Sistemas: Acordãos
Busca:
mostrar execução da query
6403593 #
Numero do processo: 14337.000264/2010-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2002 a 30/10/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Tendo em vista que o acórdão embargado omitiu-se na análise de ponto sobre o qual deveria se manifestar, é patente a necessidade de acolhimento dos embargos. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO PESSOA FÍSICA. MERA ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS NECESSÁRIOS PARA SUA RESPONSABILIZAÇÃO. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. Tendo em vista que as alegações de recurso voluntário da parte foram formuladas de forma genérica, apenas sob o enfoque de não estarem pressentes os requisitos legais aptos a ensejar a responsabilidade solidária dos sócios que não constavam em contrato social, sem, no entanto, atacar os fundamentos específicos pelos quais foram considerados como responsáveis ou mesmo sem trazer nenhuma prova a demonstrar a incoerência das conclusões adotadas quando da ação fiscal, é de ser mantido o lançamento. Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2402-005.089
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, para rerratificar o julgamento do v. acórdão embargado, de modo a que toda a fundamentação constante no anterior voto condutor seja substituída pela presente, para conhecer dos recursos voluntários interpostos por LUIZ CARLOS DA SILVEIRA BUENO e LINCOLN LAFAYETE DA SILVEIRA BUENO e, no mérito, em negar-lhes provimento. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Lourenço Ferreira do Prado - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201603

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2002 a 30/10/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Tendo em vista que o acórdão embargado omitiu-se na análise de ponto sobre o qual deveria se manifestar, é patente a necessidade de acolhimento dos embargos. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO PESSOA FÍSICA. MERA ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS NECESSÁRIOS PARA SUA RESPONSABILIZAÇÃO. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. Tendo em vista que as alegações de recurso voluntário da parte foram formuladas de forma genérica, apenas sob o enfoque de não estarem pressentes os requisitos legais aptos a ensejar a responsabilidade solidária dos sócios que não constavam em contrato social, sem, no entanto, atacar os fundamentos específicos pelos quais foram considerados como responsáveis ou mesmo sem trazer nenhuma prova a demonstrar a incoerência das conclusões adotadas quando da ação fiscal, é de ser mantido o lançamento. Embargos Acolhidos.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Fri Jun 10 00:00:00 UTC 2016

numero_processo_s : 14337.000264/2010-56

anomes_publicacao_s : 201606

conteudo_id_s : 5596329

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 10 00:00:00 UTC 2016

numero_decisao_s : 2402-005.089

nome_arquivo_s : Decisao_14337000264201056.PDF

ano_publicacao_s : 2016

nome_relator_s : LOURENCO FERREIRA DO PRADO

nome_arquivo_pdf_s : 14337000264201056_5596329.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, para rerratificar o julgamento do v. acórdão embargado, de modo a que toda a fundamentação constante no anterior voto condutor seja substituída pela presente, para conhecer dos recursos voluntários interpostos por LUIZ CARLOS DA SILVEIRA BUENO e LINCOLN LAFAYETE DA SILVEIRA BUENO e, no mérito, em negar-lhes provimento. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Lourenço Ferreira do Prado - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.

dt_sessao_tdt : Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016

id : 6403593

ano_sessao_s : 2016

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:49:38 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713048418101755904

conteudo_txt : Metadados => date: 2016-06-02T13:04:10Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2016-06-02T13:04:10Z; Last-Modified: 2016-06-02T13:04:10Z; dcterms:modified: 2016-06-02T13:04:10Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:23454ae4-36a0-4088-9010-ec6353f2b6a6; Last-Save-Date: 2016-06-02T13:04:10Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2016-06-02T13:04:10Z; meta:save-date: 2016-06-02T13:04:10Z; pdf:encrypted: true; modified: 2016-06-02T13:04:10Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2016-06-02T13:04:10Z; created: 2016-06-02T13:04:10Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2016-06-02T13:04:10Z; pdf:charsPerPage: 1882; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2016-06-02T13:04:10Z | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 2          1  1  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  14337.000264/2010­56  Recurso nº               Embargos  Acórdão nº  2402­005.089  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  08 de março de 2016  Matéria  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Embargante  LUIZ CARLOS DA SILVEIRA BUENO e LINCOLN LAFAYETE DA  SILVEIRA BUENO   Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/07/2002 a 30/10/2005  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  OMISSÃO.  Tendo  em  vista  que  o  acórdão  embargado  omitiu­se  na  análise  de  ponto  sobre  o  qual  deveria  se  manifestar, é patente a necessidade de acolhimento dos embargos.  GRUPO  ECONÔMICO.  RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA.  SÓCIO  PESSOA  FÍSICA.  MERA  ALEGAÇÃO  DE  AUSÊNCIA  DOS  REQUISITOS  LEGAIS  NECESSÁRIOS  PARA  SUA  RESPONSABILIZAÇÃO.  MANUTENÇÃO  DO  LANÇAMENTO.  Tendo  em vista que as alegações de recurso voluntário da parte foram formuladas de  forma genérica, apenas sob o enfoque de não estarem pressentes os requisitos  legais  aptos  a  ensejar  a  responsabilidade  solidária  dos  sócios  que  não  constavam  em  contrato  social,  sem,  no  entanto,  atacar  os  fundamentos  específicos  pelos  quais  foram  considerados  como  responsáveis  ou  mesmo  sem  trazer  nenhuma  prova  a  demonstrar  a  incoerência  das  conclusões  adotadas quando da ação fiscal, é de ser mantido o lançamento.  Embargos Acolhidos.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 33 7. 00 02 64 /2 01 0- 56 Fl. 765DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 02/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O     2    Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos,  acolher os  embargos de declaração, para  rerratificar o  julgamento do v. acórdão embargado, de modo a  que  toda a  fundamentação constante no anterior voto condutor seja substituída pela presente,  para  conhecer  dos  recursos  voluntários  interpostos  por  LUIZ  CARLOS  DA  SILVEIRA  BUENO  e  LINCOLN  LAFAYETE  DA  SILVEIRA  BUENO  e,  no  mérito,  em  negar­lhes  provimento.       Ronaldo de Lima Macedo ­ Presidente      Lourenço Ferreira do Prado ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Ronaldo  de  Lima  Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira,  João Victor  Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.  Fl. 766DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 02/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 14337.000264/2010­56  Acórdão n.º 2402­005.089  S2­C4T2  Fl. 3          3    Relatório  Trata­se  de  embargos  de  declaração  opostos  por  LUIZ  CARLOS  DA  SILVEIRA  BUENO  e  LINCOLN  LAFAYETE  DA  SILVEIRA  BUENO,  em  face  do  v.  acórdão 2402­004.625, prolatado por esta Eg. Turma, o qual restou assim ementado:  Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias  Período de apuração: 01/02/2005 a 31/12/2007  Ementa:  IMPUGNAÇÃO  INTEMPESTIVA.  CONTENCIOSO  NÃO  INSTAURADO.RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO Não se  conhece  de  recurso  voluntário  contra  acórdão  de  primeira  instância  que  não  conheceu  da  impugnação  pelo  fato  de  a  mesma  haver  sido  apresentada posteriormente  ao  prazo  de  30  dias  prescrito  pelo  caput  do artigo 15 do Decreto no 70.235/72.  Recurso Voluntário Não Conhecido  Sustentam os embargantes que o julgado incorreu em omissão, pois, os recursos  voluntários por  si  interpostos deveriam ser  conhecidos, mesmo diante do  reconhecimento da  intempestividade  da  impugnação  apresentada pela  autuada  principal,  sobretudo  considerando  que  apresentaram  impugnação  em  nome  próprio,  as  quais  foram  consideradas  como  tempestivas pelo acórdão de primeira instância.  Prestadas as devidas informações, foi determinada a inclusão do feito em pauta  de julgamentos.  É relatório.  Fl. 767DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 02/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O     4    Voto             Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado ­ Relator  CONHECIMENTO  Tempestivos os embargos, merecem conhecimento.  MÉRITO  Conforme  já  relatado,  de  fato,  conforme  noticiado  nos  Embargos  de  Declaração opostos, subiste nos autos recursos voluntários que merecem conhecimento por esta  Turma, mesmo que o acórdão de primeira instância  tenha reconhecido a  intempestividade da  contribuinte principal.  E  justifico  a  necessidade  de  conhecimento  dos  recursos,  considerando,  também  que  os  embargantes  constam  como  responsáveis  solidários  do  presente  lançamento  diante  da  caracterização  de  grupo  econômico  de  fato,  e,  quando  intimados  do  lançamento,  apresentaram  impugnação  em  apartado  da  contribuinte  principal,  as  quais  devem  ser  consideradas como tempestivas.  Assim, tenho que, quanto a estes, foi  instaurada a fase litigiosa do processo  administrativo fiscal.  Passo, portanto, a analisar os Recursos Voluntários Interpostos.  Inicialmente ressalto que os recursos voluntários não trazem a defesa quando  ao mérito  sobre  o  não  recolhimento  das  contribuições  objeto  da  presente  autuação,  o  que  a  torna  incontroversa.  Resumem­se,  tão  somente,  a  questionar  a  condição  de  responsável  solidário dos recorrentes.  Do recurso de LINCOLN LAFAYETE DA SILVEIRA BUENO  O recorrente, reitera os termos de sua impugnação e alega que:   1­  que não é parte legitima para atuar no polo passivo uma vez que não mais  pertence  ao  quadro  societário  da  empresa  Kaipós  Fabril  e  Exportadora  LTDA, desde abril de 2001, fora do período fiscalizado;   2­  Diz  que  deve  ser  considerada  válida  a  alteração  contratual  registrada  perante a JUCEPA, quanto a sua retirada do quadro societário da empresa  autuada  em  momento  anterior  ao  período  objeto  da  presente  autuação  fiscal  pugnando  pela  nulidade  do  auto  de  infração  que  estabeleceu  sua  responsabilidade  solidária  com  base  na  responsabilidade  pessoal  dos  sócios;  3­  não houve nenhuma comprovação de que o impugnante na qualidade de  sócio  da  empresa  MAFRIPAR  MATADOURO  E  FRIGORÍFICO  PARAENSE LTDA e exsócio da empresa autuada KAIAPÓS FABRIL E  XPORTADORA LTDA,  tenha praticado atos com excessos de poderes,  Fl. 768DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 02/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 14337.000264/2010­56  Acórdão n.º 2402­005.089  S2­C4T2  Fl. 4          5  infração a lei contrato social ou estatuto, demonstrando e comprovando a  ilegalidade  da  malsinada  sujeição  passiva  solidária  promovida  pela  fiscalização.  O  recorrente  traz  arrazoado  em  sua  defesa  no  sentido  da  inexistência  nos  autos de qualquer prova de que tenha agido de forma a justificar a aplicabilidade daquilo o que  descrito no art. 135 do CTN, alegando ainda não estar caracterizado o grupo econômico.  Pois bem, fato é que verifico dos autos que o relatório fiscal da infração que  trouxe toda a argumentação de fato e direito a demonstrar a existência do grupo econômico de  fato entre as empresas é bem farto no que se refere a provas coligidas durante a ação fiscal na  Receita Federal e investigação levada a efeito pela Polícia Federal.   Para  justificar  a  caracterização  do  grupo  econômico,  o  fiscal  autuante  analisou  toda  a  contabilidade  das  empresas  envolvidas,  aí  incluídos  livros,  declarações,  etc,  bem como trouxe longo arrazoado acerca da forma de gerenciamento das empresas envolvidas,  que em sua grande parte possuíam com sócios pessoas interpostas em nome do recorrente, que  gerenciava  a  empresa  da  qual  era  sócio  por  procuração,  além  de  ter  colhido  depoimentos  testemunhais sobre os  reais donos de  referidas empresas,  tendo apurado, mediante análise da  contabilidade  a  confusão  patrimonial  entre  as  empresas,  bem  como  a  existência  de  vários  pagamentos efetuados pelas empresas de despesas do recorrente.  Tais apontamentos são apenas um resumo do arrazoado constante no relatório  fiscal, que traz longo arrazoado no que se refere aos fatos que levaram o fiscal a chegar às suas  conclusões no sentido de caracterizar o grupo e a responsabilizar solidariamente os sócios de  referidas empresas.  No  entanto,  quando  analiso  o  recurso  voluntário  apresentado  pelo  ora  recorrente,  vejo  que  as  suas  alegações  se  resumem  a  apontar,  de  forma  genérica,  que  a  fiscalização não logrou êxito em comprovar a necessidade de sua responsabilização solidária,  já  que  não  estão  presentes  as  condições  para  tanto  descritas  no  art.  135  do  CTN.  E  tais  alegações,  em  momento  algum  trazem  qualquer  contraponto,  seja  de  argumentação  ou  de  prova,  a demonstrar que  as  conclusões da  fiscalização  foram  equivocadas,  de modo a  elidir,  inclusive, aquelas considerações perfilhadas no julgamento de primeira instância.  Assim, verifico que a  fiscalização  trouxe argumentos e documentos que em  seu  entender  são  aptos  a  justificar  a  necessidade  de  responsabilização  do  recorrente  que  deixaram  de  ser  por  ele  infirmados.  Portanto,  não  vejo  outra  saída,  senão  por  mantê­los  incólumes.   Fato  é  que  se  o  recorrente  trouxesse  qualquer  prova  ou mesmo  argumento  apto a abalar o lançamento, que fosse específico em relação a sua pessoa, senão o fato de que  não era sócio das empresas, tais argumentos mereceriam o debate por esta Turma. Entretanto,  não é isso que verifico do presente caso.  Quanto a sua saída da empresa, a fiscalização o considerou como responsável  mesmo diante de alterações do quadro social, por ter continuado a exercer a condição de dono  mesmo fora do contrato social, agindo dessa forma por meio de pessoas interpostas, condição  esta,  por  si  só,  passível  de  mantê­lo  no  pólo  passivo  mesmo  diante  da  alteração  contratual  formalizada  na  JUCEPA.  Referido  fundamento  também  não  veio  a  ser  atacado  na  via  do  recurso voluntário.  Fl. 769DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 02/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O     6  Por tais motivos, entendo que ao seu recurso deva ser negado provimento.  Do recurso de LUIZ CARLOS DA SILVEIRA BUENO.  O recorrente, reitera os termos de sua impugnação e alega que:   1.  que não é parte legitima para atuar no polo passivo uma vez que não  mais  pertence  ao  quadro  societário  da  empresa  Kaipós  Fabril  e  Exportadora LTDA, desde junho de 1997, fora do período fiscalizado;  2.  Diz que deve ser considerada válida a alteração contratual registrada  perante  a  JUCEPA,  quanto  a  sua  retirada  do  quadro  societário  da  empresa autuada em momento anterior ao período objeto da presente  autuação  fiscal  pugnando  pela  nulidade  do  auto  de  infração  que  estabeleceu  sua  responsabilidade  solidária  com  base  na  responsabilidade pessoal dos sócios;  3.  Alega que ainda mesmo que fosse admitida a sua condição de sócio  da empresa autuada, o que se admite apenas para argumentar, vez que  restou comprovado que o mesmo desligou­se do quadro societário da  sociedade autuada há mais de 01 (uma) década, mesmo assim, temos  que não é possível estabelecer a sua sujeição.  Vejo, pois, que as alegações constantes neste recurso são as mesmas aviadas  pelo  recorrente  LINCOLN,  sendo  que  as  duas  peças  recursais  são  praticamente  idênticas,  sobretudo quanto ao acostamento de provas e alegações que poderiam abalar o lançamento.  Assim,  utlizo  os  mesmos  fundamentos  de  decidir  supra  referidos,  para  entender pelo improvimento do presente recurso.  Ante todo o exposto, voto no sentido de ACOLHER OS EMBARGOS DE  DECLARAÇÃO, para re­ratificar o julgamento do v. acórdão embargado, de modo a que toda  a  fundamentação  constante  no  anterior  voto  condutor  seja  substituída  pela  presente,  para  conhecer  dos  recursos  voluntários  interpostos  por  LUIZ  CARLOS  DA  SILVEIRA  BUENO e LINCOLN LAFAYETE DA SILVEIRA BUENO e,  no mérito,  em NEGAR­ LHES PROVIMENTO.  É como voto.    Lourenço Ferreira do Prado.                              Fl. 770DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 02/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O

score : 1.0
6401692 #
Numero do processo: 11080.722707/2011-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2006 a 31/12/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO ENTRE O TEOR E A FORMA DA DECISÃO. RETIFICAÇÃO DO TIPO DE DECISÃO. ATRIBUIÇÃO DE EFEITO INFRINGENTE. POSSIBILIDADE. 1. A partir da vigência do novo Regimento Interno do CARF, não cabe às Turmas Ordinárias da 1ª Seção de Julgamento processar e julgar recurso voluntário de decisão de 1ª instância que versem sobre aplicação da legislação relativa ao Impostos sobre Produtos Industrializados, inclusive quando resultantes de procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, lastreados em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. 2. Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. Embargos Acolhidos em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para determinar a conversão do julgamento em diligência nos termos do § 5º do artigo 6º do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, vencidos os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa e Walker Araújo, Relator, que tornavam a declinar a competência, mas por meio de Acórdão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Fez sustentação oral: Dr. José Antônio Minatel - OAB 37065 - SP. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Redator Designado. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201604

camara_s : Terceira Câmara

ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2006 a 31/12/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO ENTRE O TEOR E A FORMA DA DECISÃO. RETIFICAÇÃO DO TIPO DE DECISÃO. ATRIBUIÇÃO DE EFEITO INFRINGENTE. POSSIBILIDADE. 1. A partir da vigência do novo Regimento Interno do CARF, não cabe às Turmas Ordinárias da 1ª Seção de Julgamento processar e julgar recurso voluntário de decisão de 1ª instância que versem sobre aplicação da legislação relativa ao Impostos sobre Produtos Industrializados, inclusive quando resultantes de procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, lastreados em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. 2. Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. Embargos Acolhidos em Parte.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016

numero_processo_s : 11080.722707/2011-13

anomes_publicacao_s : 201606

conteudo_id_s : 5595900

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016

numero_decisao_s : 3302-003.174

nome_arquivo_s : Decisao_11080722707201113.PDF

ano_publicacao_s : 2016

nome_relator_s : WALKER ARAUJO

nome_arquivo_pdf_s : 11080722707201113_5595900.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para determinar a conversão do julgamento em diligência nos termos do § 5º do artigo 6º do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, vencidos os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa e Walker Araújo, Relator, que tornavam a declinar a competência, mas por meio de Acórdão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Fez sustentação oral: Dr. José Antônio Minatel - OAB 37065 - SP. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Redator Designado. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.

dt_sessao_tdt : Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016

id : 6401692

ano_sessao_s : 2016

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:49:35 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713048418110144512

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2521; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T2  Fl. 6.858          1 6.857  S3­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11080.722707/2011­13  Recurso nº               Embargos  Acórdão nº  3302­003.174  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  27 de abril de 2016  Matéria  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO  Embargante  METALÚRGICA MOR S/A  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/05/2006 a 31/12/2008  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO ENTRE O TEOR E A  FORMA  DA  DECISÃO.  RETIFICAÇÃO  DO  TIPO  DE  DECISÃO.  ATRIBUIÇÃO DE EFEITO INFRINGENTE. POSSIBILIDADE.  1. A partir  da vigência  do  novo Regimento  Interno  do CARF,  não  cabe  às  Turmas  Ordinárias  da  1ª  Seção  de  Julgamento  processar  e  julgar  recurso  voluntário  de  decisão  de  1ª  instância  que  versem  sobre  aplicação  da  legislação  relativa  ao  Impostos  sobre  Produtos  Industrializados,  inclusive  quando  resultantes  de  procedimentos  conexos,  decorrentes  ou  reflexos,  lastreados em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração  à legislação pertinente à tributação do IRPJ.  2. Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados  em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em  diligência  para  determinar  a  vinculação  dos  autos  e  o  sobrestamento  do  julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma  instância relativa ao processo principal.  Embargos Acolhidos em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  maioria  de  votos,  acolher  os  embargos de declaração, com efeitos infringentes, para determinar a conversão do julgamento  em  diligência  nos  termos  do  §  5º  do  artigo  6º  do  RICARF,  aprovado  pela  Portaria MF  nº  343/2015,  vencidos  os  Conselheiros  Ricardo  Paulo  Rosa  e  Walker  Araújo,  Relator,  que  tornavam a declinar a competência, mas por meio de Acórdão. Designado para redigir o voto  vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Fez sustentação oral: Dr. José Antônio  Minatel ­ OAB 37065 ­ SP.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 27 07 /2 01 1- 13 Fl. 6858DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, As sinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA   2 (assinado digitalmente)  Ricardo Paulo Rosa ­ Presidente.  (assinado digitalmente)  Walker Araujo ­ Relator.  (assinado digitalmente)  José Fernandes do Nascimento ­ Redator Designado.  Participaram  do  julgamento  os  Conselheiros  Ricardo  Paulo  Rosa,  José  Fernandes  do  Nascimento,  Domingos  de  Sá  Filho,  Paulo  Guilherme  Déroulède,  Lenisa  Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de  Souza e Walker Araújo.  Relatório  Trata­se  de  Embargos  de  Declaração  opostos  pela  contribuinte  contra  a  decisão proferida por meio da Resolução nº 3302­000358 que, declinou a competência desta  Turma em favor da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, com base nos seguintes motivos e  fundamentos:  VOTO  Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó – Redatora  Trata­se de recurso voluntário interposto em face da decisão da DRJ em Porto  Alegre,  representada  pelo  Acórdão  1035.132,  3ª  Turma,  que  manteve  em  parte  a  exigência  consubstanciada no  auto  de  infração  relativo  ao  lançamento  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  IPI,  e  que  decorre  da  acusação  de  que  as  pessoas  jurídicas Metalúrgica MOR S.A.  e MOR Distribuidora de Artigos  de Lazer Ltda.,  mesmo  que  formalmente  sejam  pessoas  jurídicas  distintas,  atuam  como  sendo um  único  empreendimento  comercial,  tendo  a Metalúrgica MOR  S.A.  o  comando  de  todas  as  operações,  enquanto  a  MOR  Distribuidora  é  usada  apenas  para  receber  receitas  cuja  tributação  é menor,  já  que  esta  tributa  seus  resultados  com  base  no  lucro presumido.  Da Preliminar  Da Competência para o julgamento  De acordo com o que consta no Relatório de Ação Fiscal de fls. 4307/4323,  dos  fatos  detectados  na  auditoria  fiscal  resultaram  os  lançamentos  relativos  aos  tributos a seguir citados, por meios dos seguintes processos:  i. Processo 11080.722706/201161 IRPJ e CSLL;  ii. Processo 11080.722705/201116 – PIS e COFINS  iii. Processo 11080.722707/201113 IPI  Exatamente em função disso é que o voto prolatado no Acórdão 1035.132 ­ 3ª  Turma da DRJ/POA, em sessão ocorrida em 26 de outubro de 2011, ora recorrido,  assim destaca:  Fl. 6859DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, As sinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.722707/2011­13  Acórdão n.º 3302­003.174  S3­C3T2  Fl. 6.859          3 “Este processo encerra exigência de crédito tributário de IPI, decorrente de  acusação  fiscal  formalizada  na  exigência  de  IRPJ  e  CSLL  no  processo  nº  11080.722706/201161.  Diante  das  mesmas  causas  e  efeitos,  a  solução  dada  naquele  processo,  através do Acórdão 10034.626 da 1ª Turma de Julgamento desta DRJ, em sessão de  30  de  setembro  do  corrente  ano,  é,  no  que  pertine,  a mesma  que  se  deve  dar  ao  lançamento  do  IPI,  de  modo  que  o  voto  é  encaminhado  nos  mesmos  termos,  conforme abaixo:”.  O art. 2º, IV, do anexo II do RICARF (Portaria MF nº 256, de 22 de junho de  2009) dispõe que:  “Art.  2°  À  Primeira  Seção  cabe  processar  e  julgar  recursos  de  ofício  e  voluntário  de  decisão  de  primeira  instância  que  versem  sobre  aplicação  da  legislação de:  (...)  IV  demais  tributos  e  o  Imposto  de  Renda  Retido  na  Fonte  (IRRF),  quando  procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes  às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar  a  prática  de  infração  à  legislação  pertinente  à  tributação  do  IRPJ;  (Portaria  MF  nº  586/2010)”.  O  processo  em  que  se  discute  os  tributos  IRPJ  e  CSLL  (Processo  nº  11080.722706/201161)  tramita  atualmente  na  2ª Turma da  2ª Câmara  da Primeira  Seção, sobre a relatoria da Conselheira Relatora Nereida de Miranda.  Já  o  processo  em  que  se  discute  PIS  e  COFINS  (Processo  nº  11080722705/2011­16), encontra­se na SECAM da 3ª Câmara da Primeira Seção. É  que o relator dessa câmara para o qual havia sido  inicialmente distribuído referido  processo,  com  base  no  disposto  no  §7º  do  art.  49  do  anexo  II  do  RICARF  que  estabelece  distribuição  de  processo  conexo  ou  decorrente  ao  mesmo  relator,  independentemente de sorteio, por meio de Despacho de Redistribuição, declinou da  competência  em  favor  da  2ª  Câmara  da  1ª  Seção  de  Julgamento,  em  face  da  distribuição  do  processo  11080.722706/2011­61  para  aquela  câmara,  consoante  acima destacado.  Desta  forma,  constatado  que  o  presente  lançamento  de  IPI  decorreu  dos  mesmos fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação  pertinente  à  tributação  do  IRPJ,  sendo,  portanto,  decorrente  do  procedimento  efetuado naquele lançamento, em igual situação aos lançamentos de PIS e COFINS  constantes do processo nº 11080.722706/2011­61, deve­se declinar da competência  em favor da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento.  Portanto, com base no exposto, conduzo o meu voto no sentido de declinar da  competência desta turma em favor da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento.  Segundo  a  Embargante,  a  decisão  embargada  incorreu  em  contradição  e  omissão posto que:  a)  não  houve  intimação  do  voto  vencido  e  de  integração  entre  os  votos  do  relator e vencido;  b) há contradição entre a decisão e seus fundamentos ao adotar a forma de  Resolução,  que  deve  retornar  à  Turma  de  Julgamento  de  origem  e,  no  presente  Fl. 6860DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, As sinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA   4 caso, não haverá retorno à 2ªTO/3ªC/3ªSJ, contrariando as disposições do §5º, do  artigo 63, do RICARF.  c)  não  houve  análise  em  relação  a  matéria  específica  tratada  no  Recurso  Voluntário (IPI), restando configurada a omissão.  Os embargos de declaração  foram parcialmente  admitidos para  a Turma de  Julgamento deliberar e votar a proposta de redação da ementa do acórdão a ser formalizado, em  substituição  a  resolução  embargada,  conforme  se  verifica  na  conclusão  do  despacho  de  decisório de fls. 6.854­6.855:  (...)  Isto posto, vejo que ocorreu erro de forma, devendo a Turma de Julgamento  deliberar sobre a redação da ementa do acórdão a ser formalizado e, portanto, com  base nos §§ 1º e 3º do art. 65 do Regimento Interno do CARF (Anexo II à Portaria  MF no 256/2009, com a redação da Portaria MF no 586/2010) entendo procedentes  as  alegações  da  embargante  quando  à  esta  matéria  e,  consequentemente,  dou  seguimento  ao  presente  embargos  declaratórios  nesta  parte  e  nego  seguimento  quanto às outras matérias objeto dos embargos.  É o relatório.  Voto Vencido  Conselheiro Walker Araujo ­ Relator  Os  embargos  de  declaração  opostos  pela  empresa METALÚRGICA MOR  S/A teve o exame de admissibilidade processado regularmente, dele tomo conhecimento.  Conforme  relatado  anteriormente,  os  antigos  Conselheiros  desta  Turma  decidiram por meio de Resolução declinar a competência desta Turma em favor da 2ª Câmara  da 1ª Seção de Julgamento, com fundamento no artigo 2º, inciso IV, do anexo II, do RICARF  (Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009).  Isto  porque,  ficou  constatado  pelos  antigos  Conselheiros  que  o  presente  lançamento  de  IPI  decorreu  dos  mesmos  fatos  que  serviram  para  apuração  da  prática  de  infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ.  Não  obstante  o  acerto  na  decisão  proferida  pela  antiga Turma  Julgadora,  a  Embargante  se  insurgiu contra decisão nos  seguintes  termos:  "...a deliberação por "declinar da  competência  em  favor  da  Primeira  Seção  de  Julgamento"  implicará  supressão  de  competência  de  exame de matéria que é exclusiva dessa 3ª Seção de Julgamento, omissão que não poderá resultar em  prejuízo à empresa Recorrente por evidente cerceamento ao direito de defesa."  E  conclui:  "No  voto  da  Ilustre  Conselheira  designada  como  redatora  não  há  qualquer  menção  relacionada  com  essa  específica  matéria  contida  no  Recurso,  pelo  que  resta  configurada específica omissão sobre a matéria de competência exclusiva da 3ª Seção de Julgamento."  Razão não assiste à Embargante.  Com efeito, embora seja de competência da Terceira Seção processar e julgar  recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância sobre aplicação de legislação  que verse sobre Imposto sobre Produtos Industrializados, essa atribuição não é absoluta. Tanto  Fl. 6861DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, As sinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.722707/2011­13  Acórdão n.º 3302­003.174  S3­C3T2  Fl. 6.860          5 não é absoluta, que o dispositivo citado alhures prevê exceção a regra de competência, senão  vejamos:   “Art.  2°  À  Primeira  Seção  cabe  processar  e  julgar  recursos  de  ofício  e  voluntário  de  decisão  de  primeira  instância  que  versem  sobre  aplicação  da  legislação de:  (...)  IV demais  tributos  e  o  Imposto  de Renda Retido  na Fonte  (IRRF), quando  procedimentos  conexos,  decorrentes  ou  reflexos,  assim  compreendidos  os  referentes  às  exigências  que  estejam  lastreadas  em  fatos  cuja  apuração  serviu  para  configurar  a  prática  de  infração  à  legislação  pertinente  à  tributação  do  IRPJ; (Portaria MF nº 586/2010)”  Como o lançamento do IPI decorreu dos mesmos fatos cuja apuração serviu  para  configurar  a  prática  de  infração  à  legislação  pertinente  à  tributação  do  IRPJ,  ­  suposta  ausência  de  propósito  negocial­,  entendo  correta  a  decisão  proferida  na Resolução  nº  3302­ 000358, que declinou a competência desta Turma em favor da 1ª Seção de Julgamento.  Desta  forma,  não  há  que  falar  em  supressão  de  competência  tampouco  em  cerceamento de defesa, considerando a decisão embargada se pautou nas normas previstas no  antigo Regimento Interno do CARF, vigente à época do proferimento da decisão.  Aliás, a decisão embargada nada mais fez que acolher o pedido realizado pela  Embargada em sede recursal, a saber:  "b) Processo decorrente  5. O presente processo decorre do processo nº 11080.722706/2001­61 (IRPJe  CSLL), conforme estabelecido no r. acórdão recorrido:  (...)  6. Assim, a decisão a ser proferida no processo nº 11080.722706/2011­13 de  IRPJ e CSLL, da qual o presente processo decorre, deverá nortear o desfecho do  presente, que somente poderá ser julgado posteriormente àquele. (grifado)  Portanto,  diante  do  acerto  da  decisão  embargada,  da  qual  manifesto  concordância e, em atendimento a determinação contida no despacho decisório de fls. 6.854­ 6.855, proponho a seguinte ementa, em substituição à Resolução embargada:  Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados ­ IPI  Período de apuração: 01/05/2006 a 31/12/2008  Ementa:   PROCEDIMENTOS CONEXOS. DECORRENTES. REFLEXOS  Nos termos do artigo 2º, inciso IV, do anexo II, do RICARF (Portaria MF nº  256,  de  22  de  junho  de  2009),  versando  ao  IPI  o  que  restar  decidido  no  lançamento do IRPJ/CSLL.  Por  fim,  informo  que  o  processo  nº  11080.722706/2011­61  atualmente  se  encontra  na  1ªTO/3ªCâmara/1ªSeção,  de  Relatoria  do  Conselheiro  Hélio  Eduardo  de  Paiva  Araujo, devendo este processo ser remetido àquela Turma de Julgamento.  Fl. 6862DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, As sinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA   6 Diante  do  exposto,  voto  por  conhecer  dos  embargos  declaratórios  e,  no  mérito, dar­lhes parcial provimento para sanar o vício apontado.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Walker Araujo ­ Relator  Voto Vencedor  Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado.  Coonforme  delineado  no  relatório  precedente,  os  presentes  embargos  de  declaração  foram  parcialmente  admitidos,  para  que  o  Colegiado  deliberasse  e  votasse  a  proposta  de  redação  da  ementa  do  acórdão  a  ser  formalizado,  em  substituição  a  resolução  embargada.  No seu bem fundamentado voto, o nobre Relator, diante do acerto da decisão  embargada, em ralação a qual manifestou concordância,  e com respaldo no artigo 2º,  IV, do  Anexo II, do revogado RICARF, aprovado pela Portaria MF 256/2009, propôs a manutenção  da  decisão  embargada,  no  sentido  de  declinar  competência  para  a  1ª  Turma Ordinária  da  3ª  Câmara  da  1ª  Seção  deste  Conselho,  onde  se  localizava,  ainda  pendente  de  julgamento,  o  processo principal nº 11080.722706/2011­61, em que designado Relator do Conselheiro Hélio  Eduardo de Paiva.  Entretanto,  o  nobre Relator  a  acatou  a  proposta  da  embargante  de  alterar  a  decisão de resolução para acórdão, sob o argumento de que se tratava de decisão definitiva da  anterior  Turma  de  Julgamento,  nos  termos  do  art.  63,  §  5°,  do  Anexo  II  do  revogado  RICARF/2009.  Acontece  que  a  competência  para  julgamento  dos  litígios  relativos  ao  IPI,  resultantes  de  procedimentos  conexos,  decorrentes  ou  reflexos,  lastreados  em  fatos  cuja  apuração  serviu  para  configurar  a  prática  de  infração  à  legislação  pertinente  à  tributação  do  IRPJ,  anteriormente  atribuída  às  Turmas  de  Julgamento  da  1ª  Seção  deste  Conselho,  pelo  citado preceito regimental do RICARF revogado, foi expressamente excluída na nova redação  do art. 2º,  IV, do Anexo  II, do vigente RICARF/2015, aprovado pela Portaria MF 343/2015,  que segue transcrito:  Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de  ofício  e  voluntário  de  decisão  de  1ª  (primeira)  instância  que  versem sobre aplicação da legislação relativa a:  [...]  IV  ­  CSLL,  IRRF,  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  ou  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  (Cofins),  quando  reflexos  do  IRPJ,  formalizados  com  base  nos  mesmos  elementos  de  prova  em  um  mesmo  Processo  Administrativo Fiscal;  [...]  Fl. 6863DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, As sinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.722707/2011­13  Acórdão n.º 3302­003.174  S3­C3T2  Fl. 6.861          7 Da  simples  leitura  do  novel  preceito  regimental,  verifica­se  que  continuam  sob  a  competência  julgadora  das  Turmas  Ordinárias  da  1ª  Seção  somente  o  contraditório  referente  aos  litígios  envolvendo  a  cobrança  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  ou  da  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  (Cofins)  (ambas  da  competência  julgadora das Turma Ordinárias desta 3ª Seção), desde que tais procedimentos sejam reflexos  do  IRPJ  e  formalizados  com base  nos mesmos  elementos  de prova  em um mesmo Processo  Administrativo Fiscal.  Em face dessa nova determinação regimental, com a devida vênia ao nobre  Relator, entende este Redator que alterar o  tipo de decisão embargada, mas manter o  teor da  decisão  em dissonância  com a nova determinação  regimental,  certamente, em nada  contribui  para o apropriado e eficiente desfecho do presente litígio.  Dessa forma, para fim de deixar a decisão embargada compatível com a nova  disposição  regimental,  durante  a Sessão  de  julgamento,  este Redator  propôs  e  a maioria dos  pares acatou que fosse atribuído efeito infringente aos presentes embargos, de modo que, em  conformidade com o disposto no art. 6º, § 5º, do Anexo II do vigente RICARF, o julgamento  fosse convertido em diligência, não para declinar competência para a 1ª Turma Ordinária da 3ª  Câmara  da  1ª  Seção  deste  Conselho,  como  proposto  pelo  i.  Relator,  mas  para  determinar  a  vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na 3ª Câmara desta Turma  Ordinária,  com  vista  a  aguardar  a  decisão  definitiva  a  ser  prolatada  no  âmbito  do  processo  principal  nº  11080.722706/2011­61,  relativo  ao  IRPJ,  ainda  pendente  de  julgamento  na  1ª  Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção deste Conselho.  Por todo o exposto, vota­se por ACOLHER PARCIALMENTE os embargos,  para  alterar  a  decisão  de  resolução  para  acórdão,  conforme  proposto  pelo  Relator,  porém,  ,  atribuir­lhe  efeito  infringente,  para  determinar  a  vinculação  dos  autos  e  o  sobrestamento  do  julgamento  na  3ª  Câmara  desta  3ª  Seção,  com  vista  a  aguardar  a  decisão  definitiva  a  ser  proferida no âmbito do processo principal nº 11080.722706/2011­61.  (assinado digitalmente)  José Fernandes do Nascimento                  Fl. 6864DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, As sinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA

score : 1.0
6407416 #
Numero do processo: 14337.000061/2007-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2000 a 30/03/2004 DECADÊNCIA. O lançamento em testilha foi realizado em 21/06/2004, não está decadente, já que o direito da Fazenda Pública constituir seus créditos tributários extingue-se após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme dispõe o artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Não é nula a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito que atende aos requisitos normativos, cujos fundamentos legais foram suficientemente observados pela autoridade administrativa, com os períodos de vigência e as competências claras. GFIP. FOLHA DE PAGAMENTO. As GFIP´s e as folhas de pagamento elaboradas pela empresa são documentos bastantes como fonte documental da exação de contribuição para a Seguridade Social. PROVA. As alegações de defesa que não estiverem acompanhadas de produção das competentes e eficazes provas desfiguram-se e obliteram o arrazoado defensório, pelo que prospera a exigibilidade fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA, INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº2, DO CARF. Nos exatos termos da Súmula nº 2, do CARF, falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. INCONSTITUCIONALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL AO INCRA. Novamente, o conhecimento da arguição de inconstitucionalidade de dispositivo legal esbarra na Súmula CARF no 2. Sendo ainda, uníssono o entendimento jurisprudencial de que a exação tributária adicional para o INCRA, desde a Lei 2.163/55, sempre teve como sujeito passivo todas as empresas CONTRIBUIÇÃO AO SEBRAE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSPORTE. TRIBUTAÇÃO. A Lei 8.706/93 transferiu para o SEST/SENAT as contribuições devidas pelas empresas de transporte ao SESI/SENAI, não alterando a sistemática de recolhimento da contribuição para o SEBRAE. Precedentes do STF. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SAT. GRAU DE RISCO DA ATIVIDADE PREPONDETANTE DA EMPRESA CONFORME CNAE. O enquadramento nos correspondentes graus de risco é de responsabilidade da empresa, devendo ser feito mensalmente, de acordo com a sua atividade econômica preponderante, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na CNAE. TAXA SELIC. Segundo a Súmula CARF no 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais”. MULTA DE OFÍCIO NATUREZA CONFISCATÓRIA O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária (Súmula CARF nº 2). Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.302
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento, nos termos do voto da Relatora. André Luis Marsico Lombardi - Presidente Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201604

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2000 a 30/03/2004 DECADÊNCIA. O lançamento em testilha foi realizado em 21/06/2004, não está decadente, já que o direito da Fazenda Pública constituir seus créditos tributários extingue-se após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme dispõe o artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Não é nula a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito que atende aos requisitos normativos, cujos fundamentos legais foram suficientemente observados pela autoridade administrativa, com os períodos de vigência e as competências claras. GFIP. FOLHA DE PAGAMENTO. As GFIP´s e as folhas de pagamento elaboradas pela empresa são documentos bastantes como fonte documental da exação de contribuição para a Seguridade Social. PROVA. As alegações de defesa que não estiverem acompanhadas de produção das competentes e eficazes provas desfiguram-se e obliteram o arrazoado defensório, pelo que prospera a exigibilidade fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA, INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº2, DO CARF. Nos exatos termos da Súmula nº 2, do CARF, falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. INCONSTITUCIONALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL AO INCRA. Novamente, o conhecimento da arguição de inconstitucionalidade de dispositivo legal esbarra na Súmula CARF no 2. Sendo ainda, uníssono o entendimento jurisprudencial de que a exação tributária adicional para o INCRA, desde a Lei 2.163/55, sempre teve como sujeito passivo todas as empresas CONTRIBUIÇÃO AO SEBRAE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSPORTE. TRIBUTAÇÃO. A Lei 8.706/93 transferiu para o SEST/SENAT as contribuições devidas pelas empresas de transporte ao SESI/SENAI, não alterando a sistemática de recolhimento da contribuição para o SEBRAE. Precedentes do STF. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SAT. GRAU DE RISCO DA ATIVIDADE PREPONDETANTE DA EMPRESA CONFORME CNAE. O enquadramento nos correspondentes graus de risco é de responsabilidade da empresa, devendo ser feito mensalmente, de acordo com a sua atividade econômica preponderante, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na CNAE. TAXA SELIC. Segundo a Súmula CARF no 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais”. MULTA DE OFÍCIO NATUREZA CONFISCATÓRIA O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária (Súmula CARF nº 2). Recurso Voluntário Negado.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016

numero_processo_s : 14337.000061/2007-64

anomes_publicacao_s : 201606

conteudo_id_s : 5598330

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016

numero_decisao_s : 2401-004.302

nome_arquivo_s : Decisao_14337000061200764.PDF

ano_publicacao_s : 2016

nome_relator_s : LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA

nome_arquivo_pdf_s : 14337000061200764_5598330.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento, nos termos do voto da Relatora. André Luis Marsico Lombardi - Presidente Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.

dt_sessao_tdt : Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016

id : 6407416

ano_sessao_s : 2016

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:49:52 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713048418136358912

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2416; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T1  Fl. 2          1  1  S2­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  14337.000061/2007­64  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2401­004.302  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  14 de abril de 2016  Matéria  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS AI  Recorrente  SOCIEDADE CIVIL EDUCACIONAL MADRE CELESTE  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/06/2000 a 30/03/2004  DECADÊNCIA. O lançamento em testilha foi realizado em 21/06/2004, não  está  decadente,  já  que o  direito  da Fazenda Pública  constituir  seus  créditos  tributários extingue­se após cinco anos contados do primeiro dia do exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado,  conforme  dispõe o artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional.   NULIDADE  DO  LANÇAMENTO.  Não  é  nula  a  Notificação  Fiscal  de  Lançamento  de  Débito  que  atende  aos  requisitos  normativos,  cujos  fundamentos  legais  foram  suficientemente  observados  pela  autoridade  administrativa, com os períodos de vigência e as competências claras.  GFIP.  FOLHA  DE  PAGAMENTO.  As  GFIP´s  e  as  folhas  de  pagamento  elaboradas  pela  empresa  são  documentos  bastantes  como  fonte  documental  da exação de contribuição para a Seguridade Social.  PROVA.  As  alegações  de  defesa  que  não  estiverem  acompanhadas  de  produção  das  competentes  e  eficazes  provas  desfiguram­se  e  obliteram  o  arrazoado defensório, pelo que prospera a exigibilidade fiscal.  INCONSTITUCIONALIDADE  DE  NORMA,  INCOMPETÊNCIA  DO  CARF. SÚMULA Nº2, DO CARF. Nos  exatos  termos  da Súmula  nº  2,  do  CARF, falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a  inconstitucionalidade de lei tributária.  INCONSTITUCIONALIDADE  DA  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  AO  INCRA. Novamente, o conhecimento da arguição de inconstitucionalidade de  dispositivo  legal  esbarra  na  Súmula  CARF  no  2.  Sendo  ainda,  uníssono  o  entendimento  jurisprudencial  de  que  a  exação  tributária  adicional  para  o     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 33 7. 00 00 61 /2 00 7- 64 Fl. 331DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI     2  INCRA,  desde  a  Lei  2.163/55,  sempre  teve  como  sujeito  passivo  todas  as  empresas  CONTRIBUIÇÃO  AO  SEBRAE.  PRESTAÇÃO  DE  SERVIÇO  DE  TRANSPORTE.  TRIBUTAÇÃO.  A  Lei  8.706/93  transferiu  para  o  SEST/SENAT  as  contribuições  devidas  pelas  empresas  de  transporte  ao  SESI/SENAI,  não  alterando  a  sistemática  de  recolhimento  da  contribuição  para o SEBRAE. Precedentes do STF.  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS.  SAT.  GRAU DE RISCO DA ATIVIDADE  PREPONDETANTE  DA  EMPRESA  CONFORME  CNAE.  O  enquadramento nos correspondentes graus de risco é de responsabilidade da  empresa,  devendo  ser  feito  mensalmente,  de  acordo  com  a  sua  atividade  econômica preponderante, conforme a Relação de Atividades Preponderantes  e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na CNAE.  TAXA SELIC. Segundo  a Súmula CARF no  4:  “A partir  de 1º  de  abril  de  1995, os  juros moratórios  incidentes  sobre débitos  tributários administrados  pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia  ­  SELIC  para títulos federais”.  MULTA  DE  OFÍCIO  NATUREZA  CONFISCATÓRIA  O  CARF  não  é  competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária  (Súmula CARF nº 2).  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do  recurso voluntário e, no mérito, negar­lhe provimento, nos termos do voto da Relatora.      André Luis Marsico Lombardi ­ Presidente      Luciana Matos Pereira Barbosa ­ Relatora    Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  André  Luis  Marsico  Lombardi,  Carlos  Alexandre  Tortato,  Cleberson  Alex  Friess,  Arlindo  da  Costa  e  Silva,  Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e  Rayd Santana Ferreira.  Fl. 332DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 14337.000061/2007­64  Acórdão n.º 2401­004.302  S2­C4T1  Fl. 3          3    Relatório  Período de apuração: 01/06/2000 a 30/04/2004  Data de lavratura (NFLD): 21/06/2004.  Data de ciência (NFLD): 05/08/2004  Trata­se de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa  de  1ª  Instância  proferida  pela  4ª  Turma  de  Julgamento  da  DRJ  Belém/PA  que  julgou  improcedente  a  impugnação  oferecida  pelo  sujeito  passivo  do  crédito  tributário  lançado  por  intermédio,  da  NFLD  DEBECAD  n°  35.704.063­5–  Obrigação  Principal  –  Contribuições  Previdenciárias  devidas  pela  empresa  à  Seguridade  Social,  incidentes  sobre  remunerações  pagas  aos  segurados  empregados,  e  retiradas  de  pro  labore  pelos  dirigentes,  incidente  sobre as cotas patronais (empresa, SAT e contribuinte individual) e de Terceiros sobre os  fatos geradores apresentados.  Registre­se que a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito foi constituída  por intermédio do DEBCAD nº 35.704.063­5, lavrada em 21/06/2004, com valor consolidado  de R$ 373.630, 26 (trezentos e setenta três mil seiscentos e trinta reais e vinte seis centavos), e  os valores apurados em ação fiscal são oriundos das parcelas integrantes do conceito de salário  de  contribuição,  de  acordo  com  o  artigo  28  Lei  8.212  de  24.07.91  e  alterações  posteriores,  conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 63/64.  Refere­se  a  falhas  e  diferenças  nos  recolhimentos  das  contribuições  previdenciárias  resultantes  do  confronto  entre  os  documentos  analisados  e  que  estão  discriminados  na  relação  de  fatos  geradores  integrantes  da NFLD em epígrafe  e  as  guias  de  recolhimento apresentadas.   O Relatório Fiscal da NFLD (fls. 62/64) narra em síntese:   ­ que efetuou o confronto entre os documentos analisados discriminados no  Relatório  de  Fatos  Geradores,  anexo  a  esta  NFLD,  e  as  Guias  de  Recolhimento (GPS)apresentadas, tendo sido verificadas falhas e diferenças;  ­ Os valores  apurados  são oriundos das parcelas  integrantes do  conceito de  salário  de  contribuição,  de  acordo  com  o  disposto  no  artigo  28,  da  Lei  nº  8.212/91.  ­ Os  salários  de  contribuição  apurados  são  relativos  a  valores  pagos  a  seus  segurados empregados, mediante a análise da seguinte documentação: Livro  de Registro de Empregados, Folhas de Pagamento, Recibos de Rescisões de  Contrato de Trabalho, GPS´s,GFIP´s e outros elementos subsidiários;”  Inconformada  com  o  supracitado  lançamento  tributário,  a  SOCIEDADE  CIVIL  EDUCACIONAL  MADRE  CELESTE  apresentou  Impugnação  a  fls.  66/88,  acompanhada dos documentos juntados às Fls. 83/153.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Belém/PA  lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 01­24.059 Turma da DRJ/BEL, às  Fl. 333DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI     4  fls.  175/187,  julgando  procedente  o  lançamento  e  mantendo  o  crédito  tributário  em  sua  integralidade.  O Recorrente  foi cientificado da decisão de 1ª  Instância no dia 21/09/2012,  conforme solicitação de cópia de documentos às fls. 191.  Inconformado  com  a  decisão  exarada  pelo  órgão  julgador  a  quo,  o  ora  Recorrente  interpôs  Recurso  Voluntário  a  fls.  223/289,  ratificando  parte  de  suas  alegações  anteriormente  expendidas  e  respaldando  sua  inconformidade  em  argumentação  desenvolvida  nos termos a seguir expostos:  1  ­ Em sede de preliminar alega nulidade do  lançamento por  imprecisão da  capitulação  legal  ­  Cerceamento  de  Defesa  e  da  ratificação  de  todo  teor  impugnatório  em  primeira  instância;  configurando  violação  frontal  ao  inciso  IV  do  artigo  10,  do  Decreto  nº  70.235/72 que prevê a obrigatoriedade de constar no Auto de Infração a descrição do fato e a  disposição legal infringida e a penalidade aplicável; bem com violando o inciso LV do artigo 5º  da Constituição Federal, que garante aos litigantes em processo administrativo o contraditório e  a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;  2 ­ que se reconheça a decadência dos créditos levantados pela fiscalização,  nos termos do artigo 173 do Código Tributário Nacional, extinguindo­os como de direito;  3  ­  Alternativamente  alega  na  questão  prejudicial  de  mérito  a  falta  de  apreciação  real  de  todo o  conteúdo da defesa;  que o Relatório Fiscal  é  sucinto  e que grande  parte  da  defesa  deixou  de  ser  apreciada  na  busca  da  verdade  real,  resumindo­se  apenas  ao  relatório "conclusivo" datado de 31/03/2011, fls. 165 a 167  4 ­ Abuso do Poder Discricionário vez que a autuação foi lavrada sobre uma  contribuição  caducada  há  mais  de  5  anos,  resultando  em  um  verdadeiro  abuso  do  poder  discricionário por parte da fiscalização; tecendo considerações a respeito da teoria do abuso de  direito  e  suas  supostas  aplicações  ao  caso  concreto.  Afirmando  que  sob  a  aparência  de  legalidade  se  aplica  ato  arbitrário,  consequentemente  nulo,  por  desrespeito  sub­repítico,  indireto,  ao  texto  legal,  tornando  ilícito  ou  impossível  juridicamente  o  objeto  do  ato  administrativo;   5 ­ A contribuição social tem sua sistemática de recolhimento estabelecida do  artigo 22 da Lei nº8.212/91, incidindo sobre o total das remunerações pagas ou creditadas aos  segurados, empregados e trabalhadores avulsos;  6 ­ Que o RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, em seus incisos I e II do §  15º  do  artigo  9º  estabeleceu  o  transportador  autônomo  como  segurado  obrigatório  da  previdência social;  7­ Alega que o artigo 267 do Decreto 3.048/99 estabeleceu o percentual de  11,71%  que  deve  ser  pago  ou  creditado  pelo  transportador  autônomo  sobre  o  serviço  que  prestar, entretanto, referida alíquota foi alterada por intermédio da Portaria nº 1.135/2001 para  20% do  rendimento bruto do serviço prestado, o que seria  inconstitucional,  já que a  referida  contribuição social possui natureza tributária, estando sujeita a legalidade genérica do Poder de  Tributar, traduzido no princípio da estrita legalidade , sendo vedado aos entes tributantes exigir  ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça (art. 150, inciso I, da CF), c/c o art. 97 do CTN  que  estipula  que  somente  lei  pode  estabelecer  a majoração  de  tributos  ou  sua  redução,  com  algumas ressalvas.  Fl. 334DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 14337.000061/2007­64  Acórdão n.º 2401­004.302  S2­C4T1  Fl. 4          5  8 ­ que os artigos 4º e 5º, ambos da referida Portaria 1.135/01, feriu ainda o  princípio da anterioridade previsto no artigo 195 , §6º da CF/88, de 90 dias para exigência de  seu cumprimento;  9  ­  que  em  razão  do  princípio  da  anterioridade  somente  após  90  dias  da  publicação do Decreto nº 4.032/2001 é que se poderia considerar válida a alteração da alíquota  e requer o cancelamento da exigência contida na NFLD;  10 ­ que as compensações promovidas pela Recorrente foram realizadas com  lisura e correção dos procedimentos eis que os valores considerados como "em aberto" foram  frutos de compensações autorizadas judicialmente, advindas de créditos a título de contribuição  previdenciária;  11  ­  que  em  sede  de  resolução,  o  Senado  Federal,  na  data  de  28/04/1995,  suspendeu  a  execução  da  expressão  "avulsos,  autônomos  e  administradores",  constante  do  inciso  I  do  art.  3º  da  Lei  nº  7.787/89,  nessas  condições  entende  ser  indiscutível  a  inexigibilidade  da  contribuição  sobre  o  "pró­labore"  pago  aos  administradores  e  as  remunerações paga aos autônomos;  12  ­  que  a  própria  Agente  Fiscal  colacionou  que  a  Recorrente  já  possui,  judicialmente,  o  reconhecimento  da  inconstitucionalidade  das  contribuições  referidas,  bem  como  o  direito  de  compensar  ,  desde  que  o  faça  com  contribuições  devidas  pelo  mesmo  contribuinte, o que é o caso, nos termos do artigo 66, §1º, da Lei nº 8.383;  13  ­  impugna  as  verbas  glosadas  sob  a  rubrica  “terceiros”,  alegando  que  enquanto não houver lei determinando a abrangência das expressões do artigo 22, inciso II, da  lei nº 8.212/91 não é possível a exigência da Contribuição Social para o SAT, nos  termos do  seu regulamento;  14  ­  Argumentando,  a  Recorrente  aduz  que,  admitindo­se  a  constitucionalidade do artigo 22, da Lei nº 8.212/91, a contribuição para o SAT não pode ser  exigida  com  fundamento  no  disposto  pelo  artigo  26  do  Decreto  nº  612/92,  por  falta  de  competência para suprir as lacunas da lei;  15 ­ Outro ponto nodal é que a modificação do critério adotado, pelo Decreto  2.173/97 e pela Orientação Normativa nº 2,  de 21/08/97, para determinar o grau de  risco da  empresa, acabou aumentando a contribuição do SAT, e isto só poderia ser efetuado através de  Lei e não de Decreto, e respeitada ainda a anterioridade de 90 dias;   16  ­  Além  de  referidas  modificações  ferirem  o  princípio  da  legalidade,  as  novas determinações acabam  também por  ferirem o princípio da capacidade contributiva das  empresas, na medida que acabam impondo a taxa de risco mais grave sobre a remuneração de  empregados que não estão sujeitos ao grau de risco mais grave;  17 ­ que a adoção de uma graduação única segundo a atividade preponderante  na empresa é também inconstitucional, pois fere o princípio histórico da isonomia, insculpido  no artigo 5º, “CAPUT”, da “Lex Fundamentalis” promulgada em 1988;  Fl. 335DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI     6  18 ­ que não se pode considerar o adicional do INCRA como contribuição de  intervenção  no  domínio  econômico,  pois  não  preenche  os  requisitos  necessários  para  a  sua  implementação, tendo como base o artigo 149 da CF/88, que trata da competência residual da  União;  19 ­ a extinção de algumas contribuições como o Finsocial –ADCT, art. 56, e  DL 1.940/82, e o PIS – art. 239 da CF, por serem incompatíveis com a Constituição Federal;  20 ­ que no caso específico do adicional ao INCRA, há que se considerar que  ele  persiste  sem  causa  expressa  na Constituição  ou mesmo  na Lei,  guardando  identidade  de  base  de  cálculo  e  fato  gerador  com  a  Contribuição  Social  sobre  a  folha  de  salários.  Tal  circunstância evidencia incontestável inconstitucionalidade, posto que os expressos termos do  artigo  149  da  CF/88  somente  por  Lei  Complementar  a  União  poderá  instituir  novas  contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico;  21 ­que a contribuição ao SEBRAE não é daquelas previstas no art. 195, I, da  Constituição  Federal,  entendendo  que  não  há  respaldo  constitucional  à  sua  exigência.  Conforme  se  observa  do  artigo  240  da  CF/88,  estas  contribuições  compulsórias  não  se  destinarão ao financiamento da Seguridade Social, embora incidam sobre a folha de salários.  22 ­ que é inconstitucional o recolhimento da contribuição reservada ao SEST  e ao SENAT;   23 ­ requer o cancelamento da multa imposta por ter efeito confiscatório;  24 ­ a inconstitucionalidade da aplicação de juros de mora equivalente a taxa  SELIC sobre débitos de tributos e contribuições sociais federais;   25 ­ Requer seja baixado o processo para exercício de perícia ou diligência,  preservando não só o direito de defesa, mas também o princípio da verdade material;  26 ­ Por fim requer que seja considerada a preliminar de nulidade da decisão  em face da incongruência de sua fundamentação; acaso seja ultrapassada a preliminar arguida,  requer  a  total  improcedência  do  débito,  iniciando­se  pela  análise  da  prejudicial  de  mérito  levantada. e, caso não seja provido o pedido anterior,  requer o afastamento da multa e a não  aplicação da  taxa  selic,  além da produção de  todos os meios de prova  em direito  admitidos,  notadamente a pericial, requerendo a formulação posterior de quesitos e indicação de assistente  técnico.   Após,  sem  contrarrazões  da  Procuradoria  da Fazenda Nacional,  subiram  os  autos a este Eg. Conselho.  É o relatório.  Fl. 336DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 14337.000061/2007­64  Acórdão n.º 2401­004.302  S2­C4T1  Fl. 5          7    Voto             Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, Relatora  1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE  1.1. DA TEMPESTIVIDADE  O  Recorrente  foi  cientificado  da  r.  decisão  em  debate  no  dia  21/09/2012,  conforme solicitação de cópia de documentos às fls. 191, e o presente Recurso Voluntário foi  apresentado,  TEMPESTIVAMENTE,  no  dia  25/09/2012,  razão  pela  qual  CONHEÇO  DO  RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade.  2. DAS PRELIMINARES  2.1. DA DECADÊNCIA  O  lançamento  em  testilha  foi  realizado  em  21/06/2004,  portanto  não  está  decadente,  já que o direito da Fazenda Pública constituir seus créditos tributários extingue­se  após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado,  conforme  dispõe  o  artigo  173,  inciso  I  do  Código  Tributário  Nacional. Confira­se:  Art.  173.  O  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:  I  ­  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado;  Assim delimitadas as nuances do caso concreto, como o presente lançamento  ocorreu em 21/06/2004, ou seja, dentro do prazo de cinco anos contados do primeiro dia do  exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, não há que se falar  em decadência, como pretende o Recorrente.  Por  tais  razões,  rejeito  a  preliminar  de  decadência  e  passo  diretamente  ao  exame do mérito.  2.2. PREJUDICIAL DE MÉRITO  A  Recorrente  alega  prejudicial  de  mérito  em  razão  de  suposta  falta  de  apreciação  de  todo  conteúdo  da  defesa.  No  entanto,  consigne­se  não  haver  prejudicial  por  omissão, tampouco falta de apreciação real da defesa no acórdão, pois decide de modo integral  e com fundamentação suficiente a controvérsia a ele devolvida.  Nesse descortino,  aferido que  a questão  reprisada fora objeto de expressa  e  literal  resolução,  ensejando  a  apreensão  de  que  o  julgado  não  deixara  remanescer  nenhuma  matéria pendente de elucidação, e que a  resolução que empreendera é clara o suficiente para  Fl. 337DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI     8  viabilizar a assimilação do decidido sem qualquer trabalho exegético, ante a literalidade do que  nele está estampado, denota­se que a Recorrente almeja simplesmente rediscutir o decidido em  sede inadequada.  Sustenta  ainda  que,  “no  lançamento  combatido,  a  identificação  da  matéria  tributável  sob  o  aspecto  legal  é  absolutamente  imprecisa,  visto  que  a  peça  fiscal  não  traz  maiores explicações ou subsídios sobre o embasamento legal da autuação”.  Os  créditos  apurados  na  NFLD  têm  suas  competências  suficientemente  definidas  nos  respectivos  demonstrativos  (Discriminativo  Analítico  de  Débito),  com  fundamentos legais bem aclarados no corpo dos documentos que subsidiam o lançamento, não  havendo  motivo  para  se  decretar  a  nulidade  da  NFLD  que  atende  a  todos  os  requisitos  normativos.  A  NFDL  constituiu  o  crédito  previdenciário  correspondente,  conforme  determina o artigo 37, da Lei n° 8.212/91 e artigo 229 do Decreto n° 3.048/99, devendo ter a  discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a  que se referem, conforme determina as normas  legais,  inclusive, em atendimento ao disposto  no artigo 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Confira­se:   “Art.  37.  Constatado  o  não­recolhimento  total  ou  parcial  das  contribuições  tratadas  nesta  Lei,  não  declaradas  na  forma  do  art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado  ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto  de  infração ou  notificação de  lançamento.”  (LEI Nº 8.212, DE  24 DE JULHO DE 1991)  “ Art. 229.  O  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social  é  o  órgão  competente para:   I ­ arrecadar  e  fiscalizar  o  recolhimento  das  contribuições  sociais previstas nos incisos I, II, III, IV e V do parágrafo único  do  art.  195,  bem  como  as  contribuições  incidentes  a  título  de  substituição;(Redação  dada  pelo  Decreto  nº  4.032,  de  2001)   II ­ constituir  seus  créditos  por  meio  dos  correspondentes  lançamentos e promover a respectiva cobrança;   III ­ aplicar sanções; e    IV ­ normatizar  procedimentos  relativos  à  arrecadação,  fiscalização e cobrança das contribuições referidas no inciso I.”  (artigo 229 do Decreto n° 3.048/99)  “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.” (Código Tributário Nacional)  Da  leitura  do Relatório  Fiscal  vislumbra­se  que  existe  a  identificação  clara  dos projetos e que atenderam ao disposto na Lei n° 8.958/94, com a devida fundamentação.   Fl. 338DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 14337.000061/2007­64  Acórdão n.º 2401­004.302  S2­C4T1  Fl. 6          9  Ocorre  que  o  contribuinte  nada  apresentou,  limitando­se  a  alegar  que  a  técnica implementada pela Auditoria Fiscal para fundamentar o a Notificação foi utilizada ao  arrepio das disposições legais, ofendendo o princípio da legalidade.  O  não  recolhimento  integral  das  contribuições  incidentes  sobre  os  valores  pagos ou creditados aos segurados empregados e aos contribuintes individuais são elementos,  que por si  só, comprovam a origem do crédito previdenciário. Não havendo que se  falar  em  nulidade.   3. DO MÉRITO  3.1. DO POSSÍVEL ABUSO DE PODER POR OMISSÕES NO REFISC  A  Recorrente  alega  abuso  do  Poder  Discricionário  vez  que  o  REFISC  infringiria  texto  legal  por  ser  omisso  sobre  quais  artigos  estariam  sendo  desrespeitados.  A  jurisprudência administrativa é pacífica no sentido de que eventuais omissões no REFISC são  consideradas  sanadas  quando  constantes  nos  demais  anexos  da NFLD,  restando  alcançado o  objetivo de permitir o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo, propiciar a adequada  análise  do  crédito  e  ensejar  o  atributo  de  certeza  e  liquidez  (artigo  689  da  IN  INSS/DC  nº  100/2003, vigente à época do lançamento).  Portanto,  o  lançamento  fiscal  deve  sempre  ser  compreendido  por  meio  da  análise conjunta e criteriosa de todos os relatórios e discriminativos que o compõem. No que  tange ao Relatório Fiscal, o artigo 690 da Instrução Normativa INSS/DC nº 100/2003 dispunha  o seguinte:  “Art.  690. O  relatório  fiscal,  emitido  pelo AFPS  designado em  Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), deverá conter:  I  ­  tratando­se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito  (NFLD)  ou  de  Lançamento  de  Débito  Confessado  (LDC),  a  narrativa dos fatos verificados no procedimento fiscal que deram  origem  ao  lançamento,  com  a  identificação  clara  e  precisa  do  fato gerador da obrigação previdenciária principal inadimplida,  do período a que se  refere, bem como o  fundamento  legal e as  alíquotas  aplicadas,que  poderão  constar  do  próprio  relatório  fiscal ou em remissão a anexos da NFLD;”  Nesse  sentido,  verificando  o  Relatório  Fiscal  (REFISC)  de  fls.  62/63,  verifica­se que traz informação clara e precisa sobre o fato gerador das contribuições patronais  apuradas,  a  narrativa  dos  fatos  verificados  no  procedimento  fiscal  que  deram  origem  ao  lançamento, a fundamentação legal e as alíquotas aplicadas. Confira­se:  ­  O  presente  relatório  refere­se  a  Notificação  Fiscal  de  Lançamento  de  Débitos  das  contribuições  previdenciárias  devidas  pela  empresa  à  Seguridade  Social,incidentes  sobre  remunerações pagas aos segurados empregados e sobre retirada  de pro labore pelos dirigentes;  ­ [...] E tem sua origem em falhas e diferenças nos recolhimentos  das contribuições previdenciárias resultantes do confronto entre  Fl. 339DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI     10  os documentos analisados e que estão discriminados na Relação  de Fatos Geradores integrantes da NFLD em epígrafe e as guias  de recolhimento apresentadas;  ­ Os valores apurados são oriundos das parcelas integrantes do  conceito de salário de contribuição, de acordo com o disposto no  artigo 28, da Lei nº8.212/91;  ­ Os  salários  de  contribuição  apurados  são  relativos  a  valores  pagos  a  seus  segurados  empregados,  mediante  a  análise  da  seguinte  documentação:  Livro  de  Registro  de  Empregados,  Folhas  de  Pagamento,  Recibos  de  Rescisões  de  Contrato  de  Trabalho, GPS´s, GFIP´s e outros elementos subsidiários;  ­  A  presente  NFLD  reporta­se  à  incidência  das  alíquotas  patronais  (empresa,  SAT  e  contribuinte  individual)  e  de  Terceiros sobre os fatos geradores apresentados;  Vislumbra­se da leitura dos trechos destacados que o período do débito está  devidamente informado, mês a mês, nos anexos intitulados DAD ­ Discriminativo Analítico de  Débito  (fls.  02/26),  DSD  –  Discriminativo  Sintético  de  Débito  (fls.  27/34)  e  DSE  –  Discriminativo Sintético por Estabelecimento (fls.37/42).  Quanto  à  contribuição  dos  segurados  lançada  na  competência  07/2002(levantamento NO1), verifica­se que o valor do salário de contribuição ao qual ela se  refere  e  a  fonte  documental  estão  devidamente  informados  no  RFG  (fl.  50).  A  alíquota  aplicada,  consta  expressamente  no  DAD  (fl.  21).  Verifica­se  também  que  os  fundamentos  legais, não apenas da contribuição de segurados aqui referida, mas de todo o débito apurado,  encontram­se detalhados no relatório FLD – Fundamentos Legais do débito (fls. 52/57).  Assim,  não  há  que  se  falar  em  abuso  do  Poder  Discricionário,  vez  que  a  atuação  foi  lavrada  de  acordo  com  a  legislação  vigente,  indicando  claramente  quais  os  atos  ilegais.  Não há base no sistema  jurídico brasileiro para o Fisco afastar a  incidência  legal, sob a alegação de entender estar havendo abuso de direito. O conceito de abuso de direito  é louvável e aplicado pela Justiça para solução de alguns litígios. Não existe previsão do Fisco  utilizar  tal  conceito para  efetuar  lançamentos de  oficio. O  lançamento  é  vinculado à  lei,  que  não pode ser afastada sob alegações subjetivas de abuso de direito. Confira­se:   NÃO  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  ABUSO  DE  DIREITO.  AFASTAMENTO  DA  INCIDÊNCIA  PELA  AUTORIDADE  FISCAL  LANÇAMENTO.  FALTA DE PREVISÃO  LEGAL. Não  há  base  no  sistema  jurídico  brasileiro  para a  autoridade  fiscal  afastar a não incidência legal,sob a alegação de entender estar  havendo  abuso  de  direito.  O  conceito  de  abuso  de  direito  é  louvável e aplicação pela Justiça para solução de alguns litígios.  Não  existe  previsão  legal  para  autoridade  fiscal  utilizar  tal  conceito  para  efetuar  lançamentos  de  ofício.  O  lançamento  é  vinculado  a  lei,  que  não  pode  ser  afastada  sob  alegações  subjetivas de abuso de direito.  PLANEJAMENTO  TRIBUTÁRIO.  SIMULAÇÃO  DE  NEGÓCIOS. SUBSTANCIA DOS ATOS.  O planejamento tributário que é feito segundo as normas legais e  que  não  configura  as  chamadas  operações  sem  propósito  Fl. 340DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 14337.000061/2007­64  Acórdão n.º 2401­004.302  S2­C4T1  Fl. 7          11  negocial,  não  pode  ser  considerado  simulação  se  há  não  elementos suficientes para caracterizá­la.  Não  se  verifica  a  simulação  quando  os  atos  praticados  são  lícitos e sua exteriorização revela coerência com os institutos de  direito  privado  adotados,  assumindo  o  contribuinte  as  conseqüências  e  ônus  das  formas  jurídicas  por  ele  escolhidas,  ainda  que  motivado  pelo  objetivo  de  economia  de  imposto.  (Acórdão  nº  2202002.187,  Processo  nº  10680.726772/2011­88,  2ª  Turma  Ordinária  da  2ª  Câmara  da  Segunda  Seção  de  Julgamento,  Rel.  Conselheiro  Newton  Cardoso,  Sessão  de  20/02/2013).   Concluo, portanto, não haver em nosso ordenamento  jurídico previsão  legal  que autorize a aplicação da figura do abuso das formas jurídicas.  3.2. DA INCONSTITUCIONALIDADE   O Recorrente alega no decurso de toda a peça recursal a inconstitucionalidade  de diversas normas e ou de sua aplicação ao caso em tela. Recorde­se:   ­ Alega que o artigo 267 do Decreto 3.048/99 que estabeleceu o  percentual  da  Previdência  e  Assistência  Social  paga  ou  creditada a transportador autônomo foi alterada por intermédio  de portaria o que seria  inconstitucional  em razão do princípio  da legalidade;  ­  impugna  as  verbas  glosadas  sob  a  rubrica  “terceiros”,  alegando  que  enquanto  não  houver  lei  determinando  a  abrangência  das  expressões  do  artigo  22,  inciso  II,  da  lei  nº  8.212/91,  sendo  inconstitucional  a  exigência  da  Contribuição  Social para o SAT, nos termos do seu regulamento;  ­  que  a  adoção  de  uma  graduação  única  segundo  a  atividade  preponderante na empresa é também inconstitucional, pois fere  o  princípio  histórico  da  isonomia,  insculpido  no  artigo  5º,  “CAPUT”, da “Lex Fundamentalis” promulgada em 1988;  ­  que  não  se  pode  considerar  o  adicional  do  INCRA  como  contribuição  de  intervenção  no  domínio  econômico,  pois  não  preenche  os  requisitos  necessários  para  a  sua  implementação,  tendo como base o artigo 149 da CF/88;  ­  a  extinção  de  algumas  contribuições  como  o  Fim  social  – ADCT,  art.  56,  e DL  1.940/82,  e  o  PIS  –  art.  239  da CF,  por  serem incompatíveis com a Constituição Federal;  ­  que  no  caso  específico  do  adicional  ao  INCRA,  há  que  se  considerar que ele persiste sem causa expressa na Constituição  ou  mesmo  na  Lei,  guardando  identidade  de  base  de  cálculo  e  fato  gerador  com  a  Contribuição  Social  sobre  a  folha  de  salários.  Tal  circunstância  evidencia  incontestável  inconstitucionalidade,  posto que os  expressos  termos do artigo  149 da CF/88m somente por Lei Complementar a União poderá  Fl. 341DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI     12  instituir novas contribuições sociais e de intervenção no domínio  econômico;  ­ que a contribuição ao SEBRAE não é daquelas previstas no art.  195, I, da Constituição Federal, entendendo que não há respaldo  constitucional à sua exigência.  ­  que  é  inconstitucional  o  recolhimento  da  contribuição  reservada ao SEST e ao SENAT;   ­  a  inconstitucionalidade  da  aplicação  de  juros  de  mora  equivalente  a  taxa  SELIC  sobre  débitos  de  tributos  e  contribuições sociais federais;   A apreciação e decisão de questões que versem sobre a constitucionalidade  de atos legais são de competência exclusiva do Poder Judiciário, salvo se já houver decisão do  Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese  em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação.  Nesse  sentido,  cumpre  ressaltar  ser  pacífico  o  entendimento  dessa  egrégia  corte  administrativa  de  não  ser  o  CARF  competente  para  se  pronunciar  sobre  qualquer  inconstitucionalidade. Recorde­se:   “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do  CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade (Portaria MF nº 343/2015).”  “Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”  Portanto, válidos todos os atos praticados pelo fisco, pois a autoridade fiscal  analisou a integralidade dos elementos processuais e apreciou todos os argumentos suscitados  pela  recorrente.  Na  verdade,  o  procedimento  administrativo  fiscal  tem  caráter  apuratório  e  inquisitorial e precede a formalização do lançamento, enquanto o processo administrativo fiscal  somente se inicia com a impugnação do lançamento pelo contribuinte. As garantias do devido  processo  legal,  sentido  estrito,  contraditório  e  ampla  defesa,  são  próprias  do  processo  administrativo fiscal.  Ante  a  esses  argumentos,  deve  ser  rejeitada  todas  as  alegações  de  inconstitucionalidade das normas aplicadas ao caso em tela.   3.3  DA  INCONSTITUCIONALIDADE  DA  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  DESTINA  AO  INCRA COBRADA DE EMPRESAS URBANAS. VIOLAÇÃO AO ARTIGO 149, § 2°, DA  CONSTITUIÇÃO FEDERAL.  Novamente,  o  conhecimento  da  arguição  de  inconstitucionalidade  de  dispositivo legal esbarra na Súmula CARF no 2, conforme já explicitado anteriormente.  Porém, apenas para consolidar entendimento quanto à correção da cobrança  de  contribuição  social  destinada  ao  INCRA,  é  uníssono  o  entendimento  de  que  a  exação  tributária  adicional  para  o  INCRA,  desde  a  Lei  2.163/55,  sempre  teve  como  sujeito  passivo  todas as empresas. Confira­se, a respeito, a jurisprudência dos tribunais pátrios:  TRIBUTÁRIO  –  AGRAVO  REGIMENTAL  EM  AGRAVO  DE  INSTRUMENTO  ­  SEGURO  DE  ACIDENTE  DO  TRABALHO  (SAT)  –  FIXAÇÃO  DO  GRAU  DE  RISCO  Fl. 342DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 14337.000061/2007­64  Acórdão n.º 2401­004.302  S2­C4T1  Fl. 8          13  POR  DECRETO  –  CONTRIBUIÇÃO  AO  INCRA  E  AO  FUNRURAL ­ LEGALIDADE ­ PRONUNCIAMENTO  PELA  SISTEMÁTICA  DO  ART.  543­C  DO  CPC  (REsp  977.058/RS)  –  REVISÃO  DE  HONORÁRIOS  ADVOCATÍCIOS – ARBITRAMENTO POR EQUIDADE –  VEDAÇÃO  AO  REEXAME  DE  FATOS  E  PROVAS  –  SÚMULA 07/STJ.  1. É pacífica a jurisprudência desta Corte, que reconhece a  legitimidade de se estabelecer por decreto o grau de risco  (leve, médio ou grave) para determinação da contribuição  para  o  SAT,  partindo­se  da  "atividade  preponderante"  da  empresa.  2. A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do  Trabalho  (SAT)  é aferida pelo grau de  risco desenvolvido  em cada  empresa,  individualizada pelo  seu CNPJ ou pelo  grau  de  risco  da  atividade  preponderante  quando  houver  apenas um registro (Súmula 351/STJ).  3. A contribuição destinada ao INCRA e ao FUNRURAL  pelas  empresas  urbanas,  não  foram  extintas  pela  Lei  7.787/89 e tampouco pela Lei 8.213/91, como decidido no  REsp  977.058/RS,  DJe  10/11/2008,  pela  sistemática  do  art. 543­C do CPC.  4.  Tipificou­se  a  exação  como  contribuição  especial  de  intervenção  no  domínio  econômico  para  financiar  os  programas e projetos vinculados à reforma agrária e suas  atividades complementares, não existindo óbice a que seja  cobrada de empresa urbana.  5.  É  inadmissível  o  recurso  especial  se  a  análise  da  pretensão da recorrente demanda o reexame de provas.  6.  A  modificação  dos  honorários  advocatícios  fixados  demanda  o  reexame  das  circunstâncias  fáticas  da  causa,  vedado  em  sede  de  recurso  especial,  a  teor  da  Súmula  07/STJ.  7.  Agravo  regimental  não  provido.  [destaques  acrescentados  –  STJ,  AgRg  no Ag  1074925/SC, Rel. Min.  ELIANA  CALMON,  SEGUNDA  TURMA,  julgado  em  27/10/2009, DJe 23/11/2009]  Ressalte­se  que  a matéria  foi  objeto  de  apreciação  pela  Primeira  Seção  do  Superior Tribunal  Justiça,  ao  julgar o REsp 977.058/RS  , mediante a  sistemática prevista no  artigo  543­C  do  Código  de  Processo  Civil  e  na  Resolução  STJ  n.  08  /2008  (recursos  repetitivos).  Fl. 343DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI     14  Nega­se provimento ao Recurso Voluntário também nessa parte.  3.4 SEBRAE. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS DETRANSPORTE.  A arguição de  inconstitucionalidade de dispositivo  legal  esbarra na Súmula  CARF no 2, conforme já explicitado anteriormente.  No entanto, para consolidar o entendimento de que é devida pelas empresas  de transporte rodoviário, a contribuição ao SEBRAE e de que é prescindível a contraprestação  direta em favor do contribuinte, evidencia­se decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em  processo com repercussão geral reconhecida, in verbis:  “Recurso  extraordinário.  2.  Tributário.  3. Contribuição  para  o  SEBRAE. Desnecessidade de  lei complementar. 4. Contribuição  para o SEBRAE. Tributo destinado a  viabilizar a promoção do  desenvolvimento  das  micro  e  pequenas  empresas.  Natureza  jurídica: contribuição de intervenção no domínio econômico. 5.  Desnecessidade de instituição por lei complementar. Inexistência  de  vício  formal  na  instituição  da  contribuição  para  o  SEBRAE  mediante lei ordinária. 6. Intervenção no domínio econômico. É  válida  a  cobrança  do  tributo  independentemente  de  contraprestação  direta  em  favor  do  contribuinte.  7.  Recurso  extraordinário  não  provido.  8.  Acórdão  recorrido  mantido  quanto  aos  honorários  fixados.  (STF,  RE  635682/RJ,  Min.  GILMAR MENDES, DJE 05/2013)   A partir da Lei nº 8.706/93 as empresas transportadoras rodoviárias passaram  a  contribuir  ao  SEST  e SENAT  em  lugar  de  contribui  ao  SESI  e  ao  SENAI,  sem,  contudo,  alterar  a  sistemática  de  recolhimento  da  contribuição  para  o  SEBRAE.  Nesse  sentido  é  a  jurisprudência da Excelsa Corte:  “EMENTA:  PROCESSUAL  CIVIL.  AGRAVO  REGIMENTAL  EM  AGRAVO  DE  INSTRUMENTO.  EMPRESA  PRESTADORA  DE  SERVIÇOS  DE  TRANSPORTE.  SEST/SENAT. CONTRIBUIÇÃO SEBRAE.  LEGALIDADE. PRECEDENTES. I ­ Com o advento da Lei  8.706/93,  não  houve  a  criação  de  novo  encargo  a  ser  suportado  pelos  empregadores,  mas  tão­somente  a  alteração  do  destinatário  das  contribuições  devidas  pelas  empresas  de  transporte  ao  SESI/SENAI,  não  alterando  a  sistemática  de  recolhimento  da  contribuição  para  o  SEBRAE.  II  ­  A  constitucionalidade  da  contribuição  SEBRAE foi decidida por esta Corte, no julgamento do RE  396.266/SC,  Rel.  Min.  Carlos  Velloso.  III  ­  Agravo  regimental improvido.” (STF, 1ª Turma, AI AgR, Rel. Min.  Ricardo Lewandowski, novembro de 2007)  Em suma, são devidas, no caso, as contribuições ao INCRA e ao SEBRAE.  3.5 DA ALÍQUOTA DO SAT   O artigo 195 da Constituição Federal determina que a Seguridade Social seja  custeada por toda a sociedade, de  forma direta e  indireta, mediante  recursos oriundos, dentre  outras fontes, das contribuições sociais a cargo da empresa incidentes sobre a folha de salário e  Fl. 344DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 14337.000061/2007­64  Acórdão n.º 2401­004.302  S2­C4T1  Fl. 9          15  demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe  preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Confira­se:   “Art.  195.  A  seguridade  social  será  financiada  por  toda  a  sociedade,  de  forma  direta  e  indireta,  nos  termos  da  lei,  mediante  recursos  provenientes  dos  orçamentos  da União,  dos  Estados,  do Distrito Federal  e  dos Municípios,  e  das  seguintes  contribuições sociais:  I ­ do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada  na  forma  da  lei,  incidentes  sobre: (Redação  dada  pela  Emenda Constitucional nº 20, de 1998)  a) a  folha de  salários  e demais  rendimentos do  trabalho pagos  ou  creditados,  a  qualquer  título,  à  pessoa  física  que  lhe  preste  serviço,  mesmo  sem  vínculo  empregatício; (Incluído  pela  Emenda Constitucional nº 20, de 1998)  b)  a  receita  ou  o  faturamento; (Incluído  pela  Emenda  Constitucional nº 20, de 1998)  c) o  lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de  1998)  II  ­  do  trabalhador  e  dos  demais  segurados  da  previdência  social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão  concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata  o  art.  201; (Redação dada pela Emenda Constitucional  nº  20, de 1998)” (Constituição Federal)  Nossa  Lei  Soberana  reserva  ainda  um  capítulo  aos  Direitos  Sociais,  assegurando  como  direito  dos  trabalhadores  urbanos  e  rurais,  o  seguro  contra  acidentes  do  trabalho, a ser custeado diretamente pelo empregador. Recorde­se:  “Art.  7º  São  direitos  dos  trabalhadores  urbanos  e  rurais,  além  de outros que visem à melhoria de sua condição social:  (...)  XXVIII  ­  seguro  contra  acidentes  de  trabalho,  a  cargo  do  empregador, sem excluir a indenização a que este está obrigado,  quando incorrer em dolo ou culpa;” (Constituição Federal)  No plano infraconstitucional, a disciplina da matéria em relevo ficou a cargo  da Lei  nº  8.212,  de  24  de  julho  de 1991,  a  qual  instituiu  o Plano  de Custeio  da Seguridade  Social,  consubstanciado  nas  contribuições  sociais  a  cargo  da  empresa  e  dos  segurados  obrigatórios do RGPS, nos limites traçados pela Constituição, in verbis:   “Art.  22.  A  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à  Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de:  (...)  Fl. 345DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI     16  II ­ para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58  da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o  total das  remunerações  pagas  ou  creditadas,  no  decorrer  do  mês,  aos  segurados empregados e trabalhadores avulsos:   (Redação dada  pela Lei nº 9.732, de 1998).  a)  1%  (um  por  cento)  para  as  empresas  em  cuja  atividade  preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado  leve;  b)  2%  (dois  por  cento)  para  as  empresas  em  cuja  atividade  preponderante esse risco seja considerado médio;  c)  3%  (três  por  cento)  para  as  empresas  em  cuja  atividade  preponderante esse risco seja considerado grave.  (...)  § 3º O Ministério do Trabalho e da Previdência Social poderá  alterar,  com  base  nas  estatísticas  de  acidentes  do  trabalho,  apuradas  em  inspeção,  o  enquadramento  de  empresas  para  efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a  fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes.”  A  Lei  nº  8.212/91  expressamente  outorgou  ao  Poder  Executivo  a  competência para regulamentar as disposições veiculas na Lei de Custeio da Seguridade Social.   Registra­se  que  o  Pretório  Excelso,  em  notável  decisão  no  julgamento  do  Recurso  Extraordinário  RE  343.446­2/SC,  ratificou  a  constitucionalidade  e  exigência  da  contribuição  destinada  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho.   “EMENTA:  ­  CONSTITUCIONAL.  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO ­  SAT. Lei 7.787/89, arts. 3º e 4º; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação  da  Lei  9.732/98.  Decretos  612/92,  2.173/97  e  3.048/99.  C.F.,  artigo  195,  §  4º;  art.  154,  II;  art.  5º,  II;  art.  150,  I.  I.  ­  Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho  ­ SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação  no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I,  da  Constituição  Federal:  improcedência.  Desnecessidade  de  observância da técnica da competência residual da União, C.F.,  art.  154,  I.  Desnecessidade  de  lei  complementar  para  a  instituição da contribuição para o SAT. II. ­ O art. 3º, II, da Lei  7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que  o  art.  4º  da  mencionada  Lei  7.787/89  cuidou  de  tratar  desigualmente aos desiguais. III. ­ As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e  8.212/91,  art.  22,  II,  definem,  satisfatoriamente,  todos  os  elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida.  O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos  conceitos  de  "atividade  preponderante"  e  "grau  de  risco  leve,  médio  e  grave",  não  implica  ofensa  ao  princípio  da  legalidade  genérica, C.F.,  art.  5º,  II,  e  da  legalidade  tributária, C.F.,  art.  150,  I.  IV.  ­  Se  o  regulamento  vai  além  do  conteúdo  da  lei,  a  questão  não  é  de  inconstitucionalidade,  mas  de  ilegalidade,  Fl. 346DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 14337.000061/2007­64  Acórdão n.º 2401­004.302  S2­C4T1  Fl. 10          17  matéria  que  não  integra  o  contencioso  constitucional.  V.  ­  Recurso extraordinário não conhecido.”  Ressalta­se  que  o  enquadramento  nos  correspondentes  graus  de  risco  é  de  responsabilidade da empresa, devendo ser  feito mensalmente, de acordo com a sua atividade  econômica  preponderante,  conforme  a  Relação  de  Atividades  Preponderantes  e  Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na CNAE.  Pelo  exposto,  o  recurso  interposto  merece  ter  provimento  negado  também  nessa parte, em face da flagrante constitucionalidade da cobrança questionada.   3.6  DA  INCONSTITUCIONALIDADE  DA  FIXAÇÃO  DE  JUROS  PELA  TAXA  SELIC  ENQUANTO SUPERIORES A 1% AO MÊS  Mais uma vez, a discussão da inconstitucionalidade não pode ser suscitada na  via  administrativa.  Adstrito,  então,  apenas  às  questões  de  ordem  infraconstitucional,  está  sedimentado no âmbito deste tribunal administrativo que é possível fixar a correção dos juros  pela variação da Taxa SELIC.  Esse tema é objeto da Súmula CARF no 04: “A partir de 1º de abril de 1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial de Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais”.  O Recurso interposto merece, dessa maneira, ter provimento negado também  nessa parte.  3.7 DA MULTA  Relativamente  à  multa,  a  inobservância  da  norma  jurídica  tendo  como  consequência  o  não  pagamento  do  tributo  importa  em  sanção  aplicável  coercitivamente,  visando evitar ou reparar o dano que lhe é consequente. Assim, nos termos do artigo 44 da Lei  nº 9.430/96, cabe a aplicação da multa de ofício.   A argüição quanto à eventual natureza confiscatória da multa envolve matéria  constitucional, cuja apreciação foge à alçada deste Colegiado, nos termos da Súmula CARF nº  2,  de  Enunciado:  “O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária”.  Por  todo  o  exposto,  depreende­se  que  a  presente  Notificação  Fiscal  de  Lançamento  de  Débito  ­  NFLD  encontra­se  revestida  das  formalidades  legais,  tendo  sido  lavrada  de  acordo  com  os  dispositivos  legais  e  normativos  que  disciplinam  o  assunto,  consoante o disposto no caput do artigo 33 da Lei n° 8.212/91 e demais dispositivos elencados  no anexo Fundamentos Legais do Débito ­ FLD, não havendo que se falar em cancelamento da  Notificação.  Fl. 347DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI     18    4. CONCLUSÃO:  Pelos  motivos  expendidos,  CONHEÇO  do  Recurso  Voluntário  para,  no  mérito, NEGAR PROVIMENTO, mantendo o crédito.   É como voto.    Luciana Matos Pereira Barbosa.                              Fl. 348DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI

score : 1.0
6344227 #
Numero do processo: 16327.000966/2002-74
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO CONFIGURADA. Acolhe-se embargos de declaração na hipótese de omissão no acórdão embargado. NULIDADE DO LANÇAMENTO . VÍCIO MATERIAL. VÍCIO FORMAL. Define-se como vício formal a omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato, na forma do artigo 2º, parágrafo único, alínea b, da Lei nº 4.717/65.
Numero da decisão: 9101-002.165
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, embargos conhecidos e acolhidos, para rerratificar o Acórdão: embargado, no sentido de considerar erro material, nos termos do voto da Relatora. Declarou-se impedida de participar do julgamento, a Conselheira Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada). (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto- Presidente. (Assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rego, Luís Flávio Neto, Andre Mendes de Moura, Livia De Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araújo, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Maria Teresa Martinez Lopes (Vice-Presidente) e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201601

camara_s : 1ª SEÇÃO

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO CONFIGURADA. Acolhe-se embargos de declaração na hipótese de omissão no acórdão embargado. NULIDADE DO LANÇAMENTO . VÍCIO MATERIAL. VÍCIO FORMAL. Define-se como vício formal a omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato, na forma do artigo 2º, parágrafo único, alínea b, da Lei nº 4.717/65.

turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS

dt_publicacao_tdt : Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2016

numero_processo_s : 16327.000966/2002-74

anomes_publicacao_s : 201604

conteudo_id_s : 5580291

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016

numero_decisao_s : 9101-002.165

nome_arquivo_s : Decisao_16327000966200274.PDF

ano_publicacao_s : 2016

nome_relator_s : CRISTIANE SILVA COSTA

nome_arquivo_pdf_s : 16327000966200274_5580291.pdf

secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, embargos conhecidos e acolhidos, para rerratificar o Acórdão: embargado, no sentido de considerar erro material, nos termos do voto da Relatora. Declarou-se impedida de participar do julgamento, a Conselheira Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada). (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto- Presidente. (Assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rego, Luís Flávio Neto, Andre Mendes de Moura, Livia De Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araújo, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Maria Teresa Martinez Lopes (Vice-Presidente) e Carlos Alberto Freitas Barreto.

dt_sessao_tdt : Mon Jan 18 00:00:00 UTC 2016

id : 6344227

ano_sessao_s : 2016

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:47:18 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713048418161524736

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1737; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T1  Fl. 2.333          1 2.332  CSRF­T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  16327.000966/2002­74  Recurso nº               Embargos  Acórdão nº  9101­002.165  –  1ª Turma   Sessão de  18 de janeiro de 2016  Matéria  Embargos de Declaração  Embargante  FAZENDA NACIONAL  Interessado  DOW QUÍMICA S.A.    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Exercício: 1998  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO CONFIGURADA.  Acolhe­se  embargos  de  declaração  na  hipótese  de  omissão  no  acórdão  embargado.  NULIDADE DO LANÇAMENTO . VÍCIO MATERIAL. VÍCIO FORMAL.   Define­se  como  vício  formal  a  omissão  ou  na  observância  incompleta  ou  irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato, na  forma do artigo 2º, parágrafo único, alínea b, da Lei nº 4.717/65.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  embargos  conhecidos e acolhidos, para rerratificar o Acórdão: embargado, no sentido de considerar erro  material, nos termos do voto da Relatora. Declarou­se impedida de participar do julgamento, a  Conselheira Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada).    (Assinado digitalmente)  Carlos Alberto Freitas Barreto­ Presidente.     (Assinado digitalmente)  Cristiane Silva Costa ­ Relatora.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 09 66 /2 00 2- 74 Fl. 2340DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 21/03/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO     2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcos  Aurélio  Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rego, Luís Flávio Neto, Andre Mendes  de Moura, Livia De Carli Germano  (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araújo, Ronaldo  Apelbaum  (Suplente  Convocado),  Maria  Teresa  Martinez  Lopes  (Vice­Presidente)  e  Carlos  Alberto Freitas Barreto.  Relatório  Trata­se  de  processo  originado  pela  lavratura  de Auto  de  Infração  de  IRPJ  quanto  ao  exercício  de  1998.  A  contribuinte  apresentou  impugnação  administrativa  (fls.  1.716/1768), que foi parcialmente acolhida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ   Ano­calendário: 1997   AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.   Improcede a alegação de nulidade do Auto de Infração,  lavrado nos exatos  termos da legislação vigente.   PREÇO DE TRANSFERENCIA. EQUÍVOCOS NA AUTUAÇÃO.   Comprovados, em diligência, equívocos na autuação decorrente da apuração  de ajustes  relativos aos preços de  transferência, exonera­se parcialmente a  exigência.   OMISSÃO DE RECEITAS.   Comprovada, em diligência, a inexistência de omissão de receitas, exonera­ se a exigência.   PIS,  COFINS  E  CSLL.  DECORRÊNCIA  DOS  MESMOS  FATOS  E  ELEMENTOS DE PROVA.   O  decidido  quanto  ao  Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica  aplica­se  A  tributação dele decorrente.   Lançamento Procedente em Parte  A Quinta  Câmara  do  extinto O Primeiro Conselho  de Contribuintes  negou  provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário (fls. 2.157/2.169), em julgamento cuja  ementa se transcreve a seguir:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ   EXERCÍCIO: 1998 Ementa: PREÇO DE TRANSFERÊNCIA  ­ APURAÇÃO  DE  VALORES  POR  PRODUTO  E  POR  PERÍODO  ­  MARGEM  DE  TOLERANCIA DE 5% ­ Verificado que o lançamento não apurou os valores  para composição do preço parâmetro por produto e por período, correta a  revisão  procedida  perante  a DRJ. Quando  a  divergência  entre  o  preço  do  negócio e o preço parâmetro diverge em até 5% (cinco por cento) para mais  Fl. 2341DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 21/03/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.000966/2002­74  Acórdão n.º 9101­002.165  CSRF­T1  Fl. 2.334          3 ou  para  menos,  afasta­se  a  realização  de  ajuste  a  titulo  de  preço  de  transferência.   NULIDADE  DO  AUTO  DE  INFRAÇÂO  ­  REVISÀO  DO  LANÇAMENTO  PELA DRJ. POSSIBILIDADE ­ O processo administrativo serve não só para  contestar  o  lançamento,  mas  também  para  aperfeiçoá­lo,  de  forma  a  que  pode  a  DRJ,  identificando  a  existência  de  vícios  sanáveis  no  lançamento,  revisá­lo de forma a expurgar as nulidades porventura existentes.   PREÇO  DE  TRANSFERÊNCIA  ­  PRL  ­  INCLUSÃO  DE  CUTOS  COM  FRETE,  SEGURO  E  IMPOSTO  DE  IMPORTAÇÃO  NA  APURAÇÃO  DO  CUSTO ­ A  inclusão dos custos com frete, seguro e imposto de importação  na  composição  do  custo  não  é  faculdade  do  contribuinte  importador  que  incorre em referidos gastos, mas obrigações decorrente do art. 18, parágrafo  6°  da  Lei  n°  9.430/96.  A  IN  n°  38/97  não  possui  o  condão  de  afastar  a  obrigação disposta no art. 18, parágrafo 6° da Lei n° 9.430/96, pois com ela  deve  ser  lida  sistematicamente.  Recurso  de  oficio  e  recurso  voluntário  negados.   Apenas  a  contribuinte  apresentou  recurso  especial,  alegando  divergência  a  respeito da consideração de custos com frete, seguro e imposto de importação na determinação  do preço parâmetro do método PRL. Enquanto o acórdão recorrido incluiu tais custos por força  do artigo 18, da Lei nº 9.430/1996, os julgamentos paradigmas admitiam que estes não fossem  considerados  na  determinação  do  preço  parâmetro  (fls.  2.183/2.187).  A  Fazenda  Nacional  apresentou  contrarrazões  ao  recurso  especial  (fls.  2.290),  requerendo  não  fosse  conhecido  o  recurso  por  ter  sucintas  razões,  como  também  que  fosse  rejeitado  no  mérito,  diante  da  imperativa norma do artigo 18, §6º, da Lei nº 9.430/1996.  Esta  Primeira  Turma  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  deu  provimento ao recurso especial:  NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. INSTRUÇÃO NORMATIVA.  VINCULAÇÃO. INOBSERVÂNCIA. NULIDADE.   A  autoridade  administrativa,  ao  efetuar  o  lançamento,  está  vinculada  à  InstruçãoNormativa, bem como ao direito por ela conferido ao contribuinte.  PREÇO  DE  TRANSFERÊNCIA  PRL  INCLUSÃO  DE  CUSTOS  COM  FRETE,  SEGURO  E  IMPOSTO  DE  IMPORTAÇÃO  NA  APURAÇÃO  DO  CUSTO   A  IN  SRF  n°  38/97,  em  seu  artigo  4º,  §  4º,  estabelece  que  a  inclusão  dos  valores de frete, seguro e imposto de importação na composição do custo é  uma  faculdade  do  contribuinte  importador.  Pela  vinculação  da  autoridade  administrativa ao referido ato normativo, deve tal faculdade ser respeitada,  sob pena de nulidade do lançamento.   Destaquem­se  das  razões  da  relatora,  acolhida  por  maioria  de  votos  desta  Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais:  Fl. 2342DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 21/03/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO     4 (...) De  acordo  com  a  Instrução  Normativa  n  38/97,  no  custo  relativo  ao  preço  praticado  na  importação  com  pessoa  vinculada,  é  opção  do  contribuinte incluir os valores de transporte e seguro. É bem verdade que o  artigo  4º  da  IN  nº  38/97  aborda  o  preço  parâmetro,  que  não  poderia  ser  outro que não o da presunção legal. Pareceme também clara a leitura do §  4º  do mesmo  artigo,  que  ao  tratar  do  preço  praticado,  que  com aquele  se  compara,  determina  que  o  contribuinte  pode  (tem  a  opção)  computar  no  custo os valores de frete e seguro (...)  É  uma  questão  de  competência  e  é  por  isso  que,  quando  se  tratar  de  lançamento  de  ofício,  uma  Instrução Normativa  só  pode  ser  afastada  pelo  Poder Jurisdicional típico ou atípico sempre em prol do contribuinte, já que  a autoridade administrativa,  para  lançar deve se  curvar à norma expedida  pelo  executivo,  seja  favorável  ou  não  à  cobrança  do  crédito  tributário.  Se  extrapolada  a  competência,  o  ato  administrativo  padece  de  nulidade,  pelo  que voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do contribuinte.   Diante  desse  acórdão,  da  qual  foi  intimada  em  24/11/2011,  a  Fazenda  Nacional apresentou Embargos de Declaração no dia 25/11/2011, requerendo fosse esclarecida  a omissão a respeito da nulidade do lançamento, alegando que seria nulidade formal, pois “seu  fulcro estaria centrado em fato procedimental”. (fls. 2.327).  Os  embargos  de  declaração  foram  admitidos,  conforme  despacho  às  fls.  2.329.          Voto             Conselheira Cristiane Silva Costa  Conselheira Cristiane Silva Costa  Os embargos são tempestivos, merecendo conhecimento.  A  Fazenda  Nacional  alega  omissão  no  julgamento  anteriormente  proferido  por esta Turma na medida em que não identificado se a nulidade do lançamento seria formal ou  material. Sustenta  a Embargante que seria vício  formal considerando que “seu  fulcro estaria  centrado em fato procedimental”. (trecho dos embargos)  A relevância da distinção entre nulidade formal e material decorre do artigo  173, do Código Tributário Nacional, que dispõe:  Art.  173.  O  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário  extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:  Fl. 2343DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 21/03/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.000966/2002­74  Acórdão n.º 9101­002.165  CSRF­T1  Fl. 2.335          5 I  ­  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia ter sido efetuado;  II ­ da data em que se  tornar definitiva a decisão que houver anulado, por  vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.  A nulidade por  vício  formal  é  tratada  pela Lei  nº  4.717/1965,  que  regula  a  ação popular, conforme artigo 2º, alínea b e Parágrafo único, alínea b.:  Art. 2º São nulos os atos  lesivos ao patrimônio das entidades mencionadas  no artigo anterior, nos casos de:  a) incompetência;  b) vício de forma;  c) ilegalidade do objeto;  d) inexistência dos motivos;  e) desvio de finalidade.  Parágrafo único. Para a conceituação dos casos de nulidade observar­se­ão  as seguintes normas: (...)  b)  o  vício  de  forma  consiste  na  omissão  ou  na  observância  incompleta  ou  irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato;  Apenas na hipótese de “omissão ou na observância incompleta ou irregular  de  formalidades  indispensáveis  à  existência  ou  seriedade  do  ato”  é  possível  se  reconhecer  nulidade por vício formal.  Em  sentido  similar,  decidiu  esta  Turma  da  Câmara  Superior  nos  autos  do  processo nº 10280.005071/2007­21, sob relatoria do Conselheiro Rafael Vidal de Araújo:   ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 1996, 1997, 1998, 1999, 2000  NULIDADE  DE  LANÇAMENTO.  VÍCIO  MATERIAL.  VÍCIO  FORMAL.  ASPECTOS QUE ULTRAPASSAM O ÂMBITO DO VÍCIO FORMAL.  Vício  formal  é  aquele  verificado  de  plano  no  próprio  instrumento  de  formalização  do  crédito,  e  que  não  está  relacionado  à  realidade  representada  (declarada)  por  meio  do  ato  administrativo  de  lançamento.  Espécie  de  vício  que  não  diz  respeito  aos  elementos  constitutivos  da  obrigação tributária, ou seja, ao fato gerador, à base de cálculo, ao sujeito  passivo, etc. A indicação defeituosa ou insuficiente da infração cometida, da  data  em  que  ela  ocorreu,  do  montante  correspondente  à  infração  (base  imponível);  e  dos  documentos  caracterizadores  da  infração  cometida  (materialidade), não configura vício formal.  Fl. 2344DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 21/03/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO     6 No  caso  destes  autos  não  há  qualquer  indício  de  nulidade  formal  no  lançamento.   Em que pese conste na conclusão do voto do acórdão embargado que é uma  “questão  de  competência”,  o  recurso  especial  foi  provido  porque  o  lançamento  tributário  destoou  da  interpretação  de  Instrução  Normativa  a  respeito  da  inclusão  de  frete,  seguro  e  imposto de importação na composição do custo, como se verifica da ementa do julgado:  A  IN  SRF  n°  38/97,  em  seu  artigo  4º,  §  4º,  estabelece  que  a  inclusão  dos  valores de frete, seguro e imposto de importação na composição do custo é  uma  faculdade  do  contribuinte  importador.  Pela  vinculação  da  autoridade  administrativa ao referido ato normativo, deve tal faculdade ser respeitada,  sob pena de nulidade do lançamento.   No  entendimento  manifestado  pela  Turma,  existindo  Instrução  Normativa  dispondo  sobre  o  tema,  que  trouxe  faculdade  ao  contribuinte  importador,  a  autoridade  fiscal  autuante  estaria  vinculada  a  tal  Instrução  Normativa,  reputando­se  ilegítimos  os  Autos  de  Infração lavrados em desacordo com esta norma.  A  desconformidade  do  lançamento  tributário  com  norma  a  que  deveria  se  submeter é vício material do lançamento, não se limitando a uma formalidade do ato, para fins  de caracterização como nulidade formal, como exige o artigo 2º, da Lei nº 4.717/1965.  Nesse  contexto,  voto  por  acolher  os  embargos  de  declaração  para  suprir  omissão, para integrar o acórdão embargado esclarecendo se trata de nulidade material.  É como voto.    (Assinado digitalmente)  Cristiane Silva Costa ­ Relatora                                Fl. 2345DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 21/03/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

score : 1.0
6333388 #
Numero do processo: 13888.724476/2011-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/01/2006 a 31/03/2007 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento das contribuições para o PIS/Pasep, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais.
Numero da decisão: 3302-003.107
Decisão: Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. [assinado digitalmente] RICARDO PAULO ROSA - Presidente. [assinado digitalmente] MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201603

camara_s : Terceira Câmara

ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/01/2006 a 31/03/2007 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento das contribuições para o PIS/Pasep, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016

numero_processo_s : 13888.724476/2011-12

anomes_publicacao_s : 201604

conteudo_id_s : 5578704

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016

numero_decisao_s : 3302-003.107

nome_arquivo_s : Decisao_13888724476201112.PDF

ano_publicacao_s : 2016

nome_relator_s : MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR

nome_arquivo_pdf_s : 13888724476201112_5578704.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. [assinado digitalmente] RICARDO PAULO ROSA - Presidente. [assinado digitalmente] MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.

dt_sessao_tdt : Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016

id : 6333388

ano_sessao_s : 2016

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:46:58 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713048418176204800

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1684; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T2  Fl. 1.332          1 1.331  S3­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13888.724476/2011­12  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3302­003.107  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  15 de março de 2016  Matéria  COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO  Recorrente  FIRE COMÉRCIO DE FERROS FUNDIDOS E SERVIÇOS DE USINAGEM  LTDA E OUTROS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 31/01/2006 a 31/03/2007  FALTA DE RECOLHIMENTO.  A falta ou insuficiência de recolhimento das contribuições para a Cofins,  apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os  devidos acréscimos legais.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 31/01/2006 a 31/03/2007  FALTA DE RECOLHIMENTO.  A falta ou insuficiência de recolhimento das contribuições para O PIS/PASEP,  apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os  devidos acréscimos legais.        Recurso Voluntário Negado  Crédito Tributário Mantido  Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 44 76 /2 01 1- 12 Fl. 1332DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR     2    [assinado digitalmente]  RICARDO PAULO ROSA ­ Presidente.     [assinado digitalmente]  MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR ­ Relatora.  Participaram da  sessão de  julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa,  José  Fernandes  do  Nascimento,  Domingos  de  Sá  Filho,  Maria  do  Socorro  Ferreira  Aguiar,  Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.  Relatório  Por  bem  descrever  os  fatos,  adoto  o  Relatório  que  embasou  a  decisão  de  primeira instância, que passo a transcrever.  A  empresa  qualificada  em  epígrafe  foi  autuada  em  virtude  da  apuração  de  falta  de  recolhimento  da  contribuição  para  o  Programa  de  Integração  Social  (PIS)  e  para  a  COFINS,  no  período  de  31/01/2006  a  31/03/2007,  exigindo­se­lhe  contribuição  para  o  PIS  de  R$233.142,28,  multa  de  ofício  de  R$349.713,38  e  juros  de  mora  de  R$124.987,16,  perfazendo  o  total  de  R$707.842,82,  e  para  a  COFINS  exigência  de  R$1.078.818,74,  multa  de  ofício  de  R$1.618.228,08  e  juros  de  mora de R$578.385,34, perfazendo o total de R$3.275.432,16.  De acordo com o Termo de Informação Fiscal, de fls.1170/1179,  a fiscalização apurou as seguintes infrações quanto ao PIS:  A  contribuição  para  o  PIS/PASEP,  apurada  na  forma  da  Lei  10.637/2002  (regime  não­cumulativo),  objeto  do  presente  lançamento,  corresponde  à  diferença  entre  o  apurado  pela  Fiscalização  com  o  declarado  pelo  sujeito  passivo  na  DCTF  (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais).  O faturamento mensal da FIRE, que constitui o fato gerador da  contribuição  para  o  PIS/PASEP,  foi  apurado,  para  o  estabelecimento matriz, nos livros Registro de Saídas de 2006 e  2007, enquanto que para a filial, em 2006 no livro Registro de  Saídas e para 2007, nas contas contábeis 3110100007 (venda de  produtos  no  mercado  interno)  e  3110300008  (prestação  de  serviços  no  mercado  interno).  O  Livro  Registro  de  Saídas  de  2007  da matriz,  embora  desencadernado  e  sem  assinatura  nos  Termos  de  Abertura  e  Encerramento,  foi  aceito  pela  Fiscalização,  pois  seus  valores  encontram­se  devidamente  escriturados na conta contábil 3.1.0.10.101 Venda de produtos no  Mercado Interno.  (...)  Embora intimada e reintimada, a FIRE deixou de apresentar as  notas fiscais de vendas de autopeças para atacadistas, varejistas  e  consumidores,  cujos  produtos  estavam  sujeitos  a  alíquotas  diferenciadas  do PIS  e  da COFINS  e,  por  isso,  a Fiscalização  considerou  como  bases  de  cálculo  sujeitas  à  alíquota  Fl. 1333DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 13888.724476/2011­12  Acórdão n.º 3302­003.107  S3­C3T2  Fl. 1.333          3 diferenciada aquelas declaradas nos respectivos Demonstrativos  de Apuração de Contribuições Sociais (DACON) transmitidos à  Receita Federal.  Também,  foi constatado pagamento a menor e omissão na base  de cálculo da Cofins:  A COFINS, apurada na forma da Lei 10.833/2003 (regime não­ cumulativo),  objeto  do  presente  lançamento,  corresponde  à  diferença  entre  o  apurado  pela  Fiscalização  com  o  declarado  pelo sujeito passivo na DCTF.  O faturamento mensal, que constitui o fato gerador da COFINS,  e as bases de cálculo com alíquotas normal e diferenciada foram  apurados  como  já  descrito  no  cálculo  da  contribuição  para  o  PIS/PASEP e demonstrado em seu primeiro quadro.  No quadro a seguir (valores expressos em R$), temos a apuração  da  COFINS  a  lançar  de  ofício.  Com  relação  aos  créditos  a  descontar da contribuição apurada (art. 3º da Lei 10.833/2003),  entre  01/2006  a  06/2006,  o  total  declarado  nos  DACON  é  o  somatório  do  escriturado  nas  contas  contábeis  1.1.0.30.501  COFINS  a  recuperar  (Matriz)  e  1.1.3.03.0000.9  COFINS  a  recuperar  (filial  0003). No  entanto,  entre  07/2006  a  03/2007 o  valor  dos  créditos  demonstrados  nos  DACON  é  muito  inferior  àqueles  escriturados  contabilmente.  Assim,  a  Fiscalização,  verificando que as bases para o  cálculo do  crédito que melhor  refletiam  a  atividade  da  empresa  eram  aquelas  constantes  da  contabilidade,  aceitou  os  créditos  escriturados  nas  contas  de  COFINS  a  recuperar  (matriz  e  filial)  para  descontar  da  contribuição  apurada  (demonstrados  na  coluna  CRÉDITO  CONTÁBIL).  O Auditor­fiscal constatou alterações do contrato social tanto de  sócios, como de endereço da empresa fiscalizada:  Em  01/04/2004  a  ALVARCO  arrendou  seu  parque  industrial,  avaliado  em  R$  7.000.000,00,  para  a  FIRE,  como  consta  do  Instrumento Particular de Arrendamento de Parque Industrial e  Outras Avenças. Pela ALVARCO assinou  o  referido  contrato o  Sr. Clóvis Penteado de Castro,  e pela FIRE o  sr. Mário César  Mendes.  Posteriormente  a  FIRE  transferiu  sua  sede  de  São  Paulo para o endereço da ALVARCO em Piracicaba.  Chamou  a  atenção  da  Fiscalização  o  fato  que  à  época  da  assinatura  do  referido  instrumento  de  arrendamento  (01/04/2004), os srs. Clóvis Penteado de Castro e Mário César  Mendes  eram  ao  mesmo  tempo  sócios  e  administradores  da  ALVARCO e da FIRE.  A  FIRE  era  uma  empresa  sem  bens  imóveis,  conforme  informação  eletrônica  fornecida  pela  ARISP  (Associação  dos  Registradores  Imobiliários  de  São  Paulo),  tributada  pelo  SIMPLES (até o ano­calendário 2004), e a ALVARCO, como já  dito,  possuía  um  parque  industrial  em  seu  nome,  que  embora  Fl. 1334DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR     4 paralisado,  sujeito  a  penhoras  e  ações  trabalhistas,  tinha  um  valor econômico importante.  Além disso, a fiscalização concluiu:  Do  conjunto  dos  fatos  descritos,  constata­se  a  existência  do  interesse comum entre a FIRE e ALVARCO, pela formação de  um  grupo  econômico,  caracterizado  por  possuírem  a  mesma  atividade  econômica,  o  mesmo  quadro  societário,  a  administração  em  comum  exercida  pelo  srs.  Mário  César  Mendes  e Clóvis Penteado de Castro;  o  pagamento  pela FIRE  das dívidas trabalhistas da ALVARCO e outras dívidas suas; e a  confusão patrimonial existente entre elas. O pagamento do saldo  credor  da  conta  de  arrendamento  efetuado  com  os  bens  adquiridos  pela FIRE, mantendo  esses  bens  sob  a  propriedade  dos  mesmos  administradores  confirmam  a  comunhão  existente  entre FIRE e ALVARCO.  Assim, em face do interesse comum existente entre as empresas,  a  ALVARCO  responderá  solidariamente  pelos  créditos  tributários da FIRE, com base no art. 124, I do CTN.  Os  valores  declarados  nas  obrigações  acessórios  foram  muito  aquém  àqueles  reais,  ensejando,  conforme  conclusão  da  autoridade fiscal, a aplicação da multa de 150%:  Ao  declarar  em  DCTF  tributos  com  valores  muito  inferiores  daqueles  que  o  próprio  sujeito  passivo  apurou  em  sua  contabilidade,  fica  claro  para  a  Fiscalização  que  os  sócios  administradores  da  FIRE,  agindo  em  conluio  (art.  73  da  Lei  4.502/64), procuraram impedir ou retardar o conhecimento por  parte  da  autoridade  fazendária  do  montante  real  dos  tributos  devidos (art. 71 da Lei 4.502/64). Por isso, a multa aplicada será  de 150% (cento e cinquenta por cento), em consonância ao art.  44,  II  da  Lei  9.430/96  (para  fatos  geradores  ocorridos  até  21/01/2007) e art. 44, I e §1° da Lei 9.430/96, na redação dada  pela  Medida  Provisória  n°  351/07  (convertida  na  Lei  11.488/2007),  para  os  fatos  geradores  ocorridos  a  partir  de  22/01/2007.  Além  disso,  os  administradores  foram  incluídos  na  responsabilidade solidária:  Ao  declarar  nas  DCTF  Semestrais,  transmitidas  à  Receita  Federal em 04/10/2006, 09/04/2007 e 05/10/2007, contendo o 1o  semestre  de  2006,  2°  semestre  de  2006  e  1o  semestre  de  2007  respectivamente,  com  valores  muito  inferiores  dos  tributos  devidos  pela  FIRE  em  relação  ao  que  o  próprio  contribuinte  reconhecia  como  devidos  em  sua  contabilidade,  como  já  demonstrado,  impedindo  ou  retardando  o  conhecimento  por  parte  da  autoridade  fazendária  do montante  real  dos  tributos  devidos,  incorreram os  administradores  da FIRE em  infração  de Lei, a obrigação de informar encontrava­se previsto na Lei n°  9.779/99 (art. 16), e disposto, à época dos fatos geradores, nas  Instruções Normativas SRF n° 583/2005 (art. 4o), e n° 695/2006  (art. 4o). Ressalte­se que tal conduta implicou na qualificação  da  multa  de  ofício  (150%)  e  na  representação  ao  Ministério  Fl. 1335DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 13888.724476/2011­12  Acórdão n.º 3302­003.107  S3­C3T2  Fl. 1.334          5 Público  Federal  pela  ocorrência,  em  tese,  de  crime  contra  a  Ordem Tributária.  Assim,  com  fulcro  no  art.  135,  III  do  CTN,  responderão  solidariamente  pelos  créditos  tributários  lançados  nesta  ação  fiscal,  os  sócios­administradores  da  FIRE,  os  srs.  Clóvis  Penteado  de  Castro  (CPF  665.064.418­87)  e  Mário  César  Mendes (CPF 160.979.639­04).  Inconformada,  a  autuada  apresentou  a  impugnação  de  fls.1217/1254, na qual argumenta:  I ­ Da Ausência dos Pressupostos para Validar a Cobrança dos  Créditos  Apurados  Inicia  combatendo  a  apuração  da  base  de  cálculo:  O  Auto  de  Infração  lavrado  pela  fiscalização,  se  baseou  em  hipóteses,  não  prevalecendo  a  cobrança  de  qualquer  cobrança  sem  comprovação  da  efetiva  base  de  cálculo,  tanto  é  que  a  fiscalização  não  logrou  êxito  em  demonstrar  quais  foram  as  diferenças  apuradas  em  comparação  com  o  declarado  pela  Impugnante  na  DCTF  (Declaração  de  Débitos  e  Créditos  Tributários Federais), tanto para apuração do PIS como para a  COFINS.  Entende  que  “somente  a  análise  dos  livros  fiscais  não  podem  ensejar  a  autuação,  posto  que  o  conceito  de  faturamento  vai  muito mais longe, assim temos que o faturamento e a receita são  realidades distintas, tendo somente um núcleo em comum.”  E continua:  A  receita  possui  espectro  mais  amplo,  abarcando  todas  as  entradas  que  importem  em  aumento  do  patrimônio  da  pessoa  jurídica; o faturamento, a seu turno, adstringe­se à denominada  receita bruta operacional, é dizer, àqueles ingressos oriundos da  realização  do  objeto  social  da  empresa,  assim,  vimos  que  na  autuação,  à  fiscalização  procedeu  a  lavratura  do  AIIM  para  cobrança  do  PIS/COFINS  sobre  a  totalidade  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica  (receita  bruta),  e  a  própria  Lei  9.718/98 foi declarada inconstitucional pelo próprio STF.  Afirma que valores de terceiros foram tributados:  Sem  contar  ainda,  que  houve  tributação  pela  fiscalização  das  receitas de terceiros e podemos asseverar que não é admissível a  incidência  do  PIS/Cofins  sobre  os  ingressos  que  serão  repassados  a  outras  pessoas  jurídicas,  portanto,  a  Base  de  Cálculo apurada pela fiscalização para apuração do PIS/PASEP  e COFINS é totalmente inviável.  Tece  comentários  sobre  o  lançamento  do  crédito  tributários  e  afirma  que  “não  houve  a  comprovação  pela  fiscalização  da  hipótese de incidência do tributo, mediante a ocorrência do fato  gerador definido no artigo 114 do Código Tributário Nacional.”.  Fl. 1336DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR     6 Combate  o  entendimento  do  Auditor­fiscal  sobre  a  responsabilidade solidária:  Outrossim,  a  imposição  de  responsabilidade  solidária  pela  fiscalização à empresa ALVARCO é totalmente descabida, posto  que  são  pessoas  jurídicas  distintas,  com  endereço  diferentes,  ramo  de  atividade  diverso,  sócios  etc,  além  do  que  não  houve  qualquer  intimação  da  empresa  ALVARCO  para  responder  os  termos da  fiscalização e prestar  esta última os  esclarecimentos  necessários.  II – Da Multa  Argumenta que a multa de 150% é confiscatória e que “não há  justificativa plausível para ensejar tal penalidade”, além de citar  jurisprudência  que  implicam  o  entendimento  de  ilegalidade  e  inconstitucionalidade.  Também,  afirma  que  “no  mais,  temos  que  não  restou  configurada  qualquer  conduta  infracional  de  omissão  de  prestação de informações à fiscalização” e ainda que:  Portanto,  há  de  se  esclarecer  que  a  simples  constatação  de  conduta  omissiva  por  parte  do  contribuinte  ou  qualquer  outro  detalhe  de  dados  solicitado  pela  fiscalização  não  é  condição  suficiente  para  qualificar  a  multa,  pois,  se  assim  não  fosse,  o  legislador  não  teria  restringido,  no  dispositivo  em  que  essa  circunstância está prevista, sua aplicação aos casos de "evidente  intuito de fraude".  A  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  sintetizou,  na  ementa a seguir transcrita , a decisão proferida.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS   Período de apuração: 31/01/2006 a 31/03/2007   FALTA DE RECOLHIMENTO.  A falta ou insuficiência de recolhimento das contribuições para a  Cofins, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de  ofício com os devidos acréscimos legais.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP   Período de apuração: 31/01/2006 a 31/03/2007   FALTA DE RECOLHIMENTO.  A falta ou insuficiência de recolhimento das contribuições para o  PIS,  apurada  em  procedimento  fiscal,  enseja  o  lançamento  de  ofício com os devidos acréscimos legais.  ASSUNTO:  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 31/01/2006 a 31/03/2007 ARGUIÇÃO DE  INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA.  A  argüição  de  inconstitucionalidade  não  pode  ser  oponível  na  esfera  administrativa,  por  transbordar  os  limites  de  sua  Fl. 1337DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 13888.724476/2011­12  Acórdão n.º 3302­003.107  S3­C3T2  Fl. 1.335          7 competência  o  julgamento  da  matéria,  do  ponto  de  vista  constitucional.  MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO.  A vedação ao confisco pela Constituição Federal  é dirigida ao  legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar  a multa nos moldes da legislação que a instituiu.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Período  de  apuração:  31/01/2006  a  31/03/2007  MULTA  AGRAVADA.  A  existência  de  informações  falsas  nos  DACON  impõe  a  incidência de multa agravada.  Assim,  inconformada  com  a  decisão  de  primeira  instância,  a  empresa  após  ciência em 07/05/2013, conforme AR de fl. 1286, apresenta tempestivamente em 06/06/2013,  fl. 1.288 Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ­ CARF.   Após a  recomposição  fática da  situação,  reitera  argumentos  já apresentados  na fase impugnatória acrescentando ainda:  Inexistência de preclusão processual  ­  questiona  a  preliminar  do Acórdão/DRJ  por  não  acatar  a  impugnação  da  FIRE com relação à solidariedade da ALVARCO.   Inexistência de solidariedade  ­ afirma que a empresa Recorrida não se encaixa em nenhuma das hipóteses  constantes da legislação, pois se trata de empresa autônoma, distinta da autuada, com sede em  outro endereço e explorando ramo de atividade diverso, desse modo não há amparo legal para  inclusão da empresa Recorrente,  tampouco sua manutenção como co­responsável pelo débito  tributário  da  empresa  FIRE  COMÉRCIO  DE  FERROS  FUNDIDOS  E  SERVIÇOS  DE  USINAGEM LTDA, ora Recorrente; em contrário;  ­  não  há  violação  ao  1artigo  48  do  Código  de  Processo  Civil  ­  CPC,  nem  mesmo ausência de legitimidade para se pleitear a exclusão do co­responsável, uma vez que tal  artigo é claro a ressalvar a disposição em contrário;  ­ nesse sentido o 2artigo 509 do CPC ao estabelecer que o recurso interposto  por um litisconsorte aproveitará a  todos,  integra a previsão em contrário contida no artigo 48  do referido código;  ­ conforme entendimento pacificado do Colendo Conselho Administrativo de  Recursos  Fiscais  ­  CARF,  deve  haver  interesse  jurídico  e  não  econômico  vinculado  pela  atuação comum ou conjunta da situação que constituí o fato imponível. Em momento algum há                                                              1  Art.  48.  Salvo  disposição  em  contrário,  os  litisconsortes  serão  considerados,  em  suas  relações  com  a  parte  adversa, como litigantes distintos; os atos e as omissões de um não prejudicarão nem beneficiarão os outros.  2 Art. 509. O recurso interposto por um dos litisconsortes a todos aproveita, salvo se distintos ou opostos os seus  interesses.  Fl. 1338DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR     8 qualquer  interesse  da  Recorrente  na  atuação  da  empresa  autuada,  e  sequer  houve  qualquer  participação desta nos atos e ações da Empresa FIRE COMÉRCIO DE FERROS FUNDIDOS  E SERVIÇOS DE USINAGEM LTDA;  ­ sequer  foi demonstrado o  interesse  jurídico, assim não há que se  falar em  sujeição  passiva  solidária  no  presente  caso,  devendo  a  empresa  Recorrente  INDÚSTRIAS  MECÂNICAS  ALVARCO  LTDA,  ser  excluída  do  pólo  passivo  em  consonância  com  a  jurisprudência pacífica desse Colendo Conselho;  ­ cita respeitável jurisprudência administrativa  Da afronta ao lançamento de ofício  ­  o  Acórdão/DRJ  comete  outro  erro  ao  ratificar  o  entendimento  da  fiscalização que autuou sem os documentos necessários para comprovar a verdade material;  ­ o fiscal se esforça para afirmar que está correto o lançamento, que nem ele  tem certeza que está, pois reconhecidamente não obteve as notas fiscais da Recorrente;  ­  a  Recorrente  arquiva  suas  notas  fiscais  em  arquivos  especializados,  não  sendo  possível  a  apresentação  de  imediato  e  após  a  apresentação  da  impugnação  não  foi  intimada novamente para apresentação de novos documentos;  ­ assim, à sua maneira e sem qualquer fundamento legal, o fiscal procedeu ao  lançamento  de  ofício  sem  verificar  efetivamente  o  fato  gerador  e  a  base  de  cálculo  das  contribuições PIS/COFINS;  ­  essa  postura  resultou  em  uma  tributação  patológica,  tributando  receitas  outras,  como  receitas  de  mero  repasse  de  valores  para  outras  pessoas  jurídicas,  que  não  constitui os conceitos de receita ou faturamento, previstos no art. 195,  I,  "b" da Constituição  Federal;  ­  o  artigo  142  do  Código  Tributário  Nacional­  CTN  dispõe  sobre  o  lançamento,  como ato vinculado e no presente caso o  lançamento  foi  efetuado ao  arrepio de  suas disposições, notadamente quanto à demonstração da ocorrência do fato gerador;  ­  o  lançamento  tributário  não  pode  ser  efetuado  por  um mero  confronto  de  informações dos livros, DCTF e DACON, pois nesse caso a tributação buscou as notas fiscais  para  averiguar  o  que  era  efetivamente  faturamento  e  a  receita  tributável;  ­o  fiscal  tributou  indistintamente  os  valores  constantes  na  DCTF  e  DACON,  acrescendo  diferenças  que  ele  entendeu serem devidas, sem ao menos ter lastro documental;  ­ já o artigo 149 do CTN destaca as possibilidades de lançamento de ofício,  não se enquadrando em nenhuma de suas previsões o lançamento por suposição e estimativa;  ­ o artigo 148 do CTN autoriza ao agente público em processo regular arbitrar  o  valor/preço  do  produto  ou  serviço,  no  entanto  no  presente  caso  o  agente  fiscal  supôs  a  ocorrência do fato gerador e estimou um valor o qual deveria  recair a  tributação do PIs e da  COFINS;  ­ ao  contrário do entendimento da 4ª Turma da DRJ/RPO, não se buscou a  verdade material alguma. Só se estimou uma suposta verdade com base em elementos que não  representam o valor efetivo a ser  tributado. Fato é que tributou valores de repasses de outras  pessoas jurídicas/prestadoras de serviço, que não integram os conceitos de receita/faturamento,  Fl. 1339DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 13888.724476/2011­12  Acórdão n.º 3302­003.107  S3­C3T2  Fl. 1.336          9 pois  não  integram  o  patrimônio  da  pessoa  jurídica  autuada,  nem  ao  menos  servem  para  atividade fim;  ­  pugna a Recorrente  que  o CARF analise novamente  todos  os  argumentos  levantados  no  presente  recurso  voluntário,  ratificando  também  todos  os  argumentos  já  pugnados em sede de impugnação, os quais foram ignorados pela 4ª Turma da DRJ/RPO, em  respeito  aos  princípios  da  ampla  defesa,  contraditório  e  devido  processo  legal,  previstos  no  artigo 5º, incisos LIV e LV da Constituição Federal;  Do erro na aplicação penalidade de 150%  ­  após  procedimento  duvidoso  de  lançamento  o  agente  fiscal  aplicou  a  penalidade de 150%, prevista no 3artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, porém a redação do artigo  44 surgiu com a edição da Lei nº 11.488, de 2007, ou seja, a alteração da multa de 150% para  75% começou a viger a partir de 15/06/2007, data anterior a autuação ora vergastada;  ­  o  percentual  de  150%  é  completamente  desarrazoado  e  desproporcional  resultando em esbulho tributário confiscatório;  ­  subsidiariamente,  caso  seja  mantida  a  autuação  então  impugnada,  requer  que a multa de 150%, seja reduzida em atenção aos princípios constitucionais da razoabilidade,  proporcionalidade e não confisco e aplicação do artigo 112 e incisos II e IV do CTN;  ­ cita respeitável doutrina e jurisprudência;                                                              3 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004)  (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)   I ­ de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de  falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de  2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)   II ­ de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela  Lei nº 11.488, de 2007)   a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não  tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº  11.488, de 2007)   b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base  de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano­calendário correspondente, no caso de  pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)   § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos  arts.  71,  72  e  73  da  Lei  no  4.502,  de  30  de  novembro  de  1964,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)   I ­ (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)   II ­ (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)   III ­ (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)   IV ­ (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)   V ­ (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)   § 2o Os percentuais de multa a que se  referem o  inciso  I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de  metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada  pela Lei nº 11.488, de 2007)   I ­ prestar esclarecimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)   II ­ apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991;  (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)   III  ­  apresentar a documentação  técnica de que  trata o art. 38 desta Lei.  (Redação dada pela Lei nº 11.488, de  2007)    Fl. 1340DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR     10 Da perícia e a primazia do princípio do contraditório  ­ ainda que se ignore todos os argumentos anteriormente pugnados, o que se  admite apenas a título argumentativo, é necessário que seja efetuada a revisão fiscal conforme  prevê o artigo 149 do CTN;  ­  tendo em vista  a necessidade de  recálculo do  tributo declarado,  lançado e  recolhido,  mister  se  faz  a  necessidade  de  perícia  contábil,  bem  como  eventual  juntada  de  documentos  fiscais  adicionais,  fazendo­se  necessário  a  anulação  do  acórdão  ora  vergastado,  remetendo­se os autos para a fiscalização da própria Delegacia da Receita Federal;  ­ a perícia torna­se necessária diante da divergência entre valores declarados,  recolhidos e autuados e em homenagem a primazia dos princípios da  legalidade, moralidade,  ampla defesa, contraditório e devido processo legal, torna­se imperativo que seja a requerente  intimada para indicar assistente técnico, sob pena de cerceamento de defesa;  ­ protesta assim pela produção de todas as provas em direito admitidas;  ­  por  fim  requer  que  todas  as  intimações  sejam  feitas  em  nome  de  NA  PAULA  SIQUEIRA  LAZZARESCHI  DE  MESQUITA,  OAB/SP  nº  180.369,  para  que  a  mesma seja intimada de todos os atos e decisões dos autos, no endereço sito à Alameda Santos,  nº 1.800, 8º andar, conjunto, 1067, São Paulo, Capital.  Esclarece do despacho de fl.1216:  ...  a Fire  foi  cientificada dos Autos  de  Infração em 12/12/2011  (fls. 1.198).  O  sujeito  passivo  solidário  Indústrias Mecânicas Alvarco Ltda,  CNPJ  54.365.416/000132,  foi  cientificado  por  via  postal  dos  Autos de Infração em 13/12/2011 (fls. 1.201).  Para  o  sujeito  passivo  solidário  Mário  César  Mendes,  CPF  160.979.63904, foi afixado o edital nas dependências do Órgão,  considerando­se cientificado em 29/12/2011 (fls. 1.206).  Para o sujeito passivo solidário Clóvis Penteado de Castro, CPF  665.064.41887, foi afixado o edital nas dependências do Órgão,  considerando­se cientificado em 10/01/2012 (fls. 1.210).  Os  sujeitos  passivos  Mário  César  Mendes  e  Clóvis  Penteado  de  Castro,  integrem o pólo passivo da autuação conforme Termos de Sujeição Passiva de fls.1.202/1.210 e  embora regularmente intimados não apresentaram impugnação.  O  sujeito  passivo  INDÚSTRIA MECÂNICA ALVARCO  LTDA  integra  o  pólo  passivo  da  autuação  conforme Termo  de  Sujeição  Passiva  de  fls.1.199/1.201  e  embora  regularmente intimado não apresentou impugnação.  É o relatório.  Voto             Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora:  Fl. 1341DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 13888.724476/2011­12  Acórdão n.º 3302­003.107  S3­C3T2  Fl. 1.337          11   Dos requisitos de admissibilidade  O Recurso Voluntário  é  tempestivo,  trata  de matéria  da  competência  deste  Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido.    Da Preclusão da Instância Administrativa   Ressalte­se  que  embora  haja  pluralidade  de  sujeitos  passivos,  conforme  os  respectivos termos de sujeição passiva, fls.1201, 1202 e 1209, com ciência individualizada para  cada  sujeito  passivo,  somente  a  empresa  já  identificada,  FIRE  COMÉRCIO  DE  FERROS  FUNDIDOS  E  SERVIÇOS  DE  USINAGEM  LTDA,  apresentou  impugnação  ao  auto  de  infração.  Argui porém a Recorrente no início da peça recursal a inexistência de vínculo  de responsabilidade da Indústrias Mecânicas Alvarco Ltda, pleiteando inclusive o afastamento  do polo passivo da referida empresa. Invoca os artigos 48 e 509 do Código de Processo Civil ­  CPC para corroborar seu entendimento quanto ao direito de exercer  a  litigância em  lugar do  sujeito passivo solidário.   É  inequívo  no  direito  pátrio  que  a  matriz  normativa  processual  reside  nas  normas  do Código  de  Porocesso Civil  ­ CPC,  no  entanto,  também  integram  o  ordenamento  jurídico brasileiro as normas processuais específicas, como é o caso da lei que rege o processo  administrativo  no  âmbito  da  Administração  Pública  Federal  e  o  Processo  Administrativo  Fiscal, regulado pelo Decreto nº 70.235, de 1972, inexistindo nesse caso antinomia normativa,  mas uma convivência harmônica entre normas gerais e específicas, resolvendo­se essa aparente  antinomia pelo princípio da especificade.  No caso em exame prevê o Decreto nº 70.235, de 1972:  Art.  10.  O  auto  de  infração  será  lavrado  por  servidor  competente,  no  local  da  verificação  da  falta,  e  conterá  obrigatoriamente:  I–a qualificação do autuado;  II–o local, a data e a hora da lavratura;  (...)  Art. 16. A impugnação mencionará:  I–a autoridade julgadora a quem é dirigida;  II, –a qualificação do impugnante;  Assim para fins de litigância no âmbito do Processo Administrativo Fiscal ­  PAF, exsitindo autuação com pluralidade de sujeitos passivos,  todos os autuados deverão ser  cientificados  do  auto  de  infração,  com  abertura  de  prazo  para  que  cada  um  deles  apresente  impugnação  e  salvo  quando  haja  expresso  poderes  de  representação  para  apresentação  de  Fl. 1342DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR     12 impugnação  conjunta,  o  que  não  é  o  caso  dos  autos  a  impugnação  apresenta­se  de  forma  conjunta.   Com efeito, observa­se que a peça impugnatória não foi apresentada de forma  conjunta  com a  empresa  Indústrias Mecânicas Alvarco Ltda,  arrolada no Termo de Sujeição  Passiva  de  fl.  1.199,  tampouco  há  instrsumento  procuratório  da  referida  empresa  conferindo  poderes  de  representação  processeual  à  empresa  ora  Recorrente,  logo  não  assiste  razão  à  Recorrente  em  pleitear  direito  de  outrem,  que  embora  regulamente  intimado,  declinou  do  direito de apresentar a peça processual que instaura o litígio na via admnistrativa.   Da inexistência de nulidade  Afirma  a  Recorrente  que  reitera  os  argumentos  já  aduzidos  na  peça  impugnatória,  visto  que  foram  ignorados  pela  4ª  Turma  da  DRJ/RPO,  em  respeito  aos  princípios da ampla defesa, contraditório e devido processo legal, previstos no artigo 5º, incisos  LIV e LV da Constituição Federal.  Da  leitura  da  decisão  de  piso  constata­se  que  além  de  proferida  por  autoridade competente, os argumentos trazidos em sede impugnatória foram minudentemente  analisados,  com  fundamentação  pertinente  à matéria  apreciada,  bem  como  com  a  citação  da  legislação  de  regência,  além  da  demonstração  da  situação  do  crédito  tributário  em  lide,  por  período e tributo objetos da autuação.   Assim a r.  turma julgadora demonstrou fundamentadamente a motivação de  sua  decisão  respaldada  ainda  no  suporte  probatório  do  caderno  processual,  que  entendeu  suficiente para a cognição da situação fática, exercendo assim a prerrogativa da livre convicção  motivada na apreciação das provas dos autos, conforme lhe assegura o  4art. 29 do Decreto nº  70.235, de 1972.  Ante  as  considerações  acima não  se vislumbra qualquer mácula na  referida  decisão,  que  enseje  a  declaração  de  nulidade,  visto  que  além  da  observância  da  norma  processual  específica,  Decreto  nº  70.235,  de  1972,  as  normas  emanadas  dos  princípios  constitucionais invocados foram plenamente asseguradas, de modo que rejeito a preliminar de  nulidade suscitada pela ora Recorrente em seu Recurso Voluntário.  Do pedido para juntada posterior de provas  Protesta o Recorrente pela posterior  juntada de novos documentos e provas  que se fizerem necessárias ao deslinde do feito.  A  juntada  posterior  ao  momento  impugnatório,  de  provas  ao  processo  somente encontra amparo se comprovadas às condições impostas no § 4º do art. 16 do Decreto  nº 70.235/72, abaixo transcrito:   §  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que:  a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna, por motivo de força maior;  b) refira­se a fato ou a direito superveniente;                                                              4 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar  as diligências que entender necessárias.  Fl. 1343DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 13888.724476/2011­12  Acórdão n.º 3302­003.107  S3­C3T2  Fl. 1.338          13 c) destine­se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas  aos autos.  Observe­se  que  até  o  momento  não  houve  a  solicitação  de  juntada  de  documentos ao processo conforme será pertinentemente abordado na parte meritória.  Pedido de Perícia não­formulado x prescindibilidade  A  contribuinte  requer  a  realização  de  perícia  contábil  arguindo  que  o  seu  indeferimento cercearia seu direito de defesa.   É oportuno destacar quanto  ao pedido de perícia que  a Recorrente  além de  não formular os quesitos referentes aos exames pretendidos, nos termos do inciso 5IV do artigo  16 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993,  deixou  de  atender  também  às  demais  exigências  expressas  no  referido  inciso,  quanto  à  solicitação de perícia; tal omissão é suficiente para que se considere não formulado o pedido,  conforme respalda a disposição do artigo 16, IV, do diploma acima referido.  Ad argumentandum tantum, saliente­se que além dos requisitos previstos no  art.  16,  supra,  deve  ser  analisado  se  o  pedido  de  realização  de  perícias  é  considerado  imprescindível  à  tomada  de decisão  para  julgamento  da  lide,  de  acordo  com  o  que dispõe o  artigo 18 do mesmo diploma legal, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993:   “Art.  18  –  A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  determinará,  de  ofício  ou  a  requerimento  do  impugnante,  a  realização  de  diligências  ou  perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo  as  que  considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis, observado o disposto no art. 28, ‘in fine’.”  Nesse  mister,  é  importante  ressalvar  que  o  deferimento  de  um  pedido  de  diligência ou perícia, pressupõe a necessidade de  se conhecer determinada matéria ou  colher  determinada prova, que o exame dos autos não seja suficiente para dirimir a dúvida, ou ainda  que se faça premente uma análise que exija conhecimentos técnicos específicos, o que não é o  caso dos autos, como restará demonstrada na análise de mérito.  Logo, na espécie em análise, constata­se que além do Recorrente não cumprir  os  requisitos  legais  ao  solicitar  a  realização  de  perícia,  o  exame  dos  autos  demonstra  ser  prescindível  a  realização  de  perícia  ou mesmo  de  uma  diligência,  em  face  da  existência  de  provas  que  permitem  ao  julgador  a  cognição  dos  fatos  que motivaram o  presente  feito,  bem  como  da  clareza  do  tipo  legal  que  rege  a  espécie  dos  autos,  tal  como  se  verifica  na  parte  meritória da presente peça, motivo pelo qual ainda que houvesse o cumprimento dos requisitos  previstos  no  art.  16  acima  destacado  o  pedido  de  perícia/diligência  dever  ser  indeferido  nos  termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972.                                                              5 O art. 16 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93, assim se pronuncia:  "Art. 16. A impugnação mencionará:  ................................................................  IV  ­  as  diligências,  ou  perícias  que  o  impugnante  pretenda  sejam  efetuadas,  expostos  os  motivos  que  as  justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o  nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.(redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93).  §  1º  Considerar­se­á  não  formulado  o  pedido  de  diligência  ou  perícia  que  deixar  de  atender  aos  requisitos  previstos no inciso IV do art. 16.” (introduzido pelo art.1º da Lei nº 8.748/93). (grifei).    Fl. 1344DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR     14 Logo,  diante  dos  argumentos  expostos  e  em  face  da  tipicidade  presente  na  espécie  dos  autos,  resta  superada  a  questão  relativa  à  perícia  ou  diligência,  diante  dos  fundamentos apresentados, com esteio nos artigos 16, IV, § 1º; 18 e 28 do Decreto nº 70.235,  de 1972, com a redação que lhes foi dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993.  MÉRITO    Conforme argumentos veiculados na peça recursal, constata­se que a questão  meritória  pode  ser  sintetizada  no  seguinte  trecho  :  "...assim,  à  sua maneira  e  sem  qualquer  fundamento legal, o fiscal procedeu ao lançamento de ofício sem verificar efetivamente o fato  gerador e a base de cálculo das contribuições PIS/COFINS".  Como decorrência do argumento principal suscita o Recorrente que o auto de  infração foi feito ao arrepio do artigo 142 do CTN, sem provas, tributando outras receitas e  que o agente fiscal não tinha certeza do lançamento que efetuara.  Compulsando os autos, observa­se que o Termo de Informação Fiscal, de fls.  1.170/1.179,  peça  processual  integrante  dos  Autos  de  Infração  de  PIS  e  COFINS,  fls.  1.180/1.187  e  1.186/1.196  é  explícito  quanto  à  legislação  aplicável  e minudente  quanto  aos  fatos detectados.  Acrescente­se  que  além  da  descrição  minudente,  há  uma  farta  instrução  probatória acostada pela fiscalização, conforme fls.29 a 1.169, citadas a título exemplificativo  [DIPJ/2008,  Demonstração  de  Resultado  de  2006  e  2007,  Livros  de  Saída  ­2006  e  2007  (matriz)/ 2007 (filial), DACON 2006 e 2007 (meses 01/03), Razão PIS e COFINS a recuperar  (matriz),  DCTF  (1º  e  2º  semestres  2006  e  1º  semestre/2007),  Contrato  de  Arrendamento,  Distrato de Contrato de Arrendamento, Razão Arrendamento ALVARCO 2006 e 2007, Razão  Duplicatas a Receber da ALVARCO, Razão com a baixa do ativo imobilizado da FIRE, entre  outras.].  Da análise do Termo de Informação Fiscal, de fls. 1.170/1.179 no qual estão  indicadas as provas que dão suporte ao lançamento verifica­se que:  a)  em  atendimento  ao  Termo  de  Início  do  Procedimento  Fiscal  a  empresa  autuada disponibilizou à fiscalização os livros Diário, Razão de Entradas e Saídas dos anos de  2006 e 2007 do estabelecimento matriz (situado em Piracicaba/SP ) e de 2006 da filial (Rio das  Pedras/SP)  e  justificou  a  não  apresentação  dos  extratos  bancários  de  2006  por  não  encontrá­los;  b)  embora  intimada  e  reintimada,  conforme  fls.08/26  a  FIRE  deixou  de  apresentar:   b.1  ­  as  notas  fiscais  de  vendas  de  autopeças  para  atacadistas,  varejistas  e  consumidores, cujos produtos estavam sujeitos a alíquotas diferenciadas do PIS e da COFINS  e,  por  isso,  a Fiscalização considerou  como bases de  cálculo  sujeitas  à  alíquota diferenciada  aquelas  declaradas  nos  respectivos  Demonstrativos  de  Apuração  de  Contribuições  Sociais  (DACON) transmitidos à Receita Federal;  b.2 ­ a contabilidade em meio digital dos anos de 2006 e 2007.  c) a exigência  formalizada nos autos de infração  já destacados,  tanto para a  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  COFINS,  apuradas  pelo  regime  não­cumulativo  Fl. 1345DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 13888.724476/2011­12  Acórdão n.º 3302­003.107  S3­C3T2  Fl. 1.339          15 correspondem  à  diferença  entre  o  apurado  pela  Fiscalização  com  o  declarado  pelo  sujeito  passivo na DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais);  d)  o  faturamento  mensal  da  FIRE,  que  constitui  o  fato  gerador  da  Contribuição para o PIS/PASEP foi apurado, para o estabelecimento matriz, nos livros Registro  de Saídas de 2006 e 2007, enquanto que para a filial, em 2006 no livro Registro de Saídas e  para  2007,  nas  contas  contábeis  3110100007  (venda  de  produtos  no  mercado  interno)  e  3110300008 (prestação de serviços no mercado interno). O Livro Registro de Saídas de 2007  da matriz, embora desencadernado e sem assinatura nos Termos de Abertura e Encerramento,  foi  aceito  pela  Fiscalização,  pois  seus  valores  encontram­se  devidamente  escriturados  na  conta contábil 3.1.0.10.101 Venda de produtos no Mercado Interno;  e)  a  apuração  do  PIS/PASEP  a  lançar  de  ofício  foi  demonstrado  no  citado  termo no quadro a seguir reproduzido.     Esclarece  a  fiscalização  que  com  relação  aos  créditos  a  descontar  da  contribuição apurada nos termos do art. 3º da Lei 10.837, de 2002 entre 01/2006 a 06/2006, o  total  declarado  nos DACON é  o  somatório  do  escriturado  nas  contas  contábeis  1.1.0.30.510  PIS  a  recuperar  (Matriz)  e  1.1.3.03.0009.5  PIS  a  recuperar  (filial  0003).  No  entanto,  entre  07/2006  a  03/2007 o  valor dos  créditos  demonstrados  nos DACON é muito  inferior  àqueles  escriturados contabilmente. Assim, a Fiscalização, verificando que as bases para o cálculo do  crédito que melhor refletiam a atividade da empresa eram aquelas constantes da contabilidade,  aceitou os créditos escriturados nas contas de PIS a recuperar (matriz e filial) para descontar da  contribuição apurada (demonstrados na coluna CRÉDITO CONTÁBIL).   f)  a  apuração  da  COFINS  a  lançar  de  ofício  foi  demonstrada  em  quadro  específico no citado termo.    O faturamento mensal, que constitui o fato gerador da COFINS, e as bases  de cálculo com alíquotas normal e diferenciada foram apurados como já descrito no cálculo da  contribuição para o PIS/PASEP e demonstrado no primeiro quadro.  Esclarece  a  fiscalização  que  com  relação  aos  créditos  a  descontar  da  contribuição apurada nos termos do art. 3º da Lei 10.833, de 2003 entre 01/2006 a 06/2006, o  total  declarado  nos DACON é  o  somatório  do  escriturado  nas  contas  contábeis  1.1.0.30.501  COFINS a recuperar (Matriz) e 1.1.3.03.0000.9 COFINS a recuperar (filial 0003). No entanto,  Fl. 1346DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR     16 entre  07/2006  a  03/2007  o  valor  dos  créditos  demonstrados  nos  DACON  é  muito  inferior  àqueles  escriturados  contabilmente.  Assim,  a  Fiscalização,  verificando  que  as  bases  para  o  cálculo  do  crédito  que melhor  refletiam  a  atividade  da  empresa  eram  aquelas  constantes  da  contabilidade,  aceitou  os  créditos  escriturados  nas  contas  de COFINS  a  recuperar  (matriz  e  filial)  para  descontar  da  contribuição  apurada  (demonstrados  na  coluna  CRÉDITO  CONTÁBIL).      Cabe  ainda  destacar  trechos  da  fundamentação  da  decisão  de  piso  pela  relevância na análise ora expendida, conforme excertos a seguir transcritos:(grifei).  Nos  livros  citados não há contabilização de “outras  receitas”,  como  afirma  a  impugnante,  mas  sim,  a  escrituração  da  movimentação dos produtos da atividade fim da empresa.   A impugnante argumenta que houve tributação pela fiscalização  das  receitas  de  terceiros  e  podemos  asseverar  que  não  é  admissível  a  incidência  do  PIS/Cofins  sobre  os  ingressos  que  serão repassados a outras pessoas jurídicas, portanto, a Base de  Cálculo apurada pela fiscalização para apuração do PIS/PASEP  e COFINS é totalmente inviável.  Tal fato não ocorreu. No Termo de Informação Fiscal, fls. 1173  e  1174,  é  possível  identificar  no  demonstrativo  elaborado  pela  fiscalização a origem da base de cálculo  tributável. Os valores  são oriundos da matriz e da filial.  Das  considerações  e  demonstrações  acima,  embora  exemplificativas  da  situação fática arrolada na autuação, infere­se que os fundamentos da autuação, consignados no  já citado Termo de Informação Fiscal, de fls. 1.170/1.179, expõem com precisão a motivação  da  exigência  tributária,  inclusive quanto  à  sujeição passiva plural  do presente processo, bem  como quanto ao suporte fático que ensejou a exigência que ora se discute.   Assim, os Autos de Infração objeto do presente processo estão formalizados  com observância das normas legais, tanto do ponto de vista material e processual, cumprindo  Fl. 1347DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 13888.724476/2011­12  Acórdão n.º 3302­003.107  S3­C3T2  Fl. 1.340          17 portanto  a  fiscalização  o  seu mister  visto  que  atendeu  às  disposições  do  artigos  69º  e  10  do  Decreto nº 70.235, de1972 e os requisitos do 7artigo 142 do CTN.  Vale destacar que o conjunto probatório que dá suporte à ação fiscal deve ser  cotejado com as  razões  e provas  trazidos pela  impugnante. Com efeito,  ressalta a decisão de  piso  que  "... Na  sua  impugnação,  limitou­se  a  apresentar  os  seguintes  anexos:  DOC  01  –  Cópia  do  Auto  de  Infração  DOC.  02  Procuração;  DOC.  03  ­  Documentos  constitutivos  (contrato social); DOC. 04 – Cópia de documento da OAB"].   Verifica­se  assim  que  no  presente  caso  a  defesa  além  de  não  atender  as  prescrições  do  inciso  III  do  artigo  16  do  Decreto  nº  70.235,  de  1972  que  estabelece  que  a  impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de  discordância e as razões e provas que possuir], tampouco se utilizou da faculdade prevista no  § 4º do art. 16 do mesmo diploma legal, acrescido pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 1997, que  permite ao impugnante apresentar provas documentais em outro momento processual, quando  demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior,  ou quando se refira a fato ou a direito superveniente ou, ainda, se destine a contrapor fatos ou  razões  posteriormente  trazidos  aos  autos,  o  que  não  ocorreu,  sendo  portando  incabível  a  arguição  na  peça  recursal  de  que  [  após  a  apresentação  da  impugnação  não  foi  intimada  novamente  para  apresentação  de  novos  documentos],  haja  vista  que  a  decisão  de  piso,  conforme  já  enfatizado  ao  demonstrar  fundamentadamente  a  motivação  de  sua  decisão,  respaldou­se  no  suporte  probatório  do  caderno  processual,  que  entendeu  suficiente  para  o  julgamento da lide, conforme lhe assegura o art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972.  Embora o já destacado Decreto nº 70.235, de 1972 disponha no § 6.º do art.  16 que  [Caso  já  tenha  sido proferida a decisão, os documentos apresentados  permanecerão  nos  autos  para,  se  for  interposto  recurso,  serem  apreciados  pela  autoridade  julgadora  de  segunda  instância.],  não  se  constata  nos  autos  documentos  apresentados  pela  Recorrente  a  serem apreciados por essa colenda turma recursal.  Ressalve­se  que  o  sistema  de  apreciação  das  provas  adotado  no  processo  administrativo fiscal, consubstanciado no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972 é o sistema de  valoração  adotado  pelo  sistema processual  brasileiro  que  é o  da  persuasão  racional,  também  conhecido pelo princípio do livre convencimento motivado. Como pontua 8Daniel Amorim, em  consequência  do  livre  convencimento  motivado  o  julgador  é  livre  para  formar  seu  convencimento, dando portanto às provas o peso que entender cabível em cada processo, sem  existir hierarquia entre os meios de prova.  Assim restando demonstrado que a Recorrente permaneceu silente quando da  oportunidade processual de trazer a prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da                                                              6 Art. 9.o. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de  infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos  com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.  (Redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941/2009)  7 Art.  142. Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  assim  entendido  o  procedimento  administrativo  tendente  a  verificar  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar  o  sujeito  passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.  8   Neves, Daniel Amorim Assumpção em manual de direito processual civil – 3ª ed. – Rio de Janeiro: Forense:  São Paulo: MÉTODO, 2011, pág.425.   Fl. 1348DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR     18 exigência sub examine subsiste a prova trazida aos autos na ação fiscal, colhida vale ressaltar,  da própria escrituração dos livros da Recorrente disponibilizados à fiscalização.  Da multa qualificada  Conforme  relatado  insurge­se  a  Recorrente  quanto  à multa  qualificada  nos  seguintes aspectos. Que a legislação não é aplicável à época dos fatos arrolados na autuação e  ainda  que  o  percentual  além  de  desarrazoado  e  desproporcional  é  um  esbulho  tributário  confiscatório.  Como  argumento  complementar  pleiteia  a  redução  da  multa  em  atenção  aos  princípios  constitucionais  da  razoabilidade,  proporcionalidade  e  não  confisco  e  aplicação  do  artigo 112 e incisos II e IV do CTN.  Com relação aos princípios constitucionais supostamente violados (proibição  de confisco, razoabilidade e proporcionalidade), falece competência ao julgador administrativo  a  análise  dessa matéria,  com matiz  constitucional,  por  força  do  artigo  62  do RICARF,  bem  como em face da Súmula CARF nº 2, aplicada no tocante a essa matéria como razão de decidir:  Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  No  que  diz  respeito  à  vigência  da  lei  aplicável  aos  fatos,  verifica­se  dos  excertos a seguir que não há reparos no feito fiscal no tocante a esse aspecto:  Termo de Informação Fiscal, de fls. 1.178/1.179    Ao  declarar  em  DCTF  tributos  com  valores  muito  inferiores  daqueles  que  o  próprio  sujeito  passivo  apurou  em  sua  contabilidade,  fica  claro  para  a  Fiscalização  que  os  sócios  administradores  da  FIRE,  agindo  em  conluio  (art.  73  da  Lei  4.502/64), procuraram impedir ou retardar o conhecimento por  parte  da  autoridade  fazendária  do  montante  real  dos  tributos  devidos  (art.  71  da  Lei  4.502/64).  Por  isso,  a  multa  aplicada  será de 150% (cento e cinquenta por cento), em consonância ao  art. 44,  II da Lei 9.430/96  (para fatos geradores ocorridos até  21/01/2007) e art. 44, I e §1° da Lei 9.430/96, na redação dada  pela  Medida  Provisória  n°  351/07  (convertida  na  Lei  11.488/2007),  para  os  fatos  geradores  ocorridos  a  partir  de  22/01/2007.(grifei).  Aclare­se  que  a  penalidade  aplicada  pela  fiscalização,  conforme  fundamentação expressa no aludido Termo de Informação Fiscal, de fls. 1.178/1.179, tem seu  escopo  legal  na  Lei  nº  4.502,  de  1964,  tendo  a  Lei  nº  9.430,  de  1996,  com  as  alterações  respectivas, apenas conferido uma redação diferente ao fazer referência aos fatos previstos na  referida  Lei  nº  4.502,  de  1964,  deixando  de mencionar  o  percentual  de  150%  e  passando  a  adotar  a nomenclatura de duplicidade do percentual de 75% para  as  situações  fáticas que  se  subsumem aos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Vejamos.  · Lei nº 9.430, de 1996, sem as alterações da Lei nº 11.488/2007:  Multas de Lançamento de Ofício    Art.44. Nos  casos  de  lançamento de  ofício,  serão aplicadas  as  seguintes multas, calculadas sobre a  totalidade ou diferença de  tributo ou contribuição: (Vide Lei nº 10.892, de 2004)  Fl. 1349DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 13888.724476/2011­12  Acórdão n.º 3302­003.107  S3­C3T2  Fl. 1.341          19  I­de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento  ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento  do  prazo,  sem  o  acréscimo  de  multa  moratória,  de  falta  de  declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do  inciso seguinte; (Vide Lei nº 10.892, de 2004)   II­cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de  fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de  novembro  de  1964,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas  ou  criminais  cabíveis.  (Vide  Lei  nº  10.892,  de  2004)  · Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações da Lei nº 11.488/2007:    Multas de Lançamento de Ofício    Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as  seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)   I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)   II ­ de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o  valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488,  de 2007)   a) na  forma do art.  8o  da Lei no  7.713, de 22 de dezembro de  1988,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda  que  não  tenha  sido  apurado  imposto  a  pagar  na  declaração  de  ajuste,  no  caso  de  pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007)   b)  na  forma  do  art.  2o  desta  Lei,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo  negativa  para  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  no  ano­calendário  correspondente,  no  caso  de  pessoa  jurídica.  (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007)   §  1o O  percentual  de multa  de  que  trata  o  inciso  I  do  caput  deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e  73  da  Lei  no  4.502,  de  30  de  novembro  de  1964,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas  ou  criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  Portanto  a  legislação  foi  corretamente  aplicada  aos  fatos  apurados  pela  fiscalização.  Quanto  à  redução  pretendida,  cabe  ressaltar  que  a  cominação  de  uma  penalidade,  é  matéria  adstrita  à  reserva  legal,  conforme  art.  97,  V,  do  Código  Tributário  Nacional – CTN devendo haver em decorrência do princípio da estrita legalidade, a subsunção  dos fatos à hipótese legal.  Fl. 1350DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR     20 Com  efeito,  em  decorrência  da  situação  fática  dos  autos,  verificando  a  fiscalização que os tributos declarados ao fisco através de DCTF eram em montante inferiores  ao  apurado  na  contabilidade  do  próprio  contribuinte,  situação  fática  incontroversa  já  que  os  argumentos em sede  recursal não permeiam a  inocorrência desses  fatos e  sim a violação aos  princípios  constitucionais  da  proibição  de  confisco,  razoabilidade  e  proporcionalidade,  constatou e demonstrou fundamentadamente que não se tratava apenas de uma mera diferença  não recolhida, cuja incidência estaria lastreada pelo inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996,  mas se subsumia às hipóteses tipificadas na Lei nº 4.502, de 1964, como restou consignado no  excerto acima transcrito do Termo de Informação Fiscal, de fls. 1.178/1.179.   Assim  estando  demonstrado  pela  fiscalização  a  tipicidade  no  caso  em  análise, por força da vinculação de seus atos, em observância ao princípio da estrita legalidade,  lançou a diferença dos  tributos e a  respectivas multa cabível,  ex vi do  art. 142 do CTN, não  merecendo assim, reparos o feito fiscal.   Por fim, diante do exposto infere­se de pronto a inaplicabilidade do art. 112  do CTN. Nesse ponto aclare­se que a  interpretação benigna autorizada pelo art. 112 do CTN  têm pressupostos de aplicabilidade, conforme dispõem seus incisos [Art. 112. A lei  tributária  que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta­se da maneira mais favorável ao  acusado,  em  caso  de  dúvida  quanto:  I  ­  à  capitulação  legal  do  fato;  II  ­  à  natureza  ou  às  circunstâncias materiais  do  fato,  ou  à  natureza  ou  extensão  dos  seus  efeitos;  III  ­  à  autoria,  imputabilidade, ou punibilidade; IV ­ à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação],  os quais não se vislumbram no presente processo, uma vez que se encontram minudentemente  demonstradas no Termo de Informação Fiscal, fls.1.170/1.179 as circunstâncias fáticas objeto  da presente autuação e o modus operandi utilizado com vistas à declaração de valores muito  inferiores  aos  registrados  pelo  sujeito  passivo  em  sua  própria  contabilidade,  restando  assim  demonstrado  por  fundamentos  fáticos  e  jurídicos  a  pertinência  da  exigência  ora  em  exame,  inexistindo  portanto  dúvida  quanto  à  natureza  ou  às  circunstâncias  materiais  do  fato,  ou  à  natureza ou extensão dos seus efeitos ou quanto à natureza da penalidade aplicável, ou à sua  graduação.  Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso  Voluntário.  [Assinado digitalmente]  Maria do Socorro Ferreira Aguiar                                Fl. 1351DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR

score : 1.0
6357980 #
Numero do processo: 10707.001416/2007-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002 EMBARGOS. EFEITOS INFRINGENTES. Tendo sido o processo encaminhado, por erro procedimental, em diligência ao Secoj, deve o erro ser corrigido com nova indicação do processo para pauta de julgamento.
Numero da decisão: 2301-004.538
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, nos termos do voto do relator. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 23/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Nathalia Correa Pompeu (suplente), Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente) e Marcelo Malagoli da Silva (suplente).
Nome do relator: Relator João Bellini Júnior

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201603

camara_s : Terceira Câmara

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002 EMBARGOS. EFEITOS INFRINGENTES. Tendo sido o processo encaminhado, por erro procedimental, em diligência ao Secoj, deve o erro ser corrigido com nova indicação do processo para pauta de julgamento.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016

numero_processo_s : 10707.001416/2007-26

anomes_publicacao_s : 201604

conteudo_id_s : 5584617

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016

numero_decisao_s : 2301-004.538

nome_arquivo_s : Decisao_10707001416200726.PDF

ano_publicacao_s : 2016

nome_relator_s : Relator João Bellini Júnior

nome_arquivo_pdf_s : 10707001416200726_5584617.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, nos termos do voto do relator. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 23/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Nathalia Correa Pompeu (suplente), Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente) e Marcelo Malagoli da Silva (suplente).

dt_sessao_tdt : Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016

id : 6357980

ano_sessao_s : 2016

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:47:48 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713048418184593408

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1930; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T1  Fl. 70          1 69  S2­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10707.001416/2007­26  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2301­004.538  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  8 de março de 2016  Matéria  Imposto sobre a renda da pessoa física  Recorrente  MARIA CLARA FERREIRA NETO MENESCAL  Recorrida  União (Fazenda Nacional)     ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2002  EMBARGOS. EFEITOS INFRINGENTES.   Tendo  sido o processo  encaminhado, por erro procedimental,  em diligência  ao  Secoj,  deve  o  erro  ser  corrigido  com  nova  indicação  do  processo  para  pauta de julgamento.       Vistos,  relatados  e  discutidos  os  presentes  autos,  acordam  os  membros  do  colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, nos termos do voto do relator.  JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator.  EDITADO EM: 23/03/2016  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  João  Bellini  Júnior  (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi,  Ivacir Júlio de  Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Nathalia Correa Pompeu (suplente), Amilcar Barca  Teixeira Junior (suplente) e Marcelo Malagoli da Silva (suplente).    Relatório  Em  26/01/2016,  esta  1ª  Turma  exarou  a  Resolução  2301­000.571,  pela  qual  resolveu encaminhar os autos em diligência ao Secoj. Eis o teor da referida resolução:  No processo 10707.001524/2008­80, que  trata da auditoria das  mesmas contas correntes, e atinentes ao ano­calendário 2003 e  2004,  foi  alegado  que  as  contas  correntes  bancárias  17457­2     AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 70 7. 00 14 16 /2 00 7- 26 Fl. 1504DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     2 (Banco  do  Brasil)  e  6507335  (Unibanco)  eram  exclusivamente  provenientes  de  recursos  de  seu  marido,  conforme  pôde  ser  confirmado na fiscalização em curso perante seu cônjuge, a teor  da resposta por ele prestada. A referida fiscalização originou o  processo 10707.001523/2008­35, do qual é sujeito passivo o Sr.  Sergio  Arthur  Fabiano  Leão  Menescal,  marido  da  autuada  e  cotitular das referidas contas conjuntas. Tais processos possuem  como elemento de conexão a cotitularidade das contas correntes.   Essa  Turma,  nesta  mesma  reunião  de  julgamentos,  resolveu  sobrestar processos em idêntica situação, em face do disposto no  art. 6º, §§ 2º e 5º do Anexo  II do Regimento Interno do CARF,  aprovado  pela  Portaria  MF  343,  de  2015  (Ricarf),  em  proposição de lavra do Conselheiro Julio César Vieira Gomes,  que reproduzo:   De  acordo  com  o  novo  Regimento  Interno  deste  CARF  ­  RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, no  caso de não estarem os processos conexos localizados na mesma  Seção  do  processo  principal,  deverá  se  providenciar  por  resolução de diligência o sobrestamento daqueles na câmara:  Art.  6º  Os  processos  vinculados  poderão  ser  distribuídos  e  julgados observando­se a seguinte disciplina:   § 1º Os processos podem ser vinculados por:   I ­ conexão, constatada entre processos que tratam de exigência  de  crédito  tributário  ou  pedido  do  contribuinte  fundamentados  em  fato  idêntico,  incluindo  aqueles  formalizados  em  face  de  diferentes sujeitos passivos;   ...  § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão  ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo  conexo,  ou  o  principal,  salvo  se  para  esses  já  houver  sido  prolatada decisão.  ...  §  5º  Se  o  processo  principal  e  os  decorrentes  e  os  reflexos  estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado  deverá converter o julgamento em diligência para determinar a  vinculação  dos  autos  e  o  sobrestamento  do  julgamento  do  processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma  instância relativa ao processo principal.   Assim,  de  acordo  com o  artigo  6º,  5§º  do RICARF,  quando os  processos  se  encontram  em  seções  diferentes  o  reconhecimento  da  vinculação  é  ordinariamente  realizado  pela  turma  julgadora  que  aprecia  o  processo  conexo  ao  principal,  determinando  por  resolução seu sobrestamento. Acontece que no caso em exame o  processo conexo se encontra no SECOJ, portanto ainda pendente  de distribuição. Assim, combinado com o artigo 6º, §§2º e 5º e  artigo  46,  inciso  II,  a  solução  seria  a  juntada  dos  processos  no  SECOJ para posterior retorno por prevenção à esta turma.  Fl. 1505DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10707.001416/2007­26  Acórdão n.º 2301­004.538  S2­C3T1  Fl. 71          3 Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em  diligência  para  as  providências  acima,  observado o  disposto  no  artigo 46, inciso II do RICARF.  Considerando a conexão existente entre o presente processo e o  processo  10707.001524/2008­80,  e  a  conexão  deste  (10707.001524/2008­80)  com  o  processo  10707.001523/2008­ 35, do qual é sujeito passivo o Sr. Sergio Arthur Fabiano Leão  Menescal,  marido  da  autuada  e  cotitular  de  contas  conjuntas,  voto no sentido de converter o julgamento em diligência para a  juntada  dos  processos  no  SECOJ  para  posterior  retorno  por  prevenção à esta Turma, observado o disposto no artigo 46, II,  do Ricarf.  É como voto.  Porém,  consultando o  andamento do processo 10707.001523/2008­35, verifico  que  este  encontra­se  na  atividade  “para  relatar”,  na  1ª  Turma Ordinária  da  2ª Câmara  da  2ª  Seção deste Carf, desde 09/12/2015.   Assim, é inaplicável o § 5º do art. 6º do Ricarf, conforme constou na Resolução.  A regra aplicável é a do § 3º do mesmo artigo, que prevê a juntada por despacho do Presidente  da Câmara  (se  os  processos  estiverem  em Turmas  de  idêntica Câmara)  ou  do  Presidente  da  Seção (caso de processos em Turmas de Câmaras distintas); Eis a redação do art. 6º, § 3º do  Ricarf:  Art.  6º  Os  processos  vinculados  poderão  ser  distribuídos  e  julgados observando­se a seguinte disciplina:   (...)   §  3º  A  distribuição  poderá  ser  requerida  pelas  partes  ou  pelo  conselheiro  que  entender  estar  prevento,  e  a  decisão  será  proferida  por  despacho do Presidente da Câmara ou  da  Seção  de Julgamento, conforme a localização do processo.  Ocorre que o presente processo já teve sua juntada requerida ao Presidente da  Seçã, via e­mail corporativo, em 15/05/2015 (durante o recesso do Colegiado, em 2015), que  foi negada, sob as seguintes alegações:   “a  distribuição  por  conexão  é  uma  exceção  ao  princípio  da  impessoalidade,  garantido  pelo  sorteio.  Portanto,  como  o  operador deôntico do art. 6o do RICARF é PODERÁ, não  fico  vinculado à distribuição por conexão.   Assim,  somente  tenho  deferido  a  distribuição  por  conexão  quando há UMA QUESTÃO DE PREJUDICIALIDADE entre as  decisões,  ou  seja,  se  uma  vez  tendo  sido  dado  provimento  ao  recurso  de  um  processo,  o  outro  necessariamente  deveria  ser  provido,  e  vice­versa.  Exemplifico,  dois  processos  previdenciários  um  com  o  lançamento  do  tributo  e  outro  com  lançamento de multa (isso ainda ocorre muito no CARF), ora, se  o tributo não for devido, não há que se falar em multa.  Fl. 1506DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     4  Agora,  analisando  o  caso,  temos  dois  contribuintes  que,  conforme  livre  convencimento  dos  colegiados,  frente às  provas  apresentadas,  podem  ter  julgamentos  diferentes. A  divergência,  justamente, é resolvida pela CSRF em sede de RESP.   Concluindo,  salvo  novos  esclarecimentos  sobre  a  questão  de  fato, esse não seria um dos casos de distribuição por conexão.”  Nesse  sentido,  creio  que  a  melhor  solução  é  EMBARGAR DE OFÍCIO  a  resolução, uma vez que foi omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar­se a Turma (art. 65  do  Ricarf),  ou  seja,  o  processo  já  estar  distribuído  para  Conselheiro  de  outra  Câmara  no  momento da conversão do julgamento em diligência.   É o relatório.  Voto             Conselheiro Relator João Bellini Júnior  Tendo  sido o processo  encaminhado, por erro procedimental,  em diligência  ao Secoj, deve o erro ser corrigido com nova indicação do processo para pauta de julgamento.  É como voto.  (assinado digitalmente)  João Bellini Júnior  Relator                              Fl. 1507DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR

score : 1.0
6340927 #
Numero do processo: 11831.005333/2002-39
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997 NORMAS GERAIS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTES DE QUALQUER DECLARAÇÃO. CABIMENTO. Nos termos de consolidada jurisprudência oriunda do Superior Tribunal de Justiça, configura a denúncia espontânea de que cuida o art. 138 do CTN, com consequente exclusão da multa de mora, o pagamento realizado antes da entrega de qualquer declaração que confesse o débito e permita sua imediata inscrição em dívida, como o é a DCTF, bem como de qualquer medida de ofício tendende a constituí-lo.
Numero da decisão: 9303-003.489
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator. EDITADO EM: 21/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente)
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201602

camara_s : 3ª SEÇÃO

ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997 NORMAS GERAIS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTES DE QUALQUER DECLARAÇÃO. CABIMENTO. Nos termos de consolidada jurisprudência oriunda do Superior Tribunal de Justiça, configura a denúncia espontânea de que cuida o art. 138 do CTN, com consequente exclusão da multa de mora, o pagamento realizado antes da entrega de qualquer declaração que confesse o débito e permita sua imediata inscrição em dívida, como o é a DCTF, bem como de qualquer medida de ofício tendende a constituí-lo.

turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS

dt_publicacao_tdt : Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2016

numero_processo_s : 11831.005333/2002-39

anomes_publicacao_s : 201604

conteudo_id_s : 5579577

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2016

numero_decisao_s : 9303-003.489

nome_arquivo_s : Decisao_11831005333200239.PDF

ano_publicacao_s : 2016

nome_relator_s : JULIO CESAR ALVES RAMOS

nome_arquivo_pdf_s : 11831005333200239_5579577.pdf

secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator. EDITADO EM: 21/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente)

dt_sessao_tdt : Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016

id : 6340927

ano_sessao_s : 2016

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:47:09 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713048418188787712

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1763; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T3  Fl. 272          1 271  CSRF­T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  11831.005333/2002­39  Recurso nº               Especial do Contribuinte  Acórdão nº  9303­003.489  –  3ª Turma   Sessão de  25 de fevereiro de 2016  Matéria  DENÚNCIA ESPONTÂNEA  Recorrente  AMBEV BRASIL BEBIDAS LTDA.  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997  NORMAS GERAIS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO SUJEITO A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  PAGAMENTO  ANTES  DE  QUALQUER DECLARAÇÃO. CABIMENTO.  Nos  termos  de  consolidada  jurisprudência  oriunda  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  configura  a  denúncia  espontânea  de  que  cuida  o  art.  138  do CTN,  com consequente exclusão da multa de mora, o pagamento realizado antes da  entrega de qualquer declaração que confesse o débito e permita sua imediata  inscrição  em dívida,  como o  é  a DCTF,  bem como de  qualquer medida  de  ofício tendende a constituí­lo.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.    CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO ­ Presidente.     JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS ­ Relator.    EDITADO EM: 21/03/2016     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 53 33 /2 00 2- 39 Fl. 272DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS     2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Henrique  Pinheiro  Torres,  Tatiana Midori Migiyama,  Júlio César Alves Ramos  (Substituto  convocado), Demes  Brito,  Gilson  Macedo  Rosenburg  Filho,  Valcir  Gassen  (Substituto  convocado),  Rodrigo  da  Costa  Pôssas,  Vanessa  Marini  Cecconello,  Maria  Teresa  Martínez  López  e  Carlos  Alberto  Freitas Barreto (Presidente)    Relatório  Trata­se,  originariamente,  de  lançamento  de  ofício  decorrente  de  revisão  eletrônica de DCTF entregue pela contribuinte. Como de praxe, sua falta de clareza demandou  a realização de diligência quando da primeira inclusão em pauta, no já distante ano de 2010.   Cumprida  a diligência  requerida,  foram os  autos postos  a  julgamento  ainda  sob a relatoria do dr. Marcos Tranchesi, que assim os relatou então:  Com os esclarecimentos prestados pela autoridade preparadora  (fls.  89),  pode­se  finalmente  compreender  que  o  saldo  do  lançamento mantido  na  DRJ  São  Paulo  I  refere­se  à multa  de  mora devida pelo recolhimento atrasado da obrigação principal  – (COFINS das competências jul/97, ago/97 e set/97).  As obrigações principais objeto da autuação venceram­se em 8  de  agosto,  10  de  setembro  e  10  de  outubro  de  1997,  respectivamente.  Todas  elas  foram  pagas  pela  recorrente,  de  uma só vez, em 27 de outubro de 1997 (fls. 31/33).  (...)  Os débitos foram confessados pela recorrente em duas “etapas”.  Na  DCTF  transmitida  em  28  de  novembro  de  1997  (fl.  118),  declarou os seguinte valores:  (...)  Posteriormente,  em  20  de  outubro  de  1998,  transmitiu  DCTF  complementar (fls. 124) para declarar os seguintes valores:  (...)  A  multa  moratória  foi  calculada  com  base  nos  valores  declarados  na  primeira DCTF  apenas.  É  dizer,  parece­me  que,  em  relação  aos  valores  declarados  somente  na  DCTF  complementar, aceitou­se que o pagamento tardio dos débitos –  prévio  a  qualquer  procedimento  fiscalizatório  –  afastou  a  incidência da multa, por força do art. 138 do CTN.  É o relatório.  O relator votou pela improcedência do lançamento, nos seguintes termos:  Esclareça­se,  de  início,  que  a  eficácia  da  denúncia  espontânea  sobre  a  multa  chamada  moratória,  comumente  recusada  pelas  autoridades fiscais, não foi controvertida pela DRJ nestes autos.  Tanto  assim  que  a  multa  não  foi  calculada  sobre  os  débitos  declarados na DCTF complementar.  Fl. 273DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 11831.005333/2002­39  Acórdão n.º 9303­003.489  CSRF­T3  Fl. 273          3 A  DRJ  firmou  controvérsia  apenas  em  relação  aos  débitos  declarados  na DCTF  original,  presumivelmente  orientada  pela  Súmula  STJ  nº  360,  segundo  a  qual  “o  benefício  da  denúncia  espontânea não  se  aplica  aos  tributos  sujeitos  a  lançamento por  homologação  regularmente  declarados,  mas  pagos  a  destempo”.  Sucede,  entretanto,  que  o  pagamento  foi  realizado  pela  recorrente  em  27  de  outubro  de  1997,  antes  da  entrega  da  própria DCTF original, ocorrida em 28 de novembro 1997.  Assim  sendo,  não  faz  sentido  tratar  diferentemente  as  DCTFs  original e complementar: ambas são posteriores ao pagamento.  Ao  tempo do pagamento atrasado, nenhuma parcela do  crédito  estava já declarada pela recorrente; em 27 de outubro de 1997,  precisaria  o  Fisco  ainda  constituir  o  débito  pela  via  do  lançamento  de  ofício  para  cobrá­lo,  tarefa  essa  que  restou  dispensada  pelo  pagamento  efetuado  pela  recorrente  naquela  data.  A  ratio  inequívoca  da  Súmula  STJ  nº  360  é  premiar  o  contribuinte que, com o pagamento ainda que tardio, dispensou  o Fisco de instaurar procedimento tendente a constituir o crédito  tributário. E isso foi alcançado pelo pagamento de 27 de outubro  de 1997, mesmo em relação à parcela do crédito  fiscal que, 32  dias depois, foi confessada na DCTF original.  Não  vejo,  pois,  razão  para  aplicar  a  Súmula  STJ  nº  360  nem  mesmo em relação a essa parcela do crédito.  Dou  provimento  ao  recurso,  para  cancelar  integralmente  a  exigência fiscal.  Marcos Tranchesi Ortiz Relator  Essa posição, no  entanto,  restou vencida,  tendo prevalecido a  tese de que a  denúncia espontânea não afasta a multa moratória dado o caráter não punitivo desta, exposta  em voto da lavra do Conselheiro Robson Bayerl. Nele, afirmou­se:  Nada obstante o brilhante raciocínio exposto pelo voto condutor,  peço  vênia  para  dele  dissentir;  a  começar  pela  premissa,  nele  presumida, que as autoridades administrativas teriam admitido a  eficácia  da  denúncia  espontânea  ao  não  exigir  a  multa  moratória  cabível  sobre  os  valores  informados  na  DCTF  Complementar,  haja  vista  que  a  ausência  de  cobrança  deste  consectário,  em relação a esta declaração, neste processo, não  induz  à  sua  inexigibilidade,  ao  passo  que  certamente  será  cobrado em outro procedimento administrativo específico.  Quanto  ao  cabimento,  ou  melhor,  aplicação  da  denúncia  espontânea,  nos  termos  do  art.  138  do  Código  Tributário  Nacional,  à  denominada  “multa  moratória”,  tenho  que  seu  exame  perpassa  a  definição  da  natureza  jurídica  de  tal  acréscimo  pecuniário  incidente  sobre  os  recolhimentos  tributários extemporâneos.  Fl. 274DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS     4 Desde  há  muito  defendo  que  a  multa  moratória  não  ostenta  a  natureza de pena administrativa,  a atrair a  figura da denúncia  espontânea, mesmo que o seu título a isto possa induzir.  Em minha  opinião,  seu  caráter  é meramente  indenizatório,  um  ônus  de  natureza  civil  arcado  pelo  contribuinte  impontual  em  face da lesão causada aos cofres públicos pela indisponibilidade  dos recursos a ela pertencentes na data legalmente aprazada.  (...)  O recurso especial basicamente postula a aplicação da  tese exposta no voto  vencido,  afirmando  tratar­se  de  matéria  já  decidida  pelo  STJ  na  sistemática  dos  recursos  repetitivos. Traz como paradigma o acórdão CSRF 03­04.630, que acolheu, na íntegra, a tese  nele defendida.  Em  contrarrazões,  sustenta  a  representação  da  Fazenda  Nacional  a  manutenção  do  julgado,  mencionando  também  ser  pacífica  a  jurisprudência  do  STJ,  por  se  tratar, em seu entender, de recolhimento em atraso de débito já declarado.  É o Relatório.   Voto             Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS  O  recurso  foi  bem  admitido,  na medida  em  que  a  decisão  apontada  como  paradigmática examinou precisamente a mesma situação e acolheu a tese nele esposada. Passo  ao seu exame.  E é mister  iniciá­lo pelo  reconhecimento de que a  tese abraçada na decisão  recorrida já não mais encontra guarida na consolidada jurisprudência do STJ. De fato, segundo  aquele Pretório, não é o caráter punitivo ou não da multa que  faz com que seja ela excluída  quando  efetivamente  verificada  a  denúncia  espontânea,  posição  que  tem  sido  reiteradamente  reafirmada em inúmeros julgados oriundos daquele tribunal, como se mostrará em seguida.  Em  verdade,  desde  há  muito  a  discussão  ali  se  deslocou  para  a  efetiva  ocorrência da denúncia espontânea na acepção do art. 138 do CTN, e a tal ponto se consolidou  a jurisprudência que já está ela sumulada, tendo sido objeto, também, de decisões nos moldes  do art. 543­C do CTN1:  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  DECLARADO  PELO  CONTRIBUINTE  E  PAGO  COM  ATRASO.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  NÃO  CARACTERIZAÇÃO.  SÚMULA  360/STJ.  1.  Nos  termos  da  Súmula  360/STJ,  "O  benefício  da  denúncia  espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por  homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo" .  É  que  a  apresentação  de  Declaração  de  Débitos  e  Créditos  Tributários  Federais  –  DCTF,  de  Guia  de  Informação  e  Apuração  do  ICMS  –  GIA,  ou  de  outra  declaração  dessa  natureza,  prevista  em  lei,  é  modo  de  constituição  do  crédito  tributário,  dispensando,  para  isso,  qualquer  outra  providência  por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado                                                              1 Entre outros, Resp 886.462 e 962.367.  Fl. 275DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 11831.005333/2002­39  Acórdão n.º 9303­003.489  CSRF­T3  Fl. 274          5 e  constituído  pelo  contribuinte,  não  se  configura  denúncia  espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora  do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso  sujeito  ao  regime  do  art.  543­C  do  CPC  e  da  Resolução  STJ  08/08. (grifos meus)  Destarte, o pleito expresso no recurso no sentido da aplicação do art. 62­A do  Regimento  Interno do CARF então vigente  (hoje art.  62 da Portaria MF 343/2015)  lhe  seria  inteiramente desfavorável. Mas não é esse o caso.  E  isso  porque  a  situação  pacificada  no  STJ  não  é  a  que  enfrentamos  aqui.  Deveras, conforme bem relatado pelo dr. Marcos Tranchesi, embora tratemos aqui, de fato, de  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação,  o  recolhimento  efetuado  sem  a multa  se  deu  antes da entrega da DCTF.   Para  situações  como  essa,  inexiste  decisão  que  estejamos  obrigados  a  reproduzir consoante a disposição regimental. E é bem sabido que não se pode aplicar o art. 62­ A  a  contrário  senso,  isto  é,  entendermo­nos  obrigados  a  reconhecer  a  denúncia  espontânea  quando o recolhimento anteceda a declaração apenas porque a situação oposta a descaracteriza  no dizer do STJ.  Há,  porém,  como  bem  indicado  no  recurso  do  contribuinte,  posição  consolidada  no  âmbito  da  Primeira  Seção  daquele  tribunal  que  cuida  de  situação,  em  tese,  ainda mais desfavorável ao contribuinte. Ela pode bem ser exemplificada pela que segue2:  PROCESSUAL  CIVIL.  TRIBUTÁRIO.  RECURSO  ESPECIAL.  DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CTN,  ART.  138  e  161.  IMPOSTO  DE  RENDA  SOBRE  O  LUCRO.  TRIBUTO  SUJEITOS  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  PAGAMENTO  A  MENOR.  EQUÍVOCO  NA  APURAÇÃO  DAS  BASES  DE  CÁLCULO DA COFINS E DO PASEP. RECOLHIMENTO DA  DIFERENÇA  APURADA  ANTES  DE  QUALQUER  PROCEDIMENTO  FISCAL.  EXCLUSÃO  DA  MULTA  MORATÓRIA.  CABIMENTO.  JURISPRUDÊNCIA  SEDIMENTADA NA PRIMEIRA SEÇÃO.  1.  A  denúncia  espontânea  não  resta  caracterizada,  com  a  conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação  declarados  pelo  contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou  parceladamente,  ainda  que  inexistente  qualquer  procedimento  administrativo  ou  medida  de  fiscalização  antecedente  (REsp  850.423/SP,  Rel.  Ministro  Castro  Meira,  Primeira  Seção,  julgado  em  28.11.2007,  DJ  07.02.2008;  AgRg  nos  EREsp  805.702/PR, Primeira Seção, DJ 17.03.2008; REsp 968.675/RS,  Segunda  Turma,  DJ  06.05.2008;  e  EDcl  no  AgRg  no  REsp  967.190/CE, Primeira Turma, DJ 08.05.2008).  2.  In casu,  contudo, o  contribuinte,  ao  verificar a existência de  recolhimento  a  menor  (não  conjugado  de  entrega  de  qualquer  declaração  ao  Fisco),  efetuou  o  pagamento  da  diferença  apurada  acrescida  de  juros  legais,  acompanhada  de  confissão                                                              2 Resp 805.753  Fl. 276DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS     6 do  débito  tributário,  antes  de  qualquer  procedimento  da  Administração  Tributária,  o  que,  em  conformidade  com  a  jurisprudência  sedimentada  nesta  Corte  Superior,  impõe  a  aplicação  do  benefício  da  denúncia  espontânea,  com  a  conseqüente possibilidade de exclusão da multa moratória.  3. Recurso especial provido.    Ou  seja, mesmo que  o  recolhimento  se  dê  após  a  entrega  de  uma primeira  DCTF, ainda se pode conceber a denúncia espontânea desde que  tal  recolhimento se  refira a  diferença nela não declarada e que esse recolhimento anteceda a entrega da DCTF que vier a  retificar a anterior.  Muito embora essa não seja a situação dos autos, parece impossível considear  que, no entender daquele Pretório, não se aplique a mesma conclusão quando o recolhimento  antecede qualquer declaração do débito.  E  também  parece  impossível  a  reversão  desse  entendimento  no  Tribunal  Superior, fazendo ineficiente a continuidade de decisões administrativas que a violem, mesmo  quando o relator (e este é o meu caso) dela divirja.  Com  tais  considerações,  é  o  meu  voto  pelo  provimento  do  recurso  da  contribuinte.   JÚLIO  CÉSAR  ALVES  RAMOS  ­  Relator                             Fl. 277DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS

score : 1.0
6450454 #
Numero do processo: 10950.725891/2014-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. RENDIMENTOS ACUMULADOS. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. Rendimentos acumulados pagos por entidade de previdência privada são tributados no ajuste anual.
Numero da decisão: 2301-004.753
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. João Bellini Júnior – Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (suplente), Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201607

camara_s : Terceira Câmara

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. RENDIMENTOS ACUMULADOS. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. Rendimentos acumulados pagos por entidade de previdência privada são tributados no ajuste anual.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2016

numero_processo_s : 10950.725891/2014-39

anomes_publicacao_s : 201607

conteudo_id_s : 5614139

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2016

numero_decisao_s : 2301-004.753

nome_arquivo_s : Decisao_10950725891201439.PDF

ano_publicacao_s : 2016

nome_relator_s : JOAO BELLINI JUNIOR

nome_arquivo_pdf_s : 10950725891201439_5614139.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. João Bellini Júnior – Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (suplente), Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente).

dt_sessao_tdt : Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016

id : 6450454

ano_sessao_s : 2016

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:50:45 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713048418199273472

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2025; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T1  Fl. 106          1 105  S2­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10950.725891/2014­39  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2301­004.753  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  12 de julho de 2016  Matéria  RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.   Recorrente  JAIR MAXIMIANO DE SOUZA  Recorrida  UNIÃO (REPRESENTADA PELA FAZENDA NACIONAL)    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2012  IRPF.  RENDIMENTOS  RECEBIDOS  ACUMULADAMENTE.  RENDIMENTOS ACUMULADOS. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR.  Rendimentos  acumulados  pagos  por  entidade  de  previdência  privada  são  tributados no ajuste anual.      Vistos,  relatados  e  discutidos  os  presentes  autos,  acordam  os  membros  do  Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do  voto do relator.  João Bellini Júnior – Presidente e relator.   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  João  Bellini  Júnior  (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan  Bozza, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (suplente), Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amilcar  Barca Teixeira Junior (suplente).  Relatório  Trata­se de recurso voluntário em face do Acórdão 15­37.622, de 26/11/2014,  (fls. 90 a 92).  No  lançamento,  relativo  ao  ano­calendário  2012,  foram  incluídos  rendimentos omitidos de R$197.921,57 e imposto retido na fonte de R$46.293,09, pagos pela  Fundação Copel, resultando em imposto suplementar de R$12.475,78.  De acordo com o  relatório  fiscal,  o  contribuinte  informara  tais  rendimentos  como tributáveis exclusivamente na fonte, por  terem sido pagos acumuladamente; porém,  tal     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 58 91 /2 01 4- 39 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     2 forma  de  tributação  não  se  aplica  aos  rendimentos  pagos  por  entidades  de  previdência  complementar.  Na  impugnação,  é  referido  que,  apesar  da  Fundação  Copel  aparecer  como  pólo passivo na demanda, as verbas deferidas foram pagas pela Copel, sendo que a entidade de  previdência  complementar  somente  foi  incluída  porque  as  verbas  geraram  reflexos  nas  contribuições do seu plano de previdência.   A DRJ julgou a impugnação improcedente, e o acórdão recorrido recebeu a  seguinte ementa:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  ­ IRPF  Ano­calendário: 2012  RENDIMENTOS  ACUMULADOS.  PREVIDÊNCIA  COMPLEMENTAR.  Rendimentos  acumulados  pagos  por  entidade  de  previdência  privada são tributados no ajuste anual.  A ciência dessa decisão ocorreu em 16/12/2014 (fl. 96).  Em 14/01/2015,  foi  apresentado  recurso  voluntário  (fls.  97  a  103),  no  qual  são reafirmados, em síntese, os argumentos da impugnação. Foi requerida a anulação do auto  de infração.  É o relatório.  Voto             Conselheiro João Bellini Júnior, Relator  Conheço do recurso por atender aos requisitos de admissibilidade.  Como referido pela decisão recorrida, o art. 12­A da Lei nº 7.713, de 1988,  introduzido pela Lei 12.350, de 2010, define, como regra, a tributação exclusiva na fonte para  os  rendimentos  recebidos  acumuladamente,  quando  decorrentes  de  rendimentos  do  trabalho,  aposentadoria,  pensão,  reserva  remunerada  ou  reforma,  pagos  pelas  entidades  públicas  de  previdência social:  Art.  12­A.  Os  rendimentos  do  trabalho  e  os  provenientes  de  aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada  ou  reforma,  pagos  pela  Previdência  Social  da  União,  dos  Estados,  do  Distrito  Federal  e  dos  Municípios,  quando  correspondentes  a  anos­calendário  anteriores  ao  do  recebimento,  serão  tributados  exclusivamente  na  fonte,  no mês  do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos  recebidos no mês. (Incluído pela Lei 12.350, de 2010)  Da leitura do artigo citado, verifica­se que,  serão  tributados exclusivamente  na fonte,  tão­somente (a) os  rendimentos do  trabalho e  (b) os provenientes de aposentadoria,  pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da  União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.  Fl. 107DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10950.725891/2014­39  Acórdão n.º 2301­004.753  S2­C3T1  Fl. 107          3 No caso concreto, não há qualquer dúvidas de que os rendimentos em questão  foram pagos por entidade de previdência complementar. O nome do réu na ação trabalhista é  suficiente para a constatação: Fundação Copel de Previdência e Assistência Social (e­fl. 51).  A  análise  da  sentença  na  ação  trabalhista  0306700­89.2006.5.09.0661  confirma  essa  informação  (disponível  em  http://www.trt9.jus.br/internet_base/  publicacaoman.do?evento=Editar&chPlc=3475099&procR=AAAXtaABaAAKFllAAT&ctl=3 067):  JAIR  MAXIMINIANO  DE  SOUZA  propôs  a  presente  Reclamação  Trabalhista  em  desfavor  de  COMPANHIA  PARANAENSE  DE  ENERGIA  ­  COPEL  e  FUNDAÇÃO  COPEL  DE  PREVIDÊNCIA  E  ASSISTÊNCIA  SOCIAL,  alegando,  em  síntese,  ter  proposto  por  uma  outra  reclamação  trabalhista  onde  restaram  deferidas  diversas  verbas  salariais.  Disse ter trabalhado para a Copel de 01.11.1973 a 31.08.1995.  Informou  que,  com  a  rescisão  contratual,  passou  a  receber  complementação  de  aposentadoria  paga  pela  segunda  reclamada. Aponta diferenças na complementação em razão das  verbas  que  foram  deferidas  na  Reclamação  Trabalhista  1886/1996 da 4ª VT de Maringá.  Requereu a integração das verbas reconhecidas e deferidas nos  autos  1886/1996  na  complementação  de  aposentadoria,  com  pagamento  das  diferenças  vencidas  e  vincendas.  Requereu  a  condenação  solidária  das  reclamadas  e  a  condenação  em  honorários  advocatícios  e  benefícios  da  Justiça  Gratuita,  atribuindo  à  causa  o  valor  de  R$  20.000,00  (vinte  mil  reais).  (Grifos no original.)  O § 3º do art. 2º da Instrução Normativa SRF 1.127 (incluído pela  IN RFB  1.261, de 2012), explicitava a regra do art. 12­A da Lei nº 7.713, de 1988, já transcrito:  IN RFB 1.127   Art. 2º Os RRA, a partir de 28 de julho de 2010, relativos a anos­ calendário  anteriores  ao  do  recebimento,  serão  tributados  exclusivamente na  fonte, no mês do recebimento ou crédito, em  separado  dos  demais  rendimentos  recebidos  no  mês,  quando  decorrentes de:  I  ­  aposentadoria,  pensão,  transferência  para  a  reserva  remunerada  ou  reforma,  pagos  pela  Previdência  Social  da  União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios; e   II ­ rendimentos do trabalho.  (,,,)  §  3º O disposto  no  caput não  se  aplica  aos  rendimentos  pagos  pelas  entidades  de  previdência  complementar.  (Incluído  pela  Instrução Normativa RFB nº 1.261, de 20 de março de 2012 )  No mesmo  sentido  a  IN RFB  1500,  de  2014,  com  a  redação  dada  pela  IN  RFB 1558, de 2015:  Fl. 108DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     4 IN RFB 1500, de 2014  Art. 36. Os RRA, a partir de 11 de março de 2015, submetidos à  incidência  do  imposto  sobre  a  renda  com  base  na  tabela  progressiva,  quando  correspondentes  a  anos­calendário  anteriores  ao  do  recebimento,  serão  tributados  exclusivamente  na  fonte,  no  mês  do  recebimento  ou  crédito,  em  separado  dos  demais  rendimentos  recebidos  no  mês.  (Redação  dada  pelo(a)  Instrução Normativa RFB nº 1558, de 31 de março de 2015)  (...)  § 3º O disposto no caput aplica­se desde 28 de julho de 2010 aos  rendimentos  decorrentes: (Redação  dada  pelo(a)  Instrução  Normativa RFB nº 1558, de 31 de março de 2015)  I  ­  de  aposentadoria,  pensão,  transferência  para  a  reserva  remunerada  ou  reforma,  pagos  pela  Previdência  Social  da  União,  dos  estados,  do  Distrito  Federal  e  dos  municípios;  e  (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1558, de 31 de  março de 2015)   II  ­  do  trabalho.  (Incluído(a) pelo(a)  Instrução Normativa RFB  nº 1558, de 31 de março de 2015) (Grifou­se.)  Inexistente,  pois,  a  possibilidade  de  que  os  rendimentos  em  questão  sejam  tributados exclusivamente na fonte.  Conclusão  Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e negar­lhe  provimento.   João Bellini Júnior – relator                                 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR

score : 1.0
6425066 #
Numero do processo: 10983.721188/2013-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2009 AFRONTA AO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL E FALTA DE MOTIVAÇÃO Da leitura dos Auto de Infração e Relatório Fiscal e seus Anexos I ao XXVI, constata-se que a atuação foi devidamente fundamentada, estando a motivação do lançamento, a fundamentação legal e as infrações claramente descritas em seu corpo. Assim, foi plenamente atendido o art. 50 da Lei n° 9.784/99, que dispõe sobre a motivação dos atos administrativos. Portanto, não há que se falar em nulidade do auto de infração. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2009 REGISTRO DE CRÉDITOS BÁSICOS. CONCEITO DE INSUMOS. Considera-se como insumo, para fins de registro de créditos básicos, observados os limites impostos pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produto destinado à venda, e que tenha relação com as receitas tributadas, dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo e cuja subtração obsta a atividade da empresa ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes Nesta linha, deve ser reconhecido o direito ao registro de créditos relativos a custos com industrialização por encomenda, embalagens para transporte, fretes nas compras de insumos e no seu transporte entre estabelecimentos da Recorrente, pallets de madeira, operador logístico, análises laboratoriais, repalletização e tintas para carimbo. COMPRA DE PRODUTOS DE PESSOAS FÍSICAS OU BENEFICIADOS COM SUSPENSÃO OU ALÍQUOTA ZERO. VEDAÇÃO AO REGISTRO DE CRÉDITOS As aquisições de produtos que não sofreram tributação pelo PIS e COFINS, por terem sido adquiridos de não contribuintes (pessoas físicas), gozarem de suspensão ou terem a alíquota reduzida a zero, não geram direito a crédito, conforme o disposto nos inc. II do § 2° do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Neste caso, encontram-se as compras de leite in natura e pasteurizado ou industrializado e vacinas, pintos e ovos. DIÁRIAS E HORA-MÁQUINA DE TRATORES. FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA A TOMADA DE CRÉDITOS O dispositivo legal que trata especificamente de despesas com aluguel (inc. IV do art. 3° Leis n° 10.637/02 e 10.833/03) não prevê gastos com aluguel de tratores. Portanto, não deve ser reconhecido o crédito. GASTOS SEM COMPROVANTE. VEDAÇÃO À TOMADA DE CRÉDITOS Não devem ser admitidos créditos sobre gastos, cuja documentação comprobatória não foi apresentada, tais como com compras de recortes de congelados de aves e aluguéis de prédios. CRÉDITO PRESUMIDO. INDUSTRIALIZAÇÃO EFETUADA POR TERCEIROS Regra que trata de benefício fiscal deve ser interpretada de forma estrita. Assim, o benefício fiscal do registro de crédito presumido não deve ser estendido aos casos de compra de leite in natura, cuja industrialização foi efetuada por terceiros. CRÉDITO PRESUMIDO. PERCENTUAL DETERMINADO COM BASE NO PRODUTO EM QUE O INSUMO FOR APLICADO Com a edição da Lei n° 12.865/13, que acresceu o § 10 ao art. 8° da Lei n° 10.925/04, pôs-se fim à controvérsia em torno da determinação do percentual a ser aplicado sobre os insumos, para fins de cálculo do crédito presumido. O percentual é determinado de acordo com classificação na TIPI do produto em que o insumo é aplicado. Isto posto, os créditos presumidos sobre aquisições de frangos vivos, milho, sorgo, soja e outros insumos, aplicados na produção de carnes e miudezas comestíveis, classificadas no Capítulo 2 da TIPI, devem ser calculados à razão de 60% das alíquotas de PIS e COFINS previstas nos arts. 2° das Leis n° 10.633/02 e 10.833/03. VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS PARA FRUIÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL A não incidência do PIS e da COFINS prevista nos inc. III do art. 5° da Lei n° 10.637/02 e inc. II do art. 6° da Lei n° 10.833/03 somente se aplica a vendas, cuja mercadoria é entregue no porto de embarque ou em recinto alfandegado. A Recorrente não faz jus ao beneficio fiscal, porque não atendeu aos requisitos legais. MULTA QUALIFICADA. FALTA DE PROVA CABAL Não se sustenta a qualificação da multa, quando não há nos autos prova cabal de ato doloso, porém, simplesmente, divergências entre as interpretações do Fisco e do contribuinte e falta de comprovação de gastos. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2009 REGISTRO DE CRÉDITOS BÁSICOS. CONCEITO DE INSUMOS. Considera-se como insumo, para fins de registro de créditos básicos, observados os limites impostos pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produto destinado à venda, e que tenha relação com as receitas tributadas, dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo e cuja subtração obsta a atividade da empresa ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes Nesta linha, deve ser reconhecido o direito ao registro de créditos relativos a custos com industrialização por encomenda, embalagens para transporte, fretes nas compras de insumos e no seu transporte entre estabelecimentos da Recorrente, pallets de madeira, operador logístico, análises laboratoriais, repalletização e tintas para carimbo. COMPRA DE PRODUTOS DE PESSOAS FÍSICAS OU BENFICIADOS COM SUSPENSÃO OU ALÍQUOTA ZERO. VEDAÇÃO AO REGISTRO DE CRÉDITOS As aquisições de produtos que não sofreram tributação pelo PIS e COFINS, por terem sido adquiridos de não contribuintes (pessoas físicas), gozarem de suspensão ou terem a alíquota reduzida a zero, não geram direito a crédito, conforme o disposto nos inc. II do § 2° do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Neste caso, encontram-se as compras de leite in natura e pasteurizado ou industrializado e vacinas, pintos e ovos. DIÁRIAS E HORA-MÁQUINA DE TRATORES. FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA A TOMADA DE CRÉDITOS O dispositivo legal que trata especificamente de despesas com aluguel (inc. IV do art. 3° Leis n° 10.637/02 e 10.833/03) não prevê gastos com aluguel de tratores. Portanto, não deve ser reconhecido o crédito. GASTOS SEM COMPROVANTE. VEDAÇÃO À TOMADA DE CRÉDITOS Não devem ser admitidos créditos sobre gastos, cuja documentação comprobatória não foi apresentada, tais como com compras de recortes de congelados de aves e aluguéis de prédios. CRÉDITO PRESUMIDO. INDUSTRIALIZAÇÃO EFETUADA POR TERCEIROS Regra que trata de benefício fiscal deve ser interpretada de forma estrita. Assim, o benefício fiscal do registro de crédito presumido não deve ser estendido aos casos de compra de leite in natura, cuja industrialização foi efetuada por terceiros. CRÉDITO PRESUMIDO. PERCENTUAL DETERMINADO COM BASE NO PRODUTO EM QUE O INSUMO FOR APLICADO Com a edição da Lei n° 12.865/13, que acresceu o § 10 ao art. 8° da Lei n° 10.925/04, pôs-se fim à controvérsia em torno da determinação do percentual a ser aplicado sobre os insumos, para fins de cálculo do crédito presumido. O percentual é determinado de acordo com classificação na TIPI do produto em que o insumo é aplicado. Isto posto, os créditos presumidos sobre aquisições de frangos vivos, milho, sorgo, soja e outros insumos, aplicados na produção de carnes e miudezas comestíveis, classificadas no Capítulo 2 da TIPI, devem ser calculados à razão de 60% das alíquotas de PIS e COFINS previstas nos arts. 2° das Leis n° 10.633/02 e 10.833/03. VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS PARA FRUIÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL A não incidência do PIS e da COFINS prevista nos inc. III do art. 5° da Lei n° 10.637/02 e inc. III do art. 6° da Lei n° 10.833/03 somente se aplica a vendas, cuja mercadoria é entregue no porto de embarque ou em recinto alfandegado. A Recorrente não faz jus ao beneficio fiscal, porque não atendeu aos requisitos legais. MULTA QUALIFICADA. FALTA DE PROVA CABAL Não se sustenta a qualificação da multa, quando não há nos autos prova cabal de ato doloso, porém, simplesmente, divergências entre as interpretações do Fisco e do contribuinte e falta de comprovação de gastos. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 3301-002.999
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário em relação à Preliminar de Nulidade do Lançamento. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário na apropriação de créditos na Industrialização Realizada por Terceiros e os correspondentes insumos, com exceção das compras de leite in natura e pasteurizado ou industrializado, em razão de serem adquiridos com alíquota zero. Vencidos Conselheiros Francisco e Paulo. Por unanimidade, dar provimento em relação aos créditos na Aquisição de Embalagens para Transporte. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário na aquisição de Vacinas, Pintos e Ovos. Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário no item pagamento de Fretes na Aquisição de Insumos, para acatar os créditos decorrentes de fretes na aquisição de insumos e no transporte entre estabelecimentos da recorrente, mantendo a glosa para os quais a motivação dos serviços de frete não foi identificadas. Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário no item Recortes de Congelados de Aves, mantendo somente as glosas em relação aos produtos, cujos documentos fiscais e os fornecedores não foram identificados. Por unanimidade de votos, dar provimento ao item Pallets de Madeira. Por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário no item serviços realizados por operador logístico. Vencidos Conselheiros Francisco e Paulo que negavam provimento. Por unanimidade de votos, dar provimento em relação ao item Análises Laboratoriais. Por maioria de votos, negar provimento em relação ao item Diárias e Horas-Máquina de Tratores. Vencida Maria Eduarda. Por unanimidade de votos, dar provimento em relação ao item Repaletização. Por unanimidade de votos, dar provimento em relação ao item Tintas para Carimbo. Por unanimidade de votos, negar provimento em relação ao item Aluguéis de Prédios. Por unanimidade de votos, negar provimento em relação ao item Leite In Natura. Por unanimidade de votos, dar provimento em relação ao item Frangos Vivos, Milho, Sorgo, Soja e Demais Insumos. Por unanimidade de votos, negar provimento em relação ao item Apuração dos Débitos dos Tributos. Por unanimidade de votos, dar provimento em relação ao item Multa Qualificada, para reduzi-la para 75%. Por unanimidade de votos, negar provimento em relação ao item Pedido de Diligência e Perícia. Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, VALCIR GASSEN, MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201606

camara_s : Terceira Câmara

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2016

numero_processo_s : 10983.721188/2013-93

anomes_publicacao_s : 201606

conteudo_id_s : 5605263

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2016

numero_decisao_s : 3301-002.999

nome_arquivo_s : Decisao_10983721188201393.PDF

ano_publicacao_s : 2016

nome_relator_s : MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA

nome_arquivo_pdf_s : 10983721188201393_5605263.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário em relação à Preliminar de Nulidade do Lançamento. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário na apropriação de créditos na Industrialização Realizada por Terceiros e os correspondentes insumos, com exceção das compras de leite in natura e pasteurizado ou industrializado, em razão de serem adquiridos com alíquota zero. Vencidos Conselheiros Francisco e Paulo. Por unanimidade, dar provimento em relação aos créditos na Aquisição de Embalagens para Transporte. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário na aquisição de Vacinas, Pintos e Ovos. Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário no item pagamento de Fretes na Aquisição de Insumos, para acatar os créditos decorrentes de fretes na aquisição de insumos e no transporte entre estabelecimentos da recorrente, mantendo a glosa para os quais a motivação dos serviços de frete não foi identificadas. Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário no item Recortes de Congelados de Aves, mantendo somente as glosas em relação aos produtos, cujos documentos fiscais e os fornecedores não foram identificados. Por unanimidade de votos, dar provimento ao item Pallets de Madeira. Por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário no item serviços realizados por operador logístico. Vencidos Conselheiros Francisco e Paulo que negavam provimento. Por unanimidade de votos, dar provimento em relação ao item Análises Laboratoriais. Por maioria de votos, negar provimento em relação ao item Diárias e Horas-Máquina de Tratores. Vencida Maria Eduarda. Por unanimidade de votos, dar provimento em relação ao item Repaletização. Por unanimidade de votos, dar provimento em relação ao item Tintas para Carimbo. Por unanimidade de votos, negar provimento em relação ao item Aluguéis de Prédios. Por unanimidade de votos, negar provimento em relação ao item Leite In Natura. Por unanimidade de votos, dar provimento em relação ao item Frangos Vivos, Milho, Sorgo, Soja e Demais Insumos. Por unanimidade de votos, negar provimento em relação ao item Apuração dos Débitos dos Tributos. Por unanimidade de votos, dar provimento em relação ao item Multa Qualificada, para reduzi-la para 75%. Por unanimidade de votos, negar provimento em relação ao item Pedido de Diligência e Perícia. Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, VALCIR GASSEN, MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES

dt_sessao_tdt : Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016

id : 6425066

ano_sessao_s : 2016

ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2009 AFRONTA AO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL E FALTA DE MOTIVAÇÃO Da leitura dos Auto de Infração e Relatório Fiscal e seus Anexos I ao XXVI, constata-se que a atuação foi devidamente fundamentada, estando a motivação do lançamento, a fundamentação legal e as infrações claramente descritas em seu corpo. Assim, foi plenamente atendido o art. 50 da Lei n° 9.784/99, que dispõe sobre a motivação dos atos administrativos. Portanto, não há que se falar em nulidade do auto de infração. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2009 REGISTRO DE CRÉDITOS BÁSICOS. CONCEITO DE INSUMOS. Considera-se como insumo, para fins de registro de créditos básicos, observados os limites impostos pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produto destinado à venda, e que tenha relação com as receitas tributadas, dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo e cuja subtração obsta a atividade da empresa ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes Nesta linha, deve ser reconhecido o direito ao registro de créditos relativos a custos com industrialização por encomenda, embalagens para transporte, fretes nas compras de insumos e no seu transporte entre estabelecimentos da Recorrente, pallets de madeira, operador logístico, análises laboratoriais, repalletização e tintas para carimbo. COMPRA DE PRODUTOS DE PESSOAS FÍSICAS OU BENEFICIADOS COM SUSPENSÃO OU ALÍQUOTA ZERO. VEDAÇÃO AO REGISTRO DE CRÉDITOS As aquisições de produtos que não sofreram tributação pelo PIS e COFINS, por terem sido adquiridos de não contribuintes (pessoas físicas), gozarem de suspensão ou terem a alíquota reduzida a zero, não geram direito a crédito, conforme o disposto nos inc. II do § 2° do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Neste caso, encontram-se as compras de leite in natura e pasteurizado ou industrializado e vacinas, pintos e ovos. DIÁRIAS E HORA-MÁQUINA DE TRATORES. FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA A TOMADA DE CRÉDITOS O dispositivo legal que trata especificamente de despesas com aluguel (inc. IV do art. 3° Leis n° 10.637/02 e 10.833/03) não prevê gastos com aluguel de tratores. Portanto, não deve ser reconhecido o crédito. GASTOS SEM COMPROVANTE. VEDAÇÃO À TOMADA DE CRÉDITOS Não devem ser admitidos créditos sobre gastos, cuja documentação comprobatória não foi apresentada, tais como com compras de recortes de congelados de aves e aluguéis de prédios. CRÉDITO PRESUMIDO. INDUSTRIALIZAÇÃO EFETUADA POR TERCEIROS Regra que trata de benefício fiscal deve ser interpretada de forma estrita. Assim, o benefício fiscal do registro de crédito presumido não deve ser estendido aos casos de compra de leite in natura, cuja industrialização foi efetuada por terceiros. CRÉDITO PRESUMIDO. PERCENTUAL DETERMINADO COM BASE NO PRODUTO EM QUE O INSUMO FOR APLICADO Com a edição da Lei n° 12.865/13, que acresceu o § 10 ao art. 8° da Lei n° 10.925/04, pôs-se fim à controvérsia em torno da determinação do percentual a ser aplicado sobre os insumos, para fins de cálculo do crédito presumido. O percentual é determinado de acordo com classificação na TIPI do produto em que o insumo é aplicado. Isto posto, os créditos presumidos sobre aquisições de frangos vivos, milho, sorgo, soja e outros insumos, aplicados na produção de carnes e miudezas comestíveis, classificadas no Capítulo 2 da TIPI, devem ser calculados à razão de 60% das alíquotas de PIS e COFINS previstas nos arts. 2° das Leis n° 10.633/02 e 10.833/03. VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS PARA FRUIÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL A não incidência do PIS e da COFINS prevista nos inc. III do art. 5° da Lei n° 10.637/02 e inc. II do art. 6° da Lei n° 10.833/03 somente se aplica a vendas, cuja mercadoria é entregue no porto de embarque ou em recinto alfandegado. A Recorrente não faz jus ao beneficio fiscal, porque não atendeu aos requisitos legais. MULTA QUALIFICADA. FALTA DE PROVA CABAL Não se sustenta a qualificação da multa, quando não há nos autos prova cabal de ato doloso, porém, simplesmente, divergências entre as interpretações do Fisco e do contribuinte e falta de comprovação de gastos. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2009 REGISTRO DE CRÉDITOS BÁSICOS. CONCEITO DE INSUMOS. Considera-se como insumo, para fins de registro de créditos básicos, observados os limites impostos pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produto destinado à venda, e que tenha relação com as receitas tributadas, dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo e cuja subtração obsta a atividade da empresa ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes Nesta linha, deve ser reconhecido o direito ao registro de créditos relativos a custos com industrialização por encomenda, embalagens para transporte, fretes nas compras de insumos e no seu transporte entre estabelecimentos da Recorrente, pallets de madeira, operador logístico, análises laboratoriais, repalletização e tintas para carimbo. COMPRA DE PRODUTOS DE PESSOAS FÍSICAS OU BENFICIADOS COM SUSPENSÃO OU ALÍQUOTA ZERO. VEDAÇÃO AO REGISTRO DE CRÉDITOS As aquisições de produtos que não sofreram tributação pelo PIS e COFINS, por terem sido adquiridos de não contribuintes (pessoas físicas), gozarem de suspensão ou terem a alíquota reduzida a zero, não geram direito a crédito, conforme o disposto nos inc. II do § 2° do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Neste caso, encontram-se as compras de leite in natura e pasteurizado ou industrializado e vacinas, pintos e ovos. DIÁRIAS E HORA-MÁQUINA DE TRATORES. FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA A TOMADA DE CRÉDITOS O dispositivo legal que trata especificamente de despesas com aluguel (inc. IV do art. 3° Leis n° 10.637/02 e 10.833/03) não prevê gastos com aluguel de tratores. Portanto, não deve ser reconhecido o crédito. GASTOS SEM COMPROVANTE. VEDAÇÃO À TOMADA DE CRÉDITOS Não devem ser admitidos créditos sobre gastos, cuja documentação comprobatória não foi apresentada, tais como com compras de recortes de congelados de aves e aluguéis de prédios. CRÉDITO PRESUMIDO. INDUSTRIALIZAÇÃO EFETUADA POR TERCEIROS Regra que trata de benefício fiscal deve ser interpretada de forma estrita. Assim, o benefício fiscal do registro de crédito presumido não deve ser estendido aos casos de compra de leite in natura, cuja industrialização foi efetuada por terceiros. CRÉDITO PRESUMIDO. PERCENTUAL DETERMINADO COM BASE NO PRODUTO EM QUE O INSUMO FOR APLICADO Com a edição da Lei n° 12.865/13, que acresceu o § 10 ao art. 8° da Lei n° 10.925/04, pôs-se fim à controvérsia em torno da determinação do percentual a ser aplicado sobre os insumos, para fins de cálculo do crédito presumido. O percentual é determinado de acordo com classificação na TIPI do produto em que o insumo é aplicado. Isto posto, os créditos presumidos sobre aquisições de frangos vivos, milho, sorgo, soja e outros insumos, aplicados na produção de carnes e miudezas comestíveis, classificadas no Capítulo 2 da TIPI, devem ser calculados à razão de 60% das alíquotas de PIS e COFINS previstas nos arts. 2° das Leis n° 10.633/02 e 10.833/03. VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS PARA FRUIÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL A não incidência do PIS e da COFINS prevista nos inc. III do art. 5° da Lei n° 10.637/02 e inc. III do art. 6° da Lei n° 10.833/03 somente se aplica a vendas, cuja mercadoria é entregue no porto de embarque ou em recinto alfandegado. A Recorrente não faz jus ao beneficio fiscal, porque não atendeu aos requisitos legais. MULTA QUALIFICADA. FALTA DE PROVA CABAL Não se sustenta a qualificação da multa, quando não há nos autos prova cabal de ato doloso, porém, simplesmente, divergências entre as interpretações do Fisco e do contribuinte e falta de comprovação de gastos. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:50:13 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713048418211856384

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 43; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2400; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T1  Fl. 10          1 9  S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10983.721188/2013­93  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3301­002.999  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  21 de junho de 2016  Matéria  PIS e COFINS  Recorrente  BRF S.A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2009  AFRONTA  AO  PRINCÍPIO  DA  VERDADE  MATERIAL  E  FALTA  DE  MOTIVAÇÃO  Da leitura dos Auto de Infração e Relatório Fiscal e seus Anexos I ao XXVI,  constata­se  que  a  atuação  foi  devidamente  fundamentada,  estando  a  motivação do  lançamento,  a  fundamentação  legal  e as  infrações  claramente  descritas em seu corpo.   Assim,  foi  plenamente  atendido  o  art.  50  da  Lei  n°  9.784/99,  que  dispõe  sobre a motivação dos atos administrativos. Portanto, não há que se falar em  nulidade do auto de infração.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2009  REGISTRO DE CRÉDITOS BÁSICOS. CONCEITO DE INSUMOS.   Considera­se  como  insumo,  para  fins  de  registro  de  créditos  básicos,  observados  os  limites  impostos  pelas  Leis  n°  10.637/02  e  10.833/03,  todo  custo,  despesa  ou  encargo  comprovadamente  incorrido  na  prestação  de  serviços ou na produção ou fabricação de produto destinado à venda, e que  tenha relação com as receitas tributadas, dependendo, para sua identificação,  das  especificidades  de  cada  processo  produtivo  e  cuja  subtração  obsta  a  atividade  da  empresa  ou  implica  em  substancial  perda  de  qualidade  do  produto ou serviço daí resultantes  Nesta linha, deve ser reconhecido o direito ao registro de créditos relativos a  custos  com  industrialização  por  encomenda,  embalagens  para  transporte,  fretes nas compras de insumos e no seu transporte entre estabelecimentos da  Recorrente,  pallets  de  madeira,  operador  logístico,  análises  laboratoriais,  repalletização e tintas para carimbo.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 11 88 /2 01 3- 93 Fl. 3827DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/2013­93  Acórdão n.º 3301­002.999  S3­C3T1  Fl. 11          2 COMPRA DE PRODUTOS DE PESSOAS FÍSICAS OU BENEFICIADOS  COM SUSPENSÃO OU ALÍQUOTA ZERO. VEDAÇÃO AO REGISTRO  DE CRÉDITOS  As aquisições de produtos que não sofreram tributação pelo PIS e COFINS,  por terem sido adquiridos de não contribuintes (pessoas físicas), gozarem de  suspensão ou  terem a alíquota  reduzida a zero, não geram direito a crédito,  conforme o disposto nos  inc.  II  do § 2° do  art.  3° das Leis n° 10.637/02 e  10.833/03.  Neste  caso,  encontram­se  as  compras  de  leite  in  natura  e  pasteurizado ou industrializado e vacinas, pintos e ovos.  DIÁRIAS E HORA­MÁQUINA DE TRATORES. FALTA DE PREVISÃO  LEGAL PARA A TOMADA DE CRÉDITOS  O dispositivo  legal que  trata especificamente de despesas com aluguel  (inc.  IV do art. 3° Leis n° 10.637/02 e 10.833/03) não prevê gastos com aluguel de  tratores. Portanto, não deve ser reconhecido o crédito.  GASTOS  SEM  COMPROVANTE.  VEDAÇÃO  À  TOMADA  DE  CRÉDITOS  Não  devem  ser  admitidos  créditos  sobre  gastos,  cuja  documentação  comprobatória  não  foi  apresentada,  tais  como  com  compras  de  recortes  de  congelados de aves e aluguéis de prédios.  CRÉDITO  PRESUMIDO.  INDUSTRIALIZAÇÃO  EFETUADA  POR  TERCEIROS  Regra  que  trata  de  benefício  fiscal  deve  ser  interpretada  de  forma  estrita.  Assim,  o  benefício  fiscal  do  registro  de  crédito  presumido  não  deve  ser  estendido  aos  casos  de  compra  de  leite  in  natura,  cuja  industrialização  foi  efetuada por terceiros.  CRÉDITO  PRESUMIDO.  PERCENTUAL  DETERMINADO COM  BASE  NO PRODUTO EM QUE O INSUMO FOR APLICADO  Com a edição da Lei n° 12.865/13, que acresceu o § 10 ao art. 8° da Lei n°  10.925/04, pôs­se fim à controvérsia em torno da determinação do percentual  a ser aplicado sobre os insumos, para fins de cálculo do crédito presumido. O  percentual é determinado de acordo com classificação na TIPI do produto em  que o insumo é aplicado. Isto posto, os créditos presumidos sobre aquisições  de frangos vivos, milho, sorgo, soja e outros insumos, aplicados na produção  de carnes e miudezas comestíveis, classificadas no Capítulo 2 da TIPI, devem  ser calculados à razão de 60% das alíquotas de PIS e COFINS previstas nos  arts. 2° das Leis n° 10.633/02 e 10.833/03.  VENDAS  COM  O  FIM  ESPECÍFICO  DE  EXPORTAÇÃO.  INOBSERVÂNCIA  DOS  REQUISITOS  LEGAIS  PARA  FRUIÇÃO  DO  BENEFÍCIO FISCAL  A não incidência do PIS e da COFINS prevista nos inc. III do art. 5° da Lei  n°  10.637/02  e  inc.  II  do  art.  6°  da  Lei  n°  10.833/03  somente  se  aplica  a  vendas,  cuja  mercadoria  é  entregue  no  porto  de  embarque  ou  em  recinto  alfandegado.  A  Recorrente  não  faz  jus  ao  beneficio  fiscal,  porque  não  atendeu aos requisitos legais.  MULTA QUALIFICADA. FALTA DE PROVA CABAL  Fl. 3828DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/2013­93  Acórdão n.º 3301­002.999  S3­C3T1  Fl. 12          3 Não se sustenta a qualificação da multa, quando não há nos autos prova cabal  de ato doloso, porém, simplesmente, divergências entre as  interpretações do  Fisco e do contribuinte e falta de comprovação de gastos.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2009  REGISTRO DE CRÉDITOS BÁSICOS. CONCEITO DE INSUMOS.   Considera­se  como  insumo,  para  fins  de  registro  de  créditos  básicos,  observados  os  limites  impostos  pelas  Leis  n°  10.637/02  e  10.833/03,  todo  custo,  despesa  ou  encargo  comprovadamente  incorrido  na  prestação  de  serviços ou na produção ou fabricação de produto destinado à venda, e que  tenha relação com as receitas tributadas, dependendo, para sua identificação,  das  especificidades  de  cada  processo  produtivo  e  cuja  subtração  obsta  a  atividade  da  empresa  ou  implica  em  substancial  perda  de  qualidade  do  produto ou serviço daí resultantes  Nesta linha, deve ser reconhecido o direito ao registro de créditos relativos a  custos  com  industrialização  por  encomenda,  embalagens  para  transporte,  fretes nas compras de insumos e no seu transporte entre estabelecimentos da  Recorrente,  pallets  de  madeira,  operador  logístico,  análises  laboratoriais,  repalletização e tintas para carimbo.  COMPRA DE  PRODUTOS  DE  PESSOAS  FÍSICAS  OU  BENFICIADOS  COM SUSPENSÃO OU ALÍQUOTA ZERO. VEDAÇÃO AO REGISTRO  DE CRÉDITOS  As aquisições de produtos que não sofreram tributação pelo PIS e COFINS,  por terem sido adquiridos de não contribuintes (pessoas físicas), gozarem de  suspensão ou  terem a alíquota  reduzida a zero, não geram direito a crédito,  conforme o disposto nos  inc.  II  do § 2° do  art.  3° das Leis n° 10.637/02 e  10.833/03.  Neste  caso,  encontram­se  as  compras  de  leite  in  natura  e  pasteurizado ou industrializado e vacinas, pintos e ovos.  DIÁRIAS E HORA­MÁQUINA DE TRATORES. FALTA DE PREVISÃO  LEGAL PARA A TOMADA DE CRÉDITOS  O dispositivo  legal que  trata especificamente de despesas com aluguel  (inc.  IV do art. 3° Leis n° 10.637/02 e 10.833/03) não prevê gastos com aluguel de  tratores. Portanto, não deve ser reconhecido o crédito.  GASTOS  SEM  COMPROVANTE.  VEDAÇÃO  À  TOMADA  DE  CRÉDITOS  Não  devem  ser  admitidos  créditos  sobre  gastos,  cuja  documentação  comprobatória  não  foi  apresentada,  tais  como  com  compras  de  recortes  de  congelados de aves e aluguéis de prédios.  CRÉDITO  PRESUMIDO.  INDUSTRIALIZAÇÃO  EFETUADA  POR  TERCEIROS  Regra  que  trata  de  benefício  fiscal  deve  ser  interpretada  de  forma  estrita.  Assim,  o  benefício  fiscal  do  registro  de  crédito  presumido  não  deve  ser  estendido  aos  casos  de  compra  de  leite  in  natura,  cuja  industrialização  foi  efetuada por terceiros.  Fl. 3829DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/2013­93  Acórdão n.º 3301­002.999  S3­C3T1  Fl. 13          4 CRÉDITO  PRESUMIDO.  PERCENTUAL  DETERMINADO COM  BASE  NO PRODUTO EM QUE O INSUMO FOR APLICADO  Com a edição da Lei n° 12.865/13, que acresceu o § 10 ao art. 8° da Lei n°  10.925/04, pôs­se fim à controvérsia em torno da determinação do percentual  a ser aplicado sobre os insumos, para fins de cálculo do crédito presumido. O  percentual é determinado de acordo com classificação na TIPI do produto em  que o insumo é aplicado. Isto posto, os créditos presumidos sobre aquisições  de frangos vivos, milho, sorgo, soja e outros insumos, aplicados na produção  de carnes e miudezas comestíveis, classificadas no Capítulo 2 da TIPI, devem  ser calculados à razão de 60% das alíquotas de PIS e COFINS previstas nos  arts. 2° das Leis n° 10.633/02 e 10.833/03.  VENDAS  COM  O  FIM  ESPECÍFICO  DE  EXPORTAÇÃO.  INOBSERVÂNCIA  DOS  REQUISITOS  LEGAIS  PARA  FRUIÇÃO  DO  BENEFÍCIO FISCAL  A não incidência do PIS e da COFINS prevista nos inc. III do art. 5° da Lei  n°  10.637/02  e  inc.  III  do  art.  6°  da  Lei  n°  10.833/03  somente  se  aplica  a  vendas,  cuja  mercadoria  é  entregue  no  porto  de  embarque  ou  em  recinto  alfandegado.  A  Recorrente  não  faz  jus  ao  beneficio  fiscal,  porque  não  atendeu aos requisitos legais.  MULTA QUALIFICADA. FALTA DE PROVA CABAL  Não se sustenta a qualificação da multa, quando não há nos autos prova cabal  de ato doloso, porém, simplesmente, divergências entre as  interpretações do  Fisco e do contribuinte e falta de comprovação de gastos.  Recurso Voluntário Provido em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso  voluntário  em  relação  à  Preliminar  de Nulidade  do  Lançamento.  Por  maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário na apropriação de créditos na  Industrialização  Realizada  por  Terceiros  e  os  correspondentes  insumos,  com  exceção  das  compras de leite in natura e pasteurizado ou industrializado, em razão de serem adquiridos com  alíquota zero. Vencidos Conselheiros Francisco e Paulo. Por unanimidade, dar provimento em  relação aos créditos na Aquisição de Embalagens para Transporte. Por unanimidade de votos,  negar  provimento  ao  recurso  voluntário  na  aquisição  de  Vacinas,  Pintos  e  Ovos.  Por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  no  item  pagamento  de  Fretes na Aquisição de Insumos, para acatar os créditos decorrentes de fretes na aquisição de  insumos e no transporte entre estabelecimentos da recorrente, mantendo a glosa para os quais a  motivação  dos  serviços  de  frete  não  foi  identificadas.  Por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento parcial ao recurso voluntário no item Recortes de Congelados de Aves, mantendo  somente  as  glosas  em  relação  aos  produtos,  cujos  documentos  fiscais  e  os  fornecedores  não  foram identificados. Por unanimidade de votos, dar provimento ao item Pallets de Madeira. Por  maioria  de  votos,  dar  provimento  ao  recurso  voluntário  no  item  serviços  realizados  por  operador  logístico.  Vencidos  Conselheiros  Francisco  e  Paulo  que  negavam  provimento.  Por  unanimidade de votos, dar provimento em relação ao item Análises Laboratoriais. Por maioria  Fl. 3830DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/2013­93  Acórdão n.º 3301­002.999  S3­C3T1  Fl. 14          5 de votos, negar provimento em relação ao item Diárias e Horas­Máquina de Tratores. Vencida  Maria Eduarda. Por unanimidade de votos, dar provimento em relação ao item Repaletização.  Por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento  em  relação  ao  item  Tintas  para  Carimbo.  Por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento  em  relação  ao  item  Aluguéis  de  Prédios.  Por  unanimidade de votos, negar provimento em relação ao item Leite In Natura. Por unanimidade  de  votos,  dar  provimento  em  relação  ao  item  Frangos Vivos, Milho,  Sorgo,  Soja  e Demais  Insumos.  Por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento  em  relação  ao  item  Apuração  dos  Débitos  dos Tributos.  Por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento  em  relação  ao  item Multa  Qualificada, para reduzi­la para 75%. Por unanimidade de votos, negar provimento em relação  ao item Pedido de Diligência e Perícia.  Andrada Márcio Canuto Natal ­ Presidente.   Marcelo Costa Marques d'Oliveira ­ Relator     Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  ANDRADA  MÁRCIO  CANUTO  NATAL  (Presidente),  SEMÍRAMIS  DE  OLIVEIRA  DURO,  LUIZ  AUGUSTO  DO  COUTO  CHAGAS,  MARCELO  COSTA  MARQUES  D'OLIVEIRA,  FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, VALCIR  GASSEN, MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES   Fl. 3831DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/2013­93  Acórdão n.º 3301­002.999  S3­C3T1  Fl. 15          6   Relatório  Adoto o relatório da decisão de primeira instância:   Trata o presente processo de Autos de Infração de Cofins (fls. 3175 a 3185) e  PIS (fls. 3166 a 3174) referentes aos meses de outubro de 2008 a dezembro de 2009.  A empresa apura as contribuições pela modalidade não­cumulativa. A fiscalização  se  iniciou  a  partir  dos  pleitos  de  ressarcimento  de  Avipal  Nordeste  S/A  (CNPJ  01.573.181).  Após,  a  empresa  foi  incorporada  por  Brasil  Foods  S/A  (BRF).  A  fiscalização refez a apuração e apurou irregularidade no aproveitamento de créditos  e nas receitas submetidas à tributação, tendo constatado que nos meses em questão  resultariam valores a pagar das contribuições. O valor total dos lançamentos somou  R$  13.322.706,86,  no  caso  da  Cofins,  e  R$  2.892.429,79,  para  o  PIS.  O  auto  de  infração  foi  efetuado  com  a multa  agravada  de  150%,  totalizando,  com  a multa  e  juros até 09/2013, R$ 38.499.800,17 (Cofins) e R$ 8.358.509,32 (PIS).   O denominado Relatório Fiscal (fl. 501 a 532) descreve a verificação efetuada  e conclusões obtidas. De início, é descrito o ramo do leite, referente ao qual todos os  créditos foram glosados.   Iniciada  a  verificação,  ainda  em  relação  aos  períodos  imediatamente  anteriores aos aqui lançados, a Avipal Nordeste informou que a industrialização do  leite era realizada por outras empresas, por encomenda.   Foram  analisados,  com  base  na  documentação  ofertada,  a  situação  da  industrialização  realizada por Cooperativa Central de Produtores de Leite  (CCPL),  Agropecuária  Tuiuti  e  Cooperativa Central  de  Laticínios  do  Estado  de  São  Paulo  (CCL).   Em todos os casos, os contratos existentes de industrialização por encomenda  não  foram  celebrados  com  Avipal  Nordeste,  que,  no  máximo  figurava  como  anuente, mas sim com Batavia S/A Indústria de Alimentos, Brasil Foods S/A e Eleva  Alimentos S/A. Na época, Batavia, Eleva e Avipal NE, eram subsidiárias  integrais  de Perdigão S/A.   No primeiro caso, da CCPL, o leite in natura e todos os demais insumos eram  fornecidos por Batavia, que era a empresa que poderia, como de fato o fazia, pelo  menos  parcialmente,  aproveitar  os  créditos.  No  segundo  caso,  as  minutas  de  consolidação  de  contrato  já  indicavam  expressamente  a  preocupação  com  a  regularização da situação formal. Constatou­se que o que dispunha a Avipal NE era  de  uma  sala  alugada  nas  dependências da Tuiuti  e  outra  sala  cedida,  sendo  este  o  endereço  da  filial  que  estaria  voltada  à  produção  de  leite.  Também,  os  insumos  creditados  por  Avipal  não  foram  comprados  e  pagos  por  Avipal  NE.  No  terceiro  caso,  da CCL,  também  inexistia  relação  jurídica,  à  época,  de  industrialização  por  encomenda  diretamente  com  Avipal  NE.  Esta,  mantinha  uma  sala  comercial  nas  dependências  da  CCL,  com  filial  cadastrada  no  endereço.  A  CCL  já  havia  sido  adquirida por Eleva Alimentos na época dos períodos contemplados no lançamento.  Igualmente, no caso, não havia compra/dispêndio por Avipal, pois a contraprestação  prevista no contrato seria o pagamento de valores por espécie de lácteo produzido.   Outros motivos para o não creditamento, como a alíquota zero no caso de leite  industrializado,  serão  mencionados  em  separado.  Assim,  as  empresas  teriam  se  Fl. 3832DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/2013­93  Acórdão n.º 3301­002.999  S3­C3T1  Fl. 16          7 creditado e emitido documentos fiscais para tal de forma desvinculada da realidade  de  produção  existente.  Menciona  a  fiscalização  que  a  produção  de  lácteos  nem  constava na descrição de processo produtivo de Avipal, até alertada do fato. Ou seja,  não era  juridicamente encomendante, nem eram comprados e pagos, efetivamente,  “insumos”. A fiscalização conclui que Avipal NE comercializava os produtos com  industrialização  contratada  por  BRF,  Eleva  ou Batavia. A  situação  verificada  não  comporta o creditamento de PIS e Cofins não­cumulativos por Avipal Nordeste, por  isso todos os créditos relacionados à produção de leite e derivados foram glosados.   Outros  valores  de  créditos  básicos  foram  objeto  de  glosa,  seja  por  se  encontrarem  em  desacordo  com  o  conceito  de  insumo,  adotado  o  disposto  na  IN  SRF  404/04,  ou  por  não  condizentes  com  as  demais  disposições  da  não­ cumulatividade.  São  os  itens  seguintes,  em  conformidade  com  o  “Termo  de  Verificação Fiscal” (TVF):   • Embalagens para transporte: tanto do leite como dos demais produtos, por só  gerarem  créditos  as  embalagens  que  puderem  ser  caracterizadas  como  insumos,  incorporadas no processo produtivo;   • Vacinas: por não serem passíveis de creditamento os valores adquiridos sob  alíquota zero, como é previsto para as vacinas veterinárias, e, também, por não estar  enquadrado na previsão de crédito presumido da Lei 10.925/04;   • Fretes: glosados como créditos de insumos, apresentados em separado para  leite  e  outras  aquisições,  por  entender­se  que  não  há  previsão  de  crédito  nas  compras. Mesmo com interpretação menos restritiva, só seria contemplado o custo  de  aquisição  de  mercadorias  destinadas  à  revenda,  que  não  estão  segregadas.  Também  foram  incluídos  os  fretes  para  transporte  de  ração  para  os  integrados  e  transferência  de  ovos  para  a  incubadora,  para  os  quais  inexistiria  previsão. Outro  motivo é que as contas identificadas genericamente como “frete”, “serviços de frete  e carreto” e “compra para estoque” não permitiriam a correta segregação;   • Recortes  congelados  de  aves:  considerou­se  que  a Avipal NE produz  e  se  utiliza  como  insumo  para  creditamento  dos  recortes  congelados  de  aves,  mas  inexiste comprovação de seu uso como insumo no processo produtivo;   •  Pintos  e  ovos:  aquisições  com  alíquota  zero  de  PIS  e  Cofins,  não  comportando crédito básico;   •  Pallets  de  madeira:  uso  para  acondicionamento  e  transporte,  não  comportando creditamento;   •  Leite:  se  desconsiderada  a  glosa  geral  antes  indicada,  ainda  não  seria  passível  de  creditamento  a  compra  de  leite  efetuada  pela  Avipal/BRF.  O  leite  in  natura  foi  adquirido  de  pessoas  físicas,  cooperativas  ou  pessoas  jurídicas  de  atividade enquadrada no art. 9° da Lei 10.925/04, ou seja, ou a aquisição não  tem  incidência  de  PIS  e  Cofins  ou  está  sujeita  à  suspensão.  Alegação  de  que  seriam  aquisições de outros fornecedores ou não submetidas à suspensão não se comprova.  Algumas  aquisições  constaram  como  feitas  com  pessoas  ligadas,  em  especial  Batavia,  como compras para  industrialização e como destinatário  final Avipal NE.  Com isso, apenas se buscou “mascarar” a origem, mediante interposição de terceiros  sem propósito negocial, caracterizando abuso de forma. Já o leite fluído pasteurizado  ou  industrializado é adquirido com alíquota zero. Por isso, crédito  foi  inteiramente  glosado nesse item;   Fl. 3833DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/2013­93  Acórdão n.º 3301­002.999  S3­C3T1  Fl. 17          8 • Outras aquisições classificadas como insumos: foram glosados itens que não  são bens ou não sofrem alteração ou desgaste diretamente no processo produtivo, a  saber  –  alimento para  consumo  (alimento  com  soja,  salame,  sobremesa  etc.),  tinta  para  carimbo,  pagamento  de  comissões,  complemento  de  “litragem”,  contêineres,  serviços de carga e descarga, hora máquina de tratores e serviços de repaletização.   Ainda  seguindo  o  TVF,  com  relação  aos  valores  de  serviços  objeto  do  creditamento,  foram  aceitos  aqueles  prestados  por  pessoa  jurídica  aplicados  ou  consumidos na produção ou fabricação dos produtos, em conformidade com o § 4º,  do art. 8º da IN SRF 404/04. É o caso dos serviços referentes a incubação de ovos,  congelamento/resfriamento de produtos  e de  sangria. Porém, não  foram aceitos os  créditos apurados nos seguintes casos:   •  Serviços  prestados  por  CCL  e  Agropecuária  Tuiuti  referentes  a  industrialização  de  leite:  pelos  motivos  já  indicados  acima  não  podem  ser  caracterizados  serviços  decorrentes  da  produção  de  leite  ou  industrialização  por  encomenda para fins de creditamento;   • Pintos de 1 dia: glosado por não serem serviços e item também constou nos  bens utilizados como insumos;   • Serviços de operador logístico: via de regra  realizados após a produção ou  fabricação. Na maioria dos casos realizados por CCL, referentes a descarregamento,  armazenagem, seleção e expedição de pedidos entre outros não caracterizados como  insumos.  Também  referentes  a  outros  prestadores,  sem  contratos  ou  informações  para comprovar ou atestar uma situação diversa;   •  Outros  serviços:  glosados  os  que  não  podem  ser  caracterizados  como  insumos – utensílios de laboratórios, diárias, pallets, fretes, IPTU/ITR.   Quanto  aos  créditos  decorrentes  de  aluguéis  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos,  não  foram  apresentados  os  contratos  e  recibos  de  pagamentos  que  justificassem o seu enquadramento na legislação de regência, tendo sido glosados.   Já com relação aos créditos presumidos, foram objeto de glosas os seguintes  itens:   • Leite: glosa geral.   • Frango vivo, milho, sorgo, soja e outros insumos relacionados: o percentual  de  crédito  presumido  é  apurado  de  acordo  com  o  tipo  de  insumo.  A  empresa  calculou como 60% para todos, em desacordo com a Lei 10.925/04, art. 8º, § 3º. Os  créditos  foram  recalculados  com  o  percentual  considerado  correto,  para  a  soja  de  50% (inciso II) e para os demais de 35% (III);   Também  foram  constatadas  irregularidades  no  que  diz  respeito  às  receitas  submetidas a  tributação e decorrente apuração dos débitos. Diversas vendas foram  enquadradas pela empresa no art. 5º,  III, da Lei 10.637/02 e no art. 6º,  III, da Lei  10.833/03,  ou  seja,  venda  a  comercial  exportadora  com  fim  específico  de  exportação.  Todos  estes  produtos  foram  comprados  por  BRF,  controladora  da  Avipal NE. A condição estabelecida para a não  incidência é  a de que os produtos  sejam  remetidos  diretamente  do  estabelecimento  industrial  para  embarque  de  exportação  ou  recintos  alfandegados por  conta  e ordem de  comercial  exportadora.  Por  certo,  há registros de exportação de BRF, mas  tal  empresa  também produz as  mercadorias. Não foi apresentada comprovação de que o requisito  legal  tenha sido  cumprido, assim, tais valores foram submetidos à tributação.   Fl. 3834DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/2013­93  Acórdão n.º 3301­002.999  S3­C3T1  Fl. 18          9 Por  fim, concluiu­se que  foram contabilizados créditos em desacordo com a  legislação,  inclusive que deveriam ser apropriados por outras pessoas jurídicas. Os  registros efetuados não correspondiam à realidade factual verificada. Também foram  constatadas  vendas  não  comprovadas  à  comercial  exportadora.  Em  tese,  ficou  caracterizada  sonegação/fraude,  ao  se  adotarem  ações  com  objetivo  exclusivo  de  suprimir ou reduzir tributos, resultando em declaração falsa, inserção de elementos  inexatos ou omissão de  informações  e elaboração ou utilização de documento que  saiba falso ou inexato (Lei 8.137, art. 1º, I, II e IV). O lançamento foi efetuado com  multa agravada.   A empresa foi cientificada em 20/09/2013 (fl. 3232).   Em  22/10/2013,  a  empresa  apresentou  impugnação  integral  ao  lançamento  (fls.  3234 a 3542). Preliminarmente,  aborda  a  superficialidade do  trabalho  fiscal  e  discorre  sobre  o  princípio  da  verdade  material,  que  entende  ofendido  no  procedimento  efetuado,  citando  entendimento  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais (CARF). Trata da instrução probatória no Processo Administrativo  Fiscal  (PAF)  e  da  necessidade  de  conhecimento  do  processo  produtivo.  Cita  a  análise empreendida no caso do leite, em que as conclusões teriam sido obtidas pela  simples  análise  dos  contratos,  nos  quais  a  autuada  é  anuente,  desprezando­se  a  contabilidade e sem aprofundar o  real processo produtivo. Pelo art. 276 do RIR, a  escrituração  faz prova  em  favor  do  contribuinte,  o  que  também pode  ser  obtido  a  partir  do  código  de  processo  civil.  Também,  os  documentos  emitidos  pelos  fornecedores em relação à autuada fazem prova de vontade. Explica ser comum em  empresas  com  relações  comerciais  muito  próximas,  a  existência  de  filiais  com  estruturas compartilhadas. Considera superficial a conclusão da fiscalização, apenas  com  base  em  consulta  de  duas  filiais,  de  que  não  haveria  industrialização  por  encomenda  ou  industrialização  por  parte  da  impugnante.  Alega  ser  ônus  da  fiscalização provar a ocorrência das infrações.   Quanto ao mérito, inicialmente, indica ser a impugnante parte do grupo BRF,  de  capital  aberto. O grupo é um dos maiores players globais do  setor  alimentício,  com marcas conhecidas no ramo de carnes, alimentos processados de carne, lácteos  entre outros. Está entre os maiores exportadores de aves. Explica o fluxo produtivo  do frango e resume o fluxo produtivo dos lácteos.   Em  preâmbulo,  aborda  o  conceito  de  insumo.  Discorre  sobre  a  sistemática  não­cumulativa implementada nas contribuições em questão. Explica a racionalidade  da implantação, citando doutrina e concluindo que o pressuposto de fato é diferente  do encontrado no caso do IPI, sendo a tônica deste o produto industrializado e, nas  contribuições  em  comento  o  processo  produtivo.  Menciona  acórdãos  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  (CSRF)  e  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (Carf)  e  do TRF da  4ª Região  e  aponta  que  a  IN SRF 404/04  restringiu  o  conceito de  insumo da  lei. Conclui que, para o PIS e a Cofins, qualquer dispêndio  essencial ao processo produtivo, vinculado à formação da receita, é insumo.   Primeiro, protesta contra o entendimento adotado no TVF para o segmento do  leite. Questiona porque adquiriria embalagens, frascos e leite in natura se não fosse  para a produção de lácteos. No caso da CCPL, todo o entendimento da fiscalização é  sustentado  pela  análise  de  um  contrato.  Argumenta  que  já  trouxe  aos  autos  os  conhecimentos de  transporte que comprovam a entrega do leite na Avipal NE (fls.  585  a  589).  Quanto  a  Agropecuária  Tuiuti,  argumenta  que,  se  a  fiscalização  não  reconhece  a  relação  jurídica  com  tal  empresa,  deveria  reconhecer  os  créditos  dos  insumos  para  a  produção  de  leite  pela  empresa  autuada.  Abordando  a  industrialização da CCL, ressalta que a impugnante adquiria insumos para produção,  Fl. 3835DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/2013­93  Acórdão n.º 3301­002.999  S3­C3T1  Fl. 19          10 seja  por  encomenda  ou  própria,  portanto,  devem  ser  reconhecidos  os  créditos.  Quanto aos produtos sujeitos a alíquota zero, cita o inciso II, do § 2º do art. 3º da Lei  10.833/03,  indicando  que  não  é  aplicável  à  situação  aqui  discutida  porque  os  insumos encontravam­se sujeitos à incidência da contribuição. Argumenta que existe  exceção,  conforme  constou  no  próprio  TVF,  no  caso  de  compra  isenta  e  saída  tributada. Assim, apesar da norma “... direcionar a exceção aos casos de isenção, não  há  duvidas  de  que  tal  previsão  deve  ser  integralmente  estendida  às  hipóteses  de  alíquota zero” (p. 3266). Cita doutrina sobre a similaridade dos institutos da isenção  e alíquota zero e sobre as consequências danosas do não reconhecimento de créditos  sobre  a  não­cumulatividade  das  contribuições.  Ressalta,  então,  que  o  fiscal  se  apegou em aspectos formais e não aprofundou as questões fáticas.   Sobre os bens e serviços utilizados como insumos, admite que houve erro em  alguns casos na informação no Dacon, com as mercadorias adquiridas como insumo  tendo sido informadas como serviços e vice­versa. Porém, o equívoco não justifica a  glosa  de  créditos  e,  citando  o  Carf,  o  erro  de  linha  no  Dacon  não  é  óbice  ao  creditamento. Sobre os créditos básicos, sempre seguindo a impugnação, argumenta:   • Embalagens para transporte: tratam­se de produtos para o consumo humano.  A ausência de embalagens impossibilita o transporte ou, no mínimo, compromete a  qualidade.  O  Carf  já  concedeu  pelo  critério  da  essencialidade.  O  fato  das  embalagens  serem  integradas  após  a  industrialização  não  retira  a  característica  de  essencialidade;   •  Vacinas:  Em  argumento  já  apresentando  no  item  referente  a  CCL,  demonstrou  que  a  exceção  prevista  na  entrada  isenta  e  saída  tributada  deve  ser  aplicada aos casos de alíquota zero;   • Fretes nas aquisições de insumos: Trata­se de uma das maiores empresa de  produtos  alimentícios  do  mundo,  com  dezenas  de  plantas  industriais  no  país  e  diversos produtos. No contexto, é notório que o frete de matérias­primas e produtos  semi­acabados  é  inerente  a  atividade  e  imprescindível  ao  processo  produtivo  (transcreve­se Solução de Consulta e Acórdão do Carf que permitiram o frete entre  estabelecimentos). No caso de ração e ovos, o frete deve ser permitido por se referir  a insumos essenciais. Também o frete de produtos prontos deve ser permitido, sendo  que os centros de distribuição são indispensáveis na operação e tais fretes nada mais  são do que parcela dos fretes de vendas. Citada decisão do Carf e anexadas planilhas  com detalhamento das despesas com fretes;   • Recorte congelado de aves: Reconhece não se tratar de insumo, mas de bens  adquiridos para revenda, cujo crédito é permitido pela Lei 10.833/03, art. 1º, I;   •  Pintos  e  ovos:  argumentos  que  comprovam  que  os  produtos  adquiridos  à  alíquota zero podem gerar créditos já foram apresentados;   • Pallets: apresentam­se as diversas funções dos pallets no processo produtivo,  consubstanciado  em  laudo  do  Instituto  Nacional  de  Tecnologia,  inclusive  no  aumento  da  eficiência  durante  o  processo  produtivo  e  na  função  de  evitar  a  contaminação.  É  citada  decisão  recente  do  Carf  permitindo  o  creditamento  para  acondicionamento  para  transporte.  Em  suas  funções,  são  também  despesas  para  armazenagem  e,  no  caso  dos  produtos  exportados,  material  de  embalagem,  pois  acompanham os produtos, possibilitando a apuração de créditos;   • Leite adquirido: é efetivamente um insumo no processo produtivo. O Carf já  possibilitou crédito na aquisição de pessoas físicas e cooperativas  (cita acórdão do  IPI). Caso  não  reconhecido  o  crédito  básico,  deve  ser,  pelo menos,  reconhecido  o  Fl. 3836DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/2013­93  Acórdão n.º 3301­002.999  S3­C3T1  Fl. 20          11 crédito  presumido,  sendo  que  a  fiscalização  possui  o  dever  de  refazer  a  apuração  corretamente. Quanto à suspensão, alega que, a despeito de existir previsão legal, os  insumos  foram  adquiridos  sem  a  suspensão.  Assim,  aplicável  o  art.  3º  das  Leis  10.637/02  e  10.833/03,  caso  contrário  se  estaria  ferindo  o  princípio  da  não­ cumulatividade.  Em  grande  parte  do  período  autuado,  estava  vigente  a  IN  660/06  (art. 4º), que não trazia a previsão de obrigatoriedade da suspensão. A alteração da  IN 977/09 demonstra que antes não havia tal previsão. No caso de leite pasteurizado,  já  foi  fartamente  demonstrado  em  itens  anteriores  o  direito  de  creditamento  em  relação aos insumos alíquota zero. Reafirmam­se desprovidas de prova as acusações  de  evasão  fiscal,  sendo  legítimo  e  prática  comum  a  compra  de  insumos  para  industrialização que o fornecedor tenha adquirido de terceiros com venda à ordem;   •  Operador  logístico:  geralmente  prestados  por  CCL,  estão  descritos  no  contrato  e  podem  ser  caracterizados,  genericamente,  como  de  carga  e  descarga,  associados  à  armazenagem.  O  direito  a  crédito  das  despesas  de  armazenagem  é  notório  e  abarca  despesas  associadas.  Citado  Carf  e  Solução  de  Divergência  da  Receita Federal;   •  Análises  laboratoriais:  Trata­se  de  produto  para  consumo  humano,  com  requisitos  obrigatórios  de  controle  de  qualidade,  inclusive  estabelecidos  pelo  Ministério  da  Agricultura  para  a  produção  de  leite.  É  citado  Carf  e  Solução  de  Consulta;   •  Diárias  e  horas/máquina  tratores:  inciso  IV  do  art.  3º  da  Lei  10.833/03  permite  creditamento  relativo  a  aluguéis  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos  utilizados nas atividades da empresa. Os veículos e tratores funcionam na atividade  da empresa como verdadeiras máquinas, usadas para monitorar animais e materiais  essenciais.  É  citada  jurisprudência  administrativa,  devendo  a  glosa  ser  cancelada  pela vinculação ao processo produtivo;   •  Repaletização:  Já  tendo  demonstrado  a  imprescindibilidade  dos  pallets,  ressalta que a constância de uso e  fragilidade  impõem a  restauração ou serviço de  repaletização, atividade comum e essencial;   •  Tintas  para  carimbos:  são  usadas  para  nomear  as  etiquetas  contidas  nas  embalagens das mercadorias, portanto acessórias às embalagens;   • Outros – pintos de um dia,  industrialização por encomenda e outros  foram  objeto de impugnação em itens diversos;   •  Aluguéis  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos:  existe  previsão  expressa.  Prédios,  abatedouros,  empilhadeiras  são  essenciais  e  vinculados  ao  processo  produtivo. O abatedouro é  intrínseco e  fundamental no  ramo da empresa, devendo  ser autorizado o crédito pelo critério da essencialidade.   Com  relação  ao  crédito  presumido,  transcreve  o  art.  8º  da  Lei  10.925/04  e  argumenta que não há requisito  referente ao produto ser objeto de  industrialização  por  encomenda  ou  por  produção  própria.  O  Decreto  7.212/10  equipara  o  encomendante  ao  estabelecimento  industrial.  O  não  reconhecimento  afrontaria  a  não­cumulatividade. Diz não ter apropriado créditos presumidos em relação ao leite  in natura revendido e apenas por equívoco informou aquisições do leite revendido na  linha  do  crédito  presumido.  Alega  ainda  que  há  equivoco  no  cálculo  do  crédito  presumido, tendo se aplicado o percentual correspondente ao insumo, com base na  IN SRF 660/06,  ao  contrário do  aplicável,  em  relação ao produto. A  interpretação  lógica,  literal  e  finalística  indica  que  o  percentual  se  refere  ao  produto.  Cita  entendimento  favorável  do  Carf.  Para  colocar  uma  pá­de­cal  no  debate,  Fl. 3837DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/2013­93  Acórdão n.º 3301­002.999  S3­C3T1  Fl. 21          12 recentemente  foi  publicada  a Lei  12.865/04,  que  transcreve. Ressalta  que  além de  resolvida a questão, não poderia ser alegada a inaplicação aos fatos pretéritos, uma  vez que é expressamente lei interpretativa.   No que  respeita  a  base  de  cálculo  tributável  e  aos  débitos  de PIS  e Cofins,  ressalta que exporta para diversos países, vendendo para comercial exportadora que  detém  a  logística  para  efetuar  as  exportações.  Exigir  da  impugnante  a  prova  das  exportações seria inverter o ônus da prova, pois caberia à fiscalização provar que ela  não ocorreu, inclusive, se caso, exigindo da comercial exportadora.   Por  fim,  com  relação  à  multa  agravada,  seguindo  a  recorrente,  a  simples  apuração indevida de crédito não configura sonegação ou  fraude nem dá origem a  multa  agravada.  Para  tal  seria  necessário  evidente  intuito  de  fraude,  definido  nos  arts.  71,  72  e  73  da  Lei  4.502/64,  comprovando  existência  de  intenção  dolosa.  Acerca  da  conduta dolosa,  não  há  um único documento  do  fisco. Dolo  e  erro  são  diferentes. Cita Pontes de Miranda e acórdãos do Carf visando demonstrar descabida  a  acusação  de  sonegação  fiscal  ou  fraude  com  base  na  apropriação  indevida  de  créditos.   Acrescenta,  caso se entenda  insuficientes os elementos apresentados, pedido  de  pedido  de  perícia  e  diligência,  indicando  perito  e  os  respectivos  quesitos,  em  especial  de  esclarecimentos  sobre  o  processo  produtivo,  e  formulando  questões  a  serem respondidas pelo fiscal em diligência.   Anexa  explicações  do  processos  produtivos,  relação  de  aquisições  de  fretes  nas operações de vendas, relatório técnico do INT, relação de despesas com aluguéis  de prédios e edificações e relação de aluguéis de máquinas e equipamentos. Requer  o reconhecimento da existência de créditos e o cancelamento do lançamento fiscal.   A DRF/FNS encaminha para apreciação da DRJ, atestando implicitamente a  tempestividade.  A DRJ em Porto Alegre/RS julgou a impugnação improcedente e manteve o  crédito tributário. O Acórdão 10­050.084, da 2ª Turma da DRJ/POA, foi assim ementado:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2009  GLOSA  DOS  CRÉDITOS.  DESCARACTERIZAÇÃO  DA  OPERAÇÃO.  Só podem ser apurados créditos de insumos na modalidade não­ cumulativada  contribuição,  quando  houver  compra  de  pessoa  jurídica  nacional  e  utilização  em  processo  produtivo.  Quando  comprovado  que  o  negócio  jurídico  não  foi  realizado  com  a  pessoa  jurídica  que  aproveita  os  créditos,  ou  que  a  compra  e  industrialização existe apenas formalmente, de forma dissociada  da  realidade  fática,  deve  ser  feita a glosa  integral dos  créditos  aproveitados indevidamente como insumos.  APURAÇÃO  INDEVIDA  DE  CRÉDITOS.  OMISSÃO  DE  RECEITA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.  Constatada  a  sistemática  não  declaração de  débitos  em DCTF  einformação  indevida  de  créditos  no  Dacon,  por  meio  de  Fl. 3838DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/2013­93  Acórdão n.º 3301­002.999  S3­C3T1  Fl. 22          13 artifícios  dolosos,  deve  ser  feito  o  lançamento  de  ofício,  acrescido de multa agravada.  NÃO­CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS.  Do  valor  do PIS  ou  da Cofins,  apurados  segundo  o  regime da  não cumulatividade, a pessoa jurídica somente poderá descontar  os créditos listados na legislação de regência.  NÃO­CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. INSUMO.  Consideram­se  insumos,  para  fins  de  desconto  de  créditos  na  apuração das contribuições não­cumulativas, os bens e serviços  adquiridos  de  pessoas  jurídicas,  aplicados  ou  consumidos  na  fabricação  de  bens  destinados  à  venda  ou  na  prestação  de  serviços.  As  despesas  com  embalagens  de  transporte,  pallets,  serviços  de  repaletização, alimentos  para  consumo,  tintas  para  carimbo  e  outras  relacionadas  não  podem  ser  consideradas  insumo na fabricação/produção de bens destinados à venda.  CRÉDITOS.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  AQUISIÇÃO  ALÍQUOTA ZERO.  Com o advento da Lei nº 10.865, de 2004, que deu nova redação  aos arts.3ºs das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, não mais  se poderão apurar créditos decorrentes de aquisições de insumos  com  alíquota  zero,  utilizados  na  produção  ou  fabricação  de  produtos destinados à venda.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  DIREITO  DE  CRÉDITO.  COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE  É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a  existência do crédito utilizado por meio de desconto, restituição  ou  ressarcimento  e  compensação,  guardando  os  elementos  necessários  ou,  pelo  menos,  possibilitando  a  segregação  dos  dispêndios, se for o caso.  POSSIBILIDADE  DE  CRÉDITO.  FRETE  NA  AQUISIÇÃO.  VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO.  Não  existe  previsão  legal  expressa  para  o  cálculo  de  crédito  sobre  o  valor  do  frete  na  aquisição.  Esse  deve  ser  permitido  apenas quando o bem adquirido for passível de creditamento, e  na mesma proporção em que se der esse creditamento.  CRÉDITOS. LOCAÇÃO DE VEÍCULOS. IMPOSSIBILIDADE.  Valores  pagos  por  locação  de  veículo  não  ensejam  a  constituição  de  créditos  a  serem  descontados  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  apurada  em  regime  não­cumulativo,  porquanto  tais  despesas  não  estão  expressamente  relacionadas  no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 3º da Lei nº 10.833,  de 2003, e também não se enquadram em qualquer das hipóteses  de creditamento previstas naqueles dispositivos legais.  Fl. 3839DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/2013­93  Acórdão n.º 3301­002.999  S3­C3T1  Fl. 23          14 NÃO­CUMULATIVIDADE.  CRÉDITOS  DE  MÁQUINAS  E  EQUIPAMENTOS.  Na  sistemática  não­cumulativa  das  contribuições,  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar  créditos  referentes  a  locação  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos,  desde  que  utilizados  nas  atividades  da  empresa  e  devidamente  comprovados,  por  contratos, comprovantes de pagamentos ou outra documentação  compatível.  CRÉDITO PRESUMIDO. ALÍQUOTA APLICÁVEL.  Para os anos­calendários de 2008 e 2009, o percentual de 60%  aplicável sobre a alíquota prevista da contribuição será utilizado  apenas  para  os  insumos  de  origem  animal  classificados  nos  Capítulos 2 a 4,  16,  e nos  códigos 1501 a 1506, 1516.10,  e as  misturas  ou  preparações  de  gorduras  ou  de  óleos  animais  dos  códigos 15.17 e 15.18 adquiridos de pessoa física ou das pessoas  jurídicas indicadas no art 8º da Lei 10.925/2004, aplicando­se o  percentual  de  35%  para  os  demais  produtos,  com  exceção  de  soja e seus derivados que possuía percentual específico de 50%.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  APURAÇÃO  DE  CRÉDITOS.  VENDAS  COM  FIM  ESPECÍFICO  DE  EXPORTAÇÃO.  COMPROVAÇÃO.  Somente se consideram isentas do PIS e da Cofins as receitas de  vendas  efetuadas  com  o  fim  específico  de  exportação,  quando  comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente  do  estabelecimento  industrial  para  embarque de  exportação ou  para  recintos  alfandegados,  por  conta  e  ordem  da  empresa  comercial exportadora.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2009  GLOSA  DOS  CRÉDITOS.  DESCARACTERIZAÇÃO  DA  OPERAÇÃO.  Só podem ser apurados créditos de insumos na modalidade não­ cumulativada  contribuição,  quando  houver  compra  de  pessoa  jurídica  nacional  e  utilização  em  processo  produtivo.  Quando  comprovado  que  o  negócio  jurídico  não  foi  realizado  com  a  pessoa  jurídica  que  aproveita  os  créditos,  ou  que  a  compra  e  industrialização existe apenas formalmente, de forma dissociada  da  realidade  fática,  deve  ser  feita a glosa  integral dos  créditos  aproveitados indevidamente como insumos.  APURAÇÃO  INDEVIDA  DE  CRÉDITOS.  OMISSÃO  DE  RECEITA.LANÇAMENTO DE OFÍCIO.  Constatada a sistemática não declaração de débitos em DCTF e  informação indevida de créditos no Dacon, por meio de artifícios  dolosos,  deve  ser  feito  o  lançamento  de  ofício,  acrescido  de  multa agravada.  Fl. 3840DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/2013­93  Acórdão n.º 3301­002.999  S3­C3T1  Fl. 24          15 NÃO­CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS.  Do  valor  do PIS  ou  da Cofins,  apurados  segundo  o  regime da  não­cumulatividade, a pessoa jurídica somente poderá descontar  os créditos listados na legislação de regência.  NÃO­CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. INSUMO.  Consideram­se  insumos,  para  fins  de  desconto  de  créditos  na  apuração dascontribuições  não­cumulativas,  os  bens  e  serviços  adquiridos  de  pessoasjurídicas,  aplicados  ou  consumidos  na  fabricação  de  bens  destinados  àvenda  ou  na  prestação  de  serviços.  As  despesas  com  embalagens  de  transporte,  pallets,  serviços  de  repaletização,  alimentos  para  consumo,tintas  para  carimbo  e  outras  relacionadas  não  podem  ser  consideradasinsumo na fabricação/produção de bens destinados  à venda.  CRÉDITOS.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  AQUISIÇÃO  ALÍQUOTA ZERO.  Com o advento da Lei nº 10.865, de 2004, que deu nova redação  aos arts.3ºs das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, não mais  se poderão apurarcréditos decorrentes de aquisições de insumos  com  alíquota  zero,utilizados  na  produção  ou  fabricação  de  produtos destinados à venda.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  DIREITO  DE  CRÉDITO.COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE  É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a  existênciado crédito utilizado por meio de desconto,  restituição  ou  ressarcimento  ecompensação,  guardando  os  elementos  necessários  ou,  pelo  menos,  possibilitando  a  segregação  dos  dispêndios, se for o caso.  POSSIBILIDADE  DE  CRÉDITO.  FRETE  NA  AQUISIÇÃO.VINCULAÇÃO  AO  CRÉDITO  DO  BEM  ADQUIRIDO.  Não  existe  previsão  legal  expressa  para  o  cálculo  de  crédito  sobre  o  valordo  frete  na  aquisição.  Esse  deve  ser  permitido  apenas quando o bem adquirido for passível de creditamento, e  na mesma proporção em que se der esse creditamento.  CRÉDITOS. LOCAÇÃO DE VEÍCULOS. IMPOSSIBILIDADE.  Valores  pagos  por  locação  de  veículo  não  ensejam  a  constituição decréditos a serem descontados da Cofins apurada  em  regime  nãocumulativo,  porquanto  tais  despesas  não  estão  expressamente relacionadas no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002,  e  no  art.  3º  da  Lei  nº  10.833,  de  2003,  e  também  não  se  enquadram em qualquer das hipóteses de creditamento previstas  naqueles dispositivos legais.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  CRÉDITOS  DE  MÁQUINAS  EEQUIPAMENTOS.  Fl. 3841DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/2013­93  Acórdão n.º 3301­002.999  S3­C3T1  Fl. 25          16 Na  sistemática  não­cumulativa  das  contribuições,  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar  créditos  referentes  a  locação  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos,  desde  que  utilizados  nas  atividades  da  empresa  e  devidamente  comprovados,  por  contratos, comprovantes de pagamentos ou outra documentação  compatível.  CRÉDITO PRESUMIDO. ALÍQUOTA APLICÁVEL.  Para os anos­calendário de 2008 e 2009, o percentual  de 60%  aplicávelsobre a alíquota prevista da contribuição será utilizado  apenas  para  os  insumos  de  origem  animal  classificados  nos  Capítulos 2 a 4,  16,  e nos  códigos 1501 a 1506, 1516.10,  e as  misturas  ou  preparações  de  gorduras  ou  de  óleos  animais  dos  códigos 15.17 e 15.18 adquiridos de pessoa física ou das pessoas  jurídicas  indicadas  nos  arts.  8º  e  9º  da  Lei  10.925/2004,  aplicando­se o percentual de 35% para os demais produtos, com  exceção  de  soja  e  seus  derivados  que  possuía  percentual  específico de 50%.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  APURAÇÃO  DE  CRÉDITOS.  VENDASCOM  FIM  ESPECÍFICO  DE  EXPORTAÇÃO.  COMPROVAÇÃO.  Somente se consideram isentas do PIS e da Cofins as receitas de  vendas  efetuadas  com  o  fim  específico  de  exportação,  quando  comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente  do  estabelecimento  industrial  para  embarque de  exportação ou  para  recintos  alfandegados,  por  conta  e  ordem  da  empresa  comercial exportadora.  Inconformado,  o  contribuinte  apresentou  Recurso  Voluntário,  em  que,  basicamente, repete os argumentos contidos na impugnação.  É o relatório.      Fl. 3842DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/2013­93  Acórdão n.º 3301­002.999  S3­C3T1  Fl. 26          17   Voto             Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira  O Recurso Voluntário  reúne os  requisitos de admissibilidade, pelo que dele  tomo conhecimento.  Repiso  o  breve  sumário  da  contenda,  constante  da  decisão  de  primeira  instância:  "Trata o presente processo de Autos de Infração de Cofins (fls. 3175 a 3185) e  PIS (fls. 3166 a 3174) referentes aos meses de outubro de 2008 a dezembro de 2009.  A empresa apura as contribuições pela modalidade não­cumulativa. A fiscalização  se  iniciou  a  partir  dos  pleitos  de  ressarcimento  de  Avipal  Nordeste  S/A  (CNPJ  01.573.181).  Após,  a  empresa  foi  incorporada  por  Brasil  Foods  S/A  (BRF).  A  fiscalização refez a apuração e apurou irregularidade no aproveitamento de créditos  e nas receitas submetidas à tributação, tendo constatado que nos meses em questão  resultariam valores a pagar das contribuições. O valor total dos lançamentos somou  R$  13.322.706,86,  no  caso  da  Cofins,  e  R$  2.892.429,79,  para  o  PIS.  O  auto  de  infração  foi  efetuado  com  a multa  agravada  de  150%,  totalizando,  com  a multa  e  juros até 09/2013, R$ 38.499.800,17 (Cofins) e R$ 8.358.509,32 (PIS)."  A peça recursal contém dois grandes tópicos: "PRELIMINAR" e "MÉRITO".  Este  último  é  subdividido  em  quinze  sub­tópicos,  adiante  tratados,  na  ordem  em  que  se  apresentam no Recurso Voluntário..    I)  PRELIMINAR:  AFRONTA  AO  PRINCÍPIO  DA  VERDADE  MATERIAL E FALTA DE MOTIVAÇÃO  A Recorrente alega que a Fiscalização foi superficial e as conclusões não se  lastrearam  em  provas  constantes  dos  autos.  Que  houve  afronta  ao  Princípio  da  Verdade  Material. E que, portanto, o auto de infração não foi devidamente motivado.  Discordo da Recorrente.   Da leitura dos Auto de Infração (fls. 3.166 a 3.185) e Relatório Fiscal (fls 501  a  532)  e  seus  Anexos  I  ao  XXVI  (fls.  533  a  3.165),  constata­se  que  foi  devidamente  fundamentado,  estando  a  motivação  do  lançamento,  a  fundamentação  legal  e  as  infrações  claramente  descritas  em  seu  corpo.  Ademais,  todas  as  questões  de  mérito  foram  detalhadamente  combatidas  pela  Recorrente,  o  que  demonstra  ter  tomado  plena  ciência  da  disputa e exercido plenamente seu direito de defesa e contraditório.  Assim,  foi  plenamente  atendido  o  art.  50  da  Lei  n°  9.784/99,  que  dispõe  sobre a motivação dos atos administrativos.  Isto posto, nego provimento à preliminar de nulidade do auto de infração.  Fl. 3843DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/2013­93  Acórdão n.º 3301­002.999  S3­C3T1  Fl. 27          18   II) DO MÉRITO  Antes  de  adentrar  na  controvérsia  propriamente  dita,  faço  breve  relato  das  atividades desenvolvidas pela Recorrente. Adicionalmente, consigno alguns conceitos jurídicos  utilizados no exame das questões.   Das atividades da Recorrente  De  acordo  com  o  Recurso  Voluntário  (fls.  3.589  a  3.822),  a  Recorrente  dedica­se  à  fabricação  de  produtos  cárneos,  consistente  na  transformação  de  animais  vivos  (bovinos, aves e suínos) em produtos acabados in natura ou industrializados.   Também  atua  na  fabricação  de  produtos  lácteos,  em  que  adquire  o  leite  in  natura de produtores rurais e o transforma em diversos tipos de produto dele derivados.  Desconto de créditos e conceito de insumos   Sob  o  regime  da  não  cumulatividade,  é  admitido  o  cálculo  e  registro  de  créditos  de  PIS  e  COFINS  sobre  aquisição  bens  e  custos  e  despesas,  a  serem  abatidos  das  contribuições devidas sobre vendas.   O art.  3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 dispõe  sobre diversos  tipos de  crédito. Listamos alguns, próprios de empresas industriais, como a Recorrente:  Lei n° 10.833/03  “  Art.  3º  ­  Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2o  a  pessoa  jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a:  (. . .)  II  ­  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto  em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485,  de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao  concessionário,  pela  intermediação  ou  entrega  dos  veículos  classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;  (. . .)  IV  ­  aluguéis  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos,  pagos  a  pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa;  (. . .)  VI  ­  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado  adquiridos  para  utilização  na  produção  de  bens destinados à venda, ou na prestação de serviços;   (. . .)  Fl. 3844DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/2013­93  Acórdão n.º 3301­002.999  S3­C3T1  Fl. 28          19 IX ­ armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda,  nos  casos dos  incisos  I  e  II,  quando o ônus  for  suportado pelo  vendedor.   (. . .)  § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei  nº 10.865, de  2004)  I ­ de mão­de­obra paga a pessoa física; e  II ­ da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento  da  contribuição,  inclusive  no  caso  de  isenção,  esse  último  quando  revendidos  ou  utilizados  como  insumo  em  produtos  ou  serviços sujeitos à alíquota 0 (zero),  isentos ou não alcançados  pela contribuição.  (. . .)"  Sobre  o  conceito  de  insumos,  de  suma  importância  para  o  processo  em  comento, transcrevo o § 4° do art. 8° da IN SRF n° 404/04:  "(. . .)  § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende­ se como insumos:  I  ­  utilizados  na  fabricação  ou  produção  de  bens  destinados  à  venda:  a)  a  matéria­prima,  o  produto  intermediário,  o  material  de  embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações,  tais  como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre  o  produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo  imobilizado; (grifo nosso)  b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País,  aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto;  II ­ utilizados na prestação de serviços:  a)  os  bens  aplicados  ou  consumidos  na  prestação  de  serviços,  desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e  b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País,  aplicados ou consumidos na prestação do serviço.”  O conceito de insumos ainda não está pacificado no âmbito do CARF e dos  tribunais.   Em decisão recente e muito importante, o Superior Tribunal de Justiça (REsp  1.246.317/MG, publicado em 29/06/2015) adotou um conceito de insumos mais amplo do que  o da IN SRF n° 404/04, acima transcrita:  Fl. 3845DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/2013­93  Acórdão n.º 3301­002.999  S3­C3T1  Fl. 29          20 "(. . .)  Insumos,  para  efeitos  do  art.  3º,  II,  da  Lei  n.10.637/2002,  e  art.3º,  II,  da  Lei  n.  10.833/2003,  são  todos  aqueles  bens  e  serviços pertinentes ao ou que viabilizam o processo produtivo e  a  prestação  de  serviços,  que  neles  possam  ser  direta  ou  indiretamente  empregados  e  cuja  subtração  importa  na  impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção,  isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica  em  substancial  perda  de  qualidade  do  produto  ou  serviço  daí  resultantes.  (. . .)"  Enquanto  a  IN  SRF  n°  404/04  limita  o  conceito  de  insumos  a  elementos  aplicados diretamente no processo de produção ou prestação do serviço, o STJ ampliou. Podem  ser considerados como tal os que forem imprescindíveis para a consecução do objetivo final.  Ainda mais amplo é conceito de insumos do Dr. Marco Aurélio Greco, para o  qual é possível calcular créditos de PIS e COFINS sobre todo o custo ou despesa que contribuir  para a formação da receita:  “Embora a não cumulatividade seja uma idéia comum a IPI e a  PIS/COFINS,  a  diferença  de  pressuposto  de  fato  (produto  industrializado versus  receita)  faz  com que assuma dimensão  e  perfil  distintos.  Por  esta  razão,  pretender  aplicar  na  interpretação  de  normas  de  PIS/COFINS  critérios  ou  formulações construídas em relação ao IPI é: a) desconsiderar  os  diferentes  pressupostos  constitucionais;  b)  agredir  a  racionalidade  da  incidência  de PIS/COFINS;  e  c)  contrariar  a  coerência  interna  da  exigência,  pois  esta  se  forma  a  partir  do  pressuposto  ‘receita’  e  não  ‘produto’.”  (MARCO  AURELIO  GRECCO  ­  “Não­Cumulatividade  no  PIS  e  na  COFINS”,  Leandro Paulsen, São Paulo: IOB Thomsom, 2004)  Por fim, em uma posição intermediária entre o entendimento do STJ e o do  Dr. Marco Aurélio Greco, há o do Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, aposto no Acórdão  9303­003.079, da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em sessão do dia 13/08/04:   "Por conseguinte, em face de todo o exposto, entendemos que a  linha  mestra  de  interpretação  quanto  às  despesas  que  geram  créditos de PIS e COFINS só pode ser uma: se o legislador quis  alcançar  todas  as  receitas,  justo  que  todas  as  despesas  incorridas  para  gerar  tais  receitas  devem  ser  passíveis  de  creditamento,  observadas as  limitações postas pela própria  lei.  Não cabe ao intérprete, assim, impor limites além do que a lei já  o fez.   (...)  Portanto,  “insumo”  para  fins  de  creditamento  do  PIS  e  da  COFINS  não  cumulativos,  partindo  de  uma  interpretação  histórica,  sistemática  e  teleológica  das  próprias  normas  instituidoras  de  tais  tributos  (Lei  no.  10.637/2002  e  10.833/2003),  deve  ser  entendido  como  todo  custo,  despesa  ou  Fl. 3846DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/2013­93  Acórdão n.º 3301­002.999  S3­C3T1  Fl. 30          21 encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou  na  produção  ou  fabricação  de  bem  ou  produto  que  seja  destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas  tributadas  (critério  relacional),  dependendo,  para  sua  identificação, das especificidades de cada processo produtivo."  Entendo  que  o  conceito  de  insumos  trazido  pela  IN  SRF  n°  404/04,  que  assemelha­se ao do IPI, é demasiadamente restrito e sua aplicação severa muitas vezes afronta  a sistemática da não cumulatividade prevista nas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03.   Também considero  inapropriado que qualquer despesa ou custo possa gerar  crédito,  não  obstante  o  fato  de  serem  indiretamente  computadas  no  preço  final  do  produto,  pois,  do  contrário,  nenhum  negócio  seria  econômica  e  financeiramente  viável.  E,  se  são  computadas no preço de venda, naturalmente, sofrem incidência das contribuições.  Se  as  leis de  regência  falam em processo  fabril  e de prestação de  serviços,  estabelecem, ainda que de forma precária, as áreas da empresa, cujos bens, custos e despesas  podem  gerar  créditos.  Assim,  não  podemos  cogitar  a  possibilidade  de  calcular  créditos,  por  exemplo,  sobre  despesas  com  material  de  escritório  incorridas  pelas  gerências  financeira  e  contábil de uma fábrica de sapatos ou de uma prestadora de serviços técnicos de engenharia.   Em suma, repisando as palavras do Conselheiro Rodrigo C. Miranda e trecho  da  citada  decisão  do  STJ,  observados  os  limites  impostos  pelas  Leis  n°  10.637/02  e  10.833/03, considero como insumo "(.  .  .)  todo custo, despesa ou encargo comprovadamente  incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja  destinado  à  venda,  e  que  tenha  relação  e  vínculo  com  as  receitas  tributadas  (critério  relacional),  dependendo,  para  sua  identificação,  das  especificidades  de  cada  processo  produtivo (.  .  .)" e "(.  .  .) cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do  serviço ou da produção,  isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou  implica em  substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes."  Comprovação do direito ao crédito  Sobre  ônus  da  prova,  vale  lembrar  que,  na  lide  tributária,  à  autoridade  lançadora incumbe o ônus da prova da ocorrência do fato jurídico tributário ou da infração que  deseja  imputar ao contribuinte. Por outro  lado, ao contribuinte  incumbe o de provar os  fatos  impeditivos  do  nascimento  da  obrigação  tributária  ou  de  sua  extinção,  ou  requisitos  constitutivos de uma isenção ou outro benefício tributário.  Em  se  tratando  especificamente  de  tomada  de  créditos,  tema  central  do  processo em comento, é cediço que o ônus da prova cabe  àquele que alega  tê­los,  isto é, do  contribuinte.   Tais entendimentos podem ser extraídos dos art. 10 do Decreto n° 70.235/72  e  art.  333  do  antigo  Código  de  Processo  Civil  ­  CPC,  em  vigor  na  data  da  autuação  e  reproduzido  pelo  art.  373  do  novo CPC,  cuja  aplicação  ao Processo Administrativo Fiscal  é  supletiva:  "Decreto n° 70.235/72  Fl. 3847DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/2013­93  Acórdão n.º 3301­002.999  S3­C3T1  Fl. 31          22 Art.  10.  O  auto  de  infração  será  lavrado  por  servidor  competente,  no  local  da  verificação  da  falta,  e  conterá  obrigatoriamente:  (. . .)  III ­ a descrição do fato;  IV ­ a disposição legal infringida e a penalidade aplicável;  (. . .)"    "Antigo CPC  Art. 333. O ônus da prova incumbe:  I ­ ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;  II ­ ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo  ou extintivo do direito do autor.  (. . .)"  Assentadas  as  informações  sobre  a Recorrente  e  os  conceitos  jurídicos  que  serão aplicados, passemos às controvérsias.    II ­ a) Industrialização de produtos lácteos  O  Relatório  Fiscal  (fls.  501  a  532)  e  seus  Anexos  I  ao  XXVI  (fls.  533  a  3.165)  dedicou  quatro  tópicos  à  glosa  de  insumos  adquiridos  para  a  industrialização  por  encomenda de produtos lácteos:  i) Industrialização realizada pela CCPL  ii) Industrialização realizada pela Agropecuária Tuiuti  iii)  Industrialização  realizada  pela  Cooperativa  Central  de  Laticínios  do  Estado de São Paulo (CCL)  iv) Leite ­ créditos básicos  Autuação e decisão recorrida\  Basicamente,  os  créditos  dos  insumos  para  a  fabricação  de  lácteos  foram  glosados, pelos fatos de a Recorrente (Relatório Fiscal, fls. 504 a 509 e 515 e 516):   ­  ter  informado  que  realizava  industrialização  por  encomenda,  porém  ter  apresentado contratos em que figurava como anuente e não como encomendante;   Fl. 3848DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/2013­93  Acórdão n.º 3301­002.999  S3­C3T1  Fl. 32          23 ­  ter  indicado  que  também  executava  industrialização  de  lácteos  e  em  estabelecimento,  cujo  código  CNAE  é  de  "comércio  atacadista  e  leite  e  laticíneos"  e  se  localizava em salas localizadas nos mesmos endereços das empresas Tuiuti e CCL;   ­  não  ter  correlacionado  os  insumos  adquiridos  com  os  contratos  e  notas  fiscais de industrialização executada por terceiros;   ­ no caso específico da  industrialização efetuada pela empresa CCL,  ter, no  parecer dos seus auditores  independentes, a  informação de que havia assumido compromisso  contratual de  comprar de 100% dos produtos  industrializados ou  comercializados por  aquela  empresa,  o  que  seria  indício  de  que  não  a  contratava  para  realizar  industrialização  por  encomenda;  ­  em  relação  aos  créditos  básicos,  calculados  sobre  aquisições  de  leite  in  natura,  não  ter  direito  aos  correspondentes  registros  (inc.  II  do  §  2°  do  art.  3°  das  Leis  n°  10.637/02 e 10.833/03), pois, os adquiridos de pessoas físicas, não sofrem tributação, e os de  pessoa jurídica, havia suspensão (art. 9° da lei n° 10.925/04); e   ­  por último,  relativamente  ao  leite  pasteurizado  ou  industrializado,  não  ter  direito  aos  créditos,  pois  os  produtos  gozavam do benefício  da  redução  a  zero  das  alíquotas  (inc. XI do art. 1° da lei n° 10.925/04).  Alegações da Recorrente (fls. 3.632 a 3.639 e 3.656 a 3.663)  Em  sua  defesa,  a  Recorrente  descreveu  o  processo  industrial  dos  produtos  lácteos e listou os insumos empregados. Ratificou que tem produção própria e também contrata  industrialização com terceiros. Apresentou conhecimentos de transporte de entrega de leite em  seu  estabelecimento.  Apresentou  cópia  de  contrato  com  a  Tuiuti,  em  que  figura  como  contratante  de  industrialização,  com  obrigação  de  fornecer  diversos  insumos.  Informou  que  alugou salas nos estabelecimentos da Tuiuti e da CCL para supervisionar a produção.  No tocante aos créditos básicos, calculados sobre o leite  in natura adquirido  de pessoas físicas e cooperativas, aduziu que teria direito ao crédito, por se tratar de insumo do  processo industrial e colacionou decisão que admite como crédito presumido de IPI valores de  PIS e COFINS incidentes sobre compras de não contribuintes destas contribuições.   Dispõe  que,  em  grande  parte  do  período  fiscalizado,  as  compras  de  cooperativas  não  teriam  sido  beneficiadas  com  suspensão,  pois  esta  não  era  de  aplicação  obrigatória., o que  teria ocorrido somente a partir de 1/11/2009, com a edição da IN RFB n°  977/2009.  Sobre o leite pasteurizado ou industrializado, cuja tributação está reduzida a  zero, alega que tem o direito a crédito, porque os inc. II do § 2° do art. 3° das Leis n° 10.637/02  e 10.833/03 vedam a tomada de créditos somente nos casos em que o produto não está sujeito  às contribuições. Neste caso, estão, porém a alíquota estava reduzida a zero.  Conclusão  Os motivos apresentados pela Fiscalização para glosar insumos (exceto leite  in  natura  e  pasteurizado  ou  industrializado)  e  serviços  de  industrialização  efetuada  por  terceiros não me parecem consistentes.   Fl. 3849DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/2013­93  Acórdão n.º 3301­002.999  S3­C3T1  Fl. 33          24 Primeiramente,  sobre  a  não  comprovação  das  operações  de  industrialização  efetuada por terceiros, em decorrência da falta de apresentação de contratos ou da correlação  dos que foram fornecidos com notas fiscais de serviços de industrialização.  À luz do art. 107 do Código Civil (Lei n° 10.406/2002), para que produzam  efeitos  no  mundo  jurídico,  as  compras  e  vendas  de  bens  e  serviços  não  precisam  ser  formalizadas por intermédio de contrato escrito.  Outrossim, de acordo com o art. 114 do Código  tributário Nacional (CTN ­  Lei n° 5.172/66),  o "fato gerador da obrigação principal  é a  situação definida  em  lei  como  necessária e suficiente à sua ocorrência", enquanto que os inc. I e II do art.116 dispõem que  "(.  .  .)  considera­se  ocorrido  o  fato  gerador  e  existentes  os  seus  efeitos:  I  ­  tratando­se  de  situação  de  fato,  desde  o  momento  em  que  se  verifiquem  as  circunstâncias  materiais  necessárias a que produza os  efeitos que normalmente  lhe  são próprios;  II  ­  tratando­se de  situação  jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos  termos de  direito aplicável. (. . .)". Isto é, para que se considere como ocorrido o fato gerador e nascida a  obrigação tributária, basta que sejam realizadas as operações previstas em lei como no campo  de incidência dos tributos.   Portanto,  a  inexistência  de  contratos  não  implica  em  nulidade  dos  atos  de  comércio  praticados  e  tampouco  impede  a  ocorrência  dos  fatos  geradores  dos  tributos  incidentes sobre as operações de fato realizadas.  Para  efetuar  a  glosa,  a  Fiscalização  também  indicou  que  a  Recorrente  não  forneceu  análises  complementares,  correlacionando  notas  fiscais  com  contratos.  Consta,  todavia, que apresentou, ainda que com algumas imperfeições, os DACON. Neste informativo  fiscal, declarou os valores dos insumos, fretes, industrialização efetuada por terceiros e receitas  com vendas. E as notas fiscais correspondentes aos lançamentos nos DACON foram entregues  à  Fiscalização,  pois  foi  com  base  nelas  que  foram  elaborados  os  demonstrativos  das  glosas  contidos no Relatório Fiscal e seus Anexos.  É do contribuinte o ônus de provar que tem o direito ao crédito. Infere­se da  leitura dos autos que a Recorrente realmente não tinha controles que permitissem uma perfeita  correlação  entre  contrato/notas  fiscais  de  compra  de  insumos/notas  de  entrega  de  produtos  finais /notas de venda. Contudo, tais fatos, por si sós, não autorizam a simples desconsideração  de TODOS os elementos que foram entregues (descrição detalhada do processo produtivo, com  indicação  dos  insumos  empregados,  notas  fiscais,  DACON,  livros  contábeis  e  fiscais  e  descrição dos processos produtivos) e a glosa da TOTALIDADE dos insumos.  Ademais, da conclusão da autuante, consignada no Relatório Fiscal (fls. 509),  no sentido de que a Recorrente não industrializava e tampouco contratava industrialização com  terceiros,  porém  somente  comercializava  produtos  de  outras  empresas,  emergem  algumas  questões óbvias:    ­  uma  vez  que  não  foram  identificadas  revendas  de  insumos,  o  que  então  poder­se­ia  imaginar  que  a  Recorrente  fazia  com  todos  os  insumos  adquiridos,  cujas  notas  fiscais e valores foram identificados e glosados?   ­  Por  que  razão  pagou  valores  tão  relevantes  a  título  de  industrialização  efetuada  por  terceiros,  também  objetos  de  glosa,  se  nenhum  serviço  efetivamente  teria  sido  prestado?   Fl. 3850DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/2013­93  Acórdão n.º 3301­002.999  S3­C3T1  Fl. 34          25 Assim, refuto os argumentos da autuante, concernentes à falta de contratos ou  mesmo de que os  apresentados não  correspondiam àquilo que  as notas  fiscais de  compra de  insumos  demonstravam,  para  fins  de  suporte  a  glosas  de  insumos,  incluindo  serviços  de  industrialização efetuada por terceiros.  Em relação às glosas dos créditos básicos,  referentes às compras de  leite  in  natura e pasteurizado ou industrializado, não assiste razão à Recorrente.  As aquisições de produtos que não sofreram tributação pelo PIS e COFINS,  por  terem  sido  adquiridos  de  não  contribuintes  (pessoas  físicas),  gozarem  de  suspensão  ou  terem a alíquota reduzida a zero, não geram direito a crédito, conforme o disposto nos inc. II do  § 2° do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03:   "(. . .)  § 2o Não dará direito a crédito o valor:  (. . .)  II ­ da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento  da  contribuição,  inclusive  no  caso  de  isenção,  esse  último  quando  revendidos  ou  utilizados  como  insumo  em  produtos  ou  serviços sujeitos à alíquota 0 (zero),  isentos ou não alcançados  pela contribuição."  No tocante à suspensão, minha leitura do art. 9° da Lei n° 10.925/04 é a de  que, desde sua instituição, era obrigatória e não opcional, a despeito do que se poderia inferir  da  leitura  da  IN  SRF  n°  660/06.  Ademais,  não  há  evidência  nos  autos  de  que  as  compras  tenham sido oneradas pelas contribuições. E o registro de créditos, como vimos, é vedado, em  caso de o produto não ter sofrido incidência das contribuições.  No  caso  específico  dos  produtos,  cuja  alíquota  estava  reduzida  a  zero,  a  Recorrente  alegou  que  teria  direito  ao  registro  dos  créditos  correspondentes,  porque,  na  verdade, estariam sujeitos às contribuições, porém as alíquotas estavam reduzidas a zero.  No  item  "II  ­  c",  adiante,  volto  ao  tema,  com  um  pouco mais  de  detalhes.  Todavia, desde já, consigno que divirjo desta interpretação da Recorrente. Ao dispor que não  dá  direito  a  crédito  a  aquisição  "de  bens  ou  serviços  não  sujeitos  ao  pagamento  da  contribuição,  inclusive  no  caso  de  isenção",  o  legislador  não  excluiu  apenas  os  bens,  cuja  operação  de  compra  estiver  fora  do  campo  de  incidência  do  PIS  e  da COFINS.  Se  assim  o  fosse, não teria criado exceção específica à regra para as aquisições isentas das contribuições.  Com base no acima exposto, voto por dar provimento parcial, reconhecendo  o direito ao registro de créditos sobre os  insumos e gastos com industrialização realizada por  terceiros, utilizados na produção de produtos lácteos, exceto quanto os relacionados a compras  de leite in natura e pasteurizado ou industrializado.    II ­ b) Embalagens para transporte  A autuante e o colegiado de primeira instância entenderam que as compras de  embalagem para transporte não dão direito a créditos de PIS e COFINS, porque são agregadas  Fl. 3851DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/2013­93  Acórdão n.º 3301­002.999  S3­C3T1  Fl. 35          26 ao  produto  após  o  fim  do  processo  produtivo.  Assim,  não  se  enquadrariam  no  conceito  de  insumo disposto no § 4° do art. 8° da IN SRF n° 404/04.   Em  sua  defesa,  a  Recorrente  alega  que  seus  produtos  destinam­se  ao  consumo  humano,  são  altamente  perecíveis,  e  que,  portanto,  tais  embalagens  tornam­se  imprescindíveis. Colaciona três decisões do CARF neste sentido.  Entendo que assiste razão à Recorrente.   Conforme indiquei anteriormente, não adoto o conceito de insumo da IN SRF  n°  404/04. O  conceito  de  "insumos"  e  "processo  de  produção"  não  podem  ser  estabelecidos  pelo Fisco, ao arrepio das especificidades de cada tipo de negócio.   Assim,  adotando  conceitos  coerentes  com  a  atividade  empresarial  em  tela,  não há dúvida de que a embalagem para transporte é insumo, imprescindível à conclusão dos  negócios da Recorrente.  Voto pelo provimento das alegações concernentes ao registro de créditos de  PIS e COFINS sobre compras de embalagens de transporte.    II ­ c) Vacinas, pintos e ovos  Foram glosados os créditos relativos às aquisições de vacinas, pintos e ovos,  pois que são  tributados à alíquota zero. Os fundamentos são os  inc.  II do § 2° do art. 3° das  Leis n° 10.637/02 e 10.833/03:  "(. . .)  § 2o Não dará direito a crédito o valor:  (. . .)  II ­ da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento  da  contribuição,  inclusive  no  caso  de  isenção,  esse  último  quando  revendidos  ou  utilizados  como  insumo  em  produtos  ou  serviços sujeitos à alíquota 0 (zero),  isentos ou não alcançados  pela contribuição."  Em sua defesa, a Recorrente alega que tal dispositivo não alcança os produtos  que  adquire,  porém,  expressamente,  apenas  excepciona os  "bens ou  serviços não  sujeitos ao  pagamento  da  contribuição",  o  que  não  seria  o  caso  das  vacinas,  pintos  e  ovos,  que  estão  sujeitos às incidências, porém à alíquota zero.  Adicionalmente,  caso daquela  forma  este  colegiado não  se posicione,  alega  que alíquota zero e isenção são institutos similares. Transcreve opiniões de doutrinadores neste  sentido. E, assim entendido, poderia registrar os créditos, pois o citado dispositivo legal admite  o registro de créditos relativos a produtos isentos, caso a saída seja tributada.   Regra  geral,  as  leis  vedam  o  registro  de  créditos  derivados  da  compra  de  produtos não tributados, a fim de preservar a sistemática da não cumulatividade. Não se pode  Fl. 3852DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/2013­93  Acórdão n.º 3301­002.999  S3­C3T1  Fl. 36          27 registrar créditos, cujos valores não foram computados no preço e, por conseguinte, não foram  pagos pelo adquirente.   As  leis,  todavia,  abriram  uma  exceção  à  isenção,  desde  que  o  bem  seja  aplicado em produto ou serviço, cuja receita de venda seja tributada.  Ao dispor que não tem direito a crédito a aquisição "de bens ou serviços não  sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção", o legislador não excluiu  apenas  os  bens,  cuja  operação  de  compra  estiver  fora  do  campo  de  incidência  do  PIS  e  da  COFINS, como aduziu a Recorrente. Se assim o fosse, não teria criado exceção à regra para as  aquisições  isentas  das  contribuições.  Também  excluiu  os  tributados  à  alíquota  zero  e  os  beneficiados pela suspensão.  Também  não  acompanho  a  Recorrente,  quando  aduz  que,  por  serem  similares, a isenção e tributação à alíquota zero devem ser receber o mesmo tratamento, quando  se trata de creditamento de PIS e COFINS.   Não obstante o fato de o resultado final ser o mesmo ­ desoneração tributária  ­  a  isenção  e  a  tributação  reduzida  a  zero  são  institutos  que  se  encontram  previstos  em  dispositivos legais distintos, com existência própria. Não cabe conferir a um (alíquota zero) o  mesmo tratamento dispensado ao outro (isenção), em razão de ambos representarem renúncias  fiscais.  Por fim, no sentido de não reconhecer o direito a créditos sobre aquisições de  bens  tributados  à  alíquota  zero,  vale  mencionar  as  decisões  do  STF  em  sedes  do  RE  n°  628.093/RJ e 863.846/RJ.  Portanto, nego provimento às alegações contidas neste tópico.    II ­ d) Pagamento de fretes na aquisição de insumos  Foram  glosados  valores  indicados  no  DACON  como  créditos  calculados  sobre gastos com fretes nas aquisições de matérias­primas, por não estarem compreendidos no  conceito de insumos. A autuante destacou que somente é permitido o cálculo de créditos sobre  fretes sobre vendas.   Foram  ainda  glosados  gastos  com  transporte  de  ração  e  ovos  (insumos),  ocorridos no curso do processo produtivo, por ausência de previsão legal.  Por  fim,  foram  glosadas  despesas  com  fretes,  por  falta  de  identificação  da  operação com a qual estavam relacionadas.  Em sua defesa, a Recorrente explica que possui dezenas de plantas industriais  e  centros  de  distribuição.  E  que  o  frete  para  transporte  entre  seus  estabelecimentos  é  imprescindível às suas atividades.   Sustenta  ser  lícita  a  tomada  de  créditos  relativos  a  gastos  com  fretes  no  transporte  de  insumos  entre  estabelecimentos  da  mesma  empresa.  Colaciona  decisões  do  CARF.  Fl. 3853DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/2013­93  Acórdão n.º 3301­002.999  S3­C3T1  Fl. 37          28 De acordo com o art. 289 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n°  3.000/99), as despesas com os fretes integram o custo de aquisição dos insumos. Sendo assim,  podem ser computados nas bases de cálculo dos créditos de PIS e COFINS, estando, portanto,  suportados  pela  regra  que  ampara  os  créditos  sobre  insumos  (inc.  II  do  art.  3°  das  Leis  n°  10.637/02 e 10.833/03).  Também  reconheço  o  direito  a  créditos  sobre  os  fretes  relativos  aos  deslocamentos dos insumos entre estabelecimentos da Recorrente.   Como  vimos,  o  frete  pago  na  aquisição  de  insumos  compõe  o  custo  de  aquisição e, como tal, pode ser computado na base de cálculo dos créditos. E, a meu ver, este  frete  é  o  incorrido  para  que  o  insumo  percorra  todo  o  caminho  entre  o  fornecedor  e  o  estabelecimento  que  industrializará.  Muitas  vezes,  por  razões  ligadas  à  logística  de  armazenamento  e  distribuição,  no  caminho,  a  mercadoria  acaba  passando  por  mais  de  um  estabelecimento, até chegar ao seu destino final, o estabelecimento industrializador.  Em  linha  com  meu  posicionamento,  cito  o  Acórdão  nº  3401­01.715,  de  15/2/2012 e o 3402­002.881, de 28/1/2016.  Portanto, também considero como passível de cômputo nas bases de cálculo  dos créditos de PIS e COFINS os fretes para transporte de insumos entre estabelecimentos da  Recorrente.  Por fim, quanto às rubricas, cujas operações que motivaram o serviço de frete  não foram identificadas, mantenho a glosa.  Diante do exposto, voto por dar provimento parcial às alegações contidas no  tópico "II ­ f) Pagamento de fretes na aquisição de insumos", reconhecendo o direito a créditos  relacionados  a  fretes  nas  compras  de  insumos  e no  seu  transporte  entre  estabelecimentos  da  Recorrente, mantendo a glosa das rubricas tituladas como frete, para as quais, todavia, não foi  apresentada comprovação.    II ­ e) Recortes de congelados de aves  Em resposta à intimação, a Recorrente informou que os produtos em epígrafe  eram  insumos,  consumidos  em  processo  industrial.  Contudo,  a  autuante  verificou  que  eram  vendidos como produto acabado. Dado à falta de informações complementares, a Fiscalização  decidiu glosá­los.  Na  impugnação,  a  Recorrente  confirmou  que  eram  produtos  acabados  para  revenda e que, como tais, poderiam gerar créditos de PIS e COFINS (inc. I do art. 3° das Leis  n° 10.637/02 e 10.833/03).  A DRJ manteve a glosa, porque a Recorrente não teria provado que adquirira  os produtos de pessoas jurídicas nacionais, condição imposta pelo inc. II do § 3° do art. 3° das  Leis n° 10.637/02 e 10.833/03.  Fl. 3854DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/2013­93  Acórdão n.º 3301­002.999  S3­C3T1  Fl. 38          29 Na  peça  recursal,  Recorrente  alega  que,  no Anexo XV  do Relatório  Fiscal  (fls. 1.774 a 1.777), há quadro, contendo as glosas, no qual são indicados os  fornecedores. E  que os mesmos eram pessoas jurídicas nacionais.  Assiste razão parcial à Recorrente.  A Fiscalização identificou compras e revendas. Porém, como não conseguiu  concluir se se tratava de insumo (conforme resposta dada pela Recorrente à  intimação fiscal)  ou produto acabado, decidiu glosar todos os créditos.   Na impugnação, a Recorrente esclarece que realmente tratava­se de produtos  acabados  para  revenda,  sanando,  portanto,  o  questionamento  que  ficara  pendente  na  fiscalização.  O  julgador de primeira  instância,  entretanto,  não  se  satisfez. Disse que não  havia informação acerca do fornecedor.  No Recurso Voluntário,  a  Recorrente  aponta  que  tal  informação  estaria  no  Anexo XV do Relatório Fiscal. E, realmente, lá está.   No  documento  preparado  pela  Fiscalização  (fls  1.774  a  1.777),  além  dos  valores glosados, constam data da compra, número do documento, razão social do fornecedor e  descrição do produto. E os fornecedores que foram indicados, de fato, eram pessoas jurídicas  nacionais.  Contudo, nota­se que, em algumas linhas, constam apenas o valor glosado e a  descrição do produto. Infere­se que, nestes casos, a Fiscalização não obteve a informação.  Assim,  voto  por  dar  provimento  parcial  às  alegações  da  Recorrente,  reconhecendo  os  créditos  relativos  às  compras  sobre  as  quais  foram  providas  todas  as  informações  requeridas  e  mantendo  a  glosa  tão  somente  em  relação  aos  produtos,  cujos  documentos fiscais e os fornecedores não foram identificados.    II ­ f) Pallets de madeira  A autuante glosou os créditos, porque os pallets de madeira são utilizados no  transporte  de  produtos  acabados  e,  por  este  motivo,  não  se  enquadrariam  no  conceito  de  insumos, tal qual as embalagens de transporte. A DRJ acompanhou este entendimento.  Para sustentar a tomada dos créditos, a Recorrente colaciona excerto de laudo  do  Instituto Nacional de Tecnologia  (INT), que explica que o pallet de madeira,  entre outras  utilidades, serve para "(. . .) garantir segurança na carga em movimentação, mecanização para  levantamento  e  deslocamento  da massa  transportada  (.  .  .)".  Adiciona  que  também  evita  o  contato dos produtos  com superfícies que poderiam contaminar os produtos alimentícios que  produz e comercializa. Cita o Acórdão do CARF n° 3803­003.150, de 28/2/2012, que admitiu  os créditos relativos a pallets.  Reforça  sua  tese,  informando  que,  no  caso  de  mercadorias  exportadas,  os  pallets são embalados juntamente com as mercadorias, passando a fazer parte da embalagem,  Fl. 3855DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/2013­93  Acórdão n.º 3301­002.999  S3­C3T1  Fl. 39          30 cujo crédito seria admitido como insumo. E, neste sentido, menciona o Acórdão do CARF n°  3802­001.424, de 28/11/2012.  No item "II ­ b) Embalagens para transporte", manifestei­me no sentido de  considerá­las como itens passíveis de gerar créditos de PIS e COFINS. E, no presente caso, não  poderia  dizer  algo  distinto.  Os  pallets  são  artefatos  utilizados  no  transporte  de  produtos  acabados, que mantém a sua  integridade, o que, em qualquer circunstância  seria considerado  como imprescindível, e, muito mais no caso em discussão, que envolve produtos alimentícios.  Portanto, dou provimento as alegações da Recorrente, referentes ao tópico "II  ­ f) Pallets de madeira".    II ­ g) Serviços realizados por operador logístico  Diversos  gastos  com  serviços  foram  glosados,  por  não  se  enquadrarem  no  conceito  de  insumos.  Entre  eles,  os  serviços  prestados  por  operador  logístico,  de  carga  e  descarga de produtos.   A  decisão  recorrida  faz  menção  à  CCL,  uma  das  empresas  que  prestava  serviços de industrialização por encomenda, cujos contratos não foram apresentados. O relator  alega que os serviços de operador logístico foram incorridos em operações de venda e que os  demais contratos não teriam sido apresentados. Por isto, manteve a glosa.  A Recorrente faz detalhada descrição dos serviços previstos no contrato com  a CCL, que ela resume como serviços de carga e descarga, associados aos de armazenagem:  ­  movimentação  de  entrada  e  saída  de  mercadorias:  descarregamento  de  caminhões e empilhamento nas câmaras frigoríficas e depósitos; e carregamento de caminhões,  de acordo com as ordens de carga de cada veículo.  ­  expedição  "picking":  separação  das  caixas  dos  produtos,  localizados  nos  pallets de armazenamento; de acordo com as datas de entrega e quantidades solicitadas pelos  clientes.  ­ expedição palletizada: o mesmo serviço citado no item anterior, porém com  manuseio de pallets fechados.  Cita  o  Acórdão  CARF  n°  3803­03.152,  de  28/6/2012,  sobre  gastos  com  armazenagem,  englobando  serviços  conexos  e  as  Soluções  de  Consultas  COSIT  n°15/07  e  98/06, que acata despesas com carga e descarga, pedágio e rastreamento via satélite.  De  pronto,  reitero  que  a  ausência  de  contrato  não  é motivo  para  glosa  de  créditos.  Entendo como insumos (inc. II do art. 3° da Lei n° 10.637/02 e 10.833/03) os  gastos  com  descarga  e  os  a  eles  relacionados.  E,  tal  qual  o  Acórdão  colacionado  pela  Recorrente, vejo os gastos com carga como conexos aos e inseparáveis dos de armazenagem e  frete sobre vendas, expressamente admitidos pelos inc. IX do art. 3° e inc. II do art. 15 da Lei  n° 10.833/03.   Fl. 3856DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/2013­93  Acórdão n.º 3301­002.999  S3­C3T1  Fl. 40          31 Voto pelo provimento das alegações contidas no tópico "II ­ g) Despesas com  operador logístico".    II ­ h) Análises laboratoriais  Houve glosa de créditos calculados sobre gastos com análises laboratoriais ,  por não se enquadrarem no conceito de insumos.   A  Recorrente  aduz  que  trata­se  de  gastos  necessários  à  preservação  da  qualidade  e  integridade  de  produtos  produzidos  para  consumo  humano.  Neste  sentido,  transcreve  trecho  da  ementa  do  Acórdão  CARF  n°  3803­004.025,  de  19/3/2013.  Menciona  ainda  a Solução  de Consulta  n°  145/2012,  que  admite  créditos  relacionados  a despesas  com  avaliação da conformidade dos produtos com exigências legais.  Não  há  como  negar  que  trata­se  de  gastos  inerentes  e  imprescindíveis  ao  processo de produção de alimentos destinados ao consumo humano e devem ser tratados como  insumos, passíveis de gerar créditos de PIS e COFINS.  Voto  pelo  provimento  das  alegações  contidas  no  tópico  "II  ­  h)  Análises  laboratoriais".  II ­ i) Diárias e hora­máquina de tratores  Foram  glosados  créditos  calculados  sobre  aluguel  de  tratores,  por  não  se  tratar de  insumo. Na decisão  recorrida,  consta a Solução de Consulta COSIT n° 1/2014, que  inadmite créditos sobre aluguel de veículos.  A Recorrente explica que os tratores são utilizados para movimentar animais  e  outros materiais  essenciais  ao  processo  produtivo. Menciona  os Acórdãos CARF n°  3301­ 00.653,  de  26/8/2010,  e  3301­001.635,  de  23/10/2012,  que  reconhecem  créditos  sobre  a  locação de veículos vinculados ao processo de produção.  Mais uma vez, vejo gastos necessários ao processo produtivo. Contudo, neste  caso, há um dispositivo legal que trata especificamente de despesas com aluguel, qual seja, o  inc. IV do art. 3° Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, cuja redação é a seguinte:  "(. . .)  IV  ­  aluguéis  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos,  pagos  a  pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa;  (. . .)"  Nota­se  que  o  dispositivo  legal  traz  enumeração  exaustiva  e  não  exemplificativa. Assim, não obstante reconhecer que há grande imperfeição no texto legal, não  posso decidir frontalmente contra as leis de regência.   E  não  é  o  caso  de  recorrer  ao  inc.  II  do  art.  3°  das  Leis  n°  10.637/02  e  10.833/03,  pois  este  somente  ampara  os  insumos  que  não  se  encontram  expressamente  previstos nos demais dispositivos daqueles diplomas legais.  Fl. 3857DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/2013­93  Acórdão n.º 3301­002.999  S3­C3T1  Fl. 41          32 Assim,  voto  por  negar  provimento  às  alegações  contidas  no  tópico  "II  ­  i)  Diárias e hora­máquina de tratores".    II ­ j) Repaletização  A Fiscalização  e  a DRJ não  aceitaram  os  créditos,  porque  entendem que o  serviço (reparo de pallets) ­ não se configura como insumo industrial.  No item "II ­ f) Pallets de madeira" discorri sobre o tema e reconheci o direito  creditório, o que também o faço agora, votando pelo provimento das alegações.    II ­ k) Tintas para carimbo  Outra  vez,  a  Fiscalização  e  a  DRJ  não  aceitaram  os  créditos,  porque  entendem que o produto não se configura como insumo industrial.  A Recorrente  explica  na  peça  recursal  que  são  tintas  para  o  carimbo que  é  aposto nas embalagens, cujo crédito é expressamente admitido pela  IN SRF n° 404/2004, na  alínea "a" do inc. I do § 4° do art. 8°. Sumariamente, foi assim defendeu o registro dos créditos  correspondentes.  Concordo com a Recorrente e voto pelo provimento das alegações.     II ­ l) Aluguéis de prédios locados de pessoas jurídicas  Os valores dos créditos calculados  sobre aluguéis  foram glosados pela  falta  de apresentação de contratos e recibos.  A Recorrente sustenta que são aluguéis de empilhadeiras e estabelecimentos  em que se encontram abatedouros de animais.  Repito que a ausência de contrato não é suficiente para invalidar os créditos.  Contudo,  em  razão  da  falta  do  recibo  do  aluguel,  em  que  se  encontra  o  beneficiário  do  pagamento, o objeto locado e o valor, não é possível validar os créditos.  Assim sendo, voto por manter a glosa, negando provimento às alegações da  Recorrente.    II ­ m) Créditos presumidos ­ atividades industriais ­   As regras para tomada de créditos presumidos são ditadas pelo art. 8° da Lei  n° 10.925/04:  "Lei n° 10.925/04  Fl. 3858DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/2013­93  Acórdão n.º 3301­002.999  S3­C3T1  Fl. 42          33 Art.  8o  As  pessoas  jurídicas,  inclusive  cooperativas,  que  produzam  mercadorias  de  origem  animal  ou  vegetal,  classificadas nos  capítulos 2,  3,  exceto os produtos vivos desse  capítulo,  e  4,  8  a  12,  15,  16  e  23,  e  nos  códigos  03.02,  03.03,  03.04,  03.05,  0504.00,  0701.90.00,  0702.00.00,  0706.10.00,  07.08,  0709.90,  07.10,  07.12  a  07.14,  exceto  os  códigos  0713.33.19,  0713.33.29  e  0713.33.99,  1701.11.00,  1701.99.00,  1702.90.00,  18.01,  18.03,  1804.00.00,  1805.00.00,  20.09,  2101.11.10  e  2209.00.00,  todos  da  NCM,  destinadas  à  alimentação  humana  ou  animal,  poderão  deduzir  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  devidas  em  cada  período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor  dos bens referidos no  inciso  II do caput do art. 3º das Leis nºs  10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro  de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado  pessoa física.  §  1º  O  disposto  no  caput  deste  artigo  aplica­se  também  às  aquisições efetuadas de:  (. . .)  II  ­ pessoa  jurídica  que  exerça  cumulativamente  as  atividades  de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura;  e  III  ­  pessoa  jurídica  que  exerça  atividade  agropecuária  e  cooperativa de produção agropecuária.  (. . .)" (grifos nossos)  Trataremos  dos  créditos  presumidos  calculados  sobre  o  leite  in  natura  em  separado dos calculados sobre frangos vivos, milho, sorgo, soja e demais insumos.  Leite in natura  Os créditos presumidos foram glosados, basicamente, porque não teriam sido  aplicados em processo fabril próprio, porém de terceiros, o que afrontaria o caput do art. 8° da  Lei n° 10.925/04. Na decisão  recorrida,  foi  incluída  a Solução de Consulta n° 120/2012 que  corrobora aquele posicionamento.  Ademais,  em  outubro  e  novembro  de  2008  e  fevereiro  de  2009,  a  Fiscalização identificou revenda de leite, cujas compras não dão direito à fruição do benefício.  Como  a  Recorrente  não  segregou  as  compras  aplicadas  em  revenda  das  que  foram  industrializadas, a Fiscalização que também impediria o cálculo do crédito presumido.  A Recorrente informa que realiza industrialização por terceiros, mas isto não  seria impeditivo ao gozo do benefício. Dispõe que a intenção do legislador é a de desonerar a  cadeia produtiva. Ademais, destaca que é equiparada a industrial, para fins de IPI.  É cediço que a intenção do legislador era a de desonerar a cadeia produtiva.   Mas, também é fato que a legislação fiscal contempla como figuras distintas  as  da  industrialização  própria  e  a  realizada  por  terceiros,  as  do  industrial  e  do  equiparado  a  Fl. 3859DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/2013­93  Acórdão n.º 3301­002.999  S3­C3T1  Fl. 43          34 industrial  (art.  8°  e  inc.  IV  do  art.  9°  dos  antigo  e  atual  Regulamento  do  IPI  Decretos  n°  4.544/02  e  7.212/10).  E  sempre  que  deseja  abranger  as  duas  figuras,  o  faz  textualmente.  E  assim o fez, no RIPI, nos inc. II e III do art. 24, quando elegeu os responsáveis pelo pagamento  do IPI   Segundo  o  Dr.  Carlos  Maximiliano,  na  obra  clássica  "Hermenêutica  e  Aplicação  do  Direito"  (20°  Ed.  ­  Rio  de  Janeiro:  Forense,  2011),  item  281,  "As  isenções  e  simples atenuações de  impostos e  taxas, decretadas em proveito determinados  indivíduos ou  corporações, sofrem exegese restrita: e não se presumem, precisam ser plenamente provadas.  (. . .)"  Assim, entendo que não se poderia adotar uma interpretação que estendesse o  beneficio àqueles que não fabricam por conta própria.  No caso dos meses de outubro e novembro de 2008 e fevereiro de 2009, em  que  houve  revenda  e  não  houve  segregação,  ainda  que  se  admitisse  o  crédito,  em  industrialização efetuada por  terceiros,  não  se poderia  fazê­lo  em  relação a  estes  três meses.  Em relação a esta questão, vale mencionar que a Recorrente nada alegou em sua defesa.  Portanto, nego provimento às alegações relativas à possibilidade de calcular  créditos presumidos sobre leite in natura.  Frangos vivos, milho, sorgo, soja e demais insumos  Neste  ponto,  a  controvérsia  gira  em  torno  não  do  direito  ao  crédito  presumido, porém do cálculo, propriamente dito.   Então, novamente transcrevo o art. 8° da Lei n° 10.925/04:  "Art.  8o  As  pessoas  jurídicas,  inclusive  cooperativas,  que  produzam  mercadorias  de  origem  animal  ou  vegetal,  classificadas nos  capítulos 2,  3,  exceto os produtos vivos desse  capítulo,  e  4,  8  a  12,  15,  16  e  23,  e  nos  códigos  03.02,  03.03,  03.04,  03.05,  0504.00,  0701.90.00,  0702.00.00,  0706.10.00,  07.08,  0709.90,  07.10,  07.12  a  07.14,  exceto  os  códigos  0713.33.19,  0713.33.29  e  0713.33.99,  1701.11.00,  1701.99.00,  1702.90.00,  18.01,  18.03,  1804.00.00,  1805.00.00,  20.09,  2101.11.10  e  2209.00.00,  todos  da  NCM,  destinadas  à  alimentação  humana  ou  animal,  poderão  deduzir  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  devidas  em  cada  período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor  dos bens referidos no  inciso  II do caput do art. 3º das Leis nºs  10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro  de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado  pessoa física.  §  1º  O  disposto  no  caput  deste  artigo  aplica­se  também  às  aquisições efetuadas de:  (. . .)  II ­ pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de  transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e  Fl. 3860DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/2013­93  Acórdão n.º 3301­002.999  S3­C3T1  Fl. 44          35 III  ­  pessoa  jurídica  que  exerça  atividade  agropecuária  e  cooperativa de produção agropecuária.   § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o  deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor  das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a:   I ­ 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2° das Leis  nos  10.637,  de  30  de  dezembro  de  2002,  e  10.833,  de  29  de  dezembro  de  2003,  para  os  produtos  de  origem  animal  classificados  nos  Capítulos  2  a  4,  16,  e  nos  códigos  15.01  a  15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de  óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18;   II  ­ 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2° das  Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002 , e 10.833, de 29 de  dezembro  de  2003  ,  para a  soja  e  seus  derivados  classificados  nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e   III ­ 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º  das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29  de dezembro de 2003, para os demais produtos.   (. . .)"   A Fiscalização e a DRJ entenderam que o percentual (60%. 50% ou 35%) a  ser aplicado sobre as alíquotas básicas das contribuições é determinado pelo Capítulo da TIPI  em que se encontra o insumo adquirido.   Assim, para os frangos vivos, milho e demais insumos, que não se encontram  em  nenhum  dos  Capítulos  da  TIPI mencionadas  nos  inc.  I  e  II,  o  percentual  seria  de  35%,  indicado no inc. III do § 3° do art. 8° da Lei n° 10.925/04. E de 50% para a soja, classificada  no Capítulo 12 da TIPI, citada no inc. II. .  A  Recorrente  por  sua  vez,  aduz  que  o  percentual  varia  de  acordo  com  a  posição na TIPI do produto final no qual o insumo é aplicado. Assim sendo, como utiliza os  insumos  para  a  produção  de  carnes  e  miudezas  comestíveis,  classificadas  no  Capítulo  2  da  TIPI, teria direito a calcular o crédito presumido à razão de 60% das alíquotas básicas do PIS e  COFINS, prevista no inc. I do § 3° do art. 8° da Lei n° 10.925/04 .  Para sustentar sua interpretação, cita os Acórdãos CARF n° 3301­001.635, de  31/1/2013, e 3301­00.980, de 17/8/2012.   E,  por  fim,  a  Lei  n°  12.865/13,  que  acresceu  o  §  10  ao  art.  8°  da  Lei  n°  10.925/04, a saber:  "(. . .)  § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3°, o direito  ao  crédito  na  alíquota  de  60%  (sessenta  por  cento)  abrange  todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos."  Fl. 3861DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/2013­93  Acórdão n.º 3301­002.999  S3­C3T1  Fl. 45          36 Em  sua  interpretação,  o  dispositivo  dispõe  clara  e  definitivamente  que  o  percentual é determinado pela classificação do tipo de produto em que o insumo é aplicado. E,  dado o seu caráter interpretativo, tem aplicação retroativa, nos termos do art. 106 do CTN.  Concordo plenamente com a Recorrente.   Sua  interpretação  do  art.  8°  parece­me  a  mais  correta  e  é  partilhada  por  julgadores deste colegiado, conforme Acórdão que colacionou. E se torna irrefutável, diante da  publicação da Lei  n° 12.865/2013, que  acresceu o § 10  ao  art.  8° da Lei n° 10.925/04,  cuja  aplicação é retroativa, nos termos do art. 106 do CTN, como segue:  "Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  I ­ em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa,  excluída  a  aplicação de  penalidade  à  infração dos dispositivos  interpretados;  (. . .)"  Assim,  dou  provimento  às  alegações  da Recorrente,  referentes  aos  cálculos  dos créditos presumidos relativos frangos vivos, milho, sorgo, soja e outros insumos aplicados  na produção de carnes e miudezas comestíveis.    II ­ n) Apuração dos débitos dos tributos  A  Fiscalização  lançou  PIS  e  COFINS  sobre  receitas  de  venda,  que  a  Recorrente  alegou,  porém  não  comprovou,  terem  sido  amparadas  pela  não  incidência  das  contribuições prevista no inc. III do art. 5° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03.  Na decisão recorrida, o relator colaciona a legislação aplicável e os conceitos  de "empresa comercial exportadora" e  "fim específico de exportação". E, por  fim, mantém o  lançamento de ofício, em razão de a Recorrente não ter comprovado que as vendas foram com  fim específico de exportação.  Em sua defesa, a Recorrente alega que não  tem obrigação de provar que as  mercadorias vendidas teriam sido efetivamente exportadas. Que este ônus é da Fiscalização.  Consta  dos  autos  que  a  Recorrente  inseriu  informação  nas  planilhas  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS  que  efetuou  vendas  beneficiadas  pela  não  incidência  das  contribuições, prevista no inc. III do art. 5° da Lei n° 10.637/02 e inc. III do art. 6° da Lei n°  10.833/03:  Lei n° 10.637/02  "Art. 5° A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as  receitas decorrentes das operações de:  (. . .)    Fl. 3862DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/2013­93  Acórdão n.º 3301­002.999  S3­C3T1  Fl. 46          37 III  ­  vendas  a  empresa  comercial  exportadora  com  o  fim  específico de exportação  (. . .)"  Lei n° 10.833/03  "Art. 6° A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as  receitas decorrentes das operações de:  (. . .)    III  ­  vendas  a  empresa  comercial  exportadora  com  o  fim  específico de exportação  (. . .)"    Considera­se venda com fim específico de exportação:  Decreto nº 4.524/ 2002:  "Art.  45.  São  isentas  do  PIS/Pasep  e  da  Cofins  as  receitas  (Medida Provisória nº 2.158­35, de 2001, art. 14, Lei nº 9.532,  de 1997, art. 39, § 2º , e Lei nº 10.560,de 2002, art. 3º , e Medida  Provisória nº 75, de 2002, art. 7º ):  (...)  VIII ­ de vendas realizadas pelo produtor­vendedor às empresas  comerciais exportadoras nos termos do Decreto­lei nº 1.248, de  29  de  novembro  de  1972,  e  alterações  posteriores,  desde  que  destinadas ao fim específico de exportação para o exterior.  (. . .)  §  1º  Consideram­se  adquiridos  com  o  fim  específico  de  exportação  os  produtos  remetidos  diretamente  do  estabelecimento  industrial  para  embarque  de  exportação  ou  para  recintos  alfandegados,  por  conta  e  ordem  da  empresa  comercial exportadora.  (...)"  Da  leitura  do  Decreto  n°  4.524/02,  acima  transcrito,  resta  claro  que  o  beneficio  está  condicionado  à  comprovação  de  que  as  mercadorias  foram  remetidas  diretamente para embarque ou recinto alfandegado. Ao contrário do que alegou a Recorrente,  exigiu­se  a  comprovação  do  envio  da  mercadoria  àqueles  locais  e  a  não  de  que  foram  exportadas.   Assim  sendo,  em  razão  de  a  Recorrente  não  ter  comprovado  que  as  mercadorias  foram  remetidas  diretamente  para  embarque  ou  recinto  alfandegado,  nego  provimento às alegações.  Fl. 3863DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/2013­93  Acórdão n.º 3301­002.999  S3­C3T1  Fl. 47          38   II ­ o) Ilegalidade da aplicação da multa qualificada  A  Fiscalização  aplicou  a  multa  qualificada,  mantida  pela  DRJ,  pelos  seguintes motivos:  ­  registro  de  créditos  em  desacordo  com  a  legislação  fiscal,  inclusive  de  alguns, cuja titularidade seria de outras pessoas jurídicas (caso de insumo de industrializações  que teriam sido efetuadas por terceiros, mas não foram comprovadas);  ­ receitas beneficiadas com não incidência das contribuições, cujos requisitos  não foram cumpridos; e  ­  débitos  incorretamente  declarados  em  DCTF,  em  razão  dos  problemas  relatados nos dois itens anteriores.  Fundada nos inc. I, II e IV do art. 1° da Lei n° 8.137/90, apontou as seguintes  infrações:  prestação  de  declaração  falsa  em  DCTF  e  inserção  no  DACON  de  elementos  inexatos ou falsos. Com base nestas premissas, aplicou a multa qualificada de 150%, prevista  no art. 44 da Lei n° 9.430/96.  A DRJ,  ao  confirmar  a  exigência  da multa  qualificada,  adicionou  aos  fatos  listados  pela  Fiscalização  o  de  a  Recorrente  ter  apontado  como  estabelecimento  industrial  próprio um que era, na verdade, de terceiros. E que, de fato, no  local,  tinha apenas uma sala  alugada.  A  Recorrente  alega,  em  suma,  não  ter  sido  provado  o  cometimento  de  qualquer  tipo de ação dolosa. Teria havido,  tão somente, divergências quanto à  interpretação  das  regras  fiscais  de  creditamento  de  PIS  e  COFINS,  notadamente  acerca  do  conceito  de  insumos. Inclui decisões do CARF, no sentido de que a multa qualificada aplica­se tão somente  quando há prova cabal de que houve ação dolosa.  Já manifestei­me algumas vezes  sobre o  tema. E  sempre no  sentido de que  não  devemos  confirmar  exigência  de  multa  qualificada,  se  não  virmos  provas  cabais  e  irrefutáveis de que houve crime tributário.  Dispõe o art. 1° da Lei n° 8.137/90, em que se fundou a Fiscalização:  "Art.  1° Constitui  crime  contra  a  ordem  tributária  suprimir  ou  reduzir  tributo,  ou  contribuição  social  e  qualquer  acessório,  mediante as seguintes condutas:  I ­ omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades  fazendárias;  II  ­  fraudar  a  fiscalização  tributária,  inserindo  elementos  inexatos,  ou  omitindo  operação  de  qualquer  natureza,  em  documento ou livro exigido pela lei fiscal;  III  ­  falsificar  ou  alterar  nota  fiscal,  fatura,  duplicata,  nota  de  venda,  ou  qualquer  outro  documento  relativo  à  operação  tributável;  Fl. 3864DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/2013­93  Acórdão n.º 3301­002.999  S3­C3T1  Fl. 48          39 IV  ­  elaborar, distribuir,  fornecer, emitir  ou utilizar documento  que saiba ou deva saber falso ou inexato;  V ­ negar ou deixar de fornecer, quando obrigatório, nota fiscal  ou  documento  equivalente,  relativa  a  venda  de  mercadoria  ou  prestação  de  serviço,  efetivamente  realizada,  ou  fornecê­la  em  desacordo com a legislação.  (. . .)"  Já a multa qualificada foi capitulada no § 1° do art. 44 da Lei n° 9.430/96:  Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas:  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata;  (. . .)  § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste  artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da  Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de  outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.  (. . .)"  Por fim, transcrevo os art. 71 a 73 da Lei no 4.502/64:  "Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a  impedir ou retardar,  total ou parcialmente, o conhecimento por  parte da autoridade fazendária:  I  ­  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, sua natureza ou circunstâncias materiais;  II ­ das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar  a  obrigação  tributária  principal  ou  o  crédito  tributário  correspondente.  Art  .  72.  Fraude  é  tôda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o  montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.  Art  . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas  naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos  arts. 71 e 72."  Na  leitura  deste  extenso  processo,  vi  falta  de  análises  correlacionando  compras de  insumos com pagamentos por  serviços de  industrialização por  encomenda. Mas,  não vi  indicação de que qualquer uma das notas  fiscais  carreadas pela Fiscalização  tivessem  sido glosadas por indícios de fraude ou por serem, por qualquer outro motivo, inidôneas.  Fl. 3865DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/2013­93  Acórdão n.º 3301­002.999  S3­C3T1  Fl. 49          40 Vi  casos  em  que  se  discutiu  o  conceito  de  insumos  e  a  possibilidade  de  creditamento, em compras de produtos tributados à alíquota zero. Desta vez, embate acerca da  interpretação de diplomas legais, altamente controversos.  E  vi  situações  em  que  a  Recorrente  não  logrou  êxito  em  comprovar  ter  o  direito  a  créditos  ou  ao  benefício  da  não  incidência  de  PIS  e  COFINS  sobre  vendas  que  considerou  como  tendo  sido  com  o  fim  específico  de  exportação. A Recorrente  falhou,  sem  dúvida. Mas, mesmo nestes casos, observei que a Recorrente apresentou notas fiscais, DACON  e respondeu as intimações.  Isto é, não tentou, por vias oblíquas,  ludibriar a Fiscalização e os  colegiados julgadores.  Nossa legislação fiscal é extremamente complexa e exige uma infinidade de  controles. Não podemos considerar como ação dolosa (art. 71 da Lei no 4.502/64) a  falta de  controles,  inconsistências  entre  livros  e  informativos  fiscais  ou  mesmo  divergência  na  interpretação de textos legais.   Em  linha  com  os  parágrafos  anteriores,  encontram­se  várias  decisões  do  CARF, tais como, as seguintes:  "Acórdão  1402001.954  –  4ª  Câmara  /  2ª  Turma  Ordinária  /  Sessão de 25 de março de 2015  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA IRPJ  Exercício: 2008, 2009  RECURSO DE OFÍCIO  MULTA  DE  OFÍCIO  QUALIFICADA.  JUSTIFICATIVA  PARA  APLICAÇÃO.  NECESSIDADE  DA  CARACTERIZAÇÃO  DO  EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE.  A  evidência  da  intenção  dolosa  exigida  na  lei  para  a  qualificação  da  penalidade  aplicada  há  que  aflorar  na  instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de  forma cabal.  A simples omissão de receitas, mesmo sendo de forma reiterada,  por  si  só,  não  caracteriza  evidente  intuito  de  fraude,  que  justifique a imposição da multa qualificada, prevista no § 1º do  artigo  44,  da  Lei  nº.  9.430,  de  1996,  já  que  ausente  conduta  material  bastante  para  sua  caracterização.  Assim,  para  se  proceder a qualificação da multa de ofício exige­se que a mesma  seja  devidamente  comprovada  e  justificada  nos  autos  do  processo.  Além  disso,  exige­se  que  o  sujeito  passivo  tenha  procedido  com  evidente  intuito  de  fraude,  nos  casos  definidos  nos arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502, de 1964."    "Acórdão nº 2202002.187 – 2ª Câmara  /  2ª Turma Ordinária  /  Sessão de 20 de fevereiro de 2013  Fl. 3866DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/2013­93  Acórdão n.º 3301­002.999  S3­C3T1  Fl. 50          41 ASSUNTO:  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  IRPF  Exercício: 2008  MULTA QUALIFICADA. JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO.  NECESSIDADE  DA  CARACTERIZAÇÃO  DO  EVIDENTE  INTUITO DE FRAUDE.  A  evidência  da  intenção  dolosa  exigida  na  lei  para  a  qualificação da penalidade aplicada há que aflorar na instrução  processual,  devendo  ser  inconteste  e  demonstrada  de  forma  cabal. Assim, o lançamento da multa qualificada de 150% deve  ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além  disso, exige­se que o contribuinte tenha procedido com evidente  intuito de fraude, nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73, da  Lei  nº  4.502,  de  1964.  A  falta  de  inclusão  de  algum  bem  ou  direito  na Declaração  de  Ajuste  Anual  (Declaração  de  Bens  e  Direitos),  por  si  só,  não  caracteriza  evidente  intuito  de  fraude,  que  justifique  a  imposição  da  multa  qualificada  de  150%,  prevista no § 1º do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996,  já que  ausente conduta material bastante para sua caracterização.  Isto  posto,  por  entender  que  não  foram  trazidas  pela  Fiscalização  provas  cabais  de  que  a  Recorrente  tenha  cometido  atos  dolosos,  com  o  intuito  de  obter  vantagens  fiscais, voto pelo provimento das alegações contidas no item "II ­ o) Ilegalidade da aplicação  da multa qualificada", fixando a multa de ofício em 75%.    III) Pedido de perícia e diligência  A  Recorrente  protestou  pela  realização  de  perícia  e  diligência,  caso  este  colegiado não acate integralmente suas alegações.  Entendo  prescindível,  pois  os  elementos  contidos  nos  autos  são  suficientes  para que  este colegiado  forme convicção sobre os  temas em questão. Saliento que perícias  e  diligências têm o condão de prover esclarecimentos e não de trazer aos autos novos elementos  probatórios, o que, rigorosamente, tem de ser efetuado na impugnação, nos termos do § 4° do  art. 16 do Decreto n° 70.235/72  Assim, nego provimento ao pedido de realização de perícia e diligência.    IV) CONCLUSÃO  Listarei os tópicos e meus correspondentes votos:  "I) Preliminar: afronta ao princípio da verdade material e falta de motivação":  nego provimento.  "  II  ­  a)  Industrialização  de  produtos  lácteos":  dou  provimento  parcial,  reconhecendo o direito ao  registro de  créditos  sobre os gastos com  industrialização  realizada  Fl. 3867DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/2013­93  Acórdão n.º 3301­002.999  S3­C3T1  Fl. 51          42 por terceiros e os correspondentes insumos, exceto quanto aos relacionados a compras de leite  in natura e pasteurizado ou industrializado.  "II ­ b) Embalagens para transporte": dou provimento.  "II ­ c) Vacinas, pintos e ovos": nego provimento.  "II  ­  f)  Pagamento  de  fretes  na  aquisição  de  insumos":  dou  provimento  parcial,  reconhecendo o direito a créditos  relacionados a  fretes nas compras de insumos e no  seu  transporte  entre  estabelecimentos da Recorrente, mantendo a  glosa das  rubricas  tituladas  como frete, para as quais, todavia, não foi apresentada comprovação.  "II  ­  g)  Recortes  de  congelados  e  aves":  dou  provimento  parcial,  reconhecendo  os  créditos  relativos  às  compras  sobre  as  quais  foram  providas  todas  as  informações  requeridas  e  mantendo  a  glosa  tão  somente  em  relação  aos  produtos,  cujos  documentos fiscais e os fornecedores não foram identificados.  "II ­ f) Pallets de madeira": dou provimento.  "II ­ g) Despesas com operador logístico": dou provimento.  "II ­ h) Análises laboratoriais": dou provimento.  "II ­ i) Diárias e hora­máquina de tratores": nego provimento.  "II ­ j) Repaletização": dou provimento.  "II ­ k) Tintas para carimbo: dou provimento.  "II ­ l) Aluguéis de prédios locados de pessoas jurídicas": nego provimento.  "II  ­ m) Créditos  presumidos  ­  atividades  industriais":  nego  provimento  ao  pleito  referente  ao  registro  de  créditos  presumidos  sobre  leite  in  natura  e  dou  provimento  à  aplicação  do  percentual  de  60%  sobre  as  alíquotas  básicas  de  PIS  e  COFINS,  para  fins  de  cálculo  dos  créditos  presumidos  sobre  frangos  vivos,  milho,  sorgo,  soja  e  outros  insumos  aplicados na produção de carnes e miudezas comestíveis.  "II ­ n) Apuração dos débitos dos tributos": nego provimento.  "II  ­  o)  Ilegalidade  da  aplicação  da  multa  qualificada":  dou  provimento,  fixando a multa de ofício em 75%.  "III) Pedido de diligência e perícia": nego provimento.  Em suma, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário.     Relator ­ Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira    Fl. 3868DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10983.721188/2013­93  Acórdão n.º 3301­002.999  S3­C3T1  Fl. 52          43                             Fl. 3869DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL

score : 1.0
6386961 #
Numero do processo: 13891.720101/2011-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 CARF. COMPETÊNCIA RECURSAL. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA PARA LANÇAR E PARA CONHECER ORIGINARIAMENTE DE QUESTÕES NÃO SUSCITADAS NA INSTÂNCIA RECORRIDA. 1. Às instâncias julgadoras não compete o lançamento de tributos ou a sua revisão de ofício, no qual se insere a glosa de despesas, que está a cargo das Delegacia da Receita Federal (art 224, VI e XXII da Portaria MF 203, de 2012), mas tão somente o julgamento de matérias controversas, no limite em que impugnadas (art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972). 2. À segunda Seção do Carf cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação relativa à matéria de sua competência (art. 1º do Anexo II do Ricarf). IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO ATÉ ANO-BASE 2009. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. DECISÕES DO STJ, TOMADAS NA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS, DETERMINANDO A INCIDÊNCIA DO IMPOSTO E O MODO DE APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO (Resp. 1.118.429-SP e Resp. 1.470.720-RS). REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF. 1. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). 2. De acordo com o decidido pelo STJ na sistemática estabelecida pelo art. 543-C do CPC (Resp. 1.118.429-SP), o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. 3. Conforme decidido pelo STJ na sistemática estabelecida pelo art. 543-C do CPC (Resp. 1.470.720-RS), o valor do imposto de renda, apurado pelo regime de competência e em valores originais, deve ser corrigido, até a data da retenção na fonte sobre a totalidade de verba acumulada, pelo mesmo fator de atualização monetária dos valores recebidos acumuladamente. A taxa SELIC, como índice único de correção monetária do indébito, incidirá somente após a data da retenção indevida. IRPF INCIDENTE SOBRE JUROS DE MORA NO CONTEXTO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DECISÃO DO STJ TOMADA NA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS (543-C DO CPC DE 1973 E ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC DE 2015), DEFININDO OS CASOS DA INCIDÊNCIA DO IMPOSTO (EDEL NO RESP. 1.089.720-RS). REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA PELO CARF. Por ocasião do julgamento do REsp. n. 1.089.720 - RS (EDcl no REsp. nº 1.089.720-RS, Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 27.02.2013) o Superior Tribunal de Justiça definiu, especificamente quanto aos juros de mora pagos em decorrência de sentenças judiciais, que, muito embora se tratem de verbas indenizatórias, possuem a natureza jurídica de lucros cessantes, consubstanciando-se em evidente acréscimo patrimonial previsto no art. 43, II, do CTN (acréscimo patrimonial a título de proventos de qualquer natureza), razão pela qual é legítima sua tributação pelo Imposto de Renda, salvo a existência de norma isentiva específica ou a constatação de que a verba principal a que se referem os juros é verba isenta ou fora do campo de incidência do IR (tese em que o acessório segue o principal). DEDUÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. ART. 12 DA LEI N. 7.713/88. POSSIBILIDADE. Os honorários advocatícios pagos pelo contribuinte têm natureza de despesa necessária à aquisição dos rendimentos. Não há possibilidade de separar o trabalho do advogado entre o esforço para aferimento de rendimentos tributáveis ou não tributáveis na mesma ação judicial. Assim, os honorários devem ser considerados dedutíveis até o limite do valor dos rendimentos tributáveis recebidos.
Numero da decisão: 2301-004.655
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Alice Grecchi, que dava provimento em maior extensão. João Bellini Júnior – Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo (suplente), Fabio Piovesan Bozza, Ivacir Júlio de Souza, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201605

camara_s : Terceira Câmara

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 CARF. COMPETÊNCIA RECURSAL. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA PARA LANÇAR E PARA CONHECER ORIGINARIAMENTE DE QUESTÕES NÃO SUSCITADAS NA INSTÂNCIA RECORRIDA. 1. Às instâncias julgadoras não compete o lançamento de tributos ou a sua revisão de ofício, no qual se insere a glosa de despesas, que está a cargo das Delegacia da Receita Federal (art 224, VI e XXII da Portaria MF 203, de 2012), mas tão somente o julgamento de matérias controversas, no limite em que impugnadas (art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972). 2. À segunda Seção do Carf cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação relativa à matéria de sua competência (art. 1º do Anexo II do Ricarf). IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO ATÉ ANO-BASE 2009. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. DECISÕES DO STJ, TOMADAS NA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS, DETERMINANDO A INCIDÊNCIA DO IMPOSTO E O MODO DE APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO (Resp. 1.118.429-SP e Resp. 1.470.720-RS). REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF. 1. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). 2. De acordo com o decidido pelo STJ na sistemática estabelecida pelo art. 543-C do CPC (Resp. 1.118.429-SP), o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. 3. Conforme decidido pelo STJ na sistemática estabelecida pelo art. 543-C do CPC (Resp. 1.470.720-RS), o valor do imposto de renda, apurado pelo regime de competência e em valores originais, deve ser corrigido, até a data da retenção na fonte sobre a totalidade de verba acumulada, pelo mesmo fator de atualização monetária dos valores recebidos acumuladamente. A taxa SELIC, como índice único de correção monetária do indébito, incidirá somente após a data da retenção indevida. IRPF INCIDENTE SOBRE JUROS DE MORA NO CONTEXTO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DECISÃO DO STJ TOMADA NA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS (543-C DO CPC DE 1973 E ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC DE 2015), DEFININDO OS CASOS DA INCIDÊNCIA DO IMPOSTO (EDEL NO RESP. 1.089.720-RS). REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA PELO CARF. Por ocasião do julgamento do REsp. n. 1.089.720 - RS (EDcl no REsp. nº 1.089.720-RS, Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 27.02.2013) o Superior Tribunal de Justiça definiu, especificamente quanto aos juros de mora pagos em decorrência de sentenças judiciais, que, muito embora se tratem de verbas indenizatórias, possuem a natureza jurídica de lucros cessantes, consubstanciando-se em evidente acréscimo patrimonial previsto no art. 43, II, do CTN (acréscimo patrimonial a título de proventos de qualquer natureza), razão pela qual é legítima sua tributação pelo Imposto de Renda, salvo a existência de norma isentiva específica ou a constatação de que a verba principal a que se referem os juros é verba isenta ou fora do campo de incidência do IR (tese em que o acessório segue o principal). DEDUÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. ART. 12 DA LEI N. 7.713/88. POSSIBILIDADE. Os honorários advocatícios pagos pelo contribuinte têm natureza de despesa necessária à aquisição dos rendimentos. Não há possibilidade de separar o trabalho do advogado entre o esforço para aferimento de rendimentos tributáveis ou não tributáveis na mesma ação judicial. Assim, os honorários devem ser considerados dedutíveis até o limite do valor dos rendimentos tributáveis recebidos.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Tue May 24 00:00:00 UTC 2016

numero_processo_s : 13891.720101/2011-16

anomes_publicacao_s : 201605

conteudo_id_s : 5592223

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 24 00:00:00 UTC 2016

numero_decisao_s : 2301-004.655

nome_arquivo_s : Decisao_13891720101201116.PDF

ano_publicacao_s : 2016

nome_relator_s : JOAO BELLINI JUNIOR

nome_arquivo_pdf_s : 13891720101201116_5592223.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Alice Grecchi, que dava provimento em maior extensão. João Bellini Júnior – Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo (suplente), Fabio Piovesan Bozza, Ivacir Júlio de Souza, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente).

dt_sessao_tdt : Tue May 10 00:00:00 UTC 2016

id : 6386961

ano_sessao_s : 2016

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:49:02 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713048418246459392

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2424; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T1  Fl. 287          1 286  S2­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13891.720101/2011­16  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2301­004.655  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  10 de maio de 2016  Matéria  RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.   Recorrente  HENRIQUE ARMINIO DE SOUZA  Recorrida  União (representada pela Fazenda Nacional)    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2007  CARF.  COMPETÊNCIA  RECURSAL.  AUSÊNCIA  DE  COMPETÊNCIA  PARA  LANÇAR  E  PARA  CONHECER  ORIGINARIAMENTE  DE  QUESTÕES NÃO SUSCITADAS NA INSTÂNCIA RECORRIDA.  1. Às  instâncias  julgadoras  não  compete  o  lançamento  de  tributos  ou  a  sua  revisão de ofício, no qual se insere a glosa de despesas, que está a cargo das  Delegacia  da Receita  Federal  (art  224, VI  e XXII  da  Portaria MF  203,  de  2012), mas tão somente o julgamento de matérias controversas, no limite em  que impugnadas (art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972).   2.  À  segunda  Seção  do  Carf  cabe  processar  e  julgar  recursos  de  ofício  e  voluntário  de  decisão  de  primeira  instância  que  versem  sobre  aplicação  da  legislação  relativa  à  matéria  de  sua  competência  (art.  1º  do  Anexo  II  do  Ricarf).  IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.  PERÍODO  ATÉ  ANO­BASE  2009.  DECISÃO  DO  STF  DE  INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12  DA  LEI  7.713/88  COM  REPERCUSSÃO  GERAL  RECONHECIDA.  DECISÕES  DO  STJ,  TOMADAS  NA  SISTEMÁTICA  DOS  RECURSOS  REPETITIVOS, DETERMINANDO A  INCIDÊNCIA DO  IMPOSTO E O  MODO DE APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO (Resp. 1.118.429­SP e  Resp. 1.470.720­RS). REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF.  1. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art.  543­B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o  IRPF sobre os rendimentos  recebidos  acumuladamente  deve  ser  calculado  utilizando­se  as  tabelas  e  alíquotas  do  imposto  vigentes  a  cada  mês  de  referência  (regime  de  competência).   2. De acordo com o decidido pelo STJ na  sistemática estabelecida pelo art.  543­C do CPC (Resp. 1.118.429­SP), o Imposto de Renda incidente sobre os     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 1. 72 01 01 /2 01 1- 16 Fl. 287DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR   2 benefícios  pagos  acumuladamente  deve  ser  calculado  de  acordo  com  as  tabelas  e  alíquotas  vigentes  à  época  em  que  os  valores  deveriam  ter  sido  adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte.  3. Conforme decidido pelo STJ na sistemática estabelecida pelo art. 543­C do  CPC  (Resp.  1.470.720­RS),  o  valor  do  imposto  de  renda,  apurado  pelo  regime de competência e em valores originais, deve ser corrigido, até a data  da retenção na fonte sobre a totalidade de verba acumulada, pelo mesmo fator  de  atualização  monetária  dos  valores  recebidos  acumuladamente.  A  taxa  SELIC,  como  índice  único  de  correção  monetária  do  indébito,  incidirá  somente após a data da retenção indevida.  IRPF  INCIDENTE  SOBRE  JUROS  DE  MORA  NO  CONTEXTO  DE  RENDIMENTOS  RECEBIDOS  ACUMULADAMENTE.  DECISÃO  DO  STJ  TOMADA  NA  SISTEMÁTICA  DOS  RECURSOS  REPETITIVOS  (543­C  DO  CPC  DE  1973  E  ARTS.  1.036  E  SEGUINTES  DO  CPC  DE  2015), DEFININDO OS CASOS DA INCIDÊNCIA DO IMPOSTO (EDEL  NO RESP. 1.089.720­RS). REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA PELO CARF.  Por  ocasião  do  julgamento  do REsp.  n.  1.089.720  ­ RS  (EDcl  no REsp.  nº  1.089.720­RS, Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado  em  27.02.2013)  o  Superior  Tribunal  de  Justiça  definiu,  especificamente  quanto aos  juros de mora pagos em decorrência de sentenças  judiciais, que,  muito embora se tratem de verbas indenizatórias, possuem a natureza jurídica  de lucros cessantes, consubstanciando­se em evidente acréscimo patrimonial  previsto no art. 43,  II, do CTN (acréscimo patrimonial a título de proventos  de qualquer natureza), razão pela qual é legítima sua tributação pelo Imposto  de Renda, salvo a existência de norma isentiva específica ou a constatação de  que  a  verba  principal  a  que  se  referem  os  juros  é  verba  isenta  ou  fora  do  campo de incidência do IR (tese em que o acessório segue o principal).  DEDUÇÃO DE  HONORÁRIOS  ADVOCATÍCIOS.  ART.  12  DA  LEI  N.  7.713/88. POSSIBILIDADE.   Os honorários advocatícios pagos pelo contribuinte têm natureza de despesa  necessária  à  aquisição  dos  rendimentos.  Não  há  possibilidade  de  separar  o  trabalho  do  advogado  entre  o  esforço  para  aferimento  de  rendimentos  tributáveis ou não  tributáveis na mesma ação  judicial. Assim, os honorários  devem  ser  considerados  dedutíveis  até  o  limite  do  valor  dos  rendimentos  tributáveis recebidos.      Vistos,  relatados  e  discutidos  os  presentes  autos,  acordam  os  membros  do  Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto  do relator. Vencida a Conselheira Alice Grecchi, que dava provimento em maior extensão.  João Bellini Júnior – Presidente e relator.   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  João  Bellini  Júnior  (Presidente),  Júlio César Vieira Gomes  (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Andrea Brose  Adolfo (suplente), Fabio Piovesan Bozza, Ivacir Júlio de Souza, Gisa Barbosa Gambogi Neves  e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente).    Fl. 288DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13891.720101/2011­16  Acórdão n.º 2301­004.655  S2­C3T1  Fl. 288          3 Relatório  Trata­se de recurso voluntário em face do Acórdão 16­46.333, de 08/05/2013,  (fls. 241 a 253).  Reproduzo o relatório do acórdão recorrido:  Contra  o  contribuinte  em  epígrafe  foi  emitida  a  notificação  de  lançamento de fls. 08 a 12, referente ao ano­calendário de 2007,  para  a  retificação  do  valor  do  imposto  a  restituir  de  R$  16.936,60 para R$ 9.794,32.  Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 09 e  10) que foram apuradas as seguintes infrações:  ­  omissão  de  rendimentos  recebidos  de  pessoa  jurídica,  decorrentes de ação trabalhista. Enquadramento Legal: arts. 1º  a  3º  e  §§,  da  Lei  nº  7.713/1988;  arts.  1º  a  3º  da  Lei  nº  8.134/1990; arts. 1º e 15 da Lei nº 10.451/2002; art. 28 da Lei n°  10.833/2003; art. 43 do Decreto nº 3.000/1999 RIR/1999;  ­  compensação  indevida  de  imposto  de  renda  retido  na  fonte.  Enquadramento  legal:  art.  12,  inciso V,  da  Lei  n°  9.250/1995;  arts. 7o, §§ 1o e 2o, e 87, inciso IV, § 2o, do RIR/1999.  (...)   Alega  o  impugnante  que  o  valor  pago  através  do  Banco  do  Brasil  S/A  refere­se  a  rendimentos  decorrentes  de  ação  trabalhista,  recebidos  acumuladamente,  correspondentes  aos  meses de outubro/1993 a janeiro/1998, num total de 52 meses e  mais  reflexos  de  5  décimos­terceiros  salários,  totalizando  57  meses.  Considera que a  tributação de  tais rendimentos deve se dar na  forma prevista na IN RFB n° 1.127/2011.  Entende  que,  do  rendimento  bruto  informado  na  DIRF  apresentada pela  fonte pagadora, de R$ 145.127,03, devem ser  deduzidas as despesas com honorários advocatícios.  Demonstra o cálculo do imposto que considera devido (fl. 05) e  requer a restituição da diferença retida a maior.  Argumenta  que  foram  apresentados  os  comprovantes  da  reclamação  trabalhista  movida  contra  a  SABESP  Cia.  de  Saneamento  Básico  do  Estado  de  São  Paulo,  na  qual  foram  pleiteadas e reconhecidas diferenças salariais e demais reflexos,  do  período  de  outubro/1993  a  janeiro/1998,  alguns  não  tributáveis, tais como FGTS e juros.  (...)  Fl. 289DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR   4 A  DRJ  julgou  a  impugnação  procedente  em  parte,  e  o  acórdão  recorrido  recebeu a seguinte ementa:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­  IRPF  Ano­calendário: 2007  RENDIMENTOS  RECEBIDOS  ACUMULADAMENTE.  TRIBUTAÇÃO.  EXCLUSÃO.  DESPESAS  COM  AÇÃO  JUDICIAL.  Os  rendimentos  referentes  a  diferenças  ou  atualizações  de  salários,  proventos  ou  pensões,  inclusive  juros  e  correção  monetária,  recebidos  acumuladamente,  estão  sujeitos  à  incidência do imposto de renda quando do seu recebimento. Não  se  sujeitam  à  tributação  as  verbas  referentes  a  férias  não  gozadas,  abono pecuniário de  férias,  aviso prévio  indenizado e  Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. Os valores relativos ao  décimo  terceiro  salário  são  tributados exclusivamente na  fonte.  Deduz­se  o  valor  correspondente  aos  honorários  advocatícios  suportados pelo interessado, proporcionalmente aos rendimentos  tributáveis na declaração, por se tratar de rendimentos auferidos  em decorrência de ação judicial.  A ciência dessa decisão ocorreu em 03/06/2013 (fl. 258).  Em 19/06/2013, foi apresentado recurso voluntário (fls. 259 a 273), no qual  são reafirmados, em síntese, os argumentos da impugnação, e ainda, foi:  (a) solicitado o reconhecimento de seu direito à  isenção do  imposto sobre a  renda sobre o valor recebido a título de horas extras, de juros de mora, FGTS, 13º Salário, 1/3  do adicional de férias;   (b)  reafirmado  que  a  tributação  de  seus  rendimentos  deve  se  dar  na  forma  prevista  na  IN  RFB  n°  1.127/2011  e  solicitado  que  este  Carf  altere  sua  declaração  de  rendimentos na forma indicada;  (c)  indicado  que  a  autoridade  recorrida  aumentou  a  glosa  do  IRRF  de  R$1.026,72 para R$3.826,51;  (d) solicitado que os honorários advocatícios sejam integralmente dedutíveis  da base de cálculo.   Requereu o cancelamento do crédito tributário lançado, ou alternativamente,  que seja afastada a incidência do imposto sobre a renda sobre os valores recebidos a título de  juros de mora.  É o relatório.  Voto             Conselheiro João Bellini Júnior, Relator    Fl. 290DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13891.720101/2011­16  Acórdão n.º 2301­004.655  S2­C3T1  Fl. 289          5 Da competência recursal do Carf  O  contribuinte  não  suscitou  na  instância  recorrida  o  reconhecimento  da  isenção referente às horas extras.  Tal matéria não pode ser originariamente conhecida por este Carf, sob pena  de usurpação de competência das Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ), uma vez  que a competência deste órgão é tão somente recursal, a teor do disposto no art. 1º do Anexo II  do Regimento Interno deste Carf, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 (Ricarf):  Art.  1º  Compete  aos  órgãos  julgadores  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (CARF)  o  julgamento  de  recursos  de  ofício  e  voluntários  de  decisão  de  1ª  (primeira)  instância,  bem  como  os  recursos  de  natureza  especial,  que  versem sobre  tributos administrados pela Secretaria da Receita  Federal do Brasil (RFB).   Parágrafo único. As Seções serão especializadas por matéria, na  forma prevista nos arts. 2º a 4º da Seção I.  Mesmo  se  assim  não  fosse,  o  Superior  Tribunal  de  Justiça  sumulou  que  incide  imposto  sobre  a  renda  sobre  os  valores  percebidos  a  título  de  indenização  por  horas  extras trabalhadas:  Súmula STJ 463  Incide imposto de renda sobre os valores percebidos a título de  indenização  por  horas  extraordinárias  trabalhadas,  ainda  que  decorrentes de acordo coletivo.  Assim,  conheço  parcialmente  do  recurso,  excluída  a  matéria  que  não  foi  suscitada na instância recorrida.  Rendimentos recebidos acumuladamente a título de FGTS e de abono pecuniário de  férias O  recorrente  pede  seja  excluído  do  valor  tributável  os  valores  recebidos  acumuladamente a título de FGTS e de adicional de férias (“1/3 de férias”). Porém, a análise do  lançamento esmiuçado na “descrição dos fatos e enquadramento legal” (fl. 09) demonstra que  tais valores já foram considerados isentos pela unidade preparadora, que, decorrentemente, não  os lançou como rendimentos tributáveis.  Tal fato foi descrito com esmero pela decisão recorrida, da qual transcrevo as  razões, assumindo­as como minhas:   O  lançamento  impugnado  apurou  a  omissão  de  rendimentos  decorrentes  de  reclamação  trabalhista,  no  valor  de  R$  22.238,40, que corresponde à diferença entre o valor declarado,  de  R$  99.452,92  (fl.  29)  e  o  apurado  como  tributável,  de  R$  121.691,32.  A  fiscalização  considerou  que  o  valor  dos  rendimentos  tributáveis  seria  de  162.782,54  (equivalente  a  89,1%  do  valor  bruto auferido, de R$ 182.696,46),  do qual  foram deduzidos os  honorários advocatícios de R$ 41.091,22 (obtidos pela aplicação  Fl. 291DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR   6 do  mesmo  percentual  sobre  o  total  pago,  de  R$  46.118,10),  apurando, por conseguinte, o valor tributável de R$ 121.691,32.  O  percentual  de  89,1%  corresponde  ao  quociente  entre  o  montante  dos  rendimentos  tributáveis,  atualizado  até  maio  de  2005, de R$ 140.422,56, e o total bruto, de R$157.631,91, ambos  extraídos  da  planilha  “RESUMO”,  de  fl.  477  do  processo  trabalhista.  O valor  de R$ 140.422,56  resulta  da  exclusão,  do  total  de R$  157.631,91,das  importâncias  relativas  ao  FGTS  e  ao  abono  pecuniário  de  férias,  respectivamente,  de  R$15.292,25  e  R$  1.917,10.   Quanto  ao  abono  pecuniário  de  férias,  assinale­se  que  o  Ato  Declaratório PGFN nº 6, de 16 de novembro de 2006, dispensa a  apresentação  de  contestação,  a  interposição  de  recursos  e  autoriza  a  desistência  dos  já  interpostos,  desde  que  inexista  outro fundamento relevante, “nas ações judiciais que visem obter  a declaração de que não  incide  imposto de renda sobre o abono  pecuniário de férias de que trata o art. 143 da Consolidação das  Leis do Trabalho – CLT, aprovada pelo Decreto­Lei nº 5.452, de  1º de maio de 1943”.  A  Instrução  Normativa  RFB  n°  936,  de  5  de  maio  de  2009,  dispõe  sobre  a  não  incidência  do  imposto  de  renda  sobre  a  mesma verba, conforme transcrição a seguir:  Art.  1º  Os  valores  pagos  a  pessoa  física  a  título  de  abono  pecuniário de férias de que trata o art. 143 da Consolidação das  Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo  Decreto­Lei  nº  5.452,  de  1º  de  maio  de  1943,  não  serão  tributados pelo imposto de renda na fonte nem na Declaração de  Ajuste Anual.  Art. 2º A pessoa física que recebeu os rendimentos de que trata o  art. 1º com desconto do imposto de renda na fonte e que incluiu  tais  rendimentos  na  Declaração  de  Ajuste  Anual  como  tributáveis,  para  pleitear  a  restituição  da  retenção  indevida,  deverá apresentar declaração retificadora do respectivo exercício  da  retenção,  excluindo  o  valor  recebido  a  título  de  abono  pecuniário  de  férias  do  campo  "rendimentos  tributáveis"  e  informando­o no campo "outros" da ficha "rendimentos isentos e  não  tributáveis",  com  especificação  da  natureza  do  rendimento.  (Grifou­se.)  A tabela dos “rendimentos  isentos” constante na  fl. 251 demonstra que  tais  parcelas foram consideradas isentas.:      Fl. 292DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13891.720101/2011­16  Acórdão n.º 2301­004.655  S2­C3T1  Fl. 290          7 Comprovado  que  tais  parcelas  não  foram  tributadas,  nada  há  para  ser  excluído.  Rendimentos recebidos acumuladamente a título de décimo terceiro salário   Tais  valores  são  tributados  exclusivamente  na  fonte,  com  fundamento  no  artigo 16,  inciso  III, da Lei n° 8.134/1990, e decorrentemente,  foram excluídas da  tributação  por  não  integrarem  a  base  de  cálculo  do  imposto  sobre  a  renda  calculado  na  declaração  de  ajuste anual (DAA).   A tabela dos “rendimentos sujeitos à tributação exclusiva na fonte” constante  na fl. 251 demonstra que tais parcelas foram segregadas:    Demais rendimentos recebidos acumuladamente. Período até ano­base 2009  Trata  o  presente  processo  de  omissão  de  rendimentos  recebidos  acumuladamente, por força de ação judicial trabalhista, relativos ao ano­calendário de 2009.  Tal  tema  já  foi  objeto  de  apreciação  tanto  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  (STF) quanto pelo Superior Tribunal de Justiça (STF), em processos com decisão definitiva de  mérito  na  sistemática  dos  arts.  543­B  e  543­C  da  Lei  5.869,  de  1973  (presentemente,  arts.  1.036 a 1.041 da Lei 13.105, de 2015).  Assim,  tais  decisões  devem  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento dos  recursos no  âmbito deste Conselho Administrativo, por  força do disposto no  art. 62, § 3º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de  2015 (Ricarf).   Passemos à análise das referidas decisões.  Do  STF,  temos  o  julgamento  do  RE  614.406/RS  (com  repercussão  geral  reconhecida)  cuja  tese  restou  reafirmada  no  julgamento  do ARE  817.409,  cujos  trânsito  em  julgado deram­se respectivamente em 11/12/2014 e 05/06/2015.  Em ambos os acórdãos, decidiu­se que o imposto sobre a renda das pessoas  físicas (IRPF) sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando­ se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência, ou seja, calculados de  acordo com o  regime de  competência. Tal  é o  entendimento que deve  ser  reproduzido pelos  órgãos deste Carf.  O RE 614.406/RS recebeu a seguinte ementa:  IMPOSTO  DE  RENDA  –  PERCEPÇÃO  CUMULATIVA  DE  VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há  Fl. 293DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR   8 de de (SIC) ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas,  presentes, individualmente, os exercícios envolvidos.  Assim,  no  RE  614.406/RS  decidiu­se  negar  provimento  ao  recurso  extraordinário  interposto pela União contra acórdão exarado pela Corte Especial do Tribunal  Regional  Federal  da  4ª  Região,  pelo  qual  entendeu­se  correta  a  “Incidência  mensal  para  o  cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em  que apurado o rendimento percebido a menor ­ regime de competência ­ após somado este com  o valor já pago, pena afronta aos princípios da isonomia e capacidade contributiva insculpidos  na CF/88 e do critério da proporcionalidade que infirma a apuração do montante devido”.  Friso  que,  embora  alguns  Ministros  teçam  considerações  sobre  a  inconstitucionalidade do art. 12 da lei 7.713, de 1988 (como é o caso do Min. Marco Aurélio,  do Min. Dias Toffoli e da Min. Cármen Lúcia), a discussão que se estabelece no plenário do  STF é qual o regime de tributação a ser aplicado ao caso: (a) regime de caixa, posição da Min.  Ellen Grace, que dava provimento ao recurso interposto pela União, julgando constitucional o  art. 12 da Lei 7.713, de 1988 e (b) regime de competência, posição dos demais ministros, que,  em decorrência, negaram provimento ao recurso da União.  Desse modo, o limite objetivo da coisa julgada é dado pelo desprovimento da  apelação  da  União  contra  o  acórdão  do  TRF4,  que  houvera  reconhecido  incidentalmente  a  inconstitucionalidade do  art.  12 da Lei 7.713, de 1988 para que o  IRPF  fosse  tributado pelo  regime de competência (e não pelo regime de caixa)  Tal situação, ou seja, ser o limite objetivo da coisa julgada no RE 614.406/RS  a  tributação  dos  rendimento  recebidos  acumuladamente  pelo  regime  de  competência,  resta  cristalina pela simples leitura da ementa do ARE 817.409:   AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO  COM AGRAVO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA  FÍSICA. MODO  DE  CÁLCULO.  RENDIMENTOS  PAGOS  EM  ATRASO  E  ACUMULADAMENTE.  REPERCUSSÃO  GERAL  RECONHECIDA PELO STF. TEMA Nº 368. JULGAMENTO DE  MÉRITO  NO  RE  614.406.  ALEGADA  INDIFERENÇA  NA  APLICAÇÃO DO REGIME DE CAIXA OU DE COMPETÊNCIA  AO  CASO.  INCURSÃO  NO  ACERVO  FÁTICO­PROBATÓRIO  DOS AUTOS. SÚMULA Nº 279 DO STF. INCIDÊNCIA.   1.  Os  valores  recebidos  em  atraso  e  acumuladamente  por  pessoas  físicas  devem  se  submeter  à  incidência do  imposto de  renda  segundo  o  regime  de  competência,  consoante  decidido  pelo Plenário do STF no julgamento do RE 614.406, Rel. Min.  Rosa Weber, Redator do acórdão o Min. Marco Aurélio, DJe de  27/11/2014, leading case de repercussão geral, Tema nº 368.  (...)  No mesmo  sentido decidiu  a Câmara Superior  de Recursos Fiscais  (CSRF)  no  julgamento  do  Acórdão  CSRF  9202­003.695,  julgado  em  27/01/2016,  o  qual  recebeu  a  seguinte ementa:  IRPF.  RENDIMENTOS  RECEBIDOS  ACUMULADAMENTE.  Consoante  decidido  pelo  STF  através  da  sistemática  estabelecida  pelo  art.  543­B  do  CPC  no  âmbito  do  RE  614.406/RS,  o  IRPF  sobre  os  rendimentos  recebidos  acumuladamente  deve  ser  calculado  utilizando­se  as  tabelas  e  Fl. 294DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13891.720101/2011­16  Acórdão n.º 2301­004.655  S2­C3T1  Fl. 291          9 alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime  de competência).   Das razões do conselheiro relator, Heitor de Souza Lima Junior, transcrevo:  Todavia,  inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento  se  cogita,  no  Acórdão  (RE  614.406/RS),  de  eventual  cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto  devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei no .  7.713,  de  1988,  note­se,  diploma  plenamente  vigente  na  época  em  que  efetuado  o  lançamento  sob  análise,  o  qual,  ainda,  em  meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto  no art. 142 do Código Tributário Nacional. (...)   Deflui  daquela  decisão  da  Suprema  Corte,  em  meu  entendimento,  inclusive,  o pleno  reconhecimento do  surgimento  da  obrigação  tributária  que  aqui  se  discute,  ainda  que  em  montante  diverso  daquele  apurado  quando  do  lançamento,  o  qual,  repita­se,  obedeceu  os  estritos  ditames  da  legalidade  à  época  da  ação  fiscal  realizada.  Da  leitura  do  inteiro  teor  do  decisum  do STF,  é notório que, ainda que  se  tenha  rejeitado o  surgimento  da  obrigação  tributária  somente  no  momento  do  recebimento  financeiro  pela  pessoa  física,  o  que  a  faria  mais  gravosa,  entende­se,  ali,  inequivocamente,  que  se  mantém  incólume  a  obrigação  tributária  oriunda  do  recebimento  dos  valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a  ser  calculada  em momento  pretérito,  quando o  contribuinte  fez  jus  à  percepção  dos  rendimentos,  de  forma,  assim,  a  restarem  respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia.   (...)  Se, por um lado, manter­se a tributação na forma do referido art.  12  da  Lei  no.  7.713,  de  1988,  conforme  decidido  de  forma  definitiva  pelo  STF,  violaria  a  isonomia  no  que  tange  aos  que  receberam  as  verbas  devidas  "em  dia"  e  ali  recolheram  os  tributos  devidos,  exonerar  o  lançamento  por  completo  a  esta  altura  significaria  estabelecer  tratamento  antiisonômico  (também  em  relação  aos  que  também  receberam  em  dia  e  recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles  que  foram  autuados  e  nada  recolheram  ou  recolheram  valores  muito  inferiores  aos  devidos,  ao  serem  agora  consideradas  as  tabelas/alíquotas  vigentes  à  época,  o  que  deve,  em  meu  entendimento, também se rechaçar.   (...)  Como já referido, também o STJ enfrentou a matéria no julgamento de dois  recursos  especiais  sujeitos  à  sistemática  do  art.  543­C  do CPC,  (e,  portanto,  vinculativos  ao  CARF em face do disposto no art. 62, § 2º, do Ricarf).  Nesses, também restou assentado que o imposto sobre a renda incidente sobre  rendimentos pagos  acumuladamente deve ser calculado de acordo com as  tabelas e alíquotas  vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida  mês a mês pelo contribuinte.   Fl. 295DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR   10 O  primeiro  desses  julgamentos  é  o  Resp.  1.118.429­SP,  julgado  em  24/03/2010 e transitado em julgado em 17/06/2010, o qual recebeu a seguinte ementa:  TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO  REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS  ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA.  1.  O  Imposto  de  Renda  incidente  sobre  os  benefícios  pagos  acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e  alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido  adimplidos,  observando  a  renda  auferida  mês  a  mês  pelo  segurado. Não  é  legítima a  cobrança  de  IR  com parâmetro  no  montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ.  2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do  art.  543­C  do  CPC  e  do  art.  8º  da  Resolução  STJ  8/2008.  (Grifou­se.)  O segundo julgado, Resp. 1.470.720­RS, julgado em 10/12/2014 e transitado  em julgado em 04/03/2015, esmiúça a determinação das bases de cálculo do imposto sobre a  renda, e recebeu a seguinte ementa:   RECURSO  REPRESENTATIVO  DA  CONTROVÉRSIA.  ART.  543­C, DO CPC.  PROCESSUAL CIVIL.  VIOLAÇÃO AO ART.  535,  DO  CPC.  ALEGAÇÕES  GENÉRICAS.  SÚMULA  N.  284/STF.  TRIBUTÁRIO.  EMBARGOS  À  EXECUÇÃO  DE  SENTENÇA  CONTRA  A  FAZENDA  PÚBLICA.  IMPOSTO  DE  RENDA  DA  PESSOA  FÍSICA  ­  IRPF.  VERBAS  RECEBIDAS  ACUMULADAMENTE.  REGIME  DE  COMPETÊNCIA.  CORREÇÃO MONETÁRIA. FACDT. SELIC.  (...)  2.  O  valor  do  imposto  de  renda,  apurado  pelo  regime  de  competência  e  em  valores  originais,  deve  ser  corrigido,  até  a  data  da  retenção  na  fonte  sobre  a  totalidade  de  verba  acumulada,  pelo  mesmo  fator  de  atualização  monetária  dos  valores recebidos acumuladamente (em ação trabalhista, como  no  caso,  o  FACDT  –  fator  de  atualização  e  conversão  dos  débitos  trabalhistas).  A  taxa  SELIC,  como  índice  único  de  correção monetária  do  indébito,  incidirá  somente  após  a  data  da retenção indevida. (Grifou­se.)  3.  Sistemática  que  não  implica  violação  ao  art.  13,  da  Lei  n.  9.065/95, ao art. 61, §3º, da Lei n. 9.430/96, ao art. 8º, I, da Lei  n. 9.250/95, ou ao art. 39, §4º, da Lei n. 9.250/95, posto que se  refere à equalização das bases de cálculo do  imposto de  renda  apurados pelo regime de competência e pelo regime de caixa e  não à mora, seja do contribuinte, seja do Fisco.  4. Tema julgado para efeito do art. 543­C, do CPC: "Até a data  da  retenção na  fonte,  a  correção do  IR apurado e em valores  originais deve ser feita sobre a totalidade da verba acumulada e  pelo  mesmo  fator  de  atualização  monetária  dos  valores  recebidos acumuladamente,  sendo que, em ação  trabalhista, o  critério utilizado para tanto é o FACDT". (Grifos no original.)  5. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não  provido.  Fl. 296DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13891.720101/2011­16  Acórdão n.º 2301­004.655  S2­C3T1  Fl. 292          11 Transcrevo  trechos  do  Resp.  1.470.720,  a  fim  de  aclarar  os  critérios  pelos  quais deve ser calculado o imposto sobre a renda:  Esta  Corte  ao  julgar  recurso  representativo  da  controvérsia  decidiu que: "O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios  pagos  acumuladamente  deve  ser  calculado  de  acordo  com  as  tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam  ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo  segurado.  Não  é  legítima  a  cobrança  de  IR  com  parâmetro  no  montante  global  pago  extemporaneamente"  (REsp.  n.  1.118.429/SP,  Primeira  Seção,  Rel.  Min.  Herman  Benjamin,  julgado em 24.03.2010). Ou seja, entendeu que o art. 12, da Lei  n.  7.713/88  não  deve  ser  interpretado  de  forma  a  permitir  a  tributação  dos  rendimentos  recebidos  acumuladamente  pelo  regime  de  caixa  (tributação  considerando  as  alíquotas,  os  parâmetros e no mês em que efetivamente pagos os rendimentos  de uma só vez), mas sim pelo regime de competência (tributação  considerando  as  alíquotas,  os  parâmetros  e  no  mês  em  que  deveriam ter sido pagos dos rendimentos mês a mês).  Em  razão  dessa  jurisprudência  já  consolidada,  surgiu  em  inúmeros processos a discussão a respeito do modo com que se  daria o cálculo dessa diferença de imposto de renda a ser paga  pelo contribuinte ou a ele repetida pelo fisco, nos casos em que o  Imposto  de  Renda  incide  sobre  verbas  trabalhistas  pagas  em  atraso de forma acumulada, ou verbas de outra natureza também  pagas  em atraso  de  forma  acumulada.  Esse modo  não  poderia  descurar da forma com que calculado o imposto nas declarações  de ajuste, respeitando­se a lógica do imposto e de sua repetição.  Dito  de  outra  forma,  para  respeitar  a  sistemática  de  apuração  do  Imposto  de  Renda  e  ao  mesmo  tempo  o  regime  de  competência,  havia a necessidade de  se estabelecer uma  forma  retroativa  de  cálculo  do  tributo  que  deveria  ter  sido  pago  ao  tempo em que deveria ter sido recebido o rendimento (regime de  competência)  e  apurar  a  diferença  em  relação  ao  que  retido  posteriormente  na  fonte  (regime  de  caixa),  o  que  carece  da  aplicação de um critério único de correção monetária, a fim de  se equalizar as bases de cálculo do Imposto de Renda através do  tempo (a base de cálculo do  imposto que deveria  ter  sido pago  sob o regime de caixa deve ser equalizada à base de cálculo do  imposto pago sob o regime de competência) e definir a diferença  do tributo a pagar ou restituir. Assim, o que se discute é o índice  a ser fixado para a correção da base de cálculo do tributo e não  do tributo devido ou do indébito a ser restituído.  No  caso  das  verbas  trabalhistas,  sabe­se  que  a  Justiça  do  Trabalho  utiliza  para  atualização  dos  débitos  (base  de  cálculo  do  Imposto  de  Renda)  a  chamada  Tabela  FACDT  (Fator  de  Atualização e Conversão dos Débitos Trabalhistas), que tem por  objetivo  assegurar,  "com  base  no  índice  oficial  da  inflação  do  mês anterior, o valor monetário dos créditos do trabalhador até o  primeiro  dia  do  mês  seguinte"  (Agravo  de  Petição  n.  718903,  TRT4,  Sexta  Turma,  Rel.  Juiz  João Ghisleni  Filho,  julgado  em  19.11.1998).  Sendo assim,  sua  natureza  é  de  fator  de  correção  Fl. 297DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR   12 monetária,  não  se  tratando  de  juros  de  mora,  que  tem  por  objetivo punir o devedor pela mora, acrescendo ao débito uma  indenização a título de lucros cessantes.  Do mesmo modo,  no  caso  de  verbas  previdenciárias,  a  Justiça  Federal faz uso do IGP­DI e, mutatis mutandis, em outros casos  faz­se uso de índices diversos judicialmente fixados e transitados  em julgado.  A  jurisprudência  então  caminhou  para  a  seguinte  forma  de  cálculo:  resgata­se  o  valor  original  da  base  de  cálculo  (após,  portanto, as deduções legais) declarada pelo sujeito passivo em  sua  Declaração  de  Ajuste  Anual  relativa  ao  ano­calendário  a  que  o  rendimento  corresponde  (A)  e  adiciona­se  o  valor  do  rendimento  recebido  acumuladamente  relativo  ao  mesmo  ano  (excluídos  atualização monetária  e  juros)  (B).  Assim,  chega­se  ao valor da base de cálculo que seria declarada se o rendimento  tivesse sido percebido na época própria (C = A + B).  Sobre esta base de cálculo aplica­se a tabela progressiva vigente  no  ano  a  que  o  rendimento  corresponde.  Com  a  aplicação  da  alíquota  da  tabela  progressiva  sobre  a  base  de  cálculo  (C),  chega­se  a  um  resultado  de  imposto  devido  à  época.  Desse  resultado se subtrai o imposto efetivamente pago calculado com  os valores da época. Essa diferença corresponde ao cálculo da  diferença  de  imposto  correspondente  (D).  Este  cálculo  deverá  ser  feito  para  cada  ano­calendário  referente  aos  rendimentos  percebidos acumuladamente (Dl, D2, etc).  Esta diferença de imposto de renda (D), apurada em cada ano  (D1, D2, etc),  será atualizada pelo  índice que melhor  reflita a  correção  monetária  para  o  débito  em  questão  (no  caso  de  débitos  trabalhistas,  utiliza­se  o  Fator  de  Atualização  e  Conversão  dos  Débitos  Trabalhistas  ­  FACDT,  como  visto)  a  partir  de  30  de  abril  do  ano  subseqüente  ao  ano­calendário  respectivo.  Cada  uma  das  diferenças  anuais  (Dl,  D2)  será  atualizada  pelo  índice  referido  até  30  de  abril  do  ano  subseqüente  àquele  em  que  ocorreu  o  recebimento  dos  valores  acumulados  e  somadas  entre  si,  constituindo  o  somatório  de  diferenças de imposto de renda (E =" Dl + D2 + etc.).  O  montante  total  das  diferenças  (E)  será  compensado  com  o  total  do  imposto  que  foi  indevidamente  retido  na  fonte  sob  o  regime  de  caixa  por  força  do  recebimento  de  rendimentos  acumulados,  perfazendo  o  saldo  de  imposto  de  renda  (F),  a  pagar  (se  E  >  imposto  indevidamente  retido  na  fonte  sob  o  regime  de  caixa)  ou  a  restituir  (se E <  imposto  indevidamente  retido na fonte sob o regime de caixa). Sobre (F), incidirá a taxa  SELIC  a  partir  de  1º  de  maio  do  ano  subsequente  ao  do  recebimento  dos  rendimentos  acumulados  porque,  ou  constitui  (F)  uma  diferença  de  imposto  não  pago  pelo  contribuinte  (situação em que  incidem o art. 13, da Lei n. 9.065/95 e o art.  61, §3º, da Lei n. 9.430/96), ou constitui um valor de indébito a  ser repetido pelo Fisco ao contribuinte (situação em que incide o  art. 39, §4º, da Lei n. 9.250/95).  (...)  De observar que a taxa SELIC não incide em nenhum momento  anterior porque antes de 1º de maio do ano subsequente ao do  recebimento dos rendimentos acumulados o que ocorre é apenas  Fl. 298DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13891.720101/2011­16  Acórdão n.º 2301­004.655  S2­C3T1  Fl. 293          13 uma equalização da base de cálculo do imposto de renda e não a  mora, seja do contribuinte, seja do Fisco.    Assim, em atenção ao disposto no art. 62, § 2º do Anexo II do Ricarf, devem  ser aplicadas as disposições do (a) RE 614.406/RS (STF), explicitadas no ARE 817.409 (STF),  (b) Resp. 1.118.429­SP (STJ) e (c) Resp. 1.470.720 (STJ).    Demais rendimentos recebidos acumuladamente. Período até ano­base 2009. Incidência  do imposto sobre a renda sobre os juros de mora. Exceções  A  recorrente  argumenta  que  os  juros  moratórios  recebidos  em  razão  do  processo judicial não podem sofrer a incidência do imposto sobre a renda.   Sobre  o  tema,  transcrevo  as  razões  de  decidir  expostas  pelo  Conselheiro  Heitor de Souza Lima Junior, redator designado para o Acórdão 2101­002.547, as quais adoto  como minhas, mutatis mutandis:   Sobre  o  tema  da  tributação  dos  juros,  vale  ressaltar  o  entendimento  inicial,  no  sentido  de  que  tais  rendimentos,  a  princípio,  deveriam  seguir  a  natureza  tributável  da  verba  principal,  por  sua  característica  acessória,  escorado  no  artigo  55,  inciso XIV, do Decreto n° 3.000, de 1999  (Regulamento do  Imposto  de  Renda),  que  estipula  serem  tributáveis  "os  juros  compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os  que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por  atraso  de  pagamento,  exceto  aqueles  correspondentes  a  rendimentos isentos ou não tributáveis".   Com efeito, a Lei n° 4.506, de 1964, em seu artigo 16, é expressa  quanto à exigência do imposto de renda sobre os juros de mora e  quaisquer outras  indenizações pagas pelo atraso no pagamento  de rendimentos do trabalho. Vejamos o texto, ipsis litteris:   Art.  16.  Serão  classificados  como  rendimentos  do  trabalho  assalariado  todas  as  espécies  de  remuneração  por  trabalho  ou  serviços prestados no exercício dos empregos, cargos ou funções  referidos  no  artigo  5°  do  Decretolei  número  5.844,  de  27  de  setembro  de 1943,  e no  art.  16  da Lei  número  4.357,  de  16  de  julho de 1964, tais como:   I  ­  Salários,  ordenados,  vencimentos,  soldos,  soldadas,  vantagens, subsídios, honorários, diárias de comparecimento;   [...]  Parágrafo único. Serão  também classificados como rendimentos  de  trabalho  assalariado  os  juros  de  mora  e  quaisquer  outras  indenizações  pelo  atraso  no  pagamento  das  remunerações  previstas neste artigo.   Sendo assim, tendo em vista o disposto no artigo 3°, § 4° da Lei  n°  7.713,  de  1988,  os  juros  incidentes  sobre  as  verbas  de  natureza  salarial  recebidas  acumuladamente  não  poderiam,  a  princípio, escapar à tributação pelo IRPF.   Fl. 299DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR   14 Todavia, com fundamento na legislação acima citada, o Superior  Tribunal de  Justiça  também  tem se manifestado pela  existência  de  exceções  quanto  à  incidência  do  imposto  de  renda  sobre  os  juros  de  mora  recebidos  quando  do  recebimento  de  verbas  no  âmbito  de  rescisão  do  contrato  de  trabalho,  consoante  posicionamento  externado  quando  do  julgamento  do  REsp  no  1.089.720/RS,  em  10.10.2012  (publicado  em  16.12.2012),  cujo  relator foi o Ministro Mauro Campbell Marques e ao qual aqui  se  acede,  por  ter  não  só  mantido  o  teor  do  anteriormente  decidido no âmbito do REsp 1.227.133 citado no Voto Vencedor,  como  também  explicitado  de  forma  clara,  em  sua  ementa,  a  forma  de  sua  aplicação.  Vejamos,  assim,  a  ementa  da  decisão  cujo teor aqui se adota :   PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART.  535,  DO  CPC.  ALEGAÇÕES  GENÉRICAS.  SÚMULA  N.  284/STF.  IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA  IRPF.  REGRA  GERAL  DE  INCIDÊNCIA  SOBRE  JUROS  DE  MORA.  PRESERVAÇÃO  DA  TESE  JULGADA  NO  RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP.  N. 1.227.133 RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE  OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA  DO  EMPREGO.  ADOÇÃO DE  FORMA CUMULATIVA DA  TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE  PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES  SOBRE  VERBA  ISENTA  OU  FORA  DO  CAMPO  DE  INCIDÊNCIA DO IR.   1.  Não  merece  conhecimento  o  recurso  especial  que  aponta  violação  ao  art.  535,  do  CPC,  sem,  na  própria  peça,  individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão  ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como  sua  relevância  para  a  solução  da  controvérsia  apresentada  nos  autos.  Incidência  da  Súmula  n.  284/STF:  "É  inadmissível  o  recurso  extraordinário,  quando  a  deficiência  na  sua  fundamentação  não  permitir  a  exata  compreensão  da  controvérsia".   2. Regra geral:  incide o IRPF sobre os juros de mora, a  teor do  art.  16,  caput  e  parágrafo  único,  da  Lei  n.  4.506/64,  inclusive  quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua  natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal  (matéria  ainda  não  pacificada  em  recurso  representativo  da  controvérsia).   3. Primeira  exceção:  são  isentos  de  IRPF  os  juros  de mora  quando  pagos  no  contexto  de  despedida  ou  rescisão  do  contrato  de  trabalho,  em  reclamatórias  trabalhistas  ou  não  (grifei).  Isto é,  quando o  trabalhador perde o  emprego, os  juros  de  mora  incidentes  sobre  as  verbas  remuneratórias  ou  indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda.  A  isenção  é  circunstancial  para  proteger  o  trabalhador  em  uma  situação sócioeconômica desfavorável (perda do emprego), daí a  incidência  do  art.  6°,  V,  da  Lei  n.  7.713/88.  Nesse  sentido,  quando  reconhecidos  em  reclamatória  trabalhista,  não  basta  haver  a  ação  trabalhista,  é  preciso  que  a  reclamatória  se  refira  também  às  verbas  decorrentes  da  perda  do  emprego,  sejam  indenizatórias,  sejam  remuneratórias  (matéria  já  pacificada  no  Fl. 300DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13891.720101/2011­16  Acórdão n.º 2301­004.655  S2­C3T1  Fl. 294          15 recurso  representativo  da  controvérsia  REsp  no  1.227.133RS,  Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel .p/acórdão  Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). [...]   4. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de  mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de  incidência  do  IR,  mesmo  quando  pagos  fora  do  contexto  de  despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em  que  não  há  perda  do  emprego),  consoante  a  regra  do  "accessorium sequitur suum principale".   [...]   7.  Recurso  especial  parcialmente  conhecido  e,  nessa  parte,  parcialmente provido. (Grifos no original.)  Sendo assim, verifico que, no caso concreto, os juros de mora sobre as verbas  isentas  (FGTS  e aviso prévio  indenizado)  já  foram excluídos pela decisão  recorrida,  da qual  transcrevo o trecho pertinente:  (...)   Todavia, cabe observar o que estabelece o artigo 6o, inciso V, da  Lei n° 7.713/1988:  Art.  6º  Ficam  isentos  do  imposto  de  renda  os  seguinte  rendimentos percebidos por pessoas físicas:  (...)  V  –  a  indenização  e  o  aviso  prévio  pagos  por  despedida  ou  rescisão  de  contrato  de  trabalho,  até  o  limite  garantido  por  lei,  bem como o montante recebido pelos empregados e diretores, ou  respectivos  beneficiários,  referente  aos  depósitos,  juros  e  correção monetária creditados em contas vinculadas, nos termos  da legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço;  Assim,  devem  ser  excluídos  do  rendimento  bruto  os  valores  correspondentes  ao  Fundo  de Garantia  do  Tempo  de  Serviço  (FGTS)  e  ao  aviso  prévio  indenizado  e  respectivos  juros  e  atualização monetária. (Grifou­se.)  Nada mais há para ser excluído quanto aos juros de mora.    Da dedução dos honorários advocatícios  O  contendor  afirma  que  os  honorários  advocatícios  devem  ser  deduzidos  integralmente  da  base  de  cálculo  do  imposto  sobre  a  renda  (e  não,  como  foi  efetuado  pela  fiscalização, na proporção dos rendimentos isentos e não tributáveis).  Nesse  tema,  já há posicionamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais  (CSRF),  Acórdão  9202­003.518,  sessão  de  11/12/2014,  pela  qual  “os  honorários  devem  ser  considerados dedutíveis até o limite do valor dos rendimentos tributáveis recebidos”:   Fl. 301DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR   16 DEDUÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. ART.  12 DA  LEI N. 7.713/88. POSSIBILIDADE.   Os  honorários  advocatícios  pagos  pelo  contribuinte  têm  natureza  de  despesa  necessária  à  aquisição  dos  rendimentos.  Não há possibilidade de separar o trabalho do advogado entre o  esforço  para  aferimento  de  rendimentos  tributáveis  ou  não  tributáveis na mesma ação judicial. Assim, os honorários devem  ser  considerados  dedutíveis  até  o  limite  do  valor  dos  rendimentos tributáveis recebidos.  Penso  ser  essa  a  melhor  exegese  ao  art.  56,  parágrafo  único,  do  Decreto  3.000,  de  1999  (RIR  99),  que  permite  a  dedução  do  “valor  das  despesas  com  ação  judicial  necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas  pelo contribuinte, sem indenização”, sem fazer distinção entre verbas tributáveis ou não:  Art. 56.  No  caso  de  rendimentos  recebidos  acumuladamente,  o  imposto  incidirá  no  mês  do  recebimento,  sobre  o  total  dos  rendimentos,  inclusive  juros  e  atualização  monetária  (Lei  nº  7.713, de 1988, art. 12).  Parágrafo único.  Para  os  efeitos  deste  artigo,  poderá  ser  deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao  recebimento  dos  rendimentos,  inclusive  com  advogados,  se  tiverem  sido  pagas  pelo  contribuinte,  sem  indenização  (Lei  nº  7.713, de 1988, art. 12).  Assim,  deve  ser  considerado  como  dedução  do  imposto  sobre  a  renda  recebido acumuladamente o valor total pago a título de honorários advocatícios.     Da glosa do imposto sobre a renda retido na fonte  O  contendor  reclama  que  a  decisão  recorrida  aumentou  a  glosa  de  seu  imposto sobre a renda pago. Lhe assiste razão.  Às  instâncias  julgadoras  não  compete  o  lançamento  de  tributos  ou  a  sua  revisão  de  ofício,  no  qual  se  insere  a  glosa  de  despesas,  que  está  a  cargo  das Delegacia  da  Receita  Federal  (art  224,  VI  e  XXII  da  Portaria  MF  203,  de  2012),  mas  simplesmente  julgamento  de  matérias  controversas,  no  limite  em  que  impugnadas  (art.  14  do  Decreto  nº  70.235, de 1972).   Sendo assim, deve a glosa do imposto sobre a renda pago encontrar limite no  valor constante do lançamento, R$1.026,72.    Conclusão  Com base no  exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso e dar­ lhe parcial provimento para que (a) o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente  seja calculado utilizando­se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes no mês em que a parcela  foi reconhecida como devida, na decisão judicial, segundo os critérios estabelecidos pelo Resp.  1.470.720,  (b)  seja  considerado  como  dedução  do  imposto  sobre  a  renda  recebido  Fl. 302DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13891.720101/2011­16  Acórdão n.º 2301­004.655  S2­C3T1  Fl. 295          17 acumuladamente o valor total pago a título de honorários advocatícios e (c) seja considerado o  valor de R$1.026,72 como limite à glosa do imposto sobre a renda pago.   João Bellini Júnior – relator                                 Fl. 303DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR

score : 1.0