÉDITO  SOBRE  ENERGIA  ELÉTRICA. COMBUSTÍVEIS. IMPOSSIBILIDADE.   O  direito  ao  crédito  sobre  a  aquisição  de  energia  elétrica  consumida  nos  estabelecimentos  da  pessoa  jurídica  não  abrange os dispêndios com aquisição de combustíveis (gás ou  óleo diesel) utilizados para a geração de energia.   NÃO  CUMULATIVIDADE.  CRÉDITO.  AQUISIÇÃO  DE  COMBUSTÍVEIS. CONDIÇÕES.   O  direito  ao  crédito  da  contribuição  sobre  a  aquisição  de  combustíveis  somente  é  possível  quando  esses  são  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação de bens ou produtos destinados à venda.   Fl. 2216DF CARF MF Processo nº 19311.720294/2015­07  Acórdão n.º 3301­004.483  S3­C3T1  Fl. 2.217          17 NÃO  CUMULATIVIDADE.  CRÉDITO.  ATIVO  IMOBILIZADO. CONDIÇÕES.   O  crédito  não  cumulativo  da  contribuição  calculado  sobre  encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado  somente  é  possível  quando  estes  são  adquiridos  ou  fabricados  para  locação  a  terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à  venda ou na prestação de serviços.   NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. ARMAZENAGEM DE  MERCADORIA E FRETE. CONDIÇÕES.   Para  ter  direito  ao  crédito  não  cumulativo  sobre  os  dispêndios  de  armazenagem  de  mercadoria  e  de  frete  estes  serviços  devem  ter  sidos  contratados  de  pessoa  jurídica  domiciliada no país, estar vinculados a operação de venda e  ter o ônus suportado pelo contribuinte.  NÃO  CUMULATIVIDADE.  CRÉDITO.  ICMS  SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE   O ICMS substituição tributária (ICMS­ST) não constitui custo  de  aquisição,  mas  uma  antecipação  do  imposto  devido  pelo  contribuinte substituído na operação de saída da mercadoria,  assim,  sobre  a  respectiva  parcela  não  há  previsão  de  apuração  de  créditos  de  PIS  ou  de  Cofins  para  fins  de  desconto da contribuição devida calculada no regime da não  cumulatividade.   ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL – COFINS  (...)    Em  recurso  voluntário,  o  contribuinte  repisou  os  mesmos  argumentos  de  sua  impugnação, acrescentado a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância em virtude  do cerceamento do amplo direito de defesa   É o relatório.  Voto             O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  reúne  os  requisitos  para  sua  admissibilidade, devendo ser conhecido.  Nulidade da decisão de primeira  instância em virtude do cerceamento do amplo direito  de defesa   Alega a nulidade da decisão de piso, por cerceamento de defesa,  com base no  art. 59, II do Decreto 70235/72. São seus argumentos:  Fl. 2217DF CARF MF Processo nº 19311.720294/2015­07  Acórdão n.º 3301­004.483  S3­C3T1  Fl. 2.218          18   Observa­se  que  a  fiscalização,  consciente  de  que  no  ramo  da  atividade  econômica da Recorrente  (Supermercados),  o  volume  de  operações  de  compra  e  venda  não  comportam  uma  análise  caso a  caso,  entendeu por bem efetuar o  lançamento  com base  em análise por amostragem.   Tal  fato, em si não configura maiores problemas, desde que as  suas  consequências  não  acarretem  prejuízos  para  a  defesa  da  Recorrente.   É que ao elaborar a sua defesa e a sua manifestação acerca da  diligência  (aditamento  à  impugnação),  da mesma  forma  que  a  fiscalização  ao  efetuar  o  lançamento,  a  Recorrente  também  se  utilizou de amostragens para demonstrar os fatos ocorridos, que  demonstravam  os  equívocos  laborados  pela  fiscalização,  que  acabaram por macular o lançamento.   Ocorre  que  ao  analisar  tanto  o  Auto  de  infração  lavrado  pela  fiscalização  quanto  à  defesa  apresentada  pela  Recorrente,  a  DRJ­CTA aplicou dois pesos e duas medidas.   Ao  analisar  o  Auto  de  infração,  que  nas  próprias  palavras  do  Auditor  Fiscal,  foi  lavrado  com  base  em  análise  por  amostragem,  a  DRJ  entendeu  que  lá  estava  contida  demonstração das infrações.   Por  outro  lado,  ao  analisar  a  defesa  da  Recorrente,  mesmo  reconhecendo  que  existe  consistência  de  argumentação  e  dos  documentos apresentados, esses não conseguem comprovar que  a premissa adotada pela fiscalização estaria errada.   Ou seja, a maneira utilizada pela fiscalização para comprovar a  ocorrência dos  fatos  foi  acatada como bastante pela DRJ, mas  quando  a  mesma  forma  foi  utilizada  pela  Recorrente,  a  DRJ  entendeu  que  esta  não  se  prestava  para  comprovar  a  tese  defendida, no sentido de refutar as premissas da fiscalização.   Tal  cenário  é observado ao  longo de  todo o acórdão proferido  pela DRJ­CTA, que a  todo o momento afasta as demonstrações  efetuadas  pela  Recorrente,  por  entender  que  não  seriam  suficientes para demonstrar a sua tese.   Caso  a  Turma  Julgadora  fosse  coerente,  ao  acatar  a  forma  utilizada  pela  fiscalização  para  efetuar  o  lançamento,  deveria  também assim acatar para a demonstração de que  tal premissa  era equivocada. Como não o fez, acarretou claro prejuízo para a  Recorrente,  motivo  pelo  qual  deve  ser  anulada  a  decisão  recorrida, por preterição do direito de defesa da Recorrente.   Poderia, inclusive, ter a Turma Julgadora solicitado ao Auditor  Diligenciante  que  verificasse  (ou  “fosse  mais  a  fundo”)  nas  alegações da Recorrente.    Fl. 2218DF CARF MF Processo nº 19311.720294/2015­07  Acórdão n.º 3301­004.483  S3­C3T1  Fl. 2.219          19 Não vislumbro nulidade na decisão proferida pela DRJ, uma vez que analisou os  pontos suscitados pela defesa do contribuinte, para concluir que o mesmo não logrou êxito em  ilidir a constituição dos fatos jurídico­tributários pelos autos de infração.  Todos  os  argumentos  foram  justificados  e  acompanhados  de  suporte  nos  dispositivos legais correspondentes.   No caso,  trata­se de  inconformismo quanto  ao  resultado do  julgamento,  o que  não se confunde com nulidade por cerceamento de defesa.    MÉRITO    A Recorrente, ao discordar da DRJ, repisa os exatos termos da impugnação e do  aditivo à impugnação.  Assim,  considerando  que  os  argumentos  da  Recorrente  são  os  mesmos  já  enfrentados pela diligência e pela DRJ, entendo não haver necessidade de nova conversão do  feito em diligência.  Diante disso  e por  concordar  com os  termos da decisão  recorrida,  proponho a  adoção de seus fundamentos, e faço­o com suporte no art. 57, § 3º, do RICARF, com redação  da Portaria n° 329, de 2017.  A seguir, adota­se a fundamentação da recorrida (e­fls. 2032­2037), no tocante à  insuficiência no recolhimento das contribuições, verbis:    Mérito   A fiscalização, consoante o Termo de Verificação Fiscal e os autos de infração,  efetuou o lançamento das contribuições, com a aplicação das alíquotas de 1,65 / 7,6  % (PIS e Cofins), em dois tipos de infração. A primeira relativa à insuficiência no  recolhimento  das  contribuições,  dividida  em:  venda  de  mercadorias  sujeitas  à  alíquota de 1,65 / 7,6 %, para as quais foi aplicada a alíquota 0%; e diferenças de  PIS/Cofins  sobre vendas entre ECD e Dacon. E  a  segunda  relativas às glosas:  de  créditos sobre compras de produtos sujeitos à alíquota zero ou monofásicos; e de  créditos sobre serviços por falta de previsão legal.   Destaque­se que nos autos de infração o primeiro tipo foi lançado como infração  relativa  à  Insuficiência  de  Recolhimento  da  Contribuição  (para  o  PIS  e  para  a  Cofins) e a segunda como infração relativa a Créditos Descontados Indevidamente  na Apuração da Contribuição.   Da Insuficiência no Recolhimento das Contribuições   A mencionada infração refere­se:   ­  Consoante  o  item  “7.a”  do  Termo  de  Verificação  Fiscal,  a  venda  de  mercadorias  que  estavam  sujeitas  à  alíquota  de  1,65  /  7,6% mas  que  tiveram  as  contribuições  calculadas  à  alíquota  de  0%,  nos  períodos  de  apuração  de  2011  a  dezembro  de  2013.  Sustenta  a  fiscalização  que  houve  a  aplicação  indevida  de  alíquota  zero  na  revenda  de  produtos  como: monitores  de  computadores,  esteiras  elétricas, óleo de soja (antes de 08/03/2013), açúcar (antes de 08/03/2013), fogão,  biscoitos,  bombons,  refrigeradores,  achocolatados  em  pó,  azeites  (antes  de  08/03/2013),  fraldas,  meias,  cafeteiras,  café  (antes  de  08/03/2013),  toalhas,  Fl. 2219DF CARF MF Processo nº 19311.720294/2015­07  Acórdão n.º 3301­004.483  S3­C3T1  Fl. 2.220          20 absorventes íntimos, aspiradores de pó, detergentes, filmadoras, aparelhos de som,  cartuchos de tinta, combo 300 fotos, “joypad”,  taças para bebidas, creme de leite,  leite  condensado,  notebook  marca  Asus,  modelo  S400,  importado,  tablet  marca  Acer, modelo 7, importado, tablet marca Sony, modelo SGPT112, importado, sucos  de frutas da posição 20.09, néctar de frutas da posição 2202.90.00, ex 02, pizzas da  posição NCM 1905.90.90, tortas, doces e mousses.   ­ Conforme justificado nos itens “7.b” e “7.c” do Termo de Verificação Fiscal, a  diferenças de PIS/Cofins sobre vendas entre ECD e Dacon, nos meses de janeiro a  junho de 2011. Alega a autoridade a quo que a contribuinte informou nos campos  dos  Dacon  valores  inferiores  aos  escriturados  nas  contas  contábeis  de  resultado  301203 – PIS sobre faturamento e 301207 – Cofins sobre faturamento.   Aplicação Indevida da Alíquota Zero   Em  relação  a  essa  infração  a  interessada  apresentou  os  argumentos  constantes  dos itens: “d” ­ “Itens ‘a’, ‘d’ e ‘e’ do Termo de Verificação Fiscal: ausência de  repercussão tributária quanto às supostas infrações apontadas pela fiscalização.”;  “e” ­ “Item ‘a’ do Termo de Verificação Fiscal: nem todos os produtos apontados  eram tributados.”; e “f” ­ “Item ‘a’ do Termo de Verificação Fiscal: divergência  entre  a  apuração  da  Impugnante,  com  base  na  qual  as  contribuições  foram  recolhidas, e a EFD (ajustes no EFD não considerados pela fiscalização).   Note­se,  também,  que  os  últimos  dois  itens  mencionados  (“e”  e  “f”)  foram  objetos  da  diligência  (solicitada  no  Despacho  nº  2,  desta  3º  turma  da  DRJ)  realizada  pela  autoridade  a  quo,  conforme  o  Relatório  de  Diligência  Fiscal  apensado às fls. 1.974 a 1.978.   Primeiramente,  no  tocante  a  alegada  ausência  de  repercussão  tributária  nos  procedimentos aplicados pela interessada, deve­se dizer que inexiste na legislação  qualquer previsão  legal que autorize as “compensações” almejadas: no sentido de  aplicar  indevidamente  a alíquota zero na venda de determinados produtos porque  não  houve apropriação  de  créditos  nas  aquisições:  ou  de  autorizar  o  desconto  de  créditos de produtos  sujeitos  ao  regime monofásico ou  à alíquota  zero porque na  revenda  destes  as  receitas  foram  incluídas  na  base  de  cálculo  das  contribuições.  Portanto,  em  que  pese  os  procedimentos  mencionados,  a  princípio,  não  ocasionarem prejuízo à Fazenda Nacional, o fato é que, em razão do princípio da  legalidade, não se pode admitir que eles sejam adotados.   Em  segundo,  quanto  aos  produtos  de  informática,  constata­se  que,  após  a  realização da diligência, restaram para discussão de mérito os lançamentos sobre as  vendas  de  tablets  e  monitores  (relacionados  no  “Detalhamento  das  Vendas  de  Mercadorias Calculadas à Alíquota Zero, mas sujeitas a 1,65% de PIS e a 7,65 de  Cofins”  do  demonstrativo  anexo  ao  Termo  de  Verificação  Fiscal),  já  que  a  fiscalização  reconheceu  que  os  notebooks  marca  Asus,  modelo  S400,  estavam  sujeitos  ao  benefício  fiscal  do  Programa  de  Inclusão  Digital  previsto  na  Lei  nº  11.196,  de  2005,  e  por  esse  motivo  indicou  a  necessidade  de  alteração  dos  lançamentos  (de  PIS  e  Cofins),  conforme  o  ARQUIVO  NÃO  PAGINÁVEL  –  LANÇAMENTOS RECALCULADOS.   Assim, quanto à receita de vendas dos notebook mencionados, é de se adotar as  alterações propostas pela autoridade a quo, de forma a excluí­las dos lançamentos,  alterando­se  o  total  da  infração  relativa  à  Insuficiência  de  Recolhimento  das  Contribuições (PIS e Cofins), conforme a Tabela 1 abaixo transcrita. (...)  No tocante aos tablets, a fiscalização esclarece (na diligência efetuada) que eles  não estavam sujeitos à alíquota zero, disposta no art. 28 da Lei nº 11.196, de 2005,  pois  tratam­se  de  produtos  importados  que  não  foram  submetidos  a  processo  Fl. 2220DF CARF MF Processo nº 19311.720294/2015­07  Acórdão n.º 3301­004.483  S3­C3T1  Fl. 2.221          21 produtivo  básico.  Nesse  sentido,  apensa  ao  processo  o  ARQUIVO  NÃO  PAGINÁVEL  –  INFORMÁTICA  ­  IMPORTADOS,  do  qual  constam  as  notas  fiscais  eletrônicas  de  compras  que  demonstram,  especificamente  no  campo  “Origem da Mercadorias”, que os  tablets em questão foram objeto de  importação  direta  e,  obviamente,  comercializados  sem  qualquer  processo  de  industrialização  em território nacional.   Ao se analisar a legislação de regência da matéria e os documentos juntados ao  processo, constata­se que a autoridade a quo tem razão.   Relativamente  aos  períodos  para  os  quais  foram  realizados  lançamentos  tributários sobre a receita da venda de tablets (de setembro/2012 a dezembro/2013,  conforme  o  “Detalhamento  das  Vendas  de  Mercadorias  Calculadas  à  Alíquota  Zero,  mas  sujeitas  a  1,65%  de  PIS  e  a  7,65  de  Cofins”,  anexo  ao  Termo  de  Verificação Fiscal) o art. 28 da Lei 11.196 dispunha:   “Art.  28.  Ficam  reduzidas  a  0  (zero)  as  alíquotas  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta de venda a varejo:   (...)   §  1º  Os  produtos  de  que  trata  este  artigo  atenderão  aos  termos  e  condições  estabelecidos em regulamento, inclusive quanto ao valor e especificações técnicas.   (...)” (Grifos Nossos)   Por  seu  turno,  no  mesmo  período,  a  regulamentação  exigida  pela  lei  acima  encontrava­se disposta no Decreto nº 5.602, de 06 de dezembro de 2005, com as  alterações efetivadas pelo Decreto nº 7.715, de 3 de abril de 2012, que previa:   Art. 1º Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP  e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, a varejo, de:   (...)   VI ­ máquinas automáticas de processamento de dados, portáteis, sem teclado,  que tenham uma unidade central de processamento com entrada e saída de dados  por meio de uma tela sensível ao toque de área superior a 140 cm2 e inferior a 600  cm2, e que não possuam função de comando remoto (Tablet PC) classificadas na  subposição 8471.41 da TIPI. (Incluído pelo Decreto nº 7.715, de 2012)   (…)   Art. 2º­A. No caso do  inciso VI do caput do art. 1º e observado o disposto no  inciso  VI  do  art.  2o,  a  redução  a  zero  das  alíquotas  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da  COFINS  alcança  somente  os  Tablets  PC  produzidos  no  País  conforme processo produtivo básico estabelecido em Portaria Interministerial dos  Ministérios  do  Desenvolvimento,  Indústria  e  Comércio  Exterior  e  da  Ciência,  Tecnologia e Inovação. (Incluído pelo Decreto nº 7.715, de 2012)   (...) (Grifos Nossos)   Veja­se,  portanto,  que,  no  período  tratado,  os  tablets  importados  não  estavam  sujeitos  à  norma  acima  transcrita,  uma  vez  que  a  aplicação  da  alíquota  zero  das  contribuições era restrita aos equipamentos produzidos no país conforme processo  produtivo  básico  (estabelecido  em  ato  conjunto  dos  Ministérios  do  Desenvolvimento,  Indústria  e  Comércio  Exterior,  e  da  Ciência,  Tecnologia  e  Inovação).   Na  questão  documental,  vê­se  que  inexistem  dúvidas  quanto  à  origem  dos  equipamentos  revendidos. Além de  a  fiscalização  ter demonstrado  que  os  tablets  objetos  dos  lançamentos  são  importados  (por  meio  de  documento  juntado  na  diligência),  destaca­se  que  a  interessada,  em  seu  aditamento,  não  traz  qualquer  contestação a esse respeito, dando a entender que, de fato, não se tratam de tablets  produzidos no país, nos termos exigidos pelo Decreto nº 5.602/2005.  Fl. 2221DF CARF MF Processo nº 19311.720294/2015­07  Acórdão n.º 3301­004.483  S3­C3T1  Fl. 2.222          22 No  tocante  aos  monitores  de  computador,  é  de  se  dizer  que  os  documentos  juntados  ao  processo  (telas  do  sistema  da  empresa  e  do  razão  e  planilhas,  apresentados na impugnação e no aditamento) não fazem prova inequívoca de que  eles foram vendidos em conjunto, com teclado mouse e CPU. Consoante o disposto  na  legislação,  para  aplicação  da  alíquota  zero  sobre  a  receita  destes  produtos,  a  contribuinte  necessitaria  demonstrar:  (i)  que  houve  de  fato  a  venda  conjunta  dos  equipamentos (monitor, teclado, mouse e CPU); (ii) e que houve o registro contábil  dessas operações de venda. Os documentos  apresentados,  por  si  sós,  auxiliam na  demonstração, mas não fazem a prova cabal dos fatos alegados.   De  igual  forma  rebatem­se  os  argumentos  dispendidos  no  item  “f”  da  impugnação  (“Item  ‘a’  do  Termo  de  Verificação  Fiscal:  divergência  entre  a  apuração da Impugnante, com base na qual as contribuições foram recolhidas, e a  EFD  (ajustes  no  EFD  não  considerados  pela  fiscalização)).  Verifica­se  que  os  documentos  juntados  à  impugnação  e  ao  aditamento  não  fazem  a  comprovação  fatal:  (i)  de  que  determinados  itens,  apesar  de  terem  sido  classificados  como  sujeitos  à  alíquota  zero  na  obrigação  acessória,  foram  sim  tributados  na  real  apuração  das  contribuições;  e  de  que  a  fiscalização  não  considerou/verificou  a  existência  de  ajustes  na  EFD­Contribuições  (sejam  credores  ou  devedores)  que  estão relacionados a diferenças entre a apuração (real da impugnante) e a obrigação  acessória.  Conforme  se  verifica  pela  leitura  do  relatório:  na  impugnação  a  contribuinte  dignou­se  somente  a  apresentar  telas  e  planilhas  de  um  período  amostral,  desacompanhadas  de  comprovação  documental,  contábil  e  fiscal,  as  quais,  de  per  si,  não  fazem  prova  dos  fatos  alegados  sequer  para  o  período  da  amostra; e no aditamento à impugnação, a interessada trouxe apenas um exemplo,  desacompanhado de documentação comprobatória efetiva (apenas telas de sistemas  e do razão), o qual não demonstra sequer a corretude do procedimento de tributação  do Leite Condensado Itambé – NCM 04029900.   Acrescente­se, também, que as justificativas da autoridade a quo constantes do  Termo de Diligência, relativas a tributação das mercadorias (nas alíquotas de 1,65 /  7,6 %) para as quais houve a aplicação de alíquota zero, não foram derrubadas pela  contribuinte em seu aditamento à impugnação.   Com efeito,  constata­se que a  fiscalização, após  intimar a contribuinte  (Termo  de Intimação nº 0005, fls. 25) para que fossem apresentadas, em meio digital e por  período  mensal  de  apuração,  as  bases  de  cálculo  das  mercadorias  revendidas  sujeitas à aplicação da alíquota zero das contribuições  (PIS e Cofins),  identificou  nos arquivos digitais apresentados (em 29/04/2015, conforme o expediente de fls.  27) a existência de vários produtos que estavam sujeitos à aplicação das alíquotas  de 1,65 / 7,6 %. Nota­se, também, que referida descoberta foi consignada no Termo  de Constatação  Fiscal  nº  0001  (juntado  às  fls.  30  a  32),  com  demonstrativo  dos  produtos que não estavam sujeitos à aplicação de alíquota zero, e que a contribuinte  foi  intimada  para  apresentar,  no  prazo  de  20  (vinte)  dias,  justificativas  ou  explicações a esse respeito.   No  entanto,  em  resposta  (no  curso  da  ação  fiscal)  a  contribuinte  apresentou  unicamente o expediente de fls. 43, cujo conteúdo é reproduzido abaixo.   “Conforme constatamos em nossos sistemas e através dos relatórios gravados  no CD em anexo os itens em questão estão tendo suas vendas tributadas para PIS e  Cofins, porém verificamos que algumas lojas e em períodos determinados os itens  tiveram  sua  saída  sem  tributação  por  problemas  de  carga  de  regras  fiscais  em  POS de lojas.” (Grifos nossos)   Fl. 2222DF CARF MF Processo nº 19311.720294/2015­07  Acórdão n.º 3301­004.483  S3­C3T1  Fl. 2.223          23 Posteriormente,  no  aditamento  à  impugnação,  a  interessada  rebateu  as  justificativas constantes do Termo de Diligência com alegações genéricas ou com  argumentos  injustificáveis. Afirma,  sem qualquer comprovação e ou documentos,  que a apuração das contribuições (PIS e Cofins) foi realizada de forma correta no  sistema fiscal da empresa, que a fiscalização deveria considerar a alegada ausência  de repercussão tributária nos procedimentos adotados e, também, que os erros nas  tributações de mercadorias vendidas, quando existentes, restringiram­se a algumas  lojas da empresa.   Ora,  como  já  dito  anteriormente,  a  autoridade  tributária  não  pode  basear  suas  decisões  em  fatos  hipotéticos,  não  comprovados.  Não  pode,  também,  deixar  de  aplicar  a  legislação, válida  e vigente  à  época dos  fatos,  pela  alegada  ausência de  “repercussão  tributária”  ou  porque  o  erro  na  tributação  ficou  restrito  a  alguns  estabelecimentos da pessoa jurídica.   Assim,  como  se  vê,  não  há  como  discordar  da  fiscalização,  que  demonstrou,  com  base  nos  arquivos  fornecidos  pela  própria  interessada,  a  improcedência  da  aplicação  da  alíquota  zero  em  produtos  que  estavam  sujeitos  à  aplicação  das  alíquotas normais das contribuições.   Diferenças entre a ECD e os Dacon   Ainda em relação à infração de insuficiência no recolhimento das contribuições,  conforme descrito  acima,  a autoridade a quo apontou  (nos  itens  “7.b”  e “7.c” do  Termo de Verificação Fiscal), nos meses de janeiro a  junho de 2011, a existência  de diferenças sobre vendas entre a ECD e Dacon.   A  impugnante  apresentou  os  argumentos  constantes  do  item  “b”  ­  “Erro  na  apuração dos valores de PIS e Cofins em relação a suposta utilização no DACON  de valores inferiores aos escriturados em conta contábil de resultado PIS e Cofins  sobre  faturamento”,  o  qual  foi  objeto  da  diligência,  conforme  o  Relatório  de  Diligência Fiscal apensado às fls. 1.974 a 1.978.   Ao se analisar o processo, bem como os argumentos e documentos apresentados  pelos dois lados, chega­se à conclusão que se deve dar razão à fiscalização.   Esta  última,  conforme  se  verifica  no  documento  ARQUIVO  NÃO  PAGINÁVEL  –  BALANCETES  (juntado  ao  processo  quando  da  realização  da  diligência), demonstrou que, de  fato, em relação aos meses de janeiro a  junho de  2011, existe a diferença apontada entre os valores das contribuições (PIS e Cofins)  registrados na contabilidade da empresa, nas contas contábeis de resultado 301203  – PIS sobre faturamento e 301207 – Cofins sobre faturamento, e os valores dessas  mesmas contribuições informados nos respectivos Dacon.   Por  seu  turno,  a  contribuinte,  em  que  pese  a  consistência  da  argumentação  apresentada  com  os  demonstrativos  03  e  04  (apresentados  em  conjunto  com  a  impugnação),  não  conseguiu  comprovar  de  forma  inequívoca  que  a  premissa  adotada pela fiscalização está errada. Apresentou, primeiramente, demonstrativos,  que  sozinhos,  desacompanhados  de  documentação  fiscal  e  contábil,  não  fazem  prova  cabal  dos  fatos  alegados.  E,  posteriormente,  no  aditamento  à  impugnação,  diante do documento comprobatório juntado na diligência, simplesmente repetiu a  argumentação anterior sem ao menos apresentar um documento sequer que pudesse  derrubar as conclusões da fiscalização.   No  tocante  à  argumentação  (apresentada  no  aditamento),  de  que  parte  das  receitas  de mencionadas  contas  contábeis,  relativa  a  venda  dos  equipamentos  de  informática,  não  são  tributáveis,  destaca­se que  a matéria  foi  analisada no  tópico  anterior  (Aplicação  Indevida  da  Alíquota  Zero)  e,  como  visto,  foi  reconhecida  parcial razão à interessada.   Fl. 2223DF CARF MF Processo nº 19311.720294/2015­07  Acórdão n.º 3301­004.483  S3­C3T1  Fl. 2.224          24 Por  último,  é  de  se  dizer  que  não  procede  a  argumentação  de  que  é  possível  realizar  o  creditamento  sobre  os  valores  de  ICMS­ST  nas  aquisições  de  mercadorias,  pois  como  se  verá  adiante,  no  tópico  Das  Glosas,  sub­tópico  Dispêndios com ICMS –ST, esse tipo de crédito não é legalmente possível, estando  correta, portanto, a glosa efetuada pela fiscalização.    Dos Créditos Descontados Indevidamente na Apuração da Contribuições (Glosas)     Ressalte­se novamente as glosas efetuadas pela fiscalização:    d) Desconto de créditos sobre aquisição de produtos tributados à  alíquota  zero  das  contribuições  (leite  integral,  leite  em  pó  e  açúcar de NCM 17011400 após 08/03/2013);  e) Desconto de créditos sobre aquisição de produtos monofásicos  (álcool  de  uso  doméstico,  baterias  automotivas  e  shampoo  condicionador  para  cabelos,  este  último  classificado  incorretamente na EFD – Contribuições com o NCM 82121020);  f) Desconto de créditos sobre aquisição para consumo próprio de  gás liquefeito de petróleo, óleo diesel, equipamentos de proteção  individual e uniformes;  g) Desconto de créditos sobre dispêndios com tarifas de cartão de  crédito  e  de  compras  (“charge  cards”),  manutenção  de  equipamentos  e  instalações,  depreciação  de  ativos,  Imposto  Predial  e  Territorial  Urbano  –  IPTU,  ICMS­Substituição  Tributária,  fretes  entre  centro  de  distribuição  (CD)  e  outros  estabelecimentos  do  fiscalizado,  armazenagem  de  produtos  importados e despesas aduaneiras;  h)  Desconto  de  créditos  sobre  “Serviços  Utilizados  como  Insumos”,  informados  nas  linhas  03  das  fichas  06A  e  16A  do  Dacon  de  março/2011,  não  especificados  na  escrituração  contábil, nem identificados pelo contribuinte, apesar de intimado  e reintimado a respeito.    Passo a analisá­las.   Quanto às glosas de créditos sobre compras de produtos sujeitos à alíquota zero  ou monofásicos,  argumenta a Recorrente que a  fiscalização deveria considerar a ausência de  repercussão  tributária,  posto  que  também houve,  para  os mesmos  produtos,  a  tributação  das  receitas de venda.  Entendo  que  não  há  razão  no  argumento,  uma  vez  que  não  há  previsão  legal  autorizadora de tais creditamentos (art. 2° e 3° das Leis n° 10.637/2003 e 10.833/2003).  No  tocante  às  demais  glosas  (itens  “f”,  “g”  e  “h”  do  Termo  de  Verificação  Fiscal),  o  contribuinte  aduz  que  a  não­cumulatividade  para  o  PIS  e  a  COFINS  é  ampla,  permitindo o crédito referente a todas as despesas necessárias à geração da receita/faturamento.  Fl. 2224DF CARF MF Processo nº 19311.720294/2015­07  Acórdão n.º 3301­004.483  S3­C3T1  Fl. 2.225          25 Aquisição de gás liquefeito de petróleo e óleo diesel  Esta glosa  refere­se  ao  crédito  relativo  à despesa da Recorrente  com o GLP  e  óleo diesel que são utilizados nos geradores de energia das lojas.  Alega  a  Recorrente  que  os  combustíveis  são  utilizados  para  gerar  energia  elétrica  consumida  em  suas  lojas,  ou  seja,  para  garantir  o  funcionamento  de  sua  atividade  econômica.  Compra  o  GLP  para  abastecer  os  geradores  que  irão  ser  utilizados  para  gerar  energia elétrica, isso porque nas lojas existem os setores de padaria (fabricação de pães, bolos,  etc), frios (beneficiamento de queijos, presuntos, etc.) e açougue (beneficiamento de carnes).   Na impugnação, a Recorrente juntou documentação comprovando a compra de  vários grupos geradores de energia elétrica que equipam cada loja, bem como notas fiscais de  GLP,  adquirido para  servir  de  combustível para os motores  dos grupos geradores de  energia  elétrica.  A glosa deve ser revertida, com supedâneo no art. 3o, II, da Lei nº 10.833/2003.  Como  bem  fundamentou  o  relator  do  acórdão  n°  3301­003.874,  Conselheiro  Antonio  Carlos  da  Costa  Cavalcanti  Filho,  julgado  recentemente  por  esta  Turma:  “GLP  é  sabidamente  um  combustível  apto  a  gerar  energia,  se  tal  energia  for  "destinado  ao  setor  de  padaria para fabricação dos pães e bolos que serão posteriormente vendidos", como registrou a  recorrente,  é  atividade  fabril,  ainda  que  o  comércio  seja  a  atividade  preponderante  da  recorrente.”    Aquisição de Equipamento de Proteção Individual (EPI) e Uniformes  A  glosa  referiu­se  à  aquisição  de  EPIs  e  uniformes  para  os  funcionários  da  Recorrente.  Aduz a empresa que, para cada setor específico das lojas a legislação trabalhista  brasileira  prevê  a  obrigatoriedade  do  fornecimento  de  equipamentos  de  proteção  individual  (Norma  Regulamentadora  06  do Ministério  do  Trabalho  –  NR6  c/c  art.  166  da  CLT),  bem  como de uniformes para os seus funcionários. Fez a juntada aos autos de documento da política  interna de gestão e utilização de EPI.  Entendo  que  assiste  razão  à  Recorrente,  devendo  as  glosas  serem  revertidas,  com base no art. 3°, II, das Leis n° 10.637/2003 e 10.833/2003.  Nesse  sentido,  o  precedente  desta  turma,  de  relatoria  do Conselheiro Marcelo  Costa Marques d'Oliveira, acórdão n° 3301­004.049:    DIREITO AO CRÉDITO. UNIFORMES E EQUIPAMENTOS DE  PROTEÇÃO  Uniformes  e  equipamentos  de  segurança  permitem  que  os  empregados  operem  as  máquinas  e  manuseiem  os  insumos,  garantindo  a  qualidade  e  integridade  do  produto  final,  notadamente  de  produtos  de  origem  alimentícia.  Assim,  devem  ser  considerados  como  insumos  (inciso  II  do  art.  3°  da  Lei  n°  Fl. 2225DF CARF MF Processo nº 19311.720294/2015­07  Acórdão n.º 3301­004.483  S3­C3T1  Fl. 2.226          26 10.833/03)  e,  por  conseguinte,  admitidos  os  créditos  correspondentes.    Dispêndios com tarifas de cartão de crédito e de compras (charge cards)    A  glosa  refere­se  aos  créditos  tomados  em  relação  a  despesas  com  taxa  de  administração de cartões de crédito e compras (charge cards).  A  Recorrente  pleiteia  o  crédito  com  base  no  inciso  II,  do  art.  3º  das  Leis  n°  10.637/02 e 10.833/03: “É notório que os serviços prestados pela administradora de cartões de  crédito  e  de  compras  incrementam  sobremaneira  as  atividades  de  vendas  da  Recorrente,  representando, portanto, despesa diretamente relacionada à sua atividade fim”.  A glosa deve ser mantida, pois o crédito não encontra guarida na legislação de  regência.  Nesse  sentido,  cito  o  trecho  do  voto  do Conselheiro Antonio Carlos  da Costa  Cavalcanti Filho, acórdão n° 3301­003.874:    Ora, a regra geral de creditamento de valores de insumos vale  considerar que a primeira parte do art. 3o, II, da Lei nº 10.637  prevê  o  desconto  de  créditos  de  "  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação de bens ou produtos destinados à  venda [...]  ",  não  havendo  assim  previsão  de  desconto  de  insumo  em  atividade  meramente  comercial,  distinta  da  produção  e  da  prestação  de  serviço.  Dispêndios com manutenção de equipamentos e instalações    Alega a Recorrente  que  tais  glosas  se  referem  às  despesas  com  armazenagens  efetuadas com a empresa REFRIO – Armazéns Gerais Frigoríficos S/A e outros fornecedores.  Alega  a  Recorrente  que  a  REFRIO  –  Armazéns  Gerais  Frigoríficos  S.A.  armazena  os  itens  que  precisam  ser  mantidos  em  refrigeradores,  juntou  notas  fiscais  dessa  prestadora de serviço no doc. 12 da Impugnação.  Cabe  o  creditamento  com  base  no  art.  3°,  I  e  IX  das  Leis  n°  10.637/02  e  10.833/03,  apenas  para  as  despesas  com  armazenagem  de  mercadoria,  ou  seja,  a  estrita  de  guarda de mercadoria.  Logo,  devem  ser  revertidas  as  glosas  dos  créditos  relativos  APENAS  às  despesas  com  a  REFRIO  –  Armazéns  Gerais  Frigoríficos  S.A,  desde  que  comprovadas  na  contabilidade da empresa.  Quanto aos demais fornecedores, não constam nos autos a amostragem de notas  fiscais,  logo  não  é  possível  verificar  se  se  trata  de  armazenagem  ou  manutenção  de  equipamentos e instalações.    Fl. 2226DF CARF MF Processo nº 19311.720294/2015­07  Acórdão n.º 3301­004.483  S3­C3T1  Fl. 2.227          27 Dispêndios com depreciação de ativos    A glosa refere­se aos créditos tomados em relação a bens adquiridos para o ativo  permanente.  Entende  a  Recorrente  que  são  essenciais  para  a  sua  atividade  operacional  (gôndolas, equipamentos de refrigeração, equipamentos de padaria, geladeiras, empilhadeiras,  estantes de armazenagens dos CD’s, dentre outros).  Entendo que a glosa deve ser mantida, por força dos art. 3º, VI e VII, já que se  trata de atividade preponderantemente comercial (supermercado).  Isso  porque  as máquinas  e  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado,  com  exceção  das  edificações  e  benfeitorias,  somente  geram  crédito  quando  utilizados na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços e, no caso da  Recorrente, sua atuação é no comércio varejista de mercadorias em geral.   Dispêndios com IPTU    A Recorrente pleiteia o  crédito  com dispêndios de  IPTU,  com base no  art.  3º,  IV,  das  Leis  n°  10.637/2002  e  10.833/2003:  “IV  ­  aluguéis  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa”.  Entendo que assiste razão à Recorrente, porquanto os valores pagos a  título de  aluguel de imóvel englobam os dispêndios com os tributos referentes ao bem, que são encargos  contratuais do locatário.   Nesse sentido, adoto o voto da Conselheira Liziane Angelotti Meira, no acórdão  já citado, n° 3301­003.874:    A  jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça  é pacífica no  sentido  de  que  o  locatário  não  integra  a  relação  jurídico­ tributária relativa do IPTU e, consequentemente, tanto o crédito  fiscal não lhe pode ser exigido quanto ele prescinde do direito de  solicitar  repetição  de  indébito  ou  de  impugnar  o  lançamento  fiscal. O entendimento é que o fundamento jurídico do dever de o  locatário  paga  o  valor  relativo  ao  IPTU  não  é  de  natureza  tributária, mas civil, especificamente, a cláusula do contrato de  aluguel que  contempla  essa  obrigação. Colacionam­se  ementas  de acórdãos do STJ (...)  Destarte,  considerando  que  a  natureza  jurídica  dos  institutos  não  se  determina  pela  sua  denominação,  mas  pelo  seu  fulcro  legal; considerando a  jurisprudência consolidada do STJ sobre  essa  matéria;  considerando  que  o  fundamento  do  pagamento  pelo  locatário do valor  relativo ao  IPTU é a previsão expressa  em  cláusula  contratual  de  locação;  considerando  que  valores  pagos pelo locatário em decorrência de contrato de locação têm  natureza  jurídica  de  despesa  de  aluguel;  conclui­se  que  os  valores  recolhidos  pelo  locatário  a  título  de  "IPTU  das  lojas  alugadas” não  têm natureza  jurídica de  tributo, mas compõem,  neste  caso,  as  despesas  de  “aluguéis  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos,pagos  a  pessoa  jurídica”,“aluguéis  de  prédios,  Fl. 2227DF CARF MF Processo nº 19311.720294/2015­07  Acórdão n.º 3301­004.483  S3­C3T1  Fl. 2.228          28 máquinas  e  equipamentos,  pagos  a  pessoa  jurídica”,  podendo,  nessa  rubrica,  ser  utilizado  o  respectivo  crédito.  Assim,  nessa  questão, dá­se provimento ao recurso voluntário, cancelando­se  a glosa dos créditos relativos ao “IPTU das lojas alugadas.”     Portanto, devem ser revertidas as glosas referentes a dispêndios com IPTU.    Dispêndios com ICMS­ST  A glosa refere­se aos créditos do PIS e da COFINS sobre o ICMS substituição  tributária (ICMS­ST) pago na aquisição de mercadorias.  Para a Recorrente, não sendo o  ICMS­ST  tributo  recuperável,  compõe o  custo  de aquisição em consonância com o art. 289, § 3º, do RIR/99, de forma que deve ser incluído  na base de cálculo do crédito do PIS e da COFINS a ser descontado.  A glosa  deve  ser mantida,  pois  o  ICMS­ST não  integra  a  base  de  cálculo  das  operações  praticadas  pelo  vendedor,  não  sofrendo  incidência  das  contribuições  sobre  tais  valores, logo não há como se admitir crédito para o adquirente.  Nesse sentido, esta Turma já se manifestou no acórdão n° 3301­002.978, cujos  fundamentos  do  voto  da Relatora,  Conselheira Maria  Eduarda Alencar  Câmara  Simões,  são  aqui adotados:  Entendo  que  não  assiste  razão  ao  contribuinte.  Isso  porque,  independentemente de o ICMS­ST ter composto ou não a base de  cálculo das contribuições por parte do fornecedor, tal montante  não  poderia  gerar  direito a  crédito  para  o  adquirente  por  não  constituir  custo  de  aquisição,  mas  sim  uma  antecipação  do  imposto devido pelo substituído na saída. Em outras palavras, se  o  imposto  não  tivesse  sido  recolhido  antecipadamente,  decerto  que  não  daria  direito  a  crédito,  visto  que  incidiria  apenas  na  saída  do  produto,  pelo  que  não  se  justifica  a  concessão  do  crédito em tais situações.  O  crédito  deve  decorrer  do  custo  atinente  à  aquisição  do  produto, não podendo ser adicionado a tal valor o custo relativo  à operação subsequente de venda, em relação à qual o ICMS­ST  está  relacionado.  Este  Conselho,  inclusive,  já  se  manifestou  nesse  sentido  em  ocasiões  anteriores,  consoante  se  extrai  de  passagem da  decisão  proferida  nos  autos  do  Proc.  n.  10435.720387/2013­91 (Acórdão n. 3401­02.855 de 27.01.2015),  a seguir transcrita:   ICMS­SUBSTITUIÇÃO  TRIBUTÁRIA.  CRÉDITO.  IMPOSSIBILIDADE.  O  ICMS­substituição  tributária  não  integra  o  valor  das  aquisições  de  mercadorias  para  revenda,  para fins de cálculo do crédito a ser descontado do PIS/PASEP e  da  Cofins,  por  não  constituir  custo  de  aquisição,  mas  uma  antecipação do imposto devido pelo contribuinte substituído, na  saída das mercadorias.  Fl. 2228DF CARF MF Processo nº 19311.720294/2015­07  Acórdão n.º 3301­004.483  S3­C3T1  Fl. 2.229          29 Nessa linha, entendo que o art. 289 do RIR/99, que dispõe sobre  a  composição  do  custo  da  mercadoria,  apontado  pelo  contribuinte em seu recurso, não se aplica ao caso vertente. Isso  porque, o referido dispositivo legal dispõe que "não se incluem  no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita  fiscal". Acredito, contudo, que o referido dispositivo legal esteja  tratando  dos  impostos  incidentes  na  operação  anterior,  e  não  aos  impostos  que  deveriam  incidir  na  operação  subsequente,  mas  recolhidos  antecipadamente  em  razão  da  substituição  tributária. A discussão sobre o ICMS­ST ser recuperável ou não  apresenta­se,  pois,  desnecessária  à  solução  da  presente  demanda.     Dispêndios com fretes entre CD e outros estabelecimentos     Entende  a Recorrente  que  as  despesas  de  “fretes  para  filiais”  são  passíveis  de  crédito, com base no art. 3º, IX, da Lei n° 10.833/03, uma vez que: “Para atingir o seu objetivo  principal que é vender, a Recorrente precisa estar próximo aos seus clientes (isso se dá através  de suas lojas), portanto, as mercadorias necessitam chegar nas lojas para que se consiga vender.  Assim, o  frete de  transferência  é,  portanto,  de  fundamental  importância  e  apresenta­se  como  um longa manus para se atingir a venda ao cliente”.  A glosa  deve  ser  revertida,  porque os  fretes  entre os  centros  de distribuição  e  outros estabelecimentos da Recorrente é essencial às atividades de venda de produtos (art. 3°, I  c/c  IX  da  Lei  n°  10.833/2003).  Nesse  sentido,  novamente,  socorro­me  do  precedente  desta  Turma, o voto da Conselheira Liziane Angelotti Meira, no acórdão  já mencionado, n° 3301­ 003.874:    O Conselho Administrativo Fiscal tem consolidada a posição de  que  insumo  corresponde  a  elemento  diretamente  responsável  pela  produção  de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  nos  seguintes  termos:  PIS/COFINS  NÃO­CUMULATIVO.  HIPÓTESES  DE  CRÉDITO.  CONCEITO  DE  INSUMO.  APLICAÇÃO  E  PERTINÊNCIA  COM  AS  CARACTERÍSTICAS  DA ATIVIDADE PRODUTIVA. O termo “insumo” utilizado pelo  legislador  na  apuração  de  créditos  a  serem  descontados  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins  denota  uma  abrangência  maior  do  que MP,  PI  e ME  relacionados  ao  IPI.  Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso  do  IRPJ, a ponto de abarcar  todos os  custos de produção e as  despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida  caracteriza­se  como  o  elemento  diretamente  responsável  pela  produção  dos  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  ainda  que  este  elemento  não  entre  em  contato  direto  com  os  bens  produzidos, atendidas as demais exigências  legais.  (Acórdão nº  9303004.918 ­ 3ª Turma. Sessão de 10 de abril de 2017). Nessa  esteira de entendimento, os fretes entre CD e lojas, ainda que de  produtos  acabados  (caso  típico  de  rede  de  supermercados),  constitui elemento essencial às atividades da  empresa, a  saber,  venda  desses  produtos,  enquadrando­se,  assim,  para  fins  de  Fl. 2229DF CARF MF Processo nº 19311.720294/2015­07  Acórdão n.º 3301­004.483  S3­C3T1  Fl. 2.230          30 crédito no disposto no inciso IX, c/c inciso I, da Lei 10.833, para  fins de enquadramento do crédito.     Dispêndios com armazenagem de produtos importados e com despesas aduaneiras    Para a Recorrente, as despesas de armazenagem de produtos importados não se  distinguem da  armazenagem de  produtos  nacionais.  Já  as  despesas  aduaneiras  correspondem  aos créditos relativos às despesas que integraram o valor do custo de mercadorias importadas,  tais  como  os  valores  desembolsados  com  despachante,  o  manuseio  de  contêiner,  a  movimentação  com empilhadeiras,  a  armazenagem,  a  amarração  e  a  desamarração  de  navio,  entre outras despesas essenciais para nacionalização da mercadoria estrangeira.  Defende o creditamento com base no art. 3º, IX, da Lei n° 10.833/03.  Entendo que lhe assiste razão. Explico.  Quanto à armazenagem, tal creditamento se dá com base no inciso IX do art. 3º  da Lei nº 10.833, de 2003, para a Cofins, e no inciso II do art. 15 da Lei nº 10.833, de 2003,  para  a Contribuição para o PIS/Pasep. Trata­se de previsão genérica de crédito em  relação a  despesas  com  armazenagem,  abrangendo  tanto  a  de  mercadorias  nacionais  quanto  a  de  importadas, todavia a única exigência é a constante no § 3º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003:  a despesa com armazenagem deve ser derivada de aquisição do serviço junto à pessoa jurídica  domiciliada no País.  Por  sua  vez,  as  despesas  aduaneiras  também  podem  ser  objeto  de  creditamento, nos termos do inciso II do art. 3° das leis de regência, salvo os valores pagos a  despachante, pessoa física, por expressa vedação legal.  Nesse sentido, cito o acórdão n° 3201­003.170, Rel. Marcelo Giovani Vieira,  julg. 27/09/2017:  NÃO­CUMULATIVIDADE.  DISPÊNDIOS  COM  OPERAÇÕES  FÍSICAS EM IMPORTAÇÃO.  Os dispêndios com desestiva, descarregamento, movimentação e  armazenagem de  insumos, na  importação,  compõem o  conceito  de custo dos  insumos, e como tais, geram direito ao crédito de  Pis e Cofins no regime não­cumulativo.    Portanto,  devem  ser  revertidas  as  glosas  de  despesas  com  armazenagem  de  produtos  importados  e  despesas  aduaneiras  (salvo  valores  pagos  a  despachantes  pessoas  físicas),  desde  que  derivadas  de  aquisição  do  serviço  junto  à  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País, o que deve ser apurado em sede de liquidação deste acórdão.    Desconto de créditos sobre serviços utilizados como insumos, informados na linha 03 das  fichas  06A  e  16A  do  DACON  de  março  de  2011,  não  especificados  na  escrituração  contábil nem identificados pelo contribuinte     Fl. 2230DF CARF MF Processo nº 19311.720294/2015­07  Acórdão n.º 3301­004.483  S3­C3T1  Fl. 2.231          31 As  glosas  se  deram  pelo  fato  de  os  insumos  não  terem  sido  especificados  na  escrituração contábil, nem  identificados pelo contribuinte,  apesar de  intimado e  reintimado a  respeito.  Em seu recurso, a empresa alega que os valores glosados pela fiscalização, que  foram informados na linha 03 das fichas 06A e 16A do DACON de março de 2011 se referem  basicamente a despesas aduaneiras e tarifas de cartões de crédito “charge cards”.  Na apuração de PIS/Cofins não­cumulativo, a prova da existência do direito de  crédito  indicado  em  DACON  incumbe  ao  contribuinte,  de  maneira  que,  não  havendo  tal  demonstração,  deve  a Fiscalização  efetuar  as  glosas  e  lançar  de  ofício  com os  dados  que  se  encontram  ao  seu  alcance. Regra  geral  considera­se  que  o  ônus  de  provar  recai  sobre  quem  alega o fato ou o direito:     CPC/2015  Art. 373. O ônus da prova incumbe:  I – ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito;   II  –  ao  réu,  quanto  à  existência  de  fato  impeditivo,  modificativo ou extintivo do direito do autor    É  do  próprio  contribuinte  o  ônus  de  registrar,  guardar  e  apresentar  os  documentos e demais elementos que testemunhem o seu direito ao creditamento.   Diante disso, as glosas devem ser mantidas, por falta de comprovação.  Ilegitimidade da multa de ofício    Alega a Recorrente:    In  casu,  o  Fisco  simplesmente  impõe  à  Recorrente  a  multa  de  75%,  sem  verificar  que  no  caso  concreto  há  razoáveis  argumentos para não ter recolhido o tributo exigido pelo Fisco.  Há, pois, dúvida razoável, de forma que a situação não pode ser  comparada  àquela  em  que  se  deixa  de  recolher  tributo  por  deixar, sem qualquer motivo para tanto.   Por  isso  é  que  é  necessária  a  individualização  da  pena,  em  obediência, repise­se, aos princípios da proporcionalidade e da  isonomia. E não existindo na Lei 9.430/96 elementos para tanto,  essa  individualização deve ser  feita de acordo com a equidade,  tal como dispõe o art. 108, IV, c/c art. 112, ambos do CTN. E, no  caso,  a  equidade  impõe  que,  havendo  dúvida  razoável,  seja  excluída a responsabilidade (numa espécie de anistia).]  (...)  Fl. 2231DF CARF MF Processo nº 19311.720294/2015­07  Acórdão n.º 3301­004.483  S3­C3T1  Fl. 2.232          32 Sobre  as  características  de  contribuinte  idôneo  que  é  a  Recorrente,  não  há  dúvida.  Atua  no mercado  entre  os maiores  contribuintes  e  nenhuma mácula  foi  levantada  na  sua  imagem.  Não  há  qualquer  taxação  de  ser  sonegador,  muito  menos  contumaz.   Por isso é que, ainda que mantido o lançamento fiscal, pede­se a  dosimetria ou mesmo o afastamento da multa imposta, o que faz  pelas razões supra.    Não há razão no pleito. A aplicação da multa é devida em virtude de expressa  previsão legal na legislação, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos art. 5º, II e  37, caput da Constituição e art. 97 do CTN.  O art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 prevê a aplicação de multa no percentual de 75%  do imposto devido e não recolhido. É exatamente o caso em comento.  Logo, ao constituir o crédito tributário pelo lançamento, a autoridade fiscal deve  fazê­lo com todos os acréscimos decorrentes do inadimplemento da obrigação no prazo legal,  nos termos do art. 142 do CTN. Assim, constatada a ausência de recolhimentos, a autoridade  fiscal  não  só  está  autorizada  como,  por  dever  funcional,  está  obrigada  a  proceder  ao  lançamento.  Por  fim,  a  análise  da  caracterização  da  multa  com  efeito  confiscatório  ou  desproporcional  implica  em  análise  de  constitucionalidade,  o  que  encontra  óbice  na  Súmula  CARF nº 1.      Não incidência de juros de mora sobre a multa aplicada     Para a Recorrente, “a regra veiculada pelo art. 61 da Lei n° 9.430/96 refere­se à  incidência  de  acréscimos moratórios  sobre  ‘débitos  decorrentes  de  tributos  e  contribuições’,  sendo  certo  que  a  penalidade  pecuniária  não  decorre  de  tributo  ou  contribuição,  mas  do  descumprimento do dever legal de declará­lo e/ou pagá­lo, de onde se extrai a conclusão de ser  inaplicável os juros de mora a taxa Selic sobre a multa de oficio”.  Prescreve o art. 113 do CTN, que a obrigação  tributária principal surge com a  ocorrência do  fato  jurídico  tributário e  tem por objeto o pagamento de  tributo ou penalidade  pecuniária.   A Lei nº 9.430/1996 dispõe que os débitos com a União, decorrentes de tributos  e  contribuições,  com  fato  gerador  ocorrido  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1997,  não  pagos  no  vencimento, serão acrescidos de juros de mora à taxa Selic (art. 61):    Multas e Juros  Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica,  Fl. 2232DF CARF MF Processo nº 19311.720294/2015­07  Acórdão n.º 3301­004.483  S3­C3T1  Fl. 2.233          33 serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e  três centésimos por cento, por dia de atraso.  § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do  primeiro  dia  subsequente  ao  do  vencimento  do  prazo  previsto  para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que  ocorrer o seu pagamento.  § 2º O percentual de multa a ser aplicado  fica  limitado a vinte  por cento.  § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros  de mora  calculados  à  taxa  a  que  se  refere o  §  3º do  art.  5º,  a  partir  do  primeiro  dia  do  mês  subsequente  ao  vencimento  do  prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no  mês de pagamento.    O  Superior  Tribunal  de  Justiça  já  se  manifestou  sobre  a  incidência  dos  juros  sobre a totalidade do crédito tributário, nos seguintes termos:    PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  ESPECIAL.  MANDADO  DE  SEGURANÇA.  JUROS  DE  MORA  SOBRE  MULTA.  INCIDÊNCIA.  PRECEDENTES  DE  AMBAS  AS  TURMA  QUE  COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ.  1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira  Seção  do  STJ  no  sentido  de  que:  "É  legítima  a  incidência  de  juros  de  mora  sobre  multa  fiscal  punitiva,  a  qual  integra  o  crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira,  DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min.  Teori  Albino  Zavascki,  DJ  de  2/6/2010.  AgRg  no  REsp  1.335.688PR,  Rel.  Min.  Benedito  Gonçalves,  julgado  em  4/12/2012 DJe 10/12/2012.    Por isso, correta a aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício.  Conclusão  Do  exposto,  voto  por  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário,  para:  a)  negar provimento ao pedido de desconto de créditos sobre aquisição de produtos tributados à  alíquota  zero  das  contribuições  ou  monofásicos;  b)  manter  as  glosas  dos  dispêndios  com:  manutenção  de  equipamentos  e  instalações;  depreciação  de  ativos;  ICMS­ST;  serviços  utilizados  como  insumos,  por  ausência  de  comprovação  e  tarifas  de  cartão  de  crédito;  c)  reverter  as  glosas  referentes  a:  aquisição  de  gás  liquefeito  de  petróleo;  óleo  diesel;  Equipamento de Proteção Individual (EPI) e uniformes; despesas com armazenagens efetuadas  com  a  empresa  REFRIO  ­  Armazéns  Gerais  Frigoríficos  S/A;  armazenagem  de  produtos  importados e despesas aduaneiras (salvo os valores referentes a despachante, pessoa física, por  expressa  vedação  legal);  dispêndios  com  IPTU  e  dispêndios  com  fretes  entre  centros  de  distribuição  e  outros  estabelecimentos;  d)  negar  provimento  ao  pedido  de  ilegitimidade  da  Fl. 2233DF CARF MF Processo nº 19311.720294/2015­07  Acórdão n.º 3301­004.483  S3­C3T1  Fl. 2.234          34 multa de ofício e e) negar provimento ao pedido de exclusão de juros de mora sobre a multa  aplicada.  (assinado digitalmente)  Semíramis de Oliveira Duro ­ Relatora                            Fl. 2234DF CARF MF

score : 1.0
7290300 #
Numero do processo: 10215.720046/2009-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2004 EXCLUSÃO DO SIMPLES. EXCESSO DE RECEITA. Correto o ato de exclusão do Simples com base em excesso de receita apurado em lançamento julgado na primeira instância. DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo-o para a contribuinte, que pode refutá-la mediante oferta de provas hábeis e idôneas. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei. CSLL, PIS, COFINS, INSS, DECORRÊNCIA. Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o imposto de renda, desde que não presentes arguições especificadas ou elementos de prova novos.
Numero da decisão: 1302-002.744
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Declarou-se impedido o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado). (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201804

camara_s : Terceira Câmara

ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2004 EXCLUSÃO DO SIMPLES. EXCESSO DE RECEITA. Correto o ato de exclusão do Simples com base em excesso de receita apurado em lançamento julgado na primeira instância. DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo-o para a contribuinte, que pode refutá-la mediante oferta de provas hábeis e idôneas. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei. CSLL, PIS, COFINS, INSS, DECORRÊNCIA. Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o imposto de renda, desde que não presentes arguições especificadas ou elementos de prova novos.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Thu May 24 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 10215.720046/2009-23

anomes_publicacao_s : 201805

conteudo_id_s : 5864317

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 24 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 1302-002.744

nome_arquivo_s : Decisao_10215720046200923.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA

nome_arquivo_pdf_s : 10215720046200923_5864317.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Declarou-se impedido o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado). (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).

dt_sessao_tdt : Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018

id : 7290300

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:18:44 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713050308891901952

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1731; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T2  Fl. 308          1 307  S1­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10215.720046/2009­23  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1302­002.744  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  12 de abril de 2018  Matéria  SIMPLES   Recorrente  LIRA & LIRA LTDA ­ EPP  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  DAS  MICROEMPRESAS  E  DAS  EMPRESAS  DE  PEQUENO  PORTE ­ SIMPLES  Ano­calendário: 2004  EXCLUSÃO DO SIMPLES. EXCESSO DE RECEITA.  Correto  o  ato  de  exclusão  do  Simples  com  base  em  excesso  de  receita  apurado em lançamento julgado na primeira instância.  DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA.  Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de  depósito  mantida  em  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  a  contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação  hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.  PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA.  A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo­o  para  a  contribuinte,  que  pode  refutá­la mediante  oferta  de  provas  hábeis  e  idôneas.  NULIDADE.  Não  há  que  se  cogitar  de  nulidade  do  lançamento  quando  observados  os  requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal.  INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO.  A  autoridade  administrativa  é  incompetente  para  apreciar  argüição  de  inconstitucionalidade de lei.  CSLL, PIS, COFINS, INSS, DECORRÊNCIA.  Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento  do  IRPJ,  deve  ser  adotada,  no  mérito,  a  mesma  decisão  proferida  para  o     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 5. 72 00 46 /2 00 9- 23 Fl. 406DF CARF MF Processo nº 10215.720046/2009­23  Acórdão n.º 1302­002.744  S1­C3T2  Fl. 309          2 imposto  de  renda,  desde  que  não  presentes  arguições  especificadas  ou  elementos de prova novos.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Declarou­se impedido  o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado).     (assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado ­ Presidente    (assinado digitalmente)  Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa ­ Relator    Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal  Moreira  Filho,  Marcos  Antonio  Nepomuceno  Feitosa  (Relator),  Paulo  Henrique  Silva  Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena  Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).    Relatório  Por  bem  relatar  o  processo  em  comento,  adoto  o  relatório  da  DRJ/BEL,  a  seguir transcrito, litteris:  Trata  o  processo  de  lançamentos,  ciência  em  26/03/2009  (fl.166),  decorrentes do SIMPLES (AC 2004) de Imposto de Renda Pessoa Jurídica ­IRPJ, PIS, CSLL,  Cofins e Contribuição para a Seguridade Social, no montante de R$ 825.351,57, acrescidos de  multa de ofício de 75% e os juros de mora calculados até 27/02/2009, e de Ato Declaratório  Executivo  (fl.  164) de  exclusão da  empresa  em  epígrafe do Simples,  com efeitos  a partir de  01/01/2005, por ter auferido no ano calendário 2004 receita acima do limite permitido.  2.  Segundo o Termo de Verificação dos Fatos  (fls.  154/165) a  imputação  fundamentou­se em:  a)  Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários com  Origem não Comprovada.   Fl. 407DF CARF MF Processo nº 10215.720046/2009­23  Acórdão n.º 1302­002.744  S1­C3T2  Fl. 310          3 Os  depósitos  constantes  das  fls.  37/80  não  tiveram  suas  origens  comprovadas na  forma que determina o art.  42 da Lei 9.430/96,  caracterizando omissão de  rendimentos no ano calendário 2004.  b) Insuficiência de Recolhimentos.  Insuficiência  de  recolhimento  sobre  as  receitas  declaradas,  devido  à  majoração das alíquotas, fato causado pela soma das receitas omitidas.  3.  A  interessada  apresentou  impugnação  (fls.  171/176  e  179/205),  de  23/04/2009, em que alega, em resumo:  a)  A Receita Federal deveria ter lavrado o auto de infração num processo e  a exclusão do Simples em outro processo;  b)  O MPF 0210200/2008/00239­7 foi extinto por decurso de prazo, logo o  lançamento é nulo;  c)  Os  valores  autuados  relativos  aos  meses  de  janeiro  a  março  de  2004  foram atingidos pela decadência;  d)  A  empresa,  optante  pelo  Simples,  foi  excluída  dessa  modalidade  de  pagamento de imposto em março de 2009, mesmo assim a Receita Federal determinou o efeito  da exclusão a partir de 01/01/2005, desrespeitando o direito adquirido da opção do Simples.  Os efeitos da exclusão não poderiam ser outro, a não ser o mês de março de 2009, data da  ciência da exclusão;  e) A empresa não poderia ser autuada por valores declarados, na forma do  art.  50  do  Decreto  Lei  n.  2.124/84.  A  autoridade  administrativa  deveria  ter  apurados  os  tributos não pagos e encaminhá­los para cobrança. Neste caso, a aplicação da multa de 75% é  ilegal;  O  AFRFB  não  fez  a  imputação  proporcional  dos  tributos  pagos,  nem  tampouco,  ao  lavrar  o  auto  de  infração  excluíram  da  base  de  cálculo  do  lançamento  tributário,  os  valores  da  receita  bruta  declarada  na  declaração  do  Simples,  ou  seja,  houve  bitributação;  g) Para a autoridade administrativa efetuar um lançamento tem de se basear  em presunção absoluta, e não presunção relativa;  h)  Não  houve  análise  individualizada  dos  depósitos;  nem  análise  da  escrituração do contribuinte;  i)  Depósitos  bancários  não  caracterizam,  por  si  só,  rendimentos  tributáveis;  j) Constitucionalistas entendem que o art. 5º, incisos X e XII da CF garantem  os sigilos das informações bancárias, seja das constantes nas próprias instituições financeiras,  sejam das existentes na Receita federal.   k) A CF veda a cobrança de tributo ou multa com efeito de confisco;0  Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10215.720046/2009­23  Acórdão n.º 1302­002.744  S1­C3T2  Fl. 311          4 m)  O Ato Declaratório afronta o art. 179 da CF;  n)  A empresa recolheu e apresentou a declaração pelo Simples nos últimos  anos expressando sua vontade de permanecer no Simples, não cabendo a exclusão retroativa,  conforme Parecer Cosit n. 60 e Ato Declaratório SRF 16, de 02/10/2002.  Após análise dos documentos e razões acostados à impugnação, os membros  da  2ª Turma de  Julgamento  da DRJ/BEL,  por  unanimidade,  acordaram  pela  procedência  em  parte do lançamento, acatando a preliminar de decadência, mantendo parcialmente a cobrança,  como denota a ementa do Acórdão n.º 01­14.628, a seguir transcrito:  ASSUNTO:  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  DAS  MICROEMPRESAS  E  DAS  EMPRESAS  DE  PEQUENO PORTE – SIMPLES  Ano­calendário: 2004   EMENTA  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento  mantida  junto  a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  fisica  ou  jurídica,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.  Lançamento Procedente em Parte.    Inconformado com a decisão retro, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário  para apreciação por este Conselho aduzindo, em síntese, as mesmas razões apresentadas na 1ª  instância administrativa.  Não houve recurso de ofício devido ao montante exonerado não ultrapassar o  limite de alçada.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator.  Presentes os pressupostos de admissibilidade recursal, tomo conhecimento do  presente Recurso Voluntário.  Tendo  em  vista  a  inexistência  de  novas  razões  apresentadas  em  sede  de  Recurso Voluntário, adoto as mesmas  razões de decidir do acórdão  recorrido, nos  termos do  parágrafo 3 do art. 57 do RICARF, que segue transcrita, litteris:  Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10215.720046/2009­23  Acórdão n.º 1302­002.744  S1­C3T2  Fl. 312          5 5. Dispõe a Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008, em seu art. 1º  "Art. 1º Serão objeto de um único processo administrativo:  (...)  III  ­  as  exigências  de  crédito  tributário  relativo  a  infrações  apuradas  no  Simples  que  tiverem  dado  origem  à  exclusão  do  sujeito  passivo  dessa  forma  de  pagamento  simplificada,  a  exclusão  do  Simples  e  o  lançamento  de  oficio  de  crédito  tributário  dela  decorrente;  3º. Sendo apresentadas pelo sujeito passivo manifestação de inconformidade  e impugnação, as peças serão juntadas aos processos de que tratam os incisos II e III.     (...)    13.  Alega a Impugnante que se configurou a produção de prova ilícita, que  resultou em determinação de omissão de receitas, e a exclusão do Simples. A despeito, a LC n°  105, editada em 10 de  janeiro de 2001,  regulou a  solicitação de  informações às  instituições  financeiras, assim determinando:  Art.1°  As  instituições  financeiras  conservarão  sigilo  em  suas  operações  ativas e passivas e serviços prestados.  (...)  §3° Não constitui violação do dever de sigilo:  VI  ­ A  prestação  de  informações  nos  lermos  e  condições  estabelecidos  nos  artigos 2°,3°, 4°, 5°, 6º, 7° e 9° desta Lei Complementar.  Art.  5° O Poder Executivo disciplinará,  inclusive quanto à periodicidade  e  aos  limites  de  valor,  os  critérios  segundo  os  quais  as  instituições  financeiras  informarão  à  administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus  serviços.  §2° As informações transferidas na forma do capta deste artigo restringir­se­ ão  a  informes  relacionados  com a  identificação dos  titulares  das  operações  e os montantes  globais  mensalmente  movimentados,  vedada  a  inserção  de  qualquer  elemento  que  permita  identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados.  (...)  §5°  As  informações  a  que  refere  este  artigo  serão  conservadas  sob  sigilo  Fiscal, na forma da legislação em vigor.  Art.  6°  As  autoridades  e  os  agentes  fiscais  Tributários  da  União,  dos  Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e  registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações  financeiras,  quando  houver  processo  administrativo  instaurado  ou  procedimento  Fiscal  em  Fl. 410DF CARF MF Processo nº 10215.720046/2009­23  Acórdão n.º 1302­002.744  S1­C3T2  Fl. 313          6 curso  e  tais  exames  sejam  considerados  indispensáveis  pela  autoridade  administrativa  competente.  Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos  a  que  se  refere  este  artigo  serão  conservados  em  sigilo,  observada  a  legislação  tributária.  (grifei)  14.  Posteriormente,  o  Decreto  n.  3.724,  de  10  de  janeiro  de  2001,  regulamentou o art. 6°, determinando:  "Art.  2º  Os  procedimentos  fiscais  relativos  a  tributos  e  contribuições  administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil serão executados, em nome desta,  pelos  Auditores­Fiscais  da  Receita  Federal  do  Brasil  e  somente  terão  início  por  força  de  ordem  especifica  denominada Mandado  de Procedimento Fiscal  (MPF),  instituído mediante  ato  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil.  (Redação  dada  pelo  Decreto  n°6.104,  de  2007).  §  1º  Nos  casos  de  flagrante  constatação  de  contrabando,  descaminho  ou  qualquer outra prática de infração à legislação tributária, em que o retardamento do início do  procedimento fiscal coloque em risco os interesses da Fazenda Nacional, pela possibilidade de  subtração  de  prova,  o  Auditor­Fiscal  da  Receita  Federal  do  Brasil  deverá  iniciar  imediatamente o procedimento fiscal e, no prazo de cinco dias, contado de sua data de início,  será expedido MPF especial, do qual será dada ciência ao sujeito passivo. (Redação dada pelo  Decreto no 6.104, de 2007).  2º.Entende­se  por  procedimento  de  fiscalização  a  modalidade  de  procedimento fiscal a que se referem o art. 7º e seguintes do Decreto nº 70.235, de 6 de março  de 1972. (Redação dada pelo Decreto no 6.104, de 2007).  § 3º O MPF, não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização:  (Redação dada pelo Decreto no 6.104, de 2007).  1­ Realizado no curso do despacho aduaneiro;  II ­ Interno, de revisão aduaneira;  III  ­ De vigilância e repressão ao contrabando e descaminho, realizado em  operação ostensiva,  IV ­ Relativo ao tratamento automático das declarações (malhas fiscais).  § 4º O Secretário da Receita Federal do Brasil estabelecerá os modelos e as  informações  constantes  do  MPF,  os  prazos  para  sua  execução,  as  autoridades  fiscais  competentes para sua expedição, bem como demais hipóteses de dispensa ou situações em que  seja necessário o início do procedimento antes da expedição do MPF, nos casos em que haja  risco aos interesses da Fazenda Nacional (Redação dada pelo Decreto no 6.104, de 2007).  § 5º A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por  intermédio de servidor  ocupante do cargo de Auditor­Fiscal da Receita Federal do Brasil, somente poderá examinar  informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições  financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e  de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames  forem considerados indispensáveis. (Redação dada pelo Decreto no 6.104, de 2007).  Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10215.720046/2009­23  Acórdão n.º 1302­002.744  S1­C3T2  Fl. 314          7 §  6º  A  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  por  intermédio  de  seus  administradores, garantirá o pleno e inviolável exercício das atribuições do Auditor­Fiscal da  Receita Federal do Brasil responsável pela execução do procedimento fiscal. (Redação dada  pelo Decreto no 6.104, de 2007).  Art.  3º  Os  exames  referidos  no  caput  do  artigo  anterior  somente  serão  considerados indispensáveis nas seguintes hipóteses:  I ­ Subavaliação de valores de operação, inclusive de comércio exterior, de  aquisição  ou  alienação  de  bens  ou  direitos,  tendo  por  base  os  correspondentes  valores  de  mercado;  II  ­  Obtenção  de  empréstimos  de  pessoas  jurídicas  não  financeiras  ou  de  pessoas  físicas,  quando  o  sujeito  passivo  deixar  de  comprovar  o  efetivo  recebimento  dos  recursos;  III ­ Prática de qualquer operação com pessoa jisica ou jurídica residente ou  domiciliada em país enquadrado nas condições estabelecidos no art. 24 da Lei n° 9.430, de 27  de dezembro de 1996;  IV ­ Omissão de rendimentos ou ganhos líquidos, decorrentes de aplicações  financeiras de renda fixa ou variável;  V  ­  Realização  de  gastos  ou  investimentos  em  valor  superior  à  renda  disponível;  VI­ Remessa, a qualquer título, para o exterior, por intermédio de conta de  não residente, de valores incompatíveis com as disponibilidades declaradas;  VII ­ Previstas no art. 33 da Lei n° 9.430, de 1996;  VIII ­ Pessoa jurídica enquadrada, no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica  (CNPJ), nas seguintes situações cadastrais:  a)   Cancelada;  b)   Inapta, nos casos previstos no art. 81 da Lei n°9.430, de 1996;  IX  ­ Pessoa  física  sem  inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas  (CPF) ou  com inscrição cancelada;  X­ Negativa,  pelo  titular de direito da  conta,  da  titularidade de  fato ou  da  responsabilidade pela movimentação financeira;  XI  ­ Presença de  indício de que o  titular de direito  é  interposta pessoa  do  titular de fato.  §  1°  Não  se  aplica  o  disposto  nos  incisos  I  a  VI,  quando  as  diferenças  apuradas  não  excedam  a  dez  por  cento  dos  valores  de mercado ou  declarados,  conforme o  caso.  § 2º Considera­se indício de interposição de pessoa, para os fins do inciso XI  deste artigo, quando:  Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10215.720046/2009­23  Acórdão n.º 1302­002.744  S1­C3T2  Fl. 315          8 I  ­  As  informações  disponíveis,  relativas  ao  sujeito  passivo,  indicarem  movimentação financeira superior a dez vezes a renda disponível declarada ou, na ausência de  Declaração  de  Ajuste  Anual  do  Imposto  de Renda,  o montante  anual  da movimentação  for  superior ao estabelecido no inciso II do § 30 do art. 42 da Lei n" 9.430, de 1996;  II  ­  A  ficha  cadastral  do  sujeito  passivo,  na  instituição  financeira  ou  equiparada, contenha:  a)  informações falsas quanto a endereço, rendimentos ou patrimônio; ou  b)  rendimento  inferior  a  dez  por  cento  do  montante  anual  da  movimentação.  15. Pelo que se infere do art. 30, VII, do Decreto n. 3.724, de 10 de janeiro  de  2001,  os  exames  da movimentação  bancária  somente  serão  considerados  indispensáveis,  justificando  a  requisição  da  movimentação  financeira,  entre  outras  hipóteses,  quando,  na  redação do art. 33 da Lei 9.430/96, houver:  " art. 33 (..)  1­ Embaraço à  fiscalização, caracterizado pela negativa não  justificada de  exibição  de  livros  e  documentos  em que  se  assente  a  escrituração das  atividades  do  sujeito  passivo,  bem  como  pelo  não  fornecimento  de  informações  sobre  bens,  movimentação  financeira,  negócio  ou  atividade,  próprios  ou  de  terceiros,  quando  intimado,  e  demais  hipóteses que autorizam a requisição do auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da  Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966;  II  ­  Resistência  à  fiscalização,  caracterizada  pela  negativa  de  acesso  ao  estabelecimento,  ao  domicílio  fiscal  ou  a  qualquer  outro  local  onde  se  desenvolvam  as  atividades do sujeito passivo, ou se encontrem bens de sua posse ou propriedade;  III­  Evidências  de  que  a  pessoa  jurídica  esteja  constituída  por  interpostas  pessoas  que  não  sejam  os  verdadeiros  sócios  ou  acionistas,  ou  o  titular,  no  caso  de  firma  individual;  IV ­ Realização de operações sujeitas à  incidência  tributária, sem a devida  inscrição no cadastro de contribuintes apropriado;  V­ Prática reiterada de infração da legislação tributária;  VI  ­  Comercialização  de  mercadorias  com  evidências  de  contrabando  ou  descaminho;  VII  ­  incidência em conduta que enseje  representação criminal, nos  lermos  da legislação que rege os crimes contra a ordem tributária."  16.  A fiscalização, no curso do procedimento administrativo permitido pelo  MPF, requereu ao contribuinte seus extratos bancários, no que foi atendido. Logo, não houve  quebra de sigilo bancário. De qualquer forma, a legislação citada relativiza o sigilo bancário,  em favor do Fisco.  17. No que se refere aos motivos que levaram à exclusão do Simples, e aos  efeitos  e  forma  desta  exclusão,  importante  elencar  o  que  prescreve  o  artigo  2.  °  da  Lei  n°  Fl. 413DF CARF MF Processo nº 10215.720046/2009­23  Acórdão n.º 1302­002.744  S1­C3T2  Fl. 316          9 9.317, de 5 de dezembro de 1996, alterado pelo artigo 3. ° da Lei n°9.732, de 11 de dezembro  de 1998:  "Art. 2 º Para fins do disposto nesta Lei, considera­se:  I ­ Microempresa, a pessoa jurídica que tenha auferido, no ano calendário,  receita bruta igual ou inferior a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais).  II — Empresa  de  pequeno  porte,  a  pessoa  jurídica  que  tenha  auferido,  no  ano­calendário,  receita  bruta  superior  a R$  120.000,00  (cento  e  vinte mil  reais)  e  igual  ou  inferior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais)."  18. Por sua vez, os artigos 9°, 13, 14 e 15, da Lei n°9.317, de 1996, assim  dispõem:  "Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica:  I  –  Na  condição  de microempresa  que  tenha  auferido,  no  ano­  calendário  imediatamente  anterior,  receita  bruta  superior  a  R$  240.000,00  (duzentos  e  quarenta  mil  reais); (Vide Medida Provisória nº 275, de 2005) (Redação dada pela Lei nº 11.307, de 2006).    II ­ Na condição de empresa de pequeno porte que tenha auferido, no ano­ calendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e  quatrocentos mil  reais);  (Vide Medida Provisória  nº  275,  de  2005)  (Redação dada pela Lei  n°11.307, de 2006)    19.  Ou  seja,  conforme  se  constatou  nos  autos  do  processo  administrativo  fiscal,  a  Impugnante  auferiu  receitas  superior  àquela  que  lhe  permitiria  permanecer  no  Simples. Desta forma, deve a autoridade administrativa excluir, retroativamente a impugnante  deste regime de tributação, conforme prescrito no ar. 13 e 14 e 15 da Lei n° 9.317, de 5 de  dezembro de 1996.  Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica dar­se­á:  I­ Por opção;  II ­ Obrigatoriamente, quando:  a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9º;  Art. 14 ­A exclusão dar­se­á de oficio quando a pessoa jurídica incorrer em  quaisquer das seguintes hipóteses:    I ­ Exclusão obrigatória, nas formas do inciso 11 e § 2° do artigo anterior,  quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica."  Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14  surtirá efeito:  Fl. 414DF CARF MF Processo nº 10215.720046/2009­23  Acórdão n.º 1302­002.744  S1­C3T2  Fl. 317          10 IV. A partir do ano­calendário subsequente àquele em que for ultrapassado o  limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e lido art. 90;  (..)  20. Atente­se que o comando da art. 14 da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de  1996,  é  imperativo  no  sentido  de  que  a  exclusão  dar­se­á  de  oficio  quando  constatada  a  situação de impedimento de opção pelo sistema favorecido.  21. É  preceito  basilar  do  sistema  tributário  brasileiro  de  que  interpreta­se  literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção (art. 11, do CTN).  Por fim, a leitura do art. 15 da Lei 9.317/96 determina o efeito temporal da exclusão ao dispor  que  a  exclusão  do  SIMPLES  (nas  condições  de  que  tratam  os  art.  13  e  14)  surtirá  efeito  a  partir  do  ano­calendário  subsequente  àquele  em que  for  ultrapassado o  limite  estabelecido,  nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9°.  OMISSÃO DE RECEITAS  DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS  22. Sobre a  infração "Depósitos Bancários de Origem não Justificada", há  de se tecer, primeiramente, um breve histórico da legislação sobre a tributação de depósitos  bancários, para que se possa aclarar o entendimento distorcido que o contribuinte demonstra  sobre esta tributação na peça impugnatória.  23. Inicialmente, destaque­se que a Súmula 182, do extinto TRF, baseando – se  em  legislação  já  revogada,  razão  pela  qual  não  pode  aqui  ser  considerada,  proibia  a  tributação com base em depósitos bancários. Entre esta  legislação  inclui­se o Decreto­lei nº  2.471, de 01 de setembro de 1988.  24. Cabe considerar que a Lei nº 8.021, editada em 12 de abril de 1990, da  qual abaixo se transcreve alguns artigos, teria revogado dispositivo até então vigente ­ o tão  conhecido Decreto­lei  n°  2.471/88  ­  que  proibia  a  ação  fiscal  embasada  exclusivamente  em  documentos relativos à movimentação bancária dos contribuintes, ou seja:  "Lei nº 8.021/90  (...)  "Art. 6º O lançamento de oficio, além dos casos já especificados em lei, far­ se­á  arbitrando­se  os  rendimentos  com  base  na  renda  presumida,  mediante  utilização  dos  sinais exteriores de riqueza.  §1º  Considera­se  sinal  exterior  de  riqueza  a  realização  de  gastos  incompatíveis com a renda disponível do contribuinte.  §2º  Constitui  renda  disponível  a  receita  auferida  pelo  contribuinte,  diminuída  dos  abatimentos  e  deduções  admitidos  pela  legislação  do  Imposto  de  Renda  em  vigor e do Imposto de Renda pago pelo contribuinte.  §3º Ocorrendo a hipótese prevista neste artigo, o contribuinte será notificado  para o devido procedimento fiscal de arbitramento.  Fl. 415DF CARF MF Processo nº 10215.720046/2009­23  Acórdão n.º 1302­002.744  S1­C3T2  Fl. 318          11 §4º No arbitramento tomar­se­ão como base os preços de mercado vigentes à  época  da  ocorrência  dos  fatos  ou  eventos,  podendo,  para  tanto,  ser  adotados  índices  ou  indicadores econômicos oficiais ou publicações técnicas especializadas.  §  5º O  arbitramento  poderá  ainda  ser  efetuado  com  base  em  depósitos  ou  aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a  origem dos recursos utilizados nessas operações (grifei).  §6.  ° Qualquer que seja a modalidade escolhida para o arbitramento,  será  sempre levada a efeito aquela que mais favorecer o contribuinte. ”   25.  Pelas  (então)  novas  regras,  os  rendimentos  omitidos  poderiam  ser  arbitrados com base nos sinais exteriores de riqueza, caracterizados por gastos incompatíveis  com a renda disponível do contribuinte. A omissão poderia, ainda, ser presumida no valor dos  depósitos bancários injustificados, desde que apurados os citados dispêndios e que este fosse o  critério de arbitramento mais benéfico ao contribuinte.  26.  Porém,  a  partir  de  01/01/1997,  a  tributação  com  base  em  depósitos  bancários passou a ter um disciplinamento diferente daquele previsto na Lei n.° 8.021/90, com  a edição da Lei n°9.430/1996, cujo art. 42, com a alteração introduzida pelos arts. 4° da Lei  n°9.481, de 1997 e 58 da Lei n° 10.637, de 2002, deu suporte a presente autuação, relativa aos  anos­calendários de 2003 a 2005, e que assim dispôs:  "Art.  42. Caracterizam­se  também omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento  mantida  junto  a  instituição  financeira,  em relação aos quais o  titular,  pessoa  física ou  jurídica,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  utilizados  nessas operações.  §  1°  O  valor  das  receitas  ou  dos  rendimentos  omitido  será  considerado  auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira.  §  2°  Os  valores  cuja  origem  houver  sido  comprovada,  que  não  houverem  sido  computados  na  base  de  cálculo  dos  impostos  e  contribuições  a  que  estiverem  sujeitos,  submeter­se­ão às normas de  tributação específicas, previstas na  legislação vigente à época  em que auferidos ou recebidos.  §  3°  Para  efeito  de  determinação  da  receita  omitida,  os  créditos  serão  analisados individualizadamente, observado que não serão considerados:  I  ­  Os  decorrentes  de  transferências  de  outras  contas  da  própria  pessoa  física ou jurídica;  II ­ No caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os  de  valor  individual  igual  ou  inferior  a R$  1.000,00  (mil  reais),  desde  que  o  seu  somatório,  dentro do ano­calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais).  § 4º Tratando­se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados  no mês em que considerados recebidos, com base na  tabela progressiva vigente à época em  que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira.  § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de  investimento pertencem a  terceiro, evidenciando  interposição de pessoa, a determinação dos  Fl. 416DF CARF MF Processo nº 10215.720046/2009­23  Acórdão n.º 1302­002.744  S1­C3T2  Fl. 319          12 rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da  conta de depósito ou de investimento.  §  6°  Na  hipótese  de  contas  de  depósito  ou  de  investimento  mantidas  em  conjunto,  cuja  declaração  de  rendimentos  ou  de  informações  dos  titulares  tenham  sido  apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos  recursos nos  termos  deste  artigo,  o  valor  dos  rendimentos  ou  receitas  será  imputado  a  cada  titular  mediante  divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.  27. Desta forma, o legislador estabeleceu, uma presunção legal de omissão  de  rendimentos. Não  logrando  o  titular  comprovar  a  origem  dos  créditos  efetuados  em  sua  conta  bancária,  tem­se  caracterizado  o  montante  do  fato  gerador,  ou  seja,  os  recursos  depositados traduzem rendimentos do contribuinte. O fato gerador foi constatado com base no  art. 43, II, do CTN, que prescreve que o imposto, de competência da União, sobre a renda e  proventos  de  qualquer  natureza  tem  como  fato  gerador  a  aquisição  da  disponibilidade  econômica  ou  jurídica  de  proventos  de  qualquer  natureza,  assim  entendidos  os  acréscimos  patrimoniais  não  compreendidos  no  conceito  de  renda.  Há  a  inversão  do  ônus  da  prova,  característica das presunções legais relativas ­ o contribuinte é quem deve demonstrar que o  numerário creditado não é renda ou provento tributável. Alerte­se que não cabe à autoridade  administrativa afastar a eficácia de lei.  28.  O  objeto  da  tributação  não  foi  o  depósito  bancário  ou  a  aplicação  financeira, em si, mas a omissão de rendimentos representada e exteriorizada pelo mesmo. Os  depósitos  bancários  são  utilizados  unicamente  como  instrumento  de  arbitramento  dos  rendimentos presumidamente omitidos.  29. É perfeitamente cabível a tributação com base na presunção definida em  lei.  O  depósito  bancário  é  considerado  uma  omissão  de  receita  ou  rendimento  quando  sua  origem  não  for  devidamente  comprovada,  conforme  previsto  no  art.  42  da  Lei  n°  9.430,  de  1996.  Portanto,  verificada  a  ocorrência  da  hipótese  descrita  em  lei,  qual  seja,  de  que  o  contribuinte  recebeu  depósitos  e  eximiu­se  de  comprovar,  depósito  por  depósito,  mediante  documentação hábil e idônea, a sua origem, fato descrito no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996,  correta é a autuação. A  justificativa para cada depósito deve ser acompanhada de provas a  cargo  do  contribuinte.  Qualquer  alegação  efetuada  para  justificar  cada  depósito  deve  ser  comprovada  documentalmente  e  individualizamente,  conforme  prescreve  a  art.  42  da  Lei  9.430/96.  30.  Ressalte­se  que  o  contribuinte  apresentou  livro  caixa  durante  a  fiscalização com ausência dos valores que redundaram na autuação.  31.  Prescreve  o  citado  artigo  42  que  se  caracterizam  também  omissão  de  receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento. Ou  seja, não  importa se  foi um depósito em dinheiro vivo, uma transferência, um DOC... O que  importa,  para  que  se  comprove a  origem,  é  que  tenha havido  um  crédito,  um acréscimo no  saldo  da  conta  bancária.  Dispensa­se  a  prova  da  origem  no  caso  em  que  os  créditos  são  decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica (§ 3°, I, do  art. 42). Ou seja, quando houver a transferência de conta de qualquer outro titular não estará  dispensada a prova da origem.  31.1.  É  também  conveniente  abordar  a  questão  acerca  da  comprovação da origem dos depósitos bancários. Ora, comprovar a origem dos depósitos não  é tão somente comprovar de onde veio o dinheiro, mas também comprovar a natureza destes  Fl. 417DF CARF MF Processo nº 10215.720046/2009­23  Acórdão n.º 1302­002.744  S1­C3T2  Fl. 320          13 ingressos. Esse é o verdadeiro significado de "comprovar a origem". Tanto isso é verdade que  o § 2° do artigo 42 da Lei 9.430/96 estabelece que os valores com origem comprovada e que  não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos a que estiverem submetidos,  submeter­se­ão às normas de tributação específicas previstas na legislação. Assim, para que  não ocorra a tributação por parte do beneficiário é necessário que este justifique a natureza  da transferência como não tributável.  32. Ressalte­se que a partir da edição da Lei n° 9.430, de 1996, estavam as  pessoas  físicas  e  jurídicas  obrigadas  a  justificar  os  depósitos  em  suas  contas  corrente,  e  consequentemente, obrigadas a guardar os documentos necessários a tal comprovação, até o  término do prazo decadencial de lançamento do tributo.  MPF  33.  No  que  se  refere  à  alegação  sobre  o  não  cumprimento  de  disposição  regulamentar sobre o Mandado de Procedimento Fiscal, mesmo entendendo que tal exigência  foi  cumprida,  tendo­se  em  vista  que  todas  as  intimações,  a  partir  do  Termo  de  Início  de  Fiscalização, fls. 02, faziam referência ao MPF 0210200/2008/00239­7 que acompanhou toda  a  fiscalização,  importante  destacar  que  entendo  não  ser  esta  alegação  causa  para  o  requerimento  de  anulação  vício  formal  de  qualquer  auto  de  infração.  Isto  porque  o  MPF  sozinho não é suficiente para demarcar o  início do procedimento  fiscal, o que reforça o seu  caráter  de  subsidiariedade  aos  atos  de  fiscalização  e  implica  em  que,  ainda  que  ocorram  problemas  formais  com  o  MPF,  não  teriam  como  efeito  tornar  inválidos  os  trabalhos  de  fiscalização desenvolvidos (por isso não estariam contrariados os artigos 104, III, e 166, IV,  do  Código  Civil),  nem  dados  por  imprestáveis  os  documentos  obtidos  para  respaldar  o  lançamento de créditos tributários apurados.  34.  O MPF,  primordialmente,  presta­se  como  um  instrumento  de  controle  criado  pela Administração  Tributária  para  dar  segurança  e  transparência  à  relação Fisco­ contribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que seu nome foi selecionado segundo  critérios  objetivos  e  impessoais,  e  que  o  agente  fiscal  nele  indicado  recebeu  do  Fisco  a  incumbência para executar aquela ação fiscal. Neste sentido os seguintes acórdãos da Câmara  Superior de Recursos Fiscais e do Conselho de Contribuintes:  “Número do Recurso 107­131369  Turma PRIMEIRA  Número do Processo 10746.000994/2001­93  Acórdão CSRF/01­05.189  Data da Sessão 14/03/2005 08:30:00  MPF ­ FALTA DE RENOVAÇÃO NO PRAZO REGULAMENTAR ­  NULIDADE  ­  INOCORRÊNCIA  ­  O  desrespeito  à  renovação  do  MPF  no  prazo  previsto  na Portaria  SRF 1265/99  não  implica  na  nulidade  dos  atos  administrativos posteriores.  Recurso voluntário negado.”    Fl. 418DF CARF MF Processo nº 10215.720046/2009­23  Acórdão n.º 1302­002.744  S1­C3T2  Fl. 321          14 “Número do Recurso 141357  Acórdão 103­21933  IRPJ.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  MPF  AUSÊNCIA  DE  NULIDADE.  O  MPF­Mandado  de  Procedimento  Fiscal  é  instrumento  de  controle administrativo e de informação ao contribuinte. A extrapolação no  prazo  de  sua  prorrogação  não  constitui,  por  si  só,  causa  de  nulidade  do  lançamento."    "Número do Recurso 139359  Acórdão 101­95208  NULIDADE ­ INEXISTÊNCIA ­ MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL  ­  PRORROGAÇÃO  ­  REGISTRO  ELETRÔNICO  NA  INTERNET  ­  A  prorrogação  do  MPF,  à  luz  do  que  determina  o  artigo  13  da  Portaria  3007/2001, se dá mediante registro eletrônico, disponível na Internet."    "Número do Recurso 123381  ACÓRDÃO 203­09205  NORMAS  PROCESSUAIS  ­  1NOCORRÊNCI4  DE  NULIDADE  ­  MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL  ­  O  MPF,  primordialmente,  presta­se  como  um  instrumento  de  controle  criado  pela  Administração  Tributária para dar segurança e transparência à relação Fisco­contribuinte,  que  objetiva  assegurar  ao  sujeito  passivo  que  seu  nome  foi  selecionado  segundo critérios objetivos e impessoais, e que o agente fiscal nele indicado  recebeu do Fisco a incumbência para executar aquela ação fiscal. Pelo MPF  o  auditor  está  autorizado  a  dar  início  ou  a  levar  adiante  o  procedimento  fiscal.  O  MPF  sozinho  não  é  suficiente  para  demarcar  o  início  do  procedimento fiscal, o que reforça o seu caráter de subsidiariedade aos atos  de fiscalização e implica em que, ainda que ocorram problemas com o MPF,  não  teria  como  efeito  tornar  inválido  os  trabalhos  de  fiscalização  desenvolvidos,  nem  dados  por  imprestáveis  os  documentos  obtidos  para  respaldar  o  lançamento  de  créditos  tributários  apurados.  A  prorrogação  após o vencimento do prazo do mandado de procedimento fiscal (MPF) não  se  constitui  hipótese  legal  de  nulidade  do  lançamento.  Recurso  ao  qual  se  nega provimento."   35.  O  art.  179  da Constituição  Federal  prevê  que  a União,  os  Estados,  o  Distrito  Federal  e  os Municípios  dispensarão  às microempresas  e  às  empresas  de  pequeno  porte,  assim definidas  em  lei,  tratamento  jurídico  diferenciado,  visando  a  incentivá­las  pela  simplificação de suas obrigações administrativas, tributárias, previdenciárias e creditícias, ou  pela eliminação ou redução destas por meio de lei. Desta forma, o Lei 9.317/96 simplifica a  arrecadação tributária destas empresas, em seus exatos limites. A não obediência às normas  desta  lei  implica a  exclusão do Sistema  (Não  se aplica o determinado no conforme Parecer  Cosit n. 60 e Ato Declaratório SRF 16, de 02/10/2002, mas sim o determinado no art. 13 e 14 e  Fl. 419DF CARF MF Processo nº 10215.720046/2009­23  Acórdão n.º 1302­002.744  S1­C3T2  Fl. 322          15 15 da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996,  tendo­se em vista que a  Impugnante auferiu  receitas superiores àquela que lhe permitiria permanecer no Simples.    36. No que se refere à alegação de inconstitucionalidade de leis, é princípio  assente  na  doutrina  pátria  o  de  que  os  órgãos  administrativos  em  geral  não  podem  negar  aplicação a uma Lei ou Decreto porque lhes pareça inconstitucional, já que leis emanadas do  Poder  competente  gozam  de  presunção  natural  de  constitucionalidade,  presunção  está  só  elidida pelo Poder Judiciário. A pretensão de ver afastada a incidência da multa de oficio, sob  o  fundamento  de  inconstitucionalidade  e  ilegalidade,  não  é  oponível  na  instância  julgadora  administrativa.    37.  Calha gizar que ao julgador administrativo, que se encontra totalmente  vinculado  aos  ditames  legais  (art.  116,  inc.  III,  da  Lei  n.º  8.112/90),  mormente  quando  do  exercício do controle de  legalidade do  lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário  Nacional ­ CTN), não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia  do preceito legal.    38.  Em  verdade,  de  acordo  com  o  parágrafo  único  do  artigo  142,  acima  citado,  a  autoridade  fiscal  encontra­se  restrita  ao  estrito  cumprimento  da  legislação  tributária, estando  impedida de ultrapassar  tais  limites para examinar questões outras como  as  suscitadas na contestação em exame, de que a multa  seria confiscatória, uma vez que às  autoridades  julgadoras  administrativas  cabe  simplesmente  seguir  a  lei  e  obrigar  seu  cumprimento. Por  oportuno, assinale­se que  tal  é a determinação do Parecer Normativo da  Cosit/SRF de n° 329/70:    Iterativamente  tem  esta  Coordenação  se  manifestado  no  sentido  de  que  a  arguição  de  inconstitucionalidade  não  pode  ser  oponível  na  esfera  administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento  da matéria, do ponto de vista constitucional."     39.  De  se  notar  que  doutra  forma  não  se  cogitaria.  As  leis  regularmente  editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de legitimidade até que sejam  declaradas  inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, na  via direta, ou pelos demais  órgãos  do  Poder  Judiciário,  inter  partes,  no  controle  difuso  de  constitucionalidade.  De  qualquer  modo,  somente  o  Poder  Judiciário  tem  autorização  constitucional  para  afastar  a  aplicação de lei regularmente editada.    40.  Em  atenção  à  aplicação  das  alíquotas  previstas  no  art.  50  da  lei  9.317/96, percebe­se, pelo demonstrativo de fl. 88, que a lei citada foi aplicada corretamente  sobre  o  total  referente  à  soma  das  receitas  declaradas  (informadas  na  declaração  de  rendimentos da empresa) com as omitidas.  Fl. 420DF CARF MF Processo nº 10215.720046/2009­23  Acórdão n.º 1302­002.744  S1­C3T2  Fl. 323          16   41. No que se refere ao apelo de que, em relação as receitas declaradas, a  empresa  não  poderia  ser  autuada,  na  forma  do  art.  50  do  Decreto  Lei  n.  2.124/84,  que  a  autoridade administrativa deveria  ter apurados os  tributos não pagos  e encaminha­los para  cobrança e que neste caso, a aplicação da multa de 75% é ilegal, importante lembrar que os  tributos  foram  declarados  a  menor,  e  que  o  lançamento,  neste  particular  caso,  refere­se  à  diferença,  para  a  qual  não  houve  lançamento,  e  pra  a  qual  deve  incidir multa  de  oficio  de  75%, conforme art. 44, I, da Lei n. 9.430/96.    Conclusão  Ante o exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário.    É como voto.  (assinado digitalmente)  Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa                                    Fl. 421DF CARF MF

score : 1.0