Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,763)
- Primeira Turma Ordinária (16,221)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,176)
- Primeira Turma Ordinária (16,104)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,797)
- Segunda Turma Ordinária d (14,451)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,381)
- Segunda Turma Ordinária d (12,367)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,422)
- Quarta Câmara (84,834)
- Terceira Câmara (67,389)
- Segunda Câmara (55,826)
- Primeira Câmara (20,245)
- 3ª SEÇÃO (16,176)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,132)
- Segunda Seção de Julgamen (114,469)
- Primeira Seção de Julgame (76,587)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,889)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,487)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,925)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,921)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,515)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,849)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10983.908853/2012-71
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2011 a 30/04/2011
COFINS. COMPENSAÇÃO. ERRO. COMPROVAÇAO. MOMENTO APTO À INSTRUÇÃO PROBATÓRIA. PRECLUSÃO
O momento correto para a apresentação de documentos com o fim de perfazer prova apta à verificação de erro, é a Manifestação de Inconformidade. Os elementos de prova trazidos em sede de Recurso Voluntário não devem ser considerados.
COFINS. PAGAMENTO A MAIOR. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DE ERRO. FASE LITIGIOSA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Em pedido de compensação, ao adentrar a fase litigiosa do processo, é dever do contribuinte demonstrar, pormenorizadamente, a origem do crédito pleiteado. Ao se constatar a ocorrência de erro material, deve ser disponibilizado todo o raciocínio matemático que gerou o tributo pago equivocadamente; e, também, o percurso percorrido até atingir o montante apontado pela apuração tida por correta. Assim, restará possível a reconstrução dos fatos contábeis necessários à evidenciação do pagamento indevido.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL, IDÔNEA E APTA À VERIFICAÇÃO DO ERRO E DA CORRETA APURAÇÃO DO TRIBUTO.
É requisito à compensação, a liquidez e certeza do crédito almejado pela contribuinte. Instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, o contribuinte, quando em procedimento de ressarcimento, afirma ter ocorrido erro material, assume para si, o ônus de comprová-lo. A documentação hábil e idônea, são os documentos relativos às suas operações, tais como contratos relativos à sua atividade social, comprovantes de prestação do serviço, comprovantes de recebimento pelo serviço prestado e os devidos registros contábeis.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO.
O processo administrativo fiscal é norteado por legislação própria, na qual se encontra previsto o prazo para apresentação de documentos, qual seja, o parágrafo 11 constante no artigo 74 da Lei 9.430/96 c/c artigo 14 e 16 parágrafo 4.º do Decreto n.º 70.235/72.
Numero da decisão: 3001-000.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Cássio Schappo que lhe deu provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2011 a 30/04/2011 COFINS. COMPENSAÇÃO. ERRO. COMPROVAÇAO. MOMENTO APTO À INSTRUÇÃO PROBATÓRIA. PRECLUSÃO O momento correto para a apresentação de documentos com o fim de perfazer prova apta à verificação de erro, é a Manifestação de Inconformidade. Os elementos de prova trazidos em sede de Recurso Voluntário não devem ser considerados. COFINS. PAGAMENTO A MAIOR. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DE ERRO. FASE LITIGIOSA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em pedido de compensação, ao adentrar a fase litigiosa do processo, é dever do contribuinte demonstrar, pormenorizadamente, a origem do crédito pleiteado. Ao se constatar a ocorrência de erro material, deve ser disponibilizado todo o raciocínio matemático que gerou o tributo pago equivocadamente; e, também, o percurso percorrido até atingir o montante apontado pela apuração tida por correta. Assim, restará possível a reconstrução dos fatos contábeis necessários à evidenciação do pagamento indevido. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL, IDÔNEA E APTA À VERIFICAÇÃO DO ERRO E DA CORRETA APURAÇÃO DO TRIBUTO. É requisito à compensação, a liquidez e certeza do crédito almejado pela contribuinte. Instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, o contribuinte, quando em procedimento de ressarcimento, afirma ter ocorrido erro material, assume para si, o ônus de comprová-lo. A documentação hábil e idônea, são os documentos relativos às suas operações, tais como contratos relativos à sua atividade social, comprovantes de prestação do serviço, comprovantes de recebimento pelo serviço prestado e os devidos registros contábeis. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO. O processo administrativo fiscal é norteado por legislação própria, na qual se encontra previsto o prazo para apresentação de documentos, qual seja, o parágrafo 11 constante no artigo 74 da Lei 9.430/96 c/c artigo 14 e 16 parágrafo 4.º do Decreto n.º 70.235/72.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10983.908853/2012-71
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5830891
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3001-000.139
nome_arquivo_s : Decisao_10983908853201271.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RENATO VIEIRA DE AVILA
nome_arquivo_pdf_s : 10983908853201271_5830891.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Cássio Schappo que lhe deu provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo
dt_sessao_tdt : Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7125505
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009135480832
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2100; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 86 1 85 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.908853/201271 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.139 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 25 de janeiro de 2018 Matéria COFINS Recorrente NASCIMENTO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE EMBALAGENS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2011 a 30/04/2011 COFINS. COMPENSAÇÃO. ERRO. COMPROVAÇAO. MOMENTO APTO À INSTRUÇÃO PROBATÓRIA. PRECLUSÃO O momento correto para a apresentação de documentos com o fim de perfazer prova apta à verificação de erro, é a Manifestação de Inconformidade. Os elementos de prova trazidos em sede de Recurso Voluntário não devem ser considerados. COFINS. PAGAMENTO A MAIOR. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DE ERRO. FASE LITIGIOSA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em pedido de compensação, ao adentrar a fase litigiosa do processo, é dever do contribuinte demonstrar, pormenorizadamente, a origem do crédito pleiteado. Ao se constatar a ocorrência de erro material, deve ser disponibilizado todo o raciocínio matemático que gerou o tributo pago equivocadamente; e, também, o percurso percorrido até atingir o montante apontado pela apuração tida por correta. Assim, restará possível a reconstrução dos fatos contábeis necessários à evidenciação do pagamento indevido. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL, IDÔNEA E APTA À VERIFICAÇÃO DO ERRO E DA CORRETA APURAÇÃO DO TRIBUTO. É requisito à compensação, a liquidez e certeza do crédito almejado pela contribuinte. Instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, o contribuinte, quando em procedimento de ressarcimento, afirma ter ocorrido erro material, assume para si, o ônus de comproválo. A documentação hábil e idônea, são os documentos relativos às suas operações, tais como contratos relativos à sua atividade social, comprovantes de prestação do serviço, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 88 53 /2 01 2- 71 Fl. 86DF CARF MF 2 comprovantes de recebimento pelo serviço prestado e os devidos registros contábeis. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO. O processo administrativo fiscal é norteado por legislação própria, na qual se encontra previsto o prazo para apresentação de documentos, qual seja, o parágrafo 11 constante no artigo 74 da Lei 9.430/96 c/c artigo 14 e 16 parágrafo 4.º do Decreto n.º 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Cássio Schappo que lhe deu provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo Relatório Despacho Decisório 041990980 Tratase de decisão sobre pedido de Compensação efetuado em Per/Dcomp registrada sob n.º 25716.10176.250112.1.3.047552, enviada em 25/01/2012, referente a pagamento indevido ou a maior, sendo que o crédito analisado corresponde ao valor original na data de transmissão do Per/Dcomp no total de R$ 11.744,11. A partir das características do DARF discriminado no Per/Dcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, tendo sido homologado parcialmente a compensação. Neste sentido, foi posto em cobrança o crédito tributário no valor de R$ 4.296,04 de principal, R$ 859,20 de multa e R$ 355,71 correspondente a juros. Manifestação de Inconformidade Em sua defesa, a recorrente apresentou argumentos no sentido de reconstruir a sinopse histórica dos fatos. Pagamento a maior Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10983.908853/201271 Acórdão n.º 3001000.139 S3C0T1 Fl. 87 3 Em abril de 2011, teria efetuado pagamento de COFINS, no valor de R$ 43.786,31, enquanto, na verdade, deveria ter recolhido valor menor. DACON Retificadora Isto posto, ou seja, de sua percepção pelo pagamento a maior, apresentou DACON retificadora, na qual apurou COFINS, no valor de R$ 32.042,20. Dcomp Posteriormente, no mese de janeiro e março, manuseou Per/Dcomp 25716.10176.259112.1.3.047552, 24216.77121.150312.1.7.048009 e 37254.94928.220312.1.3.044603, na intenção de compensar referido pagamento a maior. Documentos anexados Anexou, nesta manifestação de inconformidade, extrato da DCTF, Despacho Decisório e DACON. DRJ/RPO A manifestação de inconformidade foi julgada com a seguinte ementa: Acórdão 1450.768 11ª Turma ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/04/2011 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O relatório do mencionado acórdão, por bem retratar a situação fática, será aproveitado conforme a transcrição a seguir: Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Cofins, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração abril de 2011, no valor de R$ R$ 11.744,11, transmitido através do PER/Dcomp nº 25716.10176.250112.1.3.047552. Fl. 88DF CARF MF 4 A DRF Florianópolis não homologou a compensação por meio do despacho decisório de fl. 7, proferido em 03/01/2013, já que pagamento indicado na Dcomp teria sido utilizado para quitar débito do contribuinte. Cientificado do despacho em 24/01/2013 (fl. 8), o recorrente apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 10/11, para argumentar que o crédito seria decorrente de recolhimento a maior da contribuição. Alegou que teria declarado em Dacon e DCTF valor maior do que o débito devido, e que, posteriormente, teria efetuado a correção, restando saldo de pagamento disponível. Concluiu para solicitar a homologação do PER/Dcomp nº 25716.10176.250112.1.3.047552.. No voto, a autoridade julgadora de primeira instância firma seu entendimento no sentido de delimitar o tema a ser enfrentado, qual seja: O argumento da interessada limitouse a suposto erro no preenchimento de DCTF, o qual, uma vez sanado, demonstraria o indébito alegado na Declaração de Compensação. Ocorre que a mera retificação da DCTF não pode ser aceita como prova, já que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a apuração da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, verificandose a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Mas para tanto, a alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é do contribuinte, pois se trata de uma solicitação de compensação, de seu exclusivo interesse. No presente, o interessado limitouse a alegar que a retificação da DCTF faria surgir saldo de pagamento disponível, sem apresentar qualquer documentação que lastreasse tal argumento. Recurso Voluntário Em sua peça de defesa, a recorrente apresenta o cabimento e tempestividade, refazendo, a seguir, o quadro histórico já apresentado na manifestação de inconformidade. Dando continuidade, põe em elenco suas razões para a reforma da decisão de primeiro piso. Dacon Retificadora A recorrente julga suficiente a apresentação de DACON retificadora para comprovar a correta apuração da base de cálculo da Cofins, e a cabal demonstração do pagamento a maior efetuado. Dcomp Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10983.908853/201271 Acórdão n.º 3001000.139 S3C0T1 Fl. 88 5 A recorrente refaz os fatos pelo quais apresentou Dcomp requerendo a homologação da compensação declarada. Documentos Anexados A recorrente, em sede recursal, juntou cópia dos DARF pagas a maior, DCTF original e retificadora, Dacon retificada e original, Dcomp e cópia do Razão. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tempestividade A Recorrente, segundo consta no Termo de Ciência de Abertura de Mensagem, mediante o respectivo DTE, tomou ciência do acórdão que julgou sua Manifestação de Inconformidade em 15 de outubro de 2014. O Recurso Voluntário foi protocolizado em 27 de outubro de 2014. Tempestivo, portanto, o Recurso Voluntário. Em decorrência, dele tomo conhecimento. Mérito Tratase de processo administrativo cuja origem deuse em Dcomp com decisão desfavorável em sede de despacho decisório. Ao ver negado seu direito ao crédito reclamado, a recorrente expôs suas razões no sentido de firmar entendimento pelo qual deteria legitimidade para reivindicar a quantia em razão de pagamento a maior. A comprovação deste pagamento a maior, deuse pela tentativa de apontar a devida sincronicidade entre as declarações acessórias as quais encontrase submetida, em especial a DACON e Dcomp. E, conforme visto, em sede de manifestação de inconformidade, buscou sustentar a legitimidade de seu crédito a que foi rechaçado por 2 motivos: desrespeito às formalidades da IN 900/08, para fins de cancelamento da primeira Dcomp; e, a utilização do crédito apontado na Dcomp e pagamento DARF. Nesta seara de jurisdição administrativa, já em sede recursal, remonta faticamente o ocorrido, com o protagonismo da DACON retificadora e Dcomps. Após a breve consolidação dos fatos, temse que o cerne deste processo é a capacidade probatória dos documentos, anexados a estes eautos, para comprovar a existência do pagamento a maior e possibilitar o deferimento do pedido feito em Recurso Voluntário, voltado ao reconhecimento da compensação declarada na Dcomp. Fl. 90DF CARF MF 6 A fim de facilitar a exposição dos fundamentos deste voto, importante o respaldo na acórdão 3401.003.952, que trata de tema igual, com diferenças fáticas essenciais, a ser abordadas a seguir. Vejase a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2007 COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Importa, antes de adentrar a questão sobre o tratamento das provas em casos semelhantes, transcrever trechos do acórdão fundamentais ao desdobramento do tema. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificála (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10983.908853/201271 Acórdão n.º 3001000.139 S3C0T1 Fl. 89 7 a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tão somente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele Fl. 92DF CARF MF 8 julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. E a informação da unidade local da RFB, em sede de diligência, atesta que os valores recolhidos são suficientes para saldar os débitos indicados em DCOMP, entendendo a fiscalização, inclusive que, diante do exposto, não haveria necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação, apesar de ainda estarem os pagamentos alocados à DCTF original. Resta pouco, assim, a discutir no presente processo, visto que o único obstáculo que remanesce é a ausência de retificação da DCTF, ainda que comprovado o direito.de crédito, como se atesta na conversão em diligência, mediante o respectivo contrato, acompanhado da invoice correspondente. Neste caso, conforme transcrito em ementa, foi dado provimento ao recurso voluntário em persecução ao princípio da verdade material. Importante ressaltar, que conforme extraído do relatório deste acórdão, foi juntado ao processo, para fins de comprovação do crédito, o Contrato de licença de uso de marca. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em nome da verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). Insuficiência dos documentos No caso dos autos, contudo, além de intempestivos os documentos trazidos no Recurso Voluntário, seriam, caso apreciados, insuficientes para a comprovação do crédito. Isto porque, a fim de demonstrar seu crédito, é dever da recorrente apontar sua origem, de forma robusta, em documentação contábil suficiente, tanto para aferição do crédito, como de sua real ocorrência. Seguese ao julgado: Acórdão: 3202001.185 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Data do fato gerador: 20/04/2007 Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10983.908853/201271 Acórdão n.º 3001000.139 S3C0T1 Fl. 90 9 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DCTF RETIFICADORA. NECESSIDADE DA PROVA PELO CONTRIBUINTE. Nos termos dos §1º do art. 147 do CTN, para a validade da DCTF retificadora, nos casos em que a retificação importa na redução de tributo, é imprescindível a prova do erro que ensejou a necessidade da retificação. Tratandose de pedido de ressarcimento/restituição cumulado com pedido de compensação, o ônus de comprovar o direito creditório que alega é do contribuinte. Acórdão 3302002.709 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é caso da DCTF. Dos meios para a Comprovação do erro material O tema presente se faz crucial para o desdobramento da questão. O cerne da discussão transita entre a exigência da autoridade fazendária na qual os erros devem ser provados com meios robustos e claros, com a definição e evidência dos fatos geradores ocorridos, e a devida construção lógico temporal entre a ocorrência do erro e a ocorrência do fato em si. Por outro lado, notase por parte do contribuinte, a pretensão em fazer valer seu suposto direito ao crédito, no presente caso, com o argumento de que errou. Não indicou, no momento apropriado, conforme se verá no item seguinte, nenhum indício da materialização do erro e o percurso percorrido para atingir o novo montante, considerado correto. Os meios de prova, aptos a comprovar a legitimidade do crédito, seriam, no entender deste julgador, a demonstração, com os documentos contábeis e contratuais, que permitam, em sede de contencioso administrativo, a efetiva leitura de como ocorreu apuração do tributo no valor apontado pela Recorrente. Este Conselho imputa à Recorrente, o ônus de comprovar este erro. Isto porque, a fim de aproveitar seu direito creditório, quando posto em litígio administrativo, deve assumir, plenamente, a tarefa de provar a existência do crédito. E, assumir o ônus de provar a existência do crédito, significa dizer, provar a existência da efetiva operação. Neste sentido, contratos comprovantes das operações que deram lastro aos lançamento contábeis, os seus devidos reflexos nos livros contábeis e fiscais, acompanhados de memoriais de cálculo, poderiam servir à apreciação do julgador, e demonstrar, justamente, o real acontecido. Mais substância ainda, seria trazer aos autos, os comprovantes da real Fl. 94DF CARF MF 10 ocorrência das operações negociais, como comprovantes de pagamentos e da efetiva prestação de serviço. Neste sentido, são as manifestações deste Conselho: Acórdão 380302.786 – 3ª Turma Especial Como de sabença, o ônus da prova impende a quem alega. A ambos, administração fazendária e contribuintes, cabe a produção de provas que proporcionem condições de convicção ao julgador favoráveis à sua pretensão. Nos casos em que o contribuinte alega a existência de crédito, sobre este recai a responsabilidade da apresentação de todos os elementos de provas que demonstrem a cabal existência do crédito pretendido, desta forma, a apresentação de tais documentos oferecem maior possibilidade de apreciação objetiva e segura quanto às conclusões extraídas de seus resultados, assegurando ampla defesa ao contribuinte, para que o mesmo não seja maculado além do expressamente previsto na legislação tributária Compulsando os autos, observase que foram juntados os seguintes elementos de prova que consideramos relevantes para o deslinde da controvérsia: i)cópia do contrato de câmbio de venda – tipo 04 transferências financeiras para o exterior, celebrado entre a Recorrente e o banco Santander S/A, no valor de R$ 369.032,04, com a empresa Solomon Associates como recebedora no exterior; ii)comprovante de arrecadação da COFINS no valor de R$ 33.793,65, com vencimento em 07/03/2005; iii) cópia da DCTF original transmitida em 05/05/2005; iv) contrato de cancelamento de câmbio junto ao Sisbacen (fl.36/37). Acórdão: 3302002.709 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débitodeclarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado, o que, no presente caso, não ocorreu. Recurso Voluntário Negado. A mera alegação de inexistência de débito, desacompanhada dos documentos comprobatórios de sua real inexistência não é suficiente para que sejam homologadas quaisquer compensações, ou que quaisquer débitos sejam anulados. No presente caso o Recorrente não comprovou os recolhimentos efetuados por meio de documentos hábeis e idôneos, bem como de que se trata o débito inexistente. Há que se esclarecer que o Recorrente está obrigado a comprovar o erro de fato cometido ao preencher sua DCTF Complementar referente ao 1ºTrimestre Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10983.908853/201271 Acórdão n.º 3001000.139 S3C0T1 Fl. 91 11 de 1997, bem como que nenhum valor a título de COFINS é devido no referido período, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos. Sem a comprovação de seu direito, através de tais documentos, a autoridade administrativa fica impedida de lhe proporcionar qualquer anulação de débito. Tratandose, portanto de matéria de prova, cabia ao recorrente produzila de forma satisfatória, a fim de demonstrar o seu direito Acórdão nº 3302.004.108 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o início de procedimento fiscal não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. Acórdão n° 3801000.681 — la Turma Especial ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ONUS DA PROVA. 0 crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de divida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado Recurso Voluntário Negado."Logo, a desconstituição do crédito tributário nascido com a con fissão de divida ocorrida através da DCTF dependerá de comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que se trata de débito inexistente. E que, para ilidir a presunção de legitimidade do crédito tributário nascido não se mostra suficiente que o contribuinte limitese a alegar erros, fazendo se necessário que demonstre, por intermédio de documentação hábil e idônea, que a obrigação tributária principal é indevida. Em meu entender, a documentação trazida aos autos, tanto em sede de manifestação de inconformidade, com já em sede recurso, não servem às exigências ressaltadas nos acórdãos acima Todavia, consoante se verá adiante, descuidouse a recorrente de observar o adequado momento processual para instrução probatória. Fl. 96DF CARF MF 12 Momento para apresentação da prova A Recorrente juntou ao seu Recurso Voluntário, a destempo portanto, documentos acima listados, não devendo ser apreciados devido à preclusão, conforme os entendimentos adiante listados. Parto do entendimento que o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 é claro e suficiente em seu regramento quanto ao momento de apresentação das provas. Não deixando margem para juntadas posteriores à manifestação de inconformidade. Acórdão: 3202001.185 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 20/04/2007 . PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO DA PROVA. PRECLUSÃO. Conforme o art. 16, § 4º, do Decreto nº. 70.235/72, no processo administrativo fiscal, as provas devem ser apresentadas na impugnação, sendo admitida a juntada posterior somente nos casos excepcionais elencados naquele dispositivo legal. Recurso Voluntário negado. 3802002.108–2ªTurma Especial ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário:2003 COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO DE ESCLARECIMENTOS. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA.NULIDADE.INOCORRÊNCIA. Não enseja nulidade o despacho decisório exarado por autoridade competente e devidamente fundamentado. O momento oportuno para apresentação de esclarecimentos pelo contribuinte é o da manifestação de inconformidade que instaura a fase litigiosa do procedimento, restando afastada a ocorrência de cerceamento ao direito de defesa. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10983.908853/201271 Acórdão n.º 3001000.139 S3C0T1 Fl. 92 13 Fl. 98DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.659067/2012-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.324
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.659067/2012-92
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5852157
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-001.324
nome_arquivo_s : Decisao_10880659067201292.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
nome_arquivo_pdf_s : 10880659067201292_5852157.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7203825
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009139675136
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1674; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.659067/201292 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402001.324 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 22 de março de 2018 Assunto COFINS Recorrente HOSPICARE COMERCIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão da DRJ que considerou improcedente Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação pleiteada. Conforme o Despacho Decisório, o DARF identificado como origem do crédito vindicado havia sido integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte alega que: · importa mercadorias, referentes as NCMS n° 9021.1020 e revende a distribuidores e convênios médicos e hospitais; · de acordo com art. 8°, § 12, inciso XIX da Lei nº 10.865/04, incluído pela Lei nº 12.058/09 (vigência a partir de 01/01/2010), ficam reduzidas a 0% as alíquotas de PIS/COFINS importação, na hipótese de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 59 06 7/ 20 12 -9 2 Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10880.659067/201292 Resolução nº 3402001.324 S3C4T2 Fl. 3 2 importação de artigos e aparelhos ortopédicos ou para fraturas classificados na NCM 90.21.10; · Art. 28. Ficam reduzidas a 0% (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de: XV artigos e aparelhos ortopédicos ou para fraturas classificados no código 90.21.10 da NCM; (Incluído pela Lei n°12.058, de 2009) (Produção de efeito); · a empresa durante o período de Janeiro/2010 a Abril/2012, continuou a recolher PIS/COFINS sobre as mencionadas mercadorias; · outrossim, o valor considerado como VALOR ORIGINAL TOTAL/UTILIZADO no despacho decisório está diferente do informado no PER/DCOMP; · portanto, acredita que faz jus ao crédito utilizado nos PER/DCOMP não homologados, para tanto anexando os documentos, assim especificados: a Cópia da Planilha com os valores dos créditos, tais como o número dos PER/DCOMP; b Cópia do livro de Saída do referido período; c Cópia dos Dacon com os valores de receita com alíquota zero; d Cópia dos Darf recolhidos do referido período; e Cópia da Lei nº 12.058 f Cópia do PER/DCOMP do período. A DRJ não reconheceu o direito creditório por entender que o contribuinte não havia comprovado a existência de crédito líquido e certo. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário, em que repisou os fundamentos trazidos em sua manifestação de inconformidade, com especial ênfase para o fato haver provado as retificações das declarações prestadas (DACON's e DCTF's) com operações sujeitas à alíquota zero para o período em análise, fato este que não poderia ter sido ignorado pela decisão atacada, sob pena de ofensa ao princípio da verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.316, de 22 de março de 2018, proferida no julgamento do processo 10880.659059/201246, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10880.659067/201292 Resolução nº 3402001.324 S3C4T2 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.316: "5. A questão aqui posta não demanda maiores digressões. Como visto alhures, no período de janeiro de 2010 a abril de 2012 o recorrente recolheu PIS/COFINS para mercadorias sujeitas a alíquota zero (art. 8°, § 12, inciso XIX e XV da Lei nº 10.865/04), o que fez com que apresentasse pedido de compensação para reaver o que pagou indevidamente. 6. Acontece que as sobreditas retificações foram apresentadas após o despacho decisório impugnado e, por isso, ignorados pela DRF. Ademais, a decisão recorrida aduz que além de tais retificações o contribuinte também deveria ter apresentado outros elementos de prova a atestar seu crédito, de modo a tornálo líquido e certo. 7. Já em sede de recurso voluntário o contribuinte trouxe outros documentos que aparentemente comprovam seu crédito, quais sejam, as notas fiscais de comercialização dos produtos desonerados e indevidamente tributados, bem como uma planilha em que correlaciona tais bens aos valores indevidamente pagos a título de tributo. 8. Percebese, pois, que diante dos fatos aqui expostos e dos documentos acostados nos autos, é possível vislumbrar que de fato o contribuinte possui um crédito em seu favor. Logo, levando ainda em consideração que no âmbito do processo administrativo vigora o princípio da verdade material1, e, ainda, com especial respeito aos valores da eficiência e da moralidade, que devem conformar as ações da Administração Pública, é salutar que o presente caso seja convertido em julgamento para que: · a unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o recorrente promoveu as retificações necessárias a demonstrar a existência do crédito aqui vindicado e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para a compensação promovida. 9. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a seu respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em 1 "Registrese, desde já, que este importante valor normativo não se assemelha a uma ferramenta mágica, como pretendem alguns, e, por óbvio, não tem a aptidão de "validar" preclusões e atecnias, nem de transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar esta importante norma. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer exprimir é a possibilidade de reconstruir a relação jurídica de direito material conflituosa por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá pelas características peculiares do direito material vindicado processualmente, i.e., pela sua contextualização." (RIBEIRO, Diego Diniz. O CPC/2015 e seus reflexos no processo administrativo tributário. In: Paulo de Barros Carvalho, Priscila de Souza. (Orgs.). Racionalização do sistema tributário. São Paulo: Noeses, 2017, p. 219240.). Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10880.659067/201292 Resolução nº 3402001.324 S3C4T2 Fl. 5 4 análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, DECIDO CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o recorrente promoveu as retificações necessárias a demonstrar a existência do crédito aqui vindicado e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para a compensação promovida. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a seu respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire . Fl. 280DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.000382/2009-61
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2008
DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE.
Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. RESPONSABILIDADE OBJETIVA
A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso. O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, queda-se alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 1002-000.114
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2008 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. RESPONSABILIDADE OBJETIVA A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso. O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, queda-se alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13884.000382/2009-61
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5854853
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1002-000.114
nome_arquivo_s : Decisao_13884000382200961.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13884000382200961_5854853.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. Julio Lima Souza Martins - Presidente. Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
id : 7234231
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:16:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009141772288
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1410; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 2 1 1 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13884.000382/200961 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.114 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 03 de abril de 2018 Matéria IRPJ. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Recorrente IACIT SOLUÇÕES TECNOLOGICAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2008 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. RESPONSABILIDADE OBJETIVA A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicarse o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso. O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, quedase alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 03 82 /2 00 9- 61 Fl. 92DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. Julio Lima Souza Martins Presidente. Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 51 à 69) interposto contra o Acórdão n° 0529.533, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (efls. 39 à 41), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente. Decisão essa ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2008 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DCTF. O cumprimento da obrigação acessória apresentação de declaração fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator às penalidades legais. O atraso na entrega da declaração é ostensivo, evidente por si s6 e, enquanto tal, desnecessário qualquer procedimento fiscal prévio. A entrega de declaração em atraso não caracteriza a denúncia espontânea referida no art. 138 do CTN. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Os argumentos apresentados na Impugnação são reiterados em sede de Recurso Voluntário (o qual a Recorrente denominou equivocadamente de "Recurso Especial"). Neste, a Contribuinte requer a declaração de total improcedência e inexigibilidade do crédito tributário consignado no auto de infração. Sustenta que a DRJ não enfrentou os argumentos apresentados na Impugnação, de modo que o Acórdão apresenta teor discrepante. Utiliza, ainda, como fundamento a inaplicabilidade da multa em face da denúncia espontânea. Valho me de alguns trechos da peça recursal, verbis: Veja senhores julgadores, o relatório exarado no presente recurso voluntário não tem nenhuma consonância com a matéria colocada em discussão aparenta estar o relatório e o voto totalmente divorciado da discussão em tela. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13884.000382/200961 Acórdão n.º 1002000.114 S1C0T2 Fl. 3 3 Sendo assim, não restou outra alternativa ao contribuinte a não ser apresentar esse recurso especial para ao final ver declarado nulo o acórdão 0529533/1T, em razão dos vícios ora apontados. (...) Esta consolidada nesta Câmara Superior de Recursos Fiscais a aplicabilidade do artigo 138 do CTN, para os caso em que o contribuinte cumpre obrigação acessória, desde que de livre e espontânea vontade, excluise por inteiro a responsabilidade pela infringência, e por conseguinte, a aplicabilidade da multa. (...) Assim, desde já podemos verificar onde sublinhamos, que o pagamento do tributo devido tem que ser efetuado SE FOR O CASO, ou seja, se não houver tributo a ser pago basta a espontaneidade e a inexistência de prévia fiscalização, para elidir a responsabilidade. Quando o inadimplemento é de obrigação tributária principal, há a necessidade de pagamento do tributo pois a obrigação é exatamente esta, porém s6 não vai ser necessário o pagamento quando se tratar de outro tipo de obrigação ( a acessória), entrega da Declaração, não tendo assim tributo a ser pago, caracterizase a exclusão da responsabilidade pela simples entrega voluntária da Declaração. (...) Ante o exposto é a presente para requerer que seja o presente acórdão declarado nulo, em razão dos vícios contido, por macular de vez o auto de infração ora discutido. Requer ainda a aplicabilidade do principio da denuncia espontânea expresso no art.138 do Código Tributaria Nacional. Caso vossa senhoria assim não entenda, requer a declaração de nulidade do acordo, com a devolução do respectivo processo administrativo ao conselho de contribuinte para fazer novo relatório e voto. É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Relator .O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso. Por primeiro, afasto de plano a suposta nulidade no Acórdão da DRJ (Acórdão n° 0529.533). Não merece amparo a alegação da Recorrente, no sentido de que a Fl. 94DF CARF MF 4 indigitada decisão não abordou suas reivindicações. A decisão recorrida apresenta estreita sintonia com todos os aspectos abordados na Impugnação, expressando de forma hialina a posição do Fisco. Quanto ao mérito, observo inicialmente que não há discussão quanto ao atraso ter efetivamente ocorrido. De igual modo, não há qualquer contestação quanto ao cálculo do valor da multa exigida. Os argumentos da Recorrente, a exemplo do que ocorreu em primeira instância, se baseiam na denúncia espontânea, haja vista ter efetuado a entrega da declaração antes de qualquer procedimento fiscal. Não vejo como acolher os pleitos da Recorrente, pois a decisão da DRJ apresenta estreita sintonia com a jurisprudência do CARF. Os indigitados argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever abaixo os principais trechos do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoos desde já como razões de decidir, em cumprimento aos ditames do §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999 e em atenção ao disposto no §3º do art. 57, do RICARF: Quanto à obrigatoriedade, nos termos da legislação de regência, todas as pessoas jurídicas de direito privado, domiciliadas no Pais, registradas ou não, sejam quais forem seus fins e nacionalidade, inclusive as a elas equiparadas, as filiais, sucursais ou representações, no Pais, das pessoas jurídicas com sede no exterior, estejam ou não sujeitas ao pagamento do imposto de renda (RIR/1999, arts. 146, 147, 150, e 808 a 831) estão sujeitas à apresentação da declaração. Ponderase, ainda, que, consoante o parágrafo único do artigo 142 do CTN, a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. E, por ser o lançamento ato privativo da autoridade administrativa é que a lei atribui à Administração o poder de impor, por meio da legislação tributária, ônus e deveres aos particulares, denominados, genericamente, "obrigações acessórias", que têm por objeto as prestações, positivas ou negativas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (art. 113, § 2° do CTN). Quando a obrigação acessória não é cumprida, fica subordinada à multa especifica (art. 113, § 3°, do CTN). Assim é que a Administração exige do particular diversos procedimentos. No caso, a obrigação acessória implicou não só o cumprimento do ato de entregar a declaração, como também, o dever de fazê lo no prazo previamente determinado. Portanto, havêla entregue, tão só, não exime o contribuinte da penalidade, posto que esta está claramente definida, tanto para a hipótese da não entrega, quanto para o caso de seu implemento fora do tempo determinado. Qualquer entendimento em contrário implicaria tornar letra morta os dispositivos legais em apreço, o que viria, inclusive, a desestimular o cumprimento da obrigação acessória no prazo legal. No mais, segundo o disposto no artigo 136 do Código Tributário Nacional, a responsabilidade pelas infrações fiscais é objetiva, Fl. 95DF CARF MF Processo nº 13884.000382/200961 Acórdão n.º 1002000.114 S1C0T2 Fl. 4 5 ou seja, independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. No que cinge às ilegalidades levantadas pela Recorrente, tanto na instituição, quanto na aplicação da multa pelo não cumprimento da obrigação acessória, a base legal do lançamento consta no referido artigo 7º da Lei nº 10.426, de 2002, o qual criou uma regra específica de sanção para o descumprimento da obrigação relativa às declarações DIPJ, DCTF, DIRF e DACON. Destaco, ainda, que a própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo do tributo cobrado. Nessa trilha, quando se descumpre a indigitada obrigação, nasce um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância, converte se em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3°, do CTN). De arremate, em relação ao instituto da denúncia espontânea suscitado no Recurso Voluntário, fazse mister ressaltar que tal matéria também é respaldada por entendimento sumulado do CARF: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Por fim, consigno que o caráter punitivo da reprimenda possui natureza objetiva. Ou seja, quedase alheia à vontade do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado da inobservância às regras formais. Eis que a responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do Código Tributário Nacional. Conclusão Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que os argumentos esposados pela Recorrente não merecem ser acolhidos. Portanto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. Breno do Carmo Moreira Vieira Relator Fl. 96DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11634.000413/2008-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2004, 2005
DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA. RETIFICAÇÃO NÃO ESPONTÂNEA.
A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. OCORRÊNCIA DE SONEGAÇÃO. INDÍCIOS. INFORMAÇÕES DIFERENTES FISCO ESTADUAL. CONDUTA REITERADA. CABIMENTO. Declarações diversas para os Fiscos Federal e Estadual, criam um obstáculo à real compreensão da situação fiscal da contribuinte. Práticas reiteradas. Elementos que, juntos, permitem a qualificação da multa de ofício.
LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS-Simples, CSLL-Simples, COFINSSimples, IPI-Simples e INSS - Simples.
Dada a íntima relação de causa e efeito, aplica-se aos lançamentos reflexos o decidido no principal.
Numero da decisão: 1301-002.729
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2004, 2005 DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA. RETIFICAÇÃO NÃO ESPONTÂNEA. A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. OCORRÊNCIA DE SONEGAÇÃO. INDÍCIOS. INFORMAÇÕES DIFERENTES FISCO ESTADUAL. CONDUTA REITERADA. CABIMENTO. Declarações diversas para os Fiscos Federal e Estadual, criam um obstáculo à real compreensão da situação fiscal da contribuinte. Práticas reiteradas. Elementos que, juntos, permitem a qualificação da multa de ofício. LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS-Simples, CSLL-Simples, COFINSSimples, IPI-Simples e INSS - Simples. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplica-se aos lançamentos reflexos o decidido no principal.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11634.000413/2008-10
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5847404
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-002.729
nome_arquivo_s : Decisao_11634000413200810.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
nome_arquivo_pdf_s : 11634000413200810_5847404.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7184279
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009143869440
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1521; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 328 1 327 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11634.000413/200810 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.729 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de fevereiro de 2018 Matéria SIMPLES OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente ARMELINDO ORTIZ DE OLIVEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004, 2005 DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA. RETIFICAÇÃO NÃO ESPONTÂNEA. A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. OCORRÊNCIA DE SONEGAÇÃO. INDÍCIOS. INFORMAÇÕES DIFERENTES FISCO ESTADUAL. CONDUTA REITERADA. CABIMENTO. Declarações diversas para os Fiscos Federal e Estadual, criam um obstáculo à real compreensão da situação fiscal da contribuinte. Práticas reiteradas. Elementos que, juntos, permitem a qualificação da multa de ofício. LANÇAMENTOS REFLEXOS: PISSimples, CSLLSimples, COFINSSimples, IPISimples e INSS Simples. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 04 13 /2 00 8- 10 Fl. 328DF CARF MF Processo nº 11634.000413/200810 Acórdão n.º 1301002.729 S1C3T1 Fl. 329 2 Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 329DF CARF MF Processo nº 11634.000413/200810 Acórdão n.º 1301002.729 S1C3T1 Fl. 330 3 Relatório ARMELINDO ORTIZ DE OLIVEIRA, já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 2a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) DRJ/CTA (fls. 286 e ss), que, por unanimidade de votos, manteve o lançamento. Do Lançamento Segundo o Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal, (fls. 134/145), e Relatório do acórdão recorrido, a autuação ocorreu por: a) Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ —Simples, fls. 134/145, no valor de R$ 13.729,79, devido a: a. omissão de receitas da atividade registradas no livro Registro de Apuração do ICMS, demonstradas às fls. 107/108, nos meses 05 a 09, 11 e 12/2004; 03, 04, 05 e 07 a 12/2005; b. insuficiência de recolhimento decorrente de alteração da alíquota incidente, em função da receita omitida, nos meses 06 a 08 e 10 a 12/2004; 04 a 12/2005; c. base legal nos arts. 2°, § 20, 3°, § 1°, a, 5°, 7°, § 1° da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996; art. 3° da Lei n° 9.732, de 11 de dezembro de 1998; arts. 186 e 188 do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999); b) contribuição ao Programa de Integração Social — PIS — Simples, fls. 046/157, no valor de R$ 13.729,79, relativamente a: a. mesma infração descrita, fatos geradores de 05 a 09, 11 e 12/2004; 03 a 12/2005; b. insuficiência de recolhimento decorrente de alteração da alíquota incidente, em função da receita omitida, nos meses 06 a 08 e 10 a 12/2004; 04 a 12/2005; c. base legal no art. 3°, b da Lei Complementar 7, de 07 de setembro de 1970, c/c o art. 1°, parágrafo único, da Lei Complementar n° 17, de 12 de dezembro de 1973; arts. 2°, I, 3°, 90 da Medida Provisória n° de 14 de dezembro de 1995, e suas reedições; arts. 2°, § 2°, 3°, § 1°, b, 5°, 70, § 10, 18 da Lei n° 9.317, de 1996; art. 3° da Lei n° 9.732, de 1998; c) Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL Simples, fls. 158/170, no valor de R$ 246947,74: Fl. 330DF CARF MF Processo nº 11634.000413/200810 Acórdão n.º 1301002.729 S1C3T1 Fl. 331 4 a. relativa à mesma infração, fatos geradores de 04 a 09 e 11, 12/20042; 03 a 12/2005; b. insuficiência de recolhimento decorrente de alteração da alíquota incidente, em função da receita omitida, nos meses 06 a 08 e 10 a 12/2004; 04 a 12/2005; c. base legal art. 1° da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988; arts. 2°, § 20, 30, § 10, c, 50, r g 1° da Lei n° 9.317, de 1996; art. 3° da Lei n° 9.732, de 1998; d) Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Simples, • fls. 171/184, no valor de R$ 50.325,69: a. relativa à mesma infração, fatos geradores de 03 a 09 e 11, 12/2004; 03 a 12/2005; b. insuficiência de recolhimento decorrente de alteração da alíquota incidente, em função da receita omitida, nos meses 06 a 08 e 10 a 12/2004; 04 a 12/2005; c. base legal art. 1° da Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991, arts. 2°, § 2°, 3°, 1°, d, 5°, 7°, § 1° da Lei n° 9.317, de 1996; art. 3° da Lei n° 9.732, de 1998; e) Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Simples, fls. 185/198, no valor de R$ 12.581,65: a. relativo à mesma infração, fatos geradores em 03 a 09 e 11,12/2004; 03 a 12/2005. b. insuficiência de recolhimento decorrente de alteração da aliquota incidente, em função da receita omitida, nos meses 04 a 08 e 10 a 12/2004; 03 a 12/2005; c. base legal arts. 2°, § 2°, 3°, § 1°, e, 5°, § 2°, 7°, § 1° da Lei n° 9.317, de 1996; art. 3° da Lei n° 9.732, de 1998; arts. 2°, 3°, 34, 35, 122 e 127 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI (Decreto n° 4.544, de 2002); f) Contribuição para a Seguridade Social INSS Simples, fls. 199 e 202/214, no valor de R$ 90.026,28: a. relativa à mesma infração, fatos geradores de 03 a 09 e 11 a 12/2004; 03 a 12/2005; b. insuficiência de recolhimento decorrente de alteração da aliquota incidente, em função da receita omitida, nos meses 04 a 08 e 10 a 12/2004; 03 a 12/2005; Fl. 331DF CARF MF Processo nº 11634.000413/200810 Acórdão n.º 1301002.729 S1C3T1 Fl. 332 5 c. base legal arts. 2°, § 2°, 3°, § 1°,f 5°, 7°, § 1° da Lei n° 9.317, de 1996; art. 3° da Lei n° 9.732, de 1998. Houve a incidência de multa de 75% sobre a insuficiência de recolhimento e de 150% sobre a omissão de receitas. Da Impugnação Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato da Impugnação, de fls. 219/220, que aduziu os seguintes argumentos: 7. Afirma que recolheu os impostos e contribuições devidos, em parcelas mensais, desde 09/2007, a fim de obter um parcelamento dos valores que declarou nas retificadoras apresentadas espontaneamente, conforme permissivo do RIR, ou seja, a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica — PJSI retificadora foi apresentada dentro do prazo de 20 dias do início do procedimento fiscal. 8. Que foi surpreendida com a autuação relativa aos mesmos valores que havia declarado, dado que já os havia espontaneamente levado ao conhecimento do Fisco na retificadora, que foi entregue porque a litigante havia localizado erro de processamento nos seus dados anteriormente informados. 9. Também reclama que os valores que haviam sido recolhidos não foram deduzidos da autuação, caracterizando duplicidade da exigência. 10. Também estranha a representação para fins penais, se os dados fiscais já se encontravam declarados e o fisco não localizou informações externas que os contradissessem; então, entende que não se caracterizou crime de sonegação. 11. Acusa de exagerada a multa aplicada de 150% a uma autuação em que os dados utilizados pelo Fisco já tinham sido informados pela própria autuada; também, tendo em vista que não houve condenação anterior pelo crime. 12. Pleiteia a colhida da declaração retificadora, o reconhecimento dos recolhimentos efetuados, cancelamento da autuação e a concessão do parcelamento requerido. 13. Apensado ao presente o processo n° 11634.000414/200864 — Representação Fiscal para Fins Penais — Imposto Simples. Em julgamento realizado em 17 de dezembro de 2009, a 2ª Turma da DRJ/CTA, considerou improcedente a impugnação da contribuinte e prolatou o acórdão 0624 938, assim ementado: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTESIMPLES Fl. 332DF CARF MF Processo nº 11634.000413/200810 Acórdão n.º 1301002.729 S1C3T1 Fl. 333 6 Data do fato gerador: 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004, 31/03/2005, 30/04/2005, 31/05/2005, 30/06/2005, 31/07/2005, 31/08/2005, 30/09/2005, 31/10/2005, 30/11/2005, 31/12/2005 DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA. RETIFICAÇÃO NÃO ESPONTÂNEA. A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. RECOLHIMENTOS SOB AÇÃO FISCAL. APROVEITAMENTO DESCABE. Os recolhimentos do Simples com simples encargos moratórios efetuados pela pessoa jurídica, depois de iniciado o procedimento de fiscalização, não podem ser deduzidos do lançamento fiscal sobre o qual incide a multa de ofício, porém a contribuinte pode requer a restituição ou utilizálos como direito creditório na compensação de débitos futuros ou mesmo dos exigidos na autuação. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DOLO. Considerandose a intenção dolosa de ocultar os fatos geradores da obrigação tributária, aplicase multa de ofício qualificada de 150% sobre os correspondentes impostos e contribuições sociais exigidos. LANÇAMENTOS REFLEXOS: PISSimples, CSLLSimples, COFINS Simples, IPISimples e INSS Simples. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário A contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 302 e ss, onde reforça os argumentos já apresentados em sede de impugnação, atendose aos seguintes pontos: Do reconhecimento da Denúncia Espontânea; Da redução da Multa de Ofício Qualificada, em decorrência da não configuração do dolo e da fraude; Recebi os autos, por sorteio, em 18/10/2017. É o relatório. Fl. 333DF CARF MF Processo nº 11634.000413/200810 Acórdão n.º 1301002.729 S1C3T1 Fl. 334 7 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora A contribuinte foi autuada, em 25/08/2007, para o recolhimento de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, IPI e INSS no regime simplificado SIMPLES, relativo a alguns meses de 2004 e 2005, totalizando o crédito tributário de R$571.599,67, incluindo multa de ofício de 75% sobre a insuficiência de recolhimento e de 150% sobre a omissão de receitas e juros de mora. Ela foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/CTA e intimada ao recolhimento dos débitos em 11/01/2010 (AR de fl. 301), e apresentou em 05/02/2010, recurso voluntário e demais documentos, juntados às fls. 302 e ss. Já que atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e tempestivo, dele conheço. A ação fiscal teve início em 23/08/2007, e identificou infrações em razão de discrepâncias nas declarações apresentadas de PJSI Declaração Simplificada da pessoa Jurídica SIMPLES, dos anoscalendários de 2004 e 2005, já que as receitas declaradas foram inferiores às saídas por vendas registradas no livro de Registro de Apuração do ICMS, às fls. 57/103. Já sob procedimento fiscal, em 12/09/2007, a ora Recorrente apresentou declarações retificadoras, já com as receitas de acordo com o livro do ICMS e comprovante de quitação da primeira parcela do Parcelamento em 60 meses da dívida apurada. Dessa forma, entende ela que poderia se beneficiar do instituto da denúncia espontânea, pois nos termos do art. 47 da Lei 9.430/96, as declarações retificadoras foram entregues no prazo de 20 (vinte) dias do início do procedimento fiscal. Segue o art. 47 abaixo transcrito: Art. 47. A pessoa física ou jurídica submetida a ação fiscal por parte da Secretaria da Receita Federal poderá pagar, até o vigésimo dia subseqüente à data de recebimento do termo de início de fiscalização, os tributos e contribuições já declarados, de que for sujeito passivo como contribuinte ou responsável, com os acréscimos legais aplicáveis nos casos de procedimento espontâneo. (Redação dada pela Lei n°9.532, de 1997) (gn) Ora, a simples leitura do dispositivo não deixa dúvidas, o contribuinte poderá pagar dentro dos vinte dias do início do procedimento fiscal, os tributos e contribuições já declarados. Nesse sentido, de se manter os argumentos embasadores da decisão da DRJ: Fl. 334DF CARF MF Processo nº 11634.000413/200810 Acórdão n.º 1301002.729 S1C3T1 Fl. 335 8 18. Citese, por pertinente a Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF (anteriormente Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda — CCMF: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de oficio. 19. Em resumo, as DPSI retificadoras não foram espontâneas e não são aceitas, cabendo à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, conforme determina o Código Tributário Nacional CTN, Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 142: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único: A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Alega, ainda, o Recorrente, que no momento da retificação das declarações e dos pagamentos realizados, ainda não havia nenhum auto de infração formalizado contra si. Novamente, equivocase o recorrente. Claro está nos autos que já se encontrava sob fiscalização, conforme termo de início devidamente assinado. Tal fato, por si só, afasta a aplicação da denúncia espontânea. O parágrafo único do art. 138, do CTN é cristalino: “Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Ainda, o art. 7º do Decreto 70.235/72 e seu parágrafo único: “Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas.” Fl. 335DF CARF MF Processo nº 11634.000413/200810 Acórdão n.º 1301002.729 S1C3T1 Fl. 336 9 Ademais, não há alegações acerca dos valores apurados. Não há que se falar em denúncia espontânea, mantendose o lançamento. Da multa qualificada Foi aplicada multa qualificada sobre os tributos decorrentes das receitas omitidas, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/96. Conforme o TVF, de fls. 105 e ss, em razão do Convênio de Cooperação Técnica firmado entre o Fisco Federal e o Fisco Estadual do Paraná, verificouse que a empresa declarava valores inferiores ao Fisco Federal, nos seguintes montantes: Fl. 336DF CARF MF Processo nº 11634.000413/200810 Acórdão n.º 1301002.729 S1C3T1 Fl. 337 10 Intimada acerca das inconsistências, a recorrente admitiu que as informações prestadas ao Fisco Federal eram inconsistentes. Dessa forma, concluiu a Fiscalização que o contribuinte dolosamente informava valores a menor ao Fisco Federal com o intuito de recolher menos tributos. Ou seja, o contribuinte, ao longo de dois exercícios, de forma reiterada informou sabidamente valores inferiores ao Fisco Federal, veja que no ano de 2005 a omissão alcança três vezes o valor declarado no SIMPLES. Assim, em que pese a existência da Súmula CARF 14: em que a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Pelas documentações e provas trazidas no caso vertente, verificase tal intuito de fraudar o erário. A retificação das declarações somente se deu após o início do procedimento fiscal, ou seja, muito provável que ele continuasse com o procedimento de informar e recolher menos tributos ao Fisco Federal. Ademais, segue trechos do livro de Maria Rita Ferragut1: Alguns fatos são mais facilmente comprovados que outros. A divergência de informações prestadas aos diferentes órgãos arrecadatórios é simples de ser demonstrada, e, a depender do conteúdo da falha, da reiteração da conduta e de suas consequências é indicadora seguro de dolo. Exemplo atual é a troca de informações entre o Fisco Federal e Estadual, no que diz respeito às doações realizadas pelo contribuinte e por ele indicadas em sua declaração de imposto de renda (variação patrimonial), mas não informadas à Fazenda do Estado. Ou seja, se fosse um erro pontual, aceitável seria a divergência. Mas como se viu, a inconsistência foi admitida e inclusive retificada. A conduta foi reiterada em pelo menos dois períodos, que poderia significar mais tempo inclusive. Assim, no meu entendimento o dolo está evidente e caracterizado. A Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, constante do dispositivo que qualifica a multa de ofício, na Lei nº 9.430, de 1996, caracterizou: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. 1 As provas e o direito tributário, São Paulo, Ed. Saraiva, 2016, pág. 240. Fl. 337DF CARF MF Processo nº 11634.000413/200810 Acórdão n.º 1301002.729 S1C3T1 Fl. 338 11 Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Art . 74. Apurandose, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações pela mesma pessoa natural ou jurídica, aplicam se cumulativamente, no grau correspondente, as penas a elas cominadas, se as infrações não forem idênticas ou quando ocorrerem as hipóteses previstas no art. 85 e em seu parágrafo. § 1º Se idênticas as infrações e sujeitas à pena de multas fixas, previstas no art. 84, aplicase, no grau correspondente, a pena cominada a uma delas, aumentada de 10% (dez por cento) para cada repetição da falta, consideradas, em conjunto, as circunstâncias qualificativas e agravantes, como se de uma só infração se tratasse. (Vide DecretoLei nº 34, de 1966) (Grifou se.) CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 338DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13984.001286/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.118
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13984.001286/2009-11
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5838897
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-001.118
nome_arquivo_s : Decisao_13984001286200911.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
nome_arquivo_pdf_s : 13984001286200911_5838897.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
id : 7153251
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009157500928
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1525; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 438 1 437 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13984.001286/200911 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.118 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 31 de janeiro de 2018 Assunto Finsocial Recorrente EDIBA ELETRO DIESEL BATTISTELLA LTDA. (atualmente BATTISTELLA ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório. Tratase de Recurso Voluntário de fls. 422 em face da decisão de primeira instância administrativa fiscal proferida pela da DRJ/SP de fls. 402 que manteve o Despacho decisório de fls. 186, restando parcialmente reconhecido o crédito de Finsocial e parcialmente homologada a compensação. Como de costume nesta Turma de julgamento, para descrição dos fatos, matéria e trâmite dos autos, segue a transcrição do mesmo relatório constante no Acórdão de primeira instância: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 84 .0 01 28 6/ 20 09 -1 1 Fl. 438DF CARF MF Processo nº 13984.001286/200911 Resolução nº 3201001.118 S3C2T1 Fl. 439 2 “Cuida o presente processo de Declarações de Compensação nas quais se informa que os créditos nelas apontados são oriundos de ação judicial. Pela decisão de fls. 186/195, exarada no âmbito da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Lages, houve uma homologação total e uma parcial de DCOMP, assim como a não homologação de outras três. A autoridade tributária responsável pela informação fiscal que sustenta a decisão entendeu, em suma, no sentido de que: trata o presente processo de análise das compensações realizadas com crédito da ação judicial no 1994.00101643; o crédito tem como origem os pagamentos realizados de FINSOCIAL à alíquota superior a 0,5%; o total compensado é de R$ 1.038428,80; DA AÇÃO JUDICIAL nº 2007.72.06.0015264 o Mandado de Segurança nº 2007.72.06.0015264 teve deferido o pedido de liminar para determinar que a autoridade impetrada promovesse a habilitação do crédito da impetrante proveniente da sentença proferida nos autos do processo judicial no 94.101643; a sentença de 1ª instância ratificou a liminar e a decisão de 2ª instância também foi favorável ao contribuinte e já transitou em julgado; ficou decidido que a melhor interpretação a ser dada ao inciso IV do § 2° do art. 51 da IN/SRF 600/2005 é aquela que entende como termo "a quo" para o inicio do prazo prescricional a data do trânsito em julgado da sentença proferida nos embargos à execução, e não a data do trânsito em julgado da sentença proferida no processo de conhecimento, já que, à época, o crédito da impetrante, embora certo, não era liquido, sendo que a sentença nos embargos à execução transitou em julgado em 22/02/2007; ficou decidido também, na sentença exarada no mandado de segurança nº 2007.72.06.0015264, a questão das custas e dos honorários advocatícios referentes ao processo de execução; DA AÇÃO JUDICIAL nº 1994.00.101643 a ação ordinária de repetição de indébito n° 94.00.101643 foi julgada em primeira instância, sendo prolatada sentença em 21 de julho de 1998, na qual o juiz reconheceu o direito à restituição dos valores pagos a maior de FINSOCIAL, recolhidos com alíquota superior a 0,5%, corrigidos pelos índices oficiais desde o momento em que foram pagos indevidamente que seriam apurados em liquidação; a Fazenda Nacional apresentou apelação, tendo o recurso subido ao Tribunal Regional Federal da lª Região, onde ficou decidido pela inconstitucionalidade das elevações da alíquota do FINSOCIAL operadas por lei ordinária a partir do advento da CF/88 até a edição da Lei Complementar nº 70/91; Fl. 439DF CARF MF Processo nº 13984.001286/200911 Resolução nº 3201001.118 S3C2T1 Fl. 440 3 a correção monetária deveria incidir para atualizar o valor da moeda corroída pela inflação desde o recolhimento indevido, nos termos das Súmulas 46/TRF e 162/STJ; na repetição de indébito tributário, os juros de mora deveriam incidir na razão de 1% ao mês, de acordo com o disposto no art. 161, § 1o, do CTN, a partir do trânsito em julgado da decisão (art, 167, parágrafo único, do CTN e enunciado de Súmula nº 188/STJ); a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração com o escopo de suprir omissão acerca da manifestação quanto à inversão do ônus sucumbencial, sendo os referidos embargos acolhidos nesse ponto; o Acórdão transitou em julgado em 06/12/2001; a referida ação ordinária foi transformada em ação de execução e recebeu o no 2002.34.00.0156904; posteriormente a contribuinte requereu a desistência da execução para compensação tributária do referido crédito na forma da Instrução Normativa SRF no 600, de 28/12/2005, sem contudo desistir da condenação à titulo de honorários; a desistência requerida foi homologada nos seguintes termos: "Nos termos do art. 569, do Código de Processo Civil, o credor tem a faculdade de desistir da execução, seja de toda ou de parte, pois tal processo tem por única finalidade satisfazer o direito do credor. Isso posto, homologo o pedido de desistência, para que produza seus efeitos legais, devendo o feito prosseguir quanto aos demais exeqüentes e relativamente aos honorários advocatícios"; a Fazenda Nacional opôs a Ação de Embargos à Execução nº 2002.34.00.0319181, cujo acórdão transitou em julgado em 22/02/2007; tendo o judiciário acatado como indevidos os recolhimentos de FINSOCIAL à alíquota superior a 0,5%, passase a verificar se o crédito é suficiente para respaldar as declarações de compensação listadas no item 2 do despacho; como ferramenta de cálculo foi utilizado o Sistema CTSJ (Créditos Tributários Sub Judice), sendo levados em consideração os aspectos seguintes: (1) Foi considerada a base de cálculo como o faturamento constante da planilha apresentada ao Poder Judiciário e confirmada pela contribuinte, períodos de apuração de set/1989 a ago/1990, aplicando se a alíquota de 0,5%; (2) Esse valor foi confrontado com os pagamentos efetuados para as respectivas competências (os recolhimentos foram confirmados no sistema de micro fichas), sendo apurado um saldo credor; pelos cálculos efetuados através do sistema CTSJ, a interessada é credora no valor de R$ 191.664,05, atualizados até 31/12/1995 (apenas para efeito comparativo, os cálculos efetuados pela contribuinte e juntados aos autos apresentam um crédito de R$ 458.782,02 na data base de Fl. 440DF CARF MF Processo nº 13984.001286/200911 Resolução nº 3201001.118 S3C2T1 Fl. 441 4 31/03/2002; utilizandose o CTSJ para a mesma data base, obtevese um saldo credor de R$ 462.334,60); (3) Para se chegar ao saldo credor, no sistema CTSJ, foram acrescidas as correções determinadas pelo Poder Judiciário (indébitos corrigidos pelos índices oficiais); foram utilizados os índices de correção monetária previstos na Norma de Execução Conjunta COSIT/COSAR no 08/97, que utiliza a partir de 01/01/92 a UFIR e a partir de 01/01/96 a SELIC. pelo sistema CTSJ foram emitidos os relatórios seguintes com seus respectivos significados: a. Dados do Contribuinte e Trabalho: Constam os dados cadastrais da empresa e o nome do trabalho; b. Demonstrativo de Dados Cadastrais e Processo Judiciais: Os dados cadastrais da ação judicial, inclusive data da impetração e trânsito em julgado; c. Demonstrativo de Apuração de Débitos: Constam os valores de base de cálculo e alíquota utilizados; d. Demonstrativo de Pagamentos: Os pagamentos apresentados pela interessada como crédito da ação judicial; e. Demonstrativo Resumo das Vinculações Auditadas: Encontramse, mês a mês, o valor da competência com sua respectiva vinculação de pagamento; f. Demonstrativo de Amortizações: Informa de que modo os pagamentos foram amortizados e que tabela de atualização foi utilizada. apurado o crédito da ação judicial, foi o mesmo confrontado com os débitos informados nas declarações de compensação relacionadas na tabela do item 2, sendo utilizado o sistema de apoio operacional NEOSAPO para o cálculo da compensação: (1) O saldo credor foi confrontado com os débitos informados nas declarações de compensação 10666.38958.200907.1.7.575200, 41662.31715.190908. 1.7. 576657, 05805.77769.190908.1.7.578256, 37975.14491.190908.1.7.570020 e 30764.79814.250908.1.3.570600; (2) O valor do crédito não foi suficiente para amortizar todos os débitos declarados como compensados; o resultado do confronto foi a satisfação total dos débitos informados na DCOMP 10666.38958.200907.1.7.575200, a satisfação parcial da DCOMP 41662.31715.190908.1.7,576657, e a inexistência de crédito para amortizar as DCOMPs 05805.77769.190908.1.7.578256, 37975.14491.190908.1.7.570020 e 30764.79814.250908.1.3.570600. Contra a decisão foi apresentada a manifestação de inconformidade de fls. Fl. 441DF CARF MF Processo nº 13984.001286/200911 Resolução nº 3201001.118 S3C2T1 Fl. 442 5 291/308, pela qual a Contribuinte argumenta, em suma, no sentido de que: a Recorrente tem a favor de si decisão judicial transitada em julgado oriunda da ação judicial 1994.00101643, cujo objeto era o reconhecimento de crédito tributário correspondente ao valor do extinto FINSOCIAL recolhido acima da alíquota de 0,5%; a ação judicial obteve a declaração de inconstitucionalidade das sucessivas elevações de alíquota do FINSOCIAL previstas na Lei n.° 7.787/89, Lei n.° 7.894/89 e Medida Provisória n.° 249/90, incidentes sobre as arrecadações realizadas a partir dos meses de setembro de 1989, janeiro de 1990 e janeiro de 1991; o Acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da lª Região transitou em julgado no dia 06 de dezembro de 2001, tendo a Recorrente ajuizado a competente execução de titulo judicial; a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração que foram julgados improcedentes, com transito em julgado no dia 22 de fevereiro de 2007, garantindo à Recorrente um crédito no valor de R$ 680.338,14, atualizados até junho de 2004; diante disso, a Recorrente formulou Pedido Eletrônico de Restituição, vinculada às Declarações de Compensação 10666.38958.200907.1.7.575200, 41662.31715.190908.1.7.576657, 05805.77769.190908.1.7.578256, 37975.14491.190908.1.7.570020 e 30764.79814.250908.1.3.570600, relativamente a compensações realizadas com diversos tributos entre as competências de julho de 2007 até 08/2008; cabe salientar que a habilitação do crédito só foi possível mediante a impetração de Mandado de Segurança, protocolado sob o número 2007.72.06.0015264; em que pese os exatos termos da decisão judicial, que conferiu direito ao crédito em favor da Recorrente, a “Secretaria da Fazenda Nacional” (sic; fl. 292) glosou parte do valor e, conseqüentemente, parte da compensação sem, contudo, explicitar os fundamentos legais que autorizam tal medida; de fato, o Despacho decisório DRF/LAG n° 241, de 20 de novembro de 2009, não apresenta uma explicação minimamente razoável quanto ao fundamento legal e sua aplicação ao caso concreto, o que é dever da administração pública, considerando a necessidade de motivação do ato administrativo, constitucionalmente prevista no artigo 37 da Constituição Federal; desta forma, tornase imperativo o julgamento de procedência desta manifestação para admitir o crédito em favor da Recorrente; defende a Recorrente que a medida fiscal de glosa é por inteira insegura, uma vez que é fundada em presunção; aplicando técnicas aleatórias, desconsiderando o processo operacional, ignorando todas as circunstâncias que informam as rotinas da empresa e principalmente a coisa julgada material conferida em ação judicial, Fl. 442DF CARF MF Processo nº 13984.001286/200911 Resolução nº 3201001.118 S3C2T1 Fl. 443 6 presumese que a Recorrente tenha promovido a compensação considerada indevida de créditos do FINSOCIAL com débitos de outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil; o resultado apontado não passa de grosseiro ensaio elaborado nos intramuros da repartição fiscal; como se trata de procedimento que vai culminar com o lançamento tributário, ato administrativo vinculado, a autoridade deveria apresentar o cálculo correspondente ao crédito glosado de maneira explicativa, mas não o fez, contrariando a regra definida no artigo 142 do Código Tributário Nacional; o professor Celso Antonio Bandeira de Mello comenta: "E o lançamento vem definido neste artigo como um procedimento administrativo que, por sua vez, pode ser entendido como uma sucessão itinerária e encadeada de atos administrativos que tendem, todos, a um resultado final e conclusivo. Isso significa que para existir o procedimento cumpre que haja uma seqüência de atos conectados entre si, isto e, armados em uma ordenada sucessão visando a um ato derradeiro, em vista do qual se compôs esta cadeia." (fl. 294) tal situação impede, inclusive, que a Recorrente exerça, na plenitude, seu direito a ampla defesa, uma vez que o resultado apontado na decisão judicial foi considerado pelo Fisco de forma inexata e sem a manifestação adequada para que a Recorrente possa conhecer os motivos da glosa; na verdade, existe um evidente descompasso entre a glosa e o direito concedido pela decisão judicial transitada em julgado, o que macula o procedimento ao abrigo de presunção fiscal; a Lei Complementar Nacional, por isto, conceitua, define, estabelece o momento da ocorrência do fato gerador, os pressupostos legais e materiais deste, a matéria tributável e remete a lei a definição da alíquota, base de cálculo e configuração temporal, espacial da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, impedindo, com isto, a ficção ou presunção fiscal; além disso, por se tratar de atividade administrativa, o procedimento de lançamento deverá considerar os primados constitucionais do Direito Administrativo que lhes sejam aplicáveis, como os previstos no art. 37 da Constituição Federal de 1988 postulados da legalidade, finalidade, razoabilidade, proporcionalidade, motivação, impessoalidade, publicidade, moralidade, responsabilidade e eficiência e que foram desconsiderados pelo agente fazendário e pela decisão recorrida; sem a apresentação dos fundamentos da glosa, a Recorrente pode apenas supor que o agente fazendário tenha utilizado um procedimento inadequado para a apuração do valor, vez que se limitou a calcular o crédito utilizando índices que não são aplicáveis ao caso concreto, desconsiderando a decisão transitada em julgado; Fl. 443DF CARF MF Processo nº 13984.001286/200911 Resolução nº 3201001.118 S3C2T1 Fl. 444 7 é importante novamente salientar que o crédito decorre de decisão judicial, portanto, deveria o fiscal ter procedido ao levantamento total dos créditos exatamente como conferido pela Sentença, comparar com o valor já utilizado e glosar a diferença, se existisse; ao invés de empregar a sistemática de homologação ao valor total do crédito concedido, interpretou a decisão judicial com absurda parcialidade, descumprindo o comando judicial; não há como aceitar o procedimento utilizado pelo agente fazendário, uma vez que decorre de presunção que pela própria essência, é desprovida da precisão necessária ao lançamento tributário; válida, pois, a manifestação de Gilberto de Ulhoa Canto que, com seu inigualável saber jurídico anota: "Na presunção tomase como sendo verdade, de todos os casos, aquilo que a verdade da generalidade dos casos iguais, em virtude de uma lei de freqüência ou de resultados conhecidos, ou em decorrência da previsão lógica do desfecho. Porque na grande maioria das hipóteses análogas determinadas situação se retrata ou define de certo modo; passase a entender que desse mesmo modo serão retratadas e definidas todas as situações de igual natureza. Assim o pressuposto lógico da formulação preventiva consiste na redução, a partir de um fato conhecido, da conseqüência já conhecida em situações verificadas no passado, dada a existência de elementos comuns. Concluindose que o resultado conhecido se repetirá” (fl. 295/296) a toda evidência, na espécie, sequer os princípios básicos e notórios que informam a matéria foram concebidos pelo levantamento fiscal; não é outro o entendimento do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda; assim decidiu: "Omissão de Receitas Omissão de Compres. (sic) Não havendo investigação complementar, deve ser cancelado o auto por omissão de receitas, cuja apuração é suportada apenas por verificação de compras. Em face do principio da estrita legalidade, o fisco não pode alçar fato gerador à mera presunção de ter havido ingresso financeiro na empresa sem oferecimento a tributação." "Falta de outros Elementos Confirmatórios Lançamento não Autorizado CTN art. 3° c/c art. 142 e Parágrafo Único Principio da Reserva Legal, Segurança e Certeza Jurídica. A falta de contabilização de 33 m2 de ardósia, que segundo o Laudo de Avaliação foi empregada em edificação realizada, não é elemento suficiente para autorizar a presunção de omissão de receitas." (fl. 296) resta a confirmação, pois, do resultado alcançado no demonstrativo subsidiador da medida e, no mínimo, a correção das impropriedades técnicas e formais do lançamento fiscal; pois bem, o que se vê, data vênia, é o autoritarismo decorrente de uma função administrativa que coage e cria obstáculos delicados ao sujeito Fl. 444DF CARF MF Processo nº 13984.001286/200911 Resolução nº 3201001.118 S3C2T1 Fl. 445 8 passivo que se precaveu de uma decisão que deveria ser coerentemente cumprida; todavia, em abstração a tudo isto, o fiscal promoveu a glosa dos créditos, como por igual, aqueles conferidos pela decisão judicial, em afronta a coisa julgada material que é constitucionalmente tutelada; ainda que apenas para efeito de argumentação fosse considerado o crédito duvidoso, necessário seria procederse acurado estudo tendente a dirimir os eventuais conflitos, todavia, sem a instauração do procedimento administrativo em comento; James Marins, em estudo sobre o procedimento tributário, conclui: "Tanto fere a moralidade administrativa o servidor público que atua em desacordo com a honestidade, quanto servidor que movido pura e simplesmente pela busca de vantagem para o patrimônio confiado à sua guarda. Como se depreende de tal assertiva, o significado da moralidade administrativa assume especial relevância no campo tributário, ao pautar a atuação do agente fiscal, para que não se transforme em fanático arrecadador, na defesa incondicional e inconseqüente do erário." (fl. 297) inspirado pela doutrina espanhola, o acatado professor Celso Antonio Bandeira de Mello averba que se compreendem no âmbito da moralidade os princípios da lealdade e da boafé, cânones segundo os quais "a Administração há de proceder em relação aos administrados com sinceridade e lhaneza, sendolhe interdito qualquer comportamento astucioso, eivado de malícia, produzido de maneira a confundir, dificultar ou minimizar o exercício de direitos por parte dos cidadãos."; para ele, "de acordo com o principio da moralidade, a Administração e seus agentes têm de atuar na conformidade dos princípios éticos. Violálos implicará violação do próprio direito, configurando ilicitude, que assujeita a conduta viciada a invalidação, porque tal princípio assumiu foros de pauta jurídica, na conformidade do artigo 37 da Constituição." (fl. 298); o caso concreto permite à Recorrente legitima desconfiança de que a Administração Fazendária exige mais do que estritamente necessário à realização dos fins públicos, e que esta exigência poderá ocorrer no lugar em que razoavelmente não se cabia esperar, no momento e na forma inadequada, independentemente do que está prescrito na lei; o Fisco não pode impor ao contribuinte constrangimento de instituir lhe obrigação que sabe indevida, senão exagerada, cujo débito é inclusive incerto; em termos práticos, “estaria na iminência de se exigindo o odioso principio solve et repete, compelir a Recorrente a antecipar o recolhimento do valor do tributo, para somente depois discutilo, tudo no previsível desfecho do processo administrativo” (fl. 298); a esse respeito, alerta Antonio Fernando Seabra: "É defeso, por outro lado, ao fisco aplicar sanções políticas no sentido de compelir o contribuinte a efetuar o recolhimento de tributos Fl. 445DF CARF MF Processo nº 13984.001286/200911 Resolução nº 3201001.118 S3C2T1 Fl. 446 9 porventura devidos, pois que para tanto esse têm o meio próprio para cobrar seus créditos, o executivo fiscal, sem impedir direta ou indiretamente o exercício de atividade profissional lícita docontribuinte, levandoo ao descrédito junto a terceiros..." (fls. 298/299); o processo administrativo, tal qual o judicial, tem suas raizes fincadas na Constituição Federal; o artigo 5°, LV, dispõe: "Aos litigantes em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes." (fl. 299) sendo o Auto de Infração um ato administrativo vinculado à lei, ao principio da reserva legal, concluise pela imprecisão e pela falta de clareza quanto aos dispositivos legais que embasam e maculam de nulidade todo o procedimento; por conseqüência, não pode tal erro ser suprido por qualquer outra autoridade ou a pretexto de que o libelo acusatório com todas as falhas apontadas e analisadas deve ser mantido porque nele se determina o sujeito passivo; os dados materiais que implicam nos respectivos valores devem ser considerados tanto quanto, ou mais que os aspectos formais; desta forma, claramente demonstrado fica que o Fisco ao glosar o crédito não se preocupou em motiválo corretamente; além do mais e como as coisas se apresentam, a capitulação da infração não condiz com os fatos verdadeiros os quais até podem gerar controvérsia no seio fazendário mas não se admite a adjetivação nele assentado; ademais, no presente contencioso administrativo fiscal, a toda evidência, instaurarse procedimento de constituição de exigência para, depois, verificar se ocorreu o fato gerador e determinar a matéria tributável, não encontra supedâneo no direito brasileiro; esta, aliás, é a conclusão do E. Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda no Acórdão n° 103.08.175, assim: "Não existe no direito brasileiro o chamado lançamento condicional, no sentido de poder a autoridade fiscal primeiro lançar para depois verificar se ocorreu o fato gerador e determinar a matéria tributável por ocasião de decisão de primeiro grau. O procedimento administrativo que implicar em revisão do lançamento anterior deverá obedecer ao disposto no art. 142 combinado com o art. 149 do CTN, de tal modo que o contribuinte saiba, pelo menos, por que está recebendo um lançamento suplementar. O art. 10 do Decreto n° 70.235/72, por sua vez, determina que o lançamento deverá conter a descrição do fato. No caso, a empresa recebeu notificação de lançamento com glosa de alíquota utilizada por ela, sem ter o fisco especificado por que não aceitara a utilização de alíquota reduzida por uma empresa que era concessionária de serviço público, impossibilitando o contribuinte de saber do que ou contra que defenderse. Lançamento que se declara nulo." Fl. 446DF CARF MF Processo nº 13984.001286/200911 Resolução nº 3201001.118 S3C2T1 Fl. 447 10 (fl. 300; grifo da Manifestante) a instauração do presente feito revela que as coisas passaram por nítido procedimento de exclusão e não há, com a necessária segurança, elementos que possam convalidar a exigência em questão, mormente quando não passa de cogitação de compensação de créditos pseudo indevidos; do texto da decisão administrativa ora impugnada, especificamente às suas fls. 07, no parágrafo 18, item (3), foi possível concluir que a Fazenda Nacional utilizou os índices previstos na Norma de Execução Conjunta COSIT/COSAR n.° 08/97, que utiliza a partir de 01/01/92 a UFIR e a partir de 01/01/96 a SELIC; cumpre ainda destacar que o mesmo texto do item (3) traz a seguinte consideração: "Para se chegar ao saldo credor, no sistema CTSJ, foram acrescidas as correções determinadas pelo Poder Judiciário (indébitos corrigidos pelos índices oficiais)."; no entanto, o cálculo apresentado pela Fazenda Nacional não considerou os índices efetivamente determinados pelo Poder Judiciário para o presente caso de restituição de tributos ou de créditos tributários, especialmente no período dos chamados expurgos inflacionários; conforme consta dos autos de embargos à execução n° 2002.34.00.031918 1, com trânsito em julgado em 22 de fevereiro de 2007, opostos pela Fazenda Nacional para impugnar o resultado financeiro da ação 1994.00101643, a Recorrente e as demais empresas coligadas, coautoras na ação ordinária de restituição de indébito do FINSOCIAL, têm direito a aplicação dos expurgos inflacionários que correspondem a 84,32% (03/1990), a 44,80% (04/1990), a 7,87% (05/1990) e a 21,87% (02/91), bem como os índices concernentes ao Plano Verão (janeiro/1989 IPC 42,72%) e Plano Collor (abril/1990 44,80%); cumpre ainda destacar os índices, quais sejam, o BTN até 02/1991, INPC de 02/1991 a 11/1991, IPCA (série especial) em 12/1991, UFIR de 01/1992 a 12/2000, IPCAE (2000) em 12/2000, IPCAE de 01/2001 a 06/2004; cabe ainda destacar a incidência dos juros de mora correspondentes a 1% a.m. desde o trânsito em julgado; a COSIT/COSAR 08/97 prevê, sem os expurgos inflacionários: 1) IPC/IBGE (OTN até 01/89), no período compreendido entre janeiro de 1988 e fevereiro de 1990; 2) BTN no período compreendido entre março de 1990 a janeiro de 1991; 3) INPC de fevereiro de 1991 a dezembro de 1991; 4) após, UFIR e SELIC. Fl. 447DF CARF MF Processo nº 13984.001286/200911 Resolução nº 3201001.118 S3C2T1 Fl. 448 11 dessa forma, não há que se utilizar o tal sistema CTSJ ou a norma COSIT/COSAR quando tais mecanismos desvirtuam completamente o valor do título judicial em favor da Recorrente contribuinte; de fato, é importante salientar que a Fazenda Nacional teve a oportunidade de impugnar os valores através dos embargos de devedor e foi vencida, culminando com o trânsito em julgado em favor da Recorrente; mesmo se ainda não houvesse o trânsito em julgado, recentemente, a Câmara Superior de Recursos Fiscais órgão máximo de julgamento de processos tributários, no âmbito do Poder Executivo da União invocando os princípios da moralidade, do enriquecimento sem causa, dentre outros, reconheceu o direito do contribuinte de ter seu crédito com a Unido Federal corrigido integralmente por todos os expurgos inflacionários existentes, afastando a aplicação da Norma de Execução Fiscal Conjunta 08/97; tratase do acórdão CSRF/0104.456, que teve como Relator o Conselheiro Mário Junqueira Franco Filho, de cujo voto se destaca os seguintes argumentos: "A matéria ventilada no presente recurso restringese à possibilidade de, em ambiente jurídico de plena vigência da sistemática de correção monetária de obrigações, utilizarse índices plenos para correção monetária do indébito tributário, afastandose qualquer expurgo inflacionário a reduzilos. O acórdão recorrido fulcrouse na natureza da correção monetária, que não representa um aumento ou acréscimo, mas mera reposição, indicando que entender diversamente é possibilitar um enriquecimento sem causa da Fazenda Pública. Deveras. Dispõe o artigo 37 da Constituição Federal que: 'Art. 37 A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte:' Com efeito, a dicção do citado artigo se traduz, indubitavelmente, em norma cogente para a Administração Pública, não podendo esta olvidar qualquer dos princípios por ele eregidos. É justamente isso que Aborda o Parecer da Advocacia Geral da União n° 01/96, citado no acórdão recorrido, da lavra do ilustre Consultor da União Mirt8 Fraga, devidamente aprovado pelo Senhor Presidente da República, ao discorrer sobre a correção monetária de indébito tributário antes do advento da Lei 8.383/91 (norma esta que instituiu a UFIR), sendo importante transcrever excertos seus: ... Com toda a certeza, conforme bem apontou o douto parecerista, receber um valor intrínseco de tributo indevido e devolvêlo em montante inferior é tanto imoral quanto ilegal. É o mesmo que receber um veículo e devolver tão somente os pneus. Por isso, impõese a correção plena, a te mesmo porque não havia, até o advento da Lei n° Fl. 448DF CARF MF Processo nº 13984.001286/200911 Resolução nº 3201001.118 S3C2T1 Fl. 449 12 8383/91, norma ou regime jurídico que estabelecesse regra em sentido contrário, a estabelecer índice menor expurgado. ... Nesse passo, vale salientar, por certo, que a Norma de Execução Conjunta COSIT/COSAR n° 08/97 não tem altivez suficiente para ludibriar a integral correção do indébito, sob pena de se permitir que um ato de cunho 'interna corporis', sem publicidade oficial, transmude se em verdadeira lei de correção monetária, o que seria absoluto absurdo. Dela só se pode extrair o reconhecimento do próprio fisco de que houve inflação a corroer o valor indevidamente recolhido, mais nada. E, em havendo inflação, a correção há de ser plena, sempre que vigente no sistema jurídico o instituto da correção monetária." (fls. 302/304) a decisão administrativa recorrida formulou a glosa indiscriminadamente, o que vale dizer, inaceitou a V. Decisão Judicial transitada em julgada, incorrendo nos precisos termos do artigo 14, inciso V, do Código de Processo Civil Brasileiro que diz: Art. 14. Compete as partes e aos seus procuradores: V. cumprir com exatidão os provimentos mandamentais e não criar embaraços efetivação de provimentos judiciais, de natureza antecipatória ou final (acrescido pela 10.358/01). (fl. 306) o Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda também reconhece a limitação da administração pública fazendária na apreciação de matéria discutida na esfera judicial, até porque, não poderia ser diferente: Número do Recurso: 123990 Câmara: TERCEIRA CÂMARA Número do Processo: 10907.002288/0071 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: II/IPI Recorrida/Interessado: DRJCURITIBA/PR Data da Sessão: 04/12/2001 09:00:00 Relator: JOÃO HOLANDA COSTA Decisão: Acórdão 30330071 Resultado: UVNC POR UNANIMIDADE DE VOTOS NÃO SE CONHECEU DO RECURSO Texto da Decisão: Por unanimidade de votos foram rejeitadas as preliminares de nulidade; e no mérito, não se tomou conhecimento do recurso voluntário quanto As multas de oficio do II e IPI e foram estas excluídas da exigência fiscal em vista do apelo à via judicial. Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. 1 Rejeitadas as preliminares arguidas pelo contribuinte: de nulidade, de litispendência entre os processos administrativos e judicial, de necessidade de instauração de processos fiscais distintos. 2 Julgamento do recurso. A propositura de mandados de segurança impede a apreciação de idêntica matéria na esfera administrativa, impondose, assim, o cumprimento das sentenças definitivas emanadas do Poder Judiciário. Fl. 449DF CARF MF Processo nº 13984.001286/200911 Resolução nº 3201001.118 S3C2T1 Fl. 450 13 3 Multas de oficio lançadas em desobediência ao art. 63 da Lei 9.430/96. RECURSO AO CONHECIDO QUANTO AOS IMPOSTOS E CONHECIDO E PROVIDO QUANTO As MUITAS DE OFÍCIO. (fl. 306/307) não existe, portanto, justificativa legal que autorize a modificação dos valores e procedimentos previstos na Sentença proferida nos embargos à execução n.° 2002.34.00.0319181, com transito em julgado em 22 de fevereiro de 2007, opostos pela Fazenda Nacional para impugnar o resultado financeiro da ação 1994.00101643; de forma explicativa, a Recorrente junta planilha onde está representada a forma de cálculo e os valores compensados desde o trânsito em julgado dos embargos execução opostos pela Fazenda Nacional; conforme é possível verificar, a Recorrente iniciou a compensação em agosto de 2007, somente após consolidado o valor do crédito pelo indeferimento da impugnação embargos de devedor da Fazenda Nacional (22 de fevereiro de 2007), comprovando que tomou todas as medidas possíveis para apropriar, de forma segura, seu crédito tributário. E, por fim, requer seja dado provimento à “MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, para julgar procedente a compensação realizada pela Recorrente, com o reconhecimento dos valores apropriados já que calculados conforme decisão judicial transitada em julgado” (fls. 307/308). É o relatório." A decisão de primeira instância, proferida pela DRJ/SP, foi publicada com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano calendário: 1989, 1990 FINSOCIAL NULIDADE.INEXISTÊNCIA. É incabível de ser pronunciada a nulidade da decisão proferida por autoridade competente, contra a qual se manifestou o contribuinte, traçando ele toda uma linha de idéias no sentido de procurar provar o seu direito. DIREITO CREDITÓRIO.QUANTIFICAÇÃO.EXTINÇÃO DO PROCESSO DE EXECUÇÃO. Diante da extinção do processo executivo sem julgamento de mérito, deve o contribuinte se vincular à apuração na esfera administrativa voltada para a quantificação de seu direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido." Fl. 450DF CARF MF Processo nº 13984.001286/200911 Resolução nº 3201001.118 S3C2T1 Fl. 451 14 Em Recurso Voluntário o contribuinte reforçou os argumentos da Manifestação de inconformidade. Este processo digitalizado foi distribuído e pautado nos moldes do regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto. Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta Seção de Julgamento e estarem presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Contudo, é preciso esclarecer que esta lide administrativa fiscal não está em condições de julgamento, uma vez que existe situação que impossibilita a sua imediata solução. O contribuinte contestou a forma pela qual a autoridade de origem concluir existir um crédito menor do que o reconhecido no Poder Judiciário e, ao analisar o Despacho Decisório de fls. 186, esta foi exatamente a razão da homologação parcial das compensações, conforme pode ser verificado no print screen da tela de fls. 193 dos autos: Para o cálculo do crédito, a autoridade fiscal apresentou no Despacho Decisório as seguintes argumentações, conforme fls. 191 dos autos, em trecho transcrito a seguir: "DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. 17. Tendo o judiciário acatado como indevidos os recolhimentos de FINSOCIAL à aliquota superior a 0,5%, passarei a verificar se o crédito é suficiente para respaldar as declarações de compensação listadas no item 2 deste despacho. Fl. 451DF CARF MF Processo nº 13984.001286/200911 Resolução nº 3201001.118 S3C2T1 Fl. 452 15 18. Como ferramenta de cálculo foi utilizado o Sistema CTSJ (Créditos Tributários Sub Judice), sendo levados em consideração os seguintes aspectos (fls. 121/131): (1) Foi considerada a ,base de cálculo como o faturamento constante da planilha apresentada ao Poder Judiciário (fls. 78 e 84) e confirmada pela contribuinte (fls. 102), períodos de apuração de set/1989 a ago/1990, aplicandose a aliquota de 0,5%; (2) Esse valor foi confrontado com os pagamentos efetuados para as respectivas competências (os recolhimentos foram confirmados no sistema de micro fichas às fis. 86), sendo apurado um saldo credor. Pelos cálculos efetuados através do sistema CTSJ, a interessada é credora no valor de R$ 191.664,05, atualizados até 31/12/1995 fis. 125frente/verso (Apenas para efeito comparativo, os cálculos efetuados pela contribuinte às fls. 77/78 e juntados aos autos apresentam um crédito de R$ 458.782,02 na data base de 31/03/2002. Utilizandose o CTSJ para a mesma data base, obtevese um saldo credor de R$ 462.334,60 às fls. 126frente/verso); (3) Para se chegar ao saldo credor, no sistema CTSJ, foram acrescidas as correções determinadas pelo Poder Judiciário (indébitos corrigidos pelos indices oficiais). Foram utilizados os indices de correção monetária previstos na Norma de Execução Conjunta COSIT/COSAR no 08/97 (fls. 121), que utiliza a partir de 01/01/92 a UFIR e a partir de 01/01/96 a SELIC; Ao analisar os autos, é possível verificar que o valor do crédito do contribuinte não está claro, nem mesmo durante a execução judicial, que aponta um valor que seria total, entre outros contribuintes, conforme pode ser verificado em trecho das fls. 76 dos autos, decisão da Justiça Federal do Distrito federal, que homologou a desistência da execução: "SENTENÇA Tratase de Ação de Execução proposta por BATTISTELLA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. e Outros _contra a UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL), objetivando o recebimento da quantia de R$ 10.03 .518,03 (dez Milhões, trinta e dois mil, quinhentos e dezoito reais e três centavos), com os acréscimos legais, decorrentes das diferenças apuradas em razão dos recolhimentos a mais, 1 por cada exeqüente, do FINSOCIAL. Pela petição de fls. 1274/1275, as exequentes BATT1STELLA INDUS CRIA E COMÉRCIO LTDA., BATTISTELLA TRADI G S/A COMÉRCIO INTERNACIONAL, CODIPEgAS COMERCIAL E DISTRIBUIDO• A DE PEÇAS LTDA., COTRASA COMÉRCIO DE TRANSPORTES E VEÍCULOS LT A., EDIBA ELETRO blESEL BATTISTELLA LTDA., EMPRESA AGRÍCOLA E PA TORIL ESPARRAME LTDA., RODOMAR VEÍCULOS E MÁQUINAS LTDA. e SO RAVE SOCIEDADE BRASILEIRA DE VEiCULOS LTDA., requereram a desistência da execução, eis que realizarão compensação tributária do referido crédito na forma da Instrução 'Normativa SRF n° 600, de 28/12/2005." Fl. 452DF CARF MF Processo nº 13984.001286/200911 Resolução nº 3201001.118 S3C2T1 Fl. 453 16 Acompanha dos Darfs de fls. 115, a decisão de primeira instância judicial reconheceu o crédito do contribuinte nos seguintes moldes, conforme trecho das fls. 39 dos autos: "ISTO POSTO, julgo procedente o pedido, para declara eito dos autores BATTISTELLA INDUSTRIA E COMÉRCIO LTDA., CODIPEÇAS COMERCIAL E DISTRIBUIDORA DE PEÇAS LTDA EDI114 ELETRO DIESEL BATTISTELLA LTDA., BATTISTELLA TRADING S/A COMÉRCIO INTERNACIONAL, SUPER VEÍCULOS INDUSTRIA COMÉRCIO E TRANSPORTES LTDA., RODO VEÍCULOS E MÁQUINAS LTDA., SOBRAVE SOCIEDADE BRASILEIRA DE VEÍCULOS LTDA., ITAPIRUBA HOTÉIS E TURISkI0 S/A. COTRASA COMÉRCIO DE TRANSPORTES E VEICULOS LTDA. EMPRESA AGRÍCOLA E PASTORIL ESPARRAME LTDA., CODEMA COMERCIAL E IMPORTADORA LTDA., BANCO BATTISTELLA S/A. e BATTISTELLA ADMINISTRADORA DE CONSORCIOS S/C LTDA. de lhe serem restituídos os valores do FINSOCIAL recolhidos com aliquota superior a 0,5%. Condeno a ré a devolver os montantes ,a que fazem jus os autores, que será apurados em liquidação, corrigidos monetariamente e com Ds dec 1% ') a partir do trânsito em julgado. Arcara a ré com as custas e em face da singeleza da causa, com verba honorária que arbitro em 5% do valor a ser restituído. Sentença sujeita ao duplo grau de jurisdição." Ao atingir o TRF 1, a discussão judicial a respeito do crédito de Finsocial recebeu o seguinte entendimento, conforme trecho das fls. 47 dos autos: EMENTA PROCESSUAL CIVIL, CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. FINSOCIAL. DECRETOLEI 1.940182: RECEPÇÃO PELA CF/88. INCONSTITUCIONALIDADE DA MAJORAÇÃO DE ALÍQUOTAS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS. 1. A contribuição para o FINSOCIAL, instituída pelo Decretolei n° 1.940/82, foi recepcionada pela CF/88 como imposto inominado, pela aliquota de 0,5% incidente sobre o faturamento, assim permanecendo até a Lei Complementar n° 70/91. 2. Apenas por lei complementa r . poderia ser alterada a contribuição para o FINSOCIAL, razão pela qual são inconstitucionais as majorações de sua, aliquota, operadas pelo ad 7° da Lei n° 7.787/89 (para 1%), pelo art. 10 da Lei n° 7.894/89 (para 1,2%) e pelo art. 10 da Lei n° 8.147/90 (para 2%). 3. Contudo, são constitucionais as majorações de aliquota sofridas pelo FINSOCIAL, por força dos diplomas legais posteriores a 1988, no que toca As empresas prestadoras de serviços. Fl. 453DF CARF MF Processo nº 13984.001286/200911 Resolução nº 3201001.118 S3C2T1 Fl. 454 17 (Precedentes desta Corte e do STF). 4. Remessa parcialmente provida. 5. Apelo da Fazenda Nacional prejudicado. Acordão Decide a Turma, dar parcial provimento A remessa e julgar prejudicado o apelo da Fazenda Nacional, A unanimidade." Esta decisão se tornou definitiva, porque transitou em julgado em 06/12/2001, conforme fls. 53 dos autos. Em adição, de acordo com as fls. 352 dos autos, a própria Fazenda Nacional entrou com Embargos de Declaração da decisão acima mencionada e nova decisão determinou a aplicação dos expurgos inflacionários, conforme segue: "EMENTA PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EXPLICITAÇÃO A RESPEITO DOS EXPURGOS INFLACIONÁRIOS APLICAVEIS. CABIMENTO. 1. E omisso o acórdão em que não hi pronunciamento acerca dos expurgos inflacionários que Incidem na demands em que se pleiteia a restituição dos valores indevidamente recolhidos a título de contribuição previdenciária. 2. São devidos os expurgos inflacionários que, in casu, correspondem a 84,32% (03/1990), a 44,80% (04/1990), a 7,87% (05/1990), e a 21,87% (02/1991), conforme explicitado na sentença apelada. 3. Embargos de declaração acolhidos para sanar a omissão apontada, sem, contudo, modificar a conclusão do acórdão embargado. ACÓRDÃO Decide a Turma acolher os embargos de declaração, à unanimidade. r Turma do TRF da 1° Região —28/11/2006." Esta decisão transitou em julgado em 22/02/07, conforme fls. 355 dos autos. Diante de todo o exposto, em busca da verdade material e para evitar descumprimento de decisão judicial transitada em julgado, com fundamento na legislação que concerne ao processo administrativo fiscal e ao Direito Tributário, votase para que o julgamento seja convertido em diligência, para que: a autoridade de origem elabore relatório que considere os valores constantes nos DARFs (fls. 115) que acompanharam a ação judicial que reconheceu o crédito de Finsocial e apresente em planilha, de forma individualizada e comparada, todo cálculo e a aplicação dos expurgos inflacionários, em acordo com as decisões judiciais. Ao elaborar o relatório e planilha, a autoridade fiscal deverá descrever e individualizar as razões pelas quais discorda do valor do crédito de Finsocial reconhecido no Poder Judiciário, informando os índices utilizados, demonstrando as diferenças de cálculos e suas origens de forma clara e didática. cumprida a diligência, o contribuinte deve ser intimado para se manifestar, em 30 dias da intimação, a respeito do relatório apresentado pela autoridade fiscal. Após, retornem os autos a este Conselho para julgamento. Fl. 454DF CARF MF Processo nº 13984.001286/200911 Resolução nº 3201001.118 S3C2T1 Fl. 455 18 Resolução proferida. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 455DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.728265/2009-92
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA SALARIAL. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE JUROS DE MORA.
Tratando-se de verba de natureza eminentemente salarial e não existindo qualquer isenção concedida pela União, ente constitucionalmente competente para legislar sobre imposto de renda, não há dúvida de que as diferenças de URV devem se sujeitar à incidência do imposto de renda.
Como a verba principal não é isenta ou fora do campo de incidência do IR, bem como não é oriunda de rescisão do contrato de trabalho, há incidência do imposto de renda sobre os juros.
Numero da decisão: 9202-006.427
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA SALARIAL. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE JUROS DE MORA. Tratando-se de verba de natureza eminentemente salarial e não existindo qualquer isenção concedida pela União, ente constitucionalmente competente para legislar sobre imposto de renda, não há dúvida de que as diferenças de URV devem se sujeitar à incidência do imposto de renda. Como a verba principal não é isenta ou fora do campo de incidência do IR, bem como não é oriunda de rescisão do contrato de trabalho, há incidência do imposto de renda sobre os juros.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10580.728265/2009-92
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5841754
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-006.427
nome_arquivo_s : Decisao_10580728265200992.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PATRICIA DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10580728265200992_5841754.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
dt_sessao_tdt : Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
id : 7172950
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009179521024
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-02-27T18:34:09Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-02-27T18:34:09Z; Last-Modified: 2018-02-27T18:34:09Z; dcterms:modified: 2018-02-27T18:34:09Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:95b53656-3593-4875-84ce-e73f7d84258f; Last-Save-Date: 2018-02-27T18:34:09Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-02-27T18:34:09Z; meta:save-date: 2018-02-27T18:34:09Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-02-27T18:34:09Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-02-27T18:34:09Z; created: 2018-02-27T18:34:09Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; Creation-Date: 2018-02-27T18:34:09Z; pdf:charsPerPage: 1986; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-02-27T18:34:09Z | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 264 1 263 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10580.728265/200992 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9202006.427 – 2ª Turma Sessão de 30 de janeiro de 2018 Matéria IRPF VÍCIO NO LANÇAMENTO Recorrentes EDUARDO AFONSO MAIA CARICCHIO FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA SALARIAL. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE JUROS DE MORA. Tratandose de verba de natureza eminentemente salarial e não existindo qualquer isenção concedida pela União, ente constitucionalmente competente para legislar sobre imposto de renda, não há dúvida de que as diferenças de URV devem se sujeitar à incidência do imposto de renda. Como a verba principal não é isenta ou fora do campo de incidência do IR, bem como não é oriunda de rescisão do contrato de trabalho, há incidência do imposto de renda sobre os juros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 82 65 /2 00 9- 92 Fl. 264DF CARF MF 2 Patrícia da Silva Relatora. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência, previsto nos arts. 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, interposto pela Fazenda Nacional em face da decisão da 1ª Turma Especial da 2ª Seção, consubstanciada no Acórdão n° 2801003.623 que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. Segue abaixo a ementa e o dispositivo da decisão recorrida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. IRPF. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO. INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. IRRF. COMPETÊNCIA. A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. MULTA DE OFÍCIO. DADOS CADASTRAIS. O lançamento efetuado com dados espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração, não comporta multa de ofício. Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10580.728265/200992 Acórdão n.º 9202006.427 CSRFT2 Fl. 265 3 IRPF. JUROS MORATÓRIOS VINCULADOS A VERBAS TRABALHISTAS RECONHECIDAS JUDICIALMENTE. INCIDÊNCIA. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal STF e pelo Superior Tribunal de Justiça STJ em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas pelas turmas nos julgamentos dos recursos no âmbito do CARF. É o caso do Acórdão Resp. nº 1227133/RS, proferido pelo STJ sob o rito do art. 543C do CPC, segundo o qual não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Preliminar rejeitada Recurso parcialmente provido” A decisão foi assim registrada: “Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do Auto de Infração. No mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da base de cálculo os juros incidentes sobre as verbas recebidas e a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA (Relator)e MARIA HELENA COTTA CARDOZO, que apenas excluíram os juros, e RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE e RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, que deram provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor quanto à exclusão da multa de ofício o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD.” O processo foi encaminhado para a Fazenda Nacional, em 18/09/2014, para cientificação em até trinta dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 16/10/2014, o Recurso Especial em análise. O processo foi encaminhado à PGFN em 14/03/2013 (Despacho de Encaminhamento de fls. 132) e, em 18/03/2013, tempestivamente, foram opostos os Embargos de Declaração de fls. 133/134 (Despacho de Encaminhamento de fls. 135), rejeitados conforme despacho de fls. 137/138. Rejeitados os Embargos de Declaração, foi o processo encaminhado à PGFN em 10/05/2013 (Despacho de Encaminhamento de fls. 140) e, em 13/05/2013, tempestivamente, foi interposto o Recurso Especial de fls. 141 a 145 (Despacho de Encaminhamento de fls. 146). O Recurso Especial visa rediscutir a questão da incidência de Imposto de Renda sobre juros de mora. Como paradigmas, foram indicados os Acórdãos nºs 2801 002.684 e 2801002.742, promovendose a colação das respectivas ementas, Fl. 266DF CARF MF 4 Cientificado o contribuinte, apresentou tempestivamente contrarrazões pugnando pela manutenção do Recorrido com relação a natureza indenizatória aos juros remuneratórios , e Recurso Especial pugnando: “a” – violação à Súmula n° 2 do CARF e ao art. 62 de seu Regimento Interno, em face do afastamento de legislação tributária fundada em incompatibilidade com artigo da Constituição Federal; "b" ilegitimidade da União Federal para figurar no pólo ativo da relação jurídicotributária; “c” – imprestabilidade da base de cálculo na forma em que se encontra – lançamento que desconsiderou possíveis deduções e apresentou erro na sua construção ; e d) “URV” – parcelas de natureza indenizatória tendo sido somente esta conhecida. Nas Contrarrazões da Fazenda, alega: A não incidência do IRPF sobre os valores percebidos a título de “valores indenizatórios de URV” aos membros da Magistratura Federal e do MPU constitui isenção e como tal deve ter sua aplicação analisada sob o prisma mais restritivo possível. Em face do que dispõe o art. 146, III, a, da Constituição Federal, a Lei 5.172/66 assim definiu o fato gerador do Imposto de Renda: “Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior.” Em conformidade com o § 1º do artigo transcrito, incluído pela Lei Complementar 104/2001, e também o § 4º do art. 3º da Lei 7.713/88, a tributação independe da denominação dos rendimentos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Em consonância ainda com o art. 16 da Lei 4.506/64, serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado, para fins de incidência do Imposto de Renda, todas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício de empregos, cargos ou funções. A partir da interpretação sistemática das normas jurídicas acima, temos que os valores recebidos a título de diferenças no cálculo da URV possuem natureza salarial e estão sujeitas ao imposto de renda. Desta forma, a regra é a tributação destes valores e, somente, nas situações excepcionalmente elencadas nas Leis nºs 9.665/98 e 10.477/2002, conforme Resolução º 245/2002 do STF, encampada pelo Ministro da Fazenda por meio do Parecer Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10580.728265/200992 Acórdão n.º 9202006.427 CSRFT2 Fl. 266 5 PGFN nº 923/2003, é que a incidência de IRPF deve ser afastada. Não é este o caso dos autos. Importa ressaltar que o presente processo observou que as verbas em questão foram pagas em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003 que se refere a diferenças de remuneração quando da conversão da URV, a qual era realizada mensalmente e visava à manutenção do valor real do salário. Daí concluiu que as diferenças recebidas tinham natureza eminentemente salarial; que o recebimento extemporâneo de tais diferenças não altera a natureza das verbas, ainda que o beneficiário tenha tido que recorrer à Justiça e o acordo tenha sido implementado mediante lei complementar. Registra, ainda, que a tributação incide também sobre os complementos, juros e atualização monetária. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora. Admissibilidade Entendo presentes os requisitos de admissibilidade nos Recursos Especiais da Fazenda e do Contribuinte. Por questão de lógica jurídica, analiso primeiramente o RE do Contribuinte: Ressalto que, por concordar e votar integralmente com relação ao tema, passo a reproduzir a fundamentação do vota da Conselheira Rita Eliza no Voto Vencido no acórdão 9202004.232: Segundo argumentos apontados no Recurso, a verba em questão possui a esma natureza do abono variável pago aos membros da magistratura federal e ao Ministério Público Federal. Segundo a Resolução nº 245/2002 as verbas recebidas teriam natureza indenizatória e como tal estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Desta forma, aplicando o princípio da isonomia, a interpretação dada à legislação do estado da Bahia deve ser igual aquela adotada para as leis federais nº 10.474/2002 e 10.477/2002. Natureza Indenizatória da Verba: Ao contrário do apontado no acórdão recorrido e do alegado em sede de contrarrazões não se pode afastar a aplicação do citado entendimento apenas pelo fato de a Resolução nº 245/2002 versar sobre valores recebidos por profissionais da União, afinal interpretandose sistematicamente as normas pertinentes, percebemos que o problema central da discussão natureza jurídica das verbas decorrentes de diferenças de URV também é tratado tanto na resolução quanto nas normas federais acima citadas. O jurista Marco Aurélio Greco ao se manifestar sobre a questão emitiu parecer didático, demonstrando que apesar de as normas federais regularem a forma de pagamento de "abono variável", esse é composto por valores de URV e como tal, adotandose a posição do Fl. 268DF CARF MF 6 STF, devem ser classificados como verbas indenizatórias. O professor ainda traçou um histórico demonstrando que toda a legislação do Estado da Bahia teve com pano de fundo o tratamento dado ao pagamento efetuado na esfera federal. Merece transcrição parte do parecer, haja vista a clareza na exposição dos fatos (grifos nossos): Em 2002, foi editada a Lei federal n. 10.474 cujo artigo 1° fixa o subsídio de Ministro do Supremo Tribunal Federal e cujo artigo 2° estabelece que o "abono variável" concedido pela Lei n. 9.655/98" passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida pelo Magistrado, vigente à data daquela lei e a decorrente desta lei" (caput), "descontados todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados a qualquer título" (§ 1°). Ou seja, a diferença entre o que cada Magistrado recebia em 1998 e o que foi fixado pela Lei n. 10.474/2002. Aqui está o ponto! Fixouse o subsídio do Ministro do S.T.F. e a diferença entre este e a remuneração individualmente percebida, no lapso temporal previsto na lei, seria pago a título de abono variável. Meses após esta Lei, é editada pelo Supremo Tribunal Federal a Resolução n. 245/2002 cujo artigo 1°é explícito ao prever: "Artigo 1o É de natureza indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da lei 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal." Diante da clareza dessa previsão, encerrase a discussão quanto à natureza jurídica do abono variável: tem natureza indenizatória. Portanto; não está sujeito à incidência do imposto sobre a renda e o que foi retido deveria ser devolvido ao magistrado. (É o que estabelece a respeito o art. 3°, II da REs. N. 245/2002). A questão que remanesceu em aberto era no sentido de saber se o montante desse abono variável englobava ou não a "diferença de URV". Para os agentes públicos que já estavam recebendo essa diferença, por força de decisão judicial ou administrativa, obviamente que o abono não a englobava, pois era expressamente excluída de sua base de cálculo (§ 1° do art 2° da Lei n. 10.474/2002 e inciso I, do art. 2° da Resolução n. 245/2002 do S.T. F) Para os demais, a resposta a esta pergunta é simples: se a "diferença de URV" foi considerada quando da fixação do subsídio do Ministro do S.T.F. (art. 1° da Lei n. 10.474/2002), então, ela (dif. URV) está abrangida pelo valor do abono, pois este corresponde à diferença entre o subsídio e a remuneração individual. Em números: se o subsídio foi fixado em R$ 100,00 computandose a diferença de URV de R$ 10,00 e a remuneração individual era de R$ 70,00 então o abono (de R$ 30,00) englobava a diferença de URV, pois esta estava dentro dos R$100,00 que serviram de patamar para cálculo do abono. Mas, como saber se o subsídio fixado pela Lei n. 10.474/2002 levava em conta a" diferença de URV"? A resposta não está no texto da lei, mas na estrutura da remuneração de Ministro do S.T.F então vigente. À época da Mensagem enviada pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal com o projeto que se transformou na Lei n, 10.474/2002 vigorava a Resolução STF n. 195/2000 cujo artigo 1° previa: "Artigo 1° A remuneração do Ministro do Supremo Tribunal Federal será integrada das parcelas: R$ 454,53 (Lei 8.880/94) + R$ 1.008,83 (DL n. 2.371/87) + R$ 9.536,74 (Lei 8.448/92), num total de R$ 11.000,00." Ora, a "parcela da Lei n. 8.880/94" é exatamente a "diferença de URV"!! Portanto, ao se fixar na Lei n. 10.474/2002 o subsídio do Ministro que serviu de parâmetro para cálculo do abono variável, englobouse a "diferença de URV" extinguindo, com isto, eventuais pretensões neste sentido que ainda subsistissem. Aliás, isto foi expressamente apontado na Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10580.728265/200992 Acórdão n.º 9202006.427 CSRFT2 Fl. 267 7 Mensagem que encaminhou o projeto de lei que se transformou na Lei n. 10.474/2002: "A remuneração total da magistratura da União remanescerá composta unicamente de três parcelas (vencimento básico, gratificação e adicional de tempo de serviço). Não haverá possibilidade de incidir sobre esses valores quaisquer outros percentuais, tal como hoje está a correr, por exemplo, com os 11,98% relacionados com a conversão da URV." Podese concluir que, na fixação do subsídio e, portanto, na dimensão do abono variável, foi levada em conta a diferença de URV. Daí duas consequências: 1 quem recebeu o abono variável da Lei n. 10.474/2002 e não havia ganho por decisão administrativa ou judicial a diferença de URV estava a recebêla naquele momento embutida no abono. 2 Ao dizer que o abono da Lei n. 10.474/2002 tinha natureza jurídica indenizatória não sujeita a imposto sobre a renda, o Supremo Tribunal Federal estava a dizer que a "diferença de URV" até então não recebida e que veio a ser embutida no abono tem natureza indenizatória. A natureza indenizatória do abono variável da Lei n. 10.474/2002 e a intributabilidade dessa verba pelo imposto sobre a renda veio a ser reconhecida pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, no Parecer n. 529/2003 e estendida também ao abono previsto pela Lei federal n. 10.477/2002 aplicável aos Procuradores da República pelo Parecer PGFN n. 923/2003 (ambos referidos na Nota COSIT n. 177/2008). No âmbito dos agentes públicos estaduais, a PGFN entendeu que a natureza da verba era remuneratória (e, portanto, tributada pelo I.R.), salvo no caso do Rio de Janeiro, pois havia lei estadual determinando a aplicação aos Procuradores do Estado do abono previsto na Lei n. 10.477/2002. Em suma, como reconhecido pela própria PGFN os abonos variáveis previstos nas Leis n. 10.474/2002 e n. 10.477/2002 não são alcançados pela norma de incidência do imposto sobre a renda. E acrescenta: A Lei Complementar n. 20/2003 e a Lei n. 8.730/2003 do Estado da Bahia prevêem expressamente que os pagamentos nelas previstos dizem respeito às diferenças pela conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. Notese que estas Leis: 1) São de setembro de 2003, portanto, depois da Lei federal n. 10.474/2002 que instituiu o abono que englobava a diferença de URV e da Resolução n. 245/2002 do Supremo Tribunal Federal que afirmou o caráter indenizatório desse abono; 2) Aplicamse aos que não haviam até então recebido a "diferença de URV" os quais, se estivessem no âmbito federal ou no Estado do Rio de Janeiro, a estariam recebendo embutida no abono e como verba de natureza indenizatória. O quadro aqui exposto mostra que os dispositivos das referidas leis do Estado da Bahia, ao preverem que as 36 parcelas em que foi dividido o pagamento da diferença de URV tinham natureza indenizatória, não veiculam preceitos despropositados à vista do contexto jurídico da época. Mais ainda, se em relação a idênticas funções exercidas no âmbito federal e do Estado do Rio de Janeiro admitiuse o caráter indenizatório por existir lei expressa determinando o pagamento de verba que englobe a URV, cumpre ser assegurado o mesmo tratamento ao Estado da Bahia, sob pena de violação ao artigo 150, II da CF/88. (GRECO, Marco Aurélio. Imposto Sobre a Renda: Valores Pagos a Agente Públicos Estaduais a Título de Diferença de URV. Falta de Fundamento Jurídico Para a União Cobrar o Imposto. Revista Fl. 270DF CARF MF 8 Eletrônica de Direito do Estado (REDE), Salvador, Instituto Brasileiro de Direito Público, nº. 30, abril/maio/junho de 2012. Disponível na Internet: . Acesso em: 06 de junho de 2016) Portanto, se o entendimento adotado pelo STF, e também pela Procuradoria da Fazenda Nacional em seus pareceres, é no sentido de o abono variável recebido pelos magistrados federais e Ministério Público Federal ser verba indenizatória, e se tal abono também é composto por verba paga em razão da conversão da moeda da época em URV, forçoso concluir que essa mesma verba quando prevista pela lei baiana deve receber o mesmo tratamento. Entendimento diverso violaria o princípio constitucional da isonomia e a segurança jurídica. Para o professor Roque Antônio Carrazza para garantir a segurança jurídica na relação Fisco/contribuinte é mister que "a lei que descreve a açãotipo tributária valha para todos igualmente, isto é, seja aplicada a seus destinatários (quer pelo Judiciário, quer pela Administração Fazendária) de acordo com o princípio da igualdade (art. 5º, I da CF)." Destaco ainda que o lançamento e acórdão recorrido ao afastarem o caráter indenizatório das verbas, sob o argumento de que essas serviram para repor a atualização monetária dos salários do período considerado, reforçaram a tese de que os valores ora discutidos não podem ser tributados pelo imposto de renda. Isso porque é passível na doutrina e na jurisprudência dos tribunais que a correção monetária não representa acréscimo patrimonial é na verdade mecanismo de recomposição da efetiva desvalorização da moeda, seu objetivo é preservar o poder aquisitivo original em relação à inflação, inflação essa que motivou toda a sistemática de aplicação da própria URV. O Ministro Marco Aurélio, relator do Recurso Extraordinário nº 565.089, onde se discute (em sede de Repercussão Geral) a indenização por falta de revisão anual em vencimentos dos servidores públicos de São Paulo, externa em seu voto o seguinte entendimento: O Supremo já assentou que “a correção monetária não se constitui em um plus, não é uma penalidade, mas mera reposição do valor real da moeda corroída pela inflação” – Agravo Regimental na Ação Cível Originária nº 404, da relatoria do Ministro Maurício Corrêa. Nos termos do art. 43 do CTN não se discute que o fato gerador do Imposto de Renda é a disponibilidade econômica ou jurídica de renda (produto do capital, do trabalho ou de ambos) ou proventos de qualquer natureza, entretanto o conceito de renda é limitado e não abrange valores que não representem acréscimo ao patrimônio do contribuinte, como é o caso dos autos. Portanto, sob todos os prismas analisados, não vejo como possível afastar a natureza indenizatória das verbas recebidas pelo Recorrente à titulo de "diferenças de URV", seja pela aplicação da Resolução nº 245 do STF, seja pelo fato de tal medida ter sido adotada no intuito de recompor seu patrimônio pela perda experimentada pela quando da conversação das moedas Quanto ao RE da Fazenda Nacional Entendo que ficam fora do campo de tributação os juros devidos (i) o âmbito da extinção da relação de emprego ou (ii) decorrente de verbas não tributáveis, como in casu Creio ao contrário de alguns membros desde colegiado que o melhor esclarecimento da amplitude da decisão vinculante em questão (REsp 1.227.133/RS) pode ser obtido em outro feito daquele Egrégio Tribunal, , a saber, no REsp 1.089.720/RS, cujo relator foi o Ministro Mauro Campbell Marques e cuja cristalina ementa decisória, datada de 10/10/12 e publicada em 16/10/12 (ambas, assim, posteriores às decisões colacionadas pela recorrente) estabelece: Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10580.728265/200992 Acórdão n.º 9202006.427 CSRFT2 Fl. 268 9 REsp 1.089.720/RS PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. N. 1.227.133/RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR (grifei), Outrossim, conheço de ambos os Recursos Especiais para no mérito DAR PROVIMENTO ao do Contribuinte e NEGAR PROVIMENTO ao da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Voto Vencedor Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Redatora designada Com a devida vênia à Relatora, mesmo diante do bem fundamentado voto prolatado, ouso divergir das suas razões quanto à incidência das contribuições previdenciárias sobre os juros de mora da verba intitulada diferenças de Unidade Real de Valor (URV) recebidas pelos Membros da Magistratura de do Ministério Público da União. 1. Da natureza da verba principal A fim de melhor elucidar a questão controvertida, fazse necessário apreciar a natureza das verbas sob análise, bem como a existência ou não de isenção relativa à URV. Ao meu ver, embora seja pouco relevante, para fins de incidência do imposto de renda, a natureza indenizatória da verba, entendo que os valores recebidos pela Contribuinte decorrem da compensação pela falta de correção no valor nominal do salário, oportunamente, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. Não obstante o meu entendimento anteriormente destacado acerca da natureza salarial da diferença de URV, cabe ressaltar que, no caso dos Magistrados e do MPU, foi publicada uma Lei Estadual (Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003,) que dispôs de modo diverso, tratando a verba como indenização. Tendo em vista que o imposto de renda é regido por legislação federal, tal dispositivo não possui efeito tributário para a análise do tributo em questão. Assim, estando a Fl. 272DF CARF MF 10 mencionada lei em plena vigência, prestase apenas ao fim por ela almejado, qual seja o pagamento de precatório, de forma especial. Cabe destacar que a inaplicabilidade da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003 não decorre de um juízo de inconstitucionalidade, mas sim de uma interpretação sistemática das normas, em observância do princípio da legalidade, tendo em vista a ausência de lei isentiva, no presente caso. Observase que a Constituição Federal exige a edição de lei específica para a concessão de isenção, conforme abaixo transcrito: “Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) § 6.º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g.” (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) O Código Tributário Nacional, em consonância com a exigência constitucional, destaca, em seu art. 97, que: somente a lei pode estabelecer (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Como é sabido, a isenção é uma das hipóteses de exclusão do crédito tributário, portanto, fazse necessária a edição de lei para a instituição de isenção. Acrescentase que o caput do art. 43 do Decreto 3.000/99 (RIR) e do art. 16 da Lei n. 4.506/64 deixam claras as regras da tributação sobre as remunerações por trabalho prestado no exercício de cargo público, hipótese dos autos, como se extrai dos trechos abaixo colacionados: “Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.76955, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): (...). “Art. 16. serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado tôdas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício dos empregos, cargos ou funções referidos no artigo 5º do Decretolei número 5.844, de 27 de setembro de 1943, e no art. 16 da Lei número 4.357, de 16 de julho de 1964, tais como: (...) Além disso, o art. 3º da Lei 7.713/88 evidencia a determinação da incidência do IRPF sobre o rendimento bruto, pouco importando a denominação da parcela tributada, nos seguintes termos: Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10580.728265/200992 Acórdão n.º 9202006.427 CSRFT2 Fl. 269 11 “Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título.” Ora, tratandose de verba de natureza eminentemente salarial e não existindo qualquer isenção concedida pela União, ente constitucionalmente competente para legislar sobre imposto de renda, não há dúvida de que as diferenças de URV devem se sujeitar à incidência do imposto de renda. Sobre a aplicação da Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) 245/2002 pugnada pela Recorrente, notase que foi conferida natureza jurídica indenizatória ao abono variável concedido à Magistratura Federal e ao Ministério Público da União, não se confundindo com as diferenças decorrentes de URV, ora analisadas. Desse modo, reiterese, deve ser considerada a natureza salarial das diferenças sob apreciação. E, ainda que fosse considerada a natureza indenizatória da verba sob análise, ressaltase que a incidência do imposto de renda independe da denominação do rendimento, pois as indenizações não gozam de isenção indistintamente, mas tão somente as previstas em lei específica concessiva de isenção. Havendo, notadamente, acréscimo patrimonial, sob a forma de diferenças de vencimentos recebidos a destempo, resta evidente a incidência do imposto de renda. 2. Da incidência do imposto de renda sobre os juros de mora No que se referem aos juros de mora, aplico o posicionamento da Primeira Seção do STJ, no Recurso Repetitivo n.º 1.227.133/RS, no sentido da incidência do imposto de renda sobre tais juros, em regra, não incidindo, excepcionalmente, quando decorrentes da rescisão do contrato de trabalho ou quando a verba principal for isenta ou fora do campo de incidência do IR. Portanto, como a verba principal não é isenta ou fora do campo de incidência do IR, bem como não é oriunda de rescisão do contrato de trabalho, há incidência do imposto de renda sobre os juros. Reafirmando o exposto, temos que as verbas pagas a título de juros de mora seguem a mesma natureza das verbas principais a que se referem. Tal situação está expressamente prevista no art. 55, inciso XIV, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n.º 3.000/99): “Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): Fl. 274DF CARF MF 12 (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis;” (Grifamos) Convém lembrar que os juros de mora relativos ao recebimento em atraso de verbas de natureza salarial são tributáveis, nos termos do art. 43, §3º do Decreto 3.000/99 (RIR) e do art. 16, parágrafo único, da Lei n.º 4.506/64: “Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.76955, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): (...) § 3º Serão também considerados rendimentos tributáveis a atualização monetária, os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, parágrafo único).” “Art. 16. serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado tôdas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício dos empregos, cargos ou funções referidos no artigo 5º do Decretolei número 5.844, de 27 de setembro de 1943, e no art. 16 da Lei número 4.357, de 16 de julho de 1964, tais como: (...) Parágrafo único. Serão também classificados como rendimentos de trabalho assalariado os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo.” (Grifamos) No presente caso os juros moratórios em questão são acessórios de verbas de natureza salarial. Assim, por óbvio, também têm natureza salarial, e, sendo assim, configuram acréscimo patrimonial sujeito à tributação por parte do Imposto de Renda. Diante do exposto, voto por conhecer dos Recursos Especiais apresentados e, no mérito, negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Contribuinte e dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Redatora designada. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10580.728265/200992 Acórdão n.º 9202006.427 CSRFT2 Fl. 270 13 Fl. 276DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.722693/2014-59
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012
PROVA. DOCUMENTO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA.
Admite-se, para fins de prova, o documento em língua estrangeira, desde que vertido em vernáculo, por tradutor juramentado, e oficialmente registrado em cartório, junto com a tradução.
PROVA DOCUMENTAL. CARÊNCIA DE APTIDÃO COMUNICATIVA. AUSÊNCIA DO ZELO EXIGÍVEL À DEFESA.
O fato probando depende da aptidão comunicativa do instrumento utilizado com a pretensão de evidenciá-lo. A pura e simples anexação de peças que nada explicam denotam negligência do interessado, quanto ao necessário empenho argumentativo em prol da dialeticidade inerente ao processo. Não se pode esperar que o julgador descubra, por si só, o que significam linhas e colunas de planilhas repletas de itens cujos sentidos são conhecidos apenas no âmbito de quem as produziu.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2009, 2010, 2011, 2012
ÁGIO. EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. AMORTIZAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. PROVA.
A dedutibilidade da amortização do ágio fundado em expectativa de rentabilidade futura se subordina à comprovação de prévios estudos justificadores dessa expectativa, mediante documentação hábil e idônea devidamente arquivada como comprovante da escrituração.
Numero da decisão: 9101-003.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 PROVA. DOCUMENTO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA. Admite-se, para fins de prova, o documento em língua estrangeira, desde que vertido em vernáculo, por tradutor juramentado, e oficialmente registrado em cartório, junto com a tradução. PROVA DOCUMENTAL. CARÊNCIA DE APTIDÃO COMUNICATIVA. AUSÊNCIA DO ZELO EXIGÍVEL À DEFESA. O fato probando depende da aptidão comunicativa do instrumento utilizado com a pretensão de evidenciá-lo. A pura e simples anexação de peças que nada explicam denotam negligência do interessado, quanto ao necessário empenho argumentativo em prol da dialeticidade inerente ao processo. Não se pode esperar que o julgador descubra, por si só, o que significam linhas e colunas de planilhas repletas de itens cujos sentidos são conhecidos apenas no âmbito de quem as produziu. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2009, 2010, 2011, 2012 ÁGIO. EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. AMORTIZAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. PROVA. A dedutibilidade da amortização do ágio fundado em expectativa de rentabilidade futura se subordina à comprovação de prévios estudos justificadores dessa expectativa, mediante documentação hábil e idônea devidamente arquivada como comprovante da escrituração.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10825.722693/2014-59
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5832879
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Feb 24 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9101-003.345
nome_arquivo_s : Decisao_10825722693201459.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : FLAVIO FRANCO CORREA
nome_arquivo_pdf_s : 10825722693201459_5832879.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
id : 7131620
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009185812480
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-02-13T16:42:35Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-02-13T16:42:35Z; Last-Modified: 2018-02-13T16:42:35Z; dcterms:modified: 2018-02-13T16:42:35Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:6263503b-f079-460f-a533-7931b6aae98a; Last-Save-Date: 2018-02-13T16:42:35Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-02-13T16:42:35Z; meta:save-date: 2018-02-13T16:42:35Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-02-13T16:42:35Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-02-13T16:42:35Z; created: 2018-02-13T16:42:35Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; Creation-Date: 2018-02-13T16:42:35Z; pdf:charsPerPage: 1813; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-02-13T16:42:35Z | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 3.322 1 3.321 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10825.722693/201459 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 9101003.345 – 1ª Turma Sessão de 17 de janeiro de 2018 Matéria ÁGIO LAUDO DE AVALIAÇÂO Recorrente AB BRASIL COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 PROVA. DOCUMENTO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA. Admitese, para fins de prova, o documento em língua estrangeira, desde que vertido em vernáculo, por tradutor juramentado, e oficialmente registrado em cartório, junto com a tradução. PROVA DOCUMENTAL. CARÊNCIA DE APTIDÃO COMUNICATIVA. AUSÊNCIA DO ZELO EXIGÍVEL À DEFESA. O fato probando depende da aptidão comunicativa do instrumento utilizado com a pretensão de evidenciálo. A pura e simples anexação de peças que nada explicam denotam negligência do interessado, quanto ao necessário empenho argumentativo em prol da dialeticidade inerente ao processo. Não se pode esperar que o julgador descubra, por si só, o que significam linhas e colunas de planilhas repletas de itens cujos sentidos são conhecidos apenas no âmbito de quem as produziu. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2009, 2010, 2011, 2012 ÁGIO. EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. AMORTIZAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. PROVA. A dedutibilidade da amortização do ágio fundado em expectativa de rentabilidade futura se subordina à comprovação de prévios estudos justificadores dessa expectativa, mediante documentação hábil e idônea devidamente arquivada como comprovante da escrituração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 26 93 /2 01 4- 59 Fl. 3322DF CARF MF Processo nº 10825.722693/201459 Acórdão n.º 9101003.345 CSRFT1 Fl. 3.323 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto por AB Brasil Indústria e Comércio de Alimentos Ltda (doravante denominada de Contribuinte ou AB Brasil) contra acórdão nº 1402002.244, da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO NÃO RECONHECIDA. MULTA QUALIFICADA AFASTADA. A comprovação da rentabilidade futura (fundamento econômico do pagamento do ágio) é requisito primordial que permite a amortização do ágio pago na aquisição de investimentos, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão. A ausência destas premissa descaracteriza o direito a amortização do ágio. Quando da comprovação da rentabilidade futura, identificouse que a mesma restou insubsistente e/ou extemporânea. PLANEJAMENTO FISCAL ABUSIVO. INOCORRÊNCIA. INSUBSISTENTE. MULTA QUALIFICADA AFASTADA. Figura inapropriado aplicar multa qualificada, posto que o planejamento fiscal perpretado não restou abusivo. Adequado, portanto, afastála. Cabível apenas multa de ofício. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito.” Ciência do acórdão recorrido no dia 02/09/2016 (sextafeira), à efl. 3.077. Recurso Especial do Contribuinte interposto no dia 19/09/2016, à efl. 3.078. Fl. 3323DF CARF MF Processo nº 10825.722693/201459 Acórdão n.º 9101003.345 CSRFT1 Fl. 3.324 3 Para comprovar a divergência interpretativa, o Contribuinte apresentou os acórdãos ofertados como paradigmas de nº 1102001.018 e 1302001.465, cujas ementas são as seguintes: 1) acórdão nº 1102001.018: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 ÁGIO. FUNDAMENTO. DEMONSTRAÇÃO CONTEMPORÂNEA AOS FATOS. NECESSIDADE. A lei exige que o lançamento do ágio com base no valor de mercado ou na expectativa de rentabilidade futura seja baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Não há a exigência de que a comprovação se dê por laudo, mas por qualquer forma de demonstração, contemporânea aos fatos, que indique por que se decidiu por pagar um sobrepreço. Caso em que se demonstrou que o ágio foi pago com base na expectativa de resultados futuros, tanto por documentos contemporâneos ao investimento, quanto por laudo elaborado posteriormente com base em informações da época.” 2) acórdão nº 1302001.465: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 ÁGIO. AQUISIÇÃO DE AÇÕES DA PARTIMAG E DA MAGNESITA . A legislação fiscal não impõe forma ao demonstrativo de que trata o § 3º do art. 20 do DL 1598/77, logo, se os autuantes não questionaram a substância econômica do demonstrativo apresentado pelo fiscalizado, há que aceitálo para a fundamentação e fixação do ágio pago nas aquisições das ações.” Na oportunidade da interposição do Recurso Especial, o Contribuinte aduz: 1) no entendimento do voto condutor do acórdão recorrido, a parcial procedência do Recurso Voluntário está baseada na suposta falta de comprovação da formação do ágio (rentabilidade futura), quando da aquisição das pessoas jurídicas EBFF – Empresa Brasileira de Fermentos Fleischman Ltda. (EBFF) e Sohovos Industrial Ltda. (SOHOVOS); 2) primeiramente, é importante destacar que voto condutor do acórdão recorrido atestou que o ágio referente à aquisição de EBFF estava suportado em três laudos, sendo que o primeiro dizia respeito à avaliação contábil da pessoa jurídica adquirida; o segundo, que denominou de “estudos internos”, fora elaborado à época da aquisição societária; e um último, elaborado em 2013 por terceiro; 3) ocorre que todos os laudos foram rechaçados quanto ao suporte ao ágio apurado com base em rentabilidade futura; Fl. 3324DF CARF MF Processo nº 10825.722693/201459 Acórdão n.º 9101003.345 CSRFT1 Fl. 3.325 4 4) o voto condutor do acórdão recorrido consignou que o primeiro laudo, relativo à avaliação contábil, “nada menciona acerca da expectativa futura de rentabilidade, restringindose a demonstrar o valor contábil da empresa conforme a época escriturado”; 5) já o terceiro laudo foi rejeitado pelo acórdão recorrido por ter sido elaborado posteriormente à operação societária em referência; 6) nesse contexto, cabe esclarecer que os dois laudos citados nos itens 4 e 5, supra, não são objeto desse recurso; apenas os “ estudos internos” (segundo laudo) bastam para fundamentar o ágio ora em questão; 7) em nenhum momento, o Contribuinte sustentou que o fundamento do ágio apurado estava baseado no laudo de avaliação contábil ou no laudo elaborado 11 anos após a operação societária, mas, sim, no segundo laudo, o denominado “estudos internos”, produzido quando da aquisição da EBFF; 8) conforme se verificará, o acórdão recorrido rechaçou também os “estudos internos”, que se baseavam no fluxo de caixa descontado, ao argumento de que, não tendo sido elaborados por terceiro e uma vez formatados em planilhas, não eram hábeis para fundamentar o ágio; 9) laudos técnicos produzidos por terceiros, e não pela própria adquirente, passaram a ser exigidos apenas com o advento da Lei nº 12.973/2014, ou seja, posteriormente aos fatos aqui em debate; 10) com o objetivo de atender ao requisito insculpido no § 3º do artigo 20 do DecretoLei nº1.598/1977, com a redação vigente à época dos fatos ora em apreço, o Contribuinte utilizouse do fluxo de caixa descontado como metodologia hábil à demonstração do fundamento econômico do ágio, por expectativa de rentabilidade futura; 11) até o advento da MP nº 627/2013 (convertida na Lei nº 12.973/14), a legislação em vigor não discriminava qualquer formatação que o laudo técnico ou documento similar devesse assumir, seja para lhe conferir validade, seja para dotálo com a função de demonstrar o fundamento do ágio adotado pelo contribuinte; 12) em meados de 2002, contemporaneamente à época da aquisição da EBFF, o Contribuinte providenciou estudo financeiro complexo e detalhado, cujo resumo do fluxo de caixa descontado apresentava a perspectiva da rentabilidade futura à efl. 3.089; 13) tais análises, juntamente com os cálculos elaborados pelo Contribuinte na avaliação do valor do negócio, demonstraram claramente que o ágio alocado na expectativa de rentabilidade futura era exatamente o valor dos lucros estimados para os próximos 11 anos, considerando, para tanto, todas as sinergias Fl. 3325DF CARF MF Processo nº 10825.722693/201459 Acórdão n.º 9101003.345 CSRFT1 Fl. 3.326 5 existentes e as estratégias que seriam implementadas após a aquisição dos anteditos ativos; 14) portanto, toda a operação de aquisição da EBFF, a apuração do ágio posteriormente amortizado, bem assim a expectativa de rentabilidade futura que fundamentou a aquisição foram suportadas senão pelo fluxo de caixa descontado acima sintetizado (fls. 2.746 e seguintes), contemporâneo à realização do aludido negócio; 15) tanto os estudos internos feitos pelo Contribuinte à época estavam aptos a suportar o ágio apurado que, 11 anos depois, foram confirmados, in totum, pelo laudo emitido pela Prime Yield Avaliação Patrimonial Ltda, em dezembro/2013, restando indubitáveis: i) a lisura das taxas de custo do capital empregados no valuation realizado pela AB BRASIL em setembro/2002 e demais elementos que balizaram os cálculos e as análises realizados; ii) o fato de que o valor do ativo Fleischmann, considerando a perpetuidade do negócio, era cerca de duas vezes maior que o valor pago à vendedora; iii) o fato de que os ativos fixos/físicos estavam contabilizados, no mínimo, a valor de mercado; 16) assim, todo o excedente pago à vendedora referese à expectativa de rentabilidade futura, decorrente, sobretudo, das sinergias existentes com a aquisição do negócio, eliminação de um forte concorrente e melhoria significativa na expectativa dos resultados/lucros futuros esperados. Os resultados contábeis acima transcritos também corroboram o fato inconteste; 17) dessarte, mostrase o escorreito o cumprimento, pelo Contribuinte, dos deveres procedimentais que lhe incumbiam para que o ágio apurado na aquisição de EBFF fosse legítimo, com as devidas demonstrações de seus fundamentos revelados por documentação hábil e idônea, franqueandolhe, assim, a amortização pretendida; 18) ocorre que, para a surpresa do Contribuinte, o acórdão recorrido, em total desprezo à documentação retromencionada, considerou que o laudo (“estudos internos”) elaborado à época da aquisição da EBFF era imprestável para comprovar a rentabilidade futura que fundamentou o ágio apurado, por não ter sido realizado em formato de laudo e firmado por terceiro; 19) todavia, data maxima venia, esse malfadado entendimento não encontra supedâneo na legislação tributária, quiçá na melhor interpretação dada por este Egrégio Conselho a situações análogas ao do caso vertente; 20) dispensando maiores digressões, o § 3º do artigo 20 do Decretolei nº 1.598/1977 determinava que a rentabilidade futura haveria de ser comprovada por uma forma legítima de demonstração, que deveria ficar arquivada com a escrituração; Fl. 3326DF CARF MF Processo nº 10825.722693/201459 Acórdão n.º 9101003.345 CSRFT1 Fl. 3.327 6 21) considerando que o laudo interno, elaborado pelo Contribuinte e contemporâneo à aquisição da EBFF, apontou exatamente a expectativa da rentabilidade futura e estava arquivado em sua contabilidade, não remanescem dúvidas acerca da efetiva demonstração da expectativa de rentabilidade futura que serviu de esteio para o ágio apurado e debatido nestes autos; 22) insta salientar que ambos os acórdãos, utilizados neste cotejo analítico, prestamse à finalidade de paradigmas que poderão nortear a Colenda Câmara Superior na melhor aplicação do direito ao caso em tela. Isso porque, até a data da interposição deste reclamo especial, não tinham sido objeto de reforma, conforme se depreende dos extratos de acompanhamento processual obtidos no sítio do Egrégio CARF (Doc. 04), coadunandose, pois, com o disposto no § 15 do artigo 67 do RICARF; 23) desse modo, e por tudo que restou acima demonstrado, o Contribuinte requer a reforma do acórdão recorrido, para que se reconheça a existência de documentação hábil e idônea a fundamentar a expectativa da rentabilidade futura em que se baseou o ágio legitimamente apurado na aquisição da empresa EBFF, bem assim para que se determine a desconstituição do auto de infração, no que concerne a tal autuação. O processo foi encaminhado à PGFN em 08/11/2006 (Despacho de Encaminhamento à efl. 3.310). Contrarrazões da PGFN de efls. 3.311/3.320, apresentadas em 11/11/2016 (Despacho de Encaminhamento à efl. 3.321). Nessa oportunidade, aduz: 1) tal como destacado pelo lançamento, um importante aspecto, por si só, impede a dedutibilidade dos ágios amortizados pelo Contribuinte, qual seja: a inexistência de documento que atesta o seu fundamento econômico na rentabilidade futura das participações societárias adquiridas; 2) o artigo 386 do RIR/1999, em especial o seu inciso III, dispõe no sentido de que, se uma pessoa jurídica controladora adquirir com ágio a participação societária numa controlada cujo patrimônio venha absorver, essa “mais valia” poderá ter a sua amortização deduzida na apuração do lucro real se o seu fundamento econômico tiver sido a rentabilidade futura da participação societária adquirida; 3) estabelecendo uma interpretação “negativa” ao preceito citado, podese dizer que, se o ágio tiver sido pago com base em outras razões econômicas (valor de mercado dos bens do ativo, fundo de comércio, intangíveis, etc), Fl. 3327DF CARF MF Processo nº 10825.722693/201459 Acórdão n.º 9101003.345 CSRFT1 Fl. 3.328 7 ele terá um tratamento tributário distinto, isto é, sem a dedução fiscal de sua amortização; 4) por fundamento, razão ou justificativa econômica, que leva ao surgimento de um ágio, por sua vez, devese entender o elemento volitivo que faz uma empresa adquirir a participação societária de outra; 5) o fundamento econômico, assim, não é um simples documento, mas sim a vontade real que fez parte do negócio firmado. Assim, a rentabilidade futura, por exemplo, traduz o interesse da empresa adquirente de auferir no futuro a rentabilidade que será distribuída pelo investimento adquirido; 6) é de se destacar que o artigo 385 do RIR/1999 estabelece que o lançamento contábil do ágio deve indicar a razão econômica que levou o seu pagamento. Essa razão, a seu turno, deve estar demonstrada em documento que deverá ser arquivado juntamente com a contabilidade da pessoa jurídica; 7) de acordo com o texto do artigo 385 do RIR/1999, a necessidade da vontade econômica que levou ao pagamento de um ágio deve ser comprovada em um documento elaborado antes do seu efetivo desembolso; 8) logo, não há como imaginar que o documento que ateste a razão econômica de um ágio seja elaborado após o seu efetivo pagamento; 9) caso o referido documento seja produzido após o pagamento da “mais valia”, o registro contábil do ágio, que ocorre quando de seu efetivo pagamento, não terá qualquer fundamento, haja vista que não haverá qualquer informação a ser arquivada na contabilidade que demonstre a sua existência; 10) outrossim, a anterioridade do laudo econômico ao pagamento do ágio também é uma decorrência de ordem lógica, pois a ordem necessária dos fatos é que a parte adquirente estude o seu interesse no direito antes de concretizar o negócio; 11) imaginar o contrário seria admitir que a parte adquiriu o direito e depois analisou se tinha interesse na compra já realizada. O ato existiria antes da vontade, o que seria um absurdo; 12) portanto, numa operação pela qual uma participação societária é adquirida, a razão econômica que justifica o Fl. 3328DF CARF MF Processo nº 10825.722693/201459 Acórdão n.º 9101003.345 CSRFT1 Fl. 3.329 8 preço cobrado/pago necessariamente deve anteceder o seu efetivo desembolso; 13) a interpretação consentânea com a possibilidade de que o laudo econômico seja elaborado após o pagamento do ágio, além de ser um disparate hermenêutico, implicaria concessão à oportunidade de inimagináveis situações fraudulentas, afinal o contribuinte estaria livre para contabilizar o que desejasse, e não o que efetivamente ocorreu; 14) no caso em exame, a Fiscalização apurou que o Contribuinte não elaborou qualquer documento a fim de justificar o fundamento econômico dos dois ágios amortizados na rentabilidade futura das participações societárias adquiridas. Em suma, no que tange à aquisição da EBFF, em 31/10/2002, e das empresas Itavuvu Empreendimentos e Participações Ltda, Denoz Administração e Participações Ltda, Sohovos Industrial Ltda e Oval Alimentos Desidratados Ltda, em 01/12/2005, a Fiscalização concluiu pela inexistência de documento hábil a demonstrar o seu pagamento com base na rentabilidade futura; 15) sobre tal conclusão, o Contribuinte, por meio de um hercúleo esforço argumentativo, insiste com o argumento de que a Administração Tributária não apurou tal ausência probatória, mas, sim, que pautou sua conclusão apenas na metodologia empregada, já que, ao longo de suas palavras, chega a dizer que a Fiscalização “reconheceu a existência da demonstração da rentabilidade futura devidamente arquivada pela recorrente”; 16) a fim de deixar clara a conclusão fiscal, devese atentar para o que diz o lançamento, em especial os itens 2.6 e 2.7 do Termo de Verificação Fiscal, acerca da demonstração do fundamento econômico dos ágios amortizados; 17) da simples leitura do TVF é possível aferir, com clareza hialina, que a autuação em nenhum momento reconheceu a existência da demonstração da rentabilidade futura dos ágios, porquanto expressamente menciona a ausência de “laudos” que demonstrem a expectativa de rentabilidade futura e, por fim, ressalta que há apenas laudos de valor contábil; 18) com efeito, o lançamento destaca que a dedutibilidade fiscal não pode ser aplicada à simples diferença entre o Fl. 3329DF CARF MF Processo nº 10825.722693/201459 Acórdão n.º 9101003.345 CSRFT1 Fl. 3.330 9 valor da aquisição e o valor de patrimônio líquido da participação societária adquirida; 19) ainda que o agente fiscal tenha feito referências à metodologia que ele entende mais correta para a apuração do ágio, o fato é que a Fiscalização destacou a inexistência de qualquer documento nesse sentido, a não ser aqueles que se prestam à avaliação contábil das pessoas jurídicas adquiridas, não à expectativa da sua rentabilidade futura; 20) isso porque, tal como também salientado pelo lançamento, ao ser solicitado pela Fiscalização a apresentar os documentos que demonstrassem o fundamento econômico dos ágios pagos, o Contribuinte trouxe relatórios relativos ao ano de 2008 e que, por óbvio, não guardavam qualquer relação com as aquisições ocorridas nos anos de 2002 e 2005; 21) analisando especificamente cada ágio, vale sublinhar, quanto ao ágio referente à aquisição da EBFF, que o Contribuinte defende que fez a comprovação de seu fundamento econômico de duas maneiras: primeiro, por meio de um laudo elaborado em dezembro de 2013, e segundo, por meio de uma tabela elaborada antes da aquisição, cujo conteúdo foi ratificado por esse primeiro laudo citado; 22) em relação ao laudo trazido com a impugnação, sua data de elaboração atesta que é imprestável como prova, pois, só tendo sido elaborado em dezembro de 2013, por certo que não é capaz de comprovar o fundamento econômico do ágio pago em 2002; 23) no que toca à planilha apresentada, destacase que a veracidade de tal documento não é passível de aferição. Isso porque tal documento está escrito em língua estrangeira, não faz referência à EBFF, à data de sua elaboração, assim como não identifica o seu autor. O único elemento que indicaria sua data é uma tela de computador, que se refere ao dia de criação de uma tabela denominada “ágio e amortização”: 18/09/2002. Contudo, não há como atestar que a tabela descrita é a mesma do arquivo. Também não há como asserir que não houve adulteração na data do computador em que esse arquivo foi criado. Como dito acima, o único aspecto que atestaria que tal documento foi elaborado anteriormente à aquisição da participação societária seria o seu arquivamento na contabilidade do Fl. 3330DF CARF MF Processo nº 10825.722693/201459 Acórdão n.º 9101003.345 CSRFT1 Fl. 3.331 10 contribuinte, àquela época. Como o arquivo não ocorreu, não há nada a reconhecer; 24) no entanto, ainda que se entendesse que a dita tabela faz referência à EBFF e que, efetivamente, fora elaborada no dia 18/09/2002, portanto, antes da aquisição dessa pessoa jurídica, um importante fato impede sua veracidade, qual seja: o fato de que a EBFF recebeu de suas antigas controladoras o patrimônio a ser transferido ao grupo Burns Philp apenas no dia 31/10/2002; 25) de fato, compulsando os documentos de efls. 540/546 e 548/554, vêse que o aumento de capital da EBFF de R$ 10.000,00 para R$ 38 milhões, mediante versão do patrimônio da KRAFT FOODS BRASIL S/A (objeto da negociação com o grupo Burns Philp), somente ocorreu no dia 31/10/2002, data do fechamento da compra e venda. Ou seja, em 18/09/2002, EBFF ainda não possuía o patrimônio cuja rentabilidade futura supostamente está atestada na referida tabela; 26) por fim, quanto ao ágio relativo à aquisição da empresa SOHOVOS, o Contribuinte não traz qualquer documento para provar sua fundamentação econômica. Compulsando os autos, verificamse somente os laudos de avaliação contábil que embasaram as incorporações ocorridas no dia 02/12/2005, nenhum referente à aquisição do dia 01/12/2005; 27) pelo exposto, demonstrase a correção da conclusão fiscal quanto à indedutibilidade dos ágios amortizados pelo Contribuinte. Pelo simples fato de não constar dos autos qualquer documento que ateste sua fundamentação econômica na rentabilidade futura das participações societárias adquiridas, não há como reconhecer o correspondente efeito fiscal; 28) alfim, espera a Fazenda Nacional que seja negado provimento ao Recurso Especial. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa. Na interposição do presente Recurso Especial, foram atendidos os requisitos de recorribilidade. Dele conheço. Fl. 3331DF CARF MF Processo nº 10825.722693/201459 Acórdão n.º 9101003.345 CSRFT1 Fl. 3.332 11 Os presentes autos versam sobre exigências de IRPJ e CSLL, acrescidas de juros e multa de ofício qualificada, decorrentes de lançamento de ofício efetuado quando da glosa de despesas com a amortização de ágios, referentes aos anoscalendário de 2009 a 2012, gerados na aquisição das pessoas jurídicas EBFF – Empresa Brasileira de Fermentos Fleischman Ltda (EBFF) e Sohovos Industrial Ltda (SOHOVOS). A instância a quo afastou a acusação de fraude, a utilização de planejamento tributário e de empresas veículos com o fito exclusivo de propiciar a amortização do ágio apurado na aquisição das pessoas jurídicas supracitadas. Por consequência, excluiu a multa qualificada. Todavia, manteve as exigências de IRPJ e de CSLL, escorandose na falta de comprovação da formação do ágio (rentabilidade futura). O Contribuinte se insurge, na presente instância, contra a manutenção dos lançamentos derivados da glosa da despesa com amortização do ágio, surgido na aquisição da participação societária de pessoa jurídica EBFF. Nesse inconformismo, manifesta que o voto condutor do acórdão recorrido atestou que esse ágio estava apoiado em três laudos, sendo que o primeiro dizia respeito à avaliação contábil da pessoa jurídica adquirida; o segundo, que denominou de “estudos internos”, fora elaborado à época da aquisição societária; e um último, elaborado em 2013, por terceiro. Daí, em seguida, pontua que os três laudos foram rechaçados, na instância a quo, assinalando que o voto condutor consignou que o primeiro laudo, relativo à avaliação contábil, “nada menciona acerca da expectativa futura de rentabilidade”, já que se restringira a demonstrar o valor contábil da empresa, ao passo que a rejeição ao terceiro laudo se fundou no fato de ter sido elaborado em 2013. Nesse contexto, ressalta que em nenhum momento sustentou que o fundamento desse ágio estava baseado no laudo de avaliação contábil ou no laudo elaborado em 2013, onze anos após a operação societária, mas, sim, no segundo laudo, o denominado “estudos internos”, produzido quando da aquisição da EBFF. Por isso, salienta que o primeiro e o terceiro laudos não são objeto deste Recurso Especial, pois apenas os “estudos internos” (segundo laudo) bastam para fundamentar o ágio ora em questão. O Contribuinte alega que os “estudos internos”, respaldados no fluxo de caixa descontado, foram repelidos, no julgamento em segunda instância, ao argumento de que, não tendo sido elaborados por terceiro e uma vez formatados em planilhas, não eram hábeis para fundamentar o ágio. Por esse viés, menciona que laudos técnicos produzidos por terceiros, e não pela própria adquirente, tornaramse obrigatórios apenas com o advento da Lei nº 12.973/2014, ou seja, posteriormente aos fatos aqui em debate. Nesse rumo, recorreu ao fluxo de caixa descontado como metodologia hábil à demonstração do fundamento econômico do ágio, por expectativa de rentabilidade futura, uma vez que, até o advento da MP nº 627/2013 (convertida na Lei nº 12.973/14), a legislação em vigor não discriminava qualquer formatação que o laudo técnico ou documento similar devesse assumir, seja para lhe conferir validade, seja para dotálo com a função de demonstrar o fundamento do ágio adotado pelo contribuinte. O Contribuinte informa que, em meados de 2002, contemporaneamente à época da aquisição da EBFF, providenciou estudo financeiro complexo e detalhado, cujo resumo do fluxo de caixa descontado apresentava a perspectiva da rentabilidade futura à efl. 3.089. Tais análises – destaca juntamente com os cálculos elaborados pela própria AB BRASIL, na avaliação do valor do negócio, demonstram claramente que o ágio alocado na expectativa de rentabilidade futura era exatamente o valor dos lucros estimados para os próximos 11 anos, considerando, para tanto, todas as sinergias existentes e as estratégias que seriam implementadas após a aquisição dos anteditos ativos. Com isso, frisa que toda a operação de aquisição da EBFF, a apuração do ágio posteriormente amortizado, bem assim a Fl. 3332DF CARF MF Processo nº 10825.722693/201459 Acórdão n.º 9101003.345 CSRFT1 Fl. 3.333 12 expectativa de rentabilidade futura que fundamentou a aquisição foram suportadas pelo fluxo de caixa descontado acima relatado (fls. 2.746 e seguintes), contemporâneo à realização do aludido negócio. Nessa perspectiva, tanto os estudos internos feitos pelo Contribuinte à época estavam aptos a suportar o ágio apurado – salienta que, 11 anos depois, foram confirmados, in totum, pelo laudo emitido pela Prime Yield Avaliação Patrimonial Ltda, em dezembro/2013, restando indubitáveis: i) a lisura das taxas de custo do capital empregados no valuation realizado pela AB BRASIL em setembro/2002 e demais elementos que balizaram os cálculos e análises realizados; ii) o fato de que o valor do ativo Fleischmann, considerando a perpetuidade do negócio, era cerca de duas vezes maior que o valor pago à vendedora; iii) o fato de que os ativos fixos/físicos estavam contabilizados, no mínimo, a valor de mercado. Assim, sustenta que todo o excedente pago à vendedora referese à expectativa de rentabilidade futura, decorrente, sobretudo, das sinergias existentes com a aquisição do negócio, eliminação de um forte concorrente e melhoria significativa na expectativa dos resultados/lucros futuros esperados. Dessarte, o Contribuinte enfatiza o escorreito o cumprimento dos deveres procedimentais que lhe incumbiam para que o ágio apurado na aquisição de EBFF fosse legítimo, com as devidas demonstrações de seus fundamentos revelados por documentação hábil e idônea, franqueandolhe, assim, a amortização pretendida. Entretanto, para sua surpresa, o acórdão recorrido, em total desprezo à documentação retromencionada, considerou que o laudo (“estudos internos”) que elaborara à época da aquisição da EBFF era imprestável para comprovar a rentabilidade futura que fundamentou o ágio apurado, por não ter sido realizado em formato de laudo e firmado por terceiro. Dispensando maiores digressões, o Contribuinte ressalta que o § 3º do artigo 20 do Decretolei nº 1.598/1977 determinava que a rentabilidade futura haveria de ser comprovada por uma forma legítima de demonstração, que deveria ficar arquivada com a escrituração. Daí, registra que não podem remanescer dúvidas acerca da efetiva demonstração da expectativa de rentabilidade futura que serviu de esteio para o ágio apurado e debatido nestes autos, tendo em conta que o laudo interno apontou exatamente a expectativa da rentabilidade futura, além de estar arquivado em sua contabilidade. Para a devida compreensão da controvérsia, trazse à colação o conjunto de operações societárias que importam ao presente julgamento, conforme exposta pelo Contribuinte, na impugnação: 1) em 03/09/2002 aquisição de 99% da pessoa jurídica E49 pela Mauri Brasil e 1% pela Burns Philp Food Overseas: Fl. 3333DF CARF MF Processo nº 10825.722693/201459 Acórdão n.º 9101003.345 CSRFT1 Fl. 3.334 13 2) 31/10/2002 Kraft Foods Brasil e Produtos Alimentícios Pilar venderam suas cotas da Empresa Brasileira de Fermentos – EBF para E49 (99%) e Mauri Brasil (1%): O valor total desta aquisição foi de R$ 219.095.528,41. O valor de patrimônio líquido da EBF, conforme laudo de avaliação contábil, era de R$ 38.541.048,27. Essa aquisição foi efetuada com ágio de R$ 180.554.480,14, tendo como fundamento econômico a expectativa de rentabilidade futura da EBF. Ato contínuo, na mesma data, EBF alterou a razão social para Empresa Brasileira de Fermentos Fleischman LTD – EBFF. Os pagamentos efetuados na aquisição da EBF são os seguintes: a) pagamentos efetuados por Mauri Brasil: pagamento de R$ 126.262.850,88 para Kraft Foods através de transferência pelo Banco Real; pagamento de R$ 7.159.985,68 para Kraft Foods – TED do Banco Santander; b) pagamento efetuado por E49: pagamento de R$ 88.665.337,07 para Kraft Foods. 3) 31/10/2002 – aumento de capital da E49 com o crédito de dívida assumida pela Mauri Brasil: Mauri Brasil efetuou parte do pagamento que caberia à E49, em 31/10/2002, na aquisição de EBFF, tornandose credora de E49 na importância de R$ 133.422.836,56. Com esse crédito, Mauri Brasil aumentou o capital em E49. 4) 31/01/2003 – incorporação da E49 pela EBFF: Fl. 3334DF CARF MF Processo nº 10825.722693/201459 Acórdão n.º 9101003.345 CSRFT1 Fl. 3.335 14 Com a incorporação, o ágio de E49 foi transferido à EBFF. Ademais, os acionistas de EBFF passaram a ser Mauri Brasil e Burns Philp Food Overseas: 5) Após a incorporação da E49 pela EBFF, a pessoa jurídica Mauri Brasil alterou sua razão social, em 6/03/2003, para Burns Philp Brasil Indústria e Comércio de Alimentos Ltda. 6) 31/12/2003 – incorporação da EBFF pela Burns Philp Brasil Indústria e Comércio de Alimentos Ltda: Com essa incorporação, o ágio foi transferido para Burns Philp Brasil Indústria e Comércio de Alimentos Ltda. 7) 30/09/2004 – alteração da razão social da Burns Philp Brasil Indústria e Comércio de Alimentos para AB Brasil Indústria e Comércio de Alimentos. Assim postos os fatos relativos ao surgimento do ágio e às incorporações que se sucederam, cabe colocar em relevo que o acórdão recorrido desconsiderou o argumento da Fiscalização, segundo o qual o Contribuinte valeuse de empresas veículos para transferir o ágio e, em seguida, dele obter proveito mediante amortizações mensais. Remanesceu, entretanto, o argumento da inadequação ou inexistência de laudo para os fins almejados, nos seguintes termos formulados pela acusação (efls. 47/48): “2.7 Nos documentos apresentados pela empresa não constam laudos que demonstrem tal condição, os laudos existentes são baseados em valores históricos (valor contábil) e, não detalham a alocação do ágio considerando o preço de mercado dos bens existentes ao tempo da operação de compra e venda das participações societárias. Procedendo desta forma a empresa não demonstrou o fundamento econômico dos respectivos ágios nos termos do artigo 20 do DL 1598/77 que é pré requisito legal, que, se aplicado, determina o valor dedutível a ser Fl. 3335DF CARF MF Processo nº 10825.722693/201459 Acórdão n.º 9101003.345 CSRFT1 Fl. 3.336 15 amortizado como ágio, que não se confunde com a simples diferença, entre o valor da aquisição e aquele valor histórico registrado na contabilidade. (grifei) 2.8 – Os fundamentos descritos neste item aplicamse às duas aquisições realizadas pela empresa que, por sua vez, aplicou a mesma metodologia em ambos os casos. As divergências entre a metodologia apresentada pelo contribuinte e aquela prescrita na norma já são suficientes para a GLOSA do valor do ágio amortizado ao longo dos últimos anos, visto que não houve apuração do valor correto e nem foi utilizada a metodologia prescrita na norma legal. A situação descrita acima já é suficiente para caracterizar como indevida a amortização do ágio que considere apenas o valor contábil do patrimônio líquido da adquirida.” Adiante, prossegue a Fiscalização às efls. 67/69: “Diante destes fatos verificase que a empresa no Brasil, não participou da aquisição, ela apenas faz parte de um desdobramento da operação ocorrida no exterior. Mesmo assim vamos comentar a metodologia utilizada pela subsidiária brasileira, se não bastasse a impossibilidade material para a apropriação do ágio, a empresa optou por considerar como ágio, a simples diferença entre preço de aquisição e valor contábil (histórico) dos ativos adquiridos, portanto não procedeu a avaliação dos bens corpóreos (letra “a”), incorpóreos (letra “c”), que deveriam ser subtraídas do valor pago a maior e, após este encontro de valores, surgiria o montante a ser amortizado e apropriado como ágio ou deságio na aquisição de participações societárias com fundamento na rentabilidade futura. Neste momento é necessário ressaltar que o contribuinte não é livre para escolher quais as alíneas do parágrafo segundo do artigo 20 do DL 1598/77 melhor se aplicam a sua situação, ele DEVE aplicar os critérios preceituados na norma jurídica e dela colher o resultado a ser considerado como ágio ou deságio. (grifei) 3.12.2 A empresa deixou de cumprir, por sua conta e risco. O requisito legal prescrito no artigo 20 e 21 do DL 1598/77, em plena vigência. Se aplicadas estas regras, o contribuinte deveria elaborar laudo técnico específico, quando da aquisição de quotas societárias, visando quantificar e apropriar o ágio ou deságio resultante da aquisição, segundo os fundamentos econômicos, contidos nas letras “a”, “b” e “c” do parágrafo 20. do artigo 20, do decreto vide NR1. [...] Enfim, além da impossibilidade de amortização do ágio na subsidiária no Brasil, a empresa não avaliou os ativos adquiridos como determina a norma, nem todo o valor de R$180.000.000,00 (cento e oitenta milhões de reais) poderia ser apropriado como ágio, cabe à empresa demonstrar. Se não demonstrar não pode amortizar. Em tese e em uma operação regular, onde fosse possível a apropriação do ágio, o “valor” do patrimônio já é de conhecimento das partes envolvidas, estando ou não contabilizado e deve ser quantificado para fins de se identificar e apropriar a parcela relativa ao ágio, o vendedor sabe o que “vendeu” o adquirente sabe o que “comprou”, o ágio a ser apropriado é aquela parcela que supera o valor real do patrimônio negociado e normalmente será uma parcela do preço pago e não 6 (seis) vezes o valor histórico do patrimônio líquido, algo em torno de 85 % (oitenta e cinco por cento) do preço declarado como pago pela participação societária, isso se fosse possível reconhecer o ágio desta operação como verdadeiro e ocorrido dentro do território brasileiro.” Por sua vez, ao tratar do tema, o condutor do voto vencedor assim se pronunciou (efls. 3.060/3.061): Fl. 3336DF CARF MF Processo nº 10825.722693/201459 Acórdão n.º 9101003.345 CSRFT1 Fl. 3.337 16 “O Recorrente insiste em afirmar que primeiro a fiscalização autuou o contribuinte pois o laudo técnico elaborado, baseado apenas na rentabilidade futura, não considerou o preço de mercado dos bens existentes ao tempo das operações societárias e, por conseguinte, não teria sido observada a metodologia definida em lei – que, supostamente, exige o atendimento em conjunto do quanto descrito nas alíneas “a”, “b” e “c” do § 2º do artigo 20 do DecretoLei nº 1.598/77. Depois afirma que a DRJ "inovou" ao decidir com base nos argumentos de que: i) a Recorrente não teria apresentado à fiscalização a documentação que comprova a rentabilidade futura e, ainda, ii) que o fluxo de caixa descontado é inservível para a demonstração do fundamento econômico do ágio por rentabilidade futura. Examinando detidamente as razões da fiscalização e os fundamentos da decisão de primeira instância, entendo que a confusão está no uso da expressão "falta de laudo". Uma coisa é não existir fisicamente um documento denominado laudo ou similar... outra coisa é que os documentos apresentados nos autos pelo contribuinte laudos, similares, planilhas, demonstrativos, estudos ou como se queira chamar desde que atendam requisitos mínimos, tais como serem lavrados por terceiros, habilitados profissionalmente para emitir o documento etc, o que não é o caso dos autos. Neste sentido, acórdão CARF 1103.001.170 (04.02.2015 Brafer Construções Metálicas S/A). (grifei) Além disso, vejase que em dezembro de 2013 foi emitido laudo mencionado nos autos para suportar a rentabilidade futura envolvida na questão da EBF (fls. 2.25), possivelmente produzido durante o período de fiscalização. Contudo, tal documento pretende sustentar um ágio formado em 2002, 11 anos após o evento. É no mínimo questionável um laudo de "rentabilidade futura" feito olhando para o passado (!!) O laudo deve ser anterior à data de aquisição do investimento. É bem verdade ser preciso examinar sempre o caso concreto, mas não se pode aceitar que, o contribuinte autuado com base (também) na ausência de comprovação da rentabilidade futura, elabore laudo no curso da fiscalização para pretender suprir falta ocorrida há uma década antes. Este é o entendimento, aliás, sustentado em outras decisões deste Conselho, consubstanciadas nos acórdãos 101.000.120 (18.06.2009 Empresa Paulista de Televisão S/A), 1101.000.912 (09.07.2013 Kraft Foods Brasil S/A), 1301.001.637 (07.05.2014 Volvo do Brasil Veículos Ltda.), dentre outros. Este foi o fato que mais chamou a atenção do fisco, porém, não o único indicativo da falta de comprovação do ágio. O recorrente, objetivamente, não indica elementos ou documentos que demonstrem a tal rentabilidade futura. Intimado para apresentalo limitouse a afirmar que: (grifei) Por fim, cabe esclarecer que as aquisições de participações societárias da EBFF Empresa Brasileira de Fermentos Ltda. ("EBFF") e da SÓHOVOS INDUSTRIAL LTDA. ("SÓHOVOS"] foram feitas com base no valor do patrimônio líquido das empresas adquiridas somado a "mais valia" (ágio) fundamentada na expectativa de rentabilidade futura. Ou seja, em ambas operações, o fundamento econômico do ágio foi a rentabilidade futura da adquirida (hipótese da alínea "b" do §2º do art. 20 Fl. 3337DF CARF MF Processo nº 10825.722693/201459 Acórdão n.º 9101003.345 CSRFT1 Fl. 3.338 17 do Decreto 1598/77) e não o valor de mercado do seu ativo, motivo pelo qual era desnecessário laudo de avaliação do patrimônio adquirido a preço de mercado. [vide efls. 1.245/1.246] Ademais, registrou a fiscalização em seu Relatório que: 2.6 –As regras prescritas no DL 1598/77 determinam que o adquirente mantenha em boa guarda os documentos (laudos) que embasem e quantifiquem os valores a serem apropriados e amortizados a título de ágio por expectativa de rentabilidade futura. Registrou também, expressamente, no curso da fiscalização, a necessidade de apresentar laudo que demonstrasse a rentabilidade futura. Senão vejase (fls. 1245): Item 4 – Relatórios e pareceres de auditores independentes. (...) No atendimento do item 4, deverão ser apresentados os laudos periciais que avaliaram o patrimônio adquirido, nas aquisições de participação societária da Empresa Brasileira de Fermentos Fleischmann EBFF (2002/2003] e SOHOVOS Industrial Ltda. (2005), a preço de mercado, cumprindo os requisitos e a metodologia para desdobrar o custo de aquisição conforme disposto no art. 20 do decreto 1598/77, parágrafo segundo, letras "a", "b" e "c", que são requisitos necessários para determinar os valores a serem apropriados como ERF Expectativa de Rentabilidade Futura que serão amortizados como Ágio gerado nas aquisições das participações societárias sob análise. A Intimada entrega, nesse ato, cópia do relatório de auditores independentes relativos ao período de 01.01.2008 a 31.12.2008 (doc. 03]. (grifei) Conforme afirmado no curso do procedimento fiscal, o contribuinte limitouse a apresentar o laudo de avaliação dos ativos adquiridos em relação à empresa EBF, de onde é possível extrair, tão só, os valores contábeis dos bens objeto da transação, fazendo referência, inclusive, à reavaliação ocorrida cerca de 4 anos antes naquela empresa e ainda o conjunto de planilhas produzidas internamente contendo os estudos internos que foram a base do laudo produzido 11 anos depois. Estes Estudos Internos encontramse às fls. 2746 e segs.. (grifei) Não é demais repetir que tais estudos internos não são equiparáveis a laudos, especialmente por faltar neles requisito inerente a laudos técnicos, ou seja: serem emitidos por terceiros independentes. (grifei) Também de acordo com os relatórios de fiscalização, em relação à aquisição do grupo SÓHOVOS, sequer uma planilha foi apresentada. Assim sendo entendo pela a manutenção da incidência, por não estar comprovada a formação do ágio rentabilidade futura) do investimento que deu fundamento econômico aos valores fiscalmente amortizados.” Portanto, como bem elucidou o voto condutor do acórdão recorrido, o cerne da questão a ser solucionada está em saber se os documentos juntados às efls. 2.746/2.759 atendem, ou não, ao requisito do § 2º do artigo 20 do Decretolei nº 1.598/1977, em sua redação original. Expliquese que tais documentos integram um grupo intitulado “Fundamento do Ágio – Doc. 2”, trazido à baila na impugnação apresentada no processo nº 10825.722972/201331 e inserido nestes autos pelo Contribuinte com a finalidade de Fl. 3338DF CARF MF Processo nº 10825.722693/201459 Acórdão n.º 9101003.345 CSRFT1 Fl. 3.339 18 comprovar que o ágio apurado baseavase em demonstrativo válido da expectativa da rentabilidade futura, consoante efls. 2.676/2.677: “3. Todavia, conforme restará cabalmente demonstrado a seguir: (i) a totalidade do ágio – apurado, pago e que vem sendo amortizado – tem como fundamento a expectativa de rentabilidade futura decorrente da aquisição de terceira empresa que se concretizou no ano de 2002. O valor de aquisição do negócio e a subseqüente alocação do preço pago aos ativos tangíveis e intangíveis, inclusive na referida expectativa de rentabilidade futura, está suportado e sustentado em dados, balancetes e documentos contábeis, bem assim – principalmente, no caso do ágio – em premissas, estudos e planilhas de cálculos (“Fundamentos do Ágio – DOC. 02) realizados previamente à concretização da operação de aquisição do negócio e da empresa de terceiros, os quais foram o suporte inefastável e da prova definitiva dos reflexos contábeis e financeiros que serviram de suporte aos registros contábeis da operação em questão.” Passando diretamente aos documentos de efls. 2.746 e seguintes, logo de plano se constata que não servem de prova para o fim proposto, uma vez que as peças de efls. 2.747/2.755 estão redigidas em língua estrangeira, não vertidas para o vernáculo, o que impede que produzam efeitos, a teor dos seguintes dispositivos normativos, todos com supedâneo no artigo 13 da vigente Constituição da República: artigo 224 do Código Civil; artigo 192, caput e parágrafo único, do Código de Processo Civil/2015; artigos 129 e 148 da Lei nº 6.015/1973; artigo 18 do Regulamento instituído pelo Decreto nº 13.609/1943 Constituição Federal “Art. 13. A língua portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil.” Código Civil “Art. 224. Os documentos redigidos em língua estrangeira serão traduzidos para o português para ter efeitos legais no País.” Código de Processo Civil de 2015 “Art. 192. Em todos os atos e termos do processo é obrigatório o uso da língua portuguesa. Parágrafo único. O documento redigido em língua estrangeira somente poderá ser juntado aos autos quando acompanhado de versão para a língua portuguesa tramitada por via diplomática ou pela autoridade central, ou firmada por tradutor juramentado” Lei nº 6.015, de 31/12/1973: “Art. 129. Estão sujeitos a registro, no Registro de Títulos e Documentos, para surtir efeitos em relação a terceiros: [...] 6º. todos os documentos de procedência estrangeira, acompanhados das respectivas traduções, para produzirem efeitos em repartições da União, dos Estados, do Distrito Fl. 3339DF CARF MF Processo nº 10825.722693/201459 Acórdão n.º 9101003.345 CSRFT1 Fl. 3.340 19 Federal, dos Territórios e dos Territórios e dos Municípios ou em qualquer instância, juízo ou tribunal. ” “Art. 148. Os títulos, documentos e papéis escritos em língua estrangeira, uma vez adotados os caracteres comuns, poderão ser registrados no original, para o efeito da sua conservação ou perpetuidade. Para produzirem efeitos legais no País e para valerem contra terceiros, deverão, entretanto, ser vertidos em vernáculo e registrada a tradução, o que, também, se observará em relação às procurações lavradas em língua estrangeira. ” Decreto n° 13.609/1943; “Art. 18. Nenhum livro, documento ou papel de qualquer natureza que for exarado em idioma estrangeiro, produzirá efeito em repartição da União, dos Estados ou dos Municípios, em qualquer instância, Juízo ou Tribunal ou entidades mantidas, fiscalizadas ou orientadas pelos poderes públicos, sem ser acompanhado da respectiva tradução feita na conformidade desse regulamento.” Também as planilhas acostadas às efls 2.756/2.759 padecem de ineficácia descritiva em decorrência de um extremado déficit de comunicação. Isso porque o fato probando depende da aptidão comunicativa do instrumento utilizado com a pretensão de evidenciálo. A pura e simples anexação de peças que nada explicam denotam negligência do interessado, quanto ao necessário empenho argumentativo em prol da dialeticidade inerente ao processo. Não se pode esperar que o julgador descubra, por si só, o que significam linhas e colunas das mencionadas planilhas, repletas de itens cujos sentidos são conhecidos apenas no âmbito de quem as produziu. Somese ao exposto que tais planilhas estão acometidas de outras deficiências apontadas pela PGFN: não fazem alusão à EBFF ou à data de sua elaboração, assim como não identificam o seu autor. O único elemento que indicaria a possível data de criação é uma tela de computador à efl.2.746, que se refere ao dia de criação de uma tabela denominada “Ágio e Amortização”: 18/09/2002. Contudo, não há como atestar que a tabela “Ágio e Amortização” confere com as planilhas das folhas seguintes. O único aspecto que atestaria que tal documento foi elaborado anteriormente à aquisição da participação societária seria o seu arquivamento como comprovante da escrituração, àquela época, o que não ocorreu. No entanto, ainda que se entendesse que a dita tabela faz referência à EBFF e que, efetivamente, fora elaborada no dia 18/09/2002, portanto, antes da aquisição dessa pessoa jurídica, um importante fato impede sua veracidade, qual seja: o fato de que a EBFF foi transferida para Mauri Brasil e E49 no dia 31/10/2002. A despeito disso, a tabela “Ágio e Amortização” à efls 2.746 indica que Mauri Brasil era pessoa relacionada. Outrossim, o fato de juntar tais planilhas, com seus significados ocultos, apenas na fase de defesa, não obstante intimado durante a ação fiscalizadora, induzme a suspeitar de reprovável conduta por parte de quem objetivava evitar a tempestiva inquirição do Fisco. Seja como for, o Contribuinte não logrou êxito em comprovar que o ágio apurado decorreu de prévios estudos justificadores de expectativa de rentabilidade futura. Nesses Fl. 3340DF CARF MF Processo nº 10825.722693/201459 Acórdão n.º 9101003.345 CSRFT1 Fl. 3.341 20 termos, as despesas com a amortização desse mesmo ágio carecem do respaldo nos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, motivo por que não podem afetar o Erário. CONCLUSÃO: conheço do Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 3341DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.904288/2009-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000
Ementa:
CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-004.062
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2000 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10120.904288/2009-27
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5831392
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-004.062
nome_arquivo_s : Decisao_10120904288200927.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 10120904288200927_5831392.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
id : 7128326
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009193152512
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-02-19T17:02:51Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-02-19T17:02:51Z; Last-Modified: 2018-02-19T17:02:51Z; dcterms:modified: 2018-02-19T17:02:51Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2018-02-19T17:02:51Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-02-19T17:02:51Z; meta:save-date: 2018-02-19T17:02:51Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-02-19T17:02:51Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-02-19T17:02:51Z; created: 2018-02-19T17:02:51Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2018-02-19T17:02:51Z; pdf:charsPerPage: 1447; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-02-19T17:02:51Z | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.904288/200927 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401004.062 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de outubro de 2017 Matéria DCOMP COFINS ELETRÔNICO Recorrente UNIDROGAS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MEDICAMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP invocando créditos referentes a pagamento indevido ou maior de CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 42 88 /2 00 9- 27 Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10120.904288/200927 Acórdão n.º 3401004.062 S3C4T1 Fl. 3 2 Não tendo sido localizado tal pagamento nos sistemas da RFB, a empresa foi intimada a se manifestar, e, diante de seu silêncio, o crédito foi indeferido e a compensação não homologada, por Despacho Decisório Eletrônico, tendo a empresa apresentado Manifestação de Inconformidade, na qual alegou, em síntese, que: (a) é inconstitucional a majoração de alíquota promovida pelos Decretos no 2.445/1988 e no 2.449/1998, já reconhecida pelo Poder Judiciário e declarada por ato do Senado (Resolução no 49, de 9/10/1995), e a aplicação retroativa (sistemática da semestralidade) do art. 18 da Lei no 9.715/1998 (conforme ADIn no 1.4170, publicada em 23/03/2011 e também reconhecida por ato do Senado – Resolução no 10, de 08/06/2005); e (b) o prazo para pedir a restituição é fixado a partir da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa / judicial / Resolução do Senado. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos. (a) a empresa não alegou nem comprovou o suposto pagamento a maior ou indevido que teria efetuado, a despeito de ter sido intimada para tanto; (b) em pesquisa aos sistemas da RFB, verificouse a existência de DARF de recolhimento com a data de arrecadação diversa da indicada no pedido, parecendo a empresa buscar com a data incorreta em seu pedido frustrar eventual extinção de prazo para pedir restituição, que ocorre após cinco anos do pagamento indevido, com vem decidindo o STJ na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.110.578/SP) e o CARF. Ciente da decisão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, basicamente repisando o argumento de que não poderia o artigo 18 da norma legal (hoje Lei no 9.715/1998) ter retroagido, como decidiu o STF na ADIn no 1.417 (e Resolução no 10/2005), e reconheceu a própria Receita Federal, na IN SRF no 6/2000; e acrescentando que a Lei no 9.715/1998 revogou a Lei Complementar no 7/70, e que a cobrança também estaria com prazo decaído. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.025, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.901000/200962, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.025): "O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Diante da imputação fiscal e das defesas apresentadas, há pouco a discutir no presente processo. Isso porque em nenhuma das peças de defesa a empresa informa, objetivamente, aquilo que foi intimada a esclarecer desde antes do início do contencioso: qual Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10120.904288/200927 Acórdão n.º 3401004.062 S3C4T1 Fl. 4 3 foi exatamente o recolhimento indevido e qual o motivo para que especificamente essa quantia seja considerada de fato indevida. Enquanto a defesa se alonga em discussões de direito que, em geral, já estão pacificadas administrativa e judicialmente, não dedica uma linha sequer a informar como os valores que entende indevidos o são pela ocorrência, no caso concreto, de tais situações jurídicas genericamente descritas. Como bem destacou a instância de piso, a empresa jamais comprovou o suposto pagamento a maior ou indevido, mesmo tendo sido intimada a tanto, na fase précontenciosa. Persiste, assim, a ausência de liquidez e certeza sobre o débito, ainda antes de se iniciar a discussão jurídica, que deixa de ser relevante, por não se saber, de forma peremptória, se é relacionada ao caso concreto aqui narrado. Não se desincumbe, assim, a postulante ao crédito, de seu ônus probatório, acreditando que as alegações de direito genéricas socorrem sua demanda, sem realizar qualquer esforço para vincular tais discussões jurídicas ao caso em análise, dotando de certeza e de liquidez o crédito. Em relação a alegação de decadência para cobrança, cabe destacar que não se está aqui a analisar lançamento, mas pedido de restituição, cumulado com compensação. E, como destacou a DRJ, a existência de Resolução do Senado reconhecendo eventual inconstitucionalidade é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional (REsp no 1.110.578SP, julgado na sistemática dos recursos repetitivos). Poderseia agregar aos argumentos de defesa, de ofício, o tratamento reconhecido aos pedidos administrativos pelo STF (RE no 566.621/RS) e pelo CARF (Súmula CARF no 91). No entanto, como destacado de início, a discussão sobre haver ou não expirado o prazo para pedir restituição se afigura secundária, diante da ausência de liquidez e certeza do crédito. E a comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 69DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.722004/2011-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010
DOCUMENTOS JUNTADOS AOS AUTOS DEPOIS DA APRESENTAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. POSSIBILIDADE. PRIMAZIA DA BUSCA DA VERDADE MATERIAL
O art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/72 contém a regra geral acerca do momento para apresentação das provas pelo contribuinte no processo administrativo fiscal. A produção em momento posterior não impede o julgador de conhecê-las, diante das peculiaridades do caso e das provas apresentadas. Corolário dos princípios da instrumentalidade processual e da busca da verdade material.
ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL
O prazo decadencial para a lavratura de auto de infração para a glosa de despesas de amortização de ágio tem início com a efetiva dedução de tais despesas pelo contribuinte. Não ocorrência de decadência no caso concreto.
JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
Constituído o crédito pelo lançamento de ofício, ao tributo agrega-se a multa de ofício, tendo ambos a natureza de obrigação tributária principal e, sobre ele deve incidir integramente os juros à taxa SELIC, nos termos dos art. 139 e 161 do CTN c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010
ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. GLOSA.
Os atos de reorganização societária registrados pela recorrente ainda que formalmente regulares, se não configuram uma efetiva aquisição de participação societária, mas mera permuta de ativos dentro do grupo de empresas sob controle comum, sendo correta a glosa dos valores amortizados como ágio efetuada pelo Fisco.
ÁGIO. COMPLEMENTARIDADE DAS LEGISLAÇÕES COMERCIAIS E FISCAIS. EFEITOS.
Os resultados tributáveis das pessoas jurídicas, apurados com base no Lucro Real, têm como ponto de partida o resultado líquido apurado na escrituração comercial, regida pela Lei nº 6.404/1976, conforme estabelecido pelo DL. 1.598/1977. O ágio é fato econômico cujos efeitos fiscais foram regulados pela lei tributária, com substrato nos princípios contábeis geralmente aceitos. Assim, os princípios contábeis geralmente aceitos e as normas emanadas dos órgãos fiscalizadores e reguladores, como Conselho Federal de Contabilidade e Comissão de Valores Mobiliários, têm pertinência e devem ser observadas na apuração dos resultados contábeis e fiscais.
ÁGIO INTERNO. AUSÊNCIA DE SACRIFÍCIO ECONÔMICO. IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO CONTÁBIL.
A ausência de um efetivo sacrifício patrimonial por parte da investidora pela aquisição de participações em operações com empresas controladas revelam a falta de substância econômica das operações o que impede o seu registro e reconhecimento contábil, pois não há efetiva modificação da situação patrimonial.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL
Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas aplica-se ao lançamento da Contribuição Social sobre o lucro líquido as conclusões relativas ao IRPJ.
Numero da decisão: 1302-002.568
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (relator) e Flávio Machado Vilhena Dias e, parcialmente, o Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, que votou por negar provimento em relação à infração 2 (ágio 2001), e, também, por maioria, em negar provimento ao recurso quanto ao saldo de compensação de prejuízos, vencidos os Conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Flávio Machado Vilhena Dias. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado. O Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca solicitou a apresentação de declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Conselheiro.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 DOCUMENTOS JUNTADOS AOS AUTOS DEPOIS DA APRESENTAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. POSSIBILIDADE. PRIMAZIA DA BUSCA DA VERDADE MATERIAL O art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/72 contém a regra geral acerca do momento para apresentação das provas pelo contribuinte no processo administrativo fiscal. A produção em momento posterior não impede o julgador de conhecê-las, diante das peculiaridades do caso e das provas apresentadas. Corolário dos princípios da instrumentalidade processual e da busca da verdade material. ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL O prazo decadencial para a lavratura de auto de infração para a glosa de despesas de amortização de ágio tem início com a efetiva dedução de tais despesas pelo contribuinte. Não ocorrência de decadência no caso concreto. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Constituído o crédito pelo lançamento de ofício, ao tributo agrega-se a multa de ofício, tendo ambos a natureza de obrigação tributária principal e, sobre ele deve incidir integramente os juros à taxa SELIC, nos termos dos art. 139 e 161 do CTN c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. GLOSA. Os atos de reorganização societária registrados pela recorrente ainda que formalmente regulares, se não configuram uma efetiva aquisição de participação societária, mas mera permuta de ativos dentro do grupo de empresas sob controle comum, sendo correta a glosa dos valores amortizados como ágio efetuada pelo Fisco. ÁGIO. COMPLEMENTARIDADE DAS LEGISLAÇÕES COMERCIAIS E FISCAIS. EFEITOS. Os resultados tributáveis das pessoas jurídicas, apurados com base no Lucro Real, têm como ponto de partida o resultado líquido apurado na escrituração comercial, regida pela Lei nº 6.404/1976, conforme estabelecido pelo DL. 1.598/1977. O ágio é fato econômico cujos efeitos fiscais foram regulados pela lei tributária, com substrato nos princípios contábeis geralmente aceitos. Assim, os princípios contábeis geralmente aceitos e as normas emanadas dos órgãos fiscalizadores e reguladores, como Conselho Federal de Contabilidade e Comissão de Valores Mobiliários, têm pertinência e devem ser observadas na apuração dos resultados contábeis e fiscais. ÁGIO INTERNO. AUSÊNCIA DE SACRIFÍCIO ECONÔMICO. IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO CONTÁBIL. A ausência de um efetivo sacrifício patrimonial por parte da investidora pela aquisição de participações em operações com empresas controladas revelam a falta de substância econômica das operações o que impede o seu registro e reconhecimento contábil, pois não há efetiva modificação da situação patrimonial. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas aplica-se ao lançamento da Contribuição Social sobre o lucro líquido as conclusões relativas ao IRPJ.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 28 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13896.722004/2011-18
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5848079
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 28 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1302-002.568
nome_arquivo_s : Decisao_13896722004201118.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
nome_arquivo_pdf_s : 13896722004201118_5848079.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (relator) e Flávio Machado Vilhena Dias e, parcialmente, o Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, que votou por negar provimento em relação à infração 2 (ágio 2001), e, também, por maioria, em negar provimento ao recurso quanto ao saldo de compensação de prejuízos, vencidos os Conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Flávio Machado Vilhena Dias. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado. O Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca solicitou a apresentação de declaração de voto. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca - Conselheiro. Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7186591
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009220415488
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 72; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1997; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 18.830 1 18.829 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.722004/201118 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302002.568 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de fevereiro de 2018 Matéria IRPJ e CSLL Recorrente DU PONT DO BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 DOCUMENTOS JUNTADOS AOS AUTOS DEPOIS DA APRESENTAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. POSSIBILIDADE. PRIMAZIA DA BUSCA DA VERDADE MATERIAL O art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/72 contém a regra geral acerca do momento para apresentação das provas pelo contribuinte no processo administrativo fiscal. A produção em momento posterior não impede o julgador de conhecêlas, diante das peculiaridades do caso e das provas apresentadas. Corolário dos princípios da instrumentalidade processual e da busca da verdade material. ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL O prazo decadencial para a lavratura de auto de infração para a glosa de despesas de amortização de ágio tem início com a efetiva dedução de tais despesas pelo contribuinte. Não ocorrência de decadência no caso concreto. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Constituído o crédito pelo lançamento de ofício, ao tributo agregase a multa de ofício, tendo ambos a natureza de obrigação tributária principal e, sobre ele deve incidir integramente os juros à taxa SELIC, nos termos dos art. 139 e 161 do CTN c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. GLOSA. Os atos de reorganização societária registrados pela recorrente ainda que formalmente regulares, se não configuram uma efetiva aquisição de participação societária, mas mera permuta de ativos dentro do grupo de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 20 04 /2 01 1- 18 Fl. 18830DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.831 2 empresas sob controle comum, sendo correta a glosa dos valores amortizados como ágio efetuada pelo Fisco. ÁGIO. COMPLEMENTARIDADE DAS LEGISLAÇÕES COMERCIAIS E FISCAIS. EFEITOS. Os resultados tributáveis das pessoas jurídicas, apurados com base no Lucro Real, têm como ponto de partida o resultado líquido apurado na escrituração comercial, regida pela Lei nº 6.404/1976, conforme estabelecido pelo DL. 1.598/1977. O ágio é fato econômico cujos efeitos fiscais foram regulados pela lei tributária, com substrato nos princípios contábeis geralmente aceitos. Assim, os princípios contábeis geralmente aceitos e as normas emanadas dos órgãos fiscalizadores e reguladores, como Conselho Federal de Contabilidade e Comissão de Valores Mobiliários, têm pertinência e devem ser observadas na apuração dos resultados contábeis e fiscais. ÁGIO INTERNO. AUSÊNCIA DE SACRIFÍCIO ECONÔMICO. IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO CONTÁBIL. A ausência de um efetivo sacrifício patrimonial por parte da investidora pela aquisição de participações em operações com empresas controladas revelam a falta de substância econômica das operações o que impede o seu registro e reconhecimento contábil, pois não há efetiva modificação da situação patrimonial. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas aplicase ao lançamento da Contribuição Social sobre o lucro líquido as conclusões relativas ao IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (relator) e Flávio Machado Vilhena Dias e, parcialmente, o Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, que votou por negar provimento em relação à infração 2 (ágio 2001), e, também, por maioria, em negar provimento ao recurso quanto ao saldo de compensação de prejuízos, vencidos os Conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Flávio Machado Vilhena Dias. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado. O Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca solicitou a apresentação de declaração de voto. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. (assinado digitalmente) Fl. 18831DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.832 3 Gustavo Guimarães da Fonseca Conselheiro. Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Fl. 18832DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.833 4 Relatório Versa o processo sobre recurso voluntário, interposto pela contribuinte face ao Acórdão nº 1636.830 da 1ª Turma da DRJ/SP1. Para a devida síntese do processo, transcrevo o relatório da DRJ, litteris: “Em decorrência de ação fiscal, a contribuinte acima identificada foi autuada em 06 de setembro de 2011 (fls. 18.040 e 18.051), e intimada a recolher o crédito tributário constituído relativo ao IRPJ e à CSLL, multa proporcional qualificada (150%) e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos nos dias 31 de dezembro dos anos 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010. 2. Conforme descrito nos Autos de Infração e no Termo de Verificação partes A (fls. 17.918 a 17.969) e B (fls. 17.970 a 18.019), a contribuinte amortizou ágios indevidamente na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 3. Tendo em vista o apurado, foram lavrados, conforme preceitua o artigo 9º do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, os seguintes Autos de Infração: 3.1. IRPJ (fls. 18.039 a 18.042) com base nos artigos 247, 248, 251, 324, 385 e 386 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999), formalizando crédito tributário calculado até 31/08/2011 no montante de R$419.301.927,75; e 3.2. CSLL (fls. 18.050 a 18.053) com base nos artigos 2º e 3º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações introduzidas pelo artigo 17 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008, 1º da Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996, 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, formalizando crédito tributário, calculado até 31/08/2011, no montante de R$150.974.467,93. 4. O enquadramento legal da multa de ofício aplicada no percentual de 150% é o artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (fatos geradores até 21/01/2007), e o mesmo artigo 44, inciso I e § 1º da mesma Lei 9.430/1996, com a redação dada pelo artigo 14 da Medida Provisória 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007 (fatos geradores a partir de 22/01/2007). O enquadramento legal dos juros de mora equivalentes à taxa Selic são os artigos 6º, § 2º, e 28 da Lei nº 9.430/1996 (fls. 18.038 e 18.049). 5. Irresignada com os lançamentos, em 06 de outubro de 2011, a autuada apresentou, representada por mandatários (fls. 18.179 a 18.210), a impugnação de fls. 18.089 a 18.179, instruída com os documentos de fls. 18.180 a 18.459, na qual alega, em síntese, o seguinte: 5.1. a presente impugnação é tempestiva, pois, como foi cientificada dos lançamentos em 06 de setembro de 2011, o prazo legal de 30 dias (artigo 15 do Decreto nº 70.235/1972) para impugnar começou a fluir em 08 de setembro de 2011, já que o dia 07 de setembro foi feriado, e encerrouse em 07 de outubro de 2011; Fl. 18833DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.834 5 5.2. em 2004 diante de novos desafios e oportunidades, a Du Pont mundial lançou o programa “One Dupont” para alinhar sua estrutura de organização e infraestrutura com seu novo tamanho e prioridades, consolidando as unidades de negócios que operavam individualmente e aproveitando as sinergias potencialmente existentes entre as sociedades do grupo, com a finalidade de obter ganho de produtividade, redução de custos, racionalização de estrutura interna, otimização de capacidade funcional e maiores agilidade e rentabilidade; 5.3. no Brasil, visando a otimização, simplificação, centralização e eficiência das operações, o grupo aprovou a reunião das sete empresas brasileiras (Pioneer Sementes Ltda., Griffin Brasil Ltda., Du Pont Safety Resources do Brasil Ltda., Du Pont Performance Coatings Participações S/A, Du Pont Performance Coating S/A, Mineração Del Rey Ltda. e Du Pont Brasil S/A) em apenas uma empresa; 5.4. conforme esquema de controle societário de fls. 18.095, antes do início do processo de reestruturação do grupo, a empresa E.I. Du Pont de Nemours (EID, sediada nos Estados Unidos da América) controlava, diretamente, a empresa Du Pont Brasil, que por sua vez controlava as empresas Mineração Del Rey Ltda e Du Pont Performance Coatings Participações S/A que controlava a empresa Du Pont Performance Coating S/A, e, indiretamente, as empresas Du Pont Safety Resources do Brasil Ltda. (por meio da DCEO, sediada nos Estados Unidos da América), Griffin Brasil Ltda. (controlada parte direta e parte indiretamente (por meio da Griffin Cayman) pela empresa Griffin Bermuda controlada pela Griffin LLC Estados Unidos controlada pela EID) e Pioneer Sementes Ltda. (em parte pela Pioneer LLC Estados Unidos e em parte pela Pioneer Holding sediada na Espanha controlada pela POC Estados Unidos, por sua vez controlada pela PH Estados Unidos controlada pela EID); 5.5. o primeiro passo da reestruturação se deu com a constituição, por parte da E.I. Du Pont de Nemours (EID, sediada nos Estados Unidos da América) e da Pioneer Holding (PH Spain, sediada na Espanha), da empresa Du Pont Holdco Spain III, SL (DP Holdco III); 5.6. em seguida ocorreu a transferência de 100% das ações, a valor de mercado, que a EID possuía da Du Pont Brasil Ltda. como aporte de capital na DP Holdco III e a transferência de 100% das ações, a valor de mercado, que a Pioneer Holding Espanha possuía da Pioneer Sementes como aporte de capital na DP Holdco III; 5.7. em 30 de setembro de 2005, ocorreu a 4ª etapa por meio de aumento de capital na Griffin Brasil pela DP Holdco III com ações das empresas Pioneer Sementes e Du Pont Brasil, já avaliadas a preço de mercado; 5.8 na 5ª etapa a Griffin Brasil contribuiu com as empresas Pioneer Sementes e Du Pont Brasil para a empresa Du Pont Safety Resources do Brasil Ltda. a preço de mercado na troca das ações; 5.9. finalmente, em 31 de outubro de 2005, as empresas Pioneer Sementes Ltda., Griffin Brasil Ltda., Du Pont Safety Resources do Brasil Ltda. (DSRB), Du Pont Performance Coatings Participações S/A, Du Pont Performance Coating S/A e Mineração Del Rey Ltda. foram incorporadas a Du Pont Brasil, que desta forma agora é controlada indiretamente pela EID Estados Unidos por meio das empresas intermediárias DCEO Estados Unidos, Griffin LLC Estados Unidos, Griffin Bermuda, Griffin Cayman, Pioneer LLC Estados Unidos, DP Holdco III, PH Spain e PH Estados Unidos; Fl. 18834DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.835 6 5.10. a estrutura no Brasil descrita permanece praticamente inalterada até os dias de hoje, o que demonstra o efetivo objetivo de consolidar as operações; 5.11. nos exatos ditames da lei foi gerado um ágio pela avaliação a valor de mercado dos ativos da Du Pont Brasil e Pioneer Sementes que, ao final do processo de reestruturação societária, foi novamente avaliado pela Du Pont Brasil no valor de R$1.645.878.886,54, que, conforme permite a legislação fiscal, foi amortizado por opção da impugnante mensalmente, a partir de novembro de 2005, em parcelas de R$7.772.205,85; 5.12. anteriormente em 2001, o Grupo Pioneer Hi Bread, visando racionalizar sua estrutura de capital, utilizar os excessos de caixa de maneira mais eficiente, melhorar a capacidade de investimentos, aproveitar as sinergias existentes à época entre as empresas do grupo, obter ganho de produtividade, redução de custos e maior controle de caixa, reestruturouse mundialmente; 5.13. nesta época a empresa brasileira Pioneer Sementes Ltda. (Pioneer Brasil) era controlada 0,01% pela Pioneer LLC Estados Unidos e 99,99% pela Pioneer Holding sediada na Espanha (Pioneer ETVE), que controlava também a Pioneer LLC Estados Unidos (US LLC) e era controlada pela POC Estados Unidos, por sua vez controlada pela PH Estados Unidos; 5.14. neste contexto, a empresa limitada brasileira Imediata, incorporada por terceiros com capital mínimo, adquiriu a Hold On (empresa brasileira constituída na forma de Sociedade Anônima) e, na mesma oportunidade, uma sociedade limitada chamada Jukybox foi incorporada por terceiros com capital mínimo; 5.15. a Pioneer ETVE (a holding espanhola) incorporou, a valor contábil, as empresas Imediata e Jukybox, contribuiu com uma cota da Imediata e uma cota da Jukybox para a US LLC como contribuição de capital e contribuiu com a Pioneer Brasil para a Imediata, como capital de contribuição em troca de cotas a valor contábil; 5.16. a Imediata integralizou capital na Hold On com quotas da Pioneer Sementes; 5.17. a Jukybox emprestou R$119.232.191,00 do Banco Citibank no Brasil e investiu estes recursos em novas ações emitidas pela Hold On, avaliadas a valor de mercado, tendo esta última empresa sido cindida, ficando a Jukybox com as ações da Hold On e a Imediata com o capital correspondente; 5.18. estes recursos foram devolvidos pela Imediata à Jukybox, que os utilizou para quitar o empréstimo bancário, devido a subscrição e integralização de novas quotas do capital social da Jukybox pela Imediata; 5.19. ao final, houve fusão da Hold On com a Pioneer Brasil, depois da Jukybox com a Pioneer Brasil e finalmente da Imediata com a Pioneer Brasil, tendo retornado a estrutura societária do Grupo Pioneer à estrutura inicial descrita no subitem 5.13; 5.20. em setembro de 2011, conforme regra de decadência prevista no artigo 150, § 4º, do CTN e jurisprudência administrativa reproduzida, já estava decaído o direito de a Fazenda questionar, mediante juízo de valor, a existência de ágio em si (e não sua amortização) relacionado às operações que foram registrados originalmente em junho de 2001 e outubro de 2005, ainda que os efeitos tributários tenham ocorrido de 2005 a 2010; Fl. 18835DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.836 7 5.21. o ágio decorrente das operações societárias (incorporação da Hold On, Imediata e Jukybox pela Pioneer – Projeto Pioneer) realizadas em 29 de junho de 2001, com fundamento no artigo 386 do RIR/1999, que passou a ser amortizado pela impugnante após a incorporação, em 31 de outubro de 2005, da Pioneer pela Du Pont do Brasil S/A, e que já havia sido submetido ao crivo das autoridades fiscais (tanto o registro do ágio como seus efeitos fiscais de dedução) desde a entrega da DIPJ relativa ao anocalendário 2001, somente poderia ter sido validamente questionado pelo Fisco até 29 de junho de 2006, não podendo prevalecer, por falta de comprovação, o entendimento fiscal de que teria ocorrido fraude, o que ensejaria a aplicação do termo inicial do prazo decadencial previsto no artigo 173, inciso I, do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado); 5.22. o mesmo raciocínio deve ser aplicado ao ágio registrado em 30 de novembro de 2005 (Projeto Bandeirantes), pois este ágio foi submetido ao crivo das autoridades fiscais em 2005 (tanto seu registro em virtude da incorporação como sua amortização) e somente poderia ter sido validamente questionado pelo Fisco até 30 de novembro de 2010, já que não há comprovação da suposta ocorrência de fraude, restando evidente que se deve aplicar o artigo 150, § 4º, do CTN (termo inicial do prazo decadencial na data de ocorrência do fato gerador); 5.23. apesar de não haver na legislação tributária vigente à época dos fatos geradores ora combatidos, qualquer dispositivo exigindo que a elaboração do estudo referido no § 3º do artigo 385 do RIR/1999, que fundamenta o ágio decorrente de valor de mercado dos ativos da coligada ou controlada superior ao custo desses ativos (inciso I do § 2º do mesmo artigo 385 do RIR/1999) ou o ágio decorrente de rentabilidade futura da coligada ou controlada (inciso II do § 2º do artigo 385), seja feito por terceiro independente, a contratação de um terceiro independente acarreta maior credibilidade ao fundamento do ágio e conseqüentemente maior segurança em seu aproveitamento fiscal; 5.24. os diversos normativos contábeis editados pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC), pelo Comitê de Procedimentos Contábeis e pela Comissão de Valores Mobiliários, que embasam o entendimento das autoridades fiscais de que a impugnante não poderia reconhecer o ágio em suas demonstrações financeiras e, conseqüentemente, amortizálos para fins tributários, sequer eram de aplicação obrigatória à época; 5.25. o Princípio do Registro pelo Valor Original, previsto no artigo 7º da Resolução CFC nº 750/1993, visa manter o valor original dos ativos da empresa, impedindo sua alteração, exceto se expressamente permitido em lei, e o caso em tela trata de situação diferente, já que não houve uma reavaliação de ativos próprios, mas aquisição pela DSRB da participação societária na Du Pont do Brasil e na Pioneer, pelo valor de mercado da referida participação em conformidade com a legislação vigente, sendo, desta forma, o valor original do investimento na Du Pont do Brasil e na Pioneer, para a DSRB, o custo de aquisição, qual seja, o valor pago por ela (DSRB) nas referidas empresas; 5.26. não há dúvida de que a contabilidade brasileira aplicável até o advento do novo ambiente contábil que hoje vigora inspirado pela Lei nº 11.638/2007, aplicável gradualmente a partir de 2008, mas principalmente a partir de 2010 com a edição de novos Pronunciamentos Contábeis, permitia o reconhecimento contábil de operações entre partes relacionadas, pois considerava as operações praticadas pelas empresas através de uma análise individual dos balanços; Fl. 18836DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.837 8 5.27. o entendimento fiscal de que a teoria contábil e a legislação brasileira reconhecem e dão respaldo apenas ao ágio pago numa negociação entre comprador e vendedor não relacionados entre si, o que vedaria o registro de ágio em operações realizadas entre empresas de um mesmo grupo econômico, baseado no OfícioCircular CVM/SNC/SEP nº 1, de 14 de fevereiro de 2007, não pode ser aceito porque esta norma é inspirada na Lei nº 11.638/2007 que, ao contrário do que entendem as autoridades fiscais, trouxe, no contexto de internacionalização da contabilidade, relevantes modificações nos procedimentos contábeis brasileiros, como denotam as introduções da Resolução CFC nº 1.055/2005, que criou o Comitê de Pronunciamentos Contábeis, e do Pronunciamento Técnico CPC 04; 5.28. as novas normas editadas a partir da publicação da Lei nº 11.638/2007 (Pronunciamento Técnico do CPC nº 04, de 03 de outubro de 2008, e Resolução CFC nº 1.139, de 21 de novembro de 2008) não são, como alegam as autoridades fiscais, meras normas interpretativas aplicáveis retroativamente a fatos ocorridos em 2001 e 2005, mas sim verdadeiras normas para a aplicação de novos conceitos contábeis, como denota a existência do Regime Tributário de Transição e os artigos destas mesmas normas que determinam sua entrada em vigor na data de publicação da última norma (28 de novembro de 2008); 5.29. ainda que se concluísse que estes atos normativos contábeis pudessem ser aplicados retroativamente, cabe lembrar que eles não são aplicáveis para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL por expressa previsão legal contida nos artigos 15 e 24 da Lei nº 11.941/2009, que instituíram o Regime Tributário de Transição (RTT); 5.30. o artigo 16 da Lei nº 11.941/2009 diz expressamente que para as pessoas jurídicas sujeitas ao RTT, as recentes alterações introduzidas na Lei das S/As, bem como as normas expedidas pela CVM e demais órgãos reguladores que modifiquem o critério de reconhecimento de receitas, custos e despesas computadas na apuração do lucro líquido do exercício (como é o caso da contabilização e da dedução das despesas relativas aos ágios objeto do lançamento em discussão) não devem surtir efeitos para fins de apuração do lucro real, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, isto é, vigentes antes da publicação da Lei nº 11.638/2007 e suas implicações; 5.31. ainda que se admitisse a aplicação retroativa do CPC04 para fins tributários, este ato não se aplica ao presente caso porque trata da impossibilidade de criação de “ágio gerado internamente” na avaliação de intangíveis pela própria empresa, que não é o caso dos autos, além do próprio CPC04 excepcionar expressamente sua aplicação no caso de ágio fundado em expectativa de rentabilidade futura; 5.32. as regras fiscais que prevêem a dedução fiscal do ágio pago na aquisição de investimentos em controladas ou coligadas não impõem a condição de pagamento de ágio em negociações com partes não relacionadas e, no presente caso o reconhecimento do ágio pela DSRB ocorreu no momento em que esta adquiriu quotas da Du Pont Brasil e da Pioneer Sementes como contribuição em aumento de capital, que foi feita pelo custo de aquisição efetivamente praticado na aquisição destas quotas; 5.33. a decisão proferida no processo CVM – RJ 2006/8282 (cópia às fls. 18.221 a 18.229), citada no Termo de Verificação Fiscal, no qual a empresa Wtorres Empreendimentos S/A foi obrigada a baixar o ágio contabilizado em seu ativo diferido Fl. 18837DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.838 9 resultante de uma operação de incorporação por ações (nesta não existe um evento claro de alienação, nem boletim de subscrição indicando que os acionistas da empresa cujas ações são incorporadas estejam pagando pelas ações emitidas pela incorporada, assemelhandose a pura troca de ações), não se aplica ao presente caso que trata de subscrição de capital por meio de conferência de ações, onde há pagamento pelas ações emitidas com participação societária; 5.34. as operações entre partes ligadas são válidas, conforme manifestação do antigo Conselho de Contribuintes, tendo sido respeitado o artigo 104 do Código Civil, já que todas as empresas envolvidas eram capazes funcionando normalmente em áreas distintas, conforme documentação já acostada aos autos e descrição contida nesta impugnação, o objeto do negócio jurídico (integralização de capital mediante entrega de quotas) era absolutamente lícito, possível e determinado e adotouse a forma prevista em lei; 5.35. a aquisição de participação ensejadora de ágio amortizável para fins fiscais, prevista nos artigos 385 e 386 do RIR/1999, não se refere apenas às hipóteses de compra e venda com pagamento do preço em dinheiro ou permuta de ativos, como equivocadamente entendem as autoridades fiscais, já que o intérprete não pode distinguir onde a lei não distingue, e a equiparação de integralização de capital com bens e/ou direitos à alienação de bens e/ou direitos é claramente identificada na legislação tributária nacional, nas normas societárias e contábeis, nas soluções de consulta da Secretaria da Receita Federal do Brasil e na jurisprudência dos tribunais judiciais e administrativos; 5.36. inexiste na legislação tributária dispositivo que afaste a aplicação dos artigos 385 e 386 do RIR/1999 em operações entre empresas relacionadas; 5.37. a legislação fiscal, quando objetiva restringir sua aplicação a determinadas pessoas jurídicas, o faz expressamente como nas normas relativas à distribuição disfarçada de lucros e aos preços de transferência; 5.38. o acórdão do antigo Conselho de Contribuintes, que permite a dedução de ágio ainda que a aquisição se processe junto à empresa ligada ao adquirente, apesar de ser de 1992, tem fundamento no artigo 20 do Decreto nº 1.598/1977 (base legal do artigo 385 do RIR/1999) que mantém exatamente a mesma redação desde sua publicação; 5.39. os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, base legal do artigo 386 do RIR/1999 e que são válidos, vigentes e eficazes, permitem que as operações intragrupo sejam realizadas a valores de mercado para fins fiscais; 5.40. improcede o argumento das autoridades fiscais de que o ágio apurado em operações entre partes relacionadas não pode ser aceito em virtude de subjetividade na avaliação do valor econômico, já que o ágio registrado em 2005 pela impugnante e que foi fundamentado em previsão de rentabilidade futura, foi documentado em extenso estudo realizado por empresa idônea com credibilidade reconhecida pelo mercado (Ernst & Young, uma das maiores empresas de auditoria e consultoria do mundo), conforme documento de fls. 18232 a 18284, estudo este realizado com base na elaboração de um fluxo de caixa descontado (método mundialmente aceito para se obter o valor econômico de uma empresa, de acordo com sua expectativa de geração de caixa no futuro), tendo sido, desta forma, obedecido, de forma séria e objetiva, o § 3º do artigo 385 do RIR/1999; 5.41. a alegação fiscal de que as operações realizadas não teriam propósito negocial está completamente equivocada, pois foi necessário trocar o modelo obsoleto, Fl. 18838DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.839 10 anterior à reestruturação societária (administrações centralizadas em cada ramo de atuação, conforme notícias veiculadas na imprensa – documentos de fls. 18285 a 18300), por um novo modelo denominado “One DuPont” (documento de fls. 18301 a 18317), segundo o qual as unidades de negócio teriam melhor desempenho unidas, o que no Brasil foi realizado com a combinação de todas as empresas do grupo na Du Pont do Brasil; 5.42. o procedimento de reorganização societária teve, dentre outros objetivos, a criação de uma empresa acionista estrangeira, a DP Holdco III, para compor com os interesses do grupo Du Pont e da divisão representada pela Pioneer, cuja aquisição retratara a compra da maior empresa de sementes de milho no mundo pela maior empresa mundial de produtos químicos, como se verifica nas notícias veiculadas na ocasião (fls. 18318 a 18321) e que representou significativo crescimento para ambas empresas, conforme estudos elaborados pela impugnante a respeito do crescimento na venda de soja e milho (documentos de fls. 18322 e 18323); 5.43. a reestruturação trouxe diversos benefícios, tais como: otimização de recursos mediante a centralização de atividades administrativas, simplificação de processos (por exemplo, controle de estoques e materiais), melhores condições de negociação com fornecedores devido à maior escala de operações, melhor controle do Departamento de Tesouraria, melhor gerenciamento dos recursos humanos (maior aproveitamento nas transferências de empregados entre as unidades, centralização da Folha de Pagamento e padronização de benefícios), uniformização dos controles internos para facilitar o cumprimento das exigências estabelecidas pela lei americana “Sarbanes Oxley” e aproveitamento dos registros pertencentes à extinta sociedade Pioneer perante a CTNBio; 5.44. o fato de o grupo Du Pont ter adotado uma série de operações intermediárias para atingir a consolidação final das empresas não altera a absoluta validade e legalidade dos efeitos gerados na reorganização societária, pois todos os passos adotados foram compatíveis e estritamente relacionados ao objetivo final das operações; 5.45. a justificativa de que a impugnante efetuou as operações com o único fim de auferir benefícios fiscais é incorreta, pois, ao decidir unificar as empresas em uma só entidade para reduzir os custos envolvidos em seu gerenciamento, produção e distribuição de caixa, optou por perder prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas acumulados das empresas incorporadas da ordem de 331,5 milhões de reais; 5.46. a título demonstrativo, junta cópia do recibo de entrega da DIPJ ano calendário 2005 da empresa Du Pont Performance Coatings S/A e de sua ficha 56 A que contém o saldo de base de cálculo negativa de CSLL (fls. 236 a 238); 5.47. “não obstante isso, no momento em que se constatou que poderia haver discussão com relação à posição adotada, a Fiscalizada ajuizou o Mandado de Segurança nº 2005.33.00.0185860 perante a Justiça Federal de Salvador (BA), no qual efetuou o depósito judicial referente ao Imposto de Renda sobre Ganho de Capital supostamente devido na operação para evitar qualquer cobrança, no valor de R$176.156.620,82 (...), demonstrando que a Fiscalizada agiu de forma conservadora”; 5.48. da mesma forma que as operações realizadas em 2005 e pelos mesmos argumentos, as operações societárias ocorridas em 2001 (Projeto Pioneer Hi – Bread) foram lícitas, às quais podem ser aplicadas os artigos 385 e 386 do RIR/1999, sendo contraditório e obscuro o entendimento das autoridades autuantes de que as operações de 2001, apesar de terem ocorrido com desembolso de dinheiro para aquisição da participação societária Fl. 18839DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.840 11 (movimentação financeira que importou o ágio verificado pela Pioneer Sementes conforme extrato bancário de fl. 18328), não podem ter suas conseqüências tributárias aceitas; 5.49. as operações de 2001, apesar de terem ocorrido entre partes ligadas, também são válidas, tendo sido respeitado o artigo 104 do Código Civil, já que todas as empresas envolvidas (Pioneer Sementes, Hold On Brasil S/A, Jukybox Brasil Ltda. e Imediata Brasil Ltda.) eram capazes, o objeto do negócio jurídico (integralização de capital mediante entrega de quotas) era absolutamente lícito, possível e determinado e adotouse a forma prevista em lei; 5.50. o valor de mercado das quotas da Pioneer foi determinado de forma objetiva, improcedendo o argumento das autoridades fiscais de subjetividade no valor econômico atribuído, já que o ágio registrado em 2001 foi documentado em extenso estudo realizado pela Ernst & Young, conforme documento de fls. 18330 a 18391, estudo este realizado com base na elaboração de um fluxo de caixa descontado, método mundialmente aceito para se obter o valor econômico de uma empresa, de acordo com sua expectativa de geração de caixa no futuro; 5.51. a reestruturação societária ocorrida em 2001, estudada desde 1999 quando a Du Pont adquiriu quotas da Pioneer Sementes, teve com objetivo integrar as empresas, aproveitar a sinergia existente entre elas, aumentar a produtividade, reduzir os custos, controlar melhor o caixa, otimizar a capacidade funcional e financeira, racionalizar a estrutura de capital e permitir a utilização de excessos de caixa de maneira mais eficiente, não havendo que se falar em ausência de propósito negocial; 5.52. esta reestruturação foi realizada por meio de holding espanhola, maneira eficiente de investir os dividendos percebidos no Brasil, para que estes fossem investidos em outros países, propiciando um crescimento geral do grupo; 5.53. sendo dedutíveis para fins de apuração do lucro real, nos termos dos artigos 385 e 386 do RIR/1999, as parcelas de amortização do ágio também são dedutíveis para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, conforme artigo 57 da Lei nº 8.981/1995 e processo de consulta citado; 5.54. as autoridades fiscais consideraram um saldo de prejuízos fiscais apurados antes de 2005 no montante de R$410.103.610,93, mas, segundo seus cálculos, o saldo é de R$427.931.664,25, sendo que a diferença (R$17.828.053,32) referese a montante exigido em auto de infração (cópias às fls. 18392 a 18405), que se encontra com a exigibilidade suspensa nos moldes do artigo 151, inciso III, do CTN (cópia da impugnação ainda pendente de julgamento às fls. 18407 a 18459), motivo pelo qual requer que, no caso de improcedência daquele auto de infração, seja considerado no presente processo o saldo de prejuízo fiscal corretamente apurado pela impugnante; 5.55. a multa agravada de 150% é inaplicável no presente caso, pois não houve fraude, simulação, conluio, atos contrários à legislação vigente ou que ocultem a ocorrência dos fatos geradores ou de algum de seus elementos, cujo ônus de prova é das autoridades autuantes, mas operações societárias claras que não esconderam a vontade real de formar um único grupo no Brasil, e a legislação, doutrina e jurisprudência, exigem a prova indubitável (e não presumida ou duvidosa) da ocorrência de ato fraudulento; 5.56. reorganizações societárias realizadas em estrita observância da legislação tributária muitos anos antes da alteração da interpretação das autoridades fiscais Fl. 18840DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.841 12 e julgadoras sobre a matéria, como demonstram trechos de acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes transcritos, e com características totalmente distintas dos planejamentos tributários abusivos já analisados pelo CARF não podem ser tachadas de fraudulentas e ensejar qualificação da multa de ofício; 5.57. como não se está diante de aplicação inequívoca de multa agravada, cabe a aplicação do artigo 112 do Código Tributário Nacional, devendose, desta forma, interpretar o artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 de maneira mais favorável ao acusado, o que levaria à aplicação da multa de ofício de 75%; 5.58. o artigo 61, caput e § 3º, apesar de ser citado no Parecer Cosit nº 28, de 02 de abril de 1998, que sustenta a incidência de juros sobre multas de ofício, na verdade determina expressamente que apenas os débitos decorrentes de tributos e contribuições estão sujeitos aos juros de mora, não abarcando as multas, conforme entendimento pacificado do CARF; e 5.59. o entendimento do Fisco somente é válido nos casos em que a multa aplicada corresponde ao valor principal do débito, nos termos do artigo 43 da Lei nº 9.430/1996, como os de descumprimento de obrigação acessória”. Após análise das razões de impugnação, DRJSP1 decidiu pela sua improcedência e manteve o crédito tributário, como denota a ementa do julgado transcrita a seguir: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO DATA DO FATO GERADOR: 31/12/2005, 31/12/2006, 31/12/2007, 31/12/2008, 31/12/2009, 31/12/2010 FATOS PASSADOS. DECADÊNCIA. REPERCUSSÃO EM EXERCÍCIOS FUTUROS. FISCALIZAÇÃO. POSSIBILIDADE. ESCRITURAÇÃO. DOCUMENTOS. GUARDA. PRAZO. O contribuinte está sujeito à fiscalização de fatos ocorridos em períodos passados, ainda que esteja decaído o direito de lançar crédito tributário, relativo ao período em que ocorreram estes fatos, quando eles repercutam em períodos futuros ainda não decaídos, devendo conservar os documentos relativos aos fatos passados, até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos aos exercícios futuros. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. LEGALIDADE. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FRAUDE. MULTA. 150%. Fl. 18841DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.842 13 Em lançamento de ofício é devida multa qualificada de 150% calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago ou recolhido quando demonstrada ação ou omissão fraudulenta do contribuinte. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ DATA DO FATO GERADOR: 31/12/2005, 31/12/2006, 31/12/2007, 31/12/2008, 31/12/2009, 31/12/2010 PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. AQUISIÇÃO ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO. ÁGIO. AMORTIZAÇÃO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. O registro do custo de aquisição de participação em empresa pertencente ao mesmo grupo econômico deve ser feito pelo valor do patrimônio líquido, sendo vedada a amortização fiscal de ágio, ainda que tenha sido registrado com base em rentabilidade futura de acordo com estudo elaborado por empresa especializada e que tenha ocorrido incorporação nos termos dos artigos 385 e 386 do Regulamento do Imposto de Renda, porque entre empresas ligadas desde antes do início das operações societárias falta a necessária independência entre as partes envolvidas caracterizadora de uma operação de mercado apta a gerar valor de mercado e ágio. A vedação fiscal para amortização de ágio registrado nestas condições é mais explícita quando a empresa incorporadora amortiza “ágio de si mesma”, em aquisição em que não houve pagamento ou em que o pagamento foi imediatamente devolvido e ocorrida entre empresas cujas únicas atividades de sua efêmera existência foi participarem das operações que formalizaram o ágio. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DATA DO FATO GERADOR: 31/12/2005, 31/12/2006, 31/12/2007, 31/12/2008, 31/12/2009, 31/12/2010 LANÇAMENTO DECORRENTE. O decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ, implica o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), também se aplica a este lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Notificado da decisão de 1ª instância o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: Fl. 18842DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.843 14 OPERAÇÕES DO ANOCALENDÁRIO 2005 Antes de qualquer outra análise, a Recorrente afirma que anteriormente à economia fiscal resultante do ágio registrado, o principal objetivo da Recorrente foi efetivamente otimizar as operações e tornálas mais simples e eficientes, de forma que o grupo aprovou a reunião de todas as empresas brasileiras em apenas uma, denominada Du Pont do Brasil, ora Recorrente. Na época da incorporação das empresas, o grupo entendeu ser esta a melhor maneira de se ter uma administração central e mais eficiente, além de sinergia operacional entre as empresas. Em seguida, demonstra seu propósito negocial descrevendo o histórico das operações de reestruturação societárias ocorridas no anocalendário 2005, através dos seguintes organogramas: Fl. 18843DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.844 15 Fl. 18844DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.845 16 Fl. 18845DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.846 17 Fl. 18846DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.847 18 Aduz que a diferença entre as estruturas societária final e inicial do grupo são elementos necessários a evidenciar o claro propósito negocial das operações realizadas; A d.d autoridade julgadora, portanto, claramente equivocouse ao tentar atribuir à contribuição de capital efetuada para a DSRB a razão para existência de ágio na operação. Como demonstrado, o ágio existe em virtude do custo de aquisição incorrido pela Du Pont Spain e em virtude da contribuição dos investimentos adquiridos para a Griffin, sendo que a DSRB não é um instrumento de criação artificial de ágio, como pretende fazer crer a r. decisão recorrida. Fl. 18847DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.848 19 O fato de a operação ser praticada por empresas do mesmo grupo econômico não descaracteriza o ágio, até porque todas as empresas envolvidas na operação no Brasil atuavam em áreas distintas; A Recorrente observou fielmente a legislação fiscal no reconhecimento do ágio contabilizado na DSRB quando do aumento de capital com participações detidas pela Griffin na Recorrente, não havendo qualquer fundamento válido para questionar tal procedimento fiscal; O desembolso de caixa não é (e nunca foi) um requisito para reconhecimento de ativos, ou melhor, não é a única forma em que se verifica a existência de um sacrifício. Neste âmbito o Princípio do Registro pelo Valor Original não estabelece que para haver “custo” é necessária a presença de caixa (ou saída de caixa) em determinada operação; Se a norma tributária autorizava o registro do ágio, pela Recorrente, não pode o intérprete pretender afastar o direito do contribuinte, com base em normas contábeis, infralegais e editadas muitos anos após a realização dos atos societários em questão; Finaliza este tópico com as seguintes conclusões: Fl. 18848DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.849 20 Fl. 18849DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.850 21 OPERAÇÕES DO ANOCALENDÁRIO 2001 A fiscalização tenta tratar como única, duas operações de reestruturação societárias distintas, ocorridas em períodos diferentes e envolvendo montantes distintos. A reestruturação em 2001 foi realizada com base na concentração de investimentos em uma holding na Espanha, decorrentes tanto do Brasil, quanto da Argentina e Chile, indicando, assim, o seu caráter global; O ágio decorrente das operações societárias (incorporação da Hold On, Imediata e Jukybox pela Pioneer – Projeto Pioneer) realizadas em 29 de junho de 2001, com fundamento no artigo 386 do RIR/1999, que passou a ser amortizado pela impugnante após a incorporação, em 31 de outubro de 2005, da Pioneer pela Du Pont do Brasil S/A, e que já havia sido submetido ao crivo das autoridades fiscais (tanto o registro do ágio como seus efeitos fiscais de dedução) desde a entrega da DIPJ relativa ao anocalendário 2001, somente poderia ter sido validamente questionado pelo Fisco até 29 de junho de 2006, não podendo prevalecer, por falta de comprovação, o entendimento fiscal de que teria ocorrido fraude, o que ensejaria a aplicação do termo inicial do prazo decadencial previsto no artigo 173, inciso I, do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado); O mesmo raciocínio deve ser aplicado ao ágio registrado em 30 de novembro de 2005 (Projeto Bandeirantes), pois este ágio foi submetido ao crivo das autoridades fiscais em 2005 (tanto seu registro em virtude da incorporação como sua amortização) e somente poderia ter sido validamente questionado pelo Fisco até 30 de novembro de 2010, já que não há comprovação da suposta ocorrência de fraude, restando evidente que se deve aplicar o artigo 150, § 4º, do CTN (termo inicial do prazo decadencial na data de ocorrência do fato gerador); O momento da formação do ágio, que se dá através da composição do custo de aquisição da participação societária, não pode confundirse com o momento da sua efetiva Fl. 18850DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.851 22 amortização. Não se pode questionar a legalidade dos fatos ocorridos naquele primeiro momento, depois de decorridos cinco anos entre os atos que propiciaram o surgimento do ágio em 2001 e a lavratura do auto de infração (2011); A DRJ valeuse de mera presunção para determinar a ocorrência de fraude nos presentes autos, o que não pode jamais legitimar a aplicação da multa agravada. Afirma que o próprio decisum recorrido reconhece a legalidade dos atos societários, mas que contraditoriamente os reputa ilegais; A mera escolha de uma forma jurídica mais favorável ao contribuinte não pode ser considerada como presunção da ocorrência de fraude. Isso porque, existindo duas ou mais formas legítimas de fazer o mesmo negócio jurídico, podem as partes optar por uma delas, sem que, contudo, tal escolha seja fraudulenta. Caso se entenda pela indedutibilidade das amortizações do ágio, devese reconhecer que a Recorrente agiu de boafé, sendo incabível a aplicação de penalidades, nos termos do artigo 76, inciso II, alínea “a” da Lei 4.502/64; Devese atribuir o mesmo tratamento fiscal para a CSLL, não havendo qualquer previsão legal vedando referida dedução; Apuração equivocada do Saldo de Prejuízo Fiscal e de Base Negativa de CSLL apurados no processo administrativo mº 16561.000045/200662; Impossibilidade de juros de mora sobre a multa de ofício imposta à Recorrente. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional apresentou Memoriais às fls. 18.638/18.692. O Recorrente apresentou um relatório de análise de índices financeiros e de despesas pré e pós incorporação às fls. 18.694/18.700, e, posteriormente, anexou Pareceres elaborados pelos Professores Eliseu Martins e Eurico Marcos Diniz de Santi, em resposta à consulta formulada pela empresa (fls. 18.700/18.797). Diante da gama de documentos anexadas aos autos pelo contribuinte após a apresentação de Memoriais pela PFN, este relator determinou a remessa dos autos à Procuradoria para pronunciamento sobre a referida documentação, em atenção aos princípios da verdade material, contraditório e ampla defesa. Em resposta, a Procuradoria da Fazenda Nacional requereu o desentranhamento dos documentos juntados ao processo de modo intempestivo; ou caso assim não seja entendido, requer a remessa dos autos à instância inferior para novo julgamento, preservandose o devido processo legal. É o relatório. Fl. 18851DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.852 23 Voto Vencido Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. De acordo com o extrato do processo (fl. 1860) a Recorrente teve ciência da decisão de 1º grau em 12/05/2012, e apresentou Recurso Voluntário em 11/06/2102. Portanto, configurada a tempestividade do recurso, dele conheço. Inicialmente, cumpre analisar os pedidos feitos pela PFN na petição de fls. 18.818/18.819, são estes: (i) o desentranhamento dos documentos juntados ao processo após a impugnação; ou (ii) caso assim não seja entendido, requer a remessa dos autos à instância inferior para novo julgamento. Não assiste razão à Procuradoria, pois os documentos juntados após a impugnação do lançamento, a saber um relatório de análise de índices financeiros e de despesas pré e pós incorporação às fls. 18.694/18.700, além do Pareceres Técnico Contábil do Professor Eliseu Martins e Parecer do Professor Eurico Marcos Diniz de Santi, ambos elaborados especificamente para o caso, apenas robustecem e incrementam aos documentos e argumentos anteriormente apresentados. Ademais, em processo administrativo fiscal devese primar pela busca da verdade material, sempre objetivando a verificação da ocorrência do fato gerador tributário. Nesse sentido, colhese jurisprudência deste Conselho: CERCEAMENTO DE DEFESA. DOCUMENTOS JUNTADOS AOS AUTOS DEPOIS DA APRESENTAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. O art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/72 contém a regra geral acerca do momento para apresentação das provas pelo contribuinte no processo administrativo fiscal. A produção em momento posterior não impede o julgador de conhecêlas, diante das peculiaridades do caso e das provas apresentadas. Corolário dos princípios da instrumentalidade processual e da busca da verdade material. (Acórdão n.º 2301004.769, Data da Sessão: 13/07/2016) RECURSO VOLUNTÁRIO. PRELIMINAR. NULIDADE. VERDADE REAL E VERDADE FORMAL. A não apreciação de documentos juntados aos autos depois da impugnação tempestiva e antes da decisão fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, tendo em vista que o objetivo é verificar a legalidade da tributação, ocorrência do fato gerador e Fl. 18852DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.853 24 consequente surgimento da obrigação. (Acórdão n.º 2401 004.699, Data da Sessão: 03/04/2017) Sendo assim, tendo em vista que, in casu, os documentos apenas conferem força aos argumentos anteriormente apresentados, consequentemente colaborando para o convencimento deste Conselho quanto à ocorrência do fato gerador tributário, não há razão para proceder seu desentranhamento destes autos. Ademais, a juntada de documentos nesta fase processual, sem que tenha sido demonstrada a adequação a nenhuma das hipóteses previstas no art. 16, do DecretoLei n.º 70.235/72, configurase uma faculdade da recorrente não havendo que se falar em prejuízo do mesmo devido a supressão de uma instância de julgamento, razão porque os autos não devem ser remetidos à instância inferior para julgamento. Portanto, nego provimento aos pedidos feitos pela PFN na petição de fls. 18.818/18.819. Da Decadência A recorrente pleiteia o cancelamento da parcela da autuação fiscal correspondente ao ágio registrado no anocalendário 2001, após o reconhecimento de sua decadência. No tópico de seu recurso destinado à decadência, a recorrente distingue dois momentos para esclarecer seu ponto: (i) o momento da formação do ágio, que se dá através da composição do custo de aquisição da participação societária e (ii) o momento da sua efetiva amortização. Adiante, afirma que não se poderia questionar a legalidade do ato ocorrido naquele primeiro momento, com base em seus efeitos, que se situam no segundo momento, como pretende a fiscalização. Em suas palavras, afirma que “não se pode questionar a legalidade dos atos que originaram o direito ao aproveitamento de ágio no presente caso, na medida em que transcorreu o prazo decadencial de cinco anos entre os fatos que propiciaram o surgimento do ágio em 2001 e a lavratura do auto de infração em questão (setembro/2011)”. Pretende o autor, que a contagem do prazo decadencial tenha início na data da incorporação das empresas Hold On, Imediata e a Jukybox pela Pioneer, em 29/06/2001, este, o fato gerador da interpretação da norma tributária de reconhecimento do ágio feito pela contribuinte. No entanto, a esse respeito, o art. 37 da Lei nº 9.430/96 assim estabelece: “Art. 37. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios.” Logo, a jurisprudência pacífica do CARF converge no sentido de que “se a lei determina que o sujeito passivo deva guardar documentos referentes a negócios jurídicos que venham produzir efeitos fiscais futuros, há de se concluir, necessariamente, que essa lei dá ao fisco o direito de examinálos. Pois não haveria razão de a lei tributária exigir que o sujeito passivo guardasse documentos se não fosse para ficarem à disposição de eventual exame pela autoridade tributária. E se a lei confere ao fisco o direito de examinar aqueles documentos, é Fl. 18853DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.854 25 porque também lhe dá o direito de vir a questionar os negócios jurídicos ali registrados, desde que para constituir créditos tributários relativos a fatos geradores ocorridos em períodos posteriores, ainda não alcançados pela decadência, nos termos do art. 150, § 4º, e do art. 173, I, ambos do CTN.” (Acórdão: 9101002.387, Número do Processo: 10970.720271/201211, Data de Publicação: 14/09/2016, Contribuinte: METALSIDER LTDA, Relator(a): LUIS FLAVIO NETO) Dessa forma, rejeito a preliminar de decadência. Do Mérito Considerações iniciais O ponto de partida para as discussões sobre reconhecimento de ágio, deve ser a análise dos dispositivos legais aplicáveis. De outra forma não poderia ser, haja vista estarmos frente ao Direito Tributário Brasileiro que, por sua estrita vinculação à lei, fez supor que mais do que atinência ao princípio da legalidade, o Direito Tributário deve observância ao princípio da tipicidade cerrada. Pois bem, em relação ao ágio pago na aquisição de participação societária, há que se observar o disposto nos artigos 385, 386 e 391 do RIR/99, in verbis: “Desdobramento do Custo de Aquisição Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II – ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I – valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II – valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; Fl. 18854DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.855 26 III – fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º). Tratamento Tributário do Ágio ou Deságio nos Casos de Incorporação, Fusão ou Cisão Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): I – deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do § 2º do artigo anterior, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II – deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso III do § 2º do artigo anterior, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III – poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (...) Amortização do Ágio ou Deságio Art. 391. As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o art. 385 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no art. 426 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 25, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso III). Parágrafo único. Concomitantemente com a amortização, na escrituração comercial, do ágio ou deságio a que se refere este artigo, será mantido controle, no LALUR, para Fl. 18855DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.856 27 efeito de determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento (art. 426)”. Primeiramente, é importante traçar um paralelo entre o conceito jurídico tributário de ágio e o conceito contabilmente aceito para definição do ágio. Isto porque, de fato, existia diferença entre o conceito de ágio construído pelo art. 385 do RIR/99 (que reproduz a disposição do art. 20 do DecretoLei 1.598/1977), e aquele pretendido pela contabilidade, cuja a decisão da DRJ/SP1 pretende adotar. Vejamos: Segundo Eliseu Martins e Sérgio Iudícibus, a Teoria Contábil sempre conceituou o ágio como a diferença entre o preço dos ativos da empresa, isoladamente considerados, e o valor de mercado da companhia, como entidade única em operação. Porém, André Mendes Moreira (RDDT nº 228) explica que o conceito jurídico de ágio, no Brasil, distanciouse desta tradição. O art. 248 da Lei n.º 6.404/1976 havia determinado que a avaliação dos investimentos relevantes em sociedades coligadas, cuja administração a investidora tivesse influência, ou de que participasse com 20% ou mais do capital social, ou em sociedades controladas, seria realizada pelo valor de patrimônio líquido (diferença contábil entre o valor dos ativos e dos passivos empresariais). Sendo assim, cuidou o DecretoLei n.º 1.598/1977 de determinar, em seu art. 20 (redação reproduzida no art. 385 do RIR/99) que, em sendo o caso de avaliação do investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor do patrimônio líquido, deveria o adquirente da participação societária desdobrar o custo desta aquisição em duas classificações: 1) valor do patrimônio líquido na época da aquisição; e 2) ágio ou deságio, que é a diferença entre o custo da aquisição do investimento e o valor do patrimônio líquido, apurado pelo método da equivalência patrimonial. Tendo definido o valor de referência sobre o qual seria calculado o ágio, o legislador decidiu também delimitar os fundamentos econômicos possíveis para o lançamento do ágio, os quais, na conformidade do art. 385, § 2º do RIR/99 são eles: (i) o valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; (ii) valor da rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; e (iii) os fundos de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Assim, possuindo ao menos um desses fundamentos econômicos, o ágio já estaria apto a ser lançado na contabilidade da empresa. A lógica formalista adotada pelo legislador determinou que o preenchimento de requisitos formais bastaria para a existência do ágio. Feitas essas considerações preliminares, voltemos ao caso. Do propósito negocial das operações societárias em 2005 e 2001 A tese da Fazenda Nacional para desqualificar o registro e amortização do ágio nas situações aqui analisadas reside em dois pilares: a ausência de propósito negocial das operações societárias, e a falta de substrato econômico dos ágios amortizados. Fl. 18856DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.857 28 Quanto à ausência de propósito negocial no anocalendário de 2005, identificada nos Memoriais Finais como Infração 1, a PGFN apura a alegação da recorrente de que todas as operações societárias teriam o propósito de concentração dos negócios na Du Pont do Brasil S.A, haja vista a sinalização internacional veiculada no programa One Dupont. Em face disso, a PGFN afirma que ao analisar individualmente as operações, resta evidenciado que o resultado conjunto das duas operações não fora a simples unificação das atividades das empresas brasileiras (DSRB, Pioneer, Griffin e outras) com as da Du Pont do Brasil S.A. Tal reunião empresarial poderia ter sido alcançada desde o início somente com a incorporação de uma sociedade pela outra, tal como foi feito por meio da segunda operação. Afirmou ainda, que essa operação empresarial visou apenas à criação de um ágio fictício. A Procuradoria aduz ter a Recorrente incorrido em contradição quando afirma o seguinte (fls. 22 do Recurso Voluntário): “Com efeito, é claro que o mesmo objetivo de consolidação poderia ter sido atingido através de uma incorporação de todas as empresas de forma desordenada e lateralmente. Entretanto, em uma incorporação lateral, a situação patrimonial dos sócios estrangeiros seria diferente daquela obtida na reestruturação implementada pelo Grupo. Na reestruturação implementada, todos os investimentos foram consolidados em uma única empresa no Brasil (a Griffin) antes de serem incorporados, consolidação esta que refletiu os custos de aquisição atualizados e incorridos pela Du Pont Spain na reestruturação anterior ocorrida no exterior. Assim, as contribuições dos investimentos para a Griffin pelos custos de aquisição da Du Pont Spain atingiu um objetivo importante do processo como um todo, qual seja, diluir a participação dos demais sócios localizados nas Ilhas Cayman e nos Estados Unidos, concentrando na Espanha o investimento na empresa resultante de todas as incorporações. Contudo, em uma incorporação lateral, sem o reconhecimento dos valores atualizados de custo de aquisição incorridos pela Du Pont Spain, haveria diferentes alocações de participação entre os sócios das várias empresas envolvidas na empresa resultante da incorporação.” A PGFN afirma que a consolidação do Grupo poderia ser atingida diretamente, de forma a concluir que o aumento de capital da DSRB pela Griffin, utilizandose de participação na Du Pont do Brasil S.A e na Pioneer, excede o propósito negocial da unificação, constituindo mero propósito Fiscal sem suporte fáticonegocial. Assevera que a justificativa de “diluir” a participação de sócios localizados nas Ilhas Cayman e nos Estados Unidos é intrinsecamente contraditória com os ditames unificação e preconizados pelo programa One Du Pont, bem como contraria a prova dos autos. Finaliza este tópico sustentando que um ágio criado exclusivamente para diluir a participação dos demais sócios não é hábil a gerar uma despesa dedutível nos termos do artigo 386 do RIR/99. Outrossim, a PGFN afirma que a DSRB foi utilizada como verdadeira “empresa veículo”, tendo em vista o curto lapso temporal (30 dias) entre a data da integralização de quotas da DSRB, com o acréscimo de ágio pela Griffin, utilizandose de Fl. 18857DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.858 29 participação na Du Pont do Brasil S.A (Contribuinte Recorrente) e na Pioneer, e a incorporação da mesma pela Du Pont do Brasil S.A. Com relação à Infração 2, ocorrida no anocalendário de 2001, a PGFN salienta que o propósito meramente fiscal é ainda mais nítido, justamente em razão do aspecto acima mencionado, ou seja, a utilização de empresas de curta duração, criadas apenas com propósitos de forjar artificialmente a contabilização do ágio. Isto é, as denominadas “empresas veículo”. Tal infração envolveu as empresas Hold On Brasil S.A; Jukybox Brasil Ltda; Imediata Brasil Ltda e Pioneer Sementes Ltda. Relata que as operações realizadas em 2001, em muito se aproximam das realizadas em 2005, também no tocante à ausência de propósito negocial e inexistência de independência entre as partes contratantes. Isso exposto, passo à análise. O julgamento quanto à existência de propósito negocial nas operações procedidas pelo recorrente pressupõe exigência de requisito diverso daquele expressamente previsto em lei para o registro do ágio. Com efeito, o intérprete da lei tributária está obrigatoriamente restrito ao campo da legalidade. Qualquer interpretação que fuja à “moldura” desenhada pela Lei, reputase inadmissível. A despeito disso, para a decisão recorrida, apesar de as operações de reestruturação societária estarem em conformidade com a Lei, a fiscalização reputa que estas deveriam ainda possuir algum propósito negocial que não fosse o meramente fiscal. A fiscalização, no que foi acompanhada pela autoridade julgadora, balizou as operações de reestruturação societária, basicamente, em três fatores: a possibilidade de o Grupo Du Pont ter procedido à reestruturação de forma diversa; a utilização das chamadas “empresas veículo”; e a inexistência de independência entre as partes contratantes. Evidenciando o argumento acima descrito, colaciono trecho do Acórdão de 1ª Instância, onde afirmase que o enquadramento dos fatos à lei, não é condição suficiente para sua adequação ao ordenamento jurídico: Ao longo do Acórdão mencionado, bem como dos Memoriais da PFN, fica expresso que a Fazenda Nacional reconhece que os atos estão de acordo com a legislação aplicável tanto ao registro, quanto à amortização do ágio. Sendo assim, surge a indagação: poderia o intérprete questionar a validade, ou mesmo a legalidade, da conduta em questão? No meu entendimento, a resposta só pode ser: não. Devese ter em mente que o sistema pressupõe uma coerência entre as normas jurídicas observadas com fundamento na norma hipotética fundamental. Para que uma norma seja considerada jurídica, e, portanto, seja incluída no ordenamento jurídico, esta deve guardar coerência com a norma que dá fundamento ao sistema. Se não houver a mencionada correspondência, nem se poderá dizer que a referida norma é jurídica. Fl. 18858DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.859 30 Com efeito, a norma que outorga validade ao sistema jurídico é a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, devendo toda norma que se pretenda ser jurídica guardar relação de pertinência com as hipóteses descritas na mesma. Uma vez que se verifique a inobservância de quaisquer dos preceitos constitucionais, a norma de qualquer natureza deve ser imediatamente expurgada do sistema. Assim, a norma vigente no ordenamento jurídico pressupõe tanto a obediência aos preceitos constitucionais, quanto a harmonização com as demais normas do sistema que, por sua vez, também devem obedecer às hipóteses constitucionais. Consequentemente, a obrigação tributária bem como a atividade do Fisco que a exige, devem sempre vir respaldadas pela Lei; caso contrário, o ato administrativo que objetive a cobrança do tributo será nulo. Olhando para a legislação em vigor à época do período fiscalizado, vêse que o artigo 20, caput, inciso II; e § 2º, alínea “b”, do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, não apenas possibilitava, mas obrigava que as pessoas jurídicas que detivessem investimentos em controladas e coligadas, ao realizar escrituração pelo MEP, que desdobrassem o custo destas (i) no valor do patrimônio líquido existente no momento da aquisição da respectiva empresa investida e (ii) no ágio ou deságio eventualmente suportado para a aludida aquisição. Cumulativamente, o artigo 7º da Lei 9.532/97, possibilitava o aproveitamento do ágio à fração de 1/60 ao mês, desde o momento em que o ágio escriturado pela investidora viesse a ser confrontado, em um mesmo acervo patrimonial, com os lucros advindos da empresa investida que justificaram o pagamento desse sobrepreço por expectativa de rentabilidade futura. No presente caso, com os documentos carreados aos autos, assim como pelo expresso reconhecimento da Fazenda Nacional quanto à adequação das operações procedidas e a disposição legal, resta ao aplicador do Direito, apenas, a tarefa de subsumir os fatos à norma, sendo irrelevantes quaisquer juízos de valor relativos à intenção com a qual o contribuinte incorreu na hipótese legal. Logo, se a lei não distingue sobre a forma pela qual se procedeu para obterse o ágio; não distinguiu quanto ao tempo decorrido entre a constituição dos atos societários de uma empresa e sua posterior incorporação; não dispôs sobre a necessidade de independência entre as partes vinculantes; e não distinguiu as operações societárias feitas com propósito negocial, ou não, não deverá o intérprete da norma proceder a esta distinção. Ives Gandra da Silva Martins, em Parecer constante da Revista Dialética de Direito Tributário nº 187, preleciona: “É elementar o princípio hermenêutico de que “ubi lex non distinguit, distinguere non debemus”, axioma que vem de priscas eras, inspirado no Direito Romano, pelo qual o intérprete não pode se transformar em legislador positivo. Sempre que o intérprete distinguir, onde a lei não distingue, estará criando hipótese legislativa não constante de lei e substituiuse ao legislador positivo, passando de exegeta a produtor de leis”. No sobredito parecer, o renomado Professor analisa o aproveitamento do ágio da integralização em caso deveras semelhante ao aqui julgado. Adiante, esclarece que: Fl. 18859DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.860 31 “...a interpretação econômica não foi recepcionada, quando promulgado o CTN. Os artigos 107 e 112 do CTN não admitem a imposição de tributos, sob a alegação de que “não haveria escopo econômico” na operação legalmente realizada pelo contribuinte à luz do direito privado. Ao contrário, impõe que a interpretação mais benéfica em favor do contribuinte (artigo 112 do CTN) e que a analogia só pode ser usada em favor dele; nunca contra o contribuinte, para exigir tributos (artigo 108, parágrafo 1º). É que a estrita legalidade não admite, de um lado, que uma operação legal possa ser desconsiderada por não ter o contribuinte demonstrado “escopo econômico” e, de outro, que, entre duas formas legais de atuar, ele seja obrigado a adotar aquela forma que implicar maior imposição. (...) A falta de “proposta negocial” não está consagrada em nenhum dispositivo da legislação tributária, não podendo ser confundida com “simulação”, que pressupõe operação escusa, escondida e não feita “às claras”, como ocorreu no caso da consulente.” Não obstante, sob a ótica da lógica ainda é possível infirmar a argumentação da Fazenda Nacional quanto à necessidade de propósito negocial nas sobreditas operações de reestruturação societária. Isto porque, a Lei do Terceiro Excluído (em latim, principium tertii exclusi ou tertium non datur) afirma que para qualquer proposição, ou esta proposição é verdadeira, ou sua negação é verdadeira. Desta forma, à título de exemplo, não seria possível a seguinte construção: se praticada a conduta A, então deve ser B; porém, se praticada a conduta A, psicologicamente motivada pelo propósito Z, então deve ser C. Impossível! O Direito Tributário deve se ater, exclusivamente, aos eventos ocorridos no mundo fático, posto que jungido à tipicidade cerrada. Não há espaço para a análise subjetiva das condutas. Devese ater ao disposto em lei. A análise da motivação subjetiva com a qual os contribuintes atuaram em conformidade com a lei tributária é uma afronta à segurança jurídica que as normas objetivam conferir. A norma jurídica tributária, por exemplo, está submetida aos princípios da estrita legalidade (apenas o que estiver plenamente desenhado na lei obriga), da tipicidade fechada (impõe que o legislador preveja, na maior medida do possível, os aspectos necessários à constituição do fato gerador) e o princípio da reserva da lei (vincula a imposição tributária à reserva de lei formal, entendida como aquela elaborada com participação precípua da representação popular). Para o debate em tela, reservome à análise do princípio da estrita legalidade que, em outras palavras, decorre do caráter de restrição imputados tanto à Administração quanto ao Administrado. Sobre o referido princípio Hely Lopes Meirelles (Direito Administrativo Brasileiro. 35ª ed. São Paulo: Malheiros, 2009, p. 41.) expressa: “A legalidade, como princípio de administração (CF, art. 37, caput), significa que o administrador público está, em toda a sua atividade funcional, sujeito aos mandamentos da lei e às exigências do bem comum, e deles não se pode afastar ou desviar, sob pena de praticar ato inválido e exporse a responsabilidade disciplinar, civil e criminal, conforme o caso. Fl. 18860DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.861 32 A eficácia de toda a atividade administrativa está condicionada ao atendimento da Lei e do Direito. É o que diz o inc. I do parágrafo único do art. 2º da Lei n. 9.784/99. Com isso, fica evidente que, além da atuação conforme à lei, a legalidade significa, igualmente, a observância dos princípios administrativos.” Como exposto, o princípio da estrita legalidade aplicado à Administração (Legalidade da administração), compreende a ideia de subordinação da Administração Pública às leis; sendo deferido à Administração, unicamente, o procedimento daquilo expressamente determinado em lei. Estando, o ato administrativo, estritamente aprisionado aos quadrantes da lei, não cabe à Administração adentrar na motivação do particular em proceder conforme os ditames legais. A alegação de “inexistência de propósito negocial” advém de construção jurisprudencial estrangeira que não encontra validade no nosso Ordenamento Jurídico, justamente por conflitar com uma gama de princípios, como o da estrita legalidade tributária, descrito acima, além de outros princípios como a liberdade de iniciativa e iniciativa privada, estes últimos provenientes da Ordem Econômica. Neste sentido, colaciono as seguintes ementas de Acórdãos deste Conselho: PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. PROPÓSITO NEGOCIAL. EMPRESA VEÍCULO. Os dispositivos legais concernentes ao registro e amortização do ágio fiscal não vedam que as operações societárias sejam realizadas, única e exclusivamente, com fins ao aproveitamento do ágio. Bem como, notase que tal regra não está presente em nenhum outro dispositivo legal de nosso sistema jurídico, seja nacional ou federal. Neste tom, registrase, nenhuma norma pátria veda que a realização de negócios tenha por finalidade a redução da carga tributária de forma lícita. É o que se observa no §3º, art. 2 o da Lei das SA, o qual dispõe que a companhia pode ter por objeto participar de outras sociedades (empresa veículo), também, como forma de beneficiarse de incentivos fiscais. Somese a tal assertiva o fato de que a contribuinte possuía motivação negocial, clara, posto que se encontrava impedida, por regras da ANEEL, de realizar a incorporação diretamente. Motivo pelo qual se valeu de uma empresa veículo. (Acórdão nº 1302001.978; Relatora: Talita Pimenta Felix; Data da Sessão: 14/09/2016) REQUISITOS PARA DEDUTIBILIDADE DO ÁGIO. EXISTÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. Ausente conduta tida como simulada, fraudulenta ou dolosa, a busca de eficiência fiscal em si não configura hipótese de perda do direito de dedução do ágio, ainda que tenha sido a única razão aparente da operação. Fl. 18861DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.862 33 A existência de outras razões de negócio que vão além do benefício fiscal, apenas ratifica a validade e eficácia da operação. UTILIZAÇÃO DE EMPRESAVEÍCULO. LEGALIDADE. MANUTENÇÃO DA DEDUTIBILIDADE DO ÁGIO. A utilização de empresaveículo que viabilize o aproveitamento do ágio, por si só, não desfigura a operação e invalida a dedução do ágio, se ausentes a simulação, dolo ou fraude. (Acórdão nº 1201001.507; Relator: Luis Fabiano Alves Penteado; Data da Sessão: 14/09/2016). As ementas acima são contundentes por afirmarem que a existência de propósito negocial seria apenas um “plus” para demonstrar a validade e lisura das operações societárias, não havendo fundamento legal para a referida exigência no âmbito da legalidade, nem cabendo à Administração realizar exigências diversas das previstas em lei. Neste sentido, é importante pontuar que a lei tributária assume seu atributo de imperatividade quando constatada a ocorrência do fato jurídico tributário, não tolerando outra conduta do sujeito passivo que não o adimplemento da obrigação tributária, sob pena de sanção punitiva. Por conseguinte, a imperatividade da lei tributária reside, justamente, no consequente de sua norma, ou seja, na obrigação do sujeito passivo em recolher um valor exprimível em moeda ao sujeito ativo da prestação. Esta obrigação decorre da verificação de um fato ocorrido em determinado local e tempo, e constituída por meio do lançamento tributário. Logo, se o atributo imperativo da lei tributária está em seu consequente, concluise que somente haverá fraude à referida lei, se seu comando (recolher tributo) for frustrado por quem incorra no fato jurídico tributário. Não existe, contudo, qualquer comando imperativo no antecedente da norma tributária obrigando o particular a incorrer no fato jurígeno tributário e/ou naquele fato mais oneroso, sendo ele livre para organizarse da forma que, licitamente, lhe oferte menor oneração. Acreditando ter demonstrado meu posicionamento, concluo afirmando que não é possível ao intérprete da lei adentrar o mérito do propósito negocial com que a operação foi realizada. A Administração tem sua atuação vinculada à Lei, e, uma vez que perceba a semelhança de uma ocorrência, no mundo dos fatos, de uma conduta prevista no ordenamento jurídico, é obrigada a subsumir os fatos à norma, encerrando aí, sua participação no processo de positivação. Do substrato econômico nas operações de reestruturação societária em 2005 e 2001 Delimitando, o tema efetivamente discutido neste item, temse que o litígio versa sobre a (i) possibilidade jurídica de registro dos ágios formados em operações intragrupo; e (ii) a consequente possibilidade jurídicotributária, para fins de apuração do IRPJ e CSLL, de amortização destes mesmos ágios. Fl. 18862DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.863 34 Ao longo de toda fundamentação do Acórdão, a DRJSP1 utiliza conceitos contábeis de ágio e de sua amortização, querendo fazer crer que a doutrina contábil é imbricada com a norma jurídica sendo, portanto, impossível dissociarse o conceito contábil e jurídico do ágio. Isto fica evidente das passagens colacionadas a seguir: Diante do excerto acima colacionado, fazse necessário reforçar a distinção entre os conceitos jurídico e contábil do ágio. Pois bem. O conceito de ágio criado pela legislação do imposto sobre a renda jamais guardou identidade com aquele oriundo da ciência contábil. Enquanto o ágio, para a Teoria Contábil, é a diferença entre o valor de aquisição da participação societária e o valor do patrimônio após a alocação da maisvalia dos ativos e do reconhecimento dos intangíveis ainda Fl. 18863DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.864 35 não registrados, para o DecretoLei nº 1.598/77 (conceito jurídico) o ágio era a singela diferença entre o valor pago e o patrimônio líquido a valor de custo. Aprofundo, embora do ponto de vista contábil, o ágio somente possa existir quando estiverem envolvidas partes independentes não relacionadas, sendo resultado de um processo de barganha negocial, raciocínio este adotado inclusive no Ofíciocircular CVM SNC/SEP nº 01/2007, não se pode dizer o mesmo com relação ao ‘ágio tributário’. Do ponto de vista tributário, o investidor deve, sempre, registrar um ágio que corresponderá, sempre, à diferença positiva entre o valor patrimonial e o preço pago pela participação societária. É dizer, na esteira do que apontam Roberto Quiroga Mosquera e Rodrigo de Freitas, que, diante do “repúdio ao ágio interno pela Ciência Contábil”, cumpre ao jurista ter em mente que “essa realidade existente para a Ciência Contábil não é automaticamente aplicável ao Direito” (Controvérsias jurídicocontábeis aproximações e distanciamentos, 2º vol., São Paulo, Dialética, 2011, p. 276). Previsto em lei o conceito de ágio, novamente, temse em conta que não cabe ao intérprete da lei realizar distinções não expressas naquela norma. Tal conceito, encontrase expressa e claramente disposto no art. 20 do Decretolei nº 1.598/1977, que dá fundamento ao art. 385 do RIR/99, inclusive fazendo menção ao desdobramento do custo de aquisição de investimentos em coligadas e controladas. No âmbito da legalidade, então, não havia nenhuma restrição ao aproveitamento do ágio em relação a operações efetuadas com partes relacionadas. Logo, ao admitir que o ágio possa ser amortizado apenas quando decorrente de operações entre partes independentes não relacionadas, o intérprete imiscuiuse na função de legislador positivo, distinguindo onde a Lei não distingue. Ademais, apenas com o advento da Lei nº 12.973/2014 surgiu, para o “mundo jurídico” a proibição de dedutibilidade do ágio interno, isto é, do ágio surgido em operações societárias realizadas entre partes dependentes. Este fato, no meu entendimento, apenas confirma que, sob a égide da legislação tributária anterior, não era proibida a amortização do ágio gerado dentro de um grupo econômico. Nesse aspecto, é importante ressaltar que a oposição ao ágio interno possui raízes fincadas na contabilidade. Isto porque, o ágio, conhecido como ‘o mais intangível dentre os intangíveis’, implica uma grande dificuldade de mensuração, e faz com que a teoria contábil apenas admita seu reconhecimento quando decorrente de uma negociação de mercado (“at arm’s lenght”). No entanto, como já amplamente demonstrado, o ‘ágio jurídico’ possui conceito próprio o qual, à época do período fiscalizado, era distinto do conceito do ‘ágio contábil’. Isto posto, mais uma vez, cabe a análise da legislação aplicável ao caso, ou seja, o DecretoLei 1.598/77 que disciplinava sobre o desdobramento do custo de aquisição das pessoas jurídicas que detinham investimentos em controladas e coligadas, bem como a Lei 9.532/97, que regulamenta a forma como se dava a amortização do ágio em operações de incorporação, fusão e cisão: Art. 20, DL 1.598/77: O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: Fl. 18864DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.865 36 I – valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II – ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. (...) § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: (...) b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; (...) Art. 7º, Lei 9.532/97: A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do Decreto Lei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (...) III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decreto lei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes a apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei n°9.718, de 1998) (...) Art. 8º, Lei 9.532/97: O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando; (...) b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária." Ora, a Lei nº 9.532/97 fez expressa referência ao ágio apurado de acordo com o DecretoLei nº 1.598/77 (conceito jurídico autônomo). Dada a existência de um conceito legal de ágio, não é possível a sua alteração em razão da superveniência de novas normas contábeis adotadas pela legislação contábil ou societária. É preciso respeitar a opção do legislador, que poderia ter realizado mera referência à legislação contábil que alterou o conceito contábil (reenvio), mas assim não o fez. Portanto, mesmo após as alterações da legislação societária, permaneceu em vigor um conceito de ágio específico para o Direito Tributário, absolutamente válido. Portanto, na legislação tributária aplicável vigente à época, denotase não haver qualquer distinção entre o ágio gerado entre partes independentes e aquele ocorrido Fl. 18865DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.866 37 dentro de um mesmo grupo econômico, o que autoriza a apuração de ágio nos casos de incorporações ocorridas antes da entrada em vigor da Lei 12.973/2014. Não obstante isso, em seus Memoriais, a PGFN aduziu que o ágio não poderia ser considerado porque nas operações que lhe ocasionaram não houve substrato econômico, isto é, não houve qualquer dispêndio de recurso. Assevera, que com a incorporação da Griffin (que integralizou o aumento) pela Du Pont do Brasil S.A., o investimento que deu origem ao ágio não refletiu nenhum gasto efetuado pela Griffin (adquirente do investimento) e/ou nenhum ganho auferido pela DSRB (alienante). Logo, o ágio ou deságio criado por meio de negócios sem fins econômicos e/ou onde não houve o efetivo dispêndio do preço de aquisição do investimento não deve dar ensejo a amortização de ágio. Aduz ainda, que a única transferência de riquezas é aquela que se dá do Estado, o qual concede um benefício indevido, para a Du Pont do Brasil S.A., que reduz sua tributação de forma simulada. Em síntese, entende substrato econômico como fluxo financeiro, ou, pagamento. Entretanto, a “aquisição” a que se refere o art. 20, inciso II, do DecretoLei n.º 1.598/77 não se limita ao pagamento de valores, o qual é uma espécie de assunção de custo, podendo a aquisição se dar, também pela subscrição de quotas e/ou ações de uma empresa em outra. Neste sentido, vale a transcrição de trechos do voto vencedor do Acórdão n.º 110100.701 (1ª Câmara/1ª Turma Ordinária), conforme segue: “Conforme se vê, o art. 385 do RIR11999, acima transcrito, define o que é ágio, regra o seu registro e é dele que se infere os pressupostos do ágio. Como se lê, o ágio é a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor patrimonial das ações adquiridas. Além disso, conforme a legislação tributária, para fins fiscais, o ágio surge na aquisição de quotas/ações por valor maior que o patrimonial. Tanto faz que a aquisição decorra de uma compra, ou decorra da aceitação que a subscrição seja feita por entrega de quotas/ações, recebidas por valor acima do valor patrimonial. A aquisição é gênero, do qual a compra ou a troca, por exemplo, são espécies. Por isso, se a integralização na empresa "C" é feita, pela entrega de quotas da empresa "B", por valor superior ao valor patrimonial das ações/quotas da empresa "B", a empresa "C" adquire essas ações/quotas do mesmo modo que as adquiriria se as estivesse comprando. Pretender dizer que só ocorre aquisição se houver a compra da participação é um grave equívoco, baseado em uma alteração arbitrária e sem fundamento do conceito de aquisição. Mais grave é o erro se pretender dizer que tal operação só seja considerada aquisição se "A" e "C" não forem do mesmo grupo econômico. Fl. 18866DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.867 38 (...) Pagamento é a contrapartida da compra e venda, uma das formas de aquisição da participação. Fundamento econômico do ágio é a razão de ser da mais valia sobre o valor patrimonial. O fato da operação ser entre empresas do grupo não altera a mais valia das ações negociadas. A legislação fiscal prevê as formas como este fundamento econômico pode ser expresso (valor de mercado, rentabilidade futura, e outras razões) e como deve ser determinado e documentado. No caso presente o fundamento econômico foi rentabilidade futura avaliada por laudo e esta hipótese está prevista na regra de tributação. Portanto, no caso concreto existe o fundamento econômico do ágio. Inclusive, é preciso destacar que a avaliação não foi questionada em nenhum momento pela fiscalização. De fato, apesar da fiscalização alegar a inexistência de fundamento econômico, ela o faz se referendo ausência de pagamento por terceiros, já que a aquisição foi por meio de aceitação das ações/quotas da investida como integralização de capital entre empresas do mesmo grupo. Assim, o Fisco duvida do fundamento econômico, por confundir fundamento econômico com pagamento de terceiro estranho ao grupo, e não faz qualquer esforço para infirmar o laudo que é o instrumento legal que garante o fundamento econômico nos termos exigidos pela legislação fiscal”. (grifos) Conforme a exposição acima transcrita, a “aquisição” presente no art. 385, II, do RIR/99, é gênero, do qual a compra ou a troca, por exemplo, são espécies. No caso, a subscrição de ações de uma empresa em outra é uma espécie, isto é, um meio pelo qual se pode adquirir uma empresa, seja por incorporação, cisão ou fusão. Com efeito, a subscrição de ações de uma empresa é perfeitamente possível em operações intragrupo, desde que o valor da maisvalia paga na aquisição esteja fundamentado possua um, dentre os três fundamentos econômicos discriminados no §2º, art. 20, do DL 1.598/77 (art. 385, RIR/99), são eles: I – valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II – valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III – fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Deste modo, presente qualquer dos fundamentos elencados no dispositivo, a operação caracterizase como onerosa, e o ágio é existente. Nesse sentido, cumpre esclarecer que o ágio registrado pela Recorrente teve fundamento na expectativa de rentabilidade futura do investimento adquirido conforme indica Relatório de Avaliação EconômicoFinanceira acostado à impugnação (Doc. 03 da Impugnação), e com relação a tal estudo, a fiscalização não contrapôs nenhum argumento. Fl. 18867DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.868 39 Portanto, in casu, observandose que houve registro de ágio com fundamento na expectativa de rentabilidade futura, deverá incidir a regra de amortização prevista no art. 386, III, do RIR/99. Por fim, a alegação de que a DSRB fora utilizada pela contribuinte como empresa veículo – tendo em vista o curto lapso temporal (30 dias) entre a data da integralização de quotas da DSRB, com acréscimo de ágio, pela Griffin, utilizandose de participação na Du Pont do Brasil S.A (Contribuinte Recorrente) e na Pioneer, e a incorporação da mesma pela Du Pont do Brasil S.A. – não se mostra suficiente ao convencimento de que a conduta da Recorrente fora fraudulenta, ou de que o ágio em tela seja inexistente. Quanto a isso, é importante ressaltar a inteligência dos arts. 7º e 8º da Lei 9.532/97 que de fato considera a possibilidade de operações de reestruturação societária objetivando a efetiva amortização do ágio apurado. Não há nestes, ou em quaisquer outros dispositivos legais, restrições quanto à forma empregada nas reorganizações, desde que, ressaltase, não haja fraude ou dissimulação. O CARF, inclusive, já considerou legítimo o direito de o contribuinte organizar seus negócios de forma mais eficiente em casos como o seguinte: “PIS. REGIME MONOFÁSICO. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. SIMULAÇÃO ABSOLUTA. DESCONSIDERAÇÃO DE ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS. ART. 116, P.U. DO CTN. UNIDADE ECONÔMICA. ART. 126, III, DO CTN. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não se configura simulação absoluta se a pessoa jurídica criada para exercer a atividade de revendedor atacadista efetivamente existe e exerce tal atividade, praticando atos válidos e eficazes que evidenciam a intenção negocial de atuar na fase de revenda dos produtos. A alteração na estrutura de um grupo econômico, separando em duas pessoas jurídicas diferentes as diferentes atividades de industrialização e de distribuição, não configura conduta abusiva nem a dissimulação prevista no art. 116, p.u. do CTN, nem autoriza o tratamento conjunto das duas empresas como se fosse uma só, a pretexto de configuração de unidade econômica, não se aplicando ao caso o art. 126, III, do CTN. (Acórdão nº3403002.519, 4ª Câmara/3ª Turma Ordinária. Sessão de 22 de outubro de 2013.)” “AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. USO DE EMPRESA VEÍCULO. Em regra, é legítima a dedutibilidade de despesas decorrentes de amortização de ágio efetivamente pago. A circunstância de a reorganização societária de tratam os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, ter sido realizado por Fl. 18868DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.869 40 meio de empresa veículo não prejudica o direito do contribuinte, ante o fato incontroverso de que dessa reorganização não surgiu novo ágio ou economia de tributos distinta daquela prevista em lei. (Acórdão 1102000.982 1° Câmara / 2° Turma Ordinária Sessão de 04/12/2013 Voto Vencedor Conselheiro José Evande Carvalho Araujo) A legislação apenas disciplina a forma como deve se dar a amortização do ágio anteriormente registrado (incorporação, fusão e cisão), contudo, não dispõe sobre as formas admitidas para os negócios jurídicos referidos, e nem cabe à Fiscalização condicionar tais formas. Portanto, tendo em conta a inexistência de norma legal a proibir a conduta adotada pelo contribuinte, aliado a inexistência de prática de conduta fraudulenta ou simulada, reputo válidas as operações societárias procedidas para segregação e amortização fiscal do ágio. Por fim, quanto ao auto de infração de CSLL decorrente da exigência principal, o decidido quanto ao IRPJ, deve ser aplicado à exigência reflexa. Conclusão Em vista do exposto, são improcedentes os argumentos da Fiscalização para proceder a glosa das despesas de amortização de ágio das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, razão porque manifestome pela PROCEDÊNCIA do recurso voluntário, e consequente cancelamento da cobrança, restando prejudicadas as demais questões aventadas pela recorrente. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 18869DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.870 41 Voto Vencedor Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator Designado Em que pese o bem fundamentado voto do relator, entendeu o colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao mérito principal da exigência, concernente na glosa de amortização de ágio levada à efeito pela fiscalização. Com efeito, alinheime à divergência suscitada durante o julgamento, pelos fundamentos que passo a expor. Da glosa de amortização do ágio A recorrente sustenta que as operações de reorganização societária realizadas tiveram motivação estritamente econômica e empresarial, trouxe diversos benefícios, tais como: otimização de recursos mediante a centralização de atividades administrativas, simplificação de processos, melhores condições de negociação com fornecedores devido à maior escala de operações, melhor controle do Departamento de Tesouraria, melhor gerenciamento dos recursos humanos etc. Aduz que o fato de o grupo Du Pont ter adotado uma série de operações intermediárias para atingir a consolidação final das empresas não altera a absoluta validade e legalidade dos efeitos gerados na reorganização societária, pois todos os passos adotados foram compatíveis e estritamente relacionados ao objetivo final das operações; Sem se imiscuir nas motivações empresariais da recorrente, é certo que as duas reestruturações realizadas prescindiam do componente de geração de ágio introduzido no negócio realizado internamente entre as empresas sob controle comum, com o evidente intuito de gerar a possibilidade de amortização como despesas, reduzindo o lucro a ser tributado. O acórdão recorrido descreveu as duas operações de reestruturação que deram origem aos ágios reconhecidos contabilmente pela recorrente, conforme os excertos colhidos no seu voto condutor, verbis: [...] 20. Esta afirmação, bem como a leitura do Termo de Verificação Fiscal e de toda a impugnação demonstram que não há divergência entre a fiscalização e a contribuinte quanto aos fatos, ocorridos em 2001 e 2005, formalmente documentados nos instrumentos colacionados aos autos. A impugnante admite que os ágios foram formados em operações entre empresas pertencentes/controladas pelo mesmo grupo econômico e não contesta os valores em si dos ágios, que foram deduzidos nas apurações das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL e que foram glosados pela fiscalização. Desta forma, o presente litígio cingese, em síntese, a dois pontos: a possibilidade (ou não) jurídicocontábil de registro dos ágios formados em operações intragrupo e a conseqüente possibilidade (ou impossibilidade) jurídicotributária, para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, de amortização destes mesmos ágios. De qualquer forma, cabe historiar, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal e confirmado na impugnação, as operações que geraram os ágios glosados pela fiscalização para adequada compreensão dos fatos. Fl. 18870DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.871 42 [...] 30. Em 18 de maio de 2001 (sextafeira) foi constituída por duas pessoas físicas a empresa Imediata Brasil Ltda., CNPJ 04.485.428/000122, com capital social de R$1.000,00 e com o objeto social composto por três atividades: comercialização de peças e acessórios em geral para computadores, prestação de serviços de consultoria e assessoria de qualquer natureza correlacionados à atividade anterior e participação em outras sociedades como sócia quotista ou acionista (fls. 7.169 a 7.177). Nesta mesma data foi constituída a empresa Jukybox Brasil Ltda., CNPJ 04.485.453/000106 pelas mesmas pessoas físicas (Carlos Alberto Marcicano, contador, CPF 001.695.22865 e Daisy Luque Bastos Vaiano, advogada, CPF 022.797.41822), com o mesmo capital social, com sede no mesmo edifício comercial no centro do município de São Paulo (Rua Dom José de Barros, 177) e com o mesmo objeto social (fls. 7.352 a 7.360). Dois dias úteis depois (22 de maio de 2001, terçafeira) foi constituída a empresa Hold On Brasil S.A, CNPJ 04.503.541/000193, tendo como subscritores do mesmo valor de capital social (R$1.000,00) e como primeiros diretores (presidente e vicepresidente) as mesmas pessoas físicas que constituíram as empresas Imediata e Jukybox (fls. 7.271 a 7.285). A Hold On foi constituída com a mesma sede da Jukybox (Rua Dom José de Barros, 177, 12º andar, sala/conjunto 1202, São Paulo, SP) e com objeto social “participar em outras sociedades como sócia, acionista ou quotista, ou em consórcios”. 31. Em 04 de junho de 2001 (onze dias úteis depois da constituição) ocorreu a Primeira Alteração dos Contratos Sociais das empresas Jukybox e Imediata, que passaram a possuir como sócias as empresas Pioneer HiBred Holding Spain e Pioneer Spain, L.L.C., a primeira com 999 quotas (correspondentes a R$999,00) e a segunda com 1 quota (correspondente a R$1,00) de cada uma das citadas empresas brasileiras (fls. 7.180 a 7.213 e 7361 a 7388). Estas empresas estrangeiras (a primeira com sede na Espanha e a segunda com sede nos Estados Unidos) são do grupo econômico da autuada, sendo controladas, direta e/ou indiretamente pela empresa americana E.I. Du Pont de Nemours (EID), conforme organogramas apresentados pela própria impugnante ao descrever as operações ocorridas em 2005 (fls. 18.095 a 18.098). 32. Nove dias úteis depois, em 18 de junho de 2001, Ata de Assembléia Geral Extraordinária realizada pela Hold On já demonstra que os acionistas desta sociedade passaram a ser a Imediata e a Pioneer Spain, L.L.C. (fls. 7.286 a 7.297). Portanto, neste momento, as três empresas recémcriadas (Imediata, Jukybox e Hold On), bem como empresa operativa e adquirida em 1999 (Pioneer), como afirmou a fiscalizada (item h de fl. 17.993) e reafirmou na impugnação (subitem 5.13 acima), pertenciam ao mesmo grupo empresarial. 33. No dia seguinte, em 19 de junho de 2001, houve a Segunda Alteração do Contrato Social da Imediata na qual se deliberou por unanimidade alterar o valor nominal de cada quota representativa do capital social de R$1,00 para R0,01, transferir 99 quotas, subscritas e não integralizadas, da sócia Pioneer Spain, L.L.C. para a sócia Pioneer HiBred Holding Spain e aumentar o capital subscrito de R$1.000,00 para R$13.198.328,22, com a integralização pelas empresas estrangeiras do montante de R$13.197.328,22, mediante a entrega das participações societárias que detinham na empresa brasileira Pioneer Sementes Ltda., CNPJ 87.082.814/000199, avaliada a valor contábil, conforme Laudo de Avaliação (fls. 7.214 a 7.223). Fl. 18871DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.872 43 34. Um dia depois, em 20 de junho de 2001, Assembléia Geral Extraordinária da Hold On aprovou o aumento do capital social subscrito de R$1.000,00 para R$13.197.328,22. A Imediata realizou a integralização de sua participação no capital social da Hold On mediante a conferência do montante relativo à participação societária que detinha na Pioneer avaliada a valor contábil, conforme laudo de avaliação. O capital social da Hold On passou a ser representado por 1.319.732.822 ações no valor de R$13.197.328,22, sendo 1.319.732.821 ações de propriedade da Imediata e 1 ação de propriedade da Pioneer Spain, L.L.C. (fls. 7.298 a 7.309). 35. Seis dias úteis depois, em 28 de junho de 2001, ocorreram várias alterações nas empresas Hold On, Imediata e Jukybox. Assembléia Geral Extraordinária da Hold On aprovou a emissão de 146.636.980 novas ações ordinárias nominativas sem valor nominal pelo preço total de R$118.775.953,97, sendo que R$1.466.369,80 foram destinados ao aumento do capital social e R$117.309.584,17 foram atribuídos à reserva de capital nos termos dos artigos 14, parágrafo único, e 182, § 1º, da Lei nº 6.404/1976, e que a subscrição do aumento do capital social e respectiva integralização seria realizada pela Jukybox em moeda corrente nacional (fls. 7.310 a 7.313). Conforme informa a própria impugnante (subitens 5.16 a 5.19 acima), a Jukybox realizou empréstimo bancário, em 27 de junho de 2001, para adquirir estas ações emitidas pela Hold On a valor de mercado. Estes recursos foram repassados em 28 de junho de 2001 à controladora da Hold On, a Imediata, que os devolveu à Jukybox no mesmo dia ao integralizar novas quotas do capital social desta última empresa, que, por sua vez, também neste dia 28 de junho de 2001 (extrato bancário de fls. 18.328), quitou o empréstimo no dia anterior adquirido. A 2ª Alteração do Contrato Social da Jukybox modificou o valor nominal de cada quota representativa de seu capital social de R$1,00 para R$0,01 e aumentou o capital social de R$1.000,00 para R$118.327.313,98 com a emissão de 11.832.631.398 novas quotas subscritas pela Imediata (fls. 7.390 a 7.395). Esta subscrição foi aprovada em Reunião de Quotistas da Imediata (fls. 7.224 a 7.226). 36. De acordo com declaração da própria fiscalizada (item a de fl. 17.992), foi a operação de investimento realizado pela empresa Jukybox na empresa Hold On que, neste momento, detinha participação societária na Pioneer, cuja avaliação foi realizada com base no valor de mercado, que gerou o ágio cuja amortização foi glosada pela fiscalização. 37. Outra Assembléia Geral Extraordinária da Hold On realizada na mesma data (28 de junho de 2001) aprovou (1) o aumento do capital social de R$14.663.698,02 para R$131.973.282,19, com a emissão de 11.730.958.417 novas ações nominativas e sem valor nominal, mediante capitalização de reserva de capital, e (2) o Protocolo e Justificação de Motivos de Cisão firmado nesta mesma data com a Imediata (fls. 7.314 a 7.326). Outra Reunião de Quotistas da Imediata, realizada neste mesmo dia, aprovou (1) o referido Protocolo e Justificação de Motivos de Cisão firmado com a Hold On também neste dia (28/06/2001) para versão de parte do patrimônio da Hold On para si, no montante de R$118.775.953,97 e (2) o Laudo que ratificou o patrimônio líquido da Hold On no montante de R$131.973.282,19. Esta versão de parte do patrimônio da investida para a investidora provocou a eliminação do investimento que esta (cisionada, Imediata) possuía naquela (cindida, Hold On fls. 7.227 a 7.248). 38. No dia seguinte (29 de junho de 2001), a Pioneer, a Hold On, a Jukybox e a Imediata firmaram o Protocolo e Justificação de Motivos de Incorporação das três últimas sociedades pela primeira (fls. 7.249 a 7.270, 7.327 a 7.350, 7.399 a 7.402 e 7.424 a 7.474). Após esta incorporação, o organograma do grupo empresarial Pioneer passou a ser exatamente o mesmo de antes da constituição e aquisição das Fl. 18872DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.873 44 empresas Imediata, Jukybox e Hold On, conforme demonstra a própria impugnante às fls. 18.100 a 18.104, com a diferença que de a empresa brasileira Pioneer passou a possuir e amortizar ágio originário de si mesma, cuja formalização se deu com a integralização do capital social da Hold On, no momento em que esta controlava a Pioneer, pela Jukybox. Posteriormente, o saldo deste ágio ainda não amortizado passou a ser amortizado pela autuada a partir de novembro de 2005, mês seguinte à incorporação da Pioneer pela impugnante em 31 de outubro de 2005. 39. Quanto às operações ocorridas em 2005 que geraram o outro ágio cuja amortização também foi glosada pela fiscalização, apesar de a impugnante se referir a todas as sete empresas brasileiras que à época faziam parte do grupo e também às empresas estrangeiras que controlavam direta e/ou indiretamente as empresas brasileiras, as autoridades autuantes no Termo de Verificação Fiscal se detiveram sobre as operações que geraram o ágio discutido e que envolveram principalmente quatro empresas brasileiras,a autuada e outras três, a saber: Du Pont Safety Resources do Brasil Ltda. (DSRB), CNPJ 01.727.475/000147, a já conhecida Pioneer Sementes Ltda. (Pioneer), CNPJ 87.082.814/000109, e a Griffin Brasil Ltda. (Griffin), CNPJ 16.369.829/000104. Além disto, cabe destacar que não há divergência entre a fiscalização e a impugnante de que todas as empresas brasileiras, bem como suas controladoras estrangeiras, eram controladas, em todas as fases das operações societárias ocorridas em 2005, direta ou indiretamente pela empresa residente no exterior E.I. Du Pont de Nemours and Company (EID), conforme demonstram os organogramas do grupo empresarial utilizados no Termo de Verificação (fls. 17.924 a 17.931) e na impugnação (fls. 18.095 a 18.098). 40. Em 30 de setembro de 2005, os sócios da DSRB (Du Pont Chemical and Energy Operations, Inc, sociedade constituída e existente de acordo com as leis do Estado de Delaware, EUA, detentora de 29.232.114 quotas no valor total de R$29.232.114,00 e José Testa Silva detentor de 1 quota no valor de R$1,00), decidiram aumentar o capital social da DSRB por meio da emissão de 2.066.830.365 novas quotas, com valor nominal unitário de R$1,00, subscritas pela Griffin, com 11.804.916.969 ações ordinárias nominativas sem valor nominal da autuada (Du Pont do Brasil S/A), então detidas pela Griffin e cujo valor de mercado era de R$817.218.206,63, bem como com 26.789.280.459 quotas da Pioneer Sementes Ltda., também então de propriedade da Griffin, com valor nominal cada uma de R$0,01 e valor de mercado de R$1.249.612.159,12. Ressaltese que esta avaliação de mercado das ações da autuada e das quotas da Pioneer é que geraram o ágio posteriormente amortizado pela autuada e glosado pela fiscalização. 41. Desta forma, o capital social da DSRB passou de R$29.232.115,00 para R$2.096.062.480,00, dividido em 2.096.062.480 quotas com valor nominal de R$1,00 cada uma, sendo 29.232.114 quotas de propriedade da Du Pont Chemical and Energy Operations, Inc., 2.066.830.365 quotas de propriedade da Griffin e 1 quota de José Testa Silva, e a DSRB passou a controlar a autuada e a Pioneer (fls. 17.925 e 17.926 – Termo de Verificação e 18.097 – Impugnação). Conforme organogramas do grupo apresentados pela fiscalizada e relativos aos momentos imediatamente anterior e posterior a operação ocorrida em 30 de setembro de 2005, a Griffin transferiu à DSRB os 99,99% de participação que detinha na autuada e na Pioneer (fls. 17.926 a 17.928). 42. Dez dias úteis depois, em 17 de outubro de 2005, foi celebrado Protocolo de Incorporação e Justificação celebrado entre a Du Pont do Brasil S/A (como incorporadora) e as outras seis sociedades brasileiras do grupo econômico (como incorporadas), entre elas a DSRB, a Griffin e a Pioneer (itens 24 e 25 de fls. 17.928 e 17.929). Fl. 18873DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.874 45 43. Finalmente, passados mais dez dias úteis, em 31 de outubro de 2005, reunião dos sócios da DSRB e Assembléia Geral Extraordinária da autuada aprovaram o citado Protocolo de Incorporação e Justificação e a incorporação em si, observandose que o sócio da DSRB, José Testa Silva, retirouse da sociedade, cedendo sua única quota à sócia Griffin. Conforme ressaltam as autoridades autuantes (item 26 de fls. 17.929 e 17.930) um dos motivos que justificaram a incorporação expresso textualmente no citado Protocolo é que “incorporadas e a incorporadora atualmente fazem parte de um mesmo grupo econômico”. Após estas incorporações, a autuada passou a possuir e amortizar o ágio registrado em 2005 em parte decorrente de reavaliação de si mesma e em parte decorrente de reavaliação da incorporada Pioneer. Na sequência, a autoridade julgadora de primeira instância passou a analisar as operações sob a perspectiva de seu reconhecimento contábil e fiscal, conforme se extrai dos excertos do voto, verbis: [...] 49. Concluise, portanto, que bem antes da época dos fatos em questão (anos de 2001 e 2005), já havia o princípio contábil de registro dos componentes do patrimônio pelo valor original ou histórico. O Conselho Federal de Contabilidade editou, ainda, a Resolução CFC nº 1.110, de 29 de novembro de 2007 (antes, portanto, das alterações realizadas na Lei nº 6.404/1976 pela Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007, que objetivou adaptar a contabilidade brasileira à contabilidade internacional) que, em seu item 120, assim determina: O reconhecimento de ágio decorrente de rentabilidade futura gerado internamente (goodwill interno) é vedado pelas normas nacionais e internacionais. Assim, qualquer ágio dessa natureza anteriormente registrado precisa ser baixado. (negrito meu) 50. Portanto, se os atos expedidos pelo CFC vinculam os contabilistas, uma vez que sua inobservância pode caracterizar infração no exercício da profissão, a mesma sorte acompanha as pessoas jurídicas, cujas demonstrações financeiras são elaboradas por tais profissionais. [...] 57. Desta maneira, se em consonância com o princípio contábil do registro pelo valor original, somente uma transação entre agentes independentes daria respaldo ao reconhecimento de um ágio, a integralização de capital na empresa Hold On pela empresa Jukybox em 2001 deveria ter sido realizada (admitindose a possibilidade de sua ocorrência) e registrada com base no respectivo valor original da participação detida pela Hold On na Pioneer. Da mesma forma, a emissão de ações pela Griffin em 2005 para participar na DSRB deveria ter sido realizada, se possível, e registrada com base no respectivo valor original das participações detidas pela Griffin na autuada e na Pioneer. 58. É de se observar que mesmo em relação ao ágio apurado na operação ocorrida em 2001, na qual houve o registro de pagamento do preço estipulado para o negócio, a falta de um ambiente de livre mercado, de independência entre as duas companhias, de geração de riqueza nova para o grupo econômico, também impedem o reconhecimento de uma eventual avaliação de uma maisvalia. Ainda não se pode ainda esquecer, que neste caso, a origem do recurso utilizado no pagamento foi empréstimo bancário quitado no dia seguinte ao seu recebimento pela própria Fl. 18874DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.875 46 empresa que realizou o empréstimo, já que o dinheiro voltou a ela devido à outra operação societária intragrupo realizada no mesmo dia. 59. A própria empresa de consultoria Ernst & Young ao elaborar o Relatório de Avaliação EconômicoFinanceira da Pioneer em 2001, que dá sustentação à mais valia então apurada, assim se pronunciou (fl. 18.338), como muito bem observaram as autoridades autuantes (fl. 18.000): O objetivo da presente avaliação, visa exclusivamente justificar o ágio gerado na reestruturação societária proposta para a Pioneer, não devendo ser utilizada para nenhum outro fim que não seja relacionado ao propósito fiscal a que se destina, não podendo em hipótese alguma ser utilizada como base para registro contábil que gere impacto sobre as demonstrações contábeis tanto para fins locais quanto internacionais da empresa. 60. Este trecho indica que as operações ocorridas em 2001 no Brasil não se prestaram para nada mais além do que gerar o ágio amortizável apenas para fins fiscais, fato que é demonstrado, sem sombra de dúvida, pelo fato de que o organograma e controle do grupo empresarial Pioneer no Brasil passou a ser exatamente o mesmo que o de antes das operações societárias (organogramas da própria impugnante às fls. 18.100 e 18.104). Este retorno rápido à situação inicial de antes da aquisição das empresas (Hold On, Imediata e Jukybox) faz saltar aos olhos a falta de propósito negocial nas operações realizadas no Brasil em 2001. Outro fato que demonstra que o único objeto dos atos societários formalmente registrados foi criar artificialmente o ágio é a característica comum às outras empresas envolvidas (Hold On, Imediata e Jukybox), que foram criadas e desaparecidas poucos dias antes e após as operações, além de terem sido fundadas pelas mesmas pessoas físicas e com endereçossede no mesmo edifício. 61. Além disto, o citado trecho do Relatório da consultoria evidencia a crença incorreta da existência de uma dissociação entre a legislação tributária e a legislação contábilsocietária, como se o ágio previsto e amortizável segundos os artigos 385 e 386 do RIR/1999 nada tivesse em comum com a contabilidade. Dito de outra forma: é como se os citados dispositivos do Regulamento do Imposto de Renda permitissem o aproveitamento de um ágio artificialmente criado ou fabricado apenas para fins fiscais. E não é isto que está escrito na legislação. O que está escrito é que é válido e amortizável o ágio realmente existente, o que é impossível de ocorrer num “ágio” formado intragrupo. É como se alguém dissesse: um determinado bem meu vale mais do que o valor registrado porque eu comprei de mim mesmo pagando ágio. Poderseia rebater dizendo que a frase anterior não representa os fatos tratados nos autos. Contudo, é isto o que fica ao se retirar os malabarismos societários praticados, que, aliás, colidem com as premissas, apresentadas pela impugnante, como norteadoras de suas reestruturações societárias realizadas em 2001 e 2005. Onde está racionalização, otimização, simplificação, eficiência, produtividade e redução de custos em adquirir empresas de papel que serão logo em seguida extintas por incorporação (atos praticados em 2001), ou em realizar diversas e complicadas operações societárias cruzadas, se o objetivo desde o início era consolidar todas as empresas do grupo em uma só (atos praticados em 2005)? 62. A empresa de auditoria Ernst & Young fez ressalva também nas considerações gerais do Relatório de Avaliação EconômicoFinanceira da autuada emitido poucas semanas antes das operações geradoras de ágio em 2005 (fl. 18.239) também ressaltado pelas autoridades autuantes (item 66 de fl. 17.950): Não tivemos a oportunidade de expor as ações, negócios ou ativos das Empresas ao mercado, nem utilizamos em nosso Fl. 18875DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.876 47 trabalho dados de outras transações de empresas comparáveis ou seus múltiplos. Conseqüentemente, não pudemos concluir sobre a existência ou não de potenciais compradores que queiram desembolsar pelo negócio um valor que exceda nossa estimativa de valor justo de mercado; 63. Mais uma vez um valor de mercado teórico, cujo fruto nada mais é do que um ágio imaginado, teórico ou provável, mas nunca um ágio real (observado entre partes independentes). 64. É possível confirmar um valor de mercado apontado por uma empresa de consultoria quando comprador e vendedor em última análise são a mesma pessoa? Ou, dito de maneira mais sutil, quando as pessoas envolvidas na operação fazem parte do mesmo grupo econômico e logo em seguida serão a mesma pessoa jurídica? A resposta é não, porque valor de mercado pressupõe mercado e mercado somente existe quando existe mais de um agente econômico. 65. Se o ágio intragrupo não é reconhecido pela lei societária e pela Contabilidade, também não o será pela lei tributária, por força do disposto nos artigos 247 do RIR/1999 e 177 da Lei nº 6.404/1976. 66. Consequentemente, não assiste razão à Impugnante quando alega que a amortização desse ágio constituise em despesa dedutível da base de cálculo do IRPJ, consoante previsto no art. 386 do RIR/1999, cuja matriz legal advém dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, com as alterações da Lei nº 9.718/1998: [...] 68. Tais regras estabelecem procedimentos que devem ser adotados para as situações em que a sociedade investidora mantenha, em sua escrituração contábil, ágio na aquisição de investimento em empresa que venha incorporar total ou parcialmente, contemplando a alínea “b” do artigo 8º da Lei nº 9.532, de 1997, a hipótese de a empresa incorporada ser a detentora da propriedade da participação societária, abrangendo as denominadas “incorporações às avessas”, tal como sucede no presente caso. 69. A legislação tributária, em regra, não prevê a possibilidade de deduzir da apuração do lucro real a amortização do ágio decorrente de avaliação de investimentos avaliados pelo patrimônio líquido. Ao contrário, em seu artigo 391, com fundamento no artigo 25 do Decretolei nº 1.598, de 1977 e artigo 1º, inciso III, do Decretolei nº 1.730, de 1979, dispõe que as “contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o artigo 385 (artigo 20 do DL 1.598, de 1977) não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no artigo 426” (apuração do valor contábil para determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo patrimônio líquido). 70. Assim, originalmente, a possibilidade de se computar o ágio na apuração do lucro real somente ocorreria por ocasião da alienação ou liquidação do investimento. 71. A legislação evoluiu e a pessoa jurídica adquirente de participação societária com pagamento de ágio foi autorizada a computar sua amortização, na apuração do lucro real, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração, na hipótese de ulterior absorção do patrimônio da investida, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, nos termos dos já transcritos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, com as alterações da Lei nº 9.718/1998. Fl. 18876DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.877 48 72. É de se observar que o fato de os atos societários terem sido executados de acordo com as formalidades previstas na legislação societária e comercial – elaboração de protocolo e justificação de incorporação, avaliação patrimonial, assembléias e reuniões de aprovação das empresas envolvidas, registro dos atos, etc – não garante à contribuinte a dedutibilidade prevista na legislação tributária. 73. Com efeito, a legalidade dos atos é condição essencial para que a conduta do contribuinte possa ser considerada lícita, mas não suficiente para que se conclua que os efeitos resultantes de seu conjunto estejam em conformidade com o ordenamento jurídico. Ou seja, é possível que cada um dos atos praticados pelo contribuinte, individualmente considerado, esteja de acordo com as exigências formais de alguma norma específica, mas que, em seu conjunto, não surta os efeitos esperados pelo ordenamento jurídico. [...] 79. Desta maneira, quando os autuantes classificam o ágio gerado no grupo Du Pont como um ativo subjetivo, com fundamentos em princípios da doutrina contábil, aplicam corretamente o Direito Positivo: primeiramente, verificouse se a apuração do lucro líquido foi feita de acordo com as regras do direito que prevê a aplicação dos instrumentos e princípios da ciência contábil; depois, analisouse se o procedimento extracontábil de apuração do lucro real foi efetuado de acordo com os preceitos da legislação tributária. 80. Conforme as observações anteriormente feitas, o reconhecimento dessa dedução de despesa de amortização de ágio para fins tributários somente é possível, caso a maisvalia tenha sido apurada numa transação realizada entre partes independentes, elemento essencial e esperado numa situação normal de mercado. No caso dos autos todas as partes envolvidas nos atos que culminaram no registro dos ágios eram interdependentes desde antes do início das operações societárias. 81. Portanto, não sendo aplicável à autuada a especial norma de dedutibilidade de ágio prevista no artigo 386, inciso III, §2° do RIR/1999, agiram corretamente os autuantes ao glosarem as exclusões ao lucro líquido de valores que não atendiam os requisitos de dedutibilidade. Não tenho reparos aos fundamentos expostos pelo julgador de primeira instância. Esta tem sido minha posição com relação às operações de reestruturação societárias realizadas internamente por grupos de empresas sob controle comum que sob o "pretexto gerencial" de reorganização da reestrutura inserem, no bojo das etapas para atingir tal desiderato, no contexto uma empresa intermediária para a alocação das participações já detidas pelo controlador mediante a integralização de capital, momento no qual procedem a reavaliação do investimento com base na expectativa de rentabilidade futura com vistas à geração do suposto ágio e, ato subsequente, procede à incorporação reversa da "empresa veículo" com vistas ao aproveitamento do ágio como despesas, mediante a sua amortização. No Acórdão 1302001.950, de 09 de agosto de 2016, analiso situação similar, pelo que peço vênia para transcrever excertos do voto condutor daquele acórdão, cujo entendimento entendo ser aplicável ao presente caso: Considerações sobre a amortização do ágio Fl. 18877DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.878 49 Antes de adentrar o mérito da exigência fiscal, entendo ser necessário tecer algumas considerações acerca da questão da amortização do ágio em face de reorganizações societárias, que vem sendo largamente utilizado e discutido enquanto mecanismo de planejamento tributário das empresas. Tal discussão é bastante tormentosa, o que se revela na própria jurisprudência administrativa, e não está imune a algum grau de subjetividade por parte dos intérpretes e aplicadores do direito. Da liberdade de autoorganização do contribuinte A primeira questão a ser analisada referese à liberdade de autoorganização do contribuinte, tida como absoluta pelos intérpretes e doutrinadores liberais, que defendem que “o Fisco só pode cobrar (tributos) mediante tipicidade fechada e legalidade estrita” enquanto que o contribuinte pode fazer tudo que não está restringido pela lei. Desta visão decorre o entendimento de que atendidos os aspectos puramente formais dos atos e operações do contribuinte, independente de seu conteúdo real, nenhuma objeção pode ser feita pelo Fisco. Tal visão desconsidera o aspecto finalístico da lei e sua interpretação sistêmica. Não há dúvidas de que o contribuinte tem ampla liberdade de autoorganizar se, inclusive no sentido de adotar as opções negociais que lhe propiciem a menor carga tributária possível. Esta liberdade de autoorganização, no entanto, não é absoluta; está sujeita a restrições, como o respeito à livre concorrência, à boa fé, à função social da empresa, etc. Tampouco se aplica às hipóteses de simulação, fraude à lei e abuso de direito. Um dos poucos doutrinadores a tratar do tema sem o viés estritamente liberal, Marco Aurélio Greco leciona que “não há dúvida de que o contribuinte tem o direito encartado na Constituição Federal, de organizar sua vida da maneira que melhor julgar. Porém, o exercício desse direito supõe a existência de causas reais que levem a tal atitude. A autoorganização com a finalidade predominante de pagar menos imposto configura abuso de direito, além de poder configurar algum outro tipo de patologia do negócio jurídico, como, por exemplo, fraude à lei” 1. Nesse sentido, observa que “a possibilidade de serem identificadas situações concretas em que os atos realizados pelos particulares, embora juridicamente válidos, não serão oponíveis ao Fisco, quando forem fruto de um uso abusivo do direito de autoorganização que, por isso, compromete a eficácia do princípio da capacidade contributiva e da isonomia fiscal” 2. A observância aos princípios da capacidade contributiva e da isonomia fiscal na interpretação e aplicação da lei tributária, especialmente quando se trata do Imposto de Renda, revelase de todo pertinente, não podendo tais princípios serem subjugados ou simplesmente esquecidos em face do direito de autoorganização do sujeito passivo. “A eficácia do princípio da capacidade contributiva está em assegurar que todas as manifestações daquela aptidão sejam efetivamente atingidas 1 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. 3a. ed.São Paulo: Dialética, 2011. p 228 2 GRECO, Marco Aurélio. Op cit, p. 211 Fl. 18878DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.879 50 pelo tributo” 3. E, “na medida em que a lei qualificou uma determinada manifestação de capacidade contributiva como pressuposto de incidência de um tributo, só haverá isonomia tributária se todos aqueles que se encontrarem na mesma condição tiverem de suportar a mesma carga fiscal. Se, apesar de existirem idênticas manifestações de capacidade contributiva, um contribuinte puder se furtar ao imposto (ainda que licitamente), esta atitude estará comprometendo a igualdade, que tem dignidade e relevância até mesmo maiores que a proteção à propriedade (CF, artigo 5º)” 4. Desta feita, não há que se falar em liberdade de autoorganização quando o ato praticado visa única e exclusivamente a reduzir o tributo devido, pois “a carga tributária decorre da lei e não pode ficar ao sabor da ‘criatividade’ do contribuinte. Nem se diga que o ordenamento autoriza estas condutas, pois a opção fiscal (desejada ou induzida pelo ordenamento) é diferente da ‘montagem fiscal” (construção de um modelo apenas formal para atingir uma redução do tributo)”. 5 Se o contribuinte que pratica atos, abusando do direito de autoorganização, não pode ter reconhecido os efeitos tributários os quais buscou beneficiarse, aquele que simula a prática de atos com vistas unicamente a redução de tributos menos ainda pode usufruir do benefício fiscal almejado. Primeira conclusão: a liberdade de autoorganização do contribuinte perante o Fisco e a sociedade não é absoluta; está sujeita a restrições, como o respeito à livre concorrência, à boa fé, à função social da empresa e não se coaduna com as práticas de simulação, abuso de direito ou fraude à lei. Os fundamentos da existência ágio e das condições para sua amortização. A questão do ágio com fundamento econômico na rentabilidade futura da empresa investida, ganhou relevância em meados da década de 1990 no âmbito do Programa Nacional de Desestatização, com a edição da Lei nº 9.532, de 1997, mais especificamente dos seus artigos com base nos artigos 7º, inciso III, e 8º6. Antes da edição da Lei nº 9.532/1997, o ágio na aquisição de investimento somente tinha efeitos fiscais na tributação do ganho ou perda de capital quando de sua alienação (DL nº 1.598/77, art. 33), sendo sua amortização fiscalmente neutra (era adicionada no LALUR). Muitos doutrinadores e estudiosos do direito enxergam os dispositivos da Lei nº 9.532/97 como um incentivo fiscal às privatizações, visando a aumentar a participação nos leilões de privatização de estatais. 3 GRECO, Marco Aurélio. Op cit. p.209. 4 GRECO, Marco Aurélio. Op cit. p.210. 5 GRECO, Marco Aurélio. Op cit, p.246 6 Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do Decreto lei n.º 1.598, de 26 de dezembro de 1977: [...] III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b” do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Fl. 18879DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.880 51 Em sentido contrário, Luiz Eduardo Shoueri enxerga a norma como uma restrição “da consideração do ágio como despesa dedutível, mediante a instituição de óbices à amortização de qualquer tipo de ágio nas operações de incorporação. Com isso, o legislador visou limitar a dedução do ágio às hipóteses em que fossem acarretados efeitos econômicotributários que o justificassem” 7 Qualquer que fosse o objetivo, é certo que o legislador baseouse em um motivo econômico da maior relevância quando tratou da possibilidade fiscal de dedução do ágio pago na aquisição de investimentos, com fundamento na expectativa de rentabilidade futura, na Lei nº 9.532/1997. Independente da premissa ou pressuposto para a instituição da previsão legal de dedução do ágio, verificase que a lei não cuidou de restringir o seu alcance apenas para as operações de aquisições de participações visando o programa nacional de desestatização, de sorte que é correta a sua extensão a toda e qualquer operação de aquisição de investimentos, inclusive naquelas ocorridas entre particulares, desde que seja equivalente às da previsão legal. Assim é que, em uma operação de aquisição de investimentos entre duas empresas independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses, havendo o pagamento de ágio com fundamento na expectativa de rentabilidade futura e, cumpridos os requisitos legais, o Fisco não pode opor qualquer óbice à sua amortização. Por outro lado, a lei não ampara as reorganizações societárias em que não existe uma efetiva aquisição de investimentos; quando há uma mera simulação de negócios societários visando unicamente a criar um ágio artificial para reduzir a carga tributária do contribuinte. São os casos em que ainda que formalmente regulares, os negócios societários não tem substância ou existência real. As principais características desses arranjos societários artificiais são: reorganização societária dentro de um grupo de empresa sob controle comum: a aquisição ou criação de empresas sem atividade econômica real (empresas veículos); subscrição de capital na empresa veículo, integralizada com quotas ou ações da empresa operacional do grupo (ou outra holding intermediária), avaliadas “a valor de mercado” com base na expectativa de rentabilidade futura; ausência de pagamento efetivo (não há qualquer dispêndio ou sacrifício patrimonial); inexistência de outra finalidade nas operações, que não a geração/aproveitamento do ágio, ou preponderância desta última; operações formais realizadas em curto espaço de tempo; incorporação reversa da investidora pela investida, que passa a adotar a razão social ou marca daquela; o controle societário da empresa operacional (direto ou indireto) resulta inalterado ao final da reorganização societária. Nem todas as variáveis acima elencadas deverão estar presentes, ao mesmo tempo, para se constatar a geração artificial de um ágio na operação societária. No exame das operações societárias visando a aferir a efetividade da existência do ágio há que se levar em consideração, fundamentalmente: a existência de motivação econômica para a operação; a independência entre as partes na formação do preço pago pela participação; a existência de efetivo 7 SCHOUERI, Luis Eduardo. ÁGIO EM REORGANIZAÇÕES SOCIETÁRIAS (ASPECTOS TRIBTÁRIOS). São Paulo: Dialétic, 2012, p. 67. Fl. 18880DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.881 52 pagamento (dispêndio ou sacrifício patrimonial); modificação da participação no controle (direto ou indireto) da empresa operacional após a reorganização. Ainda deve ser observado que a lei exige que o contribuinte demonstre documentalmente os fundamentos do ágio pago, valendose os interessados, geralmente, de laudos técnicos de empresas especializadas que avaliam o investimento a preço de mercado. Quanto a esse aspecto destaquei, ao proferir o voto vencedor no Acórdão nº 1302001.108, que é praticamente inviável o desafio do Fisco contraporse aos "laudos" de avaliação elaborados pela empresas de consultoria contratadas pelo próprio contribuinte que engendra tais reorganizações societárias intragrupo. Além da natural precariedade e incerteza quanto à "expectativa de rentabilidade futura" estimada, agregamse à projeções dados empíricos e subjetividades não passíveis de serem questionados. O único mecanismo de aferição do valor real do negócio em uma operação de aquisição de investimento por uma sociedade em outra, é o efetivo pagamento pelo preço fixado. Neste caso, o ágio surge límpido, bastando comparar o valor efetivamente pago com o valor patrimonial da investida na data do negócio. De se observar que na avaliação do investimento a valor de mercado pode estar embutido no ágio pago o preço atualizado de outros bens ou intangíveis e não apenas a rentabilidade futura da investida, mas para o Fisco desqualificar o laudo, se o mesmo atribuir o fundamento de rentabilidade futura ao total do ágio pago, necessitará de outros elementos concretos, como documentos contendo outras avaliações realizadas pelos próprios envolvidos na operação apontando noutro sentido. O ágio sob a perspectiva do reconhecimento contábil Por fim, examino a questão do ágio sob a perspectiva de sua apuração e reconhecimento na contabilidade. Essa discussão ganha sua relevância em face do argumento utilizado quando se discute a questão do ágio no âmbito das operações societárias no sentido de que o regime contábil dado ao instituto seria diferente daquele previsto na legislação tributária. Tal entendimento deriva do fato do legislador ter disciplinado o instituto no âmbito de uma lei que tratava Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas. E esta, de fato, disciplinou a matéria por meio do art. 20 do DL. 1598/778. 8 Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; Fl. 18881DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.882 53 Com a devida vênia, ainda que a legislação tributária tenha regulado procedimentos contábeis no seu bojo, até pela falta de maior detalhamento pela lei societária, não autoriza a conclusão de que existam dois tipos de ágios para um mesmo fato econômico: um jurídicotributário e outro contábil. Em que pese a contabilidade e direito tributário tenham seus campos próprios de conhecimento e ciência, é inegável a interseção entre ambos no âmbito das relações jurídicotributárias. Não se deve olvidar que o lucro tributável é definido pela legislação do Imposto de Renda a partir do lucro líquido apurado na escrituração comercial, tendo o próprio DecretoLei nº1.598/77, no inc. X do seu art. 67, estabelecido expressamente que o lucro líquido do exercício deverá ser apurado, a partir do primeiro exercício social iniciado após 31 de dezembro de 1977, com observância das disposições da Lei nº 6.404 de 15 de dezembro de 1976. Desta forma, as normas contábeis exaradas pelas entidades responsáveis pela normatização e regulamentação da contabilidade não são elementos estranhos à aplicação da legislação tributária, pelo contrário, fazem parte do arcabouço de mensuração do resultado tributável obtido pelas sociedades empresariais. E aí provavelmente resida um dos pontos nodais nesta discussão, concernente ao reconhecimento do ágio sob a perspectiva de sua apuração contábil. O Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999 (Decreto nº 3.000/1999) dispõe extensamente sobre o registro e amortização do ágio na contabilidade da pessoa jurídica, in verbis: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Fl. 18882DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.883 54 II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º). Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do § 2º do artigo anterior, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso III do § 2º do artigo anterior, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 1º). § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 2º): I o ágio em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; II o deságio em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 3º): I será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe Fl. 18883DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.884 55 deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; II poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese do inciso II do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos ou contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 4º). § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 5º). § 6º O disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei nº 9.532, de 1997, art. 8º): I o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor do patrimônio líquido; II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. § 7º Sem prejuízo do disposto nos incisos III e IV, a pessoa jurídica sucessora poderá classificar, no patrimônio líquido, alternativamente ao disposto no § 2º deste artigo, a conta que registrar o ágio ou deságio nele mencionado (Lei nº 9.718, de 1998, art. 11). Como se vê, tanto o registro da ocorrência do ágio quanto os de sua amortização, de acordo com a legislação tributária devem ser feitos na contabilidade do sujeito passivo, que por sua vez deve seguir as normas de escrituração da legislação comercial. Ora, o art. 20 do DL. 1598/77 define a existência de ágio ou deságio como sendo a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor do patrimônio líquido na época da aquisição. Deste conceito emanam duas grandezas a serem determinadas com vistas à apuração da existência de ágio (ou deságio). A primeira é o custo de aquisição e a segunda é o valor do patrimônio líquido. Quanto a este último não há dúvidas de que se trata do valor patrimonial da empresa investida na data do investimento. Quanto à primeira é que surgem controvérsias quando se trata de operações societárias realizadas internamente num grupo econômico: qual é o custo de aquisição? O Conselho Federal de Contabilidade, por meio da resolução 750/939, que dispõe sobre os princípios fundamentais da contabilidade, ao tratar do registro dos componentes patrimoniais assim estabelecia no seu art 7º: Art. 7º Os componentes do patrimônio devem ser registrados pelos valores originais das transações com o mundo exterior, expressos a valor presente na moeda do País, que serão 9 Essa redação foi Alterada pela Resolução CFC nº 1282/2010, por conta do processo de convergência às normas internacionais de contabilidade introduzidas pela Lei nº 11.941/2009. Fl. 18884DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.885 56 mantidos na avaliação das variações patrimoniais posteriores, inclusive quando configurarem agregações ou decomposições no interior da ENTIDADE. Parágrafo único – Do Princípio do REGISTRO PELO VALOR ORIGINAL resulta: I – a avaliação dos componentes patrimoniais deve ser feita com base nos valores de entrada, considerandose como tais os resultantes do consenso com os agentes externos ou da imposição destes; [...] (grifo nosso) Fundada nesses princípios a Comissão de Valores Mobiliários, por meio do Ofício Circular CVM/SNC/SEP no 01/2007 condenou o reconhecimento do chamado ágio interno, ou seja, gerado dentro do mesmo grupo de empresas sob controle comum, in verbis: "20.1.7 "Ágio" gerado em operações internas A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos (incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de "ágio". Uma das formas que essas operações vêm sendo realizadas, iniciase com a avaliação econômica dos investimentos em controladas ou coligadas e, ato continuo, utilizarse do resultado constante do laudo oriundo desse processo como referência para subscrever o capital numa nova empresa. Essas operações podem, ainda, serem seguidas de uma incorporação. Outra forma observada de realizar tal operação é a incorporação de ações a valor de mercado de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico. Em nosso entendimento ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários do ponto de vista econômicocontábil é preciso esclarecer que o ágio surge única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial supera o valor patrimonial desse investimento. E mais prego ou custo de aquisição somente surge quando há o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim não há do ponto de vista econômico geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível. Não é concebível, econômica e contabilmente o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação, condições Fl. 18885DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.886 57 essas denominadas na literatura internacional como "arm's length". Portanto é nosso entendimento que essas transações não se revestem de substancia econômica e da indispensável independência entre as partes para que seja passível de registro. mensuração e evidenciação pela contabilidade." (Os grifos constam do original). Resta evidente a convergência Ofício Circular CVM/SNC/SEP no 01/2007 com o princípio emanado do CFC quando se trata da definição do custo de aquisição de um componente patrimonial. Não obstante, respeitáveis vozes têm se insurgido contra a invocação desta norma da CVM para fins de interpretação da lei tributária, alegando que a mesma não teria o condão de modificar os conceitos legais do ágio ou mesmo ser utilizada na interpretação da legislação tributária, pois abrigaria conceitos de caráter meramente econômicos ou contábeis. Com a devida vênia aos que assim pensam, entendo que a nota da CVM apenas proclama o óbvio, seja em termos jurídicos, contábeis ou econômicos, deixando nua a falta de substância das operações societárias realizadas com o intuito de gerar ágios artificialmente, unicamente com vistas à redução da carga tributária, situação não amparada pela lei, conforme já examinamos. Ora, se não se concebe a ocorrência de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios, como se justificaria a existência de um ágio nestes casos? Afinal, qual a finalidade da lei tributária (do imposto de renda, em especial), senão estabelecer a carga tributária conforme a capacidade econômica do contribuinte? No voto que restou vencido, no Acórdão nº 110100.708, a ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa, cita o exame do conceito de ágio pela doutrina contábil, in verbis: [...] “[...]o Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações, elaborado pela referida FIPECAFI (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras), e citado pela Fiscalização nos termos de sua edição de 2008, afirma o mesmo entendimento no âmbito doutrinário, expondo com clareza o conceito contábil de ágio nos termos a seguir transcritos: 11.7.1 — Introdução e Conceito Os investimentos, como já vimos, são registrados pelo valor da equivalência patrimonial e, nos casos em que os investimentos foram feitos por meio de subscrições em empresas coligadas ou controladas, formadas pela própria investidora, não surge normalmente qualquer ágio ou deságio. Vejase, todavia, caso especial no item 11.7.6. Todavia, no caso de uma companhia adquirir ações de unia empresa já existente, pode surgir esse problema. O conceito de ágio ou deságio, aqui, não é o da diferença entre o valor pago pelas ações e seu valor nominal, mas a diferença entre o valor pago e o valor patrimonial das ações, e ocorre quando adotado o método da equivalência patrimonial. Dessa forma, há ágio quando o preço de custo das ações for maior que seu valor patrimonial, e deságio, quando for menor, como exemplificado a seguir. 11.7.2 Segregação Contábil do Ágio ou Deságio Fl. 18886DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.887 58 Ao comprar ações de uma empresa que serão avaliadas pelo método da equivalência patrimonial, devese, já na ocasião da compra, segregar na Contabilidade o preço total de custo em duas subcontas distintas, ou seja, o valor da equivalência patrimonial numa subconta e, o valor do ágio (ou deságio) em outra subconta (..) 11.7.3 Determinação do Valor do Ágio ou Deságio a) GERAL Para permitir a determinação do valor do ágio ou deságio, é necessário que, na database da aquisição das ações, se determine o valor da equivalência patrimonial do investimento, para o que é necessária a elaboração de um Balanço da empresa da qual se compraram as ações, referencialmente na mesma database da compra das ações ou até dois meses antes dessa data. Todavia, se a aquisição for feita com base num Balanço de negociação, poderá ser utilizado esse Balanço, mesmo que com defasagem superior aos dois meses mencionados. Ver exemplos a seguir. b) DATABASE Na prática, esse tipo de negociação é usualmente um processo prolongado, levando, As vezes, a meses de debates até a conclusão das negociações. A database da contabilização da compra é a da efetiva transmissão dos direitos de tais ações aos novos acionistas a partir dela, passam a usufruir dos lucros gerados e das demais vantagens patrimoniais.() 11.7.4 Natureza e Origem do Ágio ou Destigio (...) c) ÁGIO FOR VALOR DE RENTABILIDADE FUTURA Esse ágio (ou deságio) ocorre quando se paga pelas ações um valor maior (menor) que o patrimonial, em função de expectativa de rentabilidade futura da coligada ou controlada adquirida. Esse tipo de ágio ocorre com maior frequência por envolver inúmeras situações e abranger diversas possibilidades. No exemplo anterior da Empresa B, os $ 100.000.000 pagos a mais na compra das ações representam esse tipo de ágio e devem ser registrados nessa subconta especifica. Sumariando, no exemplo anterior, a contabilização da compra das ações pela Empresa A, por $ 504.883.200, seria (...). 11.7.5 Amortização do Ágio ou Destigio a) CONTABILIZAÇÃO I Amortização do ágio (deságio) por valor de rentabilidade futura O ágio pago por expectativa de lucros futuros da coligada ou controlada deve ser amortizado dentro do período pelo qual se pagou por tais futuros lucros, ou seja, contra os resultados dos exercícios considerados na projeção dos lucros estimados que justifiquem o ágio.O fundamento aqui é o de que, na verdade, as receitas equivalentes aos lucros da coligada ou controlada não representam um lucro efetivo, já que a investidora pagou por eles antecipadamente devendo, portanto, baixar o ágio contra essas receitas. Suponha que uma empresa tenha pago pelas ações adquiridas um valor adicional ao do patrimônio liquido de $ 200.000, correspondente a sua participação nos lucros dos 10 anos seguintes da empresa adquirida. Nesse caso, tal ágio deverá ser amortizado na base de 10% ao ano. (Todavia, se os Fl. 18887DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.888 59 lucros previstos pelos quais se pagou o ágio não forem projetados em uma base uniforme de ano para ano, a amortização deverá acompanhar essa evolução proporcionalmente).(..) Nesse sentido, a CVM determina que o ágio ou o deságio decorrente da diferença entre o valor pago na aquisição do investimento e o valor de mercado dos ativos e passivos da coligada ou controlada deverá ser amortizada da seguinte forma (..). [..] (destaques cfe original) Como se observa, tanto as normas contábeis quanto a doutrina são convergentes em não reconhecer a existência de ágio quando não há negociação, ainda que indireta, com terceiros e efetivo pagamento pelas participações subscritas. A utilização dos princípios contábeis para dar uma resposta satisfatória ao desafio de mensuração do resultado das pessoas jurídicas, foi bem observado por Schoueri, que aborda a solução encontrada pelo legislador pátrio para a questão da dedutibilidade do ágio, in verbis: “Conforme já referido, pelo princípio contábil do confronto das despesas com as receitas (o matching principle), as despesas que sejam diretamente relacionadas a receitas de determinado período devem ser com estas confrontadas, a fim de que não sejam geradas quaisquer distorções. Não seria razoável que se contabilizasse uma receita sem que a despesa que a originou fosse a essa contraposta; caso contrário, se verificariam valores absolutamente fictícios, com resultados negativos no período em que se contabilizasse a despesa e positivos no período que se escriturasse a receita, quando, em verdade, esses valores contrapostos acarretariam um resultado global neutro. Segundo explana Sérgio de Iudcibus, os princípios dão as grandes linhas filosóficas da resposta contábil aos desafios do sistema de informação da Contabilidade, operando num cenário complexo, no nível dos postulados, formando, pois, o núcleo da doutrina contábil. Muito além de influenciar as ciências contábeis, é de se notar que os princípios influenciam todos os demais âmbitos de estudo dotado de cientificidade, dentre esses o Direito. Um princípio que fornece respostas satisfatórias a uma ciência pode perfeitamente oferecer respostas também satisfatória a outros âmbitos científicos. E ocorreu justamente isso em matéria de amortização de ágio. Além de fornecer resposta aos desafios contábeis, o princípio do confronto das despesas com as receitas também foi utilizado pelo legislador para fornecer respostas satisfatórias aos desafios fiscais de amortização do ágio. Foi de rara felicidade a introdução desse princípio, de natureza primordialmente contábil, na apuração do lucro real das pessoas jurídicas nacionais, por parte do Poder Executivo quando formulou o tratamento do ágio na incorporação que atualmente observamos em nosso ordenamento jurídico. Entendeuse que o momento de dedutibilidade fiscal dó ágio deveria estar estritamente vinculado ao momento em que as receitas que acarretaram o seu pagamento fossem auferidas, isto é, o momento em que o ágio fosse considerado realizado. Ora, qual o motivo de se ter pago um montante superior ao valor do patrimônio líquido de uma pessoa jurídica para adquirila? A expectativa de auferir resultados positivos futuros em decorrência desse ágio pago é a resposta. Se os resultados positivos futuros tiveram sua origem em dispêndio com ágio ocorrido no passado, nada mais correto que registrar esse ágio em ativo para que apenas seja considerado em conta de resultado quando os referidos resultados Fl. 18888DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.889 60 positivos futuros foram auferidos. Eis onde o legislador acertou ao edificar a regulamentação do ágio ora em vigor.” 10 (grifos nosso) Muito feliz a observação de Schoueri de que o legislador buscou na ciência contábil a solução para a questão da amortização do ágio. E o fez tanto com relação à adoção do princípio do confronto entre despesas e receitas como também ao já citado princípio do registro pelo valor original, resultante do consenso com os agentes externos ou da imposição destes, pois ambos se complementam neste caso. Senão, como se pode falar em dispêndio com ágio pago numa transação que não envolve terceiros? Como se admitir a dedução de um dispêndio que não existiu sobre uma receita que dele não decorreu? Seria absolutamente contraditório aceitar um princípio e negar o outro. As conclusões de Luis Eduardo Schoueri11, acerca da previsão legal de dedutibilidade do ágio formado com base na expectativa de rentabilidade futura, reforçam meu entendimento nesse sentido: “Já na hipótese do dispêndio antes contabilizado como ágio concernente a rentabilidade futura, o auferimento de lucros tributáveis na empresa A é per se suficiente para traduzir a realização do dispêndio com o ágio antes incorrido, que deverá ser realizado para compensar os resultados positivos, à medida em que forem ocorrendo. Daí o porque de após a incorporação o ágio passar a ser ativo intangível, amortizável, uma vez que apenas a partir desse momento os lucros passam a ser tributados na investidora, pois antes disso no máximo haverá receita de equivalência patrimonial, não tributável. Dessa forma, para que se possa considerar os lucros auferidos pela Empresa B como real resultado global positivo na Empresa A, fazse essencial primeiramente baixar o valor originalmente pago a título de ágio contra esses lucros. Isso porque os lucros passarão a ser tributados na Empresa A, e se não forem baixados os dispêndios anteriormente efetuados, contra as receitas que o fundamentaram, procederseá a tributação de uma não renda. Essa é a lógica que informa o art. 7º da Lei nº 9.532/1997: a pessoa jurídica que absorver, em virtude de incorporação, patrimônio de outra na qual detenha participação societária adquirida com ágio, deverá lançar o valor correspondente ao ágio cujo fundamento seja o de rentabilidade futura da coligada ou controlada incorporada no ativo intangível. Nos termos do art. 7º da Lei nº 9.532/1997, a amortização do ativo diferido, oriundo do ágio fundamentado em rentabilidade futura poderá ocorrer à razão de 1/60, no máximo, para cada mês do período de apuração, o que corresponde a um período mínimo de amortização de cinco anos. Ou seja: após a incorporação, a cada mês será lançada uma parcela de 1/60 do valor originariamente pago a título de ágio, a título de despesa de amortização do ativo diferido surgido com a incorporação. Essa amortização não é qualquer favor ou benefício, já que o legislador pressupõe que, com a incorporação, o empreendimento lucrativo passe a compro o resultado da incorporadora. Terá, pois, a incorporadora mensalmente, dois efeitos: 10 SCHOUERI, Luis Eduardo. op cit, p. 71 e 72 11 SCHOUERI, Luis Eduardo. Op cit, p. 79 e 80 Fl. 18889DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.890 61 um valor, lançado a despesa, relativo à amortização do ativo diferido correspondente ao que, antes da incorporação era ágio; e um ganho correspondente a lucratividade do empreendimento incorporado. E por que não se trata de benefício? Exatamente porque a incorporadora pagou aquele ágio. Ou seja: não há como falar em renda se o suposto ganho não corresponde a qualquer riqueza nova. É verdade que o empreendimento é lucrativo; o contribuinte (incorporadora), entretanto, não tem qualquer ganho, até que recupere o ágio que pagou. “ (destaques nossos) Ora se é lógico não haver a tributação do resultado antes de deduzido o ágio efetivamente pago em face da expectativa de lucratividade futura, da mesma forma não faz sentido deduzir do lucro, como despesa, um valor que não foi efetivamente despendido. O lucro, neste último caso, é o mesmo que a empresa já teria antes da suposta reorganização societária e não ocorreu nenhum dispêndio que justifique a sua redução. Observese ainda que, quando se fala em ágio pago, não se está discutindo a possibilidade do pagamento de uma subscrição ser feita por outros meios que não o pagamento em dinheiro, tais como a dação em pagamento de bens ou direitos. Não há dúvidas de que o pagamento de uma subscrição possa ser feito sob diversas formas ou meios, como a dação em pagamento de bens ou direitos, p.ex. A questão que se coloca é que para que se admita a existência do pagamento de ágio é que haja um efetivo sacrifício patrimonial por parte da adquirente. Não caracteriza qualquer desembolso a mera transferência escritural das ações registrados pela investidora em seu patrimônio (indevidamente reavaliados) para o da investida. Mormente, se, ato contínuo, é feita a reversão do investimento, mediante a incorporação reversa, apenas para cumprir um requisito legal, sem qualquer modificação do seu controle direto ou indireto, seja quantitativa, seja qualitativamente. A ausência de um efetivo pagamento (sacrifício patrimonial) por parte da investidora pelas participações subscritas em operações com empresas controladas revela a falta de substância econômica das operações o que impede o seu registro e reconhecimento contábil, pois não há efetiva modificação da situação patrimonial. Ora, como já visto, os resultados tributáveis das pessoas jurídicas, apurados com base no Lucro Real, têm como ponto de partida o resultado líquido apurado na escrituração comercial, regida pela Lei nº 6.404/1976, conforme estabelecido pelo DL. 1.598/1977. O ágio na subscrição de investimentos é um fato econômico captado pela ciência contábil e regulado pela lei tributária com substrato nos princípios contábeis. É nessa perspectiva que a orientação normativa da CVM e demais normas contábeis devem ser vistas. Não como fonte normativa tributária, mas como elementos para a adequada interpretação da lei quanto aos efeitos do fato econômico (ágio) por ela regulado, pois os seus fundamentos foram buscados na ciência contábil. Fl. 18890DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.891 62 Assim, os princípios contábeis geralmente aceitos e as normas emanadas dos órgãos fiscalizadores e reguladores, como Conselho Federal de Contabilidade e Comissão de Valores Mobiliários, observadas disposições legais específicas em contrário, têm pertinência e devem ser observadas na apuração dos resultados contábeis e fiscais. Pelo exposto, entendo que, também sob o ponto de vista de apuração dos resultados segundo os princípios e as normas contábeis, só pode ser aceita a dedutibilidade de ágio, com base nos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, quando este puder ser reconhecido segundo as normas contábeis, uma vez que os referidos dispositivos remetem ao ágio apurado nos temos do art. 20 do Decretolei nº 1.598/1997, que por sua vez deve ser reconhecido contabilmente conforme com as normas da escrituração comercial estabelecidas pela Lei nº 6.404, de 1976. No caso concreto, verificase que os dois conjuntos de operações que visariam à reestruturação societária prescindiam de um ou mais passos que ensejaram a criação do ágio, sendo que ao final o controle direto ou indireto da empresa investida mantevese inalterado. É o que ocorre na primeira operação, realizada em 2001, na qual três empresas (Hold On, Imediata e Jukybox) foram criadas com o único objetivo de fazer circular as participações detidas pela controladora na empresa brasileira Pioneer Sementes Ltda. O empréstimo bancário tomado pela empresa Jukybox, em 28/06/2001, para proceder à integralização de capital na empresa Hold On (operação na qual se apurou o ágio nas ações da Pionner detidas pela Hold On) revela a clara intenção de dar ares de legitimidade à operação, mas a devolução do recurso, na mesma data, à própria Jukibox para a quitação do empréstimo bancário tomado no dia anterior revela o artifício engendrado, que culmina, um dia depois na incorporação das 3 empresas criadas (Hold On, Imediata e Jukybox) pela Pionner, retornando à situação de controle original, mas com a reavaliação das ações desta última, que passou a amortizar o ágio criado artificialmente. Aplicandose os fundamentos anteriormente expendidos, não há como admitirse o reconhecimento de tal ágio e a sua amortização pela recorrente. A análise detida da segunda operação, realizada em 2005, não conduz a outra conclusão. Conforme foi transcrito anteriormente do acórdão recorrido, num prazo de 30 dias as empresas controladas, direta ou indiretamente pela empresa residente no exterior E.I. Du Pont de Nemours and Company (EID), procederam a diversas operações societárias mediante às quais incorporaram à empresa brasileira Du Pont Safety Resources do Brasil Ltda. (DSRB) teve seu capital exponencialmente aumentado, passando de R$29.232.115,00 para R$2.096.062.480,00, mediante o aporte, em 30/09/2005, de 11.804.916.969 ações ordinárias nominativas sem valor nominal da autuada (Du Pont do Brasil S/A), então detidas pela Griffin e cujo valor de mercado era de R$817.218.206,63, bem como com 26.789.280.459 quotas da Pioneer Sementes Ltda., também então de propriedade da Griffin, com valor nominal cada uma de R$0,01 e valor de mercado de R$1.249.612.159,12. Dez dias úteis depois, em 17 de outubro de 2005, foi celebrado Protocolo de Incorporação e Justificação celebrado entre a Du Pont do Brasil S/A (como incorporadora) e as Fl. 18891DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.892 63 outras seis sociedades brasileiras do grupo econômico (como incorporadas), entre elas a DSRB, a Griffin e a Pioneer (itens 24 e 25 de fls. 17.928 e 17.929). Por fim, em 31 de outubro de 2005, os sócios da DSRB em Assembléia Geral Extraordinária, aprovaram o referido Protocolo de Incorporação e Justificação concluindo a reorganização. Após estas incorporações, a autuada reconheceu e passou a amortizar o ágio registrado em 2005 em parte decorrente de reavaliação de si mesma e em parte decorrente de reavaliação da incorporada Pioneer. Como se vê, o ágio reconhecido decorreu unicamente da reavaliação das participação detidas pela mesma controladora, em operações societárias realizadas em que o principal objetivo, senão o único, foi o de gerar o ágio bilionário para posterior amortização, sem despender um único centavo. Desta feita, diante dos pressupostos anteriormente analisados para o reconhecimento e dedutibilidade do ágio, entendo que a glosa efetuada pela fiscalização está absolutamente correta. Com relação às alegações da recorrente no sentido de que as normas contábeis invocadas no TVF para fundamentar a impossibilidade de reconhecimento contábil, do ágio, notadamente o OfícioCircular CVM/SNC/SEP nº 1, de 14 de fevereiro de 2007, o Pronunciamento Técnico do CPC nº 04, de 03 de outubro de 2008, e a Resolução CFC nº 1.139, de 21 de novembro de 2008, não seriam obrigatórias antes de sua edição e que só seriam aplicáveis aos fatos ocorridos a partir da edição da Lei nº 11.638/2007, a que se fazer alguns reparos. No que tange ao OfícioCircular CVM/SNC/SEP nº 1, de 14 de fevereiro de 2007, que condena textualmente o reconhecimento do ágio gerado internamente, entre partes relacionadas, verificase, desde logo que sua edição ocorreu vários meses antes da sanção da Lei nº 11.638, ocorrida em 28 de dezembro de 2007, não podendo ser aceita a tese de que o mesmo teria sido expedido em decorrência daquela. Quanto ao seu caráter meramente interpretativo das normas contábeis já se discorreu extensamente tanto neste voto quanto no acórdão recorrido e, ainda, e em especial, no próprio TVF, que inclusive traz exemplos concretos nesse sentido (itens 85 a 97). Com relação ao Pronunciamento Técnico do CPC nº 04, de 03 de outubro de 2008 e demais resoluções do CFC, citadas no TVF, a autoridade fiscal tão somente as citou para consignar que se trata de entendimento contábil sedimentado , que perdura mesmo após as transformações introduzidas nas normas contábeis pela Lei nº11.638/2007, com se extrai dos itens 98 a 101 do TVF, onde são citados, verbis: É tão sedimentado o entendimento de que o ágio gerado internamente fundamentado em rentabilidade futura não se qualifica como ativo que, mesmo hoje, após a profunda modificação por que passou a contabilidade brasileira, o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), cm seu Pronunciamento Técnico CPC04 (RI), item 48, asseverou categoricamente: O ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwilí) gerado internamente não deve ser reconhecido como ativo. Fl. 18892DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.893 64 Na mesma linha, a Resolução CPC nº 1.110/07, do Conselho Federal de Contabilidade, assim preceitua em seu item 120: 120. O reconhecimento de ágio decorrente de rentabilidade futura gerado internamente (goodwül interno) é vedado pelas normas nacionais e internacionais. Assim, qualquer ágio dessa natureza anteriormente registrado precisa ser baixado. 100. Nesse exato sentido, assim dispõe o item 50 da Resolução CFC n° 1.157/09: 50. É importante lembrar que só pode ser reconhecido o ativo intangível do ágio por expectativa de rentabilidade futura se adquirido de terceiros, nunca o gerado pela própria entidade (ou mesmo conjunto de empresas sob controle comum). E o adquirido de terceiros só pode ser reconhecido, no Brasil, pelo custo, vedada completamente sua reavaliação. 101. Resta evidente, portanto, que o reconhecimento contábil do ágio gerado internamente é inadmissível na estrutura conceituai da contabilidade, ainda que tivesse sido pago, pois — por ser intragrupo — não teria decorrido de um processo de compra e venda de ativos líquidos entre partes independentes e não relacionadas. Por razão ainda mais consistente, a mesma sorte é reservada ao ágio gerado internamente c pelo qual sequer se realizou pagamento. K tal c a situação dos ágios contabilizados na DSRB quando dc seu aumento de capital em 30/09/2005, razão pela qual é inafastável concluir se pela ilicitude de seu reconhecimento contábil. Por fim, no que concerne a alegação de que teria sido pago inclusive ganho de capital sobre as operações, adota a fundamentação da DRJ, que afastou qualquer efeito concreto quanto aos fundamentos da discussão em tela, verbis: 86. Quanto ao Mandado de Segurança nº 2005.33.00.0185860 impetrado na Justiça Federal de Salvador pela empresa Griffin contra o Delegado da Receita Federal em Camaçari, os documentos de fls. 1.205 a 1.293 confirmam que seu objeto é imposto de renda incidente sobre eventual ganho de capital auferido pelos controladores estrangeiros nas operações societárias ocorridas em 2005 no Brasil, conforme esclarecido pelas autoridades autuantes (item 134 de fl. 17.983) e não contestado pela impugnante, que apenas afirmou que ao propor referida ação e depositar judicialmente agiu de forma conservadora. Assim, como o objeto deste Mandado de Segurança, que foi denegado em primeira instância, é distinto, seu resultado em nada afetará a lide contida nos presentes autos administrativos. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso quanto à glosa da amortização do ágio. Multa qualificada Com relação à multa de ofício qualificada, a recorrente sustenta que a a mesma é "inaplicável no presente caso, pois não houve fraude, simulação, conluio, atos contrários à legislação vigente ou que ocultem a ocorrência dos fatos geradores ou de algum de seus elementos, cujo ônus de prova é das autoridades autuantes, mas operações societárias claras que não esconderam a vontade real de formar um único grupo no Brasil, e a legislação, doutrina e jurisprudência, exigem a prova indubitável (e não presumida ou duvidosa) da ocorrência de ato fraudulento. Fl. 18893DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.894 65 A autoridade fiscal fundamento a aplicação da multa por entender demonstrada a intenção deliberada da recorrente de introduzir artificialmente a criação do ágio em operações societárias realizadas intragrupo, com vistas a reduzir os tributos devidos mediante a sua amortização, conforme se extrai dos excertos do TVF, verbis: 207. Diante das informações reunidas no curso do procedimento fiscal - como já detalhadamente antes exposto -, resta inafastável concluir pela subsunção dos fatos caracterizadores das infrações apontadas nos itens 3 e 4 à norma que veicula a exasperação da multa de ofício aplicável sobre créditos tributários objeto de lançamento de ofício. 208. Em ambas as operações, o sujeito passivo deliberadamente se utilizou da dedução de encargos de amortização de ágios gerados intragrupo para reduzir suas bases dc cálculo do FRPJ e da CSLL. E certo, ainda, que foram compactuadas operações entre empresas do mesmo grupo, tendo por objetivo único reduzir as bases tributáveis IRPJ e da CSLL. 209. Para tanto, em ambas as situações abordadas nos itens 3 e 4 o fiscalizado reconheceu contabilmente ágios gerados entre empresas do mesmo grupo empresarial em operações desprovidas de qualquer propósito negocial, a despeito do flagrante e notório repúdio a tal prática, seja pela teoria contábil, seja pela própria Comissão deValores Mobiliários (repise-se que ral autarquia expressou concretamente o entendimento contrário ao reconhecimento contábil de ágios internos em reiterados julgamentos administrativos, bem como genericamente no Ofício-Circular/CVM/SNC/SKP n° 01/2007, de 14 de fevereiro de 2007). Após essa ilícita manobra contábil, o sujeito passivo - após terem sido promovidas operações societárias (incorporações) também mtragrupo visando unicamente a ultimar o preenchimento das condições impingidas pelo art. 7" da Lei n° 9,532/97, que constitui a matriz legal do art 386 do RTR/99 - passou a amortizar tais ágios e consequentemente a reduzir os seus resultados fiscais. 210. O exclusivo e evidente intuito tributário almejado pelo sujeito passivo ao arquitetar as operações tratadas nos itens 3 e 4 fica ainda mais patente ao se investigar as circunstâncias que as envolveram. 211. Na infração fiscal apontada no item 3, o aumento de capital da DSRB (e o decorrente reconhecimento dos supostos ágios) com as ações do fiscalizado c as quotas da Pioneer (ambas avaliadas a valor de mercado, conforme laudos apresentados) se deu em 30/09/2005. Contudo, decorridos apenas 31 dias desde tal subscrição, foram promovidas novas operações intragrupo que tiveram como intuito implementar as condições exigidas pelo art. 386 do RIR/99 para a amortização fiscal dos hipotéticos gios. Em aproximadamente um mês, os ágios internos lastreados apenas em audos — e pelos quais nada se pagou foram ilicitamente reconhecidos e arreados ao fiscalizado, que passou a amortizálos, diminuindo suas bases de álculo do IRPJ e da CSLL. Fica claro, desse modo, ser este o verdadeiro objetivo das operações conjugadas de aumento de capital (da qual resultou o reconhecimento dos ágios internos) e das subsequentes (e quase imediatas) incorporações empreendidas. Custa acreditar que o "nascimento" dos ágios se deu em um contexto de mero aproveitamento das "sinergia.?7 entre as empresas (conforme manifestação do fiscalizado transcrita no parágrafo 16). Isso sem contar que, ainda que sé supusesse ser este o real objetivo das operações, o que se faz apenas em homenagem à argumentação, o mesmo desiderato teria sido atingido, ainda que as participações do fiscalizado e da Pioneer tivessem sido Fl. 18894DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.895 66 avaliadas a valor de livros quando do aumento de capital da DSRB realizado pela Griffin. E não é outra a conclusão que se extrai dos fatos retratados no item 4. Flouve igualmente o reconhecimento contábil de um ágio gerado intragrupo, o qual passou a ser fiscalmente amortizado (inicialmente pela Pioneer e posteriormente pela Du Pont), após terem sido empreendidas incorporações que tiveram como objetivo satisfazer as exigências determinadas pelo art 7" da Lei n" 9.532/97. Notese que as sociedades envolvidas nas operações abordadas no item 4. notadamente a Jukybox e a Hold On. não "sobreviveram" sequer por dois meses! Elas tiveram o único objetivo de gerar o ágio a ser amortizado. Cumprido o propósito de carrear o ágio à Pioneer, foram extintas por incorporação. Há que se notar, ainda, que a operação da qual resultou o ágio ocorreu em 28/06/2001 (aumento de capital da Hold On realizado pela )ukybox), ao passo que em 29/06/2001, isto é, no dia seguinte, ambas foram incorporadas, passando o suposto ágio a ser fiscalmente amortizado pela Pioneer (e posteriormente por sua sucessora, a Du Pont do Brasil S/A). E indiscutível, portanto, que também nessa situação do item 4, o objetivo tributário foi o propulsor das operações societárias planejadas e das quais resultaram tanto o ilegítimo reconhecimento do ágio, quanto sua subsequente c ilegal amortização fiscal. Pelo exposto, resta demonstrado que as operações intragrupo das quais resultaram os ágios abordados neste Termo de Verificação Fiscal (bem como as subsequentes incorporações) foram deliberadamente arquitetadas com o objetivo de artificialmente reconhecê-los e ilegalmente amortizá-los, justificando a aplicação da multa de ofício qualificada. Examinando o conjunto de elemento dos autos, entendo que restou caracterizada intenção deliberada do sujeito passivo de reduzir ou suprimir tributos caracterizadora da sonegação descrita no art. 73 da Lei nº 4.502/1964, e não uma mera interpretação equivocada do real alcance das normas tributárias que disciplinam a amortização do ágio em reorganizações societárias. Ainda que se considere que os processos de reorganização societária empreendidos tenham servido a algum propósito empresarial, como alega a recorrente, não há qualquer justificativa razoável para a realização das etapas de criação do ágio, pois se o intuito seria a aglutinação das unidades de negócio, quanto mais diretas fossem as operações mais rápido estariam atingidos os mencionados objetivos. O que se observa é que todo o processo de reorganização poderia ter sido conduzido sem qualquer discussão sobre a geração dos ágios gerados no bojo das operações societárias engendradas. No primeiro caso (agio na empresa Pioneer), salta aos olhos a intrincada operação em que foram interpostas no negócio três outras empresas que não tiveram outro propósito que não o de viabilizar a criação de ágio, como requinte da simulação de um aporte em dinheiro baseado em um empréstimo bancário que foi tomado e quitado de um dia para o outro, tão somente para dar verossimilhança ao negócio, deixando mais do que clara a intenção de criação fictícia da despesa com ágio para reduzir tributos. Fl. 18895DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.896 67 No segundo caso, um ágio superior a 1,6 bilhões de Reais foi gerado artificialmente em operações societárias realizadas num espaço de trinta dias, revelando o intuito deliberado de criar um ágio sabidamente inexistente para ser deduzido como despesas. A alegada licitude e transparência dos atos societários realizados não tem o condão de afastar a real vontade subjacente a estes, qual seja a criação de despesas fictícias. Sua existência formal, longe de validar as operações, servem apenas como suporte para ocultar sob a capa de reestruturação societária a real intenção de reduzir ou suprimir tributo. Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso nesta parte, para manter a multa de ofício aplicada. Tributação reflexa: CSLL Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, e partirem da mesma base (Lucro líquido) para o ajuste da base de cálculo aplicase integralmente ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido as conclusões relativas ao IRPJ. Assim, voto por negar provimento ao recurso também em relação à CSLL. Recomposição de Saldo de Prejuízos Fiscais e Bases Negativas A recorrente alega que as autoridades fiscais consideraram um saldo de prejuízos fiscais apurados antes de 2005 no montante de R$ 410.103.610,93, mas, segundo seus cálculos, o saldo é de R$427.931.664,25, sendo que a diferença (R$17.828.053,32) refere se a montante exigido em auto de infração (cópias às fls. 18392 a 18405), que se encontra com a exigibilidade suspensa nos moldes do artigo 151, inciso III, do CTN (cópia da impugnação ainda pendente de julgamento às fls. 18407 a 18459), motivo pelo qual requer que, no caso de improcedência daquele auto de infração, seja considerado no presente processo o saldo de prejuízo fiscal corretamente apurado pela impugnante. O pleito da recorrente não pode ser atendido pelo óbvio motivo de que não é possível proferir um decisão condicionada e, ainda que o fosse, caso o referido auto de infração venha a ser considerado improcedente ao final daquele processo, a consequência será o restabelecimento do saldo naquele processo e não neste, pois os fatos que deram ensejo à utilização de parte dos saldos disponíveis no montante apontado pela recorrente são pertinentes unicamente àquele processo. Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso neste ponto. Incidência de Juros sobre a multa A recorrente alega que não pode prosperar a cobrança dos juros de mora sobre a multa de ofício agravada, por absoluta ausência de previsão legal. Não assiste razão à recorrente. Dispõe o art. 161 do CTN que o crédito tributário não pago no vencimento deve ser acrescido de juros de mora, qualquer que seja o motivo da sua falta. Dispõe ainda em seu parágrafo primeiro que se a lei não dispuser de modo diverso os juros são calculado à taxa de 1% ao mês. Fl. 18896DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.897 68 Ocorre que o legislador estabeleceu no art. 61 da Lei n° 9.430/1996 que, a partir de janeiro de 1997, os débitos vencidos com a União serão acrescidos de juros de mora calculados pela taxa SELIC quando não pagos nos prazos previstos na legislação tributária, até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Não resta dúvida que os débitos a que se refere a Lei n° 9.430/1996 correspondem ao crédito tributário de que dispõe o art. 161 do CTN. O crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Por sua vez, o art. 113, em seu parágrafo primeiro define que a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Ora, se o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta deve abranger o tributo e a penalidade pecuniária. Assim é que o art. 142 do CTN determina que a autoridade competente constitua o crédito tributário, calculando o montante do tributo e a penalidade aplicável. A multa de oficio é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida juntamente com o tributo devido. Assim, uma vez constituído o crédito pelo lançamento de ofício, ao tributo agregase a multa de ofício, tendo ambos a natureza de obrigação tributária principal e, sobre ele deve incidir integramente os juros à taxa SELIC. A jurisprudência das turmas desta câmara e da própria CSRF é majoritária a favor da incidência dos juros SELIC sobre a multa de ofício: Acórdão n° 1301000.111, de 04/12/2012: JUROS SOBRE MULTA. INAPLICABILIDADE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. NÃO OCORRÊNCIA. A obrigação tributária principal dáse com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional, de sorte que o crédito tributário corresponde à obrigação tributária principal, incluindo a multa de ofício proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Acórdão n° 1302000.959, de 07/08/2012: JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. É escorreita a cobrança de juros, calculados à taxa Selic, sobre multa de ofício, nos termos do §3°do art. 61 da Lei n°9.430/96. Acórdão n° 910100.539, de 11/03/2010 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Fl. 18897DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.898 69 A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Por fim, é oportuno observar que a incidência de juros SELIC sobre a multa exigida isoladamente é expressamente prevista no § único do art. 43 da Lei n° 9.430/1996, in verbis: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Assim, voto no sentido de rejeitar a alegação. Juros de Mora calculados à taxa Selic. A recorrente contesta a aplicação da taxa de juros, baseada na taxa Selic, alegando inconstitucionalidade e ilegalidade, conforme o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Acórdão de Recurso Especial 450.422/PR, proferido em 26/6/04, sendo relatora a ministra Eliana Calmon. Adotase como fundamento o quando sustentado na decisão recorrida, verbis: O art. 161, § 1º, do CTN dispôs que “se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês”. Pois o art. 13 da Lei 9.065/95 e no art. 61, § 3º, da Lei 9.430/96 instituíram a taxa Selic como índice de juros de mora. Portanto, a exigência tem base legal. A aplicação da Selic nos juros moratórios foi objeto da Súmula Carf 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por fim, registrase que o Supremo Tribunal Federal, sob o ângulo de repercussão geral, assentou a validade do uso da taxa Selic como parâmetro de fixação dos juros de mora em face de débitos tributários, tendo como pressuposto que “a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária” (Acórdão do Recurso Extraordinário 582.461/SP, de 18/5/11, relatado pelo ministro Gilmar Mendes). Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 18898DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.899 70 Declaração de Voto Venia concessa ao D. Relator, mas ouso divergir de seu voto em relação, tão só, à operação tratada como "Ágio 2001". Antes contudo, sempre tomo o cuidado de fixar as premissas jurídicas que permeiam o meu entendimento sobre o ágio e as respectivas despesas de amortização. Não pretendo, aqui, me estender demais sobre os aspectos teóricos do tema, até porque, neste ponto, o entendimento consignado pelo D. Relator e o meu convergem; tenho, assim como o Conselho Marcos Antônio Nepomucemo, a convicção de que a atuação estatal é subserviente à lei, nos estritos de seus dizeres; e, lado outro, que o contribuinte/cidadão/administrado tem, na lei, a garantia de que não suportará exigência nela não contemplada, nem tampouco terá vedada a prática de ato por ela (lei) não proibido. Daí me recusar a aceitar a posição doutrinária/jurisprudencial que sustenta, como critérios de validação de reestruturações societárias ou negócios jurídicos outros, a existência de um "etéreo" intento negocial ou, melhor dizendo, de substância econômica; a figura da "elusão fiscal" é, na minha visão, fruto de uma criatividade hermenêutica encerrada numa seara (Direito Tributário) que não comporta semelhante liberdade interpretativa (dado regular uma tão desiquilibrada relação Estado x Cidadão). Mas, da mesma forma que me mostro rígido quanto a aplicação da lei em prol do contribuinte, não admito a sua subversão por parte do cidadão para obtenção de vantagens de qualquer natureza, nem mesmo minimamente. Acredito, digase, que, a despeito da falta de regulamentação quanto as disposições do art. 116, parágrafo único, do CTN, nenhum ato praticado de forma ilícita pode ter a sua validade reconhecida, seja para qual fim for (para obtenção de vantagem econômica ou mesmo tributária); e o ato simulado é, nos termos do art. 167 do CC, um ato ilícito por excelência! Nada osbtante, vejam bem, a simulação não é tipifacada pela falta de intento negocial ou ausência de uma substância econômica; dadas as minhas convicções já expostas anteriormente, sou absolutamente avesso à adoção de critérios metajurídicos para a verificação da ocorrência ou não de simulação ou dissimulação; especificamente, a figura da já citada "elusão fiscal" é, em verdade, uma ficção ilegal (rogata maxima venia) já que, intento negocial, operações entre partes relacionadas, velocidade da prática de atos societários, são critérios que podem auxiliar na apuração do intento fraudulento mas não podem ser determinantes para a aplicação da regra inserta no art, 116 supra; o determinismo, aqui, é dado pela verificação, in concreto, de uma prática ilícita (na sua essência). Vale destacar que o Código Civil adota, realmente, critérios objetivos (e não subjetivos) para atestar a ocorrência de atos eivados de ineficácia (o ato é nulo e não anulável), como se extrai das preposições contidas no seu art. 167: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: Fl. 18899DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.900 71 I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados. § 2o Ressalvamse os direitos de terceiros de boafé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado. Em especial, a previsão contida no inciso I poderia indiciar o predito "subjetivismo"; tratase de subjetivismo aparente; no caso, o ato ou fato praticado é fictício; é inexistente; os direitos não são transmitidos (ainda que formalmente se diga o contrário)... em linhas gerais, a partes formalmente pactuantes não percebem, efetiva e concretamente, os efeitos do negócio que, outrossim, atingem, "sob os panos", terceiros não aventados no instrumento negocial. É aqui que o caso em análise se distancia de outros que já tive a oportunidade de me manifestar. Porque, tão só no caso da operação realizada no ano de 2001, não se observou, em qualquer etapa daquela operação, qualquer efeito concreto (patrimonial ou, até, digase, fiscal) entre as partes contratantes. Não houve, digase, qualquer modificação efetiva da situação patrimonial das empresas criadas (Imediata, Hold On ou Jukybox) nem tampouco houve, por meio destas empresas, qualquer circulação de ativos; objetivamente, o que se observa foi que, negócios efetivos, ainda que sob os panos, ocorreram apenas entre o Grupo Du Pont e a sua controlada Pioneer (consistentes, quando muito, numa reavaliação "torta" dos ativos desta última). Durante a sessão de julgamento, vale destacar, inclusive pontuei, com certo grau de acidez (pelo que peço desculpas), que a operação em questão poderia ser representada, graficamente, por uma imagem de uma "línguadesogra"; utlizandome de um exemplo, talvez, mais ´serio, a operação se assimilaria à uma bexiga que se infla de ar e esvazia)! A estrutura original existente se inflou e desinflou sem que se observasse qualquer modificação patrimonial de fato nas empresas criadas e, em seguida, reassimiladas; não se observou qualquer tipo de impacto nas empresas responsáveis pela "inflação" da estrutura; tais empresas, digase, existiram, apenas, formalmente; somente as o componentes da estrutura originária "não aventados no instrumento negocial" perceberam os efeitos, "por baixo dos panos" do "enchimento deste balão" A meu ver, pois, esta operação sim, tipificaria um caso típico, concreto e palpável de simulação, na acepção mais estrita deste instituto, tal qual previsto no citado art. 167, I, do Código Civil, porque, ao largo da identificação ou não do intento negocial, o fato é que não se observou, no caso em análise, qualquer efeito concreto (de qualquer natureza) destacável nas operações praticadas tais operações aparentaram "conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem". Por esta razão voto por negar provimento ao recurso voluntário neste ponto. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 18900DF CARF MF Processo nº 13896.722004/201118 Acórdão n.º 1302002.568 S1C3T2 Fl. 18.901 72 Fl. 18901DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.000326/2008-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2007
INDEFERIMENTO DA OPÇÃO. PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO.
Expirado o prazo de trinta dias para manifestação contra o indeferimento
da opção pelo Simples Nacional, deve ser declarada a revelia, sendo que
eventual petição, apresentada fora do prazo, não instaura a fase litigiosa do
procedimento.
Numero da decisão: 1001-000.334
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em conhecer parcialmente do recurso, apenas em relação à questão sobre a intempestividade da impugnação e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2007 INDEFERIMENTO DA OPÇÃO. PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. Expirado o prazo de trinta dias para manifestação contra o indeferimento da opção pelo Simples Nacional, deve ser declarada a revelia, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não instaura a fase litigiosa do procedimento.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10640.000326/2008-11
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5848904
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 30 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1001-000.334
nome_arquivo_s : Decisao_10640000326200811.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : EDUARDO MORGADO RODRIGUES
nome_arquivo_pdf_s : 10640000326200811_5848904.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em conhecer parcialmente do recurso, apenas em relação à questão sobre a intempestividade da impugnação e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
id : 7190959
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009245581312
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1365; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 2 1 1 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.000326/200811 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.334 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 17 de janeiro de 2018 Matéria Indeferimento da Opção SIMPLES Recorrente GRIFFE EMBORRACHADOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 INDEFERIMENTO DA OPÇÃO. PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. Expirado o prazo de trinta dias para manifestação contra o indeferimento da opção pelo Simples Nacional, deve ser declarada a revelia, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não instaura a fase litigiosa do procedimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em conhecer parcialmente do recurso, apenas em relação à questão sobre a intempestividade da impugnação e, no mérito, na parte conhecida, em negar lhe provimento (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 03 26 /2 00 8- 11 Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10640.000326/200811 Acórdão n.º 1001000.334 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 355 a 376) interposto contra o Acórdão nº 0940.544, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG (fls. 347 a 351), que, por unanimidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: " ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 INDEFERIMENTO DA OPÇÃO. PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. Expirado o prazo de trinta dias para manifestação contra o indeferimento da opção pelo Simples Nacional, deve ser declarada a revelia, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não instaura a fase litigiosa do procedimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Tratase de manifestação de inconformidade contra o indeferimento da opção da interessada pelo Simples Nacional – Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP) –, de que trata o artigo 12 da Lei Complementar nº 123/2006. Em 11 de julho de 2007 a empresa foi impedida de optar pelo regime especial, por meio do Termo de Indeferimento, à fl. 19 do processo virtual, em razão do exercício de atividade econômica vedada, código 74901/04 correspondente intermediação e agenciamento de serviços e negócios em geral, exceto imobiliários, com fundamento no art. 17, inciso XI, da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006. Inconformada, em 23/01/2008, a interessada apresentou requerimento, alegando que: 1. “A empresa acima identificada solicitou opção pelo SIMPLES NACIONAL em 11/07/2007 (doe. anexo), tendo sua inscrição indeferida para o anocalendário de 2007”. 2. descreve as razões identificadas para o indeferimento; 3. as pendências já foram devidamente solucionadas; 4. “Nos termos da Resolução n.° 23 do CGSN, as empresas optantes pelo Simples Nacional que tenham sido excluídas do regime poderão permanecer como optantes mediante a comprovação da regularização do débito no prazo de até 30 Fl. 388DF CARF MF Processo nº 10640.000326/200811 Acórdão n.º 1001000.334 S1C0T1 Fl. 4 3 (trinta) dias contados a partir da ciência da exclusão. Nos termos deste ato normativo, o referido prazo de 30 dias aplicase inclusive no caso de ausência de regularização da inscrição municipal ou estadual, quando exigível”. 5. “Observese a redação do §13 no art. 6º da Resolução CGSN n.° 15, com redação dada pelo art. 4º da Resolução n.° 23 do CGSN: "§ 13. No caso da exclusão prevista nos §§ 1º e 2º do art. 21A da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, aplicarseão os efeitos da exclusão previstos no inciso V, aplicandose o disposto no § 5° deste artigo, inclusive no caso de ausência de regularização da inscrição municipal ou estadual, quando exigível." 6. Uma vez que a GRIFFE EMBORRACHADOS LTDA ainda não recebeu intimação formal do indeferimento de sua opção para o anocalendário de 2007, e considerando a necessidade de regularização das competências de 07 a 12 de 2007, a citada empresa busca, através deste Pedido de Regularização, com fundamento na Resolução n.° 23 do Comitê Gestor do Simples Nacional, a regularização de sua opção para o anocalendário de 2007.”" Inconformada com a decisão de primeiro grau, que não conheceu da manifestação de inconformidade em razão da extemporaneidade, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário apresentando 3 argumentos: (i) Discordando da intempestividade reconhecida em primeira instância, sob o mesmo argumento de não ter sido regularmente intimada do indeferimento de sua opção pelo simples, apresentando cópia de sua caixa postal que supostamente não conteria nenhuma intimação; (ii) reiterando o mérito de sua manifestação de inconformidade, qual seja, teria a recorrente regularizado todas as situações que levaram ao indeferimento da opção pelo Simples; e (iii) sob a argumentação da necessidade de busca da verdade material, o mérito da manifestação de inconformidade deveria ser conhecido mesmo que apresentado fora do prazo. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, no entanto, dele conheço apenas parcialmente. Passo a explicar as razões para o parcial conhecimento. Fl. 389DF CARF MF Processo nº 10640.000326/200811 Acórdão n.º 1001000.334 S1C0T1 Fl. 5 4 Se faz oportuno salientar que nos casos em que o Recurso Voluntário é interposto contra decisão que não conheceu das razões iniciais oferecidas pelo contribuinte, seja por ocasião de Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, a cognição deve se restringir tão somente aos fundamentos e conclusões que nortearam a decisão de primeira instância pelo não conhecimento da medida processual interposta. Destarte, no caso deste Conselho entender que a decisão de piso errou ao não conhecer do processo, deve se limitar a anular o julgamento de primeira instância e determinar a baixa dos autos para que se realize novo julgamento, desta vez analisando o mérito. Se não for desta forma, qualquer decisão desta instância recursal que se preste a proceder diretamente ao julgamento de mérito, cerne da questão trazida pelo contribuinte, estarseá suprimindo o primeiro grau de jurisdição, situação claramente incompatível com os ditames constitucionais. Assim, sendo exatamente esta a situação concreta dos presentes autos, esclareço que analisarei tão somente as questões que ensejaram o NãoConhecimento da presente medida por parte da DRJ de origem. Superada esta questão, passo à análise do recurso e da decisão ora atacada. Por ocasião do presente recurso, a Recorrente pretende refutar a intempestividade declarada pela decisão de primeiro grau com base em dois argumentos: (i) apresenta cópia de sua caixa postal eletrônica, onde supostamente não constaria nenhuma intimação referente à opção do Simples; e (ii) alega que a data tida como do indeferimento seria na verdade apenas a data do requerimento da opção. Pois bem, após análise cuidadosa dos autos, entendo que nenhum dos dois argumentos tem o condão de desconstituir a argumentação asseverada na decisão ora atacada. Primeiramente, insta dizer que a apresentação da tela da caixa postal eletrônica do contribuinte não produz qualquer prova a favor do contribuinte, vez que, conforme cediço a Lei Complementar 123/06 estabelece meio próprio para comunicações e intimações via o Portal próprio na internet para questões atinentes ao Simples Nacional, conforme o art. 16, §1ºB, inciso I, abaixo transcrito: Art. 16.A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o anocalendário. (...) §1ºA. A opção pelo Simples Nacional implica aceitação de sistema de comunicação eletrônica, destinado, dentre outras finalidades, a: Icientificar o sujeito passivo de quaisquer tipos de atos administrativos, incluídos os relativos ao indeferimento de opção, à exclusão do regime e a ações fiscais; IIencaminhar notificações e intimações; e Fl. 390DF CARF MF Processo nº 10640.000326/200811 Acórdão n.º 1001000.334 S1C0T1 Fl. 6 5 IIIexpedir avisos em geral. §1ºB. O sistema de comunicação eletrônica de que trata o § 1o A será regulamentado pelo CGSN, observandose o seguinte: I as comunicações serão feitas, por meio eletrônico, em portal próprio, dispensandose a sua publicação no Diário Oficial e o envio por via postal; Outrossim, conforme bem asseverado pela decisão de primeira instância, a data constante do termo de indeferimento (fls. 16 e 17) da opção disponibilizada regularmente pelos meios próprios, deve ser considerada para o início da contagem de 15 dias prévios à abertura dos prazos, não sendo óbice qualquer se eventualmente esta data tenha coincidido ou não com a data do requerimento. Por economia processual, e por entender que bem esgotou a análise legal do tema, transcrevo abaixo o trecho da decisão da DRJ de origem que merece ser aqui destacado: " A propósito da tempestividade, quando a contribuinte alega que ainda não foi formalmente intimada do indeferimento de sua opção, cabe transcrever os arts. 5º, 15 e 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, com as alterações vigentes por ocasião da ocorrência dos fatos relatados, in verbis: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (...) Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10640.000326/200811 Acórdão n.º 1001000.334 S1C0T1 Fl. 7 6 (...) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) grifos acrescentados A Lei Complementar nº 123 de 14/12/2006, estabeleceu o contencioso administrativo nos casos de exclusão e indeferimento de opção para ingresso ao Simples Nacional, atribuindo a competência ao órgão julgador integrante da estrutura administrativa do ente federativo que efetuar o lançamento ou a exclusão de ofício, nos seguintes termos: Art.39. O contencioso administrativo relativo ao Simples Nacional será de competência do órgão julgador integrante da estrutura administrativa do ente federativo que efetuar o lançamento ou a exclusão de ofício, observados os dispositivos legais atinentes aos processos administrativos fiscais desse ente. [...] §4º Considerase feita a intimação após 15 (quinze)dias contados da data do registro da notificação eletrônica de que tratam os §§7º e 8º do art. 29 desta Lei Complementar. O § 4º do artigo acima transcrito, remete aos §§ 7º e 8º do artigo 29 da Lei Complementar nº 123/2006, dispõe sobre a possibilidade de notificação eletrônica dos atos de exclusão do Simples Nacional, que também pode ser aplicada ao indeferimento da opção pelo Simples Nacional. Como se pode observar da legislação citada, os prazos são contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento, e somente se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato, e a impugnação deve ser apresentada no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. No caso concreto, levandose em conta que a data de registro, consignada como “data da solicitação” em campo próprio do Termo de Indeferimento, à fl. 19 do processo virtual, foi 11/07/2007 (quartafeira), considerase a contribuinte Fl. 392DF CARF MF Processo nº 10640.000326/200811 Acórdão n.º 1001000.334 S1C0T1 Fl. 8 7 cientificada (formalmente intimada de seu indeferimento) no dia 26/07/2007 (quinta feira), ou seja, quinze dias após a data registrada no meio eletrônico. Portanto, o prazo de trinta dias para apresentação da manifestação de inconformidade da interessada encerrouse em 27/08/2007 (segundafeira, primeiro dia útil seguinte ao vencimento do prazo em 25/08/2007 sábado). Ressaltese que o termo de indeferimento tem registro eletrônico na data da solicitação que no caso ocorreu em 11/07/2007. Como a manifestação de inconformidade foi apresentada apenas em 23/01/2008, é intempestiva, uma vez que já havia decorrido o prazo de trinta dias, previsto no art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1972." Destarte, superada a questão da tempestividade, cabe dizer que a decisão de primeira instância também enfrentou a questão da impossibilidade de se conhecer das razões da Recorrente independente da tempestividade, conforme excerto abaixo: " À luz, pois, do arts. 14 e 21 do Decreto nº 70.235/72, a intempestividade do pedido implica a revelia, não se instaurando a fase litigiosa do procedimento. Não havendo lide, não há que se falar em julgamento. Dispondo sobre a hipótese de não haver a entrega tempestiva da impugnação, o CoordenadorGeral do Sistema de Tributação baixou o Ato Declaratório Normativo Cosit nº 15, de 12/07/1996, a seguir transcrito, convalidado no § 3º do artigo 56 do Decreto 7.574/2011: 'Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que, expirado o prazo para impugnação da exigência, deve ser declarada a revelia e iniciada cobrança amigável, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar.” (grifos acrescentados)'" Ora, não se pode olvidar que, mesmo sob o manto da busca da verdade material, não se pode permitir o completo descaso as normas processuais. Com efeito, daa mesma forma que se exige dos órgãos e agentes da administração fazendária respeito à estrita legalidade no tocante aos procedimentos administrativos, em boa parte também se deve exigir o mesmo respeito por parte dos contribuintes. Desta forma, seguindo o entendimento esposado pelo trecho supra colacionado, entendo não ser possível conhecer das pretensões da Recorrente, haja vista a intempestividade já demonstrada de sua manifestação de inconformidade. Isto posto, por consequencia, entendo prejudicada à analise dos argumentos da Recorrente quanto a regularização dos fatores que conduziram ao indeferimento da opção pelo Simples. Fl. 393DF CARF MF Processo nº 10640.000326/200811 Acórdão n.º 1001000.334 S1C0T1 Fl. 9 8 Por derradeiro, diante de tudo o que foi exposto, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 394DF CARF MF
score : 1.0
