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Numero do processo: 10725.001078/2008-95
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Jun 02 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2005
RECURSO VOLUNTÁRIO FORMULADO SEM OS MOTIVOS DE FATO E DE DIREITO QUE AMPARAM O PEDIDO. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTO RECURSAL.
Recurso voluntário formulado de maneira genérica, sem apresentar os motivos de fato e de direito que amparam o pedido, viola o disposto no art. 16, III do Decreto nº 70.235/72, acarretando seu não conhecimento por ausência de pressuposto de admissibilidade.
Numero da decisão: 2002-006.203
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil, que o conheceram integralmente.
(documento assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Diogo Cristian Denny Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Presidente), Diogo Cristian Denny, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: Mônica Renata Mello Ferreira Stoll
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AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTO RECURSAL. Recurso voluntário formulado de maneira genérica, sem apresentar os motivos de fato e de direito que amparam o pedido, viola o disposto no art. 16, III do Decreto nº 70.235/72, acarretando seu não conhecimento por ausência de pressuposto de admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil, que o conheceram integralmente. (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Presidente (documento assinado digitalmente) Diogo Cristian Denny – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Presidente), Diogo Cristian Denny, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Trata-se de Notificação de Lançamento (e-fls. 63/69) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física no exercício de 2005, ano-calendário de 2004. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 00 10 78 /2 00 8- 95 Fl. 145DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-006.203 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10725.001078/2008-95 O lançamento tem origem na revisão da declaração de ajuste anual correspondente ao ano-calendário acima referido, quando teriam sido constatadas deduções indevidas de despesas médicas, despesas com instrução e previdência privada. A Impugnação foi julgada procedente em parte pela 6ª Turma da DRJ/JFA, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DEDUÇÕES. CONTRIBUIÇÃO PARA A PREVIDÊNCIA PRIVADA. Na determinação da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física poderão ser deduzidas as contribuições para as entidades de previdência privada domiciliadas no País, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social, respeitando-se o limite legal. DEDUÇÕES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Há que ser restabelecida a dedução glosada pela autoridade fiscal por falta de apresentação de documentação comprobatória na fase de revisão da declaração de rendas, quando tal valor restar devidamente corroborado na fase impugnatória. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. São passíveis de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda as despesas médicas se devidamente comprovadas, em nome do contribuinte ou de seus dependentes, por documentação que preencha todos os requisitos estabelecidos em lei. Na falta de comprovação por documentos hábeis é de se manter a glosa das despesas médicas declaradas, sobretudo quando houver necessidade de elementos adicionais para a formação da convicção de sua ocorrência, além dos recibos. Cientificado do acórdão de primeira instância em 26/07/2011 (fls. 123), o interessado interpôs Recurso Voluntário em 22/08/2011 (fls. 124), com os seguintes dizeres “venho por meio deste, anexar a este processo laudos referentes às despesas médicas que fora consideradas glosadas.” Voto Conselheiro Diogo Cristian Denny – Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, porém, não deve ser conhecido, pelas razões que passo a expor. Muito embora seja aplicável ao processo administrativo fiscal o princípio do informalismo moderado, a irresignação do contribuinte deve atender a requisitos formais mínimos elencados nos arts. 15 e seguintes do Decreto nº 70.235/72, dentre os quais se destaca o disposto no inciso III do seu art. 16: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; É ônus do contribuinte, por conseguinte, apresentar a causa de pedir do recurso, ou seja, apontar os fatos e fundamentos jurídicos que, a seu ver, são capazes de gerar a alteração Fl. 146DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-006.203 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10725.001078/2008-95 ou a invalidação da decisão atacada; trata-se de pressuposto de admissibilidade do recurso que impede a formulação de negação ou impugnação de caráter genérico. Insuficiente, portanto, apenas juntar documentos, sem qualquer fundamentação e sem enfrentar os fundamentos da decisão recorrida. Em arremate, destaco que o não acolhimento de recursos genéricos, apresentados nos termos acima descritos, tem sido referendado por este Tribunal, senão vejamos, com destaques de nossa autoria: MATÉRIA RECORRIDA GENERICAMENTE. A matéria recorrida de maneira genérica em tempo e modo próprios não deve ser conhecida pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF. DIALETICIDADE. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Para ser conhecido o recurso é necessário o enfrentamento dos fundamentos da decisão atacada. (Acórdão 3201-007.385, de 21/10/2020) RECURSO VOLUNTÁRIO FORMULADO SEM OS MOTIVOS DE FATO E DE DIREITO QUE AMPARAM O PEDIDO. ART. 16, III, DO DECRETO 70.235/72. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTO RECURSAL. Recurso voluntário formulado de maneira genérica, sem apresentar os motivos de fato e de direito que amparam o pedido, viola o disposto no art. 16, III do Decreto nº 70.235/72, acarretando seu não conhecimento por ausência de pressuposto de admissibilidade. Recurso Voluntário Não Conhecido. (Acórdão 2802-003.299, de 21/01/2015) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006 IMPUGNAÇÃO GENÉRICA. CONHECIMENTO. Não se deve conhecer de recurso cuja impugnação não obedeça ao preconizado pelo art. 16, III, do Decreto n° 70.235, de 1972. (Acórdão 1202-001.190, de 27/08/2014) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRESERVAÇÃO DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE. PRESSUPOSTOS RECURSAIS INTRÍNSECOS E EXTRÍNSECOS. PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. ÔNUS DA IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. ALEGAÇÕES RECURSAIS GENÉRICAS. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA PELA DECISÃO HOSTILIZADA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DE FUNDAMENTOS AUTÔNOMOS E SUFICIENTES DO ACÓRDÃO RECORRIDO. DUPLO GRAU DO CONTENCIOSO TRIBUTÁRIO. PROIBIÇÃO DA SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. VEDAÇÃO DE DISCUSSÃO DE MATÉRIA NÃO DECIDIDA NA PRIMEIRA INSTÂNCIA. O recurso voluntário interposto, apesar de ser de fundamentação livre e tangenciado pelo princípio do formalismo moderado, deve ser pautado pelo princípio da dialeticidade, enquanto requisito formal genérico dos recursos. Isto exige que o objeto do recurso seja delimitado pela decisão recorrida havendo necessidade de se demonstrar as razões pelas quais se infirma a decisão. As razões recursais precisam conter os pontos de discordância com os motivos de fato e/ou de direito, impugnando especificamente a decisão hostilizada, devendo haver a observância dos princípios da concentração, da eventualidade e do duplo grau de Fl. 147DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-006.203 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10725.001078/2008-95 jurisdição. A ausência do mínimo de arrazoado dialético direcionado a combater as razões de decidir da decisão infirmada, apontando o erro in procedendo ou o erro in judicando nas suas conclusões, acarreta o não conhecimento do recurso por ausência de pressuposto extrínseco de admissibilidade pertinente a regularidade formal. De igual modo, a preclusão, decorrente da não impugnação específica no tempo adequado, redunda no não conhecimento por ausência de pressuposto intrínseco de admissibilidade pertinente ao fato extintivo do direito de recorrer. (Acórdão 2202- 005.055, de 14/03/2019) RECURSO VOLUNTÁRIO. CONHECIMENTO. É inepto o recurso voluntário em que o contribuinte deixa de apresentar impugnação específica aos fundamentos da decisão que pretende ver reformada. Ao recorrente incumbe impugnar os pontos da decisão hostilizada, sob pena de não devolver à instância recursal o conhecimento da matéria em discussão na causa. No caso, o “Aditivo à Impugnação”, protocolizado tempestivamente pela Contribuinte e supervenientemente por ela denominado de recurso voluntário, sequer faz menção ao acórdão recorrido, quanto menos traz impugnação aos fundamentos por este (acórdão) utilizados para manter os lançamentos. O denominado “aditivo ao recurso voluntário”, este sim efetivo recurso voluntário interposto contra o acórdão recorrido, não pode ser conhecido por quanto apresentado fora do prazo recursal estabelecido na legislação de regência. (Acórdão 1102-001.204, de 23/09/2014) Conclusão Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Diogo Cristian Denny Fl. 148DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 35524.000184/2007-68
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2803-000.100
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a autoridade notificante: a) solicite cópia da Consulta Fiscal n° 115/2000 ou equivalente mencionada pelo contribuinte em sua impugnação e no recurso voluntário, para juntar aos autos ou indicar a página em que consta dos autos. A fiscalização deve se pronunciar se está vinculada ao entendimento da consulta, a validade da consulta em
relação ao lançamento e se continua válida atualmente, se o questionamento da consulta pode ser aplicado ao lançamento, se o contribuinte está abrangido pela consulta, e, as razões de suas
alegações; b) A fiscalização deve confirmar ou informar em nome de quem foi emitida a nota fiscal de serviço utilizada no levantamento do lançamento fiscal, e, se a Unimed Origem (o
recorrente) emitiu fatura ou nota fiscal às empresas contratantes, não só dos serviços prestados pelos seus próprios cooperados, mas também daqueles prestados por cooperados de outras cooperativas (conforme item 1 da citada consulta acima transcrito, p. 817 dos autos), juntando aos autos as razões e comprovações de suas alegações. A fiscalização deve apresentar outras informações que entender necessárias em relação ao recurso do contribuinte, em especial, em relação às planilhas e suposições apresentadas pelo recorrente que induzem à existência de outras parcelas, que não a prestação de serviços por cooperados, e, que a base de cálculo foi majorada, por exceder a abrangência dos serviços pessoais e sua respectiva remuneração aos cooperados; c) após, o contribuinte deve ser citado para apresentar contestação, se desejar, e, ao final os autos devem ser encaminhados para julgamento, d) quanto aos planos de pré-pagamento quantificar os serviços médicos prestados aos usuários por outras cooperativas fora do Estado do Espírito Santo. Quantificar quanto foi pago por estes usuários pelo plano de pré-pagamento. Comparar o resultado do serviço médico sobre o total do valor com o tot al de 30% (trinta por cento) presumido. Vencido Conselheiro Eduardo de Oliveira. O conselheiro Oseas
Coimbra apresentará declaração de voto.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a autoridade notificante: a) solicite cópia da Consulta Fiscal n° 115/2000 ou equivalente mencionada pelo contribuinte em sua impugnação e no recurso voluntário, para juntar aos autos ou indicar a página em que consta dos autos. A fiscalização deve se pronunciar se está vinculada ao entendimento da consulta, a validade da consulta em relação ao lançamento e se continua válida atualmente, se o questionamento da consulta pode ser aplicado ao lançamento, se o contribuinte está abrangido pela consulta, e, as razões de suas alegações; b) A fiscalização deve confirmar ou informar em nome de quem foi emitida a nota fiscal de serviço utilizada no levantamento do lançamento fiscal, e, se a Unimed Origem (o recorrente) emitiu fatura ou nota fiscal às empresas contratantes, não só dos serviços prestados pelos seus próprios cooperados, mas também daqueles prestados por cooperados de outras cooperativas (conforme item 1 da citada consulta acima transcrito, p. 817 dos autos), juntando aos autos as razões e comprovações de suas alegações. A fiscalização deve apresentar outras informações que entender necessárias em relação ao recurso do contribuinte, em especial, em relação às planilhas e suposições apresentadas pelo recorrente que induzem à existência de outras parcelas, que não a prestação de serviços por cooperados, e, que a base de cálculo foi majorada, por exceder a abrangência dos serviços pessoais e sua respectiva remuneração aos cooperados; c) após, o contribuinte deve ser citado para apresentar contestação, se desejar, e, ao final os autos devem ser encaminhados para julgamento, d) quanto aos planos de pré pagamento quantificar os serviços médicos prestados aos usuários por outras cooperativas fora do Estado do Espírito Santo. Quantificar quanto foi pago por estes usuários pelo plano de pré pagamento. Comparar o resultado do serviço médico sobre o total do valor com o tot al de 30% (trinta por cento) presumido. Vencido Conselheiro Eduardo de Oliveira. O conselheiro Oseas Coimbra apresentará declaração de voto. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Fl. 991DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1120.11546.B5DX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 35524.000184/200768 Resolução n.º 2803000.100 S2TE03 Fl. 905 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato. Fl. 992DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1120.11546.B5DX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 35524.000184/200768 Resolução n.º 2803000.100 S2TE03 Fl. 906 3 Relatório RELATORA ORIGINÁRIA CONSELHEIRA CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito decorrente do não recolhimento de contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores brutos das Faturas de Prestação de Serviços, relativamente aos serviços que lhe foram prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, conforme o art. 22, inciso IV, da Lei 8.212/91 (com a redação dada pela Lei 9.876/99), no período de 03/2000 a 10/2006. Em sua peça impugnatória, a contribuinte alega, em síntese, que: (a) houve a decadência do direito de lançar o crédito fiscal referente às competências março de 2000 a fevereiro de 2002, eis que passados mais de cinco anos entre a data da ocorrência do pretenso fato gerador da contribuição e a notificação do lançamento, tal qual prevê o art. 150, parágrafo 4º, do CTN; (b) em consulta formulada ao Fisco Previdenciário no ano de 2000, foi reconhecida a não incidência de contribuição previdenciária sobre os pagamentos realizados a outras cooperativas de trabalho médico em intercâmbio; (c) é necessária a realização de diligência para a correta quantificação dos supostos serviços prestados por cooperados; (d) a autuada não pode ser caracterizada como tomadora de serviços dos médicos cooperados da cooperativa cessionária, e sim como os verdadeiras prestadoras de serviços, sob pena de contrariedade a toda a sistemática do cooperativismo; (e) os reais tomadores de serviços seriam os usuários do plano, que fruirão dos serviços médicos prestados; (d) em decorrência dos vícios constantes na Lei 9.876/99 (inconstitucionalidades), resta inexigível a aludida contribuição previdenciária; (e) é intributável o ato cooperativo perfeito; (f) majorada a base de cálculo, por excederse a abrangência dos serviços pessoais e sua respectiva remuneração aos cooperados; (g) resulta em bitributação a pretensa exigência; e (h) a multa aplicada ofende os princípios da proporcionalidade, capacidade contributiva e do não confisco, sendo indevida a aplicação da taxa Selic como juros na quantificação do montante supostamente devido. Ao analisar a impugnação apresentada, a Delegacia da Receita Previdenciária em Vitória/ES, às fls. 779/790, julgou procedente o lançamento, sob os seguintes argumentos: (a) a contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, é de quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, Fl. 993DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1120.11546.B5DX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 35524.000184/200768 Resolução n.º 2803000.100 S2TE03 Fl. 907 4 relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho; (b) a consulta mencionada pela autuada diz respeito à hipótese diversa daquela tratada nos autos, não podendo ser argüida como fundamento para a pretensão da empresa de ver afastada a cobrança das contribuições previdenciárias lançadas pela autoridade fiscal; (c) não deve ser deferido o pedido de realização de diligência, por ter o tributo sido apurado em estrita conformidade com a legislação de regência; (d) não há que se falar em bitributação, por terem sido praticados dois fatos geradores diversos, que não se confundem; (e) as discussões sobre legalidade e/ou inconstitucionalidade de leis competem ao Poder Judiciário, sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional; (f) o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após dez anos, conforme previsto no art. 45 da Lei 8.212/91; (g) é licita a cobrança de juros equivalentes à taxa Selic e de multa, todos de caráter irrelevável, conforme art. 34 e 35 da Lei 8.212/91; e (h) eventual requerimento de diligência e perícia deve cumprir os requisitos previstos no inc. IV, do parágrafo 9°, da Portaria 520/2004. Em seu Recurso Voluntário (fls. 796/881), a Recorrente limitouse a repetir todos os argumentos trazidos em sua impugnação, reforçando a alegação de impossibilidade de incidência da contribuição previdenciária sobre a hipótese tratada nos autos por não haver prestação de serviços a seu favor, ressaltando as especificidades da sistemática do cooperativismo. A Recorrente impetrou o Mandado de Segurança n° 2007.50.01.0041232, com o objetivo de ser processado o recurso administrativo interposto nestes autos, sem a exigência do depósito de 30% do montante devido, e obteve decisão favorável. É o relatório.DA IMPUGNAÇÃO A ciência do lançamento pelo contribuinte deuse 14/02/2007, fl. 01 dos autos em meio papel. Inconformado apresentou impugnação às folhas 170/245. DO RECURSO O órgão de primeira instância administrativa fiscal julgou o lançamento procedente, fls. 779/790. O contribuinte foi cientificado da decisão em 05/04/2007, fl. 793. Inconformado apresentou recurso voluntário em 07/05/2007, fls. 796/881, alegando em síntese: a decadência para o período anterior a fevereiro de 2002, eis que ultrapassado o prazo de 5 (cinco) anos previsto no art. 150, §4°, do CTN; Fl. 994DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1120.11546.B5DX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 35524.000184/200768 Resolução n.º 2803000.100 S2TE03 Fl. 908 5 não foi analisada a contabilidade das Cooperativas Cessionárias do Intercâmbio, baseandose, tãosomente, na literalidade das notas por elas emitidas. A suposição de que o conceito de ATO COOPERATIVO principal tenha sido adotado em tais documentos, que se ressalte, são de terceiros, foi afastada pelas planilhas apresentadas pela recorrente, e que demonstram a existência de outras parcelas, que não a prestação de serviços por cooperados, em tal rubrica. Tal fato demonstra, notoriamente a necessidade de realização de diligência; a DecisãoNotificação ora recorrida não reconhece os efeitos da Consulta Fiscal n° 115/2000 solicitada pela Central Nacional Unimed Cooperativa Central, que é uma cooperativa constituída de outras cooperativas singulares com o objetivo de auxiliar as últimas em diversos aspectos, negando o entendimento previdenciário no sentido de que não se sujeita a cooperativa cedente à contribuição previdenciária instituída pela Lei n.° 9.876/99, esquecendose que está o INSS vinculado àquele entendimento por ele emitido. Para tanto, baseiase em falsa distinção fática, alegando que a situação presente distinguirseia do objeto da Consulta Fiscal. Concluise assim, pela vinculação do fisco previdenciário à aludida consulta, contaminando de nulidade a autuação vivenciada, bem como a Decisão Notificação. Ademais, tenhase que a Solução de Consulta em referência tem força de norma complementar em sede de direito tributário, e como tal deve ser observada, devendo, para tanto, merecer fiel acatamento, contanto afigurese compatível com a legislação pretendida complementar (art. 100 do CTN); não caracterização da Cooperativa Cedente como Tomadora de Serviços dos Médicos Cooperados da Cooperativa Cessionária, em razão da especificidade do Intercâmbio; a Recorrente, como sociedade cooperativa que é, e, tendo em vista as especificidades das transferências de responsabilidade/intercâmbio, não pode, como cooperativa cedente, ser caracterizada como tomadora de serviços dos médicos cooperados da cooperativa cessionária; em decorrência dos vícios constantes na Lei 9:876/99, resta inexigível a aludida contribuição previdenciária; intributável o ato cooperativo perfeito; majorada a base de cálculo, por excederse a abrangência dos serviços pessoais e sua respectiva remuneração aos cooperados; resulta em bitributação a pretensa exigência; a multa aplicada ofende os Princípios da Proporcionalidade, Capacidade Contributiva e do NãoConfisco, sendo indevida a aplicação da Taxa Selic como juros na quantificação do montante supostamente devido. É o relatório. Fl. 995DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1120.11546.B5DX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 35524.000184/200768 Resolução n.º 2803000.100 S2TE03 Fl. 909 6 Voto Conselheira Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual passo a analisálo. Apenas a título de esclarecimento, a declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal da exigência de depósito prévio, no valor mínimo de 30% da exigência fiscal, como condição para seguimento do recurso voluntário, deu ensejo à edição da Súmula Vinculante nº 21, DOU de 10/11/2009, tornando prejudicada a verificação da manutenção da decisão liminar. Antes de se adentrar à análise das alegações contidas no Recurso Voluntário, fazse necessário examinar se os tributos lançados na NFLD em questão podem ser exigidos do contribuinte, pelo fato de se tratar de tributos relativos ao período de 01/2002 a 08/2007. A questão relativa ao prazo decadencial para a constituição de créditos previdenciários foi pacificada pelo Supremo Tribunal Federal, por meio da Súmula Vinculante de n º 8, nos seguintes termos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal de 1988, o entendimento sumulado pelo Supremo Tribunal Federal terá efeito vinculante para todos os órgãos da Administração Pública, inclusive para este Conselho: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” Nestes termos, por não ser possível aplicar ao caso concreto a hipótese prevista no art. 45 da Lei n º 8.212/1991, em razão do entendimento contido na Súmula Vinculante nº 8, há que se analisar a questão à luz das regras previstas no Código Tributário Nacional. Os tributos sujeitos ao lançamento por homologação estão regulados pelo art. 150 do Código Tributário Nacional. Consoante o que estabelece o § 4º do mencionado dispositivo legal, havendo pagamento antecipado do tributo devido, considerase extinto o crédito tributário com a homologação expressa ou tácita, que se dará com o decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador. Todavia, caso não haja o pagamento antecipado, deverseá observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN, que determina que o prazo para a constituição dos créditos tributários é de cinco anos, contados do primeiro dia útil do ano subsequente àquele no qual poderia ter havido a sua exigência. Esse, inclusive, o entendimento que vem sendo adotado pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça: Fl. 996DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1120.11546.B5DX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 35524.000184/200768 Resolução n.º 2803000.100 S2TE03 Fl. 910 7 “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO.INCIDÊNCIA DO ART. 173, INC. I, DO CTN. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 45 DA LEI N. 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE N. 8 DO STF. 1. O Supremo Tribunal Federal, na Sessão Plenária de 12.6.2008, editou a Súmula Vinculante n. 8, publicada no DO de 20.6.2008, com este teor: "são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5.º do DecretoLei n. 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". 2. Nos casos em que não tiver havido o pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação é de se aplicar o art. 173, inc. I, do Código Tributário Nacional (CTN). Isso porque a disciplina do art. 150, § 4º, do CTN estabelece a necessidade de antecipação do pagamento para fins de contagem do prazo decadencial. No REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 18/9/2009, submetido ao Colegiado pelo regime da Lei nº 11.672/08 (Lei dos Recursos Repetitivos), que introduziu o art. 543C do CPC, reafirmou se tal posicionamento. 3. Recurso especial não provido.” (REsp 1090021/PE, Relator: Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJ 05/05/2010) Nesse sentido, tendo em vista que a NFLD foi lavrada em 14/02/2007, tendo o Recorrente dela tomado ciência nesta mesma data, houve a decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário relativo ao período de 03/2000 a 11/2001, inclusive 13/2001, se houver. A discussão travada nos autos diz respeito à possibilidade de exigência, das cooperativas, de contribuições previdenciárias em razão da contratação de serviços prestados por outras cooperativas, diretamente pelos cooperados, sob a sistemática de intercâmbio, em razão do que dispõe o art. 22, inciso IV da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 9.876/99que assim estabelece: “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: 6 ... IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.” Muito embora a disposição contida no art. 15, parágrafo único da Lei n. 8.212/91, ao estabelecer que “equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, (...) a cooperativa”, possa permitir a conclusão de que as cooperativas de trabalho também estão sujeitas ao recolhimento da contribuição previdenciária prevista no art. 22, inciso IV, devese levar em conta que a hipótese de incidência prevista na norma se verificará tão somente nos casos em que as cooperativas sejam realmente a tomadora dos serviços prestados por cooperados de outras cooperativas de trabalho. Como se verá adiante, no sistema de Fl. 997DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1120.11546.B5DX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 35524.000184/200768 Resolução n.º 2803000.100 S2TE03 Fl. 911 8 intercâmbio, não há a prestação de serviços de uma cooperativa para a outra, apta a ensejar a exigência da contribuição em tela. A Lei n. 5.764, que define a Política Nacional do Cooperativismo, estabelece, em seu art. 4º, que a cooperativa é sociedade de pessoas constituída para a prestação de serviços a seus associados. Veja: “Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características: I adesão voluntária, com número ilimitado de associados, salvo impossibilidade técnica de prestação de serviços; II variabilidade do capital social representado por quotaspartes; III limitação do número de quotaspartes do capital para cada associado, facultado, porém, o estabelecimento de critérios de proporcionalidade, se assim for mais adequado para o cumprimento dos objetivos sociais; IV incessibilidade das quotaspartes do capital a terceiros, estranhos à sociedade; V singularidade de voto, podendo as cooperativas centrais, federações e confederações de cooperativas, com exceção das que exerçam atividade de crédito, optar pelo critério da proporcionalidade; VI quorum para o funcionamento e deliberação da Assembléia Geral baseado no número de associados e não no capital; VII retorno das sobras líquidas do exercício, proporcionalmente às operações realizadas pelo associado, salvo deliberação em contrário da Assembléia Geral; VIII indivisibilidade dos fundos de Reserva e de Assistência Técnica Educacional e Social; IX neutralidade política e indiscriminação religiosa, racial e social; X prestação de assistência aos associados, e, quando previsto nos estatutos, aos empregados da cooperativa; XI área de admissão de associados limitada às possibilidades de reunião, controle, operações e prestação de serviçosComo se denota das informações colacionadas aos autos, o intercâmbio é o sistema utilizado pelas cooperativas de saúde UNIMED, que permite o atendimento de um usuário por qualquer médico cooperado, ainda que não vinculado à sua cooperativa contratante.” Tal conceito, de que a cooperativa de trabalho é constituída única e exclusivamente para a prestação de serviços a seus cooperados, foi reconhecido pelo legislador ordinário na exposição de motivos da Lei n. 9.876/99, que deu a atual redação ao art. 22, inciso IV da Lei n. 8.212/91, ora em análise: Fl. 998DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1120.11546.B5DX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 35524.000184/200768 Resolução n.º 2803000.100 S2TE03 Fl. 912 9 “Pela própria natureza jurídica da cooperativa de trabalho, esta não presta serviço a terceiros, senão aos próprios cooperados. Diferentemente das demais empresas, a cooperativa é constituída, exclusivamente, para prestar serviços aos seus cooperados e, por isso, o tomador dos serviços da cooperativa é o próprio cooperado. O terceiro que contrata a cooperativa é, na verdade, tomador de serviços do cooperado, em igualdade de condições com aquele que contrata qualquer outro contribuinte individual.” Consoante estabeleciam a Instrução Normativa INSS 100/2003, em seu art. 306, § 2º, e a Instrução Normativa MPS/SRP 03/2005, em seu art. 298, § 2º, com as redações vigentes à época de ocorrência dos supostos fatos geradores, em razão do princípio de intercooperação ou ajuda mútua, é possível a realização de convênio entre cooperativas de trabalho para atendimento em comum a seus contratantes. No caso dos autos, como informado pelo Recorrente, o convênio firmado no Sistema UNIMED é denominado intercâmbio, o qual garante a possibilidade de usuário de plano de saúde de uma cooperativa ser atendido pelos cooperados de outra cooperativa quanto tal usuário encontrarse nos limites territoriais de atuação daquela. Os contratos de prestação de serviços juntados ao processo contém, dentre suas cláusulas, a previsão de funcionamento do SISTEMA NACIONAL UNIMED. A partir da leitura da referida disposição, é possível perceber a forma de execução do sistema de intercâmbio. Veja: “SISTEMA NACIONAL UNIMED: é o conjunto de todas as UNIMEDs cooperativas de trabalho médico, pessoas jurídicas com personalidades próprias e independência administrativa, constantes do Guia Médico entregue ao Contratante vinculadas através de um sistema de intercâmbio de atendimento, para a prestação de serviços aos seus usuários, não havendo entre estas cooperativas qualquer vinculo societário.” (Original sem grifos) Ainda consta dos autos o Manual de Intercâmbio Nacional utilizado pelo Sistema Nacional Unimed, que tem a “finalidade de estabelecer normas, regras e diretrizes, que norteiem o Intercâmbio Nacional entre as Unimeds associadas à Unimed do Brasil e a Central Nacional Unimed, consolidando a integração e a harmonia operacional entre elas”. Como se vê, no sistema intercâmbio, não há a prestação de serviços entre sociedades cooperativas, mas tãosomente a realização de convênio para atendimento comum a seus contratantes, no caso, os usuários dos planos de saúde UNIMED, permanecendo a existência de um único fato gerador (prestação de serviços de cooperados por intermédio de cooperativas). Nesse sentido, revelase precisa a anotação feita pelo Recorrente nos autos, de que “persiste uma única obrigação tributária, esta a cargo do verdadeiro tomador dos serviços, qual seja o usuário dos serviços médicos”. Em assim sendo, por não estar caracterizada a hipótese de incidência da norma contida no art. 22, inciso IV da Lei n. 8.212/91, por não haver a prestação de serviços da UNIMED de origem para a UNIMED de destino, não se deve admitir a exigência de contribuições previdenciárias. Fl. 999DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1120.11546.B5DX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 35524.000184/200768 Resolução n.º 2803000.100 S2TE03 Fl. 913 10 Não se está a dizer aqui que a cooperativa de trabalho não poderá se enquadrar como tomadora de serviços e estar, portanto, sujeita ao recolhimento da contribuição previdenciária prevista no referido art. 22, inciso IV da Lei n. 8.212/91, tão somente que não ocorre a prestação de serviços em tais termos na formalização de convênios ou intercâmbio entre as cooperativas de trabalho, ainda mais se considerado o fato de que elas compõem um sistema único de cooperativismo, qual seja, o SISTEMA NACIONAL UNIMED. Ademais, cumpre observar que, não obstante a autoridade fiscal tenha considerado que as disposições contidas nos atos normativos que regulamentavam a matéria à época da ocorrência dos supostos fatos geradores (IN INSS 100/2003 e IN MPS/SRP 03/2005) permitissem a interpretação de que, até mesmo no sistema de intercâmbio de cooperativas, seria possível a exigência da contribuição previdenciária, nos moldes do art. 22, inciso IV, da Lei n. 8.212/91, a questão foi esclarecida de forma inequívoca com o advento da Instrução Normativa RFB n. 971/2009. As contribuições devidas pelas cooperativas de trabalho e produção estão elencadas no art. 216, incisos I a VI, exatamente nos mesmos termos em que especificados nos atos normativos anteriores. No entanto, foi acrescido o § 4º ao referido artigo para tratar, de forma expressa, do sistema de intercâmbio ou convênio realizado entre cooperativas de trabalho. Veja: “Art. 216. As cooperativas de trabalho e de produção são equiparadas às empresas em geral, ficando sujeitas ao cumprimento das obrigações acessórias previstas no art. 47 e às obrigações principais previstas nos arts. 72 e 78, em relação: (...) VI à contribuição incidente sobre o valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, quando contratarem serviços mediante intermediação de outra cooperativa de trabalho, ressalvado o disposto no § 4º. (...) § 4º O disposto no inciso VI do caput não se aplica à cooperativa de trabalho quando os serviços forem prestados à empresa contratante mediante intermediação de outra cooperativa, situação denominada como intercâmbio entre cooperativas, e deverá ser observado o que segue: I a cooperativa de origem, assim entendida aquela que mantém contrato com o tomador do serviço, deverá emitir a nota fiscal, a fatura ou o recibo de prestação de serviço à empresa contratante, incluindo os valores dos serviços prestados pelos seus cooperados e os daqueles prestados por cooperados de outras cooperativas; II o valor total dos serviços cobrados conforme inciso I constitui a base de cálculo da contribuição a cargo da empresa contratante; III os valores faturados pelas cooperativas de destino, cujos cooperados prestaram o serviço à cooperativa de origem, não constituem base de cálculo para as contribuições desta, uma vez que serão cobrados na forma do inciso II.” Essa previsão é suficiente, por si só, para embasar o reconhecimento da irregularidade da autuação fiscal, na medida em que não se pode Fl. 1000DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1120.11546.B5DX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 35524.000184/200768 Resolução n.º 2803000.100 S2TE03 Fl. 914 11 admitir a criação, modificação ou extinção de direitos e obrigações por um simples ato normativo, em razão da sua natureza de norma regulamentar, nos moldes do regramento contido no art. 84, inciso IV, da Constituição Federal de 1988, e nos arts. 99 e 100, inciso I do Código Tributário Nacional, que assim dispõem: Constituição Federal de 1988 “Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: (...) IV sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução;” Código Tributário Nacional “Art. 99. O conteúdo e o alcance dos decretos restringemse aos das leis em função das quais sejam expedidos, determinados com observância das regras de interpretação estabelecidas nesta Lei. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas;” Vêse, pois, que os atos normativos são normas complementares à lei e visam regular a sua forma de execução. Logo, a instituição de tributos não pode se dar por instrução normativa, somente podendo ser prevista por lei, nos moldes do art. 97, inciso I, do Código Tributário Nacional. Nestes termos, não há dúvidas de que a correta interpretação cabível quanto ao regramento previsto no art. 22, inciso IV da Lei n. 8.212/91 é aquela prevista no art. 216, § 4º, da Instrução Normativa RFB n. 971/2009, qual seja, a de que as cooperativas de trabalho, quando realizam convênios ou intercâmbios com outras cooperativas, não se sujeitam à referida exigência. Ademais, se mostra com razão a Recorrente ao afirmar que, admitir a tributação do sistema de intercâmbio com base na disposição contida no art. 22, inciso IV, da Lei n. 8.212/91 seria permitir a bitributação das suas atividades. Tanto é assim que o inciso III do § 4º do art. 216 da mesma instrução normativa prevê, de forma expressa, que “os valores faturados pelas cooperativas de destino, cujos cooperados prestaram o serviço à cooperativa de origem, não constituem base de cálculo para as contribuições desta”, devendo ser incluídos no valor total dos serviços prestados aos usuários, que por sua vez, será o responsável pelo recolhimento da contribuição previdenciária. Por fim, no que diz respeito ao argumento contido na decisão de primeira instância, quanto à disposição contida na Nota Técnica n. 690 que, em seu item 11, estabelece que “ocorrendo a subcontratação de outra cooperativa, como nos casos descritos onde as cooperativas de trabalho Y e Z prestaram serviço à cooperativa X, haverá a ocorrência de 02 fatos geradores, quais sejam, a emissão da nota fiscal pela Vou Z, em razão da prestação de serviços dos cooperados desta, e a emissão da nota fiscal pela Cooperativa X em relação às empresas contratantes (usuários) para cobrar os serviços prestados”, insta observar que tal hipótese somente será admitida se a contratação das demais cooperativas não se realizar pela Fl. 1001DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1120.11546.B5DX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 35524.000184/200768 Resolução n.º 2803000.100 S2TE03 Fl. 915 12 modalidade convênio ou intercâmbio. Caso contrário, estarseá diante da situação tratada pelo art. 216, § 4º da Instrução Normativa RFB n. 971/2009, que não permite a exigência das contribuição previdenciária nos termos do art. 22, inciso IV, da Lei n. 8.212/91. Por todo o exposto, resta prejudicada a análise dos demais argumentos trazidos pela Recorrente, inclusive o de que a então Receita Previdenciária, por meio da sua Coordenação Geral de Arrecadação, já teria se manifestado de forma favorável à sua pretensão em resposta à consulta formulada pela Central Nacional Unimed. E nem poderia ser de outra forma já que a empresa não trouxe aos autos a cópia do inteiro teor da consulta em questão, se limitando a colacionar os trechos que considerou pertinentes. CONCLUSÃO Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto, para anular o crédito tributário. Fl. 1002DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1120.11546.B5DX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 35524.000184/200768 Resolução n.º 2803000.100 S2TE03 Fl. 916 13 VOTO –VISTA CONSELHEIRO EDUARDO DE OLIVEIRA Conselheiro Eduardo de Oliveira Cuida o presente de apresentação de votovista no processo supra epigrafado. Inicialmente, alerto que não analisei as preliminares ao mérito, uma vez que tal análise deve ter sido realizada pela Conselheira Relatora, a fim de que fosse possível adentrar ao mérito. Nesta não análise incluise a alegação de decadência. No que tange a prejudicial de inconstitucionalidade alegada no tópico III9 da peça recursal fica vedado a este colegiado, nos termos do artigo 62, caput, da Portaria GM/MF n° 256/2009 – Regimento Interno do CARF c/c o Súmula 02, o afastamento de norma sob o fundamento da inconstitucionalidade. Superados os óbices passo ao mérito. Quanto a questão da consulta formulada pela Central Nacional Unimed esta não tem caráter absoluto, podendo o entendimento do fisco ser alterado e foi justamente isto que ocorreu coma edição da IN INSS N° 71/2002 a seguir transcrita: Seção IV Da Contribuição da Cooperativa de Trabalho Art. 152. A cooperativa de trabalho tem as mesmas obrigações que as empresas em geral, ficando sujeita às normas de tributação e de arrecadação aplicáveis em relação à remuneração paga ou creditada, no decorrer do mês, a segurados empregado e contribuinte individual por ela contratados e a cooperado eleito para cargo de direção em relação à remuneração a ele paga ou creditada, no decorrer do mês, pelo exercício do cargo. Parágrafo único. Quando tomadora de serviço de outra cooperativa de trabalho, a ela cabe o pagamento da contribuição de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços Em relação a decisão do CRPS aludida pelo contribuinte tive oportunidade quando no desempenho da função de julgador de primeiro grau em analisar o caso e assim me posicionei naquela ocasião: 3.19 Em que pese, a consulta que a Unimed Central formulou, em 27/07/2000, fls. 85 a 87, respondida pela Coordenação Geral de Arrecadação do INSS, em 04/08/2000, fls. 88 e 89, na qual fica estabelecido que a Unimed está dispensada de recolher contribuição previdenciária regulada pela Lei 9.876/99, ou seja, 15% do valor da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, quando decorrente do intercâmbio pelas diversas Unimed’s, não prospera para períodos posteriores à vigência da IN/INSS/Nº 71/2002, de 10/05/2002, publicada no DOU Nº 92, de 15/05/2002, pois em seu artigo 152, parágrafo único definiu a matéria. Embora, o contribuinte transcreva parte da decisão da Colenda 2ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recurso da Previdência Social – 2ª CaJ do CRPS, em pedido de Fl. 1003DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1120.11546.B5DX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 35524.000184/200768 Resolução n.º 2803000.100 S2TE03 Fl. 917 14 revisão de Acórdão, feito pelo INSS e pela Coordenadoria Geral de Tributação e Julgamento, no processo 36830.004374/200320, cópia, anexa, fls.112 a 116, não comungamos in totum do mesmo entendimento daquela órgão. No que se refere à cobrança do período anterior a consulta, ou seja, 03/2000 a 06/2000, seguimos o entendimento daquele colegiado. Porquanto, onde ocorrente a mesma razão jurídica, mesmo tratamento a de ter. Assim para o período de 03/2000 a 06/2000 a consulta, embora formalizada em 27/07/2000, deve ser aplicada, uma vez que ela visa elidir as dúvidas do contribuinte em relação ao dever de recolher a exação e esta lhe foi favorável. Contudo, no que refere ao período posterior a edição da IN/INSS/Nº 71/2002, acima referida, não há razão plausível para que a consulta realizada pela Unimed Central continue a produzir efeitos, haja vista que a Administração Pública, através de ato normativo divulgado via DOU esposou seu entendimento interpretativo sobre a matéria, o qual não é mais favorável ao sujeito passivo, acabando por ficar àquele com o dever de contribuir. Data vênia, do entendimento da 2ª CaJ, o fato da consulta ser no caso concreto e a IN tratar o matéria de forma abstrata, não afeta o direito do INSS lançar as contribuições, afinal toda norma que estabelece, define ou esclarece direito deve ser geral, abstrata e impessoal, pois caso contrário teríamos norma de efeitos concretos, que em nossa sistemática “legislativa” é exceção a regra. A lei 9.876/99 regulou a contribuição a IN apenas esclareceu a matéria assim sendo o dever de contribuir advém da lei e a consulta não afasta esta. Os demais argumentos transcritos da 2ª CaJ, não afetam o presente processo. trecho da DN – DECISÃO NOTIFICAÇÃO Nº 22.401.4/0075/2005, DE 28/04/2005. NFLD 35.568.6341 julgador Eduardo de Oliveira. Unidade da Receita Previdenciária em Aracaju – URP 22.401. Desta forma não vejo como a consulta possa impedir o lançamento depois da edição da IN citada que produziu efeitos a partir de 01/09/2002, artigo 307. Na vertente da relação entre as cooperativas, apesar do que diz a lei 5.764/71 de que é a cooperativa que presta serviços ao cooperadoassociadomédico atendente no caso em tela de haver interposição de outra cooperativa na relação jurídica, surgindo, assim, as figuras cooperativa cedente ou origem e cooperativa cessionária ou destino e mais o cooperado da cessionária e o usuário da cedente tal situação fática se amolda como uma luva na regra matriz de incidência da Lei 8.212/91, acrescentada pela lei 9.876/99. Um exemplo talvez possa ser mais elucidativo. A cooperativa X (origem) angaria um usuário por meio de seu empregador (tomador do serviço), nesta relação, toda vez que o usuário utilizar os serviços de um cooperado de X. A cooperativa X emitirá uma nota fiscal ou fatura em face do tomador cobrando pelo serviço que inclui o ato cooperativo principal remuneração/retribuição/pagamento do cooperado e ato cooperativo secundário despesas de hospital/laboratórios/exames/. Desta forma, o tomador de serviço deve recolher 15% sobre o valor da nota que se referir a remuneração/retribuição/pagamento do profissional cooperado, ou seja, no caso o médico. Em outra situação que é a que nos interessa o usuário da cooperativa X (origem) sai do território de abrangência desta e nesta outra localidade onde atua a cooperativa Y (destino), ele usuário da X, necessita de atendimento médico. Assim ele procura um profissional cooperado de Y e obtém seu atendimento. Fl. 1004DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1120.11546.B5DX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 35524.000184/200768 Resolução n.º 2803000.100 S2TE03 Fl. 918 15 Nesta situação o cooperado de Y prestou serviço ao usuário de X. O profissional não é cooperado de X, logo não é X que prestou serviço ao cooperado de Y. Mas sim o cooperado de Y que prestou serviços a pessoa jurídica X, ainda, que esta seja cooperativa, também. Desta forma, nessa relação a cooperativa X (origem) ocupa a posição de tomador de serviço, uma vez que ela pelo artigo 15 da Lei 8.212/91 se equipara a empresa, ou seja, a situação se ajuste perfeitamente a hipótese de incidência da contribuição. De outra forma a alegada bitributação não ocorre, pois apesar de que o artigo 298 da IN 03/2005 diz que a cooperativa é que tem a obrigação de informar o cooperado em sua Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP quando no identificado o tomador de serviço. Isso não gera tributação extra a cooperativa basta ver as instruções do Manual GFIP/SEFIP –versões 8.3 e 8.4, respectivamente, de 02/2007 e 10/2008 os quais dizem: Versão 8.3 6. Na impossibilidade de identificar o cooperado por tomador, observada a nota 0 do item 3 do Capítulo II, a GFIP/SEFIP com código 211 deve conter os trabalhadores informados relativamente ao tomador/obra que apresente os dados da própria cooperativa nos campos de identificação do tomador/obra, e também deve conter o somatório das faturas emitidas para os contratantes informado em relação a cada tomador/obra, indicandose a opção de “informação exclusiva de valor das faturas emitidas para o tomador”. VALOR DAS FATURAS EMITIDAS PARA O TOMADOR, pág 71.NOTA 6.) 9. Quando não for possível para a cooperativa de trabalho identificar o cooperado por tomador, observado que o serviço pode ser prestado a vários contratantes no mesmo período, ou quando o serviço for prestado a pessoa física, os campos destinados aos dados do tomador/obra devem ser informados com os dados da própria cooperativa, na GFIP/SEFIP com código 211. No entanto, o valor das faturas emitidas deve ser informado relativamente ao respectivo tomador, conforme estabelecido na nota 6 do subitem 3.2 do Capítulo III. TOMADOR DE SERVIÇO OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL, NOTA 9, PÁG. 33) 211 Declaração para a Previdência Social de cooperativa de trabalho relativa aos contribuintes individuais cooperados que prestam serviços a tomadores; (Item 1.2 CÓDIGO DE RECOLHIMENTO, pág.45) Código 211 Exclusivamente para que a cooperativa de trabalho informe à Previdência Social os dados referentes aos serviços prestados pelos cooperados, por seu intermédio. (Subitem 1.2.1 – Quando utilizar cada código, pág. 47). Versão 8.4 6. Na impossibilidade de identificar o cooperado por tomador, observada a nota 0 do item 3 do Capítulo II, a GFIP/SEFIP com código 211 deve conter os trabalhadores informados relativamente ao tomador/obra que apresente os dados da própria cooperativa nos campos de identificação do tomador/obra, e também deve conter o Fl. 1005DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1120.11546.B5DX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 35524.000184/200768 Resolução n.º 2803000.100 S2TE03 Fl. 919 16 somatório das faturas emitidas para os contratantes informado em relação a cada tomador/obra, indicandose a opção de “informação exclusiva de valor das faturas emitidas para o tomador”. (item 3.2 – VALOR DAS FATURAS EMITIDAS PARA O TOMADOR, pág 74.NOTA 6.) 9. Quando não for possível para a cooperativa de trabalho identificar o cooperado por tomador, observado que o serviço pode ser prestado a vários contratantes no mesmo período, ou quando o serviço for prestado a pessoa física, os campos destinados aos dados do tomador/obra devem ser informados com os dados da própria cooperativa, na GFIP/SEFIP com código 211. No entanto, o valor das faturas emitidas deve ser informado relativamente ao respectivo tomador, conforme estabelecido na nota 6 do subitem 3.2 do Capítulo III. ( item 3 – TOMADOR DE SERVIÇO OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL, NOTA 9, PÁG. 36) 211 Declaração para a Previdência Social de cooperativa de trabalho relativa aos contribuintes individuais cooperados que prestam serviços a tomadores; (Item 1.2 CÓDIGO DE RECOLHIMENTO, pág.48) h Código 211 Exclusivamente para que a cooperativa de trabalho informe à Previdência Social os dados referentes aos serviços prestados pelos cooperados, por seu intermédio. (Subitem 1.2.1 – Quando utilizar cada código, pág. 50). Os trechos acima transcritos dão a exata noção de que tal informação é meramente declaratória e não para fins de recolhimento. O entendimento da ANS não tem relação com a contribuição previdenciária, uma vez que esse órgão não detém competência tributária ativa e nem é ente tributário. Por sua vez os ajustes que possam ser feitos , ou seja, exclusões e inclusões de receitas e despesas na base de cálculo do PIS e COFINS, a semelhança do que acontecesse com as Demonstrações de Resultado de Exercícios – DRE, em nada ter a ver com a contribuição previdenciária, pois aqueles têm como base de cálculo o faturamento, artigo 2°, da Lei 9.718/98 e a contribuição previdenciária tem como base a remuneração/retribuição/pagamento realizado ao profissional cooperado, onde ambas não se confundem. A sistemática da relação de cooperativa origem e destino já foi supramencionado e elucidada. A lei 9.876/99 deixa claro que o tomador dos serviços é uma pessoa jurídica, ao dizer que a empresa é obrigada, assim o usuário não pode ser o tomador, mas apenas o beneficiado pelo serviço. A forma de contabilização e os nomes das contas não afastam a exação, pois para esta nascer basta a ocorrência da hipótese de incidência prevista em lei. Relativamente a citação da Nota Técnica NT 690/2005 por parte do autoridade julgadora a quo em suposto reforço e esclarecimento da sua convicção em nada afeta o lançamento, uma vez que este está embasado no artigo 22, IV, da Lei 8.212/91 na redação dada Fl. 1006DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1120.11546.B5DX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 35524.000184/200768 Resolução n.º 2803000.100 S2TE03 Fl. 920 17 pela Lei 9.876/99 e não na aludida nota técnica. Até mesmo sua limitação temporal em nada resulta, pois não foi base para o lançamento. Não há retroação dos efeitos da nota técnica, mas sim aplicação dos efeitos da lei que trouxe a exigência da exação. A alteração da interpretação da Consulta Fiscal 115/2000 a qual era favorável ao contribuinte foi promovida pela IN 71/2002 como alhures demonstrado e não pela nota técnica. Apesar da nota técnica não ter sido base para a exigência fiscal não é aplicável a esta a IN 230/02, simplesmente, porque tal IN foi editada pela extinta Secretaria da Receita Federal e não tinha aplicação no INSS quando da elaboração da NT, sendo irrelevante as suas prescrições. A sistemática da exação já foi acima traçada e com base na lei e não em outro ato qualquer, ficando esclarecido como a cooperativa origem tornase apenas empresa/tomadora do serviço, pois esta se utiliza de cooperado da cooperativa destino A fixação da base de cálculo ficou definida pela agente fiscal notificante ao dizer no subitem 8.2 do Relatório Fiscal – REFISC, de fls. 59, que utilizou apenas o valor discriminado como Ato Cooperativo Principal, nas notas fiscais/faturas, pois estes referemse as parte devida ao profissional cooperado. Não há a alegada insubsistência da contribuição exigida pela Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 9.876/99 e isso foi dito e esclarecido acima. Nos aspectos que tangenciam a inconstitucionalidade da norma não adentrarei nesses aspectos como discorrido na prejudicial supramencionada. A recorrente não identificou corretamente todas as possibilidades de incidência da contribuição previdenciária, pois esqueceuse que o artigo 195, I, “a”da CF/88, também, elenca os demais rendimentos do trabalho a qualquer título e isto inclui a remuneração/retribuição/pagamento feito ao profissional pela cooperativa. Na sistemática da lei quem paga a contribuição é o tomador de serviços e neste pode se inserir uma cooperativa que toma serviços de cooperados de outra cooperativa, assim esta será tomadora de serviço e deverá contribuir, pois o profissional não sendo seu cooperado não é ela cooperativa que está prestando o serviço, mas o cooperado que presta serviço a esta. Assim a lei não está mudando nada, apenas incide na relação nela descrita. Ficou demonstrado de forma alabastrina que só o tomador de serviço é que contribui sobre o valor da retribuição do cooperado e que uma cooperativa para ser tal tomador deve se utilizar do cooperado de outra cooperativa. A alegada contradição deve existir na lei da cooperativa não na lei da contribuição, pois todos dizem que é a cooperativa que presta serviços ao cooperados, mas no artigo 3° da Lei 5.764/71diz que: “Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro”, para que o cooperado vai contribuir com serviço se é a cooperativa que trabalha para ele, como diz o artigo 4°.. A ADIN 2.594 que esta no Supremo Tribunal Federal não mereceu a concessão da liminar e o fato do Procurador Geral da República ter opinado pelo seu deferimento não vincula os Ministros daquela corte. No momento a lei existe, é válida e tem eficácia, assim é de Fl. 1007DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1120.11546.B5DX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 35524.000184/200768 Resolução n.º 2803000.100 S2TE03 Fl. 921 18 observação obrigatória pela administração, ainda, mais a tributária que tem sua atividade plenamente vinculada a ela – Lei. A lei não invade a competência do ISS, pois a própria CF diz que a base de cálculo é os demais rendimentos e estes são decorrentes de serviço/atividade/trabalho e outros. Da mesma forma não ocorre a alega coincidência e base de cálculo e fato gerador. A uma porque a criação da exação não está na competência residual da União. A duas porque não incide sobre os resultados operacionais das cooperativas, mas só sobre a retribuição dos profissionais cooperados. A contribuição só é exigida das cooperativas quando elas atuam no mercado como empresas em geral, ou seja, quando contratam cooperados de outras cooperativas e desta forma a exação faz incidir justamente a isonomia, pois todos que estão na mesma situação devem contribuir com a exação. As decisões judiciais abaixo citadas, também são esclarecedoras da legalidade da exação. TRIBUTÁRIO CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS LEI Nº 9.876/99 CONSTITUCIONALIDADE EQUIPARAÇÃO DE COOPERATIVAS A EMPRESAS PARA FINS DE RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RECURSO PROVIDO. SENTENÇA REFORMADA. I A EC 20/98, dando nova redação ao art. 195, I "a", da Constituição, estabeleceu que a contribuição social incidiria sobre "a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício." II A Lei 9.876/99 somente acrescentou o inciso IV ao art. 22 da Lei n. 8.212/91, determinando a retenção de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços por parte da empresa contratante de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho, não sendo admitida qualquer parcela dedutível da base de retenção, recolhendoa ao INSS até o dia 2 do mês subseqüente ao vencido. III A contribuição social, que, antes, tinha como sujeito passivo as cooperativas, relativamente a associados seus, que prestam serviços a outras empresas ou pessoas jurídicas, passou a ter como base legal a Lei 9.876/99, que tem seu suporte constitucional na nova regra constante da EC 20/98. IV Nenhuma inconstitucionalidade macula a Lei 9.876/99, nem mesmo no ponto em que revogou a LC 84/96, pois, ao fazêlo, já revogou uma lei nominalmente complementar, mas formal e substancialmente ordinária, em virtude do advento da EC 20/98, que a transformara em lei ordinária. V As cooperativas só não estão sujeitas à contribuição social referida no inciso IV do art. 22 da Lei n. 8.212/91, alterada pela Lei n. 9.876/99, por não revestirem mais a condição de sujeito passivo dessa contribuição, justo porque passaram a revestila as empresas e pessoas jurídicas que se valem dos serviços dos cooperativados, como permitido pela nova EC 20/98. VI Contudo, in casu, o fato da autora ter natureza jurídica de cooperativa não a isenta de recolher a exação em voga quando contrata serviços de cooperados de outras cooperativas. Para fins de recolhimento de contribuições previdenciárias, as cooperativas devem ser equiparadas às demais pessoas jurídicas constituídas como empresas mercantis, conforme Fl. 1008DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1120.11546.B5DX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 35524.000184/200768 Resolução n.º 2803000.100 S2TE03 Fl. 922 19 previsão do par. único do art.15 da Lei nº 8.212/91, sob à luz do caput e inciso I do art. 195 da CF. Caso contrário, estarseia criando uma hipótese de isenção não prevista em lei. VII Recurso provido. Sentença reformada.(AC 200150020001216, Desembargadora Federal LANA REGUEIRA, TRF2 QUARTA TURMA ESPECIALIZADA, 26/07/2010) TRF3 AC 94030334061AC APELAÇÃO CÍVEL 173421 EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDÊNCIA SOBRE REMUNERAÇÃO PERCEBIDA POR MÉDICOS COOPERADOS SERVIÇOS PRESTADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO LEGALIDADE PRINCÍPIO DO ADEQUADO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO DO ATO COOPERATIVO PRINCÍPIO DA ISONOMIA OBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS EXIGIBILIDADE DA CONTRIBUIÇÃO APELAÇÃO DO INSS E REMESSA OFICIAL PROVIDAS. I As cooperativas de trabalho têm disciplina jurídica diferenciada, regulada na Constituição Federal (artigos 5º, inciso XVIII; 146, inciso III, alínea c; e 174, § 2º) e na Lei n.º 5.764/71 (artigos 3º, 6º, inciso I, 79 e 89) sua atividade essencial não tem finalidade lucrativa, não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, atuando como meras intermediárias da prestação de serviços dos seus cooperados ou associados, prestação de serviços que é feita por conta e responsabilidade dos próprios cooperados. A cooperativa atua como representante dos cooperados, sendo que sua arrecadação é feita em nome dos associados que, após deduzidas as despesas e valores destinados aos fundos de reserva e de assistência técnica, educacional e social, recebem as sobras líquidas do exercício, proporcionalmente às operações realizadas pelo associado. Se prejuízo houver, também há rateio entre os cooperados. II Do artigo 146, III, c princípio do adeqüado tratamento tributário ao ato cooperativo devese entender que o constituinte, sensível à importância desta forma de atividade para o desenvolvimento econômico da Nação, impôs que o legislador observe as características essenciais das atividades desenvolvidas através da sociedade cooperativa, para o fim de estabelecer um tratamento tributário que bem se adeqüe ao princípio da isonomia, que rege todo o nosso sistema constitucional. Daí não se pode inferir qualquer imunidade ou isenção tributárias mas, mesmo à falta de normatização complementar a respeito do assunto, pode o Judiciário, por critérios objetivos, examinar se determinada exação atende os princípios constitucionais citados. V A sistemática de reembolso aos segurados e de recolhimento de contribuição à previdência social do que excedia o salário base de contribuição, carreadas pela legislação da época à empresa, representava obrigação contributiva da própria empresa que tinha a previdência social como destinatária final também da parte reembolsada aos autônomos. Daí porque a autarquia previdenciária tem legitimidade para a cobrança da própria empresa de toda a contribuição, caso não obedecida a regra do recolhimento pelo autônomo e reembolso pela empresa. A regra do artigo 54, § 2º, do Decreto nº 83.081/79 é decorrência lógica deste entendimento (pois afastava a sistemática do reembolso que era Fl. 1009DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1120.11546.B5DX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 35524.000184/200768 Resolução n.º 2803000.100 S2TE03 Fl. 923 20 prevista no artigo 64 daquele decreto, se os trabalhadores autônomos não comprovassem perante a empresa a sua inscrição perante a Previdência Social). VI Não são legítimas as contribuições eventualmente exigidas sobre remuneração de autônomos com apoio na legislação declarada inconstitucional pelo Eg. STF: Lei nº 7.787/89, art. 3º, I, e Lei nº 8.212/91, art. 22, I. VII A Lei nº 9.876, de 26.11.1999, deu nova redação ao art. 22, inc. IV, da Lei nº 8.212/91, criando a contribuição previdenciária de "quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho", a cargo das empresas em geral, contribuição que veio substituir aquela antes prevista pela Lei Comp. nº 84/96, art. 1º, inc. II, que era de incumbência exclusiva das cooperativas e foi extinta pelo art. 9º da Lei nº 9.876/99. VIII Tratase de contribuição criada com fundamento no art. 195, I, a, da Constituição Federal (na redação dada pela EC nº 20, de 15.12.1998), tendo o legislador dado uma efetiva e regular aplicação do princípio do adequado tratamento tributário ao ato cooperativo, ao veicular contribuição incidente sobre o valor da remuneração da prestação de serviços pelos cooperados pessoas físicas e devida pelas empresas em geral. Assim fazendo, o legislador deu tratamento isonômico à contribuição, atentando para a natureza desta atividade. Por tais circunstâncias, não deveria haver observância à regra do § 4º do art. 195 da Constituição Federal (exigência de lei complementar para sua criação). IX O fornecimento de materiais e equipamentos, por cooperativas de trabalho de qualquer espécie, de fato não caracteriza prestação de serviços sujeita à incidência da contribuição, mas a contribuição criada na Lei nº 9.876/99 e sua regulamentação (artigo 201, III, do Decreto nº 3.048/99, com redação determinada pelo Decreto nº 3.265/99) permite a exclusão destes valores mediante o seu destaque nas notas fiscais ou faturas emitidas pelas cooperativas, atendendo assim à previsão constitucional. X Por observar os princípios constitucionais reguladores da matéria, a contribuição editada pela Lei nº 9.876/99 tem exigibilidade. XI No caso dos autos, tratase de contribuições de período sob a vigência da legislação anterior às Leis nº 7.787/89 e 8.212/91 (LOPS Lei nº 3.807/1960 e CLPS Decretos nº 77.077/76, nº 83.081/79 e nº 89.312/84), sendo portanto legítima a exigência fiscal. XII Apelação do INSS e remessa oficial, tida por interposta, providas, julgando improcedentes os embargos e condenando a embargante ao pagamento da verba honorária em 15% (quinze por cento) sobre o crédito fiscal devidamente atualizado (englobando honorários da ação de execução). TRF4 AC 200871080090816AC APELAÇÃO CIVEL TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA TOMADORA DE SERVIÇOS. LEI 8.212/91, ART. 22, IV, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI 9.876/99. CONSTITUCIONALIDADE. 1. O inciso IV do art. 22 da Lei n.º 8.212, de 1991, incluído por força da Lei n.º 9.876, de 1999, inserese na dicção do art. 195, I, a, da Constituição, ao prever que a contribuição previdenciária a cargo "do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei" incidirá também sobre "rendimentos Fl. 1010DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1120.11546.B5DX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 35524.000184/200768 Resolução n.º 2803000.100 S2TE03 Fl. 924 21 do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício". Assim, não se lhe exige a edição de lei complementar. Precedentes das duas Turma especializadas em Direito Tributário e da Corte Especial deste Regional. 2. Não se trata de pagamento que uma empresa faz a outra empresa, pelo contrário, cuidase de remuneração que a tomadora de serviços faz à pessoa física, através da cooperativa. 3. A base de cálculo da contribuição em tela não é o faturamento da cooperativa, mas sim a remuneração dos serviços prestados pelo profissional a ela associado, por conseguinte, não há se falar que foi utilizado o mesmo fato gerador de outra contribuição social. 4. Não há afronta ao princípio da isonomia tributária, implicando tratamento gravoso ao cooperativismo, haja vista que a contribuição sub judice tem alíquota menor do que aquela a que as demais empresas contratantes de serviços de autônomos estão sujeitas. As normas insculpidas no artigo 146, III, "c", e no artigo 174, §2º, da Constituição Federal, não dizem respeito à parte autora, dado que ato cooperativo é aquele verificado entre a cooperativa e os seus cooperados, e não entre aquela e terceiros. Sendo assim, por não se constituir a parte autora em uma entidade cooperativa, não pode clamar para si a incidência de normas constitucionais que visam à proteção do cooperativismo. (destaques meus). Ficou estabelecido e amplamente demonstrado que não acorre o Ato Cooperativo Perfeito, pois no caso dos autos ficou claro que a cooperativa origem estava se utilizando de mão de obra de cooperados de outra cooperativa, isto é, da cooperativa destino. Assim, dessa forma, a cooperativa origem esta no pólo da relação como tomadora de serviços de cooperados por intermédio de outra cooperativa. O agente fiscal notificante deixou claro no Relatórios fiscal – REFISC, de fls. 75 a 61, item 8 subitens 8.1 e 8.2 que utilizou apenas os valores relativos ao atos cooperativos principais para compor a base de cálculo da exação. Desta forma, não á que se falar de majoração da base, pois esta reflete os valores que efetivamente é repassado aos profissionais, segundo esclarecimento da própria fiscalizada, mas palavras do notificante. A questão relativa a exação em si já foi objeto de análise em itens precedentes. O assunto relativo a necessidade de declarar o cooperado na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP da cooperativa, quando não for possível identificar o tomador do serviço alhures já foi abordado e ficou esclarecido que nesta situação esta informação tem cunho meramente declaratório visando compor o banco de dados do segurado trabalhador e não a exigência de contribuição, conforme transcrições do Manual GFIP/SEFIP. Entendo que não há nenhuma mácula a inquinar a aplicação da multa e juros de qualquer pecha, haja vista que a multa é prevista no artigo 35, da Lei 8.212/91. Não havendo nada de confiscatório nesta, pois tal artigo só buscava graduar no tempo a contumácia renitente do notificado em adimplir com sua obrigação, punindo com valores mais elevados aquele que operasse em maior mora. Aliás, a decisões judiciais que amparam esse pensamento. TRF4 AC200004010372702AC APELAÇÃO CIVEL Fl. 1011DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1120.11546.B5DX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 35524.000184/200768 Resolução n.º 2803000.100 S2TE03 Fl. 925 22 TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CDA. ILIQUIDEZ. SALÁRIOEDUCAÇÃO. EXCESSO DE EXECUÇÃO. MULTA. REDUÇÃO. LEI SUPERVENIENTE MAIS BENÉFICA. 1 O fato de terem sido indicados na CDA os artigos 3º, I, da Lei nºs 7.787/89 e 22, I, da Lei nº 8.212/91, não é prova de que se está exigindo a contribuição social incidente sobre remuneração paga a administradores e autônomos, porquanto a declaração de inconstitucionalidade não atingiu os citados dispositivos na sua íntegra, mas tãosomente as expressões "avulsos, autônomos e administradores", previstas no inciso I do art. 3º da Lei nº 7.787/89, e "empresário e autônomo" contidos no art. 22, I, da Lei nº 8.212/91. Assim, ante a ausência de prova de irregularidade no débito exeqüendo, prevalece a presunção legal de certeza, liquidez e exigibilidade que milita em favor do título executivo. 2 A compatibilidade do salárioeducação com a anterior Constituição Federal e a nova ordem constitucional (art. 212, § 5º, da Constituição de 1988) já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal. 3 A alegação de excesso de execução no tocante às parcelas de multa e juros é genérica, não havendo prova da utilização da Taxa Referencial como indexador. 4 A multa de 60% não é confiscatória, posto que não extrapola o limite do razoável, considerando os precedentes que versam sobre a matéria. Contudo, deve ser reduzido o percentual aplicado, por força do disposto no art. 106, II, c, do CTN. Isto porque a Lei nº 9.528/97, alterando a redação do art. 35, III, c, da Lei nº 8.212, estabeleceu como penalidade para a infração cometida o percentual de 40%. (grifo nosso) 7. Não se realiza a hipótese de confisco quando aplicado o índice de 75%. Precedente do STF no sentido de que multas aplicadas até o limite de 100% não configuram confisco (ADI nº 551 voto do Ministro Marco Aurélio). AC 00039920320044047009, LUCIANE AMARAL CORRÊA MÜNCH, TRF4 SEGUNDA TURMA, 12/05/2010) No que se refere a taxa SELIC a lei 9.250/95 prevê sua utilização de forma expressa e o STJ reconhece a legalidade da aplicação de tal taxa, conforme decisões. STJ AGA 201000301026AGA AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO 1279287 TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. ICMS. TRIBUTO DECLARADO E NÃO PAGO. NOTIFICAÇÃO PELO FISCO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. 1. A Primeira Seção, em sede de recurso especial repetitivo (REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, DJe 28/10/2008), consolidou o entendimento de que, em se tratando de tributo lançado por homologação, se o contribuinte houver declarado o débito e não tiver efetuado o pagamento até o vencimento, a confissão desse débito equivalerá à constituição do crédito tributário que poderá ser imediatamente inscrito em dívida ativa e cobrado, independentemente de qualquer procedimento administrativo. 2. É legítima a utilização da taxa Selic como índice de correção monetária e juros de mora dos débitos do contribuinte para com a Fazenda Pública, não só na esfera federal (Lei 9.250/1995), como também no Fl. 1012DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1120.11546.B5DX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 35524.000184/200768 Resolução n.º 2803000.100 S2TE03 Fl. 926 23 âmbito dos tributos estaduais, contanto que haja lei local autorizando sua incidência. A Lei mineira 6.763/1975, alterada pela Lei 8.511/1983, autoriza a adoção da taxa Selic. Precedente: Recurso Especial Repetitivo 1.111.189/SP (art. 543C do CPC). 4. Agravo regimental não provido. AGRESP 201000512756AGRESP AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 1185912 TRIBUTÁRIO JUROS DE MORA TAXA SELIC PREVISÃO LEGAL JURISPRUDÊNCIA SEDIMENTADA REsp 1.111.189/SP ART. 543C DO CPC AGRAVO REGIMENTAL AUSÊNCIA DE INTERESSE DE AGIR MULTA PROCESSUAL. 1. Esta Corte já pacificou o entendimento sobre o cabimento da utilização da Taxa Selic como índice de juros moratórios no Estado de São Paulo, segundo o rito estabelecido no art. 543C do CPC e na Resolução STJ 8/08, no julgamento do REsp 1.111.189/SP. 2. Agravo regimental em ataque ao mérito de decisão proferida com base no art. 543C do CPC a que se nega provimento, com aplicação de multa no percentual de 10% sobre o valor da causa (Questão de ordem apreciada em 25/03/2009 pela Primeira Seção, no REsp 1.025.220/RS). 3. Agravo regimental não provido com aplicação de multa de 10% sobre o valor da causa (grifo do subscritor) Indefiro a diligência requerida, uma vez que ficou claro as bases de cálculo adotadas que não ocorre ato cooperado prefeito, pois a recorrente toma serviços de cooperado de outra cooperativa, agindo como tomadora de serviços e por não atender tal pedido os requisitos do Artigo 16, IV, do Decreto 70.235/72. Por fim, a alteração ocorrida com a edição da IN 971/2009 não modifica a situação deste crédito. A IN introduziu uma nova interpretação na relação jurídica interna do atores do negócio jurídico. Porém esta interpretação não exclui a exação apenas redirecionou ao tomador de serviço primário o dever de recolher a exação. Desde que a cooperativa cedente ou origem inclua na nota fiscal ou fatura de prestação dos serviços a ser remetida e cobrada deste o valor dos serviços prestados pelo cooperado da cooperativa cessionária ou destino. Esta nova forma de cobrar a exação não elidi o entendimento anterior e nem altera o texto legal de que o tomador do serviço deve arcar com o custo da contribuição, pois quando a cooperativa origem utiliza cooperada da cooperativa destino esta se põe na condição de tomador de serviço. De mais a mais nova interpretação não é fundamento para exclusão da exação, pois o artigo 175 do C.T.N só elenca como causa de exclusão do crédito a anistia e a isenção, o que não ocorre no caso. Destarte, com os esclarecimentos acima voto por Conhecer do Recurso para no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, a fim de excluir deste os valores relativos as competências de 03/2000 a 08/2002, pois até esta o contribuinte estava amparado pela Consulta Fiscal CF 115/2000, tendo em vista que o artigo 175, PU, da IN 71/2002 passou a ter eficácia a partir de 01/09/2002, sendo que este período excluído, abrange por completo a decadência parcial do crédito. Eduardo de Oliveira – Relator Fl. 1013DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1120.11546.B5DX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 35524.000184/200768 Resolução n.º 2803000.100 S2TE03 Fl. 927 24 NOVO RELATOR DESIGNADO CONSELHEIRO HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, EM RAZÃO DO DESLIGAMENTO DA CONSELHEIRA CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE DO CARF Relatório DO LANÇAMENTO Em razão do desligamento da Conselheira Carolina Siqueira Monteiro de Andrade do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF foi designado novo relator Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima que passa a discorrer sobre os autos. Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, que de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 57/61, é relativo às contribuições incidentes sobre os valores brutos das faturas de prestação de serviços, relativamente aos serviços que lhe foram prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, conforme art. 22, inciso IV, da Lei n° 8.212/91 (com redação dada pela Lei 9.876/99), período de 03/2000 a 10/2006. Esclarece o relatório fiscal, que as cooperativas de trabalho equiparam se à empresa, com fulcro no art. 15, parágrafo único da Lei n° 8.212/91, de modo que todas as contribuições destinadas à Seguridade Social de competência das empresas em geral são a elas aplicadas, inclusive no caso desta subcontratar outra cooperativa de trabalho para lhe prestar serviço. De acordo com o relatório fiscal, nos itens 5.5 e 5.6, a Unimed Norte Capixaba está associada à Unimed do Espírito Santo Federação das Cooperativas de Trabalho Médico. Quando a prestação dos serviços à Unimed Norte Capixaba é realizada por uma cooperativa médica pertencente à outra Federação das Cooperativas Unimed's, por exemplo, Federação das Cooperativas das Unimed's do Estado do Rio de Janeiro, a cobrança dos serviços prestados à Unimed Norte Capixaba é realizada VIA FEDERAÇÃO, ou seja, a cooperativa médica prestadora dos serviços emite uma fatura cobrando os valores diretamente da sua Federação, que por sua vez consolida as faturas de prestação de serviços das suas cooperativas médicas associadas e emite uma nova fatura, agora com o CNPJ e Razão social da Federação, cobrando os valores diretamente da Unimed Norte Capixaba; anexo à fatura encaminha um relatório especificando os atendimentos realizados e as cooperativas médicas prestadoras de serviços. Nesse caso, percebese claramente que as Federações das Cooperativas Unimed's atuam basicamente na função administrativa, na verdade elas apenas fazem a intermediação para cobrar os valores devidos entre as cooperativas Unimed's, as quais de fato, são as verdadeiras tomadoras e prestadoras de serviços. O Sistema de Cooperativismo Unimed é formado por várias cooperativas de trabalho UNIMED's distintas, cada uma com sua personalidade jurídica, com seus próprios cooperados que prestam serviços entre si, de modo que cada uma delas obrigatoriamente emite nota fiscal/fatura relativa aos serviços prestados por seus cooperados. A essa prestação de serviços entre Cooperativas Unimed's dáse o nome de "Intercâmbio". Na base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias devidas pela Unimed Norte Capixaba foi considerado o valor do Ato Cooperativo Principal constante nas faturas de prestação de serviços (art. 291, II, Instrução Normativa SRP nº 03, de 14 de julho de 2005). Fl. 1014DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1120.11546.B5DX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 35524.000184/200768 Resolução n.º 2803000.100 S2TE03 Fl. 928 25 DA IMPUGNAÇÃO A ciência do lançamento pelo contribuinte deuse 14/02/2007, fl. 01 dos autos em meio papel. Inconformado apresentou impugnação às folhas 170/245. DO RECURSO O órgão de primeira instância administrativa fiscal julgou o lançamento procedente, fls. 779/790. O contribuinte foi cientificado da decisão em 05/04/2007, fl. 793. Inconformado apresentou recurso voluntário em 07/05/2007, fls. 796/881, alegando em síntese: a decadência para o período anterior a fevereiro de 2002, eis que ultrapassado o prazo de 5 (cinco) anos previsto no art. 150, §4°, do CTN; não foi analisada a contabilidade das Cooperativas Cessionárias do Intercâmbio, baseandose, tãosomente, na literalidade das notas por elas emitidas. A suposição de que o conceito de ATO COOPERATIVO principal tenha sido adotado em tais documentos, que se ressalte, são de terceiros, foi afastada pelas planilhas apresentadas pela recorrente, e que demonstram a existência de outras parcelas, que não a prestação de serviços por cooperados, em tal rubrica. Tal fato demonstra, notoriamente a necessidade de realização de diligência; a DecisãoNotificação ora recorrida não reconhece os efeitos da Consulta Fiscal n° 115/2000 solicitada pela Central Nacional Unimed Cooperativa Central, que é uma cooperativa constituída de outras cooperativas singulares com o objetivo de auxiliar as últimas em diversos aspectos, negando o entendimento previdenciário no sentido de que não se sujeita a cooperativa cedente à contribuição previdenciária instituída pela Lei n.° 9.876/99, esquecendose que está o INSS vinculado àquele entendimento por ele emitido. Para tanto, baseiase em falsa distinção fática, alegando que a situação presente distinguirseia do objeto da Consulta Fiscal. Concluise assim, pela vinculação do fisco previdenciário à aludida consulta, contaminando de nulidade a autuação vivenciada, bem como a Decisão Notificação. Ademais, tenhase que a Solução de Consulta em referência tem força de norma complementar em sede de direito tributário, e como tal deve ser observada, devendo, para tanto, merecer fiel acatamento, contanto afigurese compatível com a legislação pretendida complementar (art. 100 do CTN); não caracterização da Cooperativa Cedente como Tomadora de Serviços dos Médicos Cooperados da Cooperativa Cessionária, em razão da especificidade do Intercâmbio; a Recorrente, como sociedade cooperativa que é, e, tendo em vista as especificidades das transferências de responsabilidade/intercâmbio, não pode, como cooperativa cedente, ser caracterizada como tomadora de serviços dos médicos cooperados da cooperativa cessionária; em decorrência dos vícios constantes na Lei 9:876/99, resta inexigível a aludida contribuição previdenciária; intributável o ato cooperativo perfeito; Fl. 1015DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1120.11546.B5DX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 35524.000184/200768 Resolução n.º 2803000.100 S2TE03 Fl. 929 26 majorada a base de cálculo, por excederse a abrangência dos serviços pessoais e sua respectiva remuneração aos cooperados; resulta em bitributação a pretensa exigência; a multa aplicada ofende os Princípios da Proporcionalidade, Capacidade Contributiva e do NãoConfisco, sendo indevida a aplicação da Taxa Selic como juros na quantificação do montante supostamente devido. É o relatório. Fl. 1016DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1120.11546.B5DX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 35524.000184/200768 Resolução n.º 2803000.100 S2TE03 Fl. 930 27 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O recurso é tempestivo, fl. 332, passo a exame das questões suscitadas. Consta do relatório Fiscal, fls. 57 a 61, o seguinte: 3.1. Todas as Cooperativas de Trabalho Unimed's associadas à Unimed Brasil e à Central Nacional Unimed, fazem parte de urna espécie de Sistema de Cooperativismo das Cooperativas Unimed’s. Dentre os objetivos dessa associação, destacamos além da consolidação da marca “Unimed”, a possibilidade que cada uma delas tem de oferecer à população um plano de saúde de abrangência nacional. 5.2. Como a Unimed Norte Capixaba também pertence a esse Sistema de Cooperativismo, os usuários que contratarem junto a ela um Plano de Saúde de cobertura nacional, poderão ser atendidos em qualquer cidade que esteja abrangida por uma outra Cooperativa Unimed pertencente ao Sistema. 5.3. O Sistema de Cooperativismo Unimed é formado por várias cooperativas de trabalho Unimed's distintas, cada uma com sua personalidade jurídica, com seus próprios cooperados que prestam serviços entre s, de modo que cada uma delas obrigatoriamente emite nota fiscal/fatura relativa aos serviços prestados por seus cooperados. A essa prestação de serviços entre as Cooperativas Unimed' s dáse o nome de "Intercâmbio". ... 5.6. Quando a prestação dos serviços à Unimed Norte Capixaba é realizada por uma cooperativa médica pertencente à outra Federação das Cooperativas Unimed's, por exemplo, Federação das Cooperativas das Unimed's do Estado do Rio de Janeiro, a cobrança dos serviços prestados à Unimed Norte Capixaba é realizada VIA FEDERAÇÃO, ou seja, a cooperativa médica prestadora dos serviços emite uma fatura cobrando os valores diretamente da sua Federação, que por sua vez consolida as faturas de prestação de serviços das suas cooperativas médicas associadas e emite uma nova Fatura, agora com o CNPJ e Razão Social da Federação, cobrando os valores diretamente da Unimed Norte Capixaba; anexo a fatura encaminha um relatório especificando os atendimentos realizados e as cooperativas médicas prestadoras dos serviços. NESSE CASO, PERCEBESE CLARAMENTE QUE AS FEDERAÇÕES DAS COOPERATIVAS UNIMED'S ATUAM BASICAMENTE NA FUNÇÃO ADMINISTRATIVA. NA VERDADE ELAS APENAS FAZEM A INTERMEDIAÇÃO PARA COBRAR OS VALORES DEVIDOS ENTRE AS COOPERATIVAS UNIMED'S, AS QUAIS DE FATO SÃO AS VERDADEIRAS TOMADORAS E PRESTADORAS DOS SERVIÇOS. 5.7. O fato das Faturas terem sido emitidas com o CNPJ e Razão Social da Federação das Unimed's do Espírito Santo, em nada descaracteriza a real situação, ou seja, a Unimed Norte Capixaba Fl. 1017DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1120.11546.B5DX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 35524.000184/200768 Resolução n.º 2803000.100 S2TE03 Fl. 931 28 continua sendo a contratante dos serviços prestados pelos cooperados intermediados pelas outras cooperativas médicas, sendo assim, responsável pelo recolhimento das contribuições sociais previdenciária prevista no art. 22, inciso IV, da Lei 8.212/91 (com a redação dada pela Lei 9.876/99). 6. Portanto foram utilizadas as faturas emitidas pela Unimed do Espírito Santo Federação das Cooperativas de Trabalho Médico em lugar das cooperativas de trabalho que realmente prestaram serviços à Unimed Norte Capixaba. 8. BASE DE CÁLCULO 8.1. Nas Faturas de prestação de serviços emitidas pelas Unimed's, os Atos Cooperativos encontramse discriminados da seguinte forma: Atos Cooperativos Principais e Atos Cooperativos Acessórios ou Auxiliares. Conforme informações prestadas pela empresa, os Atos Cooperativos Principais referemse aos serviços efetivamente prestados pelos cooperados e Atos Cooperativos Acessórios ou Auxiliares referemse as demais despesas, tais como despesas com hospitais, clínicas e laboratórios, etc. Esta separação é feita com objetivo de atender a legislação da Secretaria da Receita Federal, que exige que as cooperativas de trabalho discriminem, em suas faturas, as importâncias relativas aos serviços pessoais prestados à pessoa jurídica por seus associados, das importâncias que corresponderem a outros custos e despesas. (Atos Declaratórios Normativo n.° 1, de 11/02/1993 emitido pela CoordenaçãoGeral de Sistema de Tributação — Cosit c/c art. 652 do Decreto n° 3.000, de 26/03/1999). 8.2. Na base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias devidas pela Unimed Norte Capixaba foi considerado o valor do Ato Cooperativo Principal constante nas faturas de prestação de serviços conforme o artigo 291,inciso II da Instrução Normativa SRP n° 03, de 14 de julho de 2005. 8.3. Os valores lançados como base de cálculo encontramse discriminados, juntamente com as contribuições devidas, no Discriminativo Analítico do Débito — DAD, em anexo. 11. DOCUMENTOS EXAMINADOS 11.1.0s documentos examinados para a apuração das bases de cálculo foram os Livros Diários e Razão, Faturas de Prestação de Serviços, Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social GFIP e Guias de Recolhimento da Previdência Social (GPS), referente ao período de 03/2000 a 10/2006. 11.2. As planilhas contendo a relação das faturas de prestação de serviços emitidas pelas Cooperativas de trabalho mencionadas no item "6" deste relatório, encontramse anexadas a esta Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD. 11.3. Os valores constantes desta notificação não foram incluídos na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP). Nosso grifo. Fl. 1018DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1120.11546.B5DX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 35524.000184/200768 Resolução n.º 2803000.100 S2TE03 Fl. 932 29 Como observado no relatório fiscal, itens 6 e 8.2, para o lançamento do crédito fiscal foram utilizadas as faturas emitidas pela Unimed do Espírito Santo Federação das Cooperativas de Trabalho Médico em lugar das cooperativas de trabalho que realmente prestaram serviços à Unimed Norte Capixaba, e, como base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias devidas pela Unimed Norte Capixaba foi considerado o valor do Ato Cooperativo Principal constante nas faturas de prestação de serviços conforme o artigo 291, inciso II, da Instrução Normativa SRP n° 03, de 14 de julho de 2005: Art. 291. Nas atividades da área de saúde, para o cálculo da contribuição de quinze por cento devida pela empresa contratante de serviços de cooperados intermediados por cooperativa de trabalho, as peculiaridades da cobertura do contrato definirão a base de cálculo, observados os seguintes critérios: II nos contratos coletivos por custo operacional, celebrados com empresa, onde a cooperativa médica e a contratante estipulam, de comum acordo, uma tabela de serviços e honorários, cujo pagamento é feito após o atendimento, a base de cálculo da contribuição social previdenciária será o valor dos serviços efetivamente realizados pelos cooperados. Parágrafo único. Se houver parcela adicional ao custo dos serviços contratados por conta do custeio administrativo da cooperativa, esse valor também integrará a base de cálculo da contribuição social previdenciária. O recorrente não demonstrou especificamente onde está o suposto erro da fiscalização. Apenas se limitou a contestar que não foi analisada a contabilidade das Cooperativas Cessionárias do Intercâmbio e que o lançamento se baseou, tãosomente, na literalidade das notas por elas emitidas. Apresentou planilhas genéricas e suposições que induzem à existência de outras parcelas, que não a prestação de serviços por cooperados, alegando a necessidade de realização de diligência. O recorrente deve demonstrar exatamente onde está o erro da fiscalização que informou como procedimento para apuração do crédito o art. 291, II, IN/SRP n° 03/2005. O recorrente alega que a DecisãoNotificação não reconheceu os efeitos da Consulta Fiscal n° 115/2000 solicitada pela Central Nacional Unimed Cooperativa Central, que é uma cooperativa constituída de outras cooperativas singulares com o objetivo de auxiliar as últimas em diversos aspectos, e que a decisão negou o entendimento previdenciário no sentido de que não se sujeita a cooperativa cedente à contribuição previdenciária instituída pela Lei n.° 9.876/99, entretanto, esqueceu a fiscalização que está vinculada àquele entendimento da consulta. Alega, ainda, a Solução de Consulta em referência tem força de norma complementar em sede de direito tributário, e como tal deve ser observada (art. 100 do CTN). Não há caracterização da Cooperativa Cedente como Tomadora de Serviços dos Médicos Cooperados da Cooperativa Cessionária, em razão da especificidade do Intercâmbio. Questiona, também, que tendo em vista as especificidades das transferências de responsabilidade/intercâmbio, não pode, como cooperativa cedente, ser caracterizada como tomadora de serviços dos médicos cooperados da cooperativa cessionária, ademais, a base de cálculo foi majorada, por exceder a abrangência dos serviços pessoais e sua respectiva remuneração aos cooperados. O recorrente alega ser a Central Nacional Unimed uma entidade representativa de categoria profissional de médicos organizados em cooperativas, e que se vislumbra, em Fl. 1019DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1120.11546.B5DX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 35524.000184/200768 Resolução n.º 2803000.100 S2TE03 Fl. 933 30 hipótese, a possibilidade de a Central Nacional Unimed obter Solução de Consulta que se estenda aos seus associados que passariam também a perceber os efeitos da resposta apresentada, e em tema validado por decisão coletiva. O posicionamento da Diretoria de Arrecadação do INSS mencionou na consulta, p. 817 dos autos: (...) 1 Correto. A Unimed Origem emite fatura ou nota fiscal às empresas contratantes, não só dos serviços prestados pelos seus próprios cooperados, mas também daqueles prestados por cooperados de outras cooperativas. A totalidade dos serviços médicos cobrados constitui a base de cálculo da contribuição ao INSS a cargo das empresas contratantes. 2 Correto. Na hipótese da Unimed comercializar planos médico odontológicos não haveria incidência da nova contribuição em relação aos valores pagos pelas cooperativas Unimed às cooperativas Uniodonto, desde que os valores dos serviços odontológicos estejam incluídos na base de cálculo da contribuição à cargo das empresas contratantes. (...) A autoridade notificante não apresentou contrarrazões. É dever da autoridade administrativa zelar pela legalidade de seus atos e de respeitar o princípio da verdade material e o princípio do contraditório e ampla defesa de que trata o inciso LV do art. 5º da Constituição Federal do Brasil, bem como, determinar a produção de provas indispensáveis à comprovação do fato (artigos 9º e 18, 29, todos do Decreto nº 70.235/72). CONCLUSÃO Pelo exposto, em converter o julgamento em diligência para que a autoridade notificante: a) solicite cópia da Consulta Fiscal n° 115/2000 ou equivalente mencionada pelo contribuinte em sua impugnação e no recurso voluntário, para juntar aos autos ou indicar a página em que consta dos autos. A fiscalização deve se pronunciar se está vinculada ao entendimento da consulta, a validade da consulta em relação ao lançamento e se continua válida atualmente, se o questionamento da consulta pode ser aplicado ao lançamento, se o contribuinte está abrangido pela consulta, e, as razões de suas alegações; b) A fiscalização deve confirmar ou informar em nome de quem foi emitida a nota fiscal de serviço utilizada no levantamento do lançamento fiscal, e, se a Unimed Origem (o recorrente) emitiu fatura ou nota fiscal às empresas contratantes, não só dos serviços prestados pelos seus próprios cooperados, mas também daqueles prestados por cooperados de outras cooperativas (conforme item 1 da citada consulta acima transcrito, p. 817 dos autos), juntando aos autos as razões e comprovações de suas alegações. A fiscalização deve apresentar outras informações que entender necessárias em relação ao recurso do contribuinte, em especial, em relação às planilhas e suposições apresentadas pelo recorrente que induzem à existência de outras parcelas, que não a prestação de serviços por cooperados, e, que a base de Fl. 1020DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1120.11546.B5DX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 35524.000184/200768 Resolução n.º 2803000.100 S2TE03 Fl. 934 31 cálculo foi majorada, por exceder a abrangência dos serviços pessoais e sua respectiva remuneração aos cooperados; c) após, o contribuinte deve ser citado para apresentar contestação, se desejar, e, ao final os autos devem ser encaminhados para julgamento; d) quanto aos planos de prépagamento quantificar os serviços médicos prestados aos usuários por outras cooperativas fora do Estado do Espírito Santo. Quantificar quanto foi pago por estes usuários pelo plano de prépagamento. Comparar o resultado do serviço médico sobre o total do valor com o total de 30% (trinta por cento) presumido. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 1021DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1120.11546.B5DX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 35524.000184/200768 Resolução n.º 2803000.100 S2TE03 Fl. 935 32 VOTO –VISTA CONSELHEIRO AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Voto Vista Em virtude da complexidade do assunto, solicitei vista destes autos por não me considerar satisfeito com os argumentos apresentados pela relatora originária, bem como pelos argumentos utilizados pelo ilustre Conselheiro Eduardo de Oliveira que, em pedido de vista anterior, a exemplo da fiscalização e do julgador a quo, entendeu haver incidência de tributação nas operações de intercâmbio realizadas no âmbito do Sistema Cooperativista denominado UNIMED. Como se sabe, o assunto não está pacificado plenamente, sendo, inclusive, objeto de ADIN e de Repercussão Geral no âmbito do Supremo Tribunal Federal – STF. No que se refere à Repercussão Geral, há que se ressaltar que o processo ora em discussão esteve sobrestado neste Conselho, em razão da aplicabilidade do novel art. 62A do RICARF. No entanto, considerando que não foi observado o efetivo sobrestamento pelo STF, o processo retornou para conclusão do julgamento. Depois do retorno do processo, a relatoria foi alterada porque a relatora originária não faz mais parte deste colegiado, motivo pelo qual o processo foi redistribuído para o presidente da Turma. Na última assentada, também não considerei satisfatória a solução apresentada pelo novo relator e, apresento agora, argumentos que reputo necessários, visando, assim, contribuir para o esclarecimento da matéria. De início, tenho convicção de que a Lei nº 9.876/99, que incluiu o inciso IV ao art. 22 da Lei nº 8.212/91, foi elaborada para alcançar as cooperativas de trabalho fornecedoras de mãodeobra para tomadores de serviços e não as cooperativas de trabalho do ramo saúde, como é o caso da ora recorrente. As cooperativas de saúde, como atualmente são designadas, não fornecem mão deobra de seus associados como fazem as cooperativas de trabalho típicas. Elas, ao contrário, por intermédio de seus associados prestam serviços utilizando estruturas próprias, como: hospitais, clínicas e, na situação em debate, o intercâmbio já devidamente reconhecido pela legislação infralegal. O ato que resultou o lançamento é um ato unitário e já afetado pela tributação. O tributo, ou seja, os 15% (quinze por cento) incide no momento em que a empresa contratante do plano de saúde realiza o pagamento da nota fiscal ou fatura para a cooperativa de origem. É, de fato, equivocado o entendimento de que na realização do intercâmbio, os atos são fracionados e que, por esse motivo, deve incidir, em cadeia, o fenômeno dos 15% (quinze por cento). Com efeito, não vislumbro essa possibilidade. A intermediação existente na operação é a mais cristalina configuração do ato cooperativo perfeito, conforme preceitua o art. 79 da Lei nº 5.76/71 (Lei Cooperativista). Fl. 1022DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1120.11546.B5DX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 35524.000184/200768 Resolução n.º 2803000.100 S2TE03 Fl. 936 33 O fato de existir uma ou mais cooperativas de segundo grau no âmbito da intermediação, bem como de cooperativas singulares não significa que o ato existente deixou de ser unitário. A propósito, diz o art. 8º da Lei Cooperativista que “as cooperativas centrais e federações de cooperativas objetivam organizar, em comum e em maior escala, os serviços econômicos e assistenciais de interesse das filiadas, integrando e orientando suas atividades, bem como facilitando a utilização recíproca dos serviços”. Ora, se é do conhecimento geral que as cooperativas são distintas dos demais tipos societários em sua forma de operar, sua visualização, portanto, deve ser realizada de acordo com as suas peculiaridades, sob pena de cometimento de impropriedades que possam afetar sua própria existência. Neste aspecto, não se pode perder de vista que a Constituição da República (art.174, § 2º) determina que “a lei apoiará e estimulará o cooperativismo e outras formas de associativismo”. No ponto, é de se notar que a desconsideração do ato cooperativo, bem como da intermediação resultante do intercâmbio entre as cooperativas integrantes do Sistema Unimed, por intermédio de interpretação equivocada da legislação tributária, é motivo de preocupação, situação que entendo contrária às disposições constitucionais e da própria lei de regência do tipo societário em questão. Na constituição do crédito tributário, descrita no art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN, a autoridade administrativa deverá cumprir seu mister integralmente, verificando, dentre outras coisas, a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, situação que não entendo implementada nestes autos. Além de entender que no intercâmbio não existe a possibilidade da tributação na forma apontada por aqueles que me antecederam, percebo ainda, in casu, a ocorrência de malferimento ao art. 110 do CTN, in verbis: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Destarte, no caso vertente, percebo que a autoridade administrativa incumbida do lançamento, bem como aqueles que me antecederam, ignoraram os comandos insculpidos no art. 110 do CTN, situação que deve ser totalmente revista. A atividade de intercâmbio / intermediação é um caso típico de não incidência de tributo, e dessa forma deve ser tratada. Neste aspecto, é importante transcrever trecho do texto constante do memorial apresentado pela recorrente, verbis: O INSS, por meio de sua Coordenação Geral de Arrecadação, já havia expressamente consignado a não incidência de contribuição previdenciária (15%) sobre os pagamentos realizados a outras Fl. 1023DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1120.11546.B5DX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 35524.000184/200768 Resolução n.º 2803000.100 S2TE03 Fl. 937 34 cooperativas de trabalho médico em intercâmbio, EM HIPÓTESES IDÊNTICAS À PRESENTE. Tal entendimento encontrase expresso na Solução de Consulta Fiscal nº 115/2000, solicitada pela Central Nacional Unimed em atuação em prol de suas associadas (cooperativas singulares), dentre as quais a presente Recorrente. Na Solução de Consulta referida, a autoridade administrativa assim se expressou: (...) Correto. A Unimed Origem emite fatura ou nota fiscal às empresas contratantes, não só dos serviços prestados pelos seus próprios cooperados, mas também daqueles prestados por cooperados de outras cooperativas. A totalidade dos serviços médicos cobrados constitui a base de cálculo da contribuição ao INSS a cargo das empresas contratantes. Da leitura do trecho acima descrito, não resta qualquer dúvida de que a cobrança pretendida, se realizada, constituirá nítida ocorrência do fenômeno conhecido como bi – tributação, instituto absolutamente reprovado pelo ordenamento jurídico pátrio. Vêse, pois, que em se tratando de matéria extremamente complexa, como é o caso destes autos, sua análise não pode padecer de superficialidades. Apesar do debate estabelecido, entendo que o assunto conta com boa compreensão do legislador infralegal, conforme se pode verificar do art. 216 da Instrução Normativa SRF 971, de 13 de novembro de 2009, in verbis: Art. 216. As cooperativas de trabalho e de produção são equiparadas às empresas em geral, ficando sujeitas ao cumprimento das obrigações acessórias previstas no art. 47 e às obrigações principais previstas nos arts. 72 e 78, em relação: (...) VI – à contribuição incidente sobre o valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, quando contratarem serviços mediante intermediação de outra cooperativa de trabalho, ressalvado o disposto no § 4º. (...) § 4º. O disposto no inciso IV do caput não se aplica à cooperativa de trabalho quando os serviços forem prestados à empresa contratante mediante intermediação de outra cooperativa, situação denominada de intercâmbio entre cooperativas, e deverá ser observado o que segue: I – a cooperativa de origem, assim entendida aquela que mantém contrato com o tomador do serviço, deverá emitir a nota fiscal, a fatura ou o recibo de prestação de serviço à empresa contratante, incluindo os valores dos serviços prestados pelos seus cooperados e os daqueles prestados por cooperados de outras cooperativas; II – o valor total dos serviços cobrados conforme inciso I constitui a base de cálculo da contribuição a cargo da empresa contratante; Fl. 1024DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1120.11546.B5DX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 35524.000184/200768 Resolução n.º 2803000.100 S2TE03 Fl. 938 35 III – os valores faturados pelas cooperativas de destino, cujos cooperados prestaram o serviço à cooperativa de origem, não constituem base de cálculo para as contribuições desta, uma vez que serão cobrados na forma do inciso II. Notase, portanto, que efetivamente não existe a possibilidade de tributação na forma pretendida pela autoridade lançadora. Na interpretação do complexo instituto denominado cooperativa, a própria Receita Federal reconheceu a não incidência de tributação nas operações realizadas pelos intercâmbios realizados entre as cooperativas UNIMED`S. Ademais, o operador do Direito, em situações como as destes autos, não pode se esquecer dos comandos previstos no inciso I do art. 106 do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I – em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 1025DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1120.11546.B5DX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 35524.000184/200768 Resolução n.º 2803000.100 S2TE03 Fl. 939 36 DECLARAÇÃO DE VOTO CONSELHEIRO OSEAS COIMBRA JUNIOR DA DILIGÊNCIA REQUERIDA Sr Presidente, A exação sob exame, tributação sobre operações de intercâmbio de cooperativas possui algumas peculiaridades que devem ser esclarecidas, senão vejamos: DA CONSULTA FORMULADA Inicialmente esclarecemos que, acerca da consulta 0155/2000, esta apenas traduz entendimento que veio a ser incorporado no art. 216 da IN 971/09, evitandose a bi tributação. Diz a consulta que, no caso de nota fiscal emitida à EMPRESA TOMADORA, por serviços de intercâmbio, por óbvio que a UNIMED CEDENTE não deve contribuir novamente sobre o mesmo serviço. Tal consulta em nada altera o que discutido na presente Notificação. Vejamos trecho da mesma: Correto. As UNIMED ORIGEM emitem faturas ou nota fiscal às empresas contratantes, não só dos serviços prestados pelos seus próprios cooperados, mas também daqueles prestados por cooperados de outras cooperativas. A totalidade dos serviços médicos cobrados constitui a base de cálculo da contribuição ao INSS a cargo das empresas contratantes. As operações de intercâmbio que têm seus custos repassados às EMPRESAS CONTRATANTES e estas realizam o recolhimento dos 15% devidos na operação, não há que se falar em nova contribuição sob pena de se configurar bitributação. Quando não há esse repasse, as UNIMED CEDENTES é que suportam estas contribuições. A metodologia constante na solução da consulta, repisase, foi incorporada a IN 971, através do art. 216, a demonstrar seu acerto e a razão pela qual não altera o deslinde do presente julgamento. Discorremos a seguir sobre o tema. DO FLUXO DA CONTRATAÇÃO EFETUADA A lei 8212/91, art. 15 e exaustiva jurisprudência confirmam que, para fins tributárioprevidenciários, as cooperativas são equiparadas a empresas. Assim sendo, quando uma cooperativa contrata outra, através de intercâmbio, para lhe prestar determinado serviço, há o fato gerador, com conseqüente dever de recolhimento de 15% sobre o serviço contratado. Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; ... Fl. 1026DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1120.11546.B5DX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 35524.000184/200768 Resolução n.º 2803000.100 S2TE03 Fl. 940 37 Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Quando existe a operação conhecida como INTERCÂMBIO, podemos encontrar os seguintes personagens: UNIMED CEDENTE – a que cede o usuário para outra UNIMED, é a contratada pela empresa com o fito de oferecer serviço de saúde. UNIMED CESSIONÁRIA – a que atende o usuário quando este se encontra fora de sua “base territorial”. EMPRESA CONTRATANTE – Pessoa jurídica que contrata a UNIMED CEDENTE para oferecer assistência médica a seus empregados. Quando um empregado é atendido em outro estado, por ex., há o que chamamos de INTERCÂMBIO. O empregado usa o médico vinculado a outra cooperativa e a UNIMED CEDENTE reembolsa essa cooperativa, também chamada de UNIMED CESSIONÁRIA em razão dos custos do atendimento. Aqui fica claro que se configura a contratação de serviços de Cooperativa, emergindo assim a contribuição de 15% sobre os serviços prestados. A UNIMED CEDENTE contratou serviços de cooperados através da UNIMED CESSIONÁRIA. Emerge assim duas situações quando um empregado é atendido via intercâmbio: 1 – O tributo é totalmente repassado a EMPRESA CONTRATANTE da UNIMED CEDENTE, a qual emite nota para o contratante com os 15% devidos, tudo em consonância com o do art. 216, § 4º, I, da IN 971/09, que reproduzo: § 4º O disposto no inciso VI do caput não se aplica à cooperativa de trabalho quando os serviços forem prestados à empresa contratante mediante intermediação de outra cooperativa, situação denominada como intercâmbio entre cooperativas, e deverá ser observado o que segue: I a cooperativa de origem, assim entendida aquela que mantém contrato com o tomador do serviço, deverá emitir a nota fiscal, a fatura ou o recibo de prestação de serviço à empresa contratante, incluindo os valores dos serviços prestados pelos seus cooperados e os daqueles prestados por cooperados de outras cooperativas; ... Nesse caso não há que se falar em ônus à UNIMED cedente, pois a empresa contratante é o sujeito passivo, arcando com os 15% devidos. 2 – Não há emissão de nota de serviço/fatura à EMPRESA CONTRATANTE referente aos serviços de intercâmbio, nesse caso, que é regra nos contratos de custo fixo, que discorreremos a seguir, essas despesas extras não são repassadas a EMPRESA Fl. 1027DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1120.11546.B5DX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 35524.000184/200768 Resolução n.º 2803000.100 S2TE03 Fl. 941 38 CONTRATANTE e suportadas pela UNIMED CEDENTE, conforme a natureza aleatória presente em contratos de seguro. Na contratação de planos de saúde existem duas modalidades básicas: CUSTO FIXO ou PRÉ PAGAMENTO – a contratante se obriga com um valor fixo, que não varia em razão dos custos envolvidos na prestação do serviço médico do período, que pode inclusive ser inexistente, caso nenhum contratante procure a rede credenciada. No custo fixo, caso haja atendimento em intercâmbio e não seja emitida nota à EMPRESA CONTRATANTE desses serviços, a cooperativa de origem assume o ônus dos 15% em razão da álea inerente a natureza jurídica dessa modalidade contratual. Constatase que nos planos com abrangência nacional, geralmente temos uma prestação diferenciada, maior, exatamente para cobrir eventuais custos advindos da cobertura diferenciada. CUSTO EFETIVO ou PÓSPAGAMENTO – Aqui, são apurados os custos e repassados ao contribuinte. Podese ainda falar em um sistema misto, onde há uma parcela fixa e, dependendo do atendimento realizado, uma participação extra é exigida do contratante, parcela conhecida como coparticipação. Assim sendo, a norma trazida no art. 216, §4º da IN RFB 971/09 tem sua aplicabilidade plena nos contratos onde o custo efetivo dos serviços prestados pelas Cooperativas CESSIONÁRIAS é repassado à empresa contratante. Nessa situação, a Cooperativa CEDENTE (a que contrata com a empresa tomadora dos serviços médicos) emiti nota fiscal em nome da EMPRESA CONTRATANTE com os serviços médicos prestados em intercâmbio, e a empresa recolhe os devidos 15% sobre os atos cooperativos. Nesse caso, não haverá contribuição previdenciária de responsabilidade da UNIMED CEDENTE, tudo conforme o art. 216, IV e § 4º da IN 971/09. Caso contrário, quando não há o repasse desse custo a EMPRESA CONTRATANTE, com a devida emissão de nota de serviço, existirá sim a responsabilidade da UNIMED CEDENTE, pois não haverá a situação descrita no art. 216, § 4º, I,II e III da IN 971/09. Nesse caso teríamos o fato gerador existente – prestação de serviço de médico cooperado por intermédio de cooperativa – e, como não foi feita a fatura à empresa tomadora de serviço, para o pagamento da exação, não há que se falar em aplicabilidade da norma do art. 216, IV e § 4º da IN 971/09 e, sendo a UNIMED CEDENTE, tomadora dos serviços prestados pela UNIMED CESSIONÁRIA, passa a ser a única responsável pelo pagamento da alíquota de 15% sobre os serviços prestados pelos cooperados da UNIMED CESSIONÁRIA – tudo conforme o art. 121 do CTN. Finalmente, somente na hipótese do procedimento ser efetuado nos moldes do que consta do art. 216, IV e § 4º, I,II e III da IN 971/09, há que se afastar a responsabilidade da UNIMED CEDENTE, posto que a exação será suportada pela empresa contratante e ali se finda. Caso contrário, a UNIMED CEDENTE, que arcou sozinha com a despesa variável do contrato aleatório firmado, deve ser a responsável tributo em questão, posto que a relação jurídicotributária se consolidou exclusivamente entre as UNIMED’s CEDENTES e CESSIONÁRIAS. Devese então esclarecer se: Fl. 1028DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1120.11546.B5DX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 35524.000184/200768 Resolução n.º 2803000.100 S2TE03 Fl. 942 39 Nas notas/faturas consideradas – fls 62 a 78, existem notas/faturas emitidas contra EMPRESAS CONTRATANTES. Registramos que as faturas de fls 79 a 102 apontam que não, confirmando que o lançamento trata exclusivamente de valores de intercâmbio referentes a ato cooperativo principal, como manda a lei, pois as faturas acostadas foram emitidas contra outras UNIMED´s e não EMPRESAS CONTRATANTES. Caso existam, nas notas fiscais/faturas relacionadas às fls 68/72, alguma emitida contra EMPRESAS CONTRATANTES, se consta a rubrica referente a parcela de 15% dos serviços via intercâmbio. A título exemplificativo, foi anexada pelo contribuinte, em memoriais, a Nota 2974/05, vencimento em 10/2005 contra uma EMPRESA CONTRATANTE, no valor de R$ 3314,05, onde consta a rubrica SERV PRESTADO OUTRAS UNIMED e, nesse caso, não há cobrança a ser efetivada na UNIMED CEDENTE, pois já repassados os custos ao contratante, tudo conforme o prefalado art. 216 da IN 971/09. Registrese que tal nota, acertadamente, não consta do presente lançamento. (Assinado digitalmente) Oseas Coimbra – Conselheiro Fl. 1029DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1120.11546.B5DX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA em 19/03/2012 14:17:32. Documento autenticado digitalmente por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA em 20/03/2012. Documento assinado digitalmente por: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA em 22/04/2012, OSEAS COIMBRA JUNIOR em 17/04/2012, EDUARDO DE OLIVEIRA em 02/04/2012 e AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR em 30/03/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 18/11/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP18.1120.11546.B5DX Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 90CFA7AAD5E7B6D2348FB9D6BF2F1B24B6183B82 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 35524.000184/2007-68. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10711.727463/2012-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Jun 22 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 2012
Ementa:
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA POR ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 126. Súmula CARF nº 126:
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
MULTA REGULAMENTAR. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. OCORRÊNCIA.
A multa por prestação de informações fora do prazo encontra-se prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 trata de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal.
Numero da decisão: 3302-011.065
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-011.024, de 27 de maio de 2021, prolatado no julgamento do processo 10711.721761/2012-88, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Larissa Nunes Girard, Walker Araujo, Vinicius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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MULTA POR ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 126. Súmula CARF nº 126: A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. MULTA REGULAMENTAR. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. OCORRÊNCIA. A multa por prestação de informações fora do prazo encontra-se prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 trata de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo- lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-011.024, de 27 de maio de 2021, prolatado no julgamento do processo 10711.721761/2012-88, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Larissa Nunes Girard, Walker Araujo, Vinicius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 74 63 /2 01 2- 00 Fl. 201DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-011.065 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10711.727463/2012-00 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Versa o processo sobre a controvérsia instaurada em razão da lavratura pelo fisco de auto de infração para exigência de penalidade prevista no artigo 107, inciso IV, alínea e do Decreto-lei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Os fundamentos encontram-se no bojo do auto de infração conforme abaixo se segue: Seja o transportador (interessado) ou através de seu representante deveria prestar informações tempestivas sobre seus conhecimentos eletrônicos. No caso são 7 dias para embarcação e 48 horas para aeronaves (IN 510/2005). A obrigação do transportador encontra-se estabelecida no artigo 37 do Decreto-Lei nº 37/1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003. O prazo de prestação de informações deve ser observado pelo transportador para cada navio/avião e viagem realizada, apurando-se a infração a cada operação de embarque, vinculando-se à data do mesmo. Diante dos fatos apurados, a fiscalização entendeu configurada a infração tipificada no art. 107, IV, “e”, do Decreto-Lei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, e aplicou a multa ali cominada para cada CE em que considerou ter havido atraso na prestação de informações. Devidamente cientificada a interessada ingressou com a impugnação em nome da interessada, alegando as preliminares atinentes às formalidades legais tributárias, mesmo na aplicação das multas administrativas, onde ainda não há a ocorrência do fato gerador do tributo, mas sim controle das importações e exportações para fins aduaneiros, como cerceamento ao direito de defesa por ausência de provas; infração ao princípio da legalidade e tipicidade e a inconstitucionalidade – razoabilidade e proporcionalidade - além da denúncia espontânea e relevação de penalidade (cuja matéria nem cabe no julgamento em DRJ). A DRJ julgou a impugnação improcedente, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2012 PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. MULTA. DELIMITAÇÃO DA INCIDÊNCIA. Fl. 202DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-011.065 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10711.727463/2012-00 Em conformidade com o disposto no Ato Declaratório Executivo Corep nº 3, de 28/3/2008 (DOU 1/4/2008), a prestação intempestiva de dados sobre veículo, operação ou carga transportada é punida com multa específica que, em regra, é aplicável em relação a cada escala, manifesto, conhecimento ou item incluído ou retificado após o prazo para prestar a devida informação, independente da quantidade de campos alterados. Impugnação Improcedente Inconformado com a decisão da DRJ, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta, em brevíssima síntese, que: 1) O acórdão recorrido não tratou da aplicação da denúncia espontânea ao caso concreto, fato que enseja a nulidade da decisão guerreada; 2) No caso em questão, ocorreu a denúncia espontânea, de tal forma que o auto deva ser cancelado; 3) Os valores envolvidos de fretes, posto que o valor da comissão pertencente à Impugnante, é em média de 03% do valor do frete no momento da revenda. Considerando que a Recorrente aufere como ganho, o valor médio correspondente entre 03% (três por cento) e 05% (cinco por cento) do negócio, é de clareza ímpar, que a multa imposta tem sim, caráter totalmente confiscatório. Termina petição requerendo o conhecimento do recurso e provimento para cancelar o auto de infração. É o breve relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar as preliminares e o mérito. Nulidade da decisão recorrida. Omissão sobre aplicação da denúncia espontânea. A recorrente alega que a decisão recorrida deixou de tratar concretamente do tantum alegado quanto à matéria da denúncia espontânea. Uma simples análise na decisão recorrida demonstra claramente que não houve a alegada omissão. Reproduzo o trecho em que foi tratado o instituto da denuncia espontânea e aplicação ao caso concreto, verbis: Da denúncia espontânea Com o advento da Medida Provisória nº 497, de 27/07/2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20/12/2010, o instituto da denúncia espontânea, abrigado no art. 138 do CTN, passou a excluir, além da aplicação de penalidades de natureza tributária, também aquelas de natureza administrativa. Esse dispositivo deve ser aplicado mesmo em relação às infrações verificadas anteriormente a sua edição, haja vista o disposto no artigo 106 do CTN. Referido instituto, porém, não alcança as penalidades aplicadas em razão do cumprimento intempestivo de obrigações acessórias autônomas, havendo, nesse Fl. 203DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-011.065 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10711.727463/2012-00 mesmo sentido, julgados que corroboram o entendimento de que tais penalidades não são incompatíveis com o preceituado no art. 138 do CTN. Para tanto, é de conferir-se o que foi decidido, por unanimidade de votos, pela Egrégia 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial n.º 195161/GO (98/0084905-0), cuja exegese do relator, Ministro José Delgado (DJ de 26 de abril de 1999), muito embora tenha versado sobre declaração do imposto de renda, aplica-se, da mesma forma, ao descumprimento da obrigação em tela: “TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA COM ATRASO DA DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. MULTA. INCIDÊNCIA. ART. 88 DA LEI 8.981/95. 1 - A entidade ‘denúncia espontânea’ não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração do imposto de renda. 2 - As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. 3 - Há de se acolher a incidência do art. 88 da Lei n.º 8.981/95, por não entrar em conflito com o art. 138 do CTN. Os referidos dispositivos tratam de entidades jurídicas diferentes. 4 - Recurso provido.” (negritamos) É importante destacar que o registro dos dados de embarque após o prazo regularmente estabelecido não caracteriza a denúncia espontânea aludida pela defesa, mas sim, precisamente, uma das condutas infracionais cominadas pela multa regulamentar em relevo. Como transcrito, a infração em tela se caracteriza pelo descumprimento do prazo ou forma, estabelecidos pela RFB, para o fornecimento de informações obrigatórias. Assim, estabelecidos o prazo e a forma de apresentação das informações em trato, seu descumprimento por parte do interveniente obrigado, automaticamente estabelece o cometimento da infração, não havendo que se falar mais em denúncia espontânea. Diante do quadro exposto, não vejo omissão a ser declarada, de forma que afasto a preliminar suscitada. Mérito Com relação à aplicação da denúncia espontânea, há que se lembrar que, no tocante às obrigações acessórias autônomas – tal como aquela de apresentar declaração ou aquela outra de prestar informações, dentro de certo prazo, à autoridade tributária ou aduaneira, não há que se falar em denúncia espontânea, como tem entendido o Superior Tribunal de Justiça em diversas decisões. Na esteira de tal entendimento, o próprio CARF tem se posicionado ao longo dos anos, tendo sedimentado sua posição no Enunciado de Súmula CARF nº 126: Enunciado de Súmula CARF nº 126 A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Observe-se, que mesmo após a edição do art. 102 do Decreto-Lei n.º 37/1966, com a redação dada pelo art. 18 da Medida Provisória n.º 497/2010, não há que se falar em aplicação da denúncia espontânea aos casos de descumprimento dos deveres Fl. 204DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-011.065 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10711.727463/2012-00 instrumentais decorrentes da inobservância de prazos para prestar informações à administração aduaneira. Desse modo, tendo em vista que o caso concreto versa sobre o descumprimento de dever instrumental atinente à prestação tempestiva de informação acerca de veículo e cargas transportados, é plenamente aplicável a Súmula CARF nº. 126 – cuja observância, vale lembrar, é obrigatória pelos Conselheiros do CARF, ex vi do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), afastando-se, desse modo, o argumento de denúncia espontânea. Análise de multa com caráter de confisco. Assevero que a referida multa é aplicada em razão do simples descumprimento da obrigação acessória, não se cogitando de ter havido, ou não, embaraço à fiscalização ou prejuízo ao erário, uma vez que a responsabilidade pela infração tem natureza objetiva e independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato praticado, consoante o art. 94, § 2°, do DL 37/66 e art. 136 do CTN. Portanto, a multa em questão encontra embasamento legal, e não pode ser excluída administrativamente se a situação fática verificada se enquadrar na hipótese prevista pela norma, por conta do caráter vinculado da atividade fiscal. Considerações sobre a graduação da penalidade, no caso, não se encontram sob a discricionariedade da autoridade administrativa, uma vez definida objetivamente pela lei. Qualquer pedido ou alegação que ultrapasse a análise de conformidade do ato administrativo de lançamento com as normas legais vigentes, como a contraposição a princípios constitucionais – sob o argumento de suposta ofensa à capacidade contributiva ou por ocorrência de confisco – somente pode ser reconhecido pela via competente, no caso o Poder Judiciário. Com efeito, a apreciação de assuntos desse tipo acha-se reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos da inconstitucionalidade e/ou invalidade das normas jurídicas deve ser submetida ao crivo desse Poder. O Órgão Administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza. Os mecanismos de controle da constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal, passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa. Noutro giro, não se pode olvidar que pelo enunciado de súmula CARF nº 02, este órgão não é competente para analisar inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ressalto que as súmulas do CARF são de observância obrigatória, sob pena de perda de mandato. Desse modo e não cabendo à autoridade administrativa de julgamento acatar a alegação de que a multa de ofício deve ser excluída por ter caráter confiscatório, nego provimento a este capítulo recursal Diante de todo exposto, afasto a preliminar suscitada e nego provimento ao recurso voluntário. Fl. 205DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-011.065 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10711.727463/2012-00 CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar a preliminar arguida. No mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Fl. 206DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11065.902459/2008-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 16 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Jul 12 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL)
Ano-calendário: 2008
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE. ERRO MATERIAL.
A retificação da PER/DCOMP por erro material depois de o contribuinte ter sido intimado do despacho decisório é possível, mediante a apresentação de documentos fiscais e contábeis, comprovando o erro cometido no seu preenchimento.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2008
CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO.
O contribuinte tem direito a restituição e/ou compensação, desde que faça prova de possuir crédito próprio, líquido e certo, contra a Fazenda Pública.
Numero da decisão: 1201-004.914
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório de saldo negativo de CSLL do ano 2003 no valor de R$ 16.877,64 e homologar a compensação até o limite desse saldo negativo ainda disponível. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-004.912, de 16 de junho de 2021, prolatado no julgamento do processo 11065.902146/2008-19, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Efigênio de Freitas Júnior, Wilson Kazumi Nakayama, Jeferson Teodorovicz, Fredy José Gomes de Albuquerque, Sérgio Magalhães Lima, José Roberto Adelino da Silva (Suplente Convocado), Thiago Dayan da Luz Barros (Suplente Convocado) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório de saldo negativo de CSLL do ano 2003 no valor de R$ 16.877,64 e homologar a compensação até o limite desse saldo negativo ainda disponível. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-004.912, de 16 de junho de 2021, prolatado no julgamento do processo 11065.902146/2008-19, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Efigênio de Freitas Júnior, Wilson Kazumi Nakayama, Jeferson Teodorovicz, Fredy José Gomes de Albuquerque, Sérgio Magalhães Lima, José Roberto Adelino da Silva (Suplente Convocado), Thiago Dayan da Luz Barros (Suplente Convocado) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
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RETIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE. ERRO MATERIAL. A retificação da PER/DCOMP por erro material depois de o contribuinte ter sido intimado do despacho decisório é possível, mediante a apresentação de documentos fiscais e contábeis, comprovando o erro cometido no seu preenchimento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2008 CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. O contribuinte tem direito a restituição e/ou compensação, desde que faça prova de possuir crédito próprio, líquido e certo, contra a Fazenda Pública. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório de saldo negativo de CSLL do ano 2003 no valor de R$ 16.877,64 e homologar a compensação até o limite desse saldo negativo ainda disponível. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo- lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-004.912, de 16 de junho de 2021, prolatado no julgamento do processo 11065.902146/2008-19, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Efigênio de Freitas Júnior, Wilson Kazumi Nakayama, Jeferson Teodorovicz, Fredy José Gomes de Albuquerque, Sérgio Magalhães Lima, José Roberto Adelino da Silva (Suplente Convocado), Thiago Dayan da Luz Barros (Suplente Convocado) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 24 59 /2 00 8- 77 Fl. 99DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-004.914 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.902459/2008-77 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de processo administrativo decorrente de DCOMP apresentada pelo Recorrente para formalizar a compensação de determinado crédito oriundo de saldo negativo de CSLL com determinado débito de sua responsabilidade. Por meio de Despacho Decisório, porém, o direito creditório não foi reconhecido, sob a justificativa de insuficiência de crédito, pois o DARF vinculado ao pagamento a maior já teria sido utilizado para quitar débito informado pelo próprio contribuinte em DCTF, e, assim, não restaria mais saldo disponível. A DRJ, no acórdão recorrido, justificou o indeferimento da manifestação de inconformidade da seguinte maneira: primeiro, entendeu que o processo administrativo não se prestaria a retificar DCTF e; segundo, de que o contribuinte não teria atacado os fundamentos do despacho decisório, emitido com base em DCTF válida, eficaz e espontaneamente apresentada, nos termos dos arts. 17 e 16 do Decreto 70.235/72 e, logo, não conheceu da manifestação de inconformidade. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, alegando que os motivos de discordância relativos ao indeferimento da compensação pela autoridade de origem se fundam em: ocorrência de erro de fato, já que o contribuinte indicou como fundamento do crédito o pagamento indevido ou a maior, quando na verdade, tratava-se de saldo negativo de CSLL. Alega que, superado o erro de fato, reconhecendo o crédito como originário de saldo negativo de CSLL, não haveria outra alternativa senão reconhecer o direito creditório do contribuinte. Além disso, considera que a negativa na análise do direito creditório violaria os princípios da eficiência, razoabilidade, proporcionalidade, verdade material e o artigo 112 do CTN. O CARF, apreciando a peça recursal, e buscando mais informações relativas aos pagamentos de estimativas referentes ao ano calendário referido, converteu o julgamento em diligência, por meio de Resolução. Após retorno dos autos em diligência, o contribuinte apresentou manifestação ao resultado. Na sequência, os autos retornaram a este Colegiado para apreciação e julgamento. É o Relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo e, cumprindo os demais requisitos de admissibilidade, passo a conhecê-lo. Fl. 100DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-004.914 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.902459/2008-77 Conforme já informado no relatório supra referido, busca o contribuinte o reconhecimento de direito creditório lastreado em saldo negativo de CSLL referente ao ano calendário de 2003, para compensar débitos relativos ao ano calendário de 2004. Alega que, por erro de fato ou erro material, transmitiu erroneamente a informação relativa à origem do crédito tributário referente ao saldo negativo do ano calendário de 2003 e que, por tal motivo, não teve o direito creditório reconhecido pela autoridade de origem. Nesse aspecto, venho decidindo, na linha dos entendimentos correntes do CARF, que o erro material ou de fato é perfeitamente superável, ainda que não signifique necessariamente o reconhecimento do direito creditório, que deve ser munido de provas documentais que corroborem para seu reconhecimento. Assim, a possibilidade de retificação da DCTF, mesmo após notificação do contribuinte do Despacho Decisório que não homologou a compensação, é viável, e encontra recorrente entendimento favorável no âmbito da jurisprudência administrativa, como se pode observar, por exemplo, no Acórdão n. 3002000.481, da 2ª Turma Extraordinária da 3ª Seção de Julgamento: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário:2009 DCTF. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. INTIMAÇÃO. POSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO PELA DRJ. A retificação da DCTF depois de o contribuinte ter sido intimado do despacho decisório é possível, mediante a apresentação de documentos fiscais e contábeis, comprovando o erro cometido no seu preenchimento. Com fundamento no art. 60 do Decreto nº 70.235/72, os autos deverão retornar à DRJ para que proceda à verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, sob pena de supressão de instância. No mesmo passo, tenho entendido haver possibilidade de retificação posterior de PER/DCOMP, por erro material, conforme já entendeu o Conselho Superior de Recursos Fiscais, no Acórdão n. 9101-004.141 – CSRF / 1ª Turma, no julgamento do processo n. 15374.907132/2008-59: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002 RETIFICAÇÃO. PER/DCOMP. POSSIBILIDADE. ERRO MATERIAL. É autorizada a retificação de PER/DCOMP, para análise do direito creditório, quando verificado erro material no preenchimento desta declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Naquele julgamento, vale destacar a inteligência do voto vencedor, a respeito da possibilidade da retificação de DCOMP: De toda forma, alinho-me à interpretação menos restritiva a respeito da possibilidade de retificação da DCOMP. Até porque não há lei limitando temporalmente a retificação de DCOMP na qual se verifique erro material evidente, sendo, portanto, admissível a sua correção. No caso dos autos, há erro evidente demonstrado ao longo do processo. Assim, voto para dar provimento ao recurso especial do contribuinte. Fl. 101DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-004.914 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.902459/2008-77 Ainda, reproduzo a ementa do Acórdão n. 1803-002.004–3ªTurmaEspecial, 1ª Seção de Julgamento do CARF: ASSUNTO:IMPOSTOSOBREARENDADEPESSOAJURÍDICAIRPJ Ano- calendário:2003 ERRODEFATO.PER/DCOMP.RETIFICAÇÃO. Comprovadooerrodefatonopreenchimentodopedidoderessarcimentoecompensaçã o PER/DCOMP, é admissível sua retificação, independentementedeterounãohavidoapreciaçãododireitocreditóriopela Administração Tributária, devendo o pedido ser analisado pela unidade de origem. Todavia, a retificação do crédito constante em DCTF/PER/DCOMP, que constituem elemento de confissão de dívida, é possível, mas depende de comprovação documental para proceder à retificação, nos termos do art. 170 do CTN. Nesse aspecto, segundo alega o contribuinte, 1.1 - No ano-calendário de 2003, a Recorrente efetuou o recolhimento da CSLL através da modalidade de estimativa, tendo sido constatado, no encerramento do exercício, um saldo negativo no montante de R$ 33.228,15, tal como ficou consignado na Ficha 17 da sua DIPJ. 1.2 - Os recolhimentos das estimativas mensais que compuseram referido saldo negativo de CSLL podem ser assim demonstrados: 1.3 - Esse saldo negativo (recolhimento a maior) gerou um crédito para a Recorrente, que passou a utilizá-lo desde o mês de abril de 2004, através de PER/DCOMP's. Ocorre que ao elaborar as PER/DCOMP's a Recorrente cometeu um equívoco na tipificação dos créditos, ou seja, indicou a origem dos respectivos créditos como se pagamento a maior fosse, quando, na verdade, se tratavam de saldo negativo de CSLL. 1.4 - Assim procedendo, quando da realização das PER/DCOMP's, a Recorrente indicou como pagamento indevido ou a maior os próprios valores que compuseram os recolhimentos por estimativa, razão pela qual a Secretaria da Receita Federal, ao processar as compensações realizadas, constatou que os mesmos não estavam desvinculados de débitos, ou seja, não se tratavam de pagamento indevido ou a maior. 1.5 - Como se vê, os fatos que levaram a Delegacia da Receita Federal a não reconhecer as compensações realizadas pela Recorrente decorrem de mero erro formal na tipificação do crédito, o que não descaracteriza a existência deste, uma vez que, na verdade, as compensações realizadas pela Recorrente referem-se ao saldo negativo de CSLL do ano calendário 2003, cujo valor do DARF objeto da PER/DCOMP respectiva está nele incluído. 1.6 - Assim, o valor da PER/DCOMP objeto da compensação no mês de abril de 2004, no valor de R$ 645,46 teve por base a CSLL 2003. Para comprovar a veracidade dessa afirmação, a Recorrente elaborou um quadro demonstrativo Fl. 102DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-004.914 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.902459/2008-77 indicando, mês a mês, de que forma utilizou o saldo negativo de CSLL do ano de 2003. Assim, superando o não conhecimento da manifestação de inconformidade, o CARF, em homenagem ao princípio da verdade material, produziu a Resolução n. 1201000.295, decidindo pelo retorno dos autos em diligência, para averiguação do direito creditório alegado pelo contribuinte: O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido na Resolução nº 1201000.294, de 19.10.2017, proferido no julgamento do Processo nº 11065.902152/200876, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.294): O recurso voluntário atende os pressupostos formais e materiais, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciá-lo. Na DCOMP ora em análise, o contribuinte indicou como origem do crédito um pagamento a maior feito a título de estimativa. Como, porém, a DCTF indica a existência de débito no mesmo montante, o despacho eletrônico não acusou a existência de crédito. Por ocasião da Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário, o contribuinte esclarece que, na verdade, o crédito diz respeito ao Saldo Negativo apurado no ano, e não a estimativa, assumindo que teria se equivocado no preenchimento da origem exata do crédito. E para justificar esse alegado erro, a contribuinte anexa a sua DIPJ, que realmente indica a apuração de Saldo Negativo no ano, assim como uma planilha que resume as compensações efetuadas com tal saldo. Já a decisão de primeira instância não analisou o mérito da questão, tendo indeferido o pleito por razões de incompetência. Nesse contexto, entendo que o mero erro de fato não é suficiente para não homologar a compensação, em razão dos princípios da legalidade e verdade material, sendo necessária a apreciação do mérito propriamente dito. Do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para determinar o retorno dos autos à unidade de origem, para que, diante das informações e documentos trazidos pela Recorrente na defesa e recurso, seja verificado o mérito da existência, suficiência e disponibilidade do crédito de Saldo Negativo alegado. Após a conclusão desta diligência, deve ser cientificada a contribuinte acerca do Relatório Conclusivo, para que se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e, em seguida, retornem os autos para julgamento. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência. Constam no Relatório da Diligência, fls.164, as seguintes informações, especialmente referentes ao fundamento para a não homologação do Despacho Decisório, fl.34, que se restringiu à não localização do DARF (31/07/2003 – R$ 645,46) informado pelo contribuinte: 10. Os pagamentos foram confirmados e constam vinculados aos débitos de CSLL das estimativas de julho/2003 a dezembro/2003 (fls. 154 a 157). Há (01) Fl. 103DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1201-004.914 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.902459/2008-77 um pagamento não alocado, no valor de R$ 563,18, identificado sob o código de receita 2484, período de apuração em junho/2003 ao qual se refere o presente processo, que será considerado como integrante do saldo negativo em questão. 11. Diante da ausência de informações relativas aos débitos apurados de janeiro/2003 a junho/2003, por intermédio do Termo de Intimação SEORT nº 300/2018 (fls.135/136 e ciência às fls.137/138) foi solicitado que a empresa demonstrasse e comprovasse as compensações que realizou para quitar as estimativas de CSLL apuradas nos meses de janeiro a junho do ano-calendário de 2003. 12. Decorrido o prazo para atendimento à intimação, sem que houvesse resposta, não houve comprovação do montante de R$ 16.350,30 informados na DIPJ para as estimativas em questão. (...) 14. Assim, na ficha 17 "Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido", da DIPJ/2004 transmitida em 30/06/2004, a dedução intitulada " CSLL Mensal Paga por Estimativa " deve ser alterada para o valor de R$ 16.877,64 e, por conseguinte, o Saldo Negativo de CSLL no valor de R$ 16.877,64 (dezesseis mil, trezentos e catorze reais e quarenta e seis centavos), relativamente ao ano- calendário de 2003. (...) Conclusão 15. Constata-se que as estimativas de julho/2003 a dezembro/2003 foram pagas com Darf que existem e estão alocados aos débitos confessados em DCTF sendo também aproveitado o pagamento no valor de R$ 563,18 da estimativa de junho/2003 (total de R$ 16.877,64), por conseguinte, Saldo Negativo CSLL do ano-calendário 2003 no valor de R$ 16.877,64. Como se pode observar, portanto, o Relatório de Diligência, ainda que reconhecendo parte do saldo negativo declarado pelo recorrente (estimativas de julho a dezembro de 2003), reconheceu também o valor de R$ 564,18 referente à estimativa de junho de 2003, além dos pagamentos de DARF referentes ao mês de julho a dezembro de 2003. Por outro lado, em resposta à diligência, o contribuinte acrescentou: Segundo consta no relatório de diligência, as estimativas de julho de 2003 a dezembro de 2003 foram pagas com e estão alocadas aos débitos confessados em DCTF, sendo ainda aproveitado o pagamento no valor de R$ 563,18 da estimativa de junho de 2003, chegando ao saldo negativo de CSLL no ano calendário 2003 de R$ 16.877,64. Consta também no relatório de diligencia, que não houve comprovação do montante informado dos débitos apurados de janeiro de 2003 a junho de 2003, no montante de R$ 16.530,30. Nota-se que no relatório da diligencia não mais se perquiri do erro de preenchimento, mas apenas quanto à apresentação do pagamento dos meses de janeiro a junho de 2003. Porém, conforme já demonstrado na planilha juntada ao recurso voluntário, nos meses de janeiro a junho de 2003, os valores foram compensados com a utilização de créditos do ano de 2002. (...) Assim, não há como juntar guia de pagamento dos meses pagos através de compensações, conforme quadro supra. Fl. 104DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1201-004.914 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.902459/2008-77 Veja-se que estas compensações eram referentes ao ano de 2002, que por sua vez se referia a créditos de anos anteriores, logo, para se apurar cada compensação, somente com pericia nos livros contábeis da Recorrente. Por todo o exposto, requer-se digne Vossas Senhorias em receber o presente aditamento, tempestivamente protocolado no prazo de 30 dias a contar da ciência ocorrida em 27/09/2018, para reconhecer o saldo negativo CSLL dos meses de janeiro a junho de 2003, e, no mérito, lhe seja dado provimento para reformar o acórdão atacado através do Recurso cujo julgamento foi convertido em diligencia, afastando a glosa da compensação, porquanto decorrente de direito creditório comprovado. Reforce-se, todavia, que, embora o contribuinte justifique que o não reconhecimento de parcela do direito creditório alegado deva-se ao fato de se tratarem de compensações operadas por saldo negativo do ano calendário de 2002, deveria, se pretendia efetivamente a comprovação integral do direito creditório alegado, juntar aos autos documentos comprobatórios que corroborassem para comprovar sua alegação. Mesmo diante da possibilidade da compensação de estimativas no âmbito do saldo negativo de IRPJ/CSLL, nos termos o Parecer Normativo COSIT n. 2/2018, tal reconhecimento também depende que comprovação da liquidez de certeza do direito creditório pleiteado, o que não foi completamente demonstrado até o presente momento. Da mesma forma, observe-se que, devidamente intimado pela autoridade diligenciada, não comprovou, mediante apresentação de livros contábeis ou fiscais que pudessem permitir a identificação da origem dos valores referentes a créditos dos anos anteriores utilizados para a compensação dos meses de janeiro a maio de 2003, limitando-se simplesmente a alegar, na manifestação à diligência, a necessidade de nova perícia para apuração das informações. De qualquer forma, ainda que não tenha sido reconhecido completamente o direito creditório alegado pelo contribuinte, recorda-se que o objeto de discussão do presente processo, conforme consta na manifestação de inconformidade e no próprio recurso voluntário, foi reconhecido pela Diligência, e referente tão somente ao pagamento realizado em 31/07/2003, de estimativa de R$ 563,18, por sua vez lastreado ao período de apuração de junho de 2003, com pagamento em 31/07/2003, no valor total de R$ 645,46 (fl.58-60), para compensar débitos referentes ao mês de março de 2004 (com transmissão em abril de 2004). Logo, restando incluída o valor pago por DARF entre os valores identificados na Diligência, entendo que deve ser homologada a compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Diante do exposto, conheço do Recurso e, no mérito, voto para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, reconhecendo o direito creditório de saldo negativo de CSLL no valor de 16.877,64, referente ao ano calendário de 2003, em favor do contribuinte, tal como reconhecido em diligência, bem como homologar a compensação até o limite do saldo negativo ainda disponível. Fl. 105DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1201-004.914 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.902459/2008-77 CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório de saldo negativo de CSLL do ano 2003 no valor de R$ 16.877,64 e homologar a compensação até o limite desse saldo negativo ainda disponível. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Fl. 106DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10920.002323/2008-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 12 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Jun 02 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO.
É de cinco anos o prazo para a Fazenda Pública efetuar o lançamento do crédito tributário, contado esse prazo do fato gerador, no caso de lançamento por homologação, quando há antecipação de pagamento e sem ocorrência de dolo, fraude ou simulação, ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL.
Os depósitos bancários sem comprovação de origem por si só são suficientes para a caracterização da omissão de rendimentos após a vigência da lei 9.430/96, que criou a presunção legal, independentemente do acréscimo patrimonial.
Numero da decisão: 2402-009.934
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana Claudia Borges de Oliveira, Denny Medeiros da Silveira, Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Junior, Luís Henrique Dias Lima, Márcio Augusto Sekeff Sallem, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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DECADÊNCIA. PRAZO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO. É de cinco anos o prazo para a Fazenda Pública efetuar o lançamento do crédito tributário, contado esse prazo do fato gerador, no caso de lançamento por homologação, quando há antecipação de pagamento e sem ocorrência de dolo, fraude ou simulação, ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. Os depósitos bancários sem comprovação de origem por si só são suficientes para a caracterização da omissão de rendimentos após a vigência da lei 9.430/96, que criou a presunção legal, independentemente do acréscimo patrimonial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana Claudia Borges de Oliveira, Denny Medeiros da Silveira, Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Junior, Luís Henrique Dias Lima, Márcio Augusto Sekeff Sallem, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos e Renata Toratti Cassini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 23 23 /2 00 8- 75 Fl. 1107DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-009.934 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.002323/2008-75 Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, transcreveremos o relatório constante do Acórdão nº 06-35.376, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Curitiba/PR, fls. 1.052 a 1.064: Por meio do Auto de Infração de fls. 955/973, lavrado em 11/08/2008, exige-se o crédito tributário de R$ 218.362,24, sendo: R$ 85.202,95 de imposto de renda pessoa física suplementar, R$ 95.853,31 de multa de ofício agravada de 112,5%, R$ 37.305,98 de juros de mora, calculados até 31/07/2008. Do Relatório Fiscal. No Termo de Verificação Fiscal constam, em síntese, as seguintes informações: 1 – A ação fiscal foi precedida pelo Mandado de Procedimento Fiscal – MPF de diligência nº 0920200.2007004288 e lavratura do Termo de Intimação Fiscal nº 0672007, quando foi solicitado ao fiscalizado a apresentação de extratos de movimentação bancária e comprovantes de rendimentos. Após resposta do contribuinte foram solicitados outros documentos e esclarecimentos, os quais foram apresentados em 11/09/2007; 2 – Em 04/10/2007, a diligência foi transformada em fiscalização com a emissão da MPF nº 0920200.2007007325 3 – Por meio do Termo de Intimação nº 001/2008, o fiscalizado foi intimado a comprovar a origem dos depósitos em suas contas bancárias, no período de 2003 a 2005; 4 – Os demonstrativos (922/930), constam os valores glosados e, portanto, considerados como de origem não comprovada, e ainda os valores referentes à omissão de receitas, apurados mensalmente. 5 - Valores omitidos Das Infrações: I – Omissão de Rendimentos a) Operações com veículos - Não há dados consistentes que possam ligar os depósitos bancários às vendas de veículos. b) Notas Fiscais da Empresa Leme & Cia Ltda., sucessora de Martini & Leme Ltda. - O contribuinte apresentou toda a documentação que serviu de base para as Declarações de Pessoa Jurídica da empresa Leme & Cia Ltda., da qual era sócio, alegando que o movimento desta transitava por sua conta corrente (fls.159 a 905). Examinando a documentação constatamos que: - Há muitas notas fiscais a maioria, pode-se dizer com valores baixos, abaixo do ponto de corte de nossa verificação, que foi de R$ 250,00; - Não há praticamente nenhum valor que seja identificado perfeitamente (valor/data) com algum depósito relacionado na coluna "a comprovar das planilhas; - Muitos documentos estão apagados, outros sem data e alguns até em branco; - Há muitos valores com centavos nas notas, o que lhes confere relativa individualidade, mas nenhum corresponde exatamente a algum depósito, o que leva à conclusão de que estes não eram depositados diretamente na conta do contribuinte; Fl. 1108DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-009.934 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.002323/2008-75 - A simples apresentação das notas não justifica qualquer depósito. Seria preciso comprovar que realmente uma coisa se vincula à outra. É ônus do contribuinte indicar individualmente as origens dos créditos. c) Doação - Quanto à alegada doação de Ana Lúcia de Souza Leme, que justificaria o rendimento isento de R$ 120.000,00, em 2005 (fls. 122 a 125), verificamos que a mesma não tinha disponibilidade financeira para fazer tal doação. Durante os últimos 5 anos vinha apresentando invariavelmente a DAI Declaração Anual de Isentos. Caso tivesse patrimônio ou rendimentos suficientes para fazer os empréstimos, que em 2004 totalizariam RS 115.000,00 (fl. 122), estaria legalmente obrigada a declarar imposto de renda. E ainda, se os valores foram recebidos em 2004 como empréstimo, a par da comprovação dos mesmos, também deveriam constar nas DIRPF do contribuinte e de sua tia, nos quadros “dívidas e ônus reais" e “declaração de bens e direitos", respectivamente. Além disso, para os alegados recebimentos em espécie não há nenhum documento de comprovação e, portanto, não haveria como vinculá-los aos depósitos bancários. d) Rendimentos de Pró-labore e de laudos - O contribuinte informou a esta fiscalização os valores anuais recebidos a título de pró-labore e de laudos técnicos, em resposta ao Termo de Intimação n° 067/2007 (II. 25). Porém, para o cálculo da omissão de receitas mensal, tornou-se necessária a discriminação dos valores recebidos a cada mês. Intimado a informar tais valores, pelo Termo n° 026/2008 (fl. 910 a 912), dado ciência em 02.06 2008, o contribuinte não respondeu. Reintimado, pelo Termo n° 039/2008 (fl. 913 a 915), respondeu que já havia informado anteriormente (fl. 916). Tendo em vista esta sua informação equivocada, reintimamos ele novamente a prestar as informações, pelo Termo n° 044/2008 (fls. 917 a 919), sendo solicitado 60 dias de prazo adicional (fl. 920), o que seria totalmente incompatível com a natureza da informação solicitada. Foram concedidos 10 dias, no dia 23.07.2008. Finalizado o prazo, em 04.08.2008, e não tendo recebido os dados solicitados, não houve outra forma senão apropriarmos os valores mensalmente. Na distribuição desses rendimentos constantes das Declarações de Imposto de Renda aos meses dos anos de 2003 a 2005, procuramos adequar os valores pelo bom senso, de forma que em nenhum mês o pró-labore ficasse abaixo de um salário mínimo e consideramos ainda que o contribuinte já não era mais sócio da empresa no final de 2005, sempre no intuito de não lhe causar prejuízo. Ressalte-se que essa apropriação mensal visa tão somente à adequação dos valores ao disposto no § 1º do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, abaixo transcrita. Para o cálculo do imposto de renda no ajuste anual, não faz diferença o mês em que os rendimentos foram recebidos dentro de um mesmo ano-calendário. Dessa forma, não houve prejuízo ao fiscalizado em termos de quantificação do crédito tributário. II) Do agravamento da multa de ofício. - Houve a prorrogação do prazo inicialmente para o dia 10.03.2008 (fl. 156) e depois para o dia 27.03.2008 (fl. 157). No dia 27.03, o contribuinte trouxe alguns documentos à fiscalização, requisitando prazo complementar para a apresentação de mais comprovantes (fl. 159). Foram concedidos mais 20 dias. - Na falta de manifestação posterior do contribuinte, emitimos então, no dia 08.05.2008, o Temo de Intimação Fiscal nº 021/2008, no qual demos mais 20 dias para que o contribuinte pudesse apresentar os novos documentos mencionados em sua solicitação de prazo (fls. 906 a 908). Mais uma vez o fiscalizado pediu prorrogação de Fl. 1109DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-009.934 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.002323/2008-75 prazo, que foi estendido até o dia 16.06.2008, mas não houve resposta e nem apresentação de outra documentação; - Quando da elaboração preliminar de planilhas, sentimos a necessidade de esclarecimentos adicionais, que foram solicitados através do Termo de Intimação n° 026/2008 (fls. 910 a 912), dado ciência em 02.06.2008, com prazo de 10 dias e simplesmente ignorado pelo fiscalizado. - No dia 18.06.2008, reintima-mo-lo, pelo Termo de Intimação n° 039/2008 (fls. 913 a 915) a prestar as mesmas informações novamente. Ao final do prazo, respondeu-nos (fl.916) que já tinha prestado tais informações, sobre seus rendimentos mensais. - Intimamos ele novamente, em 01.07 (ciência em 21.07.2008), pelo Termo n° 044/2008 (fls. 917 a 919), a informar o que já fora pedido lá no termo n° 026/2008, tendo o mesmo agora pedido mais 60 dias de prazo pra responder como se distribuíram os rendimentos anuais, recebidos de 2003 a 2005, nos respectivos meses desses anos. Foram concedidos mais 10 dias, no dia 23/07 (fl. 920), esgotando-se o prazo em 04/08/2008 sem que houvesse resposta. - Essas reiteradas solicitações de prorrogação de prazos, sem que sejam estes aproveitados para apresentação de algo novo ou de simples resposta, faz supor que o contribuinte deliberadamente quer estender ao máximo o prazo desta fiscalização, pois não há outra justificativa para tal procedimento. Diante desse fato, e como fora previsto nos textos das intimações, só nos restou o agravamento da penalidade, como descrevemos a seguir; - Multa de ofício de 75%, prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, agravada para 112,50%. Da impugnação. Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou, por meio de procurador, a impugnação de fls. 976/1001, acompanhada de cópia dos documentos de fls. 1002/1037, na qual cita jurisprudência e alega, em síntese, que: Das Preliminares. 1) Da Decadência Com efeito, estamos tratando no presente caso, de fatos havidos entre janeiro de 2003 e dezembro de 2005. Excetuados os meses de agosto de 2003 em diante, que poderiam, isoladamente ser abarcados pela interpretação, ainda que errônea, do Sr. Auditor Fiscal, tendo-se por base a data da lavratura do auto de infração (11 de agosto de 2008), os meses de janeiro até julho de 2003, foram alcançados pela decadência. 2) Da Presunção Fiscal – Nulidade Absoluta - considerando que o autor de um processo administrativo fiscal é o FISCO, responsável pela instrumentalização do procedimento fiscal embasador do lançamento, obviamente que será ele o responsável pela produção da prova que lhe de guarida e validade ao ato por si perpetrado e, consequentemente, ao crédito tributário exigido; - É ônus do autor (agente fiscal) provar os fatos constitutivos do lançamento fiscal, evitando, pela ausência de parâmetros sólidos a justificar sua conduta, granjear a constituição de crédito tributário baseado na presunção; - Violadas as regras que regem o ônus da prova, como no caso vertente, a nulidade deve ser declarada de pronto, pois caracterizado está, o vício formal, que implica na denegação, ao contribuinte, do direito fundamental do devido processo legal, ao contraditório e a ampla defesa, garantidos pelo texto constitucional; - Isto serve como instrumento para assegurar que a Administração Pública adote conduta pautada pelo primado da legalidade, evitando decisões arbitrárias e desprovidas de legalidade, presunções e incertezas; Dos Fatos e Direitos 1) Das atividades exercidas pelo fiscalizado e das presunções do agente fiscalizador: Fl. 1110DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-009.934 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.002323/2008-75 - formação acadêmica em Engenharia Mecânica em razão de sua atuação no mercado automobilística, realizava perícias em veículos sinistrados e/ou alterados em suas características básicas, com a consequente emissão de Laudos Técnicos; - operações de compra e venda de veículos sinistrados; - fora sócio em uma oficina mecânica; - Os extratos bancários, corroborados pelas explicações fornecidas pelo ora Recorrente, denotam todas as aquisições de veículos realizadas, bem como as alienações destas. Comente-se, ainda, que ditas operações são evidenciadas documentalmente através das informações obtidas perante o órgão de trânsito responsável por tanto. Por derradeiro, há que se comentar ainda que tudo aquilo que tange a empresa MARTINI & LEME LTDA. ME, a qual desenvolvida atividades de mecânica de automóveis, que dita empresa não possuía conta corrente própria, sendo seus valores movimentados pelas contas-correntes do ora Recorrente. 2) Da tributação dos atos verificados na fiscalização: a) Da emissão de Laudos Técnicos - Vemos na planilha de fls. 922/924 que foram lançados depósitos que alcançaram R$ 125.262,84, o que, ignorando qualquer critério de razoabilidade, remontou em um ganho total de R$ 122.502,84, descontados os valores declarados. Entretanto, tal analise não se pode ser realizada de forma global, mas sim sob a égide de suas efetivas ocorrências, de seus efetivos momentos de concretização e de suas justificativas (notas ficais juntadas que comprovam a tese esposada). E, nesta sendo, toda a percepção e interpretação muda, principalmente pelo fato de que estariam, em sua maioria (RS 61.044,56 53,5%) já abarcadas pela decadência. b) Do ganho de capital na alienação de veículos - Em que pese o não acatamento aos documentos apresentados pelo ora Recorrente, que no seu entender demonstram “in totum” as operações realizadas durante o ano de 2003 até 2005, outra postura não se vislumbra senão a mitigação da matéria fática, que haverá de conduzir ao reconhecimento de que os valores interpretados como omitidos são, na verdade, auferidos sob a égide da rubrica ganho de capital; e mais, isentos de tributação; - realizou operação de compra de veículo em nome de terceiros; - ocorreu uma série de "descontos comerciais" realizados pela ora Recorrente em sua própria conta corrente, porém com títulos da pessoa jurídica; - não se pode falar em omissão de receita, uma vez que está isenta de tributação. c) Dos valores recebidos pela Pessoa Jurídica - é sócio da empresa Martini & Leme Ltda. ME ; - recebeu depósitos de valores devidos à empresa diretamente em sua conta corrente. d) Dos valores recebidos como doação - Embora o agente tenha solenemente rechaçado as explanações do contribuinte em sua resposta, sob a presunção de que a Sra. Ana Lúcio de Souza Leme não possuía disponibilidade financeira para fazer tal doação, igualmente deixou de observar que a Sra. Lúcia era de família conhecida na região de Bragança Paulista e de muitas posses e bens, joias e um apartamento de aprox. 400 m (quatrocentos metros quadrados). - Ao findar de sua vida, acometida por neoplasia maligna, passou a se desfazer de bens pessoais e auxiliar seus familiares, em especial o ora Impugnante, por quem nutria especial carinho e atenção. 3) Da indevida aplicação da multa agravada - Referida conduta, dá contornos de confisco à aplicação exacerbada de multa, ante o inadimplemento involuntário da intimação e das obrigações do contribuinte. Aliás, o Fl. 1111DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-009.934 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.002323/2008-75 não cumprimento está intimamente ligado ao cerceamento da prova, não apenas pela não concessão do prazo, mas também pelo fato de o agente fiscal ter ignorado solenemente todos os documentos carreados aos autos, mediante a justificativa de que os documentos e notas fiscais eram muitos e de valores muito pequenos; - Entretanto, não obstante o esforço do ora Impugnante e, comprovar tudo aquilo que realmente ocorreu, de nada adiantou, haja vista a postura do agente fiscal que desconsiderou solenemente as provas apresentadas sob o pálio de que as notas fiscais estava borradas ou ilegíveis, ou ainda, que muitas delas possuíam valores muito baixos e foram glosas por se encontrar abaixo do "ponto de corte". Por fim, solicita que seja a impugnação acatada, no mérito, caso não reconhecidas as preliminares, para considerar indevido o crédito tributário pretendido. Ao julgar a impugnação, em 30/1/12, a 5ª Turma da DRJ em Curitiba/PR, por unanimidade de votos, concluiu pela sua improcedência, consignando a seguinte ementa no decisum: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizam-se como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidas junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA AGRAVADA. DESATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO. Cabível a aplicação de multa agravada nos casos de falta de atendimento à intimação CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. Na esfera administrativa, não cabe conhecer de arguições de inconstitucionalidade, de descumprimento a princípios ou de ilegalidade de lei ou ato normativo, matéria de competência do Poder Judiciário, por força do próprio texto constitucional. DECADÊNCIA. Quando o contribuinte não houver efetuado qualquer pagamento prévio, o prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário começa a contar do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Cientificado da decisão de primeira instância, em 25/4/12, segundo o Aviso de Recebimento (AR) de fl. 1.067, o Contribuinte, por meio de seu advogado (procuração na fl. 229 do processo 10920.007356/2007-21), interpôs o recurso voluntário de fls. 1.069 a 1.103, em 22/5/12, alegando, em síntese, que: - Se operou o instituto da decadência do direito de lançamento pelo Fisco; - Os créditos tributários lançados são absolutamente nulos, já que baseados em presunção fiscal; - O Fisco buscou transferir ao contribuinte a exigência de “certeza” acerca da infração e das “omissões” de receita, porque estava em dúvida; - Todas as suas atividades foram declaradas perante o agente fiscalizador; - Os valores interpretados como omitidos foram, na verdade, auferidos sob a égide do ganho de capital isento de tributação; - Impossível a aplicação da multa [de 112,5%], na medida em eu o contribuinte, ante o não cumprimento da intimação pela não concessão da dilação de prazo requerida ao Fl. 1112DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2402-009.934 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.002323/2008-75 agente fiscal, sequer deu azo ao não cumprimento da intimação, além dessa multa ser um, “verdadeiro confisco”, o que não é admitido pela Constituição Federal (art. 150, inciso IV). É o Relatório. Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira, Relator. Do conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele conheço. Da alegada decadência Segundo o Recorrente, após um longo arrazoado, com citações da jurisprudência e da doutrina, aduz que o crédito lançado teria sido atingido pela decadência. Todavia, não merece guarida tal alegação. Primeiramente, tem-se que o lançamento abarca três anos-calendário, ou seja, 2003, 2004 e 2005, tendo a sua ciência ocorrido em 15/8/08, segundo o AR de fl. 975. Vejamos, agora, o que dispõe o Código Tributário Nacional (CTN), Lei nº 5.172, de 25/10/66: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. [...] Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Como se vê, o prazo para a Fazenda Pública apurar e lançar seus créditos é de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, nas hipóteses em que o tributo obedeça ao regime de lançamento por homologação e desde que haja início de pagamento (antecipação), ainda que parcial (art. 150, § 4º, do CTN), ou a contar do primeiro dia do exercício seguinte Fl. 1113DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2402-009.934 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.002323/2008-75 àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, na hipótese de inexistência de início de pagamento (art. 173, I, do CTN), ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação (parte final do § 4º, art. 150, do CTN). Pois bem, segundo consta na decisão recorrida, fl. 1.060, não houve antecipação de pagamento em relação ao ano-calendário de 2003. Confira-se: No presente caso, o contribuinte não efetuou nenhum pagamento de tributo referente ao ano-calendário 2003. E tal situação, por si só, já levaria à aplicação da regra do art. 173, inciso I, do CTN, contudo, o fato gerador do IRPF se apresenta como periódico ou complexivo de periodicidade anual, pois se realiza ao longo de um intervalo de tempo, e só se completa em 31 de dezembro do respectivo ano-calendário, o que é corroborado, inclusive, pela Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. Sendo assim, considerando que o fato gerador mais antigo ocorreu em 31/12/03, e que a ciência do lançamento se deu em 15/8/08, por qualquer uma das regras (art. 150, § 4º, ou art. 173, inciso I, ambos do CTN) não se operou a decadência. Das demais alegações recursais Tendo em vista que o Recorrente traz, basicamente, as mesmas alegações da sua impugnação, reproduziremos no presente voto, nos termos do art. 50, § 1º, da Lei 9.784 1 , de 29/1/99, e do art. 57, § 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 4/6/17, as razões de decidir da decisão de primeira instância, com as quais concordamos, fls. 245 a 247: O presente processo trata de impugnação de lançamento relativo à apuração de omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada nos exercícios de 2003 a 2005. Tal exação fundamenta-se no disposto no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, com a alteração posterior introduzida pelo art. 4º, da Lei nº 9.481, de 1997, a seguir transcrito: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitidos será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. [...] § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I – os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; 1 Diploma que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. Fl. 1114DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2402-009.934 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.002323/2008-75 II – no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil Reais). § 4º Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira.” § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Portanto, os depósitos bancários de origem não comprovada efetuados a partir do ano- calendário de 1997, por presunção legal, caracterizam omissão de rendimentos, estando, por conseguinte, sujeitos à tributação pelo Imposto de Renda. Afirma ainda o interessado que é sócio da empresa Martini & Leme Ltda. ME e recebeu depósitos de valores devidos à empresa diretamente em sua conta corrente. Da análise dos autos, verifica-se que, visando à otimização dos trabalhos de fiscalização, a autoridade fiscal desconsiderou os créditos abaixo de R$ 250,00 e informa que não encontrou correspondências entre os depósitos na conta do fiscalizado e as notas fiscais apresentadas, concluindo a fiscalização que: “A simples apresentação das notas não justifica qualquer depósito. Seria preciso comprovar que realmente uma coisa se vincula à outra. E ônus do contribuinte indicar individualmente as origens dos créditos. Para comprovar a afirmação de que os depósitos bancários correspondem a receitas da empresa, necessitaria que o impugnante carreasse aos autos documentos fiscais probatórios de que as movimentações financeiras em sua conta bancária eram da respectiva empresa. Entretanto, limitou-se a apresentar documentos/notas fiscais que não justificavam os depósitos em sua conta bancária. Nesta fase da impugnação, o interessado tenta, por diversas ocasiões, repassar ao Fisco ônus da prova, no entanto, no caso concreto não procede tal afirmação, pois a omissão de rendimentos é presumida no caso de não justificação, por parte do impugnante, da origem dos recursos depositados em suas próprias contas. Tendo em vista que o lançamento está sob o manto de uma presunção legal o ônus da prova, no presente caso, é do contribuinte. O art. 334 do CPC, Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal, é taxativo: Não dependem de prova os fatos: [...] IV – em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. Assim, o comando estabelecido pelo artigo 42 da Lei n.º 9.430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao contribuinte sua produção. Nesse passo, descabe qualquer alegação no sentido de que o lançamento está baseado em simples depósitos bancários, trata-se de uma presunção legal, em razão disso não é dado a esta casa julgadora apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (artigo 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). Fl. 1115DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2402-009.934 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.002323/2008-75 Assim, neste contexto de insuficiência probatória por parte do impugnante, agravada pelas particularidades que caracterizam um lançamento ancorado em presunção legal, em especial a inversão do ônus probatório, resta, pois, como não comprovadas as origens dos depósitos bancários. Quanto à alegação de tributação dos atos verificados na fiscalização, informa o impugnante que os depósitos tem origem no ganho de capital sobre a venda de veículos (rendimento isento) e que recebera doação de parente. Também, cita, como exemplo, a operação de compra de veículo para terceiros, apresentando declaração às fls. 1002. A este respeito, convém, neste ponto, reproduzir os artigos 219 e 221 do Código Civil: Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumem-se verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de prova-las. Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público. Extrai-se do código que as declarações constantes dos contratos presumem-se verdadeiras apenas em relação àquelas pessoas que o assinaram. Em relação a terceiros, como no caso o Fisco, não é suficiente a apresentação daqueles documentos como provas de suas alegações, posto que documentos constituídos pela própria parte não lhe fazem prova favorável. Por isto, cabe ao interessado comprovar que as declarações ali contidas seriam verdadeiras. Considerando esses dispositivos, conclui-se que as declarações constantes de documentos particulares presumem-se verdadeiras somente em relação àqueles que participaram do ato. Em síntese, perante o fisco, a tais documentos atribui-se ordinário valor probatório. Ademais, consta no Relatório Fiscal que a autoridade lançadora desconsiderou alguns comprovantes, sem outro documento que as suporte, tampouco, há menção sobre apuração de ganho de capital como origem de recursos na conta bancária do fiscalizado. Na impugnação, o contribuinte sustentou os mesmos argumentos oferecidos à Autoridade Autuante, quanto à doação recebida. Todavia, não logrou êxito em comprovar por documentos hábeis e idôneos a doação que alega receber que poderiam justificar as operações em suas contas bancárias. Da Multa Agravada/Dos Princípios Constitucionais A penalidade (multa agravada em 112,50%) decorre do fato de o impugnante haver sido intimado várias vezes, sendo que da última vez, conforme Relatório fiscal acima, tomou ciência da intimação em 21/07/2008, foi concedido a prorrogação de prazo de 10 dias, tomou ciência desta concessão em 08/10/2008 e silenciou, deixando de prestar as informações intimadas. Ainda, acrescenta a autoridade lançadora: Essas reiteradas solicitações de prorrogação de prazos, sem que sejam estes aproveitados para apresentação de algo novo ou de simples resposta, faz supor que o contribuinte deliberadamente quer estender ao máximo o prazo desta fiscalização, pois não há outra justificativa para tal procedimento. Prevê a legislação para estes casos, a majoração da multa de ofício (75%) em metade de seu valor (mais 37,50%), conforme transcrição da base legal a seguir. Lei nº 9.430/1996, art. 44, I, § 2º Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 1116DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 2402-009.934 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.002323/2008-75 I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I – prestar esclarecimentos [...] Ainda, cumpre esclarecer que a atividade de fiscalização é vinculada e obrigatória, por força do art. 142, parágrafo único do CTN, conforme segue: Art. 142. (...) Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Dessa forma, cabe à esfera administrativa aplicar as normas legais nos estritos limites de seu conteúdo, pois o poder da autoridade administrativa é vinculado, sob pena de responsabilidade funcional. Nesse sentido, qualquer pedido ou alegação que ultrapasse a análise de conformidade do ato administrativo de lançamento com as normas legais vigentes, em franca ofensa à vinculação a que se encontra submetida à instância administrativa, assim como a contraposição a princípios constitucionais, somente podem ser reconhecidos pela via competente, o Poder Judiciário. Tal vinculação impede, também, a apreciação, neste voto, dos entendimentos citados na petição, haja vista que as decisões judiciais ou administrativas, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Destarte, não podem ser estendidas, genericamente, a outros casos, aplicando-se somente sobre a questão em análise e vinculando as partes envolvidas nos litígios. Com isso, mantém-se o percentual agravado. Em suas alegações recursais, aduz o Recorrente, de um modo um tanto quanto genérico, que a decisão recorrida não teria se aprofundado “em fatos que poderiam e deveriam ter sido corretamente analisados” e que haveria “verossimilhança nas assertivas do Recorrente, visto que as operações realizadas pelo contribuinte, sua grande maioria não constitui omissão de receita, mas tão somente repasses e reembolso de cliente, bem como operações não sujeitas à tributação e/ou dentro dos limites da isenção”. Contudo, os que se esperava do Contribuinte (ora Recorrente) seria da demonstração individualizada da origem de cada um dos depósitos apontados pela fiscalização, acompanhada dos respectivos documentos comprobatórios, contudo, a defesa se limitou a questionar a presunção legal empregada no lançamento, buscando transferir à autoridade fiscal o ônus da demonstração e comprovação da origem dos depósitos. E não encontra amparo a alegação do Recorrente de que a documentação carreada aos autos “foi solenemente ignorada na aplicação do Auto de Infração”. Compulsando o Relatório de Atividade Fiscal, fls. 960 a 968, vê-se, claramente, que houve sim o exame dos documentos apresentados. Por exemplo, em relação às Notas Fiscais da empresa Leme & Cia Ltda., a fiscalização traz os seguintes esclarecimentos: Fl. 1117DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 2402-009.934 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.002323/2008-75 Na planilha de fls. 936 a 944, elaborada pela fiscalização, são relacionados todos os depósitos, com data da operação, histórico e valor. Cabia ao Recorrente, então, que é quem detém o conhecimento das operações e a posse dos respectivos documentos comprobatórios, demonstrar a origem de cada depósito, porém, não o fez. Pondere-se que o lançamento, devidamente motivado, é ato administrativo que goza do atributo de presunção relativa de legalidade e veracidade e, portanto, cumpria ao Recorrente o ônus de afastar, mediante prova robusta e inequívoca em contrário, essa presunção (vide art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 6/3/72), o que não ocorreu. Conclusão Isso posto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 1118DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11065.900683/2010-49
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 28 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Jul 19 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. IRPJ. SALDO NEGATIVO. CRÉDITO COMPROVADO.
Comprovada nos autos a regularidade das parcelas que compuseram o saldo negativo do IRPJ, deve ser homologada a compensação desse crédito com débitos do sujeito passivo, até o limite do crédito reconhecido.
SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPENSAÇÃO. IRRF E OFERECIMENTO DE RECEITAS À TRIBUTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. APLICAÇÃO DA SUMULA CARF. 80.
Comprovado documentalmente que a receita financeira correspondente à retenção de IRRF foi oferecida à tributação, em respeito à Súmula 80 deste CARF, resta reconhecer o direito da contribuinte ao crédito.
Numero da decisão: 1002-002.122
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Zedral- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral e Lucas Issa Halah.
Nome do relator: RAFAEL ZEDRAL
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IRPJ. SALDO NEGATIVO. CRÉDITO COMPROVADO. Comprovada nos autos a regularidade das parcelas que compuseram o saldo negativo do IRPJ, deve ser homologada a compensação desse crédito com débitos do sujeito passivo, até o limite do crédito reconhecido. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPENSAÇÃO. IRRF E OFERECIMENTO DE RECEITAS À TRIBUTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. APLICAÇÃO DA SUMULA CARF. 80. Comprovado documentalmente que a receita financeira correspondente à retenção de IRRF foi oferecida à tributação, em respeito à Súmula 80 deste CARF, resta reconhecer o direito da contribuinte ao crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva- Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Zedral- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral e Lucas Issa Halah. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 06 83 /2 01 0- 49 Fl. 376DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1002-002.122 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11065.900683/2010-49 Relatório Por bem descrever o ocorrido, valho-me do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito: Trata-se do Despacho Decisório nº 863.095.885, de 19.05.2010, emitido pela DRF-Novo Hamburgo-RS, referente ao saldo negativo de IRPJ, período de apuração de 01.01.2004 a 31.12.2004 (fls.2 e 61/81): 2 Do total do crédito pretendido – R$ 321.730,31 -, a DRF reconheceu ao interessado o valor de R$ 311.590,32: Fl. 377DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1002-002.122 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11065.900683/2010-49 De acordo com o Detalhamento da Compensação, 72 (setenta e duas) Dcomps foram homologadas totalmente e 1 (uma), parcialmente (fls.64/77). Em petição recebida em 29.06.2010 (fls.3/8), o interessado diz que o IRRF que não foi confirmado (R$ 10.139,99) se refere a retenções e a recolhimentos “efetuados pela própria Requerente na condição de responsável tributária em operação de mútuo entre a Requerente (mutuante) e seu sócio pessoa física Renato Argenta (mutuário), a quem emprestou recursos financeiros, cobrando juros mensais”. Aduz que, quando do recebimento dos juros pagos pelo mutuário, recolheu o IRRF e confessou os débitos nas DCTFs dos 1º, 2º e 3º trimestres do ano de 2004, débitos que afirma terem sido compensados nas seguintes Dcomps: O interessado pede a reconsideração do Despacho Decisório e a homologação total das compensações efetuadas. Com a petição, vieram os documentos de fls.9/55. Nesta Turma, foram juntadas as consultas de fls.61/305. Em sessão de a DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano- calendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. Não conterá ementa o acórdão resultante de julgamento de processo administrativo fiscal decorrente de despacho decisório emitido por processamento eletrônico (Portaria RFB nº 2.724, de 27 de setembro de 2017, art.2º, inciso II). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Entenderam os julgadores que “Embora em DIPJ (fls.111/223) tenham sido declaradas receitas financeiras, o interessado não junta provas de que os rendimentos auferidos Fl. 378DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1002-002.122 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11065.900683/2010-49 especificamente em relação aos IRRF em tela tenham sido oferecidos à tributação, tampouco o contrato firmado ou a contabilização das operações”. No entanto, o relator do Acórdão recorrido analisou o adimplemento do débito IRRF declarado em DCTF referente à retenção discutida. Verificou o relator que a totalidade da retenção de R$ 10.139,98 foi quitada mediante DCOMPs, listadas no seu voto: Estas DCOMPs foram divididas em dois grupos. 1. O primeiro grupo são DCOMPs que somam R$ 4.673,31 que fora homologadas e os processos encontram-se sem saldo devedor. 2. O segundo grupo são as DCOMPs restantes que não foram homologadas mesmo após julgamento pela DRJ nos seus respectivos processos administrativos. Apesar destes fatos, os julgadores mantiveram a glosa das retenções. Ciente da decisão de primeira instância, o ora Recorrente apresenta Recurso Voluntário (e-fls.328 ), no qual expõe os fundamentos de fato e de direito a seguir sintetizados. Repisa os argumentos já apresentados, ou seja: 1. Auferiu juros sobre contrato de mútuo que estabeleceu com seus sócios; 2. Desta renda de juros, foram retidos R$ 10.139,99 a título de retenção de IRRF; 3. Esta retenção foi declarada em DCTF e compensada via DCOMP (listadas acima); Alega que ofereceu os rendimentos à tributação conforme contas do ativo que relaciona na petição de defesa. E indaga: “para que finalidade a recorrente recolheria IRRF, sem incluir os respectivos juros geradores do mesmo na sua receita, declarando os mesmos em DCTF” Ao final, pede a revisão do Acórdão da DRJ no sentido de que seja deferido seu pleito. Fl. 379DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1002-002.122 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11065.900683/2010-49 É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Zedral, Relator. Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23-B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), com redação dada pela Portaria MF nº 329/2017. Demais disso, observo que o recurso e atende os outros requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. DO MÉRITO Quanto ao mérito, o Recurso Voluntário deve ser deferido. Permanece em discussão nos autos se os rendimentos correspondentes às retenções de R$ 10.139,99 foram ou não oferecidos à tributação. Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, o valor do imposto de renda pago ou retido na fonte pode ser utilizado para abater o tributo devido, desde que as receitas correspondentes à retenção sejam também computadas na apuração do lucro real do período de apuração. Esta questão encontra-se pacificada no âmbito deste Conselho após a edição da Súmula 80: Súmula CARF nº 80 Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto Conforme relatado acima, as retenções informadas em DCOMP somam R$ 66.000,30, sendo que deste montante R$ 10.139,99 não foram validados pelos motivos já conhecidos. Para saber se os rendimentos correspondentes foram oferecidos à tributação devemos calcular qual o valor do rendimento que corresponde ao montante de R$ 66.000,30: IRRF informado em DCOMP R$ 66.000,30 Alíquota do IRRF 20% Base de cálculo (R$ 66.000,30 / 20%) R$ 330.001,50 Tem-se que a recorrente deveria ter tributado R$ 330.001,50 como rendimento financeiro. Fl. 380DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1002-002.122 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11065.900683/2010-49 Nas e-fls. 117 foi juntada cópia da DIPJ do ano-calendário 2005 – Ficha 06A. verificamos que foram declarados na linha 24.Outras Receitas Financeiras o valor de R$ 3.739.867,75, montante muito superior ao necessário para conferir validade ao IRRF de R$ 66.000,30. Tem-se assim que todas as receitas correspondentes às todas as retenções informadas em DCOMPs foram oferecidas à tributação. O Acórdão recorrido confirma que foram declaradas receitas financeiras em DIPJ mas não haveria provas de que “rendimentos auferidos especificamente em relação aos IRRF em tela tenham sido oferecidos à tributação”. Concluo que o relator da DRJ exigiu que se provasse que o valor declarado em DIPJ (Ficha 06A –Linha 24) correspondia exatamente às retenções declaradas em DCOMP. Entendo que se trata de prova desnecessária. O que a legislação exige é que o IRPJ seja apurado utilizando-se de uma base de cálculo que englobe os valores de rendimentos correspondentes à retenção. E no caso presente, foi apurado o IRPJ em valor até mesmo superior ao necessário, ou, por outro lado, a recorrente aproveitou montante de retenções em valor inferior ao oferecido à tributação. Como já demonstrado, se a recorrente informou R$ 66.000,30 a título de retenções na DCOMP, deveria ter oferecido à tributação apenas o valor de R$ 330.001,50, mas consta em DIPJ valor 10 vezes superior. Portanto, o IRPJ do período foi apurado considerando o valor correspondente ao montante de retenção de IRRF na DCOMP, motivo pelo qual voto pelo provimento do Recurso Voluntário. DISPOSITIVO Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, dar- lhe provimento. É como voto. Rafael Zedral – relator. Fl. 381DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10140.722855/2012-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 13 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Jun 29 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012
IRPF. . APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. FISCO E INTERESSADO. DOLO, SIMULAÇÃO OU CONLUIO. PROCEDÊNCIA.
Para caracterização dos artigos 71 a 73, da Lei 4.502/64, o fisco deve apontar os elementos que podem caracterizar o ilícito tributário, diante de ocorrência de dolo, simulação ou conluio. A prova nesse caso deve ser atribuída a quem acusa o ilícito praticado, diante do que dispõe o artigo 9º do Decreto 70.235/72, onde a autuação deverá estar instruída com todos elementos de prova indispensáveis à comprovação da fraude fiscal praticada.
MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. PENALIDADE. LEGALIDADE. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SUMULA CARF Nº 02.
A sanção prevista pelo art. 44, I, da Lei n° 9:430, nada mais é do que uma sanção pecuniária a um ato ilícito, configurado na falta de pagamento ou recolhimento de tributo devido, ou ainda a falta de declaração ou a apresentação de declaração inexata. Portanto, a aplicação é devida diante do caráter objetivo e legal da multa aplicada.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula CARF nº 02.
TAXA SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF. 04.
Nos termos da Súmula CARF n.º 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2301-009.125
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade, e indeferir o pedido de perícia. No mérito, por maioria de votos em dar parcial provimento ao recurso, para desqualificar a multa de ofício de 150% para 75% incidente sobre as infrações de glosas de deduções com instrução, despesas médicas e previdência privada. Vencidos os conselheiros Paulo Cesar Macedo Pessoa, Monica Renata Mello Ferreira Stoll e Sheila Aires Cartaxo Gomes que negaram-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Fernanda Melo Leal, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, (suplente convocado (a), Letícia Lacerda de Castro, Maurício Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente).
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. FISCO E INTERESSADO. DOLO, SIMULAÇÃO OU CONLUIO. PROCEDÊNCIA. Para caracterização dos artigos 71 a 73, da Lei 4.502/64, o fisco deve apontar os elementos que podem caracterizar o ilícito tributário, diante de ocorrência de dolo, simulação ou conluio. A prova nesse caso deve ser atribuída a quem acusa o ilícito praticado, diante do que dispõe o artigo 9º do Decreto 70.235/72, onde a autuação deverá estar instruída com todos elementos de prova indispensáveis à comprovação da fraude fiscal praticada. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. PENALIDADE. LEGALIDADE. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SUMULA CARF Nº 02. A sanção prevista pelo art. 44, I, da Lei n° 9:430, nada mais é do que uma sanção pecuniária a um ato ilícito, configurado na falta de pagamento ou recolhimento de tributo devido, ou ainda a falta de declaração ou a apresentação de declaração inexata. Portanto, a aplicação é devida diante do caráter objetivo e legal da multa aplicada. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula CARF nº 02. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF. 04. Nos termos da Súmula CARF n.º 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade, e indeferir o pedido de perícia. No mérito, por maioria de votos em dar parcial provimento ao recurso, para desqualificar a multa de ofício de 150% para 75% incidente sobre as infrações de glosas de deduções com instrução, despesas médicas e previdência privada. Vencidos os conselheiros AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 28 55 /2 01 2- 96 Fl. 210DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-009.125 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10140.722855/2012-96 Paulo Cesar Macedo Pessoa, Monica Renata Mello Ferreira Stoll e Sheila Aires Cartaxo Gomes que negaram-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente (documento assinado digitalmente) Wesley Rocha - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Fernanda Melo Leal, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, (suplente convocado (a), Letícia Lacerda de Castro, Maurício Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto por MARIA AMALIA VILELA, contra Acórdão de julgamento, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande-MS (4ª Turma da DRJ/CGE), no qual os membros daquele colegiado entenderam ser improcedente a impugnação apresentada, no que diz respeito a crédito de IR de anos calendários de 2007 a 2011, exercícios 2008 a 2012. Segundo o Acórdão recorrido as infrações foram as seguintes: “Trata o presente processo de Auto de Infração (fls. 3 a 24), no valor de R$ 48.710,80, onde foram apuradas infrações relativas a deduções indevidas de: previdência privada, dependentes, despesas médicas e instrução”. Na impugnação a contribuinte apresentou, em síntese, as seguintes alegações: - que as declarações foram preenchidas por terceiro, não tendo esta tomado conhecimento do conteúdo; - que nos cálculos do ano de 2007 foi aplicada a alíquota de 27,5% quando deveria ter sido aplicada a alíquota de 15%; - que não foi informada a fundamentação legal dos juros de mora; - que a multa aplicada tem efeito confiscatório; - que a aplicação da taxa Selic é ilegal. Em seu Recurso Voluntário a recorrente reiterou as alegações de primeira instância, acrescentando que teria sido vítima de erro de terceiros nos preenchimentos das declarações do imposto de renda. Diante dos fatos é o breve relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha, Relator. Fl. 211DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-009.125 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10140.722855/2012-96 O Recurso Voluntário apresentado é tempestivo, bem como é de competência desse colegiado. Assim, passo a analisar o mérito. Cumpre registrar que em sede de primeira instância o recorrente não contestou o mérito das deduções pleiteadas. Assim, restou preclusa a manifestação sobre esses temas. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DIRPF E OCORRÊNCIA DE FRAUDE Alega a recorrente que sua declaração por anos teria sido preenchido por terceiros e que não teria culpa nos fatos narrados. Ocorre que, nesse caso a análise é objetiva referente ao cumprimento das normas e legislação em vigor, não havendo verificação ou apuração de análise subjetiva, salvo exceções, o que não é o caso dos autos. Assim, não há como acolher pedido de equívoco no preenchimento da declaração ao fisco e relevar a infração cometida. Em seu relatório o fisco apurou o seguinte: “Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, efetuamos o presente lançamento de ofício, nos termos dos arts. 904 e 926 do Decreto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR/99), em face da apuração da(s) infração(ões) abaixo descrita(s) aos dispositivos legais mencionados. Este procedimento foi iniciado por estar inserido no contexto de supostas fraudes que teriam sido cometidas no período de 2007 a 2011 e que foram objeto de Representação Fiscal para Fins Penais - RFFP, encaminhada ao Ministério Público Federal - MPF. A citada RFFP esclarece que, em Maio de 2011, o Núcleo de Pesquisa e Investigação da 1ª Região em Campo Grande (NUPEI/CG) informou à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campo Grande (DRF/CGE) a identificação de indícios de fraude em Declarações de Imposto de Renda de Pessoa Física - DIRPF. A suposta fraude se dava através da inclusão, nas declarações, de pagamentos efetuados à Fundação Habitacional do Exército - FHE/FAM (CNPJ 00.643.742/0001-35), com a indicação de que tais pagamentos seriam relativos à despesas com previdência privada/complementar e, desta forma, dedutíveis da base de cálculo do imposto devido. Ocorre que a FHE/FAM é uma entidade cuja função principal é a captação de poupança e o financiamento de unidades habitacionais para membros das Forças Armadas, e não oferece planos de previdência privada, ou quaisquer outros serviços, passiveis de dedução no Imposto de Renda. Não há, portanto, previsão legal para dedução dos pagamentos efetuados a ela da base de cálculo do imposto de renda pessoa física. Também foi constatada, em grande parte das declarações que se utilizaram das deduções indevidas dos pagamentos à FHE/FAM, a inclusão recorrente e indevida, em diversos exercícios, de dependentes inexistentes, a informação de supostos pagamentos a título de despesas com instrução, de despesas médicas e a outros fundos de previdência privada, sem comprovação, bem como de pagamentos fictícios a título de pensão alimentícia, entre outros. Em 31/05/2011, o NUPEI/CG forneceu à DRF/CGE uma relação com cerca de 1.000 (um mil) CPF´s que continham indícios da fraude, os quais foram incluídos em lista- bloqueio em 01/06/2011, impedindo eventuais restituições apuradas nas declarações do exercício 2011 em diante. Os contribuintes constantes da citada relação, acrescida de outras pessoas que também se utilizaram da dedução do FAM e que foram detectadas pela equipe de malha fiscal da DRF/CGE, e que até o momento não tomaram qualquer providência no sentido de retificar suas DIRPF com a finalidade de excluir as deduções indevidas estão, agora, sendo intimados a comprovar tôdas as deduções constantes nas DIRPF relativas aos anos-calendário de 2007 a 2011. Fl. 212DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-009.125 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10140.722855/2012-96 Considerando o contexto citado, que se caracteriza pela prática reiterada de suposto dolo, as deduções não comprovadas documentalmente estão sendo glosadas e a multa decorrente está sendo aplicada conforme o disposto no Art. 44, inciso I, e § 1º, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07 e, também, será formalizada uma Representação Fiscal para Fins Penais, em nome do contribuinte”. Na busca da verdade material, princípio este vinculado ao processo administrativo fiscal, forma o julgador seu convencimento, por vezes, não a partir de uma prova única, conclusiva por si só, mas de um conjunto de elementos que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a evidência de uma dada situação de fato. Em processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, do contribuinte ora recorrente, o qual compreendo que não foram devidamente comprovadas as omissões identificadas. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99 em seu art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Em igual sentido, aplicado de forma subsidiária, tem-se o art. 373, inciso I, do CPC: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Encontra-se sedimentada a jurisprudência deste Conselho neste sentido, consoante se verifica pelo aresto abaixo: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano- calendário: 2005 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. (...) (Acórdão nº 3803004.284 – 3ª Turma Especial. Sessão de 26 de junho de 2013). Grifou- se. Ocorre que para as glosas com despesas médicas, instrução e previdência privada a recorrente comprovou ter havido operações com essas rubricas, e que conforme se constata dos autos, o recorrente teve efetivamente despesas com a referida operações, a exemplo do descrito no relatório fiscal de e-fl. 05: “Comprovou, todavia, o efetivo pagamento de algumas despesas efetivamente realizadas com Previdência Privada e Fapi, conforme abaixo: 1 - no ano-calendário 2007 comprovou o valor de R$456,60, demonstrado no Comprovante de Rendimentos apresentado em resposta à intimação como "03 - Contribuição à Previdência Privada e Fapi"; 2 - no ano-calendário 2008 comprovou o valor de R$410,92, demonstrado no Comprovante de Rendimentos apresentado em resposta à intimação como "03 - Contribuição à Previdência Privada e Fapi"; 3 - no ano-calendário 2009 comprovou o valor de R$412,62, demonstrado no Comprovante de Rendimentos apresentado em resposta à intimação como "03 - Contribuição à Previdência Privada e Fapi"; Fl. 213DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-009.125 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10140.722855/2012-96 4 - no ano-calendário 2011 comprovou o valor de R$340,28, demonstrado no Comprovante de Rendimentos apresentado em resposta à intimação como "03 - Contribuição à Previdência Privada e Fapi"; Nas despesas médicas o relatório indica o seguinte: 1 - no ano-calendário 2008 comprovou apenas o valor de R$315,00, demonstrado no Comprovante de Rendimentos apresentado em resposta à intimação como "Despesas Médico-Odonto-Hospitalares"; 2 - no ano-calendário 2009 comprovou apenas o valor de R$756,00, demonstrado no Comprovante de Rendimentos apresentado em resposta à intimação como "Despesas Médico-Odonto-Hospitalares"; 3 - no ano-calendário 2010 comprovou apenas o valor de R$756,00, demonstrado no Comprovante de Rendimentos apresentado em resposta à intimação como "Despesas Médicas-Odontológicas-Hospitalares"; Não declarou Despesas Médicas no ano- calendário 2007 e, no ano-calendário 2011, comprovou integralmente o valor de R$808,50 declarado, através do Comprovante de Rendimentos apresentado em resposta à intimação como "Despesas Médicas-Odontológicas-Hospitalares". No quesito instrução também não foi possível constatar o dolo ou intenção de lesar o fisco, já que não demostrou tão somente o efetivo pagamento das despesas declaradas e havidas com dependente, mas não comprovado. Nesse caso, passível de acolhimento a argumentação tendo em vista erro no preenchimento e interpretação da norma. Nota-se que não está a afastar a infração, nem a multa decorrente de consideração de erro da contribuinte, mas apenas a multa qualificada, que não pode restar dúvidas quanto a ação dolosa ou omissiva por parte do contribuinte, já que no processo restaram questões dúbias, apesar da já citada operação que constatou que diversos contribuintes teriam enviado declarações a partir de um grupo de contabilidade que tinha a intenção de se beneficiar de deduções em clara intenção de lesar o fisco. No caso concreto, a dúvida ficou por conta do próprio relatório fiscal, que indica parcial comprovações das deduções pretendidas, mesmo que haja a operação da receita que constatou as ações dolosas em declaração de diversos contribuintes, e que arrolou o nome do recorrente na operação. Em processos administrativos fiscais, a sonegação, fraude ou conluio estão previstos nos art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, in verbis: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72". Caberia, portanto, à fiscalização a caracterização de mais elementos que pudesse imputar o consilium fraudis , no que diz respeito ao animus fraudulento, ou também o animus simulandi por parte da contribuinte, ou simplesmente acusar a recorrente do referido ato, para Fl. 214DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-009.125 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10140.722855/2012-96 que ela pudesse se defender de forma adequada, implicando o ato inclusive em multa qualificada, nos termos da legislação vigente. Em conteúdo didático, produzido pelo jurista Fábio Piovezan Bozza, que já foi Conselheiro deste Tribunal, verifica-se que: "dolo, fraude ou simulação, refere-se a um conjunto de vícios produzidos intencionalmente pelo contribuinte que, de má-fé, cria uma situação falsa ou de mera aparência e inebria o julgamento do Fisco sobre uma relação tributária já existente, de modo a eliminá-la, reduzi-la ou postergá-la" (in Planejamento Tributário e Autonomia Privada. Série doutrina tributária v. XV. São Paulo: Quartier Latin, 2015, página 199). Cumpre esclarecer que, quando há a acusação de uma simulação, existe a distribuição do ônus da prova. Nesse sentido, é o que diz o disposto no artigo 9º do Decreto 70.235/72, in verbis: Art. 9 o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". Grifou-se. Em que pese o ônus da prova dos fatos constitutivos do direito ser do interessado/contribuinte, percebe-se que com o dispositivo acima citado o legislador quis que nos casos de caracterização de ilícitos houvesse uma espécie de "distribuição do ônus da prova", a fim de que a fiscalização tivesse também que suportar o encargo de provar com elementos indispensáveis à comprovação do ilícito ocorrido. O jurista Leandro Paulsen abordando o tema, em seu livro que trata sobre a Constituição e o Código Tributário, explica de maneira mais didática, os elementos e premissas necessárias para imputar no auto de infração as caraterísticas fraudulentas: "A aplicação de multa qualificada depende da inexistência de dúvida quanto ao caráter doloso da conduta. "... a comprovação da conduta dolosa deve estar cristalina na acusação fiscal. Tomando-se emprestada expressão contida na ementa do Acórdão n. 2202002.106, de 21 de novembro de 2012, o que se quer dizer é que 'O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos'. Assim é que não basta que se presuma a conduta dolosa, sendo também imprescindível para a aplicação dessa penalidade a produção de prova dessa conduta dolosa por parte da fiscalização. Isso porque já existe uma penalidade (de ofício) para o simples fato de não pagamento de tributo, razão pela qual a aplicação da multa qualificada requer algo mais, por ser, nas palavras de Marco Aurélio Greco, 'a exceção da exceção'. Nesse sentido decidiram os Acórdãos ns. 140200752, 140200753 e 140200754, de 30 de setembro de 2012, bem como os Acórdãos ns. 920200.632, de 12 de abril de 2010, 920100.971, de 17 de agosto de 2010, 330100.557, de 26 de maio de 2010, e 1402001.180, de 10 de dezembro de 2012. Outrossim, tal necessidade de comprovação decorre também da previsão do art. 112 do CTN, que determina interpretação mais favorável ao acusado da lei tributária que define infrações, ou comina penalidade, conforme anteriormente analisada, de sorte que nas situações que houver qualquer dúvida quanto à intenção ou a conduta do contribuinte, esse não pode sofrer a penalidade em sua modalidade qualificada." (COVIELLO FILHO, Paulo. A multa qualificada na jurisprudência administrativa. Análise crítica das recentes decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. RDDT 218/130, nov/2013). Grifou- se. (PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 17 ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; 2015. pág. 882/883)" Fl. 215DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-009.125 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10140.722855/2012-96 Diante das constatações da fiscalização, bem como consoante as argumentações trazidas ao feito pela recorrente, entendo que deve ser mantida a acusação fiscal, afastando-se tão somente a multa qualificada nas rubricas acima citadas: glosas com despesas médicas, instrução e previdência privada. Outrossim, eventual pedido de perícia reside no quesito de dúvidas quanto à autuação fiscal, e sobre os documentos e fatos trazidos ao feito, o que não é caso, uma vez que é possível constatar a atuação fiscal, período autuado, identificação correta do sujeito passivo, matéria tributável, o quantum a ser apurado, bem como da conteúdo sobre o fato gerador. Assim, também não há se falar em perícia para constatar as alegações da recorrente, da qual deveria ter trazido aos autos , provas do seu direito para afastar acusação fiscal. ERRO NA APLICAÇÃO DE ALÍQUOTA Nesse tópico reproduzo a decisão de primeira instância A impugnante alega que nos cálculos do ano de 2007 foi aplicada a alíquota de 27,5% quando deveria ter sido aplicada a alíquota de 15%. Para o ano calendário de 2007 – exercício de 2008 a tabela de apuração do imposto de renda da pessoa física era a transcrita abaixo: Tabela Progressiva para o cálculo anual do Imposto de Renda de Pessoa Física para o exercício de 2008, ano-calendário de 2007. Tabela aprovada pela Lei nº 11.482, de 31 de maio de 2007 , alterada pelo art. 23 da Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009 . Observando os cálculos relativos ao ano calendário de 2007 contidos no auto de infração (fls. 10) constata-se que a base de cálculo declarada era de R$ 20.019,02 e que foram apuradas infrações no montante de R$ 24.932,26, elevando a base de cálculo para R$ 44.951,28, para a qual, conforme descrito na tabela acima, aplica-se a alíquota de 27,5%. Sem reparos quanto ao decisum nesse tópico. ALEGAÇÕES SOBRE EFEITO DE CONFISCO, INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI E DA MULTA APLICADA Conforme se verifica do auto de infração a multa aplicada, o art. 44. da Lei n.° 9.430/96, assim dispõe: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata” II - de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: Fl. 216DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2301-009.125 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10140.722855/2012-96 Alega a recorrente que a multa teria o efeito de confisco. Ocorre que este Conselho não é competente para analisar matéria Constitucional, encontrando o pedido óbice na Súmula do CARF abaixo transcrita. Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. A aplicação da penalidade é de atividade vinculada. Isso porque a previsão de multa do pelo artigo 44, e incisos, da Lei n.° 9.430/96, não permite possibilita nenhuma escolha ao faculdade ao agente fiscalizador, lhe sendo obrigado a imputação de penalidade quando o contribuinte deixa de informar/recolher os valores devidos à Previdência Social. DA APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. Alega a recorrente que não teria sido informada da aplicação da taxa de cobrança na autuação. Entretanto, ao mesmo tempo, alega que a taxa seria ilegal. Nos termos da Súmula CARF n.º 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, para não acolher as alegações de inconstitucionalidade de Lei, não deferir a perícia solicitada, e no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO para desqualificar a multa de ofício de 150% para 75% incidente sobre as infrações de glosas de deduções com instrução, despesas médicas e previdência pr ivada, mantendo-se as demais disposição da autuação. É como voto. (documento assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 217DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11128.720797/2016-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 18 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Jun 16 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 16/04/2012
NULIDADE. DECISÃO RECORRIDA. OCORRÊNCIA.
A decisão que não enfrenta os argumentos da contribuinte e cujas razões são estranhas ao processo, é nula.
Numero da decisão: 3001-001.864
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acatar a preliminar suscitada de ofício pela relatora e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para devolver os autos à DRJ para que profira nova decisão. Vencido o conselheiro Marcos Roberto da Silva, que rejeitou a preliminar e negou provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Sabrina Coutinho Barbosa Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Marcelo Costa Marques D´Oliveira e Sabrina Coutinho Barbosa.
Nome do relator: SABRINA COUTINHO BARBOSA
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DECISÃO RECORRIDA. OCORRÊNCIA. A decisão que não enfrenta os argumentos da contribuinte e cujas razões são estranhas ao processo, é nula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acatar a preliminar suscitada de ofício pela relatora e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para devolver os autos à DRJ para que profira nova decisão. Vencido o conselheiro Marcos Roberto da Silva, que rejeitou a preliminar e negou provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Sabrina Coutinho Barbosa – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Marcelo Costa Marques D´Oliveira e Sabrina Coutinho Barbosa. Relatório Trata-se de recurso voluntário contra o acórdão nº 12-095.034 proferido pela 4ª Turma da DRJ/RJO que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação da contribuinte (aqui recorrente), mantendo devida a multa de R$ 5.000,00 aplicada em decorrência do descumprimento do dever instrumental disposto no art. 22 da IN SRF nº 800/2007. À época, de forma sintética, defendeu a recorrente: (i) a inexistência do fato gerador da penalidade, porque a desconsolidação se deu dentro do prazo previsto de atracação do navio; (ii) da inexistência de responsabilidade objetiva; e, (iii) da aplicação da denúncia espontânea ou da relevação da pena (Decreto nº 6.759/09). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 07 97 /2 01 6- 11 Fl. 103DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3001-001.864 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.720797/2016-11 Posteriormente, a impugnação foi julgada improcedente pela 4ª Turma da DRJ/RJO, sob as razões que abaixo colaciono (e-fls. 71/74): Deixo de acolher as preliminares trazidas pela interessada, eis que as argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade não estão afetas ao julgador administrativo. Além disso, sequer se pode imaginar a ocorrência de denúncia espontânea, que justamente é regulada no artigo 138 do CTN e tem seu escopo na infração que enseja o pagamento de tributo, não se aplicando esse instituto ao caso concreto. De outra feita, qualquer alegação acerca de ausência de tipicidade e motivação também devem cair por terra, ou mesmo sobre ilegitimidade passiva, inexistência de responsabilidade ou mesmo de requerimento de relevação de penalidade, pois em nenhum dos casos há coaduação com o que se verifica dos autos, eis que o controle das importações deve ser feito pela autoridade aduaneira e seus prazos precisam ser cumpridos, até porque as multas nesses casos são aplicadas exatamente pelo fato de não possuir condições de realizar o efetivo controle se os prazos deixarem de ser cumpridos, no que toca, em especial, aos lançamentos extemporâneos dos conhecimentos eletrônicos, seja house, seja mercante ou do próprio manifesto em si. Senão vejamos. ........................................................................................................................................... .. O caso ora apreciado diz respeito à importação de cargas consolidadas, as quais são acobertadas por documentação própria, cujos dados devem ser informados de forma individualizada para a geração dos respectivos conhecimentos eletrônicos (CEs). Esses registros devem representar fielmente as correspondentes mercadorias, a fim de possibilitar à Aduana definir previamente o tratamento a ser adotado a cada caso, de forma a racionalizar procedimentos e agilizar o despacho aduaneiro. Nesses casos, não é viável estender a conclusão trazida na citada SCI, conforme se passa a demonstrar. Apenas para efeito de esclarecimento, informa-se que o fornecimento das informações exigidas, no âmbito do transporte internacional de cargas, objetiva proporcionar à Aduana subsídios para a análise de risco dessas operações, a ser realizada previamente ao embarque ou desembarque das mercadorias no País, de forma a racionalizar procedimentos e agilizar o despacho aduaneiro. Daí a necessidade de os dados exigidos serem prestados correta e tempestivamente. Observa-se que, o foco principal dessa obrigação é o controle aduaneiro, mas ela também interessa à administração tributária. Com base nas informações exigidas muitas vezes são constatadas infrações como o subfaturamento de preços; o erro no enquadramento tarifário, objetivando obter tratamento mais favorável; a ausência de recolhimento de direitos antidumping ou compensatório. Ademais, não se pode negar que um dos objetivos da Aduana é justamente proteger a economia nacional contra a concorrência desleal de produtos estrangeiros. Vale dizer, ainda, que o Decreto-Lei nº 37/1966, que possui força de lei e alterações posteriores sustentam as penalidades as quais são explicadas e definidas pelas Instruções Normativas expedidas pela RFB, e que tanto a fiscalização quanto o julgador administrativo de primeira instância adstritos. Tão logo intimada do r. decisum, por meio de recurso voluntário a recorrente reitera a necessidade de cancelamento da multa de aplicada, para tanto repete os argumentos trazidos na impugnação. É o breve relatório. Voto Fl. 104DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3001-001.864 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.720797/2016-11 Conselheira Sabrina Coutinho Barbosa, Relatora. O recurso voluntário preenche os requisitos formais necessários para o seu processamento, portanto, dele tomo conhecimento. Em resumo, pretende a recorrente afastar a multa de R$ 5.000,00 aplicada pela autoridade da aduana em razão de atraso na desconsolidação da carga com o registro extemporâneo do HBL nº 15120506775400. Para tanto, reitera os argumentos postos em impugnação. 1. Prejudicial de mérito. Nulidade da decisão recorrida – Declaração de ofício. Recapitulando os fatos, contra o auto de infração lavrado pela autoridade aduaneira, a recorrente apresentou impugnação arguindo (i) a inexistência do fato gerador da penalidade, porque a desconsolidação se deu dentro do prazo previsto de atracação do navio; (ii) da inexistência de responsabilidade objetiva; e, (iii) da aplicação da denúncia espontânea ou da relevação da pena (Decreto nº 6.759/09). Ao final, a recorrente postulou: III - DO PEDIDO Ante o exposto, e pelas razões de fato e de direito, requer se dignem Vossas Senhorias acolher no todo o presente RECURSO DE IMPUGNAÇÃO para preliminarmente conhecer do presente Recurso para seus devidos fins e e declarar nulo de pleno direito o Auto de Infração lavrado pela douta Autoridade Fazendária nos termos do contido no item 11.1 e 11.2 da presente peça e caso não seja acatada a nulidade do auto de infração, requer-se seja aplicada a Recorrente a exclusão da penalidade pela denúncia espontânea efetuada, determinando o arquivamento do feito por ser medida de Justiça. Protesta provar o alegado por todos os meios de provas admitidos em direito, sem exceção de qualquer um. Requer ainda que todas as intimações/notificações sejam efetuadas em nome da patrona SHIRLEIDE DE MACÊDO VITÓRIA, inscrita na OAB/SP n2 198.312, anotando tal nome na capa e contra-capa dos autos. De outro lado, segundo o relatório constante no acórdão recorrido é fácil perceber que os fatos ali narrados, em especial os argumentos apresentados pela recorrente na impugnação, não se assemelham aqueles efetivamente ocorridos. Vejamos (e-fl. 72): Devidamente cientificada, a interessada traz como alegações, além das preliminares de praxe, acerca de infringência a princípios constitucionais, prática de denúncia espontânea, ilegitimidade passiva, ausência de motivação, tipicidade, e que tragam ao auto de infração a ineficiência e a desconstrução do verdadeiro cerne da autuação que foi o descumprimento dos prazos estabelecidos em legislação norteadora acerca do controle das importações, a argumentação de que de fato as informações constam do sistema, mesmo que inseridas, independente da motivação, após o momento estabelecido no diploma legal pautado pela autoridade aduaneira. Fl. 105DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3001-001.864 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.720797/2016-11 Corroborando o equívoco revelado, cito passagens do voto: Deixo de acolher as preliminares trazidas pela interessada, eis que as argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade não estão afetas ao julgador administrativo. Além disso, sequer se pode imaginar a ocorrência de denúncia espontânea, que justamente é regulada no artigo 138 do CTN e tem seu escopo na infração que enseja o pagamento de tributo, não se aplicando esse instituto ao caso concreto. De outra feita, qualquer alegação acerca de ausência de tipicidade e motivação também devem cair por terra, ou mesmo sobre ilegitimidade passiva, inexistência de responsabilidade ou mesmo de requerimento de relevação de penalidade, pois em nenhum dos casos há coaduação com o que se verifica dos autos, eis que o controle das importações deve ser feito pela autoridade aduaneira e seus prazos precisam ser cumpridos, até porque as multas nesses casos são aplicadas exatamente pelo fato de não possuir condições de realizar o efetivo controle se os prazos deixarem de ser cumpridos, no que toca, em especial, aos lançamentos extemporâneos dos conhecimentos eletrônicos, seja house, seja mercante ou do próprio manifesto em si. Senão vejamos. Com a devida venia, de plano, constata-se desarmonia entre as razões de decidir pelo juízo a quo com os argumentos deduzidos pela recorrente na peça inaugural. Isso porque parte das premissas colocadas sequer foi objeto de recurso. Na peça de impugnação a recorrente não argumenta ilegalidade ou inconstitucionalidade, tampouco ausência de motivação ou tipicidade do auto de infração e ilegitimidade passiva. Além do mais, não me parece clara a motivação do juízo a quo para afastar os argumentos de inexistência de responsabilidade e relevação da pena, eis que perfunctória. De todas as premissas traçadas pela recorrente, apenas o argumento de aplicação de denúncia espontânea foi, de fato, apreciado. Ao que parece, o julgador trouxe fundamentos além daqueles inferidos na impugnação, como ainda não enfrenta de forma direta e precisa o mérito da impugnação, tendo sido traçada sob-razões genéricas, como demonstrado. À vista disso, é flagrante a ausência dos requisitos necessários de validade da decisão recorrida, consoante o art. 31 do Decreto nº 70.235/72: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referir-se, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Na trilha disciplina o art. 489 do CPC: Art. 489. § 1º Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: [omissis] IV - não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; Fl. 106DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3001-001.864 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.720797/2016-11 Portanto, demonstrado que o acórdão recorrido carece de condições de legitimidade, deve ser o ato declarado nulo segundo dispõe o inciso II, do art. 59 do Decreto nº 70.235/72 e, de conseguinte, deixo de analisar as alegações pela recorrente em sede recursal. Cumpre destacar, ainda, que apesar de a recorrente não ter notado tal incidente, por se tratar de matéria de ordem pública é plenamente possível a sua análise e provocação de ofício, segundo previsão expressa no art. 2º da Lei nº 8.784/99 e no art. 5º da Constituição Federal, respectivamente, in verbis: Art. 2º. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: [omissis] VII - indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; _____________________________________________________________________ Art. 5º. [omissis] XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito; Ao todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para anular, de ofício, o acórdão recorrido e, de conseguinte, devolver os autos à DRJ para que nova decisão seja proferida. (documento assinado digitalmente) Sabrina Coutinho Barbosa. Fl. 107DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13603.905664/2012-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 17 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Jul 02 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2011
IRRF. RETENÇÃO INDEVIDA. RESTITUIÇÃO. ARTIGO 166 DO CTN.
Para que a fonte pagadora possa pleitear a restituição de IRRF retido na fonte e recolhido indevidamente, é necessário comprovar ter assumido o ônus econômico do tributo, conforme artigo 166 do CTN.
No caso, a interessada não logrou fazer a prova da retificação do comprovante de rendimentos entregues aos beneficiários e, desta forma, não comprovou ter assumido o ônus do tributo conforme artigo 8º da IN RFB nº 900/2008.
Numero da decisão: 1401-005.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Carlos André Soares Nogueira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, Leticia Domingues Costa Braga, André Severo Chaves, Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente).
Nome do relator: Carlos André Soares Nogueira
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RETENÇÃO INDEVIDA. RESTITUIÇÃO. ARTIGO 166 DO CTN. Para que a fonte pagadora possa pleitear a restituição de IRRF retido na fonte e recolhido indevidamente, é necessário comprovar ter assumido o ônus econômico do tributo, conforme artigo 166 do CTN. No caso, a interessada não logrou fazer a prova da retificação do comprovante de rendimentos entregues aos beneficiários e, desta forma, não comprovou ter assumido o ônus do tributo conforme artigo 8º da IN RFB nº 900/2008. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, Leticia Domingues Costa Braga, André Severo Chaves, Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 56 64 /2 01 2- 61 Fl. 115DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-005.629 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13603.905664/2012-61 Relatório Trata o presente processo do Pedido de Restituição – PER nº 13528.03085.071011.1.3.04-3711, por meio do qual a contribuinte em epígrafe formalizou crédito perante a Fazenda Pública Federal em razão de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF no valor original de R$ 1.786,60. A origem do crédito seria um pagamento de IRRF (cód receita 1708) efetuado em 20/04/2011 via DARF no valor de R$ 47.293,10. O crédito foi integralmente utilizado na respectiva Declaração de Compensação – DCOM para compensar com débito de sua responsabilidade. O PER/DCOMP foi submetido à apreciação da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, que emitiu o Despacho Decisório nº 040916206. No ato administrativo, o crédito pleiteado foi indeferido em razão do DARF em questão ter sido integralmente utilizado para quitar débito de IRRF declarado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF. A contribuinte se insurgiu contra a decisão administrativa e apresentou manifestação de inconformidade. Peço licença para reproduzir a parte do relatório da autoridade julgadora de primeira instância na qual esta sintetiza as alegações lançadas pela manifestante: 3. Inconformada, a interessada interpôs a manifestação de inconformidade de fls. 11/18, na qual alega, em síntese, o seguinte: 3.1. Que no mês de março de 2011 havia apurado IRRF a pagar sobre os serviços prestados por diversas pessoas jurídicas, no montante de R$47.293,10, efetuando o seu recolhimento integral mediante DARF (doc. 4) e declarando o débito em DCTF. No entanto, ao rever os valores retidos de seus prestadores de serviços, verificou que havia feito, indevidamente, a retenção do IRRF sobre as notas fiscais emitidas pelas Empresas Clínica Santa Helena S/C Ltda e Benedito Nunes de Souza ME. Veja-se que os valores retidos indevidamente totalizam exatamente o montante do crédito pleiteado na DCOMP n° 13528.03085.071011.1.3.04-3711 (R$1.786,60), conforme abaixo: 3.2. Que visando anular os efeitos decorrentes da retenção indevida do IRRF sobre as referidas notas fiscais, emitiu as Notas de Crédito anexas aos seus fornecedores, cientificando os mesmos do recolhimento indevido (doc. 5). Além disso, para que os recolhimentos indevidos ficassem devidamente registrados em sua contabilidade, em abril e maio de 2011 lançou a débito na conta 2.01.03.01.00014 (IRRF - Terceiros) de seu razão analítico os valores do IRRF indevidamente retidos em favor dos fornecedores em março de 2011 (doc. 6), que, somados, totalizaram o montante de R$1.786,60; 3.3. Que, em relação ao IRRF retido da Clínica Santa Helena, além da retenção no valor de R$59,49, referente à Nota fiscal n° 31.592, foi objeto da Nota de Crédito n° 360 e do lançamento no razão analítico da Requerente, o valor de R$12,92, relativo à Nota Fiscal Fl. 116DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-005.629 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13603.905664/2012-61 n° 31.593. No entanto, este valor não foi utilizado para a composição do crédito pleiteado nos presentes autos; 3.4. Que apesar de ter corrigido o procedimento em sua contabilidade, se olvidou de retificar a DCTF do período para informar o correto valor do IRRF (cód. 1708) apurado em março de 2011, o que, em razão do cruzamento dessas informações com os dados informados na DCOMP, gerou a divergência que originou a emissão do Despacho Decisório Eletrônico; 3.5. Que visando adequar a DCTF referente a março de 2011 à realidade dos fatos, promoveu a sua retificação, mesmo após a emissão do Despacho Decisório, informando que o débito efetivamente apurado naquele mês perfaz o valor de R$45.506,50. Assim, considerando a vinculação do DARF no montante de R$47.293,10 ao referido débito, não há dúvida acerca do direito à restituição do crédito decorrente de pagamento a maior, no valor de R$1.786,60 (R$47.293,10 - R$45.506,50); 3.6. Que erros de preenchimento das Declarações não podem ser razão para indeferimento do crédito ora pleiteado, uma vez que, é assente na jurisprudência do CARF de que erro de preenchimento de DCOMP, DACON, DCTF e DIPJ não impossibilita o reconhecimento do direito do contribuinte ao crédito, por força do princípio da verdade material, ao qual está adstrita a Administração Pública, principalmente quando resta comprovado o direito creditório por documentação contábil 3.7. Que restando demonstrado que o pagamento a maior de IRRF em março de 2011, no valor de R$1.786,60 (R$47.293,10 - R$45.506,50), decorreu da retenção indevida do imposto sobre as notas fiscais emitidas pelas Empresas Benedito Nunes de Souza ME e Clínica Santa Helena S/C Ltda., e considerando que o mero erro de preenchimento das Declarações Fiscais não retira o direito creditório do contribuinte, é imperioso o reconhecimento do crédito pleiteado, o qual, atualizado pela Taxa Selic, é suficiente para a compensação de débito de CIDE declarado na DCOMP n° 13528.03085.071011.1.3.04-3711, nos exatos termos do art. 74 da Lei n° 9.430/96; 3.8. Que, caso se entenda que os documentos que acompanham a presente defesa não são suficientes para a comprovação da origem e existência do crédito, requer, com base nos princípios da verdade material e da liberdade da apreciação da prova, que seja determinada a baixa dos autos para realização de diligência. – grifei. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente por voto de qualidade, conforme Acórdão nº 12-107.818 da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro – DRJ/RJO, ora vergastado. De acordo com o voto vencedor na instância de piso, a contribuinte não logrou comprovar adequadamente seu direito creditório conforme as determinações do artigo 8º da IN RFB nº 900/2008. Cito suas palavras: Para que se reconheça o direito da Interessada à restituição dos valores indevidamente retidos, é preciso verificar se houve o cumprimento das exigências contidas no art. 8º da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008 (vigente à época da transmissão da DCOMP em análise): [...] No processo há cópias notas de crédito que a interessada teria emitido a seus fornecedores, em cujos históricos há a indicação que tais documentos se referiam à retenção indevida de impostos. Assim, às fls. 49 consta cópia da nota de crédito nº 360, emitida em favor de Clínica Santa Helena S/C Ltda, no valor total de R$ 72, 41, que compreenderia as notas fiscais nºs 31.592 e 31.593. Ns fls. 51, 53, 55, 57 e 59 constam respectivamente, as notas de crédito nº 000003 a 000007, emitidas em favor de Benedito Nunes de Souza ME, que seriam relacionadas às notas fiscais nºs 1288 a 1291. Fl. 117DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-005.629 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13603.905664/2012-61 Ocorre que tais documentos não são hábeis para fazer a comprovação do alegado, posto que, são documentos emitidos pela própria interessada, sem a participação de terceiros. Como se vê, não foi comprovado que a interessada assumiu o ônus financeiro. O fato de constar no processo cópias do Razão (fls. 67 e 76) contendo lançamentos contábeis dos valores do IR supostamente retido indevidamente não são suficientes para comprovar suas alegações, devendo ser ressaltado que o Razão é emitido pela interessada. Na verdade, a escrituração somente faz prova a favor do sujeito passivo se estiver acompanhada de documentos hábeis e idôneos. É o que se depreende pela leitura literal do art. 923 do Decreto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR), que vale como referência, abaixo transcrito. Portanto, é ônus do contribuinte comprovar a veracidade de seus registros contábeis: [...] Ressalte-se que o § 1º do art. 8º da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008 prevê uma série de documentos que não foram apresentados como o estorno pelo beneficiário do pagamento ou crédito dos lançamentos contábeis relativos à retenção indevida ou a maior; da retificação, pela fonte pagadora dos demonstrativos já entregues à pessoa física ou jurídica que sofreu a retenção, nos quais referida retenção tenha sido informada; da retificação, pelo beneficiário do pagamento ou crédito, das declarações já apresentadas à RFB nas quais a referida retenção tenha sido informada ou utilizada na dedução de tributo. Não consta do processo nenhum documento emitido pelas empresas que sofreram a suposta retenção a maior de tributo que as quantias retidas indevidamente ou a maior foram efetivamente devolvidas. Não consta qualquer documento que comprove que os beneficiários da retenção tiveram conhecimento de que houve tal retenção a maior de imposto de renda. – grifei. Irresignada com a decisão de primeira instância, a contribuinte interpôs recurso voluntário. Na peça recursal, alegou, em apertada síntese que os documentos juntados aos autos seriam suficientes para comprovar o direito creditório e que a norma administrativa veicula apenas deveres instrumentais e não impõe à contribuinte o ônus de apresentar elementos de prova atinentes a terceiros. Reproduzo excerto da peça recursal: O que o art. 8º, caput da IN nº 900/2008 prevê é que o contribuinte que: (i) promover a retenção indevida ou a maior de tributo administrado pela RFB, (ii) efetuar o recolhimento do valor retido indevidamente e (iii) devolver ao beneficiário a quantia retida; poderá pleitear a restituição desses valores. O §1º do art. 8º, por sua vez, trata das obrigações acessórias de cada uma das partes, fonte pagadora e beneficiário do pagamento ou crédito, em decorrência da devolução de quantia indevidamente retida. Não há, no dispositivo supracitado, a previsão da obrigatoriedade da fonte pagadora apresentar documentos contábeis das empresas beneficiárias do pagamento juntamente com o pedido de restituição. E nem faria sentido tal exigência, visto que a Recorrente não dispõe de poder de polícia para exigir que as empresas beneficiárias cumpram com a execução das obrigações acessórias em sua contabilidade, e ainda lhe apresentem a comprovação desse cumprimento com vistas à instrução do seu pedido de restituição. Por outro lado, as obrigações que lhe competiam foram devidamente cumpridas, conforme comprovam os documentos juntados aos autos. A Recorrente procedeu ao estorno dos lançamentos contábeis relativos à retenção indevida ou a maior, retificou a Fl. 118DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-005.629 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13603.905664/2012-61 DCTF do período, e emitiu notas de créditos aos seus fornecedores, cientificando-os da retenção indevida do imposto. Ao final, a recorrente pediu a reforma da decisão de piso. Era o que havia a relatar. Voto Conselheiro Carlos André Soares Nogueira, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme relatado, trata-se de PER/DCOMP em que a contribuinte formalizou crédito de IRRF que teria sido indevidamente retido. O crédito foi indeferido porque o DARF foi integralmente usado para quitar débito de IRRF declarado em DCTF. Segundo a recorrente, os valores retidos indevidamente teriam sido devolvidos às prestadoras de serviço por meio de Notas de Lançamento – crédito. Ademais, a contribuinte efetuou lançamentos contábeis reduzindo a conta de passivo de IRRF e retificou a DCTF em questão para espelhar o valor que seria efetivamente devido. Feita esta breve síntese, passo à apreciação da matéria. A meu juízo a retenção de IRRF é o caso típico de que trata o artigo 166 do Código Tributário Nacional: Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de tê-lo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebê-la. A retenção indevida de IRRF transfere, em princípio, o encargo financeiro do tributo retido indevidamente para a pessoa beneficiária do pagamento. Assim, a norma legal exige que a fonte pagadora, se quiser ter o indébito restituído, demonstre ter assumido o encargo ou esteja expressamente autorizada por aquele que arcou economicamente com a carga do tributo. Fl. 119DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-005.629 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13603.905664/2012-61 Na esteira da previsão legal acima mencionada, o artigo 8º da IN RFB nº 900/2008 previa, na época dos fatos, que a pessoa que houvesse retido e recolhido indevidamente o IRRF e que tivesse devolvido o montante retido ao beneficiário poderia pleitear sua restituição. Entretanto, o parágrafo 1º determinava que a devolução do valor estivesse acompanhada de outros procedimentos. O debate feito no julgamento de primeira instância foi justamente se os elementos de prova juntados aos autos seriam hábeis a fazer a prova necessária à luz do disposto no artigo 8º da IN RFB nº 900/2008. Transcrevo o artigo da indigitada norma administrativa: Art. 8º O sujeito passivo que promoveu retenção indevida ou a maior de tributo administrado pela RFB no pagamento ou crédito a pessoa física ou jurídica, efetuou o recolhimento do valor retido e devolveu ao beneficiário a quantia retida indevidamente ou a maior, poderá pleitear sua restituição na forma do § 1º ou do § 2º do art. 3º, ressalvadas as retenções das contribuições previdenciárias de que trata o art. 18. § 1º A devolução a que se refere o caput deverá ser acompanhada: I - do estorno, pela fonte pagadora e pelo beneficiário do pagamento ou crédito, dos lançamentos contábeis relativos à retenção indevida ou a maior; II - da retificação, pela fonte pagadora, das declarações já apresentadas à RFB e dos demonstrativos já entregues à pessoa física ou jurídica que sofreu a retenção, nos quais referida retenção tenha sido informada; III - da retificação, pelo beneficiário do pagamento ou crédito, das declarações já apresentadas à RFB nas quais a referida retenção tenha sido informada ou utilizada na dedução de tributo. [...] – grifei. À partida, penso que a recorrente tenha razão ao alegar que tais procedimentos configuram deveres instrumentais. Mas, o fato de serem deveres instrumentais, não significa que a fonte pagadora esteja dispensada de fazer prova de todos eles no processo. Explico. Como dito, a lei exige que a fonte pagadora comprove ter assumido o ônus econômico do tributo que foi retido e recolhido indevidamente para poder pleitear sua repetição. Quais seriam, então, os deveres instrumentais necessários para tanto? A meu juízo, de acordo com a dicção do artigo 8º da IN RFB nº 900/2008, a interessada deve comprovar (i) a devolução do valor; (ii) o estorno na contabilidade; (iii) a retificação das declarações feitas à RFB; e (iv) a retificação dos demonstrativos entregues aos beneficiários. A norma administrativa também impõe ao beneficiário alguns deveres instrumentais, mas não consigo vislumbrar que haja a exigência de que a interessada comprove nos autos que um terceiro tenha cumprido deveres instrumentais que digam respeito tão somente àquela pessoa. Ora, exigir que a interessada traga aos autos a contabilidade de terceiro – que tem como regra o sigilo por força de norma legal – seria exigir prova impossível. Penso que o destinatário de parte dos deveres instrumentais enumerados pela instrução normativa seja o terceiro beneficiário, sob pena de aproveitar-se indevidamente e ficar sujeito ao procedimento de ofício. Compulsando os autos, vejo que a contribuinte logrou comprovar a devolução dos valores, o estorno na contabilidade e a retificação da DCTF. Mas, não logrou comprovar a Fl. 120DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-005.629 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13603.905664/2012-61 retificação dos comprovantes de retenção entregues aos beneficiários. Como dito, esta retificação integra a prova de que o ônus foi assumido pela interessada e, portanto, que o beneficiário não possui o crédito correspondente à retenção indevida. Vale lembrar que o comprovante de rendimentos é o documento hábil para que o beneficiário possa apurar seu imposto devido. Cito os artigos 942 e 943 do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 vigente na época dos fatos): Art.942.As pessoas jurídicas de direito público ou privado que efetuarem pagamento ou crédito de rendimentos relativos a serviços prestados por outras pessoas jurídicas e sujeitos à retenção do imposto na fonte deverão fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, §2º, e Lei nº 6.623, de 23 de março de 1979, art. 1º). Parágrafo único. O comprovante de que trata este artigo deverá ser fornecido ao beneficiário até o dia 31 de janeiro do ano-calendário subseqüente ao do pagamento (Lei nº 8.981, de 1995, art. 86). Art.943.A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942 (Decreto-Lei nº 2.124, de 1984, art. 3º, parágrafo único). §1º O beneficiário dos rendimentos de que trata este artigo é obrigado a instruir sua declaração com o mencionado documento (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, §1º). §2º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§1º e 2º do art. 7º, e no §1º do art. 8º (Lei nº 7.450, de 1985, art. 55). Portanto, concluo que a contribuinte não logrou fazer a prova necessária para conferir liquidez e certeza ao credito pleiteado, conforme exigência do artigo 170 do CTN. Desta forma, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira Fl. 121DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10880.927773/2010-19
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Jul 14 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 1001-000.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, para que esta intime a recorrente a apresentar as provas de que os valores glosados foram recebidos, líquidos das contribuições retidas, mediante a apresentação da escrita comercial, extratos bancários e/ou outros documentos se entender necessários. Deverá ser elaborado um relatório conclusivo sobre a existência (ou não) do direito ao crédito e que o contribuinte seja intimado, no prazo de 30 dias, a apresentar as considerações, adicionais que entender convenientes, conforme art. 35, § único, do Decreto nº 7.574/2011.
(documento assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Thiago Dayan da Luz Barros.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, para que esta intime a recorrente a apresentar as provas de que os valores glosados foram recebidos, líquidos das contribuições retidas, mediante a apresentação da escrita comercial, extratos bancários e/ou outros documentos se entender necessários. Deverá ser elaborado um relatório conclusivo sobre a existência (ou não) do direito ao crédito e que o contribuinte seja intimado, no prazo de 30 dias, a apresentar as considerações, adicionais que entender convenientes, conforme art. 35, § único, do Decreto nº 7.574/2011. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Presidente (documento assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Thiago Dayan da Luz Barros.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, para que esta intime a recorrente a apresentar as provas de que os valores glosados foram recebidos, líquidos das contribuições retidas, mediante a apresentação da escrita comercial, extratos bancários e/ou outros documentos se entender necessários. Deverá ser elaborado um relatório conclusivo sobre a existência (ou não) do direito ao crédito e que o contribuinte seja intimado, no prazo de 30 dias, a apresentar as considerações, adicionais que entender convenientes, conforme art. 35, § único, do Decreto nº 7.574/2011. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Presidente (documento assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Thiago Dayan da Luz Barros. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra o acórdão n° 10-62.674 da 1ª Turma da DRJ/POA que julgou procedente, em parte, a manifestação de inconformidade (MI), apresentada pela ora recorrente, contra o Despacho Decisório (fl.36) que homologou parcialmente a compensação, declarada no PER/DCOMP nº 30945.10779.060209.1.7.03-1239, face à não comprovação de retenções efetuadas na fonte. Segue a transcrição do relatório: A CSLL devida foi R$ 8.655,52 e o saldo negativo R$ 67.298,63, conforme a DIPJ. O saldo negativo reconhecido foi de R$ 35.823,55, conforme o despacho decisório. O contribuinte alega que, como é cediço, não lhe cabe o pagamento dos tributos retidos na fonte, mas dos tomadores de serviços, conforme o art. 30 da Lei nº 10.833, de 2003. RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 27 77 3/ 20 10 -1 9 Fl. 1843DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 1001-000.516 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.927773/2010-19 Alega que não concorda com a glosa, pois a compensação da CSLL foi efetuada regularmente, conforme comprovam as notas fiscais relativas aos serviços prestados, contendo o valor dos serviços, CSLL a ser retida e o valor líquido recebido. Foram anexados os documentos comprobatórios de folhas 69 a 1789. A DIPJ consigna no 2º trimestre de 2004 o montante de R$ 8.030.890,34 a título de receitas da prestação de serviços. O sistema da Receita Federal DW-DIRF registra o montante de R$58.810,10 a título de CSLL retida na fonte, correspondente a receitas tributáveis de R$ 5.881.047,81. O valor em litígio é R$ 30.998,46. A DRJ julgou procedente, em parte, a MI porque a ora recorrente não conseguiu comprovar as retenções sofridas, que a comprovação se dá através do comprovante anual de retenção no caso do IRPJ, art. 943, do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, no caso da CSLL, art.30, da Lei 10.833/2003 e que o contribuinte deve diligenciar as fontes pagadoras a emitirem o documento Afirma que aceita-se a DIRF como prova, desde que não haja fraude. Argumenta ainda que (com a devida vênia para transcrever): Embora o fato gerador do imposto de renda e da CSLL ocorra no momento da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou dos proventos de qualquer natureza, o fato gerador do IRRF é diferente, pois, logicamente, não pode existir retenção sem crédito ou pagamento do rendimento ou do serviço prestado. Nesse sentido é o disposto no art. 647 do RIR/99 ao estabelecer que estão sujeitas à incidência do imposto na fonte, à alíquota de um e meio por cento, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas, civis ou mercantis, pela prestação de serviços caracterizadamente de natureza profissional. Portanto, o momento de reconhecimento da receita e da retenção do imposto de renda na fonte não se confundem. Podem até coincidirem, nos casos de pagamento a vista, mas como regra a retenção do imposto ocorre em momento posterior, razão pela qual pode ocorrer casos de a DIPJ apontar a dedução de valores de IRRF sem a receita correspondente, pois já havia sido reconhecida em período de apuração anterior. Por isso, cópia das notas fiscais e os registros contábeis não correspondem à prova exigida pelo art. 943 do RIR/99. Em razão desses aspectos e da inexistência de prova do total dos valores retidos, ignorou-se o batimento efetuado pelo sistema de controle da RFB e procedeu-se um confronto entre os valores informados nas DIRFs pelas fontes pagadoras e as receitas declaradas na DIPJ pelo contribuinte, para fins de verificação da compatibilidade entre os valores retidos e as receitas declaradas. Nesse sentido, observa-se que a DIPJ consigna no 2º trimestre de 2004 o montante de R$ 8.030.890,34 a título de receitas da prestação de serviços. O sistema da Receita Federal DW-DIRF registra o montante de R$ 58.810,10 a título de CSLL retida na fonte, correspondente a receitas tributáveis de R$ 5.881.047,81. Observa-se que a receita declarada na DIPJ é superior ao valor da Receita constante nas DIRFs, essas declarações provam a retenção de CSLL no montante de R$58.810,10, valor este que deve compor o saldo negativo para fins de restituição. A CSLL devida foi de R$ 8.655,52, o que resulta em um saldo negativo de R$ 50.154,58. Como já foi reconhecido o direito creditório do valor de R$ 35.823,55, Fl. 1844DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 1001-000.516 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.927773/2010-19 resta ao contribuinte o montante de R$ 14.331,03.Com base nisso, reconheceu um crédito adicional de R$6.534,60. ... Da análise dos Comprovantes de Retenções apresentadas pelo contribuinte, somente o comprovante da folha 886 não constou as informações nas DIRFs. Assim, a importância de R$ 121,27, constante do referido comprovante, deve ser acrescida ao valor decorrente do batimento DIRF x DIPJ, perfazendo o montante de 14.452,30 passível de restituição. Cientificada em 05/12/2018 (fl. 1801), a recorrente apresentou o Recurso Voluntário (RV) em 12/12/2018 (fl. 1804). Em apertada síntese, em seu recurso, a recorrente entende que foram juntados documentos probatórios (fls. 69 a 1789) suficientes a fazer prova do seu direito. Alega que as fontes pagadoras são os sujeitos passivos obrigados ao recolhimento da CSLL e que não é aceitável a alegação de caberia a recorrente diligenciar embora tenha tentado. Isso porque, se por um lado os artigos 923 e 924, do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, determinarem que a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados, comprovados por documentos hábeis, e que cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados na contabilidade. Cita o Parecer Normativo COSIT nº 01/02 e jurisprudência administrativa para argumentar que descabe a alegação da DRJ no sentido de que cópia de notas fiscais e os registros contábeis não correspondem à prova exigida pelo art. 943 do RIR/99. Assim, não se pode exigir que o contribuinte que suportou as retenções deixe de compensá-las. Culmina requerente que: Diante de todos os argumentos apresentados, pleiteia a Recorrente seja conhecido e provido o presente Recurso Voluntário, de modo a ser reformado o r. acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre para que seja reconhecido o direito creditório referente ao saldo negativo de CSLL referente ao 2º trimestre de 2004, no valor de R$ 67.298,63, observado em sua composição o valor total da CSLL de R$ 79.954,15 e, consequentemente, sejam homologadas todas as compensações vinculadas ao crédito em debate. Por fim, se assim não entender esse D. Conselho, requer a Recorrente a conversão do julgamento em diligência através da qual poderão ser efetivamente comprovados os montantes acima apresentados. É o relatório. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva, Relator. Quanto aos argumentos trazidos em sede de RV, reporto que tem sido entendimento deste CARF de que a comprovação das retenções no fonte não se dá somente através dos comprovantes de retenção, assunto que, inclusive, já foi objeto da Súmula CARF 143 (vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018): Súmula CARF nº 143 Fl. 1845DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 1001-000.516 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.927773/2010-19 A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. No entanto, isto apenas não basta, já que a dedução só é admitida após a efetiva retenção efetuada pela fonte pagadora, o que foi objeto da Súmula CARF 80: Súmula CARF nº 80 Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. (grifei). Evidentemente, essas regras aplicam-se, também, à CSLL. De fato, o artigo 923, do RIR/99 dispõe sobre a aceitação da escrituração como prova e o art. 924, do mesmo diploma, trata sobre a prova da inveracidade. Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). Art. 924. Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior Com base na decisão da DRJ não se verifica ter havido a prova da inveracidade de fatos registrados na contabilidade da recorrente. Ao contrário, baseado na documentação acostada aos autos, parece-me que a recorrente envidou esforços na tentativa de obtenção dos comprovantes de retenção, tendo utilizado, para tanto, inclusive, os seus auditores. Entendo que as notas fiscais emitidas, os extratos bancários, provando o recebimento dos valores, líquido dos tributos e contribuições incidentes e/ou a escrita contábil (além do balancete anexado, à página 1832) que demonstre o registro das operações, na forma preconizada, fazem prova a favor do contribuinte em substituição ao comprovante de retenção. É fato que este CARF tem pautado as suas decisões levando em consideração o respeito aos princípios da verdade material e do formalismo moderado, os quais norteiam o processo administrativo fiscal. Por outro lado, o direito ao crédito, consoante o artigo 170, do CTN, está condicionado à prova da sua liquidez e certeza. Assim sendo, e com supedâneo no art. 18, do Decreto nº 70.235/72, entendo que a diligência é medida necessária para a confirmação das informações mencionadas. Portanto, proponho a conversão do julgamento em diligência à Unidade de Origem, para que esta intime a recorrente a apresentar as provas de que os valores glosados foram recebidos, líquidos das contribuições retidas, mediante a apresentação da escrita comercial e/ou extratos bancários e/ou outros documentos se entender necessários. Deverá ser elaborado um relatório conclusivo sobre a existência (ou não) do direito ao crédito e que o contribuinte seja intimado, no prazo de 30 dias, a apresentar as considerações, adicionais que entender convenientes, conforme art. 35, § único, do Decreto nº 7.574/2011. É como voto. Fl. 1846DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 da Resolução n.º 1001-000.516 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.927773/2010-19 (documento assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 1847DF CARF MF Documento nato-digital
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