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Numero do processo: 10983.902599/2011-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2006, 2007, 2008
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO
À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão serviços hospitalares para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas em ambientes externos ou por outras pessoas jurídicas.
O critério adotado de constituição da empresa como sociedade empresarial e a tributação diferenciada quanto às alíquotas no IRPJ e CSLL, somente foi implementado com o advento da Lei nº 11.727/2008. Antes, porém, vigorava a Lei nº 9.249/95 que não estabelecia tais parâmetros de sociedade empresarial como condição para a tributação e aplicação das alíquotas reduzidas do IRPJ (8%) e da CSLL (12%) às receitas provenientes de serviços hospitalares.
Numero da decisão: 1401-002.553
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas em ambientes externos ou por outras pessoas jurídicas. O critério adotado de constituição da empresa como sociedade empresarial e a tributação diferenciada quanto às alíquotas no IRPJ e CSLL, somente foi implementado com o advento da Lei nº 11.727/2008. Antes, porém, vigorava a Lei nº 9.249/95 que não estabelecia tais parâmetros de sociedade empresarial como condição para a tributação e aplicação das alíquotas reduzidas do IRPJ (8%) e da CSLL (12%) às receitas provenientes de serviços hospitalares. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 25 99 /2 01 1- 16 Fl. 69DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em Juiz de Fora (MG), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte apresentada em virtude de não ter reconhecido o direito creditório pleiteado e de não homologar a compensação dos débitos declarados na PER/DCOMP, para manter o crédito tributário exigido. Ao compulsar dos autos, percebese que “a matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório eletrônico , exarado pela Delegacia da Receita Federal em Itajaí/SC, no qual não foi homologada a DCOMP, sob o argumento de que “foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Diante disto, a Derat/SC – Florianópolis, não homologou a compensação declarada, exigindo o recolhimento dos débitos, com os respectivos acréscimos legais. Exigiu se os valores devedores indevidamente compensados. A Ciente da autuação, o interessado apresentou MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, na qual alegou: 1. PRELIMINAR: DA DECISÃO JUDICIAL QUE DECLAROU A NATUREZA HOSPITALAR DOS SERVIÇOS PRESTADOS PELA REQUERENTE AUSÊNCIA DE MOTIVO PARA A EDIÇÃO DO ATO IMPUGNADO: Diz que há uma questão prejudicial à lavratura do Despacho Decisório, tendo em vista que fora judicialmente reconhecida a natureza hospitalar dos serviços de patologia, autorizando lhes a aplicar o percentual de 8% (IRPJ) e 12%CSLL, para efeitos de determinação da base de calculo (lucro presumido)”. 2. NO MÉRITO: O contribuinte alegou haver ingressado com ação ordinária junto à 2ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Itajaí/SC, que recebeu o nº 500001672.2010.404.7208, objetivando o reconhecimento do direito de recolher o IRPJ e a CSLL aplicando os Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10983.902599/201116 Acórdão n.º 1401002.553 S1C4T1 Fl. 70 3 percentuais de 8% e 12% sobre a receita bruta e, ainda, o direito de compensar os recolhimentos a maior já efetuados (alíquota de 32%). 3. Diz que “obteve decisão judicial que suspendeu a exigibilidade em relação aos créditos tributários correspondentes. E que, uma vez reconhecida judicialmente a natureza hospitalar dos serviços prestados não restam dúvidas no sentido de que a compensação levada a efeito, cujo crédito apurado decorre de pagamentos indevidos de IRPJ e CSLL, pela aplicação equivocada do percentual de 32% é plenamente legítima, devendo, pois, ser homologado o procedimento de compensação”. (...) E que “partindo da premissa que o crédito utilizado ... para ... compensação é plenamente legitimo, o entendimento externado no r. Despacho Decisório, configura uma hipótese de negativa de vigência ao disposto no art. 74, da Lei n. 9.430/96”. 4. Requereu que seja: (a) “recebida a presente manifestação de inconformidade, para suspender a exigibilidade do crédito tributário objeto do processo administrativo fiscal, nos termos do art. 151, inc. III, do Código Tributário Nacional; (b) decretada a nulidade do r. Despacho ...; ou, então, (c) seja este integralmente reformado, tendo em vista que fora reconhecida judicialmente a natureza hospitalar dos serviços de patologia prestados”. O Acórdão ora Recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008. DIREITO CREDITÓRIO. DISCUSSÃO JUDICIAL. Não encontra amparo legal a pretensão de discutir, na esfera administrativa, matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, dada a supremacia hierárquica da esfera judicial. COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. VEDAÇÃO. CRÉDITOS. LIQUIDEZ E CERTEZA. 1. É vedada a compensação de débitos com direito creditório discutido judicialmente, antes do trânsito em julgado da decisão judicial. 2. Somente o trânsito em julgado da decisão judicial no processo no qual se discute a determinação do crédito do contribuinte pode atribuir a este os requisitos de liquidez e certeza sem os quais a compensação declarada não pode ser homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Isto porque, segundo entendimento da Turma, “a DCOMP foi transmitida anteriormente à ação ordinária, impetrada em 2010, conforme trecho da sentença anexado aos autos, de modo que o crédito, quando utilizado na compensação declarada, não tinha Fl. 71DF CARF MF 4 amparo nem fundamento na ação judicial invocada pela interessada. E que, além disso, cumpre observar que se encontra prejudicada a apreciação do mérito do direito ao crédito e de sua compensação, na medida em que não encontra amparo à pretensão de discutir, na esfera administrativa, matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, dada a supremacia hierárquica da esfera judicial”. E no que tange à possibilidade de se compensar os indébitos discutidos na ação ordinária ajuizada pela impugnante, notase que “nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, incluído pela Lei Complementar nº 104, de 2001, citado na própria sentença, é vedada a compensação mediante aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial”. Conclui a turma julgadora que “somente após o trânsito em julgado de decisão judicial que reconheça direito creditório é que pode a empresa pleitear na via administrativa a compensação, observados ainda os demais requisitos da legislação pertinente”. Dessa forma, a manifestação fora julgada improcedente, culminandose com a não homologação da compensação objeto da DCOMP. Ciente da decisão do Acórdão, o contribuinte interpõe Recurso Voluntário, alegando seguintes as razões: 1. DA PROTEÇÃO DA SEGURANÇA JURÍDICA DA CONFIANÇA E DA BOAFÉ: Aduz que a compensação levada a efeito, pautouse por entendimento já preconizado pela própria administração fazendária, o acórdão recorrido acabou vulnerando os princípios da segunda jurídica, da proteção da confiança e da boafé, devendo, portando, ser modificado. 2. DA INAPLICABILIDADE DO ART. 170 A (CTN): Aduz que ao “se tratar de compensação de indébito resultante de enquadramento legal equivocado, não tem aplicabilidade o disposto no art. 170A, já que nessa hipótese, para constatarse a configuração do indébito, não haverá necessidade de pronunciamento judicial. E que, em decorrência do recolhimento de tributo a maior, a recorrente tem direito ao justo ressarcimento do indébito mediante exercício do direito protestativo de compensação, independentemente de prévia autorização judicial ou administrativo”. 3. DA VERIFICAÇÃO E APURAÇÃO DO INDÉBITO RELATIVO AO CRÉDITO COMPENSADO: Afirma que “em razão dos amplos poderes de fiscalização da Receita Federal, a compensação levada a efeito não deveria ter sido rejeitada de plano eventualmente pela falta de retificação da DCTF em que fora declarado o tributo indevido”. Informa que tal entendimento é baseado no art. 165, II do CTN, em que assegura que “a restituição (no caso por compensação) do pagamento indevido mesmo quando o tributo for recolhido a maior em função de erro na edificação do sujeito passivo, na determinação de alíquota aplicada, no calculo do montante de debito ou na Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10983.902599/201116 Acórdão n.º 1401002.553 S1C4T1 Fl. 71 5 elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento”. 4. Requereu o provimento do Recurso Voluntário interposto para modificar o acórdão recorrido, homologandose a compensação pleiteada. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao eprocesso. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. A controvérsia que delimita o conteúdo da lide versa sobre o direito de compensar a diferença de alíquotas do IRPJ e CSLL atribuídos por força da utilização do percentual reduzido de 8% e 12% na apuração do lucro presumido por ocasião da equiparação hospitalar, desde que o contribuinte seja constituído de fato e de direito como sociedade empresária. Não é caso novo nesse Conselho. A DRJ manteve o crédito tributário sob o entendimento de que “somente após o trânsito em julgado de decisão judicial que reconheça direito creditório é que pode a empresa pleitear na via administrativa a compensação, observados ainda os demais requisitos da legislação pertinente”. Entretanto, como bem observado pela DRJ “a DCOMP foi transmitida anteriormente à ação ordinária, impetrada em 2010, conforme trecho da sentença anexado aos autos, de modo que o crédito, quando utilizado na compensação declarada, não tinha amparo nem fundamento na ação judicial invocada pela interessada. Não é caso novo nesse Conselho a análise sobre as alíquotas aplicáveis e o enquadramento como serviços de natureza hospitalar. DO ENQUADRAMENTO DE SERVIÇOS HOSPITALARES: Fl. 73DF CARF MF 6 É cediço, que o Superior Tribunal de Justiça pacificou a matéria atinente à aplicação de alíquotas reduzidas do IRPJ (8%) e da CSLL (12%) às receitas provenientes de serviços hospitalares. O critério eleito é de cunho objetivo e concerne “à natureza do serviço que deve ser relacionado à promoção da saúde e ter custo diferenciado, excluídas, assim, as receitas decorrentes de simples consultas médicas e demais atividades administrativas”, senão vejamos: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". (STJ, REsp 1.369.763/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 24/6/2013; Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10983.902599/201116 Acórdão n.º 1401002.553 S1C4T1 Fl. 72 7 AgRg no REsp 1.383.586/RS, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 1/10/2015). Coadunase ao entendimento pacificado do STJ, o seguinte julgado: Acórdão nº 1401001.433 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015. Matéria Imposto de Renda Pessoa Jurídica. Recorrentes Hemoclínica Serviços de Hemoterapia Ltda Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas em ambientes externos ou por outras pessoas, como hemoclínicas. Forçoso reconhecer, portanto, o direito da empresa recorrente ao recolhimento do imposto de renda pessoa jurídica e da contribuição social sobre o lucro líquido, no mesmo patamar exigido das entidades prestadoras de serviços hospitalares, previsto nos arts. 15, § 1º, III, "a" (IRPJ) e 20 da Lei n. 9.249∕95 (CSLL). Desta feita, restandolhe assegurado o direito ao recolhimento no mesmo patamar das prestadoras de serviços hospitalares, também lhe é assegurado o direito à restituição ou compensação dos valores pagos a maior. FATOS GERADORES OCORRIDOS ANTES DO ADVENTO DA LEI Nº 11.727/08: Em que pese não tenha sido objeto da decisão recorrida vez que a mesma não adentrou ao mérito, cumpre enfrentar a matéria. O critério adotado de constituição da empresa como sociedade empresarial e a tributação diferenciada quanto às alíquotas no IRPJ e CSLL, somente foi implementado com o advento da Lei nº 11.727/2008. Antes, porém, vigorava a Lei nº 9.249/95 que não estabelecia tais parâmetros de sociedade empresarial como condição para a tributação e aplicação das alíquotas reduzidas do IRPJ (8%) e da CSLL (12%) às receitas provenientes de serviços hospitalares. Acerca do efeito vinculante para a Administração Tributária Federal de teses jurisprudências pacificadas, fazse necessário a transcrição da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1 de 12 de fevereiro de 2014: Fl. 75DF CARF MF 8 Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) ...V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. § 5o As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 6o (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) § 7o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) De fato, a matéria está na lista de temas em relação aos quais se aplica o disposto no art. 19 da Lei nº 10.522/02 e nos arts. 2º, V, VII, §§ 3º a 8º, 5º e 7º da Portaria PGFN Nº 502/2016, publicada pela a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (http://www.pgfn.fazenda.gov.br/legislacaoe normas/documentosportaria502/listadedispensadecontestarerecorrer art2ovviiea7a73oa8odaportariapgfnno5022016, acesso em 15 de outubro de 2017): "Alíquotas reduzidas Serviços hospitalares REsp 1.116.399/BA (tema nº 217 de recursos repetitivos) Resumo: Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Para fins de redução da alíquota, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10983.902599/201116 Acórdão n.º 1401002.553 S1C4T1 Fl. 73 9 excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". Ficou consignado que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. OBSERVAÇÃO: O benefício não se aplica às consultas médicas, nem mesmo quando realizadas no interior de hospitais, de modo que só abrange parcela das receitas da sociedade que decorre da prestação de serviços hospitalares propriamente ditos. Ressaltamos que o STF não reconheceu repercussão geral com relação a este tema (AI 803.140). OBSERVAÇÃO 2: Deve ser apresentada contestação e interposto recurso quando se tratar de sociedade simples, tendose em vista a alteração introduzida pela Lei 11.718/08* no art 15, III, da Lei 9.249/95, segundo a qual a alíquota reduzida será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a forma de sociedade empresária." (Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1, de 2014). Ocorre que, somente após o advento da Lei 11.727/08 é que houve a instituição do requisito legal de ser uma sociedade empresária para poder usufruir do beneficio legal da tributação favorecida. Antes de janeiro de 2009, os contribuintes poderiam estar organizados sob a forma de sociedade simples, sem que isso interferisse na obtenção do referido benefício fiscal. Não há obrigatoriedade de ser constituída como sociedade empresária para os fatos geradores ocorridos anteriormente a 01/01/2009, data em que passou a produzir efeitos o art. 29 da Lei n. 11.727/2008. Somente após esta data, é que se deve observar as alterações e imposições trazidas pelo texto legal. In casu, o auto de infração fora lavrado com exigências tributárias referentes aos anoscalendários de 2006/2007/2008, de modo que as alterações trazidas pela Lei nº 11.727/08 não podem retroagir para abarcar fatos geradores ocorridos anteriormente à vigência da Lei. Ademais, admitir a modulação dos efeitos da Lei 11.727/2008 para fatos pretéritos, é aceitar uma modificação de critério jurídico vedado pelo art. 146 do CTN, na medida em que se traz eficácia retroativa aos fatos geradores ocorridos anteriormente à vigência da Lei: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício Fl. 77DF CARF MF 10 do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. (CTN). [grifase]. Outrossim, verificase a existência de Recurso Repetitivo nº 217, do STJ, que assim dispôs sobre os serviços hospitalares sujeitos à alíquota reduzida do lucro presumido, inclusive tratandose acerca da irretroatividade da lei para fatos pretéritos, a saber: As modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda à receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. (STJ Tema 217). [grifo nosso]. Diante do exposto, verificandose que o fiscalizada presta serviços laboratoriais de análises clínicas, serviços esses que estão inseridos no conceito de atividades hospitalares e levando em consideração a irretroatividade da Lei 11.727/08 para fatos geradores pretéritos, faz jus a contribuinte ao recolhimento do IRPJ e da CSLL às alíquotas de 8% e 12%, nos termos da Lei nº 9.249/95 (arts. 15, § 1º, inciso III, alínea a, e 20, caput). CONCLUSÃO: Dessa forma, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto, para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, razão pela qual lhe assiste o direito de compensar os pagamentos feitos a maior. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 78DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.002460/2005-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. NÃO EXIGÊNCIA. ORIENTAÇÃO DA PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL. PARECER PGFN/CRJ Nº 1.329/2016.
Para fins de exclusão da tributação relativamente às áreas de preservação permanente e de reserva legal, é dispensável a protocolização tempestiva do requerimento do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), ou órgão conveniado. Tal entendimento alinha-se com a orientação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para atuação dos seus membros em Juízo, conforme Parecer PGFN/CRJ nº 1.329/2016, tendo em vista a jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça, desfavorável à Fazenda Nacional.
ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. MATA ATLÂNTICA. DECRETO Nº 750, DE 1993.
Por configurar áreas de interesse ecológico para a proteção do ecossistemas, não aproveitáveis para a atividade rural, excluem-se da tributação as terras localizadas em região de cobertura vegetal nativa, em estado avançado de regeneração, ocupada pela Mata Atlântica, afetadas pelas regras do Decreto nº 750, de 1993.
Numero da decisão: 2401-005.482
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por maioria, dar-lhe provimento. Vencidos os conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, que negavam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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Recorrente BERNARDO HERMANN WOLFGANG WERNER Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. NÃO EXIGÊNCIA. ORIENTAÇÃO DA PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL. PARECER PGFN/CRJ Nº 1.329/2016. Para fins de exclusão da tributação relativamente às áreas de preservação permanente e de reserva legal, é dispensável a protocolização tempestiva do requerimento do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), ou órgão conveniado. Tal entendimento alinhase com a orientação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para atuação dos seus membros em Juízo, conforme Parecer PGFN/CRJ nº 1.329/2016, tendo em vista a jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça, desfavorável à Fazenda Nacional. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. MATA ATLÂNTICA. DECRETO Nº 750, DE 1993. Por configurar áreas de interesse ecológico para a proteção do ecossistemas, não aproveitáveis para a atividade rural, excluemse da tributação as terras localizadas em região de cobertura vegetal nativa, em estado avançado de regeneração, ocupada pela Mata Atlântica, afetadas pelas regras do Decreto nº 750, de 1993. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 24 60 /2 00 5- 50 Fl. 662DF CARF MF Processo nº 13971.002460/200550 Acórdão n.º 2401005.482 S2C4T1 Fl. 663 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por maioria, darlhe provimento. Vencidos os conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, que negavam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite. Fl. 663DF CARF MF Processo nº 13971.002460/200550 Acórdão n.º 2401005.482 S2C4T1 Fl. 664 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE), por meio do Acórdão nº 0411.780, de 13/04/2007, cujo dispositivo considerou procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido no processo administrativo (fls. 155/163): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. AREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. RESERVA LEGAL. Para serem consideradas isentas, as áreas de preservação permanente e de reserva legal devem ser reconhecidas mediante Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado dentro do prazo estipulado. As áreas de reserva legal devem, ainda, estar averbadas junto à matricula Imobiliária em data anterior da ocorrência do fato gerador. Lançamento Procedente 2. Extraise do Termo de Verificação Fiscal, acostado às fls. 58/63, que foi lavrado auto de infração decorrente de procedimento de revisão de Declaração de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), relativa ao exercício de 2001, vinculada ao imóvel denominado "Reflorestamento Warnow", localizado no município de Indaial (SC), com área total de 1.075,6 ha e cadastro fiscal sob o nº 2.325.3029 (fls. 54/57). 2.1 A autoridade tributária considerou não comprovada a isenção da Área de Preservação Permanente de 1.045,6 ha, declarada pelo contribuinte, em vista da falta do Ato Declaratório Ambiental (ADA), exigindo imposto suplementar, acrescido de juros de mora e multa de ofício (fls. 52/53). 3. O contribuinte foi cientificado da autuação por via postal, em 15/12/2005, e impugnou a exigência fiscal no dia 12/01/2006 (fls. 64/65 e 67/85). 4. Intimado em 30/04/2007, também por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 25/05/2007, em que aduz os seguintes argumentos de defesa (fls. 164/167 e 168/183): (i) a quase totalidade da área do imóvel é ocupada por mata atlântica em avançado grau de regeneração, cuja legislação proíbe a supressão e exploração, tornando a propriedade inservível para exploração econômica que justifique a incidência da tributação; Fl. 664DF CARF MF Processo nº 13971.002460/200550 Acórdão n.º 2401005.482 S2C4T1 Fl. 665 4 (ii) foi indevidamente negado em primeira instância o pedido de produção de prova pericial a fim de averiguar a existência da mata atlântica em avançado estágio de regeneração; (iii) é desnecessária a exigência do Ato Declaratório Ambiental (ADA) relativamente às áreas declaradas de preservação permanente e de reserva legal, para fins de exclusão da tributação; (iv) para efeito de determinação do valor da terra nua, não pode ser utilizado o valor padrão estipulado pela Secretaria Estadual da Agricultura, visto que a maior parte das terras do recorrente não é passível de aproveitamento econômico; (v) em caso de manutenção do lançamento, cabe afastar a cobrança de juros de mora com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic); e (vi) a multa no percentual de 75%, que deveria ter um caráter punitivo, adquire caráter confiscatório, afrontando o principio constitucional da vedação ao confisco. 5. Por meio da Resolução nº 310100.033, de 22/05/2009, a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento converteu o julgamento em diligência para que, após realizar vistoria na área de imóvel, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) confirmasse, através de parecer, a área total e as áreas de preservação permanente e de reserva legal (fls. 186/190). 5.1 Além disso, a diligência solicitou que o recorrente trouxesse aos autos a certidão de objeto c pé da Ação de Execução Fiscal n° 2004.72.05.0008079, referente ao mesmo imóvel. 6. A diligência fiscal foi cumprida, tendo a equipe técnica do Parque Nacional da Serra do Itajaí elaborado parecer sobre as questões suscitadas na Resolução nº 310100.033, de 22/05/2009 (fls. 213/217). Por sua vez, o recorrente juntou, em cópia, os documentos pertinentes à ação de execução fiscal (fls. 220/656). 7. Por fim, tendo em vista que Turma de origem não tem mais competência regimental sobre a matéria, assim como o relator originário não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, foi realizado novo sorteio e distribuição deste processo administrativo para o julgamento do recurso voluntário no âmbito da Segunda Seção (fls. 660/661). É o relatório. Fl. 665DF CARF MF Processo nº 13971.002460/200550 Acórdão n.º 2401005.482 S2C4T1 Fl. 666 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 8. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Perícia 9. O recorrente reitera o seu pedido de realização de perícia no imóvel rural para que se verifique que as terras estão ocupadas pela mata atlântica. 10. De certo modo, o pleito do contribuinte foi atendido, na medida em que o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, manifestouse, em 23/04/2012, no sentido de que o imóvel estava localizado totalmente dentro do Parque Nacional da Serra do Itajaí, a uma distância de 470 metros do ponto mais próximo do limite da unidade dessa conservação ambiental (fls. 213/217). 10.1 O Parque Nacional da Serra do Itajaí é uma unidade de conservação nacional de proteção integral do ecossistema da mata atlântica, criado pelo Decreto de 4 de junho de 2004, do Poder Executivo Federal. 11. Nesse passo, cabe avaliar o mérito das razões recursais. Mérito 12. A autoridade fiscal efetivou a glosa da área declarada pelo recorrente a título de preservação permanente, equivalente a 1.045,6 ha, sob a justificativa de que, após regularmente intimado, deixou de comprovar o cumprimento dos requisitos para usufruir da isenção tributária (fls. 58/63). 12.1 Quanto a essa área do imóvel rural, o recorrente assevera que a apresentação do ADA não é condição necessária e obrigatória para a fruição da redução do valor a pagar do imposto. Fl. 666DF CARF MF Processo nº 13971.002460/200550 Acórdão n.º 2401005.482 S2C4T1 Fl. 667 6 13. Pois bem. As áreas de preservação permanente e de reserva legal estão excluídas da tributação pelo ITR, segundo previsto na alínea "a" do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996. Reproduzo a redação do dispositivo de lei na redação vigente à época do fato gerador: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) 14. Nada obstante, para fins de afastar a tributação no tocante às áreas não tributáveis a que alude a lei, inclusive de preservação permanente e de reserva legal, é necessária, como regra geral, a informação tempestiva da respectiva área ao Ibama por intermédio do ADA, a cada exercício, nos prazos definidos na legislação infralegal. 14.1 Nesse escopo interpretativo, o texto expresso do inciso I do § 3º do art. 10 do Decreto nº 4.382, de 19 de setembro de 2002, que regulamenta o ITR: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso II): I de preservação permanente (Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965 Código Florestal, arts. 2º e 3º, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989, art. 1º); II de reserva legal (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, art. 1º); (...) § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e Fl. 667DF CARF MF Processo nº 13971.002460/200550 Acórdão n.º 2401005.482 S2C4T1 Fl. 668 7 II estar enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos I a VI em 1º de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do ITR. (...) (GRIFEI) 15. Em nível de lei ordinária, a apresentação do ADA para efeito de redução da área tributável, antes opcional, passou a ser obrigatória com o advento da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, que alterou a redação do § 1º do art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (...) (GRIFEI) 16. A exclusão da tributação de determinadas áreas de interesse de preservação e de caráter limitado quanto ao seu aproveitamento econômico ficou condicionada à informação tempestiva ao Ibama, permitindo o controle e a verificação delas pelo órgão nacional responsável pela proteção ambiental. 17. Segundo o ponto de vista pessoal, o § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, revogado pela Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012, não quis tornar inexigível a apresentação do ADA para o reconhecimento das áreas não tributáveis, em detrimento ao conteúdo do § 1º do art. 17O da Lei nº 6.938, de 1981: Art. 10 (...) § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis 17.1 A meu ver, o texto do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, cuidou de explicitar apenas que o ITR é um tributo sujeito ao lançamento por homologação, ficando dispensada, no momento da entrega da declaração, a comprovação da informação da área em ADA. 18. Como argumento de reforço, sublinho que a interpretação da lei acima está alinhada com o entendimento dado pelo Poder Executivo quando da regulamentação da matéria, por meio do inciso I do § 3º do art. 10 do Decreto nº 4.382, de 2002, antes reproduzido. Fl. 668DF CARF MF Processo nº 13971.002460/200550 Acórdão n.º 2401005.482 S2C4T1 Fl. 669 8 19. Nada obstante, a despeito da opinião acima, é mister dizer que o Poder Judiciário tem inúmeros precedentes, aplicáveis a fatos geradores anteriores à Lei nº 12.651, de 2012, a qual aprovou o Novo Código Florestal, no sentido da dispensa da apresentação do ADA para reconhecimento da isenção das áreas de preservação permanente e de reserva legal, com vistas a afastálas da tributação do ITR, a partir de um determinado viés interpretativo para o § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996. 19.1 Com essa finalidade, inclusive, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), órgão responsável pela defesa em juízo do crédito tributário da União, elaborou o Parecer PGFN/CRJ nº 1.329/2016, em que dispensa o Procurador da Fazenda Nacional, relativamente a fatos geradores anteriores à Lei nº 12.651, de 2012, de contestar e recorrer nas demandas judiciais que versem sobre a necessidade de apresentação do ADA para fins do reconhecimento do direito à isenção do ITR em área de preservação permanente e de reserva legal. 19.2 Tal orientação foi incluída no item 1.25, "a", da Lista de dispensa de contestar e recorrer, tendo em vista a jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça, desfavorável à Fazenda Nacional (art. 2º, incisos V, VII e §§3º a 8º, da Portaria PGFN nº 502/2016). 20. À vista disso, embora o entendimento não tenha caráter vinculante no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a falta de ADA não deve ser considerada impeditiva à exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, mantendo, desse modo, coerência com a conduta que seria adotada pela Procuradoria da Fazenda Nacional caso a questão controvertida fosse levada à apreciação do Poder Judiciário. 21. Por outro lado, a documentação que instrui os autos revela que a área de preservação permanente do imóvel, a que alude a alínea "a" do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, não alcança exatamente o valor de 1.045,6 ha, que foi declarado pelo sujeito passivo. 22. Com efeito, o contribuinte apresentou laudo técnico, assinado por engenheiro florestal, com data de 06/06/2002, em que consta uma área de preservação permanente inferior à declarada, igual a 450,57 ha (fls. 33/45). 22.1 O mesmo laudo atestou uma área de reserva legal de 215,12 ha, que foi ratificada pela fiscalização como averbada à margem da matrícula do imóvel antes do fato gerador do imposto (fls. 60/61). 22.2 Da mesma forma, o laudo técnico certifica a existência de uma área coberta por florestas nativas igual a 1.043,91, correspondente a 97,04% da área total do imóvel rural, com formação florestal secundária denominada "Floresta Ombrófila Densa Atlântica" em estágio avançado de regeneração natural da mata atlântica. 23. A seu turno, o laudo técnico com data de 31/07/2000, firmado pelo mesmo engenheiro florestal, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), referese a uma área de preservação permanente de 96,68 ha, área de reserva legal de 215,14 ha e uma área de floresta nativa com impedimento legal para manejo florestal sustentado de 733,80 ha (fls. 337/346). Fl. 669DF CARF MF Processo nº 13971.002460/200550 Acórdão n.º 2401005.482 S2C4T1 Fl. 670 9 24. A avaliação técnica elaborada pelo ICMBio, que administra o Parque Nacional da Serra do Itajaí, confirmou que área total do imóvel em 2001, composta pelas matrículas nº 2.126, 2.127 e 10.868, em um total de 1.075,6 ha, está inserida nessa área de conservação ambiental, a qual restou implantada pelo Poder Público para preservar amostras representativas da mata atlântica e dos ecossistemas ali existentes, possibilitando a realização de pesquisa científica e o desenvolvimento de atividades de educação ambiental e interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico (art. 1º, do Decreto Federal de 04/06/2004). 24.1 Em que pese ter havido a oficialização do parque tão somente no ano de 2004, tenho como inegável que a área do imóvel rural, já no início do ano de 2001, estava situada em região de cobertura vegetal nativa, em estado avançado de regeneração, ocupada pela mata atlântica. 25. De mais a mais, o imóvel na data do fato gerador do imposto, como alegado no recurso voluntário, estava afetado pelo Decreto nº 750, de 10 de fevereiro de 1993, o qual determinou que ficavam proibidos o corte, a exploração e a supressão de vegetação primária ou de vegetação nos estágios avançado e médio de regeneração da mata atlântica. Adicionalmente, prescreveu o art. 7º do ato do Poder Executivo: Art. 7º Fica proibida a exploração de vegetação que tenha a função de proteger espécies da flora e fauna silvestres ameaçadas de extinção, formar corredores entre remanescentes de vegetação primária ou em estágio avançado e médio de regeneração, ou ainda de proteger o entorno de unidades de conservação, bem como a utilização das áreas de preservação permanente, de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965. (GRIFEI) 26. Não restam dúvidas, portanto, da efetiva existência de área de preservação permanente, de área de reserva legal averbada na matrícula do imóvel, anteriormente à data do fato gerador, além de área de floresta nativa da mata atlântica, com as restrições impostas pelo Decreto n° 750, de 1993, o que implica considerar áreas não aproveitáveis para a atividade rural, porque inviabilizada a pretensão de exploração econômica da propriedade rural, em favor da preservação ambiental nessas áreas especificadas. 27. É a hipótese apenas de adequação da declaração do contribuinte, que informou a soma dessas áreas como de preservação permanente, o que acaba não interferindo no cálculo do imposto, já que, ao fim e ao cabo, não parece viável conceituálas como áreas tributáveis (art. 10, inciso II, alíneas "a" e "b", da Lei nº 9.393, de 1996). 28. Logo, cabe tornar improcedente o lançamento fiscal, pelos motivos acima expostos. 29. Deixo de apreciar as demais argumentos do recurso voluntário, por absoluta desnecessidade para o deslinde do julgamento. Fl. 670DF CARF MF Processo nº 13971.002460/200550 Acórdão n.º 2401005.482 S2C4T1 Fl. 671 10 Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, DOULHE PROVIMENTO para tornar improcedente o lançamento fiscal. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 671DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.001926/00-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1990 a 31/01/1992
FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TERMO INICIAL DO PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005.
O prazo para repetição de indébito, para pedidos formulados até 08 de junho de 2005, é de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), conforme jurisprudência pacífica do STJ e STF, com a inconstitucionalidade parcial do art. 4º da LC nº 118/2005.
Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/01/1990 a 31/01/1992
FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO. DARF E GUIAS DE DEPÓSITO JUDICIAL. TRANSITO EM JULGADO DE AÇÃO JUDICIAL. ÔNUS DO CONTRIBUINTE
Vedada a restituição de indébito cujo provimento judicial favorável não restar comprovado com as peças judiciais e o trânsito em julgado de respectivas ações.
É ônus do contribuinte comprovar o direito creditório informado em pedidos de restituição suportados em DARFs e Guias de Depósitos Judiciais.
Numero da decisão: 3201-003.724
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TERMO INICIAL DO PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. O prazo para repetição de indébito, para pedidos formulados até 08 de junho de 2005, é de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), conforme jurisprudência pacífica do STJ e STF, com a inconstitucionalidade parcial do art. 4º da LC nº 118/2005. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/1990 a 31/01/1992 FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO. DARF E GUIAS DE DEPÓSITO JUDICIAL. TRANSITO EM JULGADO DE AÇÃO JUDICIAL. ÔNUS DO CONTRIBUINTE Vedada a restituição de indébito cujo provimento judicial favorável não restar comprovado com as peças judiciais e o trânsito em julgado de respectivas ações. É ônus do contribuinte comprovar o direito creditório informado em pedidos de restituição suportados em DARFs e Guias de Depósitos Judiciais. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 19 26 /0 0- 97 Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10875.001926/0097 Acórdão n.º 3201003.724 S3C2T1 Fl. 260 2 (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Em 15/06/2000 a contribuinte em epígrafe protocolou o pedido de fl. 01, pelo qual pleiteia a restituição de R$ 2.750.262,77 relativos ao Finsocial apurado no período de janeiro de 1990 a janeiro de 1992, conforme planilha de fl. 07. Cópias dos DARFs que subsidiam o pedido foram juntadas às fls. 08/28, assim como comprovantes de depósitos judiciais de fls. 29/32. Na peça que acompanha o Pedido, fls. 02/03, a contribuinte requer a restituição e compensação do FINSOCIAL com COFINS, vencido, caso haja em época, e com COFINS a pagar, por se tratar de empresa comercial, de acordo com seu objetivo social, conforme consta em cópia anexa do Contrato Social [...] tendo em vista tratarse de matéria transitada em julgado e de acordo com o acórdão, o acréscimo que excede 0,5 do FINSOCIAL, no período de 01/90 a 03/92, é plenamente compensável e tratase de matéria normatizada pela IN/SRF 032/97, solicita o imediato aproveitamento do crédito através de compensação e o reconhecimento dos cálculos ora apresentados. No curso do exame do pedido, o chefe do Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário (Secat) da Delegacia de origem, em expediente de fl. 122, anota que pesquisa no TRF da 3ª Região (fls. 105/121), apontou que a interessada figura como pólo ativo em vários processos referentes ao Finsocial. Mediante a intimação de fls. 124, datada de 11/05/2005, solicitouse da contribuinte a apresentação, no prazo de dez dias, da documentação relacionada à demanda judicial (cópias de sentença, votos, acórdãos, trânsito em julgado e certidão de objeto e pé). A interessada, em 13/06/2005, solicitou prazo adicional de trinta dias para cumprir o solicitado. Em 22/10/2005, o chefe do Seort da Delegacia local, acatando parecer de fls. 127/130, decidiu pelo não reconhecimento do direito creditório pleiteado. Como fundamento ao indeferimento do pedido, a autoridade relacionou (i) a expiração do prazo Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10875.001926/0097 Acórdão n.º 3201003.724 S3C2T1 Fl. 261 3 para a formulação do pleito de restituição em razão do transcurso de mais de cinco anos da data dos pagamentos supostamente indevidos; (ii) a renúncia à discussão da matéria na esfera administrativa em razão da instauração de ação judicial e (iii) a ausência de documentação que comprove o trânsito em julgado do crédito em favor do sujeito passivo, condição para o reconhecimento de direito creditório ou efetivação de compensação na esfera administrativa. Cientificada da decisão em 29/12/2005, em 23/01/2006 a contribuinte protocolou a Manifestação de Inconformidade de fls. 135/144, na qual alega, em suma, que o pleito de restituição foi formalizado dentro do prazo de cinco anos contados dos atos administrativos que reconheceram o caráter indevido do Finsocial cobrado com excesso de alíquota, a saber, a Instrução Normativa SRF nº 31, de 1997 e nº 006, de 2000. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP, por intermédio da 3ª Turma, no Acórdão nº 0519.425, sessão de 24/09/2007, julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/1990 a 31/01/1992 RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. EXTINÇÃO DO DIREITO. AD SRF 96/99. VINCULAÇÃO. Consoante Ato Declaratório SRF 96/99, que vincula este órgão, o direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contados da data do pagamento, inclusive nos casos de tributos sujeito à homologação ou de declaração de inconstitucionalidade. RESTITUIÇÃO. GUIAS DE DEPÓSITO JUDICIAL. Depósitos judiciais são valores administrados pela Justiça Federal e somente o juízo competente pode cogitar da sua destinação como renda da União ou autorizar o levantamento pelo depositante. O acórdão recorrido enfrentou a única matéria de defesa versada na manifestação de inconformidade para ao final não reconhecer o direito creditório, indeferindo o pedido de restituição do Finsocial, por estar extinto o direito em razão do transcurso de prazo de mais de 5 (cinco) anos entre as datas do recolhimento e do pedido. Quanto às guias de depósitos judiciais (fls. 29/32) o voto condutor sustentou a falta de competência para o Colegiado se pronunciar pois são atinentes à esfera Judicial e não passíveis de restituição ou compensação. Cientificada da decisão de primeira instância, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário no qual repisa o mesmo texto de sua impugnação, acrescentando tãosó argumento no sentido de que não há que se invocar a Lei Complementar nº 118/2005 para advogar o Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10875.001926/0097 Acórdão n.º 3201003.724 S3C2T1 Fl. 262 4 entendimento de que o prazo de restituição seria de 5 anos (e não "5 mais 5") após o pagamento. De se atentar que a matéria prescrição do prazo para repetição do indébito fora a única suscitada no recurso voluntário, nenhum argumento de defesa foi desenvolvido acerca das ações judiciais. Submetido a julgamento, em Turma extinta deste CARF, na sessão de 21/05/2009, decidiu seus conselheiros em converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem intimasse a contribuinte a apresentar cópias das iniciais, decisões prolatadas, certidões de trânsito em julgado e narratórias dos processos judiciais possuídas sobre o tema. O relator fundamentou sua proposta por entender a imprescindibilidade dos documentos à vista de guias de depósitos judiciais apresentados para os quais se pleiteiam o crédito a ser restituído e que, até aquele momento, conquanto intimada, a contribuinte quedou se inerte. Cumprida a diligência na Unidade de Origem, a recorrente apresentou apenas cópias de extrato de consulta processual na página da internet da Justiça Federal de 1º grau de São Paulo, a qual, com os argumentos de pesquisa fornecidos, o resultado não apresentou qualquer ação judicial cujo assunto seja "FINSOCIAL". O resultado encontrase às folhas 239 a 254. No requerimento de apresentação dos extratos de consulta processual, a recorrente assim se manifestou (fl. 231): Vale dizer, nada obstante a informação do Fisco sobre os referidos processos judiciais, em realidade esses indigitados feitos, e com a devida vênia, não constam dos registros da Intimada, muito menos na base de dados do Tribunal Federal (docs. 04/05). Neste desenrolar a diligência fiscal resta despicienda, devendo ser reenviada ao Conselho para posterior julgamento do Recurso, não sem antes certificarse que não existe qualquer prejudicialidade à instância administrativa por inexistência de concomitância de ação judicial a este processo. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. No seu recurso, a contribuinte repisa sua impugnação contestando apenas a manutenção do despacho decisório no tocante à caducidade de seu direito à repetição do indébito. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10875.001926/0097 Acórdão n.º 3201003.724 S3C2T1 Fl. 263 5 Mais a mais, como bem apontado na decisão da DRJ, a contribuinte não contestou os dois outros fundamentos de indeferimento do Pedido de Restituição, a saber, (a) a renúncia à discussão na esfera administrativa em razão de impetração de ação judicial e (b) falta de comprovação do trânsito em julgado de decisão que confirmasse o crédito do sujeito passivo frente à Fazenda Pública. Importa inicialmente fixar algumas premissas: 1. Embora no requerimento inicial fazse referência à compensação com débitos de Cofins, não se trata de tal pedido, apenas de restituição, uma vez que não há requerimento formalizado em tal sentido com a indicação dos débitos a serem quitados com o pretenso direito creditório. 2. Ainda na esteira do exposto anteriormente, não se tem notícia nos autos de que a contribuinte tenha efetuada a compensação nos termos previsto no art. 66 da lei nº 8.383/1991 e preconizada no art. 14 da IN SRF nº 21/1997, a qual permitia a compensação independentemente de requerimento autocompensação escritural , cumpridas as demais exigências e limitações ao procedimento. 3. O direito creditório tem por fundamento a inconstitucionalidade da majoração de alíquota do FINSOCIAL superior a 0,5%, para as empresas comerciais e mistas, que foi declarada, ainda que em controle difuso, pelo STF no RE nº 150.764/PE, decisão publicada em 16/02/1993, e reconhecida pela Administração na edição da MP nº 1.110/95, publicada a 31/08/1995, conferindo, assim, efeito erga omnes à decisão da Suprema Corte exarada em sede de Recurso Extraordinário, com efeito inter partes. Com essa introdução, entendo que o litígio versaria apenas quanto à matéria decadência (ou prescrição, para outros) do direito à repetição do indébito. Contudo não se pode ignorar o julgamento anterior em que o colegiado, por unanimidade de votos, decidiu convertêlo em diligência justamente para conceder uma nova oportunidade ao contribuinte a trazer aos autos as peças processuais de suas Ações Judiciais no tocante ao Finsocial para comprovar seu direito creditório ou demonstrar inexistência de óbice, tendo em vista estar patente a existência de tais Ações. Assim, em homenagem ao princípio da verdade material, pois inconteste a existência de ações judiciais acerca de Finsocial em que a contribuinte seja parte, o presente voto enfrentará duas matérias: (i) a decadência (ou prescrição, para outros) do direito à repetição do indébito, e (ii) a natureza das ações judiciais apontadas nos autos, que versam sobre o Finsocial e que implicariam a concomitância de objeto entre os processos judicial e administrativo e/ou comprovariam ou não o direito ao crédito. Prescrição do pedido de restituição O pedido de restituição foi inicialmente analisado pela DRF em Guarulhos/SP que o indeferiu sob o fundamento de que na data da sua formalização o direito da interessada repetir os indébitos reclamados encontravase alcançado pela decadência, nos termos dos arts. 150 § 4º, 165, I e 168, I, do CTN observado o disposto no Ato Declaratório SRF n° 96/1999, conforme consta do Despacho Decisório nº 319/2005 (fls. 117/120). Firmou se então o Fisco na tese de que o pedido de restituição deve se dar dentro do prazo de 5 anos do pagamento indevido ou a maior. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10875.001926/0097 Acórdão n.º 3201003.724 S3C2T1 Fl. 264 6 A manifestação de inconformidade interposta contra aquela decisão foi julgada improcedente pela DRJ, sob o mesmo fundamento legal no qual a DRF exarou o despacho decisório recorrido, ou seja, o indébito estava alcançado pela decadência. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, requerendo a reforma da decisão a quo, para que lhe fosse deferida a restituição dos valores pleiteados sob fundamento de que o pedido foi formalizado dentro do prazo de 5 (cinco) anos contados do ato administrativo que reconheceu o caráter indevido de Finsocial, outrossim, não se aplicaria o entendimento esposado de que a Lei Complementar nº 118/2005 determinou o prazo de restituição em 5 anos (e não "5 mais 5") após o pagamento. A tese da contribuinte é pois que o direito à repetição do indébito é de 5 anos a contar do ato estatal de reconhecimento da inconstitucionalidade (no caso, entende ser as INs 31/97 e 06/00). A matéria gerou ampla controvérsia na jurisprudência do Poder Judiciário e deste Conselho. As teses defendidas pelo fiscalização/DRJ e pelo contribuinte eram acolhidas na doutrina e em decisões administrativas e judiciais; todavia, atualmente, encontrase pacificada em ambas as esferas e as duas teses superadas. É verdade que prevalecera fortemente a tese de que o termo inicial do prazo para a repetição do indébito era a data do pagamento do tributo, sobretudo após a edição da Lei complementar nº 118/2005, verbis: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4º Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. No entanto, o STJ firmou entendimento de que o preceito da parte final do art. 4º da LC nº 118/2005, encontrase maculado por vício de inconstitucionalidade, não se cogitando na aplicabilidade retroativa do disposto no artigo 3°, consoante esculpido Recurso Especial nº 1.002.932/SP. Em síntese, posicionouse aquele Tribunal no sentido de que, no caso de repetição de indébito de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo prescricional para protocolizar o pedido, após o advento da LC n° 118/05, contase da seguinte forma: 1) Pedidos efetuados antes da LC 118/2005 (até 08/06/2005) – Prazo de 10 (dez) anos – tese dos "5 + 5", contados da ocorrência do fato gerador, limitado ao período máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova; 2) Pedidos realizados após a vigência da LC 118 (09/06/2005) – Prazo de 05 (cinco) anos a contar da data do pagamento indevido; Corroborando a posição do STJ, o Supremo Tribunal Federal, pacificou a matéria, ratificando a inconstitucionalidade da parte final do artigo 4° da LC n° 118/2005, Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10875.001926/0097 Acórdão n.º 3201003.724 S3C2T1 Fl. 265 7 mantendo, portanto, o prazo prescricional com base na tese dos 5 + 5 para nos casos de recolhimentos indevidos ocorridos anteriormente à vigência do aludido diploma legal. Sua decisão foi exarada no Recurso Extraordinário n° 566.621/RS, julgado sob a sistemática do rito previsto no artigo 543B do antigo Código de Processo Civil. A ressalva imposta pelo STF foi de que a LC nº 118/05 poderá ser aplicado às "ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005." Aos julgadores do CARF impõese a aplicação do que restar decidido pelo STJ e STF na sistemática do arts. 543B e 543C, do antigo CPC, a teor do que prescreve o disposto no caput do art. 62 da Portaria MF nº 343/2015 RICARF1 Com base nesse entendimento, tendo em vista os recolhimentos antes da vigência da Lei Complementar n° 118/2005, e considerando que o Pedido de Restituição foi apresentado em 15/06/2000, temse que, relativamente a fatos geradores ocorridos no período de junho/1990 a janeiro/1992, a título de Contribuição para o FINSOCIAL, não foram alcançados pela prescrição, portanto, se confirmado o recolhimento a maior, os valores apurados são passíveis de restituição ou compensação. Outra sorte não goza os recolhimentos pertinentes aos fatos geradores ocorridos entre janeiro/1990 a maio/1990, pois ultrapassado o prazo decenal para o exercício do direito à repetição do indébito. Ações Judiciais Finsocial A existência de ações judiciais em que a recorrente seja parte e versam sobre o Finsocial é inconteste, conquanto a contribuinte neguea. O primeiro documento colacionado aos autos que dão conta de Ação Judicial acerca do Finsocial foi da própria contribuinte. Tratase de uma cópia de petição endereçada ao Juiz da 20ª Vara Federal em São Paulo, com referência ao processo 9107208677 (fl. 22), com requerimento de juntada de demonstrativo de faturamento do mês de janeiro de 1992, período este cujo pretenso valor recolhido ou depositado integra a planilha demonstrativa dos valores que se pede restituição. Nos autos, em dois momentos a contribuinte nega peremptoriamente a existência desta e quaisquer outras Ações Judiciais sobre Finsocial: (i) à folha 09 consta "DECLARAÇÃO" assinada por diretor comercial declarando em relação ao Pedido de Restituição "... que o respectivo valor não foi restituído e nem será formulado pedido de 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10875.001926/0097 Acórdão n.º 3201003.724 S3C2T1 Fl. 266 8 restituição, e ainda, que o mesmo não está sendo questionado administrativamente e nem encontrando sob judice."; posteriormente, (ii) na resposta à intimação para atender à diligência informa "... Vale dizer, nada obstante a informação do Fisco sobre os referidos processos judiciais, em realidade esses indigitados feitos, e com a devida vênia, não constam dos registros da Intimada, muito menos na base de dados do Tribunal Federal (docs. 04/05)." Na tentativa de "comprovar" a inexistência de ações judiciais sobre Finsocial, a contribuinte traz em atendimento à diligência cópias de extrato de consulta também efetuada na JF/SP, mas que em razão do argumento de pesquisa informado estranhamente, o do número do CPF (de quem?) e de autor , o resultado fora 3 ações com objetos distintos de Finsocial. Outra pesquisa, também com o argumento "CPF" e na condição de autor ou réu, retornou 29 processos, dos quais 16 referemse à execução fiscal, e os 13 restantes de assuntos diversos, porém, nenhum acerca do Finsocial. Com tais informações, a recorrente entende por comprovado a inexistência de quaisquer ações judiciais da qual seja parte que verse sobre Finsocial Verificase da Planilha demonstrativa dos valores que a recorrente pede restituição a indicação dos períodos de nov/91, dez/91 e jan/92, com as respectivas Guias de Depósitos Judiciais (fls. 29/31), como pretensa prova de recolhimento indevido para restituição. Pois bem, em que pese a declaração firmada (fl. 09) "sob as penas previstas em Lei" no tocante ao compromisso de que nenhum dos valores consignados no Pedido não seriam, nem foram, objeto de restituição em pedido distinto, tampouco de questionamento administrativo ou judicial, a situação fática e verdadeira é outra: esses mesmos períodos/valores foram objeto de pedido análogo de restituição formalizado no processo nº 10875.004023/0002, no qual formalizou Pedido de Restituição, protocolizado em 27/11/2000, com planilha (fl. 09) e Guias de Depósito Judiciais (fls. 10/15) de idênticos valores e todos com mesma petição endereçadas ao Juiz da 20ª Vara Federal/SP, no mesmo processo nº 91 07208677. Como se vê, resta comprovado a existência de Ações Judiciais cujo pedido imediato é a restituição do indébito do Finsocial até o mês de janeiro/1992, que para efeitos de possível restituição em processo administrativo carece da comprovação do reconhecimento e a concessão do direito creditório por meio da prolação de sentença/acórdão do Poder Judiciário, com o atributo de definitividade, ou seja, com seu trânsito em julgado. In casu, a recorrente não comprovou a concessão do direito creditório, nem o trânsito em julgado das Ações Judiciais pertinentes que tratam de restituição de valor supostamente pago a maior tal como ressaltado alhures que em resumo, ônus do qual não se desincumbiu. Conclusão A ausência das peças judiciais requeridas e não apresentadas na baixa para diligência são suficientes à negativa de provimento ao recurso voluntário, assim como a constatação da autoridade administrativa prolatora do despacho decisório caracterizouse fundamento ao indeferimento do Pedido de Restituição. Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10875.001926/0097 Acórdão n.º 3201003.724 S3C2T1 Fl. 267 9 Ademais e ao final, irrelevante ao deslinde do litígio a decisão proposta em relação à prescrição dos indébitos do Finsocial pois superada pela falta de comprovação do trânsito em julgado de decisão que confirmasse o crédito do sujeito passivo frente à Fazenda Pública. Por tudo ante exposto, voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário em razão da falta de comprovação da concessão do direito creditório, bem como o trânsito em julgado das Ações Judiciais pertinentes. Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 267DF CARF MF
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Numero do processo: 13962.000045/2004-90
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA AFERIÇÃO DO CRÉDITO.
O procedimento de homologação da Declaração de Compensação consiste fundamentalmente em atestar a regularidade do crédito, ainda que tal análise implique em verificar fatos ocorridos há mais de cinco anos, respeitado apenas o prazo de homologação tácita da compensação requerida.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITURAÇÃO INCOMPLETA.
Submete-se ao arbitramento do lucro o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, que não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais.
Numero da decisão: 1001-000.562
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1998 COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA AFERIÇÃO DO CRÉDITO. O procedimento de homologação da Declaração de Compensação consiste fundamentalmente em atestar a regularidade do crédito, ainda que tal análise implique em verificar fatos ocorridos há mais de cinco anos, respeitado apenas o prazo de homologação tácita da compensação requerida. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITURAÇÃO INCOMPLETA. Submete-se ao arbitramento do lucro o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, que não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais.
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PRAZO PARA AFERIÇÃO DO CRÉDITO. O procedimento de homologação da Declaração de Compensação consiste fundamentalmente em atestar a regularidade do crédito, ainda que tal análise implique em verificar fatos ocorridos há mais de cinco anos, respeitado apenas o prazo de homologação tácita da compensação requerida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITURAÇÃO INCOMPLETA. Submetese ao arbitramento do lucro o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, que não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 2. 00 00 45 /2 00 4- 90 Fl. 552DF CARF MF Processo nº 13962.000045/200490 Acórdão n.º 1001000.562 S1C0T1 Fl. 553 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 491/516) interposto pela ora recorrente contra o Acórdão nº 0734.354 (efls. 478/488), de 14 de março de 2014, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC, objetivando a reforma do referido julgado. O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância bem sintetiza o ocorrido, pelo que peço vênia para transcrevêlo, com a finalidade de privilegiar o princípio da celeridade processual: (grifos não constam do original) Por meio do Despacho Decisório de f. 471 a 481, foi negada a homologação das compensações informadas na Declaração de Compensação – DCOMP, em formulário de papel, apresentadas nos dias 15/04/2004 e 14/05/2004. O crédito informado é do tipo “pagamento indevido ou a maior” de IRPJ, código de receita 0220 (IRPJ – PJ obrigadas ao lucro real – entidades não financeiras – balanço trimestral), do primeiro trimestre de 1998. Os valores pleiteados são apontados no Despacho Decisório, conforme quadro abaixo: Nestas declarações de compensação informou que o crédito decorria de pagamentos relativos ao IRPJ (código 0220) do primeiro trimestre de 1998, que teriam sido efetuados indevidamente, conforme o quadro a seguir: Créditos alegados Declaração de Compensação (data de protocolo e folhas do presente processo) Receita Data do pagamento Valor pago Valor pleiteado 15/04/2004 fls. 02/04 0220 30/04/1998 4.193,54 4,193,54 15/04/2004 fls. 05/06 0220 30/04/1998 1.451.4« 1 451,48 15/04/2004 fls 07/08 0220 29/05/1998 4.235.48 4.235,48 15/04/2004 fls. 09/10 0220 29/05/1998 1.465,99 1.465,99 15/04/2004 fls. 11/12 0220 31/07/1998 4.370,93 4.370,93 14/05/2004 fls. 18/19 (*) (*) Obs.: na declaração de compensação apresentada no dia 14/05/2004 (fls 18/19), a contribuinte não apontou pagamento indevido, limitandose a informar que seu crédito já tinha sido detalhado em declaração de compensação anterior, e indicando o número deste processo. Conforme relatado no Despacho Decisório, as compensações em análise tinham sido objeto de análise anterior, em que não foram homologadas pelo fato de as Declarações de Compensação terem sido apresentadas após transcorrido o prazo de cinco anos desde as datas dos pagamentos (Despacho Decisório de 27/02/2009 f. 30). Tal entendimento foi referendado em acórdão proferido por esta Turma de Julgamento (acórdão 0716403). Todavia, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, deu provimento parcial ao recurso voluntário, afastando a decadência do direito à compensação e determinando o retorno dos autos para apreciação dos demais elementos da lide. Fl. 553DF CARF MF Processo nº 13962.000045/200490 Acórdão n.º 1001000.562 S1C0T1 Fl. 554 3 Em atendimento, a DRF/Blumenau intimou a contribuinte a apresentar os seguintes elementos de prova: a) Apresentar cópias autenticadas das folhas do LALUR relativas à apuração do Lucro Real no primeiro trimestre de 1998, bem como dos termos de abertura e encerramento do referido Livro. b) Apresentar cópias autenticadas das folhas do Livro Diário que contenham a transcrição do balanço ou balancete de encerramento do primeiro trimestre de 1998, acompanhadas de demonstrações sintéticas dos resultados contábeis de cada período; apresentar cópias autenticadas dos termos de abertura e encerramento do Livro em tela. Em resposta, a contribuinte apresentou a seguinte manifestação: Supermercados Archer S/A, pessoa jurídica de direito privado, estabelecida na Av. Getúlio Vargas, 381 Centro Brusque SC, inscrita no CNPJ sob número 79.257.291/000158, através de seu representante legal adiante assinado, em atendimento a intimação citada em epígrafe, vem respeitosamente apresentar os seguintes esclarecimentos: I Em atendimento ao item "1", é juntada cópia integral do Livro de Apuração do Lucro Real LALUR (capa à capa) contemplando a escrituração dos 4 (quatro) trimestres de 1998; II Em relação ao item "2", esclarecemos que a empresa não possui em seus arquivos o livro diário do anocalendário de 1998, descartado já a algum tempo, visto que o prazo de guarda obrigatória de 5 (cinco) anos já se esvaiu a quase dez anos, pelo que, não há como apresentar as "folhas do livro Diário que contenham as transcrições dos balanços ou balancetes”. III Inobstante, cumpre destacar que o direito creditório pleiteado no PA citado em epígrafe, referese a pagamento à maior/indevido, devidamente declarado em DIPJ, corroborado pela informação prestada em DCTF, declarações estas homologadas pelo decurso do prazo decadencial de 5 (cinco) anos, que atestaram e apuraram um valor devido igual a R$ 0,00 (zero reais), em confronto com valores positivos recolhidos em DARF's juntados aos autos do processo. IV – O quantum do direito creditório é perfeitamente aferível pelo cotejo das informações apresentadas em DIPJ/DCTF (homologadas e apontando valores devidos iguais a zero), em comparação com os recolhimentos comprovados nos autos. Assim, para maior clareza, apresentamos os documentos que foram possíveis de serem localizados: Ante a inexistência do livro diário, a autoridade recorrida negou a homologação das compensações por falta de comprovação do direito creditório, nos seguintes termos (f. 449): Fl. 554DF CARF MF Processo nº 13962.000045/200490 Acórdão n.º 1001000.562 S1C0T1 Fl. 555 4 A contribuinte, como visto, não apresentou cópias do livro diário, alegando que o mesmo teria sido descartado. Desta forma não trouxe ao conhecimento da autoridade tributária nem mesmo seus registros contábeis, cuja exatidão deveria, num segundo momento, vir a ser comprovada mediante apresentação dos documentos com base nos quais teria sido feita a escrituração. Assim, a contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório que lhe competia, não restando comprovada a liquidez e certeza dos créditos alegados. Consequentemente, o direito creditório não pode ser reconhecido e as declarações de compensação não podem ser homologadas. Irresignada, a Interessada apresentou a manifestação de inconformidade de f. 453 a 462, na qual alega, em síntese, que: Apurou seus resultados no anocalendário 1998, com base na sistemática do lucro real trimestral; Apresentou cópia integral do Livro de Apuração do Lucro Real –LALUR, que é um livro oficial, cujo objetivo é a apuração e demonstração do lucro real, promovendo os ajustes legalmente exigíveis (adições) ou legalmente permitidos (exclusões), ao resultado contábil, de tal sorte que se apure o resultado tributável da empresa; Tudo bem que o contribuinte não conseguiu apresentar as cópias autenticadas do livro diário, onde houve a transcrição do balanço/balancete de encerramento do primeiro trimestre de 1998, inobstante, apresentou balancetes de encerramento de todos os quatro trimestres do anocalendário de 1998, culminando com a apresentação do balanço publicado no Diário Oficial do Estado de Santa Catarina e em jornal de grande circulação (“A Notícia”), frisese, que facilmente aferível que as informações são concisas e coerentes; Se os quatro balancetes apresentados referentes ao anocalendário de 1998, são absolutamente lineares com o balanço publicado, bem como também são coerentes com as informações contidas no Livro de Apuração do Lucro Real, e, da mesma forma absolutamente coerentes com a “memória de cálculo da apuração do IRPJ e CSLL no anocalendário 1998”, qual seria o prejuízo na análise?; Se os balancetes apresentados são analíticos, apresentando clara indicação dos valores de “saldo anterior”, de “débitos”, de “créditos” e de “saldo atual”, conta por conta, é incorreta a afirmação fiscal de que “ainda que o contribuinte não tenha descartado tais documentos, como diz ter feito com o livro diário, sem este livro os documentos não passariam de um amontoado de papéis sem nenhuma utilidade”; Da mesma forma, igualmente “esfarrapada” é a desculpa de que “sem o livro diário, não é possível sequer determinar quais documentos deveriam ser apresentados”, se isso fosse verdadeiro, e frisese, evidentemente não é o caso dos autos, por que então a intimação solicita somente as cópias das folhas do diário onde constavam escriturados os balanços/balancetes do primeiro trimestre de 1998?; É de clareza solar, o perfeito e completo desinteresse do agente do ente tributante em aferir crédito algum, crédito algum, direito algum! Simplesmente estriba seu equivocado entendimento na literalidade de um dispositivo, no caso o art. 264 do RIR/99, que a bem da verdade não lhe socorre, senão vejamos: O aludido Fl. 555DF CARF MF Processo nº 13962.000045/200490 Acórdão n.º 1001000.562 S1C0T1 Fl. 556 5 dispositivo estabelece claramente que existe a obrigação de guarda de livros e documentos “enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes (...), ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua posição patrimonial”. Pois bem, as declarações de compensação foram protocoladas em abril e maio de 2004, logo, a “prescrição” em relação a eventuais “ações que lhes sejam pertinentes”, contida no art. 264 do RIR/99 se referem a esse evento, ou seja, em relação ao momento do pedido/declaração de compensação ocorrido, e esses documentos o contribuinte poderia apresentar a qualquer momento, inclusive o livro diário, bastava pedir; Mais importante ainda é ter em conta que a “decadência” não se interrompe, sob nenhum pretexto, pelo que, a alegação da recorrente em nada tem a ver como se “desincumbir” da guarda de documentos, e sim com o inexorável fato de que em maio de 2004, quando da formalização dos pedidos/declarações de compensação, os valores dos débitos de IRPJ e CSLL referentes ao anocalendário de 1998, já não poderiam mais ser objeto de quaisquer questionamentos em relação ao “quantum” apurado, qual seja de “ZERO” – R$ 0,00, em relação a quaisquer dos trimestres de 1998; É flagrante a utilização de retórica vazia no caso concreto pois, é inequívoco concluir dois pontos fundamentais: (i) o valor devido no período é de R$ 0,00 –zero reais – e legalmente NÃO se pode alterar esse “quantum” declarado e homologado como devido; (ii) valores superiores ao valor devido – definitivamente constituído e homologado de R$ 0,00 – foram comprovada e reconhecidamente ingressados aos cofres do ente político que ora se nega a devolvêlos; É de se ter em conta que, enquanto o pleito da recorrente foi sendo protelado na análise quanto ao mérito, com base na lúgubre entendimento de que os ditames da malsinada LC 118/2005, no que tange ao prazo decadencial, fossem aplicados a contencioso administrativo iniciado antes de sua publicação, o que por si só já é uma vergonha, nada impedia a Fazenda Pública de exercer seu direito a aferição dos valores declarados como devidos pelo contribuinte; Por oportuno, chamamos a atenção dos ilustres julgadores ao seguinte trecho do malsinado e errado despacho vergastado: Os documentos mencionados são inócuos pelas razões a seguir expostas. Os DARFs apenas comprovam que a contribuinte pagou determinados valores, fato este que já era do nosso conhecimento, com base nas pesquisas efetuadas no sistema SINAL)( (fls. 50/51). Mas para que os pagamentos possam ser considerados indevidos, é necessário comprovar que não havia valores devidos, e as cópias de DIPJ e DCTFs não são documentos hábeis a fazer tal comprovação Esse amontoado de “meias verdades”, visivelmente apresentadas fora de contexto adequado, poderiam induzir a um incauto, a concordar com o entendimento do ilustre agente, não fosse a imprópria e insustentável conclusão de que a DCTF regularmente apresentada não seria documento hábil para provar, em determinado período, nesse caso, desde há muito tempo, homologada, o quantum devido e, por decorrência, a existência de valores indevidos; Cumpre destacar, nesse sentido que, também a parte final do art. 264 do RIR/99 é perfeitamente acolhida pelo entendimento da recorrente, na medida e, que “atos ou operações” referentes ao anocalendário de 1998 NÃO PODEM MODIFICAR a “situação patrimonial” desse contribuinte, na medida em que o valor Fl. 556DF CARF MF Processo nº 13962.000045/200490 Acórdão n.º 1001000.562 S1C0T1 Fl. 557 6 de débito homologado em relação ao período em tela é de R$ 0,00 (zero reais) e, os créditos objeto do pleito foram opostos contra a Fazenda Pública Federal em maio de 2004. É virtualmente impossível se utilizar de créditos tributários inexistentes em favor da fazenda pública, e eles somente poderiam existir se regularmente lançados, o que hoje é juridicamente IMPOSSÍVEL, logo, o valor de crédito tributável em favor da Fazenda Nacional referente ao anocalendário de 1998 de IRPJ e CSLL é ZERO, pelo que, qualquer valor recolhido pela recorrente acima de ZERO, com ou sem diário, é INDEVIDO e deve ser devolvido a quem de direito, sob pena de apropriação indébita e/ou enriquecimento sem causa da Fazenda Pública Federal. A DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e publicou o acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA AFERIÇÃO DO CRÉDITO. O procedimento de homologação da Declaração de Compensação consiste fundamentalmente em atestar a regularidade do crédito, ainda que tal análise implique em verificar fatos ocorridos há mais de cinco anos, respeitado apenas o prazo de homologação tácita da compensação requerida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITURAÇÃO INCOMPLETA. Submetese ao arbitramento do lucro o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, que não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ciente da decisão de primeira instância em 24/03/2014, conforme Aviso de Recebimento à efl. 490, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 23/04/2014, conforme carimbo aposto à efl. 523. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator Fl. 557DF CARF MF Processo nº 13962.000045/200490 Acórdão n.º 1001000.562 S1C0T1 Fl. 558 7 Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. No recurso interposto, a recorrente reitera toda a argumentação trazida na manifestação de inconformidade e ainda: Discorre sobre a importância do livro LALUR e faz interpretação a contrário sensu da não apresentado livro Diário, do qual afirma que foram solicitados "a apresentação das 'cópias autenticadas das folhas do Livro Diário que contenham a transcrição dos balanços ou balancetes de encerramento dos referidos períodos de apuração (primeiro e terceiro trimestres de 1998)". Concorda que não conseguiu apresentar as cópias autenticadas do livro diário, mas alega que "apresentou balancetes de encerramento de TODOS os quatro trimestres do anocalendário de 1998, culminando com a apresentação do balanço publicado no Diário Oficial do Estado de Santa Catarina e em jornal de grande circulação (A Notícia), frisese, que facilmente aferível que as informações são concisas e coerentes" e que "as informações apresentadas pelo contribuinte excederam em muito ao pleito original da fiscalização". Transcrevo outros excertos de suas alegações, sempre no mesmo sentido de vergastar o indeferimento da manifestação de inconformidade, pela falta de apresentação do livro Diário: Se os quatro balancetes apresentados referentes ao ano calendário de 1998, são absolutamente lineares com o balanço publicado, bem como também são coerentes com as informações contidas no Livro de Apuração do Lucro Real, e, da mesma forma absolutamente coerentes com a "memória de calculo da apuração do IRPJ e CSLL no ano calendário 1998", qual seria o prejuízo na análise? (...) E mais, se os balancetes foram apresentados, como inclusive reconhece o agente responsável pelo infeliz decisório, como justificar a ausência de qualquer questionamento acerca de qualquer dado em relação a qualquer das contas desses balancetes? (...) Mantendo a já conhecida postura tipicamente imputável aos devedores contumazes em geral, a DRF/Blumenau SC, tratou de esposar o sofrível entendimento de que a única "fonte confiável" para a obtenção de elementos que pudessem assegurar o direito da requerente, frisese, cujo débito de R$ 0,00 (zero reais) está homologado a muito tempo, seria o livro diário não apresentado. Fl. 558DF CARF MF Processo nº 13962.000045/200490 Acórdão n.º 1001000.562 S1C0T1 Fl. 559 8 Em resumo, a recorrente combate a decisão da DRJ, com argumentos repetitivos, na tentativa de minimizar a falta da apresentação do Livro Diário. Neste sentido, com base no disposto no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999 c/c o §3º do art. 57 do RICARF, por concordar com todos os seus termos e conclusões, adoto as razões de decidir do colegiado de primeira instância, cujos excertos do voto transcrevo a seguir: (grifos constam do original) Como se infere da manifestação de inconformidade, a Interessada sustenta que já houve a homologação da informação contida em DIPJ e DCTF de que o imposto/contribuição devido é igual a zero, ante o decurso do prazo de cinco anos do fato gerador, para constituição do crédito tributário pelo fisco. Por outro lado, pugna também pela suficiência dos documentos apresentados para comprovar o direito creditório, quais sejam: balancetes analíticos, LALUR, DIPJ e DCTF. Entende assim suprida a falta do livro diário. Em análise do arguido, constatase que não assiste razão à Interessada. Da possibilidade de a Administração Tributária aferir o direito creditório enquanto não transcorrido o prazo de homologação tácita da compensação. Em 15/04/2004 e 14/05/2004, quando a Interessada protocolou as Declarações de Compensação, o fisco não poderia constituir crédito tributário de IRPJ relativamente ao primeiro trimestre de 1998, pois já havia transcorrido o prazo de cinco anos contado da ocorrência do fato gerador (CTN, art. 150 § 4º). Todavia, o direito de aferir o direito creditório dos contribuintes não se submete a este prazo, mas àquele definido no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) No caso em concreto, o Despacho Decisório que inicialmente denegou a homologação às compensações foi cientificado pela Interessada em 06/03/2009 (AR, f. 33), portanto dentro do prazo legal. Sobrevindo a sentença judicial acolhendo o entendimento de que o prazo para repetição era decenal, caberia à autoridade administrativa manifestarse quanto ao mérito do direito creditório, pois superada a questão preliminar de decadência. Para aferição do direito creditório, o fisco pode perquirir períodos já abrangidos pela decadência do direito de constituir o crédito tributário, pois ainda que esteja impedido de constituir o crédito tributário, pode chegar à conclusão de que inexistia direito creditório do contribuinte, mas sim crédito tributário não lançado pelo fisco. Neste caso, o fisco pode declarar a inexistência do pleiteado Fl. 559DF CARF MF Processo nº 13962.000045/200490 Acórdão n.º 1001000.562 S1C0T1 Fl. 560 9 indébito, mesmo estando impedido de constituir o crédito tributário pelo lançamento. Neste sentido, são os seguintes precedentes administrativos citados na Solução de Consulta Interna nº 16, de 18/07/2012: Ementa: VERIFICAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DE TRIBUTOS. Ementa: LANÇAMENTO VERSUS RECONHECIMENTO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. A verificação da base de cálculo do tributo não é cabível apenas para fundamentar lançamento de ofício, mas deve ser feita, também, no âmbito da análise das declarações de compensação, para efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito invocado pelo sujeito passivo, para extinção de outros débitos fiscais. (Acórdão DRJ Campinas nº 0525.963, de 16/06/2009) Ementa: SALDO NEGATIVO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. O procedimento de homologação do pedido de restituição/compensação consiste fundamentalmente em atestar a regularidade do crédito, ainda que tal análise implique em verificar fatos ocorridos há mais de cinco anos, respeitado apenas o prazo de homologação tácita da compensação requerida. Publicado no D.O.U. nº 226 de 20/11/2008. (Acórdão nº 10323.571, Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Sessão de 18/09/2008) Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – PRECLUSÃO –Matéria não questionada em primeira instância, quando se inaugura a fase litigiosa do procedimento fiscal, e somente suscitada nas razões do recurso constitui matéria preclusa e como tal não se conhece. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. Não devem os órgãos julgadores tomar conhecimento de matéria atinente à suspensão da exigibilidade de débitos por ser matéria de execução, portanto, estranha à lide. SALDO NEGATIVO DO IRPJ. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de IRPJ apurados nas declarações apresentadas, a serem regularmente comprovados, quando objeto de pedido de restituição ou compensação. VERIFICAÇÃO BASE DE CÁLCULO DO IRPJ. A verificação da base de cálculo do tributo não é cabível apenas para fundamentar lançamento de ofício, mas deve ser feita, também, no âmbito da análise das declarações de compensação, para efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito, invocado pelo sujeito passivo, para extinção de outros débitos fiscais. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Publicado no D.O.U. nº 226 de 20/11/2008. (Acórdão nº 10323.579, Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Sessão de 18/09/2008) Fl. 560DF CARF MF Processo nº 13962.000045/200490 Acórdão n.º 1001000.562 S1C0T1 Fl. 561 10 Neste contexto, a Interessada deve manter a documentação que comprove possuir o direito creditório, enquanto não decorrido o prazo para a homologação tácita da Declaração de Compensação (Lei nº 9.430/96, art. 74 § 5º). Equivocase a Interessada ao apontar, para esta situação, o prazo decadencial do direito de o fisco constituir o crédito tributário. Essa obrigação da Interessada encontrase devidamente fundamentada na Solução de Consulta Interna nº 16/2012, da qual se extrai os seguintes trechos (g.n.): 24. Como se trata de Declaração de Compensação, invertese o ônus da prova, cabendo ao contribuinte comprovar seu direito líquido e certo. Dentro do prazo para homologação determinado no art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430, de 1996, não há que se falar em decadência do direito de se aferir o pleito de compensação, que exige o cumprimento dos requisitos de liquidez e certeza do crédito informado. [...] 26. Assim, é dever da autoridade, ao analisar os valores informados em Dcomp para fins de decisão de homologação ou não da compensação, investigar a exatidão do crédito apurado pelo sujeito passivo. No caso sub examine, o crédito provém de saldo negativo de IRPJ resultante de pagamento a maior de estimativas quitadas em períodos anteriores, mediante compensações tacitamente homologadas, que está sendo utilizado em compensação no período atual. Para tanto, não há como se furtar do levantamento do valor do imposto devido ao final do ano em que foram quitadas as estimativas, conforme a sistemática brevemente relatada nos itens 10 a 13, mesmo que não seja mais possível o lançamento de eventual diferença apurada nessa verificação. [...] 30. O procedimento de homologação da compensação é iniciado pelo próprio contribuinte, que tem o ônus de provar que possui o respectivo direito creditório, e por isso deve manter a documentação pertinente até que encerrados os processos que tratam da utilização daquele crédito, consoante o disposto no art. 264 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, in verbis: Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º) Como se vê, o contribuinte tem o ônus de comprovar o direito creditório alegado, ao passo que o fisco tem o dever de aferir a existência do crédito alegado a partir da documentação apresentada pelo contribuinte. Portanto, correto o procedimento adotado pela autoridade recorrida. Da insuficiência das declarações e balancetes para comprovação do direito creditório Fl. 561DF CARF MF Processo nº 13962.000045/200490 Acórdão n.º 1001000.562 S1C0T1 Fl. 562 11 A autoridade recorrida fundamenta sua negativa em reconhecer o direito creditório, no fato de a Interessada não possuir o Livro Diário. De fato, não havia outra alternativa. É que a escrituração do referido livro é obrigatória, conforme disposto mo art. 258 do RIR/99 (g.n.): Art. 258. Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de Livro Diário, encadernado com folhas numeradas seguidamente, em que serão lançados, dia a dia, diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da atividade, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial da pessoa jurídica (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º). §1º Admitese a escrituração resumida no Diário, por totais que não excedam ao período de um mês, relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares para registro individuado e conservados os documentos que permitam sua perfeita verificação (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, §3º). §2º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, no transporte dos totais mensais dos livros auxiliares, para o Diário, deve ser feita referência às páginas em que as operações se encontram lançadas nos livros auxiliares devidamente registrados. §3º A pessoa jurídica que empregar escrituração mecanizada poderá substituir o Diário e os livros facultativos ou auxiliares por fichas seguidamente numeradas, mecânica ou tipograficamente (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, §1º). §4º Os livros ou fichas do Diário, bem como os livros auxiliares referidos no §1º, deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio, e, quando se tratar de sociedade civil, no Registro Civil de Pessoas Jurídicas ou no Cartório de Registro de Títulos e Documentos (Lei nº 3.470, de 1958, art. 71, e DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, §2º). §5º Os livros auxiliares, tais como Caixa e ContasCorrentes, que também poderão ser escriturados em fichas, terão dispensada sua autenticação quando as operações a que se reportarem tiverem sido lançadas, pormenorizadamente, em livros devidamente registrados. §6º No caso de substituição do Livro Diário por fichas, a pessoa jurídica adotará livro próprio para inscrição do balanço e demais demonstrações financeiras, o qual será autenticado no órgão de registro competente. Como se vê, o Livro Diário deve conter registro dia a dia e individuado das operações realizadas, permitindo sua aferição a partir dos documentos que embasem o registro contábil. Tudo isso com a devida formalidade e autenticação nos órgãos competentes. Assim é possível a auditoria dos critérios contábeis adotados e Fl. 562DF CARF MF Processo nº 13962.000045/200490 Acórdão n.º 1001000.562 S1C0T1 Fl. 563 12 vinculação dos registros contábeis com os documentos que os embasam. Ademais, a escrituração faz prova a favor do contribuinte, desde que comprovados por documentos hábeis, como previsto no art. 923 do RIR/99: Art.923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º). Os balancetes apresentados pela Interessada, ainda que relacionem a maioria das contas mantidas na contabilidade, só indicam seus saldos impossibilitando a devida auditoria, e por isso não podem substituir o Livro Diário, como pretende a Interessada. Por isso, a falta do Livro Diário enseja o arbitramento do lucro, conforme previsto no art. 530 do RIR/99 (g.n): Art.530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; À vista da legislação acima apresentada, as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL informadas pela Interessada em DIPJ não podem ser devidamente auditadas, ou seja, não podem ser acolhidas pelo fisco, de modo que não restou devidamente comprovado o direito creditório alegado. (grifo meu) Desta forma, constatase que a autoridade recorrida, ao denegar o reconhecimento do indébito, procedeu dentro da estrita legalidade, não havendo fundamento para a acusação de desinteresse ou oportunismo para com o pleito da Interessada. Conclusão Ante à falta de comprovação do crédito pretendido, é de se considerar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Interessada. Fl. 563DF CARF MF Processo nº 13962.000045/200490 Acórdão n.º 1001000.562 S1C0T1 Fl. 564 13 Por todo o exposto acima, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 564DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.722384/2010-66
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DO PRAZO DECADENCIAL.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN.
Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°, Caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I.
LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO
O prazo para novo lançamento é de 5 anos da decisão definitiva que tenha anulado por vício formal o lançamento anteriormente realizado.
Numero da decisão: 9202-006.681
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DO PRAZO DECADENCIAL. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°, Caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO O prazo para novo lançamento é de 5 anos da decisão definitiva que tenha anulado por vício formal o lançamento anteriormente realizado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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APLICAÇÃO DO PRAZO DECADENCIAL. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°, Caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO O prazo para novo lançamento é de 5 anos da decisão definitiva que tenha anulado por vício formal o lançamento anteriormente realizado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 23 84 /2 01 0- 66 Fl. 1190DF CARF MF 2 Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pelo Contribuinte face ao acórdão 2402003.388, proferido pela 2ª Turma Ordinária / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de crédito previdenciário, cujo montante consolidado em 13/10/2010 é de R$ 93.771,37 (noventa e três mil, setecentos e setenta e um reais e trinta e sete centavos), referente às competências: 01/1997 a 12/1998, e corresponde à quota patronal destinada ao custeio da Previdência Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (a partir da competência 07/1997). Tal crédito foi constituído em substituição de outro anulado por vício formal. O Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, após declarar a nulidade, encaminhou o processo para a Delegacia da Receita Previdência em Brasília DRP no dia 23/09/2005, que no 29/09/2005 tramitou o processo para novo lançamento, o que somente veio a acontecer em 13/10/2010. Nesse período, aguardava decisão acerca do pedido de revisão de acórdão, que veio a não ser conhecida por não atendimento dos pressupostos de admissibilidade. A ciência ao recorrente do acórdão do CRPS ocorreu em 20/10/2002. O Contribuinte apresentou impugnação às fls. 938/1009. A 5ª Turma DRJ/BSB, às fls. 1028/1044, julgou parcialmente procedente o lançamento, RETIFICANDO o crédito lançado, no que se refere à decadência, no período de 01 a 06/1997. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 1051/1067. A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 1086/1099, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, para que sejam excluídos do lançamento os valores relativos ao auxíliotransporte. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1998 Fl. 1191DF CARF MF Processo nº 10166.722384/201066 Acórdão n.º 9202006.681 CSRFT2 Fl. 10 3 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I. LANÇAMENTO SUBSTITUTO. O prazo para novo lançamento é de 5 anos da decisão definitiva que tenha anulado por vício formal o lançamento anteriormente realizado. AUXÍLIOTRANSPORTE PAGO HABITUALMENTE E EM DINHEIRO. NÃO INCIDÊNCIA. JURISPRUDÊNCIA DO STF. O valor do auxíliotransporte pago habitualmente em pecúnia tem natureza indenizatória; portanto, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias e das destinadas a terceiros. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO PAGO EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA. ALINHAMENTO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de vale alimentação em dinheiro e de forma habitual. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O valor relativo a plano educacional não integra o salário de contribuição quando vise à educação básica e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. Recurso Voluntário Provido em Parte. Às fls. 1107/1113, o Contribuinte apresentou Embargos de Declaração, sob a alegação de obscuridade e erro material do acórdão prolatado. Segundo o embargante, na forma do dispositivo, definitiva a decisão administrativa pela anulação do auto de infração em razão de vício formal, reabrindose o prazo para a lavratura do novo lançamento. Ou seja, na hipótese dos autos, definitiva a decisão em 23/09/2005, reabrindose o prazo de cinco anos a contar desta data. Em relação ao erro material, alega que não ilustra o entendimento agasalhado pela Turma. Fl. 1192DF CARF MF 4 Às fls. 1130 e, às fl. 1131/1133, a 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento acolheu os Embargos de Declaração para corrigir os pedidos do Contribuinte. Às fls. 1141/1149, o Contribuinte interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial em relação a seguinte matéria: da contagem do prazo inicial da decadência, prevista no art. 173, II do CTN, nos casos de relançamento por vício formal. Alega que a proferida decisão administrativa definitiva pela nulidade do lançamento, em 23/09/2005, o prazo para lavratura de um segundo auto de infração terminaria em 23/09/2010, após ultrapassado o prazo decadencial do art. 173, II do CTN, e, nesta medida, extinto o crédito tributário (art. 156, V do CTN). Entende que a decisão a quo entendeu como data em que se tornou definitiva a decisão anulatória, aquela na qual o contribuinte tomou ciência do lançamento. Já o paradigma, também enuncia como marco inicial do prazo de decadência estatuído no dispositivo já referido, a data da decisão que declara a nulidade do lançamento. Porém, foi tomado como termo inicial do prazo decadencial do art. 173, II do CTN, a data da ciência, pelo contribuinte, do acórdão que anulou o lançamento. Considerou, ao fim, que se a decisão que anulou o lançamento, por vício formal, não caberia qualquer recurso, tomase como definitivo o aludido decisum na data em que proferido, tendo início neste marco o prazo do art. 173, II do CTN, conforme consignado no paradigma apresentado a confronto. A ciência, pelo contribuinte, da referida decisão é requisito formal de validade do processo, que não interfere, porém, no caráter peremptório, final e permanente daquela decisão proferida. Daí a razão pela qual a Recorrente entende equivocada a interpretação adotada no acórdão recorrido. Às fls. 1177/1182, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à divergência, tendo em vista que o acórdão recorrido interpretou como termo inicial a data em que o contribuinte tomou ciência da decisão; de outro modo, as decisões paradigmas tomaram como termo inicial a data em que a decisão foi proferida. Às fl. 1184/1187, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, ratificando os argumentos da decisão para requerer a sua manutenção na parte recorrida pelo Contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de crédito previdenciário, cujo montante consolidado em 13/10/2010 é de R$ 93.771,37 (noventa e três mil, setecentos e setenta e um reais e trinta e sete centavos), referente às competências: 01/1997 a 12/1998, e corresponde à quota patronal destinada ao custeio da Previdência Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (a partir da competência 07/1997). Tal crédito foi constituído em substituição de outro anulado por vício formal. O Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, após declarar a nulidade, encaminhou o processo para a Delegacia da Receita Previdência em Brasília DRP no dia 23/09/2005, que Fl. 1193DF CARF MF Processo nº 10166.722384/201066 Acórdão n.º 9202006.681 CSRFT2 Fl. 11 5 no 29/09/2005 tramitou o processo para novo lançamento, o que somente veio a acontecer em 13/10/2010. Nesse período, aguardava decisão acerca do pedido de revisão de acórdão, que veio a não ser conhecida por não atendimento dos pressupostos de admissibilidade. A ciência ao recorrente do acórdão do CRPS ocorreu em 20/10/2002. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao recurso ordinário. O Recurso Especial apresentado pelo Contribuinte trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante à interpretação da contagem do prazo inicial da decadência, prevista no art. 173, II do CTN, nos casos de relançamento por vício formal. DECADÊNCIA – NORMA APLICÁVEL Pois bem, para tratar da decadência do direito da Fazenda Nacional em lançar de ofício o imposto em questão é preciso analisar o fato gerador deste tributo. No presente caso tratase de Contribuição Previdenciária, cujo auto de infração discute o descumprimento de obrigação principal, a empresa recorrente deixou de recolher a contribuição devida sobre a remuneração de seus empregados. Estamos tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, onde parte da obrigação foi omitida pelo contribuinte e lançada de ofício pela Receita Federal, ensejando a dúvida entre a aplicação do disposto no art. 150, §4 ou 173, I, do CTN. Para elidir esta discussão necessário se faz que se observem outros requisitos. Contudo, embora minha simpatia com a tese esposada pela Fazenda Nacional no tocante a aplicação do art. 173, I, nos casos de lançamento de ofício, no caso em tela, por força do artigo 62 do RICARF havendo orientação firmada no RE 973.733SC, me filio ao atual entendimento do STJ, no qual ficou definido que havendo o adiantamento de pelo menos parte do pagamento do imposto, este atrai a aplicação do art. 150, § 4 do CTN. Observese a Ementa do referido julgado: AGRAVO REGIMENTAL. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ICMS. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, E 173, DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. (RECURSO REPETITIVO RESP 973.733SC). Relator(a) Ministro LUIZ FUX (1122) Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 02/03/2010 Data da Publicação/Fonte DJe 16/03/2010 1. O tributo sujeito a lançamento por homologação, em não ocorrendo o pagamento antecipado pelo contribuinte, incumbe ao Fisco o poderdever de efetuar o lançamento de ofício substitutivo, que deve obedecer ao prazo decadencial estipulado pelo artigo 173, I, do CTN, segundo o qual o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue se após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. (...) 3. Desta sorte, como o lançamento direto (artigo 149, do CTN) poderia ter sido efetivado desde a ocorrência do fato gerador, é do primeiro dia do exercício financeiro seguinte ao nascimento da obrigação tributária que se conta o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário, na hipótese, entre outras, da não ocorrência do pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, Fl. 1194DF CARF MF 6 independentemente da data extintiva do direito potestativo de o Estado rever e homologar o ato de formalização do crédito tributário efetuado pelo contribuinte ... (...) 5. À luz da novel metodologia legal, publicado o julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, submetido ao regime previsto no artigo 543C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do artigo 557, do CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 6. Agravo regimental desprovido. A doutrina também se manifesta neste sentido: O prazo para homologação é, também, o prazo para lançar de ofício eventual diferença devida. O prazo deste § 4° tem por finalidade dar segurança jurídica às relações tributárias. Ocorrido o fato gerador e efetuado o pagamento pelo sujeito passivo no prazo do vencimento, tal como previsto na legislação tributária, tem o Fisco o prazo de cinco anos, a contar do fato gerador, para emprestar definitividade a tal situação, homologando expressa ou tacitamente o pagamento realizado, com o que chancela o cálculo realizado pelo contribuinte. É neste prazo para homologação que o Fisco deve promover a fiscalização, analisando o pagamento efetuado e, no caso de entender que é insuficiente, fazer o lançamento de ofício através da lavratura de auto de infração, em vez de chancelálo pela homologação. Com o decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, portanto, ocorre a decadência do direito do Fisco de lançar eventual diferença. A regra do § 4° deste art. 150 é regra especial relativamente à do art. 173, I, deste mesmo Código. E, havendo regra especial, prefere à regra geral. Não há que se falar em aplicação cumulativa de ambos os artigos, conforme se pode ver em nota ao art. 173, I, do CTN”. (PAULSEN, Leandro, 2014). Grifo nosso. Embora o contribuinte tenha de fato omitido parte das receitas em sua declaração e isso tenha ensejado o lançamento de ofício, é preciso que se observe se houve adiantamento do pagamento do imposto devido ou de parte dele. Nessa perspectiva, cumpre enfatizar que o cerne da questão aqui debatida reside na análise da existência de pagamento antecipado de parte da contribuição exigida, cujo reconhecimento tem a aptidão de atrair a incidência do art. 150, § 4.º, do CTN. Em não havendo tal antecipação de pagamento, a aplicação do art. 173, I, do CTN é impositiva. Para o exame da ocorrência de pagamento antecipado parcial, para os fins ora pretendidos, afigurase óbvia a necessidade de se verificar se o contribuinte pagou parte do débito tributário objeto de cobrança, e não daqueles afetos a outros fatos. Logo, constatada a existência de recolhimento, atrai a aplicação do disposto no 150, §4 do CTN, conforme decidiu o acórdão recorrido. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL Nos termos do artigo 156 do CTN, a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário. Decadência é a perda do direito de constituir o crédito tributário, após o transcurso de determinado lapso de tempo. Prescreve o artigo 173 do CTN que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos corridos: Fl. 1195DF CARF MF Processo nº 10166.722384/201066 Acórdão n.º 9202006.681 CSRFT2 Fl. 12 7 a) da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento; b) do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; c) da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Interessa à presente análise a última hipótese, a do artigo 173, II do CTN, quando o lançamento, por defeito formal, vier a ser declarado nulo pela autoridade administrativa ou judicial. Referido dispositivo, que impropriamente admite a interrupção do prazo decadencial, reza que tal prazo será contado da data em que se tornar irrecorrível aquela decisão. Cabe ressaltar que a norma possui conteúdo questionável, pois além de trazer previsão de suspensão de prazo decadencial, ainda traz grande vantagem aos Cofres Públicos, vez que a autuação mesmo que considerada nula (vício formal) garante ao fisco liberdade contra o contundente prazo decadencial devolvendolhe o prazo em sua integralidade. Resta discutir, portanto, quando haveria a concretização do disposto no art. 173, III do CTN da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. A doutrina tece severas críticas sobre este dispositivo, para a auditora Maria do Socorro Gomes, nesta discussão urge explanar acerca do que se considera como data em que se torna definitiva a decisão declaratória da nulidade do ato por vício formal. “Primeiramente, há de se conceituar o que seja decisão definitiva (administrativa ou judicial). Há entendimento equivocado de que a decisão só se torna definitiva, quando é dada a ciência ao sujeito passivo e não é mais passível de recurso. Parecer haver, nessa linha de raciocínio, uma confusão entre os termos "decisão definitiva" e "crédito tributário definitivamente constituído". Este sim, para se tornar definitivo, precisa da ciência do sujeito passivo. Não se está querendo aqui afirmar que a decisão declaratória de nulidade de lançamento não requer a cientificação do contribuinte. Essa ciência é necessária, para atendimento de um dos princípios norteadores da atividade da Administração Pública, qual seja, o princípio da publicidade dos seus atos. Contudo, não é a ciência da decisão que a torna definitiva. (GOMES, Maria do Socorro Costa. Prazo de constituição do crédito tributário de que trata o artigo 173, II, do CTN, quando declarada sua nulidade por vício formal. Revista Jus Navigandi, ISSN 15184862, Teresina, ano 16, n. Fl. 1196DF CARF MF 8 2974, 23 ago. 2011. Disponível em: <https://jus.com.br/artigos/19833>. Acesso em: 16 abr. 2018.) Embora as excelentes explanações no sentido da decisão definitiva ser aquela sobre a qual não se cabe mais nenhum recurso, majoritariamente os Tribunais decidem de acordo com manifestação jurídica esposadas pelo STJ, o qual tem entendido que somente após intimada e cientificada a parte vencida acerca da decisão há que se entender o início do novo prazo. No caso concreto dos autos observase as seguintes datas: · 23/09/2005 Acórdão 1.227 2ª CAJ/CRPS – Anulação por vício formal do lançamento original. · 20/10/2005 – ciência do acórdão 1.227 por parte do contribuinte. · 13/10/2010 Lavratura do lançamento substituto (este processo). · 14/10/2010 – ciência do lançamento substituto A definitividade exclusivamente no caso dos processos que tramitam no CRPS pode ser considerada na data da ciência do contribuinte sem prejuízo a Fazenda Nacional, pois nos termos do regimento interno vigente a época os atos consideram art. 34 Portaria/MPS N. 520/2004. Assim, como a decisão que anulou o lançamento por vício formal somente se tornou definitiva em 20/10/2005 (fls. 748 do Documentos Comprobatórios – Outros – Anexo II VOL II PTE 2), não há que se falar em decadência do direito de constituir o novo crédito tributário, conforme previsão do art. 173, II do CTN. Diante do exposto conheço do Recurso interposto pelo Contribuinte para no mérito negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 1197DF CARF MF Processo nº 10166.722384/201066 Acórdão n.º 9202006.681 CSRFT2 Fl. 13 9 Fl. 1198DF CARF MF
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Numero do processo: 10950.000593/2010-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
NULIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO. NÃO OCORRÊNCIA.
O art. 59 do Decreto 70.235/1972 trata das nulidades no processo administrativo, estabelecendo que considera-se nulo o ato se praticado por pessoa incompetente ou, em se tratando de despachos e decisões, havendo preterição do direito de defesa. Não sendo aplicáveis tais disposições e sendo observados todos os requisitos fundamentais à validade do ato administrativo, não há que se falar em nulidade.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. ARTIGO 42 DA LEI 9.430/1996
A presunção legal de omissão de receitas reverte ao contribuinte o ônus de comprovar a origem direta dos recursos (isto é, o depositante), bem como a causa dos pagamentos (isto é, a natureza da operação que deu origem aos valores) referentes aos depósitos bancários efetuados em contas de sua titularidade, de forma que, em não o fazendo, o respectivo valor será considerado receita de sua atividade.
Numero da decisão: 1401-002.497
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as arguições de nulidade para, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: 09482231708 - CPF não encontrado.
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 NULIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO. NÃO OCORRÊNCIA. O art. 59 do Decreto 70.235/1972 trata das nulidades no processo administrativo, estabelecendo que considera-se nulo o ato se praticado por pessoa incompetente ou, em se tratando de despachos e decisões, havendo preterição do direito de defesa. Não sendo aplicáveis tais disposições e sendo observados todos os requisitos fundamentais à validade do ato administrativo, não há que se falar em nulidade. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. ARTIGO 42 DA LEI 9.430/1996 A presunção legal de omissão de receitas reverte ao contribuinte o ônus de comprovar a origem direta dos recursos (isto é, o depositante), bem como a causa dos pagamentos (isto é, a natureza da operação que deu origem aos valores) referentes aos depósitos bancários efetuados em contas de sua titularidade, de forma que, em não o fazendo, o respectivo valor será considerado receita de sua atividade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as arguições de nulidade para, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1860; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 105.610 1 105.609 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.000593/201017 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.497 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de maio de 2018 Matéria SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente KOLLAN CONFECCOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 NULIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO. NÃO OCORRÊNCIA. O art. 59 do Decreto 70.235/1972 trata das nulidades no processo administrativo, estabelecendo que considerase nulo o ato se praticado por pessoa incompetente ou, em se tratando de despachos e decisões, havendo preterição do direito de defesa. Não sendo aplicáveis tais disposições e sendo observados todos os requisitos fundamentais à validade do ato administrativo, não há que se falar em nulidade. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. ARTIGO 42 DA LEI 9.430/1996 A presunção legal de omissão de receitas reverte ao contribuinte o ônus de comprovar a origem direta dos recursos (isto é, o depositante), bem como a causa dos pagamentos (isto é, a natureza da operação que deu origem aos valores) referentes aos depósitos bancários efetuados em contas de sua titularidade, de forma que, em não o fazendo, o respectivo valor será considerado receita de sua atividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as arguições de nulidade para, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 05 93 /2 01 0- 17 Fl. 105610DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: O presente processo trata dos seguintes atos a serem analisados: a) manifestação de inconformidade ao conteúdo do Ato Declaratório Executivo n° 04 (fl.515), de 18/02/2010, que determinou sua exclusão ao Simples Federal, desde 01/01/2006; b) manifestação de inconformidade ao conteúdo do Ato Declaratório Executivo n° 05 (fl.516), de 18/02/2010, que determinou sua exclusão ao Simples Nacional, a partir de 01/07/2007; c) a impugnação aos autos de infração lavrados na sistemática do Simples, relativos aos fatos ocorridos no ano calendário de 2005, de fls.552611, onde está sendo exigido o crédito tributário de R$ 18.164,40 de imposto de renda pessoa jurídica Simples (fl.568), R$ 18.164,40 de contribuição ao PISSimples (fl.577), R$ 29.118,53 de CSLLSimples (fl.586), R$ 58.237,04 de contribuição à COFINSSimples (fl.595) e, R$ 117.782,37 de Contribuição ao INSS Simples (fl.606) e, ainda, d) a impugnação aos autos de infração lavrados na sistemática do Lucro Arbitrado, relativos aos fatos geradores ocorridos nos anos calendário de 2006 e 2007, fls. 615663, onde se exige o crédito tributário de R$ 609.454,80 de IRPJ (fl.623), R$ 26.946,86 de PIS (fl.635), R$ 124.370,46 de COFINS (fl.645) e, R$ 197.236,45 de CSLL (fl.655). Do Ato declaratório Executivo n° 04, de 18/02/2010 2. O ADE n° 04, de 18/02/2010 foi expedido em face de ter restado comprovado que no ano calendário de 2005 a contribuinte omitiu receitas caracterizadas por depósitos bancários cuja origem não logrou justificar e, assim, extrapolou o limite estabelecido pela legislação do Simples, que era de R$ 1.200.000,00. A fundamentação para a emissão do ato foi afronta ao disposto no artigo 9o, inciso II da Lei n° 9.317, de 1996, com efeitos a partir de 01/01/2006. 3.Na manifestação de inconformidade de fls. 563564, traça um histórico dos fatos que culminaram com a emissão do ato ora atacado e alega a preliminar de nulidade do ato de exclusão, posto que a Lei n° 9.317, de 1996 já está há muito revogada pela Lei Complementar n° 123, de 2006; que para que se opere uma penalidade, como a exclusão do Simples, é impossível utilizar regra revogada, sob pena de ofender princípios constitucionais como o da segurança jurídica, do contraditório e ampla defesa e da legalidade; que o disposto no artigo 144 do CTN só se aplica ao lançamento, não podendo amparar a exclusão que é uma penalidade; que a lei tributária não possui efeito represtinatório; que o fundamento legal aplicável à hipótese é a Lei Complementar n° 123, de 2006; que a manterse Fl. 105611DF CARF MF Processo nº 10950.000593/201017 Acórdão n.º 1401002.497 S1C4T1 Fl. 105.611 3 sua exclusão estarseá ameaçando de ruína a estrutura do Estado Democrático de Direito; que o ato atacado não obedeceu ao disposto no artigo 10 do Decreto n° 70.235, de 1972 que, em seu inciso IV dispõe sobre a obrigatoriedade de o auto de infração mencionar a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; e, assim, pede que seja declarada a nulidade do ADE, por ser ilegal e por preterir o direito de defesa do contribuinte. 4.Ainda em sede de preliminar alega nulidade do o ato de exclusão pois o mesmo não foi publicado no Portal do Simples Nacional, para apenas após este fato, gerar quaisquer efeitos, decorrentes da exclusão; que o auto é nulo pela ausência de intimação da prorrogação do prazo do procedimento fiscal, previsto no artigo 9o, parágrafo único da Portaria RFB n° 11.371, de 2007; que em nenhum momento foi cientificada expressamente acerca da prorrogação do prazo constante do Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPFF); que tal conduta se afigura vício formal insanável, culminado com a nulidade do feito; que houve ofensa ao princípio do devido processo legal, do contraditório, da ampla defesa e da legalidade. 5.Sustenta que teria havido ausência de intimação do contribuinte para optar por novo regime de tributação, conforme facultado pelo artigo 32 da Lei Complementar n° 123, de 2006. 6.Com relação ao mérito, sustenta não ter ocorrido faturamento acima do limite legal já que em relação aos valores sob a rubrica "prestação de serviço" e "adiantamentos" comprovou todos os valores requisitados, conforme consta da resposta aos Termos de Intimação n° 02 e 03; que a autoridade fiscal desconsiderou, ao seu bel talante, e sem qualquer critério ou fundamentação legal, as informações prestadas; que instrui a defesa com cópia do Livro Razão referente a tais contas; que em relação aos valores sob a rubrica "TED" e "Cobrança", constatou que se tratam de valores recebidos a título de empréstimos da empresa M. Faleiro & Cia Ltda, para o que, também junta cópia do Livro Razão; que a conclusão deve ser pela inexistência de faturamento acima do limite legal previsto para as empresas de pequeno.porte nos anos calendário de 2005, 2006 e 2007. 7.Ao final, pede que seja declarado nulo o Alo de exclusão pelas seguintes razões: a) por vício insanável, posto que fundamentado em previsão normativa já revogada, sem fazer menção à legislação vigente; b) por ausência de ciência ao sujeito passivo dá prorrogação do MPF, conforme determina o art. 9o, parágrafo único da Portaria n° 11.371/2007; c) por ausência de intimação do sujeito passivo para optar pelo novo regime de tributação, conforme disciplina o artigo 32 da LC n° 123, de 2006; d) por ausência de publicação no Portal do Simples da exclusão da reclamante, conforme determina o art. 4o e §§, da Resolução CGSN n° 15, de 23/07/2007; e) por ofensa ao devido processo legal; f) por cerceamento ao direis de defesa; g) por ofensa ao princípio constitucional da legalidade, ou, caso vencidas as preliminares, que o ato seja declarado improcedente, posto não haver restado comprovado o excesso de receitas, bem como que as intimações sejam encaminhadas ao endereço dos procuradores. Juntou os documentos de fls. 738777. Do Ato declaratório Executivo n° 05, de 18/02/2010 8.O ADE n° 05, de 18/02/2010 foi expedido em face de ter restado comprovado que no ano calendário de 2006 a contribuinte omitiu receitas caracterizadas por depósitos bancários cuja origem não logrou justificar e, assim, extrapolou o limite de receitas estabelecido pela legislação do Simples, que era de R$ 2.400.000,00. A fundamentação para a emissão do ato foi com base no disposto no artigo 3o e artigo 16 da Lei Fl. 105612DF CARF MF 4 Complementar n° 123, de 2006, artigo 12, inciso I da Resolução CGSN n° 04, de 2007 com efeitos a partir de 01/07/2007. 9.Na manifestação de inconformidade de fls. 780794, traça um histórico dos fatos que culminaram com a emissão do ato ora atacado e alega em sede de preliminar alega nulidade do o ato de exclusão pois o mesmo não foi publicado no Portal do Simples Nacional, para apenas após este fato, gerar quaisquer efeitos, decorrentes da exclusão; que o auto é nulo pela ausência de intimação da prorrogação do prazo do procedimento fiscal, previsto no artigo 9o, parágrafo único da Portaria RFB n° 11.371, de 2007; que em nenhum momento foi cientificada expressamente acerca da prorrogação do prazo constante do Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPFF); que tal conduta se afigura vício formal insanável, culminado com a nulidade do feito; que houve ofensa ao princípio do devido processo legal, do contraditório, da ampla defesa e da legalidade. 10.Sustenta que teria havido ausência de intimação do contribuinte para optar por novo regime de tributação, conforme facultado pelo artigo 32 da Lei Complementar n° 123, de 2006. 11.Com relação ao mérito, sustenta não ter ocorrido faturamento acima do limite legal já que em relação aos valores sob a rubrica "prestação de serviço" e "adiantamentos" comprovou todos os valores requisitados , conforme consta da resposta aos Termos de Intimação n° 02 e 03; que a autoridade fiscal desconsiderou, ao seu bel talante, e sem qualquer critério ou fundamentação legal, as informações prestadas; que instrui a defesa com cópia do Livro Razão referente a tais contas; que em relação aos valores sob a rubrica "TED" e "Cobrança", constatou que se tratam de valores recebidos a título de empréstimos da empresa M. Faleiro & Cia Ltda, para o que, também junta cópia do Livro Razão; que a conclusão deve ser pela inexistência de faturamento acima do limite legal previsto para as empresas de pequeno porte nos anos calendário de 2005, 2006 e 2007. Defenda que, com base no disposto no § Io do art. 3o da LC n° 123, de 2006, os valores comprovados como empréstimos recebidos da empresa M. Faleiro & Cia Ltda não representam receita. 12.Ao final, pede que seja declarado nulo o Ato de exclusão pelas seguintes razões: a) por ausência de ciência ao sujeito passivo da prorrogação do MPF, conforme determina o art. 9o, parágrafo único da Portaria n° 11.371/2007; b) por ausência de intimação do sujeito passivo para optar pelo novo regime de tributação, conforme disciplina o artigo 32 da LC n° 123, de 2006; c) por ausência de publicação no Portal do Simples da exclusão da reclamante, conforme determina o art. 4o e §§, da Resolução CGSN n° 15, de 23/07/2007; d) por ofensa ao devido processo legal; e) por cerceamento ao direito de defesa; f) por ofensa ao princípio constitucional da legalidade, ou, caso vencidas as preliminares, que o ato seja declarado improcedente, posto não haver restado comprovado o excesso de receitas, bem cons e as intimações sejam encaminhadas ao endereço dos procuradores. Juntou os documentos ue fls. 796834. Do lançamento de Simples AC 2005 13.Conforme consta do Termo de Verificação da Ação Fiscal de fls. 542551, em face de no anocalendário de 2005 o contribuinte ter ultrapassado os limites de receita bruta permitido para sua permanência no Simples, foi emitido o ADE n° 04 a fim de formalizar sua exclusão àquele regime de tributação. 14.Em relação aos fatos ocorridos no ano calendário de 2005, foram lavrados os autos de infração do Simples, em face de ter restado caracterizada a omissão de receitas representada por depósitos bancários não escriturados, no montante de R$ 2.443.332,40 (fl.547), além de valores à título de insuficiência de recolhimento, decorrente da mudança de faixa de tributação. Fl. 105613DF CARF MF Processo nº 10950.000593/201017 Acórdão n.º 1401002.497 S1C4T1 Fl. 105.612 5 15.O enquadramento legal das exigências ficou assim estabelecido: a) para o IRPJ, o art. 24 da Lei n° 9.249, de 1995; § 2o do art. 2o, alínea "a" do § Io do art. 3o, art. 5o, § Io do art. 7o e art. 18 da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e, art. 3o da Lei n° 9.732, de 11 de dezembro de 1998; art. 186, 188, 199, 200, 287, 288, 841 e 844 do RIR/99; b)para o PIS, o art. 3o, "b" da Lei Complementar n° 07, de 07 de julho de 1970, combinado com o art. Io, parágrafo único da Lei Complementar n° 17, de 12 de dezembro de 1973, art. 2o, inciso I, art. 3° e 9° da Medida Provisória n° 1.249, de 1995 e suas reedições, o § 2o do art. 2o, alínea "b" do § Io do art. 3o, art. 5o, § Io do art. 7o e art. 18 da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e art. 3o da Lei n° 9.732, de 1998; c)para a Contribuição Social, o art. Io da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988; o § 2o do art. 2o, alínea "c" do § Io do art. 3o, art. 5o, § Io do art. 7o e art. 18 da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e art. 3o da Lei n° 9.732, de 1998; d)para a Cofins, o art. Io e 2o da Lei Complementar n° 70, de 1991; o § 2o do art. 2o, alínea "d" do § Io do art. 3o, art. 5o, § 1° do art. 7o e art. 18 da Lei n* 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e art. 3° da Lei n° 9.732, de 1998 e; e)para a Contribuição ao INSS, o § 2o do art. 2o, alínea "f do § Io do art. 3o, art. 5o, § Io do art. 7o e art. 18 da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, combinado com o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996 e art. 3o da Lei n° 9.732, de 1998. 16.A multa de ofício, para todos os casos, foi de 75% e está amparada no art. 44, inciso I da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, combinado com o art. 19 da Lei n° 9.317, de 1996. 17.A ciência da exigência ocorreu em 09/03/2010, na pessoa do sócio João Carlos Falleiros Pádua e, em 08/04/2010, por meio de procurador devidamente habilitado, protocolou a impugnação de fls. 835856, onde inicialmente faz um breve histórico da autuação e, em preliminar alega ser nulo o ADE n° 04, posto ter sido emitido com base em legislação já superada, bem como ser nulo o ADE n° 05, por não ter sido publicado no Portal do Simples; contesta a validade do MPF, que não foi substituído para ampliar a fiscalização, já que o primeiro que foi emitido menciona que serão objeto de análise apenas as contribuições sociais; alega afronta ao devido processo legal, ao contraditório e ampla defesa e ao princípio da legalidade, questiona a lavratura dos autos de infração antes da definitividade de sua exclusão do Simples e do Simples Nacional, fato que acarretou ofensa ao devido processo legai, .quanto, da impossibilidade do exercício do contraditório e ampla defesa. 18.Lança o questionamento sobre qual processo (se o auto de infração ou o ato declaratório de exclusão) será julgado por primeiro; sustenta não ter havido intimação para optar por novo regime de tributação, conforme facultado pelo artigo 32 da Lei Complementar n° 123, de 2006; contesta a retroatividade dos efeitos da exclusão do Simples, em relação ao ano calendário de 2005, posto que no ato restou consignado que esta surtiria efeitos somente a partir de 01/01/2006; afirma ser ilegal o lançamento de ofício para exigir créditos tributários decorrentes de fatos geradores não abrangidos pela exclusão e que tais exigências são ilegais. 19.Reclama contra o arbitramento e sustenta que o fisco poderia ter optado por efetuar o lançamento pelo Lucro Presumido ou, ter solicitado outros documentos que permitissem balizar a aplicação do Lucro Real; traz jurisprudência e defende não ter havido omissão de receitas nos anos calendário de 2005, 2006 e 2007; que os valores considerados como não comprovados se referem a rubrica "prestação de serviços" e "adiantamentos", já comprovados ao fisco, por meio das respostas aos Termos de Intimação n°02 e n° 03, inclusive, com a apresentação das notas fiscais referentes à prestação de serviços. Fl. 105614DF CARF MF 6 20.Volta a questionar a falta de intimação para optar pelo novo regime de tributação e, na seqüência, desenvolve todo uma arrazoado sobre a contribuição ao INSS, levantando questões como auxíliodoença, saláriomaternidade, repouso semanal remunerado e prova concreta. 21.Questiona as exigências da COFINS e PIS, a fim de dizer ser pacífico o entendimento de que tais contribuições não incidem sobre receitas não decorrentes da atividade da empresa e assim, devem ser excluídos da base de cálculo os valores decorrentes de empréstimos; alega que como não restou comprovada a omissão de receitas, uma vez que os valores questionados tiveram origem em adiantamentos de clientes ou empréstimos recebidos da empresa M. A.FalIeiro & Cia Ltda, tornase indevida a tributação, culminando com a iliquidez do auto de infração. 22.Ao final, requer: a) seja declarado nulo o processo 10950.000593/2010 17, em razão da ilegalidade do ADE n° 04, de 18/02/2010; b) seja declarado nulo o processo 10950.000593/201017, em razão da ilegalidade do ADE n° 05, de 18/02/2010; c) seja declarado nulo o processo 10950.000593/201017, em razão de não ter sido alterado o MPF para incluir em seu objeto a fiscalização sobre o Simples e Simples Nacional; d) seja declarado nulo o processo 10950.000593/2010 17, em razão de o sujeito passivo não ter sido cientificado de forma expressa sobre o primeiro ato de ofício praticado, das alterações e prorrogações do MPF; e) seja declarado nulo o processo 10950.000593/201017, em razão de estar amparado em fato incerto, posto que sua exclusão ao Simples e ao Simples Nacional ainda não é definitiva; f) seja declarado nulo o processo 10950.000593/201017, em razão de não ter sido intimado a optar pelo novo regime de tributação; g) seja declarado nulo o processo 10950.00593/201017, em razão de o MPF ter violado o devidos processo legal; h) seja declarado i o o processo 10950.000593/201017, em razão de o MPF ter violado o contraditório e a ampla defesa; i) seja declarado nulo o processo 10950.000593/201017, em razão de o MPF ter violado o princípio da legalidade e, caso superadas as preliminares requer seja determinada a suspensão do trâmite processual, em relação aos lançamento efetuados, e sejam apensos atos de cobrança, até a decisão final sobre sua exclusão ao Simples e ao Simples Nacional. 23.E mais, caso vencidas as preliminares de mérito, pede que: a) se reconheça a irretroatividade dos efeitos da exclusão do Simples ao ano calendário de 2005, posto que do ADE consta que os efeitos se operariam a partir de 01/01/2006, o que torna nulo e inválido o lançamento; b) reconhecida a ausência de omissão de receitas, ante os fatos apresentados ou; c) declarada a improcedência do lançamento, posto que os tributos deveriam ter sido calculados pela sistemática do Lucro Presumido; d) declarada a nulidade da exigência em face de não ter sido consultada a optar acerca do novo regime de tributação; e) reconhecer a ilegalidade da base de cálculo para fins de lançamento da contribuição previdenciária; f) reconhecer a ilegalidade da base de cálculo para fins de lançamento do PIS/Cofins e; g) reconhecer a ilegalidade do lançamento, por ofensa ao disposto no artigo 142 do CTN, ante a impossibilidade de determinar o montante do tributo devido. Requer que as intimações sejam encaminhadas ao endereço dos procuradores. Juntou os documentos de fls. 858918. Do lançamento por arbitramento AC 2006 e 2007 24.Conforme consta do Termo de Verificação da Ação Fiscal de fls. 542551, em face de no anocalendário de 2005 o contribuinte ter ultrapassado os limites de receita bruta permitido para sua permanência no Simples, ele foi excluído do Simples a partir de 01/01/2006, por meio do ADE n° 04. Na mesma ocasião, foi emitido o ADE n° 05, que determinou sua exclusão ao Simples nacional desde 01/07/2007. Dando continuidade à ação impetrada contra a impugnante a autoridade fiscal constatou que em relação aos anos calendário de 2006 e 2007 também ocorreu omissão de receitas em face de depósitos bancários de origem não comprovada, no importe de R$ 1.698.661,92 e Fl. 105615DF CARF MF Processo nº 10950.000593/201017 Acórdão n.º 1401002.497 S1C4T1 Fl. 105.613 7 R$ 1.997.793,98, respectivamente. Portanto, como o excesso de receitas auferidas no ano de 2005 acarretou sua exclusão ao Simples, os autos de infração de fls. 615 662 foram formalizados com base no arbitramento, ao amparo do disposto no inciso II do artigo 530 do RIR/99. 25.Como já mencionado anteriormente estão sendo exigidos créditos no importe de R$ 609.454,80 de imposto de renda pessoa jurídica; R$ 26.946,86 de contribuição ao PIS, R$ 197.236,45 de CSLL, e, R$ 124.370,46 de contribuição à COFINS, além de multa de ofício e juros. 26.As infrações imputadas são: depósitos bancários de origem não comprovada somado ao valor declarado na Declaração Simplificada PJ Simples, a título de receitas operacionais. 27.O enquadramento legal das exigências ficou assim estabelecido: a)para o IRPJ, o art. 27, inciso I e artigo 42 da Lei 9.430, de 1996, além dos artigos 532 e 537 do RIR/99; b)para o PIS, o art. 1° e 3o, da Lei Complementar n° 07, de 07 de julho de 1970, art. 24, § 2o da lei n° 9.249, de 1995 e art. 2o, inciso I, alínea "a" e parágrafo único, art. 3o, 10, 22, 51 e 91do Decreto n° 4.524, de 2002; c)para a Cofins, o art. 2o, inciso II, e parágrafo único, art. 3o, 10, 22, 51 e 91 do Decreto n° 4.524, de 2002 e; d)para a Contribuição Social, o art. 22 da Lei n° 10.684, de 2003 e art. 37 da Lei n° 10.637, de 2002. 28.A multa de ofício, para todos os casos, foi de 75% e está amparada no art. 44, inciso I da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pelo artigo 14 da Lei n° 11.488, de 15/06/2007. 29.A ciência da exigência ocorreu em 09/03/2010, na pessoa do sócio João Carlos Falleiros Pádua e, em 08/04/2010, por meio de procurador devidamente habilitado, protocolou a impugnação de fls. 919935, onde inicialmente faz um breve histórico da autuação e, em preliminar alega ser nulo o ADE n° 04, posto ter sido emitido com base em legislação já superada, bem como ser nulo o ADE n° 05, por não ter sido publicado no Portal do Simples; contesta a validade do MPF, que não foi substituído para ampliar a fiscalização, já que o primeiro que foi emitido menciona que serão objeto de análise apenas as contribuições sociais; alega afronta ao devido processo legal, ao contraditório e ampla defesa e ao princípio da legalidade; questiona a lavratura dos autos de infração antes da definitividade de sua exclusão do Simples e do Simples Nacional, fato que acarretou ofensa ao devido processo legal, conquanto, da impossibilidade do exercício do contraditório e ampla defesa 30.Lança o questionamento sobre qual processo (se o auto de infração ou o ato declaratório de exclusão) será julgado por primeiro; sustenta não ter havido intimação para optar por novo regime de tributação, conforme facultado pelo artigo 32 da Lei Complementar n° 123, de 2006. 31.Reclama contra o arbitramento e sustenta que o fisco poderia ter optado por efetuar o lançamento pelo Lucro Presumido ou, ter solicitado outros documentos que permitissem balizar a aplicação do Lucro Real; traz jurisprudência e defende não ter havido omissão de receitas nos anos calendário de 2005, 2006 e 2007; que os valores considerados como não comprovados se referem a rubrica "prestação de serviços" e "adiantamentos", já comprovados ao fisco, por meio das respostas aos Termos de Intimação n°02 e n° 03, inclusive, com a apresentação das notas fiscais referentes à prestação de serviços. 32.Questiona a falta de intimação para optar pelo novo regime de tributação e, na seqüência, as exigências da COFINS e PIS, a fim de dizer ser pacífico que elas não incidem sobre receitas não decorrentes da atividade da empresa e assim, devem Fl. 105616DF CARF MF 8 ser excluídos da base de cálculo os valores decorrentes de empréstimos; alega que como não restou comprovada a omissão de receitas, uma vez que os valores questionados tiveram origem em adiantamentos de clientes ou empréstimos recebidos da empresa M. A.Falleiro & Cia Ltda, tornase indevida a tributação, culminando com a iliquidez do auto de infração. 33.Ao final, requer: a) seja declarado nulo o processo 10950.000593/2010 17, em razão da ilegalidade do ADE n° 04, de 18/02/2010; b) seja declarado nulo o processo 10950.000593/201017, em razão da ilegalidade do ADE n° 05, de 18/02/2010; c) seja declarado nulo o processo 10950.000593/201017, em razão de não ter sido alterado o MPF para incluir em seu objeto a fiscalização sobre o Simples e Simples Nacional; d) seja declarado nulo o processo 10950.000593/2010 17, em razão de o sujeito passivo não ter sido cientif cado de forma expressa sobre o primeiro ato de ofício praticado, das alterações e prorrogações do MPF; e) seja declarado nulo o processo 10950.000593/201017, em razão de estar amparado em fato incerto, posto que sua exclusão ao Simples e ao Simples Nacional ain ia não e definitiva; f) seja declarado nulo o processo 10950.000593/201017, em razão de não ter "ido intimado a optar pelo novo regime de tributação; g) seja declarado nulo o processo 10950.000593/201017, em razão de o MPF ter violado o devidos processo legal; h) seja declarado nulo o processo 10950.000593/201017, em razão de o MPF ter violado o contraditório e a ampla defesa; i) seja declarado nulo o processo 10950.000593/201017, em razão de o MPF ter violado o princípio da legalidade e, caso superadas as preliminares requer seja determinada a suspensão do trâmite processual, em relação aos lançamento efetuados, e pretensos atos de cobrança, até a decisão final sobre sua exclusão ao Simples e ao Simples Nacional. 34.E mais, caso vencidas as preliminares de mérito, pede que: a) reconhecida a ausência de omissão de receitas, ante os fatos apresentados ou; b) declarada a improcedência do lançamento, posto que os tributos deveriam ter sido calculados pela sistemática do Lucro Presumido; c) declarada a nulidade da exigência em face de não ter sido consultada a optar acerca do novo regime de tributação; d) reconhecer a ilegalidade da base de cálculo para fins de lançamento da contribuição previdenciária; e) reconhecer a ilegalidade da base de cálculo para fins de lançamento do PIS/Cofins e; g) reconhecer a ilegalidade do lançamento, por ofensa ao disposto no artigo 142 do CTN, ante a impossibilidade de determinar o montante do tributo devido. Requer que as intimações sejam encaminhadas ao endereço dos procuradores. Juntou os documentos de fls. 937989. Noticiase terem sido lavrados processo de arrolamento de bens (10950.000725/201001), bem processo de representação fiscal para fins penais (10950.000956/201014). A DRJ INDEFERIU as solicitações e MANTEVE os lançamentos, nos termos das ementas abaixo: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTESIMPLES Anocalendário: 2005 LEGISLAÇÃO APLICÁVEL À EXCLUSÃO DO SIMPLES. Aplicase à exclusão do Simples Federal a legislação tributária vigente à época da ocorrência da situação impeditiva à permanência nesse regime unificado e simplificado, qual seja, a Lei n° 9.317, de 1996. OPÇÃO. REVISÃO. EXCLUSÃO COM EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. A opção pela sistemática do Simples é ato do contribuinte sujeito a condições e passível de fiscalização posterior. A exclusão com efeitos retroativos, quando verificado que o contribuinte incluiuse indevidamente no sistema, é admitida pela legislação. Fl. 105617DF CARF MF Processo nº 10950.000593/201017 Acórdão n.º 1401002.497 S1C4T1 Fl. 105.614 9 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO A existência de depósitos bancários de origem não comprovada pela pessoa jurídica regularmente intimada autoriza o lançamento de ofício por omissão de receitas. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO A insuficiência de recolhimento de tributos apurada em procedimento fiscal enseja o lançamento de ofício com os acréscimos legais. LANÇAMENTO DE EXIGÊNCIA. ANO CALENDÁRIO 2005. REGIME DE TRIBUTAÇÃO SIMPLES FEDERAL. Não se conhece da alegação de que é inválido o lançamento que exige valores em relação ao ano calendário de 2005, ao argumento de que o ADE n° 04 só determinou sua exclusão ao benefício, a partir de 01/01/2006, uma vez que o auto de infração atacado obedece a opção do contribuinte em relação ao regime de tributação, o qual permaneceu válido até 31/12/2005, data em que restou caracterizado o excesso de receitas. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Data do fato gerador: 01/07/2007 LEGISLAÇÃO APLICÁVEL À EXCLUSÃO DO SIMPLES. Para os fatos ocorridos a partir de 01/07/2007, aplicase à exclusão do Simples Nacional os dispositivos da Lei Complementar n° 123, de 2006, que instituiu as normas gerais da sistemática e revogou a Lei n° 9.317, de 1996. OPÇÃO. REVISÃO. EXCLUSÃO COM EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. A opção pela sistemática do Simples é ato do contribuinte sujeito a condições e passível de fiscalização posterior. A exclusão com efeitos retroativos, quando verificado que o contribuinte incluiuse indevidamente no sistema, é admitida pela legislação. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. Demonstrado nos autos a existência de valores creditados em contas bancárias do contribuinte, de origem incomprovada e não oferecidas à tributação, cuja presunção de omissão de receita é prevista legalmente, deve a autoridade fiscal efetuar o lançamento para exigir o crédito tributário correspondente. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Tratandose de exigência fundamentada em irregularidade apurada em ação fiscal realizada na esfera do Imposto de Renda Pessoa Jurídica Simples, o decidido quanto àquele lançamento é aplicável, no que couber, aos lançamentos decorrentes. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PRELIMINAR DE NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do procedimento fiscal, quando comprovado que não houve cerceamento do direito de defesa, e foram cumpridos os demais requisitos previstos no Processo Administrativo Fiscal (Decreto n° 70.235, de 1972). NULIDADE DO ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO ADE. DESCABIMENTO. Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, é incabível falar em nulidade do ADE emitido por autoridade fiscal competente, além de, na fase litigiosa do procedimento, também regida pelo mesmo diploma legal, terem sido observadas as normas e os princípios processuais do contraditório e da ampla defesa. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. AFRONTA. Incabível a discussão, na esfera administrativa, quanto à possível inaplicabilidade da norma legal por ofensa a princípios constitucionais, tendo em vista o devido cumprimento às determinações legais inseridas no ordenamento jurídico bem como a vinculação e a obrigatoriedade da atividade administrativa. SIMPLES NACIONAL. FALTA DE REGISTRO DO ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO NO PORTAL DO SIMPLES NACIONAL. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Descabe falar em nulidade do Ato declaratório Executivo que determinou a exclusão da empresa do Simples Nacional, ao argumento de que o ato não teria sido registrado no Portal do Simples Nacional, em descumprimento ao disposto no art. 4o da Resolução n° 15, do CGSN, haja vista a obrigatoriedade ter sido revogada pela Resolução CGSN n° 46, de 18 de novembro de 2008. Fl. 105618DF CARF MF 10 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. AFIRMAÇÕES RELATIVAS A FATOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO O conhecimento de afirmações relativas a fatos, apresentadas pelo contribuinte para contraditar elementos regulares de prova trazidos aos autos pela autoridade fiscal, demanda sua consubstanciação por via de outros elementos probatórios, pois sem substrato mostramse como meras alegações, processualmente inacatáveis. DA CIÊNCIA DO DESPACHO E DECISÕES. A ciência de despachos ou decisões proferidas em processos administrativos fiscais são encaminhadas ao domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, em obediência ao disposto na legislação que rege a matéria. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA DE TITULARIDADE DA PESSOA JURÍDICA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS UTILIZADOS. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta bancária de titularidade da interessada, mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais ela, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO DO LUCRO Excluída do Simples, os lucros foram arbitrados e os impostos e contribuições sociais foram apurados sob esta forma de tributação, deduzindose os valores recolhidos pelo Simples. A ciência destes lançamentos e do ato de exclusão do Simples podem se dar na mesma data, não havendo assim qualquer preterição de direito de defesa, pois tanto a exclusão como os lançamentos tributários são objeto do mesmo processo administrativo, julgados, portanto, de forma simultânea. Lançamentos Decorrentes. PIS, Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL e COFINS. Tratandose da mesma matéria fática, aplicase aos lançamentos decorrentes a decisão proferida no lançamento principal (IRPJ). Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recursos voluntários a este CARF, reitera todos os pontos trazidos anteriormente na impugnação, seja as diversas preliminares suscitadas, seja as questões meritórias. Sublinhese sua indisposição contra a decisão de piso em não ter acatado as provas trazidas na fase impugnatória no sentido de comprovar a origem dos depósitos bancários, seja por ser adiantamento a clientes, seja por se tratar de empréstimos a M A Falleiro. Anexou aos autos após a indicação do processo em pauta um memorial de julgamento e parte do livro contábil dela e de empresa ligada (M.A Falleiro) que segundo ela seriam relevantes para demonstrar a não ocorrência de omissão de receitas por presunção legal. O recurso voluntário foi apresentado em 12 de julho de 2010, tendo a Recorrente sido intimada em 11 de junho de 2010 (fl. 1.090). Em 23 de setembro de 2014 esta Turma converteu o julgamento em diligência nos termos da Resolução 1401000.324, para as seguintes providências: 1. O contribuinte deve planilhar e enumerar todos os documentos anexados aos autos para que a d. Fiscalização verifique se, de acordo com esse critério ora apresentado, haveria comprovação de adiantamento a clientes. 2. O contribuinte deve esclarecer, a partir desses valores de adiantamento quais estão contemplados pela tributação e, quais não estão contemplados. Aqueles não contemplados, deve Fl. 105619DF CARF MF Processo nº 10950.000593/201017 Acórdão n.º 1401002.497 S1C4T1 Fl. 105.615 11 esclarecer se permanecem como adiantamento a clientes ou foram devolvidos. Nesse caso, com a juntada pelo contribuinte da documentação comprobatória da devolução ou da permanência deles como adiantamento, justificadamente. Em 6 de julho de 2016 a DRF em MaringáPR elaborou o parecer conclusivo, o qual em breve síntese expressou o entendimento de que a Recorrente não atendeu ao disposto na Resolução 1401000.324. A Recorrente se manifestou sobre as conclusões apresentadas pela DRF conforme peça de fls. 105.578105.583, afirmando que cumpriu integralmente a Resolução 1401000.324 e comprovou que os valores tidos como omissão de receitas na verdade são empréstimos e adiantamentos da empresa MA FALLEIRO, tendo apresentado cópias de seu livros Razão relacionados às contas bancos, empréstimos e adiantamento a clientes, bem como planilhas em formato xml. e pdf com sua movimentação bancária, relacionando os valores de seu Razão com os da MA FALLEIRO. É o relatório. Voto Conselheira Livia De Carli Germano Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. Cuida o processo de lançamentos de tributos decorrentes da exclusão do contribuinte dos regimes SIMPLES e SIMPLES NACIONAL, por meio de Atos Declaratórios expedidos em virtude da falta de comprovação da origem de depósitos bancários. A Recorrente sustenta, preliminarmente (i) a nulidade do ADE 4/2010, porque emitido com base em legislação já superada e por não ter sido publicado no Portal do Simples; (ii) a nulidade do MPF por falta de ciência ao sujeito passivo das prorrogações de prazo do procedimento fiscal; (iii) nulidade por ausência de intimação para optar por novo regime de tributação, conforme facultado pelo artigo 32 da Lei Complementar n° 123/2006. Como observou o conselheiro Relator Antonio Bezerra Neto em seu voto no presente processo (o qual apenas restou vencido em razão de a Turma ter resolvido converter o julgamento em diligência naquela oportunidade), o art. 59 do Decreto 70.235/72 trata das nulidades no processo administrativo, estabelecendo que considerase nulo o ato se praticado por pessoa incompetente ou, em se tratando de despachos e decisões, havendo preterição do direito de defesa. No caso, tais situações não se caracterizaram eis que não se põe em dúvida a competência do autor, auditor fiscal, nem sa tratou de despacho ou decisão passível de alegação de preterição do direito de defesa. Também foram observados todos os requisitos Fl. 105620DF CARF MF 12 fundamentais à validade do ato administrativo, nos termos do art. 10 do Decreto 70.235/72, tendo os fatos apurados sido descritos com o respectivo enquadramento legal e levados ao conhecimento da autuada. O mesmo se diga em relação aos Atos Declaratórios Executivo de Exclusão do Simples DRF/MGÁ n°s 04 e 05, de 2010, pois foram emitidos por autoridade fiscal com competência legal para tanto, qual seja, pelo delegado da DRFMaringá/PR, além de, na fase litigiosa do procedimento, terem sido observadas as normas e os princípios processuais do contraditório e da ampla defesa, tanto é que o enfrentamento das questões pela reclamante denota perfeita compreensão dos fatos que deram causa à exclusão do Simples. Quanto à necessidade de publicação do ato de exclusão no Portal do Simples Nacional, a DRJ muito bem observou que a norma correspondente não mais estava em vigor, in verbis: 71.Melhor sorte não acolhe a alegação de que seria nulo o ato que determinou sua exclusão do Simples Nacional. O referido ato foi emitido em observância às normas que regem o Simples e, quanto ao argumento de que ele não teria sido registrado no Portal do Simples Nacional, conforme previsto no artigo 4o da Resolução n° 15, de 23/07/2007, do CGSN, o mesmo não procede. Ocorre que, com a edição da Resolução CGSN n° 46, de 18 de novembro de 2008, ou seja, antes da edição do ato ora atacado, emitido em 18/02/2010, tal obrigatoriedade foi revogada. Desta forma resta afastada qualquer alegação de irregularidade em relação ao ADE/ n° 05/2010. Igualmente, no curso do processo administrativo a ora Recorrente nunca teve seu direito de defesa preterido, tendo sido intimada de todos os atos praticados pela fiscalização, de modo que teve conhecimento de todas as provas juntadas ao processo, dos argumentos invocados pela autoridade fiscal e das medidas adotadas pela fiscalização. Ainda em relação a esse mesmo item, assiste razão ao julgador a quo em destacar, no caso de autos de infração, a distinção entre a fase inquisitória e a fase processual inaugurada com a apresentação das impugnações. São diferenciados os princípios constitucionais e legais aplicáveis em cada uma delas, sendo na fase processual que se há de assegurar o direito ao contraditório e à ampla defesa. Quanto às pretensas suposições de afronta de princípios constitucionais, em especial a legalidade de aplicação das normas jurídicas ao procedimento em discussão, cabe esclarecer que a autoridade administrativa é vinculada a lei válida e vigente, não cabendo a este órgão do Poder Executivo deixar de aplicálas, encontrando óbice, inclusive na Súmula nº 2 deste CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em relação à falta de ciência das prorrogações dos MPFs, cabe salientar que o MPF é mero instrumento interno de planejamento, controle e gerência das atividades de fiscalização, disciplinado por portarias da Receita Federal que não têm o condão de alterar a competência atribuída ao auditor fiscal estabelecida no Código Tributário Nacional e não o desoneram da atividade obrigatória e vinculada do lançamento (art. 142 do CTN). No mérito melhor sorte não assiste à Recorrente. Vejamos em detalhe. A Recorrente sustenta a inexistência de faturamento acima do limite legal tendo em vista que parte da movimentação bancária supostamente sem comprovação seria resultado de operações financeiras a título de adiantamentos realizadas pelo principal tomador Fl. 105621DF CARF MF Processo nº 10950.000593/201017 Acórdão n.º 1401002.497 S1C4T1 Fl. 105.616 13 de seus serviços, MA FALLEIRO & CIA LTDA empresa que tem como sócios majoritários Sr. Marcos Aurélio Falleiro, que é irmão de Érika Patricia Falleiro e primo de João Carlos Falleiro de Pádua, sócios da Recorrente. O julgamento acabou sendo convertido em diligência por ter a Turma entendido que poderia ser possível individualizar as transferências bancárias apresentadas na contabilidade da empresa MA FALLEIRO & CIA LTDA (Livro Razão – Conta Bancos) e na contabilidade da Recorrente (Livro Razão – Conta Bancos), em que se constata o registro contábil dos valores debitados da conta da primeira (MA FALLEIRO & CIA LTDA) e creditados em contas correntes da segunda (Recorrente). Dessa forma, foi oportunizado à Recorrente: (i) demonstrar que todos valores de fato estavam registrados como a adiantamento a clientes, bem como (ii) indicar a situação dos ditos adiantamentos, isto é, dizer se houve valores tributados, se os adiantamentos permaneciam ou se foram devolvidos, justificando. Quanto ao primeiro ponto, a Recorrente procedeu às individualizações, acreditando ter comprovado a efetividade das operações financeiras realizadas entre ela e a empresa MA FALLEIRO & CIA LTDA, em planilha com o seguinte conteúdo: Sobre os documentos apresentados, o Relatório de diligência observou que a defesa apresentou "o que chamou de livro razão", não tendo apresentado os livros originais, e uma planilha em excel desacompanhada de quaisquer documentos. De fato, a Recorrente respondeu à fiscalização que os livros Razão estariam de posse da DRF/Maringá, no entanto o Relatório de Diligência pontuou que a delegacia não recebeu os livros originais, mas apenas cópias de lançamentos entregues em mídia digital. Nesse ponto, a autoridade fiscal também solicitou à empresa a apresentação dos livros Diário e Caixa, ressaltando tratarse de livros de escrituração obrigatória, em resposta ao que a empresa afirmou que não possui livro Caixa. Também que a empresa MA FALLEIRO apresentou apenas arquivos digitais, alegando tratarse de documentos com mais de 10 anos (à época em que foram a ela solicitados). Há, portanto, razoável dúvida sobre se o primeiro ponto restou atendido. Quanto ao segundo ponto, durante o procedimento de diligência (que durou mais de 1 ano, de março de 2005 a abril de 2016) a ora Recorrente, não obstante tenha sido reintimada a tanto, não esclareceu sobre a situação dos ditos adiantamentos. Fl. 105622DF CARF MF 14 Após o Relatório de diligência ter registrado que o ponto "(ii)" não havia sido atendido, a Recorrente então apresentou resposta da qual destaco os seguintes trechos: (...) Percebese que a Recorrente continuou se negando a dizer a situação atual dos ditos adiantamentos, limitandose a afirmar que em 2008 os valores permaneciam em aberto e que não tinham sido tributados, tendo curiosamente observado que eles poderiam ser baixados como perda pelo credor. Ora, tal resposta só corrobora a suspeita da autoridade fiscal autuante de que ditos adiantamentos nunca tiveram tal natureza, tanto é que a Recorrente não foi capaz de comprovar, para nenhum deles, quer a devolução quer a destinação dos valores como contrapartida a efetivos serviços. De qualquer forma, comprovar a origem dos recursos não significa apenas identificar o depositante, mas também provar a causa dos recebimentos. No caso, mesmo que o suposto credor tivesse sido identificado como uma empresa do grupo, isso não esclarece sobre a natureza dos recursos e somente documentos hábeis e idôneos trazidos aos autos poderiam elidir a presunção legal de que se trata de receitas. Por se tratar de uma presunção legal, não cabe ao fisco provar o nexo causal entre os depósitos e o fato que represente a omissão das receitas, sendo este ônus da Recorrente, a qual dele não se desincumbiu. Diante disso, vejo como irreparável o voto vencido do Conselheiro Antonio Bezerra Neto proferido na Resolução 1401000.324, que transcrevo abaixo e adoto como razões de decidir complementares: Como foi constatada omissão de receita por falta de comprovação da origem dos depósitos bancários, a autoridade corretamente determinou que o IRPJ/CSLL fossem calculados por arbitramento, uma vez que a contribuinte não mantém escrituração regular com observâncias das leis comerciais e fiscais, para que fossem apurados os tributos devidos nos regimes do lucro real ou presumida. É que sua movimentação financeira praticamente estava à margem da contabilidade, não possuindo o Livro caixa contendo a mesma. E como se sabe aquelas pessoas jurídicas, apesar de desobrigadas de escrituração comercial, estão obrigadas a manter em boa ordem e guarda Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, e todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração, o que não foi o caso. É que o tratamento jurídico diferenciado dispensado às microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP) optantes do Simples não exime esses empresários de cumprirem obrigações acessórias mínimas Fl. 105623DF CARF MF Processo nº 10950.000593/201017 Acórdão n.º 1401002.497 S1C4T1 Fl. 105.617 15 ou simplificadas, como a de manter escrituração contábil ou de escriturar o livro caixa, o que é determinado pelos arts. 258, 259 ou 527 do RIR/99. Em segundo lugar, se a ME ou a EPP não reunir condições para estar no Simples, deverá se submeter à sistemática de apuração dos tributos aplicável às demais pessoas jurídicas (lucro real, presumido ou arbitrado), ex vi do art. 16 da Lei n° 9.317, de 1996. E por consequência, excluída, então, do SIMPLES, seja o FEDERAL ou o NACIONAL, não tendo apresentado escrituração contábil para fins de determinação do Lucro Real, alternativa não restou que não fosse o arbitramento de lucro para os anoscalendários posteriores à sua exclusão do SIMPLES (2006 e 2007). Dessa feita, tanto a receita bruta declarada pela contribuinte quanto à receita omitida apurada pela fiscalização com base nos depósitos bancários, compuseram as bases de cálculo do arbitramento do lucro para fins de aplicação dos percentuais na apuração do IRPJ e CSLL, bem como são bases de cálculo para aplicação das alíquotas e determinação dos valores devidos mensalmente de PIS/COFINS. O contribuinte ainda contra a exclusão do Simples Nacional alega que não se poderia ter lançado os autos de infração em questão enquanto não se processarem os efeitos da manifestação de inconformidade à exclusão do simples que suspenderia o processo. Ora, o que se suspende é a exigibilidade do crédito tributário enquanto litígio houver. No caso, o lançamento não é impedido enquanto ainda não julgada exclusão do Simples. De toda sorte, como as exclusões estão sendo julgadas concomitantes com os respectivos autos de infração nem essa situação irá ocorrer. Também não socorre a alegação de que o ADE n° 04 seria ilegal posto ter sido emitido com base em legislação revogada. Segundo a Recorrente a Lei 9.317, de 1996, que embasou o referido Ato foi revogada pela Lei Complementar n° 123, de 2006, que instituiu as normas gerais do Simples Nacional a partir de 01/07/2007. Ora, esquecese a Recorrente que em conformidade com o disposto no arts. 105 e 144 do Código Tributário Nacional “105 A legislação tributária aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do art. 116.”. E principalmente, o art. 144 que é categórico em afirmar que “O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada.” Assim, em geral, a lei tributária não pode colher fatos passados, já consolidados tudo de acordo com o que dispõe o art. 150, III, "a", da Constituição Federal. Por todo o exposto, mantenho a exclusão do SIMPLES FEDERAL e NACIONAL nos moldes dos Atos Declaratórios nºs 3 e 4. PRESUNÇÃO LEGAL Depósitos bancários sem comprovação da origem dos recursos Fl. 105624DF CARF MF 16 O art. 42, da Lei nº 9.430/1996 é cristalino ao determinar que a omissão de receitas pode ser caracterizada por meio de valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Ora, como se vê da descrição dos fatos, a empresa não apresentou a contento documentação alguma que comprovasse a origem dos recursos daqueles diversos depósitos. A recorrente não logrou comprovar, através de documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, a origem dos recursos recebidos em conta bancária. Como já se disse o mandamento da Lei é bem claro em estabelecer uma presunção legal: LEI n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 DOU de 30.12.96 “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratandose de uma presunção legal de omissão de rendimentos, o ônus da prova fica invertido, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova à contribuinte. O contribuinte, por sua vez, não logrando êxito nessa tarefa que se lhe impunha, como ocorre no caso presente, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, por presunção legal se toma como verdadeiro que os recursos depositados representam rendimentos do contribuinte. Por se tratar de uma presunção relativa juris tantum, somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. Também não procede as justificativas da Recorrente no sentido de afirmar que alguns valores questionados tiveram origem em adiantamentos de clientes ou empréstimos recebidos da empresa M. A. Falleiro & Cia Ltda, tornarseá indevida a tributação, culminando com a iliquidez do auto de infração. Como bem colocou a decisão de piso: O contribuinte não comprovou adequadamente que os valores objeto da autuação decorrem de adiantamento de clientes e de empréstimos recebidos da empresa M. A. Falleiro & Cia Ltda. Os únicos registros apresentados pela defesa são cópias do Razão, fls. 805834, relativos a conta adiantamentos, conta recebimentos e, conta empréstimos desacompanhadas de qualquer documento que tenha dado suporte aos registros. Tais registros já foram analisados pelo auditor que, ao emitir o Termo de Intimação n° 04 (fls. 491513) solicitou ao contribuinte a comprovação da origem dos créditos considerados não comprovados. Observese que nas planilhas que acompanham o termo de intimação os valores considerados não comprovados se referem a prestação de serviços, adiantamentos e cobrança e, em alguns casos, os TED. Todas estas operações deixaram de ser consideradas por falta de instrução documental. 101.Cabe, portanto, destacar que o registro contábil sem qualquer documento emitido por terceiros que o lastreie não é meio de prova, visto que o lançamento contábil apenas registra atos ou fatos ocorridos na empresa e por si só não tem o condão de Fl. 105625DF CARF MF Processo nº 10950.000593/201017 Acórdão n.º 1401002.497 S1C4T1 Fl. 105.618 17 criálos. Assim, a despeito das alegações do contribuinte não há como afirmar que os valores exigidos decorrem de adiantamentos (até porque adiantamento é receita) e de empréstimos auferidos junto a terceiros. Nenhum documento, devidamente registrado, foi juntado para comprovar a existência de tais empréstimos nem os documentos de transferência do numerário foram juntados aos autos. 102.Neste caso a impugnação contém argumentos sem qualquer lastro probatório, arguições destituídas de elementos que tenham o condão de se valer e impor a invalidade do auto de infração. Assinalese que aos contribuintes cabe proceder aos devidos procedimentos em consonância com as normas que regem a matéria, a legislação tributária, alicerçados em documentos idôneos e hábeis, que deverão, quando requisitados, ser entregues à fiscalização, para o cumprimento de seu mister legal. Não se pode alegar no caso concreto que o auditor não teria agido com o necessário zelo na apuração dos fatos. Inúmeras foram as oportunidades ofertadas para que o contribuinte exercesse o seu ônus probatório, tendo sido intimado conforme manda a lei através de planilha onde constava os valores dos depósitos individualizados carentes de comprovação de sua origem. Além de ser inadequada a sua defesa no sentido de afirmar que alguns depósitos não passavam de adiantamento de clientes, não logra trazer a prova também dos empréstimos à M.A Falleiro. A mera apresentação do razão contábil indicando no histórico o suposto empréstimo não é prova válida e eficaz, pois não está lastreada em documentos hábeis e idôneos que o acompanhem. Outrossim, apesar de alertado pela DRJ que as planilhas que traz em sede impugnatória na tentativa de demonstrar que se desincumbiu a contento de seu ônus são reprodução dos dados já verificados e não aceitos pelo fiscal, não faz nenhum esforço adicional no sentido de amparar melhor essas provas com provas mais robustas, como contratos de empréstimos, contratos de prestação de serviço etc. Reiterese que nas planilhas que acompanham o termo de intimação nº 4º os valores considerados não comprovados se referem também a prestação de serviços, adiantamentos e cobrança. Todas estas operações deixaram de ser consideradas por falta de instrução documental e essa falha ainda permanece apesar de a Recorrente ao invés de robustecer sua defesa com mais provas, simplesmente contentase em utilizar de subterfúgios retóricos, como chamar de “Absurda” a decisão de piso que rejeitou também essa matéria por esses mesmos motivos que também o faço. Alegar e não provar é o mesmo que não alegar. Ora, bem se vê que tais alegações são meramente protelatórias e apelativas, tentando descaracterizar a atuação novamente com situações inexistentes. Alegações específicas da autuação referente ao anocalendário de 2005 Afora todas as alegações em sede de preliminar e de mérito já tratadas neste voto, a Recorrente ainda de forma muito criativa, cria uma outra, diz respeito aos efeitos retroativos do ADE n° 04. O contribuinte sustenta que o lançamento relativo aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2005 é ilegal posto que a exclusão somente se operou a partir de 01/01/2006. Ora, como já foi relatado, a exclusão do Simples Federal foi detectada realmente no anocalendário de 2005, a partir das omissões de receitas por depósitos bancários cuja origem não foram comprovadas, ter sido ultrapassado o patamar das receitas máximas permitidas nessa sistemática simplificada. Porém, a norma para essa infração específica comanda apenas a exclusão do simples para o anocalendário posterior (2006) ao ano em que foi detectada a sua exclusão. Porém, isso não imuniza a Recorrente de ser autuada por omissão de receitas no próprio regime do Simples Federal, e foi o que aconteceu. Fl. 105626DF CARF MF 18 Quanto à apresentação de provas após a após entrada em pauta do processo em julgamento, embora esta Câmara tenha admitido recepcionála em algumas situações, principalmente quando confrontado com provas robustas, cabe salientar que esse não foi o caso. A apresentação, novamente, de prova já apresentada anteriormente, qual seja, de um mero razão contábil sem respaldo em qualquer outra documentação para ilidir a presunção legal, não é prova apta a modificar a conclusão já chegada nestes autos, muito menos dá margem para que se baixe o processo em julgamento. (...) Se entende a defesa que a verdade material não está sendo aqui respeitada, deveria trazer ao processo elementos probantes do contrário, não sendo bastante suficiente a apresentação de um razão contábil e de alegações vagas em sede de memorial. O que implica dizer que o que trouxe não são provas, pois para caracterizar a prova não é bastante trazer aos autos informações de forma desarticulada e incompletas, como fez a recorrente.A propósito, sobre a apresentação de provas e conforme jurisprudência deste Conselho, a prova deve estar perfeitamente articulada com o auto de infração, descortinandose a partir dela de forma sucinta e objetiva todas as conexões existentes com o infração que se deseja infirmar. Esse ônus não é do julgador, mas sim da recorrente. Portanto, mantenho o lançamento neste item. Arbitramento Insurgese contra o arbitramento e sustenta que o fisco poderia ter optado por efetuar o lançamento pelo Lucro Presumido ou, ter solicitado outros documentos que permitissem balizar a aplicação do Lucro Real. Apegase, novamente a um formalismo exacerbado pretendendo a todo custo cancelar o lançamento. Como foi constatada omissão de receita por falta de comprovação da origem dos depósitos bancários e excluída do Simples, a autoridade corretamente determinou que o IRPJ/CSLL fossem calculados por arbitramento, uma vez que a contribuinte não mantém escrituração regular com observâncias das leis comerciais e fiscais, para que fossem apurados os tributos devidos nos regimes do lucro real ou presumida. É que sua movimentação financeira praticamente estava à margem da contabilidade, não possuindo o Livro caixa contendo a mesma. Lançamentos reflexos Alega que as exigências da COFINS e PIS, por não incidirem sobre receitas não decorrentes da atividade da empresa devem ser excluídos da base de cálculo os valores decorrentes de empréstimos. Ora, como não foi provada a natureza das receitas e justamente por isso foram tidas como não comprovadas a sua origem não há como afirmar que os valores exigidos decorrem de adiantamentos (e de empréstimos auferidos junto a terceiros. Em relação à cobrança do INSSSimples, desenvolve arrazoado sobre a contribuição ao INSS, levantando questões como auxíliodoença, salário maternidade, repouso semanal remunerado e prova concreta. Ora, tal contestação é totalmente desarrazoada no contexto do lançamento pela sistemática do Simples, uma vez que tal sistemática simplificada já prevê um tratamento diferenciado aos contribuintes, em que os tributos devidos são calculados de forma presuntiva, mediante a aplicação do percentual previsto a incidir sobre a receita bruta mensal auferida, sem outras considerações. Fl. 105627DF CARF MF Processo nº 10950.000593/201017 Acórdão n.º 1401002.497 S1C4T1 Fl. 105.619 19 Dispositivo Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 105628DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.901127/2014-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2014
DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA INEQUÍVOCA. ERRO ALEGADO NÃO COMPROVADO. DENEGAÇÃO DO CRÉDITO PRETENDIDO.
Não se reconhece o crédito pretendido, referente a pagamento indevido ou a maior, fundamentado exclusivamente em DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório, quando o contribuinte deixa de apresentar elementos de prova materiais, capazes de, cabalmente, comprovar erro supostamente cometido no preenchimento da declaração original.
Numero da decisão: 1402-003.111
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA INEQUÍVOCA. ERRO ALEGADO NÃO COMPROVADO. DENEGAÇÃO DO CRÉDITO PRETENDIDO. Não se reconhece o crédito pretendido, referente a pagamento indevido ou a maior, fundamentado exclusivamente em DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório, quando o contribuinte deixa de apresentar elementos de prova materiais, capazes de, cabalmente, comprovar erro supostamente cometido no preenchimento da declaração original. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 11 27 /2 01 4- 00 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 11040.901127/201400 Acórdão n.º 1402003.111 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, mantendo o r. Despacho Decisório que deixou de homologar a compensação pretendida, denegando a existência do crédito declarado em DCOMP, por não ter sido constatada qualquer monta de recolhimento a maior ou indevido. Em sua Manifestação de Inconformidade, em suma, alegou a ora Recorrente que teria havido recolhimento a maior de IRPJ e CSLL, fato este que teria sido percebido apenas após auditoria contábil externa. Assim, procedeu a Contribuinte a inúmeras compensações, valendose de tal valor. A Recorrente também esclarece que não foi reconhecida a existência do crédito pela Unidade Local pois apenas veio a retificar sua DCTF após a prolatação r. decisório de piso, corrigindo, então, suposto erro na declaração originalmente transmitida. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento à defesa, por não ter a Contribuinte logrado êxito na comprovação da sua pretensão creditória, estando ausente nos autos qualquer demonstração ou prova de erro que justificaria a retificação procedida na DCTF. Diante de tal revés, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, agora sob análise, em suma, repetindo as suas alegações da Manifestação de Inconformidade, apontando expressamente para os motivos de reforma do v. Acórdão recorrido, afirmando ter constituído prova eficaz do seu direito. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11040.901127/201400 Acórdão n.º 1402003.111 S1C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.112, de 11/04/2018, proferido no julgamento do Processo nº 11040.901104/2014 97, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.112): "O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Ausentes alegações preliminares, passase ao mérito da demanda. Como relatado, a Recorrente alega ter recolhido valores de IRPJ e CSLL maiores do que aquilo efetivamente devido no período. Uma vez constatado tal excesso no adimplemento fiscal, prontamente procedeu a compensações via DCOMP. Contudo, apenas veio a retificar a DCTF correspondente posteriormente à prolatação do r. Despacho Decisório, motivo pelo qual a Autoridade Fiscal não teria reconhecido a existência de tal crédito naquela oportunidade. Restou firmado no v. Acórdão da DRJ que, ainda que retificada a DCTF, validando o cálculo da monta da pretensão creditícia da Contribuinte, não houve a comprovação da existência de erro na primeira declaração ou a prova de qualquer outro motivo que justificasse tal alteração. Em Recurso Voluntário a Recorrente afirma que possui a plena prerrogativa de proceder à retificação da sua DCTF e o fez regularmente, em momento adequado, dentro do prazo concedido pelas normas que regem a matéria em tela. Alega que denegar o crédito implicaria em enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional. Ora, é certo que a Contribuinte tem a prerrogativa de retificar suas declarações, inclusive a DCTF. Todavia, os efeitos de tal correção não são automáticos e absolutos, para todos os fim tributários, quando envolvida a percepção de crédito em favor do contribuinte após tal manobra. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 11040.901127/201400 Acórdão n.º 1402003.111 S1C4T2 Fl. 5 4 Nesse sentido, a Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010, aplicável ao presente caso, é clara ao regular o tema em seu artigo 9º: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU;ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.177, de 25 de julho de 2011) § 4º Na hipótese do inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11040.901127/201400 Acórdão n.º 1402003.111 S1C4T2 Fl. 6 5 fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 7º. § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. § 6º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; ehttp://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutro s.action?idArquivoBinario=0 II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. (destacamos) Extraise de tal dispositivo que, promovida a alteração após a prolatação de r. Despacho Decisório, deveria a Contribuinte ter trazidos prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original, demonstrando que os valores originalmente inseridos na declaração primeiramente transmitida não refletiam os fatos e eventos efetivamente apurados na mensuração das obrigações lá constituídas. Sobre isso, a Recorrente alegou que teria trazido aos autos sua DIPJ, dando o necessário respaldo probante ao seu direito. Ocorre que apenas foram juntadas Fichas isoladas da DIPJ do período. Nenhum elemento de prova material, relacionado à contabilidade ou mesmo às atividades da Contribuinte, foi acostado ao processo. Frisese que a DIPJ, ainda que integralmente considerada, regularmente preenchida e transmitida, tem caráter informativo, sendo confeccionada unilateralmente pelo contribuinte, sem a necessidade de instrução direta com documentos. Assim, mesmo que as informações inseridas na linhas das Fichas da Declaração acostada guardassem identicidade com aquilo trazido na DCTF retificadora, tal encontro de dados guarda valor probante extremamente relativo, não se revestindo de prova inequívoca. Nos casos referente a restituição e compensação, regulados pelo art. 74 da Lei nº 9.430/96, o ônus probatório do crédito alegado recai sobre contribuinte. Por fim, o entendimento acima professado possui pleno respaldo na jurisprudência atual desse E. CARF. Ilustrando, confirase o Acórdão nº 1301002.103, proferido pela C. 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara dessa mesma 1ª Seção, de relatoria do I. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 11040.901127/201400 Acórdão n.º 1402003.111 S1C4T2 Fl. 7 6 Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, publicado em 23/08/2016: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PROCEDIMENTO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EXISTÊNCIA DE OUTROS IMPEDIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE Não há impedimento para que a DCTF seja retificada após o despacho decisório, desde que sejam respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010, e alterações posteriores. Necessidade de análise das restrições através do exame de documentação juntada ao processo, o que foi impossível, ante a não juntada de documentos pela interessada, sendo seu dever o ônus de provas. INDÉBITO.COMPROVAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A comprovação da certeza e liquidez dos créditos deve ocorrer pelo exame de documentação hábil e apta, cujo ônus de juntar a documentação pertinente pertence a parte que requer o reconhecimento do direito creditório. Ainda, na mesma esteira decidiuse no Acórdão nº 3402 004.849, prolatado pela C. 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção dessa C. Corte Administrativa, de relatoria do I. Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, publicado em 02/02/2018: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 29/07/2005 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 11040.901127/201400 Acórdão n.º 1402003.111 S1C4T2 Fl. 8 7 PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado. Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose o v. Acórdão recorrido." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 119DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.002585/2008-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/09/2004
IPI. SERVIÇO GRÁFICO POR ENCOMENDA E PERSONALIZADO.INCIDÊNCIA. SÚMULAS 143 DO TFR E 156 DO STJ. INAPLICABILIDADE.
A prestação de serviço gráfico, personalizado e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita ao Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, visto que a LC nº 116, de 2003, apenas afasta a incidência cumulativa de ISS e ICMS, inexistindo na referida lei qualquer determinação quanto à não incidência do IPI.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/09/2004
MATÉRIA DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE . MATÉRIA SUMULADA NO CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3302-005.417
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad que lhe davam provimento integral. Os Conselheiros Fenelon Moscoso Almeida e Vinícius Guimarães não participaram da votação em razão dos votos definitivamente proferidos pelos Conselheiros José Fernandes do Nascimento e Maria do Socorro Ferreira Aguiar na sessão de 17/04/2018, às 9:00h. Nos termos do Art. 58, §13 do RICARF, foi designado pelo Presidente de Turma de Julgamento como redator ad hoc para este julgamento, o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède para formalizar o acórdão
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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COFINS Recorrente DISKPAR LOGÍSTICA E AUTOMAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 30/09/2004 IPI. SERVIÇO GRÁFICO POR ENCOMENDA E PERSONALIZADO.INCIDÊNCIA. SÚMULAS 143 DO TFR E 156 DO STJ. INAPLICABILIDADE. A prestação de serviço gráfico, personalizado e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita ao Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, visto que a LC nº 116, de 2003, apenas afasta a incidência cumulativa de ISS e ICMS, inexistindo na referida lei qualquer determinação quanto à não incidência do IPI. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 30/09/2004 MATÉRIA DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE . MATÉRIA SUMULADA NO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad que lhe davam provimento integral. Os Conselheiros Fenelon Moscoso Almeida e Vinícius Guimarães não participaram da votação em razão dos votos definitivamente proferidos pelos Conselheiros José Fernandes do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 25 85 /2 00 8- 33 Fl. 1699DF CARF MF Processo nº 10882.002585/200833 Acórdão n.º 3302005.417 S3C3T2 Fl. 1.700 2 Nascimento e Maria do Socorro Ferreira Aguiar na sessão de 17/04/2018, às 9:00h. Nos termos do Art. 58, §13 do RICARF, foi designado pelo Presidente de Turma de Julgamento como redator ad hoc para este julgamento, o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède para formalizar o acórdão (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo. Relatório Na condição de redator ad hoc, designado para formalizar o voto, passo a transcrever o relatório elaborado na minuta do voto proferido pela Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar na sessão de 17/04/2018, às 9:00h. "Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: Tratase de auto de infração (fls. 861/881) lavrado em 07/08/2008 para exigir o crédito tributário de R$ 1.446.721,59, correspondente ao IPI, inclusos multa de ofício e juro de mora, e multa sobre IPI não lançado com cobertura de crédito, por ter o estabelecimento industrial promovido a saída de produtos tributados, com falta de lançamento de imposto e por erro de classificação fiscal, em relação aos produtos relacionados no Termo de Verificação Fiscal de fls. 853/860. Regularmente notificada do auto de infração, a contribuinte tempestivamente apresentou a impugnação de fls. 885/904, instruída com os documentos de fls.905/1049, alegando, em síntese, que: 1. Em preliminar, aponta que nos moldes do art. 168, inciso I c/c art. 150, §4° do CTN, ocorreu a decadência no tocante aos meses de janeiro a julho de 2003; 2. A empresa é do ramo de prestação de serviços gráficos e realiza preponderantemente, atividade de impressão de bobinas de papel personalizadas, produzidas sob encomenda, o que excluiria tais produtos do conceito de industrialização, pois os serviços de composição gráfica seriam tributados exclusivamente pelo ISS, não se sujeitando ao IPI; 3. Disse que seus produtos personalizados e produzidos sob encomenda dos clientes, se não viessem a ser faturados àqueles encomendantes originais, tornarseiam absolutamente inúteis; 4. Não é estabelecimento industrial, mas sim prestador de serviços gráficos, não se sujeitando ao IPI, conforme remansosa jurisprudência sumulada e doutrina atinente à espécie; 5. No tocante ao equívoco quanto à Fl. 1700DF CARF MF Processo nº 10882.002585/200833 Acórdão n.º 3302005.417 S3C3T2 Fl. 1.701 3 classificação fiscal, fato é que o Decreto n° 4.070/01, que revogou o dispositivo anterior, manteve não só a classificação fiscal pretendida pelo agente fiscalizador, como também aquelas utilizadas pelo sujeito passivo; 6. Ainda que houvesse uma classificação específica para o caso sob exame, o que há de ser observado diz respeito, tão somente, à absoluta isenção ou aplicação de alíquota zero sobre as operações de impressão de bobinas sob encomenda, que deverão prevalecer sempre, independentemente do código de classificação utilizado; 7. Ao final, invoca jurisprudência do STJ, em especial a Sumula 156, e julgados administrativos do Conselho de Contribuinte. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 30/09/2004 IPI. FATO GERADOR. SERVIÇOS DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA PERSONALIZADOS. SÚMULAS 143 DO TFR E 156 DO STJ. INAPLICABILIDADE. Os serviços de composição e impressão gráficas, personalizados, previstos no 8°, § 1°, do DL n° 406, de 1968, estão sujeitos à incidência do IPI e do ISS. LANÇAMENTO. ERRO CLASSIFICAÇÃO FISCAL. A falta de pagamento do imposto, por erro de classificação fiscal/alíquota inferior à devida, justifica o lançamento de ofício do IPI, com os acréscimos legais cabíveis. Cientificada da decisão de primeira instância em 14/06/2010, fls.1070/1073), a interessada interpôs Recurso Voluntário em 23/06/2010, fls.1.076/ss), onde repisa os mesmos argumentos trazidos em sua impugnação, acrescentando comentários sobre a decisão recorrida e requerendo a reunião de todos os autos de infração lavrados sobre a mesma matéria face à conexão entre eles e também quanto à dependência do processo originário de habilitação dos créditos pleiteados e compensados nos PER/DCOMP. Através da Resolução Carf nº 3202000.182, de 30/01/2014, fls.1.460/1.463, o julgamento foi convertido em diligência nos seguintes termos: Compulsandose os autos do processo verificase que ainda restam dúvidas em relação a fatos relatados pela fiscalização quanto ao processo produtivo da empresa, nos seguintes termos (vide efolha nº 865): O sujeito passivo é indústria gráfica fabricante de bobinas de papel para automação bancária e comercial. Adquire as bobinas de papel e as converte em bobinas menores, para utilização em máquinas registradoras, calculadoras, aparelhos Fl. 1701DF CARF MF Processo nº 10882.002585/200833 Acórdão n.º 3302005.417 S3C3T2 Fl. 1.702 4 de "facsimile" (fax), equipamentos emissores de cupom fiscal, extratos, comprovantes bancários, "tickets" para estacionamento, cupons de pedágio, comprovantes de cartão de crédito e recibos em geral. O sujeito passivo produz bobinas personalizadas com ou sem impressão. A personalização, que transforma a bobina em produto de uso exclusivo do encomendante, compreende principalmente a impressão nas bobinas de logotipo e razão social/marca do encomendante, textos explicativos, nome do impresso, etc.(negritei) Destarte, entendo que deve ser propiciada a ampla oportunidade para as partes esclarecerem os fatos, através da juntada de documentação probante suficiente para demonstrar o seu direito, em atendimento aos princípios da ampla defesa e do contraditório. Em face do acima exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235/72, no intuito de se identificar perfeitamente o processo produtivo da empresa proponho que os autos retornem à DRF – Osasco SP para a realização de perícia técnica, a ser elaborada por peritos credenciados junto à Receita Federal ou instituição de renomada reputação técnica (IPT, INT, UNICAMP, ou outra similar), a ser contratada pela Recorrente, quando deverão ser respondidos os seguintes quesitos: 1º Explicar detalhadamente o processo produtivo relacionado às operações objeto do presente litígio. 2º Informar quais os insumos (matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem) são utilizados no processo produtivo da empresa para a elaboração dos produtos relacionados ao presente litígio. 3º Informar quais são os produtos finais resultantes do processo produtivo da empresa relacionados com o presente litígio. Em decorrência da diligência foi emitida a Informação Fiscal de fls.2.181/2.184. Após ciência em 02/02/2015, conforme Termo de Abertura de Documento de fl. 1.475, a interessada juntou aos autos o laudo Técnico de fls. 1.477/1.478 Em 19/09/2016, através do Termo de Solicitação de Juntada, fl.1.505 apresenta petição solicitando celeridade no julgamento." É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, redator ad hoc. Fl. 1702DF CARF MF Processo nº 10882.002585/200833 Acórdão n.º 3302005.417 S3C3T2 Fl. 1.703 5 Na condição de redator ad hoc, designado para formalizar o voto, passo a transcrever o voto proferido pela Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar na sessão de 17/04/2018, às 9:00h. "Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da inexistência de decadência Observase que a questão da decadência trazida na impugnação já foi abordada pela decisão de piso, no entanto reitera o recorrente, arguindo ao final também quanto a suposta prescrição ocorrida. Verificase dos autos, que o período de apuração abrangido pela ação fiscal, corresponde ao lapso temporal de 01/01/2004 a 30/09/2004, tendo a ciência do auto de infração ocorrido em 08/08/2008, fl.1.025, logo, concluise que o auto de infração foi lavrado dentro do prazo quinquenal que dispõe a Fazenda Pública para fazêlo. Nesse sentido, assim se manifesta a decisão de piso: Inicialmente, a contribuinte alegou que ocorreu a decadência no tocante aos meses de janeiro a julho de 2003, entretanto, trata a presente lide sobre períodos de apuração de janeiro a setembro de 2004. Portanto, a presente questão levantada pela contribuinte, por não ser pertinente à discussão, não será apreciada.(grifei). Tampouco há se falar em prescrição, visto que conforme o artigo 174 do CTN, prescrição é a ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, cujo termo inicial da contagem do prazo prescricional é a data da constituição definitiva do crédito tributário, que se dá quando não mais cabível recurso ou após o transcurso do prazo para sua interposição na esfera administrativa. Da impossibilidade de reunião dos processos Quanto ao pleito de reunião dos processos indicados no recurso voluntário, resta impossibilitada essa medida, primeiro por falta de previsão regimental, haja vista que as hipóteses de processos vinculados, previstos no artigo 6º do RICARF, não correspondem à situação dos autos; segundo porque em pesquisa ao sistema eprocesso, constatase que além de referidos processos estarem em fases processuais bastante distintas, tais como: em procedimento de parcelamento, com desistência do recurso voluntário apresentado, em diligência à unidade e para ciência da decisão da CSRF, não são necessários ao deslinde da presente lide, visto que o julgamento darseá pelo colegiado em vista das disposições legais e suporte probatório dos autos. Fl. 1703DF CARF MF Processo nº 10882.002585/200833 Acórdão n.º 3302005.417 S3C3T2 Fl. 1.704 6 MÉRITO Esclarece o Termo de Verificação Fiscal TVF, fls.1017/1021, que o sujeito passivo é indústria gráfica fabricante de bobinas de papel para automação bancária e comercial. Adquire as bobinas de papel e as converte em bobinas menores, para utilização em máquinas registradoras, calculadoras, aparelhos de "facsimile" (fax), equipamentos emissores de cupom fiscal, extratos, comprovantes bancários, "tickets" para estacionamento, cupons de pedágio, comprovantes de cartão de crédito e recibos em geral. Destaca que o sujeito passivo produz bobinas personalizadas com ou sem impressão. A personalização, que transforma a bobina em produto de uso exclusivo do encomendante, compreende principalmente a impressão nas bobinas de logotipo e razão social/marca do encomendante, textos explicativos, nome do impresso, etc. Ressalta ainda o TVF: 2.1 Entradas para Industrialização no Estabelecimento O principal insumo utilizado na produção das bobinas consiste em papel classificável em três tipos: autocopiativo, térmico ou termossensível e outros. Além dos papéis os insumos compreendem principalmente tubos rígidos de plástico ou papelão e caixas de papelão para embalagem.(grifei). Com base nos arquivos magnéticos fornecidos pelo sujeito passivo apuramos os valores das entradas para industrialização. As entradas compreendem as compras para industrialização efetuadas junto a fornecedores e entradas decorrentes de transferências para industrialização.(grifei). Os valores apurados foram utilizados na Reconstituição da Escrita Fiscal contribuinte, a fim de apurarmos o montante do IPI devido. 2.2 Vendas de Produção do Estabelecimento Com base nas Notas Fiscais de Saída de CFOP 5.101, 5.910, 5.949, 6.101, 6.910 e 6.949, verificamos que os produtos industrializados pelo sujeito passivo, no período fiscalização, deveriam estar classificados conforme abaixo: Fl. 1704DF CARF MF Processo nº 10882.002585/200833 Acórdão n.º 3302005.417 S3C3T2 Fl. 1.705 7 Constatamos que a principal razão pela qual o sujeito passivo apura saldo credor do IPI deriva do tratamento fiscal adotado na venda de produtos, utilizando classificação e alíquota incorretas. As bobinas personalizadas são, em sua maioria, classificadas pelo sujeito passivo com o código 4911.99.00, cuja alíquota do IPI, vigente no período fiscalização, era de 0% (zero por cento). Adicionalmente, o sujeito passivo considera venda de bobinas personalizadas como prestação de serviços e emite notas fiscais com CF0Ps 5.949 e 6.949 (Outras Saídas), e Natureza da Operação: 0.S. Prestação Serviços e O.S. Prestação de Serviços Interestaduais, respectivamente. 2.4 A atividade gráfica e a tributação do IPI O Parecer Normativo do Coordenador do Sistema de Tributação PN CST n° 127/71 assim dispôs: "1. O processo gráfico de impressão constitui operação de industrialização, salvo se tratar de impressão por encomenda direta do usuário ou consumidor, efetuada na residência do confeccionador ou preparador ou em oficina que forneça, preponderantemente, trabalho profissional (RIPI Decreto n° 61.514/67, art. 1°, § 4°, inc.V).(grifei). 2. Entenderseá como oficina — para os fins previstos no Regulamento — o estabelecimento que possuir até 5 (cinco) operários (Instrução Normativa n° 3, de 12/ 09/ 1969, n° 18). Esse entendimento vem sendo confirmado ao longo do tempo e mais recentemente, por meio do Ato Declaratório Normativo COSIT (ADN) n° 18, de 27/09/00, dispondo sobre o percentual de determinação do lucro presumido aplicável à atividade gráfica, o CoordenadorGeral do Sistema de Tributação esclareceu que: "I A atividade gráfica pode configurarse como industrial, comercial ou de prestação de serviços. Consideramse como prestação de serviços as operações realizadas por encomenda, nos termos do art. 5°, V, c/ c art. 7°, II, do Decreto n° 2.637, de 1988." (RIPI 98, esclarecimento nosso) Após a Resolução Carf, foi elaborado o Laudo do Instituo de Pesquisas Tecnológicas IPT, fls. 1.477/1.498, cujos técnicos do referido instituto, em 19/09/2014, em visita às dependências da Diskpar Logística e Automação Ltda., descrevem o processo de impressão de bobinas personalizadas de papel termossensível, da seguinte forma: Para impressão de bobinas personalizadas de papel, a Diskpar utiliza como matériaprima basicamente papel termossensivel, também denominado papel térmico, tinta de impressão e tubetes. Para o acondicionamento das bobinas personalizadas de papel termossensivel produzidas, a Diskpar utiliza caixas de papelão Fl. 1705DF CARF MF Processo nº 10882.002585/200833 Acórdão n.º 3302005.417 S3C3T2 Fl. 1.706 8 (...) O processo de impressão das bobinas personalizadas de papel termossensível envolve: a definição da arte a ser impressa; a impressão do lado não revestido do papel térmico; a rebobinagem do papel impresso gerando bobinas de tamanhos definidos; a embalagem das bobinas produzidas e sua expedição. Arte a ser impressa Os textos e imagens a serem impressos na face não revestida do papel termossensível são definidos pelo cliente que solicitou os serviços de impressão. Impressão do papel termossensível Nesta etapa, as bobinas de papel termossensível adquiridas pela Diskpar, denominadas bobinas jumbo, são colocadas em máquinas impressoras, onde o lado do papel oposto ao que tem revestimento termossensível é impresso com textos e imagens definidos, respectivamente, pelos clientes solicitantes do serviço. Das impressoras saem bobinas impressas, que têm a mesma largura das bobinas jumbo.(grifei). (...) Observase que o laudo produzido, em que pese a técnica e os detalhes esclarecidos, não mudou substancialmente a compreensão do processo de impressão das bobinas personalizadas de papel, demonstrado pelo TVF, antes citado. Por sua vez, destaca o recorrente que é empresa do ramo de prestação de serviços gráficos e realiza preponderantemente, atividade de impressão de bobinas de papel produzidas sob encomenda; personalizadas, para uso exclusivo de seus clientes. Ressalta ainda que não industrializa o papel utilizado nas bobinas personalizadas que vende, haja vista que, tão somente o adquire, efetua o corte na largura e no comprimento necessário, insere as características gráficas solicitadas pelos encomendantes e efetua sua rebobinagem para, em seguida, faturálas ao solicitante nos termos do contrato firmado. Conclui ao final que está clara a absoluta insubsistência do auto de infração, sobretudo porque, a atividade de impressão gráfica, em especial na forma realizada pela recorrente, isto é, com natureza e uso personalíssimos, encontrase sujeita ao Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza — ISSQN, de competência municipal, excluindose por absoluto, qualquer possibilidade de incidência do IPI, conforme remansosa jurisprudência sumulada e a uníssona doutrina atinente à espécie. Invoca a Súmula 156 do STJ e precedentes administrativos citados. Fl. 1706DF CARF MF Processo nº 10882.002585/200833 Acórdão n.º 3302005.417 S3C3T2 Fl. 1.707 9 Diante do contexto fático, observase que a matéria nuclear consiste em verificar se nesse processo referido há a incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. O 1art. 153 da CF/88 ao dispor que compete à União instituir impostos sobre produtos industrializados, indica que o critério material da hipótese de incidência tributária é a execução de uma operação de industrialização. Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: I,II, III (...); IV produtos industrializados;(grifei). Nesse contexto, dispõem os artigos 3º e 4º do RIPI/2002 (Decreto nº 4.544/2002) Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, e Decretolei nº 34, de 18 de novembro de 1966, art. 1º). (...) Art. 3º Produto industrializado é o resultante de qualquer operação definida neste Regulamento como industrialização, mesmo incompleta, parcial ou intermediária. Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): I a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); (...) Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados.(grifei). (...) Art. 34. Fato gerador do imposto é (Lei nº 4.502, de 1964, art. 2º): 1 Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: I,II, III (...); IV produtos industrializados; Fl. 1707DF CARF MF Processo nº 10882.002585/200833 Acórdão n.º 3302005.417 S3C3T2 Fl. 1.708 10 (...) II a saída de produto do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial. Das disposições acima transcritas verificase que para que haja incidência do IPI é necessária a existência de um produto resultante de uma operação de industrialização e que haja a saída do referido produto do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial. Nesse sentido, apropriadamente fundamenta a decisão de piso: No caso dos autos, os clientes do autuado, ao encomendarem as bobinas, estão em verdade encomendando uma prestação de serviço, nos termos do art. 8° do DL n° 406/68. Para que a encomenda possa ser executada, o autuado é obrigado a adquirir insumos no mercado interno e a transformá los em um novo produto que, posteriormente, sairá do estabelecimento no momento da entrega ao cliente (arts. 40, I e 34, II do RIPI/2002). Finalmente, ao consumar a prestação do serviço, mediante a tradição da coisa e do recebimento do preço, promove a circulação de uma mercadoria (art. 2°, I, da LC n° 87/96). É inequívoco, portanto, que neste caso, a prestação de serviço (obrigação de fazer algo) não pode existir sem a execução de uma operação de industrialização, seguida da entrega de uma mercadoria (obrigação de dar). Logo, para poder prestar o serviço o autuado pratica os fatos geradores dos três impostos, IPI, ISS e ICMS, tudo dentro de uma mesma operação econômica.(grifei). Tendo em vista já está demonstrado o processo de impressão das bobinas personalizadas, inferese que para que os clientes possam ser atendidos, a Recorrente adquire insumos (papel, tubos rígidos de plástico ou papelão, caixas de papelão para embalagem e tinta) no mercado interno e os transforma em um novo produto industrializado que, posteriormente, dará saída do estabelecimento industrial do contribuinte, restando assim caracterizada, uma operação de industrialização, visto que a transformação é uma das modalidades da industrialização. Ocorrendo a incidência tributária, nasce portanto a obrigação tributária, cuja natureza é ex lege, conforme preveem o § 1º do art. 113 e o artigo 114 do C.T.N Estando assim a cobrança de tributo permeada pelo princípio da legalidade, e constatado no caso em apreço a ocorrência de uma operação de industrialização e o consequente fato gerador do IPI, inferese que só seria possível excluir a incidência do IPI se houvesse previsão expressa em lei excluindo, da hipótese de incidência a atividade de artes gráficas, no entanto verificase Fl. 1708DF CARF MF Processo nº 10882.002585/200833 Acórdão n.º 3302005.417 S3C3T2 Fl. 1.709 11 que a lei de regência da matéria não traz essa exclusão em seu texto. Com efeito, inexistindo por expressa determinação legal exclusão da hipótese de incidência, no caso da operação gráfica de impressão, tampouco se caracterizando a espécie dos autos como encomenda direta do usuário ou consumidor, nos termos do 2art. 5º, V, c/c art. 7º, II, do RIPI/2002 efetuada na residência do confeccionador ou preparador ou em oficina que forneça, preponderantemente, trabalho profissional, hipótese em que estaria descaracterizada a operação como industrialização, dessumese que há incidência do IPI na operação ora em lide. Ultrapassada essa questão, resta analisar se o ordenamento jurídico abriga a tributação pelo IPI e ISS na operação sub examine, em face da jurisprudência colacionada pelo recorrente. Constatase que o ISS, defendido pela recorrente como único imposto exigível no caso dos autos, tem como fato gerador a prestação de serviços conforme lista anexa à a Lei Complementar nº 116, (LC), de 2003, não estando referidos serviços sujeitos ao ICMS, ainda que a prestação envolva fornecimento de mercadorias, conforme dicção do artigo 31º e § 2º do referido texto legal, inferindose portanto que existem serviços que contemplam também o fornecimento de mercadorias, cuidando nesse caso a lei de expressamente excluir o ICMS, no entanto, quanto ao IPI, como vimos, ainda que haja uma operação de industrialização que contemple também uma prestação de serviços, não há essa expressa determinação legal e desse modo, sendo a obrigação tributária, ex lege, como já ressaltado, não é possível por um mero raciocínio lógico inferir se que também está excluído o IPI. Dispõe a Lei Complementar nº 116, (LC), de 2003, acima referida: 2 Art. 5º Não se considera industrialização: (...) V o preparo de produto, por encomenda direta do consumidor ou usuário, na residência do preparador ou em oficina, desde que, em qualquer caso, seja preponderante o trabalho profissional; Art. 7º Para os efeitos do art. 5º: (...) II nos casos dos seus incisos IV e V: a) oficina é o estabelecimento que empregar, no máximo, cinco operários e, caso utilize força motriz, não dispuser de potência superior a cinco quilowatts; b) trabalho preponderante é o que contribuir no preparo do produto, para formação de seu valor, a título de mãodeobra, no mínimo com sessenta por cento. 3 Art. 1o O Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, de competência dos Municípios e do Distrito Federal, tem como fato gerador a prestação de serviços constantes da lista anexa, ainda que esses não se constituam como atividade preponderante do prestador. § 1oO imposto incide também sobre o serviço proveniente do exterior do País ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior do País. § 2oRessalvadas as exceções expressas na lista anexa, os serviços nela mencionados não ficam sujeitos ao Imposto Sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS, ainda que sua prestação envolva fornecimento de mercadorias.(grifei). Fl. 1709DF CARF MF Processo nº 10882.002585/200833 Acórdão n.º 3302005.417 S3C3T2 Fl. 1.710 12 Art. 1º O Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, de competência dos Municípios e do Distrito Federal, tem como fato gerador a prestação de serviços constantes da lista anexa, ainda que esses não se constituam como atividade preponderante do prestador. (...) § 2º Ressalvadas as exceções expressas na lista anexa, os serviços nela mencionados não ficam sujeitos ao Imposto Sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, ainda que sua prestação envolva fornecimento de mercadorias.(grifei). Repisese que conforme acima disposto, a Lei Complementar (LC) n° 116, de 31 de julho de 2003, apenas determina, em seu art. 1º, § 2º, que os serviços contemplados na lista anexa à referida LC, ressalvadas as exceções expressas na própria lista, não estão sujeitos ao imposto ICMS, ou seja, referida lei apenas afasta a incidência cumulativa de ISS e ICMS, inexistindo assim, na referida lei qualquer determinação quanto à não incidência do IPI. Nesse mister, verificase inaplicável ao caso o enunciado da Súmula 156 do STJ, visto que os precedentes que embasaram a interpretação sumulada se referem expressamente quanto ao conflito de competências no âmbito do ISS e ICMS. Importa destacar para a conclusão da presente análise os seguintes dispositivos do CTN: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (...). Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência.(grifei) Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios;(grifei). Ante os comandos acima, considerando o substrato fático dos autos e as normas de regência do IPI, reproduzidas acima na parte que importa à interpretação da lide, tendo o IPI como fato gerador a industrialização e saída, do estabelecimento industrial, a ocorrência do pressuposto fático, de uma operação Fl. 1710DF CARF MF Processo nº 10882.002585/200833 Acórdão n.º 3302005.417 S3C3T2 Fl. 1.711 13 de industrialização, como é o caso dos autos, sem que exista dispositivo legal excluindo essa hipótese do campo de incidência, implica a incidência do referido imposto. Na esteira do raciocínio exposto, citamse os precedentes abaixo: Acórdão CSRF nº 9303002.265, de 09/05/2013: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 30/04/2003 IPI. INCIDÊNCIA. OPERAÇÃO MENCIONADA NA LISTA ANEXA AO DECRETOLEI 406/68 E NA ANEXA À LEI COMPLEMENTAR 116/2003. CABIMENTO Consoante a melhor dicção do art. 156 da Carta Política, apenas está constitucionalmente impedida a incidência sobre a mesma operação, conceituada como serviço, do ISS e do ICMS. Assim, tanto o decretolei nº 406/68, recepcionado como Lei Complementar até a edição da Lei Complementar nº 116/2003, quanto esta última, ao regularem tal dispositivo, apenas estão afastando a incidência cumulativa de ISS e ICMS, nada regulando quanto ao IPI. Para a incidência deste último, basta que a operação realizada se enquadre em um dos conceitos de industrialização presentes na Lei 4.502/64. Acórdão 3802003.433, de 20/08/2014: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 31/12/2000 IPI. SERVIÇOS DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA (BOBINAS PERSONALIZADAS). Os serviços de composição gráfica, personalizados, previstos no art. 8°, § 1°, do DL n°406, de 1968, estão sujeitos à incidência do IPI e do ISS. Recurso ao qual se nega provimento. Acórdão 3302005.285, de 2003/2018: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 31/01/2009 a 31/12/2009 IPI. SERVIÇO GRÁFICO POR ENCOMENDA E PERSONALIZADO. INCIDÊNCIA. SÚMULAS 143 DO TFR E 156 DO STJ. INAPLICABILIDADE. A prestação de serviço gráfico, personalizado e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita ao Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, visto que a LC nº 116, de 2003, apenas afasta a incidência cumulativa de ISS e Fl. 1711DF CARF MF Processo nº 10882.002585/200833 Acórdão n.º 3302005.417 S3C3T2 Fl. 1.712 14 ICMS, inexistindo na referida lei qualquer determinação quanto à não incidência do IPI. Em que pesem as respeitáveis decisões, judiciais e administradas apresentadas pelo recorrente, as quais não vinculam essa instância administrativa, tomo de empréstimo mais uma vez excertos da decisão de piso que pertinentemente asseverou: Só seria jurídico excluir a incidência do IPI se houvesse previsão expressa em lei excluindo do conceito de industrialização a atividade de artes gráficas, a exemplo do que ocorre com os casos elencados no art. 5°, do RIPI/2002 (exclusões ao conceito de industrialização), sendo que a existência de alguns julgados neste sentido não autoriza a aplicação do mesmo entendimento ao caso presente, porque o Tribunal não está impedido de rever este equivocado entendimento.(grifei). Quanto às classificação fiscal adotada pela fiscalização, o recorrente não contestou expressamente, limitandose a arguir a inconstitucionalide, no caso de existir classificação fiscal específica para o caso dos autos, com alíquota diferente de zero. Com fulcro no art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação da Lei nº 9.532, de 1997, [Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997)]. Com relação à suposta inconstitucionalidade da classificação fiscal adotada pelo agente fiscal, é vedado ao julgador administrativo a análise dessa matéria, com matiz constitucional, por força do artigo 62 do RICARF, bem como em face da Súmula CARF nº 2, aplicada no tocante a essa matéria como razão de decidir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Ante os fundamentos acima, tendo em vista a natureza da obrigação tributária, ex lege, o C.T.N. submeteu o lançamento a princípios expressos de vinculação e obrigatoriedade administrativa, como assinala a doutrina dominante, de sorte que uma vez ocorrido o fato gerador, que corresponde à concretização da hipótese legal e faz nascer a obrigação tributária, tem a autoridade administrativa o dever de proceder ao lançamento, que é a formalização do crédito como requisito prévio e necessário para a cobrança administrativa, ex vi do parágrafo único do art. 142 do C.T.N., litteris: "Art.142. (...) Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional." Fl. 1712DF CARF MF Processo nº 10882.002585/200833 Acórdão n.º 3302005.417 S3C3T2 Fl. 1.713 15 Ante as razões expostas, constatase que não há reparos no presente feito. Ante o exposto, VOTO POR CONHECER PARCIALMENTE O RECURSO VOLUNTÁRIO E NA PARTE CONHECIDA, REJEITAS AS PRELIMINARES E NO MÉRITO NEGARLHE PROVIMENTO. É o voto. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 1713DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.001642/2003-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2201-000.204
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente Substituto.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente).
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 2.300,43, incluídos multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora. A “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” (fl. 4) evidencia que o crédito tributário foi constituído em razão da constatação, pela Autoridade lançadora, de que houve RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .0 01 64 2/ 20 03 -1 6 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13851.001642/200316 Resolução nº 2201000.204 S2C2T1 Fl. 55 2 dedução indevida de dependentes na declaração de ajuste anual do contribuinte, anocalendário de 1994. Após a apresentação de impugnação, o lançamento foi julgado procedente por intermédio do acórdão de fls. 30/32, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1995 DEDUÇAO INDEVIDA DE DEPENDENTES. REQUISITOS LEGAIS. São consideradas dependentes, para fins de dedução na declaração de ajuste anual, somente as pessoas enquadradas na legislação do imposto de renda. Os netos só enquadramse na situação de dependentes legais se o contribuinte detiver a guarda judicial dos mesmos. Cientificado da decisão de primeira instância em 03/09/2008 (fl. 36), o Interessado interpôs, em 26/09/2008, o recurso de fls. 39/42. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Preliminarmente Decadência/prescrição do crédito tributário lançado. Mérito A Lei nº 9.250, de 26/12/1995, não pode ser aplicada ao presente caso, vez que o fato gerador (31/12/1994) é anterior à sua vigência. Em obediência ao princípio da irretroatividade das leis é impossível a exigência de guarda judicial para que a dedução de seus cinco netos, como dependentes, tenha validade. Detinha a guarda de fato dos seus netos, que residiam sob o mesmo teto, sendo certo que eles dependiam econômica e afetivamente do avô, ora Recorrente, desde o divórcio de seus pais. Pedido Requer seja acolhida a preliminar e, se ultrapassada, seja o recurso julgado procedente no mérito, com o cancelamento do débito fiscal reclamado. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital, que difere da numeração de folhas do processo físico. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13851.001642/200316 Resolução nº 2201000.204 S2C2T1 Fl. 56 3 Colhese no “Relatório” da decisão recorrida: O lançamento refez em boa e devida forma o de n° 13851.000815/95 63, de 06/12/1995, juntado em apenso e declarado nulo por vício formal. À fl. 47 foi juntado “Termo de Apensação”, originário do SECOJ/SECEX deste CARF, nos seguintes termos: Nessa data, foi juntado por apensação a este processo, o processo nº 13851.000815/9563. DATA DE EMISSÃO: 01/10/2014 Observo, todavia, que o processo que supostamente foi anulado por vício formal não se encontra apensado a este processo. Em apenso encontramse apenas um “Despacho” e um “Termo de Apensação do Processo Apensado”. A ausência do processo originário impede a confirmação de que o crédito anteriormente constituído foi anulado por vício formal. De conseguinte, inviabiliza a verificação, ou não, da decadência do direito de o Fisco constituir o presente crédito tributário. Nesse contexto, sou pela conversão do presente julgamento em diligência a fim de que o setor responsável deste CARF providencie a apensação integral do processo originário. Após, os autos deverão retornar a esta Turma para a conclusão do julgamento. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 56DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.901915/2008-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-004.966
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 19 15 /2 00 8- 43 Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13884.901915/200843 Acórdão n.º 3401004.966 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de declaração de compensação, realizada com base em suposto crédito de contribuição social originário de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, em razão da inexistência de crédito disponível. Cientificada desse despacho, a manifestante protocolou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos, pois não considerou os termos do parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/98, quando apurou as bases de cálculos das contribuições; o único fundamento para a glosa das compensações é uma pretensa inexistência de crédito; não foi sequer solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não o crédito; tivesse a autoridade intimado o contribuinte, teria acesso As planilhas de apuração, podendo verificar a regularidade do encontro de contas efetuado; pelas razões alegadas, deve ser anulado o despacho decisório, determinando que a autoridade efetue as diligências necessárias para comprovar a origem e existência do crédito utilizado, alternativamente, requer que seja logo homologada a compensação. Ao final pede deferimento da presente manifestação de inconformidade" . A Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 0530.647, em que se decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, sob o fundamento de que "os valores faturados, ainda que repassados a terceiros, compõem a base tributável da contribuição social, em face da inexistência de permissivo legal para sua exclusão". Devidamente notificada desta decisão, a recorrente interpôs tempestivamente o recurso voluntário ora em apreço, no qual reitera as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13884.901915/200843 Acórdão n.º 3401004.966 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.923, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 13884.900342/200831, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.923): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: Conforme relatado, a não homologação da DCOMP em tela decorreu do fato de estar o Darf informado na DCOMP integralmente utilizado para a quitação de débitos da contribuinte. No caso, a contribuinte transmitiu sua DCOMP compensando débito com suposto crédito de contribuição social decorrente de pagamento indevido ou a maior, apontando um documento de arrecadação como origem desse crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte na DCOMP foi realizada também de forma eletrônica, cotejandoos com os demais por ela informados A. Receita Federal em outras declarações (DCTFs, DIPJ, etc), bem como com outras bases de dados desse órgão (pagamentos, etc), tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito de Cofins da interessada. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13884.901915/200843 Acórdão n.º 3401004.966 S3C4T1 Fl. 5 4 Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito liquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Dai a não homologação, não havendo qualquer nulidade nesse procedimento. Sobre o motivo da não homologação, como já antes explicitado neste voto, revelase procedente, pois, de acordo com as próprias informações prestadas pela contribuinte Receita Federal, o direito creditório apontado na DCOMP era inexistente. Não obstante, agora, em sede de manifestação de inconformidade, pretende a contribuinte demonstrar que seus débitos de contribuição social antes declarados e pagos são indevidos, pois não havia considerado, quando da apuração da base de cálculos das contribuições, o disposto no parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei n° 9.718/1998. Em termos legais, significa ver excluídos da receita bruta os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para terceiros, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo. Neste ponto, fazse necessário destacar que, por força de sua vinculação aos atos legais, assim como àqueles emanados por autoridades que lhe são hierarquicamente superiores, este colegiado está adstrito à interpretação que a própria administração pública dá legislação tributária. 110 A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Ato Declaratório SRF n°56, de 20 de julho de 2000, já se posicionou a respeito da situação em exame: Ato Declaratório SRF n° 56, de 2000: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do art. 20 do art. 3° da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; Considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 9 de junho de 2000; Considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de I° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13884.901915/200843 Acórdão n.º 3401004.966 S3C4T1 Fl. 6 5 tenha sido feita a titulo de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica" (destacouse). Esse entendimento torna sem força a argumentação alegada pela Contribuinte no sentido de que as provas dos alegados créditos, consistentes em planilhas de apuração da contribuição social, deveriam ser examinadas na busca da constatação da regularidade do encontro de contas, uma vez que o crédito calcado neste dispositivo é inexistente. Diante de tudo exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o disposto no despacho decisório da unidade de origem. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato",1 postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. 2 Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401 003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 2 Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13884.901915/200843 Acórdão n.º 3401004.966 S3C4T1 Fl. 7 6 Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Acrescese a tal constatação o intento da contribuinte de ver compensado seu débito com crédito fundado em quaestio jurídica que busca inaugurar em fase de instauração de contencioso administrativo posterior à apresentação de sua declaração de compensação, com a apresentação de sua impugnação, sob o pálio do argumento de que devem ser expurgados da receita bruta, ainda que assim escriturados, os valores que tenham sido transferidos para terceiros, nos termos do § 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/1998, argumento que se encontra em contrariedade com o preceptivo normativo do Ato Declaratório SRF n° 56, de 20/07/2000. Independentemente da discussão respeitante à matéria, no entanto, o que se constata é que a compensação tem por base direito creditório ilíquido e incerto, carente de prova de sua constituição definitiva, uma vez que a contribuinte somente poderia utilizar, na compensação de débitos próprios relativos a tributos administrados pela RFB, crédito passível de restituição ou de ressarcimento. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 74DF CARF MF
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