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Numero do processo: 10803.000080/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RERRATIFICAÇÃO DO ACÓRDÃO.
As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão deverão ser corrigidos, mediante a prolação de um novo acórdão.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DECADÊNCIA. DIES A QUO.
Nos casos de lançamento por homologação, em que não ocorre a antecipação do pagamento do imposto, deve-se aplicar o Recurso Especial nº 973.733/SC c/c art. 543-C do CPC c/c art. 62 do RICARF, contando o dies a quo a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o inciso I do art. 173 do CTN.
Numero da decisão: 2201-003.077
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os Embargos, na forma dos arts. 67 e 76 do Decreto nº 7.574/2011, para, sanando o vício apontado, rerratificar o Acórdão nº 2201-002.615, de 02/12/2014, sem, contudo, modificar a decisão original de "rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso".
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 02/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa da Cruz e Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada).
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RERRATIFICAÇÃO DO ACÓRDÃO. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão deverão ser corrigidos, mediante a prolação de um novo acórdão. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DECADÊNCIA. DIES A QUO. Nos casos de lançamento por homologação, em que não ocorre a antecipação do pagamento do imposto, deve-se aplicar o Recurso Especial nº 973.733/SC c/c art. 543-C do CPC c/c art. 62 do RICARF, contando o dies a quo a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o inciso I do art. 173 do CTN.
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EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RERRATIFICAÇÃO DO ACÓRDÃO. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão deverão ser corrigidos, mediante a prolação de um novo acórdão. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DECADÊNCIA. DIES A QUO. Nos casos de lançamento por homologação, em que não ocorre a antecipação do pagamento do imposto, devese aplicar o Recurso Especial nº 973.733/SC c/c art. 543C do CPC c/c art. 62 do RICARF, contando o dies a quo a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o inciso I do art. 173 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os Embargos, na forma dos arts. 67 e 76 do Decreto nº 7.574/2011, para, sanando o vício apontado, rerratificar o Acórdão nº 2201002.615, de 02/12/2014, sem, contudo, modificar a decisão original de "rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso". Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 00 00 80 /2 01 0- 91 Fl. 484DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 EDITADO EM: 02/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa da Cruz e Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Relatório Tratase de Embargos de Declaração apresentado, tempestivamente, pelo Contribuinte contra o Acórdão nº 2201002.615, de 02/12/2014. Em seu apelo, alega o Embargante que o aresto proferido incorre em omissão/obscuridade/contradição, a saber: a Obscuridade e erro manifesto quanto à apreciação da decadência. b Omissão quanto à necessidade de autorização específica do Coordenador Geral de Fiscalização para emissão do MPF. c Omissão relativa à alegação de cerceamento do direito de defesa por não ter sido fornecido, juntamente com o Auto de Infração, a relação dos depósitos e extratos bancários que serviram de base para a autuação. d Omissão quanto à necessidade de cancelamento da exigência em face da incompetência do auditor que lavrou o auto de infração, uma vez que a autoridade administrativa competente para fiscalizar é aquela vinculada ao domicílio do contribuinte. e Omissão em relação às provas constantes dos autos, já que toda a movimentação bancária é proveniente da atividade comercial exercida por meio da empresa Stand By Agência de Viagens. No que tange aos itens "b", "c", "d" e "e", opostos com fundamento no art. 65 do RICARF, a presidente da 1ª Turma da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, conforme Despacho em Embargos de fls. 476/479, rejeitou os aclaratórios em razão da ausência dos vícios apontados. Relativamente ao item "a", qual seja, a data da contagem do lustro decadencial, constatouse a ocorrência de erro de escrita e, por essa razão, houve o acolhimento em parte os Embargos, conforme os arts. 67 e 76 do Decreto nº 7.574/2011, e a reinclusão do processo em pauta de julgamento, para correção do vício apontado. É o Relatório. Voto Os Embargos atendem os requisitos de admissibilidade. Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator Nos termos dos art. 66 c/c os arts. 67 e 76 do Decreto nº 7.574/2011, as inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na Fl. 485DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10803.000080/201091 Acórdão n.º 2201003.077 S2C2T1 Fl. 3 3 decisão deverão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, mediante a prolação de um novo acórdão: Art. 66. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão serão retificados pelo presidente de turma, mediante requerimento de conselheiro da turma, do Procurador da Fazenda Nacional, do titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou do recorrente. Por sua vez, os arts. 67 e 76 do Decreto nº 7.574/2011 dispõem: Art. 67. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão deverão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, mediante a prolação de um novo acórdão (Decreto no 70.235, de 1972, art. 32). (...) Art. 76. O acórdão de segunda instância deverá observar o disposto nos arts. 65, 66, 67 e 69. (grifei) Assim sendo, relativamente à arguição de decadência, o acórdão embargado assim se manifestou (fl. 448): Em relação à alegação de decadência mensal, referente à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, dispensável tecer maiores comentários, eis que o tema já foi pacificado pelo CARF, conforme se verifica da transcrição da Súmula nº 38: (...) Assim, não tem passagem o argumento da defesa de que ocorreu a decadência em razão da entrega da DIRPF/2005 em 30/04/2005, já que o fato gerador do IRPF, referente ao ano calendário de 2004, perfezse em 31 de dezembro daquele ano. Sendo assim, o dies a quo para a contagem do prazo de decadência iniciase em 01/01/2005 e, considerando o lapso temporal de cinco anos para que a Fazenda Pública exerça o direito de efetuar o lançamento, a data fatal completase em 31/12/2010. Assim, como a ciência ao Auto de Infração ocorreu em 15/12/2010, por via postal, conforme AR de fl. 278, o crédito tributário constituído pelo lançamento não havia ainda sido atingido pela decadência. (grifei) Compulsandose os autos, constatase a ocorrência de um equívoco quando foi consignada a data de início da contagem do prazo decadencial. No caso dos autos, como não houve antecipação do imposto de renda da pessoa física, conforme se extrai da DIRPF, fl. 03, o fato gerador do IRPF, referente ao anocalendário de 2004, perfezse em 31 de dezembro daquele ano. Nesse passo, o dies a quo para a contagem do prazo de decadência iniciase em 01/01/2006 e, considerando o lapso temporal de cinco anos para que a Fazenda Pública exerça o direito de efetuar o lançamento, a data fatal completase em 31/12/2010. Portanto, como a Fl. 486DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 ciência ao Auto de Infração ocorreu em 15/12/2010, por via postal, conforme AR de fl. 278, o crédito tributário constituído pelo lançamento não havia ainda sido atingido pela decadência. Pelo que se vê, houve de fato erro de escrita quanto ao início da contagem do prazo decadencial; entretanto tal lapso em nada afetou a conclusão do julgado, já que, efetivamente, o crédito tributário não havia ainda sido atingido pela decadência. Nessa conformidade, conforme determina os arts. 67 e 76 do Decreto nº 7.574/2011, devese efetuar a correção da data de início da contagem do prazo decadencial, consignando no voto condutor do Acórdão nº 2201002.615, proferido em 02/12/2014, o seguinte: (...) Assim, não tem passagem o argumento da defesa de que ocorreu a decadência em razão da entrega da DIRPF/2005 em 30/04/2005, já que o fato gerador do IRPF, referente ao ano calendário de 2004, perfezse em 31 de dezembro daquele ano. Sendo assim, o dies a quo para a contagem do prazo de decadência iniciase em 01/01/2006 e, considerando o lapso temporal de cinco anos para que a Fazenda Pública exerça o direito de efetuar o lançamento, a data fatal completase em 31/12/2010. Assim, como a ciência ao Auto de Infração ocorreu em 15/12/2010, por via postal, conforme AR de fl. 278, o crédito tributário constituído pelo lançamento não havia ainda sido atingido pela decadência. Em razão de todo o exposto, voto no sentido de acolher em parte os Embargos, na forma dos arts. 67 e 76 do Decreto nº 7.574/2011, para, sanando o vício apontado, rerratificar o Acórdão nº 2201002.615, de 02/12/2014, sem, contudo, modificar a decisão original de “rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso”. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 487DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 13819.722083/2014-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. DIRF. FONTE PAGADORA.
Não apresentando o recurso quaisquer razões para infirmar o teor das informações prestadas pela fonte pagadora em Dirf, deve ser mantida a infração de omissão de rendimentos baseada naquela declaração.
DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a título de pensão alimentícia em face das normas do direito de família, desde que comprovados o efetivo pagamento e a existência de sentença judicial ou acordo homologado judicialmente.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. GLOSA.
Restando sem comprovação o direito a compensar o IRRF declarado, é de se manter a glosa efetuada.
Numero da decisão: 2202-003.415
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a glosa de dedução de pensão alimentícia judicial, no valor de R$ 73.870,00. Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. DIRF. FONTE PAGADORA. Não apresentando o recurso quaisquer razões para infirmar o teor das informações prestadas pela fonte pagadora em Dirf, deve ser mantida a infração de omissão de rendimentos baseada naquela declaração. DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a título de pensão alimentícia em face das normas do direito de família, desde que comprovados o efetivo pagamento e a existência de sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. GLOSA. Restando sem comprovação o direito a compensar o IRRF declarado, é de se manter a glosa efetuada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a glosa de dedução de pensão alimentícia judicial, no valor de R$ 73.870,00. Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1898; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 136 1 135 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13819.722083/201422 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.415 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de maio de 2016 Matéria IRPF deduções Recorrente ALVARO DE AZEVEDO MARQUES JUNIOR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. DIRF. FONTE PAGADORA. Não apresentando o recurso quaisquer razões para infirmar o teor das informações prestadas pela fonte pagadora em Dirf, deve ser mantida a infração de omissão de rendimentos baseada naquela declaração. DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a título de pensão alimentícia em face das normas do direito de família, desde que comprovados o efetivo pagamento e a existência de sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. GLOSA. Restando sem comprovação o direito a compensar o IRRF declarado, é de se manter a glosa efetuada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a glosa de dedução de pensão alimentícia judicial, no valor de R$ 73.870,00. Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 20 83 /2 01 4- 22 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13819.722083/201422 Acórdão n.º 2202003.415 S2C2T2 Fl. 137 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório Reproduzo o relatório da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ). O presente processo trata de exigência constante de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física Exercício 2013, ano calendário 2012, na qual se apurou imposto suplementar no valor total de R$21.667,86. De acordo com a descrição dos fatos, foram apuradas as seguintes infrações (16/19): OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO E/OU SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO – R$3.257,12/IRRF R$181,77 Inclusão de R$3.257,12, de rendimentos recebidos da Procuradoria Geral do Estado, CNPJ nº71.584.883/000276, conforme DIRF da referida fonte pagadora. DEDUÇÃO INDEVIDA DE PREVIDÊNCIA OFICIAL – R$812,57 Glosa de R$812,57, tendo em vista que não foi informado pela fonte pagadora Organização Tecnica Contabil Cruzeiro S/S, CNPJ n÷ 59.124.784/000102, a retenção do INSS deduzido. DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL E/OU POR ESCRITURA PÚBLICA – R$73.870,00 Glosa de R$73.870,00, tendo em vista que não foi comprovado o efetivo pagamento da pensão alimentícia. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE – R$416,21 Glosa de R$416,21 tendo em vista que não foi informado pela fonte pagadora Felisberto & César Veículos Ltda, CNPJ Fl. 137DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13819.722083/201422 Acórdão n.º 2202003.415 S2C2T2 Fl. 138 3 nº03.427.491/000140 a retenção do imposto de renda na fonte objeto de glosa.7. Cientificado do lançamento em 01/07/2014, ingressou o contribuinte, em 25/07/2014, com a impugnação de fls. 02/11, instruída com documentos de fls. 12/65, onde apresenta as alegações a seguir sintetizadas. Concorda expressamente com a glosa da previdência oficial. Defende a dedutibilidade da pensão declarada e diz que, caso não tivesse pagado, poderia estar preso. Acrescenta que a beneficiária informou o valor recebido na Declaração de Ajuste entregue por ela. Indica a juntada dos comprovantes mensais de pagamento. No tocante à omissão de rendimentos, explica que os serviços jurídicos são feitos por diversos advogados, com amplos poderes para agir em nome dos clientes. Alega que precisaria saber qual o número do processo e a empresa envolvida para saber se efetivamente o valor foi levantado. Acrescenta que a fonte pagadora não emitiu o informe financeiro, não podendo o contribuinte, no seu entendimento, ser penalizado. Alega ainda que o fato de a Procuradoria informar o depósito não é garantia do valor ter sido levantado. Diz que, ausentes na autuação todos os dados relativos ao pagamento do rendimento, não resta comprovada a existência do fato vinculado na autuação e constitui cerceamento de defesa. Requer, assim, o sobrestamento da exigência, até que se obtenha os dados do pagamento, para que se apure o real devedor. Quanto ao IRRF, defende que não pode ser penalizado por omissões de terceiros. Indica a juntada de contrato de locação referente a imóvel de sua propriedade em condomínio, na proporção de 50%, bem como das guias de recolhimento do imposto. Aponta os valores recebidos e a parte que lhe cabia. Providenciouse no âmbito desta instância de julgamento a juntada de cópia do inteiro teor do acordo de separação homologado judicialmente, apresentado pelo contribuinte no curso da ação fiscal (fls.76/108). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) julgou improcedente a impugnação, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Incabível para fins de dedução do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física a pensão alimentícia fixada em decisão judicial ou Fl. 138DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13819.722083/201422 Acórdão n.º 2202003.415 S2C2T2 Fl. 139 4 acordo homologado judicialmente, quando não comprovados, por meio de documentação hábil, os efetivos pagamentos. IRRF. Restando sem comprovação o direito a compensar o IRRF declarado, é de se manter o lançamento efetuado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Os rendimentos tributáveis sujeitos à tabela progressiva recebidos pelos contribuintes e seus dependentes indicados na declaração de ajuste devem ser espontaneamente oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual. Na hipótese de apuração pelo Fisco de omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, cabe a adição do valor omitido à base de cálculo do imposto, com a multa de ofício ou ajuste do valor do IRPF a Restituir declarado. Cientificado dessa decisão em 03/03/2015, por via postal (A.R. de fl. 117), o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 1º/04/2014 (fls. 119 a 130), no qual combate a decisão da DRJ, em síntese, com os mesmos argumentos da impugnação, não tendo acrescentado nenhum documento. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. O presente recurso resumese à controvérsia acerca das seguintes infrações: OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO E/OU SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO – R$3.257,12; DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL E/OU POR ESCRITURA PÚBLICA – R$73.870,00; COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE – R$416,21. Em relação à DEDUÇÃO INDEVIDA DE PREVIDÊNCIA OFICIAL – R$812,57 , o contribuinte concordou expressamente com a infração por ocasião da sua impugnação, razão pela qual essa matéria foi excluída do litígio na primeira instância. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO E/OU SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO – R$3.257,12 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13819.722083/201422 Acórdão n.º 2202003.415 S2C2T2 Fl. 140 5 A Autuação teve por base as informações prestadas pela fonte pagadora (Procuradoria do Geral do Estado) por meio de DIRF Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte e o Contribuinte não contestou expressamente o recebimento desses rendimentos, tendo se limitado a fazer alegações, tais como a necessidade de identificar a que processos se referem, a ausência de informe de rendimentos prestado pela fonte pagadora e a atuação conjunta com outros advogados. Considerando as informações prestadas em DIRF pela fonte pagadora e não havendo nenhum indício de erro ou inconsistência nessas informações, além de o recurso não ter trazido nenhum dado concreto para ilidir as conclusões da autoridade lançadora, entendo que deve ser mantida a autuação de omissão de rendimentos. DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL E/OU POR ESCRITURA PÚBLICA – R$73.870,00 A Fiscalização glosou integralmente o valor deduzido a título de pensão alimentícia judicial, no montante de R$ 73.870,00 por falta de comprovação do efetivo pagamento. Com relação ao tema, assim dispõe o art. 4º da Lei nº 9.250, de 1995: Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: I a soma dos valores referidos no art. 6º da Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990; II – as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) O Recorrente anexou em sua impugnação cópia de parte dos autos de seu divórcio de Darci Teresinha Marques (fls. 25 a 37), no qual foi determinado o pagamento a título de pensão alimentícia de 10 (dez) salários mínimos mensais, mediante depósitos na contacorrente da alimentanda. Apresentou também cópias de recibos emitidos pela beneficiária da pensão (fls. 39 a 44), listando pagamentos diversos feitos por ele (condomínio, telefone celular, conta de gás etc) e o complemento pago em dinheiro. Verificase que no mês 01/2012 o recibo foi no valor de R$ 5.450,00 e nos demais meses (02/2012 a 12/2012) no valor de R$ 6.220,00 cada um. O valor do salário mínimo vigente ao longo do ano de 2012 era de R$ 622,00 e no ano de 2011 era de R$ 545,00. Assim, concluise que o valor pago em 01/2012 era correspondente a 10 vezes o salário mínimo vigente no mês anterior (12/2011) e os valores pagos de 02/2012 a 12/2012 equivaliam a exatamente 10 salários mínimos da época. O total dos recibos coincide com o valor deduzido a título de pensão alimentícia no anocalendário 2012, ou seja, R$ 73.870,00. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13819.722083/201422 Acórdão n.º 2202003.415 S2C2T2 Fl. 141 6 Embora o acordo homologado judicialmente determine que os pagamentos sejam efetuados na conta corrente da alimentante, entendo que tendo ela concordado em receber de outra forma e emitido os recibos de quitação, não cabe à autoridade fiscal exigir os depósitos bancários. Os valores recebidos, constantes dos recibos de quitação, correspondem aos valores acordados judicialmente, não havendo razão para se supor que tenham sido emitidos de forma graciosa. Dessa forma, pela análise das provas apresentadas, concluo pela possibilidade de dedução de R$ 73.870,00, a título de pensão alimentícia judicial, devendo ser afastada a glosa feita pela Fiscalização. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE – R$416,21 Visando comprovar a compensação do IRRF declarado, o Contribuinte anexou informe de rendimentos fornecido pela fonte pagadora Felisberto e Cesar Veículos Ltda. (fl. 23), no qual consta o valor retido na fonte de R$ 416,21, DARFs recolhidos no código 3208 pela empresa (fls. 46 a 49) e parte de contrato de aluguel (fls. 50 a 56). Na decisão recorrida foram apontados os seguintes pontos, os quais o Recorrente não logrou refutar: a) pela análise da parte do contrato apresentada, não é possível identificar qual o imóvel locado e tampouco o valor do aluguel acordado, não tendo o Contribuinte apresentado qualquer escritura de imóvel; b) a empresa locatária está localizada em imóvel que, na partilha de bens, coube a sua exmulher (fls. 82 e 104); c) os recolhimentos não foram efetuados em nome do Contribuinte e a fonte pagadora não apresentou DIRF. Acrescento ainda que a declaração em nome da empresa (fl. 45) é assinada por José Rubens de Azevedo Marques, que não se sabe se representa a empresa e possui sobrenome igual ao do Contribuinte. Pelas razões expostas, entendo que deve ser mantida a glosa da compensação no valor de R$ 461,21. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário, para afastar a glosa de dedução de pensão alimentícia judicial, no valor de R$ 73.870,00. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 141DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13819.722083/201422 Acórdão n.º 2202003.415 S2C2T2 Fl. 142 7 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000446/2007-47
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 21/04/2003 a 30/11/2003
CRÉDITO PRÊMIO. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DE UM ESTABELECIMENTO PARA OUTRO. IMPOSSIBILIDADE.
O fato gerador do IPI é a saída do produto industrializado de quaisquer dos estabelecimentos da empresa industrial, os quais são considerados contribuintes autônomos, inexistindo na legislação de regência vigente à época dos fatos controvertido autorização à transferência de saldo credor entre contribuintes do imposto.
Recurso Especial da PGFN provido.
Numero da decisão: 9303-003.398
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 21/04/2003 a 30/11/2003 CRÉDITO PRÊMIO. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DE UM ESTABELECIMENTO PARA OUTRO. IMPOSSIBILIDADE. O fato gerador do IPI é a saída do produto industrializado de quaisquer dos estabelecimentos da empresa industrial, os quais são considerados contribuintes autônomos, inexistindo na legislação de regência vigente à época dos fatos controvertido autorização à transferência de saldo credor entre contribuintes do imposto. Recurso Especial da PGFN provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 04 46 /2 00 7- 47 Fl. 322DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 16095.000446/200747 Acórdão n.º 9303003.398 CSRFT3 Fl. 323 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em face de decisão da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, que dera provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à utilização do crédito prêmio de IPI por estabelecimento diverso da matriz. Por bem demonstrar os fatos controvertidos neste processo, reproduzo o relatório elaborado pelo relator do acórdão recorrido: Cuidase de recurso em face do acórdão n° 1424.866, da 2ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto (fls. 198/203), sintetizado na seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 21/04/2003 a 30/11/2003 GLOSA DE CRÉDITO. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITO.AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS O IPI é regido pelo principio da autonomia dos estabelecimentos, e por conseqüência, salvo previsão legal em contrário, não é admitida a transferência de créditos do estabelecimento matriz para o estabelecimento filial de uma mesma empresa. Lançamento Procedente." Em razão da clareza e objetividade adoto ainda o relatório da DRJ/Ribeirão PretoSP (fls. 199/200) nos seguintes termos: "Tratase de Auto de Infração lavrado em decorrência de ação fiscal direta empreendida no estabelecimento industrial em referência, na qual se verificou a seguinte infração: o estabelecimento fiscalizado deixou de recolher ou recolheu a menor o imposto devido, por ter se utilizado indevidamente de créditos prêmio do IPI. Conforme o termo de verificação de infração, o estabelecimento matriz do contribuinte, na Ação Declaratória n° 95.00.106752/RS obteve, no mérito, o direito de apropriarse, contabilmente, dos créditosprêmio do IPI, que seriam aproveitáveis entre 06/06/90 e 30/09/90, com correção monetária consoante sentença proferida pelo juízo de 1ª instância. Face a este direito reconhecido em juízo, o estabelecimento matriz procedeu às transferências de saldos de créditoprêmio de IPI para o estabelecimento fiscalizado mediante a emissão de notas fiscais, tomando como base legal a IN SRF n° 021, de 10/03/1997, que já estava revogada pela IN 210, de 30/09/2002, e Decreto 64.833/69 que à época das transferências dos créditos do imposto já se encontrava revogado, pelo artigo 4° do Decreto sem número de 20/04/1991. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 16095.000446/200747 Acórdão n.º 9303003.398 CSRFT3 Fl. 324 3 Entendeuse, desta forma, que o estabelecimento fiscalizado deixou de recolher o IPI por ter se utilizado indevidamente dos créditos em referência. Inconformada, a empresa autuada, por meio de representante legal devidamente habilitado nos autos (fls. 145), apresentou peça impugnatória, na qual requer a improcedência do Auto de Infração, argüindo, em síntese, o que segue: • Não houve qualquer vedação judicial à transferência do crédito, o qual foi utilizado para compensar créditos de IPI, sem qualquer infração à legislação vigente, pois, em 1995, a impugnante impetrou ação ordinária n° 95.00106752 visando obter a declaração judicial contra a União Federal a fim de que se aceitasse o registro dos créditos do IPI gerados por decorrência dos benefícios fiscais concedidos pelo Decreto Lei n° 491/68, do período de 01/01/90 a 31/09/90, em face das exportações realizadas, para efeito de abatimento com débitos do IPI. • Nem a União Federal, nem a sentença ou o acórdão apresentaram ao longo da discussão qualquer restrição ou limite a utilização do crédito pela impugnante. • A multa aplicada só tem lugar nos casos em que o contribuinte prestar declaração inexata a fim de pagar menos imposto ou contribuição federal. Não é o caso da impugnante que informou e extinguiu o referido crédito tributário por compensação. A multa lançada, se devida fosse, ficaria adstrita á. multa aplicável ao atraso no pagamento de tributos declarados. O comportamento adotado pelo impugnante não tipifica hipótese do artigo 45 da Lei 9.430/96; • Para corroborar o entendimento de que não há qualquer limite a utilização do crédito de IPI, citou julgados tanto do conselho como jurisprudenciais. Cientificada em 29/09/2009 (AR — fl. 210), a interessada apresentou o recurso voluntário de fls. 211/228, em 06/10/2009, reiterando as razões constantes de sua manifestação de inconformidade, destacando que o "CRÉDITO PREMIO DO IPI é um beneficio fiscal obtido pela empresa e não pela estabelecimento (filial ou matriz). Assim a transferência realizada e devidamente comunicada à fiscalização atendeu claramente aos preceitos do crédito, que não pode ser tido como patrimônio de determinado estabelecimento empresarial, mas sim do ente jurídico, no caso a recorrente." A decisão da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF restou ementada da seguinte forma: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 21/04/2003 a 30/11/2003 Fl. 324DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 16095.000446/200747 Acórdão n.º 9303003.398 CSRFT3 Fl. 325 4 OPÇÃO PELA DISCUSSÃO DO ASSUNTO JUNTO AO PODER JUDICIÁRIO. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". (Súmula CARF N° 1). CRÉDITOPRÊMIO DE IPI. DECISÃO JUDICIAL COM TRÂNSITO EM JULGADO. APROVEITAMENTO DO CRÉDITO POR ESTABELECIMENTO FILIAL. POSSIBILIDADE. Uma vez que a decisão judicial não restringiu a utilização do crédito apenas ao estabelecimento matriz, não pode a Administração restringir sua utilização pelo estabelecimento filial, visto não tratarse de pessoa jurídica diversa daquelas a quem o estímulo fiscal é direcionado. Recurso Conhecido em Parte, e, na parte conhecida dado Provimento. Cientificada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de divergência, recurso esse admitido pelo Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, e suscitou a divergência em relação à impossibilidade de transferência de crédito prêmio do IPI entre estabelecimentos da mesma empresa. Cientificado, o contribuinte apresentou contrarrazões e, reportandose a decisões do CARF e do Poder Judiciário, reafirmou o direito à transferência do crédito prêmio de IPI entre estabelecimentos da mesma empresa, dada a ausência de previsão legal vedando esse procedimento. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Conforme acima relatado, a controvérsia se restringe ao direito ou não de transferência do crédito prêmio de IPI, assegurado judicialmente, entre estabelecimentos da mesma empresa. Alega a Fazenda Nacional que, além da divergência jurisprudencial demonstrada, a decisão recorrida está em contrariedade com o art. 153, § 3º, inciso II da CRFB/88 e com o princípio da autonomia dos estabelecimentos (artigos 46 e 51 do CTN, artigos 291 e 487 do RIPI/98). Fl. 325DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 16095.000446/200747 Acórdão n.º 9303003.398 CSRFT3 Fl. 326 5 Em suas contrarrazões, o contribuinte se reporta a decisões do extinto Segundo Conselho de Contribuintes e do Poder Judiciário, sendo que o teor de tais decisões em nada favorece a tese por ele defendida. Conforme se verifica da ementa do acórdão nº 20179.560, de 24 de agosto de 2006, a Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes decidiu por negar provimento ao recurso voluntário, considerando que a transferência do crédito prêmio de IPI entre estabelecimentos da mesma empresa restou prejudicada em face da revogação do Decreto nº 64.833, de 1969. A decisão em que se admitiu a transferência do crédito entre empresa cindenda e empresa cindida não favorece a defesa do contribuinte, pois não se trata da mesma situação fática destes autos, em que se discute acerca da transferência de crédito entre estabelecimentos da mesma empresa. Da mesma forma, no âmbito do Poder Judiciário, as decisões colacionadas pelo contribuinte também não aptas a demonstrar o direito à transferência de crédito prêmio entre estabelecimentos da mesma empresa, pois ali se decidiu acerca da impossibilidade de transferência do crédito a outras pessoas jurídicas, não se referindo a estabelecimentos de uma mesma empresa. Notese que no processo judicial nº 2005.71.00.0325006/RS, referenciado pelo contribuinte às fls. 310 a 311, assegurouse o direito à fruição do crédito prêmio por meio da escrituração na conta de apuração do IPI ou por meio de pagamento em espécie, nada dizendo sobre a controvérsia destes autos. Como bem observara a Fiscalização, o art. 3º, § 2º, alínea “b”, itens I e II, do Decreto n.º 64.833, de 19691, que regulamentou o Decretolei n.º 491, de 1969, previa a transferência do excedente do crédito prêmio em duas hipóteses: (i) para estabelecimento industrial, ou equiparado, da mesma empresa ou (ii) para estabelecimento industrial, ou equiparado, de empresa interdependente. Contudo, referido dispositivo foi expressamente revogado pelo art. 4º do Decreto s/n.º, de 25 de abril de 1991 (DOU de 26/04/91, pág. 7.711 e segs.), de modo que, desde então, a possibilidade de transferência ficou prejudicada. Ainda que o crédito prêmio autorizado judicialmente se refira a período de apuração ocorrido no ano de 1990, a controvérsia dos autos se refere à sua transferência, esta ocorrida em 2003, devendo ser aplicada a legislação então vigente. 1 Art. 3º Os créditos tributários previstos no art. 1º dêste Decreto somente poderão ser lançados na escrita fiscal à vista de documentação que comprove a exportação efetiva da mercadoria, atendidas as normas baixadas pelo Ministério da Fazenda. § 1º Os créditos tributários serão deduzidos do valor do impôsto sôbre produtos industrializados devido nas operações do mercado interno. § 2º Feita a dedução e havendo excedente de crédito, poderá o estabelecimento industrial exportador; a) manter o crédito excedente para compensações parciais e sucessivas, inclusive transferílo, total ou parcialmente, para os exercícios seguintes: b) transferílo, mediante prévia comunicação por escrito ao órgão da Secretaria da Receita Federal a que estiver jurisdicionado para a escrita fiscal: I de outro estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, da mesma emprêsa; II de estabelecimento industrial ou equiparado a industrial com o qual mantenha relação de interdependência, atendida a conceituação do artigo 21, § 7º, do Decreto número 61.514, de 12 de outubro de 1967. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 16095.000446/200747 Acórdão n.º 9303003.398 CSRFT3 Fl. 327 6 Além disso, desde 8 de abril de 1981, com a edição da Portaria MF nº 892, ficou expressamente vedada a escrituração em livros previstos na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados, do crédito prêmio de IPI, fato esse que prejudica ainda mais a transferência pretendida pelo contribuinte. Ressaltese, ainda, que a questão relativa à possibilidade de se transferir crédito prêmio entre estabelecimentos da mesma empresa não foi objeto de análise na decisão judicial em que se ampara o contribuinte. Nesse contexto, deve prevalecer o entendimento da Fazenda Nacional, em razão do quê voto por DAR PROVIMENTO ao seu recurso especial, no sentido de vedar a transferência de crédito prêmio para outros estabelecimentos da empresa. É como voto. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator 2 Portaria MF 292/81: (...) I – O valor do benefício de que trata o artigo 1º, do Decretolei nº 491, de 5 de março de 1969, será creditado a favor da empresa em cujo nome se processar a exportação, em estabelecimento bancário. (...) I.2 – Fica vedada a escrituração do benefício fiscal a que se refere este item em livros previstos na legislação do Imposto Sobre Produtos Industrializados. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO
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Numero do processo: 13706.005653/2008-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
DIRPF. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO.COMPROVAÇÃO.
Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, hospitais e planos de saúde, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), relativos ao próprio contribuinte e a seus dependentes.
Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º).
LIMITES DA LIDE. IMPUGNAÇÃO. RECURSO. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO CONTESTADA.
A teor do artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer a dedução de despesas médicas, no valor de R$ 12.886,03, no exercício de 2007.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocada), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO.COMPROVAÇÃO. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, hospitais e planos de saúde, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), relativos ao próprio contribuinte e a seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). LIMITES DA LIDE. IMPUGNAÇÃO. RECURSO. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. A teor do artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer a dedução de despesas médicas, no valor de R$ 12.886,03, no exercício de 2007. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 56 53 /2 00 8- 45 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13706.005653/200845 Acórdão n.º 2202003.315 S2C2T2 Fl. 107 2 Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocada), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório, em parte, as disposições constantes do relatório e voto elaborados pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ), fl. 83 e ss., que bem delimitam a lide e descrevem os fatos, complementandoos ao final: Tratase de impugnação apresentada pela interessada contra a Notificação de Lançamento de fls. 8/13, resultante de alterações na Declaração de Ajuste Anual, exercício de 2007, ano calendário de 2006, que implicou apuração de imposto suplementar, no valor de R$ 12.235,75, sujeito à multa de ofício (75%) e juros legais, em face da constatação das seguintes infrações: a) Dedução Indevida de Despesas Médicas, no valor tributável de R$ 43.398,67; b) Omissão de Rendimentos de Aluguéis Recebidos de Pessoa Física Dimob, no valor tributável de R$ 1.094,97. O lançamento decorreu do não atendimento à intimação. 2. Cientificada em 18/07/2008 (fls. 61), a interessada apresentou impugnação (fls. 3/6), recepcionada na unidade local da RFB 30/07/2008, contestando parte do lançamento. 3. Com base no disposto no art. 6ºA da IN RFB nº 958, de 2009, com redação dada pela IN RFB nº 1.061, de 2010, o lançamento foi submetido à revisão de ofício pela autoridade lançadora, conforme Termo Circunstanciado e Despacho Decisório de fls. 69/72, que reduziu o imposto suplementar para o valor principal de R$ 4.793,51. Cientificada, a interessada manifestouse às fls. 77/78, bem como juntou o documento de fls. 80. (...) Em face da revisão de ofício operada pela autoridade lançadora, a lide ficou restrita à glosa das seguintes despesas médicas: R$ 3.450,00, relativa ao prestador Marcos Antonio Ruela, por falta de comprovação; e R$ 12.886,03, relativa à UNIMED, por falta de discriminação dos beneficiários no comprovante apresentado.(sublinhei) Fl. 107DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13706.005653/200845 Acórdão n.º 2202003.315 S2C2T2 Fl. 108 3 (...) Quanto à glosa de R$ 12.886,00, pertinente à Unimed, a autoridade lançadora justificou esse lançamento pelo fato de que o comprovante apresentado, às fls. 54, não indicava o beneficiário do plano de saúde. Por oportuno, observese, ainda, que a parcela impugnada dessa infração foi de apenas R$ 2.886,06, conforme discriminado pela interessada em relação anexa à impugnação, às fls. 6. A defesa manifestouse, em face do Despacho Decisório, afirmando tratarse de despesa da própria, e juntando documento (fls. 80) contendo exatamente as mesmas informações aprestadas originalmente, que indica a interessada como usuária do plano de saúde. Com efeito, os comprovantes oferecidos pela interessada não afastam a possibilidade da existência de outros dependentes vinculados ao plano de saúde.(...) Falando ainda de inconsistências em relação à despesa com o profissional Marcos Antônio Ruela, a DRJ decidiu por considerar "improcedente a impugnação apresentada". A ciência dessa decisão deuse em 13/08/2013, conforme AR na folha 93, e o recurso voluntário foi apresentado em 03/09/2013, com protocolo na folha 96. Em sede de recurso, discutese exclusivamente a questão da dedutibilidade do plano de saúde Unimed, anexandose documento (fl. 101/102) com a finalidade de ter reconhecida essa dedução. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. Primeiro, necessário delimitar a lide que chega a esta instância recursal, dentro das normas do processo administrativo fiscal e considerando a revisão de ofício que fora realizada pela Autoridade Fiscal e as disposições contidas no Acórdão recorrido e no recurso. Autuada por duas infrações, dedução indevida de despesas médicas e omissão de rendimentos de aluguéis recebidos, a contribuinte questionou apenas a primeira. Efetuada revisão de ofício no lançamento (fl. 69 a 71) restou a glosa de R$ 16.336,00, atinente a R$ 3.450,00, relativa ao prestador Marcos Antonio Ruela, por falta de comprovação; e R$ 12.886,03, relativa à UNIMED, por falta de discriminação dos beneficiários no comprovante apresentado, como limitou a DRJ e foi destacado neste relatório. Cientificada das disposições do Julgamento de 1ª instância, o recurso manifestase expressamente apenas em relação à Unimed e, portanto, é só essa dedução com o plano de saúde que nos cabe aqui analisar. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13706.005653/200845 Acórdão n.º 2202003.315 S2C2T2 Fl. 109 4 Conforme documentos acostados aos autos e resumidos pela Autoridade Fiscal, na folha 69, "A impugnante é portadora de doença neurológica grave, degenerativa e rara, para tanto, terapias físicas e médicas são imprescindíveis (laudos anexos)". A contribuinte já havia apresentado um comprovante de pagamentos de valores à Unimed no ano de 2006, no total de R$ 12.886,03, com cópia na folha 80. O motivo apresentado pela DRJ para não acatálo foi a falta de discriminação dos beneficiários do plano, uma vez que "os comprovantes oferecidos pela interessada não afastam a possibilidade da existência de outros dependentes vinculados ao plano de saúde..." Após as indicações da DRJ, juntamente com seu recurso, o (a) Recorrente apresenta novos documentos que merecem ser considerados, haja vista o disposto na alínea "c", § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, bem como em observância ao princípio da verdade material. No documento anexado na folha 102, está especificado que o beneficiário do plano de saúde é Evelyn Judith Kirsten e que o contrato é "individual". Assim, é possível concluir que o valor discriminado na folha 101 pago pela recorrente referese apenas a plano de saúde pago por ela em seu benefício próprio. Dessa feita, VOTO por dar provimento ao recurso para restabelecer a dedução com o plano de saúde Unimed, no valor de R$ 12.886,03, no exercício de 2007. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 109DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10120.723638/2014-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3402-000.785
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência a fim de que se aguarde o desfecho do processo de IRPJ/CSLL com o qual este processo é conexo.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência a fim de que se aguarde o desfecho do processo de IRPJ/CSLL com o qual este processo é conexo. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência a fim de que se aguarde o desfecho do processo de IRPJ/CSLL com o qual este processo é conexo. Antonio Carlos Atulim Presidente. Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Trata o presente processo de Autos de Infração à legislação da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), constantes de fls. 02/32, formalizados no âmbito da DRF Goiânia, referentes aos anoscalendário de 2010 a 2012, constituindo crédito tributário no valor total de R$ 53.859.482,88 (demonstrativo consolidado de fl. 02), aí incluídos, principal, multa de ofício de 150% e juros de mora, estes últimos calculados até junho de 2014, com imputação de responsabilidade tributária a pessoas físicas (fls. 05/06 e 20/21). Exigências de Imposto sobre a Renda da pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativas aos períodos de 2009 a 2012, foram formalizadas no processo 10120.723637/201479. Os lançamentos de PIS e COFINS RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .7 23 63 8/ 20 14 -1 3 Fl. 3234DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 5/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10120.723638/201413 Resolução nº 3402000.785 S3C4T2 Fl. 3 2 objeto do presente processo decorrem dos mesmos fatos que ensejaram lançamento de IRPJ e CSLL. Em 24/07/2014 foi protocolizada impugnação de fls. 1506/1.552, acompanhada dos documentos de fls. 1.553/2.620, em nome da pessoa jurídica Novo Mundo Móveis e Utilidades Ltda e das pessoas físicas Carlos Luciano Martins Ribeiro e Agenor Braga e Silva Filho, subscrita por seus advogados (instrumentos de procuração às fls. 1.554/1.565). A DRJ/Ribeirão Preto deu provimento parcial à impugnação em acórdão ementado nos seguintes termos, que bem resumem os pontos da lide: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2010, 2011, 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA Não se cogita cerceamento de defesa se todos os interessados foram regularmente cientificados dos autos de infração e deles se defenderam apresentando impugnação em que demonstram ter pleno conhecimento dos fatos imputados pela Fiscalização. QUEBRA DE SIGILO FISCAL. INEXISTÊNCIA. A autoridade fiscal está autorizada a requerer informações necessárias à apuração de tributos de todas as pessoas jurídicas e físicas ligadas ao fato investigado e a utilização dessas informações para demonstrar e comprovar as infrações imputadas autuada, não caracteriza quebra de sigilo fiscal, sobretudo se referentes a empresas do mesmo grupo, com administração e/ou sócios em comum. IMPUGNAÇÃO. PROVAS. A impugnação deve ser acompanhada das provas que possuir. DILIGÊNCIA. É incabível a realização de diligência em se tratando de matéria passível de prova documental a ser apresentada no momento da impugnação, bem como quando não atendidos os requisitos para a sua formulação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010, 2011, 2012 FRAGMENTAÇÃO DE RECEITAS. CONCENTRAÇÃO DOS RESPECTIVOS CUSTOS. ALEGAÇÃO DE PRÓPOSITO NEGOCIAL. Alegações no sentido de existência de propósito negocial, razões de ordem comercial e administrativa e de direito à livre iniciativa, não são hábeis a afastar a autuação por omissão de receitas se não afastada a constatação fiscal de que, apesar de concentrar todos os custos e a quase totalidade das despesas, a autuada (optante pelo lucro real e tributadas, quanto a PIS e Cofins, pela sistemática de não cumulatividade) transferiu para outras empresas do mesmo grupo Fl. 3235DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 5/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10120.723638/201413 Resolução nº 3402000.785 S3C4T2 Fl. 4 3 (tributadas pelo lucro presumido e sujeitas, na apuração de PIS e Cofins, à sistemática cumulativa) quase toda receita de serviços, receitas essas que, posteriormente, retornam à sua efetiva detentora a título de mútuos que não são pagos, mas são baixados em contrapartida de distribuição de lucros. LANÇAMENTO ANTERIOR. PENDÊNCIA DE DECISÃO DEFINITIVA. INEXISTÊNCIA DE IMPEDIMENTO PARA OUTRO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO. Lançamentos de PIS e a COFINS que decorrem apenas da constatação de omissão de receitas da base tributável em nada são afetados por lançamentos anteriores de IRPJ e seus reflexos de CSLL, PIS e COFINS, motivados por fatos distintos e nos quais, para os períodos aqui autuados, não houve glosa de créditos compensáveis da sistemática da nãocumulatividade. RETENÇÕES NA FONTE. COFINS. PIS. A utilização de retenções na fonte como dedução dos valores lançados requer a comprovação da ocorrência da retenção (por meio da apresentação dos respectivos comprovantes emitidos pelas fontes pagadoras o que pode ser suprido pela confirmação em DIRF) e da inclusão dos correspondentes rendimentos na base tributável. Admitemse, como dedução das contribuições apuradas como devidas, as respectivas retenções confirmadas em DIRF nos períodos autuados e cujos rendimentos foram incluídos na autuação. RECONSTITUIÇÃO DO RESULTADO. APURAÇÃO UNIFICADA. A reconstituição de resultado da autuada (revendedora de mercadorias), bem como da base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins, motivada pela constatação de que, apesar de concentrar os dispêndios, as receitas por eles propiciadas foram transferidas para outras empresas do grupo (prestadoras de serviços), não constitui apuração unificada, mas reflete observância do Princípio da Entidade. A pretensão de que a reconstituição do resultado efetuada na autuação contemplasse outra empresa do grupo, sob alegação de mesmo objeto social (revenda de mercadorias com atuação em outra área geográfica), mas para a qual não verificada transferência de receitas da autuada, não encontra amparo na legislação comercial e fiscal. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. Sendo o lançamento de Contribuição ao PIS decorrente dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento de COFINS, adotase igual orientação decisória. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. IMPUTAÇÃO DE FRAUDE. Fl. 3236DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 5/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10120.723638/201413 Resolução nº 3402000.785 S3C4T2 Fl. 5 4 Não afastadas as constatações fiscais que ensejaram imputação de intuito de fraude, não há como afastar a multa aplicada no percentual de 150% RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei, os diretores, gerentes e representantes da pessoa jurídica. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Diante do resultado, foi apresentado Recurso Voluntário do Contribuinte, repisando as razões de sua impugnação. Além disso, recorreuse de ofício ao CARF, na forma do art. 34, inciso I, do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/97, incorporado pelo Decreto nº 7.574, de 2011, e Portaria do Ministro da Fazenda nº 3, de 03 de janeiro de 2008. É o relatório, em suma. VOTO O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Por ultrapassar o limite de alçada, conhecese também do Recurso de Ofício. No caso em tela, os Auditores Fiscais procederam a fiscalização do cumprimento das obrigações tributárias atinentes ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL), com relação à verificação de indícios de fragmentação de empresas para a redução indevida da tributação, nos anos calendários de 2009 a 2012. No termo de verificação fiscal, aduziu o auditor que: 175. Conforme verificado nos registros contábeis, com balancete anual das despesas anexado neste processo, as despesas operacionais das empresas auxiliares são basicamente: 1) As despesas com pessoal, sendo que houve transferência de funcionários entre as empresas; 2) Despesas com manutenção de três salas comerciais; 3) Despesas com Consultoria Fiscal, Jurídica e Administrativa das empresas Satélites, serviços contratados que seriam os mesmos constantes do objeto social das empresas criadas pela fragmentação. 176. As outras despesas, incluindo todas as despesas de vendas, e todos os custos foram contabilizadas na empresa Novo Mundo Móveis e Utilidades Ltda. 177. A fiscalizada declarou o PIS/COFINS pelo regime da não cumulatividade, contabilizando e descontando todos os créditos de PIS/COFINS permitidos pela legislação destas contribuições. Fl. 3237DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 5/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10120.723638/201413 Resolução nº 3402000.785 S3C4T2 Fl. 6 5 178. As empresas criadas pela fragmentação, declararam o PIS/COFINS pelo regime cumulativo, com alíquota menor do que o regime da nãocumulatividade sem ter contabilizado nenhum crédito permitido neste regime. 179. Assim foram produzidas as planilhas de apuração do PIS/COFINS, anexadas no Termo de Verificação Fiscal, nomeada de APURAÇÃO DO PIS COFINS IRPJ e CSLL NOVO MUNDO 2010 a 2012, anexadas neste processo, somando a Receita de Comissões, lançada no Auto de Infração, com as Outras Receitas da fiscalizada, descontando o total de créditos, os pagamentos ocorridos na fiscalizada e nas empresas auxiliares, e chegando ao valor devido na autuação fiscal. O Acórdão recorrido asseverou que: Exigências de Imposto sobre a Renda da pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativas aos períodos de 2009 a 2012, foram formalizadas no processo 10120.723637/201479. De fl. 82 consta autorização e determinação do Delegado da DRF para novo exame dos anoscalendários de 2009 e 2010 que já haviam sido objeto de fiscalização anterior. Os lançamentos de PIS e COFINS objeto do presente processo decorrem dos mesmos fatos que ensejaram lançamento de IRPJ e CSLL, no qual a infração foi assim descrita: Verificase tratar de processo conexo por decorrência, nos termos do art.6º, §1º, II do RICARF, ao Processo nº 10120.723637/201479 distribuído em 03/03/2016 à Conselheira Edeli Pereira Bessa, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF. O regimento interno deste órgão é literal: § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá convert er o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo pri ncipal. Deste modo, parece que a providência a ser tomada, nos termos do §5º do art.6º do RICARF é o sobrestamento do processo até que o processo principal seja julgado. Desse modo, voto pela CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA para que os autos retornem à DRF de origem para aguardar o trânsito em julgado, na esfera administrativa, do Processo nº 10120.723637/201479, devendo retornar, então, a este Colegiado com cópia da decisão definitiva do processo principal. Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 3238DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 5/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
score : 1.0
Numero do processo: 15521.000022/2008-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003
CSSL SOBRE A BASE ESTIMADA. LANÇAMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO-CALENDÁRIO. INCABÍVEL.
Após o encerramento do ano-calendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas.
Numero da decisão: 1302-001.896
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Votou pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator.
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2003 CSSL SOBRE A BASE ESTIMADA. LANÇAMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO-CALENDÁRIO. INCABÍVEL. Após o encerramento do ano-calendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas.
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Estimativas. Recorrente ATHOS FARMA SUDESTE S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 CSSL SOBRE A BASE ESTIMADA. LANÇAMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO ANOCALENDÁRIO. INCABÍVEL. Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Votou pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Relator. EDELI PEREIRA BESSA Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 52 1. 00 00 22 /2 00 8- 23 Fl. 362DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 2 Versa o presente processo sobre recurso de ofício, interposto pelo em face do Acórdão nº 1240458 da 6ª Turma da DRJ/RJ1, o qual foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 CSLL. LANÇAMENTO DE ESTIMATIVAS Após o encerramento do período anual de apuração da CSLL a constituição do crédito tributário com base nas estimativas é incabível uma vez que prevalece a contribuição efetivamente devida, calculada a partir do lucro líquido contábil anual devidamente ajustado com as adições e exclusões previstas na legislação. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado O voto condutor do acórdão recorrido assim sustenta: "A Impugnação é tempestiva e se reveste dos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972 e alterações posteriores, devendo ser acolhida. A autuação objetivou constituir o crédito tributário referente a estimativas de CSLL referentes aos meses de março e abril de 2003, cujos débitos foram declarados nas Declarações de Compensação que instruíram os processos administrativos nºs 10725.000654/200372 e 10725.000644/200337, cujo crédito referese a crédito prêmio de IPI apurado por contribuinte de outra jurisdição e questionado nos autos dos processos judiciais 2000.51.01.0007323 (MS) e 2000.02.01.0515557 não transitados em julgado. O autuante mencionou no termo de verificação fiscal que a Declaração de Compensação em questão fora apresentada quando ainda não constituía confissão de dívida, bem como não haviam as compensações consideradas "NÃO DECLARADAS". Assim, conforme cita a autuante, foi promovido o lançamento das estimativas de CSLL, consoante orientação contida na SCI 18/2006. Passo a me pronunciar sobre o lançamento à luz da legalidade. Chamo a atenção para o fato de que a SCI nº 18/2006 já orientou os procedimentos a serem observados sobre débitos de estimativa já sob a égide da Lei nº 10.833/2003, que foi a conversão da Medida Provisória nº 135/2003 que guindou a Declaração de Compensação à condição de confissão de dívida bem como do § 12º do artigo 74 da Lei nº 9430/1996, introduzido pela Lei nº 11.051/2004, que previu as hipóteses em que a declaração de compensação passa a ser considerada não declarada. (...) Valor negativo da CSLL a pagar no final do anocalendário de 2003 igual a: (...) Valor das estimativas de março e abril de 2003 que compuseram a apuração anual: R$ 1.033.446,36. Valor a lançar R$ 1.033.446,36 – R$ 671.222,35 = R$ 362.224,01. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15521.000022/200823 Acórdão n.º 1302001.896 S1C3T2 Fl. 363 3 Portanto deveria ter sido lançado com suspensão o valor da CSLL a pagar de R$ 362.324,01, não as estimativas de março e abril de 2003, já que após o encerramento do período anual de apuração da CSLL prevalece a contribuição efetivamente devida, calculada a partir do lucro líquido contábil ajustado com as adições e exclusões previstas na legislação.". É o relatório. Voto O recurso de ofício atende ao disposto no art. 34, I, do Decreto nº 70.235/72 c/c a Portaria MF nº 03/2008, razão pela qual dele conheço. Não há reparos a serem feitos à decisão recorrida já que está de acordo com o que dispõe a Súmula CARF nº 82, se não vejamos o verbete: Súmula CARF nº 82: Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 364DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
score : 1.0
Numero do processo: 13053.000036/2007-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO ENTRE O DISPOSITIVO E O FUNDAMENTO DO VOTO. COMPROVADO O EQUÍVOCO NO FUNDAMENTO. RATIFICAÇÃO DO DISPOSITIVO. POSSIBILIDADE.
Se demonstrado que vício de contradição entre o dispositivo e o fundamento do voto condutor julgado decorreu de equívoco neste último, acolhe-se os embargos de declaração, para corrigir o fundamento do voto e ratificar o dispositivo do acórdão.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 3302-003.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para retificar os fundamentos do voto e com base nestes, ratificar o dispositivo do acórdão embargado, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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CONTRADIÇÃO ENTRE O DISPOSITIVO E O FUNDAMENTO DO VOTO. COMPROVADO O EQUÍVOCO NO FUNDAMENTO. RATIFICAÇÃO DO DISPOSITIVO. POSSIBILIDADE. Se demonstrado que vício de contradição entre o dispositivo e o fundamento do voto condutor julgado decorreu de equívoco neste último, acolhese os embargos de declaração, para corrigir o fundamento do voto e ratificar o dispositivo do acórdão. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para retificar os fundamentos do voto e com base nestes, ratificar o dispositivo do acórdão embargado, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 3. 00 00 36 /2 00 7- 02 Fl. 351DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROS A 2 Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, com o objetivo suprir suposto vício contradição contido no acórdão nº 3102001.395, de 15 de fevereiro de 2012 (fls. 320/332), em que, por unanimidade de votos, decidiram os membros da extinta 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta Seção, em “dar provimento parcial ao recurso para acolher exclusivamente os créditos referentes à aquisição de indumentário, tratamento de afluentes que ingressam no processo produtivo; serviços terceirizados empregados na produção, combustíveis e lubrificantes empregados em veículos da frota própria, quando utilizados na distribuição de produto acabado.” Os fundamentos do referido julgado encontramse resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. INDÚSTRIA AVÍCOLA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Cabe ao contribuinte, em sede de pedido de ressarcimento de créditos decorrentes no regime não cumulativo da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, apresentar elementos que demonstrem com suficiência em que medida os insumos se aplicam ao seu processo produtivo. Inteligência do art. 16, inciso III, do PAF (Decreto n º. 70.235/72). SERVIÇOS TERCEIRIZADOS. Os serviços contratados de pessoa jurídica contribuinte do PIS/COFINS, aplicados no processo produtivo, geram direito ao crédito de que trata o art. 3º das Leis n.º 10.637/02 e 10.833/03. INDUMENTÁRIA. A indumentária de uso obrigatório na indústria de processamento de carnes é insumo indispensável ao processo produtivo e, como tal, gera direito a crédito do PIS/COFINS. OUTRAS DESPESAS. Por falta de previsão legal específica, não geram direito ao crédito do PIS/Cofins outros custos que não se enquadrem no conceito de insumos de produção e/ou serviços utilizados no processo produtivo. Despesas com a atividade comercial, salvo aquelas específicas referenciadas na legislação de regência, não geram direito ao crédito de que se cuida. AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÕES DE INSUMOS DE NÃO CONTRIBUINTES. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N º 10.925/2004. APURAÇÃO. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13053.000036/200702 Acórdão n.º 3302003.171 S3C3T2 Fl. 351 3 Nos termos da legislação de regência, as pessoas jurídicas que produzirem mercadorias de origem vegetal ou animal destinadas à alimentação humana ou animal, podem descontar como créditos as aquisições de insumos, considerados os percentuais de acordo com a natureza dos insumos adquiridos (art. 8o, §3o, da Lei nº 10.925/2004), e que variam de acordo com a espécie dos insumos adquiridos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Tempestivamente, em 15/9/2014, a recorrente apresentou os embargos de declaração de fls. 338/339, em que alegou contradição entre o dispositivo do acórdão e os fundamentos apresentados no voto condutor do julgado, especificamente, no tópico relativo à apropriação de créditos sobre custos relativos a insumos de tratamento de efluentes. Com base nas razões aduzidas no despacho de fls. 342/344, com fundamento no art. 65, § 3º, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF 259/2009 (RICARF/2009), o então presidente da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 3ª Seção, reconheceu a procedência do alegado vício de contradição e determinou que este Conselheiro colocasse os autos em pauta de julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento dos presentes embargos de declaração, para análise do vício de contradição alegado pela recorrente. Conforme delineado no relatório, a contradição alegada pela recorrente cingese a existência de contradição entre os fundamentos do voto condutor do julgado e o dispositivo do acórdão e as conclusões do referido voto. Segundo a embargante, enquanto no primeiro não foi admitida a dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, calculados sobre os custos (bens e serviços) utilizados na remoção e no tratamento de efluentes da produção, nos segundos, contraditoriamente, a dita dedução foi admitida. Em relação a existência dos alegados vícios de contradição, assiste razão à recorrente, conforme evidenciado nos excertos colhidos do referido julgado, que, para facilitar a compreensão, seguem transcritos: TRECHO EXTRAÍDO DA FUNDAMENTAÇÃO DO VOTO: f) Custos com tratamento de efluentes. Neste ponto específico, a recorrente inicia seu arrazoado esclarecendo que o tratamento dos efluentes se daria em dois momentos distintos. Na entrada das águas em seu processo produtivo, para ulterior uso para lavagem e congelamento dos Fl. 353DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROS A 4 bens produzidos, e, sem seguida, nas saída das águas após o seu uso na produção. Assevera que os créditos que pretende ver reconhecidos seriam apenas os calculados sobre o que defende ser insumos utilizados no tratamento na entrada das águas, exatamente aquelas que seriam utilizadas para lavagem e congelamento da sua produção. Aqui, assim como concluímos em relação ao item “d” acima, entendemos não haver condições para a admissão dos pleiteados créditos em razão da empresa não haver demonstrado, nas diversas vezes em que teve a oportunidade de se manifestar nos autos, em que medida seriam os custos (insumos) para o tratamento de efluentes utilizados para o tratamento das águas utilizadas no processo produtivo. Assim, observando que em instante algum a Recorrente teve o mínimo cuidado de procurar convencer esta instância administrativa, como também não o fez perante a instância primeira, somente por estas razões já não estaria esta instância julgadora apta ao reconhecimento do direito creditório, já que deixou a mesma de produzir prova no momento processual oportuno, conforme regra cogente do art. 16, inciso III, do PAF (Decreto n º. 70.235/72). (grifos não originais) TRECHO EXTRAÍDO DA CONCLUSÃO DO VOTO: Isto posto, conheço do recurso voluntário para darlhe parcial provimento, no sentido de admitir os créditos reclamados tão somente sobre à aquisição de indumentário, tratamento de afluentes que ingressam no processo produtivo; serviços terceirizados empregados na produção, combustíveis e lubrificantes empregados em veículos da frota própria, quando utilizados na distribuição de produto acabado, devendo a autoridade de origem promover a respectiva análise. (grifos não originais) TRECHO EXTRAÍDO DO DISPOSITIVO DO ACÓRDÃO: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso para acolher exclusivamente os créditos referentes à aquisição de indumentário, tratamento de afluentes que ingressam no processo produtivo; serviços terceirizados empregados na produção, combustíveis e lubrificantes empregados em veículos da frota própria, quando utilizados na distribuição de produto acabado. (grifos não originais) Do simples cotejo dos textos em destaque, fica evidenciado a existência do vício de contradição suscitado pela recorrente. Para a recorrente, o equívoco foi cometido na conclusão do voto e na redação do dispositivo, logo estes deveriam ser corrigidos, para que o acórdão fosse “trazido aos autos com a escorreita apresentação das conclusões do seu votocondutor”. A decisão quanto ao referido pedido exige nova análise da razão de decidir apresentada no corpo do referido voto, a partir dos elementos coligidos aos autos, de modo que Fl. 354DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13053.000036/200702 Acórdão n.º 3302003.171 S3C3T2 Fl. 352 5 se possa chegar ao convencimento se o alegado equívoco encontrase no fundamento ou na conclusão do voto. Para essa finalidade, fazse uma breve retrospectiva sobre os fundamentos fáticos e jurídicos que motivaram a glosa dos referidos créditos, bem como sobre as decisão de mantêla. De acordo com o Relatório da Ação Fiscal (fls. 95/104), o motivo da glosa da parcela do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep, no valor de R$ 34,32, calculada sobre os custos de aquisição de bens e serviços utilizados no tratamento de efluente no mês de novembro/2006, foi a falta de previsão legal para dedução dos referidos créditos. Na Manifestação de Inconformidade (fls. 136/167), a recorrente alegou que, durante o seu processo produtivo, havia tratamento de efluentes em dois momentos distintos. Um ocorria no início do processo de fabricação e se destinava a lavagem e congelamento das aves, enquanto que o outro ocorria no final do processo de produção e consistia no tratamento das águas a serem devolvidas ao rio. A recorrente ainda alegou que não houve apropriação de créditos em relação ao segundo tratamento, mas apenas em relação ao primeiro. A decisão de primeiro grau (fls. 253/259) não acatou os argumentos da recorrente e manteve a glosa, sob o argumento de que tais gastos não podiam ser caracterizados como insumo aplicado ou consumido diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. No recurso voluntário (fls. 272/305), a recorrente reafirmou os mesmos argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade. Nos fundamentos explicitados no voto condutor do julgado, o i. Relator argumentou que a recorrente não havia demonstrado, nas diversas vezes em que teve a oportunidade de se manifestar nos autos, em que “medida seriam os custos (insumos) para o tratamento de efluentes utilizados para o tratamento das águas utilizadas no processo produtivo.” Esse argumento destoa dos fatos coligidos aos autos. Ao contrário do afirmado no referido voto, a recorrente apresentou sim razões relevantes para manutenção do direito ao crédito em questão, a saber: os custos com o tratamento de efluentes do início processo produtivo, até prova em contrário, integra os custos de produção da recorrente. Em face dessa circunstância, entende este Relator que houve equívoco na motivação do voto, logo deve prevalecer a conclusão do voto e o dispositivo da decisão proferida pelo Colegiado. Assim, uma vez esclarecido que tais insumos foram utilizados no processo produtivo e não havendo provas nos autos em contrário, induvidosamente, tais créditos devem ser restabelecidos, porque apropriados em consonância com o disposto no art. 3º, II, da Lei 10.637/2002. Por todo o exposto, votase pelo acolhimento dos embargos de declaração, para retificar os fundamentos do voto e ratificar o dispositivo do acórdão embargado, para manter o direito de a recorrente de deduzir o valor integral dos créditos apropriados sobre os custos de aquisição de bens e serviços utilizados no tratamento de efluentes, aplicados como insumo de produção. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROS A 6 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 356DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROS A
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Numero do processo: 10980.000639/2002-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jul 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1997
Penalidade. Alteração da Legislação. Princípio da Retroatividade Benigna.
A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando deixe de defini-lo como infração (artigo 106, inciso II, alínea "a", Código Tributário Nacional).
Juros. Taxa Selic.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
(Súmula nº 4 do Carf)
Numero da decisão: 1302-001.910
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Ana de Barros Fernandes Wipprich, Rogério Aparecido Gil, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1997 Penalidade. Alteração da Legislação. Princípio da Retroatividade Benigna. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando deixe de defini-lo como infração (artigo 106, inciso II, alínea "a", Código Tributário Nacional). Juros. Taxa Selic. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula nº 4 do Carf)
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ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando deixe de definilo como infração (artigo 106, inciso II, alínea "a", Código Tributário Nacional). JUROS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula nº 4 do Carf) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 06 39 /2 00 2- 22 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Ana de Barros Fernandes Wipprich, Rogério Aparecido Gil, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório A Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu o Acórdão nº 9101001.906, em 20 de março de 2014, devolvendo o litígio instaurado nos autos para esta instância de julgamento, com a seguinte ementa efls. 111 a 114: PAF SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA IMPOSSIBILIDADE O objeto que remanesceu na lide, após retificação de ofício, uma vez não apreciado pela Turma a quo e não sendo objeto de oposição de embargos, não pode ser analisado por esse colegiado, sob pena de supressão de instância. Necessidade de que outro acórdão seja proferido. Da análise dos autos, verificase que a contribuinte, por inconsistências constatadas em malha DCTF, foi autuada a pagar IRPJ relativo ao 1º Trimestre de 1997, no valor de R$ 1.257,10, mais acréscimos legais (infração descrita no item 4.1), em razão de insuficiência o recolhimento devido, e multa isolada, no valor de R$ 5.441,09, e juros no valor de R$ 122,61, pelo não pagamento de acréscimos moratórios (infração descrita no item, 4.2), consoante Auto de Infração eletrônico, e demonstrativos, às efls. 14 a 23. Ocorre que o lançamento tributário sofreu revisão de ofício, efls. 34, do qual remanesceu somente a exigência fiscal da multa isolada devida pela multa de mora não recolhida pela contribuinte, e juros moratórios, relativo ao IRPJ pago em atraso, consoante demonstrativo de efls. 31 e 33. Na decisão de primeira instância, Acórdão nº 9.750/05, proferido pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba/PR, efls. 38 a 41, restou esclarecido que o objeto do litígio restringiuse à multa isolada e juros devidos em razão do atraso do pagamento do IRPJ/1º trimestre/1997, após o vencimento, efetuado pela contribuinte: Em 28/01/2005, o lançamento foi revisto de oficio pela autoridade administrativa, conforme despacho decisório do Serviço de Controle e Acompanhamento TributárioSECAT da DRFCuritiba/PR (Revisão de Lançamento n° 30/2005, à fl. 32, e demonstrativos de consolidação e recálculo, às fls. 27/31), com base nos arts. 145, III, e 149, VIII, da Lei n° 5.172/1966 (CTN), remanescendo o débito da multa isolada no valor de R$ 5.441,09 e juros pagos a menor ou não pagos no valor de R$ 122,61. Do voto constou explicitamente, com fulcro na legislação de regência à época dos fatos, que: [...] Como se vê, em havendo pagamento intempestivo, ainda que espontâneo de tributo ou contribuição, sem multa de mora, é devido o lançamento de multa de oficio isolada, de 75% ou 150%, conforme o caso, sobre a totalidade do tributo ou contribuição intempestivamente recolhido. Essa hipótese, como se percebe, amolda se perfeitamente à que se encontra sob análise. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 10980.000639/200222 Acórdão n.º 1302001.910 S1C3T2 Fl. 3 3 Isto posto, voto no sentido de julgar procedente o lançamento, para manter os valores de R$ 5.441,09 de multa de mora isolada e R$ 122,61 de juros de mora isolados. Ao subirem os autos para a apreciação do recurso voluntário interposto pela contribuinte, no qual somente constaram as argumentações de (i) denúncia espontânea versus inaplicabilidade da multa moratória e (ii) ilegalidade do juros serem calculados à taxa Selic, a Terceira Câmara equivocouse quanto à matéria em litígio e assim se pronunciou Acórdão nº 10323.590/08 (efls. 76 a 80): MULTA ISOLADA Art. 44, I, da Lei 9430/96 — Inaplicabilidade. NÃO CUMULATIVIDADE A multa isolada prevista no artigo 44 § 1°, somente pode ser exigida uma vez não podendo portanto ser aplicada quando a base para seu lançamento já tiver sido parâmetro para exigência da mesma multa por falta de pagamento de tributo. O legislador, quando quer, determina a cumulatividade de multas, na ausência de previsão legal, sobre o mesmo fato somente pode ser lançada uma multa. [...] ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes por maioria de votos, DAR PARCIAL provimento ao recurso para afastar a exigência de multa isolada por não recolhimento sobre base estimada (estimativa). Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto, Nelso Kichel (Suplente Convocado) e Ester Marques Lins de Sousa (Suplente Convocada), nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. A Procuradoria da Fazenda Nacional recorreu à Câmara Superior de Recursos Fiscais defendendo a tese da possibilidade da concomitância das penalidades "Insurgese a Fazenda Nacional contra o r. acórdãoproferido pela e. Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que deu provimento ao recurso voluntário para excluir a multa isolada por falta de recolhimento com base em estimativas, tendo em vista sua concomitância com a multa de ofício." (grifos não pertencem ao original) Daí o julgamento na Câmara Superior de Recursos Fiscais no seguinte diapasão: Nesse sentido, a discussão que realmente necessitava ser suplantada se perdeu no curso do processo, e como consequência sequer foi apreciada pelo então Conselho de Contribuintes. Não há, nesse contexto, como apreciar o objeto do presente processo, qual seja, o afastamento da multa de mora em virtude de denúncia espontânea e a taxa de juros SELIC no que tange à multa de mora, posto que seria evidente a supressão de instância. Diante da impossibilidade de julgamento dos autos, DOU SEGUIMENTO ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, e voto por ANULAR os atos processuais a partir do Acórdão recorrido, para que outro seja proferido. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 4 Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora Conheço do Recurso Voluntário, efls. 45 a 60, por tempestivo1. Temse que o litígio versa sobre as exigências fiscais de multa isolada em razão do não pagamento de multa moratória e exigência de juros de mora, incidentes sobre o IRPJ recolhido em atraso, consoante relatado. A multa isolada sob análise foi exigida no Auto de Infração objeto dos autos com fulcro no artigo 44, parágrafo 1º, inciso II2, atualmente revogado (Lei nº 11.488/07). Dispõe o artigo 106, em seu inciso II, alínea "a", da Lei nº 5.172/66, Código Tributário Nacional (CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Por força do princípio da retroatividade benigna da legislação tributária acima insculpido, o lançamento tributário da multa isolada incidente sobre o tributo pago em atraso sem a multa de mora não pode subsistir pela revogação do dispositivo legal em que se fundamentava. Nesta impossibilidade jurídica, resta ser apreciado se a multa moratória é, ou não, devida em face à espontaneidade do pagamento realizado a destempo. A matéria ora discutida já foi objeto de decisão do Superior Tribunal de Justiça – STJ, na forma de recurso repetitivo, ao qual está adstrito o julgamento por este órgão colegiado, nos termos do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (Portaria MF nº 256/09 e alterações). No Recurso Especial nº 1.149.022 SP (01/09/2010)3: “RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1 AR 27/01/06, efls. 44; Recurso 23/02/06, efls. 45 2 II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; 3 https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=10649420&sReg=20090134142 4&sData=20100624&sTipo=5&formato=PDF Fl. 127DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 10980.000639/200222 Acórdão n.º 1302001.910 S1C3T2 Fl. 4 5 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Documento: 10649420 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJe: 24/06/2010 Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (grifos não pertencem ao original) Do julgado retro transcrito depreendese que os pagamentos efetuados pelos contribuintes, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que em atraso, em mora, estão exonerados da multa moratória por alcançados pelo instituto da denúncia Fl. 128DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 6 espontânea, desde que os referidos recolhimentos sejam efetuados antes de qualquer procedimento de ofício ou informação prestada em DCTF. No caso em concreto verificase que a recorrente informou o débito em DCTF e não respeitou o prazo legal para efetuar o seu recolhimento. Por consequência, é devida e perfeitamente exigível a multa moratória incidente sobre o recolhimento em atraso, afastandose a aplicação do artigo 138 do CTN, consoante entendimento da Corte Superior ao qual vinculase este Conselho. Este órgão julgador, por força do parágrafo 2º do artigo 62 do Regimento Interno do CARF – Ricarf, está vinculado às decisões proferidas pelo STJ, processadas sobre o rito do art. 543B e C do CPC: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Pelo exposto, a multa isolada deve ser cancelada, porém subsiste a multa moratória devida pelo atraso no pagamento do tributo. No que respeita à argumentação sobre a impossibilidade de calcularse os juros moratórios à taxa Selic, este Conselho já sedimentou entendimento. Reza a Súmula CARF nº 04: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Voto em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar a multa isolada devida pelo pagamento efetuado em atraso e desacompanhado da multa moratória, mas manter a exigência dos acréscimos legais moratórios incidentes sobre o recolhimento em atraso do tributo. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 129DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 10980.000639/200222 Acórdão n.º 1302001.910 S1C3T2 Fl. 5 7 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 13849.720015/2013-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA.
O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-003.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Relator) e Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), que deram provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas do imposto de renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Foi designado o Conselheiro Martin da Silva Gesto para redigir o voto vencedor.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator.
Assinado digitalmente
Martin da Silva Gesto Redator designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2166; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 153 1 152 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13849.720015/201391 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.384 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de maio de 2016 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente OSVALDO PACITO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Relator) e Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), que deram provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas do imposto de renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Foi designado o Conselheiro Martin da Silva Gesto para redigir o voto vencedor. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente e Relator. Assinado digitalmente Martin da Silva Gesto – Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 9. 72 00 15 /2 01 3- 91 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 13849.720015/201391 Acórdão n.º 2202003.384 S2C2T2 Fl. 154 2 Martin da Silva Gesto, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Trata o presente processo de notificação de lançamento em face da omissão de rendimentos recebidos da Prefeitura Municipal de Presidente Venceslau, no valor de R$ 86.895,74, proveniente de decisão judicial que versava sobre o direito do autor à percepção de adicional de insalubridade, relativo ao período de cinco anos que antecederam a data da distribuição da aludida demanda judicial, ocorrida em 31.08.95, resultando em uma exigência de crédito tributário de R$ 13.956,81 de imposto suplementar, mais multa de ofício e juros de mora. O contribuinte impugnou a autuação alegando que é portador de moléstia grave e, portanto, o valor recebido de R$ 86.895,74 deveria ter sido declarado como isento na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2009 (DIRPF 2009), e que, além desse equívoco, ainda deixou de considerar o gasto com advogado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) julgou procedente em parte a impugnação, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. São isentos do imposto de renda apenas os proventos de aposentadoria ou pensão recebidos pelos portadores das doenças relacionadas no inciso XIV do art. 6º da Lei 7.713, de 1988; não estando, portanto, albergados pela isenção os rendimentos do trabalho assalariado percebidos por servidor ativo. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUÇÃO. PROPORCIONALIDADE. As despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização, observada a proporcionalidade entre os rendimentos tributáveis, isentos e de tributação exclusiva, podem ser excluídos da base de cálculo. A conclusão da DRJ foi no sentido de não acatar a isenção pleiteada, em virtude de que se trata de rendimentos relativos ao período de plena atividade laboral do Contribuinte, quando ele não havia se aposentado, porém concordou com a sua tese de possibilitar a dedução dos gastos com honorários advocatícios. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 13849.720015/201391 Acórdão n.º 2202003.384 S2C2T2 Fl. 155 3 Cientificado dessa decisão em 19/11/2013, por via postal (A.R. de fl. 91), o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 12/12/2013 (fls. 92 a 97), com as seguintes alegações, em síntese: embora estivesse em plena atividade laboral na época da propositura da ação, o recebimento dos valores deuse somente em 2008, quando já estava aposentado e já havia sido reconhecida a sua moléstia grave; o valor a ser recebido foi parcelado em 24 parcelas; a data a ser considerada para fins de tributação não é a da propositura da demanda, mas a do recebimento do crédito; em tese subsidiária, o valor a ser tributado não pode ser o total dos rendimentos apurados, pois nele estão incluídos juros de mora e correção monetária, sobre os quais não incide imposto de renda, conforme jurisprudência do STJ. Ao final, requer que seja reconhecida a isenção sobre os valores recebidos, por ser portador de moléstia grave na data de recebimento do crédito, e subsidiariamente sejam excluídos da tributação os juros de mora e a correção monetária. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. São necessárias duas condições para que os rendimentos recebidos por portadores de moléstias graves definidas em lei sejam isentos do imposto sobre a renda: (i) ser a moléstia atestada em laudo emitido por serviço médico oficial da União, Estados, DF ou Municípios; (ii) os rendimentos serem provenientes de aposentadoria ou reforma. Lei nº 7.713/1988 Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina Fl. 155DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 13849.720015/201391 Acórdão n.º 2202003.384 S2C2T2 Fl. 156 4 especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (destaquei) A Súmula CARF Nº 63 assim dispõe sobre as condições para gozo da isenção do imposto de renda: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Observase pelos documentos acostados aos autos, mais especificamente a sentença judicial de fls. 32 a 35, que o valor recebido pelo Contribuinte da Prefeitura Municipal de Presidente Venceslau é referente ao pagamento de valores atrasados a título de adicional de insalubridade, relativos ao período de cinco anos a contar da data da distribuição da ação para trás, ou seja, de 01/09/90 a 01/09/95. O presente lançamento referese aos valores pagos no anocalendário 2008. Entendo que o Contribuinte não faz jus à isenção pleiteada por não atender a um dos requisitos da legislação, qual seja, os rendimentos tributados no lançamento não são provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão. Conforme já explicado, tratase de rendimentos do trabalho assalariado, recebidos acumuladamente em face de ação judicial, os quais devem ser tributados, não se lhe aplicando a isenção por moléstia grave. Embora não haja sido suscitado pelo Recorrente, o comando imperativo assentado no §2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, impõe aos Conselheiros, no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, a reprodução das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista nos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869/73 Código de Processo Civil. Nessa perspectiva, o fato de o REsp n° 1.118.429SP haver sido realizado conforme a Sistemática dos Recursos Repetitivos, prevista no art. 543B do CPC, atrai ao feito a incidência do disposto no §2º do Art. 62 do RICARF. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; Fl. 156DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 13849.720015/201391 Acórdão n.º 2202003.384 S2C2T2 Fl. 157 5 b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (destaquei) Assim, como se trata de rendimentos recebidos acumuladamente, verificase que a fiscalização realizou o lançamento utilizando o regime de caixa, conforme regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), em recurso repetitivo representativo da controvérsia, submetido ao regime do art. 543C do CPC, no REsp n° 1.118.429SP, decidiu: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008 (STJ, 1ª Seção, REsp 1.118.429/SP,rel. Min. Herman Benjamin, j., em 24.03.2010) (grifo nosso) . Fl. 157DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 13849.720015/201391 Acórdão n.º 2202003.384 S2C2T2 Fl. 158 6 Dessa forma, deve ser aplicado o entendimento do STJ no sentido de que o Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte, não sendo legítima a cobrança com base no montante global pago extemporaneamente. Seguem alguns julgados recentes deste Conselho nesse sentido. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 [...] IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). (Acórdão nº 9202003.695 2ª Turma de 27/01/2016. Relator originário: José Cheffe Rahal. Redator designado: Heitor de Souza Lima Junior). IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC (art. 62A do RICARF). (Acórdão nº 2202002.785, de 09/09/2014. Rel. Antonio Lopo Martinez). RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. TRIBUTAÇÃO. Seguindose a decisão do Superior Tribunal de Justiça, o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Acórdão nº 2802003.160, de 07/10/2014. Rel. Ronnie Soares Anderson) O Recorrente alega, de forma subsidiária, ser indevida a tributação sobre os juros de mora e a correção monetária, de acordo com entendimento do STJ. Não assiste razão ao Recorrente, pois as verbas por ele recebidas não decorrem de despedida ou rescisão de contrato de trabalho, mas sim de diferenças salariais referentes a seu vínculo empregatício com a Prefeitura Municipal de Presidente Venceslau. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 13849.720015/201391 Acórdão n.º 2202003.384 S2C2T2 Fl. 159 7 Assim, não se aplica à hipótese o Recurso Repetitivo RESP nº 1.227.133 , no qual a Primeira Seção do STJ decidiu que não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho. Ao julgar o RESP nº 1.089.720, a Primeira Seção do STJ definiu o entendimento sobre a incidência do imposto de renda sobre os juros de mora, inclusive aqueles pagos em reclamação trabalhista. Os juros somente são isentos da tributação nas situações em que o trabalhador perde o emprego ou quando a verba principal é isenta ou está fora do campo de incidência do imposto de renda (regra do acessório segue o principal). Em seu voto, o relator, Ministro Mauro Campbell Marques, destacou que a regra geral é a incidência do IR sobre os juros de mora, existindo, porém duas exceções: são isentos os juros de mora pagos no contexto da despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não; e quando incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto da despedida ou rescisão do contrato de trabalho. O entendimento da Primeira Seção do STJ ficou claro nesse sentido, conforme podemos observar da ementa dos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no RESP nº 1.420.166/SC (Rel. Min. Mauro Campbell Marques), abaixo. EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA, MESMO EM SE TRATANDO DE VERBA INDENIZATÓRIA. ART. 16, CAPUT E PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI N. 4.506/64. CASO DE JUROS DE MORA DECORRENTES DE VERBAS REMUNERATÓRIAS DE SERVIDOR PÚBLICO PAGAS EM ATRASO. INEXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE, OMISSÃO E ERRO MATERIAL NO ACÓRDÃO EMBARGADO. REJEIÇÃO DOS EMBARGOS. 1. Regrageral, incide imposto de renda sobre juros de mora a teor do art. 16, parágrafo único, da Lei n. 4.506/64: "Serão também classificados como rendimentos de trabalho assalariados os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações prevista neste artigo". Jurisprudência uniformizada no REsp 1.089.720/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbel Marques, julgado em 10.2012. 2. Primeira exceção: não incide imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes de verbas trabalhistas pagas no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho consoante o art. 6º, inciso V, da Lei n. 7.713/88. Jurisprudência uniformizada no recurso representativo da controvérsia Resp 1.127.133/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavscki, Rel. p/ acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011. 3. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo Fl. 159DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 13849.720015/201391 Acórdão n.º 2202003.384 S2C2T2 Fl. 160 8 de incidência do IR, conforme a regra do “acessorium sequitur suum principale ”. Jurisprudência uniformizada no REsp 1.089.720/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbel Marques, julgado em 10.10.2012. 4. Caso concreto em que se discute a incidência do imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes de verbas remuneratórias de servidor público pagas em atraso. Incidência da regrageral constante do art. 16, parágrafo único, da Lei n. 4.506/64. Para se afastar a regra geral de incidência do imposto de renda sobre os juros moratórios com base no entendimento de que tais juros estariam fora do campo de incidência delimitado pelo art. 153, I, da Constituição da República, farseia necessário declarar inconstitucionais o parágrafo único do art. 16 da Lei Federal 4.506/4 e o § 3º do art. 43 do Decreto 3.000/99, o que somente poderia ser feito com observância do disposto no art. 97 da Constituição, consoante enuncia Súmula Vinculante 10/STF. Mas não é o caso, dada a compatibilidade do parágrafo único do art. 16 da Lei 4.506/64 e do § 3º do art. 43 do Decreto 3.000/99 com os arts. 43 do CTN, 153, III, da Constituição, e 404 do Código Civil. 5. Embargos declaração rejeitados. (grifos do original). Diante do exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao recurso para aplicar aos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas do imposto de renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Voto Vencedor Conselheiro Martin da Silva Gesto Redator designado. Data venia, venho divergir quanto ao entendimento do ilustre Relator pela aplicação aos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas do imposto de renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, pois entendo que deve ser cancelada a exigência fiscal por vício material. Ocorre que a fiscalização realizou o lançamento utilizando o regime de caixa e não o de competência, conforme regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. Todavia, o lançamento em questão não pode prosperar. Isso porque a constitucionalidade da utilização do art. 12 da Lei nº 7.713/88 para a cobrança do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos de forma acumulada, através da aplicação da alíquota vigente no momento do pagamento sobre o total recebido teve sua inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, o qual foi submetido à sistemática da repercussão geral prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 13849.720015/201391 Acórdão n.º 2202003.384 S2C2T2 Fl. 161 9 De acordo com a referida decisão, transitada em julgado em 09/12/2014, ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas (nascimento da obrigação tributária), é necessário, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, que o dimensionamento da obrigação tributária observe o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anos calendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, e não o foram. O julgamento recebeu a seguinte ementa: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014 ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27112014) Entendo que o lançamento foi amparado no art. 12 da Lei nº 7.713/88, que foi declarado inconstitucional pelo STF, devendose, portanto, reconhecer que houve um vício material no lançamento, que utilizou fundamento legal inválido. Logo, não deve ser aplicado aos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas do imposto de renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme o voto do ilustre Relator, mas sim, cancelada a exigência fiscal por vício material. Ante o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário, para cancelar a exigência fiscal por vício material. Assinado digitalmente Martin da Silva Gesto Redator designado. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA
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Numero do processo: 10980.724372/2011-53
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
FALTA DE COMPROVAÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. PRÁTICA REITERADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. INOCORRÊNCIA.
Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada prevista, à época do lançamento em apreço, no art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.
A apresentação de recibo único que representam a totalidade das despesas declaradas, sem lastro em qualquer outro elemento que comprove a efetiva contratação dos serviços ou mesmo o pagamento aos profissionais, demonstra evidente intuito de fraude fundamentando a qualificação da multa.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9202-003.941
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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PRÁTICA REITERADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. INOCORRÊNCIA. Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada prevista, à época do lançamento em apreço, no art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. A apresentação de recibo único que representam a totalidade das despesas declaradas, sem lastro em qualquer outro elemento que comprove a efetiva contratação dos serviços ou mesmo o pagamento aos profissionais, demonstra evidente intuito de fraude fundamentando a qualificação da multa. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 43 72 /2 01 1- 53 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.724372/201153 Acórdão n.º 9202003.941 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração referente a crédito tributário do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF, apurado sobre glosa de despesas dedutíveis, relativo aos exercícios de 2007 a 2009, em face do contribuinte REGINALDO ANTONIO ZELLA, no montante de R$ 32.748,04, sendo R$ 11.591,96, de imposto; R$ 3.768,14 de juros de mora calculados até 30/08/2011 e R$ 17.387,04 de multa. De acordo com o termo de verificação fiscal (fls. 33), a fiscalização teve como objeto a análise dos valores utilizados como deduções nas declarações de rendimentos dos anoscalendário 2006 a 2008. Assim, descreveu o Auditor: " Exercício 2 007 : INTIMADO A COMPROVAR AS DESPESAS DECLARADAS, NÃO COMPROVOU AS DESPESAS PARA A UNIMED CURITIBA (R$ 4 . 650 , 00 ) E APRESENTOU UM RECIBO DATILOGRAFADO, EM NOME DE ANDERSON LUIS R. ROCHA, DENTISTA, DATADO DE 20 / 12 / 2006 , SEM CONSTAR A CIDADE DA EMISSÃO, NEM ENDEREÇO, NO VALOR DE R$ 8 . 250 , 00 . PELO ALTO VALOR E NOS TERMOS DO ARTIGO 7 3 DO DECRETO N° 3 . 000 , DE 1999 (REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA), FOI INTIMADO A COMPROVAR O EFETIVO DESEMBOLSO DOS VALORES, DEMONSTRANDO A ORIGEM DOS RECURSOS EMPREGADOS. EM RESPOSTA, APRESENTOU DECLARAÇÃO AFIRMANDO QUE OS RECIBOS ERAM EMITIDOS NO FINAL DO ANO PARA "EVITAR ACÚMULO DE PAPÉIS" E QUE EFETOU OS PAGAMENTOS EM MOEDA EM DIVERSAS OCASIÕES. NÃO DEMONSTRANDO A ORIGEM DOS SUPOSTOS RECURSOS EMPREGADOS, ENTENDEMOS NÃO COMPROVADO O EFETIVO DESEMBOLSO E GLOSAMOS O TOTAL DAS DESPESAS DECLARADAS no EXERCÍCIO (R$ 12 . 9 00 , 00 ) . EXERCÍCIO 2008 : INTIMADO A COMPROVAR AS DESPESAS, NÃO APRESENTOU COMPROVANTE DA UNIMED (R$ 4 . 875 , 00 ) , E APRESENTOU UM RECIBO DE JANE CS. MACHADO, PSICÓLOGA, DATILOGRAFADO, DATADO DE DEZEMBRO DE 2007 , SEM CITAR A CIDADE E O DIA, NEM CONSTAR O ENDEREÇO DA PROFISSIONAL, NO VALOR DE R$ 9 . 7 5 0 , 0 0 . INTIMADO A COMPROVAR O EFETIVO DESEMBOLSO, APRESENTOU A MESMA RESPOSTA CITADA (EFETUOU O PAGAMENTO EM DIVERSAS OCASIÕES E RECEBEU Fl. 149DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 APENAS UM RECIBO "PARA EVITAR ACÚMULO DE PAPÉIS". NÃO ACATAMOS NENHUMA DAS DESPESAS. GLOSA DO VALOR TOTAL DE R$ 1 4 . 625 , 0 . EXERCÍCIO 2009: INTIMADO, NÃO COMPROVOU DESPESAS PARA A UNIMED (R$ 4.820,00) E APRESENTOU UM RECIBO DE JLNDERSON LUIZ R. ROCHA, DENTISTA, DATILOGRAFADO, DATADO DE 14 DE DEZEMBRO DE 2008, SEM CITAR A CIDADE, NEM O ENDEREÇO, NO VALOR DE R$ 10.520,00. INTIMADO A COMPROVAR O EFETIVO PAGAMENTO, APRESENTOU A MESMA JUSTIFICATIVA ACIMA DESCRITA. NÃO ACATAMOS AS DESPESAS, GLOSADAS NO TOTAL DE R$ 15.340,00. PELA PRÁTICA REITERADA EM TRÊS EXERCÍCOS, DE DECLARAR DESPESAS SEM COMPROVAÇÃO (NO CASO DA UNIMED), E SEM COMPROVAR O EFETIVO DESEMBOLSO (NOS CASOS DE ANDERSON ROCHA E JANE C. MACHADO), ENTENDEMOS QUE O CONTRIBUINTE COMETEU, "EM TESE", CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA, COMO PREVISTO NA LEI N° 8.137, DE 1990, RAZÃO DOS LANÇAMENTOS COM MULTA QUALIFICADA E ELABORAÇÃO DE REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS CONTRA O CONTRIBUINTE." (destaques não constam do relatório fiscal) A ciência do auto de infração se deu em 22 de agosto de 2011, consoante Aviso de Recebimento acostado às folhas 36. Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento em 20 de setembro de 2011. Foi proferida decisão pela 4ª Turma de Julgamento da DRJ de Curitiba, fls. 56, que manteve a autuação do IRPF nos anos calendários 2006 a 2008, em sua integralidade. Inconformado a Contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 72, onde argumenta: · Que o enquadramento legal constante de auto de infração é embasado no Regulamento do Imposto sobre a Renda o que é impróprio, por tratarse de Decreto e não de Lei. · Consta do artigo 11, § 3º, do DecretoLei nº 5.844/43, que as deduções estarão sujeitas a comprovação, ou justificação, a juizo da autoridade lançadora, o que em face do princípio da Legalidade, não pode ser admitido pois dá ao Fisco uma discricionariedade incompatível com a legalidade estrita que vige no direito tributário. · Que não cabe a multa de 150% pois o tipo descrito na lei exige o dolo, devendo este ser comprovado pelo Fisco, o que não ocorreu no caso em apreço. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.724372/201153 Acórdão n.º 9202003.941 CSRFT2 Fl. 4 5 Alegou ainda nulidade do Auto de Infração pois não houve o dispositivo de lei infringido, cerceando a defesa. Que a ausência de tipificação enseja nulidade do auto de infração. Argumentou que, houve comprovação das despesas médicas deduzidas como se comprova pelos recibos acostados e que os eventuais vícios apontados nos recibos não afastam a aptidão destes em provar o pagamento. Alega que cumpriu as determinações constantes do sitio da Receita Federal sobre a dedução de despesas médicas. Por fim, requereu preliminarmente, a nulidade do lançamento, e no mérito a improcedência em face da comprovação das despesas médicas glosadas, além da descaracterização da multa qualificada. Em sessão plenária de 18 de setembro de 2013, foi concedido provimento parcial ao recurso voluntário para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%, prolatandose o Acórdão nº 2802002.521 (fls. 85), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007, 2008, 2009 IRPF. DESPESA MÉDICA. COMPROVAÇÃO. ENDEREÇO. O endereço do emitente é requisito expresso na lei. A apresentação de recibos que não cumprem integralmente os requisitos legais para a dedução, por si só, justifica a glosa das deduções a que se referem. E com mais razão ainda quando a autoridade fiscal apontou indícios em desabono dos recibos apresentados. IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. PRESENÇA DE INDÍCIOS EM DESFAVOR DOS RECIBOS. INTIMAÇÃO FISCAL. ÔNUS DE COMPROVAÇÃO ATRIBUÍDO AO CONTRIBUINTE. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes que desabonam os recibos o que implica inadmitir a dedução por ausência de outros elementos de prova. IRPF. DESPESAS MÉDICAS. NÃO COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA DO CONTRIBUINTE. DESQUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. ÔNUS DO FISCO. CONDUTA REITERADA. DOLO NÃO COMPROVADO. Ainda que o contribuinte não tenha se desincumbido do ônus de provar as despesas consignadas em recibos, é do Fisco o dever de provar o dolo na conduta do contribuinte, do contrário a multa de ofício, embora cabível, não pode ser aplicada na modalidade qualificada. No caso dos autos, a motivação descrita no lançamento não é suficiente para comprovar o dolo, pois tem prevalecido na jurisprudência do CARF que a prática da Fl. 151DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 infração em exercícios seguidos não é suficiente para comprovar o evidente intuito de fraude que justifica a qualificação da multa. Recurso parcialmente provido' O processo foi encaminhado à PGFN em 25/09/2013 (Despacho de Encaminhamento de fls. 92). Em 04/11/2013, foi interposto o Recurso Especial de fls. 120, com fundamento no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, no intuito de rediscutir a qualificadora da multa de ofício. Ao Recurso Especial foi dado seguimento por meio do despacho de folhas 119. Em seu apelo, a Fazenda Nacional alegou, em síntese, que: · Não há dúvidas, segundo a dicção do art. 44. , § 2º, da Lei 9.940/96, quanto à aplicabilidade da multa de 225% nos casos de evidente intuito de fraude definidos nos artigos 71 a 73 da Lei 4.502/64, em que não são prestados esclarecimentos solicitados pela Fiscalização · Que no caso concreto, apesar de intimada, a contribuinte não apresentou os documentos que comprovassem as deduções declaradas. · Que o motivo do lançamento tributário ocorrido é justamente a falta de comprovação, por documentos, das deduções realizadas. · Que a falta de atendimento às intimações fiscais configura embaraço à Fiscalização, em ofensa ao artigo 195 do CTN. · Que não se confunde a glosa das deduções não comprovadas não se confunde com a conduta omissiva da contribuinte em atender às intimações da autoridade fiscal, não se confundindo com a penalidade. · Nesse sentido, o agravamento da multa decorre da conduta renitente em atender às solicitações da Fiscalização e o lançamento tributário em si, se fundando na apuração incorreta do imposto sobre a renda. A Delegacia da Receita Federal em Curitiba, por meio do despacho de folhas 130, cientificou o contribuinte do Acórdão de seu Recurso Voluntário, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do despacho que o admitiu. A ciência se perfez em 21 de setembro de 2015, consoante cópia do AR anexado às folhas 130. Foram apresentadas, em 06 de outubro de 2015, contrarrazões acostadas às folhas 132. Nelas o Contribuinte, propugna pelo não conhecimento do Especial da Fazenda Nacional por: i) flagrante inexistência de compatibilidade fática entre as decisões confrontadas; ii) evidente ausência de cotejo analítico, o que ofende os requisitos regimentais do recurso. No mérito, reitera a ausência de intuito de fraude na conduta ensejadora da autuação e termina por requerer o não conhecimento do recurso, ou se for o caso, sua improcedência. É o relatório. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.724372/201153 Acórdão n.º 9202003.941 CSRFT2 Fl. 5 7 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora RECURSO ESPECIAL INTERPOSTO PELA FAZENDA NACIONAL Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 122. Não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do mérito I DO CABIMENTO DA MULTA QUALIFICADA A questão a ser apreciada cingese à aplicação do percentual previsto no parágrafo 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, abaixo reproduzido: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8oda Lei no7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis." (destacamos) Por sua vez a Lei nº 4.502/64, em a seguinte redação nos artigos que nos interessam: "Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Fl. 153DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72." (destacamos) A leitura atenta do texto legal nos obriga a seguinte constatação: 1. A multa de ofício deve ser aplicada em dobro quando ocorrerem uma das situações previstas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. 2. As condutas elencadas nesses artigos são a sonegação, a fraude e o conluio. 3. Além da prática das ações e omissões definidas como sonegação, fraude ou conluio, para que se aplique a multa em dobro se faz necessário que o sujeito passivo tenha agido de maneira dolosa. 4. Por expressa determinação legal, somente o dolo, a intenção em buscar um resultado ilícito, enseja a aplicação da multa em dobro. A contrário senso, a conduta culposa, embora reprovável, não atrai a sanção. Assentes nos requisitos legais para aplicação da denominada multa qualificada, recordemos as exigências do Decreto nº 70.235/72, recepcionado pela Carta de 1988, como lei, exige, em seu artigo 9º, sobre a formalização do crédito tributário: "Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito" (grifamos) Como cediço, e bem explicitado na legislação tributária, o crédito tributário deve estar embasado em provas da ocorrência do fato gerador, de sua quantificação e das condições ensejadoras da penalidade aplicada. Necessário, portanto, para que se aplique ao caso concreto a multa qualificada, que a Fiscalização tenha se desincumbido de seu ônus probatório. Vejamos o relatório fiscal: "PELA PRÁTICA REITERADA EM TRÊS EXERCÍCOS, DE DECLARAR DESPESAS SEM COMPROVAÇÃO (NO CASO DA UNIMED), E SEM COMPROVAR O EFETIVO DESEMBOLSO (NOS CASOS DE ANDERSON ROCHA E JANE C. MACHADO), ENTENDEMOS QUE O CONTRIBUINTE COMETEU, "EM TESE", CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA, COMO PREVISTO NA LEI N° 8.137, DE 1990, RAZÃO DOS LANÇAMENTOS COM MULTA QUALIFICADA E ELABORAÇÃO DE Fl. 154DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.724372/201153 Acórdão n.º 9202003.941 CSRFT2 Fl. 6 9 REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS CONTRA O CONTRIBUINTE." Observase que a Autoridade Autuante aplica o percentual em dobro da multa de ofício porque o contribuinte não comprova o pagamento em três exercícios consecutivos, bem como mesmo intimado especificamente, não apresenta elementos de prova que demonstram a execução do serviço, referente aos recibos por ele apresentados, da mesma forma, que não comprovou o desembolso dos valores para os citados profissionais. Ressaltemos que o contribuinte simplesmente não apresentou o comprovante do efetivo desembolso à Fiscalização, o que se por um lado enseja a glosa da despesa, por ausência de comprovação que é requisito legal para a dedução, por outro ainda enseja a caracterização da fraude. Notese que o contribuinte para os 3 exercícios declarou valores significativos de despesas médicas. representando aproximadamente 1/3 da sua renda anual. Os recibos apresentados pelo contribuinte apenas corroboram a prática fraudulenta, posto que apresentar apenas 3 recibos, genéricos, sem qualquer outro elemento que demonstre ter efetivamente contratado os serviços, ou pelo menos pago por ele. Não se trata aqui, de ter perdido um recibo ou outro dentre os valores declarados, mas valerse de um único recibo global, referente a todas as prestações de serviços de um mesmo profissional. Da análise objetiva da questão parecenos mais concreto imaginar que os recibos foram elaborados posteriormente, apenas no intuito de comprovar despesa (digase que todos datilografados pela mesma máquina), o que nos dias atuais mostrase praticamente impossível. Embora tenha os carimbos, não foi possível identificar qualquer outro elemento que demonstrase no decorrer do ano a contratação de serviços. Por essas razões, entendo deva ser dado provimento ao Resp da Fazenda, para que se restabeleça a multa nos patamares lançados pela autoridade fiscal. Com essas considerações, entendo ser aplicável a qualificadora da multa, nos termos do parágrafo 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/96. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, para no mérito DARLHE PROVIMENTO, restabelecendo a qualificação da multa. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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