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Numero do processo: 16327.721633/2011-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. AFASTAMENTO DA TRAVA NA EXTINÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
A compensação na pessoa jurídica extinta dos prejuízos e bases negativas da CSLL acumulados também é limitada pela trava dos trinta por cento do lucro líquido ajustado.
MULTA ISOLADA
A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem.
RO Negado e RV Provido em Parte
Numero da decisão: 1401-001.615
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao Recurso de Ofício e, quanto ao Recurso de Voluntário, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL para cancelar as multas isoladas do ano-calendário de 2007 apenas na parte que exceder a base da multa de ofício no ano-calendário. Contra essa tese, ficaram vencidos em primeira rodada os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Aurora Tomazini de Carvalho que votaram pela tese de cancelar integralmente as multas isoladas, independente dos valores das bases de cálculo absorvidas pela multa de ofício. Em segunda rodada, onde todos participaram, contra a tese ganhadora na primeira rodada ficaram vencidos os Conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos e Antonio Bezerra Neto que votaram pela tese de negar provimento para manter todas as multas isoladas. Designado o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redigir o voto vencedor em relação às multas isoladas.
Documento assinado digitalmente.
Antônio Bezerra Neto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Documento assinado digitalmente.
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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Compensação de prejuízos na incorporação. Multa isolada sobre estimativas. Recorrentes BANCO VR S/A FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. AFASTAMENTO DA “TRAVA” NA EXTINÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A compensação na pessoa jurídica extinta dos prejuízos e bases negativas da CSLL acumulados também é limitada pela “trava” dos trinta por cento do lucro líquido ajustado. MULTA ISOLADA A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem. RO Negado e RV Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao Recurso de Ofício e, quanto ao Recurso de Voluntário, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL para cancelar as multas isoladas do anocalendário de 2007 apenas na parte que exceder a base da multa de ofício no anocalendário. Contra essa tese, ficaram vencidos em primeira rodada os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Aurora Tomazini de Carvalho que votaram pela tese de cancelar integralmente as multas isoladas, independente dos valores das bases de cálculo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 16 33 /2 01 1- 73 Fl. 3684DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16327.721633/201173 Acórdão n.º 1401001.615 S1C4T1 Fl. 3.685 2 absorvidas pela multa de ofício. Em segunda rodada, onde todos participaram, contra a tese ganhadora na primeira rodada ficaram vencidos os Conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos e Antonio Bezerra Neto que votaram pela tese de negar provimento para manter todas as multas isoladas. Designado o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redigir o voto vencedor em relação às multas isoladas. Documento assinado digitalmente. Antônio Bezerra Neto Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Documento assinado digitalmente. Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por BANCO VR S/A contra acórdão proferido pela DRJ/São Paulo I que concluiu pela procedência parcial da impugnação. No mesmo acórdão, recorreuse de ofício em face da exoneração de crédito tributário que superou o limite previsto na Portaria MF nº 03/2008. Os créditos tributários lançados, no âmbito da Deinf/SP, referentes ao IRPJ e à CSLL, devidos nos períodos de apuração correspondentes aos anoscalendário de 2006 e 2007, totalizaram o valor de R$ 80.057.513,29. A autuação foi motivada pelas seguintes infrações: (i) glosa de amortização de ágio; (ii) glosa de compensação de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL acima do limite de 30% em operação de incorporação; (iii) glosa de despesas com segurança patrimonial; (iv) glosa de despesas com helicóptero; e (v) multas isoladas por recolhimento a menor de estimativas. No referido acórdão, a DRJ cancelou a exigência correspondente ao item "ii" e manteve a autuação com relação às demais infrações. Em seu recurso, a empresa havia se insurgido contra aquela decisão na totalidade em que ela lhe foi desfavorável, contudo, considerando a reabertura, pela Lei nº 12.865/13, do prazo para adesão ao parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/09, apresentou requerimento (fls. 3675 a 3681) comunicando sua renúncia ao litígio no tocante às infrações mencionadas nos itens "i", "iii" e "iv" acima, quais Fl. 3685DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16327.721633/201173 Acórdão n.º 1401001.615 S1C4T1 Fl. 3.686 3 sejam, as glosas de amortização de ágio, de despesas com segurança patrimonial e de despesas com helicóptero. Restou, assim, o enfrentamento das discussões atinentes às infrações correspondentes aos itens "ii" e "v", quais sejam, a glosa de compensação de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL, em sede de recurso de ofício, e as multas isoladas por recolhimento a menor de estimativas. Aproveitase, então, o relatório da decisão recorrida nos trechos que permanecem relevantes para a descrição do caso: 2. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 928 a 969), o auditor fiscal autuante, primeiramente, informa que o início da ação fiscal se deu em 10/02/2011, quando foram solicitados os elementos iniciais para as verificações necessárias quanto à apuração do IRPJ e da CSLL dos anoscalendário de 2006 e 2007. Observou que as verificações programadas para esta fiscalização, em especial a relativa à amortização de ágio, foram examinadas em procedimento fiscal relativo ao ano calendário 2005, que resultou em autuação, Processo Administrativo Fiscal de n° 16327.001723/201063 e, por questão de economia processual, vários elementos já coletados junto à contribuinte, obtidos a partir daqueles autos foram mencionados no Termo de Verificação pertinente ao presente processo. (...) 2.3. Sob o tópico “BANCO VR S.A., SUCESSOR POR INCORPORAÇÃO DE SMART NET BRASIL LTDA. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL DE EXERCÍCIOS ANTERIORES NÃO OBSERVÂNCIA DO LIMITE DE 30% INFRAÇÃO N° 2”, a autoridade fiscal ao descrever os fatos expõe que, em conformidade com a ata da AGE realizada em 31/12/2006, o Banco VR incorporou a sociedade SMART NET BRASIL LTDA – CNPJ 01.335.267/000100, doravante SMART NET a valores contábeis. Na DIPJ apresentada pela SMART NET ND 1380270 situação especial em 31/12/2006 de Incorporação/Incorporada, forma de apuração pelo Lucro Real Anual, identificase o lançamento do valor de R$ 14.174.819,12 na Linha 45 da Ficha 09A Demonstração do Lucro Real a título de "Compensação de Prejuízos Fiscais de Períodos Anteriores". O mesmo valor foi lançado na Linha 37 da Ficha 17 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido a título de "Base de Cálculo Negativa da CSLL de Períodos Anteriores". 2.3.1. Ressaltou, ainda a autoridade fiscal que este valor é exatamente igual à base de cálculo do IRPJ e da CSLL antes das compensações, ou seja, a SMART NET excluiu a totalidade do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL apurados no período em questão. Regularmente intimada, alegou, a contribuinte ter seguido uma interpretação teleológica das Leis 8.981/95 e 9.065/95, concluindo que “A incorporação da SMARTNET realizada em 2006 provocou a antecipação do término do período base da SMARTNET, o que conforme a interpretação teleológica acima apontada afastou a aplicabilidade do limite de 30% estipulado pelo artigo 510 do RIR. Tal entendimento está em conformidade com a doutrina e decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.” Registra ainda o autuante não ter a interessada apresentado qualquer doutrina ou decisões do CARF que dessem suporte á sua alegação. 2.3.2. Quanto ao Direito aplicado à matéria, o autuante consigna que as disposições contidas no art. 42 da Lei n.° 8.981, de 20/01/1985, e nos arts. 12, 15 e 16 da Lei n.° 9.065, de 20/06/1995, são no sentido de limitar a Fl. 3686DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16327.721633/201173 Acórdão n.º 1401001.615 S1C4T1 Fl. 3.687 4 compensação do lucro real, apurado a partir de 1º de janeiro de 1995, ao percentual de 30%, quando do aproveitamento de prejuízos fiscais de períodos anteriores, bem como a compensação do lucro líquido ajustado, base de cálculo da CSLL, também ao percentual de 30%, no aproveitamento de bases de cálculo negativas de períodos anteriores. 2.3.2.1. Registra a autoridade fiscal que a matéria encontrase sumulada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“Súmula CARF N° 3: Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do anocalendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa.”) e observa que a legislação que impôs a limitação de 30% do lucro real, não contemplou a possibilidade de compensação integral dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL, quando realizados os eventos de incorporação, fusão ou cisão. Prossegue sua argumentação, alegando que: conforme afirma o Ilustre Relator Wilson Fernando Guimarães, no acórdão número 10515908, do Primeiro Conselho de Contribuintes, no contexto do ordenamento jurídicotributário, em homenagem ao princípio da legalidade, o silêncio da lei não pode ser preenchido pelo seu intérprete, principalmente em situação em que tal interpretação objetiva assegurar direito não contemplado, nem mesmo pela via da exceção, nos diplomas legais que disciplinam a matéria perscrutandose a legislação tributária acerca da aplicação do limite de 30%, na compensação de prejuízos fiscais, tal limite não é aplicável aos prejuízos fiscais decorrentes da exploração da atividade rural, quando compensados com o lucro real da mesma atividade, bem como aos apurados pela empresa industrial de Programas Especiais de Exportação, aprovadas até 03 de junho de 1993 pela Befiex, nos termos do art. 95, da Lei n.° 8.981, de 1995, na redação dada pela Lei n.° 9.065, também de 1995 para afastar tal limitação nos casos acima, houve a necessidade de expressa disposição legal prevenindose de eventuais alegações do contribuinte, de que, em virtude da incorporação e posterior extinção, a empresa sucedida encerra suas atividades, caracterizando a descontinuidade da pessoa jurídica, é importante esclarecer que, se fosse admitida a compensação integral dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL, por ocasião da apuração final do IRPJ e da CSLL, estarseia admitindo, por via indireta, a compensação entre empresas sucessora e sucedida, isto é, entre pessoas jurídicas distintas, o que não encontra respaldo na legislação aplicável Resta acrescer que nas sessões realizadas pela 1a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais nos dias 1º e 2 de outubro de 2009, aquela Câmara manifestouse no sentido de confirmar o Acórdão recorrido, segundo o qual o limite de 30% para compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores também é aplicável nos ajustes ao lucro real do balanço de encerramento das atividades da empresa (ementa do acórdão recorrido nº 10515908 e do acórdão nº 9101.00401, de 02/10/2009, à fl. 952). 2.3.2.2. Quanto à apuração da base de cálculo, registra a autoridade fiscal que a inconsistência em comento também foi identificada pelos sistemas Fl. 3687DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16327.721633/201173 Acórdão n.º 1401001.615 S1C4T1 Fl. 3.688 5 informatizados da RFB, no SAPLI – “Sistema de Acompanhamento de Prejuízo, Lucro Inflacionário e Base de Cálculo Negativa da CSLL” e evidenciou à fl. 953 o excesso de compensação de Prejuízo Fiscal (acima dos 30% permitidos) no valor de R$ 9.922.373,38. (...) 2.6. Sob o tópico “ANOCALENDÁRIO 2007. IRPJ/CSLL. APURAÇÃO DA ESTIMATIVA MENSAL COM BASE EM BALANÇO OU BALANCETE DE SUSPENSÃO/REDUÇÃO. VALORES NÃO INCLUÍDOS NA BASE DE CÁLCULO DAQUELES TRIBUTOS. MULTA DE OFÍCIO DE QUE TRATA O ART. 44, II, "b" DA LEI 9.430/96 (MULTA ISOLADA) INFRAÇÃO N° 5”, a autoridade fiscal acusa a dedução de valores conforme infrações relativas à amortização de ágio e dedução de despesas de vigilância/segurança e com helicóptero que resultou em diminuição indevida da estimativa mensal apurada pelo Banco VR, conforme sua opção com base em balanço ou balancete de suspensão/redução, vide DIPJ 2008 Ano Calendário 2007 ND 1883107. Com base no art. 44, II " b " da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 11.488/2007 em seu art. 14, e a partir do Livro de Apuração do Lucro Real e planilhas de base de cálculo das estimativas de IRPJ e CSLL apresentadas pelo Banco VR procedeuse aos ajustes consoante valores das infrações apuradas pela fiscalização e acima relatadas, conforme quadros demonstrativos às fls. 968. 3. Irresignada com o lançamento, a contribuinte, por intermédio de seus advogados e procuradores (docs. de fls. 1097 a 1101), apresentou, em 05/01/2012, a impugnação de fls. 1020 a 1094, acompanhada dos documentos de fls. 1097 a 3210. Na peça de defesa a impugnante trata separadamente cada uma das cinco infrações apontadas pela fiscalização. (...) 3.2. Quanto à infração nº 02 (Compensação indevida de Prejuízos fiscais e Bases de Cálculo Negativas) a contribuinte, ao relatar os fatos, expõe que: a Impugnante incorporou a sociedade SMART.NET BRASIL LTDA. ("SMART.NET") CNPJ n° 01.335.267/000100 em 31.12.2006 (fls. 507 a 536 dos autos); A SMART.NET tinha por objeto social a prestação de serviços envolvendo sistemas/programas de informática, incluindo a distribuição, desenvolvimento e principalmente o processamento de operações com cartões de benefícios de tarja magnética, notadamente aqueles administrados pela Impugnante, enquanto que a Impugnante dedicavase à emissão e administração de cartões de benefícios (valerefeição, valealimentação, valecombustível), sendo que ambas desenvolviam as suas atividades operacionais com empregados e estrutura próprios; A incorporação teve por fim, pois, a simplificação da estrutura societária do grupo VR e o aumento das sinergias entre as sociedades, eis que grande parte da operação da SMART.NET estava voltada para o processamento das operações com cartões da Impugnante; Por ocasião do encerramento de suas atividades em 31.12.2006, data em que foi incorporada pela Impugnante, a SMART.NET apurou lucro real e base de cálculo da CSLL no valor de R$ 14.174.819,12 (conforme DIPJ entregue por ocasião da incorporação, fls. 538 a 558 dos autos); Fl. 3688DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16327.721633/201173 Acórdão n.º 1401001.615 S1C4T1 Fl. 3.689 6 Na data da incorporação, a SMART.NET possuía saldos de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL acumulados de períodos anteriores nos valores de R$ 18.736.502,05 e R$ 18.734.201,84, respectivamente, conforme consignado no LALUR (cópia anexa, doc. 18 fls. 2353/2373); O fato de sua incorporação, contudo, impediria a utilização do saldo acumulado de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL, pois: (i) implicaria o encerramento definitivo de suas atividades e, por consequência, a inexistência de períodos de apuração subsequentes nos quais o referido saldo poderia ser utilizados; e (ii) existe expressa vedação legal ao aproveitamento destes saldos pela empresa incorporadora, i.e. a Impugnante; Tendo em vista a impossibilidade de utilização do saldo acumulado de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL em períodos subsequentes, a SMART.NET os utilizou para compensar integralmente o resultado apurado até a data da incorporação, apresentando à fl. 1061 tabelas demonstrando a apuração do IRPJ e da CSLL pela SMART.NET na data de sua incorporação pela impugnante; Não obstante a impossibilidade de a SMART.NET compensar o seu saldo acumulado de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL em períodos subsequentes, por conta do fato de ter sido extinta por incorporação, o I. Auditor Fiscal pretende impedir o aproveitamento deste saldo no último momento possível, i.e. na apuração do resultado em seu encerramento definitivo; o I. Auditor Fiscal discorda apenas da compensação acima do limite de 30% do lucro real/base de cálculo apurados no período, não opondo quaisquer óbices à existência e liquidez dos valores dos saldos registrados no LALUR da SMART.NET; a acusação fiscal não subsiste, pois: (i) o intuito da norma que estabelece o limite de 30% imposto pelo fiscal é garantir um mínimo de arrecadação aos cofres públicos da União Federal sem, contudo, que isso represente uma barreira definitiva ao aproveitamento dos prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL acumulados pelo contribuinte; (ii) a aplicabilidade de referida norma limitadora, consoante jurisprudência do CARF, tem como premissa básica, pois, a continuidade da empresa, pressuposto este que não se verifica no caso de pessoa jurídica extinta por incorporação; e (iii) qualquer vedação ao aproveitamento dos prejuízos por parte da empresa incorporada em sua última declaração representa tributação de patrimônio e não de renda; especificamente no que tange à apuração do IRPJ supostamente devido em relação ao anocalendário de 2006 (fls. 906 e 907 dos autos), verificase que a D. Fiscalização deixou de considerar os valores de IRRF retido em nome da SMART.NET e os valores de IRPJ e CSLL mensais pagos por estimativa na conta do valor supostamente devido. Caso tivesse considerado referidas deduções, não haveria IRPJ e CSLL a recolher, mesmo se prevalecesse o suposto excesso de compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL. 3.2.1. Ao defender a inaplicabilidade da limitação à compensação de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL nos casos de incorporação, a contribuinte anota que antes das Leis nº 8.981/95 e 9.065/95, a Lei 8.542/92, em seu art. 12, autorizava a compensação de prejuízos fiscais com lucro real de períodos Fl. 3689DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16327.721633/201173 Acórdão n.º 1401001.615 S1C4T1 Fl. 3.690 7 subsequentes sem qualquer limitação, mas havia um prazo de 4 anos para proceder à compensação de seus prejuízos fiscais. Argumentou, ainda que: Na exposição de motivos da Medida Provisória 998/95 (anexa, doc. 19 – fls. 2374/2381), que foi reeditada e posteriormente convertida na Lei 9.065/95, o Poder Executivo afirmou que o objetivo da fixação do limite de 30% era garantir uma arrecadação mínima de IRPJ e CSLL, sem contudo impedir o direito da sociedade de compensar seus prejuízos fiscais, mesmo o valor total de tais prejuízos fiscais, no mesmo período base, se tal compensação não ultrapassasse o valor de 30% de seus lucros. a interpretação teleológica das Leis 8.981/95 e Lei 9.065/95 leva à conclusão de que a aplicação do limite de 30% pressupõe a continuidade ao longo do tempo das atividades da sociedade de tal forma a permitir à sociedade a compensação de seus prejuízos fiscais, ou seja, a norma que determina a limitação de 30% teria o objetivo de prorrogar o tempo necessário para compensar prejuízos fiscais (garantindo assim uma arrecadação mínima de tributos), mas não o de impedir inteiramente a utilização de tais prejuízos; Considerando que (i) a operação de incorporação provoca a extinção da sociedade incorporada, e que (ii) a legislação estabelece que no caso de incorporação de uma sociedade com prejuízos fiscais compensáveis em períodos subsequentes, esses prejuízos fiscais não podem ser compensados pela sociedade incorporadora, a norma que estabelece o limite de 30% não pode ser considerada aplicável no períodobase da incorporação e, assim, a sociedade incorporada pode compensar seus prejuízos fiscais sem estar sujeita ao limite de 30%; consonante se infere dos arts. 226, 227 e 229 da Lei das Sociedades Anônimas, a incorporação implica a antecipação do término do período fiscal base da sociedade incorporada, bem como na transferência ao sucessor de todos os direitos e obrigações da empresa sucedida, entretanto, o art. 514 do RIR proíbe a transferência de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL acumulados na incorporada e não compensados para a incorporadora; se os prejuízos fiscais não pudessem ser utilizados devido à aplicação do limite de 30% na apuração do IRPJ e CSLL no encerramento da empresa incorporada, estariam permanentemente perdidos em virtude da norma que proíbe a transferência do prejuízo fiscal à sucessora na incorporação. Nessa hipótese, estarseia a contrariar a intenção do legislador exteriorizada na exposição de motivos da norma; caso a empresa incorporada não possa compensar integralmente o seu prejuízo fiscal em seu último período base de existência antes de sua extinção por incorporação, estarseia tributando na empresa incorporadora um valor que não representa acréscimo patrimonial, mas patrimônio; Acréscimo patrimonial restará materializado apenas quando o lucro auferido em determinado período é superior ao mínimo necessário para recompor o patrimônio social ao status quo em que anteriormente se encontrava; A parcela do resultado que compensa os prejuízos de períodos anteriores não constitui acréscimo patrimonial, mas mera recomposição do patrimônio perdido nos períodos que lhe são anteriores, e, sendo esta parcela destinada à recomposição do patrimônio da sociedade, admitirse a sua tributação pelo Fl. 3690DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16327.721633/201173 Acórdão n.º 1401001.615 S1C4T1 Fl. 3.691 8 IRPJ seria, na realidade, admitir a tributação de patrimônio e não renda, reportandose jurisprudência do Conselho de Contribuintes que anexa a defesa (docs. 20 a 24 –fls. 2382/2426) e transcrevendo parte do voto condutor do acórdão 10806.682 e ementas do Acórdão proferido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) no Recurso 108.126597 (Acórdão CSRF/0104.258) e do Acórdão CSRF/0105.100; mais recentemente o entendimento (de não ser aplicável o limite de 30% do lucro líquido na compensação de prejuízo fiscal à empresa extinta por incorporação) foi referendado em julgamento acerca da aplicabilidade da corrente jurisprudencial ao caso de instituição financeira sujeita a liquidação extrajudicial. Em duas oportunidades, nas sessões de 09.03.2009 (acórdão CSRF/0100.035 ainda não publicado) e 25.08.2009 (acórdão 910100.301, íntegra anexa, doc. 25 –fls. 2427/2437 ) a E. 1a Turma da C. Câmara Superior de Recursos Fiscais reiterou o entendimento no sentido de que se admite a compensação integral dos prejuízos fiscais em caso de encerramento das atividades da pessoa jurídica, muito embora não se vislumbre como necessário esse encerramento no caso de instituição financeira sujeita a liquidação extrajudicial, cuja ementa transcreveu à fl. 1068; Citando ainda doutrina de Ricardo Mariz de Oliveira, a interessada registra não desconhecer o teor do precedente citado pela D. Fiscalização, que adota entendimento contrário ao já pacificado no âmbito da C. Câmara Superior. Contudo, vale ressaltar que referido acórdão foi proferido em sessão de julgamento na qual estavam ausentes muitos dos Ilmos. Conselheiros Titulares, tendo sido substituídos naquela sessão por D. Conselheiros Suplentes, que, data máxima venia, não representam o entendimento da composição titular daquela E. Turma.Digase ainda que em face deste precedente foram opostos embargos de declaração ainda pendentes de julgamento, de modo que não se pode dizer que esta é uma decisão definitiva; podese dizer que referido precedente não representa uma mudança na linha jurisprudencial há anos pacificada. Isto porque em 03.11.2009, em julgamento posterior ao precedente citado pela D. Fiscaliza, pois, a 2a. Turma Ordinária da 3a Câmara da 1a Seção do CARF, afastou a chamada "trava" de 30% para compensação de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa em caso de empresa incorporada (acórdão 130200.098, sessão de 03.11.2009, íntegra anexa, doc. 26 –fls. 2438/2456 –ementa transcrita à fl. 1070). 3.2.1.1. Conclui assim pelo cancelamento da exigência fiscal correspondente à acusação de compensação indevida dos prejuízos fiscais e bases de cálculo suposta não observância do limite de 30%. 3.2.2. Também alega erro de cálculo do IRPJ e CSLL devidos em razão da suposta infração, pois no período base de sua incorporação (encerrado em 31.12.2006) a SMART.NET contabilizava valores de IRRF retidos a título de antecipação do imposto devido na declaração e de IRPJ e CSLL pagos por estimativa que podiam ser deduzidos dos valores de IRPJ e CSLL a pagar (vide Fichas 12Ae 17 da DIPJ, fls. 548 e 553 dos autos). A partir da apuração dos valores das exigências de IRPJ e CSLL consignadas nas fls. 906/907 (IRPJ) e 919/920 (CSLL) a contribuinte anota que os referidos valores de IRRF e de estimativas mensais de CSLL e IRPJ não teriam sido considerados no cálculo do imposto e da CSLL devidos. Também acusa a impugnante que a fiscalização deveria ter apurados os valores supostamente devidos no contexto da própria declaração entregue pela SMART.NET e não no contexto da apuração do IRPJ Fl. 3691DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16327.721633/201173 Acórdão n.º 1401001.615 S1C4T1 Fl. 3.692 9 e da CSLL da incorporadora (interessada), demonstrando às fls. 1072/1073 que a apuração do IRPJ e da CSLL a partir da declaração entregue pela SMART.NET acusaria saldo negativo de IRPJ e de CSLL, isto é, não subsistiria quais quer valores devedores. (...) 3.5. Quanto à infração nº 05 (Mula Isolada – Falta de recolhimento de IRPJ e CSLL sobre base de cálculo estimada), a impugnante contrapõese à aplicação concomitante de multas isoladas e de ofício. Nesse sentido, argumenta a impugnante que: Além de impor multas de ofício no percentual de 75% sobre o IRPJ e a CSLL que supostamente deixaram de ser recolhidos ao final do anocalendário de 2007 em razão das infrações relacionadas com a dedução das contraprestações da amortização do ágio, das despesas de segurança patrimonial e com a aeronave, a D. Fiscalização também impôs multas isoladas de 50% sobre suposta insuficiência de recolhimento das antecipações mensais IRPJ e CSLL por estimativa no decorrer de 2007, justamente em razão de referidas deduções, conforme consignado na página 39 do Termo de Verificação Fiscal (fl. 966 dos autos), que transcreve às fls. 1085; A aplicação das multas isoladas de 50% sobre o valor da suposta insuficiência de pagamento das antecipações mensais durante 2007 está fundamentada no art. 44, inciso II, "b", da Lei 9.430/96, com redação dada pelo art. 14 da Lei 11.488/2007 (que resultou da conversão em Lei da Medida Provisória 351/2007); Explica o I. Auditor Fiscal que deixou de impor multas isoladas em relação ao ano calendário de 2006 em homenagem à pacífica jurisprudência do E. CARF quanto à inaplicabilidade de tais multas em concomitância com multa de ofício calculada sobre a mesma base; De acordo com entendimento do I. Auditor Fiscal, referida jurisprudência afasta a aplicação concomitante das multas isoladas com a multa de ofício em razão de ambas as penalidades serem impostas sobre a mesma materialidade; Contudo, ainda na opinião do I. Auditor Fiscal, referido fundamento foi modificado com a entrada em vigor da Lei 11.488/2007; o texto anterior do inciso IV do § 1º do art. 44 da Lei 9.430/96, a multa isolada remetia ao caput e incisos de referido artigo, que por sua vez continham a previsão de aplicação da multa de ofício. Por essa referência que o texto normativo que previa a aplicação da multa isolada fazia ao outro texto normativo que previa a multa de ofício é que a D. Fiscalização afirma que ambas tinham, antes da Lei 11.488/2007, a mesma materialidade Após a alteração da redação, a multa de ofício passou a estar prevista no texto normativo do inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96 enquanto que a previsão da multa isolada passou a constar no inciso II de referido artigo. Deixou de existir remessa textual do dispositivo da multa isolada para o dispositivo que prevê a penalidade de ofício; Em que pesem os argumentos da D. Fiscalização, contudo, a jurisprudência do E. CARF não deixa de ser aplicável ao caso após a vigência da Lei 11.488/2007: (i) seja porque não houve alteração na materialidade da Fl. 3692DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16327.721633/201173 Acórdão n.º 1401001.615 S1C4T1 Fl. 3.693 10 penalidade isolada; e (ii) seja porque, ainda que se admita que a Lei 11.488/2007 provocou alteração na materialidade da multa isolada, esta alteração não afasta a aplicação do princípio da consunção ou absorção, consagrados por referida corrente jurisprudencial. 3.5.1. Defende a impugnante a impossibilidade de aplicação concomitante das multas isoladas com a multa de ofício, mesmo depois da Lei nº 11.488/2007. Entende que não houve alteração na materialidade da penalidade isolada pela Lei 11.488/2007. A materialidade da multa isolada pela ausência ou insuficiência dos pagamentos de antecipações mensais de IRPJ e CSLL por estimativa sempre foi, obviamente, esta: a "ausência ou insuficiência dos pagamentos de antecipações mensais de IRPJ e CSLL por estimativa". Alega que a pacífica jurisprudência do E. CARF não vislumbra, ao menos em tese, uma única materialidade para as multas isoladas e de ofício na redação anterior do art. 44 da Lei 9.430/96 e transcreve excerto do voto condutor do Acórdão CSRF nº 910100.500 (íntegra doc. 36 – fls. 3174/3178). Anota que ambas as multas se refletem sobre o mesmo valor (o valor do lançamento do IRPJ e de CSLL) e por esse motivo, e não por terem, em tese, a mesma materialidade, é que a pacífica jurisprudência do CARF não admite a concomitância entre as duas multas. Segundo a impugnante, as alterações promovidas pela Lei nº 11.488, de 2007, em nada alteram as suas conclusões. 3.5.2. Ao considerando que “A conduta de deixar de pagar a antecipação mensal é, pois, meio de execução da conduta de reduzir indevidamente o imposto ou contribuição devidos no fim do anocalendário” invoca o princípio da consunção (ou absorção) que prega que penalidade aplicada sobre a conduta de menor lesividade que é mesmo meio de execução ou etapa preparatória anterior deve ser absorvida pela penalidade imposta à conduta que resulta de referidos meios de execução ou etapas preparatórias. E citando acórdão CSRF/0108.875 (indicado no Termo de Verificação Fiscal) cujo excertos de ementa e voto transcreve às fls. 1090 e 1091, bem como excertos de ementas dos acórdãos 910100.500 (já acima mencionado), 120100.441 (doc. 37 – fls. 3179/3190) e 120100.235 (doc. 38 – fls. 3191/3209), conclui pela insubsistência das penalidades aplicadas isoladamente. 3.6. Por fim, a impugnante alega a inaplicabilidade de juros de mora sobre multa de ofício que, no seu entender estaria a violar a Constituição Federal (art. 146, inciso III) e o Código Tributário Nacional (arts. 3º, 113, 139, § 1º, e 161). Ao apreciar a impugnação apresentada, a 8ª Turma da já mencionada DRJ/São Paulo I proferiu o Acórdão nº 1646.157, de 29 de abril de 2013, por meio do qual decidiu pela procedência parcial da impugnação. Assim figurou a ementa do referido julgado na parte que subsiste em litígio: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 (...) Fl. 3693DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16327.721633/201173 Acórdão n.º 1401001.615 S1C4T1 Fl. 3.694 11 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. IRPJ E CSLL. LIMITAÇÃO DE 30% DO LUCRO AJUSTADO. DECLARAÇÃO FINAL. EXTINÇÃO POR INCORPORAÇÃO. O prejuízo fiscal de pessoa jurídica extinta, por incorporação, somente poderá ser compensado com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro. Inexiste, para a hipótese, previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima desse limite. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. IRPJ E CSLL. LIMITAÇÃO DE 30% DO LUCRO AJUSTADO. EMPRESA INCORPORADA. APURAÇÃO. A apuração do imposto de renda e da CSLL a pagar decorrentes da inobservância do limite de compensação de 30% do lucro líquido ajustado deve ser feita a partir dos dados concernentes à declaração da empresa que efetuou a compensação de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa acima do limite legal estabelecido. (...) MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS. A partir do advento da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007 a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita à incidência da multa de ofício. São duas materialidades distintas, uma referese ao ressarcimento ao Estado pela não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006, 2007 CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O resultado do julgamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ espraia seus efeitos sobre a CSLL lançada em decorrência das mesmas infrações. (...) Cumpre esclarecer que a instância a quo cancelou a infração referente à glosa de compensação de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL tãosomente por verificar e concordar com a alegação de que a empresa incorporada havia recolhido IRPJ e CSLL por estimativa, bem como havia sofrido retenção do IR na fonte, em valores suficientes para zerar os valores desses tributos a pagar quando recompostas as apurações do anocalendário de 2006 considerando o limite compensação determinado pela trava dos 30%. Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário no qual, essencialmente, repete os argumentos deduzidos anteriormente no que diz respeito à inaplicapilidade das multas isoladas. Quanto ao recurso de ofício, pleitea que seja ratificado o Fl. 3694DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16327.721633/201173 Acórdão n.º 1401001.615 S1C4T1 Fl. 3.695 12 cancelamento perpetrado pela decisão recorrida. Ainda, caso assim não se entenda, reinvindica para o caso a aplicação da jurisprudência que afasta a trava dos 30% quando ocorre o encerramento de empresa por incorporação (cita o Acórdão nº 110300.619). É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Além disso, o valor do crédito tributário exonerado pela decisão de primeira instância supera aquele previsto no artigo 2º da Portaria MF nº 375/2001, com o valor alterado pela Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008 (tributos e encargos de multa superior a R$ 1.000.000,00), motivo pelo qual o recurso de ofício interposto também deve ser conhecido. Quanto ao recurso de ofício, concordo com a decisão recorrida no entendimento de que a trava dos 30% também se aplica no caso de incorporação. Para uma análise mais cuidadosa dessa questão, considero importante uma pequena digressão sobre o contexto históricolegislativo da compensação dos prejuízos e bases negativas da CSLL acumulados. Na vigência do DecretoLei nº 1.598/77, o prejuízo verificado num período base podia ser compensado total ou parcialmente com os lucros contábeis apurados dentro dos quatro períodosbase subsequentes. Portanto, apesar de ser permitida sua compensação integral, o direito ao aproveitamento do prejuízo apurado num determinado períodobase sujeitavase a um prazo decadencial. Não obstante ter sido prevista em sua redação original a possibilidade de que a sociedade resultante de fusão e a que incorporasse outra sucedessem as sociedades extintas no seu direito de compensar os prejuízos de períodos anteriores, o DecretoLei nº 1.730/79 a condicionou à autorização, em situações especiais, pelo Conselho Monetário Nacional e, logo depois, o DecretoLei nº 1.870/81 revogou aquela possibilidade em sua plenitude. Essa vedação foi, mais tarde, expressamente confirmada pelo DecretoLei nº 2.341/87, o qual criou também uma vedação proporcional para o caso de cisão parcial, com a possibilidade de a pessoa jurídica cindida compensar os seus próprios prejuízos somente na proporção da parcela remanescente do patrimônio líquido. Além disso, o mesmo DecretoLei nº 2.341/87 impediu que uma pessoa jurídica compense seus próprios prejuízos fiscais, se entre a data da apuração e da Fl. 3695DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16327.721633/201173 Acórdão n.º 1401001.615 S1C4T1 Fl. 3.696 13 compensação houver ocorrido, cumulativamente, modificação de seu controle societário e do ramo de atividade. Com a edição do artigo 42 da Lei nº 8.981/95, foi criada a chamada “trava” que limitou a compensação dos prejuízos acumulados em períodos anteriores a trinta por cento do lucro apurado num determinado período. Seu § único, por sua vez, possibilitou, sem limite temporal, a compensação da parcela não compensada em razão da “trava” nos anoscalendário subsequentes. Por força do disposto no artigo 58 da mesma Lei, tais regras também foram estendidas à CSLL. Confirase: Art. 42. A partir de 1º de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento. Parágrafo único. A parcela dos prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, não compensada em razão do disposto no caput deste artigo poderá ser utilizada nos anoscalendário subseqüentes. (...) Art. 58. Para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodosbase anteriores em, no máximo, trinta por cento. Em virtude de dúvidas que cercaram o alcance do texto legal transcrito quanto ao direito de compensação dos prejuízos que viessem a ser apurados a partir do ano calendário de 1995, foram em seguida inseridos no sistema os artigos 15 e 16 da Lei nº 9.065/95, os quais versaram com as seguintes disposições: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Fl. 3696DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16327.721633/201173 Acórdão n.º 1401001.615 S1C4T1 Fl. 3.697 14 Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do ano calendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios da base de cálculo negativa utilizada para a compensação. A exposição de motivos da Medida Provisória nº 998/95, a qual resultou convertida na Lei nº 9.065/95, continha a seguinte justificativa para inclusão dos referidos dispositivos: Arts. 15 e 16 do Projeto: decorrem de Emenda do Relator; para restabelecer o direito à compensação de prejuízos, embora com as limitações impostas pela Medida Provisória nº 812/94 (Lei n° 8.981/95). Ocorre, hoje vacatio legis, em relação à matéria. A limitação a 30% garante uma parcela expressiva de arrecadação, sem retirar do contribuinte o direito a compensar, até integralmente, num mesmo ano, se essa compensação não ultrapassar o valor do resultado positivo. (Diário Oficial do Congresso Nacional – Edição de 14/06/95 – Página 3273) Assim, o que existia ao tempo dos fatos do presente processo e que está até hoje expressamente veiculado nos textos legais é o direito de o contribuinte compensar seus prejuízos e bases negativas da CSLL acumulados em períodos anteriores até o limite de trinta por cento do lucro apurado num determinado período. Depois de um longo período de discussão, o STF, no RE nº 344.994, pronunciouse pela constitucionalidade da “trava” dos trinta por cento em julgado que restou com a seguinte ementa: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÕES. ARTIGOS 42 E 58 DA LEI N. 8.981/95. CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO DISPOSTO NOS ARTIGOS 150, INCISO III, ALÍNEAS “A” E “B”, E 5º, XXXVI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. Fl. 3697DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16327.721633/201173 Acórdão n.º 1401001.615 S1C4T1 Fl. 3.698 15 1. O direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de benefício fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido. 2. A Lei n. 8.981/95 não incide sobre fatos geradores ocorridos antes do início de sua vigência. Prejuízos ocorridos em exercícios anteriores não afetam fato gerador nenhum. Recurso extraordinário a que se nega provimento. No âmbito do CARF, a matéria já está pacificada desde a edição da Súmula nº 3, verbis: Súmula CARF nº 3: Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do anocalendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa. Com relação à possibilidade de aproveitamento dos prejuízos fiscais da incorporada pela empresa incorporadora, permanece em vigor a vedação confirmada pelo DecretoLei nº 2.341/87: Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. Fica, então, a dúvida sobre a situação aventada no presente processo, qual seja, a possibilidade de uma empresa superar o limite estabelecido pela “trava”, compensando a totalidade ou parte dos seus prejuízos acumulados, na última apuração realizada pelo fato de vir a ser incorporada por outra pessoa jurídica. Afirmase que a “trava” ofende os conceitos de renda e lucro da Constituição Federal, acarretando a tributação do patrimônio do contribuinte. Numa interpretação teleológica, haveria a autorização para que os prejuízos fiscais e as bases de cálculo da CSLL acumulados sejam compensados sem restrição na última DIPJ apresentada. Essa alegação está em consonância com os ensinamentos de Misabel Derzi1, segundo o qual o prejuízo representa uma perda do patrimônio da empresa. Por isso, enquanto 1 Cf. Misabel Abreu Machado Derzi, “Princípio de Cautela ou Não Paridade de Tratamento entre o Lucro e o Prejuízo”, in Estudos de direito tributário em homenagem à memória de Gilberto de Ulhôa Canto. Rio de Janeiro: Forense, 1998, p. 255 a 265. Fl. 3698DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16327.721633/201173 Acórdão n.º 1401001.615 S1C4T1 Fl. 3.699 16 a parcela perdida do patrimônio não for totalmente recuperada, ao se tributar qualquer lucro auferido, estarseá, na verdade, tributando o patrimônio e não a renda. Nesse sentido, todos os prejuízos acumulados deveriam ser compensados antes de qualquer retorno à tributação dos lucros, mas a “trava” impede a atuação desse mecanismo. Para amenizar o efeito da tributação no patrimônio, sugerese que, no caso da extinção da empresa que detém prejuízos e base negativas da CSLL acumulados, haveria a referida autorização. Apesar de todo o respeito que merecem os ensinamentos da ilustre Professora, entendo que esse raciocínio parte da premissa de que os conceitos de lucro, noutras palavras, renda para as empresas, e patrimônio são bem definidos pela ciência contábil e, como tais, devem ser rigorosamente obedecidos pela legislação tributária. Sem embargo, o conceito de renda tem raízes profundamente marcadas na teoria econômica. Mas, desde o século XIX, quando a renda passou a se firmar como forma preferida de cobrança de impostos por sua aptidão para a exteriorização da capacidade contributiva e para a eficiência da arrecadação, os estudiosos da ciência das finanças perceberam a insuficiência ou limitação dos conceitos econômicos para os fins práticos da imposição tributária e desenvolveram novas formulações para o conceito de renda. Foi nesse contexto que surgiram as teorias da fonte e do acréscimo patrimonial. Pela teoria da fonte, a renda seria o “produto periódico de uma fonte permanente”. Por sua vez, a teoria do acréscimo patrimonial, procurando dar ao conceito uma maior amplitude em sua base, para incluir nele hipóteses que, de outra maneira, escapariam ao estreito critério da fonte, definia a renda como “o incremento líquido do patrimônio em período determinado de tempo”. Inspiradas nessas ideias, as comissões encarregadas de redigir o projeto do CTN erigiram o seu artigo 43 com o seguinte conteúdo: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Assim, o inciso I foi inspirado na teoria da fonte enquanto que o inciso II, na teoria do acréscimo patrimonial. Contudo, os debates travados nos trabalhos daquelas comissões, conforme narrado por seu relator, Rubens Gomes de Sousa2, permitem concluir que a teoria do acréscimo 2 Cf. Rubens Gomes de Sousa, "O Fato Gerador do Imposto de Renda". In: Estudos de Direito Tributário. São Paulo: Saraiva, 1950, pp. 175 e 176; e "Imposto de Renda: Despesas não dedutíveis pelas pessoas jurídicas. Seu Fl. 3699DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16327.721633/201173 Acórdão n.º 1401001.615 S1C4T1 Fl. 3.700 17 patrimonial seria suficiente para fundamentar ambos os incisos. Com efeito, relativamente a este aspecto específico, o saudoso tributarista assim se manifestou: “vale sublinhar que essa redação do inciso II implica que também a renda, de que trata o inciso I, é um acréscimo patrimonial, como já está dito pela palavra produto constante desse inciso”3. A conceituação da renda nos termos da teoria do acréscimo patrimonial foi historicamente elaborada a partir da colaboração dos estudos dos financistas Georg Schanz, Robert Haig e Henry Simons, por isso ela é conhecida na literatura como modelo SchanzHaig Simons – SHS – de renda. A partir desses estudos, é possível conceituar a renda num determinado período como a soma, em valor monetário, entre o consumo de bens e serviços e o acréscimo de patrimônio verificados nesse mesmo período. Para consecução dessa renda contribuem todos os fluxos monetários e demais benefícios (que possam também ser avaliados em termos monetários) que ingressem na esfera patrimonial da pessoa durante o período considerado. Desse modo, concorrem para a realização da renda as remunerações recebidas em troca dos fatores de produção, as doações e ganhos eventuais, os acréscimos nos valores dos ativos e a renda imputada4. A renda conceituada segundo o modelo SHS pode, portanto, ser considerada o parâmetro ideal de renda a quem nosso CTN escolheu aderir. Em virtude da remissão à lei complementar estabelecida no artigo 143, III, “a”, da Constituição, podemos considerála nosso conceito constitucional de renda. Entretanto, a amplitude desse conceito revela que a tributação sobre a renda expressa no modelo SHS é praticamente inviável e politicamente não desejada. Operase, então, um sopesamento de princípios na elaboração da lei tributária. Em virtude desse sopesamento, a renda a ser tributada sofre uma significativa redução em relação à renda idealmente conceituada. Assim, os ajustes efetuados pela lei tributária, para do lucro contábil se chegar ao lucro tributável, são manifestações do mencionado sopesamento de princípios que normalmente afastam o lucro tributável do conceito ideal de renda. A bem da verdade, a própria definição contábil de lucro já assume algumas premissas que afastam o lucro contábil do conceito de renda segundo o modelo SHS5. Por isso, há também ajustes que atuam no sentido contrário, ou seja, para aproximar o lucro tributável do conceito ideal de renda. Nessa esteira, fica claro que a lei tributária pode e deve promover os ajustes necessários para conformar o lucro tributável em consonância com o arcabouço valorativo inserido nos diferentes princípios e regras constitucionais. Ao aplicador das normas veiculadas por lei, pelo menos em sede de controle da legalidade dos atos administrativos, resta verificar a correta subsunção dos fatos nos antecedentes dessas normas. Além disso, por se tratar de um conceito constitucional, qualquer manifestação desse colegiado acerca da conformidade das disposições da lei tributária com o conceito de renda iria de encontro ao que determina a Súmula nº 2 do CARF: tratamento fiscal como lucros distribuídos no que se refere à própria sociedade e a seus sócios ou acionistas". In: Pareceres1: Imposto de Renda. Ed. Póstuma. São Paulo: IBET e Resenha Tributária, 1975, pp. 59 a 95. 3 Cf. Rubens Gomes de Sousa, "Imposto de Renda: Despesas ....", p. 70. 4 Cf. Kelvin Holmes, The concept of income. A multidisciplinary analysis. The Netherlands: IBFD, 2000, p. 57. 5 Ibidem, pp. 146 e 147. Fl. 3700DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16327.721633/201173 Acórdão n.º 1401001.615 S1C4T1 Fl. 3.701 18 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por essas razões, não se pode dar guarida à alegação de que a “trava” ofenderia os conceitos constitucionais de renda e lucro, acarretando uma tributação do patrimônio do contribuinte, bem como de que tal ofensa autorizaria uma interpretação teleológica que permitisse a compensação dos prejuízos e bases negativas da CSLL acumulados. Caso se invoque o fato de o artigo 189 da Lei nº 6.404/76 (Lei das S/A) permitir a dedução dos prejuízos acumulados, há que se recordar que essa mesma lei admite a existência de métodos e critérios contábeis diferentes dos que são determinados pela lei comercial. Tanto é que seu artigo 177, § 2º, com a redação determinada pela Lei nº 11.941/09, determina que tais métodos e critérios sejam observados exclusivamente em livros e registros auxiliares, confirase: § 2º A companhia observará exclusivamente em livros ou registros auxiliares, sem qualquer modificação da escrituração mercantil e das demonstrações reguladas nesta Lei, as disposições da lei tributária, ou de legislação especial sobre a atividade que constitui seu objeto, que prescrevam, conduzam ou incentivem a utilização de métodos ou critérios contábeis diferentes ou determinem registros, lançamentos ou ajustes ou a elaboração de outras demonstrações financeiras. Nesse contexto, observase que as disposições da lei tributária, dada sua notória convivência com a regulamentação contábil, são expressamente ressalvadas. É por isso que as regras de compensação dos prejuízos e das bases negativas da CSLL acumulados da legislação tributária têm caráter autônomo e aplicação exclusiva na apuração do lucro tributável. Não se comunicam com a regra do artigo 189 da Lei nº 6.404/76, instituída com o objetivo de apurar a existência de resultado positivo passível de compor a base de cálculo das participações estatutárias (artigo 190) e eventual lucro líquido remanescente (artigo 191) apto a ser destinado por deliberação da assembleia de acionistas (artigo 192). Vejase: SEÇÃO I Lucro Dedução de Prejuízos e Imposto sobre a Renda Art. 189. Do resultado do exercício serão deduzidos, antes de qualquer participação, os prejuízos acumulados e a provisão para o Imposto sobre a Renda. Fl. 3701DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16327.721633/201173 Acórdão n.º 1401001.615 S1C4T1 Fl. 3.702 19 Parágrafo único. o prejuízo do exercício será obrigatoriamente absorvido pelos lucros acumulados, pelas reservas de lucros e pela reserva legal, nessa ordem. Participações Art. 190. As participações estatutárias de empregados, administradores e partes beneficiárias serão determinadas, sucessivamente e nessa ordem, com base nos lucros que remanescerem depois de deduzida a participação anteriormente calculada. Parágrafo único. Aplicase ao pagamento das participações dos administradores e das partes beneficiárias o disposto nos parágrafos do artigo 201. Lucro Líquido Art. 191. Lucro líquido do exercício é o resultado do exercício que remanescer depois de deduzidas as participações de que trata o artigo 190. Proposta de Destinação do Lucro Art. 192. Juntamente com as demonstrações financeiras do exercício, os órgãos da administração da companhia apresentarão à assembléiageral ordinária, observado o disposto nos artigos 193 a 203 e no estatuto, proposta sobre a destinação a ser dada ao lucro líquido do exercício. E não se diga que a restrição brasileira não encontraria precedente no mundo civilizado. A maioria dos países também impõe algum tipo de limitação à compensação dos prejuízos acumulados. Com efeito, vários países, apesar de permitirem o aproveitamento do prejuízo retroativo a alguns anos anteriores (técnica do “carry back”), impõem um limite temporal para o aproveitamento do saldo no futuro. Outros, sem concessão para o “carry back”, assim como a regra anteriormente vigente no Brasil, só impõem o limite temporal para o futuro (técnica do “carry forward”). Em todos os casos, haverá a possibilidade de alguma parcela dos prejuízos acumulados não ser aproveitada, seja pelo transcurso do prazo decadencial, seja pela extinção da empresa antes que ela possa fruir desse direito. O fato é que a lei brasileira mudou seu limite. De um limite temporal para o futuro, mudou para um limite percentual no presente. Fez isso porque no sopesamento de princípios que motivaram a elaboração legislativa entendeuse que assim deveria proceder. Destarte, o fato de que a maioria dos países possui alguma forma de limite para a compensação de prejuízos, só serve para reforçar o argumento de que o nosso País também pode ter o seu. Fl. 3702DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16327.721633/201173 Acórdão n.º 1401001.615 S1C4T1 Fl. 3.703 20 Além disso, há que se levar também em conta o entendimento de que a compensação de prejuízos se trata de benefício fiscal no sentido de que o ente tributante pode, mas não está obrigado, permitir a compensação de prejuízos anteriores. O enquadramento da compensação de prejuízos no conceito de benefício fiscal, além de estar em consonância com a jurisprudência do STF acima citada, pode ser justificado pelo fato de que, diferentemente do que ocorre em alguns países onde a renda segue a teoria da fonte definida em espectros cedulares, o conceito de renda adotado no Brasil, como já explicado, segue a teoria do acréscimo patrimonial segundo o modelo SHS definido numa amplitude global6. Consequentemente, no caso do imposto de renda, a lei tributária incide de forma global sobre todo acréscimo patrimonial. Depois, sobre algumas situações específicas, afasta o campo de incidência. Diria até mesmo que sua natureza é de uma isenção. Como explica Paulo de Barros Carvalho, a isenção atua no próprio campo normativo. A regra de isenção subtrai parte do campo de abrangência do antecedente ou do consequente da regramatriz de incidência, mutilando, parcialmente, um ou mais dos seus critérios7. Nessa trilha, quando a lei cria um mecanismo como a compensação de prejuízos e bases negativas da CSLL acumulados, nada mais faz do que mutilar, parcialmente, o critério da base de cálculo das regrasmatriz de incidência do IRPJ e da CSLL. Mas, o faz de forma limitada, qual seja, restringe essa compensação a trinta por cento do lucro apurado no próprio período de apuração. Se não houvesse essa concessão normativa, as alíquotas daqueles tributos seriam aplicadas às respectivas bases de cálculo, sem qualquer mutilação. Por tratarse de isenção, há que se lembrar o que determina o artigo 111 do CTN, verbis: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: (...) II outorga de isenção; Assim, não há espaço para um alargamento da isenção além das situações expressamente previstas em lei. Não é possível, portanto, interpretar os comandos legais de modo que quando ocorre a extinção da pessoa jurídica a compensação dos prejuízos e bases negativas da CSLL sejam alargados para além do limite previsto pela “trava”. Não há nenhuma concessão expressa na lei para essa situação. E não é de se estranhar que seja assim. Afinal, a regra geral é a incidência sobre a renda global. A mutilação é uma exceção. Por isso, não se pode dar uma amplitude extensiva à regra de isenção. A Câmara Superior de Recursos Fiscais também já se pronunciou no sentido de que a manutenção da “trava” é devida mesmo quando ocorre a extinção da pessoa jurídica 6 Cf. Reuven S. AviYonah, Nicola Sartori e Omri Marian, Global Perspectives on Income Taxation Law. New York: Oxford, 2011, pp. 17 a 23. 7 Cf. Paulo de Barros Carvalho, Curso de Direito Tributário, 17a. ed. São Paulo: Saraiva, 2005, p. 490. Fl. 3703DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16327.721633/201173 Acórdão n.º 1401001.615 S1C4T1 Fl. 3.704 21 por incorporação (Acórdão nº 910100.401). Por trazer outros argumentos relevantes a essa conclusão, transcrevo a seguir a ementa e um trecho do voto condutor proferido pela Ilustre Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro: COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS IRPJ. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. O prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado com o lucro real, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. (...) Os Tribunais Superiores já definiram que na compensação de prejuízos não se trata de direito adquirido, mas sim de uma expectativa de direito, como demonstram decisões do Superior Tribunal de Justiça, como exemplo o Recurso Especial nº 307389 RS, que ao enfrentar semelhante questão pronunciase da forma seguinte: O princípio da legalidade, do mesmo modo que impõe a exigência de cobrança a tributo só por lei expressa, também, exige que a compensação de prejuízos com lucros para fins tributários somente ocorra com autorização legislativa. Insubsistente a tese da recorrente de que não há proibição da compensação pretendida. No regime de direito público, especialmente no campo do direito tributário, a relação jurídica decorre de norma positiva, O silêncio da lei não cria direitos para nenhuma das partes: sujeito ativo e sujeito passivo. Outrossim, no trato de qualquer beneficio fiscal, mesmo concedido por lei, a interpretação é restritiva Também o STF se pronunciou acerca do tema, em 25/03/2009, no RE 344.9940 do Paraná, cujo Relator inicial, o Ministro Marco Aurélio restou vencido. Redige o voto vencedor o Ministro Eros Grau, acórdão assim ementado: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÕES ARTIGOS 42 E 58 DA LEI N.8.981/95. CONSTITUCIONALIDADE, AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO DISPOSTO NOS ARTIGOS 150, INCISO III, ALÍNEAS "A" E "B", E 50, XXXVI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. O direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de beneficio fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido. A Lei n. 8.981/95 não incide sobre fatos geradores ocorridos antes do inicio de sua vigência. Prejuízos ocorridos em exercícios anteriores não afetam fato gerador nenhum. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Fl. 3704DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16327.721633/201173 Acórdão n.º 1401001.615 S1C4T1 Fl. 3.705 22 Neste recurso pretendia o autor que a trava não incidisse sobre os saldos de prejuízos ocorridos até dezembro de 1994, sob argumento de que se estava diante de um direito adquirido à compensação de todo prejuízo e a nova lei não poderia restringir tal direito. Aliás, quanto a interpretação teleológica pretendida no paradigma trazido à colação, no que toca aos prejuízos fiscais, o Supremo Tribunal Federal decidiu, em sua composição Plenária, que a compensação de prejuízos fiscais tem natureza de beneficio fiscal e pode, como instrumento de política tributária, ser revisto pelo legislador sem implicar, sequer, no direito adquirido. Destaque é de ser dado ao voto da Ministra Ellen Gracie, que bem traduz a lógica do que aqui defendemos e neutraliza os argumentos da Recorrente nos seguintes termos: (...) 4.Já quanto à limitação da compensação das prejuízos fiscais apurados até 31.12.1994, destaco, por oportuno, as palavras sucintas e rigorosamente claras com que rejeitou o pedido de liminar, ocasião em que o eminente Juiz Federal Antônio Albino Ramos de Oliveira assentou quanto importa para o deslinde da questão "A lei questionada limitou as deduções de prejuízos da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social referentes a exercício futuro. Vedado estaria fazêlo em relação a fatos geradores já ocorridos quando de sua publicação, ou para exigência no mesmo exercício. " (fl. 44) 5. (...) Entendo, com vênia ao eminente Relator, que os impetrantes tiveram modificada pela Lei 8,981/95 mera expectativa de direito donde o nãocabimento da impetração. 6.Isto porque, o conceito de lucro é aquele que a lei define, não necessariamente, o que corresponde às perspectivas societárias ou econômicas. Ora, o Regulamento do Imposto de Renda RIR, que antes autorizava o desconto de 100% dos prejuízos fiscais, para efeito de apuração do lucro real, foi alterado pela Lei 8.981/95, que limitou tais compensações a 30% do lucro real apurado no exercício correspondente. 7.A rigor, as empresas deficitárias não têm “crédito" oponível à Fazenda Pública. Lucro e prejuízo são contingências do mundo dos negócios. Inexiste direito liquido e certo à "socialização "dos prejuízos, como a garantir a sobrevivência de empresas ineficientes. É apenas por benesse da política fiscal atenta a valores mais amplos como o da estimulação da economia e o da necessidade da criação e manutenção de empregos que se estabelecem mecanismos como o que ora examinamos, mediante o qual é autorizado o abatimento dos prejuízos verificados, mais além do exercício social em que constatados. Como todo favor fiscal, ele se restringe às condições fixadas em lei. E a lei vigorante para o exercício fiscal que definirá se o beneficio será calculado sobre 10, Fl. 3705DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16327.721633/201173 Acórdão n.º 1401001.615 S1C4T1 Fl. 3.706 23 20 ou 30%, ou mesmo sobre a totalidade do lucro líquido. Mas, até que encerrado o exercício fiscal, ao longo do qual se forma e se conforma o fato gerador do Imposto de Renda, o contribuinte tem mera expectativa de direito quanto à manutenção dos patamares fixados pela legislação que regia os exercícios anteriores. Não se cuida, como parece claro, de qualquer alteração de base de cálculo do tributo, para que se invoque a exigibilidade de lei complementar. Menos ainda, de empréstimo compulsório. Não há, por isso, quebra dos princípios da irretroatividade (CF, art. 150, 111, a e b) ou do direito adquirido (CF, art 5°, XXXVI) (...) 8. Por tais razões, peço licença para seguir a linha da divergência inaugurada pelo Ministro Eros Grau Em sendo a compensação de prejuízos fiscais espécie incentivo fiscal outorgado por lei e não um patrimônio do contribuinte a ser socializado, não se pode ampliar o sentido da lei nem ampliar o seu significado eis que a norma que cuida de benefícios fiscais devem ser interpretadas de forma restritiva nos termos do artigo 111 do Código Tributário Nacional. Neste sentido é a jurisprudência consoante arestos a seguir elencados: Ementa: ..... I. A legislação pertinente ao Simples ao prever exclusão do crédito tributário deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art. 111, I do CTN (STJ. REsp 825012/MG Rel.: Min. Castro Meira, Turma. Decisão: 16/05/06. DJ de 26/05/06, p. 250.) Ementa: ... I. Da leitura do art. 151 do CTN dessumese que as possibilidades de suspensão da exigibilidade do crédito tributário nele estão exauridas, não comportando interpretação extensiva do seu conteúdo, ante o teor do art 111, inciso I, do CTN. ...” (STJ. Resp 7827291/PR, Rel.: Min Castro Meira. 2ª Turma, Decisão: 06/12/05. DJ de 01/02/06, p. 506.) "Ementa: .... I. O art. 111 do CTN, que prescreve a interpretação literal da norma, não pode levar o aplicador do direito à absurda conclusão de que esteja ele impedido, no seu mister de apreciar e aplicar as normas de direito, de valerse de uma equilibrada ponderação dos elementos lógicosistemático, histórico e finalístico ou teleológico, os quais integram a moderna metodologia de interpretação das normas jurídicas....." REsp 192531/RS, Rel.: Mm.. João Octavio de Noronha, 2' Turma. Decisão: 17/02/05. DJ de 16/05/05, p. 275.) "Ementa: .... II. Nos termos do art. 111 do CTN, a interpretação das normas de índole tributária não comportam ampliações ou restrições, e, sendo possível mais de uma interpretação, todas razoáveis, deve prevalecer aquela que mais se aproxima do elemento literal. ..." (TRF 2ª Região. AMS 94.02.140859/RJ. Rel.: Des. Federal Poul Erik Dyrlun, 6ª Turma. Decisão: 15/12/04 DJ de 10/01/05, p. 52.) De fato, quando a lei quis que fosse liberado o limite a compensação de 30% dos prejuízos fiscais, o fez de forma expressa, como foi o caso dos lucros auferidos Fl. 3706DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16327.721633/201173 Acórdão n.º 1401001.615 S1C4T1 Fl. 3.707 24 pelas empresas inseridas no regime Befiex, como se vê no artigo 95 da Lei 8981/1995, com a redação inserida através do artigo 1°. da Lei 9065/1995, a saber: "Art. 95. As empresas industriais titulares de Programas Especiais de Exportação aprovados até 3 de junho de 1993, pela Comissão para Concessão de Beneficias Fiscais a Programas Especiais de Exportação BEFIEX, poderão compensar o prejuízo fiscal verificado em um períodobase com o lucro real determinado nos seis anoscalendário subseqüentes, independentemente da distribuição de lucros ou dividendos a seus sócios ou acionistas." Nesta esteira a Instrução Normativa SRF nº 11, de 21 de fevereiro de 1996, vem determinando, quanto a Compensação de Prejuízos Fiscais, o seguinte: Art. 35. Para fins de determinação do lucro real, o lucro líquido, depois de ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do imposto de renda, poderá ser reduzido pela compensação de prejuízos fiscais em até, no máximo, trinta por cento. § 4º O limite de redução de que trata este artigo não se aplica aos prejuízos .fiscais decorrentes da exploração de atividades rurais, bem como aos apurados pelas empresas industriais titulares de Programas Especiais de Exportação aprovados até 3 de junho de 1993, pela Comissão para Concessão de Benefícios Fiscais a Programas Especiais de Exportação BEFIEX, nos termos do art. 95 da Lei n° 8.981 com a redação dada pela Lei nº 9.065, ambas de 1995. Nesta normativa, também, a confirmação do que dispunha o artigo 14 da Lei 8023/1990, no que tange ao tratamento diferenciado concedido às empresas que exercem atividades rurais que podiam compensar todos os prejuízos incorridos, sem limites. Lei 8023/1990: Art. 14. O prejuízo apurado pela pessoa física e pela pessoa.jurídica poderá ser compensado com o resultado positivo obtido nas anos base posteriores. O permissivo é posteriormente ampliado para a CSLL através do art. 41 da MP 2.11332 de 21/06/2001, como segue: MP 2.11332 de 21/06/2001 Art.41.O limite máximo de redução do lucro líquido ajustado, previsto no art. 16 da Lei nº 9 065, de 20 de junho de 1995, não se aplica ao resultado decorrente da exploração de atividade rural, relativamente à compensação de base de cálculo negativa da CSLL. A interpretação fundada em argumentos finalísticos serve de auxílio à interpretação, mas não pode ser fundamento para negar validade à interpretação jurídica consagrada aos conceitos tributários. Dessa forma, em homenagem ao comando legal do art. 111 do CTN, que impõe restrição de interpretação das normas que concedem benefícios fiscais, como é o caso, descabe o elastério interpretativo pretendido pela Recorrente. Fl. 3707DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16327.721633/201173 Acórdão n.º 1401001.615 S1C4T1 Fl. 3.708 25 Mas, por amor ao debate, mesmo que de beneficio fiscal não se tratasse, no mínimo teríamos que admitir que as normas jurídicas exceptivas à trava dos 30% acima referidas também devem ser interpretadas de maneira restrita. É de se ver. As normas jurídicas exceptivas, como é o caso, só abrange os antecedentes que especifica, devendo se utilizar, sim, do argumento a "contrario sensu". Esse, inclusive, é o ensinamento do nosso mestre Jusfilósofo Pernambucano Lourival Vilanova em sua obraprima "As Estruturas Lógicas e o Sistema do Direito Positivo", do qual extraímos o seguinte excerto: "A norma jurídica exceptiva só abrange os antecedentes que especifica, não outros, delineando conjuntounimembre ou conjuntomultimembre de sujeitos ou ações que caem fora da órbita de abrangência (da extensão em sentido lógico) ou âmbitode validade da norma geral. (...) Não consta, é certo, na enumeração das normas para preenchimento das lacunas, ao lado da inferência analógica, a inferência a contrario, mas ela está implícita em cânones, como meras diretivas (normas, ainda que sem a estrutura de verdadeiras normas de Direito Positivo), como a de que 'inclusão de um, importa na exclusão de outro', ou no preceito já mencionado do art. 6º da antiga Introdução ao Código Civil, segundo o qual a lei que abre exceções a regras gerais só abrange os casos que especifica Com isso, o legislador quis incorporar o adágio exceptiones strictissimae interpretationis sunt, ou indicar normativamente ao intérprete que, no Direito especial, como no Direito excepcional, não se deve pregar a extensão analógica, mas a excludência do que não está implícita ou explicitamente regulado, mediante a via do argumento a contrario sensu. Dizendo com F. Ferrar: 'pois se o legislador, por considerações especiais de utilidade dispôs limitadamente a certos fatos ou pessoas, nos outros casos entendeu que o mesmo tratamento não tivesse lugar '(As Estruturas Lógicas e o Sistema de Direito Positivo, 1ª Edição, Ed Max Lemond, páginas 263,265 e 266).(Destaquei) Vêse que a boa hermenêutica baseada nos ensinamentos de Lourival Vilanova ampara a utilização do argumento a contrario sensu, perfeitamente válido em se tratando de norma exceptiva. É quando um argumento que é considerado "quaselógico" (na visão de Perelman e Tyteca, no Tratado da Argumentação), passa a ser totalmente lógico no mundo do Direito (Lourival Vilanova). Portanto, acompanho a decisão recorrida no entendimento de que a trava dos 30% também se aplica no caso de incorporação. Nada obstante, como bem ponderado naquela mesma decisão, a recorrente tem razão quando registra que a não observância do limite da trava foi uma infração cometida por sua incorporada e, por isso, há que se reconhecer o direito à compensação dos valores recolhidos a título de estimativa por essa mesma incorporada no correspondente período de apuração (ou dela retidos a título de IR na fonte). Fl. 3708DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16327.721633/201173 Acórdão n.º 1401001.615 S1C4T1 Fl. 3.709 26 Nesse sentido, andou bem o ilustre relator daquela decisão quando verificou as informações pertinentes contidas em DIPJ, DCTF e DARF (fls. 3273 a 3351) relativas aos valores recolhidos a título de estimativas de IRPJ e CSLL, bem como o valor retido a título de IR na fonte (apenas uma parcela do valor devido em janeiro de 2006). Com efeito, está correta a conclusão de que a incorporada, mesmo aplicando a trava dos 30%, ainda apuraria saldos negativos de IRPJ e CSLL. Diante disso, há que se negar provimento ao recurso de ofício. No tocante ao recurso voluntário, depois da renúncia veiculada no requerimento (fls. 3675 a 3681) que comunicou a adesão ao parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/09, considerando a reabertura do prazo pela Lei nº 12.865/13, restou a discussão sobre a procedência das multas isoladas por recolhimento a menor de estimativas. Sobre o assunto, sigo o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais que rejeita a aplicação simultânea sobre a mesma infração da multa isolada pelo não pagamento de estimativas apuradas no curso do anocalendário e da multa proporcional concernente à falta de pagamento do tributo devido apurado no balanço final do mesmo ano calendário. Isso porque o não pagamento das estimativas é apenas uma etapa preparatória da execução da infração. Como as estimativas caracterizam meras antecipações dos tributos devidos, a concomitância significaria dupla imposição de penalidade sobre o mesmo fato, qual seja, o descumprimento de uma obrigação principal de pagar tributo. Nesse sentido, pela clareza da argumentação empreendida, peço vênia para reproduzir trecho, conquanto extenso, do voto proferido pela ilustre Conselheira Karem Jureidini Dias no julgamento realizado em 15/08/2012 (Acórdão nº 910101.455): A MULTA ISOLADA POR NÃO RECOLHIMENTO DAS ANTECIPAÇÕES A multa isolada, aplicada por ausência de recolhimento de antecipações, é regulada pelo artigo 44, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/96, verbis8: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) 8 Redação Original: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. Fl. 3709DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16327.721633/201173 Acórdão n.º 1401001.615 S1C4T1 Fl. 3.710 27 b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.” A norma prevê, portanto, a imposição da referida penalidade quando o contribuinte do IRPJ e da CSLL, sujeito ao Lucro Real Anual, deixar de promover as antecipações devidas em razão da disposição contida no artigo 2º da Lei nº 9.430/96, verbis: “Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. §1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo.” A natureza das antecipações, por sua vez, já foi objeto de análise do Superior Tribunal de Justiça, que manifestou entendimento no sentido de considerar que as antecipações se referem ao pagamento de tributo, conforme se depreende dos seguintes julgados: Fl. 3710DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16327.721633/201173 Acórdão n.º 1401001.615 S1C4T1 Fl. 3.711 28 “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. CSSL. RECOLHIMENTO ANTECIPADO. ESTIMATIVA. TAXA SELIC. INAPLICABILIDADE. 1. "É firme o entendimento deste Tribunal no sentido de que o regime de antecipação mensal é opção do contribuinte, que pode apurar o lucro real, base de cálculo do IRPJ e da CSSL, por estimativa, e antecipar o pagamento dos tributos, segundo a faculdade prevista no art. 2° da Lei n. 9430/96" (AgRg no REsp 694278RJ, relator Ministro Humberto Martins, DJ de 3/8/2006). 2. A antecipação do pagamento dos tributos não configura pagamento indevido à Fazenda Pública que justifique a incidência da taxa Selic. 3. Recurso especial improvido.” (Recurso Especial 529570 / SC Relator Ministro João Otávio de Noronha Segunda Turma Data do Julgamento 19/09/2006 DJ 26.10.2006 p. 277) “AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJ E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO CSSL APURAÇÃO POR ESTIMATIVA PAGAMENTO ANTECIPADO OPÇÃO DO CONTRIBUINTE LEI N. 9430/96. É firme o entendimento deste Tribunal no sentido de que o regime de antecipação mensal é opção do contribuinte, que pode apurar o lucro real, base de cálculo do IRPJ e da CSSL, por estimativa, e antecipar o pagamento dos tributos, segundo a faculdade prevista no art. 2° da Lei n. 9430/96. Precedentes: REsp 492.865/RS, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ25.4.2005 e REsp 574347/SC, Rel. Min. José Delgado, DJ 27.9.2004. Agravo regimental improvido.” (Agravo Regimental No Recurso Especial 2004/01397180 Relator Ministro Humberto Martins Segunda Turma DJ 17.08.2006 p. 341) Do exposto, inferese que a multa em questão tem natureza tributária, pois aplicada em razão do descumprimento de obrigação principal, qual seja, falta de pagamento de tributo, ainda que por antecipação prevista em lei. Debates instalaramse no âmbito desse Conselho Administrativo sobre a natureza da multa isolada. Inicialmente me filiei à corrente que entendia que a multa isolada não poderia prosperar porque penalizava conduta que não se configurava obrigação principal, tampouco obrigação acessória. Ou seja, mantinha o entendimento de que a multa em questão não se referia a qualquer obrigação prevista no artigo 113 do Código Tributário Nacional, na medida em que penalizava conduta que, a meu ver à época, não podia ser considerada obrigação principal, já que o tributo não estava definitivamente apurado, tampouco poderia ser considerada Fl. 3711DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16327.721633/201173 Acórdão n.º 1401001.615 S1C4T1 Fl. 3.712 29 obrigação acessória, pois evidentemente não configura uma obrigação de caráter meramente administrativo, uma vez que a relação jurídica prevista na norma primária dispositiva é o “pagamento” de antecipação. Nada obstante, modifiquei meu entendimento, mormente por concluir que tratase, em verdade, de multa pelo não pagamento do tributo que deve ser antecipado. Ainda que tenha o contribuinte declarado e recolhido o montante devido de IRPJ e CSLL ao final do exercício, fato é que caberá multa isolada quando o contribuinte não efetua a antecipação deste tributo. Tanto assim que, até a alteração promovida pela Lei nº 11.488/07, o caput do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, previa que o cálculo das multas ali estabelecidas seria realizado “sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição”. Destaco trecho do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, no julgamento do Recurso nº 105139.794, Processo n° 10680.005834/200312, Acórdão CSRF/0105.552, verbis: “Assim, o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano devem guardar estreita correlação, de modo que a provisão para o pagamento do tributo há de coincidir com valor pago de estimativa ao final do exercício. Eventuais diferenças, a maior ou menor, na confrontação de valores geram pagamento ou devolução do tributo, respectivamente. Assim, por força da própria base de cálculo eleita pelo legislador – totalidade ou diferença de tributo – só há falar em multa isolada quando evidenciada a existência de tributo devido”. É bem verdade que melhor seria se a penalidade em comento fosse tratada como uma pena aplicada pela postergação do pagamento de imposto ou contribuição, mas existe regra específica para o caso de ausência de pagamento ou pagamento a menor de antecipação devida de IRPJ e CSLL, sobrepondose, portanto, à regra da postergação. Adotada a premissa de que a imputação da multa isolada tem por fundamento norma primária sancionadora, em cuja hipótese está o descumprimento de obrigação principal, então a multa isolada é prevista para as hipóteses de não recolhimento ou recolhimento a menor do tributo na forma antecipada. Entendo que não há como se admitir que o valor da antecipação seja, após o encerramento do anocalendário, um tributo isolado. A antecipação não é inconstitucional, nem ilegal. Isto porque, como o próprio nome enseja, é mera antecipação de tributo – IRPJ e CSLL – apurado de forma definitiva após o encerramento do anocalendário, no caso de apuração na forma de lucro real anual. O disposto no artigo 44, inciso II, alínea “b” da Lei nº 9.430/96 veicula norma que estabelece a imputação de penalidade isolada pelo não recolhimento de IRPJ e CSLL, de forma antecipada. Dado o fato do não recolhimento do tributo no prazo estipulado para sua antecipação, deve ser imputada a multa isolada. No conseqüente desta norma resta claro que, como critério pessoal, temse de um lado o contribuinte sujeito ao pagamento da antecipação, de outro a União como sujeito ativo. Como critério quantitativo temse o percentual atual de 50% do tributo devido e não pago. Utilizase o termo tributo porque a sanção é aplicada sobre o descumprimento de obrigação principal. Fl. 3712DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16327.721633/201173 Acórdão n.º 1401001.615 S1C4T1 Fl. 3.713 30 Neste passo, até o encerramento do anocalendário o que se tem por tributo devido é o IRPJ e a CSLL, apurados conforme cálculo previsto para antecipação. Já após o encerramento do anocalendário e apuração do IRPJ e CSLL pelo lucro real, não há como negar que o montante do tributo devido é aquele definitivamente apurado, após as adições, exclusões e compensações previstas em lei. Considerando que o IRPJ e a CSLL são auferidos ao final do anocalendário, sendo provisório o montante calculado nas antecipações, concluise que: i) Quando a multa isolada é aplicada durante o anocalendário, a base é o tributo até então apurado, conforme cálculo das antecipações, já que outro não existe a substituílo por definitividade naquele momento. ii) Quando a multa isolada é imputada após o encerramento do anocalendário e apuração definitiva do tributo devido, sem dúvida a hipótese de aplicação é a mesma, falta de recolhimento das antecipações, não obstante, sua base de incidência terá por limite o valor do tributo definitivamente apurado. Nem há que se imaginar que se nega vigência à norma em questão. O que ocorre é a eliminação, pela interpretação, de eventual contrariedade. Ressaltese que não se trata sequer de contradição, mas de mera e aparente contrariedade. Isto porque, tanto a multa isolada, quanto a multa de ofício têm seu lugar, bem como a multa isolada pode ser aplicada inclusive após o encerramento do anocalendário, mas, em se tratando de multa de natureza tributária, a base é o tributo que deixou de ser recolhido. Este tributo – IRPJ e CSLL – é aquele apurado conforme cálculo de antecipação até o encerramento do período e é aquele apurado pelo lucro real após o encerramento do período. Neste ponto, peço vênia para novamente transcrever trecho do voto do brilhante Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, proferido no julgamento do recurso nº 105139.794, já mencionado anteriormente, verbis: “(...) Vale dizer, após o encerramento do período, o balanço final (de dezembro) é que balizará a pertinência do exigido sob a forma de estimativa, pois esse acumula todos os meses do próprio anocalendário. Nesse momento, ocorre juridicamente o fato gerador do tributo e podese conhecer o valor devido pelo contribuinte. Se não há tributo devido, tampouco há base de cálculo para se apurar o valor da penalidade.(...).” Se o lançamento é efetuado antes do fim do exercício – portanto antes dos ajustes / apuração do lucro, base de cálculo do IRPJ e da CSLL devidos – a base para imposição da sanção é aquela devida por antecipação e calculada até aquele momento. Naquele momento, inclusive, não há autorização para constituição de obrigação principal definitiva – tributo – especialmente porque o mesmo ainda não se quantificou definitivamente porque não concluído o fato gerador. Nestes termos dispõe o caput do artigo 15 da Instrução Normativa nº 93/97, verbis: “Art. 15. O lançamento de ofício, caso a pessoa jurídica tenha optado pelo pagamento do imposto por estimativa, restringirseá à multa de ofício sobre os valores não recolhidos.” Fl. 3713DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16327.721633/201173 Acórdão n.º 1401001.615 S1C4T1 Fl. 3.714 31 De outra feita, em momento posterior ao encerramento do anocalendário, já existe quantificação do tributo devido definitivamente pelos ajustes determinados em legislação de regência, então esta é a limitação ao critério quantitativo da imposição de multa isolada. Vale destacar a lição de Marco Aurélio Greco a respeito do tema, verbis: “(...) mensalmente o que se dá é apenas o pagamento por imposto determinado sobre base de cálculo estimada (art. 2º, caput), mas a materialidade tributada é o lucro real apurado em 31 de dezembro de cada ano (art. 3º do art. 2º). Portanto, imposto e contribuição verdadeiramente devidos, são apenas aqueles apurados ao final do ano. O recolhimento mensal não resulta de outro fato gerador distinto do relativo período de apuração anual; ao contrário, corresponde a mera antecipação provisório de um recolhimento, em contemplação de um fato gerador e uma base de cálculo positiva que se estima venha ou possa vir a ocorrer no final do período. Tanto é provisória e em contemplação de evento futuro que se reputa em formação – e que dele não pode se distanciar – que, mesmo durante o período de apuração, o contribuinte pode suspender o recolhimento se o valor acumulado pago exceder o valor calculado com base no lucro real do período em curso (art. 35 da Lei n° 8.891/95)”. (In:“Multa Agravada em Duplicidade” São Paulo, Revista Dialética de Direito Tributário n° 76, p. 159). Tampouco é de se questionar esta interpretação com base no fato de que a multa em questão é aplicável até mesmo em casos de apuração de base negativa da CSLL e de prejuízo fiscal no anocalendário correspondente, conforme dispõe a alínea “b”, do inciso II, do artigo 44, da Lei nº 9.430/96, anteriormente capitulado no § 1º do citado artigo. O direito, in casu, deve ser analisado à luz da relação de coordenação existente entre a norma veiculada pelo artigo 44, inciso II, alínea “b” da Lei nº 9.430/96 e aquela veiculada pelo artigo 39, parágrafo segundo, da Lei nº 8.383/91, verbis: “Art. 39. As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão optar pelo pagamento, até o último dia útil do mês subseqüente, do imposto devido mensalmente, calculado por estimativa, observado o seguinte: (...) § 2° A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto mensal estimado, enquanto balanços ou balancetes mensais demonstrarem que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto calculado com base no lucro real do período em curso.(...)” Referido dispositivo, conforme é possível constatar, autoriza que o contribuinte interrompa ou reduza os pagamentos devidos por antecipação desde que demonstre, por meio de balancete mensal, que o valor da estimativa anteriormente Fl. 3714DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16327.721633/201173 Acórdão n.º 1401001.615 S1C4T1 Fl. 3.715 32 paga e, portanto, acumulada no período, excede o valor do tributo apurado com base no lucro ajustado no período em curso. Assim, a exegese que se extrai dos comandos legais contidos no artigo 44 da Lei nº 9.430/96, mesmo após as alterações inseridas pela Lei nº 11.488/07, é aquela segundo a qual o lançamento da multa isolada pode ser feito em duas hipóteses: (i) Antes da apuração do tributo devido no balanço do final do ano calendário, quando a base para a imposição da multa observará um dos seguintes critérios: (i.1) o valor correspondente às antecipações não pagas calculadas a partir da margem setorial (o percentual definido em lei) da receita bruta acumulada; ou (i.2) o valor correspondente às antecipações não pagas calculadas a partir do balanço de redução ou suspensão (neste último caso, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL). (ii) Após a apuração do tributo devido no balanço do final do anocalendário, somente se ficar constatado que houve parcela daquele tributo devido que deixou de ser paga na forma de antecipação (quando deveria ter sido paga nesta forma), mas foi paga no ajuste. A base para a imposição da multa corresponderá exatamente ao valor da mencionada parcela. Não se admite, por óbvio, que tal base supere o valor do tributo devido apurado. Assim, há que se verificar se os valores de estimativa a pagar foram deduzidos na apuração anual. Em caso positivo, isto significa que o tributo devido não foi recolhido nem como estimativa nem como resultado do ajuste, portanto, não se trata de cobrar multa isolada, mas, sim, de cobrar o tributo acompanhado da multa proporcional. Em caso negativo, isto significa que o tributo não foi recolhido como estimativa, mas foi recolhido como resultado do ajuste, portanto, é cabível a multa isolada. Contudo, a base para a imposição da multa deverá corresponder ao valor da estimativa não paga que deixou de ser deduzida na apuração anual do imposto devido. Não se admite, também, que essa base supere o valor do imposto devido calculado na apuração anual. A impossibilidade de lançamento da multa isolada concomitantemente com a multa proporcional é explicada na sequência do voto: CONCOMITÂNCIA DA MULTA ISOLADA E DA MULTA DE OFÍCIO Por tudo quanto exposto na interpretação da norma que dispõe sobre a multa isolada em razão do não pagamento, ou pagamento a menor de antecipações, concluise que esta é devida e calculada sobre a obrigação principal até então apurada. O mesmo ocorre com a multa de ofício que acompanha o lançamento referente à totalidade ou diferença de tributo que deixou de ser constituído pelo contribuinte, ao final do anocalendário. Verifico identidade quanto ao critério pessoal e material de ambas as normas sancionatórias, pois ambas alcançam o contribuinte – sujeito passivo – e têm por critério material o descumprimento da relação jurídica que determina o recolhimento integral do tributo devido. Inevitável, portanto, concluirse que impor sanção pelo não recolhimento do tributo apurado conforme lançamento de ofício que apura IRPJ e CSLL devidos ao final do anocalendário e impor sanção pelo não recolhimento ou recolhimento a menor das antecipações devidas, relativamente aos mesmos tributos, é penalizar o Fl. 3715DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16327.721633/201173 Acórdão n.º 1401001.615 S1C4T1 Fl. 3.716 33 mesmo contribuinte duas vezes por ter deixado de recolher integralmente o tributo devido. Portanto, nestes casos, uma penalidade é excludente da outra. Se o que prevalece para fins de quantificação da obrigação principal é o valor decorrente da apuração final, consolidada e definitiva do tributo – justamente porque as antecipações são apurações provisórias do mesmo tributo – também assim deve ser em relação a aplicação das penalidades: prevalece a multa aplicada quando o contribuinte não recolhe o tributo devido em conformidade com a apuração definitiva. Além disso, é inegável que no caso em análise a aplicação da multa isolada é mera penalização de conduta meio de deixar de recolher tributo, uma vez que, por meio do mesmo lançamento, foi constituída, também, multa de ofício pelo não recolhimento de tributo apurado quando da consolidação da obrigação principal devida no exercício e não constituída/recolhida pelo contribuinte. Neste ponto vale destacar outro trecho do bem elaborado voto proferido pelo Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, em julgamento já referido, realizado nesta mesma Turma, a respeito da matéria ora sob análise, tratando do princípio da consunção da condutameio pela condutafim, verbis: “Quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de determinada conduta, é importante identificar o bem jurídico tutelado pelo Direito. Nesse sentido, para a solução do conflito normativo, devese investigar se uma das sanções previstas para punir determinada conduta pode absorver a outra, desde que o fato tipificado constitui passagem obrigatória de lesão, menor, de um bem de mesma natureza para a prática da infração maior. No caso sob exame, o não recolhimento da estimativa mensal pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda. Com efeito, o bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Assim, a interpretação do conflito de normas deve prestigiar a relevância do bem jurídico e não exclusivamente a grandeza da pena cominada, pois o ilícito de passagem não deve ser penalizado de forma mais gravosa que o ilícito principal. É o que os penalistas denominam “princípio da consunção”. (Recurso do Procurador nº 105139.794– Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais – Rel. Marcos Vinícius Neder de Lima – Sessão de 04/12/2006) Adicionalmente, vale notar que é possível valorar as duas penalidades e estabelecer qual delas deve ser aplicável porque, em casos como o ora analisado, senão em razão da identidade de critérios pessoal e material das duas penalidades, ou por força da impossibilidade de se apenar conduta meio e conduta fim, também Fl. 3716DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16327.721633/201173 Acórdão n.º 1401001.615 S1C4T1 Fl. 3.717 34 porque a lei que estabelece as referidas multas não determina expressamente que deve haver concomitância. A lei não estabelece concomitância, não se tratando in casu de contradição. E como não há determinação legal de que ambas sejam aplicadas, o que vemos é um caso de aparente contrariedade. Ou seja, há aplicação normativa por excludência, segundo o que se determina a aplicação de uma ou de outra penalidade, a depender do caso, da valoração do bem maior a ser protegido, e das condutas incorridas pelo contribuinte. Se somente houve falta de recolhimento das antecipações esta é a conduta fim. Se, por outro lado, o contribuinte além de não recolher as antecipações, também deixou de constituir/recolher o tributo devido conforme a apuração definitiva, ocorrida após o encerramento do anocalendário, então aquela é conduta meio desta que é a condutafim. Destarte, há concomitância se multas isolada e proporcional forem aplicadas como consequência da não antecipação de parcela do tributo devido que também não foi paga no ajuste. Isso ocorre, por exemplo, quando se verifica uma omissão de receita. A receita excluída no cálculo da estimativa é uma etapa preparatória do não pagamento do tributo devido no balanço final do mesmo anocalendário. O mesmo fenômeno ocorre quando se efetua uma glosa de despesa que havia sido incluída no cálculo da estimativa apurada em balanço de suspensão ou redução. O impacto que a não antecipação causa na apuração do tributo devido é devidamente penalizado pela multa proporcional. Observese que esse entendimento foi confirmado pela Súmula CARF nº 105, verbis: Súmula CARF nº 105 : A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Mesmo que se defenda que esta súmula não se aplica aos fatos geradores posteriores à edição da Medida Provisória nº 351/07, a qual foi convertida na Lei nº 11.488/07, como já ressaltado, o entendimento aqui firmado permanece inabalado com as alterações promovidas pelos referidos estatutos legais. No caso em apreço, a fiscalização lançou as multas isoladas pelo não pagamento das estimativas recalculadas como decorrência das infrações autuadas, justamente aquelas nas quais o litígio foi renunciado pela recorrente (as mencionadas nos itens "i", "iii" e "iv" na introdução do relatório), quais sejam, as glosas de amortização de ágio, de despesas com segurança patrimonial e de despesas com helicóptero. Essas mesmas infrações impactaram a apuração feita pela fiscalização dos tributos devidos no final do anocalendário. Tratase, portanto, de concomitância. Por isso, afasto a aplicação das multas isoladas sobre estimativas. Fl. 3717DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16327.721633/201173 Acórdão n.º 1401001.615 S1C4T1 Fl. 3.718 35 No caso de ser vencido nesse entendimento, considerando haver posições dissonantes na Turma sobre a procedência das multas isoladas por estimativas em concomitância com as multas proporcionais, informo a seguir os valores em que estas foram aplicadas. Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento integral ao recurso voluntário apresentado para afastar as multas isoladas sobre estimativas, ou seja, no limite remanescente da lide. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Voto Vencedor Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Redator Designado É de longa data meu posicionamento acerca da aplicação da multa isolada em concomitância com a multa proporcional. Abaixo, reproduzo meu voto, relativo à situação idêntica à presente neste feito, que conduziu o Acórdão nº 120100.235, de 07 de abril de 2010: As regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. ANOS TRIBUTO MULTA PROPORCIONAL (R$) OBS: Abrange as quatro infrações e os dois anoscalendário incluídos na autuação MULTA ISOLADA (R$) OBS: Abrange as infrações "i", "iii" e "iv" e o ano calendário de 2007 IRPJ 17.565.290,77 6.336.436,21 2006 e 2007 CSLL 7.618.742,06 2.625.288,31 Fl. 3718DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16327.721633/201173 Acórdão n.º 1401001.615 S1C4T1 Fl. 3.719 36 Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3º: Art. 3º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível a cessação da vigência de leis extraordinárias e certo, em relação às temporárias, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso Fl. 3719DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16327.721633/201173 Acórdão n.º 1401001.615 S1C4T1 Fl. 3.720 37 do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. Nada obstante, também entendo que as duas sanções (a decorrente do descumprimento do dever de antecipar e a do dever de pagar em definitivo) não devam ser aplicadas conjuntamente pelas mesmas razões de me valer, por terem a mesma função, dos institutos do Direito Penal. Nesta seara mais desenvolvida da Dogmática Jurídica, aplicase o Princípio da Consunção. Na lição de Oscar Stevenson, “pelo princípio da consunção ou absorção, a norma definidora de um crime, cuja execução atravessa fases em si representativas desta, bem como de outras que incriminem fatos anteriores e posteriores do agente, efetuados pelo mesmo fim prático”. Para Delmanto, “a norma incriminadora de fato que é meio necessário, fase normal de preparação ou execução, ou conduta anterior ou posterior de outro crime, é excluída pela norma deste”. Como exemplo, os crimes de dano, absorvem os de perigo. De igual sorte, o crime de estelionato absorve o de falso. Nada obstante, se o crime de estelionato não chega a ser executado, punese o falso. É o que ocorre em relação às sanções decorrentes do descumprimento de antecipação e de pagamento definitivo. Uma omissão de receita, que enseja o descumprimento de pagar definitivamente, também acarreta a violação do dever de antecipar. Assim, punese com multa proporcional. Todavia, se há uma mera omissão do dever de antecipar, mas não do de pagar, punese a não antecipação com multa isolada. Assim, consideramos imperioso verificar se houve, em relação aos fatos que ensejaram a autuação de multas isoladas, também a imposição de multa proporcional e em que medida. O valor tributável é o mesmo (R$ 15.470.000,00). Isso, contudo, não implica necessariamente numa perfeita coincidência delitiva, pois pode ocorrer também que uma omissão de receita resulte num delito quantitativamente mais intenso. Foi o que ocorreu. Em razão de prejuízos posteriores ao mês do fato gerador, o impacto da omissão sobre a tributação anual foi menor que o sofrido na antecipação mensal. Desse modo, a absorção deve é apenas parcial. Conforme o demonstrativo de fls. 21, a omissão resultou numa base tributável anual do IR no valor de R$ 5.076.300,39, mas numa base estimada de R$ 8.902.754,18. Assim, deve ser mantida a multa isolada relativa à estimativa de imposto de renda que deixou de ser recolhida sobre R$ 3.826.453,79 (R$ 8.902.754,18 – R$ 5.076.300,39), parcela essa que não foi absorvida pelo delito de não recolhimento definitivo, sobre o qual foi aplicada a multa proporcional. Abaixo, segue a discriminação dos valores: Base estimada remanescente: R$ 3.826.453,79 Fl. 3720DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16327.721633/201173 Acórdão n.º 1401001.615 S1C4T1 Fl. 3.721 38 Estimativa remanescente (R$ 3.826.453,79 x 25%): R$ 956.613,45 Multa isolada mantida (R$ 956.613,45 x 50%): R$ 478.306,72 Multa isolada excluída (R$ 1.109.844,27 – R$ 478.306,72): R$ 631.537,55 O mesmo fundamento deve ser aplicado para a estimativa de CSLL: Base estimada remanescente (R$ 8.672.863,50 – R$ 1.736.870,86): R$ 6.935.992,64 Estimativa remanescente (R$ 6.935.992,64 x 9%): R$ 624.239,34 Multa isolada mantida (R$ 624.239,34 x 50%): R$ 312.119,67 Multa isolada excluída (R$ 390.278,86 – R$ 312.119,67): R$ 78.159,19 Pois bem, conforme voto do ilustre relator, a mesma circunstância se perfaz no presente feito. Em relação ao anocalendário de 2007, há concomitância da imposição de multas isoladas sobre as mesmas bases que ensejaram a autuação de multas de ofício pelo ajuste de IRPJ e de CSLL. A concomitância não é, porém, integral a ensejar o afastamento total das sanções pecuniárias pelo descumprimento do dever de recolher estimativas. Por todo o exposto, voto para afastar parcialmente as multas isoladas na parte decorrente das bases que repercutiram também na imposição das multas de ofício para o ano calendário de 2007. Documento assinado digitalmente. Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Redator Designado Fl. 3721DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO
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Numero do processo: 10935.000214/2003-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.663
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter os autos em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto,Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
RELATÓRIO
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter os autos em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto,Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. RELATÓRIO O interessado acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 35 .0 00 21 4/ 20 03 -4 0 Fl. 2036DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 1/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10935.000214/200340 Resolução nº 3201000.663 S3C2T1 Fl. 2.037 2 Tratase de pedido de ressarcimento (fl. 04) de crédito presumido de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de que trata a Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e a Portaria MF nº 38, de 27 de fevereiro de 1997, formalizado em 30/12/2002 e no montante de R$ 313.740,13, respeitante ao 4º trimestrecalendário de 1998, cumulado com as Declarações de Compensação (PER/DCOMP) às fls. 1482/1483, com débitos no total de R$ 108.400,40. Pelo Despacho Decisório nº 025/2007 (fls. 1507/1514), a DRFB em Cascavel/PR deferiu parcialmente o pleito, tendo sido glosadas as parcelas relativas às compras de pessoas físicas e cooperativas não contribuintes do PIS e da COFINS, às exportações de soja após limpeza e secagem e à atualização monetária pela SELIC do total requerido. O reconhecimento parcial do pedido de ressarcimento foi de R$ 25.839,54. Na manifestação de inconformidade (fls. 1524/1556), apresentada em 07/08/2007, foram alegadas ilegalidade e inconstitucionalidade de atos administrativos que restringem o benefício concedido pela lei, sendo que não importaria a origem dos insumos utilizados, pois todos que ingressassem na empresa com fins de exportação comporiam a base de cálculo do crédito presumido, sobre o qual inclusive incidiria a correção monetária, conforme julgados administrativos e judiciais mencionados. Neste ínterim, a interessada ajuizou o Mandado de Segurança nº 2007.70.05.0037088 pleiteando a inclusão das aquisições de pessoas físicas e cooperativas no cálculo do benefício, sendo que, antes que esta instância administrativa se pronunciasse, logrou obter o pedido deduzido no Agravo de Instrumento nº 2007.04.00.0321455/PR, que determinou o recálculo do crédito presumido com a inclusão das controvertidas aquisições. Assim, em 20/05/2008, foi proferido o Despacho Decisório nº 92/2008 (fls. 1514/1519) com o reconhecimento da parcela em questão do crédito presumido e a homologação total da Declaração de Compensação vinculada ao pedido de ressarcimento. Contudo, a requerente apresentou, em 08/07/2008, nova manifestação de inconformidade (fls. 1540/1547) com a alegação de que este processo não poderia seguir para arquivo, na medida em que não foram apreciadas no âmbito do contencioso administrativo de primeira instância as alegações relativas à inclusão na base de cálculo do crédito presumido das exportações de soja após limpeza e secagem e a atualização monetária, à taxa SELIC, do total requerido. Em 16/10/2008, foi proferido o Despacho Decisório nº 316/2008 (fl. 1649), com a homologação total das Declarações de Compensação, por força de decisão judicial nos autos do Agravo de Instrumento nº 2008.04.00.0010727 e conforme memorando à fl. 1640. Veio então a manifestação de inconformidade de 09/06/2009 (fls. 1678/1688) em relação a diversos processos atinentes a ressarcimento, inclusive este, Fl. 2037DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 1/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10935.000214/200340 Resolução nº 3201000.663 S3C2T1 Fl. 2.038 3 com o pedido para apreciação de todos os recursos voluntários interpostos, sob pena de ofensa a direito líquido e certo. O Acórdão DRJ/RPO nº 1433.650 (fls. 1703/1707) foi prolatado em 11/05/2011, com o julgamento de improcedência da manifestação de inconformidade e o nãoreconhecimento do direito creditório. Em conseqüência, foi interposto em 27/07/2011 o recurso voluntário às fls. 1714/1775). Sobreviera, antes, o Acórdão (fls. 1795/1803), de 29/06/2011 (publicação em 07/07/2011) nos autos da Apelação Cível nº 2007.70.05.0037088/PR. Em 09/04/2013, no Despacho Decisório nº 197/2013 (fls. 1810/1815) foi decidido o seguinte: “a) Manter inalterado o reconhecimento PARCIAL do direito creditório constante do Despacho Decisório nº 025/2007, no VALOR de R$ 25.839,54 (vinte e cinco mil, oitocentos e trinta e nove reais e cinquenta e quatro centavos), relativo ao Crédito Presumido do IPI sobre as aquisições de insumos junto a contribuintes e utilizados no processo produtivo destinado a exportação; b) Manter inalterado o reconhecimento PARCIAL do direito creditório constante do Despacho Decisório nº 095/2008, no VALOR de R$ 148.096,07 (cento e quarenta e oito mil, noventa e seis reais e sete centavos), relativo ao Crédito Presumido do IPI sobre as aquisições de insumos junto a não contribuintes e utilizados no processo produtivo destinado a exportação; c) Manter a homologação das compensações declaradas pelo contribuinte e vinculadas ao presente pleito até o limite do valor do crédito reconhecido; d) Pela inconsistência apontada impõese a necessidade de revisão do despacho que promoveu a compensação de ofício sob nº 316/2008 (fls. 1649), com o imediato cancelamento das compensações procedidas de ofício no presente processo, e que em ato contínuo, seja efetivada nova proposição de compensação de ofício, com observância as normas e rito processual e notificação prévia ao interessado; e) Atendendo determinação judicial, demonstrar o calculo da correção pela taxa SELIC, sobre a parcela do crédito indicada no “item B” acima, não reconhecida inicialmente pelo Fisco por restrição administrativa (IN 419, de 10/05/04, art. 2º, §2º), tendo como data inicial da contagem o dia 30/12/2002 (data da formalização do pleito) e como data final o mês anterior ao da efetivação da compensação ou ressarcimento em espécie e de 1% relativamente ao mês em curso que ocorrer o evento (art. 39, §4º, da Lei 9.250/95)”. (grifos do original) Depois da ciência em 07/05/2013 (AR à fl. 1844), foi oposta a manifestação de inconformidade (fls. 1870/1881), em 06/06/2013, firmada pelo representante legal da pessoa jurídica, qualificado na cópia de alteração de contrato social (fls. 1883/1890). Primeiramente, é defendida a tempestividade da manifestação de inconformidade. Fl. 2038DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 1/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10935.000214/200340 Resolução nº 3201000.663 S3C2T1 Fl. 2.039 4 Em segundo lugar, sustenta que a taxa Selic deve incidir sobre todo o direito creditório requisitado, desde o início do procedimento, conforme doutrina aduzida, não somente sobre o montante de R$ 148.096,07, inicialmente indeferido por se tratar de aquisições de insumos de não contribuintes; do contrário, tratase locupletamento indevido do Fisco: decorreram dez anos do protocolo do pedido de compensação de créditos e débitos até a apreciação conclusiva pela Receita Federal, tendo sido corrigidos monetariamente somente os débitos; a atualização monetária deve incidir sobre todos créditos, inclusive os créditos homologados, e não apenas sobre os créditos não homologados no início do procedimento. Outrossim, denuncia dupla compensação de mesmo débito: R$ 17.768,83, com vencimento em 13/02/2004, relativo à DCOMP nº 10935.000593/2004 92, fl. 1518. Tratase de erro que pode ser sanado, conforme o PAF, art. 32. Por fim, requer que seja conhecida e provida integralmente a manifestação de inconformidade e homologadas as declarações de compensação, e, especialmente, que seja determinada a correção monetária pela Selic, até a data de encerramento da análise do processo administrativo de compensação de créditos e débitos, do direito creditório inicialmente homologado pela autoridade fiscal, à semelhança do que foi apenas reconhecido judicialmente; além disso, que seja anulada a dupla compensação de mesmo débito. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão 1443.697 de 07/08/2013, proferida pelos membros da 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998 CRÉDITOS ESCRITURAIS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. É incabível, por ausência de base legal, a atualização monetária de créditos escriturais do imposto, passíveis de ressarcimento, pela incidência da taxa Selic. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Após relatar os fatos, no mérito sustenta que no se refere à incidência da SELIC sobre os créditos requeridos pela Recorrente, a matéria reassumiu a importância a partir do Despacho Decisório n. 197/2013, que entendeu que a SELIC somente deveria incidir sobre a parcela reconhecida judicialmente. Esclarece que a decisão guerreada conflita com a legislação aplicável ao caso. Fl. 2039DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 1/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10935.000214/200340 Resolução nº 3201000.663 S3C2T1 Fl. 2.040 5 Isto porque é obrigatório que os débitos do contribuinte com o Fisco sejam ser atualizados pela SELIC, nos termos da Lei n. 9.065/95, art. 13. Pontua que o Supremo Tribunal Federal declarou que a taxa SELIC também deve ser aplicada nos casos de repetição de indébito. Recordese que o "direito de crédito" é um fenômeno inerente à incidência da lei tributária, de modo que a utilização pelo contribuinte dos créditos que a legislação lhe concede situase em momento temporal que (i) sucede o fato gerador do direito de crédito e (ii) que antecede a extinção do débito que se pretende ver compensado. Destaca que o PERDCOMP da Recorrente foi transmitido há mais de 10 (dez) anos. Desse modo, por culpa exclusivamente ao Fisco, o procedimento ainda não teve fim. Aliás, é importante destacar que, em meados de 2013, a DRJ reconheceu nova irregularidade nos procedimentos administrativos destes autos: compensação de ofício sem a prévia ciência da Recorrente, consoante determinava o art. 45 da IN RFB 900/08 (atual art. 61 da IN RFB 1300/2012). De outro lado, argumenta que o temse que o débito de valor R$ 17.768,63 vencido em 13/02/2004) apontado na DCOMP nº 10935.000593/200492 foi compensado em duplicidade. Vale dizer, foi compensado com os créditos originalmente reconhecidos pelo AFRFB e, após a decisão judicial, o mesmo débito foi novamente compensado com os créditos complementares. Insiste que o mesmo débito foi compensado em duplicidade: (i) com primeiro, com os créditos homologado no início do procedimento; (ii) após, com os créditos reconhecidos por força da decisão judicial. Por fim requer que seu recurso seja conhecido e julgado para: determinar que a correção monetária pela Selic do crédito da Recorrente que foi inicialmente homologado pelo AFRFB, à semelhança do que apenas foi reconhecido via judicialmente até a data em que se encerrar a análise do processo administrativo de compensação de créditos e débitos; anular a dupla compensação do débito com vencimento em 13/02/2004 (cód. 2172), tendo em vista que este foi compensado com os créditos inicialmente ressarcidos e, novamente, com os créditos ressarcidos por força de decisão judicial. Através da Resolução de n° 3801000935, de 19/03/2015, foi convertido os autos em diligência para que: De início constatase que não é possível delimitar o litígio. Como relatado, este processo tem uma situação atípica. A tramitação processual foi conturbada em face dos três despachos decisórios, respectivas manifestações de inconformidade, duas decisões da DRJ e dois recursos voluntários. Reconhecese que os despachos decisórios foram complementares, todavia o litígio não ficou demarcado a partir da última decisão da Fl. 2040DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 1/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10935.000214/200340 Resolução nº 3201000.663 S3C2T1 Fl. 2.041 6 DRJ. Entendese,a princípio, que a recorrente deveria em seu último recurso voluntário reafirmar as teses de seu primeiro recurso o. A simples menção a sua interposição não é suficiente para a apreciação de todas as alegações porque algumas perderam o seu objeto. De sorte que no primeiro recurso a recorrente questiona diversas matérias, enquanto no segundo recurso voluntário, a recorrente simplesmente reiterou de forma genérica as alegações do primeiro recurso e se insurgiu especificamente em relação à incidência da correção monetária pela Selic sobre a totalidade do crédito presumido da recorrente. Ocorre, todavia, que diversas matérias foram objeto de provimento pela primeira decisão a quo. Assim sendo, a reiteração genérica no segundo recurso voluntário inviabiliza a delimitação precisa das matérias ainda em litígio. Por outro lado, o não conhecimento do primeiro recurso voluntário implicaria em ofensa ao amplo direito de defesa. No caso vertente, em atenção ao princípio constitucional da ampla defesa e a fim de se evitar a caracterização da preterição do direito de defesa da interessada, a medida que se impõe é a intimação da recorrente para que consolide em uma única peça recursal devidamente fundamentada as matérias que ainda tem interesse em recorrer. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem intime a interessada para que consolide em uma única peça recursal as matérias que ainda tem interesse em agir no prazo de 30 (trinta) dias. Em sede de nova apresentação do recurso voluntário, como demandado pela Resolução acima, a recorrente narra os fatos, bem como, repisa todos os argumentos trazidos anteriormente dos citados recursos voluntários e peças de defesa apresentados (em 29/05/2015, às efls. 19782017). Não obstante apresentação da peça acima, a recorrente trouxe, em 27/11/2015, na forma de memoriais, na forma escrita, quando a mesma sintetiza, creio eu, o seu pleitode atualização monetária sobre todo o crédito do IPI, objeto do pedido de ressarcimento. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento, de forma regimental. É o relatório. VOTO Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Da mesma forma, a reiteração genérica no novo recurso voluntário inviabiliza a delimitação precisa das matérias ainda em litígio. Por outro lado, o não Fl. 2041DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 1/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10935.000214/200340 Resolução nº 3201000.663 S3C2T1 Fl. 2.042 7 conhecimento do primeiro recurso voluntário, segundo, memoriais implicariam em ofensa ao amplo direito de defesa. Portanto, em atenção ao princípio constitucional da ampla defesa e a fim de se evitar a caracterização da preterição do direito de defesa da interessada, a medida que se impõe é a intimação da recorrente para que consolide em uma única peça recursal devidamente fundamentada as matérias que ainda tem interesse em recorrer, mais uma vez, para evitar qualquer tipo de alegação futura de cerceamento de defesa, ou mesmo embargos; levando a um julgamento errôneo, em face a inúmeras tramitações processuais ocorridas, como já ressaltada na Resolução anterior, o que não foi atendido. Dessa forma, voto por que se CONVERTA O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a recorrente sintetize o seu pleito, conforme diligência anteriormente demandada. Por fim, devem os autos retornar a esta Turma para prosseguimento no julgamento. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 2042DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 1/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 11968.000542/2007-55
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 24/04/2007
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.699
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 24/04/2007 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 8. 00 05 42 /2 00 7- 55 Fl. 236DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000542/200755 Acórdão n.º 9303003.699 CSRF‐T3 Fl. 237 2 Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801004.828. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento. Após tomar ciência do mencionado acórdão, a Contribuinte apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei 12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.552, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/200648, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.552): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Fl. 237DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000542/200755 Acórdão n.º 9303003.699 CSRF‐T3 Fl. 238 3 Lei 12.350, de 20/12/2010). Além disso, ambos citaram expressamente as alterações promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial. A matéria devolvida a este Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental de prestar informação. Aplicandose o entendimento defendido pela Recorrente, os prazos estipulados pela legislação aduaneira, para prestar informações à RFB, poderiam ser descumpridos pelo sujeito passivo sem punição, tendo como única condição que a prestação das informações seja efetuada antes do início de ação fiscal. Ou seja, os prazos para a apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos fatais, como é a regra na legislação tributária. Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicarse à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se Fl. 238DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000542/200755 Acórdão n.º 9303003.699 CSRF‐T3 Fl. 239 4 refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' 1. 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' 2. 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' 3 Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000542/200755 Acórdão n.º 9303003.699 CSRF‐T3 Fl. 240 5 entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: '40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, Fl. 240DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000542/200755 Acórdão n.º 9303003.699 CSRF‐T3 Fl. 241 6 inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está Fl. 241DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000542/200755 Acórdão n.º 9303003.699 CSRF‐T3 Fl. 242 7 vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000542/200755 Acórdão n.º 9303003.699 CSRF‐T3 Fl. 243 8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face Fl. 243DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000542/200755 Acórdão n.º 9303003.699 CSRF‐T3 Fl. 244 9 da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam 5 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000542/200755 Acórdão n.º 9303003.699 CSRF‐T3 Fl. 245 10 infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Fl. 245DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000542/200755 Acórdão n.º 9303003.699 CSRF‐T3 Fl. 246 11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por Fl. 246DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000542/200755 Acórdão n.º 9303003.699 CSRF‐T3 Fl. 247 12 considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 247DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10830.724212/2012-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
LANÇAMENTO. NOTIFICAÇÃO QUE NÃO EXPÕE OS MOTIVOS ENSEJADORES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. OFENSA AO ART. 142 DO CTN. Tendo em vista que a notificação de lançamento não trouxe elementos suficientes a demonstrar a ocorrência do fato gerador,ou mesmo a clara descrição dos fatos que ensejaram a sua formalização, é de ser reconhecida a ofensa ao disposto no art. 142 do CTN.
NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO PARA A EXIGÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Nos limites do processo administrativo para a cobrança de crédito tributário não cabe a realização de pedido de restituição, que possui processualística própria para sua análise.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelamento da exigência fiscal e, com relação ao pedido de restituição, negar provimento ao pleito. Vencido o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, que negava provimento ao recurso.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva, Wilson Antonio de Souza Correa, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ERRO MATERIAL Recorrente INAJA GUEDES BARROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 LANÇAMENTO. NOTIFICAÇÃO QUE NÃO EXPÕE OS MOTIVOS ENSEJADORES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. OFENSA AO ART. 142 DO CTN. Tendo em vista que a notificação de lançamento não trouxe elementos suficientes a demonstrar a ocorrência do fato gerador,ou mesmo a clara descrição dos fatos que ensejaram a sua formalização, é de ser reconhecida a ofensa ao disposto no art. 142 do CTN. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO PARA A EXIGÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Nos limites do processo administrativo para a cobrança de crédito tributário não cabe a realização de pedido de restituição, que possui processualística própria para sua análise. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 42 12 /2 01 2- 17 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelamento da exigência fiscal e, com relação ao pedido de restituição, negar provimento ao pleito. Vencido o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, que negava provimento ao recurso. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva, Wilson Antonio de Souza Correa, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10830.724212/201217 Acórdão n.º 2402005.212 S2C4T2 Fl. 247 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por INAJA GUEDES BARROS, em face de acórdão que entendeu por manter integralmente notificação de lançamento lavrada pela restituição indevida de imposto de renda, em decorrência do processamento de DIPF retificadora, através da qual o contribuinte, informando ser portador de doença maligna, requereu a restituição de valores indevidamente pagos aos cofres públicos em exercícios anteriores. Consta dos autos que o recorrente foi “diagnosticado como portador de neoplasia maligna de próstata em 04/2005, tendo se submetido à intervenção de radioterapia na tentativa de estancar a doença e como não obteve a cura completa pleiteou a isenção de IR somente no final de 2011, conforme portaria lavrada pelo Procurador Geral da Justiça do Estado de São Paulo, publicada no D.O E. de 13/01/2012 (anexa), tendo a partir de 01/2012 obtido o benefício da isenção com efeito retroativo, razão pela qual apresentou declaração retificadora para pleitear a devolução dos valores relativos à diferença entre o imposto pago e o restituído no exercício de 2011, anocalendário de 2010.” Com referida retificação, pretendia ter como restituídos os valores de impostos indevidamente pagos em referido exercício. Todavia, ao efetuar tal retificação, em sua impugnação, o contribuinte informou que “ao transmitir a sua declaração retificadora para requalificar os rendimentos como isentos, por evidente equívoco, cometeu erro formal ao suprimir da ficha Rendimentos Tributáveis todas as informações das fontes pagadoras (Governo do Estado de São Paulo), inclusive a informação referente ao IRRF, no valor constante da declaração original de R$ 71.947,53”. Assim, diante das novas informações apresentadas na retificadora, fora lavrada a notificação objeto do presente processo para exigir do recorrente a diferença entre o imposto que lhe fora restituído por ocasião da apresentação da declaração original (R$ 24.007,02) e o efetivo imposto a restituir em decorrência das novas informações constantes na declaração retificadora (R$ 0,00). A DRJ, entendeu por afastar o pleito formulado, entendendo ser intempestiva a impugnação apresentada, mas mesmo assim manifestouse sobre o alegado erro material cometido, apontando que a declaração retificadora substituiu integralmente a original diante das informações prestadas pela recorrente, não cabendo àquela turma julgadora reconhecer direito à nova retificação. Fora então, interposto o competente recurso voluntário, através do qual sustenta a contribuinte: 1. que deve ser reconhecida a ocorrência do alegado erro material na supressão das informações do imposto retido na fonte, em observância ao princípio da busca da verdade material; Fl. 156DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 2. que além de nada dever ao fisco, tem direito à restituição do imposto retido na fonte em razão da demonstração de que era portador de moléstia grave à época das retenções efetuadas. 3. é equivocado o entendimento no sentido de que o mero erro de fato pode impor obstáculo a restituição de imposto indevidamente recolhido aos cofres públicos; 4. a administração tributária tem o poderdever de revisar de ofício o lançamento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária; 5. por fim, aduz ser possível o deferimento da restituição pleiteada em decorrência do reconhecimento do erro material cometido, seja pela DRJ, seja por este Conselho; Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10830.724212/201217 Acórdão n.º 2402005.212 S2C4T2 Fl. 248 5 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. PRELIMINAR Quanto às preliminares, há questão a ser analisada. Conforme determina o Código Tributário Nacional (CTN), o lançamento deve trazer aos autos informações que possibilitem que os sujeitos passivos compreendam os motivos da exação. CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Pois bem, para deixarmos claro nosso ponto de vista, transcreveremos, integral e novamente, os motivos que constam na NL (lançamento), para a efetivação da exigência: "Em decorrência do processamento da Declaração Retificadora de Ajuste Anula do Imposto sobre s Renda da Pessoas Física, fica o contribuinte acima identificado, com base no § 2º do art. 147 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, nos arts. 835, §§ 1º e 2º , e 839 do Decreto no 3.000, de 26 de março de 19999 Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/1999), e nos arts. 9º , caput, 11 e 23, do Decreto no 70.235, de 06 de março de 1972, notificado a recolher no prazo de 30 (trinta) dias, contado do recebimento desta notificação, a importância de R$ 24.077,02, correspondente à restituição recebida indevidamente, que deverá ser acrescida de juros de mora, conforme demonstrado acima. Para o pagamento, o contribuinte deverá preencher o Documento de Arrecadação de Receitas Federai (Darf) no código de receita 1054, período de apuração 31/12/2010 e.data de vencimento 29/04/2011 Os valores do principal (campo 07), Fl. 158DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 6 juros (campo 09) e do total (campo 10) no Darf correspondeu respectivamente, aos valores das linhas C, D e E do Demonstrativo do Crédito Tributário Apurado apresentado nesta notificação, calculados para pagamento ate o último dia' útil de 05/2013. Fica dispensado o pagamento da restituição indevida a devolver caso o seu valor , acrescido de juros de mora, seja inferior a R$ 10,00 (art.68 da Lei no9.430/96). Caso não concorde com o presente lançamento o contribuinte poderá impugnálo no prazo de 30 (trinta) dias, contado do recebimento desta notificação, em petição dirigida ao Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento, protocolada na unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) de sua jurisdição, nos termos do disposto nos artigos 14 a 16 do Decreto no 70.235, de 1972). DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL" Da leitura integral da acusação, só conseguimos a informação sobre sua origem, restituição recebida indevidamente, mas: 1. Recebida indevidamente por quê? 2. Quando e como ocorreu o fato gerador? 3. Qual a matéria tributável? 4. Como se chegou ao cálculo do montante do tributo devido? Em um Estado Democrático de Direito todo acusado tem direito de que sua acusação seja clara e certa, e que siga o que determinam as disposições legais. Construir decisão pelo que o acusado traz aos autos, assim como inovar na acusação, é desrespeitar, totalmente, regras mínimas do devido processo legal. Somase a esse grave equívoco a supressão de instância que o acusado, sujeito passivo, tem, que é a decisão da DRJ, para ter seus pleitos analisados e decididos. Se a acusação fosse certa e clara, com as informações trazidas pela DRJ, o recurso à DRJ teria os mesmos argumentos e provas? Não sabemos e não há como saber, pois não foi o que ocorreu, mas que deveria ter ocorrido. O contribuinte, procurador de justiça, vem alegando, desde o início do procedimento, que a cobrança é indevida, que sua restituição foi correta e que não há lógica em apresentar anos depois declaração retificadora com valor menor. No mínimo, pela razoabilidade dos argumentos e pela busca da verdade material, as pesquisas e diligências para checar as informações deveriam ter sido efetuadas. Assim, como a fiscalização não demonstrou o motivo do lançamento que acarretou a conceituação da restituição como indevida, na origem, entendo que, neste ponto, deve ser dado provimento ao recurso do sujeito passivo. Ademais, o pedido de restituição de valores indevidamente retidos não pode ser analisado por este Eg. Conselho, a uma por não entender cabalmente comprovada a ocorrência de erro material, a duas, por se tratar de matéria que não comporta discussão na via do presente processo, devendo ser objeto de pedido em separado. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10830.724212/201217 Acórdão n.º 2402005.212 S2C4T2 Fl. 249 7 A propósito, trago à baila posição sobre o assunto adotada por este Eg. Conselho, conforme se verifica do acórdão n. 2801003.969, a seguir ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 ALTERAÇÃO DA DIRPF. RETIFICAÇÃO. LANÇAMENTO. ERRO DE FATO. Poderá o contribuinte, a qualquer tempo, enquanto não decaído seu direito, peticionar administrativamente noticiando os equívocos cometidos e solicitando a revisão pela autoridade competente. Estando demonstrados os erros cometidos em pretensa declaração retificadora, deve a mesma ser desconsiderada e cancelada a infração apurada a partir dela. LIMITES DA LIDE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Para a solução do litígio tributário deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro, pela resistência do contribuinte, expressos respectivamente pelo ato de lançamento e pela impugnação/recurso. Recurso Voluntário Provido. Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar a exigência fiscal, indeferindo, no mais, o pedido de restituição pleiteado. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
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Numero do processo: 10314.006955/2010-71
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 18/06/2010
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.647
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 18/06/2010 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 69 55 /2 01 0- 71 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.006955/201071 Acórdão n.º 9303003.647 CSRF‐T3 Fl. 198 2 Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801004.805. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento. Após tomar ciência do mencionado acórdão, a Contribuinte apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei 12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.552, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/200648, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.552): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Fl. 198DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.006955/201071 Acórdão n.º 9303003.647 CSRF‐T3 Fl. 199 3 Lei 12.350, de 20/12/2010). Além disso, ambos citaram expressamente as alterações promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial. A matéria devolvida a este Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental de prestar informação. Aplicandose o entendimento defendido pela Recorrente, os prazos estipulados pela legislação aduaneira, para prestar informações à RFB, poderiam ser descumpridos pelo sujeito passivo sem punição, tendo como única condição que a prestação das informações seja efetuada antes do início de ação fiscal. Ou seja, os prazos para a apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos fatais, como é a regra na legislação tributária. Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicarse à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se Fl. 199DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.006955/201071 Acórdão n.º 9303003.647 CSRF‐T3 Fl. 200 4 refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' 1. 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' 2. 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' 3 Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.006955/201071 Acórdão n.º 9303003.647 CSRF‐T3 Fl. 201 5 entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: '40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, Fl. 201DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.006955/201071 Acórdão n.º 9303003.647 CSRF‐T3 Fl. 202 6 inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está Fl. 202DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.006955/201071 Acórdão n.º 9303003.647 CSRF‐T3 Fl. 203 7 vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.006955/201071 Acórdão n.º 9303003.647 CSRF‐T3 Fl. 204 8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face Fl. 204DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.006955/201071 Acórdão n.º 9303003.647 CSRF‐T3 Fl. 205 9 da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam 5 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.006955/201071 Acórdão n.º 9303003.647 CSRF‐T3 Fl. 206 10 infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Fl. 206DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.006955/201071 Acórdão n.º 9303003.647 CSRF‐T3 Fl. 207 11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por Fl. 207DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.006955/201071 Acórdão n.º 9303003.647 CSRF‐T3 Fl. 208 12 considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 208DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10183.722328/2013-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
AQUISIÇÃO DE SOFTWARES. CONTABILIZAÇÃO.
São classificados no Ativo Não Circulante Intangível os direitos que tenham por objeto bens incorpóreos destinados à manutenção da companhia ou exercidos com essa finalidade, dessa forma mantém-se o lançamento nesse aspecto, sendo entretanto que se conceder de ofício os efeitos da amortização no período da autuação.
ASSESSORIA E CONSULTORIA. EMPRESAS DO MESMO GRUPO. RATEIO DE DESPESAS.
As despesas de assessoria e consultoria prestadas a empresas de um mesmo grupo devem ser rateadas mediante o benefício que cada uma obtenha, sendo irrelevante contrato particular entre tais empresas que determine como se dará o pagamento, principalmente se eivado de inconsistências como aconteceu no caso concreto.
CONSULTORIA TÉCNICA E PROJETOS. CONTABILIZAÇÃO.
O valor pago relativo à prestação de serviços de consultoria estratégica e projetos técnicos deve ser contabilizado no ativo não circulante.
PROVISÕES PARA CONTINGÊNCIAS. RESERVAS DE REAVALIAÇÃO. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO.
Cancela-se o lançamento se houver prova hábil de que os valores de provisões não dedutíveis e de realização de reservas de reavaliação tenham sido efetivamente adicionados à base de cálculo do IRPJ.
POSTERGAÇÃO DE DESPESAS.
A mera postergação de despesas por inobservância do regime de competência quando no caso concreto não implica em postergação de tributos ou redução indevida do lucro real em qualquer período não se torna apta a gerar uma infração fiscal com implicações tributárias.
MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO.
Alegações que ultrapassem a análise de conformidade do ato de lançamento com as normas legais vigentes somente podem ser reconhecidas pelo Poder Judiciário e os princípios constitucionais têm por destinatário o legislador ordinário e não o mero aplicador da lei, que a ela deve obediência.
CSLL. SIMILITUDE DOS MOTIVOS DE AUTUAÇÃO E DAS RAZÕES DE DEFESA.
Aplicam-se à CSLL os mesmos argumentos esposados para o IRPJ em face da similitude dos motivos de autuação e das razões de defesa.
Numero da decisão: 1401-001.607
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL, nos seguintes termos: 1) Considerar (item 1 do voto - glosa de custos da empresa ProcWork Informática) a amortização de 20% no ano da autuação, conforme IN nº 4 de 1985; 2) Cancelar as infrações referente aos ajustes de provisão para contingência e realização da reserva de reavaliação efetuados no 4° Trimestre, conforme resultado de diligência; e 3) Cancelar as infrações relativas aos ajustes do lucro líquido do Exercício (PPR) e estornos de PIS, Cofins e ICMS (itens 6 e 7 do voto).
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 AQUISIÇÃO DE SOFTWARES. CONTABILIZAÇÃO. São classificados no Ativo Não Circulante Intangível os direitos que tenham por objeto bens incorpóreos destinados à manutenção da companhia ou exercidos com essa finalidade, dessa forma mantém-se o lançamento nesse aspecto, sendo entretanto que se conceder de ofício os efeitos da amortização no período da autuação. ASSESSORIA E CONSULTORIA. EMPRESAS DO MESMO GRUPO. RATEIO DE DESPESAS. As despesas de assessoria e consultoria prestadas a empresas de um mesmo grupo devem ser rateadas mediante o benefício que cada uma obtenha, sendo irrelevante contrato particular entre tais empresas que determine como se dará o pagamento, principalmente se eivado de inconsistências como aconteceu no caso concreto. CONSULTORIA TÉCNICA E PROJETOS. CONTABILIZAÇÃO. O valor pago relativo à prestação de serviços de consultoria estratégica e projetos técnicos deve ser contabilizado no ativo não circulante. PROVISÕES PARA CONTINGÊNCIAS. RESERVAS DE REAVALIAÇÃO. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO. Cancela-se o lançamento se houver prova hábil de que os valores de provisões não dedutíveis e de realização de reservas de reavaliação tenham sido efetivamente adicionados à base de cálculo do IRPJ. POSTERGAÇÃO DE DESPESAS. A mera postergação de despesas por inobservância do regime de competência quando no caso concreto não implica em postergação de tributos ou redução indevida do lucro real em qualquer período não se torna apta a gerar uma infração fiscal com implicações tributárias. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. Alegações que ultrapassem a análise de conformidade do ato de lançamento com as normas legais vigentes somente podem ser reconhecidas pelo Poder Judiciário e os princípios constitucionais têm por destinatário o legislador ordinário e não o mero aplicador da lei, que a ela deve obediência. CSLL. SIMILITUDE DOS MOTIVOS DE AUTUAÇÃO E DAS RAZÕES DE DEFESA. Aplicam-se à CSLL os mesmos argumentos esposados para o IRPJ em face da similitude dos motivos de autuação e das razões de defesa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL, nos seguintes termos: 1) Considerar (item 1 do voto - glosa de custos da empresa ProcWork Informática) a amortização de 20% no ano da autuação, conforme IN nº 4 de 1985; 2) Cancelar as infrações referente aos ajustes de provisão para contingência e realização da reserva de reavaliação efetuados no 4° Trimestre, conforme resultado de diligência; e 3) Cancelar as infrações relativas aos ajustes do lucro líquido do Exercício (PPR) e estornos de PIS, Cofins e ICMS (itens 6 e 7 do voto). (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
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CONTABILIZAÇÃO. São classificados no Ativo Não Circulante Intangível os direitos que tenham por objeto bens incorpóreos destinados à manutenção da companhia ou exercidos com essa finalidade, dessa forma mantémse o lançamento nesse aspecto, sendo entretanto que se conceder de ofício os efeitos da amortização no período da autuação. ASSESSORIA E CONSULTORIA. EMPRESAS DO MESMO GRUPO. RATEIO DE DESPESAS. As despesas de assessoria e consultoria prestadas a empresas de um mesmo grupo devem ser rateadas mediante o benefício que cada uma obtenha, sendo irrelevante contrato particular entre tais empresas que determine como se dará o pagamento, principalmente se eivado de inconsistências como aconteceu no caso concreto. CONSULTORIA TÉCNICA E PROJETOS. CONTABILIZAÇÃO. O valor pago relativo à prestação de serviços de consultoria estratégica e projetos técnicos deve ser contabilizado no ativo não circulante. PROVISÕES PARA CONTINGÊNCIAS. RESERVAS DE REAVALIAÇÃO. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO. Cancelase o lançamento se houver prova hábil de que os valores de provisões não dedutíveis e de realização de reservas de reavaliação tenham sido efetivamente adicionados à base de cálculo do IRPJ. POSTERGAÇÃO DE DESPESAS. A mera postergação de despesas por inobservância do regime de competência quando no caso concreto não implica em postergação de tributos ou redução indevida do lucro real em qualquer período não se torna apta a gerar uma infração fiscal com implicações tributárias. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 23 28 /2 01 3- 66 Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10183.722328/201366 Acórdão n.º 1401001.607 S1C4T1 Fl. 68 2 Alegações que ultrapassem a análise de conformidade do ato de lançamento com as normas legais vigentes somente podem ser reconhecidas pelo Poder Judiciário e os princípios constitucionais têm por destinatário o legislador ordinário e não o mero aplicador da lei, que a ela deve obediência. CSLL. SIMILITUDE DOS MOTIVOS DE AUTUAÇÃO E DAS RAZÕES DE DEFESA. Aplicamse à CSLL os mesmos argumentos esposados para o IRPJ em face da similitude dos motivos de autuação e das razões de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL, nos seguintes termos: 1) Considerar (item 1 do voto glosa de custos da empresa ProcWork Informática) a amortização de 20% no ano da autuação, conforme IN nº 4 de 1985; 2) Cancelar as infrações referente aos ajustes de provisão para contingência e realização da reserva de reavaliação efetuados no 4° Trimestre, conforme resultado de diligência; e 3) Cancelar as infrações relativas aos ajustes do lucro líquido do Exercício (PPR) e estornos de PIS, Cofins e ICMS (itens 6 e 7 do voto). (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10183.722328/201366 Acórdão n.º 1401001.607 S1C4T1 Fl. 69 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 3432.483, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo GrandeMS. Adoto o relatório constante na decisão de primeira instância: A pessoa jurídica acima qualificada teve contra si lavrado o auto de infração relativo ao Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza (IRPJ) dos quatro trimestres de 2009. As infrações foram as seguintes: 1 bens de natureza permanente deduzidos como custo ou despesa (1° trimestre); 2 dedução de despesas não necessárias (nos quatro trimestres); 3 dedução de provisões não dedutíveis (4° trimestre); 4 falta de adição ao lucro contábil da realização da reserva de reavaliação (4° trimestre); 5 dedução de despesas relativas a estornos de créditos de PIS/Cofins (3° trimestre) e ICMS (2° e 3° trimestres) e de participação dos trabalhadores nos lucros, de períodos anteriores ao de apuração (2° a 4° trimestres de 2009). Esse lançamento resultou em R$ 4.844.586,76 de imposto, R$ 3.633.440,08 de multa de ofício (75%) e R$ 1.572.643,17 de juros (fl. 2). Foi também lavrado o auto de infração relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), dos mesmos períodos de apuração, com os mesmos fundamentos, que resultou nos seguintes valores: R$ 1.744.051,23 de contribuição, R$ 1.308.038,43 de multa de ofício (75%) e R$ 566.151,54 de juros (fl. 43). As descrições pormenorizadas do procedimento efetuado, das infrações e dos seus enquadramentos legais, encontramse nos autos de infração e nos demonstrativos a eles anexos. Conforme declaração de fl. 507 e despacho de fl. 685, a ciência quanto aos lançamentos ocorreu, por via postal, em 20 de maio de 2013. Em 18 de junho de 2013 foi protocolada a impugnação firmada por procurador, na qual, após relato dos fatos, a contribuinte, em síntese, aduz que: a) a despesa com aquisição de "softwares" PW.SATI e PW.SPED FISCAL são necessárias e dedutíveis, uma vez que esses programas são utilizados para a execução das atividades desenvolvidas pela empresa; b) as despesas com assessoria e consultoria relativas a todo o Grupo André Maggi foram pagas pela autuada, sendo ressarcida pelas demais empresas do grupo conforme a Instrumento Particular de Convênio de Recuperação de Despesas e Outras Avenças anexo, arcando efetivamente a autuada com 59,47% das despesas e não somente 14,29% como entendeu o auditor; Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10183.722328/201366 Acórdão n.º 1401001.607 S1C4T1 Fl. 70 4 c) as despesas de prestação de serviços de consultoria estratégica para uma possível implementação de um "Busines Plan" pagas ao Banco Rabobank International Brasil são dedutíveis, por necessárias conforme determina o art. 299 do RIR/99; d) os pagamentos relativos aos projetos industriais elaborados pela Paulo Colpo Projeto Industriais Ltda. EPP não são investimentos e sim são despesas dedutíveis, uma vez que os projetos não tiveram continuidade e as unidades nem sequer vieram a ser construídas; e) os valores relativos às provisões para contingências foram devidamente adicionados à base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Esse fato é verificável na DIPJ original; f) o valor da depreciação das reservas de reavaliação foi adicionado para obtenção do Lucro Real por meio de retificação da DIPJ em 13 de abril de 2012. Contudo, a contribuinte já havia efetuado a adição desse valor à base de cálculo do IRPJ e da CSLL na DIPJ original, conforme demonstrativo. A retificação ocorreu somente para alocar o valor à linha correta da DIPJ; g) no caso do Programa de Participação nos Lucros e Resultados PPR, não houve contestação do auditor relativamente aos valores, mas quanto ao ano em que se deu a dedução. Contudo, o entendimento do auditor de que as despesas deveriam ter sido deduzidas no anocalendário 2008 e não em 2009 não tem procedência, uma vez que essa não observância do regime de competência não implicou em prejuízo aos cofres públicos. Esse o entendimento adotado pelo CARF. Ainda, se observado o regime de competência, a dedução seria menor da que ocorreu, conforme demonstrativo; h) o mesmo raciocínio desenvolvido no item anterior também serve para os estornos de créditos do PIS/Cofins e ICMS deduzidos em 2009. Nesses casos, fica claro que o erário não teve prejuízo, mas vantagem, uma vez que nos anos anteriores não houve a dedução, com o pagamento de tributos em valor maior. Também, havendo a retificação da DIPJ para fins de adoção do regime de competência, a União teria de restituir o valor pago a maior acrescido de Selic; i) se não forem os autos de infração considerados insubsistentes, a multa deve ser reduzida para 20%, uma vez o percentual de 75% ter caráter confiscatório. Ao final, a impugnante requer o cancelamento dos autos de infração pelos motivos expostos e, também: a) suspensão da exigibilidade do crédito tributário; b) juntada posterior de documentos e provas em direito admitidas. A DRJ, por unanimidade de votos, manteve os lançamentos, nos termos das ementas abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009, 01/04/2009 a 30/06/2009, 01/07/2009 a 30/09/2009, 01/10/2009 a 31/12/2009 PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10183.722328/201366 Acórdão n.º 1401001.607 S1C4T1 Fl. 71 5 Indeferese o pedido de produção de provas por não estar demonstrada a impossibilidade de apresentação delas junto com a impugnação e as diligências ou perícias por desnecessárias. AQUISIÇÃO DE SOFTWARES. CONTABILIZAÇÃO. São classificados no Ativo Não Circulante Intangível os direitos que tenham por objeto bens incorpóreos destinados à manutenção da companhia ou exercidos com essa finalidade. ASSESSORIA E CONSULTORIA. EMPRESAS DO MESMO GRUPO. RATEIO DE DESPESAS. As despesas de assessoria e consultoria prestadas a empresas de um mesmo grupo devem ser rateadas mediante o benefício que cada uma obtenha, sendo irrelevante contrato particular entre tais empresas que determine como se dará o pagamento. CONSULTORIA TÉCNICA E PROJETOS. CONTABILIZAÇÃO. O valor pago relativo à prestação de serviços de consultoria estratégica e projetos técnicos deve ser contabilizado no ativo não circulante. PROVISÕES PARA CONTINGÊNCIAS. RESERVAS DE REAVALIAÇÃO. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO. Mantémse o lançamento se não houver prova hábil de que os valores de provisões não dedutíveis e de realização de reservas de reavaliação tenham sido efetivamente adicionados à base de cálculo do IRPJ. POSTERGAÇÃO DE DEDUÇÕES. Consubstanciase em infração de ordem tributária a postergação de despesas se desse fato resultar redução indevida do lucro real. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. Alegações que ultrapassem a análise de conformidade do ato de lançamento com as normas legais vigentes somente podem ser reconhecidas pelo Poder Judiciário e os princípios constitucionais têm por destinatário o legislador ordinário e não o mero aplicador da lei, que a ela deve obediência. CSLL. SIMILITUDE DOS MOTIVOS DE AUTUAÇÃO E DAS RAZÕES DE DEFESA. Aplicamse à CSLL os mesmos argumentos esposados para o IRPJ em face da similitude dos motivos de autuação e das razões de defesa. Irresignada com a decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs recurso voluntário a este CARF (fls. 713/764), repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação e aduzindo em complemento: Em relação à primeira infração, o acórdão da DRJ não trouxe qualquer fundamento suficiente para derrogar as razões de fato e de direito da Impugnação da Recorrente, limitandoa a repetir os mesmos fundamentos já lançados no Auto de Infração, o que sinaliza que não fora respeitado o princípio da motivação. Lança mão de longo arrazoado no sentido de demonstrar que as aplicações em software são necessárias às atividades da empresa e como tais deveriam ser dedutíveis; Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10183.722328/201366 Acórdão n.º 1401001.607 S1C4T1 Fl. 72 6 Reforça que as despesas com assessoria e consultoria relativas a todo o Grupo André Maggi foram de fato pagas pela autuada, porém em sede impugnatória demonstrou o equívoco do Fiscal, pois parte de tais despesas anteriormente assumidas totalmente pela Amaggi foi ressarcida pelas demais empresas do grupo conforme a Instrumento Particular de Convênio de Recuperação de Despesas e Outras Avenças anexo, arcando efetivamente a autuada com 59,47% das despesas e não somente 14,29% como entendeu o auditor. O rateio foi feito com base no faturamento e não na quantidade de empresas. Posteriormente, anexa aos autos o que denomina “Esclarecimentos aditivo ao presente processo” e que também repisa os tópicos já trazidos no recurso voluntário sem adicionar nada de relevante ao mesmo. O feito foi baixado em diligência através da Resolução n. 1401000.341 para investigar infração relativa a Provisões não dedutíveis e adições não computadas na apuração do Lucro Real realização da reserva de reavaliação (itens 3 e 4 do auto de infração). Consta dos autos Informação Fiscal de retorno de diligência favorável ao contribuinte. É o relatório. Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10183.722328/201366 Acórdão n.º 1401001.607 S1C4T1 Fl. 73 7 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Segundo relatado, faz parte da lide as seguintes infrações: 1. Custos, despesas operacionais e encargos bens de natureza permanente deduzidos como custo ou despesa empresa Sonda Procwork Informática Ltda. 2. Custos, despesas operacionais e encargos despesas não necessárias Banco Rabobank International Brasil, Wiersholm e KPMG S/A. 3 Assessoria e Consultoria investimento Banco Rabobank International Brasil. 4. Assessoria e Consultoria investimento empresa Paulo Colpo Projetos Industriais Ltda. EPP. 5. Provisões Provisões Não Dedutíveis e Adições não computadas na apuração do Lucro Real realização da reserva de reavaliação 6. Ajustes do lucro líquido do Exercício adições não computadas na apuração do Lucro Real Programa de Participação nos Lucros e Resultados PPR. 7. Ajustes do lucro líquido do Exercício adições não computadas na apuração do Lucro Real Créditos Estornados de PIS/COFINS e ICMS. 1. Custos, despesas operacionais e encargos bens de natureza permanente deduzidos como custo ou despesa empresa Sonda Procwork Informática Ltda A Recorrente defendese dessa infração alegando que a despesa com aquisição de "softwares" (PW.SATI e PW.SPED FISCAL) são necessárias e dedutíveis, uma vez que esses programas são utilizados para a execução das atividades desenvolvidas pela empresa. Esses softwares visam atender às exigências legais que implantaram a obrigatoriedade de utilização do SPED FISCAL e SPED CONTÁBIL – Sistema Público de Escrituração Digital , instituídos pelo art. 1 o do Decreto n°. 6.022/071. Aduz ainda que sem a implantação destes Softwares é impossível a continuidade do desenvolvimento das atividades da empresa, logo são despesas necessárias, normais e usuais, foram registradas na contabilidade e, por isso, seriam dedutíveis. Como bem colocou a DRJ nem todo desembolso efetuado pela empresa pode ser considerado despesa e nem toda despesa é dedutível. Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10183.722328/201366 Acórdão n.º 1401001.607 S1C4T1 Fl. 74 8 A Recorrente insiste em combater essa infração por caminho inadequado. O fundamento da autuação foi descaracterização de despesa para enquadramento em ativo não circulante (intangível) e como tal, não poderia ser deduzido de uma única vez como se despesa fosse. Vejamos o fundamento da autuação, nas palavras do auditor: A) = SONDA PROCWORKINFORMÁTICA LTDA Foi intimada (DOC 036) para apresentar as documentações referente os serviços prestados para a Amaggi, bem como os respectivos contratos. Em atendimento ao Termo do Intimação Fiscal (036) SONDA PROCWORK INFORMÁTICA LTDA apresentou as notas fiscais de serviços referente recebimentos dos serviços prestados à Amaggi e apresentou também os respectivos contratos de prestação de serviços (DOC 037). Inspecionando o contrato apresentado (DOC 037), ficou evidenciado que o mesmo tratase do prestação de serviços não contínuo de informática para implantação dos módulos de imposto indiretos, imposto direto, sped fiscal da solução fiscal pw.SATI (SOFTWARES), para o grupo Amaggi conforme Anexo I do presente contrato. SOFTWARES (DIFINIÇÕES E CLASSIFICAÇÕES CONTÁBEIS) 'De acordo com o art. 179. VI, da Lei n° 6.404/76, com as alterações trazidas pela Lei n° 11.638/07. serão classificados no ATIVO NÃO CIRCULANTE INTANGÍVEL: a) = Os direitos que tenham por objeto bens incorpóreos destinados à manutenção da companhia ou exercidos com essa finalidade, inclusive fundo de comércio adquirido'. Normalmente, o subgrupo intangível do ativo não circulante é constituído pelas seguintes contas, entre outras: a) = Patentes; b) = Licenças; c) = Softwares, etc. Há que se ressaltar que alguns ativos intangíveis podem estar contidos em elementos que possuem substância física, isto é, que são corpóreos ou tangíveis EXEMPLOS Software gravado em um CD: o CD é elemento corpóreo, apesar de o software ser intangível. Nessa situação, como definir se o ativo serão tratados como 'imobilizado' em virtude dos elementos corpóreos (ou tangível), ou como intangíveis, em virtude dos elementos incorpóreos (ou intangíveis). A regra é que 'aquele que for mais significativo determinará se o bem ficará no intangível ou no imobilizado. Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10183.722328/201366 Acórdão n.º 1401001.607 S1C4T1 Fl. 75 9 As informações acima é apenas para reforçar que os valores registrados pela Amaggi como 'DESPESAS DE ASSESSORIA e CONSULTORIA '(DOC 023), referente pagamento por serviços prestados pela SONDA PROCWORK INFORMÁTICA LTDA (DOC 027) no montante de RS 264.671.52. deveria ser classificada no ATIVO NÃO CIRCULANTE (INTANGÍVEL/IMOBILIZADO). No perguntas e respostas da FIPECAFI deixa claro essa classificação após a as modificações da nova Lei da S.A: Um Software que está em desenvolvimento deve ser contabilizado em qual grupo do Ativo? Se o software em elaboração for ser integrado a algum item do imobilizado, ele deve ser contabilizado em Imobilizado em Andamento (como, por exemplo, softwares para máquinas específicas). Caso esse software não seja vinculado a um imobilizado específico, ele deve ser classificado como Intangível em Andamento, dentro do grupo de Intangíveis. Entretanto, caso o software em desenvolvimento seja para comercialização, ele deve ser tratado como ativo especial, mantido no grupo de estoques. Mesmo considerando a sistemática anterior, o tratamento para ativo seria o mesmo. Dessa, forma mantenho a atuação, pois a dedução não poderia se dar de uma só vez, como despesas de um só período de apuração. Entretanto, pleiteia em seu recurso que se for negado provimento a esse item que pelo menos se conceda os efeitos da amortização. De fato, se os valores glosados não correspondem a despesas dedutíveis, por outro lado é preciso reconhecer o direito de deduzir paulatinamente, a título de amortização, os gastos com essa ativação, a teor do art. do RIR/99: Art. 324. Poderá ser computada, como custo ou encargo, em cada período de apuração, a importância correspondente à recuperação do capital aplicado, ou dos recursos aplicados em despesas que contribuam para a formação do resultado de mais de um período de apuração (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, § 1º). § 1º Em qualquer hipótese, o montante acumulado das quotas de amortização não poderá ultrapassar o custo de aquisição do bem ou direito, ou o valor das despesas (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 2º). § 2º Somente serão admitidas as amortizações de custos ou despesas que observem as condições estabelecidas neste Decreto (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 5º). § 3º Se a existência ou o exercício do direito, ou a utilização do bem, terminar antes da amortização integral de seu custo, o saldo não amortizado constituirá encargo no período de apuração em que se extinguir o direito ou terminar a utilização do bem (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 4º). § 4º Somente será permitida a amortização de bens e direitos intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso III). Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10183.722328/201366 Acórdão n.º 1401001.607 S1C4T1 Fl. 76 10 Por todo o exposto, DOU provimento parcial apenas para considerar a amortização de 20% no ano da autuação, conforme INº 4 de 1985 2. Custos, despesas operacionais e encargos despesas não necessárias Banco Rabobank International Brasil, Wiersholm e KPMG S/A Segundo o autuante, os valores de despesas incorridas na conta "Assessoria e Consultoria", de pagamentos efetuados ao Banco Rabobank International Brasil, ao Wiersholm e à KPMG S/A, seriam despesas relativas ao Grupo André Maggi, que envolveria um total de 7 (sete) empresas/projetos: 1) Amaggi; 2) = Divisão Agro; 3) = Hermasa; 4) = Maggi Energia; .5) Mapitoba; 6) = Maggi Europa, e 7)Operação da Denofa S/A. Conforme constou do seu Razão,o autuante verificou que tais pagamentos foram todos lançados em sua integralidade como despesas apenas da competência da Recorrente. Foi então Intimado pela Fiscalização através do Termo de fls. 262 a apresentar justificativas a respeito do fato acima mencionado,nos seguintes termos: Segue em anexo. Razão Contábil do Contribuinte referente pagamento de serviços de Assessoria e Consultoria extraída por amostragem levando em consideração valores relevantes para que seja apresentada a documentação que deu suporte ao registro contábil. De acordo com a documentação apresentada em Atendimento a Termo de Intimação Fiscal, ou seja, contrato com a WIERSHOLM, KPMG E RABOBANK, fica caracterizado que são serviços contratados e prestados para o Grupo André Maggi e não apenas para o Contribuinte, em razão disto, a fiscalização irá glosar parte das despesas que pertence a outros Contribuintes do grupo, baseado no princípio contábil da ENTIDADE. Em resposta a essa intimação, a contribuinte não apresenta qualquer justificativa para que a despesa de terceiros tenha sido apropriada integralmente pela Recorrente, apenas se preocupando em apontar as notas fiscais de prestação de serviços e fazer referência a estornos de uma forma geral. Para melhor elucidar os fatos, eis a íntegra de sua resposta: (...)A contribuinte foi intimada a apresentar documentação, por amostragem, que deu suporte ao registro contábil dos lançamentos efetuados na conta "Assessoria e Consultoria", conta 422510. Tratamse de despesas com Assessoria e Consultoria contratadas com variadas empresas, conforme documentação de suporte contida no CD em anexo (Notas Fiscais does. de 01 a 22). Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10183.722328/201366 Acórdão n.º 1401001.607 S1C4T1 Fl. 77 11 Como se observa, a Contribuinte foi intimada a apresentar a documentação conforme planilha extraída por amostragem contida na intimação, devendo comprovar, assim, lançamentos que atingiram a importância de R$ 3.553.525,06. Todavia, a referida planilha anexa à intimação requisitou apenas as partidas de débito dos lançamentos contábeis. Desta forma, convém esclarecer que alguns destes lançamentos possuem uma partida de crédito, anulando o lançamento e fazendo o seu estorno. Conforme planilha elaborada pela contribuinte, também contida no CD em anexo (doe. 23), dos lançamentos relacionados na planilha anexa à intimação, no valor total de R$ 3.553.525,06, foram estornados lançamentos que atingem o valor de R$ 653.385,10, perdurando, portanto, tão somente o valor de R$2.900.139,96. Termos em que, certa do atendimento à solicitação realizada através da intimação em epígrafe e se colocando a inteira disposição para eventuais esclarecimentos através do email (...), pede e espera deferimento. Cuiabá/MT, em 11 de março de 2013 Ou seja, nesse momento não trouxe qualquer demonstrativo de rateio, ou fixação de critério de rateio. É nesse contexto que o Autuante tomou a iniciativa de fazer o rateio das despesas com o critério que tinha em mãos, ou seja, proporcionalizou as despesas através da quantidade de empresas/projetos e considerou como despesa necessária apenas a parte que caberia à Recorrente (14,29%), glosando o valor das demais, por entender se tratar de despesas não necessárias (despesas de terceiros). Defendeuse a Recorrente, mudando seu discurso apenas na fase impugnatória, alegando que as despesas com assessoria e consultoria relativas a todo o Grupo André Maggi foram pagas pela autuada, mas sendo ressarcida pelas demais empresas do grupo conforme a Instrumento Particular de Convênio de Recuperação de não somente 14,29% como entendeu o auditor. A DRJ, por sua vez, ataca a defesa expondo a vulnerabilidade do contrato por não ter sido registrado em cartório, bem assim aponta várias inconsistências no critério de rateio efetuado, não contraditadas pela Recorrente: Por primeiro, o instrumento particular a que se refere a impugnante está datado de 14 de dezembro de 2007 (fl. 671). Contudo não consta que tal instrumento tenha sido registrado em algum órgão para que tivesse validade em face de terceiros. Pelo que ali consta, foram assinados em três vias sendo que as convenentes eram em maior número. A cópia foi autenticada em 10 de junho de 2013. Dessa forma, esse instrumento, por si só, não pode ser tomado como hábil a comprovar o alegado. Demais disso, no documento denominado "Rateio da MatrizCorporativo critério III (Com Família)" (fl. 672 a 674), com o qual a impugnante pretendeu justificar o rateio, não constam algumas das empresas ou projetos beneficiários conforme identificado pelo auditor no auto de infração (fl. 8). Também, no rodapé desse documento (fl. 672) consta a referência (4) relativa às despesas com hangar (de valor bastante significativo), da seguinte forma: "(4) apropriado conforme horas Fl. 1174DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10183.722328/201366 Acórdão n.º 1401001.607 S1C4T1 Fl. 78 12 voadas + manutenções em 2007; os vôos realizados p/ a família e Sr. Blairo constam no percentual destinado à Amaggi". O evidenciado demonstra que não pode ser acatado o percentual alegado pela impugnante. Pelo que se vê, consta desse percentual despesas que não seriam sequer dedutíveis. Em primeiro lugar, devese ter claro que apenas porque a Recorrente arcou financeiramente com pagamento de pronto este pagamento não se transmuta em despesa. Nem todo pagamento é despesa, e nem toda despesa é dedutível. Posto isso, o ponto teórico relevante então a ser discutido no caso concreto não passa mais pelo conceito de despesa, pois é inquestionável que parte dessas despesas não lhe pertence e isso a própria Recorrente admite implicitamente em sua defesa na medida em que apregoa um critério de rateio diferente. O que está em lide aqui, portanto, é o ataque que a Recorrente faz em relação ao critério de rateio utilizado pelo fiscal, ou por outras palavras, qual parte dessa despesa que existe efetivamente é despesa da Recorrente ou de terceiros (princípio da entidade). Não se trata aqui, pois, de desqualificar a confecção de contratos atípicos, pois o Direito Civil os prevê. Porém, mesmo sendo empresas de um mesmo grupo econômico bem se pode aceitar o rateio de custos desde que fosse criteriosamente definido de forma a que o Fisco pudesse averiguar a sua consistência lógica e contábil. Não foi o que aconteceu. Como se colocou retro, o contribuinte foi informado que tais despesas averiguadas através de cada um dos contratos não lhe pertenciam totalmente, pois eram direcionados a todas as empresas do grupo. E mesmo intimado a se pronunciar a respeito, quedouse silente em relação a esse aspecto. É nesse contexto que o fiscal fez o rateio com os elementos que tinha em mãos e proporcionalizou as despesas de consultoria pelo número de empresas/projetos destinatários desses serviços. Tomese como exemplo o contrato com o Probank de fls. 212: O presente Contrato de Prestação de Serviços: de Consultoria Estratégica (o "Cç trato") é celebrado entre as seguintes partes: (i) BANCO RABOBANK INTERNATIONAL BRASIL sA.(...) (¡i) GRUPO'ANDRÉ MAGGI LTDA., instítuíção constituída de.acordo com as leis da; República Federativa do Brasil {"Brasil"), com sede à Avenida Presidente Medici, 4269, RondonópoKs, Mato Grosso, CEP 78705-000, Brasil, e neste ato representada na forma de seus documentos societários (doravante denominada simplesmente "AMaggl "}, As partes; supra mencionadas têm entre si justo e contratado a celebração do presente Contrato, o qual será regido pela legislação brasileira e pelos seguintes termos e condições: Do Objeto; Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10183.722328/201366 Acórdão n.º 1401001.607 S1C4T1 Fl. 79 13 i. O objetó do presenté Contrato- consiste na prestação, pelo Rabobank, à AMaygi, de serviços, de consultoria estratégica destinados à elaboração de uma "Revisão Estratégica" incluindo a avaliação dos negócios atuais da AMaggi, e: avaliação de novas oportunidades de negócio (os ''Serviços") Os Serviços abrangem as seguintes atividades específicas divididas em três fases principais: Fase 1 A avaliação da situação atual da empresa:. Avaliação das: operações atuais de Caíxa Descontado, Múltiplo dè Avaliação, Múltiplo de; Transação, Avaliação Patrimonial) a. AMaggi b. Divisã Agro c Hermasa d. Maggi Energia, 2. Avaliação de Projetos em desenvolvimento através de. diferentes e complementares métodos de avaliação (Fluxo de Caixa Descontado, Múltiplo de Avaliação, Múltiplo de Transação) a. JV MARITOBA b, Expansão Maggi Energia c, Maggi Europa " d, Operação da Denofa S.A Como o rateio só foi trazido à baila na fase de defesa (impugnatória), a meu ver a questão agora é de provas, isso porque a Recorrente também teria que provar que tais ressarcimentos e estorno de despesas foram feitos efetivamente em sua contabilidade. Em sua defesa apenas alega esse fato, sem trazer qualquer registro contábil demonstrando esse fato. Então o que trouxe, a meu ver não foram provas, mas meras alegações. A prova tem que estar devidamente articulada com o auto de infração, descortinandose a partir dela de forma sucinta e objetiva todas as conexões existentes com o infração que se deseja infirmar. Esse ônus não é do julgador, mas sim da recorrente. O que temos de prova? O contribuinte trouxe, de forma extemporânea (isso porque inexplicavelmente não o fez na fase instrutória), um contrato envolvendo apenas parte das empresas do grupo envolvidas na consultoria (apenas 3 empresas de um universo de 7 empresas/projetos vide contrato exemplo acima), sem registro em cartório e ainda com sérias inconsistências em sua base de formação, pois incluiu nela até despesas sequer dedutíveis e, por fim, anda se utilizando de um critério que é incompatível com a situação envolvida, afinal envolveu também empresas ainda na fase de projeto, não havendo que se falar em faturamento como critério de rateio. A Recorrente definiu um percentual de rateio que não tem razoabilidade de ser e não consegue fundamentálo, pois como utilizar o percentual de rateio que para algum dos destinatários ele seria zero, por se tratar de projetos ainda em elaboração? O fiscal, sob esse prisma, poderia até ter sido mais rigoroso e considerado indedutível toda a despesa, mas não o fez. Procedeu com a proporcionalização dos custos, utilizandose do critério mais objetivo e justo que tinha às suas mãos, que foi o rateio em percentuais iguais para cada uma das empresas que se beneficiaram das despesas, independentemente de quem arcou com o pagamento. Portanto, nego provimento também a este item da autuação. Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10183.722328/201366 Acórdão n.º 1401001.607 S1C4T1 Fl. 80 14 3 Assessoria e Consultoria investimento Banco Rabobank International Brasil Entendeu o Auditor Fiscal que os valores pagos ao Banco Rabobank International Brasil representariam uma despesa não necessária pelo fato de não estar intrinsicamente relacionada com a produção e comercialização, sendo que tais valores deveriam ter sido registrados como Ativo Não Circulante. Diante disso, glosou o valor da despesa incorrida. Conta da descrição dos fatos, no auto de infração: Inspecionando o contrato apresentado (DOC 033). ficou evidenciado que o mesmo tratase de prestação de serviços de consultoria estratégica para uma possível implantação de uma 'BUSINESS PLAN' por intermédio de uma 'JOINT VENTURE' a ser constituída pela a AMAGGI e LUIS DREYFUS COMMODITIES BRASIL S/A (LDC), cujo Capital Social terá a participação de 50% para cada uma das empresas. Os valores registrados pela Amaggi como 'DESPESAS DE ASSESSORIA e CONSULTORIA ', referente pagamento por serviços prestados pela RABOBANKI (DOC 026) no montante de R$ 625.345,88, representa uma despesa não necessária pela fato de não estar intrisicamente relacionada com a produção Essa despesa faz parte da formação do Custo de Construção da nova Organização que se pretende constituir com a participação de 50% do seu Capital Social por parte da Amaggi, com isso, esses valores deveriam ser registrados pela AMAGGI como 'ATIVO NÃO CIRCULANTE' e não com despesas operacionais. (...) Inspecionando o contrato apresentado (DOC 035), ficou evidenciado que o mesmo tratase de prestação de serviços para elaboração dos projetos industriais de novas unidades operacionais de: b.1) = Abatedouro de Aves; b.2) = Unidade de Rações; e b. 3) = Unidade de Produção de Ovos e Pintinhos. Os valores registrados pela Amaggi como 'DESPESAS DE ASSESSORIA e CONSULTORIA', referente pagamento por serviços prestados por 'PAULO COLPO PROJETOS INDUSTRIAIS LTDA = EPP (DOC 030) no montante de RS 100.000,00, representa uma despesa não necessária pelo fato de não estar intrisicamente relacionada com a produção e comercialização. Esssa despesa faz parte da formação do Custo de Construção da nova unidade que se pretende construir (Abatedouro de Aves, Unidade de Rações e unidade de Produção de Ovos e Pintinhos), em consequência disto, esse valor deveria ser classificado e registrado na contabilidade pela Amaggi no Grupo de 'ATIVO NÃO CIRCULANTE' e não com despesas operacionais. A Recorrente alega que se trata de despesas de prestação de serviços de consultoria estratégica para uma possível implementação de um "Busines Plan" pagas ao Banco Rabobank International Brasil e seriam dedutíveis, por necessárias conforme determina Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10183.722328/201366 Acórdão n.º 1401001.607 S1C4T1 Fl. 81 15 o art. 299 do RIR/99. Isso porque, segundo ela, se a empresa tem por objetivo social a participação em outras sociedades, os serviços de consultoria técnica são usuais e as despesas deles decorrentes também, podendo portanto ser deduzidas de uma só vez. A esse respeito, adoto os fundamentos da DRJ, por concordar com eles e não ter nada a reparar: Por exemplo, no caso de uma empresa industrial, as despesas de implantação são contabilizadas no ativo não circulante. A amortização se dá de forma gradual por um determinado período de tempo. Isso porque os investimentos são massivos nesse início e só produzirão resultado no futuro. Quanto à participação de uma pessoa jurídica em outra, o mesmo raciocínio pode ser aplicado: as despesas com estudos e projetos, embora úteis, não são usuais e necessárias à atividade, mesmo porque, sendo esta uma atividade secundária, elas não ocorrem corriqueiramente. E o resultado será produzido no futuro. Portanto, os lançamentos contábeis corretos dos valores pagos relativos à prestação de serviços de consultoria estratégica para implementação de um "Busines Plan" deveriam ter sido efetuados no ativo não circulante como bem esclareceu o autuante. Portanto, mantenho este item autuação. 4. Assessoria e Consultoria investimento empresa Paulo Colpo Projetos Industriais Ltda. EPP Entendeu o Auditor Fiscal que esses gastos à Paulo Colpo Projetos Indústria Ltda. – EPP, relativos à assessoria e consultoria para construção de novas unidades (Abatedouro de Aves, Unidade de Rações e unidade de Produção de Ovos e Pintinhos) deveriam ser ativados (ativo não circulante) e não considerados como despesas. Em seu recurso assim combateu a referida infração e Acórdão da DRJ : Em relação à empresa Paulo Colpo, conforme se verifica do contrato encartado às fls. 389 e seguintes do presente processo (doe. 35), a Recorrente demonstrou em sua Impugnação que realmente contratou esta empresa para elaboração dos projetos industriais acima citados. Assim, restando comprovado o registro de tais despesas na contabilidade da Recorrente, ela demonstrou, também, que se tratava de despesas necessárias que jamais poderiam ser adicionadas à base de cálculo do IRPJ e da CSLL No entanto, o nobre Relator entendeu que estas despesas não eram necessárias e que a contabilização das mesmas não se deu de forma correta, pois deveriam ter sido contabilizados no Ativo Não Circulante, ratificando o entendimento do Auditor Fiscal, concluindo que, em que pese não haver os registros de novas unidades industriais em seus registros contábeis, "pode ser que as Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10183.722328/201366 Acórdão n.º 1401001.607 S1C4T1 Fl. 82 16 unidades industriais possam ter sido implantadas não diretamente pela impugnante, mas através de outras sociedades em que ela possa ter investido", não havendo nos autos qualquer prova dessa suposta participação. Entretanto, mais uma vez se engana o nobre Relator! (...) A Recorrente também dispendeu valores para a contratação da empresa Paulo Colpo para a prestação de serviços para elaboração dos projetos industriais de novas unidades operacionais de (i) abatedouro de aves; (ii) unidade de rações; e (iii) unidade de produção de ovos e pintinhos. Todavia, estes projetos não podem e não devem, em hipótese alguma, ser considerados investimentos, na medida em que os projetos não tiveram continuidade e as novas unidades operacionais de abatedouro de aves, unidade de ração e unidade de produção de ovos e pintinhos jamais foram implementadas, seja pela Amaggi ou por qualquer outra empresa que ela tenha participação. As unidades sequer foram construídas. Como bem retratado pela Recorrente em sua impugnação, analisando a sua contabilidade, dela se infere não existir qualquer registro ligado à atividade de produção de frangos, ração para frangos ou produção de ovos e pintinhos, o que demonstra que as unidades nunca foram implantadas, razão pela qual as despesas com a elaboração do projeto devem ser consideradas despesas operacionais. Ademais, não pode o nobre Relator, com base em suposições de que as unidades tenham sido implementadas em outras empresas da qual a Recorrente eventualmente tenha participação, manter incólume a infração quanto a este tema. Da mesma forma, não pode supor que, por uma simples cláusula inserida nos contratos de que as contratantes devem manter sigilo de algumas informações por cinco anos, a Recorrente tenha mantida a intenção de avançar com os projetos e construir as unidades em debate. (...) E esta prova tem que ser apresentada pela fiscalização. Contudo, esta prova não existe, pois, repitase, as unidades nunca foram implementadas, nem é intenção da Recorrente fazer essa implementação, seja através da própria Amaggi ou através de qualquer outra empresa de que tenha participação. Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10183.722328/201366 Acórdão n.º 1401001.607 S1C4T1 Fl. 83 17 Inobstante os argumentos acima, e para ratificar e justificar o quanto apresentado em sua Impugnação, esclarece a Recorrente que, da análise do seu contrato social, verificase que um de seus objetivos sociais se constitui em "participar no capital social de outras sociedades". Assim, para o regular desenvolvimento de suas atividades é imperioso que a Recorrente contrate serviços a fim de avaliar as vantagens ou desvantagens de sua participação em outras sociedades (despesas necessárias), na forma como ocorreu no caso presente. Se a impugnante deixar de realizar despesas de consultoria estratégica para esse tipo de avaliação, inevitavelmente estaria deixando de promover, estaria inviabilizando, um de seus objetivos sociais, que, como dito acima, é a participação em outras sociedades. O ponto mais relevante aqui e não infirmado pela Recorrente é que os valores relativos a projetos para implantação de unidades industriais devem ser contabilizados no Ativo Não Circulante, não se constituindo em despesas, conforme indicado pelo fiscal. Na hipótese de os projetos não terem o andamento esperado, bastaria se fazer os ajustes necessários. Ou seja, o que não se pode é considerar como despesas operacionais os valores despendidos com a assessoria e a consultoria técnica para a implantação de unidades industriais. A Recorrente alega que não há nenhum registro na contabilidade que indique a construção das tais unidades. Contudo, como bem colocou a DRJ e não foi infirmado pela Recorrente: (...) em parágrafo imediatamente posterior, informa que seu objetivo também é de participação em outras sociedades e, assim, mesmo não havendo esses registros diretos, pode ser que as unidades industriais possam ter sido implantadas não diretamente pela impugnante, mas através de outras sociedades em que ela possa ter investido. E por fim, ainda coloca outro ponto relevante que ainda permeia a questão: Outro aspecto a ser considerado é que, conforme informa a contribuinte, as unidades industriais não foram construídas. Mas não há informação de que houve o abandono dessa intenção. Esses estudos e projetos normalmente são efetuados com muita antecedência e a implantação física pode ter início depois de longo tempo e, ainda, se prolongar por mais tempo ainda. No contrato (fls. 390 a 394), firmado em 26 de novembro de 2008, consta que a contratada deverá manter algumas informações em sigilo por cinco anos, o que indica o quanto explanado nesse parágrafo. Portanto, mantenho o lançamento neste item. 5 Provisões Provisões Não Dedutíveis e Adições não computadas na apuração do Lucro Real realização da reserva de reavaliação Neste tópico não se discute o direito, pois é inconteste que tais provisões são indedutíveis. O que se discute aqui são fatos. Em resumo, o Contribuinte afirma que fez a Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10183.722328/201366 Acórdão n.º 1401001.607 S1C4T1 Fl. 84 18 adição extracontábil, por conta da indedutbilidade dessas provisões na DIPJ/Lalaur e o Fisco afirma que não foram feitas. Assim, o Auditor Fiscal ajustou (adicionou) tais valores à base de cálculo do IRPJ e CSLL. A decisão de piso manteve o lançamento, afirmando que o contribuinte não obteve êxito em esclarecer o seu procedimento de retificação da DIPJ em consonância com os ajustes no Lalur, bem assim apontou algumas inconsistências e que a prova trazida aos autos não foi suficiente para demonstrar a alegação da Recorrente. A Recorrente, por sua vez, foi categórica mais uma vez em seu recurso ao afirmar que se as infrações fossem mantidas estarseia tributando duplamente o mesmo fato e que a sua retificação não serviu para retificar esses valores que já teriam sido oferecidos à tributação na DIPJ original. Em função de a defesa ter trazido argumentos razoáveis e convincentes, mas que precisariam ser melhor investigados pela fiscalização, bem assim por não ter localizado nos autos as DIPJs original e retificadora (completas), dificultando a minha análise e formação de convicção, o processo foi então convertido em diligência. A informação fiscal proveniente do retorno de diligência conclui que o contribuinte tem razão em suas alegações, nos seguintes termos: (...) De acordo com as informações acima, concluise: a) Que os valores referentes a Provisão para Contingência de R$ 369.280,00 e da Realização da Reserva de Reavaliação de R$ 931.745,05 no 4° Trimestre, fizeram parte dos ajustes (adições) no Lucro Real e na Base de Cálculo da CSLL realizado pelo contribuinte, na DIPJ/ORIGINAL (DOC N° 046); b) Que a Declaração Retificadora (DOC N° 047) efetuada pelo contribuinte para alocar na linha correta a Realização da Reserva de Reavaliação, não alterou a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Diante do exposto, cabe a retificação dos autos de infrações (IRPJ/CSLL) referente os ajustes de provisão para contingência e realização da reserva de reavaliação efetuada no 4° Trimestre. Ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para fazer a exclusão dos valores de Provisão para Contingência e da Realização da Reserva de Reavaliação referente o 4° Trimestre/2009 do respectivo auto de infração, pelo fato dos mesmos terem sido ajustado pelo contribuinte em sua DIRPJ/ORIGINAL (DOC N° 046), conforme relato acima. Por todo o exposto, DOU provimento a este item para retificar os autos de infrações (IRPJ/CSLL) referente aos ajustes de provisão para contingência e realização da reserva de reavaliação efetuada no 4° Trimestre 1999. 6 e 7. Ajustes do lucro líquido do Exercício adições não computadas na apuração do Lucro Real Programa de Participação nos Lucros e Resultados – PPR (item 6) e Créditos Estornados de PIS/COFINS e ICMS (item 7) Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10183.722328/201366 Acórdão n.º 1401001.607 S1C4T1 Fl. 85 19 Entendeu o Auditor Fiscal que o valor pago a título de Programa de Participação dos Lucros e Resultados aos funcionários, por se tratar de despesa relativa ao ano de 2008, não deveria compor como despesa no exercício de 2009. Assim, fez os ajustes necessários em relação a inobservância ao regime de competência. Quanto ao outro item, os créditos estornados de PIS/Cofins e ICMS de exercícios anteriores (2006 a 2008), entendeu que os mesmos não deveriam compor como despesas no exercício de 2009. Assim, tomou como indedutíveis tais despesas. Assim, fez os ajustes necessários. Em sua defesa aduziu a Recorrente que: a) no caso do Programa de Participação nos Lucros e Resultados PPR, não houve contestação do auditor relativamente aos valores, mas quanto ao ano em que se deu do regime de competência não implicou em prejuízo aos cofres públicos. Esse o entendimento adotado pelo CARF. Ainda, se observado o regime de competência, a dedução seria menor da que ocorreu, conforme demonstrativo; b) o mesmo raciocínio desenvolvido no item anterior também serve para os estornos de crédito do PIS/Cofins e ICMS deduzidos em 2009. Nesses casos, fica claro que o erário não teve prejuízo, mas vantagem, uma vez que nos anos anteriores não houve a dedução, com o pagamento de tributos em valor maior. Também, havendo a retificação da DIPJ para fins de adoção do regime de competência, a União teria de restituir o valor pago a maior acrescido de Selic. O art. 273 do RIR/99 traz duas hipóteses em que a inobservância do regime de competência pode acarretar lançamento de diferença de imposto: Art. 273. A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, atualização monetária, quando for o caso, ou multa, se dela resultar (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 6°, § 5°): I a postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido; ou II a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. No caso concreto, a DRJ afirmou que a situação em comento enquadrouse no inciso II citado acima, quando a inobservância do regime de competência levou à redução indevida do lucro real (inciso II), e assim haveria infração de ordem tributária. Eis as palavras da DRJ: Como pode ser visto nos autos, as deduções ocorreram do segundo ao quarto trimestre de 2009. Só no segundo trimestre houve a dedução de R$ 23.468.075,25. Nesse mesmo trimestre de 2009 (2°), foi apurado um prejuízo fiscal de R$ 155.685.260,25 (DIPJ/2010, retificadora apresentada pela contribuinte fls. 687 e 688). Com certeza, os R$ 23.468.075,25 tiveram influência na apuração do prejuízo nesse montante. Só por isso verificase que deve incidir no caso o inciso II do artigo supratranscrito. Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10183.722328/201366 Acórdão n.º 1401001.607 S1C4T1 Fl. 86 20 Demais disso, a apuração desse prejuízo se refletirá em todos os demais períodos de apuração, em face da possibilidade de dedução dos prejuízos fiscais, sem limite temporal, desde que observado o limite de 30% do lucro real. Vêse, portanto, que a postergação das deduções importou em redução indevida do lucro real, conforme dispositivo citado, pelo que se mantém o auto de infração quanto aos quesitos em tela. É do senso comum se raciocinar como regra geral que a postergação de despesas não traz qualquer prejuízo ao Erário, porquanto reflete atraso na apropriação de valores, que reduzem o tributo, o que geralmente se reflete na antecipação de arrecadação. Porém, de fato existe o inciso II do art. 273 do RIR/99 que se refere à "redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração". Tenho entendido que eventual postergação de custos e despesas de um período fiscal para o outro pode ser caracterizado como infração fiscal, a depender de produzir efeitos fiscais que causem prejuízo ao erário público. Porém, isso precisa ser bem demonstrado pela fiscalização e não foi feito. Podese exemplificar uma situação em tese em que isso possa acontecer. Tratase, por exemplo, de uma situação fática em que no período corrente a empresa está com prejuízo fiscal e parte das despesas são registradas no período seguinte reduzindo uma determinada base tributável positiva. Dessa forma, houve prejuízo ao fisco na medida em que se as despesas em questão tivesse sido apropriadas no exercício anterior pertinente, apenas aumentaria o seu prejuízo fiscal naquele período e a base tributável no período posterior seria maior, podendo apenas haver possível repercussão da compensação de prejuízos mas limitada a 30% da base positiva, o que dependeria da quantificação das seguintes variáveis: o quantum de base positiva e o quantum de prejuízos fiscais Entretanto, o fiscal além de não provar a existência desse prejuízo; da situação fática apontada no parágrafo anterior não se assemelhar ao caso concreto; a Recorrente demonstra no seu recurso que se adotado o regime de competência, como foi sua prática reiterada, não houve prejuízo ao fisco, mas tão somente a si próprio. Eis suas palavras: (...) a Contribuinte, no ano de 2009, estornou créditos de PIS/COFINS e ICMS de períodos anteriores (anos de 2006 a 2008), registrando a dedução de tais despesas também no ano de 2009, todavia, da mesma forma como ocorreu com a hipótese anterior, a postergação de despesas com a dedução no ano de 2009 não produziu qualquer efeito fiscal que caracterizasse prejuízo ao Fisco Federal. Esclareceu a Recorrente que a inobservância do Regime de Competência não resultou em postergação do pagamento dos impostos (art. 273, I, do RIR/99), pelo contrário, resultou em antecipação de imposto, uma vez que, ao deixar de deduzir o valor do estorno dos créditos nos anos de 2006 a 2008, nestes períodos a base de cálculo do IRPJ e da CSLL restou adicionada dos valores dos créditos que ainda não haviam sido estornados. Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10183.722328/201366 Acórdão n.º 1401001.607 S1C4T1 Fl. 87 21 Se tivesse optado pelo regime de competência para fazer a dedução nos anos de 2006 a 2008, a Recorrente teria excluído da base de cálculo do IRPJ e da CSLL os valores dos créditos estornados, o que implicaria em redução de imposto a pagar naqueles períodos. Portanto, na Impugnação restou claro que ao se utilizar do regime de caixa, em que pese ter havido redução de imposto a pagar em 2009, tal redução foi compensada quando houve antecipação de recolhimento de IRPJ e CSLL nos anos de 2006 a 2008, não caracterizando, portanto, qualquer prejuízo ao erário público ou postergação de pagamento de imposto, estando os seus registros albergados pela recentíssima decisão do CARF acima transcrita e pelos preceitos contidos no art. 247 e parágrafos c/c o 273, ambos do RIR/99. A Recorrente aduziu ainda, que se procedesse à retificação da DIPJ para deduzir o estorno dos créditos conforme o regime de competência, ou se fizesse a dedução nos anos de 2008 a 2009, como queria o Auditor Fiscal, então haveria uma redução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL naquele período, causando uma diminuição do valor do imposto já pago. Neste caso, o Fisco teria que restituir à Contribuinte os valores pagos a maior, devidamente acrescidos da SELIC durante todo o período, o que não seria vantajoso para o erário público. (...) Isto porque no regime de caixa, em 2009, a Contribuinte deduziu, a título de PPR, a quantia de R$ 29.611.285,34, conforme se observa do livro razão contido às fls. 498 destes autos. Se tivesse optado pelo regime de competência, a dedução seria maior, no valor de R$ 30.282.864,58, conforme livro razão de 2010 abaixo (e em anexo doc. 04). Deste modo, com o regime de caixa restou uma diferença apurada em favor do Fisco de R$ 671.579,24. O que demonstra mais uma vez o equivoco da decisão atacada, bem como que não há qualquer lesão ao Erário. (...) A Recorrente, adotando o princípio da transparência, aproveita a oportunidade para retificar um erro material contido em seu quadro demonstrativo que foi apresentado na sua Impugnação. Constou naquele quadro que o PPR pago em 2010, referente a 2009, seria na importância de R$ 30.382.864,58, e que a diferença em favor do Fisco seria, assim, de R$ 771.579,24, no entanto, o PPR pago em 2010, referente a 2009, foi de R$ 30.282.864,58, como bem demonstrado no livro razão acima, e a diferença em favor do Fisco foi de R$ R$ 671.579,24, conforme quadro demonstrativo retificado abaixo: ANO Pelo REGIME COMPETENCIA a Contribuinte deduziria Pelo REGIME DE CAIXA a Contribuinte deduziu DIFERENÇA 2008 29.611.285,34 11.347.117,70 18.264.167,64 2009 30.282.864,58 29.611.235,34 671.579,24 E no recurso, também refuta com firmeza e propriedade as colocações da DRJ: Também não guarda sintonia com a realidade contida nestes autos o fundamento do nobre Relator de que só "no segundo trimestre houve da dedução de R$ 23.468.075,25. Nesse mesmo trimestre de 2009 (2o), foi apurado um prejuízo fiscal de R$ 155.685.260,25 (DIPJ/2010, retificadora apresentada pela contribuinte fls. 687 e 688). Com certeza, os R$ 23.468.075,25 tiveram influência na apuração do Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10183.722328/201366 Acórdão n.º 1401001.607 S1C4T1 Fl. 88 22 prejuízo nesse montante. Só por isso verificase que de deve incidir no caso o inciso II do artigo supratranscrito". Ora, o nobre Relator se firmou numa mera presunção de que houve redução indevida do Lucro Real, porém, a sua presunção e a incidência do inciso II acima ficam completamente afastadas, pois não houve redução indevida do Lucro Real, na medida em que, observandose o regime de competência, como querem o Auditor Fiscal e o nobre Relator, e adicionandose ao Lucro Real o valor do PPR de 2008, contabilizado no 2o TRIM/2009, no valor de R$ 29.611.285,34, o resultado do período sairia de um prejuízo fiscal de R$ 155.685.260,25 (FICHA 09A DIPJ vide CD de dados em anexo doe. 05.1) para um prejuízo de R$ 126.073.974,91, portanto, não havendo falar em pagamento de IRPJ e CSLL nesse período, porque mesmo com a adição a Contribuinte ainda continuará com prejuízo fiscal. Divagando em outra hipótese, observando ainda o regime de competência no 4o TRIM/2009, ao invés da Contribuinte oferecer à tributação um Lucro Real de R$ 75.522.179,00 (FICHA 09A DIPJ vide CD de dados em anexo doe. 05.1), deveria ter excluído o valor de R$ 30.282.864,58, que se refere ao PPR de 2009, que foi pago e contabilizado em 2010 pelo regime de caixa (vide CD de dados doc. 05.2), restando, portanto, o Lucro Real na ordem de R$ 45.239.314,42. Assim, a Recorrente teria pagado um valor a maior e indevido de IRPJ e CSLL nesse período. Numa terceira hipótese, observando o regime de competência no ano de 2008, como pretende o Fisco, a Contribuinte deveria adicionar ao Lucro Real o valor de R$ 11.347.117,70, referente ao PPR de 2007 que foi pago e contabilizado em 2008, conforme seu livro razão (vide CD de dados em anexo doC. 05.3), e excluir o valor de R$ 29.611.285,34, referente ao PPR de 2008 que foi pago e contabilizado no 2o TRIM/2009, conforme seu livro razão (vide CD de dados em anexo doe. 05.4). Então o Lucro Real (FICHA 09A DIPJ vide CD de dados em anexo doe. 05.5) de R$ 27.222.104,43 deveria ter sido R$ 8.957.936,79. Assim, a Recorrente teria pagado um valor indevido de IRPJ e CSLL nesse período, sendo obrigada a repetir o indébito através de pedido de restituição. Portanto, analisando os fatos acima, resta de forma cabal e comprovada que a Contribuinte não causou qualquer prejuízo ao erário e nem houve postergação de impostos e sim, antecipação aos cofres públicos, uma vez que o Lucro Real oferecido nos anos de 2008 e 2009 foram maiores que os devidos.(...) Como se vê, não restou comprovado pelo fisco o prejuízo causado com a postergação de despesas. Lado outro, no caso do PPR, o que se viu foi um procedimento feito de forma regular anos a fio, o que demonstra também que o contribuinte não estava se valendo de procedimentos adotados de forma casuística para se locupletar. Por todo o exposto, Dou provimento a este item. CSLL LANÇAMENTO DECORRENTE Aplicamse à CSLL os mesmos argumentos esposados para o IRPJ em face da similitude dos motivos de autuação e das razões de defesa. Fl. 1185DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10183.722328/201366 Acórdão n.º 1401001.607 S1C4T1 Fl. 89 23 Multa confiscatória Sobre a argüição de ser confiscatória a multa aplicada, cumpre gizar que ao julgador administrativo, que se encontra totalmente vinculado aos ditames legais, mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN), não é dado apreciar questões – como a de que a multa fiscal seria confiscatória – que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal válido e vigente. Tal prática encontra óbice, inclusive na Súmulas nº 2 deste CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010). Como se vê, a aplicação da multa de 75% prevista em norma legal e vigente não pode ser afastada, muito menos substituída pela multa de mora de 20%, aplicável apenas em situações pagamento em atraso mas de forma espontânea. Por todo o exposto, DOU provimento PARCIAL ao recurso para: 1) considerar (item 1 do voto glosa de custos da empresa ProcWork Informática) a amortização de 20% no ano da autuação, conforme IN 4 de 1985; 2) Cancelar as infrações referente aos ajustes de provisão para contingência e realização da reserva de reavaliação efetuada no 4° Trimestre; 3) cancelar as infrações relativas a Ajustes do lucro líquido do Exercício (PPR) e estornos de PIS, Cofins e ICMS (itens 6 e 7 do voto) (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10855.003222/2003-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998
DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA.
O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação extingue-se no prazo de 5 anos contados do fato gerador, no caso de haver pagamento antecipado do tributo, caso contrário o prazo e contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
NORMAS PROCESSUAIS. IMPROCEDÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO.
Comprovado que o processo judicial informado na DCTF existe e trata do direito creditório que se informa ter utilizado em compensação, deve ser considerado improcedente o lançamento eletrônico que tem por fundamentação proc. jud. não comprovado.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-002.937
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário Os Conselheiros Marcelo, Maria Eduarda e Valcir acompanharam pelas conclusões.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Paulo Roberto Duarte Moreira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Voluntário Acórdão nº 3301002.937 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de abril de 2016 Matéria Auto de Infração DCTF Recorrente COOPERSUCAR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998 DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação extingue se no prazo de 5 anos contados do fato gerador, no caso de haver pagamento antecipado do tributo, caso contrário o prazo e contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. NORMAS PROCESSUAIS. IMPROCEDÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. Comprovado que o processo judicial informado na DCTF existe e trata do direito creditório que se informa ter utilizado em compensação, deve ser considerado improcedente o lançamento “eletrônico” que tem por fundamentação “proc. jud. não comprovado”. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário Os Conselheiros Marcelo, Maria Eduarda e Valcir acompanharam pelas conclusões. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Paulo Roberto Duarte Moreira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 32 22 /2 00 3- 38 Fl. 740DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09 /05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10855.003222/200338 Acórdão n.º 3301002.937 S3C3T1 Fl. 1.403 2 Luiz Augusto do Couto Chagas Relator. Relatório Tratase de lançamento eletrônico de DCTF para cobrança de crédito tributário de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, em virtude da apuração de falta de recolhimento do IPI do período de abril a dezembro de 1998. A origem do auto de infração eletrônico é Processo Judicial não Comprovado. A Recorrente apresentou impugnação insurgindose contra o lançamento e alegando: (i) nulidade do auto por cerceamento do direito de defesa em face da deficiência do lançamento eletrônico, (ii) decadência dos fatos geradores ocorridos até 07/08/1998, (iii) a suspensão da exigibilidade dos créditos em face de medida liminar concedida pelo Poder Judiciário; (iv) ilegitimidade da aplicação da taxa selic. Submetida ao julgamento da DRJ, foi mantido o lançamento, com base nos fundamentos expostos na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Argüições de inconstitucionalidade refogem à competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Legal a aplicação da taxa do Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso. DECADÊNCIA. PAGAMENTO. IPI. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação extinguese no prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador, no caso de haver pagamento antecipado do tributo, caso contrário o prazo e contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA. LIMINAR. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. PREVENÇÃO. No lançamento destinado à constituição do crédito tributário para prevenir a decadência, cuja exigibilidade esteja suspensa em razão de medida liminar, excluise a aplicação da multa de oficio. Fl. 741DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09 /05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10855.003222/200338 Acórdão n.º 3301002.937 S3C3T1 Fl. 1.404 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 1998 IPI. CONCOMITÂNCIA. As decisões do Poder Judiciário prevalecem sobre o entendimento da esfera administrativa, assim, não se discute na esfera administrativa a mesma matéria discutida em processo judicial, mas, tão somente, os diferentes objetos, como determina o ADN COSIT n° 03/96. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE. MATÉRIA PRELIMINAR. DESCRIÇÃO DOS FATOS. ENQUADRAMENTO LEGAL. CONSONÂNCIA. Não há que se falar em nulidade do lançamento, se a descrição dos fatos foi fartamente demonstrada no auto de infração e tais fatos em perfeita consonância com o enquadramento legal, não havendo infringência ao art. 10, III e IV, do Decreto n° 70.235/1972. MATÉRIA SUBJUDICE. NÃO CONHECIMENTO. LANÇAMENTO DEFINITIVO. O julgador administrativo não pode conhecer de matéria submetida ao Poder Judiciário, deve, apenas, declarar definitivo o lançamento realizado para prevenir a decadência. Impugnação Procedente em Parte Em suas razões de recurso voluntário, a Recorrente requereu o reconhecimento da decadência parcial e a não inclusão da multa moratória, após a exclusão da multa de ofício. Houve conversão em diligência para que fosse apurado: (...) (i) intime a Recorrente a trazer aos autos cópia do Livro de Apuração do IPI; (ii) faça demonstrativo relacionado os valores dos créditos e débitos escriturados, bem como, o saldo a pagar / saldo credor por período de apuração. A diligência foi realizada e chegou a seguinte conclusão: (...) Após intimação, juntamos ao presente processo cópias do Livro de Apuração do IPI, do período em consideração (abril a dezembro de 1998). Conforme escriturou a interessada, em todos os decêndios de abril a agosto de 1998, o valor do débito (imposto debitado) foi igual ao valor do crédito (este decorrente de transferência de crédito presumido de IPI, do estabelecimento matriz, conforme a IN nr. 21/97). Portanto, nesse período, a apuração do saldo de IPI é igual a zero. Fl. 742DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09 /05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10855.003222/200338 Acórdão n.º 3301002.937 S3C3T1 Fl. 1.405 4 A partir de setembro, até dezembro de 1998, não há saldo credor escriturado, restando em todos os decêndios, saldo devedor. Devese ressaltar que consta, no LAIPI, em todos os decêndios do período considerado (abril a dezembro de 1998), no campo “observações”, escrituração de saldo devedor de IPI sub judice. (...) É o relatório. Fl. 743DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09 /05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10855.003222/200338 Acórdão n.º 3301002.937 S3C3T1 Fl. 1.406 5 Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Tratase de lançamento eletrônico de DCTF para cobrança de crédito tributário de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, em virtude da apuração de falta de recolhimento do IPI do período de abril a dezembro de 1998. A origem do auto de infração eletrônico é que, no cruzamento entre as informações prestadas pela recorrente na DCTF, foi constatada a informação de um Processo Judicial não Comprovado. Em relação à alegação preliminar de decadência, a recorrente aduz que há decadência relativa aos fatos geradores anteriores a 01/07/1998, uma vez que a ciência ocorreu somente em 01/07/2003, sendo aplicável as regras de decadência previstas no art. 150, §4° do CTN, diante do denominado lançamento por homologação. Não concordo com a recorrente. Em relação aos fatos geradores ocorridos até 12/1998, em que não tenha ocorrido pagamento, o prazo decadencial iniciouse em 01/01/1999 e teria seu termo final em 2004. Tendo a ciência do auto de infração ocorrido 07/07/2003 (fl. 33), não há que se falar em decadência dos lançamentos questionados. Em relação ao mérito, como dito, consta como descrição dos fatos no Anexo I do auto de infração a ocorrência “Proc Jud não comprovado”. Apesar da descrição lacônica do auto de infração, inferese que a autuação tem por motivação a não comprovação da ação judicial impetrada pela recorrente e informada em sua DCTF, que teria sido utilizada pela contribuinte para compensar seus débitos de IPI. O histórico da ação judicial do contribuinte é o seguinte: Os Mandados de Segurança nºs 97.00069729 e 97.00069737 foram extintos, em relação ao recorrente, por entender o MM. Juízo da 8ª Vara Federal que haveria litispendência em relação ao MS n ° 97.00069710, no qual foi proferida sentença parcialmente concessiva da segurança , afastando a exigência do IPI quanto às saídas realizadas no ano de 1.997. No que respeita às saídas efetuadas em 1.998, que são objeto do auto de infração, o recurso de apelação foi recebido nos efeitos devolutivo e suspensivo, por força da decisão proferida na Medida Cautelar n° 2000.03.00.0386532. Portanto, o contribuinte comprovou desde a sua impugnação a existência da ação judicial, que lhe permitia a compensação do IPI lançado. Fl. 744DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09 /05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10855.003222/200338 Acórdão n.º 3301002.937 S3C3T1 Fl. 1.407 6 Tenho, em votações anteriores desta turma, manifestado meu entendimento de que reputo válido o lançamento nas situações de “Proc. Jud. não comprovado” quando o contribuinte não comprova a existência da ação judicial, ou, comprovando, quando essa não lhe permitia o procedimento de compensação adotado. Não é o caso do presente processo. Nesse caso, além de existir a ação judicial informada, ela autorizava a compensação efetuada pelo contribuinte. Portanto o recorrente agiu em conformidade com autorização judicial. Assim, uma vez comprovada a existência da ação judicial que autorizava a compensação efetuada pelo contribuinte, mostrase incorreto o pressuposto fático que dá suporte ao auto de infração em relação aos débitos lançados sob o fundamento de "Proc jud não comprovado". Neste mesmo sentido, existem precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme transcrito abaixo: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997 NORMAS PROCESSUAIS. IMPROCEDÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. Comprovado que o processo judicial informado na DCTF existe e trata do direito creditório que se informa ter utilizado em compensação, deve ser considerado improcedente o lançamento “eletrônico” que tem por fundamentação “proc. jud. não comprova”. Recurso negado.” (Ac n. 9303002.326, 3ª Turma CSRF, Rel. Cons. Henrique Pinheiro Torres, unânime, sessão de 20/06/2013). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 LANÇAMENTO. FUNDAMENTAÇÃO EM FALTA DE COMPROVAÇÃO DE PROCESSO JUDICIAL. DEMONSTRAÇÃO DA REGULARIDADE DO PROCESSO JUDICIAL. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. O lançamento motivado em "declaração inexata" em razão de "processo judicial não comprovado" deve ser julgado improcedente, caso o contribuinte comprove a existência e regularidade do processo judicial e, portanto, da situação do crédito tributário corretamente declarado na DCTF. Recurso negado.”(Ac nº 9303.002914, 3ª Turma CSRF, Rel. Cons. Maria Teresa Martínez López, unânime, sessão de 10/04/2014). Também no relatório da diligência solicitada pelo CARF consta que, no LAIPI da recorrente, em todos os decêndios de abril a dezembro de 1998, no campo “observações”, escrituração de saldo devedor de IPI sub judice. Portanto, diante do exposto, voto por afastar a preliminar de decadência, e no mérito, por dar provimento ao recurso voluntário para declarar a improcedência do lançamento. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 745DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09 /05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10855.003222/200338 Acórdão n.º 3301002.937 S3C3T1 Fl. 1.408 7 Luiz Augusto do Couto Chagas Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Fl. 746DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09 /05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL
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Numero do processo: 16327.721664/2011-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
Ementa:
AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. USO DE EMPRESA VEÍCULO. APROVEITAMENTO POR OUTRA EMPRESA DO GRUPO. PROPÓSITO NEGOCIAL. POSSIBILIDADE.
Em regra, é legítima a dedutibilidade de despesas decorrentes de amortização de ágio efetivamente pago, devidamente fundamentado em rentabilidade futura, e decorrente de transação entre partes independentes.
Caso exista um propósito negocial válido e se demonstre ser possível a dedução do ágio por incorporação direta, não há óbices para que o grupo econômico transfira o ágio efetivamente pago para outra de suas empresas, aproveitando-se do benefício fiscal em outra parte da estrutura societária, mesmo se para isso se utilizar de empresa veículo.
Reflexo: CSL
Aplica-se à CSL, a mesma solução que foi dada ao IRPJ.
Numero da decisão: 1201-001.364
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Thomé e Ester Marques, que lhe davam parcial provimento apenas para afastar a incidência da multa isolada relativamente aos fatos ocorridos no ano de 2006.
(assinado digitalmente)
MARCELO CUBA NETTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO - Relator.
EDITADO EM: 17/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Opperman Thomé, Luiz Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa e Marcelo Cuba Netto.
Nome do relator: Relator
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 Ementa: AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. USO DE EMPRESA VEÍCULO. APROVEITAMENTO POR OUTRA EMPRESA DO GRUPO. PROPÓSITO NEGOCIAL. POSSIBILIDADE. Em regra, é legítima a dedutibilidade de despesas decorrentes de amortização de ágio efetivamente pago, devidamente fundamentado em rentabilidade futura, e decorrente de transação entre partes independentes. Caso exista um propósito negocial válido e se demonstre ser possível a dedução do ágio por incorporação direta, não há óbices para que o grupo econômico “transfira” o ágio efetivamente pago para outra de suas empresas, aproveitandose do benefício fiscal em outra parte da estrutura societária, mesmo se para isso se utilizar de empresa veículo. REFLEXO: CSL Aplicase à CSL, a mesma solução que foi dada ao IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Thomé e Ester Marques, que lhe davam AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 16 64 /2 01 1- 24 Fl. 4469DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO 2 parcial provimento apenas para afastar a incidência da multa isolada relativamente aos fatos ocorridos no ano de 2006. (assinado digitalmente) MARCELO CUBA NETTO Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO Relator. EDITADO EM: 17/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Opperman Thomé, Luiz Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa e Marcelo Cuba Netto. Relatório Em apertada síntese, a autoridade fazendária glosou as seguintes despesas de amortização de ágio: AnoCalendário Despesa de Amortização R$ 2006 15.749.999,91 2007 62.999.999,64 2008 62.999.999,64 Total 141.749.999,19 O Sr. AFRF fundamentou que não era amortizável o ágio no valor de R$ 141.749.999,19, oriundo da operação de compra e venda da totalidade das ações da Rudá Administração e Participação S.A., em que figuram como comprador o Banco Itaucard S.A. e como vendedor o Banco Itaú S.A., sendo que tal operação está englobada dentro do processo de absorção do BankBoston pelo Grupo Itaú. Assim, lavrou autos de infração para constituir IRPJ e CSL, impondo multa de ofício e multa isolada, por insuficiência de recolhimento das estimativas. Impugnado o lançamento (fls. 3851/3863 e docs. anexos fls. 3864/3872), a 8ª Turma da DRJ/SP1, na sessão de 24/05/2013, por unanimidade, julgouo integralmente Fl. 4470DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 1201001.364 S1C2T1 Fl. 4.470 3 procedente através do acórdão nº 1646.969 (fls. 3874/3921). Insatisfeita, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário (fls. 3928/3941 e docs. anexos fls. 3942/4179) ora analisado. Tendo contextualizado a lide, passamos ao relatório pormenorizado. A Contribuinte foi intimada do início do procedimento fiscal em 01/02/2011 (fls. 05/06). Neste, a autoridade fiscalizadora intimoua para que entregasse balancetes mensais dos períodos de janeiro/2007 a dezembro/2008; planilhas de apuração do PIS/COFINS no mesmo período; e razão da conta Cosif nº 7.1.2.60.109 do mesmo período; e ainda informasse se era autora de alguma ação judicial cujo objeto fosse o cálculo do PIS/COFINS introduzido pela Lei nº 9.718/98. Em 21/02/2011, a Contribuinte apresentou a documentação solicitada e informou que não era autora de nenhuma ação (fl. 07 e docs. anexos fls. 08/2527). Em 24/05/2011, a Contribuinte foi novamente intimada (fls. 2528/2529), para que discriminasse os valores de despesa de amortização de ágio decorrentes da empresa Rudá Administração e Participação S.A. nos anoscalendários de 2006 a 2010 e apresentasse cópia do livro razão dessas despesas e das atas de assembleias, de protocolo de justificação da incorporação/cisão, laudos de avaliação etc. A Contribuinte cumpriu com a intimação em 13/06/2011 (fl. 2530 e docs. anexos fls. 2531/2608). Nos meses seguintes, a Contribuinte foi intimada a prestar mais informações referentes a essas operações. Dentre as informações solicitadas, indicamos a forma do pagamento, a composição acionária das empresas envolvidas à época dos fatos, se o laudo de avaliação das ações do BankBoston mencionava o valor do seguimento de cartões de crédito, a razão pela qual o segmento de cartão de crédito não foi transferido diretamente para o Banco Itaucard S.A. A Contribuinte apresentou respostas e a devida documentação. Enfim, a autoridade fazendária lavrou os Autos de Infração em 20/12/2011, para cobrança de IRPJ (fls. 3752/3767) e de CSL (fls. 3768/3785), em relação aos anos calendários de 2006, 2007 e 2008, constituindo os seguintes créditos: Autos de Infração fls. 3752/3785 IRPJ CSL Total: Principal R$ 11.024.999,93 R$ 14.022.814,98 R$ 25.047.814,91 Multa de Ofício R$ 8.268.749,95 R$ 10.517.111,24 R$ 18.785.861,19 Multa Isolada R$ 5.249.999,98 R$ 6.299.999,98 R$ 11.549.999,96 Total: R$ 55.383.676,06 Fl. 4471DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO 4 No auto de infração referente ao IRPJ, configuramse as seguintes infrações (fl. 3754): “0001 ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL CUSTO/DESPESA INDEDUTÍVEL Valores correspondentes a despesas de amortização de ágio não adicionadas ao lucro líquido dos períodos, conforme Termo de Verificação Fiscal em anexo. Fato Gerador Valor Apurado Multa (%) 31/12/2006 15.749.999,91 75,00 31/12/2007 62.999.999,64 75,00 31/12/2008 62.999.999,64 75,00 Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2006 e 31/12/2008: art. 3º da Lei nº 9.249/95. Artigos 247, 248, 249, 385, 386, 391 do RIR/99 0002 MULTA OU JUROS ISOLADOS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA Falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução. [Destrincha datas dos fatos geradores e seus valores] Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos entre 31/05/2007 e 31/05/2007: Arts. 222 e 843 do RIR/99; art. 44, inciso II, alínea b, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Medida Provisória nº 351/07 Fatos geradores ocorridos entre 31/07/2007 e 31/08/2007: Arts. 222 e 843 do RIR/99; art. 44, inciso II, alínea b, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07”. Fl. 4472DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 1201001.364 S1C2T1 Fl. 4.471 5 No auto de infração referente à CSL, foram configuradas as mesmas infrações, indicandose a legislação específica. Além dos autos de infração, foi lavrado Termo de Verificação Fiscal (fls. 3786/3838). Faremos, a seguir, breve relatório das infrações. Consignamos que no Termo de Verificação Fiscal estão registradas outras operações decorrentes dos mesmos fatos (Reorganização societária envolvendo a empresa Itausaga S.A). Entretanto, considerando que não foram lançadas nestes autos, nós nos absteremos de relatálas com o objetivo de tornar esse relatório mais simples, direto e conciso. INTRODUÇÃO “Tem por objeto o lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL reflexa, referentes aos anocalendário de 2006 a 2008, decorrente de amortização indevida de ágio oriundo de reorganização societária ocorrida no Grupo Itaú.” – fl. 3786. DOS FATOS “O cerne da questão a ser tratada no presente auto de infração diz respeito à validade ou invalidade da amortização, para fins tributários, do ágio oriundo da operação de compra e venda da totalidade das ações da Rudá Administração e Participações S.A. – CNPJ 07.256.553/000159 – (doravante denominada Rudá), em que figuram como comprador o Banco Itaucard S.A. e como vendedor o Banco Itaú S.A. (CNPJ 60.701.190/000104). Na verdade, a citada operação de compra e venda é uma das últimas etapas do intrincado processo de absorção do BankBoston Banco Múltiplo S.A. – CNPJ 60.394.079/000104 – (doravante denominado BankBoston) pelo Grupo Itaú que passamos a descrever” – fl. 3787. (...) 1ª Etapa (25/08/2006): O Banco Itaú Holding Financeira S.A. adquiriu do Bank of America Corporation o BankBoston e a Libero Trading Internacional LTD pelo valor de mercado de R$ 4.581.120.000,00. O pagamento ocorreu por meio da emissão de 68.518.094 ações preferenciais do Banco Itaú Holding Financeira S.A.; 2ª Etapa (02/10/2006): as ações do BankBoston e da Libero Trading Internacional LTD foram incorporadas pelo Banco Itaú S.A. pelo valor de R$ 4.627.730,00. O Fl. 4473DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO 6 pagamento ocorreu por meio da emissão de 35.306.067 ações ordinárias do Banco Itaú S.A em favor da Itaú Holding Financeira S.A.; 3ª Etapa (02/10/2006): cisão parcial do BankBoston; os ativos e passivos relativos ao segmento de cartões de crédito foram vertidos para a Rudá; 4ª Etapa (02/10/2006): venda da totalidade das ações da Rudá pelo valor de R$ 378.000.000,00, sendo o Banco Itaú S.A. o vendedor e o Banco Itaucard S.A. o comprador. O pagamento ocorreu com recursos provenientes da emissão, pelo Banco Itaucard S.A, de Certificado de Depósito Interbancário (CDI). Tal CDI foi adquirido pelo Banco Itaú S.A; e 5ª Etapa (02/10/2006): incorporação da Rudá pelo Banco Itaucard S.A. no mesmo dia em que ocorreu a aquisição. DO ÁGIO DA PRIMEIRA PARA A SEGUNDA ETAPA “Assim, resta claro que o ágio resultante da aquisição das ações do BankBoston pelo Banco Itaú S.A. nada tem a ver com o ágio oriundo da aquisição anterior entre o Bank of America Corporation e o Banco Itaú Holding Financeira S.A.. Eles são completamente independentes entre si. Tampouco há que se falar em transferência do ágio da primeira para a segunda aquisição, porque, como já foi dito, a transferência de ágio entre empresas só ocorre nos casos de fusão, cisão ou incorporação. Nunca em uma aquisição. Do exposto, em relação à aquisição das ações do BankBoston pelo Banco Itaú S.A., em que o alienante foi o Banco Itaú Holding Financeira S.A., podese inferir que: i) Tratase de uma aquisição que se deu intragrupo, uma vez que o adquirente – Banco Itaú S.A. – é controlado (100%) pelo alienante – Banco Itaú Holding Financeira S.A.; ii) O ágio dela originado é interno ao Grupo Itaú e tratase de “ágio novo”, ou seja, não houve “transferência” do ágio oriundo da primeira aquisição das ações, em que o Banco Itaú Holding Financeira S.A. figura como adquirente e o Bank Of America Corporation como alienante” – fls. 3793/3794. DO ÁGIO DA TERCEIRA ETAPA “Repare que, neste caso (ao contrário do que ocorreu na Segunda Etapa do Processo e Absorção, ou seja, na incorporação das ações do BankBoston pelo Banco Itaú S.A.), é válido se falar em transferência do ágio do investimento no BankBoston para os investimentos na Rudá e no Banco Itausaga S.A.. Isto porque as transferências se dão no âmbito de operações de cisão e incorporação” – fl. 3796. Fl. 4474DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 1201001.364 S1C2T1 Fl. 4.472 7 DA EMPRESA VEÍCULO UTILIZADA NA TERCEIRA E NA QUARTA ETAPA A empresa Rudá foi constituída em dezembro de 2004 e tinha como sócio majoritário a empresa Lineinvest Participações S.A,, empresa que, por sua vez, era controlada pelo Banco Itaú S.A. Ademais, a empresa Rudá não teve nenhuma atividade nos anos calendários de 2004 e 2005; e, com relação ao anocalendário de 2006, sua única atividade foi a incorporação dos ativos cindidos do BankBoston. Além disso, todas as operações societárias realizadas com a Rudá (alienação e incorporação) ocorreram num único dia. Assim, a Autoridade Fiscalizadora concluiu que “desde sua criação até a sua extinção, a Rudá se prestou apenas a uma única missão: ‘transportar’ o segmento de cartões de crédito do BankBoston para o Banco Itaucard S.A.” – fl. 3797. DA QUARTA ETAPA Considerando que o Banco Itaú S.A., vendedor da Rudá, também era controlador do Banco Itaucard S.A., tratase de alienação intragrupo e, considerando que só existe transferência de ágio quando há fusão, cisão ou incorporação, não haveria que se falar em transferência de ágio no caso. “O valor do ágio de R$ 315.000.000,00 só se manteve inalterado, nos registros contábeis do Banco Itaú S.A. e do Banco Itaucard S.A., porque o preço de venda foi determinado de forma tal que não houvesse nem ganho de capital nem redução do ágio a ser futuramente amortizado pelo Banco Itaucard S.A.. Ou seja, o preço de venda foi fixado em R$ 378.000.000,00 por mera conveniência” – fl. 3804. Ademais, destacou que o próprio vendedor financiou a compra e venda das ações, vez que o Banco Itaú S.A. foi o comprador do CDI emitido pelo Banco Itaucard S.A., além do que o CDI foi resgatado antecipadamente, “logo após o aumento do capital do Banco Itaucard S.A, realizado em 18/10/2006, no valor de R$ 9 bilhões” – fl. 3806. DA QUINTA ETAPA “O Banco Itaucard S.A. incorpora a Rudá, após adquirir suas ações, a fim de possibilitar a amortização do ágio originado na aquisição no prazo previsto no art. 386, do RIR/99” – fl. 3807. Fl. 4475DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO 8 DO PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO Da finalidade da reorganização societária: “[...] a forma utilizada no processo de absorção foi arquitetada com uma única finalidade: criar um ágio e permitir sua amortização num prazo de 60 meses, gerando, assim, uma economia tributária” – fl. 3812. (...) “Para que um ágio fosse criado no ativo do Banco Itaucard S.A., seria necessário haver uma alienação. Uma opção seria o Banco Itaucard S.A. comprar a carteira de clientes de cartões de crédito do BankBoston. No entanto, esta compra geraria um ganho de capital para o BankBoston, o que não seria conveniente ao Grupo Itaú. Então, esta questão foi resolvida, no planejamento tributário, lançandose mão da empresa ‘veículo’ Rudá, cujo perfil já foi descrito no item 3 deste Termo de Verificação” – fl. 3817. Curto espaço de tempo: Como indício do planejamento tributário, demonstrou que as operações de aquisição do BankBoston pelo Banco Itaú, cisão do BankBoston com versão para a Rudá e incorporação da Rudá pelo Banco Itaucard ocorreram entre às 11 e às 17 horas do dia 02/10/2006. “Não há sentido em se especular que a passagem da carteira de clientes de cartões de crédito pela Rudá foi necessária para se efetuar algum tipo de análise prévia da citada carteira, uma vez que tal passagem durou apenas três horas. Convenhamos, em três horas não se analisa uma carteira de clientes” – fls. 3816. Da forma de pagamento: Como outro indício do planejamento tributário, destacou a forma como a contribuinte (Banco Itaucard S.A.) pagou pela compra da empresa Rudá: (i) emitiu Certificados de Depósito Interbancário (CDI) no mesmo dia e mesmo valor da operação de aquisição; (ii) o comprador dos CDI’s foi a própria vendedora. Em outras palavras, o Banco Itaú S.A. vendeu e financiou a aquisição da Rudá para o Banco Itaucard, ambos de sua propriedade, sem que houvesse desembolso efetivo de dinheiro; e (iii) em que pese o CDI tenha sido emitido com prazo de 1.173 dias, ele foi resgatado antecipadamente, no mesmo mês de sua emissão, logo após um aumento de capital no Banco Itaucard S.A. realizado pelo Banco Itaú S.A. Fl. 4476DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 1201001.364 S1C2T1 Fl. 4.473 9 DO DILEMA ENTRE A FORMA E A ESSÊNCIA ECONÔMICA A autoridade lançadora explicou ainda que a nova lei societária (Lei nº 11.638/2007) privilegiou a essência sobre a forma. A seguir, explicou que formalmente, o ágio observado a cada etapa é diverso da etapa anterior; contudo, a Contribuinte optou pela essência econômica sobre a forma, argumentando ser o mesmo ágio desde o primeiro momento. Por outro lado, a utilização da empresa veículo Rudá teve apenas substrato formal, buscando enquadrar a amortização do ágio no art. 386 do RIR/99, vez que, em termos de essência econômica, esta transferência é equivalente à cisão do BankBoston com a versão da carteira diretamente para o Banco Itaucard S.A. “Queremos demonstrar com isso que, embora queira, o contribuinte não pode ter o melhor dos dois mundos. Ou bem faz uma interpretação da essência econômica de todo o processo de absorção do BankBoston pelo Grupo Itaú ou bem se apega à forma para justificar todo o processo” – fl. 3823. DO ABUSO DE DIREITO “Concluise, portanto, que os negócios indiretos praticados com abuso do direito podem ser desqualificados pelo Fisco” – fl. 3829. (...) “À luz de todo o exposto neste item 6 e conforme demonstrado nos itens 3, 4 e 5, os negócios jurídicos realizados para transferir a carteira de clientes de cartões de crédito do BankBoston para o Banco Itaucard S.A [...] não tiveram uma causa real, e foram perpetrados com um fim unicamente de ordem tributária: criar um ágio no Banco Itaucard S.A para amortizalo no prazo de 60 meses. Assim, tais negócios jurídicos serão fiscalmente desqualificados e, como consequência, as despesas de amortização do ágio consideradas pelo contribuinte no cálculo do lucro líquido serão adicionadas para efeito de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL” – fl. 3829. DA MULTA ISOLADA POR INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE IRPJ E CSL SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA “Como consequência da dedução indevida das despesas de amortização de ágio ocorreu, em alguns períodos de apuração dos anoscalendários 2007 e 2008, a Fl. 4477DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO 10 insuficiência de recolhimento de IRPJ e/ou CSLL sobre as bases de cálculo estimadas apuradas com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução. Portanto, para tais períodos de apuração, serão efetuados os lançamentos das multas isoladas por falta/insuficiência de recolhimento de IRPJ e CSLL, conforme previsto no art. 44, II “b” da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07” – fl. 3834. A Contribuinte foi intimada pessoalmente dos autos de infração e do Termo de Verificação Fiscal em 20/12/2011 (3753, 3769 e 3838). Nesse caminho, apresentou impugnação (fls. 3851/3863 e docs. anexos fls. 3864/3872) em 19/01/2012 (fl. 3851), por meio da qual, em suma, explicou: 1. O tratamento fiscal aplicável ao ágio; 2. Que o ágio originalmente pago pelo Banco Itaú Holding na incorporação das ações do BankBoston teve por fundamento econômico a expectativa de rentabilidade futura deste; 3. Que a autoridade lançadora não questionou o preço pago pelo BankBoston, nem o valor do ágio gerado; 4. Que não se trata de “ágio novo”, gerado intragrupo, como argumentado pela fiscalização, sendo o mesmo ágio observado em todas as etapas, tendo havido sua mera transferência; 5. Que o laudo foi feito de forma a demonstrar a expectativa de rentabilidade futura de cada um dos ramos de negócio desenvolvidos pelo banco adquirido; 6. Que a manutenção do preço pago nas referidas aquisições justificase pelo curto lapso temporal verificado entre a primeira aquisição (julho de 2006) e a segunda (outubro de 2006), período insuficiente para uma oscilação significativa no preço das ações adquiridas; 7. Que a empresa Rudá foi criada em 2004, antes da aquisição do BankBoston (em 2006), mantendose regular por toda a sua duração, o que afasta o argumento de que teria sido criada exclusivamente para transportar o ágio; 8. Que não há nenhuma ilegalidade na forma de pagamento da aquisição da empresa Rudá pelo Banco Itaucard: o CDI é um meio absolutamente válido que lastreia operações no mercado interbancário. Ademais, Fl. 4478DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 1201001.364 S1C2T1 Fl. 4.474 11 esclareceu que os valores recebidos no aumento de capital não foram utilizados no resgate do CDI emitido; 9. Que o fator tempo não é suficiente, isoladamente, para configurar planejamento tributário, sendo necessário, também, a falta de substância da empresa incorporada; 10. Que foi utilizada a empresa Rudá, ao invés da incorporação direta dos ativos do BankBoston no Banco Itaucard com o propósito de otimizar os processos e gestão das operações e simplificar o cumprimento das obrigações acessórias. Ademais, essas operações foram informadas ao BACEN e devidamente aprovadas; 11. Que não houve abuso de direito, pois as operações foram amparadas em razões empresariais e econômicas; 12. Também, que não é cabível a aplicação da multa isolada do art. 44, II, “b”, da Lei nº 9.430/96 após o encerramento do anocalendário; 13. Ainda, que não é cabível a duplicidade de penalidades sobre a mesma infração, i.e., multa isolada e multa de ofício; e 14. Por fim, que não é cabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Recebendo os autos, em 24/05/2013, a 8ª Turma da DRJ/SP1 proferiu o acórdão nº 1646.969 (fls. 3874/3921), que julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, o qual ficou assim ementado às fls. 3874/3875: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 SEGMENTO DE CARTÕES DE CRÉDITO. AVALIAÇÃO. MOMENTO. A avaliação do segmento de cartões de crédito, objeto de aquisição com ágio, surgiu apenas quando da realização de negócios entre partes relacionadas. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO FUNDAMENTADO EM EXPECTATIVA DE RESULTADOS FUTUROS. ÁGIO INTERNO. O ágio gerado em operação realizada entre partes relacionadas carece de substância econômica, e por isso a sua amortização não pode afetar o resultado do período para fins tributários. Não Fl. 4479DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO 12 produzem efeitos perante o Fisco as operações realizadas sem propósito negocial, com o único intuito de economia tributária. ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES. SOCIEDADE SEM ATIVIDADE ECONÔMICA AQUIRIDA PARA POSTERIOR EXTINÇÃO. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. Carece de propósito negocial a aquisição de sociedade sem atividade econômica para posterior extinção, restando maculado o ágio havido na aquisição da participação societária ocorrida antes da sua incorporação. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS. A partir do advento da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007 a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita à incidência da multa de ofício. São duas materialidades distintas, uma referese ao ressarcimento ao Estado pela não entrada de recurso no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido”. As razões de decidir que levaram à manutenção do lançamento podem ser assim resumidas: DA LEGISLAÇÃO PERTINENTE À AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO “Conforme estabelecido pelo art. 25 combinado com o art. 20 do DecretoLei nº 1598, de 1977, que dão supedâneo aos artigos 385 e 391 do RIR/99, respectivamente, a regra geral é a indedutibilidade das contrapartidas da amortização de ágio” – fl. 3903. Explicou, entretanto, haver exceção possibilitando a amortização do ágio, conforme art. 7º da Lei nº 9.532, de 1997, fundamento legal do art. 386 do RIR/99: “As condições de dedutibilidade do ágio devem, portanto ser observadas, quais sejam: absorção do patrimônio de pessoa jurídica na qual detenha participação societária adquirida com ágio, cujo fundamento seja expectativa de rentabilidade futura” – fl. 3904. DA DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO CONSIDERADO INDEDUTÍVEL “Como se vê, a questão do caráter do ágio surgido quando da aquisição da Rudá pelo Banco Itaucard comporta duas relevantes observações: a primeira, pertinente ao fato Fl. 4480DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 1201001.364 S1C2T1 Fl. 4.475 13 de a valoração do segmento de cartões ter surgido apenas quando da ocorrência da terceira etapa (cisão parcial do BankBoston com versão do segmento de Cartões de Crédito para a Rudá); e a segunda, de certa forma relacionada à primeira, que esta valoração se deu apenas quando a negociação já estava inserida no âmbito do Grupo Itaú, portanto, sem a intervenção de terceiros. O fato de a valoração do segmento de cartões de crédito ter surgido somente quando da cisão parcial do BankBoston com versão do segmento de Cartões de Crédito para a Rudá (terceira etapa do processo de absorção do BankBoston pelo Banco Itaú) ficou evidenciado quando da análise dos laudos acima procedida. (...) Registrese que o fato de não ter sido explicitado o valor patrimonial do segmento de Cartões de Crédito quando do início do processo de absorção do BankBoston pelo Grupo Itaú afasta, de pronto, a tese da defesa pautada na ‘transferência’ de ágio” – fl. 3910. DO ÁGIO GERADO DENTRO DE UM MESMO GRUPO ECONÔMICO “Como se vê, à luz das regras contábeis, da doutrina e do Ofício Circular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007, o ágio surgido quando da aquisição pela impugnante da Rudá não pode subsistir, porquanto não há qualquer prova nos autos de que aquele valor tenha surgido da negociação entre partes independentes. Frisese a avaliação específica do segmento de cartões de crédito apareceu somente no documento denominado ‘Avaliação econômico financeira dos segmentos de negócios do Banco ItauBank S.A. (anteriormente BankBoston Banco Múltiplo S.A.)’, datado em outubro de 2006 (fls. 2894/2966), portanto no âmbito das negociações dentro do próprio Grupo Itaú. Assim apenas o fato de o ágio ter sido gerado no âmbito de operação interna do Grupo Econômico, já seria razão suficiente afastar a dedutibilidade de sua amortização das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL” – fl. 3912. DO USO DE EMPRESA VEÍCULO PARA TRANSPORTAR O ÁGIO DO BANCO ITAÚ PARA A RUDÁ RELATIVAMENTE AO SEGMENTO DE CARTÕES DE CRÉDITO “Como se vê, essa empresa veículo, até 02/10/2006, não tinha nenhuma outra atividade negocial, era empresa ‘de papel’ / ‘de prateleira’ que teve sua existência justificada apenas e tão somente para participar do plano arquitetado com vista à economia de tributo pelo Fl. 4481DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO 14 Banco Itaucard. Não houve propósito negocial algum na existência da Rudá a não ser fazer parte de uma sequência de operações complexas que estava a nublar o cenário em que, na realidade houve a aquisição direta do “segmento de cartões de crédito do BankBoston” (carteira de clientes de cartões de crédito) do Banco Banco Itaú pela impugnante. (...) Resta, assim, evidenciada a ocorrência de abuso de direito, fraude à lei e a falta de propósito negocial, devendo permanecer incólume as conclusões da autoridade fiscal nesse sentido” – fl. 3914. DA FORMA UTILIZADA PARA A SEGMENTAÇÃO DAS ATIVIDADES DO BANKBOSTON “Convém aqui reprisar o trecho do Termo de Verificação Fiscal (fls. 3822/3823) extraído do tópico ‘5 – Do dilema entre a forma e a essência econômica’, que bem demonstra a incoerência da impugnante quando da justificativa para amortização de ágio que entende ‘transferido’ do ágio gerado na aquisição do BankBoston pelo Banco Itaú Holding Financeira (interpretação econômica dos eventos) em confronto com a justificativa perante o BACEN para a utilização da Rudá para contornar a obrigatoriedade da entrega de DIPJ quando da incorporação (interpretação formal dos fatos). Mutatis mutandis, o trecho a seguir transcrito aponta de maneira inequívoca que a Rudá foi utilizada no processo de absorção do segmento de cartões de crédito do BankBoston pela interessada (Banco Itaucard) apenas para que, na forma, se amoldasse tanto à disposição contida no art. 386 do RIR/99, quanto à exceção do art. 5º da Lei nº 9.959, de 2000” – fls. 3916/3917. (...) “Por todo o acima exposto, concluise encontrarse irreparável o procedimento fiscal adotado relativamente à amortização de ágio sob análise” – fl. 3917. DA APLICAÇÃO CONCOMITANTE DA MULTA ISOLADA E DA MULTA DE OFÍCIO “A controvérsia sobre a dupla incidência existia sobre a égide da redação anterior do artigo 44 da Lei 9.430 [...] Notase que tanto a multa isolada quanto a multa de ofício incidiam sobre a mesma base de cálculo, qual seja a totalidade ou diferença de tributo e contribuição. Já com a nova redação o legislador buscou separar as bases de cálculo das infrações, fazendo incidir a multa de ofício (75%) sobre o disposto no inciso I (a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta Fl. 4482DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 1201001.364 S1C2T1 Fl. 4.476 15 de declaração e nos de declaração inexata) e a multa isolada (50%) sobre o disposto no inciso II (sobre o valor do pagamento mensal)” – fl. 3919. (...) Deve, portanto, o lançamento da multa isolada (50%) permanecer incólume” – fl. 3920. DOS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO NÃO PAGA NO VENCIMENTO “Quanto à reclamação da interessada pela cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício lançada, há de se considerar, primeiramente, que não houve o lançamento de juros de mora sobre multa de ofício, portanto, esta seria uma questão de cobrança, posterior ao julgamento da lide. Não há pois litígio instaurado quanto à aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício. (...) No caso, a cobrança (futura) dos juros sobre a multa de ofício vinculada tem por fundamento o próprio artigo 161 do Código Tributário Nacional c/c art. 61, §3º, da Lei nº 9.430, de 1996” – fl. 3920. A Contribuinte procedeu a abertura do acórdão pelo sistema ECAC em 31/05/2013 (fl. 3925), mas foi efetivamente intimada em 13/06/2013, com a ciência por decurso de prazo (fl. 3926). Em 12/07/2013 (fl. 3928), a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fl. 3928/3941 e docs. anexos fls. 3942/4179), com o seguinte pedido: “Pelo exposto, o Recorrente pleiteia o provimento do presente recurso com a consequente determinação da improcedência do auto de infração” – fl. 3941. Para tanto, apresentou os seguintes argumentos: DA IMPROCEDÊNCIA DAS RAZÕES DE AUTUAÇÃO A Contribuinte defendeu a identidade substancial dos ágios apurados pelo Itaú Holding, pelo Banco Itaú S/A e pelo Banco Itaucard, sob o fundamento de que: DO LAUDO COM A SEGMENTAÇÃO DOS NEGÓCIOS “Notese que o ágio registrado encontrase corroborado pelos laudos preparados por ocasião da negociação. Tais laudos, ainda, corroboram o valor do ágio Fl. 4483DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO 16 registrado pelo Itaú Holding, inclusive segregando a expectativa de rentabilidade futura concernente a cada um dos segmentos de negócio” – fl. 3931. DO VALOR DO ÁGIO “Importante anotar, ainda, que tais laudos foram entregues à Autoridade Fiscal, que em nenhum momento os questionou. A Autoridade Fiscal tampouco questionou o registro do investimento no BankBoston, constante dos livros do Itaú Holding, nem o ágio que resultou de seu desdobramento. Acostase novamente aos autos referidos laudos (doc. 03)” – fl. 3931. DA IDENTIDADE DO ÁGIO “Uma vez mais, ressaltese que esse é o mesmo ágio que teve origem na aquisição do BankBoston pelo Itaú Holding. Seu valor e fundamento econômico são idênticos. Não há geração de ‘novo ágio’, nem tampouco de ágio interno” – fl. 3932. DA IMPOSSIBILIDADE DE CLASSIFICAR O ÁGIO COMO “INTERNO” “Ainda, o ágio apurado pelo Banco Itaucard não pode ser considerado como ‘ágio interno’. Por todas as razões acima expostas, fica claro que constitui parte do ágio gerado na aquisição do BankBoston de terceiros, referente à parcela do segmento de cartões de crédito. Tratase em sua substância, repisase, do mesmo ágio apurado pelo Itaú Holding quando da incorporação das ações do BankBoston” – fl. 3933. O PORQUÊ DO PROCESSO DE ABSORÇÃO “Porém, nada há de artificial no processo de absorção do BankBoston. Por um, tal inclusão encontrase justificada como modo de simplificar os processos societários, tendo em vista as dificuldades operacionais de se levantarem demonstrações financeiras e de cumprimento de obrigações acessórias do Banco Itaucard. Por dois, porque existiriam outras formas de transferir o negócio de cartões ao Banco Itaucard, com as mesmas consequências fiscais, sem a intervenção da Rudá” – fl. 3934. (...) “Vistas em seu conjunto, as operações possuem um único objetivo: entregar a gestão de cada um dos negócios do BankBoston a instituição financeira nele especializada. Nada há de irregular nesse desiderato, nem nas operações que a ele levaram” – fl. 3934. DA UTILIZAÇÃO DO CDI Fl. 4484DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 1201001.364 S1C2T1 Fl. 4.477 17 “Nada há de anômalo na utilização do CDI para a captação de recursos. Para bem entender a questão, devese ter em conta que os bancos podem captar recursos via depósitos. Ao Banco Itaucard, quando se viu necessitado de liquidez para pagar o preço de compra da Rudá, cabiam duas opções: captar depósitos de clientes, ou captar depósitos interbancários, via CDI. Como o Banco Itaucard não atua no mercado de captação junto ao público em geral, suas opções restringiramse ao CDI. Notese que o CDI é título regular, registrado na CETIP, e que poderia ser negociado com qualquer instituição financeira, inclusive dentro do mesmo grupo financeiro. Ainda, sua remuneração corresponde a taxas de mercado, nada havendo de irregular em sua emissão” – fls. 3934/5. NÃO CABIMENTO DA MULTA ISOLADA “Desta feita, não há que se falar em aplicação de multa por falta de recolhimento de estimativa, quando encerrado o anocalendário e, ainda, quando já aplicada a multa de ofício. Assim, no caso em tela, resta caracterizada a dupla penalização por uma mesma infração, devendo ser cancelada a multa de ofício isolada” – fl. 3939. NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO “Se os juros de mora não incidem sobre a multa de mora, por iguais razões não cabe aplicar tais juros sobre a multa de ofício. Se a multa de ofício estivesse compreendida na referência (feita pelo caput do artigo citado [61 da Lei nº 9.430/96]) aos débitos de tributos e contribuições, chegarseia ao absurdo de concluir que o §3º do artigo prevê a incidência de multa de mora sobre a multa de ofício” – fl. 3940. Em 22/08/2013, os autos foram encaminhados à PGFN (fl. 4182), que apresentou Memoriais em 24/09/2013 (fls. 4183/4233), aduzindo, em suma: IMPOSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO DO ÁGIO – ÁGIO INTERNO – AUSÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL – EMPRESA VEÍCULO – JURISPRUDÊNCIA DO CARF “Ocorre, que, ao invés desta ‘atribuição’ ou ‘destinação’ de negócios às respectivas empresas do conglomerado Itaú terse dado de forma direta, foi adotada a via do Fl. 4485DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO 18 artificialismo, trilhada com o exclusivo propósito de economia tributária, através da geração de ágio fictício e gerado internamente ao Grupo. (...) Outra informação prévia se faz necessária à futura conclusão que o ágio que se pretende amortizar se tratar de ágio interno: notese, na narração fática abaixo, que a participação de terceiro independente e não vinculado (Bank of America Corporation) se encerra já na primeira etapa (de um total de seis) das operações” – fls. 4186/4187. (...) A seguir, passou a descrever as etapas do processo de absorção dos ativos da empresa adquirida. Nisso, frisou que: · Não houve transferência do ágio da aquisição do BankBoston, porque a transferência de ágio entre empresas só ocorreria nos casos de fusão, cisão ou incorporação, não em uma aquisição; · O ágio amortizado se trataria de ágio novo, já que estava fundamentado em laudo distinto; · Não haveria fundamentação comercial para a incorporação preliminar pela Rudá e, depois, pela Itaucard. A única fundamentação possível seria a economia tributária; · A operação de venda das ações da Rudá do Banco Itaú S.A. para o Itaucard foi dentro do próprio grupo, seja porque o Banco Itaú controlava o Banco Itaucard, seja porque o vendedor das ações da Rudá foi o comprador do CDI emitido pelo Banco Itaucard, comprador dessas ações, sendo, portanto, ágio interno; · Como o vendedor das ações da Rudá era o comprador do CDI emitido pelo Banco Itaucard, não houve efetivo pagamento para a aquisição da Rudá, nem para incorporação das ações do BankBoston pelo Banco Itaú; e · Destacou a proximidade temporal das operações societárias. POSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO DA MULTA ISOLADA E DA MULTA DE OFÍCIO – MATERIALIDADES DISTINTAS – FATOS GERADORES POSTERIORES À MP 351/2007 “Na hipótese dos autos, a legitimidade, ou não, da cumulação entre a multa de ofício e a multa isolada não dependerá da análise em torno das bases de cálculo dessas Fl. 4486DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 1201001.364 S1C2T1 Fl. 4.478 19 penalidades, se idênticas ou não, mas sim do exame acerca das infrações que motivaram a aplicação das mesmas.” – fl. 4208. (...) “Sob essa ótica, o não recolhimento do IRPJ e da CSLL por estimativa é infração bastante diversa daquela consistente na omissão de receitas apuradas ao final do ano calendário. Nada impede que dessas infrações resultem penalidades distintas: da omissão de rendimentos, decorre a multa de ofício prevista no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96; enquanto que do descumprimento do regime de recolhimento de estimativa, decorre a multa isolada prevista no atual art. 44, inciso II, alínea “b”, da mesma Lei” – fl. 4209. DOS JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO “Repitase mais uma vez, a título conclusão: cremos que o entendimento correto, pautado em uma interpretação sistemática e finalística das normas tributárias envolvidas, é aquela que afirma a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício e utiliza se da taxa Selic” – fl. 4233. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto, Relator. I. DO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE Os pressupostos e requisitos de admissibilidade, determinados pelo Decreto n° 70.235/1972 e pelo Regimento Interno do CARF, fazemse presentes, senão vejamos. Nos termos do art. 2º, incisos I e II1, do Anexo II ao Regimento Interno do CARF, processos cujo objeto seja auto de infração lavrado para exigência de IRPJ e CSLL são da competência desta Primeira Seção. No que tange à legitimidade, as petições estão assinadas (fls. 3928 e 3941) por advogados devidamente constituídos nos autos, conforme procuração (fls. 3943/3944) e ata de assembleia da Contribuinte (fl. 3945/3948). Quanto à tempestividade, registrase que a decisão da DRJ, proferida em 1 Art. 2°. À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Fl. 4487DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO 20 24/05/2013 (fl. 3874), foi disponibilizada no sistema eCAC em 29/05/2013 (fl. 3926), sendo que a Contribuinte a abriu no referido sistema em 31/05/2013 (fl. 3925). Registramos que o prazo de defesa começou a correr, entretanto, em 13/06/2013, i.e., quinze dias após a disponibilização no sistema, eis que vigia à época dos fatos o art. 23, §2º, III, do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pela Lei nº 11.196/2005: Art. 23. ... § 2° Considerase feita a intimação: (...) III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; A alteração legislativa do art. 23, §2º, III, do Decreto nº 70.235/72 promovida pela Lei 12.844/2013, publicada em 19/07/2013, que determinou a contagem do prazo a partir da abertura da decisão no sistema ECAC, somente entrou em vigor após a disponibilização da intimação e após, inclusive, o próprio protocolo do recurso voluntário, que ocorreu no dia 12/07/2013 (fl. 3928), razão pela qual ela é inaplicável. Portanto, tendo em vista que o prazo de 30 dias estabelecido pelo art. 33 do Decreto nº 70.235/72 começou a ser contado em 13/06/2013, uma quintafeira, ele venceria no dia 13/07/2013, um sábado, o qual seria prorrogado para o dia 15/07/2013, primeiro dia útil subsequente. No presente caso, tendo sido protocolado em 12/07/2013, tempestivo o recurso voluntário. Desta feita, por presentes os pressupostos de admissibilidade determinados pelo Decreto 70.235/1972 e pelo Regimento Interno do CARF, do Recurso Voluntário tomo conhecimento. No que tange ao Recurso de Ofício, este corretamente não foi formalizado, tendo em vista que o acórdão manteve integralmente o lançamento. II. DOS PONTOS CONTROVERTIDOS Ultrapassado o juízo de admissibilidade, impõese determinar os pontos controvertidos, a partir dos argumentos constantes no Recurso Voluntário e na fundamentação do Acórdão combatido. As questões, sucessivamente, são as seguintes: Fl. 4488DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 1201001.364 S1C2T1 Fl. 4.479 21 1. Tratase de ágio amortizável? 1.1. Tratase de mesmo ágio ou de novo ágio? 1.2. Tratase de ágio interno ou de transferência de ágio? 1.3. Houve propósito na utilização da empresa Rudá ou se trataria de empresa veículo? Em se tratando de empresa veículo, sua existência impediria a amortização do ágio? 1.4. Haveria anormalidade na captação de recursos através de CDI? E no fato de que o CDI foi liquidado antes da data do vencimento? E, por fim, no fato de o vendedor das ações da Rudá ser o comprador do CDI emitido pelo Banco Itaucard? 1.5. O curto lapso temporal entre as operações configuraria simulação? 2. Adequada a imposição de multa isolada? 2.1. Só é possível a imposição de multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativas durante o exercício e, não, após o seu encerramento? 2.2. Há impedimento de cumulação de multa isolada com multa de ofício? 3. Incidem juros sobre a multa de ofício? III. DO MÉRITO 1. DA NATUREZA DO ÁGIO O Sr. AFRF glosou o ágio amortizado pela Recorrente, argumentando que se tratava de ágio: i) gerado entre partes dependentes; ii) amortizado por meio de empresa veículo; e iii) que a operação ocorreu sem efetivo pagamento. As operações relacionadas ao ágio objeto deste processo seguem resumidas abaixo: 1ª Etapa (25/08/2006): O Banco Itaú Holding Financeira S.A. adquiriu do Bank of America Corporation o BankBoston e a Libero Trading Internacional LTD pelo valor de mercado de R$ 4.581.120.000,00. O pagamento ocorreu por meio da emissão de 68.518.094 ações preferenciais do Banco Itaú Holding Financeira S.A.; 2ª Etapa (02/10/2006): as ações do BankBoston e da Libero Trading Internacional LTD foram incorporadas pelo Banco Itaú S.A. pelo valor de R$ 4.627.730,00. O Fl. 4489DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO 22 pagamento ocorreu por meio da emissão de 35.306.067 ações ordinárias do Banco Itaú S.A em favor da Itaú Holding Financeira S.A.; 3ª Etapa (02/10/2006): cisão parcial do BankBoston; os ativos e passivos relativos ao segmento de cartões de crédito foram vertidos para a Rudá; 4ª Etapa (02/10/2006): venda da totalidade das ações da Rudá pelo valor de R$ 378.000.000,00, sendo o Banco Itaú S.A. o vendedor e o Banco Itaucard S.A. o comprador. O pagamento ocorreu com recursos provenientes da emissão, pelo Banco Itaucard S.A, de Certificado de Depósito Interbancário (CDI). Tal CDI foi adquirido pelo Banco Itaú S.A; e 5ª Etapa (02/10/2006): incorporação da Rudá pelo Banco Itaucard S.A. no mesmo dia em que ocorreu a aquisição. Graficamente, temos: Fl. 4490DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 1201001.364 S1C2T1 Fl. 4.480 23 Fl. 4491DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO 24 Interpretando as operações acima, o Sr. AFRF entendeu que a ora Recorrente não poderia amortizar o ágio, pois aquele “resultante da aquisição das ações do BankBoston pelo Banco Itaú S.A. nada tem a ver com o ágio oriundo da aquisição anterior entre o Bank of America Corporation e o Banco Itaú Holding Financeira S.A” fl. 3793. Prosseguiu afirmando que não se tratava de transferência de ágio, posto que “a transferência de ágio entre empresas só ocorre nos casos de fusão, cisão ou incorporação. Nunca em uma aquisição” fl. 3793. Concluiu afirmando: “i) Tratase de uma aquisição que se deu intragrupo, uma vez que o adquirente – Banco Itaú S.A. – é controlado (100%) pelo alienante – Banco Itaú Holding Financeira S.A.; ii) O ágio dela originado é interno ao Grupo Itaú e tratase de ‘ágio novo’, ou seja, não houve ‘transferência’ do ágio oriundo da primeira aquisição das ações, em que o Banco Itaú Holding Financeira S.A. figura como adquirente e o Bank Of America Corporation como alienante” – fl. 3794. Por sua vez, os integrantes da 8ª Turma da DRJ/SP1, por meio do acórdão nº 1646.969, apresentaram novo fundamento para a indedutibilidade do ágio, qual seja: que o primeiro laudo, fruto da operação entre partes independentes, não valorou o segmento de cartão de crédito, tendo tal avaliação se dado apenas quando o BankBoston já integrava a estrutura societária do Itaú: “Como se vê, a questão do caráter do ágio surgido quando da aquisição da Rudá pelo Banco Itaucard comporta duas relevantes observações: a primeira, pertinente ao fato de a valoração do segmento de cartões ter surgido apenas quando da ocorrência da terceira etapa (cisão parcial do BankBoston com versão do segmento de Cartões de Crédito para a Rudá); e a segunda, de certa forma relacionada à primeira, que esta valoração se deu apenas quando a negociação já estava inserida no âmbito do Grupo Itaú, portanto, sem a intervenção de terceiros. O fato de a valoração do segmento de cartões de crédito ter surgido somente quando da cisão parcial do BankBoston com versão do segmento de Cartões de Crédito para a Rudá (terceira etapa do processo de absorção do BankBoston pelo Banco Itaú) ficou evidenciado quando da análise dos laudos acima procedida. (...) Registrese que o fato de não ter sido explicitado o valor patrimonial do segmento de Cartões de Crédito quando do início do processo de absorção do BankBoston pelo Grupo Itaú afasta, de pronto, a tese da defesa pautada na ‘transferência’ de ágio” – fl. 3910. Fl. 4492DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 1201001.364 S1C2T1 Fl. 4.481 25 A Contribuinte se contrapôs ao novo fundamento apresentado pela DRJ, afirmando: "Notese que o ágio registrado encontrase corroborado pelos laudos preparados por ocasião da negociação. Tais laudos, ainda, corroboram o valor do ágio registrado pelo Itaú Holding, inclusive segregando a expectativa de rentabilidade futura concernente a cada um dos segmentos de negócio Importante anotar, ainda que tais laudos foram entregues à Autoridade Fiscal, que em nenhum momento os questionou. A autoridade Fiscal tampouco questionou o registro do investimento no BankBoston, constante dos livros do Itaú Holding, nem o ágio que resultou de seu desdobramento. Acosta se novamente aos autos referidos laudos (doc. 03” – fl. 3931. Em suma, as questões que devemos enfrentar são: i) a DRJ inovou o critério jurídico do lançamento? E, não tendo inovado, ii) o primeiro laudo entre partes independentes segregou o valor do ágio por ramo de negócio? E, por fim, não tendo sido segregado, isso impede o aproveitamento fiscal do ágio? Vejamos. Entendo que a DRJ inovou no fundamento jurídico. Para não haver dúvida que a acusação acima não foi feita pelo Sr. AFRF, trago abaixo a íntegra do TVF no trecho referente ao Laudo: Fl. 4493DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO 26 Fl. 4494DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 1201001.364 S1C2T1 Fl. 4.482 27 Vejam que os laudos foram citados apenas para “questionar” – coloco entre aspas, pois, em verdade, não houve questionamento ao valor do ágio o valor da operação2. Da leitura do trecho acima transcrito não é possível extrair que o Sr. AFRF fundamentou a glosa do ágio em razão de não constar no primeiro laudo a segmentação das atividades varejo, atacado e cartão de crédito. Relato que o Sr. AFRF intimou a Contribuinte para informar se havia “relação entre o ágio gerado na aquisição do BankBoston S.A pela Itaú Unibanco Holding S.A (R$ 2.597.837.380,40) e o ágio oriundo da aquisição das ações da Rudá Administração e Participações S.A pelo Banco Itaucard S.A (R$ 315 milhões)” – fl. 2675. Atendendo à intimação supra, a ora Recorrente respondeu: “o ágio no investimento no Banco Itaucard é parte do ágio gerado na aquisição do BankBoston S/A, referente à parcela do segmento de cartões” – fl. 2677. A despeito de resposta apresentada, não consta no TVF nenhum questionamento à ausência de segregação dos segmentos de negócio no primeiro laudo, quando a operação foi realizada entre partes independentes. Não havendo tal acusação no auto de infração, a DRJ inovou o critério jurídico do lançamento, o que, nos termos do art. 146 do CTN, não é permitido, conforme entendimento majoritário desse e.CARF, inclusive da Câmara Superior, como pode ser visto no Acórdão nº 9101002.016, fruto de julgamento realizado em 08/10/2014: LANÇAMENTO. MUDANÇA DE CRITÉRIOS JURÍDICOS. 2 A Recorrente justificou a manutenção do mesmo valor: “ Inclusive, a manutenção do mesmo valor se explica pelo curto lapso temporal entre a primeira (julho de 2006) e a segunda operação (outubro de 2006), insuficiente para uma oscilação significativa no preço das ações adquiridas” – fls. 3931/2. Fl. 4495DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO 28 O art. 146 do CTN impede a modificação introduzida, em consequência de decisão administrativa, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento, ainda que não importe em agravamento da exigência. (...) Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Especial. No mesmo sentido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 31/10/1995 COMPENSAÇÃO DE IRRF DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS MUDANÇA NO CRITÉRIO JURÍDICO APLICADO NA AUTUAÇÃO Tendo o Auto de Infração admitido a compensação efetuada pela Contribuinte, e fixado os limites da lide tãosomente quanto à sua abrangência, incabível a discussão acerca da própria pertinência da operação, por caracterizarse mudança no critério jurídico da autuação, com evidente cerceamento do direito de defesa. (Acórdão 9202002.582, Relatora Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, julgado em 06/03/2013, unanimidade) AUTO DE INFRAÇÃO. ALTERAÇÃO PELA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. Não se afigura possível à autoridade julgadora de primeira instância alterar o fundamento do lançamento, adotandose um novo critério, diverso daquele apontado pela autoridade fiscal no auto de infração. Referida alteração configura mudança do critério jurídico, o que é vedado pelo artigo 146 do CTN, caracterizando inovação e aperfeiçoamento do lançamento. Recurso Especial do Procurador Negado. (Acórdão nº 9303001.690, Rel. Cons. Rodrigo Cardozo Miranda, julgado em 05/10/2011, unanimidade) Em suma, o fundamento apresentado pela DRJ “o fato de não ter sido explicitado o valor patrimonial do segmento de Cartões de Crédito quando do início do Fl. 4496DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 1201001.364 S1C2T1 Fl. 4.483 29 processo de absorção do BankBoston” fl. 3910 não deve ser considerado por esta e.Turma, haja vista que não consta no auto de infração. É verdade que a Contribuinte alega que “Tais laudos, ainda, corroboram o valor do ágio registrado pelo Itaú Holding, inclusive segregando a expectativa de rentabilidade futura concernente a cada um dos segmentos de negócio” – fl. 3931, indicando como prova o doc. 03 anexo ao Recurso Voluntário. O laudo acima citado encontrase nas fls. 4000/4028. Na primeira folha consta: Banco Itaú Holding Financeira S.A. – Laudo de Avaliação do BankBoston Banco Múltiplo S.A e da Líbero Trading International Ltd. – Julho de 2006”. Todavia, analisando o documento anexado pela Recorrente, consta apenas o valor consolidado do ágio, ou seja, não há referência ao valor do ágio por atividade (varejo, atacado e cartão de crédito). Nada obstante, como dito acima, “o fato de não ter sido explicitado o valor patrimonial do segmento de Cartões de Crédito quando do início do processo de absorção do BankBoston” fl. 3910 não deve ser considerado por esta e.Turma, haja vista que não consta no auto de infração. Superado esse ponto, devemos decidir se o ágio amortizado pela Recorrente é o mesmo fruto da operação com o Bank of America ou gerado internamente. O Sr. AFRF, no TVF apresenta os seguintes dados extraídos das demonstrações contábeis das empresas abaixo listadas: Venda para PL Pago Ágio Fl. Holding R$ 1.981.040.639,60 R$ 4.578.878.000,00 R$ 2.597.837.360,40 3788 Itaú S/A R$ 2.027.498.132,86 R$ 4.625.335.493,26 R$ 2.597.837.360,40 3790 Segmento PL Pago Ágio Fl. Varejo R$ 203.000.000,00 R$ 1.278.904.990,49 R$ 1.075.904.990,49 3795 Cartão de Crédito R$ 63.000.000,00 R$ 377.999.998,49 R$ 314.999.998,49 3795 Corporate R$ 140.000.000,00 R$ 900.904.992,00 R$ 760.904.992,00 3795 TOTAL R$ 406.000.000,00 R$ 2.557.809.980,98 R$ 2.151.809.980,98 Fl. 4497DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO 30 Ademais, o próprio Fiscal fez constar no TVF que “os valores dos ágios [são] idênticos” – fl. 37913. Por sua vez, a Contribuinte afirma que “é o mesmo ágio que teve origem na aquisição do BankBoston pelo Itaú Holding. Seu valor e fundamento econômico são idênticos. Não há geração de ‘novo ágio’, nem tampouco de ágio interno” – fl. 3932. Acrescenta: “A contraprova desse argumento é exatamente que o somatório dos ágios que foram registrados pelo Banco Itaú S/A por conta do negócio de banco de varejo; pelo Banco Itaucard, por conta do negócio de cartão de crédito; e pelo Banco ItaúBBA S/A pelo negócio de banco de atacado corresponde ao valor do ágio apurado pelo Itaú Holding quando da incorporação de ações do BankBoston. Nenhum valor foi adicionado. Nenhum valor foi retirado” – fl. 3933 Vejam que o valor do primeiro ágio, fruto de operação entre partes independentes, qual seja, Bank of America e Itaú Holding, é R$ 2.597.837.360,40. Por sua vez, a soma do ágio por rentabilidade futura dos segmentos Varejo, Cartão de Crédito e Corporate é R$ 2.151.809.980,98. Não há como dizer que o ágio da primeira operação é diverso daquele dos segmentos, mormente quando o Sr. AFRF não questionou tais valores, limitandose a dizer que eram diferentes. Inclusive, a própria PGFN nas contrarrazões ao Recurso Voluntário confirmou que os valores foram fixados para manter inalterado o valor do ágio decorrente da primeira operação entre partes independentes: “Em outras palavras, tal valor foi fixado para manter o valor do ágio inalterado entre a primeira e a segunda aquisição, tendo em vista a variação do investimento no BankBoston de R$ 1.981.040.639,60 (em agosto de 2006) para R$ 2.047.498.132,86 (em outubro de 2006)” – fl. 4191. Tal qual o AFRF e a DRJ, a PGFN limitouse a dizer que “o ágio resultante da aquisição das ações do BankBoston pelo Banco Itaú nada tem a ver com o ágio oriundo da aquisição anterior entre o Bank of America Corporation e o Itaú Holding” – fl. 4191. Por que os ágios são distintos? 3 Citação completa: “As respostas a ambas as perguntas são negativas. Embora os valores dos ágios sejam idênticos, o ágio da segunda aquisição é um ‘ágio novo’ e não guarda relação com o ágio da primeira aquisição” – fl. 3791. Fl. 4498DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 1201001.364 S1C2T1 Fl. 4.484 31 A partir dos elementos constantes nos autos, não há como dizer que o ágio amortizado pela Recorrente é diverso daquele oriundo da primeira operação entre partes independentes. Razão pela qual, também, não há como defender que se trata de ágio interno, mas de ágio transferido do Itaú Holding para o Itaucard. Todavia, o Fisco afirma que “a transferência de ágio entre empresas só [ocorre] nos casos de fusão, cisão ou incorporação, não em uma aquisição” – fl. 4191. Devo discordar da Fazenda. Esse fundamento também não encontra amparo legal. Isso porque, seguindo entendimento majoritário da antiga 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção, sendo possível o aproveitamento do ágio por incorporação direta, é possível seu deslocamento por eventos sucessivos. O entendimento acima pode ser visto no Acórdão nº 1102001.182, cuja relatoria coube ao então Conselheiro José Evande Carvalho Araújo: “Diante da existência de ágio efetivamente pago e devidamente fundamentado em mais valia de ativo ou em rentabilidade futura, caso exista um propósito negocial válido, é plenamente aceitável que o grupo econômico ‘transfira’ o ágio para outra de suas empresas, aproveitando o benefício em outra parte da estrutura societária. Em outras palavras, sendo possível o aproveitamento do ágio por incorporação direta, é possível seu deslocamento por incorporações sucessivas, compra e venda ou conferência de capital, todas pelo mesmo valor contábil, desde que se justifique que as operações tiveram propósito negocial e não serviram para criar benefício tributário a que o grupo econômico não fazia jus. Nesses casos, o desdobramento do ágio na destinatária do investimento é consequência direta do método de equivalência patrimonial, tratandose do mesmo ágio existente na antiga investidora” – fl. 62 do acórdão. (Acórdão CARF nº 1102001.182, Relator Conselheiro José Evande Carvalho Araújo, Data da Sessão 27/08/2014, Outra passagem do citado voto merece transcrição: “Para os puristas que defendem que isso não seria possível, tratandose de abuso de direito, retruco com a hipótese de a Baywood ter incorporado primeiro a Igaras, e depois ter sido incorporada pelo recorrente. Fl. 4499DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO 32 Nesse caso, os formalistas certamente admitiriam o planejamento em que primeiro se torna o ágio dedutível por incorporação direta e depois o transfere para outra empresa por incorporação, alegando ter sido feito nos termos da legislação, apesar de chegar ao mesmo resultado das operações agora refutadas. Ora, se é necessário frear os planejamentos que criem benefícios fiscais aos quais o contribuinte não faça jus, não se deve permitir que um formalismo exacerbado impeça o uso de direito legitimamente adquirido. O que importa para se garantir o direito à dedução fiscal do ágio em outra empresa do grupo é o atendimento dos requisitos aqui discutidos: (i) tratarse de ágio pago, devidamente fundamentado na mais valia do ativo ou em rentabilidade futura, e decorrente de transação entre partes independentes; (ii) o direito à amortização poder se dar por incorporação direta em outra parte da estrutura societária; (iii) existir propósito negocial” – fl. 63 do Acórdão nº 1102001.182. O entendimento acima pode ser visto também no Acórdão nº 1102000.982, proferido na sessão de 04/12/2013, cuja relatoria também coube ao Conselheiro José Evande Carvalho Araújo, por ter aberto a divergência ao voto do Cons. Ricardo Marozzi Gregório: “Ora, caso exista um propósito negocial válido, é plenamente aceitável que o grupo econômico ‘transfira’ o ágio para uma de suas controladas” – fl. 738. Em suma, conforme entendimento majoritário da antiga 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção, três são as premissas para se garantir o direito à dedução fiscal do ágio em outra empresa do grupo: (i) tratarse de ágio pago, devidamente fundamentado na mais valia do ativo ou em rentabilidade futura, e decorrente de transação entre partes independentes; (ii) o direito à amortização poder se dar por incorporação direta em outra parte da estrutura societária; e (iii) existir propósito negocial. O primeiro requisito não é controvertido, haja vista que o próprio AFRF não questionou nem o pagamento, nem o valor do ágio, bem como confirmou que a operação se deu entre partes independentes. O segundo, por sua vez, também se faz presente, haja vista que, nos termos do arts. 7º e 8º da 9.532/97, a Itaú Holding poderia ter amortizado o ágio em caso de incorporação do BankBoston. Vejamos a legislação: Fl. 4500DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 1201001.364 S1C2T1 Fl. 4.485 33 Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (...) III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. (...) Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Por fim, quanto à existência do propósito negocial, afirmou a Contribuinte que as operações se deram da forma acima descritas, pois “tratouse de uma opção que trazia facilidade operacional comparativamente à versão direta do segmento de cartões de crédito para o Banco Itaucard S.A (como simplificação de obrigações acessórias), sendo certo que a opção não gerou economia fiscal comparativamente à versão direta para o Banco Itaucard S.A”. Por sua vez, o Sr. AFRF apresentou o seguinte contraargumento: “Não há sentido sequer em se especular que a passagem da carteira de clientes de cartões de crédito pela Rudá foi necessária para se efetuar algum tipo de análise prévia da citada carteira, uma vez que tal passagem durou apenas três horas. Convenhamos, em três horas não se analisa uma carteira de clientes” – fl. 3816. Fl. 4501DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO 34 Devo concordar com o Sr. AFRF, quanto a impossibilidade de “efetuar algum tipo de análise” em três horas. Contudo, a Recorrente também alega criar e manter “diversas companhias e instituições financeiras, subsidiárias integrais suas, cada qual especializada na gestão e condução de uma linha de negócio” – fl. 3930, com o objetivo de propiciar “visão clara sobre o resultado de cada linha de negócio, constituindose importante alavanca de progresso dos resultados obtidos” – fl. 3930. Considerando as provas presentes nos autos, entendo que as operações sucessivas se deram, apenas, com o objetivo de possibilitar a amortização do ágio no Itaucard, mas isso não significa que a operação não possuía propósito negocial. Ora, como decidido acima, existindo o ágio e sendo possível a sua amortização na empresa que efetuou o investimento, não há que se vedar sua transferência. Sendo assim, há “propósito negocial” quando a empresa que amortizou o ágio existe por motivos outros além do planejamento tributário. E, no caso, não há dúvida que a segmentação empresarial do grupo econômico do qual a Recorrente faz parte. No mesmo sentido, cito outra decisão proferida pela antiga 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção: “No caso, o propósito negocial ficou devidamente demonstrado com a grande reorganização societária do Grupo Klabin, restando suficientemente justificada a escolha de concentração dos diversos investimentos no recorrente, bem como a necessidade de passagem primeiro por outras empresas do grupo, com a chegada à Klabin S.A. somente no final de 2001. Nesse contexto, caso se comprove que o ágio realmente surgiu na aquisição da Igaras pela Baywood em 2000, e que ele poderia lá ser devidamente aproveitado por meio de incorporação direta, não há porque proibir que o grupo econômico se organize para aproveitar o benefício fiscal da forma que lhe pareça mais proveitosa” – fl. 1759. Em suma, conforme entendimento majoritário da antiga 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção, entendo que estão presentes os três requisitos para a amortização de ágio transferido para outra empresa do grupo: (i) tratarse de ágio pago, devidamente fundamentado na mais valia do ativo ou em rentabilidade futura, e decorrente de transação entre partes independentes; (ii) o direito à amortização poder se dar por incorporação direta em outra parte da estrutura societária; e (iii) existir propósito negocial. Fl. 4502DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 1201001.364 S1C2T1 Fl. 4.486 35 Todavia, o Sr. AFRF questionou também o pagamento, sob o fundamento que a vendedora financiou a venda da empresa que tinha o ágio registrado: “Verificamos, ainda, que o CDI em questão foi emitido com um prazo de resgate de 1.173 dias, ou seja, a data de resgate seria 18.12.2009 (fls. 2.658). No entanto, o CDI foi resgatado, antecipadamente, em 23.10.2006, logo após o aumento de capital do Banco Itaucard S. A., realizado em 18.10.2006, no valor de R$ 9 bilhões (fls. 2.647/2.655). Instado a informar se a antecipação do resgate do CDI teve alguma relação com o mencionado aumento de capital, o Banco Itaucard S. A. informou ‘que a antecipação do resgate do CDI foi efetuada com recursos disponíveis do giro das operações na época do resgate, sem relação com o aumento de capital’ (fls. 2.668)” – fl. 3807. Em passagem mais à frente, continua: “É certo que, em 02.10.2006, data em que se realizaram a compra e venda e a emissão do CDI, os administradores do Banco Itaú S. A. e os do Banco Itaucard S. A. já sabiam que, em 18.10.2006, o Banco Itaú S. A. iria efetuar a subscrição e integralização de R$ 9 bilhões no capital do Banco Itaucard S.A.. Por que, então, a integralização dos R$ 9 bilhões não foi feita parte em dinheiro (R$ 8.622.000.000,00) e parte em ações da Rudá (R$ 378.000.000,00), evitando, assim, a compra e venda e a emissão do CDI para financiála? Porque, agindo desta forma, o ágio teria sido criado por uma operação de subscrição de capital em ações, o que não envolveria um pagamento efetivo. Isto tornaria o planejamento tributário ainda mais frágil e indefensável frente ao Fisco” – fl. 3821. Concluindo: “No entanto, examinada a conjunção de negócios (compra e venda de ações e emissão de CDI) a causa do contrato para o vendedor não se realizou, uma vez que o dinheiro não foi efetivamente transferido ao Banco Itaú S.A.. Isto demonstra que, no momento do contrato, o comprador não dispunha dos recursos e o vendedor deles não necessitava” – fl. 3822. Fl. 4503DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO 36 A DRJ, no julgamento da impugnação, fundamentou: “8.3.1. Mais uma vez convém esclarecer que a autoridade fiscal não apontou ilicitude da operação de captação de recursos, mas apenas registrou que o Banco Itaú vendedor das ações da Rudá foi quem financiou a compra da Rudá pelo Banco Itaucard. Situação que, não se daria em negócio realizado entre Bancos independentes. 8.3.2. A forma de financiamento da aquisição da Rudá pelo Banco Itaucard é, dentro do contexto da seqüência de operações realizadas para aquisição do segmento de cartões de crédito pela impugnante, mais uma dentre inúmeras situações que chamam a atenção para o negócio realizado entre pessoas ligadas. Lembrese ainda que o CDI emitido pelo Banco Itaucard tinha um prazo de resgate de 1.173 dias (data de resgate 18/12/2009 – fl. 2658) e que, no entanto, foi resgatado antecipadamente, em 23/10/2006, logo após o aumento de capital do banco itaucard S/A realizado em 18/10/2006, no valor de R$ 9 bilhões (fls. 2647/2655).” fl. 3913. A PGFN, concordando com os argumentos apresentados pelo AFRF e pela DRJ, fundamentou: “Em outras palavras, o vendedor das ações da Rudá foi o comprador do CDI emitido pelo Banco Itaucard, comprador dessas ações. Ou seja, o próprio vendedor das ações financiou a compra e venda das ações. A quitação, ou seja, o resgate do mencionado CDI guarda igualmente circunstâncias que atestam o artificialismo deste meio de pagamento utilizado. Isso porque, a autoridade fiscal verificou que o CDI em questão foi emitido com um prazo de resgate de 1.173 dias, ou seja, a data de resgate seria 18/12/2009. No entanto, o CDI foi resgatado antecipadamente, em 23/10/2006, logo após o aumento de capital do Banco Itaucard S.A, realizado em 18.10.2006, no valor de 9 bilhões” – fl. 4196. A Recorrente, por sua vez, afirma “Notese que o CDI é título regular, registado na CETIP, e que poderia ser negociado com qualquer outra instituição financeira, inclusive dentro do mesmo grupo financeiro. Ainda, sua remuneração corresponde a taxas de mercado, nada havendo de irregular em sua emissão” – fl. 3935. Mais uma vez, assiste razão à Contribuinte. Veja que há provas nos autos que, efetivamente, o pagamento ocorreu (fl. 2629). Entendo que a quitação do título, ainda que antecipadamente, só confirma que o pagamento ocorreu, como, inclusive, já foi decidido pela Fl. 4504DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 1201001.364 S1C2T1 Fl. 4.487 37 antiga 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção, no Acórdão nº 1102001.016, proferido em 12/02/2014, cuja relatoria coube ao Cons. João Otávio Oppermann Thomé: “Não há dúvidas de que o pagamento não obrigatoriamente deva ser feito em dinheiro, a lei não contém expressamente tal exigência. Contudo, nesta, como de resto em quaisquer outras operações comerciais ou societárias, há necessidade de que a operação seja real, que exista uma efetiva causa que a justifique” – fl. 37. Desse modo, considerando que a Rudá saiu do patrimônio do Banco Itaú e passou a ser contabilizada como investimento do Itaucard, não há que se questionar o pagamento efetuado, cuja prova está na fl. 2692. IV. CONCLUSÃO Dado o exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso Voluntário para dar lhe provimento, haja vista que estão presentes os requisitos para a amortização do ágio transferido para outra empresa do grupo, quais sejam: i) tratase de ágio pago, devidamente fundamentado em rentabilidade futura, e decorrente de transação entre partes independentes; ii) o ágio poderia ser amortização diretamente em outra parte da estrutura societária; e iii) a Contribuinte demonstrou o propósito negocial. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Fl. 4505DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO
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Numero do processo: 16004.001208/2008-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
DECADÊNCIA. DOLO COMPROVADO.
O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, se extingue no prazo de 5 (cinco), anos, contados do primeiro dia do exercicio seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE ESCRITURAÇAO DE PAGAMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL.
Com o advento da Lei n° 9.430 de 1996, a falta de escrituração dos pagamentos efetuados na compra de mercadorias, bem como a falta de registro destas aquisições na contabilidade, autoriza a presunção de omissão de receitas, não mais sendo necessários outros elementos de prova para configurar a movimentação de recursos fora da escrituração.
ARBITRAMENTO.
Justifica-se o arbitramento quando a escrituração apresentada pelo contribuinte contiver vícios, erros ou deficiências que a tomem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, ou determinar o lucro real.
MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO.
Caracterizada a ação dolosa do contribuinte visando impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, é cabível a aplicação da multa qualificada de 150%.
TRIBUTAÇAO REFLEXA (PIS, CSLL e COFINS). RELAÇAO DE CAUSA E EFEITO.
Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, aplicam-se aos lançamentos decorrentes as mesmas conclusões advindas da apreciação do lançamento principal. Verificada a omissão, o valor da receita omitida também será considerado no lançamento referente às contribuições sociais.
Numero da decisão: 1401-001.473
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, NÃO CONHECER dos recursos dos responsáveis tributários; em relação ao recurso conhecido da empresa, por unanimidade de votos, AFASTAR a decadência e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Aurora Tomazini Carvalho.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 DECADÊNCIA. DOLO COMPROVADO. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, se extingue no prazo de 5 (cinco), anos, contados do primeiro dia do exercicio seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE ESCRITURAÇAO DE PAGAMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Com o advento da Lei n° 9.430 de 1996, a falta de escrituração dos pagamentos efetuados na compra de mercadorias, bem como a falta de registro destas aquisições na contabilidade, autoriza a presunção de omissão de receitas, não mais sendo necessários outros elementos de prova para configurar a movimentação de recursos fora da escrituração. ARBITRAMENTO. Justifica-se o arbitramento quando a escrituração apresentada pelo contribuinte contiver vícios, erros ou deficiências que a tomem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, ou determinar o lucro real. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO. Caracterizada a ação dolosa do contribuinte visando impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, é cabível a aplicação da multa qualificada de 150%. TRIBUTAÇAO REFLEXA (PIS, CSLL e COFINS). RELAÇAO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, aplicam-se aos lançamentos decorrentes as mesmas conclusões advindas da apreciação do lançamento principal. Verificada a omissão, o valor da receita omitida também será considerado no lançamento referente às contribuições sociais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, NÃO CONHECER dos recursos dos responsáveis tributários; em relação ao recurso conhecido da empresa, por unanimidade de votos, AFASTAR a decadência e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Presidente (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Aurora Tomazini Carvalho.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005 DECADÊNCIA. DOLO COMPROVADO. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, se extingue no prazo de 5 (cinco), anos, contados do primeiro dia do exercicio seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE ESCRITURAÇAO DE PAGAMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Com o advento da Lei n° 9.430 de 1996, a falta de escrituração dos pagamentos efetuados na compra de mercadorias, bem como a falta de registro destas aquisições na contabilidade, autoriza a presunção de omissão de receitas, não mais sendo necessários outros elementos de prova para configurar a movimentação de recursos fora da escrituração. ARBITRAMENTO. Justificase o arbitramento quando a escrituração apresentada pelo contribuinte contiver vícios, erros ou deficiências que a tomem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, ou determinar o lucro real. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO. Caracterizada a ação dolosa do contribuinte visando impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, é cabível a aplicação da multa qualificada de 150%. TRIBUTAÇAO REFLEXA (PIS, CSLL e COFINS). RELAÇAO DE CAUSA E EFEITO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 12 08 /2 00 8- 10 Fl. 5965DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.001208/200810 Acórdão n.º 1401001.473 S1C4T1 Fl. 3 2 Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, aplicamse aos lançamentos decorrentes as mesmas conclusões advindas da apreciação do lançamento principal. Verificada a omissão, o valor da receita omitida também será considerado no lançamento referente às contribuições sociais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, NÃO CONHECER dos recursos dos responsáveis tributários; em relação ao recurso conhecido da empresa, por unanimidade de votos, AFASTAR a decadência e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Aurora Tomazini Carvalho. Fl. 5966DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.001208/200810 Acórdão n.º 1401001.473 S1C4T1 Fl. 4 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo parcialmente o relatório que integra a decisão de piso, fls. 58865895: Contra a empresa acima identificada foram lavrados autos de infração exigindolhe Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) de R$ 2.911.091,04, Contribuição para o PIS de R$ 105.501,17, Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) de R$ 820.134,72 e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) de R$ 486.929,00, acrescidos de juros de mora e multa de oficio, perfazendo crédito tributário total de R$ 11.732.536,38 (fl. 5277 Vol. 27). Conforme Termo de descrição dos fatos e conclusão fiscal (fls. 5218/5276), a autoridade fiscal relata os fatos apurados nos termos seguintes: “2.2) Indícios de infrações relacionados com a falta de escrituração de pagamentos efetuados sobre aquisições de veículos. Consta nas escriturações contábeis da empresa do ramo de locação de veículos sem condutor, aquisições de veiculos sob a forma de financiamentos, contabilizados na conta ativo n° 1.3. 1.3.1.03.135.0011 VEICULOS DE USO 123, nos valores respectivos dos anos de 2003, 2004 e 2005 as importâncias de R$ 1.373.890,74, R$ 93.054,62 e R$ 692.974,63, totalizando o valor de R$ 2.159.919,99, conforme consta dos Balanços Patrimoniais de folhas nº 4617,4819 e 5029 . Atendendo a nossa Intimação Fiscal, as montadoras Fiat do Brasil e General Motors do Brasil informaram que a Locadora de Veiculos ora fiscalizada adquiriu no mesmo periodo 1041 veiculos , cujos pagamentos pelas compras perfizeram o total de R$ 22.890.565,5 7, conforme documentos anexados às folhas de n° (13361369,2047 2083 Fiat), (20842088, 24622492) e cópias de notas fiscais de vendas , às folhas de n° 1370/2046 Fiat e 2089/2461 Gm. Conforme se denota ao examinar os últimos parágrafos, existe vasta diferença, ainda que preliminar em mais de RS 20.000.000,00, entre o total despendido pela empresa e o valor encontrado no ativo imobilizado, conta veiculos de uso. 2.3) Aquisições de veiculos sob a forma de Arrendamento Mercantil (Leasing) Veriƒicada a inconsistência acima mencionada, tratou esta fiscalízação de obter junto à fiscalizada, os motivos atinentes à situaçao constatada. Fl. 5967DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.001208/200810 Acórdão n.º 1401001.473 S1C4T1 Fl. 5 4 Os responsáveis pela empresa informaram verbalmente que as diferenças verificadas não retratavam os fatos, em virtude da empresa ter contabilizado (adicionalmente) os veículos em contas do ativo relacionadas a contratos de Arrendamento Mercantil. Não resta dúvida que a afirmação da empresa é contraditória, em vista de que o Arrendamento Mercantil é o contrato pelo qual uma PJ, pretendendo utilizar determinado bem, consegue que uma instituição financeira o adquira, arrendandoo ao interessado, por tempo determinado. Tendo em vista que foi constatado que não há alienação de veiculos pela empresa fiscalizada às Arrendadoras, como a fiscalizada poderia adquirir por via do Arrendamento bem que havia adquirido diretamente da montadora?. Como poderia arrendar bens que já detinha a propriedade? a situação nos parece paradoxal !!!! Ainda assim verificando nas escritas da empresa, se percebe grande quantidade de contas do ativo, relacionadas a contratos de Leasing (em torno de 200 contas). Efetuamos intimaçao fiscal n° 01 (folhas de n° 164) no sentido de que a fiscalizada informasse a identificação do bem arrendado em cada contrato de Leasing, pelo número do Chassi, no sentido de elucidar a dúvida existente. Nas respostas efetuadas pela empresa. ficou constatado que veiculos adquiridos pela fiscalizada diretamente das montadoras também estavam sendo arrendados por meio de Leasing. O fato contraditório somente foi esclarecido, na resposta do contribuinte a nossa intimação fiscal n° 03, Fls n° 288: 1.1.3) "... Também com base na tabela acima, apresentamos parte dos veículos grafados com a letra ”a”, na segunda coluna, contidos na tabela inclusa do Termo de Intimação Fiscal n°. 03 (item 1.1.4), informando que os referidos veiculos, foram objeto de arrendamento mercantil (Leasing ) e, assim, encontramse registrados, apesar das notas fiscais de aquisição junto às montadores constarem como adquirente a empresa Localivia Veículos Ltda. Ocorre que pela constante indisponibilidade de veiculos junto as montadoras para o pronto faturamento destes na modalidade de "venda direta ", a solicitação do faturamento dos mesmos é realizada de forma antecipada e, quando informados dos seus faturamentos definitivos. nem sempre o processo de crédito junto às respectivas instituições financeiras, encontramse totalmente aprovados, para a expedição de autorização de faturamento e seu envio à montadora, sendo assim, inicialmente, faturados em favor da empresa e, quando Fl. 5968DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.001208/200810 Acórdão n.º 1401001.473 S1C4T1 Fl. 6 5 emitida e enviada a citada autorização pela instituição, as montadoras expedem a denominada "COMUNICAÇÃO DE IRREGULAR./DADES DE DOCUMENTOS FISCAIS” também conhecida usualmente no meio fiscal como "CARTA DE CORREÇÃO", redirecionando o faturamento para a Instituição. A regularidade de tais Operações está baseada não só na aceitação e formalização do processo de arrendamento pelas respectivas Instituições, como também pelos Departamentos de Trânsito, que, de igual forma acatam e formalizam também tais processo quando do licenciamento dos veículos em nome das Instituições. … Para maior clareza dos fatos, enviamos em anexo, cópia de Contrato de Arrendamento de alguns dos veiculos relacionados ... ” Posteriormente , por meio de sua resposta a nossa intimação fiscal n° 06, encaminha copias de 03 cartas de correção, esclarecendo materialmente a forma utilizada pelo contribuinte, qual seja: adquiria diretamente das montadoras, os veiculos, a fim de tirar proveito dos beneficios concedidos pelo Convênio ICMS 51/003 (faturamento direto à consumidor frotista). Em ato continuo, utilizavase de Cartas de Correção falsificados, cujos "documentos" tinham o escopo de alterar o destinatário da mercadoria de: Localivia Veiculos para a instituição arrendadora. A conduta utilizada pela empresa, mencionada acima, proporcionou o pagamento pelos arrendamentos dos veiculos de forma parcelado, relacionados com o arrendamento dos mesmos, bem como o pagamento (também parcelado) pela opção de compra do bem arrendado, conforme se constata ao vislumbrar copias de contratos de arrendamento anexos (Fls. 1102/1335). Também obteve vantagens quanto a forma de aquisição, já que para vendas àfrotistas, as montadoras emitiam notas fiscais com base no convênio icms n° 51/00. Os fatos acima mencionados demonstraram que parte dos 1041 veiculos foram adquiridos e escriturados sob (pelo menos) duas formas de aquisição: 1) Financiamento de veículos junto à Financeiras (Banco Fiat S./A e Banco Gmac S/A) Fls. 0564/1101, e 2) pela via de arrendamentos mercantis junto a arrendadoras emissoras dos contratos anexos às folhas de n° 1102/1335. Diante da constatação acima, a diferença entre o valor total de compras das montadoras e o total escriturado na conta (veiculos de uso) mencionada no item 2.2 acima não é verdadeira, provocando desta fiscalização a verificação de toda aquisição de veiculos (qualquer modalidade) escriturada, no sentido de obter a informação que motivou a presente fiscalização: se os 1041 veiculos adquiridos e os pagamentos destas obrigações foram cscriturados em toda a sua totalidade. Fl. 5969DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.001208/200810 Acórdão n.º 1401001.473 S1C4T1 Fl. 7 6 Com base no exposto, efetuamos circularização as principais instituições financeiras obtendo informações sobre todos os financiamentos de veiculos e arrendamentos mercantis celebrados entre estas e o contribuinte fiscalizado. As respostas prestadas pelas instituições trouxeram a informação de que a fiscalizada também adquiriu veiculos, no periodo fiscalizado, sob a forma que chamaremos de "leasing regular”, isto é, adquiriu automotores pela via do arrendamento mercantil, cujos veiculos evidentemente não constavam da relação de aquisição direta das montadoras (Fiat e GM) pela fiscalizada, conforme documentos às folhas de n° 2493/2 65 0. A forma de identificação dos veículos utilizada pela empresa em suas escrituraçães eram feita pelos dígitos finais do número do chassi, ou pela placa obtida junto ao Renavam. Diante disto, era providencial a obtenção de cópias dos contratos de financiamentos e arrendamentos, a fim de confrontálos com as notas fiscais de compras das montadoras, visando ter certeza da escrituração dos 1041 veiculos sob observação e os pagamentos decorrentes das obrigações. De posse dos contratos de financiamentos e Leasing, confrontamos os números dos chassis neles contidos com os lançamentos contábeis, tendo como propósito a obtenção exata se as aquisições foran1 contabilizadas. " 2.4) Da constatação da falta de escrituração de grande parte de aquisições de veículos Por meio da Intimação fiscal n° 09, datada de 24.06.2008, recebida pelo contribuinte ein 25.06.2008 fls. 421/448), informamos o contribuinte que: dos 1041 veículos adquiridos em seu nome das montadoras Fiat e GM, foram localizadas as escriturações de suas aquisições e pagamentos de apenas 419 veiculos. No mesmo documento intimamos a fiscalizada a: 1) Localizar e identificar as escriturações dos 622 veiculos restantes; 2) Apresentação de planilha demonstrativa da origem dos recursos utilizados em cada um dos pagamentos efetuados. referentes às aquisições (a qualquer titulo, sejam elas por meio de pagamento direto às montadoras, sejam por meio de financiamento ou por arrendamento mercantil), não contabilizadas dos veiculos mencionados na relação descrita no item 2 (622 veículos) bem como deixar os comprovantes à disposição da fiscalização. 3) Esclarecer a destinação dada a cada um dos referidos veiculos: Fl. 5970DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.001208/200810 Acórdão n.º 1401001.473 S1C4T1 Fl. 8 7 Em resposta às nossas solicitações, informa a fiscalizada (Fls. 455/458): "Em respeito ao expediente acima (Intimação Fiscal n° 09), vimos informar a contabilização dos veiculos abaixo identificados, relacionados sob n°.s 476, 4 77 e 926, no elenco de aquisições cuja contabilização nãofora localizada. [...] Relativamente aos demais veiculos elencados na Intimação, não logramos, até o momento, identificar os registros contábeis das respectivas aquisições. No periodo objeto da ação fiscal, esta empresa, premida por dificuldades operacionais, necessitou alienar veiculos recém adquiridos e ja licenciados, muitos deles ainda não rodados, ou com baixíssima quilometragem. Tal circunstância pode ser constatada mediante consulta aos registros RENAVAM, cujo acesso encontrase disponibilizado aos órgãos fiscais. Objetivando comprovar essa circunstância, oferecemos algumas cópias de documentos pertinentes à aquisição e subseqüente transferência de veiculos identíficados na intimação, anexandoas para evidenciar, mesmo que por amostragem, a ocorrência mencionada. É o caso dos veiculos faturados através das notas fiscais emitidas pela General Motors do Brasil Ltda e Fiat Automóveis SA, abaixo relacionadas: A curta permanência dos veiculos em poder da empresa pode ter gerado descontroles contábeis no registro das operações de compra e venda. Se o registro da aquisição não fora efetuado, a baixa do mesmo bem acarretaria inconsistências contábeis. Obviamente, os veiculos adquiridos, cujo registro não foi localizado na contabilidade desta empresa, não compuseram seu ativo permanente, e a subseqüente alienação dos mesmos não justificaria sua baixa. E, inegavelmente, a venda dos mesmos veículos assim adquiridos, possibilitou o ingresso de recursos capazes de suportar o pagamento de novas aquisições. Isto é, essas Fl. 5971DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.001208/200810 Acórdão n.º 1401001.473 S1C4T1 Fl. 9 8 operações de venda constituem a origem dos recursos aplicados em novas compras. Na ausência de elementos suficientes e controles especificos, ínexistem condições de identificar; individualizar e vincular a origem dos recursos utilizados a cada pagamento efetuado. Por isso, a elaboração de planilha demonstrativa, tal como determinado no item 3.2 do expediente fiscal (origem dos recursos utilizados em cada um dos pagamentos), constitui exigência cujo cumprimento encontrase fora de nosso alcance. Como já explicitado e demonstrado, a destinação dada a cada um dos veículos relacionados, cuja aquisição não se localizou nos registros contábeis, foi a subseqüente alienação, não sendo utilizados nas operações da empresa. " 2.4.1) Observações sobre as justificativas do fiscalizado Conforme se constata. o contribuinte não identifica os registros contábeis de aquisição dos 579 veículos descritos na tabela abaixo, linhas n° 464 a 1042. Procurou demonstrar o representante da PJ que a empresa passou por dificuldades operacionais, e precisou vender veiculos recém adquiridos e já licenciados, muitos deles ainda não rodados etc. Acrescenta ainda que se não efetuou o registro contábil da aquisição, por certo se fizesse o registro das alienações acarretariam inconsistências contábeis. Conclui que as vendas iniciais desta espécie proporcionaram a obtenção de pequenos "superavit" e aos poucos, efetuandose várias transações desta natureza acabou por gerar todos os recursos utilizados nos pagamentos destas compras. É de se destacar a criatividade com que a fiscalizada justifica as omissões mencionadas, assevera que por dificuldades operacionais se viu obrigada a alienar bens de seu ativo permanente. Estamos falando de nada menos que 579 veiculos, que correspondem a venda de um veículo a cada 1,5 dias úteis, representando mais de RS 16.000.000,00, quase 150% da receita bruta declarada nos três anos fiscalizados. Aduz ainda que não baixou os veiculos não escriturados (pelas vendas) pois acarretaria inconsistências contábeis. A ninguém é dado se beneficiar da propria torpeza, visto as prescrições legais no sentido de escrituração de todos os fatos contábeis da empresa. Retornando às constatações de omissão na contabilização de pagamentos efetivamente realizados, provado está o Fl. 5972DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.001208/200810 Acórdão n.º 1401001.473 S1C4T1 Fl. 10 9 fato indicador necessario a que se aplique a presunção legal de omissão de receitas. A presunção legal é de que recursos marginais, frutos de uma anterior omissão de receitas, foram utilizados para os pagamentos não registrados. Destaquese, tambem. que a auditoria fiscal deve ser exercida em escrita regular e não cabe ao auditorfiscal montar ou reformular uma escrituração ou exercer auditagem em registros incompletos como sugere o contribuinte. A obrigação de efetuar e manter uma contabilidade que ofereça todos os dados e elementos que possam ser analisados e atingidos os resultados incluidos na declaração de rendimentos é da pessoa juridica. Ao Fisco cabe a fiscalização tributária, a orientação e esclarecimento ao contribuinte no cumprimento dos seus deveres fiscais, bem como o exame da exatidão dos rendimentos sujeitos à incidência do imposto, lavrando, sempre que encontrar infração à lei tributária, o competente Auto de Infração. Também, não importa a razão pela qual o sujeito passivo deixou de cumprir às suas obrigações tributárias, pois, conforme disposto no artigo 136 do CTN, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. É de fundamental importância não olvidarmos os deveres do administrado perante a administração pública (Lei 9784/99), já que diversas vezes solicitamos que o sujeito passivo nos informasse as origens dos recursos utilizados nos pagamentos dos veiculos, identificar as escriturações dos pagamentos e a destinação dada aos veiculos adquiridos, não logrando êxito no pedido. Assim, caracterizada a impossibilidade de apurar com seguranca os resultados tributaveis da pessoa juridica, pela sistemática do Lucro Real, em virtude das irregularidades existentes na sua escrituração contábil, restou a esta fiscalização o arbitramento do lucro, tendo em vista a determinação legal expressa no art. 530, inciso II, alínea b do Rir (Regulamento do Imposto de Renda) aprovado pelo Decreto 3. 000/99. [...] 2.7) Da necessidade de reconstituição das escritas contábeis da empresa Os valores dos pagamentos não contabilizados relativos às aquisiçoes em pauta totalizam mais de RS 16.000.000,00 Fl. 5973DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.001208/200810 Acórdão n.º 1401001.473 S1C4T1 Fl. 11 10 (dezesseis milhões de reais), sendo que tais omissões de pagamentos correspondem a mais de 135% da receita bruta declarada durante os três anos fiscalizados, que é de R$ 11.186.095,37, as omissões se referem a pagamentos pelas compras de 579 veiculos zero kilômetro e mais parcelas referentes à Leasing e Financiamentos não escriturados. Evidentemente, a falta de escrituração de vultosa cifra de pagamentos, compromete por inteiro a prestabilidade das escritas contábeis da empresa , atingindo frontalmente o comando legal abaixo descrito (Art. 530 do Rir (Regulamento do Imposto de Renda) aprovado pelo Decreto 3.000/99) o qual estabelece que o imposto de renda será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem IMPRESTÁVEL para determinação do lucro real. [...] Deste modo intimamos a fiscalizada a reconstituir a contabilidade da empresa, períodos de 01/2003 a 12/2005, (escriturados de acordo com as leis comerciais e fiscais) escriturando todos os fatos contábeis gerados pelas atividades sociais da mesma, principalmente todos os fatos decorrentes das aquisições e pagamentos dos 622 veiculos zero quilômetro em pauta. Foram solicitados ainda: a) Apresentação dos Livros Diário, Razão e Lalur (impressos em papel, escriturados e registrados de acordo com as leis comerciais e fiscais) além de outros exigidos pela legislação, balanços patrimoniais, demonstrações financeiras. demonstrações de resultado do exercicio, de acordo com os art. 251 a 272 do RIR/99, anos calendários de 2003, 2004 e 2005, gerados após a reconstituição da contabilidade aludida no item acima. b) Deixar a disposição desta fiscalização, na sede da empresa, todos os documentos originadores de todos os lançamentos contábeis, período de 2003, 2004 e 2005, devidamente organizados e ordenados. especialmente os documentos que provocaram as aquisições e pagamentos relativos às compras dos 622 veiculos aludidos anteriormente. Informar ainda o nome do funcionário encarregado da guarda dos citados documentos. c) Os representantes legais da empresa foram advertidos (em mais de uma oportunidade) que o não atendimento à presente intimação , no prazo marcado, especialmente quanto aos itens 2.1, 2.2, 2.3 e 2.4 da intimação fiscal n° 11, provocará deste órgão a constituição do crédito tributario, em relação à apuração dos tributos e contribuições devidos, na forma de arbitramento dos Fl. 5974DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.001208/200810 Acórdão n.º 1401001.473 S1C4T1 Fl. 12 11 lucros, de acordo com os Arts. 529 a 540, subtítulo V do RIR99 Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3. 000/99. Em 15.09.2008 o contribuinte apresenta resposta à nossa solicitação informando que: "Tendo recebido o expediente acima, datado de 14/08/2008, vimos informar que não resultaram frutíferos os esforços empreendidas no sentido de reconstituir a contablidade da empresa nos periodos de 01/2003 a 12/2005, para contemplar a inclusão de todos os fatos contábeis, relacionados as aquisições, pagamentos, vendas e recebimentos dos veiculos, cujos registros não foram localizados. Embora cientes das conseqüências a que conduz o não cumprimento da determinação constante do referido termo, esclarecemos que pelas razões acima, e dada a ausência de documentos, não é possível apresentar os Livros Diário, Razão e Lalur, balanços patrimoniais, demonstrações financeiras e do resultado de exercicio, dos anos de 2003, 2004 e 2005, gerados após a reconstituição da contabilidade desses periodos, bem como os arquivos magnéticos assinalados. Em momento algum, no curso desse procedimento de fiscalização, deixamos de respeitar todas as exigências formuladas, por escrito ou verbalmente, empenhado todos os esforços tendentes a satisfazêlas. Por isso, a impossibilidade de reconstituição não decorre das diligências nesse sentido ou descaso a exigência, mas sim a carência de elementos suficientes para sua elaboração e comprovação dos fatos merecedores de registros." 2.7.1) Da reintimaçao fiscal para reconstituiçao da escrita contábil Em vista do ”Arbitramento de lucros ” ser medida extrema para a apuração do lucro, assim como a obtenção dos valores devidos à titulo de Imposto de renda e demais contribuições, efetuamos nova intimação fiscal, por meio do Termo n° 13, anexo às folhas de n° 5042/5045, nos mesmos termos do tópico acima. Em nova resposta do sujeito passivo, anexo às folhas de n° 5125/5126, o fiscalizado repete as informações efetuadas anteriormente, sem atender aos comandos legais específicos relacionados ao tema. Ressaltese que a falta de escrituração de pagamentos efetuados caracterizam “presunção legal" de omissão de receita, conforme descrito no inciso 11 do art. 282 do Rir (Regulamento do Imposto de Renda) aprovado pelo Decreto 3.000/99 [...] Fl. 5975DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.001208/200810 Acórdão n.º 1401001.473 S1C4T1 Fl. 13 12 2.7.2) Breve historico conclusivo e do arbitramento dos lucros a) Conforme relatado anteriormente, e apropriadamente comprovado, a pessoa jurídica não escriturou grande parte de pagamentos efetuados no periodo auditorado, constituindo omissão em mais de R$ 16.000.000,00. b) lntimado regularmente para demonstrar da origem dos recursos utilizados em cada um dos pagamentos efetuados, referentes às aquisições dos mencionados veiculos (Intimação fiscal n° 09, item 3. 2, Fls. de n° 446), não logrou fazêlo. c) Intimado a informar a destinaçao dos veículos, conforme fls 446, também não trouxe comprovaçães acerca da solicitação. d) Intimado regularmente por duas oportunidades por meio das Intimações Fiscais nº 11 (Fls. 519/559) e n° 12 (Fls 5042/5045) a: 1) reconstituir as escritas da empresa, conseqüentemente contabilizando as aquisições dos 579 veiculos adquiridos; 2) apresentar livros contábeis e fiscais gerados após a reconstituição da contabilidade: 3) deixar a documentação gerada após a reconstituição a disposição da fiscalização, nenhuma das solicitações foram atendidas. Considerando a imprestabilidade das escritas apresentadas pelo contribuinte, para a determinação do lucro real, face a magnitude dos valores omitidos e tendo em vista a inércia por parte do fiscalizado em providenciar atitudes exigidas pela legislação, não restou outra forma ou opção por parte da fiscalização senão efetuar o lançamento de oficio dos valores oniitidos, relativos a omissões de receitas recorrentes dos pagamentos efetuados a terceiros (não contabilizados), com fulcro no ARBITRAMENTO DOS LUCROS, baseados nos artigos 529 a 540 do RIR99 Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3. 000/99." As bases de cálculo dos lançamentos de IRPJ (lucro arbitrado) e reflexos (CSLL, PIS e COFINS) foram determinadas mediante adição, à receita declarada, das parcelas seguintes: a) Receita omitida decorrente de aquisições e respectivos pagamentos, não escritutados, de 579 veículos relacionados na tabela de fls. 5252/5263, incidindo a presunção a que se refere o art. 281, II, do RIR/99; b) Receita omitida decorrente de pagamentos relacionados a operações de arrendamento mercantil (leasing), conforme tabela à fl. 5264, nas quais o veículo foi adquirido da montadora pela Fl. 5976DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.001208/200810 Acórdão n.º 1401001.473 S1C4T1 Fl. 14 13 empresa arrendadora e arrendado à fiscalizada, incidindo a presunção a que se refere o art. 281, II, do RIR/99. Nesses casos, houve a escrituração das operações, porém deixaram de ser escriturados pagamentos efetuados às empresas arrendadoras; c) Saldos mensais obtidos com ganhos de capital e outras receitas, conforme demonstrativo às fls. 5271/5272, comprovado ter a contribuinte auferido tais receitas por meio de lançamentos contábeis de fls. 5147/5186. Foi atribuída aos gerentes da autuada, Sr. Jose Aparecido dos Santos e Sra. Elza Maria Garcia dos Santos responsabilidade tributária pelos atos praticados com infração de lei, conforme art. 135, III, do CTN, “em virtude de não trazerem para as escriturações contábeis os fatos jurídicos decorrentes dos pagamentos dos 579 veículos adquiridos, conforme ítens 2.5.1 e 2.5.2 (acima) e como restou comprovado nos demais itens do presente Termo”. Em decorrência, os autos de infração foram enviados também a essas pessoas, na condição de sócios da empresa, para ciência e impugnação. Cientificada em 06/12/2008 (fl. 5360), a interessada apresentou impugnação de fls. 5339/5379 (Vol. 27) na qual alega, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que seria incabível a aplicação da multa de ofício qualificada, ao percentual de 150%, por não caracterizada conduta dolosa por parte da impugnante; que teria transcorrido o lapso decadencial de cinco anos, previsto no art. 150, § 4°, do CTN, no que se refere aos fatos geradores de IRPJ, CSLL, Pis e Cofins ocorridos no encerramento do 1°, 2° e 3° trimestres de 2003, afastada a aplicação do disposto no art. 173, I, do CTN; que a tributação pelo regime do lucro arbitrado mediante aplicação de percentual sobre a receita vinculado à atividade desenvolvida pela impugnante (locação de veículos sem condutor) caracterizaria presunção sem fundamento legal, resultante da conjugação de duas outras presunções; que tendo sido a escrituração considerada imprestável, os ganhos de capital e outras receitas contabilizadas não deveriam servir de fonte à obtenção de valores tributáveis. Em conseqüência, não poderia prevalecer o regime de tributação adotado na ação fiscal. Os correspondentes valores deveriam “ser afastados do crivo fiscal, porque além de excludentes, traduzem dualidade de enfoques e procedimentos da ação fiscal, apenas em beneficio do Fisco. postura ofensiva ao princípio ddfmoralidade administrativa”. Também não seria lícito “argüir a ausência da escrituração de pagamentos efetuados, uma vez que todos os registros contábeis foram condenados pela fiscalização”; que haveria contradiçãoem relação as bases de cálculos de Pis e Cofins adotadas na presente autuação, em cotejo com as Fl. 5977DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.001208/200810 Acórdão n.º 1401001.473 S1C4T1 Fl. 15 14 adotadas em autos de infração objeto do MPF n.° 08.1.0700 2008000886, os quais tem por objeto exigência de Pis não cumulativo, no valor de R$ 183.769,29, e Cofins nas modalidades cumulativa R$ 162.062,83 e não cumulativa, R$ 702.167,08. Naquela oportunidade teriam sido validados e adotados como base de cálculo das contribuições devidas os valores declarados pela interessada em DCTF, no curso da ação fiscal; que o Fisco pretenderia retroceder, adotando bases de cálculo distintas de Pis e Cofins, e transmudar para lucro arbitrado a receita declarada nas DIPJ de que decorreu os valores apurados nas Dacon e DCTF, submetendo ao lucro arbitrado o que teria sido legitimado segundo os ditames do lucro real; que no mesmo período de apuração estariam a conviver os regimes nãocumulativo e cumulativo, em situação contraditória. “O primeiro, encampado no Auto de Infração objeto do processo n.° 16004000.329/200836, envolve elementos componentes da receita conhecida, escriturada e declarada. O segundo, cumulativo, resulta da receita presumido, utilizada como base de cálculo para o arbitramento de lucros dos mesmos períodos de apuração em que incidiu o regime nãocumulativo”; que não estariam demonstrados nos autos vícios, erros ou deficiências capazes de qualificar como imprestável a escrituração para determinar o lucro real, e assim justificar o arbitramento do lucro; que “se configurada qualquer das hipóteses previstas no art. 530 do RIR/99, a utílização da base de cálculo estabelecida no art. 532 daquele diploma, somente será possível quando satisfeito o pressuposto de receita bruta conhecida com base em prova direta”. Assim, seria incompatível o arbitramento do lucro com a adoção de base de cálculo presumida, nos termos do art. 281 do RIR/99; que o art. 51 da Lei n.° 8.981/95 teria atribuido tratamento específico ao arbitramento de lucros quando não conhecida a receita bruta; que “o presente arbitramento se fundamentou em dois fatos distintos, a receita declarada, obtida por prova direta, e os pagamentos não escriturados, fatos ensejadores da presunção de receita omitida. Temse, então, afronta ao mandamento legal que veda a adoção simultânea de elementos excludentes entre si”; que “a presunção de omissão de receitas foi obtida com fundamento em informações fornecidas por terceiros. E sabido que essas informações, destituidas da comprovaçao documental dos fatos noticiados, no caso, comprovantes de pagamentos, revelamse insuficientes para lastrear o lançamento tributario”. Ao final, requer acolhimento de seu pleito, improcedência das exações e do agravamento da penalidade. Fl. 5978DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.001208/200810 Acórdão n.º 1401001.473 S1C4T1 Fl. 16 15 A 5ª Turma da DRJ/RPO, por unanimidade, negou provimento à impugnação, por meio de Acórdão que recebeu a seguinte ementa, fls. 58855886: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendario: 2003, 2004, 2005 DECADÊNCIA. DOLO COMPROVADO. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, se extingue no prazo de 5 (cinco), anos, contados do primeiro dia do exercicio seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RECEITAS. PANGAMENTOS EFETUADOS. FALTA DE ESCRITURAÇAO. PRESUNÇAO LEGAL. Com o advento da Lei n° 9.430 de 1996, a falta de escrituração dos pagamentos efetuados na compra de mercadorias, além da falta de registro destas aquisições na contabilidade, autoriza a presunção de omissão de receitas, não mais sendo necessários outros elementos de prova para configurar a movimentação de recursos fora da escrituração. ARBITRAMENTO. Justificase o arbitramento quando a escrituração apresentada pelo contribuinte contiver vícios, erros ou deficiências que a tomem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, ou determinar o lucro real. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO. Caracterízada a açao dolosa do contribuinte visando impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, é cabível a aplicação da multa qualificada de 150%. TRIBUTAÇAO REFLEXA (PIS, CSLL e COFINS). RELAÇAO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, “mutalís mutantis”, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento aos relativos à Contribuição para o PIS, à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) e à COFINS, em razão da relação de causa e efeito. Verificada a omissao, o valor da receita omitida será considerado na determinação das contribuições sociais. Impugnaçao Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 5979DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.001208/200810 Acórdão n.º 1401001.473 S1C4T1 Fl. 17 16 Houve a devida ciência do Acórdão em 07/12/2010 (fls. 5471). Em 05/11/2011 a pessoa jurídica autuada interpôs o recurso voluntário de fls. 59095938, reiterando os argumentos de defesa apresentados na fase impugnatória. Na mesma data, o sr. José Aparecido dos Santose a sra. Elza Maria Garcia dos Santos (responsáveis solidários) apresentaram os recursos voluntários de fls. 59395944 e 5947,5952 questionando os respectivos Termos de Responsabilidade Fiscal. É o relatório. Fl. 5980DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.001208/200810 Acórdão n.º 1401001.473 S1C4T1 Fl. 18 17 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Preliminares Arguição de decadência A recorrente voltou a arguir a decadência do direito de a Fazenda Publica constituir os créditos tributários relativos aos fatos geradores de IRPJ, CSLL, Pis e Cofins ocorridos no 1°, 2° e 3° trimestres de 2003. Tal arguição foi refutada com muita clareza e objetividade pela decisão de piso, razão pela qual adoto e transcrevo parcialmente as suas razões de decidir, fls. 58955896: Há que se asseverar, de plano, que se está diante do lançamento dito por homologação, nos termos do art. 150 do CTN, uma vez que a lei atribuiu à pessoa jurídica o dever de antecipar o paga mento do imposto de renda sem prévio exame da autoridade tributária, apurando e recolhendo o quantum devido, antecipandose a qualquer procedimento da repartição fiscal. Tal modalidade de lançamento operase pelo ato em que a autoridade administrativa, tomando conhecimento da atividade de pagamento exercida pelo sujeito passivo, expressamente a homologa. Nesse caso, segundo disposição do § 4° do mesmo artigo, a decadência operase em cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, se a autoridade administrativa não homologar o lançamento antes de decorrido o qüinqüênio, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Por conseguinte, efetuado o pagamento antecipado do imposto a que se refere o art. 150 do CTN, sem dolo, fraude ou simulação, e a Fazenda Pública não vier, dentro do prazo de 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, expressamente homologar o lançamento, este será considerado tacitamente homologado, e definitivo e bom o pagamento antecipado. Entretanto, uma vez apurada inexistência de pagamento antecipado do imposto devido, não há que se falar em homologação, nem tampouco aplicação do § 4° do art. 150 do CTN, uma vez que a homologação nada mais e do que a declaração de extinção do débito, em face do pagamento antecipado, que extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação (art. 150, § § 1° e 4°, e 156, VII, do CTN). Nesse caso, o lançamento passa a ser direto ou de ofício, o que desloca a forma de contagem do prazo decadencial para a regra prevista no art. 173, I, do CTN, cuja Fl. 5981DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.001208/200810 Acórdão n.º 1401001.473 S1C4T1 Fl. 19 18 data inicial é o primeiro dia do exercicio seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Além do mais, é de se ressaltar que o STJ, no julgamento dos Embargos de Divergência ERESP 101407/SP, proferido pela 1ª Seção, por unanimidade de votos, unificando o entendimento da 1ª e da 2ª Turmas sobre a matéria; assim se pronunciou em 07/04/2000 (DJ 08/05/2000, pág. 0053): “TRIBUTÁRIO DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a decadência do direito de constituir o crédito tributário se rege pelo artigo 150, § 4”, do Código Tributário Nacional, isto é, o prazo para esse efeito será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; a incidência da regra supõe, evidentemente, hipótese típica de lançamento por homologação, aquela em que ocorre o pagamento antecipado do tributo. Se o pagamento do tributo não for antecipado, já não será o caso de lançamento por homologação, hipótese em que a constituição do crédito tributário deverá observar o disposto no artigo 173, 1 do Código Tributário Nacional. Embargos de divergência acolhidos”. Na situação em análise, constatase não ter a autuada efetuado quaisquer recolhimentos a título de IRPJ e CSLL, no ano calendário de 2003 a 2005, conforme evidenciam os extratos de consultas aos sistemas informatizados da RFB às fls. 5445 a 5449. Assim, a contagem do prazo de decadência há que ser efetuada na forma preconizada no art. 173, I, do CTN, ou seja, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ainda em relação ao § 4° do art. 150 do CTN, há que se observar que o prazo à homologação, de 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, não se aplica aos lançamentos de IRPJ, CSLL, Pis e Cofins, objeto do presente processo, nos quais incidiu a multa de oficio qualificada, ao percentual de 150%, prevista no art. 44, 11, da Lei n.° 9.430, de 1996, por caracterizada a ocorrência de fraude, como ficará demonstrado mais adiante, na análise da referida penalidade, o que desloca a contagem do prazo decadencial para o art. 173, I, do CTN, iniciando a sua contagem no primeiro dia do exercicio seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Diante disso, aplicase a regra do art. 173, I, e não a do art. 150, § 4°. Com efeito, tendo sido o imposto e as contribuições apurados pelo lucro arbitrado, para os fatos geradores ocorridos no 1°, 2° e 3° trimestres do anocalendário de 2003, o prazo decadencial iniciouse em 01/01/2004 e teria seu tenho final em 31/12/2008. Tendo a ciência do auto de infração ocorrido em 06/12/2008 (AR de fl. 5360, Vol. 27), Fl. 5982DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.001208/200810 Acórdão n.º 1401001.473 S1C4T1 Fl. 20 19 dentro do prazo qüinqüenal, deve ser rejeitada a preliminar de decadência em relação aos fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2003, e nos anoscalendário subseqüentes. De fato, considerando a ocorrência de fraude, revelase correta a contagem do prazo decadencial segundo as regras do art. 173, I do CTN. Consequentemente, voto pela rejeição da presente arguição de decadência. Matérias não impugnadas Os gerentes da pessoa jurídica, sr. José Aparecido dos Santos e sra. Elza Maria Garcia dos Santos, não apresentaram impugnação aos presentes autos de infração. A pessoa jurídica autuada, em sua peça impugnatória, também se absteve de questionar a atriuição de responsabilidade tributária solidária aos seus gerentes. Por esta razão, a decisão de piso considerou tal matéria como não impugnada, nos termos do art. 17 do Decreto n.° 70.235/72, declarando a definitividade desse aspecto do lançamento na esfera administrativa. Surpreendentemente, contudo, na fase recursal os responsáveis solidários, sr. José Aparecido dos Santos e sra. Elza Maria Garcia dos Santos, interpuseram recursos voluntários, questionando a sua responsabilização pelos créditos tributários objeto do presente processo. Também a pessoa jurídica autuada, em sua peça recursal, arguiu a improcedência da da lavratura dos Termos de Responsabilidade Fiscal, em desfavor dos seus gerentes, retronominados. Tais questionamentos não podem ser aceitos em sede de recurso voluntário, tendo em vista a preclusão. Agiu corretamente o colegiado julgador a quo ao considerar tal matéria como não impugnada, declarando a definitividade desse aspecto do lançamento na esfera administrativa. Tal entendimento encontra evidente amparo no art. 17 do Decreto n.° 70.235/72. Diante do exposto, não conheço dos questionamentos acerca da atribuição de responsabilidade solidária aos gerentes da Localívia Veículos Ltda. Mérito Da efetiva ocorrência da omissão de receitas A fiscalização constatou a falta de escrituração de pagamentos, referentes a aquisições de veículos efetuadas pela empresa interessada. A partir de tal constatação, considerando a não contabilização das respectivas notas fiscais, nem tampouco dos respectivos pagamentos, restou caracterizada a omissão de receitas por parte da contribuinte, nos exatos termos do art. 40 da Lei n° 9.430, de l996, verbis: Art. 40. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa juridica, assim como a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracterizam, também, omissão de receita. Fl. 5983DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.001208/200810 Acórdão n.º 1401001.473 S1C4T1 Fl. 21 20 Esta lei estabelece uma presunção legal, que tem o condão de inverter o ônus da prova. No caso dos autos, uma vez comprovada a compra de mercadoria e seu pagamento sem o competente registro contábil/fiscal (fato conhecido), resta caracterizada, por presunção legal, a omissão de receitas (fato desconhecido). Esta presunção é do tipo relativa ou juris tantum, ou seja, que admite prova em contrário. No caso concreto, o Fisco comprovou cabalmente a ocorrência das compras de veículos sem escrituração do correspondente pagamento. As notas fiscais de fls. 13702046 e 20892461, assim como as informações prestadas pelas montadoras Fiat e General Motors, fls. 13381358, 20672073, 20762083, 24832490 e 51295131, comprovam as aquisições de veículos junto àqueles fornecedores, bem como os respectivos pagamentos. O Fisco elaborou, então, a tabela sintética de fls. 5252 a 5263, parte integrante do Termo de Descrição dos Fatos e Conclusão Fiscal. A interessada, seja na fase procedimental, seja na fase processual, não comprovou ter escriturados tais aquisições e tais pagamentos. Portanto, a presente presunção de omissao de receitas se afigura totalmente legítima. Nestes termos, em relação ao presente tema, considero que deve ser negado provimento ao recurso voluntário. Do arbitramento do lucro Após a constatação da ocorrência de omissão de receitas, a Fiscalização procedeu a determinação do imposto e contribuições devidos com base na sistemática do lucro arbitrado, por considerar que a escrituração da contribuinte apresentava vícios, erros ou deficiências que a tornavam imprestável para determinar o lucro real. Este procedimento do Fisco encontra fundamento no art. 530, II, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, verbis: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributacao com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstraçõesfinanceiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou dejiciências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentacão financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; [...] Fl. 5984DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.001208/200810 Acórdão n.º 1401001.473 S1C4T1 Fl. 22 21 Os arts. 251 e 264do RIR/99, por sua vez, tratam da obrigações das pessoas jurídicas de manter escrituração comercial e fiscal e conservação de livros e documentos relativos a suas operações, verbis: Art. 251. A pessoa juridica sujeita à tributaçao com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (DecretoLei n°1.598, de 1977, art. 7º). Parágrafo único. A escrituração devera abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 25). [...] Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). [...] § 3º Os comprovantes da escrituração da pessoa juridica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercicios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercicios (Lei n° 9. 430, de 1996, art. 37). A situação, no caso concreto, foi analisada com muita precisão e objetividade pela decisão de piso, razão pela qual adoto e transcrevo parcialmente as suas razões de decidir, fls. 58995900: Pelo exposto, concluise ser obrigação da contribuinte manter em boa ordem a escrituração de suas operações se pretende manter a possibilidade de apuração do lucro real, opção que estava sujeita a empresa nos anoscalendário fiscalizados, pela regra geral de determinação do IRPJ. Se não o faz, fica sujeito à hipótese legal de arbitramento da base de cálculo do tributo, definida no referido art. 148 do Código Tributário Nacional (CTN). No caso em exame, a Fiscalização apurou, mediante adequada instrução probatória, como acima demonstrado, que não foram contabilizados os valores relativos a aquisições de 579 veículos novos e também parcelas referentes a operações de leasing e financiamentos (não escriturados), efetivadas nos anos calendário de 2003, 2004 e 2005, totalizando mais de R$ 16.000.000,00 (dezesseis milhões de reais), sendo que tais omissões de de pagamentos correspondem a mais de 135% da Fl. 5985DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.001208/200810 Acórdão n.º 1401001.473 S1C4T1 Fl. 23 22 receita bruta declarada durante os três anos fiscalizados, equivalente a R$ 11.186.095,37. A autuada foi regularmente intimada e reintimada (fls. 519/559 e 5042/5045) a reconstituir sua contabilidade, nos períodos de 01/2003 a 12/2005, em consonância com as leis comerciais e fiscais, escriturando todos os fatos contábeis gerados pelas atividades sociais da empresa, principalmente todos os fatos decorrentes das aquisições e pagamentos dos mencionados veículos. Todavia, deixou de fazêlo, alegando “carência de elementos suficientes para sua elaboração e comprovação dosfatos merecedores de registro” (fl. 5268). Assim demonstrada a existência de vultosos fluxos financeiros mantidos à margem da contabilidade, não restou alternativa à fiscalização que não fosse o arbitramento do lucro do sujeito passivo, uma vez que impossibilitada a apuração do lucro real dos períodos fiscalizados. A recorrente também questionou a inclusão, na base de cálculo do lucro arbitrado, dos valores correspondentes aos ganhos de capital e outras receitas auferidas nos anoscalendário de 2003 a 2005, os quais constavam da contabilidade da empresa, conforme planilha às fls. 5271/5272 e lançamentos contábeis às fls. 5147/5186. Não assiste razão à recorrente. Conforme bem apontado pela decisão de piso, a contabilidade foi considerada imprestável para fins de apuração do lucro real, mas não para fins da apuração do imposto devido pela sistemática de lucro arbitrado. Caso prevalecesse o entendimento defendido pela recorrente, estarseia frustrando a intenção do legislador, que elegeu tal conduta (omissão de receitas) como ilícito tributário e fato gerador da obrigação tributária ora constituída pelo lançamento. Vale frisar que a inclusão dos ganhos de capital e outras receitas à base de cálculo do lucro arbitrado encontra fundamento legal no art. 536 do RIR/99, verbis: Art. 536. Serão acrescidos à base de cálculo os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo art. 531, auferidos no periodo de apuração, observado o disposto nos arts. 239. 240, 533 e 534 (Lei nº 9.430. de 1996, art. 27, inciso II). Ao apreciar esta questão, pronunciouse com propriedade a decisão de piso, fls. 5901: Com base no acima transcrito, inferese que o imposto deve ser apurado segundo um único regime, no caso, o do lucro arbitrado, sendo a base de cálculo determinada pelo somatório das receitas declaradas e omitidas. O art. 531, I, do RIR/99, admite, por exceção, a concomitância das sistemáticas do lucro real e do lucro presumido, “se a pessoa jurídica dispuser de escrituração exigida pela legislação comercial efiscal que Fl. 5986DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.001208/200810 Acórdão n.º 1401001.473 S1C4T1 Fl. 24 23 demonstre o lucro real dos periodos não abrangidos por aquela modalidade de tributação”, situação não verificada na presente autuação. Por tratarse de base de cálculo composta por receita bruta conhecida (receita declarada + receita omitída), apurada conforme demonstrativos de fls. 5279/5293 (anexos ao auto de infração), revelase correta a determinação do lucro tributável com base nos percentuais indicados nos artigos 519 e 532 do RIR/99, tendose como referência o objeto social da autuada (locação de veículos) constante de seus atos constitutivos. Por fim, não se há de cogitar incompatibilidade na aplicação concomitante do arbitramento do lucro para determinação do IRPJ devido, e da presunção de omissão de receitas por falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica. O arbitramento constitui sistemática de apuração do imposto, e decorre, no caso, da imprestabilidade da escrituração apresentada para determinação do lucro real (art. 530, ll, do RIR/99), enquanto a presunção de omissão de receitas, prevista no art. 40 da Lei n.° 9.430, de 1996, determina a inclusão, na base de cálculo do imposto, de receitas vinculadas a operações mantidas à margem da contabilidade. Diante do exposto, considero que em relação ao presente tema, o recurso voluntário não merece provimento. Da multa de ofício qualificada No presente caso, restou fartamente comprovado que a autuada deixou de contabilizar operações de aquisição de 579 veiculos novos e também parcelas referentes a operações de leasing e financiamentos, e respectivos fluxos financeiros, de modo reiterado, nos anoscalendário de 2003, 2004 e 2005. O valor das aquisições e pagamentos omitidos foi superior a R$ l6.000.000,00 (dezesseis milhões de reais), o que correponde a mais de 135% da receita bruta declarada durante os três anos fiscalizados, que foi da ordem de R$ 11.186.095,37. Ao analisar tais fatos, concluiu o acórdão de piso, fls. 5902: Tais procedimentos da interessada demonstram, indubitavelmente, o propósito deliberado de impedir e/ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador e das condições pessoais de contribuinte, materializandose a hipótese do artigo 71 da Lei n° 4.502, de 1964. E a norma legal é muito clara ao fixar a penalidade: ela alcança todos aqueles que agiram com o evidente intuito de fraude, conforme disposto art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996, retrotranscrito. É dizer, ainda que se trate de exação fundada na presunção legal prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, uma vez caracterizado evidente intuito de fraude, há que se exigir a multa de oficio por infração qualificada. Fl. 5987DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.001208/200810 Acórdão n.º 1401001.473 S1C4T1 Fl. 25 24 Assim, estando caracterizado nos autos o evidente intuito de fraude, entendo deva ser mantida a exigência da multa de oficio por infração qualificada, no percentual de 150%. Nestes termos, também em relação ao presente tema, considero que o acórdão recorrido não merece quaisquer reparos. Dos lançamentos decorrentes Os lançamentos referentes ao PIS, CSLL e COFINS são decorrentes do lançamento do IRPJ (omissão de receita operacional). Sobre o tema, dispõe com muita clareza o art. 24 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de l995: Art. 24 Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa juridica no períodobase a que corresponder a omissão. § 2° O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. Quando da análise da autuação do IRPJ, já foi demonstrado que a poresente autuação decorreu da constatação de omissão de receitas, caracterizada pela falta de registro contábil das aquisições de veículos novos e respectivos pagamentos. Os valores correspondentes às receitas omitidas (omissão de compras) também integram as bases de cálculo do PIS, Cofins e CSLL. Assim, verificada a procedência do lançamento do IRPJ devido nos ano calendário de 2003 a 2005, impõese o reconhecimento da procedência dos lançamentos reflexos ou decorrentes (CSLL, PIS e Cofins), pelos mesmos fundamentos fáticos e jurídicos anteriormente expostos. Especificamente em relação ao PIS e a Cofins, a recorrente questionou a possibilidade de coexistência dos presentes lançamentos com os lançamentos decorrentes do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 08.1.07002008000886, consubstaciado em processo administrativo distinto do presente. Também em relação ao presente tema, não merecem acolhimento as alegações da recorrente. A decisão de piso analisou esta questão com grande propriedade, motivo pelo qual, também em relação a este item, adoto e transcrevo parcialmente as suas razões de decidir, fls. 5903: Com efeito, naquele outro processo foram lançados débitos de Pis e Cofins, apurados nos anoscalendário de 2003 a 2005, Fl. 5988DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.001208/200810 Acórdão n.º 1401001.473 S1C4T1 Fl. 26 25 tendo por referência informações prestadas pela própria contribuinte em DCTF e Dacon retificadoras, apresentadas após o início do procedimento fiscal. Consta que as declarações originais informavam a inexistência de débitos das referidas contribuições naqueles períodos de apuração. De outra parte, os lançamentos de Pis e Cofins objeto do presente processo, embora se refiram também aos anoscalendário de 2003 a 2005, decorrem de situação fática distinta, qual seja, constatação de omissão de receitas por falta de escrituração de pagamentos referentes a aquisições de veículos efetuadas pela empresa interessada, nos termos do art. 40 da Lei n° 9.430, de 1996, como acima demonstrado. Ausente, portanto, qualquer correlação entre os lançamentos de Pis e Cofins, ora em exame, e aqueles relacionados ao MPF n.° 08.1.07002008000886, pelo que devem, cada qual, seguir seu próprio rito processual administrativo, de modo independente. Nesse sentido, descabe, aqui, o exame de aspectos atinentes a autos de infração consubstanciados em processo administrativo distinto do presente, por constituir matéria estranha ao objeto da lide em foco. Nestes termos, também em relação ao presente item, considero que o acórdão recorrido não é merecedor de reparos. Conclusão Diante de todo o exposto, voto no sentido de não conhecer dos recursos dos responsáveis tributários, em relação ao recurso conhecido da empresa, voto por afastar a decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Fl. 5989DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 19985.720335/2013-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. LIMITES DA LIDE. RECURSO PARCIAL. PRECLUSÃO
O Decreto nº 70.235, de 1972, dispões sobre o processo administrativo fiscal e em seu artigo 33 estabelece que caberá recurso voluntário, total ou parcial, da decisão de 1ª instância. Para a solução do litígio tributário deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro, pela resistência do contribuinte, expressos, respectivamente, pelo ato de lançamento e pela impugnação/recurso.
Considerar-se-á não questionada a matéria sobre a qual o contribuinte não se manifeste expressamente em seu recurso, a teor do artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972.
DESPESAS COM INSTRUÇÃO DE DEPENDENTE. COMPROVAÇÃO. LIMITE.
Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação pré-escolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual estabelecido em lei (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "b").
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocada), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. LIMITES DA LIDE. RECURSO PARCIAL. PRECLUSÃO O Decreto nº 70.235, de 1972, dispões sobre o processo administrativo fiscal e em seu artigo 33 estabelece que caberá recurso voluntário, total ou parcial, da decisão de 1ª instância. Para a solução do litígio tributário deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro, pela resistência do contribuinte, expressos, respectivamente, pelo ato de lançamento e pela impugnação/recurso. Considerar-se-á não questionada a matéria sobre a qual o contribuinte não se manifeste expressamente em seu recurso, a teor do artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972. DESPESAS COM INSTRUÇÃO DE DEPENDENTE. COMPROVAÇÃO. LIMITE. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação pré-escolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual estabelecido em lei (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "b"). Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocada), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
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RECURSO VOLUNTÁRIO. LIMITES DA LIDE. RECURSO PARCIAL. PRECLUSÃO O Decreto nº 70.235, de 1972, dispões sobre o processo administrativo fiscal e em seu artigo 33 estabelece que caberá recurso voluntário, total ou parcial, da decisão de 1ª instância. Para a solução do litígio tributário deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro, pela resistência do contribuinte, expressos, respectivamente, pelo ato de lançamento e pela impugnação/recurso. Considerarseá não questionada a matéria sobre a qual o contribuinte não se manifeste expressamente em seu recurso, a teor do artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972. DESPESAS COM INSTRUÇÃO DE DEPENDENTE. COMPROVAÇÃO. LIMITE. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação préescolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual estabelecido em lei (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "b"). Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 03 35 /2 01 3- 62 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19985.720335/201362 Acórdão n.º 2202003.314 S2C2T2 Fl. 81 2 Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocada), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório, em parte, aquele elaborado pela Autoridade Julgadora de 1ª instância (fl. 24), complementandoo ao final: Tratase de impugnação apresentada pelo(a) contribuinte acima identificado(a), contra a Notificação de Lançamento de fls. 4 e seguintes, resultante de alterações em sua Declaração de Ajuste Anual, exercício de 2010, ano calendário de 2009, que implicou apuração de imposto suplementar (receita 2904) de R$ 6.689,08, sujeito à multa de ofício (75%) e juros legais, em face da constatação das seguintes infrações: dedução indevida com despesas de instrução, no valor tributável de R$ 2.708,94; e dedução indevida de despesas médicas, no valor tributável de R$ 21.615,00, vide descrição dos fatos, às fls. 6/9 2. Cientificado(a) em 02/10/2013 (fls. 59), o(a) interessado(a) apresentou impugnação (fls. 2/3), recepcionada na unidade local da RFB 08/10/2013, cujas teses defensivas seguem sumariadas: a) alega que a despesa com instrução glosada referese à dependente Luisa Souza Frota, cujo valor comprovado é de R$ 5.401,84, conforme documentos apresentados, às fls. 15/17; e b) quanto à glosa de despesa médica, informa que o valor refere se a despesa incorrida com tratamento terapêutico do irmão, absolutamente incapaz, de quem a interessada é curadora (Certidão de Interdição às fls. 14). Ao analisar a manifestação da contribuinte, o Julgador recorrido assim dispôs: a) Apurouse a infração de dedução indevida com despesa de instrução, no valor tributável de R$ 2.708,94, relativo a pagamento informado para o estabelecimento Pont. Univ. Católica. A título de comprovação, a interessada juntou aos autos as planilhas de fls. 15/17. Referidos documentos não contém ateste de recebimento, assim como não contém Fl. 81DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19985.720335/201362 Acórdão n.º 2202003.314 S2C2T2 Fl. 82 3 assinatura do responsável pela emissão, de modo que não são hábeis à comprovação da despesa. b) Apurouse ainda, a infração de dedução indevida de despesas médicas, no valor tributável de R$ 21.615,00, por falta de previsão legal. A defesa alega que o valor refere se a despesa incorrida com tratamento terapêutico do irmão, absolutamente incapaz, de quem a interessada é curadora (Certidão de Interdição às fls. 14). Ocorre que o contrato de prestação de serviços firmados com a Associação Casa Protegida Malala Maciel, com vigência entre janeiro de 2009 e janeiro de 2010, tem por objeto a prestação de serviços em forma de acompanhamento terapêutico ao dependente, a serem prestados nas instalações da contratada através da disponibilizarão de profissional especializado denominado “Acompanhante Terapêutico”, “podendo sêlos homens ou mulheres, profissionais e ou estagiários da área de saúde com vocação assistencial”. a despesa em referência não é passível de dedução da base de cálculo do imposto, por falta de previsão legal. Assim, deuse a decisão de 1ª instância para considerar procedente o lançamento. Cientificada dessa decisão em 18/12/2013 (AR na folha 70), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 18/09/2014, com protocolo na folha 73. Em sede de recurso, singelamente manifesta sua inconformidade com a decisão recorrida apenas em relação à glosa de despesa com instrução de sua filha Luísa, apresentando os documentos que conseguiu, argumentando que não foram possíveis outros em face do período de recesso escolar. Solicita que seja feita diligência junto à PUC. Nada fala em relação à glosa de despesas declaradas como "despesas médicas" com curatelado. A Unidade preparadora providenciou um quadro demonstrativo da parte questionada e da parte não questionada do lançamento, na folha 75. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado e, atendidas as formalidades legais, dele tomo conhecimento. As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital. Bem, conforme procurouse evidenciar no relatório, a lide que chega a esta instância recursal limitase à possibilidade de dedução de valor pago no ano de 2009, pela contribuinte, à Pontifícia Universidade Católica PUC, em favor de instrução superior de sua filha. Não havendo manifestação expressa em relação à glosa de despesa médica declarada, tal matéria encontrase preclusa, a teor do artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, e não será tratada. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19985.720335/201362 Acórdão n.º 2202003.314 S2C2T2 Fl. 83 4 Não há dúvida de que Luísa Souza da Frota é filha de Etelvina Souza da Frota, em virtude da certidão de nascimento de fl. 13. Nascida em 16/12/1989, a mesma contava com 20 anos, em 2009. Na declaração de rendimentos foi listada dentre os dependentes (fl. 42). Após as indicações da DRJ, juntamente com seu recurso, o (a) Recorrente apresenta novos documentos que merecem ser considerados, haja vista o disposto na alínea "c", § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, bem como em observância ao princípio da verdade material. Em adição aos extratos que já tinham sido apresentados, a contribuinte anexa a declaração de folha 76, que entendo suficiente para subsidiar a despesa com instrução de dependente, dentro do limite legal. A dedução das despesas com instrução estava sujeita ao limite anual individual de R$ 2.708,94, para o anocalendário de 2009. (Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 8º, inciso II, "b", com redação dada pela Lei nº 11.482, 31 de maio de 2007, art. 3º; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/1999), art. 81; Instrução Normativa SRF nº 15, de 6 de fevereiro de 2001, art. 39) Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso para restabelecer a dedução com despesas com instrução no importe de R$ 2.708,94, no ano de 2009. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 83DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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