Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,885)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,225)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,906)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,204)
- Terceira Câmara (67,876)
- Segunda Câmara (56,644)
- Primeira Câmara (20,756)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,726)
- Segunda Seção de Julgamen (115,215)
- Primeira Seção de Julgame (77,084)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,518)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,930)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,625)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,707)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 11065.721414/2012-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
PROVA TESTEMUNHAL. DEPOIMENTO PESSOAL. DESNECESSIDADE.
No rito do processo administrativo fiscal inexiste previsão legal para audiência de instrução na qual seriam ouvidas testemunhas ou apresentados depoimentos pessoais, devendo a parte apresentar tais depoimentos sob a forma de declaração escrita já com a sua impugnação.
Em todo o caso, tais depoimentos não se justificam a partir do momento que as questões abordadas no julgamento estão suficientemente claras nos autos, através de vasto conjunto probatório.
CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A OUTRAS ENTIDADES OU FUNDOS. SIMULAÇÃO.
Desconsiderados os atos jurídicos simulados, as contribuições destinadas a outras entidades ou fundos devem ser exigidas da pessoa jurídica que teve relação direta com o fato gerador.
MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL DUPLICADO
O procedimento de simular contratos com empresa, com o objetivo de acobertar o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária, caracteriza conduta dolosa tendente a excluir ou modificar as características essenciais da obrigação tributária principal, reduzindo desse modo o montante dos tributos devidos e evitando o seu pagamento, justificando a imposição do percentual duplicado da multa prevista por falta de recolhimento.
Numero da decisão: 2301-005.234
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 PROVA TESTEMUNHAL. DEPOIMENTO PESSOAL. DESNECESSIDADE. No rito do processo administrativo fiscal inexiste previsão legal para audiência de instrução na qual seriam ouvidas testemunhas ou apresentados depoimentos pessoais, devendo a parte apresentar tais depoimentos sob a forma de declaração escrita já com a sua impugnação. Em todo o caso, tais depoimentos não se justificam a partir do momento que as questões abordadas no julgamento estão suficientemente claras nos autos, através de vasto conjunto probatório. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A OUTRAS ENTIDADES OU FUNDOS. SIMULAÇÃO. Desconsiderados os atos jurídicos simulados, as contribuições destinadas a outras entidades ou fundos devem ser exigidas da pessoa jurídica que teve relação direta com o fato gerador. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL DUPLICADO O procedimento de simular contratos com empresa, com o objetivo de acobertar o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária, caracteriza conduta dolosa tendente a excluir ou modificar as características essenciais da obrigação tributária principal, reduzindo desse modo o montante dos tributos devidos e evitando o seu pagamento, justificando a imposição do percentual duplicado da multa prevista por falta de recolhimento.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11065.721414/2012-80
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5868641
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2301-005.234
nome_arquivo_s : Decisao_11065721414201280.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ALEXANDRE EVARISTO PINTO
nome_arquivo_pdf_s : 11065721414201280_5868641.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) João Bellini Junior - Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
id : 7317273
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:19:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050311544799232
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1839; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.721414/201280 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.234 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de abril de 2018 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente Calçados Di Cristalli Ltda. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 PROVA TESTEMUNHAL. DEPOIMENTO PESSOAL. DESNECESSIDADE. No rito do processo administrativo fiscal inexiste previsão legal para audiência de instrução na qual seriam ouvidas testemunhas ou apresentados depoimentos pessoais, devendo a parte apresentar tais depoimentos sob a forma de declaração escrita já com a sua impugnação. Em todo o caso, tais depoimentos não se justificam a partir do momento que as questões abordadas no julgamento estão suficientemente claras nos autos, através de vasto conjunto probatório. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A OUTRAS ENTIDADES OU FUNDOS. SIMULAÇÃO. Desconsiderados os atos jurídicos simulados, as contribuições destinadas a outras entidades ou fundos devem ser exigidas da pessoa jurídica que teve relação direta com o fato gerador. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL DUPLICADO O procedimento de simular contratos com empresa, com o objetivo de acobertar o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária, caracteriza conduta dolosa tendente a excluir ou modificar as características essenciais da obrigação tributária principal, reduzindo desse modo o montante dos tributos devidos e evitando o seu pagamento, justificando a imposição do percentual duplicado da multa prevista por falta de recolhimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 14 14 /2 01 2- 80 Fl. 1664DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Em síntese, às fls 40, o Relatório Fiscal registra que a autuada juntamente com empresa CALÇADOS MOLLINO LTDA e mais as empresas DIVERSU´S COMPONENTES PARA CALÇADOS LTDA, MIXAGE CALÇADOS LTDA e CLEITON LAZARETTI & CIA LTDA, embora constituídas regularmente, não eram, de fato, sociedades independentes, mas empresas interpostas : “ A fiscalização teve início em 08/09/2011 com a ciência pessoal do Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF. Todos os termos lavrados no curso do procedimento, inclusive contra as demais empresas do grupo, seguem em anexo a este relatório. No curso da ação fiscal, constatamos que a fiscalizada, juntamente com a empresa CALÇADOS MOLLINO LTDA, CNPJ 09.475.352/000178, sediada em São Francisco de Paula, RS, constituiu grupo econômico de fato e irregular, com a finalidade de sonegar contribuições sociais e contribuições de intervenção no domínio econômico, por meio de três “prestadoras de serviço”. As empresas DIVERSU´S COMPONENTES PARA CALÇADOS LTDA, MIXAGE CALÇADOS LTDA e CLEITON LAZARETTI & CIA LTDA, embora constituídas regularmente, não eram, de fato, sociedades independentes, mas empresas interpostas.” ( grifos do Relator) O contribuinte apresentou impugnação alegando que: como TODAS as fábricas deste porte, a AUTUADA, na condição de empresa ANCORA, possui uma série de PARCERIAS firmadas com diversos ATELIÊS, exatamente como outras empresas do setor onde algumas chegam a ter mais de 100 ateliês gravitando em sua volta. Dentre estes ATELIÊS, que nada mais são do que pequenas empresas que se prestam a trabalhar em uma das etapas da produção do calçado, nos anos de 2009 e 2010 entre outras, estavam as empresas DIVERSAS COMPONENTES PARA CALÇADOS LTDA., MIXAGE CALÇADOS LTDA. e CLEITON LAZARETTI & CIA LTDA. Nesse norte, andou muito mal a Autoridade Fiscal no instante em que não incluiu as empresas DIVERSU’S, MIXAGE e CLEITON no polo passivo deste Auto de Infração, pois como se verá adiante são empresas autônomas e independentes da AUTUADA. Fl. 1665DF CARF MF Processo nº 11065.721414/201280 Acórdão n.º 2301005.234 S2C3T1 Fl. 3 3 Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.1.487, a 7 ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre RS DRJ/POA, em 18 de dezembro de 2012, exarou o Acórdão n° 1041.922, julgando improcedente a impugnação. Irresignadas, as Recorrentes interpuseram idênticos Recursos Voluntários de fls.1.527 a 1.571, onde reiteram as alegações que fizeram em instancia “ad quo”. Em 23 de janeiro de 2014, a 3a Turma da 4a Câmara da 2a Seção emitiu a Resolução n. 2403002.219, que converteu o julgamento em diligência para informar, também, se foram deduzidos eventuais pagamentos recolhidos pelas empresas arroladas produzindo planilhas dos valore abatidos por empresa e por competência., assim como se há interesse comum. O contribuinte apresentou petição demonstrando que houve recolhimento de contribuição patronal pelo Simples pelas demais autuadas. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Da Preliminar de Nulidade No que tange ao pedido de depoimentos pela Recorrente, ressalto o que já foi anteriormente dito no âmbito do Acórdão da DRJ no sentido de que no rito do processo administrativo fiscal não existe previsão legal para audiência de instrução, na qual seriam ouvidas testemunhas ou apresentados depoimentos pessoais, entre outros, de modo que a Recorrente deveria ter apresentado esses depoimentos sob a forma de declaração escrita, assim como outras provas que entendesse pertinentes, junto com sua impugnação. De qualquer forma, a partir da análise dos autos, tal pedido também não se demonstra necessário uma vez que as provas abordadas no julgamento estão suficientemente claras nos autos, através de documentos, declarações, circularizações, planilhas, informações prestadas pelas próprias empresas, entre outros. A Recorrente afirma que a fiscalização “feriu de morte o princípio constitucional da ampla defesa”, pois as empresas Diversu’s Componentes para Calçados Ltda., Calçados Mixage Ltda. e Cleiton Lazaretti e Cia. Ltda. não constaram do pólo passivo da autuação. Fl. 1666DF CARF MF 4 Todavia, consoante demonstrado no relatório fiscal, a autoridade lançadora, a partir da constatação dos fatos e dos procedimentos adotados pela empresa sob ação fiscal e interpostas, procedeu à cobrança das contribuições previdenciárias devidas atribuindo ao verdadeiro sujeito passivo, empresa Calçados Di Cristalli Ltda., a responsabilidade pelo pagamento do crédito lançado. A descrição dos fatos está clara e detalhada no Relatório Fiscal, constando do anexo Fundamentos Legais do Débito – FLD todos os dispositivos legais infringidos, correspondentes à obrigação tributária descumprida, qual seja a de recolher as contribuições previdenciárias devidas pelos segurados empregados e segurados contribuintes individuais a serviço da empresa. Ademais, referido relatório permitiu a autuada entender perfeitamente a infração da qual está sendo acusada, não havendo nenhum prejuízo ao seu direito de defesa, tanto assim que defende em extenso arrazoado a insubsistência do crédito tributário ora lançado. Ante o exposto, rejeito a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa, em virtude de não ter sido aberto o contencioso administrativo para as pessoas jurídicas contratadas pela autuada não pode ser acolhida, eis que estas empresas não fazem parte da relação jurídica debatida nos autos, que tem como únicos sujeitos a Fazenda Pública Federal e a Recorrente, conforme se verá a seguir. Da Simulação e Multa Qualificada No tocante à caracterização de grupo econômico e potencial simulação por meio da constituição de pessoas jurídicas para usufruir do regime tributário do Simples, destaquese que a Recorrente alega que tratase de planejamento fiscal, e que ela teria o papel da chamada “empresa âncora”, a qual trabalharia em parceria com as três empresas em questão (as quais denomina de “ateliês”) do ramo calçadista, adquirindo a produção das mesmas. Assim, o ponto principal do presente processo é a controvérsia sobre a legalidade fiscal da estrutura formal e funcionamento da autuada em sua relação com estas outras empresas, de modo que cabe indagar se seriam essas distintas e autônomas ou, apenas teriam esta roupagem no intuito de permitir a sonegação tributária. Cumpre destacar que no Relatório Fiscal, a auditoria fiscal elenca diversos fatos e circunstâncias com o intuito de evidenciar a ocorrência desta simulação, que analisados em conjunto serviram para firmar o entendimento de que se trata de grupo econoômico. Tal qual analisado no âmbito do Acórdão da DRJ, tal simulação estaria fundamentada em 20 itens, a seguir dispostos: 1º) Mesmo endereço das “prestadoras de serviço” A Recorrente se localiza na Rua Imperatriz Leopoldina nº 26, em Três Coroas, sendo que em dezembro de 2007 abriu uma filial no nº 33 dessa mesma rua. Nesse mesmo endereço operaria a empresa Diversu’s Componentes para Calçados Ltda. (ANEXO I e ANEXO VII 1). Os endereços se confundiam, assim como o funcionamento dentro da mesma área industrial, pois era utilizada a mesma sede e as mesmas instalações, demonstrando se tratarem da mesma unidade fabril. Da mesma forma as empresas Mixage e Cleiton Lazaretti foram estabelecidas no mesmo endereço (Rua Parobé, 306). Fl. 1667DF CARF MF Processo nº 11065.721414/201280 Acórdão n.º 2301005.234 S2C3T1 Fl. 4 5 A fiscalização visitou as instalações e constatou se tratar de um único imóvel, um galpão industrial, com uma única entrada e uma só portaria, o que pode ser observado nas fotos com a visão geral das instalações juntadas aos autos (Anexo XXX). Observouse um verdadeiro arranjo nos contratos de aluguel, pois esses são iguais para todas as empresas interpostas, com as mesmas datas, prazos de duração, dizeres, cláusulas, até mesmo os sinais de pontuação são ipsis litteris, sendo os reconhecimentos de firma feitos na mesma data e horário, no município de Três Coroas (Anexo XXIX). A Recorrente alega que no caso das empresas Mixage e Cleiton Lazaretti o prédio era grande e bem dividido, no entanto, não se verificou separação alguma entre ambas. A igualdade dos endereços dessas empresas demonstra estarmos tratando de um único grupo econômico. 2º) Do objeto social e do vínculo societário entre as empresas Inicialmente se diga que conforme os documentos constitutivos das sociedades todas operavam na fabricação de calçados, sendo que nas empresas interpostas, cada uma tinha responsabilidade por uma etapa do processo industrial, conforme a própria contribuinte demonstra em sua impugnação. Essa repartição do processo produtivo é mais um elemento de que na verdade o processo industrial foi dividido conscientemente para as empresas interpostas. Por outro lado, há forte vínculo familiar entre os sócios das empresas envolvidas. O exame das cópias dos contratos sociais e dos documentos acostados revela que todas as empresas têm como sócio pelo menos um integrante da família Fuhrmann/Souza, ou, ainda, empregados das empresas por eles controlados. 1 As referências aos Anexos apontam para os elementos que levaram a tais conclusões pela fiscalização. A Di Cristalli tinha em seu quadro societário o Sr. Léo Fuhrmann, e com a saída do sócio Cléber Cavallin, ingressou Matheus Furmann, filho do Sr. Léo, de apenas 8 meses de idade à época. Da empresa Calçados Mollino Ltda. era sócia administradora a Sra. Daiana Sulamita de Souza Furmann, esposa do Sr. Léo, e Jefferson Cássio de Souza, irmão de Daiana (Anexo I). Jefferson era também sócio da empresa Diversu’s Componentes para Calçados Ltda. Da empresa Calçados Mixage Ltda. temos como sócio majoritário Daniel Fuhrmann, menor de idade, que é sobrinho de Léo Fuhrmann, com 95% das quotas. O sócio minoritário com 5% das quotas é Diego Cavallin, irmão de Cléber Cavallin que foi sócio da Di Cristalli entre 2005 e 2008. Destaquese que Diego Cavallin era também empregado da Di Cristalli desde janeiro de 2006, como se observa em extrato do CNIS e Ficha de Registro de Empregados (Anexo XIX). A empregada da Di Cristali, Sra. Márcia Maria Pletsch, por sua vez, na entrega da DIRPF dos anoscalendários de 2009 e 2010, além de se declarar empregada da fiscalizada, também informava ser administradora da empresa Diversu’s (Anexo XLIII). Fl. 1668DF CARF MF 6 Tal engenharia societária facilitou todo o esquema de simulação imposto, visto que não se tratava de diversas empresas, mas de um único grupo econômico. 3º) Dados cadastrais de empresa eram os mesmos da Di Cristalli A empresa Diversu’s tinha junto ao sistema CNPJ da Receita Federal os mesmos dados cadastrais da empresa Di Cristallli (histórico cadastral de 19/12/2007). Isso já constava registrado três anos antes de sua incorporação2 pela Recorrente (novembro de 2010), como pode se observar à fl. 36 dos autos. Em tais dados da empresa Diversu’s o email do responsável era marli@dicristalli.com.br (empregada da Di Cristalli), sendo que o telefone para contato (51) 35468600, também era o mesmo da Recorrente. A autuada alega que o fato de constar nos dados cadastrais da empresa “Diversu’s” o telefone, o email corporativo e o local de trabalho da sua sede não fazem qualquer meio de prova. Discordamos da autuada, visto que qualquer contato que se fosse fazer com a Diversu’s teria que passar pelo controle da Di Cristalli, o que demonstra a ingerência da mesma sobre a empresa. 4º) Despesas de água, energia elétrica, telefonia No endereço utilizado pela empresa Diversu’s as faturas de fornecimento de água e de energia elétrica saiam em nome da empresa Di Cristalli (Anexo VIII). No mesmo sentido, a empresa Cleiton Lazaretti trabalhando como prestadora de serviço no segmento de calçados possuía uma média de 100 empregados, e Em novembro de 2010 a empresa Diversu's Componentes para Calçados Ltda. foi incorporada pela Di Cristallis. mesmo com tantos empregados não tinha despesas com energia elétrica, telefonia ou fornecimento de água, conforme o seu Livro Razão (Anexo XXXII). A Recorrente confirma que as faturas dessas despesas saíam em seu nome no caso da empresa Diversu’s, justificando que se devia ao fato de ser ela proprietária do imóvel. Ora, a Di Cristalis não iria pagar todas essas despesas de outra empresa sem o devido ressarcimento, os quais não ocorriam conforme verificado na contabilidade de ambas empresas pela fiscalização. Fica claro que a autonomia dessas empresas não passava de mera simulação, pois a autuada era responsável por todas as referidas despesas. 5º) Os sócios das empresas eram empregados da Di Cristalli em período concomitante Os sócios da empresa Diversu’s, Márcia Adriana Colombo e Jéferson Cássio de Souza, eram empregados da fiscalizada em período concomitante. A Sra. Márcia era empregada da empresa desde o ano de 2000, enquanto que o Sr. Jefferson de Souza, que entrou como sócio em julho de 2005, foi admitido no mês seguinte pela Recorrente (Anexo IX). Ora, é estranho que alguém que assumira num mês como sócio de uma empresa, ficando em tal situação por anos, no mês seguinte procuraria emprego numa outra Fl. 1669DF CARF MF Processo nº 11065.721414/201280 Acórdão n.º 2301005.234 S2C3T1 Fl. 5 7 empresa em “horário integral”, se não fosse pelo fato de que na verdade tal atividade societária fosse fictícia. Mesma situação se verifica no tocante a Diego Cavallin, sócio administrador da empresa Mixage, visto que o outro sócio era menor de idade. Diego era empregado da Di Cristalli desde janeiro de 2006 (Anexo XIX). Sua jornada de trabalho conforme o registro funcional era das 6h45min às 17h30min de segundafeira a sextafeira, ficando óbvio que não administrava a empresa Mixage, ou então, a administrava representando a Di Cristalli (visto o outro sócio ser menor). 6º) O produto da atividade das empresas ia para a Di Cristalli e Mollino A produção das empresas interpostas era direcionada para abastecer as empresas Di Cristalli e Mollino. A Diversu’s operava como uma prestadora de serviço quase que exclusivamente para o grupo econômico formado pela Di Cristalli e Mollino, com percentual de 100% em praticamente todos os períodos fiscalizados. Isso pode ser observado nas fls. 38 e 39 dos autos, assim como no Anexo XII. Da mesma forma, a empresa Mixage atuava como prestadora de serviço de acordo com a receita bruta declarada. A totalidade de seu faturamento provinha das empresas Di Cirstallis e Mollino, ou seja, trabalhava unicamente para esse grupo econômico. A empresa Cleiton Lazaretti, por sua vez, também prestou serviços predominantemente para a fiscalizada e para a Mollino, sendo que a partir de março de 2010 a empresa Mixage passou também a utilizar os seus serviços, visto que fazia parte do mesmo grupo econômico como já vimos. A justificativa da Recorrente, no caso da empresa Mixage, alegando que não seria estranho que todas as receitas dessa sociedade viessem da sua proveniência devido a parceria entre as duas empresas, o que não descaracterizaria a independência de ambas, ao contrário, não tem como se manter, pois apenas confirma que o grupo econômico que formava adquiria toda a produção dessas empresas interpostas, demonstrando sim que havia total dependência de relação econômica. 7º) Sincronismo entre os pagamentos de despesas das empresas interpostas e os aportes financeiros feitos pela Di Cristalli e Mollino Em verificação na conta Passivo Circulante – Adiantamento a Clientes da empresa Diversu’s foi possível observar que os diversos aportes financeiros feitos pela Di Cristalli e Mollino (ver Anexo XII) apresentavam um preciso sincronismo com a saída de recursos para pagamentos das suas despesas. Em períodos que são demonstrados no Relatório Fiscal, como no caso dos movimentos do dia 06/01/2009 e 05/03/2009, observase que os ingressos financeiros serviam para o pagamento dos salários. Essas movimentações estão demonstradas nas tabelas da fl. 40 dos autos, assim como no Anexo XIV. Fl. 1670DF CARF MF 8 A fiscalização verificou o mesmo no tocante a empresa Mixage. Cópias do Livro Razão referente à conta do Banco do Brasil demonstraram um sincronismo entre os adiantamentos feitos pela Di Cristalli e Mollino com os pagamentos de despesas feitas pela Mixage. Isso pode ser observado na tabela da fl. 44 (Anexo XXII). A constatação de que as despesas da Mixage eram pagas pela fiscalizada fica clara visto que os recebimentos de duplicatas tinham valores similares aos que deveriam ser pagos pela interposta, como se observa em alguns exemplos juntados ao Auto de Infração, como nos lançamentos dos dias 15 e 31 de março, e 22 de junho, como pode ser observado nos registros do Livro Razão, assim como nas páginas 44 e 45 dos autos. Na empresa Cleiton Lazaretti foi também feita tabela demonstrando a ingerência financeira das empresas Calçados Di Cristalli Ltda e Calçados Mollino Ltda (fls. 45 e 46). Como se observa, estas empresas receberam aportes financeiros da autuada – na forma de depósitos, adiantamentos e transferências entre contas – que foram necessários para cobrir seus gastos operacionais. Desta forma, é patente que o liame existente entre as empresas foge totalmente de uma simples relação comercial entre pessoas jurídicas. É inevitável concluir que havia dependência econômicofinanceira entre essas empresas. 8º) Compra da matériaprima das empresas vinha da Di Cristalli A matériaprima adquirida pelas empresas interpostas era adquirida pela autuada. No caso da empresa Diversu’s a rubrica contábil referente à matériaprima demonstra que todas as compras efetuadas no período tiveram apenas uma origem – Calçados Di Cristalli (Anexo XVI). Nada era adquirido de outro fornecedor, demonstrando que a empresa funcionava realmente como um departamento da fiscalizada. O mesmo acontecia com a empresa Mixage, onde todas as despesas da conta matériaprima têm como fornecedor a Recorrente (Anexo XXIII). A própria Di Cristalli confirma isso, ao tentar justificar que o fato dessas empresas adquirirem os seus insumos fazia parte da parceria que montara com as mesmas. A compra de insumos somente de um fornecedor demonstra algo mais que a alegada parceria, pois é uma conexão clara da dependência que havia em tais relações. 9º) Compra de materiais diversos pela Di Cristalli Além da fiscalizada fornecer toda a matériaprima para a empresa Mixage também fornecia sacos plásticos, panos de limpeza, lâmpadas, papel higiênico, etc., conforme se pode se observar nas notas fiscais do Anexo XXIII. Evidente fica que a empresa Mixage não passava de um mero estabelecimento da fiscalizada e da Mollino, pois não era responsável nem pela compra de materiais diversos. Fl. 1671DF CARF MF Processo nº 11065.721414/201280 Acórdão n.º 2301005.234 S2C3T1 Fl. 6 9 10º) Ausência de área administrativa e de outros setores nas interpostas Os empregados das empresas interpostas eram na sua totalidade da atividade fim, ou seja, não existiam outros setores a não ser o de produção. Por exemplo, os trabalhadores da empresa Mixage eram na sua totalidade da área de produção, conforme se observa no Anexo XXV. A tabela da fl. 47 apresenta 147 empregados todos envolvidos na área produtiva. Com um contingente desses de empregados é inconcebível que não houvesse empregados alocados em outras atividades. Além disso, na contabilidade da empresa, não existe nenhum registro de prestação de serviços de qualquer outra ordem que pudesse vir a dispensar a necessidade de mãodeobra em outras áreas, como recursos humanos, contabilidade, logística, administração, etc. Da mesma forma, a empresa Cleiton Lazaretti não passava de um mero departamento ligado fisicamente a Mixage e atendendo à fiscalizada e à Mollino. O quadro de empregados da Cleiton Lazaretti era na sua totalidade composto por “sapateiros” que trabalhavam na área de produção. Ou seja, só existiam trabalhadores na atividadefim, também sem empregados na área administrativa. A tabela apresentada à fl. 103 demonstra que os seus 104 empregados tinham tal incumbência (exceção feita a um porteiro), ou seja, realmente não havia nenhum empregado em qualquer outra área da empresa (Anexo XXXVII). Não é crível que inexistissem empregados em outras áreas. Na verdade fica nítido que toda a parte de logística, de administração e das demais atividades era feita pelas empresas Di Cristalli e Mollino, que eram as reais responsáveis por todo esse corpo de trabalhadores. 11º) Notas fiscais de remessa tinham o mesmo endereço do vendedor e do comprador O esquema de simulação tomou uma proporção tão grande que vários descuidos foram cometidos, como, por exemplo, não perceberam ao emitir diversas notas fiscais fictícias que o endereço do vendedor da matériaprima – Di Cristalli – era o mesmo da entrega da mercadoria – Diversu’s, inclusive, com o mesmo telefone do destinatário (35468600). Isso pode ser observado em inúmeras notas fiscais do Anexo XVI. 12º) Não havia transporte das mercadorias, tanto que constava como transportador a própria Di Cristalli As notas fiscais de remessa de mercadorias da Diversu’s para a empresa Mollino, tinha como transportadora a fiscalizada, sendo que não faz parte do objeto social da Calçados Di Cristalli o transporte de mercadorias. Na verdade, essas mercadorias nunca eram transportadas, pois se encontravam todas na mesma unidade fabril (Anexo XVII). Da mesma forma, as notas fiscais de remessa de mercadoria, em tese transação entre a Mixage e a Cleiton Lazaretti, eram também transportadas pela Di Cristalli, ou seja, o transporte das mercadorias não era feito por uma transportadora, mas sim pela própria indústria de calçados, a qual seria posteriormente destinatária de toda a produção junto com a Fl. 1672DF CARF MF 10 empresa Mollino. Fica claro que se tratava da sua própria produção, objetivando tais notas fiscais de remessa apenas dar aparência de veracidade a essas transações. 13º) Responsabilidade na entrega da DANFE Tanto era que a empresa Mixage era dependente da autuada que nos documentos fiscais – DANFE (Documento Auxiliar de Nota Fiscal Eletrônica) – quem respondia pela empresa na identificação do emitente era a empresa Di Cristalli, sendo a referência eletrônica eliane@dicristalli.com.br, empregada da fiscalizada (Anexo XXIV). 14º) Uma empresa interposta respondia por intimações de outra A simulação tomou uma proporção tamanha que o descontrole e a confusão entre os envolvidos foi acumulando provas, como no caso em que intimada a empresa Mixage a declarar onde se estabelecia, respondeu em nome da empresa Cleiton Lazaretti & Cia Ltda., conforme se verifica no comprovante da fl. 48. 15º) Os contratos entre a Di Cristalli e as interpostas eram todos “verbais” A empresa Mollino disse que a prestação de serviço da empresa Cleiton Lazaretti para com a Di Cristalli e Mollino era verbal (observese que a empresa Mollino respondia em nome da Di Cristalli). Intimada a empresa Mixage deu a mesma resposta, ou seja, que seu contrato com a Cleiton Lazaretti era verbal. Ou seja, a empresa Cleiton mesmo tendo recebido no período mais de 2,5 milhões de reais, quer nos fazer acreditar que fazia apenas contratos verbais com esses compradores. Não haveria previsão de multas por não entrega ou inadimplência. Não é factível esse procedimento, a não ser pelo fato de que todas essas operações eram na verdade fictícias, pertencentes a mesma unidade fabril. 16º) Telefone nas notas fiscais emitidas O telefone impresso como pertencente à empresa Cleiton Lazaretti nas notas fiscais de saída era o da autuada (Anexos XXV e VI). Ou seja, qualquer reclamação por parte dos compradores, esses deveriam se dirigir a Di Cristalli, e não a empresa Cleiton Lazaretti. 17º) Todas as empresas tinham a mesma contadora, a qual era empregada da Di Cristalli Inicialmente se registre que essa contadora não se tratava de uma profissional autônoma ou pertencente a algum Escritório Contábil, mas sim de uma empregada da empresa Di Cristalli em tempo integral. A empregada da autuada era a responsável pela contabilidade de todas essas empresas (Ver Anexos XXXIX, XL e XLI). Isso é verificável na declaração das empresas para a própria Receita Federal do Brasil (fl. 53). Fl. 1673DF CARF MF Processo nº 11065.721414/201280 Acórdão n.º 2301005.234 S2C3T1 Fl. 7 11 A justificativa da Recorrente de que sua empregada ser a contadora das empresas interpostas não significaria nenhum vínculo, podendo essa profissional ter tantos clientes quanto conseguisse atender, não procede, tendo em vista que a mesma se identificava como empregada da Di Cristalli, com email personalizado da empresa, e com o telefone da autuada para qualquer contato. Sendo que tais atividades com órgãos públicos eram realizadas no seu horário de expediente na Di Cristalli. A utilização da mesma contadora serviu para facilitar o trâmite contábil dessas operações. 18º) Informações entregues nas GFIPs As informações entregues em GFIP de todas as empresas traziam o mesmo responsável, com o telefone e o endereço eletrônico da empresa Di Cristalli – márcia@dicristalli.com.br, como já vimos empregada da autuada (Anexo XLII). Por outro lado, a responsável pela entrega da GFIP da Mixage se chamava Andréa, mas o telefone e o email informados eram também da Di Cristalli. Essa senhora seria Andréa Fuhrmann Lazaretti, irmã do administrador da Recorrente, e empregada da empresa Diversu’s (Anexo XLIV e XLV). A empresa Cleiton Lazaretti, por sua vez, apresentava também em sua GFIP o email e telefone da fiscalizada. O nome dado como responsável era de Loiva Terezinha da Silva Cemin, empregada da empresa Diversu’s. A confusão era tanta entre as sociedades, que se vê que era comum as empregadas de uma empresa fazerem trabalhos relacionados a outras, inclusive, apresentando declarações fiscais, dados que não teriam como ter acesso, se não estivéssemos tratando de uma única unidade fabril. As transmissões da GFIP da filial da Di Cristalli foram feitas pela mesma senhora Loiva Cemim, ou seja, mesma pessoa que transmitiu as declarações da empresa Cleiton Lazaretti (Anexo XLVII). A conclusão é óbvia: as funções administrativas das prestadoras de serviço eram feitas pelos empregados da estrutura da autuada. As prestadoras não eram autônomas, não assumiam efetivamente o risco do negócio. Eram pessoas jurídicas interpostas com o único fim de beneficiar o Recorrente e a empresa Mollino. Na impugnação a contribuinte confirma que a GFIP de todas as empresas teriam sido enviadas pela senhora Marli com o auxílio de seus colegas de trabalho, no caso empregados da Di Cristalli. A observação de que a senhora Marli Maria Pletsch seria uma profissional de destaque da região não muda em nada a constatação de que ela agia em nome dos interesses da Di Cristalli. 19º) Endereço IP de transmissão de documentos fiscais das empresas era o mesmo Se houvesse alguma dúvida ainda de que a transmissão de todos esses documentos fiscais vieram da mesma origem, essa foi dizimada pelo fato de que o endereço IP Fl. 1674DF CARF MF 12 de todas essas declarações ser idêntico. Todas as declarações foram transmitidas da mesma máquina, cujo IP é 193.168.1.20 (fl. 54). 20º) Das reclamatórias trabalhistas Nas demandas trabalhistas movidas contra a empresa Mixage atuaram como prepostas as senhoras Marli Maria Pletsch e Loiva Terezinha da Silva Cemim, sendo que ambas não teriam nenhum vínculo com a empresa Mixage, como já vimos – a primeira empregada da Di Cristalli e a segunda da Diversu’s (Anexo XLVIII). Outra senhora chamada Cristina Inês Zumach, empregada da Mixage, atuou como preposta da empresa Cleiton Lazaretti (Anexo LII). O advogado que representava as reclamadas era o mesmo, Dr. Fausto Guido Beck (fl. 55). Ou seja, a representação das empresas na Justiça do Trabalho era feita por empregados do grupo econômico, sendo comum empregados de uma das empresas interpostas representando as outras. A conclusão é óbvia: as funções administrativas das prestadoras de serviço eram feitas pelos empregados da estrutura da autuada. A Recorrente em sua defesa diz ser sabido que a Justiça do Trabalho possui entendimento pacificado no sentido de que a tomadora de serviços deve responder solidariamente com a prestadora de serviço pelos débitos trabalhistas, entendendo ser normal que viesse a ser incluído no pólo passivo de empregados dos estabelecimentos que chamava ateliês. Pelo contrário! Como veremos nos processos mencionados a seguir, ficou comprovado na Justiça do Trabalho que as empresas realmente seriam interpostas, pertencendo a mesma unidade fabril. a) Do processo nº 00801200935104007 No processo trabalhista nº 00801200935104007, da 1ª Vara do Trabalho de Gramado, o reclamante que teria prestado serviço a empresa Cleiton Lazaretti, trabalhava com uniforme (avental) da empresa Mixage. Transcrevemos o que é dito em tal processo: “Necessário destacarse que ambas as empresas de fato constituem a mesma unidade fabril, com mesmo maquinário, funcionários ...” (Anexo XLIX) (gn) b) Empregada Zimmermann Zimmer A empregada Juliana Zimmermann Zimmer que movia processo contra a empresa Cleiton Lazaretti, afirma que trabalhava com o uniforme da empresa Mixage, declarando que ambas empresas formavam uma mesma unidade fabril, compartilhando maquinário e empregados. E, mesmo tendo vínculo empregatício com essa empresa, quem acolheu a demanda judicial foi a empresa Mixage, de acordo com a Guia de Previdência Social relativa ao pagamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre o processo, demonstrando solidariedade trabalhista tacitamente reconhecida (Anexo L). Nesse mesmo processo, a empresa Cleiton Lazaretti designou como preposto o Sr. Fernando Orestes Cicarolli que era empregados da Di Cristalli (Anexo LI). Fl. 1675DF CARF MF Processo nº 11065.721414/201280 Acórdão n.º 2301005.234 S2C3T1 Fl. 8 13 c) Decisão da Justiça do Trabalho no processo nº 00766200935204002 A própria Justiça do Trabalho reconheceu que tais empresas eram integrantes do mesmo grupo econômico, sempre estando sob a mesma direção, controle e administração dos mesmos proprietários, como se observa no processo nº 00766200935204002, da 2ª Vara de Trabalho de Gramado: “As reclamadas são solidariamente responsáveis pelos créditos trabalhistas da reclamante, eis que integrantes do mesmo grupo econômico. Com efeito, embora cada uma delas tenha personalidade jurídica própria, sempre estiveram sob a direção, controle e administração dos mesmos proprietários...” (Anexo LII) (gn) Dessa forma, há uma amplo conjunto probatório demonstrando que há características de simulação na constituição das pessoas jurídicas, uma vez que elas se confundem em diversos momentos com a Recorrente. Logo, esse conjunto de provas demonstrou que as empresas Diversu’s, Mixage e Cleiton Lazaretti se tratavam de empresas interpostas, pois tínhamos um só grupo econômico responsável por todo o processo produtivo, pertencente às empresas Di Cristalli e Mollino. Não era caso de terceirização, mas sim desse próprio grupo econômico agindo em todos os momentos da produção. As provas demonstram, portanto, que tais empresas não eram independentes, pois sua separação é uma ficção meramente formal, caracterizandose como um só grupo econômico. As empresas interpostas seriam na realidade uma filial/departamento da autuada com o intuito exclusivo de se beneficiar do tratamento fiscal e previdenciário favorável que as micro e pequenas empresas possuem que é a tributação através do SIMPLES. A justificativa apresentada pela Recorrente de que o seu planejamento fiscal seria incentivado por órgãos do governo, sendolhe assegurada a liberdade para organizar e reorganizar seus negócios da forma que entender conveniente também não prospera, pois não pode o interesse sob a tese de se valer da sua liberdade de livre iniciativa afrontar e desrespeitar normas previstas no ordenamento jurídico, especialmente em simular situações para obter vantagens econômicas e fiscais. Por fim, o impugnante no caso de não ter êxito em provar a inexistência de ato simulado ou da formação de grupo econômico, insurgese quanto à aplicação da multa qualificada de 150%, visto que entende não caracterizada a simulação, posto que na pior das hipóteses a multa punitiva deveria ser reduzida para o percentual de 75%. Como se verifica, todo o conjunto probatório indica a prática de ato simulado, isto é, ato doloso com a intenção de impedir o fisco de tomar conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Assim, como a conduta descrita pela fiscalização caracteriza o intuito de pagamento a menor das contribuições, pela tentativa da contribuinte de simular atos negociais, deve ser mantida a multa de 150%, eis que condizente com a legislação que rege a matéria. Como a contribuinte não trouxe aos autos elementos que descaracterizassem a existência da simulação imputada, entendese pela manutenção integral do Auto de Infração. Conclusão Fl. 1676DF CARF MF 14 Com base no exposto, voto por conhecer voluntário, rejeitar as preliminares e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Fl. 1677DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.720046/2009-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2009
INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO.
A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis.
Numero da decisão: 3402-005.221
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo e Vinícius Guimarães. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo suplente convocado.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2009 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10480.720046/2009-93
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5862114
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-005.221
nome_arquivo_s : Decisao_10480720046200993.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
nome_arquivo_pdf_s : 10480720046200993_5862114.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo e Vinícius Guimarães. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo suplente convocado.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
id : 7282458
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:18:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050311555284992
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1410; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.720046/200993 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.221 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de abril de 2018 Matéria Obrigações Acessórias Recorrente N LANDIM COMÉRCIO LTDA EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2009 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo e Vinícius Guimarães. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo suplente convocado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 00 46 /2 00 9- 93 Fl. 103DF CARF MF 2 Tratase de auto de infração lavrado contra a empresa acima identificada, em que foi lançado crédito tributário no valor total de R$ 446.133,40, referente a multa regulamentar imposta em decorrência do não atendimento de intimações para fornecimento de documentos à fiscalização, conforme art. 504, III, c/c art. 318 do Regulamento do IPI de 2002, vigente na época. Cientificada em 24.03.2009 (AR fl. 33), a empresa apresentou, tempestivamente, em 17.04.2009, impugnação (fls. 36/38), na qual alega, em síntese, a impossibilidade de cumprir as intimações por estar em processo de recuperação judicial e passando por mudanças em seu departamento contábil. Ademais, aduz a irrazoabilidade da sanção diante das circunstâncias da empresa. A DRJ julgou o auto de infração improcedente em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2009 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Impugnação Improcedente Irresignada, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário repisando as razões de sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. À autoridade administrativa cabe cumprir a determinação legal, aplicando o ordenamento vigente às infrações concretamente constatadas, não sendo sua competência discutir se a cobrança em questão fere ou não o princípio da razoabilidade. A decisão acerca da constitucionalidade de ato legal é prerrogativa do poder judiciário. Ainda que pudesse ser considerada essa hipótese, para fins de aplicação do art. 65 da Lei nº 9.784/99, não se vislumbra falta de razoabilidade na aplicação da multa em questão, considerando que a empresa foi intimada por escrito em duas oportunidades e posteriormente alertada para a conseqüência do descumprimento das intimações, sem que tenha adotado qualquer providência para resolver a questão. Sobre o tema, a legislação é clara. Assim prescrevia o art. 504, III, c/c art. 318 do Regulamento do IPI de 2002, vigente na época dos fatos: “Art. 318 – As pessoas jurídicas que utilizam sistema de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10480.720046/200993 Acórdão n.º 3402005.221 S3C4T2 Fl. 3 3 atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da SRF, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária (Lei nº 8.218, de 1991, art. 11, e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 72). ........... Art. 504 – A inobservância do disposto no art. 318 acarretará a imposição das seguintes penalidades (Lei nº 8.218, de 1991, art. 12, e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 72): III – multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas (Lei nº 8.218, de 1991, art. 12, inciso III, e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 72). Além disso, afastar a multa sob fundamento de inconstitucionalidade da mesma, ou irrazoabilidade, implicaria em ofensa ao art. 26A do Decreto 70.235/72 e à Súmula CARF nº 02. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 105DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.907362/2009-13
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2006 a 31/03/2006
DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO.
A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindo-se em indício da certeza e liquidez do crédito tributário. Tendo sido o único motivo de indeferimento da compensação e ignorados os seus efeitos pela decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, há de ser acolhida e determinado novo exame da compensação pela Autoridade Fiscal.
Numero da decisão: 3001-000.278
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com retorno dos autos à Unidade de Origem para análise da DCTF retificadora, vencido o conselheiro Renato Viera de Avila que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/2006 a 31/03/2006 DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindo-se em indício da certeza e liquidez do crédito tributário. Tendo sido o único motivo de indeferimento da compensação e ignorados os seus efeitos pela decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, há de ser acolhida e determinado novo exame da compensação pela Autoridade Fiscal.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13884.907362/2009-13
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5859536
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3001-000.278
nome_arquivo_s : Decisao_13884907362200913.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CASSIO SCHAPPO
nome_arquivo_pdf_s : 13884907362200913_5859536.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com retorno dos autos à Unidade de Origem para análise da DCTF retificadora, vencido o conselheiro Renato Viera de Avila que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
id : 7263202
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:17:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050311566819328
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1663; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 2 1 1 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13884.907362/200913 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.278 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 14 de março de 2018 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO COFINS Recorrente WIREX CABLE S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2006 a 31/03/2006 DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindose em indício da certeza e liquidez do crédito tributário. Tendo sido o único motivo de indeferimento da compensação e ignorados os seus efeitos pela decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, há de ser acolhida e determinado novo exame da compensação pela Autoridade Fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com retorno dos autos à Unidade de Origem para análise da DCTF retificadora, vencido o conselheiro Renato Viera de Avila que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 73 62 /2 00 9- 13 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13884.907362/200913 Acórdão n.º 3001000.278 S3C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/RPO, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos O Contribuinte, na data de 14/06/2006, transmitiu PER/DCOMP nº 35209.79411.140606.1.3.048513 declarando a compensação de débito de COFINS do período 05/2006 no valor de R$ 23.842,02 com crédito de COFINS recolhido a maior que o devido através de DARF na data de 13/04/2006 no valor de R$ 456.030,95 da competência 03/2006. Do Despacho Decisório A DRF de São José dos Campos, em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório (efls.4), pela não homologação da compensação pretendida, em face de inexistência de crédito disponível, pois o valor do DARF discriminado na PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito declarado para a competência 03/2006. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.2), justificando que “0 fato de não ter sido localizado o crédito informado na Per/Comp, foi devido a erro no preenchimento da DCTF, informando de forma equivocada o valor do débito da Cofins, sendo que o valor correto consta na Declaração de Contribuições — Dacon do período de Março/2006 em anexo, e na DCTF Retificadora também em anexo”. Requer o cancelamento dos débitos decorrentes da não homologação. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 1ª Turma da DRJ/RPO, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, podendo assim ser sintetizados os fundamentos, além de questões de provas: “a DCTF dita correta é posterior à entrega da DCOMP. Realizada a compensação antes que exista o crédito que lhe dê suporte, resulta comprometida sua consistência. Assim, na data da transmissão da DCOMP, o exame das declarações prestadas pela própria interessada revelava que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Daí a não homologação”. Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls. 62) contra a decisão singular, com o intuito de ver seu pedido atendido, apelando pela busca da verdade material no processo administrativo, visto que não há evidências do devido exame pela autoridade julgadora das provas trazidas aos autos (DACON e DCTF retificadora), o que viola frontalmente o princípio da ampla instrução probatória. Que a compensação de valores recolhidos a maior que o devido tem amparo legal no CTN, art. 170 e mais especificamente na IN RFB nº 1300/2012. A recusa imotivada de Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13884.907362/200913 Acórdão n.º 3001000.278 S3C0T1 Fl. 4 3 pedido de compensação ofertado pelo contribuinte caracterizase pratica de confisco, o que é negado por previsão constitucional, art. 150, IV. Ao final requer provimento do presente recurso voluntário, declarando nulidade da decisão recorrida pela ausência de atividade instrutória, maculando à ampla defesa, ou alternativamente seja determinado a conversão em diligência a fim de auditar as provas carreadas aos autos. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A recorrente buscou através de PER/DCOMP a compensação de débito de COFINS do período 05/2006, com crédito também, de COFINS, do período 03/2006, em razão do recolhimento a maior que o devido na data de 13/04/2006 no valor de R$ 23.842,02 conforme DARF no valor de R$ 456.030,95. Contudo, ao tomar conhecimento do Despacho Decisório desfavorável ao seu pedido, constatou que havia incorrido em erro quando da transmissão da DCTF para o período Março/2006. Imediatamente, na data de 27/07/2009, transmitiu DCTF retificadora corrigindo o valor devido de COFINS para o período de apuração 31/03/2006, de forma a evidenciar o valor de seu pagamento a maior que o devido, resultando daí o crédito utilizado para a compensação requerida. Apresentou ainda, a DACON do mês correspondente, para atestar veracidade na apuração e indicação do correto valor a recolher. A DRJ/RPO fundamenta sua decisão que manteve a não homologação da compensação pleiteada, no fato de que a análise do crédito é feita com base na DCTF inicialmente apresentada e não em DCTF retificadora transmitida após ciência do despacho decisório. Tal iniciativa não evidencia o direito ao pretendido indébito, “uma vez que a compensação foi declarada antes que se manifestasse o crédito, ou seja, a DCTF dita correta é posterior à entrega da DCOMP. Realizada a compensação antes que exista o crédito que lhe dê suporte, resulta comprometida sua consistência”. Esse fato relacionado a apresentação de DCTF retificadora em data posterior a emissão de Despacho Decisório, já tem entendimento assentado na jurisprudência deste Conselho. Citase, por exemplo, o julgado da 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303005.396, de 25/07/2017, que analisando caso semelhante manteve decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário. De onde se extrai: “que a DCTF retificadora, nas hipóteses admitidas por lei, tem os mesmos efeitos da original, podendo ser admitida para comprovação da certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”. Por outro Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13884.907362/200913 Acórdão n.º 3001000.278 S3C0T1 Fl. 5 4 lado “O crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nascem com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior”. A administração tributária nos dá orientação sobre o tema, através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. (...) Como antes dito, a liquidez e certeza do crédito tributário não se encerra com a simples DCTF retificadora, há outros indicativos a serem seguidos, sendo, por exemplo, os livros contábeis e fiscais, DACON, que de acordo com as razões recursais foram parâmetros utilizados para atestar o erro de declaração cometido. Nesse sentido, em respeito ao princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, na busca da verdade real no processo administrativo tributário, é cabível oportunizar à Recorrente uma melhor análise pela unidade de origem quanto ao crédito pleiteado. Ademais, não pode o CARF suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação, pois à luz do art. 10 da IN RFB nº 903/2008: "Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna". De se observar que procedimento Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13884.907362/200913 Acórdão n.º 3001000.278 S3C0T1 Fl. 6 5 algum fora realizado em relação à apuração dos valores da compensação, sejam débitos ou créditos. Não podem as autoridades administrativas omitirse de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF. Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora com relação ao crédito pleiteado, juntamente com as provas disponibilizadas pela recorrente ou requerendo outras que entender pertinente e lhe confira liquidez e certeza para a realização da compensação requerida. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.722477/2008-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento.
IRPF. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO. INCIDÊNCIA. Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba.
IRRF. COMPETÊNCIA. A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda.
MULTA DE OFÍCIO. DADOS CADASTRAIS. O lançamento efetuado com dados espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração, não comporta multa de ofício.
IRPF. JUROS MORATÓRIOS VINCULADOS A VERBAS TRABALHISTAS RECONHECIDAS JUDICIALMENTE. INCIDÊNCIA. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal - STF e pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas pelas turmas nos julgamentos dos recursos no âmbito do CARF. É o caso do Acórdão Resp. nº 1227133/RS, proferido pelo STJ sob o rito do art. 543-C do CPC, segundo o qual não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial.
Preliminar rejeitada
Recurso parcialmente provido
Numero da decisão: 2201-001.714
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do Auto de Infração. No mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da base de cálculo os juros incidentes sobre as verbas recebidas e a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA (Relator)e MARIA HELENA COTTA CARDOZO, que apenas excluíram os juros, e RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE e RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, que deram provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor quanto à exclusão da multa de ofício o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD.
Assinatura digital
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente
Assinatura digital
Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator
Assinatura digital
Gustavo Lian Haddad Redator designado
EDITADO EM: 20/08/2012
Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França.
Nome do relator: Pedro Paulo Pereira Barbosa
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201207
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. IRPF. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO. INCIDÊNCIA. Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. IRRF. COMPETÊNCIA. A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. MULTA DE OFÍCIO. DADOS CADASTRAIS. O lançamento efetuado com dados espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração, não comporta multa de ofício. IRPF. JUROS MORATÓRIOS VINCULADOS A VERBAS TRABALHISTAS RECONHECIDAS JUDICIALMENTE. INCIDÊNCIA. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal - STF e pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas pelas turmas nos julgamentos dos recursos no âmbito do CARF. É o caso do Acórdão Resp. nº 1227133/RS, proferido pelo STJ sob o rito do art. 543-C do CPC, segundo o qual não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Preliminar rejeitada Recurso parcialmente provido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10580.722477/2008-85
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5873647
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2201-001.714
nome_arquivo_s : Decisao_10580722477200885.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : Pedro Paulo Pereira Barbosa
nome_arquivo_pdf_s : 10580722477200885_5873647.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do Auto de Infração. No mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da base de cálculo os juros incidentes sobre as verbas recebidas e a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA (Relator)e MARIA HELENA COTTA CARDOZO, que apenas excluíram os juros, e RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE e RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, que deram provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor quanto à exclusão da multa de ofício o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Assinatura digital Gustavo Lian Haddad Redator designado EDITADO EM: 20/08/2012 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
id : 7346885
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050311568916480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2154; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.722477/200885 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201001.714 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de julho de 2012 Matéria IRPF Recorrente VILMA COSTA VEIGA Recorrida DRJSALVADOR/BA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. IRPF. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO. INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. IRRF. COMPETÊNCIA. A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. MULTA DE OFÍCIO. DADOS CADASTRAIS. O lançamento efetuado com dados espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração, não comporta multa de ofício. IRPF. JUROS MORATÓRIOS VINCULADOS A VERBAS TRABALHISTAS RECONHECIDAS JUDICIALMENTE. INCIDÊNCIA. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal STF e pelo Superior Tribunal de Justiça STJ em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas pelas turmas nos julgamentos dos recursos no âmbito do CARF. É o caso do Acórdão Resp. nº 1227133/RS, proferido pelo STJ sob o rito do art. 543C do CPC, segundo o qual não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Preliminar rejeitada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 24 77 /2 00 8- 85 Fl. 202DF CARF MF 2 Recurso parcialmente provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do Auto de Infração. No mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da base de cálculo os juros incidentes sobre as verbas recebidas e a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA (Relator)e MARIA HELENA COTTA CARDOZO, que apenas excluíram os juros, e RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE e RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, que deram provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor quanto à exclusão da multa de ofício o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator Assinatura digital Gustavo Lian Haddad – Redator designado EDITADO EM: 20/08/2012 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França. Relatório VILMA COSTA VEIGA interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJ SALVADOR/BA que julgou procedente em parte lançamento, formalizado por meio de auto de infração, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF, referente aos exercícios de 2005, 2006 e 2007, no valor de R$ 88.156,44, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 182.809,99. A infração que ensejou o lançamento foi a classificação indevida de rendimentos como isentos, conforme descrição dos fatos do auto de infração, a seguir reproduzida: O sujeito passivo classificou indevidamente como Rendimentos Isentos e Não Tributáveis os rendimentos auferidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, CNPJ 13.100.722/000160, a título de ‘Valores Indenizatórios de URV, a partir de informações a ele fornecidas pela fonte pagadora. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10580.722477/200885 Acórdão n.º 2201001.714 S2C2T1 Fl. 3 3 Tais rendimentos decorrem de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor – URV em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. Estas diferenças recebidas têm natureza eminentemente salarial, e consequentemente, são tributadas pelo imposto de renda, conforme disposto nos arts. 43 e 114 da Lei nº 5.172, de3 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), sendo irrelevante a denominação dada aos rendimentos para sujeitálo ou não à incidência do imposto. Preceitua a Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, dentre outras coisas, que a verba em questão é de natureza indenizatória. A única interpretação possível em harmonia com o ordenamento jurídico nacional e em especial com sistema tributário, é a de que esta Lei disciplina aquilo que é pertinente à competência do Estado, ou seja, seus efeitos não se estendem ao imposto de renda. Principalmente porque não se fez, e nem se poderia, estender seus efeitos tributários ao âmbito federal. Não poderiam os Estados Federados versarem sobre o que não se lhes foi constitucionalmente outorgado, seja para criar, seja para isentar tributo. A lei complementar aludida tem repercussão jurídica em outras matérias afeitas à competência legislativa estadual, tão somente. Considerar que uma lei estadual possa afastar a incidência do imposto de renda de determinadas verbas, denominandoas de indenizatórias, seria descuido crasso, porquanto demonstraria desconhecimento básico acerca dos limites impostos às competências tributárias dispostas na Carta Magna de 1988, particularmente nos artigos 153 e 154. Ademais, o CTN dispõe, no art. 111, que se interpreta literalmente a legislação tributária pertinente à outorga de isenção. As isenções do Imposto de Renda da Pessoa Física são as expressamente especificadas no art. 39 do Decreto nº 3.000, de 1999. Verificase que a legislação tributária não contempla isenção a diferenças salariais reconhecidas posteriormente, ainda que recebam a denominação de “indenização” ou “valores indenizatórios” são tributáveis pelo imposto de renda. A Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que o auto de infração seria nulo em razão da ilegitimidade ativa e da falta de interesse jurídico da Receita Federal do Brasil (RFB) para fiscalizar, administrar ou cobrar o imposto lançado. Pois, em razão da distribuição constitucional das receitas, todo o montante que fosse arrecado a título de imposto de renda incidente sobre os valores pagos a título de URV teria como destinatário o próprio Estado da Bahia; que a própria Receita Federal entende que é ilegítima para figurar no pólo passivo de pedido de compensação vinculado a crédito tributário referente a IRRF retido pelos Estados, Distrito Federal e Municípios, por não ter a disponibilidade sobre os valores recolhidos. Assim, pelo mesmo motivo, concluise que a União é parte ilegítima para exigir o referido imposto; que as diferenças pagas pelo Estado da Bahia decorrentes do erro na Fl. 204DF CARF MF 4 conversão da remuneração dos Magistrados de Cruzeiro Real para URV têm natureza jurídica indenizatória, conforme previsto nos arts. 4º e 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. Portanto, tais rendimentos são isentos de imposto de renda; que o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro o caráter indenizatório de tais verbas, e da consequente não incidência do imposto de renda. Neste mesmo sentido estão a jurisprudência pátria, decisões do Conselho de Contribuintes, e a Solução de Consulta SRF nº 55 de 18 de abril de 2005; que mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros de mora, pois o contribuinte agiu de boa fé, seguindo informações constantes nos contracheques emitidos pela fonte pagadora; que, além disso, o caráter indenizatório de tal verba estava previsto em lei, o que, também, afastaria de a aplicação de multa e juros, nos termos dos artigos 100 e 112 do CTN. A DRJSALVADOR/BA julgou procedente em parte o lançamento para excluir da exigência o valor de R$ 9.403,08 e correspondentes acréscimos, com base nas considerações a seguir resumidas. Inicialmente, a DRJSALVADOR/BA observou que as verbas em questão foram pagas em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003 que se refere a diferenças de remuneração quando da conversão da URV, a qual era realizada mensalmente e visava à manutenção do valor real do salário. Daí concluiu que as diferenças recebidas tinham natureza eminentemente salarial; que o recebimento extemporâneo de tais diferenças não altera a natureza das verbas, ainda que o beneficiário tenha tido que recorrer à Justiça e o acordo tenha sido implementado mediante lei complementar. Registra, ainda, que a tributação incide também sobre os complementos, juros e atualização monetária. Sobre o disposto no artigo 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispõe que as diferenças pagas teriam natureza indenizatória, observa que o Imposto de Renda é regido por legislação federal e, portanto, tal dispositivo não tem nenhum efeito em matéria tributária, destacando que a incidência do imposto de renda independe da denominação do rendimento e que indenizações não são indistintamente isentas, mas apenas aquelas previstas em lei específica como tal; que o art. 55, XIV, do RIR/99 prevê expressamente que tanto os juros moratórios quanto quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento estão sujeitos à tributação, salvo se corresponderem a rendimentos isentos ou não tributáveis. Sobre a alegação de que deveria ser reconhecida a isenção com base na Resolução do STF nª 245, de 2002, que reconheceu a isenção do abono vinculado às diferenças de URV pagas aos magistrados federais, registra que o benefício não poderia ser estendido aos membros do Ministério Público Estadual, pois tal resultaria em isenção sem lei específica, e que também não seria o caso de se recorrer à analogia. Também não seria o caso de se aplicar a isonomia com relação aos magistrados federais, pois se trata de funcionários públicos sujeitos a leis específicas distintas, e que a isenção, no âmbito federal, decorreu de resolução expedida no âmbito do próprio Poder Judiciário. E sobre a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do IRRF, registra que esta se extingue com o término do prazo para a apresentação da declaração dos rendimentos pelo beneficiário dos rendimentos, conforme orientação da Receita Federal por meio da Instrução Normativa SRF nº 1, de 24 de setembro de 2002. Ainda sobre a retenção do imposto pela fonte pagadora, anota que, embora o produto da arrecadação do imposto pertença à fonte pagadora, no caso o Estado da Bahia, este fato não isenta o beneficiário dos rendimentos de oferecêlo à tributação; que, portanto, a competência para o lançamento tributário e o julgamento da lide são da União. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10580.722477/200885 Acórdão n.º 2201001.714 S2C2T1 Fl. 4 5 Relativamente à multa de ofício, a DRJ rechaça a alegação de que, como os informes de rendimento apresentados pela fonte pagadora indicavam que se tratava de rendimentos isentos, sem a retenção do imposto, agiu de boafé e não poderia ser punido com a multa. Observa que a infração independe da intenção do agente e que a multa é devida pela omissão dos rendimentos e não pela prática de fraude. Finalmente, a DRJ registra que a autuação observou a regra estabelecida pela orientação da PGFN por meio do Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, eliminando os efeitos tributários do recebimento dos rendimentos de forma acumulada, todavia, foram tributados indevidamente os valores correspondentes a 13º salário e férias indenizadas, valores que exclui da tributação. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 06/04/2011 e, em 28/04/2011, interpôs o recurso voluntário que ora se examina e no qual afirma, inicialmente, que a decisão recorrida não enfrentou a questão suscitada na impugnação quanto à falta de legitimidade da União para cobrar imposto de renda que pertence, por determinação constitucional, ao Estado; que também não enfrentou a questão da “quebra da capacidade contributiva da recorrente”. Afirma que tais omissões representam supressão de instância, afrontando o devido processo legal, o contraditório e ampla defesa. Reafirma, como preliminar, as alegações de ilegitimidade passiva da União para cobrar o imposto incidente na fonte e que não foi objeto de retenção pelo Estado; reafirma a alegação de quebra da capacidade contributiva do Contribuinte, que estaria caracterizada pelo fato de que o Fisco pretende receber o imposto em valor maior do que o que seria devido caso os rendimentos fossem recebidos no tempo próprio, com multa, correção e juros. Quanto ao mérito, reitera, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação quanto à natureza indenizatórias das verbas recebidas; sobre a quebra do princípio constitucional da isonomia, em face do tratamento recebido pelo membros do Poder Judiciário Federal; questiona procedimentos de cálculos quanto á alíquota aplicável, as base de cálculo e a inclusão indevida de rendimentos que seria de 13º salário e abono de férias. Por fim, reitera alegações contra a aplicação da multa e dos juros de mora, sob o argumento de que declarou rendimentos segundo orientações da fonte pagadora, tanto pelos comprovantes de rendimentos por esta fornecidos quanto pela Lei Estadual que definiu que a verba em questão teria natureza indenizatória. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Fl. 206DF CARF MF 6 O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Examino, inicialmente, a argüição de nulidade do lançamento. Afirma o Recorrente que o auto de infração seria nulo devido à ilegitimidade ativa da União e a erro de procedimento na base de cálculo do imposto. Rejeito de plano a argüição de nulidade, pois ambas as questões se confundem com o mérito e serão examinadas mais adiante. Isto é, uma das questões a serem aqui discutidas é se o fato de pertencer ao estado o produto da arrecadação do IRRF afasta a competência da União para fiscalizar, lançar e cobrar dos contribuintes beneficiários dos rendimentos sobre os quais devem incidir o imposto na fonte e, como já dito, a solução dessa questão, neste caso, se confunde com o mérito do lançamento; a outra questão diz respeito precisamente aos procedimentos de apuração da base de cálculo. Por outro lado, o lançamento foi formalizado por servidor competente e de acordo com as normas que regem o processo administrativo fiscal, e, portanto, não vislumbro nenhum vício que pudesse ensejar sua nulidade. Rejeito a preliminar de nulidade. Quanto ao mérito, sobre a distribuição das competências tributárias esta é claramente definida na Constituição Federal sendo da União a competência do Imposto de Renda. E quanto a sito não há controvérsia. A pretensão da defesa, todavia, é de que, como o produto da arrecadação do IRRF, no caso, pertenceria ao Estado da Bahia, a União não teria legitimidade para exigir o tributo. Mas, como ressaltou a decisão de primeira instância, independentemente de ter havido ou não a retenção do imposto pela fonte pagadora, é dever dos contribuintes informarem os rendimentos quando do ajuste anual. A retenção do imposto pela fonte pagadora é mera antecipação do imposto devido quando do ajuste anual, e tanto é assim que, quando apurado o imposto devido no ajuste, compensase o imposto retido na fonte. Sobre isto, a propósito, há súmula do CARF, a saber: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF Nº 12) Não há, portanto, relação entre o dever de reter o imposto, o fato de o produto da arrecadação do imposto retido pertencer ao Estado e a competência tributária do Imposto de Renda. Vale ressaltar também que a exigência foi feita de acordo com a legislação aplicável, que não pode deixar de ser aplicada com base em juízo subjetivo da administração tributária a respeito da capacidade contributiva. Isto é, a compatibilização da carga tributária ao princípio da capacidade contributiva deve ser considerada pelo legislador e não pelos agentes arrecadadores que estão vinculados á lei. No caso concreto a Contribuinte queixase do fato de que, tendo oferecimentos os rendimentos à tributação de acordo com a orientação da própria fonte pagadora, por meio do comprovante de rendimentos por ela fornecida e de acordo com orientação legal do próprio estado, não poderia ser onerada com a exigência do imposto com acréscimos de multa, juros e correção, portanto, ser instada a pagar mais do que pagaria sob condições normais. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10580.722477/200885 Acórdão n.º 2201001.714 S2C2T1 Fl. 5 7 Mas, mais uma vez, o argumento da defesa confunde aspectos que não se relacionam. A administração tributária deve limitarse a exigir os tributos devidos de acordo as normas de incidência previstas na legislação tributária. Se o Contribuinte não recebeu os rendimentos quando fazia jus a eles, por divergências com a fonte pagadora quanto a esse direito, e veio a receber em momento posterior, este fato não pode interferir na regra de incidência tributária que deve levar em conta os rendimentos efetivamente recebidos pelos contribuintes; e se o Contribuinte recebeu os rendimentos em momento posterior e não os ofereceu à tributação quando desse recebimento, o imposto deve ser exigido, com os acréscimos previstos em lei. Sobre o fato de que o Contribuinte agiu de boafé e, portanto, não deveria ser onerado com multa e juros, a questão será examinada mais adiante. Por enquanto afasto apenas a objeção levantada pela defesa de que a autuação tenha onerado a carga tributária em relação à situação hipotética de o rendimento ter sido recebido ao tempo em que o Contribuinte faria jus a eles. Sobre a alegada natureza indenizatória das verbas recebidas, pela própria descrição dos fatos, fica claro que não é disso que se trata. Segundo o relato da própria Contribuinte, as verbas em questão referemse a diferenças salariais devidas em decorrência de erro na conversão dos salários de Cruzeiro Real para URV. Isto é, nesta conversão teria havido erro com prejuízo para os servidores, prejuízo que veio a ser posteriormente reparado, pagandose a eles aquilo que antes deixou de ser pago. E o que deixou de ser pago não foi outra coisa que não salários. Logo, o que veio a ser posteriormente pago é salário. Mas o Contribuinte apóiase na Lei Complementar nº 20, de 2003 do Estado da Bahia que no seu art. 3º definiu que as tais verbas teriam natureza indenizatória, a saber: Art. 2º. As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV, objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em conseqüência com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será devido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3º. São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta lei. Ora, primeiramente, como já referido acima, o Imposto de Renda é da competência da União e, portanto, os estados da federação não são competentes para legislar em matéria tributária relativamente a este tributo. Portanto, se o Estado da Bahia se arvora a definir a natureza das coisas e a dizer que diferença de salário tem natureza indenizatória, esta denominação não se presta para fins de definição da incidência ou não do imposto de renda. Isto, aliás, está dito expressamente no § 1º do art. 43 do CTN, a saber: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; Fl. 208DF CARF MF 8 II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Mas a Recorrente invoca a Resolução nº 245, do Supremo Tribunal Federal que definiu que verba semelhante devida aos magistrados federais teria natureza indenizatória. Pois bem, é certo que o Supremo Tribunal Federal, em sessão administrativa, considerou como tendo natureza indenizatória o abono variável concedido aos membros do Poder Judiciário da União pela Lei nº 10.474, de 2002, e como tal, não sujeitas à tributação pelo imposto de renda, como também é certo que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN nº 529/2003, manifestou entendimento no sentido de que as referidas verbas não estariam sujeitas à tributação. Mas tanto a Resolução do STF quanto o Parecer da PGFN referemse especificamente ao abono concedido aos Magistrados da União, e, em seguida, aos membros do Ministério Público Federal, e o que se discute neste processo é se o mesmo entendimento deve ser aplicado à verba atribuída aos membros do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. E o que passo a analisar. Vale destacar, inicialmente, que a posição do Supremo Tribunal Federal – STF sobre a natureza do abono variável atribuído aos Magistrados da União foi definida em sessão administrativa e expedida por meio de Resolução, e não em sessão de julgamento daquela Corte e, por óbvio, não se trata de uma decisão judicial cujos efeitos são bem distintos dos de um ato administrativo. Enfim, é elementar e dispensa maiores considerações, que a Resolução do STF não vinculava a Administração Tributária da União. Sobreveio, todavia, o Parecer PGFN/Nº 529/2003 da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro da Fazenda, e que concluiu que o abono variável de que trata o art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002 tem natureza indenizatória. O referido Parecer, entretanto, não deixa dúvidas quanto aos limites desse entendimento, senão vejamos. Após destacar que o Superior Tribunal de Justiça – STJ consolidou entendimento no sentido de que abonos recebidos em substituição a aumentos salariais sofrem a incidência do imposto de renda, fez a ressalva de que, segundo entendimento dessa mesma Corte, nos casos de abono concedido como reparação pela supressão ou perda de direito, o mesmo tem natureza indenizatória. E, segundo o Parecer da PGFN, seria este, no entendimento do STF, manifestado por meio da Resolução nº 245, de 2002, o caso do abono variável e provisório previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002, no entendimento do STF. Fica claro, portanto, que o Parecer da PGFN somente reconhece a natureza indenizatória do abono variável de que tratam as Leis nº 9.655, de 1998 e 10.474, de 2002, acolhendo entendimento do STF de que tal abono destinase a reparar direito. Assim, o que se tem é, por um lado, a Resolução nº 245, do STF que, como se viu, não emana os efeitos de uma decisão judicial e, por outro, o Parecer PGFN/Nº 529/2003 que se limita a reconhecer a natureza indenizatória do abono concedido aos Magistrados da União, acatando interpretação do STF. É dizer, ambos os atos alcançam apenas o abono Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10580.722477/200885 Acórdão n.º 2201001.714 S2C2T1 Fl. 6 9 previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Nessas condições, não vejo como se estender o alcance dos dois atos acima referidos para abonos concedidos posteriormente, para outro grupo de servidores, por meio de ato específico distinto daqueles referidos na Resolução do STF e no Parecer da PGFN. Por outro lado, é irrelevante o fato de a lei estadual se reportar ao sistema remuneratório dos Magistrados da União. Tratase de mera questão de técnica legislativa, de opção por uma determinada forma de fixação de parâmetros remuneratórios, o que de modo algum implica na equiparação de uma e de outra verba. É preciso examinar, portanto, no caso concreto, a natureza da verba recebida pela Recorrente para se poder concluir pela incidência ou não incidência, sobre ela, do imposto de renda, e, como vimos acima, a verba tem natureza salarial e como tal é tributável. Registrese, por fim, que em recente julgado a Câmara Superior de Recursos Fiscal – CSRF, analisando situação semelhante em que era parte um membro do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, decidiu pela manutenção da exigência. Tratase do Acórdão nº 9202002.032, de 21 de março de 2012. Eis a ementa do acórdão: Ementa: REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. Sobre a quebra de isonomia entre os membros do Poder Judiciário Federal e os membros do Ministério Público do Estado da Bahia, que teriam tratamento diferenciado, estando em situações semelhantes, registrese que, ainda que se verificasse tal situação, isto não poderia ser invocado para deixar de aplicar a norma tributária. Os princípios da isonomia, da capacidade contributiva e outros que informam o sistema tributário devem ser observados pelo legislador na feitura das normas tributárias, e não cabe aos agentes da administração, vinculados que são a esta legislação, deixar de aplicála a pretexto de violação de princípios que elas deveriam observar. Ademais, no caso concreto, a situação específica dos membros da Magistratura Federal decorre de ato do próprio Poder Judiciário, e não da legislação ou da administração tributária. E sobre as deduções reclamadas pela Contribuinte, estas também deveriam ter sido pleiteadas quando da apresentação da declaração de rendimentos. O que o Fisco exige mediante a autuação objeto deste processo é apenas a diferença de imposto que deixou de ser paga. O Fisco apenas incluiu rendimentos que deixaram de ser tributados. Tudo o mais que se refere à apuração do imposto já deveria constar da declaração apresentada. Sobre os alegados erros na base de cálculo e na alíquota, vale ressaltar que, por determinação da DRJSALVADOR/BA, por meio de diligência, o lançamento foi ajustado para observar a orientação do Parecer PGFN//CRJ nº 287/2009, considerando os rendimentos nos meses do recebimento e com as alíquotas vigentes à época. Por outro lado, a pretensão de que deveria ser aplicada a alíquota considerando apenas o valor das diferenças recebidas, há um equívoco da Contribuinte. É que se trata aqui de exigência de imposto devido no ajuste anual, e não mais na fonte e, portanto, deve ser considerado, na base de cálculo do imposto, a totalidade dos rendimentos recebidos no período e não apenas os rendimentos não tributados na Fl. 210DF CARF MF 10 declaração. Portanto, considerando os valores totais dos rendimentos recebidos pela Contribuinte em cada exercício, a alíquota aplicável é a alíquota máxima. O mesmo vale para as deduções, que também deveriam ter sido pleiteadas quando da apresentação da declaração de rendimentos. O que o Fisco exige mediante a autuação objeto deste processo é apenas a diferença de imposto que deixou de ser paga. O Fisco apenas incluiu rendimentos que deixaram de ser tributados. Tudo o mais que se refere à apuração do imposto já deveria constar da declaração apresentada. Correto, portanto, o lançamento quanto a este aspecto. Quanto ao pedido de exclusão da multa de ofício e dos juros, sob a alegação de que a Contribuinte teria agido de boafé, seguindo orientação normativa da fonte pagadora, a questão foi adequadamente enfrentada pela decisão de primeira instância. Ainda que a fonte pagadora tenha deixado de proceder à retenção, o Contribuinte teria que oferecer os rendimentos à tributação ,e não o tendo feito, fica sujeito à multa prevista no art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, verbis: Lei nº 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – de 75% (setenta e cinco por cento), nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; E quanto à consulta que teria sido respondida concordando com a tese da não aplicabilidade da multa de ofício, diferentemente do quem afirma o Recorrente, por não ter sido a consulta processada de acordo com o rito do Decreto nº 70.235, de 1972, esta não tem efeito vinculante. Sobre a aplicação do art. 100 ou 110 do CTN, no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, é dever dos contribuintes apurar o imposto devido, devendo observar a legislação aplicável, e não o fazendo fica sujeito ao lançamento em relação a eventuais diferenças de impostos. Ora, não sendo a fonte pagadora competente para legislar a respeito do imposto, que é de competência da União, não poderia o Contribuinte ter apurado o imposto com base nessas orientações. Se o fez, ainda que de boafé, responde pela omissão sujeitandose à multa prevista em lei. Mais uma vez, como noutras situações acima analisadas, não cabe ao Fisco, ao proceder ao lançamento tributário, fazer juízo subjetivo sobre a boafé ou máfé do Contribuinte, devendo se limitar a aplicar a legislação à qual está vinculado e que, no caso, prevê a imposição dos acréscimos legais. Finalmente, sobre os juros incidentes sobre as verbas recebidas, ressalvando minha posição em sentido contrário, penso ser aplicável ao caso, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça segundo o qual os juros calculados sobre verbas, recebidas em decorrência de decisões judiciais em ações trabalhistas, têm natureza indenizatórias, não estando sujeitos à incidência do imposto, nos termos do Acórdão Resp. nº 1227133/RS, julgado em 28/09/2011, com a seguinte ementa: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10580.722477/200885 Acórdão n.º 2201001.714 S2C2T1 Fl. 7 11 INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. – Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido. Deve ser excluída da base de cálculo, portanto, a parcela dos rendimentos correspondentes aos juros recebidos pelo beneficiário. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o valor correspondente aos juros. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Voto Vencedor Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD, Redatordesignado Divergi das conclusões do I. Relatora, Dr. Pedro Paulo Pereira Barbosa, no que respeita ao não acolhimento do pleito de exclusão da multa de ofício formulado pelo recorrente. De fato e como consta de seu voto, a fonte pagadora – no caso o Poder Judiciário do Estado da Bahia tratou os rendimentos como de natureza indenizatória e não os submeteu a tributação, assim informando o contribuinte em informe de rendimentos que lhe foi entregue. Tratase de situação em que o recorrente foi induzido a equívoco quanto ao tratamento dos rendimentos recebidos, configurando erro escusável como já decidido em inúmeros precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Confiramse os seguintes acórdãos da Câmara Superior de Recursos Fiscais: CSRF/01—4.825, j. 16.02.2004, Rel. Antonio de Freitas Dutra; MULTA DE OFÍCIO DADOS CADASTRAIS O lançamento efetuado com dados cadastrais espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração, não comporta multa de ofício. Fl. 212DF CARF MF 12 CSRF/0400.058, j. 21.06.2005, Rel. Remis Almeida Estol IRPF RENDIMENTOS TRIBUTAÇÃO NA FONTE ANTECIPAÇÃO RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Em se tratando de imposto em que a incidência na fonte se dá por antecipação daquele a ser apurado na declaração, inexiste responsabilidade tributária concentrada, exclusivamente, na pessoa da fonte pagadora, devendo o beneficiário, em qualquer hipótese, oferecer os rendimentos à tributação no ajuste anual MULTA DE OFÍCIO DADOS CADASTRAIS O lançamento efetuado com dados cadastrais espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração, não comporta multa de ofício. Recurso especial parcialmente provido. Assim, com as presentes considerações e com base em todo o exposto, divirjo das conclusões do I. Relator para dar parcial provimento parcial ao recurso com vistas a excluir do crédito tributário o valor correspondente à multa de ofício. (assinado digitalmente) GUSTAVO LIAN HADDAD Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10580.722477/200885 Acórdão n.º 2201001.714 S2C2T1 Fl. 8 13 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª CÂMARA/2ª SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10580.722477/200885 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº. 2201001.714. Brasília/DF, 10 de setembro de 2012. ______________________________________ Maria Helena Cotta Cardozo Presidente da Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Fl. 214DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.008545/2007-19
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 23/08/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Deve ser conhecido o Recurso Especial quando restar demonstrado, pela análise do acórdão paradigma, ter outro colegiado adotado interpretação divergente sobre uma mesma legislação tributária.
O fato da obrigação principal e a multa de ofício lavradas contra a terem sido quitadas não afasta a exigência da multa, nem tampouco impede o conhecimento do recurso.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.645
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 23/08/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Deve ser conhecido o Recurso Especial quando restar demonstrado, pela análise do acórdão paradigma, ter outro colegiado adotado interpretação divergente sobre uma mesma legislação tributária. O fato da obrigação principal e a multa de ofício lavradas contra a terem sido quitadas não afasta a exigência da multa, nem tampouco impede o conhecimento do recurso. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10580.008545/2007-19
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5858248
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-006.645
nome_arquivo_s : Decisao_10580008545200719.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10580008545200719_5858248.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7255063
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:17:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050311581499392
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1796; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10580.008545/200719 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.645 – 2ª Turma Sessão de 22 de março de 2018 Matéria RETROATIVIDADE BENIGNA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FUMEX TABACALERA LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 23/08/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Deve ser conhecido o Recurso Especial quando restar demonstrado, pela análise do acórdão paradigma, ter outro colegiado adotado interpretação divergente sobre uma mesma legislação tributária. O fato da obrigação principal e a multa de ofício lavradas contra a terem sido quitadas não afasta a exigência da multa, nem tampouco impede o conhecimento do recurso. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 85 45 /2 00 7- 19 Fl. 10651DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de auto de infração, DEBCAD: 37.117.2519, emitido em 23/08/2007, lavrado contra a empresa supra identificada, no valor total de R$ 1.694.942,24 (um milhão, seiscentos e noventa e quatro mil, novecentos e quarenta e dois reais e vinte e quatro centavos), abrangendo o período de 01/01/1999 a 31/12/2006, pelo fato da mesma ter apresentado GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Conforme Relatório Fiscal de fls. 17/25, a empresa deixou de informar nas GFIP’s de várias competências do período fiscalizado, os dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária assim relacionados: remuneração pagas aos trabalhadores autônomos Contribuintes Individuais (os pagamentos foram obtidos da contabilidade e DIRF’s, foram lançados de forma individualizada, constam do Anexo I e comprovados pelos relatórios contábeis (anexo II) e pela DIRF (anexo III); · comercialização da Produção Rural Própria; · comercialização da Produção Rural Adquirida de Produtor Rural Pessoa Física (SUBROGAÇÃO); · alguns valores não especificados e que representam diferenças entre a base de cálculo da contribuição previdenciária e da contribuição dos segurados constantes da Folha de Pagamento; Fl. 10652DF CARF MF Processo nº 10580.008545/200719 Acórdão n.º 9202006.645 CSRFT2 Fl. 3 3 · valores pagos a empregados sob o título de SEGURO SAÚDE estes pagamentos foram considerados como base de incidência de Contribuições, em virtude da assistência médica não haver sido disponibilizada a todos os empregados da empresa e foi utilizado, como base para os lançamentos, os valores lançados na contabilidade e as informações fornecidas pela empresa e pela prestadora de serviços. A empresa informou, conforme documento constante do anexo II, que não tinha como fornecer todos os pagamentos individualizados, para as competências de 2004/02 a 2004/04; de 2004/07 a 2004/12; de 2005/01 a 2005/04; de 2005/07 a 2005/12; de 2006/01 a 2006/04; de 2006/07 a 2006/12. · valores pagos aos empregados sob o título de SEGURO DE VIDA estes pagamentos foram considerados como base de incidência de Contribuições, em virtude de não haver previsão em acordo ou convenção coletiva de trabalho, bem como, por não ter sido disponibilizado à totalidade dos seus empregados e dirigentes. Foi utilizado como base para os lançamentos os valores lançados na contabilidade e as informações fornecidas pela empresa. Não houve condições de individualizar por empregado, os referidos pagamentos. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA julgado a impugnação improcedente, mantendo, em parte, o crédito tributário. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 11/03/2015, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2403002.962 (fls. 10.584/10.591), com o seguinte resultado: “ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do valor da multa, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006 MULTA. RECÁLCULO. GFIP. OMISSÃO. FATOS GERADORES Constitui infração apresentar, a empresa, a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Com o advento da Lei 11.941.09, para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, “c”, do CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, § 6º da Lei nº 8.212/91 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, nos moldes transcritos acima. Fl. 10653DF CARF MF 4 Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 09/04/2015 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 22/04/2015, Recurso Especial (fls. 10.593/10.598). Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação ao cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte retroatividade benigna Obrigação Acessória. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº, da 4ª Câmara, de 25/04/2016 (fls. 10.604/10.609). O recorrente, em suas alegações, requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 32A, da Lei ny 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP nº 449/2008. Cientificado do Acórdão nº 2403002.962, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 27/05/2016, o contribuinte apresentou em 09/06/2016, portanto, tempestivamente, contrarrazões (fls. 10.623/10.632). Em suas contrarrazões, o contribuinte faz um histórico de todo o processo, traz alegações da Fazenda Nacional em seu recurso especial e então apresenta seus argumentos para denegar o pedido da União. Lembra que, conforme disposto no art. 146, III, da CF/1988, o Código Tributário Nacional foi recepcionado pela Constituição Federal como a lei complementar a qual cabe estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária; e que, portanto, em obediência ao art. 116, II, ‘c’, do CTN, a punição mais benéfica deve retroagir em favor do contribuinte. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: II tratandose de ato não definitivamente julgado: c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Observa, ainda, que art. 32A trata especificamente sobre a aplicação de multa no caso de falta de apresentação da GFIP ou de sua apresentação com incorreções ou omissões (multa por descumprimento de obrigação acessória), ao passo que o art. 35A, precipuamente, trata de débitos pelo não pagamento das Contribuições Sociais (descumprimento de obrigação principal); e que havendo penalidade específica para a falta ou apresentação incompleta da GFIP pelo contribuinte (obrigação acessória), não é cabível a sua substituição pela penalidade mais gravosa e genérica prevista no art. 35A (que trata do descumprimento de obrigação principal). Portanto, dispositivo legal específico derroga dispositivo legal genérico (e mais gravoso), essa é a regra a ser sempre seguida. Ressalta que a inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador somente de auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a Fl. 10654DF CARF MF Processo nº 10580.008545/200719 Acórdão n.º 9202006.645 CSRFT2 Fl. 4 5 obrigação acessória seja cumprida; obrigação esta que tem por finalidade auxiliar a Receita Federal na administração previdenciária; e que não tem cabimento vincular a multa pelo descumprimento de tal obrigação acessória à multa por descumprimento de obrigação principal para fins de atendimento ao princípio da retroatividade benigna do art. 106, II, ‘c’, do CTN, para verificação da situação mais favorável ao contribuinte face às alterações trazidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Salienta que a obrigação principal e a multa de ofício lavradas contra a Fumex Tabacalera pela Fiscalização foram integralmente quitadas nos meses finais do ano de 2007 (por meio de Operação de Concomitância compensação), muito antes, portanto, das modificações trazidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/09; e que é um absurdo pretender que a multa por descumprimento de obrigação principal liquidada nos meses finais do ano de 2007 seja agora considerada em conjunto (somada) com a multa por descumprimento de obrigação acessória (GFIP) para fins de verificação da situação mais favorável ao contribuinte. Por fim, diz que o precedente apresentado pela Fazenda Nacional como paradigma difere muito do presente caso concreto, e por isso não pode ser considerdo como interpretação divergente da legislação tributária, nos termos do artigo 67 do Regimento Interno do CARF. É o relatório. Fl. 10655DF CARF MF 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 10604. Havendo questionamento acerca do conhecimento do Resp da Fazenda pela ausência de similitude, passo a apreciar a questão. Em relação ao conhecimento do processo, o contribuinte alega que a obrigação principal e a multa de ofício lavradas contra a Fumex Tabacalera pela Fiscalização foram integralmente quitadas nos meses finais do ano de 2007 (por meio de Operação de Concomitância compensação), muito antes, portanto, das modificações trazidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/09; e que é um absurdo pretender que a multa por descumprimento de obrigação principal liquidada nos meses finais do ano de 2007 seja agora considerada em conjunto (somada) com a multa por descumprimento de obrigação acessória (GFIP) para fins de verificação da situação mais favorável ao contribuinte. Por fim, diz que o precedente apresentado pela Fazenda Nacional como paradigma difere muito do presente caso concreto, e por isso não pode ser considerdo como interpretação divergente da legislação tributária, nos termos do artigo 67 do Regimento Interno do CARF. Em relação aos pontos trazidos pelo recorrente convém apreciarmos os pontos trazidos no despacho de admissibilidade ao apreciar os paradigmas: Nota que o caso analisado no acórdão paradigma é idêntico a que ora se reporta, já que o que se encontrava em julgamento era o auto de infração, por descumprimento de obrigação acessória de apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias (art. 32, inciso IV e § 5º da Lei nº 8.212/91), em que também se lavrou auto de infração por descumprimento de obrigação principal, em decorrência da mesma ação fiscal. Observa que o acórdão paradigma entendeu que, para efeito da apuração da multa mais benéfica ao contribuinte, no caso de descumprimento de obrigação acessória, quando houve, também, lavratura de auto de infração por descumprimento de obrigação principal, as multas aplicadas de acordo com a legislação anterior devem ser somadas (art. 32, IV, § 5º, e art. 35, II, ambos da Lei nº 8.212/91) e comparadas com a multa indicada no novo artigo 35A da Lei nº 8.212/91, que remete ao artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96, que é única e serve para apenar conjuntamente tanto o descumprimento da obrigação acessória como o da obrigação principal. Ressalta que a multa do art. 32A da Lei nº 8.212/91, não deve ser levada em consideração, porque trata de descumprimento de obrigação acessória sem o correspondente descumprimento de obrigação principal. Fl. 10656DF CARF MF Processo nº 10580.008545/200719 Acórdão n.º 9202006.645 CSRFT2 Fl. 5 7 Aduz que CSRF na prolação do Acórdão nº 920201.794, considerou ser legítima a aplicação da multa nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/91, em situação análoga ao caso em tela, por entender que, havendo lançamento de ofício das contribuições previdenciárias vinculadas à infração em análise, não mais deve ser aplicado o art. 32A do mesmo diploma legal. Os acórdãos relacionados como paradigmas foram proferidos por colegiados distintos daquele do acórdão recorrido e não foram reformados na CSRF até a presente data, prestandose, portanto, para o exame da divergência em relação à matéria suscitada. Compulsando os autos, vislumbro a similitude das situações fáticas nos acórdãos recorrido e paradigmas, motivo pelo qual entendo que está configurada a divergência jurisprudencial quanto ao procedimento a ser adotado para aplicação da multa ao contribuinte, como apontado pela Fazenda Nacional. De fato, em situações semelhantes, qual seja o descumprimento de obrigação acessória de informar em GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária, quando também ocorreu o descumprimento da obrigação principal de recolher o tributo devido, os paradigmas entenderam que, para efeito da apuração da multa mais benéfica ao contribuinte, as multas aplicadas de acordo com a legislação anterior devem ser somadas (art. 32, IV, § 5º, e art. 35, II, ambos da Lei nº 8.212/91) e comparadas com a multa indicada no novo artigo 35A da Lei nº 8.212/91, que remete ao artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96, que é única e serve para apenar conjuntamente tanto o descumprimento da obrigação acessória como o da obrigação principal. Por outro lado, a decisão recorrida aplicou o disposto pela Lei n.º 8.212/91, artigo 32A. Nos paradigmas apresentados Acórdão n° 240100.127 e Acórdão nº 9202 01.794, houve, assim como no presente lançamento, a lavratura de Autos de Infração de Obrigação Principal e Acessória, com a apreciação da natureza das multa consubstanciada na tese da Portaria n. 14/2009. Dessa forma, independente da obrigação principal já encontrarse extinta pela compensação, conforme citado pelo recorrente em sede de contrarrazões, fato é que houve lançamento de ofício, assim, como a autuação pela omissão em GFIP o que permite a realização do teste de divergência para fins de conhecimento do recurso especial. Destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Ao contrário do que interpreta o recorrente, o fato de ter a obrigação principal e a multa de ofício lavradas contra a Fumex Tabacalera pela Fiscalização sido integralmente quitadas nos meses finais do ano de 2007 (por meio de Operação de Concomitância compensação), apenas atribui liquidez a presente autuação, mas de forma alguma afasta a Fl. 10657DF CARF MF 8 exigência da multa como passamos a enfrentar a seguir. Dessa forma, encaminho pelo conhecimento do recurso. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. Embora o recorrente entenda ter a turma a quo acertado na decisão proferida, colacionando outros argumentos para reforçar a tese, entendo que não seja a interpretação mais acertada. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. Fl. 10658DF CARF MF Processo nº 10580.008545/200719 Acórdão n.º 9202006.645 CSRFT2 Fl. 6 9 AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem Fl. 10659DF CARF MF 10 correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: Fl. 10660DF CARF MF Processo nº 10580.008545/200719 Acórdão n.º 9202006.645 CSRFT2 Fl. 7 11 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou Fl. 10661DF CARF MF 12 · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e Fl. 10662DF CARF MF Processo nº 10580.008545/200719 Acórdão n.º 9202006.645 CSRFT2 Fl. 8 13 os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Fl. 10663DF CARF MF 14 Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referir se a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 10664DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.000725/97-33
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1993, 1994, 1995, 1996
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Admitem-se os embargos de declaração quando demonstrada omissão no acórdão embargado, sem que lhes concedam-se efeitos infringentes quando, da integração, não resulta decisão diferente da que havia sido tomada.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1993, 1994, 1995, 1996
MATÉRIA TRIBUTÁVEL. CÁLCULO DO TRIBUTO DEVIDO. INFORMAÇÕES OU ESCLARECIMENTOS PRESTADOS PELO SUJEITO PASSIVO. INEXATIDÃO. OMISSÃO. INSUFICIÊNCIA. ARBITRAMENTO. POSSIBILIDADE.
É facultado à autoridade administrativa proceder ao arbitramento dos elementos constitutivos da matéria tributável sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados pelo sujeito passivo. Deve ser admitida a adoção de critérios razoáveis na apuração do tributo devido quando demonstra-se inviável determinar com precisão a expressão quantitativa de quaisquer desses elementos.
Numero da decisão: 9303-006.469
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração e, por voto de qualidade, em acolhê-los para, re-ratificando o Acórdão nº 9303-004.711, de 21/03/2017, sanar a omissão apontada, mantendo inalterado o resultado do julgamento, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que acolheram os embargos com efeitos infringentes. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1993, 1994, 1995, 1996 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Admitem-se os embargos de declaração quando demonstrada omissão no acórdão embargado, sem que lhes concedam-se efeitos infringentes quando, da integração, não resulta decisão diferente da que havia sido tomada. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1993, 1994, 1995, 1996 MATÉRIA TRIBUTÁVEL. CÁLCULO DO TRIBUTO DEVIDO. INFORMAÇÕES OU ESCLARECIMENTOS PRESTADOS PELO SUJEITO PASSIVO. INEXATIDÃO. OMISSÃO. INSUFICIÊNCIA. ARBITRAMENTO. POSSIBILIDADE. É facultado à autoridade administrativa proceder ao arbitramento dos elementos constitutivos da matéria tributável sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados pelo sujeito passivo. Deve ser admitida a adoção de critérios razoáveis na apuração do tributo devido quando demonstra-se inviável determinar com precisão a expressão quantitativa de quaisquer desses elementos.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 12466.000725/97-33
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5863815
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-006.469
nome_arquivo_s : Decisao_124660007259733.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : HENRIQUE PINHEIRO TORRES
nome_arquivo_pdf_s : 124660007259733_5863815.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração e, por voto de qualidade, em acolhê-los para, re-ratificando o Acórdão nº 9303-004.711, de 21/03/2017, sanar a omissão apontada, mantendo inalterado o resultado do julgamento, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que acolheram os embargos com efeitos infringentes. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
id : 7288912
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:18:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050311600373760
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1902; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 12466.000725/9733 Recurso nº Embargos Acórdão nº 9303006.469 – 3ª Turma Sessão de 14 de março de 2018 Matéria EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Recorrente CONSELHEIRA RELATORA Interessado FAZENDA NACIONAL CIA IMPORTADORA E EXPORTADORA COIMEX PEUGEOTCITRÖEN DO BRASIL AUTOMÓVEIS LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1993, 1994, 1995, 1996 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Admitemse os embargos de declaração quando demonstrada omissão no acórdão embargado, sem que lhes concedamse efeitos infringentes quando, da integração, não resulta decisão diferente da que havia sido tomada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1993, 1994, 1995, 1996 MATÉRIA TRIBUTÁVEL. CÁLCULO DO TRIBUTO DEVIDO. INFORMAÇÕES OU ESCLARECIMENTOS PRESTADOS PELO SUJEITO PASSIVO. INEXATIDÃO. OMISSÃO. INSUFICIÊNCIA. ARBITRAMENTO. POSSIBILIDADE. É facultado à autoridade administrativa proceder ao arbitramento dos elementos constitutivos da matéria tributável sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados pelo sujeito passivo. Deve ser admitida a adoção de critérios razoáveis na apuração do tributo devido quando demonstrase inviável determinar com precisão a expressão quantitativa de quaisquer desses elementos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração e, por voto de qualidade, em acolhêlos para, reratificando o Acórdão nº 9303004.711, de 21/03/2017, sanar a omissão apontada, mantendo inalterado o resultado do julgamento, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 07 25 /9 7- 33 Fl. 5763DF CARF MF Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 9303006.469 CSRFT3 Fl. 3 2 Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que acolheram os embargos com efeitos infringentes. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Conselheira Relatora (fls. 5.736 a 5.738), por vício de omissão, em face do Acórdão nº 9303004.711 (fls. 5.697 a 5.735), que por maioria de votos negou provimento aos recursos especiais das Contribuintes. O acórdão embargado tem a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Anocalendário: 1993, 1994, 1995, 1996 VALOR ADUANEIRO. AJUSTES. ARTIGO 8º DO AVA. PARCELA DO RESULTADO DE QUALQUER REVENDA, CESSÃO OU UTILIZAÇÃO. CONDIÇÃO DE VENDA. CONTRAPRESTAÇÃO. ACRÉSCIMO AO VALOR DA TRANSAÇÃO. Deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas o valor de qualquer parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou utilização subsequente das mercadorias importadas que reverta direta ou indiretamente ao vendedor, assim como a condição ou contraprestação exigida, na medida em que sejam quantificáveis. Nas alegações constantes dos embargos de declaração, esta Conselheira aduz ser a decisão omissa pois não apreciou a matéria relativa à possibilidade de utilização da ponderação de alíquotas para constituição do montante dos tributos a pagar (II e IPI). Fl. 5764DF CARF MF Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 9303006.469 CSRFT3 Fl. 4 3 O recurso foi admitido nos termos do despacho s/nº, de 06/07/2017 (fls. 5.736 a 5.738), proferido pelo Ilustre Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. O presente processo retornou a essa Relatora para ser apreciada a omissão apontada no acórdão de recurso especial. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Os embargos de declaração são tempestivos e apontam omissão, devendo ser conhecidos, nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Do exame da decisão embargada, verificase ter incorrido em omissão o julgado quanto à fixação de alíquotas pela Fiscalização, com a utilização de alíquota média de II e IPI, com base em apuração mensal, para determinação do tributo a ser pago a ponderação de alíquotas. O acórdão nº 3403002.463, utilizado como paradigma pela Contribuinte, apreciando a matéria relativa à utilização do método de ponderação de alíquotas de II e IPI, entendeu ser incabível a adoção do referido método pela Fiscalização, havendo a necessidade de individualização dos produtos importados e aplicação das alíquotas correspondentes a cada um deles, em observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. Os fundamentos do acórdão nº 3403002.463 são reproduzidos e passam a integrar o presente voto como razões de decidir, in verbis: [...] Acusação inicial motivadora do auto de infração é de que a Cia Importadora e Exportadora Coimex ao importar veículos da marca Suzuki tivesse vinculação com o exportador capaz de influenciar no preço da transação. Face os contratos de representação dos veículos no Brasil pela Suzuki do Brasil foi arrolada como devedora solidária. As empresas intimadas a prestar informações demonstraram e comprovaram que os valores aduaneiros atendiam os preceitos do Acordo de Valoração Aduaneira. Posteriormente, a mesma Autoridade Atuante abandonou acusação de vinculação do importador com o exportador e concluiu que deveria ser ajustado o valor aduaneiro nos termo do art. 8º, parágrafo 1º, do Acordo de Valoração aduaneira, promulgado pelo Decreto nº 92.930/86, acrescendo os valores referentes à prestação de serviços cobrados pela Suzuki do Brasil das revendedoras por serviços de assessoria técnica administrativa com base nos contratos e o livro de registro de prestação de serviços. Fl. 5765DF CARF MF Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 9303006.469 CSRFT3 Fl. 5 4 Acolheuse a preliminar de nulidade do auto de infração. A meu sentir andou bem o Julgador de Piso, como restou assentado na decisão. Assim, a decisão deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos, que também adoto: “E ainda mais inconsistente é a análise da fiscalização no que diz respeito ao próprio valor aduaneiro que se pretende ajustar. Sequer a fiscalização individualizou e correlacionou os veículos importados com os respectivos serviços que integrariam, ou deveriam integrar, a base de cálculos dos tributos devidos na importação. O lançamento deve conter os pressupostos legais, no fiel cumprimento do art. 142 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (grifei) Ainda que se pudesse admitir a tributação dos valores que não foram acrescidos ao valor de transação, ou seja, calculando os tributos somente pela diferença do valor acrescido, a exigência da obrigação tributária deve se dar dentro da legalidade, atendendo aos demais critérios para a constituição do crédito tributário. Estou me referindo, inicialmente, ao fato gerador dos tributos. No caso do Imposto de Importação, a data do registro da DI, nos termos do art. 19 do CTN combinado com o art. 23 do DecretoLei n.° 37/66, a data considerada como tendo ocorrido o fato gerador para efeitos de cálculo do tributo é a data do registro da declaração. No relatório fiscal estão relacionados diversos valores agrupados por mês, valores estes, como já disse, retirados do livro de registros de serviços prestados pela Suzuki do Brasil. Além de que estes valores de serviços não foram devidamente relacionados com os respectivos valores aduaneiros dos veículos importados, não houve, também, a indicação da data destas importações. Conseqüentemente o lançamento não foi devidamente constituído no que diz respeito à demonstração da matéria tributável correspondente ao fato gerador da obrigação tributária. Há que se ressaltar que é dever da autoridade lançadora instruir os autos com todos os elementos de prova que entender necessários à comprovação do ilícito tributário, não competindo à autoridade julgadora substituir o papel daquela autoridade preenchendo as lacunas da autuação. Fl. 5766DF CARF MF Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 9303006.469 CSRFT3 Fl. 6 5 Por estas razões já entendo que são improcedentes os lançamentos dos tributos exigidos, e por conseqüência, dos acréscimos legais. Mas ainda há que destacar a total ilegalidade da eleição de alíquota média de IPI, obtida por média ponderada das alíquotas de IN incidentes sobre determinados modelos de veículos em determinados intervalos de tempo. Ora, muito não há o que se dizer sobre tal procedimento, totalmente equivocado da fiscalização. Pelo principio basilar da legalidade, a autoridade fiscal deve exigir a obrigação tributária, no caso o IPI, nos termos da legislação em vigor, fazendo incidir sobre o valor aduaneiro da mercadoria importado a alíquota aplicável para cada produto, em função justamente da seletividade deste tributo. A fiscalização não comprovou, e nem poderia visto inexistir, o fundamento legal para aferição de média ponderada de alíquotas de IPI. Finalmente, por entender que não houve a competente demonstração da necessidade de ajuste do valor aduaneiro dos veículos importados, que, destaquese, sequer foram relacionados com as importações efetuadas, e ainda pela ilegalidade da aplicação de alíquota média de IPI, julgo IMPROCEDENTE os lançamentos a que se referem os autos de infração do presente processo”. Sendo assim, voto no sentido de manter a decisão recorrida e negar provimento ao recurso. É como voto. [...] Diante do exposto, são acolhidos os embargos de declaração para sanar a omissão apontada e, na matéria analisada, dar provimento ao recurso especial da Contribuinte. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 5767DF CARF MF Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 9303006.469 CSRFT3 Fl. 7 6 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Ainda que esteja de acordo com a i. Relatora do processo de que o acórdão foi omisso em relação à utilização de alíquotas médias para apuração dos tributos devidos, peço vênia para discordar dos efeitos advindos da supressão dessa omissão, pelas razões que a seguir passo a demonstrar. No curso do processo, duas consequências foram apontadas pelas partes em decorrência do critério de que lançou mão o Fisco para apuração do valor do crédito tributário exigido no auto de infração, quais sejam: (i) a preterição do direito de defesa, pela ausência de demonstração clara da metodologia de cálculo do quantum exigido e (ii) vício material ou formal do auto de infração, ante a inobservância da legislação que disciplina a matéria. As alíquotas aplicáveis às importações realizadas pela autuada variavam de 0% a 70%, com base no modelo de veículo importado. A alíquota utilizada pelo Fisco foi uma alíquota média, ponderada, para os veículos importados no mês do faturamento do serviço, considerandose o total dos veículos importados, discriminados por modelo/origem. No quadro de efolha 1301, consta o valor dos serviços prestados, mês a mês, para cada ano, montante apurado a partir das informações obtidas em diligência fiscal realizada na empresa Peugeot do Brasil, e a alíquota aplicada, calculada, com base na relação de veículos importados, conforme informação fornecida pela Coimex. Como bem lembrado pela decisão recorrida, no acórdão de embargos de e folhas 5.267 e segs, à e folha 128, a Fiscalização Federal explica os critérios utilizados para apuração do valor do crédito tributário devido. Observese. 1) Os valores de serviço faturados como "Assessoria na Importação de Veículos" foram apurados em diligência fiscal realizada na empresa " PEUGEOT DO BRASIL". 2) O valor total dos serviços foi considerado como ajuste. 1 Os valores também estão quantificados às efolhas 129. Fl. 5768DF CARF MF Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 9303006.469 CSRFT3 Fl. 8 7 3) Para o cálculo das alíquotas do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados, foi considerada a média ponderada dos veículos importados no mês do faturamento do serviço. 4) A relação com totais de veículos importados, discriminados por modelo/origem dos veículos, foi fornecida pela COIMEX (devidamente intimada). 5) Para cada mês, apurouse então pela quantidade de veículos importados, as alíquotas médias obtidas por ponderação, pois existem veículos com alíquotas variando de 0% a 70%. 6) O resultado está explicitado em quadro que contém o valor total de serviço como valor tributável e as alíquotas médias ponderadas obtidas pelo cálculo explicadas acima. Assim, percebese que os dados de que a Fiscalização Federal lançou mão foram obtidos em diligência realizada na empresa Peugeot do Brasil e a alíquota considerada foi calculada com base na relação de veículos importados fornecida pela Coimex. Logo após as duas planilhas a que se fez referência (efolhas 129 e 130), há assentamentos contábeis e notas fiscais de serviço das quais foram extraídas as informações nelas compiladas. Deste modo, concessa venia, não vejo como as atuadas pudessem encontrar dificuldades na compreensão dos valores apurados e dos critérios utilizados pelo Fisco. As informações utilizadas foram fornecidas pelas próprias empresas e os documentos que lhes deram amparo foram regularmente carreados aos autos. Como bem apontado pela i. Relator do processo na instância recorrida Se acaso o valor total dos serviços prestados não correspondesse à realidade ou as quantidades de veículos importados por modelo fosse diferente ou de seu cálculo resultasse uma alíquota distinta daquela utilizada pela Fiscalização Federal, isso haveria de ter sido demonstrado pela defesa, pela singela apresentação de dados concretos e não de forma genérica e evasiva. Fl. 5769DF CARF MF Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 9303006.469 CSRFT3 Fl. 9 8 Passo à questão atinente à presença de vício no auto de infração ora controvertido. Liminarmente, que se diga que, a meu ver, é incontroverso nos autos a vinculação de determinados valores cobrados a título de serviços prestados pela Peugeot do Brasil às concessionárias, com o valor dos automóveis adquiridos e com o financiamento assumido pelas concessionárias e a assunção de dívida correspondente. O entrave identificado pelo Fisco, contudo, foi a indisponibilidade de dados precisos, que permitissem estabelecer uma relação precisa e direta entre o valor dos serviços prestados e os diversos veículos a que estavam vinculados. Uma vez mais, lanço mão das considerações feitas pelo i. Relator da instância a quo. As evidências foram suficientes para comprovação do fato, mas não para individualização dos valores a ponto de que fosse possível distribuir o preço cobrado em cada nota fiscal por cada um dos inúmeros veículos importados. Nestas circunstâncias, quando impossível determinar com precisão a matéria tributável, não é nova a posição deste Relator de que cabe ao Fisco utilizar de critérios razoáveis para suprir tal deficiência1. Não fosse assim e seria de se admitir que o embaraço decorrente confusão identificada terminasse por subtrair do agente fazendário a condição de formular e expressar a exigência em quantia certa, restando o próprio infrator beneficiado pela situação caótica que, frequentemente, é por ele próprio armada. E, de fato, era das empresas autuadas a responsabilidade pela individualização do valor dos serviços prestados por veículo. Uma vez que não tenham se desincumbido desse dever, a média ponderada apresentouse como o único critério razoável passível de ser utilizado. E não será demais lembrar que não há qualquer ilegalidade nesse procedimento. Tratase de uma prerrogativa prevista em Lei, como sobressai incontroverso do teor do art. 148 do Código Tributário Nacional, se não vejamos. Fl. 5770DF CARF MF Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 9303006.469 CSRFT3 Fl. 10 9 Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tem em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Para concluir, transcrevo uma vez mais as considerações presentes no voto condutor da decisão recorrida, no corpo do acórdão de embargos, cujos fundamentos acolho, como se meus fossem. Conforme demonstra o então Relator do processo, até mesmo do ponto de vista material o procedimento logrou êxito ao escolher a solução para o entrave identificado. De mais a mais, se não me falha a compreensão lógico matemática desse critério, o resultado haveria de ser o mesmo. A esse respeito houve, inclusive, manifestação da Fiscalização autuante quando provocada pela diligência determinada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A seguir, a pergunta da DRJ e a resposta dos Auditores Fiscais responsáveis pelo procedimento. d) ESCLAREÇAM os motivos por que apuraram os tributos mediante a aplicação de uma "alíquota média" sobre os valores mensais da receita de serviços da PEUGEOT DO BRASIL AUTOMÓVEIS L1DA, ao invés de aplicar a alíquota própria de cada modelo de veículo sobre o valor do serviço correspondente, PRONUNCIANDOSE, inclusive, a respeito das alegações feitas pela CIA IMPORTADORA E EXPORTADORA COIMEX (fl. 419), abaixo transcritas: (...) D — Os tributos foram apurados pela média, porque se aplicássemos a alíquota do IPI para cada importação e depois efetuássemos a soma, teríamos o mesmo valor se usássemos a média. A média é neutra e as impugnantes não demostram (sic) o contrário. Fl. 5771DF CARF MF Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 9303006.469 CSRFT3 Fl. 11 10 Com efeito, é possível fazer uma demonstração matemática do assunto. Observese: Se se adquire um item pelo valor de R$ 100,00, cuja alíquota é 10%, e dois itens no valor de R$ 20,00, com alíquota de 50%, o valor do imposto a pagar é R$ 30,00. Se para esses R$ 140,00 gastos for aplicada a alíquota calculada pela média ponderada, no percentual de 21,4286%, o resulta será igualmente de R$ 30,00. Ante tais considerações, voto pelo acolhimento dos aclaratórios, sem concederlhes efeitos infringentes, integrando o acórdão com os fundamentos acima aduzidos, e rerratificandoo. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 5772DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.722045/2014-26
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/08/2009 a 31/12/2011
RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE.
A desistência do recurso impede seu conhecimento.
RECURSO DA FAZENDA NACIONAL
Não demonstrada a similitude fática entre o acórdão recorrido e o paradigma, o recurso não deve ser conhecido por falta de pressuposto.
Recursos Especial do Contribuinte e da Fazenda Nacional não conhecidos.
Numero da decisão: 9303-006.735
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/08/2009 a 31/12/2011 RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE. A desistência do recurso impede seu conhecimento. RECURSO DA FAZENDA NACIONAL Não demonstrada a similitude fática entre o acórdão recorrido e o paradigma, o recurso não deve ser conhecido por falta de pressuposto. Recursos Especial do Contribuinte e da Fazenda Nacional não conhecidos.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10865.722045/2014-26
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5867691
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-006.735
nome_arquivo_s : Decisao_10865722045201426.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
nome_arquivo_pdf_s : 10865722045201426_5867691.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
id : 7311821
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:19:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050311603519488
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1477; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10865.722045/201426 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9303006.735 – 3ª Turma Sessão de 15 de maio de 2018 Matéria IPI CLASSIFICAÇÃO FISCAL Recorrente FAZENDA NACIONAL e DOHLER AMÉRICA LATINA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL e DOHLER AMÉRICA LATINA LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/08/2009 a 31/12/2011 RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE. A desistência do recurso impede seu conhecimento. RECURSO DA FAZENDA NACIONAL Não demonstrada a similitude fática entre o acórdão recorrido e o paradigma, o recurso não deve ser conhecido por falta de pressuposto. Recursos Especial do Contribuinte e da Fazenda Nacional não conhecidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 20 45 /2 01 4- 26 Fl. 995DF CARF MF Processo nº 10865.722045/201426 Acórdão n.º 9303006.735 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial da Fazenda Nacional (fls. 868/879) e do contribuinte (fls. 916/929) contra o Acórdão nº 3301003.062 (fls. 845/866), proferido em 24/08/2016, que negou provimento ao recurso de ofício e deu provimento parcial ao recurso voluntário, assim ementado: IPI. ÔNUS DA PROVA. DIVERGÊNCIA DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Havendo litígio no que se refere à identificação do produto industrializado, a ausência, nos autos, de elementos capazes de demonstrar a adequada reclassificação, implica na manutenção do código em que foi enquadrado pelo industrializador. IPI. SUSPENSÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS E AMAZÔNIA OCIDENTAL. PROVA. Tendo sido provado que na saída de produtos do estabelecimento industrial com a suspensão do IPI foram observadas as disposições normativas, cabe a exoneração do crédito tributário lançado relativo à operação. IPI. FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento do IPI, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. Recurso de ofício negado. Recurso voluntário parcialmente provido. RECURSO PFN O Recurso Especial da PFN, agravado o despacho inicial que o denegou, foi admitido pelo despacho do Presidente do CARF (fls. 893/896). Alegou a PFN, que na parte que o aresto recorrido deu provimento por falta de provas, em vez de ter cancelado o lançamento, deveria têlo anulado por vício formal. O paradigma cotejado foi o de nº 301031.996. Contrarrazões do contribuinte (fls. 900/913) postulando o não conhecimento do recurso e, caso conhecido, que lhe seja negado provimento vez entender que a não apresentação de provas aptas a comprovar a reclassificação fiscal dos produtos tratarse de vício material. RECURSO DO CONTRIBUINTE O contribuinte manejou recurso especial na parte que sucumbiu. Porém, desistiu do mesmo (petição de fls. 952/953), "uma vez que optou pelo pagamento dos valores mantidos" no acórdão inicialmente recorrido. É o relatório. Voto Fl. 996DF CARF MF Processo nº 10865.722045/201426 Acórdão n.º 9303006.735 CSRFT3 Fl. 4 3 Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator RECURSO DO CONTRIBUINTE Quanto ao recurso especial do contribuinte, é de não ser conhecido, uma vez que após sua interposição aquele desistiu do mesmo. RECURSO DA FAZENDA NACIONAL ADMISSIBILIDADE DO RE DA PFN O contribuinte foi autuado pelas seguintes infrações (itens 3.1, 3.2 e 3.3 do Relatório Fiscal fls. 12/15): 1 não recolhimento do IPI por conta da classificação equivocada de produtos preparados e concentrados no código NCM 2106.90.10 da TIPI (alíquota zero), uma vez que, no entender do Fisco, tais produtos deveriam ser classificados no código NCM 2106.90.10 Ex1 (alíquota de 27%); 2 não recolhimento do IPI por conta da classificação equivocada de produtos preparados e concentrados no código 20.09 da TIPI (alíquota zero) quando deveria ter classificado no código NCM 2106.90.10 Ex1 (alíquota 20% de IPI); 3 realização de vendas sem o devido recolhimento do IPI, pois não foram cumpridas as condições para suspensão do tributo. A decisão de primeira instância cancelou parcialmente as infrações 1 (em relação a 13 NF) e 3 (em relação a uma NF), e cancelou na íntegra a infração 2 por falta de provas da imputação fiscal. De sua feita a decisão recorrida cancelou integralmente o remanescente da infração 1, negou provimento ao recurso de ofício acerca da infração 2 e deu parcial provimento em relação à infração 3, acrescendo uma NF aquelas possíveis de saídas com suspensão para a ZFM. Assim, a Procuradoria não se insurgiu quanto ao mérito em si, mas sim quanto à forma, tendo em vista que a parte cancelada pela decisão recorrida assim como aquela cancelada pela DRJ, e que deu azo ao recurso de ofício, o qual foi negado pela r. decisão, tiveram por motivação o cancelamento da exação com fundamento em falta de provas. No entanto, a douta Procuradoria fez a leitura da r. decisão, e assim manejou o Especial, entendendo que a motivação da r. decisão deveria ser no sentido de anular a exigência fiscal por "vício na motivação do lançamento, inclusive no que toca à apresentação dos elementos de prova, decidindo anular o auto por vício formal". E o paradigma coligido assim foi ementado: Processo n° 10410.002728/200782 Recurso n° 140.228 De Ofício Acórdão n° 320100.248 Matéria MULTA DECORRENTE DE PENA DE PERDIMENTO Fl. 997DF CARF MF Processo nº 10865.722045/201426 Acórdão n.º 9303006.735 CSRFT3 Fl. 5 4 É nulo, por vício formal, o lançamento tributário quando não estiverem presentes todos os elementos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, bem como, quando se constatar confusa contextualização dos elementos de prova que visavam determinar o fato gerador da obrigação, e os que forem formalizados com erro na determinação da matéria tributável, posto que, por representar preterição de uma formalidade essencial, caracterizase cerceamento do direito de defesa. Recurso de Oficio Negado” O outro paradigma (301.31.996) vai na esteira desse: PAF. NULIDADES. VICIO FORMAL. É nulo, por vício na motivação, o auto de infração cujo objeto é a classificação fiscal de mercadorias quando o fisco não caracteriza perfeitamente o produto e não indica a regra de classificação fiscal utilizada. Recurso de ofício negado. O RICARF em seu art. 67 e parágrafos, que trata o recurso especial quanto à divergência de interpretação da legislação tributária, dispõe em seus § 8º: § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. E a meu juízo não foi feito esse cotejo analítico no sentido de que as duas decisões deram interpretação divergente a mesmo fato. No aresto modelo, no que coligido aos autos, apenas assevera que é nulo, por vício de motivação, o auto de infração em reclassificação fiscal quando o fisco não caracteriza perfeitamente o produto e não indica a regra de classificação fiscal utilizada. Essa não foi a fundamentação para a exoneração, em grande medida, do lançamento versado nestes autos. O fundamento foi que não restou provada ou a circunstância para o enquadramento no Ex 01 do código NCM 2106.90.10 da TIPI, ou, ao se referir a provas de outros processos, não foram essas acostadas aos autos, assim fulminando a exação por carência probatória, não tendo sido decretada a nulidade da exação. Em síntese, os paradigmas cuidaram de nulidade dos lançamentos por falhas na descrição dos fatos, ou seja, falhas na descrição dos elementos que caracterizam as infrações imputadas, o que implicou reconhecimento do cerceamento do direito de defesa com a consequente declaração de nulidade. Assim, não restando similitude fática entre o Acórdão recorrido e o aresto paradigma, não conheço do recurso da Fazenda Nacional ante a falta de pressuposto recursal. DISPOSITIVO Ante o exposto, não conheço dos recursos especial do contribuinte e da Fazenda Nacional. É como voto. Fl. 998DF CARF MF Processo nº 10865.722045/201426 Acórdão n.º 9303006.735 CSRFT3 Fl. 6 5 (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 999DF CARF MF Processo nº 10865.722045/201426 Acórdão n.º 9303006.735 CSRFT3 Fl. 7 6 Fl. 1000DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.729859/2013-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2008
Ementa:
SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE.
Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal.
SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES.
A instalação de elevadores amolda-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços.
Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.156
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra acompanharam o Relator do acórdão paradigma pelas conclusões (art. 63, § 8º do RICARF).
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Ano-calendário: 2008 Ementa: SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores amolda-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11080.729859/2013-09
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5861382
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-005.156
nome_arquivo_s : Decisao_11080729859201309.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 11080729859201309_5861382.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra acompanharam o Relator do acórdão paradigma pelas conclusões (art. 63, § 8º do RICARF). (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
id : 7273289
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:17:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050311605616640
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1738; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.729859/201309 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402005.156 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria PIS/Cofins Recorrente THYSSENKRUPP ELEVADORES SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Anocalendário: 2008 Ementa: SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores amoldase ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra acompanharam o Relator do acórdão paradigma pelas conclusões (art. 63, § 8º do RICARF). (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 98 59 /2 01 3- 09 Fl. 365DF CARF MF Processo nº 11080.729859/201309 Acórdão n.º 3402005.156 S3C4T2 Fl. 0 2 Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado. Relatório Trata o presente processo de DCOMP transmitida com objetivo de compensar os débitos nela apontados com créditos provenientes de pagamento indevido ou a maior. A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório, no qual a Delegacia de origem, com base em informação fiscal resultante de diligência do Serviço de Fiscalização para apuração do direito creditório informado na DCOMP, onde ficou constatada a improcedência do mesmo, revisou de ofício o reconhecimento do direito creditório automático para não reconhecimento do direito creditório por inexistência do crédito e também de ofício revisou a homologação total da compensação efetuada através da mencionada declaração para compensação não homologada. A autoridade fiscal que proferiu a referida informação tomou por base a Solução de Consulta 446 SRRF/8ª RF/Disit, de 18/08/2007, uma vez que a Solução de Consulta 104 SRRF/10ª RF/Disit, de 18/08/2008, foi anulada pelo Parecer 52 SRRF10/Disit, de 13/09/2011, sob o seguinte argumento: É vedada a coexistência de duas soluções de consulta vigentes e eficazes sobre o mesmo fato, relativas a um mesmo sujeito passivo(...). Por sua vez, a Solução de Consulta vigente tem a seguinte ementa para o PIS: ELEVADORES. NÃOCUMULATIVIDADE. A instalação de elevador por seu produtor não caracteriza obra de construção civil, descabendo a aplicação do art. 10, XX, da Lei nº 10.833, de 2003. Caracterizase como operação de industrialização, na modalidade montagem, a reunião de partes, peças e componentes da qual resulte elevador, inclusive quando realizada fora do estabelecimento do executor, no próprio prédio onde esse equipamento será utilizado. Sofre incidência da contribuição para o PIS/Pasep em regime de apuração não cumulativo o total das receitas decorrentes do fornecimento de elevador por seu produtor, o qual se conclui ao final do processo de montagem. Para a Cofins foi proferida ementa com igual teor. (...). Uma vez intimado o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, a qual foi julgada improcedente pelo acórdão 09054.922, que entendeu que a compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, não verificado no caso em comento, afastou a preliminar de nulidade do Despacho Decisório e concluiu que "a Fl. 366DF CARF MF Processo nº 11080.729859/201309 Acórdão n.º 3402005.156 S3C4T2 Fl. 0 3 decisão judicial transitada em julgado é, na verdade, a lei aplicada ao caso concreto e, tratandose de exclusão do crédito tributário, deve ser interpretada literalmente". Diante deste quadro, o contribuinte apresentou o recurso voluntário tempestivo, oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.145, de 18 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 11080.729500/201323, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.145): "5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. A discussão travada nos autos e o precedente vinculante deste CARF favorável ao contribuinte 6. A questão aqui travada não é nova, uma vez que já foi decidida por este CARF para o mesmíssimo contribuinte de forma paradigmática, i.e., nos termos do art. 47, § 2º do RICARF. Referida decisão foi veiculada por intermédio do acórdão n. 3201002.448 e encontrase assim prescrita: (...). A princípio, temse que o cerne da questão é definir qual a natureza da atividade exercida pela Recorrente (instalação de elevadores): se construção civil ou se industrialização. Tal definição determinará se a Recorrente deveria, à época dos fatos geradores, apurar o recolhimento do PIS e da COFINS pelo regime não cumulativo ou pelo cumulativo. Há peculiar situação no feito, consistente no fato de que a Recorrente teria apresentado duas Consultas Fiscais acerca do tratamento tributário mais adequado, obtendo Soluções conflitantes. Na primeira delas, Solução de Consulta nº 446/2007, da 8ª Região Fiscal, concluiuse que se tratava de industrialização e que, portanto, as receitas estariam Fl. 367DF CARF MF Processo nº 11080.729859/201309 Acórdão n.º 3402005.156 S3C4T2 Fl. 0 4 sujeitas ao regime não cumulativo das citadas contribuições. A segunda, Solução de Consulta nº 104/2008, da 10ª Região Fiscal, afirmou que as receitas estariam sob o regime cumulativo. No caso, o crédito postulado pela Recorrente origina da aplicação do segundo entendimento. Os créditos postulados, portando, decorrem da reapuração do PIS e da COFINS outrora calculados pelo regime não cumulativo e reajustados para o cumulativo. Idêntica questão já foi examinada por esta mesma Turma na sessão de 24 de fevereiro de 2016, em decisão por maioria proferida nos autos do Processo nº 11080.726628/201335, da mesma THYSSENKRUPP ELEVADORES S/A, no qual a Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi designada Relatora para o Voto Vencedor. O referido Acórdão nº 3201002.070 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 Fl. 368DF CARF MF Processo nº 11080.729859/201309 Acórdão n.º 3402005.156 S3C4T2 Fl. 0 5 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado Vistos,relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Winderley Morais Pereira, relator. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Como consta em ata, o voto da i. Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi por mim acompanhado integralmente. Por essa razão, peço vênia para transcrevêlo como fundamento do presente julgado: Como se depreende do voto do eminente relator, o mérito da presente demanda não foi conhecido, por se entender que havia solução de consulta, proferida para a situação específica dos autos e proposta pela própria Recorrente. Com efeito, no mérito a Recorrente alega que o regime jurídico de apuração das contribuições sociais, tome a sua atividades de instalação de elevadores como prestação de serviços de construção civil, o que determinaria a aplicação do regime cumulativo. A Recorrente obteve a solução de consulta SRRF/8ªRF/DISIT nº 446, de 18/09/2007, que ao analisar as atividades realizadas pela Recorrente de instalação de elevadores, decidiu não ser atividade de construção civil e portanto, estariam sujeita a apuração do PIS e da COFINS no regime não cumulativo. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 11080.729859/201309 Acórdão n.º 3402005.156 S3C4T2 Fl. 0 6 Não obstante, a Recorrente protocolou nova consulta, na Superintendência da Receita Federal do Brasil na 10ª Região Fiscal (Solução de Consulta SRRF/10ªRF/DISIT nº 104, de 18 de agosto de 2008), que considerou a atividade da Recorrente como prestação de serviços de construção civil e portanto, enquadrada nas disposições do art. 10, XX, da Lei nº 10.833/2003, determinando a apuração do PIS e da COFINS no regime cumulativo.(fls. 391 a 397). O entendimento do eminente Conselheiro Winderley Morais Pereira foi no sentido de que, em sendo a solução de consulta instrumento de garantia do contribuinte para esclarecimentos quanto a aplicação da legislação, a possibilidade de consultas do mesmo contribuinte tratando da mesma matéria serem protocoladas em unidades diversas da RFB, poderia mitigar a força normativa das consultas. Por essa razão, a decisão anterior não produziria efeito, nos termos do art. 54, IV do Decreto nº 70.235/72. Contudo, a questão que se põe e da qual se diverge do ilustre relator, é precisamente sobre a possibilidade de a decisão proferida no âmbito do contencioso administrativo fiscal, se sobrepor a decisão em solução de consulta, para o mesmo contribuinte. Ora, embora pelo processo de consulta possa se entender que o contribuinte recorra à Administração para buscar a correta exegese de determinada norma jurídica, verificase o que se busca, invariavelmente, é uma medida protetiva, de cunho preventivo, para a estruturação tributária de suas operações. O fato é que no âmbito do processo de consulta, o contribuinte não comparece na condição de mero consulente, até mesmo porque, já traz em seu pedido o posicionamento que entende cabível, com a respectiva fundamentação legal, o que aliás, é condição para o processamento de sua consulta, de acordo com a legislação em vigor, sob pena de sua ineficácia. Embora o procedimento de consulta não se equipare lógica e juridicamente ao processo administrativo fiscal, o fato é que este também possui conteúdo persuasivo, buscandose convencimento da Administração, acerca de determinada interpretação. E se assim for o caso, a solução em consulta conferelhe medida protetiva, um verdadeiro escudo contra eventuais futuros entendimentos administrativos contrários. Por essa razão, apenas a solução de consulta favorável ao contribuinte tem repercussões no contencioso administrativo fiscal, no sentido de coibir o lançamento. Observese que, nessa toada, dispõe o art. 100 do Decreto n. 7574/2011: (...). Fl. 370DF CARF MF Processo nº 11080.729859/201309 Acórdão n.º 3402005.156 S3C4T2 Fl. 0 7 Acresçase, por fim, que as decisões proferidas em procedimentos de consulta e no processo administrativo fiscal são lógica e juridicamente distintas, de sorte que não se verifica quaisquer relações de hierarquia entre elas. Superadas a questão, partese para o conhecimento do mérito da lide. A atividade de instalação de elevadores deve ser caracterizada como serviço, e não como atividade de industrialização, frisandose que, na hipótese dos autos, a Recorrente aparta a atividade de fabricação dos elevadores, da de sua instalação. Além de todas os fundamentos jurídicos trazidos pela Recorrente, como o fato de que a instalação de elevadores sob encomenda ser complemento da obra de construção civil, esta, indubitavelmente subsumida ao conceito de serviço, por se agregarem ao solo, dentre outras, temse que, para efeitos da legislação federal, que passou a tributar os serviços pelas contribuições sociais, bem como instituir o instrumental necessário para o controle do comércio exterior de serviços, com a edição da Nomenclatura Brasileira de Serviços, Decreto n. 7708/2011, não há mais dúvidas quanto ao enquadramento. Destarte, de acordo com o art. 2o do decreto, a NBS será adotada como nomenclatura única na classificação das transações com serviços, intangíveis e outras operações que produzam variações no patrimônio das pessoas físicas, pessoas jurídicas e entes despersonalizados. Os serviços de instalação de elevadores estão assim dispostos: SEÇÃO I SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO Capítulo 1 Serviços de construção 1.0131 Outros serviços de instalação 1.0131.10.00 Serviços de instalação de elevadores, esteiras e escadas rolantes O direito positivo brasileiro não traz um conceito conotativo de "serviço' nem mesmo para efeitos de incidência do ISSQN, operando sempre com definições denotativas, ou seja, com listas que arrolam o que são considerados os "serviços" para efeitos de tributação. Portanto, não se questiona a validade, vigência e eficácia da Nomenclatura Brasileira de Serviços, para esse fim. Não se olvide, finalmente, que os decretos são de aplicação obrigatória para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de maneira que considerada a atividade em questão como serviço, deve ser a aplicação do regime cumulativo das contribuições sociais. Fl. 371DF CARF MF Processo nº 11080.729859/201309 Acórdão n.º 3402005.156 S3C4T2 Fl. 0 8 Por essas razões, entendo que há de ser dado provimento ao recurso voluntário.Com efeito, não vislumbro a possibilidade de uma Solução de Consulta expedida pela Receita Federal do Brasil vincular, ad eternum, uma exigência tributária que se mostre claramente ilegítima. Não se trata aqui de discutir se o contribuinte poderia ou não ter formulado uma segunda Consulta Fiscal, ou mesmo qual das respostas deveria prevalecer. Tratase aqui de reconhecer a legalidade ou ilegalidade de uma exigência tributária, ou, melhor dizendo, de definição acerca do alcance de uma norma tributária. Mesmo se admitisse que, de acordo com as normas procedimentais, a segunda Solução de Consulta deveria ser tida por inexistente, tal constatação, por óbvio, não chancela a legitimidade da primeira Solução de Consulta. Afinal, este não é o meio adequado para se definir fato gerador de obrigação tributária. E, nesse sentido, trago o seguinte precedente do Superior Tribunal de Justiça que reconhece o serviço de instalação e montagem de elevadores como obra de engenharia, e não como industrialização (portanto, atraindo a incidência do regime cumulativo do PIS e da COFINS à época dos fatos geradores): TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. FORNECIMENTO DE ELEVADORES. IPI. NÃO INCIDÊNCIA. 1. A atividade de fornecimento de elevadores, que envolve a produção sob encomenda e a instalação no edifício, encerra, precipuamente, uma obra de engenharia que complementa o serviço de construção civil, não se enquadrando no conceito de montagem industrial, para fins de incidência do IPI. 2. Recurso especial provido. (REsp 1231669/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/11/2013, DJe 16/05/2014) Diante do exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, exonerando o crédito tributário lançado. 7. Referida decisão apresenta um caráter vinculante, devendo ser seguida por esta Turma julgadora. Neste aspecto, todavia, não concordou o colegiado, que entende que, em tese, o colegiado poderia julgar de forma diferente daquele precedente paradigmático, haja vista que se está diante de outro lote de processos (ainda que referentes aos mesmíssimos fatos e com as mesmíssimas partes litigantes). Deixo tais considerações aqui registradas em razão do disposto no esquizofrênico art. 63, Fl. 372DF CARF MF Processo nº 11080.729859/201309 Acórdão n.º 3402005.156 S3C4T2 Fl. 0 9 §8º do RICARF1, que determina que as conclusões adotadas pelo colegiado seja externada por aquele Conselheiro que divergiu (e continua divergindo) e que foi vencido em relação à tais conclusões. 8. Tais considerações do colegiado, entretanto, não trazem qualquer repercussão no caso prático, até porque, no que tange ao mérito, a Turma julgadora aderiu integralmente com as precisas considerações elaboradas pela então Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e replicadas pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (transcritas alhures), motivo pelo qual emprego tais fundamentos para fins de motivação do presente voto, o que faço com amparo no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/992. Dispositivo 9. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. 10. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. 1 "Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...). § 8º Na hipótese em que a decisão por maioria dos conselheiros ou por voto de qualidade acolher apenas a conclusão do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros." 2 "Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...). § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...)." Fl. 373DF CARF MF Processo nº 11080.729859/201309 Acórdão n.º 3402005.156 S3C4T2 Fl. 0 10 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado deu provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra . Fl. 374DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.000066/2009-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO - CIDE
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2004
CIDE. REMESSAS AO EXTERIOR. ROYALTIES.
A partir de 1/1/2002, a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) incide também sobre o valor de royalties, a qualquer título, que a pessoa jurídica pagar, creditar, entregar, empregar ou remeter a residente ou domiciliado no exterior, inclusive os royalties decorrentes de licença e direito de uso na exploração e transmissão de filmes, programas e eventos em televisão por assinatura.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.823
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao Recurso Voluntário.
Vencidos o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda.
O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido.
Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Roberto Duque Estrada, OAB/RJ nº 80.668.
Nome do relator: Luiz Eduardo Garrossino Barbieri
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201307
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO - CIDE Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2004 CIDE. REMESSAS AO EXTERIOR. ROYALTIES. A partir de 1/1/2002, a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) incide também sobre o valor de royalties, a qualquer título, que a pessoa jurídica pagar, creditar, entregar, empregar ou remeter a residente ou domiciliado no exterior, inclusive os royalties decorrentes de licença e direito de uso na exploração e transmissão de filmes, programas e eventos em televisão por assinatura. Recurso Voluntário negado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 16561.000066/2009-21
conteudo_id_s : 5865604
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 17 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 3202-000.823
nome_arquivo_s : Decisao_16561000066200921.pdf
nome_relator_s : Luiz Eduardo Garrossino Barbieri
nome_arquivo_pdf_s : 16561000066200921_5865604.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Roberto Duque Estrada, OAB/RJ nº 80.668.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
id : 7295207
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:18:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050311608762368
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1937; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 4.017 1 4.016 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.000066/200921 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202000.823 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de julho de 2013 Matéria CIDE. REMESSA PARA O EXTERIOR Recorrente NET BRASIL S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2004 CIDE. REMESSAS AO EXTERIOR. ROYALTIES. A partir de 1/1/2002, a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) incide também sobre o valor de royalties, a qualquer título, que a pessoa jurídica pagar, creditar, entregar, empregar ou remeter a residente ou domiciliado no exterior, inclusive os royalties decorrentes de licença e direito de uso na exploração e transmissão de filmes, programas e eventos em televisão por assinatura. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Roberto Duque Estrada, OAB/RJ nº 80.668. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Adriene Maria Miranda Veras. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 00 66 /2 00 9- 21 Fl. 4017DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.0518.08562.R9WM. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16561.000066/200921 Acórdão n.º 3202000.823 S3C2T2 Fl. 4.018 2 Relatório O presente litígio decorre de lançamento de ofício, veiculado através de auto de infração (efls. 3.791/ss) lavrado e com ciência em 02/07/2009, para a cobrança da CIDE – Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – Remessas ao Exterior, multa de ofício e juros de mora, no montante de R$ 15.673.080,93 em decorrência da incidência do tributo sobre pagamentos efetuados ao exterior em contrapartida pelo uso ou exploração de direitos autorais sobre obra artística, inclusive para a exploração e transmissão de filmes, programas e eventos em televisão por assinatura. Para elucidar os fatos e destacar os argumentos trazidos pelas partes transcrevese o Relatório constante da decisão de primeira instância administrativa (efls. 3.930/ss), verbis: Relatório: Em fiscalização foi apurada falta/insuficiência de recolhimento da CIDE na remessa de valores ao exterior a título de royalties decorrentes de contrato de aquisição (licença) e exploração de direitos autorais, sendo lançadas nos meses acima contribuições cuja soma é R$ 15.673.080,93, com multas de 75%, conforme Auto de Infração (fls 3.728 dc 3.735). A base legal do lançamento da contribuição foram os arts. 20 e 3 0 da Lei 10.168/2000, alterada pela Lei 10.332/2001 (fl 3.726). A ciência pessoal deuse em 2/7/2009 (fl 3.725, verso). Em 31/7/2009 a empresa impugnou (fl. 3.763): arguiu tempestividade da impugnação; transcreveu doutrina e pediu julgamento pela improcedência, alegando, em suma: a) contrata licenças para exibir e explorar direito de transmissão de obras audiovisuais, sujeitas ao IRfonte e Condecine; b) "royalties a qualquer titulo" da Lei 10.168/2000 não é todo e qualquer rendimento dessa espécie, pois, pelo caput do artigo 2°, a incidência da CideRemessas se restringe aos contratos do domínio tecnológico; c) os royalties pagos decorrem de direitos autorais e submetem se exclusivamente à Condecine (MP 2.2281/01, art. 32) não incidindo a CideRemessas, pois não possuem conteúdo tecnológico e, portanto, não implicam transferência de tecnologia; d) a interpretação literal é contrária à sistemática e teleológica; e) a Condecine é especial (LICC) e afasta a norma geral da CideRemessas de royalties em geral; f) os princípios gerais de direito tributário vedam a dupla tributação "bis in idem " (CideRemessas e Condecine); g) há decisões administrativas amparando tais teses (cita diversas teses nas fl 3.776 a 3.778). Fl. 4018DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.0518.08562.R9WM. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16561.000066/200921 Acórdão n.º 3202000.823 S3C2T2 Fl. 4.019 3 Ao final, pede julgamento pela improcedência e cancelamento total do lançamento. É o relatório. A 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo proferiu o Acórdão n.º 1623.558 de 19/11/2009 (efolhas 3930/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2004 CIDE. REMESSAS AO EXTERIOR. ROYALTIES. A partir de 1/1/2002, incide a cada mês, a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) também sobre o valor de royalties que a pessoa jurídica pagar, creditar, entregar, empregar ou remeter, a qualquer título, a residente ou domiciliado no exterior (art. 6°, Lei n° 10.332/2001). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2004 CANCELAMENTO/NULIDADE. INOCORRÊNCIA. As hipóteses previstas de cancelamento/nulidade, definidas no artigo 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, não ocorreram. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2004 INTERPRETAÇÃO LITERAL, SISTEMÁTICA E TELEOLOGICA. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário e outorga de isenção (art 111, CTN). PRINCÍPIOS GERAIS DE DIREITO PRIVADO. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários (art. 109, CTN). PRINCÍPIO GERAL DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O princípio geral de direito tributário das contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas é a incidência múltipla, exceto quando definido em lei (art 149, § 4°, CF/88). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A interessada cientificada do Acórdão em 04/01/2010 (efolha 3.948), interpôs Recurso Voluntário em 02/02/2010 (efolhas 3944/ss), onde repisa os mesmos Fl. 4019DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.0518.08562.R9WM. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16561.000066/200921 Acórdão n.º 3202000.823 S3C2T2 Fl. 4.020 4 argumentos trazidos em sua impugnação, acrescentando comentários e ponderações sobre a decisão recorrida. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional apresentou “Contrarrazões” (e folhas 3.994/ss), onde alega em síntese: a CIDE não é devida unicamente quando há transferência de tecnologia, incidindo, também, sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas a residentes ou domiciliados no exterior a titulo de royalites devidos pelo licenciamento para exploração de direitos autorais, independentemente de os contratos relativos a tal licença estarem atrelados àquela transferência; a Lei que regula a CIDERoyalties (Lei 10.168/00, alterada pela Lei 10.332/01) determina que ela é devida pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer titulo, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. Deste modo, não há dúvidas de que os valores remetidos ao exterior pela recorrente tratavamse de royalites. A remuneração pelo direito de transmitir filmes e programas de televisão, de fato, não pode ter outra natureza, em especial considerandose se tratar de contraprestação pela aquisição de obras criativas de autoria de terceiros; a Lei 9.610/98, ao tratar dos direitos autorais, determina serem obras intelectuais as audiovisuais. E, por sua vez, a Lei 4.506/64 determina que os direitos autorais sejam pagos mediante royalties; assim, a remessa de royalties ao exterior a título de pagamento pela licença para a exploração e transmissão programas de TV (royalty pela exploração de direito autoral) configura hipótese de incidência da CIDE, nos termos no art. 2°, caput, e parág. 2° da Lei 10.168/00; o julgamento acerca do bis in idem (incidência da CIDE juntamente com a Condecine) passa, necessariamente, pela verificação de aspectos constitucionais da exação ou, em última análise, no afastamento da incidência de uma lei, o que é vedado a este Conselho, nos termos da Súmula CARF n° 02; o fenômeno do bis in idem se verifica sempre um mesmo ente político tributa a mesma grandeza e o mesmo contribuinte, por meio de duas exações diversas. Esse fenômeno não é vedado pela Constituição Federal, ao menos em se tratando de contribuições de intervenção no domínio econômico. Em nosso ordenamento temos exemplos de bis in idem, dentre os quais citamos a tributação, pela União, do IRPJ (Imposto de rendaPessoa Jurídica) e da CSSL (Contribuição Social sobre o Lucro Liquido), ambos incidentes sobre a renda, bem assim a criação, também pela União, de duas contribuições sociais para financiamento da seguridade social incidentes sobre a receita ou faturamento (COFINS e PIS); além disso, a destinação dos recursos arrecadados com a cobrança da CIDE e da CONDECINE, e também os seus fatos geradores são diversos, o que por si só já bastaria para afastar a alegação de que há, entre elas, qualquer duplicidade de incidência; a CIDE ora exigida é muito mais específica do que a CONDECINE; por fim, a FAZENDA NACIONAL requer que seja negado provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. Fl. 4020DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.0518.08562.R9WM. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16561.000066/200921 Acórdão n.º 3202000.823 S3C2T2 Fl. 4.021 5 O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A controvérsia em discussão referese à incidência da CIDE – Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – Remessas ao Exterior, sobre pagamentos efetuados em decorrência de contratos celebrados pela Recorrente com empresas programadoras, situadas no exterior, para aquisição de licença para a exploração e transmissão de filmes, programas e eventos em televisão por assinatura. A Recorrente, na qualidade de empresa distribuidora, negociava, em nome próprio, a contratação de tais direitos e, posteriormente, os repassava, mediante recebimento de comissão, às empresas operadoras, pessoas jurídicas que estão autorizadas a receber sinais de TV paga e retransmitir aos seus assinantes. A CIDE – Remessas ao Exterior encontra fundamento constitucional no artigo 149 da Carta Magna, verbis: “Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo” (o destaque não é original). Com base nessa competência constitucional, a União instituiu a CIDE inicialmente através da Lei nº 10.168/2000, posteriormente alterada pela Lei nº 10.332/2001. O artigo 1º da Lei nº 10.168/2000 delimitou a área de domínio econômico em que a União intervirá, e o artigo 2º detalhou a fonte de custeio dessa intervenção, nos seguintes termos: Art. 1º Fica instituído o Programa de Estímulo à Interação UniversidadeEmpresa para o Apoio à Inovação, cujo objetivo principal é estimular o desenvolvimento tecnológico brasileiro, mediante programas de pesquisa científica e tecnológica cooperativa entre universidades, centros de pesquisa e o setor produtivo. Art. 2º Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. (Vide Medida Provisória nº 510, de 2010) Fl. 4021DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.0518.08562.R9WM. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16561.000066/200921 Acórdão n.º 3202000.823 S3C2T2 Fl. 4.022 6 § 1º Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 1ºA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. (Incluído pela Lei nº 11.452, de 2007) §2º A partir de 1º de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. (Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) (...) (Negritei) Importante destacar que a Lei nº 10.332/2001, ao dar nova redação ao §2º do artigo 2º da Lei nº 10.168/2000, alargou o campo de incidência da CIDE, fazendoa incidir, a partir de 01/01/2002, sobre mais duas materialidades, quais sejam: (i) contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior; e (ii) pessoas jurídicas que que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. A discussão sobre a constitucionalidade das alterações trazidas pela Lei nº 10.332/2001 não pode ser feita na esfera do contencioso administrativo, nos termos do que dispõe a Súmula CARF n° 02. Por outro lado, é certo que o Supremo Tribunal Federal já reconheceu a constitucionalidade da Lei nº 10.168/00. Confirase: “EMENTA: Agravo regimental em recurso extraordinário. 2. Lei n.º 10.168, de 2000. Contribuição social de intervenção no domínio econômico. Inexigência de lei complementar e de vinculação direta entre o contribuinte e o benefício. Precedentes. 3. Agravo regimental a que se nega provimento”. (REAgR 451915/PR, Rel. Min. Gilmar Mendes, Segunda Turma, por unanimidade, j. 17/10/2006, DJ 01/12/2006) Deste modo, com a alteração trazida pela Lei nº 10.332/2001 o legislador não restringiu a incidência da CIDE apenas aos casos em que há transferência de tecnologia. Não restam dúvidas, que a partir de 1º de janeiro de 2002, a referida contribuição passou a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior e pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior (art. 2º, § 2º, da Lei n. 10.168/00). Fl. 4022DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.0518.08562.R9WM. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16561.000066/200921 Acórdão n.º 3202000.823 S3C2T2 Fl. 4.023 7 Em síntese, a incidência operase sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das seguintes hipóteses: (i) transferência de tecnologia (caput do artigo 2º); (ii) serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes (primeira parte do §2º do artigo 2º); e (iii) royalties, a qualquer título (parte final do §2º do artigo 2º). Na esfera tributária, o termo royalties encontrase delimitado no artigo 22 da Lei nº 4.506/64, verbis: Art. 22. Serão classificados como "royalties" os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: a) direito de colhêr ou extrair recursos vegetais, inclusive florestais; b) direito de pesquisar e extrair recursos minerais; c) uso ou exploração de invenções, processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra. A enunciação acima é exemplificativa, sendo caracterizado como royalty qualquer rendimento decorrente do uso, da fruição ou exploração de direitos, inclusive, nos caso de exploração de direitos autorais. O artigo 1º da Lei nº 9.610/98 prescreve que são direitos autorais os direitos do autor e os que lhe são conexos e o artigo 7º, ao tratar dos direitos autorais, determina serem obras intelectuais, dentre outras hipóteses, as audiovisuais, verbis: Art. 1º Esta Lei regula os direitos autorais, entendendose sob esta denominação os direitos de autor e os que lhes são conexos. (...) Art. 7º São obras intelectuais protegidas as criações do espírito, expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que se invente no futuro, tais como: (...) VI as obras audiovisuais, sonorizadas ou não, inclusive as cinematográficas; A meu ver, os valores remetidos pela Recorrente ao exterior a título de remuneração pelo direito de transmissão de obras audiovisuais (filmes, programas e outros eventos em televisão) têm a natureza jurídica de royalties, por tratarse de contraprestação pelo uso/exploração/transmissão de obras intelectuais de autoria de terceiros (empresas programadoras, situadas no exterior). Em nenhum momento a Lei nº 10.168/2000, com a redação da Lei nº 10.332/2001, restringiu a incidência sobre royalties “relativos a negócios com conteúdo Fl. 4023DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.0518.08562.R9WM. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16561.000066/200921 Acórdão n.º 3202000.823 S3C2T2 Fl. 4.024 8 tecnológico”, como argumenta a Recorrente, muito pelo contrário, a lei expressamente prescreve a incidência sobre “royalties, a qualquer título”. Portanto, não cabe ao intérprete, ao aplicar a norma, estabelecer restrições onde à lei não o fez. Apenas para uma das hipóteses de incidência da CIDE (prevista no caput do artigo 2º) a lei exige a comprovação de transferência de tecnologia, assim considerados os contratos relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. Nas outras duas hipóteses de incidência (previstas no §2º do artigo 2º) não há essa exigência. Assim, fazendose uma interpretação sistemática, a partir dos dispositivos legais acima citados, é de se concluir que a CIDE é devida pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior (§2º, art. 2º, Lei nº 10.168/2000, com a redação da Lei nº 10.332/2001), dentre os quais incluemse os royalties incidentes sobre a remuneração paga pela licença e direito de uso na exploração e transmissão de filmes, programas e eventos em televisão por assinatura (art. 22 da Lei nº 4.506/64 c/c art. 7º da Lei nº 9.610/98). Este entendimento, inclusive, restou assentado em recente julgado proferido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão nº 930301.864, de 06/03/2012), cuja ementa transcrevese abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002 CIDEROYALTIES. REMESSA DE ROYATIES PARA RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR INCIDÊNCIA. O pagamento, o creditamento, a entrega, o emprego ou a remessa de royalties, a qualquer título, a residentes ou domiciliados no exterior são hipóteses de incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico criada pela Lei 10.168/2000. Para que a contribuição seja devida, basta que qualquer dessas hipóteses seja concretizada no mundo fenomênico. O pagamento de royalties a residentes ou domiciliados no exterior royalties, a título de contraprestação exigida em decorrência de obrigação contratual, seja qual for o objeto do contrato, faz surgir a obrigação tributária referente a essa CIDE. Recurso Especial do Procurador Provido. Nessa a linha de entendimento também há julgados do TRF da 3ª Região, conforme ementas abaixo transcritas: CONSTITUCIONAL TRIBUTÁRIO CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO DESTINADA A FINANCIAR O PROGRAMA DE ESTÍMULO À INTERAÇÃO UNIVERSIDADEEMPRESA PARA O APOIO À INOVAÇÃO LEI Nº 10.168/2000 ALTERAÇÕES CONSTITUCIONALIDADE – PRESCINDIBILIDADE DA EDIÇÃO DE LEI COMPLEMENTAR PARA SUA CRIAÇÃO FINALIDADE E VINCULAÇÃO DO PRODUTO ARRECADADO VALIDADE LICENÇA DE USO DE Fl. 4024DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.0518.08562.R9WM. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16561.000066/200921 Acórdão n.º 3202000.823 S3C2T2 Fl. 4.025 9 SOFTWARE REMESSA DE ROYALTIES AO EXTERIOR HIPÓTESES DE INCIDÊNCIA COMPROVAÇÃO DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA EM SENTIDO ESTRITO DESNECESSIDADE. 1. A instituição de contribuição de intervenção no domínio econômico prescinde da edição de lei complementar, qualificandose essencialmente pela finalidade da atividade estatal desenvolvida, assim como pela destinação conferida às receitas advindas pela sua exigibilidade. 2. A contribuição interventiva criada pela Lei nº 10.168/2000, alterada pela Lei nº 10.332/2001, cuja finalidade precípua é estimular o desenvolvimento científico e tecnológico brasileiro, encontrase em consonância com os ditames da Carta Constitucional. 3. A concessão de licença de uso de software obtida por pessoa jurídica através de contrato celebrado com empresa estrangeira, com a consequente remessa de valores ao exterior, a título de royalties, configura hipótese de incidência da citada contribuição (Lei nº 10.168/2000, art. 2º, caput e § 2º, acrescentado pela Lei nº 10.332/2001). 4. A tutela conferida ao programa de computador pela legislação do direito autoral não retira a natureza de royalties imprimida aos rendimentos obtidos pelo uso ou exploração desse direito e não impede a incidência da exação. 5. Legitimidade da incidência da contribuição, independentemente de estar comprovada a existência ou não de transferência de tecnologia, em sentido estrito, mesmo porque as hipóteses descritas na lei abarcam situações em que ela é presumida. 6. Agravo regimental improvido. (TRF3, AG 2002.03.00.0430542, 6ª Turma, Rel Des. Fed. Consuelo Yoshida, j. 04/02/2004, v.u., DJU 06/05/2005). DIREITO CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO AO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE ROYALTIES LEI FEDERAL Nº 10.168/00 EXPLORAÇÃO DE DIREITOS AUTORAIS CONSTITUCIONALIDADE. 1. A contribuição de intervenção no domínio econômico (CIDE) incidente sobre "royalties" pagos ao exterior é constitucional (STF, 2ª Turma, REAgR 451915/PR, Rel. Min. Gilmar Mendes, DJ 01/12/2006). 2. Por definição legal, a exploração de direitos autorais é equiparada a "royalties" (artigo 22, d, da Lei Federal nº 4506/64). 3. Apelação improvida. (TRF3, Apelação Cívil 000583104.2004.4.03.6100, 4ª Turma, Rel Des. Fed. FABIO PRIETO, j. 25/05/2010). Fl. 4025DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.0518.08562.R9WM. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16561.000066/200921 Acórdão n.º 3202000.823 S3C2T2 Fl. 4.026 10 Em outro giro, também não há como acatar o argumento da Recorrente quando afirma que os “royalties pagos pela aquisição de direitos de licenciamento de exibição e exploração de obras audiovisuais já se encontram inseridos no âmbito da Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional — CONDECINE (...)” e, assim sendo, haveria dupla tributação sobre um mesmo fato jurídico ou o bis in idem. No entender da Recorrente deveria aplicarse ao caso o critério da especialidade, prevalecendo apenas à incidência da CONDECINE. A CF/88 impede, conforme preceitua o artigo 154, I (competência residual), apenas a criação de impostos que tenham fatos geradores ou bases de cálculos idênticos aos de outros impostos. No caso específico das contribuições sociais, o artigo 195, §4º da Carta Magna prescreve que a lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social, estabelecendo a mesma restrição constante do artigo 154, inciso I, acima referido. No entanto, este dispositivo não atinge as contribuições de intervenção no domínio econômico – CIDE, que encontram fundamento em outro artigo da Constituição (art. 149). E mais, o §4º do artigo 149 da CF informa que a lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez: as leis instituidoras da CIDE – Royalties e a CONDECINE não fizeram esta restrição Ademais, a CIDE – Royalties e a CONDECINE têm destinações e finalidades diversas (e esse é o critério essencial para a aferição da validade de uma CIDE): a primeira destinase ao financiamento do programa de estímulo à interação universidadeempresa para apoio à inovação; a segunda destinase a fomentar o desenvolvimento das indústrias cinematográficas e vídeofonográfica. Não vislumbro, portanto, antinomias entre as normas instituidoras das citadas contribuições: cada uma delas têm suas finalidades próprias. Não havendo conflito de normas, não há que se falar em aplicação de critério da especialidade ("lex specialis derogat legi generali"). Para melhor ilustrar esse entendimento, transcrevo trecho do voto condutor do Acórdão CSRF nº 930301.864, adotandoo, também, como fundamento desta decisão: Inicialmente, devese esclarecer que não há, na Constituição Federal, qualquer vedação à incidência de mais de uma contribuição sobre determinada riqueza passível de tributação. Tanto é verdade que existe o bis in idem em relação ao PIS e a COFINS que incidem sobre faturamento. Na realidade, salvo as exceções do imposto extraordinário de guerra, a constituição veda, implicitamente, a bitributação, já que delimita a competência tributária dos entes da Federação, segregando o campo que cada um deles pode estender seu poder de tributar, Com isso, não poderá haver incidência tributária sobre determinada riqueza de tributos de mais de um ente da federação. Essa vedação é decorrente da repartição da competência tributária, dada pela Constituição Federal, o que não se aplica às contribuições sob exame. Na competência residual, prevista no art. 154, I veda o bis in idem para impostos, frisese, apenas para impostos, de que não tratam estes autos. Corrobora esse entendimento, o julgamento do REsp nº 894.129 (de 08/12/2009), no STJ, quando a Ministra relatora Eliana Calmon decidiu ser possível a incidência simultânea de duas CIDEs (a CIDE – royalties cumulada com o FUST e FUNTEL), afastando a alegação de bis in idem, por inexistir coincidência entre os elementos estruturais das normas jurídica de incidência das duas contribuições, de modo que restou decidido ser Fl. 4026DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.0518.08562.R9WM. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16561.000066/200921 Acórdão n.º 3202000.823 S3C2T2 Fl. 4.027 11 válida a contribuição interventiva instituída pela Lei nº 10.168/2000, com a redação da Lei n. 10.332/2001 (CIDEroyalties). Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, para manter a cobrança da CIDE – Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – Remessas ao Exterior, sobre pagamentos efetuados em decorrência de contratos celebrados pela Recorrente com empresas programadoras, situadas no exterior, para aquisição de licença para a exploração e transmissão de filmes, programas e eventos em televisão por assinatura. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 4027DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.0518.08562.R9WM. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI em 13/08/2013 10:09:22. Documento autenticado digitalmente por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI em 13/08/2013. Documento assinado digitalmente por: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA em 05/09/2013 e LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI em 13/08/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 30/05/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP30.0518.08562.R9WM Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 55406C9A2454EEC53A1BB3FCC7620993AF9810F1 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 16561.000066/2009-21. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
Numero do processo: 14486.001081/2009-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 31/08/2006 a 30/04/2008
IPI. AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS.
Em se tratando de tributo cujo fato gerador operou-se de forma individualizada, tanto na matriz, quanto nas filiais, não se outorga àquela legitimidade para demandar, isoladamente, em juízo, em nome destas. O IPI é regido pelo princípio da autonomia dos estabelecimentos, e, por conseqüência, depósitos judiciais efetuados para o estabelecimento matriz não garantem nem suspendem a exigibilidade de crédito tributário constituído no estabelecimento filial.
OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL.
Conforme a Súmula nº 1 do CARF, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
INCONSTITUCIONALIDADE.
Conforme a Súmula no 2 do CARF, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidadede lei tributária.
JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA.
Sobre o tributo não pago no prazo de vencimento incidem juros de mora, qualquer que seja o motivo determinante do inadimplemento da obrigação.
Numero da decisão: 3301-004.357
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por concomitância entre as esferas administrativa e judicial.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
José Henrique Mauri - Presidente Substituto.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Liziane Angelotti Meira- Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques DOliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada) e Valcir Gassen. e José Henrique Mauri (Presidente Substituto).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 31/08/2006 a 30/04/2008 IPI. AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. Em se tratando de tributo cujo fato gerador operou-se de forma individualizada, tanto na matriz, quanto nas filiais, não se outorga àquela legitimidade para demandar, isoladamente, em juízo, em nome destas. O IPI é regido pelo princípio da autonomia dos estabelecimentos, e, por conseqüência, depósitos judiciais efetuados para o estabelecimento matriz não garantem nem suspendem a exigibilidade de crédito tributário constituído no estabelecimento filial. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. Conforme a Súmula nº 1 do CARF, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. INCONSTITUCIONALIDADE. Conforme a Súmula no 2 do CARF, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidadede lei tributária. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. Sobre o tributo não pago no prazo de vencimento incidem juros de mora, qualquer que seja o motivo determinante do inadimplemento da obrigação.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 14486.001081/2009-19
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5868389
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-004.357
nome_arquivo_s : Decisao_14486001081200919.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 14486001081200919_5868389.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por concomitância entre as esferas administrativa e judicial. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Henrique Mauri - Presidente Substituto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Liziane Angelotti Meira- Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques DOliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada) e Valcir Gassen. e José Henrique Mauri (Presidente Substituto).
dt_sessao_tdt : Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7316419
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:19:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050311620296704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1832; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2.206 1 2.205 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14486.001081/200919 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301004.357 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de março de 2018 Matéria AUTO DE INFRACAOIPI Recorrente NESTLE BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/08/2006 a 30/04/2008 IPI. AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. Em se tratando de tributo cujo fato gerador operouse de forma individualizada, tanto na matriz, quanto nas filiais, não se outorga àquela legitimidade para demandar, isoladamente, em juízo, em nome destas. O IPI é regido pelo princípio da autonomia dos estabelecimentos, e, por conseqüência, depósitos judiciais efetuados para o estabelecimento matriz não garantem nem suspendem a exigibilidade de crédito tributário constituído no estabelecimento filial. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. Conforme a Súmula nº 1 do CARF, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. INCONSTITUCIONALIDADE. Conforme a Súmula no 2 do CARF, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidadede lei tributária. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. Sobre o tributo não pago no prazo de vencimento incidem juros de mora, qualquer que seja o motivo determinante do inadimplemento da obrigação. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por concomitância entre as esferas administrativa e judicial. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 6. 00 10 81 /2 00 9- 19 Fl. 2206DF CARF MF Processo nº 14486.001081/200919 Acórdão n.º 3301004.357 S3C3T1 Fl. 2.207 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) José Henrique Mauri Presidente Substituto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Liziane Angelotti Meira Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D’Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada) e Valcir Gassen. e José Henrique Mauri (Presidente Substituto). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório elaborado pela decisão recorrida (fls. 1951/1984), abaixo transcrito: Tratase de Auto de Infração (fls. 26/32) lavrado contra a contribuinte acima identificada, que pretende a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI pertinente ao período compreendido entre agosto de 2006 e abril de 2008. Cumpre destacar, por oportuno, que as folhas mencionadas neste Acórdão referemse às folhas digitais do eprocesso ora em análise. Segundo Relatório de Ação Fiscal (fls. 34/38), durante a ação fiscal constatouse que: 1) A Divisão da Defesa da Procuradoria Regional da Fazenda Nacional da 3ª Região, através do Oficio PFN/DIAJU/ASN n° 43/2008, enviou para esta Delegacia a cópia dos autos da ação ordinária n° 2006.61.00.0123289 ajuizada pelo contribuinte, distribuída perante a 14a Vara Federal Cível de São Paulo, na qual foram efetuados depósitos judiciais. Solicitou manifestação sobre a integralidade do depósito e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. O contribuinte informou que, em relação ao tributo e ao período fiscalizado, teria ajuizado a ação ordinária n° 2003.61.00.0163640 perante a 26ª Vara Federal Cível de São Paulo. 2) A Ação Ordinária nº 2006.61.00.0123289 (...) ajuizada (...) contra a União Federal requereu a concessão da tutela antecipada, nos termos do artigo 273 do CPC, para que fosse: declarada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário do Fl. 2207DF CARF MF Processo nº 14486.001081/200919 Acórdão n.º 3301004.357 S3C3T1 Fl. 2.208 3 IPI nos termos do art. 151, II, do CTN; e, determinado que a ré se abstivesse de cobrar o IPI que passou a ser onerado com alíquota zero em virtude da classificação adotada sob a posição 2309.90.10 da TIPI, e de impor óbices à expedição de CND's, em face do depósito judicial dos valores controversos. Ao final, fosse julgado procedente o pedido da ação, para reconhecer por sentença o direito da autora, a partir da propositura da ação, à classificação dos alimentos para cães e gatos listados no Anexo I, Doc. 3, como alimentos compostos completos em face de suas características de composição, na posição 2309.90.10 da TIPI. (...) No despacho proferido em 09/08/2006 a 14ª Vara Federal Cível de São Paulo decidiu deferir a tutela antecipada, apenas para admitir o depósito do crédito tributário controvertido e, por conseguinte, com fulcro no artigo 151, II, do CTN, suspender a sua exigibilidade até a solução final da demanda, assegurando o direito de as autoridades competentes efetuarem os lançamentos para fins de sustar o prazo decadencial. A suspensão da exigibilidade ficaria limitada aos valores efetivamente depositados, facultandose à Fazenda Pública a verificação da suficiência dos depósitos e a exigência de eventuais diferenças. Na petição protocolada em 20/03/2007 os autores requereram o aditamento do pedido para que os novos alimentos compostos e completos para cães e gatos que os autores passaram a produzir passassem a integrar o Anexo I, de modo que o referido Anexo passaria a ter nova redação. No despacho proferido em 21/03/2007 a 14ª Vara Federal Cível em São Paulo decidiu intimar a ré para manifestarse acerca de sua concordância com o aditamento à inicial requerida pelos autores. Na petição protocolada em 30/03/2007 os autores esclareceram que o objeto da prova pericial requerida é a análise da composição dos alimentos listados no Anexo I para constatação de que se tratam de preparações capazes de fornecer ao animal a totalidade dos alimentos nutritivos necessários para uma alimentação diária racional e equilibrada e a comprovação de que, conseqüentemente, deveriam ser classificados na posição 2309.90.10 da TIPI. A perícia deveria ser realizada por um profissional denominado bromatologista. (...) Os autos permanecem na 14ª Vara Federal Cível de São Paulo, onde aguardam julgamento. 3) A Ação Ordinária n° 2003.61.00.0163640 ajuizada por NESTLÉ BRASIL LTDA., CNPJ n° 60.409.075/000152, e FILIAL CAMAQUÃ/RS, CNPJ n° 60.409.075/041509, contra a União Federal requereu a concessão da tutela antecipada, nos termos do artigo 273 do CPC, para que a ré se abstenha de cobrar o IPI que deixar de ser recolhido pela autora relativamente aos produtos destinados à alimentação de cães e gatos, Fl. 2208DF CARF MF Processo nº 14486.001081/200919 Acórdão n.º 3301004.357 S3C3T1 Fl. 2.209 4 acondicionados em unidades com mais de 10 kg (posição 2309.10.00 da TIPI), a partir do 1° decêndio de junho de 2003, em face da ilegalidade/inconstitucionalidade do Decreto n° 2.542, de 2002, e posteriores que vierem a aprovar a TIPI em dissonância com o Decretolei n° 400/68. Ao final, requer seja julgado procedente o pedido da ação, para reconhecer por sentença o direito da autora ao não recolhimento do IPI incidente sobre os produtos destinados à alimentação de cães e gatos, acondicionados em unidades com mais de 10 kg (posição 2309.10.00 da TIPI), a partir do 1º decêndio de junho de 2003, afastando a exigência nos termos do Decreto n° 2.542, de 2002, e posteriores que vierem a aprovar a TIPI em dissonância com o Decretolei n° 400/68. (...) 5) Com base nos arquivos digitais dos documentos fiscais, foram selecionadas as saídas de produtos com classificação fiscal na posição 2309.90.10. Os produtos classificados na posição 2309.90.10 foram separados pelo peso da unidade: abaixo de 10 kg e acima de 10 kg. Procedeuse ao cálculo do IPI, com base no valor contábil do produto. Foram elaborados os demonstrativos "Resumo da Base de Cálculo e do IPI Apurado", "Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Apurado Abaixo de 10 kg", "Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Apurado Acima de 10 kg", "Créditos Livro Registro de Entradas X Depósito Judicial", e "Demonstrativo dos Saldos Devedores Apurados". Em relação aos demonstrativos da base de cálculo dos depósitos judiciais elaborados pelo contribuinte constatouse, por amostragem, que os créditos computados nos cálculos não integram o valor contábil das notas fiscais de entrada, conforme demonstrativo "Créditos do Livro Registro de Entradas X Créditos dos Depósitos Judiciais", elaborado para o período de apuração de outubro de 2006. Em relação à ação ordinária n° 2003.61.00.0163640 ajuizada perante a 26ª Vara Federal Cível de São Paulo constatouse que a FILIAL DE COLOMBO/PR (PINHAIS/PR), CNPJ n° 60.409.075/022202, não é parte legítima na ação judicial demandada pela NESTLÉ BRASIL LTDA., CNPJ n° 60.409.075/000152, e FILIAL CAMAQUÃ/RS, CNPJ n° 60.409.075/041509, não se beneficiando da tutela antecipada concedida. O art. 24 parágrafo único do Decreto n° 4.544/2002 (RIPI) considera contribuinte autônomo qualquer estabelecimento (matriz e filiais) de importador, industrial ou comerciante, em relação a cada fato gerador que decorra de ato que praticar (Lei n° 5.172, de 1966, art. 51, parágrafo único). 6) (...) O crédito tributário de R$ 792.383,81 calculado até 30/06/2009 foi lançado com exigibilidade, com base nos saldos devedores relativos à insuficiência de depósitos judiciais nos autos do Fl. 2209DF CARF MF Processo nº 14486.001081/200919 Acórdão n.º 3301004.357 S3C3T1 Fl. 2.210 5 processo n° 2006.61.00.0123289 da 14ª Vara Federal Cível de São Paulo. Cientificada do lançamento em 05/08/2009 (fl. 28), em 04/09/2009 a contribuinte apresenta impugnação (fls. 1816/1852), sendo essas as suas razões de defesa, em síntese: 1. Preliminarmente, alega a existência de causa suspensiva da exigibilidade do crédito prevista no inciso V, do art. 151, do CTN, considerandose a concessão de tutela antecipada, posteriormente confirmada por sentença ainda vigente; 2. A matriz da impugnante ingressou com a Ação de Rito Ordinário nº 2003.61.00.0163640, cujo objeto é o reconhecimento do direito ao não recolhimento do IPI incidente sobre os produtos destinados à alimentação de cães e gatos, acondicionados em unidades com mais de 10 kg (posição TIPI 2309.10.00), a partir do 1º decêndio de junho/03, em face da inconteste ilegalidade/inconstitucionalidade do Decreto nº 2.542/02 e posteriores alterações; 3. Os efeitos da aludida decisão judicial, diferentemente do entendimento dos auditores fiscais, têm o condão de alcançar a impugnante, já que a matriz é parte legítima para figurar no pólo ativo de ação judicial em nome de suas filiais; 4. A matriz da impugnante é pessoa jurídica instituída sob a forma de sociedade empresária limitada, com poderes para abrir filiais em qualquer localidade do território nacional bem como controlálas, e sendo assim, sob o aspecto processual, não há que se estabelecer distinções entre a matriz e as filiais, pois estamos diante de uma única empresa, que é a controladora das suas diversas filiais; 5. Tal vedação somente seria justificada caso houvesse restrição no Contrato Social da impugnante, o que, definitivamente, não ocorre in casu, e, por expressa determinação do CPC, a impugnante deve representar em Juízo sua matriz e filiais, e tal prerrogativa decorre do seu Contrato Social; 6. O fato de existir, para fins tributários, distinções entre estabelecimentos comerciais, não significa atribuir personalidade jurídica e patrimonial para cada filial, tampouco autonomia ou poderes de representação processual; 7. Logo, os autuantes partiram de equivocada premissa para efetuar o lançamento do crédito tributário, e além da comprovação da hipótese prevista no art. 151, V, do CTN, o que por si só suspende a exigibilidade do crédito objeto da presente autuação, vale ressaltar que a impugnante, em nome próprio, também depositou os valores ora exigidos na Ação Ordinária nº 2003.61.00.0163640, reforçando assim a necessidade do presente Auto de Infração ter a exigibilidade do crédito suspensa, também nos termos do art. 151, II, do CTN; Fl. 2210DF CARF MF Processo nº 14486.001081/200919 Acórdão n.º 3301004.357 S3C3T1 Fl. 2.211 6 8. Assim, uma vez comprovado (como se verá adiante) que os depósitos foram efetuados integralmente, o presente Auto de Infração deveria ter sido lavrado, no máximo e, tãosomente, para prevenir a decadência, o que também o torna nulo; 9. Sob esse aspecto, ressaltase que independente da medida judicial, a impugnante, por sua matriz, pode (como o fez), voluntariamente, efetuar depósito judicial, pois, como é cediço, tal procedimento além de ser uma faculdade, é um direito do contribuinte a fim de manter suspensa a exigibilidade do crédito e evitar atos executórios, conforme pacífico entendimento jurisprudencial; 10. Ainda como questão preliminar, requer o sobrestamento do presente processo em razão de a matéria objeto do lançamento encontrarse em discussão na Ação Ordinária nº 2003.61.00.0163640, que atualmente aguarda juízo de admissibilidade dos Recursos Especial e Extraordinário interpostos pela Fazenda Nacional perante o TRF da 3ª Região, conforme jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF; 11. Ademais, no presente caso inexiste a demonstração dos critérios adotados para apuração do imposto supostamente devido, o que acarreta, inclusive, a nulidade do lançamento de ofício, pois a única menção trazida pelos autuantes é de que o crédito tributário foi lançado "com base nos saldos devedores relativos à insuficiência de depósitos judiciais realizados nos autos do processo n° 2006.61.00.0123289"; 12. De fato, os depósitos realizados na referida ação não tem por finalidade suspender a exigibilidade do crédito tributário ora em discussão, mas tão somente o crédito relacionado ao PA n° 14486.001082/200955, cujo Auto de Infração foi lavrado com a exigibilidade suspensa, a fim de prevenir a decadência do direito do Fisco em exigir valores supostamente devidos a título de IPI referente às saídas de produtos industrializados rações para cães e gatos classificados como alimentos completos; 13. Ou seja, os valores ora exigidos estão depositados na Ação Ordinária nº 2003.61.00.0163640, na qual se discute a inconstitucionalidade/ilegalidade da exigência do IPI, em relação aos produtos destinados à alimentação de cães e gatos acondicionados em embalagem com mais de 10 Kg. enquadrados na posição 2309.10.00, da TIPI. 14. Não há respaldo fático ou jurídico para resguardar a pretensão da fiscalização, notadamente se considerarmos que em momento algum foram observados os depósitos realizados nos autos da Ação Ordinária nº 2003.61.00.0163640; 15. Sob esse aspecto, podese afirmar que a ausência de fundamentação viola os princípios do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório e todas as normas corolárias destas, que norteiam o processo administrativo, transcrevendo Fl. 2211DF CARF MF Processo nº 14486.001081/200919 Acórdão n.º 3301004.357 S3C3T1 Fl. 2.212 7 ementas de julgados do extinto Conselho de Contribuintes, atual CARF, em igual sentido; 16. Com efeito, a despeito de a impugnante ter informado a efetivação dos aludidos depósitos relativos ao IPI devido sobre as saídas de mercadorias acondicionadas em embalagens com mais de 10 Kg., fato esse ignorado pelos autuantes, não é demais mencionar que o saldo dos depósitos judiciais em questão equivale a R$ 87.442.432,21, conforme atestam os anexos extratos bancários anexados; 17. Se os auditores fiscais houvessem analisado, criteriosa e comparativamente, os livros fiscais, comprovantes de recolhimento e guias de depósitos judiciais, o Auto de Infração combatido nem mesmo existiria; 18. Para que não restem dúvidas, em posição conservadora, para que os depósitos judiciais representem fidedignamente o IPI sub judice, a impugnante apura, de acordo com a legislação em vigor, o IPI mensalmente relativo às suas operações regulares e, em controle apartado, o IPI relativo às operações com produtos acondicionados em embalagem superiores a 10 kg., critério adotado como forma de garantir que os depósitos judiciais correspondam estritamente às efetivas saídas dos produtos acima de 10 kg, sem que sobre o cálculo haja influência de qualquer outra operação realizada, tais como a existência de saldos credores, devoluções, etc.; 19. Para tanto, os valores correspondentes às colunas "base de cálculo do IPI" e "débito do imposto" não são preenchidas no Livro Registro de Saídas, de modo que o valor contábil relativo à operação é lançado no campo "outras" deste mesmo livro fiscal, e, por fim, os valores apurados dão origem a duas guias de recolhimento: DARF relativo ao código 1097 e guia de depósitos judiciais; 20. A objetividade lógica utilizada pela impugnante, caso fosse devidamente analisada, inclusive com a observância dos depósitos por ela efetuados, ensejaria a simples ratificação dos depósitos pelos auditores fiscais e, na pior das hipóteses, a lavratura de Auto de Infração apenas com o intuito de prevenir a decadência do crédito tributário (sem a imposição de multas ou juros moratórios); 21. A autuação fiscal com base em elementos subsidiários já foi condenada pelo Conselho de Contribuintes, atual CARF, conforme ementa transcrita; 22. No mérito, inicialmente defende a tese de que os julgamentos administrativos comportam o exame de questões que envolvam legalidade e constitucionalidade de leis, sob pena de se incorrer no cerceamento do direito de defesa; 23. Prossegue no seu arrazoado argumentando que a tributação dos produtos denominados “rações para cães e gatos” em embalagens superiores a 10Kg não encontra suporte legal, uma Fl. 2212DF CARF MF Processo nº 14486.001081/200919 Acórdão n.º 3301004.357 S3C3T1 Fl. 2.213 8 vez que o Decretolei nº 400, de 30 de dezembro de 1968, que continua em vigor, isentou tais produtos do IPI, não se admitindo que legislação infralegal, no caso, o Decreto nº 89.241, de 23 de dezembro de 1983, amplie a hipótese de incidência do referido imposto, passando a tributálo com alíquota positiva; 24. Em decorrência, o Decreto nº 2.542, de 2002, ao determinar a tributação dos produtos em tela independentemente da forma de acondicionamento, ofendeu não só o disposto no artigo 2º do DecretoLei nº 400, de 1968, como também diversos princípios e garantias constitucionais, tanto que assim já decidiu o Supremo Tribunal Federal, e, curvandose ao posicionamento da Corte Suprema, o Superior Tribunal de Justiça – STJ também vem reconhecendo a impossibilidade da exigência do IPI sobre as rações para cães e gatos, acondicionadas em embalagens acima de 10 kg; 25. Assim, diante do posicionamento irretorquível da Corte Suprema, seguido pelo STJ, há que ser reconhecida, já neste âmbito, a impossibilidade de se exigir o IPI sobre os produtos destinados à alimentação de animais, quando acondicionados em unidades acima de 10 Kg., o que consequentemente, enseja o cancelamento do Auto de Infração; 26. A pesada e descabida multa de 75% e juros foram aplicados sobre os supostos créditos tributários indistintamente, tendo sido totalmente ignorado pelos autuantes que os depósitos judiciais foram integrais, e desta forma, afastada a hipótese de insuficiência dos exigibilidade suspensa; 27. Sem prejuízo do que foi exposto no tópico anterior, aponta ilegalidade e inconstitucionalidade da multa arbitrada em 75% sobre o montante lançado, e que deverá ser afastada pela autoridade julgadora, na remota hipótese de manterse a cobrança de IPI; 28. Ademais, a multa aplicada caracterizase como confiscatória, o que é vedado pela Constituição Federal (art.150, IV); 29. Caso se entenda que os argumentos e documentos trazidos à colação não são suficientes para afastar a exigência, fazse imprescindível a realização de diligência para que fiquem demonstrados os critérios adotados pelos autuantes na apuração do imposto devido, e perícia contábil, com o fim de constatar a suficiência dos depósitos judiciais realizados nos autos da Ação de Rito Ordinário n° 2003.61.00.0163640, formulando os quesitos que pretende ver respondidos e indicando o nome do seu assistente técnico; 30. Ao final, requer a juntada de novos documentos e provas, caso necessário. Em 03/12/2012 o presente processo foi encaminhado a esta Delegacia de Julgamento. Fl. 2213DF CARF MF Processo nº 14486.001081/200919 Acórdão n.º 3301004.357 S3C3T1 Fl. 2.214 9 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA), julgou improcedente, conforme Acórdão nº 1532.0124ª Turma da DRJ/SDR (fls 1951/1984), com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/08/2006 a 30/04/2008 SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O processo administrativo fiscal é regido por princípios, dentre os quais o da oficialidade, que obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final, inexistindo, no âmbito das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal, previsão legal para o sobrestamento do seu julgamento. INCONSTITUCIONALIDADE. A Secretaria da Receita Federal do Brasil, como órgão da administração direta da União, não é competente para decidir quanto à inconstitucionalidade de norma legal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/08/2006 a 30/04/2008 IPI. AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. Em se tratando de tributo cujo fato gerador operouse de forma individualizada, tanto na matriz, quanto nas filiais, não se outorga àquela legitimidade para demandar, isoladamente, em juízo, em nome destas. O IPI é regido pelo princípio da autonomia dos estabelecimentos, e, por conseqüência, depósitos judiciais efetuados para o estabelecimento matriz não garantem nem suspendem a exigibilidade de crédito tributário constituído no estabelecimento filial. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. A opção do contribuinte pela via judicial para discussão da mesma matéria, objeto de processo fiscal, implica a desistência da esfera administrativa, que se submete à determinação daquele Poder. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/08/2006 a 30/04/2008 MULTA DE OFÍCIO. Tratandose de lançamento de ofício, decorrente de infração a dispositivo legal detectado pela administração em exercício regular da ação fiscalizadora, é legítima a cobrança da multa punitiva correspondente. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. A limitação constitucional que veda a utilização de tributo com efeito de confisco não se refere às penalidades. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. Fl. 2214DF CARF MF Processo nº 14486.001081/200919 Acórdão n.º 3301004.357 S3C3T1 Fl. 2.215 10 Sobre o tributo não pago no prazo de vencimento incide juros de mora, qualquer que seja o motivo determinante do inadimplemento da obrigação. Foi apresentado Recurso Voluntário às fls. 1986/2001, no qual se alegou, em síntese: · trânsito em julgado de decisão favorável à Recorrente, com levantamento dos depósitos judicias na integralidade; · em razão do trânsito em julgado, deve ser cancelado o Auto de Infração; · impossibilidade de exigência de IPI sobre produtos destinados à alimentação de cães e gatos acondicionados em embalagens com capacidade superior a 10 kg; · possibilidade da esfera administrativa analisar a legalidade ou constitucionalidade de normas; · da abusividade, por falta de razoabilidade e proporcionalidade, das multas impostas, o que caracterizaria confisco tributário. A Recorrente requer ao final do Recurso Voluntário que: seja reconhecida a existência de decisão favorável a ela já transitada em julgado e que seja cancelada a autuação; subisidariamente, seja reconhecida a impossibilidade da exigência de IPI sobre produtos destinados à alimentação de cães e gatos acondicionados em embalagens com capacidade superior a 10 kg; seja cancelada a penalidade, ou, no mínimo, seja ajustada a patamar razoável e proporcional; seja considerado indevido o acréscimo de juros de mora, excluindoos. Às fls. 2143/2144, a Equipe de Análise e Acompanhamento de Medidas Judiciais e Controle do Crédito Tributário Sub Judice da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária SP traz os seguintes esclarecimentos: Tratase de auto de infração lavrado pela ausência de recolhimentos de valores de IPI do período de agosto de 2006 e abril de 2008, atualmente com recurso voluntário do interessado pendente de apreciação pelo CARF. O contribuinte, em suas razões recursais, alega que há decisão favorável a ele já transitada em julgado no processo nº 2003.61.00.0163640. Contudo, como já esclarecido no acórdão que julgou a impugnação do contribuinte, os efeitos de tal decisão não alcançam as filiais da empresa, já que a ação foi movida pela matriz. Esclareceuse ali que o IPI é regido pelo princípio da autonomia dos estabelecimentos, na forma do art. 24, § único, do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI), que considera contribuinte autônomo qualquer estabelecimento de importador, industrial ou comerciante, em relação a cada fato gerador que decorra de ato que praticar. Como a ação foi ajuizada pelo estabelecimento matriz e este processo diz respeito a uma de suas filiais, tal decisão não tem o condão de alterar os créditos aqui controlados, como bem demonstrado no acórdão recorrido. Fl. 2215DF CARF MF Processo nº 14486.001081/200919 Acórdão n.º 3301004.357 S3C3T1 Fl. 2.216 11 Na verdade, a ação judicial proposta pela matriz e filiais que discute a validade do lançamento aqui controlado é o Procedimento Ordinário nº 2006.61.00.0123289, da 14ª Vara Cível Federal de São Paulo. Analisando tal ação, verificase que a decisão vigente é a sentença de improcedência do pedido, que cassou imediatamente a tutela antecipada antes deferida. Atualmente há recurso de apelação da autora aguardando julgamento no TRF da 3ª Região. Assim, o que se nota é que não há, por ora, nenhuma decisão judicial vigente capaz de ilidir o lançamento efetuado. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. A Recorrente invocou trânsito em julgado de decisão favorável, com levantamento dos depósitos judiciais na integralidade, contudo, conforme se apontou na decisão recorrida, a filial autuada não faz parte da Ação Ordinária n° 2003.61.00.0163640 ajuizada perante a 26ª Vara Federal Cível de São Paulo, não podendo, portanto, beneficiarse da tutela antecipada concedida. Requer a Recorrente que seja reconhecida a impossibilidade da exigência de IPI sobre produtos destinados à alimentação de cães e gatos acondicionados em embalagens com capacidade superior a 10 kg. Contudo, nesse ponto, não se pode tratar aqui do mérito levado ao Judiciário. Conforme a Súmula nº 1 do CARF, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Dessa forma, não compete a este CARF se manifestar sobre matéria submetida ao Judiciário. Em relação somente aos lançamentos efetuados contra a filial e não submetidos à esfera Judicial, entendese que as disposições da TIPI que embasaram o referido lançamento são legítimos e legais. Sobre a constitucionalidade alegada, defende a Recorrente a possibilidade de o CARF analisar legalidade e constitucionalidade de norma tributária. Contudo, a Súmula no 2 do CARF impõe entendimento diverso: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 2216DF CARF MF Processo nº 14486.001081/200919 Acórdão n.º 3301004.357 S3C3T1 Fl. 2.217 12 Segundo a Recorrente, teria se caracterizado abusividade e confisco, por falta de razoabilidade e proporcionalidade, nas multas impostas. Contudo, as multas foram aplicadas na forma e nos percentuais previstos na Lei. Ressaltese que, conforme concluise na decisão recorrida, afastase a pretensão da impugnante, posto que a multa de ofício de 75% foi adequada e corretamente aplicada neste caso. Quanto aos juros de mora, também seguimos na mesma esteira da decisão recorrida, entendendo que provada a insuficiência dos depósitos judiciais efetuados, correta a aplicação dos juros de mora no lançamento de ofício, incidentes sobre a parcela do crédito tributário cuja exigibilidade não está suspensa. Diante do exposto, proponho manter integralmente a decisão recorrida e voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 2217DF CARF MF
score : 1.0
