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Numero do processo: 14337.000264/2010-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/10/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Tendo em vista que o acórdão embargado omitiu-se na análise de ponto sobre o qual deveria se manifestar, é patente a necessidade de acolhimento dos embargos.
GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO PESSOA FÍSICA. MERA ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS NECESSÁRIOS PARA SUA RESPONSABILIZAÇÃO. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. Tendo em vista que as alegações de recurso voluntário da parte foram formuladas de forma genérica, apenas sob o enfoque de não estarem pressentes os requisitos legais aptos a ensejar a responsabilidade solidária dos sócios que não constavam em contrato social, sem, no entanto, atacar os fundamentos específicos pelos quais foram considerados como responsáveis ou mesmo sem trazer nenhuma prova a demonstrar a incoerência das conclusões adotadas quando da ação fiscal, é de ser mantido o lançamento.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2402-005.089
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, para rerratificar o julgamento do v. acórdão embargado, de modo a que toda a fundamentação constante no anterior voto condutor seja substituída pela presente, para conhecer dos recursos voluntários interpostos por LUIZ CARLOS DA SILVEIRA BUENO e LINCOLN LAFAYETE DA SILVEIRA BUENO e, no mérito, em negar-lhes provimento.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2002 a 30/10/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Tendo em vista que o acórdão embargado omitiu-se na análise de ponto sobre o qual deveria se manifestar, é patente a necessidade de acolhimento dos embargos. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO PESSOA FÍSICA. MERA ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS NECESSÁRIOS PARA SUA RESPONSABILIZAÇÃO. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. Tendo em vista que as alegações de recurso voluntário da parte foram formuladas de forma genérica, apenas sob o enfoque de não estarem pressentes os requisitos legais aptos a ensejar a responsabilidade solidária dos sócios que não constavam em contrato social, sem, no entanto, atacar os fundamentos específicos pelos quais foram considerados como responsáveis ou mesmo sem trazer nenhuma prova a demonstrar a incoerência das conclusões adotadas quando da ação fiscal, é de ser mantido o lançamento. Embargos Acolhidos.
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OMISSÃO. Tendo em vista que o acórdão embargado omitiuse na análise de ponto sobre o qual deveria se manifestar, é patente a necessidade de acolhimento dos embargos. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO PESSOA FÍSICA. MERA ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS NECESSÁRIOS PARA SUA RESPONSABILIZAÇÃO. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. Tendo em vista que as alegações de recurso voluntário da parte foram formuladas de forma genérica, apenas sob o enfoque de não estarem pressentes os requisitos legais aptos a ensejar a responsabilidade solidária dos sócios que não constavam em contrato social, sem, no entanto, atacar os fundamentos específicos pelos quais foram considerados como responsáveis ou mesmo sem trazer nenhuma prova a demonstrar a incoerência das conclusões adotadas quando da ação fiscal, é de ser mantido o lançamento. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 33 7. 00 02 64 /2 01 0- 56 Fl. 765DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 02/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, para rerratificar o julgamento do v. acórdão embargado, de modo a que toda a fundamentação constante no anterior voto condutor seja substituída pela presente, para conhecer dos recursos voluntários interpostos por LUIZ CARLOS DA SILVEIRA BUENO e LINCOLN LAFAYETE DA SILVEIRA BUENO e, no mérito, em negarlhes provimento. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 766DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 02/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 14337.000264/201056 Acórdão n.º 2402005.089 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos por LUIZ CARLOS DA SILVEIRA BUENO e LINCOLN LAFAYETE DA SILVEIRA BUENO, em face do v. acórdão 2402004.625, prolatado por esta Eg. Turma, o qual restou assim ementado: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2005 a 31/12/2007 Ementa: IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. CONTENCIOSO NÃO INSTAURADO.RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO Não se conhece de recurso voluntário contra acórdão de primeira instância que não conheceu da impugnação pelo fato de a mesma haver sido apresentada posteriormente ao prazo de 30 dias prescrito pelo caput do artigo 15 do Decreto no 70.235/72. Recurso Voluntário Não Conhecido Sustentam os embargantes que o julgado incorreu em omissão, pois, os recursos voluntários por si interpostos deveriam ser conhecidos, mesmo diante do reconhecimento da intempestividade da impugnação apresentada pela autuada principal, sobretudo considerando que apresentaram impugnação em nome próprio, as quais foram consideradas como tempestivas pelo acórdão de primeira instância. Prestadas as devidas informações, foi determinada a inclusão do feito em pauta de julgamentos. É relatório. Fl. 767DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 02/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado Relator CONHECIMENTO Tempestivos os embargos, merecem conhecimento. MÉRITO Conforme já relatado, de fato, conforme noticiado nos Embargos de Declaração opostos, subiste nos autos recursos voluntários que merecem conhecimento por esta Turma, mesmo que o acórdão de primeira instância tenha reconhecido a intempestividade da contribuinte principal. E justifico a necessidade de conhecimento dos recursos, considerando, também que os embargantes constam como responsáveis solidários do presente lançamento diante da caracterização de grupo econômico de fato, e, quando intimados do lançamento, apresentaram impugnação em apartado da contribuinte principal, as quais devem ser consideradas como tempestivas. Assim, tenho que, quanto a estes, foi instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal. Passo, portanto, a analisar os Recursos Voluntários Interpostos. Inicialmente ressalto que os recursos voluntários não trazem a defesa quando ao mérito sobre o não recolhimento das contribuições objeto da presente autuação, o que a torna incontroversa. Resumemse, tão somente, a questionar a condição de responsável solidário dos recorrentes. Do recurso de LINCOLN LAFAYETE DA SILVEIRA BUENO O recorrente, reitera os termos de sua impugnação e alega que: 1 que não é parte legitima para atuar no polo passivo uma vez que não mais pertence ao quadro societário da empresa Kaipós Fabril e Exportadora LTDA, desde abril de 2001, fora do período fiscalizado; 2 Diz que deve ser considerada válida a alteração contratual registrada perante a JUCEPA, quanto a sua retirada do quadro societário da empresa autuada em momento anterior ao período objeto da presente autuação fiscal pugnando pela nulidade do auto de infração que estabeleceu sua responsabilidade solidária com base na responsabilidade pessoal dos sócios; 3 não houve nenhuma comprovação de que o impugnante na qualidade de sócio da empresa MAFRIPAR MATADOURO E FRIGORÍFICO PARAENSE LTDA e exsócio da empresa autuada KAIAPÓS FABRIL E XPORTADORA LTDA, tenha praticado atos com excessos de poderes, Fl. 768DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 02/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 14337.000264/201056 Acórdão n.º 2402005.089 S2C4T2 Fl. 4 5 infração a lei contrato social ou estatuto, demonstrando e comprovando a ilegalidade da malsinada sujeição passiva solidária promovida pela fiscalização. O recorrente traz arrazoado em sua defesa no sentido da inexistência nos autos de qualquer prova de que tenha agido de forma a justificar a aplicabilidade daquilo o que descrito no art. 135 do CTN, alegando ainda não estar caracterizado o grupo econômico. Pois bem, fato é que verifico dos autos que o relatório fiscal da infração que trouxe toda a argumentação de fato e direito a demonstrar a existência do grupo econômico de fato entre as empresas é bem farto no que se refere a provas coligidas durante a ação fiscal na Receita Federal e investigação levada a efeito pela Polícia Federal. Para justificar a caracterização do grupo econômico, o fiscal autuante analisou toda a contabilidade das empresas envolvidas, aí incluídos livros, declarações, etc, bem como trouxe longo arrazoado acerca da forma de gerenciamento das empresas envolvidas, que em sua grande parte possuíam com sócios pessoas interpostas em nome do recorrente, que gerenciava a empresa da qual era sócio por procuração, além de ter colhido depoimentos testemunhais sobre os reais donos de referidas empresas, tendo apurado, mediante análise da contabilidade a confusão patrimonial entre as empresas, bem como a existência de vários pagamentos efetuados pelas empresas de despesas do recorrente. Tais apontamentos são apenas um resumo do arrazoado constante no relatório fiscal, que traz longo arrazoado no que se refere aos fatos que levaram o fiscal a chegar às suas conclusões no sentido de caracterizar o grupo e a responsabilizar solidariamente os sócios de referidas empresas. No entanto, quando analiso o recurso voluntário apresentado pelo ora recorrente, vejo que as suas alegações se resumem a apontar, de forma genérica, que a fiscalização não logrou êxito em comprovar a necessidade de sua responsabilização solidária, já que não estão presentes as condições para tanto descritas no art. 135 do CTN. E tais alegações, em momento algum trazem qualquer contraponto, seja de argumentação ou de prova, a demonstrar que as conclusões da fiscalização foram equivocadas, de modo a elidir, inclusive, aquelas considerações perfilhadas no julgamento de primeira instância. Assim, verifico que a fiscalização trouxe argumentos e documentos que em seu entender são aptos a justificar a necessidade de responsabilização do recorrente que deixaram de ser por ele infirmados. Portanto, não vejo outra saída, senão por mantêlos incólumes. Fato é que se o recorrente trouxesse qualquer prova ou mesmo argumento apto a abalar o lançamento, que fosse específico em relação a sua pessoa, senão o fato de que não era sócio das empresas, tais argumentos mereceriam o debate por esta Turma. Entretanto, não é isso que verifico do presente caso. Quanto a sua saída da empresa, a fiscalização o considerou como responsável mesmo diante de alterações do quadro social, por ter continuado a exercer a condição de dono mesmo fora do contrato social, agindo dessa forma por meio de pessoas interpostas, condição esta, por si só, passível de mantêlo no pólo passivo mesmo diante da alteração contratual formalizada na JUCEPA. Referido fundamento também não veio a ser atacado na via do recurso voluntário. Fl. 769DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 02/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 6 Por tais motivos, entendo que ao seu recurso deva ser negado provimento. Do recurso de LUIZ CARLOS DA SILVEIRA BUENO. O recorrente, reitera os termos de sua impugnação e alega que: 1. que não é parte legitima para atuar no polo passivo uma vez que não mais pertence ao quadro societário da empresa Kaipós Fabril e Exportadora LTDA, desde junho de 1997, fora do período fiscalizado; 2. Diz que deve ser considerada válida a alteração contratual registrada perante a JUCEPA, quanto a sua retirada do quadro societário da empresa autuada em momento anterior ao período objeto da presente autuação fiscal pugnando pela nulidade do auto de infração que estabeleceu sua responsabilidade solidária com base na responsabilidade pessoal dos sócios; 3. Alega que ainda mesmo que fosse admitida a sua condição de sócio da empresa autuada, o que se admite apenas para argumentar, vez que restou comprovado que o mesmo desligouse do quadro societário da sociedade autuada há mais de 01 (uma) década, mesmo assim, temos que não é possível estabelecer a sua sujeição. Vejo, pois, que as alegações constantes neste recurso são as mesmas aviadas pelo recorrente LINCOLN, sendo que as duas peças recursais são praticamente idênticas, sobretudo quanto ao acostamento de provas e alegações que poderiam abalar o lançamento. Assim, utlizo os mesmos fundamentos de decidir supra referidos, para entender pelo improvimento do presente recurso. Ante todo o exposto, voto no sentido de ACOLHER OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, para reratificar o julgamento do v. acórdão embargado, de modo a que toda a fundamentação constante no anterior voto condutor seja substituída pela presente, para conhecer dos recursos voluntários interpostos por LUIZ CARLOS DA SILVEIRA BUENO e LINCOLN LAFAYETE DA SILVEIRA BUENO e, no mérito, em NEGAR LHES PROVIMENTO. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 770DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 02/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
score : 1.0
Numero do processo: 11080.722707/2011-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2006 a 31/12/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO ENTRE O TEOR E A FORMA DA DECISÃO. RETIFICAÇÃO DO TIPO DE DECISÃO. ATRIBUIÇÃO DE EFEITO INFRINGENTE. POSSIBILIDADE.
1. A partir da vigência do novo Regimento Interno do CARF, não cabe às Turmas Ordinárias da 1ª Seção de Julgamento processar e julgar recurso voluntário de decisão de 1ª instância que versem sobre aplicação da legislação relativa ao Impostos sobre Produtos Industrializados, inclusive quando resultantes de procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, lastreados em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ.
2. Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal.
Embargos Acolhidos em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para determinar a conversão do julgamento em diligência nos termos do § 5º do artigo 6º do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, vencidos os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa e Walker Araújo, Relator, que tornavam a declinar a competência, mas por meio de Acórdão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Fez sustentação oral: Dr. José Antônio Minatel - OAB 37065 - SP.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Redator Designado.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2006 a 31/12/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO ENTRE O TEOR E A FORMA DA DECISÃO. RETIFICAÇÃO DO TIPO DE DECISÃO. ATRIBUIÇÃO DE EFEITO INFRINGENTE. POSSIBILIDADE. 1. A partir da vigência do novo Regimento Interno do CARF, não cabe às Turmas Ordinárias da 1ª Seção de Julgamento processar e julgar recurso voluntário de decisão de 1ª instância que versem sobre aplicação da legislação relativa ao Impostos sobre Produtos Industrializados, inclusive quando resultantes de procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, lastreados em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. 2. Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. Embargos Acolhidos em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para determinar a conversão do julgamento em diligência nos termos do § 5º do artigo 6º do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, vencidos os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa e Walker Araújo, Relator, que tornavam a declinar a competência, mas por meio de Acórdão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Fez sustentação oral: Dr. José Antônio Minatel - OAB 37065 - SP. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Redator Designado. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
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CONTRADIÇÃO ENTRE O TEOR E A FORMA DA DECISÃO. RETIFICAÇÃO DO TIPO DE DECISÃO. ATRIBUIÇÃO DE EFEITO INFRINGENTE. POSSIBILIDADE. 1. A partir da vigência do novo Regimento Interno do CARF, não cabe às Turmas Ordinárias da 1ª Seção de Julgamento processar e julgar recurso voluntário de decisão de 1ª instância que versem sobre aplicação da legislação relativa ao Impostos sobre Produtos Industrializados, inclusive quando resultantes de procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, lastreados em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. 2. Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. Embargos Acolhidos em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para determinar a conversão do julgamento em diligência nos termos do § 5º do artigo 6º do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, vencidos os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa e Walker Araújo, Relator, que tornavam a declinar a competência, mas por meio de Acórdão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Fez sustentação oral: Dr. José Antônio Minatel OAB 37065 SP. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 27 07 /2 01 1- 13 Fl. 6858DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, As sinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA 2 (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Redator Designado. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela contribuinte contra a decisão proferida por meio da Resolução nº 3302000358 que, declinou a competência desta Turma em favor da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, com base nos seguintes motivos e fundamentos: VOTO Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó – Redatora Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão da DRJ em Porto Alegre, representada pelo Acórdão 1035.132, 3ª Turma, que manteve em parte a exigência consubstanciada no auto de infração relativo ao lançamento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e que decorre da acusação de que as pessoas jurídicas Metalúrgica MOR S.A. e MOR Distribuidora de Artigos de Lazer Ltda., mesmo que formalmente sejam pessoas jurídicas distintas, atuam como sendo um único empreendimento comercial, tendo a Metalúrgica MOR S.A. o comando de todas as operações, enquanto a MOR Distribuidora é usada apenas para receber receitas cuja tributação é menor, já que esta tributa seus resultados com base no lucro presumido. Da Preliminar Da Competência para o julgamento De acordo com o que consta no Relatório de Ação Fiscal de fls. 4307/4323, dos fatos detectados na auditoria fiscal resultaram os lançamentos relativos aos tributos a seguir citados, por meios dos seguintes processos: i. Processo 11080.722706/201161 IRPJ e CSLL; ii. Processo 11080.722705/201116 – PIS e COFINS iii. Processo 11080.722707/201113 IPI Exatamente em função disso é que o voto prolatado no Acórdão 1035.132 3ª Turma da DRJ/POA, em sessão ocorrida em 26 de outubro de 2011, ora recorrido, assim destaca: Fl. 6859DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, As sinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.722707/201113 Acórdão n.º 3302003.174 S3C3T2 Fl. 6.859 3 “Este processo encerra exigência de crédito tributário de IPI, decorrente de acusação fiscal formalizada na exigência de IRPJ e CSLL no processo nº 11080.722706/201161. Diante das mesmas causas e efeitos, a solução dada naquele processo, através do Acórdão 10034.626 da 1ª Turma de Julgamento desta DRJ, em sessão de 30 de setembro do corrente ano, é, no que pertine, a mesma que se deve dar ao lançamento do IPI, de modo que o voto é encaminhado nos mesmos termos, conforme abaixo:”. O art. 2º, IV, do anexo II do RICARF (Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009) dispõe que: “Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...) IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; (Portaria MF nº 586/2010)”. O processo em que se discute os tributos IRPJ e CSLL (Processo nº 11080.722706/201161) tramita atualmente na 2ª Turma da 2ª Câmara da Primeira Seção, sobre a relatoria da Conselheira Relatora Nereida de Miranda. Já o processo em que se discute PIS e COFINS (Processo nº 11080722705/201116), encontrase na SECAM da 3ª Câmara da Primeira Seção. É que o relator dessa câmara para o qual havia sido inicialmente distribuído referido processo, com base no disposto no §7º do art. 49 do anexo II do RICARF que estabelece distribuição de processo conexo ou decorrente ao mesmo relator, independentemente de sorteio, por meio de Despacho de Redistribuição, declinou da competência em favor da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, em face da distribuição do processo 11080.722706/201161 para aquela câmara, consoante acima destacado. Desta forma, constatado que o presente lançamento de IPI decorreu dos mesmos fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ, sendo, portanto, decorrente do procedimento efetuado naquele lançamento, em igual situação aos lançamentos de PIS e COFINS constantes do processo nº 11080.722706/201161, devese declinar da competência em favor da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento. Portanto, com base no exposto, conduzo o meu voto no sentido de declinar da competência desta turma em favor da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento. Segundo a Embargante, a decisão embargada incorreu em contradição e omissão posto que: a) não houve intimação do voto vencido e de integração entre os votos do relator e vencido; b) há contradição entre a decisão e seus fundamentos ao adotar a forma de Resolução, que deve retornar à Turma de Julgamento de origem e, no presente Fl. 6860DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, As sinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA 4 caso, não haverá retorno à 2ªTO/3ªC/3ªSJ, contrariando as disposições do §5º, do artigo 63, do RICARF. c) não houve análise em relação a matéria específica tratada no Recurso Voluntário (IPI), restando configurada a omissão. Os embargos de declaração foram parcialmente admitidos para a Turma de Julgamento deliberar e votar a proposta de redação da ementa do acórdão a ser formalizado, em substituição a resolução embargada, conforme se verifica na conclusão do despacho de decisório de fls. 6.8546.855: (...) Isto posto, vejo que ocorreu erro de forma, devendo a Turma de Julgamento deliberar sobre a redação da ementa do acórdão a ser formalizado e, portanto, com base nos §§ 1º e 3º do art. 65 do Regimento Interno do CARF (Anexo II à Portaria MF no 256/2009, com a redação da Portaria MF no 586/2010) entendo procedentes as alegações da embargante quando à esta matéria e, consequentemente, dou seguimento ao presente embargos declaratórios nesta parte e nego seguimento quanto às outras matérias objeto dos embargos. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Walker Araujo Relator Os embargos de declaração opostos pela empresa METALÚRGICA MOR S/A teve o exame de admissibilidade processado regularmente, dele tomo conhecimento. Conforme relatado anteriormente, os antigos Conselheiros desta Turma decidiram por meio de Resolução declinar a competência desta Turma em favor da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, com fundamento no artigo 2º, inciso IV, do anexo II, do RICARF (Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009). Isto porque, ficou constatado pelos antigos Conselheiros que o presente lançamento de IPI decorreu dos mesmos fatos que serviram para apuração da prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. Não obstante o acerto na decisão proferida pela antiga Turma Julgadora, a Embargante se insurgiu contra decisão nos seguintes termos: "...a deliberação por "declinar da competência em favor da Primeira Seção de Julgamento" implicará supressão de competência de exame de matéria que é exclusiva dessa 3ª Seção de Julgamento, omissão que não poderá resultar em prejuízo à empresa Recorrente por evidente cerceamento ao direito de defesa." E conclui: "No voto da Ilustre Conselheira designada como redatora não há qualquer menção relacionada com essa específica matéria contida no Recurso, pelo que resta configurada específica omissão sobre a matéria de competência exclusiva da 3ª Seção de Julgamento." Razão não assiste à Embargante. Com efeito, embora seja de competência da Terceira Seção processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância sobre aplicação de legislação que verse sobre Imposto sobre Produtos Industrializados, essa atribuição não é absoluta. Tanto Fl. 6861DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, As sinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.722707/201113 Acórdão n.º 3302003.174 S3C3T2 Fl. 6.860 5 não é absoluta, que o dispositivo citado alhures prevê exceção a regra de competência, senão vejamos: “Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...) IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; (Portaria MF nº 586/2010)” Como o lançamento do IPI decorreu dos mesmos fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ, suposta ausência de propósito negocial, entendo correta a decisão proferida na Resolução nº 3302 000358, que declinou a competência desta Turma em favor da 1ª Seção de Julgamento. Desta forma, não há que falar em supressão de competência tampouco em cerceamento de defesa, considerando a decisão embargada se pautou nas normas previstas no antigo Regimento Interno do CARF, vigente à época do proferimento da decisão. Aliás, a decisão embargada nada mais fez que acolher o pedido realizado pela Embargada em sede recursal, a saber: "b) Processo decorrente 5. O presente processo decorre do processo nº 11080.722706/200161 (IRPJe CSLL), conforme estabelecido no r. acórdão recorrido: (...) 6. Assim, a decisão a ser proferida no processo nº 11080.722706/201113 de IRPJ e CSLL, da qual o presente processo decorre, deverá nortear o desfecho do presente, que somente poderá ser julgado posteriormente àquele. (grifado) Portanto, diante do acerto da decisão embargada, da qual manifesto concordância e, em atendimento a determinação contida no despacho decisório de fls. 6.854 6.855, proponho a seguinte ementa, em substituição à Resolução embargada: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/05/2006 a 31/12/2008 Ementa: PROCEDIMENTOS CONEXOS. DECORRENTES. REFLEXOS Nos termos do artigo 2º, inciso IV, do anexo II, do RICARF (Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009), versando ao IPI o que restar decidido no lançamento do IRPJ/CSLL. Por fim, informo que o processo nº 11080.722706/201161 atualmente se encontra na 1ªTO/3ªCâmara/1ªSeção, de Relatoria do Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araujo, devendo este processo ser remetido àquela Turma de Julgamento. Fl. 6862DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, As sinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA 6 Diante do exposto, voto por conhecer dos embargos declaratórios e, no mérito, darlhes parcial provimento para sanar o vício apontado. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Voto Vencedor Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado. Coonforme delineado no relatório precedente, os presentes embargos de declaração foram parcialmente admitidos, para que o Colegiado deliberasse e votasse a proposta de redação da ementa do acórdão a ser formalizado, em substituição a resolução embargada. No seu bem fundamentado voto, o nobre Relator, diante do acerto da decisão embargada, em ralação a qual manifestou concordância, e com respaldo no artigo 2º, IV, do Anexo II, do revogado RICARF, aprovado pela Portaria MF 256/2009, propôs a manutenção da decisão embargada, no sentido de declinar competência para a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção deste Conselho, onde se localizava, ainda pendente de julgamento, o processo principal nº 11080.722706/201161, em que designado Relator do Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva. Entretanto, o nobre Relator a acatou a proposta da embargante de alterar a decisão de resolução para acórdão, sob o argumento de que se tratava de decisão definitiva da anterior Turma de Julgamento, nos termos do art. 63, § 5°, do Anexo II do revogado RICARF/2009. Acontece que a competência para julgamento dos litígios relativos ao IPI, resultantes de procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, lastreados em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ, anteriormente atribuída às Turmas de Julgamento da 1ª Seção deste Conselho, pelo citado preceito regimental do RICARF revogado, foi expressamente excluída na nova redação do art. 2º, IV, do Anexo II, do vigente RICARF/2015, aprovado pela Portaria MF 343/2015, que segue transcrito: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: [...] IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova em um mesmo Processo Administrativo Fiscal; [...] Fl. 6863DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, As sinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.722707/201113 Acórdão n.º 3302003.174 S3C3T2 Fl. 6.861 7 Da simples leitura do novel preceito regimental, verificase que continuam sob a competência julgadora das Turmas Ordinárias da 1ª Seção somente o contraditório referente aos litígios envolvendo a cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep ou da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) (ambas da competência julgadora das Turma Ordinárias desta 3ª Seção), desde que tais procedimentos sejam reflexos do IRPJ e formalizados com base nos mesmos elementos de prova em um mesmo Processo Administrativo Fiscal. Em face dessa nova determinação regimental, com a devida vênia ao nobre Relator, entende este Redator que alterar o tipo de decisão embargada, mas manter o teor da decisão em dissonância com a nova determinação regimental, certamente, em nada contribui para o apropriado e eficiente desfecho do presente litígio. Dessa forma, para fim de deixar a decisão embargada compatível com a nova disposição regimental, durante a Sessão de julgamento, este Redator propôs e a maioria dos pares acatou que fosse atribuído efeito infringente aos presentes embargos, de modo que, em conformidade com o disposto no art. 6º, § 5º, do Anexo II do vigente RICARF, o julgamento fosse convertido em diligência, não para declinar competência para a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção deste Conselho, como proposto pelo i. Relator, mas para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na 3ª Câmara desta Turma Ordinária, com vista a aguardar a decisão definitiva a ser prolatada no âmbito do processo principal nº 11080.722706/201161, relativo ao IRPJ, ainda pendente de julgamento na 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção deste Conselho. Por todo o exposto, votase por ACOLHER PARCIALMENTE os embargos, para alterar a decisão de resolução para acórdão, conforme proposto pelo Relator, porém, , atribuirlhe efeito infringente, para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento na 3ª Câmara desta 3ª Seção, com vista a aguardar a decisão definitiva a ser proferida no âmbito do processo principal nº 11080.722706/201161. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 6864DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, As sinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 14337.000061/2007-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2000 a 30/03/2004
DECADÊNCIA. O lançamento em testilha foi realizado em 21/06/2004, não está decadente, já que o direito da Fazenda Pública constituir seus créditos tributários extingue-se após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme dispõe o artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. Não é nula a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito que atende aos requisitos normativos, cujos fundamentos legais foram suficientemente observados pela autoridade administrativa, com os períodos de vigência e as competências claras.
GFIP. FOLHA DE PAGAMENTO. As GFIP´s e as folhas de pagamento elaboradas pela empresa são documentos bastantes como fonte documental da exação de contribuição para a Seguridade Social.
PROVA. As alegações de defesa que não estiverem acompanhadas de produção das competentes e eficazes provas desfiguram-se e obliteram o arrazoado defensório, pelo que prospera a exigibilidade fiscal.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA, INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº2, DO CARF. Nos exatos termos da Súmula nº 2, do CARF, falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
INCONSTITUCIONALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL AO INCRA. Novamente, o conhecimento da arguição de inconstitucionalidade de dispositivo legal esbarra na Súmula CARF no 2. Sendo ainda, uníssono o entendimento jurisprudencial de que a exação tributária adicional para o INCRA, desde a Lei 2.163/55, sempre teve como sujeito passivo todas as empresas
CONTRIBUIÇÃO AO SEBRAE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSPORTE. TRIBUTAÇÃO. A Lei 8.706/93 transferiu para o SEST/SENAT as contribuições devidas pelas empresas de transporte ao SESI/SENAI, não alterando a sistemática de recolhimento da contribuição para o SEBRAE. Precedentes do STF.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SAT. GRAU DE RISCO DA ATIVIDADE PREPONDETANTE DA EMPRESA CONFORME CNAE. O enquadramento nos correspondentes graus de risco é de responsabilidade da empresa, devendo ser feito mensalmente, de acordo com a sua atividade econômica preponderante, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na CNAE.
TAXA SELIC. Segundo a Súmula CARF no 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA DE OFÍCIO NATUREZA CONFISCATÓRIA O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.302
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento, nos termos do voto da Relatora.
André Luis Marsico Lombardi - Presidente
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2000 a 30/03/2004 DECADÊNCIA. O lançamento em testilha foi realizado em 21/06/2004, não está decadente, já que o direito da Fazenda Pública constituir seus créditos tributários extingue-se após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme dispõe o artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Não é nula a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito que atende aos requisitos normativos, cujos fundamentos legais foram suficientemente observados pela autoridade administrativa, com os períodos de vigência e as competências claras. GFIP. FOLHA DE PAGAMENTO. As GFIP´s e as folhas de pagamento elaboradas pela empresa são documentos bastantes como fonte documental da exação de contribuição para a Seguridade Social. PROVA. As alegações de defesa que não estiverem acompanhadas de produção das competentes e eficazes provas desfiguram-se e obliteram o arrazoado defensório, pelo que prospera a exigibilidade fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA, INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº2, DO CARF. Nos exatos termos da Súmula nº 2, do CARF, falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. INCONSTITUCIONALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL AO INCRA. Novamente, o conhecimento da arguição de inconstitucionalidade de dispositivo legal esbarra na Súmula CARF no 2. Sendo ainda, uníssono o entendimento jurisprudencial de que a exação tributária adicional para o INCRA, desde a Lei 2.163/55, sempre teve como sujeito passivo todas as empresas CONTRIBUIÇÃO AO SEBRAE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSPORTE. TRIBUTAÇÃO. A Lei 8.706/93 transferiu para o SEST/SENAT as contribuições devidas pelas empresas de transporte ao SESI/SENAI, não alterando a sistemática de recolhimento da contribuição para o SEBRAE. Precedentes do STF. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SAT. GRAU DE RISCO DA ATIVIDADE PREPONDETANTE DA EMPRESA CONFORME CNAE. O enquadramento nos correspondentes graus de risco é de responsabilidade da empresa, devendo ser feito mensalmente, de acordo com a sua atividade econômica preponderante, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na CNAE. TAXA SELIC. Segundo a Súmula CARF no 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA DE OFÍCIO NATUREZA CONFISCATÓRIA O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária (Súmula CARF nº 2). Recurso Voluntário Negado.
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O lançamento em testilha foi realizado em 21/06/2004, não está decadente, já que o direito da Fazenda Pública constituir seus créditos tributários extinguese após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme dispõe o artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Não é nula a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito que atende aos requisitos normativos, cujos fundamentos legais foram suficientemente observados pela autoridade administrativa, com os períodos de vigência e as competências claras. GFIP. FOLHA DE PAGAMENTO. As GFIP´s e as folhas de pagamento elaboradas pela empresa são documentos bastantes como fonte documental da exação de contribuição para a Seguridade Social. PROVA. As alegações de defesa que não estiverem acompanhadas de produção das competentes e eficazes provas desfiguramse e obliteram o arrazoado defensório, pelo que prospera a exigibilidade fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA, INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº2, DO CARF. Nos exatos termos da Súmula nº 2, do CARF, falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. INCONSTITUCIONALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL AO INCRA. Novamente, o conhecimento da arguição de inconstitucionalidade de dispositivo legal esbarra na Súmula CARF no 2. Sendo ainda, uníssono o entendimento jurisprudencial de que a exação tributária adicional para o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 33 7. 00 00 61 /2 00 7- 64 Fl. 331DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 2 INCRA, desde a Lei 2.163/55, sempre teve como sujeito passivo todas as empresas CONTRIBUIÇÃO AO SEBRAE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSPORTE. TRIBUTAÇÃO. A Lei 8.706/93 transferiu para o SEST/SENAT as contribuições devidas pelas empresas de transporte ao SESI/SENAI, não alterando a sistemática de recolhimento da contribuição para o SEBRAE. Precedentes do STF. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SAT. GRAU DE RISCO DA ATIVIDADE PREPONDETANTE DA EMPRESA CONFORME CNAE. O enquadramento nos correspondentes graus de risco é de responsabilidade da empresa, devendo ser feito mensalmente, de acordo com a sua atividade econômica preponderante, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na CNAE. TAXA SELIC. Segundo a Súmula CARF no 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. MULTA DE OFÍCIO NATUREZA CONFISCATÓRIA O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária (Súmula CARF nº 2). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento, nos termos do voto da Relatora. André Luis Marsico Lombardi Presidente Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 14337.000061/200764 Acórdão n.º 2401004.302 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Período de apuração: 01/06/2000 a 30/04/2004 Data de lavratura (NFLD): 21/06/2004. Data de ciência (NFLD): 05/08/2004 Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela 4ª Turma de Julgamento da DRJ Belém/PA que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio, da NFLD DEBECAD n° 35.704.0635– Obrigação Principal – Contribuições Previdenciárias devidas pela empresa à Seguridade Social, incidentes sobre remunerações pagas aos segurados empregados, e retiradas de pro labore pelos dirigentes, incidente sobre as cotas patronais (empresa, SAT e contribuinte individual) e de Terceiros sobre os fatos geradores apresentados. Registrese que a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito foi constituída por intermédio do DEBCAD nº 35.704.0635, lavrada em 21/06/2004, com valor consolidado de R$ 373.630, 26 (trezentos e setenta três mil seiscentos e trinta reais e vinte seis centavos), e os valores apurados em ação fiscal são oriundos das parcelas integrantes do conceito de salário de contribuição, de acordo com o artigo 28 Lei 8.212 de 24.07.91 e alterações posteriores, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 63/64. Referese a falhas e diferenças nos recolhimentos das contribuições previdenciárias resultantes do confronto entre os documentos analisados e que estão discriminados na relação de fatos geradores integrantes da NFLD em epígrafe e as guias de recolhimento apresentadas. O Relatório Fiscal da NFLD (fls. 62/64) narra em síntese: que efetuou o confronto entre os documentos analisados discriminados no Relatório de Fatos Geradores, anexo a esta NFLD, e as Guias de Recolhimento (GPS)apresentadas, tendo sido verificadas falhas e diferenças; Os valores apurados são oriundos das parcelas integrantes do conceito de salário de contribuição, de acordo com o disposto no artigo 28, da Lei nº 8.212/91. Os salários de contribuição apurados são relativos a valores pagos a seus segurados empregados, mediante a análise da seguinte documentação: Livro de Registro de Empregados, Folhas de Pagamento, Recibos de Rescisões de Contrato de Trabalho, GPS´s,GFIP´s e outros elementos subsidiários;” Inconformada com o supracitado lançamento tributário, a SOCIEDADE CIVIL EDUCACIONAL MADRE CELESTE apresentou Impugnação a fls. 66/88, acompanhada dos documentos juntados às Fls. 83/153. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0124.059 Turma da DRJ/BEL, às Fl. 333DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 4 fls. 175/187, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Recorrente foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 21/09/2012, conforme solicitação de cópia de documentos às fls. 191. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o ora Recorrente interpôs Recurso Voluntário a fls. 223/289, ratificando parte de suas alegações anteriormente expendidas e respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos termos a seguir expostos: 1 Em sede de preliminar alega nulidade do lançamento por imprecisão da capitulação legal Cerceamento de Defesa e da ratificação de todo teor impugnatório em primeira instância; configurando violação frontal ao inciso IV do artigo 10, do Decreto nº 70.235/72 que prevê a obrigatoriedade de constar no Auto de Infração a descrição do fato e a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; bem com violando o inciso LV do artigo 5º da Constituição Federal, que garante aos litigantes em processo administrativo o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; 2 que se reconheça a decadência dos créditos levantados pela fiscalização, nos termos do artigo 173 do Código Tributário Nacional, extinguindoos como de direito; 3 Alternativamente alega na questão prejudicial de mérito a falta de apreciação real de todo o conteúdo da defesa; que o Relatório Fiscal é sucinto e que grande parte da defesa deixou de ser apreciada na busca da verdade real, resumindose apenas ao relatório "conclusivo" datado de 31/03/2011, fls. 165 a 167 4 Abuso do Poder Discricionário vez que a autuação foi lavrada sobre uma contribuição caducada há mais de 5 anos, resultando em um verdadeiro abuso do poder discricionário por parte da fiscalização; tecendo considerações a respeito da teoria do abuso de direito e suas supostas aplicações ao caso concreto. Afirmando que sob a aparência de legalidade se aplica ato arbitrário, consequentemente nulo, por desrespeito subrepítico, indireto, ao texto legal, tornando ilícito ou impossível juridicamente o objeto do ato administrativo; 5 A contribuição social tem sua sistemática de recolhimento estabelecida do artigo 22 da Lei nº8.212/91, incidindo sobre o total das remunerações pagas ou creditadas aos segurados, empregados e trabalhadores avulsos; 6 Que o RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, em seus incisos I e II do § 15º do artigo 9º estabeleceu o transportador autônomo como segurado obrigatório da previdência social; 7 Alega que o artigo 267 do Decreto 3.048/99 estabeleceu o percentual de 11,71% que deve ser pago ou creditado pelo transportador autônomo sobre o serviço que prestar, entretanto, referida alíquota foi alterada por intermédio da Portaria nº 1.135/2001 para 20% do rendimento bruto do serviço prestado, o que seria inconstitucional, já que a referida contribuição social possui natureza tributária, estando sujeita a legalidade genérica do Poder de Tributar, traduzido no princípio da estrita legalidade , sendo vedado aos entes tributantes exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça (art. 150, inciso I, da CF), c/c o art. 97 do CTN que estipula que somente lei pode estabelecer a majoração de tributos ou sua redução, com algumas ressalvas. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 14337.000061/200764 Acórdão n.º 2401004.302 S2C4T1 Fl. 4 5 8 que os artigos 4º e 5º, ambos da referida Portaria 1.135/01, feriu ainda o princípio da anterioridade previsto no artigo 195 , §6º da CF/88, de 90 dias para exigência de seu cumprimento; 9 que em razão do princípio da anterioridade somente após 90 dias da publicação do Decreto nº 4.032/2001 é que se poderia considerar válida a alteração da alíquota e requer o cancelamento da exigência contida na NFLD; 10 que as compensações promovidas pela Recorrente foram realizadas com lisura e correção dos procedimentos eis que os valores considerados como "em aberto" foram frutos de compensações autorizadas judicialmente, advindas de créditos a título de contribuição previdenciária; 11 que em sede de resolução, o Senado Federal, na data de 28/04/1995, suspendeu a execução da expressão "avulsos, autônomos e administradores", constante do inciso I do art. 3º da Lei nº 7.787/89, nessas condições entende ser indiscutível a inexigibilidade da contribuição sobre o "prólabore" pago aos administradores e as remunerações paga aos autônomos; 12 que a própria Agente Fiscal colacionou que a Recorrente já possui, judicialmente, o reconhecimento da inconstitucionalidade das contribuições referidas, bem como o direito de compensar , desde que o faça com contribuições devidas pelo mesmo contribuinte, o que é o caso, nos termos do artigo 66, §1º, da Lei nº 8.383; 13 impugna as verbas glosadas sob a rubrica “terceiros”, alegando que enquanto não houver lei determinando a abrangência das expressões do artigo 22, inciso II, da lei nº 8.212/91 não é possível a exigência da Contribuição Social para o SAT, nos termos do seu regulamento; 14 Argumentando, a Recorrente aduz que, admitindose a constitucionalidade do artigo 22, da Lei nº 8.212/91, a contribuição para o SAT não pode ser exigida com fundamento no disposto pelo artigo 26 do Decreto nº 612/92, por falta de competência para suprir as lacunas da lei; 15 Outro ponto nodal é que a modificação do critério adotado, pelo Decreto 2.173/97 e pela Orientação Normativa nº 2, de 21/08/97, para determinar o grau de risco da empresa, acabou aumentando a contribuição do SAT, e isto só poderia ser efetuado através de Lei e não de Decreto, e respeitada ainda a anterioridade de 90 dias; 16 Além de referidas modificações ferirem o princípio da legalidade, as novas determinações acabam também por ferirem o princípio da capacidade contributiva das empresas, na medida que acabam impondo a taxa de risco mais grave sobre a remuneração de empregados que não estão sujeitos ao grau de risco mais grave; 17 que a adoção de uma graduação única segundo a atividade preponderante na empresa é também inconstitucional, pois fere o princípio histórico da isonomia, insculpido no artigo 5º, “CAPUT”, da “Lex Fundamentalis” promulgada em 1988; Fl. 335DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 6 18 que não se pode considerar o adicional do INCRA como contribuição de intervenção no domínio econômico, pois não preenche os requisitos necessários para a sua implementação, tendo como base o artigo 149 da CF/88, que trata da competência residual da União; 19 a extinção de algumas contribuições como o Finsocial –ADCT, art. 56, e DL 1.940/82, e o PIS – art. 239 da CF, por serem incompatíveis com a Constituição Federal; 20 que no caso específico do adicional ao INCRA, há que se considerar que ele persiste sem causa expressa na Constituição ou mesmo na Lei, guardando identidade de base de cálculo e fato gerador com a Contribuição Social sobre a folha de salários. Tal circunstância evidencia incontestável inconstitucionalidade, posto que os expressos termos do artigo 149 da CF/88 somente por Lei Complementar a União poderá instituir novas contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico; 21 que a contribuição ao SEBRAE não é daquelas previstas no art. 195, I, da Constituição Federal, entendendo que não há respaldo constitucional à sua exigência. Conforme se observa do artigo 240 da CF/88, estas contribuições compulsórias não se destinarão ao financiamento da Seguridade Social, embora incidam sobre a folha de salários. 22 que é inconstitucional o recolhimento da contribuição reservada ao SEST e ao SENAT; 23 requer o cancelamento da multa imposta por ter efeito confiscatório; 24 a inconstitucionalidade da aplicação de juros de mora equivalente a taxa SELIC sobre débitos de tributos e contribuições sociais federais; 25 Requer seja baixado o processo para exercício de perícia ou diligência, preservando não só o direito de defesa, mas também o princípio da verdade material; 26 Por fim requer que seja considerada a preliminar de nulidade da decisão em face da incongruência de sua fundamentação; acaso seja ultrapassada a preliminar arguida, requer a total improcedência do débito, iniciandose pela análise da prejudicial de mérito levantada. e, caso não seja provido o pedido anterior, requer o afastamento da multa e a não aplicação da taxa selic, além da produção de todos os meios de prova em direito admitidos, notadamente a pericial, requerendo a formulação posterior de quesitos e indicação de assistente técnico. Após, sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 14337.000061/200764 Acórdão n.º 2401004.302 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 21/09/2012, conforme solicitação de cópia de documentos às fls. 191, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 25/09/2012, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA DECADÊNCIA O lançamento em testilha foi realizado em 21/06/2004, portanto não está decadente, já que o direito da Fazenda Pública constituir seus créditos tributários extinguese após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme dispõe o artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional. Confirase: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Assim delimitadas as nuances do caso concreto, como o presente lançamento ocorreu em 21/06/2004, ou seja, dentro do prazo de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, não há que se falar em decadência, como pretende o Recorrente. Por tais razões, rejeito a preliminar de decadência e passo diretamente ao exame do mérito. 2.2. PREJUDICIAL DE MÉRITO A Recorrente alega prejudicial de mérito em razão de suposta falta de apreciação de todo conteúdo da defesa. No entanto, consignese não haver prejudicial por omissão, tampouco falta de apreciação real da defesa no acórdão, pois decide de modo integral e com fundamentação suficiente a controvérsia a ele devolvida. Nesse descortino, aferido que a questão reprisada fora objeto de expressa e literal resolução, ensejando a apreensão de que o julgado não deixara remanescer nenhuma matéria pendente de elucidação, e que a resolução que empreendera é clara o suficiente para Fl. 337DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 8 viabilizar a assimilação do decidido sem qualquer trabalho exegético, ante a literalidade do que nele está estampado, denotase que a Recorrente almeja simplesmente rediscutir o decidido em sede inadequada. Sustenta ainda que, “no lançamento combatido, a identificação da matéria tributável sob o aspecto legal é absolutamente imprecisa, visto que a peça fiscal não traz maiores explicações ou subsídios sobre o embasamento legal da autuação”. Os créditos apurados na NFLD têm suas competências suficientemente definidas nos respectivos demonstrativos (Discriminativo Analítico de Débito), com fundamentos legais bem aclarados no corpo dos documentos que subsidiam o lançamento, não havendo motivo para se decretar a nulidade da NFLD que atende a todos os requisitos normativos. A NFDL constituiu o crédito previdenciário correspondente, conforme determina o artigo 37, da Lei n° 8.212/91 e artigo 229 do Decreto n° 3.048/99, devendo ter a discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme determina as normas legais, inclusive, em atendimento ao disposto no artigo 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Confirase: “Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento.” (LEI Nº 8.212, DE 24 DE JULHO DE 1991) “ Art. 229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: I arrecadar e fiscalizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nos incisos I, II, III, IV e V do parágrafo único do art. 195, bem como as contribuições incidentes a título de substituição;(Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) II constituir seus créditos por meio dos correspondentes lançamentos e promover a respectiva cobrança; III aplicar sanções; e IV normatizar procedimentos relativos à arrecadação, fiscalização e cobrança das contribuições referidas no inciso I.” (artigo 229 do Decreto n° 3.048/99) “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” (Código Tributário Nacional) Da leitura do Relatório Fiscal vislumbrase que existe a identificação clara dos projetos e que atenderam ao disposto na Lei n° 8.958/94, com a devida fundamentação. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 14337.000061/200764 Acórdão n.º 2401004.302 S2C4T1 Fl. 6 9 Ocorre que o contribuinte nada apresentou, limitandose a alegar que a técnica implementada pela Auditoria Fiscal para fundamentar o a Notificação foi utilizada ao arrepio das disposições legais, ofendendo o princípio da legalidade. O não recolhimento integral das contribuições incidentes sobre os valores pagos ou creditados aos segurados empregados e aos contribuintes individuais são elementos, que por si só, comprovam a origem do crédito previdenciário. Não havendo que se falar em nulidade. 3. DO MÉRITO 3.1. DO POSSÍVEL ABUSO DE PODER POR OMISSÕES NO REFISC A Recorrente alega abuso do Poder Discricionário vez que o REFISC infringiria texto legal por ser omisso sobre quais artigos estariam sendo desrespeitados. A jurisprudência administrativa é pacífica no sentido de que eventuais omissões no REFISC são consideradas sanadas quando constantes nos demais anexos da NFLD, restando alcançado o objetivo de permitir o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo, propiciar a adequada análise do crédito e ensejar o atributo de certeza e liquidez (artigo 689 da IN INSS/DC nº 100/2003, vigente à época do lançamento). Portanto, o lançamento fiscal deve sempre ser compreendido por meio da análise conjunta e criteriosa de todos os relatórios e discriminativos que o compõem. No que tange ao Relatório Fiscal, o artigo 690 da Instrução Normativa INSS/DC nº 100/2003 dispunha o seguinte: “Art. 690. O relatório fiscal, emitido pelo AFPS designado em Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), deverá conter: I tratandose de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) ou de Lançamento de Débito Confessado (LDC), a narrativa dos fatos verificados no procedimento fiscal que deram origem ao lançamento, com a identificação clara e precisa do fato gerador da obrigação previdenciária principal inadimplida, do período a que se refere, bem como o fundamento legal e as alíquotas aplicadas,que poderão constar do próprio relatório fiscal ou em remissão a anexos da NFLD;” Nesse sentido, verificando o Relatório Fiscal (REFISC) de fls. 62/63, verificase que traz informação clara e precisa sobre o fato gerador das contribuições patronais apuradas, a narrativa dos fatos verificados no procedimento fiscal que deram origem ao lançamento, a fundamentação legal e as alíquotas aplicadas. Confirase: O presente relatório referese a Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos das contribuições previdenciárias devidas pela empresa à Seguridade Social,incidentes sobre remunerações pagas aos segurados empregados e sobre retirada de pro labore pelos dirigentes; [...] E tem sua origem em falhas e diferenças nos recolhimentos das contribuições previdenciárias resultantes do confronto entre Fl. 339DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 10 os documentos analisados e que estão discriminados na Relação de Fatos Geradores integrantes da NFLD em epígrafe e as guias de recolhimento apresentadas; Os valores apurados são oriundos das parcelas integrantes do conceito de salário de contribuição, de acordo com o disposto no artigo 28, da Lei nº8.212/91; Os salários de contribuição apurados são relativos a valores pagos a seus segurados empregados, mediante a análise da seguinte documentação: Livro de Registro de Empregados, Folhas de Pagamento, Recibos de Rescisões de Contrato de Trabalho, GPS´s, GFIP´s e outros elementos subsidiários; A presente NFLD reportase à incidência das alíquotas patronais (empresa, SAT e contribuinte individual) e de Terceiros sobre os fatos geradores apresentados; Vislumbrase da leitura dos trechos destacados que o período do débito está devidamente informado, mês a mês, nos anexos intitulados DAD Discriminativo Analítico de Débito (fls. 02/26), DSD – Discriminativo Sintético de Débito (fls. 27/34) e DSE – Discriminativo Sintético por Estabelecimento (fls.37/42). Quanto à contribuição dos segurados lançada na competência 07/2002(levantamento NO1), verificase que o valor do salário de contribuição ao qual ela se refere e a fonte documental estão devidamente informados no RFG (fl. 50). A alíquota aplicada, consta expressamente no DAD (fl. 21). Verificase também que os fundamentos legais, não apenas da contribuição de segurados aqui referida, mas de todo o débito apurado, encontramse detalhados no relatório FLD – Fundamentos Legais do débito (fls. 52/57). Assim, não há que se falar em abuso do Poder Discricionário, vez que a atuação foi lavrada de acordo com a legislação vigente, indicando claramente quais os atos ilegais. Não há base no sistema jurídico brasileiro para o Fisco afastar a incidência legal, sob a alegação de entender estar havendo abuso de direito. O conceito de abuso de direito é louvável e aplicado pela Justiça para solução de alguns litígios. Não existe previsão do Fisco utilizar tal conceito para efetuar lançamentos de oficio. O lançamento é vinculado à lei, que não pode ser afastada sob alegações subjetivas de abuso de direito. Confirase: NÃO DIREITO TRIBUTÁRIO. ABUSO DE DIREITO. AFASTAMENTO DA INCIDÊNCIA PELA AUTORIDADE FISCAL LANÇAMENTO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não há base no sistema jurídico brasileiro para a autoridade fiscal afastar a não incidência legal,sob a alegação de entender estar havendo abuso de direito. O conceito de abuso de direito é louvável e aplicação pela Justiça para solução de alguns litígios. Não existe previsão legal para autoridade fiscal utilizar tal conceito para efetuar lançamentos de ofício. O lançamento é vinculado a lei, que não pode ser afastada sob alegações subjetivas de abuso de direito. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. SIMULAÇÃO DE NEGÓCIOS. SUBSTANCIA DOS ATOS. O planejamento tributário que é feito segundo as normas legais e que não configura as chamadas operações sem propósito Fl. 340DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 14337.000061/200764 Acórdão n.º 2401004.302 S2C4T1 Fl. 7 11 negocial, não pode ser considerado simulação se há não elementos suficientes para caracterizála. Não se verifica a simulação quando os atos praticados são lícitos e sua exteriorização revela coerência com os institutos de direito privado adotados, assumindo o contribuinte as conseqüências e ônus das formas jurídicas por ele escolhidas, ainda que motivado pelo objetivo de economia de imposto. (Acórdão nº 2202002.187, Processo nº 10680.726772/201188, 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, Rel. Conselheiro Newton Cardoso, Sessão de 20/02/2013). Concluo, portanto, não haver em nosso ordenamento jurídico previsão legal que autorize a aplicação da figura do abuso das formas jurídicas. 3.2. DA INCONSTITUCIONALIDADE O Recorrente alega no decurso de toda a peça recursal a inconstitucionalidade de diversas normas e ou de sua aplicação ao caso em tela. Recordese: Alega que o artigo 267 do Decreto 3.048/99 que estabeleceu o percentual da Previdência e Assistência Social paga ou creditada a transportador autônomo foi alterada por intermédio de portaria o que seria inconstitucional em razão do princípio da legalidade; impugna as verbas glosadas sob a rubrica “terceiros”, alegando que enquanto não houver lei determinando a abrangência das expressões do artigo 22, inciso II, da lei nº 8.212/91, sendo inconstitucional a exigência da Contribuição Social para o SAT, nos termos do seu regulamento; que a adoção de uma graduação única segundo a atividade preponderante na empresa é também inconstitucional, pois fere o princípio histórico da isonomia, insculpido no artigo 5º, “CAPUT”, da “Lex Fundamentalis” promulgada em 1988; que não se pode considerar o adicional do INCRA como contribuição de intervenção no domínio econômico, pois não preenche os requisitos necessários para a sua implementação, tendo como base o artigo 149 da CF/88; a extinção de algumas contribuições como o Fim social – ADCT, art. 56, e DL 1.940/82, e o PIS – art. 239 da CF, por serem incompatíveis com a Constituição Federal; que no caso específico do adicional ao INCRA, há que se considerar que ele persiste sem causa expressa na Constituição ou mesmo na Lei, guardando identidade de base de cálculo e fato gerador com a Contribuição Social sobre a folha de salários. Tal circunstância evidencia incontestável inconstitucionalidade, posto que os expressos termos do artigo 149 da CF/88m somente por Lei Complementar a União poderá Fl. 341DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 12 instituir novas contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico; que a contribuição ao SEBRAE não é daquelas previstas no art. 195, I, da Constituição Federal, entendendo que não há respaldo constitucional à sua exigência. que é inconstitucional o recolhimento da contribuição reservada ao SEST e ao SENAT; a inconstitucionalidade da aplicação de juros de mora equivalente a taxa SELIC sobre débitos de tributos e contribuições sociais federais; A apreciação e decisão de questões que versem sobre a constitucionalidade de atos legais são de competência exclusiva do Poder Judiciário, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. Nesse sentido, cumpre ressaltar ser pacífico o entendimento dessa egrégia corte administrativa de não ser o CARF competente para se pronunciar sobre qualquer inconstitucionalidade. Recordese: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (Portaria MF nº 343/2015).” “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Portanto, válidos todos os atos praticados pelo fisco, pois a autoridade fiscal analisou a integralidade dos elementos processuais e apreciou todos os argumentos suscitados pela recorrente. Na verdade, o procedimento administrativo fiscal tem caráter apuratório e inquisitorial e precede a formalização do lançamento, enquanto o processo administrativo fiscal somente se inicia com a impugnação do lançamento pelo contribuinte. As garantias do devido processo legal, sentido estrito, contraditório e ampla defesa, são próprias do processo administrativo fiscal. Ante a esses argumentos, deve ser rejeitada todas as alegações de inconstitucionalidade das normas aplicadas ao caso em tela. 3.3 DA INCONSTITUCIONALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINA AO INCRA COBRADA DE EMPRESAS URBANAS. VIOLAÇÃO AO ARTIGO 149, § 2°, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. Novamente, o conhecimento da arguição de inconstitucionalidade de dispositivo legal esbarra na Súmula CARF no 2, conforme já explicitado anteriormente. Porém, apenas para consolidar entendimento quanto à correção da cobrança de contribuição social destinada ao INCRA, é uníssono o entendimento de que a exação tributária adicional para o INCRA, desde a Lei 2.163/55, sempre teve como sujeito passivo todas as empresas. Confirase, a respeito, a jurisprudência dos tribunais pátrios: TRIBUTÁRIO – AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO (SAT) – FIXAÇÃO DO GRAU DE RISCO Fl. 342DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 14337.000061/200764 Acórdão n.º 2401004.302 S2C4T1 Fl. 8 13 POR DECRETO – CONTRIBUIÇÃO AO INCRA E AO FUNRURAL LEGALIDADE PRONUNCIAMENTO PELA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC (REsp 977.058/RS) – REVISÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS – ARBITRAMENTO POR EQUIDADE – VEDAÇÃO AO REEXAME DE FATOS E PROVAS – SÚMULA 07/STJ. 1. É pacífica a jurisprudência desta Corte, que reconhece a legitimidade de se estabelecer por decreto o grau de risco (leve, médio ou grave) para determinação da contribuição para o SAT, partindose da "atividade preponderante" da empresa. 2. A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro (Súmula 351/STJ). 3. A contribuição destinada ao INCRA e ao FUNRURAL pelas empresas urbanas, não foram extintas pela Lei 7.787/89 e tampouco pela Lei 8.213/91, como decidido no REsp 977.058/RS, DJe 10/11/2008, pela sistemática do art. 543C do CPC. 4. Tipificouse a exação como contribuição especial de intervenção no domínio econômico para financiar os programas e projetos vinculados à reforma agrária e suas atividades complementares, não existindo óbice a que seja cobrada de empresa urbana. 5. É inadmissível o recurso especial se a análise da pretensão da recorrente demanda o reexame de provas. 6. A modificação dos honorários advocatícios fixados demanda o reexame das circunstâncias fáticas da causa, vedado em sede de recurso especial, a teor da Súmula 07/STJ. 7. Agravo regimental não provido. [destaques acrescentados – STJ, AgRg no Ag 1074925/SC, Rel. Min. ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/10/2009, DJe 23/11/2009] Ressaltese que a matéria foi objeto de apreciação pela Primeira Seção do Superior Tribunal Justiça, ao julgar o REsp 977.058/RS , mediante a sistemática prevista no artigo 543C do Código de Processo Civil e na Resolução STJ n. 08 /2008 (recursos repetitivos). Fl. 343DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 14 Negase provimento ao Recurso Voluntário também nessa parte. 3.4 SEBRAE. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS DETRANSPORTE. A arguição de inconstitucionalidade de dispositivo legal esbarra na Súmula CARF no 2, conforme já explicitado anteriormente. No entanto, para consolidar o entendimento de que é devida pelas empresas de transporte rodoviário, a contribuição ao SEBRAE e de que é prescindível a contraprestação direta em favor do contribuinte, evidenciase decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em processo com repercussão geral reconhecida, in verbis: “Recurso extraordinário. 2. Tributário. 3. Contribuição para o SEBRAE. Desnecessidade de lei complementar. 4. Contribuição para o SEBRAE. Tributo destinado a viabilizar a promoção do desenvolvimento das micro e pequenas empresas. Natureza jurídica: contribuição de intervenção no domínio econômico. 5. Desnecessidade de instituição por lei complementar. Inexistência de vício formal na instituição da contribuição para o SEBRAE mediante lei ordinária. 6. Intervenção no domínio econômico. É válida a cobrança do tributo independentemente de contraprestação direta em favor do contribuinte. 7. Recurso extraordinário não provido. 8. Acórdão recorrido mantido quanto aos honorários fixados. (STF, RE 635682/RJ, Min. GILMAR MENDES, DJE 05/2013) A partir da Lei nº 8.706/93 as empresas transportadoras rodoviárias passaram a contribuir ao SEST e SENAT em lugar de contribui ao SESI e ao SENAI, sem, contudo, alterar a sistemática de recolhimento da contribuição para o SEBRAE. Nesse sentido é a jurisprudência da Excelsa Corte: “EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE. SEST/SENAT. CONTRIBUIÇÃO SEBRAE. LEGALIDADE. PRECEDENTES. I Com o advento da Lei 8.706/93, não houve a criação de novo encargo a ser suportado pelos empregadores, mas tãosomente a alteração do destinatário das contribuições devidas pelas empresas de transporte ao SESI/SENAI, não alterando a sistemática de recolhimento da contribuição para o SEBRAE. II A constitucionalidade da contribuição SEBRAE foi decidida por esta Corte, no julgamento do RE 396.266/SC, Rel. Min. Carlos Velloso. III Agravo regimental improvido.” (STF, 1ª Turma, AI AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, novembro de 2007) Em suma, são devidas, no caso, as contribuições ao INCRA e ao SEBRAE. 3.5 DA ALÍQUOTA DO SAT O artigo 195 da Constituição Federal determina que a Seguridade Social seja custeada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, mediante recursos oriundos, dentre outras fontes, das contribuições sociais a cargo da empresa incidentes sobre a folha de salário e Fl. 344DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 14337.000061/200764 Acórdão n.º 2401004.302 S2C4T1 Fl. 9 15 demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Confirase: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)” (Constituição Federal) Nossa Lei Soberana reserva ainda um capítulo aos Direitos Sociais, assegurando como direito dos trabalhadores urbanos e rurais, o seguro contra acidentes do trabalho, a ser custeado diretamente pelo empregador. Recordese: “Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XXVIII seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a indenização a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa;” (Constituição Federal) No plano infraconstitucional, a disciplina da matéria em relevo ficou a cargo da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual instituiu o Plano de Custeio da Seguridade Social, consubstanciado nas contribuições sociais a cargo da empresa e dos segurados obrigatórios do RGPS, nos limites traçados pela Constituição, in verbis: “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) Fl. 345DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 16 II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. (...) § 3º O Ministério do Trabalho e da Previdência Social poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes.” A Lei nº 8.212/91 expressamente outorgou ao Poder Executivo a competência para regulamentar as disposições veiculas na Lei de Custeio da Seguridade Social. Registrase que o Pretório Excelso, em notável decisão no julgamento do Recurso Extraordinário RE 343.4462/SC, ratificou a constitucionalidade e exigência da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. “EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. Lei 7.787/89, arts. 3º e 4º; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4º; art. 154, II; art. 5º, II; art. 150, I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, Fl. 346DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 14337.000061/200764 Acórdão n.º 2401004.302 S2C4T1 Fl. 10 17 matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido.” Ressaltase que o enquadramento nos correspondentes graus de risco é de responsabilidade da empresa, devendo ser feito mensalmente, de acordo com a sua atividade econômica preponderante, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na CNAE. Pelo exposto, o recurso interposto merece ter provimento negado também nessa parte, em face da flagrante constitucionalidade da cobrança questionada. 3.6 DA INCONSTITUCIONALIDADE DA FIXAÇÃO DE JUROS PELA TAXA SELIC ENQUANTO SUPERIORES A 1% AO MÊS Mais uma vez, a discussão da inconstitucionalidade não pode ser suscitada na via administrativa. Adstrito, então, apenas às questões de ordem infraconstitucional, está sedimentado no âmbito deste tribunal administrativo que é possível fixar a correção dos juros pela variação da Taxa SELIC. Esse tema é objeto da Súmula CARF no 04: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. O Recurso interposto merece, dessa maneira, ter provimento negado também nessa parte. 3.7 DA MULTA Relativamente à multa, a inobservância da norma jurídica tendo como consequência o não pagamento do tributo importa em sanção aplicável coercitivamente, visando evitar ou reparar o dano que lhe é consequente. Assim, nos termos do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, cabe a aplicação da multa de ofício. A argüição quanto à eventual natureza confiscatória da multa envolve matéria constitucional, cuja apreciação foge à alçada deste Colegiado, nos termos da Súmula CARF nº 2, de Enunciado: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Por todo o exposto, depreendese que a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD encontrase revestida das formalidades legais, tendo sido lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante o disposto no caput do artigo 33 da Lei n° 8.212/91 e demais dispositivos elencados no anexo Fundamentos Legais do Débito FLD, não havendo que se falar em cancelamento da Notificação. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 18 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGAR PROVIMENTO, mantendo o crédito. É como voto. Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000966/2002-74
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO CONFIGURADA.
Acolhe-se embargos de declaração na hipótese de omissão no acórdão embargado.
NULIDADE DO LANÇAMENTO . VÍCIO MATERIAL. VÍCIO FORMAL.
Define-se como vício formal a omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato, na forma do artigo 2º, parágrafo único, alínea b, da Lei nº 4.717/65.
Numero da decisão: 9101-002.165
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, embargos conhecidos e acolhidos, para rerratificar o Acórdão: embargado, no sentido de considerar erro material, nos termos do voto da Relatora. Declarou-se impedida de participar do julgamento, a Conselheira Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada).
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rego, Luís Flávio Neto, Andre Mendes de Moura, Livia De Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araújo, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Maria Teresa Martinez Lopes (Vice-Presidente) e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO CONFIGURADA. Acolhese embargos de declaração na hipótese de omissão no acórdão embargado. NULIDADE DO LANÇAMENTO . VÍCIO MATERIAL. VÍCIO FORMAL. Definese como vício formal a omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato, na forma do artigo 2º, parágrafo único, alínea b, da Lei nº 4.717/65. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, embargos conhecidos e acolhidos, para rerratificar o Acórdão: embargado, no sentido de considerar erro material, nos termos do voto da Relatora. Declarouse impedida de participar do julgamento, a Conselheira Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada). (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (Assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 09 66 /2 00 2- 74 Fl. 2340DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 21/03/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rego, Luís Flávio Neto, Andre Mendes de Moura, Livia De Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araújo, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Maria Teresa Martinez Lopes (VicePresidente) e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de processo originado pela lavratura de Auto de Infração de IRPJ quanto ao exercício de 1998. A contribuinte apresentou impugnação administrativa (fls. 1.716/1768), que foi parcialmente acolhida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Improcede a alegação de nulidade do Auto de Infração, lavrado nos exatos termos da legislação vigente. PREÇO DE TRANSFERENCIA. EQUÍVOCOS NA AUTUAÇÃO. Comprovados, em diligência, equívocos na autuação decorrente da apuração de ajustes relativos aos preços de transferência, exonerase parcialmente a exigência. OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovada, em diligência, a inexistência de omissão de receitas, exonera se a exigência. PIS, COFINS E CSLL. DECORRÊNCIA DOS MESMOS FATOS E ELEMENTOS DE PROVA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase A tributação dele decorrente. Lançamento Procedente em Parte A Quinta Câmara do extinto O Primeiro Conselho de Contribuintes negou provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário (fls. 2.157/2.169), em julgamento cuja ementa se transcreve a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ EXERCÍCIO: 1998 Ementa: PREÇO DE TRANSFERÊNCIA APURAÇÃO DE VALORES POR PRODUTO E POR PERÍODO MARGEM DE TOLERANCIA DE 5% Verificado que o lançamento não apurou os valores para composição do preço parâmetro por produto e por período, correta a revisão procedida perante a DRJ. Quando a divergência entre o preço do negócio e o preço parâmetro diverge em até 5% (cinco por cento) para mais Fl. 2341DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 21/03/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.000966/200274 Acórdão n.º 9101002.165 CSRFT1 Fl. 2.334 3 ou para menos, afastase a realização de ajuste a titulo de preço de transferência. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÂO REVISÀO DO LANÇAMENTO PELA DRJ. POSSIBILIDADE O processo administrativo serve não só para contestar o lançamento, mas também para aperfeiçoálo, de forma a que pode a DRJ, identificando a existência de vícios sanáveis no lançamento, revisálo de forma a expurgar as nulidades porventura existentes. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA PRL INCLUSÃO DE CUTOS COM FRETE, SEGURO E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO NA APURAÇÃO DO CUSTO A inclusão dos custos com frete, seguro e imposto de importação na composição do custo não é faculdade do contribuinte importador que incorre em referidos gastos, mas obrigações decorrente do art. 18, parágrafo 6° da Lei n° 9.430/96. A IN n° 38/97 não possui o condão de afastar a obrigação disposta no art. 18, parágrafo 6° da Lei n° 9.430/96, pois com ela deve ser lida sistematicamente. Recurso de oficio e recurso voluntário negados. Apenas a contribuinte apresentou recurso especial, alegando divergência a respeito da consideração de custos com frete, seguro e imposto de importação na determinação do preço parâmetro do método PRL. Enquanto o acórdão recorrido incluiu tais custos por força do artigo 18, da Lei nº 9.430/1996, os julgamentos paradigmas admitiam que estes não fossem considerados na determinação do preço parâmetro (fls. 2.183/2.187). A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial (fls. 2.290), requerendo não fosse conhecido o recurso por ter sucintas razões, como também que fosse rejeitado no mérito, diante da imperativa norma do artigo 18, §6º, da Lei nº 9.430/1996. Esta Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais deu provimento ao recurso especial: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. INSTRUÇÃO NORMATIVA. VINCULAÇÃO. INOBSERVÂNCIA. NULIDADE. A autoridade administrativa, ao efetuar o lançamento, está vinculada à InstruçãoNormativa, bem como ao direito por ela conferido ao contribuinte. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA PRL INCLUSÃO DE CUSTOS COM FRETE, SEGURO E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO NA APURAÇÃO DO CUSTO A IN SRF n° 38/97, em seu artigo 4º, § 4º, estabelece que a inclusão dos valores de frete, seguro e imposto de importação na composição do custo é uma faculdade do contribuinte importador. Pela vinculação da autoridade administrativa ao referido ato normativo, deve tal faculdade ser respeitada, sob pena de nulidade do lançamento. Destaquemse das razões da relatora, acolhida por maioria de votos desta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: Fl. 2342DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 21/03/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 (...) De acordo com a Instrução Normativa n 38/97, no custo relativo ao preço praticado na importação com pessoa vinculada, é opção do contribuinte incluir os valores de transporte e seguro. É bem verdade que o artigo 4º da IN nº 38/97 aborda o preço parâmetro, que não poderia ser outro que não o da presunção legal. Pareceme também clara a leitura do § 4º do mesmo artigo, que ao tratar do preço praticado, que com aquele se compara, determina que o contribuinte pode (tem a opção) computar no custo os valores de frete e seguro (...) É uma questão de competência e é por isso que, quando se tratar de lançamento de ofício, uma Instrução Normativa só pode ser afastada pelo Poder Jurisdicional típico ou atípico sempre em prol do contribuinte, já que a autoridade administrativa, para lançar deve se curvar à norma expedida pelo executivo, seja favorável ou não à cobrança do crédito tributário. Se extrapolada a competência, o ato administrativo padece de nulidade, pelo que voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do contribuinte. Diante desse acórdão, da qual foi intimada em 24/11/2011, a Fazenda Nacional apresentou Embargos de Declaração no dia 25/11/2011, requerendo fosse esclarecida a omissão a respeito da nulidade do lançamento, alegando que seria nulidade formal, pois “seu fulcro estaria centrado em fato procedimental”. (fls. 2.327). Os embargos de declaração foram admitidos, conforme despacho às fls. 2.329. Voto Conselheira Cristiane Silva Costa Conselheira Cristiane Silva Costa Os embargos são tempestivos, merecendo conhecimento. A Fazenda Nacional alega omissão no julgamento anteriormente proferido por esta Turma na medida em que não identificado se a nulidade do lançamento seria formal ou material. Sustenta a Embargante que seria vício formal considerando que “seu fulcro estaria centrado em fato procedimental”. (trecho dos embargos) A relevância da distinção entre nulidade formal e material decorre do artigo 173, do Código Tributário Nacional, que dispõe: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 2343DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 21/03/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.000966/200274 Acórdão n.º 9101002.165 CSRFT1 Fl. 2.335 5 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. A nulidade por vício formal é tratada pela Lei nº 4.717/1965, que regula a ação popular, conforme artigo 2º, alínea b e Parágrafo único, alínea b.: Art. 2º São nulos os atos lesivos ao patrimônio das entidades mencionadas no artigo anterior, nos casos de: a) incompetência; b) vício de forma; c) ilegalidade do objeto; d) inexistência dos motivos; e) desvio de finalidade. Parágrafo único. Para a conceituação dos casos de nulidade observarseão as seguintes normas: (...) b) o vício de forma consiste na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato; Apenas na hipótese de “omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato” é possível se reconhecer nulidade por vício formal. Em sentido similar, decidiu esta Turma da Câmara Superior nos autos do processo nº 10280.005071/200721, sob relatoria do Conselheiro Rafael Vidal de Araújo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1996, 1997, 1998, 1999, 2000 NULIDADE DE LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. VÍCIO FORMAL. ASPECTOS QUE ULTRAPASSAM O ÂMBITO DO VÍCIO FORMAL. Vício formal é aquele verificado de plano no próprio instrumento de formalização do crédito, e que não está relacionado à realidade representada (declarada) por meio do ato administrativo de lançamento. Espécie de vício que não diz respeito aos elementos constitutivos da obrigação tributária, ou seja, ao fato gerador, à base de cálculo, ao sujeito passivo, etc. A indicação defeituosa ou insuficiente da infração cometida, da data em que ela ocorreu, do montante correspondente à infração (base imponível); e dos documentos caracterizadores da infração cometida (materialidade), não configura vício formal. Fl. 2344DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 21/03/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 No caso destes autos não há qualquer indício de nulidade formal no lançamento. Em que pese conste na conclusão do voto do acórdão embargado que é uma “questão de competência”, o recurso especial foi provido porque o lançamento tributário destoou da interpretação de Instrução Normativa a respeito da inclusão de frete, seguro e imposto de importação na composição do custo, como se verifica da ementa do julgado: A IN SRF n° 38/97, em seu artigo 4º, § 4º, estabelece que a inclusão dos valores de frete, seguro e imposto de importação na composição do custo é uma faculdade do contribuinte importador. Pela vinculação da autoridade administrativa ao referido ato normativo, deve tal faculdade ser respeitada, sob pena de nulidade do lançamento. No entendimento manifestado pela Turma, existindo Instrução Normativa dispondo sobre o tema, que trouxe faculdade ao contribuinte importador, a autoridade fiscal autuante estaria vinculada a tal Instrução Normativa, reputandose ilegítimos os Autos de Infração lavrados em desacordo com esta norma. A desconformidade do lançamento tributário com norma a que deveria se submeter é vício material do lançamento, não se limitando a uma formalidade do ato, para fins de caracterização como nulidade formal, como exige o artigo 2º, da Lei nº 4.717/1965. Nesse contexto, voto por acolher os embargos de declaração para suprir omissão, para integrar o acórdão embargado esclarecendo se trata de nulidade material. É como voto. (Assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora Fl. 2345DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 21/03/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13888.724476/2011-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/01/2006 a 31/03/2007
FALTA DE RECOLHIMENTO.
A falta ou insuficiência de recolhimento das contribuições para o PIS/Pasep,
apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os
devidos acréscimos legais.
Numero da decisão: 3302-003.107
Decisão:
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
[assinado digitalmente]
RICARDO PAULO ROSA - Presidente.
[assinado digitalmente]
MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/01/2006 a 31/03/2007 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento das contribuições para o PIS/Pasep, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. [assinado digitalmente] RICARDO PAULO ROSA - Presidente. [assinado digitalmente] MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1684; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 1.332 1 1.331 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.724476/201112 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.107 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de março de 2016 Matéria COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente FIRE COMÉRCIO DE FERROS FUNDIDOS E SERVIÇOS DE USINAGEM LTDA E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/2006 a 31/03/2007 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento das contribuições para a Cofins, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2006 a 31/03/2007 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento das contribuições para O PIS/PASEP, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 44 76 /2 01 1- 12 Fl. 1332DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 2 [assinado digitalmente] RICARDO PAULO ROSA Presidente. [assinado digitalmente] MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. A empresa qualificada em epígrafe foi autuada em virtude da apuração de falta de recolhimento da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e para a COFINS, no período de 31/01/2006 a 31/03/2007, exigindoselhe contribuição para o PIS de R$233.142,28, multa de ofício de R$349.713,38 e juros de mora de R$124.987,16, perfazendo o total de R$707.842,82, e para a COFINS exigência de R$1.078.818,74, multa de ofício de R$1.618.228,08 e juros de mora de R$578.385,34, perfazendo o total de R$3.275.432,16. De acordo com o Termo de Informação Fiscal, de fls.1170/1179, a fiscalização apurou as seguintes infrações quanto ao PIS: A contribuição para o PIS/PASEP, apurada na forma da Lei 10.637/2002 (regime nãocumulativo), objeto do presente lançamento, corresponde à diferença entre o apurado pela Fiscalização com o declarado pelo sujeito passivo na DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). O faturamento mensal da FIRE, que constitui o fato gerador da contribuição para o PIS/PASEP, foi apurado, para o estabelecimento matriz, nos livros Registro de Saídas de 2006 e 2007, enquanto que para a filial, em 2006 no livro Registro de Saídas e para 2007, nas contas contábeis 3110100007 (venda de produtos no mercado interno) e 3110300008 (prestação de serviços no mercado interno). O Livro Registro de Saídas de 2007 da matriz, embora desencadernado e sem assinatura nos Termos de Abertura e Encerramento, foi aceito pela Fiscalização, pois seus valores encontramse devidamente escriturados na conta contábil 3.1.0.10.101 Venda de produtos no Mercado Interno. (...) Embora intimada e reintimada, a FIRE deixou de apresentar as notas fiscais de vendas de autopeças para atacadistas, varejistas e consumidores, cujos produtos estavam sujeitos a alíquotas diferenciadas do PIS e da COFINS e, por isso, a Fiscalização considerou como bases de cálculo sujeitas à alíquota Fl. 1333DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 13888.724476/201112 Acórdão n.º 3302003.107 S3C3T2 Fl. 1.333 3 diferenciada aquelas declaradas nos respectivos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais (DACON) transmitidos à Receita Federal. Também, foi constatado pagamento a menor e omissão na base de cálculo da Cofins: A COFINS, apurada na forma da Lei 10.833/2003 (regime não cumulativo), objeto do presente lançamento, corresponde à diferença entre o apurado pela Fiscalização com o declarado pelo sujeito passivo na DCTF. O faturamento mensal, que constitui o fato gerador da COFINS, e as bases de cálculo com alíquotas normal e diferenciada foram apurados como já descrito no cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e demonstrado em seu primeiro quadro. No quadro a seguir (valores expressos em R$), temos a apuração da COFINS a lançar de ofício. Com relação aos créditos a descontar da contribuição apurada (art. 3º da Lei 10.833/2003), entre 01/2006 a 06/2006, o total declarado nos DACON é o somatório do escriturado nas contas contábeis 1.1.0.30.501 COFINS a recuperar (Matriz) e 1.1.3.03.0000.9 COFINS a recuperar (filial 0003). No entanto, entre 07/2006 a 03/2007 o valor dos créditos demonstrados nos DACON é muito inferior àqueles escriturados contabilmente. Assim, a Fiscalização, verificando que as bases para o cálculo do crédito que melhor refletiam a atividade da empresa eram aquelas constantes da contabilidade, aceitou os créditos escriturados nas contas de COFINS a recuperar (matriz e filial) para descontar da contribuição apurada (demonstrados na coluna CRÉDITO CONTÁBIL). O Auditorfiscal constatou alterações do contrato social tanto de sócios, como de endereço da empresa fiscalizada: Em 01/04/2004 a ALVARCO arrendou seu parque industrial, avaliado em R$ 7.000.000,00, para a FIRE, como consta do Instrumento Particular de Arrendamento de Parque Industrial e Outras Avenças. Pela ALVARCO assinou o referido contrato o Sr. Clóvis Penteado de Castro, e pela FIRE o sr. Mário César Mendes. Posteriormente a FIRE transferiu sua sede de São Paulo para o endereço da ALVARCO em Piracicaba. Chamou a atenção da Fiscalização o fato que à época da assinatura do referido instrumento de arrendamento (01/04/2004), os srs. Clóvis Penteado de Castro e Mário César Mendes eram ao mesmo tempo sócios e administradores da ALVARCO e da FIRE. A FIRE era uma empresa sem bens imóveis, conforme informação eletrônica fornecida pela ARISP (Associação dos Registradores Imobiliários de São Paulo), tributada pelo SIMPLES (até o anocalendário 2004), e a ALVARCO, como já dito, possuía um parque industrial em seu nome, que embora Fl. 1334DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 4 paralisado, sujeito a penhoras e ações trabalhistas, tinha um valor econômico importante. Além disso, a fiscalização concluiu: Do conjunto dos fatos descritos, constatase a existência do interesse comum entre a FIRE e ALVARCO, pela formação de um grupo econômico, caracterizado por possuírem a mesma atividade econômica, o mesmo quadro societário, a administração em comum exercida pelo srs. Mário César Mendes e Clóvis Penteado de Castro; o pagamento pela FIRE das dívidas trabalhistas da ALVARCO e outras dívidas suas; e a confusão patrimonial existente entre elas. O pagamento do saldo credor da conta de arrendamento efetuado com os bens adquiridos pela FIRE, mantendo esses bens sob a propriedade dos mesmos administradores confirmam a comunhão existente entre FIRE e ALVARCO. Assim, em face do interesse comum existente entre as empresas, a ALVARCO responderá solidariamente pelos créditos tributários da FIRE, com base no art. 124, I do CTN. Os valores declarados nas obrigações acessórios foram muito aquém àqueles reais, ensejando, conforme conclusão da autoridade fiscal, a aplicação da multa de 150%: Ao declarar em DCTF tributos com valores muito inferiores daqueles que o próprio sujeito passivo apurou em sua contabilidade, fica claro para a Fiscalização que os sócios administradores da FIRE, agindo em conluio (art. 73 da Lei 4.502/64), procuraram impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária do montante real dos tributos devidos (art. 71 da Lei 4.502/64). Por isso, a multa aplicada será de 150% (cento e cinquenta por cento), em consonância ao art. 44, II da Lei 9.430/96 (para fatos geradores ocorridos até 21/01/2007) e art. 44, I e §1° da Lei 9.430/96, na redação dada pela Medida Provisória n° 351/07 (convertida na Lei 11.488/2007), para os fatos geradores ocorridos a partir de 22/01/2007. Além disso, os administradores foram incluídos na responsabilidade solidária: Ao declarar nas DCTF Semestrais, transmitidas à Receita Federal em 04/10/2006, 09/04/2007 e 05/10/2007, contendo o 1o semestre de 2006, 2° semestre de 2006 e 1o semestre de 2007 respectivamente, com valores muito inferiores dos tributos devidos pela FIRE em relação ao que o próprio contribuinte reconhecia como devidos em sua contabilidade, como já demonstrado, impedindo ou retardando o conhecimento por parte da autoridade fazendária do montante real dos tributos devidos, incorreram os administradores da FIRE em infração de Lei, a obrigação de informar encontravase previsto na Lei n° 9.779/99 (art. 16), e disposto, à época dos fatos geradores, nas Instruções Normativas SRF n° 583/2005 (art. 4o), e n° 695/2006 (art. 4o). Ressaltese que tal conduta implicou na qualificação da multa de ofício (150%) e na representação ao Ministério Fl. 1335DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 13888.724476/201112 Acórdão n.º 3302003.107 S3C3T2 Fl. 1.334 5 Público Federal pela ocorrência, em tese, de crime contra a Ordem Tributária. Assim, com fulcro no art. 135, III do CTN, responderão solidariamente pelos créditos tributários lançados nesta ação fiscal, os sóciosadministradores da FIRE, os srs. Clóvis Penteado de Castro (CPF 665.064.41887) e Mário César Mendes (CPF 160.979.63904). Inconformada, a autuada apresentou a impugnação de fls.1217/1254, na qual argumenta: I Da Ausência dos Pressupostos para Validar a Cobrança dos Créditos Apurados Inicia combatendo a apuração da base de cálculo: O Auto de Infração lavrado pela fiscalização, se baseou em hipóteses, não prevalecendo a cobrança de qualquer cobrança sem comprovação da efetiva base de cálculo, tanto é que a fiscalização não logrou êxito em demonstrar quais foram as diferenças apuradas em comparação com o declarado pela Impugnante na DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), tanto para apuração do PIS como para a COFINS. Entende que “somente a análise dos livros fiscais não podem ensejar a autuação, posto que o conceito de faturamento vai muito mais longe, assim temos que o faturamento e a receita são realidades distintas, tendo somente um núcleo em comum.” E continua: A receita possui espectro mais amplo, abarcando todas as entradas que importem em aumento do patrimônio da pessoa jurídica; o faturamento, a seu turno, adstringese à denominada receita bruta operacional, é dizer, àqueles ingressos oriundos da realização do objeto social da empresa, assim, vimos que na autuação, à fiscalização procedeu a lavratura do AIIM para cobrança do PIS/COFINS sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica (receita bruta), e a própria Lei 9.718/98 foi declarada inconstitucional pelo próprio STF. Afirma que valores de terceiros foram tributados: Sem contar ainda, que houve tributação pela fiscalização das receitas de terceiros e podemos asseverar que não é admissível a incidência do PIS/Cofins sobre os ingressos que serão repassados a outras pessoas jurídicas, portanto, a Base de Cálculo apurada pela fiscalização para apuração do PIS/PASEP e COFINS é totalmente inviável. Tece comentários sobre o lançamento do crédito tributários e afirma que “não houve a comprovação pela fiscalização da hipótese de incidência do tributo, mediante a ocorrência do fato gerador definido no artigo 114 do Código Tributário Nacional.”. Fl. 1336DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 6 Combate o entendimento do Auditorfiscal sobre a responsabilidade solidária: Outrossim, a imposição de responsabilidade solidária pela fiscalização à empresa ALVARCO é totalmente descabida, posto que são pessoas jurídicas distintas, com endereço diferentes, ramo de atividade diverso, sócios etc, além do que não houve qualquer intimação da empresa ALVARCO para responder os termos da fiscalização e prestar esta última os esclarecimentos necessários. II – Da Multa Argumenta que a multa de 150% é confiscatória e que “não há justificativa plausível para ensejar tal penalidade”, além de citar jurisprudência que implicam o entendimento de ilegalidade e inconstitucionalidade. Também, afirma que “no mais, temos que não restou configurada qualquer conduta infracional de omissão de prestação de informações à fiscalização” e ainda que: Portanto, há de se esclarecer que a simples constatação de conduta omissiva por parte do contribuinte ou qualquer outro detalhe de dados solicitado pela fiscalização não é condição suficiente para qualificar a multa, pois, se assim não fosse, o legislador não teria restringido, no dispositivo em que essa circunstância está prevista, sua aplicação aos casos de "evidente intuito de fraude". A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/2006 a 31/03/2007 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento das contribuições para a Cofins, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2006 a 31/03/2007 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento das contribuições para o PIS, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/2006 a 31/03/2007 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua Fl. 1337DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 13888.724476/201112 Acórdão n.º 3302003.107 S3C3T2 Fl. 1.335 7 competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa nos moldes da legislação que a instituiu. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/01/2006 a 31/03/2007 MULTA AGRAVADA. A existência de informações falsas nos DACON impõe a incidência de multa agravada. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após ciência em 07/05/2013, conforme AR de fl. 1286, apresenta tempestivamente em 06/06/2013, fl. 1.288 Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Após a recomposição fática da situação, reitera argumentos já apresentados na fase impugnatória acrescentando ainda: Inexistência de preclusão processual questiona a preliminar do Acórdão/DRJ por não acatar a impugnação da FIRE com relação à solidariedade da ALVARCO. Inexistência de solidariedade afirma que a empresa Recorrida não se encaixa em nenhuma das hipóteses constantes da legislação, pois se trata de empresa autônoma, distinta da autuada, com sede em outro endereço e explorando ramo de atividade diverso, desse modo não há amparo legal para inclusão da empresa Recorrente, tampouco sua manutenção como coresponsável pelo débito tributário da empresa FIRE COMÉRCIO DE FERROS FUNDIDOS E SERVIÇOS DE USINAGEM LTDA, ora Recorrente; em contrário; não há violação ao 1artigo 48 do Código de Processo Civil CPC, nem mesmo ausência de legitimidade para se pleitear a exclusão do coresponsável, uma vez que tal artigo é claro a ressalvar a disposição em contrário; nesse sentido o 2artigo 509 do CPC ao estabelecer que o recurso interposto por um litisconsorte aproveitará a todos, integra a previsão em contrário contida no artigo 48 do referido código; conforme entendimento pacificado do Colendo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, deve haver interesse jurídico e não econômico vinculado pela atuação comum ou conjunta da situação que constituí o fato imponível. Em momento algum há 1 Art. 48. Salvo disposição em contrário, os litisconsortes serão considerados, em suas relações com a parte adversa, como litigantes distintos; os atos e as omissões de um não prejudicarão nem beneficiarão os outros. 2 Art. 509. O recurso interposto por um dos litisconsortes a todos aproveita, salvo se distintos ou opostos os seus interesses. Fl. 1338DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 8 qualquer interesse da Recorrente na atuação da empresa autuada, e sequer houve qualquer participação desta nos atos e ações da Empresa FIRE COMÉRCIO DE FERROS FUNDIDOS E SERVIÇOS DE USINAGEM LTDA; sequer foi demonstrado o interesse jurídico, assim não há que se falar em sujeição passiva solidária no presente caso, devendo a empresa Recorrente INDÚSTRIAS MECÂNICAS ALVARCO LTDA, ser excluída do pólo passivo em consonância com a jurisprudência pacífica desse Colendo Conselho; cita respeitável jurisprudência administrativa Da afronta ao lançamento de ofício o Acórdão/DRJ comete outro erro ao ratificar o entendimento da fiscalização que autuou sem os documentos necessários para comprovar a verdade material; o fiscal se esforça para afirmar que está correto o lançamento, que nem ele tem certeza que está, pois reconhecidamente não obteve as notas fiscais da Recorrente; a Recorrente arquiva suas notas fiscais em arquivos especializados, não sendo possível a apresentação de imediato e após a apresentação da impugnação não foi intimada novamente para apresentação de novos documentos; assim, à sua maneira e sem qualquer fundamento legal, o fiscal procedeu ao lançamento de ofício sem verificar efetivamente o fato gerador e a base de cálculo das contribuições PIS/COFINS; essa postura resultou em uma tributação patológica, tributando receitas outras, como receitas de mero repasse de valores para outras pessoas jurídicas, que não constitui os conceitos de receita ou faturamento, previstos no art. 195, I, "b" da Constituição Federal; o artigo 142 do Código Tributário Nacional CTN dispõe sobre o lançamento, como ato vinculado e no presente caso o lançamento foi efetuado ao arrepio de suas disposições, notadamente quanto à demonstração da ocorrência do fato gerador; o lançamento tributário não pode ser efetuado por um mero confronto de informações dos livros, DCTF e DACON, pois nesse caso a tributação buscou as notas fiscais para averiguar o que era efetivamente faturamento e a receita tributável; o fiscal tributou indistintamente os valores constantes na DCTF e DACON, acrescendo diferenças que ele entendeu serem devidas, sem ao menos ter lastro documental; já o artigo 149 do CTN destaca as possibilidades de lançamento de ofício, não se enquadrando em nenhuma de suas previsões o lançamento por suposição e estimativa; o artigo 148 do CTN autoriza ao agente público em processo regular arbitrar o valor/preço do produto ou serviço, no entanto no presente caso o agente fiscal supôs a ocorrência do fato gerador e estimou um valor o qual deveria recair a tributação do PIs e da COFINS; ao contrário do entendimento da 4ª Turma da DRJ/RPO, não se buscou a verdade material alguma. Só se estimou uma suposta verdade com base em elementos que não representam o valor efetivo a ser tributado. Fato é que tributou valores de repasses de outras pessoas jurídicas/prestadoras de serviço, que não integram os conceitos de receita/faturamento, Fl. 1339DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 13888.724476/201112 Acórdão n.º 3302003.107 S3C3T2 Fl. 1.336 9 pois não integram o patrimônio da pessoa jurídica autuada, nem ao menos servem para atividade fim; pugna a Recorrente que o CARF analise novamente todos os argumentos levantados no presente recurso voluntário, ratificando também todos os argumentos já pugnados em sede de impugnação, os quais foram ignorados pela 4ª Turma da DRJ/RPO, em respeito aos princípios da ampla defesa, contraditório e devido processo legal, previstos no artigo 5º, incisos LIV e LV da Constituição Federal; Do erro na aplicação penalidade de 150% após procedimento duvidoso de lançamento o agente fiscal aplicou a penalidade de 150%, prevista no 3artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, porém a redação do artigo 44 surgiu com a edição da Lei nº 11.488, de 2007, ou seja, a alteração da multa de 150% para 75% começou a viger a partir de 15/06/2007, data anterior a autuação ora vergastada; o percentual de 150% é completamente desarrazoado e desproporcional resultando em esbulho tributário confiscatório; subsidiariamente, caso seja mantida a autuação então impugnada, requer que a multa de 150%, seja reduzida em atenção aos princípios constitucionais da razoabilidade, proporcionalidade e não confisco e aplicação do artigo 112 e incisos II e IV do CTN; cita respeitável doutrina e jurisprudência; 3 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 1340DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 10 Da perícia e a primazia do princípio do contraditório ainda que se ignore todos os argumentos anteriormente pugnados, o que se admite apenas a título argumentativo, é necessário que seja efetuada a revisão fiscal conforme prevê o artigo 149 do CTN; tendo em vista a necessidade de recálculo do tributo declarado, lançado e recolhido, mister se faz a necessidade de perícia contábil, bem como eventual juntada de documentos fiscais adicionais, fazendose necessário a anulação do acórdão ora vergastado, remetendose os autos para a fiscalização da própria Delegacia da Receita Federal; a perícia tornase necessária diante da divergência entre valores declarados, recolhidos e autuados e em homenagem a primazia dos princípios da legalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório e devido processo legal, tornase imperativo que seja a requerente intimada para indicar assistente técnico, sob pena de cerceamento de defesa; protesta assim pela produção de todas as provas em direito admitidas; por fim requer que todas as intimações sejam feitas em nome de NA PAULA SIQUEIRA LAZZARESCHI DE MESQUITA, OAB/SP nº 180.369, para que a mesma seja intimada de todos os atos e decisões dos autos, no endereço sito à Alameda Santos, nº 1.800, 8º andar, conjunto, 1067, São Paulo, Capital. Esclarece do despacho de fl.1216: ... a Fire foi cientificada dos Autos de Infração em 12/12/2011 (fls. 1.198). O sujeito passivo solidário Indústrias Mecânicas Alvarco Ltda, CNPJ 54.365.416/000132, foi cientificado por via postal dos Autos de Infração em 13/12/2011 (fls. 1.201). Para o sujeito passivo solidário Mário César Mendes, CPF 160.979.63904, foi afixado o edital nas dependências do Órgão, considerandose cientificado em 29/12/2011 (fls. 1.206). Para o sujeito passivo solidário Clóvis Penteado de Castro, CPF 665.064.41887, foi afixado o edital nas dependências do Órgão, considerandose cientificado em 10/01/2012 (fls. 1.210). Os sujeitos passivos Mário César Mendes e Clóvis Penteado de Castro, integrem o pólo passivo da autuação conforme Termos de Sujeição Passiva de fls.1.202/1.210 e embora regularmente intimados não apresentaram impugnação. O sujeito passivo INDÚSTRIA MECÂNICA ALVARCO LTDA integra o pólo passivo da autuação conforme Termo de Sujeição Passiva de fls.1.199/1.201 e embora regularmente intimado não apresentou impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Fl. 1341DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 13888.724476/201112 Acórdão n.º 3302003.107 S3C3T2 Fl. 1.337 11 Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da Preclusão da Instância Administrativa Ressaltese que embora haja pluralidade de sujeitos passivos, conforme os respectivos termos de sujeição passiva, fls.1201, 1202 e 1209, com ciência individualizada para cada sujeito passivo, somente a empresa já identificada, FIRE COMÉRCIO DE FERROS FUNDIDOS E SERVIÇOS DE USINAGEM LTDA, apresentou impugnação ao auto de infração. Argui porém a Recorrente no início da peça recursal a inexistência de vínculo de responsabilidade da Indústrias Mecânicas Alvarco Ltda, pleiteando inclusive o afastamento do polo passivo da referida empresa. Invoca os artigos 48 e 509 do Código de Processo Civil CPC para corroborar seu entendimento quanto ao direito de exercer a litigância em lugar do sujeito passivo solidário. É inequívo no direito pátrio que a matriz normativa processual reside nas normas do Código de Porocesso Civil CPC, no entanto, também integram o ordenamento jurídico brasileiro as normas processuais específicas, como é o caso da lei que rege o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal e o Processo Administrativo Fiscal, regulado pelo Decreto nº 70.235, de 1972, inexistindo nesse caso antinomia normativa, mas uma convivência harmônica entre normas gerais e específicas, resolvendose essa aparente antinomia pelo princípio da especificade. No caso em exame prevê o Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I–a qualificação do autuado; II–o local, a data e a hora da lavratura; (...) Art. 16. A impugnação mencionará: I–a autoridade julgadora a quem é dirigida; II, –a qualificação do impugnante; Assim para fins de litigância no âmbito do Processo Administrativo Fiscal PAF, exsitindo autuação com pluralidade de sujeitos passivos, todos os autuados deverão ser cientificados do auto de infração, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação e salvo quando haja expresso poderes de representação para apresentação de Fl. 1342DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 12 impugnação conjunta, o que não é o caso dos autos a impugnação apresentase de forma conjunta. Com efeito, observase que a peça impugnatória não foi apresentada de forma conjunta com a empresa Indústrias Mecânicas Alvarco Ltda, arrolada no Termo de Sujeição Passiva de fl. 1.199, tampouco há instrsumento procuratório da referida empresa conferindo poderes de representação processeual à empresa ora Recorrente, logo não assiste razão à Recorrente em pleitear direito de outrem, que embora regulamente intimado, declinou do direito de apresentar a peça processual que instaura o litígio na via admnistrativa. Da inexistência de nulidade Afirma a Recorrente que reitera os argumentos já aduzidos na peça impugnatória, visto que foram ignorados pela 4ª Turma da DRJ/RPO, em respeito aos princípios da ampla defesa, contraditório e devido processo legal, previstos no artigo 5º, incisos LIV e LV da Constituição Federal. Da leitura da decisão de piso constatase que além de proferida por autoridade competente, os argumentos trazidos em sede impugnatória foram minudentemente analisados, com fundamentação pertinente à matéria apreciada, bem como com a citação da legislação de regência, além da demonstração da situação do crédito tributário em lide, por período e tributo objetos da autuação. Assim a r. turma julgadora demonstrou fundamentadamente a motivação de sua decisão respaldada ainda no suporte probatório do caderno processual, que entendeu suficiente para a cognição da situação fática, exercendo assim a prerrogativa da livre convicção motivada na apreciação das provas dos autos, conforme lhe assegura o 4art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972. Ante as considerações acima não se vislumbra qualquer mácula na referida decisão, que enseje a declaração de nulidade, visto que além da observância da norma processual específica, Decreto nº 70.235, de 1972, as normas emanadas dos princípios constitucionais invocados foram plenamente asseguradas, de modo que rejeito a preliminar de nulidade suscitada pela ora Recorrente em seu Recurso Voluntário. Do pedido para juntada posterior de provas Protesta o Recorrente pela posterior juntada de novos documentos e provas que se fizerem necessárias ao deslinde do feito. A juntada posterior ao momento impugnatório, de provas ao processo somente encontra amparo se comprovadas às condições impostas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, abaixo transcrito: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; 4 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Fl. 1343DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 13888.724476/201112 Acórdão n.º 3302003.107 S3C3T2 Fl. 1.338 13 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Observese que até o momento não houve a solicitação de juntada de documentos ao processo conforme será pertinentemente abordado na parte meritória. Pedido de Perícia nãoformulado x prescindibilidade A contribuinte requer a realização de perícia contábil arguindo que o seu indeferimento cercearia seu direito de defesa. É oportuno destacar quanto ao pedido de perícia que a Recorrente além de não formular os quesitos referentes aos exames pretendidos, nos termos do inciso 5IV do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993, deixou de atender também às demais exigências expressas no referido inciso, quanto à solicitação de perícia; tal omissão é suficiente para que se considere não formulado o pedido, conforme respalda a disposição do artigo 16, IV, do diploma acima referido. Ad argumentandum tantum, salientese que além dos requisitos previstos no art. 16, supra, deve ser analisado se o pedido de realização de perícias é considerado imprescindível à tomada de decisão para julgamento da lide, de acordo com o que dispõe o artigo 18 do mesmo diploma legal, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993: “Art. 18 – A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, ‘in fine’.” Nesse mister, é importante ressalvar que o deferimento de um pedido de diligência ou perícia, pressupõe a necessidade de se conhecer determinada matéria ou colher determinada prova, que o exame dos autos não seja suficiente para dirimir a dúvida, ou ainda que se faça premente uma análise que exija conhecimentos técnicos específicos, o que não é o caso dos autos, como restará demonstrada na análise de mérito. Logo, na espécie em análise, constatase que além do Recorrente não cumprir os requisitos legais ao solicitar a realização de perícia, o exame dos autos demonstra ser prescindível a realização de perícia ou mesmo de uma diligência, em face da existência de provas que permitem ao julgador a cognição dos fatos que motivaram o presente feito, bem como da clareza do tipo legal que rege a espécie dos autos, tal como se verifica na parte meritória da presente peça, motivo pelo qual ainda que houvesse o cumprimento dos requisitos previstos no art. 16 acima destacado o pedido de perícia/diligência dever ser indeferido nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. 5 O art. 16 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93, assim se pronuncia: "Art. 16. A impugnação mencionará: ................................................................ IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.(redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93). § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16.” (introduzido pelo art.1º da Lei nº 8.748/93). (grifei). Fl. 1344DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 14 Logo, diante dos argumentos expostos e em face da tipicidade presente na espécie dos autos, resta superada a questão relativa à perícia ou diligência, diante dos fundamentos apresentados, com esteio nos artigos 16, IV, § 1º; 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação que lhes foi dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993. MÉRITO Conforme argumentos veiculados na peça recursal, constatase que a questão meritória pode ser sintetizada no seguinte trecho : "...assim, à sua maneira e sem qualquer fundamento legal, o fiscal procedeu ao lançamento de ofício sem verificar efetivamente o fato gerador e a base de cálculo das contribuições PIS/COFINS". Como decorrência do argumento principal suscita o Recorrente que o auto de infração foi feito ao arrepio do artigo 142 do CTN, sem provas, tributando outras receitas e que o agente fiscal não tinha certeza do lançamento que efetuara. Compulsando os autos, observase que o Termo de Informação Fiscal, de fls. 1.170/1.179, peça processual integrante dos Autos de Infração de PIS e COFINS, fls. 1.180/1.187 e 1.186/1.196 é explícito quanto à legislação aplicável e minudente quanto aos fatos detectados. Acrescentese que além da descrição minudente, há uma farta instrução probatória acostada pela fiscalização, conforme fls.29 a 1.169, citadas a título exemplificativo [DIPJ/2008, Demonstração de Resultado de 2006 e 2007, Livros de Saída 2006 e 2007 (matriz)/ 2007 (filial), DACON 2006 e 2007 (meses 01/03), Razão PIS e COFINS a recuperar (matriz), DCTF (1º e 2º semestres 2006 e 1º semestre/2007), Contrato de Arrendamento, Distrato de Contrato de Arrendamento, Razão Arrendamento ALVARCO 2006 e 2007, Razão Duplicatas a Receber da ALVARCO, Razão com a baixa do ativo imobilizado da FIRE, entre outras.]. Da análise do Termo de Informação Fiscal, de fls. 1.170/1.179 no qual estão indicadas as provas que dão suporte ao lançamento verificase que: a) em atendimento ao Termo de Início do Procedimento Fiscal a empresa autuada disponibilizou à fiscalização os livros Diário, Razão de Entradas e Saídas dos anos de 2006 e 2007 do estabelecimento matriz (situado em Piracicaba/SP ) e de 2006 da filial (Rio das Pedras/SP) e justificou a não apresentação dos extratos bancários de 2006 por não encontrálos; b) embora intimada e reintimada, conforme fls.08/26 a FIRE deixou de apresentar: b.1 as notas fiscais de vendas de autopeças para atacadistas, varejistas e consumidores, cujos produtos estavam sujeitos a alíquotas diferenciadas do PIS e da COFINS e, por isso, a Fiscalização considerou como bases de cálculo sujeitas à alíquota diferenciada aquelas declaradas nos respectivos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais (DACON) transmitidos à Receita Federal; b.2 a contabilidade em meio digital dos anos de 2006 e 2007. c) a exigência formalizada nos autos de infração já destacados, tanto para a Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, apuradas pelo regime nãocumulativo Fl. 1345DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 13888.724476/201112 Acórdão n.º 3302003.107 S3C3T2 Fl. 1.339 15 correspondem à diferença entre o apurado pela Fiscalização com o declarado pelo sujeito passivo na DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais); d) o faturamento mensal da FIRE, que constitui o fato gerador da Contribuição para o PIS/PASEP foi apurado, para o estabelecimento matriz, nos livros Registro de Saídas de 2006 e 2007, enquanto que para a filial, em 2006 no livro Registro de Saídas e para 2007, nas contas contábeis 3110100007 (venda de produtos no mercado interno) e 3110300008 (prestação de serviços no mercado interno). O Livro Registro de Saídas de 2007 da matriz, embora desencadernado e sem assinatura nos Termos de Abertura e Encerramento, foi aceito pela Fiscalização, pois seus valores encontramse devidamente escriturados na conta contábil 3.1.0.10.101 Venda de produtos no Mercado Interno; e) a apuração do PIS/PASEP a lançar de ofício foi demonstrado no citado termo no quadro a seguir reproduzido. Esclarece a fiscalização que com relação aos créditos a descontar da contribuição apurada nos termos do art. 3º da Lei 10.837, de 2002 entre 01/2006 a 06/2006, o total declarado nos DACON é o somatório do escriturado nas contas contábeis 1.1.0.30.510 PIS a recuperar (Matriz) e 1.1.3.03.0009.5 PIS a recuperar (filial 0003). No entanto, entre 07/2006 a 03/2007 o valor dos créditos demonstrados nos DACON é muito inferior àqueles escriturados contabilmente. Assim, a Fiscalização, verificando que as bases para o cálculo do crédito que melhor refletiam a atividade da empresa eram aquelas constantes da contabilidade, aceitou os créditos escriturados nas contas de PIS a recuperar (matriz e filial) para descontar da contribuição apurada (demonstrados na coluna CRÉDITO CONTÁBIL). f) a apuração da COFINS a lançar de ofício foi demonstrada em quadro específico no citado termo. O faturamento mensal, que constitui o fato gerador da COFINS, e as bases de cálculo com alíquotas normal e diferenciada foram apurados como já descrito no cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e demonstrado no primeiro quadro. Esclarece a fiscalização que com relação aos créditos a descontar da contribuição apurada nos termos do art. 3º da Lei 10.833, de 2003 entre 01/2006 a 06/2006, o total declarado nos DACON é o somatório do escriturado nas contas contábeis 1.1.0.30.501 COFINS a recuperar (Matriz) e 1.1.3.03.0000.9 COFINS a recuperar (filial 0003). No entanto, Fl. 1346DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 16 entre 07/2006 a 03/2007 o valor dos créditos demonstrados nos DACON é muito inferior àqueles escriturados contabilmente. Assim, a Fiscalização, verificando que as bases para o cálculo do crédito que melhor refletiam a atividade da empresa eram aquelas constantes da contabilidade, aceitou os créditos escriturados nas contas de COFINS a recuperar (matriz e filial) para descontar da contribuição apurada (demonstrados na coluna CRÉDITO CONTÁBIL). Cabe ainda destacar trechos da fundamentação da decisão de piso pela relevância na análise ora expendida, conforme excertos a seguir transcritos:(grifei). Nos livros citados não há contabilização de “outras receitas”, como afirma a impugnante, mas sim, a escrituração da movimentação dos produtos da atividade fim da empresa. A impugnante argumenta que houve tributação pela fiscalização das receitas de terceiros e podemos asseverar que não é admissível a incidência do PIS/Cofins sobre os ingressos que serão repassados a outras pessoas jurídicas, portanto, a Base de Cálculo apurada pela fiscalização para apuração do PIS/PASEP e COFINS é totalmente inviável. Tal fato não ocorreu. No Termo de Informação Fiscal, fls. 1173 e 1174, é possível identificar no demonstrativo elaborado pela fiscalização a origem da base de cálculo tributável. Os valores são oriundos da matriz e da filial. Das considerações e demonstrações acima, embora exemplificativas da situação fática arrolada na autuação, inferese que os fundamentos da autuação, consignados no já citado Termo de Informação Fiscal, de fls. 1.170/1.179, expõem com precisão a motivação da exigência tributária, inclusive quanto à sujeição passiva plural do presente processo, bem como quanto ao suporte fático que ensejou a exigência que ora se discute. Assim, os Autos de Infração objeto do presente processo estão formalizados com observância das normas legais, tanto do ponto de vista material e processual, cumprindo Fl. 1347DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 13888.724476/201112 Acórdão n.º 3302003.107 S3C3T2 Fl. 1.340 17 portanto a fiscalização o seu mister visto que atendeu às disposições do artigos 69º e 10 do Decreto nº 70.235, de1972 e os requisitos do 7artigo 142 do CTN. Vale destacar que o conjunto probatório que dá suporte à ação fiscal deve ser cotejado com as razões e provas trazidos pela impugnante. Com efeito, ressalta a decisão de piso que "... Na sua impugnação, limitouse a apresentar os seguintes anexos: DOC 01 – Cópia do Auto de Infração DOC. 02 Procuração; DOC. 03 Documentos constitutivos (contrato social); DOC. 04 – Cópia de documento da OAB"]. Verificase assim que no presente caso a defesa além de não atender as prescrições do inciso III do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 que estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir], tampouco se utilizou da faculdade prevista no § 4º do art. 16 do mesmo diploma legal, acrescido pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 1997, que permite ao impugnante apresentar provas documentais em outro momento processual, quando demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou quando se refira a fato ou a direito superveniente ou, ainda, se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, o que não ocorreu, sendo portando incabível a arguição na peça recursal de que [ após a apresentação da impugnação não foi intimada novamente para apresentação de novos documentos], haja vista que a decisão de piso, conforme já enfatizado ao demonstrar fundamentadamente a motivação de sua decisão, respaldouse no suporte probatório do caderno processual, que entendeu suficiente para o julgamento da lide, conforme lhe assegura o art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972. Embora o já destacado Decreto nº 70.235, de 1972 disponha no § 6.º do art. 16 que [Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância.], não se constata nos autos documentos apresentados pela Recorrente a serem apreciados por essa colenda turma recursal. Ressalvese que o sistema de apreciação das provas adotado no processo administrativo fiscal, consubstanciado no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972 é o sistema de valoração adotado pelo sistema processual brasileiro que é o da persuasão racional, também conhecido pelo princípio do livre convencimento motivado. Como pontua 8Daniel Amorim, em consequência do livre convencimento motivado o julgador é livre para formar seu convencimento, dando portanto às provas o peso que entender cabível em cada processo, sem existir hierarquia entre os meios de prova. Assim restando demonstrado que a Recorrente permaneceu silente quando da oportunidade processual de trazer a prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da 6 Art. 9.o. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941/2009) 7 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. 8 Neves, Daniel Amorim Assumpção em manual de direito processual civil – 3ª ed. – Rio de Janeiro: Forense: São Paulo: MÉTODO, 2011, pág.425. Fl. 1348DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 18 exigência sub examine subsiste a prova trazida aos autos na ação fiscal, colhida vale ressaltar, da própria escrituração dos livros da Recorrente disponibilizados à fiscalização. Da multa qualificada Conforme relatado insurgese a Recorrente quanto à multa qualificada nos seguintes aspectos. Que a legislação não é aplicável à época dos fatos arrolados na autuação e ainda que o percentual além de desarrazoado e desproporcional é um esbulho tributário confiscatório. Como argumento complementar pleiteia a redução da multa em atenção aos princípios constitucionais da razoabilidade, proporcionalidade e não confisco e aplicação do artigo 112 e incisos II e IV do CTN. Com relação aos princípios constitucionais supostamente violados (proibição de confisco, razoabilidade e proporcionalidade), falece competência ao julgador administrativo a análise dessa matéria, com matiz constitucional, por força do artigo 62 do RICARF, bem como em face da Súmula CARF nº 2, aplicada no tocante a essa matéria como razão de decidir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que diz respeito à vigência da lei aplicável aos fatos, verificase dos excertos a seguir que não há reparos no feito fiscal no tocante a esse aspecto: Termo de Informação Fiscal, de fls. 1.178/1.179 Ao declarar em DCTF tributos com valores muito inferiores daqueles que o próprio sujeito passivo apurou em sua contabilidade, fica claro para a Fiscalização que os sócios administradores da FIRE, agindo em conluio (art. 73 da Lei 4.502/64), procuraram impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária do montante real dos tributos devidos (art. 71 da Lei 4.502/64). Por isso, a multa aplicada será de 150% (cento e cinquenta por cento), em consonância ao art. 44, II da Lei 9.430/96 (para fatos geradores ocorridos até 21/01/2007) e art. 44, I e §1° da Lei 9.430/96, na redação dada pela Medida Provisória n° 351/07 (convertida na Lei 11.488/2007), para os fatos geradores ocorridos a partir de 22/01/2007.(grifei). Aclarese que a penalidade aplicada pela fiscalização, conforme fundamentação expressa no aludido Termo de Informação Fiscal, de fls. 1.178/1.179, tem seu escopo legal na Lei nº 4.502, de 1964, tendo a Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações respectivas, apenas conferido uma redação diferente ao fazer referência aos fatos previstos na referida Lei nº 4.502, de 1964, deixando de mencionar o percentual de 150% e passando a adotar a nomenclatura de duplicidade do percentual de 75% para as situações fáticas que se subsumem aos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Vejamos. · Lei nº 9.430, de 1996, sem as alterações da Lei nº 11.488/2007: Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) Fl. 1349DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 13888.724476/201112 Acórdão n.º 3302003.107 S3C3T2 Fl. 1.341 19 Ide setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) IIcento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Lei nº 10.892, de 2004) · Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações da Lei nº 11.488/2007: Multas de Lançamento de Ofício Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Portanto a legislação foi corretamente aplicada aos fatos apurados pela fiscalização. Quanto à redução pretendida, cabe ressaltar que a cominação de uma penalidade, é matéria adstrita à reserva legal, conforme art. 97, V, do Código Tributário Nacional – CTN devendo haver em decorrência do princípio da estrita legalidade, a subsunção dos fatos à hipótese legal. Fl. 1350DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 20 Com efeito, em decorrência da situação fática dos autos, verificando a fiscalização que os tributos declarados ao fisco através de DCTF eram em montante inferiores ao apurado na contabilidade do próprio contribuinte, situação fática incontroversa já que os argumentos em sede recursal não permeiam a inocorrência desses fatos e sim a violação aos princípios constitucionais da proibição de confisco, razoabilidade e proporcionalidade, constatou e demonstrou fundamentadamente que não se tratava apenas de uma mera diferença não recolhida, cuja incidência estaria lastreada pelo inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, mas se subsumia às hipóteses tipificadas na Lei nº 4.502, de 1964, como restou consignado no excerto acima transcrito do Termo de Informação Fiscal, de fls. 1.178/1.179. Assim estando demonstrado pela fiscalização a tipicidade no caso em análise, por força da vinculação de seus atos, em observância ao princípio da estrita legalidade, lançou a diferença dos tributos e a respectivas multa cabível, ex vi do art. 142 do CTN, não merecendo assim, reparos o feito fiscal. Por fim, diante do exposto inferese de pronto a inaplicabilidade do art. 112 do CTN. Nesse ponto aclarese que a interpretação benigna autorizada pelo art. 112 do CTN têm pressupostos de aplicabilidade, conforme dispõem seus incisos [Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação], os quais não se vislumbram no presente processo, uma vez que se encontram minudentemente demonstradas no Termo de Informação Fiscal, fls.1.170/1.179 as circunstâncias fáticas objeto da presente autuação e o modus operandi utilizado com vistas à declaração de valores muito inferiores aos registrados pelo sujeito passivo em sua própria contabilidade, restando assim demonstrado por fundamentos fáticos e jurídicos a pertinência da exigência ora em exame, inexistindo portanto dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos ou quanto à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 1351DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR
score : 1.0
Numero do processo: 10707.001416/2007-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
EMBARGOS. EFEITOS INFRINGENTES.
Tendo sido o processo encaminhado, por erro procedimental, em diligência ao Secoj, deve o erro ser corrigido com nova indicação do processo para pauta de julgamento.
Numero da decisão: 2301-004.538
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, nos termos do voto do relator.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 23/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Nathalia Correa Pompeu (suplente), Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente) e Marcelo Malagoli da Silva (suplente).
Nome do relator: Relator João Bellini Júnior
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002 EMBARGOS. EFEITOS INFRINGENTES. Tendo sido o processo encaminhado, por erro procedimental, em diligência ao Secoj, deve o erro ser corrigido com nova indicação do processo para pauta de julgamento.
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EFEITOS INFRINGENTES. Tendo sido o processo encaminhado, por erro procedimental, em diligência ao Secoj, deve o erro ser corrigido com nova indicação do processo para pauta de julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, nos termos do voto do relator. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 23/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Nathalia Correa Pompeu (suplente), Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente) e Marcelo Malagoli da Silva (suplente). Relatório Em 26/01/2016, esta 1ª Turma exarou a Resolução 2301000.571, pela qual resolveu encaminhar os autos em diligência ao Secoj. Eis o teor da referida resolução: No processo 10707.001524/200880, que trata da auditoria das mesmas contas correntes, e atinentes ao anocalendário 2003 e 2004, foi alegado que as contas correntes bancárias 174572 AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 70 7. 00 14 16 /2 00 7- 26 Fl. 1504DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 (Banco do Brasil) e 6507335 (Unibanco) eram exclusivamente provenientes de recursos de seu marido, conforme pôde ser confirmado na fiscalização em curso perante seu cônjuge, a teor da resposta por ele prestada. A referida fiscalização originou o processo 10707.001523/200835, do qual é sujeito passivo o Sr. Sergio Arthur Fabiano Leão Menescal, marido da autuada e cotitular das referidas contas conjuntas. Tais processos possuem como elemento de conexão a cotitularidade das contas correntes. Essa Turma, nesta mesma reunião de julgamentos, resolveu sobrestar processos em idêntica situação, em face do disposto no art. 6º, §§ 2º e 5º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 (Ricarf), em proposição de lavra do Conselheiro Julio César Vieira Gomes, que reproduzo: De acordo com o novo Regimento Interno deste CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, no caso de não estarem os processos conexos localizados na mesma Seção do processo principal, deverá se providenciar por resolução de diligência o sobrestamento daqueles na câmara: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; ... § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. ... § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. Assim, de acordo com o artigo 6º, 5§º do RICARF, quando os processos se encontram em seções diferentes o reconhecimento da vinculação é ordinariamente realizado pela turma julgadora que aprecia o processo conexo ao principal, determinando por resolução seu sobrestamento. Acontece que no caso em exame o processo conexo se encontra no SECOJ, portanto ainda pendente de distribuição. Assim, combinado com o artigo 6º, §§2º e 5º e artigo 46, inciso II, a solução seria a juntada dos processos no SECOJ para posterior retorno por prevenção à esta turma. Fl. 1505DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10707.001416/200726 Acórdão n.º 2301004.538 S2C3T1 Fl. 71 3 Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para as providências acima, observado o disposto no artigo 46, inciso II do RICARF. Considerando a conexão existente entre o presente processo e o processo 10707.001524/200880, e a conexão deste (10707.001524/200880) com o processo 10707.001523/2008 35, do qual é sujeito passivo o Sr. Sergio Arthur Fabiano Leão Menescal, marido da autuada e cotitular de contas conjuntas, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para a juntada dos processos no SECOJ para posterior retorno por prevenção à esta Turma, observado o disposto no artigo 46, II, do Ricarf. É como voto. Porém, consultando o andamento do processo 10707.001523/200835, verifico que este encontrase na atividade “para relatar”, na 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção deste Carf, desde 09/12/2015. Assim, é inaplicável o § 5º do art. 6º do Ricarf, conforme constou na Resolução. A regra aplicável é a do § 3º do mesmo artigo, que prevê a juntada por despacho do Presidente da Câmara (se os processos estiverem em Turmas de idêntica Câmara) ou do Presidente da Seção (caso de processos em Turmas de Câmaras distintas); Eis a redação do art. 6º, § 3º do Ricarf: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: (...) § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. Ocorre que o presente processo já teve sua juntada requerida ao Presidente da Seçã, via email corporativo, em 15/05/2015 (durante o recesso do Colegiado, em 2015), que foi negada, sob as seguintes alegações: “a distribuição por conexão é uma exceção ao princípio da impessoalidade, garantido pelo sorteio. Portanto, como o operador deôntico do art. 6o do RICARF é PODERÁ, não fico vinculado à distribuição por conexão. Assim, somente tenho deferido a distribuição por conexão quando há UMA QUESTÃO DE PREJUDICIALIDADE entre as decisões, ou seja, se uma vez tendo sido dado provimento ao recurso de um processo, o outro necessariamente deveria ser provido, e viceversa. Exemplifico, dois processos previdenciários um com o lançamento do tributo e outro com lançamento de multa (isso ainda ocorre muito no CARF), ora, se o tributo não for devido, não há que se falar em multa. Fl. 1506DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Agora, analisando o caso, temos dois contribuintes que, conforme livre convencimento dos colegiados, frente às provas apresentadas, podem ter julgamentos diferentes. A divergência, justamente, é resolvida pela CSRF em sede de RESP. Concluindo, salvo novos esclarecimentos sobre a questão de fato, esse não seria um dos casos de distribuição por conexão.” Nesse sentido, creio que a melhor solução é EMBARGAR DE OFÍCIO a resolução, uma vez que foi omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma (art. 65 do Ricarf), ou seja, o processo já estar distribuído para Conselheiro de outra Câmara no momento da conversão do julgamento em diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Relator João Bellini Júnior Tendo sido o processo encaminhado, por erro procedimental, em diligência ao Secoj, deve o erro ser corrigido com nova indicação do processo para pauta de julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 1507DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 11831.005333/2002-39
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997
NORMAS GERAIS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTES DE QUALQUER DECLARAÇÃO. CABIMENTO.
Nos termos de consolidada jurisprudência oriunda do Superior Tribunal de Justiça, configura a denúncia espontânea de que cuida o art. 138 do CTN, com consequente exclusão da multa de mora, o pagamento realizado antes da entrega de qualquer declaração que confesse o débito e permita sua imediata inscrição em dívida, como o é a DCTF, bem como de qualquer medida de ofício tendende a constituí-lo.
Numero da decisão: 9303-003.489
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
EDITADO EM: 21/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente)
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997 NORMAS GERAIS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTES DE QUALQUER DECLARAÇÃO. CABIMENTO. Nos termos de consolidada jurisprudência oriunda do Superior Tribunal de Justiça, configura a denúncia espontânea de que cuida o art. 138 do CTN, com consequente exclusão da multa de mora, o pagamento realizado antes da entrega de qualquer declaração que confesse o débito e permita sua imediata inscrição em dívida, como o é a DCTF, bem como de qualquer medida de ofício tendende a constituí-lo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator. EDITADO EM: 21/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente)
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997 NORMAS GERAIS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTES DE QUALQUER DECLARAÇÃO. CABIMENTO. Nos termos de consolidada jurisprudência oriunda do Superior Tribunal de Justiça, configura a denúncia espontânea de que cuida o art. 138 do CTN, com consequente exclusão da multa de mora, o pagamento realizado antes da entrega de qualquer declaração que confesse o débito e permita sua imediata inscrição em dívida, como o é a DCTF, bem como de qualquer medida de ofício tendende a constituílo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. EDITADO EM: 21/03/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 53 33 /2 00 2- 39 Fl. 272DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) Relatório Tratase, originariamente, de lançamento de ofício decorrente de revisão eletrônica de DCTF entregue pela contribuinte. Como de praxe, sua falta de clareza demandou a realização de diligência quando da primeira inclusão em pauta, no já distante ano de 2010. Cumprida a diligência requerida, foram os autos postos a julgamento ainda sob a relatoria do dr. Marcos Tranchesi, que assim os relatou então: Com os esclarecimentos prestados pela autoridade preparadora (fls. 89), podese finalmente compreender que o saldo do lançamento mantido na DRJ São Paulo I referese à multa de mora devida pelo recolhimento atrasado da obrigação principal – (COFINS das competências jul/97, ago/97 e set/97). As obrigações principais objeto da autuação venceramse em 8 de agosto, 10 de setembro e 10 de outubro de 1997, respectivamente. Todas elas foram pagas pela recorrente, de uma só vez, em 27 de outubro de 1997 (fls. 31/33). (...) Os débitos foram confessados pela recorrente em duas “etapas”. Na DCTF transmitida em 28 de novembro de 1997 (fl. 118), declarou os seguinte valores: (...) Posteriormente, em 20 de outubro de 1998, transmitiu DCTF complementar (fls. 124) para declarar os seguintes valores: (...) A multa moratória foi calculada com base nos valores declarados na primeira DCTF apenas. É dizer, pareceme que, em relação aos valores declarados somente na DCTF complementar, aceitouse que o pagamento tardio dos débitos – prévio a qualquer procedimento fiscalizatório – afastou a incidência da multa, por força do art. 138 do CTN. É o relatório. O relator votou pela improcedência do lançamento, nos seguintes termos: Esclareçase, de início, que a eficácia da denúncia espontânea sobre a multa chamada moratória, comumente recusada pelas autoridades fiscais, não foi controvertida pela DRJ nestes autos. Tanto assim que a multa não foi calculada sobre os débitos declarados na DCTF complementar. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 11831.005333/200239 Acórdão n.º 9303003.489 CSRFT3 Fl. 273 3 A DRJ firmou controvérsia apenas em relação aos débitos declarados na DCTF original, presumivelmente orientada pela Súmula STJ nº 360, segundo a qual “o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo”. Sucede, entretanto, que o pagamento foi realizado pela recorrente em 27 de outubro de 1997, antes da entrega da própria DCTF original, ocorrida em 28 de novembro 1997. Assim sendo, não faz sentido tratar diferentemente as DCTFs original e complementar: ambas são posteriores ao pagamento. Ao tempo do pagamento atrasado, nenhuma parcela do crédito estava já declarada pela recorrente; em 27 de outubro de 1997, precisaria o Fisco ainda constituir o débito pela via do lançamento de ofício para cobrálo, tarefa essa que restou dispensada pelo pagamento efetuado pela recorrente naquela data. A ratio inequívoca da Súmula STJ nº 360 é premiar o contribuinte que, com o pagamento ainda que tardio, dispensou o Fisco de instaurar procedimento tendente a constituir o crédito tributário. E isso foi alcançado pelo pagamento de 27 de outubro de 1997, mesmo em relação à parcela do crédito fiscal que, 32 dias depois, foi confessada na DCTF original. Não vejo, pois, razão para aplicar a Súmula STJ nº 360 nem mesmo em relação a essa parcela do crédito. Dou provimento ao recurso, para cancelar integralmente a exigência fiscal. Marcos Tranchesi Ortiz Relator Essa posição, no entanto, restou vencida, tendo prevalecido a tese de que a denúncia espontânea não afasta a multa moratória dado o caráter não punitivo desta, exposta em voto da lavra do Conselheiro Robson Bayerl. Nele, afirmouse: Nada obstante o brilhante raciocínio exposto pelo voto condutor, peço vênia para dele dissentir; a começar pela premissa, nele presumida, que as autoridades administrativas teriam admitido a eficácia da denúncia espontânea ao não exigir a multa moratória cabível sobre os valores informados na DCTF Complementar, haja vista que a ausência de cobrança deste consectário, em relação a esta declaração, neste processo, não induz à sua inexigibilidade, ao passo que certamente será cobrado em outro procedimento administrativo específico. Quanto ao cabimento, ou melhor, aplicação da denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do Código Tributário Nacional, à denominada “multa moratória”, tenho que seu exame perpassa a definição da natureza jurídica de tal acréscimo pecuniário incidente sobre os recolhimentos tributários extemporâneos. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 4 Desde há muito defendo que a multa moratória não ostenta a natureza de pena administrativa, a atrair a figura da denúncia espontânea, mesmo que o seu título a isto possa induzir. Em minha opinião, seu caráter é meramente indenizatório, um ônus de natureza civil arcado pelo contribuinte impontual em face da lesão causada aos cofres públicos pela indisponibilidade dos recursos a ela pertencentes na data legalmente aprazada. (...) O recurso especial basicamente postula a aplicação da tese exposta no voto vencido, afirmando tratarse de matéria já decidida pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos. Traz como paradigma o acórdão CSRF 0304.630, que acolheu, na íntegra, a tese nele defendida. Em contrarrazões, sustenta a representação da Fazenda Nacional a manutenção do julgado, mencionando também ser pacífica a jurisprudência do STJ, por se tratar, em seu entender, de recolhimento em atraso de débito já declarado. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS O recurso foi bem admitido, na medida em que a decisão apontada como paradigmática examinou precisamente a mesma situação e acolheu a tese nele esposada. Passo ao seu exame. E é mister iniciálo pelo reconhecimento de que a tese abraçada na decisão recorrida já não mais encontra guarida na consolidada jurisprudência do STJ. De fato, segundo aquele Pretório, não é o caráter punitivo ou não da multa que faz com que seja ela excluída quando efetivamente verificada a denúncia espontânea, posição que tem sido reiteradamente reafirmada em inúmeros julgados oriundos daquele tribunal, como se mostrará em seguida. Em verdade, desde há muito a discussão ali se deslocou para a efetiva ocorrência da denúncia espontânea na acepção do art. 138 do CTN, e a tal ponto se consolidou a jurisprudência que já está ela sumulada, tendo sido objeto, também, de decisões nos moldes do art. 543C do CTN1: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo" . É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado 1 Entre outros, Resp 886.462 e 962.367. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 11831.005333/200239 Acórdão n.º 9303003.489 CSRFT3 Fl. 274 5 e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (grifos meus) Destarte, o pleito expresso no recurso no sentido da aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF então vigente (hoje art. 62 da Portaria MF 343/2015) lhe seria inteiramente desfavorável. Mas não é esse o caso. E isso porque a situação pacificada no STJ não é a que enfrentamos aqui. Deveras, conforme bem relatado pelo dr. Marcos Tranchesi, embora tratemos aqui, de fato, de tributo sujeito a lançamento por homologação, o recolhimento efetuado sem a multa se deu antes da entrega da DCTF. Para situações como essa, inexiste decisão que estejamos obrigados a reproduzir consoante a disposição regimental. E é bem sabido que não se pode aplicar o art. 62 A a contrário senso, isto é, entendermonos obrigados a reconhecer a denúncia espontânea quando o recolhimento anteceda a declaração apenas porque a situação oposta a descaracteriza no dizer do STJ. Há, porém, como bem indicado no recurso do contribuinte, posição consolidada no âmbito da Primeira Seção daquele tribunal que cuida de situação, em tese, ainda mais desfavorável ao contribuinte. Ela pode bem ser exemplificada pela que segue2: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CTN, ART. 138 e 161. IMPOSTO DE RENDA SOBRE O LUCRO. TRIBUTO SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO A MENOR. EQUÍVOCO NA APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DA COFINS E DO PASEP. RECOLHIMENTO DA DIFERENÇA APURADA ANTES DE QUALQUER PROCEDIMENTO FISCAL. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. JURISPRUDÊNCIA SEDIMENTADA NA PRIMEIRA SEÇÃO. 1. A denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que inexistente qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização antecedente (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008; AgRg nos EREsp 805.702/PR, Primeira Seção, DJ 17.03.2008; REsp 968.675/RS, Segunda Turma, DJ 06.05.2008; e EDcl no AgRg no REsp 967.190/CE, Primeira Turma, DJ 08.05.2008). 2. In casu, contudo, o contribuinte, ao verificar a existência de recolhimento a menor (não conjugado de entrega de qualquer declaração ao Fisco), efetuou o pagamento da diferença apurada acrescida de juros legais, acompanhada de confissão 2 Resp 805.753 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 6 do débito tributário, antes de qualquer procedimento da Administração Tributária, o que, em conformidade com a jurisprudência sedimentada nesta Corte Superior, impõe a aplicação do benefício da denúncia espontânea, com a conseqüente possibilidade de exclusão da multa moratória. 3. Recurso especial provido. Ou seja, mesmo que o recolhimento se dê após a entrega de uma primeira DCTF, ainda se pode conceber a denúncia espontânea desde que tal recolhimento se refira a diferença nela não declarada e que esse recolhimento anteceda a entrega da DCTF que vier a retificar a anterior. Muito embora essa não seja a situação dos autos, parece impossível considear que, no entender daquele Pretório, não se aplique a mesma conclusão quando o recolhimento antecede qualquer declaração do débito. E também parece impossível a reversão desse entendimento no Tribunal Superior, fazendo ineficiente a continuidade de decisões administrativas que a violem, mesmo quando o relator (e este é o meu caso) dela divirja. Com tais considerações, é o meu voto pelo provimento do recurso da contribuinte. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 277DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS
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Numero do processo: 10950.725891/2014-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. RENDIMENTOS ACUMULADOS. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR.
Rendimentos acumulados pagos por entidade de previdência privada são tributados no ajuste anual.
Numero da decisão: 2301-004.753
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
João Bellini Júnior Presidente e relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (suplente), Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. RENDIMENTOS ACUMULADOS. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. Rendimentos acumulados pagos por entidade de previdência privada são tributados no ajuste anual.
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Recorrente JAIR MAXIMIANO DE SOUZA Recorrida UNIÃO (REPRESENTADA PELA FAZENDA NACIONAL) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. RENDIMENTOS ACUMULADOS. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. Rendimentos acumulados pagos por entidade de previdência privada são tributados no ajuste anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. João Bellini Júnior – Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (suplente), Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1537.622, de 26/11/2014, (fls. 90 a 92). No lançamento, relativo ao anocalendário 2012, foram incluídos rendimentos omitidos de R$197.921,57 e imposto retido na fonte de R$46.293,09, pagos pela Fundação Copel, resultando em imposto suplementar de R$12.475,78. De acordo com o relatório fiscal, o contribuinte informara tais rendimentos como tributáveis exclusivamente na fonte, por terem sido pagos acumuladamente; porém, tal AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 58 91 /2 01 4- 39 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 forma de tributação não se aplica aos rendimentos pagos por entidades de previdência complementar. Na impugnação, é referido que, apesar da Fundação Copel aparecer como pólo passivo na demanda, as verbas deferidas foram pagas pela Copel, sendo que a entidade de previdência complementar somente foi incluída porque as verbas geraram reflexos nas contribuições do seu plano de previdência. A DRJ julgou a impugnação improcedente, e o acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 RENDIMENTOS ACUMULADOS. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. Rendimentos acumulados pagos por entidade de previdência privada são tributados no ajuste anual. A ciência dessa decisão ocorreu em 16/12/2014 (fl. 96). Em 14/01/2015, foi apresentado recurso voluntário (fls. 97 a 103), no qual são reafirmados, em síntese, os argumentos da impugnação. Foi requerida a anulação do auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro João Bellini Júnior, Relator Conheço do recurso por atender aos requisitos de admissibilidade. Como referido pela decisão recorrida, o art. 12A da Lei nº 7.713, de 1988, introduzido pela Lei 12.350, de 2010, define, como regra, a tributação exclusiva na fonte para os rendimentos recebidos acumuladamente, quando decorrentes de rendimentos do trabalho, aposentadoria, pensão, reserva remunerada ou reforma, pagos pelas entidades públicas de previdência social: Art. 12A. Os rendimentos do trabalho e os provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. (Incluído pela Lei 12.350, de 2010) Da leitura do artigo citado, verificase que, serão tributados exclusivamente na fonte, tãosomente (a) os rendimentos do trabalho e (b) os provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10950.725891/201439 Acórdão n.º 2301004.753 S2C3T1 Fl. 107 3 No caso concreto, não há qualquer dúvidas de que os rendimentos em questão foram pagos por entidade de previdência complementar. O nome do réu na ação trabalhista é suficiente para a constatação: Fundação Copel de Previdência e Assistência Social (efl. 51). A análise da sentença na ação trabalhista 030670089.2006.5.09.0661 confirma essa informação (disponível em http://www.trt9.jus.br/internet_base/ publicacaoman.do?evento=Editar&chPlc=3475099&procR=AAAXtaABaAAKFllAAT&ctl=3 067): JAIR MAXIMINIANO DE SOUZA propôs a presente Reclamação Trabalhista em desfavor de COMPANHIA PARANAENSE DE ENERGIA COPEL e FUNDAÇÃO COPEL DE PREVIDÊNCIA E ASSISTÊNCIA SOCIAL, alegando, em síntese, ter proposto por uma outra reclamação trabalhista onde restaram deferidas diversas verbas salariais. Disse ter trabalhado para a Copel de 01.11.1973 a 31.08.1995. Informou que, com a rescisão contratual, passou a receber complementação de aposentadoria paga pela segunda reclamada. Aponta diferenças na complementação em razão das verbas que foram deferidas na Reclamação Trabalhista 1886/1996 da 4ª VT de Maringá. Requereu a integração das verbas reconhecidas e deferidas nos autos 1886/1996 na complementação de aposentadoria, com pagamento das diferenças vencidas e vincendas. Requereu a condenação solidária das reclamadas e a condenação em honorários advocatícios e benefícios da Justiça Gratuita, atribuindo à causa o valor de R$ 20.000,00 (vinte mil reais). (Grifos no original.) O § 3º do art. 2º da Instrução Normativa SRF 1.127 (incluído pela IN RFB 1.261, de 2012), explicitava a regra do art. 12A da Lei nº 7.713, de 1988, já transcrito: IN RFB 1.127 Art. 2º Os RRA, a partir de 28 de julho de 2010, relativos a anos calendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, quando decorrentes de: I aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios; e II rendimentos do trabalho. (,,,) § 3º O disposto no caput não se aplica aos rendimentos pagos pelas entidades de previdência complementar. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.261, de 20 de março de 2012 ) No mesmo sentido a IN RFB 1500, de 2014, com a redação dada pela IN RFB 1558, de 2015: Fl. 108DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 IN RFB 1500, de 2014 Art. 36. Os RRA, a partir de 11 de março de 2015, submetidos à incidência do imposto sobre a renda com base na tabela progressiva, quando correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1558, de 31 de março de 2015) (...) § 3º O disposto no caput aplicase desde 28 de julho de 2010 aos rendimentos decorrentes: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1558, de 31 de março de 2015) I de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios; e (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1558, de 31 de março de 2015) II do trabalho. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1558, de 31 de março de 2015) (Grifouse.) Inexistente, pois, a possibilidade de que os rendimentos em questão sejam tributados exclusivamente na fonte. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. João Bellini Júnior – relator Fl. 109DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10983.721188/2013-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2009
AFRONTA AO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL E FALTA DE MOTIVAÇÃO
Da leitura dos Auto de Infração e Relatório Fiscal e seus Anexos I ao XXVI, constata-se que a atuação foi devidamente fundamentada, estando a motivação do lançamento, a fundamentação legal e as infrações claramente descritas em seu corpo.
Assim, foi plenamente atendido o art. 50 da Lei n° 9.784/99, que dispõe sobre a motivação dos atos administrativos. Portanto, não há que se falar em nulidade do auto de infração.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2009
REGISTRO DE CRÉDITOS BÁSICOS. CONCEITO DE INSUMOS.
Considera-se como insumo, para fins de registro de créditos básicos, observados os limites impostos pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produto destinado à venda, e que tenha relação com as receitas tributadas, dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo e cuja subtração obsta a atividade da empresa ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes
Nesta linha, deve ser reconhecido o direito ao registro de créditos relativos a custos com industrialização por encomenda, embalagens para transporte, fretes nas compras de insumos e no seu transporte entre estabelecimentos da Recorrente, pallets de madeira, operador logístico, análises laboratoriais, repalletização e tintas para carimbo.
COMPRA DE PRODUTOS DE PESSOAS FÍSICAS OU BENEFICIADOS COM SUSPENSÃO OU ALÍQUOTA ZERO. VEDAÇÃO AO REGISTRO DE CRÉDITOS
As aquisições de produtos que não sofreram tributação pelo PIS e COFINS, por terem sido adquiridos de não contribuintes (pessoas físicas), gozarem de suspensão ou terem a alíquota reduzida a zero, não geram direito a crédito, conforme o disposto nos inc. II do § 2° do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Neste caso, encontram-se as compras de leite in natura e pasteurizado ou industrializado e vacinas, pintos e ovos.
DIÁRIAS E HORA-MÁQUINA DE TRATORES. FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA A TOMADA DE CRÉDITOS
O dispositivo legal que trata especificamente de despesas com aluguel (inc. IV do art. 3° Leis n° 10.637/02 e 10.833/03) não prevê gastos com aluguel de tratores. Portanto, não deve ser reconhecido o crédito.
GASTOS SEM COMPROVANTE. VEDAÇÃO À TOMADA DE CRÉDITOS
Não devem ser admitidos créditos sobre gastos, cuja documentação comprobatória não foi apresentada, tais como com compras de recortes de congelados de aves e aluguéis de prédios.
CRÉDITO PRESUMIDO. INDUSTRIALIZAÇÃO EFETUADA POR TERCEIROS
Regra que trata de benefício fiscal deve ser interpretada de forma estrita. Assim, o benefício fiscal do registro de crédito presumido não deve ser estendido aos casos de compra de leite in natura, cuja industrialização foi efetuada por terceiros.
CRÉDITO PRESUMIDO. PERCENTUAL DETERMINADO COM BASE NO PRODUTO EM QUE O INSUMO FOR APLICADO
Com a edição da Lei n° 12.865/13, que acresceu o § 10 ao art. 8° da Lei n° 10.925/04, pôs-se fim à controvérsia em torno da determinação do percentual a ser aplicado sobre os insumos, para fins de cálculo do crédito presumido. O percentual é determinado de acordo com classificação na TIPI do produto em que o insumo é aplicado. Isto posto, os créditos presumidos sobre aquisições de frangos vivos, milho, sorgo, soja e outros insumos, aplicados na produção de carnes e miudezas comestíveis, classificadas no Capítulo 2 da TIPI, devem ser calculados à razão de 60% das alíquotas de PIS e COFINS previstas nos arts. 2° das Leis n° 10.633/02 e 10.833/03.
VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS PARA FRUIÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL
A não incidência do PIS e da COFINS prevista nos inc. III do art. 5° da Lei n° 10.637/02 e inc. II do art. 6° da Lei n° 10.833/03 somente se aplica a vendas, cuja mercadoria é entregue no porto de embarque ou em recinto alfandegado. A Recorrente não faz jus ao beneficio fiscal, porque não atendeu aos requisitos legais.
MULTA QUALIFICADA. FALTA DE PROVA CABAL
Não se sustenta a qualificação da multa, quando não há nos autos prova cabal de ato doloso, porém, simplesmente, divergências entre as interpretações do Fisco e do contribuinte e falta de comprovação de gastos.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2009
REGISTRO DE CRÉDITOS BÁSICOS. CONCEITO DE INSUMOS.
Considera-se como insumo, para fins de registro de créditos básicos, observados os limites impostos pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produto destinado à venda, e que tenha relação com as receitas tributadas, dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo e cuja subtração obsta a atividade da empresa ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes
Nesta linha, deve ser reconhecido o direito ao registro de créditos relativos a custos com industrialização por encomenda, embalagens para transporte, fretes nas compras de insumos e no seu transporte entre estabelecimentos da Recorrente, pallets de madeira, operador logístico, análises laboratoriais, repalletização e tintas para carimbo.
COMPRA DE PRODUTOS DE PESSOAS FÍSICAS OU BENFICIADOS COM SUSPENSÃO OU ALÍQUOTA ZERO. VEDAÇÃO AO REGISTRO DE CRÉDITOS
As aquisições de produtos que não sofreram tributação pelo PIS e COFINS, por terem sido adquiridos de não contribuintes (pessoas físicas), gozarem de suspensão ou terem a alíquota reduzida a zero, não geram direito a crédito, conforme o disposto nos inc. II do § 2° do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Neste caso, encontram-se as compras de leite in natura e pasteurizado ou industrializado e vacinas, pintos e ovos.
DIÁRIAS E HORA-MÁQUINA DE TRATORES. FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA A TOMADA DE CRÉDITOS
O dispositivo legal que trata especificamente de despesas com aluguel (inc. IV do art. 3° Leis n° 10.637/02 e 10.833/03) não prevê gastos com aluguel de tratores. Portanto, não deve ser reconhecido o crédito.
GASTOS SEM COMPROVANTE. VEDAÇÃO À TOMADA DE CRÉDITOS
Não devem ser admitidos créditos sobre gastos, cuja documentação comprobatória não foi apresentada, tais como com compras de recortes de congelados de aves e aluguéis de prédios.
CRÉDITO PRESUMIDO. INDUSTRIALIZAÇÃO EFETUADA POR TERCEIROS
Regra que trata de benefício fiscal deve ser interpretada de forma estrita. Assim, o benefício fiscal do registro de crédito presumido não deve ser estendido aos casos de compra de leite in natura, cuja industrialização foi efetuada por terceiros.
CRÉDITO PRESUMIDO. PERCENTUAL DETERMINADO COM BASE NO PRODUTO EM QUE O INSUMO FOR APLICADO
Com a edição da Lei n° 12.865/13, que acresceu o § 10 ao art. 8° da Lei n° 10.925/04, pôs-se fim à controvérsia em torno da determinação do percentual a ser aplicado sobre os insumos, para fins de cálculo do crédito presumido. O percentual é determinado de acordo com classificação na TIPI do produto em que o insumo é aplicado. Isto posto, os créditos presumidos sobre aquisições de frangos vivos, milho, sorgo, soja e outros insumos, aplicados na produção de carnes e miudezas comestíveis, classificadas no Capítulo 2 da TIPI, devem ser calculados à razão de 60% das alíquotas de PIS e COFINS previstas nos arts. 2° das Leis n° 10.633/02 e 10.833/03.
VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS PARA FRUIÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL
A não incidência do PIS e da COFINS prevista nos inc. III do art. 5° da Lei n° 10.637/02 e inc. III do art. 6° da Lei n° 10.833/03 somente se aplica a vendas, cuja mercadoria é entregue no porto de embarque ou em recinto alfandegado. A Recorrente não faz jus ao beneficio fiscal, porque não atendeu aos requisitos legais.
MULTA QUALIFICADA. FALTA DE PROVA CABAL
Não se sustenta a qualificação da multa, quando não há nos autos prova cabal de ato doloso, porém, simplesmente, divergências entre as interpretações do Fisco e do contribuinte e falta de comprovação de gastos.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 3301-002.999
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário em relação à Preliminar de Nulidade do Lançamento. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário na apropriação de créditos na Industrialização Realizada por Terceiros e os correspondentes insumos, com exceção das compras de leite in natura e pasteurizado ou industrializado, em razão de serem adquiridos com alíquota zero. Vencidos Conselheiros Francisco e Paulo. Por unanimidade, dar provimento em relação aos créditos na Aquisição de Embalagens para Transporte. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário na aquisição de Vacinas, Pintos e Ovos. Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário no item pagamento de Fretes na Aquisição de Insumos, para acatar os créditos decorrentes de fretes na aquisição de insumos e no transporte entre estabelecimentos da recorrente, mantendo a glosa para os quais a motivação dos serviços de frete não foi identificadas. Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário no item Recortes de Congelados de Aves, mantendo somente as glosas em relação aos produtos, cujos documentos fiscais e os fornecedores não foram identificados. Por unanimidade de votos, dar provimento ao item Pallets de Madeira. Por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário no item serviços realizados por operador logístico. Vencidos Conselheiros Francisco e Paulo que negavam provimento. Por unanimidade de votos, dar provimento em relação ao item Análises Laboratoriais. Por maioria de votos, negar provimento em relação ao item Diárias e Horas-Máquina de Tratores. Vencida Maria Eduarda. Por unanimidade de votos, dar provimento em relação ao item Repaletização. Por unanimidade de votos, dar provimento em relação ao item Tintas para Carimbo. Por unanimidade de votos, negar provimento em relação ao item Aluguéis de Prédios. Por unanimidade de votos, negar provimento em relação ao item Leite In Natura. Por unanimidade de votos, dar provimento em relação ao item Frangos Vivos, Milho, Sorgo, Soja e Demais Insumos. Por unanimidade de votos, negar provimento em relação ao item Apuração dos Débitos dos Tributos. Por unanimidade de votos, dar provimento em relação ao item Multa Qualificada, para reduzi-la para 75%. Por unanimidade de votos, negar provimento em relação ao item Pedido de Diligência e Perícia.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, VALCIR GASSEN, MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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Considera-se como insumo, para fins de registro de créditos básicos, observados os limites impostos pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produto destinado à venda, e que tenha relação com as receitas tributadas, dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo e cuja subtração obsta a atividade da empresa ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes Nesta linha, deve ser reconhecido o direito ao registro de créditos relativos a custos com industrialização por encomenda, embalagens para transporte, fretes nas compras de insumos e no seu transporte entre estabelecimentos da Recorrente, pallets de madeira, operador logístico, análises laboratoriais, repalletização e tintas para carimbo. COMPRA DE PRODUTOS DE PESSOAS FÍSICAS OU BENEFICIADOS COM SUSPENSÃO OU ALÍQUOTA ZERO. VEDAÇÃO AO REGISTRO DE CRÉDITOS As aquisições de produtos que não sofreram tributação pelo PIS e COFINS, por terem sido adquiridos de não contribuintes (pessoas físicas), gozarem de suspensão ou terem a alíquota reduzida a zero, não geram direito a crédito, conforme o disposto nos inc. II do § 2° do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Neste caso, encontram-se as compras de leite in natura e pasteurizado ou industrializado e vacinas, pintos e ovos. DIÁRIAS E HORA-MÁQUINA DE TRATORES. FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA A TOMADA DE CRÉDITOS O dispositivo legal que trata especificamente de despesas com aluguel (inc. IV do art. 3° Leis n° 10.637/02 e 10.833/03) não prevê gastos com aluguel de tratores. Portanto, não deve ser reconhecido o crédito. GASTOS SEM COMPROVANTE. VEDAÇÃO À TOMADA DE CRÉDITOS Não devem ser admitidos créditos sobre gastos, cuja documentação comprobatória não foi apresentada, tais como com compras de recortes de congelados de aves e aluguéis de prédios. CRÉDITO PRESUMIDO. INDUSTRIALIZAÇÃO EFETUADA POR TERCEIROS Regra que trata de benefício fiscal deve ser interpretada de forma estrita. Assim, o benefício fiscal do registro de crédito presumido não deve ser estendido aos casos de compra de leite in natura, cuja industrialização foi efetuada por terceiros. CRÉDITO PRESUMIDO. PERCENTUAL DETERMINADO COM BASE NO PRODUTO EM QUE O INSUMO FOR APLICADO Com a edição da Lei n° 12.865/13, que acresceu o § 10 ao art. 8° da Lei n° 10.925/04, pôs-se fim à controvérsia em torno da determinação do percentual a ser aplicado sobre os insumos, para fins de cálculo do crédito presumido. O percentual é determinado de acordo com classificação na TIPI do produto em que o insumo é aplicado. Isto posto, os créditos presumidos sobre aquisições de frangos vivos, milho, sorgo, soja e outros insumos, aplicados na produção de carnes e miudezas comestíveis, classificadas no Capítulo 2 da TIPI, devem ser calculados à razão de 60% das alíquotas de PIS e COFINS previstas nos arts. 2° das Leis n° 10.633/02 e 10.833/03. VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS PARA FRUIÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL A não incidência do PIS e da COFINS prevista nos inc. III do art. 5° da Lei n° 10.637/02 e inc. II do art. 6° da Lei n° 10.833/03 somente se aplica a vendas, cuja mercadoria é entregue no porto de embarque ou em recinto alfandegado. A Recorrente não faz jus ao beneficio fiscal, porque não atendeu aos requisitos legais. MULTA QUALIFICADA. FALTA DE PROVA CABAL Não se sustenta a qualificação da multa, quando não há nos autos prova cabal de ato doloso, porém, simplesmente, divergências entre as interpretações do Fisco e do contribuinte e falta de comprovação de gastos. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2009 REGISTRO DE CRÉDITOS BÁSICOS. CONCEITO DE INSUMOS. Considera-se como insumo, para fins de registro de créditos básicos, observados os limites impostos pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produto destinado à venda, e que tenha relação com as receitas tributadas, dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo e cuja subtração obsta a atividade da empresa ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes Nesta linha, deve ser reconhecido o direito ao registro de créditos relativos a custos com industrialização por encomenda, embalagens para transporte, fretes nas compras de insumos e no seu transporte entre estabelecimentos da Recorrente, pallets de madeira, operador logístico, análises laboratoriais, repalletização e tintas para carimbo. COMPRA DE PRODUTOS DE PESSOAS FÍSICAS OU BENFICIADOS COM SUSPENSÃO OU ALÍQUOTA ZERO. VEDAÇÃO AO REGISTRO DE CRÉDITOS As aquisições de produtos que não sofreram tributação pelo PIS e COFINS, por terem sido adquiridos de não contribuintes (pessoas físicas), gozarem de suspensão ou terem a alíquota reduzida a zero, não geram direito a crédito, conforme o disposto nos inc. II do § 2° do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Neste caso, encontram-se as compras de leite in natura e pasteurizado ou industrializado e vacinas, pintos e ovos. DIÁRIAS E HORA-MÁQUINA DE TRATORES. FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA A TOMADA DE CRÉDITOS O dispositivo legal que trata especificamente de despesas com aluguel (inc. IV do art. 3° Leis n° 10.637/02 e 10.833/03) não prevê gastos com aluguel de tratores. Portanto, não deve ser reconhecido o crédito. GASTOS SEM COMPROVANTE. VEDAÇÃO À TOMADA DE CRÉDITOS Não devem ser admitidos créditos sobre gastos, cuja documentação comprobatória não foi apresentada, tais como com compras de recortes de congelados de aves e aluguéis de prédios. CRÉDITO PRESUMIDO. INDUSTRIALIZAÇÃO EFETUADA POR TERCEIROS Regra que trata de benefício fiscal deve ser interpretada de forma estrita. Assim, o benefício fiscal do registro de crédito presumido não deve ser estendido aos casos de compra de leite in natura, cuja industrialização foi efetuada por terceiros. CRÉDITO PRESUMIDO. PERCENTUAL DETERMINADO COM BASE NO PRODUTO EM QUE O INSUMO FOR APLICADO Com a edição da Lei n° 12.865/13, que acresceu o § 10 ao art. 8° da Lei n° 10.925/04, pôs-se fim à controvérsia em torno da determinação do percentual a ser aplicado sobre os insumos, para fins de cálculo do crédito presumido. O percentual é determinado de acordo com classificação na TIPI do produto em que o insumo é aplicado. Isto posto, os créditos presumidos sobre aquisições de frangos vivos, milho, sorgo, soja e outros insumos, aplicados na produção de carnes e miudezas comestíveis, classificadas no Capítulo 2 da TIPI, devem ser calculados à razão de 60% das alíquotas de PIS e COFINS previstas nos arts. 2° das Leis n° 10.633/02 e 10.833/03. VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS PARA FRUIÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL A não incidência do PIS e da COFINS prevista nos inc. III do art. 5° da Lei n° 10.637/02 e inc. III do art. 6° da Lei n° 10.833/03 somente se aplica a vendas, cuja mercadoria é entregue no porto de embarque ou em recinto alfandegado. A Recorrente não faz jus ao beneficio fiscal, porque não atendeu aos requisitos legais. MULTA QUALIFICADA. FALTA DE PROVA CABAL Não se sustenta a qualificação da multa, quando não há nos autos prova cabal de ato doloso, porém, simplesmente, divergências entre as interpretações do Fisco e do contribuinte e falta de comprovação de gastos. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 43; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2400; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 10 1 9 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.721188/201393 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301002.999 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de junho de 2016 Matéria PIS e COFINS Recorrente BRF S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2009 AFRONTA AO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL E FALTA DE MOTIVAÇÃO Da leitura dos Auto de Infração e Relatório Fiscal e seus Anexos I ao XXVI, constatase que a atuação foi devidamente fundamentada, estando a motivação do lançamento, a fundamentação legal e as infrações claramente descritas em seu corpo. Assim, foi plenamente atendido o art. 50 da Lei n° 9.784/99, que dispõe sobre a motivação dos atos administrativos. Portanto, não há que se falar em nulidade do auto de infração. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2009 REGISTRO DE CRÉDITOS BÁSICOS. CONCEITO DE INSUMOS. Considerase como insumo, para fins de registro de créditos básicos, observados os limites impostos pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produto destinado à venda, e que tenha relação com as receitas tributadas, dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo e cuja subtração obsta a atividade da empresa ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes Nesta linha, deve ser reconhecido o direito ao registro de créditos relativos a custos com industrialização por encomenda, embalagens para transporte, fretes nas compras de insumos e no seu transporte entre estabelecimentos da Recorrente, pallets de madeira, operador logístico, análises laboratoriais, repalletização e tintas para carimbo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 11 88 /2 01 3- 93 Fl. 3827DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/201393 Acórdão n.º 3301002.999 S3C3T1 Fl. 11 2 COMPRA DE PRODUTOS DE PESSOAS FÍSICAS OU BENEFICIADOS COM SUSPENSÃO OU ALÍQUOTA ZERO. VEDAÇÃO AO REGISTRO DE CRÉDITOS As aquisições de produtos que não sofreram tributação pelo PIS e COFINS, por terem sido adquiridos de não contribuintes (pessoas físicas), gozarem de suspensão ou terem a alíquota reduzida a zero, não geram direito a crédito, conforme o disposto nos inc. II do § 2° do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Neste caso, encontramse as compras de leite in natura e pasteurizado ou industrializado e vacinas, pintos e ovos. DIÁRIAS E HORAMÁQUINA DE TRATORES. FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA A TOMADA DE CRÉDITOS O dispositivo legal que trata especificamente de despesas com aluguel (inc. IV do art. 3° Leis n° 10.637/02 e 10.833/03) não prevê gastos com aluguel de tratores. Portanto, não deve ser reconhecido o crédito. GASTOS SEM COMPROVANTE. VEDAÇÃO À TOMADA DE CRÉDITOS Não devem ser admitidos créditos sobre gastos, cuja documentação comprobatória não foi apresentada, tais como com compras de recortes de congelados de aves e aluguéis de prédios. CRÉDITO PRESUMIDO. INDUSTRIALIZAÇÃO EFETUADA POR TERCEIROS Regra que trata de benefício fiscal deve ser interpretada de forma estrita. Assim, o benefício fiscal do registro de crédito presumido não deve ser estendido aos casos de compra de leite in natura, cuja industrialização foi efetuada por terceiros. CRÉDITO PRESUMIDO. PERCENTUAL DETERMINADO COM BASE NO PRODUTO EM QUE O INSUMO FOR APLICADO Com a edição da Lei n° 12.865/13, que acresceu o § 10 ao art. 8° da Lei n° 10.925/04, pôsse fim à controvérsia em torno da determinação do percentual a ser aplicado sobre os insumos, para fins de cálculo do crédito presumido. O percentual é determinado de acordo com classificação na TIPI do produto em que o insumo é aplicado. Isto posto, os créditos presumidos sobre aquisições de frangos vivos, milho, sorgo, soja e outros insumos, aplicados na produção de carnes e miudezas comestíveis, classificadas no Capítulo 2 da TIPI, devem ser calculados à razão de 60% das alíquotas de PIS e COFINS previstas nos arts. 2° das Leis n° 10.633/02 e 10.833/03. VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS PARA FRUIÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL A não incidência do PIS e da COFINS prevista nos inc. III do art. 5° da Lei n° 10.637/02 e inc. II do art. 6° da Lei n° 10.833/03 somente se aplica a vendas, cuja mercadoria é entregue no porto de embarque ou em recinto alfandegado. A Recorrente não faz jus ao beneficio fiscal, porque não atendeu aos requisitos legais. MULTA QUALIFICADA. FALTA DE PROVA CABAL Fl. 3828DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/201393 Acórdão n.º 3301002.999 S3C3T1 Fl. 12 3 Não se sustenta a qualificação da multa, quando não há nos autos prova cabal de ato doloso, porém, simplesmente, divergências entre as interpretações do Fisco e do contribuinte e falta de comprovação de gastos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2009 REGISTRO DE CRÉDITOS BÁSICOS. CONCEITO DE INSUMOS. Considerase como insumo, para fins de registro de créditos básicos, observados os limites impostos pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produto destinado à venda, e que tenha relação com as receitas tributadas, dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo e cuja subtração obsta a atividade da empresa ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes Nesta linha, deve ser reconhecido o direito ao registro de créditos relativos a custos com industrialização por encomenda, embalagens para transporte, fretes nas compras de insumos e no seu transporte entre estabelecimentos da Recorrente, pallets de madeira, operador logístico, análises laboratoriais, repalletização e tintas para carimbo. COMPRA DE PRODUTOS DE PESSOAS FÍSICAS OU BENFICIADOS COM SUSPENSÃO OU ALÍQUOTA ZERO. VEDAÇÃO AO REGISTRO DE CRÉDITOS As aquisições de produtos que não sofreram tributação pelo PIS e COFINS, por terem sido adquiridos de não contribuintes (pessoas físicas), gozarem de suspensão ou terem a alíquota reduzida a zero, não geram direito a crédito, conforme o disposto nos inc. II do § 2° do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Neste caso, encontramse as compras de leite in natura e pasteurizado ou industrializado e vacinas, pintos e ovos. DIÁRIAS E HORAMÁQUINA DE TRATORES. FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA A TOMADA DE CRÉDITOS O dispositivo legal que trata especificamente de despesas com aluguel (inc. IV do art. 3° Leis n° 10.637/02 e 10.833/03) não prevê gastos com aluguel de tratores. Portanto, não deve ser reconhecido o crédito. GASTOS SEM COMPROVANTE. VEDAÇÃO À TOMADA DE CRÉDITOS Não devem ser admitidos créditos sobre gastos, cuja documentação comprobatória não foi apresentada, tais como com compras de recortes de congelados de aves e aluguéis de prédios. CRÉDITO PRESUMIDO. INDUSTRIALIZAÇÃO EFETUADA POR TERCEIROS Regra que trata de benefício fiscal deve ser interpretada de forma estrita. Assim, o benefício fiscal do registro de crédito presumido não deve ser estendido aos casos de compra de leite in natura, cuja industrialização foi efetuada por terceiros. Fl. 3829DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/201393 Acórdão n.º 3301002.999 S3C3T1 Fl. 13 4 CRÉDITO PRESUMIDO. PERCENTUAL DETERMINADO COM BASE NO PRODUTO EM QUE O INSUMO FOR APLICADO Com a edição da Lei n° 12.865/13, que acresceu o § 10 ao art. 8° da Lei n° 10.925/04, pôsse fim à controvérsia em torno da determinação do percentual a ser aplicado sobre os insumos, para fins de cálculo do crédito presumido. O percentual é determinado de acordo com classificação na TIPI do produto em que o insumo é aplicado. Isto posto, os créditos presumidos sobre aquisições de frangos vivos, milho, sorgo, soja e outros insumos, aplicados na produção de carnes e miudezas comestíveis, classificadas no Capítulo 2 da TIPI, devem ser calculados à razão de 60% das alíquotas de PIS e COFINS previstas nos arts. 2° das Leis n° 10.633/02 e 10.833/03. VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS PARA FRUIÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL A não incidência do PIS e da COFINS prevista nos inc. III do art. 5° da Lei n° 10.637/02 e inc. III do art. 6° da Lei n° 10.833/03 somente se aplica a vendas, cuja mercadoria é entregue no porto de embarque ou em recinto alfandegado. A Recorrente não faz jus ao beneficio fiscal, porque não atendeu aos requisitos legais. MULTA QUALIFICADA. FALTA DE PROVA CABAL Não se sustenta a qualificação da multa, quando não há nos autos prova cabal de ato doloso, porém, simplesmente, divergências entre as interpretações do Fisco e do contribuinte e falta de comprovação de gastos. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário em relação à Preliminar de Nulidade do Lançamento. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário na apropriação de créditos na Industrialização Realizada por Terceiros e os correspondentes insumos, com exceção das compras de leite in natura e pasteurizado ou industrializado, em razão de serem adquiridos com alíquota zero. Vencidos Conselheiros Francisco e Paulo. Por unanimidade, dar provimento em relação aos créditos na Aquisição de Embalagens para Transporte. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário na aquisição de Vacinas, Pintos e Ovos. Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário no item pagamento de Fretes na Aquisição de Insumos, para acatar os créditos decorrentes de fretes na aquisição de insumos e no transporte entre estabelecimentos da recorrente, mantendo a glosa para os quais a motivação dos serviços de frete não foi identificadas. Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário no item Recortes de Congelados de Aves, mantendo somente as glosas em relação aos produtos, cujos documentos fiscais e os fornecedores não foram identificados. Por unanimidade de votos, dar provimento ao item Pallets de Madeira. Por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário no item serviços realizados por operador logístico. Vencidos Conselheiros Francisco e Paulo que negavam provimento. Por unanimidade de votos, dar provimento em relação ao item Análises Laboratoriais. Por maioria Fl. 3830DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/201393 Acórdão n.º 3301002.999 S3C3T1 Fl. 14 5 de votos, negar provimento em relação ao item Diárias e HorasMáquina de Tratores. Vencida Maria Eduarda. Por unanimidade de votos, dar provimento em relação ao item Repaletização. Por unanimidade de votos, dar provimento em relação ao item Tintas para Carimbo. Por unanimidade de votos, negar provimento em relação ao item Aluguéis de Prédios. Por unanimidade de votos, negar provimento em relação ao item Leite In Natura. Por unanimidade de votos, dar provimento em relação ao item Frangos Vivos, Milho, Sorgo, Soja e Demais Insumos. Por unanimidade de votos, negar provimento em relação ao item Apuração dos Débitos dos Tributos. Por unanimidade de votos, dar provimento em relação ao item Multa Qualificada, para reduzila para 75%. Por unanimidade de votos, negar provimento em relação ao item Pedido de Diligência e Perícia. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, VALCIR GASSEN, MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES Fl. 3831DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/201393 Acórdão n.º 3301002.999 S3C3T1 Fl. 15 6 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: Trata o presente processo de Autos de Infração de Cofins (fls. 3175 a 3185) e PIS (fls. 3166 a 3174) referentes aos meses de outubro de 2008 a dezembro de 2009. A empresa apura as contribuições pela modalidade nãocumulativa. A fiscalização se iniciou a partir dos pleitos de ressarcimento de Avipal Nordeste S/A (CNPJ 01.573.181). Após, a empresa foi incorporada por Brasil Foods S/A (BRF). A fiscalização refez a apuração e apurou irregularidade no aproveitamento de créditos e nas receitas submetidas à tributação, tendo constatado que nos meses em questão resultariam valores a pagar das contribuições. O valor total dos lançamentos somou R$ 13.322.706,86, no caso da Cofins, e R$ 2.892.429,79, para o PIS. O auto de infração foi efetuado com a multa agravada de 150%, totalizando, com a multa e juros até 09/2013, R$ 38.499.800,17 (Cofins) e R$ 8.358.509,32 (PIS). O denominado Relatório Fiscal (fl. 501 a 532) descreve a verificação efetuada e conclusões obtidas. De início, é descrito o ramo do leite, referente ao qual todos os créditos foram glosados. Iniciada a verificação, ainda em relação aos períodos imediatamente anteriores aos aqui lançados, a Avipal Nordeste informou que a industrialização do leite era realizada por outras empresas, por encomenda. Foram analisados, com base na documentação ofertada, a situação da industrialização realizada por Cooperativa Central de Produtores de Leite (CCPL), Agropecuária Tuiuti e Cooperativa Central de Laticínios do Estado de São Paulo (CCL). Em todos os casos, os contratos existentes de industrialização por encomenda não foram celebrados com Avipal Nordeste, que, no máximo figurava como anuente, mas sim com Batavia S/A Indústria de Alimentos, Brasil Foods S/A e Eleva Alimentos S/A. Na época, Batavia, Eleva e Avipal NE, eram subsidiárias integrais de Perdigão S/A. No primeiro caso, da CCPL, o leite in natura e todos os demais insumos eram fornecidos por Batavia, que era a empresa que poderia, como de fato o fazia, pelo menos parcialmente, aproveitar os créditos. No segundo caso, as minutas de consolidação de contrato já indicavam expressamente a preocupação com a regularização da situação formal. Constatouse que o que dispunha a Avipal NE era de uma sala alugada nas dependências da Tuiuti e outra sala cedida, sendo este o endereço da filial que estaria voltada à produção de leite. Também, os insumos creditados por Avipal não foram comprados e pagos por Avipal NE. No terceiro caso, da CCL, também inexistia relação jurídica, à época, de industrialização por encomenda diretamente com Avipal NE. Esta, mantinha uma sala comercial nas dependências da CCL, com filial cadastrada no endereço. A CCL já havia sido adquirida por Eleva Alimentos na época dos períodos contemplados no lançamento. Igualmente, no caso, não havia compra/dispêndio por Avipal, pois a contraprestação prevista no contrato seria o pagamento de valores por espécie de lácteo produzido. Outros motivos para o não creditamento, como a alíquota zero no caso de leite industrializado, serão mencionados em separado. Assim, as empresas teriam se Fl. 3832DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/201393 Acórdão n.º 3301002.999 S3C3T1 Fl. 16 7 creditado e emitido documentos fiscais para tal de forma desvinculada da realidade de produção existente. Menciona a fiscalização que a produção de lácteos nem constava na descrição de processo produtivo de Avipal, até alertada do fato. Ou seja, não era juridicamente encomendante, nem eram comprados e pagos, efetivamente, “insumos”. A fiscalização conclui que Avipal NE comercializava os produtos com industrialização contratada por BRF, Eleva ou Batavia. A situação verificada não comporta o creditamento de PIS e Cofins nãocumulativos por Avipal Nordeste, por isso todos os créditos relacionados à produção de leite e derivados foram glosados. Outros valores de créditos básicos foram objeto de glosa, seja por se encontrarem em desacordo com o conceito de insumo, adotado o disposto na IN SRF 404/04, ou por não condizentes com as demais disposições da não cumulatividade. São os itens seguintes, em conformidade com o “Termo de Verificação Fiscal” (TVF): • Embalagens para transporte: tanto do leite como dos demais produtos, por só gerarem créditos as embalagens que puderem ser caracterizadas como insumos, incorporadas no processo produtivo; • Vacinas: por não serem passíveis de creditamento os valores adquiridos sob alíquota zero, como é previsto para as vacinas veterinárias, e, também, por não estar enquadrado na previsão de crédito presumido da Lei 10.925/04; • Fretes: glosados como créditos de insumos, apresentados em separado para leite e outras aquisições, por entenderse que não há previsão de crédito nas compras. Mesmo com interpretação menos restritiva, só seria contemplado o custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda, que não estão segregadas. Também foram incluídos os fretes para transporte de ração para os integrados e transferência de ovos para a incubadora, para os quais inexistiria previsão. Outro motivo é que as contas identificadas genericamente como “frete”, “serviços de frete e carreto” e “compra para estoque” não permitiriam a correta segregação; • Recortes congelados de aves: considerouse que a Avipal NE produz e se utiliza como insumo para creditamento dos recortes congelados de aves, mas inexiste comprovação de seu uso como insumo no processo produtivo; • Pintos e ovos: aquisições com alíquota zero de PIS e Cofins, não comportando crédito básico; • Pallets de madeira: uso para acondicionamento e transporte, não comportando creditamento; • Leite: se desconsiderada a glosa geral antes indicada, ainda não seria passível de creditamento a compra de leite efetuada pela Avipal/BRF. O leite in natura foi adquirido de pessoas físicas, cooperativas ou pessoas jurídicas de atividade enquadrada no art. 9° da Lei 10.925/04, ou seja, ou a aquisição não tem incidência de PIS e Cofins ou está sujeita à suspensão. Alegação de que seriam aquisições de outros fornecedores ou não submetidas à suspensão não se comprova. Algumas aquisições constaram como feitas com pessoas ligadas, em especial Batavia, como compras para industrialização e como destinatário final Avipal NE. Com isso, apenas se buscou “mascarar” a origem, mediante interposição de terceiros sem propósito negocial, caracterizando abuso de forma. Já o leite fluído pasteurizado ou industrializado é adquirido com alíquota zero. Por isso, crédito foi inteiramente glosado nesse item; Fl. 3833DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/201393 Acórdão n.º 3301002.999 S3C3T1 Fl. 17 8 • Outras aquisições classificadas como insumos: foram glosados itens que não são bens ou não sofrem alteração ou desgaste diretamente no processo produtivo, a saber – alimento para consumo (alimento com soja, salame, sobremesa etc.), tinta para carimbo, pagamento de comissões, complemento de “litragem”, contêineres, serviços de carga e descarga, hora máquina de tratores e serviços de repaletização. Ainda seguindo o TVF, com relação aos valores de serviços objeto do creditamento, foram aceitos aqueles prestados por pessoa jurídica aplicados ou consumidos na produção ou fabricação dos produtos, em conformidade com o § 4º, do art. 8º da IN SRF 404/04. É o caso dos serviços referentes a incubação de ovos, congelamento/resfriamento de produtos e de sangria. Porém, não foram aceitos os créditos apurados nos seguintes casos: • Serviços prestados por CCL e Agropecuária Tuiuti referentes a industrialização de leite: pelos motivos já indicados acima não podem ser caracterizados serviços decorrentes da produção de leite ou industrialização por encomenda para fins de creditamento; • Pintos de 1 dia: glosado por não serem serviços e item também constou nos bens utilizados como insumos; • Serviços de operador logístico: via de regra realizados após a produção ou fabricação. Na maioria dos casos realizados por CCL, referentes a descarregamento, armazenagem, seleção e expedição de pedidos entre outros não caracterizados como insumos. Também referentes a outros prestadores, sem contratos ou informações para comprovar ou atestar uma situação diversa; • Outros serviços: glosados os que não podem ser caracterizados como insumos – utensílios de laboratórios, diárias, pallets, fretes, IPTU/ITR. Quanto aos créditos decorrentes de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, não foram apresentados os contratos e recibos de pagamentos que justificassem o seu enquadramento na legislação de regência, tendo sido glosados. Já com relação aos créditos presumidos, foram objeto de glosas os seguintes itens: • Leite: glosa geral. • Frango vivo, milho, sorgo, soja e outros insumos relacionados: o percentual de crédito presumido é apurado de acordo com o tipo de insumo. A empresa calculou como 60% para todos, em desacordo com a Lei 10.925/04, art. 8º, § 3º. Os créditos foram recalculados com o percentual considerado correto, para a soja de 50% (inciso II) e para os demais de 35% (III); Também foram constatadas irregularidades no que diz respeito às receitas submetidas a tributação e decorrente apuração dos débitos. Diversas vendas foram enquadradas pela empresa no art. 5º, III, da Lei 10.637/02 e no art. 6º, III, da Lei 10.833/03, ou seja, venda a comercial exportadora com fim específico de exportação. Todos estes produtos foram comprados por BRF, controladora da Avipal NE. A condição estabelecida para a não incidência é a de que os produtos sejam remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou recintos alfandegados por conta e ordem de comercial exportadora. Por certo, há registros de exportação de BRF, mas tal empresa também produz as mercadorias. Não foi apresentada comprovação de que o requisito legal tenha sido cumprido, assim, tais valores foram submetidos à tributação. Fl. 3834DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/201393 Acórdão n.º 3301002.999 S3C3T1 Fl. 18 9 Por fim, concluiuse que foram contabilizados créditos em desacordo com a legislação, inclusive que deveriam ser apropriados por outras pessoas jurídicas. Os registros efetuados não correspondiam à realidade factual verificada. Também foram constatadas vendas não comprovadas à comercial exportadora. Em tese, ficou caracterizada sonegação/fraude, ao se adotarem ações com objetivo exclusivo de suprimir ou reduzir tributos, resultando em declaração falsa, inserção de elementos inexatos ou omissão de informações e elaboração ou utilização de documento que saiba falso ou inexato (Lei 8.137, art. 1º, I, II e IV). O lançamento foi efetuado com multa agravada. A empresa foi cientificada em 20/09/2013 (fl. 3232). Em 22/10/2013, a empresa apresentou impugnação integral ao lançamento (fls. 3234 a 3542). Preliminarmente, aborda a superficialidade do trabalho fiscal e discorre sobre o princípio da verdade material, que entende ofendido no procedimento efetuado, citando entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Trata da instrução probatória no Processo Administrativo Fiscal (PAF) e da necessidade de conhecimento do processo produtivo. Cita a análise empreendida no caso do leite, em que as conclusões teriam sido obtidas pela simples análise dos contratos, nos quais a autuada é anuente, desprezandose a contabilidade e sem aprofundar o real processo produtivo. Pelo art. 276 do RIR, a escrituração faz prova em favor do contribuinte, o que também pode ser obtido a partir do código de processo civil. Também, os documentos emitidos pelos fornecedores em relação à autuada fazem prova de vontade. Explica ser comum em empresas com relações comerciais muito próximas, a existência de filiais com estruturas compartilhadas. Considera superficial a conclusão da fiscalização, apenas com base em consulta de duas filiais, de que não haveria industrialização por encomenda ou industrialização por parte da impugnante. Alega ser ônus da fiscalização provar a ocorrência das infrações. Quanto ao mérito, inicialmente, indica ser a impugnante parte do grupo BRF, de capital aberto. O grupo é um dos maiores players globais do setor alimentício, com marcas conhecidas no ramo de carnes, alimentos processados de carne, lácteos entre outros. Está entre os maiores exportadores de aves. Explica o fluxo produtivo do frango e resume o fluxo produtivo dos lácteos. Em preâmbulo, aborda o conceito de insumo. Discorre sobre a sistemática nãocumulativa implementada nas contribuições em questão. Explica a racionalidade da implantação, citando doutrina e concluindo que o pressuposto de fato é diferente do encontrado no caso do IPI, sendo a tônica deste o produto industrializado e, nas contribuições em comento o processo produtivo. Menciona acórdãos da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) e do TRF da 4ª Região e aponta que a IN SRF 404/04 restringiu o conceito de insumo da lei. Conclui que, para o PIS e a Cofins, qualquer dispêndio essencial ao processo produtivo, vinculado à formação da receita, é insumo. Primeiro, protesta contra o entendimento adotado no TVF para o segmento do leite. Questiona porque adquiriria embalagens, frascos e leite in natura se não fosse para a produção de lácteos. No caso da CCPL, todo o entendimento da fiscalização é sustentado pela análise de um contrato. Argumenta que já trouxe aos autos os conhecimentos de transporte que comprovam a entrega do leite na Avipal NE (fls. 585 a 589). Quanto a Agropecuária Tuiuti, argumenta que, se a fiscalização não reconhece a relação jurídica com tal empresa, deveria reconhecer os créditos dos insumos para a produção de leite pela empresa autuada. Abordando a industrialização da CCL, ressalta que a impugnante adquiria insumos para produção, Fl. 3835DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/201393 Acórdão n.º 3301002.999 S3C3T1 Fl. 19 10 seja por encomenda ou própria, portanto, devem ser reconhecidos os créditos. Quanto aos produtos sujeitos a alíquota zero, cita o inciso II, do § 2º do art. 3º da Lei 10.833/03, indicando que não é aplicável à situação aqui discutida porque os insumos encontravamse sujeitos à incidência da contribuição. Argumenta que existe exceção, conforme constou no próprio TVF, no caso de compra isenta e saída tributada. Assim, apesar da norma “... direcionar a exceção aos casos de isenção, não há duvidas de que tal previsão deve ser integralmente estendida às hipóteses de alíquota zero” (p. 3266). Cita doutrina sobre a similaridade dos institutos da isenção e alíquota zero e sobre as consequências danosas do não reconhecimento de créditos sobre a nãocumulatividade das contribuições. Ressalta, então, que o fiscal se apegou em aspectos formais e não aprofundou as questões fáticas. Sobre os bens e serviços utilizados como insumos, admite que houve erro em alguns casos na informação no Dacon, com as mercadorias adquiridas como insumo tendo sido informadas como serviços e viceversa. Porém, o equívoco não justifica a glosa de créditos e, citando o Carf, o erro de linha no Dacon não é óbice ao creditamento. Sobre os créditos básicos, sempre seguindo a impugnação, argumenta: • Embalagens para transporte: tratamse de produtos para o consumo humano. A ausência de embalagens impossibilita o transporte ou, no mínimo, compromete a qualidade. O Carf já concedeu pelo critério da essencialidade. O fato das embalagens serem integradas após a industrialização não retira a característica de essencialidade; • Vacinas: Em argumento já apresentando no item referente a CCL, demonstrou que a exceção prevista na entrada isenta e saída tributada deve ser aplicada aos casos de alíquota zero; • Fretes nas aquisições de insumos: Tratase de uma das maiores empresa de produtos alimentícios do mundo, com dezenas de plantas industriais no país e diversos produtos. No contexto, é notório que o frete de matériasprimas e produtos semiacabados é inerente a atividade e imprescindível ao processo produtivo (transcrevese Solução de Consulta e Acórdão do Carf que permitiram o frete entre estabelecimentos). No caso de ração e ovos, o frete deve ser permitido por se referir a insumos essenciais. Também o frete de produtos prontos deve ser permitido, sendo que os centros de distribuição são indispensáveis na operação e tais fretes nada mais são do que parcela dos fretes de vendas. Citada decisão do Carf e anexadas planilhas com detalhamento das despesas com fretes; • Recorte congelado de aves: Reconhece não se tratar de insumo, mas de bens adquiridos para revenda, cujo crédito é permitido pela Lei 10.833/03, art. 1º, I; • Pintos e ovos: argumentos que comprovam que os produtos adquiridos à alíquota zero podem gerar créditos já foram apresentados; • Pallets: apresentamse as diversas funções dos pallets no processo produtivo, consubstanciado em laudo do Instituto Nacional de Tecnologia, inclusive no aumento da eficiência durante o processo produtivo e na função de evitar a contaminação. É citada decisão recente do Carf permitindo o creditamento para acondicionamento para transporte. Em suas funções, são também despesas para armazenagem e, no caso dos produtos exportados, material de embalagem, pois acompanham os produtos, possibilitando a apuração de créditos; • Leite adquirido: é efetivamente um insumo no processo produtivo. O Carf já possibilitou crédito na aquisição de pessoas físicas e cooperativas (cita acórdão do IPI). Caso não reconhecido o crédito básico, deve ser, pelo menos, reconhecido o Fl. 3836DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/201393 Acórdão n.º 3301002.999 S3C3T1 Fl. 20 11 crédito presumido, sendo que a fiscalização possui o dever de refazer a apuração corretamente. Quanto à suspensão, alega que, a despeito de existir previsão legal, os insumos foram adquiridos sem a suspensão. Assim, aplicável o art. 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03, caso contrário se estaria ferindo o princípio da não cumulatividade. Em grande parte do período autuado, estava vigente a IN 660/06 (art. 4º), que não trazia a previsão de obrigatoriedade da suspensão. A alteração da IN 977/09 demonstra que antes não havia tal previsão. No caso de leite pasteurizado, já foi fartamente demonstrado em itens anteriores o direito de creditamento em relação aos insumos alíquota zero. Reafirmamse desprovidas de prova as acusações de evasão fiscal, sendo legítimo e prática comum a compra de insumos para industrialização que o fornecedor tenha adquirido de terceiros com venda à ordem; • Operador logístico: geralmente prestados por CCL, estão descritos no contrato e podem ser caracterizados, genericamente, como de carga e descarga, associados à armazenagem. O direito a crédito das despesas de armazenagem é notório e abarca despesas associadas. Citado Carf e Solução de Divergência da Receita Federal; • Análises laboratoriais: Tratase de produto para consumo humano, com requisitos obrigatórios de controle de qualidade, inclusive estabelecidos pelo Ministério da Agricultura para a produção de leite. É citado Carf e Solução de Consulta; • Diárias e horas/máquina tratores: inciso IV do art. 3º da Lei 10.833/03 permite creditamento relativo a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa. Os veículos e tratores funcionam na atividade da empresa como verdadeiras máquinas, usadas para monitorar animais e materiais essenciais. É citada jurisprudência administrativa, devendo a glosa ser cancelada pela vinculação ao processo produtivo; • Repaletização: Já tendo demonstrado a imprescindibilidade dos pallets, ressalta que a constância de uso e fragilidade impõem a restauração ou serviço de repaletização, atividade comum e essencial; • Tintas para carimbos: são usadas para nomear as etiquetas contidas nas embalagens das mercadorias, portanto acessórias às embalagens; • Outros – pintos de um dia, industrialização por encomenda e outros foram objeto de impugnação em itens diversos; • Aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos: existe previsão expressa. Prédios, abatedouros, empilhadeiras são essenciais e vinculados ao processo produtivo. O abatedouro é intrínseco e fundamental no ramo da empresa, devendo ser autorizado o crédito pelo critério da essencialidade. Com relação ao crédito presumido, transcreve o art. 8º da Lei 10.925/04 e argumenta que não há requisito referente ao produto ser objeto de industrialização por encomenda ou por produção própria. O Decreto 7.212/10 equipara o encomendante ao estabelecimento industrial. O não reconhecimento afrontaria a nãocumulatividade. Diz não ter apropriado créditos presumidos em relação ao leite in natura revendido e apenas por equívoco informou aquisições do leite revendido na linha do crédito presumido. Alega ainda que há equivoco no cálculo do crédito presumido, tendo se aplicado o percentual correspondente ao insumo, com base na IN SRF 660/06, ao contrário do aplicável, em relação ao produto. A interpretação lógica, literal e finalística indica que o percentual se refere ao produto. Cita entendimento favorável do Carf. Para colocar uma pádecal no debate, Fl. 3837DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/201393 Acórdão n.º 3301002.999 S3C3T1 Fl. 21 12 recentemente foi publicada a Lei 12.865/04, que transcreve. Ressalta que além de resolvida a questão, não poderia ser alegada a inaplicação aos fatos pretéritos, uma vez que é expressamente lei interpretativa. No que respeita a base de cálculo tributável e aos débitos de PIS e Cofins, ressalta que exporta para diversos países, vendendo para comercial exportadora que detém a logística para efetuar as exportações. Exigir da impugnante a prova das exportações seria inverter o ônus da prova, pois caberia à fiscalização provar que ela não ocorreu, inclusive, se caso, exigindo da comercial exportadora. Por fim, com relação à multa agravada, seguindo a recorrente, a simples apuração indevida de crédito não configura sonegação ou fraude nem dá origem a multa agravada. Para tal seria necessário evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64, comprovando existência de intenção dolosa. Acerca da conduta dolosa, não há um único documento do fisco. Dolo e erro são diferentes. Cita Pontes de Miranda e acórdãos do Carf visando demonstrar descabida a acusação de sonegação fiscal ou fraude com base na apropriação indevida de créditos. Acrescenta, caso se entenda insuficientes os elementos apresentados, pedido de pedido de perícia e diligência, indicando perito e os respectivos quesitos, em especial de esclarecimentos sobre o processo produtivo, e formulando questões a serem respondidas pelo fiscal em diligência. Anexa explicações do processos produtivos, relação de aquisições de fretes nas operações de vendas, relatório técnico do INT, relação de despesas com aluguéis de prédios e edificações e relação de aluguéis de máquinas e equipamentos. Requer o reconhecimento da existência de créditos e o cancelamento do lançamento fiscal. A DRF/FNS encaminha para apreciação da DRJ, atestando implicitamente a tempestividade. A DRJ em Porto Alegre/RS julgou a impugnação improcedente e manteve o crédito tributário. O Acórdão 10050.084, da 2ª Turma da DRJ/POA, foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2009 GLOSA DOS CRÉDITOS. DESCARACTERIZAÇÃO DA OPERAÇÃO. Só podem ser apurados créditos de insumos na modalidade não cumulativada contribuição, quando houver compra de pessoa jurídica nacional e utilização em processo produtivo. Quando comprovado que o negócio jurídico não foi realizado com a pessoa jurídica que aproveita os créditos, ou que a compra e industrialização existe apenas formalmente, de forma dissociada da realidade fática, deve ser feita a glosa integral dos créditos aproveitados indevidamente como insumos. APURAÇÃO INDEVIDA DE CRÉDITOS. OMISSÃO DE RECEITA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Constatada a sistemática não declaração de débitos em DCTF einformação indevida de créditos no Dacon, por meio de Fl. 3838DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/201393 Acórdão n.º 3301002.999 S3C3T1 Fl. 22 13 artifícios dolosos, deve ser feito o lançamento de ofício, acrescido de multa agravada. NÃOCUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. Do valor do PIS ou da Cofins, apurados segundo o regime da não cumulatividade, a pessoa jurídica somente poderá descontar os créditos listados na legislação de regência. NÃOCUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. INSUMO. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração das contribuições nãocumulativas, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. As despesas com embalagens de transporte, pallets, serviços de repaletização, alimentos para consumo, tintas para carimbo e outras relacionadas não podem ser consideradas insumo na fabricação/produção de bens destinados à venda. CRÉDITOS. NÃOCUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO ALÍQUOTA ZERO. Com o advento da Lei nº 10.865, de 2004, que deu nova redação aos arts.3ºs das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, não mais se poderão apurar créditos decorrentes de aquisições de insumos com alíquota zero, utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados à venda. NÃOCUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a existência do crédito utilizado por meio de desconto, restituição ou ressarcimento e compensação, guardando os elementos necessários ou, pelo menos, possibilitando a segregação dos dispêndios, se for o caso. POSSIBILIDADE DE CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO. VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO. Não existe previsão legal expressa para o cálculo de crédito sobre o valor do frete na aquisição. Esse deve ser permitido apenas quando o bem adquirido for passível de creditamento, e na mesma proporção em que se der esse creditamento. CRÉDITOS. LOCAÇÃO DE VEÍCULOS. IMPOSSIBILIDADE. Valores pagos por locação de veículo não ensejam a constituição de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep apurada em regime nãocumulativo, porquanto tais despesas não estão expressamente relacionadas no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e também não se enquadram em qualquer das hipóteses de creditamento previstas naqueles dispositivos legais. Fl. 3839DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/201393 Acórdão n.º 3301002.999 S3C3T1 Fl. 23 14 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Na sistemática nãocumulativa das contribuições, a pessoa jurídica poderá descontar créditos referentes a locação de prédios, máquinas e equipamentos, desde que utilizados nas atividades da empresa e devidamente comprovados, por contratos, comprovantes de pagamentos ou outra documentação compatível. CRÉDITO PRESUMIDO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. Para os anoscalendários de 2008 e 2009, o percentual de 60% aplicável sobre a alíquota prevista da contribuição será utilizado apenas para os insumos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 1501 a 1506, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18 adquiridos de pessoa física ou das pessoas jurídicas indicadas no art 8º da Lei 10.925/2004, aplicandose o percentual de 35% para os demais produtos, com exceção de soja e seus derivados que possuía percentual específico de 50%. NÃOCUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Somente se consideram isentas do PIS e da Cofins as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação, quando comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2009 GLOSA DOS CRÉDITOS. DESCARACTERIZAÇÃO DA OPERAÇÃO. Só podem ser apurados créditos de insumos na modalidade não cumulativada contribuição, quando houver compra de pessoa jurídica nacional e utilização em processo produtivo. Quando comprovado que o negócio jurídico não foi realizado com a pessoa jurídica que aproveita os créditos, ou que a compra e industrialização existe apenas formalmente, de forma dissociada da realidade fática, deve ser feita a glosa integral dos créditos aproveitados indevidamente como insumos. APURAÇÃO INDEVIDA DE CRÉDITOS. OMISSÃO DE RECEITA.LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Constatada a sistemática não declaração de débitos em DCTF e informação indevida de créditos no Dacon, por meio de artifícios dolosos, deve ser feito o lançamento de ofício, acrescido de multa agravada. Fl. 3840DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/201393 Acórdão n.º 3301002.999 S3C3T1 Fl. 24 15 NÃOCUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. Do valor do PIS ou da Cofins, apurados segundo o regime da nãocumulatividade, a pessoa jurídica somente poderá descontar os créditos listados na legislação de regência. NÃOCUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. INSUMO. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração dascontribuições nãocumulativas, os bens e serviços adquiridos de pessoasjurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados àvenda ou na prestação de serviços. As despesas com embalagens de transporte, pallets, serviços de repaletização, alimentos para consumo,tintas para carimbo e outras relacionadas não podem ser consideradasinsumo na fabricação/produção de bens destinados à venda. CRÉDITOS. NÃOCUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO ALÍQUOTA ZERO. Com o advento da Lei nº 10.865, de 2004, que deu nova redação aos arts.3ºs das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, não mais se poderão apurarcréditos decorrentes de aquisições de insumos com alíquota zero,utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados à venda. NÃOCUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO.COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a existênciado crédito utilizado por meio de desconto, restituição ou ressarcimento ecompensação, guardando os elementos necessários ou, pelo menos, possibilitando a segregação dos dispêndios, se for o caso. POSSIBILIDADE DE CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO.VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO. Não existe previsão legal expressa para o cálculo de crédito sobre o valordo frete na aquisição. Esse deve ser permitido apenas quando o bem adquirido for passível de creditamento, e na mesma proporção em que se der esse creditamento. CRÉDITOS. LOCAÇÃO DE VEÍCULOS. IMPOSSIBILIDADE. Valores pagos por locação de veículo não ensejam a constituição decréditos a serem descontados da Cofins apurada em regime nãocumulativo, porquanto tais despesas não estão expressamente relacionadas no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e também não se enquadram em qualquer das hipóteses de creditamento previstas naqueles dispositivos legais. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS DE MÁQUINAS EEQUIPAMENTOS. Fl. 3841DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/201393 Acórdão n.º 3301002.999 S3C3T1 Fl. 25 16 Na sistemática nãocumulativa das contribuições, a pessoa jurídica poderá descontar créditos referentes a locação de prédios, máquinas e equipamentos, desde que utilizados nas atividades da empresa e devidamente comprovados, por contratos, comprovantes de pagamentos ou outra documentação compatível. CRÉDITO PRESUMIDO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. Para os anoscalendário de 2008 e 2009, o percentual de 60% aplicávelsobre a alíquota prevista da contribuição será utilizado apenas para os insumos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 1501 a 1506, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18 adquiridos de pessoa física ou das pessoas jurídicas indicadas nos arts. 8º e 9º da Lei 10.925/2004, aplicandose o percentual de 35% para os demais produtos, com exceção de soja e seus derivados que possuía percentual específico de 50%. NÃOCUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. VENDASCOM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Somente se consideram isentas do PIS e da Cofins as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação, quando comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, em que, basicamente, repete os argumentos contidos na impugnação. É o relatório. Fl. 3842DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/201393 Acórdão n.º 3301002.999 S3C3T1 Fl. 26 17 Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira O Recurso Voluntário reúne os requisitos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Repiso o breve sumário da contenda, constante da decisão de primeira instância: "Trata o presente processo de Autos de Infração de Cofins (fls. 3175 a 3185) e PIS (fls. 3166 a 3174) referentes aos meses de outubro de 2008 a dezembro de 2009. A empresa apura as contribuições pela modalidade nãocumulativa. A fiscalização se iniciou a partir dos pleitos de ressarcimento de Avipal Nordeste S/A (CNPJ 01.573.181). Após, a empresa foi incorporada por Brasil Foods S/A (BRF). A fiscalização refez a apuração e apurou irregularidade no aproveitamento de créditos e nas receitas submetidas à tributação, tendo constatado que nos meses em questão resultariam valores a pagar das contribuições. O valor total dos lançamentos somou R$ 13.322.706,86, no caso da Cofins, e R$ 2.892.429,79, para o PIS. O auto de infração foi efetuado com a multa agravada de 150%, totalizando, com a multa e juros até 09/2013, R$ 38.499.800,17 (Cofins) e R$ 8.358.509,32 (PIS)." A peça recursal contém dois grandes tópicos: "PRELIMINAR" e "MÉRITO". Este último é subdividido em quinze subtópicos, adiante tratados, na ordem em que se apresentam no Recurso Voluntário.. I) PRELIMINAR: AFRONTA AO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL E FALTA DE MOTIVAÇÃO A Recorrente alega que a Fiscalização foi superficial e as conclusões não se lastrearam em provas constantes dos autos. Que houve afronta ao Princípio da Verdade Material. E que, portanto, o auto de infração não foi devidamente motivado. Discordo da Recorrente. Da leitura dos Auto de Infração (fls. 3.166 a 3.185) e Relatório Fiscal (fls 501 a 532) e seus Anexos I ao XXVI (fls. 533 a 3.165), constatase que foi devidamente fundamentado, estando a motivação do lançamento, a fundamentação legal e as infrações claramente descritas em seu corpo. Ademais, todas as questões de mérito foram detalhadamente combatidas pela Recorrente, o que demonstra ter tomado plena ciência da disputa e exercido plenamente seu direito de defesa e contraditório. Assim, foi plenamente atendido o art. 50 da Lei n° 9.784/99, que dispõe sobre a motivação dos atos administrativos. Isto posto, nego provimento à preliminar de nulidade do auto de infração. Fl. 3843DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/201393 Acórdão n.º 3301002.999 S3C3T1 Fl. 27 18 II) DO MÉRITO Antes de adentrar na controvérsia propriamente dita, faço breve relato das atividades desenvolvidas pela Recorrente. Adicionalmente, consigno alguns conceitos jurídicos utilizados no exame das questões. Das atividades da Recorrente De acordo com o Recurso Voluntário (fls. 3.589 a 3.822), a Recorrente dedicase à fabricação de produtos cárneos, consistente na transformação de animais vivos (bovinos, aves e suínos) em produtos acabados in natura ou industrializados. Também atua na fabricação de produtos lácteos, em que adquire o leite in natura de produtores rurais e o transforma em diversos tipos de produto dele derivados. Desconto de créditos e conceito de insumos Sob o regime da não cumulatividade, é admitido o cálculo e registro de créditos de PIS e COFINS sobre aquisição bens e custos e despesas, a serem abatidos das contribuições devidas sobre vendas. O art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 dispõe sobre diversos tipos de crédito. Listamos alguns, próprios de empresas industriais, como a Recorrente: Lei n° 10.833/03 “ Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (. . .) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (. . .) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (. . .) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; (. . .) Fl. 3844DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/201393 Acórdão n.º 3301002.999 S3C3T1 Fl. 28 19 IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (. . .) § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (. . .)" Sobre o conceito de insumos, de suma importância para o processo em comento, transcrevo o § 4° do art. 8° da IN SRF n° 404/04: "(. . .) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (grifo nosso) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço.” O conceito de insumos ainda não está pacificado no âmbito do CARF e dos tribunais. Em decisão recente e muito importante, o Superior Tribunal de Justiça (REsp 1.246.317/MG, publicado em 29/06/2015) adotou um conceito de insumos mais amplo do que o da IN SRF n° 404/04, acima transcrita: Fl. 3845DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/201393 Acórdão n.º 3301002.999 S3C3T1 Fl. 29 20 "(. . .) Insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n.10.637/2002, e art.3º, II, da Lei n. 10.833/2003, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. (. . .)" Enquanto a IN SRF n° 404/04 limita o conceito de insumos a elementos aplicados diretamente no processo de produção ou prestação do serviço, o STJ ampliou. Podem ser considerados como tal os que forem imprescindíveis para a consecução do objetivo final. Ainda mais amplo é conceito de insumos do Dr. Marco Aurélio Greco, para o qual é possível calcular créditos de PIS e COFINS sobre todo o custo ou despesa que contribuir para a formação da receita: “Embora a não cumulatividade seja uma idéia comum a IPI e a PIS/COFINS, a diferença de pressuposto de fato (produto industrializado versus receita) faz com que assuma dimensão e perfil distintos. Por esta razão, pretender aplicar na interpretação de normas de PIS/COFINS critérios ou formulações construídas em relação ao IPI é: a) desconsiderar os diferentes pressupostos constitucionais; b) agredir a racionalidade da incidência de PIS/COFINS; e c) contrariar a coerência interna da exigência, pois esta se forma a partir do pressuposto ‘receita’ e não ‘produto’.” (MARCO AURELIO GRECCO “NãoCumulatividade no PIS e na COFINS”, Leandro Paulsen, São Paulo: IOB Thomsom, 2004) Por fim, em uma posição intermediária entre o entendimento do STJ e o do Dr. Marco Aurélio Greco, há o do Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, aposto no Acórdão 9303003.079, da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em sessão do dia 13/08/04: "Por conseguinte, em face de todo o exposto, entendemos que a linha mestra de interpretação quanto às despesas que geram créditos de PIS e COFINS só pode ser uma: se o legislador quis alcançar todas as receitas, justo que todas as despesas incorridas para gerar tais receitas devem ser passíveis de creditamento, observadas as limitações postas pela própria lei. Não cabe ao intérprete, assim, impor limites além do que a lei já o fez. (...) Portanto, “insumo” para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou Fl. 3846DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/201393 Acórdão n.º 3301002.999 S3C3T1 Fl. 30 21 encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo." Entendo que o conceito de insumos trazido pela IN SRF n° 404/04, que assemelhase ao do IPI, é demasiadamente restrito e sua aplicação severa muitas vezes afronta a sistemática da não cumulatividade prevista nas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Também considero inapropriado que qualquer despesa ou custo possa gerar crédito, não obstante o fato de serem indiretamente computadas no preço final do produto, pois, do contrário, nenhum negócio seria econômica e financeiramente viável. E, se são computadas no preço de venda, naturalmente, sofrem incidência das contribuições. Se as leis de regência falam em processo fabril e de prestação de serviços, estabelecem, ainda que de forma precária, as áreas da empresa, cujos bens, custos e despesas podem gerar créditos. Assim, não podemos cogitar a possibilidade de calcular créditos, por exemplo, sobre despesas com material de escritório incorridas pelas gerências financeira e contábil de uma fábrica de sapatos ou de uma prestadora de serviços técnicos de engenharia. Em suma, repisando as palavras do Conselheiro Rodrigo C. Miranda e trecho da citada decisão do STJ, observados os limites impostos pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, considero como insumo "(. . .) todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo (. . .)" e "(. . .) cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes." Comprovação do direito ao crédito Sobre ônus da prova, vale lembrar que, na lide tributária, à autoridade lançadora incumbe o ônus da prova da ocorrência do fato jurídico tributário ou da infração que deseja imputar ao contribuinte. Por outro lado, ao contribuinte incumbe o de provar os fatos impeditivos do nascimento da obrigação tributária ou de sua extinção, ou requisitos constitutivos de uma isenção ou outro benefício tributário. Em se tratando especificamente de tomada de créditos, tema central do processo em comento, é cediço que o ônus da prova cabe àquele que alega têlos, isto é, do contribuinte. Tais entendimentos podem ser extraídos dos art. 10 do Decreto n° 70.235/72 e art. 333 do antigo Código de Processo Civil CPC, em vigor na data da autuação e reproduzido pelo art. 373 do novo CPC, cuja aplicação ao Processo Administrativo Fiscal é supletiva: "Decreto n° 70.235/72 Fl. 3847DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/201393 Acórdão n.º 3301002.999 S3C3T1 Fl. 31 22 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: (. . .) III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; (. . .)" "Antigo CPC Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (. . .)" Assentadas as informações sobre a Recorrente e os conceitos jurídicos que serão aplicados, passemos às controvérsias. II a) Industrialização de produtos lácteos O Relatório Fiscal (fls. 501 a 532) e seus Anexos I ao XXVI (fls. 533 a 3.165) dedicou quatro tópicos à glosa de insumos adquiridos para a industrialização por encomenda de produtos lácteos: i) Industrialização realizada pela CCPL ii) Industrialização realizada pela Agropecuária Tuiuti iii) Industrialização realizada pela Cooperativa Central de Laticínios do Estado de São Paulo (CCL) iv) Leite créditos básicos Autuação e decisão recorrida\ Basicamente, os créditos dos insumos para a fabricação de lácteos foram glosados, pelos fatos de a Recorrente (Relatório Fiscal, fls. 504 a 509 e 515 e 516): ter informado que realizava industrialização por encomenda, porém ter apresentado contratos em que figurava como anuente e não como encomendante; Fl. 3848DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/201393 Acórdão n.º 3301002.999 S3C3T1 Fl. 32 23 ter indicado que também executava industrialização de lácteos e em estabelecimento, cujo código CNAE é de "comércio atacadista e leite e laticíneos" e se localizava em salas localizadas nos mesmos endereços das empresas Tuiuti e CCL; não ter correlacionado os insumos adquiridos com os contratos e notas fiscais de industrialização executada por terceiros; no caso específico da industrialização efetuada pela empresa CCL, ter, no parecer dos seus auditores independentes, a informação de que havia assumido compromisso contratual de comprar de 100% dos produtos industrializados ou comercializados por aquela empresa, o que seria indício de que não a contratava para realizar industrialização por encomenda; em relação aos créditos básicos, calculados sobre aquisições de leite in natura, não ter direito aos correspondentes registros (inc. II do § 2° do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03), pois, os adquiridos de pessoas físicas, não sofrem tributação, e os de pessoa jurídica, havia suspensão (art. 9° da lei n° 10.925/04); e por último, relativamente ao leite pasteurizado ou industrializado, não ter direito aos créditos, pois os produtos gozavam do benefício da redução a zero das alíquotas (inc. XI do art. 1° da lei n° 10.925/04). Alegações da Recorrente (fls. 3.632 a 3.639 e 3.656 a 3.663) Em sua defesa, a Recorrente descreveu o processo industrial dos produtos lácteos e listou os insumos empregados. Ratificou que tem produção própria e também contrata industrialização com terceiros. Apresentou conhecimentos de transporte de entrega de leite em seu estabelecimento. Apresentou cópia de contrato com a Tuiuti, em que figura como contratante de industrialização, com obrigação de fornecer diversos insumos. Informou que alugou salas nos estabelecimentos da Tuiuti e da CCL para supervisionar a produção. No tocante aos créditos básicos, calculados sobre o leite in natura adquirido de pessoas físicas e cooperativas, aduziu que teria direito ao crédito, por se tratar de insumo do processo industrial e colacionou decisão que admite como crédito presumido de IPI valores de PIS e COFINS incidentes sobre compras de não contribuintes destas contribuições. Dispõe que, em grande parte do período fiscalizado, as compras de cooperativas não teriam sido beneficiadas com suspensão, pois esta não era de aplicação obrigatória., o que teria ocorrido somente a partir de 1/11/2009, com a edição da IN RFB n° 977/2009. Sobre o leite pasteurizado ou industrializado, cuja tributação está reduzida a zero, alega que tem o direito a crédito, porque os inc. II do § 2° do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 vedam a tomada de créditos somente nos casos em que o produto não está sujeito às contribuições. Neste caso, estão, porém a alíquota estava reduzida a zero. Conclusão Os motivos apresentados pela Fiscalização para glosar insumos (exceto leite in natura e pasteurizado ou industrializado) e serviços de industrialização efetuada por terceiros não me parecem consistentes. Fl. 3849DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/201393 Acórdão n.º 3301002.999 S3C3T1 Fl. 33 24 Primeiramente, sobre a não comprovação das operações de industrialização efetuada por terceiros, em decorrência da falta de apresentação de contratos ou da correlação dos que foram fornecidos com notas fiscais de serviços de industrialização. À luz do art. 107 do Código Civil (Lei n° 10.406/2002), para que produzam efeitos no mundo jurídico, as compras e vendas de bens e serviços não precisam ser formalizadas por intermédio de contrato escrito. Outrossim, de acordo com o art. 114 do Código tributário Nacional (CTN Lei n° 5.172/66), o "fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência", enquanto que os inc. I e II do art.116 dispõem que "(. . .) considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. (. . .)". Isto é, para que se considere como ocorrido o fato gerador e nascida a obrigação tributária, basta que sejam realizadas as operações previstas em lei como no campo de incidência dos tributos. Portanto, a inexistência de contratos não implica em nulidade dos atos de comércio praticados e tampouco impede a ocorrência dos fatos geradores dos tributos incidentes sobre as operações de fato realizadas. Para efetuar a glosa, a Fiscalização também indicou que a Recorrente não forneceu análises complementares, correlacionando notas fiscais com contratos. Consta, todavia, que apresentou, ainda que com algumas imperfeições, os DACON. Neste informativo fiscal, declarou os valores dos insumos, fretes, industrialização efetuada por terceiros e receitas com vendas. E as notas fiscais correspondentes aos lançamentos nos DACON foram entregues à Fiscalização, pois foi com base nelas que foram elaborados os demonstrativos das glosas contidos no Relatório Fiscal e seus Anexos. É do contribuinte o ônus de provar que tem o direito ao crédito. Inferese da leitura dos autos que a Recorrente realmente não tinha controles que permitissem uma perfeita correlação entre contrato/notas fiscais de compra de insumos/notas de entrega de produtos finais /notas de venda. Contudo, tais fatos, por si sós, não autorizam a simples desconsideração de TODOS os elementos que foram entregues (descrição detalhada do processo produtivo, com indicação dos insumos empregados, notas fiscais, DACON, livros contábeis e fiscais e descrição dos processos produtivos) e a glosa da TOTALIDADE dos insumos. Ademais, da conclusão da autuante, consignada no Relatório Fiscal (fls. 509), no sentido de que a Recorrente não industrializava e tampouco contratava industrialização com terceiros, porém somente comercializava produtos de outras empresas, emergem algumas questões óbvias: uma vez que não foram identificadas revendas de insumos, o que então poderseia imaginar que a Recorrente fazia com todos os insumos adquiridos, cujas notas fiscais e valores foram identificados e glosados? Por que razão pagou valores tão relevantes a título de industrialização efetuada por terceiros, também objetos de glosa, se nenhum serviço efetivamente teria sido prestado? Fl. 3850DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/201393 Acórdão n.º 3301002.999 S3C3T1 Fl. 34 25 Assim, refuto os argumentos da autuante, concernentes à falta de contratos ou mesmo de que os apresentados não correspondiam àquilo que as notas fiscais de compra de insumos demonstravam, para fins de suporte a glosas de insumos, incluindo serviços de industrialização efetuada por terceiros. Em relação às glosas dos créditos básicos, referentes às compras de leite in natura e pasteurizado ou industrializado, não assiste razão à Recorrente. As aquisições de produtos que não sofreram tributação pelo PIS e COFINS, por terem sido adquiridos de não contribuintes (pessoas físicas), gozarem de suspensão ou terem a alíquota reduzida a zero, não geram direito a crédito, conforme o disposto nos inc. II do § 2° do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03: "(. . .) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (. . .) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição." No tocante à suspensão, minha leitura do art. 9° da Lei n° 10.925/04 é a de que, desde sua instituição, era obrigatória e não opcional, a despeito do que se poderia inferir da leitura da IN SRF n° 660/06. Ademais, não há evidência nos autos de que as compras tenham sido oneradas pelas contribuições. E o registro de créditos, como vimos, é vedado, em caso de o produto não ter sofrido incidência das contribuições. No caso específico dos produtos, cuja alíquota estava reduzida a zero, a Recorrente alegou que teria direito ao registro dos créditos correspondentes, porque, na verdade, estariam sujeitos às contribuições, porém as alíquotas estavam reduzidas a zero. No item "II c", adiante, volto ao tema, com um pouco mais de detalhes. Todavia, desde já, consigno que divirjo desta interpretação da Recorrente. Ao dispor que não dá direito a crédito a aquisição "de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção", o legislador não excluiu apenas os bens, cuja operação de compra estiver fora do campo de incidência do PIS e da COFINS. Se assim o fosse, não teria criado exceção específica à regra para as aquisições isentas das contribuições. Com base no acima exposto, voto por dar provimento parcial, reconhecendo o direito ao registro de créditos sobre os insumos e gastos com industrialização realizada por terceiros, utilizados na produção de produtos lácteos, exceto quanto os relacionados a compras de leite in natura e pasteurizado ou industrializado. II b) Embalagens para transporte A autuante e o colegiado de primeira instância entenderam que as compras de embalagem para transporte não dão direito a créditos de PIS e COFINS, porque são agregadas Fl. 3851DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/201393 Acórdão n.º 3301002.999 S3C3T1 Fl. 35 26 ao produto após o fim do processo produtivo. Assim, não se enquadrariam no conceito de insumo disposto no § 4° do art. 8° da IN SRF n° 404/04. Em sua defesa, a Recorrente alega que seus produtos destinamse ao consumo humano, são altamente perecíveis, e que, portanto, tais embalagens tornamse imprescindíveis. Colaciona três decisões do CARF neste sentido. Entendo que assiste razão à Recorrente. Conforme indiquei anteriormente, não adoto o conceito de insumo da IN SRF n° 404/04. O conceito de "insumos" e "processo de produção" não podem ser estabelecidos pelo Fisco, ao arrepio das especificidades de cada tipo de negócio. Assim, adotando conceitos coerentes com a atividade empresarial em tela, não há dúvida de que a embalagem para transporte é insumo, imprescindível à conclusão dos negócios da Recorrente. Voto pelo provimento das alegações concernentes ao registro de créditos de PIS e COFINS sobre compras de embalagens de transporte. II c) Vacinas, pintos e ovos Foram glosados os créditos relativos às aquisições de vacinas, pintos e ovos, pois que são tributados à alíquota zero. Os fundamentos são os inc. II do § 2° do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03: "(. . .) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (. . .) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição." Em sua defesa, a Recorrente alega que tal dispositivo não alcança os produtos que adquire, porém, expressamente, apenas excepciona os "bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição", o que não seria o caso das vacinas, pintos e ovos, que estão sujeitos às incidências, porém à alíquota zero. Adicionalmente, caso daquela forma este colegiado não se posicione, alega que alíquota zero e isenção são institutos similares. Transcreve opiniões de doutrinadores neste sentido. E, assim entendido, poderia registrar os créditos, pois o citado dispositivo legal admite o registro de créditos relativos a produtos isentos, caso a saída seja tributada. Regra geral, as leis vedam o registro de créditos derivados da compra de produtos não tributados, a fim de preservar a sistemática da não cumulatividade. Não se pode Fl. 3852DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/201393 Acórdão n.º 3301002.999 S3C3T1 Fl. 36 27 registrar créditos, cujos valores não foram computados no preço e, por conseguinte, não foram pagos pelo adquirente. As leis, todavia, abriram uma exceção à isenção, desde que o bem seja aplicado em produto ou serviço, cuja receita de venda seja tributada. Ao dispor que não tem direito a crédito a aquisição "de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção", o legislador não excluiu apenas os bens, cuja operação de compra estiver fora do campo de incidência do PIS e da COFINS, como aduziu a Recorrente. Se assim o fosse, não teria criado exceção à regra para as aquisições isentas das contribuições. Também excluiu os tributados à alíquota zero e os beneficiados pela suspensão. Também não acompanho a Recorrente, quando aduz que, por serem similares, a isenção e tributação à alíquota zero devem ser receber o mesmo tratamento, quando se trata de creditamento de PIS e COFINS. Não obstante o fato de o resultado final ser o mesmo desoneração tributária a isenção e a tributação reduzida a zero são institutos que se encontram previstos em dispositivos legais distintos, com existência própria. Não cabe conferir a um (alíquota zero) o mesmo tratamento dispensado ao outro (isenção), em razão de ambos representarem renúncias fiscais. Por fim, no sentido de não reconhecer o direito a créditos sobre aquisições de bens tributados à alíquota zero, vale mencionar as decisões do STF em sedes do RE n° 628.093/RJ e 863.846/RJ. Portanto, nego provimento às alegações contidas neste tópico. II d) Pagamento de fretes na aquisição de insumos Foram glosados valores indicados no DACON como créditos calculados sobre gastos com fretes nas aquisições de matériasprimas, por não estarem compreendidos no conceito de insumos. A autuante destacou que somente é permitido o cálculo de créditos sobre fretes sobre vendas. Foram ainda glosados gastos com transporte de ração e ovos (insumos), ocorridos no curso do processo produtivo, por ausência de previsão legal. Por fim, foram glosadas despesas com fretes, por falta de identificação da operação com a qual estavam relacionadas. Em sua defesa, a Recorrente explica que possui dezenas de plantas industriais e centros de distribuição. E que o frete para transporte entre seus estabelecimentos é imprescindível às suas atividades. Sustenta ser lícita a tomada de créditos relativos a gastos com fretes no transporte de insumos entre estabelecimentos da mesma empresa. Colaciona decisões do CARF. Fl. 3853DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/201393 Acórdão n.º 3301002.999 S3C3T1 Fl. 37 28 De acordo com o art. 289 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/99), as despesas com os fretes integram o custo de aquisição dos insumos. Sendo assim, podem ser computados nas bases de cálculo dos créditos de PIS e COFINS, estando, portanto, suportados pela regra que ampara os créditos sobre insumos (inc. II do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03). Também reconheço o direito a créditos sobre os fretes relativos aos deslocamentos dos insumos entre estabelecimentos da Recorrente. Como vimos, o frete pago na aquisição de insumos compõe o custo de aquisição e, como tal, pode ser computado na base de cálculo dos créditos. E, a meu ver, este frete é o incorrido para que o insumo percorra todo o caminho entre o fornecedor e o estabelecimento que industrializará. Muitas vezes, por razões ligadas à logística de armazenamento e distribuição, no caminho, a mercadoria acaba passando por mais de um estabelecimento, até chegar ao seu destino final, o estabelecimento industrializador. Em linha com meu posicionamento, cito o Acórdão nº 340101.715, de 15/2/2012 e o 3402002.881, de 28/1/2016. Portanto, também considero como passível de cômputo nas bases de cálculo dos créditos de PIS e COFINS os fretes para transporte de insumos entre estabelecimentos da Recorrente. Por fim, quanto às rubricas, cujas operações que motivaram o serviço de frete não foram identificadas, mantenho a glosa. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial às alegações contidas no tópico "II f) Pagamento de fretes na aquisição de insumos", reconhecendo o direito a créditos relacionados a fretes nas compras de insumos e no seu transporte entre estabelecimentos da Recorrente, mantendo a glosa das rubricas tituladas como frete, para as quais, todavia, não foi apresentada comprovação. II e) Recortes de congelados de aves Em resposta à intimação, a Recorrente informou que os produtos em epígrafe eram insumos, consumidos em processo industrial. Contudo, a autuante verificou que eram vendidos como produto acabado. Dado à falta de informações complementares, a Fiscalização decidiu glosálos. Na impugnação, a Recorrente confirmou que eram produtos acabados para revenda e que, como tais, poderiam gerar créditos de PIS e COFINS (inc. I do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03). A DRJ manteve a glosa, porque a Recorrente não teria provado que adquirira os produtos de pessoas jurídicas nacionais, condição imposta pelo inc. II do § 3° do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Fl. 3854DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/201393 Acórdão n.º 3301002.999 S3C3T1 Fl. 38 29 Na peça recursal, Recorrente alega que, no Anexo XV do Relatório Fiscal (fls. 1.774 a 1.777), há quadro, contendo as glosas, no qual são indicados os fornecedores. E que os mesmos eram pessoas jurídicas nacionais. Assiste razão parcial à Recorrente. A Fiscalização identificou compras e revendas. Porém, como não conseguiu concluir se se tratava de insumo (conforme resposta dada pela Recorrente à intimação fiscal) ou produto acabado, decidiu glosar todos os créditos. Na impugnação, a Recorrente esclarece que realmente tratavase de produtos acabados para revenda, sanando, portanto, o questionamento que ficara pendente na fiscalização. O julgador de primeira instância, entretanto, não se satisfez. Disse que não havia informação acerca do fornecedor. No Recurso Voluntário, a Recorrente aponta que tal informação estaria no Anexo XV do Relatório Fiscal. E, realmente, lá está. No documento preparado pela Fiscalização (fls 1.774 a 1.777), além dos valores glosados, constam data da compra, número do documento, razão social do fornecedor e descrição do produto. E os fornecedores que foram indicados, de fato, eram pessoas jurídicas nacionais. Contudo, notase que, em algumas linhas, constam apenas o valor glosado e a descrição do produto. Inferese que, nestes casos, a Fiscalização não obteve a informação. Assim, voto por dar provimento parcial às alegações da Recorrente, reconhecendo os créditos relativos às compras sobre as quais foram providas todas as informações requeridas e mantendo a glosa tão somente em relação aos produtos, cujos documentos fiscais e os fornecedores não foram identificados. II f) Pallets de madeira A autuante glosou os créditos, porque os pallets de madeira são utilizados no transporte de produtos acabados e, por este motivo, não se enquadrariam no conceito de insumos, tal qual as embalagens de transporte. A DRJ acompanhou este entendimento. Para sustentar a tomada dos créditos, a Recorrente colaciona excerto de laudo do Instituto Nacional de Tecnologia (INT), que explica que o pallet de madeira, entre outras utilidades, serve para "(. . .) garantir segurança na carga em movimentação, mecanização para levantamento e deslocamento da massa transportada (. . .)". Adiciona que também evita o contato dos produtos com superfícies que poderiam contaminar os produtos alimentícios que produz e comercializa. Cita o Acórdão do CARF n° 3803003.150, de 28/2/2012, que admitiu os créditos relativos a pallets. Reforça sua tese, informando que, no caso de mercadorias exportadas, os pallets são embalados juntamente com as mercadorias, passando a fazer parte da embalagem, Fl. 3855DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/201393 Acórdão n.º 3301002.999 S3C3T1 Fl. 39 30 cujo crédito seria admitido como insumo. E, neste sentido, menciona o Acórdão do CARF n° 3802001.424, de 28/11/2012. No item "II b) Embalagens para transporte", manifesteime no sentido de considerálas como itens passíveis de gerar créditos de PIS e COFINS. E, no presente caso, não poderia dizer algo distinto. Os pallets são artefatos utilizados no transporte de produtos acabados, que mantém a sua integridade, o que, em qualquer circunstância seria considerado como imprescindível, e, muito mais no caso em discussão, que envolve produtos alimentícios. Portanto, dou provimento as alegações da Recorrente, referentes ao tópico "II f) Pallets de madeira". II g) Serviços realizados por operador logístico Diversos gastos com serviços foram glosados, por não se enquadrarem no conceito de insumos. Entre eles, os serviços prestados por operador logístico, de carga e descarga de produtos. A decisão recorrida faz menção à CCL, uma das empresas que prestava serviços de industrialização por encomenda, cujos contratos não foram apresentados. O relator alega que os serviços de operador logístico foram incorridos em operações de venda e que os demais contratos não teriam sido apresentados. Por isto, manteve a glosa. A Recorrente faz detalhada descrição dos serviços previstos no contrato com a CCL, que ela resume como serviços de carga e descarga, associados aos de armazenagem: movimentação de entrada e saída de mercadorias: descarregamento de caminhões e empilhamento nas câmaras frigoríficas e depósitos; e carregamento de caminhões, de acordo com as ordens de carga de cada veículo. expedição "picking": separação das caixas dos produtos, localizados nos pallets de armazenamento; de acordo com as datas de entrega e quantidades solicitadas pelos clientes. expedição palletizada: o mesmo serviço citado no item anterior, porém com manuseio de pallets fechados. Cita o Acórdão CARF n° 380303.152, de 28/6/2012, sobre gastos com armazenagem, englobando serviços conexos e as Soluções de Consultas COSIT n°15/07 e 98/06, que acata despesas com carga e descarga, pedágio e rastreamento via satélite. De pronto, reitero que a ausência de contrato não é motivo para glosa de créditos. Entendo como insumos (inc. II do art. 3° da Lei n° 10.637/02 e 10.833/03) os gastos com descarga e os a eles relacionados. E, tal qual o Acórdão colacionado pela Recorrente, vejo os gastos com carga como conexos aos e inseparáveis dos de armazenagem e frete sobre vendas, expressamente admitidos pelos inc. IX do art. 3° e inc. II do art. 15 da Lei n° 10.833/03. Fl. 3856DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/201393 Acórdão n.º 3301002.999 S3C3T1 Fl. 40 31 Voto pelo provimento das alegações contidas no tópico "II g) Despesas com operador logístico". II h) Análises laboratoriais Houve glosa de créditos calculados sobre gastos com análises laboratoriais , por não se enquadrarem no conceito de insumos. A Recorrente aduz que tratase de gastos necessários à preservação da qualidade e integridade de produtos produzidos para consumo humano. Neste sentido, transcreve trecho da ementa do Acórdão CARF n° 3803004.025, de 19/3/2013. Menciona ainda a Solução de Consulta n° 145/2012, que admite créditos relacionados a despesas com avaliação da conformidade dos produtos com exigências legais. Não há como negar que tratase de gastos inerentes e imprescindíveis ao processo de produção de alimentos destinados ao consumo humano e devem ser tratados como insumos, passíveis de gerar créditos de PIS e COFINS. Voto pelo provimento das alegações contidas no tópico "II h) Análises laboratoriais". II i) Diárias e horamáquina de tratores Foram glosados créditos calculados sobre aluguel de tratores, por não se tratar de insumo. Na decisão recorrida, consta a Solução de Consulta COSIT n° 1/2014, que inadmite créditos sobre aluguel de veículos. A Recorrente explica que os tratores são utilizados para movimentar animais e outros materiais essenciais ao processo produtivo. Menciona os Acórdãos CARF n° 3301 00.653, de 26/8/2010, e 3301001.635, de 23/10/2012, que reconhecem créditos sobre a locação de veículos vinculados ao processo de produção. Mais uma vez, vejo gastos necessários ao processo produtivo. Contudo, neste caso, há um dispositivo legal que trata especificamente de despesas com aluguel, qual seja, o inc. IV do art. 3° Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, cuja redação é a seguinte: "(. . .) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (. . .)" Notase que o dispositivo legal traz enumeração exaustiva e não exemplificativa. Assim, não obstante reconhecer que há grande imperfeição no texto legal, não posso decidir frontalmente contra as leis de regência. E não é o caso de recorrer ao inc. II do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, pois este somente ampara os insumos que não se encontram expressamente previstos nos demais dispositivos daqueles diplomas legais. Fl. 3857DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/201393 Acórdão n.º 3301002.999 S3C3T1 Fl. 41 32 Assim, voto por negar provimento às alegações contidas no tópico "II i) Diárias e horamáquina de tratores". II j) Repaletização A Fiscalização e a DRJ não aceitaram os créditos, porque entendem que o serviço (reparo de pallets) não se configura como insumo industrial. No item "II f) Pallets de madeira" discorri sobre o tema e reconheci o direito creditório, o que também o faço agora, votando pelo provimento das alegações. II k) Tintas para carimbo Outra vez, a Fiscalização e a DRJ não aceitaram os créditos, porque entendem que o produto não se configura como insumo industrial. A Recorrente explica na peça recursal que são tintas para o carimbo que é aposto nas embalagens, cujo crédito é expressamente admitido pela IN SRF n° 404/2004, na alínea "a" do inc. I do § 4° do art. 8°. Sumariamente, foi assim defendeu o registro dos créditos correspondentes. Concordo com a Recorrente e voto pelo provimento das alegações. II l) Aluguéis de prédios locados de pessoas jurídicas Os valores dos créditos calculados sobre aluguéis foram glosados pela falta de apresentação de contratos e recibos. A Recorrente sustenta que são aluguéis de empilhadeiras e estabelecimentos em que se encontram abatedouros de animais. Repito que a ausência de contrato não é suficiente para invalidar os créditos. Contudo, em razão da falta do recibo do aluguel, em que se encontra o beneficiário do pagamento, o objeto locado e o valor, não é possível validar os créditos. Assim sendo, voto por manter a glosa, negando provimento às alegações da Recorrente. II m) Créditos presumidos atividades industriais As regras para tomada de créditos presumidos são ditadas pelo art. 8° da Lei n° 10.925/04: "Lei n° 10.925/04 Fl. 3858DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/201393 Acórdão n.º 3301002.999 S3C3T1 Fl. 42 33 Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: (. . .) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (. . .)" (grifos nossos) Trataremos dos créditos presumidos calculados sobre o leite in natura em separado dos calculados sobre frangos vivos, milho, sorgo, soja e demais insumos. Leite in natura Os créditos presumidos foram glosados, basicamente, porque não teriam sido aplicados em processo fabril próprio, porém de terceiros, o que afrontaria o caput do art. 8° da Lei n° 10.925/04. Na decisão recorrida, foi incluída a Solução de Consulta n° 120/2012 que corrobora aquele posicionamento. Ademais, em outubro e novembro de 2008 e fevereiro de 2009, a Fiscalização identificou revenda de leite, cujas compras não dão direito à fruição do benefício. Como a Recorrente não segregou as compras aplicadas em revenda das que foram industrializadas, a Fiscalização que também impediria o cálculo do crédito presumido. A Recorrente informa que realiza industrialização por terceiros, mas isto não seria impeditivo ao gozo do benefício. Dispõe que a intenção do legislador é a de desonerar a cadeia produtiva. Ademais, destaca que é equiparada a industrial, para fins de IPI. É cediço que a intenção do legislador era a de desonerar a cadeia produtiva. Mas, também é fato que a legislação fiscal contempla como figuras distintas as da industrialização própria e a realizada por terceiros, as do industrial e do equiparado a Fl. 3859DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/201393 Acórdão n.º 3301002.999 S3C3T1 Fl. 43 34 industrial (art. 8° e inc. IV do art. 9° dos antigo e atual Regulamento do IPI Decretos n° 4.544/02 e 7.212/10). E sempre que deseja abranger as duas figuras, o faz textualmente. E assim o fez, no RIPI, nos inc. II e III do art. 24, quando elegeu os responsáveis pelo pagamento do IPI Segundo o Dr. Carlos Maximiliano, na obra clássica "Hermenêutica e Aplicação do Direito" (20° Ed. Rio de Janeiro: Forense, 2011), item 281, "As isenções e simples atenuações de impostos e taxas, decretadas em proveito determinados indivíduos ou corporações, sofrem exegese restrita: e não se presumem, precisam ser plenamente provadas. (. . .)" Assim, entendo que não se poderia adotar uma interpretação que estendesse o beneficio àqueles que não fabricam por conta própria. No caso dos meses de outubro e novembro de 2008 e fevereiro de 2009, em que houve revenda e não houve segregação, ainda que se admitisse o crédito, em industrialização efetuada por terceiros, não se poderia fazêlo em relação a estes três meses. Em relação a esta questão, vale mencionar que a Recorrente nada alegou em sua defesa. Portanto, nego provimento às alegações relativas à possibilidade de calcular créditos presumidos sobre leite in natura. Frangos vivos, milho, sorgo, soja e demais insumos Neste ponto, a controvérsia gira em torno não do direito ao crédito presumido, porém do cálculo, propriamente dito. Então, novamente transcrevo o art. 8° da Lei n° 10.925/04: "Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: (. . .) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e Fl. 3860DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/201393 Acórdão n.º 3301002.999 S3C3T1 Fl. 44 35 III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2° das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2° das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002 , e 10.833, de 29 de dezembro de 2003 , para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (. . .)" A Fiscalização e a DRJ entenderam que o percentual (60%. 50% ou 35%) a ser aplicado sobre as alíquotas básicas das contribuições é determinado pelo Capítulo da TIPI em que se encontra o insumo adquirido. Assim, para os frangos vivos, milho e demais insumos, que não se encontram em nenhum dos Capítulos da TIPI mencionadas nos inc. I e II, o percentual seria de 35%, indicado no inc. III do § 3° do art. 8° da Lei n° 10.925/04. E de 50% para a soja, classificada no Capítulo 12 da TIPI, citada no inc. II. . A Recorrente por sua vez, aduz que o percentual varia de acordo com a posição na TIPI do produto final no qual o insumo é aplicado. Assim sendo, como utiliza os insumos para a produção de carnes e miudezas comestíveis, classificadas no Capítulo 2 da TIPI, teria direito a calcular o crédito presumido à razão de 60% das alíquotas básicas do PIS e COFINS, prevista no inc. I do § 3° do art. 8° da Lei n° 10.925/04 . Para sustentar sua interpretação, cita os Acórdãos CARF n° 3301001.635, de 31/1/2013, e 330100.980, de 17/8/2012. E, por fim, a Lei n° 12.865/13, que acresceu o § 10 ao art. 8° da Lei n° 10.925/04, a saber: "(. . .) § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3°, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos." Fl. 3861DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/201393 Acórdão n.º 3301002.999 S3C3T1 Fl. 45 36 Em sua interpretação, o dispositivo dispõe clara e definitivamente que o percentual é determinado pela classificação do tipo de produto em que o insumo é aplicado. E, dado o seu caráter interpretativo, tem aplicação retroativa, nos termos do art. 106 do CTN. Concordo plenamente com a Recorrente. Sua interpretação do art. 8° pareceme a mais correta e é partilhada por julgadores deste colegiado, conforme Acórdão que colacionou. E se torna irrefutável, diante da publicação da Lei n° 12.865/2013, que acresceu o § 10 ao art. 8° da Lei n° 10.925/04, cuja aplicação é retroativa, nos termos do art. 106 do CTN, como segue: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; (. . .)" Assim, dou provimento às alegações da Recorrente, referentes aos cálculos dos créditos presumidos relativos frangos vivos, milho, sorgo, soja e outros insumos aplicados na produção de carnes e miudezas comestíveis. II n) Apuração dos débitos dos tributos A Fiscalização lançou PIS e COFINS sobre receitas de venda, que a Recorrente alegou, porém não comprovou, terem sido amparadas pela não incidência das contribuições prevista no inc. III do art. 5° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Na decisão recorrida, o relator colaciona a legislação aplicável e os conceitos de "empresa comercial exportadora" e "fim específico de exportação". E, por fim, mantém o lançamento de ofício, em razão de a Recorrente não ter comprovado que as vendas foram com fim específico de exportação. Em sua defesa, a Recorrente alega que não tem obrigação de provar que as mercadorias vendidas teriam sido efetivamente exportadas. Que este ônus é da Fiscalização. Consta dos autos que a Recorrente inseriu informação nas planilhas de cálculo do PIS e da COFINS que efetuou vendas beneficiadas pela não incidência das contribuições, prevista no inc. III do art. 5° da Lei n° 10.637/02 e inc. III do art. 6° da Lei n° 10.833/03: Lei n° 10.637/02 "Art. 5° A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (. . .) Fl. 3862DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/201393 Acórdão n.º 3301002.999 S3C3T1 Fl. 46 37 III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação (. . .)" Lei n° 10.833/03 "Art. 6° A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (. . .) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação (. . .)" Considerase venda com fim específico de exportação: Decreto nº 4.524/ 2002: "Art. 45. São isentas do PIS/Pasep e da Cofins as receitas (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 14, Lei nº 9.532, de 1997, art. 39, § 2º , e Lei nº 10.560,de 2002, art. 3º , e Medida Provisória nº 75, de 2002, art. 7º ): (...) VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior. (. . .) § 1º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. (...)" Da leitura do Decreto n° 4.524/02, acima transcrito, resta claro que o beneficio está condicionado à comprovação de que as mercadorias foram remetidas diretamente para embarque ou recinto alfandegado. Ao contrário do que alegou a Recorrente, exigiuse a comprovação do envio da mercadoria àqueles locais e a não de que foram exportadas. Assim sendo, em razão de a Recorrente não ter comprovado que as mercadorias foram remetidas diretamente para embarque ou recinto alfandegado, nego provimento às alegações. Fl. 3863DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/201393 Acórdão n.º 3301002.999 S3C3T1 Fl. 47 38 II o) Ilegalidade da aplicação da multa qualificada A Fiscalização aplicou a multa qualificada, mantida pela DRJ, pelos seguintes motivos: registro de créditos em desacordo com a legislação fiscal, inclusive de alguns, cuja titularidade seria de outras pessoas jurídicas (caso de insumo de industrializações que teriam sido efetuadas por terceiros, mas não foram comprovadas); receitas beneficiadas com não incidência das contribuições, cujos requisitos não foram cumpridos; e débitos incorretamente declarados em DCTF, em razão dos problemas relatados nos dois itens anteriores. Fundada nos inc. I, II e IV do art. 1° da Lei n° 8.137/90, apontou as seguintes infrações: prestação de declaração falsa em DCTF e inserção no DACON de elementos inexatos ou falsos. Com base nestas premissas, aplicou a multa qualificada de 150%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430/96. A DRJ, ao confirmar a exigência da multa qualificada, adicionou aos fatos listados pela Fiscalização o de a Recorrente ter apontado como estabelecimento industrial próprio um que era, na verdade, de terceiros. E que, de fato, no local, tinha apenas uma sala alugada. A Recorrente alega, em suma, não ter sido provado o cometimento de qualquer tipo de ação dolosa. Teria havido, tão somente, divergências quanto à interpretação das regras fiscais de creditamento de PIS e COFINS, notadamente acerca do conceito de insumos. Inclui decisões do CARF, no sentido de que a multa qualificada aplicase tão somente quando há prova cabal de que houve ação dolosa. Já manifesteime algumas vezes sobre o tema. E sempre no sentido de que não devemos confirmar exigência de multa qualificada, se não virmos provas cabais e irrefutáveis de que houve crime tributário. Dispõe o art. 1° da Lei n° 8.137/90, em que se fundou a Fiscalização: "Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: I omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; III falsificar ou alterar nota fiscal, fatura, duplicata, nota de venda, ou qualquer outro documento relativo à operação tributável; Fl. 3864DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/201393 Acórdão n.º 3301002.999 S3C3T1 Fl. 48 39 IV elaborar, distribuir, fornecer, emitir ou utilizar documento que saiba ou deva saber falso ou inexato; V negar ou deixar de fornecer, quando obrigatório, nota fiscal ou documento equivalente, relativa a venda de mercadoria ou prestação de serviço, efetivamente realizada, ou fornecêla em desacordo com a legislação. (. . .)" Já a multa qualificada foi capitulada no § 1° do art. 44 da Lei n° 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (. . .) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (. . .)" Por fim, transcrevo os art. 71 a 73 da Lei no 4.502/64: "Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72." Na leitura deste extenso processo, vi falta de análises correlacionando compras de insumos com pagamentos por serviços de industrialização por encomenda. Mas, não vi indicação de que qualquer uma das notas fiscais carreadas pela Fiscalização tivessem sido glosadas por indícios de fraude ou por serem, por qualquer outro motivo, inidôneas. Fl. 3865DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/201393 Acórdão n.º 3301002.999 S3C3T1 Fl. 49 40 Vi casos em que se discutiu o conceito de insumos e a possibilidade de creditamento, em compras de produtos tributados à alíquota zero. Desta vez, embate acerca da interpretação de diplomas legais, altamente controversos. E vi situações em que a Recorrente não logrou êxito em comprovar ter o direito a créditos ou ao benefício da não incidência de PIS e COFINS sobre vendas que considerou como tendo sido com o fim específico de exportação. A Recorrente falhou, sem dúvida. Mas, mesmo nestes casos, observei que a Recorrente apresentou notas fiscais, DACON e respondeu as intimações. Isto é, não tentou, por vias oblíquas, ludibriar a Fiscalização e os colegiados julgadores. Nossa legislação fiscal é extremamente complexa e exige uma infinidade de controles. Não podemos considerar como ação dolosa (art. 71 da Lei no 4.502/64) a falta de controles, inconsistências entre livros e informativos fiscais ou mesmo divergência na interpretação de textos legais. Em linha com os parágrafos anteriores, encontramse várias decisões do CARF, tais como, as seguintes: "Acórdão 1402001.954 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / Sessão de 25 de março de 2015 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008, 2009 RECURSO DE OFÍCIO MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO. NECESSIDADE DA CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A evidência da intenção dolosa exigida na lei para a qualificação da penalidade aplicada há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. A simples omissão de receitas, mesmo sendo de forma reiterada, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996, já que ausente conduta material bastante para sua caracterização. Assim, para se proceder a qualificação da multa de ofício exigese que a mesma seja devidamente comprovada e justificada nos autos do processo. Além disso, exigese que o sujeito passivo tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502, de 1964." "Acórdão nº 2202002.187 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / Sessão de 20 de fevereiro de 2013 Fl. 3866DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/201393 Acórdão n.º 3301002.999 S3C3T1 Fl. 50 41 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 MULTA QUALIFICADA. JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO. NECESSIDADE DA CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A evidência da intenção dolosa exigida na lei para a qualificação da penalidade aplicada há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. Assim, o lançamento da multa qualificada de 150% deve ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502, de 1964. A falta de inclusão de algum bem ou direito na Declaração de Ajuste Anual (Declaração de Bens e Direitos), por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996, já que ausente conduta material bastante para sua caracterização. Isto posto, por entender que não foram trazidas pela Fiscalização provas cabais de que a Recorrente tenha cometido atos dolosos, com o intuito de obter vantagens fiscais, voto pelo provimento das alegações contidas no item "II o) Ilegalidade da aplicação da multa qualificada", fixando a multa de ofício em 75%. III) Pedido de perícia e diligência A Recorrente protestou pela realização de perícia e diligência, caso este colegiado não acate integralmente suas alegações. Entendo prescindível, pois os elementos contidos nos autos são suficientes para que este colegiado forme convicção sobre os temas em questão. Saliento que perícias e diligências têm o condão de prover esclarecimentos e não de trazer aos autos novos elementos probatórios, o que, rigorosamente, tem de ser efetuado na impugnação, nos termos do § 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235/72 Assim, nego provimento ao pedido de realização de perícia e diligência. IV) CONCLUSÃO Listarei os tópicos e meus correspondentes votos: "I) Preliminar: afronta ao princípio da verdade material e falta de motivação": nego provimento. " II a) Industrialização de produtos lácteos": dou provimento parcial, reconhecendo o direito ao registro de créditos sobre os gastos com industrialização realizada Fl. 3867DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/201393 Acórdão n.º 3301002.999 S3C3T1 Fl. 51 42 por terceiros e os correspondentes insumos, exceto quanto aos relacionados a compras de leite in natura e pasteurizado ou industrializado. "II b) Embalagens para transporte": dou provimento. "II c) Vacinas, pintos e ovos": nego provimento. "II f) Pagamento de fretes na aquisição de insumos": dou provimento parcial, reconhecendo o direito a créditos relacionados a fretes nas compras de insumos e no seu transporte entre estabelecimentos da Recorrente, mantendo a glosa das rubricas tituladas como frete, para as quais, todavia, não foi apresentada comprovação. "II g) Recortes de congelados e aves": dou provimento parcial, reconhecendo os créditos relativos às compras sobre as quais foram providas todas as informações requeridas e mantendo a glosa tão somente em relação aos produtos, cujos documentos fiscais e os fornecedores não foram identificados. "II f) Pallets de madeira": dou provimento. "II g) Despesas com operador logístico": dou provimento. "II h) Análises laboratoriais": dou provimento. "II i) Diárias e horamáquina de tratores": nego provimento. "II j) Repaletização": dou provimento. "II k) Tintas para carimbo: dou provimento. "II l) Aluguéis de prédios locados de pessoas jurídicas": nego provimento. "II m) Créditos presumidos atividades industriais": nego provimento ao pleito referente ao registro de créditos presumidos sobre leite in natura e dou provimento à aplicação do percentual de 60% sobre as alíquotas básicas de PIS e COFINS, para fins de cálculo dos créditos presumidos sobre frangos vivos, milho, sorgo, soja e outros insumos aplicados na produção de carnes e miudezas comestíveis. "II n) Apuração dos débitos dos tributos": nego provimento. "II o) Ilegalidade da aplicação da multa qualificada": dou provimento, fixando a multa de ofício em 75%. "III) Pedido de diligência e perícia": nego provimento. Em suma, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. Relator Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 3868DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/201393 Acórdão n.º 3301002.999 S3C3T1 Fl. 52 43 Fl. 3869DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 13891.720101/2011-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
CARF. COMPETÊNCIA RECURSAL. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA PARA LANÇAR E PARA CONHECER ORIGINARIAMENTE DE QUESTÕES NÃO SUSCITADAS NA INSTÂNCIA RECORRIDA.
1. Às instâncias julgadoras não compete o lançamento de tributos ou a sua revisão de ofício, no qual se insere a glosa de despesas, que está a cargo das Delegacia da Receita Federal (art 224, VI e XXII da Portaria MF 203, de 2012), mas tão somente o julgamento de matérias controversas, no limite em que impugnadas (art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972).
2. À segunda Seção do Carf cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação relativa à matéria de sua competência (art. 1º do Anexo II do Ricarf).
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO ATÉ ANO-BASE 2009. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. DECISÕES DO STJ, TOMADAS NA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS, DETERMINANDO A INCIDÊNCIA DO IMPOSTO E O MODO DE APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO (Resp. 1.118.429-SP e Resp. 1.470.720-RS). REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF.
1. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência).
2. De acordo com o decidido pelo STJ na sistemática estabelecida pelo art. 543-C do CPC (Resp. 1.118.429-SP), o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte.
3. Conforme decidido pelo STJ na sistemática estabelecida pelo art. 543-C do CPC (Resp. 1.470.720-RS), o valor do imposto de renda, apurado pelo regime de competência e em valores originais, deve ser corrigido, até a data da retenção na fonte sobre a totalidade de verba acumulada, pelo mesmo fator de atualização monetária dos valores recebidos acumuladamente. A taxa SELIC, como índice único de correção monetária do indébito, incidirá somente após a data da retenção indevida.
IRPF INCIDENTE SOBRE JUROS DE MORA NO CONTEXTO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DECISÃO DO STJ TOMADA NA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS (543-C DO CPC DE 1973 E ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC DE 2015), DEFININDO OS CASOS DA INCIDÊNCIA DO IMPOSTO (EDEL NO RESP. 1.089.720-RS). REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA PELO CARF.
Por ocasião do julgamento do REsp. n. 1.089.720 - RS (EDcl no REsp. nº 1.089.720-RS, Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 27.02.2013) o Superior Tribunal de Justiça definiu, especificamente quanto aos juros de mora pagos em decorrência de sentenças judiciais, que, muito embora se tratem de verbas indenizatórias, possuem a natureza jurídica de lucros cessantes, consubstanciando-se em evidente acréscimo patrimonial previsto no art. 43, II, do CTN (acréscimo patrimonial a título de proventos de qualquer natureza), razão pela qual é legítima sua tributação pelo Imposto de Renda, salvo a existência de norma isentiva específica ou a constatação de que a verba principal a que se referem os juros é verba isenta ou fora do campo de incidência do IR (tese em que o acessório segue o principal).
DEDUÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. ART. 12 DA LEI N. 7.713/88. POSSIBILIDADE.
Os honorários advocatícios pagos pelo contribuinte têm natureza de despesa necessária à aquisição dos rendimentos. Não há possibilidade de separar o trabalho do advogado entre o esforço para aferimento de rendimentos tributáveis ou não tributáveis na mesma ação judicial. Assim, os honorários devem ser considerados dedutíveis até o limite do valor dos rendimentos tributáveis recebidos.
Numero da decisão: 2301-004.655
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Alice Grecchi, que dava provimento em maior extensão.
João Bellini Júnior Presidente e relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo (suplente), Fabio Piovesan Bozza, Ivacir Júlio de Souza, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 CARF. COMPETÊNCIA RECURSAL. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA PARA LANÇAR E PARA CONHECER ORIGINARIAMENTE DE QUESTÕES NÃO SUSCITADAS NA INSTÂNCIA RECORRIDA. 1. Às instâncias julgadoras não compete o lançamento de tributos ou a sua revisão de ofício, no qual se insere a glosa de despesas, que está a cargo das Delegacia da Receita Federal (art 224, VI e XXII da Portaria MF 203, de 2012), mas tão somente o julgamento de matérias controversas, no limite em que impugnadas (art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972). 2. À segunda Seção do Carf cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação relativa à matéria de sua competência (art. 1º do Anexo II do Ricarf). IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO ATÉ ANO-BASE 2009. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. DECISÕES DO STJ, TOMADAS NA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS, DETERMINANDO A INCIDÊNCIA DO IMPOSTO E O MODO DE APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO (Resp. 1.118.429-SP e Resp. 1.470.720-RS). REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF. 1. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). 2. De acordo com o decidido pelo STJ na sistemática estabelecida pelo art. 543-C do CPC (Resp. 1.118.429-SP), o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. 3. Conforme decidido pelo STJ na sistemática estabelecida pelo art. 543-C do CPC (Resp. 1.470.720-RS), o valor do imposto de renda, apurado pelo regime de competência e em valores originais, deve ser corrigido, até a data da retenção na fonte sobre a totalidade de verba acumulada, pelo mesmo fator de atualização monetária dos valores recebidos acumuladamente. A taxa SELIC, como índice único de correção monetária do indébito, incidirá somente após a data da retenção indevida. IRPF INCIDENTE SOBRE JUROS DE MORA NO CONTEXTO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DECISÃO DO STJ TOMADA NA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS (543-C DO CPC DE 1973 E ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC DE 2015), DEFININDO OS CASOS DA INCIDÊNCIA DO IMPOSTO (EDEL NO RESP. 1.089.720-RS). REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA PELO CARF. Por ocasião do julgamento do REsp. n. 1.089.720 - RS (EDcl no REsp. nº 1.089.720-RS, Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 27.02.2013) o Superior Tribunal de Justiça definiu, especificamente quanto aos juros de mora pagos em decorrência de sentenças judiciais, que, muito embora se tratem de verbas indenizatórias, possuem a natureza jurídica de lucros cessantes, consubstanciando-se em evidente acréscimo patrimonial previsto no art. 43, II, do CTN (acréscimo patrimonial a título de proventos de qualquer natureza), razão pela qual é legítima sua tributação pelo Imposto de Renda, salvo a existência de norma isentiva específica ou a constatação de que a verba principal a que se referem os juros é verba isenta ou fora do campo de incidência do IR (tese em que o acessório segue o principal). DEDUÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. ART. 12 DA LEI N. 7.713/88. POSSIBILIDADE. Os honorários advocatícios pagos pelo contribuinte têm natureza de despesa necessária à aquisição dos rendimentos. Não há possibilidade de separar o trabalho do advogado entre o esforço para aferimento de rendimentos tributáveis ou não tributáveis na mesma ação judicial. Assim, os honorários devem ser considerados dedutíveis até o limite do valor dos rendimentos tributáveis recebidos.
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Recorrente HENRIQUE ARMINIO DE SOUZA Recorrida União (representada pela Fazenda Nacional) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 CARF. COMPETÊNCIA RECURSAL. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA PARA LANÇAR E PARA CONHECER ORIGINARIAMENTE DE QUESTÕES NÃO SUSCITADAS NA INSTÂNCIA RECORRIDA. 1. Às instâncias julgadoras não compete o lançamento de tributos ou a sua revisão de ofício, no qual se insere a glosa de despesas, que está a cargo das Delegacia da Receita Federal (art 224, VI e XXII da Portaria MF 203, de 2012), mas tão somente o julgamento de matérias controversas, no limite em que impugnadas (art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972). 2. À segunda Seção do Carf cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação relativa à matéria de sua competência (art. 1º do Anexo II do Ricarf). IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO ATÉ ANOBASE 2009. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. DECISÕES DO STJ, TOMADAS NA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS, DETERMINANDO A INCIDÊNCIA DO IMPOSTO E O MODO DE APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO (Resp. 1.118.429SP e Resp. 1.470.720RS). REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF. 1. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). 2. De acordo com o decidido pelo STJ na sistemática estabelecida pelo art. 543C do CPC (Resp. 1.118.429SP), o Imposto de Renda incidente sobre os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 1. 72 01 01 /2 01 1- 16 Fl. 287DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. 3. Conforme decidido pelo STJ na sistemática estabelecida pelo art. 543C do CPC (Resp. 1.470.720RS), o valor do imposto de renda, apurado pelo regime de competência e em valores originais, deve ser corrigido, até a data da retenção na fonte sobre a totalidade de verba acumulada, pelo mesmo fator de atualização monetária dos valores recebidos acumuladamente. A taxa SELIC, como índice único de correção monetária do indébito, incidirá somente após a data da retenção indevida. IRPF INCIDENTE SOBRE JUROS DE MORA NO CONTEXTO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DECISÃO DO STJ TOMADA NA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS (543C DO CPC DE 1973 E ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC DE 2015), DEFININDO OS CASOS DA INCIDÊNCIA DO IMPOSTO (EDEL NO RESP. 1.089.720RS). REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA PELO CARF. Por ocasião do julgamento do REsp. n. 1.089.720 RS (EDcl no REsp. nº 1.089.720RS, Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 27.02.2013) o Superior Tribunal de Justiça definiu, especificamente quanto aos juros de mora pagos em decorrência de sentenças judiciais, que, muito embora se tratem de verbas indenizatórias, possuem a natureza jurídica de lucros cessantes, consubstanciandose em evidente acréscimo patrimonial previsto no art. 43, II, do CTN (acréscimo patrimonial a título de proventos de qualquer natureza), razão pela qual é legítima sua tributação pelo Imposto de Renda, salvo a existência de norma isentiva específica ou a constatação de que a verba principal a que se referem os juros é verba isenta ou fora do campo de incidência do IR (tese em que o acessório segue o principal). DEDUÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. ART. 12 DA LEI N. 7.713/88. POSSIBILIDADE. Os honorários advocatícios pagos pelo contribuinte têm natureza de despesa necessária à aquisição dos rendimentos. Não há possibilidade de separar o trabalho do advogado entre o esforço para aferimento de rendimentos tributáveis ou não tributáveis na mesma ação judicial. Assim, os honorários devem ser considerados dedutíveis até o limite do valor dos rendimentos tributáveis recebidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Alice Grecchi, que dava provimento em maior extensão. João Bellini Júnior – Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo (suplente), Fabio Piovesan Bozza, Ivacir Júlio de Souza, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente). Fl. 288DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13891.720101/201116 Acórdão n.º 2301004.655 S2C3T1 Fl. 288 3 Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1646.333, de 08/05/2013, (fls. 241 a 253). Reproduzo o relatório do acórdão recorrido: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida a notificação de lançamento de fls. 08 a 12, referente ao anocalendário de 2007, para a retificação do valor do imposto a restituir de R$ 16.936,60 para R$ 9.794,32. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 09 e 10) que foram apuradas as seguintes infrações: omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de ação trabalhista. Enquadramento Legal: arts. 1º a 3º e §§, da Lei nº 7.713/1988; arts. 1º a 3º da Lei nº 8.134/1990; arts. 1º e 15 da Lei nº 10.451/2002; art. 28 da Lei n° 10.833/2003; art. 43 do Decreto nº 3.000/1999 RIR/1999; compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. Enquadramento legal: art. 12, inciso V, da Lei n° 9.250/1995; arts. 7o, §§ 1o e 2o, e 87, inciso IV, § 2o, do RIR/1999. (...) Alega o impugnante que o valor pago através do Banco do Brasil S/A referese a rendimentos decorrentes de ação trabalhista, recebidos acumuladamente, correspondentes aos meses de outubro/1993 a janeiro/1998, num total de 52 meses e mais reflexos de 5 décimosterceiros salários, totalizando 57 meses. Considera que a tributação de tais rendimentos deve se dar na forma prevista na IN RFB n° 1.127/2011. Entende que, do rendimento bruto informado na DIRF apresentada pela fonte pagadora, de R$ 145.127,03, devem ser deduzidas as despesas com honorários advocatícios. Demonstra o cálculo do imposto que considera devido (fl. 05) e requer a restituição da diferença retida a maior. Argumenta que foram apresentados os comprovantes da reclamação trabalhista movida contra a SABESP Cia. de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, na qual foram pleiteadas e reconhecidas diferenças salariais e demais reflexos, do período de outubro/1993 a janeiro/1998, alguns não tributáveis, tais como FGTS e juros. (...) Fl. 289DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 A DRJ julgou a impugnação procedente em parte, e o acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. TRIBUTAÇÃO. EXCLUSÃO. DESPESAS COM AÇÃO JUDICIAL. Os rendimentos referentes a diferenças ou atualizações de salários, proventos ou pensões, inclusive juros e correção monetária, recebidos acumuladamente, estão sujeitos à incidência do imposto de renda quando do seu recebimento. Não se sujeitam à tributação as verbas referentes a férias não gozadas, abono pecuniário de férias, aviso prévio indenizado e Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. Os valores relativos ao décimo terceiro salário são tributados exclusivamente na fonte. Deduzse o valor correspondente aos honorários advocatícios suportados pelo interessado, proporcionalmente aos rendimentos tributáveis na declaração, por se tratar de rendimentos auferidos em decorrência de ação judicial. A ciência dessa decisão ocorreu em 03/06/2013 (fl. 258). Em 19/06/2013, foi apresentado recurso voluntário (fls. 259 a 273), no qual são reafirmados, em síntese, os argumentos da impugnação, e ainda, foi: (a) solicitado o reconhecimento de seu direito à isenção do imposto sobre a renda sobre o valor recebido a título de horas extras, de juros de mora, FGTS, 13º Salário, 1/3 do adicional de férias; (b) reafirmado que a tributação de seus rendimentos deve se dar na forma prevista na IN RFB n° 1.127/2011 e solicitado que este Carf altere sua declaração de rendimentos na forma indicada; (c) indicado que a autoridade recorrida aumentou a glosa do IRRF de R$1.026,72 para R$3.826,51; (d) solicitado que os honorários advocatícios sejam integralmente dedutíveis da base de cálculo. Requereu o cancelamento do crédito tributário lançado, ou alternativamente, que seja afastada a incidência do imposto sobre a renda sobre os valores recebidos a título de juros de mora. É o relatório. Voto Conselheiro João Bellini Júnior, Relator Fl. 290DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13891.720101/201116 Acórdão n.º 2301004.655 S2C3T1 Fl. 289 5 Da competência recursal do Carf O contribuinte não suscitou na instância recorrida o reconhecimento da isenção referente às horas extras. Tal matéria não pode ser originariamente conhecida por este Carf, sob pena de usurpação de competência das Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ), uma vez que a competência deste órgão é tão somente recursal, a teor do disposto no art. 1º do Anexo II do Regimento Interno deste Carf, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 (Ricarf): Art. 1º Compete aos órgãos julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de 1ª (primeira) instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Parágrafo único. As Seções serão especializadas por matéria, na forma prevista nos arts. 2º a 4º da Seção I. Mesmo se assim não fosse, o Superior Tribunal de Justiça sumulou que incide imposto sobre a renda sobre os valores percebidos a título de indenização por horas extras trabalhadas: Súmula STJ 463 Incide imposto de renda sobre os valores percebidos a título de indenização por horas extraordinárias trabalhadas, ainda que decorrentes de acordo coletivo. Assim, conheço parcialmente do recurso, excluída a matéria que não foi suscitada na instância recorrida. Rendimentos recebidos acumuladamente a título de FGTS e de abono pecuniário de férias O recorrente pede seja excluído do valor tributável os valores recebidos acumuladamente a título de FGTS e de adicional de férias (“1/3 de férias”). Porém, a análise do lançamento esmiuçado na “descrição dos fatos e enquadramento legal” (fl. 09) demonstra que tais valores já foram considerados isentos pela unidade preparadora, que, decorrentemente, não os lançou como rendimentos tributáveis. Tal fato foi descrito com esmero pela decisão recorrida, da qual transcrevo as razões, assumindoas como minhas: O lançamento impugnado apurou a omissão de rendimentos decorrentes de reclamação trabalhista, no valor de R$ 22.238,40, que corresponde à diferença entre o valor declarado, de R$ 99.452,92 (fl. 29) e o apurado como tributável, de R$ 121.691,32. A fiscalização considerou que o valor dos rendimentos tributáveis seria de 162.782,54 (equivalente a 89,1% do valor bruto auferido, de R$ 182.696,46), do qual foram deduzidos os honorários advocatícios de R$ 41.091,22 (obtidos pela aplicação Fl. 291DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 do mesmo percentual sobre o total pago, de R$ 46.118,10), apurando, por conseguinte, o valor tributável de R$ 121.691,32. O percentual de 89,1% corresponde ao quociente entre o montante dos rendimentos tributáveis, atualizado até maio de 2005, de R$ 140.422,56, e o total bruto, de R$157.631,91, ambos extraídos da planilha “RESUMO”, de fl. 477 do processo trabalhista. O valor de R$ 140.422,56 resulta da exclusão, do total de R$ 157.631,91,das importâncias relativas ao FGTS e ao abono pecuniário de férias, respectivamente, de R$15.292,25 e R$ 1.917,10. Quanto ao abono pecuniário de férias, assinalese que o Ato Declaratório PGFN nº 6, de 16 de novembro de 2006, dispensa a apresentação de contestação, a interposição de recursos e autoriza a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que não incide imposto de renda sobre o abono pecuniário de férias de que trata o art. 143 da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, aprovada pelo DecretoLei nº 5.452, de 1º de maio de 1943”. A Instrução Normativa RFB n° 936, de 5 de maio de 2009, dispõe sobre a não incidência do imposto de renda sobre a mesma verba, conforme transcrição a seguir: Art. 1º Os valores pagos a pessoa física a título de abono pecuniário de férias de que trata o art. 143 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo DecretoLei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, não serão tributados pelo imposto de renda na fonte nem na Declaração de Ajuste Anual. Art. 2º A pessoa física que recebeu os rendimentos de que trata o art. 1º com desconto do imposto de renda na fonte e que incluiu tais rendimentos na Declaração de Ajuste Anual como tributáveis, para pleitear a restituição da retenção indevida, deverá apresentar declaração retificadora do respectivo exercício da retenção, excluindo o valor recebido a título de abono pecuniário de férias do campo "rendimentos tributáveis" e informandoo no campo "outros" da ficha "rendimentos isentos e não tributáveis", com especificação da natureza do rendimento. (Grifouse.) A tabela dos “rendimentos isentos” constante na fl. 251 demonstra que tais parcelas foram consideradas isentas.: Fl. 292DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13891.720101/201116 Acórdão n.º 2301004.655 S2C3T1 Fl. 290 7 Comprovado que tais parcelas não foram tributadas, nada há para ser excluído. Rendimentos recebidos acumuladamente a título de décimo terceiro salário Tais valores são tributados exclusivamente na fonte, com fundamento no artigo 16, inciso III, da Lei n° 8.134/1990, e decorrentemente, foram excluídas da tributação por não integrarem a base de cálculo do imposto sobre a renda calculado na declaração de ajuste anual (DAA). A tabela dos “rendimentos sujeitos à tributação exclusiva na fonte” constante na fl. 251 demonstra que tais parcelas foram segregadas: Demais rendimentos recebidos acumuladamente. Período até anobase 2009 Trata o presente processo de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, por força de ação judicial trabalhista, relativos ao anocalendário de 2009. Tal tema já foi objeto de apreciação tanto pelo Supremo Tribunal Federal (STF) quanto pelo Superior Tribunal de Justiça (STF), em processos com decisão definitiva de mérito na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei 5.869, de 1973 (presentemente, arts. 1.036 a 1.041 da Lei 13.105, de 2015). Assim, tais decisões devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho Administrativo, por força do disposto no art. 62, § 3º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 (Ricarf). Passemos à análise das referidas decisões. Do STF, temos o julgamento do RE 614.406/RS (com repercussão geral reconhecida) cuja tese restou reafirmada no julgamento do ARE 817.409, cujos trânsito em julgado deramse respectivamente em 11/12/2014 e 05/06/2015. Em ambos os acórdãos, decidiuse que o imposto sobre a renda das pessoas físicas (IRPF) sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência, ou seja, calculados de acordo com o regime de competência. Tal é o entendimento que deve ser reproduzido pelos órgãos deste Carf. O RE 614.406/RS recebeu a seguinte ementa: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há Fl. 293DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 de de (SIC) ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Assim, no RE 614.406/RS decidiuse negar provimento ao recurso extraordinário interposto pela União contra acórdão exarado pela Corte Especial do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, pelo qual entendeuse correta a “Incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência após somado este com o valor já pago, pena afronta aos princípios da isonomia e capacidade contributiva insculpidos na CF/88 e do critério da proporcionalidade que infirma a apuração do montante devido”. Friso que, embora alguns Ministros teçam considerações sobre a inconstitucionalidade do art. 12 da lei 7.713, de 1988 (como é o caso do Min. Marco Aurélio, do Min. Dias Toffoli e da Min. Cármen Lúcia), a discussão que se estabelece no plenário do STF é qual o regime de tributação a ser aplicado ao caso: (a) regime de caixa, posição da Min. Ellen Grace, que dava provimento ao recurso interposto pela União, julgando constitucional o art. 12 da Lei 7.713, de 1988 e (b) regime de competência, posição dos demais ministros, que, em decorrência, negaram provimento ao recurso da União. Desse modo, o limite objetivo da coisa julgada é dado pelo desprovimento da apelação da União contra o acórdão do TRF4, que houvera reconhecido incidentalmente a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei 7.713, de 1988 para que o IRPF fosse tributado pelo regime de competência (e não pelo regime de caixa) Tal situação, ou seja, ser o limite objetivo da coisa julgada no RE 614.406/RS a tributação dos rendimento recebidos acumuladamente pelo regime de competência, resta cristalina pela simples leitura da ementa do ARE 817.409: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. MODO DE CÁLCULO. RENDIMENTOS PAGOS EM ATRASO E ACUMULADAMENTE. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA PELO STF. TEMA Nº 368. JULGAMENTO DE MÉRITO NO RE 614.406. ALEGADA INDIFERENÇA NA APLICAÇÃO DO REGIME DE CAIXA OU DE COMPETÊNCIA AO CASO. INCURSÃO NO ACERVO FÁTICOPROBATÓRIO DOS AUTOS. SÚMULA Nº 279 DO STF. INCIDÊNCIA. 1. Os valores recebidos em atraso e acumuladamente por pessoas físicas devem se submeter à incidência do imposto de renda segundo o regime de competência, consoante decidido pelo Plenário do STF no julgamento do RE 614.406, Rel. Min. Rosa Weber, Redator do acórdão o Min. Marco Aurélio, DJe de 27/11/2014, leading case de repercussão geral, Tema nº 368. (...) No mesmo sentido decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) no julgamento do Acórdão CSRF 9202003.695, julgado em 27/01/2016, o qual recebeu a seguinte ementa: IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e Fl. 294DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13891.720101/201116 Acórdão n.º 2301004.655 S2C3T1 Fl. 291 9 alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Das razões do conselheiro relator, Heitor de Souza Lima Junior, transcrevo: Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão (RE 614.406/RS), de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei no . 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. (...) Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. (...) Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. (...) Como já referido, também o STJ enfrentou a matéria no julgamento de dois recursos especiais sujeitos à sistemática do art. 543C do CPC, (e, portanto, vinculativos ao CARF em face do disposto no art. 62, § 2º, do Ricarf). Nesses, também restou assentado que o imposto sobre a renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 O primeiro desses julgamentos é o Resp. 1.118.429SP, julgado em 24/03/2010 e transitado em julgado em 17/06/2010, o qual recebeu a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. (Grifouse.) O segundo julgado, Resp. 1.470.720RS, julgado em 10/12/2014 e transitado em julgado em 04/03/2015, esmiúça a determinação das bases de cálculo do imposto sobre a renda, e recebeu a seguinte ementa: RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO DE SENTENÇA CONTRA A FAZENDA PÚBLICA. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. VERBAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. CORREÇÃO MONETÁRIA. FACDT. SELIC. (...) 2. O valor do imposto de renda, apurado pelo regime de competência e em valores originais, deve ser corrigido, até a data da retenção na fonte sobre a totalidade de verba acumulada, pelo mesmo fator de atualização monetária dos valores recebidos acumuladamente (em ação trabalhista, como no caso, o FACDT – fator de atualização e conversão dos débitos trabalhistas). A taxa SELIC, como índice único de correção monetária do indébito, incidirá somente após a data da retenção indevida. (Grifouse.) 3. Sistemática que não implica violação ao art. 13, da Lei n. 9.065/95, ao art. 61, §3º, da Lei n. 9.430/96, ao art. 8º, I, da Lei n. 9.250/95, ou ao art. 39, §4º, da Lei n. 9.250/95, posto que se refere à equalização das bases de cálculo do imposto de renda apurados pelo regime de competência e pelo regime de caixa e não à mora, seja do contribuinte, seja do Fisco. 4. Tema julgado para efeito do art. 543C, do CPC: "Até a data da retenção na fonte, a correção do IR apurado e em valores originais deve ser feita sobre a totalidade da verba acumulada e pelo mesmo fator de atualização monetária dos valores recebidos acumuladamente, sendo que, em ação trabalhista, o critério utilizado para tanto é o FACDT". (Grifos no original.) 5. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13891.720101/201116 Acórdão n.º 2301004.655 S2C3T1 Fl. 292 11 Transcrevo trechos do Resp. 1.470.720, a fim de aclarar os critérios pelos quais deve ser calculado o imposto sobre a renda: Esta Corte ao julgar recurso representativo da controvérsia decidiu que: "O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente" (REsp. n. 1.118.429/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 24.03.2010). Ou seja, entendeu que o art. 12, da Lei n. 7.713/88 não deve ser interpretado de forma a permitir a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente pelo regime de caixa (tributação considerando as alíquotas, os parâmetros e no mês em que efetivamente pagos os rendimentos de uma só vez), mas sim pelo regime de competência (tributação considerando as alíquotas, os parâmetros e no mês em que deveriam ter sido pagos dos rendimentos mês a mês). Em razão dessa jurisprudência já consolidada, surgiu em inúmeros processos a discussão a respeito do modo com que se daria o cálculo dessa diferença de imposto de renda a ser paga pelo contribuinte ou a ele repetida pelo fisco, nos casos em que o Imposto de Renda incide sobre verbas trabalhistas pagas em atraso de forma acumulada, ou verbas de outra natureza também pagas em atraso de forma acumulada. Esse modo não poderia descurar da forma com que calculado o imposto nas declarações de ajuste, respeitandose a lógica do imposto e de sua repetição. Dito de outra forma, para respeitar a sistemática de apuração do Imposto de Renda e ao mesmo tempo o regime de competência, havia a necessidade de se estabelecer uma forma retroativa de cálculo do tributo que deveria ter sido pago ao tempo em que deveria ter sido recebido o rendimento (regime de competência) e apurar a diferença em relação ao que retido posteriormente na fonte (regime de caixa), o que carece da aplicação de um critério único de correção monetária, a fim de se equalizar as bases de cálculo do Imposto de Renda através do tempo (a base de cálculo do imposto que deveria ter sido pago sob o regime de caixa deve ser equalizada à base de cálculo do imposto pago sob o regime de competência) e definir a diferença do tributo a pagar ou restituir. Assim, o que se discute é o índice a ser fixado para a correção da base de cálculo do tributo e não do tributo devido ou do indébito a ser restituído. No caso das verbas trabalhistas, sabese que a Justiça do Trabalho utiliza para atualização dos débitos (base de cálculo do Imposto de Renda) a chamada Tabela FACDT (Fator de Atualização e Conversão dos Débitos Trabalhistas), que tem por objetivo assegurar, "com base no índice oficial da inflação do mês anterior, o valor monetário dos créditos do trabalhador até o primeiro dia do mês seguinte" (Agravo de Petição n. 718903, TRT4, Sexta Turma, Rel. Juiz João Ghisleni Filho, julgado em 19.11.1998). Sendo assim, sua natureza é de fator de correção Fl. 297DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 monetária, não se tratando de juros de mora, que tem por objetivo punir o devedor pela mora, acrescendo ao débito uma indenização a título de lucros cessantes. Do mesmo modo, no caso de verbas previdenciárias, a Justiça Federal faz uso do IGPDI e, mutatis mutandis, em outros casos fazse uso de índices diversos judicialmente fixados e transitados em julgado. A jurisprudência então caminhou para a seguinte forma de cálculo: resgatase o valor original da base de cálculo (após, portanto, as deduções legais) declarada pelo sujeito passivo em sua Declaração de Ajuste Anual relativa ao anocalendário a que o rendimento corresponde (A) e adicionase o valor do rendimento recebido acumuladamente relativo ao mesmo ano (excluídos atualização monetária e juros) (B). Assim, chegase ao valor da base de cálculo que seria declarada se o rendimento tivesse sido percebido na época própria (C = A + B). Sobre esta base de cálculo aplicase a tabela progressiva vigente no ano a que o rendimento corresponde. Com a aplicação da alíquota da tabela progressiva sobre a base de cálculo (C), chegase a um resultado de imposto devido à época. Desse resultado se subtrai o imposto efetivamente pago calculado com os valores da época. Essa diferença corresponde ao cálculo da diferença de imposto correspondente (D). Este cálculo deverá ser feito para cada anocalendário referente aos rendimentos percebidos acumuladamente (Dl, D2, etc). Esta diferença de imposto de renda (D), apurada em cada ano (D1, D2, etc), será atualizada pelo índice que melhor reflita a correção monetária para o débito em questão (no caso de débitos trabalhistas, utilizase o Fator de Atualização e Conversão dos Débitos Trabalhistas FACDT, como visto) a partir de 30 de abril do ano subseqüente ao anocalendário respectivo. Cada uma das diferenças anuais (Dl, D2) será atualizada pelo índice referido até 30 de abril do ano subseqüente àquele em que ocorreu o recebimento dos valores acumulados e somadas entre si, constituindo o somatório de diferenças de imposto de renda (E =" Dl + D2 + etc.). O montante total das diferenças (E) será compensado com o total do imposto que foi indevidamente retido na fonte sob o regime de caixa por força do recebimento de rendimentos acumulados, perfazendo o saldo de imposto de renda (F), a pagar (se E > imposto indevidamente retido na fonte sob o regime de caixa) ou a restituir (se E < imposto indevidamente retido na fonte sob o regime de caixa). Sobre (F), incidirá a taxa SELIC a partir de 1º de maio do ano subsequente ao do recebimento dos rendimentos acumulados porque, ou constitui (F) uma diferença de imposto não pago pelo contribuinte (situação em que incidem o art. 13, da Lei n. 9.065/95 e o art. 61, §3º, da Lei n. 9.430/96), ou constitui um valor de indébito a ser repetido pelo Fisco ao contribuinte (situação em que incide o art. 39, §4º, da Lei n. 9.250/95). (...) De observar que a taxa SELIC não incide em nenhum momento anterior porque antes de 1º de maio do ano subsequente ao do recebimento dos rendimentos acumulados o que ocorre é apenas Fl. 298DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13891.720101/201116 Acórdão n.º 2301004.655 S2C3T1 Fl. 293 13 uma equalização da base de cálculo do imposto de renda e não a mora, seja do contribuinte, seja do Fisco. Assim, em atenção ao disposto no art. 62, § 2º do Anexo II do Ricarf, devem ser aplicadas as disposições do (a) RE 614.406/RS (STF), explicitadas no ARE 817.409 (STF), (b) Resp. 1.118.429SP (STJ) e (c) Resp. 1.470.720 (STJ). Demais rendimentos recebidos acumuladamente. Período até anobase 2009. Incidência do imposto sobre a renda sobre os juros de mora. Exceções A recorrente argumenta que os juros moratórios recebidos em razão do processo judicial não podem sofrer a incidência do imposto sobre a renda. Sobre o tema, transcrevo as razões de decidir expostas pelo Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, redator designado para o Acórdão 2101002.547, as quais adoto como minhas, mutatis mutandis: Sobre o tema da tributação dos juros, vale ressaltar o entendimento inicial, no sentido de que tais rendimentos, a princípio, deveriam seguir a natureza tributável da verba principal, por sua característica acessória, escorado no artigo 55, inciso XIV, do Decreto n° 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda), que estipula serem tributáveis "os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis". Com efeito, a Lei n° 4.506, de 1964, em seu artigo 16, é expressa quanto à exigência do imposto de renda sobre os juros de mora e quaisquer outras indenizações pagas pelo atraso no pagamento de rendimentos do trabalho. Vejamos o texto, ipsis litteris: Art. 16. Serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado todas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício dos empregos, cargos ou funções referidos no artigo 5° do Decretolei número 5.844, de 27 de setembro de 1943, e no art. 16 da Lei número 4.357, de 16 de julho de 1964, tais como: I Salários, ordenados, vencimentos, soldos, soldadas, vantagens, subsídios, honorários, diárias de comparecimento; [...] Parágrafo único. Serão também classificados como rendimentos de trabalho assalariado os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo. Sendo assim, tendo em vista o disposto no artigo 3°, § 4° da Lei n° 7.713, de 1988, os juros incidentes sobre as verbas de natureza salarial recebidas acumuladamente não poderiam, a princípio, escapar à tributação pelo IRPF. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 14 Todavia, com fundamento na legislação acima citada, o Superior Tribunal de Justiça também tem se manifestado pela existência de exceções quanto à incidência do imposto de renda sobre os juros de mora recebidos quando do recebimento de verbas no âmbito de rescisão do contrato de trabalho, consoante posicionamento externado quando do julgamento do REsp no 1.089.720/RS, em 10.10.2012 (publicado em 16.12.2012), cujo relator foi o Ministro Mauro Campbell Marques e ao qual aqui se acede, por ter não só mantido o teor do anteriormente decidido no âmbito do REsp 1.227.133 citado no Voto Vencedor, como também explicitado de forma clara, em sua ementa, a forma de sua aplicação. Vejamos, assim, a ementa da decisão cujo teor aqui se adota : PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. N. 1.227.133 RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR. 1. Não merece conhecimento o recurso especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula n. 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). 3. Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não (grifei). Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. A isenção é circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável (perda do emprego), daí a incidência do art. 6°, V, da Lei n. 7.713/88. Nesse sentido, quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também às verbas decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no Fl. 300DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13891.720101/201116 Acórdão n.º 2301004.655 S2C3T1 Fl. 294 15 recurso representativo da controvérsia REsp no 1.227.133RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel .p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). [...] 4. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do "accessorium sequitur suum principale". [...] 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido. (Grifos no original.) Sendo assim, verifico que, no caso concreto, os juros de mora sobre as verbas isentas (FGTS e aviso prévio indenizado) já foram excluídos pela decisão recorrida, da qual transcrevo o trecho pertinente: (...) Todavia, cabe observar o que estabelece o artigo 6o, inciso V, da Lei n° 7.713/1988: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) V – a indenização e o aviso prévio pagos por despedida ou rescisão de contrato de trabalho, até o limite garantido por lei, bem como o montante recebido pelos empregados e diretores, ou respectivos beneficiários, referente aos depósitos, juros e correção monetária creditados em contas vinculadas, nos termos da legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço; Assim, devem ser excluídos do rendimento bruto os valores correspondentes ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e ao aviso prévio indenizado e respectivos juros e atualização monetária. (Grifouse.) Nada mais há para ser excluído quanto aos juros de mora. Da dedução dos honorários advocatícios O contendor afirma que os honorários advocatícios devem ser deduzidos integralmente da base de cálculo do imposto sobre a renda (e não, como foi efetuado pela fiscalização, na proporção dos rendimentos isentos e não tributáveis). Nesse tema, já há posicionamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), Acórdão 9202003.518, sessão de 11/12/2014, pela qual “os honorários devem ser considerados dedutíveis até o limite do valor dos rendimentos tributáveis recebidos”: Fl. 301DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 16 DEDUÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. ART. 12 DA LEI N. 7.713/88. POSSIBILIDADE. Os honorários advocatícios pagos pelo contribuinte têm natureza de despesa necessária à aquisição dos rendimentos. Não há possibilidade de separar o trabalho do advogado entre o esforço para aferimento de rendimentos tributáveis ou não tributáveis na mesma ação judicial. Assim, os honorários devem ser considerados dedutíveis até o limite do valor dos rendimentos tributáveis recebidos. Penso ser essa a melhor exegese ao art. 56, parágrafo único, do Decreto 3.000, de 1999 (RIR 99), que permite a dedução do “valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização”, sem fazer distinção entre verbas tributáveis ou não: Art. 56. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12). Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, poderá ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12). Assim, deve ser considerado como dedução do imposto sobre a renda recebido acumuladamente o valor total pago a título de honorários advocatícios. Da glosa do imposto sobre a renda retido na fonte O contendor reclama que a decisão recorrida aumentou a glosa de seu imposto sobre a renda pago. Lhe assiste razão. Às instâncias julgadoras não compete o lançamento de tributos ou a sua revisão de ofício, no qual se insere a glosa de despesas, que está a cargo das Delegacia da Receita Federal (art 224, VI e XXII da Portaria MF 203, de 2012), mas simplesmente julgamento de matérias controversas, no limite em que impugnadas (art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972). Sendo assim, deve a glosa do imposto sobre a renda pago encontrar limite no valor constante do lançamento, R$1.026,72. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso e dar lhe parcial provimento para que (a) o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente seja calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes no mês em que a parcela foi reconhecida como devida, na decisão judicial, segundo os critérios estabelecidos pelo Resp. 1.470.720, (b) seja considerado como dedução do imposto sobre a renda recebido Fl. 302DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13891.720101/201116 Acórdão n.º 2301004.655 S2C3T1 Fl. 295 17 acumuladamente o valor total pago a título de honorários advocatícios e (c) seja considerado o valor de R$1.026,72 como limite à glosa do imposto sobre a renda pago. João Bellini Júnior – relator Fl. 303DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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